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Numero do processo: 10166.901195/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/02/2005, 31/03/2005
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional requer pagamento, e não outras formas de extinção do crédito tributário. Apesar de a compensação figurar como uma das hipóteses de extinção do crédito tributário, isso não tem o condão de igualar o instituto da compensação ao do pagamento.
Numero da decisão: 3101-001.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luiz Roberto Domingo (Relator), Adriana Oliveira e Ribeiro e Vanessa Albuquerque Valente, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Corintho Oliveira Machado.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Luiz Roberto Domingo - Relator
Corintho Oliveira Machado - Redator Designado
Participaram do julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Adriana Oliveira e Ribeiro, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2005, 31/03/2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional requer pagamento, e não outras formas de extinção do crédito tributário. Apesar de a compensação figurar como uma das hipóteses de extinção do crédito tributário, isso não tem o condão de igualar o instituto da compensação ao do pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luiz Roberto Domingo (Relator), Adriana Oliveira e Ribeiro e Vanessa Albuquerque Valente, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Corintho Oliveira Machado. Henrique Pinheiro Torres Presidente Luiz Roberto Domingo Relator Corintho Oliveira Machado Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 11 95 /2 00 9- 14 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 09/05 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10166.901195/200914 Acórdão n.º 3101001.261 S3C1T1 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Adriana Oliveira e Ribeiro, Rodrigo Mineiro Fernandes, Vanessa Albuquerque Valente, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Tratase de Pedido de Compensação apresentado, em para obter a extinção de crédito tributário de PIS do período de fevereiro e março de 2005 com indébitos do mesmo tributo referente ao período março de 2005. O pedido foi parcialmente homologado por insuficiência de crédito em razão da inclusão da multa de mora pela Recorrente, restando saldo devedor exigido do contribuinte conforme intimação de fls. 77. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade aduzindo, em síntese, de que, por erros no preenchimento do PER/DCOMP, foi incluído indevidamente a multa no pagamento da PIS, tendo em vista sua inexigibilidade pela denúncia espontânea. Assim, reconhecido o pagamento indevido da multa, o crédito originário utilizado na compensação seria suficiente para extinguir o saldo remanescente. Distribuídos os autos à DRJ, foi proferido Acórdão que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade sob o fundamento de que a denúncia espontânea só se aplica às multas de caráter punitivo, conforme ementa a seguir transcrita: COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. A aplicabilidade do art. 138 do CTN se restringe às multas de caráter punitivo, não às de caráter moratório. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário para reforma do Acórdão proferido pela DRJ, sob os mesmos fundamentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 09/05 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10166.901195/200914 Acórdão n.º 3101001.261 S3C1T1 Fl. 4 3 Voto Vencido Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Relator Conheço do Recurso Voluntário por tempestivo e atender aos demais requisitos de admissibilidade. O objeto da lide é identificar o alcance do instituto tributário da denúncia espontânea para aferir se o pedido de restituição/compensação efetivado antes de qualquer procedimento fiscal ou declaração apresentada pelo contribuinte em relação ao débito é capaz de excluir a multa de mora, A denúncia espontânea é instituto de exclusão da responsabilidade que tem por finalidade estimular o cumprimento das obrigações tributárias, e se caracteriza pela ação voluntária do Contribuinte de, antecipandose a qualquer ação fiscal, oferece ao Fisco a informação de sua inadimplência ou infração acompanhada, “se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora”. Atualmente, estes requisitos para reconhecimento da denúncia espontânea estão definidos pela pacifica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no julgamento, em sede de Recurso Repetitivo, do RESP nº 1.149022, cuja ementa dispõe o seguinte: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA.ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). Fl. 104DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 09/05 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10166.901195/200914 Acórdão n.º 3101001.261 S3C1T1 Fl. 5 4 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) O Acórdão do STJ em sede de RECURSO REPETITIVO, cujo entendimento deve ser seguido pelos Conselheiros do CARF por força do art.62A do Regimento Interno, Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) é claro em distinguir a denúncia espontânea e pagamento em atraso pelo fato de o contribuinte, após a regular apuração do tributo, “procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário Fl. 105DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 09/05 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10166.901195/200914 Acórdão n.º 3101001.261 S3C1T1 Fl. 6 5 atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN”. É exatamente esse é o caso dos autos. A Recorrente confessou devida a obrigação nos moldes do art. 74 da Lei nº 9.430/96, mediante declaração de compensação, antes de qualquer procedimento do ou declaração apresentada ao Fisco. Ocorre que a confissão da dívida e a extinção do débito se deram concomitantemente no mesmo instrumento (DCOMP) apresentada pelo contribuinte. Aliás, verificase que a Recorrente apresentou o pedido de compensação (confissão de dívida acompanhada da extinção do crédito), em 31/05/2005, antes mesmo da retificação da DCTF, em 21/05/2007, na qual constituiu os créditos tributários denunciados. Notese que o Art. 74 da Lei nº 9.430/96, que disciplina a compensação de tributos, dispõe que a Declaração de Compensação tem os efeitos de confissão de dívida (§ 6º), sendo, portanto, instrumento de denunciação, e de extinção do crédito tributário (§ 2º), sob condição resolutória de sua ulterior homologação (tal qual qualquer tributo sujeito ao regime jurídico do lançamento por homologação, inclusive no âmbito da denúncia espontânea). Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. [...] § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. É bom lembrar que o STJ também pacificou entendimento quanto aos efeitos do pedido de compensação e as normas de vigência à data do pedido de compensação (REsp 1.137.738 – também em sede de Recurso Repetitivo): Fl. 106DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 09/05 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10166.901195/200914 Acórdão n.º 3101001.261 S3C1T1 Fl. 7 6 TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUCESSIVAS MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS. LEI 8.383/91. LEI 9.430/96. LEI 10.637/02. REGIME JURÍDICO VIGENTE À ÉPOCA DA PROPOSITURA DA DEMANDA. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. INAPLICABILIDADE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. ART. 170A DO CTN. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. HONORÁRIOS. VALOR DA CAUSA OU DA CONDENAÇÃO. MAJORAÇÃO. SÚMULA 07 DO STJ. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A compensação, posto modalidade extintiva do crédito tributário (artigo 156, do CTN), exsurge quando o sujeito passivo da obrigação tributária é, ao mesmo tempo, credor e devedor do erário público, sendo mister, para sua concretização, autorização por lei específica e créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos, do contribuinte para com a Fazenda Pública (artigo 170, do CTN). 2. A Lei 8.383, de 30 de dezembro de 1991, ato normativo que, pela vez primeira, versou o instituto da compensação na seara tributária, autorizoua apenas entre tributos da mesma espécie, sem exigir prévia autorização da Secretaria da Receita Federal (artigo 66). 3. Outrossim, a Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na Seção intitulada "Restituição e Compensação de Tributos e Contribuições", determina que a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal (artigo 73, caput), para efeito do disposto no artigo 7º, do DecretoLei 2.287/86. 4. A redação original do artigo 74, da Lei 9.430/96, dispõe: "Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração". 5. Consectariamente, a autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si. ... Fl. 107DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 09/05 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10166.901195/200914 Acórdão n.º 3101001.261 S3C1T1 Fl. 8 7 10. In casu, a empresa recorrente ajuizou a ação ordinária em 19/12/2005, pleiteando a compensação de valores recolhidos indevidamente a título de PIS E COFINS com parcelas vencidas e vincendas de quaisquer tributos e/ou contribuições federais. 11. À época do ajuizamento da demanda, vigia a Lei 9.430/96, com as alterações levadas a efeito pela Lei 10.637/02, sendo admitida a compensação, sponte própria, entre quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, independentemente do destino de suas respectivas arrecadações. 12. Ausência de interesse recursal quanto à não incidência do art. 170A do CTN, porquanto: a) a sentença reconheceu o direito da recorrente à compensação tributária, sem imposição de qualquer restrição; b) cabia à Fazenda Nacional alegar, em sede de apelação, a aplicação do referido dispositivo legal, nos termos do art. 333, do CPC, posto fato restritivo do direito do autor, o que não ocorreu in casu; c) o Tribunal Regional não conheceu do recurso adesivo da recorrente, ao fundamento de que, não tendo a sentença se manifestado a respeito da limitação ao direito à compensação, não haveria sucumbência, nem, por conseguinte, interesse recursal. ... 17. Recurso especial parcialmente conhecido e parcialmente provido, apenas para reconhecer o direito da recorrente à compensação tributária, nos termos da Lei 9.430/96. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1137738/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2009, DJe 01/02/2010) Aplicável o regime jurídico vigente à data do pedido de compensação, devem ser reconhecidos os efeitos do art. 74 da Lei nº 9.430, cuja concomitância de confissão e extinção do crédito tributário, antes de “qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração”. Inobstante, é certo que o art. 138 do CTN ao dispor que a denúncia espontânea deverá ser “acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora” deixa aberta a possibilidade de o sujeito passivo levar a efeito outras formas de extinção do crédito tributário, inclusive a compensação. Importante ressaltar que o princípio da segurança jurídica e o princípio da moralidade administrativa não conferem ao Fisco exigir a extinção de crédito tributário se, diante da combinação de institutos jurídicos, é dado ao contribuinte opções de extinção da dívida. Tal exigência se mostra mais gravosa quando está demonstrado que a forma pela qual Fl. 108DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 09/05 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10166.901195/200914 Acórdão n.º 3101001.261 S3C1T1 Fl. 9 8 se dá a extinção não interfere na resolução das relações jurídicas estabelecidas e o próprio Fisco ocupa o polo passivo de uma das obrigações que se pretende resolver na compensação. Diante da homologação pela fiscalização do direito creditório cabível ao contribuinte, mostrase que, à data do pedido de compensação, a Recorrente era titular de valor bastante e suficiente para extinção do crédito tributário confessado e denunciado, sendo irretorquível o reconhecimento do pagamento/extinção do crédito tributário àquela data. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Luiz Roberto Domingo Voto Vencedor Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Redator Designado Sem embargo das razões ofertadas pela recorrente e das considerações tecidas pelo eminente Conselheiro Relator, o Colegiado, pelo voto de qualidade, firmou entendimento de que não assiste razão à recorrente no que diz com o seu pleito compensatório. Consoante relatado, a recorrente entende possuir crédito em virtude de ter se equivocado quando do preenchimento de PER/DCOMP, tendo incluído indevidamente a multa no pagamento da COFINS, haja vista sua inexigibilidade pela denúncia espontânea. O eminente relator abraçou a tese, e inclusive cita recurso especial no qual foi aplicado o rito de recurso repetitivo, entretanto, a denúncia espontânea naquele caso, diferentemente do destes autos, deuse por conta de pagamento do débito, e não por conta de compensação, daí porque não aplicável a este expediente. Apesar de a compensação figurar como uma das hipóteses de extinção do crédito tributário, isso não tem o condão de igualar o instituto da compensação ao do pagamento. Notese que os efeitos da extinção do crédito tributário, na compensação se dá sob condição resolutória de sua ulterior homologação, ao passo que o pagamento não requer condição alguma. Bem por isso o art. 138 do Código Tributário Nacional requer pagamento para operar a denúncia espontânea, e não outras formas de extinção do crédito tributário. Nesse diapasão, voto pelo DESPROVIMENTO do recurso voluntário. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 09/05 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO Processo nº 10166.901195/200914 Acórdão n.º 3101001.261 S3C1T1 Fl. 10 9 Sala das Sessões, em 26 de setembro de 2012. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 110DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 09/05 /2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por LUIZ ROBERTO DOMINGO
score : 1.0
Numero do processo: 13227.720130/2010-30
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2010
Multa Incabível a aplicação da multa isolada por entrega extemporânea da
DACON, a teor do disposto na norma quando a conduta do contribuinte
ocorre em face de problemas técnicos nos sistemas eletrônicos da repartição
federal, não se subsume à moldura legal em referência.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-001.146
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e José Luiz Bordignon que negavam provimento ao recurso.
Nome do relator: Sidney Eduardo Stahl
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Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, deuse provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e José Luiz Bordignon que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. EDITADO EM: 11/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e José Luiz Bordignon. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de Impugnação apresentada pelo contribuinte (fls. 01/07) em razão do recebimento de Notificação de Lançamento, originado em virtude do descumprimento de obrigação acessória relativa à entrega em atraso da “DACON”, dos meses de janeiro a abril e junho de 2010 (entregues em 23/08/2010 fls. 13/22). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Origem em Belém – PA, ao julgar improcedente a Impugnação em evidência, relatou a pretensão do contribuinte da seguinte forma: “Trata o presente processo de multas expedidas através das Notificações de Lançamento de fls. 14, 16, 18, 20 e 22, decorrentes dos atrasos nas entregas dos Dacon referente aos meses de janeiro a abril e junho de 2010, no valor de R$ 500,00 cada (valor mínimo). 2. Sendo a data do vencimento da exigência em 07.10.2010, considerase tempestiva a impugnação apresentada em 25.08.2010 (fls. 01/07), na qual a interessada, em síntese: a) Reclama de dificuldades criadas pela Receita Federal relativas a questões técnicas e de informação e de informação, relatadas em mensagem da Fenacon; b) Entende que uma instrução normativa não pode criar uma obrigação acessória, devendo limitarse a regular aquela definida em lei, respeitando o princípio constitucional da legalidade; c) Aponta caracterizar confisco o valor da multa aplicada; d) Afirma haver constado informação errada no sítio da Receita Federal na internet, quando havia a previsão de prazos para apresentação dos demonstrativos mensal e semestral; e) Requer a revisão do lançamento.” O acórdão exarado pela DRJ que declarou a improcedência da Impugnação do contribuinte restou assim ementado (fls. 33/35): “Assunto: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EXERCÍCIO: 2010 MULTA POR ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS – DACON O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13227.720130/201030 Acórdão n.º 380101.146 S3TE01 Fl. 59 3 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das atos legais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformado, interpõe o contribuinte o presente Recurso Voluntário (fls. 39/49), baseado essencialmente nas mesmas razões da Impugnação inicialmente ofertada, juntando, ainda, mais demonstrativos de que o sistema da Receita dificultou a apresentação da DACON pela Requerente. É o relatório. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. A multa por atraso na entrega da DACON encontrase prevista no artigo 7.° da Lei n.° 10.426, de 24 de abril de 2002, in verbis: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo; (...) § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Portanto, há base legal para a exigência da referida multa. De relevo registrar que a aplicação da multa isolada encontra guarida nas jurisprudências dos tribunais Fl. 68DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13227.720130/201030 Acórdão n.º 380101.146 S3TE01 Fl. 60 5 administrativos e judiciais, que unanimemente concordam com a incidência da referida multa quando se tratar de descumprimento de obrigação acessória. Consoante disposição do artigo 113, § 2°, do Código Tributário Nacional, as obrigações acessórias têm por escopo prestações positivas ou negativas, consistem em exigir a prática ou abstenção de ato. Muito embora a legislação tributária em sentido amplo compreenda as leis, tratados, convenções internacionais, decretos e norma complementares, a teor do disposto no artigo 96 do Código Tributário Nacional, o que poderia justificar a instituição da DACON mediante ato normativo infralegal, não se olvide que a multa aplicada teve assento legal no artigo 7º da Lei nº 10.426/2002. Entretanto, o caso em tela é singular, haja vista que a Recorrente demonstra à exaustão que não obteve êxito em transmitir tempestivamente os dados eletrônicos da DACON, em razão de problemas técnicos ocorridos nos sistemas eletrônicos da Receita Federal colocados à disposição para a transferências dos dados. Inclusive tal questão foi largamente exposta na imprensa1. A legislação não contempla, para o contribuinte, meio outro de fazer a declaração, senão a sua entrega eletrônica. É principio comezinho de Direito que todo aquele que tem uma obrigação a cumprir está automaticamente permitido a cumprila. Os modais deônticos apresentados por Paulo de Barros Carvalho (in, Curso de Direito Tributário, Saraiva, São Paulo), com base em Guibourg, demonstra que toda ação obrigatório por parte do sujeito passivo impõe a permissão para sua prática por parte do sujeito ativo. A negativa, aliás, é fundamento da ação de consignação, pelo qual o credor negase a receber aquilo que o devedor tem obrigação de pagar. Da mesma forma é o caso em apreço, o sujeito ativo cria uma série de obrigações acessórias (deveres instrumentais) a serem cumpridos pelo contribuinte (sujeito passivo) em determinado prazo e forma, mas não fornece as condições e meios bastantes suficientes para tal adimplemento. Desta forma, não se aplica ao caso o conceito de mora quando o credor tem culpa concorrente para o não cumprimento da obrigação no prazo determinado. Não se pode exigir do contribuinte que passe horas na frente do computador para fins de cumprimento das suas obrigações. A contribuinte juntou ao processo impressões de telas de computador que demonstram a ineficiência do sistema e não há qualquer prova contrária. Tenho, com base no princípio da razoabilidade, que as leis e os respectivos suportes fáticos devem ser valorados de maneira razoável, de sorte a preservar sempre a finalidade perseguida pela ordem jurídica, afastando a aplicação de normas contrárias ao bom senso, ou daqueles que não guardam proporção entre a motivação e o fim perseguido. Em outras palavras, não é razoável o ato normativo que não represente um meio adequado para atingir o fim colimado, beirando às raias do desvio de finalidade ou do abuso legal. 1 Visto na internet: http://www.sesconsp.org.br, notícia de 12/03/2010; http://www.contarnet.com.br/?lk=4&id=13819; e outros. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 Tomo por minhas as ponderações de LUÍS ROBERTO BARROSO2: “O princípio da razoabilidade é um parâmetro de valoração dos atos do Poder Público para aferir se eles estão informados pelo valor superior inerente a todo ordenamento jurídico: a justiça. Sendo mais fácil de ser sentido do que conceituado, o princípio se dilui em conjunto de proposições que não o libertam de uma dimensão excessivamente subjetiva. É ‘razoável’ o que seja conforme a razão, supondo equilíbrio, moderação e harmonia; o que não é arbitrário ou caprichoso; o que corresponda ao senso comum, aos valores vigentes em dado momento ou lugar.” Complemento com aquilo que dispõe o Decreto 1.171/1992, o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal, que assim se expressa: II O servidor público não poderá jamais desprezar o elemento ético de sua conduta. Assim, não terá que decidir somente entre o legal e o ilegal, o justo e o injusto, o conveniente e o inconveniente, o oportuno e o inoportuno, mas principalmente entre o honesto e o desonesto, consoante as regras contidas no art. 37, caput, e § 4°, da Constituição Federal. Assim, os elementos constantes demonstram que o sistema esteve inoperante e que a mora foi da Fazenda, não da contribuinte, nos termos ensinados por Pontes de Miranda3: Mora do credor é a omissão do credor em cooperar para que a dívida se solva, até onde essa cooperação é indispensável. Por outro lado, o Ato Declaratório Executivo Cotec nº 3/2010 expressa formalmente a existência de erros no programa de transmissão, a saber (destaques nossos): O COORDENADORGERAL SUBSTITUTO DE TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO, no uso das atribuições (...), resolve: Art. 1º Aprovar a versão 2.3 do Programa Gerador do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Mensal Semestral (Dacon MensalSemestral 2.3), para corrigir erro gerado na transmissão do Demonstrativo mediante utilização de certificado digital, após atualização da versão 2.2, em 02/03/2010. Nesse sentido voto por julgar procedente o presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator 2 BARROSO, Luís Roberto. Interpretação e aplicação da Constituição. 4. ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2001, p. 219 3 Tratado de direito privado. 3ª ed. Reimpressão. Tomo XXIII. Rio de Janeiro: Borsoi, 1971,na p. 205. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13227.720130/201030 Acórdão n.º 380101.146 S3TE01 Fl. 61 7 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 28/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 11/05/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/05/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 12269.002050/2009-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2302-000.237
Decisão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2004
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, para aguardar o resultado da demanda objeto de Processo Administrativo Fiscal relativo à exclusão do Contribuinte do SIMPLES.
