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Numero do processo: 10580.000739/2006-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Aug 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
DECADÊNCIA.
Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF, tratando-se de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada ano-calendário, Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN).
Preliminar de decadência acolhida.
Numero da decisão: 2202-000.695
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a argüição de decadência suscitada pelo Recorrente, para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário lançado, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 DECADÊNCIA. Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF, tratando-se de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada ano-calendário, Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN). Preliminar de decadência acolhida.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1562; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1 1 0 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.000739/200695 Recurso nº 169.274 Voluntário Acórdão nº 220200.695 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de agosto de 2010 Matéria IRPF Recorrente LUIZ AUGUSTO DA SILVA NEVES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 DECADÊNCIA Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF, tratandose de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN). Preliminar de decadência acolhida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher a argüição de decadência suscitada pelo Recorrente, para declarar extinto o direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário lançado, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 30/05/2011 por NELSON MALLMANN, 30/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Pedro Anan Júnior, Antonio Lopo Martinez, João Carlos Cassulli Júnior, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 30/05/2011 por NELSON MALLMANN, 30/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.000739/200695 Acórdão n.º 220200.695 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, LUIZ AUGUSTO DA SILVA NEVES, a Delegacia da Receita Federal o Brasil em Feira de Santana lavrou Auto de Infração (fls. 07/14), referente ao imposto de renda pessoa física, exercício 2003, anocalendário 2002, em decorrência de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual (Dirpf), na qual constatouse omissão de rendimentos tributáveis, com apuração de imposto suplementar de R$3.456,56. O contribuinte contesta o lançamento (fls. 01/04) alegando, em síntese: a) a completa nulidade do Auto de Infração por não conter os requisitos legais constantes nos art. 7° e 10 do Decreto n°70.235, de 1972 nem as determinações da IN n°094 da SRF, de 1997; b) a ciência do Auto de Infração, ocorrida em 06/01/2006, resulta na decadência do lançamento em função do art. 173, inciso Ido Código Tributário Nacional (CTN); c) a inexistência de omissão ide rendimentos, uma vez que os montantes indicados no Auto de Infração, foram tributados tempestivamente, pois integram o total da receita bruta auferida, no valor de R$175.210,25, conforme relação apresentada em anexo ( fls. 16). Aduz ainda que está reapresentado cópias dos documentos que demonstram não ter havido) a omissão (fls. 17/33); Finaliza requerendo a nulidade do Auto de Infração. A DRJSalvador ao apreciar as razões do contribuinte, julga o lançamento procedente segundo a ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. É cabível o lançamento fiscal para constituir crédito tributário decorrente omissão de rendimentos. Lançamento Procedente Insatisfeito, o contribuinte interpõe recurso voluntário onde reitera as razões de sua impugnação, especialmente o fato do lançamento esta decadente. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 30/05/2011 por NELSON MALLMANN, 30/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Antes de analisar o mérito, apreciase a questão prejudicial da decadência. Nessa senda, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial para os, deduções indevidas e infrações tributárias que ocorreram ao longo do ano de 2000, previsto no art. 150, parágrafo 4º, do CTN é de 1º de janeiro de 2001, posto que é o 1º dia após a ocorrência do fato gerador. Desta forma, o lançamento poderia ser realizado até a data de 31/12/2005, para que pudesse alcançar os valores percebidos no anocalendário de 2000. Como o auto de infração foi encaminhado ao contribuinte e este teve ciência do auto de infração apenas em 06/01/2006 (fls. 51/52), entendo que nessa data já havia decaído o direito da fazenda constituir o referido crédito tributário. Como é sabido, o lançamento é o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, identificar o seu sujeito passivo, determinar a matéria tributável e calcular ou por outra forma definir o montante do crédito tributário, aplicando, se for o caso, a penalidade cabível. Com o lançamento constituise o crédito tributário, de modo que antes do lançamento, tendo ocorrido o fato imponível, ou seja, aquela circunstância descrita na lei como hipótese em que há incidência de tributo, verificase, tão somente, obrigação tributária, que não deixa de caracterizar relação jurídica tributária. É sabido, que são utilizados, na cobrança de impostos e/ou contribuições, tanto o lançamento por declaração quanto o lançamento por homologação. Aplicase o lançamento por declaração (artigo 147 do Código Tributário Nacional) quando há participação da administração tributária com base em informações prestadas pelo sujeito passivo, ou quando, tendo havido recolhimentos antecipados, é apresentada a declaração respectiva, para o juste final do tributo efetivamente devido, cobrandose as insuficiências ou apurandose os excessos, com posterior restituição. Por outro lado, nos precisos termos do artigo 150 do CTN, ocorre o lançamento por homologação quando a legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, a qual, tomando conhecimento da atividade assim exercida, expressamente a homologa. Inexistindo essa homologação expressa, ocorrerá ela no prazo de 05 (cinco) anos, a contar do fato gerador do tributo. Com outras palavras, no lançamento por homologação, o contribuinte apura o montante e efetua o recolhimento do tributo de forma definitiva, independentemente de ajustes posteriores. Neste ponto está a distinção fundamental entre uma sistemática e outra, ou seja, para se saber o regime de lançamento de um tributo, basta compulsar a sua legislação e verificar quando nasce o dever de cumprimento da obrigação tributária pelo sujeito passivo: se dependente de atividade da administração tributária, com base em informações prestadas pelos Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 30/05/2011 por NELSON MALLMANN, 30/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10580.000739/200695 Acórdão n.º 220200.695 S2C2T2 Fl. 3 5 sujeitos passivos (lançamento por declaração), hipótese em que, antes de notificado do lançamento, nada deve o sujeito passivo; se, independente do pronunciamento da administração tributária, deve o sujeito passivo ir calculando e pagando o tributo, na forma estipulada pela legislação, sem exame do sujeito ativo lançamento por homologação, que, a rigor técnico, não é lançamento, porquanto quando se homologa nada se constitui, pelo contrário, declarase à existência de um crédito que já está extinto pelo pagamento. Importante frisar que independente do recorrente ter apresentado ou não declaração de ajuste anual, no meu entendimento esse fato não altera a conclusão, uma vez que se homologaria o procedimento. No caso o procedimento de nada fazer, não declarar e não pagar. No caso concreto notase que o recorrente apresentou declaração de rendimentos no dia 18/04/2001, conforme documentos de fls.57, apurando imposto a pagar. Em suma, no meu entendimento cabe considerar o lançamento do ano de 2000 como decadente. Caso o auto de infração tivesse sido cientificado ao recorrente ainda no ano de 2005, estaria afastada essa hipótese. Ante o exposto, diante da decadência do direito de constituir o crédito tributário para o ano de 2000 sem apreciar as questões de mérito, voto por acolher a preliminar de decadência e declarar extinto o crédito tributário. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 30/05/2011 por NELSON MALLMANN, 30/05/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10880.016824/98-92
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2005
Ementa: DECLARAÇÃO - RETIFICAÇÃO - FORMULÁRIO - SUBSTITUIÇÃO - INADMISSÃO - Não é possível declaração retificadora com o único intuito de alterar o modelo de formulário após o prazo para entrega da DIRPF.
Recurso negado.
Numero da decisão: 102-46.841
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Leila Maria Scherrer Leitão que vota pela substituição do formulário.
Nome do relator: Romeu Bueno de Camargo
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Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por REINALDO GARCIA DE OLIVEIRA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Prirrieiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Leila Maria Scherrer Leitão que vota pela substituição do formulário. A/14-t:-c LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO PRESIDENTE ROMEU BUENO DE CA RELATOR FORMALIZADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NAURY FRAGOSO TANAKA, LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, JOSÉ prlfp MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° Acórdão nO Recurso n° Recorrente 10880.016824/98-92 102-46.841 139.375 REINALDO GARCIA DE OLIVEIRA RELATÓRIO E o Relatório. Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão proferido pela 58 Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo/SP, que manteve o lançamento decorrente de verificação de saldo de imposto a pagar no valor de R$ 312,16. A decisão recorrida, baseada no Ato Declaratório Normativo COSIT n° 24, de 29/10/1996, manteve a exigência fiscal, negando a possibilidade de troca do modelo de formulário após a entrega da declaração de ajuste, como se vê da ementa: "RETIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO EM VISTA DA TROCA DE FORMULÁRIO - Não é permitida a retificação do lançamento, em face do cancelamento de declaração retificadora, visando a troca de formulário, quando este procedimento caracterizar uma mudança de opção." O recorrente, em seu Recurso Voluntário, ratifica os termos da Impugnação, alegando que à época da entrega da declaração, o sistema da Receita Federal haveria apresentado uma mensagem informando que seria mais vantajoso escolher o formulário simplificado, o que, de fato, o fez. Entretanto, após a transmissão da declaração teria percebido que, na verdade, seria mais vantajosa a opção pelo modelo completo. Resolveu então enviar nova declaração de rendimentos, desta vez, no formulário completo. Requer, portanto, o Recorrente que seja considerada esta última declaração em detrimento da primeira, apresentada no formulário simplificado. ~. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° Acórdão nO 10880.016824/98-92 102-46.841 VOTO Conselheiro ROMEU BUENO DE CAMARGO, Relator. O contribuinte traz em seu recurso voluntário as mesmas alegações outrora aduzidas em impugnação. Alega que apresentou duas declarações de rendimentos, a primeira em formulário simplificado e a segunda em formulário completo, e que somente a última deve ser considerada pelo Fisco. A matéria em questão está tratada na Medida Provisória n° 2.189- 49/2001, que repetiu o texto da Medida Provisória n° 1.990-26/99: ''Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. " A Secretaria da Receita Federal, por sua vez e no exercício da competência que lhe foi conferida pela referida Medida Provisória, editou a Instrução Normativa n° 15/2001, cujo art. 57 dita, in verbis: IIArt. 57. Após o prazo previsto para a entrega da declaração, não será admitida retificação que tenha por objetivo a troca de modelo. Parágrafo único. Relativamente às declarações apresentadas até o exercício de 1998, inclusive, será permitida a sua retificação se o contribuinte, obrigado a utilizar o modelo completo, optou pelo modelo simplificado. " À\ 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° Acórdão nO 10880.016824/98-92 102-46.841 Sendo assim, considerando que o Recorrente não estava obrigado a entregar sua DIRPF no modelo completo, não há que se admitir no caso em tela declaração retificadora com o intuito tão-somente de mudar o modelo de formulário. Pelo exposto, conheço do recurso por tempestivo e apresentado na forma da lei, e voto no sentido de manter o lançamento,; negando provimento ao recurso. Sala das Sessões - DF, em 15 de junho de 2005. 4 00000001 00000002 00000003 00000004
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Numero do processo: 10120.004054/96-93
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2002
Numero da decisão: 102-02.086
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em
diligência, nos termos do voto do Relator .
Nome do relator: César Benedito Santa Rita Pitanga
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Matéria: : IRPF - EX.: 1995 : Recorrente ': ALCIDES LUIZ DE SIQUEIRA Recorrida . : DRJ em BRASfLlA - DF Sessão de :.09 DE JULHO DE 2002 RE S O L U CÁ O N°. 102'-2.086 , Vistos, rélatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ALCIDES LUIZ DE SIQUEIRA. , . / RESOLVEM os .Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho ,de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator . . . ~p~ ANTONIO dÉ ~REITAS DUTRA PRESIDENTE. - 44', . ,, /?J~. ' .'" ' CIOSARBENEDITOSA ~ITANGA RELATOR FORMALIZADO EM 2 '''j '1 r' .... ,'1 ("l ~l: ,.] p, ::.<: CUG2 \ . Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros AMAURY MACIEL, VALMIR sANDRI, NAURY, FRAGOSO TANA.KA, MARIA BEATRIZ ANDRADE OE CARVALHO e LEONARDO,HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA (SUPLENTE' • I CONVOCADO). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros LUIZ FERNANDO . OLIVEIRA DE MORAES e MARIA GORETTI DE BULHÓES CARVALHO. . . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo. n°. : 10120.004054/99-93 Resolução nO. : 102-2.086 Recurso . nO.. : 128.795 Recorrente : ALCIDES LUIZ DE SIQUEIRA . \ .' RELATÓRlq \ . • Contra O' Recorrente, em 21 de outubro de 1996, foi emitido Auto de , , ' , ' Infração - Imposto de Renda Pessoa Fisica, fls. 1 a 18, referente ao exercicio ~e1995 (ano-calendário de 1994), tendo sido constituído o crédito tributário no montante de R$ 49.026,69, a segui~ descrito. 'Imposto Juros de Mora Multa Vaior do crédito tributário apurado ..Bl 21~597,66 5.831,37 21.597:66 49.026.69 No Auto de Infração e Termo de Conclusão Fiscal'(fls. 14 a, 18) o'. . Auditór Fiscal relata que o Recorrente omitiu rendimentos, sendo apurado pela fiscalização variação' patrimonial a descoberto, 'caracterizando sinais exteriores de riqueza, ,evidenciada 'pela aquisição do veículo GM VECTRA CD io, conforme nota , " \ . . fiscal nO275.204, de 27/04/94, emitida pela ClCAL S.A. Enquadramento legal: Arts. 1° a 3°, e ~, Art. 8° da Lei 7.713/88; Arts. 10 a 40, da lei 8.134/00; Arts. 4°, 50 e SOda lei nO 8.383/91 elc Art.So e 9 da lei - ' 8.021/90. Multa de ofício de 100%, Art. 4° inciso I, da Lei nO8.218/91. Juros de, mora Art. 54, ~ 20, da Lei n° 8.383 de 1995, Art. 54 ~'2O, Art. 38 e~' 10 da lei nO 9.065/95, Art. 38, ~ 10 da Lei nO 9.065/95, Art. 84 ~ 5° da Lei nO 8.981195. - IMPUGNAÇÃO 2 "~-, y " '\ ' '(,', .' MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA \ Processo n°. : 10120. 004054/96~93 Resolução nO. : 102-2.086 c) Recebido de salários, da esposa, Seco de Educação - 2.549,60 UFIR d) Saldo bancário em 31/12/93 do Banco do Brasil- 3.315,00 UFIR e) Saldo bancário em ,31/12/93 da Cáixa Econômica Federal- 2.745,91 UF'R f) Recebido de salários na Termoeste - 5.141,41 UFIR g) Recebido d~ pessoas físicas, de janeiro ã abril/94 -'2.560,50 UFIR I - DECISÃO DA DRJ Em, 31 de agosto de 2001, através :da DECISÃO DRJJBSA nO,1.434, a autoridade julgadora de primeira instância proferiu a) sua decisão ~antendo o lançamento como procedente em parte, com a segujnte fundamentação: 1. Preliminar, descartdu a alegação do Recorrente de que não lhe foi solicitada, antes do lançamento, a comprovação de origem.dos recursos aplicado~ na aquisição do automóvel Vectra, em conformidade com as intimações e respectivos avisos de recebimento. 2. Para comprovar o r6C9bimento de quantia proveniente da venda a prazo,de uma casa, o Contlibuinte apresentou dois documentos: cópia de compromisso de compra e venda do imóvel e recibo. O primeiro trata-se de contrato particular, firmado em 27/12/1993, prevendo , pagámento de CR$ 8.000.000,00 em 26/04/01 atualizado pela variação da UFIR. Ocorre que, embora haja indicação de reconhecimento de' firma. das assinaturas dos promitentes vendedores e do comprador, ' consta no carimbo do ca~ório a indicação de um único nome e de forma ',ilegível. O recibo, por suaveZ, é assinado pelo interessadá e esposa. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo nO. : 10'120.004054/96-93 Resolução nO. : 102-2.086 3. Normal, no entanto, seria a alegada operação de compra e venda do imóvel ser comprovada por meio de documentos que demonstrassem a - correspondente movimentação financeira dos recursos. Não se deve reconhecer os referidos documentos como prova suficiente para justificar a origem dos recursos aplicados na aquisição do carro, vez que o Recorrente nem sequer comprovou a propriedade do imóvel, pois de acordo com o Art. 333 da Lei 5.869n30 ônus da prova para justificar o acréscimo patrimonial cabia ao contribuinte. 4. Ademais, o Conselho de Contribuintes tem deciqido' que os recursos existentes em 31 de dezembro só podem ser.Considerados- no cálculo da variação patrimonial a partir de janeiro do ano seguinte caso tenham sido declarados 'e comprovados. No presente caSo, a declaração de , ajuste referente ,ao exercício de 1ê95, informando direitos a receber em abrill1994 provenientes da venda da casa, só foi apresentada em 06/12/96, ao tempo que o procedimento fiscal iniciou-se em 04104/96, com int~mação ao contribuinte para apresentar. a referida declaração e foi encerrado em 21/10/96. Dessa. forma, trata-se de informação não espontânea, intempestiva e sem valor de prova. 5. Já a quantia referente a salários líquidos recebidos pelo cônjuge, no períodO de janeiro a abritl94, oriundos da Assembléia Legislativa do Estado de Goiás, no montante de CR$ 1.963,482,60,. deve ser aceita, posto que compro~ada pelas cópias dos contrácheques acostadas às fls. 29/31. 6. Quanto aos salários recebidos pelo cônjuge da Secretaria de Educação, Cultura e Desporto do Estado de Goiás, no montante de CR$ 1.004.755,60, os mesmos não devem ser aceitos como recursos 5 r. MINISTÉRIO ÓA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA ' , . .Processo n°. : 10120.004054/96-93 Resolução nO. : 102-2.086 porque, embora tenham sido apresentadas cópias dos contracheques relativos. ao período de janeiroa abri1/1994, a contribuinte omitiu ~ssa fonte pagadora na declaração do imposto de renda do exercício de 1995. . ( <'9.Exclui-se o valor utilizado como deduç~o a título de dependentes, visto que, por presunção (Lei t:1°8.134/1990), considera-se consumida 8. Os rendimentos líquidos recebidos pelo contribuinte da empresa , . Termoeste Engenharia e Instalações Ltda., nos meses de janeiro a abri1/1994, soma'ndo CR$ 1.832.682,50., devem ser aceitos como . . . origem de recursos,' pois foram tributados e comprovados documentalmente. O referiqo montante origina-se da conversão mensal. . dos salários em cruzeiros reais, descontados o imposto de renda na fonte, I a contribuição previdenciária. e a quantia mensal de oitenta . \ UFIR, utilizada como dedução a título de, dependentes na ~eclaração de ajuste. ,;' , J I ( ~l portanto, justificár acréscimo 6 essa importância, não 'podendo, patrimonial. 