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Numero do processo: 35370.000740/2006-16
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 14/12/2005
APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. INFORMAÇÃO DE OBRIGAÇÕES DISCUTIDAS JUDICIALMENTE.
O Manual da GFIP/SEFIP, com as instruções para preenchimento da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP, aprovado pela Instrução Normativa MPS/SRP no 9, de 24/11/2005, dispunha acerca de informação de obrigações discutidas judicialmente que caso o empregador/contribuinte decida discutir judicialmente alguma obrigação, deve informar a GFIP/SEFIP de acordo com o que entende ser devido.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Declarou-se impedido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado).
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM: 09/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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INFORMAÇÃO DE OBRIGAÇÕES DISCUTIDAS JUDICIALMENTE. O Manual da GFIP/SEFIP, com as instruções para preenchimento da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, aprovado pela Instrução Normativa MPS/SRP no 9, de 24/11/2005, dispunha acerca de informação de obrigações discutidas judicialmente que caso o empregador/contribuinte decida discutir judicialmente alguma obrigação, deve informar a GFIP/SEFIP de acordo com o que entende ser devido. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Declarouse impedido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 37 0. 00 07 40 /2 00 6- 16 Fl. 473DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM: 09/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em Exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Susy Gomes Hoffmann. Relatório JBS S/A, VANESSA MENDONÇA BATISTA e WESLEY MENDONÇA BATISTA, inconformados com o decidido no Acórdão n.º 20500.140, proferido pela 5ª Câmara do 2º CC em 22 de novembro de 2007, interpuseram, dentro do prazo regimental, recursos especiais de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso. Segue abaixo sua ementa: “COMPETÊNCIA DO AUDITORFISCAL DESNECESSIDADE DE HABILITAÇÃO PROFISSIONAL COMO CONTADOR E competente para verificação da escrituração contábil o Auditor Fiscal regulamente inscrito no canso, independente de habilitação profissional corno contador. DEPÓSITO RECURSAL. Com a revogação do artigo 126, §1 ° da Lei n° 8213, de 24/07/91 pela Medida Provisória n° 413, de 03/01/2008, não é mais exigível o dep6sito recursal. Sendo tempestivo, o mesmo deve ser conhecido. APRESENTAÇÃO DE GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENC1ARIAS. INFRAÇÃO. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5°, da Lei nº 8212/91. DECADÊNCIA PREVENÇÃO. LANÇAMENTO. Em razão da discussão judicial da obrigação tributária e da ininterrupção do prazo decadencial, é cabível o lançamento tributário a fim de se prevenir a decadência Recurso Voluntário Negado.” Afirmam os contribuintes que o aresto recorrido diverge dos paradigmas que apresentam: Fl. 474DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35370.000740/200616 Acórdão n.º 9202003.043 CSRFT2 Fl. 7 3 Acórdão 30335.289 “Obrigações Acessórias. Data do fato gerador: 14111/2002 DCTF — MULTA POR ATRASO NA ENTREGA — OKA° PELO SIMPLES — DECISÃO JUDICIAL —DESNECESSIDADE DE ENTREGA DA DCTF. As microempresa e empresa de pequeno por enquadradas no regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, estão dispensadas da entrega de Declaração de Débitos e Créditos Federais — DCTF, razão pela qual se torna indevida a multa aplicada por atraso na entrega. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” Acórdão 26900.002 “OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. 0 fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. MEDIDA LIMINAR IMPEDITIVA DE RETENÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO. AUSÊNCIA DO DESCONTO. INEXISTÊNCIA DE INFRAÇÃO. Não caracteriza infração do tomador de serviço mediante cessão de mãodeobra a falta de retenção e recolhimento da contribuição em nome do prestador, quando esse se encontrava beneficiado por medida judicial impedindo o desconto pelo seu contratante. Recurso Voluntário Provido.” Explicam que as decisões trazidas à colação divergem totalmente do entendimento adotado na decisão recorrida, pois nos paradigmas não é admitido como infração — passível de multa de ofício — a não declaração de tributo se a exigibilidade do débito esta suspensa por força de decisão judicial. Observam que o julgador a quo deixou de atentarse para a legislação especifica contida no Manual da GFIP/SEFIP, que estabelece que “caso o empreqador/contribuinte decida discutir judicialmente alguma obrigação, deve informar a GF1P/SEFIP de acordo com o que entende ser devido”. Dizem que, no caso em comento não se trata apenas da “intenção” das Recorrentes, mas sim de cumprimento de decisão judicial, que as desobriga da retenção e do recolhimento da contribuição, não podendo lhes ser exigida obrigação acessória decorrente de obrigação principal reconhecidamente ilegal pelo poder judiciário. Ademais, entendem que, se o denominado "NOVO FUNRURAL" é inconstitucional, não devem, sob hipótese nenhuma, prestar informações que possam manifestar concordância com a legitimidade das referidas obrigações. Salientam que ao julgar o Recurso Extraordinário n° 363.852, o Plenário do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a inconstitucionalidade da obrigação principal debatida na ação judicial. Ao final, requerem o provimento dos recursos em comento. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 Nos termos do Despacho n.º 2300134/2012, foi dado seguimento aos pedidos em análise. A Fazenda Nacional apresentou contrarazões. Afirma que, de fato, a sentença prolatada nos autos do Mandado de Segurança n. 9 2001.61.00.0000509, pelo juízo da 22ª Vara Federal Cível de São Paulo, é no sentido de que a contribuinte não está sujeita à retenção e recolhimento do “novo Funrural” (Lei 8540/92). Observa que a jurisprudência do CARF é no sentido da continuidade do processo administrativo quanto aos consectários legais (juros e multas) da obrigação principal discutida judicialmente, se verificada sentença denegatória da segurança. Ao final, pede deferimento. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso especial do contribuinte preenche os requisitos formais de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. O relatório fiscal, referente ao presente auto de infração, lavrado em 14/12/2005, menciona que ficou constatado que o recorrente deixou de informar o valor mensal da receita bruta proveniente da comercialização da produção nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP, esclarecendo que havia decisão judicial desobrigandoo de realizar a retenção e o recolhimento da contribuição incidente sobre às aquisições de produtores rurais pessoas físicas, nos seguintes termos (fls. 33): “Cabe informar que a autuada impetrou Mandado de Segurança MS sob n°2001.61.00.0000509, na Justiça Federal — 18° Vara Federal de São Paulo, com pedido de liminar, requerendo a suspensão da exigibilidade da cobrança da contribuição exigível nos termos previstos no artigo 30, II e IV da Lei n° 8.212/91, com a redação das Leis n's 8.540/92 e 9.528197 e artigo 25, parágrafo 4°, da Lei n° 8.870194. Em 31 101 12001 foi deferida a liminar a fim de suspender a exigibilidade da contribuição social denominada "Novo Funrural". Em decisão datada de 16/11/2004, exarada no mesmo MS o Juiz Federal Titular da 22° Vara Civil José Henrique Prescendo, determinou a impetrante que procedesse ao depósito judicial de todos os valores que reteve e que vier a reter dos produtores rurais a titulo de "Funrural", não repassados ao INSS, sob pena de revogação da liminar. Já em 30105/2005 foi proferida nos autos a sentença nos seguintes termos: "Posto isto, CONCEDO A SEGURANÇA, para declarar que a impetrante não está sujeita à retenção e ao recolhimento da contribuição denominada NOVO FUNRURAL, de que trata a Lei 8540/92, que alterou a redação do artigo 25 da Lei 8212/91, em relação às aquisições de bovinos junto a produtores rurais Fl. 476DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 35370.000740/200616 Acórdão n.º 9202003.043 CSRFT2 Fl. 8 5 pessoas físicas que sejam empregadores, de que trata a alínea "a" do inciso V da Lei 8212/91, devendo a autoridade impetrada absterse de exigir esta retenção e os respectivos recolhimentos, exceto em relação às aquisições efetuadas junto a produtores rurais pessoa física considerados como segurados especiais, especificados no inciso VII, também do artigo 12 da Lei 8212/91, não objeto de discussão neste autos". Entretanto, há de se salientar que o Manual da GFIP/SEFIP, com as instruções para preenchimento da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP, aprovado pela Instrução Normativa MPS/SRP no 9, de 24/11/2005, dispunha acerca de informação de obrigações discutidas judicialmente que Caso o empregador/contribuinte decida discutir judicialmente alguma obrigação, deve informar a GFIP/SEFIP de acordo com o que entende ser devido: “7 – INFORMAÇÃO DE OBRIGAÇÕES DISCUTIDAS JUDICIALMENTE A GFIP/SEFIP tem natureza de confissão de dívida. Ao prestar as informações, o empregador/contribuinte manifesta a sua concordância com a legitimidade das obrigações declaradas. Caso o empregador/contribuinte decida discutir judicialmente alguma obrigação, deve informar a GFIP/SEFIP de acordo com o que entende ser devido. Exemplo: Empregador/contribuinte está discutindo judicialmente qual a alíquota RAT deve ser utilizada para o cálculo das contribuições. Ao invés de 3%, afirma que deve ser aplicada a alíquota de 1%. Discute também a incidência de contribuições sociais previdenciárias sobre determinada verba paga aos empregados. Afirma não haver a incidência. Na GFIP/SEFIP, deve ser informada a alíquota RAT de 1% e não deve ser informada a verba discutida nos campos Remuneração sem 13°, Remuneração 13° salário, Base de Cálculo da Previdência Social e Base de Cálculo 13° Salário Previdência Social, havendo ou não decisão liminar. Caso a decisão judicial seja denegatória, o empregador/contribuinte deverá retificar as GFIP/SEFIP informadas de acordo com o pedido judicial, sendo passível de autuação a falta de correção após a referida decisão. O referido procedimento aplicase também às contribuições destinadas a outras entidades e fundos, arrecadadas pela Previdência Social.” Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso especial. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 477DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Fl. 478DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/05/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10925.001664/2009-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AIOP - SEST E SENAT - CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS VINCULADOS A COOPERATIVA
Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente. A não apresentação dos documentos durante o procedimento fiscal, acaba por inverter o ônus da prova, competindo ao recorrente a apresentação de argumentos e provas da inexistência dos fatos geradores.
Empresa de transporte rodoviário: é a que exercite a atividade de transporte rodoviário de pessoas ou bens, próprios ou de terceiros, com fins econômicos ou comerciais, por via pública ou rodovia, assim, aplicável a exigência de contribuições para o SEST e SENAT.
MULTA LEI 11.941/08 RETROATIVIDADE BENIGNA
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
Com a alteração introduzida pela lei 11.941/08, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, como no presente caso, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no art. 44: 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AIOP - SEST E SENAT - CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS VINCULADOS A COOPERATIVA Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente. A não apresentação dos documentos durante o procedimento fiscal, acaba por inverter o ônus da prova, competindo ao recorrente a apresentação de argumentos e provas da inexistência dos fatos geradores. Empresa de transporte rodoviário: é a que exercite a atividade de transporte rodoviário de pessoas ou bens, próprios ou de terceiros, com fins econômicos ou comerciais, por via pública ou rodovia, assim, aplicável a exigência de contribuições para o SEST e SENAT. MULTA LEI 11.941/08 RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Com a alteração introduzida pela lei 11.941/08, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, como no presente caso, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no art. 44: 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Recurso Voluntário Negado.
