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Numero do processo: 11065.001289/2007-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito
passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois
do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Súmula nº 1 do Segundo Conselho de Contribuintes.
NULIDADES. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
Inexiste nulidade da decisão de primeira instância quando esta decide questão
no mesmo sentido da Súmula de Jurisprudência uniforme dos Conselhos de
Contribuintes.
NULIDADES. AUTO DE INFRAÇÃO. VÍCIO NA MOTIVAÇÃO.
Inexiste nulidade por vício na motivação, quando há subsunção lógica entre
os fatos e os dispositivos legais precisamente indicados e comprovados pelo
Fisco.
REINCIDÊNCIA ESPECÍFICA.
Caracteriza reincidência específica a prática de nova infração a um mesmo
dispositivo, dentro de cinco anos da data em que houver passado em julgado
a decisão administrativa referente à infração anterior.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-000.947
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
tomar conhecimento do recurso na parte em que existe concomitância com a ação judicial e, na
parte conhecida, também por unanimidade, em dar provimento parcial para desagravar a multa
de ofício, reduzindoa
ao patamar de 75% em relação aos fatos geradores ocorridos até o dia 09
de agosto de 2004, inclusive.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Matéria IPI Recorrente INDUSTRIAL BOITUVA DE ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Súmula nº 1 do Segundo Conselho de Contribuintes. NULIDADES. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Inexiste nulidade da decisão de primeira instância quando esta decide questão no mesmo sentido da Súmula de Jurisprudência uniforme dos Conselhos de Contribuintes. NULIDADES. AUTO DE INFRAÇÃO. VÍCIO NA MOTIVAÇÃO. Inexiste nulidade por vício na motivação, quando há subsunção lógica entre os fatos e os dispositivos legais precisamente indicados e comprovados pelo Fisco. REINCIDÊNCIA ESPECÍFICA. Caracteriza reincidência específica a prática de nova infração a um mesmo dispositivo, dentro de cinco anos da data em que houver passado em julgado a decisão administrativa referente à infração anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso na parte em que existe concomitância com a ação judicial e, na parte conhecida, também por unanimidade, em dar provimento parcial para desagravar a multa de ofício, reduzindoa ao patamar de 75% em relação aos fatos geradores ocorridos até o dia 09 de agosto de 2004, inclusive. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.001289/200721 Acórdão n.º 3403000.947 S3C4T3 Fl. 2 2 Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Domingos de Sá Filho, Liduína Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo o relatório do Acórdão de primeira instância omitindo os valores da autuação: “O estabelecimento acima qualificado foi autuado pela fiscalização do IPI, para exigência desse imposto, no valor de (...omissis...), acrescido de juros de mora e da multa de ofício majorada, de 150%, por infração qualificada, totalizando a importância de (... omissis ...), na data do lançamento de ofício, conforme Auto de Infração, das fls. 680 a 689 (vol. IV), que foi lavrado em 8 de agosto de 2007, na Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Novo Hamburgo. Os motivos da autuação se acham explicitados no Relatório da Ação Fiscal, das fls. 721 a 739 (vol. IV), a seguir resumido. O interessado compensou, em sua escrita fiscal do IPI, de 2003 a 2006, período objeto da auditoria, créditos desse imposto, relativos a entradas de aguardente, cuja saída do estabelecimento remetente se deu com suspensão do citado imposto. Segundo o interessado, os créditos referidos no item precedente estariam amparados no Acórdão do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4a Região, elaborado no julgamento da Apelação em Mandado de Segurança no 1999.71.08.0099270/RS, em 21 de fevereiro de 2002, com o que não concordou a fiscalização, para a qual o referido aresto garantiu o direito de o contribuinte se creditar do IPI relativo aos insumos e matériasprimas imunes, isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, sem que fosse autorizado o pretendido crédito, nas entradas de insumos remetidos ao estabelecimento fiscalizado, com suspensão do IPI, como no caso concreto, motivo por que houve a glosa de ofício dos créditos, tendo sido exigido o IPI resultante da glosa, acrescido de juros de mora e da multa de ofício. A fiscalização ressalta e explica que a suspensão do IPI não se confunde com a isenção desse imposto, ao contrário do que sustenta o autuado. As infrações foram enquadradas nos arts. 34, II, 122, 127, 130, 164, I, 199, 200, IV, e 202, II, do Decreto nº 4.544, de 27 de dezembro de 2002 (RIPI, de 2002). Esse enquadramento sujeitou o interessado inclusive à multa de ofício majorada, de 150%, por infração qualificada (reincidência específica e sonegação), conforme art. 80, II, da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação dada pelo art. 45 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e a juros de mora, previstos no art. 61, § 3o, da Lei no 9.430, de 1996. Foi formalizada representação fiscal para fins penais, no Processo no 11065.001290/200755, que se acha apensado ao presente processo. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.001289/200721 Acórdão n.º 3403000.947 S3C4T3 Fl. 3 3 Cientificado da autuação em 10 de agosto de 2007, segundo consta nas fls. 681 e 739 (vol. IV), o contribuinte impugnou tempestivamente a exigência, em 5 de setembro de 2007, por meio do arrazoado das fls. 742 a 760 (vol. IV), firmado por seus advogados, com mandato nas fls. 761 e 762 (vol. IV), e instruído com os documentos das fls. 763 a 799 (vol. IV), 802 a 999 (vol. V) e 1002 a 1043 (vol. VI), alegando, em síntese, o que vem relatado na seqüência. O impugnante principia, dizendo que faz jus aos créditos do IPI, pelo ingresso e/ou saída de insumos/mercadorias sob imunidade e isenção, sendo que, nessa última categoria, entende que estão compreendidos a suspensão, a alíquota zero e os insumos não tributados. Acrescenta que, para garantir seu direito, ajuizou o Mandado de Segurança no 1999.71.08.0099270, que tramita na Justiça Federal de Novo Hamburgo, com decisão favorável no TRF da 4a Região, estando pendente de julgamento, no Supremo Tribunal Federal (STF), recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. Prossegue a defesa, alegando que houve deficiente descrição do fato, no Auto de Infração impugnado, além de imprecisa indicação do dispositivo legal tido por infringido. Argumenta que o Auto de Infração apresenta vício formal, por ser incapaz de definir e especificar a obrigação jurídica tributária global, pois não apresenta, claramente, o dispositivo legal que supostamente foi infringido, já que os fatos narrados não guardam consonância efetiva com a norma tida por violada. Cita os arts. 10 e 59 do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, o art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, e doutrina. Diz que os autuantes deixaram de observar esses requisitos, porque glosaram crédito tributário reconhecido judicialmente, e interpretaram de maneira equivocada a decisão judicial, inclusive, importante salientar que a União, no caso concreto do Mandado de Segurança no 1999.71.08.0099270, até o momento está sucumbindo. Na seqüência, diz o interessado que além da deficiente descrição dos fatos, a falta de indicação precisa de dispositivo legal específico, que nega o direito de crédito reconhecido judicialmente, impossibilita a identificação normativa da motivação utilizada no ato administrativo analisado, acarretando a nulidade da decisão, conforme inteligência do art. 10 c/c com o art. 59 do Decreto no 70.235, de 1972. Cita ementas de acórdãos de Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes, em apoio à sua tese. Considera que houve preterição do seu direito de defesa, afrontando o art. 5o, LV, da Carta Magna. Menciona excerto de livro de autoria de Pontes de Miranda. Quanto ao mérito, diz que pleiteou, na ação judicial, o reconhecimento do direito aos créditos também com suspensão do IPI, direito esse que diz ter sido reconhecido pelo TRF da 4a Região. Se assim não fosse, a melhor exegese é de que suspensão é uma espécie do gênero isenção. Para corroborar seu ponto de vista, de que suspensão é uma espécie do gênero isenção, transcreve ementa, relatório e voto do Acórdão da Apelação em Mandado de Segurança no 2002.72.03.0002452/SC, julgada pelo TRF da 4a Região. Sobre a multa de 150%, diz que não houve reincidência, nem sonegação, tendo sido, isso sim, aproveitados créditos legítimos do IPI, reconhecidos por decisão judicial, circunstância que exclui a aplicação de qualquer multa, conforme acórdão da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, do qual transcreve excertos da ementa, do relatório e do voto. Por último, requer a insubsistência do crédito tributário constituído no Auto de Infração impugnado, seja porque o lançamento contém vícios insanáveis, que acarretam a sua nulidade, seja porque o direito ao crédito judicialmente reconhecido Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.001289/200721 Acórdão n.º 3403000.947 S3C4T3 Fl. 4 4 no Mandado de Segurança no 1999.71.08.0099270, abrange os produtos/insumos adquiridos/saídos com isenção, lato sensu, onde se inclui a suspensão, alíquota zero e nãotributados, conforme melhor exegese do acórdão do processo judicial referido, além de todos serem espécies do gênero isenção, conforme entende o próprio Poder Judiciário. Encerra, afirmando que, na hipótese de não serem acolhidos os argumentos da defesa, deverá ser afastada a multa qualificada de 150%, e/ou reduzida, pois não há que se falar em reincidência ou sonegação, no caso em espécie, até mesmo porque o impugnante está, até o momento, ao abrigo de uma decisão judicial, consoante amplamente demonstrado e fundamentado.” O Acórdão 1015.059 da 3ª Turma da DRJ em Porto Alegre – RS recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes da autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas. NULIDADE POR SUPOSTA PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. É improcedente a alegação de nulidade do Auto de Infração, por preterição do direito de defesa, que teria impedido o entendimento dos fatos e do enquadramento legal, por estabelecimento que é autuado pela terceira vez, pela prática da mesma infração, sempre muito bem descrita e enquadrada, nos respectivos relatórios fiscais e autos de infração. REINCIDÊNCIA ESPECÍFICA. Caracteriza reincidência específica a prática de nova infração de um mesmo dispositivo, dentro de cinco anos da data em que houver passado em julgado a decisão administrativa referente à infração anterior. Regularmente notificada da decisão de primeira instância, a contribuinte recorreu em tempo hábil a este Conselho, alegando, em síntese, a nulidade do Acórdão 10 15.059 da 3ª Turma da DRJ em Porto Alegre – RS por violação do direito de defesa, uma vez que não enfrentou todas as matérias alegadas na impugnação. Acrescentou que o ADN Cosit nº 3/96 interpretou incorretamente o art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/80 e que ele é inaplicável ao caso concreto porque o mandado de segurança antecedeu o auto de infração. No mais, reiterou as alegações feitas em primeira instância. Por meio da Resolução nº 340300.003, de 07 de julho de 2009, o julgamento foi convertido em diligência a fim de que a repartição de origem juntasse aos autos peças dos processos nº 11065.001149/0088 e 11065.000887/200197, capazes de demonstrar as datas em que os Acórdãos 20215.422 e 20215.423 se tornaram definitivos na esfera administrativa. Os autos retornaram com os documentos de fls. 1123 a 1201, que atenderam plenamente o que foi solicitado na diligência. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.001289/200721 Acórdão n.º 3403000.947 S3C4T3 Fl. 5 5 É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. É incontroverso nos autos que apenas foram glosados os créditos pelas entradas de produtos sob o regime de suspensão do imposto. Não houve glosa quanto a créditos pela entrada de produtos isentos, imunes ou sujeitos à alíquota zero. Da nulidade da decisão recorrida por violação do direito de defesa e da inaplicabilidade do ADN Cosit nº 3/96. A decisão recorrida, invocou o ADN Cosit nº 3/96 para não conhecer da questão do direito ao crédito ficto por entradas desoneradas do imposto, uma vez que a matéria está submetida ao crivo do Judiciário. Em razão disso, alegou a recorrente violação dos princípios constitucionais pertinentes ao processo. Analisandose a fundamentação e o pedido da inicial do mandado de segurança nº 1999.71.08.0099270 (fls. 18/97) verificase que realmente a questão do direito ao crédito de IPI pelas entradas de insumos desoneradas do imposto foi submetida ao crivo do Poder Judiciário antes da autuação. A Súmula nº 1 do Segundo Conselho de Contribuintes, assim estabelece: “SÚMULA Nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.” Portanto, não é nula e nem merece reparo a decisão recorrida, posto que decidiu a questão no mesmo sentido da súmula de jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Embora o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 3, de 14 de fevereiro de 1996 tenha esclarecido exaustivamente a questão, a concomitância entre processos judiciais e administrativos ainda vem criando dificuldades para a fiscalização, julgadores e contribuintes. Assim dispõe a Lei n.º 6.830, de 22 de setembro de 1980 o art. 38, parágrafo único: “Art 38. A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.001289/200721 Acórdão n.º 3403000.947 S3C4T3 Fl. 6 6 dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo único. A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.” Como se vê, existe previsão legal expressa no sentido da renúncia ou da desistência do recurso administrativo, com o único objetivo de vedar a concomitância de processos nas esferas administrativa e judicial. Tal vedação nada tem de inconstitucional, uma vez que atende simultaneamente aos princípios da unidade da jurisdição e da economia processual. É totalmente inútil discutirse no âmbito administrativo questão submetida ao crivo judicial, pois ao final prevalecerá a decisão judicial, independentemente do que for decidido pela Administração. Interpretando este dispositivo legal, o Superior Tribunal de Justiça assim se manifestou: “Recurso Especial nº 24.0406RJ (92.00162444) (DJU 16/10/1995) EMENTA: Tributário. Ação declaratória que antecede a autuação. Renúncia ao poder de recorrer na via administrativa e desistência do recurso interposto. O ajuizamento de ação declaratória que antecede a autuação impede o contribuinte de impugnar administrativamente a mesma autuação interpondo os recursos cabíveis naquela esfera. Ao entender de forma diversa, o acórdão recorrido negou vigência ao art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830, 22.09.80. Recurso Especial conhecido e provido. RECURSO ESPECIAL Nº 7.630RJ (91.012831) (DJU 22/04/1991) EMENTA:TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DO DEVEDOR. EXIGÊNCIA FISCAL QUE HAVIA SIDO IMPUGNADA POR MEIO DE MANDADO DE SEGURANÇA PREVENTIVO, RAZÃO PELA QUAL O RECURSO MANIFESTADO PELO CONTRIBUINTE NA ESFERA ADMINISTRATIVA FOI JULGADO PREJUDICADO, SEGUINDOSE INSCRIÇÃO DA DÍVIDA E AJUIZAMENTO DA EXECUÇÃO. Hipótese em que não há falarse em cerceamento de defesa e, conseqüentemente, em nulidade do título exeqüendo. Interpretação da norma do art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/80, que não faz distinção, para os efeitos nela previstos, entre ação preventiva e ação proposta no curso do processo administrativo. Recurso provido.” Vale a pena transcrever excerto do voto do relator no Resp. nº 7.630RJ, Exmo. Sr. Ministro Ilmar Galvão, verbis: "(...) Como ficou visto, os agentes fiscais do Estado efetuaram lançamento fiscal contra a Recorrida, instaurandose processo contencioso administrativo, o qual já se achava no Conselho de Contribuintes, para julgamento de recurso contra a Fazenda, Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.001289/200721 Acórdão n.º 3403000.947 S3C4T3 Fl. 7 7 quando se apercebeu esta de que o contribuinte havia impetrado mandado de segurança visando exonerarse da obrigação fiscal em tela, razão pela qual o recurso foi considerado prejudicado e o lançamento definitivamente constituído, inscrevendose a dívida ativa e iniciandose a execução. Na verdade, havia o Recorrido tentado porse a salvo da autuação, por meio de mandado de segurança impetrado antes do lançamento, o qual, aliás, foi extinto sem apreciação do mérito. Defendendose agora na execução, alega nulidade do título que a embasa, ao fundamento de ausência do julgamento de seu recurso. Não tem razão, entretanto. Com efeito, havendo atacado, por mandado de segurança, ainda que preventivo, a legitimidade da exigência fiscal em tela, não havia razão para julgamento de recurso administrativo, do mesmo teor, incidindo a regra do art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/80, segundo a qual, a impugnação da exigência fiscal em juízo "importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Em tais circunstâncias, abreviase a ultimação do processo administrativo que, mediante a inscrição do debitum, dá ensejo à execução forçada em juízo. Embargada esta, corre o processo em apenso ao da primeira ação, para julgamento simultâneo, em face da conexão, na forma do art. 105 do CPC. Tratase de medida instituída em prol da celeridade processual, e que, por outro lado, nenhum prejuízo acarreta para o contribuinte devedor. Com efeito, se a decisão judicial lhe foi favorável, a execução resultará trancada; e se desfavorável, não terá retardado injustificadamente a realização do crédito fiscal. A circunstância de a exigência fiscal ter sido impugnada antes, ou depois, da autuação, não tem relevância, de vez que, em qualquer hipótese, produzirá a sentença os efeitos descritos. O que não faz sentido é a invalidação do título exeqüendo pelo único motivo de não haver o contribuinte logrado um pronunciamento sobre o mérito, no julgamento da ação, sabendose que poderá obtêlo por via dos embargos, sem que se possa falar, por isso, em nulidade processual, notadamente cerceamento de defesa. (...)" Como se pode verificar, para os fins do art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/80, é irrelevante que a propositura da ação judicial ocorra antes ou depois da autuação e que o processo judicial se extinga com ou sem julgamento de mérito. Diante da interpretação fixada pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, que é o tribunal competente para uniformizar a interpretação do direito federal (CF/1988, art. 105, III, alínea c), o CoordenadorGeral do Sistema de Tributação transplantou o entendimento jurisprudencial para a esfera administrativa, ao baixar o Ato Declaratório Normativo Cosit nº 3, de 1996, com o seguinte teor: “O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso da atribuição que lhe confere o art. l47, item III, do regimento interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de l992, e tendo em vista o Parecer COSIT nº 27/96. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.001289/200721 Acórdão n.º 3403000.947 S3C4T3 Fl. 8 8 DECLARA, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto; b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p.ex., aspectos formais do lançamento, base de cálculo etc.); c) no caso da letra "a", a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. l49 do CTN; d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, procederseá a inscrição em dívida ativa, deixandose de fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança),do art.l5l, do CNT; e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento do mérito (art.267 do CPC). PAULO BALTAZAR CARNEIRO” (grifei) Portanto, ao contrário do alegado, o ADN Cosit nº 3/96, interpretou corretamente o art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/80, posto que adotou a interpretação fixada pelo STJ. Ainda que o processo judicial venha a ser extinto sem julgamento de mérito, a renúncia às vias administrativas não viola nenhuma garantia constitucional do contribuinte, porque o mérito da autuação poderá ser rediscutido em embargos do devedor, a teor do disposto no art. 745, do CPC: “Art. 745. Quando a execução se fundar em título extrajudicial, o devedor poderá alegar, em embargos, além das matérias previstas no art. 741, qualquer outra que Ihe seria lícito deduzir como defesa no processo de conhecimento.” Preliminar rejeitada. Nulidade do auto de infração por vício na motivação. Alegou a recorrente que o auto de infração não apresenta, claramente, o dispositivo legal que supostamente foi infringido, já que os fatos narrados não guardam consonância efetiva com a norma dita por violada (fl. 2084, parte final). Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.001289/200721 Acórdão n.º 3403000.947 S3C4T3 Fl. 9 9 A alegação da recorrente é contraditória, pois se é possível à defesa afirmar que os fatos narrados não guardam consonância com a norma dita por violada, então é porque o autuante disse claramente qual foi a norma violada. Na fl. 692 encontrase a descrição do único fato narrado: “Crédito Básico Indevido”. Nas fls. 721/731 encontrase o Relatório da Ação Fiscal, onde se pode obter o motivo pelo qual o crédito básico foi considerado indevido: as entradas com suspensão não dão direito ao crédito e nem estão abrigadas pelo provimento judicial. E finalmente, na fl. 689, está citado expressamente o art. 164, inciso I, do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto nº 4.544/2002, que prevê o seguinte: “Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I – do imposto relativo a MP, PI e ME, para emprego na industrialização de produtos de produtos tributados, (...)” (grifei) Ora, se o Regulamento só permite o crédito fiscal do imposto e a fiscalização considerou que nas entradas com suspensão não tem imposto e que elas não estão abrigadas pela decisão judicial, então realmente não há nada a ser creditado. Se não há imposto a ser creditado, o crédito básico é indevido. E se houvesse imposto a ser creditado nas entradas com suspensão a recorrente não precisaria ter batido às portas do Judiciário para pleitear tal direito. Portanto, ao contrário do alegado não existe nenhum vício na motivação do auto de infração. O motivo, ou seja, a causa do lançamento, assim como o dispositivo legal que lhe dá sustentáculo foram expressamente indicados pelo Fisco e existe subsunção lógica entre a hipótese normativa e o motivo indicado. Preliminar rejeitada. Direito ao crédito pelas entradas com suspensão – interpretação equivocada da decisão judicial. A contribuinte impetrou o Mandado de Segurança no 1999.71.08.0099270 em 26 de outubro de 1999. Na petição inicial respectiva (fls. 18/97) foi pedido o reconhecimento do direito de aproveitamento de créditos do IPI, decorrentes de compras de insumos isentos e/ou beneficiados pela alíquota zero. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.001289/200721 Acórdão n.º 3403000.947 S3C4T3 Fl. 10 10 Na fundamentação do impetrante verificase que existe argumentação no sentido de que a isenção abrange também as “isenções parciais”, entre as quais estariam enquadradas as saídas com alíquota zero e as com suspensão do imposto (fls. 19). Portanto, está correta a decisão de primeira instância na parte em que decidiu pela concomitância com o processo judicial, já que o lançamento impugnado e a ação judicial possuem o mesmo objeto, no tocante ao direito aos créditos do imposto nas entradas de insumos com suspensão do IPI. Por outro lado, a sentença, datada de 30 de outubro de 2000 (fls. 98/105), denegou a segurança. O julgamento da apelação ocorreu em 21 de fevereiro de 2002, conforme fls. 169/177, cuja ementa transcrevo a seguir: “TRIBUTÁRIO. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. CRÉDITO PRESUMIDO. 1. O princípio constitucional da nãocumulatividade tem como finalidade essencial a proteção do consumidor final, evitando que este venha a suportar carga tributária excessiva, decorrente da incidência cumulativa de IPI, nas operações que envolvem o processo de industrialização. 2. O contribuinte tem direito de creditarse do IPI relativo aos insumos e matérias primas adquiridos sob o regime de isenção, imunes, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, a fim de que o benefício possa ser efetivamente refletido no preço final do produto oferecido ao consumo. 3. Sobre os créditos apurados incide correção monetária, a fim de conservarlhes o poder aquisitivo da moeda.” A literalidade do julgado não deixa nenhuma dúvida no sentido de que o pronunciamento judicial não fez nenhuma menção ao direito de crédito do IPI nas entradas de insumos com suspensão desse imposto. O exame do inteiro teor do referido acórdão (fls. 169/177) não deixa nenhuma dúvida de que o Judiciário não se manifestou sobre as entradas com suspensão do imposto. Do cotejo do inteiro teor da petição inicial com o inteiro teor do acórdão acima citado, verificase que, conquanto a recorrente tenha revelado a pretensão de utilizar créditos de IPI pelas entradas de insumos com suspensão, o acórdão do TRF da 4a Região foi omisso quanto a esta questão, tendo se limitado a autorizar créditos do IPI em relação a outras entradas desoneradas do imposto. Não há notícia nos autos de que a recorrente tenha oposto embargos de declaração ao Acórdão do TRF da 4ª Região, o que tornou definitivo o não reconhecimento pelo Poder Judiciário do direito aos créditos de IPI pelas entradas com suspensão do imposto. Alegou a recorrente que a Procuradoria da Fazenda Nacional, ao interpor o recurso extraordinário, não recorreu do direito ao crédito quanto aos produtos isentos. Acontece que da ausência de recurso da PFN nesta parte, não decorre logicamente a conclusão de que houve o reconhecimento por parte do Judiciário do direito ao crédito pelas entradas com suspensão de IPI, pois o Acórdão do TRF da 4ª Região foi omisso quanto a esta matéria. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.001289/200721 Acórdão n.º 3403000.947 S3C4T3 Fl. 11 11 A recorrente citou o julgamento pelo TRF da 4ª Região da Apelação em Mandado de Segurança no 2002.72.03.0002452/SC, cuja transcrição que foi feita no recurso voluntário, demonstra que naquele caso concreto foi reconhecido o direito ao crédito de IPI pelas entradas com suspensão do imposto. Contudo, além deste julgado beneficiar outro contribuinte, ele foi proferido em 11/06/2006, mais de quatro anos após o julgamento da apelação da recorrente, o que pode caracterizar uma mudança no posicionamento do Tribunal Regional da 4ª Região. Inexistindo pronunciamento do Judiciário quanto ao crédito de IPI pelas entradas com suspensão do imposto, é óbvio que o lançamento não configura nenhum desrespeito à ordem judicial. Da majoração da multa de ofício pela reincidência específica Ao contrário do alegado, a decisão de primeira instância não enquadrou a conduta da recorrente na sonegação, prevista no art. 480 do RIPI/2002. Eis o excerto do voto condutor do acórdão recorrido ao decidir a questão (fls. 1051/1052): “(...) No tocante à exigência da multa de ofício majorada, de 150%, por infração qualificada (reincidência e sonegação), cabe dizer, inicialmente, que o enquadramento no art. 480, II, do RIPI, de 2002, a seguir transcrito, não pode ser acolhido: “Art. 480. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária (Lei nº 4.502, de 1964, art. 71): I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais (Lei nº 4.502, de 1964, art. 71, inciso I); e II das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente (Lei nº 4.502, de 1964, art. 71, inciso II).” Embora os motivos para o nãorecolhimento do IPI, no caso concreto, sejam altamente reprováveis, o sujeito passivo, na verdade, não praticou ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, das suas condições pessoais. Pelo contrário, os créditos do IPI, posto que absurdos, foram escriturados e documentados, bastando examinar a escrita fiscal do estabelecimento para flagrar a irregularidade, o que, aliás, foi feito. (...)” Portanto, ficou decidido em caráter imutável no âmbito administrativo que não houve sonegação por parte da recorrente. Todavia, no que diz respeito à reincidência específica, o entendimento do acórdão recorrido está parcialmente correto, merecendo reparo apenas quanto ao momento em que a reincidência se aperfeiçoou sob o aspecto jurídico. Vejamos. A figura da reincidência específica está prevista no art. 479 do Regulamento de 2002, nos seguintes termos: Fl. 11DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.001289/200721 Acórdão n.º 3403000.947 S3C4T3 Fl. 12 12 “Art. 479. Caracteriza reincidência específica a prática de nova infração de um mesmo dispositivo, ou de disposição idêntica, da legislação do imposto, ou de normas contidas num mesmo Capítulo deste Regulamento, por uma mesma pessoa ou pelo sucessor referido no art. 132, e parágrafo único, da Lei nº 5.172, de 1966, dentro de cinco anos da data em que houver passado em julgado, administrativamente, a decisão condenatória referente à infração anterior (Lei nº 4.502, de 1964, art. 70).” (grifei) Nos processos nº 11065.001149/0088 e 11065.000887/200197, tornaramse definitivas, na via administrativa, as exigências do IPI fundadas nas glosas de supostos créditos pelas entradas de insumos remetidos ao estabelecimento do interessado com suspensão do imposto, mesma infração que gerou este processo. Os documentos que vieram com a diligência demonstraram que o contribuinte foi notificado por edital dos Acórdãos nº 20215.422 e 20215.423 proferidos naqueles processos. Na fl. 1152, consta que o Edital nº 27/04/Sacat foi fixado no painel do saguão da Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo no dia 08/07/2004, dando publicidade ao Acórdão nº 20215.422. Na fl. 1199, consta que o Edital nº 26/04/Sacat foi fixado no painel do saguão da Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo no dia 08/07/2004, dando publicidade ao Acórdão nº 20215.423. O art. artigo 23, inciso III, § 1º e § 2º, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, na redação que lhe foi dada pelo artigo 67, da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, estabelecia o seguinte: “Art. 23 Farseá a intimação: I e II omissis III Por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. § 1º O edital será publicado, uma única vez, em órgão de imprensa oficial local, ou afixado em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação. § 2º Considerase feita a intimação: (...) III Quinze dias após a publicação ou afixação do edital, se este for o meio utilizado;” Segundo esta regra, considerase que o contribuinte foi cientificado dos Acórdãos acima citados no 16º dia, contado da fixação do edital, ou seja, a ciência ocorreu no dia 24/07/2004, sábado. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11065.001289/200721 Acórdão n.º 3403000.947 S3C4T3 Fl. 13 13 O prazo de 5 dias para a interposição de embargos de declaração e o prazo de 15 dias para interposição do recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais começaram a fluir na segundafeira, dia 26 de julho de 2004. O prazo para embargos de declaração transcorreu in albis e terminou no dia 30 de julho de 2004, sextafeira. O prazo para o recurso de divergência também transcorreu in albis e terminou no dia 09 de agosto de 2004, segundafeira. Portanto, segundo a regra do art. 42, II, do Decreto nº 70.235/72, os dois Acórdãos tornaramse definitivos na via administrativa no dia 10 de agosto de 2004, terça feira. Tendo em vista que segundo a regra do art. 479 do RIPI/2002 (art. 70 da Lei nº 4.502/64), a reincidência específica somente se constitui do ponto de vista jurídico a partir da data em que passar em julgado a decisão condenatória referente à infração anterior, o agravamento da multa só pode ser mantido para fatos geradores ocorridos a partir de 10 de agosto de 2004 e até 10 de agosto de 2009. A cópia do Livro de Registro e Apuração do IPI (fls. 223 a 519) comprova que os créditos pelas entradas com suspensão foram apropriados durante os anos de 2003 a 2006. Portanto, merece reparo a decisão de primeira instância na parte em que manteve o agravamento para todo o período autuado, pois em relação aos fatos geradores ocorridos até o dia 09 de agosto de 2004, a multa de ofício deve ser desagravada para o percentual de 75% em razão de o contribuinte não poder ser considerado juridicamente reincidente, já que até aquele dia não havia passado em julgado a decisão condenatória referente à infração anterior. Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário na parte em que existe concomitância com a ação judicial e, na parte conhecida, voto por dar provimento parcial para desagravar a multa de ofício, reduzindoa ao patamar de 75% em relação aos fatos geradores ocorridos até o dia 09 de agosto de 2004, inclusive. Antonio Carlos Atulim Fl. 13DF CARF MF Emitido em 16/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM Assinado digitalmente em 08/06/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000147/2002-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 1998
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA.
MATÉRIA SUMULADA.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. De acordo com a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o
consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
MULTA DE OFÍCIO CONFISCO.
Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal.
TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
Numero da decisão: 2102-001.177
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1994; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2‐C1T2 Fl. 187 1 186 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000147/200206 Recurso nº 174.309 Voluntário Acórdão nº 2102001.177 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de março de 2011 Matéria IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS/DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente DOMINGOS DE PAULO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. De acordo com a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. MULTA DE OFÍCIO CONFISCO. Nos casos de lançamento de ofício, onde resultou comprovada a insuficiência do recolhimento de imposto, é exigível a multa de ofício por expressa determinação legal. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000147/200206 Acórdão n.º 2102001.177 S2‐C1T2 Fl. 188 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ASSINADO DIGITALMENTE Giovanni Christian Nunes Campos Presidente ASSINADO DIGITALMENTE Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator EDITADO EM 17/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Vanessa Pereira Rodrigues Domene, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 165 a 185, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 150 a 158, que julgou procedente o lançamento de IRPF de fls. 126 a 129 dos autos, lavrado em 27/06/2002, relativo ao anocalendário 1998, com ciência do RECORRENTE em 27/06/2002 (fl. 126). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 299.177,60, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. De acordo com a descrição dos fatos à fl. 127, o lançamento teve origem na seguinte infração: 001 – OMISSÃO DE RENDIMENTOS PROVENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS Omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, não foram comprovados mediante Fl. 2DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000147/200206 Acórdão n.º 2102001.177 S2‐C1T2 Fl. 189 3 documentação hábil e idônea, conforme explicitado no Termo de Verificação Fiscal que faz parte integrante deste Auto de Infração. Fato Gerador 30/01/1998 28/02/1998 31/03/1998 30/04/1998 31/05/1998 30/06/1998 31/07/1998 31/08/1998 30/09/1998 31/10/1998 30/11/1998 31/12/1998 Valor Tributável ou Imposto R$ 49.128,20 R$ 45.829,15 R$ 82.350,36 R$ 33.112,01 R$ 34.726,70 R$ 36.802,24 R$ 22.283,79 R$ 26.426,12 R$ 40.973,76 R$ 28.335,95 R$ 48.959,88 R$ 45.850,31 Multa(%) 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 Enquadramento legal: Art. 42 da Lei nº 9.430/96; art.4º da Lei nº 9.481/97; art. 21 da Lei nº 9.532/97. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 109 a 123, durante a ação fiscal, o RECORRENTE foi intimado do termo de inicio de fiscalização para, entre outras medidas, comprovar a origem dos recursos depositados em sua conta bancária no Banco Itaú S/A, obtidos com base nas informações de retenção da CPMF prestadas pelas instituições financeiras, de acordo com o art. 11, §2º, da Lei nº 9.311/96 (fl. 31). Em atendimento ao solicitado pela fiscalização, o RECORRENTE apresentou: cópias dos extratos bancários, do período de 02/01/1998 a 31/12/1998, da contacorrente n° 388445/100.000, que possui junto ao Banco Itaú S/A, CNPJ 60.701.190/000104; cópia da proposta de abertura de Conta Universal Itaú – Pessoa Física; cópia do contrato de empréstimo efetuado junto ao Banco Itaú; Documento do Banco Itaú.S/A informando as contas que o fiscalizado possui junto àquela instituição; relação das solicitações de 2° via de extratos; cópia da Declaração de Ajuste Anual Simplificada e cópia do recibo de entrega da Declaração de Ajuste Anual (completo), ambos do exercício de 1999 / anocalendário 1998. A fiscalização teve por base os documentos apresentados pelo RECORRENTE e as informações obtidas internamente na Secretaria da Receita Federal. Com isso, a autoridade fiscal apurou o total de depósitos efetuados na conta do RECORRENTE no valor de R$ 588.606,37, e um total de cheques devolvidos no valor de R$ 93.827,90, conforme extrato de fls. 114 a 123. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000147/200206 Acórdão n.º 2102001.177 S2‐C1T2 Fl. 190 4 Posteriormente, o RECORRENTE foi intimado duas vezes (em 08/10/2001 e em 18/02/2001, de acordo com as fls. 37 e 53, respectivamente) para comprovar, através de documentação hábil e idônea, as fontes de recursos que deram origem aos depósitos/créditos bancários em seu nome, conforme demonstrativo de fls. 38 a 48. Sendo que o RECORRENTE não respondeu às referidas intimações. Portanto, a autoridade fiscal considerou como omissão de rendimentos o valor de R$ 494.778,47 (correspondente à diferença entre os créditos em conta e os cheques devolvidos) cuja origem não foi comprovada, nos termos do art. 42 e parágrafos da Lei nº 9.430/96. DA IMPUGNAÇÃO Em 25/07/2002, o RECORRENTE apresentou, tempestivamente, sua impugnação de fls. 134 a 147, através de procurador devidamente habilitado à fl. 132, por meio da qual expôs, em síntese, que o auditor fiscal havia se equivocado por realizar o presente lançamento calcado em suposições. As suas alegações estão a seguir, resumidamente, transcritas: “(...) É irrefutável que o Sr. Auditor Fiscal deveria ter efetuado um levantamento específico e não simplesmente, autuálo com base em presunções, pois a presunção não caracteriza fato gerador capaz de gerar impostos. (...) Assim, é indiscutível que a autuação não está calcada em elementos suficientes capazes de gerar um valor passível a ser lançado e exigido. (...) Diante de tantas incertezas demonstradas pela autoridade fiscal acerca de informes pertinentes à questão, verificase como improcedentes e totalmente injustas a exigibilidade do imposto em tela, induzindo à presunção de existência de operações tributáveis. Deste modo, concluise que no caso em tela, não houve a aplicação dos dispositivos legais invocados. Notase precipitação da autoridade fiscal ao pretender imputar a este contribuinte, infração consubstanciada somente em indícios. (...) O fato gerador do imposto exigido é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica que se realiza na ocorrência da elevação patrimonial de valores, bens ou direitos relativos. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000147/200206 Acórdão n.º 2102001.177 S2‐C1T2 Fl. 191 5 Sem a realização do mesmo, tudo quanto alegado constituemse frágeis indícios, desprovidos da condição de tornaremse provas cabais de ensejar uma posterior Execução Fiscal. (...) E mais, a doutrina e a jurisprudência são unânimes no mesmo sentido, ou seja, o lançamento do imposto de renda baseado exclusivamente em depósitos bancários, consiste em lançamento ilegítimo. O Fisco não provou durante todo o Processo Administrativo, e não provará que os valores depositados na conta corrente do Defendente, foram por este consumido. (...) Deste modo, não há nexo de causalidade entre o fato conhecido (depósito) e o que se pretende reputar presumidamente ocorrido (a renda auferida ou consumida). (...)” Ademais, o RECORRENTE não concorda com a aplicação da multa imposta e com a fixação dos juros em razão da taxa SELIC, visto que além do limite de 12% ao ano estabelecido pelo art. 192, §3º, da Constituição Federal. Com base nestas razões, o RECORRENTE requereu a total improcedência do lançamento, ou, alternativamente, a redução do mesmo. Protestou por todos os meios de prova, em especial pela juntada de novos documentos. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 150 a 158 dos autos, julgou procedente o lançamento, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÂO DE RENDIMENTOS A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000147/200206 Acórdão n.º 2102001.177 S2‐C1T2 Fl. 192 6 ALEGAÇÃO DE CONFISCO. APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. A aplicação da multa de oficio decorre de expressa previsão legal, tendo natureza de penalidade por descumprimento da obrigação tributária e, presentes na conduta do contribuinte as condições que propiciaram a aplicação da multa de oficio, é de se manter a multa de oficio de 75,00% (setenta e cinco por cento). No que tange, ainda, à invocação da figura do confisco, refoge à competência da Autoridade Administrativa a apreciação e a decisão de questões que versem sobre a constitucionalidade de atos legais, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo. JUROS DE MORA. TAXA REFERENCIAL SELIC. Havendo previsão legal da aplicação da taxa SELIC, não cabe à autoridade julgadora exonerar a correção dos valores legalmente estabelecida. Lançamento Procedente” Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora rebateu, uma a uma, as alegações do RECORRENTE, e findou por julgar procedente o presente lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 08/08/2008, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 162, apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fls. 165 a 185, em 03/09/2008. Em suas razões de recurso, o RECORRENTE reiterou todo o alegado em sua impugnação. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Fl. 6DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000147/200206 Acórdão n.º 2102001.177 S2‐C1T2 Fl. 193 7 Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. De acordo a Descrição dos Fatos de fl. 127 e com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 109 a 113 dos autos, a autoridade fiscal lavrou o presente auto de infração pelo fato de o RECORRENTE não ter comprovado a origem dos depósitos efetuados em sua conta corrente mantida no Banco Itaú S/A, no valor total de R$ 494.778,47, durante o anocalendário 1998. No mesmo ano, o RECORRENTE declarou como renda o valor de R$ 13.250,00. O RECORRENTE não contesta a titularidade da contacorrente, e nem informa mantêla em cotitularidade com terceiro. Intimado durante a ação fiscal para comprovar, mediante documentação hábil e idônea, as fontes de recursos que deram origem aos depósitos bancários em seu nome, o mesmo não apresentou qualquer documento. Quando da apresentação de sua impugnação de fls. 134 a 147, o RECORRENTE teve a oportunidade de comprovar a origem dos recursos que ocasionaram o presente lançamento, através de documentação hábil e idônea. Ocorre que o RECORRENTE limitouse a declarar que o presente lançamento não poderia prosperar por ter sido efetuado com base em presunções, e ainda alegou que a multa e os juros aplicados foram fixados em valor superior ao legalmente previsto e, consequentemente, teriam efeito confiscatório. Quando da apresentação de seu recurso voluntário, também não trouxe aos autos qualquer documentação capaz de comprovar a origem dos recursos depositados em sua conta bancária. Da presunção legal que depósitos bancários constituem renda tributável Quanto à alegação do RECORRENTE de que não haveria ocorrido o fato gerador do imposto de renda, cumpre esclarecer que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 prevê expressamente que os valores creditados em conta de depósito que não tenham sua origem comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda, nos seguintes termos: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” A referida matéria já foi, inclusive, sumulada por este CARF, razão pela qual é dever invocar a Súmula nº 26 transcrita a seguir: “SÚMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda Fl. 7DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000147/200206 Acórdão n.º 2102001.177 S2‐C1T2 Fl. 194 8 representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Desta forma, é legal a presunção de omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada, a qual pode ser elidida por prova em contrário, o que não aconteceu no presente caso. Apesar das intimações procedidas pela fiscalização, através do Termo de Intimação Fiscal 001/2001 em 10/10/2001 (fl. 37) e do Termo de Reintimação Fiscal 001/2002 em 21/02/2002 (fls. 53 e 65), o RECORRENTE não apresentou nenhum documento que comprovasse a origem dos recursos, conforme constatado no Termo de Verificação Fiscal (fl. 110). Entendo que o extrato de conta corrente de fls. 78 e 108 dos autos, que ensejou a elaboração do demonstrativo dos depósitos efetuados em conta (fls. 114 a 123), comprovam que houve o depósito de valores em contas bancárias do RECORRENTE, mais precisamente na conta corrente nº 388445 da agência 0747 do Banco Itaú S/A, no valor total de R$ 494.778,47, durante o anocalendário 1998. Desta forma, o RECORRENTE deveria ter comprovado a origem dos recursos depositados na sua conta corrente. Importante transcrever acórdão do CARF sobre a mesma matéria: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 1998 PERÍCIA OU DILIGÊNCIA NÃO COMPROVAÇÃO DA IMPRESCINDIBILIDADE REJEIÇÃO A prova pericial surge como meio para suprir a carência de conhecimentos técnicos do julgador para solução do litígio. Afinal, não é admissível que o julgador seja detentor de conhecimentos universais para examinar cientificamente todos os fenômenos possíveis de figurar na seara tributária. Por seu turno, a diligência objetiva trazer luzes sobre algum ponto obscuro apreendido nos autos. Não comprovada a necessidade da diligência ou perícia para subsidiar a solução da controvérsia, devese rejeitar a pretensão do recorrente. IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS REGIME DA LEI Nº 9.430/96 POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000147/200206 Acórdão n.º 2102001.177 S2‐C1T2 Fl. 195 9 COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS ATIVIDADE RURAL E ATIVIDADE ECONÔMICA DESENVOLVIDA POR FIRMA INDIVIDUAL AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DO ALEGADO REJEIÇÃO DA COMPROVAÇÃO Não basta simplesmente alegar que os depósitos bancários de origem não comprovada são provenientes da atividade rural ou de atividade econômica desenvolvida por firma individual. Ausente a prova do alegado, cujo ônus era do recorrente, hígida a presunção de omissão de rendimento estribada no art. 42 da Lei nº 9.430/96. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA AUTUAÇÃO AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DO DEPOSITANTE PELA FISCALIZAÇÃO DESNECESSIDADE DA COMPROVAÇÃO DA CAUSA DOS DEPÓSITOS E DA EVENTUAL TRIBUTAÇÃO DESSES VALORES NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 Comprovada a origem dos depósitos bancários, caberá a fiscalização aprofundar a investigação para submetê los, se for o caso, às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, na forma do art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Não se pode, simplesmente, ancorarse na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, obrigando o contribuinte a comprovar a causa da operação, e se esta foi tributada. Conhecendo a origem dos depósitos, inviável a manutenção da presunção de rendimentos com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430/96. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA CRÉDITOS BANCÁRIOS EXCLUÍDOS PELA FISCALIZAÇÃO MATÉRIA ESTRANHA AO AUTO DE INFRAÇÃO AUSÊNCIA DE LITÍGIO Excluídos determinados créditos bancários pela autoridade autuante, não remanesce qualquer controvérsia a ser solucionada no rito do contencioso administrativo fiscal. Recurso voluntário provido em parte. (recurso voluntário nº 159994; 1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; julgamento em 04/02/2009)” Portanto, não há que se falar em nulidade do lançamento visto que existe previsão legal que autoriza ao Fisco tributar os depósitos de origem não comprovada. Esclareçase, também, que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a autoridade fiscal agir conforme estabelece a lei, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 102 do Código Tributário Nacional – CTN: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a Fl. 9DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000147/200206 Acórdão n.º 2102001.177 S2‐C1T2 Fl. 196 10 matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Portanto, são insubsistentes as alegações do RECORRENTE, devendo o lançamento ser mantido também sob esse aspecto. Aplicação da Multa Entendo que também são insubsistentes as alegações do RECORRENTE no que diz respeito à aplicação da multa pela autoridade fiscal. O lançamento ora em análise diz respeito à omissão de rendimentos que originou a constituição do crédito tributário. Assim, devese esclarecer que a multa de ofício aplicada decorre de previsão legal em razão do lançamento de ofício, conforme disciplina o art. 44 da Lei nº 9.430/96: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” Atualização pelo índice do SELIC O RECORRENTE afirma que o índice do SELIC não poderia ser utilizada como taxa de juros moratórios, visto que o mesmo não possui natureza indenizatória (característica dos juros moratórios), mas sim remuneratória. No entanto, de acordo com a Súmula nº 04 deste CARF, são devidos os juros moratórios calculados à taxa referencial do SELIC, sendo a conferir: “SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Arguição de inconstitucionalidade Quanto às alegações de inconstitucionalidade sobre a aplicação de multa com efeito de confisco e da fixação de juros superior ao limite previsto na Constituição Federal, devese esclarecer que, de acordo com o disposto na Súmula nº 02 deste órgão julgador administrativo, esta é matéria estranha à sua competência, a conferir: Fl. 10DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000147/200206 Acórdão n.º 2102001.177 S2‐C1T2 Fl. 197 11 “SÚMULA CARF Nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo o lançamento em sua integralidade. ASSINADO DIGITALMENTE Carlos André Rodrigues Pereira Lima Fl. 11DF CARF MF Emitido em 26/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 05/07/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 07/07/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002462/2007-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2004, 2005
SIMPLES. EFEITOS DA EXCLUSÃO.