7. As contas de poupança do Banco do Brasil e Caixa Econômica . Federal devem' ser desconsideradas, porquanto o contribuinte nãs> trouxe aos autos os documentos mensais, os quais dariam conta das aplicações e dos resgàtes efetuados até o mês de abril/1994. Visto. que necessária seria a comprovação da movimentação e utilização desses recursos quando qo pagamento do 'veículo em abril. de 1994. Nota-Se que o extrato do Banco do Brasil também apresenta saldo em' . . 31/12/1994 'equivalente a' 2.772,51 UFIR, o que pressupõe' não ter havido resgate durante o ano d~ 1994 até esse valor, o que vem a,. , comprovar, portanto, sua invalidade para o fim apresentado. .... . \ ... MINISTÉRIO DÀ FAZENDA . PRIMEIRO CONSE:LHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 10120.004054/96-93 Resolução nO. : 102-2.086 10" Por último a alegada fonte de recursos provenientes "'de recebimentos de pessoas físicas .entre janeiro, e abril de 1994, somando o equivalente a 2.560,50 UFIR, não é de ser aceita por insuficiência de provas . .J 11. Sobre a pretensão do Recorrente de: conve"rter os valores dos. " rendiménto$ recebidos em cruzeiros reais em UFIR, a mesma não deve ser aceita por falta de previsão legal. "" 12. Outra questão avel'ltaqa na impugnação, que o contribuinte tinha, ~rovavelmente, outros saldos banc~ri~s eQl dézembro/1993, ficando de apresentar os comprovantes tão logo os recebesse dos. bancos, deve ser descartaçja, porquanto ele não trouxe. ao processo os documentos comprobatórios desses saldos. 13,' Restando comprovados os rendimentos obtidos pelo cônjuge,Cf3.$ \ 1.963,.482,6d, e do co"ntribuinte, CR$ 1.832.682,50, esses recursos / devem ser deduzidos do valor de. aquisição' do veículo, CR$ 35.184.583,00, o que resulta na variação patrimonial a descobe.rto de '- CR$ 31.388.417,90, em é1bri1/1994, subsistindo, assim o 'Iançamento consubstanciado no Auto de Infração. , \ 14. Por seu tu"rno, a base de cálculo deve sercohsolidada anualmente, pois" tratando-se" de, irregul.aridade fiscal que impõe a cobran~a do imposto sob a forma de' recalhimentomensal, 'faz-se necessária a . apliçação. d,o Art. 1°, da INSRF nO 46/1997, devendo portanto,ser cobrado integralmente 6 imposto por ocasião do ajuste anual. 15. Demonstrou o imposto devido, consoante os ditames da INSRF n° 46/1997, concretizado no montante de R$ '11.406,80.' / "" I RECURSO VOLUNTÁRIO 2. O imóvel que o Recorrente.vendeu. utilizando os recursos da venda.. :nacompra do carro. e~tá lanÇado nas duas declarações de imposto de. 1. Em relação aos documentos apresentados como comprovantes da "enda de. uma casa, as firma~ estão corretamente reconhecidas, conforme se verifica a fi. 72. . ( ~.~ 8 18. O percentual da multa de oficio. aplicado no presente lançamento deve ser reduzidO para setenta e cinco por cento (75%). em face da disposição contida na lei nO9.430/1996,' em seu Art. 44, I, aplicáv.el retroativamente aos atos e .fatos pretéritos não definitivamente julgados. 17. De acordo com a INSRF n° 46/1997, a variação a descoberto é. infração fiscal, devendo o imposto ser integralmente cobrado por, . ocasião do aiuste anual. Esse fato altera. a determinação dos juros de . mora, que deve~ão ser calculados a partir do mês seguinte àdata fixada para entrega tempestiva da declaração de rendimentos' do respectivo. exercicio. .. MINISTÉRIO DA' FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .SEGUNDA CÂMARA . . Processo n~. : 10120.004054/96-93 Resolução nO. : 102":2.086 16. RestÓu claro que houve uma dísponíbi1í;zaçãode renda em no~e do CQntribuinte, caracterizando uma situação definkia em lei como necessária e suficiente para a ocorrênciá do fato gerador do imposto de . .renda. . , Em 25 de outubro de 2001, o Recorrente interpôs "Recurso Voluntário '. apresentando o seu inconformismo por entender que 'as razões constantes' do seu . - . recurso voluntário, são argumentos de fato e de direito, os quais' irão demonstrar o equívoco do auto de infr~ção e da r. Decisão, da qual destacamos o seguinte: MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA, Processo nO. : 10120.004054/96-93 Resolução nO. :'102-2.086 ( renda desde a data da aquisição. O Recorrente juntou ao processo ,o contrato 'de compra e venda com força de escritura, que comprova a , propriedad~ do imóvel. 3. Estâ comprovado pelo contrato, que no dia anterior ao, dia do pagamento do preço do 'carro - CR$ 35.184,,583,00 o Recorrente recebeu a importância de CR$ 40.383.00Q,00,sufiCienté para saldar o compromisso. 4. O que prova a existência dos recursos é a transação que os originou e ela está inteiramente demonstrada e comprovada com docymentos. O fato de não haver entregue tempestivamente sua declaração de imposto de renda, é apenas, uma infração fiscal, pela qual o Recorrente já \ , pagou a sanção legal. 5. Houve a glosa dos recursos recebidos pelo Cônjuge do Recorrente junto à Secretaria de Educação, Cultura e Desporto do Estado de I Goiás, mesmo reconhecendo 'aexistênêia dos respectivos, comprovantes e, a omissão dos ditos rendimentos na sua declaração de imposto de renda já foi suficientemente sancionada. 6. Houve glosa dos recursos recebidos de' pessoa física, . argumentando que faltou provar os rendimentos em datas anteriores à aquisição do veículo. Ainda que os' recursos necessários' ao, pagamento do veículo já estejam sobejame':lte comprovados, o Recorrente não pode aceitar tal glosa, pois recebeu os rendimentos e os declarou, pagando a multa pelo atraso na entrega da declaração. Ainda, a intempestiva apresentação da declaração de 9 , '\ . ! ( I. -. , '. '.. .I r I ,- MINISTÉRIO DA FAzENDA. . '. - " \ PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA ;" \ . Proc:esso nO; 10120.004054/96-93 Resolução nO. 102-2.086 • I. " " \) i ) " :ajuste anual foi, sLlficientemente sancion~da.com a 'imposição da multa. ;..-/ I •,I '.-I " \ I' \ I - I • j.' ,.' . \-: É o Relatório. " /. I :C1..'...../ . f, (, ' ,11 ,- . " }, 1, I, lO .), 'I- \ ' L '. : I.' / -., :. '-. I' . '. • " 1 ,I ; , "'/ . /' -- , I : 'i .,. , lO, " MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA ' Processo nO. : 10120.004054/96-93'- ReSolução n~. : 102-2.086 VOTO Consell?eiro CÉSAR BENEDITO SANTA RITA PITANGA, Relator o Recorrente na comprovação das fontes de rendas para justificar os , ' recursosn~r\os paraa aquistçãodo "e{culo GM VectraCO 2.0 (NF nO,275.204,de 27/04/94} emitida pela CICAL S/A)} apresenta dentre outros documentos, o instrumento particular datado de 27/12/93, referente a compromisso de compra e venda do imóvel residencial, situado na Rua T -27, Qd. 78, lote 07, S. Bueno, constante da sua . I" ". declaração 'de ajuste anual do exercicio de 1995, entretanto, deixou de comprovar a propriedade do' referido imóvel, e o efetivo recebimento dos recursos decorrentes desta. ' v~l'lda. Ainda com o propósito de dirimir qualquer dúvida sobre a venda do imó"e\ em apreço,faz-se necessário"er\f~r a\nc\us~ deste imó"e\ na declaraçãode' , ajuste anual do comprador (Sr. Agenor Vigário da Costa - CPF/MF 014.167.741-49) no exercício de 1995 (ano-ealendário de 1994). Considerando o acima exposto, votá no sentido de converter o processo em (diligência, a sf3r realizada pels unidade de orig~m, com o propósito de induir as informações complementares, que consistem de: - Comprovação de .que o alienante {Sr.Alcídes Luiz de Siqueira) era o propr\etário do imó"el vendido em 21/'\ 2/93 para () Sr., Agenor Vigário' da Costa; . , - CQmprovação inequlvoca do efetivo recebimento do produto da venda dojmóveJ; '. 11 ( , . .( \" ' ',~ ',Certificar-Se .dá que'o adquir~rite (Sr.Agenor Vigário ~a. Cos!a -: " ,: \." " ..: , , "(" CPF/MF 014.167}41-49) contertlPIDU ,9 imóvel em apreço, na sua .) . '- .. ~ '. . .,' , ~ . . . '. " . d~c1aração' de ajuste anual do exercício 'de 1995 (ano:.calendário dê" • "! .- • .\.. .' .' .,.'. , ',' '1994): '''',' ' , '. I, ,. ( '~ .. " l • " , .r. . '. ~,; , ~, .( ,. .'. , '" , :' . .' ~. . /. " \ .~ .-'.- '" ) , .f . t"~- / I • 'i ./ , ;t ,I , \ ' \ . 'I '.',," ." . . I, 12 'I I'.' I ,I ' \ " . I" . I . " /. ; , ,. .:...."" " " . , . .. . . Sala das Sessões - Df, errl09 dejulho'de 2002.1.~iii';1/ .., ..~ 'CÉSAR BENEDITO S~l'~Á RI'TANGA , '.' . .1. ,, , I .>. \ ' l ....., r \ .. , , , '., , . , ) I ;'1 MINISTÉRIO DA FAZENDA . 'PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA . . " .' ,', ProCés~o' nÔ".: ,10120.004054~96-9~ Resolução n°. : 102-?086 /: . ' ~\ , . " • '.1 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012
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Numero do processo: 10865.720305/2008-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO.
O pagamento da estimativa mensal da CSLL realizado em montante superior ao devido com base na receita bruta e acréscimos é passível de compensação mesmo antes de encerado o período de apuração anual.
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2004
SALDO NEGATIVO DE CSLL. COMPENSAÇÃO. MOMENTO.
Inexistindo, na data da transmissão da DCOMP, norma que proíba a
compensação da estimativa de CSLL paga a maior antes de encerado o período de apuração anual, não há razão para exigirse
que o indébito integre o saldo da contribuição a pagar ou a restituir calculado ao final do ano.
Numero da decisão: 1201-000.407
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Rafael Correia Fuso (Relator) e Natanael Vieira dos Santos (suplente convocado). Designado o Conselheiro Marcelo Cuba Netto para redação do voto vencedor.
Nome do relator: Rafael Correia Fuso
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. O pagamento da estimativa mensal da CSLL realizado em montante superior ao devido com base na receita bruta e acréscimos é passível de compensação mesmo antes de encerado o período de apuração anual. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 SALDO NEGATIVO DE CSLL. COMPENSAÇÃO. MOMENTO. Inexistindo, na data da transmissão da DCOMP, norma que proíba a compensação da estimativa de CSLL paga a maior antes de encerado o período de apuração anual, não há razão para exigirse que o indébito integre o saldo da contribuição a pagar ou a restituir calculado ao final do ano. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Rafael Correia Fuso (Relator) e Natanael Vieira dos Santos (suplente convocado). Designado o Conselheiro Marcelo Cuba Netto para redação do voto vencedor. Claudemir Rodrigues Malaquias Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator. (documento assinado digitalmente) Fl. 381DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.720305/200881 Acórdão n.º 120100.407 S1C2T1 Fl. 382 2 Marcelo Cuba Netto Redator designado. (documento assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Antonio Carlos Guidoni Filho (VicePresidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Cuba Netto e Rafael Correia Fuso. Relatório Tratase de pedido de compensação enviado pelo contribuinte em 12/03/2004, objetivando a liquidação de débito de CSLL (código 6773 – estimativa mensal – ajuste anual) com vencimento em 31/03/2004 (período de 2003), com crédito de CSLL, recolhido a maior em 30/04/2003, no valor total da guia Darf de R$ 3.055.910,63 (código 2484). O crédito utilizado no pedido de compensação foi de R$ 1.593.557,45. A fiscalização solicitou ao contribuinte, antes de proferir sua decisão de não homologação, demonstrativo de apuração da CSLL, recolhida a maior e do valor que considera correto. Solicitou ainda a informação se todos os pagamentos da CSLL devida por estimativa realmente são maiores que o devido, uma vez que a CSLL apurada na Ficha 17 da DIPJ/2004 corresponde exatamente ao valor total recolhido por estimativa: R$ 26.373.186,52. Por fim, solicitou também a comprovação da quitação do valor de R$ 10.872.201,99 e sua declaração em DCTF, esclarecendo o que motivou o recolhimento de estimativa a maior. O contribuinte protocolou, em 15/10/2008, petição, apresentando os demonstrativos de cálculos dos tributos IRPJ e CSLL, referentes ao anocalendário de 2003 para os valores recolhidos indevidamente e para os valores apurados e declarados em DIPJ. Transcreve na referida petição que por falha interna a empresa não efetuou a inclusão das devidas informações na DCTF, porém menciona que esse procedimento foi retificado. Menciona também que houve recálculo para o exercício calendário. Visando minimizar eventuais danos financeiros, causados pelos valores recolhidos indevidamente, a empresa efetuou as devidas correções e preencheu os campos da DIPJ já com os valores adequadamente recalculados. Solicitou a dilação de prazo de 20 dias para a apresentação dos Livros Diários do anocalendário de 2003, cumprindo com sua solicitação, sendo lavrado termo de retenção de documentos pela fiscalização. Em despacho decisório, a Receita Federal não homologou a compensação, sob o seguinte fundamento: Fl. 382DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.720305/200881 Acórdão n.º 120100.407 S1C2T1 Fl. 383 3 “O contribuinte pagou R$ 3.055.910,63 relativos à CSLL devida por estimativa no mês de março de 2003 (fl. 83), porém considerou que R$ 1.593.557,45 seriam maiores que o devido (fl. 2) e declarou que os utilizou para compensar parte da CSLL obtida no ajuste anual daquele mesmo anocalendário. O montante de R$ 3.055.910,63 havia sido declarado na DCTF original (fl. 69) e somente após o encerramento do exercício é que houve sua retificação (fl. 68) a fim de reduzilo para R$ 1.462.353,18 (fl. 70), mesmo valor informado na DIPJ/2004 (fl. 79) e gerar o recolhimento indevido. Na DIPJ/2004, consta que a estimativa do mês de fevereiro foi calculada com base na receita bruta (fl. 79), mas no balancete registrado no Livro Diário, o valor da CSLL seria de R$3.055.910,63 (fls. 62 e 63). De acordo com os demonstrativos, houve mudança na forma de apuração da estimativa. Inicialmente havia sido feito a partir de balancetes (fls. 30 a 31) e depois com base na receita bruta (fl. 32): (vide planilha) Observase que com a mudança de metodologia o valor da CSLL apurada foi significativamente reduzida, mesmo sem à dedução do montante devido nos meses anteriores. O art. 2° da Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 permite que a pessoa jurídica sujeita ao lucro real pague o imposto sobre uma base de cálculo estimada: Art. 2° A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1° e 2° do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1° O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2° A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3° A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1° e 2° do artigo anterior. Fl. 383DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.720305/200881 Acórdão n.º 120100.407 S1C2T1 Fl. 384 4 Por sua vez o art. 35 da Lei n.° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 permite a suspensão ou a redução do pagamento devido e 'cada mês, desde que fique demonstrado que o valor acumulado já pago excedia o valor do imposto calculado com base no lucro real do período, inclusive: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1° Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. O contribuinte levantou mensalmente os balanços e recolheu a CSLL deles decorrentes. Mas, na realidade, não eram balanços de redução porque o valor que ia apurando era exatamente o que deveria ser recolhido tanto que na apuração anual o valor da CSLL devida informada na DIPJ/2004 foi de R$ 26.371.186,52 (fl. 78): (vide planilha) Somandose os pagamentos de CSLL efetuados pelo contribuinte durante o ano calendário (fl. 83) obtémse exatamente o valor da CSLL apurada: (vide planilha) Durante o anocalendário, esses recolhimentos poderiam ser maiores que o devido quando comparados com o valor calculado de acordo com o art. 2° da Lei 9.430/96. No entanto, ao encerrar o período e apurar que o valor de CSLL que deveria pagar é exatamente aquele que recolheu não se pode mais falar em recolhimentos a maior. É certo que a legislação permitia que o contribuinte obrigado à apuração pelo lucro real o apurasse somente no dia 31 de dezembro de cada ano, mas deveria efetuar recolhimentos mensais com base em estimativas. Ocorre que o contribuinte, a cada mês, levantou balanços para apurar o lucro real do período e com isso foi obtendo o valor correto da CSLL que deveria ter sido recolhida, motivo pelo qual até os centavos batem. Após o encerramento do período, o contribuinte verificou que o lucro por ele de fato auferido era superior ao calculado de acordo com o art. 2° da Lei n.° 9.430/96, o que implicou o Fl. 384DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.720305/200881 Acórdão n.º 120100.407 S1C2T1 Fl. 385 5 pagamento da CSLL em valor superior àquele que seria obtido sob uma base estimada. Considerou que os recolhimentos era maiores que o devido e encaminhou declarações de compensação para compensar justamente o valor da CSLL resultante do ajuste anual: (vide planilha) A opção pela apuração anual, com recolhimentos mensais por estimativa é dada ao contribuinte haja vista as dificuldades operacionais para a apuração do imposto com base no lucro real. Se, contudo, o contribuinte resolve apurálo mensalmente e o faz de forma correta fatalmente irá antecipar o resultado do final do período. E foi isso que aconteceu. Findo o período, o valor da CSLL paga durante o ano foi exatamente aquela que o contribuinte deveria recolher, nem um centavo a mais ou a menos: (vide planilha) Tanto que o total do crédito indicado nas declarações de compensação R$10.872.201,99 é o mesmo valor que ficou faltando pagar da CSLL no ajuste anual. Portanto, não se pode dizer que o pagamento da estimativa do mês de março foi maior que a devido. Em contrário senso, findo o período de apuração, se o contribuinte apurasse prejuízo no final do período e não houvesse efetuado nenhum recolhimento por estimativa, ele não poderia mais exigido. Acrescentese que como o contribuinte efetivamente pagou a CSLL do ano calendário de 2003, o crédito tributário encontra se extinto, conforme art. 156, I do Código Tributário Nacional. A compensação, como declarada pelo contribuinte e analisada neste processo, pressupõe que ambas as partes sejam credoras e devedoras ao mesmo tempo e o que se observa é que este requisito não é obedecido seja pela inexistência de crédito e de débito por parte do contribuinte seja pela ausência de crédito tributário ou de recolhimento a maior a ser restituído por parte da União. Assim, não é possível a homologação da compensação declarada pelo contribuinte porque não há crédito em seu favor nem crédito tributário em favor da União, pois a CSLL apurada no anocalendário de 2003 já foi extinta por pagamento. Devese, contudo, esclarecer que esse tipo de procedimento não é inócuo, pois permite a correção do valor pago que teria sido "recolhido a maior" pela Selic e o montante . assim obtido é suficiente não só para quitar o tributo obtido na apuração anual como outros tributos, numa forma de planejamento tributário. Fl. 385DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.720305/200881 Acórdão n.