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Numero do processo: 11516.722539/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jan 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2009
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INCORPORAÇÃO - LANÇAMENTO NA INCORPORADORA
Conforme consta do relatório fiscal os valores apurados como devidos no referido auto de infração se referem originalmente à empresa WEG Automação Ltda - CNPJ nº 08.520.338/000186, incorporada pela autuada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. EXISTÊNCIA DE PLANO CONTEMPLANDO TODOS OS SEGURADOS A SERVIÇO DA EMPRESA E OUTRO ABRANGENDO APENAS OS DIRETORES. ATENDIMENTO À LEI DESONERATIVA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Nos casos em que a empresa institui um plano de previdência complementar abrangendo todo o quadro funcional e outro contemplando apenas os diretores, inexiste atropelo ao art. 28, §9º, p, da Lei 8.212/1991, o qual exige, para não inclusão da verba no salário-de-contribuição, a extensão do benefício a todos os empregados e dirigentes, mas não determina que o benefício seja igual para todos os segurados.
Numero da decisão: 2401-003.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação os valores referentes ao plano de previdência privada, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negava provimento ao recurso, sendo que votaram pelas conclusões os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire, que apesar de não aplicarem as regras da LC nº 109, entendem que o requisito da Lei nº 8.212/91 não resta descumprido pelo fato de haver a adoção de planos de previdência distintos pela empresa. Pelo voto de qualidade, foi mantida a tributação sobre a PLR paga a administradores e conselheiros, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ewan Teles Aguiar, que afastavam a tributação. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira Araújo. O conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral: Dr. Dimas Tarcisio Vanin, OAB/SC nº 3431.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Kleber Ferreira Araújo - Redator Designado
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2009 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INCORPORAÇÃO - LANÇAMENTO NA INCORPORADORA Conforme consta do relatório fiscal os valores apurados como devidos no referido auto de infração se referem originalmente à empresa WEG Automação Ltda - CNPJ nº 08.520.338/000186, incorporada pela autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. EXISTÊNCIA DE PLANO CONTEMPLANDO TODOS OS SEGURADOS A SERVIÇO DA EMPRESA E OUTRO ABRANGENDO APENAS OS DIRETORES. ATENDIMENTO À LEI DESONERATIVA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Nos casos em que a empresa institui um plano de previdência complementar abrangendo todo o quadro funcional e outro contemplando apenas os diretores, inexiste atropelo ao art. 28, §9º, p, da Lei 8.212/1991, o qual exige, para não inclusão da verba no salário-de-contribuição, a extensão do benefício a todos os empregados e dirigentes, mas não determina que o benefício seja igual para todos os segurados.
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Da mesma forma, inaplicável a regra do art. 158 da lei 6404/76, quando não se identifica que a distribuição decorreu do capital investido, mas tão somente da prestação de serviços. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. EXISTÊNCIA DE PLANO CONTEMPLANDO TODOS OS SEGURADOS A SERVIÇO DA EMPRESA E OUTRO ABRANGENDO APENAS OS DIRETORES. ATENDIMENTO À LEI DESONERATIVA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Nos casos em que a empresa institui um plano de previdência complementar abrangendo todo o quadro funcional e outro contemplando apenas os diretores, inexiste atropelo ao art. 28, §9º, “p”, da Lei 8.212/1991, o qual exige, para não inclusão da verba no saláriodecontribuição, a extensão do benefício a todos os empregados e dirigentes, mas não determina que o benefício seja igual para todos os segurados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2009 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INCORPORAÇÃO LANÇAMENTO NA INCORPORADORA AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 25 39 /2 01 1- 91 Fl. 1254DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 Conforme consta do relatório fiscal os valores apurados como devidos no referido auto de infração se referem originalmente à empresa WEG Automação Ltda CNPJ nº 08.520.338/000186, incorporada pela autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação os valores referentes ao plano de previdência privada, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negava provimento ao recurso, sendo que votaram pelas conclusões os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire, que apesar de não aplicarem as regras da LC nº 109, entendem que o requisito da Lei nº 8.212/91 não resta descumprido pelo fato de haver a adoção de planos de previdência distintos pela empresa. Pelo voto de qualidade, foi mantida a tributação sobre a PLR paga a administradores e conselheiros, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Ewan Teles Aguiar, que afastavam a tributação. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira Araújo. O conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral: Dr. Dimas Tarcisio Vanin, OAB/SC nº 3431. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Kleber Ferreira Araújo Redator Designado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Ewan Teles Aguiar e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1255DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722539/201191 Acórdão n.º 2401003.773 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente processo correspondente ao lançamento de contribuições previdenciárias, incidentes sobre os valores pagos pela WEG EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS S/A. aos seus empregados, no período de 01/2009 a 07/2009, conforme abaixo especificado: Conforme consta do relatório fiscal fls. 15 a 29, os valores apurados como devidos no referido auto de infração se referem originalmente à empresa WEG Automação Ltda – CNPJ nº 08.520.338/000186. Sucede que, devido a incorporação de tal sociedade empresária pela Autuada em 10 de agosto de 2009, o lançamento foi efetuado em nome desta. Foram lançadas contribuições sociais previdenciárias da empresa sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas, a segurados contribuintes individuais, relativas a competências compreendidas entre 01/2009 a 07/2009. De acordo com o relatório fiscal, o lançamento das contribuições contidas no levantamento “P6 – PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR” foi efetuado sobre contribuições feitas a plano de previdência privada relativas a diretores e membros do conselho de administração da WEG Automação Ltda. O lançamento das contribuições contidas no levantamento “L6 – PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS”, por sua vez, foi efetuado com base em valores pagos a título de participação nos lucros e resultados a diretores da WEG Automação Ltda. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 30/12/2011, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no mesmo dia. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 1159 a 1170, nos seguintes termos: 1. Diz que a exigência fiscal é totalmente improcedente. 2. Lembra que a participação dos administradores nos lucros é prevista no §1º do artigo 152 da Lei nº 6.404/1976. 3. Ressalta que o pagamento de participação nos lucros e resultados da empresa a administradores ocorreu de forma regular, com estrita observância do seu Estatuto Social e do §1º do artigo 152 da Lei nº 6.404/1976. 4. Assevera que o §9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991 deixa claro que não integra o salário de contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica. 5. Frisa que, no presente caso, a lei específica é a Lei nº 6.404/76. Cita ementa e excertos de julgados do Tribunal Regional Federal da 1ª Região e do Superior Tribunal de Justiça. Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 6. Frisa, a fim de ilustrar o debate, que “não seria a diferença de categoria de segurados da previdência social que teria o condão de afastar a isenção da incidência das contribuições sociais sobre valores pagos a título de participação nos resultados”. 7. Sustenta que “tanto a categoria de segurados obrigatórios, como celetistas (Inciso I do artigo 12 da Lei 8.212/91) como a categoria dos contribuintes individuais, como administradores (letra ‘f’ do inciso V do artigo 12 da Lei 8.212/91), está contida na hipótese de isenção da contribuição social sobre receitas de participação nos resultados, tipificada na letra ‘j’ do parágrafo 9º do artigo 28 da Lei 8212/91, que trata de ‘lei específica’”. 8. Ressalta que “ambas as categorias contam com ‘lei específica’ versando sobre tais proventos, sejam os celetistas (Lei 10.101/2000), sejam os administradores (§1º do art. 152 da Lei nº 6.404/76), sendo que inexiste, em nosso arcabouço legislativo, qualquer previsão que diferencie o tratamento tributário dos valores percebidos por estes a título de participação nos lucros/resultados”. 9. Afirma que a Lei nº 8.212/1991 não faz qualquer distinção de tratamento entre a participação nos lucros paga aos empregados e a participação no lucros paga aos administradores. 10. Destaca que a verba em questão, por ter como pressuposto a existência de lucro, é totalmente aleatória e incerta. 11. Ressalta que de acordo com o artigo 463 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999), a parcela do lucro distribuída aos administradores é indedutível para fins de apuração do lucro real. 12. Aduz que não concorda com a afirmação da autoridade fiscal de que “a participação nos lucros ou resultados das empresas, citada na alínea ‘j’, do parágrafo 9º, do artigo 28, da Lei 8.212/1991, foi regulamentada pela Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, conforme disposto nos artigos 1º e 2º”. 13. Afirma que tal afirmação é uma ilação infundada, pois induz “a um raciocínio equivocado de que a Lei 10.101/2000 teria sido feita ‘sob medida’ para ‘regulamentar’ um dispositivo de outra Lei, no caso, a 8.212/91, estreitando a isenção para somente a categoria dos empregados celetistas, excluindo os administradores”. 14. Frisa que “a Lei 10.101/2000 decorre da conversão da Medida Provisória 1.982/77, após sucessivas reedições, sendo que em nenhum destes diplomas (medidas provisórias antigas ou própria Lei 10.101) consta alguma menção de que o legislador estaria buscando a aventada ‘regulamentação’” mencionada pela autoridade fiscal. 15. Diz que a Lei nº 10.101/2000 tratou de novo instituto criado para compartilhamento dos resultados entre todos os envolvidos no ciclo econômico empresarial (empregados e administradores), com fulcro no inciso XI do artigo 7º da Constituição Federal. 16. Assevera que “a alínea ‘j’, do parágrafo 9º, do artigo 28, da Lei 8.212/1991 continua abarcando todas as categorias de beneficiários de valores advindos de participação de lucros/resultados, eis que inexiste previsão legal de incidência de contribuições sociais sobre tal base”. 17. Ressalta que todos os seus diretores não são empregados. Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722539/201191 Acórdão n.º 2401003.773 S2C4T1 Fl. 4 5 18. Afirma que o §2º do artigo 202 da Constituição Federal “afasta a incidência de qualquer tributo ou contribuição sobre os valores destinados à planos de previdência complementar”. 19. Assevera que o princípio da imunidade tributária destas contribuições também encontra assento na legislação infraconstitucional, conforme o disposto no §1º do artigo 69 da Lei Complementar nº 109/2001. 20. Ressalta que, de maneira geral, o estímulo à instituição de planos de previdência complementar no Brasil é dirigido a todos os trabalhadores, mas em especial, àqueles com remuneração acima do teto de contribuição previdenciária. 21. Frisa que “para os trabalhadores com salário até o teto previdenciário, praticamente não há necessidade de complementação de aposentadoria, pois o valor que é pago pelo INSS já é, praticamente, igual ao salário da ativa”. 22. Sustenta que “a exigência de que o mesmo seja disponível a todos os empregados (em que pese que isso não é uma exigência constitucional), há que se entender que ‘todos’ são aqueles que necessitem, com maior intensidade, de uma complementação de aposentadoria”. 23. Afirma que efetua, em relação a seus administradores, uma contribuição complementar para uma entidade de previdência complementar aberta, porque estes são as pessoas que mais sofrem redução em termos de aposentadoria do INSS, comparativamente com seus ganhos da ativa. 24. Diz que a necessidade de estar disponível a todos não significa que todos os planos devem estar disponíveis para todos os empregados. 25. Alega que “se já existe um plano disponível para todos os empregados, nada impede que se contrate outro plano (desde que autorizado pelo órgão competente – a SUSEP no caso de entidades abertas), este dirigido aos que mais necessitem da complementação pós aposentadoria, justamente por estarem com ganho habitual superior ao teto de contribuição ao INSS”. 26. Assevera que a matéria deve ser vista de forma ampla, qual seja, “o fato de que quanto maior for a poupança previdenciária acumulada, não importando a favor de quem, maior será a segurança financeira e social da coletividade, já que notório o fato de que um dos pilares de solidez do sistema financeiro é um bom nível de reservas econômicas combinado com parcimônia nos gastos públicos, especialmente no tocante aos elevados custos sociais envolvidos”. 27. Diz que a preocupação do legislador foi a de “fomentar o aumento da previdência privada no país, seja na modalidade aberta ou fechada, sem jamais fazer ressalvas quanto à possibilidade de um contribuinte contar com mais de um plano”. 28. Assevera que “não há óbice à contratação de mais de um plano de previdência, inexistindo fundamento legal para que tal fato, por si só, afaste a equivalência do tratamento tributária para os valores revertidos para um ou para outro plano, afastando a isenção da contribuição social sobre os valores depositados”. Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 29. Alega que a situação existente no presente caso se compatibiliza ao disposto na alínea “p” do §9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, visto que “todos os empregados e diretores tem acesso a, no mínimo, um dos planos de previdência privada em debate”, como reconhecido pela própria autoridade fiscal. 30. Ressalta que o plano “aberto” contratado (Bradesco Vida e Previdência) é devidamente autorizado pela SUSEP, órgão do Ministério da Fazenda, do qual faz parte a Receita Federal do Brasil, portanto, as contribuições foram feitas de forma regular, a uma entidade autorizada a funcionar no ramo de previdência complementar. 31. Destaca que os regulamentos dos planos em debate (WEG Seguridade Social e Bradesco Vida e Previdência), assim como a legislação, não contêm “proibição à adesão pelos participantes a outros planos quaisquer”. 32. Alega que “a situação dos Conselheiros é exatamente igual à dos Diretores, uma vez que tais Conselheiros participam de dois planos”. 33. Em decorrência da improcedência das contribuições lançadas, tbm deve ser cancelada a multa de ofício exigida. 34. Alega que os autos de infração em questão mostramse totalmente na contramão de tudo aquilo que é a intenção maior do próprio Governo Federal. 35. Requer, por fim, a declaração de improcedência dos lançamentos fiscais. Foi exarada a Decisão de 1 instância, fls. 1207 a 1222, que determinou a procedência do lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2009 LANÇAMENTO DE CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. Constatado o não recolhimento total ou parcial de contribuições sociais previdenciárias, não declaradas em GFIP, o auditor fiscal da Receita Federal do Brasil efetuará o lançamento do crédito previdenciário. PARTICIPAÇÃO NO LUCRO. ADMINISTRADOR. SOCIEDADE ANÔNIMA. A participação dos membros do conselho de administração e da diretoria no lucro de companhia, prevista na Lei nº 6.404/1976, sofre a incidência de contribuições sociais previdenciárias por caracterizar contraprestação aos serviços prestados. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. Os valores pagos pela empresa relativos a programa de previdência complementar não disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes integram o salário de contribuição. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722539/201191 Acórdão n.º 2401003.773 S2C4T1 Fl. 5 7 Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 1228 a 1248, contendo em síntese os mesmos argumentos da impugnação, os quais podemos descrever de forma sucinta: 36. Diz que a exigência fiscal é totalmente improcedente. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS 37. Ressalta que o pagamento de participação nos lucros e resultados da empresa a administradores ocorreu de forma regular, com estrita observância do seu Estatuto Social e do §1º do artigo 152 da Lei nº 6.404/1976. 38. Assevera que o §9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991 deixa claro que não integra o salário de contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica. 39. Frisa que, no presente caso, a lei específica é a Lei nº 6.404/76. Cita ementa e excertos de julgados do Tribunal Regional Federal da 1ª Região e do Superior Tribunal de Justiça. 40. Frisa, a fim de ilustrar o debate, que “não seria a diferença de categoria de segurados da previdência social que teria o condão de afastar a isenção da incidência das contribuições sociais sobre valores pagos a título de participação nos resultados”. 41. Ressalta que “ambas as categorias contam com ‘lei específica’ versando sobre tais proventos, sejam os celetistas (Lei 10.101/2000), sejam os administradores (§1º do art. 152 da Lei nº 6.404/76), sendo que inexiste, em nosso arcabouço legislativo, qualquer previsão que diferencie o tratamento tributário dos valores percebidos por estes a título de participação nos lucros/resultados”. 42. Afirma que a Lei nº 8.212/1991 não faz qualquer distinção de tratamento entre a participação nos lucros paga aos empregados e a participação no lucros paga aos administradores. 43. Destaca que a verba em questão, por ter como pressuposto a existência de lucro, é totalmente aleatória e incerta. 44. Ressalta que de acordo com o artigo 463 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999), a parcela do lucro distribuída aos administradores é indedutível para fins de apuração do lucro real. 45. Aduz que não concorda com a afirmação da autoridade fiscal de que “a participação nos lucros ou resultados das empresas, citada na alínea ‘j’, do parágrafo 9º, do artigo 28, da Lei 8.212/1991, foi regulamentada pela Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, conforme disposto nos artigos 1º e 2º”. 46. Diz que a Lei nº 10.101/2000 tratou de novo instituto criado para compartilhamento dos resultados entre todos os envolvidos no ciclo econômico empresarial (empregados e administradores), com fulcro no inciso XI do artigo 7º da Constituição Federal. 47. Assevera que “a alínea ‘j’, do parágrafo 9º, do artigo 28, da Lei 8.212/1991 continua abarcando todas as categorias de beneficiários de valores advindos de participação de Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 lucros/resultados, eis que inexiste previsão legal de incidência de contribuições sociais sobre tal base”. 48. No processo 14.485.001551/200784, o próprio CARF proferiu acordão 2301003473 reconhecendo o alcance da não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a administradores. 49. PREVIDÊNCIA PRIVADA DIRIGENTES 50. Afirma que não andou bem o acordão, já que consiste numa disposição constitucional, qual seja, que o §2º do artigo 202 da Constituição Federal “afasta a incidência de qualquer tributo ou contribuição sobre os valores destinados à planos de previdência complementar”. 51. Assevera que o princípio da imunidade tributária destas contribuições também encontra assento na legislação infraconstitucional, conforme o disposto no §1º do artigo 69 da Lei Complementar nº 109/2001. 52. Ressalta que, de maneira geral, o estímulo à instituição de planos de previdência complementar no Brasil é dirigido a todos os trabalhadores, mas em especial, àqueles com remuneração acima do teto de contribuição previdenciária. 53. Sustenta que “a exigência de que o mesmo seja disponível a todos os empregados (em que pese que isso não é uma exigência constitucional), há que se entender que ‘todos’ são aqueles que necessitem, com maior intensidade, de uma complementação de aposentadoria”. 54. Afirma que efetua, em relação a seus administradores, uma contribuição complementar para uma entidade de previdência complementar aberta, porque estes são as pessoas que mais sofrem redução em termos de aposentadoria do INSS, comparativamente com seus ganhos da ativa. 55. Diz que a necessidade de estar disponível a todos não significa "que todos os planos devem estar disponíveis para todos os empregados". 56. Alega que “se já existe um plano disponível para todos os empregados, nada impede que se contrate outro plano (desde que autorizado pelo órgão competente – a SUSEP no caso de entidades abertas), este dirigido aos que mais necessitem da complementação pós aposentadoria, justamente por estarem com ganho habitual superior ao teto de contribuição ao INSS”. 57. Assevera que “não há óbice à contratação de mais de um plano de previdência, inexistindo fundamento legal para que tal fato, por si só, afaste a equivalência do tratamento tributária para os valores revertidos para um ou para outro plano, afastando a isenção da contribuição social sobre os valores depositados”. 58. Este Conselho já enfrentou a questão por ocasião do julgamento do processo 10783723424/201109, em que foi proferido o acordão 2402003.661 que entendeu que não há fundamento para incidência de contribuições sociais 59. Alega que a situação existente no presente caso se compatibiliza ao disposto na alínea “p” do §9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, visto que “todos os empregados e diretores tem acesso a, no mínimo, um dos planos de previdência privada em debate”, como reconhecido pela própria autoridade fiscal. Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722539/201191 Acórdão n.º 2401003.773 S2C4T1 Fl. 6 9 60. Alega que “a situação dos Conselheiros é exatamente igual à dos Diretores, uma vez que tais Conselheiros participam de dois planos”. 61. Faz uma analogia: Determinado contribuinte, preocupado com seus rendimentos após a aposentadoria, decide por contratar um plano de previdência aberta no mercado (num banco, por exemplo), mesmo já participando de um plano fechado, patrocinado por sua empregadora. É notória a dedutibilidade de contribuições revertidas para planos de previdência privada para fins de cálculo e apuração do IRPF anual, logo, o contribuinte do exemplo acima não encontraria óbice para deduzir as contribuições vertidas em ambos os planos (o aberto contratado junto ao banco e o fechado (patrocinado por sua empregadora) até o limite legal, eis que tais valores receberiam um tratamento tributário equivalente. 62. Resumi seus argumentos descrevendo: 62.1. (a) todos os empregados e administradores tem acesso ao plano de previdência complementar fechada da WEG Seguridade social, como reconhecido no próprio tópico 4.3.7 do REFISC. 62.2. (b)não há vedação à contratação de mais de um plano para administradores de uma companhia, no caso, um plano de previdência complementar aberta, na forma prevista na sessão III da LC 109/2001. 62.3. (c) não há disposição legal que segregue os planos de previdência complementar aberta e os planos de previdência complementar fechada para fins de incidência tributária, tanto quando ao IR como com relação às contribuições previdenciárias incidentes, pelo contrário os mesmos tem tratamento semelhante sob a LC 109/2001. 63. A improcedência dos pretensos lançamentos antes mencionadas representará questão prejudicial a cobrança da multa; 64. Alega que os autos de infração em questão mostramse totalmente na contramão de tudo aquilo que é a intenção maior do próprio Governo Federal. 65. Requer, por fim, a declaração de improcedência dos lançamentos fiscais. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 120. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DO MÉRITO Primeiramente, convém destacar que o lançamento em questão envolve duas rubricas PLR e Previdência Privada dos administrados e Conselheiros, sem vínculo de emprego com a autuada, decorrentes da incorporação da empresa WEG Automação Ltda – CNPJ nº 08.520.338/000186. Não houve por parte do recorrente qualquer questionamente acerca do lançamento por incorporação. Assim, passemos ao mérito do lançamento. QUANTO AO PAGAMENTO DE PLR Quanto aos levantamentos de PLR a administradores e conselheiros, basicamente argumenta o recorrente · Ressalta que o pagamento de participação nos lucros e resultados da empresa a administradores ocorreu de forma regular, com estrita observância do seu Estatuto Social e do §1º do artigo 152 da Lei nº 6.404/1976. · Assevera que o §9º do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991 deixa claro que não integra o salário de contribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica. · Frisa, a fim de ilustrar o debate, que “não seria a diferença de categoria de segurados da previdência social que teria o condão de afastar a isenção da incidência das contribuições sociais sobre valores pagos a título de participação nos resultados”. Antes de prosseguir na análise, devemos primeiramente identificar os fundamentos da autoridade fiscal, para que referidos valores constituíssem salário de contribuição, para então baseado na peça recursal e impugnatória, determinar a procedência do lançamento frente aos argumentos do julgador de primeira instância. 4.2 Remunerarão de Diretores Participação nos Lucros e Resultados da Empresa (Contribuição constante do subitem 2.1.2 deste REFISC) 4.2.1) Atendendo a solicitação do Termo Fiscal de 25/05/2011 (Doc 1), no qual foram solicitados os Programas de Benefícios concedidos pela WEL, esta apresentou, dentre outros, o programa de Participação nos Lucros e Resultados por parte dos empregados e dirigentes, bem como as Convenções Coletivas de Trabalho firmados com os Sindicatos dos Empregados vinculados, disciplinando referido beneficio, os quais abrangiam exclusivamente os segurados empregados da empresa. Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722539/201191 Acórdão n.º 2401003.773 S2C4T1 Fl. 7 11 4.2.2) Referido benefício, quando pago aos segurados empregados, de acordo com a legislação previdenciária, não seria base de cálculo para efeito do cálculo da contribuição previdenciária, conforme disposto na alínea “j” do parágrafo 9o do artigo 28 da Lei n° 8212/91, que assim disciplina: Art. 28. Entendese por salário de contribuição: (...) § 9o Não integram o salário d econtribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; 4.2.3) A participação dos segurados empregados, nos lucros ou resultados das empresas, citada na alínea "j". do parágrafo 9o, do artigo 28, da Lei n° 8.212/1991, foi regulamentada pela Lei n° 10.101, de 19 de dezembro de 2000, conforme disposto nos artigos 1° e 2o: (...) 4.2.5) A WEL disponibilizou ainda as Atas do Conselho de Administração (Doc 12), no qual verificamos que eram aprovadas as distribuições a título de participação nos resultados aos dirigentes da empresa (Diretores e Membros do Conselho de Administração), razão pela qual intimamos a empresa por meio do Termo Fiscal de 25/07/2011 (Doc 18), a apresentar relação mensal contendo informações individualizadas de todos os dirigentes/acionistas beneficiários da verba "participação nos lucros e resultados". Em resposta, a WEL remeteu a correspondência de 05/08/2011 (Doc 19) na qual foram trazidos os documentos solicitados (Doc 21). 4.2.6) De acordo com a própria informação prestada pelo contribuinte, constante de seu Anexo de n° 8 (Doc 9), referidas verbas foram lançadas nas contas contábeis 821000120/581010001, conforme amostragem de lançamento no QUADRO XIII a seguir: 4.2.7) Constatase, assim, que a WEL remunerou seus Diretores e membros do Conselho de Administração com o benefício de participação nos lucros e resultados, conforme discriminação de beneficiários e valores concedidos, constantes do Anexo II Participação nos Resultados, o qual foi elaborado a partir da informação prestada pela empresa (Doc 12) e lançamentos contábeis. 4.2.8) Referidas importâncias integram o salário de contribuição recebido pelos administradores/conselho de administração, nos termos do Art. 28 da Lei 8.212/91, uma vez que a Lei nº 10.101/00, em seus Artigos 1° e 2° contempla, exclusivamente, os segurados empregados, não incluindo, os segurados Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 12 contribuintes individuais, razão pela qual são devidas as contribuições previdenciárias paga sob esta remuneração, as quais foram apuradas em conformidade com o descrito no subitem 2.1.2 do presente REFISC. Ou seja, analisando os pontos trazidos pelo auditor o mesmo indica que a lei 10.101/2000 somente possibilitaria a exclusão de valores pagos à título de PLR para os segurados empregados, razão pela qual não há respaldo para exclusão dos valores distríbuídos aos administradores. Passemos, agora, antes mesmos de apreciar a procedência do lançamento, identificar, toda a legislação que abarca a matéria. DA DEFINIÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO PARA DIRETORES NÃO EMPREGADOS Como parte do lançamento envolve contribuições sobre os pagamentos feitos a contribuintes individuais, importante apreciar, primeiramente, o conceito de salário de contribuição em relação a estes segurados. Para os trabalhadores contribuintes individuais, aos quais se enquadram os diretores não empregados, o art. 28, III da referida lei, assim dispõe: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5º; Quanto a contribuição patronal às contribuições da empresa sobre a remuneração dos contribuintes individuais é regulada pelo art. 22, III da Lei n ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.876/1999, nestas palavras: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Inciso acrescentado pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99 vigência a partir de 02/03/2000 conforme art. 8º da Lei nº 9.876/99). De acordo com o previsto no § 4º do art. 201 do Regulamento da Previdência Social na redação conferida pelo Decreto n ° 4.032/2001: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: II vinte por cento sobre o total das remunerações ou retribuições pagas ou creditadas no decorrer do mês ao segurado contribuinte individual; (Redação alterada pelo Decreto nº 3.265/99) A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722539/201191 Acórdão n.