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A não apresentação dos documentos durante o procedimento fiscal, acaba por inverter o ônus da prova, competindo ao recorrente a apresentação de argumentos e provas da inexistência dos fatos geradores. Empresa de transporte rodoviário: é a que exercite a atividade de transporte rodoviário de pessoas ou bens, próprios ou de terceiros, com fins econômicos ou comerciais, por via pública ou rodovia, assim, aplicável a exigência de contribuições para o SEST e SENAT. MULTA LEI 11.941/08 RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Com a alteração introduzida pela lei 11.941/08, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, como no presente caso, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no art. 44: 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 16 64 /2 00 9- 64 Fl. 462DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar as preliminares de nulidade; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10925.001664/200964 Acórdão n.º 2401003.375 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP, lavrada sob o n. 37.154.3789, em desfavor do recorrente, tem por objeto a contribuição destinada a terceiros Entidades – SEST/SENAT, que tiveram como fatos geradores as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais no período de 10/2004 a 12/2008, Conforme descrito no Relatório Fiscal de fls. 211 a 234, consta que entre os documentos constou a solicitação para apresentação dos Conhecimentos de Transportes Rodoviários de Carga (CTRC) em meio magnético, em que questionado o presidente da cooperativa sobre a possibilidade da disponibilização destes dados, informou em meio magnético só havia a partir do ano de 2007 e que para os anos anteriores somente em meio papel. Que a empresa inicialmente solicitou prorrogação de prazo para apresentação de documentos, que foi acatada, porém, com objetivo de iniciar os trabalhos de fiscalização, foi visitada a empresa a fim de coletar CTRC em meio papel do período de 07/2004 a 12/2005, cujos documentos constavam arquivados em caixas no escritório da empresa, pelo que entendeu que os 20 dias para separar tais caixas seriam suficientes. Que em 05/03/2009, na presença do presidente da cooperativa e do Contador da empresa Valdenir Menegat (CRC/SC 18.36509), separaram 27 caixas de documentos, além dos livros de 110 Atas e de Matriculas e levaram para a repartição da Receita Federal do Brasil, cuja relação foi elaborada pelo contador da empresa e entregues à fiscalização (fls. 157 e 158). Explica que o procedimento adotado encontra amparo no art. 35 da lei 9.430/96, que permite o exame de documentos fora do estabelecimento do sujeito passivo e que a medida foi necessária porque a empresa alegou não possuir arquivo digital com tais informações; que posteriormente foram devolvidos, mediante Termos de Devolução (fls. 160, 183, 184, 206 e 207). Consta que os registros contábeis mostram que a empresa (Cooperativa COTRAMOL) executa seus serviços na área de transporte rodoviário de cargas, sem possuir os meios de produção, ou seja, não possui caminhões, sendo os fretes realizados por seus cooperados e outras pessoas físicas ou jurídicas que detém os veículos para a prestação do serviço. Que para a execução dos serviços a empresa contratante faz contato com a cooperativa COTRAMOL, solicitando o frete e esta estipula o preço, recebendo diretamente o valor; que a cooperativa aloca seus cooperados ou terceiros, remunerandoos em cada operação, recebendo um percentual a título de comissão. Relata que a cooperativa não segrega em sua contabilidade os serviços executados por cooperados e não cooperados, bem como sem distinguir os prestados por pessoas jurídicas ou físicas. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Com relação a dificuldade de identificar os valores pagos de forma diferenciada, assim destacou a autoridade fiscal? Em 31/03/2009, reintimamos a cooperativa a apresentar arquivo digital referente aos CTRC's, conforme Termo de Intimação 103/2009, fls. 165/166. Em 06/04/2009, a cooperativa nos entregou o documento mencionando de como é calculado o valor que é repassado aos prestadores de serviços, fls. 167. Nesta oportunidade, a empresa nos entregou também a relação dos cooperados da COTRAMOL fls. 168/170, e também CD contendo os CTRC's referente aos anos 2007 e 2008, conforme recibo de entrega gerado pelo sistema SVA, fls. 171. Na tentativa de resolver o problema de identificar o efetivo prestador do serviço uma vez que em muitos CTRC's não existe esta informação, porém existe a placa do veiculo , intimamos a cooperativa por intermédio do Termo de Intimação N° 128/2009, fls. 176/181, a apresentar uma relação dos cooperados e a placa dos respectivos veículos. Assim poderíamos identificar para cada CTRC nos quais existe a informação da placa do veiculo, se o serviço havia sido prestado por um cooperado. Porém esta tentativa não logrou êxito, pois a cooperativa, por meio do documento de fls. 185/187, informa que não possui este registro. Observa, ainda, que na contabilidade não existe por parte da Cotramol, qualquer desconto para a previdência social, sobre a remuneração repassada aos transportadores, o que afasta a caracterização do crime contra a ordem tributária. Importante, destacar que a lavratura da AIOP deuse em 22/07/2009, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 29/07/2009. Não conformada com a autuação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 243 a 263. A Decisão de 1 instância confirmou a procedência parcial do lançamento, acatando as retificações propostas pela informação fiscal. fls. 339 a .374 ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO ÀS TERCEIRAS ENTIDADES .SEST/SENAT. É devida a contribuição destinada aos Serviços Social do Transporte SEST e ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT, na forma disposta no inciso II, §§ 1º e 2º, artigo 7°, da Lei n° 8.706/93. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. RETENÇÃO. PRESUNÇÃO DO DESCONTO. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10925.001664/200964 Acórdão n.º 2401003.375 S2C4T1 Fl. 4 5 A cooperativa possui obrigação legal de efetuar o desconto e repasse da contribuição social das terceiras entidades dos contribuintes individuais cooperados e nãocooperados. O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente, não sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com a lei. FRETES AUTÔNOMOS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição previdenciária sobre os serviços de fretes por contribuintes individuais corresponde a vinte por cento do valor bruto auferido pelo frete, carreto, transporte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2008 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade. PRERROGATIVAS DA FISCALIZAÇÃO. ACESSO AO ESTABELECIMENTO. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos, inclusive o acesso ao estabelecimento onde o sujeito passivo desenvolve suas atividades, cuja negativa se constitui em resistência à fiscalização tributária. LAVRATURA FISCAL FORA DO ESTABELECIMENTO. É legitima a lavratura de auto de infração no local em que constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. DOCUMENTO DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. AUTO DE INFRAÇÃO OU NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE NULIDADE. no âmbito da Receita Federal do Brasil o crédito tributário, decorrente de obrigação principal ou acessória, pode ser constituído por auto de infração ou notificação de lançamento. Nulidade ausente. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS O prazo para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo. INTIMAÇÃO NO PROCURADOR A Secretaria da Receita Federal do Brasil tem o direito de, em sede de processo administrativo fiscal, efetuar intimações de qualquer uma das formas previstas nos incisos I, II e III, do caput do artigo 23, do Decreto nº 70.235/1972. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 1295 a 1340. 1. O fisco simplesmente ignora uma série de documentos apresentados pela requerente. , com fulcro na subjetiva ilação de que a cooperativa não distingue os prestadores de serviços em sua contabilidade, chega a exigir valores que não compõem a base de cálculo de contribuições ao SEST e ao SENAT. 2. Não verifica a inadimplência ds tributos em comento, simplesmente autua, sem observar que os mesmos podem ter sido recolhidos aos cofres públicos pelo próprio contribuinte individual. 3. Em preliminar fala em nulidade, ao entendimento de abuso de poder da autoridade fiscal que agiu de forma ilegal e arbitrária no procedimento de fiscalização. 4. Cita que a empresa cumpriu todas as exigências e intimações no curso da fiscalização e que por várias vezes a autoridade fiscal invadiu a sede da recorrente, abrindo gavetas e arquivos, jogando papéis no chão e levandoos como se seu fossem. 5. Diz que tal atitude infringe limitações comportamentais previstas na Constituição Federal. 6. Arrola dispositivos do Código Tributário Nacional sobre a atividade de fiscalização (arts. 195 e 200), bem como sobre o uso necessário da força policial em caso de embaraço, porém, a empresa jamais impediu ou dificultou qualquer ato da fiscalização, cumprindo sempre toda e qualquer exigência e intimação. 7. Que foram injustificados os atos da autoridade fiscal em invadir e desrespeitar funcionários e a sede da empresa. 8. Que a Constituição Federal determina o respeito ao princípio da razoabilidade, citando doutrina. 9. Arrola o art. 5º, inciso XI da Constituição Federal, que trata da inviolabilidade da casa e que, no caso, não havendo embaraços ou empecilhos por parte da impugnante, não é permitido que se invada a sede da empresa, recolhendo documentos e registros com as próprias mãos. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10925.001664/200964 Acórdão n.º 2401003.375 S2C4T1 Fl. 5 7 10. Diz que tal conduta abusiva de apreensão de documentos é considerada ilícita, não podendo servir como prova, devendo ser considerado nulo o lançamento fiscal. 11. Considera que o lançamento apresenta vício material insanável, posto que deveria ser formalizado mediante notificação de lançamento e não na forma de auto de infração, citando os art. 33, § 7º e 37 da Lei nº 8.212/91 e art. 243 do Decreto 3.048/99. 12. Discorre sobre o Decreto nº 70.235/72, em seus arts. 10 e 11, que tratam da lavratura mediante auto de infração ou notificação de lançamento, reforçando que no caso presente se trata de vício insanável, uma vez que deveria ser formalizado o crédito mediante Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), devendo ser anulado. 13. Fala em ausência de fundamentação legal para se exigir da sociedade cooperativa as contribuições para as terceiras entidades SEST e SENAT incidentes sobre valores repassados a autônomos; que conforme a Lei nº 8.706/93, a responsabilidade é do tomador de serviços e que no seu caso não é tomadora dos serviços de seus associados e transportadores autônomos; que até pode intermediar a contratação de fretes para seus associados ou não cooperados, mas não é quem toma os serviços destes; que como intermediária de fretes de seus associados ou não cooperados não desnatura o fato de que somente é o tomador (terceiro) responsável na relação. 14. Que embora a Lei nº 8.212/91 em se art. 15 equipare a cooperativa a empresa, tal fato serve apenas para os fins desta lei, e não para a Lei nº 8.706/93 e, ainda, mesmo que equiparada por esta lei, tem que é irrelevante quando a contribuição é a devida pelos transportadores autônomos. 15. Aduz que o art. 2º do Decreto nº 1.007, de 13 de dezembro de 1993 é claro ao dispor que a responsabilidade é da pessoa jurídica tomadora dos serviços do transportador autônomo. 16. Fala que não cabe exigir contribuição ao SEST/SENAT das sociedades cooperativas de transporte, por não estarem perfeitamente indicadas na legislação instituidora do tributo; que em matéria tributária vigora o princípio da legalidade estrita, nos termos do art. 150, I, da Constituição Federal. 17. Discorre sobre as Sociedades Cooperativas, seus fins e que se trata de um sistema de ajuda mútua, mediante esforço comum de interessados, eliminando intermediários, que foi o motivo da criação da COTRAMOL, sociedade cooperativa de transporte, que pratica atos cooperados e não cooperados e que no seu caso, os fretes realizados pelos cooperados a tomadores de serviços são atos cooperados. 18. Que é uma sociedade cooperativa e não uma transportadora (sociedade empresária). 19. Fala e arrola legislação sobre o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (SESCOOP), aduzindo que as sociedades cooperativas estão desobrigadas da contribuição ao SEST/SENAT. 20. Fala que o lançamento é nulo porque contém valores a título de terceiros e esporádicos quando se trata de frete prestado por cooperado. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 21. Diz que em inúmeros casos, a autoridade fiscal apura valores supostamente devidos quando o frete é prestado por Cooperado (C), lançando valores de fretes na coluna Cooperado e também na coluna Terceiro (T) e Esporádicos (E). 22. Fala em nulidade por tipificação indevida no fato que a legislação não se refere a matéria objeto do lançamento, aduzindo que o § 4° do art. 201 do Decreto 3.048/99 não se aplica a atividade de transporte rodoviário de cargas, mas sim de atividade remunerada de condutor autônomo de veiculo rodoviário, ou ao auxiliar de condutor autônomo de veiculo rodoviário. 23. Por fim requereu a nulidade do procedimento fiscal e insubsistente o auto de infração, produção de todos os meios de provas, especialmente documental, bem como sejam as intimações encaminhadas aos advogados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10925.001664/200964 Acórdão n.º 2401003.375 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 172 e 174. Superados os pressupostos, passo ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO PARA O LANÇAMENTO – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Alegando nulidade, argumenta o recorrente que o procedimento administrativo adotado não poderia ser realizado da forma como foi, independente da causa, legal ou contratual, tendo em vista que o fisco simplesmente ignora uma série de documentos apresentados pela requerente, com fulcro na subjetiva ilação de que a cooperativa não distingue os prestadores de serviços em sua contabilidade o que malfere o princípio do devido processo legal, posto que não houve a devida motivação, ou mesmo comprovação das alegações fiscais. Quanto as ditas alegações, em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, conforme alegado pela recorrente, quanto a norma procedimental adotada pela autoridade fiscal, ou mesmo o abuso do direito por parte da auditoria. Observase anexo ao relatório fiscal e mencionado no corpo do próprio relatório as autorizações por meio da emissão do Termo de Início de Procedimento Fiscal, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento. Foi realizada a devida intimação para a apresentação dos documentos e prestação de diversos esclarecimentos para que se determinasse o alcance dos segurados e das contribuições sobre referidas contratações. Conforme Termos de Intimação Fiscal, fls. 163, 165, 176 intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária, inclusive solicitando esclarecimentos sobre diversos pontos apurados durante o procedimento, bem como reiterando o pedido de alguns documentos. Dessas solicitações e apresentação de documentos restaram elaborados diversos termos de constatações, anexados aos autos como por exemplo, fls. 172, 190. Or, embora diversos outros termos, os acimas citados demonstram a reiterada tentativa do fisco em buscar não apenas motivar o lançamento, como frente ao princípio da legalidade e da verdade material, buscar efetivamente identificar os fatos geradores que ensejam a exigência de contribuições previdenciárias. Foi realizada a conclusão dos trabalhos com a emissão do Termo de Encerramento, fl. ___, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Da mesma forma, quando da baixa do processo em diligência pelo órgão julgador, Fl. 470DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 providenciou a autoridade fiscal a devida cientificação do recorrente dos termos da informação fiscal Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida indicação dos motivos que ensejaram a autuação, ou mesmo apreciação dos documentos, entendo que razão não assiste ao recorrente. Ao ler o relatório constante dos autos, tenho interpretação totalmente diversa com relação ao cuidado tomado pelo auditor. DA AÇÃO FISCAL A ação fiscal teve seu inicio em 13/02/2009, com a ciência pelo responsável da cooperativa, Senhor Darci Balestrin Presidente da Cooperativa, CPF 501.934.069 34, no Termo de Inicio de Fiscalização N ° 044/2009 fls. 122/124, onde foram solicitados os documentos para dar inicio ao procedimento. Nesta mesma oportunidade, em virtude de no item '6 do termo de inicio, haver a solicitação dos Conhecimentos de Transportes Rodoviários de Carga CTRC em meio magnético, questionamos o presidente sobre a possibilidade de nos disponibilizar estes dados. Fomos informados que a cooperativa só tem esta informação em meio magnético, a partir do ano 2007. Para os anos anteriores a informação constante nos cadastros da empresa, são somente os documentos em meio papel. Em 03/03/2009, a empresa fiscalizada, apresentou o Estatuto Social, Declaração de Inexistência de ações judiciais e Declaração de inexistência de processos de consulta formulados a RFB 129/155. No documento de fls. 126/128, a empresa em questão solicita prorrogação do prazo em 20 dias para a entrega dos demais documentos. Acatada a solicitação de prorrogação de prazo solicitada pelo contribuinte, porém com o objetivo de poder iniciar os trabalhos de fiscalização, procedemos visita ao contribuinte no intuito de coletar os CTRC's em meio papel referente ao período de 07/2004 a 12/2005. Estes documentos constavam arquivados em caixas no escritório da empresa, e entendemos que o prazo de 20 dias para separar estas caixas foi mais do que suficiente. Então em 05/03/2009, na presença do presidente da cooperativa e do Contador da empresa Valdenir Menegat, CRC/SC 18.3650 9, separamos 27 caixas de documentos, além dos livros de Atas e de Matriculas e trouxemos para dentro da repartição da RFB, para a análise. Nesta data o Sr. Contador da empresa, de próprio punho fez uma relação dos documentos que foram entregues a esta fiscalização fls. 156/157. 0 procedimento acima relatado foi realizado com amparo no artigo 35 da lei 9.430/96, abaixo transcrito. LEI N° 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Art. 35. Os livros e documentos poderão ser examinados fora do estabelecimento do sujeito passivo, desde que lavrado termo escrito de retenção pela autoridade fiscal, em que se especifiquem a quantidade, espécie, natureza e condições dos livros e documentos retidos. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10925.001664/200964 Acórdão n.