Liége Lacroix Thomasi - Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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DA SILVA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2004 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, para aguardar o resultado da demanda objeto de Processo Administrativo Fiscal relativo à exclusão do Contribuinte do SIMPLES. Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro e Arlindo da Costa e Silva. 1. RELATÓRIO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 22 69 .0 02 05 0/ 20 09 -1 4 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12269.002050/200914 Resolução nº 2302000.237 S2C3T2 Fl. 107 2 Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2004 Data da lavratura do AIOP: 27/05/2009. Data da Ciência do AIOP: 29/05/2009 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela empresa acima identificada em face do Acórdão nº 1035.776 proferido pela 6ª Turma da DRJ/POA, que julgou improcedente a impugnação ofertada em contestação ao Auto de Infração – AIOP nº 37.210.9594, que promoveu o lançamento tributário de contribuições sociais destinadas a Outras Entidades e Fundos, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 19/22. Informa a Autoridade Lançadora que o fato gerador da obrigação ora lançada consubstanciase em remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados empregados, lançadas nas folhas de pagamentos, e não declaradas em GFIP Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social, antes do início da ação fiscal. De acordo com a resenha fiscal, nas competências 04/2004 a 12/2004, a empresa declarou em GFIP ser optante do SIMPLES. Em 16/01/2009 foi notificada do Ato Declaratório Executivo DRF/POA nº 72/2008, a fl. 26, e notificação nº 208/2008/DRF/POA/SECAT/CNPJ, a fl. 25, de sua exclusão do Simples a partir de 01/01/2004 e não providenciou a retificação das GFIPS entregues com a correção do enquadramento. A empresa não informou, também, o código de enquadramento da contribuição de terceiros na GFIP. Apurouse, quando do início da ação fiscal, em 07/04/2009, que não constavam nas GFIPS entregues pela empresa os valores devidos a outras entidades e fundos. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 43/51. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 1035.776 6ª Turma da DRJ/POA, a fls. 73/78, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 26/12/2011, conforme atesta documento a fl. 82. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário a fls. 84/94, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: § Nulidade do Auto de Infração, por ter sido lavrado antes do Trânsito em Julgado da impugnação administrativa apresentada em face da decisão que excluiu o Recorrente do SIMPLES, nos autos do PAF nº 11080.014097/200877; § Que a incidência de multa moratória é indevida; Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12269.002050/200914 Resolução nº 2302000.237 S2C3T2 Fl. 108 3 § Que a Recorrente não está obrigada, neste momento, a retificar suas GFIP, uma vez que a decisão que a excluiu do SIMPLES ainda pende de julgamento de Recurso Voluntário; § Que o escalonamento do percentual de multa moratória representa cerceamento de defesa do contribuinte; Ao fim, requer a declaração de nulidade do auto de infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. 2. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 26/12/2011. Havendo sido o recurso recebido pelo órgão fazendário em 20/01/2012, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 3. DO JULGAMENTO DE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CONEXO Consta nos autos que o Recorrente houvese por notificado de sua exclusão do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2004, mediante notificação nº 208/2008/DRF/POA/SECAT/CNPJ, a fl. 25, e Ato Declaratório Executivo DRF/POA nº 72/2008, a fl. 26, dos quais tomou ciência em 16/01/2009. Em face de tal decisão, a Notificada apresentou Manifestação de Inconformidade, nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 11080.014097/200877, a qual foi julgada improcedente em primeira instância administrativa, pela 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília/DF, em sessão realizada em 20/08/2010, nos termos do Acórdão nº 0338774, sendo mantida a exclusão do sujeito passivo em tela do Sistema Integrado de Pagamento dos Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. Não se conformando com a Decisão proferida pela DRJ/DF, a Notificada interpôs Recurso Voluntário perante este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual se encontra, ainda, na SECOJ/SECEX/CARF/MF/DF, aguardando distribuição/sorteio para uma de suas turmas julgadoras. Avulta das circunstâncias do presente caso que o veredictum a ser proferido no vertente Processo Administrativo Fiscal depende visceralmente do desfecho definitivo a que alcançar o julgamento do Recurso Voluntário interposto nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 11080.014097/200877. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 12269.002050/200914 Resolução nº 2302000.237 S2C3T2 Fl. 109 4 Por tais razões, como medida de reconhecida prudência, pautamos pela conversão do julgamento em Diligência Fiscal, para que se aguarde o Trânsito em Julgado da demanda objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 11080.014097/200877. A diligência deve ser concluída com a juntada aos presentes autos de cópia da decisão definitiva proferida no PAF nº 11080.014097/200877. Na sequência , antes de os autos retornarem a esta Corte Administrativa, deve ser promovida a ciência do resultado da Diligência Fiscal ao Sujeito Passivo, para que, desejando, possa se manifestar nos autos do processo, no prazo normativo. 4. RESOLUÇÃO Pelos motivos expendidos, voto pela conversão do Julgamento em Diligência Fiscal, nos exatos termos detalhados nos parágrafos precedentes. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/07/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10540.720741/2010-37
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
MULTA MORATÓRIA. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. POSSBILIDADE.
A nova redação do art. 239, § 9º do Regulamento da Previdência Social (RPS) dada pelo Decreto nº. 6.042/2007 retirou as pessoas jurídicas de direito público do rol de entidades não sujeitas a multa moratória, tornando possível a aplicação de penalidade dessa natureza.
BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA.
Inexiste bis in idem quando se verifica a existência de multa moratória incidente sobre a obrigação principal e imputação de multa por descumprimento de obrigação acessória, situações fáticas distintas.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Estando presente nos autos a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e períodos correspondentes, bem como a devida fundamentação legal, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa.
PARCELAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Compete ao contribuinte a apresentação do conjunto probatório apto à comprovação do alegado, a fim de promover condições de convicção favoráveis à sua pretensão, sob pena de acatamento do ato administrativo realizado.
OCUPANTE DE CARGO EM COMISSÃO. CARGO TEMPORÁRIO.
Por força do disposto no art. 40, § 13, da Constituição Federal, o ocupante, exclusivamente de cargo em comissão, bem como de outro cargo temporário ou de emprego público submete-se ao Regime Geral de Previdência Social, na qualidade de segurado empregado, razão pela qual incidem contribuições previdenciárias sobre a correlata remuneração.
TAXA SELIC. SÚMULA 03.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
GILRAT. LEGALIDADE.
O STF, no RE nº. 343.446/SC, assentou entendimento de que não há ofensa ao princípio da legalidade a definação dos conceitos de atividade preponderante e grau de risco leve, médio e grave através de ato infralegal, tendo em vista que as Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, entremostram-se suficientes para fazer nascer a obrigação tributária válida.
MULTA. RECÁLCULO.
Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, c do CTN.
Recuso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35, caput, da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. POSSBILIDADE. A nova redação do art. 239, § 9º do Regulamento da Previdência Social (RPS) dada pelo Decreto nº. 6.042/2007 retirou as pessoas jurídicas de direito público do rol de entidades não sujeitas a multa moratória, tornando possível a aplicação de penalidade dessa natureza. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. Inexiste bis in idem quando se verifica a existência de multa moratória incidente sobre a obrigação principal e imputação de multa por descumprimento de obrigação acessória, situações fáticas distintas. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Estando presente nos autos a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e períodos correspondentes, bem como a devida fundamentação legal, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. PARCELAMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte a apresentação do conjunto probatório apto à comprovação do alegado, a fim de promover condições de convicção favoráveis à sua pretensão, sob pena de acatamento do ato administrativo realizado. OCUPANTE DE CARGO EM COMISSÃO. CARGO TEMPORÁRIO. Por força do disposto no art. 40, § 13, da Constituição Federal, o ocupante, exclusivamente de cargo em comissão, bem como de outro cargo temporário ou de emprego público submetese ao Regime Geral de Previdência Social, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 07 41 /2 01 0- 37 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 na qualidade de segurado empregado, razão pela qual incidem contribuições previdenciárias sobre a correlata remuneração. TAXA SELIC. SÚMULA 03. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. GILRAT. LEGALIDADE. O STF, no RE nº. 343.446/SC, assentou entendimento de que não há ofensa ao princípio da legalidade a definação dos conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio e grave” através de ato infralegal, tendo em vista que as Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, entremostramse suficientes para fazer nascer a obrigação tributária válida. MULTA. RECÁLCULO. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recuso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35, caput, da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10540.720741/201037 Acórdão n.º 2403001.934 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 15 27.433 fls. 237/251, que julgou totalmente improcedente a Impugnação apresentada para manter a integralidade das imputações dispostas na autuação fiscal consolidada e cientificada à empresa contribuinte em 14/12/2010. O crédito previdenciário, cujo importe corresponde a R$ 1.990.516,32 (um milhão, novecentos e noventa mil, quinhentos e desesseis reais e trinta e dois centavos), referese às contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre as remunerações de segurados empregados, incongruências verificadas entre a base de cálculo da folha de pagamento e a base de cálculo da GFIP, durante o período compreendido entre 01/2006 a 12/2008. Segundo Relatório Fiscal, de fls. 45/55, in verbis: “1.3. Tratase de Órgão do Poder Público Municipal que não possui regime próprio de Previdência Social. (...) 1.6. O enquadramento da entidade para fins de recolhimento das contribuições sócias patronais é o que se segue: · Contribuição previdenciária patronal – alíquota de 20%, incidente sobre a remuneração para ou creditada aos segurados empregados. (FPAS 582 – Órgãos do Poder Público). · Contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razao do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) correspondente ao CNAE Fiscal 84.11600 (Administração Pública em Geral) – alíquotas de 1% até 05/2007 e 2% a partir de 06/2007, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 208/224. DA DECISÃO DA DRJ Fl. 290DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Após analisar os argumentos da Recorrente, a 7ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Salvador/BA, DRJ/SDR, prolatou o Acórdão n° 1527.433 (Fls. 237/251), mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. São devidas as contribuições previdenciárias patronais e as destinadas ao financiamento dos benefícios concecidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trablho – GILRAT, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Estando presente nos autos a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, além da devida fundamentação legal, não há falar em cerceamento do direito de defesa. MULTA MORATÓRIA. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER IRRELEVÁVEL. Sobre a contribuição social previdenciária em atraso, incide multa moratória dee caráter irrelevável (art. 35 da Lei 8.212, de 1991). Para fatos geradores ocorridos após a vigência da MP 449/2008, nos casos de falta de recolhimento, incide a multa de ofício capitulada no art. 44 da Lei nº. 9.430, de 27 de dezembro de 1996. OBRIGAÇÃO. PRINCIPAL. ACESSÓRIA. Em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte e o Fisco, o Código Tributário Nacional, em seu art. 113, prevê duas espécies de obrigações tributárias: uma denominada principal, outra denominada acessória. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA MENOS SEVERA. MOMENTO DA COMPARAÇÃO. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação das multas para verificação e aplicação da mais benéfica somente poderá operacionalizarse quando o pagamento do crédito for postulado pelo contribuinte ou quando do ajuizamento de execução fiscal, conforme Portaria Conjunta PGFN/RFB nº. 14, de 04/12/2009. BIS IN IDEM. INOCORRÊNCIA. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10540.720741/201037 Acórdão n.º 2403001.934 S2C4T3 Fl. 4 5 Inocorre o bis in idem quando cada Auto de Infração, lavrado na Ação Fiscal, corresponde a descumprimento de uma determinada e específica obrigação tributária. PARCELAMENTOS. APROPRIAÇÃO. Os parcelamentos contidos nos documentos apresentados pelo contribuinte à fiscalização, constantes do Relatório de Documentos Apresentados (RDA), foram apropriados pela fiscalização conforme Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (RADA). OCUPANTE DE CARGO EM COMISSÃO. CARGO TEMPORÁRIO. O ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão, bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, está incluído no Regime Geral da Previdência Social, conforme consagrado no art. 40, §13, da Constituição da República, na redação da Emenda Constitucional nº. 20/98. Assim, incidem contribuições para a Seguridade Social sobre as remunerações pagas aos servidores ocupante de cargo em comissão na qualidade de segurados empregados. JUROS SELIC. LEGALIDADE. É lícita a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) para o cálculo dos juros incidentes sobre as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo Fisco Federal. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não possui competência para apreciar a legalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, cabendo tal prerrogativa exclusivamente ao Poder Judiciário. GILRAT. É devida à Seguridade Social as contribuições previdenciárias correspondentes ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido DO RECURSO Fl. 292DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Irresignada, o Município de Ubaíra interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 258/274, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1. Impossibilidade de aplicação de multa ao Município em razão da ausência de permissivo legal, eis que revogado o art. 41 da Lei 8.212/91, o qual estabelecia responsabilidade pessoal aos gestores públicos pela multa aplicada por infração de dispositivos ou regulamento da aludida lei, não significa que a responsabilidade passou a ser do órgão público; 2. Impossibilidade de imputação de multa moratória ao Município por força da Súmula nº. 226 do Tribunal de Contas da União, fazendose necessária a existência de lei autorizativa para a cobrança da referida multa em face das pessoas jurídicas de direito público. Logo, tornase insubsistente a multa moratória aplicada em virtude da autuação fiscal ter sido embasada no Decreto nº. 3.048/99, essencialmente regulamentador. 3. Ocorrência de bis in idem, em razão de suposta cobrança dobrada de multa por descumprimento de obrigação acessória, uma vez que a multa consignada no Auto de Infração em epígrafe já foi imputada nas demais autuações fiscais em que se consignou apenas multa. 4. Nulidade do Auto de Infração pelo cerceamento do direito de defesa em face da ausência do dispositivo legal infringido. 5. Inexistência de dívida previdenciária pela adesão do Município ao Programa de Recuperação Fiscal – REFIS, cujas parcelas vem sendo adimplidas regularmente. 6. Insubsistência da cobrança em razão da autuação ter sido realizada por aferição indireta, bem como pela impossibilidade da cobrança de contribuições previdenciárias sobre autônomos e prestadores de serviços, dada a inconstitucionalidade da exação, ficando excluídos também os cargos comissionados e gratificados da incidência da contribuição previdenciária. 7. Ilegalidade da contribuição ao GILRAT na forma como está sendo exigida, visto que o cálculo deve obdecer, no mínimo, o efetivo grau de risco de cada um dos estabelecimentos, e não por grau unificado para todas as empresas. É o relatório. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10540.720741/201037 Acórdão n.º 2403001.934 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documento de fl. 283, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO APLICAÇÃO DE MULTA MORATÓRIA AO MUNICÍPIO Em suas razões, afirmou a Recorrente não ser possível a imputação de multa ao município por ausência de permissivo legal, haja vista a necessária existência de lei autorizativa para a cobrança de multa moratória em face das pessoas jurídicas de direito público, por força da Súmula n. 226 do TCU, tornando insubsistente a imputação realizada eis que a autuação baseouse no Decreto nº. 3.048/99, essencialmente regulamentador. Primeiramente, a Lei nº 8.212/91, que dispõe sobre a Seguridade Social, equipara os órgãos e entidades da administração pública a empresas em geral, portanto, terão o mesmo tratamento, no que toca as obrigações e ônus decorrentes das contribuições previdenciárias, in verbis: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; Inclusive, a Advocacia Geral da União, já emitiu o parecer AC16, datado de 18/02/2004, aprovado nos termos do art. 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, no sentido da possibilidade de imposição de multa, conforme segue sua ementa: AS MULTAS PREVISTAS EM LEI SÃO APLICÁVEIS ÀS PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. O FAVORECIMENTO, PELA EXCLUSÃO, CARACTERIZA DESVIO DE PODER. Logo, é de clareza solar a submissão da recorrente às normas dispostas na Lei n. 8.212/91. É com suporte na aludida norma legal, ao contrário do que alega a Recorrente, mais especificamente em seus artigos 35 e 35A, que é possível a aplicação de multa moratória. Entretanto, até fevereiro de 2007, inexistia incidência de multa moratória aos órgãos da Administração Pública em razão do art. 239, § 9º do Regulamento da Previdência Social (RPS). Contudo, a nova redação dada pelo Decreto nº. 6.042, de 12 de fevereiro de Fl. 294DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 2007, o qual retirou as pessoas jurídicas de direito público do rol de entidades não sujeitas a tal penalidade, tornou possível a aplicação de multas dessa natureza. Por tal razão, correta a aplicação de multa no período posterior a janeiro de 2007, na forma pela qual fez o fiscal, que observou o período acima citado, conforme se percebe de trecho de seu relatório fiscal, fl. 52, in verbis: 5.16. Conforme demonstrado no quadro acima, no período de janeiro de 2006 a janeiro de 2007 o comparativo de multa restringiuse ao descumprimento da obrigação acessória, já que neste período não se aplicava multa moratória nos Órgãos da Administração Pública. Ademais, a Súmula n. 226 do Tribunal de Contas da União, não afeta a matéria aqui posta, haja vista a previsão legal de aplicação de multa, conforme adrede exposto. IMPUTAÇÃO DE MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Alega a Recorrente não ser devida a imputação de multa por descumprimento de obrigação acessória, em razão da revogação do art. 41 que “retirou a responsabilidade pessoal do dirigente pela penalidade aplicada em razão de descumprimento de obrigação acessória de órgão público. Esse ato – revogação – não quer dizer que a responsabilidade que era do gestor municipal passou a ser do órgão público”. Ocorre que a autuação em epígrafe não versa sobre descumprimento de obrigação acessória, e sim obrigação principal, sujeita a correção monetária e acréscimo de multa e jutos nos termos da legislação aplicável. INOCORRÊNCIA DE BIS IN IDEM A alegação de excesso de aplicação de multa moratória e multa por descumprimento de obrigação acessória, em razão da lavratura de outros autos de infração consignando penalidade pelos mesmo fatos, não prospera. Ora, é sabido que as referidas penalidades são aplicadas em situações fáticas distintas. As multas imputadas através da lavratura das autuações DEBCAD’s n. 37.296.4753, n. 37.296.4745 e 37.296.4770 referemse ao descumprimento de obrigações acessórias, respectivamente apresentação de GFIP com incorreções ou omissões, apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias e por deixar de preparar folha de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidas pelo órgão competente da Seguridade Social. No entanto, as multas apuradas nos Autos de Infração de obrigação principal incidem justamente sobre a mora no recolhimento dos valores apurados a título de contribuições previdenciárias, não se confundindo com as penalidades imputadas em autuação apartada. Sendo assim, afasto a ocorrência de bis in idem. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA POR AUSÊNCIA DO DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO Fl. 295DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10540.720741/201037 Acórdão n.