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Numero do processo: 10166.004015/2005-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. Estão isentos do imposto os proventos de aposentadoria recebidos por contribuinte portador de moléstia especificada em lei. Comprovado com documento hábil e idôneo que o contribuinte é portador de uma das doenças previstas em lei como condição suficiente para conferir ao portador da doença o direito à isenção do Imposto de Renda sobre os proventos de aposentadoria, descabe a autuação que considerou esses rendimentos tributáveis.Recurso provido.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 2201-000.792
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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MOLÉSTIA GRAVE. Estão isentos do imposto os proventos de aposentadoria recebidos por contribuinte portador de moléstia especificada em lei. Comprovado com documento hábil e idôneo que o contribuinte é portador de uma das doenças previstas em lei como condição suficiente para conferir ao portador da doença o direito à isenção do Imposto de Renda sobre os proventos de aposentadoria, descabe a autuação que considerou esses rendimentos tributáveis. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso. Assinatura digital Francisco Assis de Oliveira Júnior – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator EDITADO EM: 22/09/2010. Participaram da sessão: Francisco Assis Oliveira Júnior (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Janaína Mesquita Lourenço de Souza e Rayana Alves de Oliveira França Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/10/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/12/2010 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 2 AGOSTINHO MANOEL BAIÃO interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJ-BRASÍLIA/DF (fls. 82) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 09/13, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF suplementar, referente ao exercício de 2003, no valor de R$ 3.161,57, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 6.520,09. A infração que ensejou a autuação está assim descrita no auto de infração: O valor dos rendimentos tributáveis foi alterado em razão da inclusão de R$ 11.496,65, recebidos do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, rendimentos estes indevidamente considerados como isentos por moléstia grave, tendo em vista que o diagnóstico de esclerose lateral amiotrófica, CID 612.2, constante do laudo pericial, datado de 16 de maio de 2003, não está incluído na relação das doenças previstas em lei para isenção do imposto de renda, conforme disposto no art. 39, inciso XXIII do Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (Regulamento do Imposto de Renda). O Contribuinte impugnou a exigência aduzindo, em síntese, que a doença, atestada nos laudos apresentados enquadra-se na norma que prevê a isenção, pois se caractreriza como paralisia irreversível e incapacitante. A DRJ-BRASÍLIA/DF julgou procedente o lançamento com base, em síntese, na consideração de que, ao cotrário do foi afirmado pela defesa, as doenças decritas nos laudos apresentados não se enquaram entre aquelas para as quais a lei prevê a isenção; que a norma que trata de isenção deve ser interpretada literalmente, nos termos do art. 111 do CTN. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 12/06/2006 (fls. 53) e, em 13/07/2006, interpôs o recurso voluntário de fls. 55/60 no qual argúi a nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, reitera a alegação aduzida na impugnação quanto ao direito à isenção. O processo foi incluído na pauta de julgamento da Quarta Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes do dia 17/10/2007 na qual se decidiu converter o julgamento em diligência para que fosse intimado o Instituto Nacional do Seguro Social para se manifestar sobre a autenticidade dos laudos apresentados e se pronunciar sobre a doença neles especificada, se esta daria direito ou não à isenção do imposto. Em cumprimento da diligência veio aos autos o documento de fls. 127. Trata- se de manifestação de perito do INSS com o seguinte teor: Este Serviço de Saúde do Trabalhador da Gerência Executiva do INSS no Distrito Federal esclarece que a cópia do documento aposto à página 02 deste processo é idêntica ao documento original assinado pelo Dr. Márcio Pális Horta, SIAPE 08783063. O contribuinte é portador de uma doença prevista em lei e faz jus à isenção do Imposto de Renda. Ao exame clínico e avaliação do resultado de laudos laboratoriais (realizamos perícia domiciliar em 25/03/2010) verificamos que o segurado é Portador de Esclerose Lateral Amiotrófica – CID G12-2, que pode ser caracterizada como paralisia irreversível e incapacitante, conforme descrito a Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/10/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/12/2010 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU Processo nº 10166.004015/2005-21 Acórdão n.º 2201-00.792 S2-C2T1 Fl. 2 3 legislação pertinente. É portador desta doença desde 19/08/1998. O Contribuinte apresentou ainda a manifestação de fls. 130 na qual chama a atenção para o teor da resposta do INSS e reitera o pedido de que o lançamento seja julgado improcedente. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa- Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se vê, o litígio gira em torno da definição a respeito do enquadramento ou não da doença de que padece o Recorrente entre aquelas que geram o direito à isenção do Imposto de Renda. E, conforme relatado acima, se dúvidas havia em relação a este ponto, estas foram dissipadas com a informação do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS acima reproduzida. Segundo a referida informação, a doença pode ser caracteriza como paralisia irreversível e incapacitante que é uma daquelas previstas expressamente no art. 39, XXXIII do RIR/99. Comprovado assim o direito à isenção, afasta-se o fato que ensejou a autuação. Em razão da conclusão quanto ao mérito, deixo de examinar a argüição de nulidade da decisão de primeira instância. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/10/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/12/2010 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU 4 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Assinado digitalmente em 25/10/2010 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, 15/12/2010 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JU
score : 1.0
Numero do processo: 10540.002243/2007-11
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 01 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Sep 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outros
Exercício: 2005
Ementa: LUCRO ARBITRADO. A constatação de deficiências na
escrituração contábil da pessoa jurídica, manifestada pela falta de registro de movimentação bancária, bem como a ocorrência de vícios e erros insanáveis na escrita comercial, a torna imprestável para determinação do lucro líquido do exercício e, por conseqüência, inviabiliza a apuração do lucro real,
restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos
geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA.
INCOMPETÊNCIA DA ADMINISTRAÇÃO. Os princípios constitucionais
são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária, pois esta se submete ao princípio da legalidade, não podendo se furtar a aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa afastar a
aplicação da lei tributária, sob qualquer pretexto. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da ordenação fiscal que funcionou como base legal do lançamento – tarefa privativa dos órgãos judiciais.
PEDIDO DE PERÍCIAS. Rejeitase
o pedido de perícia quando
desnecessária, por existir nos autos elementos suficientes para o julgamento, bem assim quando não formulado conforme determinado pelo art. 18 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1803-000.646
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outros Exercício: 2005 Ementa: LUCRO ARBITRADO. A constatação de deficiências na escrituração contábil da pessoa jurídica, manifestada pela falta de registro de movimentação bancária, bem como a ocorrência de vícios e erros insanáveis na escrita comercial, a torna imprestável para determinação do lucro líquido do exercício e, por conseqüência, inviabiliza a apuração do lucro real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DA ADMINISTRAÇÃO. Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária, pois esta se submete ao princípio da legalidade, não podendo se furtar a aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa afastar a aplicação da lei tributária, sob qualquer pretexto. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da ordenação fiscal que funcionou como base legal do lançamento – tarefa privativa dos órgãos judiciais. PEDIDO DE PERÍCIAS. Rejeitase o pedido de perícia quando desnecessária, por existir nos autos elementos suficientes para o julgamento, bem assim quando não formulado conforme determinado pelo art. 18 do Decreto nº 70.235/72.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e Outros Exercício: 2005 Ementa: LUCRO ARBITRADO. A constatação de deficiências na escrituração contábil da pessoa jurídica, manifestada pela falta de registro de movimentação bancária, bem como a ocorrência de vícios e erros insanáveis na escrita comercial, a torna imprestável para determinação do lucro líquido do exercício e, por conseqüência, inviabiliza a apuração do lucro real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DA ADMINISTRAÇÃO. Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária, pois esta se submete ao princípio da legalidade, não podendo se furtar a aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa afastar a aplicação da lei tributária, sob qualquer pretexto. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da ordenação fiscal que funcionou como base legal do lançamento – tarefa privativa dos órgãos judiciais. PEDIDO DE PERÍCIAS. Rejeitase o pedido de perícia quando desnecessária, por existir nos autos elementos suficientes para o julgamento, bem assim quando não formulado conforme determinado pelo art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 580DF CARF MF Emitido em 21/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 21/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10540.002243/200711 Acórdão n.º 1803000.646 S1TE03 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) SELENE FERREIRA DE MORAES Presidente (assinado digitalmente) Benedicto Celso Benício Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Benedicto Celso Benício Júnior, Marcelo Fonseca Vicentini, Walter Adolfo Maresch, Sérgio Rodrigues Mendes e Luciano Inocêncio dos Santos. Relatório Tratase de autos de infração de fls. 04 a 29, lavrados em 29/11/2007, em nome do contribuinte acima identificado, para a exigência de crédito tributário referente ao anocalendário de 2004, relativos ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (1RPJ) no valor de R$ 45.480,27 (quarenta e cinco mil quatrocentos e oitenta reais e vinte e sete centavos) e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de RS 156.330,71 (cento e cinqüenta e seis mil, trezentos e trinta reais e setenta e um centavos), conforme discriminado na folha 03 dos autos. De acordo com a descrição dos fatos do auto de infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (fl. 09), os lançamentos foram efetuados sob a sistemática de lucro arbitrado, "tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real, em virtude dos erros e falhas abaixo numeradas", onde foi apontada a infração "Depósitos bancários de origem não comprovada" utilizando como enquadramento legal os artigos. 