º 2401003.773 S2C4T1 Fl. 8 13 Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 14 g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722539/201191 Acórdão n.º 2401003.773 S2C4T1 Fl. 9 15 legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Ao contrário do afirmado pela recorrente, entendo que a verba paga aos administradores e conselheiros possui natureza remuneratória. Como destacado pelo auditor fiscal, a Lei n 6.404/1976 não regula a exclusão da participação nos lucros e resultados do conceito de remuneração, nem tampouco, pode valerse o recorrente da lei 10.101/2000 para excluir tais valores da base de cálculo de contribuições A participação nos Lucros e Resultados PLR somente foi regulamentada após a Constituição Federal de 1988, donde devese observar os ditames legais, para que dito pagamento seja excluído do conceito de salário de contribuição. Diversamente do argumento trazido pelo recorrente quanto ao pagamento de acordo com a lei 6.404, a verba paga não remunerou o capital investido na sociedade, logo remunerou efetivamente o trabalho executado pelos administradores e conselheiros. Os pagamentos efetuados possuem natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados contribuintes individuais em decorrência do contrato e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho o que pelo natureza também poderia excluir o valor do conceito de salário de contribuição. Entendo que a autoridade julgadora bem enfrentou a questão, quando esclareceu que o pagamentos realizados aconteceram em relação a prestação de serviços, denominada, “participação estatutária”, ou seja, diferente a participação recebida em função do capital investido nos moldes da Lei 6.404/76.. Senão Conforme ensina Fábio Ulhoa Coelho o conceito de “administradores”, em uma sociedade anônima, “abrange os membros de dois órgãos da estrutura societária: a diretoria e o conselho de administração, os quais, em decorrência, são definidos como órgãos da administração” (Curso de direito comercial, volume 2 – 5. ed. rev. e atual. de acordo com o novo Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 16 Código Civil e alterações da LSA – São Paulo: Saraiva, 2002. p. 236). A participação dos administradores de uma companhia no seu lucro, prevista na Lei nº 6.404/1976, não se confunde com a participação dos empregados nos lucros/resultados da empresa prevista na Lei nº 10.101/2000. Além de ser disciplinada em outro diploma legal, a participação prevista no § 1º, do artigo 152 da Lei nº 6.404/1976, é restrita aos administradores das sociedades anônimas, enquanto que a participação prevista na Lei nº 10.101/2000 é devida pelas empresas a todos os seus empregados. A legislação previdenciária, ao contrário do que alega a Autuada, exclui da incidência das contribuições sociais previdenciárias somente a participação dos empregados nos lucros/resultados da empresa paga em conformidade com a Lei nº 10.101/2000: A participação dos administradores nos lucros das companhias, portanto,sempre sofrerá incidência de contribuições sociais previdenciárias, pois, além de ser uma forma de contraprestação aos serviços prestados, não foi incluída na redação do artigo 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/1991, e no inciso X do §9º do artigo 214 do Regulamento da Previdência Social, que fazem referência somente à participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, prevista na Lei nº 10.101/2000. Neste sentido, colhese da jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 4º Região:(...) Ressaltese que o §1º, do artigo 201, do Regulamento da Previdência Social, quando fala que o “lucro distribuído ao segurado empresário” não sofre a incidência de contribuições sociais previdenciárias, está se referindo a remuneração proveniente do capital social que pode ser paga aos acionistas de uma sociedade anônima. Tal remuneração não se confunde com a participação dos administradores de uma companhia no seu lucro, prevista na Lei nº 6.404/1976, que conforme já dito, sofre a incidência de contribuições sociais previdenciárias. Nesse sentido, ensina Sérgio Pinto Martins: Diferenciase, ainda, a participação nos lucros da participação no capital; nesta última, o empregado teria ações ou quotas da empresa. A participação nos lucros não diz respeito à participação do empregado no capital da empresa, mas à participação no resultado positivo obtido pela empresa ao final de certo período de tempo, geralmente um ano. (Participação dos Empregados nos Lucros das Empresas – 2. ed. – São Paulo: Atlas, 2000) Ante o exposto, verificase que a autoridade fiscal agiu legitimamente ao lançar contribuições sociais previdenciárias sobre valores pagos a administradores (diretores não empregados e membros do conselho de administração) a título de participação nos lucros e resultados da Autuada. Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722539/201191 Acórdão n.º 2401003.773 S2C4T1 Fl. 10 17 É essencial destacar que a Constituição de 1988 estabelece em seu art. 7º, XI, a “participação nos lucros ou resultados, desvinculada da remuneração, conforme definido em lei”. Frisese que o legislador Constituinte, ao estabelecer o direito à participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa, remeteu à lei o poder de definir as condições e requisitos aplicáveis a tal direito. Porém ao contrário do que afirma a recorrente, primeiramente, no meu entender, assim, como já se manifestou o julgador, a Participação nos Lucros e Resultados PLR é norma constitucional de eficácia limitada. Com efeito, o item 02, do Parecer CJ/MPAS n º 547, de 03 de maio de 1996, , aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, bem esclarece dita questão, conforme descrito abaixo. Raciocínio, que entende aplicável ao presente caso: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) O Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu bojo o seguinte teor, verbis: DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 18 participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Ou seja, normas constitucionais de eficácia limitada são as que dependem de outras providências normativas para que possam surtir os efeitos essenciais pretendidos pelo constituinte. Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722539/201191 Acórdão n.º 2401003.773 S2C4T1 Fl. 11 19 Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. Assim, não há que se falar em auto aplicabilidade. Conforme previsto na alínea “j” do § 9o do art. 28 da Lei n º 8.212, a única hipótese para que a participação nos lucros e resultados não sofra incidência de contribuição previdenciária é que seja paga de acordo com a lei específica. À recorrente alega ainda que a os valores” paga a seus “administradores e conselheiros”, não estaria consubstanciada na Lei nº 10.101/00, mas sim na Lei n° 6.404/76, que em seu art. 152, trata do pagamento de PLR aos administradores estatutários, cumprindo, assim, o requisito estabelecido pela lei 8.212/91, motivo pelo qual tais pagamentos não se submeteriam a hipótese de incidência das contribuições previdenciárias. No entanto, não procede tais argumentos, como se demonstrará. Os pagamentos tais como realizados aos Administradores poderão ocorrer por força do §1º do art. 152 da Lei 6.404/76, que está inserido no título “Remuneração” de administradores, e, cuja interpretação sistêmica não deixa dúvidas de que o comentado pagamento é feito em retribuição ao trabalho, assim como já afirmou o julgador. Conforme disposto no inciso III do art. 22 e inciso III do art. 28, ambos da Lei 8.212/91, a contribuição previdenciária incide sobre a remuneração paga ao contribuinte individual pelos serviços prestados. O termo remuneração no ordenamento jurídico brasileiro corresponde a totalidade de retribuições, em dinheiro ou em utilidades, recebidas pelo trabalhador em contraprestação aos serviços prestados. Neste sentido a lição de Sergio Pinto Martins abaixo reproduzida: “A palavra remuneração contida no inciso III do art. 22 da Lei 8.212/91 tem sentido amplo, sendo os honorários dos autônomos. É o pagamento pela prestação dos serviços dos autônomos”(“Direito da Seguridade Social – Custeio da Seguridade Social, Benefícios, Acidente do Trabalho, Assistência Social, Saúde”, 24ª edição, Ed. Atlas, São Paulo – 2007). Em se tratando de Sociedades Anônimas, a remuneração concedida aos administradores pode comportar duas partes distintas: o então chamado “pro labore”, e outra variável, que consiste na participação nos lucros da companhia, que será devida ou não dependendo do que dispuser o estatuto social. Contudo o estatuto somente pode estabelecer a participação nos lucros quando, simultaneamente, prevê dividendo obrigatório mínimo de 25% do lucro líquido e somente poderá ser paga no exercício que for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório de que trata o artigo 202 da Lei nº 6.404/76. Tais limites são objeto do §1º do art. 152 da Lei das S.A. e, segundo a doutrina comercial, têm o objetivo de fixar parâmetros para o pagamento da remuneração dos administradores das SA, de modo a proteger os acionistas minoritários, coibindo abusos de acionistas majoritários, que se elegem para se atribuírem remuneração sem proporção com os serviços prestados. Ou seja, a interpretação dada aos dispositivos, no entender dessa relatora em hipótese alguma gera o afastamento da natureza remuneratória da referida verba. Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 20 Cabe observar ainda que a participação estatutária dos administradores, assim como o pagamento de dividendos, é atribuição patrimonial ou destinação de resultado. Contudo, esta característica comum entre os dois pagamentos, é incapaz de igualar a natureza de remuneração de capital, do dividendo, com a natureza de remuneração do trabalho, da participação estatutária. Dúvidas não há que o dividendo pago a acionista decorre da sua participação acionária na companhia, enquanto que a participação estatutária aos administradores é paga em razão da prestação do trabalho. Ressaltese que o artigo 7º, inciso XI, da Constituição Federal, retro citado, garantiu a todos os trabalhadores, a participação nos lucros e resultados, desvinculada da remuneração na forma prevista em lei. Em obediência ao preceito constitucional, a alínea “j” do § 9º, do artigo 28, da Lei nº 8.212/1991, estabeleceu, dentre as hipóteses livres da tributação previdenciária, “a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com a lei específica”. A lei específica, Lei nº 10.101/2000, que regulou o pagamento da participação no lucro e resultado, desvinculado da remuneração somente a previu para o empregado. Não se pode elastecer o conceito de lucros ou resultados, nem tampouco, entender que a referida lei também se aplica aos trabalhadores não empregados, sob pena de todas as empresas enquadrarem como PLR, as verbas salariais pagas a todos os seus colaboradores. A Lei n ° 10.101, resultado da conversão das Medidas Provisórias anteriores, é cristalina nesse sentido. Apenas para reforçar a tese adotada pelo auditor fiscal, não serve também como argumento o fato de que o “caput do art. 7 da CF/88, utilizou a nomenclatura “trabalhadores”. Basta analisarmos os 34 incisos do próprio art. 7º, para que identifiquemos, que o termo “trabalhadores urbanos e rurais”, referese ao direitos dos “empregados urbanos e rurais”. Os direitos elencados no dispositivo constitucional, nos trazem a certeza do sentido empregado pelo legislador, considerando que: férias com adicional de 1/3, FGTS, repouso semanal remunerado, salário mínimo, jornada de trabalho, piso salarial, licença maternidade, licença paternidade, aviso prévio, previsão de indenização no caso de dispensa imotivada, salário família, horas extras, adicional noturno, insalubridade, periculosidade, dentro outros muitos ali elencados, são assegurados apenas aos trabalhadores detentores de uma relação de emprego, ou seja, garantidos aos empregados. No parágrafo único, também observamos a nomenclatura “trabalhadores”, porém com referência aos empregados domésticos. Assim, seja pela não aplicação da lei 10.101/2000, já que a mesma é restrita aos empregados, seja pelo fato que os valores recebidos vinculamse aos trabalhos prestados e não ao dividendo distribuído pelo capital investido, o que impossibilita a aplicação da art. 152 da lei 6.404 para exclusão dos valores do conceito de remuneração, os valores lançados como participação nos lucros aos administradores e conselheiros constituem salário de contribuição, razão pela qual procedente a autuação. CONCLUSÃO: devem ser mantidos os lançamentos em relação aos PLR PREVIDÊNCIA PRIVADA – Quanto aos levantamentos de Previdência privada a administradores e conselheiros, basicamente argumenta o recorrente o todos os empregados e administradores tem acesso ao plano de previdência complementar fechada da WEG Seguridade social, como reconhecido no próprio tópico 4.3.7 do REFISC. Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722539/201191 Acórdão n.º 2401003.773 S2C4T1 Fl. 12 21 o não há vedação à contratação de mais de um plano para administradores de uma companhia, no caso, um plano de previdência complementar aberta, na forma prevista na sessão III da LC 109/2001. o não há disposição legal que segregue os planos de previdência complementar aberta e os planos de previdência complementar fechada para fins de incidência tributária, tanto quando ao IR como com relação às contribuições previdenciárias incidentes, pelo contrário os mesmos tem tratamento semelhante sob a LC 109/2001. Antes de prosseguir na análise, devemos primeiramente identificar os fundamentos da autoridade fiscal, para que referidos valores constituíssem salário de contribuição, para então baseado na peça recursal e impugnatória, determinar a procedência do lançamento frente aos argumentos do julgador de primeira instância. 4.3 Remuneração de Diretores Previdência Privada (Contribuição constante do subitem 2.1.3 deste REFISC) 4.3.1) Em resposta ao Termo Fiscal 25/05/2011, (Doc 1) a WEL, através de correspondência (Doc 2), apresentou os Contratos firmados com a Bradesco – Vida e Previdência S/A (Doc 4), bem como o Estatuto e o Regulamento Básico da WEG Seguridade Social (Doc 5) que se constituem nos Programas de Previdência Privada, não fornecendo a relação dos beneficiados de referidos programas. Tanto no Contrato firmado com a Bradesco, como com a WEG Seguridade, é previsto que os Planos de Previdência Complementar abrangeriam tanto os dirigentes como também os empregados do contribuinte. 4.3.2) Por meio do Termo Fiscal de 21/06/2011, (Doc 14), a WEL foi reintimada a apresentar a Relação dos empregados/dirigentes beneficiários dos programas da empresa com os respectivos valores pagos, oportunidade em que informou que as contribuições para a WEG Seguridade Social era um percentual sobre a Folha de Pagamento, abrangendo todos os segurados (empregados e dirigentes), enquanto que com relação à “Bradesco Vida e Previdência”, o benefício abrangia somente os dirigentes e, com a anuência desta fiscalização, disponibilizou a relação anual dos beneficiários deste plano relativo aos anos de 2006 e 2007 (doc 16)". 4.3.7) Na análise dos documentos apresentados, quanto aos benefícios da Previdência Privada, constatamos duas situações: a) O contribuinte aderiu ao Plano WEG de Seguridade Social (Doc 5), no qual todos os empregados e dirigentes são vinculados, efetuando uma contribuição mensal sobre a folha de pagamento no percentual de 2,8%; b) O contribuinte aderiu ao Plano Bradesco Vida e Previdência (Doc 4) no qual somente os dirigentes são vinculados, conforme exposto acima e caracterizado nas relações apresentadas, notadamente as relativas aos Doc 29; 4.3.8) A contribuição para a WEG Seguridade Social de 2,8% da empresa sobre a folha de pagamento (Doc 19), abrangendo Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 22 todos os dirigentes da empresa, sejam eles empregados ou dirigentes, não integra o salário de contribuição conforme disposto na alínea "p" do parágrafo 9° do artigo 28 da Lei n° 8212/91, que assim disciplina: p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9° e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei n° 9.528. de 10.12.97) 4.3.9) Com relação às contribuições para a Bradesco Vida e Previdência, a empresa foi intimada e reintimada (Doc 18/27) a fornecer a relação de todos os beneficiários (empregados/dirigentes) desta seguradora, anexando a relação mensal individualizada dos beneficiários do Plano, o qual contempla somente os dirigentes da empresa (Doc 29); 4.3.10) Com relação às contribuições para a Weg Seguridade Social, o contribuinte apresentou relação informando o período e quais os dirigentes que foram/são contemplados com referido benefício (Doc 30). sendo que, conforme item "4.3.8" acima, os beneficiários de tal Plano são todos segurados da empresa, mediante contribuição mensal patronal. 4.3.11) Por meio de diligência realizada junto a Weg Seguridade Social (Doc 43) foi solicitado que informassem, para os dirigentes relacionados, o período de contribuição para o plano e as empresas patrocinadoras. Em resposta a intimação (Doc 44) a empresa ratifica que é realizada uma contribuição patronal sobre a folha de pagamento, abrangendo, portanto, todos os segurados do contribuinte, anexando uma relação (Doc 45) com as informações solicitadas no Termo Fiscal. 4.3.12) Cotejando tais informações, apenas a título elucidativo e complementar (ou seja, pagamento a Bradesco Vida e Previdência simultaneamente a WEG Seguridade Social), constatase que praticamente todos os Diretores e alguns participantes do Conselho de Administração são beneficiados em ambos os planos conforme demonstrado no Quadro XVI a seguir. (...) 4.3.13) Considerando que o plano de benefício do contribuinte junto a Bradesco Vida e Previdência S/A destinase somente aos diretores e membros do conselho de administração, não contemplando os demais segurados empregados, tal benefício passa a ser salário de contribuição, nos termos do Art. 28, I, da Lei 8.212/91, em virtude de não atender o disposto no na alínea “p” do parágrafo 9o do artigo 28 do diploma legal citado, sujeitandose a incidência das contribuições previdenciárias nos termos do Art. 22, III da Lei n. 8212/91, conforme subitem 2.1.2 do presente REFISC. Ou seja, analisando os pontos trazidos pelo auditor a base para que os valores caracterizemse como base de cálculo de contribuições é que a empresa dois planos de Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722539/201191 Acórdão n.º 2401003.773 S2C4T1 Fl. 13 23 previdência, contemplado em um a totalidade de empregados e na outra aenas os diretores e conselheiros. Passemos, agora, antes mesmos de apreciar a procedência do lançamento, identificar, toda a legislação que abarca a matéria. Ao contrário que tentou argumentar o recorrente não entendo que o plano de previdência privada , por ele instituído, cuja concessão, beneficia apenas administradores e conselheiros, tenha preenchido os requisitos para exclusão do conceito acima referenciado. No caso, para que a verba PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA esteja excluída do conceito de salário de contribuição deveria ser paga nos limites do art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Grifo nosso Novamente o recorrente não demonstrou a concessão do benefício a todos os trabalhadores, pelo contrário argumentou em sede de recurso que: Assevera que o princípio da imunidade tributária destas contribuições também encontra assento na legislação infraconstitucional, conforme o disposto no §1º do artigo 69 da Lei Complementar nº 109/2001. Diz que a necessidade de estar disponível a todos não significa "que todos os planos devem estar disponíveis para todos os empregados". Alega que “se já existe um plano disponível para todos os empregados, nada impede que se contrate outro plano (desde que autorizado pelo órgão competente – a SUSEP no caso de entidades abertas), este dirigido aos que mais necessitem da complementação pós aposentadoria, justamente por estarem com ganho habitual superior ao teto de contribuição ao INSS”. Assevera que “não há óbice à contratação de mais de um plano de previdência, inexistindo fundamento legal para que tal fato, por si só, afaste a equivalência do tratamento tributária para os valores revertidos para um ou para outro plano, afastando a isenção da contribuição social sobre os valores depositados”. Todos os empregados e administradores tem acesso ao plano de previdência complementar fechada da WEG Seguridade social, como reconhecido no próprio tópico 4.3.7 do REFISC. Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 24 Não há vedação à contratação de mais de um plano para administradores de uma companhia, no caso, um plano de previdência complementar aberta, na forma prevista na sessão III da LC 109/2001. Não há disposição legal que segregue os planos de previdência complementar aberta e os planos de previdência complementar fechada para fins de incidência tributária, tanto quando ao IR como com relação às contribuições previdenciárias incidentes, pelo contrário os mesmos tem tratamento semelhante sob a LC 109/2001. Concordo com o recorrente não impossibilita a criação de mais de um plano de previdência, e que o plano de previdência complementar fechado da WEG Seguridade Social, contempla todos os empregados e dirigentes, conform consta do próprio relatórios fiscal, razão pela qual o auditor não apurou tais valores como salário de contribuição. Os valores ora lançados referemse tão somente aos valores pagos à titulo de previdência para os diretores e conselheiros, uma vez que o plano de previdência Bradesco Vida e Previdência contempla apenas essa categoria, ou seja, são fornecidos 2 planos, um extensível a todos e outro apenas aos dirigentes. Ou seja, os próprios argumentos do recorrente levam a conclusão de descumprimento legal de extensão a todos, entendendo que a legislação aplicável ao caso não estabelece limitações, o que no meu entender não e a interpretação mais acertada. Não acolho a alegação, que a lei não define propriamente a incidência sobre a verba previdência complementar. A definição de salário de contribuição, como mencionamos acima é geral, englobando todas as espécies de pagamento (diretos e indiretos, até mesmo as utilidades), porém no mesmo dispositivo legal o legislador indica, quais verbas estarão excluídas do referido conceito. Caso, entendesse o legislador, que o simples fornecimento de previdência privada fosse excluído do conceito de salário de contribuição, sem qualquer limitação, bastaria uma simples modificação do art. 28, § 9 da lei 8212/91, o que até hoje não foi feito. Entendo, ainda, que a Lei Complementar 109/2001, não prevalece sobre o disposto na lei 8212/91, para efeitos de exclusão da base de cálculo de contribuições previdenciárias. Embora a LC 109/2001 tenha definido os critérios para os regimes de previdência complementar fechados e abertos não podemos interpretar dispositivos isolados para identificar a sobreposição sobre outras legislações que abarcam a matéria. Nesse sentido, valhome do mesmo raciocínio para não aplicação do art. 458, §2 da CLT (que descreve que previdencia privada não cnstitue salário in natura), para não aplicar a lei Complementar 109, tendo em vista a especificidade da lei previdenciária, que descreve conceito de salário de contribuição e as exclusões da referida base de cálculo, prevalece sobre norma geral que também especifica condições para o pagamento Assim, volto a ratificar que havendo norma especifica que disciplina a exclusão da base de cálculo de contribuições previdenciárias (art. 28, § 9 da lei 8212/91) e tendo o dispositivo constitucional § 2, do art. 202 da CF/88, feito expressa referência a observância dos termos de lei, entendo que o lançamento encontrase procedente. na medida que demonstrado pela autoridade fiscal que o plano de previdência realmente não alcança a totalidade dos empregados e dirigentes. . Constituição Federa1188: Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722539/201191 Acórdão n.º 2401003.773 S2C4T1 Fl. 14 25 "Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o beneficio contratado, e regulado por lei complementar. (Redação dada pela Emenda Constitucional n° 20. de 1998 § 1' A lei complementar de que trata este artigo assegurará ao participante de planos de benefícios de entidades de previdência privada o pleno acesso às informações relativas à gestão de seus respectivos planos. (Redação dada pela Emenda Constitucional n° 20.de 1998 § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei." . (Redação dada pela Emenda Constitucional n° 20. de 1998) (grifo nosso) " O ganho foi direcionado ao segurado "contribuinte individual" da recorrente (administradores e conselheiros, que digase nem mesmo possuem vinculo de permanência com a empresa), quando a empresa concedeu os planos de previdência privada. Estando, portanto, no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. Ademais, a questão do alcance da lei complementar para excluir o benefício de previdência privada, foi muito bem apreciado pelo julgador de primeira instância, razão pela qual adoto o referido voto como razões de decidir. A isenção tributária sobre o valor das contribuições pagas por pessoa jurídica para programa de previdência complementar de seus empregados e dirigentes deve observar os limites fixados em lei, por força da expressa previsão do art. 202, §2º, da Constituição Federal, cuja redação é a seguinte: Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Em relação às contribuições sociais previdenciárias, a Lei nº 8.212/1991 foi clara ao determinar que os valores relativos a contribuições pagas por pessoa jurídica a programa de previdência complementar de seus empregados e dirigentes somente não integrarão o salário de contribuição, caso o citado programa (de previdência complementar) esteja disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes: Com efeito, é preciso que a empresa proporcione a todos os seus empregados e dirigentes um plano de previdência complementar Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 26 que lhes seja facultado aderir, para que possa usufruir da isenção de contribuições sociais previdenciárias. Não o fazendo, ou beneficiando apenas os dirigentes ou um grupo restrito de empregados, esta parcela (contribuições feitas pela empresa a programa de previdência complementar) passa a ser uma forma de pagamento disfarçado de salário ou remuneração sobre a qual deverão incidir as contribuições sociais previdenciárias. No presente caso, entendo que não restou configurada a hipótese de isenção prevista na alínea “p” do § 9º do art. 28 da lei nº 8.212/91, em relação ao plano de previdência privada da “Bradesco Vida e Previdência”, visto que a própria Autuada admite que o mesmo era disponibilizado somente para seus diretores e membros do conselho de administração. A Impugnante alega que a não incidência de contribuições sociais previdenciárias sobre as contribuições feitas a plano de previdência privada da “Bradesco Vida e Previdência” estaria expressamente prevista no §1º do artigo 69 da Lei Complementar nº 109/2001. Vejamos, então, o que dispõem os artigos 68 e 69 da referida lei complementar: Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. § 1o Os benefícios serão considerados direito adquirido do participante quando implementadas todas as condições estabelecidas para elegibilidade consignadas no regulamento do respectivo plano. § 2o A concessão de benefício pela previdência complementar não depende da concessão de benefício pelo regime geral de previdência social. Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1º Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. (...) Uma leitura isolada e desatenta dos referidos dispositivos legais pode levar a crer que a empresa autuada tem razão. Contudo, isso não acontece. Primeiro, porque o caput do art. 202 da Constituição Federal de 1988 prevê a exigência de lei complementar para regular o regime de previdência privada, enquanto seu §2º determina que as contribuições patronais previstas nos planos das entidades de previdência privada não integram a remuneração dos Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722539/201191 Acórdão n.º 2401003.773 S2C4T1 Fl. 15 27 participantes nos termos da lei, a saber, ordinária, já que a exigência de lei complementar não consta expressamente do texto do citado §2º. Além disso, a alínea “p” do § 9º do art. 28 da lei nº 8.212/91 está em perfeita consonância com o que determina o artigo 16 da própria Lei Complementar nº 109/2001: Art. 16. Os planos de benefícios devem ser, obrigatoriamente, oferecidos a todos os empregados dos patrocinadores ou associados dos instituidores. (grifouse) Os dispositivos que compõem um diploma legal devem ser interpretados de forma sistemática. Com efeito, os artigos 68 e 69 da LC nº 109/2001, não devem ser considerados de forma isolada, mas sim em conjunto com o artigo 16, supra transcrito, que é claro ao determinar que os planos de previdência privada devem ser oferecidos a todos os empregados. Constatase, portanto, que a autoridade lançadora não cometeu qualquer ilegalidade ao fundamentar seu lançamento na alínea “p” do § 9º do art. 28 da lei nº 8.212/91, até porque este dispositivo legal encontrase em pleno vigor e não há decisão do STF declarando sua inconstitucionalidade ou resolução do Senado Federal que tenha suspendido sua execução. Diante do exposto, verificase que deve ser considerado legal e escorreito o lançamento de contribuições sociais previdenciárias sobre contribuições feitas a plano de previdência privada da “Bradesco Vida e Previdência” relativas a diretores e membros do conselho de administração da Autuada. Cabe ressaltar, por fim, que mesmo que tivesse sido comprovada a afirmação de que o plano de previdência privada da “Bradesco Vida e Previdência” oferecido pela Autuada foi autorizado pela SUSEP (Superintendência de Seguros Privados), tal fato não teria o condão de tornar o lançamento das exigências contidas nos levantamentos “P1 – PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR” e “P2 – PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR” do auto de infração de DEBCAD nº 37.279.9477 improcedente, já que na seara tributária, a Receita Federal do Brasil não se encontra vinculada a atos emitidos pela SUSEP. Nesse sentido, cabe citar o disposto no § 4º, do artigo 41, da Lei Complementar nº 109/2001:(...) CONCLUSÃO:Assim, tendo o recorrente descumprido os requisitos legais para concessão do benefício (art. 28, §9º, “p” da lei 8212/91), não há como excluir da base de cálculo de contribuições previdenciárias os pagamentos feitos à título previdência privada. FUNDAMENTAÇÃO GERAL PARA BENEFÍCIOS CONSTITUÍREM SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 28 Pelo exposto o campo de incidência é delimitado pelo conceito de salário de contribuição, que destaca o conceito de remuneração em sua acepção mais ampla.. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado ou de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária, seja ele contribuições para Previdência privada, um bônus ou uma gratificação. Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Não se pode descartar o fato de que os valores pagos á título de previdência complementar privada e PLR aos administradores e conselheiros, representam alguma espécie de ganho. Na verdade, dito benefício, está inseridos no conceito lato de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço executado. Também convém reproduzir a posição da professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e nãosalariais, enfatizando, de que forma, as utilidades fornecidas, tornamse ganhos, salários indiretos para os empregado. "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquirilas. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas equiparamse a instrumentos de trabalho e, conseqüentemente, não têm feição salarial." Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da Decisão de Primeira Instância, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722539/201191 Acórdão n.º 2401003.773 S2C4T1 Fl. 16 29 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Ouso discordar do brilhante voto da Conselheira Relatora apenas na parte relativa à incidência de contribuições sobre os valores pagos a título de contribuições para plano de previdência complementar. Ao tomar conhecimento de decisão adotada pela CSRF tratando da incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos pelo empregador a título de contribuição para plano de previdência complementar de entidade aberta, resolvi melhor apreciar a questão, nos termos do que ficou decidido por aquele órgão, responsável pela uniformização da jurisprudência no âmbito do CARF. Falo do Acórdão n.º 9202003.193 – 2ª Turma, de 07/05/2014, Neste julgado, o colegiado por sete votos a três decidiu, conforme se vê da ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE REMUNERAÇÃO PARA FINS DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A LC n° 109/2001 alterou a regulamentação da matéria antes adstrita à Lei n.º 8.212/1991, passando a admitir que no caso de plano de previdência complementar em regime aberto a concessão pela empresa a grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria não caracteriza salário decontribuição sujeito à incidência de contribuições previdenciárias. Recurso especial conhecido e provido. Na reunião de outubro passado, no julgamento do PAF n. 14041.001392/200737 já externei meu posicionamento em defesa da adoção do entendimento adotado pela CSRF afastando a incidência de contribuições para plano de previdência privada de empresa aberta, não extensivo a todos os empregados e dirigentes da empresa. Vejo que de fato a situação aqui tratada é similar. Nos termos do relatório do fisco, temos que: “4.3.13) Considerando que o plano de benefício do contribuinte junto a Bradesco Vida e Previdência S/A destinase somente aos diretores e membros do conselho de administração, não contemplando os demais segurados empregados, tal benefício passa a ser salário de contribuição, nos termos do Art. 28, I, da Lei 8.212/91, em virtude de não atender o disposto no na alínea “p” do parágrafo 9˚ do artigo 28 do diploma legal citado, sujeitandose a incidência das contribuições previdenciárias nos Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 30 termos do Art. 22, III da Lei n. 8212/91, conforme subitem 2.1.2 do presente REFISC.” Apreciando esta situação, em que a patrocinadora (Weg Automação Ltda) contrata com empresa previdência complementar do tipo aberta (Bradesco Vida) plano em benefício de grupo de empregados, seus diretores e gerentes, verifico que na conceituação da Lei Complementar n.º 109/2001, tratase de plano de benefício coletivo instituído por entidade aberta de previdência, modalidade prevista no inciso II do art. 26 daquele diploma legal. De se observar que a instituidora do plano, em absoluto, pode ser incluída no grupo das entidades fechadas, haja vista que estas, mais conhecidas como fundos de pensão, são acessíveis exclusivamente pelos empregados de empresa, grupo de empresas ou órgãos públicos, bem como aos associados ou membros de pessoas jurídicas de caráter profissional, classista ou setorial (ver art. 31 da LC n.º 109/2001). Uma vez definida a natureza jurídica do plano, cujas contribuições foram objeto do lançamento sob enfoque, posso dizer que hoje me sinto confortável para acompanhar o entendimento da CSRF acima mencionado, adotando como fundamento o excelente voto do Conselheiro Gustavo Lian Haddad, do qual transcrevo excerto: No mérito, a discussão nos presentes autos se refere à obrigatoriedade de se disponibilizar programa de previdência privada complementar (em regime aberto) à totalidade dos empregados e dirigentes para que tais valores não integrem o salário decontribuição e, consequentemente, não estejam sujeitos à incidência de contribuições previdenciárias. A fiscalização aplicou à espécie o art. 28, § 9°, p, da Lei 8.212/91, segundo o qual contribuições da empresa para planos de previdência privada de seus empregados e dirigentes somente não estão sujeitas a contribuições previdenciárias se estiverem disponíveis à totalidade de seus empregados e dirigentes. In verbis: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT;” (Destaquei) Referido dispositivo foi incluído na Lei 8.212/91 no âmbito das alterações promovidas pela Lei 9.528, de dezembro de 1997. Nada obstante o dispositivo acima transcrito não tenha sido expressamente revogado, a regulação da matéria foi substancialmente alterada pela Emenda Constitucional 20/1998 e pela Lei Complementar 109/2001. Com o advento da Emenda Constitucional 20/1998, que alterou o art. 202 da Constituição Federal, a previsão de que as contribuições pagas pelo empregador a título de previdência privada para seus empregados não integram a remuneração do empregado ganhou status constitucional, in verbis: Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722539/201191 Acórdão n.º 2401003.773 S2C4T1 Fl. 17 31 “Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter complementar e organizado de forma autônoma em relação ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado na constituição de reservas que garantam o benefício contratado, e regulado por lei complementar. (...) § 2° As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstas nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência privada não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes, nos termos da lei.” (Destaquei) A Lei Complementar 109/2001 foi aprovada para regulamentar o referido dispositivo constitucional e previu, no mesmo sentido da Constituição Federal, que as contribuições do empregador feitas a entidades de previdência privada não estão sujeitas a tributação e contribuições de qualquer natureza: “Art. 68. As contribuições do empregador, os benefícios e as condições contratuais previstos nos estatutos, regulamentos e planos de benefícios das entidades de previdência complementar não integram o contrato de trabalho dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios concedidos, não integram a remuneração dos participantes. (...) Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. (...)” (Destaquei) Da leitura dos dispositivos acima se constata que eles não contêm a condição antes prevista no art. 28, § 9°, p, da Lei 8.212/91. Isto é, nos termos dos arts. 68 e 69 acima citados, as contribuições que o empregador faz ao plano de previdência complementar do empregado não devem ser consideradas parte de sua remuneração e, especificamente, sobre elas não devem incidir quaisquer tributos ou contribuições. Especificamente em relação aos planos abertos de previdência complementar, como é o caso dos presentes autos (conforme item 4.6 do Relatório fiscal da NFLD, fls. 549), a Lei Complementar 109/2001 permite de forma expressa que sejam disponibilizados pelo empregador a grupos de uma ou mais categorias específicas dos seus empregados: Dos Planos de Benefícios de Entidades Abertas Art. 26. Os planos de benefícios instituídos por entidades abertas poderão ser: Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 32 I individuais, quando acessíveis a quaisquer pessoas físicas; ou II coletivos, quando tenham por objetivo garantir benefícios previdenciários a pessoas físicas vinculadas, direta ou indiretamente, a uma pessoa jurídica contratante. § 1o O plano coletivo poderá ser contratado por uma ou várias pessoas jurídicas. § 2o O vínculo indireto de que trata o inciso II deste artigo referese aos casos em que uma entidade representativa de pessoas jurídicas contrate plano previdenciário coletivo para grupos de pessoas físicas vinculadas a suas filiadas. § 3o Os grupos de pessoas de que trata o parágrafo anterior poderão ser constituídos por uma ou mais categorias específicas de empregados de um mesmo empregador, podendo abranger empresas coligadas, controladas ou subsidiárias, e por membros de associações legalmente constituídas, de caráter profissional ou classista, e seus cônjuges ou companheiros e dependentes econômicos. (Destaquei) A Lei Complementar 109/2001 não apenas omitiu a condição antes prevista no art. 28, § 9°, p, da Lei 8.212/91 (isto é, estabeleceu que as contribuições do empregador a plano de previdência privada ou complementar dos empregados não devem ser consideradas como remuneração destes e não se submetem à incidência de qualquer imposto ou contribuição) como também expressamente permitiu o estabelecimento de planos de previdência complementar abertos coletivos, os quais podem ser compostos por grupos de uma ou mais categorias específicas de um mesmo empregador. A ratio motivadora do legislador complementar parece ter sido o de estimular a poupança privada pelos vários meios possíveis, inclusive a instituição de programas pelos empregadores em benefício de categorias específicas de empregados quando se tratar de plano aberto, oferecido pelo mercado, evitando o “engessamento” que por certo desestimularia a concessão de planos se houvesse rigidez exagerada quanto no público alvo do plano. Neste ponto, ainda que se entenda que a regulamentação do art. 202, § 2º, da Constituição Federal deveria ter sido veiculada por lei formalmente ordinária, em vista do previsto na parte final do dispositivo, a conclusão seria que, nesta parte, a Lei Complementar 109/2001 atua materialmente como lei ordinária, regulando a matéria de modo diferente da regulamentação anterior da Lei 8.212/91, com as alterações da Lei 9.528/97. A noção de que as leis complementares em sua forma também o são em sua substância ou matéria apenas e tão somente quando regulam matérias reservadas a esta espécie legislativa pela Constituição é assente na moderna doutrina e na jurisprudência do E. Supremo Tribunal Federal, consagrada no julgamento da ADIN 4.0715 (que tratou da COFINS de sociedades civis). Neste caso, o plenário do E. STF entendeu que lei ordinária poderia revogar previsão de lei complementar anterior que tratava de matéria não reservada especificamente à lei complementar pela Constituição Federal já que, neste ponto a previsão contida em lei complementar tem status de lei ordinária (é materialmente lei ordinária). Deste modo, entendo que a condição estabelecida pelo artigo 28, §9º, p, da Lei 8.212/91, isto é, a cláusula “desde que o programa de previdência complementar, aberto ou fechado, esteja disponível à totalidade de empregados Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722539/201191 Acórdão n.º 2401003.773 S2C4T1 Fl. 18 33 e dirigentes” para que a contribuição do empregador a plano de previdência complementar não sofra incidência de contribuição previdenciária não é aplicável aos casos de previdência privada complementar em regime aberto coletivo, uma vez que legislação posterior (arts 68 e 69 c/c art. 26, §§ 2º e 3º, todos da Lei Complementar 109/2001 e transcritos acima) deixou de prever tal condição e, além disto, expressamente previu a possibilidade de o empregador contratar a previdência privada para grupos ou categorias específicas de empregados. Por óbvio que tal faculdade não pode servir de propósito a transmudar remuneração ou prêmio em contribuição a previdência privada não tributável, aspecto que deve ser aferido considerando as circunstâncias fáticas do caso. Posso, concluir, então, que estando alinhado inteiramente ao entendimento acima transcrito, encaminho pelo provimento do recurso na parte relativa à incidência de contribuição sobre as contribuições para o plano de previdência administrado pela Bradesco Vida e Previdência S/A e instituído em benefício dos administradores. Mesmo considerando que na presente lide a tese da aplicação da Lei Complementar n. 109/2001 para afastar a tributação não prevaleceu, encampo também o argumento de que o fato do Plano de Previdência Bradesco Vida ter sido disponibilizado apenas aos dirigentes não contraria a Lei n. 8.212/1991, uma vez que havia a disponibilização do Plano WEG Seguridade Social a todos os empregados e dirigentes. Portanto havia um plano básico extensível a todos os empregados e diretores e um plus concedido apenas aos últimos, o que, a meu ver, não contraria a Lei n. 8.212/1991, posto que esta não exige que o benefício seja igual para todos os segurados a serviço da empresa, mas apenas que abranja a totalidade do quadro funcional. Nessa toada, a concessão de benefício de previdência complementar diferenciado não acarreta em atropelo à lei previdenciária, posto que esta não impõe que exista isonomia na concessão desta benesse e ao intérprete não cabe impor outros requisitos não contemplados no texto legal. Voto por afastar da base de cálculo do lançamento as contribuições vertidas para o plano de previdência administrado pela Bradesco Vida e Previdência S/A e instituído em benefício dos administradores. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 34 Declaração de Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Não obstante compartilhar com o entendimento da ilustre Conselheira relatora relativamente a inaplicabilidade da Lei Complementar nº 109/2001, para fins de afastar a tributação sobre os valores pagos aos empregados a título de Previdência Privada Complementar, acompanhamos pelas conclusões a divergência suscitada pelo Redator Designado Kleber Ferreira de Araújo, pelas razões de fato e de direito que passamos a desenvolver. Destarte, afora a questão da aplicabilidade da Lei Complementar nº 109/2001, a qual fora rechaçada pelo voto de qualidade, remanesceu em discussão para os Conselheiros que acompanharam pelas conclusões e determinantes ao provimento, nesta parte, ao recurso voluntário, a possibilidade de os Planos de Previdência Complementar serem diferenciados entre os administradores/diretores e demais segurados empregados, consoante externado pelo fiscal autuante em seu Relatório, nos seguintes termos: “[...] a) O contribuinte aderiu ao Plano WEG de Seguridade Social (Doc 5), no qual todos os empregados e dirigentes são vinculados, efetuando uma contribuição mensal sobre a folha de pagamento no percentual de 2,8%; b) O contribuinte aderiu ao Plano Bradesco Vida e Previdência (Doc 4) no qual somente os dirigentes são vinculados, conforme exposto acima e caracterizado nas relações apresentadas, notadamente as relativas aos Doc 29; 4.3.8) A contribuição para a WEG Seguridade Social de 2,8% da empresa sobre a folha de pagamento (Doc 19), abrangendo todos os dirigentes da empresa, sejam eles empregados ou dirigentes, não integra o salário de contribuição conforme disposto na alínea "p" do parágrafo 9° do artigo 28 da Lei n° 8212/91, que assim disciplina: p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9° e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei n° 9.528. de 10.12.97) 4.3.9) Com relação às contribuições para a Bradesco Vida e Previdência, a empresa foi intimada e reintimada (Doc 18/27) a fornecer a relação de todos os beneficiários (empregados/dirigentes) desta seguradora, anexando a relação mensal individualizada dos beneficiários do Plano, o qual contempla somente os dirigentes da empresa (Doc 29); Fl. 1287DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722539/201191 Acórdão n.º 2401003.773 S2C4T1 Fl. 19 35 4.3.10) Com relação às contribuições para a Weg Seguridade Social, o contribuinte apresentou relação informando o período e quais os dirigentes que foram/são contemplados com referido benefício (Doc 30). sendo que, conforme item "4.3.8" acima, os beneficiários de tal Plano são todos segurados da empresa, mediante contribuição mensal patronal. 4.3.11) Por meio de diligência realizada junto a Weg Seguridade Social (Doc 43) foi solicitado que informassem, para os dirigentes relacionados, o período de contribuição para o plano e as empresas patrocinadoras. Em resposta a intimação (Doc 44) a empresa ratifica que é realizada uma contribuição patronal sobre a folha de pagamento, abrangendo, portanto, todos os segurados do contribuinte, anexando uma relação (Doc 45) com as informações solicitadas no Termo Fiscal. 4.3.12) Cotejando tais informações, apenas a título elucidativo e complementar (ou seja, pagamento a Bradesco Vida e Previdência simultaneamente a WEG Seguridade Social), constatase que praticamente todos os Diretores e alguns participantes do Conselho de Administração são beneficiados em ambos os planos conforme demonstrado no Quadro XVI a seguir. (...) 4.3.13) Considerando que o plano de benefício do contribuinte junto a Bradesco Vida e Previdência S/A destinase somente aos diretores e membros do conselho de administração, não contemplando os demais segurados empregados, tal benefício passa a ser salário de contribuição, nos termos do Art. 28, I, da Lei 8.212/91, em virtude de não atender o disposto no na alínea “p” do parágrafo 9o do artigo 28 do diploma legal citado, sujeitandose a incidência das contribuições previdenciárias nos termos do Art. 22, III da Lei n. 8212/91, conforme subitem 2.1.2 do presente REFISC. [...]” Antes mesmo de se adentrar as questões de mérito propriamente ditas, em relação ao caso concreto, mister se faz trazer à baila a legislação de regência que contempla a verba sub examine, bem como algumas considerações a propósito da matéria, senão vejamos: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa [...] Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 36 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: [...] p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97);” (grifamos) Por sua vez, a interpretação do caso concreto deve ser levada a efeito de forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em outras palavras, a autoridade fiscal e, bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os pressupostos legais para concessão de tal verba, sem a incidência de contribuições previdenciárias, sendo defeso, igualmente, a atribuição de requisitos/condições que não estejam contidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, a partir de meras subjetividades, sobretudo quando arrimadas em premissas que não constam dos autos, sob pena, inclusive, de afronta ao Princípio da Legalidade. Tratandose de hipótese de isenção e/ou não incidência, os artigos 111, inciso II e 176, do CTN, traduzem muito bem os limites que a legislação tributária impõe quando da subsunção da norma ao caso concreto, in verbis: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I – suspensão ou exclusão do crédito tributário; II – outorga de isenção; III – dispensa do cumprimento de obrigações acessórias” Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.” Extraise dos dispositivos legais supracitados que qualquer tipo de isenção e/ou hipótese de não incidência que o Poder Público pretenda conceder deve decorrer de lei disciplinadora, sendo sua interpretação literal, não podendo o contribuinte, o fisco ou o julgador impor ou afastar condições/requisitos que não decorrem da lei seca. Na hipótese dos autos, a ilustre autoridade lançadora achou por bem descaracterizar os pagamentos efetuados pela contribuinte aos funcionários a título de Plano de Previdência Complementar, pelo simples fato de haver planos diferenciados entre os empregados e os diretores, o que implicaria dizer não estar presente o requisito “disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes”. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pela nobre Conselheira Relatora em defesa da manutenção do crédito previdenciário, seu entendimento, contudo, não tem o condão de prosperar. Data vênia àqueles que divergem do entendimento deste relator, a conclusão da exigência de Planos de Previdência Complementar eqüitativos a todos os setores de uma empresa, não encontra sustentáculo na norma isentiva acima transcrita. Com efeito, a alínea Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 11516.722539/201191 Acórdão n.º 2401003.773 S2C4T1 Fl. 20 37 “p”, § 9º, do artigo 28, da Lei nº 8.212/91, em momento algum infere que aludido Plano deverá ser concedido de maneira idêntica a todos os funcionários e dirigentes da empresa, se limitando a estabelecer que “desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT”. Ora, tivesse o legislador ordinário a intenção de impor outros requisitos à concessão de referida benesse, teria feito de forma explícita e clara no bojo da norma legal, acima transcrita, o que não se verifica no caso vertente, não podendo o aplicador da lei conferir interpretação que extrapola o próprio texto legal, especialmente tratandose de isenção, cuja legislação deverá ser aplicada literalmente. Assim não o tendo feito, tornase defeso ao intérprete da lei, especialmente àqueles que exercem a atividade judicante no âmbito administrativo, concluir diversamente daquilo que a norma estabelece de forma clara e objetiva: Não incidirão contribuições previdenciárias sobre tais verbas se FOREM EXTENSIVOS A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. Repito, inexiste no dispositivo legal retro, a toda evidência, qualquer outro pressuposto legal que não seja o supramencionado, capaz de justificar a manutenção do lançamento. Na esteira desse entendimento, a exigência de Plano de Previdência Complementar igual a todos os empregados e diretores da empresa é de cunho subjetivo do agente lançador ou do julgador, mormente quando estabelece interpretação extensiva/subjetiva à norma legal que regulamenta o tema. E, como já sedimentado acima, a isenção não comporta subjetivismo. Outro não é o entendimento do eminente doutrinador Leandro Paulsen que, ao discorrer sobre a matéria, assim preleciona: “Não se pode exigir senão o cumprimento dos requisitos previstos na lei isentiva. O artigo 111 do CTN também se presta ao afastamento de requisitos não estabelecidos, por lei, como condição ao gozo da isenção.” (Paulsen, Leandro – “Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10 ed. rev. atual. – Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2008 – pág. 876) Mutatis Mutandis, a 2a Turma da CSRF, analisando processo contemplando Plano de Saúde, onde, igualmente, o legislador somente exigiu a extensividade a todos empregados e dirigentes da empresa, afastou a necessidade de planos igualitários para todos funcionários, na mesma linha proposta acima, conforme se depreende do Acórdão nº 9202 00.295, com a seguinte ementa: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2003 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ASSISTÊNCIA MÉDICA – PLANO DE SAÚDE. EXTENSÃO/COBERTURA À TOTALIDADE DO Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 38 EMPREGADOS/FUNCIONÁRIOS. REQUISITO LEGAL ÚNICO. De conformidade com a legislação previdenciária, mais precisamente o artigo 28, § 9º, alínea “q”, da Lei nº 8.212/91, o Plano de Saúde e/ou Assistência Médica concedida pela empresa tem como requisito legal, exclusivamente, a necessidade de cobrir, ou seja, ser extensivo à totalidade dos empregados e dirigentes, para que não incida contribuições previdenciárias sobre tais verbas. A exigência de outros pressupostos, como a necessidade de planos idênticos à todos os empregados, é de cunho subjetivo do aplicador/intérprete da lei, extrapolando os limites da legislação específica em total afronta aos preceitos dos artigos 111, inciso II e 176, do Código Tributário Nacional, os quais estabelecem que as normas que contemplam isenções devem ser interpretadas literalmente, não comportando subjetivismos.” (Processo nº 35318.001033/200509) É basicamente o que se verifica nos autos, com o agravante de que, tratando se de Previdência Complementar, com mais razão faz sentido a concessão de maneira diferenciada, lastreada no salário de cada funcionário. Ou seja, a complementação do benefício no plano privado acaba por seguir o valor que cada empregado ou dirigente é remunerado. Partindo dessas premissas, inobstante discordar da aplicabilidade da Lei Complementar nº 109/2001, na linha do exposta acima, acompanhamos a conclusão do provimento ao recurso, por outros fundamentos, entendendo inexistir disposição legal determinando o pagamento linear do Plano de Previdência Complementar. Por todo o exposto, estando o lançamento em dissonância com os dispositivos que regem a matéria, VOTO NO SENTIDO DE DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, por outros fundamentos daqueles adotados no voto vencedor, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 26/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 22/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 23/12/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assina do digitalmente em 30/12/2014 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10855.900024/2008-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. PEDIDO EQUIVOCADO. DÉBITO INFORMADO. CANCELAMENTO.
Cancela-se o débito informado em PER/DCOMP equivocadamente apresentada quando comprovado que ele se refere a estimativa efetivamente já recolhida no correspondente mês de apuração.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 1102-001.264
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
1.0 = *:*
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Recorrente AUTO ONIBUS NARDELLI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. PEDIDO EQUIVOCADO. DÉBITO INFORMADO. CANCELAMENTO. Cancelase o débito informado em PER/DCOMP equivocadamente apresentada quando comprovado que ele se refere a estimativa efetivamente já recolhida no correspondente mês de apuração. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 00 24 /2 00 8- 29 Fl. 524DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 05/12/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10855.900024/200829 Acórdão n.º 1102001.264 S1C1T2 Fl. 506 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por AUTO ONIBUS NARDELLI LTDA contra acórdão proferido pela DRJ/Ribeirão PretoSP que concluiu pela improcedência de manifestação de inconformidade acerca da compensação de crédito decorrente de pagamento indevido a título de estimativa com débito de outra estimativa de sua responsabilidade, ambos referentes ao mesmo anocalendário de 2003. Pleitos semelhantes, apenas alterando o tributo (IRPJ ou CSLL) e/ou o mês de apuração da estimativa, estão consubstanciados em onze processos, a saber: 10855.900020/200841, 10855.900023/200884, 10855.900024/200829, 10855.900032/200875, 10855.900043/200855, 10855.900451/2008 15, 10855.900498/200871, 10855.900511/200891, 10855.900742/200803, 10855.900751/200896 e 10855.900758/200816. A unidade de origem não homologou a compensação porque constatou que o pagamento indicado pela interessada havia sido utilizado na quitação de outros débitos. A empresa interpôs, então, manifestação de inconformidade na qual alegou que houve erro na apresentação da PER/DCOMP. Tratarseia de pedido de compensação vazio e o débito indicado já teria sido pago. Por isso, pediu o cancelamento do débito. A DRJ, contudo, negou o pedido. Argumentou que o débito informado tem natureza de confissão de dívida e que a empresa não se desincumbiu do ônus de provar o recolhimento do referido débito. Em seu recurso, a empresa repetiu os motivos apresentados na manifestação de inconformidade e acrescentou que a DCTF também havia sido preenchida erroneamente para corresponder aos valores impropriamente lançados no PER/DCOMP. Anexou cópia de registros contábeis para comprovar os valores efetivamente apurados e pagos. Ao final, torna a pedir que se constate a inexistência do débito. Na sessão realizada em 25/05/2011, esta Turma Julgadora, sob proposta da então relatora, a ilustre Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barreto, resolveu converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem confirmasse a inexistência do débito, mediante análise dos livros fiscais da recorrente e da DCTF correspondente ao período, considerando ainda a multiplicidade de processos de compensação equivocados apresentados no mesmo exercício. A unidade de origem procedeu, então, a diligência requerida e apresentou Informação Fiscal na qual conclui que os valores devidos de IRPJ e de CSLL por estimativa no anocalendário de 2003, de acordo com a escrita contábil e fiscal do sujeito passivo, foram efetivamente pagos. Consequentemente, seriam inexistentes os débitos originados pela apresentação dos PER/DCOMP nos processos analisados. É o relatório. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 05/12/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10855.900024/200829 Acórdão n.º 1102001.264 S1C1T2 Fl. 507 3 Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Diante do que foi relatado, não há compensação em litígio. O que se discute é o pedido de cancelamento do débito informado na compensação uma vez que a própria recorrente reconhece o equívoco na apresentação da PER/DCOMP. Considerando que o débito informado tem natureza de confissão de dívida, se este não for cancelado, seguirá para cobrança e eventual inscrição em dívida ativa. Ocorre que a diligência solicitada confirmou que os montantes informados em DCTF, em sintonia com os equívocos cometidos, são incongruentes com a escrita contábil e fiscal. Além disso, atestou que os débitos de estimativas originados pela apresentação dos PER/DCOMP nos processos analisados são inexistentes, incluindo o do presente processo. Portanto, não há que se dar prosseguimento à cobrança do referido débito. Pelo exposto, oriento meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para cancelar o débito informado na presente compensação. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 526DF CARF MF Impresso em 11/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 05/12/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
score : 1.0
Numero do processo: 13510.000124/2010-67
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2008
MULTA. DIMOF. MATERIALIDADE. DESEQUILÍBRIO. ECONÔMICO-FINANCEIRO. AFASTAMENTO. PENALIDADE. EQUIDADE. NÃO CABIMENTO.
Tendo sido demonstrada a entrega tardia da Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (DIMOF), cabível a multa prevista no art. 30 da Lei n° 10.637/2002. A alegação de desequilíbrio econômico-financeiro, além de não ter sido provado, não é causa legítima para o afastamento da penalidade. O emprego da eqüidade não pode implicar a dispensa do pagamento de tributo devido (CTN, art. 108, § 2º).