º 2403001.934 S2C4T3 Fl. 6 9 A mera análise perfunctória da autuação evidencia expressa menção aos dispositivos legais infringidos, constantes no Relatório Fiscal (fls. 45/55), bem como em tópico autônomo intitulado “Fundamentos Legais do Débito” (fls. 42/43) onde exaustivamente elencam todos os dispositivos que autorizam a lavratura do processo fiscal em epígrafe. Desde modo, não merece acolhida a alegação de cerceamento do direito de defesa por ausência de menção ao dispositivo legal infringido. NÃO COMPROVAÇÃO DO PARCELAMENTO A Recorrente alega que “o Município firmou um parcelamento com a Receita Federal, beneficiandose do REFIS, suspendendo a exigibilidade de todo o débito pretérito, não se justificando a cobrança de contribuições previdenciárias anteriores ao mesmo”. Todavia, percebese que a alegação é frágil, por não encontrar respaldo em qualquer prova. É que, mesmo em matéria tributária, cabe a ambos, ao Fisco e ao contribuinte, não só alegar, como, precipuamente, produzir provas que ofereçam condições de convicção favoráveis à sua pretensão. Por oportuno, transcrevese as palavras de Marcos Vinícius Neder, quando afirma que “Ino processo administrativo fiscal, temse como regra que o ônus da prova recai sobre quem dela se aproveita. Assim, se a Fazenda alega ter ocorrido o fato gerador da obrigação tributária, deverá apresentar a prova de sua ocorrência. Se, por outro lado, o contribuinte aduz a inexistência da ocorrência do fato gerador, igualmente, terá que provar a falta dos pressupostos de sua ocorrência ou a existência de fatores excludentes” (g.n.). Sendo assim, afirmar a existência de celebração de parcelamento dos créditos previdenciários exigidos sem haver qualquer prova deste fato inviabiliza qualquer consideração acerca do argumento expendido. ALEGAÇÃO DE INSUBSISTÊNCIA DA COBRANÇA Infere a Recorrente acerca da realização de retificações em GFIP não observadas pela fiscalização, de modo a concluir que a autuação foi baseada em aferição indireta. Contudo, apesar das alegações da Recorrente, restou demonstrado, mediante análise do relatório fiscal e o relatório de lançamentos, que a fiscalização utilizouse das folhas de pagamento e das GFIP para identificar os fatos geradores e apurar a base de cálculo da contribuição lançada, razão pela qual não há que se falar em aferição indireta. Também argumenta a Recorrente acerca da inconstitucionalidade da contribuição previdenciária sobre os autônomos e prestadores de serviços individuais, não tratada na autuação, uma vez que esta pretende o recolhimento dos descontos das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada, a qualquer título, aos segurados empregados da Prefeitura Municipal. Sendo assim, não cabe a análise de tal argumento, o que, aliás, seria vedado a este colegiado administrativo em razão de expressa vedação em súmula. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Em relação à incidência de contribuição previdenciária sobre os cargos comissionados, a Constituição Federal, em seu art. 40, § 13, dispõe que “ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplicase o regime geral de previdência social”. Logo, estando vinculado ao RGPS na condição de segurado obrigatório como empregado nos termos do art. 9o, I, “i” do Regulamento da Previdência Social, não sobejam dúvidas quanto a incidência da contribuição social previdenciária. Neste sentido, a Recorrente ao alegar que os cargos comissionados estão foram do alcance da incidência da contribuição previdenciária, assim o fez com arrimo em acórdão do TCU, o qual faz referência ao regime previdenciário próprio da União (Lei n. 9.783/99), não sendo aplicável ao RGPS em apreço, de modo que subsistem razões que permitam o acolhimento do presente argumento. LEGALIDADE DA ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA SELIC A Recorrente entende como ilegal a incidência da taxa Selic na correção do crédito tributário lançado. Ocorre que, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, os julgamentos dos conselheiros estão vinculados aos acórdãos do STF e STJ, quando prolatados nos termos dos arts. 543B e 543C do CPC, verbis: Art. 62A do Regimento Interno do CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse diapasão, o Colendo STJ já se manifestou acerca da possibilidade de atualização monetária pela Taxa SELIC, nos termos do art. 543C do CPC, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10540.720741/201037 Acórdão n.º 2403001.934 S2C4T3 Fl. 7 11 Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175/SP, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/06/2009, DJe 01/07/2009) (grifo nosso) Ademais, além do referendo Judicial em sede de Recurso Repetitivo, essa matéria consta na Súmula n. 3 do CARF, verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, não há que se falar em ilegalidade na aplicação da Taxa SELIC em matéria tributária. DA ANÁLISE DA LEGALIDADE DO GILRAT Alega a Recorrente acerca da ilegalidade das contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT). No entanto, cumpre esclarecer desde já que a contribuição do GILRAT não é questionável, uma vez que, apesar de parte da doutrina se posicionar com relação a necessidade de edição de lei precisando o alcance das expressões atividades preponderantes, risco leve, médio e grave, o Supremo Tribunal Federal, já enfrentou a matéria, tendo decidido pela possibilidade de remissão a regulamento com relação a estes termos, não havendo ferimento à legalidade, in verbisi: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º; art. 154, II; art. 5º, II; art. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido. (RE 343446, Relator(a): Min. CARLOS VELLOSO, Tribunal Pleno, julgado em 20/03/2003, DJ 04042003 PP00040 EMENT VOL0210507 PP01388) Portanto, resta superada a matéria. DAS MULTAS APLICADAS No que se referem às multas de mora e de ofício aplicadas, mister se faz tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 299DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10540.720741/201037 Acórdão n.º 2403001.934 S2C4T3 Fl. 8 13 c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. CONCLUSÃO Do exposto, conheço do recurso para dar parcial provimento, para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 301DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/05 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 19515.003049/2003-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF
Exercício: 1999
DECADÊNCIA - IMPOSTO DE RENDA - EXTINÇÃO DO CRÉDITO
TRIBUTÁRIO. Nos casos de lançamento por homologação, o prazo
decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF se perfaz em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Decadência reconhecida
em relação ao ano-calendário de 1998.
Preliminar acolhida.
Numero da decisão: 2201-000.353
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara
da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pelo voto de qualidade, ACOLHER a preliminar de decadência para cancelar o lançamento. Vencido os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Naja Moreira Barros Mazza (Suplente convocada) e
Eduardo Tadeu Farah. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva.
Nome do relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS n!:142:c20," SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO-,,,- , ........-. Processo n° 19515.003049/2003-01 Recurso n° 163.958 Voluntário Acórdão n° 2201-00.353 — 2" Câmara / P Turma Ordinária Sessão de 30 de julho de 2009 Matéria IRPF - Ex(s).: 1999 , Recorrente GERSON SCACIOTA REBANE Recorrida 3a TURMA/DRJ-SALVADOR/BA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 1999 DECADÊNCIA - IMPOSTO DE RENDA - EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF se perfaz em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4 0, do CTN). Decadência reconhecida em relação ao ano-calendário de 1998. Preliminar acolhida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pelo voto de qualidade, ACOLHER a preliminar de decadência para cancelar o lançamento. Vencido os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Naja Moreira Barros Mazza (Suplente convocada) e Eduardo Tadeu Farah. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. lb ` lik — IIII MOISES GIACO .. ' - S DA SILVA Presidente e Redator-Designado FORMALIZADO EM: 2 7 ouT mg 1 Processo n° 19515.003049/2003-01 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.353 Fl. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Manoel Coelho Arruda Júnior (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Renato Coelho Borelli (Suplente convocado), Núbia Moreira Barros Mazza (Suplente convocada) e Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Presidente em exercício). Processo n° 19515.003049/2003-01 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.353 Fl. 3 Relatório GERSON SCACIOTA REBANE interpôs recurso voluntário contra acórdão da 3' TURMA/DRJ-SALVADOR/BA que julgou procedente lançamento formalizado por meio do auto de infração de fls. 342/354. Trata-se de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF, no valor de R$ 416.449,30, acrescido de multa de oficio de 75% e de juros de mora, totalizando um crédito tributário lançado de R$ 1.108.754,61. As infrações que ensejaram o lançamento e que estão detalhadamente descritas no Termo de Verificação Fiscal de fls. 342/348, foram: I) Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas; 2) Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, no ano de 1998. O Contribuinte impugnou o lançamento, alegando, preliminarmente, a decadência do direito de a Fazenda Nacional proceder ao lançamento. Sustenta que o prazo quiquenal tem como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4° do CTN. Argúi também, como preliminar, a impossibilidade da quebra do seu sigilo bancários, pois, em 1998, não havia autorização legal para tanto; que também não havia previsão legal para lançamento com base apenas em depósitos bancários e a utilização dos dados da CPMF como base para o lançamento. Quanto ao mérito, afirma que a movimentação bancária não lhe pertencia, como demonstra a ausência de alteração patrimonial; diz que os créditos em sua conta corrente decorrem de depósitos feitos por seu empregador, empresa Exata S/A — Corretora de Títulos e Valores Mobiliários e por terceiros para atender negócios realizados na Bolsa de Valores de São Paulo ou, ainda, para reembolso de despesas. Questiona o fato de não terem sido considerados os rendimentos que ofereceu à tributação na DIRPF/1999, que foi apresentada em 21/12/2002. A 3' TURMA/DRJ-SALVADOR/BA julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Quanto à argüição de decadência, sustenta a decisão recorrida que, não tendo havido pagamento antecipado do imposto, o prazo decadencial rege-se pelo art. 173, I do CTN que prevê como termo inicial de contagem do prazo quinquenal o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Afirmou a regularidade do acesso do Fisco aos dados sobre a movimentação financeira do contribuinte, ressaltando que a lei Complementar n° 105, de 2001 tem aplicação imediata, alcançando fatos pretéritos e, portanto, havia base legal para a quebra do sigilo Processo n° 19515.003049/2003-01 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.353 Fl. 4 bancário. Ressaltou também a inexistência de qualquer outro vício que pudesse ensejar a nulidade do lançamento, rejeitando a preliminar de nulidade argüida. Também registrou a regularidade do lançamento com base em depósitos bancários, com fundamento no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, que instituiu uma presunção legal; que caberia ao Contribuinte comprovar, de forma individualizada, a origem dos depósitos bancários, e não o fazendo resta configurada a omissão de rendimentos; que o Contribuinte não apresentou comprovação da origem dos depósitos, e que as alegadas origens não foram comprovadas com documentos hábeis e idôneos. O Contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 27/09/2007 (fls. 410v) e, em 11/10/2007, interpôs o recurso de fls. 413/426 que ora se examina e no qual reproduz, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. É o relatório. (76? Processo n° 19515.003049/2003-01 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.353 Fl. 5 Voto Vencido Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Sobre a argüição de decadência, o Recorrente sustenta que o termo inicial de contagem do prazo é a data do fato gerador, nos termos do art. 150, § 40 do CTN. Não compartilho da tese de que, nos casos de lançamento por homologação, o termo inicial de contagem do prazo decadencial seja a data de ocorrência do fato gerador. Tenho claro que o prazo referido no § 4° do art. 150, do CTN refere-se à decadência do direito de a Fazenda revisar os procedimentos de apuração do imposto devido e do correspondente pagamento, sob pena de restarem estes homologados, e não decadência do direito de constituir o crédito tributário pelo lançamento. Nesse sentido, o § 4° do art. 150 do CTN só pode ser acionado quando o Contribuinte, antecipando-se ao Fisco, procede à apuração e recolhimento do imposto devido. Sem isso não há o que ser homologado. Nos casos de omissão de rendimentos, não há falar em homologação no que se refere aos rendimentos omitidos. Homologação, na definição do festejado Celso Antônio Bandeira de Mello "é ato vinculado pelo qual a Administração concorda com ato jurídico já praticado, uma vez verificada a consonância dele com os requisitos legais condicionadores de sua válida emissão" (Curso de Direito Administrativo, l6 edição, Malheiros Editores — São Paulo, p. 402). A homologação pressupõe, portanto, a prática anterior do ato a ser homologado. É dizer, não se homologa a omissão. Com efeito, quando homologado tacitamente o procedimento/pagamento feito pelo contribuinte, não haverá lançamento, não porque tenha decaído o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário, mas porque não haverá crédito a ser lançado, posto que a apuração/pagamento do imposto feito pelo contribuinte serão confirmados pela homologação. Portanto, entendo que, no presente caso, não havia obstáculo para a apuração do imposto devido e, assim, o crédito tributário correspondente poderia ser lançado até o término do prazo previsto no art. 173, 1 do CTN. Note-se que se trata de lançamento de omissão de rendimentos e, portanto, de rendimentos que deveriam ter sido declarados e não foram. Portanto, não há como se considerar a homologação da omissão de rendimentos. Por outro lado, entendo que a entrega da declaração de rendimentos por parte do contribuinte configura a medida preparatória de que trata o parágrafo único do art. 173 do CTN e, portanto, poderia antecipar o termo inicial de contagem do prazo decadencial. Porém, neste caso, a entrega da declaração referente ao exercício de 1999 somente ocorreu em G/ 5 Processo n° 19515.003049/2003-01 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.353 Fl. 6 21/12/2002 (fls. 164), inclusive, já sob procedimento fiscal e, portanto, não há falar em antecipação do termo inicial do prazo decadencial. No caso, portanto, como a autuação refere-se ao ano-calendário de 1998, o lançamento poderia ter sido formalizado até 31/12//2004 e, como se verifica às fls. 356, a ciência do auto de infração ocorreu em 19/07/2004. Rejeito, pois, a preliminar de decadência. Sobre a quebra do sigilo bancário, entendo, acompanhando a jurisprudência já pacificada neste Conselho no sentido de que, atendidas as condições fixadas na lei, o Fisco pode ter acesso às informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes e utilizá-las como base para o lançamento tributário. É verdade que o art. 5°, inciso X, da Constituição Federal garante o direito à privacidade, no qual se inclui o sigilo bancário, mas esse direito não é absoluto e ilimitado, a ponto de se opor aos próprios agentes do Estado, na sua atividade de controle, por exemplo, do cumprimento das obrigações fiscais por parte dos contribuintes. Isto é, não se pode pretender, por exemplo, que o sigilo bancário se preste para acobertar irregularidades passíveis de apuração pelos agentes do Fisco. O ordenamento jurídico brasileiro, inclusive, embora sempre reconhecendo o sigilo das informações bancárias, tem uma larga tradição em franquear o acesso a essas informações aos agentes do Fisco. Assim, a Lei n° 4.595, de 1964, já prescrevia no seu art. 38: Lei n°4.595, de 1964: Art. 38 — As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. sç 5" Os agentes fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados somente poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, quando houver processo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. § 6" O disposto no parágrafo anterior se aplica igualmente à prestação de esclarecimentos e informes pelas instituições financeiras às autoridades fiscais, devendo sempre estas e os exames ser conservados em sigilo, não podendo ser utilizados senão reservadamente. O próprio Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172, de 1966, recepcionado pela Constituição de 1988 como lei complementar, expressamente determina que as instituições financeiras devem prestar informações sobre negócios de terceiros, o que, obviamente, inclui as operações financeiras, silenciando, inclusive, sobre a exigência de prévio processo administrativo instaurado: Lei n°5.172, de 1966: Art. 197 — Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que 6 Processo n° 1 95 15.003049/2003-01 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.353 Fl. 7 disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: II — os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras. Ainda nesse mesmo sentido, foi editada, posteriormente, a Lei n° 8.021, de 1990, ampliando, inclusive, o rol das instituições obrigadas a prestar informações ao Fisco: Lei n° 8.021, de 1990: Art. 7°- A autoridade fiscal do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento poderá proceder a exames de documentos, livros e registros das bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, bem como solicitar a prestação de esclarecimentos e informações a respeito de operações por elas praticadas, inclusive em relação a terceiros. Art. 8" - Iniciado o procedimento fiscal, a autoridade fiscal poderá solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei n" 4.595, de 31 de dezembro de 1964. Parágrafo único — As informações, que obedecerão às normas regulamentares expedidas pelo Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, deverão ser prestadas no prazo máximo de dez dias úteis contados da data da solicitação, aplicando-se, no caso de descwnprimento desse prazo, a penalidade prevista no § I' do art. 7". Finalmente, a Lei complementar n° 105, de 2001, a qual versa expressamente sobre o dever de sigilo das instituições financeiras em relação às operações financeiras de seus clientes, fez a ressalva quanto ao acesso a essas informações pelos agentes do Fisco, a saber: Lei Complementar n° 105, de 2001: Art, 1" — As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (•• § 3° Mio constitui violação do dever de sigilo: VI — a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2", 3", 4", 5', 6", 7' e 9" desta Lei Complementar. Art. 6" As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente 7 V Processo n° 19515.003049/2003-01 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00353 Fl. 8 poderão examinar documentos, livros e registros de instituições .financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Como se vê, o ordenamento jurídico brasileiro de há muito vem estabelecendo, em caráter sempre excepcional e em determinadas condições previamente estabelecidas, o acesso a informações bancárias dos contribuintes pelos agentes do Fisco. Assim, a legislação brasileira tem, insistentemente, se inclinado no sentido da relativização do alcance do sigilo bancário, prevendo expressamente as situações excepcionais em que se admite a abertura daquelas informações. Por outro lado, não se deve esquecer que os agentes do Fisco, assim como os auditores do Banco Central do Brasil, e as próprias instituições financeiras, estão sujeitos ao dever de manter sigilo das informações a que tenham acesso em função de suas atividades. Desse modo, a rigor, sequer se pode falar em quebra de sigilo, mas em mera transferência deste. Finalmente, cumpre ressaltar que os dispositivos legais acima transcritos são normas válidas e, portanto, plenamente aplicáveis, eis que não foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Não há falar, portanto, em violação ilegal ou ilegítima de sigilo bancário, razão pela qual rejeito esta preliminar. Também não vislumbro na autuação nenhum outro vício que pudesse ensejar sua nulidade. Rejeito, pois, a preliminar de nulidade do lançamento. Sobre a utilização dos dados da CPMF como base para o lançamento tributário do IRPF - a Lei ri° 10.174, de 2001 afastou a vedação antes existente. Vejamos o que reza esta lei: Art. I" O art. 11 da Lei n" 9.311, de 24 de outubro de 1996, passa a vigorar COM a seguinte redação: 'Art. 11... ,s5' 3" A secretaria da Receita Federal resguardará, na forma aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para o lançamento, no ámbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1966, e alterações '76posteriores'. Processo n° 19515.003049/2003-01 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.353 Fl. 9 A seguir a redação original do § 3° do art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996: Art. 11. § 3" A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicada à matéria, o sigilo das informações prestadas, vedada sua utilização para constituição do crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos. A questão a ser decidida, portanto, é se, como a legislação alterada vedava a utilização das informações para fins de constituição de crédito tributário de outros tributos, o que passou a ser permitido com a alteração introduzida pela Lei n° 10.174, de 2001, é possível, ou não, proceder-se a lançamentos referentes a períodos anteriores à vigência dessa última lei, a partir das informações da CPMF. Entendo que o cerne da questão está na natureza da norma em apreço, se esta se refere aos aspectos materiais do lançamento ou ao procedimento de investigação. Isso porque o Código Tributário Nacional, no seu artigo 144, disciplina a questão da vigência da legislação no tempo e, ao fazê-lo, distingue expressamente as duas hipóteses, senão vejamos: Lei n° 5.172, de 1966: Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriornzente revogada. ,sç 1" Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processo de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgando ao crédito maior garantia ou privilégio, exceto, neste último caso, para efeito de atribuir responsabilidade a terceiros. Não tenho dúvidas em afirmar que a alteração introduzida pela Lei n° 10.174, de 2001, no § 3° do art. 11 da Lei n° 9.311, de 1996 alcança apenas os procedimentos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação do Fisco que, a partir de então, passou a poder utilizar-se de informações que antes lhe eram vedadas. Essa questão, inclusive, já foi enfrentada pelo Superior Tribunal de Justiça — STJ em recentes julgados que concluíram nesse mesmo sentido. Como exemplo cito a decisão da P' Turma no Resp 685708/ES; RECURSO ESPECIAL 2004/0129508-6, cuja ementa foi publicada no DJ de 20/06/2005, e que teve como relator o Ministro LUIZ FUX, in verbis: TRIBUTÁRIO. NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL. APLICAÇÃO INTER TEMPORAL. UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUTOS. RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1" DO CTN. Processo n° 19515.003049/2003-01 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.353 Fl. 10 1. O resguardo de informações bancárias era regido, ao tempo dos fatos que permeiam a presente demanda (ano de 1998), pela Lei 4.595/64, reguladora do Sistema Financeiro Nacional, e que foi recepcionada pelo art. 192 da Constituição Federal com força de lei complementar, ante a ausência de norma regtdamentadora desse dispositivo, até o advento da Lei Complementar 105/2001. 