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Numero do processo: 13558.720468/2013-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial.
Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tão-somente sua transferência para o Fisco.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PEDIDO DE QUE SEJAM REQUISITADAS JUNTO A RECEITA FEDERAL DO BRASIL CÓPIAS DE AUTOS DE INFRAÇÕES LAVRADOS PELO AUDITOR FISCAL QUE LAVROU O AUTO DE INFRAÇÃO DO CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
O pedido de que sejam requisitadas junto a RFB cópias de outros autos de infrações lavrados pelo auditor fiscal que também lavrou o auto de infração do contribuinte, além de não possuir embasamento legal, caso deferido, violaria o sigilo bancário de diversos contribuintes estranhos à esta lide, razão pela qual não pode ser deferido.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir do ano-calendário 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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EXAME DE EXTRATOS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, mas tãosomente sua transferência para o Fisco. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PEDIDO DE QUE SEJAM REQUISITADAS JUNTO A RECEITA FEDERAL DO BRASIL CÓPIAS DE AUTOS DE INFRAÇÕES LAVRADOS PELO AUDITOR FISCAL QUE LAVROU O AUTO DE INFRAÇÃO DO CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. 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FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13558.720468/201392, em face do acórdão nº 1532.858 julgado pela 5ª Turma da Delegacia Federal do Brasil em Salvador (DRJ/SDR), no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: "Tratase de Auto de Infração para constituição do crédito tributário correspondente ao Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza da Pessoa Física (IRPF) relativo ao ano calendário de 2009, no valor original de R$ 1.706.118,05, sobre o qual incidem a multa de ofício qualificada (150,00%), no valor de R$ 2.559.177,07, e os juros moratórios, calculados até o mês Fl. 305DF CARF MF Processo nº 13558.720468/201392 Acórdão n.º 2202004.138 S2C2T2 Fl. 306 3 de fevereiro de 2013, no valor de R$ 460.481,26, totalizando um valor consolidado, em 28/02/2013, de R$ 4.725.776,38. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes do Auto de Infração (fls. 2 a 8) e do Relatório de Auditoria Fiscal e Termo de Verificação Fiscal (fls. 197 a 202), o lançamento de ofício foi efetuado em razão da constatação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. A AuditoriaFiscal afirma que no anocalendário 2009 o sujeito passivo omitiu rendimentos decorrentes de movimentação financeira, cujo montante totalizou R$ 6.204.065,61 após todos os ajustes e conciliações previstas em lei, inclusive levando em consideração as informações prestadas pelo contribuinte no curso do procedimento fiscal. Foram examinadas as movimentações financeiras realizadas pelo sujeito passivo nas seguintes instituições: Cooperativa de Crédito Rural Teixeira de Freitas Ltda (CNPJ nº 02.447.120/000167), Banco do Brasil SA (CNPJ nº 00.000.000/000191) e Itaú Unibanco SAI (CNPJ nº 60.701.190/000104). O demonstrativo de apuração do crédito tributário lançado encontrase às fls. 7 e 8 dos autos. A imputação fiscal fundamentase na Lei nº 11.482, de 31/05/2007 (art. 1º), na Lei nº 9.430, de 27/12/1996 (art. 42, art. 44, inciso I e §1º, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15/06/2007, e art.61, §3º), na Lei nº 4.502, de 30/11/1964, art. 71, e no Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, art. 849. O contribuinte foi cientificado pessoalmente do Auto de Infração em 06/03/2013 (fl. 4) e apresentou impugnação em 05/04/2013 (fl. 208 a 232), manifestandose, em síntese, nos termos a seguir. I Preliminar de Quebra de Sigilo Bancário: 1. Aponta nulidade do procedimento fiscal e do auto de infração, por inconstitucionalidade, com fundamento na Constituição Federal, art. 1º, inciso I a V, art. 5º, incisos X e XII, e art. 37, caput, na Lei nº 4.595, de 1964, por entender que houve quebra de sigilo bancário sem autorização judicial por parte da AuditoriaFiscal ao requisitar seus dados bancários (extratos bancários da conta corrente nº 439A, agência nº 3231, período janeiro a dezembro de 2009) diretamente à instituição financeira Cooperativa de Crédito Rural Teixeira de Freitas Ltda (CNPJ nº 02.447.120/000167); 2. Aduz que decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) exarada no Recurso Extraordinário nº 389808, em sessão de 15/10/2010, suspendeu a efetividade da Lei Complementar nº 105, de 20011, e decretou inconstitucional o art. 6º, no qual fundamentouse a AuditoriaFiscal para requisitar suas Fl. 306DF CARF MF Processo nº 13558.720468/201392 Acórdão n.º 2202004.138 S2C2T2 Fl. 307 4 informações bancárias. Argumenta que assim também entendeu o STF em decisão monocrática, datada de 23/11/2011, nos autos do Recurso Extraordinário nº 387.064; 3. Defende que o ato deve ser anulado com base na Lei nº 9.784, de 1999, art. 53, pelo princípio da autotutela, devendo a Administração Pública anular seus atos quando eivados por vícios de legalidade; 4. Cita e transcreve doutrina de JJ Gomes Canotilho e Celso Antônio Bandeira de Melo, relativa a princípios jurídicos e suas violações, Aurélio Pitanga Seixas Filho, sobre princípios de direito administrativo tributário, Ives Gandra da Silva Martins, sobre garantias constitucionais do sigilo bancário, José Augusto Delgado, sigilo bancário, 4. Protesta e requer o cancelamento do lançamento tributário; II Mérito: 1. Entende que o auto de infração fundamentouse exclusivamente em presunções tomando por base os extratos bancários do impugnante; 2. A presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, distorce o conceito de receita, considerando receita toda entrada de valores, o que não corresponde à acepção técnica, contrariando a verdade material, o art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), bem como o postulado da razoabilidade; 3. Alega que, para fins de imposto sobre a renda, somente deve ser tributado o lucro produzindo pelo patrimônio ou pelo trabalho do cidadão; 4. Cita e transcreve doutrina de Ricardo Lobo Torres sobre direito tributário, Alfredo Augusto Becker, sobre a incidência tributário do imposto de renda, e José Artur Lima Gonçalves; 5. Sustenta que não se pode tributar depósitos bancários como se fosse renda sem se verificar a existência de sinais exteriores de riqueza, em ofensa ao princípio da verdade material; 6. Aponta que a jurisprudência dominante, interpretando o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tem entendido no sentido da impossibilidade de autuação fiscal com base exclusivamente em depósitos bancários, aplicandose a Súmula nº 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TRF); 7. Cita e transcreve decisão judicial do TRF 1ª Região, exarada na ação anulatória de débito fiscal nº 199840000009591, de 29/11/2005, publicada em 20/01/2006, já na vigência da Lei Complementar nº 105, de 2001, que aplicou o entendimento contido na Súmula TRF nº 182; Pugna pela anulação também dos acessórios lançados no auto de infração à vista da nulidade do lançamento do tributo Fl. 307DF CARF MF Processo nº 13558.720468/201392 Acórdão n.º 2202004.138 S2C2T2 Fl. 308 5 principal; Requer que a impugnação seja acolhida para cancelamento do débito fiscal lançado por meio do Auto de Infração." A 5ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (DRJ/SDR) entendeu que deve ser mantido o crédito tributário. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 258/288, onde: i) Argui, em preliminar, a impossibilidade de quebra de seu sigilo bancário; ii) Quanto ao mérito, sustenta a impossibilidade de autuação ser por presunção (no art. 42, da Lei n.º 9.430, de 1996); iii) Alega que a multa aplicada afronta o princípio da isonomia, pois o mesmo auditor fiscal que lavrou seu auto de infração teria, supostamente, lavrado para outros contribuintes da cidade de Teixeira de Freitas autos de infração sem qualificar a multa. Faz, ainda, pedido de que a RFB junte aos autos cópias de outros autos de infração lavrados pelo mesmo auditor fiscal que lavrou o auto de infração ora em litígio; iv) Por fim, pugna também o sujeito passivo pela anulação dos acessórios lançados no auto de infração à vista da alegação de nulidade do lançamento do tributo principal. Com a chegada dos autos a este Conselho, foram eles incluídos em pauta de julgamento, sendo, contudo, convertido o julgamento em diligência, nos termos da Resolução nº 2202000.758, onde compreendeu a Turma julgadora pela necessidade de que a Unidade de Origem juntasse aos autos o aviso de recebimento (AR) para fins de verificar a data que o contribuinte teve ciência do resultado do julgamento do acórdão da DRJ, haja vista que inexistia nos autos tal documento. Realizada a diligência, os autos retornaram a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Tempestividade. O recurso voluntário foi apresentado em 18/09/2013, onde o contribuinte afirma que foi cientificado da decisão de primeira instância em 21/08/2013, conforme página 1 do recurso voluntário (fl. 258). No entanto, não foi possível localizar a data que o contribuinte foi cientificado do resultado do julgamento da DRJ, por não constar nos autos o Aviso de Recebimento da via postal ou qualquer outro documento que indique a data de sua ciência, como termo de ciência por comparecimento pessoal na RFB ou, ainda, ciência por edital. Assim, diante da incerteza quanto a tempestividade do recurso voluntário apresentado, foi convertido o julgamento em diligência (Resolução nº 2202000.758), de modo a aferir a data que o contribuinte foi cientificado do resultado do julgamento da DRJ de fls. 236/255. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 13558.720468/201392 Acórdão n.º 2202004.138 S2C2T2 Fl. 309 6 Realizando a diligência em questão, foi juntado à fl. 301 dos autos a seguinte informação: "O Aviso de Recebimento (AR), cujo objeto é o acórdão de impugnação contestado neste processo, não foi localizado nos arquivos desta ARF/TFS/BA. Não obstante, anexouse a relação de postagem que registra o envio do AR em questão. Nestes termos, recomendase a aplicação analógica do disposto no inc. II do § 2º do art. 23 do Decreto n. 70.235/72 (considerar a ciência 15 dias após a postagem do AR). Propõese o envio do presente ao SARAC/DRF/ITA/BA para análise, com vistas ao CARF." (grifouse) Ainda, à fl. 302, foi proferido o seguinte despacho, onde há o resultado da diligência. Vejamos o seu teor: "Em atendimento à Resolução 2202000.758 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária do CARF, a ARF/TEIXEIRA DE FREITAS/BA informa que o Aviso de Recebimento (AR), cujo objeto é o acórdão de impugnação contestado neste processo, não foi localizado nos seus arquivos. Não obstante, anexouse a relação de postagem que registra o envio do AR em questão com data de 21/08/2013. Nestes termos, recomendase a aplicação analógica do disposto no inc. II do § 2º do art. 23 do Decreto n. 70.235/72 (considerar a ciência 15 dias apó)s a postagem do AR), o que resultaria na ciência em 05/09/2013. Caso essa informação não seja suficiente, solicitamos instruções necessárias ao correto atendimento." (grifouse) Portanto, considerando que o recurso voluntário foi apresentado em 18/09/2013, onde nele o contribuinte afirma que foi cientificado da decisão de primeira instância em 21/08/2013 e, tendo a Unidade de Origem dito que o envio do AR se deu em 21/08/2013, verificase que, sendo a ciência do contribuinte em 21/08/2013 ou em 05/09/2013 (conforme sugeriu a Unidade de Origem, por aplicação analógica do disposto no inc. II do § 2º do art. 23 do Decreto n. 70.235/72), em ambos os casos o recurso voluntário apresentado é tempestivo. Assim, tenho que o recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Delimitação da lide. Inicialmente, importa referir que o contribuinte não requereu a desqualificação da multa aplicada (ou a mera redução do percentual da multa aplicada de 150% para 75%), bem como nada ele referiu quanto a ilegalidade e/ou inconstitucionalidade da taxa Selic, diante disso, deixo de apreciar tais matérias, as quais haviam sido apreciadas pela DRJ de origem, todavia, por não constaram em razões de recurso voluntário, ou ainda, nos pedidos, não é possível de análise por este Conselho. Alegações de inconstitucionalidade. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 13558.720468/201392 Acórdão n.º 2202004.138 S2C2T2 Fl. 310 7 Aduz o contribuinte que a multa aplicada (150%) afronta o princípio da isonomia, pois o mesmo auditor fiscal que lavrou o auto de infração objeto deste processo administrativo fiscal teria, supostamente, lavrado para outros contribuintes da cidade de Teixeira de Freitas autos de infração sem qualificar a multa, utilizandose, então, o percentual de 75%. Nos termos da Súmula CARF nº 02, o CARF, que dispõe que "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária", verificase que este Conselho não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória, conforme Regimento Interno deste Conselho. Por tais razões, não deve ser conhecida a matéria alegada. Pedido de que sejam requisitadas junto a RFB cópias de autos de infrações lavradas pelo Auditor Fiscal que lavrou o presente auto. Conforme já referido no item anterior, o recorrente sustenta que a multa aplicada afronta o princípio da isonomia, pois o mesmo auditor fiscal que lavrou o auto de infração objeto deste processo administrativo fiscal teria, supostamente, lavrado para outros contribuintes da cidade de Teixeira de Freitas autos de infração sem qualificar a multa. Assim, no intuito de provar seu direito, faz o seguinte pedido no recurso voluntário, cujo teor é abaixo reproduzido: Não assiste razão ao contribuinte. O pedido realizado, além de não possuir embasamento legal, caso deferido, violaria o sigilo fiscal de diversos contribuintes estranhos à esta lide. Ainda, importa referir que o contribuinte não trouxe prova alguma do que alega, sendo portanto suas alegações somente rumores. Acrescento, ainda, que não há nenhum impeditivo legal do auditor fiscal em alguns casos fixar a multa qualificada e em outros não; aliás, tal fato, indica ao menos em tese que o referido auditor fiscal somente qualifica a multa quando compreende cabível, pois não aplica a qualificadora em todos os autos de infração por ele lavrados. Desse modo, tenho por indeferir o pedido formulado pelo recorrente. Preliminar: Quebra de sigilo bancário. Alega o recorrente que a Fiscalização violou a sua garantia constitucional de inviolabilidade da vida privada, no curso da ação fiscal, ao providenciar a quebra do sigilo bancário do Impugnante, haja vista que somente o Poder Judiciário teria competência para determinar a quebra do sigilo bancário. Ocorre que o Plenário do Supremo Tribunal Federal concluiu na sessão de 24.02.2016 o julgamento conjunto de cinco processos (ADIs 2397 2386, 2389, 2390, 2397 e 2406) que questionavam dispositivos da Lei Complementar nº 105/2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. Fl. 310DF CARF MF Processo nº 13558.720468/201392 Acórdão n.º 2202004.138 S2C2T2 Fl. 311 8 No referido julgado, por maioria de votos prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. Além disso, o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória, conforme Regimento Interno deste Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por tais razões, rejeitase a preliminar suscitada pelo contribuinte. Mérito: Omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada. A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Estabelece o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 que: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1 os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). § 4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na Fl. 311DF CARF MF Processo nº 13558.720468/201392 Acórdão n.º 2202004.138 S2C2T2 Fl. 312 9 tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase, portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Devido à insuficiência probatória, compreendo que não merece provimento o recurso do contribuinte quanto a esta matéria. Por fim, importa referir que, tendo em vista que o contribuinte pEDE Pela anulação dos acessórios lançados no auto de infração à vista da alegação de nulidade do lançamento do tributo principal e, considerando que o principal se manteve hígido, não houve a consequente anulação dos acessórios. Conclusão. Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 312DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15521.000177/2008-60
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2005
RECEITAS DE VENDAS NÃO DECLARADAS. ÔNUS DA PROVA.
Comprovado pelo contribuinte que os valores considerados pela fiscalização como efetiva receita auferida e omitida não o são, cumpre retificar o lançamento tributário.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL.
VALORES CONFESSADOS EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
Correto o lançamento tributário que abate das importâncias a serem exigidas nas autuações os débitos já confessados pelo contribuinte em Dcomp.
Numero da decisão: 1801-000.570
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2005 RECEITAS DE VENDAS NÃO DECLARADAS. ÔNUS DA PROVA. Comprovado pelo contribuinte que os valores considerados pela fiscalização como efetiva receita auferida e omitida não o são, cumpre retificar o lançamento tributário. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL. VALORES CONFESSADOS EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Correto o lançamento tributário que abate das importâncias a serem exigidas nas autuações os débitos já confessados pelo contribuinte em Dcomp.
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ÔNUS DA PROVA. Comprovado pelo contribuinte que os valores considerados pela fiscalização como efetiva receita auferida e omitida não o são, cumpre retificar o lançamento tributário. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação à tributação do IRPJ deve acompanhar as autuações reflexas de PIS, COFINS e CSLL. VALORES CONFESSADOS EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Correto o lançamento tributário que abate das importâncias a serem exigidas nas autuações os débitos já confessados pelo contribuinte em Dcomp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório A empresa em epígrafe foi autuada a recolher IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, com os acréscimos legais pertinentes, no valor de R$ 41.768,27, relativos ao anocalendário de 2005. Em resposta ao Termo de Início de Fiscalização, fls. 04/05, que intimou a empresa a apresentar a escrituração fiscalcontábil – Livros Diário, Razão e Lalur/Caixa, respondeu que – fls. 07: a) solicitou a reinclusão no Simples – regime de tributação diferenciado, favorecido e simplificado, mas o pedido foi negado, retroativo ao ano de 2005; b) em observância ao Parecer Conclusivo exarado neste outro processo procedeu à entrega da DIPJ pelo regime de apuração do Lucro na forma Presumida; c) como o processo de reinclusão no Simples está ainda em andamento, entendese desobrigada a apresentar a escrituração contábil completa; apresentou o Livro Caixa; d) solicitou a compensação dos tributos recolhidos pela sistemática do Simples no ano de 2005 com os tributos apurados pelo Lucro Presumido, por Declaração de Compensação. A fiscalização esclarece no Termo de Verificação Fiscal (fls. 288 a 291) que as Notas Fiscais ns. 248, 249, 307, 311 e 314 não foram escrituradas no Livro Caixa e que, além destas, houve divergências entre a receita escriturada pela empresa no referido Livro e aquela declarada ao fisco, bem como não oferecimento dos rendimentos de aplicações financeiras. As diferenças estão discriminadas nos Demonstrativos de fls. 283, 285, 287 (Receitas escrituradas no Livro Caixa; Apuração IRPJ e CSLL; Diferenças de PIS e Cofins) e ensejaram a lavratura dos Autos de Infração de fls. 289 a 312. A auditora fiscal esclarece, ainda, que a empresa entregou uma DIPJ retificadora para o ano sob fiscalização, cujas informações e valores não foram consideradas devido à entrega após iniciada a ação fiscal. A empresa impugnou os lançamentos tributários às fls. 317 a 325. Aproveito trecho do minucioso relatório do Acórdão n. 1226.960/09 exarado pela Terceira Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo/SP: “Equivocase a ilustre auditora fiscal ao considerar, a uma que no Livro Caixa "se contabiliza" quando na verdade se registra os fatos pelo regime de caixa; como manda a técnica (quando dos recebimentos), desconsiderando que o fato gerador da obrigação tributária se dera em momento anterior (emissão da NF), ocasião da apuração do respectivo tributo pelo regime da competência tributária, haja Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15521.000177/200860 Acórdão n.º 180100.570 S1TE01 Fl. 1.015 3 vista a opção do regime de apuração e recolhimento escolhidos, conforme declarado em DIPJ (anexa), a duas, porque relaciona em seu demonstrativo como receitas auferidas e não lançadas as notas fiscais que representam devoluções de equipamentos de terceiros (Notas Fiscais anexas) e vendas de imobilizados cujas diferenças entre os valores das alienações e os valores contábeis foram negativas (RIR 99)" (fls.318) 4.2 "Deste modo ao se relacionarem as receitas escrituradas no livro caixa em comparação com as equivocadamente apuradas pela fiscalização no DEMONSTRATIVO DA RECEITA ESCRITURADA NO LIVRO CAIXA — AC 2005 que servira para a apuração da base de cálculo e lançamento dos créditos tributários, vemos flagrantes discrepâncias, que merecem reparo de oficio, senão vejamos:" (fls.318); [...] A Auditora fiscal não observou esta elementar distinção, do que é competência para fins contábeis e tributários, bem como o regime de caixa (recebimentos e pagamentos) para a correta escrituração do Livro Caixa, e acabou por lançar receitas e criar tributos inexistentes por desconsiderar por completo que a empresa autuada já havia apurado os impostos e prestadas as correspondentes informações ao fisco quando do fato gerador do tributo, ou seja sua competência original." (fls.321/322); 4.4 "Assim sendo os valores considerados no A.I. correspondentes aos fatos geradores de 31/03/2005, cujos valores tributáveis respectivamente são R$ 92.941,27 e R$ 46.607,93, e seus respectivos impostos devidos e encargos moratórios constantes do Lançamento são insubsistentes." (fls.322); 4.5 "A empresa ora impugnante, não deixou de apresentar declarações, tampouco foram inexatas, insuficientes ou insatisfatórias, tanto que se prestaram de base ao relatório fiscal, destes fatos não resultou postergação de pagamentos de impostos ou encargos ou redução de lucro real, razão pela qual não poderia a fiscal efetuar o lançamento por total vedação legal. "(fls.322); 5 Por fim, o interessado vem pedir que seja acolhida a presente impugnação, para que seja considerado improcedente o procedimento fiscal, observando "tudo o mais que da impugnação conste, e em decorrência, seja decretada a nulidade e/ou insubsistência do lançamento fiscal, pelos vícios processuais e meritórios trazidos à colação." (fls.325) [...] O interessado contesta a lavratura do presente Auto de Infração, pelas razões apresentadas a seguir: 10.1 Assevera que procedeu à apuração do Lucro Presumido mediante o registro das receitas auferidas no período, em seu Livro Caixa, pelo regime de competência, e não pelo regime de caixa, como considerado pela Autoridade Lançadora, o que pode ser atestado em sua DIPJ (fls.56/75); Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 10.2 Afirma ainda, que a Autoridade Autuante considerou, equivocadamente, na determinação da Receita Bruta notas fiscais referentes a devoluções de equipamentos de terceiros, e notas fiscais de venda de bens do ativo imobilizado, quando, neste caso, deveria considerar o ganho de capital se porventura existisse; 10.3 Para corroborar o que sustenta, atesta que a Autoridade Autuante no levantamento da omissão de receita, considerou, indevidamente, os valores referentes às notas fiscais: 209, 239, 241, 242, 243, 244, 246, 247, 301, 303, 305, 307, 328, 334, 342 e 350, como receitas do período fiscalizado; 10.4 Assegura que os valores (R$92.941,27 e R$48.607,93), às fls.294, considerados nas bases de cálculo dos tributos lançados pela Autoridade Autuante são insubsistentes, apresentando, às fls.326/327, a planilha "Demonstrativo do Faturamento", contendo os valores do período, que considera como corretos; 10.5 Alega que o lançamento levado a efeito pela Autoridade Autuante está eivado de ilegalidade, em face de não ficar constatado a existência de vícios nas declarações apresentadas, inobservância à obrigatoriedade da entrega destas, ou a ocorrência de postergação do pagamento dos tributos devidos. 11 No presente caso, a controvérsia se prende, fundamentalmente, ao regime de apuração e à consistência do levantamento das receitas auferidas no período fiscalizado, o que acarreta implicações na determinação da base de cálculo do imposto devido, destacandose que o interessado adotou a forma de tributação pelo Lucro Presumido, conforme consta da DIPJ/2006, às fls.56.” (grifos não pertencem ao original) Pelo nominado acórdão proferido em primeira instância administrativa, os lançamentos tributários foram mantidos integralmente. Aquela turma julgadora fundamentou o votocondutor, em apertada síntese, explicando à impugnante que a opção pelo Lucro Presumido implica na opção pelo regime de caixa e não de competência para a apuração das receitas auferidas e que a empresa não comprova cabalmente que as receitas das vendas foram efetivamente oferecidas à tributação em meses anteriores, quando, à sua alegação, teria ocorrido o fato gerador da obrigação tributária. Cita como dispositivos legais que embasam seu entendimento o art. 45 da Lei n. 8.981/95, art. 1o da Instrução Normativa (IN) SRF n.104/98, art. 16, III, parágrafo 4o do Decreto n.70.235/72. A respeito da argüição sobre as vendas de bens do imobilizado, cita o art. 3o c/c o art. 36 ambos da IN SRF n. 93/97, que disciplina a base de cálculo para apuração do lucro presumido. Assim desconsiderou as alegações da impugnante quanto a: a) NF ns. 248 e 249 – a empresa não comprova o recebimento das mercadorias descritas a título de empréstimo; b) NF ns. 220, 239, 241, 242, 243, 244, 246, 247, 301, 303, 305, 307 – os valores devem ser considerados pelo regime de caixa e não de competência; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15521.000177/200860 Acórdão n.º 180100.570 S1TE01 Fl. 1.016 5 c) Os valores ingressados em diversos meses no ano calendário, em valores diferentes, não podem ser considerados como parcelas de venda de bem do ativo imobilizado da empresa, efetuada em 28/07/2004, por ausência de comprovação do vínculo (NF 209); d) NF ns. 328, 334, 342 e 350 – ausência de comprovação de que foram tributadas pelo “valor bruto e não líquido”. Irresignada, tempestivamente, a empresa interpôs o Recurso Voluntário de fls. 888 a 898 reprisando os termos da defesa inicial, salientando que: (i) por ter utilizadose do regime de competência e não de caixa, antecipou a tributação de valores não causando qualquer dano ao erário; (ii) a auditora considerou indevidamente valores que consistem em Notas Fiscais de retorno de mercadorias emprestadas; (iii) e valores brutos de venda de bens do ativo imobilizado, sem apurar o ganho de capital efetivo; (iv) juntou ao presente: • NF 209 referente à venda do bem do Ativo Imobilizado e cópia dos documentos que constam os valores recebidos pela empresa referente às parcelas restante do financiamento do bem (depósitos bancários); • NF 311 e 314 referente a serviços prestados e não recebidos e Razão respectivo; • NF 248 e 249 e cópia das notas de remessa dos bens como empréstimos; • NF 220, 239, 240, 241, 242, 243, 244, 246, 247, 301, 303, 305 e 307 referentes à escrituração pelo regime de competência e não do recebimento, desconsiderado pela auditora fiscal; • NF 328, 334, 342 e 350 e páginas do Livro Caixa 2005 e 2006; • Cópias das DIPJ/06 original e retificadora. É o suficiente para o relatório. Passo a analisar as razões recursais. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Primeiramente, cumpre esclarecer que a recorrente não se insurge contra a tributação, de ofício, dos valores dos rendimentos das aplicações financeiras que ficaram à margem da tributação. E, por oportuno, deve restar claro que a fiscalização incluiu no cômputo da receita bruta auferida pela empresa os rendimentos acima citados, cinco valores espelhados nas Fl. 5DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Notas Fiscais ns. 248, 249, 307, 311 e 314 e as diferenças entre os valores escriturados pela empresa no Livro Caixa cotejados com os valores declarados na DIPJ/06 entregue antes do início do procedimento fiscal, visto que, após o início deste a empresa entregou outra declaração relativa ao anocalendário sob fiscalização – 2005. De pronto, registro que, assim como considerado pela fiscalização, a primeira DIPJ/06 é a que surte todos os efeitos para fins tributários, entregue antes do início do procedimento fiscal, sendo inócuas as demais. Assim já assentou o entendimento este órgão colegiado: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Ressaltadas as bases do procedimento fiscal, vale ainda salientar que a empresa esclareceu logo ao início dos trabalhos, em resposta ao Termo de Início de Fiscalização, que para o ano a ser examinado não possuía contabilidade completa, mas apenas escrituração do Livro Caixa, exibido à fiscalização. A contabilidade completa somente iniciou a fazer a partir do ano de 2007. Considerando que optou pela apuração do Lucro na forma Presumida, nenhum problema houve em relação a este procedimento. Cotejadas as Notas Fiscais emitidas com os valores escriturados no Livro Caixa, a fiscalização, repito, deu com a ausência da escrituração das já citadas cinco notas. Cotejados os valores das receitas brutas informadas na DIPJ/06 com os valores escriturados no referido Livro a título de receitas, foram detectadas diferenças que consistiram omissão de receitas. Isto além dos rendimentos de aplicações financeiras, consoante já explicado. Destarte, o procedimento fiscal foi bem simples, direto, sem especulações. Cuidou também a autoridade fiscal de não exigir nas presentes autuações os valores já confessados a título de débitos nas Dcomp (Declarações de Compensação) entregues espontaneamente pela empresa fiscalizada. A recorrente com intuito de ilidir a tributação imposta argumenta, em princípio, que a legislação tributária não lhe obriga a observar o regime de caixa, por haver optado pelo Lucro Presumido, alegando que os valores de algumas Notas Fiscais cujos recebimentos foram devidamente escriturados no Caixa consistiram em receitas já oferecidas à tributação em outro momento, mais precisamente quando da emissão da respectiva Nota Fiscal. Equivocase em seu raciocínio, todavia. O que impõe à recorrente a obrigatoriedade do regime de caixa não é em absoluto a opção pelo Lucro presumido, mas sim a ausência de escrituração da contabilidade completa. Sem a escrituração dos Livros Diário, Razão, Livros Auxiliares e Lalur, nos quais a conta Caixa é apenas uma conta contábil, impossível a empresa adotar o regime de competência, pois não escritura a conta de Receita (contas de Resultado), nem o Livro de Apuração do Lucro Real (onde pode controlar as receitas diferidas em vários exercícios, por exemplo). Somente com a contabilidade completa pode o contribuinte adotar o regime de competência. Optando por manter apenas a escrituração do Livro Caixa, e daí a obrigação de manter toda a movimentação financeira escriturada, está sujeito, atado, a adotar o regime de caixa – no qual tributase quando recebe, sendo este o fato gerador da obrigação tributária e não a venda efetiva, quando tratamos do regime de competências. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15521.000177/200860 Acórdão n.º 180100.570 S1TE01 Fl. 1.017 7 Assim infundadas as alegações da recorrente neste tocante. E justamente porque falta a contabilidade completa não tem como provar que as receitas das Notas Fiscais ns. 220, 239, 241, 242, 243, 244, 246, 247, 301, 303, 305, 307 compuseram em outros meses o faturamento da empresa. Apenas para acrescentar, sequer coerência há nesta alegação, pois admite que outras vendas seguem o regime de caixa, sendo cediço que os contribuintes não podem mesclar os regimes caixa/competência. Pinço, por exemplo, as Notas Fiscais ns. 328 e 334, escrituradas no Livro Caixa em outubro/2005, ambas grafadas que serão pagas por boletos bancários com vencimentos no mês posterior à emissão das referidas notas (setembro/2005), tal qual às demais. Em se tratando destas Notas Fiscais, e as ns. 342 e 350, a recorrente alega que não foram computados os valores líquidos (descontado o ISS destacado na NF), mas, em relação às primeiras duas, verifico que estes valores foram deduzidos, e a fiscalização considerou os próprios valores escriturados no Caixa. Em relação às outras duas, não foram acostadas ao recurso, mas este ponto não é relevante, pois a fiscalização nem assinalou nada em relação a estas Notas específicas se atendo unicamente a cotejar os valores das receitas auferidas e escrituradas e os valores informados na DIPJ e oferecidos à tributação pela recorrente. Os valores foram extraídos do Livro Caixa, repito. No que respeita às Notas Fiscais ns. 311 e 314, lançamentos contábeis em folha de um Livro Razão escriturado após a fiscalização haver encerrado (visto que foi solicitado e a empresa negou a sua existência), por si só, não comprovam o estorno de valores escriturados como ingressados na empresa. Os assentamentos contábeis sem lastro em documentação hábil e idônea e realizados após o término da fiscalização não têm qualquer força probatória e não podem ser admitidos para ilidir a tributação. Passo à análise da argüição da recorrente no que se refere à venda de bem do Ativo Imobilizado, cuja escrituração foi efetuada no Livro Caixa da seguinte forma: em 2005 R$ 1.500,00, em janeiro; R$ 1.500,00, em fevereiro; R$ 1.500,00 e R$ 6.000,00 em maio; R$1.500,00 e R$ 3.000,00 em julho; R$ 2.000,00 em agosto e R$ 600,00 em setembro, todos os lançamentos vinculados à NF n. 209, emitida em favor de Anael Oliveira Filho. A recorrente alega ser referente à venda de um veículo, Ford Pickup Ranger, e que a fiscalização para tributar este valor deveria ter buscado conhecer o ganho de capital. Apresenta a Nota Fiscal, emitida em 28 de julho de 2004, cujo valor da venda é R$ 32.753,76. De um lado, a recorrente não apresenta os comprovantes de aquisição e alienação do referido veículo, que possibilitem apurar o referido ganho de capital, sequer explica como foi pactuada a venda do veículo. Mas, a mera escrituração de valores recebidos pela empresa, sem a fiscalização envidar o mínimo esforço que fosse para verificar se a Nota Fiscal n. 209 realmente se referia à receita de vendas obtida pela fiscalizada, não autoriza a presunção fiscal neste sentido. Entendo que a fiscalização deveria ter verificado a Nota Fiscal, juntadoa aos autos e esclarecer o porquê de não apurar o ganho de capital efetivo, se houve. Ou demonstrar que tais valores efetivamente concernem a receita de vendas. Apresentada a Nota Fiscal não se pode duvidar de sua idoneidade sem amparo em fatos concretos. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Por derradeiro, cumpre analisar as Notas Fiscais ns. 248 e 249 trazidas aos autos pela própria autoridade fiscal responsável pelos lançamentos tributários. Constato às fls. 278 e 279 que nestas Notas há os históricos de “retorno de mercadorias recebidas para empréstimo através da NF 000520 em 15/02/05”e “retorno de mercadorias recebidas para empréstimo através da NF 000483 em 27/01/05”. Também estão as referidas Notas assinaladas com operação de natureza “devolução”. Não há nenhuma remissão a forma de pagamento, como nas outras se observa. Sigo o mesmo entendimento esposado em relação à Nota Fiscal n. 209. O ônus da prova para desconstituir o que o texto da Nota Fiscal veicula é da administração tributária. Nos autos não há qualquer Termo de Intimação Fiscal à empresa envolvida no empréstimo de mercadorias, ou para a própria fiscalizada para que explique os históricos; há inclusive no rol de produtos emprestados “uma caixa de ferramentas”, mercadoria estranha aos produtos de venda da empresa fiscalizada. Assim dispõem os artigos 923 e 924 do Regulamento do Imposto de Renda vigente – RIR/99: Da Prova Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Ônus da Prova Art. 924. Cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no artigo anterior (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 2º). Por conseguinte, para incluir estas Notas Fiscais que cuidam de acompanhar produtos, a princípio, nos assentamentos do Livro Caixa como se referissem a efetivas vendas de produtos da empresa, incluindoas no faturamento bruto, a fiscalização deveria ter buscado mais elementos que comprovassem suposta falsidade ideológica veiculada nas Notas. Para completar, a empresa apresenta às fls. 929 uma das Notas Fiscais de remessa para empréstimo emitida pela empresa Physical Acoustics South América. Por conseguinte, afasto os valores a seguir discriminados das presentes autuações por não restar comprovado pela fiscalização que referemse a receita de vendas da empresa: a) R$ 9.600,00 e R$ 10.615,00 relativos às Notas Fiscais ns. 249 e 248, ambas relativas ao mês de março de 2005; b) R$ 1.500,00, em janeiro; R$ 1.500,00, em fevereiro; R$ 1.500,00 e R$ 6.000,00 em maio; R$1.500,00 e R$ 3.000,00 em julho; R$ 2.000,00 em agosto; R$ 600,00 em setembro –todos os lançamentos vinculados à NF n. 209. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15521.000177/200860 Acórdão n.º 180100.570 S1TE01 Fl. 1.018 9 Por todo o exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir das exigências fiscais de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins os valores acima discriminados, no que couber, observando que os valores lançados no presente processo administrativo fiscal levaram em consideração as Dcomp (Declarações de Compensações) entregues pela recorrente. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 9DF CARF MF Emitido em 31/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Assinado digitalmente em 31/05/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13502.900388/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMO DE PRODUÇÃO. DEDUÇÃO.
