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Numero do processo: 10880.919476/2015-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA COMPENSADA COM TRIBUTO DEVIDO NA APURAÇÃO ANUAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO
Não se homologa a compensação de crédito por pagamento indevido ou a maior de estimativas pagas que foram utilizadas na dedução do tributo apurado no final do período, mormente quando o resultado é saldo a pagar.
Numero da decisão: 1302-003.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.919471/2015-73, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA COMPENSADA COM TRIBUTO DEVIDO NA APURAÇÃO ANUAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO Não se homologa a compensação de crédito por pagamento indevido ou a maior de estimativas pagas que foram utilizadas na dedução do tributo apurado no final do período, mormente quando o resultado é saldo a pagar.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA COMPENSADA COM TRIBUTO DEVIDO NA APURAÇÃO ANUAL. NÃO HOMOLOGAÇÃO Não se homologa a compensação de crédito por pagamento indevido ou a maior de estimativas pagas que foram utilizadas na dedução do tributo apurado no final do período, mormente quando o resultado é saldo a pagar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.919471/201573, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Ricardo Marozzi Gregorio, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias, Marcelo José Luz de Macedo (Suplente convocado) e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 94 76 /2 01 5- 04 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10880.919476/201504 Acórdão n.º 1302003.663 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório A recorrente apresentou Declaração de Compensação na qual pretende utilizar crédito de pagamento indevido ou maior. Após análise, a DERAT/São Paulo/SP não homologou a compensação por não ter apurado crédito disponível, uma vez que o pagamento estaria totalmente utilizado para quitação de débito do contribuinte. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando resumidamente: => não retificou a DCTF do período gerando inconsistências e impossibilidade da homologação da compensação. => em 2012 fez o recolhimento de seu imposto com base nos balancetes mensais e apurouse lucro real. => chegou à conclusão que seria mais vantajoso os recolhimentos serem pagos pela receita bruta aplicando percentual de 8% sobre o faturamento para o IRPJ e 12% para CSLL. Apresentou a DCTF do período retificada e planilha com demonstrativo do crédito pleiteado. A 12ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro julgou improcedente a manifestação de inconformidade, com a seguinte ementa: "ASSUNTO": NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/2012 a 29/02/2012 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito do crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. De acordo com a decisão de primeira instância, a simples retificação da DCTF desacompanhada de documentação hábil e idônea (escrituração contábil/fiscal) não pode ser admitida para modificar o despacho decisório. Devidamente cientificada, foi apresentado recurso voluntário, alegando que: => como afirmado pelo Acórdão da DRJ, o contribuinte tem direito ao crédito nas condições postas, desde que comprovada a veracidade das informações declaradas Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10880.919476/201504 Acórdão n.º 1302003.663 S1C3T2 Fl. 4 3 em DCTF e Per/Dcomp e onde alega que houve falta de documentação hábil para tal comprovação. => para a devida comprovação da origem do valor do débito, que resultou no comentado crédito a maior, apresenta a DIPJ/2013, que comprova o valor devido a título de estimativa, bem como DARF pago. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302003.659, de 12/16/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.919471/2015 73, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1302003.659): O recurso voluntário é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele eu conheço. Em apertada síntese, o recorrente alega que efetuou conciliação contábil e constatou que era mais vantajoso pagar a estimativa com base na receita bruta, mas que já havia efetuado o recolhimento com base em balancete de suspensão ou redução. Para demonstração do crédito, apresentou a DIPJ/2013 original, as DCTF retificadas e os DARF. Passo a me pronunciar. No caso concreto, o direito creditório não foi reconhecido em razão da falta de retificação da DCTF na qual declarava o valor original do débito de estimativa, calculado com base em balancete de suspensão ou redução. A DCTF foi retificada após a ciência do Despacho Decisório, reduzindo o valor do débito, fato não impede que a Administração analise o pleito, a teor do Parecer Normativo COSIT nº 2, DE 01/09/2015, cuja ementa transcrevo a seguir: "Assunto". NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10880.919476/201504 Acórdão n.º 1302003.663 S1C3T2 Fl. 5 4 tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. (...) A recorrente, para fins de demonstração que os débitos das estimativas declarados em DCTF retificadora estariam corretos, apresenta a DIPJ/2013 original, transmitida em 24/06/2013. Não há, nos autos, qualquer outro elemento de prova, como a escrituração contábil, em que pese a decisão recorrida ter apontado que seria necessária para comprovação do crédito. Ocorre que, da análise DIPJ/2013, verifico que o crédito pleiteado carece de certeza e liquidez, requisitos previstos no artigo 170 do CTN para o direito ao indébito seja reconhecido. Isto porque é possível constatar que todos os pagamentos de estimativa, calculados com base no balanço de suspensão, foram utilizados para dedução do tributo devido no final. Para esta análise, vale transcrever a tabela elaborada pela recorrente, onde são discriminados os valores devidos de estimativa a título de IRPJ e CSLL: Valor Devido de IRPJ Ficha 11 Receita Bruta Balancete jan/13 51.875,48 51.875,48 66.726,06 fev/13 39.523,03 39.523,03 48.698,62 mar/13 86.795,42 54.790,40 62.769,26 abr/13 62.168,06 62.168,06 117.782,97 mai/13 288.401,66 78.833,40 40.152,12 jun/13 75.480,95 75.480,95 138.418,62 jul/13 85.692,07 85.692,07 114.289,22 ago/13 97.558,88 97.558,88 249.101,76 set/13 80.883,48 80.883,48 130.100,94 out/13 520.873,81 93.058,21 148.937,59 nov/13 567.010,54 208.041,03 195.074,32 dez/13 98.351,56 178.949,24 0,00 Totais 2.054.614,94 1.106.854,23 1.312.051,48 O artigo 2º da Lei nº 9.430/96 determina que a pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real, apuração anual, poderá optar por efetuar recolhimentos mensais por estimativas de IRPJ. Ao final do anocalendário, deverá Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10880.919476/201504 Acórdão n.º 1302003.663 S1C3T2 Fl. 6 5 confrontar o IRPJ devido com a totalidade do imposto de renda pago a título de estimativa ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real. Se o resultado deste confronto for negativo (saldo negativo de IRPJ), o artigo 6º, §1º, inciso II determina que este crédito poderá ser objeto de restituição ou compensação. O mesmo procedimento se aplica a CSLL, por força do artigo 28 da Lei nº 9.430/96. Com base na legislação citada, passemos a analisar a apuração do final do período, conforme demonstrado na DIPJ/2013. Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real Valor R$ IRPJ 15% 860.641,81 Adicional IRPJ 10% 549.761,21 DEDUÇÕES () Programa de Alimentação do Trabalhador 0,00 () Isenção e Redução do Imposto 0,00 () Imposto de Renda Retido na Fonte 0,00 () Imposto de Renda Mensal pago por estimativa 1.312.051,46 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 98.351,46 Do comparativo dos valores constantes entre as tabelas, notase que a recorrente, ao apurar o tributo devido no final do ano, optou por considerar como antecipação a título de estimativa todos os pagamentos recolhidos com base em balancete de suspensão, de modo que cai por terra a alegação de que teria crédito a título de pagamento a maior. Ainda é de se observar que as antecipações não foram suficientes para quitação do tributo (não houve apuração de saldo negativo de imposto de renda), de modo que foi necessário pagamento ao final do período. Conclusão Diante de todo o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 157DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.005199/2006-30
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS.
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e Cofins não-cumulativos sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Conquanto a observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX e art. 15 da Lei 10.833/03, eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda.
Numero da decisão: 9303-008.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire (relator), Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Vanessa Marini Cecconello.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Relator
(documento assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire (relator), Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Vanessa Marini Cecconello. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Relator (documento assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-06-26T22:45:06Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-06-26T22:45:06Z; Last-Modified: 2019-06-26T22:45:06Z; dcterms:modified: 2019-06-26T22:45:06Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-06-26T22:45:06Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-06-26T22:45:06Z; meta:save-date: 2019-06-26T22:45:06Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-06-26T22:45:06Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-06-26T22:45:06Z; created: 2019-06-26T22:45:06Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2019-06-26T22:45:06Z; pdf:charsPerPage: 1826; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-06-26T22:45:06Z | Conteúdo => CSRF-T3 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11080.005199/2006-30 Recurso Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303-008.578 – CSRF / 3ª Turma Sessão de 15 de maio de 2019 Recorrente AVIPAL SA AVICULTURA E AGROPECUARIA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE FRETES. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep e Cofins não-cumulativos sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Conquanto a observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX e art. 15 da Lei 10.833/03, eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire (relator), Andrada Márcio Canuto Natal e Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Vanessa Marini Cecconello. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Relator (documento assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello – Redatora designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 51 99 /2 00 6- 30 Fl. 718DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-008.578 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11080.005199/2006-30 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte (fls. 512/530), admitido pelo despacho de fls. 592/594 contra o Acórdão 3302-01.167, de 11/08/2011, assim ementado na parte recorrida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO. INSUMOS. Os gastos com frete de produtos entre estabelecimentos não geram direito ao crédito de PIS não cumulativo, eis que tal serviço não é utilizado como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Recurso Voluntário Negado. Em síntese, entende a recorrente que a legislação lhe dá guarida para se creditar do valor de fretes de produtos acabados entre seu estabelecimento-produtor, em Porto Alegre/RS, e seus centros de distribuição localizados em diferentes municípios "para que possa operacionalizar a venda desses produtos para seus clientes", ou seja, em período posterior ao da produção. Em consequência, postula a reforma do recorrido "para o fim de rechaçar a glosa dos créditos relativos ao frete entre estabelecimento da recorrente e terceiros não clientes, reconhecendo-se ao direito ao ressarcimento do processo em apreço". Em contrarrazões (fls. 597/611), pugna a PFN pelo improvimento do recurso especial. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire - Relator Conheço do recurso nos termos em que admitido. Emerge do relatado, que o litígio se resume à possibilidade de tomar crédito sobre valores de fretes sobre as transferências de produtos acabados entre o estabelecimento-fabril da empresa e centros de distribuição para posterior venda a seus clientes finais. A matéria não é estranha à esta E. Turma, tendo eu participado de vários julgados, nos quais sempre entendi, como continuo entendendo, que descabe crédito de frete de produtos acabados entre estabelecimentos, pois a própria da norma que versa sobre o PIS não-cumulativo não prevê tal creditamento (art. 3º da Lei 10.637/2002). Aliás, ao contrário da norma que versa Fl. 719DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-008.578 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11080.005199/2006-30 sobre COFINS não-cumulativa (Lei 10.833/2003), não há previsão de qualquer crédito de qualquer espécie de crédito referente a frete para o cálculo do PIS-não cumulativo. E sendo um valor a deduzir do valor da contribuição calculada, por óbvio que não se pode dar um crédito em interpretação extensiva da norma, como seria o caso ante a falta de previsão normativa. Demais disso, o Parecer Normativo COSIT/RFB/ nº 5, de 17/12/2018, ao delimitar os contornos do REsp 1.221.170/PR, sobre a presente contenda definiu, em seu item 5 (gastos posteriores à finalização do processo de produção), o seguinte: 55. Conforme salientado acima, em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, e nos termos decididos pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, em regra somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo-se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas. 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras. ... 