2. O art. 38 da Lei 4.595/64, revogado pela Lei Complementar 105/2001, previa a possibilidade de quebra do sigilo bancário apenas por decisão judicial. 3. Com o advento da Lei 9.311/96, que instituiu a CPMF, as instituições financeiras responsáveis pela retenção da referida contribuição, ficaram obrigadas a prestar à Secretaria da Receita Federal informações a respeito da identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações bancárias, sendo vedado, a teor do que preceituava o § 3" da art. 11 da mencionada lei, a utilização dessas informações para a constituição de crédito referente a outros tributos. 4. A possibilidade de quebra do sigilo bancário também foi objeto de alteração legislativa, levada a efeito pela Lei Complementar 105/2001, cujo art, 6° dispõe: 'Art. 6° As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.' 5. A teor do que dispõe o art. 144, § 1" cio Código Tributário Nacional, as leis tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao passo que as leis de natureza material só alcançam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 6. Norma que permite a utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de crédito tributário, por envergar natureza procedimental, teni aplicação imediata, alcançando mesmo fatos pretéritos. 7.A exegese do art. 144, ,sç 1" do Código Tributário Nacional, considerada a natureza formal da norma que permite o cruzamento de dados referentes à arrecadação da CPMF para fins de constituição de crédito relativo a outros tributos, conduz à conclusão da possibilidade da aplicação dos artigos 6" da Lei Complementar 105/2001 e 1' da Lei 10.174/2001 ao ato de lançamento de tributos cujo fato gerador se verificou em exercício anterior à vigência dos citados diplomas legais, desde que a constituição do crédito em si não esteja alcançada pela decadência. 8.Inexiste direito adquirido de obstar a fiscalização de negócios tributários, máxime porque, enquanto não extinto o crédito O Processo n° 19515.003049/2003-01 S2 -C2T1 Acórdão n.° 2201-00.353 Fl. 11 tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal. 9. Recurso Especial desprovido, para manter o acórdão recorrido. Aplicável na espécie, portanto, o disposto no § 1°, do art. 144 do CTN, acima referido. Finalmente, sobre a possibilidade do lançamento com base exclusivamente em depósitos bancários, a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários tem previsão em disposição expressa de lei a qual prevê como conseqüência para a verificação de depósitos bancários cuja origem, regularmente intimado, o Contribuinte não logre comprovar como documentos hábeis e idôneos, a se de presumir que se trata de rendimentos subtraídos ao crivo da tributação, autorizando o Fisco a exigir o imposto correspondente. Trata-se do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, o qual para melhor clareza, transcrevo a seguir, já com as alterações e acréscimos introduzidos pela Lei n°9.481, de 1997 e 10.637, de 2002: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1" O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no Inês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2" Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverenz sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3" Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa fisica ou jurídica; II -no caso de pessoa fisica, semn prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). §4" Tratando-se de pessoa fisica, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na Processo n° 19515,003049/2003-01 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.353 Fl. 12 tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. ,sç 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § e Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidos em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Como se vê, é a própria lei que considera como rendimentos omitidos os depósitos bancários de origem não comprovada, instituindo, assim, uma presunção, no caso, relativa, que é um instrumento ao qual o Direito lança mão para alcançar certos tipos de situações que sem ele lhe escapariam. Como ensina Alfredo Augusto Becker (Becker, A. Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário. 3' Ed. — São Paulo: Lejus, 2002, p.508): As presunções ou são resultado do raciocínio ou são estabelecidas pela lei, a qual raciocina pelo homem, donde classificam-se em presunções simples; ou comuns, ou de homem (proesumptiones hominis) e presunções legais, ou de direito (praesumptionies júris). Estas, por sua vez, se subdividem em absolutas, condicionais e mistas. As absolutas Uúris et de jure) não admitem prova em contrário; as condicionais ou relativas Gúris tantum), admitem prova em contrário; as mistas, ou intermédias, não adnzitem contra a verdade por elas estabelecidos senão certos meios de prova, referidos e previsto na própria lei. E o próprio Alfredo A. Becker, na mesma obra, define a presunção como sendo "o resultado do processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável" e mais adiante averba: "A regra jurídica cria uma presunção legal quando, baseando-se no fato conhecido cuja existência é certa, impõe a certeza jurídica da existência do fato desconhecido cuja existência é provável em virtude da correlação natural de existência entre estes dois fatos". Pois bem, o lançamento que ora se examina foi feito com base em presunção legal do tipo juris tantum, onde o fato conhecido é a existência de depósitos bancários de origem não comprovada e a certeza jurídica decorrente desse fato é o de que tais depósitos foram feitos com rendimentos subtraídos ao crivo da tributação. Tal presunção pode ser ilidida mediante prova em contrário, a cargo do autuado. E, no caso, como relatado, o autuado não trouxe aos autos nenhum elemento que demonstrasse a origem dos depósitos. A simples referência genérica de que os recursos movimentados em sua conta pertencem a terceiros, desacompanhada de qualquer elemento de prova deste fato, não merece ser acolhida. Conforme o velho brocardo jurídico, alegar e não provar e o mesmo que no alegar. Para elidir a presunção de omissão de rendime os o Processo n° 19515.003049/2003-01 S2-C2T1 1 Acórdão n.° 2201-00.353 Fl. 13 1 1 Contribuinte teria que apontar, de forma individualizada, de onde vieram os recursos aportados em suas contas bancárias. Sem essa comprovação, paira incólume a presunção de omissão de rendimentos. , Sobre a exclusão dos rendimentos declarados, embora, em princípio seja razoável a pretensão, no caso concreto, todavia, não há como acolhâ-la. É que, corno já referido anteriormente, o Contribuinte apresentou a declaração de rendimentos em 21/12/2002, após o inicio da ação fiscal, em 30/03/2001 (fls. 08). Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de REJEITAR a preliminar e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (..,_ala das Sess - s, em 30 ,0,ju1ho de 2009 r)(/ - Al nA/ 1 • I GwiL IRO PA LO PEREIRA BA OSA - Relator 13 Processo n° 19515.003049/2003-01 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.353 Fl. 14 Voto Vencedor Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Redator- Designado Trata-se de exigência de crédito tributário relativa a fato gerador complexivo que se concretizou em 31/12/98, cuja notificação somente ocorreu no ano de 2004, quando decorridos mais de cinco anos. Assim, merece ser acolhida a preliminar de decadência. Da decadência como forma de extinção do crédito tributário Para que se compreenda o instituto da decadência como uma das formas de extinção do crédito tributário faz-se necessário entender a constituição deste. Não se pode falar em extinção do crédito tributário sem compreender como se dá a sua constituição. A constituição do crédito tributário está prevista no Livro Segundo, Titulo III, Capítulo II, do Código Tributário Nacional, cujo artigo 142 prevê, "in verbis:" Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o tnontante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. O artigo 142 do CTN não pode ser interpretado como norma isolada dentro do sistema. Há que se ter presente que o Capitulo II, do Título III, do Livro Segundo, do CTN, é subdividido em duas seções, sendo que a Seção I, composta pelos artigos 142 a 146, trata do lançamento e a Seção II, composta pelos artigos 147 a 150, trata das modalidades de lançamento, a saber: lançamento por declaração (art. 147); lançamento de oficio (art. 149) e lançamento por homologação (art. 150). I.a) Das modalidades de lançamento O Código Tributário Nacional, nos artigos 147, 149 e 150, prevê três modalidades de lançamento', a saber: a) lançamento por declaração; b) lançamento de oficio e c) lançamento por homologação. 1 O CTN prevê três modalidades de lançamentos que se distinguem pela medida da participação do sujeito passivo: (i) O lançamento por declaração, no qual o sujeito passivo apresenta uma declaração contendo as informações sobre a matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação, que fica a cargo da autoridade fiscal definir o montante devido e notificar o sujeito passivo para efetuar o pagamento; (ii) O lançamento de oficio, no qual toda a atividade é desenvolvida pela autoridade fiscal. E, por fim, (iii) o lançamento por homologaçâo, no qual o i Processo n° 19515.003049/2003-01 S2-C2T1 Acórdão n.°2201-00.353 Fl. 15 O lançamento por declaração, conforme prevê o artigo 147 do CTN 2 , dá-se quando a lei atribui ao sujeito passivo ou a terceiro a obrigação de prestar informações para que o sujeito ativo, com base nas informações prestadas pelo contribuinte, apure o montante do imposto devido. Temos como exemplo de lançamento por declaração a sistemática de pagamento do Imposto de Renda do exercício de 1993, em que os contribuintes preenchiam a Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física, mas não efetuavam apuração ou recolhimento do imposto devido. Para pagamento do tributo, os sujeitos passivos aguardavam o recebimento de Notificação de Lançamento, em que constava o valor do débito calculado pela autoridade administrativa. Caracteriza, também, lançamento por declaração o mecanismo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR empregado até 1996, no qual o proprietário informava a extensão de sua propriedade e a produção nela obtida em formulário (declaração) especialmente destinado a este fim, de maneira que a Receita Federal, com base nestes dados, promovia a emissão da Notificação de Lançamento. O lançamento de ofício, previsto no artigo 149 do CTN 3, ocorre na hipótese de haver uma omissão ou inexatidão do contribuinte em relação às atividades que deveria cumprir, de maneira que a autoridade efetuará o lançamento, com a aplicação de penalidade administrativa. Cabe ressaltar que não há tributo cujo regime de lançamento seja o "de oficio", originalmente. O lançamento de oficio é efetuado de forma residual em relação a tributos cujo regime e "por declaração" ou "por homologação" e que tenha havido Irregularidade no mecanismo de apuração ou recolhimento por parte do contribuinte, contribuinte desenvolve toda a atividade apuratOria do valor do tributo devido e realiza o pagamento, ficando a cargo da autoridade fiscal a posterior verificação dessa atividade e, se for o caso, sua respectiva homologação. 2 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta á autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação, 3 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I - quando a lei assim o determine; II - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juizo daquela autoridade; IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI - quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX - quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, o Omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade essencial, 15 Processo n° 19515.003049/2003-01 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.353 Fl. 16 demandando a intervenção da autoridade administrativa no sentido de efetuar um lançamento "complementar" em relação ao período de apuração. No lançamento por homologação, de que trata o artigo 150 do CTN 4, o sujeito passivo é quem verifica a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determina a matéria tributável e calcula o montante do tributo devido. Neste caso, a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. São exemplos de tributos sujeitos a lançamentos por homologação os rendimentos decorrentes de ganho de capital na alienação de bens, rendimentos provenientes de aplicação financeiras, pagamentos de lucros e juros a não residentes no país, IPI, ICMS, PIS e FINSOCIAL e, atualmente, o IR, entre outros. I.b) Dos elementos essenciais que caracterizam a constituição do crédito tributário e das questões relacionadas à homologação Com a identificação do sujeito passivo, a matéria tributável, a regra-matriz de incidência tributária e o cálculo do tributo devido, tem-se os elementos essenciais do lançamento. O pagamento do tributo devido não faz parte do lançamento. Não integra a sua essência e nem é condição de sua validade. O crédito tributário, resultante do lançamento por homologação, existirá ainda que o tributo não seja pago. O pagamento é ato jurídico que ocorre num segundo momento para extinguir o que foi constituído em momento anterior. Quando se fala em constituição e extinção do crédito tributário é preciso identificar o momento da sua constituição e o momento da sua extinção. a) No momento da constituição do crédito tributário, no lançamento por homologação, o sujeito passivo apura a matéria tributável, a ocorrência do fato gerador e calcula o valor do imposto devido. b) No momento da extinção do crédito tributário tem-se o pagamento s do tributo correspondente. Nos casos de lançamento por homologação, o lançamento se consuma quando o sujeito passivo pratica atividade tendente a apurar a ocorrência do fato gerador, identificar a matéria tributável, calcular o valor devido, com obrigação de realizar o pagamento, independentemente de intimação a ser feita pelo do sujeito ativo. O pagamento é mera causa de extinção do crédito tributário. Só se extingue o que existe. Primeiro o crédito tributário precisa ser constituído para depois, num segundo 4 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. 5 Além do pagamento, há outras causas de extinção do crédito tributário previstas no artigo 156 do C . Entretanto, interessa-nos, neste momento, apenas o pagamento. 16 Processo n° 19515.003049/2003-01 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00353 Fl. 17. momento, por meio de causa externa, caracterizada pelo pagamento, ou por qualquer outra das hipóteses previstas no artigo 156 do CTN, ser extinto. Se o contribuinte, por exemplo, apresentar Declaração de Ajuste Anual com imposto a pagar, tal fato se constitui lançamento por homologação. Apresentada Declaração de Ajuste Anual, no caso de pessoa fisicd, ou DCTF no caso de pessoa jurídica, e apurado o montante do imposto devido, o lançamento, independentemente de pagamento, está perfeito. Se o pagamento não for realizado, não se fará novo lançamento, pois o crédito tributário já está constituído. Em tais casos, cabe à Procuradoria da Fazenda Nacional intimar o contribuinte para realizar o pagamento, sob pena de inscrição em dívida ativa e execução7. Verificada a existência de evento qualificado pela norma de exigência tributária, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação 8 , cabe ao sujeito passivo apurar a matéria tributável, verificar a ocorrência do fato gerador e calcular o montante do tributo. O pagamento do imposto é algo que se encontra fora do lançamento. É causa de extinção daquilo que foi validamente constituído. A homologação feita pela autoridade fiscal diz respeito à atividade realizada pelo contribuinte para apurar o montante devido. Não se pode confundir homologação do lançamento, com o pagamento do crédito tributário. O que se homologa é o lançamento e não o pagamento feito pelo sujeito passivo. O fato de haver ou não pagamento não altera a tipicidade do lançamento. Para confirmar a assertiva de que a incidência da norma que prevê o lançamento por homologação não está condicionada a necessidade de pagamento prévio, basta citar a hipótese de o contribuinte, que embora cumpra o dever legal de apurar o quantum 6 Encerrado o ano-calendário, a pessoa fisica, apura os rendimentos e as despesas dedutiveis e calcula o valor do imposto devido, informando tal fato à Receita Federal por meio da Declaração de Ajuste Anual. Ao apresentar a Declaração de Ajuste Anual, com imposto a pagar ou a restituir, o lançamento se consuma, tanto isto é verdadeiro que a fiscalização, para exigir o tributo não necessita lavrar auto de infração, bastando encaminhar as informações prestadas pelo contribuinte para que a Procuradoria da Fazenda Nacional proceda a inscrição em divida ativa, com posterior execução. Ver artigos 47 c 74, §§ 7°c 8° da Lei n°9.430, de 1996. Art. 47. A pessoa física ou jurídica submetida à ação fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal poderá pagar, até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, os tributos e contribuições já declarados, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo. (Redação dada ao artigo pela Lei n°9.532, de 10.12.1997, DOU 11.12.1997, conversão da Medida Provisória n° 1.602, de 14.11.1997, DOU 17.11.1997). Art. 74.... § 7° Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciència do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (Parágrafo acrescentado pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003, DOU 30.12.2003 - Ed. Extra). § 8° Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7°, o débito será encaminhado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9°. (Parágrafo acrescentado pela Lei n° 10.833, de 29.12.2003, DOU 30.12.2003 - Ed. Extra). 8 São exemplos de tributos sujeitos a lançamentos por homologação os rendimentos decorrentes de ganho d capital na alienação de bens; rendimentos provenientes de aplicação financeiras, pagamentos de lucros e juros não residentes no pais, IPI, ICMS, PIS e FINSOCIAL e, atualmente, o IR, entre outros. Processo n° 19515.003049/2003-01 S2 -C2T1 Acórdão n.° 2201-00.353 Fl. 18 I 1 , debeatur, conclui que não há nada a ser pago, como ocorre, por exemplo, na compensação de prejuízos fiscais e nas hipóteses de isenção e imunidade. Nesse contexto, se o contribuinte, por exemplo, estiver sob o abrigo de uma imunidade ou isenção de IPI, onde não ocorre nenhum pagamento, tendo em vista que o imposto sequer é destacado em nota fiscal, tal fato (a inexistência de pagamento) não impede que o fisco homologue expressamente a atividade à qual o sujeito passivo está obrigado por lei (tais como a emissão de notas fiscais, classificação fiscal dos produtos, escrituração de livros e apuração do tributo devido, se for o caso); ou então que, na ausência de homologação expressa, se opere a homologação tácita pelo decurso do prazo previsto no § 40 do art. 150, do CTN. Igualmente existe atividade a ser homologada nas hipóteses de verificação de prejuízo fiscal, quando não é apurado IRPJ e CSLL devidos, por ausência de lucro tributável. No caso de imposto de renda pessoa fisica, por exemplo, o sujeito passivo, ao término de cada ano-calendário, apresenta Declaração de Ajuste Anual. Nas situações em que o contribuinte não apurar nenhum imposto a pagar, mesmo assim a Fiscalização irá homologar sua declaração. Isto, conforme já afirmei, demonstra que o que se homologa é a atividade praticada pelo sujeito passivo e não eventual pagamento realizado. O pagamento, volto a repetir, é causa de extinção do tributo decorrente da atividade correspondente ao lançamento por homologação praticado pelo sujeito passivo. Quer o sujeito passivo tenha apurado ou não imposto a pagar; quer o contribuinte tenha pago ou não o tributo eventualmente apurado, o prazo decadencial para o lançamento em face de eventuais omissões, ou o prazo prescricional 9 para cobrança do que foi declarado, sempre terá como marco a data da ocorrência do fato gerador. Neste ponto, tenho que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que somente admite a contagem do prazo decadencial pelo artigo 150, § 4 0 , do CTN, nos casos em que houver pagamento antecipado, merece ser revista, pois tal tese não apresenta solução para as situações em que o contribuinte faz o lançamento e apura prejuízo, para ser compensado no período seguinte. A jurisprudência da citada Corte também não resolve, de forma adequada, os casos em que a pessoa fisica apresenta Declaração de Ajuste Anual, sem imposto a pagar ou com direito a restituição. Mais, a atual jurisprudência do STJ e de parte da doutrina que o segue e entende que nos casos de crédito tributário constituído por homologação o pagamento, ainda que parcial, é fator essencial para determinar o marco inicial do prazo decadencial, além de não resolver a situação relacionada aos casos em que o sujeito passivo apura prejuízo, também não apresenta solução para os casos em que as pessoas fisicas, por não atingirem determinados rendimentos, estão dispensadas de apresentarem Declaração de Ajuste Anual de Imposto de Renda. Como falar em pagamento para ser homologado em tais hipóteses que sequer se exige que o sujeito passivo realize atividade para apurar eventual imposto? Como falar em pagamento realizado nos casos em que o sujeito passivo apresenta declaração com prejuízo, sem imposto a pagar? 