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Numero do processo: 13848.000125/2005-32
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni- Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni (presidente substituto), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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ANOSCALENDÁRIO 2004 A pessoa jurídica optante pelo Simples que, no ano de início de atividade, tenha ultrapassado o limite de receita bruta, proporcional ao número de meses de funcionamento, deve apresentar a DCTF relativamente aos fatos geradores ocorridos, desde o início de sua atividade,. Vistos, relatados e discutidos os autos do presente processo. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Presidente Substituto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni (presidente substituto), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 1423.376, da 3a Turma da DRJ/RPO, que negou provimento à impugnação, apresentada pela ora recorrente, auto de infração (fl. 6), mediante o qual é exigido da contribuinte acima identificada crédito tributário AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 8. 00 01 25 /2 00 5- 32 Fl. 89DF CARF MF 2 relativo à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF), relativa ao 1°, 2° e 3° trimestres do anocalendário de 2004, no valor de R$ 3.448,96. Transcrevo, a seguir o relatório: Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação (fl. 1) na qual solicita o cancelamento da exigência tributária, sob alegação de que entregara as respectivas declarações em atraso em função de estar enquadrada no Simples e ter ultrapassado o valor correspondente ao limite final das EPP e ter iniciado suas atividades dentro do anocalendário de 2004. Acrescentou que não houve qualquer procedimento de ofício e que o desenquadramento foi efetuado por ela espontaneamente. Aduziu que, com base na Instrução Normativa (IN) SRF n° 355, de.2_9 de agosto de 2003, an. 3°, § 3°, menciona que, não havendo procedimento de oficio, incidirão apenas juros de mora, não mencionado multas. A recorrente foi cientificada da decisão em 08/06/2009 (fl 71) e apresentou o seu recurso voluntário em 19/06/2009 (fl 72). Voto Conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, e que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A recorrente alega, basicamente, as mesmas razões apresentadas em sua impugnação, acrescentando o que segue: A empresa em pauta, também solicitou através da PER/DCOMP 1,7, declaração n°. 41254.58824.0lO905.1.3.044349 a compensação do débito no prazo legal, com a redução de 50% do valor do auto, (cópia anexa) R$1.724,48 (um mil, setecentos e vinte e quatro reais e quarenta e oito centavos), pois garantiria o direito de usar da prerrogativa do desconto em caso de decisão desfavorável do recurso. Conclui, requerendo: À vista de todo o exposto, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, ou mesmo executando a declaração de compensação e consequentemente extinção do débito.. Ressaltese que o pedido de compensação, que foi realizado pela PER/DCOMP n° 41254.58824.0lO905.1.3.044349, foi ou será objeto de despacho específico não podendo ser considerado na discussão desta lide. Assim, por concordar integralmente com a decisão da DRJ, com base no artigo 50, da Lei 9.784/99 e parágrafo 3°, ao artigo 57, do RICARF, peço a devida vênia para reproduzir o seu voto, por concordar integralmente com ele: Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13848.000125/200532 Acórdão n.º 1001001.133 S1C0T1 Fl. 3 3 Tratase de analisar lançamento referente à multa por atraso na entrega da DCTF do anocalendário de 2004. A impugnante alegou que não entregou a declaração no prazo por estar incluída no Simples e ter espontaneamente se desenquadrado dessa sistemática em função de ter ultrapassado no referido anocalendário, em que iniciou suas atividades, o limite de receita bruta para se enquadrar naquela sistemática como empresa de pequeno porte. Afirmou ainda que a IN SRF n° 355, de 2003, art. 3°, § 3°, menciona, para o caso, a incidência de juros de mora, omitindose quanto a multas. Para melhor elucidação da matéria, transcrevo o dispositivo citado pela impugnante: Art. 3” No caso de início de atividade no próprio ano calendário, os limites de que tratam os incisos I e II do art. 2° serão, respectivamente, de R$ 10.000,00 (dez mil reais) e de R$ 100.000,00 (cem mil reais), multiplicados pelo número de meses de funcionamento naquele período, desconsideradas as frações de meses. (») § 2” Se o valor acumulado da receita bruta no anocalendário de inicio de atividade for superior a R$ 100.000,00 (cem mil reais), multiplicados pelo número de meses de funcionamento, a pessoa jurídica estará obrigada ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade co as normas gerais de incidência, desde o primeiro mês de inicio de atividade. § 3° Caso o pagamento a que se refere o § 2° ocorra antes do início de procedimento de oficio, incidirão apenas juros de mora, determinados segundo as normas previstas para o imposto de renda. Como se percebe, referido dispositivo trata da obrigatoriedade do recolhimento de impostos e contribuições (devidos de conformidade com as normas gerais de incidência) por parte da empresa optante pelo Simples que ultrapasse, ainda no ano de início de suas atividades, o limite para enquadramento nessa sistemática, nos termos do art. 2° do mesmo dispositivo. Portanto o dispositivo trata apenas dos encargos incidentes nesses recolhimentos, sendo silente quanto às demais multas, decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias (como é o caso da DCTF), das quais estava dispensada em função do enquadramento no Simples, passando a ser obrigada com o dcsenquadramento. É evidente que, se à época do vencimento das referidas obrigações, a pessoa jurídica estava dispensada de seu cumprimento, vindo a se tomar obrigada apenas com o implemento de determinada condição (ter ultrapassado o limite da receita, dentro do anocalendário de início das atividades), não se pode exigir a multa por atraso na entrega desde o vencimento daquela obrigação para as demais pessoas jurídicas não enquadradas no Simples. Entretanto, uma vez que, desenquadrada do Simples, automaticamente a empresa passa a estar obrigada à entrega da DCTF, não se pode admitir que essa Fl. 91DF CARF MF 4 entrega ocorra quando ela bem entender, sem se sujeitar à multa por atraso. Também é razoável que se proporcione a essas empresas um prazo razoável para que cumpram com essas obrigações. A esse respeito, a Instrução; Normativa (IN) RFB n° 903, de 30 de dezembro de 2008, estabeleceu, in verbis: Art. 7" (...) ... § 3° Tendo em vista a existência de processos não julgados referentes à matéria. deverão ser observados os seguintes procedimentos no caso de exclusão do Simples em virtude de: (...) V ter ultrapassado, no anocalendário de início de atividade, o limite de receita bruta proporcional ao número de meses de funcionamento nesse anocalendário, a pessoa jurídica fica obrigada a apresentar as DCTF relativas aos fatos geradores ocorridos desde o início de atividade; () § 5 ° O disposto no inciso V do § 3 ° e no inciso V do § 4 ° aplicase, inclusive, à pessoa jurídica optante que, no ano calendário de início de atividade, tenha ultrapassado o limite de receita bruta proporcional ao número de meses de funcionamento, hipótese em que deverá apresentar as DCTF, relativas aos fatos geradores ocorridos a partir do início de atividade, até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite de receita bruta e comunicar sua exclusão do sistema. Resta evidente que referida IN é expressamente interpretativa, aplicandose ao caso presente. Ademais disso, o artigo 7° da Portaria do Ministro da Fazenda n° 58, de 17 de março de 2006, expressamente determina a vinculação do julgador administrativo, nos seguintes termos, verbis: Art. 7° O julgador deve observar 0 disposto no art. 116, III, da Lei n” 8.112, de 11 de dezembro de 1990, bem assim 0 entendimento da Secretaría da Receita Federal (SRF) expresso em atos normativos. Adiciono aos argumentos acima transcritos que, à época da ocorrência do fato gerador, vigia a IN SRF 255/2002 e que dispunha em seu artigo 5°, inciso IV: Art. 5º A DCTF deverá ser apresentada até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores, sendo transmitida via Internet, na forma determinada pela Secretaria da Receita Federal. IV ter ultrapassado, no anocalendário de início de atividades, o limite de receita bruta correspondente a R$ 100.000,00 (cem mil reais) multiplicados pelo número de meses de funcionamento nesse anocalendário, o sujeito passivo fica obrigado a apresentar as DCTF relativas aos trimestres verificados desde a data do início das atividades; Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13848.000125/200532 Acórdão n.º 1001001.133 S1C0T1 Fl. 4 5 Assim, não assiste razão a recorrente e, portanto, nego provimento ao presente Recurso Voluntário e mantenho o crédito tributário apurado. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.945108/2013-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.737
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Versa o presente sobre pedido de ressarcimento de contribuições não cumulativas que, após procedimento fiscalizatório sofrido pela empresa, restaram não reconhecidos em sua integralidade, consoante Despacho Decisório que integra os autos em apreço. Inconformada com o não reconhecimento integral de seu pleito, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pelo Colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 10058.605. Destacase que a DRJ aplicou o entendimento das INs SRF 247/2002 e 404/2004. Regularmente cientificado desta decisão, a contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, com as seguintes alegações, em síntese: i) conceito de insumo aplicável alega que ele representa não só elementos diretos, mas também indiretos ligados à produção de produtos e de serviços; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 45 10 8/ 20 13 -4 1 Fl. 4805DF CARF MF Processo nº 10880.945108/201341 Resolução nº 3402001.737 S3C4T2 Fl. 3 2 entende que a natureza jurídica dos créditos do PIS e da Cofins não pode ser confundida com a nãocumulatividade do ICMS e do IPI, apontando que deveria se aplicado o método indireto subtrativo; aduz que os créditos de PIS e de Cofins se revestem de subvenção estatal; requer créditos sobre a totalidade de seus custos e de suas despesas, pois não haveria como se restringir o conceito de insumo; aponta a procedência de suas alegações à luz de sua atividade econômica; ii) direito ao crédito sobre aquisições de combustíveis alega que os combustíveis e Gás GLP seriam aplicados em seu processo produtivo, citando a Lei nº 10.833/03 e a Instrução Normativa nº 404/04; alega que o óleo diesel seria utilizado em suas empilhadeiras e geradores; iii) direito ao crédito sobre serviços de laboratório e análises microbiológicas alega que o direito a crédito sobre tais serviços utilizados como insumos estaria amparado pela Lei nº 10.833/03, sendo essa rubrica composta por três serviços distintos: de laboratório; do serviço de inspeção federal (SIF), de caráter de inspeção sanitária; e de análises microbiológicas, essenciais e obrigatórios nos frigoríficos; iv) direito a crédito integral sobre os fretes internacionais alega que teria atendido a todos os requisitos normativos e legais previsto na Leis nº 10.833/03 para creditamento sobre fretes nas operações de venda, não prosperando a acusação fiscal que impediu o crédito por ser o transportador pessoa jurídica não domiciliada no país. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.734, de 30 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.945120/201356, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.734): "Ao examinar os argumentos trazidos pela Recorrente, em cotejo com as alegações da Autoridade Fiscal, entendo necessária a conversão do julgamento em diligência com vistas a aclarar a situação que passo a descrever. A questão devolvida a este colegiado cingese sobre o conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições de PIS e COFINS, cujo reflexo poderia alterar o direito creditório da Recorrente e o Despacho Decisório que homologou apenas parcialmente as compensações pleiteadas. Especificamente, tratamse das seguintes glosas efetuadas pela autoridade fiscal e confirmadas pela DRJ: Fl. 4806DF CARF MF Processo nº 10880.945108/201341 Resolução nº 3402001.737 S3C4T2 Fl. 4 3 (i) Crédito sobre aquisições de combustíveis; (ii) Crédito sobre serviços de laboratório e análises microbiológicas; (iii) Crédito sobre os fretes internacionais. Quanto ao conceito de insumo para fins de creditamento da contribuição para o PIS e a COFINS, o julgador a quo aplicou o entendimento das INs SRF 247/2002 e 404/2004, no sentido de restringir o crédito apenas nas situações relacionadas nos referidos atos infralegais. A questão já foi definitivamente resolvida pelo STJ, no Resp nº 1.221.170/PR, sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), que estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Transcrevo a ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos Fl. 4807DF CARF MF Processo nº 10880.945108/201341 Resolução nº 3402001.737 S3C4T2 Fl. 5 4 a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Destacase o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade – considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Dessa forma, considerando que a análise efetuada pela autoridade fiscal baseouse nos termos determinados pelas INs SRF 247/2002 e 404/2004, e não considerou a essencialidade e relevância dos itens no processo produtivo da Recorrente, entendo que a situação fática deve ser aclarada pela unidade de origem, considerando a nova interpretação determinada pelo STJ acerca do conceito de insumo para fins de creditamento de PIS e COFINS. Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora: Fl. 4808DF CARF MF Processo nº 10880.945108/201341 Resolução nº 3402001.737 S3C4T2 Fl. 6 5 (i) intime a Recorrente para apresentação de Laudo Técnico, com o detalhamento dos dispêndios com COMBUSTÍVEIS, SERVIÇOS DE LABORATÓRIO E ANÁLISES MICROBIOLÓGICAS e sua utilização dentro de seu processo produtivo; (iii) elabore um novo parecer e um novo demonstrativo do direito creditório requerido, com as considerações efetuadas a partir da nova interpretação do conceito de insumo determinada pelo STJ de relevância e essencialidade. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora: (i) intime a Recorrente para apresentação de Laudo Técnico, com o detalhamento dos dispêndios com COMBUSTÍVEIS, SERVIÇOS DE LABORATÓRIO E ANÁLISES MICROBIOLÓGICAS e sua utilização dentro de seu processo produtivo; (iii) elabore um novo parecer e um novo demonstrativo do direito creditório requerido, com as considerações efetuadas a partir da nova interpretação do conceito de insumo determinada pelo STJ de relevância e essencialidade. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 4809DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.000248/2005-38
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2001
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL, AVERBAÇÃO - ATO CONSTITUTIVO.
