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Numero do processo: 13603.721171/2011-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 30/04/2008 a 31/08/2008
IPI. INCIDÊNCIA. REVENDA DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IMPORTADOS.
Por força do §2º, do art. 62, do RICARF/2015, reproduz-se o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543-C do CPC), de que os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil (EREsp 1.403.532/SC, DJe 18/12/2015).
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 30/04/2008 a 31/08/2008
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3401-004.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado para o cancelamento do lançamento da multa isolada, por IPI não lançado com cobertura de crédito, integralmente no PA de 07/2008 (R$ 11.125,68); e parcialmente, nos PA de 05/2008 (de R$ 16.022,51, para R$ 15.649,29 = 20.865,72 x 75%); PA de 06/2008 (de R$ 30.666,39, para R$ 10.972,83 = 14.630,45 x 75%); e PA de 08/2008 (de R$ 25.125,06, para R$ 19.252,39 = 25.669,86 x 75%).
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Renato Vieira de Ávila (Suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 30/04/2008 a 31/08/2008 IPI. INCIDÊNCIA. REVENDA DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IMPORTADOS. Por força do §2º, do art. 62, do RICARF/2015, reproduz-se o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543-C do CPC), de que os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil (EREsp 1.403.532/SC, DJe 18/12/2015). Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 30/04/2008 a 31/08/2008 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. Recurso Voluntário Provido em Parte
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INCIDÊNCIA. REVENDA DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IMPORTADOS. Por força do §2º, do art. 62, do RICARF/2015, reproduzse o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça em Recurso Repetitivo (art. 543C do CPC), de que os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil (EREsp 1.403.532/SC, DJe 18/12/2015). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 30/04/2008 a 31/08/2008 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado para o cancelamento do lançamento da multa isolada, por IPI não lançado com cobertura de crédito, integralmente no PA de 07/2008 (R$ 11.125,68); e parcialmente, nos PA de 05/2008 (de R$ 16.022,51, para R$ 15.649,29 = 20.865,72 x 75%); PA de 06/2008 (de R$ 30.666,39, para R$ 10.972,83 = 14.630,45 x 75%); e PA de 08/2008 (de R$ 25.125,06, para R$ 19.252,39 = 25.669,86 x 75%). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 11 71 /2 01 1- 90 Fl. 422DF CARF MF Processo nº 13603.721171/201190 Acórdão n.º 3401004.417 S3C4T1 Fl. 423 2 ROSALDO TREVISAN Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Renato Vieira de Ávila (Suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: "Relatório 1. Tratase de Auto de Infração do IPI, abrangendo cinco períodos de apuração, de 30/04/2008 a 31/08/2008, lavrado pela DRF/Contagem, contra uma filial das maiores empresas do ramo de supermercados no Brasil (“Pão de Açúcar” e “Extra”). Os valores globais, em Reais, são os seguintes: 2. A descrição dos fatos, contida no Termo de Verificação Fiscal (fls. 014 e 018), em apertada síntese, diz que o Auto de Infração é decorrente da falta de lançamento do imposto nas saídas para o mercado interno de produtos industrializados (pneumáticos) importados pelo estabelecimento, equiparado a industrial, por força do inciso I do art. 9º do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544/2002), vigente à época dos fatos geradores: Art. 9º Equiparamse a estabelecimento industrial: I os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso I); 3. Os débitos que deixaram de ser lançados foram calculados com base nos arquivos digitais do SINTEGRA entregues pelo contribuinte e os créditos a partir dos valores pagos no desembaraço aduaneiro. 4. Do encontro dos créditos com os débitos, resultaram saldos devedores em todos os períodos de apuração auditados. Foram aplicadas as multas por falta de recolhimento (do que pôde ser cobrado, após a reconstituição da escrita fiscal), bem como a por falta de lançamento, com cobertura de créditos, previstas no art. 80, caput, da Lei nº 4.502/64: Fl. 423DF CARF MF Processo nº 13603.721171/201190 Acórdão n.º 3401004.417 S3C4T1 Fl. 424 3 Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 5. A Fiscalização ainda relata que “apesar de algumas notas fiscais terem sido destinadas a outro estabelecimento da mesma firma, não há que se falar, neste caso, em suspensão do imposto, instituto previsto no art. 42, inciso IX, do ... RIPI/2002. O instituto da suspensão, conforme este dispositivo legal, é opcional ao contribuinte, que se manifesta, conforme art. 341, inciso III do mencionado Regulamento, pela inscrição da expressão ‘Saído com suspensão do IPI’ na Nota Fiscal”. 6. A autuada foi intimada pessoalmente da exigência em 11/03/2011 (fls. 004) e, irresignada, apresentou Impugnação, em 11/04/2011 (fls. 094 a 113) – considerada tempestiva pela SACAT/DRF/Contagem, conforme Despacho às fls. 149. 6.1. Inicialmente diz que, “Para a consecução de suas atividades ... eventualmente, procede à importação de mercadorias, recolhendo o ... IPI incidente na ocasião do desembaraço aduaneiro, nos termos do artigo 46, I, do ... CTN”. 6.1.1. “Nesse contexto, ... registrou as Declarações de Importação nos 08/04218182, 08/06351009, 08/09302530 e 08/12163146 ... , no caso, aquisição de pneus. 6.1.2. “Prosseguindo em suas atividades, a Impugnante remeteu as mercadorias importadas ... aos seus ‘centros de distribuição’ para, oportuna e posteriormente, transferilas para suas lojas, revendêlas diretamente para outras empresas do mesmo Grupo Econômico, ou mesmo revendêlas para ‘centros de distribuição’ de outras empresas do mesmo Grupo Econômico, que, poderão proceder à respectiva transferência para as lojas”. 6.2. Depois desfia longa argumentação, estribado em princípios constitucionais, na legislação, na doutrina e em decisões administrativas e judiciais, defendendo que os importadores comerciantes não poderiam ser equiparados a industriais, sendo, portanto, desobrigados a destacar o IPI nas saídas para o mercado interno. Seus argumentos podem ser assim sintetizados: 1) À luz do inciso III do art. 51 do CTN, só poderiam ser equiparados a industrial se fornecessem os produtos a estabelecimentos industriais, também em observância ao princípio da nãocumulatividade; 2) Haveria um “bis in idem na tributação no despacho aduaneiro e na saída para o mercado interno; 3) Para que o produto seja tributado pelo IPI seria necessário que o estabelecimento realizasse alguma operação de industrialização; 6.3. Depois contesta a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, por ser ilegal (já que o art. 161 do CTN só contemplaria o valor do tributo) Fl. 424DF CARF MF Processo nº 13603.721171/201190 Acórdão n.º 3401004.417 S3C4T1 Fl. 425 4 e por não constituir objeto do lançamento, obsta o direito do contribuinte contestála previamente à constituição definitiva do crédito tributário. 6.4. Ao final, pede que seja cancelada a exigência fiscal na sua totalidade (principal, multa, juros Selic e demais encargos legais) “e, determinado, por conseguinte, o arquivamento do processo administrativo instaurado”. É o que importa relatar." A decisão de primeira instância, proferida em 26/02/2014 (fls. 164/171), foi pela improcedência da impugnação, em decisão cuja ementa abaixo transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 30/04/2008 a 31/08/2008 IMPORTADOR DE PRODUTOS QUE DÁ SAÍDA AOS MESMOS. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. INCIDÊNCIA DO IPI NESTAS SAÍDAS. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira que derem saída a esses produtos para o mercado interno, devendo ser lançado e escriturado o IPI devido decorrente destas saídas (destinadas a quem quer que seja), com direito ao creditamento na escrita fiscal do imposto pago no desembaraço aduaneiro. Não há que se falar em ilegalidade na equiparação estabelecida pelo art. 9º, I, do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544/2002) vigente à época da ocorrência dos fatos geradores abrangidos por este Auto de Infração , pois encontra guarida nos arts. 46, II, c/c 51, II, do CTN, e no art. 4º, I, da Lei nº 4.502/64. O IPI incide sobre produtos industrializados (art. 153, IV, da Constituição Federal) e não necessariamente sobre uma operação de industrialização. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 30/04/2008 a 31/08/2008 INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. DESCONHECIMENTO. Não pode esta instância julgadora conhecer de contestação da incidência de juros sobre a multa de ofício, pois não faz parte do lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após ciência ao acórdão de primeira instância (AR à fl. 177), em 09/04/2014, apresentou o recurso voluntário de fls. 322/363, em 07/05/2014, em essência, reiterando a argumentação expressa na impugnação. Fl. 425DF CARF MF Processo nº 13603.721171/201190 Acórdão n.º 3401004.417 S3C4T1 Fl. 426 5 Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida O recurso apresentado preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. MÉRITO INCIDÊNCIA DO IPI NA REVENDA DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IMPORTADOS Inferese do voto condutor da decisão ora combatida que na Impugnação, em nenhum momento, digase, oportuno, sob pena de preclusão (arts. 16 e 17, do Decreto nº 70.235/72 PAF) o contribuinte contesta a forma de apuração dos valores lançados, o que, portanto, não está em discussão. Desse modo, como bem entendido pelo órgão julgador recorrido, a lide resumese a uma questão de Direito, sobre ser legítima a exigência do IPI na saída para o mercado nacional promovida por estabelecimento importador do mesmo produto, em decorrência da sua equiparação a industrial. Vale a pena rever a legislação abordada no voto condutor da decisão recorrida: Código Tributário Nacional Art. 46. O imposto, de competência da União, sobre produtos industrializados tem como fato gerador: I o seu desembaraço aduaneiro, quando de procedência estrangeira; II a sua saída dos estabelecimentos a que se refere o parágrafo único do artigo 51; III a sua arrematação, quando apreendido ou abandonado e levado a leilão. (...) Art. 51. Contribuinte do imposto é: I o importador ou quem a lei a ele equiparar; II o industrial ou quem a lei a ele equiparar; III o comerciante de produtos sujeitos ao imposto, que os forneça aos contribuintes definidos no inciso anterior; IV o arrematante de produtos apreendidos ou abandonados, levados a leilão. Fl. 426DF CARF MF Processo nº 13603.721171/201190 Acórdão n.º 3401004.417 S3C4T1 Fl. 427 6 Parágrafo único. Para os efeitos deste imposto, considera se contribuinte autônomo qualquer estabelecimento de importador, industrial, comerciante ou arrematante. ................... Lei nº 4.502/64 Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Art . 4º Equiparamse a estabelecimento produtor, para todos os efeitos desta Lei: I os importadores e os arrematantes de produtos de procedência estrangeira; ................... RIPI/2002 (Decreto nº 4.544/2002) Art. 9º Equiparamse a estabelecimento industrial: I os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso I); Vejase que o contribuinte do IPI é o industrial ou quem a lei a ele equiparar, nos termos do inciso II, do artigo 51, do CTN. Com fulcro nesse comando de lei complementar, o inciso I, do artigo 4º, da Lei nº 4.502/64, equiparou os importadores de produtos de procedência estrangeira a estabelecimento produtor, para todos os efeitos da referida lei. Assim, entendo, andou muito bem a decisão recorrida ao concluir que os importadores foram sim equiparados a industrial (produtor) por lei e, assim sendo, está devidamente prevista a hipótese de incidência na saída dos produtos destes estabelecimentos. Exatamente sobre essa matéria, o Superior Tribunal de Justiça STJ, com fundamento na sistemática do art. 543C, do CPC, firmou o seguinte entendimento: RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. FATO GERADOR. INCIDÊNCIA SOBRE OS IMPORTADORES NA REVENDA DE PRODUTOS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. FATO GERADOR AUTORIZADO PELO ART. 46, II, C/C 51, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN. SUJEIÇÃO PASSIVA AUTORIZADA PELO ART. 51, II, DO CTN, C/C ART. 4º, I, DA LEI N. 4.502/64. PREVISÃO NOS ARTS. 9, I E 35, II, DO RIPI/2010 (DECRETO N. 7.212/2010). 1. Seja pela combinação dos artigos 46, II e 51, parágrafo único do CTN que compõem o fato gerador, seja pela combinação do art. 51, II, do CTN, art. 4º, I, da Lei n. 4.502/64, art. 79, da Medida Provisória n. 2.15835/ 2001 e art. 13, da Lei n. Fl. 427DF CARF MF Processo nº 13603.721171/201190 Acórdão n.º 3401004.417 S3C4T1 Fl. 428 7 11.281/2006 que definem a sujeição passiva, nenhum deles até então afastados por inconstitucionalidade, os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil. 2. Não há qualquer ilegalidade na incidência do IPI na saída dos produtos de procedência estrangeira do estabelecimento do importador, já que equiparado a industrial pelo art. 4º, I, da Lei n. 4.502/64, com a permissão dada pelo art. 51, II, do CTN. 3. Interpretação que não ocasiona a ocorrência de bis in idem, dupla tributação ou bitributação, porque a lei elenca dois fatos geradores distintos, o desembaraço aduaneiro proveniente da operação de compra de produto industrializado do exterior e a saída do produto industrializado do estabelecimento importador equiparado a estabelecimento produtor, isto é, a primeira tributação recai sobre o preço de compra onde embutida a margem de lucro da empresa estrangeira e a segunda tributação recai sobre o preço da venda, onde já embutida a margem de lucro da empresa brasileira importadora. Além disso, não onera a cadeia além do razoável, pois o importador na primeira operação apenas acumula a condição de contribuinte de fato e de direito em razão da territorialidade, já que o estabelecimento industrial produtor estrangeiro não pode ser eleito pela lei nacional brasileira como contribuinte de direito do IPI (os limites da soberania tributária o impedem), sendo que a empresa importadora nacional brasileira acumula o crédito do imposto pago no desembaraço aduaneiro para ser utilizado como abatimento do imposto a ser pago na saída do produto como contribuinte de direito (nãocumulatividade), mantendose a tributação apenas sobre o valor agregado. 4. Precedentes: REsp. n. 1.386.686 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 17.09.2013; e REsp. n. 1.385.952 SC, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 03.09.2013. Superado o entendimento contrário veiculado nos EREsp. nº 1.411749PR, Primeira Seção, Rel. Min. Sérgio Kukina, Rel. p/acórdão Min. Ari Pargendler, julgado em 11.06.2014; e no REsp. n. 841.269 BA, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 28.11.2006. 5. Tese julgada para efeito do art. 543C, do CPC: "os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil". 6. Embargos de divergência em Recurso especial não providos. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (EREsp 1403532/SC, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/10/2015, DJe 18/12/2015) Fl. 428DF CARF MF Processo nº 13603.721171/201190 Acórdão n.º 3401004.417 S3C4T1 Fl. 429 8 Assim, por força do §2º, do art. 621, do RICARF/2015 (Portaria MF nº 343, de 09/06/2015), os Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, devem reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ em matéria infraconstitucional, na sistemática dos recursos repetitivos, neste caso concreto, reconhecendo que os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil. Por fim, a par da legalidade da exigência do IPI, eventuais discussões sobre ofensa aos ofensa aos princípios constitucionais da nãocumulatividade e da isonomia, ou qualquer outro questionamento de cunho constitucional, ainda que de forma reflexa, v.g., observância de acordos internacionais, encontra óbice no enunciado da Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.", restando vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar a Lei nº 4.502/64, sob fundamento de inconstitucionalidade, também, nos termos do art. 62, do RICARF/2015, ainda mais, estando o Tema 906: "Violação ao princípio da isonomia ante a incidência do IPI no momento do desembaraço aduaneiro de produto industrializado, assim como da sua saída do estabelecimento importador para comercialização no mercado interno.", afetado à sistemática da repercussão geral, à ser decidida pelo E. STF, no RE 946.648/SC. DAS MULTAS APLICADAS Recorre a contribuinte contra as multas de ofício aplicadas (i) multa isolada, por IPI não lançado com cobertura de crédito; e (ii) multa vinculada, ao IPI lançado de ofício; ambas no percentual de 75%. Quanto a multa isolada, por IPI não lançado com cobertura de crédito, tem previsão legal, fixada no percentual exigido (75%), no caput, do art. 80, da Lei nº 4.502/64: Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Ainda que a contribuinte alegue genericamente suposto equívoco quanto ao procedimento seguido pelo fisco para cobrança da multa sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito, entendo suficiente à verificação da sua legalidade e quantificação dos valores. Pela simplicidade e clareza, transcrevo, na parcela pertinente ao caso, as razões de decidir, do Relator Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, no voto condutor do Acórdão nº 3302002.675, 19/08/2014: "No caso, sobre o mesmo fato gerador, não deve ser aplicada a mesma multa, ou seja, se o imposto não lançado na nota tiver créditos suficientes para sua cobertura, não há imposto a ser lançado, mas apenas a multa 1 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 13603.721171/201190 Acórdão n.º 3401004.417 S3C4T1 Fl. 430 9 isolada sobre a falta de destaque na nota. Por outro lado, se o imposto, ou parte, não possuir cobertura de créditos, então o saldo devedor é lançado com multa de ofício vinculada, e, neste caso, não há lançamento de multa isolada." (grifei) Pois bem, ainda seguindo o raciocínio do precedente supracitado, a partir do quadro resumido da reconstituição da escrita fiscal (fl. 18) : em 31/05/2008 – valor de IPI não lançado = R$30.865,84; – valor de IPI cobrado juntamente com multa de ofício vinculada = R$10.000,12. Conclusão: a diferença de R$20.865,72 corresponde ao IPI não lançado com cobertura de crédito, base da multa isolada; o mesmo, em 30/06/2008 – valor de IPI não lançado = R$40.888,53; – valor de IPI cobrado juntamente com multa de ofício vinculada = R$26.258,08. Conclusão: a diferença de R$14.630,45 corresponde ao IPI não lançado com cobertura de crédito, base da multa isolada; o mesmo, em 31/08/2008 – valor de IPI não lançado = R$33.500,09; – valor de IPI cobrado juntamente com multa de ofício vinculada = R$7.830,23. Conclusão: a diferença de R$25.669,86 corresponde ao IPI não lançado com cobertura de crédito, base da multa isolada. Em 31/07/2008 – valor de IPI não lançado = R$14.834,25; – valor de IPI cobrado juntamente com multa de ofício vinculada = R$14.834,25. Conclusão: o IPI não lançado está contido na autuação de IPI devido e, portanto, não houve cobertura de crédito, não havendo a multa isolada sobre este valor. De fato, só faz sentido existir imputação de multa de oficio isolada, por IPI não lançado com cobertura de crédito, existindo créditos suficiente à cobrir, ainda que parcialmente, os débitos, não restando, portanto, saldo devedor, superior ao IPI não lançado, à ser constituído juntamente com multa de ofício vinculada. Portanto, a reconstituição da escrita permite uma clara visualização dos PA passíveis de incidência da multa isolada, quais sejam, todos com débitos de IPI não lançado apurados e com saldos credores ou com saldos devedores inferiores ao IPI não lançado, pois, no primeiro caso, houve cobertura de crédito integral, restando saldo credor; e, no segundo caso, houve cobertura de crédito parcial, restando a própria parcela não coberta do IPI não lançado, como saldo devedor à lançar. Assim, reconheço, nesse subitem, o cancelamento do lançamento da multa isolada, por IPI não lançado com cobertura de crédito, integralmente no PA de 07/2008 (R$11.125,68); e parcialmente, nos PA de 05/2008 (de R$16.022,51, para R$15.649,29 = 20.865,72x75%); PA de 06/2008 (de R$30.666,39, para R$10.972,83 = 14.630,45x75%); e PA de 08/2008 (de R$25.125,06, para R$19.252,39 = 25.669,86x75%) Quanto a multa vinculada, e mesmo a multa isolada, reiterados os argumentos de que o percentual aplicado seria abusivo, desproporcional e inconstitucional, diante do seu caráter confiscatório, requerendo que seja excluída ou reduzida, em razão de ter observado orientação jurisprudencial prévia (art. 486, do RIPI/2002) e práticas reiteradas da administração (art. 100, do CTN). Fl. 430DF CARF MF Processo nº 13603.721171/201190 Acórdão n.º 3401004.417 S3C4T1 Fl. 431 10 Não merece acolhida tais argumentos, pois, além de genéricos, sem nem mesmo apontar a orientação jurisprudencial ou as práticas reiteradas, entendo inaplicáveis ao caso, ainda mais, diante da previsão legal expressa, fixada nos percentuais exigidos para as imposições (75%), no artigo 80, da Lei nº 4.502/64, não restando configurada nenhuma das causas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, elencadas nos incisos, do art. 151, do CTN, na data do lançamento de ofício, aplicandose ao caso, quanto aos juros à taxa Selic, as Súmulas CARF nº 4 e 5 2. Logo, devem ser mantidas as multas de ofício (75%), lançadas no percentual previsto no art. 80, da Lei n°4.502/64, com a redação dada pelo art. 13, da Lei n° 11.488/07, não havendo porque afastarse a aplicação ou deixar de observar leis válidas, estando, mesmo, vedado aos Conselheiros do CARF fazêlo, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 62, da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 RICARF/15 e Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.") JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO A recorrente também alega que não podem ser exigidos juros sobre a multa de ofício lançada, pois, para os artigo 161, do CTN, os juros moratórios incidem somente sobre o valor da obrigação tributária principal e por não constituir objeto do lançamento, obstaria o direito do contribuinte contestála previamente à constituição definitiva do crédito tributário. A incidência de juros de mora sobre o crédito tributário, composto pelo tributo e/ou penalidade pecuniária, guarda consonância com o CTN e leis ordinárias. Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Além do CTN afirmar que o crédito tributário decorre da obrigação tributaria principal de pagamento de tributo, penalidade pecuniária ou ambos; e que, o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora; a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, após o seu vencimento, está prevista pelos art.43 (multa isolada) e art.61, § 3º (débitos para com a União), da Lei nº 9.430/96. 2 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais; Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Fl. 431DF CARF MF Processo nº 13603.721171/201190 Acórdão n.º 3401004.417 S3C4T1 Fl. 432 11 Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Assim, tem plena previsão legal a incidência, ex lege, independente de lançamento, de juros moratórios sobre a multa aplicada, visto que se trata de débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Por tudo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado para o cancelamento do lançamento da multa isolada, por IPI não lançado com cobertura de crédito, integralmente no PA de 07/2008 (R$11.125,68); e parcialmente, nos PA de 05/2008 (de R$16.022,51, para R$15.649,29 = 20.865,72x75%); PA de 06/2008 (de R$30.666,39, para R$10.972,83 = 14.630,45x75%); e PA de 08/2008 (de R$25.125,06, para R$19.252,39 = 25.669,86x75%). Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 432DF CARF MF
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Numero do processo: 12709.720113/2012-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Direitos Antidumping, Compensatórios ou de Salvaguardas Comerciais
Data do fato gerador: 13/09/2011
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO SH. CALÇADOS IMPERMEÁVEIS.