No regime de incidência não cumulativa da Cofins, insumo de produção ou fabricação compreende os bens e serviços aplicados diretamente no processo de produção, bem como os bens e serviços agregados aos bens ou serviços aplicados diretamente no processo produtivo.
CRÉDITO. EMBALAGENS DE TRANSPORTE. PALLETS.
Os gastos com embalagens de transporte (pallets) integram o custo dos produtos fabricados e exportados pela recorrente, gerando créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITOS DA COFINS-IMPORTAÇÃO VINCULADOS A RECEITA DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS REMANESCENTES NO FINAL DO TRIMESTRE. UTILIZAÇÃO MEDIANTE COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE.
O art. 16 da Lei 11.116/2005 assegura a utilização, sob forma de
ressarcimento ou a compensação, do saldo valor do credor da Cofins, acumulado ao final do trimestre do ano calendário, decorrente dos créditos da Cofins-Importação apropriados de acordo com o disposto no art. 15 da Lei 10.865/2004.
Numero da decisão: 3302-004.599
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito de a recorrente compensar o saldo credor da Cofins-Importação vinculado às receitas de exportação, para reconhecer o
direito creditório relativo à pintura industrial; à inspeção de equipamentos/tubulações; ao isolamento térmico refratário e antiácido; à limpeza industrial; ao vapor (de 15 km/cm2 e 42
km/cm2), nitrogênio líquido, nitrogênio gasoso, ar de instrumento, água clarificada e ar de serviço; aos seguintes materiais de embalagem: contêineres, big bags, mag bags e o material de acabamento (tinta para impressão, braçadeiras, caixas de papelão e filmes, e pallets), vencido o Conselheiro Paulo Guilherme que negava o creditamento sobre embalagem de transporte e os Conselheiros José Fernandes, Socorro e Paulo Guilheme que negavam creditamento aos pallets. Designada a Conselheira Lenisa para redigir o voto vencedor relativo ao creditamento de pallets.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. INSUMO DE PRODUÇÃO. DEDUÇÃO. No regime de incidência não cumulativa da Cofins, insumo de produção ou fabricação compreende os bens e serviços aplicados diretamente no processo de produção, bem como os bens e serviços agregados aos bens ou serviços aplicados diretamente no processo produtivo. CRÉDITO. EMBALAGENS DE TRANSPORTE. PALLETS. Os gastos com embalagens de transporte (pallets) integram o custo dos produtos fabricados e exportados pela recorrente, gerando créditos passíveis de desconto da contribuição apurada sobre o faturamento mensal e/ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITOS DA COFINS-IMPORTAÇÃO VINCULADOS A RECEITA DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS REMANESCENTES NO FINAL DO TRIMESTRE. UTILIZAÇÃO MEDIANTE COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. O art. 16 da Lei 11.116/2005 assegura a utilização, sob forma de ressarcimento ou a compensação, do saldo valor do credor da Cofins, acumulado ao final do trimestre do ano calendário, decorrente dos créditos da Cofins-Importação apropriados de acordo com o disposto no art. 15 da Lei 10.865/2004. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária julho de 2017 COFINS - COMPENSAÇÃO COFINS - COMPENSAÇÃO BRASKEN S/A. - SUCESSORA DA POLIALDEN PETROQUÍMICA S/A. BRASKEN S/A. - SUCESSORA DA POLIALDEN PETROQUÍMICA S/A. FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AA Fl. 763DF CARF MF 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer o direito de a recorrente compensar o saldo credor da Cofins-Importação vinculado às receitas de exportação, para reconhecer o direito creditório relativo à pintura industrial; à inspeção de equipamentos/tubulações; ao isolamento térmico refratário e antiácido; à limpeza industrial; ao vapor (de 15 km/cm2 e 42 km/cm2), nitrogênio líquido, nitrogênio gasoso, ar de instrumento, água clarificada e ar de serviço; aos seguintes materiais de embalagem: contêineres, big bags, mag bags e o material de acabamento (tinta para impressão, braçadeiras, caixas de papelão e filmes, e pallets), vencido o Conselheiro Paulo Guilherme que negava o creditamento sobre embalagem de transporte e os Conselheiros José Fernandes, Socorro e Paulo Guilheme que negavam creditamento aos pallets. Designada a Conselheira Lenisa para redigir o voto vencedor relativo ao creditamento de pallets. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado - Redatora designada. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, José Renato Pereira de Deus. Relatório Trata-se de compensação de créditos da Cofins do 4º trimestre de 2004, no valor total de R$ 3.928.947,85, com débitos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Com base nas conclusões exaradas no parecer de fls. 199/212, o titular da unidade da Receita Federal da jurisdição da contribuinte, por meio o despacho decisório eletrônico de fl. 219, deferiu parcialmente o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 3.027.617,80. Em decorrência, como o valor do crédito reconhecido fora insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo (i) foi homologada parcialmente a compensação declarada no DComp nº 27702.07117.030506.1.7.09-3801 e (ii) não homologada integralmente a compensação declarada no DComp nº 38306.65831.040506.1.7.09-2115. De acordo com o referido parecer, as razões apresentadas para o indeferimento parcial do crédito foram as seguintes: a) foi constatado que alguns dos bens adquiridos não podiam ser caracterizados como insumos, dentro do conceito abrangido pela IN SRF nº 404, de 2004 e Parecer CST nº 65, de 1979, cuja glosa gerou o “Demonstrativo das Glosas Relativas às Aquisições de bens Utilizados como Insumo” de fls.79/84; Fl. 764DF CARF MF Processo nº 13502.900388/2010-11 Acórdão n.º 3302-004.599 S3-C3T2 Fl. 764 3 b) gerava direito a crédito somente as embalagens que estavam relacionadas ao acondicionamento direto do produto, incorporando-se a ele (insumo), distinguindo-se daquelas utilizadas apenas para transporte do produto; além disso, o direito de crédito estava vinculado a insumos aplicados na produção e não a todos os custos incorridos na produção; c) as aquisições de pallets, mag bag para 1.240 Kg, big bag 700 Kg, capas para big bag, folhas de papelão para pallets, caixas de papelão laminado, lacres de segurança para big bag, utilizados apenas para a movimentação, armazenagem e transporte dos produtos, após conclusão do processo produtivo não geravam direito ao crédito da contribuição; d) somente os serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do produto geravam direito a crédito. Com base nesse entendimento, foram considerados apenas os serviços de manutenção e conservação realizados em máquinas e equipamentos utilizados diretamente no processo produtivo da empresa, desconsiderados assim as notas fiscais de serviços de montagem e desmontagem de andaimes, limpeza industrial, manutenção do sistema de som, serviços de consultoria para resgate e salvamentos, serviços de alimentação etc; e) os serviços executados por terceiros, constantes da conta contábil - Serviços Variáveis na Produção, relativos ao controle dos parâmetros de lançamento, coleta, transporte, tratamento e disposição dos efluentes orgânicos ou inorgânicos não eram classificados como insumos, pois envolviam serviços ligados ao tratamento de resíduos pós- produção ou a serviços relacionados a execução das embalagens de transporte; f) os demonstrativos das notas fiscais de entrada de produtos constante da base de cálculo a descontar da contribuição, incluíram bens adquiridos que não podiam ser caracterizados como insumos geradores do crédito apurado dentro do regime da não cumulatividade, porque o termo insumos abrangia somente aqueles bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica que, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração, eram consumidos, sofriam desgaste ou perda/modificação de suas propriedades físicas ou químicas; g) os bens glosados estavam listados no demonstrativo de “Glosas Relativas às Aquisições de Bens Utilizados como Insumos”, cabendo sua exclusão do cálculo dos créditos da contribuição em exame; h) quanto às devoluções de vendas, manifestou o entendimento de que tais operações não compunham o rateio entre as receitas do mercado interno e externo uma vez que os créditos da não cumulatividade estavam vinculados às operações do mercado interno, uma vez que a receita da exportação estava fora do campo de incidência da Cofins; i) foi verificado erro na determinação do percentual da receita da exportação sobre a receita bruta para fins de distribuição dos créditos referentes à receita de mercado interno e à receita da exportação, sendo refeito o cálculo proporcional entre estas últimas receitas; j) a empresa deixou de incluir no cálculo da receita bruta as receitas financeiras, cujo conceito é mais amplo que apenas a “receita bruta da venda das mercadorias e serviços”, e como o art.3º, § 8º, inciso II da Lei 10;833, de 2003, previa que a relação percentual devia ser a observada entre a receita bruta sujeita a incidência não cumulativa - receita de exportação – e a receita total, no mês, cabia incluir a receita financeira; Fl. 765DF CARF MF 4 l) para fins de ressarcimento dos saldos de crédito da Cofins não cumulativa decorrentes da receita da exportação, devem ser excluídos os créditos da Cofins importação - linha 21 – Ficha 06 do DACON, uma vez que a Lei nº 10.833/2003, ao dispor sobre o regime da não cumulatividade trouxe no art. 3º, a regra geral de poder descontar créditos em relação a valores da mesma contribuição pagos em etapa anterior, mas o art. 6º trouxe uma exceção, o direito de utilizar o crédito para fins de desconto com a própria contribuição a recolher ou compensação com outros débitos próprios, e ainda o ressarcimento, desde que em relação a operações de venda para exportação; m) quanto aos créditos provenientes da contribuição paga na importação de bens e serviços, nos termos do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, tais créditos somente poderiam ser utilizados para deduzir os débitos da contribuição, apurados na sistemática da não cumulatividade, sendo vedado o ressarcimento em dinheiro ou a compensação com débitos de tributos ou contribuições administrados pela RFB; e o) a partir da edição da Lei nº 11.116, de 18 de maio de 2005, art. 16, passou a ser prevista a possibilidade de manutenção dos créditos pelo vendedor nas vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência do PIS/Cofins, e o saldo credor acumulado ao final do trimestre do ano calendário poderá ser objeto de compensação ou perdido de ressarcimento, tanto em relação aos créditos apurados de acordo com o art. 3º das Leis nºs 10.637 e 10.833, quanto aos créditos apurados de acordo com o art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004. Em sede de manifestação de inconformidade (fls. 240/275), a recorrente alegou que: a) os argumentos utilizados para a glosa de créditos apropriados sobre o valor da aquisição de bens e serviços utilizados como insumos não mereciam prosperar, porque a fiscalização partira da premissa de que nem todos os insumos adquiridos poderiam ser geradores de créditos, segundo conceituação dada pelo art. 8º, § 4º, da IN SRF 404/2004; b) tendo em vista a extensa quantidade de bens listados nos demonstrativos das glosas relativas às aquisições de bens utilizados como insumos, a título meramente exemplificativo, listou os seguintes: Vapor (de 15 km/cm² e 42 km/cm² Consumo); Nitrogênio; Nitrogênio Gasoso; Ar de Instrumento; Água Clarificada; Ar de Serviço. Também listou os serviços glosados; c) o conceito de insumo apresentado no art. 8º, § 4º, da Instrução Normativa SRF 404/2004 valia-se dos mesmos critérios da legislação do IPI, conforme art. 164, I, e art. 519, II, do RIPI/2002, aprovado pelo Decreto nº 4.544/2002 e do Parecer Normativo CST nº 65, de 31 de outubro de 1979; d) no âmbito do regime da não cumulatividade das contribuições, previsto no § 12 do art. 195 da Constituição Federal de 1988, o conceito de custo de produção do art. 290 do RIR/1999 mostrava-se mais adequado. Logo, insumos de produção de bens não eram apenas as matérias-primas, os produtos intermediários, os materiais de embalagem e outros bens quando sofram alteração, mas todos os custos diretos e indiretos de produção, que não encontrassem óbice na Lei 10.833/2003, conforme definição dada pelo Instituto Brasileiro de Contadores – IBRACON, na Norma e Procedimento de Contabilidade - NPC nº 02; e) os insumos glosados, priorizados em função de maior expressão monetária, eram verdadeiros custos da produção dentro do processo produtivo, necessários para garantir segurança do processo produtivo, controlar pressão de equipamentos, dar qualidade, custos e Fl. 766DF CARF MF Processo nº 13502.900388/2010-11 Acórdão n.º 3302-004.599 S3-C3T2 Fl. 765 5 produtividade competitivos, atendendo os requisitos básicos de segurança, meio ambiente, saúde e higiene etc, cabendo pois sua inclusão na base de cálculos dos créditos; f) a fiscalização equivocou-se e glosou os créditos apurados em relação aos serviços contratados pela empresa, com base no entendimento de que estes não se relacionavam com o processo produtivo, mas a contratação das diversas empresas tinha como função a manutenção e reparo da estrutura física da unidade e dos funcionários da empresa; g) a interpretação sistemática da não cumulatividade feita a partir da Lei nº 10.833/2003 e da IN SRF 404/2004, levava a concluir que não era necessário o contato físico direto do insumo com o bem produzido, para enquadrá-lo com insumo. Independente do contato físico direto com o bem produzido, por ausência de disposição expressa na Lei nº 10.833/2003, mais importante para caracterizar o insumo era a imprescindibilidade do bem ou serviço para o processo fabril e o atendimento dos demais requisitos elencados nos dispositivos mencionados; h) o art. 3º da Lei 10.833/2003 e a IN SRF 404/2004 não ampara qualquer distinção entre a embalagem incorporada ao processo produtivo e aquela utilizada para armazenamento e transporte, invólucros maiores, com a função de acomodar, para armazenamento e transporte as unidades dos produtos embaladas naquelas destinadas à comercialização, bem como os serviços a estas vinculadas cujos gastos na aquisição foram glosados pela fiscalização, tratando-se pois de interpretação equivocada do texto normativo; i) embasado no Parecer DRF/CCI 212/2010, foi excluído do cômputo dos créditos da Cofins não cumulativa, decorrente das vendas no mercado externo, os créditos concernentes à Cofins-Importação recolhidos; e j) o posicionamento da RFB estava equivocado, pois caminhava no sentido oposto ao previsto no art. 16 da Lei nº 11.116/2005, que assegurava às pessoas jurídicas o direito de compensação créditos da Contribuição para o PIS/Pasep- Importação e Cofins- Importação, apurado na forma do art. 15 da Lei nº 10.865/2004. Porém, por força do disposto no § único do referido artigo, pedido somente poderia ser formalizado a partir de 09/08/2004, logo como o PER/DCOMP, que originou o presente processo administrativo, foi protocolizado em 24/05/2005, relativamente aos créditos do 4º trimestre/2004, não havia dúvida que fazia jus ao crédito informado. Sobreveio a decisão de primeira instância de fls. 320/338, que, após acatamento dos embargos de declaração de fls. 345/347, no âmbito do referido órgão julgador, foi proferida a decisão de fls. 472/486, em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Na ocorrência de inexatidão material devido a lapso manifesto, são cabíveis os embargos de declaração. Fl. 767DF CARF MF 6 INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. Somente geram créditos da Cofins as despesas com matéria- prima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. INSUMOS. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. É inócuo suscitar na esfera administrativa alegação de ilegalidade de ato normativo editado pela Receita Federal. EMBALAGEM DE TRANSPORTE. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização, mas apenas depois de concluído o processo produtivo, e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados, não geram direito ao crédito. COFINSIMPORTAÇÃO. CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO. Os créditos do Cofins Importação somente serão passíveis de compensação com outros tributos administrados pela RFB, quando as respectivas importações forem vinculadas a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência dessas contribuições, a partir do disposto na Lei nº 11.116, de 2005. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 17/1/2012, a recorrente foi cientificada da decisão primeira instância (fl. 492). Inconformada, em 15/2/2012, protocolou o recurso voluntário de fls. 493/545, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em 30/1/2013, a recorrente trouxe à colação dos autos o Parecer Técnico do IPT de fls. 615/667. Em seguida, por meio despacho de fls. 668/669, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) foi intimada a se manifestar, no prazo de 30 dias. Na manifestação de fls. 672/674, a douta PGFN requereu o não conhecimento do referido documento, bem como o desentranhamento das respectivas peças dos autos, em razão da incidência da preclusão temporal. É o relatório. Fl. 768DF CARF MF Processo nº 13502.900388/2010-11 Acórdão n.º 3302-004.599 S3-C3T2 Fl. 766 7 Voto Vencido Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia cinge-se a duas questões: a) glosa de créditos calculados sobre aquisição de bens e serviços, que, no entendimento da fiscalização, não atendem o conceito de insumo de fabricação ou não foram aplicados fabricação dos bens destinados à venda; e b) não reconhecimento do direito de compensar saldo de créditos, vinculados à receita de exportação, provenientes dos pagamentos de débitos da Cofins-Importação. I Da Glosa dos Créditos Não Considerados Insumos de Fabricação De acordo com o parecer de fls. 199/212, a fiscalização procedeu a glosa dos créditos calculados sobre os valores de aquisição dos bens discriminados no “Demonstrativo das Glosas Relativas às Aquisições de Bens Utilizados como Insumo” (fls. 79/84) e dos serviços discriminados no demonstrativo “VALORES DAS GLOSAS RELATIVAS A SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS” (fl. 205). Segundo a fiscalização, os bens relacionados no primeiro demonstrativo não se enquadravam no conceito de insumo de fabricação, definido no artigo 8º, § 4°, I, “a”, da Instrução Normativa SRF 404/2004 e no Parecer Normativo CST 65/1979, enquanto que os serviços relacionados no segundo demonstrativo, embora configurassem despesas operacionais necessárias às atividades da empresa, não se subsumiam ao conceito de insumo definido no artigo 8º, § 4°, I, “b”, da Instrução Normativa SRF 404/2004, a seguir transcritos: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I - das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 1º do art. 4º; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende- se como insumos: I - utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: Fl. 769DF CARF MF 8 a) a matéria-prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II - utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...] (grifos não originais) Por sua vez, a recorrente alegou que fazia jus ao desconto dos créditos glosados sobre o custo de aquisição dos referidos bens e serviços, porque se tratava de custos diretos e indiretos incorridos na produção dos bens destinados à venda, conforme definido no art. 290 do RIR/1999 (Decreto 3.000/1999) e não se encontravam expressamente vedados no art. 3º da Lei 10.833/2003, a exemplo da mão de obra paga a pessoa física. Eis a redação do art. 290 do RIR/1999, in verbis: Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º): I - o custo de aquisição de matérias-primas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; II - o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; III - os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; IV - os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; V - os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. Parágrafo único. A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda a cinco por cento do custo total dos produtos vendidos no período de apuração anterior, poderá ser registrada diretamente como custo (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 2º). (grifos não originais) Assim, fica evidenciado que a controvérsia gira em torno do significado e alcance do termo insumo, utilizado no art. 3º, II, da Lei 10.833/2003, que permite a dedução de créditos calculados sobre a aquisição de insumos, nos termos a seguir reproduzidos: Fl. 770DF CARF MF Processo nº 13502.900388/2010-11 Acórdão n.º 3302-004.599 S3-C3T2 Fl. 767 9 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, [...]; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] § 1 o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)(Produção de efeito) I - dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I - de mão-de-obra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3º O direito ao crédito aplica-se, exclusivamente, em relação: I - aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II - aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III - aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do [...] (grifos não originais) Como o referido diploma legal não apresentou a definição de insumo, duas correntes o definem de forma diferente. A primeira, capitaneada pela Administração tributária, considera insumo apenas as matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagens utilizados diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, que corresponde, em termos gerais, a definição de insumo da legislação do IPI. A segunda, representada por parte relevante da doutrina, considera insumo bens e serviços inerentes e essenciais ao regular funcionamento da pessoa jurídica, o que inclui os bens e serviços utilizados na produção ou fabricação (custos), assim como aqueles necessários a manutenção da atividade da pessoa Fl. 771DF CARF MF 10 jurídica (despesas), conforme definição prevista na legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). No âmbito da jurisprudência deste Conselho, vem se firmando entendimento intermediário, que considera insumo tanto as matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados diretamente na produção ou fabricação do bem destinado à venda, que, em termos financeiros, equivalem aos custos diretos de produção ou fabricação, quanto os bens e serviços gerais utilizados indiretamente na produção ou fabricação dos citados bens, que, em termos financeiros, equivalem aos custos indiretos de produção ou fabricação. Com a ressalva de que insumo e custo são termos que representam a mesma realidade, sendo que o insumo representa a coisa, o bem material ou imaterial (ou serviço), enquanto que o custo representa o valor financeiro despendido na aquisição do respectivo bem. Em outros termos, o insumo representa o fluxo físico, enquanto o custo representa o fluxo financeiro da mesma realidade. E, no âmbito pessoa jurídica, enquanto o fluxo financeiro é relevante para a contabilidade, o fluxo físico interessa à administração e auditoria do estoque. No entendimento deste Relator, com a devida vênia aos que entendem de forma distinta, essa é definição que melhor reflete o significado e alcance jurídico do termo insumo, contido no art. 3º, II, da Lei 10.833/2003. Assim, com base nesse entendimento, tem-se que integram a definição de insumo, para fins de dedução de créditos da Cofins, além das matérias primas, dos produtos intermediários e do material de embalagem, que sofrem desgaste, perda das propriedades físicas ou químicas ou que sejam consumidos em decorrência de ação direta sobre produto em fabricação ou deste sobre aqueles, nos termos do Parecer Normativo CST 65/1979, bem como os serviços aplicados diretamente na produção ou fabricação, que compreendem os insumos diretos de produção, os demais bens e serviços utilizados na produção ou fabricação de forma indireta (insumos indiretos de produção), inclusive os bens e os serviços agregados anteriormente aos bens ou serviços diretamente aplicados no processo produtivo. Por outro lado, não integram a definição de insumo de produção ou fabricação os demais bens e serviços não aplicados ou consumidos na produção ou fabricação ou que a estes não se agregam, bem como todos os demais bens e serviços utilizados antes e após a conclusão do processo produtivo, que compreendem os bens e serviços utilizados na etapa anterior ao processo de produção ou fabricação, que, em termos financeiros, compreende às despesas pré-industriais, e na etapa posterior ao processo de produção ou fabricação, que, em termos financeiros, equivalem às despesas operacionais ou não operacionais da pessoa jurídica, tais como: as despesas de propaganda, administrativas, de vendas, financeiras etc. Com base nesse entendimento, passa-se a analisar as glosas dos créditos apropriados sobre os custos de aquisição de bens e serviços utilizados como insumo de fabricação pela recorrente. Da glosa dos créditos calculados sobre os custos de aquisição de produtos intermediários e materiais de embalagem. Em face da grande quantidade de itens que foram glosados, discriminados no demonstrativo de fls. 79/84, a recorrente limitou-se a descrever, no recurso em apreço, que eram insumos de produção os seguintes produtos intermediários: vapor (de 15 km/cm2 e 42 km/cm2), nitrogênio líquido, nitrogênio gasoso, ar de instrumento, água clarificada e ar de serviço. Em relação esses bens, no recurso em apreço, a recorrente descreveu a função de cada um deles no processo fabricação dos produtos destinados à venda. Fl. 772DF CARF MF Processo nº 13502.900388/2010-11 Acórdão n.º 3302-004.599 S3-C3T2 Fl. 768 11 No que tange aos demais bens que foram glosados, com exceção dos materiais de embalagem, a seguir analisados, nenhum esclarecimento foi apresentado pela recorrente, por essa razão, as correspondentes glosas não serão aqui analisadas. Em relação aos produtos intermediários acima mencionados, a descrição apresentada pela recorrente nos subitens 3.74 a 3.124 evidenciam que eles foram utilizados no processo de fabricação do polietileno de alta densidade (PAD) e do polietileno de ultra alto peso molecular (UTEC), produtos comercializados pela recorrente, e está em consonância com a descrição do processo produtivo apresentada no laudo técnico de fls. 309/315, não contestada pela fiscalização. Além disso, o motivo da glosa, relatado pela fiscalização no citado Parecer, não foi decorrente da não utilização dos referidos produtos no processo produtivo, mas em face deles não atenderem o conceito insumo definido no art. 8º , § 4º, I, “a”, da IN SRF 404/2004 , e no Parecer Normativo CST 65/1979, que compreende os bens e serviços que, “em função de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração, sejam consumidos, sofram desgaste ou perda/modificação de suas propriedades físicas ou químicas.” (grifos originais). Com base nessas considerações, fica demonstrado que, por atender a definição de insumo de fabricação aqui adotada, os custos de aquisição dos mencionados materiais intermediários equivalem a custos diretos de fabricação e como tal integram a base de cálculo dos créditos da Cofins. Logo, em relação a esses materiais intermediários, deve ser restabelecido o direito de apropriação dos valores dos correspondentes créditos glosados. No que concerne ao material de embalagem, com base nas informações prestadas pela recorrente, a fiscalização procedeu a glosa dos créditos calculados sobre os custos de aquisição dos seguintes materiais de embalagem: contêineres, big bags, mag bags, paletes e material de acabamento (tinta para impressão, braçadeiras, caixas de papelão e filmes), com base no entendimento de que se tratavam de materiais de embalagem para o transporte e não de materiais de embalagem de apresentação do produto. Diferentemente do entendimento esposado pela fiscalização, mantido nos julgamentos anteriores, em consonância com a definição de insumo anteriormente apresentada, este Relator entende que, para fins de apropriação de crédito da Cofins, é irrelevante o fato de o material de embalem ser de apresentação ou de transporte, se tais materiais são utilizados no âmbito do processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser comercializado, como ocorreu com os materiais de embalagem utilizados no ensacamento do polietileno produzido e comercializado pela recorrente, nos contêineres, big bags e mag bags, conforme explicitado pela recorrente, no seguinte excerto extraído do recurso em apreço: 3.129. Os big bags, mag bags e contêineres tratam-se de sacos, de menor ou maior capacidade, que servem ao acondicionamento do polietileno, e sem os quais o referido produto não poderia jamais ser comercializado. Nesta condição, os contêineres, big bags e mag bags são considerados insumos utilizados na fabricação dos bens destinados à venda. Dessa forma, se tais materiais representam custos incorridos na fase de produção do bem destinado à venda, certamente, inexiste razão plausível para excluir da base de cálculo dos referidos créditos pelo simples fato de serem embalagens utilizadas no transporte do referido produto. Fl. 773DF CARF MF 12 Entretanto, o mesmo não pode ser dito em relação aos paletes, material utilizado com a finalidade exclusiva de transportar os produtos embalados (ensacados) do setor de ensacamento para o estoque e deste para o estabelecimento do adquirente do produto, conforme informado pela própria recorrente no excerto extraído do recurso em apreço, que segue transcrito: 3.129. Pois bem. Após serem produzidos e embalados, os produtos são empilhados sobre os paletes - material adquirido com a finalidade de deslocar as embalagens dentro da planta - para, então, serem transportados do setor de ensacamento para o estoque; deixando, por fim, o estabelecimento da Recorrente com destino aos seus compradores. Certamente, os referidos paletes não são materiais de embalagem, mas unidades de carga destinadas a viabilizar a otimização do transporte de cargas através do uso de paleteiras e empilhadeiras. Logo, nesta condição, os paletes não são considerados insumos de fabricação, mas bens utilizados exclusivamente no transporte dos produtos embalados em contêineres, big bags e mag bags, estes sim considerados embalagens de transporte. A descrição apresentada no subitem 5.2 do Parecer Técnico do IPT (fls. 651/657), evidencia a função de cada material de embalagem e a forma como utilizado, de onde se extrai, para uma melhor compreensão, os fragmentos de textos a seguir transcritos: 5.2 Insumos para embalagem. Para que possa ser mantida a integridade dos materiais produzidos e de suas características durante o transporte e comercialização, sem que ocorra qualquer contaminação aos produtos, todos são devidamente embalados, conforme suas características específicas. Conforme já descrito no Item 4.8, os produtos fornecidos na forma de pellets podem ser embalados em sacos de polietileno de 25 kg, agrupados em paletes revestidos por uma folha de papelão e envolvidos em filme stretch, ou ainda em big bags com 1250 Kg, também separados em paletes de madeira revestidos por folha de papelão e envolvidos por films stretch. Para tanto, são necessários os materiais: filme de polietileno, contêineres flexíveis (comumente chamados de big bags), filme stretch, paletes de madeira, folhas de papelão, lacres para big bag e capas protetoras. Os filmes e capas protetoras são utilizados com o objetivo de preservar as qualidades dos produtos ensacados, evitando sua contaminação por partículas ou por umidade, que comprometem sua qualidade e seu uso na produção de plástico. Ainda conforme descrito no item 4.8, a embalagem do produto polietileno de ultra alto peso molecular (PEUAPM), fornecido na forma de pó e realizada com o uso de sacos valvulados, sacolões de ráfia denominados “Mag Bag” ou de caixas de papelão especiais denominadas “Gaylord” revestidas internamente com filme de polietileno. Ambas as embalagens são acondicionadas sobre paletes de madeira revestidos por uma folha de papelão, são também revestidas por filme do tipo stretch. Para estas embalagens, são necessários: sacos valvulados fabricados em PEAD, caixas de papelão laminado Fl. 774DF CARF MF Processo nº 13502.900388/2010-11 Acórdão n.º 3302-004.599 S3-C3T2 Fl. 769 13 especiais (“Gaylord”), sacos especiais (“Mag Bag”), filme de polietilena, filme stretch, paletes de madeira e folhas de papelão e capas protetoras. Finalmente, todas as embalagens recebem identificação de lote com informações pertinentes acerca do produto, através de etiquetas impressas em jato de tinta. Para a confecção e uso destas etiquetas, são necessários etiquetas de diversos modelos, tinta específica para a impressora utilizada e diluente específico para tinta. Anda, é necessaria uma solução de limpeza específica, para o desentupimento dos cartuchos, agulhas e bicos, operação rotineira que deve ser realizada para remoção da tina seca aos cabeçotes impressores e garantia do processo. [...] (grifos não originais) Com base nesse resumo e na descrição detalhada da função de cada um dos referidos materiais apresentada no citado Parecer, chega-se a conclusão que a recorrente utiliza material de embalagem de transporte e unidade de carga. Os materiais de embalagem de transporte são os contêineres, big bags, mag bags e o material de acabamento (tinta para impressão, braçadeiras, caixas de papelão e filmes), enquanto as unidades de carga utilizada no transporte das referidas embalagens são os paletes. Os materiais de embalagem de transporte, por serem utilizados no processo de fabricação dos produtos comercializados/exportados pela recorrente, de acordo com entendimento aqui esposado, tratam-se de insumo de produção apto a gerar o direito de crédito da Cofins não cumulativa. Por sua vez, por não serem aplicadas no processo de produção, mas na fase de transporte dos produtos acabados (embalados), as unidades de carga (paletes) não se enquadram no conceito de insumo aqui adotado, mas em meio de transporte dos produtos acabados, podendo, inclusive, serem reutilizadas. Porém, embora não se enquadre no conceito de insumo, como as unidades de carga (paletes) “são indispensáveis para a venda do polietileno”, conforme asseverado pela recorrente, resta ainda perquirir se tais tipos de dispêndios geram direito a crédito da Cofins. Para tanto, compulsando os demais incisos do art. 3º da Lei 10.833/2003, apenas o inciso IX trata das despesas realizadas após o processo de industrialização, especificamente na fase de estocagem ou comercialização, mas restritos apenas as despesas de armazenagem e de frete na operação de venda dos bens destinados à venda, desde que atendidas as condições estabelecidas no referido inciso, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX - armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...] (grifos não originais) Assim, não havendo previsão legal para a dedução de créditos relativos aos gastos com a aquisição de unidade de carga utilizada no transporte dos produtos fabricados, mantém-se a glosa dos créditos calculados sobre os valores de aquisição dos paletes. Fl. 775DF CARF MF 14 Em suma, em relação aos bens discriminados no demonstrativo de fls. 79/84, reconhece-se como indevida a glosa dos créditos relativos à aquisição (i) dos seguintes materiais intermediários: vapor (de 15 km/cm2 e 42 km/cm2), nitrogênio líquido, nitrogênio gasoso, ar de instrumento, agua clarificada e ar de serviço; e (ii) dos seguintes materiais de embalagem: contêineres, big bags, mag bags e o material de acabamento (tinta para impressão, braçadeiras, caixas de papelão e filmes). Em relação aos demais bens, ficam mantida a glosa realizada pela fiscalização. Da glosa dos créditos relativos ao aluguel de máquinas equipamentos e hardware. Embora a recorrente tenha alegado que houve glosa de créditos calculados sobre as despesas com aluguéis de máquinas, equipamentos e hardware, do cotejo dos valores apresentados item 06 da Ficha 06 do Dacon (fls. 104/109) com os valores apresentados item 06 da Ficha 06 do referido Parecer (fls. 207/208), verifica-se que, no caso em tela, não houve a glosa alegada pela recorrente, uma vez que são iguais os valores totais dos créditos informados nos respectivos itens dos citados demonstrativos. Da glosa dos créditos relativos aos serviços utilizados como insumo de fabricação. De acordo com a fiscalização, a recorrente registrou como aquisições efetuadas no mercado interno os serviços de manutenção e conservação industrial (contabilizados na conta 430102001), industrialização por encomenda (CFOP 1.124/2.124) e serviços variáveis (contabilizados na conta 410101005). Segundo a fiscalização, do exame da conta 430102001 - Manutenção/Conservação Industrial, no balancete apresentado por meio digital, verificou que ela era composta por diversas subcontas, tais como: Serviços de Pintura Industrial, Limpeza Industrial, Conservação, Manutenção de Equipamentos de Laboratório etc. Confrontados os valores constantes dessas subcontas com os documentos fiscais que os respaldavam, constatou a fiscalização que algumas das rubricas referiam-se a serviços que não eram efetuados em máquinas e equipamentos diretamente empregados no processo produtivo da recorrente. A título de exemplo, citou as notas fiscais relativas a serviços do tipo: montagem e desmontagem de andaimes, limpeza industrial, pintura industrial, serviços de alimentação etc. Alguns valores registrados na conta 430102001021 - Serviços de Mecânica, referiam-se a serviços de alimentação. Relativamente à conta 410101005 - Serviços Variáveis na Produção, verificou que nela foram contabilizados os serviços executados por terceiros relativos a Tratamento de Efluentes Líquidos (410101005013), Serviços de Embalagens (410101005015), Destinação de Resíduos (410101005014) e Tratamento com Produtos Químicos (410101005018). Em relação ao montante informado como custo dos serviços de industrialização por encomenda (CFOP 1124), com base no demonstrativo em meio magnético, em cotejo com as notas fiscais, constatou que se tratava de prestação de serviços de filme tubular sanfonado, utilizado na embalagem de transporte do produto. Com base nessas constatações, a fiscalização considerou apenas os serviços de manutenção realizados em máquinas e equipamentos utilizados diretamente no processo Fl. 776DF CARF MF Processo nº 13502.900388/2010-11 Acórdão n.º 3302-004.599 S3-C3T2 Fl. 770 15 produtivo da empresa, sendo desconsiderados aqueles que, embora se configurassem em despesas operacionais necessárias às atividades da empresa, não se subsumissem no conceito de insumo, que se encontravam discriminados no demonstrativo de fl. 205. Por sua vez, a recorrente alegou que todos os serviços glosados constituíam efetivos custos de produção. No entanto, sem a pretensão de esgotar todos os serviços glosados, a recorrente juntou aos autos o laudo descritivo de fls. 316/317 e, no corpo do recurso em apreço, apresentou breve descrição dos serviços de: pintura industrial; inspeção de equipamentos/tubulações; isolamento térmico refratário e antiácido; e limpeza industrial. Da leitura da descrição apresentada pela recorrente e no item 5.3 do Parecer Técnico do IPT (fls. 657/663), infere-se que os serviços por ela descritos foram utilizados na manutenção dos equipamentos e instalações industriais. Logo, segundo o entendimento aqui consignado, enquadram-se no conceito de insumo de produção definido art. 3º da Lei 10.833/2003. Em relação aos demais itens não descritos pela autuada no recurso em apreço, mantém-se a glosa realizada pela fiscalização, por falta de elementos para se aferir a alegação genérica apresentada pela recorrente de que todos os serviços glosados constituíam efetivos custos/insumos de produção. Dessa forma, propõe-se o restabelecimento dos créditos glosados vinculados aos seguintes serviços descritos no demonstrativo de fl. 205: pintura industrial; inspeção de equipamentos/tubulações; isolamento térmico refratário e antiácido; e limpeza industrial. II Do Indeferimento dos Créditos da Cofins Pagos na Importação Para Fim de Compensação. Segundo a fiscalização, não obstante a correta apuração dos créditos da Cofins vinculados à receita de exportação, especialmente, os provenientes dos pagamentos da referida contribuição nas operações de importação, por falta de amparo legal, tais créditos não eram passíveis de ressarcimento ou compensação. Para a fiscalização, tais créditos poderiam ser utilizados somente na dedução dos débitos da Cofins a pagar apurados sobre as operações tributáveis no mercado interno, na forma dos arts. 2o e 3o da Lei 10.833/2003, conforme estabelecido no art. 15 da Lei 10.865/2004, a seguir transcrito: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2 o e 3 o das Leis n o s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1 o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) [...] II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; [...] Fl. 777DF CARF MF 16 § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplica-se em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê- lo nos meses subseqüentes. [...] (grifos não originais) Em sentido contrário, a recorrente alegou que o art. 16 da Lei 11.116/2005, havia autorizado o ressarcimento ou a compensação dos referidos créditos, porque os créditos vinculados às receitas de exportação estavam contemplados nas hipóteses de desoneração previstas no art. 17 da Lei nº. 11.033, de 2004. Os preceitos legais citados pelo recorrente têm a seguinte redação, in verbis: Lei 11.033/2004 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Lei 11.116/2005 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I- compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II- pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre-calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. (grifos não originais) Da leitura combinada dos referidos preceitos legais, extrai-se que o saldo credor da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência das referidas contribuições podem ser utilizados tanto no ressarcimento em dinheiro ou compensação com débitos tributários do titular do crédito perante RFB passível de compensação. Como as receitas de exportação estão alcançadas pela imunidade, uma das modalidades de não incidência tributária, resta demonstrada a possibilidade de utilização, sob a forma de ressarcimento ou compensação, os valores dos saldo dos créditos da Cofins, vinculados à receita de exportação, acumulados no final do trimestre, decorrentes dos Fl. 778DF CARF MF Processo nº 13502.900388/2010-11 Acórdão n.º 3302-004.599 S3-C3T2 Fl. 771 17 pagamentos da referida contribuição nas operações de importação, realizados na forma do art. 15 da Lei 10.865/2004. III Da Conclusão Por todo o exposto, vota-se pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso, para: a) restabelecer os créditos relativos às aquisições dos seguintes bens descritos no demonstrativo de fls. 79/84: (i) materiais intermediários: vapor (de 15 km/cm2 e 42 km/cm2), nitrogênio líquido, nitrogênio gasoso, ar de instrumento, agua clarificada e ar de serviço; e (ii) materiais de embalagem: contêineres, big bags, mag bags e o material de acabamento (tinta para impressão, braçadeiras, caixas de papelão e filmes); b) restabelecer dos créditos relativos aos seguintes serviços descritos no demonstrativo de fl. 205: pintura industrial; inspeção de equipamentos/tubulações; isolamento térmico refratário e antiácido; e limpeza industrial; e c) reconhecer o direito de a recorrente compensar o saldo credor da Cofins- Importação vinculados às receitas de exportação. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Voto Vencedor Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, Redatora Designada. Peço vênia ao Conselheiro José Fernandes do Nascimento para dele discordar, apenas, no que concerne o reconhecimento ao direito de creditamento pelo Contribuinte pelos custos incorridos com a obtenção dos pallets. Consta no voto apresentado pelo Relator; "Os materiais de embalagem de transporte, por serem utilizados no processo de fabricação dos produtos comercializados/exportados pela recorrente, de acordo com entendimento aqui esposado, tratam-se de insumo de produção apto a gerar o direito de crédito da Cofins não cumulativa. Por sua vez, por não serem aplicadas no processo de produção, mas na fase de transporte dos produtos acabados (embalados), as unidades de carga (paletes) não se enquadram no conceito de insumo aqui adotado, mas em meio de transporte dos produtos acabados, podendo, inclusive, serem reutilizadas". (grifos adicionados) Diante do trecho acima reproduzido, é inconteste que os pallets são utilizados no acondicionamento dos produtos (ainda que acabados), o que é uma das etapas da industrialização e, como tal e em face ao princípio da não cumulatividade das contribuições, deve ter todos os valores relativos às suas aquisições de fornecedores considerados para fins de dedução de créditos. Fl. 779DF CARF MF 18 No caso sob julgamento os pallets são utilizados pela contribuinte da seguinte forma: "3.129. Pois bem. Após serem produzidos e embalados, os produtos são empilhados sobre os paletes - material adquirido com a finalidade de se deslocar as embalagens dentro da planta - para, então, serem transportados do setor de ensacamento para o estoque; deixando, por fim, o estabelecimento da Recorrente com o destino aos seus compradores". Conclui-se, portanto, que os pallets são insumos indispensáveis para o transporte sem contaminação e sem alteração das características dos produtos e também para a própria estocagem do produto no estabelecimento industrial. Tendo em vista a interpretação majoritária deste Conselho que o conceito de insumo para o sistema não cumulativo do PIS e da COFINS é próprio, devendo ser considerado insumo aquele que for utilizado direta ou indiretamente pelo contribuinte na produção/fabricação de produtos/serviços; for indispensável para a formação do produto/serviço final e for relacionado ao objeto social do contribuinte, entendo que deve ser reconhecido o direito ao creditamento dos custos incorridos com aquisição dos pallets. (assinado digitalmente) Lenisa Prado Fl. 780DF CARF MF
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Numero do processo: 16511.721808/2013-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
CONTRIBUINTE FALECIDO SEM BENS A PARTILHAR. RECURSO INTERPOSTO POR CONJUGE. LEGITIMIDADE.