530, II, 532 e 537 do RIR/1999 e artigos 27, I e 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Todo o procedimento fiscal está detalhado no Relatório Fiscal (fls. 18 a 28). Pelos mesmos motivos foi lavrado o auto de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), cujo enquadramento legal encontrase no respectivo auto. Cientificada da autuação em 11/12/2007 (fl. 509), o interessado protocolizou em 09/01/2008 (fl. 511 verso) a impugnação (fls. 512 a 527), alegando, em síntese, que: Fl. 581DF CARF MF Emitido em 21/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 21/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10540.002243/200711 Acórdão n.º 1803000.646 S1TE03 Fl. 3 3 a) "houve o arbitramento ao argumento de que não há coincidência entre os depósitos bancários constantes nos extratos do Banco do Brasil e os registros nos livros Diário e Razão"; b) "isso não basta para o arbitramento, urna vez que o autuante estava de posse da escrituração comercial e dos extratos bancários, sendo possível chegar ao suposto valor do lucro não oferecido à tributação por força que eventuais erros na escrituração não seriam insanáveis" e que "vejase que não cabe o arbitramento quando o contribuinte mantém o livro Diário/Razão devidamente escriturado, sendo possível à fiscalização contornar eventuais imprecisões por consulta a outros documentos que lhes foram entregues"; c) "nem se diga que não haveria Livro Razão/Diário devidamente escriturado, uma vez que os erros que eventualmente contém são sanáveis e não tomam a escrituração comercial imprestável"; d) "outrossim, o lançamento em partidas mensais, geralmente no último dia do mês, não serve para tornar imprestável a escrituração apresentada"; e) cita ementa proveniente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fl. 516), entendendo que "o arbitramento de lucros, por desclassificação da escrita contábil, é procedimento extremo; Tal medida deve ser aplicada quando o contribuinte, intimado de forma clara e objetiva para providenciar a regularização da escrita, concedendose prazo razoável para seu atendimento, deixar de atender à fiscalização" (Acórdão CSRF/0104.557 em 09.06.2003, publicado no DOU em 12.08.2003); f) "ora, mesmo diante de pequena diferença não concedeu o Fisco qualquer oportunidade para regularização da escrita fiscal ao impugnante, já que suas explicações não lhes foram suficientes"; g) "é de se concluir neste ponto, tomando por base o relatório fiscal, que a mera não coincidência entre os valores constantes nos extratos bancários e no livro Diário/Razão não implica em imprestabilidade da escrituração comercial, não estando, portanto, justificada sua desclassificação e conseqüentemente arbitramento do lucro, principalmente, quando as especificidades do caso concreto permitem ao auditor fiscal encontrar a base de cálculo, bem como por não ter havido a necessária oportunidade para a regularização da escrituração comercial em tela"; h) solicita que o auto seja julgado nulo, "uma vez que a base de cálculo para o arbitramento deveria corresponder à receita supostamente omitida e não à totalidade dos depósitos bancários", pois "apresentase uma divergência entre o extrato do Banco do Brasil e o Livro Razão igual a R$ 204.913,54 no decorrer do ano, conforme apresentado por uma tabela analítica contendo lançamentos diários e outra sintética com apresentação dos valores em períodos mensais. Sobre esta diferença é que deveria recair eventual tributação" e que "a confiscatória bitributação está evidente, uma vez que não é possível que a totalidade dos.depósitos corresponda a supostas receitas omitidas"; i) "frisese, entretanto, que o art. 42 da Lei n° 9.430/96 é inconstitucional e inaplicável, uma vez que a matéria referente a lançamento tributário está adstrita à legislação complementar" e que "além disso, por haver adotado o regime do lucro real no anocalendário autuado devem ser considerados os custos atribuíveis às supostas receitas omitidas"; j) "concluise, portanto, que não cabe ao contribuinte fazer prova negativa para elidir a presunção relativa do art. 42, Lei n° 9.430/1996, uma vez que, por ser lançamento matéria adstrita a Lei Complementar, não se acata a vigência do indigitado artigo de lei Fl. 582DF CARF MF Emitido em 21/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 21/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10540.002243/200711 Acórdão n.º 1803000.646 S1TE03 Fl. 4 4 ordinária; Assim, desproporcional é tal presunção, de modo que tal exigência padece de vícios e a fim de sanálos deverá o Fisco fazer prova da ocorrência do fato jurídico tributário"; k) "depósitos bancários, isoladamente, não representam valores que necessariamente tenham efeitos de incidência tributária, nem mesmo sinais exteriores de riqueza, sequer presunção de negócios ou operações, mas meros indícios de que há renda, não restando autorizado, portanto, o lançamento de Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido". l) finaliza a sua defesa requerendo a realização de perícia, apresentando quesitos e indicando perito, visando atestar a não ocorrência da imprestabilidade da escrituração comercial, bem como a inexistência dos requisitos para perfeito arbitramento do lucro. A 3ª TURMA – DRJ EM RECIFE – PE, ao julgar a impugnação apresentada, manteve integralmente os lançamentos questionados, ementando sua decisão nos seguintes termos: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo os autos de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de impugnar os lançamentos, descabe a alegação de nulidade. PEDIDO DE PERÍCIA. NECESSIDADE. Deve ser indeferido o pedido de perícia quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgado. ASSUNTO IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A autoridade fiscal deve arbitrar o lucro sobre o valor das receitas omitidas da pessoa jurídica tributada pelo lucro real quando a escrituração a que estiver obrigada a contribuinte revelar evidentes de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou determinar o lucro real. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Configurase omissão de receita os valores creditados cru conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, Fl. 583DF CARF MF Emitido em 21/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 21/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10540.002243/200711 Acórdão n.º 1803000.646 S1TE03 Fl. 5 5 mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. ARGUIÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. A apreciação e declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo é prerrogativa reservada ao Poder Judiciário, sendo vedada sua apreciação pela autoridade administrativa em respeito aos princípios da legalidade e da independência dos Poderes. Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL LANÇAMENTO. MESMOS PRESSUPOSTOS FÁTICOS. IRPJ. DECORRÊNCIA. Em se tratando de lançamento decorrente dos mesmos pressupostos fáticos dos que serviram de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento ao relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, em razão da relação de causa e efeito existente entre eles.” Cientificado da decisão em 05/05/2009, interpôs o contribuinte, em 27/05/2009, recurso voluntário a este conselho, apontando, em síntese, alegações idênticas às versadas no grau administrativo antecedente. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, Relator: O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. (1) Da desclassificação da escrita contábil e do arbitramento do lucro Inicialmente, afirma a recorrente não ser o caso, aqui, de arbitramento das bases de cálculo das imputações debatidas. Segundo seu entendimento, não poderia o agente fazendário ter desclassificado as escritas contábilfiscais por ela mantidas, com amparo, somente,. no fato de os depósitos bancários vertidos em extratos não corresponderem, em valores e datas, aos lançamentos feitos no Razão/Diário. Para explicar as discrepâncias verificadas no seio do labor autuante, a peticionária asseverou que os depósitos bancários foram discriminados segundo partidas Fl. 584DF CARF MF Emitido em 21/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 21/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10540.002243/200711 Acórdão n.º 1803000.646 S1TE03 Fl. 6 6 mensais, transcritas no último dia de cada período, segundo a somatória de todas as movimentações ativas. Tal conduta, embora tenha gerado confusão, não serviria, contudo, de arrimo ao arbitramento propalado, vez que o aclaramento da natureza e das condições de cada um dos depósitos bancários poderia ter sido realizado a partir da mera análise, pelo Fisco, dos demais documentos contábeis em posse da autuada. A Fazenda, no entanto, teria simplesmente se omitido, deixando de intimar o contribuinte a sanar os equívocos pontuados. Optara o fiscal, ao revés, por tomar como irremediáveis os lançamentos por partições mês a mês. A não concessão de oportunidade, à recorrente, para que os depósitos bancários fossem particularizados fez com que o arbitramento – medida extrema – fosse aplicado sem o esgotamento de todos os meios necessários à manutenção da escrita fiscal. Isto não seria admissível, segundo manifestação da CSRF. Pois bem. A despeito do entendimento exposto, não antevejo, no comportamento fazendário, nenhuma arbitrariedade. Consoante bem noticiado no Relatório Fiscal (fls. 18 e ss.), os depósitos bancários apontados em extratos não guardam nenhuma correspondência com as escriturações do Diário/Razão, em períodos e cifras. Ademais disso, sequer a somatória de todas as movimentações correspondia ao total de lançamentos contábeis efetuados – razão pela qual não parece verossímil o argumento de que o Diário estivesse escriturado segundo a forma autorizada pelo artigo 258 do RIR/99. A absoluta falta de correspondência entre as movimentações bancárias efetivadas, de um lado, e as operações declaradas nos livros contábilfiscais, de outro, legitima, por si só, o arbitramento do lucro, consoante previsão do artigo 530, inciso II, alínea a: “Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou (...)” No mais, a alegação de que não haveria prejuízo na escrituração não detalhada dos depósitos bancários também não se sustenta. O lançamento em partidas mensais das operações financeiras, embora possível, só é admitida se o contribuinte adotar livros auxiliares, por meio dos quais sejam registrados, individualmente, todos os valores, datas e documentosbase de cada depósito. Esse é o entendimento que decorre límpido do já estresido artigo 258 do RIR/99: Fl. 585DF CARF MF Emitido em 21/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 21/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10540.002243/200711 Acórdão n.º 1803000.646 S1TE03 Fl. 7 7 “Art. 258 .Sem prejuízo de exigências especiais da lei, é obrigatório o uso de Livro Diário, encadernado com folhas numeradas seguidamente, em que serão lançados, dia a dia, diretamente ou por reprodução, os atos ou operações da atividade, ou que modifiquem ou possam vir a modificar a situação patrimonial da pessoa jurídica. §1º Admitese a escrituração resumida no Diário, por totais que não excedam ao período de um mês, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares para registro individuado e conservados os documentos que permitam sua perfeita verificação.” Ora, foi a própria postulante quem reconheceu não possuir livros auxiliares, conforme constante da declaração aposta às fls. 88. Fica claro que, de toda forma, a intimação da postulante não poderia ter nenhum resultado positivo, no que atine à elucidação das origens e da tributabilidade dos depósitos bancários tomados. Ainda assim, é de se realçar que o agente fazendário procedeu, sim, à notificação do contribuinte, em homenagem ao contraditório e à ampla defesa, nos moldes do Termo de Constatação e Intimação Fiscal de fls. 475/476. Ao invés de demonstrar a correção de seus assentamentos contábeis, porém, optou a interessada por pisar a realização de lançamentos por partições, sem mostrar que, no caso, não teria havido omissão de receitas exacionáveis. O arbitramento do lucro, portanto, mostrouse escorreito e legítimo. Nesta esteira já decidiu o CARF, em situações análogas: “LUCRO REAL x LUCRO ARBITRADO OMISSÃO DE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. A omissão de registro contábil de vultosa movimentação bancária revela escrituração imprestável para respaldar a apuração do IRPJ e das contribuições sociais com base no lucro real. Tal condição enseja a tributação pelo regime do lucro arbitrado (Ac. 1º CC 10809.549/08 )” “IRPJ LUCRO ARBITRADO A constatação de deficiências na escrituração contábil da pessoa jurídica, manifestada pela falta de registro de movimentação bancária, bem como a ocorrência de vícios e erros insanáveis na escrita comercial, a torna imprestável para determinação do lucro líquido do exercício e, por conseqüência, inviabiliza a apuração do lucro real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável. (Ac. 1º CC – 10809.077/06)” Fl. 586DF CARF MF Emitido em 21/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 21/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10540.002243/200711 Acórdão n.