º 2401003.375 S2C4T1 Fl. 7 11 Observamos que esta medida, referente a análise documental, só foi necessária, pois a empresa menciona que não possui arquivo digital com as informações destes documentos. Caso possuísse estas informações conforme solicitado, haveria apenas coleta por amostragem, para conferir a exatidão dos registros constantes no arquivo. Em 09/03/2009, a empresa entregou os dados referente & contabilidade, em meio digital, com recibo de entrega validado pelo SVA fls. 158, data em que foram devolvidos a empresa todos os livros entregues anteriormente, conforme termo de devolução N° 0001, fls. 159. Na análise dos registros contábeis da empresa, verificamos que o contribuinte executa seus serviços na area de transporte rodoviário de cargas, sendo que este não possui os meios de produção, ou seja a COTRAMOL não possui caminhões para realização de fretes. Os serviços de fretes são realizados através de seus cooperados e outras pessoas físicas ou jurídicas que detém os veículos para a prestação do serviço. Então, o serviço prestado pela cooperativa funciona do seguinte modo: 0 contratante de serviço entra em contato com a COTRAMOL, solicitando o frete. A COTRAMOL estipula o prego do frete, o qual este contratante lhe paga diretamente o valor total. A COTRAMOL aloca um de seus cooperados ou um terceiro para realizar o frete, remunerandoo pelo serviço prestado. A COTRAMOL, por cada operação acima transcrita, retém um percentual do frete a titulo de comissão. DA SEGREGAÇÃO ENTRE COOPERADOS E NÃO COOPERADOS Para a apuração da correta base de cálculo da CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA, há a necessidade da segregação entre os serviços que foram prestados por cooperados e por não cooperados, conforme prevê a legislação de regência destes tributos. As cooperativas de transporte, deveriam ter segregado n• a sua contabilidade, entre os serviços prestados, aqueles que foram realizados por cooperados e aqueles realizados por nãocooperados. Neste particular, como primeiro passo do nosso trabalho, através do termo de inicio de fiscalização N° 044/2009 fls.122/124, requisitamos A fiscalizada o livro de matriculas da cooperativa, pois conforme a Lei 5.764/1971 (Lei do Cooperativismo), em seus artigos 22 e 23, todos os associados devem ser cadastrados neste livro. LEI N ° 5.764, DE 16 DE DEZEMBRO DE 1971. Art. 22. A sociedade cooperativa deverá possuir os seguintes livros: I de Matricula; Art. 23. No Livro de Matricula, os associados serão inscritos por ordem cronológica de admissão, dele constando: Fl. 472DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 I o nome, idade, estado civil, nacionalidade, profissão e residência do associado; II a data de sua admissão e, quando for o caso, de sua demissão a pedido, eliminação ou exclusão; III a conta corrente das respectivas quotaspartes do capital social. Com base no disposto na legislação supra, e de posse do livro de matriculas, construímos a planilha com a relação dos sócios da cooperativa, fls. 160/162, onde constam todos • os cooperados, contendo nome, CPF ou CNPJ, data de admissão e demissão se for caso. Nas fls. 205/347 do Auto de infração 10925.001666/200953, o qual este encontrase apensado, consta cópia de todo o livro de matriculas da cooperativa. Da analise da contabilidade da empresa, verificamos que a mesma não está segregada. Na contabilidade não consta de forma discriminada os serviços que são prestados por cooperados e por não cooperados, e também não ha distinção entre quais serviços foram prestados por pessoas físicas e jurídicas. Todavia, no que concerne a este quesito, é sabido que existe o dever das cooperativas de segregarem sua contabilidade, em função da origem do fato contábil, se proveniente de operações com associados ou nãoassociados, dever este estabelecido pela já mencionada lei disciplinadora do cooperativismo Lei 5.764/71 em seus arts. 87 e 111 , e pela legislação do Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas (arts. 182 e 183), além de estar previsto nas Normas Brasileiras de Contabilidade NBC T 10.8. (...) Então para a correta apuração da base de cálculo da Contribuição Previdenciária, coubenos a análise de cada Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas CTRC, na tentativa de discriminar os serviços prestados por cooperados e nãocooperados. Para isso, inicialmente, requisitamos & empresa, por meio do item 06 do termo de intimação N° 044/2009, a apresentação em arquivo digital contendo todos os CTRC's compreendidos no período da fiscalização. Todavia, devido a problemas internos, a empresa nos informou que somente a partir do ano de 2007 é que a mesma passou registrar em meio magnético os CTRC's requisitados. Portanto, com relação aos anos 2005 e 2006, segundo informação da empresa, só há registro de CTRC's em meio papel. Em decorrência disso, coube a esta fiscalização a análise de todos os CTRC's, em meio papel, referentes aos anos 2005 para então identificar para cada um, quem foi o efetivo de serviço. Ressaltamos que este trabalho tornouse devido ao grande volume de documentos da empresa (em vinte mil CTRC's por ano). Fl. 473DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10925.001664/200964 Acórdão n.º 2401003.375 S2C4T1 Fl. 8 13 No decorrer do trabalho de analise dos CTRC's nos deparamos com diversos problemas, a saber : CTRC's nos quais não constam prestadores de serviço; CTRC's onde a parte que consta a identificação do prestador do serviço havia sido destacada, portanto, inexistente a informação; Modelo de CTRC onde não existe um campo especifico para a informação do prestador do serviço; CTRC's que, apesar de conterem os dados do prestador de serviço, encontravamse ilegíveis, quer seja pela grafia, quer ser pelo fato de estar apagado devido As várias vias de carbono; Na maioria dos CTRC's não consta o valor que foi efetivamente repassado ao prestador do serviço (informação é necessária para a apuração da base de cálculo da contribuição previdencidria). Nas fls. 348/419, do Auto de infração 10925.001666/200953, o qual este encontrase apensado, apresentamos cópias dos CTRC's por amostragem onde podem ser evidenciados estes problemas. Não foram anexados todos os CTRC's que apresentam os problemas mencionados acima ou que efetivamente contém a base de cálculo dos tributos aqui fiscalizados, devido ao grande volume de informações da empresa, excedendo a 75 mil documentos, no seu total. No intuito de resolver a questão referente ao valor que efetivamente foi repassado ao prestador de serviço, intimamos a cooperativa em 16/03/2009, conforme Termo de Intimação 075/2009, fls. 163/164, a prestar a informação de como é feito o cálculo do valor que é repassado ao transportador. Em 31/03/2009, reintimamos a cooperativa a apresentar arquivo digital referente aos CTRC's, conforme Termo de Intimação 103/2009, fls. 165/166. Em 06/04/2009, a cooperativa nos entregou o documento mencionando de como é calculado o valor que é repassado aos prestadores de serviços, fls. 167. Nesta oportunidade, a empresa nos entregou também a relação dos cooperados da COTRAMOL fls. 168/170, e também CD contendo os CTRC's referente aos anos 2007 e 2008, conforme recibo de entrega gerado pelo sistema SVA, fls. 171. Na tentativa de resolver o problema de identificar o efetivo prestador do serviço uma vez que em muitos CTRC's não existe esta informação, porém existe a placa do veiculo , intimamos a cooperativa por intermédio do Termo de Intimação N° 128/2009, fls.176/181, a apresentar uma relação dos cooperados e a placa dos respectivos veículos. Assim poderíamos identificar para cada CTRC nos quais existe a informação da placa do veiculo, se o serviço havia sido prestado por um cooperado. Porém esta Fl. 474DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 tentativa não logrou êxito, pois a cooperativa, por meio do documento de fls. 185/187, informa que não possui este registro. Neste documento protocolado pela empresa em 11/05/2009, consta a declaração da qual transcrevo parte abaixo: "Porem, a solicitação evidenciada no último Termo de n°128/2009, foge completamente aos preceitos da materialidade e do bom senso. A cooperativa não tem motivo algum em ter controle de placas por associado. Essa informação é colocada no CTRC para evitar multas nos CTRC's postos fiscais de competência dos estados, caminhões tra, fegam, nada mais. E de costume no setor de transporte, a constante troca de veículos. 0 transportador seguidamente troca um veiculo usado por um mais novo haja vista a necessidade de renovação da frota. Então, esses veículos que realizaram o transporte no período solicitado, certamente já mudaram de proprietário. A cooperativa não tem esse controle de placas por proprietário, por isso é impossível fornecer esta informação." Em 05/05/2009, através do Termo de Devolução N° 002 fls.182/183, devolvemos todas as caixas contendo os CTRC's referente ao ano 2005, e procedemos a guarda dos documentos referente ao ano de 2006, conforme documento de fls. 184. Por fim, restaram esgotadas as tentativas desta fiscalização de identificar, junto d COTRAMOL, quais os serviços foram prestados por cooperados ou por não cooperados. Com o exposto acima, nos deparamos com duas situações distintas dentro da cooperativa'. A primeira referente aos anos 2005 e 2006, nos quais precisamos verificar os documentos físicos na tentativa de identificar o prestador do serviço. A segunda situação, referente aos anos 2007 e 2008, nos quais nos foi entregue arquivo digital referente aos CTRC's. A transcrição dos termos do relatório acima, em especial aqueles pontos grifados, visa tão somente evidenciar, que a autoridade fiscal, buscou sim, obter a correta base de cálculo durante o procedimento fiscal, inclusive , reiterando o recorrente e apontando especificamente os pontos aos quais tinha dúvida sobre constituir fato gerador de contribuições. Assim, não acato o argumento que a autoridade fiscal esteja transferindo o ônus da prova, já que a mesma utilizouse de pagamentos à título de transporte, porém em alguns embora intimada não esclareceu a empresa tratarse de pessoas físicas ou jurídicas. Segundo as regras processuais que disciplinam a distribuição do ônus da prova, a demonstração dos fatos extintivos, impeditivos e modificativos incumbe a quem os alega, portanto, à impugnante.estabelece sobre o tema, o artigo 16, inciso III , do Decreto n° 70.235/72, assim art.16" A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; Fl. 475DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10925.001664/200964 Acórdão n.º 2401003.375 S2C4T1 Fl. 9 15 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993); No mesmo sentido, há mandamento expresso na Lei 9.784/99, quanto ao ônus probatório, conforme segue: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Há mandamento semelhante no Código de Processo C i v i l , o qual, em seu artigo 333, impõe ao sujeito passivo o ônus da prova dos fatos extintivos, impeditivos ou modificativos por ele alegados, nos seguintes termos: "Art. 333. O ônus da prova incumbe:(...) II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor" 14. É o que se depreende também da doutrina de Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martinez Lopez, in "Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado", Dialética, 2002, p. 207: "A palavra ônus, do latim ônus, significa carga, peso, encargo, obrigação. Quando se indaga a quem cabe o ônus da prova, quer se saber a quem cabe a obrigação de prover os elementos probatórios suficientes para formação do convencimento do julgador. No processo administrativo fiscal federal, temse como regra que aquele que alega algum fato é quem deve provar. Então, o ônus da prova recai a quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido fato gerador da contribuição previdenciária, deverá apresentar a prova de sua ocorrência. Se, por outro lado, o interessado aduz a inexistência da ocorrência do fato gerador, igualmente, terá que provar a falta dos pressupostos de sua ocorrência ou a existência de fatores excludentes " Segundo Alberto Xavier, i n " Do Lançamento: Teoria Geral do A t o , do Procedimento e do Processo Tributário, p. 337, "compete indiscutivelmente ao autor a prova dos fatos constitutivos do direito alegado, isto é, do direito à anulação, e, portanto, a prova dos fatos que se traduzem em vícios do lançamento impugnado ". Bastanos uma simples leitura do relatório fiscal, fl. 63 e seus anexos, para que se perceba, que auditor desincumbiuse de identificar claramente não apenas o fato gerador como toda a legislação que fundamenta o lançamento, inclusive, anexando planilhas com os fatos geradores individualizados extraídos dos próprios livros contáveis do recorrente. Ou seja, facil seria ao recorrente realizar a conferência dos valores ora lançados com aqueles efetivamente recolhidos, e indicando durante a fase impugnatória, ou mesmo na recursal (caso, os documentos fossem encontrados a destempo)). A indicação dos fatos geradores apurados durante o procedimento fiscal, realmente é da competência da autoridade fiscal, que tem o dever de efetuar o lançamento de forma clara, permitindo o exercício da ampla defesa e do contraditório, porém a partir do momento que não são apresentados documentos que comprovem o recolhimento sobre todos os fatos geradores apurados durante o procedimento fiscal, deve a recorrene, de posse dos relatórios constantes do presente documento, Fl. 476DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 providenciar uma defesa específica em relação a cada fato gerador, o que não identifico no presente recurso. A autoridade fiscal ao iniciar o procedimento fiscal, utilizase de técnicas de auditoria, para frente aos termos de intimação, requerer os documentos e livros contábeis, capazes de refletir a contratação de mão de obra. Assim, a documentação, a qual o auditor tem acesso é limitada àquela que lhe foi apresentada e a qual foram solicitados esclarecimentos. Se a autoridade fiscal, identifica, possíveis fatos geradores, requer maiores esclarecimentos e os mesmos não são prestados, ocorrerá a inversão do ônus da prova, devendo o recorrente comprovar a inexistência dos fatos. Quem faz os lançamentos contábeis é a empresa, em sendo uma cooperativa, deve ter ciência de quais os fatos ensejam a incidência de contribuição previdenciária. Em assim, sendo, quem mais poderia indicar, sobres os elementos lançados em sua própria contabilidade, quais aqueles que não sofrerão incidência de contribuições. DO MÉRITO Em primeiro lugar, importante destacar que as cooperativas em relação aos segurados que contrata, sejam eles, segurados empregados ou mesmo contribuintes individuais, possui as mesmas obrigações que as empresas em geral, tendo em vista sua equiparação. Art. 12. Consideramse: I empresa a firma individual ou a sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e as entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; e II empregador doméstico aquele que admite a seu serviço, mediante remuneração, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparamse a empresa, para os efeitos deste Regulamento: (Redação alterada pelo Decreto nº 3.265/99) I o contribuinte individual, em relação a segurado que lhe presta serviço; (Redação alterada pelo Decreto nº 3.265/99) II a cooperativa, a associação ou a entidade de qualquer natureza ou finalidade, inclusive a missão diplomática e a repartição consular de carreiras estrangeiras; III o operador portuário e o órgão gestor de mãodeobra de que trata a Lei nº 8.630, de 1993; e IV o proprietário ou dono de obra de construção civil, quando pessoa física, em relação a segurado que lhe presta serviço. Ao contrário do que alega o recorrente quando o serviço de transporte é intermediado via cooperativa de trabalho, no caso: sendo essa a intermediadora, contratante, e a ela que compete o recolhimento das contribuições previdenciária seja dos cooperados ou dos contribuintes individuais a lhe prestarem serviços. Os tomadores de serviços de transportadores deverão reter e recolher quando contratarem diretamente. A empresa COTRAMOL nada mais é do que uma cooperativa de transpporte e como tal ao intermediar a contratação de seus cooperados e outras pessoas físicas junto aos Fl. 477DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10925.001664/200964 Acórdão n.º 2401003.375 S2C4T1 Fl. 10 17 seus tomadores deve arcar com a obrigação imposta no presente AIOP. Aliás as fls. 254, a recorrente destaca seu objeto: “No caso da lmpugnante, que é uma sociedade cooperativa de transporte, viabiliza serviços (frete) para seu cooperado (transportador rodoviário autônomo ou pessoa jurídica cooperada). Este serviço é prestado tomador do serviço (cliente, exemplo: Perdigão Agroindustrial S.A, Nestlé Brasil S. A., Danone Ltda., Marfrig Frigorifico e Comércio de Alimentos S. A., Avipal Nordeste S. A., JBS S. A. e Sadia'S. A., dentre outras).” Ademais, não compete ao auditor fiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. Com relação aos argumento que indevidas as contribuições (retenções) para o SEST e SENAT, tendo em vista a prestação de serviços de transporte urbano, que difere do transporte rodoviário, razão não confiro ao recorrente. A legislação previdenciária é clara ao definir a competência da autoridade previdenciária para cobrança de contribuições destinadas aos terceiros, dentra elas: SEST e SENAT, senão vejamos o art 94, parágrafo único, da Lei 8212/91. Art. 94. O Instituto Nacional do Seguro Social INSS poderá arrecadar e fiscalizar, mediante remuneração de 3,5% do montante arrecadado, contribuição por lei devida a terceiros, desde que provenha de empresa, segurado, aposentado ou pensionista a ele vinculado, aplicandose a essa contribuição, no que couber, o disposto nesta Lei. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, às contribuições que tenham a mesma base utilizada para o cálculo das contribuições incidentes sobre a remuneração paga ou creditada a segurados, ficando sujeitas aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios, inclusive no que se refere à cobrança judicial. (Ver § 1º do art. 274 do Regulamento, Dec. nº 3.048/99) Neste sentido, o julgado de 1ª Instância espancou qualquer dúvida acerca da exigência de contribuições para o SEST e SENAT em relação a contratação de transporte rodoviário. Senão vejamos o texto do Decreto 3.048/93. Art. 1° As contribuições compulsórias previstas nos incisos I e II do art. 7° da Lei n° 8.706, de 14 de setembro de 1993, são devidas a partir de 1° de janeiro de 1994 às entidades e nos percentuais abaixo indicados: I ao Serviço Social do Transporte (Sest): a) 1,5% calculado sobre o montante da remuneração paga pelas empresas de transporte rodoviário a todos os seus empregados; Fl. 478DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 18 b) 1,5% calculado sobre o salário de contribuição previdenciária dos transportadores rodoviários autônomos; II ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat): a) 1,0% calculado sobre o montante da remuneração paga pelas empresas de transporte rodoviário a todos os seus empregados; b) 1,0% calculado sobre o salário de contribuição previdenciária dos transportadores rodoviários autônomos. Art. 2° Para os fins do disposto no artigo anterior, considerase: I empresa de transporte rodoviário: a que exercite a atividade de transporte rodoviário de pessoas ou bens, próprios ou de terceiros, com fins econômicos ou comerciais, por via pública ou rodovia; Assim, neste ponto, também razão não assiste ao recorrente, visto que plenamente aplicável a exigência de contribuições dos transportadores autônomos vinculados a cooperativas de trabalho. LANÇAMENTOS DUPLICADOS Alegou o recorrente, que existem lançamentos em duplicidade, razão pela qual deve o processo ser baixado em diligência, para que se apure possíveis erros de base de cálculo das contribuições para o SEST e SENAT. Assim, como devidamente enfrentado em sede preliminar nos presentes autos, não basta a empresa alegar, mas demonstrar, apontar as duplicidades e os erros de base de cálculo das contribuições. Conforme dito se identificou erros, deveria, a empresa, já que é a maior conhecedora dos fatos, detalhar os fatos que no mínimo instaurariam a dúvida na interpretação do julgador, para que o mesmo verificasse a pertinência da realização de diligência. Assim, sem qualquer demonstração fática de tais duplicidades ou impropriedades já afasto o argumento do recorrente, sem que se fale em descumprimento QUANTO A AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO INADIMPLEMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES EXIGIDAS POR PARTE DOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. O argumento de que não há prova de que tenha a autoridade fiscal promovido a exigência em relação aos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, destaco, que não acolho a pretensão od recorrente. O lançamento em questão só pode ser feito na empresa autuada, considerando ser responsável pelo desconto e recolhimento da contribuição destinada a terceiros, na qualidade de substituto tributário. Ou seja, a obrigação é da autuada, sendo que o dispositivo legal aplicado ao caso concreto, nem mesmo tem previsão de que tal exigência seria feita diretamente pelo contribuinte individual. Nem tampouco tem qualquer fundamento a alegação que a existência de solidariedade na exigência ora em comento. O desconto e o efetivo recolhimento sobre a contratação de cooperados é obrigação do tomador, no caso a própria cooperativa autuada. Ao não proceder o desconto respectivo, subrrogase na obrigação de assumindo pessoalmente a contribuição destinada ao SEST/SENAT. IMPROCEDÊNCIA SOBRE CONTRATAÇÃO DE PESSOAS JURÍDICAS. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10925.001664/200964 Acórdão n.º 2401003.375 S2C4T1 Fl. 11 19 Quanto a alegação de improcedência da exigência sobre valores vertidos a pessoas jurídicas prestadoras de serviços, também não atribuo razão ao recorrente . Conforme já detalhado nas preliminares, a empresa que contabilizou de forma conjunta (uma só conta) todos os pagamentos, sem especificar a que tipo de pessoa referiase (física ou jurídica), terá que comprovar . Ademais, referida exigência não encontrase descrita no presente AI, que destinase a terceiros, razão pela qual a matéria será julgada no processo próprio. Tanto no transcurso da ação fiscal, quanto na peça de defesa, e recurso não apresenta qualquer prova que indique quais das pessoas arroladas nas planilhas são pessoas jurídicas, aptas a contrapor a conclusão da autoridade lançadora, pelo que considero que se tratam de meras alegações desprovidas de provas, como determina a legislação que rege o processo administrativo tributário, que prescreve sejam os documentos apresentados na peça de impugnação, nestes termos: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Pelo que observa pela legislação, há previsão expressa sobre a obrigatoriedade da retenção e recolhimento da contribuição social das terceiras entidades, referente ao segurado contribuinte individual que preste serviço a empresa (cooperado ou nãocooperado), nesta incluída a cooperativa de trabalho, gênero a qual pertencem as cooperativas de transportadores. Não procede o argumento da impugnante quando afirma que se está a exigir contribuição por força de contratação de pessoa jurídica. Exigese pelo presente lançamento fiscal as contribuições decorrentes de serviços de fretes prestados por contribuintes individuais (cooperados e nãocooperados), por força da responsabilidade imposta pela legislação dantes arrolada, que prescreve a obrigação pelo desconto e repasse da contribuição social dos transportadores ao SEST/SENAT, aplicável inclusive para o caso de o associado cooperado prestar serviço a terceiro (tomador), independentemente de ser pessoa jurídica ou física, cujo detalhamento constou de planilhas, que aqui se retrata em síntese nesta parte do Relatório Fiscal: [...]Para a apuração da correta base de cálculo da CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA, há a necessidade da segregação entre os serviços que foram prestados por cooperados e por não cooperados, conforme prevê a legislação de regência destes tributos. As cooperativas de transporte, deveriam ter segregado na sua contabilidade, entre os serviços prestados, aqueles que foram realizados por cooperados e aqueles realizados por nãocooperados. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 20 Neste particular, como primeiro passo do nosso trabalho, através do termo de inicio de fiscalização N° 044/2009, fls. 122/124, requisitamos à fiscalizada o livro de matriculas da cooperativa, pois conforme a Lei 5.764/1971 (Lei do Cooperativismo), em seus artigos 22 e 23, todos os associados devem ser cadastrados neste livro. BASE DE CÁLCULO – INCLUSÃO DO VALOR DOS FRETES. Quanto a alegação de que a autoridade fiscal não deduziu o valor do frete, entendo que razão também não assiste ao recorrente. Quanto o auditor fiscal, lança a base de cálculo, com o indicativo de contribuição sobre os serviços de transporte, o próprio sistema, já calcula a contribuição devida, utilizando a base de 20% sobre o valor total do frete. Assim, o valor do seguro, já é automaticamente excluído, posto que a base de cálculo já prevê referida exclusão automaticamente, já que a incidência dáse sobre uma base de cálculo já reduzida. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA Com relação da interpretação em relação a aplicação dos dispositivos da MP 449/2008, convertida na lei 11.941, entendo que os argumentos do recorrente não merecem prosperar. Filiome a tese adotado pelo auditor fiscal e ratificada pelo julgador de primeira instância. No que tange ao cálculo da multa, face à edição da MP 449/08, convertida em lei 11.941, a citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: Fl. 481DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10925.001664/200964 Acórdão n.º 2401003.375 S2C4T1 Fl. 12 21 I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, como no presente caso, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado (75%). As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio da notificação já mencionada e, tendo havido o lançamento de ofício, não se aplicaria o art. 32A, sob pena de bis in idem. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No caso conforme descrito no relatório fiscal, para que se determinasse o valor da multa a ser aplicada, procedeuse ao comparativo: com base na antiga sistemática, multa moratória, com a aplicação de multa pela não informação em GFIP, e da sistemática descrita na nova legislação. Na hipótese dos autos, a fiscalização achou por bem aplicar a multa de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos explicitados acima. Em relação as competências anteriores a edição da referida MP (04/12/2008) e considerando que o art. 106 que, inciso II, "c do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66) dispõe que tratandose de ato não definitivamente julgado a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, efetuamos o Fl. 482DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 22 demonstrativo da multa entre as penalidades da legislação posterior e anterior a MP 449/2008 para a aplicação da mais benéfica, conforme Anexo único e resumo abaixo. Ou seja, para efeitos da apuração da situação mais favorável, observou o auditor fiscal notificante: 1. Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou 2. Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso, para rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/06/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13888.916044/2011-28
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 28/02/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO.
Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-002.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: Francisco José Barroso Rios
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 28/02/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. Recurso a que se nega provimento.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do Fato Gerador: 28/02/2001 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1O DO ARTIGO 3O DA LEI NO 9.718, DE 1998, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC NO 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 1998. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 28/02/2001 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO MATERIAL NÃO DEMONSTRADO. RECURSO NÃO PROVIDO. Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, não demonstrou nos autos o alegado recolhimento indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A não comprovação, portanto, do indébito, impede seja reconhecido o direito à restituição pleiteada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 60 44 /2 01 1- 28 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 4a Turma da DRJ Ribeirão Preto (fls. 28/50 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face do indeferimento de restituição no valor de R$ 98,78, referente a suposto recolhimento a maior que o devido de PIS de competência do mês de fevereiro de 2001. A DRF Piracicaba/SP indeferiu o pedido de restituição porque o pagamento supostamente recolhido a maior havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte, não restando, portanto, nenhum saldo disponível para restituição. Inconformada, a interessada aduziu que o crédito decorre do indevido cômputo das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição, isso diante da declarada inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que previa a incidência da contribuição para o PIS e para a COFINS sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Ressalta ainda que referido dispositivo fora revogado pelo artigo 79, inciso XII, da Lei nº 11.941/2009. A título comprobatório do direito creditório o sujeito passivo juntou uma planilha discriminando os valores recolhidos a maior em cada período de apuração. A primeira instância não reconheceu o direito creditório com base nos seguintes fundamentos: a) que, diante da não retificação da DCTF, o pagamento estava integralmente vinculado ao débito declarado, de sorte que não havia crédito a ser ressarcido; b) que a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo artigo 79, inciso XII, da Lei nº 11.941/09 não tem efeitos retroativos e, portanto, não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise; Fl. 97DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916044/201128 Acórdão n.º 3802002.815 S3TE02 Fl. 85 3 c) que a autoridade administrativa não poderia afastar a norma declarada inconstitucional uma vez que a contribuinte não figurara como postulante nas ações julgadas pelo STF, e que ao referido julgado não fora dado efeito erga omnes; e, d) que o contribuinte não apresentou provas documentais discriminando as receitas financeiras que alegou compor a base de cálculo do tributo no período em questão, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 03/07/2013 (fls. 55 Termo de Ciência por Decurso de Prazo). Inconformado, o sujeito passivo apresentou, em 16/07/2013 (fls. 82), o recurso voluntário de fls. 57/74, onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito sob o argumento de que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e que isso deveria ser reconhecido pela Administração ainda que tal decisão houvesse sido prolatada no controle difuso. Ressalta que, por força do disposto no artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, uma vez reconhecida a repercussão geral do tema pelo STF. Concernente à produção de provas, ressalta que, juntamente com a manifestação de inconformidade, apresentou a cópia do DARF, a cópia do PER/DCOMP e o demonstrativo do crédito, não havendo que se falar em preclusão do direito de apresentação de prova documental em vista dos princípios da instrumentalidade e da verdade material. Requer, ao final, seja deferida a restituição pleiteada. Além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos, às fls. 80/81, cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período. É o relatório. Voto O recurso há que ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Do direito subjetivo arguido A discussão envolve crédito decorrente da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98. Como se sabe, o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98 ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS. O aumento da carga tributária daí decorrente foi contestado na justiça, tendo o Poder Judiciário, por diversas vezes, entendido que a amplitude de faturamento referida no artigo 195, inciso I, da Constituição Federal, na redação anterior à Emenda Constitucional – EC nº 20, de 1998, não legitimava a incidência de tais contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas contribuintes, advertindo, ainda, que a superveniente promulgação da EC no 20, de 1998, publicada no dia 16 de dezembro de 1998, Fl. 98DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 “não teve o condão de validar a legislação ordinária anterior, que se mostrava originariamente inconstitucional” (Ag.Reg. RE 546.3273/SP, Rel. Min. Celso Mello). Assim, entendeu o Poder Judiciário que o § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718, de 1998, ao alargar o conceito de faturamento, criara exação nova, assunto o qual deveria ter sido objeto de lei complementar, por força do disposto no artigo 195, § 4o, c/c artigo 154, inciso I, da Constituição Federal. Portanto, o alargamento da base de cálculo objeto da Lei no 9.718, de 27/11/1998 (decorrente da conversão da MP no 1.724, de 29/10/1998 – antes, ressaltese, da EC no 20, de 15/12/1998), estava maculado por vício formal de constitucionalidade. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário no 390.840/MG, apreciado pelo pleno em 09/11/2005, decidiu no seguinte sentido (relator Ministro Marco Aurélio): CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE – ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 – EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PIS – RECEITA BRUTA – NOÇÃO – INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. A decisão teve a seguinte votação: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, conheceu do recurso extraordinário e, por maioria, deulhe provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, vencidos, parcialmente, os Senhores Ministros Cezar Peluso e Celso de Mello, que declaravam também a inconstitucionalidade do artigo 8º e, ainda, os Senhores Ministros Eros Grau, Joaquim Barbosa, Gilmar Mendes e o Presidente (Ministro Nelson Jobim), que negavam provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, a Senhora Ministra Ellen Gracie Plenário, 09.11.2005. Posteriormente, o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário no 585.235 1/MG, proferido em 10/09/2008 e publicado em 28/11/2008, reconheceu a repercussão geral do tema, conforme ementa do acórdão em tela, que teve a relatoria do Ministro Cezar Peluso: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916044/201128 Acórdão n.º 3802002.815 S3TE02 Fl. 86 5 Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do mesmo Regimento veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais a de que trata a hipótese objeto de seu inciso I, qual seja, afastar preceito “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”, como na hipótese presente. Aliás, segundo o artigo 62A do RICARF (inserido pela Portaria MF no 586/2010), As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Além disso, o parágrafo único do artigo 4o do Decreto no 2.346, de 10/10/1997, dispõe que, Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Com a declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98, o STF entendeu que o PIS e a COFINS somente poderiam incidir sobre as receitas operacionais das empresas, ou seja, aquelas ligadas às suas atividades principais. Sobre tal dispositivo, vale ressaltar, a título de informação, que o mesmo foi posteriormente revogado pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009. Consequentemente, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional no 20, de 19981. 1 Com efeito, referida Emenda Constitucional, como já citado, unificou os conceitos de receita bruta e de faturamento, o que se deu somente após a edição da Lei nº 9.718/98, cujo § 1º do artigo 3º, ampliador do conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, ainda não estava respaldado pelo alicerce constitucional decorrente da reportada EC no 20/98. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 Logo, de fato, é indevida, em tese, a exigência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras auferidas pelo sujeito passivo, que tem como atividade principal o “aluguel de imóveis próprios”, código 68.10202, conforme consta na sua ficha cadastral junto ao CNPJ, que está em sintonia com o artigo 3º de seu Estatuto Social, publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo em 12/04/1995 (cópia acostada aos autos). Do direito material É verdade que o sujeito passivo não retificou a DCTF do período nem apresentou, na primeira instância, documentação suficiente para a comprovação do direito creditório reclamado. Com efeito, naquela ocasião trouxe apenas demonstrativo de cálculo do aduzido crédito, além da cópia do DARF com o pagamento do tributo. Agora, além dos documentos acima citados, a suplicante acosta aos autos cópias das folhas do Livro Razão inerentes à contabilização das receitas financeiras do período (ver fls. 80/81). Todavia, permanece sem apresentar a DCTF retificadora, o mesmo podendo ser dito em relação à DIPJ retificadora e ao DACON retificador. Ou seja, mesmo considerando a possibilidade de retificação de ofício da DCTF por parte da autoridade administrativa – acaso demonstrada a legitimidade da correção dos valores declarados –, entendimento que esta Turma tem adotado em muitos de seus julgados, não se pode olvidar da necessidade de apresentação dos documentos comprobatórios do reclamado indébito, dentre os quais o DACON retificador, imprescindível para verificar se, na base de cálculo da contribuição, foram originalmente consideradas as receitas financeiras do sujeito passivo, fonte do direito creditório reclamado. Sem a devida comprovação não há como afirmar que o crédito reclamado é indevido, ainda que admitidas as novas provas acostadas aos autos (Livro Razão) em homenagem ao princípio da efetividade do processo, que tem como norte um processo menos formalista, que deságua na busca pela verdade material. Mas esta há que ser harmonizada com a segurança e a celeridade exigidas nas lides administrativas, não se podendo transferir para o Fisco o ônus de comprovar o direito creditório alegado, que é do sujeito passivo, a teor do disposto no artigo 333, inciso I, do CPC. Portanto, penso que a realidade em exame não se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido indevidamente, uma vez não demonstrado nos autos o alegado recolhimento indevido, não obstante a legitimidade da tese relacionada à inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei no 9.718/98. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 26 de março de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 101DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13888.916044/201128 Acórdão n.º 3802002.815 S3TE02 Fl. 87 7 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/ 06/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 10166.721567/2010-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2007