Tendo a sociedade auferido em determinado ano receitas que superaram o limite legal, a exclusão do SIMPLES surte efeitos a partir do ano calendário subsequente.
COMPARAÇÃO ENTRE VALORES DECLARADOS AO FISCO FEDERAL E OS CONSTANTES DO LIVRO REGISTRO DE APURAÇÃO DO ICMS.
É cabível a lavratura de auto de infração decorrente da constatação de divergências entre as informações prestadas ao fisco federal e aquelas constantes do livro de Registro de Apuração do ICMS.
LANÇAMENTOS REFLEXOS.
O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ
é aplicável aos autos de infração reflexos em face da relação de causa e efeito entre eles existente.
MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL DE 150%. CABIMENTO.
A qualificação da multa de ofício apenas é justificada quando a fiscalização devidamente demonstra o evidente intuito de fraude do contribuinte (art.44, II, da Lei nº 9.430/96, redação à época dos fatos geradores).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995 é legítima a utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios (Súmula CARF nº 4).
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:2004, 2005
PROVAS. APRESENTAÇÃO. MOMENTO.
Afora as exceções legais, a defesa deve estar instruída com as respectivas provas que sustentem o direito afirmado.
NORMAS VEICULADAS EM LEI. IMPOSSIBILIDADE DE SEREM AFASTADAS SOB FUNDAMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado ao órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (art.26A do Decreto nº 70.235/72; Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1401-000.484
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para reduzir as multas de ofício referentes aos fatos geradores ocorridos no anocalendário
2005, para o percentual de 75% (setenta e cinco por cento), nos
termos do voto do Relator.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: Eduardo Martins Neiva Monteiro
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EFEITOS DA EXCLUSÃO. Tendo a sociedade auferido em determinado ano receitas que superaram o limite legal, a exclusão do SIMPLES surte efeitos a partir do anocalendário subsequente. COMPARAÇÃO ENTRE VALORES DECLARADOS AO FISCO FEDERAL E OS CONSTANTES DO LIVRO REGISTRO DE APURAÇÃO DO ICMS. É cabível a lavratura de auto de infração decorrente da constatação de divergências entre as informações prestadas ao fisco federal e aquelas constantes do livro de Registro de Apuração do ICMS. LANÇAMENTOS REFLEXOS. O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ é aplicável aos autos de infração reflexos em face da relação de causa e efeito entre eles existente. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL DE 150%. CABIMENTO. A qualificação da multa de ofício apenas é justificada quando a fiscalização devidamente demonstra o evidente intuito de fraude do contribuinte (art.44, II, da Lei nº 9.430/96, redação à época dos fatos geradores). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995 é legítima a utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios (Súmula CARF nº 4). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005 PROVAS. APRESENTAÇÃO. MOMENTO. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 11516.002462/200752 Acórdão n.º 140100.484 S1C4T1 Fl. 502 2 Afora as exceções legais, a defesa deve estar instruída com as respectivas provas que sustentem o direito afirmado. NORMAS VEICULADAS EM LEI. IMPOSSIBILIDADE DE SEREM AFASTADAS SOB FUNDAMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado ao órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (art.26A do Decreto nº 70.235/72; Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir as multas de ofício referentes aos fatos geradores ocorridos no anocalendário 2005, para o percentual de 75% (setenta e cinco por cento), nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, Antonio Bezerra Neto, Viviani Aparecida Bacchmi, Maurício Pereira Faro e Eduardo Martins Neiva Monteiro. Relatório Tratase de autos de infração decorrentes da exclusão do regime de tributação simplificado (SIMPLES), anoscalendário 2004 e 2005, no valor originário total de R$ 1.217.149,81 (um milhão, duzentos e dezessete mil, cento e quarenta e nove reais e oitenta e um centavos), consolidado até a data da lavratura. As multas de ofício foram aplicadas no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) e a ciência dos lançamentos efetivouse em 28/08/07 (fls.294, 303, 314, 323 e 331). No “Termo de Verificação Fiscal e de Encerramento de Fiscalização” (fls.336/350) descreveuse, em síntese: a) não poderia o contribuinte nos anoscalendário 2004 e 2005 ter permanecido no SIMPLES, pois em 2003 a receita auferida ultrapassou “...o limite estabelecido para enquadramento como microempresa, circunstância em que está vedada a permanência em tal condição no ano seguinte”; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 11516.002462/200752 Acórdão n.º 140100.484 S1C4T1 Fl. 503 3 b) “...considerando que o contribuinte não providenciou a sua exclusão do regime, ou então a alteração para a condição de empresa de pequeno porte, factível em razão da receita auferida, restou à administração tributária promover a exclusão de ofício desse regime simplificado”, implementada por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 31, de 06 de julho de 2007, com efeitos a partir de 01/01/04; c) “...a partir dos efeitos da exclusão, o contribuinte submetese as normas de tributação das empresas em geral, com apuração dos resultados pelas regras do lucro real, lucro presumido ou lucro arbitrado. Todavia, ante aos ditames da legislação de regência, o lucro presumido não lhe é mais factível, uma vez que não foi manifestada a opção por esse regime a época própria, restando os regimes do lucro real ou do lucro arbitrado”, razão pela qual foi intimado a apresentar os livros e documentos fiscais relacionados a essa sistemática de tributação; d) não foi possível a apuração pelo lucro real diante da ausência de documentação pertinente (v.g., LALUR, duplicatas, extratos de contas correntes e os decorrentes das transações bancárias). Além disso, eivada de vícios estava a escrituração; e) “Neste cenário, onde inexiste opção do contribuinte por forma de tributação do IRPJ, cumulado com o não atendimento de requisitos inerentes à tributação pelo regime do lucro real, resta à administração tributária, por exclusão, mensurar os resultados fiscais pelas regras do lucro arbitrado, precisamente com fulcro nas hipóteses previstas no artigo 530, incisos II e III, do RIR/99”. f) nos anoscalendário 2003 e 2004, apesar de ter auferido receitas, o contribuinte apresentou declaração de inatividade, não tendo realizado pagamento de tributo. Apenas em 26/02/07, após o início da ação fiscal, entregou nova declaração à Receita Federal do Brasil com a indicação das receitas e respectivos débitos; g) considerando que a sociedade é um estabelecimento industrial do ramo de embalagens plásticas, “...submetese no arbitramento do lucro ao percentual de 9,6%, consoante disposto no artigo 532 do RIR/99, que tem por base legal a Lei n° 9.249/95, artigo 16, e a Lei n° 9.430/96, artigo 27, inciso I”; h) na apuração do lucro arbitrado foram adotadas as receitas do Livro Registro de Apuração do ICMS; i) quanto à qualificação da multa de ofício: “(...) em face às infrações apuradas nos anos em questão (2004 e 2005), cumpre esclarecer ainda que, diante do evidente intuito de fraude caracterizado, é de se aplicar a qualificação da multa. Não restam dúvidas quanto à intenção do contribuinte em omitir a totalidade das operações realizadas, causando prejuízo aos cofres públicos. A multa de ofício qualificada aplicável ao caso em tela está prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, ou no caso do IPI, no artigo 80, inciso II, da Lei n° 4.502/64, com redação dada pelo artigo 45 da Lei n° 9.430/96, e tem como pressuposto para sua aplicação a existência de "evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964". Os fatos levantados no procedimento fiscal conduzem para a conclusão indubitável de que o dolo esteve presente na conduta adotada pelo contribuinte, onde mediante prática reiterada e sistematizada omitiu receitas da sua atividade econômica, ao Fl. 3DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 11516.002462/200752 Acórdão n.º 140100.484 S1C4T1 Fl. 504 4 longo de diversos períodos de apuração, circunstâncias que não deixam dúvida quanto à voluntariedade da conduta. Não apenas deixou de oferecer à tributação fatos imponíveis inerentes à atividade, como utilizou artifício destinado a evitar o conhecimento pela Administração Tributária.” j) especificamente com relação ao anocalendário 2005, apresentou declaração de rendimentos antes do início da fiscalização (fls.65/83), porém em “...Programa Gerador que não se alinha com as especificações técnicas da sua situação fiscal, circunstância em que se considera não entregue”. Levandose em conta a entrega de declarações quando já iniciado o procedimento fiscal ou em Programa Gerador com especificações em desacordo com a situação fiscal, a própria fiscalização providenciou “...para que os débitos consignados nessas declarações não venham a alimentar o sistema de cobrança, uma vez que estão sendo objeto de lançamento de ofício”. Os lançamentos foram considerados procedentes em primeira instância (fls.456/461), tendo o acórdão recebido as seguintes ementas: INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. PERDA DA ESPONTANEIDADE. O procedimento fiscal tem início com o primeiro ato de oficio, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. LIVROS FISCAIS. PROVA HÁBIL. As receitas escrituradas no livro Registro de Apuração do ICMS constituem prova hábil a instrumentar exigência dos tributos incidentes sobre essa receita, ressalvado ao contribuinte a demonstração de eventual equívoco nos valores que ele próprio escriturou. AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. O conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos regulares de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostramse como meras alegações, processualmente inacatáveis. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Sempre que o fato se enquadrar ao mesmo tempo na hipótese de incidência de mais de um tributo ou contribuição, as conclusões quanto a ele aplicarseão igualmente no julgamento de todas as exações. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 11516.002462/200752 Acórdão n.º 140100.484 S1C4T1 Fl. 505 5 No Recurso Voluntário (fls.470/499) interposto tempestivamente o sujeito passivo sustenta: a) a entrega das declarações simplificadas (anos de 2003 a 2005) demonstraria não ter havido omissão de receitas; b) não poderia ter alterado o enquadramento para EPP, haja vista a entrega de declaração como inativa e posteriormente com movimento; c) seria inadmissível a exclusão retroativa do SIMPLES a 1º de janeiro de 2004, mesmo constando nos sistemas da Receita Federal do Brasil sua condição de optante; d) as declarações de SIMPLES teriam sido aceitas pelos sistemas da Receita Federal do Brasil; e) não houve apresentação do LALUR, pois a tributação não era realizada pelo lucro real; f) inexistiriam inconsistências entre o livros Diário e Razão; g) no caso do IPI, poderia ter havido a compensação com crédito do mesmo tributo; h) pelo fato de não estar enquadrada no SIMPLES, “...não poderia haver a contribuição do INSS que foi calculada em R$ 82.383,94 (...), pelo simples fato de não haver contemplação na legislação federal”; i) a omissão de receitas não passaria de mera hipótese, sem qualquer comprovação legal, não podendo o Fisco ter autuado com base em presunção simples, sendo ilegal tal lançamento, até mesmo porque não há se falar em juízo de probabilidade; j) a Súmula 182 do entinto TFR, bem como decisões do extinto Conselho de Contribuintes, vedaria a tributação com base em renda presumida; k) “...A Lei 8.021/90, passou a admitir a aferição da renda presumida, desde que comprovados sinais exteriores de riqueza. Para que os depósitos bancários se configurem como sendo omissão de receitas, se faz necessário que seja observado o disposto no artigo 6° da Lei 8.021/90, que veio a determinar que o montante desses depósitos bancários ou aplicações junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não conseguir provar a sua origem, podem servir como medida ou quantificação para arbitramento da renda presumida, desde que a Autoridade Fiscal demonstre de forma inequívoca, que o contribuinte revela sinais exteriores de riqueza.”; l) o Decreto nº 3.000/99 não poderia alcançar fatos geradores ocorridos no ano base de 1999, devendo ter sido aplicado o Decreto nº 1.041/94. “...a douta fiscalização autuante não pode optar por aplicar a tributação tomando com base de cálculo a totalidade dos depósitos bancários”; m) a multa de ofício violaria o direito constitucional de propriedade e o princípio do não confisco, razão pela qual de acordo com o Supremo Tribunal Federal não poderia exceder a 30% (trinta por cento); n) seria inconstitucional a utilização da taxa SELIC. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 11516.002462/200752 Acórdão n.º 140100.484 S1C4T1 Fl. 506 6 Durante o procedimento fiscal a própria autuada entregou à fiscalização documentos fiscais e contábeis, em especial o Livro Registro de Apuração do ICMS, que comprovam a obtenção de receitas, em 2003, no montante de R$ 972.555,91 (novecentos e setenta e dois mil, quinhentos e cinquenta e cinco reais e noventa e um centavos), valor, inclusive, inferior ao declarado após o início da ação fiscal (fl.435). De acordo com a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, uma vez ultrapassado o limite estabelecido, a exclusão do SIMPLES produz efeitos a partir do ano calendário subsequente: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: I na condição de microempresa, que tenha auferido, no ano calendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 120.000,00 (cento e vinte mil reais); ..... Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: I por opção; II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; ..... Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; ..... Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: ..... IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9°; Portanto, diante da hipótese legal, não poderia a sociedade permanecer, como microempresa, apurando e recolhendo os tributos com base na sistemática simplificada, ainda que nos cadastros da Receita Federal do Brasil constasse tal condição. Deveria ter formalizado, se fosse o caso, mediante alteração cadastral, sua condição de Empresa de Pequeno Porte – EPP. De acordo com a Lei nº 9.317/96: Art. 8° A opção pelo SIMPLES darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda CGC/MF, quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 11516.002462/200752 Acórdão n.º 140100.484 S1C4T1 Fl. 507 7 ..... II ao porte da pessoa jurídica (microempresa ou empresa de pequeno porte). § 1° As pessoas jurídicas já devidamente cadastradas no CGC/MF exercerão sua opção pelo SIMPLES mediante alteração cadastral. O fato de declarações de inatividade terem sido recepcionadas em nada auxilia o sujeito passivo. A mera transmissão de uma declaração de rendimentos à Receita Federal do Brasil não importa em imediata aceitação dos dados ali constantes. Normalmente, as críticas realizadas pelos sistemas informatizados, a impedirem a transmissão, são de natureza formal, não de conteúdo. Em obediência ao que dispõe o Código Tributário Nacional (art.150, §4º; 173, I), sem ultrapassar o prazo legal de cinco anos, o fisco, não tendo homologado o procedimento adotado pelo contribuinte, constituiu as diferenças por meio de lançamento de ofício. A não alteração do enquadramento da sociedade para Empresa de Pequeno Porte – EPP decorreu de livre e espontânea vontade do contribuinte, não tendo a entrega de declarações com a informação inverídica de inatividade, ao contrário do que defende, o condão de justificar a inércia quanto à alteração cadastral. Com a exclusão do SIMPLES sujeitase o contribuinte aos regimes de tributação comum. Dispõe a Lei nº 9.317/96: Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Com relação à omissão de receitas, restou caracterizada a partir da análise das receitas devidamente escrituradas no Livro Registro de Apuração do ICMS e das declarações de inatividade transmitidas à Receita Federal do Brasil. A propósito, aquelas entregues em 26/02/07, ou seja, após iniciado o procedimento fiscal em 06/02/07 (fls.25/26), em nada interferem na apuração e constituição dos créditos tributários mediante lançamento de ofício, vez não restou caracterizada a espontaneidade. Apenas confirmam tal omissão. Levandose em conta a impossibilidade de apuração do lucro real, seja em decorrência da não apresentação de livros e documentos comerciais e fiscais, ou mesmo pela escrituração inadequada, eivada de erros e deficiências que impossibilitaram a determinação do lucro real, procedeuse corretamente ao arbitramento. O próprio contribuinte reafirma não ter, por exemplo, escriturado o LALUR. Ao contestar as inconsistências apontadas pela fiscalização, deixou de apresentar quaisquer provas a respeito. Quanto à impossibilidade de exigência da parcela do SIMPLES referente à contribuição previdenciária, é descabida neste processo, pois não há exigência de tal natureza, conforme se verifica no Termo de Encerramento de Fiscalização (fl.349). Acerca da pretensão de aproveitamento de créditos de IPI, no demonstrativo de fls.291/292 percebese que alguns valores já foram considerados. A autoridade fazendária, sobre o ponto assim discorreu: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 11516.002462/200752 Acórdão n.º 140100.484 S1C4T1 Fl. 508 8 “Em face o princípio da nãocumulatividade do imposto, efetivado através do sistema de crédito, onde o imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento pode ser abatido do que for devido pelos produtos dele saídos, levantamos também o imposto pago nas aquisições, cujo resultado está retratado no demonstrativo intitulado "Relação das Notas Fiscais de Aquisição de Insumos com IPI Destacado", de fls. 274 a 282.” Se há outros créditos além daqueles já considerados, caberia ao recorrente comproválos, não sendo suficiente limitarse a meras afirmações. A respeito de todas as alegações de vedação de tributação com base em presunção, não se relacionam ao caso sob análise. Neste, valeuse a fiscalização de provas diretas, conforme visto anteriormente, em especial do Livro de Registro de Apuração do ICMS, não de extratos bancários. Diante da clareza do relatório fiscal, estranhase que tenham sido veiculadas, inclusive lastreadas em decisões do Primeiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, bem como em súmula do extinto Tribunal Federal de Recursos, que por óbvio não são aplicáveis ao caso sob julgamento. Tampouco podese condicionar a validade dos lançamentos à suposta renda presumida com base em sinais exteriores de riqueza, como deseja o recorrente. O próprio artigo 6º, caput, da Lei nº 8.021, de 12 de abril de 1990, excetua hipótese legais outras. Além disso, o parágrafo quinto do mesmo artigo, fundamento da defesa, foi revogado pela Lei nº 9.430/96 (art.88, XVIII): Lei nº 8.021/90 Art. 6° O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. ..... § 5° O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Lei nº 9.430/96 Art. 88. Revogamse: ..... XVIII o § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021, de 1990; Quanto à qualificação da multa de ofício, inicialmente cabe esclarecer que as alegações de defesa relacionadas à inconstitucionalidade não podem ser apreciadas no âmbito administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 e de entendimento já consolidado neste Conselho: Decreto nº 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob Fl. 8DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 11516.002462/200752 Acórdão n.º 140100.484 S1C4T1 Fl. 509 9 fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Tal penalidade foi fundamentada no inciso II do art.44 da Lei nº 9.430/96, cuja redação à época dos fatos geradores era: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: ..... II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por sua vez, dispõe a Lei nº 4.502/64: Art.71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art.72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art.73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72. Aquela fraude reclamada pela redação anterior do art.44, II, da Lei nº 9.430/96 consubstanciase no ardil, no embuste, também empregados como meios para impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, do fato gerador ou das condições pessoais do contribuinte. O fato gerador ocorre e o contribuinte, mediante artifícios, tenta impedir de alguma forma, ou mesmo retardar, para com isso se valer de eventual extinção dos créditos tributários pela decadência, que a autoridade o detecte. O ordenamento jurídico por vezes exemplifica ações consideradas fraudulentas. A Lei nº 8.137, de 27/12/90, que define crimes contra a ordem tributária, econômica e contra as relações de consumo, é um bom e pertinente exemplo: Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 11516.002462/200752 Acórdão n.