º 1803000.646 S1TE03 Fl. 8 8 Resta necessário, então, somente analisar a lidimidade ou a ilidimidade das bases de cálculo adotadas. Iniciemos tal mister, já que as contraposições ao arbitramento foram, todas, dirimidas. (2) Da mensuração das bases de cálculos adotadas Em segundo lugar, batese a pleiteante pelo que, em seu entendimento, configurou errôneo cômputo das bases de cálculo lançadas. O arbitramento realizado, conforme se dessume da leitura das peças infracionais, considerou, como montantes imponíveis, a totalidade dos depósitos bancários apontados em extratos. A eleição destas grandezas colheu fundamento no artigo 42, caput, da Lei nº 9.430/96, adiante reproduzido: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” A simples leitura do dispositivo nos permite perceber que todos os depósitos bancários não explicados devem, presumidamente, ser considerados como rendimentos omitidos. Assim, a totalidade deles pode, em princípio, ser assumida como componente das bases de cálculo dos lançamentos, na forma realizada. Entendeu a recorrente, todavia, que a base imponível correta não poderia ser outra que não a diferença existente entre os totais constantes dos extratos bancários, de um lado, e a soma dos valores escriturados, ainda que erroneamente, no Razão/Diário, de outro. Ora, nada mais incabível. Como bem ressaltado pelo acórdão recorrido, “o autuado apresentou a Receita Federal do Brasil (RFB), sua DIPJ referente ao período fiscalizado (fls. 40 a 43), declarando na ficha 06 A (Demonstração do resultado), todos os valores zerados (nos quatro trimestres de 2004), bem como as fichas 09 A (Demonstração do Lucro Real), também sem qualquer valor declarado (fls. 44 a 47) e em conseqüência não foi apurado o Imposto de Renda e a CSLL (fls. 48 a 53). Desta forma, não há possibilidade de se cobrar apenas a diferença entre os valores constantes no Livro Razão e a totalidade dos depósitos bancários, pois apesar dos valores significativos que transitaram nas suas contas correntes (Banco do Brasil e Bradesco), o impugnante nada declarou na sua DCTF a título de IRPJ e CSLL o que demonstra a necessidade do lançamento dos respectivos tributos, o que foi realizado no caso concreto diante da ausência de qualquer pagamento, em cumprimento ao transcrito art. 42, caput e parágrafo 1°, da Lei n°9.430/1996, e assim não há que se falar em bitributação”. Não há, pois, nada a se retocar nos lançamentos. (3) Da inconstitucionalidade do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 Fl. 587DF CARF MF Emitido em 21/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 21/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10540.002243/200711 Acórdão n.º 1803000.646 S1TE03 Fl. 9 9 Terceiramente, alega a peticionária, de modo extenso e variado, a pretensa inconstitucionalidade do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 – um dos arrimos legislativos, como se explicou, dos lançamentos debatidos. Sobre o assunto, contudo, não focaremos maiores esforços. Não há, acerca dele, como se proferir julgamento de substância, haja vista terem os órgãos administrativos atuação estritamente vinculada à lei. É vedado, tanto à Receita Federal, de um lado, quanto a este conselho, de outro, deixar de aplicar as normas tributárias vigentes, ainda que, em tese, possam elas estar eivadas de invalidade. Cabe ao Poder Legislativo, de forma prévia, ou ao Poder Judiciário, a posteriori, perscrutar pela adequação das leis ao sistema de normas gerais e de princípios construído em sede constitucional ou infraconstitucional. Este colegiado, na qualidade de autoridade administrativa, só pode zelar pela observância das normas em vigor, sem analisar sua pertinência sistêmica. Tragase à baila, a respeito, o enunciado da elucidativa Súmula nº 2 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” (4) Do pedido de perícia Por fim, também guerreia a interessada o fato de terlhe sido denegado, em primeira instância julgadora, o pedido de produção de prova pericial, para comprovação das origens dos depósitos bancários inexplicados. A instrução probatória, no seio do Processo Administrativo Fiscal, tem pedra angular colocada no artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, cujo caput abaixo se reproduz: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (...)” Fica claro, do enunciado suso copiado, que a decisão de concessão da prova pericial se pauta pelos critérios da pertinência e da necessidade. No caso, o contribuinte não foi capaz de explicar os motivos que determinariam a imprescindibilidade desta espécie de prova, restringindose a formular requerimento genérico sobre a matéria. Mormente quando se trata de explicação das causas das movimentações bancárias constatadas – ônus atribuído ao contribuinte, ex vi do estresido artigo 42 da Lei nº 9.430/96 –, deve haver firmes motivos para a determinação da perícia. Conjeturase, em princípio, que a simples juntada de documentos idôneos pode alcançar os mesmos efeitos, Fl. 588DF CARF MF Emitido em 21/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 21/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR Processo nº 10540.002243/200711 Acórdão n.º 1803000.646 S1TE03 Fl. 10 10 sendo obrigação do contribuinte demonstrar a oportunidade e a imprescindibilidade da intervenção do perito. Correto, destarte, o posicionamento abraçado pelo colégio recorrido, não se podendo cogitar de cerceamento de defesa. Isto posto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. Sala das Sessões, em 1º de setembro de 2010 (assinado digitalmente) Benedicto Celso Benício Júnior Fl. 589DF CARF MF Emitido em 21/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR Assinado digitalmente em 21/02/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, 17/02/2011 por BENEDICTO CELSO BE NICIO JUNIOR
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Numero do processo: 10680.002104/2004-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002
EMBARGOS. PROCESSO CONEXO/REFLEXO CUJO PRINCIPAL
AINDA NÃO TEM DECISÃO DEFINITIVA NO CARF. Em se tratando de
processo conexo, uma vez julgado o recurso voluntário do processo principal, é cabível o julgamento dos conexos/reflexos, na mesma instância ou fase recursal, ainda que o principal tenha sido objeto de recurso voluntário ou especial.
Embargos Conhecidos e Rejeitados.
Numero da decisão: 1402-000.283
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos, e no mérito, rejeitálos, nos termos relatório e voto que passam a integrar o presente
julgado.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1714; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.002104/200432 Recurso nº 158201 Embargos Acórdão nº 140200.283 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 8 de novembro de 2010 Matéria COFINS Embargante PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL Interessado CENTRO EDUCACIONAL DE FORMAÇÃO SUPERIOR CEFOS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 EMBARGOS. PROCESSO CONEXO/REFLEXO CUJO PRINCIPAL AINDA NÃO TEM DECISÃO DEFINITIVA NO CARF. Em se tratando de processo conexo, uma vez julgado o recurso voluntário do processo principal, é cabível o julgamento dos conexos/reflexos, na mesma instância ou fase recursal, ainda que o principal tenha sido objeto de recurso voluntário ou especial. Embargos Conhecidos e Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos, e no mérito, rejeitálos, nos termos relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10680.002104/200432 Acórdão n.º 140200.283 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Tratam os autos de exigência de COFINS, contra o Centro Educacional de Formação Superior CEFOS CNPJ16.694.697/000188, em decorrência de lançamento de IRPJ e CSLL, processos 10680.018634/200311 e 10680.002103/200498, oriundos de Ato Declaratório de suspensão de imunidade. A então 5ª Câmara do 1º CC, deu provimento ao recurso voluntário, consubstanciado no Acórdão nº 10517.312, de 12 de novembro de 2.008, por decorrência uma vez que nos processos de IRPJ em cujo bojo havia o ato de suspensão de imunidade, também foram providos. O Procurador da Fazenda Nacional credenciado junto ao CARF, inconformado com a decisão apresenta Embargos de Declaração contra o referido aresto (fls. 343345). Argumenta o PFN que os processos 10680.018634/200311 e 10680.002103/200498, de IRPJ e CSLL nos quais se discute a imunidade restabelecida pelos julgamentos de segunda instância, foram objeto de recurso especial e estão pendentes de julgamento junto à CSRF, não tendo portanto decisão definitiva na esfera administrativa. Argumenta que não tendo a Câmara apreciado neste processo a questão da suspensão da imunidade, no caso de reforma dos julgados quanto à imunidade haverá prejuízo para a Fazenda Nacional pois não haverá possibilidade de recurso quanto a esta parcela do julgamento. Objetiva portanto os embargos que a Turma adentre à análise do mérito do recurso voluntário do contribuinte e o pronunciamento quanto a decadência. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE Processo nº 10680.002104/200432 Acórdão n.º 140200.283 S1C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Os embargos preenchem as condições de admissibilidade, dele conheço. Passo a apreciação. Analisando o inteiro teor do aresto atacado verifico que não assiste razão à recorrente. A decadência foi apreciada e reconhecida para o período de fevereiro de 1.997 até novembro de 2001, conforme fl. 339. Quanto a questão da imunidade quando a decisão é feita por decorrência, deve ser entendido que as razões de decidir são as mesmas do processo ou dos processos onde tal questão foi tratada. Entendo que não há qualquer prejuízo quer para a PFN quer para o contribuinte pois, nos casos de preliminares, tais como decadência, erro da identificação do sujeito passivo, suspensão de imunidade ou isenção, caso a instância superior quer o Conselho em relação às DRJs, quer a CSRF em relação às Seções do CARF, se reformada a decisão, devolvese os autos para prosseguimento do julgamento quanto às questões não apreciadas no julgamento anterior em razão da prejudicial. Alem disso, em se tratando de processo conexo, uma vez julgado o recurso voluntário do processo principal, é cabível o julgamento dos conexos/reflexos, na mesma instância ou fase recursal, ainda que o principal tenha sido objeto de recurso voluntário ou especial. Não vislumbrando quaisquer prejudiciais ao direito de defesa da PFN e, considerando que a omissão citada não ocorreu pois as razões do processo principal podem ser utilizadas em eventual recurso especial, opino para a rejeição dos Embargos. CONCLUSÃO: voto no sentido de conhecer dos embargos e rejeitálos. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 3DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE Assinado digitalmente em 11/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por LEONARDO HENR IQUE MAGALHAES DE
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Numero do processo: 10218.001271/2007-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
Acolhe-se os embargos para suprir omissão no acórdão embargado.