As Notas explicativas da posição 6401 dispõem que a "impermeabilidade" se referem ao calçado em si, e não ao material do calçado, colocando como exemplo a galocha e a bota de neve. Paralelamente, as Notas explicativas da posição 6402 trazem as sandálias e demais calçados feitos de materiais impermeáveis (borracha e plástico) como abrangidos nessa classificação, vale dizer, assume que calçados de materiais impermeáveis serão classificados fora da posição 6401.
DIREITOS ANTIDUMPING. CALÇADOS DA CHINA.
Calçados classificados nas posições 6402 a 6405 da NCM e originários da República Popular da China estão sujeitos ao pagamento de direito antidumping à alíquota específica fixa de US$ 13,85 por par, nos termos da Resolução Camex n° 14/2010.
DIREITOS ANTIDUMPING. COBRANÇA VIA AUTO DE INFRAÇÃO. AUTORIZAÇÃO LEGAL. INFRAÇÃO. DESNECESSIDADE.
A legislação que rege o direito antidumping expressamente remete ao Decreto 70.235/72 no que se refere ao procedimento de sua cobrança administrativa. Portanto, é precisamente por meio do auto de infração que deve a autoridade fiscal cobrar direitos antidumping.
Ademais, uma vez cumpridos os procedimentos pelas autoridades competentes culminando em expedição de Resolução da CAMEX determinando o recolhimento de direito antidumping para determinados produtos oriundos de determinados países, a exigência de direito antidumping independe de o importador haver cometido qualquer tipo de infração, basta que efetive a importação de mercadoria procedente de país sobre o qual incida esse direito.
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CÓDIGO NCM ADOTADO PELA AUTORIDADE FISCAL. INCORRETO. VÍCIO NO MOTIVO DO ATO ADMINISTRATIVO.
Se a classificação fiscal indicada pela Fiscalização é improcedente, necessário o cancelamento do auto de infração, ante o vício em seu motivo.
INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF.
A argumentação sobre o caráter confiscatório, desproporcional ou irrazoável da exação cobrada no auto de infração não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação que estabeleceu a sua cobrança, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 3402-004.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: DIREITOS ANTIDUMPING, COMPENSATÓRIOS OU DE SALVAGUARDAS COMERCIAIS Data do fato gerador: 13/09/2011 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO SH. CALÇADOS IMPERMEÁVEIS. As Notas explicativas da posição 6401 dispõem que a "impermeabilidade" se referem ao calçado em si, e não ao material do calçado, colocando como exemplo a galocha e a bota de neve. Paralelamente, as Notas explicativas da posição 6402 trazem as sandálias e demais calçados feitos de materiais impermeáveis (borracha e plástico) como abrangidos nessa classificação, vale dizer, assume que calçados de materiais impermeáveis serão classificados fora da posição 6401. DIREITOS ANTIDUMPING. CALÇADOS DA CHINA. Calçados classificados nas posições 6402 a 6405 da NCM e originários da República Popular da China estão sujeitos ao pagamento de direito antidumping à alíquota específica fixa de US$ 13,85 por par, nos termos da Resolução Camex n° 14/2010. DIREITOS ANTIDUMPING. COBRANÇA VIA AUTO DE INFRAÇÃO. AUTORIZAÇÃO LEGAL. INFRAÇÃO. DESNECESSIDADE. A legislação que rege o direito antidumping expressamente remete ao Decreto 70.235/72 no que se refere ao procedimento de sua cobrança administrativa. Portanto, é precisamente por meio do auto de infração que deve a autoridade fiscal cobrar direitos antidumping. Ademais, uma vez cumpridos os procedimentos pelas autoridades competentes culminando em expedição de Resolução da CAMEX determinando o recolhimento de direito antidumping para determinados produtos oriundos de determinados países, a exigência de direito antidumping independe de o importador haver cometido qualquer tipo de infração, basta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 70 9. 72 01 13 /2 01 2- 89 Fl. 265DF CARF MF 2 que efetive a importação de mercadoria procedente de país sobre o qual incida esse direito. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CÓDIGO NCM ADOTADO PELA AUTORIDADE FISCAL. INCORRETO. VÍCIO NO MOTIVO DO ATO ADMINISTRATIVO. Se a classificação fiscal indicada pela Fiscalização é improcedente, necessário o cancelamento do auto de infração, ante o vício em seu motivo. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. CARF. A argumentação sobre o caráter confiscatório, desproporcional ou irrazoável da exação cobrada no auto de infração não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação que estabeleceu a sua cobrança, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Florianópolis, que julgou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte sobre a cobrança de direito antidumping por meio do auto de infração em questão. A autuação versa, em apertada síntese, sobre divergência na classificação fiscal de mercadorias (calçados plásticos de uso feminino aberto) oriundas da República Popular da China, que culminou no lançamento. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono o relatório do acórdão recorrido in verbis: Trata o processo da exigência de crédito constituído pelo Auto de Infração nº 0915200/00038/12, lavrado em 29.02.2012 para cobrar o valor de R$ 1.338.162,62, acrescido de multa prevista no inciso II do § 3º do art. 7º da Lei nº 9.019/1995, com redação Fl. 266DF CARF MF Processo nº 12709.720113/201289 Acórdão n.º 3402004.953 S3C4T2 Fl. 112 3 dada pelo art. 79 da Lei nº 10.833/2003, e dos juros previstos no § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Afirma a autoridade lançadora que em face de procedimento de conferência física de mercadorias realizado na operação de importação amparada na Declaração de Importação (DI) nº 11/17284796, registrada em 13.09.2011, evidenciouse tratar de sandálias de uso feminino, ou seja, calçados abertos não impermeáveis, o que ensejou sua desclassificação fiscal, uma vez que a importadora informou o código NCM 6401.99.90, quando, segundo a fiscalização, deveria ter informado o código NCM 6402.20.00 e, por conseqüência, recolhido o direito antidumping previsto na Resolução Camex nº 14/2010, a razão de US$ 13,85 por par de calçado, tendo em vista que tratam de mercadorias chinesas. Intimada da exigência em tela, a autuada protocolou a impugnação de fls. 103 a 120, acompanhada dos documentos juntados às fls. 121 e seguintes, para alegar, de imediato, que o litígio está adstrito à impermeabilidade ou não dos calçados importados em questão. Afirma que a definição do termo “impermeável” de diversos dicionários, a Conferência Física realizada sobre as mercadorias e os termos da Nota Explicativa da posição 64.01 permite concluir que os calçados importados ao amparo da DI 11/17284796 apresentam a característica de serem impermeáveis, por assegurarem uma proteção contra água e outros líquidos e por não absorverem ou reterem quaisquer fluídos e por impedir que a umidade alcance os pés do usuário. Alerta que na vigência da Resolução Camex nº 14/2010 a Crocs Brasil Comércio de Calçados Ltda., por intermédio da Ceva Logistics, realizou diversas importações oriundas da China dos conhecidos calçados “Crocs”, utilizando idêntica classificação fiscal. Assevera que os calçados “Crocs” em nada distinguem fisicamente dos importados pela DI 11/17284796. Salienta, que as autoridades fazendárias responsáveis pelos despachos aduaneiros de importação promovidos pela Ceva entenderam ser perfeitamente cabível a NCM naqueles indicada, ou seja, também na posição “64.01 Waterproof footwear”. Aduz que: a) o código NCM 6402.12.00 referese a “calçados para esqui e para surfe de neve”, evidenciando notório conflito entre a Nota Explicativa da posição 6401 e o texto do referido código tarifário. Portanto, diante da falta de definição clara da terminologia “impermeável”, não pode o importador ser severamente punido; b) somente quatro dos doze modelos importados acusam a presença de espigões. Logo, é equivocada, relativamente aos outros oitos modelos, a reclassificação efetuada pela fiscalização no código NCM 6402.20.00, com fundamento nos Fl. 267DF CARF MF 4 itens d), e) e f) da Nota Explicativa da posição 64.02, pois nenhum modelo apresenta contraforte ou uma presilha no calcanhar, são fixadas à sola por saliências que alojam em cavidades da sola e tampouco tratam de calçados não impermeáveis formandos por uma peça só; c) no caso de se entender correta a classificação fiscal indicada pela autoridade lançadora no código NCM 6402.20.00, improcede a exigência dos direitos antidumping relativamente aos modelos BZ5184, BZ4655, BZ52822 E BZ49324, com fulcro no que dispõe o item “I” do § único do art. 1º da Resolução Camex nº 14/2010, por apresentarem a característica de utilização praiana, com mecanismo de fixação ao solado por meios de espigões; d) o direito antidumping não se enquadra no conceito de tributo previsto no CTN e deve ser cobrado através de atividade administrativa discricionária. Logo, sua cobrança não é vinculada, não podendo lhes aplicar as hipóteses inerentes aos impostos ou às contribuições; e) não é válida a autuação fundamentada em norma tributária, porquanto na contramão da natureza jurídica do direito antidumping, que não é tributária, mas sancionatória, que objetiva assegurar a execução de regra de direito que condena o dumping que ameaça ou causa dano a determinado setor da economia nacional; f) independentemente do entendimento acerca da natureza do direito antidumping, em momento algum entendeu razoável sua aplicação na importação em causa, tampouco intentou lesar a indústria nacional, uma vez que requereu a concessão da Licença de Importação junto à RFB; g) não havendo o desembaraço aduaneiro das mercadorias, não há falar em lesão à industria nacional; h) a manutenção da exigência do direito antidumping, sem se considerar a eventual multa proporcional e juros de mora, inviabilizará a atividade empresaria desenvolvida pelo importador, haja vista os prejuízos concretos e significativos que sobreviriam, obrigandoa propor imediato pedido de falência. Adverte que sendo equivocada a reclassificação fiscal dos calçados importados, descabe exigir os direitos antidumping com espeque na similaridade entre o produto nacional e o estrangeiro. Ante os argumentos expostos, a autuada pugna pela procedência de seus argumentos a fim de manter a NCM informada na declaração de importação registrada em 13.09.2011 e consequente cancelamento do auto de infração. Sobreveio então o Acórdão 0729.969, da 2ª Turma da DRJ/FNS, negando provimento à impugnação da Contribuinte, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: DIREITOS ANTIDUMPING, COMPENSATÓRIOS OU DE SALVAGUARDAS COMERCIAIS Data do fato gerador: 13/09/2011 Fl. 268DF CARF MF Processo nº 12709.720113/201289 Acórdão n.º 3402004.953 S3C4T2 Fl. 113 5 DIREITOS ANTIDUMPING. Dumping é definido como sendo a fixação do preço de exportação, para um determinado bem e país, a um nível inferior ao seu valor normal. O direito antidumping, apurado em processo administrativo, é aplicado mediante a cobrança de importância, em moeda corrente, que corresponde ao percentual da margem de dumping ou do montante de subsídios que um determinado país ofereça a produtos específicos de sua produção. Portanto, a exigência de direito antidumping independe de o importador haver cometido qualquer tipo de infração, basta que proceda a importação de mercadoria procedente de país sobre o qual incida esse direito. Compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a cobrança de direitos antidumping, conforme estabelecidos em Resolução da Camex, sendo vedada qualquer apreciação acerca da existência de dumping e de dano à indústria doméstica, cujo exame compete à Secex. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 13/09/2011 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CALÇADO PLÁSTICO DE USO FEMININO ABERTO. Calçado aberto, tipo sandália de uso feminino, não impermeável, produzido pelo processo de moldagem por injeção em que a sola e a parte superior são constituídas de matéria plástica classificase na posição 64.02 da NCM. Calçados classificados na posição 64.02 da NCM, quando originários da República Popular da China, estão sujeitos ao pagamento de direito antidumping à alíquota específica fixa de US$ 13,85 por par. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls 190/213) a este Conselho, em que repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. Nesta oportunidade, a Recorrente trouxe aos autos o laudo de fls 239 a 243, no intuito de corroborar suas alegações sobre a correta aplicação do código NCM 6402.20.00 aos quatro modelos de sapato de código BZ5184, BZ4655, BZ52822 e BZ 49324, por serem confeccionados de borracha, conforme discussão trazida aos autos pelo Acórdão da DRJ. Tendo em vista o conteúdo do artigo 10 do Novo Código de Processo Civil (Lei n. 13.105, de 16 de março de 2015),1 propus a abertura de vista dos autos à Procuradoria da Fazenda Nacional, para que se manifestasse acerca das razões e documentos apresentado pela Recorrente. Em fls 255 a 257 encontrase a manifestação da PFN, afirmando que o referido laudo, ao trazer a informação sobre a identificação dos compostos orgânicos das mercadorias não contribui para a solução da controvérsia. Isto porque tratase de calçados compostos de PVC, segundo o citado laudo, todavia, a lide repousa sobre identificar se as 1 Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício. Fl. 269DF CARF MF 6 mercadorias são calçados impermeáveis ou não e qual seria a classificação fiscal adequada a partir dessa premissa. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz A Contribuinte teve ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 09/10/2012, conforme despacho de fls. 181 e apresentou em 07/11/2012 o recurso voluntário de fls. 255 a 257, conforme o artigo 33 do Decreto 70.235/72. Assim, o recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, de modo que dele tomo conhecimento. 1. Preliminar Inicialmente, registro que a preliminar aventada pela Recorrente no sentido de que as mercadorias foram abandonadas por 68 dias, descaracterizando a validade do procedimento adotado pela fiscalização, não deve ser acatada. Isto porque, além de se tratar de contestação que não faz parte da Impugnação, sendo portanto argumento precluso, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, a Recorrente não comprovou a ocorrência da pena de perdimento em relação às mercadorias Na realidade , de acordo com o que consta nos autos, a Recorrente registrou a DI e durante o despacho aduaneiro (lembremos que houve conferência física) a fiscalização detectou que o produto se classificava em outra posição no NCM/SH. Assim, também já é o momento de rechaçar o argumento de impossibilidade de aplicação do direito antidumping no caso concreto, sob o argumento de que não teria ocorrido a introdução de mercadorias no país. Nestes termos, afasto as preliminares apresentadas pela Recorrente. 2. Sobre a classificação fiscal das mercadorias Pelo relato acima, de pronto constatase que o ponto fulcral da controvérsia cingese à correta classificação fiscal das mercadorias importadas. Em síntese, a Recorrente e a Autoridade Fiscal divergem sobre a correta posição NCM/SH em que se enquadram os produtos objeto de importação mediante a DI n. 11/17284796, quais sejam, sandálias femininas. A consequência da reclassificação é a cobrança de direitos antidumping, nos moldes da Resolução CAMEX n. 14/10. Haja vista que a discussão dos presentes autos versa sobre a classificação fiscal de mercadorias, é válido tecer um breve esclarecimento a respeito da sistemática de classificação dos códigos na Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM) para que, em seguida, seja possível a aplicação das regras estabelecidas pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (“NESH”) acerca da forma utilizada para a classificação de mercadorias. Pois bem. A sistemática de classificação dos códigos na Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM) obedece à seguinte estrutura: Fl. 270DF CARF MF Processo nº 12709.720113/201289 Acórdão n.º 3402004.953 S3C4T2 Fl. 114 7 00 00 00 0 0 No presente caso, a classificação no NCM/SH (Sistema Harmonizado) utilizada pela Recorrente em sua importação é a 6401.99.90, enquanto a posição sustentada pela Fiscalização no auto de infração é a 6402.20.00. Vejamos abaixo os capítulos, posições, subposições e itens que tais número representam: · CLASSIFICAÇÃO 6401.99.90 (entendimento da Contribuinte): Capítulo 64: Calçados, polainas e artefatos semelhantes, e suas partes; Posição 01: Calçados impermeáveis de sola exterior e parte superior de borracha ou plásticos, em que a parte superior não tenha sido reunida à sola exterior por costura ou por meio derebites, pregos, parafusos, saliências (espigões) ou dispositivos semelhantes, nem formada por diferentes partes reunidas pelos mesmos processos. Item e Subitem 99.90: outros · CLASSIFICAÇÃO 6402.20.00 (entendimento fazendário): Capítulo 64: Calçados, polainas e artefatos semelhantes, e suas partes; Posição 02: Outros calçados com sola exterior e parte superior de borracha ou plásticos. Item e Subitem 20.00: Calçados com parte superior em tiras ou correias, com saliências (espigões) que se encaixam na sola A divergência repousa na posição. Enquanto a Recorrente defende que os calçados importados são impermeáveis, porque não absorvem ou retêm quaisquer fluídos, protegendo os pés do usuário do contato com mencionados líquidos, sendo, portanto, impermeáveis com enquadramento no NCM 6401.99.90; a Fiscalização, a seu turno, entende que não o são, de modo que o correto é enquadrálos no NCM 6402.20.00. As fotos dos calçados importados, que passaram por conferência física na revisão do despacho aduaneiro, encontramse em fls 143 a 146. Delas, podemos perceber que existem diversos modelos de calçados. O primeiro deles análogo ao conhecido "crocs", outros são "sapatilhas" femininas com detalhes de pequenos furos no material, outros são "chinelos" femininos ou "rasteirinhas", alguns com outros sem presilhas nos calcanhares. Fl. 271DF CARF MF 8 Vemos que todos os calçados são abertos e constituídos por plásticos. São abertos. E aí que paira o equívoco da classificação adotada pela Recorrente, que pretendeu que a acepção da palavra "impermeável", da posição 6401, fosse relacionada ao material que constitui o calçado, e não ao calçado em si. Efetivamente, a lógica das notas explicativas da NESH não corroboram a posição da Recorrente. CONSIDERAÇÕES GERAIS [sobre o Capítulo 64] Com algumas exceções (ver principalmente as exclusões enumeradas no fim destas Considerações Gerais), o presente Capítulo abrange, nas posições 64.01 a 64.05, as diversas variedades de calçados, incluídas as galochas e outros artefatos que se calçam sobre outros calçados, quaisquer que sejam as suas formas e dimensões, usos a que se destinam, modo de obtenção e matérias de que sejam feitos. Nota a posição 6401 Esta posição abrange os calçados impermeáveis cuja sola exterior e parte superior (ver as alíneas C) e D) das Considerações Gerais) são de borracha (sendo o termo “borracha” entendido na acepção que lhe é dada na Nota 1 do Capítulo 40), de plástico ou ainda de tecido ou outro suporte têxtil que apresente uma camada exterior de borracha ou de plástico perceptível à vista desarmada (ver a Nota 3a) do presente Capítulo) desde que a parte superior não esteja fixada à sola por qualquer dos processos enumerados no texto da posição, nem seja formada de diferentes partes reunidas pelos mesmos processos. Os calçados da presente posição são concebidos para assegurar uma proteção contra a água ou outros líquidos e abrangem, entre outros, botas para neve, galochas e botas de esqui. (...) Nota a posição 6402 A presente posição abrange os calçados cuja sola exterior e a parte superior sejam de borracha ou de plástico, excluídos os da posição 64.01. Para a classificação, é indiferente que a sola exterior e a parte superior sejam, entre as matérias referidas, de uma única matéria ou de matérias diferentes (por exemplo, a sola exterior de borracha sintética e a parte superior de tecido com camada exterior de plástico perceptível à vista desarmada; para aplicação desta disposição, devem ser abstraídas as eventuais mudanças de cor). Entre os calçados abrangidos pela presente posição, podem citarse: a) Os calçados para esqui constituídos por várias partes moldadas, articuladas por meio de rebites ou de dispositivos semelhantes. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 12709.720113/201289 Acórdão n.º 3402004.953 S3C4T2 Fl. 115 9 b) Os tamancos sem talão nem contraforte, cuja parte superior é de uma só peça e normalmente fixada à sola por rebites. c) As pantufas ou as chinelas sem talão nem contraforte, cuja parte superior, feita de uma só peça ou montada por qualquer processo, exceto a costura, é fixada à sola por costura. d) As sandálias constituídas por tiras passando sobre o peito do pé e por um contraforte ou uma presilha no calcanhar, fixada à sola por qualquer processo. e) As sandálias do tipo “japonesas” cujas tiras são fixadas à sola por saliências, que se alojam em cavidades na sola. f) Os calçados não impermeáveis formados de uma só peça (sandálias de banho, por exemplo). Assim, as Notas explicativas da posição 6401 dispõem que a "impermeabilidade" se refere ao calçado, e não ao material do calçado, colocando como exemplo a galocha e a bota de neve. Paralelamente, as Notas explicativas da posição 6402 trazem as sandália e demais calçados feitos de materiais impermeáveis (borracha e plástico) como abrangidos nessa classificação, vale dizer, assume que calçados de materiais impermeáveis serão classificados fora da posição 6401. Não poderia ser diferente, pois o que está sendo classificado é o calçado, e não o produto do qual ele é feito. Inclusive, os produtos plástico e borracha, quando devam ser classificados, são tratados especificamente pelos Capítulos 39 e 40, respectivamente, da NCM. Sendo assim, não são impermeáveis. Se não são impermeáveis não podem ser classificados no NCM 6401.99.90, como constou na DI 11/17284796, porque essa posição é para calçados impermeáveis. Assim, saindo da posição 6401, com arrimo na Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado n. 1, 2 uma vez que as notas dos capítulos e posições conduziram nosso raciocínio, forçosamente passamos a classificar os calçados importados na Posição 6402. Pois bem. São doze modelos de calçado que buscamos atribuir a devida classificação fiscal, os quais vem sendo analisados em dois grupos distintos no presente processo, o primeiro abrangendo quatro modelos e o segundo abrangendo oito modelos. A grande diferença que separa os grupos é que os modelos constantes no primeiro possuem tiras que se encaixam às solas por meio de saliências, ou por espigão (os "chinelos" e "rasteirinhas"), enquanto o segundo grupo compreende os demais modelos. Com relação ao primeiro grupo, o Acórdão recorrido manifestouse da seguinte forma: Analisando o pleito com arrimo nas informações apresentadas pela própria interessada (Anexos V a VIII juntados às fls. 58 a 61), temse que os calçados modelos BZ5184, BZ4655, BZ52822 2 REGRA 1 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: Fl. 273DF CARF MF 10 E BZ49324 são espécies de sandálias femininas, ou seja, calçados abertos e, portanto, permeáveis, constituídas por um tipo de material plástico, o que conduz para a posição 64.02, que compreende “outros calçados com sola exterior e parte superior de borracha ou plásticos”; em face de existência de tiras que se encaixam na sola por meio de saliências, a classificação desses calçados somente é cabível na subposição de primeiro nível 6402.2; logo, tais sandálias se classificam no código NCM 6402.20.00, vez que essa subposição não é subdividida em subposição de segundo nível; tal conclusão evidencia que está correta a reclassificação efetuada pela autoridade autuante, relativamente a esses modelos de sandálias femininas. Cumpre lembrar que o Acordo Internacional estabelece que as regras de interpretação devem utilizadas sucessivamente. Ou seja, somente se utiliza uma regra, após esgotadas as possibilidades de aplicação da regra imediatamente anterior. De tal modo, não merece reparos o entendimento exarado pelo colegiado a quo acima citado. Sobre esse ponto, a Recorrente desde o início de suas manifestações nesse processo vem requerendo que, uma vez utilizado o NCM n. 6402.20.00, não seja cobrado o direito antidumping por força do parágrafo único, inciso I do artigo 1º da Resolução CAMEX n. 14/10, in verbis: RESOLUÇÃO Nº 14, DE 04 DE MARÇO DE 2010 (Publicada no D.O.U. de 05/03/2010) Ad Referendun Aplica direito antidumping definitivo, por até 5 anos, nas importações brasileiras de calçados, classificados nas posições 6402 a 6405 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), quando originárias da República Popular da China. O PRESIDENTE DO CONSELHO DE MINISTROS DA CÂMARA DE COMÉRCIO EXTERIOR, no exercício da atribuição que lhe confere o § 3o do art. 5o do Decreto no 4.732, de 10 de junho de 2003, com fundamento no que dispõe o inciso XV do art. 2o do mesmo diploma legal, e tendo em vista o que consta nos autos do Processo MDIC/SECEX 52100.006147/200844, RESOLVE, ad referendum do Conselho: Art.1º Aplicar direito antidumping definitivo, por até 5 (cinco) anos, nas importações brasileiras de calçados, classificados nas posições 6402 a 6405 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), da República Popular da China, a ser recolhido sob a forma de alíquota específica fixa de US$ 13,85/par (treze dólares estadunidenses e oitenta e cinco centavos por par). Parágrafo único. Os calçados a seguir relacionados estão excluídos da aplicação do direito antidumping definitivo, ainda que classificados nas posições tarifárias 6402 a 6405: I sandálias praianas, confeccionadas em borracha e cujas tiras são fixadas ao solado por espigões (comumente classificadas na NCM 6402.20.00); Fl. 274DF CARF MF Processo nº 12709.720113/201289 Acórdão n.º 3402004.953 S3C4T2 Fl. 116 11 (...) Art. 3º Revogar a RESOLUÇÃO CAMEX Nº 48, DE 8 DE SETEMBRO DE 2009, publicada no Diário Oficial da União – D.O.U., em 09 de setembro de 2009. Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Foi justamente com a intenção de corroborar que os quatro modelos de sapato (código BZ5184, BZ4655, BZ52822 e BZ 49324) desse primeiro grupo se encaixam na exclusão do direito antidumping que a Recorrente trouxe aos autos o laudo de fls 239 a 243. Mais especificamente, apresentou tal documento para comprovar que os calçados são confeccionados de borracha. Isto porque a única razão da DRJ não ter avalizado a exclusão da cobrança, foi por ter considerado que os calçados em questão são feitos de plástico. Ocorre que o laudo, ao invés de advogar a favor da Recorrente, vai contra os seus interesses, haja vista que ali consta expressamente que o material (composto orgânico) utilizado na fabricação dos calçados é o PVC (policloreto de vinila), que sabidamente é um plástico, segundo sua natureza química, e cujas características foram incorporadas à NCM/SH. Com efeito, de acordo a Nota 1 do Capítulo 39, consideramse plásticos as matérias das posições 39.01 a 39.14 que, submetidas a uma influência exterior (em geral o calor e a pressão com, eventualmente, a intervenção de um solvente ou de um plastificante), são suscetíveis ou foram suscetíveis, no momento da polimerização ou numa fase posterior, de adquirir por moldagem, vazamento, perfilagem, laminagem ou por qualquer outro processo, uma forma que conservam quando essa influência deixa de se exercer." Ademais, o "poli(cloreto de vinila)" está expressamente alocado na posição 3904 da NCM, e não dentro de qualquer posição do Capítulo 40, dedicado às borrachas. Dessarte, está provado nos autos que os quatro modelos (código BZ5184, BZ4655, BZ52822 e BZ 49324) são confeccionados com plástico, bem como são classificados no código NCM 6402.20.00, de modo que não se enquadram na exceção para não pagamento do direito antidumping (parágrafo único, inciso I do artigo 1º da Resolução CAMEX n. 14/10). Por tais razões, com relação a este primeiro grupo de calçados, é procedente a autuação fiscal, devendo ser mantida a decisão recorrida. Passemos agora ao segundo grupo de calçados, composto por oito modelos. Com relação a este grupo, a DRJ observando precisamente às regras de interpretação do sistema harmonizado sobre a posição, itens e subitens pertinentes às classificação fiscal in casu ,3 embora não concorde com a classificação pleiteada pela 3 64.02 Outros calçados com sola exterior e parte superior de borracha ou plásticos. 6402.1 Calçados para esporte: 6402.12.00 Calçados para esqui e para surfe de neve 6402.19.00 Outros 6402.20.00 Calçados com parte superior em tiras ou correias, com saliências (espigões) que se encaixam na sola 6402.9 Outros calçados: 6402.91 Cobrindo o tornozelo 6402.91.10 Com biqueira protetora de metal 6402.91.90 Outros 6402.99 Outros Fl. 275DF CARF MF 12 Recorrente (código NCM 6401.99.90), assume que aquel'outra adotada pela fiscalização (código NCM 6402.20.00) igualmente está errada: Quanto aos demais modelos importados (BZ5109, BZ5138, BZ5276 E BZ52891, BZ53101, BZ4911, BZ49142 e BZ49363, fls. 143 a 159) assiste razão à impugnante, embora por razões diversas, quando discorda da reclassificação do código NCM 6401.99.90 para o código NCM 6402.20.00, pois, não obstante mencionados calçados serem também constituídos na sua integralidade por material plástico (sola exterior e parte superior), não se destina à prática de esqui ou surfe de neve, não apresentam na parte superior tiras ou correias que se encaixam na sola por meio de saliências. Nesse sentido, a classificação só pode ser realizada na subposição de primeiro nível 6402.9 (Outros calçados), que por sua vez, é subdividida em duas subposições de segundo nível. No entanto, como os referidos calçados não cobrem o tornozelo, o enquadramento se dá na última subposição de segundo nível 6402.99 (Outros). Nesses termos, considerando que as sandálias femininas em apreço não possuem biqueira protetora de metal para atender ao texto do item 6402.99.10, com base nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado RGI/SH 1 (texto da posição 64.02) e 6 (textos das subposições 6402.9 e 6402.99) e na Regra Geral Complementar da Nomenclatura Comum do Mercosul RGC/NCM 1 (texto do item 6402.99.90) da Tarifa Externa Comum TEC, aprovada pela Resolução Camex nº 94, de 2011, concluo que a classificação correta é no código 6402.99.90. Ocorre que, apesar de constatar o equívoco da Fiscalização ao efetuar a reclassificação fiscal desse grupo de mercadorias, a decisão a quo manteve a cobrança do direito antidumping. Assim andou mal. Isto porque, sendo a classificação fiscal parte dos motivos que ensejam a expedição do ato administrativo, faz parte dos elementos de fato e de direito que o sustentam. Sendo improcedente a classificação fiscal, e, por conseguinte, os motivos do ato administrativo, não é possível que subsista a cobrança de qualquer exação, uma vez que o auto de infração necessariamente deve ser cancelado. Nesse sentido, por diversas vezes já decidiu este Conselho, das quais destaco o julgamento a seguir ementado: Processo nº 16095.000022/201169 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403003.186 Sessão de 20 de agosto de 2014 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 6402.99.10 Com biqueira protetora de metal 6402.99.90 Outros Fl. 276DF CARF MF Processo nº 12709.720113/201289 Acórdão n.º 3402004.953 S3C4T2 Fl. 117 13 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IPI. RESPOSTA À CONSULTA. Se a classificação fiscal indicada pela Fiscalização, ainda que com base em resposta à Consulta, está totalmente equivocada, não há como manter o auto de infração em razão da ausência de fundamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Rosaldo Trevisan votou pelas conclusões e apresentou declaração de voto, sendo acompanhado pelos Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho e Antonio Carlos Atulim. Esteve presente ao julgamento o Dr. Antônio Carlos Gonçalves, OAB/SP 195.691. Em sua declaração de voto, o Conselheiro Rosaldo Trevisan alertou que, em situações em que a classificação fiscal adotada pela Fiscalização é equivocada, devese reconhecer a improcedência da atuação fiscal (no caso, tratavase de cobrança de diferença de IPI), sem que o Colegiado se incumba de demonstrar a classificação fiscal correta, pois isso o transmutaria em um órgão de consulta, além de culminar numa decisão extra petita. Nesse sentido, o Conselheiro então conclui: Em síntese, a autuação não logra êxito em comprovar a correção da classificação defendida (90.18.90.99), no caso concreto analisado. E isto é suficiente para que se reconheça sua improcedência, não havendo necessidade de este tribunal administrativo (que não é órgão solucionador de consultas sobre classificação fiscal) se pronunciar sobre qual seria a correta classificação da mercadoria. Nestes termos, voto no sentido de cancelar a cobrança do direito antidumping referente à importação dos calçados modelos BZ5109, BZ5138, BZ5276 E BZ52891, BZ53101, BZ4911, BZ49142 e BZ49363. 3. Sobre o direito antidumping Antes de adentrar nas demais razões apresentadas pela defesa, cumpre apresentar algumas considerações sobre o contexto jurídico que o envolta, o qual será necessário para a sua solução. Ao lado das funções de controle e de tributação, a Aduana possui como missão a aplicação de restrições. Tal função aproxima o Direito Aduaneiro ao Direito Econômico à medida que define as prioridades políticas/econômicas nacionais pela forma da interação comercial do Estado brasileiro com o restante das nações. Tratase, assim, de instrumento de política aduaneira. Dentro desta função, é possível encontrar a implementação de medidas de Fl. 277DF CARF MF 14 protecionismo comercial por instrumentos de restrições contra práticas desleais de comércio exterior (segundo os acordos da OMC), dos quais destacamse os direitos antidumping. 4 Em poucas palavras, o dumping é uma prática desleal de comércio que consiste na venda de um produto para exportação por um preço inferior ao seu valor normal. O dumping é admissível apenas quando não causar dano ao mercado doméstico, já quando houver dano à indústria nacional do país importador, demonstrado por nexo causal, o dumping passa a ser condenável, tudo conforme a regulamentação do Decreto 8.058, de 26 de julho de 2013, que revogou e substituiu o Decreto nº 1.602, de 23 de agosto de 1995, este último vigente à época dos fatos tratados nesse processo. A prática do dumping condenável culmina na aplicação de medidas (ou direitos) antidumping, as quais consistem genericamente num montante em dinheiro, igual ou inferior à margem de dumping apurada, exigido por ocasião das importações realizadas a preços de dumping, com o objetivo de afastar os efeitos danosos à indústria nacional. 5 Assim, as medidas antidumping (vide artigo 695 do Decreto 4.543/2002) 6 são imposições com o objetivo de proteger o mercado brasileiro de práticas comerciais predatórias, não se enquadrando em quaisquer das espécies de tributos previstas no nossos sistema jurídico. São diversos os elementos normativos que corroboram essa última assertiva, que serão devidamente tratados abaixo. Para pontuar histórico legislativo sobre o tema, o direito antidumping foi introduzido em nosso ordenamento legal por meio da Lei nº 9.019, de 30 de março de 1995, em decorrência a acordos firmados pelo país no âmbito do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio (Gatt). Antes disso só havia sido tratado na legislação interna por normas infralegais. Com efeito, até o advento da Lei n° 9.019/95, a Resolução n° 1.227/87, com as alterações da Resolução n° 1.582/89, ambas da extinta Comissão de Política Aduaneira, cuidavam do tema, preceituando o direito antidumping como um adicional do Imposto de Importação: Art.1° Os direitos antidumping e compensatórios definitivos, de que tratam os Acordos Antidumping e de Subsídios e Direitos Compensatórios, constituem imposto de importação adicional. Ocorre que, posteriormente, a citada Lei n. 9.019/95 textualmente colocou que "os direitos antidumping e os direitos compensatórios serão cobrados independentemente de quaisquer obrigações de natureza tributária relativas à importação dos produtos afetados." Ou seja, a legislação passou a expressamente afastar a natureza tributária do direito antidumping, como já clamava a doutrina sobre o tema. 7 4 FERNANDES, Rodrigo Mineiro. Notas introdutórias sobre o direito aduaneiro e sua relação com o direito tributário. In: Revista Direito Aduaneiro, Marítimo e Portuário vol.5, n.26. São Paulo: IOB, 2015, p.88109. 5 LOBO, Marcelo Jatobá. Direitos Antidumping.1.ed. São Paulo: Quartier Latin, 2007. p. 210. 6 "Art. 695. Para os efeitos deste Capitulo, entendese por: I dumping, a introdução de um bem no mercado doméstico, inclusive sob as modalidades de drawback, a preço de exportação inferior ao preço efetivamente praticado para o produto similar nas operações mercantis normais, que o destinem a consumo interno no pais exportador (Acordo sobre Implementação do Artigo VI do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio 1994, Artigo 2, item 1, aprovado pelo Decreto Legislativo n. 30, de 1994, promulgado pelo Decreto n2 1.355, de 1994, e internalizado pelo Decreto n. 1.602, de 23 de agosto de 1995, art. 0);" 7 BAPTISTA, Luiz Olavo, “Dumping e AntiDumping no Brasil”, in OMC e o Comércio Internacional. AMARAL JÚNIOR, Alberto do (coord.). São Paulo: Aduaneiras, 2002. Fl. 278DF CARF MF Processo nº 12709.720113/201289 Acórdão n.