º 140100.484 S1C4T1 Fl. 510 10 ….. II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo (...);(destaquei) A fraude, então, pode mesmo ser caracterizada com a omissão de operação de qualquer natureza em documento ou livro exigido pela lei fiscal, ou mesmo omissão de declaração sobre rendas, bens ou fatos. Assim, quanto ao anocalendário 2004, agiu bem a fiscalização. É possível inferir das provas que alicerçaram a ação fiscal que o contribuinte livre e conscientemente direcionou seu agir para impedir ou retardar o conhecimento, por parte das autoridades fazendárias, da ocorrência do fato gerador. Como entender diferentemente se inicialmente informou à Receita Federal do Brasil que estava inativo (fl.410), quando auferiu no período receitas que totalizam mais de R$1.800.000,00, vindo somente a retificar a declaração após decorridos quase dois anos, quando já iniciado o procedimento fiscal? Com relação ao anocalendário 2005, a razão indicada para a qualificação da multa foi o fato de a declaração ter sido apresentada “em Programa Gerador com especificações em desacordo com a sua situação fiscal”, sendo considerada como “não entregue”. Em suma, não podendo o contribuinte mais permanecer no SIMPLES, por ter sido ultrapassado desde 2003 o limite de receita estabelecido legalmente, não estaria autorizado a valerse de declaração voltada àquele regime de tributação. Em que pese a declaração simplificada não servir para constituir créditos tributários referentes aos tributos objeto dos autos de infração, não se vislumbra na hipótese, apenas em razão de o contribuinte têla entregue (a situação é distinta da anterior, quando para o anocalendário 2004, informou estar inativo), o evidente intuito de fraude, mormente quando se verifica que as receitas declaradas antes do início do procedimento fiscal (fl.389) são superiores àquelas consideradas pela fiscalização. Sobre a decisão do STF mencionada pelo recorrente, no sentido de limitar a penalidade ao percentual de 30% (trinta por cento) do tributo, diz respeito à multa de mora. Ainda que se referisse à multa de ofício, os efeitos restringirseiam às partes envolvidas. Por fim, o cálculo dos juros moratórios com base na SELIC encontra abrigo legal, conforme firme jurisprudência do CARF, objeto do seguinte enunciado que aqui se prestigia: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Quanto aos lançamentos reflexos, em virtude da íntima relação de causa e efeito que os vincula, o que foi decidido com relação ao lançamento do IRPJ a eles estendese. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER Processo nº 11516.002462/200752 Acórdão n.º 140100.484 S1C4T1 Fl. 511 11 Pelo exposto, VOTO no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para reduzir as multas de ofício, referentes aos fatos geradores ocorridos no anocalendário 2005, ao percentual de 75% (setenta e cinco por cento). (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 11DF CARF MF Emitido em 14/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/03/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO Assinado digitalmente em 11/03/2011 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, 14/03/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003138/2006-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/10/2006
PROVAS. PRECLUSÃO.
As provas apresentadas posteriormente ao momento da impugnação de
lançamento, para serem admitidas, devem ser acompanhadas de justificativa
idônea de impedimento de sua apresentação naquela ocasião.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/10/2006
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos
tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são
devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/08/2004 a 31/10/2006
RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO.
O Decreto no 5.164/2004 reduziu a zero as alíquotas do PIS e da Cofins
incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas
sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa
das referidas contribuições,
mas produziu efeitos a partir de 2 de agosto de 2004, não se aplicando,
todavia, às receitas financeiras oriundas de juros sobre capital próprio e as
decorrentes de operações de hedge.
HEDGE. ALÍQUOTA ZERO A PARTIR DE 1o DE ABRIL DE 2005.
O Decreto no 5.442/2005 reduziu a zero as alíquotas da Contribuição para o
PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social DF Cofins incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de
operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas
sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa
das referidas contribuições,
mas produziu efeitos a partir de 1o de abril de 2005, não se aplicando,
ademais, aos juros sobre o capital próprio.
ZONA FRANCA DE MANAUS ZFM.
VENDAS. IMUNIDADE E
ALÍQUOTAS.
Estabeleceu o Decreto no 5.310, de 15 de dezembro de 2004, que as alíquotas
do PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta auferida com a
venda de mercadorias destinadas a consumo ou industrialização na Zona
Franca de Manaus ZFM,
por pessoa jurídica estabelecida fora dela, são de
zero por cento, não havendo que se falar, no caso, em imunidade.
Recursos de Ofício e Voluntário Negados
Numero da decisão: 3302-000.838
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, 1) por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício; e, 2) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso
voluntário, nos termos do voto do Relator, vencidos os Conselheiros Andrea Medrado Darzé e
Alexandre Gomes. No recurso de ofício, o Conselheiro Alexandre Gomes acompanhou o
Relator pelas conclusões e apresentará declaração de voto.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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PRECLUSÃO. As provas apresentadas posteriormente ao momento da impugnação de lançamento, para serem admitidas, devem ser acompanhadas de justificativa idônea de impedimento de sua apresentação naquela ocasião. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2004 a 31/10/2006 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/10/2006 RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. O Decreto no 5.164/2004 reduziu a zero as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições, mas produziu efeitos a partir de 2 de agosto de 2004, não se aplicando, todavia, às receitas financeiras oriundas de juros sobre capital próprio e as decorrentes de operações de hedge. HEDGE. ALÍQUOTA ZERO A PARTIR DE 1o DE ABRIL DE 2005. O Decreto no 5.442/2005 reduziu a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Fl. 707DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 11/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 2 Cofins incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições, mas produziu efeitos a partir de 1o de abril de 2005, não se aplicando, ademais, aos juros sobre o capital próprio. ZONA FRANCA DE MANAUS ZFM. VENDAS. IMUNIDADE E ALÍQUOTAS. Estabeleceu o Decreto no 5.310, de 15 de dezembro de 2004, que as alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta auferida com a venda de mercadorias destinadas a consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora dela, são de zero por cento, não havendo que se falar, no caso, em imunidade. Recursos de Ofício e Voluntário Negados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, 1) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício; e, 2) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator, vencidos os Conselheiros Andrea Medrado Darzé e Alexandre Gomes. No recurso de ofício, o Conselheiro Alexandre Gomes acompanhou o Relator pelas conclusões e apresentará declaração de voto. Declarouse impedido de votar o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Andrea Medrado Darzé, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recursos de ofício e voluntário (fls. 570 a 590), este último apresentado em 12 de junho de 2009, contra o Acórdão no 1620.311, de 04 de fevereiro de 2009, da 6ª Turma da DRJ/SPO I (fls. 542 a 553), cientificado em 02 de junho de 2009, que, relativamente a auto de infração de Cofins dos períodos de agosto de 2004 a outubro de 2006, considerou procedente em parte o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Fl. 708DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 11/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 19515.003138/200692 Acórdão n.º 330200.838 S3C3T2 Fl. 641 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006 RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. O Decreto 5.164/2004 reduziu a zero as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições, o qual produziu efeitos a partir de 2 de agosto de 2004, não se aplicando, todavia, às receitas financeiras oriundas de juros sobre capital próprio e as decorrentes de operações de hedge. HEDGE. ALÍQUOTA ZERO A PARTIR DE 1º DE ABRIL DE 2005. O Decreto 5.442/2005 reduziu a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições, o qual produziu efeitos a partir de 1o de abril de 2005, não se aplicando, ademais, aos juros sobre o capital próprio. ZONA FRANCA DE MANAUS ZFM. Estabeleceu o Decreto 5.310, de 15 de dezembro de 2004, que as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre a receita bruta auferida com a venda de mercadorias destinadas a consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora dela, são de zero por cento, não havendo que se falar, no caso, em suposta imunidade. CONTESTAÇÃO ÀS LEIS/NORMAS JURÍDICAS. A autoridade administrativa não dispõe de competência para apreciar suposta inconstitucionalidade e/ou ilegalidade de norma inserida no ordenamento jurídico nacional, traduzindose tal ausência de competência na impossibilidade de o Julgador administrativo afastar a aplicação de norma supostamente inconstitucional e/ou ilegal. NOVAS ALEGAÇÕES DE DEFESA. São rejeitados novos argumentos, alegados após o prazo de apresentação da impugnação, pois o momento propício para a defesa é o da oferta da peça impugnatória. PRECLUSÃO. Sob pena de preclusão, o momento processual para apresentação de alegações com o condão de modificar, impedir ou extinguir a pretensão fiscal ocorre, nos termos do estatuto processual tributário, no prazo para o oferecimento da impugnação. DILIGÊNCIA. A realização de diligência não se presta a ensejar a produção de alegações que o sujeito passivo deveria apresentar na peça impugnatória. Fl. 709DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 11/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 4 Lançamento procedente em parte O auto de infração foi lavrado em 27 de dezembro de 2006, de acordo com o termo de fls. 191 e 192. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Trata o presente processo de ação fiscal levada a efeito com relação à Contribuinte em epígrafe, a qual resultou em Lançamento, consubstanciado no “Auto de Infração” de fls. 193/195, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins no que tange aos anoscalendário de 2004, 2005, 2006. O Auto de Infração em apreço decorre da constatação de “divergências entre os valores declarados e os valores escriturados” (fl. 194). Contra o Auto de Infração foi apresentada a impugnação de fls. 206/216, onde se alega, em síntese, no sentido: de que a Fiscalização deixou de levar em conta certas receitas (juros sobre o capital próprio, receita de comissão, receitas diversas e receitas de aluguel); de que valores de variação cambial ativa, correção monetária pósfixada, outras receitas financeiras e receitas decorrentes de operações de hedge foram computados na base de cálculo da contribuição, contrariando os Decretos 5.164/2004 e 5.442/2005; de que, “embora as receitas financeiras se enquadrem no campo da incidência tributária da COFINS, tiveram sua alíquota reduzida a zero a partir de 2.8.2004, com base nos Decretos nº 5.164/2004 e 5.442/2005” (fl. 209); de que as receitas decorrentes das vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus ZFM integraram indevidamente a base de cálculo da contribuição, pois tais receitas “são imunes à exação, nos termos dos artigos 149, § 2o, inciso I, da CF/88 e 6o, inciso I, da Lei no 10.833/2003” (fl. 216), por conta, em conformidade com o Decretolei 288/67 e ADCT, art. 40, de sua equiparação à exportação; e de que, caso não seja acatado o entendimento acima, a alíquota relativa às receitas decorrentes de vendas para a ZFM foi reduzida a zero pelo Decreto 5.310/2004, vigorando “a partir da data de sua publicação (15.12.2004)” (fl. 215) e, “Com efeito, a partir de 16.12.2004, as receitas decorrentes da venda destinadas à ZFM passaram a ser tributas à alíquota zero” (fl. 215); Após exames preliminares nesta DRJ, os autos foram enviados à DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE FISCALIZAÇÃO/SÃO PAULO (DEFIC), conforme proposta de fls. 420/424, objetivando o agravamento da exigência, se fosse o caso, e/ou um novo levantamento das bases de cálculo. Pelo Relatório Fiscal de fl. 427 entendeu a Autoridade Lançadora que “dentre os levantamentos citados, o que cabe esclarecer, e aquele que dentro do grupo contábil 431, Outras Receitas Operacionais, são efetuados lançamentos referentes a estorno das provisões contabilizadas em momento anterior, acarretando no resultado presente um estorno de despesas. Tais contas não são computadas na base de calculo do PIS e COFINS, por não representarem ingresso de receitas para a Fl. 710DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 11/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 19515.003138/200692 Acórdão n.º 330200.838 S3C3T2 Fl. 642 5 empresa, e tem como base o disposto no II do parágrafo 2º, artigo 3º da Lei 9.718/98 e do artigo 1º, parágrafo 3º, inciso V, alínea b da Lei 10.637/02. E também a conta equivalência patrimonial não entra na base de cálculo do PIS/COFINS (...). Portanto são esses valores que foram reduzidos do item Outras Receitas Auferidas (...)” (fl. 427). Concluiu a Autoridade Lançadora pela reafirmação do que consta “no Termo de Verificação Fiscal (fls 191 a 192)” (fl. 427). Pela manifestação de fls. 430/431, a Contribuinte se pôs em “concordância com o relatório fiscal” (fl. 431). O presente processo novamente foi baixado em diligência, notandose na ocasião que “descartou a Fiscalização a possibilidade de agravamento da exigência” (fl. 438), mas que permanecia “a questão relativa ao novo levantamento do crédito tributário por conta da aplicação dos Decretos 5.164/2004, 5.442/2005, 5.310/2004 e/ou demais diplomas pertinentes em relação aos valores de variação cambial ativa, correção monetária pósfixada, outras receitas financeiras e receitas decorrentes de operações de hedge, bem como em relação às receitas decorrentes das vendas efetuadas para a ZFM” (fl. 438). Pelo relatório de fls. 446/447, a Fiscalização recalculou as bases de cálculo da contribuição, conforme planilha de fls. 448, “com as exclusões das receitas financeiras discriminadas às fls. 74 a 76 e das vendas à zona franca de Manaus discriminadas às fls. 280 e 324, das bases de cálculo do Auto de Infração, a partir das datas de vigência dos Decretos” (fl. 446), referindose aos Decretos 5.164/2004 e 5.310/2004. Registrou ainda a Fiscalização: “Quanto às operações de hedge, cuja alíquota relacionada com o COFINS foi reduzida a zero por força do Decreto n.º 5442, de 09/05/2005, não se aplica no presente caso, pois somente houve tal situação no mês de março de 2005 (fls. 280), antes da vigência do Decreto” (fl. 446). A mencionada planilha de fls. 448 apresenta novas bases de cálculo relativas aos meses de agosto, setembro, outubro e novembro de 2004, assim como ao mês de janeiro de 2005, com a seguinte observação: “Ficam reduzidas a zero, como o mês de nov/04, as bases de cálculo de fev/05 a out/06, pois as bases de cálculo apuradas no AI (fls. 187 a 189) são menores que a soma das Receitas Financeiras (fls. 74 a 76) com as Vendas para a Zona Franca de Manaus (fls. 280 e 324)”. Pela manifestação de fls. 450/454, a Contribuinte se pôs em concordância parcial com a Fiscalização, entendendo: que também as receitas relativas a vendas para a ZFM, auferidas em períodos de apuração anteriores a janeiro de 2005 não sofrem a tributação imposta porque “as referidas receitas se equiparam a receitas de exportação e, assim, são imunes à incidência da COFINS” (fls. 451); e que em relação ao período de janeiro de 2005 há indevida incidência sobre receitas relativas “a venda de mercadorias que já haviam sido tributadas em dezembro de Fl. 711DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 11/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 6 2004” (fl. 452), bem como indevida desconsideração de créditos do sujeito passivo “oriundos de mercadorias devolvidas em dezembro/2004” (fl. 452)." A decisão da DRJ ocorreu após realização de diligência e, de acordo com a recorrente, decidiu o seguinte: (i) devem ser excluídas da base de cálculo da COFINS as receitas financeiras, a partir de agosto/2004, em virtude dos Decretos n°s 5.164/2004 e 5.442/2005 (instituíram a "alíquota zero"); (ii) devem ser excluídas as receitas decorrentes de vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus, a partir de janeiro/2005, em virtude do Decreto n° 5.310/2004 (instituiu a "alíquota zero"); (iii) as receitas decorrentes de vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus auferidas em períodos de apuração anteriores a janeiro/2005 supostamente não poderiam ser excluídas da base de cálculo da COFINS, sob o fundamento de que não se equiparariam às receitas decorrentes de exportação, para fins de aplicação da imunidade constitucional. Como suporte a tal entendimento, o V. Acórdão de fls. 542/553 se limita a sustentar que, se as vendas à Zona Franca de Manaus fossem imunes à COFINS, não haveria que se falar em alíquota passível de redução a zero pelo Decreto n° 5.310/2004; e que seria inócuo sustentar alegações contra normas tributárias na esfera administrativa; e (iv) os fundamentos relacionados à indevida tributação de receitas referentes a venda de mercadorias que já haviam sido tributadas em dezembro de 2004, bem como à não consideração, no cálculo da COFINS, de créditos oriundos de mercadorias devolvidas em dezembro/2004, supostamente não poderiam ser apreciados, pois não teriam sido oportunamente abordados pela Recorrente. No recurso, a Interessada alegou que a autuação se referiria “a valores que (i) deixaram de ser computados equivocadamente, embora tenham sido computados pela Recorrente e efetivamente tributados; e (ii) não devem compor a base de cálculo da COFINS.” Acrescentou que, “Em conformidade com o r. despacho de fls. 446/447, foram excluídas da base de cálculo da COFINS (i) as receitas financeiras, a partir de agosto/2004, em virtude dos Decretos n°s 5.164/2004 e 5.442/2005 (instituíram a ‘alíquota zero’); e (ii) as receitas decorrentes de vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus, a partir de janeiro/2005, em virtude do Decreto n° 5.310/2004 (instituiu a ‘alíquota zero’).” Ademais, “Restaram em cobrança, assim, parte dos débitos de COFINS referentes aos períodos de apuração agosto, setembro e outubro de 2004, e janeiro de 2005, conforme relatório de fls. 448.” E, finalmente, alegou o seguinte: 9. Intimada a se manifestar sobre o resultado da 2a (segunda) diligência efetuada, em 23.10.2008, a Recorrente apresentou a petição de fls. 450/454, concordando com a redução da Fl. 712DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 11/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 19515.003138/200692 Acórdão n.