A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal, podendo o sujeito passivo excluí-la da base de cálculo para apuração do ITR relacionado a fatos geradores subseqüentes ao registro público.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, EXCLUSÃO, ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL,
Para fins de exclusão da base de cálculo do 1TR, após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000, é imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.559
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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STA SANTOS - Relator S2-CM Fl 186 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 13116,000248/2005-38 Recurso n" 339,909 Voluntário Acórdão n" 2101-00.559 — 1" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2010 Matéria 1TR Recorrente ENNEMAN DA COSTA PIMENTEL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2001 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA - RESERVA LEGAL, AVERBAÇÃO - ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal, podendo o sujeito passivo excluí-Ia da base de cálculo para apuração do ITR relacionado a fatos geradores subseqüentes ao registro público, ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, EXCLUSÃO, ATO DECLARATORIO AMBIENTAL, Para fins de exclusão da base de cálculo do 1TR, após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000, é imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recurso negado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. ) / CAIOÁV1ARC S " IDO -/Presidentev EDITADO EM: 2 4 -{ 20 1t1 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, José Raimundo Tosta Santos, Odmir Femandes, Goncalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka e Ana Neyle Olimpio Holanda. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão n° 03-20397, proferido pela 1' Turma da URI Brasília (fls. 116/132), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o Auto de Infração de ITR do exercício de 2001. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo órgão julgador a quo nos seguintes termos: Contra o contribuinte identificado no preâmbulo foi lavrado, em 04/03/2005, o Auto de Infração/anexos que passaram a constituir as fls. 01/09 do presente processo, consubstanciando o lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, exercício de 2001, referente ao imóvel denominado "Fazenda São Bernardo", cadastrado na SRF, sob o rf 4.931.468-8, com área de 3.659,6 ha, localizado no Município de Niquelândia/GO, O crédito tributário apurado pela fiscalização compõe-se de diferença no valor do 1TR de R$ 117.428,90 que, acrescida dos juros de mora, calculados até 28/02/2005 (R$ 71.478,97) e da multa proporcional (R$ 88.071,67), perfaz o montante de R$ 276.979,54. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão interna das DITR12001 incidentes em malha valor, iniciou-se com a intimação de fls. 13/14, recepcionada em 31/09/2004 (°AR's"/cópia de fls. 15), exigindo-se a apresentação de: 1° - Laudo técnico emitido por profissional habilitado, acompanhado de anotação de responsabilidade técnica -ART registrada no CREA, de planilha de cálculo e de planta planialtimétrica, impressa ou em arquivo digital, contendo as coordenadas dos vértices definidores dos limites do imóvel rural, caso exista área de preservação permanente de que trata o art. 2' da Lei 4.771/65 (Código Florestal), ou certidão emitida por órgão ambiental, federal ou estadual, contendo dados técnicos detalhados e suficientes para caracterizar as condições e dimensões da área enquadrada em cada inciso do art, 2' da Lei 4771/65 (Área de preservação permanente), redação dada pelo art. I' da Lei 7803/89, conforme art. 10, § 1°, inciso II,letra "a" da Lei 9393/96; 20 - Licença Ambiental, Parecer Técnico ou Registro do órgão ambiental, federal ou estadual, probatória das restrições a que se submete o imóvel caso este pertença à Área de Interesse Ecológico ou de Proteção Ambiental, conforme art. 10, § 1', inciso II, letra "b" da Lei 9393/96; 30 - documentação probatória da averbação da reserva legal em cartório de registro de imóveis, à margem da matrícula do imóvel, conforme art.. 10, § 1", inciso II, letra 'a' da Lei 9,393/96, e art. 16, § 2 0 da Lei 4771/65 (redação dada pelo art, 1' da MP 2166-67 de 25/08/2001), em data anterior à do fato gerador do ITR. Caso trate-se de área de posse, apresentar Termo de Ajustamento de Conduta firmado junto ao órgão ambiental, federal ou estadual, no qual seja identificada a área do imóvel sobre a qual o detentor da posse tenha assumido o compromisso de averbá-la posteriormente, conforme art. 10, § 1°, inciso II, letra 'a' da lei 9393/96, e art 16, § 10' 2 Processo n" 13116000248/2005-38 S2-CM Acórdão n ° 2101-011,559 1:1 187 da lei 4771/65 (redação dada pelo art. 10 da MP 2166-67) em data anterior à do fato gerador do 1TR (01/01/2000); 4" - documento probatório do ingresso, junto ao 1BAMA, da solicitação de emissão do Ato Declaratório Ambiental; - Anexo da Atividade Rural da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física (Exercício 2000) junto com as Notas Fiscais de aquisição de vacinas em maio e em novembro de 1999 (ou cópia autenticada da Ficha de Controle de Vacinação da Secretaria Estadual da Agricultura), ou outro documento qualquer, provando a existência de gado em suas pastagens ao longo do ano anterior ao do exercício da declaração, conforme art. 10, § 1 0 inciso IV letra da Lei 9393/96 e art. 25 do Decreto 4.382/02. Caso a pastagem, ou parte dela tenha sido ocupada por gado de terceiros, em regime de parceria ou arrendamento, apresentar o contrato em questão, além dos documentos anteriormente citados; e, 6° - Laudo de avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com grau de fundamentação II ou III, com anotação de responsabilidade técnica - ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados. A falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará ao arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra -S1PT da SRF Por não ter sido apresentado qualquer documento de prova, a fiscalização resolveu glosar integralmente as áreas declaradas como de preservação permanente, utilização limitada e utilizadas como pastagens, respectivamente, de 2.012,7 ha, 731,0 ha e 906,6 ha, além, de rejeitar o VTN declarado de R$ 371.000,00, que entendeu subavaliado, arbitrando o valor de R$ 1.368.690,40, com base no VTN médio por hectare apontado no SIPT. Desta forma, foi aumentada a área tributada do imóvel, juntamente com a sua área aproveitável, com redução do Grau de Utilização dessa nova área utilizável, Conseqüentemente, foi aumentado o VTN tributado — devido à glosa das áreas de preservação permanente e de utilização limitada declaradas e ao novo valor arbitrado pela fiscalização -, bem como a respectiva alíquota de cálculo, alterada de 0,30% para 8,60%, para efeito de apuração do imposto suplementar lançado através do presente auto de infração, conforme demonstrativo de fls 02 A descrição dos fatos e o enquadramento legal da infração, da multa de oficio e dos juros de mora, encontram-se descritos às folhas 06/07 e 03, respectivamente, Da Impugnação Cientificado do lançamento, em 18/03/2005 (documento "AR" de fls. 18), o Impugnante, por meio de procurador legalmente constituído, fls. 44, protocolou em 20/04/2005 a impugnação de fis. 19/43, lida nesta Sessão. Apoiado nos documentos de fls. 45/46, 47/48 e 49/57, alegou e requereu o seguinte, em síntese: • a intimação é tempestiva, uma vez que o contribuinte, por estar temporariamente residindo no exterior (França), até a presente data, ainda não recebeu o auto; o transcreve o Auto de Infração, inclusive na parte atinente à Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. Apresenta também o termo de intimação, bem como a sua resposta; 118 a Área de Preservação Permanente, na maioria dos imóveis, por força das circunstâncias, é sempre estimada pelos contribuintes do 1TR Quanto a isto, com certeza, ninguém relacionado à Matéria deixa de admitir. No caso deste imóvel, somente por solicitação da Receita Federal, quando do início da ação fiscal a que se refere o processo n° 13 116.00 L892/2003-61, é que tal área resultou precisamente aferida, encontrando-se uma área de preservação permanente igual 1,803,9904 ha, entretanto, o auto nada considerou a título de APP, ou seja, toda a APP foi considerada como Área Aproveitável, o que viciou o cálculo do G. U do imóvel, cuja conseqüência é a majoração indevida do ITR; • importa esclarecer que no cálculo do imposto objeto do auto (Distribuição de Área do Imóvel) área nenhuma foi considerada como sendo de Preservação Permanente, Tal procedimento não foi o correto, porque considerou a totalidade do imóvel (3658,1 ha) como sendo ÁREA APROVEITÁVEL, o que enseja correção, tratando-se desse absurdo; • transcreve o art. 10 da Lei n" 9393/96 para concluir que a exclusão da área de Preservação Permanente e de Reserva Legal do cálculo da área tributável, é o imperativo legal, Não está sujeita a nenhuma condição; • demonstra os dispositivos legais, os únicos que constituem a exigência legal do ADA — Ato Declaratório Ambiental Que são as alíneas "b" e "e" do inciso II do § 1°, Art. 10 da Lei n° 9393/96, e os comenta; • vale-se exatamente do dispositivo legal mencionado pelo Agente Autuante, ou seja, art. 10, § 1°, inciso II, Letra "a" da Lei 9393/96 e conclui que a tributação das áreas ecológicas, conforme consta do auto, constitui espécie de ato administrativo não autorizado pela lei. À evidência, a conseqüência disto é a nulidade do auto, ante o princípio constitucional da legalidade (art 150, I, da CF); • fere também o princípio da estrita legalidade, condição absoluta para validade do ato administrativo. Neste sentido, autuado aponta o art. 37 da CF; • por outras palavras, continuam os fundamentos da nulidade do auto: nos princípios constitucionais Limitadores do Poder de Tributar a que se refere a seção II do Sistema Tributário Nacional, se insere em primeiro lugar, o princípio da estrita legalidade da tributação (art. 150, Ida CF); • tal princípio, se evidencia exatamente, o vício do auto que se quer demonstrar. Ou seja: a tentativa de se tributar áreas de preservação ecológica que literalmente foram excluídas da tributação do 1TR, pela própria lei; • cita o Conceito de Área Tributável (Art. 10, § 1°, inciso II da Lei 9393/96); • apenas a lei ambiental (Código Florestal) ao impor a reserva legal (art. 16, § 20) igualmente impõe a sua averbação à margem da matrícula do imóvel; * que a ausência da averbação dos limites da área de reserva legal, não desfaz a obrigação de preservar. Tampouco cria, eventualmente ou não, a obrigação de tributá-la. Nenhuma lei criou tal obrigação; • vale dizer: em nenhum momento, houve qualquer correlação da lei que constitui obrigação de averbar (Código Florestal) com a lei tributária E nem desta com aquela e apresenta um resumo; o conclui que o auto em questão ficou pendente de amparo legal, uma vez que foi laborado em desacordo com a lei de instituição do tributo E, em assim sendo, resultou em ato administrativo que não se reveste das condições de legalidade, a que se refere o art. 37 da CF, devendo por isto ser declarado nulo ou insubsistente para constituir a obrigação tributária; • comenta às espécies de áreas de preservação ecológica que embora possam ser excluídas da apuração da área tributável, tal exclusão fica sujeita ao ADA, concluindo que são somente duas as hipóteses (alíneas "h" e "c" do art, 10 da Lei 9393/96) que a lei tributária estabeleceu a obrigação de requerimento do ADA; 4 PIOCCSSO e 13116 000248/2005-38 S2-C1T1 Acórdão n Õ 2101-00359 Fl. 188 e esclarece que diferentemente das duas hipóteses comentadas (benefícios fiscais condicionados), as áreas de preservação permanente e de reserva legal, cuja preservação é imposta pela lei, não carecem de ADA - Ato Declaratório Ambiental, para fazer jus ao beneficio fiscal (exclusão da Área Tributável e da Área Aproveitável); e o VTN atribuído pelo Agente Fazendário decorre de sua atitude de arbitramento, para o que não existe amparo legal; e a Base de Cálculo do imposto é o preço de mercado definido pela prerrogativa legal da auto-avaliação (art. 8°, § 2°); e o Contribuinte auto-avaliou o seu imóvel a preço de mercado. Calculou e pagou o seu tributo, logo, não cabe ao Agente Autuante, de forma sumária desconsiderar a auto-avaliação do contribuinte pena de incorrer-se em arbitrariedade; • a simples subjetividade do Agente Fazendário já tem os seus contornos, ou seja, requer fundamentos na conformidade da lei. Tudo assim foi estatuído para prevenir ou ter-se por rejeitada qualquer arbitrariedade; • não obstante a prerrogativa legal da auto-avaliação, (art, 8°, § 2° da Lei do 1TR) em atendimento ao Termo de Intimação, o contribuinte contratou profissionais especializados para elaboração de Laudo Técnico, de múltiplos objetivos, inclusive o de apuração do VTN. Entretanto, o Agente Autuante subjetivamente não aceitou tal laudo no que tange ao VTN declarado; o cita a alegação do Agente Autuante; • a prova produzida pelo contribuinte para atestar o VTN declarado é válida até que se prove em contrário. Logo, a majoração do VTN é no mínimo uma subjetividade invalidamente fundamentada, para não se dizer uma ilegal arbitrariedade; • cita outras razões de mérito e vícios do auto quanto aos fundamentos legais da autuação, indicando, dentre outras coisas, que somente caberia o Lançamento de Oficio, se houvesse as hipóteses de falsidade, erro ou omissão do contribuinte, o que não restaram provados, Esta assertiva tem respaldo no art 149, IV do CTN, c/c o art 14 da Lei if 9.393/96. Em contrário senso: em não ocorrendo nenhuma das hipóteses previstas na lei específica, tal modalidade de lançamento não caberia praticar; • e ainda, que não caberia o lançamento de oficio, na forma do art, 14 da Lei n° 9.39.3/96, sua conseqüência indesejável é a multa maior, 75% e também, à onerosidade excessiva, vedada pela Constituição Federal (art. 150, IV); • finalmente, requer o cancelamento do Auto, pelas razões de mérito, restando comprovado que não houve infração nenhuma, inclusive porque as Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal são existentes e deverão ser classificadas corno tais, para jamais comporem o saldo de Área Aproveitável. Face não constar dos autos documentos que comprovassem as alegações do autuado em relação à preliminar de tempestividade, esta DRI, por meio do Despacho — DRI/BSA-P' Turma ri' 030/2006, fis, 60/61, propôs que o presente processo fosse devolvido ao Órgão de origem para intimar o contribuinte, se fosse de seu interesse, a apresentar documentos que comprovassem que ele residia no exterior à época da lavratura do auto de infração, a existência de rebanho no imóvel rural durante o ano base 2000 e Laudo de avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14 653 da ABNT, a preços de 1`101/2001. 