9 Segunda Câmara Leal. "...A decadência e a prescrição apresentam um ponto de contacto, que as assemelh ambas se fundam na inércia continuada do titular durante um certo lapso de tempo, e tem, portanto, como fato operantes a inércia e o tempo". (CÂMARA LEAL, Antônio Luiz da... Da Prescrição e da Decadência - atualiz a por José de Aguir Dias - FORENSE — Rio de Janeiro - 2a. Edição - número seqüencial: 00881 - pág. 114). ' Processo n° 19515.003049/2003-01 52-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.353 Fl. 19 A divergência que tenho em relação aos seguidores da atual jurisprudência do STJ está relacionada ao ponto em que esta entende que a autoridade administrativa pratica ato com a finalidade de homologar o pagamento, o que é um equivoco. O artigo 142 do CTN, anteriormente transcrito, ao dizer que "compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento" é expresso quando usa as expressões "assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato 2erador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido identificar o sujeito passivo e sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível". Dos comandos da regra aqui destacada tem-se que, nos casos em que o artigo 150, do CTN, determina que o sujeito passivo realize as atividades inerentes à constituição do crédito tributário, o que a autoridade administrativa homologa são os atos praticados pelo sujeito passivo e não o pagamento realizado por este. Pode ocorrer casos, por exemplo, em que a pessoa física entrega Declaração de Ajuste Anual em 30 de abril e requer parcelamento do imposto devido. Isto, entretanto, não impede que a Fiscalização, antes mesmo do pagamento da primeira parcela, homologue a atividade praticada pelo contribuinte. Na linha das razões de decidir até aqui expostos, são dignos de destaque os fundamentos do ilustre Conselheiro Nélson Mallmann, extraído do acórdão n° 104-20.071: (.) Como, também, refuto o argumento daqueles que entendem que só pode haver homologação se houver pagamento e, por conseqüência, como o lançamento efetuado pelo fisco decorre da falta de recolhimento de imposto de renda, o procedimento fiscal não estaria no campo da homologação, deslocando-se para a modalidade de lançamento de oficio, sujeito sempre à regra geral de decadência do art. 173 do CTN. É fantasioso. Em primeiro lugar, porque não é isto que está escrito no capta do art. 150 do CTN, cujo comando não pode ser sepultado na vala da conveniência interpretativa, porque, queiram ou não, o citado artigo define com todas as letras que "o lançamento por homologação (..) opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa." O que é passível de ser ou não homologado é a atividade exercida pelo sujeito passivo, em todos os seus contornos legais, dos quais sobressaem os efeitos tributários. Limitar a atividade de homologação exclusivamente à quantia paga significa reduzir a atividade da Administração Tributária a um nada, ou a uni procedimento de obviedade absoluta, visto que toda quantia ingressada deveria ser homologada e, a contrário sensu, não homologando o que não está pago. Em segundo lugar, mesmo que assim não fosse, é certo que a avaliação da suficiência de unia quantia recolhida implica, inexoravelmente, no exame de todos os fatos sujeitos à tributação, ou seja, o procedimento da autoridade administrativ tendente à homologação fica condicionado ao conhecimento d atividade assim exercida pelo obrigado, na linguagem próprio CTN. 19 Processo n° 19515.003049/2003-01 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.353 Fl. 20 Faz-se necessário lembrar, que a homologação do conjunto de atos praticados pelo sujeito passivo não é atividade estranha a fiscalização federal. Ora, quando o sujeito passivo apresenta declaração com prejuízo fiscal num exercício e a fiscalização reconhece esse resultado para reduzir matéria a ser lançada em período subseqüente, ou no mesmo período-base, ou na área do IPI, com a apuração de saldo credor num determinado período de apuração, o que traduz inexistência de obrigação a cargo do sujeito passivo. Ao admitir tanto a redução na matéria lançada como a compensação de saldos em períodos subseqüentes, estará a fiscalização homologando aquele resultado, mesmo sem pagamento. I.c) Do aspecto temporal do fato gerador: Os fatos geradores das obrigações tributárias são classificados corno instantâneos ou complexivos. O fato gerador instantâneo, corno o próprio nome revela, dá nascimento à obrigação tributária pela ocorrência de um acontecimento, sendo este suficiente por si só (imposto de renda com tributação exclusiva na fonte; ganho de capital na alienação de bens etc). Em contraposição, os fatos geradores complexivos são aqueles que se completam após o transcurso de um determinado período de tempo e abrangem um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Este conjunto de fatos se corporifica, depois de determinado lapso temporal, em um fato imponível. Exemplo clássico de tributo que se enquadra nesta classificação de fato gerador complexivo é o imposto de renda da pessoa fisica, apurado no ajuste anual. Nos fatos geradores complexivos, como é o caso deste processo, o evento que interessa à exigência da obrigação tributária só se consuma em determinada data, como se fosse a linha de chegada de uma maratona. No decorrer do trajeto existem inúmeros passos, mas para efeito de conclusão do percurso, só é considerado um único passo, qual seja, o passo em que o atleta atinge a linha de chegada. Em síntese, considerando que o crédito tributário correspondente a este processo se encontra entre os tributos l ° cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de apurar o montante devido e antecipar o pagamento, sem prévio exame da autoridade administrativa, dito tributo amolda-se à sistemática de lançamento por homologação, onde a contagem do prazo decadencial, salvo os casos de dolo, fraude e simulação", encontra I ° IPI, ICMS, PIS, COFINS, FINSOCIAL e IR, entre outros. i Nos casos de dolo, fraude e simulação a data do fato gerador deixa de ser o marco inicial da decadência e passa a prevalecer a regra do artigo 173, I, do CTN, isto é, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetivado. Nesta linha segue doutrina de Luciano Amaro: "A segunda questão diz respeito à ressalva dos casos de dolo, fraude ou simulação.... Em estudo anterior, concluímos que a solução é aplicar a regra do artigo 173, I. Essa solução não é boa, mas continuamos não vendo outra, de lege lata. A possibilidade de o lançamento poder ser feito a qualquer tempo é repelida pela interpretação sistemática do Código Tributário Nacional (art. 156, V, , o Processo n° 19515.003049/2003-01 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.353 Fl. 21 respaldo no § 4' do artigo 150, do CTN, hipótese na qual os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Verificado que o caso dos autos tem por objeto a exigência de tributo sujeito a lançamento por homologação, em que o prazo decadencial de cinco anos, para a constituição do crédito pelo Fisco, deve ser contado de acordo com o disposto no artigo 150, parágrafo 4° do CTN, ou seja, da ocorrência do fato jurídico tributário, considerando que a notificação deu- 173, 174, 195, parágrafo único). Tornar de empréstimo prazo do direito privado também não é solução feliz, pois a aplicação supletiva de outra regra deve, em primeiro lugar, ser buscada dentro do próprio subsistema normativo, vale dizer, dentro do Código. Aplicar o prazo geral (5 anos, do art. 173) contado após a descoberta da prática dolosa, fraudulenta ou simulada igualmente não satisfaz, por protrair indefinitivamente o início do lapso temporal. Assim, resta aplicar o prazo de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido feito. Melhor seria não ter criado a ressalva. (AMARO, Luciano, citado por Leandro Paulsen, in, Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Ed. Livraria do Advogado, 6'. Edição. Porto Alegre, 2004. p. 1010). Na mesma linha dos fundamentos anteriormente expostos segue a doutrina de Sacha Calmon Navaro Coelho, para quem "em ocorrendo fraude, ou simulação, devidamente comprovados pela Fazenda Pública, imputáveis ao sujeito passivo, da obrigação tributária do imposto sujeito a 'lançamento por homologação', a data do fato gerador deixa de ser o dia inicial da decadência. Prevalece o dies a quo do art. 173, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetivado." (In. Liminares e Depósitos Antes do Lançamento po Homologação - Decadência e Prescrição, 2. ed. Dialética, 2002, p. 16). 2 Processo n° 19515.003049/2003-01 S2-C2T1 Acórdão ri.° 2201-00.353 Fl. 22 se em data posterior ao prazo de cinco anos, contados da data do fato gerador da obrigação tributária, voto no sentido RECONHECER a extinção do crédito tributário em face da decadência. É 0 VOt0, Sala das Sessões, em 30 de julho de 2009 4In 14 • MOISÉS GIACOMELLI NUNES D ILVA - Redator-Designado 22 .0,00S„ MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo n°: 19515.003049/2003-01 Recurso n°, 163.958 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial no 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n°2201-00.353. Brasília/DF, 21 OUT 2009 mOTSÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA Presidente em exercício Ciente, com a observação abaixo! ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 14751.720079/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Relatório
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 47 51 .7 20 07 9/ 20 11 -7 1 Fl. 1617DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14751.720079/201171 Resolução nº 2402000.351 S2C4T2 Fl. 1.618 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal com ciência em 30/06/2011 em razão da glosa de compensações com supostos créditos de contribuições previdenciárias incidentes sobre subsídios de agentes políticos. Também foi aplicada a multa agravada de 150%. Seguem transcrições da ementa e trechos do relatório/voto que compõem o acórdão recorrido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2008 a 31/12/2009 COMPENSAÇÃO. PRAZO. INOBSERVÂNCIA. É de cinco anos, contados do recolhimento indevido, o prazo para que o sujeito passivo promova a compensação de valores recolhidos a maior, findo o qual, extinguese seu direito. TERÇO CONSTITUCIONAL DE FÉRIAS. HORAS EXTRAS. INCIDÊNCIA. Tanto o terço constitucional de férias, quanto as horas extras integram a remuneração dos segurados empregados, vinculados ao Regime Geral da Previdência Social, para todos os fins, inclusive para o cálculo da aposentadoria, motivo pelo qual compõe a base de cálculo das respectivas contribuições a serem recolhidas à Seguridade Social. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS EM RAZÃO DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. ALÍQUOTAS. FIXAÇÃO PELO EXECUTIVO. LEGALIDADE. A fixação, pelo Executivo, do conceito de atividade preponderante, para fins de enquadramento nas alíquotas das contribuições sociais em razão dos riscos ambientais do trabalho, não representa delegação inconstitucional de atribuição legislativa ao Executivo, pois não inova a ordem jurídica, nem cria outras obrigações ao contribuinte, além das já previstas em lei. Precedentes do STF e STJ. ... Consoante relatório fiscal (fls. 16/22), o Município em questão declarou, por meio das Guias do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, compensações de contribuições sociais, nas competências 11/2008 e 12/2008; 02/2009; 04/2009 a 12/2009. ... Ocorre que, durante a ação fiscal, a municipalidade não atendeu às intimações do Fisco no sentido de demonstrar a origem do crédito compensado. Fl. 1618DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14751.720079/201171 Resolução nº 2402000.351 S2C4T2 Fl. 1.619 3 Não basta a existência de uma decisão judicial, ainda que com efeito erga omnes, caso daquela exarada pelo STF, em relação às contribuições sociais exigidas com fulcro na alínea “h”, inciso I, art. 12 da Lei no. 8.212/91, declaradas inconstitucionais, pois remanesce ao sujeito passivo a obrigação de demonstrar a existência de seu crédito, em decorrência de recolhimento indevido. No presente caso, a Municipalidade não comprovou haver efetivado recolhimentos relativos a subsídios de exercentes de mandatos eletivos ou sobre parcelas indenizatórias. A simples confecção de planilhas demonstrativas não supre o ônus probatório do direito à citada compensação. ... Como já salientado anteriormente, havendo efetuado a compensação e informado a mesma em GFIP, o sujeito passivo deve demonstrar a origem dos créditos a seu favor, bem como a forma de atualização dos valores, de modo a possibilitar que a autoridade verifique a regularidade da extinção do crédito tributário em cada competência. Se não o faz, sujeitase não apenas à glosa de referidas compensações, como também incorre em penalidade por inserção, nas referidas guias, de informação que são reputadas como falsas, devido a ausência de comprovação do direito creditório. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações trazidas na impugnação: I – prescrição – é decenal para os recolhimentos indevidos anteriores à vigência da Lei Complementar n.º 118/2005, dado que o prazo para se compensar é contado da homologação do lançamento e não do pagamento indevido, não se podendo retroagir os efeitos da referida lei, consoante vêem decidindo as cortes superiores do Judiciário brasileiro. Já para aqueles recolhimentos indevidos, realizados após a vigência da citada lei, relativos a 09/06/2005 a dezembro/2008, data do início da compensação, também não houve prescrição; II – as compensações realizadas pelo Município referemse a: a) recolhimentos da cota patronal sobre subsídios dos agentes políticos, no período de fevereiro/1998 a setembro/2004, declaradas indevidas por sentença judicial transitada em julgado (acórdão STF – RE 351.717) c/c Resolução do Senado Federal n.º 26/2005, dizendose, assim, possuidora de um crédito de R$ 538.385,31; b) recolhimentos sobre parcelas de natureza indenizatória, a saber: terço constitucional de férias e horas extras, sobre as quais as cortes superiores declararam a não incidência de contribuição previdenciária. Acusa, neste sentido, ser detentor de crédito de R$ 226.096,76; c) recolhimentos de SAT/RAT, dado que houve majoração indevida, pela Receita Federal, da alíquota de referida contribuição de 1% para Fl. 1619DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14751.720079/201171 Resolução nº 2402000.351 S2C4T2 Fl. 1.620 4 2%, a partir de 07/2007, devendo ser revisada a alíquota para 1%. Assim, alega crédito de R$ 62.106,45; d) Recolhimentos a maior, consoante extratos CCORGFIP, já que não foram abatidos dos débitos lavrados pela Fazenda e parcelados pela municipalidade. Neste sentido, diz ter um crédito de R$ 1.642.947,95. III – em relação à multa isolada aplicada, diz que o Município possui todas as provas para reivindicar os créditos informados. Acresce que deveria ter sido aplicada multa mais benéfica, com base no § 3º do art. 1º da Lei n.º 11.941/2009 c/c art. 106, II, “c” do CTN. Fez juntar à sua impugnação (fls. 582/775): procuração, substabelecimento e documentos de identificação do prefeito do Município; acórdãos do STJ, nos quais não figura como parte; planilhas denominadas: a) contribuições previdenciárias sobre subsídios dos agentes políticos Vereadores; b) verbas de natureza indenizatória; c) diferenças SAT/RAT; d) divergência CCOR/GFIP. resumos mensal de folhas de pagamento da Prefeitura Municipal de Conde de 01/2005 a 12/2009. GFIP 11/2008; 13/2008; 02/2009 a 12/2009; extratos CCORGFIP. É o Relatório. Fl. 1620DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14751.720079/201171 Resolução nº 2402000.351 S2C4T2 Fl. 1.621 5 Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Atividade econômica preponderante Discutese no processo o dissenso sobre o enquadramento do recorrente nos graus de risco para fins de seguro de acidente do trabalho. A fiscalização aplicou a regra do enquadramento pela atividade preponderante do município como um todo e a recorrente sustenta que seria o grau de risco leve, já que prevalecem atividades como ensino e outras com alíquota de 1%. Sobre esse matéria, após o Parecer nº 2.120/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN, foi publicado o Ato Declaratório PGFN nº 11/2011, aprovado pelo Exmo Senhor Ministro da Fazenda em 15/12/2011, que acolheu o entendimento da jurisprudência pacificada no âmbito do STJ: PARECER PGFN/CRJ/Nº 2120 /2011 Contribuição Previdenciária. Alíquota. Seguro de Acidente do Trabalho (SAT). A alíquota da contribuição para o SAT é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. Possibilidade de a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional não contestar, não interpor recursos e desistir dos já interpostos, quanto à matéria sob análise. Necessidade de autorização da Sra. ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional e aprovação do Sr. Ministro de Estado da Fazenda. ... 5. Sobre a matéria, a Lei nº 8.212/91, em seu inciso II, com redação conferida pela Lei nº 9.732/98, estabelece as alíquotas de 1% (um por cento), 2% (dois por cento) ou 3% (três por cento) conforme o grau do risco da atividade preponderante da empresa seja considerado leve, médio ou grave. Regulamentando o dispositivo, o Decreto nº 3.048/99, em seu art. 202, reproduziu o disposto no art. 26 do Decreto nº 2.173/97, o qual previa como critério para identificação da atividade preponderante, o maior número de segurados da empresa como um todo. Convém mencionar que, anteriormente, o Decreto nº 612/92 estabelecia como o critério para aferição da atividade preponderante o maior número de empregados por estabelecimento. No entanto, com a sua revogação pela superveniência do Decreto 2.173/97, a verificação de risco da atividade preponderante passou a ser feita considerando a empresa como um todo, o que foi mantido pelo Decreto nº 3.048/99. ... Fl. 1621DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14751.720079/201171 Resolução nº 2402000.351 S2C4T2 Fl. 1.622 6 16. Examinandose a hipótese vertente, desde logo, concluise que: I) nas ações promovidas contra a Fazenda Nacional, oriundas de causas de natureza fiscal, a competência para representar a União é da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, face ao disposto no art. 12 da Lei Complementar nº 73, de 1993; e II) as decisões, citadas ao longo deste Parecer, manifestam a pacífica e reiterada Jurisprudência do STJ, no sentido de que a alíquota da contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT) é aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro. ... ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 11 /2011 A PROCURADORA GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2120 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15/12/2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que discutam a aplicação da alíquota de contribuição para o Seguro de Acidente do Trabalho (SAT), aferida pelo grau de risco desenvolvido em cada empresa, individualizada pelo seu CNPJ, ou pelo grau de risco da atividade preponderante quando houver apenas um registro.” Portanto, a jurisprudência se firmou para a enquadramento em cada estabelecimento, desde que individualizado por CNPJ; no entanto, nos autos não é possível se verificar se atendida tal condição. Assim, antes do julgamento dessa e das demais questões suscitadas, fazse necessário que a informação seja trazida ao processo. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para as providências solicitadas e seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação sobre esta decisão no prazo de 30 dias. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 1622DF CARF MF Impresso em 03/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 28/06/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11516.721629/2012-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2401-000.288