Numero da decisão: 1302-000.456
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer dos
embargos e retificar o acórdão embargado para negar provimento ao recurso de ofício também em relação à matéria embargada
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 Acolhe-se os embargos para suprir omissão no acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade conhecer dos embargos e retificar o acórdão embargado para negar provimento ao recurso de ofício também em relação à matéria embargada MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente. e relator EDITADO EM: 31/01/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: WILSON FERNANDES GUIMARAES, ANDRE RICARDO LEMES DA SILVA, DANIEL SALGUEIRO DA SILVA, EDUARDO DE ANDRADE, IRINEU BIANCHI e MARCOS RODRIGUES DE MELLO Relatório Trata-se de embargos de declaração apresentado tempestivamente pela Fazenda Nacional em relação ao acórdão 1302-00.243, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF. Fl. 770DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 31/01/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 2 Alega a embargante que o acórdão embargado não se manifestou sobre a dedutibilidade da base negativa da CSLL da receita omitida. Observo assistir razão à embargante, pois o acórdão guerreado foi omisso em relação à matéria citada. Passo, então a me manifestar sobre a matéria. Em elação à CSLL o acórdão DRJ se manifestou: Em relação ao ano-calendário 2003, o contribuinte apurou um prejuízo fiscal no período, no valor de R$ 1.062.249,27 (fl. 22). Dessa forma, na apuração da base de cálculo do lançamento, teria direito de deduzir da receita omita o prejuízo fiscal anteriormente apurado. Fato que se verificou no lançamento. De outra sorte, o contribuinte que tinha apurado, no ano- calendário 2003, uma base negativa da CSLL, não viu valer seu direito de deduzir da receita omitida a base negativa da CSLL apurada na DIPJ 2004. Dessa forma, tenho que os lançamentos do IRPJ, ano-calendário 2002 e 2003, e da CSLL, anos-calendário 2002, são irretocáveis. Diferentemente, o lançamento da CSLL, ano-calendário 2003, deve ser ajustado, no sentido de deduzir da base negativa da contribuição a base negativa declarada na DIPJ 2004, no valor de R$ 1.062.249,27. Todavia a dedução do retro citado prejuízo fiscal (e da base negativa da CSLL), na apuração da base de cálculo do lançamento, importa no respectivo ajuste do LALUR. Logo, os valores compensados, durante o lançamento ou julgamento, devem ser excluídos do LALUR. Apreciando os autos, não vejo qualquer determinação para que o contribuinte fizesse as devidas exclusões no LALUR. E mais, o Sistema de Acompanhamentos de Prejuízos Fiscais e Base Negativa da CSLL da RFB (SAPLI) não demonstra a realização do ajuste. Então, no caso, faz-se necessário os ajustes no SAPLI e a intimação do contribuinte para que este exclua do LALUR o prejuízo fiscal e a base negativa da CSLL compensados no lançamento/julgamento. Não há reparos a fazer à decisão DRJ. Tendo sido apurada base negativa de CSLL, esta deve ser levada em consideração para determinação da base tributável, o que não ocorreu no lançamento questionado. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer dos embargos e retificar o acórdão embargado para negar provimento ao recurso de ofício também em relação à matéria embargada. Voto Fl. 771DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 31/01/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10218.001271/2007-75 Acórdão n.º 1302-00.456 S1-C3T2 Fl. 2 3 Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO Observo assistir razão à embargante, pois o acórdão guerreado foi omisso em relação à matéria citada. Passo, então a me manifestar sobre a matéria. Em elação à CSLL o acórdão DRJ se manifestou: Em relação ao ano-calendário 2003, o contribuinte apurou um prejuízo fiscal no período, no valor de R$ 1.062.249,27 (fl. 22). Dessa forma, na apuração da base de cálculo do lançamento, teria direito de deduzir da receita omita o prejuízo fiscal anteriormente apurado. Fato que se verificou no lançamento. De outra sorte, o contribuinte que tinha apurado, no ano- calendário 2003, uma base negativa da CSLL, não viu valer seu direito de deduzir da receita omitida a base negativa da CSLL apurada na DIPJ 2004. Dessa forma, tenho que os lançamentos do IRPJ, ano-calendário 2002 e 2003, e da CSLL, anos-calendário 2002, são irretocáveis. Diferentemente, o lançamento da CSLL, ano-calendário 2003, deve ser ajustado, no sentido de deduzir da base negativa da contribuição a base negativa declarada na DIPJ 2004, no valor de R$ 1.062.249,27. Todavia a dedução do retro citado prejuízo fiscal (e da base negativa da CSLL), na apuração da base de cálculo do lançamento, importa no respectivo ajuste do LALUR. Logo, os valores compensados, durante o lançamento ou julgamento, devem ser excluídos do LALUR. Apreciando os autos, não vejo qualquer determinação para que o contribuinte fizesse as devidas exclusões no LALUR. E mais, o Sistema de Acompanhamentos de Prejuízos Fiscais e Base Negativa da CSLL da RFB (SAPLI) não demonstra a realização do ajuste. Então, no caso, faz-se necessário os ajustes no SAPLI e a intimação do contribuinte para que este exclua do LALUR o prejuízo fiscal e a base negativa da CSLL compensados no lançamento/julgamento. Não há reparos a fazer à decisão DRJ. Tendo sido apurada base negativa de CSLL, esta deve ser levada em consideração para determinação da base tributável, o que não ocorreu no lançamento questionado. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer dos embargos e retificar o acórdão embargado para negar provimento ao recurso de ofício também em relação à matéria embargada. Fl. 772DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 31/01/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 4 MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Relator Fl. 773DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 31/01/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10530.901534/2008-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS.Data do fato gerador: 15/12/2003REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. APRESENTAÇÃO DE PER/DCOMP.O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação deDCTF que contenha erro material. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, faz-se necessário a retificação da DCTF, de ofício ou pelo contribuinte.Recurso Voluntário Provido.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 3302-000.810
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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RETIFICAÇÃO DE DCTF. APRESENTAÇÃO DE PER/DCOMP. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, fazse necessário a retificação da DCTF, de ofício ou pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator EDITADO EM: 07/02/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 111DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório A empresa NOVA ALIANÇA S/A apresentou PER/DCOMP pleiteando a restituição de Cofins paga a maior no dia 15/12/2003 por erro de apuração. A RFB indeferiu o pleito da recorrente, e não homologou as compensações declaradas, sob a alegação de que o pagamento indicado no PER/DCOMP fora integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo credor disponível para compensação dos débitos informados na PER/DCOMP. Ciente, a empresa interessada apresenta manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que além de errar no cálculo da Cofins devida não fez a retificação da DCTF, vindo a fazêlo após a ciência da decisão deste processo, mas de fato houve pagamento a maior e, portanto, tem direito à repetição do indébito. A DRJ em Salvador BA indeferiu a manifestação de inconformidade sob a alegação de que não produz efeito algum a apresentação de DCTF retificadora após o início do procedimento de ofício e que não existe crédito passível de compensação, nos termos do Acórdão nº 1522.503, de 10/02/2010, cuja ementa apresenta o seguinte teor: DCTF RETIFICADORA POSTERIOR À CIÊNCIA DE DESPACHO DECISÓRIO. NÃO ADMISSÃO. Não cabe reparo a despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado. COMPENSAÇÃO. O crédito usado em compensação tem que estar disponível na data da transmissão do PERDCOMP. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 16/03/2010 e, não se conformando, apresentou o recurso voluntário no dia 04/04/2010 (fls. 77/85), no qual reitera as razões da manifestação de inconformidade, especialmente quanto à existência de fato de pagamento indevido que, pelo princípio da verdade material, deve ser restituído à recorrente. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais dispositivos legais e, portanto, merece ser conhecido. Fl. 112DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10530.901534/200886 Acórdão n.º 330200.810 S3C3T2 Fl. 110 3 Como relatado, a empresa recorrente apurou a existência de pagamento indevido de Cofins e o utilizou para compensação de débitos seus, apresentando a competente PER/DCOMP sem, contudo, efetuar a retificação da DCTF anteriormente apresentada. Corretamente, a DRF verificou que o valor do pagamento (Darf) informado pela recorrente fora integralmente aproveitado no débito de mesmo valor informado na DCTF e, por esta razão, não reconheceu a existência de crédito e não homologou a compensação declarada. Somente após a ciência da decisão que não homologou a compensação declarada é que a recorrente providenciou a retificação da DCTF e ingressou com manifestação de inconformidade, esta indeferida pela DRJ porque a DCTF fora apresentada após a ciência do Despacho Decisório da DRF e, pelas disposições do inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 786/2007, não produz nenhum efeito, inexistindo crédito a favor da recorrente. Por seu turno, a empresa recorrente sustente que o crédito efetivamente existe, está devidamente provado nos autos e que os erros cometidos por ela não afasta o seu direito à repetição do indébito, em homenagem ao princípio da verdade material. Com razão a recorrente. Tenho reiteradamente defendido neste Colegiado que, em matéria tributária, a verdade material deve ser sempre perseguida, isto sem abandonar as normas procedimentais da RFB. No caso em tela, não existe norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico. O comando contido no inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 786/2007, abaixo reproduzido, não se refere a decisão em pedido do contribuinte, que não é procedimento fiscal, em sentido estrito, ou seja, procedimento tendente a apurar débito do contribuinte. Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, Fl. 113DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. (grifei). Portanto, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF em qualquer fase do pedido de restituição, sendo que o mesmo somente pode ser deferido após a retificação da DCTF, de ofício ou pelo contribuinte. Claro que o Despacho Decisório da DRF não poderia ser outro, porque a RFB não tinha conhecimento do erro material cometido pela recorrente na apuração da Cofins objeto do pedido de restituição. Particularmente, entendo que o fato de a RFB vir a conhecer do erro material em fase posterior à apresentação regular da PER/DCOMP, inclusive por meio de DCTF retificadora, não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. O indébito existe e tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN. Quanto ao montante do crédito a que tem direito a recorrente, fica ressalvado o direito de a RFB determinar a base de cálculo do PA 11/03, apurar a Cofins devida e verificar se o valor do crédito pleiteado está correto. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar a compensação declarada, até o limite do valor apurado pela RFB. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 114DF CARF MF Emitido em 11/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 07/02/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001034/2007-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Período de apuração: 01/11/2000 a 31/07/2003, 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/10/2005 a31/1012005
DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI N° 8,212/1991 -
INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e 6. administração Pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO COM BASE NO DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DE DÉBITO — Tendo a decisão de primeira instância dado provimento parcial em face de erro constatado na apuração de valores efetivamente devidos, não
há que ser modificada tal decisão em sede de Recurso de Oficio.
RECURSO DE OFÍCIO NEGADO.