º 120100.407 S1C2T1 Fl. 386 6 A contribuinte foi intimada da decisão em 16/01/2009 e apresentou Manifestação de Inconformidade em 05/02/2009, nos seguintes termos: I DOS FATOS a) Apresentou Declaração de Compensação eletrônica (programa PER/DCOMP), informando como origem de crédito valores mensais pagos a maior durante o anocalendário de 2003 referentes ao Imposto de Renda (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para a compensação de débitos próprios, vencidos e vincendos; b) Como as DCOMPs permitem uma única inclusão de origem de crédito (DARF) para realização de cada compensação, foi formalizada uma DCOMP para cada DARF pago a maior. No caso dos autos tratase da origem de crédito referente ao pagamento mensal indevido da CSLL (estimativa) de março de 2003, utilizada para a compensação de parte da CSLL obtida no ajuste anual daquele mesmo anocalendário; c) Para apreciação e julgamento da DCOMP controlada neste processo, a DRF/Limeira procedeu à necessária análise da origem do crédito utilizado na compensação. Constatou corretamente que o crédito utilizado pela Impugnante na compensação declarada tem origem no pagamento a maior que o devido de CSLL (código 2484) relativo a março de 2003; d) Naquele mês, a Impugnante recolheu um DARF no valor de R$ R$3.055.910,63, referente à estimativa de março/2003. No entanto, revendo a apuração da estimativa, identificou que havia recolhido R$ 1.593.557,45 a mais do que o efetivamente devido, conforme DIPJ tempestivamente apresentada; e) Identificado o indébito, a DCTF do período foi retificada para demonstrar o valor correto do débito apurado, assim como a existência de valor indevido (recolhido a maior). f) Com efeito, ao analisar a origem do crédito utilizado pela Impugnante em sua compensação, a DRF/Limeira entendeu que para o anocalendário de 2003 teria havido "mudança na forma de apuração da estimativa. Inicialmente havia sido feita a partir de balancetes (fls. 30 a 31) e depois com base na receita bruta (fl. 51)". Com isso, ainda segundo a autoridade fiscal, "com a mudança de metodologia o valor da CSLL apurada foi significativamente reduzida, mesmo sem a dedução do montante devido nos meses anteriores". g) Assim partindo dessas premissas, contrárias às informações constantes na DIPJ, concluiu a autoridade julgadora que, de fato, a Impugnante teria apurado o lucro real com base em balancetes mensais e por isso não faria jus aos créditos postulados na DCOMP. II DA NULIDADE DA DECISÃO a) Como relatado, a glosa dos créditos é decorrente da mudança de critério de apuração das estimativas mensais da CSLL ultimada ex oficio pelo SEORT da DRF/Limeira que, com suporte apenas em planilhas e demonstrativos, desconsiderou todas as declarações (DCTF e DIPJ) entregues pela Impugnante, no entanto sem desqualificálas ou requalificálas; b) Com efeito, não houve o necessário ato administrativo equivalente ao de lançamento para reconstituir a apuração da CSLL realizada pelo contribuinte no ano de 2003. Fl. 386DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.720305/200881 Acórdão n.º 120100.407 S1C2T1 Fl. 387 7 Isso porque, conforme relato da autoridade julgadora no despacho ora refutado, a Impugnante declarou em DCTF (retificadora) e apurou em DIPJ (original) exatamente os valores indicados na compensação, declarações essas que estão ativas e liberadas nos sistemas informatizados da RFB; c) Noutro giro, no procedimento de constituição do crédito tributário (atribuído ao sujeito passivo por se tratar de tributo sujeito ao lançamento por homologação) a Impugnante informou e confessou débitos nos exatos valores que revelam a existência de pagamento a maior da CSLL; d) Contrariamente ao exposto, este não foi o procedimento ultimando pela DRF/Limeira na apreciação das compensações realizadas, que com base exclusivamente em conjecturas, imaginou que a Impugnante havia formalizado as suas apurações de forma diferente. Prova de que a negativa de crédito não tem fundamento nos fatos é de que a apuração da CSLL, exposta no Despacho Decisório (planilha de fls. 3 do Despacho — Ficha 17), continua idêntica à contida na DIPJ; e) Com efeito, na referida planilha elaborada pelo Fisco, a CSLL mensal paga por estimativa ali informada é de R$ 15.498.984,53, (mesmo valor informado pelo contribuinte da DIPJ), ou seja, a planilha elaborada pela autoridade aniquila seus próprios argumentos, pois reconhece como estimativas devidas e aproveitadas no anocalendário 2003 exatamente o valor informado pela Impugnante na DIPJ, valor que em confronto com seus recolhimentos justifica a existência valores excedentes, indébitos, que foram pleiteados e compensados; f) Da mesma forma, é incoerente a decisão ora combatida ao alegar a inexistência de débito (crédito tributário em favor da União) uma vez que a DIPJ original, não contestada pela autoridade julgadora registra um valor de R$ 10.872.201,99, o que comprova a existência de pagamento a maior; g) Ademais, não é possível que o Fisco modifique a DIPJ da Impugnante apenas com uma planilha e ilações sobre procedimentos que ela teria adotado. É necessário que efetue o lançamento! Na mesma linha, é preciso registrar que também não houve alteração promovida pelo Fisco nos valores confessados via DCTF. Verificada a declaração referente ao mês de março de 2003, temse que o valor informado a débito de CSLL é de R$ 1.593.557,45, com um pagamento vinculado no valor R$ 3.055.910,63. Segundo a declaração apresentada, não desconstituída pelo agente do Fisco, está evidenciada a existência de valor recolhido a maior; h) Nesse sentido, para que a autoridade examinadora negasse a existência de crédito, era imperioso que a DCTF fosse retificada ex officio, através de ato administrativo formalmente elaborado que servisse para alimentar os sistemas da RFB, o que, no caso, não ocorreu; i) Ora, mutatis mutandis, é o que deveria ter sido feito no presente caso, uma vez que qualquer alteração nos valores tidos como devidos, previamente informados no binômio DCTF/DIPJ, só poderia ser ultimada com a edição de ato administrativo de ofício, sob pena de nulidade de qualquer outro procedimento adotado; j) O reconhecimento do direito ao crédito e da homologação das compensações não poderiam ser sumariamente negados, ainda que fosse possível considerar válida a linha de raciocínio da autoridade prolatora do despacho propondo o indeferimento. Ou Fl. 387DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.720305/200881 Acórdão n.º 120100.407 S1C2T1 Fl. 388 8 seja, não basta só o argumento de que a Impugnante teria num primeiro momento apurado a estimativa da CSLL com base em balancetes mensais, sendo que somente em um segundo momento reformulou a sistemática de apuração da estimativa para receita bruta; k) Era necessário procedimento de ofício para desconstituir o que está na DIPJ e na DCTF, declarações que, no entanto, continuam válidas na forma apresentada pela empresa, sem qualquer retoque, ainda mais que a escolha do método de apuração das estimativas está no campo das opções do contribuinte, sendo defeso ao Fisco qualquer interferência no processo de seleção dessas opções; l) Ademais, no caso específico da estimativa, tratase de opção que é exercida somente com a entrega da DIPJ (esta nunca retificada pela Impugnante), uma vez que durante o ano somente são realizados os recolhimentos a título de antecipação. Tanto é assim que o código de receita para recolhimento da estimativa da CSLL (2484) é único, não havendo distinção entre a sua forma de apuração (via balancete ou receita bruta), o que permite que, a cada mês, seja feita a opção de apurar a estimativa mensal através dos balancetes ou pela receita bruta; m) De todo o exposto, pela ausência das formalidades legais necessárias à exigência de crédito tributário, especialmente pelo desrespeito ao comando contido no artigo 142 do CTN, deve ser decretada a imprestabilidade do despacho decisório ora refutado. III DO MÉRITO a) Não há óbice na legislação tributária para repetição de valores pagos indevidamente, aliás, na inteligência do art. 165, incisos I e II do CTN, o direito ao crédito independe de prévio protesto. Nesse sentido, tratandose de valor recolhido a título de estimativa, não aproveitado na apuração do valor de CSLL a recolher, é evidente a existência de direito a restituição do indébito; b) Assim, os valores a título de estimativa recolhidos em montante superior à opção de cálculos exercida pelo contribuinte (receita bruta ou balancete), são considerados indébitos passíveis de restituição ou compensação com a incidência de juros SELIC desde o mês subseqüente ao do pagamento; c) Afirma ainda que o débito liquidado mediante a compensação, declarada neste processo, deve ficar com a exigibilidade suspensa, nos termos do art. 74, § 9° e 11, da Lei n° 9.430/96; IV DO PEDIDO a) Ante o exposto, demonstrada a total improcedência e precariedade do Despacho Decisório proferido pela DRF/Limeira, requer seja conhecida e provida a presente Manifestação de Inconformidade, declarandose a ineficácia do referido despacho, a fim de que seja reconhecido integralmente o direito creditório da Impugnante com a conseqüente homologação da compensação declarada, controlada nos autos do presente processo administrativo. A DRJ de Ribeirão Preto julgou a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão de não homologação da compensação com a seguinte ementa: Fl. 388DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.720305/200881 Acórdão n.º 120100.407 S1C2T1 Fl. 389 9 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO • Anocalendário: 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. EFEITOS. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO PARA EXIGÊNCIA FISCAL DE QUANTIAS INDEVIDAMENTE COMPENSADAS. O ato administrativo de não homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é apto, por si só, para produzir os efeitos de direito, dentre eles o de exigência da parcela do débito fiscal indevidamente compensado, em face da legislação de regência atribuir à declaração de compensação o caráter de confissão de 'dívida. Em decorrência, não se faz necessário o lançamento para fins de exigência do crédito tributário, nem tampouco sua ausência vicia o ato nãohomologatório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 CSLL. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO CALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO. Os recolhimentos mensais da CSLL calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, as denominadas estimativas, não caracterizam pagamentos do tributo a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do anocalendário, mas sim meras antecipações. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador da contribuição sobre o lucro líquido da pessoa jurídica optante pelo regime de tributação anual. Do confronto entre o montante antecipado ao longo do ano calendário e o quantum do tributo apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de contribuição social sobre lucro líquido a pagar ou saldo negativo de CSLL, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de 10 de janeiro subseqüente. Eventuais diferenças, a maior, de estimativas recolhidas podem ser compensadas com estimativas mensais devidas ao longo do anocalendário em curso, dada a mesma natureza de antecipação, não, porém, com qualquer outro tipo de dívida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada da decisão em 17 de março de 2010, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, em 13 de abril de 2010, alegando em síntese que: Fl. 389DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.720305/200881 Acórdão n.º 120100.407 S1C2T1 Fl. 390 10 I IMPRESTABILIDADE DA DECISÃO RECORRIDA — NECESSIDADE DE LANÇAMENTO PARA ALTERAR A APURAÇÃO DA CSLL a) Como relatado, a glosa dos créditos é decorrente da mudança de critério de apuração das estimativas mensais da CSLL ultimada ex oficio pelo SEORT da DRF/Limeira que, com suporte apenas em planilhas e demonstrativos, desconsiderou todas as declarações (DCTF e DIPJ) entregues pela Recorrente, no entanto sem desqualificálas ou requalificálas. Com efeito, não houve o necessário ato administrativo equivalente ao de lançamento para reconstituir a apuração da CSLL realizada pelo contribuinte no ano de 2003; b) Isso porque, conforme relato, da autoridade julgadora, no despacho ora refutado, a Recorrente declarou em DCTF (retificadora) e apurou em DIPJ (original) exatamente os valores indicados na compensação, declarações essas que estão ativas e liberadas nos sistemas informatizados da RFB. Noutro giro, no procedimento de constituição do crédito tributário (atribuído ao sujeito passivo por se tratar de tributo sujeito ao lançamento por homologação) a Recorrente informou e confessou débitos na DIPJ nos exatos valores que permitem inferir a existência de pagamento a maior da CSLL estimativa, o que faz surgir a necessidade de um ato administrativo (lançamento), que desqualifique os valores por ela informados; c) Na tentativa de refutar a necessidade de lançamento prévio para retificação das informações declaradas em DIPJ, a DRJ/Ribeirão Preto aduz que o lançamento não seria necessário, uma vez que no âmbito da compensação tributária a declaração de compensação configura confissão de dívida e por essa razão não haveria necessidade de constituição do crédito tributário. Ora, como já relatado em tópico precedente, a premissa do Acórdão recorrido está equivocada! É certo que para exigência do débito declarado em DCOMP não há necessidade do lançamento; d) No entanto, no caso dos autos a discussão reside no direito ao crédito, que quando lastreado em declaração anterior, no caso DIPJ, para ser alterado depende de ato de oficio da administração tributária! Em outras palavras, para desqualificar informações prestadas em DIPJ é necessário o lançamento! e) Vale dizer, o crédito está fundado na apuração da CSLL constante da declaração anual desse imposto. Uma vez exercida a atividade de antecipar recolhimentos e prestar informações nos termos do art. 150 do CTN, cabe à administração tributária homologá la ou não. Nesse sentido, a DIPJ apresentada revela que valores recolhidos a título de estimativa não compuseram a apuração da CSLL a pagar do ano de 2003. Essa a origem do crédito postulado, valores (estimativas) pagos a maior não utilizados no cômputo da CSLL 2003; f) Para negar o crédito sob o argumento de que a DIPJ estaria incorreta e deveria ser alterada, a DRF/Limeira necessariamente deveria ter procedido a retificação de ofício via lançamento. Somente com a retificação da DIPJ poderseia falar em inexistência ou insuficiência de crédito utilizado na compensação; g) Assim, era necessário procedimento de ofício para desconstituir o que está na DIPJ e na DCTF, declarações que, no entanto, continuam válidas na forma apresentada pela empresa, sem qualquer retoque, ainda mais que a escolha do método de apuração das estimativas está no campo das opções do contribuinte, sendo defeso ao Fisco qualquer interferência no processo de seleção dessas opções; Fl. 390DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.720305/200881 Acórdão n.º 120100.407 S1C2T1 Fl. 391 11 II DO RECOLHIMENTO DAS ANTECIPAÇÕES MENSAIS — OPÇÃO DO CONTRIBUINTE h) Afirma que está equivocada a decisão da DRJ/Ribeirão Preto, uma vez que confunde o momento da opção pelo regime de tributação (real, presumido ou arbitrado) com o regime de apuração de estimativas mensais. Com efeito, no caso específico da estimativa, trata se de opção que é exercida somente com a entrega da DIPJ (esta nunca retificada pela Recorrente), uma vez que durante o ano somente são realizados os recolhimentos a título de antecipação. i) Tanto é assim que o código de receita para recolhimento da estimativa da CSLL (2484) é único, não havendo distinção entre a sua forma de apuração (via balancete ou receita bruta), o que permite que, a cada mês, seja feita a opção de apurar a estimativa mensal através dos balancetes ou pela receita bruta. Basta verificar na DIPJ que, a cada mês o programa gerador da declaração solicita a informação sobre qual modalidade calcular a estimativa devida (receita bruta ou balancete de suspensão e redução); j) Ademais, o reprise assentado pelo Acórdão recorrido além de demonstrar o desconhecimento sobre o regime de apuração da estimativa e a sua informação na DIPJ, reforça a necessidade de lançamento tributário para que o crédito fosse indeferido. Com efeito, as estimativas declaradas na DIPJ da empresa (que permanece inviolada) é que restaram desnaturadas pela DRF/Limeira, sem que fosse ultimado o necessário lançamento; k) Por fim, não se alegue como pretendeu a DRF/Limeira, que o exercício das opções de recolhimento de estimativa da forma como exercidos pela Recorrente, seriam fruto de planejamento tributário. Repitase que a DIPJ da Recorrente é original, não retificada, e a apuração da CSLL não sofreu qualquer modificação. Portanto não se trata de engenharia ou planejamento tributário, mas apenas de exercício da opção, faculdade conferida por lei; l) De todo o exposto, pela ausência das formalidades legais necessárias à exigência de crédito tributário, especialmente pelo desrespeito ao comando contido no art. 142 do CTN, deve ser decretada a imprestabilidade do Acórdão Recorrido ora refutado; III DO PAGAMENTO INDEVIDO DE CSLL E A POSSIBILIDADE JURÍDICA DE SE PLEITEAR A RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO m) A obrigação tributária de recolher estimativas, como toda obrigação pecuniária, tem um critério quantitativo que delimita o montante necessário à satisfação da obrigação. Assim, qualquer valor pago acima do previsto no critério quantitativo enseja o direito à sua restituição, uma vez que tal valor não integra a obrigação tributária. O ordenamento pátrio reconhece o limite do critério quantitativo, ex vi, do art. 2° e §§ da Lei 9.430/96, verbis: Art. 2° A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação,, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1° e 2° do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro Fl. 391DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.720305/200881 Acórdão n.º 120100.407 S1C2T1 Fl. 392 12 de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995. (...) § 4° Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (..) IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (negrito acrescido) n) A regra acima transcrita e destacada limita a dedução do imposto de renda, devido ao fim do exercício, somente às estimativas apuradas na forma da lei. Ora, seguindo a mesma linha de raciocínio exposta, as estimativas pagas que não observaram a forma prevista em lei (no caso o art. 2° da Lei n.° 9.430/96 acima transcrito) não podem ser informalmente alocadas de oficio, para determinação do saldo de imposto de renda a pagar, apenas com o efeito de propiciar a negativa do direito à compensação, uma vez que o valor apurado a recolher na DIPJ ainda permanece inalterado; o) Nesse sentido caminha a jurisprudência administrativa, como se vê da ementa abaixo: Numero Recurso: 152057 ARF/MGU Câmara: QUINTA CÂMARA Numero Processo: 14033.000218/200512 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO Recorrente: CENTRAIS ELÉTRICAS BRASILEIRAS S.A. Recorrida/interessado: 4a TURMA/DRJBRASILIA/DF Data da Sessão: 17/08/2006 Relator: José Clóvis Alves Decisão: Acórdão 10515943 Resultado: DPU DAR PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA A MAIOR QUE O DEVIDO O valor do recolhimento a título de estimativa maior que o devido segundo as regras a que está submetido o lucro real anual, é passível de compensação/restituição, a partir do mês seguinte. O valor que Fl. 392DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.720305/200881 Acórdão n.