º 330200.838 S3C3T2 Fl. 643 7 imposição fiscal, mas também reiterando a necessidade de serem integralmente cancelados os débitos remanescentes, pelos seguintes motivos: (i) períodos de apuração de agosto, setembro e outubro de 2004: também devem ser excluídas da base de cálculo da COFINS as receitas auferidas com vendas para a Zona Franca de Manaus nesses períodos de apuração, pois as referidas receitas se equiparam a receitas de exportação e, assim, são imunes à incidência da COFINS, nos termos do artigo 149, § 2º,, inciso I, da Constituição Federal de 1988 (CF/88), com a redação dada pela Emenda Constitucional n° 33/2001, e em conformidade com o artigo 6°, inciso I, da Lei n° 10.833/2003; e (ii) período de apuração de janeiro de 2005: na lavratura do AIIM, houve a indevida tributação de receitas referentes a venda de mercadorias que já haviam sido tributadas em dezembro de 2004, e também não foram considerados, no cálculo da COFINS devida pela sistemática nãocumulativa (Lei no 10.833/03 e alterações), créditos oriundos de mercadorias devolvidas em dezembro/2004. A Interessada fez considerações sobre a abordagem constitucional da Zona Franca de Manaus, citando a ADI 2.3489/DF, o posicionamento do STJ e do Carf. Alegou, ainda, que para os períodos de agosto a outubro de 2004 teria havido redução a zero da alíquota da contribuição “por meio do art. 2º da Medida Provisória (MP) no 202, publicada em 26.7.2004”. Acrescentou o seguinte: No tocante à indevida tributação de receitas referentes a venda de mercadorias que já haviam sido tributadas em dezembro de 2004, vale ressaltar que as referidas receitas, no montante de R$ 2.679.186,32, se referem a mercadorias que, em dezembro/2004, estavam em poder de transportadoras para serem entregues aos respectivos compradores, conforme indicado nas planilhas de fls. 280,305 e 518 ("mercadorias nas transportadoras"). Ressaltou que os demonstrativos não teriam sido considerados na diligência e que a DRJ considerou as alegações preclusas. 41. Com relação à não consideração, no cálculo da COFINS devida pela sistemática nãocumulativa (Lei n° 10.833/03 e alterações), de créditos oriundos de mercadorias devolvidas em dezembro/20045, a Recorrente esclarece que, no referido período de apuração, apurou em seu Livro Razão (doc. n° 9 da petição protocolada em 23.10.2008 fls. 526/529) que mercadorias no valor de R$ 5.044.277,73 foram devolvidas. 42. Os créditos referentes a essas devoluções foram aproveitados pela Recorrente, em dezembro de 2004, apenas sobre o montante de R$ 2.446.678,08, conforme comprova o DACON do período (doc. n° 5 da petição protocolada em 23.10.2008 fls. 514/516), Fl. 713DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 11/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 8 o que lhe garantiu direito ao crédito sobre R$ 2.597.599,65 para compensar com a COFINS devida em janeiro de 2005. 43. Nesse sentido, foi utilizado efetivamente crédito sobre o montante de R$ 2.581.676,00, conforme indicado nas planilhas de fls. 313/314 e 530/531 (doc. n° 4 da Impugnação protocolada em 19.1.2007 e doc. n° 10 da petição protocolada em 23.10.2008) e na cópia do Livro Razão de fls. 315/322 e 532/539 (doc. n° 4 da Impugnação protocolada em 19.1.2007 e doc. n° ii da petição protocolada em 23.10.2008). 44. Dessa forma, não há dúvidas de que, excluindose as receitas indevidamente consideradas e computandose os créditos devidos na apuração da COFINS referente ao período de . apuração de janeiro de 2005, deverá ser reformado o V. Acórdão recorrido, para que se cancele integralmente a exigência formulada para o referido período de apuração, ainda que entendam V.V. Sas. ser necessário realizar nova diligência / perícia contábil para comprovação do alegado. Por fim, alegou que seriam inexigíveis os juros com base na taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator Os recursos satisfazem os requisitos de admissibilidade, deles devendose tomar conhecimento. No tocante ao recurso de ofício, conforme relatório de diligência de fls. 459 e 460: Em atendimento ao despacho de fls. 438/439, da DRJSPO I 6ª Turma, analisamos o assunto e concordamos, em parte, com as solicitações do contribuinte, pois devem ser excluídas das bases de cálculo do COFINS as Receitas Financeiras somente a partir de 08/2004, de acordo com o Decreto n.° 5164 de 30/07/2004, cópia anexa às fls442 e as Vendas para a Zona Franca de Manaus, a partir de janeiro de 2005, de acordo com o Decreto n.° 5310 de 15/12/2004, cópias às fls.443. Quanto às operações de hedge, cuja alíquota relacionada com o COFINS foi reduzida a zero por força do Decreto n.° 5442, de 09/05/2005, não se aplica no presente caso, pois somente houve tal situação no mês de março de 2005 (fls. 280), antes da vigência do Decreto. Como o contribuinte concorda com o AFRFB autor do Auto de Infração, às fls. 430 e 431, com o fato de que no grupo contábil 431 (outras receitas operacionais) foram efetuados lançamentos referente a estornos de provisões contabilizadas em momento anterior e que a conta equivalência patrimonial não deve ser incluída na base de cálculo da COFINS, propomos a alteração das bases de cálculo da COFINS, conforme planilha em anexo às fls. 08, com as exclusões das receitas financeiras discriminadas às fls. 74 a 76 e das vendas à zona franca de Fl. 714DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 11/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 19515.003138/200692 Acórdão n.º 330200.838 S3C3T2 Fl. 644 9 Manaus discriminadas às fls. 280 e 324, das bases de cálculo do Auto de Infração, a partir das datas de vigência dos Decretos conforme acima mencionado. Portanto, as exclusões determinadas pelo acórdão de primeira instância estão de acordo com a legislação e o entendimento da RFB, devendo ser mantido o acórdão. Quanto ao recurso voluntário, primeiramente é importante destacar os seguintes dispositivos do Regimento Interno do Carf Ricarf, aprovado pela Portaria MF no 256, de 2009, e alterado pela Portaria MF no 586, de 2010: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Nesse contexto, há que se concordar com a primeira instância em relação a tudo o que foi regulado pelos decretos citados. Ademais, a ADI citada pela Interessada perdeu seu objeto e a medida liminar concedida foi declarada prejudicada em decisão de 10 de fevereiro de 2005. Fl. 715DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 11/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 10 Dessa forma, deve ser mantida a decisão de primeira instância. Em relação à redução à zero da alíquota da contribuição a partir de agosto de 2004, efetuada pela MP no 202, de 2004, o art. 2º da mencionada MP dizia o seguinte; Art. 2º Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus (ZFM), por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. Entretanto, tal MP foi convertida na Lei no 10.996, de 15 de dezembro de 2004, que estabeleceu como momento da vigência das disposições a data de sua publicação. Daí o Decreto no 5.310, de 15 de dezembro de 2004, ter tratado da matéria. Ademais, conforme enfatizado pela acórdão de primeira instância, “a Contribuinte se põe de acordo com a Autoridade Fiscal quanto à aplicação da alíquota zero após o advento do Decreto 5.310, de 15 de dezembro de 2004, pelo que inexiste controvérsia em relação a isto.” De acordo com o que consta da fl. 431 dos autos: 2. A Requerente manifesta concordância com os termos do relatório fiscal em questão, na medida em que observou os estritos termos da legislação federal aplicável à COFINS. 3. Diante do exposto, é a presente para manifestar concordância com o relatório fiscal e requerer o julgamento da Impugnação apresentada pela Requerente em 19.1.2007, ocasião na qual se aguarda que a exigência de COFINS seja integralmente cancelada. Portanto, descabe razão à Interessada nessa matéria. Ainda cabe razão à primeira instância em relação à preclusão, por se tratar de matéria de prova e, na realidade, de inovação trazida aos autos pela Interessada. De fato, a interessada pretendeu a admissão de créditos não alegados anteriormente e da consideração de que um determinado valor já teria sido recolhido em períodos anteriores. No primeiro caso, a alegação deveria ser apresentada até a impugnação; no segundo, tratarseia de indébito fiscal, uma vez que a Interessada não provou que o fato gerador seria do período anterior e não do da autuação. Em relação à Selic, aplicase a Súmula Carf no 4: Súmula CARF no 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 716DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 11/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 19515.003138/200692 Acórdão n.º 330200.838 S3C3T2 Fl. 645 11 Adotando os demais fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784, de 1999, voto por negar provimento aos recurso de ofício voluntário. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 717DF CARF MF Emitido em 15/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 11/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 11/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 10070.001636/2007-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2004
IRPF. RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO A PARTIR DE 29/08/2002. DESNECESSIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DE REGIME.
Os valores relativos a aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza pagos aos anistiados políticos, civis ou militares, antes da publicação da Lei n° 10.559, de 2002, são isentos do Imposto de Renda a partir de 29 de agosto de 2002, e independem da comprovação do requerimento de substituição para um dos regimes instituídos por esse ato legal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-001.079
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, afastando a tributação relativa à infração de omissão de rendimentos, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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RENDIMENTOS DE ANISTIADO POLÍTICO. ISENÇÃO A PARTIR DE 29/08/2002. DESNECESSIDADE DE SUBSTITUIÇÃO DE REGIME. Os valores relativos a aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza pagos aos anistiados políticos, civis ou militares, antes da publicação da Lei n° 10.559, de 2002, são isentos do Imposto de Renda a partir de 29 de agosto de 2002, e independem da comprovação do requerimento de substituição para um dos regimes instituídos por esse ato legal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, afastando a tributação relativa à infração de omissão de rendimentos, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 EDITADO EM: 16/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage, José Evande Carvalho Araujo (convocado), José Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes (convocado) e Walter Reinaldo Falcão Lima (convocado). Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 3 a 5, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004, para glosar compensação indevida de imposto de renda retido na fonte e lançar omissão de rendimentos, formalizando a exigência de imposto sujeito à multa de ofício no valor de R$8.097,61 e de imposto sujeito à multa de mora no valor de R$8.259,37, acrescidos de multas de ofício e de mora e de juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 2), acatada como tempestiva, alegando que os rendimentos considerados omitidos eram isentos por derivarem de sua condição de anistiado político, nos termos do art. 9o da Lei no 10.559, de 13 de novembro de 2002. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 40 a 45): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consolidase administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ANISTIA POLÍTICA. As aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza percebidos pelos já anistiados políticos, civis ou militares, a partir de 29 de agosto de 2002 são isentos do Imposto de Renda, desde que o beneficiário tenha solicitado, mediante requerimento ao Ministério da Justiça, a sua substituição pelo regime de reparação econômica. Se houve retenção de imposto de renda na fonte, os rendimentos deverão ser informados como tributáveis na Declaração de Ajuste Anual, enquanto não verificada a substituição de regime. Lançamento Procedente RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10070.001636/200783 Acórdão n.º 210101.079 S2C1T1 Fl. 104 3 Cientificado da decisão de primeira instância em 13/08/2008 (fl. 46v), o contribuinte apresentou, em 21/08/2008, o recurso de fls. 48 a 101, onde afirma que: a) é anistiado político militar, conforme sentença do Juízo da 10a Vara Federal – Seção Judiciária do Estado do Rio de Janeiro, nos autos da Ação Ordinária no 88.00022146, com base na Emenda Constitucional no 26/85 e posteriormente beneficiado pela Lei no 10.559, de 2002, regulamentada pelo Decreto nº 4.897, de 25 de novembro de 2003, que estendeu o benefício da isenção do imposto de renda; b) que apresentou comprovante de rendimentos da Marinha do Brasil que confirma essa afirmação; c) que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ entende que os valores pagos a título de indenização a anistiados políticos são isentos de imposto de renda, inclusive aqueles de anistiados antes da Lei no 10.559, de 2002. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 102, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o Relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. Recordese que a presente discussão se restringe à infração relativa à omissão de rendimentos, uma vez que aquela referente à glosa de imposto de renda retido na fonte não foi impugnada. O recorrente teve sua condição de anistiado político reconhecida nos autos da Ação Ordinária no 88.00022146, que correu na 10a Vara Federal da Seção Judiciária do Estado do Rio de Janeiro, e que determinou a transferência dos autores para a reserva remunerada (fls. 08 a 18), o que ocorreu em 25 de novembro de 1991, com efeitos a partir de 28 de novembro 1985 (fl. 19). A anistia se fundamenta no art. 4o da Emenda Constitucional no 26 de 27 de novembro de 1985, ainda na vigência da Constituição de 1967. Na presente ordem constitucional, a anistia política foi tratada no art. 8o do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, regulamentado pela Lei no 10.559, de 2002, que criou um sistema de reparação econômica, de caráter indenizatório, em prestação única ou de forma mensal, permanente e continuada (art. 1o, inciso II), e garantiu o pagamento das aposentadorias ou pensões excepcionais relativas aos já anistiados políticos até a substituição pelo novo regime (art. 19). Desta lei, merece destaque o art. 9o, abaixo transcrito: Art.9o Os valores pagos por anistia não poderão ser objeto de contribuição ao INSS, a caixas de assistência ou fundos de Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 pensão ou previdência, nem objeto de ressarcimento por estes de suas responsabilidades estatutárias. Parágrafo único.Os valores pagos a título de indenização a anistiados políticos são isentos do Imposto de Renda. Assim, os valores pagos por anistia são isentos tanto do imposto de renda quanto da contribuição previdenciária. Para regulamentar esse artigo, foi publicado o Decreto nº 4.897, de 2003, do qual se transcrevem os dois primeiros artigos: Art.1o Os valores pagos a título de indenização a anistiados políticos são isentos do Imposto de Renda, nos termos do parágrafo único do art. 9o da Lei no 10.559, de 13 de novembro de 2002. §1o O disposto no caput inclui as aposentadorias, pensões ou proventos de qualquer natureza pagos aos já anistiados políticos, civis ou militares, nos termos do art. 19 da Lei no 10.559, de 2002. §2o Caso seja indeferida a substituição de regime prevista no art. 19 da Lei no 10.559, de 2002, a fonte pagadora deverá efetuar a retenção retroativa do imposto devido até o total pagamento do valor pendente, observado o limite de trinta por cento do valor líquido da aposentadoria ou pensão. Art.2o O disposto neste Decreto produz efeitos a partir de 29 de agosto de 2002, nos termos do art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. Parágrafo único. Eventual restituição do Imposto de Renda já pago até a publicação deste Decreto efetivarseá após deferimento da substituição de regime prevista no art. 19 da Lei no 10.559, de 2002. Como antes da Lei no 10.559, de 2002, não se falava em isenção de rendimentos decorrentes de anistia, considerase que essa norma isentiva passou a valer para pagamentos efetivados a partir de 29 de agosto de 2002, data da publicação da medida provisória que deu origem à lei. A discussão do presente processo decorre do fato da Secretaria da Receita Federal e da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional interpretarem a legislação acima transcrita de forma a acrescentar mais uma requisito à concessão da isenção: a existência de prévio requerimento de substituição pelo regime de reparação econômica, ainda que pendente de deferimento. Esse argumento deriva do fato do §2o do art. 1o do Decreto nº 4.897, de 2003, ter previsto que, se a substituição do regime for indeferida, a fonte pagadora deve cobrar o imposto de renda dos valores já pagos, e do parágrafo único do art. 2o do decreto só permitir a restituição do imposto de renda referentes a esses valores após a substituição do regime. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10070.001636/200783 Acórdão n.º 210101.079 S2C1T1 Fl. 105 5 O julgador de 1a instância fortaleceu esse entendimento argumentando que os arts. 10 e 12 da Lei no 10.559, de 2002, deram ao Ministro da Justiça e à Comissão de Anistia a tarefa de analisar os requerimentos fundados na lei, e a Exposição de Motivos nº 197 do Ministério da Justiça, de 8 de dezembro de 2003, concluiu que a isenção do imposto de renda vale independentemente da análise do requerimento de substituição pelo regime de reparação econômica pelo Ministério da Justiça. Logo, a contrario sensu, a isenção não valeria se não houvesse o requerimento. Confrontada com essa interpretação da lei, a AdvocaciaGeral da União, por meio do PARECER Nº AGU/PBB01/2008, de 21 de outubro de 2008, aprovado pelo ConsultorGeral da União em 28 de novembro de 2008, e pelo Advogado Geral da União em 26 de janeiro de 2009, decidiu: PARECER Nº AGU/PBB01/2008 PROCESSO: 00400.007148/200828 INTERESSADOS: ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e Ministério da Defesa. ASSUNTO: Divergência de interpretação quanto ao alcance da isenção de imposto de renda concedida aos anistiados políticos, nos termos dos artigos 9º e 19, da Lei nº 10.559/2002, regulamentada pelo Decreto n.º 4.897/2003. Ementa: Inteligência dos artigos 9º e 19, da Lei nº 10.559/02, regulamentada pelo Decreto nº 4.897/03. Incidência das isenções do imposto de renda e da contribuição previdenciária nos proventos e pensões excepcionais que vêm sendo pagos aos anistiados políticos da Lei nº 6.683/79 e da EC 26/85, a partir de 29/08/2002. (...) III CONCLUSÃO (...) 35. Concluise, pois, que, visando ao deslinde de toda e qualquer controvérsia envolvendo o assunto em questão, a interpretação a ser fixada por esta AdvocaciaGeral da União, com esteio em firme e consolidada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, é no sentido de que as isenções do imposto de renda e da contribuição previdenciária, instituídas no art. 9º da Lei n.º 10.559/2002, incidem nas aposentadorias e pensões excepcionais dos anistiados políticos da Lei nº 6.683/79 e da EC 26/85, a partir de 29 de agosto de 2002. Assim, a AGU concluiu que as aposentadorias e pensões excepcionais dos anistiados políticos são isentas de imposto de renda e de contribuição previdenciária a partir de 29 de agosto de 2002, independentemente do requerimento do pedido de substituição do regime. Essa conclusão foi embasada tanto no conteúdo da lei, quanto na jurisprudência dominante do STJ. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 No caso em tela, essa discussão é fundamental para o deslinde da controvérsia, uma vez que o recorrente comprova ser anistiado político, mas não demonstra ter solicitado a substituição para o regime da nova lei. No confronto das duas linhas interpretativas, adoto o entendimento de que o pedido de conversão de regime não é prerrequisito para o gozo da isenção. A Lei no 10.559, de 2002, foi clara ao determinar o caráter isentivo dos valores pagos por anistia, e garantiu o pagamento das anistias anteriores até a substituição para o novo regime, mas não exigiu essa mudança, nem muito menos estipulou punições para quem não a efetivasse. Somente esse argumento seria suficiente para afastar qualquer interpretação do decreto que criasse novas restrições para a outorga do benefício, pois a norma regulamentadora não pode inovar em matéria de isenção, que é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, nos termos do art. 176 do Código Tributário Nacional – CTN. De qualquer modo, pareceme que o Decreto nº 4.897, de 2003, apenas buscou cuidar de situações advindas da negativa de substituição do regime, não pretendendo criar regras para o gozo da isenção em suas entrelinhas. Desta forma, como o recorrente demonstrou ser anistiado político, situação reconhecida pela própria Marinha do Brasil que retificou o comprovante de rendimentos do exercício de 2004 para constar essa informação (fl. 54), julgo que os rendimentos recebidos no exercício de 2004 dessa fonte pagadora são isentos do imposto de renda. Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário, afastando a tributação relativa à infração de omissão de rendimentos. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10073.000197/2004-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003
IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEPENDENTE.
As despesas com instrução, devidamente comprovadas, são dedutíveis no montante estabelecido na legislação tributária vigente.