5 Regularmente intimado, conforme "Termo de Intimação Fiscal", de fls. 63 e documento "AR", de fls, 66, o interessado apresentou os documentos de fls. 68/69, 70, 71/72 e 73/75, sendo o processo, posteriormente, devolvido a esta DRYBSA para apreciação e julgamento Posteriormente, em 28/02/2007, apresentou o requerimento de fls. 78 solicitando a anexação ao processo do laudo técnico de ils, 79/112. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau restabeleceu a área servida de pastagem declarada, com 906,6 ha, além de tributar o imóvel com base no VTN de R$ 382.501,39, equivalente a R$ 104,52 por hectare, indicado no laudo/anexos de fls. 79/110, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto.' Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — 1TR Exercício: 2001 NULIDADE DO LANÇAMENTO, Tendo em vista que o Auto de Infração atendeu aos requisitos legais, de natureza geral, estabelecidos na legislação de regência, e uma vez acatada a impugnação, ocasião em que o recorrente exerceu o direito da ampla defesa e do contraditório, rebatendo as irregularidades que lhes foram imputadas e apresentando os documentos de provas respectivos, não há que se falar em nulidade do lançamento, DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. As áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA, além da averbação tempestiva da área de utilização limitada/reserva legal à margem da matrícula do imóvel, DAS ÁREAS SERVIDAS DE PASTAGENS, Cabe restabelecer a área servida de pastagem declarada, com base na média de animais bovinos da propriedade, comprovada com base em prova documental hábil. DO VALOR DA TERRA NUA - SUBAVALIAÇÃO, Cabe rever o FTN arbitrado pela fiscalização, quando apresentado Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, com ART devidamente anotado no CREA, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel rural avaliado. DA MULTA LANÇADA (75,0%) E DOS JUROS DE MORA, Apurado imposto suplementar em procedimento de .fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração - ITR, cabe exigi-lo juntamente com a multa e os juros aplicados aos demais tributos -\ 6 Processo n° 13116.000248/2005-38 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00359 Fl. 189 DA LEGALIDADE/CONST1TUCIONALIDADE. Não cabe a órgão administrativo apreciar argüição de legalidade ou consiitucionaltdade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. Lançamento Procedente em Parte Em sua peça recursal de fls. 156/179 o contribuinte pugna pela reforma de decisão a quo, na parte que lhe foi desfavorável. Entende que, por força de lei, as áreas de preservação permanente e de reserva legal estão excluídas da tributação e, consequentemente, da área aproveitável na exploração e do cálculo do grau de utilização do imóvel. É o relatório. Voto Conselheiro José Raimundo tosta Santos, Relator A questão da ilegalidade do auto de infração, suscitada pelo recorrente, em face da inclusão de áreas não tributáveis relacionadas à reserva legal e preservação permanente, toca o próprio mérito da exigência tributária em exame. Inicialmente, entendo que somente o montante da área de reserva legal, devidamente averbada no respectivo cartório imobiliário, antes da ocorrência do fato gerador, deve ser excluída da tributação, pois o lançamento tributário reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, nos termos em que disciplina o art. 144 do CTN. O art. 10, § 1', inciso II, que trata da área tributável do imóvel para fins de ITR, exclui da incidência do imposto a áreas de preservação permanente e de reserva legal previstas no Código Florestal Brasileiro, in verbis: Art. 10._ § 1" Para os efeitos de apuração do 1TR, considerar-se-á.' II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas,. a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 1.5 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei 17° 7,803, de 18 de julho de 1989; Por seu turno, a Lei rf Lei n° 4,771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.80.3, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro), portanto, à época dos fatos geradores, previa a obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: Ar!, 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação 7 permanente, previstas nos artigos 20 e 3 0 desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: § 2°A reserva legal, assim entendida a área de , no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n°7803 de 18.7.1989), Art. 44, Na região Norte e na parte Norte da região Centro Oeste enquanto não for estabelecido o decreto de que trata o artigo 15, a exploração a corte razo só é permissível desde que permaneça com cobertura arbórea, pelo menos 50% da área de cada propriedade. Parágrafo único. A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 50% (cinquenta por cento), de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n" 7.803, de 18.7. 1989) No meu entender a averbação da área de reserva legal à margem da inscrição de matrícula do imóvel no registro de imóveis competente é condição para que a referida área seja, efetivamente, considerada como área de reserva legal. Precedente do Supremo Tribunal Federal (Mandado de Segurança if 22.688/PB) é explícito no sentido de que determinada área somente pode ser considerada como área de reserva legal após a averbação desta situação no registro de imóveis: EMENTA: Mandado de segurança. Desapropriação de imóvel rural para fins de reforma agrária Preliminar de perda de objeto da segurança que se rejeita. - No mérito, não fizerem os impetrantes prova da averbação da área de reserva legal anteriormente à vistoria do imóvel, cujo laudo (fls. 71) é de 09.05.96, ao passo que a averbação existente 7TOS autos data de 26.11.96 (fls. 73-verso), posterior inclusive ao Decreto em causa, que é de 06.09.96. (GRIFEI,) Mandado de segurança indeferido, O Ministro Sepúlveda Pertence, proferiu voto vista no julgado acima referido, em que afirma peremptoriamente que sem a averbação determinada pelo §2° do art. 16 da lei n° 4.771/1965 não existe reserva legal. Do voto transcrevo o seguinte excerto: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ser excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade ( „) 8 Processo o 13116 000248/2005-:38 S2-C1T1 Acórdão n 0 2101-01)359 Fi 190 A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel . Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte.. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria .frustrada a proibição da mudança de sua destinaçã o nos casos de transmissão a qualquer titulo ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo §2" do art. 16 da lei n°4.771/1965 não existe reserva legal. (GRIFEI) A decisão recorrida manteve como tributável a área de reserva legal pelo fato do contribuinte não tê-la averbado à margem da inscrição de matrícula no cartório de registro de imóveis, e também por não ter apresentado ao IBAMA o Ato Declaratório Ambiental — ADA. Se o contribuinte houvesse averbado a área de reserva legal no cartório imobiliário, com a interveniência do órgão ambiental, antes da ocorrência do fato gerador do ITR, a apresentação da ADA não seria óbice à fruição do beneficio fiscal pleiteado. Em verdade o requerimento do ADA representa o início do procedimento para que o Órgão ambiental fiscalize as áreas de preservação permanente e reserva legal, enquanto a lavratura do Termo de Responsabilidade representa a manifestação final do Órgão acerca da reserva legal, a ser constituída mediante averbação na matricula do imóvel. Com efeito, a averbação no registro de imóveis não se refere a matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, a obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte. Pelo contrário, trata-se de ato constitutivo da própria área de reserva legal, e para efeito de exclusão da área tributada pelo ITR deverá estar devidamente averbada no cartório de registro de imóveis até a data da ocorrência do fato gerador do imposto. Laudo Técnico não serve para substituir requisitos legais estabelecidos para a exclusão das áreas de reserva legal e de preservação permanente da tributação do 1TR. Segundo dispõe o § 7', do artigo 10, da Lei ri' 9.393/96, na redação dada pela Medida Provisória n° 2.166-67, de 24/08/01 (DOU de 25/08/01), "a declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas 'a' e 'ti', do inciso 11, § 1', deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte da declarante". Ao dispensar a prévia comprovação das áreas de preservação permanente e de reserva legal, para fins de gozo da isenção, o dispositivo não inovou, o que é próprio do lançamento por homologação, conforme disposto no caput do artigo. Quando necessário, a comprovação das condições para fruição de beneficio fiscal será feita posteriormente, mediante intimação da fiscalização. Como todos os demais tributos sujeitos ao lançamento por homologação, as informações prestadas na D1TR estarão sujeitas à verificação. O que podemos entender da leitura desse parágrafo é que está 9 dispensada a apresentação dos documentos comprobatórios simultaneamente com a Declaração do ITR, porém, não está o contribuinte dispensado de comprovar, quando assim solicitado pelo Fisco, o que foi declarado, E, se as informações forem inexatas, ficará ele sujeito ao pagamento do imposto suplementar, com os devidos acréscimos legais. Após intenso debate a esse respeito, a 2' Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARI', firmou o entendimento de que a averbação da reserva legal no registro imobiliário antes da ocorrência do fato gerador é condição para o reconhecimento da isenção do ITR sobre essas áreas (Acórdão n° 9202-00,077, sessão de 17/08/2009). Peço vênia ao ilustre relator Júlio César Vieira Gomes, para a transcrição de excertos do seu voto: "Devolve-se a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do imposto territorial rural - ITR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 11 da Lei n° 8.847/94, verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: I — de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n" 4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. ) Embora ambas as áreas sejam protegidas, há distinção na legislação no que se refere ao tratamento fiscal a elas dispensado, especialmente quanto às exigências a serem cumpridas. Para a área conceituada como reserva legal pelo artigo 16, §2° do Código Florestal, com a redação trazida pela Lei rf 7.803/89, a exigência é a averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental de área não inferior a 20% do total do imóvel, conforme região É o que se conclui da combinação com a pane final do artigo 11 inciso I da Lei n° 8.847/94, acima transcrito Tem-se que a, ao alterar o art. 16 da Lei n° 4.771/65, acrescentou-lhe dois parágrafos, sendo que, na hipótese dos autos, interessa-nos o § 2", com a seguinte redação, in verbis.: "Art. 16. . §'. § 2". A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbado à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área." Além da definição, merecem ressaltos os efeitos da averbação de determinada área imobiliária como reserva legal. Não se trata de formalidade, mas sim de ato constitutivo, Ela modifica o direito real sobre o imóvel e para tanto deve ser adotada a mesma forma, que é o registro no órgão competente, nos termos do artigo 1.227 do Código Civil, verbis: Art. 