Numero da decisão: 2401-001.487
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em
negar provimento ao recurso de oficio; e b) em acolher de oficio a preliminar de decadência; e II) Por maioria de votos, em declarar a decadência até a competência 05/2002. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que com relação ao levantamento REM acolhia a decadência até 11/2001.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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ASSUNTO: CLASSIFICAÇÂO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/11/2000 a 31/07/2003, 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/10/2005 a31/1012005 DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI 1\1° 8,212/1991 - INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE De acordo corn a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Sumulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e 6. administração Pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO COM BASE NO DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DE DÉBITO — Tendo a decisão de primeira instância dado provimento parcial em face de erro constatado na apuração de valores efetivamente devidos, não há que ser modificada tal decisão em sede de Recurso de Oficio. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. Vistas, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso de oficio; e b) em acolher de oficio a preliminar de decadência; e II) Por maioria de votos, em declarar a decadência até a competência 05/2002. Vencida a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que com relação ao levantamento REM acolhia a decadência até 11/2001. ELIAS SAMPAIO EIRE - Presidente ■ MARCEL ,ZA COSTA - Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Peneira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, 2 Processo n° 11330.001034/2007-81 S2-C4T1 Acórdão ri.° 2401-01.487 Fl. 506 Relatório Trata-se de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 184/188), refere-se as contribuições sociais correspondentes parte da empresa; bem como as destinadas ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho e aos terceiros: FNDE, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE; apuradas com base na escrituração contábil, folhas de pagamento, guias de recolhimento da Previdência Social e processos trabalhistas apresentados pela empresa durante a auditoria-fiscal. A DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO RIO DEJANEIRO (RJ) através doa Acórdão n° 12-17.426 - 10a Turma da DRJ/RJOI julgou o presente lançamento procedente em parte e Deste ato a Presidente da Turma recorre de oficio ao Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes, face à exoneração do crédito em valor superior ao limite de alçada previsto no art 1' inciso I, da Portaria MPS n° 158, de 11/04/2007. Por seu turno o Presidente da Sexta Camara do Segundo Conselho de Contribuintes através do DESPACHO NP- 206-0.086/2008 (fls. 496) determinou o encaminhamento dos autos a Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro- RJ Centro, para que fosse dada ciência da decisão prolatada ao contribuinte e aberto o prazo para a interposição de recurso voluntário, em respeito ao contraditório, à ampla defesa e à economia processual Através do Oficio n° 332/2008 (fls. 498) a empresa foi notificada e não apresentou recurso. o relatório. 3 Sala das Sessões ern...2-1—deou bro de 2010 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, Relator O recurso é tempestivo e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. O recurso de oficio não merece acolhimento tendo em vista no haver qualquer reparo na decisão de primeira instância. Ao se obse rvar as razões que levaram o julgador de primeira instância a julgar procedente em parte o lançamento, vemos que o fez tão somente para corrigir o erro constatado na apuração dos valores efetivamente devidos, levando-se em conta o DADR de fls. 439 a 479 que retificou o lançamento em virtude da documentação apresentada pela Notificada. Embora não suscitada em sede de recurso, passo a verificar a decadência do direito da Fazenda de lançar as contribuições em questão, por ser matéria de ordem pública. Na data da lavratura, o fisco previdenciário aplicava, para fins de aferição da decadência do direito de constituir o crédito, as disposições contidas no art. 45 da Lei n.° 8.212/1991, todavia, tal dispositivo foi declarado inconstitucional com a aprovação da Súmula Vinculante n.° 08, de 12/06/2008 (DJ 20/06/2008), que carrega a seguinte redação: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5" do decreto-lei n° 1,569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei le 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. No caso em baila, a ciência do lançamento deu-se em 29/06/2007 e o período do crédito é de 01/11/2000 a 31/07/2003, 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/10/2005 a 31/10/2005, nos termos da decisão de primeira instância. Ao caso vislumbro de uma análise dos anexos que acompanham a NFLD, de que houve algum tipo de antecipação de pagamento (mesmo que parcial), ao que nos socorremos da aplicação da decadência qüinqüenal do Código Tributário Nacional — CTN, mais especificamente àquela constante do art. 150, § 4.°. Diante desse cenário, devem ser excluídas do crédito em razão da decadência o período de 11/2000 a 05/2002. Voto, assim, por NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO, reconhecendo porém, a DECADENCIA PARCIAL das contribuições lançadas até a competência 05/2002 (inclusive). MARC U COSTA - Relator 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA -CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 11330.001034 12007-81 Recurso n°: 151.537 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Camara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.487 Brasilia, 28 de Dezembro de 2610 AC%DIA \çP4:12)- MADALENA SILVA Chefe da Secretaria da Quarta Camara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ Com Recurso Especial [1 Com Embargos de Declaração Data da ciancia: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 36624.001579/2004-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/07/2001
REVISÃO LANÇAMENTO - ART. 149 CTN MOTIVAÇÃO - AUSÊNCIA
A constituição de um novo lançamento ou a revisão de crédito previdenciário decorrente de auditoria fiscal previdenciária que abranja períodos e fatos já objeto de auditorias-fiscais anteriores, nas quais a contabilidade foi verificada, está condicionada a ocorrência das hipóteses previstas no art. 149
do CTN, cuja ocorrência deve restar plenamente demonstrada.
LANÇAMENTO. VICIO MATERIAL.
A falta de fundamentação na revisão de crédito previdenciário para a efetivação de lançamento caracteriza vicio substancial, material, urna nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN.
PROCESSO ANULADO.
Numero da decisão: 2402-000.535
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) nas preliminares, em anular o lançamento pela existência de vicio. II) Por voto de qualidade: a) em reconhecer o vicio existente como material, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Lourenço Ferreira do Prado, Rogério de Lellis Pinto e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Convocado). Redator designado Marcelo Oliveira.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2000 a 31/07/2001 REVISÃO LANÇAMENTO - ART. 149 CTN MOTIVAÇÃO - AUSÊNCIA A constituição de um novo lançamento ou a revisão de crédito previdenciário decorrente de auditoria fiscal previdenciária que abranja períodos e fatos já objeto de auditorias-fiscais anteriores, nas quais a contabilidade foi verificada, está condicionada a ocorrência das hipóteses previstas no art. 149 do CTN, cuja ocorrência deve restar plenamente demonstrada. LANÇAMENTO. VICIO MATERIAL. A falta de fundamentação na revisão de crédito previdenciário para a efetivação de lançamento caracteriza vicio substancial, material, urna nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. PROCESSO ANULADO.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-08-12T14:12:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-08-12T14:12:48Z; Last-Modified: 2011-08-12T14:12:48Z; dcterms:modified: 2011-08-12T14:12:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:489f3e8f-ffda-4af9-bb30-07094efac454; Last-Save-Date: 2011-08-12T14:12:48Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-08-12T14:12:48Z; meta:save-date: 2011-08-12T14:12:48Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-08-12T14:12:48Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-08-12T14:12:48Z; created: 2011-08-12T14:12:48Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2011-08-12T14:12:48Z; pdf:charsPerPage: 1744; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-08-12T14:12:48Z | Conteúdo => S2-C4T2 Fl. 93 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 36624.001579/2004-70 Recurso n° 152.235 Voluntário Acórdão n° 2402-00.535 — 4' Câmara / 2' Turma Ordinária Sessão de 22 de fevereiro de 2010 Matéria DIFERENÇAS DE CONTRIBUIÇÃO Recorrente ORGANIZAÇÃO PAULISTANA EDUCACIONAL E CULTURAL Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIARIA SRP ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2000 a 31/07/2001 REVISÃO LANÇAMENTO - ART. 149 CTN MOTIVAÇÃO - AUSÊNCIA A constituição de um novo lançamento ou a revisão de crédito previdenciário decorrente de auditoria fiscal previdenciária que abranja períodos e fatos já objeto de auditorias-fiscais anteriores, nas quais a contabilidade foi verificada, está condicionada a ocorrência das hipóteses previstas no art. 149 do CTN, cuja ocorrência deve restar plenamente demonstrada. LANÇAMENTO. VICIO MATERIAL. A falta de fundamentação na revisão de crédito previdenciário para a efetivação de lançamento caracteriza vicio substancial, material, urna nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. PROCESSO ANULADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4' Câmara / 2' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por unanimidade de votos: a) nas preliminares, em anular o lançamento pela existência de vicio. II) Por voto de qualidade: a) em reconhecer o vicio existente como material, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselhei Lourenço Ferreira do Prado, Rogério de Lellis Pinto e Rycardo Henrique Magalhães Oliveira (Convocado). Redator designado Marcelo Oliveira. / MARCELO'''. / /14'r. esidente e Redator Designado / /4/. ./ 7 1/ 7 MARIA BANDEIRA — Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogerio de Lellis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira (Convocado) e Núbia Moreira Barros Mazza (Suplente). 2 Processo n°36624.00157912004-70 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.535 Fl. 94 Relatório Trata-se de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa, à destinada ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, as destinadas a terceiros (Salário-Educação, SESC, SEBRAE e INCRA). O Relatório Fiscal (fls. 20/22) informa que os fatos geradores se constituem em diferenças de salários constantes em folhas de pagamento e não declarados em GFIP, cujas contribuições correspondentes não foram lançadas em notificação lavrada anteriormente, sob n° 35.516.800-6, de 26/11/2002. A auditoria fiscal apresenta planilha demonstrativa das diferenças ora lançadas. A notificada apresentou defesa (fls. 28/30), onde alega que sofreu longa e dificultosa fiscalização em 28/06/2002, quando foram lavrados notificações, autos de infração e inexplicáveis guias de recolhimento. Aduz que todas as notificações, autos e mesmo as guias de recolhimento tiveram defesas individuais, restando sub júdice, sem qualquer manifestação do órgão as NFLDs 35.516.799-9 e 35.516.800-6. Alega que abrupta e intempestivamente nova fiscalização foi aberta e culminou com a lavratura de mais duas notificações, as quais considera nulas de pleno direito, eis que interferem no período já fiscalizado. Considera que se alguém errou ao elaborar as primeiras notificações, se estas estavam incompletas ou parciais, que arque com as conseqüências de seu erro. Afirma que da forma como foi efetuado o lançamento, torna-se impossível notificada defender-se. Pela Decisão-Notificação n° 21.003.0/0260/2006 (fls. 50/53), o lançamento foi considerado procedente. Contra tal decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 66/71) onde solicita anexação da presente notificação com a de n° 35.516.800-6 diante da conexão entre as mesmas. No mais, atem-se a questionar a capacidade técnica e jurídica do agente fiscal e do julgador de primeira instancia. Tece considerações a respeito do fato de ser uma entidade educacional e considerada empresa pela auditoria fiscal. 