Numero da decisão: 2201-000.991
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dar provimento ao
recurso para restabelecer a despesa de instrução no valor de R$ 1.819,20.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEPENDENTE. As despesas com instrução, devidamente comprovadas, são dedutíveis no montante estabelecido na legislação tributária vigente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade dar provimento ao recurso para restabelecer a despesa de instrução no valor de R$ 1.819,20. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Fl. 56DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fl. 03/05, referente ao anocalendário 2002, que alterou o resultado apurado na Declaração de Ajuste Anual de saldo inexistente de imposto a pagar ou a restituir para saldo de imposto a pagar no valor de R$ 216,12. A fiscalização, por meio de revisão da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, efetuou a glosa das despesas com instrução no valor de R$ 1.819,00. (fl. 04) Cientificado do lançamento, o autuado apresentou Impugnação, alegando, que “... ao declarar o imposto de renda esqueci de indicar o n° dependentes no campo 06 da linha 09. O n° de dependentes é igual a 01 e a despesa com instrução é igual a R$ 1.819,00.” A 3ª Turma da DRJ – Rio de Janeiro/RJ II julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: GLOSA DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Uma vez não comprovado o efetivo pagamento das despesas com instrução informadas na declaração de rendimentos, há que ser mantida a glosa efetuada pelo Fisco. Lançamento Procedente Intimado da decisão de primeira instância, Tarciso Antonio Monteiro da Graça apresenta tempestivamente Recurso Voluntário à fl. 19 e documentos às fls. 20/45, sustentando, essencialmente, que, “... houve falta de documento na entrega do 1° Processo, certidão de casamento de Tarciso Antônio Monteiro da Graça e certidão de nascimento de Tarciso de Souza Graça. Falta de documentação de Declaração de pagamento do colégio e extrato do banco”. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos, o lançamento é decorrente de glosas de despesas com instrução. De acordo com a autoridade recorrida o contribuinte “... não apresentou prova documental com vistas à comprovação dos pagamentos das despesas com instrução de dependentes/alimentandos informadas no quadro 7 de sua declaração de rendimentos”. (fl. 17) Contudo, em seu instrumento recursal, informa o contribuinte que está juntando aos autos, à fl. 22, documento do Instituto de Cultura Técnica, no valor de R$ 1.819,20, relativo à despesa com instrução do dependente, Tarciso de Souza Graça. Fl. 57DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10073.000197/200419 Acórdão n.º 220100.991 S2C2T1 Fl. 2 3 Pois bem, compulsando o relatório expedido pelo Instituto de Cultura Técnica (fl. 22), verifico, pois, que o referido documento demonstra que o recorrente de fato suportou a despesa de instrução consignada em sua Declaração de Ajuste – exercício 2003, relativa ao seu dependente, Tarciso de Souza Graça. Além do mais, os extratos carreados às fls. 28, 33, 37, 44 e 45 demonstram débitos coincidentes em datas e valores com os constantes do relatório emitido pelo Instituto de Cultura Técnica. Ressaltese que não há como questionar a apresentação deste documento nesta fase processual, posto que alínea “a” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, ressalva a impossibilidade de apresentação da prova no momento oportuno. Com efeito, como a produção de tal prova exigiria contato com a referida instituição é plausível a sua apresentação juntamente com o Recurso Voluntário. Destarte, suprida a falta apontada, não mais subsiste a razão da glosa e, consequentemente, a dedução deve ser restabelecida. Ante ao exposto, voto por DAR provimento ao recurso para restabelecer a despesa de instrução no valor de R$ 1.819,20. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Fl. 58DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Processo nº: 10073.000197/200419 Recurso nº: 166.108 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 220100.991. Brasília/DF, 10 de fevereiro de 2011 ______________________________________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 59DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 03/03/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10680.016419/2001-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU
TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA
FINANCEIRA CPMF
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/01/1999
INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL
MULTA
A decretação da liquidação extrajudicial de instituição financeira pela
BACEN não impede a exigência de penas pecuniárias por infrações à
legislação tributária. No caso doa autos, a liquidação extrajudicial restou
cessada por ato do BACEN.
INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. JUROS
MANUTENÇÃO
A alínea ‘d’, do artigo 18, da Lei nº 6.024/74, determina que a decretação da
liquidação extrajudicial produzirá, imediatamente, a suspensão da incidência
de juros, mesmo que estes tenham sido estipulados, enquanto não tiver sido
pago integralmente o passivo. Não há previsão para o cancelamento destes
juros, apenas determinação da suspensão de sua exigência, razão pela qual o
lançamento deve ser mantido e a oportunidade de cobrança deverá ser
avaliada posteriormente, quando da execução do acórdão proferido por este
tribunal administrativo.
Numero da decisão: 3302-001.045
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos, quanto
à multa, os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, relatora, e Alexandre Gomes e, quanto
aos juros de mora, o conselheiro Alan Fialho Gandra, que excluía os juros de mora no período
em que a recorrente esteve em liquidação extrajudicial. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral, pela recorrente, a Dra. Elza Alves
Marques Guedes, OAB/DF 24341.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos, quanto à multa, os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, relatora, e Alexandre Gomes e, quanto aos juros de mora, o conselheiro Alan Fialho Gandra, que excluía os juros de mora no período em que a recorrente esteve em liquidação extrajudicial. Designado o conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral, pela recorrente, a Dra. Elza Alves Marques Guedes, OAB/DF 24341.
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LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL MULTA A decretação da liquidação extrajudicial de instituição financeira pela BACEN não impede a exigência de penas pecuniárias por infrações à legislação tributária. No caso doa autos, a liquidação extrajudicial restou cessada por ato do BACEN. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL. JUROS MANUTENÇÃO A alínea ‘d’, do artigo 18, da Lei nº 6.024/74, determina que a decretação da liquidação extrajudicial produzirá, imediatamente, a suspensão da incidência de juros, mesmo que estes tenham sido estipulados, enquanto não tiver sido pago integralmente o passivo. Não há previsão para o cancelamento destes juros, apenas determinação da suspensão de sua exigência, razão pela qual o lançamento deve ser mantido e a oportunidade de cobrança deverá ser avaliada posteriormente, quando da execução do acórdão proferido por este tribunal administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos, quanto à multa, os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, relatora, e Alexandre Gomes e, quanto aos juros de mora, o conselheiro Alan Fialho Gandra, que excluía os juros de mora no período em que a recorrente esteve em liquidação extrajudicial. Designado o conselheiro Walber José Fl. 466DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10680.016419/200114 Acórdão n.º 330201.045 S3C3T2 Fl. 434 2 da Silva para redigir o voto vencedor. Fez sustentação oral, pela recorrente, a Dra. Elza Alves Marques Guedes, OAB/DF 24341. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas e Alexandre Gomes. Ausente o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de pedido de restituição/compensação de valores recolhidos a maior a título de Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF), no período de jan/97 a jan/99, tendo as compensações sido realizadas conforme fls. 01/05, 43/44, 51, 56, 67, 85, 89, 96, 112, 125/126, 272 e 285 (débitos diversos dos anos de 1986, 1990, 1991, 1992, 1993). Por retratar adequadamente a realidade dos fatos, reproduzo a seguir os termos do relatório da decisão de primeira instância administrativa, a saber: “A alegação que embasa o pedido é de que cabe a aplicação de alíquota zero da CPMF sobre o valor dos lançamentos a débito, efetuados nas contas de depósito das instituições financeiras em regime de liquidação extrajudicial, no caso específico, Banco do Brasil e CEF. A DRF Belo Horizonte/MG analisou a solicitação (Despacho Decisório de fls. 338/341), concluindo pelo deferimento parcial da solicitação, reconhecendo o direito creditório de R$1.364.333,40, com o acréscimo correspondente à SELIC (solicitado R$1.434.797,48 em valores históricos). Tomando ciência da decisão em 27/06/2006 (fl. 376), a interessada apresenta em 27/07/2006, a manifestação de inconformidade, às fls. 377/387, argumentando, em síntese: Com base na apuração procedida pela DRF BHE, a diferença entre o crédito pleiteado pela requerente e o valor deferido decorre apenas de divergência concernente aos valores retidos pela Caixa Econômica Federal – CEF, uma vez que o crédito decorrente das retenções efetuadas pelo Banco do Brasil foi reconhecido em sua integralidade. Comparandose os demonstrativos de retenções juntados aos autos (fls. 13/14 e 340/341), depreendese que a DRF desconsiderou alguns valores efetivamente retidos pela CEF; Fl. 467DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10680.016419/200114 Acórdão n.º 330201.045 S3C3T2 Fl. 435 3 Historia o tratamento dado à compensação pela legislação tributária, para concluir que “o encontro de contas entre o crédito de CPMF e os débitos objeto das compensações apresentadas pela requerente deve ocorrer na data do respectivo pedido de compensação”, 27/08/2002 e 28/08/2002, como faz citar. Estando a empresa em processo de liquidação extrajudicial, regida pela Lei nº 6.024, de 1974, não incidem juros nem multa de qualquer espécie sobre seus eventuais débitos, conforme expressamente consignado no art. 18, alíneas “d” e “f” daquela lei, entendimento já sedimentado pelo STJ, conforme decisão que faz citar. Entretanto, “ao analisar os Pedidos de Compensação apresentados, a Delegacia da Receita Federal incluiu multas e juros no saldo de débitos a ser compensado, o que resultou na homologação parcial do débito relativo ao PAF nº 10680.004739/0957 e na desconsideração das demais compensações realizadas”. Posteriormente, em 23/08/2006, a interessada encaminhou a esta DRJ BHE o ofício de fls. 397/398, por intermédio do qual faz referência à sua assertiva feita na manifestação de inconformidade, de que a DRF desconsiderou alguns valores efetivamente retidos pela CEF, fazendo anexar os documentos de fls. 399/406, e reiterando a sua consideração nos cálculos do crédito de CPMF.” Após analisar as razões argüidas pela Recorrente, a Primeira Turma da Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte/MG, proferiu o acórdão nº 0214.237, fls. 408/410 verso, por meio do qual deferiu parcialmente a manifestação da contribuinte, para fim de acatar a comprovação dos valores retidos pela Caixa Econômica Federal – CEF – no montante de R$ 117.809,88. O argumento relativo ao momento da compensação do crédito tributário foi desconsiderado em virtude do procedimento da fiscalização estar de acordo com o pleiteado pela Recorrente, e a solicitação de cancelamento da multa foi negada, tendo entendido a v. decisão que a legislação fiscal é específica e prevalece sobre o dispositivo genérico trazido pelo artigo 23, parág. único, inciso III, da Lei de Falências. Inconformado com o indeferimento da exclusão da multa e dos juros do valor não compensado, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, por meio do qual pretende a sobreposição da Lei nº 6.024/74, artigo 18. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relatora O Recurso atende os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme se verifica dos termos do relatório, o recurso em análise discute, única e exclusivamente, a não incidência de multa e juros aos valores considerados pela DRJ como não compensados. Fl. 468DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10680.016419/200114 Acórdão n.º 330201.045 S3C3T2 Fl. 436 4 Alega a Recorrente que, quando da apresentação do pedido de restituição/compensação, encontravase em liquidação extrajudicial, sujeitandose, em vista da particularidade de ser instituição financeira, à aplicação do artigo 18 da Lei nº 6.024/74, verbis: “Art. 18. A decretação da liquidação extrajudicial produzirá, de imediato, os seguintes efeitos: [...] d) nãofluência de juros, mesmo que estipulados, contra a massa, enquanto não integralmente pago o passivo; [...] e) nãoreclamação de correção monetária de quaisquer dívidas passivas, nem de penas pecuniárias por infrações de leis, penais e administrativas.” (destaquei) Pleiteia, a Recorrente, a incidência do artigo 112 do Código Tributário Nacional – CTN – que determina a aplicação de legislação mais benéfica no caso da imposição de penalidades aos contribuintes. De acordo com a decisão de primeira instância administrativa, o CTN não prevê a possibilidade de dispensa de multa para as massas falidas, ao contrário, a saber: “...no CTN não há disposição que dispense a exigência de multa de ofício ou de juros de mora de massas falidas, ao contrário, existem disposições que dotam o crédito fiscal de garantias e privilégios a fim de resguardar os interesses coletivos, que norteiam os atos da Administração Pública, dispensandoo, inclusive, da necessidade de habilitação na falência, como se verifica em seus artigos 186, 187 e 188: Art. 186. O crédito tributário prefere a qualquer outro seja qual for a natureza ou o tempo da constituição deste, ressalvados os créditos decorrentes da legislação do trabalho. Art. 187. A cobrança judicial do crédito tributário não é sujeita a concurso de credores ou habilitação em falência, concordata, inventário ou arrolamento. [...]Art. 188. São encargos da massa falida, pagáveis preferencialmente a quaisquer outros e às dívidas da massa, os créditos tributários vencidos e vincendos, exigíveis no decurso do processo de falência.” (destaquei) Pareceme claro que o ponto de discórdia entre Administração e Contribuinte, referese à natureza da multa e dos juros. É esta questão que deve ser enfrentada, pois a razão que impede os agentes administrativos de aplicar o artigo 18, da Lei nº 6.024/74, é o fato de o Código Tributário Nacional determinar que o crédito tributário é devido e mais, tem preferência para pagamento no caso de tratarse de massa falida. Neste sentido, a fiscalização entende que a multa e os juros seguem a natureza do principal, sendo, portanto, tributária; enquanto a Recorrente defende que os consectários legais são penalidades administrativas. Fl. 469DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10680.016419/200114 Acórdão n.º 330201.045 S3C3T2 Fl. 437 5 Discordo do entendimento de que os juros e a multa constituem tributo. Não tenho dúvida de que tanto os juros quanto as multas possuem natureza diversa, os primeiros de remuneração do capital e as segundas de penalidade propriamente dita, ambos constituindo acessórios ao tributo que é o principal. Todavia, esta razão não é suficiente para o cancelamento destes valores. Em relação aos juros, a legislação é clara ao definir o que passo a denominar, apenas para a boa compreensão, de “suspensão” da incidência, até que as demais dívidas sejam quitadas pela massa1. Logo, pareceme certo que o tratamento legal conferido aos juros não é o mesmo da dívida tributária, a qual tem preferência na lista de credores quando se trata de falência ou liquidação extra judicial. Corroborando com este entendimento, cito o posicionamento dos tribunais superiores no sentido de que os juros são devidos até o momento da decretação da quebra ou da liquidação extra judicial, restando suspensos até o momento em que a massa quita as demais dívidas, oportunidade em que volta a fluir. Vejamos a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. MASSA FALIDA. MULTA MORATÓRIA. JUROS DE MORA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. 1. É entendimento pacífico deste Tribunal que não se inclui no crédito habilitado em falência a multa fiscal moratória, por constituir pena administrativa (Súmulas ns. 192 e 565 do STF). 2. Quanto aos juros de mora, o posicionamento da Primeira Turma desta Corte entende que: "A exigibilidade dos juros moratórios anteriores à decretação da falência independe da suficiência do ativo. Após a quebra, serão devidos apenas se existir ativo suficiente para pagamento do principal. Precedentes." (Resp 60.957/SP, Rel. Min. Denise Arruda, DJ de 17/09/2007). 3. Agravo regimental não provido.” (AgRg no Ag 1023989 / SP, AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO, 2008/00509687; DJe 19/08/2009; Primeira Turma – destaquei) “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MASSA FALIDA. JUROS E MULTAS FISCAIS. EXCLUSÃO. NATUREZA DE PENA ADMINISTRATIVA. SÚMULAS 192 E 565 DO STF. ENCARGO DE 20% DO DECRETOLEI 1.025/69. EXIGIBILIDADE. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. APÓS A QUEBRA, CONDICIONADA À SUFICIÊNCIA DO ATIVO PARA PAGAMENTO DO PRINCIPAL. PRECEDENTE DA 1ª SEÇÃO. 1 “Art. 18. A decretação da liquidação extrajudicial produzirá, de imediato, os seguintes efeitos: ... d) nãofluência de juros, mesmo que estipulados, contra a massa, enquanto não integralmente pago o passivo; ..." Fl. 470DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10680.016419/200114 Acórdão n.º 330201.045 S3C3T2 Fl. 438 6 1. É indevida a cobrança de multa fiscal da massa falida, por possuir natureza de pena administrativa. Incidência das Súmulas 192 e 565 do STF. 2. Antes da decretação da falência, são devidos os juros de mora, sendo viável, portanto, a aplicação da taxa Selic, que se perfaz em índice de correção monetária e juros e, após a decretação da falência, a incidência da referida taxa fica condicionada à suficiência do ativo para pagamento do principal. Precedente: ERESp 631.658/RS, Primeira Seção, DJ de 9.9.2008. 3. Consoante entendimento firmado no julgamento do Resp 1.110.924/SP, mediante a sistemática prevista no art. 543C e na Resolução STJ n. 8/08, é exigível da massa falida, em execução fiscal, o encargo de 20% (vinte por cento) previsto no Decreto lei 1.025/69. 4. Agravo regimental não provido.” (AgRg no REsp 762420 / PR; AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2005/01050520; DJe 19/08/2009; Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES; (destaquei) Cito ainda precedente deste Egrégio Tribunal Administrativo, verbis: “[...] LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL.JUROS DE MORA ANTERIORES À DECRETAÇÃO DE FALÊNCIA. FLUÊNCIA. PERTINÊNCIA. Os juros de mora não se confundem com penalidade. Apenas cumprem a função de remunerar o capital do credor posto à disposição do devedor durante um lapso de tempo que medeia o vencimento e a liquidação da obrigação. A jurisprudência dos Tribunais Superiores assinala que são devidos os juros de mora anteriores à decretação da liquidação extrajudicial, bem assim os posteriores que somente serão excluídos se o ativo apurado for insuficiente para pagamento do passivo. [...]”(Processo nº 10768.015852/200253; Recurso n.º: 139736 – ex officio/voluntário; Sessão de : 23 de fevereiro de 2005; Acórdão n.º : 10707.954) É por causa desta interpretação que os juros devem ser mantidos em sua integralidade; sendo que, in casu, a compensação ocorreu quando a Instituição Financeira já se encontrava em liquidação, do que se conclui que todo valor a título de juros estão com a denominada “condição de suspensão”. Isto é, no momento da execução do acórdão, deverá ser avaliada a exigência do valor relativo aos juros, pois somente poderá ser exigido se o ativo apurado for suficiente para pagamento do passivo. Mesma sorte não se aplica à multa pecuniária. É de clareza solar a qualidade de sanção da multa e, se não possui natureza penal, também não é tributária, vez que tributo não é penalidade por impedimento legal. Uma vez que é cobrada pelas vias administrativas, Fl. 471DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10680.016419/200114 Acórdão n.º 330201.045 S3C3T2 Fl. 439 7 tenho que a multa em discussão é sanção administrativa e está contida no citado dispositivo legal de isenção2. Concordo com a Recorrente quanto à aplicação, ao caso em análise, do artigo 112 do Código Tributário Nacional – CTN – que determina a aplicação de legislação mais benéfica quando se trata da imposição de penalidades aos contribuintes. Também nesta direção está a jurisprudência supra citada, que exclui expressamente as multas fiscais incidentes sobre as dívidas tributárias nos casos de falência e/ou liquidação extra judicial. Ante o exposto, conheço do recurso apresentado, vez que presentes os pressupostos objetivos de admissibilidade para o fim de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao mérito, cancelando apenas a multa punitiva de 75%. É como voto. (assinado digitalmente) Relatora Fabiola Cassiano Keramidas 2 “Art. 18. A decretação da liquidação extrajudicial produzirá, de imediato, os seguintes efeitos: ... e) nãoreclamação de correção monetária de quaisquer dívidas passivas, nem de penas pecuniárias por infrações de leis, penais e administrativas.” (destaquei) Voto Vencedor Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator Designado. Acompanho a ilustre Conselheira Relatora quando à incidência dos juros de mora na compensação efetuada pela RFB e o mais e discordo quando à multa de ofício, cujo valor foi objeto de compensação. Como relatado, a recorrente solicitou a restituição de CPMF e apresentou pedidos de compensação utilizando os créditos pleiteados. Os créditos foram reconhecidos na sua integralidade e a RFB efetuou a compensação, valorando os créditos e os débitos até o dia da apresentação do pedido de compensação pela recorrente. Ao contrário do que afirma a recorrente, sobre a data da valoração dos créditos já reconhecidos, não há litígio, como bem disse a decisão recorrida. Sobre a exigência da multa de ofício, não procede o argumento da recorrente de que, por analogia, devese aplicar a Lei de Falência ao caso concreto. O que se aplica à massa falida, quando a multas fiscais, não se aplica a instituições financeiras em liquidação extrajudicial, a teor do Parecer PGFN/CRJ/Nº Fl. 472DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10680.016419/200114 Acórdão n.º 330201.045 S3C3T2 Fl. 440 8 3572/2002, que trata da impossibilidade de incidência de multa fiscal sobre a massa falida e a dispensa de interposição de recursos nesses casos, do qual transcrevo os seguintes parágrafos: 9.Não obstante o posicionamento jurisprudencial maciço aponte no sentido da inexigibilidade da multa fiscal em falência, cumpre ressalvar o fato de que esse entendimento não se estende à concordata, tampouco à liquidação extrajudicial. [...] 21.Enfatizese, apenas, o fato de que a dispensa de interposição de recursos ou a desistência dos já interpostos ocorre somente em relação à dispensa da multa fiscal moratória na falência, não se aplicando o presente Parecer às hipóteses de multas fiscais moratória aplicadas em sede de concordata, como também em se tratando de liquidação extrajudicial. A fundamentação para a não incidência de multas fiscais contra a massa falida é, em resumo, que a pena não pode passar do infrator. No caso da massa falida, a pena pecuniária alcançaria os credores. Quanto à liquidação extrajudicial, que pode cessar a qualquer momento, não se pode falar que a multa fiscal irá alcançar os credores, como ocorreu no caso da recorrente onde o Banco Central, por intermédio do Ato nº 1.055, de 18/03/2004, declarou cessada a liquidação extrajudicial (fl. 395), ficando certo que ela recorrente, autora da infração fiscal, é quem arca com a penalidade aplicada. Isto posto, e na forma do art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19993, adoto e ratifico os fundamentos da decisão recorrida para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA 3 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 473DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 13710.000711/2004-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003
IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEPENDENTE.