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade, eis que interposto após exaurimento do prazo normativo.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-003.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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NÃO CONHECIMENTO. O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade, eis que interposto após exaurimento do prazo normativo. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 15 67 /2 01 0- 64 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Período de apuração: 01/07/2005 a 31/12/2007 Data da lavratura do AIOP: 16/07/2010. Data da Ciência do AIOP: 21/07/2010. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Brasília/DF que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.270.5111, consistente em contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, incidentes sobre os valores pagos, creditados ou devidos a segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços no mês, sem vínculo empregatício, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 18/29. Informa a Autoridade Lançadora que, do exame dos estatutos da FUNAP, aprovado pelo Decreto nº 10.144 de 19/02/1987, depreendese que o Notificado possui personalidade jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, dotados de autonomia técnica, administrativa, financeira e operacional, vinculado à Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, tendo como objetivo contribuir para a recuperação social do preso e a melhoria de suas condições de vida. Para cumprir o seu objetivo, além de outras ações, a FUNAP oferece aos presos a oportunidade de trabalho remunerado compatível com a sua situação na prisão, os quais, nessas condições, são qualificados pela legislação previdenciária como segurados contribuintes individuais. Constitui fato gerador da contribuição previdenciária principal objeto deste Auto de Infração, a remuneração dos segurados recolhidos à prisão, enquadrados como contribuinte individual, pela prestação de serviços. Tais segurados foram declarados no documento GFIP, porém a FUNAP deixou de recolher e declarar a contribuição da empresa disposta no art. 22, IV c.c. art. 28, III da Lei nº 8.212/91; art. 201, I e 214, III, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº. 3.048/99. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 174/206. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 0342.239 – 5ª Turma da DRJ/BSB, a fls. 227/240, julgando procedente o lançamento em debate e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 26/05/2011, conforme Aviso de Recebimento a fl. 242. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, em 29 de junho de 2011, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 244/273, requerendo ao fim a anulação do débito formalizado mediante o vertente AIOP. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.721567/201064 Acórdão n.º 2302003.194 S2C3T2 Fl. 303 3 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 26 de maio de 2011, quintafeira, dia útil, conforme Carta DRFB//DF/DICAT/Carta nº 217/2011 e Aviso de Recebimento a fls. 241 e 242, respectivamente. Nos Processos Administrativos Fiscais que tratam da constituição de crédito tributário de natureza previdenciária, a matéria pertinente ao oferecimento de recursos administrativos foi confiada à Lei nº 8.213/91, a qual concedeu ao sujeito passivo o prazo de 30 dias para o oferecimento, ao órgão julgador de 2ª instância, de bloqueio em face de decisão de 1º grau que lhe tenha sido desfavorável. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.03/2007) §1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarrazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Cumpre trazer à baila que os processos administrativos fiscais relativos aos créditos em fase de constituição foram transferidos, por força do art. 4º da Lei nº 11.457/2007, para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cujo iter procedimental passou a ser regido, Fl. 304DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 desde então, pelo rito fixado pelo Decreto nº 70.235/72, em atenção às disposições insculpidas no art. 25 daquele Diploma Legal. Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007. Art. 2º Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (...) Art. 3º As atribuições de que trata o art. 2º desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (...) Art. 4º São transferidos para a Secretaria da Receita Federal do Brasil os processos administrativofiscais, inclusive os relativos aos créditos já constituídos ou em fase de constituição, e as guias e declarações apresentadas ao Ministério da Previdência Social ou ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, referentes às contribuições de que tratam os arts. 2o e 3o desta Lei. Art. 25. Passam a ser regidos pelo Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972: I a partir da data fixada no §1º do art. 16 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º desta Lei; II a partir da data fixada no caput do art. 16 desta Lei, os processos administrativos de consulta relativos às contribuições sociais mencionadas no art. 2º desta Lei. §1º O Poder Executivo poderá antecipar ou postergar a data a que se refere o inciso I do caput deste artigo, relativamente a: I procedimentos fiscais, instrumentos de formalização do crédito tributário e prazos processuais; II competência para julgamento em 1a (primeira) instância pelos órgãos de deliberação interna e natureza colegiada. §2º O disposto no inciso I do caput deste artigo não se aplica aos processos de restituição, compensação, reembolso, imunidade e isenção das contribuições ali referidas. §3º Aplicamse, ainda, aos processos a que se refere o inciso II do caput deste artigo os arts. 48 e 49 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.721567/201064 Acórdão n.º 2302003.194 S2C3T2 Fl. 304 5 Ao dispor sobre prazos, o antecitado Decreto nº 70.235/72 determinou que os prazos recursais devem ser contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Estatuiu, igualmente, que os prazos recursais só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. É mister salientar, por relevante, que o art. 6º do referido Decreto concedia à autoridade preparadora, em circunstâncias especiais, a faculdade de acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência. Tal prerrogativa, contudo, lhe foi excluída pela lei nº 8.748/1993, que expressamente revogou o mencionado art. 6º, em sua integralidade, de molde que, a contar de então, não mais dispõe a referida autoridade de poder discricionário para prorrogar os prazos recursais. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 6º A autoridade preparadora, atendendo a circunstâncias especiais, poderá, em despacho fundamentado: (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) I acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência; (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) II prorrogar, pelo tempo necessário, o prazo para a realização de diligência. (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) No presente caso, o sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da Decisão de Primeira Instância Administrativa no dia 26 de maio de 2011, quintafeira, dia útil, iniciandose, por conseguinte, a fluência do trintídio recursal na sextafeira imediatamente seguinte, digase, no dia 27/05/2011, dia útil. Sendo de 30 dias contínuos o prazo para o oferecimento de recurso voluntário, este se encerraria aos 25 dias do mês de junho do mesmo ano, sábado, que por não haver expediente normal no órgão fazendário competente, provocou o elastecimento do prazo em tela para o dia útil imediatamente seguinte, in casu, o dia 27/06/2011, segundafeira, em atenção às disposições inscritas no Parágrafo Único do art. 5º do Decreto nº 70.235/72. Salientese, de maneira a nocautear qualquer dúvida, que o prazo recursal é contínuo, não sendo suspenso ou interrompido por fins de semana ou feriados nacional, estadual ou municipal, salvo se estes coincidirem com a data de início ou de término do referido prazo, o que não ocorre no caso em apreço. Nesse contexto, o dies a quo do aludido prazo recursal recaiu, para todos os efeitos jurídicos, exatamente no dia 27/05/2011, o que implica na fixação do dia 27 de junho do mesmo ano como o dies ad quem para a protocolização do competente Recurso Voluntário. No caso vertente, havendo sido o recurso voluntário protocolizado no dia 29 de junho de 2011, como assim denuncia o carimbo de protocolo da SAMF/SPOA/SE/MF Fl. 306DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 aposto no canto superior direito da folha de rosto do Recurso Voluntário a fl. 244, há que se reconhecer, portanto, a intempestividade do recurso interposto, fato que impede o seu conhecimento por parte deste Colegiado. Registrese que o próprio instrumento de Recurso Voluntário é datado de 28 de junho de 2011, ou seja, dia seguinte ao dead line para sua protocolização no órgão fazendário competente. Nesse sentido, Despacho da Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário – DICAT/DRFB/DF, de 11/07/2011, a fl. 274. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no art. 63, I da Lei nº 9.784/99, a qual estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração. Lei nº 9.784 , de 29 de janeiro de 1999. Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: (grifos nossos) I fora do prazo; (grifos nossos) II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; IV após exaurida a esfera administrativa. §1º Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendolhe devolvido o prazo para recurso. §2º O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. Nas circunstâncias do caso em apreciação, o não oferecimento de Recurso no prazo normativo implica o trânsito em julgado da decisão de 1ª instância, tornandoa definitiva no âmbito administrativo, a teor dos artigos 22 e 26, I, ‘a’ da Portaria RFB nº 10.875/2007, sob cuja égide sucederam os fatos jurídicos em realce. Portaria RFB nº 10.875, de 16 de agosto de 2007 Art. 22. Decorrido o prazo sem que o recurso tenha sido interposto, será o sujeito passivo cientificado do trânsito em julgado administrativo e intimado a regularizar sua situação no prazo de trinta dias, contados da ciência da intimação. (grifos nossos) Parágrafo único. Esgotados os meios de cobrança amigável, o processo será encaminhado ao órgão competente para inscrição em DAU. Art. 26. São definitivas as decisões: I de primeira instância: a) depois de esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (grifos nossos) b) na parte que não foi objeto de recurso voluntário e não estiver sujeita a recurso de ofício; Fl. 307DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10166.721567/201064 Acórdão n.º 2302003.194 S2C3T2 Fl. 305 7 c) quando não couber mais recurso; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III da Câmara Superior de Recursos Fiscais. §1º Na hipótese da alínea "a" do inciso I do caput, o trânsito em julgado administrativo darseá no primeiro dia útil seguinte ao término do prazo para apresentação de recurso voluntário. (grifos nossos) §2º Na hipótese da alínea "b" do inciso I do caput, o trânsito em julgado administrativo, relativamente à parte não recorrida, darseá no primeiro dia útil seguinte ao término do prazo para apresentação de recurso voluntário. §3º Nos julgamentos em que não couber mais recurso, o trânsito em julgado ocorre com a ciência da decisão ao sujeito passivo. §4º Nos casos de interposição dos recursos previstos no art. 56 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, o trânsito em julgado da decisão somente ocorrerá após a ciência da nova decisão ao sujeito passivo. Óbvio está que os selecionados dispositivos da Portaria MPS em realce não ousaram ultrapassar o âmbito da norma que rege a matéria ora em relevo, sendo, antes, desta, mero reflexo, conforme se vos segue: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (grifos nossos) II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Por tais razões, pugnamos pelo não conhecimento do presente Recurso Voluntário, por falta de requisito essencial para a sua admissibilidade. 2. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso, em virtude de sua apresentação intempestiva. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 28/05/ 2014 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10980.923591/2009-07
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 14/06/2002
PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543-B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS A` DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA.
A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Aguardando Nova Decisão.
Numero da decisão: 3802-002.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, determinando-se o retorno dos autos à instância a quo para fins de apreciação do mérito.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/06/2002 PIS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 35 91 /2 00 9- 07 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, determinandose o retorno dos autos à instância “a quo” para fins de apreciação do mérito. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 25): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 14/06/2002 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. O julgador da esfera administrativa deve limitarse a aplicar a legislação vigente, restando, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário a competência para apreciar inconformismos relativos à sua validade ou constitucionalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem resumir a controvérsia até a presente fase processual, transcrevese o relatório do acórdão da DRJ (fls. 26): Trata o processo de Despacho Decisório (Rastreamento nº 842573956), emitido em 22/06/2009, pela DRF em Curitiba/PR, que não homologou a compensação informada no Per/Dcomp nº 20914.79499.300506.1.3.046516, transmitido em 30/05/2006, pela inexistência de crédito, no valor de R$ 66,20, pois o pagamento informado de R$ 11.017,14, sob o código 8109, efetuado em 15/02/2002, teria sido integralmente utilizado para extinção, por pagamento, do PIS (código 8109) do PA de 01/2002. Na manifestação apresentada, a interessada diz que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de Fl. 42DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10980.923591/200907 Acórdão n.º 3802002.938 S3TE02 Fl. 48 3 1998 no RE 357950, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Demonstra numericamente a origem do crédito, especificamente quanto ao valor da contribuição sobre Receitas Financeiras, dizendo estar amparada pelo art. 170 do CTN. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no seu direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação. A Recorrente, nas razões de fls. 32 e ss., sustenta que o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 585.235, na sistemática prevista pelo art. 543B do Código de Processo Civil (CPC). Portanto, o entendimento em questão seria obrigatório nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 22/10/2011 (fls. 31), interpondo recurso tempestivo em 10/11/2011 (fls. 32). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. O exame dos autos mostra que razão assiste ao Recorrente, porque, até o início da vigência do regime nãocumulativo, a hipótese de incidência da contribuição encontravase disciplinada pela Lei no 9.718/1998 e pela Lei Complementar n.o 70/1991. Estas, por sua vez, definiam o “fato gerador” do tributo nos seguintes termos: Lei Complementar no 70/1991: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Lei no 9.718/1998: Art.2o As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art.3o O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 43DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 A Lei Complementar nº 70/1991, como se vê, restringia a materialidade do tributo ao faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias ou da prestação de serviço de qualquer natureza. Não havia previsão para a incidência sobre as demais receitas, o que somente ocorreu após a Lei nº 9.718/1998, que, por meio de seu art. 3º, §1º, ampliou o âmbito normativo da contribuição, de modo a compreender a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. O §1º do art. 3o da Lei no 9.718/1998, porém, foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE no 346.084/PR: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF. T. Pleno. RE 346.084/PR. Rel. Min. ILMAR GALVÃO. Rel. p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO. DJ 01/09/2006). Esse entendimento foi reafirmado pela jurisprudência do STF no julgamento de questão de ordem no RE no 585.235/RG, decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B), no qual também foi deliberada a edição de súmula vinculante sobre a matéria: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (STF. RE 585235 RGQO. Rel. Min. CEZAR PELUSO. DJ 28/11/2008). Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10980.923591/200907 Acórdão n.º 3802002.938 S3TE02 Fl. 49 5 Não é possível, entretanto, o provimento integral do recurso, porquanto a DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão de outras receitas na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Logo, impõese o afastamento da questão prejudicial acolhida pela DRJ, com o consequente prosseguimento do exame do mérito da compensação realizada pelo Recorrente, o que, por sua vez, deve ser realizado pela instância a quo, sob pena de supressão de instância. Votase, assim, pelo conhecimento e parcial provimento do recurso, determinandose o retorno dos autos à instância a quo, para fins de apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 45DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10882.002177/2004-58
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2006
Ementa: MULTA REGULARMENTAR. ARQUIVOS MAGNÉTICOS. O fato gerador da multa é o próprio descumprimento do prazo estabelecido para a apresentação dos arquivos solicitados e ocorre exatamente no momento em que inadimplida referida obrigação, data a que se deve reportar o lançamento, a ser regido pela lei então vigente.
Numero da decisão: 103-22.286
Decisão: ACORDAM os membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Márcio Machado Caldeira, Aloysio José Percínio da Silva e Cândido Rodrigues Neuber que o proviam, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se impedido o conselheiro Victor Luís de Salles Freire
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Paulo Jacin to do Nascimento
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Numero do processo: 10725.000943/2010-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL.
São isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia, demonstrada mediante apresentação de laudo pericial elaborado por médico e expedido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Hipótese que não se aplica aos autos.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-003.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente
NÚBIA MATOS MOURA Relatora.