Contribuinte falecido não deixou bens a inventariar, discutindo apenas débitos decorrentes de lançamento de imposto de renda pessoa física e restituição. Recurso interposto pela esposa do Recorrente falecido. Parte legitima para recorrer, inteligência do artigo 897 do RIR.
ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE.
Para fazer jus à isenção prevista no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, o beneficiário do rendimento comprova, através de laudos emitidos em seqüência, a sua condição de portador de moléstia grave, preenchidas as demais condições o beneficio deve ser reconhecido.
Numero da decisão: 2402-005.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, Waltir de Carvalho e Jamed Abdul Nasser Feitoza.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 CONTRIBUINTE FALECIDO SEM BENS A PARTILHAR. RECURSO INTERPOSTO POR CONJUGE. LEGITIMIDADE. Contribuinte falecido não deixou bens a inventariar, discutindo apenas débitos decorrentes de lançamento de imposto de renda pessoa física e restituição. Recurso interposto pela esposa do Recorrente falecido. Parte legitima para recorrer, inteligência do artigo 897 do RIR. ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Para fazer jus à isenção prevista no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, o beneficiário do rendimento comprova, através de laudos emitidos em seqüência, a sua condição de portador de moléstia grave, preenchidas as demais condições o beneficio deve ser reconhecido.
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RECURSO INTERPOSTO POR CONJUGE. LEGITIMIDADE. Contribuinte falecido não deixou bens a inventariar, discutindo apenas débitos decorrentes de lançamento de imposto de renda pessoa física e restituição. Recurso interposto pela esposa do Recorrente falecido. Parte legitima para recorrer, inteligência do artigo 897 do RIR. ISENÇÃO. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Para fazer jus à isenção prevista no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, o beneficiário do rendimento comprova, através de laudos emitidos em seqüência, a sua condição de portador de moléstia grave, preenchidas as demais condições o beneficio deve ser reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 51 1. 72 18 08 /2 01 3- 27 Fl. 59DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e darlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, Waltir de Carvalho e Jamed Abdul Nasser Feitoza. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 16511.721808/201327 Acórdão n.º 2402005.835 S2C4T2 Fl. 53 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (Fls. 41 a 48) interposto contra decisão proferida no Acórdão 1658.726 15ª Turma da DRJ/SPO (Fls. 33 a 37) onde, por unanimidade de votos, julgou a Impugnação (fls. 02 a 08) improcedente, mantendose a integralidade do crédito tributário relativo a omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício no valor de R$ 12.403,20. Fonte pagadora: Estado de Santa Catarina. O contribuinte faleceu em 06/03/2014, deixando 03 filhos e esposa, conforme certidão de óbito de fls 47. O recurso foi interposto pela esposa do Contribuinte, a Senhora Erotides Rodrigues Matos, não havendo em sua certidão qualquer informações quanto a bens deixados para partilha, o que corrobora as informações de sua declaração de ajuste anual do imposto de renda (fls 10 a 14). Em seu recurso junta novos documentos comprobatórios da condição de portador de moléstia grave, renova os requerimentos já realizados na impugnação. Em complementação as informações ora relatadas transcrevemos o relatório da decisão de primeira instancia: "Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 16 a 17, relativa ao imposto sobre a renda das pessoas físicas do anocalendário 2009, que constatou a seguinte infração: omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício no valor de R$ 12.403,20. Fonte pagadora: Estado de Santa Catarina. Cientificado do lançamento em 14/10/2013 (fl. 21), o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 02, datada de 24/10/2013, sem data de protocolo, alegando ser aposentado por invalidez previdenciária, sendo portador de moléstia grave desde 1999." Em seu Recurso Voluntário, subscrito pela esposa do Recorrente, a qualificação do mesmo foi aposta com a observação de tratarse de espólio. Quanto a argumentação faz referência aos mesmos já articulados na impugnação. É o relatório. Fl. 61DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza – Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo, entretanto, temos de analisar a questão da legitimidade da Esposa do contribuinte para interposição do presente recurso, sendo esta uma questão essencial ao seu conhecimento. Tal situação jurídica está prevista no artigo 897 do RIR aprovado pelo Decreto 3.000/99 nos seguintes termos: "Art. 897. Na inexistência de outros bens sujeitos a inventário ou arrolamento, os valores relativos ao imposto, bem como o resgate de quotas dos fundos fiscais criados pelos DecretosLeis nºs 157, de 1967, e 880, de 1969, não recebidos em vida pelos respectivos titulares, poderão ser restituídos ao cônjuge, filho e demais dependentes do contribuinte falecido, inexigível a apresentação de alvará judicial (Lei nº 7.713, de 1988, art. 34). Parágrafo único. Existindo outros bens sujeitos a inventário ou arrolamento, a restituição ao meeiro, herdeiros ou sucessores, farseá na forma e nas condições do alvará expedido pela autoridade judicial para essa finalidade (Lei nº 7.713, de 1988, art. 34, parágrafo único)." O disposto no normativo citado foi instrumentalizado pela Receita Federal através da Instrução Normativa SRF nº 81, de 11 de Outubro de 2001, em seus artigos 17 a 19: "Art. 17. Existindo bens ou direitos sujeitos a inventário ou arrolamento, a restituição ao cônjuge, convivente ou herdeiros somente pode ser efetuada mediante alvará expedido para esse fim por autoridade judiciária, ainda que o pedido seja efetuado após o encerramento do procedimento judicial, o qual substitui os documentos referidos no § 3º do art. 19, observados os demais procedimentos legais e normativos estabelecidos para devolução dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Parágrafo único. A devolução do imposto pago a maior ou indevidamente pelo espólio deve ser requerida pelo inventariante, observadas as condições previstas no caput. INEXISTÊNCIA DE BENS OU DIREITOS SUJEITOS A INVENTÁRIO Art. 18. Na inexistência de bens ou direitos sujeitos a inventário ou arrolamento, não devem ser entregues as declarações de espólio, devendo ser solicitado o cancelamento da inscrição da Fl. 62DF CARF MF Processo nº 16511.721808/201327 Acórdão n.º 2402005.835 S2C4T2 Fl. 54 5 pessoa falecida no CPF, pelo cônjuge ou convivente ou por qualquer de seus dependentes ou parentes. Parágrafo único. As declarações correspondentes ao ano do falecimento e do ano anterior, quando obrigatórias, devem ser apresentadas como se o contribuinte estivesse vivo e assinadas pelo cônjuge ou convivente ou por qualquer de seus dependentes ou parentes. Art. 19. Na hipótese do art. 18, a restituição relativa ao imposto de renda, não recebida em vida pelo contribuinte, pode ser paga ou creditada ao cônjuge, convivente ou aos herdeiros, mediante requerimento dirigido ao titular da Delegacia da Receita Federal ou Inspetoria da Receita Federal de Classe A situada na jurisdição do último endereço de cujus. § 1º O requerimento deve ser formulado pelo cônjuge viúvo, convivente ou por herdeiro capaz, ou pelo tutor ou curador, conforme o caso, devendo nele constar os nomes completos e os demais dados civis de todos os beneficiários habilitados à restituição, inclusive CPF de quem estiver inscrito. § 2º O pedido deve ser entregue acompanhado de: I cópia da certidão de óbito; II cópia da certidão de nascimento ou de casamento, ou de outro documento hábil comprovando a condição de cônjuge, convivente ou de herdeiro, de cada interessado; III declaração de inexistência de outros bens a inventariar ou arrolar, bem assim autenticidade dos documentos e dados apresentados, devendo ser usado como modelo os termos da declaração do Anexo II. § 3º Os documentos, declaração e dados apresentados na forma deste artigo valem como expressão da verdade para todos os efeitos legais, sob exclusiva responsabilidade do requerente. § 4º Protocolizado o requerimento e informada no processo a situação fiscal do de cujus, o pedido é apreciado, em rito sumário, pelo Delegado ou Inspetor da unidade jurisdicionante que, se o deferir, determinará a emissão de ordem bancária em nome de cada beneficiário. § 5º Havendo herdeiros menores, os valores a eles correspondentes devem ser incluídos na ordem bancária que é emitida no nome do requerente, relacionandose no verso do documento os nomes e valores que cabem a cada um dos interessados. § 6º A restituição é no percentual de 50% (cinqüenta por cento) para o cônjuge viúvo ou convivente e o restante em quotas iguais para os demais herdeiros. § 7º Existindo débito fiscal em nome do de cujus, o valor da restituição é compensado, na forma prevista na legislação Fl. 63DF CARF MF 6 pertinente, devolvendose aos beneficiários apenas o valor do saldo positivo, quando houver, obedecida a proporção prevista no § 6º. § 8º Indeferido o pedido, cabe manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, contado da data da ciência do despacho decisório que denegou a restituição." Fazendo uma análise dos normativos citados resta claro que, atendidas outras condições de admissibilidade os cônjuges e demais herdeiros tem legitimidade para seguir com discussões tributárias de interesse de contribuinte já falecido. Os documentos citados na legislação foram acostados aos autos comprovando a legitimidade para recorrer. Apresente lide poderá ter por resultado, em caso de provimento, apuração de imposto a restituir no valor de R$ 95,10 atualizados na forma da legislação referente. Citamos tal fato tendo em conta que o espólio, conforme consta das certidões acostadas e pelo histórico de sua declaração de rendimentos, não deixou bens a partilhar. Portanto, não fosse pela restituição do valor em questão, estaríamos diante da impossibilidade de conhecimento do presente recurso por falta de interesse jurídico em continuar a lide ora analisada, uma vez que as autuações, em tais casos, não é transferida a responsabilidade dos herdeiros. Assim, inexistindo bens a inventariar, o cônjuge sobrevivente ou os dependentes não respondem pelos tributos devidos pelo contribuinte falecido, devendo ser solicitado o cancelamento da inscrição no CPF da pessoa falecida, nas unidades locais da Secretaria da Receita Federal. (IN SRF n º 81, de 2001, arts. 18 e 21e IN SRF n º 461, de 2004, arts. 45 a 50) Contudo, ainda que o valor seja de pequena monta, estão presentes tanto a legitimidade quanto o interesse jurídico na solução da demanda, razão pela qual votamos por conhecer do recurso e passamos a sua análise. Mérito Como é possível inferir através do relatório, a presente lide versa sobre a o enquadramento do Recorrente nos requisitos para declaração de isenção concedida aos portadores de moléstias graves, de que trata o art. 6º, incisos XIV e XXI, da Lei nº 7.713, de 22/12/1988, com nova redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23/12/1992. Conforme já registrado pelo relator da decisão recorrida, em que pese o Recorrente ter acostado comprovante emitido por serviço médico oficial atestando ser portador de moléstia grave elegível para os fins de gozo da isenção objeto de pleito, o documento acostado na folha 04 não contem data provável de inicio da neoplasia maligna. Sendo tal indicação essencial a conferencia do beneficio a decisão da DRJ acertadamente á época, foi pela negativa de seu reconhecimento. Em sede de recurso o recorrente, representado por sua esposa devidamente habilitada na forma da legislação citada, apresentou novos laudos (fls 42) emitido em 19/07/2017 por Médico Perito da Gerência Executiva do Instituto Nacional do Seguro Social em Criciúma – SC, onde informa a data de 20/08/2002 como data de inicio da moléstia. Junta ainda outros laudos indicando que o recorrente manteve tal condição nos anos de 2008 (fls 43), 2009 (fls 44), 2010 (fls 45), 2011 (fls 45) e 2012 (fls 46). Fl. 64DF CARF MF Processo nº 16511.721808/201327 Acórdão n.º 2402005.835 S2C4T2 Fl. 55 7 Dado o conjunto de laudos apresentados, em nosso sentir, resta comprovada a condição de portador de moléstia grave no período objeto de glosa. Assim, o beneficio deve ser conferido. Conclusão Por todo exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza. Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001227/2005-42
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
RATEIO DE DESPESAS. DEDUTIBILIDADE.
É válida a adoção de método de aferição indireta de rateio de despesas quando o contribuinte não fornece à fiscalização os documentos necessários para ser aferido o cumprimento do critério de rateio convencionado.
INGRESSOS DE VALORES RECEBIDOS POR CONSTITUIÇÃO DE USUFRUTO ONEROSO.
Os ingressos oriundos da constituição de usufruto oneroso devem ser tributáveis ao longo do período de usufruto .
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL.
Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidencia-se que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida.
ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO.
Descabe falar em alteração de critério jurídico quando a decisão recorrida mantém o enquadramento legal e a interpretação dos fatos adotados pela Fiscalização, mas exonera parcela do crédito tributário por entender que alguns valores deveriam ser reconhecidos em outros períodos de apuração.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
DECADÊNCIA.
A decadência prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional somente ocorre quando há pagamento antecipado do tributo, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça ao julgar o Recurso Especial nº 973.733-SC, representativo de controvérsia.
Numero da decisão: 9101-003.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer integralmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia de Carli Germano e Gerson Macedo Guerra, que conheceram parcialmente do recurso, apenas quanto (i) à decadência e (ii) à preclusão e não conheceram (iii) da glosa de rateio de despesa. No mérito, acordam em dar-lhe provimento (i) quanto à decadência, por maioria de votos, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra e Lívia de Carli Germano, que lhe negaram provimento; (ii) quanto à preclusão das provas, por maioria de votos, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rego (relatora), Rafael Vidal de Araújo e Carlos Alberto Freitas Barreto, que lhe negaram provimento; designado para redigir o voto vencedor, nessa parte, o conselheiro André Mendes de Moura e, (iii) quanto ao rateio de despesa, por voto de qualidade, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia de Carli Germano e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Cristiane Silva Costa e Gerson Macedo Guerra. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia de Carli Germano e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Por maioria de votos, acordam em não conhecer do pedido de sobrestamento do processo, suscitado pelo patrono do contribuinte, por ocasião da sustentação oral, vencida a conselheira Cristiane Silva Costa que conheceu do pedido e lhe negou provimento e, ainda, o conselheiro Luís Flávio Neto, que conheceu e deu provimento ao pedido. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pela conselheira Lívia de Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra e Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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USUFRUTO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. Recorrentes FAZENDA NACIONAL BANCO ITAU BBA S.A. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 RATEIO DE DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. É válida a adoção de método de aferição indireta de rateio de despesas quando o contribuinte não fornece à fiscalização os documentos necessários para ser aferido o cumprimento do critério de rateio convencionado. INGRESSOS DE VALORES RECEBIDOS POR CONSTITUIÇÃO DE USUFRUTO ONEROSO. Os ingressos oriundos da constituição de usufruto oneroso devem ser tributáveis ao longo do período de usufruto . ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. Descabe falar em alteração de critério jurídico quando a decisão recorrida mantém o enquadramento legal e a interpretação dos fatos adotados pela Fiscalização, mas exonera parcela do crédito tributário por entender que alguns valores deveriam ser reconhecidos em outros períodos de apuração. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 12 27 /2 00 5- 42 Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.136 2 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 DECADÊNCIA. A decadência prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional somente ocorre quando há pagamento antecipado do tributo, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça ao julgar o Recurso Especial nº 973.733SC, representativo de controvérsia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer integralmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia de Carli Germano e Gerson Macedo Guerra, que conheceram parcialmente do recurso, apenas quanto (i) à decadência e (ii) à preclusão e não conheceram (iii) da glosa de rateio de despesa. No mérito, acordam em darlhe provimento (i) quanto à decadência, por maioria de votos, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra e Lívia de Carli Germano, que lhe negaram provimento; (ii) quanto à preclusão das provas, por maioria de votos, vencidos os conselheiros Adriana Gomes Rego (relatora), Rafael Vidal de Araújo e Carlos Alberto Freitas Barreto, que lhe negaram provimento; designado para redigir o voto vencedor, nessa parte, o conselheiro André Mendes de Moura e, (iii) quanto ao rateio de despesa, por voto de qualidade, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia de Carli Germano e Gerson Macedo Guerra, que lhe negaram provimento. Manifestaram intenção de apresentar declaração de voto os conselheiros Cristiane Silva Costa e Gerson Macedo Guerra. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Lívia de Carli Germano e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Por maioria de votos, acordam em não conhecer do pedido de sobrestamento do processo, suscitado pelo patrono do contribuinte, por ocasião da sustentação oral, vencida a conselheira Cristiane Silva Costa que conheceu do pedido e lhe negou provimento e, ainda, o conselheiro Luís Flávio Neto, que conheceu e deu provimento ao pedido. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pela conselheira Lívia de Carli Germano. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Gerson Macedo Guerra e Lívia de Carli Germano (suplente convocada em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio). Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.137 3 Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.138 4 Relatório O presente processo trata de recursos especiais interpostos respectivamente pela Fazenda Nacional (efls. 610 e ss.) e pelo BANCO ITAU BBA S.A. (efls. 822 e ss.), ambos dirigidos contra o Acórdão nº 10196.600, de 06/03/2008 (efls. 578 e ss.), o qual foi aperfeiçoado pelo Acórdão nº 1102000.840, de 05/03/2013 (efls. 696 e ss.), em sede de embargos de declaração. O processo tem origem em auditoria fiscal, na qual foi constatado que o contribuinte deduziu despesas em rateio de custos que foram consideradas não comprovadas e deixou de oferecer à tributação receita oriunda da cessão onerosa de usufruto de participações societárias, conforme descrito a seguir. Rateio de custos A empresa autuada participava de um Convênio de Rateio de Custos Comuns (CRCC) nos anos de 1999 a 2002 (efls. 26 e 27), tendo realizado pagamentos à empresa centralizadora de custos (Banco Itaú S/A) e reduzido esses pagamentos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL a título de dedução de despesas. Conforme o Termo de Verificação Fiscal 1 TVF1 (efls. 105 e ss.), a fiscalização intimou a empresa centralizadora de custos (Banco Itaú S/A) para: (i) identificar e qualificar os funcionários que teriam prestado os serviços ao BANCO ITAÚ BBA S/A., discriminando os custos salariais, mensais, de cada funcionário; (ii) do custo total de cada funcionário, destacar a parcela que teria sido debitada à empresa contratante pela utilização dos respectivos serviços; e (iii) comprovar, com documentação hábil e idônea, a efetiva prestação dos serviços que teriam sido prestados ao BANCO ITAÚ BBA S/A. A fiscalização também intimou o contribuinte para: (i) ratificar ou retificar os valores efetivamente pagos ao Banco Itaú S/A; (ii) informar em que conta contabil os mencionados valores foram apropriados e se foram deduzidos do IRPJ e da CSLL; (iii) manifestarse sobre as informações prestadas pelo Banco Itaú S/A.; (iv) comprovar a efetiva prestação dos serviços em tela; (v) apresentar planilha de rateio dos valores pagos, discriminando funcionários aplicados, custo bruto desses funcionários, total de horas trabalhadas, total de horas apropriadas no rateio, e valor apropriado; (vi) comprovar que os referidos gastos foram necessários ao cumprimento dos objetivos sociais da empresa. Após a análise das informações prestadas, a fiscalização entendeu que elas não eram suficintes para verificar a regularidade das despesas apropriadas, de forma que aplicou o método indireto de rateio de despesas, conforme o seguinte excerto (efl. 117): 4.8 Ora, nâo tendo a fiscalização condições de saber dos ajustes entre os particulares (reserva mental), face à falta de disponibilização de elementos fáticos, exteriorizadores das vontades das partes, em cada evento, resta à fiscalização, frente aos contratos denominados "Convênio de Rateio de Custos Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.139 5 Comuns" determinar critério lógico e técnico, que possa concretizar a eficácia da norma em questão no caso a norma autorizativa das deduções das despesas operacionais. Assim, não sendo possível a adoção do método de custeio direto, por parte do fisco, em situação de revisão de lançamento, há de aplicarse o método de custeio indireto, parametrizado este pelo conceito de receita bruta. O recurso a este método se dá ao amparo dos princípios contábeis geralmente aceitos. Assim, a fiscalização identificou apropriação de despesas maior que a devida, nos anos 2001 e 2002, dando ensejo à revisão de ofício dos respectivos prejuízos acumulados e ainda aos correspondentes lançamentos tributários, ora sob análise (efls. 135 e ss.). Cessão onerosa de usufruto A empresa autuada cedeu a terceiros o usufruto de participações societárias de sua titularidade, no período de 1999 a 2001. Em contrapartida, obteve remuneração em espécie, a qual foi contabilizada do mesmo modo adotado para a contabilização de dividendos, não sendo oferecida à tributação, conforme o seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal 2 TVF2 (fl. 126): 2.5 Diante do acima relatado e face aos esclarecimentos constantes do item 1.6, restou demonstrado e comprovado que o Banco Itaú BBA S/A. contabilizou os valores recebidos de usufrutuários e correspondentes à cessão temporária de usufruto de ações/cotas de capital, inicialmente, a crédito da conta transitória retificadora do investimento, e posteriormente transferiu esses valores a crédito da conta investimento, reduzindo seu valor contábil a título de "custo da operação", para, finalmente, ajustar o saldo da conta investimento com o valor do patrimônio líquido da empresa investida, através da equivalência patrimonial. Assim, o contribuinte considerou os valores recebidos pela cessão temporária de usufruto de ações ou quotas de capital como sendo dividendos/lucros provenientes de empresas investidas, ou seja, entende o contribuinte que a relação jurídica entre cedente de usufruto e usufrutuário é idêntica entre investidor e investida; conseqüentemente, os respectivos valores deixaram de ser incluídos na base de cálculo do I.R.P.J., da C.S.LL, do PIS e da COFINS. A fiscalização entendeu que a remuneração pela cessão onerosa e temporária do usufruto de participação societária deve ter tratamento tributário equivalente ao aluguel, sendo passível de tributação, conforme o seguinte trecho do TVF2 (fl. 131): 3.13 Portanto, já que a lei específica do tributo não atribuiu aos valores recebidos pela cessão de usufruto conceito diferente daquele que tem no Direito Civil, bem como de tudo quando foi acima expresso, resulta que os valores recebidos pelo Banco Itaú BBA S/A. pela cessão temporária do usufruto de ações/quotas de capital, em decorrência dos contratos relacionados no item 1.1 acima, devem ser, efetivamente, apropriados como sendo receitas operacionais, tendo em vista que esses rendimentos provêem da cessão temporária do exercício de um direito inerente a um ativo (participação societária). Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.140 6 3.14 Finalmente, fica ressaltado que, DESCABE NA ESPÉCIE QUALQUER TENTATIVA DE EQUIPARAR O PRODUTO DA CESSÃO DO USUFRUTO A RENDIMENTOS DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. EIS QUE DERIVAM DE RELAÇÕES JURÍDICAS CONTRATUAIS ABSOLUTAMENTE DIVERSAS. DA RELAÇÃO ENTRE A INVESTIDORA E A INVESTIDA RESULTA OS RENDIMENTOS DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTO SOCIAL DA RELAÇÃO ENTRE O CEDENTE E O USUFRUTUÁRIO NASCE A RECEITA DO USUFRUTO INSTRUMENTO DE CESSÃO DE USUFRUTO. Tal entendimento deu ensejo à revisão de ofício dos prejuízos acumulados e ainda aos correspondentes lançamentos tributários para os anos 1999, 2000 e 2001, ora sob análise (efls. 135 e ss.). Acórdão recorrido Os lançamentos tributários foram corroborados pela decisão de primeira instância. Contudo, a decisão de segunda instância deu provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos (efl. 579): ACORDAM os Membros da primeira câmara do primeiro conselho de contribuintes, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência do 1RPJ e CSLL dos anoscalendário de 1999 e do PIS e da COFINS até os fatos geradores de junho/2000, vencido o Conselheiro Antonio Praga, que não ACOLHE. No mérito. Por unanimidade de votos, excluir o item relativo ao rateio das despesas e, pelo voto de qualidade excluir da tribulação parte dos rendimentos auferidos pelo usufruto das ações relativos ao anocalendário de 2000 a 2002, considerando para tanto a aplicação do regime de competencia no sistema prorata, até o limite do lançamento, na forma do demonstrativo contido no voto vencedor, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro Caio Marcos Cândido. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Tendo o lançamento sido efetuado com observância dos pressupostos legais, incabível cogitarse de nulidade do Auto de Infração. IRPJ RATEIO DE CUSTOS DESPESAS COMUNS A EMPRESAS DE UM MESMO GRUPO ECONÔMICO As despesas comuns a diversas empresas de um mesmo grupo econômico, lançadas na contabilidade da empresa controladora, podem ser rateadas para efeito de apropriação aos resultados de cada uma delas, com base no "Convênio de Rateio de Custos Comuns", desde que fique justificado e comprovado o critério de rateio. APROPRIAÇÃO DE RECEITAS REGIME DE COMPETÊNCIA CONSTITUIÇÃO DE USUFRUTO ONEROSO a receita decorrente da sessão onerosa de parcela do Ativo Permanente, pela constituição de usufruto, é tributável de acordo com o regime de competência, na proporção dos dias transcorridos no curso do anocalendário do respectivo lançamento. Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.141 7 LANÇAMENTOS DECORRENTES CSLL PIS COFINS Em se tratando de exigência fundamentada na irregularidade apurada em procedimento fiscal realizado na área do IRPJ, o decidido naquele lançamento é aplicável, no que couber, aos lançamentos conseqüentes na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Embargos de Declaração O processo retornou à Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo (DEINF), unidade da Receita Federal do Brasil responsável pela preparação do presente processo, com a finalidade de cientificar o contribuinte da decisão recorrida. Antes da ciência do contribuinte, aquela DEINF apontou erro de cálculo contido no acórdão, caracterizado por divergência entre uma tabela de apuração e a decisão adotada, o que resultou no ingresso de embargos de declaração (efls. 678 e ss.). Esses embargos foram admitidos e o erro apontado foi retificado por meio do Acórdão nº 1102000.840 (efls. 696 e ss.), no qual se adotou a seguinte decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para retificar e ratificar o acórdão n° 10196.600. de 06/03/2008, para no mérito, em relação à matéria embargada, dar provimento parcial ao recurso voluntário para ajustar as bases de cálculo dos tributos, no que afeta às receitas auferidas com o usufruto de ações, aos seguintes valores: R$ 2.347.247,96, R$ 12.454.057,22 e RS 14.398.082.1 L nos anoscalendário de 1999. 2000 e 2001, respectivamente. Naquela ocasião, foi adotada a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1999, 2000, 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Cabem embargos de declaração quando existir no acórdão obscuridade, dúvida ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a Turma. Demonstrada dúvida razoável acerca dos demonstrativos de cálculos formulados no decisum, cabe integrálo, acrescentando as correções e os esclarecimentos que viabilizem a atuação das panes envolvidas. Embargos acolhidos e providos para complementar o voto condutor e reratificar o acórdão vergastado. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001 APROPRIAÇÃO DE RECEITAS. REGIME DE COMPETÊNCIA. CONSTITUIÇÃO DE USUFRUTO ONEROSO Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.142 8 A receita decorrente da sessão onerosa de parcela do Ativo Permanente, pela constituição de usufruto, é tributável de acordo com o regime de competência, na proporção dos dias transcorridos no curso do anocalendário do respectivo lançamento. Recurso Especial da Fazenda Nacional Cientificada dessa decisão, a Fazenda Nacional ingressou, inicialmente, com embargos de declaração, com o objetivo de aperfeiçoar a decisão da turma julgadora, em face de alegadas omissão e obscuridade (efls. 604 e ss.). Contudo, os embargos não foram admitidos, nos termos do despacho de efls. 607 e 608. De pronto, a Fazenda Nacional ingressou com o recurso especial encontrado nas efls. 610 e ss., o qual foi admitido por meio do despacho de efls. 666 e 667, no que diz respeito à alegação de contrariedade à lei, e por meio do despacho de efls. 668 e ss., no que diz respeito à alegação de divergência de interpretação da legislação tributária, sendo que este último foi complementado por meio do despacho de efls. 1072 e ss. Na primeira parte do seu recurso (contrariedade à lei), a Fazenda Nacional afirma que a decisão recorrida contrariou o disposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN) ao reconhecer a decadência das obrigações tributárias relativas ao IRPJ e à CSLL de 1999 e ao PIS e COFINS até junho de 2000, na medida em que aplicou o disposto do artigo 150, §4º, apesar de não existir pagamento dos tributos. Nas suas contrarrazões, a contribuinte afirma que efetuou o pagamento antecipado dos tributos dos períodos em tela, sendo inquestionável a contagem da decadência conforme realizado no acórdão recorrido, conforme a seguinte transcrição (efl. 911): 10. Todavia, quanto a tal assertiva, é inconteste que o Recorrido procedeu ao recolhimento, relativamente ao período autuado, dos tributos objeto da autuação, conforme os anexos comprovantes de apuração e recolhimento que demonstram a existência de pagamento antecipado (doc.05). [efls. 998 e ss.] Na segunda parte do mesmo recurso (divergência), a Fazenda Nacional afirma que a decisão recorrida, ao acolher provas extemporâneas, adotou interpretação do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, divergente da interpretação adotada no Acórdão nº 20215.430, o qual não conheceu de provas apresentadas após a impugnação, conforme a correspondente ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRODUÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL PRECLUSÃO Na forma do §4o do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Nas suas contrarrazões, a contribuinte afirma que o Acórdão nº 20215.430 não é apto a demonstrar divergência de interpretações em razão de tratar de situação fática Fl. 1142DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.143 9 distinta daquela encontrada no presente processo. Nesse mister, afirma que o paradigma trata de documentos produzidos antes da realização da fiscalização e não apresentados por ocasião da impugnação, enquanto os documentos aqui tratados não existiam no momento da impugnação, uma vez que foram produzidos para fundamentar as razões expostas no recurso voluntário, o que daria justa causa à apresentação após a impugnação, conforme a seguinte transcrição (efls. 913 e 914): 22. Em relação ao primeiro paradigma, 20215.430, notase que, no caso dos autos ele não se aplica ao caso em tela, na medida em que houve motivo justificado para a apresentação a posteriori dos laudos mencionados e que culminaram na decisão favorável do Conselho de Contribuintes. 23. Ora, não se pode contestar a impossibilidade de apresentação oportuna daqueles documentos, já que elaborados em momento posterior à impugnação e, além disso, foram apresentados para contrapor os argumentos aduzidos pela decisão de primeira instância. A contribuinte afirma, adicionalmente, que o Acórdão nº 10516.141 também não poderia ser aceito como paradigma da divergência em tela, pelas mesmas razões. Ainda no recurso de divergência, a Fazenda Nacional afirma que a decisão recorrida, ao exonerar o crédito tributário relativo à glosa de despesas, adotou interpretação dos artigos 249, 251, 264, 299, §§1º e 2º, e 300 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99) divergente da interpretação adotada no Acórdão nº 10516.141, que julgou caso equivalente e manteve a tributação. Segue transcrição da correspondente ementa, quanto à parte afetada à divergência: RATEIO DE CUSTOS. DEDUTIBILIDADE. Não comprovado o critério utilizado para rateio das despesas de pessoal, entre empresas interligadas, prevalece o critério com base na receita bruta. Essa divergência foi combatida pela contribuinte já nas suas contrarrazões e aperfeiçoadas nas suas contrarrazões complementares. A contribuinte afirma que o paradigma não estabelece a divergência, pois trata de matéria distinta (preclusão para a apresentação de provas), afirma que o recurso especial não pode ser admitido com a finalidade de rediscutir e reavaliar as provas já apreciadas na instância anterior. Afirma ainda que o critério de rateio de custos foi apresentado à fiscalização, mas essa não o analisou com o necessário afinco, preferindo arbitrar um critério próprio, o que deve ser afastado pela Turma Julgadora. Transcrevemse alguns trechos das contrarrazões complementares (efls. 1092 e ss.): 37. Feitas tais considerações, resta evidenciado, inclusive, que o acórdão n* 10516.141 sequer poderia ser aceito como paradigma ao Recurso Especial fazendário, pois trata de situação diversa da contida nestes autos, uma vez que o paradigma apontado versa sobre a preclusão de provas existentes antes da lavratura do auto de infração que, se apresentadas no momento oportuno, poderiam alterar os critérios do lançamento, ou seja, não é o que se discute nestes autos. ... Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.144 10 40. Desta forma, insta salientar que não é mais possível nessa instância especial, a discussão de mérito sobre comprovação de acerca necessidade e usualidade das despesas deduzidas, nos termos do artigo 299 do RIR, uma vez que a decisão recorrida já encerrou essa questão. 