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-003.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2008 MULTA. DIMOF. MATERIALIDADE. DESEQUILÍBRIO. ECONÔMICO-FINANCEIRO. AFASTAMENTO. PENALIDADE. EQUIDADE. NÃO CABIMENTO. Tendo sido demonstrada a entrega tardia da Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (DIMOF), cabível a multa prevista no art. 30 da Lei n° 10.637/2002. A alegação de desequilíbrio econômico-financeiro, além de não ter sido provado, não é causa legítima para o afastamento da penalidade. O emprego da eqüidade não pode implicar a dispensa do pagamento de tributo devido (CTN, art. 108, § 2º). Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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DIMOF. MATERIALIDADE. DESEQUILÍBRIO. ECONÔMICO FINANCEIRO. AFASTAMENTO. PENALIDADE. EQUIDADE. NÃO CABIMENTO. Tendo sido demonstrada a entrega tardia da Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (DIMOF), cabível a multa prevista no art. 30 da Lei n° 10.637/2002. A alegação de desequilíbrio econômicofinanceiro, além de não ter sido provado, não é causa legítima para o afastamento da penalidade. O emprego da eqüidade não pode implicar a dispensa do pagamento de tributo devido (CTN, art. 108, § 2º). Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 51 0. 00 01 24 /2 01 0- 67 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase, o presente feito, de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora/MG, que julgou improcedente impugnação apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fl. 147): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 MULTA POR ATRASO DE ENTREGA. Estando a pessoa jurídica obrigada à apresentação de declaração, demonstrativo ou escrituração digital, o atraso no cumprimento dessa obrigação implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente. INCONSTITUCIONALIDADE A autoridade administrativa não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 NULIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, decaindo seu direito, quando decorrer efeito favorável para o destinatário, no prazo de cinco anos, contados da data em que foram praticados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O acórdão recorrido foi proferido em substituição ao de n° 0945.630, que foi anulado, por ter aplicado equivocadamente a retroatividade benigna do art. 57 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, com fundamento no art. 30 da Lei n° 10.637/2002. A retificação, todavia, não foi objeto do recurso voluntário. O Recorrente limitase a afirmar que o não encaminhamento da Dimof foi decorrente de“[...] caso fortuito, uma vez que em outubro de 2008, em Assembléia Geral Extraordinária ficou decidido a desfiliação da Recorrente do sistema SICOOB e adesão a outro sistema de cooperativas denominado ASCOOB”. Tais alterações, por sua vez, “[...] repercutiram no sistema de controle de todos os atos da Recorrente. Assim, a entrega de DIMOF também ficou prejudicada ocorrendo de forma tardia”. Por fim, ressalta que a multa cominada provocará um desequilíbrio econômico financeiro, afetando seus associados, já que se trata de cooperativa de crédito. Requer o conhecimento e provimento do recurso voluntário. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13510.000124/201067 Acórdão n.º 3802003.896 S3TE02 Fl. 173 3 É o breve relato. Voto Conselheiro Solon Sehn, Relator A ciência do acórdão ocorreu em 21/11/2013 (fls. 159) e o protocolo do recurso, em 20/12/2013 (fls. 161). Tratase, portanto, de recurso tempestivo, que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. No presente caso, foi cominada a multa pela entrega tardia da Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira (DIMOF), relativa ao primeiro semestre de 2008, conforme art. 30 da Lei n° 10.637/2002: Art. 30. A falta de prestação das informações a que se refere o art. 5º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, ou sua apresentação de forma inexata ou incompleta, sujeita a pessoa jurídica às seguintes penalidades: [...] II R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário ou fração, independentemente da sanção prevista no inciso I, na hipótese de atraso na entrega da declaração que venha a ser instituída para o fim de apresentação das informações. § 1º O disposto no inciso II do caput aplicase também à declaração que não atenda às especificações que forem estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal, inclusive quando exigida em meio digital. § 2º As multas de que trata este artigo serão: I apuradas considerando o período compreendido entre o dia seguinte ao término do prazo fixado para a entrega da declaração até a data da efetiva entrega; II majoradas em 100% (cem por cento), na hipótese de lavratura de auto de infração. § 3º Na hipótese de lavratura de auto de infração, caso a pessoa jurídica não apresente a declaração, serão lavrados autos de infração complementares até a sua efetiva entrega. Art. 5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. Do exame dos autos (fls. 07 e ss.), notase que a declaração foi remetida apenas em 31/03/2010, quinze meses após o esgotamento do prazo final (15/12/2008). Assim, não há dúvidas da configuração da infração. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Não pode ser acolhida a alegação da ocorrência de“[...] caso fortuito, uma vez que em outubro de 2008, em Assembléia Geral Extraordinária ficou decidido a desfiliação da Recorrente do sistema SICOOB e adesão a outro sistema de cooperativas denominado ASCOOB”. Tais alterações, por sua vez, “[...] repercutiram no sistema de controle de todos os atos da Recorrente. Assim, a entrega de DIMOF também ficou prejudicada ocorrendo de forma tardia”. Isso porque tais eventos por não serem inevitáveis nem imprevisíveis não configuram caso fortuito. Por fim, quanto ao alegado desequilíbrio econômicofinanceiro, cumpre destacar que este, além de não ter sido provado, não é causa legítima para o afastamento da penalidade. De acordo com o art. 113, § 3º, do Código Tributário Nacional, “ a obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”. Por outro lado, nos art. 108, § 2º, “o emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido”. Votase, assim, pelo conhecimento e desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Fl. 175DF CARF MF Impresso em 21/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13971.721759/2011-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 23/03/2010
ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - AIOP CORRELATO
A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado dos AIOP lavrados sobre os mesmos fatos geradores, sendo que a procedência dos mesmos
MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
No caso, se mais benéfico ao contribuinte, deverá ser adotada o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas, assim como procedeu o auditor notificante.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-003.742
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Inobservância do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999.: “ informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97)”. ALEGAÇÃO DE APRESENTAÇÃO DE TODOS OS DOCUMENTOS DURANTE O PROCEDIMENTO FISCAL Em se tratandose de AI de obrigação acessória, não há quanto ao mérito qualquer questão a ser apreciada, em especial quanto as alegadas inconstitucionalidades, posto que a procedência dos fatos geradores que ensejaram a multa ora aplicada, já foram objeto de apreciação nesta mesma sessão, processos n. 13971.721754/201122, DEBCAD n. 37.197.3023. Ao proceder a vinculação de segurados à empresa que realmente exercia o poder diretivo, nasce para esta a obrigação de informação em GFIP os referidos segurados. O fato dos mesmos constarem da GFIP da empresa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 17 59 /2 01 1- 55 Fl. 800DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 interposta, contratada de forma irregular não supre a exigência legal para afastar a multa exigida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 23/03/2010 ARTIGO 32, IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 AIOP CORRELATO A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado dos AIOP lavrados sobre os mesmos fatos geradores, sendo que a procedência dos mesmos MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. No caso, se mais benéfico ao contribuinte, deverá ser adotada o disciplinado no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas, assim como procedeu o auditor notificante. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 801DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.721759/201155 Acórdão n.º 2401003.742 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente auto de infração, lavrado sob o n. 37.197.3015, em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 32, IV, § 5º da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, o autuado não informou à previdência social por meio da GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias no período de 05/2005 a 12/2008. Observase que o n. do processo na capa é 1396200378/201067. No caso, conforme consta do relatório fiscal, a empresa autuada INDÚSTRIA DE LINHAS TRICHE LTDA constituiu a empresa COMERCIAL TRICHE em nome de suas esposas, em endereço diferente e atualmente no mesmo endereço, sem nenhuma condição de subsistir por si só. Este contexto revelou a prática adotada por muitas empresas que se utilizam do artifício da abertura de empresas do SIMPLES que abrigam o quadro funcional com o objetivo de se elidirem da contribuição patronal sobre a folha de pagamento. De acordo com os elementos de prova do Processo 13962000311/201022 referente a COMERCIAL TRICHE LTDA, foi proposto a suspensão para posterior baixa de ofício do CNPJ. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 23/03/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 26/03/2010. Às fls. 07 a foi anexado relatório de representação fiscal para baixa de ofício de CNPJ da empresa Comercial Triche Ltda, na qual o auditor enfatiza como pontos a serem observados: /// DOS FATOS REPRESENTADOS E DOS PERÍODOS DE OCORRÊNCIA AuditoriasFiscais desenvolvidas nas empresas relacionadas ao Grupo Trichê, do qual faz parte a Representada, comprovaram a ausência de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto. Constatouse que a empresa Indústria de Linhas Trichê Ltda constituiu a COMERCIAL TRICHÊ LTDA com o objetivo único de eximirse da contribuição previdenciária patronal e as destinadas aos Terceiros incidente sobre a remuneração de seus colaboradores, mediante opção indevida pelo Sistema de tributação do SIMPLES (Federal e Nacional). DA SEDE, COMPOSIÇÃO ACIONÁRIA, CAPITAL SOCIAL E OBJETO SOCIAL DAS EMPRESAS SEDE DAS EMPRESAS A REPRESENTADA iniciou suas atividades em 28/10/2002, conforme contrato social datado de 28/10/2002, registrado na JUCESC sob o n°42203242828 em 26/11/2002, na Av. Primeiro de Maio, 591 Centro Brusque /SC, e na 2a alteração contratual o número é alterado para 595, no mesmo endereço, até a presente data. Fl. 802DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 A INDÚSTRIA DE LINHAS TRICHÊ LTDA, ora denominada de "empresamãe", iniciou suas atividades em 27/01/2000, conforme contrato social datado de 27/01/2000, registrado na JUCESC sob o n° 42202784767, em 07/02/2000, com sede na Rodovia Ivo Silveira, 1000, km 3, Bateas, na cidade de Brusque/SC, até a presente data. COMPOSIÇÃO ACIONÁRIA COMERCIAL TRICHÊ LTDA A sociedade foi constituída inicialmente pelas sócias Saionara Eccel Lauritzen e Ione Maria Pereira Kuhn, ambas sócias administradoras até 11/02/2009, quando transferem suas cotas para Altair Curt Lauritzen e Carlos Alberto Kuhn, respectivamente, ficando assim o quadro societário da empresa: ALTAIR CURT LAURITZEN 65% 19.500 QUOTAS R$19.500,00 CARLOS ALBERTO KUHN 35% 10.500 QUOTAS R$10.500,00 INDÚSTRIA DE LINHAS TRICHÉ LTDA A sociedade foi constituída inicialmente pelas sócias Saionara Eccel Lauritzen e Ione Maria Pereira Kuhn, ambas sócias gerentes até 27/09/2002, quando transferem suas cotas para Altair Curt Lauritzen e Carlos Alberto Kuhn, respectivamente, ficando assim o quadro societário da empresa: ALTAIR CURT LAURITZEN 65% 5.200 quotas R$520.000,00 CARLOS ALBERTO KUHN 35% 2.800 quotas R$280.000,00 Esclarecemos que os Srs. Altair Curt Lauritzen e Carlos Alberto Kuhn são, respectivamente, esposos das Srs. Saionara Eccel Lauritizen e Ione Maria Pereira Khun. CAPITAL SOCIAL O Capital Social atual da Representada é de R$ 30.000,00 e da INDÚSTRIA DE LINHAS TRICHÊ LTDA é de R$ 800.000,00. OBJETO SOCIAL O objeto social da representada é a exploração dos ramos de indústria, comércio, confecção de produtos têxteis e prestação de serviços industriais e da " empresa mãe" é a exploração dos ramos de industria, comércio e confecção de produtos têxteis. IV DESCRIÇÃO DOS FATOS Durante a ação fiscal foram realizadas diligências às instalações das empresas pertencentes ao grupo econômico, com vistas a melhor entender o processo produtivo e conhecer a sua estrutura administrativa. Em visita ao endereço constante no contrato social da Representada, Avenida 1 o de Maio, 595, foi verificado que existe um pequeno galpão com um comércio atacadista e varejista de linhas, onde foi encontrado apenas um empregado trabalhando, a Sra. Maria Lúcia Duarte Arendartchuk, empregada da "empresa mãe" e em entrevista, a mesma disse que trabalha há muitos anos na empresa e que ali sempre funcionou aquele comércio(Anexo Consulta CNIS). Conforme 3a alteração contratual de 28/11/2002, a "empresa mãe" criou uma filial no mesmo endereço da Representada, cujo objeto social é o comércio atacadista e varejista de linhas e fios para coser e bordar, tendo sido a mesma baixada em 21/08/2006. Fl. 803DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.721759/201155 Acórdão n.º 2401003.742 S2C4T1 Fl. 4 5 O objeto social da Indústria Trichê não contempla a prestação de serviços financeiros e nem de recursos humanos. FATURAMENTO X NUMERO DE EMPREGADOS X FOLHA DE PAGAMENTO Observase que após a constituição da Representada, empresa optante pelo SIMPLES, o número de empregados da "empresa mãe" diminuiu consideravelmente, enquanto da Representada, aumentou e as suas despesas foram praticamente relativas a sua folha de pagamento. As despesas referente à energia elétrica só foram contabilizadas a partir de 01/2007 e despesas de água e telefone não foram contabilizadas até a presente data, itens indispensáveis para o funcionamento de suas atividades, e embora a empresa não possua sede própria, consta lançamentos contábeis referente a pagamento de aluguel somente a partir de 01/2007, embora a representada não funcione no local indicado. A empresa não possui ativo imobilizado, não possui máquinas e equipamentos necessários para o funcionamento de suas atividades (cópias Balanços Patrimoniais), enquanto a "empresamãe possui, "máquinas, equipamentos e ferramentas",no valor de R$ 1.804.615,60 e que são utilizados normalmente pelos empregados da Representada sem nenhum pagamento pelo uso dos mesmos. Conforme verificação física efetuada nos 10 e 11/03/2010(entrevistas anexas), foi constatado a presença de todos os empregados, tanto da empresa mãe como da Representada, trabalhando no galpão situado na Ivo Silveira, 1000, km 03, Bateas em Brusque/SC, onde funciona a Indústria de Linhas Trichê Itda. Verificamos também, que todo o faturamento da REPRESENTADA foi oriundo de prestação de serviços e teve como cliente, exclusivamente, a empresa INDÚSTRIA DE LINHAS TRICHÊ LTDA. Verificamos que os empregados da "empresa mãe" diminuíam enquanto seu faturamento aumentava, pois na realidade todos os empregados da REPRESENTADA trabalhavam na produção da Indústria Trichê Itda, fato este comprovado quando da visita às empresas, conforme entrevistas anexas. DA ADMINISTRAÇÃO E GERENCIAMENTO DE PESSOAL E FINANCEIRO Nos dias 10 e 11/03/2010 foram realizadas entrevistas com os empregados das empresas envolvidas, todos trabalhando no endereço Rod. Ivo Silveira, 1000, km 03, Bateas, em Brusque, onde a grande maioria respondeu que não sabe exatamente em qual empresa está registrado e afirmam que sempre receberam ordens do Sr. ALTAIR e do Sr. CARLOS ALBERTO, e que não conhecem e nunca receberam ordens das Sras. IONE MARIA PEREIRA KHUN E SAIONARA ECCEL LAURITZEN, sócias administradoras da Representada desde sua constituição até 11/02/2009. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 A empresa mãe, a Indústria de Linhas Trichê Ltda. no primeiro momento também foi constituída tendo como sócios administradores de direito as Sras. IONE E SAIONARA, mas quem administrava de fato a empresa eram os Srs. ALTAIR E CARLOS ALBERTO, conforme procuração anexa, constatando assim ser uma pratica dos verdadeiros donos, a inclusão de interpostas pessoas em suas empresas. De acordo com cópias dos Termos de Abertura dos Diários n° 03/2005,04/2006,05/2007 e 06/2008 da Comercial Trichê Ltda, assinadas pelo Sr. Altair Curt Lauritzen. ratificamos a afirmação de que os sócios administradores da Indústria de Linhas Trichê Ltda, são também os verdadeiros donos da Representada. A administração do setor financeiro é efetuada por DENILSON FAGUNDES, empregado da Indústria, no primeiro momento, e depois readmitido na REPRESENTADA. Verificamos que após a constituição da REPRESENTADA, grande parte dos empregados da "empresa mãe" foram demitidos e logo após readmitidos na COMERCIAL TRICHÊ. Anexamos a consulta CNIS CADASTRO NACIONAL DE INFORMAÇÕES SOCIAIS de alguns empregados da Representada, onde é constatada esta situação, e documentos da empresamãe assinados por eles, comprovando assim que se trata de uma única empresa e que todos, independentemente de onde estão registrados, trabalham para um mesmo objetivo: •DENILSON FAGUNDES, antes empregado da Indústria e atualmente da representada ARCÉLIO UPTMOOR, antes empregado da Representada e hoje da Indústria. FERNANDA CENSIRIEG, dispensada da indústria e admitida na Representada quando da sua constituição ARILSON HASSMANN, empregado da Representada ITAMAR FRANCISCO DA SILVA.empregado da Representada EDSON ERTHAL, antes empregado da indústria e hoje da Representada JONES COSTA NASCIMENTO.empregado da Representada até 15/01/2007 MARCELO QUAIATO, antes empregado da Indústria e hoje da Representada IRIVAM VOSS, antes empregado da Indústria, depois da Representada e hoje novamente da Indústria FLÁVIO RICARDO HANG, empregado da Representada até 09/2007 JEAN CARLOS MAFRA, empregado da Representada DANIELI CRISTINA RECH, empregada da Representada JOEL DOS SANTOS, empregado da Representada LUCIANA ESTEVO SUAVE, da Indústria e atualmente da Representada, CARLOS ALBERTO HECKERT, empregado da Representada, GORETTI FURTADO, empregada da Indústria e hoje da Representada, JOSÉ RICARDO DE SOUZA, antes empregado da indústria e hoje da Representada • Nota Fiscal de Serviço da SERVMED em nome da Representada e despesa contabilizada na Indústria • Receituário em nome da Indústria e cupom fiscal em nome da Representada; •Anexamos, também, cópias de documentos da Representada, assinados pelo Sr. ALTAIR CURT LAURITZEN, fora do período de sua gestão. Fl. 805DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.721759/201155 Acórdão n.º 2401003.742 S2C4T1 Fl. 5 7 • Cópia da TELISTAS.net, onde consta o nome da INDÚSTRIA DE LINHAS TRICHÊ LTDA Posto de Vendas, no endereço, onde supostamente funcionaria a Representada. Independentemente de onde estejam registrados os trabalhadores, o comando do grupo é exercido dentro da INDÚSTRIA DE LINHAS TRICHÊ LTDA, e a Representada na verdade só existe para registrar os empregados, no papel, ou seja, ela não dispõe de patrimônio e capacidade operacionais necessários à realização de seu objetivo. Concluise que a Representada foi criada com a única finalidade de formalizar os registros dos empregados, sendo totalmente controlada pela empresamãe. Tratase de criação simulada de pessoa jurídica, por interpostas pessoas físicas e assim eximir a empresamãe do pagamento de contribuições previdenciárias e outros tributos, tudo com o claro e primordial intento de lesar o fisco. VI CONCLUSÃO Conforme demonstrado neste relatório, a empresa INDÚSTRIA DE LINHAS TRICHÊ LTDA, constituiu a Representada em nome de parentes, no caso, as esposas dos atuais sócios, sem nenhuma condição de subsistência própria. Este contexto tem revelado, via de regra, a prática adotada por muitas empresas que se utilizam do artifício da abertura de empresas optantes pelo SIMPLES que abrigam o quadro funcional com o objetivo de se elidirem da contribuição patronal sobre a folha de pagamento . Reiteradamente essas empresas tem sido autuadas por se tratar não de elisão, mas de simulação com vistas à sonegação fiscal. Por todo o exposto e diante do conjunto de evidências, conclui se que a COMERCIAL TRICHÊ LTDA não existe de fato, e que a mesma é usada pela INDÚSTRIA DE LINHAS TRICHÊ LTDA, para obter indevidamente vantagens relativas às contribuições previdenciárias e sonegação de tributos. Isto posto, proponho, nos termos do artigo 38, inciso III da IN RFB n° 1.005, de 08 de fevereiro de 2010, a imediata SUSPENSÃO com posterior BAIXA DE OFÍCIO da inscrição da COMERCIAL TRICHÊ LTDA. no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), a partir de 01 de maio de 2005. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação ao processo 13.962.00311/201022, fls. 60 a 77, contudo, ao observamos o teor da defesa, identificase que a mesma referese ao DEBCAD 37.197.3015, processo 13.971721759/2011 55 (AI Cod. 68 – omissão em GFIP). Foi exarada Decisão de primeira instância fls. 186 a 199, que determinou a procedência integral do lançamento. Notese que embora o número do processo que consta no acordão 0723.958 seja 13.962.000378/201067, o mesmo atualmente recebe a numeração 13.971.721759/201155 (numeração atribuída após a digitalização). Segue ementa da decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 806DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2008 Auto de Infração n° 37.197.3015 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. E devida a autuação por apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. SIMULAÇÃO. A constatação de atos simulados, acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, enseja a autuação tendo como base a situação de fato. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, protocolado em relação ao processo 13.962.000378/201067, o mesmo atualmente recebe a numeração 13.971.721759/201155 (numeração atribuída após a digitalização), conforme fls. 396 e seguintes. Em síntese repete as mesmas alegações anteriores, senão vejamos: 1. Procedimento de Baixa Administrativa: que a empresa a ser baixada foi constituída para prestar serviço à impugnante e a quem mais precise de seus serviços; que os serviços não exigiam a necessidade de qualquer patrimônio, pois eram manuais; que houve a ofensa a vários princípios constitucionais; que a Instrução Normativa não pode ser base legal para notificação; que a empresa Comercial Trichê não tem um setor de serviços financeiros ou de recursos humanos, porque é pequena e o RH é terceirizado; que os entrevistados respondiam que trabalhavam para a Trichê, pois ambas as empresas utilizavam a mesma expressão; que a empresa praticou elisão fiscal lícita, sem esconder qualquer fato; que mantinha escrituração contábil e cumpre com suas obrigações acessórias; que o ato de baixa de ofício é totalmente ilegal e inconstitucional. 2. Nulidade do Auto de Infração 37.197.3015: que não consta a descrição sumária da infração cometida, não foram expostos os fatos e os motivos que levaram à autuação; que os fundamentos legais estão incompletos, especialmente por não descrever os aspectos do fato gerador. 3. Omissão em GFIP: que não omitiu qualquer fato ou registro do Fisco; uma vez que a empresa Comercial Trichê estava cadastrada no SIMPLES, todos os registros estavam declarados na GFIP conforme esta forma de tributação; que o Estado poderia ter impedido que a empresa fosse admitida neste regime, porém, nada foi feito à época e agora aplica pesadas multas. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.721759/201155 Acórdão n.º 2401003.742 S2C4T1 Fl. 6 9 4. Multa: que a multa alcançou um elevadíssimo valor, inviabilizando seu próprio negócio, o que configura o efeito confiscatório; 5. Juros SELIC: que os juros são extorsivos; que a taxa SELIC tem natureza remuneratória, inadequada para o fim pretendido de juros moratórios; que não respeita o limite constitucional de 12% ao ano; que quebra o princípio da legalidade. Aduz que a empresa sempre agiu com lisura, o que deve ser considerado como bom precedente; que houve ofensa aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, pois o valor do débito é impagável. 6. Requer a improcedência da baixa da empresa Comercial Trichê Ltda e a nulidade do auto de infração, além do provimento aos pedidos efetuados e perícia contábil. A DRFB encaminhou o recurso a este conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 808DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 415. Superados os pressupostos, passo ao exame do mérito. DO MÉRITO Conforme descrito no relatório fiscal a autuação teve por fundamento o art. 32, IV da Lei n ° 8.212/1991, que disciplina que o contribuinte é obrigado informar ao INSS, por meio de documento próprio, informações a respeito dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) (grifo nosso) No mérito, foram trazidos os mesmos argumentos da impugnação e do AIOP lavrados durante procedimento fiscal, ou seja, o recorrente alega que não existiu simulação da criação e contratação da empresa COMERCIAL TRICHE LTDA, e que os fatos geradores foram declarados na GFIP na forma devida. Ora, ao recorrente dáse o direito de insurgirse contra as autuações que lhe foram imputadas, colacionando alegações que demonstrem a fragilidade do mesmo, mas desde que, para tanto, demonstre inexistir os fatos que ensejaram a autuação. No presente caso, havendo a comprovação de relação de trabalho com a empresa autuada, certo será a obrigação de informar em GFIP os segurados vinculados a empresa INDÚSTRIA DE LINHAS TRICHE. Bastanos uma simples leitura do relatório fiscal, e seus anexos, para que se perceba, que auditor desincumbiuse de identificar claramente não apenas a falta imputada como toda a legislação que fundamenta o lançamento e a correlação dos fatos geradores com o auto de infração de obrigação principal. A indicação dos fatos geradores e das faltas cometidas apurados durante o procedimento fiscal, realmente é da competência da autoridade fiscal, que tem o dever de efetuar o lançamento de forma clara, permitindo o exercício da ampla defesa e do contraditório. Contudo, importante salientar, que tratandose de AI de obrigação acessória, não há quanto ao mérito qualquer questão a ser apreciada, posto que a procedência dos fatos geradores que ensejaram a multa ora aplicada, já foram objeto de apreciação nesta mesma sessão, processos n. 13971.721754/201122, DEBCAD n. 37.197.3023, cuja ementa abaixo transcrevo respectivamente. Notese que naqueles autos foi devidamente enfrentada a questão da vinculação dos segurados a empresa em questão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 809DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.721759/201155 Acórdão n.º 2401003.742 S2C4T1 Fl. 7 11 Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO DE EMPRESA INTERPOSTA PRINCIPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE. Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como empregado, contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º deverá desconsiderar o vínculo pactuado com a empresa interposta e vinculálos ao efetivo empregador. Não se faz necessário caracterizar os requisitos de empregado, quando o vínculo original com terceira empresa já se dava nessa condição, bastando a configuração de gerenciamento único, ou seja, subordinação jurídica para que se redirecione o vínculo de emprego para efeitos previdenciários. APROVEITAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES FEITOS NA MODALIDADE DO SIMPLES Na determinação dos valores a serem lançados de ofício para cada tributo, após a exclusão do Simples, devem ser deduzidos eventuais recolhimentos da mesma natureza efetuados nessa sistemática, observandose os percentuais previstos em lei sobre o montante pago de forma unificada. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2008 LANÇAMENTO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E DO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, com esteio na legislação que disciplina a matéria, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE INOCORRÊNCIA DE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA No procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a caracterização do vínculo empregatício com empresa que simulou a contratação por intermédio de empresas interpostas, procedeu a caracterização do vínculo para efeitos previdenciários na empresa notificada, que era a verdadeira empregadora de fato. LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. Conforme preceitua o artigo 142 do CTN, artigo 33, caput, da Lei nº 8.212/91 e artigo 8º da Lei nº 10.593/2002, c/c Súmula nº 05 do Segundo Conselho de Contribuintes, compete privativamente à autoridade administrativa Auditor da Receita Federal do Brasil , constatado o descumprimento de obrigações tributárias principais e/ou acessórias, promover o lançamento, mediante NFLD e/ou Auto de Infração. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DA MULTA PALIÇADA E TAXA SELIC IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. APLICAÇÃO DE JUROS SELIC MULTA PREVISÃO LEGAL. Dispõe a Súmula nº 03, do 2º Conselho de Contribuintes, aprovada na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicadas no DOU de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28: “É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais.” O contribuinte inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Recurso Voluntário Negado Dessa forma, em relação aos fatos geradores que ensejaram a aplicação da multa, deve o resultado observar exatamente os termos do resultado do processo correlato. Ao proceder a vinculação de segurados à empresa que realmente exercia o poder diretivo, nasce para esta a obrigação de informação em GFIP os referidos segurados. O fato dos mesmos constarem da GFIP da empresa interposta, contratada de forma irregular não supre a exigência legal para afastar a multa exigida. Quanto a taxa SELIC entendo que não há o que ser apreciado, considerando que em se tratando de obrigação acessória não há aplicação de juros. DA MULTA APLICADA Não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos do normativo vigente à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória MP 449/09, convertida na Lei 11.941/2009, que revogou o art. 32, § 4o, da Lei 8.212/91. Assim, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP, convertida em lei. A citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Nesse sentido, filiome a tese adotado pelo auditor fiscal e ratificada pelo julgador de primeira instância. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e Fl. 811DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13971.721759/201155 Acórdão n.º 2401003.742 S2C4T1 Fl. 8 13 II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, como no presente caso, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado. As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio da notificação já mencionada e, tendo havido o lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32A, sob pena de bis in idem. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso conforme descrito no relatório fiscal, para que se determinasse o valor da multa a ser aplicada, procedeuse ao comparativo: com base na antiga sistemática, multa moratória, com a aplicação de multa pela não informação em GFIP, e da sistemática descrita na nova legislação. Ou seja, para efeitos da apuração da situação mais favorável, observou o auditor fiscal notificante: 7. Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou 8. Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Nesse sentido, entendo quem não há qualquer reparo no cálculo da multa imposta, tendo em vista ter sido aplicada a mais favorável ao sujeito passivo, conforme entendimento exposto acima. .Diante o exposto e de tudo o mais que dos autos consta. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 813DF CARF MF Impresso em 10/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 01/12/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 08/12/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10166.720035/2009-76
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DIRPF. GLOSA DE IMPOSTO DECLARADO COMO RETIDO. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63. PROVA DOCUMENTAL.
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção só passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos.
O contribuinte deduziu de rendimentos tributáveis parcela relativa a imposto retido na fonte que se comprova não ter sido efetivamente retido nem recolhido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.783
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Flavio Araujo Rodrigues Torres.