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1 245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código, '\ 10 Processo rf 13116.000248/2005-38 S2-C1T1 Acórdão " 2101-00.559 Fl. 191 Ressalta-se que permanece firme a jurisprudência do STF (MS 28 156/DF, de 02/03/2007), Por fim, adverte-se para a vedação prevista no artigo 62 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, Quanto às exigências relacionadas à reserva legal, portanto, conclui-se que a averbação junto ao registro de imóveis competente é essencial para a sua constituição como tal, o que implica a inclusão na base de cálculo do ITR da área ainda não averbada quando da ocorrência do fato gerador do tributo," No que tange à área de preservação permanente, a jurisprudência pacifica da 2" Turma da CSRF deste CARF firmou-se no sentido de que após a vigência da Lei if 10.165, de 27/12/2000, para exclusão da área tributável do ITR, tornou-se imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal (Acórdãos n's 9202-00.006 e 9202- 00.194, sessão de 17/08/2009 e 18/08/2009, respectivamente). Convém citar, aqui, decisão judicial favorável que confirma este entendimento. Em sentença denegatória de segurança, datada de 15 de dezembro de 2005, no âmbito do MS n" 2005,36.00,008725-0, impetrado pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso — FAMATO, o Dr. Jeferson Schneider, Juiz da 2" Vara Federal de Mato Grosso, asseverou pela legalidade da exigência do ADA, sob a égide do art. 17-0 da Lei 6.938/81, com a redação dada pelo art, I° da Lei 10,165, de 27/12/2000, vigente à época do fato gerador do tributo (DITR/2002): "(..) Seguem os dois artigos para perftita análise da questão controvertida: (transcreve art. 17-0 da Lei n°6.938/81 e art. 10, § 7", da Lei n° 9.393/96 ) Os dois dispositivos acima colacionados são perfeitamente compatíveis ao contrário do que sustenta a impetrante. A Receita Federal em nenhum momento está exigindo previamente a declaração, para fins de isenção do 1TR, a comprovação dessa declaração por meio do ADA — Ato Declaratório Ambiental. Como estatui a Lei n° 9.393/96, que trata do Imposto Territorial Rural — 1TR, com a redação da Medida Provisória n° 2. 166-67/01, a apuração e o pagamento do 1TR são efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento administrativo. (,) Assim, nenhum óbice há em que a administração exija do contribuinte o ADA, no prazo razoável de até em seis meses após o pagamento do tributo, pois é a partir desse Ato que poderá definir a exata dimensão da área tributada, assim como o acerto do valor pago. O que a impetrante pretende é que seja permitido aos substituídos reduzirem as áreas de tributação, mediante a exclusão das áreas de preservação permanente e reserva legal do total da área, sem que a administração tenha qualquer espécie de controle sobre essa redução.. 1 Ora, qual o problema que existe para o contribuinte em declarar ao IBAMA a dimensão da área de preservação permanente e a área de reserva legal mediante o ABA, Nenhum. (..) Daí a necessidade de apresentação do Ato Declaratário Ambiental para verificação posterior pelo Fisco, por tratar-se de lançamento por homologação (:..)" (grifamos) Em face ao exposto, nego provimento ao recurso. Sala das Sessõer DF, em 17 de junho de 2010 JOSÉ RAI~OSTA SANTOS 12
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Numero do processo: 10880.945115/2013-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.740
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Versa o presente sobre pedido de ressarcimento de contribuições não cumulativas que, após procedimento fiscalizatório sofrido pela empresa, restaram não reconhecidos em sua integralidade, consoante Despacho Decisório que integra os autos em apreço. Inconformada com o não reconhecimento integral de seu pleito, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pelo Colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 10058.588. Destacase que a DRJ aplicou o entendimento das INs SRF 247/2002 e 404/2004. Regularmente cientificado desta decisão, a contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, com as seguintes alegações, em síntese: i) conceito de insumo aplicável alega que ele representa não só elementos diretos, mas também indiretos ligados à produção de produtos e de serviços; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 45 11 5/ 20 13 -4 3 Fl. 4125DF CARF MF Processo nº 10880.945115/201343 Resolução nº 3402001.740 S3C4T2 Fl. 3 2 entende que a natureza jurídica dos créditos do PIS e da Cofins não pode ser confundida com a nãocumulatividade do ICMS e do IPI, apontando que deveria se aplicado o método indireto subtrativo; aduz que os créditos de PIS e de Cofins se revestem de subvenção estatal; requer créditos sobre a totalidade de seus custos e de suas despesas, pois não haveria como se restringir o conceito de insumo; aponta a procedência de suas alegações à luz de sua atividade econômica; ii) direito ao crédito sobre aquisições de combustíveis alega que os combustíveis e Gás GLP seriam aplicados em seu processo produtivo, citando a Lei nº 10.833/03 e a Instrução Normativa nº 404/04; alega que o óleo diesel seria utilizado em suas empilhadeiras e geradores; iii) direito ao crédito sobre serviços de laboratório e análises microbiológicas alega que o direito a crédito sobre tais serviços utilizados como insumos estaria amparado pela Lei nº 10.833/03, sendo essa rubrica composta por três serviços distintos: de laboratório; do serviço de inspeção federal (SIF), de caráter de inspeção sanitária; e de análises microbiológicas, essenciais e obrigatórios nos frigoríficos; iv) direito a crédito integral sobre os fretes internacionais alega que teria atendido a todos os requisitos normativos e legais previsto na Leis nº 10.833/03 para creditamento sobre fretes nas operações de venda, não prosperando a acusação fiscal que impediu o crédito por ser o transportador pessoa jurídica não domiciliada no país. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.734, de 30 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.945120/201356, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.734): "Ao examinar os argumentos trazidos pela Recorrente, em cotejo com as alegações da Autoridade Fiscal, entendo necessária a conversão do julgamento em diligência com vistas a aclarar a situação que passo a descrever. A questão devolvida a este colegiado cingese sobre o conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições de PIS e COFINS, cujo reflexo poderia alterar o direito creditório da Recorrente e o Despacho Decisório que homologou apenas parcialmente as compensações pleiteadas. Especificamente, tratamse das seguintes glosas efetuadas pela autoridade fiscal e confirmadas pela DRJ: Fl. 4126DF CARF MF Processo nº 10880.945115/201343 Resolução nº 3402001.740 S3C4T2 Fl. 4 3 (i) Crédito sobre aquisições de combustíveis; (ii) Crédito sobre serviços de laboratório e análises microbiológicas; (iii) Crédito sobre os fretes internacionais. Quanto ao conceito de insumo para fins de creditamento da contribuição para o PIS e a COFINS, o julgador a quo aplicou o entendimento das INs SRF 247/2002 e 404/2004, no sentido de restringir o crédito apenas nas situações relacionadas nos referidos atos infralegais. A questão já foi definitivamente resolvida pelo STJ, no Resp nº 1.221.170/PR, sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), que estabeleceu conceito de insumo tomando como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Transcrevo a ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos Fl. 4127DF CARF MF Processo nº 10880.945115/201343 Resolução nº 3402001.740 S3C4T2 Fl. 5 4 a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Destacase o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade – considerase o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Dessa forma, considerando que a análise efetuada pela autoridade fiscal baseouse nos termos determinados pelas INs SRF 247/2002 e 404/2004, e não considerou a essencialidade e relevância dos itens no processo produtivo da Recorrente, entendo que a situação fática deve ser aclarada pela unidade de origem, considerando a nova interpretação determinada pelo STJ acerca do conceito de insumo para fins de creditamento de PIS e COFINS. Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora: Fl. 4128DF CARF MF Processo nº 10880.945115/201343 Resolução nº 3402001.740 S3C4T2 Fl. 6 5 (i) intime a Recorrente para apresentação de Laudo Técnico, com o detalhamento dos dispêndios com COMBUSTÍVEIS, SERVIÇOS DE LABORATÓRIO E ANÁLISES MICROBIOLÓGICAS e sua utilização dentro de seu processo produtivo; (iii) elabore um novo parecer e um novo demonstrativo do direito creditório requerido, com as considerações efetuadas a partir da nova interpretação do conceito de insumo determinada pelo STJ de relevância e essencialidade. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora: (i) intime a Recorrente para apresentação de Laudo Técnico, com o detalhamento dos dispêndios com COMBUSTÍVEIS, SERVIÇOS DE LABORATÓRIO E ANÁLISES MICROBIOLÓGICAS e sua utilização dentro de seu processo produtivo; (iii) elabore um novo parecer e um novo demonstrativo do direito creditório requerido, com as considerações efetuadas a partir da nova interpretação do conceito de insumo determinada pelo STJ de relevância e essencialidade. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 4129DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.900224/2006-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.544
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 13851.900234/2006-83, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 13851.900234/200683, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Relatório Na condição de Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, no uso das atribuições conferidas pelo art. 17, III, do Anexo II do RICARF, designome Redator ad hoc para formalizar a Resolução nº 1201000.544, de 17/08/2018, referente ao presente processo, julgado na sistemática de recursos repetitivos de que trata o art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 00 22 4/ 20 06 -4 8 Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13851.900224/200648 Resolução nº 1201000.544 S1C2T1 Fl. 3 2 2015, tendo em vista que a então Presidente da Turma, Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, deixou de fazêlo, em virtude de sua aposentadoria. O contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando que acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, não homologando a Declaração de Compensação (DCOMP) de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) pela inexistência do crédito de pagamento indevido ou a maior. De acordo com referido despacho decisório, o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável, como indicado na PER/DCOMP, porém, não foi homologado pela ausência de retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), inerente ao 3º trimestre de 2002. O contribuinte retificou a mencionada Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), por fim, requerendo o provimento do Recurso Voluntário para homologar a pretendida compensação. É o relatório. Voto Lizandro Rodrigues de Sousa Redator ad hoc O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.535 , de 17/08/2018, proferida no julgamento do Processo nº 13851.900234/2006 83, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.535): Inicialmente, quando da sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou uma cópia da DCTF, versão retificadora, pertinente ao 4º trimestre de 2002, presumindo que era suficiente para homologação da sua Declaração de Compensação (DCOMP). Noentanto, o acórdão recorrido concluiu pela inexistência do direito de crédito, vez que "exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoo com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente e análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o montante de tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado." O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13851.900224/200648 Resolução nº 1201000.544 S1C2T1 Fl. 4 3 compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". Portanto, imprescindível a certeza e a liquidez do crédito compensável, facultando ao contribuinte que impugne a não homologação formalizada através de despacho decisório, instruindo sua manifestação com as provas em contrário, garantindo, assim, o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. O processo administrativo tributário é regido por normas específicas, principalmente, o Decreto nº 70.235/1972, a Lei nº 9.430/1996 e o Decreto nº 7.574/2011, orientado pelos princípios que norteiam a Administração Pública, incluindo a moralidade, eficiência e impessoalidade. Conquanto submetido ao regime de apuração pelo lucro real, inicialmente, o contribuinte não demonstrou o pagamento a maior do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), mediante a idônea escrituração contábil e fiscal, motivando, assim, a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Ressalvase que a "escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza.", conforme o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR), instituído pelo Decreto nº 3.000/1999. O ônus do contribuinte era que demonstrasse seu indébito, por exemplo, com Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), balanço patrimonial, Livro Diário e/ou Livro Razão, justificando a redução do valor devido e pelo próprio declarado de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), considerando os artigos 7º, § 4º, e 8º, inciso I, do Decretolei nº 1.598/1977: Art 7º O lucro real será determinado