º 3402004.953 S3C4T2 Fl. 118 15 Outrossim, legalmente o direito antidumping distanciouse dos tributos no que diz respeito ao tratamento orçamentário. Enquanto aquele é tratado como receita originária e enquadrado na categoria de entradas compensatórias, não compreendidas na lei orçamentária (artigo 10 da Lei n. 9.019/1995); estes são considerados receitas correntes, compreendidas na lei orçamentária (artigo 11 da Lei n 4.320/1964). Assim, o direito antidumping pode ser definido como instrumento utilizado pelo Estado, com fundamento no artigo 174 da Constituição Federal, para intervir no domínio econômico, com o objetivo de incentivar a economia e garantir a competitividade da indústria doméstica. Pois bem. Neste contexto, o sistema brasileiro de defesa no comércio internacional é dividido em duas competências distintas. Na primeira encontrase a SECEX (Secretaria de Comércio Exterior, que tem o Decom Departamento de Defesa Comercial , como um de seus cinco departamentos), que é responsável por propor a abertura 8 e conduzir investigações destinadas à aplicação de medidas antidumping.9 Como segunda competência aparece a CAMEX (Câmara de Comércio Exterior), cuja obrigação é fixar os direitos antidumping, em caráter definitivo ou provisório, por meio de resoluções. Disto já é possível constatar que o direito antidumping não se submete ao princípio da legalidade, o que também demonstra seu caráter não tributário, já que não se amolda ao artigo 150, inciso I da Constituição e artigo 3º do CTN. Sua instituição, isto sim, se dará por ato exarado pelas citados órgãos competentes, mediante o procedimento estabelecido pelo Decreto 8.058, de 26 de julho de 2013, que revogou e substituiu o Decreto nº 1.602, de 23 de agosto de 1995. Como regra geral os direitos antidumping postos em vigência pela CACEX devem ser extintos em 5 (cinco) anos (artigo 57 do Decreto n. 1.602/1995, atualmente no artigo 93 do Decreto n. 8.058/2013). Todavia, esse prazo pode ser prorrogado em virtude de as autoridades determinarem que a extinção dos direitos levaria, muito provavelmente, à continuação ou retomada do dumping e do dano ao mercado brasileiro. Para isso é necessária uma revisão de final de período, pela qual são feitos os estudos necessários no âmbito da SECEX para a análise da eventual continuidade do dano ao mercado nacional e do nexo causal para a aplicação do direito antidumping sobre a mercadoria. Paralelamente às competências da SECEX e da CAMEX, órgãos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, a Receita Federal é responsável pela fiscalização e arrecadação das medidas de defesa comercial (artigo 237 da Constituição), o que ocorre automaticamente por ocasião do registro da declaração de importação. Nesse sentido, a Lei n. 9.019/95 expressamente aponta o PAF (Decreto 70.235/72) como o diploma normativo que regerá a cobrança dos direitos antidumping, in verbis: § 5o A exigência de ofício de direitos antidumping ou de direitos compensatórios e decorrentes acréscimos moratórios e penalidades será formalizada em auto de infração lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal, observado o disposto no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e o prazo de 5 (cinco) anos contados da data de registro da declaração de importação 8 Mediante solicitação da indústria nacional, por iniciativa governamental (ex officio) ou por terceito país interessado. 9 Bem como medidas compensatórias e medidas de salvaguarda. Fl. 279DF CARF MF 16 Traçadas tais premissas, passo à análise do argumento apresentado pela Recorrente, que se resume à impossibilidade de cobrança de direito antidumping por meio de auto de infração, em razão de sua natureza jurídica não tributária. Contudo, como visto acima, a legislação que rege o direito antidumping expressamente remete ao Decreto 70.235/72 no que se refere ao procedimento de sua cobrança administrativa. Portanto, é precisamente por meio do auto de infração que deve a autoridade fiscal cobrar eventuais direitos antidumping. Ademais, como também acima referido, uma vez cumpridos os procedimentos pelas autoridades competentes, culminando em expedição de Resolução da CAMEX determniando o recolhimento de direito antidumping para determinados produtos oriundos de determinados países (como é o caso dos calçados importados da China, na Resolução CAMEX 14/10), a exigência de direito antidumping independe de o importador haver cometido qualquer tipo de infração, basta que efetive a importação de mercadoria procedente de país sobre o qual incida esse direito. Em conclusão, na parte em que está correta a reclassificação fiscal adotada no auto de infração (primeiro grupo de calçados, modelos BZ5184, BZ4655, BZ52822 e BZ49324, conforme explanado alhures), que culminou na cobrança ora analisada, não devem ser acolhidas as alegações da defesa sobre a inaplicabilidade do direito antidumping. 4. Confiscatoriedade e demais princípios constitucionais A Recorrente brada ainda pela decretação do caráter confiscatório do valor que lhe foi cobrado, com base no artigo 150 inciso IV, além do princípio da proporcionalidade e da razoabilidade, do não confisco, entre outros, todos estampados na Constituição Federal. Entretanto, a argumentação da Recorrente não escapa de uma necessidade de aferição de constitucionalidade da legislação que estabeleceu a cobrança do direito antidumping, cumprindo todos os procedimentos e a competência mencionadas no tópico precedentes, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, no âmbito do processo administrativo fiscal é expressamente vedado afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, por força do artigo 59 do Decreto no 7.574/2011. Portanto, não conheço da alegação de que a exação seria confiscatória, desproporcional ou irrazoável e, portanto, inconstitucional. 5. Dispositivo Diante do exposto, voto dar parcial provimento ao recurso voluntário, para cancelar a cobrança do direito antidumping referente à importação dos calçados modelos BZ5109, BZ5138, BZ5276, BZ52891, BZ53101, BZ4911, BZ49142 e BZ49363. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 280DF CARF MF Processo nº 12709.720113/201289 Acórdão n.º 3402004.953 S3C4T2 Fl. 119 17 Fl. 281DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.721068/2013-14
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1001-000.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Volutário.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, Lizandro Rodrigues de Sousa e José Roberto Adelino da Silva
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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score : 1.0
Numero do processo: 10283.005279/2007-27
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE.
A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido.
Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria.
Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
Numero da decisão: 9303-006.357
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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ADMISSIBILIDADE. A admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Conseqüentemente, não há que se falar divergência jurisprudencial, quando estão em confronto situações diversas, que atraem incidências específicas, cada qual regida por legislação própria. Da mesma forma, se os acórdãos apontados como paradigma só demonstram divergência com relação a um dos fundamentos assentados no acórdão recorrido e o outro fundamento, por si só, é suficiente para a manutenção do decisum, não há como se considerar demonstrada a necessária divergência de interpretação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 52 79 /2 00 7- 27 Fl. 1327DF CARF MF Processo nº 10283.005279/200727 Acórdão n.º 9303006.357 CSRFT3 Fl. 1.328 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao acórdão nº 3401002.757, proferido pela 4º Câmara/ 1º Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que decidiu em negar provimento ao Recurso Voluntário, por entender que as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem isentas não garantem crédito de IPI, mormente quando a própria saída dos produtos industrializados também é isenta. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "A contribuinte formulou originariamente, em 31/10/2003, pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (fl. 03), posteriormente retificado pelo documento de fls. 135/136. Tais créditos seriam supostamente decorrentes de aquisições de insumos isentos, ocorridas no período de apuração de 01/04/2001 a 30/06/2001, totalizando R$ 11.867.797,93. Não constam dos autos pedidos ou declarações de compensação. Em 11/10/2007, por intermédio do Despacho Decisório de fl. 683, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Manaus indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as compensações correlatas, em face de que a requerente, pessoa jurídica industrial sediada na Zona Franca de Manaus e detentora de projeto aprovado pela SUFRAMA, adquire insumos a serem empregados em seu processo industrial, quer seja no mercado interno quer seja no externo, sem sujeição ao IP1, em virtude do gozo de isenção legal (Decreto lei ri° 288, de 1967). A decisão recorrida restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIAPRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E EMBALAGENS ISENTOS. DIREITO DE CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. A sistemática de apuração não cumulativa do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, ressalvada a previsão em lei, tem como pressuposto a exigência do tributo na etapa anterior para abatimento com o valor devido na operação seguinte, não bastando a mera incidência jurídica, de forma tal Fl. 1328DF CARF MF Processo nº 10283.005279/200727 Acórdão n.º 9303006.357 CSRFT3 Fl. 1.329 3 que as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem isentas não garantem crédito de IPI, mormente quando a própria saída dos produtos industrializados também é isenta. Recurso voluntário negado A Contribuinte interpôs Embargos de Declaração em face do Acórdão de Recurso Voluntário objeto do presente Recurso Especial. Na peça processual administrativa a Embargante alega, em síntese, que o acórdão embargado apresentaria omissão com relação aos termos da decisão do STF junto ao RE 566.819 e contradição pelo fato desta decisão ser posterior e conflitante com o AgR no RE 561.676 e ED no RE 488.3571/PR indicadas no acórdão recorrido, especificamente com relação à manutenção do entendimento do STF proferido no RE 212.484 para incentivo fiscal para a ZFM. Argumenta ainda a embargante que esse entendimento deve ser aplicado na esfera administrativa nos termos do art. 26A, parágrafo 6, inciso I do Decreto n. 70.235, de 1972 e art. 62, inciso I do RICARF. O Acórdão de Embargos decidiu por unanimidade em rejeitálos, contudo, admitiu haver omissão, Vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 IPI ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSSIBILIDADE DE DIREITO DE CRÉDITO PELA AQUISIÇÂO DE BENS ISENTOS. O Supremo Tribunal Federal havia firmado entendimento pelo direito de crédito de IPI nas aquisições de matériasprimas isentas (RE 212.484), mas ele foi posteriormente alterado pela Suprema Corte que decidiu que não há direito de crédito em relação às aquisições não tributadas e sujeitas à alíquota zero (RE 370.682) e em relação às aquisições isentas (RE 566.819), de maneira que a jurisprudência atual é no sentido de que nenhuma das aquisições desoneradas dão direito ao crédito do imposto. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a Repercussão Geral especificamente em relação à aquisição de produtos isentos da Zona Franca de Manaus ZFM (Tema 322; RE 592.891), mas está a controvérsia pendente de julgamento conclusivo. EMBARGOS. PROVIMENTO PARA SUPERAR OMISSÃO COM SIGNIFICADO DIVERSO DO PRETENDIDO PELA EMBARGANTE. Admissível superar a omissão da decisão recorrida apontada pela embargante mesmo que com teor e entendimento divergentes da proposta nos embargos” Fl. 1329DF CARF MF Processo nº 10283.005279/200727 Acórdão n.º 9303006.357 CSRFT3 Fl. 1.330 4 Devidamente cientificada, a Contribuinte interpõe o presente Recurso Especial, suscita divergência em relação ao direito ao crédito de IPI decorrente de aquisição de insumos em regime de isenção. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigmas, os Acórdãos nºs CSRF/02.02.154 e 20174.051. Em seguida, por sido comprovada a divergência jurisprudencial, o Presidente da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento, deu seguimento ao recurso, às fls.1311/1314. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, requer preliminarmente o não conhecimento do Recurso, caso conhecido, seja negado provimento, com conseqüente manutenção do acórdão impugnado. É o relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Inicialmente, cabe ressaltar que a admissibilidade do recurso especial de divergência está condicionada à demonstração de que outro Colegiado do CARF ou dos extintos Conselhos de Contribuintes, julgando matéria similar, tenha interpretado a mesma legislação de maneira diversa da assentada no acórdão recorrido. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame do caso em espécie. A decisão recorrida negou provimento ao recurso voluntário da Contribuinte, nos seguintes termos: "O voto vencedor da decisão recorrida, decidiu ser impossível o creditamento de IPI em qualquer aquisição não efetivamente onerada pelo imposto, ainda que em razão de isenção deferida aos insumos, e que em nada afeta essa conclusão considerar ter havido incidência de IPI nas aquisições beneficiadas com isenção, posto que, tanto no texto constitucional como no CTN, o que se exige é a cobrança do imposto e não sua incidência". Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigma, os Acórdãos nºs CSRF/0202.154 e 20174.051. O Presidente da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento, entendeu que houve comprovação de divergência, deu seguimento ao Recurso. Fl. 1330DF CARF MF Processo nº 10283.005279/200727 Acórdão n.º 9303006.357 CSRFT3 Fl. 1.331 5 Entendo que não houve divergência alguma. Vejamos: No que tange o acórdão paradigma, nº CSRF/0202.154, como se observa não há divergência jurisprudencial. Com efeito, os acórdãos paradigmas não se aplicam ao caso guerreado. No caso do RE 212.484 , tratase de empresa localizada fora da ZFM, mas no Rio Grande do Sul/RS, que adquire insumos provenientes da ZFM. O STF decidiu que nesses casos em que a contribuinte que utiliza insumos isentos provenientes da ZFM, pode se creditar, para não gerar uma distorção na cadeia do IPI, uma vez a saída dos seus produtos é tributada. No caso dos autos, não se está diante de aquisição de insumos provenientes da ZFM, razão pela qual não se aplica este precedente RE 212.484, ausência de similitude fática. Sem embargo, conforme se verifica na própria ementa dos Embargos de Declaração do RE 566.819/RS, restou claro que aquele Recurso não tratou do crédito de IPI decorrente do artigo 11 da Lei n 9.779/1999, e sequer da legislação especial acerca da Zona Franca de Manaus. Neste mesmo diapasão, adoto como fundamento em minhas razões de decidir o voto condutor do acórdão nº 9303005.110, de 16 de maio de 2017, julgado por esta E. Câmara Superior, de relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo Pôssas, que versa sobre a mesma matéria, paradigma, (CSRF/0202.154) contribuinte, que passa a fazer parte integrante deste voto. Contudo, antes, porém, se faz necessário consignar que na ocasião do julgamento do referido acórdão, tinha o entendimento de que havia divergência jurisprudencial, após um profundo estudo sobre os casos julgados pelo STF, de fato, não há como se comprovar a divergência suscitada pela Contribuinte. Transcrevo fragmentos do acórdão nº 9303005.110: "O contribuinte foi intimado do Acórdão nº 3403003.613, em 19/03/2015 (cfe. Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, fls 683). O apelo formulado em 01/04/2015 (cfe. Termo de Solicitação de Juntada, fls. 684) é tempestivo. Ademais, tratase de matéria prequestionada e o instrumento recursal foi adequadamente instruído, mediante cópia do inteiro teor do Acórdão CSRF/0202.154, fls. 1.772 a 1.791. Nada obstante, compulsando o acórdão indicado como paradigma, parece me impossível estabelecer base de comparação para a dedução do dissídio. Observese que o Acórdão nº 3403003.613, que julgou os aclaratórios interpostos pelo contribuinte, asseverou que o RE 370.682 decidiu que não há direito a crédito presumido de IPI em relação a insumos isentos, sujeitos à alíquota zero ou não tributáveis, constituindose num verdadeiro divisor de águas em relação ao crédito de matériasprimas adquiridos sob o regime da isenção, alíquota zero e não tributados. Acrescentou ainda que, no RE 566.819, o STF reafirmou que a isenção, por si só, não gera direito a crédito, em conformidade com a nova orientação traçada no RE 370.682: Fl. 1331DF CARF MF Processo nº 10283.005279/200727 Acórdão n.º 9303006.357 CSRFT3 Fl. 1.332 6 O Acórdão CSRF/0202.154 foi proferido em 23/01/2006, ao passo que as decisões recorridas adotam como fundamento a mudança de entendimento do STF quanto à (im)possibilidade de creditamento do valor do IPI incidente sobre insumos adquiridos sob o regime de isenção, sobretudo a partir do julgamento do RE 370.682, cujo acórdão foi proferido em 25/06/2007. Portanto, o ambiente jurisprudencial no qual proferida a decisão recorrida foi inteiramente diverso daquele no qual foi prolatado o precedente indicado como paradigma, fato que impede os estabelecimento de base para a comparação dos acórdãos paragonados. E em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, o Acórdão no CSRF/010.956, de 27/11/89: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” O apelo apresenta ainda um outro defeito material grave, a impedir o seu conhecimento. Reportome ao seguinte fundamento do Acórdão nº 3403003.050: (...) A respeito da regra da nãocumulatividade, não posso deixar de ressaltar que o artigo 9o do Decretolei n° 288, de 28 de fevereiro de 1967, determina a isenção para as saídas das mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, in verbis: Art. 9° Estão isentas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) todas as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao seu consumo interno, quer à comercialização em qualquer ponto do Território Nacional (Redação dada pela Lei n° 8.387. de 30.12.91) § 1o A isenção de que trata este artigo, no que respeita aos produtos industrializados na Zona Franca de Manaus que devam ser internados em outras regiões do País, ficará condicionada à observância dos requisitos estabelecidos no art. 7o deste decretolei. (Incluído pela Lei n° 8.387. de 30.12.91) Fl. 1332DF CARF MF Processo nº 10283.005279/200727 Acórdão n.