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .7 21 62 9/ 20 12 -4 5 Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11516.721629/201245 Resolução nº 2401000.288 S2C4T1 Fl. 1.037 2 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 07 30.148 de lavra da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Florianópolis (SC), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir os seguintes Autosde Infração – AI: a) AI n. 37.339.7917: exigência da contribuição patronal para a Seguridade Social incidente sobre o valor bruto da nota fiscal de prestação de serviços executados por contribuintes individuais – cooperados, intermediados pela Cooperativa de Trabalho Médico – UNIMED Florianópolis e pela Federação das Cooperativas Odontológicas do Estado de Santa Catarina – UNIODONTO; e b) AI n. 37.339.7917: aplicação da multa pela conduta de não declarar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP os fatos geradores narrados na alínea “a”. Segundo o relatório fiscal, fls. 15/21, a base de cálculo foi determinada levando se em conta as peculiaridades das prestações de serviço. Para a UNIMED, cujo contrato é o denominado “coletivo por custo operacional”, mediante o qual contratante e contratada estipulam uma tabela de serviços e honorários, cujos pagamentos são realizados após o atendimento, tomouse como base de incidência da alíquota de 15% o valor integral da nota fiscal. Para os serviços odontológicos, a base de cálculo correspondeu a 60% do valor da nota fiscal, em obediência ao art. 220 da Instrução Normativa – IN n. 971/2009. Apresentada a defesa, fls. 181/201, a Delegacia de Julgamento da RFB declaroua improcedente, mantendo integralmente o crédito, fls. 869/879. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso, fls. 884/914, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) no ano de 2000, moveu mandado de segurança contra o INSS com o objetivo de declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n. 9.876/1999; b) na referida ação, teve decisão favorável em primeira instância e em seu desfavor no Tribunal Regional Federal – TRF. Interpôs Recurso Extraordinário, todavia, em juízo de admissibilidade foi determinada a suspensão do julgamento, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determinando a devolução dos autos ao Tribunal de Origem, por aplicação do art. 543B do Código de Processo Civil – CPC, posto que a repercussão geral do tema já havia sido reconhecida no RE n. 595.838/2010, que aguarda julgamento; c) a respeito desse tema foi movida Ação Direta de Inconstitucionalidade pela Confederação Nacional da Indústria – CNI, que recebeu o n. 25946/600, que visa afastar por inconstitucionalidade o mesmo dispositivo; Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11516.721629/201245 Resolução nº 2401000.288 S2C4T1 Fl. 1.038 3 d) em 2008, foi autuada pela mesma causa jurídica, contudo, na ocasião a base de cálculo foi fixada em 30% do valor bruto da nota fiscal para o contrato com a UNIMED e em 60% para os serviços prestados pela UNIODONTO; e) o feito deve ficar sobrestado até que o STF se pronuncie definitivamente no RE n. 595.838/2010 e ADIN 25945; f) o inciso IV do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991 afronta os arts. 195, I, “a”; 146, III, “c” e 154, I e art. 195, § 4., todos da Constituição Federal; g) o fisco não observou que as faturas/notas fiscais utilizadas para a fixação da base de cálculo contemplam diversos valores, em que a maior parte não remunera os serviços prestados por cooperados, portanto, houve majoração indevida da matéria tributável; h) efetuou o recolhimento das contribuições sobre os valores decorrentes das prestações de serviço efetuadas pelos cooperados, pessoas físicas; i) a recorrente de maneira acertada excluiu da base de cálculo os serviços prestados por terceiros não cooperados, por pessoas jurídicas e os medicamentos e materiais hospitalares; j) o fisco no seu procedimento não buscou alcançar a verdade material, tornando imprestável o seu trabalho; k) a DRJ poderia ter determinado a realização de diligência para que fosse aferida a base de cálculo com exatidão; l) não é necessária a exigência de que conste nas faturas de prestação de serviço todas as rubricas relacionadas as cobranças das prestadoras, posto que há um relatório complementar com discriminação precisa de todos os elementos envolvidos. Essa imposição é flagrantemente desproporcional; m) se a recorrente foi fiscalizada e a autoridade fiscal chegou à conclusão de que a base de cálculo do tributo é de 30% do valor bruto da nota fiscal ou fatura da UNIMED, não se pode, sem alteração nos fatos e fundamentos jurídicos, majorar esse percentual para 100% da fatura; n) caso não se cancele a autuação ou reduza os seus valores, devese, a teor do art. 100 do CTN, afastarse a imposição dos acréscimos legais; o) é cabível a realização de perícia técnica para determinar com exatidão o valor da base de cálculo do lançamento. Ao final requer: a) o sobrestamento do feito; b) a realização de diligência/perícia; c) a declaração de improcedência total ou parcial da exação. É o relatório. Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11516.721629/201245 Resolução nº 2401000.288 S2C4T1 Fl. 1.039 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Sobrestamento do feito A questão do sobrestamentos de feitos no CARF, em decorrência de pendência de julgamentos de processos no STF, vem tratada no § 1. do art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n. 256/2009, nos seguintes termos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Regulamentando este dispositivo, o Presidente do CARF editou a Portaria CARF n. 01/2012, a qual prevê no parágrafo único de seu artigo 1º que o sobrestamento “somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso”. Observese que o sobrestamento do processo administrativo não deverá ocorrer em razão do reconhecimento da repercussão geral de determinado tema pelo STF, mas, apenas, se o próprio STF tiver determinado o sobrestamento de processos relativos à matéria e independentemente de ter sido reconhecida a repercussão geral. Analisando a situação que nos é posta, verificase que no caso do RE n. 470.060, interposto pela recorrente, o STF determinou expressamente o seu sobrestamento até o julgamento do RE n. 540.410, o qual já havia sido objeto de repercussão geral. Pedimos vênia para transcrever a decisão monocrática do Ministro Cezar Peluso, determinando a providência: DECISÃO: 1. Tratase de recurso extraordinário que versa sobre tema cuja repercussão geral já foi reconhecida (RE n° 595.838, Rei. Min. MENEZES DIREITO, DJE de 12.2.2010). Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11516.721629/201245 Resolução nº 2401000.288 S2C4T1 Fl. 1.040 5 2. Ocorre que esta Corte, ao acolher, por maioria, questão de ordem por mim suscitada no RE n° 540.410, em consonância com a decisão da QO proposta pelo Min. GILMAR MENDES (Al n° 715.423 QO/RS, Rei. Min. ELLEN GRACIE, DJE de 14.8.2008), entendeu ser aplicável o regime previsto no art. 543B do CPC, na hipótese de já ter sido reconhecida, sobre a matéria, a existência de repercussão geral aos recursos extraordinários interpostos de acórdãos publicados anteriormente a 3.5.2007, e cujos autos já tenham sido distribuídos nesta Corte. É o que se vê do seguinte excerto (cf. Informativo n° 516): "Na linha do que decidido no AI 715423 QO/RS (j. 11.6.2008), e, tendo em conta que o recurso extraordinário trata de tema — requisitos para a concessão de benefício de prestação continuada a necessitado, em face do disposto no art. 203, V, CF — cuja repercussão geral já foi reconhecida (RE 567985/MT, DJE de 11.4.2008), o Tribunal, por maioria, acolheu questão de ordem suscitada pelo Min. Cezar Peluso, em recurso extraordinário, do qual relator, para, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF ('Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a Presidência do Tribunal ou o (a) Relator (a) selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil') determinar a devolução dos autos, e de todos os recursos extraordinários que versem a mesma matéria, ao Tribunal de origem, para os fins do art. 543B do CPC (...)" (RE n° 540.410 QO/RS, da minha relatoria, DJE de 17.10.2008). 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 328, § único, do RISTF, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem, para os fins do art. 543B do CPC. Publiquese. Int.. Brasília, 24 de março de 2010. Ministro CEZAR PELUSO Relator Não resta dúvida que o feito sob apreciação enquadrase plenamente na hipótese de sobrestamento prevista na Portaria CARF n. 01/2012, posto que o STF determinou expressamente o sobrestamento de RE apresentado pelo sujeito passivo, o qual visa à declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991, que é justamente o dispositivo que fundamenta o lançamento questionado. Não resta dúvida que o feito sob apreciação enquadrase plenamente na hipótese de sobrestamento prevista na Portaria CARF n. 01/2012, posto que o STF determinou expressamente o sobrestamento de RE apresentado pelo sujeito passivo, o qual visa à declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991, que é justamente o dispositivo que fundamenta o lançamento questionado. Devese, em obediência à legislação do CARF, converter o julgamento em diligência para que o processo retorne a origem, ficando sobrestado até decisão final do STF no RE n. 595.838. Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11516.721629/201245 Resolução nº 2401000.288 S2C4T1 Fl. 1.041 6 Conclusão Voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos acima propostos. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10580.728700/2009-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
MATÉRIA SUB JUDICE - CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RENÚNCIA - LANÇAMENTO - POSSIBILIDADE
1. Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário
2. A submissão de matéria à apreciação do Poder Judiciário suspende a exigibilidade do crédito, porém, não impede a sua constituição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-003.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Ana Maria Bandeira- Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 MATÉRIA SUB JUDICE - CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RENÚNCIA - LANÇAMENTO - POSSIBILIDADE 1. Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário 2. A submissão de matéria à apreciação do Poder Judiciário suspende a exigibilidade do crédito, porém, não impede a sua constituição. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente Ana Maria Bandeira- Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1670; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.728700/200989 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402003.543 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de maio de 2013 Matéria TERCEIROS Recorrente CONGREGAÇÃO DAS RELIGIOSAS DO SS SACRAMENTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 MATÉRIA SUB JUDICE CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO FISCAL RENÚNCIA LANÇAMENTO POSSIBILIDADE 1. Em razão da decisão judicial se sobrepor à decisão administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, antes ou depois do lançamento, implica renúncia ao contencioso administrativo fiscal relativamente à matéria submetida ao Poder Judiciário 2. A submissão de matéria à apreciação do Poder Judiciário suspende a exigibilidade do crédito, porém, não impede a sua constituição. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 87 00 /2 00 9- 89 Fl. 532DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 24/06/2 013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 24/06/2 013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.728700/200989 Acórdão n.º 2402003.543 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas destinadas aos terceiros ( Salário Educação, SESC, INCRA e SEBRAE). Segundo o Relatório Fiscal, os fatos geradores das contribuições patronais são as remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais apuradas nas folhas de pagamento e GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. A autuação se deu em razão da perda da isenção usufruída pela entidade por meio do Ato Cancelatório nº 003/2007, a partir de 01/01/2001, por descumprimento ao inciso II, do art. 55 da Lei nº 8.212/1991. A autuada teve ciência do lançamento em 18/12/2009 e apresentou defesa onde informa sua natureza e finalidades. Alega que organizouse como entidade de caráter educacional e de assistência social e atua como colaboradora na missão do Estado. Explica a origem e como são aplicados seus recursos e afirma que os membros de sua diretoria e do Conselho para Assuntos Econômicos e Fiscais não são remunerados. Argumenta que eventual superávit constatado em seus registros contábeis foi aplicado em seus objetivos institucionais e que promoveu gratuidade na prestação de serviços educacionais. Alega que mantém sua escrituração contábil devidamente formalizada e que tipificase a todas as normas constitucionais e legais que lhe asseguram o reconhecimento à imunidade das contribuições sociais previdenciárias e manutenção do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS. Informa que impetrou Mandado de Segurança nº 1999.33000070046 e lhe foi concedida a segurança, em parte, para que fosse mantida a exigência do cumprimento do disposto no art. 55 da Lei nº 8.212/1991, consoante a regência do art. 14 do Código Tributário Nacional, sem as alterações da Lei nº 9.732/1998, para a manutenção da imunidade quanto ao pagamento da cota patronal da Previdência Social. Segundo a autuada, o INSS apelou de tal decisão e o Tribunal Regional Federal negou provimento à apelação, tendo a decisão transitada em julgado. Argumenta que não perdeu definitivamente o CEBAS, uma vez que não houve decisão definitiva na Justiça para o período de 2000 a 2002 em face de Ação Declaratória junto à Justiça Federal. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 24/06/2 013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Entende que possui direito adquirido à imunidade e solicita que seja restabelecida a isenção, desconstituído o lançamento e observada a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal. Pelo Acórdão nº 1527.931, a 6ª Turma da DRJ/Salvador considerou a autuação procedente. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo, onde efetua a repetição das alegações de defesa. É o relatório. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 24/06/2 013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.728700/200989 Acórdão n.º 2402003.543 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente teve a isenção cancelada, pela emissão do Ato Cancelatório Ato Cancelatório nº 003/2007, a partir de 01/01/2001, por descumprimento ao inciso II, do art. 55 da Lei nº 8.212/1991, ou seja, não possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS. Em seu recurso, a recorrente centra sua argumentação na tentativa de demonstrar que cumpre os requisitos necessários ao gozo da isenção. Ocorre que tal questão está submetida à apreciação do Poder Judiciário nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.33.00.00.70046. A matéria em questão encontrase sub judice e relativamente à tal fato temse o seguinte: Existem dois grandes sistemas administrativos: o sistema do contencioso administrativo e o sistema de jurisdição única. Alexandre de Moraes (Direito Constitucional Administrativo. Atlas, 2002), traz a seguinte síntese: “O sistema do contencioso administrativo, também conhecido como sistema francês, caracterizase pela impossibilidade de intromissão do Poder Judiciário no julgamento dos atos da Administração, que ficam sujeitos tãosomente à jurisdição especial do contencioso administrativo. Dessa forma, há uma divisão jurisdicional entre a Justiça Comum e o Contencioso Administrativo, e somente este pode analisar a legalidade dos atos administrativos. Diversamente, o sistema de jurisdição única, também conhecido por sistema judiciário ou inglês, tem como característica básica a possibilidade de pleno acesso ao Poder Judiciário, tanto nos conflitos de natureza privada, quanto dos conflitos de natureza administrativa.” Desde a instauração do período republicano, o Brasil sempre adotou o sistema de jurisdição única como forma de controle jurisdicional da Administração Pública, cuja fundamentação encontrase no art. 5º, inciso XXXV, da CF/88; Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes ................................... Fl. 536DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 24/06/2 013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito Nesse sentido, a decisão administrativa estará sempre sujeita à apreciação do Poder Judiciário, ou, em outras palavras, as decisões judiciais sobrepõemse às decisões administrativas. Deste modo, estando uma matéria submetida à apreciação judicial, não deverá ser analisada na esfera administrativa; Em matéria fiscal, os seguintes dispositivos tratam da existência concomitante de ação judicial e processo administrativo: Lei n.º 6.830, de 22/09/80 (trata da cobrança judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública): "Art. 38. A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato, declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo único. A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto." Lei n.º 8.213/91 (reproduzido pelo art. 307 do Decreto n.º 3.048/99): "Art.126 (...) § 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto." No entanto, a existência de discussão judicial com o objeto de afastar a cobrança de determinada contribuição não impede a Fazenda Pública de efetuar o lançamento, pois este, segundo o parágrafo único do artigo 142 do CTN, constitui atividade vinculada e obrigatória da autoridade administrativa, sob pena de responsabilidade funcional. O lançamento tem como objetivo resguardar o crédito tributário. Não efetuado o lançamento no curso do prazo de decadência, o Fisco não mais poderá fazêlo, ainda que obtenha decisão judicial favorável, pelo fato de o crédito acharse fulminado pela decadência. É que o prazo decadencial não se interrompe nem se suspende com a interposição de medida judicial, fluindo a partir da ocorrência do fato gerador ou da data prevista em lei. Pelas razões citadas é irrelevante se a ação judicial proposta se deu antes ou depois do lançamento. Nesta instância administrativa, tal questão já se encontra definida na Súmula nº 01 do CARF, publicada no DOU de 07/12/2010 Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo Fl. 537DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 24/06/2 013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10580.728700/200989 Acórdão n.º 2402003.543 S2C4T2 Fl. 5 7 administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. No caso, a recorrente pretende que o Poder Judiciário confirme sua condição de entidade isenta, situação em que o lançamento da contribuição patronal não poderia prevalecer. Portanto, como se trata de matéria sub judice, não cabe sua apreciação no âmbito administrativo. A recorrente menciona a Súmula Vinculante nº 08, do STF que declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, prevalecendo, portanto, para o computo da decadência, as disposições do CTN. Ocorre que, mesmo pela aplicação do art. 150 § 4º do CTN, não haveria que se falar em decadência, uma vez que o período do lançamento compreende as competências de 01/2005 a 12/2006 e este ocorreu em 18/12/2009. A recorrente afirma ser portadora do CEBAS, no entanto, para o período de 2000 a 2002, não era detentora do citado certificado, o que levou ao cancelamento da isenção. Segundo informação da recorrente, ainda não teria havido decisão definitiva na Justiça para o período de 2000 a 2002 em face de Ação Declaratória junto à Justiça Federal, o que leva a inferir que também a questão de ser detentora do CEBAS está sub judice. A recorrente afirma que tem direito adquirido ao gozo da isenção da quota patronal de previdência social, reconhecida pela própria Lei nº 8.212/91. Sobre tal questão, é conveniente efetuar breve histórico da situação que ensejou o direito adquirido mencionado no § 1º do art. 55 da Lei nº 8.212/91; A concessão de isenção de contribuições previdenciárias teve início com a Lei nº 3.577, de 04/07/1959 e abrangia as entidades de fins filantrópicos, reconhecidas como de utilidade pública, cujos membros de suas diretorias não percebessem remuneração; Posteriormente, com a edição do DecretoLei nº 1.572 de 01/09/1977 que revogou a Lei nº 3.577/1959, ficou resguardado o direito à isenção das entidades que tinham sido reconhecidas como de utilidade pública pelo Governo Federal até a data de publicação do citado DecretoLei e que fossem portadoras do certificado de entidade de fins filantrópicos com validade por prazo indeterminado; Ressaltese que as entidades filantrópicas criadas após a publicação do DecretoLei nº 1.572 de 01/09/1977 não puderam fazer jus à isenção por falta de amparo legal; Em 1988, a Constituição Federal veio disciplinar sobre a isenção de contribuições previdenciárias em seu art. 195, § 7º, dispondo que serão isentas de tais contribuições as entidades beneficentes de assistência social que atendam às condições estabelecidas em lei; A lei que estabeleceu as condições para que uma entidade fosse isenta das contribuições previdenciárias foi a Lei nº 8.212/91 que dispôs em seu art. 55 os requisitos para o benefício; Fl. 538DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 24/06/2 013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Portanto, a entidade que, em 1º de setembro de 1977, data da vigência do DecretoLei nº 1.572, detinha Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, era reconhecida como de Utilidade Pública Federal, encontravase em gozo de isenção e cujos diretores não percebiam remuneração, nos termos da Lei nº 3.577, de 04 de julho de 1959, teve garantido o direito à isenção até 31/10/1991, independente de qualquer outro requisito. A partir daí, para a manutenção da isenção passou a ser obrigada a observar os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Nesse sentido, está equivocada a recorrente quando entende que poderia gozar de isenção indefinidamente independente do cumprimento dos requisitos estabelecidos em lei. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso apenas quanto às matérias não submetidas à apreciação do Poder Judiciário e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 539DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 24/06/2 013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.003022/2003-30
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1998
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL.
A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 - SC, sujeito ao regime do art. 543-C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN.
Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN).
ATIVIDADE DE LANÇAMENTO. OBRIGATORIEDADE. DEPÓSITOS JUDICIAIS. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE.
A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, fazendo-se necessária sempre que presentes os pressupostos legais, não lhe obstando a existência de depósitos judiciais, cuja conseqüência, quando muito, é a mera suspensão de exigibilidade de crédito fiscal.