com base na escrituração que o contribuinte deve manter, com observância das leis comerciais e fiscais. (...) § 4º Ao fim de cada períodobase de incidência do imposto o contribuinte deverá apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados. Art 8º O contribuinte deverá escriturar, além dos demais registros requeridos pelas leis comerciais e pela legislação tributária, os seguintes livros: I de apuração de lucro real, no qual: I de apuração do lucro real, que será entregue em meio digital, e no qual: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) a) serão lançados os ajustes do lucro líquido do exercício, de que tratam os §§ 2º e 3º do artigo 6º; b) será transcrita a demonstração do lucro real (§ 1º); Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13851.900224/200648 Resolução nº 1201000.544 S1C2T1 Fl. 5 4 b) será transcrita a demonstração do lucro real e a apuração do Imposto sobre a Renda; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) c) serão mantidos os registros de controle de prejuízos a compensar em exercícios subseqüentes (art. 64), de depreciação acelerada, de exaustão mineral com base na receita bruta, de exclusão por investimento das pessoas jurídicas que explorem atividades agrícolas ou pastoris e de outros valores que devam influenciar a determinação do lucro real de exercício futuro e não constem de escrituração comercial (§ 2º). Posteriormente, quando da interposição do Recurso Voluntário, o contribuinte esclareceu a origem do seu crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ): A Recorrente, equivocadamente, apurou os valores a recolher de CSLL e IRPJ em cada trimestre calendário fracionando o recolhimento nos três meses seguintes. Ocorre que na apuração dos valores devidos, houve por recolher valor a maior, resultado em oneração indevida e pagamento a maior. A origem desses créditos pode ser comprovada através dos lançamentos contábeis realizados e toda escrituração da apuração fiscal realizada aqui apresentada. Outrossim, o Recurso Voluntário anexou: (i) Balancete analítico trimestral, incluindo o período de 01.07.2002 a 30.09.2002; (ii) Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), versão Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13851.900224/200648 Resolução nº 1201000.544 S1C2T1 Fl. 6 5 original, referente ao anocalendário de 2002, com Imposto de Renda a pagar de R$ 44.422,98 e; (iii) Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), período de apuração de 30.09.2002, concernente à 3ª quota do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), apurado no 3º trimestre/2002, com valor principal de R$ 18.791,90. A prova documental instruirá a impugnação "precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual", consoante o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, exceto (I) demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (II) refirase a fato ou a direito superveniente e; (III) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) O erro da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), retificado após o despacho decisório, não é determinante para o indeferimento da Declaração de Compensação (DCOMP), prevalecendo a verdade material, como se extrai do Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT) nº 02/2015: Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13851.900224/200648 Resolução nº 1201000.544 S1C2T1 Fl. 7 6 "Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR." As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13851.900224/200648 Resolução nº 1201000.544 S1C2T1 Fl. 8 7 não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Entendo que não há necessidade de conversão do presente julgamento em diligência ou qualquer outra perícia (artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972), visto que se restringe à análise sobre os documentos constituírem ou não a imprescindível prova de certeza e de liquidez do crédito, ainda que trazidos aos autos somente com Recurso Voluntário. Avaliando a prova documental existente no recurso, valorizando o princípio da verdade material, notase: 1. O contribuinte demonstrou, com balancete analítico trimestral, vários lançamentos contábeis, que validariam as informações da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e da planilha denominada "Da Comprovação Exaustiva da Origem dos Créditos". 2. A Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), versão original, referente ao anocalendário de 2002, consignou o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) a pagar de R$ 44.422,98. 3. Por fim, o contribuinte anexou um único Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), período de apuração de 30.09.2002, equivalente à 3ª quota do declarado Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), com valor principal de R$ 18.791,90. Em resumo, o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) devido foi de R$ 44.422,98, porém, o Recorrente comprovou o pagamento apenas da 3ª quota de R$ 18.791,90, não demonstrando o adimplemento superior ao montante exigível. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), versão retificadora, embora em um primeiro momento resultasse no despacho decisório, que não homologou a declaração de compensação, não influenciou nessa conclusão, limitada à prova documental sobre o crédito, acostada no Recurso Voluntário. Entendo que é indispensável a conversão do presente julgamento em diligência, com fundamento no artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, visto que demanda uma análise sobre se os documentos, anexados ao Recurso Voluntário, constituem a necessária prova de certeza e de liquidez do crédito. Adicionalmente, presumível que o Recorrente adimpliu as demais quotas do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), caracterizando o pagamento a maior, suscetível de restituição e compensação. Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13851.900224/200648 Resolução nº 1201000.544 S1C2T1 Fl. 9 8 Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o "Relatório Conclusivo", fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Voto por converter o julgamento do recurso em diligência., solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Período de Apuração 30/06/2002, oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.724025/2017-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2012
OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. RENDIMENTOS DE BENS COMUNS
Afora opção do contribuinte, os rendimentos de bens comuns são tributados cinquenta por cento na declaração de cada cônjuge.
Numero da decisão: 2001-001.153
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, devendo ser retirados da apuração cinquenta por cento dos rendimentos dos bens comuns.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2012 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUÉIS. RENDIMENTOS DE BENS COMUNS Afora opção do contribuinte, os rendimentos de bens comuns são tributados cinquenta por cento na declaração de cada cônjuge.
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RENDIMENTOS DE BENS COMUNS Afora opção do contribuinte, os rendimentos de bens comuns são tributados cinquenta por cento na declaração de cada cônjuge. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, devendo ser retirados da apuração cinquenta por cento dos rendimentos dos bens comuns. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, omissão de rendimentos de aluguéis. O acórdão de impugnação, dispensado de ementa, relatou assim a matéria: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 40 25 /2 01 7- 10 Fl. 52DF CARF MF 2 Contra o contribuinte qualificado nos autos foi emitida a notificação de lançamento, referente ao imposto de renda de pessoa física, exercício 2013, anocalendário 2012. O crédito tributário apurado está assim constituído: Imposto Suplementar 8.744,99 Multa de Ofício (passível de redução) 6.558,74 Juros de Mora (cálculo até 03/2017) 3.915,13 Total do Crédito Tributário 19.218,86 A notificação de lançamento teve origem na constatação da seguinte infração, conforme demonstrativos de descrição dos fatos e enquadramento legal. Omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas – Aluguéis. Omissão de rendimentos de aluguéis no valor de R$ 31.799,96, com base em informações constantes em Dimob da Administradora de Imóveis, Executiva Imóveis Ltda. Locatários: Karynne Cordeiro Bayer, Luciana Bento Magalhães, Davi de Oliveira Gonzaga Jayme e Flávia Freire Martins. A base legal do lançamento encontrase nos autos. Na impugnação apresentada o contribuinte discorda do lançamento e, em síntese, faz as seguintes alegações: Que a partir do ano de 2011, conforme consta na Declaração de Ajuste Anual, os apartamentos de propriedade comum com o cônjuge, com quem sou casado em regime de comunhão universal de bens, passaram a constar na declaração dela; Que relativamente a esse ano, por orientação da própria Receita Federal a declaração da esposa já se encontra regularizada mediante declaração retificadora e pagamento do imposto devido. Ao final, requer, que tal procedimento seja estendido para a declaração de ajuste anual do cônjuge referente ao período da notificação de lançamento para que se possa apurar o imposto devido. O contribuinte reitera no recurso voluntário que os rendimentos devem ser tributados na declaração do cônjuge. Voto Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10166.724025/201710 Acórdão n.º 2001001.153 S2C0T1 Fl. 3 3 Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Sobre a tributação de rendimentos produzidos por bens comuns, em decorrência do regime de casamento, a legislação de regência, art. 6º e § único, do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999, RIR/1999, dispõe da seguinte forma: Art. 6º Na constância da sociedade conjugal, cada cônjuge terá seus rendimentos tributados na proporção de (Constituição, art. 226, § 5º): I cem por cento dos que lhes forem próprios; II cinqüenta por cento dos produzidos pelos bens comuns. Parágrafo único. Opcionalmente, os rendimentos produzidos pelos bens comuns poderão ser tributados, em sua totalidade, em nome de um dos cônjuges. Primeiramente concordamos com o acórdão de impugnação que justificou a impossibilidade de os rendimentos serem tributados integralmente na declaração da esposa, pois os rendimentos foram omitidos e não era mais espontânea a opção de tributar cem por cento em um dos cônjuges. O contribuinte argumenta que se trata de rendimentos de bens comuns, que a partir do anocalendário 2011, exercício 2012, passaram a constar na declaração do cônjuge. Acrescenta que, a declaração foi retificada e o imposto pago. Em procedimento de ofício a fiscalização procedeu ao lançamento de ofício em nome do contribuinte para tributar a totalidade dos valores recebidos que estavam à margem da tributação. Desta forma, não há amparo legal o pleito do contribuinte em retificar a declaração do cônjuge com essa finalidade após o inicio do lançamento de ofício. Veja o que dispõe a legislação vigente. De acordo com o art. 7º do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, o procedimento fiscal tem início com: I O primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; § 1º O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos envolvidos nas infrações verificadas. Sobre denúncia espontânea, vejamos o que dispõe o art. 138, do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito Fl. 54DF CARF MF 4 da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. No entanto, discordamos do acórdão de impugnação e do lançamento, pois tendo como base o dispositivo legal citado verificamos que a regra geral é pela tributação de 50% dos rendimentos produzidos pelos bens comuns. Dessa forma, o lançamento na declaração do contribuinte, na ausência da opção legal, deveria ser de 50% dos rendimentos. Assim, entendemos que na declaração do contribuinte devem ser tributados cinquenta por cento dos rendimentos em questão. Conclusão Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, devendo ser retirados da apuração cinquenta por cento dos rendimentos dos bens comuns. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 55DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13770.720043/2018-73
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO MÉDICO. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO.
A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo. Elementos justificam na forma documental a data da ocorrência da situação alegada e a condição de rendimentos de aposentadoria.
Declaração de ajuste do Imposto de Renda considera os rendimentos de aposentadoria como abrangidos pela isenção em razão de Moléstia Grave.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada ou tenha sido admitida a infração pelo contribuinte.
Numero da decisão: 2001-001.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO MÉDICO. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo. Elementos justificam na forma documental a data da ocorrência da situação alegada e a condição de rendimentos de aposentadoria. Declaração de ajuste do Imposto de Renda considera os rendimentos de aposentadoria como abrangidos pela isenção em razão de Moléstia Grave. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada ou tenha sido admitida a infração pelo contribuinte.