º 9303006.357 CSRFT3 Fl. 1.333 7 Isso significa dizer que a Recorrente adquire produto "isento" e comercializa produto industrializado "isento", não havendo que se falar em não cumulatividade, pois não há incidência do IPI em nenhuma das etapas, seja na entrada ou na saída. (...) Como se vê, a decisão recorrida também refutou expressamente o direito ao crédito, pugnado com base no princípio constitucional da não cumulatividade. Todavia, a peça do recurso especial nada referiu quanto a este específico fundamento jurídico. De tal modo, remanesceu no aresto recorrido fundamento inatacado, suficiente, por si só, para determinar o desprovimento do pedido, evidência que atrai, mutatis mutandis, a regra inscrita na Súmula nº 283 do Supremo Tribunal Federal,deste teor: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles." Destarte, é inadmissível o recurso especial que não impugna fundamento do acórdão recorrido apto, por si só, a manter a conclusão a que chegou o colegiado de origem, o que ocorreu no presente caso. Neste mesmo sentido precedente do STJ. “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. CRÉDITO FISCAL. PRESCRIÇÃO. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. CDA. DEFEITO FORMA. NULIDADE. FUNDAMENTO DO ACÓRDÃO RECORRIDO NÃO IMPUGNADO. APLICAÇÃO DA SÚMULA 283/STF. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. (...) 3.Não se conhece do recurso especial que não ataca fundamento que, por si só, é suficiente para fundamentar o juízo emitido pelo acórdão recorrido, evidência que atrai, mutatis mutandis, a regra inscrita na Súmula 283 do Supremo Tribunal Federal, deste teor:"É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles." 4. Na espécie, o acórdão recorrido desproveu o agravo interno sob o argumento de prescrição do crédito fiscal e, também, de nulidade da CDA. As razões de recurso especial, todavia, apenas impugnaram a matéria referente à prescrição dos valores exigidos. (...)” (STJ, 1ª Turma, REsp 704504 / RS, Relator: Ministro José Delgado) Nesta mesma linha já decidiu a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Fl. 1333DF CARF MF Processo nº 10283.005279/200727 Acórdão n.º 9303006.357 CSRFT3 Fl. 1.334 8 RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DE TODOS OS FUNDAMENTOS RELEVANTES DO ACÓRDÃO RECORRIDO, IMPOSSIBILIDADE DE PROVIMENTO. Inviável o recurso especial que pleiteia a reforma de acórdão mas não impugna todos os fundamentos relevantes da decisão recorrida. (Acórdão nº 910100.692, Relator: Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho) Portanto, voto pelo não conhecimento do apelo". Quanto ao acórdão, nº 20174.051, não se aplicam ao presente caso.Como visto, o RE 212.484 , trata de empresa localizada fora da ZFM, sim do Rio Grande do Sul, que adquire insumos provenientes da ZFM. O STF decidiu que nesses casos em que o contribuinte que utiliza insumos isentos provenientes da ZFM, pode se creditar, para não gerar uma distorção na cadeia do IPI, uma vez a saída dos seus produtos é tributada. No caso concreto, não se está diante de aquisição de insumos provenientes da ZFM, razão pela qual não se aplica o RE 212.484. Vejamos a ementa do acórdão paradigma: IPI JURISPRUDÊNCIA É legitima a transferência de crédito incentivado de IPI entre Empresas Interdependentes. As decisões do Supremo Tribunal Federal, que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto Constitucional, deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, nos termos do Decreto ri 2.346, de 10.10.97. CRÉDITOS DE IP1 DE PRODUTOS ISENTOS Conforme decisão do STF, RE nº 212.4842, não ocorre ofensa à Constituição Federal (artigo 153, § 3 2, II) quando o contribuinte do IPI creditase do valor do tributo incidente sobre insumos adquiridos sob o regime de isenção. É legitima a transferência de crédito incentivado entre Empresas Interdependentes, se demonstrado. Recurso provido. Como visto, essas dessemelhanças fáticas e normativas impedem o estabelecimento de base de comparação para fins de dedução da divergência jurisprudencial. Em se tratando de espécies díspares nos fatos embasadores da questão jurídica, não há como se estabelecer comparação e deduzir divergência. Neste sentido, reportome ao Acórdão no CSRF/010.956: “Caracterizase a divergência de julgados, e justificase o apelo extremo, quando o recorrente apresenta as circunstâncias que assemelhem ou identifiquem os casos confrontados. Se a circunstância, fundamental na apreciação da divergência a nível do juízo de admissibilidade do recurso, é “tudo que modifica um fato em seu conceito sem lhe alterar a essência” ou que se “agrega a um fato sem alterálo substancialmente” (Magalhães Noronha, in Direito Penal, Saraiva, 1o vol., 1973, p. 248), não se toma conhecimento de recurso de divergência, quando no núcleo, a base, o centro nevrálgico da questão, dos acórdãos paradigmas, são díspares. Não se pode ter como acórdão paradigma enunciado geral, que somente confirma a Fl. 1334DF CARF MF Processo nº 10283.005279/200727 Acórdão n.º 9303006.357 CSRFT3 Fl. 1.335 9 legislação de regência, e assente em fatos que não coincidem com os do acórdão inquinado.” Com essas considerações, não tomo conhecimento do Recurso Interposto. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1335DF CARF MF
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Numero do processo: 13710.000145/2008-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Ano calendário:2008
ADESÃO AO SIMPLES NACIONAL. PRAZOS.
Não tendo a recorrente obedecido aos prazos previstos na Resolução do CGSN, nº 4/2007, com as alterações posteriores, exigidas para adesão ao Simples Nacional, rejeita-se seu pedido de inclusão nesse regime no ano calendário de 2008.
Numero da decisão: 1402-000.648
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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PRAZOS. Não tendo a recorrente obedecido aos prazos previstos na Resolução do CGSN, nº 4/2007, com as alterações posteriores, exigidas para adesão ao Simples Nacional, rejeitase seu pedido de inclusão nesse regime no ano calendário de 2008. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 63DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13710.000145/200810 Acórdão n.º 140200.648 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão de primeira instância que indeferiu manifestação de inconformidade contra o despacho decisório que indeferiu a sua inclusão no Simples Nacional, em razão de período inválido para a adesão. Segundo o despacho decisório, o prazo para ingresso no Simples Nacional, com efeitos a partir de 01.01.2008, terminou em 31.01.2008, ao passo que o sujeito passivo apresentou o pedido somente em 31.07.2008. A linha de defesa apresentada pela então manifestante é que a inscrição no CNPJ se deu em 05.09.2007, e que como a sua inscrição municipal ocorreu em 02.04.2008, se encontrava em início de atividade, e que oficializou uma solicitação de opção pelo Simples Nacional em abril de 2008, mas que o pedido foi indeferido, em razão de período inválido para adesão, e que ao solicitar o referido pedido estava baseada no § 1º B do art. 7º, da Resolução CGSN nº 4, de 30.05.2007, e ainda que mantinha recolhimento de seus impostos e contribuições totalmente atualizados, dentro dos respectivos vencimentos. A Turma Julgadora concordou com a autoridade administrativa, de que de fato, o prazo para opção pelo Simples Nacional expirou no última dia útil de janeiro de 2008, conforme o art. 7º da Resolução CGSN nº 4, de 30.05.2007. Sobre a alegação da manifestante de que não estaria subsumido a essa regra mas sim, à do § 1º B, do mesmo artigo, uma vez que se encontrava em fase de constituição, a Turma Julgadora discordou da manifestante, porque esse dispositivo legal, que excepciona as empresas em início de atividade, em relação ao prazo, somente foi inserido na CGSN Nº 4, pela Resolução CGSN º 56 de 26.03.2009, após a solicitação da interessada, formulada no ano de 2008. Destacou que a Resolução CGSN Nº 4/2007, dispôs em sua redação original, como regra geral, que a pessoa jurídica, após efetuar a sua inscrição no CNPJ, e após obter a sua inscrição estadual e a municipal, teria o prazo de dez dias para efetuar a sua opção pelo Simples Nacional, sendo que a interessada, tem data de abertura em 05.09.2007 (fls. 28) e efetuou sua inscrição no CNPJ em 18.01.2008 (fls. 36), sendo que em 29.03.2008, recebeu autorização pela PMRJ, Secretaria de Obras (fls. 15), e em 02.04.2008, obteve alvará de licença para estabelecimento emitido pela PMRJ, fls. 29, e cartão de inscrição municipal, no qual constou o início de atividade de 02.04.2008 (fls. 30). Concluiu a Turma Julgadora que o último deferimento de inscrição se deu em 02.04.2008, data a partir da qual, começou a correr o prazo de 10 dias, para a adesão ao Simples Nacional, que se extinguiu em 14.04.2008. Observou que pela consulta ao Simples Nacional, fls. 38, não há registro de que a interessada tenha feito opções pelo Simples Nacional em períodos anteriores a 2009, pois somente foi incluído, a partir de 01.01.2009, conforme consulta às fls. 21, sendo que a interessada apresentou a opção, somente em 28.04.2008, fora do prazo previsto pela Resolução. Fl. 64DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13710.000145/200810 Acórdão n.º 140200.648 S1C4T2 Fl. 3 3 Salientou que esse prazo foi alterado para 30 dias, conforme Resolução CGSN nº 41/2008, com efeitos somente a partir de 01.01.2009. Concluiu que a interessada deixou transcorrer o prazo legal para a opção por tal sistemática na condição de início de atividade. Destacou ainda, que a interessada também não observou a regra do § 6º, no art. 7º, introduzido pela Resolução CGSN nº 23/2007, segundo o qual, a pessoa jurídica não poderia optar pelo Simples Nacional, na condição de empresa em início de atividade, se decorridos 180 dias de sua inscrição no CNPJ, sendo que posteriormente a Resolução CGSN nº 29, de 21.01.2008, que rege o pedido da interessada, dispôs que o prazo de 180 dias se conta da data de abertura constante do CNPJ, sendo que no CNPJ da interessada consta data de abertura de 05.09.2007, de sorte que, após 05.03.2008, a interessada já não mais poderia efetuar a sua inscrição no Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade. A ciência da decisão se deu em 30.12.2009, e o recurso voluntário foi apresentado em 29/01/2010. Argumenta que analisandose de uma forma teórica, concluise razões para o indeferimento do pedido, mas analisandose de uma forma prática, baseado nos fatos ocorridos no que diz respeito à tramitação dos processos em seus respectivos órgãos competentes para liberação dos documentos para cumprimento das exigências, encontrase dificuldades, pois a tramitação ocorre de forma lenta. Como exemplo, cita a narrativa constante do item 3 da folha 44, da decisão da Turma Julgadora, onde a empresa sentiuse prejudicada, pois em função do problema ocorrido, perdeu prazo de 180 dias para efetuar a solicitação ao Simples Nacional. Afirma que apresentou e anexou cópia de documentos, emitidos pela Secretaria Municipal de Urbanismo, a fim de demonstrar um sentido prática na análise exposto: a) Protocolo de nº 02/275.948/07, onde não consta data de recepção do processo inicial, e b) protocolo de nº 02/275.049/08, com data de recepção de 28/01/2008, que veio a substituir o processo anterior. Argumenta que houve realmente uma perda de prazo na tramitação do referido processo, que não há como prevêlo de forma exata, que prejudicou sensivelmente a empresa no cumprimento de suas obrigações junto aos órgãos competentes. Salienta que talvez a Receita Federal do Brasil, talvez não tenha conhecimento do funcionamento da máquina burocrática dos órgãos públicos, parceiros no cumprimento dos seus propósitos. Reconhece que a prova do ônus, neste caso, pode não ser consistente, pois analisase e concluise um parecer por meio de prova documental, mas que, não se imagina as dificuldades encontradas no atendimento, na orientação, na análise de um processo, em determinados órgãos públicos, responsáveis pela emissão dos documentos exigidos. Transcrevo o item 2G do seu recurso: 20) Neste caso fica a dúvida: a) Qual o procedimento a ser seguido em relação à situação criada pelo órgão público, que dificultou a tramitação do processo, ocasionando perda para empresa; Fl. 65DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13710.000145/200810 Acórdão n.º 140200.648 S1C4T2 Fl. 4 4 b) O erro apresentado pelo órgão público não está sendo analisado na sua parte prática, pela sua burocracia, pela sua capacidade e qualidade e, sim pela sua parte teórica, em termos de legislação, conceitos e documentação; c) A empresa em si, que cumpriu a tramitação, na emissão da documentação exigida nos respectivos órgãos públicos, teoricamente descumpriu os prazos correspondentes, sendo impedida de alcançar seus objetivos, como se errada fosse. Ao final, requereu o deferimento de seu pedido de reconhecimento de Opção pelo Simples Nacional, junto aos órgãos competentes. É o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de recurso voluntário contra decisão de primeira instância que indeferiu manifestação de inconformidade contra o despacho decisório que indeferiu a sua inclusão no Simples Nacional, em razão de período inválido para a adesão. A empresa formalizou a adesão ao Simples Nacional em 28.04.2008, sendo que havia os seguintes prazos a serem obedecidos: a) Para efeitos a partir de 01.01.2008, adesão até 31.01.2008, conforme o art. 7º da Resolução CGSN nº 4, de 30.05.2007; b) no caso de início de atividade, como regra geral, prazo de 10 dias após obter a inscrição no CNPJ, estadual e municipal, a que ocorrer por último (regra original da Resolução CGSN nº 4/2007, alterada, pela Resolução CGSN nº 41/2008, com efeitos a partir de 01.01.2009, para 30 dias) e, c) prazo de 180 dias contados da data de abertura constante no CNPJ, conforme a Resolução CGSN nº 29, de 29.01.2008. A empresa não atendeu a nenhum desses prazos. Argumenta que foi prejudicada, em razão da demora na tramitação da documentação em outros órgãos públicos. Reconhece que os prazos não foram atendidos, mas que foi prejudicada pela lentidão na apreciação de seus documentos na Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro. Afirma que apresentou e anexou cópia de documentos, emitidos pela Secretaria Municipal de Urbanismo, a fim de demonstrar um sentido prático na análise exposta: a) Protocolo de nº 02/275.948/07, onde não consta data de recepção do processo inicial, e b) protocolo de nº 02/275.049/08, com data de recepção de 28/01/2008, que veio a substituir o processo anterior. Argumenta que houve realmente uma perda de prazo na tramitação do Fl. 66DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13710.000145/200810 Acórdão n.º 140200.648 S1C4T2 Fl. 5 5 referido processo, que não há como prevêlo de forma exata, que prejudicou sensivelmente a empresa no cumprimento de suas obrigações junto aos órgãos competentes. Art.77.Promulgada esta Lei Complementar, o Comitê Gestor expedirá, em 30 (trinta)meses, as instruções que se fizerem necessárias à sua execução. §1o O Ministério do Trabalho e Emprego, a Secretaria da Receita Federal, a Secretaria da Receita Previdenciária, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios deverão editar, em 1 (um)ano, as leis e demais atos necessários para assegurar o pronto e imediato tratamento jurídico diferenciado, simplificado e favorecido às microempresas e às empresas de pequeno porte. Não tendo a recorrente obedecido aos prazos previstos na Resolução do CGSN, nº 4/2007, com as alterações posteriores, exigidas para adesão ao Simples Nacional, nos termos da decisão da Turma Julgadora, a alegada lentidão na análise de sua documentação por parte de outros órgãos públicos, não é razão suficiente, para que seja deferido seu pedido de adesão ao Simples Nacional, para o ano de 2008, isto porque, conforme caput do art. 77, da Lei Complementar 123/2006, coube ao Comitê Gestor expedir as instruções que se fizessem necessárias à execução da referida Lei, e esta estabeleceu prazos, que devem ser obedecidos pelo sujeito passivo. Também não há nos autos, provas de que o órgão público tenha dificultado a tramitação do processo, pois a própria recorrente reconhece que não há como prever de forma exata a perda de prazo na tramitação da sua documentação por parte da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro, e ademais, também não foi obedecido o prazo de 180 dias contados da data de abertura constante no CNPJ (Resolução CGSN nº 29, de 29.01.2008). Do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Relatora Fl. 67DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 29/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10580.904797/2011-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.277