59. Assim, conclui-se que, em regra, somente são considerados insumos bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica durante o processo de produção de bens ou de prestação de serviços, excluindo-se de tal conceito os itens utilizados após a finalização do produto para venda ou a prestação do serviço. Todavia, no caso de bens e serviços que a legislação específica exige que a pessoa jurídica utilize em suas atividades, a permissão de creditamento pela aquisição de insumos estende-se aos itens exigidos para que o bem produzido ou o serviço prestado possa ser disponibilizado para venda, ainda que já esteja finalizada a produção ou prestação. Portanto, escorreita a glosa. CONCLUSÃO Em face do exposto, conheço do recurso especial do contribuinte, mas nego-lhe provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Voto Vencedor Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Redatora designada Com a devida vênia ao sempre bem fundamentado voto do Ilustre Relator, prevaleceu no Colegiado o entendimento pela possibilidade de aproveitamento do crédito de PIS e COFINS não-cumulativos decorrentes das despesas com frete de produtos acabados entre estabelecimentos, tendo sido designada esta Conselheira para redigir o voto vencedor. Fl. 720DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-008.578 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11080.005199/2006-30 De início, explicita-se o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrar-se à análise dos itens individualmente. A sistemática da não-cumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autoriza-se a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. 1 O princípio da não-cumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignando-se a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da não-cumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhando- se ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximando-se da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da não-cumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I - do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV - do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não-cumulativas. (grifou-se) Fl. 721DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-008.578 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11080.005199/2006-30 Nessa senda, entende-se igualmente impróprio para conceituar insumos adotar- se o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ - Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poder-se-ia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/2006-72, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equipará-lo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de torná-la inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirma-se que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Fl. 722DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-008.578 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11080.005199/2006-30 Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecer-se o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303-003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para torná-lo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317-MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, Fl. 723DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-008.578 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11080.005199/2006-30 DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO-CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 - Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 - Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não-cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda - IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornando-os impróprios para o consumo. Assim, impõe-se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e Fl. 724DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-008.578 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11080.005199/2006-30 desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifou- se) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 - PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não-cumulativo. Em 24.4.2018, foi publicado o acórdão do STJ, que trouxe em sua ementa: “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. Fl. 725DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 9303-008.578 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11080.005199/2006-30 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte.” Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170-PR pela sistemática dos recursos repetitivos, embora já tenha havido o julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, no sentido de lhe ser negado provimento 3 . Faz-se a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. Para melhor elucidar meu direcionamento, além de ter desenvolvido o conceito de insumo anteriormente, importante ainda trazer que, recentemente, foi publicada a NOTA SEI PGFN/MF 63/2018: "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014." A Nota clarifica a definição do conceito de insumos na “visão” da Fazenda Nacional (Grifos meus): 3 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRA ACÕRDÃO QUE DEU PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. CONCEITO DE INSUMO. PIS. COFINS. CREDITAMENTO DE DESPESAS EXPRESSAMENTE VEDADAS POR LEI. ARGUMENTOS TRAZIDOS UNICAMENTE EM SEDE DE DECLARATÓRIOS. IMPOSSIBILIDADE. INDEVIDA AMPLIAÇÃO DA CONTROVÉRSIA JULGADA SOB O RITO ART. 543-C DO CPC/73 (ART. 1.036 DO CPC/15). OMISSÃO OU OBSCURIDADE NÃO VERIFICADAS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DA UNIÃO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. É vedado, em sede de agravo regimental ou embargos de declaração, ampliar a quaestio veiculada no recurso especial, inovando questões não suscitadas anteriormente (AgRg no REsp 1.378.508/SP, Rel. Min. FELIX FISCHER, DJe 07.12.2016). 2. Os argumentos trazidos pela UNIÃO em sede de Embargos de Declaração, (enquadramento como insumo de despesas cujo creditamento é expressamente vedado em lei), não foram objeto de impugnação quando da interposição do Recurso Especial pela empresa ANHAMBI ALIMENTOS LTDA, configurando, portanto, indevida ampliação da controvérsia, vedada em sede de Embargos Declaratórios. 3. Embargos de Declaração da UNIÃO a que se nega provimento. (EDcl no REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/11/2018, DJe 21/11/2018) Fl. 726DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 9303-008.578 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11080.005199/2006-30 “41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Busca-se uma eliminação hipotética, suprimindo-se mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." Com tal Nota, restou claro, assim, que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Ademais, tal ato ainda reflete sobre o “teste de subtração” que deve ser feito para fins de se definir se determinado item seria ou não essencial à atividade do sujeito passivo. Eis o item 15 da Nota PGFN: “15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente - cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observa-se que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo Fl. 727DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 9303-008.578 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11080.005199/2006-30 produtivo, comprometem a consecução da atividade-fim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques.” No caso dos autos, controverte-se acerca da possibilidade de tomada de crédito da contribuição para o PIS não-cumulativo com relação ao frete entre estabelecimentos de produtos acabados. Em outras ocasiões, esta 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais manifestou-se sobre o tema, firmando entendimento no sentido da possibilidade de creditamento das despesas com frete de produtos acabados entre estabelecimentos por se constituir como parte da "operação de venda". Nesse sentido, é o Acórdão n.º 9303-008.099, de relatoria da Nobre Conselheira Tatiana Midori Migiyama, cujos fundamentos passam a integrar o presente voto como razões de decidir, com fulcro no art. 50, §1º da Lei n.º 9.784/1999, in verbis: [...] Quanto à primeira discussão, vê-se que essa turma já enfrentou a matéria, tendo sido firmado o posicionamento de que os custos de frete de mercadorias entre estabelecimentos gerariam o direito à constituição de crédito das contribuições. Frise-se a ementa do acórdão 9303-005.156: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matérias primas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu Fl. 728DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 9303-008.578 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11080.005199/2006-30 objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matéria-prima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto.” Nesse ínterim, proveitoso citar ainda os acórdãos 9303-005.155, 9303-005.154, 9303-005.153, 9303-005.152, 9303-005.151, 9303-005.150, 9303-005.116, 9303-006.136, 9303-006.135, 9303-006.134, 9303-006.133, 9303-006.132, 9303-006.131, 9303-006.130, 9303-006.129, 9303-006.128, 9303-006.127, 9303-006.126, 9303-006.125, 9303-006.124, 9303-006.123, 9303-006.122, 9303-006.121, 9303-006.120, 9303-006.119, 9303-006.118, 9303-006.117, 9303-006.116, 9303-006.115, 9303-006.114, 9303-006.113, 9303-006.112, 9303-006.111, 9303-005.135, 9303-005.134, 9303-005.133, 9303-005.132, 9303-005.131, 9303-005.130, 9303-005.129, 9303-005.128, 9303-005.127, 9303-005.126, 9303-005.125, 9303-005.124, 9303-005.123, 9303-005.122, 9303-005.121, 9303-005.127, 9303-005.126, 9303-005.125, 9303-005.124, 9303-005.123, 9303-005.122, 9303-005.121, 9303-005.120, 9303-005.119, 9303-005.118, 9303-005.117, 9303-006.110, 9303-004.311, etc. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX e art. 15 da Lei 10.833/03 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Sendo assim, não compartilho com o entendimento do acórdão recorrido ao restringir a interpretação dada a esse dispositivo. [....] Com base nessas considerações, deu-se provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o Voto. (documento assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 729DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.912404/2016-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2012
ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL.
No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
Numero da decisão: 3302-006.984
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Walker Araújo votou pelas conclusões na questão de produção de prova apresentada na fase recursal.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Walker Araújo votou pelas conclusões na questão de produção de prova apresentada na fase recursal. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 24 04 /2 01 6- 00 Fl. 145DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-006.984 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912404/2016-00 Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório, emitido eletronicamente que não homologou a compensação de crédito de PIS/Cofins declarado em PER/DCOMP. Tal decisão estaria fundamentada no fato de que a partir das características do DARF descrito na declaração, foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Devidamente cientificado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, pleiteando, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório. No particular alega ausência de fundamentação, ausência de motivação e inocorrência de intimação para prestar esclarecimentos, os quais permitiriam ao Fisco conhecer a origem do crédito pretendido. Cita o art. 37 da CF, e observa que o ato administrativo deve respeitar o principio da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Por outro lado, defende que houve desvio de finalidade do ato administrativo. Sustenta que o despacho teria a função de exprimir o parecer da fiscalização e que, ao decidir pela não homologação da declaração de compensação, permitiria a instauração do contraditório administrativo. Entretanto, o despacho em comento teria extrapolado sua função precípua, tornando-se meio oblíquo para interrupção do prazo de homologação previsto no § 5º do art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996. No seu entendimento, o desvio de finalidade teria se materializado porque a interrupção do prazo de decadência é consequência do ato, jamais podendo ser seu objetivo. Argumenta, ainda, que houve prejuízo ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal, pois a contribuinte não disporia das razões da não homologação da compensação declarada. No mérito, defende a reforma da decisão, aduzindo, incialmente que o Princípio da Verdade Material deve possibilitar à contribuinte a posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas na presente manifestação. Requer a inaplicabilidade da multa em face do princípio do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Sustenta que a multa aplicada sobre o montante do tributo devido é inconstitucional e ilegal, sendo seu valor excessivo. Defende que multa aplicada em razão de infrações não pode ultrapassar os limites da lei e que o tributo deve ser regulado pelo princípio da capacidade contributiva. Argumenta que o Ministro Celso de Mello reconheceu como confiscatória a multa do art. 3º, § único, da Lei n.º 8.846, de 1994. Acrescenta que há impedimento constitucional e legal à bitributação e ao bis in idem. Sustenta que, em que pesem a previsibilidade legal dos dispositivos que fixam os parâmetros da multa, no caso de imposto informado e recolhido em atraso, existem princípios que se irradiam sobre diferentes normas, compondo-lhes o espírito e servindo como critérios para sua exata compreensão, razão pela qual as leis não podem distanciar-se dos princípios fundamentais que regem o ordenamento jurídico. Fl. 146DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-006.984 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912404/2016-00 Por seu turno, a DRJ indeferiu a Manifestação de Inconformidade, firmando o entendimento de que não havia sido juntada aos autos documentação que comprovasse o crédito alegado. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário onde defende a possibilidade de posterior juntada de documentos, especialmente em razão de fato superveniente, e aborda novamente os pontos tratados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 006.958, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 11020.912379/2016-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-006.958): O Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva e reveste-se dos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Sinteticamente, entende-se que em relação a requerimentos de compensação de créditos tributários compete a quem requer o reconhecimento do direito aos créditos produzir as provas que demonstrem a liquidez e certeza dos mesmos. No caso concreto, tendo sido o Despacho Decisório prolatado eletronicamente, a oportunidade de se provar a liquidez e certeza dos créditos é quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o que não ocorreu. A Recorrente não juntou à Manifestação de Inconformidade qualquer documento que pudesse demonstrar o seu direito aos créditos pleiteados. Posteriormente, apenas quando da interposição do Recurso Voluntário foram juntadas planilhas, todavia desacompanhadas de qualquer livro contábil ou nota fiscal. Entende-se que o momento final para produção de provas do crédito pleiteado é, no máximo, quando da apresentação da manifestação de inconformidade e a produção de provas no Recurso Voluntário somente tem lugar na hipótese da decisão da DRJ haver as considerado insuficientes, situação na qual elas poderão ser complementadas quando da apresentação do Recurso Voluntário. No caso concreto a Manifestação de Inconformidade veio desacompanhada de quaisquer documentos, na qual a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, atacando tão somente as razões de direito. Passo à análise dos argumentos recursais. 1. ANÁLISE DAS PRELIMINARES (i) Preliminar - possibilidade de juntada de documentos em sede recursal, especialmente em razão de fato superveniente. (B.1 do Recurso Voluntário) Como já salientado, o momento para a produção das provas acerca do direito creditório pleiteado é quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Fl. 147DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-006.984 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912404/2016-00 Não há dúvidas que a busca da verdade material é um princípio norteador do Processo Administrativo fiscal. Contudo, ao lado dele, também de matiz constitucional está o princípio da legalidade, que obriga a todos, especialmente à Administração pública, da qual este Colegiado integra, a obediência as normas legais vigentes, merecendo destaque o Decreto 70.235 estabeleceu o momento da prática dos atos, sob pena ainda de se atentar ainda contra outro princípio constitucional, qual seja o da duração razoável do processo. O referido Decreto especifica objetivamente o momento da produção das provas no seu artigo 16. "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" O próprio Decreto 70.235, no mesmo artigo 16 especifica as hipóteses em que é possível a produção posterior de provas, o que faz de forma taxativa. "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância". É certo que este colegiado admite a juntada de provas em sede recursal, contudo apenas nos casos em que o Recorrente tenha demonstrado, na Impugnação, ou Manifestação de Inconformidade, como é o caso, a impossibilidade de se trazer aquela prova no momento oportuno (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade), o que definitivamente não ocorreu no caso concreto. Admitir-se deliberadamente a produção probatória na fase recursal subverteria todo o rito processual e geraria duas consequências indesejáveis (i) caso fosse determinado que o feito retornasse à instância original, implicaria uma perpetuação do processo e, (ii) caso as provas fossem apreciadas pelo CARF sem que tivessem sido analisadas pela DRJ, geraria indesejável supressão de instância e, em ambos os casos, representaria afronta direta ao texto legal que rege o processo administrativo fiscal. Por esta razão afasto as preliminares arguidas. (ii) Preliminar de nulidade do despacho decisório eletrônico. (B.2. do Recurso Voluntário) (iii) Preliminar de nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação. (B.2.1 do Recurso Voluntário) (iv) Preliminar de nulidade do despacho decisório por desvio de finalidade. (B.2.2. do Recurso Voluntário) e (v) Preliminar de prejuízo do contraditório, ampla defesa e devido processo legal (B.2.3 do Recurso Voluntário). Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, respeitosamente, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Entende-se que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião na qual o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu Fl. 148DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-006.984 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912404/2016-00 alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, o que não restou demonstrado no caso concreto, não podendo ser a citada decisão proferida pelo STF considerada como tal, eis que em nada altera a situação concreta. Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, tem-se que encontram-se presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. O ato também foi fundamentado na legislação nele apresentada. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito. A Recorrente afirma que o despacho decisório foi praticado em desvio de finalidade. Desvio de Finalidade, segundo o Professor Alessandro Dantas Coutinho, é "... quando o agente, apesar de competente para a prática do ato, o faz buscando alcançar outro interesse que não é o público." (COUTINHO, Alessandro Dantas e RODOR, Ronald Kruger Manual de Direito Administrativo. Rio de Janeiro, Forense, 2015 p. 406), o que não ocorreu no caso concreto, eis que não foi proferido como meio de interromper o prazo quinquenal para homologação do crédito, como afirma a Recorrente, mas é um procedimento oficial adotado pela Receita Federal do Brasil e plenamente reconhecido pelo CARF e pelo Poder Judiciário. Finalmente, também ao contrário do que afirma a Recorrente, o despacho eletrônico não violou o contraditório, a ampla defesa, nem o devido processo legal, inclusive possibilitando que ela apresentasse as provas do seu crédito. A Recorrente não apontou de que maneira a suposta ilegalidade teria limitado o seu direito, prevalecendo a regra segundo a qual não há nulidade sem que seja demonstrado o prejuízo eventualmente advindo do alegado vício. Por estas razões, afasto a preliminar suscitada. 2. ANÁLISE DO MÉRITO. Mérito - Princípio da Verdade Material que norteia o processo administrativo. (C.1 do Recurso Voluntário) e materialidade e suficiência dos créditos compensados. recolhimento de contribuições sobre base de cálculo indevida. decisão definitiva proferida pelo STF durante o curso do processo administrativo fiscal (C.2 do Recurso Voluntário) O mérito da presente controvérsia deveria ser o direito da Recorrente aos créditos que alega possuir. Contudo, diante do fato de que não produziu provas da existência dos alegados créditos, a discussão no Recurso Voluntário foi deslocada para o momento da produção das provas. Em relação ao referido direito à produção de provas, a Recorrente defende que este direito não deve encontrar qualquer limite temporal, verbis: "... devendo ser assegurado ao contribuinte o direito de apresentação de prova sem qualquer limitação...". A ponderação entre a verdade material invocada pela Recorrente e os demais princípios que norteiam o processo administrativo fiscal já foi anteriormente realizada e embora Fl. 149DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-006.984 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912404/2016-00 efetivamente constitua um relevante princípio constitucional, não existem princípios constitucionais absolutos, e ele deve coexistir com os demais, especialmente o da legalidade e o da duração razoável do processo. Em relação à referida decisão judicial, tratada pela Recorrente como fato novo, efetivamente não tem o condão de reabrir a fase probatória. Merece destaque que o termo "fato ou a direito superveniente" deve dizer respeito a algo novo que não existia à época em que o ato deveria ser realizado. No caso concreto este "fato superveniente" em nada influiu na possibilidade ou não da Recorrente ter juntado, à época própria, os documentos comprobatórios do seu crédito. Mérito - inaplicabilidade da multa em face do princípio constitucional do não confisco e dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. (C.3 do Recurso Voluntário) A Recorrente insurge-se contra a alegada falta de razoabilidade e de proporcionalidade da multa aplicada, todavia esta análise é vedada ao CARF por força da Súmula CARF 2, com efeitos vinculantes, que veda a este colegiado manifestar-se acerca da constitucionalidade de norma jurídica em vigor. Conclusivamente, é de se afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu afastar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 150DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.000805/2004-13
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1999
GLOSA DE CUSTOS.
Os impostos recuperáveis não podem fazer parte do custo das mercadorias vendidas.
ARRENDAMENTO MERCANTIL.
São dedutíveis na apuração do lucro líquido apenas os gastos relativos a arrendamento mercantil de bens intrinsecamente ligados à produção ou comercialização dos bens e serviços. CSLL. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão acerca do lançamento decorrente, tendo em vista que decorrem dos mesmos elementos de convicção.
Numero da decisão: 1103-000.765
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Os demais conselheiros acompanharam o Relator pelas conclusões.
Nome do relator: Mário Sérgio Fernandes Barroso
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Os impostos recuperáveis não podem fazer parte do custo das mercadorias vendidas. ARRENDAMENTO MERCANTIL. São dedutíveis na apuração do lucro líquido apenas os gastos relativos a arrendamento mercantil de bens intrinsecamente ligados à produção ou comercialização dos bens e serviços. CSLL. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão acerca do lançamento decorrente, tendo em vista que decorrem dos mesmos elementos de convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso. Os demais conselheiros acompanharam o Relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 08 05 /2 00 4- 13 Fl. 443DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0719.16331.9AG9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000805/200413 Acórdão n.º 1103000.765 S1C1T3 Fl. 426 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Cristiane Silva Costa, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório JORSIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, empresa acima identificada, foi submetida a procedimento fiscal. Durante a realização dos trabalhos de auditoria fiscal, a fiscalização apurou as seguintes irregularidades, descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 296/307: O contribuinte deduziu do custo de forma indevida o IPI recuperável, no montante de R$ 70.375,03; O interessado deduziu de forma indevida do Custo dos Produtos de Fabricação Própria, valores referentes a bens arrendados. Em decorrência das faltas apuradas, foram lavrados em 21/05/04 os seguintes autos de infração: Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 310/312): Total do crédito tributário, R$ 26.334,25, incluídos o tributo, multa e juros de mora. Fundamento legal citado à fl. 311; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 315/316): Total do crédito tributário, R$ 50.403,94, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal citado à fl. 316. O contribuinte apresentou defesa de fls. 327/331 e 349/354, em 16/09/04, alegando em síntese que: o Termo de Procedimento Fiscal não acompanhou o auto de infração; o Termo de Verificação e o auto de infração foram lavrados fora do estabelecimento do impugnante; o Termo de Verificação, Termo de Encerramento e auto de infração não contemplam a data real da efetivação do presente auto; “deparase, portanto, com uma cobrança inexistente, ou seja, cobrança indevida, devendo assim ser anulado o presente auto de infração; os veículos são utilizados pela indústria, pela administração e para o transporte de compradores e estão intrinsicamente relacionados com a produção e comercialização dos produtos; Fl. 444DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0719.16331.9AG9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000805/200413 Acórdão n.º 1103000.765 S1C1T3 Fl. 427 3 não foram observados os princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal; a IN 11/96, artigo 25, alíneas “d”, “e” e “g” acobertariam os custos lançados; “os valores de impostos adicionados à compra de insumos, nada prejudica a apuração de imposto de renda, pois simploriamente falando o valor dos tributos (ICMS e IPI) foram deduzidos quando da saída das mercadorias, causando um empate técnico e por conseguinte não causando qualquer prejuízo aos cofres públicos” (doc. Anexo); A 7.ª Turma da DRJ em São Paulo I decidiu por meio do acórdão n.º 16 15.374, em 09 de novembro de 2007 (ementa): “CUSTOS. Os impostos recuperáveis não devem fazer parte dos custos da mercadoria vendida. ARRENDAMENTO MERCANTIL. São dedutíveis na apuração do lucro líquido apenas os gastos relativos a arrendamento mercantil de bens intrinsecamente ligados à produção ou comercialização dos bens e serviços. CSLL. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão acerca do lançamento decorrente, tendo em vista que decorrem dos mesmos elementos de convicção.” A contribuinte, alega: Que no Acórdão supra mencionado, vislumbramos um equívoco de interpretação, que naturalmente desnorteou o julgamento "a quo" senão vejamos: " 2.1 o contribuinte deduziu do custo de forma indevida o IPI recuperável, no montante de R$ 70.375,03;" No entanto Nobres Julgadores, o auto de infração se refere à IRPJ e CSLL em nada implicando o IPI recuperável. DO DIREITO Que o auto de infração foram lavrados fora do estabelecimento do impugnante; Ora Preclaros Julgadores, os veículos em pauta se referem à bens móveis ligados intrinsecamente com a produção e comercialização, pois não obstante a categoria dos mesmos, este eram realmente utilizados, haja vista que quando da fiscalização, os tais estavam dispostos no pátio da recorrente, sendo utilizados por qualquer funcionário que necessitasse, como dizer que apenas pelo modelo do automóvel e não pela sua utilização, que o arrendamento mercantil não pode ser deduzido; Pergunta qual o percentual da multa; Fl. 445DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0719.16331.9AG9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000805/200413 Acórdão n.º 1103000.765 S1C1T3 Fl. 428 4 Não foram observados os princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal; Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Quanto a primeira infração custo dos bens ou serviços vendidos superavaliação de compras, a recorrente alega que não fora lançado a respeito dessa matéria o que não condiz com o auto de infração de fl. 333, quanto ao mérito da infração a recorrente não traz nenhum argumento. Assim, como não contraditada devese manter o lançamento nesta parte, até porque as provas dos autos demonstram que o contribuinte na apuração do custo dos produtos vendidos, informara valores de compra de matériasprimas e embalagem que continham o valor do IPI recuperável, no montante de R$ 70.375,03. De acordo com o artigo 289, §3º, do RIR/99 (equivalente ao art. 231, §3 do RIR/94), temos: “Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). (...) § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal.” Assim, a glosa foi corretamente efetuada. DO AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO FORA DO ESTABELECIMENTO Para este questionamento colaciono a súmula n.º 6 do CARF, a saber: Fl. 446DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0719.16331.9AG9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000805/200413 Acórdão n.º 1103000.765 S1C1T3 Fl. 429 5 “É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.” Quanto a segunda infração, ou seja, a dedução de forma indevida do Custo dos Produtos de Fabricação Própria, dos valores referentes a bens arrendados, temos que esta matéria está disciplinada na Lei nº 9.249/95, artigo 13, II, que tem a seguinte redação: “Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: (....) II das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou imóveis, exceto quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços;” A definição do que seja intrinsecamente relacionado com a produção ou comercialização dos bens e serviços se encontra na INSRF nº 11/96, artigo 25, parágrafo único, in verbis: “Art. 25. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro é vedada a dedução: I das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou imóveis, exceto quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços; II de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços. Parágrafo Único. Consideramse intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização: a) Os bens móveis e imóveis utilizados no desempenho das atividades de contabilidade ; b) Os bens imóveis utilizados como estabelecimento da administração; c) os bens móveis utilizados nas atividades operacionais, instalados em estabelecimento da empresa; Fl. 447DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0719.16331.9AG9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000805/200413 Acórdão n.º 1103000.765 S1C1T3 Fl. 430 6 d) os veículos do tipo caminhão, caminhoneta de cabine simples ou utilitário, utilizados no transporte de mercadorias e produtos adquiridos para revenda, de matériaprima, produtos intermediários e de embalagem aplicados na produção; e) os veículos do tipo caminhão, caminhoneta de cabine simples ou utilitário, as bicicletas e motocicletas utilizados pelos cobradores, compradores e vendedores nas atividades de cobrança, compra e venda; f) os veículos do tipo caminhão, caminhoneta de cabine simples ou utilitário, as bicicletas e motocicletas utilizados nas entregas de mercadorias e produtos vendidos; g) os veículos de transporte coletivo de empregados; h) os bens móveis e imóveis utilizados em pesquisa e desenvolvimento de produtos ou processos; i) os bens móveis e imóveis próprios, locados pela pessoa jurídica que tenha a locação como objeto de sua atividade; j) os bens móveis e imóveis objeto de arrendamento mercantil nos termos da Lei nº 6.099, de 1974, pela pessoa jurídica arrendadora; l) os veículos utilizados na prestação de serviços de vigilância móvel, pela pessoa jurídica que tenha por objeto essa espécie de atividade.” No caso em tela os bens objeto de arrendamento mercantil eram: Automóvel Alfa Romeo 164 (importado); Automóvel Audi A3; Veículo GM/Blazer DLX 4.3 V6 Estes bens se enquadram na categoria de automóveis de luxo e jamais poderiam ser considerados intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização, conforme texto legal acima reproduzido. O recorrente não juntou aos autos nenhuma comprovação de que estes veículos tenham sido utilizados em uma das funções consideradas como intrinsecamente ligadas a produção. Ou seja, não há provas da utilização destes veículos conforme a exceção do art. 13, da Lei n.º 9.249, de 1995, “exceto quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços”. Adiciono, que os veículos em questão não tem a natureza precípua de transporte de mercadorias. Há outros veículos no mercado adequados para este mister e que possuem preço bem inferior. Fl. 448DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0719.16331.9AG9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 19515.000805/200413 Acórdão n.º 1103000.765 S1C1T3 Fl. 431 7 Da mesma forma, o transporte de empregados, vendedores ou potenciais compradores nestes tipos de veículos não é a regra do mercado. Em geral as empresas disponibilizam veículos mais populares para esta função. Assim, não há reparos a fazer no acórdão atacado, e esta infração deve ser mantida também. O percentual da multa está perfeitamente identificado no auto de infração, a saber 75%. Da CSLL O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão acerca do lançamento decorrente, tendo em vista que decorre dos mesmos elementos de prova. Quanto a alegação de que não foram observados os princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, a recorrente não explica como estes direitos inalienáveis teriam sido ofendidos, e o que vemos é que nos presentes autos, tudo ocorreu da forma correta, com respeito aos prazos, com intimações etc. Assim, estas alegações não passam de retóricas. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 02 de outubro de 2012 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 449DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.0719.16331.9AG9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO em 09/10/2012 15:08:27. Documento autenticado digitalmente por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO em 09/10/2012. Documento assinado digitalmente por: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA em 28/12/2012 e MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO em 09/10/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 09/07/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP09.0719.16331.9AG9 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 3C51C4A60949EF048AACA3DAB4834801E44B3CFC Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 19515.000805/2004-13. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 10935.004238/2009-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DESPESAS DEDUTÍVEIS. EFETIVO DESEMBOLSO. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao contribuinte fazer prova de fatos modificativos ou extintivos do lançamento questionado.
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO DESEMBOLSO.
É legítima a exigência de maiores esclarecimentos a fim de comprovar a efetiva ocorrência de despesas médicas declaradas, mormente quando há indícios de inidoneidade dos documentos apresentados.
Numero da decisão: 2402-007.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Sergio da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado).
Nome do relator: PAULO SERGIO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 DESPESAS DEDUTÍVEIS. EFETIVO DESEMBOLSO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte fazer prova de fatos modificativos ou extintivos do lançamento questionado. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO DESEMBOLSO. É legítima a exigência de maiores esclarecimentos a fim de comprovar a efetiva ocorrência de despesas médicas declaradas, mormente quando há indícios de inidoneidade dos documentos apresentados.
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EFETIVO DESEMBOLSO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte fazer prova de fatos modificativos ou extintivos do lançamento questionado. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO DESEMBOLSO. É legítima a exigência de maiores esclarecimentos a fim de comprovar a efetiva ocorrência de despesas médicas declaradas, mormente quando há indícios de inidoneidade dos documentos apresentados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente. (documento assinado digitalmente) Paulo Sergio da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 42 38 /2 00 9- 63 Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10935.004238/200963 Acórdão n.º 2402007.386 S2C4T2 Fl. 277 2 Maurício Nogueira Righetti, Paulo Sergio da Silva, Renata Toratti Cassini e Gabriel Tinoco Palatnic (Suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 258) pelo qual a recorrente se indispõe contra decisão em que a autoridade de piso considerou apenas parcialmente procedente impugnação apresentada contra lançamento de IRPF, no valor de R$ 19.467,94 (acrescidos de juros e multa), incidente sobre glosa de dedução indevida com dependentes e glosa de dedução indevida de despesas médicas, declaradas nas DIRPF dos exercícios de 2005 a 2007. Consta da decisão recorrida (fls 196) o seguinte resumo do fatos verificados até aquele momento processual: Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10935.004238/200963 Acórdão n.º 2402007.386 S2C4T2 Fl. 278 3 Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10935.004238/200963 Acórdão n.º 2402007.386 S2C4T2 Fl. 279 4 Ao analisar o caso, em 30.11.2009, entendendo a autoridade de piso que 1) a contribuinte demonstrou que o pai (ALCINO CARRARA) era de fato seu dependente; 2) comprovou o efetivo pagamento de parte das despesas médicas glosadas; e que 3) não há elemento nos autos que deixem clara a existência de dolo a justificar a aplicação da multa de Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10935.004238/200963 Acórdão n.º 2402007.386 S2C4T2 Fl. 280 5 ofício qualificada; decidiu pela procedência parcial da impugnação, alterando o crédito discutido conforme a seguinte tabela: Ainda irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, reforçando os argumentos da impugnação e pedindo o cancelamento do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio da Silva, Relator. Da admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais para sua admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Das alegações da contribuinte Tratase de recurso meramente procrastinatório, onde a contribuinte reitera as alegações da impugnação. Assim, após analisar os documentos apresentados, especialmente os recibos, notas fiscais e demais instrumentos relacionados às despesas glosadas, que deram origem ao crédito remanescente; por entender aplicável no presente voto o mesmo juízo adotado pela autoridade de piso, nos termos do art. 57, § 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4/6/17, colacionase excerto da decisão recorrida, tratando da matéria: (...) Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10935.004238/200963 Acórdão n.º 2402007.386 S2C4T2 Fl. 281 6 (...) Vale destacar, ainda, as diferenças significativas nas assinaturas opostas pelos emitentes nos recibos apresentados (como, por exemplo, às fls 46 e 47 Lucilene Poubel e às fls 100 e 101 Fagner Griggio), abaixo colacionados: Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10935.004238/200963 Acórdão n.º 2402007.386 S2C4T2 Fl. 282 7 (...) (...) Observase, também, que a exigência de esclarecimentos por parte da fiscalização não se dá por mero preciosismo ou por sanha arrecadatória, conforme consta do recurso, mas por dever de ofício da autoridade fiscal, no cumprimento das normas que regem a matéria e que obrigam o agente a buscar elementos capazes de formar seu convencimento quanto ao fato a ser provado. Ademais, sendo legítimos os documentos apresentados pela recorrente, não seria difícil trazer aos autos elementos complementares a fim de demonstrar a efetiva prestação dos serviços declarados. No entanto, passados mais de dez anos do lançamento, até o presente momento, não foi juntado qualquer elemento a fim de demonstrar a ocorrência das despesas discutidas. Assim, não cabe razão à contribuinte quanto às despesas médicas discutidas. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário apresentado e , no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo o crédito tributário discutido. Assinado digitalmente Paulo Sergio da Silva – Relator Fl. 282DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.727732/2015-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
EMBARGOS INOMINADOS
Diante de erro material devido a lapso manifesto, cabível o acolhimento dos embargos.