41. Não bastasse todo o exposto, é de se ressaltar que a jurisprudência da CSRF é no sentido de não se dar conhecimento a Recurso Especial que visa à análise ou valoração de provas específicas do processo, como se vê pelas ementas abaixo elencadas: Ainda nas suas contrarrazões complementares, o contribuinte afirma ser inadmissível o despacho de admissibilidade complementar do recurso especial da Fazenda Nacional, uma vez que este não teria amparo regimental e não teria motivação válida. Afirma que o despacho de admissibilidade original exauriu a análise do recurso especial e que o despacho complementar foi a forma encontrada para obter uma admissibilidade com conteúdo diferente do conteúdo do primeiro exame, conforme as seguintes transcrições (efl. 1087): 10. Cabe, em primeiro lugar, dizer que o "despacho complementar" não tem amparo regimental, motivo por que não deve ser apreciado por essa E. Turma Julgadora. ... 14. Ademais, não ocorreu nenhuma irregularidade ou incorreção no despacho de admissibilidade que acarretasse qualquer tipo de saneamento. O que se vê é a discordância da i. Conselheira prolatora do despacho de saneamento em relação à análise efetuada anteriormente. Todavia, não há previsão legal para "saneamento de discordância" de interpretação de admissibilidade. Recurso Especial da contribuinte Cientificada do acórdão que julgou seu recurso voluntário, a contribuinte ingressou com o recurso especial encontrado nas efls. 822 e ss., o qual foi admitido por meio do despacho de efls. 1038 e ss. São duas as divergências alegadas pelo contribuinte, a seguir relatadas. Na primeira divergência apontada pela contribuinte, ela afirma que o acórdão recorrido, ao considerar como receita tributável a totalidade do ingresso relativo à cessão oneroso do usufruto de ações, teria adotado interpretação divergente daquela abraçada no Acórdão nº 1201000.386, o qual adotou a seguinte ementa: USUFRUTO DE AÇÕES. PREÇO FIXO. CUSTO DE AQUISIÇÃO E FORMADO PELOS FRUTOS GERADOS PELAS AÇÕES. DIVIDENDOS E JURO SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. O ganho do nu proprietário com a constituição de usufruto sobre ações de sua propriedade é igual à diferença entre o preço recebido do usufrutuário e o valor dos frutos que tais ações gerarem, consubstanciados nos dividendos e no juro sobre capital próprio que a companhia investida vier a pagar ao Fl. 1144DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.145 11 usufrutuário. Não se aplica ao negócio de "constituição de usufruto " de ações o disposto no Parecer Normativo COSIT n° 4/95, que trata de "cessão de usufruto", e determina o reconhecimento do preço da cessão como receita operacional, posto tratar de operação negocial diversa. Nas suas contrarrazões (efls. 1044 e ss.), a Fazenda Nacional reafirma a natureza de receita operacional do ingresso em tela e cita jurisprudência do CARF nesse sentido. Na segunda divergência apontada, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido teria mudado o critério jurídico do lançamento ao determinar a tributação da mesma cessão de usufruto pelo regime de competência, diferentemente do que foi feito pela fiscalização. Afirma que, ao proceder assim, o acórdão recorrido diverge do mesmo Acórdão nº 1201000.386 e transcreve parte do respectivo voto condutor. Também aponta como paradigma de divergência o Acórdão nº 9101001.878, o qual adotou a seguinte ementa: APROPRIAÇÃO DE RECEITAS REGIME DE COMPETÊNCIA CONSTITUIÇÃO DE USUFRUTO ONEROSO DE AÇÕES A receita decorrente da cessão onerosa de parcela do Ativo Permanente, pela constituição de usufruto, é tributável de acordo com o regime de competência. Os órgãos julgadores devem se limitar a rever e exercer o controle do lançamento tributário como colocado no processo, fugindo à sua competência alterálo. A Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, afirma que o erro quanto ao regime de competência não traz nulidade ao processo, em razão de não causar dano ao direito de defesa do contribuindo, apenas demandando ajuste de valores. Ademais, afirma que o vício apontado pelo contribuinte, se fosse reconhecido, teria natureza formal. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora. Recurso Especial da Fazenda Nacional Admissibilidade O recurso é tempestivo e foi apresentado por quem de competência. Passo à análise de sua adequação intrínseca. A petição da Fazenda Nacional, em sua primeira parte, contém recurso por contrariedade à lei, previsto no então vigente Regimento Interno (artigo 4º da Portaria MF nº 256, de 2009). A Fazenda entende que a decisão atacada contrariou o artigo 173, I, do CTN, ao adotar o artigo 150, §4º, do CTN como regra de contagem da decadência, considerando que a contribuinte não realizou o pagamento antecipado dos tributos nos respectivos períodos. Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.146 12 O recurso foi admitido por meio de despacho do Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção (efls. 666/667) e sua admissão não foi combatida pela contribuinte. A segunda parte da petição da Fazenda Nacional contém recurso de divergência reclamando de que a Turma Julgadora deu interpretação contrária a jurisprudência do CARF quando analisou a aplicação do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, relativamente à aceitação de provas extemporâneas, bem como quando analisou a aplicação de dispositivos do RIR/99 relativos à dedutibilidade de despesas, nos seguintes termos (efl. 626): 38. O acórdão proferido pela e. Câmara a quo diverge da jurisprudência deste e. Conselho de Contribuintes acerca da interpretação do art. 16, § 4o, do Decreto n.° 70.235/72, e dos arts. 249, 251, 264, 299 §§1° e 2o, e 300 do RIR/99, citados no auto de infração. Para tanto, apresenta dois acórdãos paradigmas cujas ementas estão transcritas a seguir, conforme apostas na petição: Acórdão n. 20215.430 "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRODUÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL PRECLUSÃO Na forma do § 4" do artigo 16 do Decreto n.° 70.235/72, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. " Acórdão n. 10516.141 "RATEIO DE CUSTOS. DEDUTIBILIDADE. Não comprovado o critério utilizado para rateio das despesas de pessoal, entre empresas interligadas, prevalece o critério com base na receita bruta. " O recurso foi admitido por meio do despacho de fls. 668/669, nos seguintes termos: Examinado os Acórdãos paradigma, restou esclarecido que, via de regra, a prova documental deve ser apresentada junto com a impugnação, precluindo o direito de a contribuinte anexar em outro momento processual, ressalvadas as exceções legais (art. 16 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972). Assim, a alegação sem prova não deve ser acatada. Configurada então a divergência jurisprudencial no presente caso. Nas suas contrarrazões (efls. 908 e ss.), a contribuinte afirma que os acórdãos paradigmas não estabelecem a necessária divergência, uma vez que possuem situações fáticas distintas, conforme as seguintes transcrições: 20. Em relação ao acórdão 20215430, notase que a divergência gira em torno da impossibilidade de juntada de Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.147 13 documentos após a impugnação, caso não exista motivo justificado, já o Acórdão nº 10516.141 dispõe sobre a não aceitação de documentos que poderiam ser entregues no curso da ação fiscal que antecede o lançamento, no caso, laudos com data pretérita à ocorrência da Fiscalização. conforme se constata do trecho do referido acórdão (fls. 16) aqui reproduzido: ... 21. Ocorre que, no caso dos autos, os Laudos apresentados pelo Recorrido são posteriores ao início da Fiscalização, uma vez que ela se iniciou em 04/03/2004, culminando com a lavratura do Auto de Infração em 27/07/2005, enquanto que os Laudos apresentados pelo Recorrido são datados de 31/07/2006 de (BDO Trevisan), 09/06/2006 (Moore Stephens) e 07/07/2006 (FIPECAFI). Portanto, não existiam na época da Fiscalização, daí porque apresentados em momento posterior, mais precisamente, anexados ao Recurso Voluntário. 22. Em relação ao primeiro paradigma, 20215.430, notase que, no caso dos autos ele não se aplica ao caso em tela, na medida em que houve motivo justificado para a apresentação a posteriori dos laudos mencionados e que culminaram na decisão favorável do Conselho de Contribuintes. ... 26. Feitas tais considerações, resta evidenciado, inclusive, que o acórdão ns 10516.141 sequer poderia ser aceito como paradigma ao Recurso Especial fazendário, pois dispõe de uma interpretação tributária em situação diversa da contida nestes autos, uma vez que, o paradigma apontado versa sobre a preclusão de provas existentes antes da lavratura do auto de infração que, se apresentadas no momento oportuno, poderiam alterar os critérios do lançamento, ou seja, não é o que se discute nestes autos. Entendo que o Acórdão nº 20215.430 estabelece a divergência requerida, em conformidade com a decisão do então Presidente da 1ª Câmara. As situações fáticas são equivalentes e as providências adotadas são contrárias, mesmo ao aplicarem o mesmo dispositivo legal. O fato de as provas em tela terem sido produzidas após o momento da impugnação não é capaz de impossibilitar a comparação das duas interpretações, uma vez que este fato não está na causa de decidir dos acórdãos em tela. Não se exige dos acórdãos contrapostos uma identidade fática, mas apenas uma similitude fática, a qual é modulada pela relevância dos fatos na fundamentação das decisões. A contribuinte aduz ainda a inexistência de divergência em relação ao acórdão nº 20215430, ao argumento de que no caso recorrido havia motivo justificado para a apresentação de provas a posteriori. Contudo, a verificação se há ou não motivo justificado para a apresentação de provas a posteriori é um juízo de mérito. Para verificação da divergência para fins de Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.148 14 admissibilidade de recurso especial, o importante é verificar se, diante de situações semelhantes, colegiados distintos adotaram interpretação divergente. No caso do acórdão paradigma 202 – 15430, temse como razões de decidir que a decisão de primeira instância consignou no item 16 que a contribuinte foi intimada a apresentar diversos documentos para comprovar o crédito pleiteado, e não o fez. No item 18 dessa mesma decisão de primeira instância, resta consignado que cabia à contribuinte apresentar a documentação por ocasião da manifestação de inconformidade, e não o fez. Naquele caso, consta da decisão que a contribuinte aduziu que seria “quase impossível” fazer a juntada das provas, razão pela qual, apenas em seu recurso voluntário juntou apenas cópias dos livros de registro de mercadorias. Mas o importante é trazer à tona o entendimento daquele colegiado, que ora transcrevo: A situação de "quase impossibilidade" da produção da prova no momento oportuno (impugnação, ou in casu, manifestação de inconformidade) não está elencada dentre as exceções enumeradas no § 4° do artigo 16 do Decreto n°70.235/72, de enumeração taxativa. Ou seja, aquele colegiado expressamente consignou que as exceções enumeradas no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 são uma enumeração taxativa, não admitindo mais exceções. No caso do acórdão recorrido, temse, conforme relatado, que a contribuinte foi intimada a apresentar os critérios de rateio da despesa e não o fez. Esses fatos são incontestes pela decisão recorrida, conforme parágrafo que ora destaco: Durante o procedimento de fiscalização a instituição financeira foi regularmente intimada, com relação a cada uma das empresas participantes do convênio, a comprovar, corn documentação hábil e idônea, a efetiva prestação dos serviços que teriam sido prestados pelo Banco Itaú às referidas empresas, identificando e quantificando os funcionários envolvidos na referida prestação e destacando a parcela dos serviços destes que teria sido debitada à empresa contratante, nada apresentando nesse sentido. Essa postura ofende o dever do contribuinte de colaborar com a fiscalização. Como bem destacou a decisão recorrida, empresa, durante o procedimento de fiscalização, já estava de posse dos laudos elaborados pelos auditores independentes Boucinhas e Campos, e omitiuse de apresentálos. Mas adiante, o acórdão recorrido aduz que a prova documental deve acompanhar a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a não ser que ocorra uma das razões especiais previstas na lei. Se o voto do acórdão recorrido parasse aqui, teríamos duas decisões convergentes. Contudo, pondera o relator do voto condutor do acórdão recorrido: Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.149 15 Ocorre que o Recorrente esta agora trazendo pareceres técnicos de renomadas entidades, que analisam procedimentos contab, is do Banco Itaú, relacionados ao convênio de rateio de custos, e relatam uma revisão e avaliação dos métodos utilizados no rateio de custos comuns do Conglomerado Itaú nos exercícios de 1999 a 2003. A primeira questão que se põe é definir se esses trabalhos devem ser levados em consideração nessa altura do processo. E essa definição demanda a ponderação de princípios, uma vez que, como ja dito, não obstante o processo administrativo fiscal ser informado pelo principio da verdade material e do formalismo moderado, a inobservância da prática de atos preestabelecidos e de prazos desvirtua o objetivo do processo. Sopesando os princípios da verdade material e do formalismo moderado com o principio finalistico processo, entendo que, caso os documentos trazidos com o memorial não permitissem ao julgador formar convicção, mas demandassem diligência, não deveriam ser considerados nessa fase processual. E passa então o relator a apreciar essas provas... Pois bem, enquanto um colegiado afirmou que as hipóteses de que trata o §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 são taxativas, o outro ponderou e fez prevalecer os princípios da verdade material e do formalismo moderado. Assim, afastase a resistência oposta pela contribuinte à admissão da presente questão. Em tempo, cumpre esclarecer que o Acórdão nº 10516.141 não foi apresentado para sustentar a divergência na questão da preclusão da prova, uma vez que a ementa transcrita pela Fazenda direciona a sua atenção para a questão da dedutibilidade da despesa, conforme transcrito acima. Todavia, o despacho de admissibilidade supracitado não abordou a divergência sobre a dedutibilidade, seja para admitila ou para recusála. Tal fato fez com que o processo retornasse para o Presidente da 1ª Câmara para que este tivesse a oportunidade de complementar a decisão inicial. Em consequência, foi exarado o despacho de admissibilidade complementar encontrado nas efls. 1072 e ss., pelo qual foi admitida a divergência quanto à verificação da dedutibilidade das despesas. Também foi dada a oportunidade para a contribuinte oferecer contrarrazões complementares, o que foi apresentado e juntado às efls. 1084 e ss. Naquela manifestação, o contribuinte inicia combatendo o próprio despacho de admissibilidade complementar, afirmando que não há previsão legal para a sua emissão. A admissibilidade complementar foi requerida em despacho de saneamento, frente à constatação da referida omissão. Para tanto, adotouse como fundamento o artigo 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, o qual possui a seguinte redação: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.150 16 serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. A contribuinte afirma que este dispositivo não se aplica ao caso, sem tecer maiores comentários. Todavia, é de se verificar que a afirmação da contribuinte é fruto de uma interpretação literal do texto legal, o que não é a melhor técnica hermenêutica a ser aplicada, uma vez que vulnera o princípio do devido processo legal, na medida em que implica a tolerância de uma omissão da autoridade que apreciou recurso tempestivo e legitimamente apresentado pela parte. O saneamento é medida necessária e adotada inúmeras vezes por esta turma da CSRF para trazer o feito à sua ordem legal. Aliás, ressaltese que este Colegiado, ao prolatar o Acórdão nº 9101002.202, de 04/03/2016, admitiu embargos de declaração da Fazenda Nacional, com efeitos infringentes, para sanear omissão idêntica a esta, uma vez que não havia sido anteriormente saneada e, por isso, não foi abordada pela Turma Julgadora. A contribuinte ainda afirma que não há omissão no despacho de admissibilidade original. Nessa quadra, a contribuinte se descola da realidade, ao desconsiderar os seguintes trechos da petição do recurso especial (efls. 626 e 630): 38. O acórdão proferido pela e. Câmara a quo diverge da jurisprudência deste e. Conselho de Contribuintes acerca da interpretação do art. 16, § 4o, do Decreto n.° 70.235/72, e dos arts. 249, 251, 264, 299 §§1° e 2o, e 300 do RIR/99, citados no auto de infração. ... 48. O acórdão proferido nos autos diverge, ainda, do acórdão n.° 10516.141, proferido pela e. Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em julgamento de recurso voluntário interposto por sociedade que, assim como o Recorrido, era parte no convênio de rateio de custos firmado por empresas do "Grupo Itaú" Confirase a ementa do acórdão paradigma: Acórdão n° 10516.141 "RATEIO DE CUSTOS. DEDUTIBILIDADE. Não comprovado o critério utilizado para rateio das despesas de pessoal, entre empresas interligadas, prevalece o critério com base na receita bruta. " 49. Os autos de infração analisados no acórdão paradigma e no acórdão proferido pela e. Câmara a quo estão fundamentados nos mesmos fatos e nas mesmas normas legais, porque decorrem de glosa de despesas que estariam justificadas no citado convênio de rateio, mas não provadas com os documentos adequados. Confirase o seguinte trecho do voto condutor do acórdão paradigma: "A fiscalização, diante da não apresentação dos demonstrativos de custos incorridos e respectivos através das planilhas de Fl. 1150DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.151 17 rateio, elaborada pelo custo dos homens/hora utilizados, bem como prova ou indício de prova da efetiva utilização dos referidos serviços, contabilizados como prestados pelo Banco Itaú, entendeu não ter atendido o contrato de folha 04 do anexo II que prevê a apuração e o rateio dos custos de acordo com a efetiva utilização" Assim, é de se entender que o recurso especial da Fazenda Nacional buscou que este Colegiado apreciasse a divergência na interpretação do expressamente apontado artigo 299 do RIR/99, o qual trata das despesas dedutíveis. A contribuinte ainda repudia a admissão dessa divergência afirmando que a jurisprudência da CSRF é no sentido de não se dar conhecimento a Recurso Especial que visa a análise ou valoração de provas específicas do processo. O artigo 67 do Regimento Interno do CARF não deixa dúvida de que o objetivo do recurso especial é a solução de divergência, em concreto, na interpretação da legislação tributária. Na espécie, a solução almejada passa pela condensação dos termos jurídicos abertos utilizados na norma aplicada: despesa necessária, usual ou normal e isso em face dos autos do processo. É isso que este Colegiado deverá fazer, ainda que tenha que realizar, colateralmente, a análise de documentos juntados aos autos. Por todo o exposto, entendo que o recurso especial da Fazenda Nacional deve ser admitido em relação às duas divergências por ele trazidas. Decadência (recurso de contrariedade à lei) A decisão recorrida (efls. 579 e ss.) entendeu que havia sido atingido pela decadência o crédito tributário de IRPJ e CSLL relativo ao ano 1999, bem como o crédito tributário de PIS e COFINS relativo aos fatos geradores ocorridos até junho de 2000. Em sede de Recurso Especial (efls. 610 e ss.), a Fazenda Nacional afirma que não há nos autos prova de que houve pagamento antecipado dos referidos tributos nos correspondentes períodos, de forma que não deve aplicada a regra de decadência contida no artigo 150, §4º, do CTN, mas sim a regra contida no artigo 173, I, do mesmo Código. Segundo a Fazenda, a decisão recorrida contrariou este último dispositivo legal quando utilizou o primeiro. Assim, requer a reforma da decisão para restabelecer o respectivo crédito tributário exonerado, nos seguintes termos: 18. Consoante esta linha de interpretação, o art. 150, §4° do CTN estaria dispondo sobre prazo para o ato de "homologação" de um procedimento do contribuinte, e não sobre o prazo para lançamento (que não tem nada a ver com o ato de homologação). Portanto, o lançamento de ofício de tributo que deveria ter sido recolhido mediante o sistema de "lançamento por homologação", observa o prazo decadencial disposto no art. 173,1 do CTN, e não o prazo do art. 150, §4°. 19. Com efeito, nos casos, como o dos autos, onde não consta que o contribuinte tenha recolhido os tributos exigidos, a jurisprudência entende que não haveria atividade do contribuinte a homologar. Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.152 18 20. Não seria possível realizar a homologação de atividade inexistente, ou efetuada de maneira errônea, mas caberia à autoridade administrativa unicamente proceder ao lançamento de ofício dos valores devidos. E, o prazo para o lançamento de ofício não está disposto no art. 150, mas no art. 173 do CTN. O entendimento da necessidade de pagamento já foi sedimentado pelo Superior Tribunal de Justiça ao julgar o Recurso Especial nº 973.733SC, representativo de controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Fl. 1152DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.153 19 Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da resolução STJ 08/2008. Devese ressaltar que o artigo 62, §2º, do Regimento Interno dessa corte administrativa determina que os julgamentos no CARF reproduzam as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, que é o caso. No entanto, a contribuinte combate a alegação da Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, afirmando que recolheu os tributos devidos no período da exigência tributária, nos seguintes termos (efl. 911): 10. Todavia, quanto a tal assertiva, é inconteste que o Recorrido procedeu ao recolhimento, relativamente ao período autuado, dos tributos objeto da autuação, conforme os anexos comprovantes de apuração e recolhimento que demonstram a existência de pagamento antecipado (doc.05). Os documentos anexados pelo contribuinte são: (i) parte da sua DIPJ 2000 (e fls. 998/1022); (ii) comprovantes de pagamento de estimativas de CSLL em 1999 (efls. 1023/1033) e (iii) comprovantes de pagamento de PIS devidos nos meses outubro e novembro de 1999 (efl. 1034). Analisandose a situação, temse que a contribuinte tomou ciência do auto de infração em 27/5/2005. A apuração de 1999 foi lucro real anual, consoante informa a sua DIPJ 2000. Portanto, o fato gerador do IRPJ e da CSLL ocorreu em 31 de dezembro de 1999. Como há pagamentos comprovados de CSLL, deve ser mantida a decisão a quo, na parte que reconheceu a decadência da CSLL devida em 1999, tendo em vista que decaiu o direito do Fisco de lançar a CSLL em 31/12/2004, considerandose a regra do art. 150, §4º, do CTN, porém, restabelecida a exigência relativa ao IRPJ do anocalendário de 1999, haja vista inexistir prova de pagamento. Por oportuno, salientase, para aqueles que consideram a apresentação de DCTF como prova de pagamento, que a declaração apresentada foi a DIPJ. Em relação ao PIS, só houve lançamento em outubro de 1999, novembro e dezembro de 2000 e novembro de 2001. A contribuinte traz prova do pagamento desse Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.154 20 período; logo, aplicandose a regra do art. 150, §4º, do CTN, reconheço a decadência do direito do Fisco de lançar o fato gerador de outubro de 1999, mantendose a decisão recorrida. No que diz respeito à Cofins, a contribuinte não apresentou comprovantes de pagamento. Por conseguinte, a regra a ser aplicada deve ser a do art. 173, I, do CTN, de forma que os fatos geradores mensais relativos ao anocalendário de 1999, até novembro, podiam ser lançados ainda em 1999, e, portanto, o termo a quo para a contagem do prazo decadencial é 1º de janeiro de 2000, finalizandose em 1º de janeiro de 2005. Portanto, ainda que contandose pela regra do art. 173, inciso I, uma parte do crédito tributário lançado, correspondente aos fatos geradores ocorridos até novembro de 1999, foi atingido pela decadência. No caso dos autos, há um lançamento em outubro de 1999 e este também está decaído pela decadência. Logo, conforme o exposto, voto por considerar decaídos apenas as exigências de CSLL relativas a 1999, e do PIS e da Cofins de outubro de 1999 e da Cofins ocorridas até novembro de 1999. Por conseguinte, a decisão recorrida fica reformada, apenas, no tocante ao IRPJ. Ressaltese que a decisão a quo determinou a apuração dos tributos conforme o regime de competência, o que deve ser cumprido na execução do acórdão, nos termos lá exarados, uma vez que não foi objeto de recurso especial. Prova extemporânea (recurso de divergência) A Lei nº 9.532/97, alterou o Decreto nº 70.235/72, incluindo no parágrafo 4º do artigo 16, novo prazo para junta de prova documental. Assim, desde 1997, com relação ao prazo para a apresentação de provas, o PAF dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Grifei) [...] Fl. 1154DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.155 21 Com a devida vênia àqueles que querem aceitar provas extemporâneas ao fundamento de que os princípios da ampla defesa, da verdade material e do formalismo moderado devem prevalecer, mas o fato é que para o Processo Administrativo Fiscal temos regras claras e expressas, prevendo a concentração dos atos probatórios em momentos pré estabelecidos, tanto no que diz respeito à instrução probatória por parte da Fazenda, quanto por parte do contribuinte, estabelecendose, assim, em caso de inobservância do momento adequado, a necessária preclusão. Aliás, a preclusão não é sanção. Não advém de ato ilícito. Mas ela foi definida processualmente para se proteger o Estado da protelação injustificada como também para garantir tratamento isonômico entre os contribuintes. Nesse sentido, Marcela Cheffer Bianchini1: Sendo assim, o próprio devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. Como visto, o processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. Vale destacar que, a depender da situação, a norma aceita a apresentação de provas após a impugnação. Contudo, isso é possível desde que dentro das hipóteses previstas na lei. Moacyr Amaral dos Santos ensina2: [...] o que a lei visa, precipuamente, quando traça normas para apresentação de documentos, é vedar a ocultação deles na fase de integração da lide, quer dizer, na fase da formação da questão sujeita a debate das partes e sobre a qual deverá decidir o órgão judicial. O que a lei visa é afastar ou, ao menos reduzir a possibilidade de ficarem o Juiz e as partes à mercê de surpresas consistentes no aparecimento de documentos de que a parte, premeditadamente, guarde segredo para, ocasião propícia, quando não haja mais oportunidade para discussões e mais provas, oferecêlos em juízo. Além disso, é preciso interpretar a lei conforme a Constituição. Ora, quando a lei excepciona as hipóteses de que trata o §4º do art. 16, do Decreto nº 70.235, de 1972, ela já está contemplando todos os casos em que, por motivos de força maior, a ampla defesa não pode ser exercida anteriormente. Portanto, cumprenos verificar se a apresentação dos laudos em memoriais trazidos na sustentação oral portanto, não só após a impugnação, como também após o prazo processual de interposição de recurso voluntário enquadrase em uma das hipóteses de que trata o §4º do art. 16, do Decreto nº 70.235, de 1972. 1 in "A Prova no Processo Tributário" São Paulo 2010 Dialética, pg. 37 2 "Prova Judicial no Civil e Comercial", vol. 4, Max Limonad, São Paulo, 1972, p. 416 Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.156 22 Pois bem, conforme consignado no Relatório do presente voto, a Fiscalização primeiro intimou o Banco Itaú S/A a obter informações relativas os critérios adotados para fins de contabilização das despesas conforme o Convênio de Rateio de Custos Comuns; na seqüência, intimou a autuada. No item 1.8 do Termo de Verificação Fiscal consta que não foram apresentados os demonstrativos de rateios e nem outros elementos que comprovassem que os gastos eram necessários às atividades da autuada e que a contribuinte deixava de comprovar a efetiva utilização dos serviços disponibilizados pela instituição financeira. No item 4.2 do mesmo termo, reiterou a Fiscalização que envidou todos os esforços para obter mais informações, porém “todos os esforços foram infrutíferos”. Para demonstrar o critério de apropriação, na Impugnação, a contribuinte selecionou por amostragem o demonstrativo de custos de agosto a dezembro de 2002, trazendo a composição dos custos imputados ao “Centro de custos /Órgão” e protestou pela realização de perícia técnica, acaso as alegações trazidas não fossem suficientes. A respeito dessas provas, assim se manifestou a decisão de primeira instância: Em relação ao demonstrativo que o contribuinte anexou aos autos (fl. 272/278), que. segundo ele, referese aos meses de agosto a dezembro de 2002 e traz a composição dos custos relativos a postagem de correspondência e mala direta a ele imputados, entendo que o mesmo isoladamente não serve corno prova da efetividade e da necessidade das despesas. Esta planilha já mostra o valor alocado ao contribuinte (antigo Bemge). Não indicando corno se procedeu o rateio, sua formula, os valores totais, o motivo da imputação de tais Montantes ao BEMGE, etc. Além disso, ainda que pudesse ser aceita como prova, o que é inaceitável, haja vista o exposto acima e a falta da apresentação da documentação que lhe serviu de base, esta planilha demonstra apenas uma pequena parcela das despesas, não permitindo a este julgador considerar dedutivel o montante total escriturado. Lembro ao contribuinte que, nos termos do art. 16 , parágrafo 4 °.. do Decreto no. 70.235/72 (PAF), incluído pela Lei no. 9.532/9. a prova documental deve ser apresentada na impugnação. Por fim, em relação ao pedido de perícia, consideroo prescindível, vez que esta somente seria justificável no caso do contribuinte tivesse anexado aos autos planilha demonstrativa completa do critério de rateio. Ademais, o art. 16, IV, do referido decreto, estabelece requisitos mínimos para o pleito de realização de perícia, os quais não foram atendidos pelo contribuinte: quesitos referentes aos exames desejados; nome, endereço e qualificação profissional do seu perito. (Negritei) Por conseguinte, a decisão de primeira instância em nada acrescentou ao que a Fiscalização já solicitara, motivo pelo qual não se pode encaixar essa situação na hipótese de que trata a alínea “c” do §4º retromencionado. Tampouco é possível vislumbrar hipótese de força maior, que se amoldaria ao disposto na alínea “a” ou mesmo eventual direito ou fato supervenciente. Todos os laudos apresentados pelo sujeito passivo por ocasião de sua Fl. 1156DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.157 23 sustentação oral poderiam ter sido providenciados, ainda que após os fatos geradores objeto do lançamento, mas no curso do procedimento fiscal, ou mesmo durante a fase de impugnação. Aceitar essa produção de provas a qualquer momento chega a ser uma medida que valida um comportamento de produção de provas sucessivas, algo como, mostrar um pouco do que se pode provar e, à medida do que esse pouco é considerado insuficiente, mostrase mais, e daí sucessivamente, até se esgotar todas as instancias recursais. É de se entender, portanto, que a norma do art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, veio justamente para coibir esse comportamento. Em face ao exposto, manifestome que os laudos trazidos após a fase contenciosa não podem ser admitidos como prova. Dedutibilidade de despesas (recurso de divergência) O Banco Bemge S/A (sucedido pela empresa autuada) realizou pagamentos à empresa centralizadora do CRCC (Banco Itaú S/A) e reduziu os respectivos valores da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, por considerálos dedutíveis. O artigo 45 da Lei nº 4.506, de 1964, determina que as despesas operacionais da empresa são dedutíveis do lucro operacional3, enquanto o artigo 47 da mesma lei define como despesa operacional aquela necessária à atividade da empresa e usual ou normal no seu tipo de atividades4. O procedimento fiscal que levou aos presentes lançamentos tributários buscou verificar a efetividade, a necessidade e a usualidade das referidas despesas. Para isso, intimou o contribuinte a prestar informações, nos seguintes termos (efl. 35): d) Comprovar, com documentação hábil e idônea: b.1) a efetiva utilização dos serviços que teriam sido prestados pelo Banco Itaú S/A ao Banco Bemge S/A.; b.2) planilha de rateio dos valores pagos, mensalmente, em decorrência desses mesmos serviços, elaborado com base no item b.1, acima, discriminando, funcionários que teriam sido utilizados, custo bruto desses funcionários, total de horas 3 Art. 45. Não serão consideradas na apuração do lucro operacional as despesas, inversões ou aplicações do capital, quer referentes à aquisição ou melhorias de bens ou direitos, quer à amortização ou ao pagamento de obrigações relativas àquelas aplicações. § 1º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um exercício deverá ser capitalizado para ser depreciado ou amortizado. § 2º Aplicamse aos custos e despesas operacionais as disposições sôbre dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros. 4 Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da emprêsa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da emprêsa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da emprêsa. Fl. 1157DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.158 24 trabalhadas, total de horas apropriadas no rateio, e valor apropriado; e b.3) que os referidos gastos foram necessários às transações ou operações exigidas para a exploração das atividades, principais ou acessórias, bem como, que estão vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos. Em resposta, o contribuinte assim se manifestou (efls. 21 e seguintes): o Convênio de Rateio de Custos Comuns não envolve prestação de serviços do Banco Jtaú para o Banco Itaú BBA, pois se trata de compartilhamento de estrutura material e pessoal para o atendimento das necessidades operacionais de ambas as partes, com custos atribuídos a cada uma delas segundo os critérios apontados pelo Banco Itaú S/A na resposta ao Termo acima referido; os custos incluídos no Convênio referemse a despesas operacionais, tais quais a manutenção de estrutura de pessoal para atendimento das necessidades das contratantes, nas áreas de auditoria, contencioso judicial, consultoria jurídica, contabilidade/finanças, recursos operacionais e recursos humanos; O Convênio de Rateio de Custos Comuns, celebrado entre o contribuinte e o Banco Itaú S/A encontrase nas efls. 27 e ss., do qual se destaca o trecho que trata do critério de rateio de custos: 5.1. mensalmente, em todo dia 27 ou no dia útil anterior, a EMPRESA pagará, provisoriamente, ao ITAUBANCO uma estimativa de custos que será equivalente à média aritmética dos custos efetivamente devidos pela EMPRESA no 2° e 3° meses anteriores ao de competência do pagamento. 5.1.1. a apuração da média aritmética dos custos obedecerá à seguinte formula de cálculo: 2º + 3º meses anteriores ———————————— 2 5.2. apurado o valor efetivamente devido pela EMPRESA, a eventual diferença existente entre este e o apurado no subitem 5.1 será acertada até o último dia útil do mês subseqüente ao dc competência do pagamento. 