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Carlos Augusto Daniel Neto e Pedro Sousa Bispo. Ausente a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne e, momentaneamente, o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. Relatório Trata o presente processo de indeferimento de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente que não homologou a Declaração de Compensação em tela face a inexistência de saldo credor. Conforme este Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito. Cientificado do Despacho Decisório, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, tempestivamente, fazendo um resumo dos fatos: a) em preliminar, assevera que exerceu o seu direito conforme disposto na legislação vigente, sendo que apenas não procedeu à retificação das DCTF e demais obrigações acessórias; b) quanto ao mérito, tece considerações sobre o direito à compensação administrativa e a respeito das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a declaração de compensação; RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .9 04 79 7/ 20 11 -5 7 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10580.904797/201157 Resolução nº 3402001.277 S3C4T2 Fl. 89 2 b.1) assinala ainda os pontos de discordância: (i) da inexistência do crédito para a compensação constante do PER/DCOMP e respectivo Darf, e (ii) do direito em retificar as DCTF e demais obrigações acessórias. Ao final, faz referência aos documentos anexados e pede seja acolhida a presente manifestação de inconformidade. A DRJ/BHE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, adotando, para tanto, o convencimento no sentido de que "(...) a retificação da DCTF atesta apenas a alteração do valor do débito anteriormente confessado, mas não comprova o erro que levou ao suposto pagamento indevido ou a maior do tributo apurado originalmente, de forma a conferir a necessária certeza e liquidez ao crédito postulado". Cientificada da decisão do Colegiado a quo e irresignada com o teor do Acórdão nº 0261.029, a Recorrente recorre a este Conselho, apresentando um argumento novo visando amparar a legalidade dos créditos aqui discutidos. Vejase os principais trechos abaixo reproduzidos: "(...) 2. A ora Recorrente SOCIEDADE ANÔNIMA HOSPITAL ALIANÇA, determinouse em identificar e excluir da base de cálculo de PIS e COFINS os medicamentos com incidência de alíquota zero, conforme se pode inferir na petição inicial com pedido de liminar devidamente protocolada em 23/09/2009 com distribuição e inicio do processo Judicial sob o n° 2009.34.00,0314472, em trâmite perante a 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal. Distribuída a Ação, o MM. Juiz deferiu in tantum a LIMINAR pleiteada nos seguintes termos: "Assim, em face do exposto, DEFIRO o pedido liminar, e determino à autoridade Impetrada que suspenda a exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma. prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações feitas pela Lei 10.548/02, isentando, assim, de efetuar a cobrança de tais valores, dos Hospitais e Clinicas substituídos." A liminar foi deferida em 27/10/2009 e ainda confirmada por decisão final de primeira instância em 07/04/2010 que assim declarou: "isto posto, ratifico a liminar e CONCEDO a SEGURANÇA para: 1) determinar à autoridade Impetrada e seus prepostos que se abstenha de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais e clinicas _ substituídos dos . respectivos pagamentos; 2) declara o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos á titulo de PIS e COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73. e 74 da Lei 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A do CTN." Dessa forma, a Recorrente REQUER: 1. Determinar à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10580.904797/201157 Resolução nº 3402001.277 S3C4T2 Fl. 90 3 medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores. 2. Que seja este Recurso Voluntário conhecido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e, ao final, provido, para efeitos de restar reformado o r. acórdão recorrido, mantendo se a integralidade do crédito e a homologação da compensação nos moldes como informado pela mesma, reconhecendose a legitimidade adotada pela Recorrente e o reconhecimento de DCTF e DACON retifícadores ora apresentados junto à SRFB. 3. Declarar o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00 e alterações posteriores, com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73 e74 da Lei nº 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A, do CTN. 4. Sucessivamente, cumprir a decisão e sentença, com sede de Liminar, no sentido de .. suspender qualquer cobrança em processo administrativo e/ou execução até que seja julgado o mérito da referida ação, fazendo valer seus efeitos. A Recorrente anexa cópia dos seguintes documentos: cópia da Decisão e Sentença do Processo Judicial sob n° 2009.34.00.0314472, 9ª Vara Federal Seção Judiciária Federal do Distrito Federal; cópia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região referente ao processo 2009.34.00.0314472; DCTF e DACON retificadores. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.261, de 28 de fevereiro de 2018, proferida no julgamento do processo 10580.904788/201166, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.261: 1. Da admissibilidade do recurso O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 2. Das razões do Recurso Voluntário Não é possível ainda analisar o mérito do presente processo por este órgão Colegiado. Isto porque, antes disso, uma questão prejudicial deve ser adequadamente respondida, saneando o processo, para que nenhuma das partes que compõe o litígio tenha tratamento Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.904797/201157 Resolução nº 3402001.277 S3C4T2 Fl. 91 4 desconforme a legislação tributária que rege o processo administrativo fiscal. Tratase de questão acerca do Mandado de Segurança Coletivo (MSC), com pedido de liminar, impetrado pela CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, contra ato do SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, objetivando a concessão da medida liminar da forma requestada visando à imediata suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, impedindo que a autoridade coatora e seus prepostos possam efetuar a cobrança de tais valores dos Hospitais e Clinicas Substituídos. Como se vê, a Impetrante do MSC, no caso, atuando como substituta processual, é pessoa jurídica de direito privado, devendo os substituídos exercer atividade social de prestação de serviços hospitalares, sendo, desta forma, contribuintes do PIS e da CONFINS. É fato que para a consecução de suas respectivas atividades empresariais, além da prestação de serviços hospitalares, os Hospitais e Clínicas Substituídos sempre necessitaram realizar a aplicação de vários produtos, dentre eles, os medicamentos ministrados aos pacientes. Pois bem. Verificase na "Copia da Certidão de objeto e pé expedida pelo Tribunal Regional Federal da Primeira Região referente ao processo 2009.34.00.0314472", que a Justiça Federal concedeu a SEGURANÇA no seguinte sentido (fl. 40): (1) determinar à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação na forma prevista pela Lei nº 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02, eximindo os hospitais, e clínicas substituídos dos respectivos pagamentos; 2) declarar o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e de COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00, com.outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, em atenção aos arts. 73 e 74 da Lei n. 9.430/96 e observado o disposto no art. 170A do CTN . Posto isto, tornase imprescindível nos autos, a comprovação de que a Recorrente, enquadrase, no caso, como substituída da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS. Em situações como a ora sob análise, o CARF tem entendido pelo cabimento de diligência para a averiguação das informações faltantes, para então decidir pelo conhecimento ou não das razões aduzidas no recurso voluntário apresentado pela Recorrente. Nesse sentido, destaco a Resolução nº 3403000551, proferida no bojo do Processo nº 13898.000203/200261. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10580.904797/201157 Resolução nº 3402001.277 S3C4T2 Fl. 92 5 3. Da conversão em Diligência Com essas considerações, voto pela conversão do processo em diligência, a fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de origem, adote a seguintes providências: (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída (associada ou parte) da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a data de sua filiação; (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé), que se encontra na Justiça Federal o referido Mando de Segurança Coletivo. Caso entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito; (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas, juntar aos autos todos os documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestarse sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado; (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Recorrente do termo e dos demais documentos mencionados no item (iii), concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a Autoridade Administrativa da DRF de origem, adote as seguintes providências: (i) Intimar a Recorrente a apresentar documentos que comprove ser substituída (associada ou parte) da CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE, HOSPITAIS E ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS, indicando claramente a data de sua filiação; (ii) informar a fase processual (certidão de inteiro teor ou objeto e pé), que se encontra na Justiça Federal o referido Mando de Segurança Coletivo. Caso entender necessário, intimar a empresa para atendimento deste quesito; (iii) após encerrada as diligências, a Autoridade Administrativa deverá elaborar Relatório Conclusivo das averiguações efetuadas, juntar aos autos todos os documentos comprobatórios dos fatos que forem analisados e, caso queira (uma Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10580.904797/201157 Resolução nº 3402001.277 S3C4T2 Fl. 93 6 vez que tais fatos não foram apresentados em instâncias anteriores), manifestar se sobre os termos do Recurso Voluntário apresentado; (iv) por fim, a Autoridade Administrativa deverá cumprir o disposto no artigo 35, parágrafo único do Decreto nº 7.574/2011, dando ciência à Recorrente do termo e dos demais documentos mencionados no item (iii), concedendolhe prazo de 30 (trinta dias) para manifestação. Atendida a diligência acima solicitada, o processo deverá ser devolvido para esta 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, 3ª Seção do CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.012156/2003-68
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
RECURSO ESPECIAL. CONFLITO COM SÚMULA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do Recurso Especial que conflita com a jurisprudência sedimentada em Súmula do CARF.
Numero da decisão: 9101-003.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13830.001892/2004-77, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1999 RECURSO ESPECIAL. CONFLITO COM SÚMULA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do Recurso Especial que conflita com a jurisprudência sedimentada em Súmula do CARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13830.001892/2004-77, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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FLORESTAS E INDÚSTRIAS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 RECURSO ESPECIAL. CONFLITO COM SÚMULA DO CARF. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do Recurso Especial que conflita com a jurisprudência sedimentada em Súmula do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13830.001892/200477, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 21 56 /2 00 3- 68 Fl. 244DF CARF MF Processo nº 11080.012156/200368 Acórdão n.º 9101003.336 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), com a alegação de dissídio interpretativo em relação ao acórdão ofertado como paradigma de nº 10513.642, assim ementado: “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL — COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA — LIMITE DE 30% A base de calculo negativa da Contribuição Social, apurada a partir de períodos de apuração referentes ao ano calendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com o saldo compensável, apurado a partir do ano calendário de 1992, ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação específica, observado o limite máximo de redução de trinta por cento.” Nessa oportunidade, a PGFN aduz a não aplicação da limitação de 30%, na compensação da base negativa da CSLL de períodos anteriores, para o resultado decorrente da atividade rural, somente surgiu no ordenamento jurídico com a edição do artigo 42 da Medida Provisória nº 199115/2000. A recorrida apresenta contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9101003.335, de 17.01.2018, proferido no julgamento do Processo nº 13830.001892/200477. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 9101003.335): O presente Recurso Especial da PGFN é tempestivo. Entretanto, a decisão a ser proferida sobre o conhecimento do presente apelo a esta instância especial depende da solução sobre a questão deduzida pela recorrida, quando expõe que o acórdão ofertado como paradigma conflita com a jurisprudência do CARF que se consolidou sobre o tema em estudo. Com efeito, a Súmula CARF nº 53 está assim redigida: “Não se aplica ao resultado decorrente da exploração de atividade rural o limite de 30% do lucro líquido ajustado, relativamente à compensação da base de cálculo negativa de CSLL, mesmo para os fatos ocorridos antes da vigência do art. 42 da Medida Provisória n° 199115, de 10 de março de 2000.” Por outro lado, o acórdão ofertado como paradigma assentou o seguinte entendimento da turma que o exarou: “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL — COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA — LIMITE DE 30% A base de calculo Fl. 245DF CARF MF Processo nº 11080.012156/200368 Acórdão n.º 9101003.336 CSRFT1 Fl. 4 3 negativa da Contribuição Social, apurada a partir de períodos de apuração referentes ao anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com o saldo compensável, apurado a partir do ano calendário de 1992, ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação específica, observado o limite máximo de redução de trinta por cento.” Portanto, é indubitável que há colisão entre o paradigma ofertado e a Súmula CARF nº 53, pois aquele acolheu a trava de 30%, relativamente à compensação da base de cálculo negativa da CSLL, para as pessoas jurídicas que exploram a atividade rural, ao passo que o entendimento jurisprudencial sedimentado na Súmula CARF nº 53 repudia a supracitada limitação. Nesses termos, é preciso ter em conta o disposto no artigo 67, §§ 9º e 12, inciso III, do Anexo II do vigente Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. [...] § 9º O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. [...] § 12. Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: [...] III Súmula ou Resolução do Pleno do CARF.” Em face do exposto, não se deve conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, a teor do que consta no artigo 67, § 12, inciso III, do Anexo II do vigente Regimento Interno do CARF. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 246DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900339/2012-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/02/2005
PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.217
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 15/02/2005 PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado
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PIS/COFINS. ÔNUS DA PROVA. Recorrente PH7AGROPECUARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/02/2005 PER/ DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PROVA DOCUMENTAL. FALTA. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Henrique Mauri (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição (PER), transmitido eletronicamente, que foi indeferido nos termos do despacho decisório emitido pela DRF de origem, pois o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 39 /2 01 2- 33 Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10865.900339/201233 Acórdão n.º 3301004.217 S3C3T1 Fl. 3 2 Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que não existem informações e documentação comprobatória a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos. Nesse sentido, a contribuinte contesta o que qualifica como forma genérica de indeferimento, motivo pelo qual entende prejudicado o exercício do contraditório e da ampla defesa, vez que só poderá se defender plenamente na medida em que souber exatamente o que lhe está sendo imputado. Na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 14043.752. Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando, em síntese: ofensa ao princípio da legalidade, extrapolandose o art. 74 de Lei 9.430/96 e o direito à retificação da DCTF. Ao final, pugna pela reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.199, de 31 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10865.900314/201230, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.199): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. O despacho decisório em comento (fl. 5) apontou o crédito pretendido, "DARF discriminado no PER/DCOMP" de R$307,33, recolhidos em 15/07/2004, sob o código 6912, como também a "UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS NO DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP: "Db: cód 6912 PA 30/06/2004". Então, pelo que consta da decisão, com dados extraídos dos sistemas informatizados da Receita Federal, a recorrente pagou R$307,33 por débito de "PIS NÃO CUMULATIVO", referente a junho de 2004, na quinzena do mês subsequente. Em seu recurso, a contribuinte aponta, incorretamente, tratarse de PIS e COFINS do anocalendário de 2004, sob o código "5856", mesma informação que registrou no PER/ DCOMP. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10865.900339/201233 Acórdão n.º 3301004.217 S3C3T1 Fl. 4 3 Assim, ao contrário do que indica a contribuinte, há informações, documentos o próprio DARF indicado pela contribuinte "a respeito de como, quando e de que forma tais créditos foram utilizados para quitar débitos"; além de motivação suficiente, clara e completa: "localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição", sem prejuízo ao contraditório e da ampla defesa. No PER/DCOMP que protocolou (fl. 02) a contribuinte alega, no campo "Tipo de Crédito:", pagamento indevido ou a maior, mas lá não juntou qualquer prova nesse sentido (por exemplo, documentos contábeis que demonstram erro na apuração da contribuição), nem os trouxe em sede de manifestação de inconformidade (fls 7 e seguintes), quando seria seu esse ônus, conforme bem discorre o acórdão recorrido. Em sede de recurso voluntário, traz explicação que até então não havia carreado aos autos: Assim, alega a recorrente, ofensa ao princípio da legalidade, por extrapolamento do art. 74 do Lei 9.430, posto que ela teria recolhido erroneamente as contribuições sobre as receitas advindas da venda de laranjas. Ora, não lhe fora vedado solicitar restituição, objeto do dito dispositivo legal, apenas não trouxe ela a devida comprovação do crédito advindo do pagamento tido como indevido ou a maior, em sede de impugnação. A recorrente trouxe, somente agora, em sede de recurso voluntário, explicação para a valor supostamente pago a maior, mas não juntou qualquer documento a demonstrar que vendeu as laranjas. Assim, o ônus da prova incube a quem alega o fato que pretende amparar o direito postulado, nos termos do art. 373 do Código de Processo Civil e não cumpriu tal exigência a contribuinte. E mais, nessa toada, segue o processo respeitando o princípio da legalidade. Aduz que "a Secretaria Receita Federal apurou erroneamente, em seus sistemas, a existência do suposto débito, no anocalendário de 2004, também referente ao PIS e à COFINS, e compensou esse débito com o referido crédito". Não foi isso que aconteceu: o pagamento localizado pela Receita e de mesmo valor e data que o informado pela contribuinte no PER/ COMP, e não procedeu o Fisco à compensação, apenas disse que o pagamento fora integralmente utilizado "para quitação de débitos do contribuinte", aqueles que, como alegado pelo contribuinte, foram incorretamente apurados, "não restando crédito disponível para restituição". Diz o acórdão recorrido que: [...] De fato, tal constatação decorre diretamente do exame de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentada originalmente pelo próprio contribuinte e na qual o Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10865.900339/201233 Acórdão n.º 3301004.217 S3C3T1 Fl. 5 4 pagamento apontado no PER/DCOMP é utilizado integralmente para a quitação do débito ali também declarado. A recorrente então discute sobre a possibilidade de retificação da DCTF e aduz a ilegalidade de exigência desta. De plano, o acórdão recorrido não fez tal exigência. Ademais, não demonstrando com documentos o seu direito e já transcorrido o prazo para fazêlo, essa discussão nada acrescenta ao presente julgamento. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 55DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12571.720094/2012-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
DECADÊNCIA. ALEGAÇÃO DE NOVO LANÇAMENTO EM FACE DE RECURSO DE OFÍCIO PROVIDO. INOCORRÊNCIA.