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA E REFORMA OU PENSÃO. LAUDO MÉDICO. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. A isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão ao portador de moléstia grave está condicionada a comprovação da patologia mediante laudo. Elementos justificam na forma documental a data da ocorrência da situação alegada e a condição de rendimentos de aposentadoria. Declaração de ajuste do Imposto de Renda considera os rendimentos de aposentadoria como abrangidos pela isenção em razão de Moléstia Grave. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada ou tenha sido admitida a infração pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 72 00 43 /2 01 8- 73 Fl. 75DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou a impugnação com resultado desfavorável ao contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, referente a rendimentos recebidos de pessoa jurídica, em caso de proventos de aposentadoria com isenção por existência de doença grave, omissão de rendimentos e glosa de despesas médicas. O Lançamento da Fazenda Nacional em revisão da DAA modifica o resultado final da apuração do imposto que passa de uma restituição declarada pela Contribuinte de R$ 2.734,19 para um imposto suplementar a pagar de R$ 4.387,29, referente ao anocalendário de 2013. A fundamentação da autuação, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura o fato de que o laudo médico juntado aos autos não apresenta as condições exigidas na legislação para obtenção do benefício da isenção por moléstia grave, omissão de rendimentos e despesas médicas indevidas. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente na falta de respaldo do lauto médico, para efeitos de tornar os rendimentos isentos por moléstia grave da Recorrente, como segue: Decorreu o citado lançamento da revisão efetuada na Declaração de Ajuste Anual – DAA – entregue pela contribuinte, relativa ao exercício financeiro de 2014, anocalendário de 2013, quando foram apontadas as seguintes infrações, conforme a Descrição dos Fatos de fls. 38/39: Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício: da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 168,56 recebidos pelo dependente, da fonte pagadora: CNPJ 00.038.174/000143 FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA (ATIVA). Sem Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre o rendimento omitido. Rendimentos Indevidamente Considerados como Isentos por Moléstia Grave Não Comprovação da Moléstia ou sua Condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado; da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos de Pessoa Jurídica, sujeitos a tabela progressiva, no valor de R$ 79.835,58, Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13770.720043/201873 Acórdão n.º 2001001.206 S2C0T1 Fl. 76 3 recebidos pelo titular, das fontes pagadoras relacionadas abaixo, indevidamente declarados como isentos e/ou não tributáveis, em razão de o contribuinte não ter comprovado ser portador de moléstia considerada grave ou sua condição de aposentado, pensionista ou reformado nos termos da legislação em vigor, para fins de isenção do Imposto de Renda. A comprovação da moléstia grave deve ser realizada mediante apresentação de laudo emitido por serviço médico oficial, contendo a identificação completa do médico, sendo indispensável a indicação do número de registro no órgão público e a qualificação do profissional do serviço médico oficial responsável pela emissão do laudo pericial:1 CNPJ 28.165.132/000192 FUNDAÇÃO BANESTES DE SEGURIDADE SOCIAL (ATIVA),R$ 47.487,88; 2 CNPJ 29.979.036/000140 INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL (ATIVA): R$ 32.347,70. Dedução Indevida de Despesas Médicas, no valor de R$ 675,00, referente a GEORGE NUNES BUENO. (...) A contribuinte, em sua defesa, argumenta que os rendimentos apontados pelo Fisco são “rendimentos isentos e nãotributáveis” visto que são proventos de aposentadoria recebidos por portador de moléstia grave. Para amparo da discussão citase o artigo 39, inciso XXXIII, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999) vigente, consubstanciado no Decreto nº 3.000 de 26.03.1999, e que tem como matriz legal o artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713/88 (com a redação dada pela Lei n. 11.052/2004), o artigo 47 da Lei nº 8.541/92 e o artigo 30, § 2º, da Lei n. 9.250/95, dispõe que “não entrarão no cômputo do rendimento bruto os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, fibrose cística e hepatopatia grave, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão ou depois da aposentadoria ou reforma”. Este mesmo artigo 39, em seus parágrafos 4º e 5º, determina que: (...) Pelos dispositivos legais transcritos, para a contribuinte, no presente caso, ter direito à isenção em comento são necessárias duas condições concomitantes. A primeira é que os rendimentos em apreço Fl. 77DF CARF MF 4 sejam oriundos de aposentadoria e a segunda é que ele seja portador de uma das doenças previstas no texto legal. A sua condição de aposentada não foi questionada pela autoridade revisora. Anexa cópia do Acórdão Nº 0339.382 – 3ª Turma da DRJ/BSB, Processo 13770000369/200728, datado de 29 de setembro de 2010, cuja interessada é a contribuinte/impugnante, referente ao Exercício 2005, com impugnação julgada procedente, fls. 20/24. Referese, especificamente, sobre a Declaração de 2005. Tendo sido a contribuinte notificada automaticamente em 21/03/2007 (data da ciência), solicitou retificação do lançamento. A SRL foi recusada em 23/04/2007 (data da ciência), devidamente motivada. Após, impugnou a referida Notificação de Lançamento que resultou no acórdão precitado. No presente processo, o fato é que não foi apresentado “laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios”, exigência contida no parágrafo 4º do artigo 39 do RIR/1999 vigente, supra transcrito, a impugnante restringiuse a apresentar relatório médico. Destarte, entendo que a contribuinte, em relação à Notificação de Lançamento 2015, tratada no presente voto, não apresentou Laudo Pericial nos moldes da legislação, acima citada. Ademais, a motivação do lançamento se deu pela falta de Laudo Médico Pericial bem como informações relevantes, quanto à moléstia grave: se a doença é passível de controle e data de validade do laudo. A contribuinte, por sua vez, na fase impugnatória, não apresentou nenhum elemento que afaste os motivos expostos no lançamento (laudo/controle/validade). Cumpre ainda registrar que a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio da COSIT (CoordenaçãoGeral de Tributação), emitiu a Solução de Consulta Interna (SCI) nº 11 de 28/06/2012, cuja conclusão, depois de reiterar esclarecimentos e orientações de SCI anteriores, foi a seguinte: (...) Por todo o exposto voto pela improcedência da impugnação. Assim, conclui o acórdão vergastado pela improcedência da impugnação para modifica o resultado final da apuração do imposto que passa de uma restituição de R$ 2.734,19 para um imposto a pagar de R$ 4.387,29, referente ao anocalendário de 2013. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: LAVINIA MARIA FAFÁ DE CARVALHO CASTRO, brasileira, casada, bancária, aposentada por invalidez benefício do INSS nº 107.079.1889, portadora do CPF 44998511734, Identidade 281.855 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13770.720043/201873 Acórdão n.º 2001001.206 S2C0T1 Fl. 77 5 ES, residente e domiciliada à Rua Fernanda Fiorot Ferreira nº 04 Eurico Salles Serra ES, endereço que recebe correspondência, vem à presença de Vossa Senhoria, solicitar à esta Delegacia, fazer valer jurisprudência com relação a isenção do IRPF. Quando da impugnação do Acórdão 0339382 – 3ª Turma da DRJ/BSB, Processo 13770000369/200728, apresentei cópias de todos os prontuários do Hospital onde fiquei internada em 1997, bem como Relatório Médico emitido por Médico da Secretaria Municipal de Saúde de Serra ES, onde atesta através dos CIDs: CID I10; CID I25.0, e CID I64.0 a cardiopatia grave que por si me beneficia da isenção do IRPF, os documentos apresentados preenchem os requisitos necessários à comprovação da doença da qual sou acometida. Por todo o exposto, requer que o Acórdão 0966.312 – 6ª Turma DRJ/JFA expedido nos autos do Processo nº 13770.720043/201873, seja reformado para reconhecer meu direito à isenção, a partir de agosto/1998, de Imposto de Renda por ser portadora de moléstia grave – “cardiopatia grave”. É o relatório. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A Recorrente reconhece de imediato a irregularidade no preenchimento da Declaração de Ajuste Anual no que se refere à omissão de rendimentos no valor de R$ 168,56 e a inclusão indevida da despesa médica no valor de R$ 675,00. O requisito de natureza legal conforme disposto na legislação tributária que rege a questão, especialmente o art. 6º, inciso XIV da Lei nº 7.713, de 1988, com a redação da Lei nº 11.052, de 2004, assim estabelece: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, Fl. 79DF CARF MF 6 com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma. Em sequência temse o previsto no inciso XXXIII, artigo 39 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, "não entrarão no cômputo do rendimento bruto": "XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);" O parágrafo 4º do mesmo dispositivo define as condições para reconhecimento de tal isenção: "§4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº9. 250, de 1995, art. 30 e § 1º)." Seguindo no disciplinar das condições para verificação de enquadramento de contribuintes nas regras isentivas, o artigo 5º do mesmo artigo assim dispõe: "§5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicam se aos rendimentos recebidos a partir: I do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II do mês da emissão do laudo pericial ou do parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial." A matéria inclusive já se encontra sumulada no CARF: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63. Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13770.720043/201873 Acórdão n.º 2001001.206 S2C0T1 Fl. 78 7 comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Outro, o requisito de natureza comprobatória da existência da moléstia grave e a constatação da data de início da comprovação do direto ao benefício fiscal, apontado em laudo pericial específico, para esse fim elaborado, objeto da lide. Assim, os elementos comprobatórios para a concessão da isenção do Imposto sobre a Renda no caso de Moléstia Grave, cumulativamente no mesmo período, são: 1 – Ser o contribuinte portador de moléstia especificada na Lei; 2 – Ser o contribuinte recebedor de rendimentos de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão; 3 – Dispor o contribuinte de Laudo que constate a Doença Grave, identificando a data do início da ocorrência e, na falta desta informação a que corresponda à realização dos exames definidores da moléstia. Postas as condições para concessão da desoneração tributária em lide cumpre analisar, no caso concreto, o enquadramento do Recorrente. A decisão da DRJ ressalta que já na fase de análise fiscal não foi contestada pela Autoridade Autuante a condição de aposentada da Recorrente, conforme texto a seguir, o que centra a lide na questão da comprovação da existência de doença grave e do IRRF informado na DAA. Pelos dispositivos legais transcritos, para a contribuinte, no presente caso, ter direito à isenção em comento são necessárias duas condições concomitantes. A primeira é que os rendimentos em apreço sejam oriundos de aposentadoria e a segunda é que ele seja portador de uma das doenças previstas no texto legal. A sua condição de aposentada não foi questionada pela autoridade revisora. A Recorrente entregou sua DAA com o resultado apurado de imposto a ser restituído no valor de R$ 2.734,19, que revisado pela Fiscalização passou a apresentar um imposto suplementar a pagar de R$ 4.387,29, referente ao anocalendário de 2013. O laudo médico oficial, de profissional da medicina devidamente identificado, com firma reconhecida em cartório, em papel timbrado da Secretaria Municipal da Saúde da Prefeitura Municipal da Serra – ES, na forma de relatório médico, fl. 15/16, traz em seu texto a referência de que a existência da doença grave vem desde junho de 1997, e relata, identificando a doença com a especificação do problema de saúde e codificação da enfermidade, dando crédito e validando o pedido de isenção do imposto por moléstia grave da Recorrente, conforme texto a seguir: Examinamos a Sra. Lavínia Maria Fafá de Carvalho Castro 51anos. Hipertensa e Acidente Vascular Cerebral em junho 1997. Lesão valvar mitral e Isquemia Coronariana. CID I10.0, I25.0 e I64.0. Cardiopatia grave. Outro laudo médico oficial, de profissional da medicina devidamente identificado, em papel timbrado da Secretaria Municipal da Saúde da Prefeitura Municipal da Serra – ES, na forma de relatório médico, fls. 7/8, traz em seu texto a referência de que a Fl. 81DF CARF MF 8 existência da grave vem desde junho de 1997, que relata e identifica a doença com a especificação do problema de saúde e codificação da enfermidade, confirmando o diagnóstico de dois anos antes, conforme texto a seguir: Examinamos a Sra. Lavínia Maria Fafá de Carvalho Castro 53anos. Hipertensa e Acidente Vascular Cerebral em junho 1997. Lesão valvar mitral e Isquemia Coronariana CID I10.0, I25.0 e I64.0. Cardiopatia grave. Diagnosticada desde junho de 1997. Em sede de Recurso Voluntário a Recorrente apresentou, ratificando procedimento anterior, os dois Laudos Médico Oficial, da Secretaria da Saúde da Prefeitura Municipal da Serra – ES, fls. 69/70, juntamente com cópia da Carta de Concessão da sua aposentadoria por invalidez, datado de 25 de agosto de 1998, fls. 67/68. Se a Recorrente foi aposentada por invalidez, como bem comprova o documento datado de um ano após a moléstia diagnosticada, fica superada a ponderação do Agente Fiscal de que caberia indagar se a doença é passível de controle e data de validade do laudo. Até mesmo para quem é leigo no assunto de medicina sabese que a cardiopatia grave é irreversível e o laudo não tem data limite de validade, tanto é assim que a Recorrente foi aposentada por invalidez, prova de permanência no tempo da situação de enfermidade grave. Por fim, cabe destacar que embora o documento não tenha sido denominado laudo médico e sim relatório médico essa particularidade identificatória não lhe tira o valor probante e o atendimento da exigência legal, visto que nele contém as informações requeridas de: órgão emissor, qualificação do portador da moléstia, diagnóstico descritivo e código de classificação Estatística Internacional de Doenças e de Problemas Relacionados à Saúde (CID 10), os elementos que fundamentaram a doença e data da constatação ou diagnóstico. Por isso, constatase, na presença da documentação acostada aos autos, que a Recorrente é portador de moléstia grave e por isso apresentou sua declaração de ajuste anual considerando o enquadramento na legislação que lhe permite gozar do benefício da isenção tributária. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PROVIMENTO, para manter o direito à restituição do valor do imposto que incidiu sobre os proventos de aposentadoria, permanecendo a parte do crédito tributário referente à parte do lançamento que não foi objeto de contestação. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.007060/2003-31
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri May 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/01/1 998 a 28/02/1 998, 01/12/1998 a 31/12/1998
AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO E DISPOSIÇÕES LEGAIS INFRINGIDAS.