5.3. á diferença será acrescida, a titulo de ressarcimento das perdas financeiras suportadas por qualquer das partes, a variação média do CDBpré CETIP de 30 dias, ou próximo de 30 dias, verificada no período entre os pagamentos efetuados c a liquidação da diferença. A fiscalização entendeu que as informações prestadas pelo contribuinte não eram suficientes para demonstrar a efetiva realização das despesas, a sua necessidade e usualidade, glosandoas da apuração do lucro real e lavrando os presentes autos de infração. Fl. 1158DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.159 25 No entanto, não se pode conceber que alguém contabiliza custos, por qualquer que seja o critério, e não demonstre e comprove à Fiscalização, quando intimado, como apropriou esses custos. Com efeito, ao optar por deduzir custos segundo um contrato de rateio entre as empresas do conglomerado, certamente essas empresas deveriam dispor dos documentos necessários para efetuar a contabilização desses custos. Ou, em outras palavras: deveria a contribuinte possuir e portanto disponibilizar à Fiscalização os dados concretos dos montantes dos custos centralizados, dos montantes dos custos por departamento, dos montantes dos custos por centro de custo e da memória de cálculo dos custos que atribuiu a si, até porque precisou fornecer esses dados a vários auditores independentes. Neste sentido, convém trazer à tona o disposto nos artigos 923 e 932 do RIR/99: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Art. 932. Havendo dúvida sobre quaisquer informações prestadas ou quando estas forem incompletas, a autoridade tributária poderá mandar verificar a sua veracidade na escrita dos informantes ou exigir os esclarecimentos necessários (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 108, § 6º). Não tendo a contribuinte fornecido à fiscalização os documentos necessários para ser aferido o cumprimento do critério de rateio convencionado no CRCC, não restou outra alternativa à fiscalização que não seja a adoção de método de aferição indireta de rateio de despesas, conforme foi efetivamente realizado. Contudo, devese dar relevância ao fato de que não foi glosado o total das despesas atribuídas ao CRCC pela contribuinte, mas apenas aquele quantum que excedeu o valor encontrado pela fiscalização ao aplicar o "método de custeio indireto, parametrizado este pelo conceito de receita bruta", ressaltandose que esse método indireto foi aplicado sobre o fundamento de que a contribuinte não apresentou documentos suficientes para legitimar o rateio por ele utilizado. Portanto, está correto o procedimento fiscal de autuar por glosa de despesas com fundamento no RIR/99, em razão de não restar comprovada, pela contribuinte, que a despesas lhe era necessária nos montantes em que foi reconhecida. Como restei vencida no tocante à apreciação das provas extemporâneas, passo a analisálas: A contribuinte ingressou com recurso voluntário (efls. 305), trazendo como anexos: um laudo de Boucinhas Campos e Soteconti Auditores Independentes (efls. 343 e ss.); um parecer da FIPECAFI (efls. 381 e ss.); um relatório da Moore Stephens Auditores e Consultores (efls. 424 e ss.); um relatório da BDO Trevisan (efls. 503 e ss.) e uma solução de consulta do Prof. Eliseu Martins (efls. 517 e ss.). Com fundamento nesses documentos, a Fl. 1159DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.160 26 decisão da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes exonerou os lançamentos correspondentes (efls. 578 e ss.). O primeiro documento apresentado é intitulado "Banco Bemge S.A. Relatório de avaliação dos critérios utilizados no convênio de rateio de custos comuns pelo Banco Itaú S.A. no exercício 2002" (efls. 343 e ss.). Conforme bem resume o seu título, este relatório avalia os critérios para a realização do rateio relativo ao CRCC no ano 2002. A leitura desse relatório permite chegar à conclusão de que sua importância está no entendimento do mecanismo de rateio, mas não tem qualquer utilidade na verificação da efetividade das despesas em tela, pelos seguintes motivos. Primeiramente, o relatório referese apenas a 2002, enquanto os lançamentos alcançam ainda 1999, 2000 e 2001. Nesses anos, os critérios de rateio eram diferentes, conforme afirma o relatório (efl. 345), verbis: Neste contexto, o ITAUBANCO manterá estrutura que atenda às necessidades comuns, sendo os custos decorrentes de manutenção dessa estrutura apurados e rateados de acordo com sua efetiva utilização, segundo métodos estatísticos e matemáticos.Como evolução natural o ITAUBANCO começou a implantar um sistema de Convênio de Rateio de Custos Comuns "CRCC", com testes a partir de agosto de 2002, o que possibilitou melhores condições para apuração dos valores de rateio.Para esclarecimento das evoluções iremos discorrer no "item 6" as mudanças ocorridas no "CRCC". (destaquei) Ainda, o relatório traz os critérios de rateio de forma genérica, sem nem mesmo informar os índices atribuídos ao Banco Bemge, destinatário do documento. Sendo assim, o relatório não é útil para definir, dentro do custo total da empresa centralizadora em 2002, quanto é devido ao contribuinte. Ademais, esse custo total sequer é informado em termos reais, de forma que o documento não é hábil para dar credibilidade ao valor deduzido pelo contribuinte. O segundo documento apresentado (efls. 381 e ss.) é intitulado "Parecer técnico quanto aos procedimentos contábeis do Banco Itaú, relacionados ao convênio de rateio de custos comuns com empresas ligadas, face a termos de verificação fiscal da Receita Federal", de autoria da FIPECAFI. Transcrevese o objetivo deste parecer (efl. 382): 1. Objetivo O estudo contido neste documento tem por objetivo avaliar as práticas de custeio adotadas pelo Banco Itaú S/A, contemplando tanto os aspectos conceituais como os procedimentos metodológicos utilizados para rateio do custo das atividades compartilhadas com suas empresas ligadas. Ao final é emitido um Parecer Técnico quanto à adequação de tais conceitos e procedimentos, bem como quanto à validade técnica contábil dos Termos de Verificação Fiscal emitidos pela Delegacia Especial de Instituições Financeiras, da Receita Federal em São Paulo. Fl. 1160DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.161 27 Portanto, esse documento não tem a finalidade de informar as atividades centralizadas que beneficiaram o Bemge, o seu montante, o seu critério de rateio e o valor da parte que lhe cabia. A exposição de aspectos conceituais e procedimentos metodológicos não podem, sozinhos, demonstrar os requisitos de dedutibilidade de despesas. Apesar disso, fazendo uma leitura do documento, destaco o seu item 3.3.1, intitulado "rateio de custos às empresas do grupo", do qual transcrevo o seguinte trecho (efl. 409): Neste ponto reside uma característica fundamental do sistema de rateio. O ressarcimento, como foi dito no parágrafo anterior, é realizado com base no volume de atividade, e este é medido por meio de fatores físicos e operacionais que representem, efetivamente, a demanda da atividade por parte da empresa usuária; estes fatores são conhecidos, na literatura, como direcionadores de custos. Um exemplo clássico, e que é utilizado pelo Itaú, é a quantidade de funcionários, para ratear o custo da Área de Recursos Humanos às empresas usuárias de suas atividades. Embora os direcionadores de custos, de um modo geral, possam variar de uma organização para outra, não havendo um padrão único, para as atividades de Administração de Recursos Humanos o número de funcionários é, sem dúvida, o mais utilizado. Outros exemplos de direcionadores utilizados pelo Itaú para fins de ressarcimento de custos são: número de lançamentos (para custos de Contabilidade), número de pagamentos (para Contas a Pagar), número de horashomem (para o custo de desenvolvimento de sistemas), etc. A relação completa dos direcionadores de custos utilizados pelo Banco Itaú no período de 1999 a 2003 para fins de ressarcimento de custos pelas empresas encontrase indicada no item 3.1. Esse texto afirma que a empresa centralizadora de custos utiliza direcionadores de custos para realizar o rateio destes entre as empresas conveniadas e que a lista completa desses direcionadores estão no item 3.1. De fato, esse item traz uma tabela que indica os direcionadores de custos de cada atividade, mas sem trazer dados efetivos, concretos, em relação ao período alcançado pela auditoria fiscal. Por conseguinte, embora este parecer traga a delineação da estrutura de rateio de custos do CRCC, em nada contribui para a comprovação da efetividade das despesas deduzidas pelo Bemge, bem como da sua necessidade e usualidade. O terceiro documento apresentado (efls. 424 e seguintes) é intitulado "Banco Bemge S.A. relatório de avaliação dos métodos utilizados no convênio de rateio de custos comuns do conglomerado Itaú nos exercícios de 1999 a 2003", de autoria da Moore Stephens Auditores e Consultores. O índice do Relatório já aponta a natureza do seu conteúdo: 1) empresas do conglomerado Itaú; 2) referencial teórico; 3) sistema de custo do Itaubanco; 4) análise comparativa do sistema de custo adotado pelo Itaubanco ocorrido no exercício de 2003; 6) conclusão. Fl. 1161DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.162 28 Esse Relatório, mais uma vez, não traz informações que possam levar à verificação e aceitação da dedutibilidade das despesas em tela. Tratase de uma exposição do método de rateio utilizado e de sua adequação técnica sem, contudo, informar o rateio efetivamente realizado. O Bemge é citado apenas em dois momentos. No item 1.2 (efl. 444), intitulado "demonstração de rateio de custos administrativo, operacional e comercial compartilhados", usamse os dados globais de novembro de 2003 e os dados de algumas rubricas associadas ao Bemge do mesmo período com a finalidade de exemplificar o mecanismo de rateio. No item 3.4.2, intitulado "critérios de rateios de custos comuns", a única informação para o Bemge é o fato de ele ser o centro de custo 367.839 do critério 1001Custos dos Bancos Incorporados. Como se vê, as informações trazidas nesse relatório estão longe de demonstrar a efetividade, a necessidade e a usualidade das despesas em análise. O quarto documento apresentado pelo contribuinte (efls. 501) é intitulado "Banco Bemge S.A. relatório de revisão especial sobre convênio de rateio de custos comuns período de janeiro de 1999 a dezembro de 2003", de autoria da BDO Trevisan. O item 7 desse Relatório (efl. 509) descreve os trabalhos realizados: 7. DESCRIÇÃO DOS TRABALHOS REALIZADOS Os trabalhos de revisão especial consistiram na verificação do reconhecimento contábil, por parte do Banco Bemge S.A., dos valores pagos ao Banco Itaú S.A. a titulo de reembolso de custos em função do Convênio de Rateio de Custos Comuns, bem como no exame da efetiva liquidação financeira destes pagamentos. Adicionalmente foi realizada a verificação do reconhecimento contábil, por parte do Banco Itaú S.A., dos valores recebidos na qualidade de reembolso de custos. Os procedimentos realizados demandaram a verificação do Convênio de Rateio de Custos Comuns, estabelecido entre o Banco Bemge S.A. e o Banco Itaú S.A., de balancetes mensais do Banco Bemge S.A., relativos ao período compreendido entre Janeiro de 1999 e Dezembro de 2003, análise do processo e documentos de liquidação financeira dos pagamentos realizados por parte do Banco Bemge S.A., análise dos demonstrativos de apuração de custos relacionados com o rateio de custos comuns, elaborados pela DIRCO Diretoria Executiva de Controladoria do Banco Itaú S.A. e, adicionalmente, a verificação dos balancetes mensais do Banco Itaú S.A.. Logo em seguida, o Relatório traz a conclusão dos trabalhos (item 8), afirmando a regularidade do rateio de custos e a liquidação das obrigações atribuídas ao Bemge. Transcrevese o segundo item das conclusões, de maior interesse para a presente questão (efl. 492): • Os valores reconhecidos contabilmente por parte do Banco Bemge S.A., a débito de grupo contábil de despesa, no período compreendido entre Março de 1999 e Dezembro de 2003, estavam suportados por demonstrativos de apuração de custo, elaborados pela DIRCO — Diretoria Executiva de Controladoria do Banco Itaú S.A., conforme estabelecido no Convênio de Rateio de Custos Comuns. Fl. 1162DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.163 29 O relatório afirma que foram analisados os "demonstrativos de apuração de custo, elaborados pela DIRCO — Diretoria Executiva de Controladoria do Banco Itaú S.A", contudo, estes não foram juntados aos autos. Com isso, mais uma vez, não é possível verificar se os valores pagos pelo contribuinte ao Banco Itaú S/A, a título de despesas dedutíveis, têm o suporte fático suficiente para suportar a requerida dedutibilidade. Na espécie, os autores da auditoria fiscal foram impedidos de averiguar a efetividade, necessidade e usualidade das despesas em apreço, em razão da absoluta ausência dos dados necessários a esse mister, conforme já foi assinalado na decisão recorrida, da lavra da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, que caracterizou esse comportamento como ofensiva ao dever de colaborar do contribuinte (efl. 589): Durante o procedimento de fiscalização a instituição financeira foi regularmente intimada, com relação a cada uma das empresas participantes do convênio, a comprovar, com documentação hábil e idônea, a efetiva prestação dos serviços que teriam sido prestados pelo Banco Itaú S/A às referidas empresas, identificando e quantificando os funcionários envolvidos na referida prestação e destacando a parcela dos serviços destes que teria sido debitada à empresa contratante, nada apresentando nesse sentido. Essa postura ofende o dever do contribuinte de colaborar com a fiscalização. Como bem destacou a decisão recorrida, a empresa, durante o procedimento de fiscalização, já estava de posse dos laudos elaborados pelos auditores independentes Boucinhas e Campos, e omitiuse de apresentálos. Contudo, a mesma decisão, ora recorrida, entendeu que o parecer e os relatórios acima analisados supririam essa omissão e decidiu exonerar os lançamentos. Entendo que essa decisão não possui suporte fático e deve ser reformada. Os documentos referidos não suprem a omissão do contribuinte perante a fiscalização, porque também não trazem qualquer documento que possa ser cotejado no sentido de demonstrar os requisitos de dedutibilidade das despesas em tela. Igualmente aos autores da auditoria fiscal, os Conselheiros desta Câmara Superior estão impedidos de verificar a dedutibilidade das despesas, em razão da conduta omissiva do interessado deste processo. Ora, ao optar por deduzir custos segundo um contrato de rateio entre as empresas do conglomerado, certamente essas empresas dispunham dos documentos necessários para, segundo a metodologia trazida pelos laudos, efetuar a contabilização desses custos. Ou, em outras palavras: certamente o contribuinte possui os dados concretos dos montantes dos custos centralizados, dos montantes dos custos por departamento, dos montantes dos custos por centro de custo e da memória de cálculo dos custos que atribuiu a si, até porque precisou fornecer esses dados a vários auditores independentes. O relatório da BDO Trevisan, por exemplo, afirma expressamente que analisou "demonstrativos de apuração de custos relacionados com o rateio de custos comuns, elaborados pela DIRCO Diretoria Executiva de Controladoria do Banco Itaú S.A.". Todavia, estes nunca foram juntados aos autos. O contribuinte recusouse, reiteradamente, a fornecer esses dados à fiscalização e às autoridades julgadoras encarregadas de solucionar a questão trazida por ele mesmo. Fl. 1163DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.164 30 As únicas alternativas que restam a nós, Conselheiros, são: acreditar “cegamente” na palavra dos auditores independentes ou reconhecer que o interessado não atendeu ao ônus de comprovar o alegado direito de deduzir os valores em tela. Neste sentido, convém trazer à tona o disposto nos artigos 923 e 932 do RIR/99: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Art. 932. Havendo dúvida sobre quaisquer informações prestadas ou quando estas forem incompletas, a autoridade tributária poderá mandar verificar a sua veracidade na escrita dos informantes ou exigir os esclarecimentos necessários (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 108, § 6º). Ou seja, é preciso comprovação desses custos e não apenas esclarecimentos de sua metodologia de rateio. Igualmente, a autoridade fiscal pode exigir esclarecimentos quando as informações prestadas gerarem dúvidas ou forem incompletas. No entanto, destaco que os documentos acima analisados (à exceção do primeiro, elaborado em março de 2004) foram elaborados em meados de 2006, muito depois dos fatos e já depois da lavratura dos autos de infração em apreço, o que diminui seu valor de prova em razão terem sido confeccionados para contrapor a um lançamento, quando, como dito, o correto seria o sujeito passivo ter toda a documentação e planilhas de cálculo prévias e necessárias à sua contabilização. Além disso, devese dar relevância ao fato de que não foi glosado o total das despesas atribuídas ao CRCC pela contribuinte, mas apenas aquele quantum que excedeu o valor encontrado pela fiscalização ao aplicar o "método de custeio indireto, parametrizado este pelo conceito de receita bruta", ressaltandose que esse método indireto foi aplicado sobre o fundamento de que a contribuinte não apresentou documentos suficientes para legitimar o rateio por ele utilizado. Assim, não tendo a contribuinte fornecido à fiscalização os documentos necessários para ser aferido o cumprimento do critério de rateio convencionado no CRCC, não resta outra alternativa à fiscalização que não seja a adoção de método de aferição indireta de rateio de despesas, conforme foi efetivamente realizado. Por fim, ressaltese que este colegiado já decidiu no mesmo sentido do que aqui proposto, quando prolatou o Acórdão nº 9101002.202, de 02/02/2016, o qual adotou a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2001, 2002, 2003 Ementa: Fl. 1164DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.165 31 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO. Identificada omissão relativa a ponto sobre o qual deveria se pronunciar a Turma Julgadora que prolatou o acórdão embargado, devem os Embargos de Declaração ser acolhidos para o fim de suprir a omissão. RATEIO DE DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. A dedutibilidade de despesa atribuída a rateio de custos comuns entre empresas conveniadas depende da comprovação de sua efetividade, necessidade e normalidade. No referido processo, tratouse do mesmo CRCC do qual também participava aquele contribuinte, outra instituição bancária do mesmo grupo econômico. O mesmo se diz do Acórdão nº 9101001.878, de 19/03/2014, o qual adotou a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 IRPJ RATEIO DE CUSTOS DESPESAS COMUNS A EMPRESAS DE UM MESMO GRUPO ECONÔMICO Cabe ao sujeito passivo, devidamente intimado, demonstrar a regularidade do procedimento que adotou concernente ao rateio de custos entre empresas interligadas. Não logrando fazêlo, correto o Fisco em utilizar o rateio indireto com base no faturamento. Em face ao exposto, mesmo analisando os laudos trazidos extemporaneamente, entendo que os mesmos não demonstram necessidade para a autuada dos custos que foram glosados, tampouco comprova os efetivos montantes, motivo pelo qual dou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional também nesta parte. Recurso Especial do contribuinte O recurso especial da contribuinte foi admitido pelo Presidente da 1ª Câmara em face das duas divergências apontadas. A Fazenda Nacional não se opôs a essa admissão, limitandose a questionar as razões de mérito apresentadas. Sendo assim, dele tomo conhecimento. Do tratamento tributário a ser dados aos valores provenientes do usufruto de ações A contribuinte cedeu temporariamente, a título oneroso, o direito de fruir os benefícios de participações societárias que detinha e contabilizou as operações sem transitar por contas de resultado, de forma que os valores recebidos pela cessão do usufruto não foram oferecidos à tributação, por entender que o usufruto constituído se assemelhava a dividendos pagos pela investida. A fiscalização entendeu que tais ingressos eram tributáveis. A decisão recorrida corroborou esse entendimento, embora tenha determinado que a tributação fosse feita conforme o regime de competência e não conforme o regime de caixa. Fl. 1165DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.166 32 A contribuinte recorre a esta CSRF afirmando que o entendimento adotado na decisão a quo diverge daquele adotado no Acórdão nº 1201000.386, o qual apresenta a seguinte ementa: USUFRUTO DE AÇÕES. PREÇO FIXO. CUSTO DE AQUISIÇÃO É FORMADO PELOS FRUTOS GERADOS PELAS AÇÕES. DIVIDENDOS E JURO SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. O ganho do nu proprietário com a constituição de usufruto sobre ações de sua propriedade é igual à diferença entre o preço recebido do usufrutuário e o valor dos frutos que tais ações gerarem, consubstanciados nos dividendos e no juro sobre capital próprio que a companhia investida vier a pagar ao usufrutuário. Não se aplica ao negócio de "constituição de usufruto" de ações o disposto no Parecer Normativo COSIT n° 4/95, que trata de "cessão de usufruto", e determina o reconhecimento do preço da cessão como receita operacional, posto tratar de operação negocial diversa. A leitura do respectivo voto condutor permite verificar que a Turma Julgadora entendeu que a cessão do usufruto de participação societária poderia ser tributada, mas que aquele processo não tratava de cessão de usufruto e sim de constituição de usufruto, cuja tributação somente se daria sobre o valor que exceder o ganho ordinário do nu proprietário, conforme o seguinte excerto: Como o contrato juntado a fls. 30/31 comprova, a operação havida entre a recorrente e o Banco Itaú S/A foi de "constituição de usufruto" e não de "cessão de usufruto". Obviamente, se a recorrente é a proprietária das ações, ela só poderia dálas em usufruto originário. O nu proprietário não poder ceder o usufruto a terceiro, uma vez que não é usufrutuário e não pode ceder o que nào dispõe. Logo, repisese que a operação em análise é de constituição de usufruto de ações da Banerj Seguros S.A. em favor do Banco Itaú S/A, pelo recorrente. Essa constatação faz toda diferença na análise da contabilização da operação e seus respectivos impactos tributários pois, se não estamos analisando uma operação de cessão de usufruto, não há falarse em equiparar a operação à locação nem em tratai o preço do usufruto como receita operacional. O Parecer Normativo COSIT n° 4, de 03.11.1995, utilizado como base para autuação, manda dar tratamento de locação à cessão de usufruto, e não à constituição de usufruto, situações bem diversas. Como bem assinalado no recurso voluntário, "na constituição do usufruto há transmissão do direito real de uso e gozo do bem, ao passo que na cessão de exercício de usufruto não há transmissão do direito real sobre o bem, mas somente permissão para o uso e gozo desse direito real que continua pertencendo ao 'concedente da permissão'" (fls. 118). Fl. 1166DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.167 33 No usufruto de ações, os frutos que o usufrutuário gozará são exatamente os dividendos e o juro sob capital próprio (JCP) que a empresa investida pagará aos sócios ou, no caso, ao usufrutuário. (Negritei) A contribuinte (recorrente) apresenta seus argumentos no mesmo sentido, nos seguintes termos (efl. 829): 24. Desta feita, na apuração do ganho ou perda de capital decorrente de tal contrato, o Recorrente faz o confronto entre o valor do preço recebido pela concessão do direito em contrapartida dos valores dos juros e dos dividendos que deixou de perceber durante a vigência do contrato, tributando essa diferença. 25. No entanto, a Fiscalização descaracteriza a operação realizada, entendendo que o preço pago pela Usufrutuária, por conta da aquisição temporária dos frutos provenientes das ações gravadas pelo Usufruto, constituiria receita semelhante às de um aluguel, dando ao contrato de constituição de usufruto o tratamento fiscal de cessão de usufruto, com aplicação (que abaixo se verá estar distorcida) do Parecer Normativo COSIT n* 04/95. 26. Com efeito, usufruto e locação são institutos totalmente distintos, não podendo ser confundidos, desta forma, os valores percebidos pelo Recorrente jamais poderiam ser considerado como tal. 27. Ao constituir Usufruto de ações de sua propriedade (Insista se: "constituir" e não "ceder" ou "transferir", pois, como já dito, era impossível ao Recorrente ceder algo que ainda não existia, pois nunca fora constituído), o Recorrente, efetivamente, alienou parte de seu investimento (a chamada "propriedadefruto"), atribuindo a percepção dos frutos desse investimento, durante determinado período de tempo, ao Usufrutuário, que por ele pagou a quantia pactuada. Por outro lado, a decisão recorrida adotou entendimento pelo qual foi considerado que o instrumento era de cessão de usufruto, cujos rendimentos daí decorrentes eram tributáveis (efl. 587): Quanto à cessão do usufruto, consignaram os julgadores que nao merecem prosperar os argumentos apresentados pelo contribuinte em sua defesa. Isto porque, conforme relatado no Termo de Verificação Fiscal iv1 02. o contrato de cessão de usufruto e a relação jurídica decorrente de participações societárias, sào relações jurídicas distintas que ocorrem cm tempos também distintos. Sendo assim, observaram que os dividendos, quando recebidos pelo contribuinte, devem continuar recebendo o tratamento contábil previsto na norma, reduzindo o investimento, sendo que o valor recebido deve ser transferido ao usufrutuário em função do contrato de cessào existente. Já o preço do negócio recebido quando da cessão do usufruto, nada mais é do que uma receita operacional à semelhança de valores recebidos à título de aluguel, conforme esclarecimentos do auditorfiscal, Fl. 1167DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.168 34 entendimento este já pronunciado anteriormente pela Secretaria da Receita Federal mediante o Parecer Normativo CSN n° 04/95, devendo, portanto, as receitas oriundas do contrato de cessão de usufruto ser adicionadas às bases de cálculo do IRPJ e das contribuições sociais. Entendo que não assiste razão à contribuinte, recorrente. O usufruto é o "direito real de fruir as utilidades e os frutos de uma coisa, enquanto temporariamente destacados da propriedade"5. Assim, o proprietário que constitui o usufruto abre mão do direito de fruir as utilidades e os frutos de seu bem em benefício de terceiro, definitivamente ou temporariamente, conservando apenas a nua propriedade. O usufruto é negócio jurídico típico previsto nos artigos 1.390 e ss. do Código Civil, aprovado pela Lei nº 10.406, de 2002, nos seguintes termos: Art. 1.390. O usufruto pode recair em um ou mais bens, móveis ou imóveis, em um patrimônio inteiro, ou parte deste, abrangendolhe, no todo ou em parte, os frutos e utilidades. Mas como o proprietário abre mão apenas dos direitos de fruir dos benefícios da propriedade, ele continua proprietário e, como tal, assumindo os riscos, por exemplo, da equivalência patrimonial. Além disso, como o usufrutuário é quem recebe os benefícios, no caso do usufruto de participações societárias, quem recebe os dividendos e juros de capital próprio é este, e não o proprietário. Por essa razão é que não poderia a contribuinte, na condição de usufruante, querer dar o mesmo tratamento a esse rendimento de dividendos e juros sobre o capital, pois, ao constituir o usufruto, sequer esses lhes são devidos. Ao invés de receber dividendos e juros de capital próprio, a contribuinte optou por receber um valor fixo. Como bem colocou a decisão recorrida, o risco pelo recebimento dos dividendos e juros sobre o capital passou a ser do usufrutuário. Logo, a contabilização dessas operações adotada contribuinte, fazendoo apenas por contas patrimoniais está equivocada. Como também é equivocado o entendimento que ela busca por meio do seu recurso especial, qual seja, tratamento de ganho de capital, ao término do contrato de usufruto. É que se ela aufere periodicamente receitas porque optou por um negócio jurídico oneroso em troca da percepção de dividendos e juros de capital, essas receitas devem, sim, ser auferidas, pelo regime de competência. Com toda certeza não se pode equiparar essas operações a uma alienação de ativos, por exemplo, cuja tributação é um ganho de capital, haja vista que não há a transferência da propriedade. Nesse sentido, e na busca de um gênero próximo, correto é equiparar essas operações a uma locação, dadas as características já apontadas pela Fiscalização (efls. 128/131): 5 Dicionário Jurídico da Academia Brasileira de Letras Jurídicas, 4ª edição, Rio de Janeiro:Forense Universitária, 1997. Fl. 1168DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.169 35 3.6. O usufruto oneroso tem uma semelhança estreita com a locação, pois, tanto na locação como no usufruto uma das partes (locador, na locação; e proprietário/cedente, no usufruto) cede à outra (locatário e usufrutuário, respectivamente), por tempo determinado ou não e mediante retribuição previamente pactuada, o uso e gozo de uma coisa não fungível. A principal diferença consiste em que enquanto na locação o direito é pessoal, no usufruto é real; o direito do locatário se exerce contra o locador; o do usufrutuário, erga omnes. 3.7 Nesse sentido, Washington de Barros Monteiro, ín "Curso de Direito Civil" Direito das Coisas 11a. Edição, às fls. 293 e 297, ensina: "Igualmente com a locação o usufruto apresenta marcante analogia. A situação do usufrutuário assemelhase à do locatário, quanto ao uso e gozo da coisa, havendo quem afirme que sob certo aspecto, o direito do locatário supera o do. usufrutuário. Divergem, porém, os dois institutos: locação é relação pessoal, ao passo que usufruto ê direito real. Recai a primeira, exclusivamente, sobre coisas corpóreas, ao passo que o segundo incide também sobre créditos, direitos de autor, patentes de invenção, fundo de comércio e outros valores incorpóreos. A locação decorre apenas do contrato, enquanto que o usufruto nasce da convenção e também da lei. Ostentam se, portanto, de modo palpável, as diferenças que estremam os dois institutos." "Usufruto não comporta alienação, como direito é incessivel. Mas seu exercício pode ser cedido a título gratuito ou oneroso. Nada impede assim que o usufrutuário, ao invés de se utilizar pessoalmente da coisa frutuária, o que poderia ser inútil e até vexatório, a alugue ou a empreste a outrem". E, como tal, cabe a aplicação da regra geral aplicada às receitas da pessoa jurídica, que influenciam o seu lucro líquido. Dessa forma, os valores recebidos pela cessão do usufruto são receitas operacionais e, portanto, tributáveis. Alteração do lançamento tributário A contribuinte apresenta uma segunda divergência ainda no que diz respeito à tributação da contrapartida financeira recebida pela constituição de usufruto de participações societárias que detinha, conforme exposto a seguir. A fiscalização realizou a tributação dessa receita nos períodos em que houve o seu ingresso. A decisão a quo, apesar de ter verificado que se tratava de receita tributável, entendeu que a tributação deve ser distribuída, proporcionalmente, por todos os períodos incluídos na vigência do usufruto, o que levou à redução dos valores exigidos até se adequarem aos valores proporcionalmente devidos, conforme o seguinte excerto (efls. 599): Entendo que a forma de tributação das receitas provenientes da cessão do usufruto deverá se dar de acordo com os valores resultantes da sua distribuição pro rata tempore, de acordo com o período de dias de cada contrato celebrado. Para tanto, há que ser calculado o valor de receita correspondente a cada dia de cada contrato de usufruto firmado. Observo que para o cálculo Fl. 1169DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.170 36 diário foi considerado o somatório dos valores dos contratos relativos a mesmos usufrutuários e períodos, tendo chegado aos seguintes valores: O contribuinte recorre a esta CSRF afirmando que o entendimento adotado na decisão a quo diverge daquele adotado no Acórdão nº 9101001.878, o qual apresenta a seguinte ementa: APROPRIAÇÃO DE RECEITAS REGIME DE COMPETÊNCIA CONSTITUIÇÃO DE USUFRUTO ONEROSO DE AÇÕES A receita decorrente da cessão onerosa de parcela do Ativo Permanente, pela constituição de usufruto, é tributável de acordo com o regime de competência. Os órgãos julgadores devem se limitar a rever e exercer o controle do lançamento tributário como colocado no processo, fugindo à sua competência alterálo. A leitura do respectivo voto condutor permite verificar que a decisão de segunda instância havia anulado o lançamento tributário em razão de não ter atendido ao regime de competência. Em seguida, a Fazenda Nacional ingressou com recurso especial afirmando que o lançamento não poderia ser integralmente anulado, na medida em que existe tributo devido nos períodos por ele apontado, embora em valor inferior ao inicialmente indicado. A Turma Julgadora negou provimento ao recurso por entender que a manutenção do lançamento na parte apontada pela Fazenda Nacional corresponderia a uma mudança do critério jurídico do lançamento, conforme o seguinte excerto: Como visto, o auto de infração violou o regime de competência, ao tributar num único períodobase uma receita que deveria ter sido rateada pelos 12 meses a que compete. Por seu turno, o não reconhecimento, no resultado do exercício de 2001, parcela da receita já recebida e que a ele competiria (no caso, 2/12 ) representa violação ao § 1o do art. 187 da Lei n° 6.404/76. A questão, no caso, é definir se a Câmara poderia alterar o lançamento produzido pelo fisco. Entendo que se assim o fizesse, a Câmara estaria alterando os critérios e o fundamento do lançamento original e procedendo a um novo lançamento. Ora, a competência legal para executar o lançamento cabe exclusivamente a autoridade lançadora (Auditor Fiscal). Os órgãos julgadores devem se limitar a rever e exercer o controle do lançamento tributário como colocado no processo, frigindo à sua competência alterálo. A contribuinte, recorrente, apresenta seus argumentos no mesmo sentido, nos seguintes termos (efl. 832): 41. Uma vez reconhecido o erro de direito cometido no lançamento, não há como salválo, refazendoo mediante a aplicação de outro critério jurídico. A única solução seria o reconhecimento de sua nulidade, sob pena de se ferirem os princípios da legalidade, da segurança jurídica, do contraditório e da ampla defesa. Fl. 1170DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.171 37 42. Destarte, como o cálculo do crédito tributário lançado aplicou o regime de caixa ao invés do regime de competência (que seria o correto) e, por consequência, adotou um critério jurídico inaplicável para embasar a autuação, não há como ser retificado pelo órgão julgador. É imperiosa a decretação de sua nulidade. Analisandose inicialmente o Termo de Verificação da Infração Fiscal nº 2, verificase que a Fiscalização considerou ter a contribuinte auferido a disponibilidade econômica e jurídica na data da assinatura dos contratos (conforme item 1.2, efl.124 e no item 5, efl. 132). Concordo com a decisão recorrida que não se trata de alterar o critério jurídico do lançamento, porque, na verdade, a Fiscalização entendeu ser uma receita operacional tributável e que essa receita foi auferida em um determinado período. Já a decisão recorrida, manteve o entendimento da Fiscalização de ser uma receita operacional tributável, mas, por entender que o reconhecimento deveria ser ao longo dos períodos do contrato de usufruto, adotou uma proporção, e só manteve a parcela do contrato que correspondia ao período de apuração considerado pela Fiscalização. Logo, daquilo que foi lançado, a decisão recorrida só diminuiu para excluir o que entendeu ser receita de outro período de apuração. Portanto, não há qualquer inovação no lançamento, não houve modificação no enquadramento legal e nem os fatos foram interpretados de forma diferente do que havia interpretado a Fiscalização. Este entendimento já foi adotado por este colegiado, conforme o Acórdão 910100.630, de 06/07/2010, que tratou de situação análoga referente a empresa do mesmo grupo econômico, ocasião em que foi adotada a seguinte ementa: USUFRUTO DE AÇÕES. RECEITA REGIME DE COMPETENCIA. NULIDADE, INOCORRÊNCIA. Ajustado o valor da exigência nos termos definidos pela decisão do Colegiado, descabe falar em nulidade que implicaria em cancelar a parcela do tributo efetivamente devido. Desse acórdão, ainda transcrevo trechos do voto: Descabe a aplicação do art. 146 do CTN ao caso. A limitação estabelecida dispositivo visa impedir a revisão de lançamento quando a situação jurídica está consolidada com base em critérios jurídicos vigentes à época do fato gerador, ainda que tais critérios digam respeito à valoração dos fatos ou à interpretação da lei. Tratase de uma garantia de que modificações em tais critérios que possam implicar na imposição de maior ônus tributário não sejam aplicadas retroativamente ao mesmo sujeito passivo. Pareceme incoerente arguir uma suposta violação ao princípio da segurança jurídica pois, além de não ter ocorrido a mudança suscitada tendo em vista que o valor recebido a título de usufruto foi tratado como receita operacional pela Fiscalização e também pela decisão recorrida, a adequação da exigência demonstra a Fl. 1171DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.172 38 aplicação do princípio da verdade material e, mais importante, foi favorável ao sujeito passivo. Excluir da base de cálculo um valor nela incluído equivocadamente, mantendose apenas o devido, é procedimento comum neste Colegiado. Digo mais, é atividade típica inerente ao julgamento e nesse aspecto não há reparo à decisão hostilizada. Logo, temse que a decisão recorrida não merece reparo nessa parte. Conclusão Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional para: i) reformar a decisão recorrida no que diz respeito à decadência do IRPJ, afastando a que havia sido reconhecida relativa ao anocalendário de 1999. Ressaltese que a decisão a quo determinou a apuração dos tributos respeitando o princípio contábil da competência, o que levou a uma redução do crédito tributário exigido e o que deve ser cumprido na execução do acórdão, nos termos lá exarados; ii) reformar a decisão recorrida no sentido de restabelecer a exigência relativa à glosa de despesas associadas ao CRCC. Também em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial do contribuinte, mantendo a correspondente exigência tributária na forma em que foi decidido no acórdão recorrido. Por fim consigno que o patrono, em sustentação oral, solicitou que o julgamento do presente processo ficasse sobrestado, até que fosse julgado o processo nº 16327.000009/200591. Todavia, tal pedido não foi conhecido pela maioria do colegiado porque formalizado somente em sede de sustentação oral. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 1172DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.173 39 Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura, Redator Designado. Minha discordância em relação ao substancioso voto da Relatora diz respeito apenas à possibilidade de se apresentar provas no recurso voluntário, desde que atendidos requisitos previstos na legislação processual administrativa tributária. Isso porque o processo administrativo tributário emana da Lei Maior, que assegura o contraditório e a ampla defesa às partes, no art. 5º, inciso LV: aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Tratou a Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, de consagrar os princípios no art. 2º: A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Devidamente consolidados no ordenamento jurídico, cabe à norma processual a missão de operacionalizar, de criar mecanismos para o exercício da ampla defesa e do contraditório. Nesse contexto, o Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, trata do assunto: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 1173DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.174 40 b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Grifei) Observase que, no exercício que lhe compete, a norma processual estabelece prazos para a apresentação das peças processuais pelas partes. Estabelece a necessária ordem ao processo, e permite a devida estabilidade para o julgamento da lide. Apesar de o texto mencionar apenas "impugnação", entendo que a interpretação mais adequada não impede a apresentação das provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão da matéria em litígio, ou seja, podem ser apresentadas desde que não disponham sobre nenhuma inovação. Foi precisamente o que ocorreu no caso concreto, tendo sido apresentada documentação de natureza complementar relativa ao critério de rateio convencionado no CRCC. Enfim, vale registrar que a apresentação das provas, ainda que em outra fase processual, segue o mesmo rito previsto pelo art. 16 do PAF, que estabelece com clareza prazo para sua apresentação (30 dias da ciência da parte) e discorre sobre a preclusão processual ocorrida em face do descumprimento temporal. E, no caso em tela, os documentos foram acostados por ocasião da interposição do recurso voluntário. Portanto, entendo não haver óbice para se considerar as provas acostadas pela Contribuinte no caso em tela. Registrese, contudo, que o fato de se admitir a apreciação das provas, ao final, não alterou o resultado do julgamento, vez que a Relatora, vencida nesse ponto, devidamente tratou de promover a análise das provas apresentadas, e chegou à conclusão de que não se prestariam a demonstrar com a necessária clareza o critério de rateio utilizado para o aproveitamento das despesas. Submetido à votação, o entendimento prevaleceu no Colegiado, por voto de qualidade (nessa oportunidade, acompanhei o voto condutor). Diante do exposto, voto no sentido de admitir a apresentação de provas no recurso voluntário, desde que apresentadas no prazo legal de trinta dias da ciência da decisão recorrida e tenham natureza complementar, não inovando na discussão trazida aos autos, o que ocorreu no caso concreto. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 1174DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.175 41 Declaração de Voto Conselheira Cristiane Silva Costa Com a devida vênia ao entendimento da nobre Relatora, por quem tenho imensa admiração, divirjo quanto ao conhecimento e mérito no julgamento do recurso especial da Procuradoria, como também no mérito quanto ao recurso especial do contribuinte. Trato inicialmente do recurso especial da Procuradoria. Conhecimento A Procuradoria apresentou recurso especial, com fundamento no art. 7º, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Portaria MF 147), por contrariedade ao artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, sustentando que não teria ocorrido o transcurso do prazo decadencial. A Ilustre Relatora conheceu do recurso especial por contrariedade à lei, no que a acompanho. Ademais, o recurso especial da Procuradoria sustenta divergência na interpretação da lei tributária quanto à interpretação do artigo 16, parágrafo 4, do Decreto n. 70.235/1972. Também acompanho o conhecimento do recurso especial por entender demonstrada a divergência na interpretação a respeito deste tema. A divergência no conhecimento, que manifesto pela presente declaração, é a respeito do conhecimento do recurso especial quanto à divergência na interpretação da lei tributária sobre o artigo 299, do RIR/99. Isto porque a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou recurso especial alegando divergência na interpretação adotada pelo acórdão recorrido e pelo acórdão paradigma apenas quanto à análise de provas não apresentadas à fiscalização. Nesse sentido, transcrevese parte substancial do tópico denominado “Do Cabimento do Recurso Especial por Divergência” (fls. 626/643): 56. A análise do processo administrativo confirma que o Recorrido, de fato, não apresentou nem à fiscalização, e nem à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, nenhuma prova de que as despesas deduzidas corresponderiam ao previsto no citado convênio de rateio de custos. 57. E a fiscalização foi extremamente clara ao exigir ao Recorrido que demonstrasse que as despesas de pessoal foram rateadas efetivamente com base na utilização dos serviços. 58. O Recorrido afirmou à fiscalização que o processo de mensuração dos valores rateados seria efetuado com base em um “modelo de apuração de custos”, em que os custos departamentalizados são alocados aos produtos ou diretamente às empresas, através da medição dos custos nas áreas envolvidas, a saber: Área de Negócios, Unidade de Processamento de Serviços às Agências (UPSA), Sistemas e Fl. 1175DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.176 42 Órgãos Gestores (como a contabilidade, por exemplo)” (cf. termo de verificação fiscal, às fls. 103 do processo administrativo). 59. Os pareceres que basearam o referido julgado explicam a forma de alocação de custos, que é calculada por “atividade”, quantificada por meio de “direcionadores de custo”. Válido transcrever o seguinte trecho do parecer da FIPECAFI. (...) 62. Ora, se assim o 6, se a despesa seria rateada com base em um determinado critério, é evidente que o Recorrido poderia e deveria demonstrar com documentação hábil, que os serviços ("atividades", como nomeado no parecer) foram prestados as sociedades envolvidas no rateio, e que os custos desses serviços foram apurados e rateados com base nos ditos "direcionadores de custo". Mas o Recorrido simplesmente não fez essa prova! 64. O Recorrido certamente entende que não é necessário demonstrar que o rateio das despesas foi corretamente efetuado, bastando, para suprir o ônus da prova, a sua afirmação (ainda que secundada por respeitáveis pareceristas). 65. Como se sabe, a jurisprudência pacificada dos Conselhos de Contribuintes é em sentido totalmente inverso. Confirase algumas ementas, a titulo meramente exemplificativo: Acórdão 10322086 Ementa: GLOSA DE CUSTOS — FALTA DE DOCUMENTAÇÃO FISCAL Glosamse os custos de participação em rateio de despesas de participação dentro do conglomerado econômico, a falta da documentação que comprove efetividade, critério de rateio e pagamento. Acórdão 10195777 Ementa: IRPJ GLOSA DE DESPESAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVIDADE E NECESSIDADE. Para dedução das despesas suportadas por outras empresas do mesmo grupo econômico e posteriormente rateadas e ressarcidas, a pessoa jurídica deve comprovar que as referidas despesas foram efetivamente incorridas, que são necessárias a manutenção da atividade operacional, e que são normais em tal atividade. Para tanto é imprescindível a identificação do critério de rateio ajustado, de sua razoabilidade e de sua observância. Acórdão 1053938 Ementa: DESPESAS OPERACIONAIS NÃO COMPROVADAS — Para que as despesas sejam dedutíveis não basta comprovar que foram elas contratadas, assumidas e pagas. É necessário, principalmente, comprovar que correspondem a bens e serviços Fl. 1176DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.177 43 efetivamente recebidos, e que esses bens ou serviços eram necessários, normais e usuais na atividade da empresa. Demonstrativos de rateio de despesas, que não se revestem desses elementos, não constituem prova eficaz a justificar a sua dedutibilidade. Acórdão CSRF/0101 .549 Ementa: IRPJ — CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS — SERVIÇOS DE CONSULTORIA TÉCNICA — DEDUTIBILIDADE — Para • efeitos da legislação do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, a dedução de dispêndios a título de custos ou despesas operacionais está condicionada comprovação da efetividade da prestação de serviços. Não basta comprovar que a despesa foi assumida e que houve o desembolso, é indispensável, principalmente, comprovar que o dispêndio corresponde a contrapartida de algo recebido e que, por isso mesmo, torna o pagamento devido. Nota fiscal com descrição genérica dos serviços como 'assessoria comercial' sem especificado de quais serviços teriam sido prestados e sem qualquer documentação que comprove a prestação dos serviços a empresa não se presta a acobertar a dedutibilidade da despesa. (...) 67. No caso concreto, o Recorrido apenas identificou o critério de rateio, mas não fez prova alguma de que as despesas foram rateadas como previsto nos pareceres anexados ao recurso voluntário. 68. Notese, portanto, que esses pareceres anexados ao recurso voluntário não mudam em nada a situação constatada pela própria e. Câmara a quo, de que a "fiscalização não rejeitou o critério adotado pela impugnante, mas se viu impossibilitada de conferilo, pela não apresentação dos demonstrativos que o respaldam". 69. Ora, data maxima venia, esse estado de coisas permanece inalterado, pois não há nos autos nenhum documento que permita auditar o rateio de despesas com base nos critérios alegados pelo Recorrido! 70. Dessa forma, surpreende que a e. Primeira Camara tenha acolhido os pareceres apresentados pelo Recorrido. 71. Porém, a despeito da e. Camara a quo ter julgado que os pareceres representariam algum tipo de prova, não restou demonstrada a impossibilidade de sua apresentação na impugnação, consoante previsto no § 4° do artigo 16 do Decreto n.° 70.235/72. Afastouse, portanto, a aplicação da regra com base no "princípio da finalidade" do processo, concluindose que, em caso de conflito entre tal regra e esse princípio, o segundo. 72. Em que pese tal posicionamento, o art. 16 do Decreto n.° 70.235/72 em nada destoa do "principio da finalidade" do Fl. 1177DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.178 44 processo, ao contrário, o concretiza. A finalidade do processo é a solução do conflito. A regra do art. 16 do Decreto n.° 70.235/72 visa impedir a eternização indesejada do litígio, sem vedar a possibilidade de apresentação de provas em caso de força maior. Ou seja, a regra está em plena sintonia com o princípio. (...) 74. Vêse claramente que o art. 16 do Decreto n.° 70.235/72 proíbe a juntada extemporânea de provas, mas prevê as situações excepcionais que justificariam a sua apresentação. Não há conflito entre o princípio invocado pela e. câmara a quo e a regra, mas mesmo se esse conflito existisse, não há nenhuma razão extraordinária que justificasse o afastamento da regra. 75. Em verdade, os pareceres anexados pelo Recorrido apenas agregam argumentos na defesa da suposta razoabilidade dos critérios de rateio, mas não fazem prova do cumprimento dos requisitos para a dedutibilidade das despesas, previstos em lei e confirmados pela jurisprudência do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Portanto, nada justifica a juntada desses documentos aos autos. 76. Por outro lado, também é evidente que não pode ser aceita a prática de alguns contribuintes, de apenas apresentar a os documentos que infirmariam o auto de infração após a sua lavratura e durante o contencioso administrativo, de modo a impedir que a fiscalização os avalie. 77. Tal prática ofende o princípio de colaboração que governa a relação entre o contribuinte e o Fisco. A doutrina pátria já se manifestou acerca do dever de colaborar com a fiscalização. Válido transcrever as lições de JAMES MARINS (...) 78. ALBERTO XAVIER também confirma que o contribuinte possui o dever de colaborar com a fiscalização: (...) 80. De fato, consoante a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, mesmo que o contribuinte apresente os documentos que comprovem a higidez da sua escrituração após o arbitramento, não se pode cancelar o auto de infração, pois não pode ser aceito o arbitramento "condicional". Confirase: Acórdão CSRF/010.241 IRPJ ARBITRAMENTO DO LUCRO Comprovada a inexistência e/ou recusa na apresentação dos livros que amparariam a tributação com base no lucro real, cabível é o arbitramento do lucro. Atendidos os pressupostos objetivos e subjetivos na prática do ato administrativo de lançamento, sua modificação ou extinção somente se dará nos casos previstos em lei (CTN, art. 141). Como inexiste arbitramento condicional, o ato administrativo de lançamento não é modificável pela posterior apresentação do documentário cuja inexistência e/ou recusa foi a causa do arbitramento. Fl. 1178DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.179 45 Acórdão 10510.186 IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA LUCRO ARBITRADO A adoção do lucro arbitrado, como base de cálculo para a apuração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, decorre da existência das condições materiais previstas em Lei no momento de sua ocorrência, e somente pode ser ilidido pela prova irrefutável de que as condições que alicerçam o evento não existiam no momento do lançamento. O arbitramento dos lucros não é fato condicional, portanto, não pode ser sanado com a extemporânea regularização da causa que o originou. 81. Do acórdão proferido pela e. Câmara Superior de Recursos Fiscais, é válido citar o seguinte trecho do voto condutor, da lavra do e. conselheiro AMADOR OUTERELO FERNANDEZ: (...) 82. A apuração das despesas que poderiam ser rateadas pelo Recorrido não deixa de ser espécie de arbitramento, autorizado pelo art. 148 do Código Tributário Nacional. Notese que a própria e. câmara a quo afirmou que, diante da negativa do Recorrido em apresentar os documentos que comprovassem a dedutibilidade das despesas, a fiscalização andou bem em calcular as despesas dedutíveis com base em critério de rateio aceito pela técnica contábil. 83. Nesse contexto, não pode ser aceita a apresentação extemporânea de "pareceres" por parte do Recorrido, sem que a fiscalização possa, sequer, aferir se as alegações efetivamente afastariam a acusação fiscal. 84. Ou seja, inferese, conjuntamente com a e. Quinta Câmara, que diante da impossibilidade de as autoridades autuantes verificarem se os documentos apresentados afastariam a acusação fiscal, em função justamente da sua extemporaneidade, não seria legitimo aceitar que o critério adotado pela fiscalização foi equivocado. 85. Tal entendimento é plenamente consentâneo com o imperativo ético, de confiança e colaboração, que deve governar a relação entre Fisco e contribuinte, aliás, cristalizado também no art. 145, § 1º da Constituição Federal de 1988. Não é correto que o contribuinte leve à fiscalização a conclusões inúteis e incorretas, e cause desperdício de recursos públicos, mediante a sonegação proposital de elementos de prova e documentos. 86. Dessa forma, concluise que: a) a juntada aos autos dos pareceres apresentados pelo Recorrido, não pode ser aceita em decorrência do disposto no art. 16, § 4º do Decreto n.° 70.235/72; b) os pareceres apresentados pelo Recorrido demonstrariam, apenas, que o critério de rateio utilizado pelo Recorrido estaria Fl. 1179DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.180 46 de acordo com a técnica contábil. Todavia, não há nenhuma prova de que as despesas foram deduzidas com base nesse critério; c) a apuração das despesas dedutíveis mediante o critério adotado pela fiscalização está correta e não pode deixar de ser aceita em função de pareceres apresentados extemporaneamente, que sequer foram aferidos pela fiscalização. Não é possível o arbitramento condicional. A longa transcrição é feita para elucidar que o único ponto que justificava o cabimento do recurso especial interposto por divergência na interpretação da lei tributária, identificado pela parte, foi a preclusão na análise de provas que não foram apresentadas à fiscalização, como se observa das razões da então recorrente. A Ilustre Relatora entendeu pelo conhecimento do recurso especial da Procuradoria por divergência também quanto ao artigo 299, do RIR/1999, nos seguintes termos extraídos do seu voto: Em tempo, cumpre esclarecer que o Acórdão nº 10516.141 não foi apresentado para sustentar a divergência na questão da preclusão da prova, uma vez que a ementa transcrita pela Fazenda direciona a sua atenção para a questão da dedutibilidade da despesa, conforme transcrito acima. Todavia, o despacho de admissibilidade supracitado não abordou a divergência sobre a dedutibilidade, seja para admiti la ou para recusála. Tal fato fez com que o processo retornasse para o Presidente da 1ª Câmara para que este tivesse a oportunidade de complementar a decisão inicial. Em consequência, foi exarado o despacho de admissibilidade complementar encontrado nas efls. 1072 e ss., pelo qual foi admitida a divergência quanto à verificação da dedutibilidade das despesas. (...) A contribuinte ainda afirma que não há omissão no despacho de admissibilidade original. Nessa quadra, a contribuinte se descola da realidade, ao desconsiderar os seguintes trechos da petição do recurso especial (efls. 626 e 630): 38. O acórdão proferido pela e. Câmara a quo diverge da jurisprudência deste e. Conselho de Contribuintes acerca da interpretação do art. 16, § 4o, do Decreto n.° 70.235/72, e dos arts. 249, 251, 264, 299 §§1° e 2o, e 300 do RIR/99, citados no auto de infração. ... 48. O acórdão proferido nos autos diverge, ainda, do acórdão n.° 10516.141, proferido pela e. Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes em julgamento de recurso voluntário interposto por sociedade que, assim como o Recorrido, era parte no convênio de rateio de custos firmado por empresas do "Grupo Itaú" Confirase a ementa do acórdão paradigma: Fl. 1180DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.181 47 Acórdão n° 10516.141 "RATEIO DE CUSTOS. DEDUTIBILIDADE. Não comprovado o critério utilizado para rateio das despesas de pessoal, entre empresas interligadas, prevalece o critério com base na receita bruta. " 49. Os autos de infração analisados no acórdão paradigma e no acórdão proferido pela e. Câmara a quo estão fundamentados nos mesmos fatos e nas mesmas normas legais, porque decorrem de glosa de despesas que estariam justificadas no citado convênio de rateio, mas não provadas com os documentos adequados. Confirase o seguinte trecho do voto condutor do acórdão paradigma: "A fiscalização, diante da não apresentação dos demonstrativos de custos incorridos e respectivos através das planilhas de rateio, elaborada pelo custo dos homens/hora utilizados, bem como prova ou indício de prova da efetiva utilização dos referidos serviços, contabilizados como prestados pelo Banco Itaú, entendeu não ter atendido o contrato de folha 04 do anexo II que prevê a apuração e o rateio dos custos de acordo com a efetiva utilização" Assim, é de se entender que o recurso especial da Fazenda Nacional buscou que este Colegiado apreciasse a divergência na interpretação do expressamente apontado artigo 299 do RIR/99, o qual trata das despesas dedutíveis. Ocorre que não há demonstração da analítica da divergência, em razões do recurso especial, a respeito do artigo 299, do RIR, como exigido pelo RICARF para fins de conhecimento do recurso. Mesmo quando trata do acórdão nº 10516.141, a Recorrente o faz para tratar da preclusão. Das suas razões, destaquemse os trechos que demonstram claramente que só a divergência na interpretação da legislação era apenas quanto a este ponto: 50. Consoante o acórdão paradigma, não seria possível acatar os laudos que poderiam comprovar a suposta dedutibilidade das despesas do Recorrido, porque não foram apresentados à fiscalização. (...) 53. Ou seja, consoante tal entendimento, a apresentação de provas pelo Recorrido na fase de impugnação ou de recurso voluntário seria indiferente, eis que, após a lavratura do auto de infração não seria possível alterar o critério de lançamento, qual seja, o cálculo destas despesas com base no percentual de receita do Recorrido. (grifo nosso) Mesmo se analisado o trecho do acórdão paradigma reproduzido pela Recorrente, notase que o enfoque é a respeito da preclusão, como se observa do seguinte trecho: Fl. 1181DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.182 48 Realmente a fiscalização não teve acesso ao laudo, a empresa mormente o Itaú centralizadora dos custos, que foi intimado de forma clara, poderia ter já no curso da fiscalização apresentado os laudos que poderiam permitir a aferição, não só dos custos globais como os métodos de rateio pela auditoria. Diante de tal impossibilidade e consciente de que efetivamente a autuada utilizara a rede Itaú para colocar os seus produtos a fiscalização não teve outra alternativa, senão utilizar o método de repartição de custos de acordo com o percentual de receita. Como não há arbitramento e nem lançamento condicional, não há como acatar os laudos, pois acatálos seria o equivalente a modificar a base de cálculo, alterar o critério de lançamento. (...) Os laudos não podem mudar o critério de fiscalização, pois se tais laudos existiam por ocasião da auditoria deveriam ter sido apresentados de modo a demonstrar a correção no compartilhamento de custos de acordo com o convênio assinado, assim seria possível a aferição por parte da fiscalização.’ O primeiro despacho de admissibilidade do recurso especial interpretou o recurso especial da mesma forma, reconhecendo que a única matéria tratada em recurso especial por divergência é a preclusão para apresentação de provas (fls. 668): Examinado os Acórdãos paradigma, restou esclarecido que, via de regra, a prova documental deve ser apresentada junto com a impugnação, precluindo o direito de a contribuinte anexar em outro momento processual, ressalvadas as exceções legais (art. 16 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972). Assim, a alegação sem prova não deve ser acatada. Ressaltese, ainda, que o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais apenas autoriza a análise de dois acórdãos paradigmas, determinando sejam descartados os demais. Nesse sentido, é a prescrição do artigo 67, § 6º e §7º do atual Regimento (Portaria 343/2015): Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der À legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) §2º. Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência arguida indicando até 2 (duas decisões divergentes) por matéria. §7º. Na hipótese de apresentação de mais de 2 (dois) paradigmas, serão considerados apenas os 2 (dois) primeiros indicados, descartandose os demais. Pondero, ainda, que esta Câmara Superior de Recursos Fiscais tem adotado interpretação muito abrangente na admissibilidade de recursos especiais, a despeito da previsão no artigo 67, §8º, do atual Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fl. 1182DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.183 49 Fiscais, que exige a demonstração analítica dos pontos no acórdão paradigma que divirjam do acórdão recorrido: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Em sentido similar, previa o Regimento Interno anterior (Portaria nº 256/2009), conforme artigo 67, §6º: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Em respeito à verdade material e ao formalismo moderado, são usualmente admitidos recursos que não cumpram rigorosamente a exigência de demonstração analítica dos pontos de divergência, mas tal flexibilidade não pode chegar ao limite de enfrentar temas não tratados em recurso especial de qualquer das partes, sob pena de julgamento ultra petita. A competência desta Câmara Superior de Recursos Fiscais está delimitada pelo objeto do recurso, isto é, pela divergência alegada e demonstrada pela recorrente em suas razões. Diante disso, voto pelo conhecimento parcial o recurso especial da Procuradoria, negando conhecimento da matéria por ela não confrontada analiticamente (art. 299). Mérito No mérito, também divirjo do entendimento da nobre Relatora, votando por negar provimento ao recurso especial da Procuradoria. Como tratado largamente no acórdão recorrido, os pareceres técnicos apresentados nos autos demonstram de suficiente a legitimidade do rateio de despesas feito pelo contribuinte. Do voto condutor, colacionamse trechos relevantes: Para se apurar o valor das despesas glosadas nos anos calendário de 2001 e 2002, a fiscalização utilizouse do método de custeio indireto, parametrizado pelo conceito de receita bruta, eis que impossível à adoção do método de custeio direto, tendo em vista que o Recorrente não conseguiu demonstrar por ocasião da fiscalização o rateio efetivo das Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.184 50 despesas atribuídas para cada urna das empresas do conglomerado ITAU (efetiva realização dos serviços), conforme pactuado no "Convênio de Rateio de Custos Comuns", impossibilitando, com isso, a fiscalização de verificar os três requisitos fundamentais para dedutibilidade de despesas, quais sejam, necessidade, usualidade e normalidade. (...) Quanto aos critérios de rateio utilizados pelo Recorrente, respaldados no "Convênio de Rateio de Custos Comuns". por ele firmado com o Banco baú S.A., é de se observar que esta E. Câmara já apreciou a presente matéria, em processo envolvendo empresas do mesmo grupo econômico. tendo como Relatora a Ilustre Conselheira Sandra Maria Faroni Acórdão n. 10195.791, de 18.10.2006 que após tecer os seus sempre bem fundamentados argumentos, entendeu por bem dar provimento ao recurso naquele processo, o qual o acompanhei na sua integralidade, e por isso, peço 1, ;nicr para fazer uso dos argumentos e fundamentos do que la foi decidido neste processo, vejamos: "A elucidação do litígio requer diferentes abordagens de análise. Efetivamente, o fisco não nega a licitude de convênios para repartição de custos entre empresas do mesmo grupo, objetivando mais eficiência. O Termo de Constatação, reportandose a doutrina sobre o tema, menciona que critério de rateio dos custos/despesas pode seguir o método direto e o método indireto. No primeiro (método direto), o rateio é feito de acordo com a quantidade efetiva atribuível a cada um participante, apurável cm planilhas nas quais a apropriação dos custos dos homens/hora, das máquinas/equipamentos, etc. observa sua utilização efetiva. No segundo (método indireto) não há uma relação efetiva entre o custo do serviço utilizado e sua remuneração em função do benefício recebido, aplicandose uma proporcionalização com base em determinado parâmetro, sendo o mais utilizado o volume de faturamento. No caso, o convênio firmado entre a Recorrente e as demais empresas do grupo prevê que os custos serão apurados e rateados de acordo com a efetiva utilização, segundo métodos estatísticos e matemáticos, e quo o Banco Itaú S/A. preparará os demonstrativos dos custos e do respectivo rateio. Durante o procedimento de fiscalização a instituição financeira foi regularmente intimada, com relação a cada uma das empresas participantes do convênio, a comprovar, com documentação hábil e idônea, a efetiva prestação dos serviços que teriam sido prestados pelo Banco Itaú às referidas empresas, identificando e quantificando os funcionários envolvidos na referida prestação e destacando a parcela dos serviços destes que teria sido debitada à empresa contratante, nada apresentando nesse sentido. Essa postura Fl. 1184DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.185 51 ofende o dever do contribuinte de colaborar com a fiscalização. Como bem destacou a decisão recorrida, empresa, durante o procedimento de fiscalização, já estava de posse dos laudos elaborados pelos auditores independentes Boucinhas e Campos, e omitiuse de apresentálos. Com a impugnação, o Banco teve nova oportunidade para provar a idoneidade do rateio. Não obstante ter descumprido seu dever de colaboração, a lei faculta a discussão administrativa do lançamento, podendo o sujeito passivo contestalo, declinando os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A prova documental deve acompanhar a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a não ser que ocorra uma das razões especiais previstas na lei (Decreto n° 70.235/72, arts. 15 e 16). (...)” De se observar que a fiscalização não rejeitou o critério adotado pelo impugnante, mas se viu impossibilitada de conferilo, pela não apresentação cios demonstrativos que o respaldam. Não cabe exigir da fiscalização que, ante a ausência de fornecimento de elementos para averiguar o rateio feito, o homologue. Por outro lado, não é razoável impugnar o rateio de despesas, se não houver dúvidas quanto à efetiva repartição dos custos. Assim, a fiscalização agiu com ponderação e equilíbrio ao acatar o rateio aplicando o método indireto, o único a que pôde ter acesso e que, inclusive, é o mais freqüentemente adotado. Ocorre que o Recorrente está agora trazendo pareceres técnicos de renomadas entidades, que analisam procedimentos contábeis do Banco Itaú, relacionados ao convênio de rateio de custos, e relatam uma revisão e avaliação dos métodos utilizados no rateio de custos comuns do Conglomerado Itaú nos exercícios de 1999 a 2003. (...) Da análise dos documentos trazidos. a primeira constatação que aflora é de que possibilidade de verificação do rateio pelo fisco não se resumiria a analisar "planilhas e demonstrativos", exigindo uma auditoria profunda, tal como as feitas, especialmente pelo FIPECAFI e pela Moore Stephens. cujos relatórios se encontram anexados ao memorial. Essa constatação atenua a percepção de que o contribuinte teria descumprido seu dever de colaboração com a fiscalização. Vejase que, ao ser intimado a comprovar, com documentação hábil e idônea, a efetiva prestação dos serviços que teriam sido prestados pelo Banco Itaú às demais empresas, identificando e quantificando os funcionários envolvidos na referida prestação e destacando a parcela dos serviços destes que teria sido debitada à empresa contratante, o Banco esclareceu ser inviável, face ao sistema de compartilhamento de custos, identificar quais funcionários Fl. 1185DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.186 52 trabalham para cada uma das empresas. Aduziu que o processo de apuração do montante a ser rateado mensalmente toma como base os valores efetivamente utilizados, bem como os volumes produzidos pelos recursos compartilhados e que, para tanto, utiliza um modelo de apuração de custos, em que os custos departamentalizados são alocados aos produtos ou diretamente as empresas através da medição dos custos das áreas envolvidas. Esclareceu que o rateio abrange um imenso volume de informações, visto envolver praticamente toda a estrutura operacional do conglomerado, e se dispôs a prestar os esclarecimentos que se fizessem necessários. A análise do FlPECAFI contemplou aspectos conceituais e procedimentais relativos ao sistema de custos utilizado pelo Grupo Itaú e à forma de rateio, a abrangeu o período de 1999 a 2003. Em sua conclusão, afirma o parecer do FIPECAFI que: (a) o procedimento esta conceitualmente correto; (b) nas duas formas de ressarcimento (com base na grade de rateio e com base no custo dos produtos efetivamente comercializados) houve mensuração sistemática, direita e indireta, individualizada por empresa; (c) embora a empresa venha migrando, gradativamente, do ressarcimento feito com base na grade de custeio para o feito com base no custo dos produtos — na medida em que se aperfeiçoa o processo de mensuração de seus custos — não foi detectada utilização assistemática, errática ou aleatória de critérios de rateio, como se houvesse intuito de manipular resultados. Da mesma forma, a Moore Stephens Auditores independentes, no item 2 do Relatório de Avaliação dos Métodos Utilizados, descreve as principais características do sistema de custos adotado pelo Grupo Itaú. No item 3, para melhor visualizálo, apresenta dois casos reais, e no item 5 conclui que o sistema atende a diversas e importantes finalidades, uma das quais é a mensuração dos valores devidos pelas empresas do Conglomerado Itaú pelo compartilhamento das estruturas administrativa, operacional e comercial do 1taubanco." Ainda, concluindo sua bem fundamentada decisão, a Nobre Relatora asseverllka: "Considero que os documentos trazidos, cuja anexação aos autos foi determinada, demonstram que os valores foram rateados tendo em vista a efetiva utilização dos serviços e a necessidade das empresas. não podendo prevalecer a glosa. Sendo assim. por comungar integralmente com os argumentos acima despendido em relação a matéria posta no presente item. voto no sentido de lhe DAR provimento. Compartilho do entendimento manifestado pela Primeira Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes no sentido de que há efetiva comprovação de que os Fl. 1186DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.187 53 valores foram rateados, tendo em vista a efetiva utilização do serviço e a necessidade das empresas. Diante disso, voto por conhecer parcialmente o recurso especial da Procuradoria, negando conhecimento da matéria por ela não confrontada analiticamente (art. 299) e, sendo vencida, voto por dar parcial provimento ao recurso, reconhecendo apenas a inocorrência de decadência, no que acompanho a Ilustre Relatora. Nego provimento ao recurso, portanto, quanto à alegada preclusão, no que acompanho o voto do Conselheiro André Mendes de Moura pelas conclusões, e quanto à dedutibilidade de despesas (art. 299, do RIR). Passo a tratar do recurso especial do contribuinte, limitandome a tratar do mérito, considerando que o recurso foi conhecido pela unanimidade dos componentes deste Colegiado. O recurso especial do contribuinte foi interposto por divergência na interpretação da lei tributária a respeito da tributação de usufruto oneroso. Nesse sentido, esta Turma da CSRF julgou conjuntamente o processo administrativo n. 16327.001718/200593 (acórdão n. 9101002.999), no qual proferido voto do Conselheiro Gerson Macedo Guerra, que acompanhei e ora adoto como razão de decidir. Conclusão Conforme razões expostas, voto por conhecer parcialmente o recurso especial da Procuradoria, admitindoo quanto à contrariedade à lei (decadência) e preclusão da prova (art. 16, parágrafo 4º, do Decreto n. 70.235/1972) e, tendo sido vencida no conhecimento, voto por dar provimento parcial ao recurso especial, acompanhando a Relatora unicamente quanto à decadência. Assim, nego provimento ao recurso especial da Procuradoria quanto a preclusão – neste ponto acompanhando o voto vencedor do Conselheiro André Mendes de Moura e quanto ao art. 299, do RIR/99, confirmando a dedutibilidade das despesas. Outrossim, voto por conhecer e dar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.188 54 Declaração de Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra Utilizome dessa declaração de voto para destacar duas questões discutidas no julgamento do presente caso. Uma delas, a não aplicação das regras que tratam da preclusão do direito do Contribuinte de apresentar provas, previstas no § 4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72, haja vista que os documentos posteriormente juntados não se tratam de provas novas apresentadas em segunda instância de julgamento, mas apenas de detalhamento de questões já postas pelo Contribuinte desde o procedimento fiscal. Outra, a tributação das receitas da cessão de usufruto. Para fins didáticos, separo tais questões em tópicos. 