A reforma da decisão de primeira instância pelo CARF, restabelecendo a exigência, não configura a reinauguração do litígio, muito menos novo lançamento, mas tão somente faz parte do conjunto de atos processuais inerentes ao processo administrativo fiscal que decorrem da aplicação dos princípios do contraditório e da ampla defesa, consubstanciadas no "duplo grau de jurisdição, mediante o que todas as decisões proferidas estão sujeitas à revisão por uma instância superior. Desta forma, não se configura a decadência alegada, uma vez que também não preenche os demais critérios legais que informam sua aferição.
GLOSA DE CUSTOS. FRETES SUBCONTRATADOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Não basta a juntada de documentos aos autos sob a alegação de que este comprovam as alegações. É necessário que a recorrente demonstre a conexão dos elementos probantes com a acusação fiscal, indicando precisamente os fatos que se pretende comprovar. Na ausência desses requisitos é de se manter a glosa.
CSLL. GLOSA DE CUSTOS. FRETES SUBCONTRATADOS. REFLEXO NA BASE DE CÁLCULO.
A falta de comprovação de custos e despesas afeta diretamente o resultado do exercício apurado, impactando tanto a base de cálculo do IRPJ quanto a da CSLL, pois ambas partem desse resultado (contábil), para, após os ajustes de adições e exclusões, previstos legalmente, apurar a base tributável.
IRPJ. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. LEGALIDADE. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM. SÚMULA CARF Nº 105. INAPLICABILIDADE
A lei prevê expressamente aplicação da penalidade isolada no caso do descumprimento da obrigação de recolher o tributo estimado mensalmente, situação que se configura exatamente após o encerramento do exercício. Tal penalidade não se confunde com a multa de ofício aplicada sobre o saldo de imposto apurado ao final do exercício. As duas penalidades decorrem de fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro. Inaplicável a Súmula CARF 105 aos fatos geradores ocorridos após o ano-calendário 2007, por terem outro fundamento legal.
Numero da decisão: 1302-002.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, por maioria em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias, que davam provimento parcial para afastar a multa isolada aplicada por falta de recolhimento de estimativas.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Flavio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ALEGAÇÃO DE NOVO LANÇAMENTO EM FACE DE RECURSO DE OFÍCIO PROVIDO. INOCORRÊNCIA. A reforma da decisão de primeira instância pelo CARF, restabelecendo a exigência, não configura a reinauguração do litígio, muito menos novo lançamento, mas tão somente faz parte do conjunto de atos processuais inerentes ao processo administrativo fiscal que decorrem da aplicação dos princípios do contraditório e da ampla defesa, consubstanciadas no "duplo grau de jurisdição, mediante o que todas as decisões proferidas estão sujeitas à revisão por uma instância superior. Desta forma, não se configura a decadência alegada, uma vez que também não preenche os demais critérios legais que informam sua aferição. GLOSA DE CUSTOS. FRETES SUBCONTRATADOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não basta a juntada de documentos aos autos sob a alegação de que este comprovam as alegações. É necessário que a recorrente demonstre a conexão dos elementos probantes com a acusação fiscal, indicando precisamente os fatos que se pretende comprovar. Na ausência desses requisitos é de se manter a glosa. CSLL. GLOSA DE CUSTOS. FRETES SUBCONTRATADOS. REFLEXO NA BASE DE CÁLCULO. A falta de comprovação de custos e despesas afeta diretamente o resultado do exercício apurado, impactando tanto a base de cálculo do IRPJ quanto a da CSLL, pois ambas partem desse resultado (contábil), para, após os ajustes de adições e exclusões, previstos legalmente, apurar a base tributável. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 72 00 94 /2 01 2- 93 Fl. 2803DF CARF MF Processo nº 12571.720094/201293 Acórdão n.º 1302002.629 S1C3T2 Fl. 2.804 2 IRPJ. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS MENSAIS. LEGALIDADE. AUSÊNCIA DE BIS IN IDEM. SÚMULA CARF Nº 105. INAPLICABILIDADE A lei prevê expressamente aplicação da penalidade isolada no caso do descumprimento da obrigação de recolher o tributo estimado mensalmente, situação que se configura exatamente após o encerramento do exercício. Tal penalidade não se confunde com a multa de ofício aplicada sobre o saldo de imposto apurado ao final do exercício. As duas penalidades decorrem de fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro. Inaplicável a Súmula CARF 105 aos fatos geradores ocorridos após o anocalendário 2007, por terem outro fundamento legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, por maioria em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, vencidos os Conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias, que davam provimento parcial para afastar a multa isolada aplicada por falta de recolhimento de estimativas. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Flavio Machado Vilhena Dias, Gustavo Guimarães da Fonseca e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Fl. 2804DF CARF MF Processo nº 12571.720094/201293 Acórdão n.º 1302002.629 S1C3T2 Fl. 2.805 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0654.945, de 13 de junho de 2016, proferido pela DRJCuritiba/PR, que por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação apresentada em face do Auto de Infração de IRPJ e CSLL, relativo aos anos calendário 2007 e 2008, nos termos sintetizado na seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2007, 2008 NULIDADE DA DECISÃO ANTERIOR DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. REALIZAÇÃO DE NOVO JULGAMENTO. Tendo o CARF anulado a decisão anterior de primeira instância para que outra seja proferida, apreciando os argumentos contidos na impugnação e não analisados por esta DRJ, procedese ao novo julgamento. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADOS. Na apuração do resultado tributável somente são dedutíveis os custos e despesas regularmente escriturados e cuja efetiva realização reste devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2007, 2008 BASE DE CÁLCULO. RESULTADO DO EXERCÍCIO AJUSTADO PELAS ADIÇÕES, EXCLUSÕES E COMPENSAÇÕES AUTORIZADAS PELA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. CUSTOS E DESPESAS NÃO COMPROVADOS. Considerando que a base de cálculo da CSLL é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda, ajustado pelas adições, exclusões e compensações autorizadas pela legislação tributária, e tendo em vista que na apuração desse resultado do exercício devem ser considerados apenas os custos, despesas, encargos e perdas pagos ou incorridos correspondentes às receitas e rendimentos ganhos no período, é descabida a dedução, na determinação do resultado do exercício, de custos e despesas não comprovados com subcontratação de fretes, cuja vinculação com qualquer receita ou rendimento da interessada não restou demonstrada nos autos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Fl. 2805DF CARF MF Processo nº 12571.720094/201293 Acórdão n.º 1302002.629 S1C3T2 Fl. 2.806 4 Anocalendário: 2007, 2008 DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento por homologação e não estando caracterizada a existência de dolo, fraude ou simulação, o termo inicial da contagem do prazo decadencial de cinco anos é a data da ocorrência do fato gerador, se houver pagamento antecipado sem prévio exame da autoridade administrativa; inexistindo pagamento antecipado, o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO MENSAL DEVIDO POR ESTIMATIVA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto mensal devido por estimativa, por pessoa jurídica que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada de 50%. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO INCIDENTE SOBRE O TRIBUTO APURADO COM BASE NO LUCRO REAL ANUAL. COMPATIBILIDADE. Tratandose de infrações distintas, é perfeitamente possível a exigência concomitante da multa de ofício isolada sobre estimativa obrigatória não recolhida ou recolhida a menor com a multa de ofício incidente sobre o tributo apurado, ao final do anocalendário, com base no lucro real anual. Conforme se observa da ementa, este processo já havia sido objeto de apreciação de recurso de ofício por este Conselho, no qual o colegiado desta 2ª turma, por meio do Acórdão nº 1302001.077 deu provimento ao recurso para anular a decisão de primeiro grau, que cancelara o lançamento sob o entendimento de que inexistindo condições para a apuração do lucro real o resultado tributável devia ter sido arbitrado pela autoridade fiscal. O referido acórdão determinou o retorno dos autos e a apreciação das demais razões de defesa apresentadas na impugnação. Assim, o presente recurso voluntário foi apresentado em face do segundo acórdão (0654.945) proferido pela DRJCuritiba, que faz uma breve descrição dos fatos apurados pela fiscalização, verbis: Relatório de Ação Fiscal Consta do Relatório de Ação Fiscal (fls. 18771916) que a autoridade fiscal apurou o valor tributável com base na escrituração digital da interessada, cujo valor foi ajustado em decorrência de verificações efetuadas no montante do PIS e Cofins a Recolher, da Recuperação de PIS e Cofins e dos fretes pagos a terceiros PF e PJ, conforme detalhado nos Anexos I a XIII (fls. 19172419): Em análise à referida contabilidade constatouse DESPESAS lançadas na conta 30301020003 “FRETES PAGOS A TERCEIROS PJ” no valor de Fl. 2806DF CARF MF Processo nº 12571.720094/201293 Acórdão n.º 1302002.629 S1C3T2 Fl. 2.807 5 R$ 16.259.046,42 e R$ 14.114.050,58 nos anoscalendário de 2007 e 2008, respectivamente. Constatouse também que alguns dos lançamentos supracitados estavam duplicados. A presente fiscalização conseguiu detectar R$ 6.582.690,58 em 2007 e R$ 1.763.560,30 em 2008 de lançamentos duplicados. Expurgandose os valores duplicados apurouse os seguintes valores lançados na referida conta de despesa: R$ 9.676.355,84 no AC 2007 e R$ 12.350.490,28 no AC 2008 (ANEXOS I e II). Em análise à contabilidade digital constatouse DESPESAS lançadas na conta 30301020001 “FRETES PAGOS A TERCEIROS PF” no valor de R$ 8.696.384,93 e R$ 7.564.140,16 nos anoscalendário 2007 e 2008, respectivamente, contudo, constatouse também que alguns dos lançamentos estavam duplicados. A presente fiscalização conseguiu detectar R$ 3.278.928,28 em 2007 e R$ 848.477,92 em 2008 de lançamentos duplicados. Expurgandose os valores duplicados apurouse os seguintes valores lançados na referida conta de despesa: R$ 5.417.456,65 no AC 2007 e R$ 6.715.662,24 no AC 2008 (ANEXOS III E IV). (...) Em análise aos Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas (CTRC) remetidos pelo CONTRIBUINTE, constatouse tratar de documentos fiscais emitidos pela própria KRM. Alguns modelos de CTRC’s estavam acompanhados de Cartas Fretes na parte inferior do próprio conhecimento. Para efeitos fiscais, os referidos Conhecimentos de Transportes, emitidos pelo próprio CONTRIBUINTE, fazem prova das receitas registradas em contabilidade. Já as Cartas Fretes, emitidas também pelo próprio CONTRIBUINTE, concomitante com os supracitados CTRC’s, não têm poder de sustentar as despesas de subcontratação de fretes. Registrese que, em sua maioria, as Cartas Fretes estavam desprovidas de assinaturas no campo “Assinatura sub contratado”. Outrossim, as poucas Cartas Fretes assinadas apresentavam fortes indícios de falsidade, uma vez que em todas as assinaturas empregaramse o mesmo padrão de construção e escrita (caligrafia), sobrenome escrito por extenso.(...) (...) Informalmente, o CONTRIBUINTE confessou à fiscalização que não possui Conhecimentos de Transporte ou Notas Fiscais de Transporte emitidos pelas Pessoas Jurídicas Subcontratadas, nem Notas Fiscais Avulsas ou Recibos assinados pelas Pessoas Físicas Subcontratadas, apropriadas como Custos das Vendas na escrituração contábil digital e DIPJ. (...) O custo de fretes subcontratados não pode ser comprovado sem estar embasado em documentos fiscais emitidos pela beneficiária. A não exigência por parte do CONTRIBUINTE do documento fiscal competente permite que o efetivo prestador do serviço não ofereça a receita à tributação, bem como fragiliza a idoneidade dos lançamentos contábeis registrados como despesa. Fl. 2807DF CARF MF Processo nº 12571.720094/201293 Acórdão n.º 1302002.629 S1C3T2 Fl. 2.808 6 (...) A falta de documentos probantes das despesas subcontratadas de fretes, e as informações prestadas pelo CONTRIBUINTE levaram a presente fiscalização a circularizar uma amostra significativa das supostas pessoas jurídicas e físicas subcontratadas, constantes de despesas “3.03.01.02.0001Fretes pagos a PF” e “3.03.01.02.0003Fretes pagos a PJ”, a fim de inquirir a veracidade dos lançamentos registrados na contabilidade da CONTRIBUINTE. (...) Após a consolidação das respostas às circularizações chegouse aos seguintes resultados: . Das 39 Pessoas Jurídicas circularizadas, 9 não foram localizadas no endereço constante no CNPJ; 1 foi localizada mas não respondeu à intimação; e 9 declararam não terem prestados serviços à KRM nos AC 2007 E 2008; . Das 80 Pessoas Físicas circularizadas, 24 não foram localizadas no endereço constante no CPF; 7 foi localizada mas não respondeu à intimação; e 13 declararam não terem prestados serviços à KRM nos AC 2007 E 2008; (...) . Confirmouse despesas de subcontratação de fretes realizados por Pessoas Jurídicas de R$ 834.805,02 no AC 2007, e R$ 1.662.066,83 no AC 2008; (ANEXO VIII) . Confirmouse despesas de subcontratação de fretes realizados por Pessoas Físicas de R$ 935.534,92 no AC 2007, e R$ 2.250.460,68 no AC 2008; (ANEXO IX) (...) Os valores constantes nas DRE’s anuais conferem com os constantes nas DIPJ’s 2008 e 2009 – AC 2007 e 2008, contudo constatouse que os valores constantes nas DRE’s mensais foram reproduzidos a partir da divisão dos valores de cada conta da DRE anual por doze, originandose doze valores iguais tanto para as contas de receitas como para as contas de despesas (adições, exclusões). (...) A partir dos dados informados em DRE pelo CONTRIBUINTE, e fazendose os ajustes necessários nas contas de PIS, COFINS, RECUPERAÇÃO DE PIS, RECUPEAÇÃO DE COFINS, FRETES PAGOS A TERCEIROS PF e FRETES PAGOS A TERCEIROS PAGOS A TERCEIROS PJ, apuraramse os seguintes lucros antes do IRPJ e CSLL: R$ 12.564.189,49 para o AC 2007 e R$ 16.090.896,33 para o AC 2008. (anexo XII) Tendo em vista que os valores informados em DRE pelo CONTRIBUINTE ensejaram lucros maiores do que apurados em ESCRITURAÇÃO DIGITAL (desfavorecendo o próprio CONTRIBUINTE, no caso da DRE, pela majoração dos lucros, em comparação aos dados apresentados na ESCRITURAÇÃO DIGITAL), que não é crível que todas as rubricas contábeis tiveram valores constantes nos doze meses dos dois anos calendário fiscalizados, e que tal anomalia não pôde ser esclarecido pelos livros contábeis por falta de apresentação dos mesmos, a presente fiscalização valese da ESCRITURAÇÃO DIGITAL (SVA ca6b08ef884e4833370d78cf96b0d1eb) para Fl. 2808DF CARF MF Processo nº 12571.720094/201293 Acórdão n.º 1302002.629 S1C3T2 Fl. 2.809 7 cálculo do IRPJ e CSLL, o que beneficiou o fiscalizado já que apurouse valores menores de lucro antes do IRPJ e CSLL a saber: R$ 10.848.611,06 no AC 2007, e R$ 10.865.927,56 no AC 2008. (anexo XIII) Desta forma, relacionouse abaixo os valores mensais dos lucros antes do IRPJ e CSLL, utilizados neste Auto de Infração para lançamento de ofício dos créditos tributários, multas e juros de mora aplicáveis ao caso em tela: Lucro antes do IRPJ e CSLL utilizado para lançamento de ofício Mês AC 2007 AC 2008 Jan 552.937,75 65.025,80 Fev 488.994,25 629.636,73 Mar 1.229.006,66 1.245.353,76 Abr 1.170.026,81 594.388,38 Mai 1.240.645,30 1.225.998,06 Jun 1.325.304,54 2.011.441,36 Jul 802.544,13 1.600.510,59 Ago 1.119.507,84 769.188,42 Set 1.075.204,80 523.427,49 Out 934.113,71 904.795,35 Nov 363.407,24 706.858,94 Dez 546.918,04 589.302,68 Total Anual 10.848.611,06 10.865.927,56 A interessada foi intimada do acórdão de primeiro grau em 06/07/2016 (AR fls. 2789), e apresentou recurso voluntário em 29/07/2016, no qual alega, em síntese que : a) preliminarmente, a decadência do lançamento, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, tendo em vista que o "lançamento tributário original" foi anulado pela decisão da DRJ Curitiba proferida em 07 de maio de 2013 e que "o novo lançamento tributário" foi cientificado ao contribuinte apenas em 6 de julho e 2016, prazo que deverá ser considerado como termo final para aferição do prazo decadencial; b) que a autoridade fiscal glosou despesas com fretes pagos a terceiros pessoas físicas em face destes não terem confirmado a prestação de serviços para o contribuinte, mas, contraditoriamente, no processo n° 12571.720273/201140 tais serviços foram objeto de lançamentos de contribuições previdenciárias, tendo sido inclusive lavrado inúmeros autos de infração contra os subcontratados o que a autoridade julgadora poderá verificar junto aos arquivos da Receita Federal; c) que a glosa de fretes pagos a terceiros apresentase contraditória e incorreta, pois a circularização foi parcial e porque se deu como verdadeira a informação prestada por terceiros subcontratados, que não tem interesse em confessar rendimentos tributáveis; d) que todos os pagamentos a eles efetuados tenham sido por via bancária, mediante depósitos; Fl. 2809DF CARF MF Processo nº 12571.720094/201293 Acórdão n.