3 Considera que ao transformar o julgamento em diligência, o julgador se apercebeu de inúmeras e concretas incoerências e erros com que laborou o agente fiscal o que resultou na retificação da NFLD. Entende indevidas as aplicações de multa e juros SELIC, as quais considera verdadeiro confisco. 0 recurso teve seguimento por força de segurança concedida no 2006.61.00.021935-9. É o relatório. 4 Processo n° 36624.001579/2004-70 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.535 Fl. 95 Voto Vencido Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora 0 recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Da análise das peças que compõem os autos, é possível observar que se trata de lançamento suplementar em relação a notificação lavrada anteriormente, cuja necessidade se verificou após o cumprimento de diligência comandada após apresentação de defesa contra a citada notificação. De acordo com o Relatório Fiscal, trata-se de diferenças de salários que não foram consideradas em sua totalidade na notificação anterior de n° 35.516.800-6. A recorrente manifesta seu inconformismo pelo fato de já ter sido objeto de ação fiscal com apuração de créditos, os quais ainda se encontram em discussão na esfera administrativa. , Ao meu ver, a existência de discussão administrativa em relação à notificação anterior, tão somente, lido representa óbice ao lançamento suplementar. Também não se verifica a alegada conexão existente entre a notificação anterior e a presente. A fiscalização pode, desde que não ocorrida a decadência, verificar a regularidade e apurar eventuais tributos não recolhidos. Ocorre que, no presente caso, quando da realização da ação fiscal anterior, houve a cobertura contábil, ou seja, verificação do Livro Diário, até 31/12/2001, conforme demonstra o TEAF — Termo de Encerramento da Ação Fiscal, cuja cópia encontra-se juntada folha 45. Tem sido entendimento nesta instância de julgamento que a cobertura contábil efetuada pela fiscalização, sem qualquer ressalva, significa que houve a homologação dos procedimentos efetuados pelo contribuinte e, a partir de então, qualquer lançamento para o tr. mesmo período se caracteriza como revisão do lançamento e está sujeito a demonstração da ocorrência de qualquer das hipóteses ensejadoras da revisão, estabelecidas no art. 149 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 149. 0 lançamento é efetuado e revisto de oficio pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I- quando a lei assim o determine; - quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributtiria; III - quando a pessoa legalmente obrigada, embora te4.7V\ prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe Jei 5 atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recuse-se a prestá-lo ou não o preste satisfatoriamente, a juizo daquela autoridade; IV - quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V - quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI - quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniário; VII - quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em beneficio daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII - quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX - quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ott formalidade especial. O embasamento legal que autoriza o lançamento, seja decorrente de fiscalização ou não, deve ser informado ao contribuinte em sua totalidade, em razão da vinculação obrigatária da administração ao principio da legalidade. 0 lançamento em questão compreende as competências 08/2000 e 07/2001. Como a cobertura contábil se deu até 31/12/2001, se está diante de uma revisão do lançamento anterior. A revisão do lançamento sem o enquadramento nas hipóteses ensej adoras ou seu enquadramento deficiente é vicio relacionado a motivação. 0 art. 50, inciso VI, § 1 0, da Lei n° 9.784/99, assim estabelece: "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dosfUndamentos jurídicos, quando: VI- decorram de reexame de oficio; I° A motivação deve ser explicita, clara e congruente, podendo consistir ern declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Ao meu ver, lançamento não motivado ou com motivação deficiente estk, eivado de nulidade por vicio formal. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. 6 Processo n° 36624.001579/2004-70 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.535 H. 96 Voto no sentido de CONHECER do recurso e ANULAR LANÇAMENTO por vicio formal. como voto. Sala das Sessões, em 22 de fevereiro de 2010 achet) ARIA BANDEIRA — Relatora , Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Redator Designado Com todo respeito ao excelente voto elaborado pela relatora, divirjo, somente, quanto ao tipo de vicio existente. Sobre o vicio praticado entendo ser o mesmo de natureza material. Nos atos administrativos, lançamento tributário por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, fauna e finalidade. conceituado como formal o vicio que contamina o ato administrativo em seu elemento "forma", como conceituado por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zane lla Di Pietro. 1 Segundo a mesma autora, o elemento "forma" comporta duas concepções: 1. Restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: auto-de-infração); e 2. Ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF); ciência obrigatória do sujeito passivo; oportunidade de impugnação no prazo legal), isto é, esta última confunde-se com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando a consecução de determinado resultado final. Portanto, qualquer que seja a concepção, "foima" não se confunde com o "conteúdo" material ou objeto. Forma é requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade deteiminada pela lei. E quando se diz "exteriorização" devemos concebê-la como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Dai temos que conteúdo e forma não se confundem. Sem se estender muito, nas relações de direito público a forma confere segurança ao administrado contra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, dai a exigência legal de fotnialidades ou ritos. No caso do ato administrativo de lançamento, o auto-de-infração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. A sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regra-matriz corno gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador e sua fundamentação legal, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. No presente caso, trata-se de lançamento substituto, permitido somente em hipóteses definidas pela legislação (Art. 149, CTN). Portanto, a ausência de alguma de I DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, Sao Paulo: Editora Atlas, 11a edição, páginas 187 a 192. 8 Processo n°36624.00157912004-70 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.535 Fl. 97 hipóteses legais, devidamente demonstrada nos autos, constitui7se em vicio material, pois o lançamento foi efetuado de forma diferente ao detetininado pela legislação. "[...J RECURSO EX OFFICIO — NULIDADE DO LANÇAMENTO — VICIO FORMAL. A verificação da ocorrência do .fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional — CTN, são elen2entos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributciria em concreto. 0 levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios a sua formalização, a qual se dá no monicnto seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da not ao sujeito passivo, quando, ai sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula1.1 " (7" Câmara do 1° Conselho de Contribuintes — Recurso n° 129.310, Sessão de 09/07/2002) Por sua vez, o vicio material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. E ainda se procurou ao longo do tempo um critério objetivo para o que venha a ser vicio material. Dai, conforme recente acórdão, restará configurado o vicio quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN: O vicio material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equivoco na construção do lançamento quanto à verificaçã o das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vicio formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 192-00.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) O que não parece razoável é agrupar sob urna mesma denominação, víci situações completamente distintas: dúvida quanto a própria ocorrência do fato gerador, equívocos e omissões no dispositivo legal, da data e horário da lavratura, identificação do sujeito passivo. Apenas para citar alguns, que embora possam dificultar a defesa nk \ prejudicam a certeza de que o fato gerador ocorreu e que a responsabilidade é do sujeito passivo descrito. Nesse sentido: 9 0 OLIVEIRA, Redator Designado PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — NULIDADE - VICIO FORMAL - LANÇAMENTO FISCAL COM ALEGADO ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO — 11\rEXISTÊNCIA — Os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiem as infrações imputadas. Circunscrevem-se exigências legais para garantia da integridade do lançamento corno ato de oficio, mas não pertencem ao seu conteúdo mu:erial. 0 suposto erro na identificação do sujeito passivo caracteriza vicio substancial, uma nulidade absoluta, não permitindo a contagem do prazo especial para decadência previsto no art. 173, II, do CTN. (Acórdão n° 108-08.174 IRPJ, de 23/02/2005 da Oitava Cãmarci do Primeiro Conselho de Contribuintes). Ambos os vícios, formal e material, desde que comprovado o prejuízo a defesa, implicam nulidade do lançamento, mas é a diferença esclarecida acima que justifica a possibilidade de lançamento substitutivo a partir da decisão apenas quando o vicio é formal, pois não ha dúvida no lançamento de que o responsável foi identificado corretamente e que o fato gerador existiu. 0 rigor da forma como requisito de validade gera um grande número de lançamentos anulados. Em função desse prejuízo para o interesse público é que se inseriu no Código Tributário Nacional (CTN) a regra de novo prazo para contagem de decadência a partir da decisão, a fim de realização de lançamento substitutivo ao anterior, quando anulado por simples vicio na formalização. De fato, forma não pode ter a mesma relevância da certeza da responsabilidade e da existência do fato gerador. Ainda que anulado o ato por vicio formal, pode-se assegurar que há fundamentação legal para o lançamento, que o responsável foi quem praticou o fato gerador da obrigação e que esse fato existiu e continua existindo, diferentemente da nulidade por vicio material. Não se duvida da forma como instrumento de proteção do particular, mas nem por isso ela se situa no mesmo plano de relevância da responsabilidade e do conteúdo. Por todo o exposto, entendo como material o vicio presente na subsunção da elaboração do lançamento â alguma das hipóteses legais que permitem a efetivação do lançamento referente à revisão de credito tributário. Destarte, acato a preliminar por ocorrência de vicio material, ficando prejudicado o exame do mérito. Sala das Sess - es, em 22 d fevereiro fde 2010 10 e abril de 2010 Brasi MINISTÉRIO DA FAZENDA jf CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA- SEGUNDA SEÇÃO -Processo n°: 36624.001579/2004-70 Recurso n°: 152.235 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Quarta Camara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 24 00.535 ELIAS SAW IO FREIRE Presidente da Quarta Camara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10410.004167/2005-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2001
Ementa:
ITR — EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO - ÁREA DE UTILIZAÇÃO
LIMITADA - RESERVA LEGAL — AVERBAÇÃO - ATO CONSTITUTIVO.