º 120100.407 S1C2T1 Fl. 393 13 está vinculado à apuração no final do ano é a estimativa recolhida de acordo com a legislação de regência do referido sistema. Recurso provido. (destaques acrescidos) p) Dessa forma, na linha da citada jurisprudência administrativa, os valores a título de estimativa recolhidos em montante superior à opção de cálculo exercida pelo contribuinte (receita bruta ou balancete), são considerados indébitos passíveis de restituição ou compensação, com a incidência de juros SELIC desde o mês subseqüente ao do pagamento; q) Ademais, a compensação eletrônica, que hoje é regra, teve sua instituição através da Instrução Normativa n°. 376/03 (que aprovou o Programa PER/DCOMP 1.2) e trouxe as regras gerais de compensação tratando inclusive dos códigos de receita passíveis de restituição/compensação. Posteriormente, editouse diversas Instruções Normativas, para alterar apenas a versão do Programa PER/DCOMP, mas mantendose a essência da norma que o instituiu; r) Assim, tendo em vista que as estimativas são recolhimentos enquadrados no gênero IRPJ e CSLL, e há recolhimentos a maior além dos valores devidos (indébitos), e que as normas da SRF, à época vigentes autorizavam a restituição e compensação, deverá ser afastado o despacho decisório proferido, a fim de que se homologue a compensação efetuada pela Recorrente; IV DO PEDIDO s) Em seu pedido, requereu a reforma da decisão recorrida, mediante o provimento do Recurso Voluntário interposto. É o relatório! Voto Vencido Conselheiro RAFAEL CORREIA FUSO O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Inicialmente, quanto à necessidade do lançamento fiscal alegada pelo Recorrente, informo que em princípio, não há interesse jurídico da Fazenda Nacional em proceder com a referida cobrança nos termos do artigo 142 do CTN, visto que em razão do ajuste, não se apurou tributo a recolher. Daí, exigir da Fazenda Nacional um ato sem qualquer interesse econômico e jurídico é imputar a ela o denominado crime de excesso de exação, visto que após o fim do ano calendário de 2003, não houve diferença de imposto recolhida a menor, ou seja, não ocorreu a inexistência de pagamento de tributo no fim do anocalendário. Com isso, rejeito o pedido do contribuinte quanto à necessidade da realização de lançamento de ofício. Quanto à tese de imprestabilidade da decisão recorrida, entendo que também não assiste razão o Recorrente. Fl. 393DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.720305/200881 Acórdão n.º 120100.407 S1C2T1 Fl. 394 14 Primeiro, a fiscalização não nega o crédito sob o argumento de que a DIPJ estaria incorreta e deveria ser alterada, pois a essência da negativa do crédito se dá em razão da impossibilidade de se fazer a compensação do imposto após o encerramento do ano calendário de 2003, haja vista já ter sido feito o ajuste quando da compensação, não havendo saldo negativo e imposto a pagar. Ainda que se adotasse a apuração pela receita bruta feita pelo Recorrente, procedimento esse modificado em 2004, considerando os termos do artigo 2° da Lei n.° 9.430/96, tal mudança somente ocorreu após o fim do exercício de 2003, quando já havida sido feito o ajuste e constatado que aquilo que havia sido recolhido nos termos do balancete mensal, era exatamente o valor que havia sido declarado em DIPJ em 2004, com a retificação da DCTF no mesmo período. Se no ajuste anual não houve saldo negativo nem imposto a pagar, não há como dizer que os valores recolhidos pelo contribuinte no ano de 2003 são passíveis de compensação. Somente seria compensável se o contribuinte tivesse no mês subseqüente ao recolhimento, constatado que pela receita bruta o imposto seria menor, o que não foi o caso. Ademais, como bem definiu o acórdão recorrido, a regra de apuração da CSLL com base no lucro real se dá nos trimestres civis do ano calendário, mediante o levantamento de balanços patrimoniais e elaboração de demonstrativos de resultados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro, conforme prescreve o artigo 220 do Regulamento do Imposto de Renda — RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, que é tomado por empréstimo pelas normas de apuração e pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL). Da mesma forma, a apuração anual é uma alternativa dada pelos artigos 222 e 223 do RIR, que, para o seu exercício, requer pagamentos mensais calculados sobre base de cálculo estimada, isto é, determinados mediante a aplicação do percentual de doze por cento sobre receita bruta auferida mensalmente. Com isso, exercida a opção, com o pagamento do tributo correspondente ao mês de janeiro ou do início de atividade, a pessoa jurídica somente poderá suspender ou reduzir os recolhimentos devidos em cada mês se demonstrar, através de balanços e balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do tributo, calculado com base no lucro real do período em curso (RIR199, art. 230). O que não se trata do caso dos autos, pois a mudança de critério somente foi declarada no ano subseqüente, quando da retificação da DCTF do período de 2003 (em 12/03/2004) e da entrega da DIPJ em 2004 (em 28/04/2004). E mais, a utilização de balancetes mensais para a apuração e recolhimento da CSLL foi uma opção do contribuinte, tanto é que procedeu com os devidos registros dos balancetes no Livro Diário. Portanto, há nítido erro na premissa do contribuinte quando alega que na estimativa é possível mudar ou alternar o procedimento de apuração do tributo. Somente seria possível sua mudança no caso do disposto do disposto no artigo 230 do RIR, dentro do ano calendário de 2003. Fl. 394DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.720305/200881 Acórdão n.º 120100.407 S1C2T1 Fl. 395 15 É fato que a Receita Federal do Brasil veio coibir esse tipo de “planejamento tributário”, considerado por alguns colegas como planejamento inverso, quando editou a da Instrução Normativa n° 460/2004 e a Instrução Normativa n° 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008, até à publicação da Instrução Normativa n° 900/2008. Contudo, conforme se pode observar a referida legislação ora transcrita não pode ser aplicada aos fatos geradores em discussão, visto serem anteriores à vigência dessas regras. Vejamos a legislação ora mencionada: IN n° 460/2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. IN n° 600/2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Também é fato que as antecipações deveriam necessariamente, conforme Ato Declaratório Normativo SRF n° 03/2000, serem confrontadas primeiro com o tributo determinado na apuração anual, para depois ser considerado saldo negativo, passando à categoria de indébito tributário, sujeitandose à taxa de juros Selic a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês Fl. 395DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.720305/200881 Acórdão n.º 120100.407 S1C2T1 Fl. 396 16 de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Por isso, para resolvermos essa questão devemos investigar se o valor recolhido pelo contribuinte no período do ano calendário de 2003 até ajuste e a compensação podem ser considerados como pagamento a maior. Em nosso entendimento, para se configurar o pagamento a maior de um tributo, deve ser confirmado nos autos se no momento do pedido de compensação, ressarcimento ou restituição esse suposto crédito tributário apresentava a característica e natureza jurídica de pagamento a maior, nos termos do artigo 165, inciso I, do CTN. Se no momento em que o contribuinte pleiteou a compensação ou restituição a natureza jurídica do pagamento a maior não era mais de pagamento a maior, diante do ajuste anual, temos para nós que esse pagamento passou assumir a figura jurídica de pagamento devido desde o seu início (data do seu recolhimento), assumindo a condição de elemento extintivo da obrigação tributária. Com isso, se não se apurou saldo negativo do tributo, não há como reconhecer que os pagamentos feitos pela Recorrente com base em balancetes mensais no ano de 2003, guardavam características ou natureza jurídica de pagamento indevido quando se realizou a compensação em 2004, com a retificação das DCTFs em março de 2004, visto que já havia a extinção do crédito tributário pelo pagamento diante da realização do ajuste. E mais, como sabido, na estimativa, apurado, ao final do anocalendário, o tributo devido no ano, mediante o levantamento do balanço em 31 de dezembro, dele deduzse, entre outros elementos, as antecipações efetuadas. Na hipótese de existir com a soma das antecipações valor que ultrapasse o valor feito com base no ajuste anual, estará caracterizada a figura do saldo negativo de contribuição social sobre o lucro líquido. Assim, somente poderá se falar em pagamento a maior se a contribuinte veio apurar saldo negativo de CSLL, passível, portanto, de restituição ou compensação. Como bem identificado pela decisão recorrida, na ficha 17, linha 36, da Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ), fl. 78, a base de cálculo da CSLL apurada em 31 de dezembro de 2003 é da ordem de R$ 293.013.183,50. Na mesma ficha 17, a referida base de cálculo gerou contribuição social sobre o lucro líquido na quantia de R$ 26.371.186,52 que, deduzido dos valores mensais pagos por estimativa, resultou CSLL a pagar na importância de R$ 10.872.201,99. Dessa forma, está demonstrada na DIPJ que a Recorrente entregou aos cofres públicos, mediante doze recolhimentos mensais com o código de receita n° 2484, afeto a estimativas de pessoas jurídicas obrigadas ao lucro real, a quantia de R$ 26.371.186,52. Fl. 396DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.720305/200881 Acórdão n.º 120100.407 S1C2T1 Fl. 397 17 Observese da análise dos números acima que, ao se encerrar o período e apurar o valor de CSLL que deveria pagar, apurouse que o montante que a contribuinte recolheu no decorrer do ano calendário é exatamente igual ao valor que deveria ter recolhido, consoante ficha 17 da DIPJ/2004, ou seja, não há que se falar em saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2003. No caso dos autos, como bem identificado pela DRJ, a contribuinte não busca a compensação de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2003, mas sim dos "excessos" mensais de estimativa, dentre os quais o do mês de fevereiro julgamento. Para tanto a contribuinte acabou, via declarações DIPJ e DCTF, dividindo o valor da CSLL anual, na ordem de R$ 26.371.186,52, em duas parcelas; uma de R$ 15.498.984,53, nominandoa de estimativas pagas e outra de R$ 10.872.201,99, a ser paga a título de ajuste anual, muito embora, repitase, as estimativas efetivamente pagas ao longo do anocalendário foram de R$ 26.371.186,52. Com a entrega da PER/DCOMP, na qual está indicado compensação do alegado excesso do mês de março com parte da parcela do ajuste, fechouse o ciclo naquilo que pensou a contribuinte, atualizou os supostos recolhimentos indevido a maior e compensou com CSLL a pagar. Assim, pelo procedimento adotado, percebese que os apontados excessos mensais tendem a anular o ajuste anual, de tal sorte que nada remanesça a pagar em 31/03/2004, data de vencimento da CSLL do anocalendário de 2003. Nesse sentido, vejamos a jurisprudência do extinto Conselho de Contribuintes: Processo: 103800124700016 Recurso atual 157525 REGISTRO NÚMERO 1183 Contribuinte: SUPER FILME COMERCIAL LTDA Recurso original/ Conselho / Câmara original : 157525 / 1CC /SÉTIMA TURMA ESPECIAL Tipo Recurso RECURSO VOLUNTÁRIO (RV) Tributo / Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL/LL Data Julgamento 21/10/2008 No. do acórdão 19700051 Cons. Relator LEONARDO LOBO DE ALMEIDA Decisão do colegiado: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 1996, 1997 Ementa: COMPENSAÇÃO CSLL PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA as estimativas mensais, ainda que pagas em valor superior ao calculado na forma da lei, não s e caracterizam, de imediato, como tributo indevido ou a maior passível de restituição. A opção pelo pagamento mensal por Fl. 397DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.720305/200881 Acórdão n.º 120100.407 S1C2T1 Fl. 398 18 estimativa difere para o ajuste anual a verificação da regularidade dos pagamentos efetuados. PAF PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, deve ser inferido o pedido de realização de perícia, principalmente quando este não satisfaz os requisitos previstos na legislação. A ausência de débito a pagar ficou consignado da decisão recorrida, que bem observou: É que a autoridade fiscal expressamente declarou que não há crédito tributário em favor da União, "pois a CSLL apurada no anocalendário de 2003 já foi extinta por pagamento". Não há nos autos prova da alegada cobrança, porém, existe o informe de fl. 123 indicando débito fiscal a título de ajuste (código de receita n° 6773), na quantia de R$ 1.827.408,26, exatamente aquela que a contribuinte indicou na PERD/DCOMP (fl. 04) para ser compensada com o valor recolhido "em excesso" de estimativa. Cumpre consignar, portanto, que uma vez não acatada a pretensão da contribuinte, igualmente, e em decorrência, não há falar na exigência de valores por conta de ajuste anual, é dizer, o débito da CSLL do anocalendário de 2003 (ajuste) declarado na PERD/DCOMP não pode ser exigido, salvo se estiver tratando de confissão suplementar de dívida. Por fim, quanto à suspensão da exigibilidade crédito tributário em razão da interposição do Recurso Voluntário, destacase que tal suspensão decorre da própria legislação em vigor. Diante do exposto, conheço do Recurso, para no mérito NEGARLHE provimento. RAFAEL CORREIA FUSO Relator (documento assinado digitalmente) Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Redator Designado. Em que pese as razões expostas pelo ilustre relator, peço licença para dele divergir, e apenas quanto ao mérito. O art. 2º da Lei nº 9.430/96, a seguir transcrito, estabelece que as pessoas jurídicas que optarem pela apuração do IRPJ com base no lucro real anual ficam obrigadas a realizar pagamentos mensais por estimativa, calculados a partir da receita bruta e acréscimos, a título de antecipação do imposto devido ao final do período. Fl. 398DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.720305/200881 Acórdão n.º 120100.407 S1C2T1 Fl. 399 19 Art. 2° A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1° e 2° do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995. § 1° O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2° A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3° A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1° e 2° do artigo anterior. (...) Ocorre que o art. 35 da Lei nº 8.981/95, adiante transcrito, facultou àqueles contribuintes reduzirem ou suspenderem os referidos pagamentos mensais de IRPJ calculados com base na receita bruta e acréscimos, desde que demonstrem, através de balancetes mensais, que o somatório daqueles pagamentos excede o imposto devido com base no lucro real do período em curso: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1° Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. (...) De ver que em relação à CSLL valem as mesmas regras de apuração ora mencionadas, desde que o contribuinte, como no caso sob exame, tenha optado pela apuração anual do IRPJ. Pois bem, pela análise das normas acima transcritas é possível concluir o seguinte: Fl. 399DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10865.720305/200881 Acórdão n.º 120100.407 S1C2T1 Fl. 400 20 a) o contribuinte que optar pelo lucro real anual tem a obrigação de realizar pagamentos mensais de IRPJ e CSLL, cujo montante é calculado com base na receita bruta e acréscimos; b) tal obrigação, entretanto, pode ter seu montante reduzido, ou mesmo ser suspensa, caso o contribuinte demonstre que o somatório das estimativas pagas com base na receita bruta e acréscimos, até determinado mês, excede o valor do IRPJ ou da CSLL devidos com base no lucro real ajustado, calculado até aquele mês. Em outras palavras, a obrigação de pagar a estimativa mensal de IRPJ ou CSLL tem como montante máximo um valor calculado a partir da receita bruta e acréscimos. A apuração do lucro real do período em curso, mediante o levantamento de balancete, tem o condão de reduzir o montante daquela obrigação, ou mesmo suspendêla, mas nunca o de atribuir ao contribuinte obrigação de pagar estimativa de IRPJ ou CSLL em montante superior ao calculado com base na receita bruta e acréscimos. Assim sendo, o pagamento de estimativa de IRPJ ou de CSLL realizado em montante superior ao legalmente exigido à extinção da obrigação é considerado pagamento maior que o devido, ainda que apurado através de balancetes. No caso sob exame a ora recorrente, optante pelo lucro real anual, levantou balancete mensal e pagou a CSLL devida com base no lucro líquido do período em curso, ajustado pelas adições, exclusões e compensações previstas na legislação da contribuição. Posteriormente, percebeu que o montante da CSLL assim calculado e pago era superior ao devido com base na receita bruta e acréscimos. Assim, em face de tudo o que foi visto acima, e por força do disposto no art. 165 do CTN, combinado com o art. 74, caput, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, concluise que a contribuinte tem direito a compensar a CSLL por estimativa paga a maior. Quanto à possibilidade dessa compensação ser realizada antes de encerrado o período base anual, é de se dizer que a Instrução Normativa SRF nº 210/2002, vigente em 12/03/2004, data da transmissão da DCOMP sob exame, não o proibia, razão pela qual devese ter por permitida. Por fim, como não estavam em vigor à época da transmissão da referida DCOMP, desnecessário adentrar ao exame da legalidade do art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 460/2004, e do art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, que passaram a proibir a compensação da estimativa de IRPJ e CSLL paga a maior antes de encerrado o período base anual. Ressaltese ainda que o art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 900/2008, atualmente em vigor, aboliu tal proibição. Tendo em vista o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 400DF CARF MF Emitido em 26/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO Assinado digitalmente em 26/04/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, 25/04/2011 por RAFAEL CORREIA FUSO, 21/04/2011 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 10845.002587/2001-01
Turma: Sexta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2007
Numero da decisão: 106-01.440
Decisão: RESOLVEM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti
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RESOLVEM os Membros da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. • ANA'..? REIS PRESIDENTE i(44401: OBBRTA DE AZE DO FERREIRA PA TTI 1 RELATORA FORMALIZADO EM: 28 JAN 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros LUIZ ANTONIO DE PAULA, ANA NEYLE OLÍMPIO HOLANDA, CÉSAR PIANTAVIGNA, LUMY MIYANO MIZUKAWA, FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ (Suplente) e ISABEL APARECIDA STUANI (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro GONÇALO BONET ALLAGE. MHSA - 1 1 . MINISTÉRIO DA FAZENDA-.1.--.;;; viv,,,4; ia PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES *PÁ, <tr,;:;\09,› SEXTA CÂMARA '---; - eg. I Processo n° : 10845.002587/2001-01 Resolução n° : 106-01.440 Recurso n° : 149.858 Recorrente : MARA RUDGE RELATÓRIO Trata-se de lançamento efetuado em face de Mara Rudge (cf. Auto de Infração de fls. 2/4) para exigência de IRPF em razão da revisão de sua Declaração de Ajuste Anual relativa ao exercício de 2000. No lançamento, foram alterados os valores declarados pela contribuinte a título de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, bem como os valores declarados a título de IRRF. A revisão da declaração implicou na exigência de imposto suplementar no valor de R$ 9.445,35. Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1, na qual alega que os rendimentos tidos por omitidos foram, na verdade, recebidos de pessoas físicas e que os valores recebidos da Sociedade Santamarense Benef. Guarujá, do Fundo Sabesp de Seguridade Social e da Unimed de Guarujá estavam sendo exigidos em duplicidade. Afirmou que já haviam sido efetuado outros dois lançamentos pelo mesmo motivo e que pretendia alterar a forma de declarar seus bens a partir de então. Os membros da DRJ em Santa Maria mantiveram o lançamento ao entendimento de que sem a apresentação das provas necessárias, não poderiam ser acolhidos os pedidos da contribuinte. Contra tal decisão, a contribuinte apresenta o Recurso Voluntário de fls. 23 e seguintes, no qual alega: - que efetuou sua impugnação de acordo com orientações fornecidas por um auditor fiscal que a orientou no CAC, alegando que com a narrativa dos fatos teria êxito em sua impugnação; - que por desconhecimento lançou as fontes pagadoras de seus rendimentos em campo indevido; - que os rendimentos lançados no campo 1 de sua declaração não,i4 - 2 q? - ;Igeç.h. MINISTÉRIO DA FAZENDA •AINW:rt PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4;tt, SEXTA CÂMARA Processo n° : 10845.002587/2001-01 Resolução n° : 106-01.440 poderiam ser exigidos também no campo 2 da mesma, sob pena de bi-tributação; - que os rendimentos por ela declarados são exatamente aqueles constantes dos comprovantes emitidos pelas fontes pagadoras, como demonstra a documentação acostada aos autos; - que estava convicta de que havendo demonstrado que cometera mero erro de alteração de campo, a autoridade lançadora revisaria o lançamento e exigiria dela somente a diferença do imposto suplementar devido, no valor de R$ 2.444,72; - que em nenhum momento o órgão arrecadador verificou que não existiam pagamentos feitos a ela por pessoas físicas; e - que a Receita Federal deixou de requerer aos bancos nos quais ela tinha conta a cópia de seus extratos bancários, os quais demonstrariam que ela nada recebeu além dos valores declarados, razão pela qual anexava ao seu recurso cópia dos mesmos. Citou, ainda, as ementas de dois julgados proferidos por esta Câmara em fevereiro de 2005, de relatoria do Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, nos quais ficou reconhecido que os rendimentos da Recorrente haviam sido tributado em duplicidade. Em ambos os recursos, a Recorrente obteve êxito, por unanimidade de votos. Alegou que passados quatro anos desde a apresentação de sua impugnação, a autoridade lançadora nada fez para comprovar a efetiva omissão de rendimentos da qual a acusava. Traz também ementas de decisões proferidas por outras delegacias de julgamento, sobre casos semelhantes ao seu. Requereu, por fim, a procedência de seu recurso, com a aplicação do mesmo entendimento já aplicado aos lançamentos efetuados contra si quanto aos exercícios de 1998 e 1999. É o Relatório. A- (\? 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTESmr. • „kir SEXTA CÂMARA Processo n° : 10845.00258712001-01 Resolução n° : 106-01.440 VOTO Conselheira ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Relatora O recurso é tempestivo e por isso dele conheço. Trata-se de lançamento fundado na revisão da Declaração de Ajuste Anual apresentada pela Recorrente para o ano-calendário 1999. Houve alteração dos valores declarados a título de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, bem como aqueles declarados a título de IRRF. Na verdade, não há nos autos a cópia da Declaração de Ajuste original apresentada pela Recorrente, assim como não há cópia do recibo de entrega da Declaração retificadora de fls.79182 (o que só sabe em razão de informação prestada pela própria Recorrente, pois não foi informado na própria declaração o fato de ser a mesma uma retificadora), de forma que se pudesse aferir se a mesma foi entregue antes ou depois do lançamento ora em exame. A falta destes documentos impede esta Câmara de analisar, fundamentadamente, as alegações da Recorrente. Diante do exposto, voto no sentido de CONVERTER este julgamento em DILIGÊNCIA, a fim de que a Recorrente seja intimada a: 1- trazer aos autos cópia da DIRPF originalmente entregue para o ano- calendário 1999; e 2- informar se foi efetivamente entregue a DIRPF Retificadora cuja cópia está acostada às fls. 79/82 dos autos; caso positivo, trazer aos autos também cópia desta Declaração, juntamente com o recibo de entrega da mesma. Sala das Sessões - DF, em 14 de Junho de 2007,4 (frOBEI4ÁTA DE AZ EDO FERREIRA PM TTI 4 Page 1 _0038200.PDF Page 1 _0038400.PDF Page 1 _0038600.PDF Page 1
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Numero do processo: 10580.005977/96-08
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2001
Data da publicação: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2001
Numero da decisão: 302-01.009
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em
diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO
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DRJISAL VADORlBA R E S O L U ç Ã O N° 302-1.009 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. . ,., . RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 19 de abril de 2001 ~ HENRIQ PRADO MEGDA Presidente ~~7dZ7õ ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO Relatora l25 UAI2001 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES, MARIA HELENA COTT A CARDOZO, LUCIANA PATO PEÇANHA (Suplente), HÉLIO FERNANDO RODRIGUES SILVA e PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR. Ausente o Conselheiro LUIS ANTONIO FLORA. Ime MINISTÉRJO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRJBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° RECORRENTE RECORRIDA RELATOR(A) 121.480 302-1.009 ALTÃNTIDA AGROPECUÁRIA LIDA. DRJ/SAL VADORlBA ELIZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO RELATÓRIO 2 •• • ATLÃNTIDA AGROPECUÁRIA LTDA. foi notificada e intimada a recolher o ITR/95 e contribuições acessórias, no valor de R$ 3.247,39, incidentes sobre a propriedade do imóvel rural denominado "FAZENDA BOA VISTA", localizado no município de Muquém do São Francisco-BA, com área total de 14.801,0 hectares, cadastrado na SRF sob o número 1422918.8. Impugnando o feito (fls. O I), a Contribuinte solicitou a retificação do VTN Tributado e do Grau de Utilização atribui do ao imóvel, salientando que o mesmo encontra-se situado no polígono das secas, razão pela qual deveria ter sido aplícada, no cálculo, a Tabela lI, e não a Tabela I. Fundamentando seu pleito no parágrafo 4°, do artigo 3°, da Lei nO 8.847/94, juntou, como prova do alegado, "Laudo Técnico de Avaliação" emitido por Engenheiro Agrônomo (fls. 04/06), acompanhado da respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica - ART (fls. 02) e DITR/94, datada de 17/11/94 (fls. 07). Em primeira instância administrativa, o lançamento foi julgado procedente, em decisão (fls. 21/24) cuja ementa apresenta o seguinte teor: "IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. O Valor da Terra Nua mínimo - VTNm poderá ser questionado pelo contribuinte com base em laudo técnico que obedeça ás normas da ABNT (NBR 8 799). O percentual de utilízação efetiva da área aproveitável é calculado pela relação entre a área efetivamente utilizada e a área aproveitável total do imóvel. NOTIFICAÇÃO PROCEDENTE." Cientificada da decisão singular e inconformada, a contribuinte interpôs, tempestivamente, o recurso de fls. 28/30, argumentando, em sintese, que: 1) a decisão atacada não deu qualquer relevância ao "Laudo Técnico" apresentado, apenas afirmando que o mesmo não demonstrou "quais as peculiaridades que diferenciam o imóvel das demais terras da região, justificando, assim, uma redução ~,r( MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 121.480 302-1.009 do VTN mínimo estabelecido para o município". Também não se deteve na análise relativa à localização do município no polígono das secas. •• •• • 2) Quanto a este último aspecto, não se pode ter dúvidas. Basta verificar a relação da SUDENE. Importante salientar que o Município de Muquém do São Francisco foi desmembrado do Município de Barra, que sempre integrou o Polígono das Secas. Consequentemente, o novo Município também integra esse Polígono. 3) A respeito da redução do VTN, a própria Receita Federal, em Notificação de Lançamento datada de 02/01/96 fixou o VTN em R$ 444.030,00. Como é que, para o mesmo exercício, emitiu nova Notificação com o lançamento de R$ 736.793,78, datada de 19/07/96? Como o preço iria quase duplicar em poucos meses, quando o preço das terras vem-se reduzindo? 4) Os Secretários de Agricultura não são técnicos em valor de terra e não poderiam, em uma reunião, pronunciar-se sobre os preços de terras de regiões tão diversas e distantes. 5) Somente o laudo técnico pode considerar as peculiaridades do imóvel e da região e o mesmo não pretende ressaltar que o preço do imóvel decorre de peculiaridades intrinsecas; simplesmente calcula o preço da terra na região. 6) O equivoco está nos valores excessivos aprovados em reunião dos Secretários de Agricultura. 7) O fato de o laudo não ter juntado plantas e fotografias é irrelevante porque não se discute o tamanho da área, nem benfeitorias, mas simplesmente o valor fundiário. 8) Requer a retificação do VTN Tributado e a aplicação da Tabela lI, uma vez que o imóvel se localiza no Polígono das Secas. Junta, à defesa recursal, as duas Notificações relativas ao ITR/95 (fls. 31/32), cópia da "Relação dos Municípios e sua Localização" (fls. 33- verso) e comprovação do depósito recursal (fls. 34). É o relatório. .~./A~ ~é~.I'~7 3 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSOW RESOLUÇÃO N° 121.480 302-1.009 VOTO •• ••• • O recurso em pauta é tempestivo e apresenta as condições necessanas para sua admissibilidade quanto à comprovação do depósito legal, portanto merece ser conhecido. Insurge-se a Recorrente em relação ao VTN Tributado e em relação à Tabela Utilizada para o cálculo do ITR/95 (Tabela li, quando deveria ter sido utilizada a Tabela I, no seu entendimento, pelo fato de o município estar abrigado no Poligono das Secas). Quanto ao Grau de Utilização das Terras (GUT), matéria constante da Impugnação apresentada, a mesma foi abandonada na peça recursal, ficando, assim, fora do litigio. A Recorrente socorre-se das duas Notificações emitidas em relação ao ITR/95 (fls. 31 e 32), apontando-as como prova da ocorrência de contradição da própria Secretaria da Receita Federal quanto ao Valor da Terra Nua utilizado como base de cálculo do ITR/95. Na verdade, o exercICIO de 1995 foi esdrúxulo em relação ao lançamento do ITR, pois duas Tabelas foram divulgadas em relação ao Valor da Terra Nua mínimo. A primeira Tabela, fixada pela Instrução Normativa n° 59, de 19 de dezembro de 1995, fixou, para o exerci cio de 1995, como Valor da Terra Nua minimo por hectare para o munícípío de Muquém do São Francisco, o valor de 30,00 UFIR! ha. A segunda Tabela, por sua vez, datada de 19 de julho de 1996 (IN nO42), revogou a IN N° 59/95 e determinou a revisão de oficio dos valores de ITR anteriormente lançados. Por esta nova IN, o VTNm para o municipio de Muquém do São Francisco ficou estabelecido em R$ 49,78. A correção dos valores dos VTN mmlmos para os vanos mumclplOs, evidentemente, não foi resultado de mero poder discricionário da Secretaria da Receita Federal. Ela foi consequência de vários estudos realizados de acordo com as disposições legais relativas ao estabelecimento dos VTNm. Assim, as duas Notificações de Lançamento constantes do recurso interposto podem ser justificadas, sendo que a Notificação que tem como base o VTNm estabelecido pela IN SRF nO42/96 é que prevalece para o exercício sob litigio. Em consequência, o VTN Tributado foi estabelecido de acordo com as disposições legais, pois o Valor da Terra Nua declarado pelo Contribuinte foi inferior ao minimo legal estabelecido. ~<1If( 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSON" RESOLUÇÃO N° 121.480 302-1.009 5 -. -. •• Explicando: I) O VTN declarado pelo Interessado na DITR/94 foi de 9.459,02 UFIR (fls. 07), o que corresponde a R$ 6.260,00, ou seja, R$ 0,42/ ha; 2) O VTN Tributado, nos termos da IN n° 59/95, foi de R$ 444.030,00 (30,00 x 14801,00) 3) O VTN Tributado que prevaleceu para o exercicio de 1995, com base na IN n° 42/96, foi de R$ 736.793,78 (49,78 x 14.801,00); 4) O "Laudo de Avaliação" constante da defesa exordial, traz como Valor da Terra Nua a importância de R$ 296.020,00, o que corresponde a R$ 20,00/ hectare. Comprova-se, assim, que o VTN apontado pela Contribuinte como condizente com a real situação do imóvel cujo ITR/95 está sendo questionado, é inferior ao VTN minimo estabelecido legalmente para os imóveis localizados no municipio de Muquém do São Francisco, na Bahia. Ainda no que se refere à base de cálculo do ITR, trago ao presente julgamento parte do voto proferido pelo 1. Conselheiro FRANCISCO SÉRGIO NALINI, quando integrante da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, constante do recurso nO109.135: "Quanto à base de cálculo do ITR, o lançamento foi realizado com fundamento na Lei n° 8.847/94, utilizando-se os dados informados pelo contribuinte ria DITR. desprezando-se o VTN declarado, por ser inferior ao VTNm fixado pela IN SRF n° 42/96, adotando-se este como VTN tributado, em obediência ao disposto no artigo 3°, 9 2°, da referida lei, e artigo I° da Portaria Interministerial MEFP/MARA nO1.275/91. De acordo com a legislação aplicável ao caso, sempre que o Valor da Terra Nua - VTN declarado pelo contribuinte for inferior ao Valor da Terra Nua mínimo - VTNm fixado segundo o disposto no 9 2°, do artigo 3°, da Lei nO 8.847/94, adotar-se-á este para o lançamento do ITR. Por outro lado, a autoridade administrativa competente para rever, em caráter geral, o Valor da Terra Nua minimo VTNm por hectare de que fala 094°, do artigo 3°, da Lei nO8.847/94 é o Secretário da é$c:d MINlSTÉRJO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRJBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃOW 121.480 302-1.009 •• •• • Receita Federal, já que é dele a competência para fixá-lo, ouvido o Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, em conjunto com as Secretarias de Agricultura dos Estados respectivos, nos termos do disposto no 9 2° desta mesma lei e segundo o método ali preconizado. Em caráter individual, a inteligência do mencionado 9 4°, integrada com as disposições do Processo Administrativo Fiscal (Decreto nO70.235/72), faculta ao contribuinte impugnar a base de cálculo utilizada no lançamento atacado, seja ela oriunda de dados por ele mesmo declarados na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - DITR respectiva ou decorrente do produto da área tributável pelo VTNm/ha do municipio onde o imóvel rural está localizado. Nesse diapasão, em qualquer uma dessas hipóteses, incumbe ao contribuinte o ônus de provar, através de elementos hábeis, a base de cálculo que alega como correta, na forma estabelecida no 9 1°, do art. 3°, da Lei nO8.847/94, ou seja, o Valor da Terra Nua - VTN apurado no dia 31 de dezembro do exercicio anterior, que é obtido através da exclusão do valor do imóvel (de mercado) dos seguintes bens nele incorporados: I) construções, instalações e benfeitorias; lI) culturas permanentes e temporárias; IlI) pastagens cultivadas e melhoradas; IV) florestas plantadas. Isto posto, passo a examinar a suficiência do elemento de prova apresentado pelo recorrente no sentido de demonstrar que o imposto lançado estaria excessivo, ou seja, o Laudo de Avaliação do imóvel rural de fls. 23/50. A atividade de avaliação de imóveis está subordinada aos requisitos das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas -ABNT (NBR 8.799/85), dai a necessidade para o convencimento da propriedade do Laudo, que nele sejam demonstrados os métodos avaliatórios e fontes pesquisadas que levaram á convicção do valor atribuido ao imóvel e aos bens nele incorporados. o Laudo atendeu, em parte, tais exigências, ...". No processo de que se trata, alerto que algumas adaptações se fazem necessárias, no que se refere ao voto transcrito, quais sejam: 6 ~~ MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA ~. RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 121.480 302-1.009 O Laudo de Avaliação relativo a este processo consta às fls 04/06; citado Laudo de Avaliação refere-se, efetivamente, ao imóvel rural cujo ITR/95 está sendo questionado. Contudo, os valores nele expressos referem-se à data de 20 de setembro de 1996, data em que foi realizada a Vistoria, sendo que a base de cálculo do ITR/95 é o Valor da Terra Nua apurado no dia 31/12/94 (grifei); faltaram, ademais, os métodos avaliatórios utilizados e as fontes pesquisadas. • • • Não se trata, aqui, de questionar se os Senhores Secretários de Agricultura dos Estados são ou não técnicos em valor de terra, e sim de obedecer às determinações legais sobre a fixação do Valor da Terra Nua mínimo, nos termos do S 2°, do art. 3°, da Lei n° 8.847/94. Não se trata, também, de o "laudo" visar, apenas, a dar respaldo ao questionamento sobre o valor fundiário (VTN das terras) na região, não havendo necessidade de se reportar ao imóvel cujo ITR/95 está sendo questionado. Como já salientado no voto transcrito, a autoridade administrativa somente poderá rever, a justo critério, em caráter particular, o VTN de um dado imóvel. Apenas o Senhor Secretário da Receita Federal é competente para rever, em caráter geral, o VTN estabelecido legalmente para um município. Não é o caso em análise . Assim, o "laudo" apresentado deveria, sim, trazer todas as razões que pudessem justificar que o VTN referente ao imóvel rural denominado "Fazenda Boa Vista", localizado no município de Muquém do São Francisco, viesse a ser inferior ao minimo estabelecido para citado município, ou seja, que o imóvel de que se trata apresenta características peculiares que o distinguem dos demais daquele município, acarretando um valor de VTN menor que o geral. Como o "laudo" apresentado não logrou convencer o julgador de que o imóvel rural a que se referiu apresentasse tais características desfavoráveis em relação aos demais imóveis localizados no mesmo municipio, não há como acatá-lo para o objetivo pretendido. Por outro lado, no que se refere à Tabela utilizada para a apuração do ITR, parece que cabe razão à Recorrente de que o município de Muquém do São Francisco pertença, efetivamente, ao Poligono das Secas. Contudo, a decisão de primeira instância, considerando a Nota COSIT 249, de 11/06/96, afirmou que tal Município não está incluido no Polígono das Secas (exercício de 1996) . ~éL 7 MINISTÉRJO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO NO 121.480 302-1.009 •• I'. Pelo exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, para esclarecer a controvérsia citada, Sala das Sessões, em 19 de abri I de 2001 w£~d--~ ELlZABETH EMÍLIO DE MORAES CHIEREGATTO - Relatora 8 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008
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Numero do processo: 10480.005838/00-61
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2003
Numero da decisão: 102-02.156
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal (AF) - atividade rural
Nome do relator: Naury Fragoso Tanaka