DEPÓSITOS JUDICIAIS. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA.
Não são devidos a multa de ofício e os juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento quando existir depósito judicial no montante integral.
MULTA DE MORA ISOLADA
Não há que se falar na exigência da multa de mora, quando o contribuinte efetua o recolhimento em atraso antes da entrega da DCTF.
JUROS DE MORA ISOLADOS
No que diz respeito aos juros isolados, eles seriam devidos, pois não há previsão legal para sua não exigência.
Numero da decisão: 2202-002.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para manter a exigência dos juros isolados; e quanto ao recurso voluntário, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir os juros de mora. Fez sustentação oral o Dr. Leandro Cabral e Silva, OAB/SP 03236282.
(Assinado Digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Pedro Anan Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Jimir Doniak Junior, Fabio Brun Goldschmidt, Maria Lucia Moniz De Aragao Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 1998 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 - SC, sujeito ao regime do art. 543-C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN). ATIVIDADE DE LANÇAMENTO. OBRIGATORIEDADE. DEPÓSITOS JUDICIAIS. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, fazendo-se necessária sempre que presentes os pressupostos legais, não lhe obstando a existência de depósitos judiciais, cuja conseqüência, quando muito, é a mera suspensão de exigibilidade de crédito fiscal. DEPÓSITOS JUDICIAIS. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Não são devidos a multa de ofício e os juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento quando existir depósito judicial no montante integral. MULTA DE MORA ISOLADA Não há que se falar na exigência da multa de mora, quando o contribuinte efetua o recolhimento em atraso antes da entrega da DCTF. JUROS DE MORA ISOLADOS No que diz respeito aos juros isolados, eles seriam devidos, pois não há previsão legal para sua não exigência.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 SC, sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN). ATIVIDADE DE LANÇAMENTO. OBRIGATORIEDADE. DEPÓSITOS JUDICIAIS. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, fazendose necessária sempre que presentes os pressupostos legais, não lhe obstando a existência de depósitos judiciais, cuja conseqüência, quando muito, é a mera suspensão de exigibilidade de crédito fiscal. DEPÓSITOS JUDICIAIS. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. Não são devidos a multa de ofício e os juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento quando existir depósito judicial no montante integral. MULTA DE MORA ISOLADA Não há que se falar na exigência da multa de mora, quando o contribuinte efetua o recolhimento em atraso antes da entrega da DCTF. JUROS DE MORA ISOLADOS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 30 22 /2 00 3- 30 Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 No que diz respeito aos juros isolados, eles seriam devidos, pois não há previsão legal para sua não exigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício para manter a exigência dos juros isolados; e quanto ao recurso voluntário, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir os juros de mora. Fez sustentação oral o Dr. Leandro Cabral e Silva, OAB/SP 03236282. (Assinado Digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Jimir Doniak Junior, Fabio Brun Goldschmidt, Maria Lucia Moniz De Aragao Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.003022/200330 Acórdão n.º 2202002.295 S2C2T2 Fl. 901 3 Relatório Em decorrência de auditoria interna realizada na DCTF – Declaração de Contribuições e Tributos Federais, referente aos 2º, 3º e 4º Trimestres de 1998, foi lavrado o auto de infração de fls. 49 a 71, do qual a contribuinte foi cientificada em 23/07/2003, conforme documentos de fls. 75, 858 e 859, exigindolhe o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 16.850.251,85, sendo R$ 6.303.203,31 a título de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF; R$ 4.727.4045,48 a título de Multa de Ofício (75%); R$ 5.786.038,72 a título de juros de mora (calculados até 30/06/2003); R$ 1.606,41 a Multa paga a menor; R$ 115,83 a título de Juros pagos a menor ou não pagos e R$ 31.885,10 a título de Multa Isolada – Multa de Ofício (Passível de redução). Segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 26), a autuação referese à “FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA, conforme Anexo III”. A Fundamentação Legal encontrase indicada na Folha de Continuação do AUTO DE INFRAÇÃO nº 0003053 (fl. 50). O Anexo I do Auto de Infração (fls. 51 a 61)– referese ao “Demonstrativo dos Créditos Vinculados não Confirmados” e dele se extrai que os valores declarados como estando com a exigibilidade suspensa não foram confirmados pelas seguintes ocorrências “Proc Jud de outro CNPJ” e “Proc Jud de outro CNPJ” e o Anexos IIa (fls. 62 a 67) referese ao “Demonstrativo de Pagamentos efetuados após o Vencimento. Assim, o Anexo III – “Demonstrativo de Crédito Tributário a Pagar” (fls. 68 a 70) e o Anexo IV – “Demonstrativo de Multa e/ou Juros a Pagar – Não Pagos ou Pagos a Menor” (fl. 71) discriminam os valores lançados por fato gerador (Código de Recita – Período de apuração). Irresignada com o lançamento, a interessada apresentou, em 22/08/2003, a impugnação de fls. 03 a 42. Em 28/07/2008, a impugnante comparece aos autos (fls. 861/869) para informar que, com o advento da MP.2222, de 2001, a Citiprev optou por desistir da medidas judiciais (MS 89.00.076639 e MS nº 2000.61.00.0259641) e quitar os débitos correspondentes utilizandose do benefício fiscal (Regime Especial de Tributação). Às fls. 874/876, consta cópia do Despacho proferido no P.A. nº 16327.002837/200300 em que a autoridade administrativa competente reconhece o direito do contribuinte a usufruir a anistia prevista na lei 9.779/99 e alterações e MP 2.222/2001”. Por meio do Despacho de fls. 878/880, a autoridade administrativa competente determinou que a Dicat/Deinf/SP procedesse ao bloqueio do pagamento efetuado pelo contribuinte por meio de DARF, código 8998 (fls. 869) no valor correspondente aos débitos neste despacho citados (listados às fls. 879/880), com os benefícios instituídos pela MP 2.222/01. Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 A 8ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo – DRJ/SPOI, ao analisar a impugnação deu provimento parcial para excluir da exigência as multas de ofício e de mora, através do acórdão DRJ/SPI 1639.670, de 06 de junho de 2012, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1998 IRRF. RETENÇÃO EXCLUSIVA NA FONTE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. No caso de imposto de renda incidente exclusivamente na fonte (definitivo), a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da fonte pagadora. IRRF. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. MATÉRIA SUB JUDICE. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Deve ser mantido o crédito tributário com exigibilidade suspensa, uma vez informada nos autos a existência de expediente judicial determinando a retenção e depósito em conta judicial do IRRF sub judice pelas instituições financeiras responsáveis. IRRF. DECADÊNCIA. O direito de constituição do crédito tributário decai em 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, quando não se verifica o recolhimento antecipado do tributo. LANÇAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO. O auto de infração é o instrumento adequado para formalizar o lançamento do crédito tributário resultante de ação fiscal direta. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase a lei a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. No julgamento dos processos pendentes, cujo crédito tributário foi constituído com base no art. 90 da MP nº 2.15835, de 2001, as multas de ofício exigidas em decorrência das diferenças de tributo/contribuição apuradas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, em razão de lei nova deixar de caracterizar o fato como hipótese para aplicação de multa de ofício. Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.003022/200330 Acórdão n.º 2202002.295 S2C2T2 Fl. 902 5 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECONHECIMENTO. APLICAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO PGFN nº 8/2011. Aplicase a denúncia espontânea, com a conseqüente exclusão da multa de mora, na situação em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito ao lançamento por homologação), acompanhado do pagamento imediato e integral da parte declarada, retifica a declaração antes de iniciado procedimento fiscal, informando a existência de diferença a maior, cuja quitação operouse inclusive antes da referida retificação. JUROS DE MORA. DEPÓSITO JUDICIAL. INDICAÇÃO NO AUTO DE INFRAÇÃO. Os juros moratórios independem da formalização através do lançamento, e serão devidos sempre que o principal estiver sendo recolhido a destempo. O percentual e o valor dos juros moratórios constantes do Auto de Infração são apenas uma referência, pois se, de fato, o depósito houver sido feito em montante integral, os juros de mora, a partir da data do depósito, não são devidos e, portanto não serão exigidos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Devidamente cientificado dessa decisão a Recorrente interpõe tempestivamente recurso voluntário, onde alega em síntese: Seja reformado o acórdão proferido pela DRJ e cancelado o auto de infração em função: Da prévia constituição do crédito tributário por meio de apresentação da DCTF e dos depósitos judiciais, sendo descabido o lançamento de ofício; Seja reconhecida a decadência parcial para os fatos geradores ocorridos até julho de 1998; inaplicabilidade dos juros de mora sobre os valores depositados judicialmente. Houve interposição de recurso de ofício. É o relatório. Fl. 1073DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR 6 Voto Conselheiro Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade portanto deve ser conhecido. Recurso de Ofício No que diz respeito ao recurso de ofício, ele está dentro do limite de alçada e dele tomo conhecimento. A DRJ /SP1, deu provimento parcial a impugnação apresentada pela Impugnante para excluir do lançamento a multa de mora e de ofício aplicada. Entendo que não merece reparos a decisão da DRJ, tendo em vista que: Em relação a exclusão da multa de ofício os valores objeto do lançamento estão com a exigibilidade suspensa por força de depósito judicial, portanto não há que se falar na sua exigência, além do mais o artigo 18 da Medida Provisória 135, convertida na Lei 10.833, de 2003, afastam a exigência da multa tendo em vista que o débito foi declarado em DCTF. Além do mais a multa de isolada aplicada foi objeto de revogação por parte da Lei nº 11.488, de 2007, portanto devemos aplicar ao presente caso a retroatividade benigna prevista no artigo 106 do CTN. No caso da multa de mora, como contribuinte efetuou o recolhimento do tributo com atraso antes da entrega da DCTF, com o advento da Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009), os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62A, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {1} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.003022/200330 Acórdão n.º 2202002.295 S2C2T2 Fl. 903 7 No que diz respeito ao multa de mora efetuada antes da entrega da DCTF, assim se pronunciou o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial no 1.149.022 – SP, de 09/06/2010, de relatoria do Ministro Luiz Fux, submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução no 8/08 do STJ: EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR 8 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Diante do exposto, entendo que a multa de mora é indevida no presente caso, mas os juros isolados são devidos uma vez que a denúncia espontânea só se aplicaria a multa. Desta forma, conheço do recurso de ofício e no mérito dou provimento parcial para manter a exigência dos juros isolado. Recurso Voluntário Decadência Inicialmente, há que se fazer algumas considerações acerca do prazo decadência a ser aplicado aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Com a devida vênia daqueles que pensam diferente, encontra pacificado neste Conselho o entendimento, ao qual me filio, de que o Imposto de Renda Retido na Fonte– IRFonte é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, aquele em que a lei determina que o sujeito passivo, interpretando a legislação aplicável, apure o montante tributável e efetue o recolhimento do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa, conforme definição contida no caput do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN, tendo sua decadência regrada, em princípio, pelo § 4o deste mesmo artigo (cinco anos contados da data do fato gerador), independentemente de haver ou não pagamento do tributo. Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.003022/200330 Acórdão n.º 2202002.295 S2C2T2 Fl. 904 9 O referido dispositivo legal exclui do seu escopo expressamente apenas os casos em que for constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicandose, nessa hipótese, a regra geral prevista no art. 173 do CTN, inciso I (cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Entretanto, com o advento da Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009), os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62A, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {1} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. No que diz respeito ao prazo decadencial para constituição do crédito tributário, assim se pronunciou o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial no 973.733 – SC, de 12/08/2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux, submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução no 8/08 do STJ: EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR 10 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.003022/200330 Acórdão n.º 2202002.295 S2C2T2 Fl. 905 11 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Depreendese, assim, que nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN, considerandose que “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Posteriormente, acolhendo os embargos de declaração oposto pela Fazenda Nacional no Agravo Regimental no Recurso Especial no 674.497/PR (2004/01099782), julgado em 09/02/2010, a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, assim se manifestou: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART.173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1o a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1o 1.1995, expirandose em 1o 1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. O relator, Ministro Mauro Campbell Marques, esclarece no voto condutor que: Do acurado reexame dos autos, verifico que razão assiste à embargante. Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR 12 Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). [...] Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. Concluise, assim, que a aplicação do prazo decadencial previsto art. 150, §4o, do CTN passou a ter uma condição adicional, qual seja, a existência de pagamento antecipado de tributo. Inexistindo pagamento antecipado, deslocase o prazo decadencial para o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” (art. 173, inciso I), restando claro que, nos casos de fatos geradores ocorridos até o dia 31 de dezembro de cada ano, o lançamento só poderá ser efetuado no ano seguinte. No caso dos autos o recorrente declarou os valores incontroversos em DCTF, portanto não há que ser falar em decadência no presente caso. Mérito No caso de recurso voluntário, o que está sendo objeto da discussão, é se cabe o presente lançamento, tendo em vista que os valores foram depositados judicialmente e declarados em DCTF, alega o Recorrente, que ao mantermos o presente lançamento, haverá a cobrança em duplicidade do valor objeto da discussão judicial. Podemos observar que o Recorrente efetuou o depósito integral do montante objeto de litígio, desta forma os eventuais encargos tributários sempre ficaram a disposição do juízo. Além do mais todos os valores objeto do depósito judicial foram devidamente informadas em DCTF. Desta forma, os valores estão devidamente constituídos. Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.003022/200330 Acórdão n.º 2202002.295 S2C2T2 Fl. 906 13 Não há como imputar a eventual responsabilidade tributária ao contribuinte, tendo em vista que o valor estava sob discussão judicial e procedeuse ao depósito judicial do valor integral para não ter constrições ao seu patrimônio, tornando portanto a exigibilidade do tributo suspensa, desta forma a União só poderá exigir o tributo quando da ocasião da decisão transitada em julgado desfavor da Recorrente. Notese que a partir do momento em que o contribuinte está depositando os valores judicialmente, estes não se encontram mais à sua disposição, mas sim à disposição do Juízo. O contribuinte, por sua vez, enquanto houver o depósito judicial, não possui a disponibilidade do rendimento, a qual só é adquirida no momento em que o beneficiário fica autorizado a levantar os depósitos judiciais. No presente caso, não vejo óbices do lançamento subsistir, os valores objeto da controvérsia e depositados judicialmente foram devidamente informados pelo contribuinte em DCTF, portanto tais valores devem ficar com a sua exigibilidade suspensa, e no caso de insucesso da demanda, e no trânsito em julgado os valores depositados judicialmente serão convertidos em renda da União. Caso o contribuinte tenha sucesso os valores depositados não serão devidos, portanto poderão ser levantados. Desta forma, entendo que não assiste razão ao recorrente quanto ao pedido de anular o lançamento do principal, que deve ficar com sua exigibilidade suspensa, até o trânsito em julgado da medida judicial, se ela for desfavorável o valor deverá ser devidamente convertido em renda da união. Quanto ao juros de mora, como houve o depósito judicial, devemos aplicar ao presente caso a Súmula CARF nº 5, portanto os mesmos não são devidos. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Desta forma, os juros de mora dos valores objeto de depósito judicial, são indevidos. Nesse sentido conheço do recurso voluntário e no mérito dou parcial provimento para excluir os juros de mora. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR 14 Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/06/2013 po r PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR
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Numero do processo: 19515.007755/2008-29
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA GFIP. DECADÊNCIA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE MAIS BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA.
Constitui infração a empresa deixar de informar na GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária.
Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal - STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , a determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.