Numero da decisão: 1201-002.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos inominados para fins de retificar o valor de R$ 6.229,29 para R$ 4.219,29, a ser retirado da base de cálculo de receitas omitidas.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, André Severo Chaves (Suplente Convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos inominados para fins de retificar o valor de R$ 6.229,29 para R$ 4.219,29, a ser retirado da base de cálculo de receitas omitidas. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, André Severo Chaves (Suplente Convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos inominados para fins de retificar o valor de R$ 6.229,29 para R$ 4.219,29, a ser retirado da base de cálculo de receitas omitidas. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, André Severo Chaves (Suplente Convocado) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório 1. Tratam-se de Embargos Inominados apresentados pela autoridade preparadora em face do r. Acórdão nº 1201-002.147, exarado na sessão de 15 de maio de 2018. Esta c. Câmara, por maioria de votos, deu parcial provimento ao Recurso Voluntário interposto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 77 32 /2 01 5- 98 Fl. 1491DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-002.972 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.727732/2015-98 pela Recorrente TREZE ADMINISTRADORA DE BENS LTDA, CNPJ 10.962.391/0001-89, apenas para que os valores de R$ 6.229,29 e R$ 250.000,00 sejam retirados da base de cálculo de receitas omitidas. Da mesma forma, que o valor de R$ 250.000,00 não seja considerado pagamento sem causa para incidência do IRRF de 35%. Por fim, que a multa qualificada seja afastada em relação a autuação do IRRF. 2. A questão de fundo remete a autos de autos de infração cientificados em 29/12/2015 para a exigência dos débitos de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF relativos aos anos-calendário de 2010 a 2012, acrescidos de multa de ofício de 150% e juros de mora. 3. Em decorrência da não comprovação de que a vultosa movimentação financeira seria relacionada somente à sua atividade imobiliária e, também da não comprovação da finalidade dos sucessivos pagamentos / retiradas de recursos de suas contas, o contribuinte incorreu nas seguintes infrações tributárias sujeitas a lançamento de ofício: “Omissão de Receita por Presunção Legal” e “Pagamentos sem causa ou a beneficiário não identificado”. 4. A contribuinte apresentou, tempestivamente, a impugnação administrativa e na sessão de 11 de julho de 2016, a 10ª Turma da DRJ/BHE, por unanimidade de votos, considerou improcedente a impugnação para: (i) manter integralmente, as exigências do IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF, acrescidas de multa de ofício de 150% e dos juros de mora cabíveis; (ii) manter a responsabilidade tributária imputada aos sócios Cláudio Fernando Mendonça e Viviane Aparecida da Costa; e (iii) considerar não formulado o pedido de perícia, nos termos do Acórdão nº 02-69.376 (fls. 1156/1199). 5. Cientificada da decisão, as Recorrentes apresentaram Recurso Voluntário (fls. 1281/1371) em 26/08/2016 (AR de 27/07/2016, fls. 1271, 1272 e 1273). 6. Por fim, o Acórdão embargado restou assim ementado: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72. O lançamento está alinhado às diretrizes contidas nos artigos 142, do CTN e no artigo 50, da Lei nº 9.784/99. Não há que falar em vício formal e/ou material. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 DECADÊNCIA. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. CONTAGEM NA FORMA DO ARTIGO 173, I, DO CTN. De acordo com a Súmula CARF nº 72, caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, consubstanciada na qualificação da multa de ofício, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. APLICABILIDADE. Fl. 1492DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-002.972 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.727732/2015-98 A autoridade fiscal observou os dois pressupostos hábeis a legitimar a adoção da presunção de omissão de receitas prevista no artigo 42, da Lei nº 9.430/96: respeitou os limites legais ao individualizar os lançamentos considerados de origem não comprovada e intimou e reintimou o contribuinte para comprovar a origem dos depósitos bancários. Diante da não comprovação pelo sujeito passivo, pode haver o correspondente lançamento de tributos. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SÚMULA 182 DO TFR. INAPLICABILIDADE. A Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recurso não se aplica aos lançamentos efetuados com base na presunção legal de omissão de rendimentos prevista no artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996. CONTRATO DE MÚTUO. CONDIÇÕES DE VALIDADE. Para que seja comprovada a relação obrigacional estabelecida em um contrato de mútuo é necessário que esse contrato esteja amparado em determinadas condições que atestem a sua efetividade, dentre elas a existência de contrato escrito com definição do valor mutuado e da data da sua disponibilidade, previsão de cobrança de juros e de prazo de vencimento do mútuo e prova do pagamento dos juros e da quitação do valor do empréstimo, pelo mutuário, ao final do contrato. Contratos meramente verbais desprovidos de elementos probatórios não possuem validade frente à administração tributária. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Cabível a aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN. APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. A autoridade fiscal trouxe elementos probatórios capazes de demonstrar que o contribuinte teria praticado a conduta dolosa descrita no artigo 71, da Lei nº 4.502/64. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO E VIOLAÇÃO À CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do não-confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Aplicável o teor da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2010, 2011 PAGAMENTO SEM CAUSA COMPROVADA. TRIBUTAÇÃO. Estão sujeitos à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, os pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação que lhe deu causa, sem prejuízo da glosa das despesas que resultam em redução indevida do lucro líquido do período. MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. AUSÊNCIA DE CARACTERIZAÇÃO DA CONDUTA DOLOSA. Fl. 1493DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-002.972 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.727732/2015-98 Não pode o julgador presumir o elemento doloso na conduta do agente, tampouco aplicar a qualificadora em sentido amplo. Cabe a autoridade fiscalizadora demonstrar o elemento subjetivo da conduta, o dolo precisa ser provado. Se não há a causa do pagamento (artigo 674 do RIR/99), a priori não há como presumir ou provar o intuito doloso." 7. Os Embargos foram opostos e admitidos pela r. presidência, em virtude da autoridade preparadora, responsável pela liquidação do r. Acórdão nº 002.147, ter evidenciado erro no cálculo do valor que deve ser retirado da base de cálculo de receitas omitidas. É o relatório. Voto 8. No mérito entendo assistir razão à embargante, vez que de fato evidencio erro de cálculo no item "III. Dos rendimentos oriundos do aluguel de imóveis", tópico 98, do r. Acórdão embargado. 9. Conforme consignado no referido item, "a r. DRJ procedeu à consolidação em apuração única e fez o cotejo com os valores declarados, a fim de verificar a existência de importâncias a serem deduzidas do lançamento": 10. A partir desses valores, esta relatora concluiu que “merece reparo o item 1, visto que o valor de R$ 6.229,29 deve ser retirado da base de cálculo de receitas omitidas, pois a Recorrente logrou êxito em comprovar a origem dos valores”. 11. Contudo, conforme elucidado pela r. autoridade fiscal responsável pela liquidação, restou evidenciado erro no cálculo do valor que deve ser retirado da base de cálculo de receitas omitidas. Confira-se: Na tabela incluída no Acórdão, os valores com comprovação de origem no ano de 2010 são R$ 21.096,45 e R$ 210.528,72, referentes aos locatários Multitubos e Doeler, Fl. 1494DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-002.972 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.727732/2015-98 respectivamente. A soma desses valores consta como R$ 233.635,17, quando o correto seria R$ 231.625,17. Portanto, o cotejo do total de valores comprovados com os valores declarados (227.405,88) resulta na diferença negativa de R$ 4.219,29, e não de R$ 6.229,29, conforme informado. Observa-se que o erro deve-se à inclusão na soma do valor relativo ao ano, que, no caso, foi 2.010. O mesmo erro foi constatado no cálculo referente ao ano de 2.011, em que o total de R$ 493.055,60 de receitas comprovadas e a diferença de R$ 444.701,67 foram apurados, quando o correto seria R$ 491.044,60 e R$ 446.712,67, respectivamente. Segue planilha com a demonstração dos cálculos, após correção: Face ao exposto, solicita-se o saneamento do Acórdão nº 1201-002.147 – 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, uma vez que comprovado o erro de cálculo do valor a ser deduzido da base de cálculo." 12. Em vista de tais considerações, deve ser ajustada prolação da decisão para que conste, ao invés do valor de R$ 6.229,29, o valor de R$ 4.219,29 a ser retirado da base de cálculo de receitas omitidas. Redação Original: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apenas para que os valores de R$ 6.229,29 e R$ 250.000,00 (itens 105 e 138, respectivamente) sejam retirados da base de cálculo de receitas omitidas. E ainda que o valor de R$ 250.000,00 não seja considerado pagamento sem causa para incidência do IRRF de 35%, bem como afastar a multa qualificada em relação a autuação do IRRF, vencido o conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, que afastava toda a autuação de IRRF; e José Carlos de Assis Guimarães que afastava a multa qualificada das autuações e também afastava a responsabilidade solidária. Redação Proposta/Ajustada: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apenas para que os valores de R$ 4.219,29 e R$ 250.000,00 sejam retirados da base de cálculo de receitas omitidas. Da mesma forma, que o valor de R$ 250.000,00 não seja considerado pagamento sem causa para incidência do IRRF de 35%. Por Fl. 1495DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-002.972 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10183.727732/2015-98 fim, que a multa qualificada seja afastada em relação a autuação do IRRF, vencido o conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, que afastava toda a autuação de IRRF; e José Carlos de Assis Guimarães que afastava a multa qualificada das autuações e também afastava a responsabilidade solidária." 13. Por fim, para que não pairem dúvidas, o ajuste de valor relativo ao ano- calendário de 2011, não modifica os termos do r. acórdão. Isso porque, os valores comprovados (R$ 491.044,60, ao invés de R$ 493.055,60) continuam sendo inferiores aos próprios valores declarados espontaneamente (R$ 937.757,27). Como os valores já declarados foram aproveitados integralmente nos lançamentos, resta mantida a conclusão desta no sentido de que os valores parcialmente comprovados não devem ser novamente excluídos da relação de receitas que compuseram o lançamento. Conclusão 14. Diante do exposto, entendo que os presentes embargos inominados devem ser acolhidos para fins retificar o valor de R$ 6.229,29 para R$ 4.219,29, a ser retirado da base de cálculo de receitas omitidas. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 1496DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.900019/2008-85
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/02/2000 a 29/02/2000
LEI Nº 9.718/1998, ART. 3º, § 2º, INCISO III. STJ. JULGAMENTO EM RECURSO REPETITIVO. ART 62 - REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Por meio do REsp nº 1.144.469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática dos recursos repetitivos, firmou-se a tese de que o art. 3º, § 2º, inciso III da Lei nº 9.718/1998 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica.
COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3002-000.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Larissa Nunes Girard (Presidente).
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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STJ. JULGAMENTO EM RECURSO REPETITIVO. ART 62 - REGIMENTO INTERNO DO CARF. Por meio do REsp nº 1.144.469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática dos recursos repetitivos, firmou-se a tese de que o art. 3º, § 2º, inciso III da Lei nº 9.718/1998 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica. COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Larissa Nunes Girard (Presidente). Relatório Trata o processo de compensação de PIS/Pasep pago a maior, para a utilização do crédito original no valor de R$ 1.037,71, relativo ao período de apuração fevereiro/2000, para a quitação de débito de IPI (fls. 37 a 41), não homologada pela ausência/insuficiência de créditos. A recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 2 a 10), na qual informou que seu crédito tinha origem na exclusão das receitas transferidas para outras pessoas AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 90 00 19 /2 00 8- 85 Fl. 93DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3002-000.803 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.900019/2008-85 jurídicas da base de cálculo de PIS/Cofins, prevista no art. 3º, § 2º , inciso III da Lei nº 9.718/1998. Afirmou que, a despeito da alegação da Fazenda de que o dispositivo não havia sido regulamentado, o que impossibilitaria a sua utilização, entendia que o texto legal era aplicável e que nenhuma norma regulamentadora poderia dispor sobre a base de cálculo das contribuições, por se tratar de matéria reservada à lei. Transcreveu decisões do TRF 4ª Região favoráveis à sua tese. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre proferiu o Acórdão nº 10-16.261 (fls. 47 a 50), por meio do qual decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. O relator rechaçou a discussão sobre constitucionalidade de leis por tribunal administrativo, exceto quando se tratar de decisões definitivas do STF, nos termos do Decreto nº 2.346/1997 e, quanto ao mérito, afirmou que o dispositivo não havia sido regulamentado, sendo irrelevante o argumento de regulamento não poder alterar lei, pois o dispositivo não tinha o atributo da auto-executoriedade e, enquando não expedido ato regulamentador, embora vigente, não produziria efeitos. Por fim, ressaltou que não havia sido juntado um único documento aos autos que demonstrasse a certeza e liquidez das exclusões pretendidas pelo contribuinte, o que já seria suficiente para afastar o pedido. O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2000 a 28/02/2000 Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação — Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE - O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. Compensação não Homologada O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 10.09.2008, conforme Aviso de Recebimento constante à fl. 57, e protocolizou seu Recurso Voluntário em 08.10.2008, conforme carimbo na página inicial do Recurso Voluntário - fl. 58. Em seu Recurso Voluntário (fls. 58 a 87), a recorrente retoma, fundamentalmente, as mesmas alegações, discorrendo sobre: - a impossibilidade de norma do poder executivo dispor sobre a base de calculo de contribuições, visto que a matéria é reservada à lei, não podendo ser tratada por regulamentos (aplicação do princípio da estrita legalidade em matéria tributária); - a prescindibilidade de regulamentação do inciso III, que produziu efeitos durante o período de sua vigência; - a vigência do dispositivo legal em comento, que se iniciou com a publicação da Lei, em fevereiro/1999, e foi revogado pela MP nº 1.991-18, publicada em 10/06/2000 – aplicando-se o princípio da anterioridade nonagesimal, findou a sua vigência em agosto/2000; - o princípio da irretroatividade da lei tributaria e o direito adquirido; - a declaração de inconstitucionalidade da parte final do art. 18 da Lei nº 9.718/1998, que determinava a retroatividade da lei aos fatos geradores ocorridos a partir de Fl. 94DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3002-000.803 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.900019/2008-85 outubro/1995, não afeta a efetividade do que dispõe a própria lei, mas apenas a retroatividade do regramento; e - a repristinação no direito brasileiro e as regras vigentes no período de outubro/1995 a outubro/1999 e o direito à compensação pelo PIS relativo a esse período. O processo foi distribuído equivocadamente para a 1ª Seção, que providenciou a declinação de competência, sendo, finalmente, distribuído para esta relatora. É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard, Relatora. O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A decisão de primeira instância fundamenta-se em dois pilares: o fato de o dispositivo legal invocado pelo contribuinte para justificar a alegação de pagamento a maior não ter produzido efeitos e a ausência de prova, afinal nenhum documento foi juntado para demonstrar que montante teria sido efetivamente transferido para terceiras pessoas. Tanto o Acórdão recorrido quanto o Recurso Voluntário são atos do ano de 2008, tendo sido já assentada a jurisprudência relativa ao tema, de forma definitiva, em sentido contrário ao que defende a recorrente. O cerne da discussão é a vigência do inciso III do art. 2º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, que aqui se transcreve com o texto revogado, para melhor compreensão da matéria: Art. 3 o O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. ........................................................................................................ §2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluem-se da receita bruta: ........................................................................................................ III - os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Revogado pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) (grifado) Tal matéria foi objeto de exame pelo STJ que, no julgamento do REsp nº 1.144.469/PR, na sistemática de recursos repetitivos, decidiu que o inciso III não teve eficácia jurídica no período em que vigeu. Transcreve-se a ementa apenas na parte de interesse ao exame, relativa ao recurso interposto pela Fazenda Nacional: RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO-APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas Fl. 95DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3002-000.803 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.900019/2008-85 jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.158-35, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL.(grifado) Logo, e considerando que o § 2º do art. 62 do Regimento Interno do Carf determina que a decisão definitiva de mérito, proferida por Tribunal Superior na sistemática dos recursos repetitivos, deve ser reproduzida pelos conselheiros, não pode o contribuinte alegar crédito contra a Fazenda Nacional com base em dispositivo legal que jamais teve eficácia. O trânsito em julgado do REsp nº 1.144.469/PR se deu em 10.03.2017. A decisão em relação a essa matéria bastaria para se negar provimento ao Recurso Voluntário, mas devo consignar que descabe razão ao contribuinte em relação a todos os aspectos sob análise nestes autos. Como bem ressaltou a DRJ, o contribuinte não juntou um único documento para demonstrar a correição do montante que teria transferido para terceiros, não se desincumbindo do ônus probatório que lhe cabia. Assim, nega-se provimento tendo também como fundamento a ausência de prova. A recorrente traz ainda uma série de argumentos sobre vigência e retroatividade que entendo ser desnecessário rebater diante das explanações acima, suficientes para rechaçar qualquer argumentação. O julgador não está obrigado a rebater ponto a ponto se estão presentes fundamentos que embasam satisfatoriamente a decisão, o que creio ser o caso. Com essas considerações, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11070.001252/2006-42
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-000.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta confirme o resultado dos processos de n° 11070.0000.031/2004-95, 11070001134/2004-72, 11070001746/2004-65 e 11070.000376/2005-20, com posterior retorno a este CARF, informando o resultado, para continuidade do julgamento.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan, André Severo Chaves e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta confirme o resultado dos processos de n° 11070.0000.031/200495, 11070001134/200472, 11070001746/200465 e 11070.000376/200520, com posterior retorno a este CARF, informando o resultado, para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan, André Severo Chaves e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário, contra o acórdão número 18 10.198, da 2ª Turma da DRJ/STM, que negou provimento à impugnação, impetrada pela ora recorrente, contra o auto de infração acompanhado do demonstrativo de fl. 78 e do Termo de Constatação Fiscal Multa Isolada IRRF de fls. 72/76, formalizando a exigência de Multa de Oficio Multa isolada de 75% relativamente a compensações indevidas, consideradas não declaradas conforme Despacho Decisório DRF/SAO, de 17/07/2006 (cópia às fls. 65/69), referente a débitos de IRRF, com intimação para recolhimento do valor de R$ 5.777,57, tendo como base legal o art. 90 da MP n° RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 70 .0 01 25 2/ 20 06 -4 2 Fl. 272DF CARF MF Processo nº 11070.001252/200642 Resolução nº 1001000.115 S1C0T1 Fl. 91 2 2.158/35, de 2001; o art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n° .I l.05l. de 2004 e pelo art. l17 da Lei n° 11.196, de 2005; o art. 44 da Lei n° 9.430, de I996.. Segue o relatório: .é sociedade cooperativa cujo objeto é a prestação de serviços e comercio de produção agrícola em geral, conforme seu estatuto social; .foi autora do processo judicial n° 2003.71.05.0052888, onde discutiu a legalidade e a constitucionalidade do PIS sobre a folha de pagamento, tendo havido decisão do TRF 4a/R que entendeu pela inexigibilidade da exação, bem como determinou o ressarcimento dos valores indevidamente recolhidos ao Erário, tanto através de precatório, quanto pelo procedimento de compensação regulado pelo art. 66 da Lei n° 8.383, de 199 1; .nos termos da decisão judicial e do art. 66 da Lei n° 8.383, de l99l, realizou mensalmente a compensação dos valores referentes à exação discutida judicialmente com créditos tributários vincendos; .apresentou Declaração de Compensação art. 21, § l°, da IN SRF n° 210, de 2002 na qual informa a ocorrência do referido procedimento com base em pagamentos indevidos realizados a titulo de PIS, não tendo sido homologada a compensação, ao entendimento de que o crédito utilizado é originado em ação judicial sem trânsito em julgado. reconhecendo, assim, que, quanto ao instituto da compensação em matéria tributária, só caberia a aplicação do art. l70 do CTN; .em face do lançamento, pela glosa da compensação efetuada, a autoridade fiscal entendeu que deveria, além de cobrar os valores relativos ao montante principal, também o relativo às multas isoladas sobre as diferenças apuradas pela compensação, no equivalente a 75%, formalizando, assim, isoladamente, auto de infração, referente às compensações de IRRF; .a referida autuação segue um montante principal, que já está sendo autuado em outro processo e, como tal, deve seguir o seu andamento, ou seja, a cobrança relativa ao montante do principal sendo indevida, da mesma forma o será o acessório, que é a multa isolada; .partindose do pressuposto de que o instituto da compensação em matéria tributária tem cabimento não apenas pela aplicação do art. 170 do CTN, e que a Cooperativa estava autorizada a efetuar a compensação, concluise que a mesma não cometeu nenhuma infração, tendo procedido conforme a legislação tributária e jurisprudência da Suprema Corte, sendo descabida a autuação procedida; .pelos mesmos fundamentos de que não são devidos os valores relativos ao montante principal, também não o são os relativos à multa cobrada; .merece ser revisto o percentual aplicado, que se demonstra exacerbado e em desproporção ao previsto pela legislação mais benigna. Cientificada em 17/04/2009 (fl 222), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 06/05/2009 (fl 225). Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Fl. 273DF CARF MF Processo nº 11070.001252/200642 Resolução nº 1001000.115 S1C0T1 Fl. 92 3 Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, portanto, dele eu conheço. A DRJ negou provimento à impugnação, alegando: Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála, sem perquirir acerca da justiça ou injustiça dos efeitos que gerou. O lançamento, corno sabido, é uma atividade vinculada, sendo de se presumir que a lei aprovada nos estritos moldes constitucionais tenha estabelecido multas, para cada situação, dentro de limites aceitáveis. Conforme determinação legal, as multas de ofício aplicáveis são de 75% e 150% art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 ~ donde decorre que ocorrendo os requisitos legais fáticos e a constatação da falta prevista em regramento próprio, deverá ser implementado o lançamento, sem margem de discrição, em consonância com o art. 142 do CTN, observado o art. 97, inciso V, daquele diploma legal. Como dito, a multa aplicada está estabelecida em lei. A Administração Tributária, Segundo o art. 37 da CF, esta obrigada a seguir o principio da legalidade, decorrendo daí uma atividade plenamente vinculada. Então, observadas as disposições contidas no art. 7° da Portaria MF n° 58, de 2006 (o julgador deve observar o disposto no art. 116, inciso III, da Lei 8.112, de 1990, bem assim o entendimentos da SRF, expresso em atos normativos), se o legislador entendeu que nos casos como os ora em debate, a multa aplicável seria de 75%, não tem a área administrativa de julgamento. competência e poderes para, através de um juízo discricionário, admitir a inaplicabilidade ou evitabilidade de aplicação da penalidade. Ademais, se mostra inconteste o fato de existir em Declaração de Compensação informações de compensações vedadas, de forma cristalina, pela legislação de regência, se podendo referir, especialmente, às disposições contidas no art. 90 da Medida Provisória n° 2.158, de 200l: ... Disso decorre que, uma vez não admitida a utilização do direito de credito. O tornouse indevido o seu aproveitamento, cabendo então o lançamento de ofício. Nesse passo. cabível apontarse as disposições contidas no art. l8 da lei n° 10.833, de 2003 (antes Medida Provisória n° 135, de 2003), que se reproduz: Art". 18. O lançamento de oficio de que trata o art; 90 da Medida Provisória n" 2.15835, de 24 de agosto de 2001. limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarse~a unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal. de o crédito ser de natureza não tributária. ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n"4.502, de 30 de novembro de .1 964. § 1° Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6"” a 11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1 996. Fl. 274DF CARF MF Processo nº 11070.001252/200642 Resolução nº 1001000.115 S1C0T1 Fl. 93 4 § 2" A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2” do art. 44 da Lei n" 9. 430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. § 3° Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. De acordo com os fundamentos da autuação, entendese que a exigência foi corretamente formulada, tendo havido observação da legislação vigente por ocasião da ocorrência dos fatos. Verifiquese, ainda, que atualmente o art. 18 da Lei n° 10.833, de 2003. alterado pelo art. 18 da Lei n° 11.488, de 2007, tem o seguinte teor: Art. 18. Os arts. 3" e 18 da Lei n” 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: “Art 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória n” 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. §2° A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso 1 do caput do art. 44 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. aplicado em dobro. e terá como base de cálculo o valor total do debito indevidamente compensado. §4° Será também exigida multa isolada sobre o valor total do debito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso 11 do § 12 do art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei 9. 430. de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1°, quando for o caso. §5° aplicase o disposto no § 2" do art. 44 da Lei ri" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, as hipóteses previstas nos §§ 2” e 4” deste artigo. " Considerandose que a contribuinte buscou junto ao Poder Judiciário o seu direito à compensação, tendo pretendido compensar valores devedores de .IRRF com créditos de PIS, cujo direito foi obtido naquela esfera de poder, e, observandose que tal compensação foi efetivada antes do trânsito em julgado da sentença, concluise que se mostram presentes os requisitos básicos para demonstração da culpabilidade, o que enseja a aplicação do previsto no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofíicio. serão aplicadas as seguintes multas. calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;(..) É de se registrar, ainda,, ainda que considerações sobre a graduação da penalidade não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa. uma vez definida objetivamente pela lei. Portanto, frente a compensações indevidas corno aquelas aqui verificadas, cabia à Fiscalização, após a vigência da Lei n° 10.833, de 2003, apenas aplicar a multa de ofício isolada nos percentuais previstos pelo art. 44 da .Lei n° 9.430, de 1996, como designa o § 2° do art. 18 daquela Lei. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 11070.001252/200642 Resolução nº 1001000.115 S1C0T1 Fl. 94 5 DE EVENTUAIS DECISÕES JUDICIAIS EFEITOS Face à jurisprudência judicial referida pela contribuinte no corpo de sua impugnação, deve ser esclarecido que as decisões judiciais, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente tendo aplicação à questão em análise no processo judicial, vinculando apenas as partes envolvidas naquele litígio, excetuandose disso as decisões do STF sobre inconstitucionalidade da legislação. Dessa forma, as decisões referidas pela contribuinte somente aproveitam aos processos em que se desenvolveram, com todos os seus elementos e peculiaridades envolvidas. A recorrente, em seu recurso, repete os argumentos trazidos em sede impugnação, adiciona outros, conforme resumo , a seguir: · Tendo em vista a decisão judicial, bem como o disposto no art. 74 da Lei n° 9.430/96, a Recorrente passou a realizar mensalmente a compensação dos valores referentes à exação discutida judicialmente com créditos tributários vincendos. · Os DecretosLeis n°s 2.445 e 2.449/88, foram fulminados em razão da inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal. · Outrossim, a Recorrente nos autos do processo judicial renunciou ao recebimento do seu crédito mediante precatório, tendo em vista que optou pela compensação administrativa, bem como o Poder Judiciário homologou seu requerimento, conforme segue decisão em anexo. Cita decisões judiciais, alega que a multa tem caráter abusivo e culmina pedindo: ISTO POSTO, REQUER a V. Sa., que se digne a receber o presente RECURSO VOLUNTÁRIO e documentos, tempestivamente apresentados, independentemente da apresentação do arrolamento de bens e direitos, haja vista a declaração de inconstitucionalidade da sua exigência, para o fim de acolher as razões expostas, declarando a insubsistência do auto de infração, primeiramente porque a legislação aplicável a compensação é a vigente à época do ajuizamento da ação, Lei n° 9430/96, portanto, a compensação deveria ser considerada como nãohomologada e, conseqüentemente, inaplicável a multa isolada, bem como diante da ausência de amparo legal para a imposição da presente penalidade. Ademais disto, merece ser anulado o presente auto de infração, face ao direito reconhecido à Recorrente, através de decisão transitada em julgado, ao crédito tributário utilizado na compensação tributária, bem como diante do correto procedimento de compensação, realizado com amparo da Lei n° 9.430/96 e na r. decisão judicial, de modo que, não prevalecendo a cobrança do principal, não deve prevalecer o acessório. Observase, pelos fatos descritos nos autos, que as compensações, realizadas pela recorrente, foram objeto de glosa pela autoridade fiscal, em mais de um processo e a multa isolada, objeto do auto de infração em discussão, está sendo tratada em um processo separado. A DRJ não levou em consideração este fato, conforme a sua decisão; senão vejamos: Fl. 276DF CARF MF Processo nº 11070.001252/200642 Resolução nº 1001000.115 S1C0T1 Fl. 95 6 b) nada será referido neste Voto quanto aos questionamentos relativos à possibilidade de realização de compensação, porquanto tal questão deve ter tratamento no processo administrativo de origem (acima citado). Os processos, a que se refere a DRJ, segundo consta nos autos, são os de n° 11070.0000.031/200495, 11070001134/200472, 11070001746/200465 e 11070.000376/200520, cujo resultado, não nos foi dado saber. Assim, considero que o resultado desta lide é dependente do resultado daqueles processos, consoante o que dispõe o art. 18, da Lei 10.833/2003: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.158 35, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo § 3° Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. (grifei) Portanto, proponho a conversão do presente processo em diligência à unidade de origem para que esta informe o resultados dos processos epigrafados com posterior retorno a este CARF para continuidade do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 277DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.901560/2008-18
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O ressarcimento de IPI e a sua compensação com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, cujo ônus é do contribuinte.