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GLOSA DE IMPOSTO DECLARADO COMO RETIDO. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63. PROVA DOCUMENTAL. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção só passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos. O contribuinte deduziu de rendimentos tributáveis parcela relativa a imposto retido na fonte que se comprova não ter sido efetivamente retido nem recolhido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 00 35 /2 00 9- 76 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10166.720035/200976 Acórdão n.º 2801003.783 S2TE01 Fl. 108 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Flavio Araujo Rodrigues Torres. Relatório Este processo já foi objeto de análise por esta Turma Especial, em Sessão de 21 de outubro de 2010, resolvendose, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do Conselheiro Relator, os quais transcrevo em parte, para descrever a situação que se apresenta (fl. 79 e ss.): Trata o presente processo de notificação de lançamento às fls. 04/08, onde está o fisco a exigir do recorrente, Sr. Alberto Jesus Afonso (CPF n° 005.204.03053), o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 16.193,87, sendo o valor de R$ 9.513,50 a título de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, além de R$ 1.902,70 de multa de mora, e R$ 4.777,67 de juros de mora, estes calculados até 30 de janeiro de 2009. A exigência fiscal decorreu da revisão efetuada na declaração de ajuste anual apresentada pelo contribuinte referente ao exercício de 2005, anocalendário 2004, por meio da qual foi constatado que o contribuinte efetuou compensação indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 9.513,50. Cientificado da autuação, o contribuinte apresentou sua impugnação em 16/03/2009, fls. 02/03, argumentando que o Imposto de Renda Retido na Fonte declarado, e que foi glosado pelo fisco, referese à ação trabalhista que ajuizou contra a Caixa Econômica Federal, sendo que a decisão final lhe foi favorável. Sustenta ainda que a responsabilidade pelo recolhimento do imposto de renda retido na fonte é da CEF e o contribuinte não pode responder por qualquer omissão por parte da referida empresa. Ao apreciar a lide, a 4a Turma de Julgamento da DRJ/Brasília (DF) decidiu, por unanimidade de votos, pela procedência do lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/BSA nº 0330.715, de 30/04/2009, às fls. 34/38, cujas ementas encontramse a seguir transcritas: (...) Com a ciência da decisão de primeira instância ocorrendo em 07/08/2009, nos termos do AR – Aviso de Recebimento à fl. 69, o contribuinte, interpôs, em 08/09/2009, o Recurso Voluntário às fls. 70/71, alegando, em síntese, que o valor referente a esta retenção (R$ 9.513,50, com acréscimos à partir de 26/03/2004) foi liberado diretamente ao autor em 20/05/2009, conforme despacho nos autos da ação trabalhista, uma vez que o mesmo comprovou, perante aquele Juízo, ser isento do imposto, nos termos do inciso XXXIII, art. 39, do Decreto nº 3.000/99. Voto Fl. 108DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10166.720035/200976 Acórdão n.º 2801003.783 S2TE01 Fl. 109 3 Argumenta o contribuinte em seu apelo recursal o seguinte: fls. 70/71 02. (...) independente daquilo que foi arguido na decisão guerreada, a certidão anexa, documento elaborado pela justiça do trabalho, com fé pública, referente ao processo trabalhista n° 01409.029/999, do TRT da 4a Região, que teria dado origem ao suposto crédito tributário de R$ 9.513,50 (nove mil e quinhentos e treze reais e cinqüenta centavos) determina o seguinte: “Que o valor referente a esta retenção (R$ 9.513,50, com acréscimos à partir de 26/03/2004) foi liberado diretamente ao autor em 20/05/2009, conforme despacho de fls. 678, tendo em vista que o mesmo comprovou isenção reconhecida no inciso XXXIII, art. 39 do Decreto 3.000/99, conforme documentos das fls. 622/623.” 03. Ou seja, de acordo com o referido documento o Contribuinte é isento da cobrança desse valor que deveria ter sido retido, logo o lançamento consubstanciado pela notificação de lançamento deve ser cancelado, assim como o débito fiscal dele decorrente. (...)” (...) Mais adiante o contribuinte apresenta documentação (alvarás judiciais às fls. 73/74) comprovando ter recebido da Caixa Econômica Federal, em 26/05/2009, o valor de R$ 14.409,98 (documento à fl. 75), que se refere às quantias de R$ 9.513,50 e R$ 281,07, e respectivos acréscimos legais devidos. Ocorre que a não tributação dos proventos de aposentadoria ou reforma recebidos por portador de moléstia grave encontrase expressa no artigo 39, inciso XXXIII, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/1999, a seguir transcrito juntamente com seus parágrafos 4º e 5º, que definem critérios a serem devidamente observados para o reconhecimento da isenção: (...) Deveras, a documentação anexada pelo contribuinte às fls. 13/18 dos autos (Resumo Clínico de Alta emitido em 17/01/2009 pelo INCOR em BrasíliaDF, e Receituário), não se revela hábil a comprovar o atendimento às condições para fruição da referida isenção, nos termos da legislação de regência. Face ao exposto, VOTO no sentido de converter o julgamento em DILIGÊNCIA, para que o contribuinte seja intimado a apresentar a seguinte documentação: a) laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios a comprovar ser o contribuinte, à época do recebimento dos rendimentos em questão, portador de moléstia grave prevista na norma isentiva (artigo 39, inciso XXXIII, do Decreto nº 3.000/1999); b) documentação que comprove que os valores pagos pela Caixa Econômica Federal, no anocalendário 2004, referentes a reclamatória trabalhista n° RT 0140919990294010 (29a Fl. 109DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10166.720035/200976 Acórdão n.º 2801003.783 S2TE01 Fl. 110 4 Vara do Trabalho de Porto Alegre/RS), seriam decorrentes de rendimentos de aposentadoria. Cumprida a Diligência pela Unidade preparadora, vieram aos autos a resposta do contribuinte e os documentos de folhas 95 a 105, que analiso a seguir, no voto. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. A ciência do Acórdão recorrido deuse em 07/08/2009, sexta feira, conforme Aviso de Recebimento na folha 69, tendo sido o recurso protocolado em 08/09/2009, na folha 70. Assim, o recurso é tempestivo e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a existente após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf) Na DIRPF/2005 apresentada pelo Recorrente, cuja cópia encontrase na folha 23 e ss., foi declarado um rendimento de R$ 28.168,00 (líquido), com retenção da fonte de R$ 9.513,50, referentes à fonte Caixa Econômica Federal. Na Notificação de Lançamento, relativa ao exercício de 2005, verifico que a alteração procedida pela Autoridade Fiscal foi "compensação indevida de imposto de renda retido na fonte", apontandose essa fonte acima citada, não tendo sido verificado o efetivo recolhimento do imposto declarado como retido. Isso porque, tenta o contribuinte justificar nos autos, após a determinação judicial para a retenção, o Juiz reconsiderou sua decisão, em vista de isenção fiscal subjetiva desse contribuinte, e o imposto que havia sido retido enfim não foi recolhido e, posteriormente, o valor correspondente foi pago, com correção, ao interessado. Ocorre que verificando tal situação, o Relator anterior, sabiamente, entendeu pela necessidade de se comprovar, nestes autos, a isenção aventada, explicitando os requisitos necessários para seu reconhecimento. Ora, se todo o valor recebido em decorrência de ação judicial contra a Caixa Econômica Federal fosse isento de tributação, não haveria porque se discutir sobre glosa de parcela referente a imposto retido e não recolhido pela fonte pagadora, sobre essa importância. DA ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. Verificase que existem duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: uma é ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios e outra é os rendimentos serem provenientes de aposentadoria ou reforma. Lei nº 7.713/1988 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10166.720035/200976 Acórdão n.º 2801003.783 S2TE01 Fl. 111 5 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: ... XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; É de ser observada a Súmula CARF Nº 63, abaixo transcrita: “Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios”.(grifei) Vejamos a documentação apresentada em resposta à Diligência determinada, juntamente com o conjunto probatório destes autos. Na Sentença Judicial de folhas 97 e ss., podese verificar que o Recorrente e demais partes autoras da ação judicial contra a CEF eram aposentados em datas anteriores ao fato gerador tributário e questionavam a supressão do "auxílio alimentação", após a aposentadoria. Alcançaram o direito ao recebimento da referida verba. Portanto, entendo satisfeita a primeira condição. Na folha 103, consta ofício da Fundação dos Economiários Federais ao contribuinte, informando que "a isenção de Imposto de Renda....postulada perante o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)...foi reconhecida pela Previdência Social, com base do inciso XXXIII, do art. 39 do Decreto 3.000/99...". Completa a fonte, entretanto, dizendo que a partir de 05/2007, não mais faria a retenção do imposto na fonte. O Laudo Técnico do Instituto de Cardiologia é emitido por médico particular em 2007; assim como o Atestado de fls. 102. O documento (consulta a sistema informatizado) do INSS, que consta da folha 105, emitido em 04/2007, dá conta de que o Contribuinte é aposentado e "isento do IR", porém referese à competência 03/2007. Vejamos que na Diligência determinada, no item a), o Relator bem evidenciou que era necessário: "comprovar ser o contribuinte, à época do recebimento dos rendimentos em questão, portador de moléstia grave prevista na norma isentiva..." Fl. 111DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10166.720035/200976 Acórdão n.º 2801003.783 S2TE01 Fl. 112 6 Pois bem, entendo que ao receber os rendimentos, em 2004, não demonstra nenhum dos documentos apresentados que havia o reconhecimento por parte de serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios de que o Recorrente era portador de moléstia grave conforme definido em lei. Portanto, não satisfeita a segunda condição para a isenção. Vejamos ainda que segundo o "resumo" de cálculos apresentado, na folha 47, o Contribuinte fazia jus, em 2004, a R$ 25.507,44 mais juros de R$ 10.625,58, o que importa em R$ 36.133,02, sendo descontado o imposto a ser retido pela fonte calculado em R$ 9.513,50, restaram líquidos R$ 26.619,52, sobre os quais ainda incidiu pequena correção até o pagamento. Observo que na DIRPF/2005, o contribuinte declarou esse valor líquido como rendimento, quando o correto seria o valor bruto, e deles ainda deduziu o valor do imposto retido, em discussão. Está reconhecido nos autos que não houve a efetiva retenção e pagamento desse valor de imposto, uma vez que posteriormente, em 2009, o mesmo foi liberado ao Recorrente. Assim, havemos de convir que, sobre o valor que já havia sido declarado pelo líquido, não se podia ainda deduzir um valor de imposto que não fora efetivamente recolhido, enfim. Observe o Contribuinte que não está em litígio aqui o valor declarado, mas a dedução indevida de R$ 9.513,50 aplicada sobre ele. Quanto à responsabilidade da fonte pagadora pela retenção na fonte e seu não cumprimento, no caso, não exclui aquela do contribuinte declarante. A responsabilidade pelo pagamento do tributo continua sendo do contribuinte, que deve proceder ao ajuste em sua declaração de rendimentos, a despeito da errônea interpretação conferida à legislação pelo responsável tributário. Assim, o Superior Tribunal de Justiça vem entendendo que cabe à fonte pagadora o recolhimento do tributo devido. Porém, sua omissão não exclui a responsabilidade do contribuinte pelo pagamento do imposto, o qual fica obrigado a declarar o valor recebido em sua declaração de ajuste anual. (REsp 383.309/SC,Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06) No mesmo sentido, o Parecer Normativo SRF nº 1, de 24 de setembro de 2002, dispõe que tal responsabilidade da fonte pagadora extinguese na data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual da pessoa física, e que a falta de oferecimento dos rendimentos à tributação por parte desta última sujeitaa à exigência do imposto correspondente. Destaco que sobre tal valor não está incidindo multa punitiva, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996, mas apenas a multa de mora, pela efetiva demora no acerto do tributo devido, e os juros, também pela mora. Face ao exposto, não comprovado que o contribuinte preenchia os requisitos para isenção à época do recebimento dos rendimentos, e que realmente deduziu do imposto devido um valor que não foi efetivamente retido na fonte, que inclusive lhe foi pago posteriormente, VOTO por negar provimento ao recurso. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10166.720035/200976 Acórdão n.º 2801003.783 S2TE01 Fl. 113 7 Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 113DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 30/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 13888.724349/2011-13
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2403-000.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência para a 1ª Seção do Carf. Turma impedida de julgar o processo. Encaminhar para 1ª Seção julgar a questão do SIMPLES, após, devolver o processo à Quarta Câmara da 2ª Seção.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos converter o julgamento em diligência para a 1ª Seção do Carf. Turma impedida de julgar o processo. Encaminhar para 1ª Seção julgar a questão do SIMPLES, após, devolver o processo à Quarta Câmara da 2ª Seção. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .7 24 34 9/ 20 11 -1 3 Fl. 520DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.724349/201113 Resolução nº 2403000.163 S2C4T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, Acórdão 1440.493 da 7ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Compõem o presente processo os seguintes lançamentos: Auto de Infração de Obrigações Principais – AIOP nº 37.338.3410, Auto de Infração de Obrigações Principais AIOP nº 37.338.3428, o Auto de Infração de Obrigações Principais AIOP nº 37.338.3436 e o Auto de Infração de Obrigações Acessórias AIOA nº 37.338.3401. Também é parte integrante do presente processo, todo o procedimento efetuado pela fiscalização e Delegacia da Receita Federal do Brasil RFB em Piracicaba, relativamente à exclusão da empresa dos sistemas simplificados de tributação, SIMPLES FEDERAL – SF regido pela Lei nº 9.317/96 e SIMPLES NACIONAL – SN regido pela Lei Complementar nº 123/2006. Conforme Representação Fiscal emitida pela auditoria propondo a exclusão da autuada dos sistemas chamados de SIMPLES FEDERAL e SIMPLES NACIONAL, a empresa, que estava enquadrada como optante do SF de 01 a 06/2007 e do SN a partir de 01/07/2007, não apresentou à fiscalização escrita contábil e também o Livro Caixa com informações sobre sua movimentação financeira, inclusive bancária (a que estaria obrigada na falta de escrituração regular), apesar de solicitados através do Termo de Intimação Fiscal nº 01, apresentando, inclusive, declaração emitida pelo próprio contribuinte (anexa ao processo, fls. 187) de que a empresa é optante do SIMPLES NACIONAL e que não possui escrituração contábil. Informa ainda o RF que a autuada não pôde apresentar o Livro Caixa em razão da sua receita bruta declarada ser inferior ao valor da compra de mercadorias mais a folha de pagamento, portanto, operando em flagrante subfaturamento, tendo a auditoria fiscal autuante elaborado o Anexo II onde demonstra tal procedimento. Desta forma, conclui a fiscalização, que a pessoa jurídica incorreu em hipótese de exclusão de ofício do sistema SIMPLES FEDERAL, prevista na Lei n° 9.317/96 , incisos II e V do art. 14 e de exclusão de ofício do sistema SIMPLES NACIONAL, prevista na LC nº 123/06, art. 29, inciso II, V e VIII e no art. 5° incisos V e VIII da Resolução CGSN nº 15, de 23 de julho de 2007 e alterações. Na seqüência, foi emitido Fl. 521DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.724349/201113 Resolução nº 2403000.163 S2C4T3 Fl. 4 3 pela DRF Piracicaba o Despacho Decisório nº 0760, de 21/11/2011, dispondo que restou caracterizado que a empresa incidiu em prática reiterada de infração tributária, com a proposta de emissão de Atos Declaratórios Executivos ADE de exclusão da empresa do SF e SN. Em prosseguimento, a DRF Piracicaba emite os ADE nº 077 e 078, ambos de 21/11/2011, que fazem parte deste processo, excluindo a empresa do SF e SN respectivamente, com efeitos a partir de 01/01/2007 a 30/06/2007 no caso do SF e a partir de 01/07/2007 para o SN, constando ainda no processo que a ciência à empresa destes ADE foi dada juntamente com os Autos de Infração constituídos na mesma ação fiscal e abaixo listados, em 01/12/2011. Diante da exclusão da empresa dos sistemas simplificados de tributação desde as datas supra, passa o contribuinte a ser tributado como as empresas em geral e, com base nas folhas de pagamento, foram emitidos os lançamentos que fazem parte deste processo e que referemse a: Auto de Infração de Obrigações Principais – AIOP nº 37.338.3410, de contribuições referentes à parte da empresa e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – RAT, incidentes sobre os valores pagos a segurados empregados, além da parte da empresa incidente sobre a remuneração paga aos contribuintes individuais. O crédito tributário assim constituído, relativo às competências 01/2007 a 12/2008, inclusive décimos terceiros salários 2007 e 2008, importa em R$ 320.108,12 (trezentos e vinte mil, cento e oito reais e doze centavos), valor consolidado em 29/11/2011. Auto de Infração de Obrigações Principais – AIOP nº 37.338.3428, no valor de R$ 50.936,25 (cinqüenta mil, novecentos e trinta e seis reais e vinte e cinco centavos), referente a diferenças apuradas nas contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais – sócios gerentes. O lançamento referese às competências 01/2007 a 10/2008 e foi consolidado em 29/11/2011. Auto de Infração de Obrigações Principais – AIOP nº 37.338.3436, de contribuições destinadas às entidades terceiras, quais sejam, FNDE – Salário Educação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE, incidentes sobre os valores pagos a segurados empregados. O crédito tributário assim constituído, relativo às competências 01/2007 a 12/2008, inclusive décimos terceiros salários 2007 e 2008, importa em R$ 83.106,57 (oitenta e três mil, cento e seis reais e cinqüenta e sete centavos), valor consolidado em 29/11/2011. Auto de Infração de Obrigações Acessórias – AIOA nº 37.325.0061, Código de Fundamentação Legal – CFL 68, Fl. 522DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.724349/201113 Resolução nº 2403000.163 S2C4T3 Fl. 5 4 lavrado em razão de ter sido constatado que a autuada apresentou GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, com dados não correspondentes a todas as contribuições previdenciárias devidas, uma vez que não foram ali declaradas as contribuições da empresa incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, ficando caracterizado o descumprimento de obrigação acessória, o que constitui infração às disposições contidas no art. 32, inc. IV, da Lei nº 8.212, de 24.07.91, com a redação dada pela Lei nº 9.528/97. Dispõe ainda que, em atendimento ao contido no art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN, para as competências até 11/2008, foi efetuada comparação entre a multa aplicável com base na legislação vigente à época dos fatos geradores e a introduzida pela MP 449/2008, transformada na Lei nº 11.941/2009, e esta se mostrou mais benéfica ao contribuinte na competência 07/2007, onde foi aplicada a multa de ofício de 75% nos AIOP conexos lavrados na mesma ação fiscal. Apresenta planilha comparativa, Anexo I. Também nas competências posteriores à entrada em vigor da MP 449/2008, aplicase a multa de ofício de 75%. Neste contexto, para as demais competências objeto deste processo, foi aplicada a multa neste AIOA – CFL 68, pelo montante de R$ 70.123,78 (setenta mil, cento e vinte e três reais e setenta e oito centavos) com base no disposto na Lei nº 8.212/91, artigo 32, parágrafo 5º, acrescentado pela Lei nº 9.528/97, limitada por competência pelo contido no § 4º deste mesmo artigo, e Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, artigo 284, inciso II (com a redação dada pelo Decreto nº. 4.729/2003) e artigo 373, com valores atualizados pela Portaria Interministerial MPS/MF Nº 407, de 14/07/2011, tudo conforme Folha de Rosto do AIOA e RF. Aduz também acerca da emissão de Representação Fiscal para Fins Penais lavrada pela fiscalização em decorrência da configuração, em tese, de crime de sonegação de contribuição previdenciária e de apropriação indébita previdenciária. Foram utilizados/apropriados como crédito do contribuinte todos os valores recolhidos que constam do contacorrente da empresa, bem como todos os valores declarados em GFIP, tudo conforme anexos Discriminativo do Débito DD e Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA, que integram o presente processo. A autuada, cientificada dos lançamentos abaixo e dos ADE, apresenta sua tempestiva impugnação em 29/12/2011, alegando, em síntese, que: Faz um resumo de todo o procedimento fiscal, conforme disposto no Relatório Fiscal – RF, parte integrante deste processo. Da exclusão do SIMPLES e do SIMPLES NACIONAL. A autoridade fiscal promove a exclusão da empresa dos sistema SIMPLES e do SIMPLES NACIONAL, porém tal fato não deve Fl. 523DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.724349/201113 Resolução nº 2403000.163 S2C4T3 Fl. 6 5 prosperar. No item 13 do RF são relacionados documentos apresentados pela fiscalizada, não incorrendo a empresa em nenhum dos artigos a ela imputados que levem a excludência do sistema SN. Conforme afirma o agente fiscal, a empresa incorreu em hipótese de exclusão por não fornecer informação contábil, não apresentar escrita contábil, nem Livro Caixa e por não apresentar informações financeiras. Pela Lei Complementar nº 123/2006 fica a empresa dispensada de escrituração contábil e no item 03 do Relatório Fiscal RF a fiscalização afirma que a empresa apresentou os livros fiscais, deixando de apresentar sua escrituração contábil, através de livro diário e alega ainda que não foi apresentado o livro caixa. As razões apresentadas estão devidamente amparadas nos termos da Lei Complementar nº 123/2006. Dispõe que a fiscalização alega por presunção que sua receita bruta declarada é inferior ao valor da compra de mercadorias somada à sua folha de pagamento, operando com subfaturamento, incorrendo assim nas situações excludentes do SN. Os Autos de Infração lavrados não devem prosperar. Discorre fartamente sobre a história e situação financeira da empresa. As sócias na tentativa de salvar a empresa foram dilapidando seu patrimônio pessoal, anexa cópia de escritura de venda da apartamento, de saque de plano de aposentadoria e de comprovantes de sucessivos empréstimos junto a bancos, além de recibos de depósitos feitos por uma das sócias na conta da empresa. Não há que se falar em omissão de receitas nem de documentações para excluir a empresa do SN, a venda de bens para suporte do caixa deve ser feito via escrituração contábil da qual a empresa era dispensada nos termos da Lei Complementar nº 123/2006. Com relação ao Livro Caixa, a empresa desconhecia que deveria lançar os suportes de vendas dos bens dos sócios como receita, pois eram bens adquiridos há muitos anos. No momento oportuno, entregará os livros caixas solicitados. A inconstitucionalidade da exclusão do SIMPLES NACIONAL. Discorre fartamente sobre a garantia constitucional de tratamento diferenciado e simplificado às microempresas e empresas de pequeno porte, transcreve artigo da CF, trata da hierarquia das leis prevista também na CF, aduz que a grande maioria dos atos de exclusão do SN emitidos pela Receita Federal do Brasil RFB são inconstitucionais, assim como os incisos IX e X do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006, aborda que o princípio constitucional da capacidade contributiva que seria violado com a exclusão da empresa do sistema SN, discorre robustamente acerca da inconstitucionalidade de se excluir a empresa do SN em decorrência de existir débitos tributários. Faculdade do contribuinte produzir prova contrária. A ameaça de exclusão do SN das empresas inadimplentes nada mais é do que um meio de compelir o contribuinte ao pagamento dos débitos que possui frente ao Fisco Federal, Fl. 524DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.724349/201113 Resolução nº 2403000.163 S2C4T3 Fl. 7 6 situação considerada inconstitucional pelo STF. Toda empresa que for notificada pela RFB de uma possível exclusão do SN em razão de débitos que possui, poderá se valer de ação judicial objetivando a sua manutenção nesse regime. Da Representação Fiscal para Fins Penais. Consta do RF que a empresa por haver descontado e não recolhido as contribuições dos segurados, em tese, praticou crime de apropriação indébita previdenciária, porém, conforme documentação anexada aos autos, a mesma parcelou, em 25/11/2011, todos os valores levantados pelo Sr. Fiscal, referentes a segurados. Portanto, não há que se falar em Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP. No mesmo item do RF, a fiscalização dispõe que a autuada não prestou informações em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP sobre a contribuição de seus empregados, o que, em tese, configuraria a prática de crime de sonegação de contribuição previdenciária. Ocorre que a empresa já providenciou junto à Caixa Econômica Federal o parcelamento dos valores relativos ao FGTS, junta documentação. Conclui dispondo que o pagamento do tributo antes do recebimento da denuncia extingue a punibilidade. Da multa por obrigação acessória. Tal posição não se sustenta. As obrigações ou deveres instrumentais são instituídos no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos e tem o objetivo de tornar possível a realização e a verificação do cumprimento da obrigação principal. No caso da autuada, houve um erro de tipo, quando o agente desconhece ou não tem plena consciência de um dos requisitos descritivos do delito. Pensa que é permitido, o que na verdade é proibido, não há que se falar na presença de dolo, não houve máfé por parte do impugnante. A pesada multa imposta de ofício deve ser afastada, a empresa não recolheu os impostos por absoluta ignorância, já que no Termos de Intimação emitidos pela fiscalização não dão conta da necessidade do recolhimento e da conseqüência do seu não pagamento. Traz jurisprudências. Ante a ausência de máfé ou dolo do impugnante, requer seja afastada a pesada multa imposta, já que terá que pagar os juros moratórios. Espera ainda seja cancelado o Auto de Infração lavrado, recalculandose a contribuição devida. Protesta provar o alegado por todos os meios de provas em direito admitidas. É a síntese dos autos. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega/questiona, em síntese, que: Fl. 525DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.724349/201113 Resolução nº 2403000.163 S2C4T3 Fl. 8 7 1. Questiona a exclusão do SIMPLES e do SIMPLES NACIONAL. 2. Faculdade de produzir prova contrária. 3. Questiona a Representação Fiscal para Fins Penais. 4. Questiona as multas aplicadas. Observo que a decisão recorrida julgou as questões da exclusão do SIMPLES e do SIMPLES NACIONAL e do crédito tributário. Acordam os membros da 7ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar improcedente a impugnação, mantendose a exclusão dos sistemas simplificados de tributação SIMPLES FEDERAL e SIMPLES NACIONAL conforme ADE nº 077/2011 e 078/2001 emitidos pela DRF de Piracicaba e mantendose integralmente os créditos tributários exigidos através dos AIOP nº 37.338.3410 e nº 37.338.343 6 e do AIOA nº 37.338.3401. É o relatório Fl. 526DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.724349/201113 Resolução nº 2403000.163 S2C4T3 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator. Segundo o Regimento Interno do CARF a competência para julgar a questão da exclusão do SIMPLES e do SIMPLES Nacional é da Primeira Seção e a competência para julgar o crédito tributário referente às contribuições previdenciárias é da Segunda Seção. Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: ... V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: ... IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; Entendo que a decisão sobre o crédito tributário deve ser precedida pela decisão acerca da exclusão dos regimes simplificados de tributação. CONCLUSÃO Fl. 527DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.724349/201113 Resolução nº 2403000.163 S2C4T3 Fl. 10 9 Voto por converter o julgamento em diligência para que a 1ª Seção do CARF julgue as questões da exclusão do SIMPLES e do SIMPLES Nacional. Após, o processo deve retornar à Quarta Câmara da 2ª Seção para julgamento do crédito tributário. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 528DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/08/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 37311.000141/2006-22
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/2005
DECADÊNCIA. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO I, ART. 173 DO CTN.
Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
A aplicação da regra decadencial expressa determina que o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, motivo do provimento do recurso.
Numero da decisão: 9202-003.453
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire.
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AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL REGIDO PELO I, ART. 173 DO CTN. Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. A aplicação da regra decadencial expressa determina que o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, motivo do provimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 31 1. 00 01 41 /2 00 6- 22 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad, Elias Sampaio Freire. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 37311.000141/200622 Acórdão n.º 9202003.453 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por Divergência, fls. 0139, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0131, que decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário do sujeito passivo, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontrase atingida pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. AVISO DE REGULARIZAÇÃO DE OBRA. TELHEIRO. ENQUADRAMENTO. A demolição de imóvel constituído única e exclusivamente de telheiro, submetese ao enquadramento descrito na alínea ‘f’ do inciso IV do art. 437 da Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria em conceder provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marco André Ramos Vieira e Liege Lacroix Thomasi que entenderam ser o caso de conversão em diligência. Esclarecendo a questão, a lide trata sobre a forma de aplicação da regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, devido a exclusão da competência dezembro. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que há decisão divergente sobre o assunto e que a forma de aplicação da regra decadencial do I, Art. 173 do CTN foi equivocada, motivo para provimento do recurso: Por despacho, fls. 0154, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo – apesar de devidamente intimado – não apresentou suas contra razões. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 37311.000141/200622 Acórdão n.º 9202003.453 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator O litígio em questão versa, unicamente, sobre a forma de aplicação da regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN. Os acórdãos paradigmas, na aplicação da regra, mantiveram no lançamento a competência dezembro. Já o acórdão recorrido, aplicando a mesma regra, excluiu a competência dezembro, em clara divergência de interpretação do mesmo dispositivo legal. A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4º, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. Por não haver recolhimentos a homologar, a regra relativa à decadência que deve ser aplicada ao caso encontrase no art. 173, I: o direito de constituir o crédito extingue se em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Esclarecemos que a competência dezembro, de 1999, não deve ser excluída porque a exigibilidade das contribuições constantes em fatos geradores que ocorreram nessa competência somente ocorrerá a partir de 01/2000, quando poderia ter sido efetuado o lançamento. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em dar provimento ao recurso da PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 217DF CARF MF Impresso em 30/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/01/2015 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 17883.000467/2008-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004
VÍCIO MATERIAL E FORMAL. DISTINÇÃO.
Quando se relacione à (i) exteriorização do lançamento, o vício formal é corrigido como o mero refazimento deste, mediante a correção da forma utilizada - exteriorização. Todavia, pode ocorrer do vício se relacionar à (ii) formalização da fundamentação (motivação) de fato e de direito, desde que esta não necessite ser alterada substancialmente, apenas aclarada ou depurada. Isso ocorre somente quando a fundamentação (motivação) preexiste, mas não foi devidamente formalizada, ou seja, vertida em linguagem adequada nos autos. Uma terceira situação de vício formal, ocorre pela não observação do (iii) iter procedimental.
No vício material, há (i) modificação das razões de fato e de direito (motivação) do lançamento ou mesmo (ii) posterior elaboração ou descobrimento pela autoridade fiscal da fundamentação (motivação). Portanto, para que seja suprido, há necessidade de mudança de compreensão, de entendimento ou até mesmo a criação de um novo fundamento para o lançamento anteriormente efetuado, não se restringido a um mero reforço argumentativo ou a transformação em linguagem adequada daquelas razões de fato e de direito (motivação) que haviam dado ensejo ao lançamento.
DECADÊNCIA. VÍCIO FORMAL.