O artigo 106, c , do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna
Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada no § 5°, do revogado artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV, há que se submeter ao preceituado no artigo 32-A sob o novo comando expresso na forma do § 9o da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência dos créditos lançados para a competência 10/2003 e anteriores, com fulcro no art.150, § 4º do CTN. No Mérito: Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recálculo da multa de acordo com a redação do art. 32-A da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari-Presidente
Ivacir Júlio de Souza-Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA GFIP. DECADÊNCIA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE MAIS BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA. Constitui infração a empresa deixar de informar na GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado. As edições da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ” determinaram que são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. O artigo 106, “c” , do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada no § 5°, do revogado artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV, há que se submeter ao preceituado no artigo 32A sob o novo comando expresso na forma do § 9o da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 77 55 /2 00 8- 29 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a decadência dos créditos lançados para a competência 10/2003 e anteriores, com fulcro no art.150, § 4º do CTN. No Mérito: Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recálculo da multa de acordo com a redação do art. 32A da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees StringariPresidente Ivacir Júlio de SouzaRelator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 19515.007755/200829 Acórdão n.º 2403001.861 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório A instância a quo produziu o Relatório abaixo que li, compulsei com os autos e , com grifos de minha autoria o transcrevo: “1. Tratase de Auto de Infração AI n° 37.015.1178 (obrigação acessória), lavrado em face da empresa acima identificada, por ter apresentado Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições devidas à Seguridade Social, no período de 01/2003 a 12/2003, atingindo o montante de R$ 56.470,05 (cinquenta e seis mil, quatrocentos e setenta reais e cinco centavos), consolidado em 26/11/2008. cientificado à empresa em 28/11/2008 (fls. 2). 1.1. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 9) e com o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 10), o Contribuinte deixou de declarar em GFIP a remuneração paga a contribuinte individuais no período supracitado, conforme discriminativos anexados: 1.1.1. Anexo I contendo o discriminativo, por competência, dos valores considerados base de cálculo das contribuições previdenciárias, a contribuição mensal devida e a multa aplicável de acordo com a legislação (fls. 11); 1.1.2. Anexo II contendo a base de cálculo mensal individualizada dos contribuintes individuais e os valores equivalentes à contribuição previdenciária devida pelo próprio segurado (fls. 12/23); 1.1.3. Relação de rendimentos, deduções e retenção do Imposto de Renda DIRF 2004 (ano calendário 2003) contendo a relação de todos os contribuintes individuais, a respectiva base de cálculo mensal do Imposto de Renda e o valor do imposto retido na fonte (24/38). 1.2. Foi aplicada a multa prevista no art. 32, § 5° da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 9.528/97, combinado com o art. 284, II do RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99, correspondente a 100% do valor da contribuição não declarada em GFIP, observado o limite definido em função do número de segurados da empresa no § 4° do art. 32 da Lei 8.212/91 e no inciso I do art. 284 do RPS, atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 77, de 11/03/2008, nos termos do Relatório Fiscal da Aplicação da Multa. 1.3. As contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores que deixaram de ser declarados em GFIP foram lançados nos Autos de Infração de Obrigação Principal n° 37.015.1151 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 (Comprot n° 19515.007753/200830), no qual foram incluídas as contribuições devidas pela empresa, e 37.015.1160 (Comprot n° 19515.007754/200884), no qual foram incluídas as contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais. IMPUGNAÇÃO 2. Dentro do prazo regulamentar (fls. 130) a empresa impugnou o lançamento por meio do instrumento de fls. 56/79, com ajuntada de documentos de fls. 80/127 (Procuração "ad et extra judicia'''; cópia da identidade do Representante Legal; cópia da OAB do patrono; cópia de Alteração do Contrato Social e cópia do presente auto) apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: 2.1. A presente Impugnação foi protocolizada tempestivamente em 24/12/2008, considerandose a data da ciência da autuação ocorrida em 28/11/2008. 2.2. Existe dependência entre a presente autuação e os lançamentos fiscais contendo as obrigações principais (37.015.1151 e 37.015.1160) de forma que. Como acessória, deverá acompanhar a sorte do principal. 2.3. Tratandose de lançamento por homologação, ao qual é aplicável o §4° do art. 150 do CTN, estão decadentes e devem ser canceladas as contribuições previdenciárias exigidas nas competências 01/2003 a 11/2003 considerando a data em que o crédito foi constituído (28/11/2008). 2.4. Sobre o aspecto material, existe nítido equívoco da agente fiscalizadora no presente lançamento: 2.4.1. O procedimento para cálculo da contribuição previdenciária devida apresenta forma peculiar, visto configurarse, neste caso específico, o autônomo como motorista carreteiro; 2.4.2. A contribuição previdenciária dos motoristas autônomos é calculada nos termos da Lei 8.212/91 e alterações da Lei n° 10.666/03 e demais dispositivos citados na NFLD. 2.4.3. A fiscalização aplicou diretamente os percentuais de 11%, relativos à contribuição previdenciária do segurado, e de 20%, relativos à contribuição previdenciária devida pela empresa, sobre o total dos rendimentos auferidos pelos motoristas autônomos, o que se mostra em desacordo com a legislação vigente. 2.5. Conforme disposto acima, é importante salientar que as contribuições de 1 P / o (segurados) e 20% (empresa) incidem sobre a base de cálculo, que, por sua vez, é equivalente a 20% do total dos rendimentos auferidos pelos motoristas autônomos (frete). Nesses termos, o lançamento encontrase equivocado, já que considera a base de cálculo o valor total dos rendimentos dos motoristas autônomos, estando em desacordo com a legislação Fl. 241DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 19515.007755/200829 Acórdão n.º 2403001.861 S2C4T3 Fl. 4 5 vigente à época (MP 83/02, convertida na Lei 10.666/03 e IN SRP n° 87/03), pelo que deve serreconhecida sua improcedência. 2.6. Sendo a taxa SELIC o resultado das negociações de títulos públicos calculada diariamente pelo Banco Central, esta se mostra inaplicável sobre o suposto débito fiscal exigido do contribuinte, devendo ser declarada extinta ou indevida. 2.7. Afirma o Contribuinte que, considerando o reflexo financeiro causado pelo pagamento, inexiste diferenciação entre o tributo e a multa visto que aquele tem nítido caráter punitivo, acarretando verdadeiro bis in idem. Requer, em consequência, a revisão dos lançamentos a fim de que eventuais valores devidos sejam recalculados, devendo a multa ser declarada extinta ou indevida. 2.8. Por derradeiro, requer que seja seu Procurador intimado de todos os atos e publicações relativas ao feito administrativo. SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA FISCAL E REABERTURA DE NOVO PRAZO PARA MANIFESTAÇÃO DO CONTRIBUINTE 3. Em sua Impugnação, o contribuinte insurgese contra os três lançamentos fiscais (AI n° 37.015.1178, 37.015.1151 e 37.015.1160) elaborados no procedimento fiscal encerrado em 26/11/2008 (fls. 51) afirmando erro cometido pela Auditora Fiscal autuante na apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias, visto que os contribuintes individuais cujos pagamentos foram considerados salário de contribuição prestaram serviços de transportadores autônomos, o que lhes garantiria tratamento tributário/previdenciário diferenciado. 3.1. Considerando que não consta especificação da natureza dos serviços prestados pelos contribuintes individuais relacionados nos discriminativos integrantes deste Auto de Infração, cuja remuneração foi considerada base de cálculo para os lançamentos n° 37.015.1151 e 37.015.1160, foi solicitada por esta 13a Turma de Julgamento da DRJ/SP1, por meio do Despacho n° 3 de 21/01/2010, manifestação da Autoridade Fiscal autuante. RESULTADO DA DILIGÊNCIA FISCAL 4. Em atendimento ao solicitado, a Autoridade Fiscal responsável pela diligência realizada no Contribuinte pronunciouse por meio de relatório e Termo de Encerramento de Diligência (fls. 146/150), nos quais apresentou os seguintes esclarecimentos , em resumo: 4.2. Em 08/07/2010, o Contribuinte manifestouse (fls. 140/141)requerendo prazo adicional para a apresentação dos documentos solicitados. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 4.3. Decorrido o prazo solicitado pelo Contribuinte sem a apresentação dos documentos solicitados, foi emitido Termo de Reintimação / Diligência Fiscal / Solicitação de Documentos, datado de 23/09/2010 (fls. 144), recebido pelo Contribuinte em 29/09/2010 (AR de fls. 145), o qual deixou de ser, novamente, cumprido pela Empresa, o que motivou a lavratura do Auto de Infração DEBCAD n° 37.198.2634 por descumprimento de obrigação acessória. 4.4. Considerando que o Contribuinte deixou de apresentar os documentos necessários para justificar as alegações apresentadas na Impugnação, o Auditor Fiscal concluiu pela manutenção dos créditos previdenciários lançados na mesma ação fiscal. 4.5. Por fim, foi anexado ao presente processo o Termo de Encerramento de Diligência (fls. 148/150) que resume os fatos narrados no relatório de fls. 146/147 e cientifica o Contribuinte da abertura de prazo para sua manifestação. MANIFESTAÇÃO DA IMPUGNANTE SOBRE O RESULTADO DA DILIGÊNCIA 5. Cientificado do resultado da diligência fiscal realizada, o Contribuinte apresentou "Recurso Voluntário" em 02/12/2010 (fls. 155/177) no qual reiterou as alegações realizadas em sua Impugnação. É o Relatório.” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.182, a 13ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de São Paulo – SP DRJ/SP 1, em 24 de março de 2011, exarou o Acórdão n° 1630.479, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, onde reiterou as alegações que fizera em instância “ad quod ” Fl. 243DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 19515.007755/200829 Acórdão n.º 2403001.861 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE O recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 9) e com o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls.10), o Contribuinte deixou de declarar em GFIP a remuneração paga a contribuinte individuais no período supracitado, conforme discriminativos anexados. Em sua Impugnação, o contribuinte insurgese contra o presente lançamento representado pelo DEBCADs n ° AI n° 37.015.1178 e os 2(dois) outros 37.015.1151 e 37.015.1160 todos resultado da mesma ação fiscal. Apresentada a questão, a instância a quo determinou diligência para que a fiscalização esclarecesse como encontrara as bases de cálculo para os lançamentos n° 37.015.1151( principal , processo n° 19515.007753/200830) e 37.015.1160. O mandado de Procedimento Fiscal – MPF de fls. 01 determinou que na ação fiscal se verificasse se ocorrera o total adimplemento das contribuições para o período: “ PROCEDIMENTO FISCAL: FISCALIZAÇÃO TRIBUTOS/CONTRIBUIÇÕES : CONTRIB PREV E PARA OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS “ Desse modo, tendo a autuação se restringido a constituir o crédito em razão de parcial inadimplência, é lícito concluir que o adimplemento das demais obrigações representam pagamento parcial. DA DECADÊNCIA DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Como relatado, tratase de autuação por descumprimento de obrigação acessória, em razão de no período 01/03 a 12/03 a fiscalização entender que a empresa não apresentou GFIP’s com todos os dados correspondentes aos fatos geradores das contribuições previdenciárias. Exortandose os artigos 3º e 5º do Código Tributário Nacional – CTN, se observa que : “Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua Fl. 244DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 8 sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. (...) Art. 5º Os tributos são impostos, taxas e contribuições de melhoria.” Debruçado ainda sobre o mesmo códex, no que se refere ao artigo 113, § 2º, temos que : “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória (...) . § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Visto isto, concluise que as obrigações acessórias não têm natureza jurídica de tributos mas decorrem da legislação tributária. Tal análise é fundamental para o reconhecimento da decadência das obrigações tributárias acessórias na medida em que a legislação, neste sentido, só fez previsão de decadência para os TRIBUTOS na forma dos artigos 150, §4° e 173 do mesmo diploma tributário supra. “ Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.” (...) “ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: ” Aduz que artigo 150 do CTN invoca o lançamento e sua homologação ao passo que o artigo 173 do mesmo CTN não faz alusão a homologação, sendo lícito, portanto, inferir que para o reconhecimento da decadência a aplicação do artigo 173 é regra geral e no que se refere aos tributos submetidos aos lançamentos por homologação se tem como especifica a aplicação do artigo 150 § 4º, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Corroborando tal entendimento, consta decisão do STJ nos embargos de Divergência n° 413.265SC( 2004/01609837), onde a Primeira Seção firmou entendimento preciso e atual sobre a interpretação das normas jurídicas que regem a decadência do direito do fisco no Código Tributário Nacional – CTN. Ficou assente naquele julgado, por unanimidade, à luz da relatoria da Min. Denise Arruda, que a decadência do direito do fisco no CTN é tratada mediante uma REGRA GERAL e uma REGRA ESPECÍFICA. A regra geral está prevista no artigo 173, I do CTN, Fl. 245DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 19515.007755/200829 Acórdão n.º 2403001.861 S2C4T3 Fl. 6 9 aplicase a todos os tributos; já a específica consta do 150, § 4° do CTN, e aplicase aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Tudo isso exposto, sendo cediço que as obrigações principais do tributo em comento são regidas pelos pressupostos do denominado lançamento por homologação, entendo que a decadência, quando o foco são as obrigações acessórias decorrentes daquelas, por coerência, já que a lei não previu a decadência das obrigações acessórias e essas também decaem, e, em razão da obrigação de fazer e não de pagar, não se vislumbra outro enquadramento que não seja resultado da aplicação da aludida REGRA ESPECÍFICA prevista no Código Tributário Nacional para tributos sujeitos ao lançamento por homologação ou seja o artigo 150, § 4° do CTN, independente do que ficar decidido sobre a decadência das obrigações principais eventualmente descumpridas. A regra de pagamento antecipado a que nos submete o artigo 62A do RICARF, por se referir a pagamentos antecipados, não alcança por óbvio, as obrigações acessórias que não exigem pagamentos mas cumprimentos de prestações positivas ou negativas. Quando das autuações por descumprimento de obrigações acessórias, sendo infrações autônomas, tenho convencimento de que, no reconhecimento do instituto da decadência de obrigação acessória, é despiciendo observar até mesmo se houve autuação sobre obrigações outras uma vez que o que se homologa, tácita ou expressamente é a atividade em questão, específica e referente e à infração ocorrida, ao fato gerador daquela obrigação não observado e não os fatos conexos que deverão ser motivo de análise em processos próprios e, por óbvio, autônomos: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.” Concordando o verbo com o sujeito, se observa que o legislador, no caput, literalmente afirma que o lançamento OPERASE pelo ato em que a autoridade tomando conhecimento da ATIVIDADE .......expressamente A HOMOLOGA. Sendo literal, portanto, não é questão de hermenêutica. As obrigações acessórias são homologadas, também, tácita ou expressamente, posto que ao termo do prazo qüinqüenal, o direito potestativo da Autoridade Administrativa se observará efetivamente decaído qualquer que seja a circunstância, estejam ou não adimplidas as obrigações cabendo apenas o reconhecimento da decadência sem modulação tendo em vista não existir previsão legal para tal. Assim, nas hipóteses decadenciais, é inevitável concluir que se deva aplicar aos descumprimentos de obrigações acessórias o preceituado no artigo 150, §4° do CTN, independente do que tenha ocorrido com as obrigações principais se adimplidas ou não, salvo, é claro, para os casos de dolo, fraude ou simulação efetivamente comprovados. Desse modo, considerando tudo que foi exposto, inclusive os pagamentos antecipados, e ainda que a empresa fora notificada em 28/11/2008( fls. 01), na forma do artigo Fl. 246DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 10 150, § 4° do Código Tributário nacional – CTN o crédito lançado pela fiscalização na competência 10/2003 e anteriores, encontrase fulminado pelo instituto da decadência. NO MÉRITO DA COMPETÊNCIA 12/2003 O Contribuinte alega a existência de prejudicialidade entre o presente Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) e os Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD n° 37.015.1160 (contribuições dos segurados contribuintes individuais) e 37.015.1151 (contribuições da empresa incidentes sobre remuneração paga a segurados contribuintes individuais), decorrentes da mesma ação fiscal,vez que para o julgamento desta autuação tornase necessária definição sobre a procedência dos lançamentos das contribuições previdenciárias devidas pela empresa, incidente sobre a remuneração não declarada em GFIP, incluídas nos citados AIOP. É relevante ressaltar que em também em sede de impugnação a empresa já houvera levantado a questão.Na oportunidade questionou as bases de cálculo que motivaram a autuação do não cumprimento da obrigação principal. A 13° Turma de Julgamento da DRJ/SP1, por meio do Despacho n° 3 de 21/01/2010, fls. 131/135, elencou os questionamentos e determinou diligência para estabelecer a ampla defesa. Conforme TERMO DE DILIGÊNCIA FISCAL / SOLICITAÇÃO DE DOCUMENTOS de fls. 138, o contribuinte foi intimado a apresentar os documentos que alegara fariam prova de incorreção das bases de cálculo utilizadas pela Autoridade autuante: “ Referente ao ano calendário 2003: 1 Recibos de pagamento de frete aos carreteiros autônomos que prestaram serviços durante o ano base de 2003 com os respectivos conhecimentos de transporte. 2 Indicação das contas contábeis onde os mesmos foram escriturados com copia das folhas do livro razão. 3 Certificados de propriedade do veículo (Motorista Carreteiro) ou termo de compromisso de compra e venda ou contrato de arrendamento.” No resultado da diligência o Auditor Fiscal relata que o contribuinte solicitou o prazo de mais 60 dias para cumprimento integral da exigência fiscal : Fl. 247DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 19515.007755/200829 Acórdão n.º 2403001.861 S2C4T3 Fl. 7 11 “ 5. Por carta protocolada nesta repartição federal em 08/07/10, o contribuinte solicitou o prazo de mais 60 dias para cumprimento integral da exigência fiscal mencionada no item 4. 6. Transcorrido o prazo solicitado sem manifestação do mesmo, enviamos TERMO DE REINTIMAÇÃO/ DILIGÊNCIA FISCAL / SOLICITAÇÃO DE DOCUMENTOS de 23/09/10, recebido pelo sujeito passivo em 29/09/10 via postal com AR Aviso de Recebimento, reiterando o Termo mencionado no item 4 acima com o prazo de 10 dias para atendimento.” Reintimado, em 01/06/2010, na forma do expediente fls. 144, não apresentou os documentos requeridos e com os argumentos de fls. 141 em 08/07/2010 alegou impossibilidade: “ ....que a documentação solicitada requer uma apuração detida junto a contabilidade da empresa, sendo certo que tal ato representa o levantamento e localização de milhares de documentos, que posteriormente serão remetidos a esta r. delegacia, para devida análise. Além disso, temse que determinadas exigências não dependem exclusivamente da contribuinte, citese, exigência do item 3. da solicitação (apresentação do certificado de propriedade do veículo do motorista autônomo), pois a contribuinte oficiou ao DETRAN, para que o mesmo preste informação acerca da propriedade dos veículos, tendo em vista que os mesmos não são de propriedade da empresa, portanto, a mesma não possui o certificado de propriedade em seu arquivo. Asseverase ainda, que o mesmo DETRAN possui um trâmite burocrático na liberação da cópia de tela, que por si só demanda tempo.” Às fls. 148, colacionaramse o Resultado do Procedimento Fiscal: “ Esta auditoria concluiu pela manutenção dos débitos, devido a não apresentação dos elementos solicitados no Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos de 11/06/10 e no Termo de Reintimação/Diligência Fiscal / Solicitação de Documentos de 23/09/10, recebidos via postal com AR Aviso de Recebimento, pelo sujeito passivo, em 18/06/10 e 29/09/10 respectivamente, motivo que também provocou a emissão de Auto de Infração de Obrigação Acessória de 25/10/10, debcad n°. 37.198.2634, no valor de R$ 14.317,78 (quatorze mil trezentos e dezessete reais e setenta e oito centavos) conforme consta das informações que seguem anexo ao presente termo, referentes aos três processos objetos da diligencia fiscal.” Com efeito, a 13a Turma de Julgamento da DRJ/SP I, em sessão realizada na mesma data do Acórdão a quo em tela, julgou integralmente procedentes os Autos de Infração de Obrigação Principal (AIOP) DEBCAD n° 37.015.1160 e 37.015.1151 por meio dos Acórdãos n° 1630.478 e 1630.477. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 12 Como visto alhures a empresa alegara impossibilidade técnica de providenciar a documentação requerida.Entretanto, às fl.150, o contribuinte apresentou contra razões, fls. 153/177 com novas e contraditórias alegações : “ Preclaros Julgadores, a Recorrente tentou de todas as formas cumprir as exigências do fisco, mesmo não sendo obrigada por lei a manter os documentos exigidos, entretanto, como a documentação exigida remonta o ano base 2003, sendo que a autuação fiscal se deu em 28.11.2008, não teve como atender a r. fiscalização, eis que os DOCUMENTOS SOLICITADOS, JÁ TINHAM SIDO ELIMINADOS, dado o decurso de prazo superior a 05 (cinco) anos. Portanto, preclaros julgadores, não há qualquer intenção da contribuinte em não apresentar a documentação, há sim impossibilidade de apresentálos.” Não se pode passar despercebido a alegação de que houvera que eliminado os documentos referentes a competência 12/03, inclusive os requeridos Certificados de propriedade do veículo (Motorista Carreteiro) ou termo de compromisso de compra e venda ou contrato de arrendamento. Tais argumentos não lograram prosperar em instância a quo. Aduz que também não obtiveram êxito para formar minha convicção. Assim não dou provimento ao pleito. DA MULTA Obedecendo aos preceitos legais vigentes , o valor da multa foi apurado na forma do artigo. 284, inciso II do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99 e Art. 32, inciso IV, § 5°, da Lei 8.212/91, que foi aplicada de dispositivo legal da multa aplicada às fls.02. O § 5°, artigo 32 da Lei 8.212, inciso IV: “ (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (... ) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). ” Ocorre que o § 5o foi revogado conforme redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009 e o novo comando se expressa na forma do § 9o da Lei nº 11.941, de 2009 : Fl. 249DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 19515.007755/200829 Acórdão n.º 2403001.861 S2C4T3 Fl. 8 13 “A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV do caput deste artigo ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicandose, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A desta Lei. (...) Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” DA MULTA MAIS BENÉFICA O artigo 106 do Código Tributário Nacional CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Visto deste prisma, impõese o recálculo da multa com base no artigo 32A da Lei nº 11.941/ 2009 em razão do novo comando expressado na forma do § 9o da Lei nº Fl. 250DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 14 11.941/2009 para comparálo com o valor da multa aplicada com base na redação anterior do artigo 32 da Lei 8.212/91 para determinação e prevalência da multa mais benéfica. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Desse modo, pelo exposto, é pertinente o recálculo da multa. CONCLUSÃO Diante de tudo que foi exposto, conheço do recurso para em PRELIMINAR, com fulcro no § 4° do artigo 150 do Código Tributário nacional – CTN, reconhecer a decadência dos créditos lançados para a competência 10/2003 e anteriores e no MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL determinando o recálculo da multa de acordo com a redação do artigo 32A da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, fazendo prevalecer a multa mais benéfica para o contribuinte. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Relator Fl. 251DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
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