O auto de infração deverá conter obrigatoriamente todos os elementos relacionados no art. 10 do Decreto ri 70.235/72, mormente a indicação da motivação que lhe deu origem, arriTnada em fatos verídicos e comprovados, sob pena de padecer de nulidade insanável.
Processo anulado ah initio.
Numero da decisão: 2101-000.146
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 1ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, declarar nulo o auto de infração ah initio. Ausente momentaneamente o conselheiro Caio Marcos Cândido, pelo quê o julgamento foi presidido pela conselheira Maria Teresa Martinez López.
Matéria: DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)
Nome do relator: MARIA CRISTINA ROZADA COSTA
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SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAM ENTO '..".4.7.,!:.- ox Processo n° 10380.007060/2003-31 Recurso n° 137.989 Voluntário Acórdão n° 2101-00.146 - l a Câmara / I" 'Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2009 Matéria COFINS Recorrente GERARDO BASTOS PNEUS E PEÇAS LTDA. Recorrida DRJ em Fortaleza - CE ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/1 998 a 28/02/1 998, 01/12/1998 a 31/12/1998 AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO E DISPOSIÇÕES LEGAIS INFRINGIDAS. O auto de infração deverá conter obrigatoriamente todos os elementos relacionados no art. 10 do Decreto ri 70.235/72, mormente a indicação da motivação que lhe deu origem, arriTnada em fatos verídicos e comprovados, sob pena de padecer de nulidade insanável. Processo anulado ah initio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1" cãm ara / 1' turma ordinária do segunda seção de julgamento, por unanimidade de votos, declarar nulo o auto de infração ah initio. Ausente momentaneamente o conselheiro Caio Marcos Cândido, pelo quê o julgamento foi presidido pela conselheira Maria Teresa Martinez López. Lu,- -- MARIA TE sr ESA MARTÉNEZ LC5PEZ Presidente bstituta 4 , ARIA RISTINA R DA COSTA Relatora 1 Processo n° 10380.007060/2003-31 S2-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.146 Fl. 172 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Antonio Zomer, Antônio Lisboa Cardoso, Antonio Carlos Atulim e Domingos de Sá Filho. Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3" Turma de Julgamento da DRJ em Fortaleza, CE. Os autos tratam de auto de infração de PIS, lavrado contra a filial 003 da empresa acima identificada e, por bem descrever os fatos reproduzo abaixo o relatório da decisão recorrida: "Contra o contribuinte identificado nos autos foi lavrado o Auto de Infração da Contribuição para Financiamneto da Seguridade Social COF1NS de .fi.s. 58/59, referente ao primeiro e quarto trimestre de 1998, .fatos geradores de janeiro, novembro e dezembro de 1998, para .formalização e exigência do crédito tributário nele estipulado no valor de R$ 1-* J, incluído multa de oficio e juros de mora, estes calculados até 31/07/2003. 2. O feito .fiscal originou-se da realização de auditoria interna onde foi constatada irregularidade nos créditos vinculados informados pelo contribuinte nas DCTF do 1" e 4" trimestre de 1998, tendo em vista que não foi confirmada a vincula ção do crédito tributário, por tratar-se de processo judicial de outro CNPJ, conforme "Anexo I — Demonstrativo dos Créditos Vinculados não Confirmados (fls. 60/61) e "Anexo III — Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar" (fls. 63). De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal discriminados às fls. 59. 3. Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 11/08/2003 (AR. fls. 57), o contribuinte apresentou impugnação em 20/08/2003 (fls. 1/2), alegando em síntese que: 3.1. o Auto de Infração foi lavrado tendo em vista tratar-se de processo judicial de outro CNPJ, conforme consta dos autos. Ocorre que o processo judicial n" 970011875-4 980023024-6, informados na DCTF, tiveram como unia das partes a empresa Guardo Bastos S/A Pneus e Peças, o qual teve sua razão social alterada para Gerardo Bastos Pneus e Peças Lida, continuando com o mesmo CNPJ, consoante se verifica pelo aditivo ao contrato social em anexo; 3.2. desta forma a infração apontada no Auto de Infração não procede; 3.3. Diante do exposto requer que seja julgado improcedente o Auto de Infração que trata o presente processo." 2 Processo n° 10380.007060/2003-31 S2-C1 TI Acórdilo n.° 2101-00.146 Fl. 173 Analisando as razões de impugnação a Turma Julgadora proferiu decisão no sentido de dar provimento parcial para excluir a multa de oficio, nos seguintes termos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1998 Ementa: Pagamento Espontâneo da COFINS Restando apurado nos autos, que o contribuinte efetuou corretamente, no prazo legal, o pagamento espontâneo, de parte, da COFINS exigida no UTO DE Infração, acarreta a extinção em parte do crédito tributário apurado. Ementa: Ação Judicial. Prevenção da Decadência. O crédito tributário deve ser constituído pelo lançamento em razão do dever de oficio e da necessidade de serem resguardados os direitos da Fazenda Nacional, prevenindo-se contra os efeitos da decadência. Multa. Retroatividade Benigna. Em conformidade com a nova redação dada pelo art. 25 da Lei 11.051, de 2004, ao art. 18 da Lei 10.833, de 2003, em combinação com o art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN, cancela-se a tnulta de oficio aplicada. Lançamento Procedente em Parte". Cientificado da decisão em 09/06/2006 o interessado apresentou em 07/07/2006 recurso voluntário a este Eg. Conselho de Contribuintes com as mesmas razões de dissentir postas na impugnação, reforçando seus argumentos ao alegar que a compensação foi realizada com base na liminar concedida na ação cautelar, sendo que a sentença proferida na ação ordinária competente transitou em julgado. Cita precedentes dos Tribunais Superiores. Alfim requer seja julgado improcedente o auto de infração e reconhecimento da validade das compensações, ultimadas nas respectivas DCTF. Alternativamente requer se aplique o art. 171 do CTN. É o relatório. Voto Conselheira MARIA CRISTINA ROZA DA COSTA, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições para sua admissibilidade e conhecimento. A ocorrência (fl. 60/61) que motivou a autuação por "falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata" (fl. 59), está descrita como "proc jud de outro CNPJ". Ou seja, a motivação foi a não comprovação da condição de autor nas ações autuadas CIL 3 _ Processo n" 10380.007060/2003-31 S2-CIT1 Acórdão n°2101-00.146 Fl. 174 nos processos judiciais if 97.11875-4 e 98.0023024-6, citados nas DCTF apresentadas, nas quais a recorrente declarou: "comp c/ DARF c/ Proc Jud" e "Comp s/ DARF-Outros-PJU" (t1.60/61). A recorrente demonstra a improcedência do motivo que ensejou a lavratura do auto de infração eletrônico pela apresentação de peças dos processos judiciais comprovando a efetividade da impetração das referidas ações judiciais. Havendo DCTF, regularmente apresentada, nas quais os créditos tributários foram regularmente confessados, inclusive com a expressa citação de processo judicial que suspendeu a exigibilidade dos mesmos, não há falar em lavratura de auto de infração para prevenir a decadência, uma vez que a mesma se encontra extinta, pela ruptura de seu curso em razão da confissão do débito e a prescrição não se iniciou em face de sua interrupção por força da ordem judicial. Assim, o auto de infração desprestigia o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, especificamente no inciso IV que determina que o auto de infração conterá obrigatoriamente a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. Ora, arrimado que foi o auto de infração no fato de a compensação, apontada na DCTF, haver se realizado com base em processo judicial não comprovado, o que não é verdadeiro, de vez que do processo foi indicado pela recorrente e sua existência foi confirmada, tratando da matéria objeto dos autos, resta inveridica a motivação ou não infringida qualquer disposição legal citada nos autos. O crédito tributário encontra-se declarado em DCTF, a qual constitui confissão irretratável de débito. A compensação nela apontada, que dá suporte à pretensa extinção do crédito tributário, encontrava-se sub judice. Portanto, ao término da ação judicial sendo a sentença desfavorável à recorrente caberá ao fisco unicamente exigir, de imediato, o crédito tributário confessado na DCTF ou inscrevê-las na Dívida Ativa da união, em caso de resistência do devedor. Caso contrário, como consta da sentença anexada aos autos, sendo a sentença favorável, restará homologada a compensação e extinto o crédito tributário confessado. No âmbito dos presentes autos, restou provado que a ocorrência que fundamentou o auto de infração está dissociada da verdade dos fatos em razão da existência dos processos judiciais informados nas DCTF. Em razão do exposto, voto por anular o presente processo ab inicio. Sala das Sessões, em 08 de maio de 2009. gARIA CRISTINA ROZA A CO9lk 4
score : 1.0
Numero do processo: 10830.722302/2014-27
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-000.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
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DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 23 02 /2 01 4- 27 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10830.722302/201427 Acórdão n.º 2002000.913 S2C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 95/102) contra decisão de primeira instância (fls. 85/87), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Tratase de impugnação à notificação de lançamento (fls. 7/12) relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, correspondente ao anocalendário de 2010, para exigência de imposto suplementar, no valor de R$7.897,13, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$28.716,84, por falta de efetivo comprovante de pagamento das despesas médicas a Thaís Marcondes, Juliana Roberta Vicentin Rossat, Ana Paula Juliani Colobiale, Gisele Bruni de Azevedo, Aline Vilarinho Montezi e Unimed Campinas Cooperativa de Trabalho Médico. O contribuinte foi regularmente intimado para comprovar o efetivo pagamento pelos serviços prestados (ou seja, para apresentar documentos com o objetivo de comprovar que suportou o ônus financeiro com o pagamento das despesas declaradas), mas não se manifestou. Na impugnação apresentada, às fls. 2/6, o contribuinte alega que: • no decorrer da análise fiscal, foi intimado para apresentar os recibos com as devidas despesas declaradas em DIRPF, tendo encaminhado recibos preenchidos por cada profissional que prestou o serviço, mas o auditor não os reconheceu como válidos porque estavam escritos a mão. Embora a legislação não exija que o recibo seja eletrônico, o contribuinte solicitou a cada profissional que os refizesse conforme solicitado, tendo em seguida encaminhado os recibos à autoridade fiscal; • como já encaminhou todos os recibos no decorrer da análise fiscal ressalta que havendo qualquer dúvida os profissionais que realizaram tais procedimentos poderão ser consultados para confirmar as consultas e os exames realizados. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10830.722302/201427 Acórdão n.º 2002000.913 S2C0T2 Fl. 4 3 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou da efetiva prestação de serviços. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação, apresentando jurisprudências e solicitando o cancelamento da intimação, bem como o arquivamento da malha fiscal. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 15/05/2015 (fls. 92/93); Recurso Voluntário protocolado em 03/06/2015 (fl. 95), assinado pelo próprio contribuinte. Responde o contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Dedução Indevida de Despesas Médicas. Relata o Sr. AFRF que: “Da análise da documentação apresentada resultou a glosa (desconsideração) dos seguintes valores: R$ 4.000,00 (ref. Thais Marcondes); R$ 4.000,00 (ref. Juliana Roberta Vicentin Rossato); R$ 5.000,00 (ref. Ana Paula Juliani Colobiale); R$ 4.000,00 (ref. Aline Vilarinho Montezi), e R$ 11.500,00 (ref. Gisele Bruni de Azevedo). MOTIVO(S): O contribuinte foi regularmente intimado para comprovar o efetivo pagamento pelos serviços prestados (ou seja, para apresentar documentos com o objetivo de comprovar que suportou o ônus financeiro com o pagamento das despesas declaradas). No prazo para apresentação da resposta o contribuinte não se manifestou, deixando, desta forma, de apresentar documentos hábeis, idôneos e adequados para comprovar o desembolso de recursos financeiros próprios utilizados para o pagamento dos referidos valores. OBS.: Não comprovou dedução no valor de R$ 216,84, ref. Unimed Campinas Coop. De Trab. Médico”. A r. decisão revisanda, entendeu que: “O impugnante foca toda a sua defesa no fato de os recibos serem suficientes e bastantes para comprovar a despesa médica declarada, não apresentando qualquer elemento comprobatório dos pagamentos relativos aos comprovantes de despesas médicas apresentados, referentes aos profissionais relacionados na DIRPF/2011, anocalendário 2010”. “No presente caso, a autoridade lançadora solicitou a comprovação do efetivo desembolso das despesas médicas, o que é plenamente justificável em razão do elevado valor destas. Se os pagamentos foram efetuados em espécie, poderia demonstrar os saques de valores e datas correspondentes, pois os extratos assim como os cheques de sua emissão ficam disponíveis nas instituições financeiras”. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10830.722302/201427 Acórdão n.º 2002000.913 S2C0T2 Fl. 5 4 Em julgamento a r. decisão manteve integralmente o lançamento. Irresignado, o contribuinte maneja recurso próprio atacando o mérito e, apresentando jurisprudências. Pois bem, no caso concreto, devemos nos ater única e exclusivamente no campo das provas, senão vejamos: Ônus da prova – Cabe á autoridade lançadora provar a ocorrência de fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o direito de lançar do fisco, cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e além de alegalos, comproválos efetivamente nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao PAF, subsidiariamente. Em condições normais, os recibos fornecidos por profissionais de saúde, que atendam aos requisitos formais definidos na legislação, são documentos que podem provar as despesas médicas, mas não tem o condão de comprovar o desembolso financeiro ou qualquer outra prova do efetivo gasto e, a efetividade da prestação de serviço. Nesta quadra de entendimento, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito negase provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.900381/2010-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTADO (NT).
A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não-tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996 e 1º da Lei nº 10.276 de 2001
Numero da decisão: 9303-008.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTADO (NT). A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não-tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996 e 1º da Lei nº 10.276 de 2001
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTADO (NT). A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "nãotributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996 e 1º da Lei nº 10.276 de 2001 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 90 03 81 /2 01 0- 19 Fl. 191DF CARF MF 2 Trata o presente processo de pedido de ressarcimento eletrônico de créditos Presumidos de IPI, de que tratam as Leis 9.363, de 1996, e 10.267, de 2001, referente ao terceiro trimestre do ano de 2003. O pedido foi integralmente denegado por despacho decisório. No Termo de Verificação Fiscal que embasa o despacho decisório, é informado que o interessado adquire folhas de tabaco de produtores rurais (pessoas físicas e comerciantes atacadistas) e realiza beneficiamento sob encomenda (consistente em destala, corte, classificação, tratamento contra pragas e embalagem), gerando fumo classificado como NT na TIPI. Assim, conclui que, como empresas que fabricam produtos NT não sã o consideradas estabelecimentos industriais, a contribuinte não faz jus ao Crédito Presumido de IPI. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, para que fosse reconhecido o direito ao crédito presumido de IPI, no valor pleiteado, acrescido da taxa Selic desde a data do protocolo do pedido até a do efetivo ressarcimento. Argumentou, em sua manifestação, que a lei não teria estabelecido que a empresa deva exportar produtos industrializados tributados. A DRJ/POA, apreciou as manifestações da contribuinte, resultando o acórdão nº 1033.911, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada do acórdão da DRJ a contribuinte, interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações da manifestação de inconformidade. Em síntese, no recurso, a contribuinte alega que o art. 1º da Lei n° 9.363, de 1996, concede aos contribuintes produtores e exportadores de mercadorias nacionais o crédito presumido do IPI, não condicionando esse crédito ao fato de os produtos terem classificação diversa de NT; aduz que o fato de a industrialização ter ocorrido por encomenda não retira o status de industrializador do recorrente; e adicionalmente pede a correção pela Selic do valor a ser ressarcido, desde a data do protocolo do pedido. O recurso voluntário foi apreciado pela então existente 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3102001.737, que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar o óbice à fruição do ressarcimento de crédito presumido de IPI em face da saída de produtos não tributados, devendo ser atualizado a partir do protocolo do pedido de ressarcimento, devolvendo os autos ao órgão julgador para apreciar os créditos pretendidos. Os fundamentos da decisão foram os de que (a) há direito ao crédito presumido do IPI mesmo que os produtos exportados sejam NT e (b) no ressarcimento, os juros, calculados à taxa Selic são devidos a partir da data do pedido, conforme entendimento do judiciário. A seguir, para fins de esclarecimento, encontramse reproduzidos as ementas e o dispositivo do referido acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 192DF CARF MF Processo nº 13005.900381/201019 Acórdão n.º 9303008.066 CSRFT3 Fl. 918 3 Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 IPI. RESSARCIMENTO. SÁIDA DE PRODUTO NT. CRÉDIDO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO PIS E COFINS Há direito ao crédito presumido do IPI para ressarcimento do PIS e da Cofins, incidentes sobre aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo de mercadorias exportadas para o exterior, mesmo que o produto exportado seja NT pelo IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC A PARTIR DO PEDIDO. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Luis Marcelo Guerra de Castro. O conselheiro Winderley Morais Pereira votou pelas conclusões. Recurso especial da Fazenda Nacional Cientificada do acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência, exclusivamente para discutir a possibilidade de cálculo de crédito presumido de IPI sobre insumos utilizados na fabricação de produtos exportados, classificados como NT na TIPI. No que concerne à matéria a Fazenda Nacional, apresentou os acórdãos paradigma de nº 930300.743 e 380300.520. Argumentou que, em que pese a decisão recorrida ter reconhecido a possibilidade de cálculo do crédito presumido de IPI, na hipótese em discussão, os paradigmas entenderam ser vedado o creditamento relacionado a produtos classificados na TIPI como NT. O então Presidente da Câmara, apreciou o recurso especial de divergência da Fazenda Nacional e, em despacho de análise de admissibilidade, deulhe seguimento. Contrarrazões da contribuinte Cientificado, a contribuinte apresentou contrarrazões, requerendo denegação de provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e voto por conhecêlo. Mérito Fl. 193DF CARF MF 4 Inicio a análise de mérito deste voto, pela delimitação da lide. Encontrase em discussão a possibilidade de cálculo do crédito presumido de IPI sobre insumos utilizados na fabricação de produtos exportados, classificados como NT. Da possibilidade de utilização das receitas de produtos NT no cálculo do crédito presumido de IPI da Lei 10.276/2001 Inicio a apreciação do recurso especial nessa matéria, considerando, no termo de Verificação Fiscal, referido nos autos também como informação fiscal, restou claro que a base legal adotada pela contribuinte foi aquela prevista nas Leis n° 9.363, de 1996, e nº 10.276/2001, nos seguintes termos: ... a contribuinte confirmou tratarse de crédito presumido de IPI (Lei 9.363/96 e Lei 10.276/01), afirmou, ainda, não ter utilizado tais valores para compensação de IPI ou qualquer outro tributo, e também, que não há demanda judicial sobre o assunto. Pois bem, o pleito da contribuinte era pelo reconhecimento de créditos presumidos sobre insumos vinculados às receitas de exportação de fumo, produto com notação NF na TIPI, estando portanto fora do campo de incidência do IPI. Os fundamentos legais sobre os quais a recorrente faz seu pleito são: Lei nº 9.363/1996: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Lei nº 10.276/2001: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; Fl. 194DF CARF MF Processo nº 13005.900381/201019 Acórdão n.º 9303008.066 CSRFT3 Fl. 919 5 II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. (...) A criação do crédito presumido ora em discussão se deu pela Medida Provisória nº 948 de 23/03/1995, convertida finalmente na Lei nº 9.363 de 13/12/1996. Já a Lei nº 10.276 de 10/09/2001, veio apenas a trazer forma alternativa de calcular o crédito presumido anteriormente estabelecido. Não há como ver na Lei nº 10.276/2001 a instituição do benefício. Também nesse sentido já se manifestou o Conselheiro Rodrigo Pôssas em argumentos para fundamentação de seu voto no acórdão nº 9303006.802: A Lei nº 10.276/2001, ao contrário do que alguns pensam, não criou um novo benefício,mas tãosomente: 1) Passou a admitir a inclusão na base de cálculo, além dos insumos para industrialização, no conceito da legislação do IPI (MP, PI e ME), gastos com energia elétrica, combustíveis e serviços de industrialização por encomenda; 2) Alterou a forma de cálculo. Em nada estas mudanças afetaram a“essência” do benefício, cujo objetivo é desonerar as exportações dos tributos incidentes na cadeia produtiva (no caso, PIS/Cofins), ainda que de forma presumida (pois cada produto exportado tem uma cadeia distinta, na qual incidem as contribuições com menor ou maior reflexo no custo), para aumentar a competitividade dos produtos nacionais no mercado globalizado – ou, ao menos, buscar uma maior equiparação (diminuindo o chamado“Custo Brasil”). O que aqui se discute é justamente se a empresa faria jus ao benefício, não mais se foi correta a apuração. Por essas razões, entendo que a análise feita em relação às mercadorias a serem exportadas são aplicáveis tanto a uma quanto a outra das citadas Leis. As condições para a existência do direito (certeza) ao crédito presumido é a mesma, pois originária da Lei nº 9.363/1996, a forma de calcular (liquidez) é distinta e escolhida pela contribuinte. Assim, no que toca a análise do direito, toda a argumentação que se use para entendêlo aplicável na dicção da Lei 9.363/1996 é válida para a Lei nº 10.267/2001. Nesse sentido, o direito ao crédito presumido com relação a exportação de produtos classificados como NT com base na Lei nº 9.363/1996 foi diversas vezes apreciado no CARF e a partir de tais questionamentos chegouse à elaboração da Súmula CARF nº 124: Súmula CARF nº 124 A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "nãotributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996. Logo, não se pode reconhecer o direito ao crédito pleiteado pela contribuinte em seu pedido de ressarcimento. Fl. 195DF CARF MF 6 CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional, para darlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 196DF CARF MF
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