Uma vez comprovado o efetivo pagamento das despesas com instrução
informadas na Declaração de Ajuste, há que ser restabelecida a dedução nos limites estabelecidos pela legislação de regência.
Numero da decisão: 2201-001.039
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade DAR provimento ao
recurso para restabelecer a despesa de instrução no valor de R$ 1.401,50. Ausência justificada da conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade DAR provimento ao recurso para restabelecer a despesa de instrução no valor de R$ 1.401,50. Ausência justificada da conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza.
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DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DEPENDENTE. Uma vez comprovado o efetivo pagamento das despesas com instrução informadas na Declaração de Ajuste, há que ser restabelecida a dedução nos limites estabelecidos pela legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade DAR provimento ao recurso para restabelecer a despesa de instrução no valor de R$ 1.401,50. Ausência justificada da conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eduardo Tadeu Farah, Guilherme Barranco de Souza, Gustavo Lian Haddad e Fl. 50DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Janaína Mesquita Lourenço de Souza. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada Notificação de Lançamento de fls. 02/04, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, que se apurou imposto a pagar após revisão no valor de R$ 299,43. A fiscalização, por meio de revisão da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, constatou dedução indevida de despesa de instrução no valor de R$ 2.190,20. Cientificado do lançamento, o autuado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, que os gastos referemse à despesa com instrução de sua filha, conforme certidão de nascimento, bem como comprovante juntado do Colégio Batista. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ – Rio de Janeiro/RJ II julgou parcialmente procedente o lançamento, conforme se extrai transcrição de parte do voto condutor do julgamento de primeira instância: Do exame da Declaração de Ajuste Anual apresentada em formulário no modelo completo, verificase que o(a) contribuinte pleiteou em sua declaração de rendimentos, a título de dedução de despesas com instrução, o montante de R$2.190,20, (fls. 11). Entretanto, em procedimento de revisão interna da referida declaração, o Fisco alterou o montante informado a título de despesas com instrução para zero, nos termos da notificação de lançamento de fls. 02/04. (...) Da análise dos documentos trazidos aos autos, verificase que o(a) contribuinte não apresentou prova documental com vistas à comprovação do valor total dos pagamentos das despesas com instrução de dependentes/alimentandos informadas no quadro 7 de sua declaração de rendimentos. Restou comprovado o pagamento de R$512,70 (descontados seguro escolar e tarifas bancárias não dedutíveis), conforme comprovantes de pagamento anexados às fls. 05/06. Dessa forma, uma vez comprovada a realização de despesas com instrução no valor de R$512,70, tal montante deve ser considerado no ajuste anual a título de dedução dos rendimentos tributáveis. Intimado da decisão de primeira instância em 18/03/2008 (fl. 23), Carlos Soares de Castro apresenta Recurso Voluntário em 24/03/2008 (fl. 24), alegando, verbis: 1Ao recorrer da glosa em minha Declaração Anual de 2003 (Ano Base 2002) anexei os recibos referentes ao primeiro e ao último mês de 2002 do Colégio Batista e a Certidão de Nascimento de minha filha Samantha, seguindo orientação da Agência Tijuca/RJ da SRF, onde dei entrada no referido processo. Fl. 51DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13710.000711/200451 Acórdão n.º 220101.039 S2C2T1 Fl. 2 3 2 Naquela mesma oportunidade, fui orientado também a entrar com a retificação da minha Declaração Anual, mais tarde vindo a saber em outra Unidade da SRF que este procedimento era totalmente indevido, uma vez que já tinha sido emitida a Notificação de Lançamento. 3 Ao analisar o Acórdão da DRJ ora recebido, observei que a glosa originalmente efetuada foi revista, considerando, entretanto, apenas os dois recibos por mim anexados conforme a orientação recebida. 4 Face ao exposto e uma vez que tenho os recibos de todas as mensalidades por mim pagas, venho através do presente solicitar que seja complementada a análise realizada pela DRJ, procedendose ao lançamento dos demais recibos ora apresentados e recalculandose o valor da restituição inicialmente prevista. Para tanto anexo cópia dos referidos recibos, do contrato com o Colégio Batista e da Certidão de Nascimento de minha filha. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A controvérsia dos autos cingese, exclusivamente, na glosa efetuada pela autoridade fiscal relativa à despesa de instrução. De acordo com os autos, a autoridade julgadora de primeira instância restabeleceu parte da despesa, no valor de R$ 512,70, posto que o recorrente comprovou apenas parte dos gastos, conforme se verifica dos documentos carreados às fls. 05/06. Contudo, nesta fase recursal, apresentou o contribuinte diversos documentos com os quais pretendeu demonstrar que de fato suportou a despesa de instrução deduzida em sua DIRPF/2003. Desta feita, compulsando os comprovantes, com autenticação bancária, do Colégio Batista Shepard (fls. 25/40), verifico, pois, que o suplicante efetivamente pagou, no anocalendário em apreço, a quantia de R$ 1.914,20, a título de despesa com instrução para sua dependente, Samantha de Castro Schuber. Todavia, como a decisão de primeira instância já havia restabelecido o valor de R$ 512,70, o montante a ser considerado a título de despesa com instrução, relativa ao exercício de 2003, representa R$ 1.401,50. Fl. 52DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Ressaltese que, de acordo com a Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, II, "b"; Lei nº 10.451, de 2002, a dedução com despesas de instrução, para o exercício de 2003, está sujeita ao limite anual individual de R$ 1.998,00. Ante ao exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso para restabelecer a despesa de instrução no valor de R$ 1.401,50. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Fl. 53DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13710.000711/200451 Acórdão n.º 220101.039 S2C2T1 Fl. 3 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 13710.000711/200451 Recurso nº: 165.795 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 220101.039. Brasília/DF, 17 de março de 2011. ______________________________________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 54DF CARF MF Emitido em 19/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 18/04/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU, 06/04/2011 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10665.721040/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008
EXCLUSÃO MOTIVADA PELA ATIVIDADE ECONÔMICA EXERCIDA. NÃO DEMONSTRAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO O EXERCÍCIO DA ATIVIDADE DE
CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA.
MATÉRIA DE PROVA. EXCLUSÃO INDEVIDA.
As provas trazidas nos autos pela fiscalização não são
conclusivas ao ponto de se afirmar que o contribuinte exerceu a
atividade de cessão de mão-de-obra, visto o fato da empresa
possuir além dos dois sócios, apenas um empregado administrativo. Faltou no trabalho da fiscalização trazer outros elementos probatórios para concluir pela incompatibilidade de
atividade.
A cessão de mão-de-obra traz outro elemento ignorado pela
fiscalização, o fato do empregado da empresa cedente, contratada, ficar à disposição do contratante, na qual receberá ordens e instruções deste último.
Recurso conhecido e provido.
Numero da decisão: 1201-000.500
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao Recurso
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Rafael Correia Fuso
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008 EXCLUSÃO MOTIVADA PELA ATIVIDADE ECONÔMICA EXERCIDA. NÃO DEMONSTRAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO O EXERCÍCIO DA ATIVIDADE DE CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. MATÉRIA DE PROVA. EXCLUSÃO INDEVIDA. As provas trazidas nos autos pela fiscalização não são conclusivas ao ponto de se afirmar que o contribuinte exerceu a atividade de cessão de mão-de-obra, visto o fato da empresa possuir além dos dois sócios, apenas um empregado administrativo. Faltou no trabalho da fiscalização trazer outros elementos probatórios para concluir pela incompatibilidade de atividade. A cessão de mão-de-obra traz outro elemento ignorado pela fiscalização, o fato do empregado da empresa cedente, contratada, ficar à disposição do contratante, na qual receberá ordens e instruções deste último. Recurso conhecido e provido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 EXCLUSÃO MOTIVADA PELA ATIVIDADE ECONÔMICA EXERCIDA. NÃO DEMONSTRAÇÃO PELA FISCALIZAÇÃO O EXERCÍCIO DA ATIVIDADE DE CESSÃO DE MÃODEOBRA. MATÉRIA DE PROVA. EXCLUSÃO INDEVIDA. As provas trazidas nos autos pela fiscalização não são conclusivas ao ponto de se afirmar que o contribuinte exerceu a atividade de cessão de mãodeobra, visto o fato da empresa possuir além dos dois sócios, apenas um empregado administrativo. Faltou no trabalho da fiscalização trazer outros elementos probatórios para concluir pela incompatibilidade de atividade. A cessão de mãodeobra traz outro elemento ignorado pela fiscalização, o fato do empregado da empresa cedente, contratada, ficar à disposição do contratante, na qual receberá ordens e instruções deste último. Recurso conhecido e provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso. (documento assinado digitalmente) Fl. 132DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 13/06/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 2 CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Regis Magalhães Soares de Queiroz, Marcelo Cuba Netto e Rafael Correia Fuso. Relatório Tratase de exclusão de empresa do Simples, em razão da mesma ter como atividade a cessão de mãodeobra, conforme relato da fiscalização. Em 17 de março de 2007, foi lavrada representação fiscal propondo a exclusão do simples da empresa Linger Serviços Ltda ME por entender caracterizada a cessão de mãodeobra, após o contribuinte ter solicitado pedido de restituição da contribuição retida e recolhida pela empresa tomadora de serviços. A fiscalização se pautou para requerer a exclusão em três elementos de prova: contrato social e alterações, notas fiscais e contrato de prestação de serviços com a CEMIG. Em 10 de janeiro de 2008, foi expedido Ato Declaratório Executivo DRF DIVMG n° 003, determinando a exclusão "pelo exercício de atividade de LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA, a qual se enquadra na vedação à opção constante no artigo 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996". Em 15 de janeiro de 2008, a empresa toma conhecimento do Ato expedido, conforme AR de fls. 42, e em 12 de fevereiro de 2008, apresenta sua manifestação de inconformidade. A decisão da DRJ foi editada no sentido de manter a exclusão do Simples, conforme a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇõES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício:2006, 2007, 2008 EXCLUSÃO MOTIVADA PELA ATIVIDADE ECONÔMICA EXERCIDA Evidenciada a subsunção do fato à hipótese legal descrita no ato administrativo de exclusão do SIMPLES, é inadmissível a manutenção no mencionado sistema. Fl. 133DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 13/06/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 10665.721040/200711 Acórdão n.º 120100.500 S1C2T1 Fl. 133 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Inconformada com a decisão da DRJ, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, alegando em síntese que: a) Cessão de mãodeobra nos termos da lei, não se confunde com aplicação de mãodeobra, indispensável " a toda e qualquer empresa que presta serviços; b) Há fragilidade dos argumentos expendidos na "tese, de hipótese de Vedação ou exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES)" pois não chega, por falta de prova, a afirmar categoricamente que a empresa opera com locação de mãodeobra; c) Para clamar aplicação ao caso do que dispõe o art. 9, XII, "f", da Lei 9.317/96, a fiscalização transcreve na representação a vaga e imprecisa definição do objetivo da empresa descrita na Cláusula 2° da 1° Alteração Contratual, onde está assente que a empresa tem como atividade econômica a "prestação de serviços associados As atividades de acompanhamento e análise da operação e manutenção de sistemas elétricos". d) Valendose da subjetividade e imprecisão da descrição, e não dos fatos tal como acontecem, o fisco, maliciosamente, em busca de amparo para suspender e/ou negar pedido de restituição, atribuiu à empresa atividades que jamais exerceu; e) Da perfunctória análise das tarefas de responsabilidade da empresa prestadora de serviços, que sequer tem empregados para caracterizar cessão de mãodeobra à tomadora dos serviços, mantendo apenas uma pessoa contratada para funções administrativas, percebese que os levantamentos que se incumbe de fazer está afeto à leitura, tradução e mapeamento dos registros das "oscilações esporádicas ocorridas nas redes de transmissão, necessários para identificar e avaliar as causas e a intensidade das oscilações, bem como estimar seus prováveis efeitos; f) Alega que nos termos do inciso III do enunciado 331 do TST, ocorre a cessão de mãodeobra quando o empregado prestador do serviço possuir subordinação direta do tomador do serviço, o que não é o caso; g) Pelo exercício regular de um direito, a empresa se transforma em vítima da arbitrariedade perpetrada pela autoridade administrativa que, mediante notória deturpação da realidade e dos termos da Lei 9.317/96, propõe sua exclusão do SIMPLES e, não raro, tem, como no presente caso, a infundada proposta acatada; h) No caso específico da Linger Serviços Ltda ME, nunca houve locação de mãodeobra haja vista ser ela a responsável direta pelas tarefas desempenhadas por seus sócios, auferindo receitas em função do cumprimento dessas tarefas; i) Basta verificar ,que a contratada, na prestação de serviços, recebe pelo cumprimento de tarefas cumpridas e, não por força de trabalho, mãodeobra, cedida a título de locação. Nem é preciso dizer que uma situação tem características inteiramente diversas da outra. Numa o objeto do contrato é um meio mãodeobra passado ao encomendante para que, a critério próprio e sobre o seu comando, execute o que melhor lhe aprouver no período Fl. 134DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 13/06/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 4 contratado. Na outra o objeto do contrato corresponde a um bem (tarefa que se materializa como parte de um processo, ou serviço cujo fim encerra em si mesmo); j) A retribuição ou pagamento se dá em função da produção ou cumprimento da tarefa, e não por medida da força de trabalho mãodeobra efetivamente disponibilizada ou colocada a disposição do encomendante como o meio para que possa realizar o que desejar; k) Assim, dentre outros fundamentos, conclui que o acatamento da proposta feita pelo Auditor Fiscal do INSS, que resultou na expedição do Ato Declaratório confirmado pelo Acórdão ora recorrido, carece de comprovação dos fatos alegados em contradição com as atividades desenvolvidas pela Linger Serviços Ltda. – ME; l) A medida levou em conta um sentido que o Auditor cria para a expressão "locação de mãodeobra", inteiramente diverso do sentido que o legislador a utiliza para que a norma .produza as finalidades sociais premeditadas; m) Assim procedendo, não modificou os fatos porque impossível, mas desvirtuou o sentido da lei para que pudesse invocar sua aplicação a contrário senso da finalidade social da sua instituição; n) Em seu pedido, afirma que comprovado que o ato de exclusão do SIMPLES tem como justificativa uma circunstância presumida, que não se identifica com as atividades desenvolvidas pela recorrente, requer seja o presente RECURSO julgado procedente, determinandose, em conseqüência, o cancelamento. Este é o relatório! Voto Conselheiro RAFAEL CORREIA FUSO O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Quanto ao mérito, entendo que assiste razão à Recorrente. Isso porque, as provas trazidas nos autos pela fiscalização não aponta de forma segura que a contribuinte realiza serviços de cessão de mãodeobra, muito menos os supostos indícios são conclusivos nesse sentido. Primeiramente, cumpre transcrever o objeto social da empresa, que não aponta qualquer indício da atividade de cessão de mãodeobra: "prestação de serviços associados às atividades de acompanhamento e análise da operação e manutenção de sistemas elétricos", Ademais, a despeito da empresa ter sofrido a retenção dos 11% a título de contribuição previdenciária, é plausível os fundamentos da Recorrente na medida em que são incompatíveis a referida sistemática com as empresas do Simples, sendo perfeitamente aceito os fundamentos do Recorrente de que a empresa pagadora tinha como política aplicar tal retenção. Fl. 135DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 13/06/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS Processo nº 10665.721040/200711 Acórdão n.º 120100.500 S1C2T1 Fl. 134 5 Contudo, isso não confirma em nenhuma hipótese que a atividade de prestação de serviço da Recorrente seja de cessão de mãodeobra, podendo ser de empreitada, por exemplo, que também está sujeita a tal retenção, conforme atividades da lista divulgada pelo fisco, sendo necessário, portanto, esse binômio. Ademais, quando se investiga o contrato de prestação de serviços n° 4680003109, verificase que o escopo dos serviços é o: (i) preparação da consistência do CONINT de média tensão; (ii) levantamento de dados p/ análise de ressarcimento de danos a clientes; (iii) adequação de diagramas de operação. Ao analisarmos esse contrato, constatase que a prestação dos serviços dar seá exclusivamente nas dependências da contratante tomadora de serviços, não sendo em princípio elemento objetivo que implique de forma conclusiva que estamos diante da cessão de mãodeobra. Outro ponto a ser mencionado é o emprego de pessoal em número e qualificação compatíveis com a perfeita execução dos serviços. Também entendo que o fato da empresa possuir além dos dois sócios, apenas um empregado administrativo, não implica em entendermos de forma categórica que há cessão de mãodeobra, ainda mais dos próprios sócios da empresa, considerando a qualificação profissional compatível com as atividades a serem prestadas na CEMIG Distribuição S.A. Se o fisco se pauta em apenas três elementos (Alteração Contratual, Contrato de Prestação de Serviços n°4680003109 e Notas fiscais de Prestação de Serviços) para invocar a imputação fiscal de que a Recorrente estaria sujeita à exclusão do simples nos termos do artigo 9°, inciso XII, “ f”, da Lei n° 9.317/96, entendo como frágil tal imputação, merecendo credibilidade a retórica da Recorrente quando combate com argumentos essas fragilidades. Faltou aí no trabalho da fiscalização trazer outros elementos probatórios para tal afirmação jurídica. Ademais, como bem definido pela legislação e pela melhor doutrina, a cessão de mãodeobra implica num critério ignorado pela fiscalização, mas que é o ponto principal desse instituto, quando o empregado da empresa cedente, contratada, ficar à disposição do contratante, na qual receberá ordens e instruções deste último. Os §§ 3° e 4° do art. 31 da Lei n° 8.212/91 (redação do art. 23 da Lei n° 9.711/98), dispõem a esse respeito. Esse elemento não conseguimos identificar das provas trazidas pela fiscalização, passando ao largo esses elementos do relatório fiscal. Por fim, cumpre trazer ainda a jurisprudência desse E. Tribunal sobre o assunto ora invocado: Ementa:Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Fl. 136DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 13/06/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS 6 Data do fato gerador: 01/01/2002 INEXISTÊNCIA DE LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. EXCLUSÃO INDEVIDA. Analisando o objeto social, as notas fiscais de prestação de serviços e os contratos celebrados pela empresa, notase que não há como caracterizar as atividades da empresa como sendo locação ou cessão ou empreitada de mãodeobra simplesmente, dessarte, nenhum impedimento à opção pelo SIMPLES. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (2ª Câmara, Número do Processo:10940.002261/200359, Decisão:Acórdão 30239289, Relator:CORINTHO OLIVEIRA MACHADO) Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso, para no mérito DARLHE provimento, mantendo a Recorrente nos períodos ora questionados pela fiscalização nestes autos na sistemática do Simples. É como voto! (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator Fl. 137DF CARF MF Emitido em 14/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO Assinado digitalmente em 07/06/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 13/06/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALA QUIAS
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Numero do processo: 19647.004723/2005-23
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário: 2002
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que
jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-000.489