A insuficiência no direito creditório reconhecido acarretará a não homologação da compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim.
OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS NÃO SÃO DE COMPETÊNCIA DO CARF SE PRONUNCIAR.
SÚMULA Nº. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3003-000.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Marcos Antônio Borges - Presidente.
Márcio Robson Costa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCIO ROBSON COSTA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O ressarcimento de IPI e a sua compensação com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, cujo ônus é do contribuinte. A insuficiência no direito creditório reconhecido acarretará a não homologação da compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS NÃO SÃO DE COMPETÊNCIA DO CARF SE PRONUNCIAR. SÚMULA Nº. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marcos Antônio Borges - Presidente. Márcio Robson Costa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1571; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T3 Fl. 2 1 1 S3C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13830.901560/200818 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3003000.250 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 14 de maio de 2019 Matéria PEDIDO DE COMPENSAÇÃO Recorrente RORATTO INDUSTRIA DE MATERIAIS DE CONSTRUCOES LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O ressarcimento de IPI e a sua compensação com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, cujo ônus é do contribuinte. A insuficiência no direito creditório reconhecido acarretará a não homologação da compensação quando a certeza e liquidez do crédito pleiteado não restar comprovada através de documentação contábil e fiscal apta a este fim. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS NÃO SÃO DE COMPETÊNCIA DO CARF SE PRONUNCIAR. SÚMULA Nº. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marcos Antônio Borges Presidente. Márcio Robson Costa Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 15 60 /2 00 8- 18 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 13830.901560/200818 Acórdão n.º 3003000.250 S3C0T3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Por bem retratar os fatos reproduzo o relatório proferido pela DRJ na oportunidade em que apreciou a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente. Cuida o presente de pedido de ressarcimento a título de IPI, relativo ao 3o trimestre de 2004, cujo crédito restaria demonstrado por meio do PER/Dcomp n. 33616.24107.141004.1.3.015561 (fls. 02/14). Através do despacho decisório de fl. 24, em face do direito creditório solicitado/utilizado, no montante de R$ 18.788,15, reconheceuse crédito de R$ 9.072,28, ante constatação de utilização, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data de apresentação do PER/Dcomp. A quantia, insuficiente à compensação da totalidade dos débitos pela interessada vinculados ao direito creditório, ensejou a não homologação da compensação declarada por meio do PER/Dcomp n. 14339.75282.280307.1.3.011770. Restou, com efeito, exigência no montante principal de R$ 6.095,94, acrescido de multa e juros de mora, respectivamente de R$ 1.219,17 e 3.609,68. Inconformada, em 02 de janeiro de 2009, apresenta a interessada manifestação de inconformidade (fls. 33/48), onde, em síntese, preliminarmente, assevera que não seria possível extrair da decisão recorrida todos os elementos necessários à formulação de perfeito juízo dos fundamentos utilizados como razão de decidir, em prejuízo do exercício do direito de defesa. Maculados, assim, além do art. 31 do Decreto n. 70.235, de 1972, o art. 5o da Carta Maior, motivo porque padeceria a decisão de nulidade absoluta. Aduz que caberia ao administrador público, ao constituir o crédito tributário, fazêlo de modo ficassem demonstrados os fatos jurídicos tributários que ensejaram o respectivo ato. Descritos abstratamente na norma, sem os últimos não nasceriam as obrigações tributárias, conforme disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). A constituição do crédito fiscal, portanto, ofenderia a legislação pátria, maculando de insanável vício o trabalho do agente público. No mérito, alega que a inexistência do débito tributário seria de fácil conclusão. Através do PER/Dcomp n. 14339.75282.280307.1.3.011770, verificarseia que o crédito Fl. 136DF CARF MF Processo nº 13830.901560/200818 Acórdão n.º 3003000.250 S3C0T3 Fl. 4 3 remanescente teria sido totalmente consumido, e sua origem restaria comprovada pela compensação anterior. Argumenta que caberia à autoridade fiscal desconstituir a compensação, demonstrando os aspectos considerados para a formação do débito. Argüi o caráter confiscatório da multa aplicada, a qual desatenderia também aos primados da razoabilidade e proporcionalidade, em afronta à Constituição Federal e à Lei n. 9.784, de 1999. Em respeito ao princípio da isonomia, ante analogia ao art. 52, §1o, da Lei 9.298, de 1996, caso não seja a multa objeto de anulação, entende a manifestante que o percentual máximo à aplicação da multa corresponderia a 2% (dois por cento). Defende que aplicação da taxa Selic a título de juros moratórios seria ilegal e inconstitucional, na medida em que não teria a lei criado, para fins tributários, referida taxa, mas tão somente mandado aplicála, delegando seu cálculo a ato governamental sujeito às naturais oscilações do mercado financeiro. Ofendidos, entre outros, o princípio da legalidade tributária, da anterioridade e da indelegabilidade da competência tributária. Sustenta, ainda que admitida a regular criação da Taxa Selic para fins tributários, que, em vista do art. 161 do CTN, à lei ordinária, restaria autorizada a fixação de juros em patamar igual ou inferior a 1% (um por cento) ao mês. Caso pretendesse superar tal limite, deveria o legislador valerse de lei complementar, status por intermédio do qual recepcionado precitado Código. Ao final: Diante dos fatos e fundamentos expostos, bem como pelos mais que possam ser acrescidos à luz de Vossa Sabedoria, requer, a Vossa Senhoria, que seja reformada a decisão administrativa, para que ao final seja homologada a compensação realizada. Todavia, caso não seja este o entendimento de Vossa Senhoria, requer em caráter subsidiário que a multa aplicada seja reduzida, como também afastada a aplicação da Taxa Selic. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admissíveis, tais como documentais, testemunhais, periciais, e outros que se fizerem necessários, o que desde já se requer. Para tanto, carreia aos autos os documentos de fls. 49/82. Ao julgar o caso a 3ª Turma da DRJ de Belém do Pará, proferiu o acórdão n.º 0128.971 negando provimento ao Recurso voluntário. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 13830.901560/200818 Acórdão n.º 3003000.250 S3C0T3 Fl. 5 4 A recorrente manifestou seu inconformismo apresentando Recurso Voluntário, requerendo que seja modificada a r. decisão recorrida, com o escopo de que seja declarada totalmente homologada a compensação, tendo em vista a legitimidade e adequação do crédito utilizado pela empresa recorrente e ainda que seja reconhecido a ilegalidade e inconstitucionalidade da aplicação da multa, ou que ao menos seja esta reduzida. É o relatório. Voto Márcio Robson Costa, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. Compulsando os autos, verifico que o despacho decisório negou provimento ao pedido de ressarcimento requerido pela Recorrente, conforme tela. Vejamos: Prosseguindo e analisando a documentação acostada ao processo, vejo que há o extrato de pedido de ressarcimento (efls 2 a 21) e o despacho decisório de fls 24 é seguido de planilhas demonstrativas de créditos e débitos do IPI. Prosseguindo, temse que após a Manifestação de inconformidade foi apresentado apenas a declaração de compensação. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13830.901560/200818 Acórdão n.º 3003000.250 S3C0T3 Fl. 6 5 Ao proferir o seu julgamento, a DRJ relata que por ausência de saldo suficiente e por adequada decisão da autoridade fiscal, deixa de dar provimento a Manifestação de inconformidade porque, segundo o relator, o valor do ressarcimento limitase ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao protocolização do pedido. Vejamos o voto: (...) Estas, de forma suficientemente esclarecedora, especialmente em vista do demonstrativo de apuração após o período de ressarcimento de fls. 26/27, permitem concluir que a não homologação da compensação relativa ao PER/Dcomp n. 14339.75282.280307.1.3.011770 devese à ausência de saldo credor do período anterior pela própria declarante acusada, de acordo com o Livro Registro de Apuração do IPI integrante do PER/Dcomp em questão (fl. 17). Ou seja, conforme textualmente advertido no ato administrativo objeto da inconformidade, tevese por consumido o saldo credor passível de ressarcimento, em vista, sublinhese, das informações pela própria interessada oferecidas, antes da apresentação da declaração de compensação. A constatação, simultaneamente, notese, decide o mérito da controvérsia, calcado na suposta existência do direito creditório pela manifestante defendida. Ausente, por conseguinte, a preterição do direito de defesa a que se reporta o art. 59 do Decreto n. 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade do ato em epígrafe. Outrossim, em conformidade com o art. 74, §6o, da Lei n. 9.430, de 1996, incluído pela Lei n. 10.833, de 2003, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados. Não homologada a compensação, em obediência ao art. 74, §7o, do mesmo Diploma Legal, também incluído pela Lei n. 10.833, de 2003, a autoridade administrativa tem o dever de cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de trinta dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. Correto, portanto, o procedimento adotado no âmbito da Administração Tributária. Inexiste, pois, vício a supostamente macular a exigência fiscal. No entendimento do colegiado, a recorrente deveria ter demonstrado a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado, por meio da apresentação de escrituração contábilfiscal, lastreada em documentos hábeis e idôneos. Embora o Recurso Voluntário relate que comprovou de forma suficiente o crédito pleiteado não há nos autos provas nesse sentido, conforme anteriormente relatado há Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13830.901560/200818 Acórdão n.º 3003000.250 S3C0T3 Fl. 7 6 apenas o extrato demonstrativo do PER/DCOMP, sendo este um documento declaratório preenchido pela recorrente e já apreciado pela fazenda nacional. Analisando os autos, observase que a recorrente não apresentou, em nenhuma das fases, documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Com efeito, para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente o Pedido de Compensação e alegações. Fazse necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábilfiscal (ex. LAIP e notas fiscais) e documentação hábil e idônea que a lastreie. Importa destacar que incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado. Nesse sentido, o Código de Processo Civil, em seu art. 373, dispõe: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Assim, o Código de Processo Civil, no art. 373, distribui o ônus da prova conforme a posição processual que a parte assume. Se ela está no polo ativo, competelhe provar o fato constitutivo de seu pretenso direito. Se no polo passivo, cabelhe provar fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito alegado pelo autor. De igual forma é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção das provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...)III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 140DF CARF MF Processo nº 13830.901560/200818 Acórdão n.