A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que a sujeito passivo poderá suprimi-la da base de cálculo para apuração do ITR.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2101-000.672
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, em
NEGAR provimento ao recurso, nos termos do, voto da Relatora.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: ANA NEYLE OLIMPIO HOLANDA
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A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que a sujeito passivo poderá suprimi-Ia da base de cálculo para apuração do ITR. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos d9,-vajTa`Relatora, t___ C IO MARCOS CÂNDIDO — Presidente ,,t0.0,,,.. '1.0c).Q.,,,L..._. ANA 'vem LE OLImPIO HOLANDA — Relatora EDITADO EM: 2 "LU 10 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Ana Neyle Olímpio Holanda, Alexandre Naoki Nishioka, José Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage, Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a imposto sobre a propriedade territorial rural (1TR), referente ao imóvel denominado Fazenda Humaitá, localizado no município de Santa Luzia (AL), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 88.266,56, a título de imposto, acrescido da multa de oficio equivalente a 75% do valor do tributo apurado, além de juros de mora, em face da glosa de valores apresentados na declaração do tributo, referente ao exercício 2002, com supedâneo nos artigos 1°, 70, 9°, 10, 11 e 14 da Lei ri° 9393, de 19/11/1996, nos seguintes moldes: i) Área de Utilização Limitada — Reserva Legal — 702,80 ha para 0,00 ha. 2. Em contraposição ao lançamento, foi apresentada a impugnação de fls. 22 a 48. 3, Submetida a lide a julgamento, os membros da 1" Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) acordaram por dar o lançamento como procedente, resumindo o seu entendimento nos termos da ementa a seguir transcrita: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Tenitorial Rural — ITR Exercício.' 2001 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO, A exclusão de áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao reconhecimento delas pelo Ibama ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A exclusão da área de reserva legal da tributação pelo 1TR depende de sua averbação à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, até a data da ocorrência do fato gerador Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2001 ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. Lançamento Procedente 2 Processo n" 10410.004167/2005-94 S2-C1T1 Acórdão n ° 2101-K672 Fl 1.3.3 4. Intimado aos 29/01/2008, o sujeito passivo apresenta sua irresignação por meio de recurso voluntário tempestivo (fls. 93 a 124)„ 5. No apelo interposto, o sujeito passivo apresenta, em síntese, os seguintes argumentos em sua defesa: 1 — a desnecessidade do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para fins de exclusão da Área de Preservação Permanente da base de cálculo do ITR; 11 — demonstrou, por meio de mapa topográfico e planta planimétrica, que o imóvel corresponde a uma Área de Preservação Permanente, conforme definido no artigo 2° do Código Florestal; III — defende a possibilidade de juntada posterior de provas para comprovar a existência da Área de Preservação Permanente, em razão do princípio da verdade material; IV — é imprescindível que a Área de Preservação Permanente seja restaurada, sob pena de sofrer injusta, ilegal e irreal diminuição do Grau de Utilização do imóvel e conseqüente aumento da alíquota aplicável, 6. Ao final, pugna pelo provimento do recurso para o cancelamento do auto de infração guerreado, 7. Vieram os autos a julgamento neste colegiado, de acordo com as determinações de competência veiculadas pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, em seu artigo .3°, III. É o Relatório. Voto Conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda, Relatora O recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento, O objeto do presente processo é o auto de infração que diz respeito a imposto sobre a propriedade territorial rural (ITR), referente ao imóvel denominado Fazenda Humaitá, localizado no município de Santa Luzia (AL), no exercício 2001, em face da glosa de valores apresentados na declaração do tributo, por falta de comprovação, mediante documentação hábil e idônea das informações prestadas na declaração do ITR, a título de: Área de Utilização Limitada — Reserva Legal — 702,80 ha para 0,00 ha, O lançamento se arrimou na ausência do Ato Declaratório Ambiental (ADA) e na falta da sua averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no cartório de registro de imóveis competente. A exigência do Ato Declaratório Ambiental (ADA), para efeito de exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, assim entendidas as áreas de reserva legal, áreas de reserva particular de patrimônio natural e áreas de declarado interesse ecológico, e de outras áreas passíveis de exclusão, como áreas com plano de manejo florestal e áreas para reflorestamento, se fez valer a partir da Lei n° 10.165, de 27/12/2000, em seu artigo 17-0, em seu § 1°, que deu nova redação à Lei n° 6,938, de 31/01/1981, nos seguintes termos: Art. 17-0 Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3..11 do Anexo VII da Lei n 2 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. 0. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." O mandamento que determinou a averbação da área de reserva legal à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, foi inserido no § 80, do artigo 16 da Lei n° 4.771, de 15/09/1965 - o chamado Código Florestal, pelo artigo 1° da Medida Provisória if 2A66-67, de 24/08/2001, litteris: Art. 16. As florestas e outras . formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação especifica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantido', a título de reserva legal, no mínimo; • 8' A área de reserva leRal deve ser averbada à marRem da inseri fio de matrícula tio imóvel no re_istro de imóveis competente" sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código, (destaques da transcrição) Na espécie, à vista da Matrícula n° 5164, do Livro 2/BF, do Registro Geral de Imóveis (fls, 61 a 62 verso) não consta a averbação de qualquer área preservaeionista no imóvel em questão. Com efeito, nada há que ser reparado na glosa da Área de Utilização Limitada — Reserva Legal de 702,80 ha para 0,00 ha. Por oportuno, cabe ressaltar' que a averbação de determinada área imobiliária como reserva legal não se trata de formalidade, mas sim de ato constitutivo, vez que modifica o direito real sobre o imóvel, conforme determina o artigo 1.227 do Código Civil: Ar t, 1.227. Os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código. Ademais, que é uma peculiaridade da reserva legal a eleição, pelo proprietário, da parcela do imóvel, não inferior a 20%, que será reservada para a proteção ambiental, por tal, somente se constitui reserva legal com a averbação daquela área no registro de imóveis, o que lhe revestirá dos efeitos contra terceiros., 4 Processo o° 10410.00416712005-94 S2-C1T1 Acórdão n 2101-00.672 El 134 Assim, a Lei n°4.771, de 15/09/1965, passou a exigir a averbação no registro público, o que implica que a sua utilização se submeta às limitações legais Nesse sentido, o entendimento do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Mandado de Segurança n° 22688-9/PB, de relatoria do Ministro Moreira Alves (D3 de 28/04/2000), em que se discutiam os efeitos da constituição de reserva legal sobre o cálculo da produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária, cuja ementa a seguir se transcreve: EMENTA: Mandado de Segurança. Desapropriação de imóvel rural para fins de reforma agrária. Preliminar de perda de objeto da segurança que se rejeita. No mérito, não fizeram os impetrantes prova da averbação da área de reserva legal anteriormente à vistoria do imóvel, cujo laudo (fls.. 71) é de 09,05.96, ao passo que a averbação existente nos autos data de 26.11.96 (fls.. 73-verso), posterior' inclusive ao Decreto em causa, que é de 06.09.96, Mandado de segurança indeferido. Em voto-vista, proferido naquele julgamento, o Ministro Sepúlveda Pertence assim se pronunciou: Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser fidas como aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas ciliares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não , foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinaçâo nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei .florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo .sç 2° do art, 16 da Lei n° 4.771/65, não existe a reserva legal. Nessa mesma linha, o julgamento do Mandado de Segurança n" 23.370-2/GO, Relator designado Min. Sepúlveda Pertence, D7 de 28/04/2000, com a seguinte ementa: EMENTA: 1 - Reforma agrária: apuração da produtividade do imóvel e reserva legaLA "reserva legal", prevista no art 16, § 2° do Código Florestal, não é quota ideal que possa ser subtraída da área total do imóvel rural, para o fim do cálculo de sua produtividade (cf . L, 8,629/93, art. 10, in,senz que esteja identificada na sua averbação (Vg MS 22.688) II - ~riria agrária: desapropriação: vistoria e notificação. Ainda que na linha do entendimento majoritá rio do Tribunal, se empreste à notificação prévia da vistoria do imóvel expropriando, prevista no art. 2", § 2", da L 8.926/93, as galas de requisito de validade da expropriação subseqüente, não se trata de direito indisponível: não pode, pois, invocar a sua falta, o proprietário que, expressamente, consentiu que, sem ela, se iniciasse a vistoria, Mandado de segurança indeferido Ressalta-se que permanece firme a jurisprudência do STF, como no julgamento do MS n° 28.156/DF, DJ de 02/03/2007. Sob esses entendimentos, a área de reserva florestal não identificada no registro imobiliário não é de ser subtraída da área total do imóvel para o fim de cálculo da incidência do 1TR. Por fim, defende a recorrente a possibilidade de juntada posterior de provas para comprovar a existência da Área de Preservação Permanente, em razão do princípio da verdade material. Em que pese o artigo 16, § 4 0, do Decreto n" 70235, de 06/03/1972, determinar que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que ocorram as situações excepcionais ali enumeradas, vige o entendimento de que o processo administrativo fiscal não é seara para forinalismos extremes, aceitando-se que sejam apresentadas provas antes do julgamento em segunda instância. Entretanto, na espécie, a recorrente não aduziu aos momento posterior à impugnação elementos capazes de elidir a exação fisc Forte no exposto, somos por negar provimento ao Sala das Sessões, em 18 de agosto de 2010 h e e 'rir-1Q.... ilimpiouHolanda apresentado.apresentado autos, mesmo em ai, recurso voluntário
score : 1.0
Numero do processo: 10940.002773/2005-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Aug 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001
IRPF. DESPESAS MÉDICAS, GLOSA.
O contribuinte que apresentou recibos considerados inidõneos deve fazer a contraprova do pagamento e da prestação do serviço.
Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente é suficiente para
confirmar a prestação da totalidade dos serviços e os respectivos pagamentos.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-000.712
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votas, em DAR
provimento ao recurso para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$ 5.932,58 e R$ 200,00, nos termos do voto do relatar.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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DESPESAS MÉDICAS, GLOSA, O contribuinte que apresentou recibos considerados inidõneos deve fazer a contraprova do pagamento e da prestação do serviço. Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente é suficiente para confirmar a prestação da totalidade dos serviços e os respectivos pagamentos. Recurso provido, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votas, em DAR provimento ao recurso para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$ 5,932,58 e R$ 200,00, nos termos do voto do relatar. AIO MARCOSyÁSDIDO - Presidente / flQ ALEXAINDRE NAk.)K.I NISHj\jOKA Relator EDITADO EM: 2 4 sE T 2010 Participaram do julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cãndido, Alexandre Naoki Nishioka, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage, Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 64/65) interposto em 19 de novembro de 2008, contra o acórdão de fls. 54/60, do qual o Recorrente teve ciência em 31 de outubro de 2008 (ft 63), proferido pela 5 n Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o auto de inflação de fls. 03/09, lavrado em decorrência de dedução indevida de despesas médicas para efeitos de apuração do IRPF, verificada no ano-calendário de 2000. O acórdão teve a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001 DESPESAS MÉDICAS PROVA A prova das despesas médicas declaradas deve atender aos requisitos da legislação vigente sob pena de não ser aceita sua dedução da base de cálculo do IRPF na Declaração de Ajuste ERRO DE FATO NO LANÇAMENTO, VERDADE MATERIAL Comprovado o equívoco na apuração do IR Suplementar, deve o CITO ser reparado uma vez que erros ou equívocos não têm o condão de se transformarem em fatos geradores de obrigação tributária_ Lançamento Procedente em Parte" (11, 54). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para exonerar o crédito tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. No que se refere à glosa de despesas médicas, a controvérsia gira em torno da necessidade ou não da comprovação da efetiva prestação de serviços, bem como dos respectivos pagamentos. Em relação à dedução dessas despesas, a norma aplicável ao caso (Lei n„ 9.250/95) determina o seguinte: "Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as sornas: 2 Processo n° 0940 002773/2005-87 S2-C1T1 Acórdão ft° 2101-00.712 Fl. 77 I — de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II — das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem corno as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; §2°. O disposto na alínea 'a' do inciso II: I — aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; — restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; NI — limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou CadaStro Geral de Contribuintes — CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento." Por sua vez, o Decreto m 3.000/99, ao regulamentar o imposto de renda, reproduz o seguinte comando normativo: "Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n," 5.844, de 1.943, art. 11, § 3'). § 1'. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei n.° 5.844, de 1943, art, 11, § 4°)." No presente caso, os comprovantes apresentados pelo Recorrente para justificar as despesas médicas foram rejeitados pela Recorrida com base nos seguintes fundamentos: "Como se vê, a legislação tributária exige expressamente que a prova das despesas médicas seja feita por meio da apresentação dos comprovantes originais, e não cópias simples. A esse respeito, deve ser destacado que o sujeito passivo já tinha conhecimento desta determinação, afinal foi exatamente este o motivo da recusa, pela Fiscalização, dos comprovantes da UNIMED apresentados ainda na fase anterior ao lançamento, conforme se apura da indicação do Demonstrativo das Infrações: I) - GLOSADO R$ 5.932,58 REF.. RECIBO APRESENTADO PELO CONTRIBUINTE EM RESPOSTA À INTIMAÇÃO DE UNIMED PONTA GROSSA COOP. TRAB, MÉD. LTDA., CNN 77,781,706/0001-62 POIS O DOCUMENTO/RECIBO APRESENTADO PELO CONTRIBUINTE NÃO TEM 3 AUTENTICAÇÃO NEM IDENTIFICAÇÃO QUE CONFIRME LEGITIMIDADE DA PONTE EMITENTE. (destacamos) Evidente que se havia esta exigência para os comprovantes da UNIIVIED, que foram apresentados pelo contribuinte antes do lançamento, naturalmente a exigência se estenderia às Notas Fiscais da Santa Casa de Misericórdia de Ponta Grossa, que o contribuinte anexou à fl 18 também por cópia simples," (fi 57), Relativamente às cópias das declarações e notas fiscais apresentadas, entendo que não haveria necessidade de exigir-se do contribuinte qualquer outro documento, Não obstante, o Recorrente anexou ao seu recurso os documentos originais (fls. 66/67), motivo pelo qual entendo que as despesas de R$ 5.932,58 e R$ 200,00 devem ser restabelecidas. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento ao recurso, para restabelecer as deduções com despesas médicas nos valores de R$ 5.932,58 e R$ 200,00. Sala das Sessões-DE, em 19 de agosto de 2010 nt..19 ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA 4
score : 1.0
Numero do processo: 10665.720588/2007-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/07/2007
INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF.