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre os valores dos créditos pleiteados nas Declarações de Compensação, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para se pronunciar sobre os valores dos créditos pleiteados nas Declarações de Compensação, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fl. 129DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 2 ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmem Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Diniz Raposo e Silva, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente processo de PERDCOMP eletrônicos (fls. 01/10), transmitidos em março e abril de 2004, pelos quais pretende a interessada a compensação de débitos de estimativa de CSLL e de COFINS, todos devidos nos anoscalendário 2004, com direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ apurada no mês de setembro de 2002 (recolhimento em outubro/2002), no valor de R$ 442.683,46, baixados para tratamento manual neste processo. Analisando o pleito a DRF em Recife/PE, após diligências realizadas, concluiu pela inexistência do crédito apontado, razão pela qual pelo Despacho Decisório de fl. 17 não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações, ao fundamento de que, de acordo com o disposto no artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005, a pessoa jurídica somente poderia utilizar o valor pago indevidamente ou a maior a título de estimativa mensal, ao final do período de apuração em que houve o referido pagamento, para dedução do valor do IRPJ devido ou para compor o saldo negativo porventura apurado. A empresa TIM Nordeste S/A, CNPJ n° 01.009.686/000144, sucessora da Telasa Celular S/A, apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: a) que o art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005, não tem amparo legal, já que a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não prevê a restrição nele estabelecida e adotada na decisão da DRF/Recife e que quando da realização das compensações ainda não existia a regra do art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005; b) se não fosse realizada a compensação do IRPJ recolhido a maior haveria saldo negativo ao final do ano. Terseia, então, no máximo um problema de inobservância de exercício, vez que o saldo negativo seria passível de compensação a partir do final do ano de 2002; c) possivelmente a decisão supôs, em virtude do lançamento que deu origem ao processo n° 19647.009690/200699, que não haveria saldo negativo ao final do ano Fl. 130DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.004723/200523 Acórdão n.º 180100.489 S1TE01 Fl. 110 3 calendário 2002. Nessa hipótese, o julgamento da manifestação de inconformidade ficaria na dependência da decisão adotada nos autos do mencionado processo; d) que o despacho decisório decorre da revisão de oficio havida nos autos do processo n° 19647.009690/200699 e que dessa revisão teria decorrido aumento do crédito tributário original, em afronta aos arts. 145 a 149 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Apreciando o litígio a 3a. Turma da DRJ em Recife/PE, por meio do Acórdão 1127.100 (fls. 65/73) indeferiu a manifestação de inconformidade. Aquela autoridade observou, inicialmente, que as argüições de ilegalidade do art. 10 da IN SRF n°. 600, de 2005, não poderiam ser apreciadas no âmbito do julgamento administrativo e que a vedação contida no referido comando legal há havia sido consignada na IN SRF n°. 460, de 2004. Apoiandose nas disposições dos artigos 2o. e 6o. da Lei n°. 9.430, de 1996; artigos 3o., 9o. e 10 da IN SRF n°. 93, de 1997 e Ato Declaratório Normativo SRF n°. 003, de 2000, consignou que as estimativas mensais não seriam passíveis de restituição a esse título, pois constituiriam mera antecipação do tributo devido ao final do anocalendário e que somente seria passível de restituição e de aproveitamento em compensações o saldo negativo porventura apurado ao final do período. Assim, o excesso acaso pago a título de estimativas mensais somente poderia ser utilizado na dedução do imposto devido ou na composição do saldo negativo. Rejeitou a afirmação da contribuinte no sentido de que, não fosse realizada a compensação do imposto pago a maior em outubro de 2002, haveria saldo negativo ao final do ano, pois, ainda que fosse apurado o saldo negativo, deveria a interessada apresentar DCOMP para sua utilização que seria apreciada pela autoridade administrativa competente para averiguação da efetiva existência do saldo negativo declarado e, sendo caso, reconhecimento do direito creditório reclamado. Tal discussão, contudo, seria estranha aos autos vez que o direito creditório pleiteado se referiria a pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ. Esclareceu, ainda, que se o saldo negativo do imposto foi incorretamente declarado a menor em D1PJ, seria da competência do sujeito passivo proceder à sua retificação, observadas as normas pertinentes à matéria. Quanto ao processo n° 19647.0096901200699, esclareceu: 27. Alega a impugnante que a decisão atacada teria sido decorrente da revisão de oficio havida nos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699. O argumento é equivocado, como passo a expor. 28. Naquele processo, de exigência de crédito tributário, verificouse, entre outras infrações, a dedução indevida das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, que haviam sido objeto de compensação indevida. Em conseqüência das glosas, foram lavrados autos de infração para cobrança dos tributos ao final dos anos calendário e da multa isolada pela falta das antecipações mensais. 29. Ocorre que, como as compensações haviam sido declaradas em DCOMPs que constituíam confissão de dívida, tinhase por aplicável o entendimento esposado pela Coordenação Geral de Tributação através da Solução de Consulta Interna Cosit n° 18, de 13 de outubro de 2006, segundo o qual não cabe a glosa das estimativas, Fl. 131DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 4 devendo os débitos ser cobrados com base em DCOMP. Como a referida solução de consulta foi posterior à lavratura dos autos de infração, foram os lançamentos revistos de oficio, reduzindo o crédito tributário antes exigido. 30. Portanto, diversamente do que esgrime a defesa, o processo n° 19647.009690/200699 é que foi influenciado por este, e não o contrário. É através do presente processo que os débitos das estimativas não homologadas serão cobrados, razão pela qual reduziuse o lançamento objeto daquele outro processo. O não reconhecimento do direito creditório discutido nestes autos em nada decorreu do processo n° 19647.009690/200699 nem da Solução de Consulta Interna Cosit n° 18, de 2006, e os débitos que serão cobrados por via do presente processo são rigorosamente aqueles espontaneamente declarados pela contribuinte nas DCOMPs. Não sofreram, por conseguinte, nenhuma modificação em virtude do processo n° 19647.009690/200699, não havendo falar em ofensa aos arts. 145, 146 e 149 do CTN. Intimada da decisão, em 31/08/2009 (AR à fl. 107) a interessada apresentou, em 18/09/2009, o Recurso Voluntário de fls. 75 a 88. Em suas razões de defesa informa, inicialmente, que o presente processo seria decorrente de revisão de ofício em lançamento efetuado no âmbito dos autos n° 19647.009690/200699, especificamente em itens que trataram de (i) deduções indevidas no ajuste anual de antecipações de IRPJ e de CSLL não comprovadas e (ii) imposição de multa isolada por falta de pagamento de IRPJ e de CSLL devidos por estimativa mensal, revisão essa que não teria sido devidamente fundamentada, o que impedia a adequada defesa. Assim, teria sido intimada, em março de 2007, de um Relatório de Informação Fiscal, datado de 13.12.2006, no qual os fiscais responsáveis pela revisão de ofício informaram que tomaram conhecimento de uma solução de consulta interna da Receita Federal (de n° 18/06), a qual previa metodologia de cálculo diferente da que havia sido adotada por eles quando da fiscalização, razão pela qual alguns valores teriam sido excluídos do processo n° 19647.009690/200699, e passaram a ser tratados em processos específicos, dentre os quais o presente processo de compensação. Reafirma que a previsão contida no artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005, não teria amparo legal. Todas as vedações atinentes à compensação teriam sido expressamente previstas no artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, assim como as compensações consideradas não declaradas, não se encontrando, em nenhuma delas, a referência ao recolhimento indevido ou a maior a título de estimativas mensais e que o disciplinamento do instituto pela Receita Federal não poderia levar ao estabelecimento de novas vedações não previstas na Lei. Observou que os comandos normativos citados pela autoridade julgadora da DRJ que tratariam da referida vedação em verdade cuidariam da forma de pagamento do imposto calculado por estimativa e não de compensação, o que foi disciplinado unicamente pelo artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996. Assim, o procedimento adotado guardaria consonância também com o quanto disciplinado pelo § 1°, II, do artigo 6° da Lei n° 9.430/96, na medida em que teria havido o recolhimento a maior de IRPJ em outubro de 2002, portanto, passível de restituição, e que foi compensado com débitos de tributos federais de períodos posteriores. Reafirmou que ainda que se considere a sua legalidade, à época da formalização das compensações declaradas não vigoravam as disposições do artigo 10 da IN SRF n° 600, de 2005, vigendo, à época, a IN SRF n°. 210, de 2002, que não trazia tal vedação em seu bojo. A DRJ teria, assim, aplicado retroativamente dispositivo normativo a fim de restringir seu direito, violando disposições legais e constitucionais, pois tal comando não teria Fl. 132DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.004723/200523 Acórdão n.º 180100.489 S1TE01 Fl. 111 5 o escopo de dar interpretação mas unicamente de inserir novas regras restritivas ao sistema de compensação. Reproduz as alegações de vinculação destes autos ao processo de n° 19647.009690/200699 e de indevida revisão de ofício no lançamento perpetrado naqueles autos. Ao final pede pela reforma daquele decisum. Após a leitura do relatório em sessão de julgamento, fez sustentação oral pela empresa a Dra. Lenisa P. Matos, OAB/DF n°. 21.698. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Preliminar. LIMITES DO LITÍGIO. Delimitandose o presente litígio cumpre consignar que a DRJ em Recife/PE esclareceu que o presente processo, que trata de Declarações de Compensação, não decorre dos autos do processo administrativo n° 19647.009690/200699.É facilmente possível confirmar o fato já que este processo data de 2005 enquanto aquele foi formalizado no ano de 2006, posteriormente, portanto. Não é possível, assim, que este processo seja decorrente daquele. Ademais, enquanto o processo de n° 19647.009690/200699 trata de lançamento de ofício decorrente de procedimento de fiscalização direta, estes autos tratam de declarações de compensação transmitidas eletronicamente e que foram baixadas para tratamento manual neste processo e o único fundamento alegado pela DRF para indeferir o pedido de homologação foi a inexistência de crédito do contribuinte que pudesse ser utilizado para compensar com débitos próprios, pois, conforme preceitua o artigo 10 da IN SRF n° 600/05, eventual valor pago a maior a título de estimativa mensal somente poderia vir a ser utilizado ao final do período de apuração, para dedução do valor do imposto afinal devido ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. Portanto, as argüições contra a revisão de ofício praticada no âmbito do processo administrativo n° 19647.009690/200699, que trata de lançamento de ofício para exigência de crédito tributário são alheias ao presente feito e devem ser tratadas unicamente no âmbito daqueles autos, razão pela qual deixo de tomar conhecimento de tais alegações. Fl. 133DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 6 Mérito A questão que se coloca para análise nestes autos se refere à possibilidade de haver recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais no curso do anocalendário e, havendo tal possibilidade, se isto geraria um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. Nesse sentido registro que a questão é tormentosa e não se encontra pacificada neste Órgão Colegiado. Muito longe disso, há divergências inúmeras acerca da questão. Há aqueles que comungam do entendimento esposado pelas autoridades administrativas da DRF e DRJ, consignado nas decisões proferidas nestes autos, no sentido de que para as pessoas jurídicas tributadas com base nas regras do lucro real, o crédito ou o débito decorrente do confronto do pagamento das estimativas, de que trata o artigo 2° da Lei n° 9.430, de 1996, com o valor devido a título de IRPJ e CSLL, só seria apurado em 31 de dezembro de cada anocalendário. Antes do encerramento do anocalendário não haveria, pois, que se falar em tributo a restituir, já que até o último momento poderiam ocorrer eventos que viriam a alterar o quantum devido a título de IRPJ e CSLL. Assim, partindo da premissa de que o fato gerador do imposto de renda e da contribuição social para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real somente se concretizaria no final de cada anocalendário, seria a partir deste evento que se encontraria o saldo do imposto a pagar ou a recuperar, nos termos do artigo 6º, § 1°, I e II, da Lei nº. 9.430, de 1996: Art. 6° .... § 1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Por conta dessa interpretação não haveria que se falar em fluência de juros a partir do recolhimento indevido da estimativa, mas, somente a partir do mês subseqüente do anocalendário seguinte, dado que a geração do indébito somente ocorreria em 31/12 de cada ano, com o surgimento do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL. A interpretação é válida e encontra robustos fundamentos. Ao afastar entendimentos contrários no sentido de que o artigo 74 da Lei n°. 9.430, de 1996, que regula a compensação, ao se referir as vedações, não dispôs expressamente acerca de qualquer restrição à compensação de estimativas pagas a maior ou indevidamente, essa corrente teoriza o entendimento de que não haveria necessidade de se inserir dispositivo específico nessa sentido, pois se estaria a registrar o óbvio já previsto na própria legislação que regulamenta a apuração e o pagamento de estimativas mensais. Nesse contexto, em relação às críticas quanto às restrições contidas em atos normativos infralegais, como por exemplo, o discutido artigo 10 da IN SRF n°. 600, de 2005 (também previsto na IN SRF n° 460, de 2004), destacam que tais normas administrativas não se prestariam a criar, modificar ou extinguir direitos, mas sim disciplinar ou regulamentar o exercício de prerrogativas previstas em Lei, esta em sentido formal. Seria possível, assim, fazer Fl. 134DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.004723/200523 Acórdão n.º 180100.489 S1TE01 Fl. 112 7 referência a um ato administrativo subseqüente em relação à situação pretérita, desde que a situação fosse prevista em lei. Esta relatora por muito tempo comungou desse entendimento. Mas, se o próprio Direito é dinâmico, que se dirá a respeito de posições doutrinárias. Assim, surgem interpretações em outros sentidos, também apoiadas em fortes e sólidos argumentos. Depois de refletir sobre o assunto e sobre os posicionamentos doutrinários estudados, passo a fazer minhas considerações. Nesse sentido peço permissão para reproduzir as palavras da Ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa, proferidas em recentes julgados nesta 1a. Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que há muito tempo vem estudando o tema com profundidade. Cumpre ressaltar, assim, que é certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5o incluído no art. 74 da Lei nº. 9.430/96, pela Medida Provisória nº. 66/2002, atualmente transportado para o § 14 desde a edição da Lei nº. 11.051/2004: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº. 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, temse a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que se verifica ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não há como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº. 460/2004 como procedimental. Não se vislumbra espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Poderia se cogitar de tal possibilidade em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria Fl. 135DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 8 que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição. Neste aspecto, relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº. 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Assim, as antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº. 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Fl. 136DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.004723/200523 Acórdão n.º 180100.489 S1TE01 Fl. 113 9 EVERARDO MACIEL Entretanto, a própria Receita Federal mudou seu entendimento, ao suprimir parte da redação do dispositivo, quando da edição da IN RFB nº. 900, de 2009, como se verifica a seguir: Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Não é por demais relembrar que o artigo 74 da Lei nº. 9.430, de 1996, já previu, expressamente os casos em que é vedada a compensação: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Fl. 137DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 10 É verdade que, pela Medida Provisória n° 449, de 3 de dezembro de 2008, se procurou acrescentar novas restrições à compensação, por meio da inserção dos incisos VII a IX, ao § 3° do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, dentre elas a compensação de indébitos de estimativas. Seria essa a redação: Art. 29. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...).....(...) (...).(...) § 3º (...)....(...)....(...) (...) VII os débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); VIII os débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 1988; e IX os débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL apurados na forma do art. 2º. (...) § 12. (...) (...) Entretanto, na conversão da referida MP 449, de 2008, na Lei no. 11.941, de 2009, não se manteve a alteração acima: Lei n°. 11.941, de 27 de maio de 2009 (fruto da conversão da MP 449/2008): Art. 30. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Artigo 74. (...) (...) § 12. (...) (...) Portanto, não foi da vontade do legislador vedar a compensação de indébitos de estimativas de IRPJ e de CSLL. É verdade que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Fl. 138DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.004723/200523 Acórdão n.º 180100.489 S1TE01 Fl. 114 11 Todavia, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº. 9.430/96, observase que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº. 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. De outro giro é possível interpretar, também, que a Lei nº. 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº. 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº. 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº. 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (destacou se) Diante deste contexto, temse que as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ – já que o recolhimento efetuado a maior não observou o regramento acima, posto que feito a maior que o devido e o crédito daí decorrente, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, evidentemente sem a dedução das parcelas excedentes. Fl. 139DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 12 Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não se vislumbra, ante o contexto exposto, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do ano calendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº. 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº. 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, interpretandose que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº. 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluise que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, frisese, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não é admissível que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº. 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº. 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; Fl. 140DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.004723/200523 Acórdão n.º 180100.489 S1TE01 Fl. 115 13 b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº. 51, de 31 de outubro de 1995, especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo ano calendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". Fl. 141DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 14 § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do ano calendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. Destaquese, ainda, que não há indébitos quando, após efetuar recolhimentos estimados com base na receita bruta, o contribuinte passa a suspendêlos ou reduzilos por meio dos balancetes, demonstrando que o valor do imposto/contribuição já pago, ou o somatório dele com a estimativa do mês, supera o devido com base no lucro real (balancetes suspensão/redução). As únicas alternativas no curso do ano calendário são: pagar com base na receita bruta, reduzir esse valor com base no balancete ou suspender o pagamento com base também em balancete. Ou seja, se o valor pago no decorrer do período superar o devido com base em balancete de suspensão/redução, o máximo efeito que o contribuinte pode extrair dos referidos balancetes é deixar de pagar o tributo, até que ele se torne novamente devido, seja pela mera apuração da estimativa com base na receita bruta, seja com base no lucro acumulado em balancetes de redução. Logo, o pagamento indevido de estimativas caracterizase na hipótese de erro no recolhimento. Assim, se o valor efetivamente pago foi superior ao devido, seja com base na receita bruta, seja com base no balancete de suspensão/redução, essa diferença é Fl. 142DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.004723/200523 Acórdão n.º 180100.489 S1TE01 Fl. 116 15 passível de restituição ou compensação, e esse pedido ou utilização pode, inclusive, ser feito no curso do anocalendário, já que independente de evento futuro e incerto. Neste sentido, aliás, já se manifestou a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio da Divisão de Tributação da 9a Região Fiscal, ao publicar a Solução de Consulta no 285/2009, em resposta ao questionamento formulado nos autos do processo administrativo no 10909.000244/200969: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com devido a contribuição devida a partir do mês de janeiro do ano calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 1996, arts. 2º e 6º; Lei nº 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF nº 3, de 2000; IN RFB nº 900, de 2008, arts. 2º a 4º e 34. No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar e pagar a estimativa de IRPJ relativa ao mês de setembro de 2002, em valor maior que o devido, e assim apontou o indébito de R$ 442.683,46 para compensações com outros tributos, posteriormente, inclusive, à apuração do ajuste anual em 31/12/2002, já que as DCOMP foram formalizadas em março e abril de 2004. Entretanto, há notícias nos autos que os recolhimentos a maior a título de estimativas (de IRPJ e de CSLL), cujo indébito é pleiteado nestes autos a título de direito creditório – especificamente nestes autos o indébito de estimativa de IRPJ foram aproveitados como dedução e compuseram o saldo final do tributo – IRPJ ou CSLL – apurado, ao final do período de apuração, em 31/12/2002, em procedimento fiscal de revisão de ofício de lançamento. Dito de outra forma, o valor aqui pleiteado já teria sido reconhecido pela auditoria fiscal, na revisão de ofício, e aproveitado nas antecipações a título de estimativas, servindo Fl. 143DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 16 como dedução ou compondo o tributo ao final apurado. Por relevante, transcrevo o teor do item “6” do Relatório de Informação Fiscal relativo ao processo n° 19647.009690/200699, cuja cópia encontrase acostada às fls. 90 a 94: “6. Os pagamentos de est imativa mensal de IRPJ e da CSLL indevidos ou a maior foram aproveitados (nesta revisão) no ajuste anual, respectivamente, para dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido devidos no anocalendário em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período, conforme art. 10 da IN N."600/2005. . . .” Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido, seja na apuração da estimativa com base em receita bruta, seja com base em balancete de suspensão/redução, a sua adequação para a formação do indébito de R$ 442.683,46 e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, em verdade, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão, exclusivamente, na possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta questão, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 144DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 19647.004723/200523 Acórdão n.º 180100.489 S1TE01 Fl. 117 17 Fl. 145DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 02/03/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 02/03/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES
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