1) INAPLICABILIDADE DAS REGRAS QUE TRATAM DA PRECLUSÃO AO PRESENTE CASO Constatase dos termos de intimação fiscal e do termo de verificação fiscal constantes dos presentes autos que a autoridade fiscal condutora do procedimento pretendia a identificação e qualificação dos funcionários que teriam prestado serviços ao Contribuinte no âmbito do convênio de rateio de custos, bem como da exata parcela que teria sido debitada ao Contribuinte em questão em razão da utilização do respectivo serviço. Ou seja, no âmbito de um contrato de rateio de despesas, onde determinadas áreas corporativas são concentradas em determinada empresa do grupo, pretendia a fiscalização a identificação da parcela exata do custo dos funcionários que houvessem realizado qualquer atividade para o Contribuinte em questão, relativa às atividades realizadas. Vale a transcrição da seguinte passagem do TVF: O Contribuinte, a seu turno, informa ser impossível a demonstração específica do funcionário, bem como da específica parcela de seu custo relativa à atividade realizada a seu favor, dado que o critério utilizado não é o de custeio direto, mas de custeio indireto, onde os custos departamentalizados são alocados aos produtos ou diretamente às empresas, através da medição dos custos das áreas envolvidas. Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.189 55 Vale aqui a transcrição do seguinte trecho do TVF (fls. 103): Inobstante à resposta do Contribuinte, uma segunda intimação foi realizada, onde foi solicitado, além de outras informações, planilha de rateio dos valores pagos, mensalmente, em decorrência dos serviços, discriminando funcionários que teriam sido utilizados, custo bruto desses funcionários, total de horas trabalhadas, total de horas apropriadas no rateio, e valor apropriado. Novamente, o Contribuinte reitera a impossibilidade de apresentar o relatório de custos pretendido pela fiscalização. Nesse contexto, concluiu a autoridade fiscal: 1. as empresas do grupo deixaram de apresentar à fiscalização os demonstrativos dos custos incorridos e respectivos rateios com base na efetiva utilização dos serviços, utilização esta, que também não foi devidamente comprovada (fls. 110); 2. as empresas do grupo deixaram de apresentar as planilhas de rateio, elaboradas pelo custo dos homens/hora utilizados, bem como qualquer prova, ou indicio de provas da efetiva utilização dos referidos serviços (fls. 110/111); 3. é inegável a eventual participação de funcionários do Banco Itaú S/A em serviços junto As empresas do "conglomerado Itaú", participantes do Convênio de Rateio de Custos Comuns, incluindo o Banco Itaú BBA S/A; 4. Em sendo o rateio realizado pelo método direto, o Banco Itaú S/A., o Banco Itaú BBA S/A., bem como as demais empresas, teriam que demonstrar as operações nas quais houve a utilização efetiva de Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.190 56 funcionários do Banco Itaú S/A., bem como teriam que demonstrar o custo homens/hora das áreas de auditoria, contencioso judicial, consultoria jurídica, contabilidade/financeira, marketing, recursos operacionais e recursos humanos utilizados nas operações que modificaram a situação patrimonial do Banco Itaú BBA (último parágrafo fls.111/112). 5. Não havendo apresentado esses elementos de prova, resta comprovado que o rateio dessas despesas foi realizado em total desacordo com o pactuado no "Convênio de Rateio de Custos Comuns", ou seja, o rateio não foi realizado de acordo com a efetiva utilização dos serviços já relacionados (último parágrafo fls.111/112). 6. Em outras palavras, não foi utilizado o método direto para o rateio das despesas de pessoal das áreas de auditoria, contencioso judicial, consultoria jurídica, contabilidade/financeira, marketing recursos operacionais e humanos (último parágrafo fls.111/112). Diante disso, para lavratura do auto de infração, a fiscalização utilizou o método indireto, valendose do critério de rateio pela receita bruta, o que culminou na redução de prejuízo fiscal e base negativa e cobrança de tributos. Percebam que em momento algum a fiscalização se aprofundou nos critérios de rateio informados pelo Contribuinte. Não houve qualquer intimação para verificação da correção dos referidos critérios. Diante disso o Contribuinte apresentou impugnação, alegando, dentre outros fundamentos, que: 1. Que o critério de alocação de custos do anteriormente denominado BANCO BEMGE S/A era feito com a criação de um "Centro de custo/ órgão" a ele vinculado, no qual eram alocados custos diretos e indiretos da empresa, dependendo do tipo de atividade exercida; 2. Assim, diferentemente da alegação, por parte da fiscalização, de que o Impugnante aplicaria somente o critério de imputação direta, o critério de apropriação de custos variava em função do tipo de atividade exercida. Vale destacar que o quanto alegado em sede de Impugnação Corrobora o quanto já havia sido afirmado durante o procedimento fiscal. E para comprovar a consistência dos critérios de rateio adotados, bem como a existência de relatórios pormenorizados de controle dos custos e despesas rateados, que em momento algum foram solicitados pela fiscalização, o Contribuinte juntou demonstrativo de custos referente ao meses de agosto a dezembro de 2002. A par disso, a DRJ assim decidiu: RATEIO DE CUSTO. COMPROVAÇÃO NECESSARIA. Em se adotando apuração de custos por rateio em virtude da utilização de estrutura material e pessoal de outra empresa para o Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.191 57 exercício de suas atividades , cabe ao contribuinte apresentar as planilhas demonstrativas do mesmo, bem assim os documentos que as alicerçaram. Na ausência destes. a autoridade fiscal deve adotar critério de rateio indireto em função das informações de que disponha, caso tenha reconhecido a possibilidade da utilização efetiva da estrutura de outra empresa. Diante disso, objetivando a comprovação dos métodos adotados, o Contribuinte solicitou a elaboração de laudos, que validam os critérios e os procedimentos relativos ao Convênio de Rateio de Custos, os quais foram anexados ao recurso voluntário. Nesse contexto os laudos apresentados foram acatados pela Turma a quo, que, em meu entendimento, deu provimento ao Recurso Voluntário por compreender que o quanto alegado pelo contribuinte desde o procedimento fiscal, de que os critérios de rateio efetivamente utilizados eram distintos daqueles cuja comprovação a fiscalização exigia. Reparem que a decisão recorrida sequer adentra no conteúdo dos laudos para validar o exato valor considerado pelo Contribuinte como custo/despesa. Logo, em meu entendimento os laudos apresentados conjuntamente com o Recurso Voluntário não se tratam de provas novas, mas apenas elementos adicionais trazidos com a finalidade de demonstrar as alegações do contribuinte trazidas desde o procedimento fiscal. Nesse contexto, não vislumbro aqui a aplicação do §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72. Por essa razão neguei provimento ao Recurso da Fazenda Nacional quanto à este tema. E quanto à dedutibilidade das despesas rateadas neguei provimento ao Recurso da Fazenda Nacional por compreender que o lançamento foi efetuado sem sequer ser solicitada qualquer comprovação do critério informado pelo Contribuinte desde a resposta à primeira notificação. Nem mesmo na segunda intimação a fiscalização levou em consideração o quanto informado e insistiu na solicitação de planilha com valores das horas trabalhadas por empresa do grupo. 2) TRIBUTAÇÃO DAS RECEITAS DA INSTITUIÇÃO DE USUFRUTO Importante inicialmente se atentar que alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, dação em pagamento, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins são operações sujeitas à apuração de ganho de capital. Nesse contexto, a outorga temporária de usufrutos de ações tratase de cessão onerosa de direitos. Ou seja, o contribuinte abre mão de um direito futuro em troca de recursos presentes. Logo, operação sujeita à apuração de ganho de capital. Entendo que o reconhecimento da receita relativa à instituição do usufruto deveria sim levar em consideração o regime de competência. Entendo também que, por tal Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.192 58 regime, exigese que as receitas sejam confrontadas com os custos e despesas correlatas, conforme determina a Resolução CFC n° 750/93, atualmente vigente: Art. 9º O Princípio da Competência determina que os efeitos das transações e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem, independentemente do recebimento ou pagamento. Parágrafo único. O Princípio da Competência pressupõe a simultaneidade da confrontação de receitas e de despesas correlatas. Sobre os custos e despesas a serem considerados no negócio jurídico de outorga temporária de usufruto, bem se manifestou o relator do Acórdão nº 1201000.386, nos seguintes termos: No usufruto de ações, os frutos que o usufrutuário gozará são exatamente os dividendos e o juro sob capital próprio (JCP) que a empresa investida pagará aos sócios ou, no caso, ao usufrutuário. Nesse sentido, vejase o art. 205 da Lei 6.404/76: “A companhia pagará o dividendo de ações nominativas à pessoa que, na data do ato de declaração do dividendo, estiver inscrita como proprietária ou usufrutuária da ação (...) § 3º O dividendo deverá ser pago, salvo deliberação em contrário da assembléia geral, no prazo de 60 (sessenta) dias da data em que for declarado e, em qualquer caso, dentre do exercício social”. Para o nu proprietário, o custo da constituição do usufruto será o valor dos dividendos e do JCP que forem declarados pela companhia investida durante a vigência do contrato de usufruto, que ele deixará de fruir em virtude da constituição do usufruto. E o seu ganho será o preço pago pelo usufrutuário, in casu, o valor fixo de R$6.080.000,00. Se a empresa investiga pagar mais frutos do que o preço do usufruto, o nu proprietário apurará uma perda. Caso contrário, apurará ganho de capital. (g.n) Nesse contexto, entendo que merece reforma o Acórdão a quo, ao mencionar que os custos e despesas deveriam ser controlados extracontabilmente, apenas para avaliação econômica do negócio jurídico realizado. Em meu entendimento os dividendos e JCP pagos no período do usufruto deveriam ser considerados para a apuração das bases de cálculo dos tributos. Penso também que merece reparo o Acórdão a quo quando da conclusão de que identificada a falha na formação da base de cálculo dos tributos, novo cálculo deveria ser efetuado, para se retificar o valor inicialmente cobrado no auto de infração. Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 16327.001227/200542 Acórdão n.º 9101003.003 CSRFT1 Fl. 1.193 59 A meu ver, na lavratura do auto de infração a autoridade lançadora incorreu em vício material, errando na identificação da base de cálculo do imposto, infringindo o artigo 142, do CTN, que assim dispõe: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Constatado o vício material, em minha concepção devese cancelar o lançamento e não determinar a retificação do vício, como feito no julgamento a quo. Nesse contexto, voto por dar provimento ao Recurso do Contribuinte. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 1193DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.000959/2010-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 16/03/2010
Ementa:
IPI. COMPENSAÇÃO. FRAUDE. FALSIDADE. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. PERCENTUAL DE 150%.
Cabível, no caso de falsidade, caracterizando a fraude tipificada no art. 72 da Lei no 4.502/1964, a aplicação da multa prevista no artigo 18 da Lei no 10.833/2003, no patamar de 150%, seja em sua redação original ou na alterada pela Lei no 11.488/2007.
Numero da decisão: 3401-003.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, destacando a importância de que os processos no 13971.003293/2009-98 e no 13971.907611/2009-91 continuem apensados ao presente, evitando decisões dissonantes e/ou prejudiciais.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: Rosaldo Trevisan
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COMPENSAÇÃO. FRAUDE. FALSIDADE. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. PERCENTUAL DE 150%. Cabível, no caso de falsidade, caracterizando a fraude tipificada no art. 72 da Lei no 4.502/1964, a aplicação da multa prevista no artigo 18 da Lei no 10.833/2003, no patamar de 150%, seja em sua redação original ou na alterada pela Lei no 11.488/2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, destacando a importância de que os processos no 13971.003293/200998 e no 13971.907611/200991 continuem apensados ao presente, evitando decisões dissonantes e/ou prejudiciais. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 09 59 /2 01 0- 90 Fl. 838DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 572 a 5751, com ciência ao sujeito passivo em 30/03/2010 (fl. 579), para exigência de multa isolada por compensação indevida, prevista no art. 18 da Lei no 10.833/2003, com redação dada pelas Leis no 11.051/2004 e no 11.195/2005, combinada com o art. 90 da Medida Provisória no 2.158 35/2001 e com o art. 44 da Lei no 9.430/1996, no valor original de R$ 1.639.804,52. No Termo de Verificação da Infração (fls. 562 a 569), narra a fiscalização que: (a) a ação tem origem no Despacho Decisório proferido no processo administrativo no 13971.003293/200998, que não homologou compensação transmitida em 28/11/2005 (DCOMP às fl. 5 a 104), no valor de R$ 1.093.203,01; (b) intimada a apresentar a documentação comprobatória do direito de crédito, a recorrente informou que não localizou diversos livros fiscais e dados referentes a notas fiscais de saída; (c) em análise do PER/DCOMP transmitido, observouse, na ficha Notas Fiscais de Entrada/Aquisição, que a recorrente informou derivar o crédito de 9.876 notas, das quais 9.866 notas tinham a mesma data de emissão e entrada (10/10/2002, apesar de se referirem a aquisições nos anos de 1998/1999), e que metade do valor provém de aquisições de um único fornecedor, cujo sócio gerente no período de 1998/1999 foi o atual gerente da recorrente; (d) foi verificado, na análise de notas apresentadas, em cotejo com as informadas no PER/DCOMP, que os valores totais e os valores destacados de IPI foram alterados na transcrição; (e) a recorrente admitiu em declaração prestada ao fisco (fl. 242) que o suposto crédito não se referia ao período informado no PER/DCOMP, e que se equivocou em relação a determinados registros no Livro de Registro de Apuração do IPI (fl. 247); e (f) foram inseridos no PER/DCOMP dados falsos sobre operações realizadas no 4o trimestre de 2002, caracterizando a infração prevista no art. 72 da Lei no 4.502/1964 (fraude), e a qualificação da multa referida no art. 18 da Lei no 10.833/2003. A empresa apresenta Impugnação em 22/04/2010 (fls. 587 a 616), argumentando, em síntese, que: (a) o fundamento legal da autuação já se encontrava alterado e não foram citados os dispositivos relativos ao agravamento da multa, pelo que a autuação é nula, por desrespeito ao princípio da legalidade e da ampla defesa; (b) no processo administrativo referente à análise da compensação (no 13971.003293/200998), não houve despacho decisório, mas somente relatório de auditoria fiscal, e não foi efetuado lançamento notificado ao sujeito passivo; (c) "o fato de ter inserido Notas Fiscais na Declaração entregue a Receita Federal, com datas de emissão diversas das que efetivamente existentes, não configura fraude, tendo em vista que tal fato ocorreu, por orientação(verbal) da própria fiscalização, pois o sistema não aceitava a inclusão das reais datas, fazendo com que o contribuinte fosse obrigado a lançar datas fictícias", e tal fato não altera em nada a verificação dos créditos, que poderiam ter sido utilizados, não tendo havido fraude, ou impedimento/retardamento de fato gerador; (d) o procedimento de apuração do crédito teve por base o processo judicial no 2000.72.05.0008104, no qual o TRF4 concedeu o direito ao crédito; e (e) a multa é excessiva, desproporcional e confiscatória. Em 26/08/2010 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 675 a 683), no qual se decide unanimemente pela improcedência da impugnação, sob os seguintes fundamentos: (a) não há nulidade na autuação, tendo sido indicados os dispositivos infringidos e a penalidade correspondente; (b) a alteração dos dispositivos legais na legislação posterior não afetou o lançamento; (c) para aplicação da multa isolada, não há necessidade de 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 839DF CARF MF Processo nº 13971.000959/201090 Acórdão n.º 3401003.889 S3C4T1 Fl. 839 3 lançamento; (d) pelos documentos acostados aos autos, restou claro que a empresa incluiu em sua declaração informação falsa sobre o crédito que possuía; (e) a alegação posterior de existência de ação judicial (não informada no curso da fiscalização) não elide, mas reforça a infração, devendo haver trânsito em julgado no juízo para o pleito administrativo (tal trânsito era ainda inexistente à época do julgamento, mas já havia reversão da concessão, com provimento de recurso extraordinário da União); e (f) não compete à autoridade administrativa apreciar o dimensionamento de multa legalmente fixada. Cientificada do acórdão da DRJ em 22/10/2010 (AR à fl. 688), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 19/11/2010 (fls. 689 a 714), basicamente reiterando as alegações expostas em sua impugnação, e demandando aplicação de retroatividade benigna da legislação posterior, reduzindose a multa ao patamar de 50%. O processo foi apreciado pelo CARF em 14/10/2014, por meio do Acórdão no 3201001.778, no qual se decidiu, majoritariamente, determinar a apensação do presente ao processo administrativo referente à análise da compensação (no 13971.003293/200998), para que fossem objeto de decisão simultânea, anulandose a decisão de piso inicialmente proferida nestes autos. Em 28/04/2015 a DRJ profere nova decisão (fls. 769 a 778), na mesma linha já adotada anteriormente, apreciando o processo na mesma sessão em que analisou o no 13971.003293/200998. Cientificada da decisão em 11/05/2015 (fl. 783), a empresa interpôs recurso voluntário em 05/06/2015 (fls. 788 a 817), reiterando as razões expostas na peça recursal anterior. O processo foi apreciado pelo CARF em 27/09/2016, que resolveu, unanimemente, pela conversão do julgamento em diligência, na Resolução no 3401000.956 (fls. 827 a 832), para fosse apensado ao presente o processo de no 13971.907611/200991, para julgamento conjunto, na forma em que decidido anteriormente pelo próprio colegiado. Na ocasião, recordouse que devia também ser preservada a apensação já existente entre o processo de no 13971.003293/200998 e o de no 13971.907611/200991. O termo de fl. 835 registra a apensação do processo administrativo no 13971.907611/200991, em 20/02/2017. Em 03/03/2017 o processo retornou a este relator (fl. 837). Em abril e maio de 2017, o processo foi retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Fl. 840DF CARF MF 4 Tendo os pressupostos de admissibilidade do recurso já sido avaliados na Resolução no 3401000.956, passase, de imediato, à apreciação de mérito. Por ocasião da conversão em diligência, entendeu unanimemente o colegiado que o presente processo deveria ser julgado em conjunto com o de no 13971.003293/200998, por sua vez apensado ao processo administrativo no 13971.907611/200991. Após a apensação, decidiu este colegiado, nesta mesma sessão de julgamento, por unanimidade (Acórdão no 3401003.890), em relação ao processo administrativo no 13971.907611/200991, que é inexistente o direito de crédito invocado na compensação. O presente processo, por seu turno, trata da imputação da multa isolada por compensação indevida, prevista no art. 18 da Lei no 10.833/2003, com redação dada pelas Leis no 11.051/2004 e no 11.195/2005, combinada com o art. 90 da Medida Provisória no 2.158 35/2001 e com o art. 44 da Lei no 9.430/1996, abaixo reproduzidos, na redação invocada no lançamento, com destaque: Lei no 9.430/1996: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis;” Medida Provisória no 2.15835/2001: “Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.” Lei no 10.833/2003: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. (Redação dada pela Lei no 11.051, de 2004) (...) § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito Fl. 841DF CARF MF Processo nº 13971.000959/201090 Acórdão n.º 3401003.889 S3C4T1 Fl. 840 5 indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei no 11.051, de 2004)” (grifo nosso) Arrola ainda o autuante o Ato Declaratório Interpretativo SRF no 17/2002, que restringe os lançamentos de ofício no percentual de que trata o inciso II do artigo 44 da Lei no 9.430/1996 aos casos em que o crédito oferecido a compensação seja de natureza não tributária, inexistente de fato, não passível de compensação por expressa disposição de lei, ou baseado em documentação falsa. A infração é capitulada como fraude, pelo autuante, pelas seguintes razões (fls. 567 e 568): (...) (...) Tanto em sua defesa inicial, quanto no recurso voluntário, alega a empresa terem sido os fundamentos legais da autuação alterados (o art. 18 da Lei no 10.833/2003, pela Medida Provisória no 472/2009, e o art. 44 da Lei no 9.430/1996 pela Lei no 11.488/2007), já não havendo menção aos dispositivos que ensejaram o agravamento da multa, na autuação. De fato, a redação dos citados dispositivos, invocada pela peça inicial de defesa, já dispunha: Lei no 9.430/1996: Fl. 842DF CARF MF 6 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...)” Lei no 10.833/2003: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando não confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado ou quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (...) § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada sobre o total do débito indevidamente compensado, no percentual: I previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na hipótese em que não for confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado; ou II previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (...)” (grifo nosso) Mas a redação, como se vê, não alterou a substância da imputação fiscal. Continuava aplicável a multa por compensação não homologada, em leque de opções até maior do que na redação original, utilizada na autuação, e o critério para majoração da multa restava atrelado a falsidade, que, de fato, era expressamente imputada na autuação, como aqui exposto no excerto retrotranscrito, ainda que remetendo o autuante expressamente ao artigo 72 da Lei no 4.502/1964, em função dos fundamentos legais vigentes à época (apesar de a defesa informar, equivocadamente, que não há vestígios, na autuação, de remissão aos artigos 71 a 73 da Lei no 4.502/1964, provavelmente por não reparar que o Termo de Verificação de Infração de fls. 562 a 570, é parte integrante do Auto de Infração). Até aí, nenhuma mácula na autuação. Não há que se falar em nulidade da autuação pelo fato de o autuante aplicar penalidade vigente à época das compensações, ainda que alterada posteriormente. Ademais, a descrição dos fatos apresentada na autuação e o enquadramento utilizado permitem plena visualização da conduta imputada, possibilitando ampla defesa. Fl. 843DF CARF MF Processo nº 13971.000959/201090 Acórdão n.º 3401003.889 S3C4T1 Fl. 841 7 Alega ainda a defesa que não houve, no processo administrativo referente à análise da compensação (no 13971.003293/200998), despacho decisório, mas somente relatório de auditoria fiscal, e não foi efetuado lançamento notificado ao sujeito passivo. O processo no 13971.003293/200998 se refere ao procedimento fiscal que norteou o despacho decisório presente no processo no 13971.907611/200991 (ambos apensados), do qual inequivocamente tomou ciência a recorrente, tanto que apresentou manifestação de inconformidade. E, naqueles autos não houve constituição de crédito tributário por lançamento por expressa determinação legal (artigo 74 da Lei no 9.430/1996, que atribui caráter de confissão de dívida à DCOMP, dispensando o lançamento, permitindo a cobrança direta, ao término do contencioso administrativo). Aliás, quando da conversão em diligência (e por ocasião do Acórdão no 3201 001.778) explicitouse que a própria Lei no 10.833/2003, em seu artigo 18, em seu § 3o, expressamente determina o julgamento conjunto, e não o julgamento da multa ao fim do contencioso do crédito: “§ 3o Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente.” (grifo nosso) Improcedentes, assim, as alegações de necessidade de lançamento de ofício e de nulidade da multa aplicada em função de não haver lançamento de ofício. Sustenta ainda a defesa, inicialmente, na manifestação de inconformidade, que não houve fraude, e que a empresa não agiu com dolo, “posto que apenas utilizouse de crédito, que diante do entendimento jurisprudencial e doutrinário, lhe seria passível de aproveitamento”, e que “em momento algum, foi seu intuito deixar de recolher tributos ou mesmo retardar o seu recolhimento, mas apenas utilizouse de beneficio que entendeu pudesse ser utilizado”, e que “o fato de ter inserido Notas Fiscais na Declaração entregue a Receita Federal, com datas de emissão diversas das que efetivamente existentes, não configura fraude, tendo em vista que tal fato ocorreu, por orientação (verbal) da própria fiscalização, pois o sistema não aceitava a inclusão das reais datas, fazendo com que o contribuinte fosse obrigado a lançar datas fictícias”, e não altera em nada a verificação dos créditos. Adiciona ainda que “todo o procedimento de apuração do crédito teve por base o processo judicial no 2000.72.05.0008104, no qual o Tribunal Regional Federal da 4a Região concedeu à impugnante o direito ao crédito” (fls. 599/600). A DRJ, bem compreendendo o contexto do processo, refuta as alegações, de maneira incisiva, com argumentos que acolhemos integralmente, destacando os excertos a nosso ver mais contundentes a atestar a falsidade, que culmina na fraude tipificada no art. 72 da Lei no 4.502/1964 (fls. 775 a 778): “Pelos documentos acostados aos autos, ficou claro que o contribuinte incluiu em sua declaração de compensação informações falsas quanto ao crédito que possuía. Ele mesmo confessou este fato em sua impugnação ao argumentar “ter inserido notas fiscais na declaração entregue à Receita Federal com datas de emissão diversas das que efetivamente existentes”. Fl. 844DF CARF MF 8 Resta claro, também, que estes créditos não eram do 4º trimestre de 2002, contrariando o informado na declaração. Devese ainda observar que as notas fiscais que deram origem ao crédito solicitado se referem ao período de 1989 a 1998, época que não se admitia a manutenção de crédito básico decorrente das aquisições de insumos para a industrialização de produtos isentos, nãotributados ou tributados à alíquota 0% (caso do contribuinte). Referidos créditos deveriam ser obrigatoriamente extornados (sic) da escrituração. O fato de o contribuinte alegar agora (na impugnação) que o crédito existe e está respaldado em decisão judicial (Mandado de Segurança nº 2000.72.05.0008104) não ilide a infração, ao contrário, a reforça. A compensação administrativa para créditos deferidos judicialmente tem respaldo e regulamentação em lei (artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 e suas alterações). Para tanto, deve haver o trânsito em julgado da sentença e a habilitação do crédito perante a RFB. Somente depois destes atos preliminares é que o contribuinte pode apresentar compensações para tais créditos, indicando na declaração o fato. (...) No caso do contribuinte a compensação somente foi admitida mediante creditamento dos valores em conta gráfica, a fim de fazer acerto com os valores do IPI devidos na saída ou àquela arrimada no art. 66, da Lei n° 8.383/914. A compensação administrativa foi condicionada ao requerimento do contribuinte `a RFB e à sujeição às suas regras e normas internas. Nenhum destes procedimentos foi adotado pelo contribuinte. Ao contrário, este preferiu informar notas fiscais inexistentes (falsas) em sua declaração de compensação para respaldar crédito a ser usado na extinção de seus débitos. Sua ação mostra, inclusive, que tentou burlar todo o sistema, induzindo o Fisco ao erro, pois declarou que os créditos se referiam ao saldo credor do 4º trimestre de 2002, apesar de saber que os créditos eram de anos anteriores (1989 a 1999) e que não poderia compensálos administrativamente, dada a vedação da legislação (manutenção do crédito de IPI das aquisições de insumos para industrilização (sic) de produtos isentos era vedada anteriormente a 1999 e prescrição – data do crédito > de 5 anos do pedido de ressarcimento 2005) Ademais, é imperioso destacar o Supremo Tribunal Federal deu provimento à União, não reconhecendo o direito ao creditamento do IPI nas operações realizadas com insumos empregados na industrialização de produtos isentos ou gravados a alíquota zero, em período anterior à edição da Lei nº 9.779/1999, denegando a segurança (documentos juntados por mim às fls. 584/591). Os argumentos apresentados na impugnação deixam claro que o contribuinte era conhecedor da legislação que rege as compensações e de suas modificações. E, ao contrário ao que alegou, não agiu de forma clara, nem deixou explícitos seus atos e negócios e muito menos houve divergência de qualificação Fl. 845DF CARF MF Processo nº 13971.000959/201090 Acórdão n.º 3401003.889 S3C4T1 Fl. 842 9 jurídica dos fatos, mesmo porque em nenhum momento do procedimento fiscalizatório, informou que os créditos estavam amparados por decisão judicial e, somente após várias intimações, apresentou o Livro de Apuração de IPI e as notas fiscais que amparavam o crédito informado na DCOMP (notas estas referentes aos anos de 1989 a 1999). Ademais, devese destacar que referidas notas não foram escrituradas no Livro de Apuração do IPI no período em comento (2002), nem mesmo por força do mandamento judicial. Desta forma, não há nenhuma presunção de fraude e é inconteste que o contribuinte declarou falsamente um crédito inexistente como se fosse líquido e certo, estando em vigor, à época da transmissão das DCOMP, a multa prevista no artigo 18, caput, da Lei no 10.833, de 2003.” (grifo nosso) No recurso voluntário, a empresa, mesmo depois do disposto pelo julgador de piso, apenas reitera, basicamente, as alegações da manifestação de inconformidade aqui destacadas em itálico. No entanto, endossando as razões externadas pelo julgador de piso, entendo que restou caracterizada a falsidade na prestação de informações na DCOMP, e que tal conduta se amolda ao conceito de fraude tipificado no art. 72 da Lei no 4.502/1964. A alegação de excessividade/confiscatoriedade do valor da multa aplicada, destaquese, não é oponível na via administrativa, ao menos neste tribunal, em função da Súmula CARF no 2,que impede o julgador de deixar de aplica norma legal vigente (como a que traz os percentuais para a multa em apreço), ainda que sob fundamento de inconstitucionalidade. No mesmo sentido o artigo 26A do Decreto no 70.235/1972, na redação dada pela Lei no 11.941/2009, que arrola exaustivamente as hipóteses em que seu comando pode ser excepcionado (não existindo, nestes autos, nenhuma delas). A mesma Súmula CARF no 2, aliada ao artigo 18, § 3o, da Lei no 10.833/2003, é suficiente para rechaçar a alegação recursal de que foi equivocada a decisão de determinar o julgamento conjunto dos processos. Por fim, cabe avaliar a demanda por aplicação de retroatividade benigna, calcada no artigo 106, II, “c” do CTN, com incidência da multa no patamar de 50%. Vejamos a argumentação da empresa a respeito (fl. 802): (...) Fl. 846DF CARF MF 10 Ao que parece (pois não indica a recorrente, precisamente, qual a norma que deseja aplicar retroativamente, de forma benigna), o pedido se refere à aplicação retroativa do disposto no artigo 44, II da Lei no 9.430/1996, na redação dada pela Lei no 11.488/2007: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” (grifo nosso) De fato, parece, a priori, demandar a recorrente não a retroatividade benigna, mas a aplicação de multa diversa, incompatível com a conduta claramente imputada na autuação. É bom recordar que a Lei no 11.488/2007 dá nova redação não só ao artigo 44 da Lei no 9.430/1996, mas também ao artigo 18 da Lei no 10.833/2003 (que não remete mais ao inciso II, mas ao inciso I do art. 44 da Lei no 9.430/1996, ainda prevendo a hipótese de duplicação): “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (...) Fl. 847DF CARF MF Processo nº 13971.000959/201090 Acórdão n.º 3401003.889 S3C4T1 Fl. 843 11 § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.” (grifo nosso) E, como já se destacou, no presente voto, restou, no caso em análise, bem caracterizada a falsidade, externada na conduta de fraude imputada, com fundamento no artigo 72 da Lei no 4.502/1964. Não há, assim, que se falar em retroatividade benigna, no caso. Ademais, ambos os precedentes invocados na peça recursal tratavam de situações distintas da aqui evidenciada (casos em que restou descaracterizada a fraude, e/ou que tratavam de débitos de terceiro ou não tributários). Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado, destacando a importância de que os processos no 13971.003293/200998 e no 13971.907611/200991 continuem apensados ao presente, evitando decisões dissonantes e/ou prejudiciais. Rosaldo Trevisan Fl. 848DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.720500/2007-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ESCLARECIMENTO. FUNDAMENTOS DA DECISÃO.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma.
ITR. ARBITRAMENTO. VTN. MÉDIA DAS DITR. IMPOSSIBILIDADE.
O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da lei, não pode prevalecer.
Numero da decisão: 2202-004.016
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração sem efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão n° 2202-002.127, de 22/01/2013, fundamentar a decisão em relação ao Valor da Terra Nua (VTN).