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I 2003 . : 10480.005838/00-61 : 132.192 : IRPF - EXS.: 1995 e 1996 : ANTÔNIO ALBINO Q"UEIROZ FERREIRA : 18 TURMA/DRJ em RECIFE - PE : 05 DE NOVEMBRO DE 2003 . MINISTÉRIO DA FAZENDA.' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES , SEGUNDA CÂMARA FORMALIZADO EM: . 1/)L1~&-'. ,ANTONIO D{ 'FREITAS DUTRA PRESIDE~T, E '. ',' / . '~ NAURY\F~, KA")RELATOR <Al:jU~UIAI! ! I RESOLVEM os Membros da. Segund.a . Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por úl')imimidade de votos, CONVERTER o julgamento , I em diligência, nos termos' do voto do Relator .. VistÇ>s, relatados e I discutidos os presentes autos de recurso interposto por ANTÔNIO ALBINO QUEIROZ FERREIRA .. \ " . Participaram, .ainda, do presente julgamento, os Conselheiros LEONARDO HENRIQUE.' MAGALHÃES DE OLIVEIRA, BERNARDO AUGUSTO DU(i)UE BACELAR (SUPLENTE CONVOCADO), - ~ANDRO \ MACHADO DOS . REIS (SUPLENTE CONVOCADO) e JOSÉ OLESKOVICZ. Ausentes, justificadament~, os Co'nselh~iros MARIA BEArR"Z ANDRADE DE CARVALHO,' EZIO GIQBA TI A BERNAR£?INIS, GERALDO MASCARENHÀS LOPES CANÇADO DINIZ e MARIA GORETII DE BULHÕES CARVALHO." j Processo nO. . Recurso nO. Matéria: Reçorrente Recorrida Sessão de MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMA~ I I 11 I I I Processo nO. : 10480.005838/00-61 Resolução nO. : 102-2.156 Recurso nO.: 132192 Recorrente ': ANTÔNIO ALBINo" QUEIROZ FERREIRA RELATÓRIO , . A lide tem por fundamento o Auto de Infração, de 1° .de junho de 2000, que formalizou exigência de crédito tributário relativo aos exercícios de 1995 e 1996, no montante de H$ 196.789,25, no qual o tributo é o Imposto sobre a Renda , " , e Proventos de Qualquer Natureza decorrente de omissões. de rendimentos caracterizadas, por acréscimos 'patrimoniais a descoberto, meses de outubro, a, dezembro do ano-calendário de 1994, e janeiro a dezembro de 1995, conforme Descrição ,dos Fatos e Enquadramento Legal. Compôs, 'ainda, o referido lançamento, as penalidades pelo atraso na entrega das declarações de ajuste anual desses exercícios, apenalidade de ofício e os juros de mora. O feito teve fundamentação legal 'nos artigos 1.° a 3:° da lei n.o 7713/88, 1.° a 3.° da lei n.o 8134/9.0, 4.° e 5.° da lei n,o 8383/91, e 7.° e 8.° da lei n.o 8981/95.'A penalidade pelo não cumprimento da obrigação acessória de entregar a ' Declaração de Ajuste Anual 6 artigo 88,1, S 1.° "a" da MP n.o 812/94 convalidada pela lei n.o 8981/95 c/c artigo 27 da lei n.b 9532/97. A penalidade de ofício, o'artigo 4.°, I"da lei n.o 8218/91 e 44, I, da lei n.o 9430/96 c/c 106, 11,do CTN. Os juros de mora, os artigos 84, S 5.° da lei n.o 8981/95 e 13 da lei n.o 9065/95. Nesses exercícios o contribuinte rião'apresentou Declaração de Ajuste Anual e nem o fez, mesmo, após receber solicitação da Autoridade Fiscal. Dessa forma, a renda tributável foi apurada 'por presunção legal centrada na aquisição parcelada de bens - um apartamento e um automóvel - considerados como evolução patrimonial positiva sem o devido supàrte em outros tipos de recursos, uma vez que o contribuinte não apresentou documentos para contrapor a referida posição. Essas informações constam do Termo de E:ncerramento, fi. 10. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA . Processo nO. : 10480~005838/00-61 Resolução nO. : 102•.2.156 Mais. especificamente, .a evolução patrimonial ocorreu em ,função , . dos pagamentos' efetuados à Construtora Souza, Luna (CNPJ 10.775.880/0001-21), , . pela aquisição do !móvel ap.' 1.901 do Edifício Paineiras, apurados após anális.e do. , Instrumento Particular de Compra e Venda (fls. 26 a 32). Também, integrou esse levantamento os valores pagos, à FlORI VEíCULO LTOA. (CNPJ 35.715.234/0001- 08), relativos à aquisição de veículo (fI. 20) ... . '. 'Não concordando com ,a. imposiçao .fiscal, o contribuinte interpôs impugnação na qual, em síntese alegou qu~: 1. A aut~ação' foi baseada em' presunção, pois decorrente apenas das informações constantes do citado Instrumento Particular de Promessa 'de Compra e Venda, e daquelas constantes da n~ta fiscal. da FlORI Veículo Ltda, forma que permite concluir pela nulidade do procedimento fiscal, péla falta de ética, e de lógica. 2 .. A autuação é. nula "por ter havido inobservância da. forma , estabelecida na lei". 3. No que se refere à aqulslçao do imóvel, o Compromisso de , - ' Compra e Venda foi repactuado, conforme documento que diz juntar .à contestação, no entanto, não concret,izada essa" ação. 4.. O automóvel Fiat foi sinistrado e devolvido à Concessionária, que restituiu o valor até então pago pelo, dependente à mesma; "conforme documentos também em anexo;'. 5. Afirmou que. "para satisfação da dívida decorrente do apartàmento e para a compra mal sucedida. do automóvel, .o contribl,JÍnte se utilizou da venda de uma fazenda, de um outro veículo, conforme documentos em anexo, e'da sua renda declarada nos anos seguintes, já submetida à tributação"" 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. -: 10480.005838/00-61 Resolução nO. : 102-2.156 6. Alegou. que a taxa SELlC é i1eg.al e que a multa de ofício aplicada é confiscatória. Além dessas alegações, o contribuinte teceu extensos comentários , . sobre a "escritura pública", a "escritura particular", os "atos contrários à lei", os "atos . contrários ao interesse público", o "compromisso" de compra e venda e a sua possibilidade de não cumprimento", a ampla defesa, o contraditório e as violações. constitucionais. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO -ôNus DA PROVA - Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens. e . direitos. . AQl)ISIÇÃO DE IMÓVEL E DE VEíCULO - PAGAMENTOS - PROVAS - As informações constantes do instrumento particular de promessa ge compra. e venda, bem como de nota fisca( constituem prova das datas de efetivação dos pagamentos dos valores neles descritos, na falta de documentos hábeis para comprovar o oposto. JUROS DE MORA - APLICAÇÃO. PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA - A autoridade administrativa está obrigada a aplicar as taxas de"juros previstas em lei vigente. . MULTA DE OFíCIO - APLICAÇÃO' PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA - Não pç>dea autoridade administrativa negar-se a aplicar multa de ofício prevista em lei vigente. 4 Lançamento Procedente." " Em seguida, o relator analisa as alegações' do contribuinte, 'numeradas de I a VII: . . I • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO. DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA. . PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - MATÉRIA NÃO CONTESTADA - A matéria quen.ão tenha sido expressamente .. contestada há que ser considerada não impugnada ou aceita pelo contribuinte. . . Na referida decisão o relator discorre. primeiramente acerca- da fundamentação do Acré'scirrio Patrimonial a Descob~rto, como a seguir descrito . 5 O levantamento de aCrésCimo patrimonial não justificado é forma indireta de apuração de' rEmdim~ntos omitidos. Verificaçja sua ocorrênda é certa " '. também a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte o ônus de 'provar em contrário. . . Segundo'o citado voto, o acréscimo patrimonial a descoberto é fato gerador do tributo, como definido no inciso 11 do art. 13/do CTN, porém, a presunção contida no dispositivo não é absoluta,' mas relativa, na medida em que admite prova em contrário. A Lei ri.o7,?13/88,em seu art. 3, S 1°,' estabel.ece uma presunção . . legal, ou relativa. O principal. efeito da pre'sur:lção legal é a inversão do' ônus da . prova. . Quanto às bases de lançamento 'de ofício, o art. 894 do RIR/94, reproduzido no 845 do RIRl99. , A . tributação do acréscimo patrimonial a descoberto está especificada' no RIRl94, Decreto .no 1.041', ae 11/01/94; art. 58, XIII, e art. 855, parágrafo único (Leis nOs4',069/1962, arts. 51, S 1o,e 52, e no art. 806 do RIRl99 . (Decreto 3.000/99) . Processo nO. : 10480.005838/00-61 . Resolução nO.: 102-2.156 . MINISTÉRIO DA FAZENDA , PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . SEGUNDA CÂMARA, I I I i , I I ,I 'I \ , Proce'sso nO. : 10480.005838/00-61 Resolução nO. : .102-2.156 I - O contribuinte não comprova suas alegações com documentos hábeis, portanto, não faz. sentido desconsiderar os '.documentos presentes no processo. 1.1- A respeito da nulidade do auto de infração, O preserlte caso encontra-se amparado nos arts. 59 e.60 do Decreto 70.235/72. 111,IV e V - Não há qualquer prova de repactuação do pagamento . . . '.. '. "'\ . do imóvel, nem da restituição dos valores ,pagos pelo veículo, ou das vendas de. uma fazençja 'e de outro veículo. vi 7"" A utilização ,da taxa SELlC está amparad~ no art. 13 da Lei 9.065/95, e no art. 61, S 3°, dá Lei nO9,430/96, portanto, dispondo a leL dessa forma, não há qualquer' pos~ibilidade de aplicÇição de . outras taxas . . VIII - O princípio de não confisco não se aplica às multas, conforme , ." . . se d~preende pela leitura do texto constitucional, entendimento' já cons~grado na jurisprudênCia .administrativa.' O percentua,1 ,d~ 112,5% está pr~visto' no art. 70, inciso I, da Lei 9.532/97, para o presente caso. .Quanto à multa por atraso das declarações, não há contestação .expressa. Apenas solicita a adequação dos valores, o que não 'é possível, uma vez . que o art. ,17 do Decreto 70.235/72, considera materià não .impugnada. . . Concluiu, . mantendo a autuação na .íntegra, uma vez que. as alegações não se apresentarar,n fundamentadas em documentos comprobatórios. \. Observo que hoúve erro material na de~isão a quo ao citar o . agravamento da penalidade, uma vez que conforme consta do feito a penálidade .apli~ada foi a normal, decorrente do artigo 44, I, da lei n.O9430/96, fI. 09. 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA . . , I - . Reforçá a alegação de que a' autuação foi baseada em presunção, pois teve suporte, apenas, nas informações do Contratá de Promessa de Compra e Venda e na Nota Fiscal, com o argumento de qye o. "fisco teria. que partir de provas de que houvesse "Ocorrido pagamentos, para deduzir a evolução patrimonial e a conseqüente ocorrência de fato gerador do tributo". Questiona á inexistência de provas dos pagamentos nos autos do processo. I ' 11- Ratifica a nulidade da autuação "por ter havido inobservância da forma estabelecida na ler. Processo na. : 10480.005838/00-61' Resoluç?Jo na. : 102-2.156 Em 20 de agosto de 2002, inconformado com a decisão da DRJ, o. ". , , contribuinte interpôs Recurso Voluntário reiterando as alegações da impugnação, as quais, resumidam~nte, transcrevo a seguir: I I 111 - Quanto à aqurslçao do imóvel; o compromisso de compra e venda foi repactuadó e pago de forma di,ferente. Para t~nto, anexa: •Certidão expedida pelo Tabelião BeL Carlos Alberto Ribeiro Roma, 6.0 Ofício de 'Notas do, Recife, informando sobre o Distrato da Promessa de Compra 'e Venda, em 29/12/95;. sendo esse documento form;3lizado er:n 15/081.2002; e outra certidão dO mesmo , ,. oficial, de 15/08/2002, referindo-se a Instrumento' de Promessa de . Compra e Ve'lda de 23/01/1997, para a compra do mesmo imóvel em outras ~ondições. Notas Promi~sórias e Recibos de Pagamentos .das parcelas do imóvel, autenticadas nas referidas datas dos recibos. IV - No que refere à aquisição do automóvel marca FIAT, reafirma que foi sinistrado e devolvido à concessionáriél, que restituiu o valor I até então pago pelo Recorrente e anexa cópia de. Certificàdo de Registro de Veículos, autenticado (fI. 156), no qual, consta no verso, 7 . , " . MINISTÉRIO DA'FAZENDA ...•. PRIMEIRO' CONSELHO DE CONTRIBUINTES ,SEGUNDA CÂMARA ' Processo nO. : 10480.005838/00-61 Resolução nO. : 102-2.156 autorização para transferência de veículo, 'pelo valor deR$ , 11.000,00, para a empresa Concórdia Veícülos Ltda. , V - Repete que "para satisfa,ção da dívidà decorrente do apartamento e para a c'ompra mal sucedida do automóvel, o contribuinte se utilizou da venda de uma fazenda, de um outro veículo, conforme documentos em anexo, é de sua renda declarada nos anos seguintes já submetida à tributação". ví - NO,vamente alega que a aplicaçâo'da taxa SELlCé ilegal. ' VII - Entende 'que a multa de,ofício, aplicaqa é confiscatória. o Recorrente apresentou relação de bens e direitos para arrolamento, para fins de garantia, conforme legislação 'em vigor., Submetido a julgamento em 3Ó de janeiro de 2003, nestaE. Câm'ara, decidiu-se pela conversão em diligência para que fossem obtidos os seguintes esclarecimentos: 1.. Demonstrativo da movimentação financeira do contribuinte (origem dos recursos e as suas aplicações) possibilitando comprovar \ " . se os valores' indicados nos autos como 'acréscimo patrimonial" correspondem a pagamentos nas datas indicadas (fls. 3); 2. Efetuar ,diligência nas empresas Souza, Luna S.A. (fls. 26 a 32) e Fioro' Veículo Ltda. (fI. 20) para verificar se nos registros contábeis " , dessas empresas constam 0$ recebimentos de recursos indicados ' n~s documen,tbs adma'. referidos, bem' 'éo~o,' se nos registros contábeis da empresa Souza, Luna S.A. 'foi contabilizada a" operação de distrat? (fI. 128 e 129) e ,a operação de venda (fI. 132'a 134).' 8 '1' • I MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO 'DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo" nO. : 10480. o.b5838/00~61 Resolução nO. : 102-2.156 Retornan~6.0 processo a esta E., Câmara, após asprovidênci~s da unidadé de origem, fls: 1.83 'a 218, verifica-se, conforme Relatório assinado pefo Auditor-Fiscal da Receita Federal-AFRF Ricardo Rocha de 'Holanda Coutinho, .que ~. '. - a empresa Souza, Luna SA está desativada há sete anos e, não foi possível obter maiore.s esclarecimentos a respeito' dá aquisição do apartamento 1'").0 1.901. Com - '. , suporte nas certidões apresentadas "pelo recorrente e no? dados _sobr~ a inatividade da empresa Souz~, Luna SA, considerado c~mo pagament? efetuado, apenas, a importância de R$ 20.000,00, no mês de outubro do ano-calendário de 1.994. f, I. 1, -' \. - Quanto à aquisição do veículo~ constata-:se, pela informação obtida ...jun~o à revendedora, que os pagamentos foram efetuados no ano de 1995, em ,.março, R$ 3.000~00, e em abril, R$ 6.500,00 . .. , . \ . É o Relatório . .\ "',', / . I I 9 VOTO Processo, nO. : 10480.005838/00-61 Resolução nO. : 102-2.156 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Conselheiro NAURY FRAGOSa TANAKA, Relator O recurso observa os requisitos necessários à sua admissibilidade e dele conheço. Já foi. submetido a"julgamento nesta E. Câmara, oportunidade em . que o respeitável colegiado decidiu, por unanimidade de votos, pela conversão em " . diligência para que fossem buscados esclarecime~ltos complementares e '. , necessários à convicçao do julgador'. Procedidas tais verificaçõe~, verifica-se que o ilustre ÀFRF 'Ricardo- ~ Rocha de Holanda Coutinho concluiu, em relação à aquisição do apartamento n.o 1.901, da Souza, Luna S/A, que deve ser acatada a rescisão contratual, , . comprovada pela Certidão apresentada pelo recorrente. Assim, as aplicações decorr~ntes'dessa transação resumir-se-iam ao pagamento da entrada,. ~fetuado em Outubro do ano,calendário de 1.994,. em valor de R$ 20.000,00. As demais parcelas não teria-m sido pagas em .virtude do dito distrato, ocórrido em 29/12/95: Algumas questões ficam sem resposta quando efetuada leitura mai~ atenta do "Instrumento Particular de Ajuste para Constituição de fundo Financeiro de Garantia para Tentar Assegurar a não Paralisação da Obra", título que será simplificado para IPACFF, . fls. 187 a 199, e confrontados esses dados com Não me. parece, data vênia, que" a nobre Autoridade Fiscal tenha concluído satisfatoriamente a solicitação, deste colegiado. Acrepito que la posição tomada deveu-se à' razões por ela conhecidas em' decorrênciá do trabalho fiscal e. pela proximidade do local da obra, no entanto, não externadas no Relatório do trabalho. 10 fJ I J 1 1, i i MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA . Processo nO. : 10480.005838/00-61 Resolução nO. : 102-2.156 aqueles constantes da Certidão forneci~q pelo "fabelião Bel.' Carlos Alberto Ribeiro Roma do 6.° Ofício de Notas do Recife, fls. 128/129. Da leitura do :IPACFF fica çlaro que houve outrq aju?te, denominado. transação Extrajudicial, em data não identificada, que foi motivado pela morosidade. no andamento da obra ~difício Paineiras. Tanto deste último, quanto do IPACFF, O'. . . . . contribuinte participou e assumiu compromissos. Assim,'as dúvidas que seguem. O instrümento particular de promessa de compra 'e. venda 'de bem i~óvel, fls. 26 a 32, contém a 'c1áusulà 15, na qual se ~ânifesta a irretratabilidade e " ... .. irrevogabilidade do ajuste efetuado. Como ac'eitarque o ajuste t.enha sido desfeito .em 29/12/95, mediante acordo, entre as partes e' devolução de R$, 20;000,00, e. . . . '. . cerca de um ano após tenha o contribuinte readquirido o dito' im~vel, por vqlor . , inferior em 40% do preço original? Observe-se que.o apartamento tem área'~e 472,17 m2 e o distrato somente foi concretizado ~epois de passados mais de um ano. do acordo inicial. , , . Significa dizer, que um adquirente de obra desse porte não decide pela compra sem antes, conhecer detalhes significativos para a segurança de seu investimento, tais como as, condições do andament6da obra, a situação da construtora, o local da obra, a valorização; entre outros. A moro~idade no andamento da obra devê ter sido detectada em momento' posterior à aquisição, fato que originou a interrupção dos pagamentos e : provável acordo. Portanto, não me parece convincente. que, apenas, a entrada tenha sido-objeto de pagamen'to" Em segundo, participando o contribuinte do 1.Pf'.CFF, qL!e foi firmado em' 05/12/95,' fI. 198, e da' Transação Extrajudicial,: i'nclusive as~umind6 . . , .'. . compromissos para o futuro, conforme indicado ~a, Cláusula Segunda do item . '. . Oitavo, como poderia de'sistir do contrato na forma indicada na referida Certidão? 11 , , . ' ...( MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA í NAURY FRAGOSO TANA 12 É como voto. 4: . Elaborar parecer conclusivo sobre os pagamentos efetivados pelo contribuinte. 3: Analisar a situação finánceira do contribuinte pe;ante os .dados obtidos e caso concluído pela presença de indícios de intuito, 'de fraudar 'o •Fisco no referido distrato e' na aquisição posterior, diligenciar junto ao respectivo Cartório para confirmar a dita certidão. • 11. ( •• .2. Junté~rcópia da Transação Extrajudicial indicada pelo IPACFF; . 1. Diligenciar junto ao Condomínio Edifício Paineiras, ou perante seus responsáveis, para obter o montant.e pago pelo contrib~inte até- . . o momento em' que a obra foi as'sumida pelo referido gn,Jpo,. , , .Sala das Sessões - DF, em 05 de novembro de 2003. a. Comprovando falsidade \ do documento, adotar as medidas' fiscais e criminais cabíveis. Colocadas essas 'éonsiderações, meu voto é no sentido de converter novamente oJulgamento e~ diligência a ser realiz;ada por funcionário da unidade de origem para que o processo.seja instru,ído com os seguintes esclareeime~tos: Proc~sso n~. : 10480.005838/00-61. Resolução nO. : 102-2.156 Por que o.Fisco não buscou as fnformações desejadas -junto ao -Con'domíhio do Edifíqi.o Paineiras que foi formado em datà próxima a 1-4/08/95, conforme consta do item' XII da Transação Ext.rajudicial, fI. 192, ou junto aos seus responsáveis, ou junto ao. responsável pela empresa Souza, luhaS/A, Murilo . .' \ - Carneiro leão Paraíso, conforme indicado nos recibos juntados às fls. 145 a 153? r , • " 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012
score : 1.0
Numero do processo: 10840.000670/2004-20
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2006
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS - DISCUSSÃO JUDICIAL CONCOMITANTE COM PROCESSO ADMINISTRATIVO - A submissão da matéria ao crivo do Poder Judiciário, prévia ou posteriormente ao ato administrativo de lançamento, inibe o pronunciamento da autoridade administrativa sobre o mérito da incidência tributária em litígio.