º 3003000.250 S3C0T3 Fl. 8 7 b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Como se sabe, a parte incumbida do ônus probatório possui o amplo direito de produzir a prova. A parte adversa, em contrapartida, tem o amplo direito à contraprova, pois só assim o contraditório e a ampla defesa serão igualmente garantidas às partes. O ônus de prova é a incumbência que a parte possui de comprovados fatos que lhe são favoráveis no processo, visando à influência sobre a convicção do julgador, nesse sentido, a organização e vinculação dos documentos com as matérias impugnadas e a reunião de suas informações na escrituração contábil seria indispensável para um convencimento. Modernamente defendese a divisão do ônus probandi entre as partes sob a égide da paridade de tratamento entre estas. Francesco Carnelutti, no clássico Teoria Geral do Direito1, assim leciona: Quando um determinado fato é afirmado, cada uma das partes tem interesse em fornecer a prova dele, uma delas a de sua existência e a outra a da sua inexistência; o interesse na prova do fato é, portanto, bilateral ou recíproco.(grifei) Acerca da dinâmica supramencionada e sua possível modificação em razão das peculiaridades do caso concreto Fabiana Del Padre Tomé (2016, p. 392) 2 posicionase: “Entendemos, portanto, que a prova dos fatos constitutivos cabe a quem pretenda o nascimento da relação jurídica, e a dos extintivos, impeditivos ou modificativos, a quem os alegue, independentemente de ser autor ou réu.” Mais adiante, ao tratar notadamente de matéria tributária, a autora assevera: “Devidamente provado o fato enunciado pelo Fisco ou pelo contribuinte, as alegações que pretendam desconstituílo devem, igualmente, estar fundadas em elementos probatórios. Tudo, na esteira da regra segundo a qual o ônus/dever da prova cabe a quem alega, não se admitindo, na esfera tributária, convenções que alterem essa forma de distribuição.” Quanto à utilização do argumento de que a Fazenda Pública goza de presunção de veracidade no exercício de seus atos administrativos, a doutrina majoritária aponta diversas falhas na tentativa de conexão à inversão do ônus da prova, é por esta razão que Hugo de Brito Machado pontua: “...não se aplica ao lançamento tributário a doutrina segundo a qual os atos administrativos gozam de presunção de validade, 1 CARNELUTTI, Francesco. Teoria geral do direito. (Tradução de Antônio Carlos Ferreira). São Paulo: Lejus, 1999, p.541 (in Temas Atuais de Direito Tributário) 2 TOMÉ, Fabiana Del Padre. Efetividade do direito e a “carga dinâmica da prova” prevista no Código de Processo Civil de 2015: implicações nos processos tributários. In: Carvalho, Paulo de Barros (Cood.); Souza, Priscila de (Org.). 50 anos do Código Tributário Nacional. São Paulo: Noeses, 2016. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13830.901560/200818 Acórdão n.º 3003000.250 S3C0T3 Fl. 9 8 cabendo sempre ao particular o ônus da prova dos fatos necessários a infirmálos”. 3 Diante da complexidade de um processo de compensação tributária o recorrente deve se preocupar em formar o convencimento do julgador de forma que este seja capaz de fazer presunções simples, aquelas que são consequencias do próprio raciocínio do homem em face dos acontecimentos que observa ordinariamente. Elas são construídas pelo aplicador do direito, de acordo com o seu entendimento e convicções e conforme já exposto não é o que se tem nos autos. No que se refere a indignação quanto a aplicação da multa e as alegações de sua inconstitucionalidade resta consolidado no âmbito do CARF entendimento atestando sua incompetência para pronunciarse sobre inconstitucionalidades. Vejamos: SÚMULA Nº. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A multa ora impugnada esta legalmente prevista no art. 61 da Lei n. 9.430, de 19964 e por essa razão não cabe aos agentes administrativos pronunciarse a respeito da constitucionalidade da norma, pois tratase de papel precípuo do Poder Judiciário, sendo este entendimento construído em respeito ao princípio da separação dos poderes. Assim como os juros esta respaldado no Código Tributário Nacional criou a obrigatoriedade dos juros de mora, sem especificar o modo de estabelecêlos, remetendo a matéria para a lei ordinária, na ausência da qual seriam eles de 1% ao mês. Com efeito, a incidência da Taxa SELIC, como juros moratórios, na esfera tributária, foi determinada por lei tributária federal ordinária, quais sejam, a Lei 9065/95 e, atualmente, a Lei n.º 9250/95. Além disso, o §1º do art. 161 do CTN trata da matéria, esclarecendo que apenas na falta de lei determinando de modo diverso é que os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. Vejase: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. 3 HUGO DE BRITO MACHADO, O Devido Processo Legal Administrativo Tributário e o Mandado de Segurança, in Valdir de Oliveira Rocha, Processo Administrativo Fiscal, v. 1, p. 85 4 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 13830.901560/200818 Acórdão n.º 3003000.250 S3C0T3 Fl. 10 9 § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. Dispositivo Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É o meu entendimento. Márcio Robson Costa Relator Fl. 143DF CARF MF
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Numero do processo: 19679.005741/2003-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 31/10/1998
30/11/1998, 31/12/1998
REFIS. INCLUSÃO DE DÉBITOS LANÇADOS EM AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE ESPONTANEIDADE.
A apresentação da declaração Refis após a ciência do auto de infração, em que, alegadamente, se exigem os mesmos valores da contribuição, não pode ser tida como espontânea, tendo em vista que a espontaneidade do sujeito passivo é excluída desde o início do procedimento fiscal. Eventuais recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo deverão ser considerados no momento da execução da decisão definitiva.
Recurso especial do contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-008.650
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1592; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19679.005741/200393 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303008.650 – 3ª Turma Sessão de 16 de maio de 2019 Matéria PIS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente PROENGE ENGENHARIA DE PROJETOS S/C LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 31/10/1998 30/11/1998, 31/12/1998 REFIS. INCLUSÃO DE DÉBITOS LANÇADOS EM AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE ESPONTANEIDADE. A apresentação da declaração Refis após a ciência do auto de infração, em que, alegadamente, se exigem os mesmos valores da contribuição, não pode ser tida como espontânea, tendo em vista que a espontaneidade do sujeito passivo é excluída desde o início do procedimento fiscal. Eventuais recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo deverão ser considerados no momento da execução da decisão definitiva. Recurso especial do contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 57 41 /2 00 3- 93 Fl. 311DF CARF MF Processo nº 19679.005741/200393 Acórdão n.º 9303008.650 CSRFT3 Fl. 3 2 Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte (fls. 279/290), admitido pelo despacho de fls. 301/303 contra o Acórdão 380302.456, de 14/02/2012, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998 REFIS. INCLUSÃO DE DÉBITOS LANÇADOS EM AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE ESPONTANEIDADE. A apresentação da Declaração Refis após a ciência do auto de infração, em que se exigem os mesmos valores da contribuição, não pode ser tida como espontânea, tendo em vista que a espontaneidade do sujeito passivo é excluída desde o início do procedimento fiscal. Eventuais recolhimentos efetuados pelo sujeito passivo deverão ser considerados no momento da execução da decisão definitiva. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/07/1998, 31/08/1998, 30/09/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998 DCTF. ALEGAÇÃO DE ENGANO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A alegação de que o lançamento se dera com base em DCTF complementar entregue por engano não é razão suficiente para afastar o dever da Administração tributária de proceder ao lançamento de ofício dos créditos tributários não declarados ou não pagos, nos termos da legislação tributária vigente à época da lavratura do auto de infração. Em síntese, entende a recorrente que tendo os débitos objeto do auto de infração sido declarados em programa especial de parcelamento (REFIS), o lançamento deve ser declarado nulo, mesmo que em decorrência de valores declarados em DCTF retificadora que alega ser equivocada. Em contrarrazões (fls. 306/309), pugna a PFN pelo improvimento do recurso especial. É o relatório. Voto Fl. 312DF CARF MF Processo nº 19679.005741/200393 Acórdão n.º 9303008.650 CSRFT3 Fl. 4 3 Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso nos termos em que admitido. Emerge do relatado, que o litígio se resume em definirmos se lançamento levado a efeito com base em declaração retificadora e anteriormente à inclusão dos débitos deve ser anulado. Entendo que não. Primeiramente de assentar que o lançamento foi levado a efeito com arrimo nas próprias informações do contribuinte que asseverou que os débitos encartados no lançamento estavam sob discussão judicial, porém sem suspensão de sua exigibilidade. Se eventualmente alega que essa DCTF retificadora estava equivocada, é seu o ônus de demonstrar sua imprecisão e não do Fisco, como quer fazer crer. Salientese que a multa foi expungida pela decisão da DRJ. O outro ponto pugnado na peça recursal seria o fato de que o lançamento é nulo porque os valores objeto da cobrança foram declarados no REFIS. O fato bem pontuado na decisão recorrida é que embora tivesse sido formalizado o pedido de ingresso naquele programa especial de parcelamento em 26/04/2000, os débitos deste processo, como alega, somente foram declarados em 20/08/2003, portanto após o lançamento (fls. 13/19), lavrado em 23/06/2003. Assim, não há que se falar em espontaneidade. Dessarte, legítimo o lançamento, pois efetuado, como dito, com base em DCTF retificadora e antes dos valores terem sido consolidados no REFIS. Valores esses, aliás, que sequer se tem como aferir se liquidam a presente exação. Contudo, deve o órgão local certificarse se os valores ora em cobrança foram pagos no âmbito do REFIS, declarando a extinção da presente cobrança por falta de objeto. CONCLUSÃO Em face do exposto, conheço do recurso especial do contribuinte, mas nego lhe provimento. Deve a unidade local da RFB certificarse se, efetivamente, os valores em cobrança neste processo foram extintos em face de declaração e pagamento em programa de parcelamento especial, e, sendo o caso, declarar a falta de objeto da presente cobrança. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 313DF CARF MF Processo nº 19679.005741/200393 Acórdão n.º 9303008.650 CSRFT3 Fl. 5 4 Fl. 314DF CARF MF
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