APLICAÇÃO. Tendo o Pleno do STF declarado, de forma definitiva, a
inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, pode o CARF
aplicála
afastando exigência fundamentada no dispositivo declarado
inconstitucional. A base de calculo do das contribuições do PIS e da COFINS
é o faturamento, afastandose
a sua incidência sobre as receitas financeiras,
os créditos decorrente de pedidos de ressarcimento da Lei 9.363/96 e as
bonificações recebidas.
Numero da decisão: 3302-000.650
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/07/2007 INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Tendo o Pleno do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, pode o CARF aplicála afastando exigência fundamentada no dispositivo declarado inconstitucional. A base de calculo do das contribuições do PIS e da COFINS é o faturamento, afastandose a sua incidência sobre as receitas financeiras, os créditos decorrente de pedidos de ressarcimento da Lei 9.363/96 e as bonificações recebidas.
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Matéria PIS Recorrente SIDERÚRGICA ALTEROSA SA Recorrida DRJ BELO HORIZONTE/MG Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/07/2007 INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Tendo o Pleno do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, pode o CARF aplicála afastando exigência fundamentada no dispositivo declarado inconstitucional. A base de calculo do das contribuições do PIS e da COFINS é o faturamento, afastandose a sua incidência sobre as receitas financeiras, os créditos decorrente de pedidos de ressarcimento da Lei 9.363/96 e as bonificações recebidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSE DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 14/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 338DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES 2 Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevese o relatório produzido pela Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte: Lavrouse contra o contribuinte acima identificado o presente Auto de Infração (fls. 03/10), relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, totalizando um crédito tributário de R$ 87.634,01, incluindo multa de oficio e juros de mora, correspondente aos períodos de janeiro a julho de 2007 (fl. 07). A autuação ocorreu em virtude de divergência entre os valores da contribuição declarados/pagos e os valores apurados pelo fisco (fl. 11). Conforme o Termo de Verificação Fiscal, de fls. 12/17, o contribuinte excluiu indevidamente das bases de cálculo mensais do PIS, sem amparo legal ou judicial, as receitas financeiras e as outras receitas operacionais auferidas pela empresa, contrariando a Lei n°9.718, de 1998. O contribuinte está obrigado a apurar o PIS e a Cofins pelo regime cumulativo, uma vez que optou pelo lucro presumido na apuração do IRPJ e da CSLL. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) do referido Auto de Infração (fl. 05). liresignado, tendo sido cientificado em 28/08/2007 (fl. 198 verso), o autuado apresentou, em 13/09/2007, acompanhadas dos documentos de fls. 214/295, as suas razões de defesa (fls. 199/213), a seguir resumidas: •Narrando os fatos considerados na formalização do presente Auto de Infração, aduz que o procedimento do fisco é incorreto, uma vez que a Constituição Federal vigente à época da edição da Lei n" 9.718, de 1998, somente admitia como base de cálculo da contribuição o valor das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. Transcreve julgados do STF que determinaram a inaplicabilidade do §1" do art. 3' da Lei n° 9.718, de 1998, por inconstitucional, e decisões dos Conselhos de Contribuintes no mesmo sentido. Aduz que o crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS e Cofins apurado foi contabilizado de forma incorreta como "outras receitas", fato que não modifica a natureza de recuperação de custos de tal ressarcimento. Esse favor legal deveria ter sido contabilizado a crédito da conta que registra a própria conta da matéria prima, ou em subconta redutora desta, afirmação corroborada pelo §3" do art. 289 do RIR. Observa que tanto a isenção tributária na exportação de produtos quanto o ressarcimento das contribuições sociais pagas pelo fornecedor dos insumos nacionais utilizados na fabricação desses produtos buscaram desonerar as exportações do PIS e da Cofins, dando maior competitividade aos produtos nacionais, Fl. 339DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10665.720588/200736 Acórdão n.º 330200.650 S3C3T2 Fl. 339 3 para a geração de superávit na balança comercial. Transcreve julgados do Conselho de Contribuintes e decisões judiciais a respeito do tema. Entende que também não se sujeita à incidência da contribuição o valor das bonificações recebidas, pois não representam receita tanto da empresa vendedora como da compradora , uma vez que não há ingresso de recursos financeiros. Tais bonificações devem ser contabilizadas a débito da conta de matériasprimas e a crédito de conta redutora dessas matériasprimas. Sobre o assunto, transcreve acórdão do Conselho de Contribuintes. Explica que obteve judicialmente o direito de compensar PIS pago a maior, conforme os documentos em anexo, e a fiscalização fez incidir a contribuição sobre o valor compensado, contrariando o disposto no art. 2" do Ato Declaratório Interpretativo SRF n" 25, de 2003, o qual transcreve. Requer, conforme os argumentos anteriores, seja considerada a ação fiscal inteiramente improcedente, com o cancelamento do Auto de Infração, ou a exclusão da base de cálculo das receitas acima referidas. Após analisar os argumentos lançados, a delegacia de julgamento entendeu por bem julgar procedente em parte a Manifestação de Inconformidade, conforme se depreende da ementa reproduzida a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/07/2007 • A arguição de inconstitucionalidade de lei não é oponível na esfera administrativa por transbordar os limites da sua competência. O valor do crédito presumido do IPI instituído pelas Leis n" 9.363, de 1996, c n" 10.276, de 2001, integra a base de cálculo da contribuição para o PIS, incidente sobre a receita bruta. Nos termos da Lei n" 9.748, de 1998, as bonificações recebidas devem compor a base de cálculo do PIS. Não incide o PIS sobre os valores.recuperados judicialmente, quando se enquadrarem nos termos do art. 2" do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 25, de 2003. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Contra referido acórdão, foi interposto Recurso Voluntário, onde os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade são reprisados. É o relatório. Fl. 340DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES 4 Voto Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. A matéria tratada no presente processo se restringe a questão relativa ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS promovido pela Lei 9.718/98, ou seja, a incidência das contribuições sobre as receitas financeiras, bem como sobre outras receitas recebidas pela Recorrente que não se enquadram no conceito de faturamento. Em relação ao alargamento da base de cálculo a questão encontrase pacificada no E. STF, que decidiu no seguinte sentido: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 346.084/PR. Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO. Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO. Julgamento: 09/11/2005 Órgão Julgador: Tribunal Pleno) Do voto do Relator, Ministro Marco Aurélio, destacase: “Vale dizer que se está diante de diploma normativo cujo § 1 do art. 3 veio à luz sob o signo da inconstitucionalidade parcial, ao fazer compreender no conceito de receita bruta do contribuintes entradas outras diversas do produto da venda de mercadorias e serviços, instituindo, por conseqüência, nova fonte destinada a garantir a manutenção da seguridade social , o que somente por lei complementar poderia se feito validamente, como previsto no § 4 do referido art. 195 da Carta”. Fl. 341DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10665.720588/200736 Acórdão n.º 330200.650 S3C3T2 Fl. 340 5 Importante ressaltar que embora o julgador administrativo faleça de competência para declarar a inconstitucionalidade de lei, o Regimento Interno deste Conselho, em seu art. 62, assim prescreve: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Neste sentido, o antigo Conselho de Contribuintes já afastava a incidência das contribuições sobre as receitas que não sejam decorrentes do faturamento da empresa, senão vejamos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/08/1998 a 31/07/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOS FATOS ALEGADOS. É preciso que o contribuinte comprove os fatos alegados, ou ao menos traga aos autos provas circunstanciais ou indícios suficientes para que se requisite a perícia contábil. A não apresentação de documentos suficientes ou fatos objetivos neste sentido tornam verdadeiras as alegações da Fiscalização. COFINS. LEI Nº 9.718/98 (ALARGAMENTO DE BASE). INCONSTITUCIONALIDADE DA SELIC. O recente julgamento de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98 pelo Supremo Tribunal Federal não pode ser ignorada pelo tribunal administrativo, devendo, inclusive, ser reconhecida e aplicada de ofício por qualquer autoridade administrativa a nulidade da norma, sob pena de enriquecimento ilícito. Acertada a aplicação da taxa Selic. Recurso provido em parte (Acórdão . 20181.031. Relatora FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/08/2000 INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO.Tendo o Pleno do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº Fl. 342DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES 6 9.718/98, pode o Segundo Conselho de Contribuinte aplicar esta decisão para afastar a exigência do PIS e da Cofins sobre receita de deságio.Recurso provido (Acórdão. 20180.899. Relator Walber José da Silva) Assim, conforme se depreende das decisões acima transcritas as receitas financeiras e as outras receitas, estranhas ao faturamento, não devem ser tributadas pelo PIS e pela COFINS. No caso sob análise, as receitas financeiras, assim como os valores relativos ao crédito presumidos de IPI recebidos como ressarcimento do PIS e da COFINS nos termos da Lei nº 9.363/96 e os valores relativos a bonificações recebidas não se enquadram no conceito de faturamento, assim entendido como o decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Ante ao exposto, voto pro DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para cancelar o Auto de Infração. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES – Relator Fl. 343DF CARF MF Emitido em 06/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 14/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 14/05/2011 por ALEXANDRE GOMES
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