CSLL - BASES NEGATIVAS – DECADÊNCIA – RECONSTITUIÇÃO - O lançamento não pode alcançar períodos sob a proteção do instituto da decadência, mas a reconstituição do real valor das bases negativas utilizadas na compensação da CSLL de períodos posteriores não usufrui dessa mesma proteção.
JUROS DE MORA - TAXA SELIC - É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de juros de mora incidentes sobre débitos tributários não pagos no vencimento, diante da existência de lei que determine a sua vedação com respaldo no art. 161, § 1º, do CTN.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 103-22.332
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário suscitada pela contribuinte; NÃO TOMAR CONHECIMENTO das razões de recurso relativas a matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CSL- glosa compens. bases negativas de períodos anteriores
Nome do relator: Paulo Jacinto do Nascimento
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DISCUSSÃO JUDICIAL CONCOMITANTE COM PROCESSO ADMINISTRATIVO. A submissão da matéria ao crivo do Poder Judiciário, prévia ou posteriormente ao ato administrativo de lançamento, inibe o pronunciamento da autoridade administrativa sobre o mérito da incidência tributária em litígio. CSLL. BASES NEGATIVAS. DECADÊNCIA. RECONSTITUiÇÃO. O lançamento não pode alcançar períodos sob a proteção do instituto da decadência, mas a reconstituição do real valor das bases negativas utilizadas na compensação da CSLL de períodos posteriores não usufrui dessa mesma proteção. JUROS DE MORA. TAXA SELlC. É legítima a utilização da taxa SELlC como índice de juros de mora incidentes sobre débitos tributários não pagos no vencimento, diante da existência de lei que determine a sua vedação com respaldo no art. 161, ~ 1°, do CTN. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por LEÃO & LEÃO LTOA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário suscitada pela contribuinte; NÃO TOMAR CONHECIMENTO das razões de recurso relativas a matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. ~~~.c~~. -"~~ETTBFR- ~RÊSIDENT~ 1// ...-- " ~~7;~~"t-':'.'i:>' PAULO JACH~TO/90 NASCIMENTO RELATO~ '-.~, "."" ,.-' FORMALIZADO EM: 2 8 ArfR ?006 ' 144.294*MS R*26/04/06 . i I i I ' I i 1 : LU 2144.294*MSR*26/04/06 Participaram ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: ALOYSIO JOSÉ PERCíNIO DA SILVA, MÁRCIO MACHADO CALDEIRA, MAURíCIO PRADO DE ALMEIDA, ALEXANDRE BARBOSA JAGUARIBE, FLÁVIO FRANCO CORREA e VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo nO : 10840.000670/2004-20 Acórdão nO : 103-22.332 Processo nO Acórdão nO Recurso nO Recorrente MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 10840.000670/2004-20 : 103-22.332 : 144.294 : LEÃO & LEÃO LTOA. RELATÓRIO Aos 16/03/2004, deu-se ciência à contribuinte do Auto de Infração de fls. 4/8, através do qual se lançou crédito tributário de CSLL decorrente da apuração de compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores no ano- calendário de 1999. Impugnando a exigência, a autuada alegou que ajuizara ação declaratória com o fim de obter o direito de reconhecer no seu balanço os índices decorrentes da inflação ocorrida nos anos-calendário de 1996 e 1997, tendo em vista os danosos efeitos que a inflação provocara no seu resultado fiscal, ação esta que aguarda julgamento do Recurso de Apelação por ela interposto, tecendo extenso arrazoado acerca da extinção da correção monetária do balanço e dos danosos efeitos daí decorrentes, para concluir pedindo a declaração da nulidade e/ou o cancelamento do lançamento. Dada a identidade do objeto do litígio administrativo com o da ação judicial, a autoridade julgadora de primeira instância não tomou conhecimento da impugnação. No recurso de fls. 135/156, além de repisar a argumentação expendida na impugnação, a recorrente suscita a preliminar de decadência e sustenta a inaplicabilidade da taxa SELlC a título de juros de mora, requerendo o provimento do recurso para cancelar o lançamento e, caso não conhecido o mérito, que sejam apreciadas a preliminar argüida e a incidência da SELlC. A autoridade preparadora, informando que o arrolamento de bens ser~\ objeto de processo apartado, encaminhou os autos a este" c;onselho. 1\\ É o relatório. . .j~ 144.294*MSR*26/04/06 3 L.:) Conselheiro PAULO JACINTO DO NASCIMENTO - Relator VOTO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 10840.000670/2004-20 : 103-22.332 Assim, remanescem como passíveis de conhecimento e apreciação as matérias diferenciadas, quais sejam, a decadência e a aplicação dos juros de mora com base na taxa SELlC. Com a propositura da ação judicial, a lide se desloca para o Poder Judiciário, deixando de ter sentido a revisão interna do ato administrativo, pois a decisão judicial prevalece sobre a decisão administrativa. No que pertine à decadência, diz a recorrente que, inobstante a legislação fiscal não reconhecer a correção monetária de balanço dos exercícios 1996 e 1997, registrou e controlou no LALUR a inflação incorrida nos referidos exercícios e promoveu a sua compensação mediante o seu aprovei,~allflento no ano-calendário de \ 1999. I , 144.294.MSR"26/04l06 4 ,JíJ Ante a supremacia da esfera judicial, resta prejudicado o recurso no tocante às matérias coincidentes com aquelas discutidas na ação proposta, porque submetidas à tutela do Poder Judiciário. O processo administrativo fiscal, sem cunho jurisdicional, presta-se à revisão interna do ato administrativo de lançamento, com vistas ao acertamento do crédito tributário. Ao tempo em que a Constituição Federal, no art. 5°, inciso XXV, estabelece o princípio da inafastabilidade da prestação jurisdicional, cria a regra da unidade de jurisdição, como conseqüência lógica da aplicação do princípio, pois se todas as questões podem ser levadas ao Poder Judiciário, somente a este incumbe examinar de forma definitiva as questões que lhe são submetidas, com efeito de coisa julgada. Processo nO Acórdão nO O lançamento não pode alcançar períodos sob a proteção do instituto da decadência, mas a reconstituição do real valor das bases de cálculo negativas da CSLL nãousufrui dessa mesma proteção. 5144.294*MSR*26/04/06 Ao glosar a compensação da base de cálculo negativa de períodos anteriores na apuração da CSLL do ano-calendário de 1999, o fisco não transferiu para o exercicio em questão exações já fulminadas pela decadê~c!a, simplesmente recompôs a I WJ ~.L-I I\ --------~ A infração imputada à recorrente é a compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores na apuração da CSLL do ano-calendário de 1999, uma vez que na DIPJ/2000 a recorrente compensou, a este título, o valor de R$ 9.264.588,22 quando o valor correto a ser compensado seria de R$ 5.870.577,89, composto por R$ 189.616,19 relativos à base de cálculo negativa do ano-calendário de 1997 e R$ 5.680.961,70 relativos à base de cálculo negativa do ano-calendário de 1998, resultando em um valor compensado indevidamente da ordem de R$ 3.394.010,33, base de cálculo da exigência. Conclui dizendo que, decorrido o prazo de cinco anos, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença, mesmo que seus efeitos alcancem exercícios futuros, pois isto importaria em, valendo-se da possibilidade de recompor base de cálculo tributável, transferir para exercícios futuros exações já fulminadas pela decadência. Diz mais que, sendo o imposto de renda tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial é de 05 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador, a teor do art. 150, 9 4°, do CTN, não podendo o Fisco, por isto mesmo, em março de 2004, proceder ao lançamento do débito, recalculando as bases da contribuição social do ano-calendário de 1999 com valores reconhecidos nos anos de 1994,1996 e 1997. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo nO : 10840.000670/2004-20 Acórdão n° : 103-22.332 \ . ,). I \ ' 1 I, Processo nO Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 10840.000670/2004-20 : 103-22.332 4 1 i 'I I 1 t j j 1 J base negativa usada na compensação, dela exonerando os valores indevidamente acrescidos, procedimento de todo legítimo, que não merece qualquer reparo. No que toca à taxa SELlC, a jurisprudência do STJ se inclina pela sua legalidade: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. TAXA. SELlC. LEI N° 9.065/95. INCIDÊNCIA. MUL TA FISCAL. REDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLlCABILlDADE DO CDC. 1. Os créditos tributários recolhidos extemporaneamente, cujos fatos geradores ocorreram a partir de 1° de janeiro de 1995, a teor do disposto na Lei nO 9.065/95, são acrescidos dos juros da taxa SELlC, operação que atende ao principio da legalidade. 2. A jurisprudência da Primeira Seção, não obstante majoritária, é no sentido de que são devidos juros da taxa SELlC em compensação de tributos e mutatis mutandis, nos cálculos dos débitos dos contribuintes para com a Fazenda Pública. 3. Raciocínio diverso importaria tratamento anti-isonômico, porquanto a Fazenda restaria obrigada a reembolsar os contribuintes por esta taxa SELlC, ao passo que, no desembolso, os cidadãos exonerar-se-iam desse critério, gerando desequilíbrio nas receitas fazendárias". (AgrRg no RESP nO 671.494, DJ de 28.03.2005) "PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. INOVAÇÃO DA LIDE. NÃO CONHECIMENTO. TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. ATUALIZAÇÃO DO DÉBITO PELA TAXA SELlC. LEGALIDADE. 1. Não é possível em sede de agravo regimental inovar a lide, invocando questão até então não suscitada. 2. É legítima a utilização da taxa SELlC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos débitos tributários pagos em atraso, diante da existência de lei que determina a sua adoção. 3. Agravo regimental parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido". (AgrRg no AG 602.384, DJ de 14.02.2005). Afora a citada posição jurisprudencial, vale lembrar que os percentuais aplicados estão de acordo com o art. 61, ~ 3°, da Lei n° 9.430/1996, ressaltando-se que o Código Tributário Nacional, em seu art. 161, 9 1., assim regula a cobrança dos juros d~ i mora: (~/'i\ 1\ \\\ ',,' \ I l\r6Y"\ ~ I: 144,294*MSR*26/04/06 6 . ',.' I ! Processo nO Acórdão nO MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA : 10840.000670/2004-20 : 103-22.332 "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta lei ou em lei tributária. ~ 10. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês". - A lei ordinária, por conseguinte, pode estabelecer taxa de juros de mora superior a 1% ao mês. Diante disso, não conheço das razões de recurso atinentes à matéria submetida ao Poder Judiciário e, quanto à matéria diferenciada, rejeito a preliminar de decadência e, no mérito, nego provimento ao recutsc, . .//./ ." ,.,,' Sala das Sessõe~/toF,/(m.22 de março de 2006 <.:-::.:::.~..__../~.!.-.._,...:~..~~./-~... . ../: \//Ü.4A.I .' / ( PAULOJA~~?bAS6MENTO ( '1 \ \ 144.294*MSR*26/04/06 7 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007
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Numero do processo: 11030.000578/2002-03
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2007
Numero da decisão: 108-00.476
Decisão: RESOLVEM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Karem Jureidini Dias
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PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. :11030.000578/2002-03 Recurso n°. :150.282 Matéria : COFINS — EXS.: 1998 a 2001 Recorrente : COOPERATIVA AGRÍCOLA MISTA IBIRAIARAS LTDA. Recorrida : r TURMA/DRJ-SANTA MARIA/RS Sessão de : 06 DE DEZEMBRO DE 2007 RESOLUÇÁON°. 108-00.476 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por COOPERATIVA AGRÍCOLA MISTA IBIRAIARAS LTDA. RESOLVEM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. ara.. /-erfir MARI SÉRGIO - NANDES BARROSO PRESIDENTE , .0" 41111111 KAREM JUR D I, DIAS RELATORA FORMALIZADO EM: 2 JAN 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: JOSÉ CARLOS TEIXEIRA DA FONSECA, MARGIL MOUR)10 GIL NUNES, CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, ORLANDO JOSÉ GONÇALVES BUENO e MARIAM SEIF. Ausente, justificadamente, o Conselheiro NELSON LóSSO FILHO. , , ,. J4 - 1' 41"- MINISTÉRIO DA FAZENDA— - ‘r; tp;-,:lj PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ftit,t> OITAVA CÂMARA Processo n°. :11030.000578/2002-03 Resolução n°. :108-00.476 Recurso n°. : 150.282 Recorrente : COOPERATIVA AGRÍCOLA MISTA IBIRAIARAS LTDA. RELATÓRIO Contra Cooperativa Agrícola Mista lbiraiaras Ltda. foi lavrado Auto de Infração no valor de R$ 500.341,46 (quinhentos mil, trezentos e quarenta e um reais e quarenta e seis centavos), relativo à COFINS dos períodos de apuração de 01/97 a 07/00, sendo o contribuinte intimado em 18.04.2002 (fls. 04). A acusação fiscal baseia-se no fato de o contribuinte não ter tributado nenhuma parcela de suas receitas, não tendo recolhido nenhum valor a titulo de COFINS, bem como de outros tributos. Assim, com base na documentação disponibilizada pelo próprio contribuinte constatou-se a existência de compras de matéria-prima e produtos de terceiros pela Matriz e filiais, que posteriormente foram vendidos/revendidos a terceiros (não associados). Apontou ainda a fiscalização que a contribuinte adquire cevada, feijão e milho de terceiros e associados e os vende no mercado interno para não associados. Assim, procedeu a apuração do coeficiente de rateio das operações com terceiros a partir dos valores contabilizados em cada uma das respectivas contas dos balancetes mensais de verificação apresentados pelo contribuinte, bem como pelos valores totais de compras apuradas na contabilidade e demonstradas nos respectivos mapas de apuração de receita tributável da cevada (fls. 280), de feijão (fls. 284), e de milho (fls. 285). Além disso, intimada a justificar como são segregados os valores de 01mercadorias vendidos a terceiros (não associados), a contribuinte informou que as f vendas efetuadas em sua grande maioria o são a vista, sendo emitido cupom fiscal. 2 t(44 MINISTÉRIO DA FAZENDA — 4- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. : 11030.000578/2002-03 Resolução n°. :108-00.476 Verificou-se, ainda, de acordo com a resposta fornecida pelo próprio contribuinte e das fitas das máquinas registradoras, que não é possível segregar quais vendas são efetuadas a associados e quais são efetuadas a terceiros, de maneira que, na impossibilidade de tal identificação, e ante a falta de apresentação, pelo contribuinte, de documentação hábil neste sentido, a fiscalização lançou a totalidade da receita das vendas efetuadas em mercados, considerado-a como operações com terceiros. No que tange à COFINS de janeiro de 1998 a setembro de 1999, a tributação incidiu apenas sobre as receitas apuradas pelos mercados. Para outubro de 1999 a base de cálculo foi composta pela Receita Bruta mensal com as exclusões do artigo 3° da Lei n°9.718/98. O contribuinte apresentou Impugnação ao Auto de Infração onde sustentou a impossibilidade do lançamento, nos seguintes termos: (i)A cooperativa possui pequena seção de consumos (mercado) que só opera com seus associados e que, por ser atividade ínfima perto de suas receitas, não foi implantado sistema informatizado para controle das vendas efetuadas em razão da inviabilidade financeira para tal fim. (ii) A fiscalização não poderia, ante a falta de identificação da natureza das receitas, considerá-las todas como receitas proveniente de operações com terceiros, ato que evidencia ofensa ao disposto no artigo 924 do RIR/99. (iii) Ad argumentandum, aponta que, na pior das hipóteses, poder- se-ia considerar no máximo, o percentual de 30% das vendas totais do mercado com terceiros, nos termos da Resolução do Conselho Nacional de Cooperativismo — CNC, n° 01/72, que regulamentou o artigo 86 da Lei n°5.764/71, bem como, o previsto no artigo 3°, parágrafo único, do Estatuto Social da empresa. i(jr( 3 - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. :11030.000578/2002-03 Resolução n°. :108-00.476 (iv) Defende a não incidência da COFINS sobre os atos cooperados, citando vasta doutrina e jurisprudência. (v) Defende que a multa de 75% é confiscatória e que não pode ser aplicada a taxa Selic. Ato continuo, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria — RS, ao apreciar a Impugnação apresentada houve por bem julgar procedente em parte a autuação, para cancelar a exigência em relação aos "mercados" e os valores computados em duplicidade pela autoridade fiscal, em decisão vazada nos seguintes termos: "ASSUNTO: Processo Administrativo Fiscal EMENTA: PRELIMINAR. INCONSTITUCIONALIDADE. Compete privativamente ao Poder Judiciário apreciar questões que envolvam a constitucionalidade de atos legais. Período de apuração : 01/01/1997 a 31/07/2000 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os juros de mora podem ser exigidos com base na taxa Selic, por estarem de acordo com a determinação legal. Período de apuração : 01/01/1997 a 31/07/2000 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cotins EMENTA: BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. NORMA DE EFICÁCIA CONDICIONADA À REGULAMENTAÇÃO. Não produz eficácia a norma legal que, condicionada à regulamentação pelo Poder Executivo, previa a exclu são da base de cálculo da Co fins de valores que, computados U1)14 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA 3- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. :11030.000578/2002-03 Resolução n°. :108-00.476 como receita, houvessem sido transferidos a outras pessoas jurídicas, porquanto foi revogada previamente à sua regulamentação. BASE DE CÁLCULO. OPERAÇÕES COM OUTRAS COOPERATIVAS. Devem ser incluídas na base de cálculo as receitas decorrentes de operações com outras sociedades cooperativas não associadas. ISENÇÃO. OPERAÇÕES COM ASSOCIADOS. Até o período de apuração correspondente ao mês de setembro de 1999, a Co fins não incidia sobre as receitas decorrentes de operações com associados. Período de apuração : 01/01/1997 a 31/07/2000' • Intimado em 20.08.03 (fls. 570) o contribuinte apresentou, em 19.09.2003, Recurso Voluntário. Devidamente processado o Recurso os autos foram remetidos ao Segundo Conselho de Contribuintes para julgamento. Em sessão de julgamento realizada em novembro de 2005, a Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes houve por bem não conhecer do recurso e declinar a competência para o Primeiro Conselho de Contribuintes, sob a justificativa de que a competência para a sua apreciação é deste Conselho, na medida em que os presentes autos tratam de questão decorrente de fiscalização para apuração do IRPJ com reflexo em outros tributos (CSLL, PIS e COFINS), bem com que as constatações da fiscalização serviram de supedâneo para calcular o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. Em junho de 2007 o processo foi distribuído para esta Relatora. É o Relatório. MINISTÉRIO DA FAZENDA ';,̀* PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4=.'