O reconhecimento de vício meramente formal enseja o deslocamento da regra de contagem do prazo decadencial para a previsão do artigo 173, II, do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a anulação do lançamento por vício formal, conforme declarado pela decisão de primeira instância.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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DISTINÇÃO. Quando se relacione à (i) exteriorização do lançamento, o vício formal é corrigido como o mero refazimento deste, mediante a correção da forma utilizada exteriorização. Todavia, pode ocorrer do vício se relacionar à (ii) formalização da fundamentação (motivação) de fato e de direito, desde que esta não necessite ser alterada substancialmente, apenas aclarada ou depurada. Isso ocorre somente quando a fundamentação (motivação) preexiste, mas não foi devidamente formalizada, ou seja, vertida em linguagem adequada nos autos. Uma terceira situação de vício formal, ocorre pela não observação do (iii) iter procedimental. No vício material, há (i) modificação das razões de fato e de direito (motivação) do lançamento ou mesmo (ii) posterior elaboração ou descobrimento pela autoridade fiscal da fundamentação (motivação). Portanto, para que seja suprido, há necessidade de mudança de compreensão, de entendimento ou até mesmo a criação de um novo fundamento para o lançamento anteriormente efetuado, não se restringido a um mero reforço argumentativo ou a transformação em linguagem adequada daquelas razões de fato e de direito (motivação) que haviam dado ensejo ao lançamento. DECADÊNCIA. VÍCIO FORMAL. O reconhecimento de vício meramente formal enseja o deslocamento da regra de contagem do prazo decadencial para a previsão do artigo 173, II, do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 04 67 /2 00 8- 20 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a anulação do lançamento por vício formal, conforme declarado pela decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 17883.000467/200820 Acórdão n.º 2302003.437 S2C3T2 Fl. 162 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou nulo o lançamento, em razão do reconhecimento de erro na classificação do lançamento, quando da emissão dos discriminativos de débito, tendo concluído, destarte, pela ocorrência de vício formal. Adotase o relatório do acórdão do órgão a quo, que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase de crédito tributário lançado pela Fiscalização (DEBCAD no 37.187.6966), apurado com base nos elementos indicados no Relatório Fiscal, pertinente às contribuições previdenciárias relativas à parte da empresa e as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. O valor do presente lançamento é de R$ 96.376,31, consolidado em 25 de novembro de 2008. 2. O Relatório Fiscal de fls. 23/27 informa que as contribuições lançadas referemse a obra de construção civil de pessoa jurídica, calculadas com base na área construída e no padrão da mesma, utilizandose as tabelas do Custo Unitário Básico — CUB, divulgadas pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil — SINDUSCON, correspondentes à competência 04/2007, época de emissão do Aviso para Regularização de Obra ARO. 2.1. Reporta ainda o Auditor Fiscal autuante que os Livros Diário referentes ao período fiscalizado foram desconsiderados, por não registrarem o movimento real de remuneração dos segurados, deixando, assim, de constituir prova regular e formalizada do montante dos salários pagos pela execução da obra, e ensejando a apuração das bases de cálculo pelo critério de aferição indireta, conforme autoriza o art. 33 e §§ da Lei 8.212/91. 3. Dentro do prazo regulamentar, a tomadora contestou o lançamento através do instrumento de fls. 71/86, comprovando, através das cópias reprográficas de fls 87/99, a capacidade postulatória do advogado que assina a impugnação. Como afirmado, a primeira instância julgou nulo o lançamento, em razão do reconhecimento de erro na classificação do lançamento, quando da emissão dos discriminativos de débito, tendo concluído, destarte, pela ocorrência de vício formal. Cientificada da decisão, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso no qual alega, em apertada síntese: * a decisão recorrida constatou que o autuante aplicou o inciso II do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 antes da modificação ali introduzida pela Lei n° 9.876/99, pela qual a multa a ser aplicada ao caso presente seria maior que aquela lançada no auto de infração. Ocorre que Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 não trata o caso presente de vício formal, mas sim capitulação legal equivocada do lançamento e tal fato não pode ser considerado como vício formal. É o relatório. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 17883.000467/200820 Acórdão n.º 2302003.437 S2C3T2 Fl. 163 5 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Vício Formal e Material. Distinção. A controvérsia cingese ao reconhecimento da natureza do vício: se formal ou material. Tal questão importa em reconhecimento de interesse recursal ante a sua repercussão em termos de definição do prazo para constituição de novo crédito, na medida em que, no Código Tributário Nacional, há regra expressa de decadência quando da reconstituição de lançamento declarado nulo por vício formal: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (destaques nossos) Ou seja, somente reinicia o prazo decadencial quando a anulação do lançamento anterior decorreu da existência de vício formal; o que implica reconhecer que não há reinício do prazo quando a anulação se dá por outras causas, pois a regra geral é a ininterrupção, conforme artigo 207 do Código Civil. Portanto, identificandose o conceito de vício formal, por exclusão, podese reconhecer que a regra especial trazida pelo CTN não alcança os demais casos. Código Civil: Art. 207. Salvo disposição legal em contrário, não se aplicam à decadência as normas que impedem, suspendem ou interrompem a prescrição. Ainda que o Código Civil estabeleça efeitos para os vícios formais dos negócios jurídicos, artigo 166, quando se tratam de atos administrativos, como o lançamento tributário por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, forma e finalidade. É formal o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, citamos a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro (DI Fl. 165DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192). Segundo seu magistério, o elemento “forma” comporta duas concepções: uma restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: Auto de Infração) e outra ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal, etc). Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma” não se confunde com o “conteúdo” material ou objeto. A forma é um requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização” devemos concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Daí temos que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados aquele prescrito em lei. Sem se estender muito, nas relações de direito público, a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. No caso do lançamento administrativo, o Auto de Infração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. E a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Ao verificar algum vício no lançamento, nem sempre é fácil distinguir se esta relacionado à mera forma ou se atinge a sua substância (vício material). Antes de buscar um critério adequado a distinguilos, cumpre ressaltar que somente implicam em nulidade do lançamento quando for comprovado o prejuízo à defesa. Ou seja, não havendo a demonstração de prejuízo, incide o brocardo jurídico pas de nullité sans grief. Nesse sentido vide REsp 533.082/PR (Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 04/09/2007, DJ 18/09/2007, p. 281) e Acórdão CARF 9202003.228 (sessão de 08 de maio de 2014, Relator Elias Sampaio Freire). Voltando à distinção entre a natureza dos vícios, entendemos que são três as possibilidades de ocorrência de vícios formais: (i) quando se relacione à exteriorização do lançamento, sendo corrigido como o mero refazimento deste, mediante a correção da forma utilizada – exteriorização; (ii) quando se relacione à formalização da fundamentação (motivação) de fato e de direito, desde que esta não necessite ser alterada substancialmente, apenas aclarada. Isso ocorre somente quando a fundamentação (motivação) preexiste, mas não foi devidamente formalizada, ou seja, vertida em linguagem adequada nos autos; (iii) quando decorra da não observação de um iter procedimental; Em todas estas situações, a substância permanece inatacada. Havendo algum esclarecimento, este se dará pela mesma fundamentação (motivação) de fato e de direito, que não é alterada e tampouco é apurada após o lançamento. Ela preexiste, mas não foi transformada em linguagem adequada nos autos. Transposto este limite, passase da forma para atingir a substância, implicando em vício material. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 17883.000467/200820 Acórdão n.º 2302003.437 S2C3T2 Fl. 164 7 Como espécime de o vício restrito à exteriorização do lançamento, podemos citar a falta de indicação e de assinatura da autoridade fiscal. Apesar de não constar esta conclusão na ementa, é o que se extrai do voto contido no REsp 690.382/PE (Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/10/2009, DJe 04/11/2009). Para citar uma situação de correção de formalização do lançamento, ou seja, de aperfeiçoamento da fundamentação (motivação) de fato e de direito, temos as hipóteses de retificação do lançamento ou de emissão de relatório fiscal complementar, desde que não haja necessidade de alteração substancial, apenas de aclaramento ou depuração, jamais inovação. Em tais casos, como mencionado, poderá haver convalidação do ato mediante seu refazimento no curso do próprio processo administrativo (art. 59, § 1°, do Decreto n° 70.235/72) ou mesmo a anulação do lançamento, se o vício for de origem e impossível de ser convalidado. Em sentido próximo do que se propõe: (...) 2. Nos casos em que há lançamento original e lançamento complementar proveniente da fase de diligências no curso do processo administrativo (art. 18, § 3º, do Decreto n. 70.235/72), o lançamento originalmente efetuado, mesmo que eivado de vício formal, constitui o crédito tributário e interrompe o prazo decadencial para a notificação de lançamento complementar. Interpretação do art. 173, I, II, e parágrafo único, do CTN. Precedente do extinto Tribunal Federal de Recursos: AC N. 0050216/RS, Quinta Turma, Rel. Min. Justino Ribeiro, julgado em 16.3.1981. (...) (REsp 1212658/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/03/2011, DJe 15/03/2011) Por fim, exemplo de vício de formal relacionado ao iter processual ou procedimental são as “aberturas” de prazo para manifestação ou as “cientificações” legalmente exigidas ou que decorram da garantia da ampla defesa e do contraditório: (...) 3. Se a DCTF apresentada pelo contribuinte é acompanhada da informação de ocorrência de compensação, e tal procedimento é rejeitado pelo Fisco, a inscrição imediata do valor em dívida ativa mostrase ilegítima, por vício formal no procedimento estabelecido, que determina a abertura de prazo para o sujeito passivo impugnar a sua negativa. A existência de vício formal na constituição do crédito tributário atrai a incidência do prazo decadencial disposto no art. 173, II, do CTN. 4. "O prazo a Fazenda pública proceder ao lançamento do crédito tributário, quando houver eventual decisão anulatória judicial ou administrativa relativo ao respectivo lançamento, em virtude da Fl. 167DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 ocorrência de vício formal, iniciase na data em que tal decisão tornarse definitiva, na forma do art. 173, II, do CTN" (REsp 1174144/CE, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/4/2010, DJe 13/5/2010). Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1221146/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/09/2013, DJe 11/09/2013) Assim, somente ocorrerá vício material se houver necessidade de modificação das razões de fato e de direito ou mesmo sua posterior elaboração ou descobrimento pela autoridade fiscal. Para o seu suprimento, há necessidade de mudança de compreensão, de entendimento e não um mero reforço argumentativo ou a transformação em linguagem daquelas razões de fato e de direito que deram ensejo ao lançamento. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. Daí, concluirse que restará configurado o vício material quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO E DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES. IMPROCEDÊNCIA. VÍCIO MATERIAL, NÃO FORMAL. A falta de indicação suficiente dos fatos que motivaram o lançamento e da origem do crédito tributário fulmina o lançamento por vício material. (Acórdão 9202003.285, sessão de 30 de julho de 2014, 2ª Turma CSRF, Rel. Gustavo Lian Haddad) RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 17883.000467/200820 Acórdão n.º 2302003.437 S2C3T2 Fl. 165 9 existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE VÍCIO FORMAL LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO – INEXISTÊNCIA – Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. O suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vício substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. (Acórdão n° 10808.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes). TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – ALÍNEA "C" – NÃOCONHECIMENTO – VIOLAÇÃO DO ART. 173, II, DO CTN – INTELIGÊNCIA – VÍCIO FORMAL – OCORRÊNCIA DE DECADÊNCIA. 1. O recurso não pode ser conhecido pela alínea "c" do permissivo constitucional, pois não foi realizado o necessário cotejo analítico, bem como não foi apresentado, adequadamente, o dissídio jurisprudencial. Apesar da transcrição de ementa, deixouse de demonstrar as circunstâncias identificadoras da divergência entre o caso confrontado e o aresto paradigma. 2. O Tribunal de Origem assinalou que a anulação do lançamento ocorreu por vício material; qual seja, majoração ilegal dos valores venais dos imóveis objeto do processo e aplicação de alíquotas progressivas. 3. O art. 173, II, do CTN afirma que o lançamento somente ocorre na hipótese de vício formal, ocorrendo, assim, a decadência. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 Recurso especial improvido. (REsp 964.018/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/11/2007, DJ 19/11/2007, p. 225) Em suma, no vício material, há (i) modificação das razões de fato e de direito (motivação) do lançamento ou mesmo (ii) posterior elaboração ou descobrimento pela autoridade fiscal da fundamentação (motivação). Portanto, para que seja suprido, há necessidade de mudança de compreensão, de entendimento ou até mesmo a criação de um novo fundamento para o lançamento anteriormente efetuado, não se restringido a um mero reforço argumentativo ou a transformação em linguagem adequada daquelas razões de fato e de direito (motivação) que haviam dado ensejo ao lançamento. De fato, a forma não pode ter a mesma relevância da matéria que dela se utiliza como veículo. Ainda que anulado o ato por vício formal, podese assegurar que o fato gerador da obrigação existiu e continua existindo, diferentemente da nulidade por vício material. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância do conteúdo. Temos aí um conflito: segurança jurídica x interesse público. O primeiro inspira o rigor formal do ato administrativo, um de seus requisitos de validade; o segundo, defende a atividade estatal de obtenção de recursos para financiamento das realizações públicas. No presente caso, conforme Relatório Fiscal de fls. 23/27, as contribuições lançadas referemse a obra de construção civil de pessoa jurídica, calculadas com base na área construída e no padrão da mesma, utilizandose as tabelas do Custo Unitário Básico — CUB, divulgadas pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil — SINDUSCON, correspondentes à competência 04/2007, época de emissão do Aviso para Regularização de Obra ARO. No item 15 do mencionado relatório, a Autoridade Fiscal informa que os percentuais referentes às multas estão relacionados no Anexo "Instruções para o contribuinte". Este, por sua vez, relaciona percentuais de multa de mora que variam de 12% a 25% para pagamento e 14,4% a 30% para parcelamento, de acordo com tabela progressiva a partir da data de autuação. A inserção desta classificação do crédito no sistema originou um Relatório IPC, bem como um cálculo de multa compatível com a redação da Lei 8.212/91 que vigia anteriormente à edição da Lei 9.876/99. Tal circunstância gerou não só prejuízo à recorrente, mas também impossibilidade de correção por incompatibilidade do sistema, conforme relatado nos autos. Aqui nos importa, no entanto, apenas definir a natureza do referido vício. Em análise aos autos, constatase que a fundamentação legal e fática está correta, constando tanto do Relatório Fiscal quanto do Anexo Fundamentos Legais do Débito – FLD a legislação e o enquadramento correto. Apenas na formalização do débito houve a classificação errônea, que repercutiu nos anexos DAD — Discriminativo Analítico de Débito e IPC – Instruções para o Contribuinte. Ou seja, não se pretende que a autoridade fiscal altere qualquer fundamento de fato ou de direito do lançamento, mas apenas que corrija a sua forma (classificação do lançamento), razão pela qual entendo se tratar de vício formal. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 17883.000467/200820 Acórdão n.º 2302003.437 S2C3T2 Fl. 166 11 Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 17/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 16327.914288/2009-03
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 14 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.341
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano DAmorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado, Flávio Machado Vilhena Dias. OAB/MG 99.110.
RELATÓRIO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D’Amorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado, Flávio Machado Vilhena Dias. OAB/MG 99.110. RELATÓRIO O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 14 28 8/ 20 09 -0 3 Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.914288/200903 Resolução nº 3802000.341 S3TE02 Fl. 1.373 2 Ao presente processo (16327.914288/200903), foram juntados por anexação os processos 16327.915206/200930, 16327.915207/200984, 16327.915208/200929, 16327.915209/200973, 16327.915210/200906, 16327.915211/200942 e 16327.915212/200997 (Termo de Juntada às fls. 607). A interessada entregou via Internet as Declarações de Compensação abaixo relacionadas, nas quais declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior da Contribuição para o PIS/Pasep – Lançamento de Ofício (código de receita 2986) relativo ao período de apuração indicado como ocorrido em 08/08/1980, referente a vários fatos geradores. PERDCOMP Manifestação Despacho A.R. PROCESSO nº fls. fls. Decis. fls. fls. 16327.914288/200903 41351.84766.310707.1.7.048717 076/080 009 a 016 46 e 609 81 16327.915206/200930 16333.25872.310707.1.7.048179 152/155 084 a 091 121 e 610 151 16327.915207/200984 37914.34025.310707.1.7.046978 228/231 157 a 164 194 e 611 227 16327.915208/200929 26621.86277.310707.1.7.046947 301/304 233 a 240 270 e 612 271 16327.915209/200973 27730.89480.310707.1.7.044750 374/379 306 a 313 343 e 613 344 16327.915210/200906 25860.00629.310707.1.7.045201 452/455 381 a 388 418 e 614 419 16327.915211/200942 32590.44481.310707.1.7.046895 525/528 457 a 464 494 e 615 495 16327.915212/200997 16674.14778.140808.1.7.040030 598/604 530 a 537 567 e 616 568 Pelos Despachos Decisórios de fls. 46, 121, 194, 270, 343, 418, 494 e 567 (também às fls. 609 a 616), a contribuinte foi cientificada, em 19/10/2009 (fls. 81, 151, 227, 271, 344, 419, 495 e 568), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP”. Sendo que a utilização do crédito se encontrava assim discriminada: Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR)/PERDCOMP (PD)/Débitos (DB) Valor Original Utilizado 3687830018 3.646.728,15 Pr: 16327.001983/200148 2.588.349,76 Pr: 16327.002897/200233 91.052,89 Valor Total 3.679.402,65 Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido a interessada intimada a recolher o débito indevidamente compensado (principal de: R$ 247.059,62 para a DCOMP 41351.84766.310707.1.7.048717; R$ 5.124,67 para a DCOMP 16333.25872.310707.1.7.048179; R$ 17.148,55 para a DCOMP Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.914288/200903 Resolução nº 3802000.341 S3TE02 Fl. 1.374 3 37914.34025.310707.1.7.046978; R$ 67.482,47 para a DCOMP 26621.86277.310707.1.7.046947; R$ 21.095,38 para a DCOMP 27730.89480.310707.1.7.044750; R$ 7.705,09 para a DCOMP 25860.00629.310707.1.7.045201; R$ 40.415,83 para a DCOMP 32590.44481.310707.1.7.046895; e R$ 726.348,25 para a DCOMP 16674.14778.140808.1.7.040030). Irresignada, a contribuinte apresentou em 18/11/2009 as Manifestações de Inconformidade de fls. 009 a 016, 084 a 091, 157 a 164, 233 a 240, 306 a 313, 381 a 388, 458 a 464 e 530 a 537. Nas referidas peças de defesa, a contribuinte apresenta os mesmos argumentos, os quais reproduzimos a seguir tomando como base o documentos de fls. 09 a 16: a Manifestante é Entidade Fechada de Previdência Complementar e tem como objetivo instituir e administrar plano de previdência complementar e, por conseguinte, pagar aposentadorias complementares às pagas pela Previdência Social; tendo apurado crédito decorrente de pagamento a maior de tributos federais, apresentou, como lhe é facultado pela legislação de regência, a Declaração de Compensação de Tributos Federais n° 41351.84766.310707.1.7.048717; A Manifestante efetuou depósitos judiciais a partir de 05 de abril de 2000, dos montantes que considerava devidos: Descrição Principal Descrição Principal Total Depósito PIS Depósito PIS R$ fev99 a dez00 R$ 701.303,85 jan01 a ago2001 R$ 361.270,78 1.062.574,64 Depósito COFINS Depósito COFINS R$ fev99 a dez00 R$ 3.236.786,99 jan01 a ago2001 R$ 1.239,765,87 4.476.552,89 R$ Total R$ 3.938.090,84 R$ 1.601.036,65 5.539.127,53 Estes depósitos foram efetuados nos autos do processo n° 20006100010173 5, em trâmite perante a Justiça Federal de São Paulo, tendo sido convertidos em renda da União, quando da adesão da Manifestante à anistia instituída pela MP 2222/01. Pretendia com isso, a Manifestante, liquidar os débitos relacionados com o PIS e com a COFINS, deixando de recolher apenas a parcela que pretendia discutir, relativa à conta 4.1;; Porém, a Manifestante. identificou divergências entre os montantes depositados e o efetivamente devido, sendo que, posteriormente, em 29 de novembro de 2002; efetuou pagamentos a titulo de PIS e COFINS, beneficiandose da possibilidade da anistia concedida pela MP 2222/01, scomo dito acima; Contudo a Manifestante utilizou para este fim os seguintes códigos 2986 : Lançamento de Oficio (PIS) recolhendo o montante de R$ 4.814.177,17 e 2960 Lançamento de Oficio. (COFINS) recolhendo o montante de R$ 3.392.528.84 Ressalta a Manifestante que estes códigos não são os códigos para recolhimento de anistia da MP 2222/2001 e sim os códigos para a Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.914288/200903 Resolução nº 3802000.341 S3TE02 Fl. 1.375 4 anistia especial para os contribuintes que possuíam discussões administrativas e desejavam manter a discussão relativamente à parte do débito e reconheciam como devido uma outra parte; A intenção da Manifestante foi a de quitar os débitos relativos ao PIS e à COFINS deixando de fora apenas os montantes relacionados com os Reembolsos (4.1), cuja discussão seria mantida, como o é até a presente data; No entanto, preocupada em atender ao prazo para adesão da anistia, a Manifestante realizou cálculos apressados à época do pagamento, que resultaram num recolhimento a maior do que o efetivamente devido; Somente posteriormente, revendo suas bases de cálculo com mais calma, identificou que o total recolhido na anistia, somado ao total que já havia sido convertido em renda da União por forca da desistência da ação n° 200061000101735, superava em muito o efetivamente devido para o período. Assim sendo, resta claro que a Manifestante é detentora dos créditos que foram utilizados para compensação a titulo de PIS de R$ 718.754,47 e de COFINS de R$ 3.196.466,99, conforme quadros abaixo: Descrição PIS Devido Depositado Recolhido Folha Total Devido 96 a dez/00 4.971.668,56 701.303,86 89.442,19 Devido jan/01 a ago/01 275.770,97 361.270,78 Total 5.247.439,53 1.062.574,64 4.814.177,17 89.442,19 718.754,47 Descrição COFINS Devido Depositado Recolhido Total Devido 96 a dez/00 3.399.825,66 3.236.787,02 Devido jan/01 a ago/01 1.272.789,08 1.239.765,87 Total 4.672.614,74 4.476.552,89 3.392.528,84 3.196.466,99 A Manifestante cometeu apenas um equivoco formal, pois quando efetuou o pagamento na GUIA referente à anistia, o fez inserindo o código errado, o que, em conseqüência, gerou a informação errada na PER/DCOMP, que também constou este mesmo código errado, sendo que o crédito compensado é legitimo; mero erro material na declaração não invalida a compensação efetuada, visto que o crédito tem origem licita, devendo ser.julgada procedente a compensação efetuada pela Manifestante, com a. conseqüente extinção do débito tributário ora imputado Uma vez demonstrada a origem dos pagamentos realizados a maior que a Manifestante pretendeu compensar, como restou comprovado acima, é claro o seu direito à restituição destas quantias, sob pena de afronta ao princípio da moralidade administrativa, tendo em vista que sua negativa configura enriquecimento ilícito por parte do Estado; os equívocos nas declarações do contribuinte não criam tributos, não podendo, uma vez comprovado o erro de fato, gerar obrigação Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.914288/200903 Resolução nº 3802000.341 S3TE02 Fl. 1.376 5 tributária, reportandose a ensinamentos de Ives Gandra da Silva Martins e Hugo de Brito Machado; A quantia recolhida a título de tributo a maior, que não. era devida, nem sequer pode ser considerada como receita do Estado, sob pena de afronta ao princípio da legalidade e da moralidade administrativa; Como mero ingresso de caixa e não verdadeira receita, não pode esta quantia a que se pretende compensar ser integrada ao patrimônio do Poder Público, o que implica no dever do Estado de restituir o indébito tributário ao seu legítimo proprietário; Tão logo apurado o recolhimento indevido, esta parcela foi compensada com outros tributos devidos, nos moldes da legislação federal, de maneira que não há razões a se negar tal compensação; vale ressaltar que se a confissão do contribuinte não estiver de acordo com a lei e com a realidade fática, nenhum valor terá para o juízo tributário. O tributo ou é devido, ou não é, se incidência não houve. Assim, se aquele que confessou o fez em virtude de erro, a confissão pode ser revogada, conforme determina o Código de Processo Civil em seu artigo 352; Considerando que o valor confessado pela Manifestante não corresponde às hipóteses de incidência tributária, à confissão de dívida e conseqüente pagamento são absolutamente irrelevantes, não gerando qualquer obrigação tributária, prevalecendo os fatos verdadeiros sobre o confessado; Demonstrado que o fato confessado não correspondia à hipótese de incidência tributária, este não era capaz de gerar a obrigação tributária tornando a confissão de dívida absolutamente irrelevante, o que possibilita, deste modo, a compensação pretendida. O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SP 1 no 1649.261, de 08/08/2013, proferida pelos membros da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP, cuja ementa dispõe, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 29/11/2002 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. O julgamento foi no sentido de indeferir a manifestação de inconformidade e não homologar a compensação, por falta de certeza e liquidez. Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.914288/200903 Resolução nº 3802000.341 S3TE02 Fl. 1.377 6 Ainda insatisfeito, o contribuinte protocolizou o Recurso Voluntário, tempestivamente, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Requer a reforma da decisão recorrida, com objetivo de homologar as compensações pleiteadas. Argumenta que é de se notar que os valores declarados não existiam de fato, uma vez que a recorrente incorreu em erro material ao preencher suas DCTF, pois incluiu na base de cálculo valores que não deveriam ser inseridos, de receitas na base de cálculo do PIS e da COFINS, cometendo apenas um equívoco formal, apesar de não ter efetuado a retificação das DCTF. Ressaltese que este processo está inserido num lote e como o julgamento foi no sentido de converter em diligência, nos termos do voto abaixo, ou seja, foi tratado dentro do universo. No entanto, é de se observar: Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.914288/200903 Resolução nº 3802000.341 S3TE02 Fl. 1.378 7 Pois bem, analisando os autos, observase que neste PAF, foi juntado (por ANEXAÇÃO) formando um Lote de 08 (oito) PAF referentes a todas a DComps acima mencionadas, conforme despacho às fls. 607 e 608 do PAF; os PAFs respectivos: (...) Ao presente processo (16327.914288/200903), foram juntados por anexação os processos 16327.915206/200930, 16327.915207/200984, 16327.915208/2009 29, 16327.915209/200973, 16327.915210/200906, 16327.915211/200942 e 16327.915212/200997 (Termo de Juntada às fls. 607). A Decisão da DRJ, também, ressaltou: (...) O presente voto referese também às Manifestações de Inconformidade apresentadas nos processos nºs 16327.915206/200930, 16327.915207/200984, 16327.915208/200929, 16327.915209/200973, 16327.915210/200906, 16327.915211/200942, e 16327.915212/200997, que, em decorrência de juntada por anexação ao presente, formam um único processo. Então, neste caso específico, não obstante a ressalva que está inserido num lote, entendo (não resta dúvidas) que estaríamos JULGANDO todos os processos e não somente o PRINCIPAL, bem como a própria DRJ ressaltou sobre isso. Quanto aos valores, se somarmos todos os valores dos PER/Dcomps envolvidos no caso (dos PAF apensados), ultrapassa o valor limite de R$ 1.000.000,000...qual seja, chega próximo de R$ 1.140.000,00 de VALOR PRINCIPAL requerido. Portanto, como já decidido em baixar em Diligência, quando do retorno, sugiro o encaminhamento a uma dasTurmas Ordinárias, declinando, tendo em vista os valores dos processos (apensados por se tratarem da mesma matéria), ultrapassarem o limite de alçada. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o Relatório. VOTO Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.914288/200903 Resolução nº 3802000.341 S3TE02 Fl. 1.379 8 Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Pois bem, como é cediço, a entrega de DCTF, sem qualquer tipo de comprovação que demonstre a divergência na apuração do débito, não é suficiente para comprovar o indébito indicado. No entanto, ciente disso e visando comprovar os fatos alegados e primando pelo princípio da verdade material, a Recorrente em fase de Manifestação de Inconformidade, apresentou uma planilha para demonstração da base real apurada para os cálculos do PIS e cópia do Balancete Analítico Consolidado, referente ao fato gerador de 29/11/2002. Agora, no texto do seu Recurso Voluntário, repisa um Demonstrativo, visando demonstrar para a Administração Tributária a “base real” do PIS apurada pelo Recorrente no referido mês, versando que tais documentos são satisfatórios para a comprovação do direito do crédito alegado nos autos, ressaltando que declarou e recolheu valor a maior de PIS para esta competência. Neste passo, não resta dúvida de que a adoção do princípio da verdade material no processo administrativo fiscal consiste numa providência que resulta na melhor aplicação do direito e da justiça e por isso deve sempre ser perseguida. Considerando que o Recorrente argumenta que o fato que gerou o despacho denegatório foi o erro de preenchimento na DCTF, em que constou valor maior que o apurado e que não apresentou DCTF retificadora, pois de acordo com a legislação, após a expedição de despacho decisório, a lei proíbe o contribuinte de retificar a declaração. Com base nessas considerações e o contido no recurso voluntário da recorrente bem como devido às particularidades do caso concreto e antes do julgamento do mérito, com fundamento no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), voto pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, devendo os autos retornarem à DRF do domicílio tributário da recorrente, para proceder parecer sobre: a) diligenciar, com base nos dados registrados nos documentos contábeis apresentados (Balancete Analítico Consolidado, referente ao fato gerador de 29/11/2002 do PIS , e pronunciarse sobre a veracidade dos cálculos elaborados no demonstrativo do PIS (recurso voluntário), visto que os mesmos foram trazidos extemporaneamente pelo contribuinte e, portanto, não foram analisados pelo Fisco, com isso emitindo informação sobre a comprovação do direito creditório alegado e bem como seu respectivo valor, e b) em seguida, seja cientificada a recorrente, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestese sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial/3ª Seção, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.914288/200903 Resolução nº 3802000.341 S3TE02 Fl. 1.380 9 MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 4/01/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10580.728314/2009-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2004 a 01/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO - NÃO ARRECADAÇÃO, MEDIANTE DESCONTO DAS REMUNERAÇÕES, DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS
Toda empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados a seu serviço.
ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.- REQUISITOS LEGAIS - DESCUMPRIMENTO -
A Entidade deve cumprir os requisitos legais para ter o direito de usufruir o benefício de isenção das contribuições sociais.
REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS
A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados que lhe prestam serviços.
REMUNERAÇÃO - CONCEITO
Remuneração é o conjunto de prestações recebidas pela pessoa física pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador .
SALÁRIO INDIRETO - AUXÍLIO SAÚDE.
Para ocorrer a isenção fiscal sobre as despesas com assistência médica concedida aos trabalhadores, a empresa deverá observar a legislação sobre a matéria.
Ao ocorrer o descumprimento da Lei 8.212/91, as quantias despendidas pela empresa com a assistência médica de seus empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária.
AUXÍLIO EDUCAÇÃO
Incide contribuição previdenciária sobre as despesas com educação dos dependentes e demais parentes dos empregados.
ESTUDANTES-FACILITADORES - BOLSAS DE MONITORIA - JETON - FISCAIS DOS VESTIBULARES - SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL.