EDITADO EM: 21/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. São isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia, demonstrada mediante apresentação de laudo pericial elaborado por médico e expedido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Hipótese que não se aplica aos autos. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Relatora. EDITADO EM: 21/07/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 09 43 /2 01 0- 09 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10725.000943/201009 Acórdão n.º 2102003.039 S2C1T2 Fl. 87 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra JOSÉ FONTOURA foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 05/08, relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), anocalendário 2005, exercício 2006, para reduzir o saldo do imposto a restituir de R$ 17.210,33 para R$ 2.280,12. As infrações apuradas pela autoridade fiscal estão assim descritas na Notificação: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Decorrentes de Ação Trabalhista. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 12.214,63 auferidos pelo titular e/ou dependentes. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos, no valor de R$ 366,f44. COMPLEMENTAÇÃO DA DESCRIÇÃO DOS FATOS Contribuinte não ofereceu à tributação o valor R$ 12.214,63 auferido através de Ação Judicial. (...) Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 86.299,55, recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0.00. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10725.000943/201009 Acórdão n.º 2102003.039 S2C1T2 Fl. 88 3 Compensação Indevida de Imposto de renda retido na Fonte. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse a compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte, pelo titular e/ou dependentes, no valor de R$ 35,90 referente às fontes pagadoras abaixo relacionadas. (Portus Instituto de Seguridade social) Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 01/03, onde alega, em apertada síntese, que os rendimentos considerados omitidos são isentos em razão de o contribuinte ser portador de moléstia grave. A autoridade julgadora de primeira instância julgou procedente o lançamento, conforme Acórdão DRJ/SPOII n 1334.283, de 15/04/2011, fls. 31/32, sob a seguinte fundamentação: Dessa forma, não há como considerar isentos do imposto de renda os rendimentos recebidos do INSS (R$ 9.169,91), Portus (R$ 19.555,72) e Companhia Docas (R$ 57.573,92), conforme comprovantes de rendimentos de fls. 09 a 11. Com relação ao rendimento auferido na ação trabalhista, tendo sido pago pela CEF no valor de R$ 12.214,63, de acordo com a DIRF de fl. 30, o contribuinte nem sequer logrou demonstrar se o mesmo diria respeito à aposentadoria ou pensão. Assim, tal quantia não poderia ser abarcada pela isenção prevista na legislação supracitada, caso fosse comprovada a existência da moléstia grave. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 21/06/2011, Aviso de Recebimento (AR), fls. 36, o contribuinte apresentou, em 15/07/2011, recurso voluntário, fls. 37/38, no qual reitera e repisa que os rendimentos considerados omitidos são isentos, em razão de ser portador de moléstia grave. Em sessão plenária realizada em 15/05/2012 esta Turma converteu o julgamento em diligência para que o contribuinte fosse intimado nos seguintes termos (Resolução nº 2102000.059, fls. 71/75): (i) apresentar laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconheça a moléstia e que identifique a data em que foi contraída; e Fl. 88DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10725.000943/201009 Acórdão n.º 2102003.039 S2C1T2 Fl. 89 4 (ii) apresentar os documentos de que dispuser, relativos aos rendimentos recebidos da Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 12.214,63, que permitam a identificação da natureza dos rendimentos recebidos, importando observar que tratandose de rendimentos decorrente de ação trabalhista recebidos acumuladamente, que seja esclarecido se são rendimentos de aposentadoria. Intimado (Termo de Intimação, fls. 77 e AR, fls. 78), o contribuinte não atendeu à intimação, conforme informação prestada pela autoridade responsável pela diligência, despacho, fls. 81. Conforme Resolução nº 2102000.134, de 15/05/2013, fls. 82/85, o julgamento do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte foi sobrestado em razão do disposto no art. 62A, caput e parágrafo 1 , do Anexo II, do RICARF. Todavia, o referido parágrafo 1º foi revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, de sorte que retomase o julgamento do recurso voluntário. É o Relatório. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10725.000943/201009 Acórdão n.º 2102003.039 S2C1T2 Fl. 90 5 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase de infrações de omissão de rendimentos e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, relativas ao anocalendário 2005, contra as quais o contribuinte se insurge, afirmando ser portador de moléstia grave. Para a análise da questão, trazse a seguir a legislação que cuida da matéria: Lei nº 7.713,de 22 de dezembro de 1988 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;(Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) (...) Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. (...) Da legislação acima transcrita, verificase que estão isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos por portadores de moléstias grave, sendo certo que a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico Fl. 90DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10725.000943/201009 Acórdão n.º 2102003.039 S2C1T2 Fl. 91 6 oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. No caso, o contribuinte afirma ser portador de cardiopatia grave e para comprovar o alegado juntou aos autos cópia de declaração, fls. 46, firmada pelo médico Vitor M. Carneiro, em 03/06/2008, com o seguinte teor: Declaro para devidos fins que José Fontoura é portador de doença arterial coronária. Foi submetido a cirurgia de Revascularização do Miocárdio em outubro de 1998. É também portador de hipertensão arterial sistêmica controlada por medicação e doença pulmonar obstrutiva crônica. A referida declaração foi firmada em papel timbrado do Hospital Geral de Guarus, pertencente à Fundação Dr. Geraldo da Silva Venâncio, onde consta a informação de tratarse de unidade conveniada com o SUS. Contudo, não se pode dizer que tal documento seja um laudo pericial emitido por serviço médico oficial. Tampouco, em tal declaração há a afirmação de o contribuinte ser portador de cardiopatia grave. Afirmase que o contribuinte submeteuse a cirurgia em 1998 e que é portador de doença arterial coronariana, de hipertensão, controlada por medicação e doença pulmonar. Nestes termos, por entender que referida declaração não atende aos preceitos da norma de isenção, esta Turma determinou a realização de diligência para que o contribuinte fosse intimado a apresentar o competente laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Todavia, o contribuinte, intimado (Termo de Intimação, fls. 77 e AR, fls. 78), não atendeu à intimação, conforme informação prestada pela autoridade responsável pela diligência, despacho, fls. 81. Nestes termos, não há como reconhecer que os proventos de aposentadoria recebidos pelo contribuinte, no anocalendário 2005, sejam isentos. De igual modo, também deve ser mantida a omissão de rendimentos recebidos da Caixa Econômica Federal, posto que não há nos autos nenhum elemento de prova, que indique a isenção de tais rendimentos. Nesse ponto, cumpre dizer que na diligência determinada por esta Turma solicitouse também que o contribuinte apresentasse os documentos, relativos aos rendimentos recebidos da Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 12.214,63, que permitissem a identificação da natureza dos rendimentos recebidos. Contudo, como aqui já mencionado, o contribuinte não atendeu ao Termo de Intimação. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 91DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10725.000943/201009 Acórdão n.º 2102003.039 S2C1T2 Fl. 92 7 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 28/07/2014 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 17883.000127/2007-18
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. DIRPF. CONDIÇÕES.
Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II).
Regularmente intimado, cabe ao contribuinte fazer prova da obrigação definida em juízo e comprovar seu efetivo pagamento.
PRINCÍPIO CONTÁBIL DA ENTIDADE. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. PESSOA FÍSICA. PESSOA JURÍDICA.
O princípio da entidade afirma a autonomia patrimonial, ou seja, a necessidade da diferenciação de um patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas ou uma sociedade de qualquer natureza ou finalidade. Na prática, comprova-se a eficácia do princípio da entidade pelo fato de que a empresa apresenta sua declaração de Imposto de Renda e seus sócios apresentam, cada um, sua própria declaração.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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DEDUÇÃO. DIRPF. CONDIÇÕES. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). Regularmente intimado, cabe ao contribuinte fazer prova da obrigação definida em juízo e comprovar seu efetivo pagamento. PRINCÍPIO CONTÁBIL DA ENTIDADE. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. PESSOA FÍSICA. PESSOA JURÍDICA. O princípio da entidade afirma a autonomia patrimonial, ou seja, a necessidade da diferenciação de um patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas ou uma sociedade de qualquer natureza ou finalidade. Na prática, comprovase a eficácia do princípio da entidade pelo fato de que a empresa apresenta sua declaração de Imposto de Renda e seus sócios apresentam, cada um, sua própria declaração. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 88 3. 00 01 27 /2 00 7- 18 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 17883.000127/200718 Acórdão n.º 2801003.546 S2TE01 Fl. 83 2 Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Ewan Teles Aguiar. Relatório Contra o contribuinte identificado foi lavrado, em 25/06/2007,Auto de Infração, conforme fl. 34 e seguintes, onde se verifica lançamento do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, dos exercícios de 2003 e 2004, anos calendário de 2002 e 2003, respectivamente, no valor de R$ 11.821,71, com multa proporcional de 75 % e mais juros de mora calculados pela taxa Selic. Na descrição dos fatos, relata a Autoridade Fiscal que constatou a seguinte infração (fl. 7): 1 – Dedução Indevida de Pensão Judicial. Glosa de deduções com pensão judicial, pleiteada indevidamente, tendo em vista que o contribuinte não apresentou integralmente documentação comprobatória das deduções pleiteadas em suas declarações dos anoscalendário 2002 e 2003, exercidos 2003 e 2004, a saber: A.C.2002 A.C. 2003 Pensão Alimentícia Judicial pleiteada 46.600,00 46.100,00 () valores comprovados (22.900,00) (5.500,00) valor glosado 23.700,00 40.600,00 Na folha 5 consta o Termo de Inicio de Ação Fiscal, com AR na folha 06, onde a Autoridade competente determina que o contribuinte comprove “todas as deduções declaradas”. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação (fl. 40), onde em suma argumenta que: a) deduziu de seu imposto de renda as pensões alimentícias pagas a sua ex mulher, sendo que alguns depósitos foram efetuados por sua empresa, Pousada Challenge Ltda. ME, sendo estes valores desconsiderados pela RFB; b) são sócios do empreendimento ele e sua exmulher e ficara pactuado no processo de divórcio que ela seria excluída de qualquer participação nos lucros da referida empresa, “sendo assim, os valores pagos a ela pela empresa pertenciam exclusivamente ao requerente; Fl. 83DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 17883.000127/200718 Acórdão n.º 2801003.546 S2TE01 Fl. 84 3 c) comprova que retirou, nos anos de 2002 e 2003, o valor de R$ 13.123,20 da empresa, valor este que deve ser considerado, embora tenha sido o pagamento efetuado pela Pousada; d) salienta que no Termo de Constatação Fiscal nº 01, a RFB entendera pela comprovação de R$ 31.000,00 para o ano de 2002, mas no Auto de Infração considerou apenas R$ 23.700,00, o que prejudica sua validade; Nas folhas 07 e 10 constam cópias das DIRPF em questão e na folha 14 cópia da Sentença que determinou o pagamento da pensão. Conhecida a manifestação pela DRJ/RJ 2, foi assim tratada, em resumo: Ainda que não tenha restado claro no Termo de Constatação e Intimação Fiscal e na Descrição dos Fatos do Auto de Infração, verifico, a partir da análise dos comprovantes de depósito e DOC juntados às fls. 15 a 26, que a Fiscalização não considerou como pagamento de pensão alimentícia os créditos efetuados pela Pousada Challange, de propriedade do Impugnante, na conta corrente da sua exconjuge, mas tão somente os créditos efetuados pelo próprio. No entanto, entendo que os elementos de prova juntados aos autos permitem concluir que aqueles valores foram creditados a título de pensão alimentícia, pois demonstram que a Pousada pertencia e era operada pelo Impugnante e, principalmente, os créditos efetuados estão em acordo com o determinado na sentença judicial de fls. 10 a 14. Neste sentido, por exemplo, nos meses de julho e dezembro de 2002 a soma do crédito efetuado pela pousada, R$ 2.000,00, com o crédito efetuado pelo Interessado, R$ 2.000,00, corresponde aos 20 salários mínimos vigentes a época, conforme determinado pela sentença. (...) ... a dedução está limitada aos valores acima, devidamente comprovados pelo Interessado. O ônus da prova quanto à existência das deduções pleiteadas nas declarações de imposto de renda é do contribuinte, não cabendo a esta Delegacia de Julgamento substituílo. Por todo o exposto, devem ser mantidas as glosas de dedução com pensão alimentícia de R$ 15.700,00 (RS 46.600,00 R$ 30.900,00) para o ano calendário 2002 e de R$ 31.800,00 (R$ 46.100,00 R$ 14.300,00) para o ano calendário 2003.(sublinhei, para destacar) Dessa forma, deuse a decisão de 1ª instância para considerar procedente em parte a impugnação e manter em parte o crédito tributário lançado. Cientificado dessa decisão em 19/04/2011, conforme Aviso de Recebimento na folha 57, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 05/05/2011, protocolo na folha 58. Em sede de recurso, apresenta as seguintes razões, em síntese: Fl. 84DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 17883.000127/200718 Acórdão n.º 2801003.546 S2TE01 Fl. 85 4 1 – o recurso visa o acolhimento do pagamento das parcelas discriminadas, realizadas no ano de 2003, a título de pensão alimentícia, a fim de que as mesmas possam ser consideradas como dedutíveis em relação ao imposto de renda do exercício de 2004. 2 salienta que tais valores não foram informados na DIRPF uma vez que a entrega do “Imposto de Renda” foi feita “de forma irregular” e agora espera o devido desconto, referente àquele período. 3 – lista dezesseis datas/valores, totalizando R$ 31.600,00 e esclarece que alguns foram efetuados pela Pousada Challenge Ltda ME, para pagar pensão alimentícia a sua exesposa Marlene Novis. Pede que seja acolhido seu recurso para considerar esses valores na apuração do imposto, no ano de 2003. Entre as folhas 63 a 81, constam anexadas cópias de dezesseis comprovantes de transferência bancária eletrônica (DOC) É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Na lição clássica de Carnelutti, para que haja lide ou litígio é necessário que ocorra “um conflito de interesses qualificado por uma pretensão resistida”, sendo a pretensão “a exigência de uma parte de subordinação de um interesse alheio a um interesse próprio” (Apud THEODORO JR. Humberto, Curso de Direito Processual Civil, 41 ed, Forense, Rio de Janeiro: 2004, p. 32) assim, importante estudar os contornos da lide. Segundo Marcos Vinicius NEDER e Maria Teresa Martinez LOPÉZ: “Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos respectivamente pelo ato de lançamento e pela impugnação....(grifei) .(in Processo Administrativo Fiscal Comentado. 2ª ed,. Dialética, São Paulo, 2004, p. 265/266) ...esclarece Alberto Xavier que “nos caos em que o ato do lançamento impugnável seja ‘cindível’, a impugnação pode ser apenas parcial, de tal modo que o impugnante poderá individualizar o objeto do processo, especificando as ‘questões ou pedidos parciais’ que pretende impugnar, ficando as demais, Fl. 85DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 17883.000127/200718 Acórdão n.º 2801003.546 S2TE01 Fl. 86 5 em virtude da renúncia á impugnação, sujeitas á preclusão”(XAVIER. Alberto. Do lançamento...2ª ed. Forense, São Paulo, 1997, p. 333, Apud NEDER, Op. Cit, p. 269) Bem, primeiramente destaco que o lançamento referiuse a dois exercícios, quais sejam, 2003 e 2004. Após a decisão de 1ª instância, aparentemente conformado em parte com o ali disposto, em sede de recurso o contribuinte manifestase apenas em relação ao exercício de 2004. Apesar de ligeiro deslize na referência, pelos pagamentos que lista e pretende ver considerados, todos relativos ao ano calendário de 2003, é somente a esse exercício de 2004 que expressamente faz menção (art. 17 do Decreto nº 70.235/1972). Assim, na esfera administrativa, considerase matéria não recorrida a manutenção parcial da exigência em relação ao ano calendário de 2002, exercício de 2003, estando definitivamente constituída, conforme decidido pela DRJ/RJ2, como destacamos no Relatório. Trataremos então do ano calendário de 2003, exercício de 2004, e a controvérsia restringese à possibilidade de dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 31.600,00. O Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, em seu artigo 78, traz que na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais, reproduzindo a Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II. Considerando que o artigo 73 do RIR/1999 comanda que todas as deduções pleiteadas na DIRPF estão sujeitas à comprovação e justificação, a juízo da autoridade lançadora, é possível identificar que sejam necessários documentos a comprovar o efetivo pagamento da pensão e que este se deu em virtude de determinação judicial ou acordo homologado judicialmente, e não por mera liberalidade do alimentante. O contribuinte foi regularmente intimado a comprovar o direito à dedução. Nesse sentido, tem se posicionado esta Turma Especial. Vejamos nos vários Acórdãos, à guisa de exemplo: 2801003.350 – 1ª Turma Especial Sessão de 22 de janeiro de 2014 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Somente são dedutíveis os pagamentos de pensão alimentícia quando o contribuinte provar que realizou tais pagamentos, e que estes foram decorrentes de decisão judicial. Recurso Voluntário Negado 2801003.082 – 1ª Turma Especial Sessão de 20 de junho de 2013 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 17883.000127/200718 Acórdão n.