.4t.f> OITAVA CÂMARA Processo n°. :11030.000578/2002-03 Resolução n°. :108-00.476 VOTO Conselheira KAREM JUREIDINI DIAS, Relatora Tendo em vista que o Segundo Conselho de Contribuintes declinou a competência para este Conselho, sendo distribuído para esta relatora o presente Recurso, verifico que, não obstante se tratar de lançamento exclusivo de COFINS, no Termo de Verificação Fiscal consta que foram apuradas irregularidades para o IRPJ, a CSLL e a Contribuição ao PIS. Assim, é possível que este lançamento seja reflexo ao lançamento de IRPJ, conforme afirmado no Acórdão do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 749), que assevera que se trata de lançamento para IRPJ e reflexos. Neste passo, entendo que o julgamento deste recurso deve aguardar o julgamento do lançamento principal ou deve preceder a apreciação daquele, para se averiguar se o presente lançamento é de fato decorrente. Em pesquisa no sitio do Conselho de Contribuintes, verifica-se que o Recurso Voluntário relativo ao PIS (processo administrativo n°. 11030.00057912002-40 — Recurso Voluntário n° 125.160), encontra-se aguardando julgamento na Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes. Todavia, não há qualquer recurso referente ao IRPJ aguardando julgamento. Outrossim, há informação no Termo de Verificação Fiscal de que houve lançamento da multa isolada (fls. 19), em decorrência da falta de recolhimento das antecipações devidas nos exercícios. Dessa forma, com fulcro no disposto nos artigo 20, alínea "d" e artigo 34, § 1°, ambos do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, voto por 6 ...;,:-1::t• MINISTÉRIO DA FAZENDA• tt.t.n " r ezt PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n°. : 11030.000578/2002-03 Resolução n°. :108-00.476 converter o julgamento em diligência a fim de que sejam apensados todos os processos originados do Termo de Verificação Fiscal tratado nos presentes autos, bem como para que seja esclarecido se houve, de fato, lançamento relativo ao IRPJ e à CSLL, e a atual situação dos mesmos, bem como se o presente lançamento é de fato decorrente do lançamento de IRPJ. Sala das Sessões - DF, em 06 de dezembro de 2007. c : JUS- - ill D • S 7 Page 1 _0014100.PDF Page 1 _0014200.PDF Page 1 _0014300.PDF Page 1 _0014400.PDF Page 1 _0014500.PDF Page 1 _0014600.PDF Page 1
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Numero do processo: 10865.001823/2006-30
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Exercício: 1999
EXCLUSÃO DE OFÍCIO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
A exclusão darseá
de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em prática reiterada de infração à legislação tributária.
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
INEXATIDÕES MATERIAIS.
As meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento.
Numero da decisão: 1801-000.519
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, em afastar as nulidades suscitadas, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em prática reiterada de infração à legislação tributária. NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. INEXATIDÕES MATERIAIS. As meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, em afastar as nulidades suscitadas, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Fl. 57DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10865.001823/200630 Acórdão n.º 180100.519 S1TE01 Fl. 53 2 Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, André Lemes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples foi excluída de ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/LIM/SP nº 48, de 28 de setembro de 2006, fl. 11, com efeitos a partir de 01/01/2001, fundamentada na prática reiterada de infração à legislação tributária (inciso V do art. 14 da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996), em conformidade com a Representação Fiscal, fls. 04/08: No curso do procedimento fiscal instaurado contra a Contribuinte acima identificado, foi constatado, conforme o Demonstrativo anexo de Apuração da Receita Bruta total, que a fiscalizada, enquadrada na condição de Microempresa no SIMPLES, movimentou em suas contascorrentes no decorrer dos anoscalendário de 2001, 2002, 2003 e 2004 valores omitidos e não contabilizados conforme exige a legislação em vigor. Após os trabalhos de auditoria, apurouse os valores líquidos depositados nas referidas contascorrentes e intimouse o Contribuinte para explicá los, bem como demonstrar sua contabilização. Até a presente data não houve resposta a esta nossa Intimação. Diante do exposto, como a empresa infringiu o art. 9, inc. I da Lei nº 9.317/1996 combinado com o art. 196, inc. V do RIR199, excedendo ao limite de receita imposto às empresas ME e praticando reiteradamente a omissão de receitas durante os anoscalendário acima referenciados, se sujeita à exclusão de ofício do Simples, conforme dispõe o art. 23, V da IN nº 608/2006. Cientificada em 18/10/2006, fl. 13, ela apresentou a manifestação de inconformidade em 17/11/2006, fls. 14/21, com as alegações abaixo resumidas. Argumenta que o ato de exclusão é nulo por insuficiência de motivação (Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Lei nº 10.177, de 30 de dezembro de 1998). Expõe que não foi indicada de forma detalhada qual a conduta que ensejou o procedimento, de modo que não restou justificada a existência nem demonstrada a efetiva ocorrência da motivação do ato administrativo. Indica a legislação que rege a matéria, princípios que alega foram violados ainda entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui À luz do exposto, requer dignese V.Sa. de receber a vertente manifestação de inconformidade e ordenar o seu regular processamento, prosseguindose nos demais atos e termos de direito até sua final decisão, que, certamente, haverá de reconhecer Fl. 58DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10865.001823/200630 Acórdão n.º 180100.519 S1TE01 Fl. 54 3 a insuficiência de fundamentação do Ato Declaratório guerreado e, por isso declarar sua nulidade. N. termos. p. deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1419.735, de 11/07/2008, fls. 31/34: “Solicitação Indeferida”. Está registrado Cabe inicialmente esclarecer que a contribuinte foi autuada relativamente aos anoscalendário de 2001 a 2004 por omissão de receita caracterizada por depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada, conforme Processo n° 10865.001959/200640, tendo esta Turma de Julgamento, por unanimidade, decidido por manter integralmente a exigência tributária, conforme Acórdão n° 14 19.734, de 11 de julho de 2008. [...] Não resta dúvida de que há provas suficientes nos autos a indicar, sim, a prática reiterada de infração à legislação tributária, haja vista que durante todos os anoscalendário de 2001, 2002, 2003 e 2004, a contribuinte não registrou em seu livro Caixa a totalidade de sua movimentação financeira e/ou bancária, conforme demonstrativo de fls. 05/08 deixando de oferecer à tributação parte de suas receitas; fato este não refutado pelo contribuinte. A omissão de receitas caracteriza "infração à legislação tributária", e, "reiterar" significa "repetir, renovar, refazer, repisar", ou seja, é na continuidade da infração que se pode afirmar tratarse de "prática reiterada". É necessário que a mesma se repita para que seja possível sustentar que se trata de infração reiterada. No caso, conforme descrito na Representação Fiscal, e provado nos autos do processo 10865.001959/200640, relativo ao auto de infração, temse que a contribuinte não escriturou a totalidade de sua movimentação bancária, inclusive omitindo receita caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, cuja infração se repetiu durante os quatro anos fiscalizados. Não há dúvida, portanto, que trata de prática reiterada de infração à legislação tributária. [...] Como se vê, no caso de "prática reiterada de infração à legislação tributária" os efeitos da exclusão são a partir, inclusive, do mês de ocorrência do fato mencionado. Portanto, a sua exclusão do Simples desde 01/01/2001 foi medida acertada. Restou ementado ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES ANOCALENDÁRIO: 2001 SIMPLES. EXCLUSÃO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Fl. 59DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10865.001823/200630 Acórdão n.º 180100.519 S1TE01 Fl. 55 4 A exclusão darseá de oficio quando, entre outras hipóteses, ficar comprovada a prática reiterada de infração à legislação tributária. Notificada em 12/09/2008 (sextafeira), fl. 36, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 15/10/2008, fls. 38/45, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Conclui 5. Nessa conformidade, ante o exposto, requerse dignese V. Exa a., admitir o vertente recurso voluntário, a fim de que a final seja provido, com o reconhecimento da nulidade do Ato Declaratório Executivo nº 48, por insuficiência de motivação, independentemente do depósito recursal, por isso que, consoante decidiu o Supremo Tribunal Federal por ocasião do julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.9767 DF, sob a relatoria do Ministro JOAQUIM BARBOSA, a exigência de depósito ou arrolamento prévio de bens e direitos como condição de admissibilidade de recurso administrativo constitui obstáculo sério (e intransponível, para consideráveis parcelas da população) ao exercício do direito de petição (CF, art. 50, XXXIV), além de caracterizar ofensa ao principio do contraditório (CF, art. 5º, LV). N. termos. p. deferimento. Consta no Despacho DRF/RPO/SP, de 13/07/2007, fl. 50, que o recurso voluntário foi apresentado tempestivamente. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente alega que o ato administrativo é nulo. No exercício da função pública, a autoridade administrativa, de forma vinculada e obrigatória, editou o Ato Declaratório Executivo DRF/LIM/SP nº 48, de 28 de setembro de 2006, fl. 11, com observância de todos os requisitos legais que lhe confere existência, validade e eficácia. Este ato foi lavrado por servidor competente que regularmente intimou a Recorrente para cumprilo ou impugnálo no prazo legal, de modo a assegurar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal e art. 14 e art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972). As formas instrumentais adequadas foram respeitadas e os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. Foi oferecida à Recorrente a oportunidade de apresentar, no prazo legal, a peça de defesa acompanhada de todos os meios de prova a ela inerentes. O enfrentamento das questões na impugnação e no recurso voluntário denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento e a indicação dos Fl. 60DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10865.001823/200630 Acórdão n.º 180100.519 S1TE01 Fl. 56 5 enquadramentos legais não propiciam a nulidade do ato em litígio. Ademais, nos autos foram comprovados os fatos descritos na Representação Fiscal, fls. 04/08, dos quais se pode deduzir que, em conformidade com o Livro Caixa e os extratos bancários, a Recorrente omitiu receita caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada nos anoscalendário de 2001, 2002, 2003 e 2004. O procedimento de constituição do crédito tributário foi formalizado no processo nº 10865.001959/200640 no qual foi proferido o Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/POR/SP nº 1419.734, de 11/07/2008, em que o lançamento foi considerado procedente e que se encontra na DRF Ribeirão Preto/SP (fonte: http://comprot.fazenda.gov.br/egov/cons_dados_processo.asp, acesso em 09/02/2011). Apesar de ter tido acesso a todas as peças processuais, a Recorrente não juntou novas provas aos autos mediante documentos hábeis e idôneos que demonstrem sua afirmativa de que há incorreção no ato fiscal. As suas meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade mediante a análise de todos os documentos constantes nos autos não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do exame da matéria, tendo em vista que as provas já produzidas constituem um conjunto probatório robusto de que o procedimento de ofício está correto. Logo, não lhe cabe razão. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina o disposto no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. A Lei nº 9.317, de 1996, fixa: Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: [...] V prática reiterada de infração à legislação tributária; Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: [...] V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. [...] § 3o A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.1998) [...] Fl. 61DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10865.001823/200630 Acórdão n.º 180100.519 S1TE01 Fl. 57 6 Art. 16. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Cabe esclarecer que a opção pelo Simples é um direito da pessoa jurídica que preenche todos os requisitos legais. No presente caso a requerente incorreu em situação excludente e por esta razão estava obrigada a proceder à exclusão mediante comunicação à RFB. Como este procedimento não foi adotado voluntariamente, foi efetuada de forma regular a exclusão de ofício pelo DRF que jurisdiciona a Recorrente, no estrito cumprimento do dever legal (art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990). Além disso, a partir dos efeitos da exclusão, ou seja, 01/01/2001, a requerente fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive às obrigações tributárias principais e acessórias. Consta no Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, têm aplicação os entendimentos do STJ e do STJ em decisões definitivas de mérito proferidas em repercussão geral e em recurso repetitivo, respectivamente. Em relação à matéria, cabe mencionar a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ proferida em recurso especial representativo da controvérsia, cujo trânsito em julgado ocorreu em 16/06//2010 (https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=9771400&s Reg=200900296277&sData=20100506&sTipo=5&formato=PDF, acesso em 01/02/2011): RECURSO ESPECIAL Nº 1.124.507 MG (2009/00296277) RELATOR : MINISTRO BENEDITO GONÇALVES RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO : MADEPLACAS LTDA ADVOGADO : HÉLCIO GERALDO DE OLIVEIRA CORRÊA E OUTRO(S) EMENTA DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL.VIOLAÇÃO DOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. LEI 9.317/96. SIMPLES. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DO ART. 15, INCISO II, DA LEI 9.317/96. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado SIMPLES. Discutese se o ato de exclusão tem caráter meramente Fl. 62DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10865.001823/200630 Acórdão n.º 180100.519 S1TE01 Fl. 58 7 declaratório, de modo que seus efeitos retroagiriam à data da efetiva ocorrência da situação excludente; ou desconstitutivo, com efeitos gerados apenas após a notificação ao contribuinte a respeito da exclusão. [...] 5. O ato de exclusão de ofício, nas hipóteses previstas pela lei como impeditivas de ingresso ou permanência no sistema SIMPLES, em verdade, substitui obrigação do próprio contribuinte de comunicar ao fisco a superveniência de uma das situações excludentes. 6. Por se tratar de situação excludente, que já era ou deveria ser de conhecimento do contribuinte, é que a lei tratou o ato de exclusão como meramente declaratório, permitindo a retroação de seus efeitos à data de um mês após a ocorrência da circunstância ensejadora da exclusão. 7. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado pressupõese que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitirse que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque em nosso ordenamento jurídico não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. 8. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. Por conseguinte, o efeito retroativo da exclusão de ofício do Simples não pode ser alterado, uma vez foi aplicada regularmente a legislação de regência. No que se refere à interpretação da legislação, entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados na peça recursal, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos aos quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Em relação aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n° 2, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF), e que assim determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, este argumento não pode prosperar. Fl. 63DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 10865.001823/200630 Acórdão n.º 180100.519 S1TE01 Fl. 59 8 Em face do exposto voto, em preliminar, por afastar as nulidades suscitadas, e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 64DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 30/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 31/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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