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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VTN. Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado ESTÁCIO DE TOLEDO MACIEL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ESCLARECIMENTO. FUNDAMENTOS DA DECISÃO. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. ITR. ARBITRAMENTO. VTN. MÉDIA DAS DITR. IMPOSSIBILIDADE. O lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da lei, não pode prevalecer. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração sem efeitos infringentes para, sanando o vício apontado no Acórdão n° 2202002.127, de 22/01/2013, fundamentar a decisão em relação ao Valor da Terra Nua (VTN). (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 05 00 /2 00 7- 07 Fl. 204DF CARF MF 2 Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório, por bem descrever a presente lide, a narrativa elaborada por ocasião do despacho de admissibilidade dos presentes embargos (fl. 202): A Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, fls. 196/200, contra o Acórdão n° 2202002.127, de 22/01/2013, com fundamento nos artigos 64, inciso I, e 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 2015. Os autos foram enviados à Fazenda Nacional em 18/03/2016 (Despacho de Encaminhamento de fl. 195). Assim, de acordo com o disposto no art. 7º, § 5º, da Portaria MF nº 527/2010, a Fazenda Nacional poderia interpor Embargos de Declaração até 22/04/2016, o que foi feito em 06/04/2016 (fls. 196/200), portanto, tempestivamente, com a devolução dos autos ao CARF (Despacho de Encaminhamento de fl. 201). Alega a Fazenda Nacional a ocorrência de omissão, já que no acórdão embargado " ... não consta qualquer fundamentação acerca da matéria referente ao arbitramento do VTN no voto proferido pelo Relator". Pois bem, relativamente ao VTN (Valor da Terra Nua), o Acórdão n° 2202 002.127, de 22/01/2013, assim se manifestou: Outro ponto é sobre a suposta nulidade do arbitramento com base no valor da VTN. Como o recorrente questiona primeiramente o critério usado, alegando cerceamento de direito de defesa, analisase primeiro a questão da VTN. Do exposto, verificase que o Conselheiro Antonio Lopo Martinez no preâmbulo do voto fez referência a matéria que seria tratada, qual seja, Valor da Terra Nua; entretanto, se omitiu, no corpo do voto, quando ao fundamento acerca da rejeição do arbitramento do VTN, já que a conclusão do aresto foi no seguinte sentido (fl. 158): Ante ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer o valor da terra nua tal como declarado. Assim, não obstante constar no dispositivo da ementa os argumentos utilizados para a rejeição do arbitramento do VTN, constatase, efetivamente, a existência de omissão na fundamentação do acórdão embargado. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10183.720500/200707 Acórdão n.º 2202004.016 S2C2T2 Fl. 205 3 Ante o exposto, entendo que restou demonstrada a omissão apontada pela Fazenda Nacional, razão pela qual acolho os Embargos Declaratórios, para que seja sanado o vício. (destaquei acima) É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso interposto é tempestivo, conforme analisado no despacho de admissibilidade, e destacado no relatório acima. A questão a ser resolvida repousa sobre a fundamentação da parte da decisão que entendeu ser incabível o arbitramento do VTN, conforme elaborado no lançamento em debate. Naquela ementa temos que (fl. 148): VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996.(destaquei) Disse ainda em seu voto, o Conselheiro Relator, que (fl. 154): Outro ponto é sobre a suposta nulidade do arbitramento com base no valor da VTN. Como o recorrente questiona primeiramente o critério usado, alegando cerceamento de direito de defesa, analisase primeiro a questão da VTN. Mas de fato não se encontram as razões que o levaram a concluir pelo descabimento do VTN arbitrado pela fiscalização. Como está relatado no Acórdão embargado, a Fiscalização utilizou como parâmetro para o questionado arbitramento o VTN médio das DITR entregues para o Município de localização do imóvel. A tela do SIPT (Sistema de Informações sobre Preços de Terras) da RFB encontrase anexada na fl. 9 e de fato não constam informações sobre preços de terras por aptidão agrícola, constando apenas o "VTN DITR". Em meu entender, o lançamento de ofício deve considerar, por expressa previsão legal, as informações constantes do Sistema de Preços de Terra, SIPT, referentes a Fl. 206DF CARF MF 4 levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, que considerem a localização e dimensão do imóvel e a capacidade potencial da terra. Na ausência de tais informações, a utilização do VTN médio apurado a partir do universo de DITR apresentadas para determinado município e exercício, por não observar o critério da lei, não pode prevalecer. Isso porque, como já é ponto pacífico em diversas decisões deste CARF, há impossibilidade de utilização do VTN médio obtido pela informação das DITR de outros contribuintes, uma vez que além de não encontrar previsão legal, mostrase parâmetro que não reflete a realidade e a peculiaridade do imóvel. É importante trazer o disposto na Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, art. 14, § 1º, in verbis: “Lei nº 9.393/96 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.”(grifei) Registrese que a partir de 2001, a redação do art. 12 da Lei nº 8.629 passou a ser a seguinte: “Lei nº 8.629/93 Art.12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) I localização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) II aptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) III dimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IV área ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10183.720500/200707 Acórdão n.º 2202004.016 S2C2T2 Fl. 206 5 §1o Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) §2o Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) §3o O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela super avaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001)” Enfim, para que seja arbitrado o VTN, devese levar em conta os parâmetros acima especificados pela lei e levantamentos das Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios, não é possível que se faça o arbitramento com base em valor médio das DITR entregues pelos contribuintes, em determinado Município, sem individualizar o imóvel. A Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) tem a seguinte posição firme, na matéria: Acórdão 9202005.430, Publicação em 23/05/2017 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 VTN.VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SIPT. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotandose o valor médio das DITR do município, sem levarse em conta a aptidão agrícola do imóvel. Assim também se verificam, à guisa de exemplo, nos Acórdãos 9202 005.424, 9202005.434, 9202005.431, 9202005.429 e 9202005.428, dentre outros. Observamos o mesmo entendimento, também nos Acórdãos desta Turma Ordinária. Citese: Acórdão 2202003.723, Publicação em 09/05/2017: ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO SEM APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 208DF CARF MF 6 Resta impróprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da não observância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. CONCLUSÃO Considerando o exposto, VOTO no sentido de acolher os embargos de declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão 2202002.127, de 22/01/2013, fundamentar, pelos argumentos acima, que é incabível o arbitramento do VTN de imóvel rural com base no valor médio das DITR de determinado município, mantendo a decisão anteriormente tomada. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 209DF CARF MF
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Numero do processo: 15578.000308/2007-72
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002, 01/04/2003 a 30/04/2003, 01/06/2003 a 31/07/2003
CONCEITO DE INSUMOS. SISTEMÁTICA NÃO CUMULATIVA. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE
Em respeito ao critério da essencialidade à atividade do sujeito passivo, para fins de definição de insumos para a constituição de crédito de PIS e de Cofins, tem-se que as despesas/custos de atividade meio não geram o direito ao crédito de PIS, vez que não se encartam no conceito de insumos, pois não são filiados à atividade/produção do sujeito passivo - não podendo ser considerados essenciais à sua atividade. O que, por conseguinte, não há que se falar em constituição de crédito das r. contribuições sobre as despesas e custos decorrentes, entre outros, de serviços de apoio administrativo, serviços gerais, gastos com pessoal e diversos, remuneração e participação nos resultados pagos a inativos da diretoria.
CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS. NÃO INCIDÊNCIA
Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
Numero da decisão: 9303-005.528
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, apenas quanto à incidência de PIS sobre as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Demes Brito.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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SISTEMÁTICA NÃO CUMULATIVA. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE Em respeito ao critério da essencialidade à atividade do sujeito passivo, para fins de definição de insumos para a constituição de crédito de PIS e de Cofins, temse que as despesas/custos de atividade meio não geram o direito ao crédito de PIS, vez que não se encartam no conceito de insumos, pois não são filiados à atividade/produção do sujeito passivo não podendo ser considerados essenciais à sua atividade. O que, por conseguinte, não há que se falar em constituição de crédito das r. contribuições sobre as despesas e custos decorrentes, entre outros, de serviços de apoio administrativo, serviços gerais, gastos com pessoal e diversos, remuneração e participação nos resultados pagos a inativos da diretoria. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 03 08 /2 00 7- 72 Fl. 1444DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, apenas quanto à incidência de PIS sobre as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Demes Brito. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 330100.756, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso, consignando a seguinte ementa: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002, 01/04/2003 a 30/04/2003, 01/06/2003 a 31/07/2003 EXPORTAÇÕES. COMERCIAL EXPORTADORA. ISENÇÃO Fl. 1445DF CARF MF Processo nº 15578.000308/200772 Acórdão n.º 9303005.528 CSRFT3 Fl. 1.433 3 As receitas decorrentes de vendas de mercadorias efetuadas para empresa comercial exportadora cujos embarques não foram comprovados e/ou cujas remessas não foram enviadas para recintos alfandegados, por conta e ordem daquela, não tem direito à isenção da contribuição para o PIS. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS. RECEITAS FINANCEIRAS. As variações cambiais ativas ainda que decorrentes de contratos de câmbio de exportações de mercadorias não constituem receitas de exportações de mercadorias e sim receitas financeiras sujeitas à incidência da contribuição para o PIS no regimecumulativa. CUSTOS DE BENS E SERVIÇOS NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO E/OU FABRICAÇÃO DOS PRODUTOS VENDIDOS Os custos de bens e serviços não utilizados diretamente no processo de produção e/ou fabricação dos produtos vendidos não geram créditos de PIS passíveis de desconto da contribuição devida. ” Irresignado, o sujeito passivo apresentou embargos de declaração, alegando omissão no acórdão 330100.756. Em Despacho às fls. 772 a 773, foi proposto pelo redator do voto vencedor do acórdão recorrido a rejeição dos embargos de declaração – com o de acordo do Presidente da 1ª turma da 3º Câmara da 3ª Seção. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o acórdão 330100.756 e decisão singular em Embargos de Declaração, requerendo, entre outros, que o recurso seja conhecido e provido, a fim de se concluir que: · Não incide PIS e Cofins sobre receitas oriundas de exportação; · Não incide PIS e Cofins sobre insumos aplicados indiretamente na produção; · Não incluem na base de cálculo do PIS e da variação cambial ativa; · Não incluem na base das contribuições as receitas decorrentes da cessão de créditos de ICMS; · Seja o feito convertido em diligência, em respeito ao princípio da verdade material, em função da instrução deficiente do processo – Fl. 1446DF CARF MF 4 fatos provados pelo fisco não respaldam a conclusão a que ele chegou e do fato novo consistente no julgamento favorável à recorrente do processo administrativo nº 15586.001586/201043; Em Despacho às fls. 1406 a 1414, o recurso especial interposto pelo sujeito passivo foi admitido em parte, apenas em relação à discussão acerca: · Do direito de créditos de PIS no regime não cumulativo, calculado sobre insumos sem vinculação direta com a produção; · Da incidência de PIS sobre as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS. Em Despacho de Reexame de Admissibilidade, foi decidido pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais manter na íntegra o despacho que deu seguimento parcial ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões ao recurso especial foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que trouxe, entre outros, que: · Embora a Lei 10.637/02 não suscite qualquer dúvida acerca da necessária relação como insumo dos bens empregados na produção ou fabricação, cabe ponderar que a IN 404/04, apenas aclarou a questão, sanando qualquer dúvida por ventura existente com relação à interpretação da lei. · A referida IN – assim como a IN SRF 247/02 o fez em relação ao PIS nãocumulativo, regulamentando dispositivo cuja redação é idêntica àquela do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03; · A legislação citada esclarece que se incluem no conceito de insumo, além das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, itens que se incorporam ao bem produzido, os bens que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto, salvo se compreendidos no ativo permanente. É o relatório. Fl. 1447DF CARF MF Processo nº 15578.000308/200772 Acórdão n.º 9303005.528 CSRFT3 Fl. 1.434 5 Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo na parte admitida em Despacho, eis que atendidos os critérios de conhecimento trazidos pelo art. 67 do RICARF/2015 – com alterações posteriores. O que concordo com o Despacho de Exame de Admissibilidade. Eis que, relativamente à discussão acerca do direito de crédito de PIS no regime não cumulativo calculado sobre insumos sem vinculação direta com a produção, vêse que o acórdão recorrido decidiu que os insumos que não tenham relação direta com a produção, tais como os administrativos e de auditoria, não podem gerar crédito de PIS, no regime da nãocumulatividade. E o segundo paradigma expressa o entendimento de que “qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ”, poderia gerar créditos de PIS, o que incluiria as despesas administrativas e de auditoria cujas glosas foram mantidas pelo acórdão recorrido. O que, por conseguinte, resta clara a comprovação da divergência. No que tange à discussão acerca da incidência de PIS sobre as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS, relativamente aos arestos comparados, é de se concluir que divergem quanto a considerar as receitas de cessão onerosa de créditos de ICMS como base de cálculo do PIS. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer a priori sobre o conceito de insumos. Primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Fl. 1448DF CARF MF 6 Lei 10637/02 e Lei 10.833/03, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Vêse que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Fl. 1449DF CARF MF Processo nº 15578.000308/200772 Acórdão n.º 9303005.528 CSRFT3 Fl. 1.435 7 Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática Fl. 1450DF CARF MF 8 não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/03, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195 (Grifos meus): “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo Fl. 1451DF CARF MF Processo nº 15578.000308/200772 Acórdão n.º 9303005.528 CSRFT3 Fl. 1.436 9 direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/02 e 10.833/03 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Fl. 1452DF CARF MF 10 Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram Fl. 1453DF CARF MF Processo nº 15578.000308/200772 Acórdão n.º 9303005.528 CSRFT3 Fl. 1.437 11 alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e Fl. 1454DF CARF MF 12 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Fl. 1455DF CARF MF Processo nº 15578.000308/200772 Acórdão n.º 9303005.528 CSRFT3 Fl. 1.438 13 Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO Fl. 1456DF CARF MF 14 CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na Fl. 1457DF CARF MF Processo nº 15578.000308/200772 Acórdão n.º 9303005.528 CSRFT3 Fl. 1.439 15 impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõe se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É Fl. 1458DF CARF MF 16 INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como ESSENCIAL à produção ou atividade da empresa. Passadas tais considerações, ressurgindo ao caso vertente, temse que foram glosados créditos das contribuições constituídos sobre serviços contratados CVRD – Companhia Vale do Rio Doce, serviços de apoio administrativo e serviços gerais, gastos com pessoal e gastos diversos, serviços de parada de usina, gastos não alocados, remuneração de capital de giro e participação nos resultados pagos a inativos da diretoria. Em relação a esses custos e despesas, entendo que não devem ser considerados como essenciais à atividade/produção do sujeito passivo, eis que não vinculados com sua atividade – configurandose como despesas/custos de atividade meio, não gerando o direito ao crédito, eis que não se refletem no conceito de insumos. Fl. 1459DF CARF MF Processo nº 15578.000308/200772 Acórdão n.º 9303005.528 CSRFT3 Fl. 1.440 17 Em vista de todo o exposto, nessa parte, nego provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Quanto à outra discussão – qual seja, da incidência de PIS sobre as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS, vêse que deve ser reconhecida a ilegitimidade da inclusão na base de cálculo do PIS das r. receitas referentes à transferência de créditos de ICMS a terceiros. Eis que já houve decisão proferida no Recurso Extraordinário n° 606.107/RS que restou assim ementado: “IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim Fl. 1460DF CARF MF 18 de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos, imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditar se do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a Fl. 1461DF CARF MF Processo nº 15578.000308/200772 Acórdão n.º 9303005.528 CSRFT3 Fl. 1.441 19 terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. Constatase que a decisão proferida no RE 606.107/RS, em sede de repercussão geral, deve ser aplicada de acordo com o disposto no RICARF: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Em vista de todo o exposto, voto por dar provimento nessa parte ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Fl. 1462DF CARF MF 20 Concluindo, é de se dar provimento parcial ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 1463DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13975.000082/2003-78
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543¬B e 543¬C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS. APRECIAÇÃO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO PELO FISCO. ESCOAMENTO DO PRAZO DE 360 DIAS PREVISTO NO ART.24 DA LEI Nº 11.457/07. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA CONFIGURADA. SÚMULA 411/STJ. CORREÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. DEVIDA.
A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça - STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543-C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda.
É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ.
Numero da decisão: 9303-005.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, determinando a correção do crédito pela Taxa Selic, a partir do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento. A incidência da taxa Selic deferida refere-se somente à parte do crédito em que houve indeferimento no Despacho Decisório de origem e foi reconhecida somente nas instâncias de julgamento, ou seja que teria sofrido oposição ilegítima por parte do Fisco. Vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543-C DO CPC. Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543¬B e 543¬C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS. APRECIAÇÃO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO PELO FISCO. ESCOAMENTO DO PRAZO DE 360 DIAS PREVISTO NO ART.24 DA LEI Nº 11.457/07. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA CONFIGURADA. SÚMULA 411/STJ. CORREÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. DEVIDA. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça - STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543-C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2160; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 147 1 146 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13975.000082/200378 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.422 – 3ª Turma Sessão de 25 de julho de 2017 Matéria RESSARCIMENTO IPI Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ROHDEN ARTEFATOS DE MADEIRA LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STJ NO RITO DO ART. 543C DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543¬B e 543¬C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. RESSARCIMENTO DE IPI. AQUISIÇÕES A NÃO CONTRIBUINTES DO PIS E COFINS. APRECIAÇÃO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO PELO FISCO. ESCOAMENTO DO PRAZO DE 360 DIAS PREVISTO NO ART.24 DA LEI Nº 11.457/07. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA CONFIGURADA. SÚMULA 411/STJ. CORREÇÃO MONETÁRIA PELA TAXA SELIC. DEVIDA. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 5. 00 00 82 /2 00 3- 78 Fl. 147DF CARF MF Processo nº 13975.000082/200378 Acórdão n.º 9303005.422 CSRFT3 Fl. 148 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, determinando a correção do crédito pela Taxa Selic, a partir do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento. A incidência da taxa Selic deferida referese somente à parte do crédito em que houve indeferimento no Despacho Decisório de origem e foi reconhecida somente nas instâncias de julgamento, ou seja que teria sofrido oposição ilegítima por parte do Fisco. Vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no art. 7º, I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, contra acórdão nº204 03.281, proferido pela 4 Câmara do Segundo Conselho de Contribuinte, que decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, a fim de se determinar a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, dos valores relativos as aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem de pessoas físicas e reconhecer a incidência da taxa Selic sobre os valores ressarcidos à recorrente, a partir da data da protocolização do pedido. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Tratase de ressarcimento de credito presumido do IPI, parcialmente glosado pela DRF de origem no que tange às parcelas relativas às aquisições de pessoas físicas, gastos com energia elétrica e correção monetária dos créditos a serem ressarcidos com base na taxa SELIC. O acórdão recorrido restou assim ementado: Fl. 148DF CARF MF Processo nº 13975.000082/200378 Acórdão n.º 9303005.422 CSRFT3 Fl. 149 3 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. BASE DE CÁLCULO. MATÉRIAPRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS. Podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido do IPI os valores das aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem feitas de pessoas físicas. DESPESAS HAVIDAS COM ENERGIA ELÉTRICA. Somente podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de matériaprima de produto intermediário ou de material de embalagem. A energia elétrica não caracteriza matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, pois não se integra ao produto final, nem foi consumida, no processo de fabricação, em decorrência de ação direta sobre o produto final. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A taxa Selic incide sobre os valores objeto de ressarcimento do crédito presumido do IPI, a partir da data de protocolização do pedido. Recurso Provido em Parte". Inconformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, sustentando que: Inconformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, sustentando: "não há autorização legal para a incidência da SELIC ás hipóteses de ressarcimento de crédito presumido de IPI, seja a partir da protocolização do pedido, seja a partir de qualquer outro momento como a data na qual é proferido o Despacho Decisório denegando o pleito do contribuinte". Para respaldar a dissonância jurisprudencial, a Fazenda Nacional maneja seu Recurso com base de que o acórdão recorrido teria contrariado a lei (contrariedade aos artigos 1º, caput, 2º e 3º da Lei nº 9.393/96, uma vez que autoriza o ressarcimento de contribuições que não foram recolhidas na etapa produtiva anterior, além de reconhecer a incidência da taxa Selic sobre os valores objeto do ressarcimento, contrariando o disposto no §4º, do art. 39, da Lei nº 9.250/96, ao ampliar o seu âmbito de alcance a uma hipótese não prevista em lei). Em seguida, o Presidente da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso, com os seguintes fundamentos: "Antes de adentrar no exame de admissibilidade propriamente dito, é importante frisar que, em razão de expressa determinação do art. 4º da Portaria MF nº 256, de 20092, tal avaliação será realizada nos contornos do antigo do Regimento da CSRF aprovado pela Portaria MF nº 147/2007. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13975.000082/200378 Acórdão n.º 9303005.422 CSRFT3 Fl. 150 4 Em primeiro lugar, o recurso foi provido por maioria, quanto ao aproveitamento dos insumos adquiridos de pessoas físicas e à incidência da taxa selic sobre o ressarcimento. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nayra Bastos Manatta (Relatora) e Henrique Pinheiro Torres. Em segundo, restaram expostos os elementos que, no sentir da recorrente, caracterizariam violação aos artigos 1º, caput, 2º e 3º da Lei nº 9.393/96, quanto ao ressarcimento de contribuições que não foram recolhidas na etapa produtiva anterior; e ao §4º, do art. 39, da Lei nº 9.250/96, quanto a ampliação do seu âmbito de alcance a uma hipótese de incidência da taxa selic não prevista em lei". A Contribuinte apresentou contrarrazões, defendendo que o Recurso Fazendário não deve ser conhecido em razão da questão estar resolvida no âmbito judicial, considerando que a Fazenda Nacional interpôs Recurso de acordo com o art. 67, II do Regimento Interno do CARF, ou seja, recurso por divergência. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito a incidência ou não da taxa SELIC, sobre o cálculo de crédito presumido de IPI, pelo produtor exportador de valores relativos as aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagens de pessoas físicas. Com efeito, na forma de reiterada jurisprudência oriunda do STJ, é cabível a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, das aquisições efetuadas junto a pessoas físicas e cooperativas bem como a aplicação da taxa Selic acumulada, a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração tributária (RESP 993.164). Embora, o STJ tenha definido aplicação da Taxa Selic acumulada a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração, entendo que os processos ao crivo de julgamento desta E. Câmara Superior, os Conselheiros devem delimitar de modo objetivo o termo "oposição estatal" ou "ilegítima resistência por parte da Administração Pública". Nos processos de minha relatoria, passo adotar o entendimento de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente pelo fisco, caracterizada a mora administrativa (REsp 1.035.847/RS, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, e Súmula 411/STJ). E ainda, também justificada a imposição de correção monetária, pela taxa SELIC, a contar do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do Fl. 150DF CARF MF Processo nº 13975.000082/200378 Acórdão n.º 9303005.422 CSRFT3 Fl. 151 5 requerimento (art. 24 da Lei 11.457/07), conforme decidiu a Corte Superior ao apreciar o REsp. 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. Corroborando este mesmo entendimento, no julgamento do Recurso Especial nº 1.467.934RS (2014/01707525) de Relatoria do Eminente Ministro Sérgio Kukina, restou decidido, que a correção monetária deve ser contada a partir do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento (REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ), de forma que não há como acolher o pleito pela correção dos créditos a partir do protocolo do pedido administrativo. Vejamos: "ESPECIAL Nº 1.467.934 RS (2014∕01707525) RELATOR : MINISTRO SÉRGIO KUKINA AGRAVANTE : REICHERT CALÇADOS LTDA ADVOGADOS : CRISTOV BECKER PABLO EDUARDO CAMUSSO E OUTRO(S) AGRAVADO : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL. RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO SÉRGIO KUKINA: Tratase de agravo regimental interposto por REICHERT CALÇADOS LTDA., desafiando a decisão pela qual se deu parcial provimento ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL, ao fundamento de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pelo fisco, caracterizada a mora administrativa (REsp 1.035.847∕RS, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, e Súmula 411∕STJ). Está também justificada a imposição de correção monetária, pela taxa SELIC, a contar do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento (art. 24 da Lei 11.457∕07), conforme decidiu esta Corte Superior ao apreciar o REsp. 1.138.206∕RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8∕STJ". TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. APRECIAÇÃO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO PELO FISCO. ESCOAMENTO DO PRAZO DE 360 DIAS PREVISTO NO ART. 24 DA LEI 11.457/07. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA CONFIGURADA. SÚMULA 411/STJ. CORREÇÃO MONETÁRIA DEVIDA. TERMO INICIAL. TAXA SELIC. 1. A Primeira Seção desta Corte Superior, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pelo fisco. 2. "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13975.000082/200378 Acórdão n.º 9303005.422 CSRFT3 Fl. 152 6 3. Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art. 24 da Lei 11.457/07). Nesse sentido: REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. Compulsando os autos, verifico que, de fato o crédito foi obstaculizado pelo fisco, caracterizandose além de mora administrativa a ilegítima resistência por parte da Administração, é o que se comprova pelo teor do despacho decisório, fls 16: "A análise do presente pedido de ressarcimento limitouse ao exame documental dos elementos constantes do processo e averiguações nos sistemas internos da SRF, firmada nas informações e documentações apresentadas, observado o disposto na Ordem de Serviço DRF/BNU n° 1, de 11.02.99, ficando ressalvado o direito de proceder a exames a posteriori, para verificação da veracidade desses elementos". Portanto, legítimo o direito da Contribuinte ter seu crédito corrigido pela Taxa Selic, mas não nos termos da decisão recorrida, que decidiu desde o protocolo do pedido. Sem embargo, estou submetido ao artigo 62A, caput, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n° 586, de 21 de dezembro de 2010) a qual determina que: "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Ex positis, com fundamento no REsp 1.467.934RS (2014/01707525 e 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ, dou parcial provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, determinando a correção do crédito pela Taxa Selic, a partir do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento. É como penso é como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 152DF CARF MF Processo nº 13975.000082/200378 Acórdão n.º 9303005.422 CSRFT3 Fl. 153 7 Fl. 153DF CARF MF
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Numero do processo: 16095.000038/2011-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2007
COFINS. MULTA DE OFÍCIO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. PROVA.
A apresentação, pelo sujeito passivo, de forma reiterada, de DCTFs com informações incorretas ou omissas devidamente comprovado nos autos revela intuito fraudulento a ensejar a incidência da multa qualificada.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-004.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2007 COFINS. MULTA DE OFÍCIO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. PROVA. A apresentação, pelo sujeito passivo, de forma reiterada, de DCTFs com informações incorretas ou omissas devidamente comprovado nos autos revela intuito fraudulento a ensejar a incidência da multa qualificada. Recurso Especial do Procurador Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2007 COFINS. MULTA DE OFÍCIO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. PROVA. A apresentação, pelo sujeito passivo, de forma reiterada, de DCTF’s com informações incorretas ou omissas devidamente comprovado nos autos revela intuito fraudulento a ensejar a incidência da multa qualificada. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Fazenda Nacional ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 00 38 /2 01 1- 71 Fl. 389DF CARF MF Processo nº 16095.000038/201171 Acórdão n.º 9303004.919 CSRFT3 Fl. 390 2 junho de 2009, em face do Acórdão nº 3302001.735, de 18/07/2012, da 2ª TO da 3ªCâmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2007 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROCEDIMENTO. ESPONTÂNEO NÃO CONFIGURADO. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores. A apresentação de declaração retificadora durante a auditoria fiscal é incapaz de afastar o lançamento de ofício cumulado dos encargos moratórios e da penalidade correspondente à falta de recolhimento. COFINS. MULTA DE OFÍCIO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. PROVA. Não basta, para configurar a sonegação, a fraude ou o conluio, a insustentável presunção da ocorrência de evidente intuito de fraude. Para a imposição da penalidade sob tal rubrica é inafastável existir a evidência, na forma da devida e inequívoca prova de sua ocorrência. As simples diferenças constatadas pela autoridade autuante entre os valores recolhidos e os potencialmente devidos apurados no trabalho fiscal, bem como a inexistência de DCTF, não constituem prova em desfavor do contribuinte para amparar a mencionada exigência. O presente processo referese a lançamento de PIS e COFINS, acrescido de multa de ofício qualificada e juros Selic, tendo como fundamento a diferença entre os valores escriturados e os valores não declarados em DCTF nem recolhidos pelo contribuinte. A multa foi qualificada em 150% pela ocorrência, em tese, de crime contra a ordem tributária, com alegada prática contínua de burlar a fiscalização com elemento inexato. O lançamento foi mantido no julgamento de primeira instância. A 2ª TO da 3ªCâmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, deu parcial provimento ao recurso Voluntário para reduzir a multa aplicada de 150% para 75%, por entender que as declarações inexatas ou as omissões, por si só, não configurariam o evidente intuito de fraude que norteia a aplicação da multa qualificada (Acórdão 3302001.735, às fls. 320 a 332). A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (fls. 335 a 343), suscitando divergência em relação ao entendimento de que a prática reiterada não constituiria caso típico de dolo, por meio da conduta de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, pela autoridade fazendária, da ocorrência o fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, não sujeitando, desta forma, no entendimento do acórdão recorrido, o infrator à multa agravada de 150% do valor do imposto devido. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi integralmente admitido pela comprovação da divergência suscitada, no que diz respeito à qualificação da multa de ofício aplicada, conforme despacho de admissibilidade às fls. 345 a 348. Fl. 390DF CARF MF Processo nº 16095.000038/201171 Acórdão n.º 9303004.919 CSRFT3 Fl. 391 3 O sujeito passivo apresentou suas contrarrazões às fls. 371 a 375. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Conforme relatado, o tempestivo recurso foi integralmente admitido pela comprovação da divergência suscitada, no que diz respeito à qualificação da multa de ofício aplicada, conforme despacho de admissibilidade às fls. 345 a 348. Enquanto a Egrégia Turma entendeu que a conduta reiterada do contribuinte de prestação de informação deliberadamente falsa, em DCTF, de valores divergentes daqueles escriturados na sua contabilidade comercial e fiscal, não seria suficiente para configurar a sonegação, a fraude ou o conluio, de forma a qualificar a multa de ofício lançada, os acórdãos paradigmas apresentados decidiram de modo diverso, entendendo que prática reiterada de omissão de receitas conduziria, necessariamente, ao preenchimento automático das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, sendo cabível a qualificação da multa de ofício lançada. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à questão da qualificação da multa de ofício. O cerne da questão tratada no presente lançamento diz respeito à alegação da autoridade fiscal de que o contribuinte teria agido de forma dolosa ao apresentar declaração com informações reconhecidamente incorretas, de forma reiterada, configurando em crime contra a ordem tributária. Por outro lado, o sujeito passivo alega que as informações incorretas ou omissas não configurariam intenção de fraude. A multa de ofício qualificada é prevista no art. 44, I e § 1º, da Lei nº 9.430/96, abaixo transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; [...] § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 16095.000038/201171 Acórdão n.º 9303004.919 CSRFT3 Fl. 392 4 Portanto, nos casos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei n.º 4.502/64 o percentual da multa de ofício é duplicado, com a qualificação da multa. Ainda que a prática do sujeito passivo, apurada pela autoridade fiscal, de apresentar de forma reiterada declarações com informações incorretas ou omissas esteja devidamente comprovado nos autos, resta definir se tal conduta, por si só, revelaria intuito fraudulento, a ensejar a incidência da multa qualificada. Em outras oportunidades já me manifestei a respeito do tema, no sentido que é imprescindível adentrar na intenção do agente para decidir se a incontroversa prática reiterada da conduta de não prestar as devidas informações ensejaria a qualificação da multa ora capitulada. O cerne da discussão passa a ser a presença, ou não, do intuito, do animus, de fraudar, de sonegar. O problema aqui passa a ser a questão da distribuição do ônus da prova. No presente caso, é de suma importância a correta análise das provas e a quem cabe o ônus de provar. Não é fácil provar a intenção de se praticar algum ato. Assim, quem pretende a prova desse tipo de conduta deve se cercar de provas cabais, pois prevalece o princípio da presunção da inocência, ou seja, quem alegar a intenção de outrem em praticar algum ato deve ter o ônus de provar que aquela conduta foi intencional e direcionada com o intuito de lesar, de fraudar. Porém, como há que se perquirir a intenção do agente, as provas deverão ser feitas com base nas condutas praticadas e a consequente presunção da intenção de lesar o Fisco. Há que se provar, em primeiro lugar, se a omissão ou apresentação de DCTF’s com informações incorretas seria suficiente para concluir que houve, de fato, sonegação ou fraude, o que levaria a autuação com multa de 150%. Todos os levantamentos feitos pela autoridade fiscal foram com base na escrita fiscal do contribuinte e na DACON, em que pese ter não ter havido informações de débitos na DCTF. Assim, podemos inferir que o contribuinte tenha intentado dolosamente evitar ou diferir o seu pagamento da obrigação tributária principal. Podemos presumir a intenção do agente já que ele tinha todas as informações e bastava incluílas em DCTF normalmente. Tal omissão caracterizou que houve a intenção de não se entregar à RFB o documento de confissão de dívida DCTF com os valores corretos. Podese facilmente presumir essa intenção e a presunção é meio de prova hábil no direito pátrio. Esses dois fatos citados acima, a meu ver, permitem a cobrança da multa qualificada prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430/96 (atual art. 44, I, c/c § 1º, da Lei n.º 9.430/96, conforme nova redação conferida pela Lei n.º 11.488, de 15 de junho de 2007, resultante da conversão da MP n.º 351/2007). Neste caso, a comprovação de que houve o dolo é um ônus do sujeito ativo, que conseguiu comprovar, mesmo que por mera presunção.. Fl. 392DF CARF MF Processo nº 16095.000038/201171 Acórdão n.º 9303004.919 CSRFT3 Fl. 393 5 Apesar de existir uma presunção total de legitimidade do ato exarado pela autoridade tributária, existe o dever de se demonstrar cabalmente todos os motivos que ensejaram à ocorrência do fato gerador e das hipóteses de aplicação de penalidade. A comprovação de uma das partes de determinado fato ou situação jurídica decorre da distribuição legal do ônus da prova. Há que se “convencer” o julgador da existência do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do sujeito ativo. O que ocorre é a assunção dos riscos de uma decisão desfavorável de quem efetivamente tinha o ônus probatório, ou seja, o encargo jurídico de demonstrar a veracidade de fatos ou a existência de situações jurídicas que ensejassem que os julgadores tomassem uma decisão que lhe fosse favorável. Não há a obrigatoriedade das partes em se produzir a prova. É interesse de ambas as partes em fazêlo. Mas se o ônus decai em uma parte e ela não o faz, assume os riscos e as consequências estabelecidos no arcabouço jurídico relacionado àquela matéria. O ônus da prova não é um dever e nem um comportamento necessário da parte interessada, mas um direito de a parte poder convencer os julgadores acerca da veracidade de suas alegações, aumentando as chances de uma decisão favorável. A fiscalização fez uma análise e comprovação precisa dos fatos, inclusive quanto à intenção. como já dito, presunções também serem admitidas como meio de prova. De fato, o contribuinte não se furtou a apresentar a documentação necessária à identificação do fato imponível. Realmente, houve fatos que ensejassem à presunção de sonegação, o que já dá para presumir a intenção de se omitir os dados da autoridade tributária. Todos sabemos que a prova negativa é quase impossível de fazer e que, normalmente, o ônus da prova deve ser do fato positivo e não negativo. Neste caso, o ônus probatório é de quem alega. O Fisco é quem alegou que houve e clara intenção de fraude e assim deve provar. e o fisco se incumbiu em provar o ato doloso demonstrando que o contribuinte tinha conhecimento de escrituração de todos os fatos imponíveis e não os incluir na DCTF Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 393DF CARF MF
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