º 2801003.546 S2TE01 Fl. 87 6 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de pensão alimentícia, as importâncias pagas em face das normas do Direito de Família quando em cumprimento de acordo homologado judicialmente. Recurso Voluntário Provido Voto (...) Por ocasião da impugnação o Interessado já havia juntado aos autos os recibos de fls. 28/39, supostamente assinados por sua ex cônjuge, totalizando o montante de R$ 3.600,00 pagos a título de pensão alimentícia no decorrer do ano calendário de 2005 (12 recibos de R$ 300,00). Embora entendendo que os recibos apresentados não fazem prova inequívoca do efetivo pagamento da pensão alimentícia, penso que a glosa relativa à pensão da ex cônjuge Etelvina deve ser restabelecida, uma vez que, em relação a ela, a decisão de piso julgou improcedente a impugnação exclusivamente pelo fato de que não foi apresentada a cópia da decisão judicial ou do acordo homologado judicialmente,... 2801002.836 – 1ª Turma Especial Sessão de 22 de janeiro de 2013 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. A dedução de pensão alimentícia está condicionada à comprovação de que foi estabelecida em decisão judicial ou em acordo homologado judicialmente e que os pagamentos ocorreram, dentro dos limites estabelecidos judicialmente. 2801002.925 – 1ª Turma Especial Sessão de 20 de fevereiro de 2013 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O direito à dedução de pensão alimentícia na Declaração Anual de Ajuste do alimentante é condicionado à prova inequívoca do cumprimento de decisão ou acordo homologado judicialmente. 2801002.727 – 1ª Turma Especial Sessão de 16 de outubro de 2012 PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DEDUÇÃO. São dedutíveis, na declaração de ajuste anual, as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Voto Fl. 87DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 17883.000127/200718 Acórdão n.º 2801003.546 S2TE01 Fl. 88 7 (...) Apesar de o acordo homologado judicialmente ter determinado que os valores pagos ao cônjuge virago, a título de pensão alimentícia, também fossem depositados em conta corrente (fl. 14), o acórdão recorrido restabeleceu a glosa relativa a tais valores, que foram comprovados mediante a apresentação dos recibos de fls. 32/43. Entendo totalmente descabida a decisão de 1ª instância que considerou pagamentos efetuados pela Pousada Challenge Ltda ME como dedutíveis da base de cálculo de IR da pessoa física do contribuinte recorrente. Esqueceuse o Julgador do princípio contábil da Entidade. O princípio da entidade reconhece o patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, ou seja, a necessidade da diferenciação de um patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Segundo esse princípio, o patrimônio da empresa (entidade) não se confunde com o dos seus sócios ou proprietários. Portanto, a Contabilidade da empresa registra somente os atos e os fatos ocorridos que se refiram ao patrimônio da empresa, e não os relacionados com o patrimônio particular de seus sócios. Na prática, comprovase a eficácia do princípio da entidade pelo fato de que a empresa apresenta sua declaração de Imposto de Renda e seus sócios apresentam, cada um, sua própria declaração. Na declaração de ajuste das pessoa físicas, analisase as mutações patrimoniais, relativas aos ingressos de renda, podendo ser deduzidas algumas despesas, referentes a decréscimos desse mesmo patrimônio. Segundo CARRAZZA, que sublinho para destacar: “...renda é a disponibilidade de riqueza nova, havida em dois momentos distintos...é o acréscimo patrimonial experimentado pelo contribuinte, ao longo de um determinado período de tempo. Ou, ainda, é o resultado positivo de uma subtração que tem, por minuendo, os rendimentos brutos auferidos pelo contribuinte, entre dois marcos temporais, e, por subtraendo, o total das deduções e abatimentos, que a Constituição e as leis que com ela se afinam permitem fazer. (CARRAZZA, Roque Antônio, A natureza meramente interpretativa do art. 129 da Lei nº 11.196/2005, o imposto de renda, a contribuição previdenciária e as sociedades de serviços profissionais. RDDT 154, jul/2008, p. 109 Apud PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.282) Fl. 88DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 17883.000127/200718 Acórdão n.º 2801003.546 S2TE01 Fl. 89 8 É de se perquirir, portanto, como essas transferências bancárias, efetuadas a partir de retiradas da conta “caixa/bancos” da empresa, para pagar uma obrigação que era da pessoa física de um sócio, foram registradas na contabilidade da empresa. Difícil imaginar a regularidade de tal lançamento, se existiu. Lado outro, de se imaginar também se tal despesa não foi usada, cumulativamente, para deduzir a base de cálculo dos impostos e contribuições devidos pela pessoa jurídica. Observo que na DIRPF/04, o contribuinte, que era o sócio administrador, declarou como rendimentos recebidos da Pousada apenas R$ 5.280,00 (fl. 11 e cf. comprovante de rendimentos folha 45). Declarou ainda como “lucros e dividendos recebidos” R$ 2.518,20. Ora, do empreendimento que lhe rendia somente isso, retirava valores bem maiores para pagar obrigação pessoal sua para com sua exmulher? Ele afirma na Impugnação que a mulher, apesar de continuar sócia, nada retirava do empreendimento, sendo que todo o produto dali resultante era seu. Deveria, então, registrar “todo o produto” como rendimento na sua declaração de ajuste, e a partir daí efetuar as deduções permitidas em lei, dentre elas o pagamento de pensão alimentícia determinada pelo Juiz, para uma apuração escorreita do imposto. Assim, entendo totalmente descabida, do ponto de vista contábil e fiscal, a admissão de dedução da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, comprovadamente retirada do caixa de uma pessoa jurídica da qual o contribuinte é sócio. É o cômputo de uma dedução, sem o respectivo rendimento, do ponto de vista fiscal, ou uma “saída” sem “entrada”, do ponto de vista contábil. Mas, infelizmente, como assentado, a lide posta em discussão nesta instância recursal resumese à controvérsia mantida em relação ao crédito tributário ainda em exigência, não comportando a chamada “reformatio in pejus” para restabelecer glosas que já foram canceladas pela 1ª instância. Delimitada a lide e feitas essas considerações, passemos ao caso concreto do recurso. O contribuinte requer que sejam considerados pagamentos cujos comprovantes apresenta, como dedutíveis da base de cálculo de seu imposto de renda no ano calendário de 2003, a título do pagamento de pensão alimentícia. O Julgamento recorrido considerou comprovado e dedutível o valor de R$ 14.300,00, para 2003. Observo que o total de seus rendimentos tributáveis declarado foi de R$ 59.611,00. Registro que na folha 17 o Poder Judiciário, após analisar a capacidade econômica do contribuinte, fixou a pensão em 20 salários mínimos. O valor do salário mínimo era de R$ 200,00 até 1º de abril de 2003 (MP 35/2002) quando passou a R$ 240,00 (MP 116/2003). O valor da pensão determinada, então, era de R$ 4.000,00/mês, passando a R$ 4.800,00, a partir de abril. Analisando os documentos (DOC) de folhas 63 a 81, como requer o Recorrente, todos tendo como remetente a Pousada Challenge Ltda ME, CNPJ Fl. 89DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 17883.000127/200718 Acórdão n.º 2801003.546 S2TE01 Fl. 90 9 02.990.261/000130, salvo um, em nome de Ana Lucia Leite, pessoa estranha às relações jurídicas aqui tratadas, reputo que não são documentos hábeis a comprovar pagamento de pensão alimentícia dedutível da declaração de pessoa física do Recorrente. Pelo todo aqui exposto, VOTO por negar provimento ao recurso, mantendo a exigência fiscal como decidido pela DRJ. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 90DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03 /07/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 13898.000652/2002-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/08/1992 a 30/09/2002
Ementa:
CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. PRAZO. CINCO ANOS.
Nos termos do art. 1º do Decreto nº 20.910/32, o direito de aproveitamento dos créditos do IPI fica sujeito ao prazo de cinco anos, a contar da data de aquisição do insumo.
INSUMOS. ENERGIA ELÉTRICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
A energia elétrica não se subsume ao conceito de insumo esculpido no Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto.
Numero da decisão: 3402-002.380
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Luiz Carlos Shimoyama, Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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APROVEITAMENTO. PRAZO. CINCO ANOS. Nos termos do art. 1º do Decreto nº 20.910/32, o direito de aproveitamento dos créditos do IPI fica sujeito ao prazo de cinco anos, a contar da data de aquisição do insumo. INSUMOS. ENERGIA ELÉTRICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A energia elétrica não se subsume ao conceito de insumo esculpido no Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 8. 00 06 52 /2 00 2- 17 Fl. 326DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Adriana Oliveira e Ribeiro, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Luiz Carlos Shimoyama, Fenelon Moscoso de Almeida. Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido: O contribuinte retro identificado formalizou, em 18/11/2002, a DCOMP de fl. 4, por intermédio da qual pretendeu compensar débitos no montante de R$ 52.169,58 [valor original], indicando como lastro creditório o processo nº 13898.000604/200211. No citado processo, juntado por anexação às fls. 116/295 [conforme Termo de fl. 115], ele pleiteia o ressarcimento de pretenso crédito do Imposto Sobre Produtos Industrializados sobre a energia elétrica consumida entre 08/1992 e 09/2002, corrigido pela SELIC, no valor total de RS 1.120.792,45, posteriormente retificado para R$ 1.411.556,43 [fls. 290/291, 294, ], conforme Requerimento de fl. 116; Arrazoado de fls. 117/129, Laudo Técnico de fls. 145 e Planilha de Apuração do valor pleiteado acrescido pela Selic [fls. 147/151]. O crédito foi escriturado no RAIPI do 3º decêndio de outubro/2002 [fls. 283/284]. Às fls. 152/209 do vol.01 e 213/279 do vol.2 foram anexadas cópias das notas fiscais a que se referem os supostos “créditos” discriminados na planilha retro mencionada, todas relativas a Nota Fiscal/Conta de Energia Elétrica emitidas por companhias de distribuição de energia elétrica. No mencionado arrazoado que acompanha o pedido ele justifica seu direito, em apertada síntese, sob os seguintes argumentos: => a empresa utiliza como produto intermediário a energia elétrica consumida no processo de industrialização e, sendo, assim, aplica a alíquota do IPI incidente na saída de seus produtos [15%] sobre o valor da energia consumida e utiliza o valor resultante como crédito do IPI; => a energia elétrica, tem seu direito de crédito garantido: • porque se trata de produto intermediário, conforme decisões do Conselho de Contribuintes; • porque o princípio da não cumulatividade garante o direito de crédito mesmo quando se trata de aquisições desoneradas [a energia elétrica é imune], conforme jurisprudência do STF e decisões do Conselho de Contribuintes; (...) Da análise do pleito resultou o Despacho Decisório de fls. 94/98, que indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou todas Fl. 327DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13898.000652/200217 Acórdão n.º 3402002.380 S3C4T2 Fl. 126 3 as compensações declaradas com base naquele pedido, sob os seguintes fundamentos, em síntese: i) a energia elétrica não se enquadra no conceito de produto intermediário, como pretende a interessada; ii) o princípio da não cumulatividade não garante o direito de crédito de imposto que não incidiu na etapa anterior; iii) ainda que houvesse o direito ao aludido crédito, teria havido a decadência do direito de pleitear quaisquer valores pagos anteriormente a 16/10/1997; iv) não há previsão legal de incidência de juros selic sobre o ressarcimento de IPI. Inconformada com o teor do Despacho Decisório cuja ciência se deu 27/09/2007 (fls. 98/99) apresentou a interessada, em 23/10/2007, a MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE de fls. 100/110, na qual, em síntese: 1) relata que na realização das atividades a que se dedica [industrialização de materiais plásticos, seus artefatos e embalagens em geral] utiliza energia elétrica, que equiparase a matériaprima ou insumo; 2) alega, em preliminar, a nulidade do despacho decisório, por cerceamento do direito de defesa, em face da “não consideração da questão de mérito levantada pela Recorrente, qual seja, a equiparação de energia elétrica a matériaprima ou insumos”; 3) no mérito, menciona o art. 147, inciso I, do RIPI/98, que inclui entre os produtos intermediários aqueles que, embora não se integrando do novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização e, conclui que, Desta forma, não procede afirmar, como feito pelo julgador tributário, que produto intermediário é apenas aquele que deixou de ser matériaprima, mas ainda não é produto acabado, eis que esta classificação certamente exclui desta classificação os bens expressamente englobados pelo citado artigo 147, que por sua própria natureza são produtos acabados, mas necessários ao processo de industrialização, como é o caso típico dos combustíveis e da energia elétrica. Nem se argumente no sentido desenvolvido pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal em Jundiaí, de que seria necessário o consumo das matériasprimas e/ou produtos intermediários em decorrência de contato físico, uma vez que esta exigência não encontra amparo no citado artigo 147, I, do Regulamento do IPI vigente a época, acarretando, portanto, desvirtuamento da norma em questão. 4) argumenta que “a tipificação da energia elétrica como sendo produto intermediário encontra respaldo na remansosa jurisprudência da E. Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes” e, reproduz fragmentos de ementas de julgados do referido órgão, todas atinentes a crédito presumido do IPI instituído pela Lei nº 9.363/96; 5) menciona que não há dúvidas de que a energia elétrica utilizada na industrialização é consumida no processo produtivo Fl. 328DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 apesar de, por sua natureza, não integrar o produto final, sendo lícita, portanto, a sua caracterização como produto intermediário; 6) acrescenta que “não há como se afastar da base de cálculo do crédito presumido de IPI as aquisições de energia elétrica, uma vez que o artigo 2° da Lei n° 9.363 é expresso ao dispor que o valor total das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem a integram” e acrescenta que “Negarse o direito ora pleiteado é negar vigência a este dispositivo legal, que dada sua redação cristalina, não admite qualquer interpretação que procure mitigar o direito ao crédito presumido”; 7) requer, ao final, a reforma da decisão para “anular integralmente o auto de infração” e “reconhecer o direito da Recorrente a compensação/ressarcimento, dos valores a titulo de IPI, referentes às aquisições de energia elétrica empregada no processo de industrialização”; A 3ª Turma de Julgamento da DRJ Juiz de Fora (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 0943154, de 15 de março de 2013, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/08/1992 a 30/09/2002 INSUMOS ENSEJADORES DE CREDITAMENTO. PN 65/79. Ensejam o creditamento as matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem que integram o produto ou sejam consumidos no processo de industrialização. A energia elétrica consumida pelo estabelecimento no processo produtivo não se reveste da condição de produto caracterizado como matériaprima ou produto intermediário, tampouco guarda qualquer semelhança com tais insumos, e não gera créditos a sua aquisição, consoante os termos do Parecer Normativo CST nº 65/79. CRÉDITO DO IMPOSTO. PRESCRIÇÃO. Eventual direito de reclamar créditos não escriturados na época própria prescreve em cinco anos contados da data da entrada dos insumos no estabelecimento industrial, nos termos do Parecer Normativo CST nº 515, de 10 de agosto de 1971. CRÉDITO DO IMPOSTO. AQUISIÇÕES DESONERADAS. Nos termos da própria Constituição Federal de 1988, a não cumulatividade é exercida pelo aproveitamento do montante cobrado na operação anterior, ou seja, do imposto incidente e pago sobre insumos adquiridos, o que não ocorre quando tais insumos são desonerados do tributo. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos desonerados (imunes, isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero), uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/1992 a 30/09/2002 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO INDEFERIDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Fl. 329DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13898.000652/200217 Acórdão n.º 3402002.380 S3C4T2 Fl. 127 5 A permissão para a compensação de débitos tributários somente se dá com créditos líquidos e certos, conforme art. 170 do CTN. Uma vez indeferido o direito creditório indicado pela interessada para compensar os débitos objeto das DCOMPS em análise, cabe a não homologação das compensações sob exame. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/08/1992 a 30/09/2002 RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. É incabível, por ausência de base legal, a atualização monetária de créditos do imposto, objeto de pedido de ressarcimento, pela incidência da taxa Selic sobre os montantes pleiteados, notadamente quando inexiste crédito a ser ressarcido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta, em síntese, que: a) A regra contida no art. 1º do Decreto nº 20.910/1932 não se aplica ao caso em questão, pois a lide versa sobre a validade do ressarcimento/compensação do IPI recolhido a maior pela recorrente e não a um direito contra a Fazenda Pública. Neste passo, devese observar a norma contida no art. 168 do CTN para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, devendo ser afastada a Lei Complementar nº 118/2005, em vista de que os fatos geradores ocorreram antes de sua promulgação; b) É inegável que a energia elétrica utilizada para movimentação das máquinas postas a serviço da cadeia produtiva é consumida no processo de industrialização, sendo lícito o creditamento de seu custo; c) É devido o creditamento dos custos com energia elétrica em virtude da imunidade conferida pela Constituição Federal de 1988. Termina sua petição recursal pedindo a reforma do acórdão vergastado, para declarar que não ocorreu a prescrição do direito ao ressarcimento do IPI relativo aos períodos de apuração compreendidos entre 08/1992 e setembro de 2002, para permitir a inclusão dos custos com energia elétrica no cálculo do crédito básico de IPI. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. PRESCRIÇÃO Alega o recorrente que o termo inicial do prazo prescricional é a concomitante extinção do direito ao crédito tributário, consubstanciada na homologação expressa ou tácita do pagamento antecipado pelo contribuinte. Nesta esteira de raciocino, requer que seja reconhecido à Recorrente o direito ao crédito de IPI relativo a operações promovidas no período não abrangido pela prescrição, contados 10 (dez) anos anteriores ao efetivo pedido. Ao meu entender, carece de razão o pleito do recorrente, pois aos créditos escriturais do IPI não se aplicam as regras sobre decadência contidas no CTN. O diploma legal que regulamenta o direito que o contribuinte tem para pleitear o ressarcimento de créditos escriturais do IPI é o Decreto nº 20.910/32. O recorrente se equivoca ao igualar o ressarcimento à restituição, senão vejamos: No caso da repetição de indébito, a devolução das importâncias se assenta na preexistência de um pagamento indevido, cuja devolução é reclamada com base no princípio geral de direito que veda o locupletamento sem causa. Já no caso de ressarcimento de créditos incentivados, o pagamento efetuado pelo sujeito passivo era devido, mas a devolução das quantias se assenta única e exclusivamente na renúncia unilateral de valores que foram licitamente recebidos pelo sujeito ativo do tributo. Portanto, a restituição é a repetição de um indébito, decorrente de pagamento indevido ou a maior que o devido. Já o ressarcimento não está vinculado a qualquer pagamento indevido, mas decorre de concessão legal. Como se vê, nos dois casos ocorrem devoluções de quantias ao contribuinte, mas estas devoluções ocorrem por razões distintas. A finalidade do ressarcimento é produzir uma situação de vantagem para determinados contribuintes que atendam a certos requisitos fixados em lei, para incrementar as respectivas atividades; enquanto que a finalidade da repetição do indébito é prestigiar o princípio que veda o enriquecimento sem causa. Nesta linha, fica evidente existir duas figuras que não se confundem: restituição por pagamento indevido ou a maior do que o devido (repetição de indébito); e ressarcimento, previsto em lei concessiva. Assim, não se pode pretender aplicar as mesmas regras da repetição de indébito ao ressarcimento de crédito incentivado. O Superior Tribunal de Justiça ratifica o entendimento de que a prescrição dos créditos escrituras observa a regra contida no Decreto nº 20.910/32, como se vê no julgado abaixo: PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO IPI CRÉDITOS ESCRITURAIS PRESCRIÇÃO POSICIONAMENTO DA CORTE DE ORIGEM NO SENTIDO DE QUE INCIDE OS TERMOS DO DECRETO 20.910/32 (QÜINQÜENAL) – Fl. 331DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13898.000652/200217 Acórdão n.º 3402002.380 S3C4T2 Fl. 128 7 PRETENDIDA REFORMA ALEGADA VIOLAÇÃO DO ART. 108, I E IV, DO CTN AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO APONTADA AFRONTA AOS ARTIGOS 150 E 160, AMBOS DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL RECURSO ESPECIAL IMPROVIDO. Inviável o exame da pretensa afronta ao artigo 108, incisos I e V, do Código Tributário Nacional, por ausente o prequestionamento. Acerca do tema, a Corte Regional Federal assentou que "o aproveitamento do crédito do IPI em virtude da regra constitucional da nãocumulatividade obedece, para fins prescricionais, o Decreto n. 20.910, de 1932" (fl. 455). Posicionamento em sintonia com precedentes desta Corte Superior, no sentido de que se trata de "prescrição regulada pelo Decreto nº 20.910/32, por não se tratar de repetição de indébito, nem de pura compensação tributária de valores líquidos e certos. Caso, apenas, de aproveitamento do crédito para definir saldos devedores ou credores em períodos certos fixados pela lei" (REsp n. 395.052/SC, Relator Min. José Delgado, DJU 02.09.2002). Na mesma linha: ADREsp 430.498RS, Rel. Min. Luiz Fux, in DJ de 17/3/2003 e (REsp 499.619SC, deste Relator, DJ 8.9.2003). (STJ, 2ª Turma, RESP 443294/RS; RECURSO ESPECIAL 2002/00775447, Relator Ministro FRANCIULLI NETTO, julgado em 27/07/2004, DJU de 09/08/2004, p. 210, unanimidade). Pelas assertivas feitas, voto no sentido de determinar a aplicação do art. 1º do Decreto nº 20.910/32 para fins de definição de contagem da prescrição do direito de o contribuinte pleitear o ressarcimento do IPI. O art. 1º Decreto nº 20.910/32 estabelece: Art. 1º. As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Portanto, como o pedido foi formalizado em 18/11/2002, declaro prescritos todos os créditos referentes aos períodos anteriores a 18/11/1998. MÉRITO Remanescem os créditos referentes aos períodos posteriores a 18/11/1998. Todos os créditos se referem a custos com aquisição de energia elétrica utilizada para movimentação das máquinas postas a serviço da cadeia produtiva. A solução da lide passa necessariamente pelo conceito de insumo industrial. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 8 O Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n.º 2.637, de 25 de junho de 1998 – RIPI/98 (art. 147, I), esclarece que se incluem no conceito de MP e PI os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos no ativo permanente. Por seu turno, o Parecer Normativo CST nº 65, de 30 de outubro de 1979 (DOU de 6/11/79), norma complementar da legislação tributária, por força do inciso I do artigo 100 da Lei n.º 5.172, de 25 de outubro de 1966 – CTN, esclarece a expressão: “consumidos no processo de industrialização”, condição para que os bens sejam considerados insumos. (...) ‘Art. 66 Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502/64 arts. 25 a 30 e Decretolei nº 3.466, art. 2º, alt. 8ª): I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.’ 4 Notese que o dispositivo está subdividido em duas partes, a primeira referindose às matériasprimas, aos produtos intermediários e ao material de embalagem; a segunda relacionada às matériasprimas e aos produtos intermediários que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização. 4.1 Observese, ainda, que enquanto na primeira parte da norma ‘matériasprimas’ e ‘produtos intermediários’ são empregados ‘stricto sensu’, a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não se integrando ao produto em fabricação se consumam na operação de industrialização. 4.2 Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. 5 No que diz respeito à primeira parte da norma, que se refere a matériasprimas e produtos intermediários ‘stricto sensu’, ou seja, bem dos quais, através de quaisquer das operações de industrialização enumeradas no Regulamento, resulta diretamente um novo produto, tais como, exemplificadamente, a madeira com relação a um móvel ou o papel com referência a um livro, nada há que se comentar de vez que o direito ao crédito, diferentemente do que ocorre com os referidos na segunda parte, além de não se vincular a qualquer requisito, não sofreu alteração com relação aos dispositivos constantes dos regulamentos anteriores. 6 Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matériasprimas e produtos intermediários entendidos em Fl. 333DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13898.000652/200217 Acórdão n.º 3402002.380 S3C4T2 Fl. 129 9 sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige se uma série de considerações. 6.1 Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva (não gerarem direito ao crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente), que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou seja, que a norma em questão teria adotado como critério distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao bem. 6.2 Entretanto, uma simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, uma vez que, consoante regra fundamental de lógica formal, de uma premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não geram o direito) somente concluise por uma negativa, não podendo, portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. 7 Outrossim, aceita, em que pese a contradição lógicoformal, a tese de que para os produtos que não sejam matérias nem produtos intermediários ‘stricto sensu’, vigente o RIPI/79, o direito ou não ao crédito deve ser deduzido exclusivamente em função do critério contábil ali estatuído, estarseia considerando inócuas diversas palavras constantes do texto legal, de vez que bastaria que o referido comando, em sua segunda parte, rezasse “...e os demais produtos que forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens ao ativo permanente”, para o mesmo resultado. 7.1 Tal opção, todavia, equivaleria a por de lado o princípio geral de direito consoante o qual ‘a lei não deve conter palavras inúteis’, o que só é lícito fazer na hipótese de não se encontrar explicação para as expressões inúteis. 8 No caso, entretanto, a própria exegese histórica da norma desmente esta acepção, de vez que a expressão ‘incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto forem consumidos no processo de industrialização’ é justamente a única que consta de todos os dispositivos anteriores (inciso I do artigo 27 de Decreto 56.791/65, inciso I do artigo 30 do Decreto nº 61.514/67 e inciso I do artigo 32 do Decreto nº 70.162/72), o que equivale a dizer que foi sempre em função dela que se fez a distinção entre os bens que, não sendo matériasprimas nem produtos intermediários ‘stricto sensu ’, geram ou não direito ao crédito, isto é, segundo todos estes dispositivos, geravam o direito os produtos que embora não se integrando no novo produto, fossem consumidos no processo de industrialização. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 10 8.1 A norma constante do direito anterior (inciso I do artigo 32 do Decreto nº 70.162/72), todavia restringia o alcance do dispositivo, dispondo que o consumo do produto, para que se aperfeiçoasse o direito do crédito, deveria se dar imediata e integralmente. 8.2 O dispositivo vigente inciso I do artigo 66 do RIPI/79 por sua vez, deixou de registrar tal restrição, acrescentando, a título de inovação, a parte final referente à contabilização no ativo permanente. 9 Como se vê, o que mudou não foi o critério, que continua sendo o do consumo do bem no processo industrial, mas a restrição a este. 10 Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos ‘que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização’, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 Como o texto fala em ‘incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários’, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários ‘stricto sensu ’, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 A expressão ‘consumidos’ sobretudo levandose em conta que as restrições ‘imediata e integralmente’, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. O aludido Parecer orienta no sentido de que se deve considerar no conceito de MP e PI, em sentido lato, os bens que se consumirem em decorrência de um contato físico, ou de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por esse diretamente sofrida. No caso em questão o recorrente pretende ter reconhecidos créditos básicos do IPI oriundos das despesas com energia elétrica utilizada para operar as máquinas e equipamentos de seu parque industrial. Entendo que a energia elétrica não se subsume ao conceito de insumo esculpido no Parecer Normativo CST nº 65, de 1979, uma vez que não é consumida em contato direto com o produto. Em outra linhas, os gastos com energia elétrica não podem ser computados no cálculo do crédito escritural do IPI porque não revestem a condição de matéria prima ou produto intermediário (MP e PI), conceituados pela legislação do IPI, como explicado no item anterior. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13898.000652/200217 Acórdão n.º 3402002.380 S3C4T2 Fl. 130 11 Com efeito, o valor correspondente a esses custos devem ser considerados como gastos gerais de fabricação, ou custos indiretos incorridos na produção. Desse modo, tais custos devem ser observados quando da apuração dos valores dos estoques finais dos produtos industrializados, mas não como sendo matériaprima ou produto intermediário empregado nestes. Forte nestes argumentos, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 27/05/2014 Gilson Macedo Rosenburg Filho. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 3/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10920.000931/2008-45
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1801-000.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora..
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. RELATÓRIO E VOTO A empresa recorre do Acórdão nº 0730.213/12 exarado pela Quarta Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis/SC, efls. 145 a 148, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como decidiu não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 01 a 05. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “O processo trata de Declarações de Compensação DCOMP, através das quais a interessada, acima identificada pretende quitar débitos próprios com créditos oriundos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .0 00 93 1/ 20 08 -4 5 Fl. 186DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.000931/200845 Resolução nº 1801000.340 S1TE01 Fl. 3 2 da ação judicial n° 97.00121038, tramitada na 6a Vara Federal de Curitiba, Seção Judiciária do Paraná, com trânsito em julgado em 05/11/2003. Nas DCOMP no 32309.77278.280404.1.3.547815 e 26008.35871.130504.1.3.575514, a contribuinte informou que o crédito era da empresa Comercial Hirt Ltda., de CNPJ no 80.858.202/000108, da qual a interessada teve origem por cisão parcial. Na DCOMP n° 02871.10599.140604.1.3.570608, o crédito foi informa como sendo da própria transmissora da declaração. A DRF decidiu pela não homologação das compensações em face da vedação, posta na IN SRF n° 210/2002, a compensação de débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros. A autoridade fiscal relata que, em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal, constatou que o evento de cisão parcial informado nas DCOMP de fato não ocorreu e acrescenta que nas Declarações do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) do exercício 1999, anobase 1998, tanto da pretensa "sucedida parcial" (fls. 38/41), quanto da "sucessora parcial" (fls. 42/44) não há qualquer informação da alegada cisão. Conclui, então que Lojas Certo Móveis e Eletrodomésticos Ltda. e Comercial Hirt Ltda. são empresas distintas e esta teve origem não relacionada àquela. A interessada, por seu turno, contesta a decisão alegando que os documentos anexos (Doc. 03) comprovam a cisão e que um terço de todos os impostos a recuperar da empresa cindida passaram a compor o seu patrimônio. Com base na Lei n° 6.404/1976, conclui que, enquanto sucessora de parte do patrimônio da Comercial Hirt Ltda., tem o direito de utilizar o crédito de PIS Faturamento para amparar as compensações informadas nas declarações de compensação. [...] VOTO [...] Como se vê, a autoridade fiscal, a partir das informações prestadas pela própria contribuinte ao Fisco, verificou não ter ocorrido a alegada incorporação pela recorrente, que a fim de infirmar tal constatação valeuse tão somente da cópia da 1a (PRIMEIRA) ALTERAÇÃO CONTRATUAL da empresa, a qual, no entanto, pelo que desta consta, vem desprovida das formalidades necessárias para lhe conferir validade. Isso porque os atos empresariais sujeitos a registro público somente têm validade e produzem os efeitos que lhe são pertinentes a partir de sua formalização. A esse respeito dispõe o Código Civil vigente: [...] Nesses termos, o instrumento de alteração contratual somente pode ser oposto a terceiros, inclusive à Fazenda Pública, a partir da data do registro, pois esse é o procedimento obrigatório para dar publicidade a todos os atos de constituição e alteração contratual das sociedades comerciais.” A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de fls. 154 a 160, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese, que fez a cisão parcial e tem direito ao crédito judicial. Anexa ao recurso os documentos de efls. 174 a 183 – 1ª Alteração Contratual, Ata de Cisão, Laudo de Avaliação e outros inerentes á cisão parcial da empresa Hirt Ltda, com incorporação de parte do patrimônio cindido pela recorrente. 1 Edital afixado em 20/05/2013, efls. 152; Recurso – 28/06/2013, efls. 154 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10920.000931/200845 Resolução nº 1801000.340 S1TE01 Fl. 4 3 É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Os documentos anexados ao Recurso voluntário e digitalizados trazem ao rodapé a seguinte observação (marca d´água): “para verificar a autenticidade acesse www.jucesc.sc.gov.br e informe o número 2854334538533 na consulta de processo” Ocorre que ao acessar o sítio da Junta Comercial do Estado de Santa Catarina e informar o número acima transcrito, a mensagem é que o processo não existe. Considerando que a recorrente apresenta os documentos de efls. 174 a 183 com sinais verossímeis de que foram de fato registrados e datados de 1998 e que o cerne do litígio repousou em questão de prova da cisão alegada e do efetivo recebimento do direito de usufruir do crédito judicial, como crédito próprio e não de terceiro, mister é que os autos retornem à unidade de jurisdição da recorrente para que: a) preliminarmente, a JUCESC seja oficiada a apresentar certidão comprobatória do registro da cisão parcial havida entre a empresa Hirt Ltda e a recorrente, bem como esclareça as datas dos registros de tais documentos – 1ª Alteração Contratual das Lojas Certo Móveis e Eletrodomésticos Ltda; Protocolo de Intenção de Cisão Parcial; Justificação dos Administradores e Laudo de Avaliação do Patrimônio a ser cindido (cópia às efls. 174 a 183); b) de posse dos documentos, se efetivamente foram submetidos a registro na JUCESC em época anterior à emissão dos Per/Dcomp, a autoridade fiscal deverá verificar se os créditos judiciais recebidos pela empresa Hirt Ltda não se exauriram de outra forma, ou em benefício dela própria ou foram utilizados por outra empresa terceira; isto é, deverá ser verificado se o crédito existe para atender o pleito da recorrente. c) da análise dos documentos enviados pela JUCESC e da conclusão sobre a existência do crédito e viabilidade para atender os Per/Dcomp emitidos pela recorrente, deverá a autoridade fiscal lavrar um Relatório e encaminhar à recorrente para ciência, facultandolhe prazo regulamentar para se manifestar a respeito, se assim o desejar. Após os procedimentos acima, os autos deverão retornar a esta Conselheira para prosseguir ao julgamento da lide. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 188DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/08/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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