A pessoa física que exerce atividade laboral, sem vínculo de emprego com a empresa, é enquadrada como contribuinte individual pela legislação previdenciária, incidindo contribuições sobre os valores pagos pelos serviços prestados.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2301-003.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Redatora. Vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa, que votou em dar provimento ao recurso
MARCELO OLIVEIRA Presidente
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA - Relator
(assinado digitalmente)
Bernadete de Oliveira Barros Redatora Designada
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo de Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Júnior, Mauro José da Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2004 a 01/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO - NÃO ARRECADAÇÃO, MEDIANTE DESCONTO DAS REMUNERAÇÕES, DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Toda empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados a seu serviço. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.- REQUISITOS LEGAIS - DESCUMPRIMENTO - A Entidade deve cumprir os requisitos legais para ter o direito de usufruir o benefício de isenção das contribuições sociais. REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados que lhe prestam serviços. REMUNERAÇÃO - CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas pela pessoa física pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador . SALÁRIO INDIRETO - AUXÍLIO SAÚDE. Para ocorrer a isenção fiscal sobre as despesas com assistência médica concedida aos trabalhadores, a empresa deverá observar a legislação sobre a matéria. Ao ocorrer o descumprimento da Lei 8.212/91, as quantias despendidas pela empresa com a assistência médica de seus empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária. AUXÍLIO EDUCAÇÃO Incide contribuição previdenciária sobre as despesas com educação dos dependentes e demais parentes dos empregados. ESTUDANTES-FACILITADORES - BOLSAS DE MONITORIA - JETON - FISCAIS DOS VESTIBULARES - SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. A pessoa física que exerce atividade laboral, sem vínculo de emprego com a empresa, é enquadrada como contribuinte individual pela legislação previdenciária, incidindo contribuições sobre os valores pagos pelos serviços prestados. Recurso voluntário negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2219; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 1.044 1 1.043 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.728314/200997 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2301003.537 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de junho de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SALVADOR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 01/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO NÃO ARRECADAÇÃO, MEDIANTE DESCONTO DAS REMUNERAÇÕES, DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Toda empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados a seu serviço. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. REQUISITOS LEGAIS DESCUMPRIMENTO A Entidade deve cumprir os requisitos legais para ter o direito de usufruir o benefício de isenção das contribuições sociais. REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida sobre a remuneração paga aos segurados que lhe prestam serviços. REMUNERAÇÃO CONCEITO Remuneração é o conjunto de prestações recebidas pela pessoa física pela prestação de serviços, seja em dinheiro ou em utilidades, provenientes do empregador . SALÁRIO INDIRETO AUXÍLIO SAÚDE. Para ocorrer a isenção fiscal sobre as despesas com assistência médica concedida aos trabalhadores, a empresa deverá observar a legislação sobre a matéria. Ao ocorrer o descumprimento da Lei 8.212/91, as quantias despendidas pela empresa com a assistência médica de seus empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 83 14 /2 00 9- 97 Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 AUXÍLIO EDUCAÇÃO Incide contribuição previdenciária sobre as despesas com educação dos dependentes e demais parentes dos empregados. ESTUDANTESFACILITADORES BOLSAS DE MONITORIA JETON FISCAIS DOS VESTIBULARES SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. A pessoa física que exerce atividade laboral, sem vínculo de emprego com a empresa, é enquadrada como contribuinte individual pela legislação previdenciária, incidindo contribuições sobre os valores pagos pelos serviços prestados. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Redatora. Vencido o Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa, que votou em dar provimento ao recurso MARCELO OLIVEIRA – Presidente (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Barros – Redatora Designada (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo de Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Júnior, Mauro José da Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Wilson Antonio de Souza Corrêa. Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10580.728314/200997 Acórdão n.º 2301003.537 S2C3T1 Fl. 1.045 3 Relatório Segundo a Fiscalização a Recorrente deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições de segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, conforme determina legislação específica, sendo incidentes; i) sobre as cestas básicas (empresa não possui inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT); ii) plano de saúde; iii) salário família; iv) bolsas de estudos; v) diferença de valetransporte; vi) ticketalimentação (a empresa não possui inscrição no PAT); vii) e previdência privada. Em decorrência da infração praticada foilhe aplicada a multa nos termos dos artigos 92 e 102 da n° 8.212, de 24/07/1991; art. 283, I, "g" e art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048, de 06 de maio de 1999, no valor de R$ 23.925,24 (vinte e três mil, novecentos e vinte e cinco reais e vinte e quatro centavos), correspondente a dezoito vezes o valor determinado pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 48, de 12/02/2009 (D.O.U. de 13/02/2009) no seu art. 8°, inciso V. Devidamente noticiada do Auto de Infração, impugnou com sua razões, cujas quais não lograram êxito. Em 23/08/2011 a Recorrente tomou ciência da decisão ‘a quo’ e em 08/09/2011 aviou o presente recurso alegando: preliminarmente, i) total desrespeito à lei e ao devido processo legal; mérito ii) da condição de Mantida/Mantenedora existente entre a Recorrente e a Associação Universitária e Cultural da Bahia; iii) cabimento da remuneração aos dirigentes; iv) hipótese de incidência das contribuições previdenciária; v) valores desembolsados com cestas básicas; vi) valor dos cupons de alimentação comprados junto a empresa Ticket Serviços S/A; vii) valores despendidos com planos de saúde – diferença entre os valores individualizados do plano de saúde e os valores lançados na contabilidade;viii) diferença entre os valores lançados de vale transporte (4,2%) e o valor previsto na legislação (6%); ix) valores desembolsados pela Recorrente em favor da empresa Bradesco Previdência e Seguros S/A; x) valores pagos aos estudantes/facilitadores; xi) valores pagos a título de bolsa de monitoria; xii) valores pagos a título de Jeton; xiii) glosa das deduções de saláriofamília; xiv) valor da remuneração dos segurados empregados declarada em GFIP e valor da remuneração dos segurados contribuintes individuais declaradas em GFIP; xv) diferença entre remuneração dos segurados empregados declarada em GFIP e encontrada na folha de pagamento; xvi) valor das bolsas de estudo para curso de graduação de funcionários – valor da bolsa de estudo concedido aos filhos dos segurados empregados – valor de bolsa de estudo concedido aos cônjuges, companheiros, tutelados, mães, netos e sobrinhos de funcionários – valor das bolsas de estudo de graduação de servidores; xvii) pagamentos realizados a fiscais nos concursos de vestibulares; xviii) dos critérios utilizados para definir o valor da multa aplicada; xiv) da ilegalidade da majoração da multa no tempo; xx) do não cabimento da representação fiscal para fins penais. Pede ao final a anulação da decisão recorrida, porque não respeitou o devido processo legal, e ou reforma da mesma para fim de extinguir o crédito tributário e, independente de qualquer coisa o arquivamento da representação fiscal para fins penais. Eis em apertada síntese o relato do necessário para julgamento do remédio recursal aviado. Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Vencido Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator O presente Recurso Voluntário acode os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, desde já, dele conheço. Passo para análise das razões apresentadas. DA ALEGAÇÃO DE TOTAL DESRESPEITO À LEI E AO DEVIDO PROCESSO LEGAL Diz a Recorrente prestar serviços sociais na área de educação, e por isto, de acordo com normas do extinto CNAS é detentora de gozo de isenções às contribuições previdenciárias. Mas, a DRJ não o reconhece por falta de formalidade. O que está equivocado, segundo a Recorrente, porque a lei não exige tal formalidade. Diz ainda que a Recorrente de fato não possuía o CEBAS, mas a sua Mantenedora sim, a Associação Universitária e Cultural da Bahia, extensivo a ela. Mas, oportuno dizer que não há nos autos algum documento que tenha o CNAS acoplado as duas instituições num só CEBAS, qual seja, aquele que foi concedido à Associação Universitária e Cultural da Bahia. Mas, isto, segundo a legislação então vigente e a atual é impossível, pois cada qual possui o seu certificado. Todavia, das provas dos autos, apesar de personalidades jurídicas diferentes, vejo que a Recorrente é Mantida pela Associação em tela, inclusive, ao que me ficou claro, a razão da existência da Associação Universitária e Cultural da Bahia é a Recorrente, que desde a sua criação estão atreladas na cumplicidade de suas respectivas funções. E isto é possível, ou seja, a usufruição do CEBAS da Mantenedora pela Mantida. Então, entendo que a Recorrente pronunciou no presente remédio recursal que ela, como Mantida poderia usufruir das benesses do CEBAS da sua Mantenedora (Associação Universitária e Cultural da Bahia). Que era este o certificado dela, não conhecido formalmente pela Fiscalização. Ao que consta do Recurso Voluntário aviado, embora tenham Mantenedora e Mantida autonomia formal na constituição da personalidade jurídica, sobretudo porque cada uma tem o seu CNPJ/MF, há de fato e de direito uma indissociável dependência uma da outra, tanto é verdade que a razão da existência de uma é a outra, pois se uma delas deixar de existir, perderá o objeto da existência a que permanecer. Nos autos ficou bastante claro que a Mantida Ucsal foi criada exclusivamente para acudir o objeto social da Mantenedora Associação Universitária Cultural da Bahia, onde esta última adquiriu o CEBAS com base nas premissas oriundos de fatos praticados pela Mantida Ucsal, como é o caso de prestação de serviços educacionais e sociais. Há de se considerar que um dos quesitos para a concessão do CEBAS é a regularidade contábil, não se olvide, onde há de existir uma sólida demonstração financeira que comprove a geração de renda para manter a entidade. E, neste quesito, a manutenção da Mantida se tem com a renda da Mantenedora donde, com os serviços da Ucsal é que se faz a prestação que justifica a renda e comprove perante a rígida legislação do Estado para concessão do CEBAS. Desde modo há nos autos atos e fatos que são assazes para demonstrarem a interdependência uma de outra, seria semelhante o que no direito italiano é chamado organização paralela, ou seja, a Ucsal seria um braço da Associação Universitária e Cultural da Bahia, entidade esta com personalidade jurídica inicial, onde a Mantida constituise mero instrumento para cumprimento do objeto existencial da Mantenedora. Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10580.728314/200997 Acórdão n.º 2301003.537 S2C3T1 Fl. 1.046 5 Evidente e não se pode esquecer que é dever de o FISCO apurar o cumprimento dos requisitos necessários para o gozo da imunidade ou isenção tributária (constitucional e infraconstitucional), mas, em caso de não estar de acordo com a rigorosidade da lei, para que o Fisco venha ‘cassar’ o CEBAS, mister que tome o caminho processual traçado pelo devido processo legal, ampla defesa e contraditório. De fato, um dos pilares da segurança jurídica é o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório, cuja Fiscalização tem que respeitar para ‘retirar’ o CEBAS da Associação Universitária e Cultural da Bahia, porque ela é a detentora deste título, não da Recorrente. Ora, se a Mantenedora está mantendo uma Mantida irregular, tem a fiscalização, mais que o direito, o dever de representar contra a Mantenedora na forma do § 2º do artigo 7º do Decreto 2.536/98, que, a época regulamentava a concessão do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos. “In verbis”: “ Art. 7º Compete ao CNAS julgar a qualidade de entidade beneficente de assistência social, observando as disposições deste Decreto e de legislação específica, bem como cancelar, a qualquer tempo, o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, se verificado o descumprimento das condições e dos requisitos estabelecidos nos arts. 2º e 3º. ... § 2º Qualquer Conselheiro do CNAS, os órgãos específicos dos Ministérios da Justiça e da Previdência e Assistência Social, o INSS, a Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda ou o Ministério Público poderão representar àquele Conselho sobre o descumprimento das condições e requisitos previstos nos arts. 2º e 3º, indicando os fatos, com suas circunstâncias, o fundamento legal e as provas ou, quando for o caso, a indicação de onde estas possam ser obtidas, sendo observado o seguinte procedimento: I recebida a representação, será designado relator, que notificará a empresa sobre o seu inteiro teor; II notificada, a entidade terá o prazo de trinta dias para apresentação de defesa e produção de provas; III apresentada a defesa ou decorrido o prazo sem manifestação da parte interessada, o relator, em quinze dias, proferirá seu voto, salvo se considerar indispensável a realização de diligências; IV havendo determinação de diligências, o relator proferirá o seu voto em quinze dias após a sua realização; V o CNAS deliberará acerca do cancelamento do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos até a primeira sessão seguinte à apresentação do voto do relator, não cabendo pedido de reconsideração; VI da decisão poderá a entidade interessada ou o INSS interpor recurso ao Ministro de Estado da Previdência e Assistência Social no prazo de trinta dias, contados da data de publicação do ato no Diário Oficial da União.” No entanto, a autuação fiscal tomou o caminho inverso, pois antes de qualquer autuação contra a Recorrente/Mantida deveria ter representado a Associação (Mantenedora), com fim de ‘cassar’ o CEBAS dela, e, sem o mencionado certificado autuar as duas instituições. Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 Com efeito, a Constituição Federal garante aos litigantes em geral o acesso a ampla defesa e ao contraditório: “Art. 5º... LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;” (GN) De forma explícita e direcionada ao processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, a Lei 9.784/99 acentua o direito do administrado a publicidade, ao contraditório e a ampla defesa, elementos que nem de longe foram observados pela autoridade Fiscal. “In verbis”: “Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. § único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: ... VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; ... X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio;” “Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias.” “ Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento.” Os Tribunais Regionais Federais têm cabalmente declarado a nulidade dos processos administrativos que violam estes princípios básicos. Confirase: “PREVIDENCIÁRIO. SUSPENSÃO DE BENEFÍCIO. INOBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO CONTRADITÓRIO, DA AMPLA DEFESA E PRINCIPALMENTE DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. 1 – É defeso ao INSS efetuar a suspensão dos proventos de aposentadoria, mesmo em face de irregularidades na sua concessão, sem que se observe o devido processo legal. 2 – O direito à ampla defesa e ao contraditório deverá estar presente no processo legal. Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10580.728314/200997 Acórdão n.º 2301003.537 S2C3T1 Fl. 1.047 7 3 – O benefício do autor fora suspenso, antes de esgotada toda a possibilidade de discussão na seara administrativa, o que demonstra a inobservância ao princípio do devido processo legal. 4 – Apelação e remessa oficial improvidas.” (Apel. Civil 210245, processo 2000.05.00.0140766/CE, rel. Desembargador Federal Araken Mariz, v.u. da 2ª Turma do TRF da 5ª Região, j. 28/11/2000 e pb. no DJU de 24/08/2001, pg. 554) “CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. TRIBUTÁRIO. PENAL. PENA DE PERDIMENTO. CONSTITUCIONALIDADE. RECEPÇÃO. EXPROPRIAÇÃO PATRIMONIAL NÃO JURISDICIONAL. DEVIDO PROCESSO LEGAL. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. PESSOALIDADE DA PENA. INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA. CONTROLE JURISDICIONAL. ‘ABOLITIO CRIMINIS’. NORMA PENAL EM BRANCO. NORMA REGULAMENTAR ADMINISTRATIVA. REGULAMENTAÇÃO TRIBUTÁRIA. LANÇAMENTO. ... III – Há uma tendência de ampliar o conceito de devido processo legal para além do âmbito jurisdicional. Toda atividade estatal pode ser reconduzida à idéia de processo (jurisdicional, legislativo, administrativo), de modo a suscitar os conceitos de ‘procedural due process of law’ e ‘substantive process of law’, pois tanto na forma quanto no conteúdo, a ação estatal deve subordinarse ao princípio da legalidade. IV – Não se pode afastar a possibilidade, assim, de que a ação administrativa venha a atingir direitos subjetivos, inclusive de propriedade, desde que observado o devido processo legal. O controle jurisdicional não é, à luz do precedente supramencionado, necessariamente ‘a priori’, consubstanciando, em última análise, um ônus do interessado, pois a possibilidade de expropriação nãojurisdicional não implica proibição ao acesso ao Poder Judiciário. V – A ampliação do devido processo legal para o âmbito administrativo, corolário do Estado de Direito, não acarreta a supressão da competência da autoridade administrativa para a decretação da pena de perdimento nas hipóteses cabíveis, cumprindo ao interessado tomar as iniciativas adequadas para sujeitar o Poder Executivo ao controle jurisdicional. VI – Os princípios do contraditório e da ampla defesa não são restritos ao processo jurisdicional. Também os processo administrativos devem respeitálos, inclusive para o efeito de legitimar, em razão da participação do interessado, o provimento final que venha eventualmente a atingir o universo jurídico deste. ...” (AMS Apel. em mandado de seg. 49932, processo 91.03.0300269/MS, rel. Juiz Federal convocado André Nekatschalow, v.u. da 4ª Turma do TRF da 3ª Região, j. 26/06/2001 e pb. no DJU de 21/08/2001, pg. 867) “DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. DEVIDO PROCESSO LEGAL. DIREITO, NO CAMPO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO, QUE AS INSTÂNCIAS RECURSAIS SEJAM Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA 8 GARANTIDAS. LEI Nº 9.131/95. RECURSO PARA O PLENO DO CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. 1. A Administração Pública, no aplicar as regras impostas para a tramitação dos processos administrativos, está, também, obrigada a obedecer ao devido processo legal. 2. No âmbito dessa garantia está o direito das partes utilizaremse de recursos para todas as instâncias administrativas, assegurandoselhes, assim, ampla defesa, contraditório e segurança do julgamento. 3. Hely Lopes Meirelles, em sua obra Direito Administrativo Brasileiro, 14ª ed., pg. 571, preleciona que os recursos administrativos ‘são um corolário do Estado de Direito e uma prerrogativa de todo administrado ou servidor atingido por qualquer ato administrativo. Inconcebível é a decisão administrativa única e irrecorrível, porque isto contraria a índole democrática de todo julgamento que possa ferir direitos individuais, e afronta o princípio constitucional da ampla defesa que pressupõe mais de um grau de jurisdição. Decisão única e irrecorrível é a consagração do arbítrio, intolerado pelo nosso direito’. 4. A Lei nº 9.131, de 24 de 11 de 1995, em seu art. 9º, ao tratar do processo administrativo apreciado e julgado no âmbito do Conselho Nacional de Educação, aduz que ‘As Câmaras emitirão pareceres e decidirão, privativa e autonomamente, os assuntos a elas pertinentes, cabendo, quando for o caso, recurso ao Conselho Pleno’. 5. É ilegal a homologação por parte do Ministro da Educação de parecer emitido pela Câmara de Ensino Superior, sem que tenha sido aberta oportunidade à parte interessada e atingida pelo ato, para que utilizasse recurso para o Pleno do Conselho Nacional de Educação, conforme está assegurado pelo art. 9º, da Lei nº 9.131, de 24.11.95. 6. A Lei 9.784, de janeiro de 1999, em seus art. 2º, X, c/c 56, ao regular o processo administrativo, assegura ao administrado o direito de esgotar as instâncias administrativas, pelas vias recursais. 7. Mandado de segurança concedido.” (MS Mandado de Segurança 7225, processo 2000.01.150790/DF, rel. Min. José Delgado, v.u. da 1ª Seção do STJ, j. 13/06/2001 e pb. no DJU de 25/06/2001 pg. 98) Desta forma, tenho que não foi respeitado o devido processo legal, ampla defesa e contraditório, eis que não pode a Fiscalização autuar uma Mantida, sem que tenha sido a Mantenedora representada formalmente, com fim de retirarlhe o certificado de entidade beneficente e assistente social, com os respeitos aos princípios acima mencionados, devendo, portanto, ser anulado o AI e presente feito, conseqüentemente, falecendo o principal, falece o acessório, não sendo cabível a aplicação da multa. A ILEGALIDADE DO JULGAMENTO NO PRESENTE MOMENTO – VIOLAÇÃO DA LEI 9.784/99. Diz a Recorrente que houve violação à legislação, mormente a lei que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. O que tem razão. Há de se considerar que o presente auto de infração condena a Recorrente ao pagamento de contribuições previdenciárias alegando que ela não tem CEBAS. Mas, ao contrário, demonstrou a Recorrente que a sua imunidade decorre de CEBAS da sua Mantenedora que não figura no presente processo administrativo e tão pouco há prova nos autos que o seu certificado foi cassado. E ai se pergunta: “ Como poderá ser julgado o presente processo administrativo se o CEBAS da Mantenedora não foi ‘cassado’ (ao menos não consta nos autos)?” Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10580.728314/200997 Acórdão n.º 2301003.537 S2C3T1 Fl. 1.048 9 Isto é muito importante, pois em não sendo anulado ou não renovado o CEBAS da Mantenedora não pode a Mantida, de uma hora para outra, sem o devido processo legal, por ato unilateral da fiscalização, em procedimento indevido e inadequado passar a ser exigido a contribuição previdenciária. Como alhures dito, o processo administrativo para retirar o CEBAS da Mantenedora nem mesmo foi apresentado. E, de uma forma sumária não se pode retirar os benefícios da Mantida, como quer a presente autuação. Este fato configura violação aos incisos V, IX e X do artigo 2º, incisos II e III do artigo 3º e § 2º do artigo 26 da Lei 9.784/99, que determinam: “ Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. ... V divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição; ... IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; “ Art. 3 O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: ... II ter ciência da tramitação dos processos administrativos em que tenha a condição de interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas; III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente;” “ Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências. § 1º A intimação deverá conter: I identificação do intimado e nome do órgão ou entidade administrativa; II finalidade da intimação; III data, hora e local em que deve comparecer; IV se o intimado deve comparecer pessoalmente, ou fazerse representar; V informação da continuidade do processo independentemente do seu comparecimento; Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA 10 VI indicação dos fatos e fundamentos legais pertinentes. § 2º A intimação observará a antecedência mínima de três dias úteis quanto à data de comparecimento. § 3º A intimação pode ser efetuada por ciência no processo, por via postal com aviso de recebimento, por telegrama ou outro meio que assegure a certeza da ciência do interessado. ... § 5º As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade.” Portanto, por desrespeito a princípios pétreos da Carta Maior tenho que não possui os presentes autos condições mínimas para julgamento em desfavor da Recorrente, eis que ela não deve figurar no pólo passivo e por isto tenho que deve ser anulado o Auto de Infração em tela, conforme requerido pela Recorrente, por mera ineficiência do Estado que impôs a ela crédito tributário proveniente de um certificado de sua Mantenedora, que não se sabe se ainda está ou estava em valia, quando da autuação. A propósito, merece algumas linhas o comentário quanto ao direito a eficiência na instauração do processo administrativo e o julgamento dele, quanto a cassação do CEBAS da Mantenedora. Não é nenhuma novidade nos autos de que a detentora do CEBAS é a Mantenedora, cuja qual detém direitos a isenções, que antes eram reconhecidamente açambarcadas pelo Fisco, que eram, até a autuação, extensivos à Recorrente. Ora, sem a instauração do devido processo legal com demais quejandos, mormente o ampla defesa, a Fiscalização deixou de respeitar princípios pétreos e de forma unilateral ceifou as benesses da isenção (extensivo), sem trazer aos autos se houve a cassação do CEBAS da Mantenedora. E isto é muito importante, pois se o CEBAS, na oportunidade da autuação, estava em vigor, não poderia a Fiscalização ter autuadoa. Evidente que a omissão da autoridade fiscal causou efetivo dano a Recorrente, que necessita do pronunciamento da administração pública para manter ativo os seus benefícios, razão pela qual, não olvidemos que a desídia do Fisco importa na violação direta do inciso LXXVIII do artigo 5º e “caput” do artigo 37 da Constituição Federal, além do artigo 2º da Lei 9.784/99 (supramencionado). “In verbis”: “ Art. 5º. ... LXXVIII – a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação.” “ Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade E EFICIÊNCIA e, também, ao seguinte:” E a doutrina especializada, ao comentar o princípio da eficiência, afirma: “ Ao que nos parece, pretendeu o ‘legislador’ da Emenda 19 simplesmente dizer que a Administração deveria agir com eficácia. Todavia, o que podemos afirmar é que sempre A ADMINISTRAÇÃO DEVERIA AGIR EFICAZMENTE. É isso o esperado dos administradores.” (Valle Figueiredo, Lúcia, “Curso de Direito Administrativo”, Editora Malheiros, 4ª edição, pg. 60) Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10580.728314/200997 Acórdão n.º 2301003.537 S2C3T1 Fl. 1.049 11 “ Quanto ao princípio da eficiência, não há nada a dizer sobre ele. TRATASE, EVIDENTEMENTE, DE ALGO MAIS DO QUE DESEJÁVEL. Contudo, é juridicamente tão fluido e de tão difícil controle ao lume do Direito, que mais parece um simples adorno agregado ao art. 37 ou o extravasamento de uma aspiração dos que buliram no texto. De toda sorte, o fato é que tal princípio não pode ser concebido (entre nós nunca é demais fazer ressalvas óbvias) senão na intimidade do principio da legalidade, pois jamais uma suposta busca de eficiência justificaria postergação daquele que é o dever administrativo por excelência. Finalmente, anotese que este principio da eficiência é uma faceta de um principio mais amplo já superiormente tratado, de há muito, no Direito italiano: o principio da ‘boa administração’.” (Lopes Meirelles, Helly, “Curso de Direito Administrativo”, 19ª edição, Malheiros Editores. 2005, p. 109/110) Os Tribunais, atentos aos danos sofridos pela sociedade pela incúria da administração pública, já tem se pronunciado acerca do princípio da eficiência, tendo assentado: “ ADMINISTRATIVO. RÁDIO COMUNITÁRIA. AUTORIZAÇÃO DE FUNCIONAMENTO. LACRE DE EQUIPAMENTOS. AFASTAMENTO. A conduta omissiva da administração, sem justificativas relevantes, AFRONTA direito do administrado à RAZOÁVEL DURAÇÃO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO e, em decorrência, O PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA, estando, portanto, sujeita a omissão do Estado ao controle do Poder Judiciário, que tem o dever de preservar lesões ou ameaça a direitos. ...” (TRF 4ª Região – AMS 200571000098350/RS – Rel. Des. Márcio Antônio Rocha – d. 06.06.2007 –p. 25.06.2007, pág. 812) “ MANDADO DE SEGURANÇA. PREVIDENCIÁRIO. LEGITIMIDADE PASSIVA. DIREITO AO BENEFÍCIO RECONHECIDO PELA JUNTA DE RECURSOS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. DEMORA NA IMPLANTAÇÃO. 1. Autoridade coatora é aquela que, direta e imediatamente, pratica o ato, ou se omite quando deveria praticálo. 2. A Administração Pública tem o dever de obediência aos princípios da legalidade e da eficiência, previstos no artigo 37, caput, da Constituição Federal, devendo ainda observar, desde o advento da EC 45/04, a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação (inciso LXXVIII do artigo 5º da CF). 3. Se o legislador estabeleceu prazo de 45 dias para a implantação do benefício pelo INSS após a apresentação da documentação pelo segurado, deve também ser obedecido este prazo após o julgamento do recurso administrativo, quando expressamente se reconheceu o direito do impetrante à aposentadoria pleiteada.” (TRF 4ª Região – AMS 200670110023606/PR – Rel. Des. Ricardo Teixeira do Valle Pereira – d. 16.05.2007 –p. 01.06.2007) E não é outro o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça que, ao se pronunciar sobre o tema, decidiu: “ MANDADO DE SEGURANÇA. CONSTITUCIONAL. ADMINISTRATIVO. REQUERIMENTO DE ANISTIA. PRAZO RAZOÁVEL PARA APRECIAÇÃO. PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA. Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA 12 1. A todos é assegurada a razoável duração do processo, SEGUNDO O PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA, agora erigido ao status de garantia constitucional, não se podendo permitir que a Administração Pública postergue, indefinidamente, a conclusão de procedimento administrativo. 2. A despeito do grande número de pedidos feitos ao Ministro da Justiça e dos membros da Comissão de Anistia, seu órgão de assessoramento, serem pro bono, aqueles que se consideram atingidos no período de 18 de setembro de 1946 a 5 de outubro de 1988, por motivação exclusivamente política, não podem ficar aguardando, indefinidamente, a apreciação do seu pedido, sem expectativa de solução num prazo razoável. 3. Ordem concedida.” (STJ MS n.º 10762/DF Rel. Min. Hamilton Carvalhido – S3 Terceira Seção – d. 10.05.2006 – p. 21.08.2006, pág. 228) “ ADMINISTRATIVO. APOSENTADORIA. ATRASO NA CONCESSÃO. INDENIZAÇÃO. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. ART. 49 DA LEI Nº 9.784/99. 1. Ao processo administrativo devem ser aplicados os princípios constitucionais insculpidos no artigo 37 da Carta Magna. 2. É dever da Administração Pública pautar seus atos dentro dos princípios constitucionais, NOTADAMENTE PELO PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA, QUE SE CONCRETIZA TAMBÉM PELO CUMPRIMENTO DOS PRAZOS LEGALMENTE DETERMINADOS. 3. Não demonstrados óbices que justifiquem a demora na concessão da aposentadoria requerida pela servidora, restam feridos os princípios constitucionais elencados no artigo 37 da Carta Magna. 4. Legítimo o pagamento de indenização, em razão da injustificada demora na concessão da aposentadoria. 5. Recurso especial provido.” (STJ – Resp n.º 687947/MS – Rel. Min. Castro Meira – T2 Segunda Turma – d. 03.08.2006 – p. 21.08.2006, pág. 242) Destarte, finalizo meu voto com a cristalina certeza de que só se pode concluir como direito líquido e certo da Recorrente a eficácia na instauração do processo administrativo contra a Mantenedora para cassarlhe o CEBAS, dai então, deste ato para diante, cobrarlhe os tributos devidos. Caso seja ultrapassada pela turma a preliminar argüida pela Recorrente, por força regimental, passo a analisar e julgar os demais quesitos que integram o presente Recurso Voluntário. CABIMENTO DA REMUNERAÇÃO AOS DIRIGENTES Diz a Recorrente que a Fiscalização entendeu que os dirigentes dela eram remunerados e que isto não é permissível diante da legislação que dirime o assunto. E ainda afirma que não há provas nos autos, suficiente para demonstrar que os valores pagos aos referidos funcionários decorriam de remuneração do cargo de dirigente. Em verdade, alega a Recorrente que os valores pagos a estes funcionários têm origem ao cargo de professores, já que os mesmos eram membros do corpo docente da Ucsal, o que não configura distribuição de lucro e tão pouca intenção de dilapidar o patrimônio dela. Juntou documentos onde demonstra os membros que compõem a direção da Recorrente, sendo que eles fazem parte da lista do copo docente, o que desfigura infração ao Artigo 14, I do CTN. Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10580.728314/200997 Acórdão n.º 2301003.537 S2C3T1 Fl. 1.050 13 Portanto, independente do valor pago aos professores/dirigentes, com razão a Recorrente, uma vez que demonstrado que eles recebiam pelo exercício de professores. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Alega a Recorrente que somente há incidência de contribuição previdenciária os pagamentos que retribuir os serviços prestados e for pago com habitualidade, mas, segundo ela, ‘não está vinculada ao fato de determinado pagamento estar ou não arrolado em uma das hipóteses de isenção do § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91, mas sim à verificação da subsunção de determinado fato àquele descrito na hipótese de incidência tributária’. E é por esta razão que o fato de os pagamentos realizados pela Recorrente, eventualmente não se enquadrarem em uma das hipóteses de isenção, não admite que estão sujeitos à contribuição social. Junta jurisprudência do Colegiado no sentido apontado acima. Com tais considerações, passou a analisar a natureza jurídica de cada pagamento, conforme se vê a seguir: CESTA BÁSICA/VALOR DE CUMPONS PAGOS COM TICKETS RESTAURANTE A ausência de inscrição no PAT não gera salário contribuição à Previdência Social, quando do pagamento de cesta básica aos funcionários. No Parecer nº 2.117, de 10 de novembro último passado a PGFN, em que pese entendimento ao contrário, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) em não considerar como parte do salário o pagamento ‘in natura’ de auxílioalimentação quando a refeição é fornecida pela empresa, forçaa ao mesmo entendimento e conseqüentemente não incide salário contribuição. O entendimento é válido independentemente de o empregador estar inscrito do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) ou não. A Procuradoria considera somente como incidência de contribuição social nos caos em que o auxílio for pago em espécie ou em conta corrente, em caráter habitual, assumindo assim a feição salarial e, desse modo, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Desta forma, seguindo a inteligência da orientação supra, põese fim a discussão sobre o pagamento de contribuição no fornecimento de cesta básica e ou tickets restaurante, em substituição à alimentação em refeitório. No caso em tela, ao invés de se registrar no PAT, a Recorrente deu cesta básica ou ticket restaurante aos seus empregados, fato que por si só não gera a incidência da contribuição social previdenciária. Portanto, assiste razão a Recorrente. PLANO DE SAÚDE A Recorrente foi autuada porque o seu plano de saúde não era extensivo a todos os seus funcionários, gerando assim salário contribuição à previdência social. Todavia, alega que tal pensamento não corresponde com a realidade jurídica, a uma porque o seu plano de saúde era gratuito e não habitual, pois seria utilizado tão somente em caso de necessidade, o que poderia ocorrer esporadicamente. A duas porque não era retributivo. De fato, não há nos autos nada que determine a contribuição social exigida, porque não há incidência naquilo que não constitui acréscimo patrimonial ao trabalhador, ou seja, não é retributivo. O que se demonstrou com as peças dos autos é que houve, quanto aos planos de saúde, apenas uma Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA 14 reposição de valores que o próprio trabalhador gastou. Sendo assim, não há hipótese de incidência tributária previdenciária. Ademais, a legislação não é imperiosa ao determinar que seja extensiva a todos os funcionários. Ao contrário, como dito alhures pelo Recorrente, há hipótese de incidência tributária quando retributiva e habitual, sendo que não há no caso nenhuma das duas. Portanto, também neste quesito, assiste razão a Recorrente. VALETRANSPORTE No caso do valetransporte quer a Fiscalização que componha a base de cálculo a diferença existente 1,8%, que deixou de pagar Recorrente. Entretanto, tratase de matéria sumulada, cuja qual nos rendemos, onde se determina a não incidência de contribuição social nesta exação. ‘In verbis’: Súmula CARF nº 89: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Portanto, com razão a Recorrente. BRADESCO PREVIDÊNCIA DE SEGUROS Da mesma forma do plano de saúde não ter sido extensivo, quanto ao plano de previdência de seguros também não o foi, razão pela qual a Fiscalização entendeu a necessidade de incidência de contribuição previdenciária. Contesta a Recorrente, alegando que carece de fundamentação legal tal imposição. De fato, conforme corrobora com a Lei complementar nº 109/2001, artigo 69, que dispõe sobre o Regime de Previdência Complementar e dá outras providências, em seu artigo 69, § 1° não admite a incidência. Art. 69. As contribuições vertidas para as entidades de previdência complementar, destinadas ao custeio dos planos de benefícios de natureza previdenciária, são dedutíveis para fins de incidência de imposto sobre a renda, nos limites e nas condições fixadas em lei. § 1o Sobre as contribuições de que trata o caput não incidem tributação e contribuições de qualquer natureza. INCIDÊNCIA SOBRE OS VALORES PAGOS A ESTUDANTE FACILITADOR / VALORES PAGOS A TÍTULO DE MONITORIA Segundo a Fiscalização tratase de remuneração paga a prestador de serviço, razão pela qual há incidência de contribuição social sobre elas. A Recorrente, quanto aos estudantes facilitadores, alega se tratar de atividades complementares exercidas por alguns acadêmicos que muito bem conheciam o ‘sistema’, sobretudo quando da implantação de matriculas via internet. Segundo ela, não era despendido mais que 45 dias por semestre de cada aluno facilitador e não havia retribuição pecuniária a tal exercício, como dito, tratavase de trabalho extra classe, mas que, ao final, serviria de pontos para aquele facilitador. Quanto aos alunos de monitoria, também não eram prestadores de serviços e tão pouco eram remunerados, e nem havia habitualidade, mas sim o recebimento de bolsa de monitoria, como dito, não habitual, servindo tão somente de incentivo para exercício de atividade extracurricular. Ao contrário, tratase da mesma forma, de atividade desenvolvida por alunos para, como um estágio, exercer o conhecimento da teoria para apreender a desenvolver o seu mister, pôla em pratica dentro de sua especificidade de cada curso, não havendo, da mesma forma, retribuição pecuniária e tão pouco habitualidade. Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10580.728314/200997 Acórdão n.º 2301003.537 S2C3T1 Fl. 1.051 15 Novamente se apega às hipóteses de incidência tributária para julgar a questão, eis que, não se encontra nos autos nada que demonstre a retributividade, pois não se incumbiu de tal mister a Fiscalização quanto ao pagamento e tão pouco a habitualidade, razão pela qual não há incidência de contribuição social nestas rubricas. JETON AOS PARTICIPANTES DO CONSELHO DISCENTE Da mesma forma, faltou nos autos a ‘complexa’ demonstração de caráter remuneratório e habitual, para configurar a incidência de contribuição social. Como demonstrou a Recorrente, tratase de pagamento esporádico aos participantes dos conselhos do corpo discente, como uma forma de incentivo para sua participação, atendendo à constituição da Recorrente. GLOSA DAS DEDUÇÕES DO SALÁRIO FAMÍLIA Diz a Fiscalização que todos os funcionários da Recorrente estavam com problemas na documentação apresentada para fazer jus ao salário família e portanto, estes, por sua vez, serem isentos da incidência da contribuição social. Por outro lado, a Recorrente alega que não eram todos, mas alguns funcionários que deixaram de apresentar alguns documentos. A questão está cerzida tão somente na apresentação de documento s dos funcionários que fazem jus a este benefício. Em verdade não importa se são todos ou alguns, o que importa é se um deles faltar documentos, apenas este um não poderá ser considerado para fazer jus ao benefício, e, portanto, tudo aquilo que foi pago a ele, neste sentido, deverá ser considerado como remuneração. É entendimento pacífico do TST – Tribunal Superior do Trabalho que a percepção do saláriofamília exige a comprovação de filiação. Desta forma, em havendo a comprovação de filiação, todo aquele funciona´rio que assim provar, faz jus ao benefício e a Recorrente não será obrigado a recolher o salário de contribuição nesta exação. VALOR DE REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS DECLARADA EM GFIP E VALOR DA REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS DECLARADAS EM GFIP – MULTA DE MORA Quer a Recorrente que a multa de mora tenha redução de 50% (cinqüenta por cento), em razão de o lançamento ter tido como base as suas GFIP’s. Reza o artigo 61 da Lei 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA 16 do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento O artigo mencionado pelo Recorrente foi revogado e, com base no artigo 106. II, C do CTN, há de se aplicar a multa de mora mais benéfica ao contibuinte. Neste caso, penso ser a do artigo 61 da Lei 9.430/96. DAS DIFERENÇAS DAREMUNERAÇÃO DECLARADA EM GFIP COM AS FOLHAS DE PAGAMENTOS Diz a Recorrente que ela adotou o caminho correto para declarar as GFIP’s, e que parte das diferenças dos recolhimentos da contribuição social previdenciária estão no fato de ela ter considerado as férias dos funcionários, rescisões de contrato de trabalho retroativa, e outros quejandos. Todavia, valores da base de cálculo obtida através da folha de pagamento, nos meses em que aquela foi superior ao valor declarado em GFIP estão no Anexo XXXIII, onde se lê Remuneração Folha de Pagamento X Remuneração GFIP. E, de fato, num atendo olhar pormenorizado, vêse estas diferenças e não se conclui da mesma forma que explicita a Recorrente. Portanto, neste quesito, sem razão a Recorrente. AS BOLSAS DE ESTUDOS Diz a Fiscalização que há contribuição social, conforme art. 22, incisos I e II, da lei n° 8.212/91, incidentes sobre os valores das bolsas de estudos dado pela Recorrente a seus funcionários, filhos, cônjuges, para cursos de graduação oferecidos pela UCSal. Segundo ela os pressupostos básicos para a não incidência de contribuição previdenciária da alínea "t" do §9º do art. 28 da Lei 8.212/91 são necessariamente os seguintes: a) que o plano educacional vise à educação básica ou o curso de capacitação e qualificação profissional se vincule às atividades desenvolvidas pela empresa; e b) todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao plano educacional básico ou ao curso de capacitação e qualificação vinculado às atividades desenvolvidas pela empresa. Conclui que a educação superior não está protegida da incidência da contribuição previdenciária, pois, caso o legislador quisesse excluir do conceito de saláriodecontribuição o valor destinado ao pagamento do custeio da educação superior de empregados, utilizaria a expressão EDUCAÇÃO ESCOLAR, a qual engloba a educação básica e a educação superior. Todavia, como muito já tenho me manifestado nesta Turma, penso que a bolsa de estudo não incide contribuição social, pois, não se trata de salário e por isto mesmo não tem caráter remuneratório. Tratase de incentivo de cunho social. Recentemente esta turma enfrentou a questão, num caso semelhante, onde o nobre Relator é douto conselheiro Damião, que muito bem exarou seu voto, cujo qual peço vênia para transcrever parte: “... 20. Inclusive, a Consolidação das Leis do Trabalho, em seu art. 458, §2º, inciso II, afastou a natureza salarial do benefício de educação, facultando à empresa a oferta de cursos em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático. Não há exceção que pudesse permitir a composição do salário. Eis o teor do dispositivo citado: “Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10580.728314/200997 Acórdão n.º 2301003.537 S2C3T1 Fl. 1.052 17 pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) (...) § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) (...) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) (...)” [grifo nosso] 21. Vale lembrar que a Mensagem 1.115/00, do Poder Executivo, quando encaminhou o Projeto de Lei convertido na Lei 10.243/2001, justificou o acréscimo do § 2º ao art. 458, da CLT, como proposta para desvincular os benefícios do salário, como se constata: 4. A proposta modifica, ainda, o § 2º do art. 458, da CLT, que dispõe sobre o salário in natura, para determinar que os benefícios, concedidos pelo empregador, relativos a educação, transporte, assistência médica, hospitalar, e odontológica, seguros de vida e de acidentes pessoais e previdência privada, não integram o salário. A carência de serviços e benefícios sociais indica a conveniência de estimular as empresas a concederem benefícios que proporcionem aos trabalhadores maior segurança e satisfação, sem ônus subseqüente de outra natureza. A proposta atende a essas expectativas desvinculando tais benefícios do salário. (o negrito é nosso) 22. Logo, não convém que a legislação trabalhista exclua da composição do salário determinado benefício e a legislação previdenciária considereo para efeitos de incidência de sua respectiva contribuição. Nessa situação, não se trata de dar razão ao princípio da especificidade da norma previdenciária, pois o que está em jogo para o sistema é a segurança jurídica, a saber, na sua concretude enquanto confiança na estabilidade da norma. 23. Afinal, a segurança jurídica nada mais é que a efetivação do princípio do Estado de Direito, sendo integrante de um sistema constituído de ordem normativa, hierarquicamente superior ao da especificidade por sua natureza de sobreprincípio, uma vez que em si estão ligados outros princípios exaltadores de sua concretização, como asseverou o ilustre doutrinador Paulo de Barros. 24. E, segundo Nuno Sá Gomes, em Estudos sobre a Segurança Jurídica na Tributação e as Garantias dos Contribuintes, a segurança jurídica, sendo referida como certeza do direito, visando à respectiva cognoscibilidade e previsibilidade, supõe não só o conhecimento dos princípios e normas aplicáveis em termos gerais e abstratos, mas ainda o conhecimento dos previsíveis efeitos da respectiva aplicação da norma. 25. Assim, quando a empresa recorrente concedeu aos seus funcionários a ajuda escolar para cada dependente, agiu em boafé por confiar na estrutura normativa que lhe conferiu a possibilidade dessa concessão sem Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA 18 que sobreviesse a exigência de contribuição previdenciária sobre tais valores. Esta é a segurança jurídica a ser preservada. 26. Em sendo, seria inapropriado admitir um conceito de remuneração para o direito previdenciário e outro para o direito trabalhista. O próprio Supremo Tribunal Federal – STF, no julgamento do RE 166.772/RS, firmou entendimento no sentido de que as definições postas no art. 195, I, da Constituição Federal devem ser interpretadas em conformidade com a dimensão que lhes confere o Direito do Trabalho, mesmo para fins previdenciários. 27. Transcrevo trechos dos votos proferidos pelos Ministros Celso de Mello e Moreira Alves: a) Celso de Mello: "a locução constitucional "folha de salários", inscrita no art. 195, I, da Carta Política, há de ser definida em função de critérios estritamente técnicos, a serem considerados na exata e usual dimensão que lhes confere o Direito do Trabalho." b) Moreira Alves: "(...) realmente já foi demonstrado, desde o voto do eminente Ministro Relator e em alguns dos votos que o seguiram, que a expressão "salário" é usada univocamente na Constituição no sentido de salário trabalhista. Mesmo para fins previdenciários – como se vê do art. 201 , "salário" está empregado no sentido de remuneração em decorrência de vínculo empregatício." c) Marco Aurélio: “Descabe dar a uma mesma expressão – salário – utilizada pela Carta relativamente a matérias diversas, sentidos diferentes, conforme os interesses em questão. Salário, tal como mencionado no inciso I do art. 195, não pode se configurar como algo que discrepe do conceito que se lhe atribuiu quando se cogita, por exemplo, da irredutibilidade salarial, inciso VI do artigo 7º da Carta.” 28. Seguindo esta linha de raciocínio, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ – é pacífica quanto à natureza não salarial da verba em apreciação, não sendo possível o recolhimento previdenciário. Eis as ementas de alguns acórdãos: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. AUXÍLIO ESCOLAR. NATUREZA INDENIZATÓRIA. RECURSO DESPROVIDO. 1. Não podem ser considerados como salário in natura os valores pagos pela empresa diretamente à instituição de ensino, com a finalidade de prestar auxílio escolar a seus empregados, porquanto não retribuem o trabalho efetivo. Desse modo, em relação a tal verba não deve incidir contribuição previdenciária, pois não integra a remuneração. 2. Recurso especial desprovido. (REsp 642.591/SC, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/2006, DJ 16/11/2006, p. 219) “PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO CONFIGURADA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BOLSAS DE ESTUDO. NÃO INCIDÊNCIA. Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10580.728314/200997 Acórdão n.º 2301003.537 S2C3T1 Fl. 1.053 19 1. Quanto à análise de pedido formulado em Agravo Regimental, configurandose omissão, devese acolher os aclaratórios para sanála e apreciar a matéria. 2. O entendimento do STJ é pacífico no sentido de que os valores gastos pelo empregador com a educação de seus empregados não integram o saláriodecontribuição; portanto, não compõem a base de cálculo da Contribuição Previdenciária. 3. Embargos de Declaração acolhidos, sem efeito infringente. (EDcl no AgRg no REsp 479.056/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/02/2010, DJe 02/03/2010) RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA AUXÍLIOEDUCAÇÃO (BOLSA DE ESTUDO) NÃOINCIDÊNCIA NATUREZA NÃO SALARIAL ALÍNEA "T" DO § 9º DO ART. 28 DA LEI N. 8.212/91, ACRESCENTADA PELA LEI N. 9.258/97 PRECEDENTES. O entendimento da Primeira Seção já se consolidou no sentido de que os valores despendidos pelo empregador com a educação do empregado não integram o saláriode contribuição e, portanto, não compõem a base de cálculo da contribuição previdenciária mesmo antes do advento da Lei n. 9.528/97. Recurso especial improvido. (REsp 371088/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/08/2006, DJ 25/08/2006 p. 318) TRIBUTÁRIO – RECURSO ESPECIAL – SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO – VALORES GASTOS COM EDUCAÇÃO DO EMPREGADO – INEXISTÊNCIA DE CARÁTER SALARIAL – CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA – NÃO INCIDÊNCIA. 1. Não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária os valores gastos pela empresa a título de bolsas de estudo destinadas a seus empregados. 2. Recurso especial provido. (REsp 853969/RJ, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/09/2007, DJ 02/10/2007 p. 234) [grifo nosso] 29. Do exposto, dou provimento ao recurso voluntário para afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de ajuda escolar aos funcionários por cada dependente, pois não têm natureza salarial e não podem compor o saláriodecontribuição, seja em face da legislação previdenciária ou trabalhista. Como se vê do voto exarado com suas perleúdas razões, cujas quais faço delas as minhas para justificar que das bolsas de estudo ofertadas pela Recorrente não incide contribuição social previdenciária. Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA 20 PAGAMENTOS A FISCAIS NOS VESTIBULARES Mais um quesito que não há como considerar conforme quer a Fiscalização, eis que trata de pagamento eventual, não podendo ser considerado na folha de pagamento. E, em sendo eventual, há previsão legal para hipótese de exclusão de dever de contribuição social, ‘in verbis’: Art. 28. Entendese por salário de contribuição: .... § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10 de Dezembro de 1997) .... e) as importâncias: (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10 de Dezembro de 1997) .... 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20 de Novembro de 1998) Na clareza da lei cessa sua interpretação. Então assiste razão a Recorrente. MULTA Em sendo superada todas as matérias defensivas antes descritas, cujas quais anulam o Auto de Infração, não impondo a multa imperiosa. Mas, caso sejam superadas e em respeito ao RICARF, quanto a multa, há de se observar a retroatividade benéfica do artigo 106, II, C, do CTN, matéria já sedimentada nesta Turma a sua aplicabilidade. Entretanto, mesmo antes de ser esposada a benesse da legislação acima, por questão de ordem pública, há de ser analisada a especificidade da multa aqui aplicada, cuja qual entendo haver o ‘bis in idem’. É que o Artigo 92 da Lei 8.212/91 reza que: ‘A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável...’. Todavia, no caso em tela há penalidade imposta a Recorrente em autuação decorrente da mesma ação fiscal, cuja qual se encontra no AI sob n° 37.115.3883, ou seja, de um mesmo fato gerador estão sendo aplicadas duas penalidades, o que afigura o ‘bis in idem’ Portanto, não há multa a ser aplicada à Recorrente. REPRESENTAÇÃO FISCAL. Tratase de matéria já sumulada por esta Corte,cuja qual me rendo para sua aplicação, que por si só é explicativa. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço, para no mérito DARLHE PROVIMENTO, anulando o Auto de Infração, eis que a autuação deixou de observar princípios pétreos da Carta Maior, mormente o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório, pois não retirou o CEBAS da Mantenedora desejando Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10580.728314/200997 Acórdão n.º 2301003.537 S2C3T1 Fl. 1.054 21 autuar a Mantida, e, conseqüentemente não haverá imposição da multa aplicada. Mas caso sejam superadas as matérias que anulam o AI, em caso de multa, por ocorrer o ‘bis in idem’, uma vez que a penalidade ora imposta já foi aplicada na mesma ação fiscal que resultou na lavratura do AI sob n° 37.115.3883. É o voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator (assinado digitalmente) Voto Vencedor Conselheira Bernadete de Oliveira Barros – Redatora Designada Permitome divergir do entendimento do Conselheiro Relator, pelas razões a seguir expostas. O Relator vota por anular o AI por ofensa ao contraditório e ampla defesa, entendendo que antes de se autuar a entidade Mantida, a fiscalização deveria retirar o CEBAS da Mantenedora. Contudo, é objeto do presente processo administrativo fiscal o Auto de Infração lavrado por descumprimento da obrigação acessória de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições de segurados empregados e contribuintes individuais a serviço da autuada, conforme previsto na alínea “a”, inciso, inciso I, art. 30, da Lei n.º 8.212/91 e no art. 4º, da Lei n.º 10.666/03, no período de 01/2004 a 12/2006. Todas as empresas, inclusive as entidades isentas, estão obrigadas a cumprir a obrigação acessória descrita acima. A condição de isenta não desonera uma entidade do cumprimento das obrigações acessórias estabelecidas em lei. Cumpre esclarecer que uma entidade isenta somente está dispensada do cumprimento da obrigação principal, ou seja, do pagamento das contribuições previdenciárias, e nunca do cumprimento das obrigações acessórias, uma vez que os fatos geradores continuam ocorrendo. O art. 175, § único do CTN, assim dispõe: Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; II a anistia. Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias, dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüentes. (grifei) Assim, a discussão quanto ao direito de isenção não interfere no julgamento do AI em tela. Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA 22 A Lei é clara ao determinar que a contribuição devida pelos segurados deverá ser arrecadada pela empresa mediante desconto de sua remuneração, ou seja: Lei 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: I a empresa é obrigada a: arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; Lei 10.666/2003, com redação dada pela Lei 11.933/2009 Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 20 (vinte) do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. Assim, toda empresa é obrigada a arrecadar as contribuições devidas pelos segurados a seu serviço, mediante desconto de sua remuneração. A multa aplicada pelo descumprimento da obrigação acessória descrita acima é um valor que independe do número de segurados que não tiveram suas contribuições descontadas pela empresa, quando do pagamento de suas remunerações. Assim, basta a empresa deixar de efetuar desconto de apenas um segurado, empregado ou contribuinte individual, que tenha lhe prestado serviços para que fique configurada a infração. E, no caso presente, a fiscalização constatou a ocorrência de circunstância agravante do inciso V, do art. 290, do Decreto 3.048/99, e aplicou corretamente a penalidade, agravada conforme previsto no inciso IV, do art. 292, do mesmo Decreto. Como restou demonstrado nos autos dos AIs correlatos, que lançaram a obrigação principal, houve pagamento de remuneração dos segurados, já que os valores pagos a título de AUXÍLIO SAÚDE não extensivo a todos os empregados e AUXÍLIO EDUCAÇÃO pagos a filhos, cônjuges, companheiros e demais parentes dos empregados possuem natureza salarial, bem como houve remuneração de contribuintes individuais com o pagamento de JETONS, MONITORIA, e aos FACILITADORES e FISCAL DE VESTIBULAR, pelos serviços prestados. E não houve arrecadação de contribuição incidente sobre tais verbas remuneratórias, o que constitui infração ao dispositivo legal acima transcrito. E sendo o lançamento um ato vinculado, a fiscalização a quem compete o lançamento, ao verificar a ocorrência de infração à legislação previdenciária, agiu corretamente lavrando o presente AI, em estrita observância aos ditames legais. O Relator entende, ainda que ocorrera ‘bis in idem’, uma vez que a penalidade ora imposta já foi aplicada na mesma ação fiscal que resultou na lavratura do AI sob n° 37.115.3883. Contudo, tratamse de infrações distintas, sendo que, para cada uma, há a capitulação legal específica, com a aplicação da penalidade prevista nos normativos previdenciários. Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10580.728314/200997 Acórdão n.º 2301003.537 S2C3T1 Fl. 1.055 23 Assim, ao deixar de arrecadar, mediante desconto, as contribuições dos segurados a seu serviço, a recorrente infringiu o disposto no art. 30, I, da Lei 8.212/91. Dessa forma, houve infração à legislação previdenciária e como não é facultado ao servidor público eximirse de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância ao art. 33 da Lei 8212/99 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. A penalidade aplicada por meio do AI em tela, bem como sua gradação, encontra fundamento nos dispositivos legais discriminados nos relatórios que compõem o Auto de Infração. Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Em relação às demais alegações apresentadas, cumpre aqui reproduzir as mesmas razões das decisões emitidas nos AIOPs ISENÇÃO Quanto ao direito à isenção, o Relator vota por dar provimento ao recurso da recorrente. A empresa alega que sempre cumpriu todos os requisitos previstos na legislação para gozo da isenção e, se fisco entende de forma diversa, deveria observar o procedimento específico, elaborando IF e emitindo Ato cancelatório. Contudo, não houve cancelamento de isenção, pois, para o fisco, a entidade nunca foi isenta, já que não cumpria os requisitos legais. Uma coisa é o CEBAS, outra, a isenção. O CEBAS era, e ainda é, um dos requisitos para a isenção. Até 11/2009, a entidade deveria preencher os requisitos legais, comproválos junto à Receita Previdenciária ou à Receita Federal do Brasil, dependendo do período, e requerer a outorga da isenção. Nesse sentido, o direito ao benefício da isenção das contribuições previdenciárias não era, antes da vigência da Lei 12.101/09, exercível de plano por quem preenchia as condições, mas dependia de ato declaratório da Administração Pública, Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA 24 estabelecido a título precário, passível de anulação quando a entidade deixasse de preencher as condições legais de manutenção. O CEBAS era uma exigência tanto do DecretoLei, como também do art. 55, da Lei 8.212/91, e sua falta era, e é, impedimento para que a recorrente usufrua a isenção previdenciária, pois a Lei 12.101, de 27/11/2009, que revogou o mencionado art. 55, manteve a obrigatoriedade de as entidades beneficentes manterem a Certificação para se beneficiarem da benesse fiscal. Ademais, como exposto acima, antes de 27/11/2009, ou seja, na vigência ainda do art. 55, da Lei 8.212/91, a recorrente estava, sim, sujeita aos mandamentos inseridos no referido dispositivo legal. E não consta que houve pedido de isenção. O relator entende que o CEBAS da mantenedora deveria ter sido cancelado. Contudo, o débito está sendo lançado contra a recorrente, e não contra a sua mantenedora. E o CEBAS da mantenedora não é extensivo à mantida, assim como a isenção. Portanto, não há a necessidade de se cancelar o CEBAS da mantenedora. Quanto o argumento de ausência de personalidade jurídica própria, os documentos juntados aos autos contradizem tal afirmação. O próprio estatuto da UCSAL dispõe, no art. 3o, que ela é dotada de autonomia didáticocientífica, financeira, administrativa e disciplinar. A recorrente defende que é legítima a remuneração de trabalhadores da entidade. Ocorre que as pessoas apontadas pela fiscalização foram remunerados na condição de dirigentes da recorrente, e não na condição de trabalhadores. Todavia, mesmo que não se entenda que houve o descumprimento do inciso IV, do art. 55, a entidade não faz jus à isenção, pois não cumpria o inciso II, do mesmo dispositivo legal. PLANO DE SAÚDE Em relação ao plano de saúde, o Relator entende que não há nos autos nada que determine a contribuição social exigida, e que não há incidência naquilo que não constitui acréscimo patrimonial ao trabalhador, ou seja, que não é retributivo. Afirma que restou demonstrado, nos autos, que houve apenas uma reposição de valores que o próprio trabalhador gastou, não havendo hipótese de incidência tributária previdenciária e, ainda, que a legislação não é imperiosa ao determinar que seja extensiva a todos os funcionários. Contudo, entendo que a exigência fiscal encontra amparo legal no inciso I, do art. 28 do referido diploma legal, que estabelece que o conceito de salário de contribuição é “...a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades, ...” (grifei). A própria Constituição Federal, preceitua, no § 4º do art. 201, renumerado para o § 11, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98, o seguinte: § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10580.728314/200997 Acórdão n.º 2301003.537 S2C3T1 Fl. 1.056 25 previdenciária e conseqüentemente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (grifei) A regra geral é que, se a utilidade é necessária para executar o serviço, ou se o trabalhador paga pela utilidade, essa não constitui salário, tratase tãosomente de instrumento de trabalho. Se, por outro lado, aumentar seu patrimônio, então integrará o salário para todos os efeitos legais. Entendo que o custeio de Plano de Saúde pela empresa em favor de seus empregados representa um acréscimo à remuneração do trabalhador, pois, se a empresa não custeasse tais planos a seus empregados, eles teriam, caso quisessem usufruir de um plano de saúde, que gastar parte de seus salários para pagálo, o que reduzira seus ganhos. Verificase que as despesas efetuadas pela empresa com o Plano de Saúde de alguns de seus empregados se originaram em decorrência única e exclusiva do vínculo laboral entre esses empregados e empregador, não devendo, portanto, serem excluídas da base de cálculo da contribuição. Segundo o TST: “toda a vantagem atribuída ao empregado, sem a qual teria que desembolsar numerário para dela usufruir, possui natureza de contraprestação e, portanto, situada no campo das parcelas salariais, ante a onerosidade do contrato de trabalho” (RR – 4.273/89.5 – DJU 08/11/1991) Ademais, o Plano de Saúde concedido pela recorrente a alguns dos segurados que lhe prestaram serviços não está incluído nas hipóteses de isenção da Lei 8.212/91, já que não foi concedida à totalidade dos empregados da empresa. A alínea “q”, do § 9o, do art. 28, da Lei 8.212/91, é clara ao estabelecer que não integra o salário de contribuição, exclusivamente, o valor relativo à assistência médica odontológica, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, o que não ocorreu no presente caso. Assim, ao contrário do Relator, entendo que a parcela paga a título de auxílio saúde representa uma vantagem econômica para o trabalhador e integra o saláriode contribuição. Portanto, como a recorrente não comprovou que o auxílio saúde foi fornecido à totalidade de seus empregados, tal rubrica integra o salário de contribuição, já que não se inclui na hipótese de isenção da Lei 8.212/91. FACILITADORES, MONITORIA, FISCAL DE VESTIBULARES E JETON Para o relator, os valores pagos aos facilitadores, monitores e fiscal de vestibulares devem ser excluídos da base de cálculo, pois não se encontra nos autos nada que demonstre a retributividade, pois não se incumbiu de tal mister a Fiscalização quanto ao pagamento e tão pouco a habitualidade, razão pela qual não há incidência de contribuição social nestas rubricas Contudo, a fiscalização constatou a prestação de serviços por pessoas físicas, estudantes da UCSAL e sem vínculo empregatício com a universidade, e que receberam remuneração em virtude da atividade laboral. Os valores pagos a esses trabalhadores foram considerados pela fiscalização como salário de contribuição de contribuintes individuais, pois, a recorrente não comprovou Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA 26 serem bolsas decorrentes de estágio ou bolsas de aprendizagem para menores de 14 anos, e nem que foram pagos de acordo com o disposto no art. 64, da Lei 8.069/90, ou com a lei dos estagiários, Lei 6.494/77, ou no Decreto 87.497/82, que a regulamenta. O conceito de salário de contribuição é, para o contribuinte individual, “a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). A fiscalização constatou o pagamento aos estudantes facilitadores e aos bolsistas, o que se encontra registrado nas contas contábeis citadas no relatório fiscal, sendo que os nomes dessas pessoas físicas e os respectivos valores mensais pagos foram fornecidos pela própria recorrente. Portanto, não procede o entendimento de que não há “retributividade”, uma vez que essas pessoas físicas receberam remuneração em virtude do exercício de atividades laborais, como a de ensino, preparação de material didático, entre outros. Em relação à falta de habitualidade, cumpre esclarecer que a fiscalização enquadrou esses trabalhadores como contribuintes individuais, e não como empregados. Nesse sentido, para os contribuintes individuais não é necessária a comprovação de habitualidade. Da mesma forma, os pagamentos de jeton se enquadram no conceito de salário de contribuição de contribuintes individuais, pois remunera um serviço prestado à entidade por pessoas físicas, não sendo necessária a habitualidade para configuração de prestação de serviços sem vínculo empregatício. Portanto, todos os pagamentos citados acima devem integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária. AUXÍLIO EDUCAÇÃO A FILHOS, CÔNJUGES, COMPANHEIROS, TUTELADOS, MÃES, NETOS E SOBRINHOS O relator sustenta que sobre a bolsa de estudo não incide contribuição social, pois, não se trata de salário e por isto mesmo não tem caráter remuneratório, tratandose de incentivo de cunho social. Entretanto, conforme art. 176 do CTN, “a isenção, ainda que prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão...”. De fato, conforme disposto na alínea “t”, do § 9º, do art. 28, da Lei 8.212/91, o legislador ordinário expressamente excluiu do saláriodecontribuição os valores relativos a planos educacionais. Contudo, não há dúvidas de que o pagamento de bolsas de estudo aos dependentes e parentes dos empregados não está incluído nas hipóteses de isenção previstas na referida letra “t” do § 9º, art. 28, Lei 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência do fato gerador, compondo, portanto, o saláriodecontribuição. O custeio da educação dos filhos e cônjuges dos empregados pela empresa representa um acréscimo indireto à sua remuneração, devendo, portanto, sofrer incidência de contribuição previdenciária Nesse sentido, por tudo que foi exposto, VOTO por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10580.728314/200997 Acórdão n.º 2301003.537 S2C3T1 Fl. 1.057 27 Bernadete de Oliveira Barros Redatora Designada Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 27 /08/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por BERNADETE DE OL IVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por MARCELO OLIVEIRA
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