º 1302002.629 S1C3T2 Fl. 2.810 8 e) que juntou aos auto 16 jogos de documentos, como exemplos de pagamentos efetuados a terceiros subcontratados, que traduzem a subcontratação de fretes e seus pagamentos por via bancária, com a utilização de postos de combustíveis, onde era feito o “desconto” de cartas de fretes pelo motorista; f) que esses documentos comprovam a efetividade das despesas e dos pagamentos efetuados e contém: (i) o resumo da subcontratação; (ii) o conhecimento de transporte rodoviário de cargas emitido; (iii) o adiantamento feito ao transportador; (iv) o contrato celebrado; (v) o pagamento do adiantamento, sempre via bancária; (vi) o cupom de pagamento respectivo; (vii) o documento emitido pelo posto de combustíveis; (viii) o documento enviado pelo posto de combustíveis, que documenta o “desconto” da carta frete, referente ao adiantamento; (ix) o cupom de pagamento respectivo; (x) o pagamento do saldo, sempre via bancária; (xi) o cupom de pagamento do saldo remetido; (xii) a carta de cobrança enviada pelo posto de combustíveis referente ao saldo do frete subcontratado; (xiii) o recibo emitido pelo subcontratado, referente ao saldo de seu haver; g) que diante dos elementos juntados como amostragem revelase incorreta a glosa dessas despesas; h) que as despesas consideradas indedutíveis para o IRPJ não poderão ser também consideradas indedutíveis para a CSLL, razão pela qual não é legal acrescer à base de cálculo dessa contribuição as despesas com fretes pagos a terceiros e não acatadas pela fiscalização; i) que a multa isolada sobre as estimativas não pode ser exigida em concomitância com multa de ofício por falta de pagamento do saldo anual de IRPJ e CSLL devidos por contrariar a Súmula CARF nº 105. Ao final requer o acolhimento das alegações recursais e a declaração de improcedência do lançamento. É o relatório. Fl. 2810DF CARF MF Processo nº 12571.720094/201293 Acórdão n.º 1302002.629 S1C3T2 Fl. 2.811 9 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais, assim dele conheço. Da preliminar de decadência A recorrente suscita a preliminar de decadência sob o argumento de que o lançamento "original" teria sido cancelado pela decisão da DRJ Curitiba, proferida em 07 de maio de 2013 e que um "novo lançamento tributário" teria sido cientificado ao contribuinte apenas em 6 de julho e 2016. Este "novo lançamento", segundo a tese da defesa, se consubstancia na decisão proferida pelo CARF, por meio do Acórdão nº 1302001.077, no qual foi dado provimento ao recurso de ofício e determinado o retorno à DRJCuritiba para que aquela unidade julgadora apreciasse o mérito da autuação. Equivocada a interpretação da recorrente. Com efeito não existiram dois lançamentos nestes autos, mas tão somente aquele do qual a recorrente foi cientificada em 20/04/2012. A reforma da decisão de primeira instância pelo CARF, restabelecendo a exigência, não configura a reinauguração do litígio, muito menos novo lançamento, mas tão somente faz parte do conjunto de atos processuais inerentes ao processo administrativo fiscal que decorrem da aplicação dos princípios do contraditório e da ampla defesa, consubstanciadas no "duplo grau de jurisdição, mediante o que todas as decisões proferidas estão sujeitas à revisão por uma instância superior. Desta forma, não se configura a decadência, pelos motivos alegados no recurso voluntário e tampouco pelos demais critérios legais que informam sua aferição, como bem analisado na decisão de piso, verbis: Preliminar de decadência Argui a impugnante que os fatos geradores ocorridos no 1º trimestre/2007 já estariam alcançados pela decadência, conforme regra do artigo 150, § 4º, do CTN, porquanto a intimação do lançamento fiscal deuse apenas em 20/04/2012. Considerando que o IRPJ e lançamentos reflexos estão sujeitos ao lançamento por homologação, eis que a lei exige a apuração e o eventual pagamento antes de qualquer exame por parte da Fazenda Pública, cabe destacar que, nos termos do artigo 150, § 1º do CTN, aquilo que se homologa é a atividade desenvolvida pelo sujeito passivo, ou seja, o fato do pagamento antecipado, certificandose a autoridade administrativa da sua estrita conformidade com a legislação vigente. Não se trata de homologação do lançamento, justamente porque, nessa modalidade, o lançamento vai aparecer apenas com o ato homologatório. Até o seu advento, terá Fl. 2811DF CARF MF Processo nº 12571.720094/201293 Acórdão n.º 1302002.629 S1C3T2 Fl. 2.812 10 curso o procedimento de extinção, que se inicia com o pagamento antecipado e se encerra com a homologação. Decorre daí que, inexistindo pagamento antecipado, ainda que a contribuinte documente bem todos os seus passos, não se poderá falar em homologação e, por via de consequência, em lançamento por homologação. Na situação em análise verificase que a interessada não efetuou recolhimento algum porquanto apurou prejuízo fiscal (R$ 19.029,59) e base de cálculo negativa de CSLL (R$ 32.178,91) em 31/12/2007, conforme declarado na Ficha 09A (Demonstração do Lucro Real) e 17 (Cálculo da CSLL) da DIPJ 2008 (fls. 288312). De igual forma, tendo informado na ficha Dados Iniciais das DCTF’s dos 1º e 2º semestres/2007 (fls. 203 e 217) que adotou o lucro real trimestral como forma de tributação, não confessou débito algum de IRPJ e CSLL nos 1º, 2º, 3º e 4º trimestres/2007. Por conseguinte nada se operou que ensejasse a homologação expressa ou tácita da administração, já que inexiste atividade da contribuinte passível de ser homologada. Logo, cumpre à administração proceder de ofício ao lançamento na forma do artigo 149, V do CTN, enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública, segundo a regra do artigo 173, I do CTN. Dessa forma, tendo em vista que a contagem do prazo decadencial para os fatos geradores ocorridos no 1º trimestre/2007 iniciouse em 01/01/2008 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), expirando em 31/12/2012, enquanto o lançamento fiscal foi cientificado em 20/04/2012, não há que se falar em decadência. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada. Da glosa de custos com fretes No mérito, a recorrente alega que a autoridade fiscal glosou os custos de fretes pagos a terceiros pessoas físicas em face destes não terem confirmado a prestação de serviços para o contribuinte, mas, contraditoriamente, no processo n° 12571.720273/201140 tais serviços foram objeto de lançamentos de contribuições previdenciárias, tendo sido inclusive lavrado inúmeros autos de infração contra os subcontratados o que a autoridade julgadora poderá verificar junto aos arquivos da Receita Federal. Sobre este aspecto, assim se manifestou o acórdão recorrido: 39. Com relação à alegação da impugnante de que as despesas glosadas de fretes pagos a pessoas físicas foram objeto de lançamento de contribuições previdenciárias nos autos do processo nº 12571.720273/201140, cabe apenas destacar que se tratam de procedimentos fiscais distintos, tendo os autos de infração relativos àquele processo sido cientificados em 08/02/2012, ou seja, antes da conclusão das verificações que resultaram nas exigências de IRPJ e CSLL em análise, cuja ciência do lançamento se deu em 20/04/2012. Com efeito, tratamse de lançamentos de tributos distintos e diante da falta de apresentação de qualquer elemento que possa comprovar a alegação pela recorrente, não há como acolhêla. Os processos são independentes e não há qualquer notícia da utilização da prova de um processo em outro, de sorte que a solução de cada litígio é independente. Na sequencia, a recorrente aponta que a glosa de fretes pagos a terceiros apresentase contraditória e incorreta, pois a circularização foi parcial e porque se deu como Fl. 2812DF CARF MF Processo nº 12571.720094/201293 Acórdão n.º 1302002.629 S1C3T2 Fl. 2.813 11 verdadeira a informação prestada por terceiros subcontratados, que não tem interesse em confessar rendimentos tributáveis. Alega que todos os pagamentos a eles efetuados tenham sido por via bancária, mediante depósitos e que juntou aos autos 16 jogos de documentos, como exemplos de pagamentos efetuados a terceiros subcontratados, que traduzem a subcontratação de fretes e seus pagamentos por via bancária, com a utilização de postos de combustíveis, onde era feito o “desconto” de cartas de fretes pelo motorista. Sobre o fato de a circularização ser parcial, verifico no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1889), que o percentual de amostragem (em face do valor contabilizados) foi de quase 80% para os fretes pagos à pessoas jurídicas e de 75% (2007) e 62% (2008) para os fretes pagos a pessoas físicas, o que me parece uma amostragem bastante consistente. Por outro lado, a negativa de prestação de serviços por parte dos prestadores de serviços intimados pela fiscalização não pode ser desconsiderada se a recorrente não apresenta a comprovação da efetividade dos serviços e pagamentos efetuados. Notese que a credibilidade das despesas lançadas, além da falta de comprovação assinada e/ou produzida pelos prestadores (conhecimentos de transportes, recibos de pagamentos a autônomos, etc) restou bastante fragilizada diante da constatação pela autoridade fiscal de expressivos valores lançados em duplicidade, fato não contestado pela recorrente, e da existência de fortes indícios de falsidade ideológica na assinatura constantes de diversas "cartas fretes" pelos supostos prestadores, fato também não enfrentado pela recorrente. Diante de tais elementos e da tentativa da fiscalização de buscar a comprovação dos serviços junto a terceiros, caberia à recorrente trazer aos autos a prova robusta da efetividade dos serviços e dos seus pagamentos, demonstrando de forma objetiva sua ocorrência. No entanto, a recorrente trouxe aos autos apenas uma pequena amostragem de 16 operações que, segundo ela demonstrariam a efetividade dos serviços prestados. Penso que, depois de exauridos os esforços da fiscalização no sentido de buscar a comprovação dos custos com fretes junto à fiscalizada e à terceiros e de têla inclusive cientificada das conclusões das diligências junto a estes últimos, conforme exposto no TVF (fls. 1890), caberia à recorrente demonstrar e comprovar, caso a caso, a efetividade de todas as despesas glosadas e não de apenas algumas delas. A autoridade julgadora de primeiro grau examinou as provas apresentadas e trouxe as seguintes conclusões, verbis: 35. Em sua impugnação, a interessada alegou que a glosa de fretes pagos a terceiros apresentase contraditória e incorreta porquanto a circularização foi parcial e porque se deu como verdadeira a informação prestada por terceiros subcontratados, inobstante os pagamentos a eles efetuados tenham sido por via bancária, mediante depósitos. Como prova de sua alegações, juntou aos auto 16 jogos de documentos, que traduzem a subcontratação de fretes e seus pagamentos por via bancária, com a utilização de postos de combustíveis, onde era feito o “desconto” de cartas de fretes pelo motorista. 36. Em que pese o fato de a impugnante apenas alegar que sua defesa estava instruída por 16 jogos de documentos de fretes pagos a terceiros (fls. 24402660), sem qualquer análise da documentação por ela juntada aos autos, porquanto não Fl. 2813DF CARF MF Processo nº 12571.720094/201293 Acórdão n.º 1302002.629 S1C3T2 Fl. 2.814 12 identificou a quais prestadores de serviço de transporte de cargas se referiam, qual o valor pago aos subcontratados e a quais CTRC estavam vinculados, dentre outras informações necessárias à solução do litígio, cumpre destacar que na análise de tal documentação comprobatória, por este julgador, constatouse que a maior parte da documentação emitida por terceiros e uma parcela considerável da documentação de emissão da interessada estão ilegíveis, e que o contrato particular de prestação de serviços de transporte juntado em cada jogo de documentos não está assinado e não passa de um simples modelo de contrato. 37. Considerando que a maior parte da documentação apresentada na impugnação é composta por planilhas e demonstrativos emitidos pela própria interessada e tendo em vista que a confirmação da veracidade dos fatos neles registrados exige documentação hábil e idônea emitida por terceiros, não há como se acatar a dedutibilidade dessa parcela das despesas com fretes subcontratados. 38, De qualquer forma, verificase que, na realidade, foram apresentados 17 jogos de documentos, abaixo identificados, sendo que oito deles se referem a fretes subcontratados já confirmados na circularização anteriormente efetuada pela Autoridade Fiscal, que abrangeu mais de 70% dos subcontratados pessoas jurídicas e pessoas físicas: CTRC Data Subcontratado Nº 04/05/2007 Valor (R$) Valor ANÁLISE DA DOCUMENTAÇÃO APRESENTADA NA IMPUGNAÇÃO 3497 02/01/2007 Javai Transportes Ltda (fls. 24402451) Não circularizado e a documentação é insuficiente para comprovar a despesa 4991 04/05/2007 3.320,79 NM Silva Jr.Guararapolis (fls. 24522465) Já confirmado na circularização (fl. 1556) 6565 02/08/2007 2.897,64 Roberto Czelusniak (fls. 24662477) Já confirmado na circularização (fl. 898) 7487 13/10/2007 Edson Monteiro Freire (fls. 24782487) Não localiz. na circularização (fls. 450454) e a docum.não comprova a despesa 7929 21/01/2008 2.156,88 Lázaro Roberto Peres (fls. 24882499) Já confirmado na circularização (fl. 1088) 8191 13/02/2008 3.333,60 Bego Transportes Ltda. (fls. 25002511) Já confirmado na circularização (fl. 1188 e 1195) 8681 29/03/2008 Edson Monteiro Freire (fls. 25122521) Não localiz. na circularização (fls. 450454) e a docum.não comprova a despesa 7487 13/10/2007 Edson Monteiro Freire (fls. 25342543) Não localiz. na circularização (fls. 450454) e a docum.não comprova a despesa 8774 15/04/2008 Edivaldo Marques da Silva (fls. 25512563) Declarou que não prestou serviços (fl. 449) e a docum.é insufic.p/comprov.desp. 7926 17/05/2008 Agropecuária Santa Inês Ltda. (25642570) Não circularizado e a documentação é insuficiente para comprovar a despesa 8149 17/06/2008 1.532,10 Pedro Colmann (fls. 2571 2582) Já confirmado na circularização (fl. 845) 10272 02/07/2008 5.175,56 Transportadora Pootz Ltda (fls.25832598) Já confirmado na circularização (fl. 1750) Fl. 2814DF CARF MF Processo nº 12571.720094/201293 Acórdão n.º 1302002.629 S1C3T2 Fl. 2.815 13 8552 12/08/2008 1.336,92 Augusto Czelusniak Cia Ltda. (fls. 25992609) Já confirmado na circularização (fls. 1141 e 1152) 11370 04/09/2008 Marcelo Heveraldo de Souza (fls. 26102624) Não localiz. na circularização (fls. 652655) e a docum.não comprova a despesa 11853 14/10/2008 Eloi Dalla Vecchia e Cia. Ltda. (fls. 26252637) Não circularizado e a documentação é insuficiente para comprovar a despesa 12214 14/11/2008 Transportadora Torsatto Ltda. (fls. 26382649) Não circularizado e a documentação é insuficiente para comprovar a despesa 12590 03/12/2008 3.301,50 Com.Transportes Tonella Ltda. (fls. 26502660) Já confirmado na circularização (fl. 1371) [...] Reexaminando o conjunto de documentos apresentados pela recorrente me ressenti da falta de demonstração individualizada de quais custos. pagos a quais prestadores, a recorrente pretendia comprovar. Em que pese a análise feita pela DRJ, espelhada na planilha acima, tenha ajudado um pouco, e que existam alguns poucos documentos emitidos por terceiros (faturas ou demonstrativos de valores adiantados/devidos), como os pagamentos efetuados teriam se dado por meio de Cartas Fretes junto a postos de combustíveis que na maioria dos casos se referiam a mais de um serviço prestado, não é possível identificar quais custos estariam sendo comprovados. Além disso, em que pese a recorrente fazer referência a existência de comprovantes de depósitos, só identifiquei alguns, relativos a custos já admitidos pela fiscalização. Assim, não basta a juntada de documentos aos autos sob a alegação de que este comprovam as alegações. É necessário que a recorrente demonstre a conexão dos elementos probantes com a acusação fiscal, indicando precisamente os fatos que se pretende comprovar. Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento quanto à glosa de custos. Da glosa de custos na base da CSLL A recorrente alega que as despesas consideradas indedutíveis para o IRPJ não poderão ser também consideradas indedutíveis para a CSLL, razão pela qual não é legal acrescer à base de cálculo dessa contribuição as despesas com fretes pagos a terceiros e não acatadas pela fiscalização. Não tem razão a recorrente. A falta de comprovação de custos e despesas afeta diretamente o resultado do exercício apurado, impactando tanto a base de cálculo do IRPJ quanto a da CSLL, pois ambas partem desse resultado (contábil), para, após os ajustes de adições e exclusões, previstos legalmente, apurar a base tributável. Fl. 2815DF CARF MF Processo nº 12571.720094/201293 Acórdão n.º 1302002.629 S1C3T2 Fl. 2.816 14 Ante ao exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso quanto a esta alegação. Da aplicação da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas mensais A recorrente alega que a multa isolada sobre as estimativas não pode ser exigida em concomitância com multa de ofício por falta de pagamento do saldo anual de IRPJ e CSLL devidos por contrariar a Súmula CARF nº 105. Não assiste razão à recorrente. Inexiste qualquer conflito legal para aplicação da multa de ofício pela falta de recolhimento do tributo em conjunto com a multa isolada pela falta de recolhimento de estimativas. Desde logo afasto a aplicação da súmula CARF nº 1051, porquanto o lançamento da multa isolada foi fundamentado no Art. 44, inciso II, alínea b, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007 (fls. 5). Com efeito, o alcance da referida súmula é limitado às exigências formalizadas anteriormente às alterações legislativas introduzidas pela Lei nº 11/488/2007. O enquadramento legal citado expressamente no texto da súmula (art.44, § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996) deixou de existir a partir de 22/01/2007. Na mesma data, foi publicada no DOU (edição extra) e entrou em vigor a Medida Provisória nº 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/20072. Foram 1 Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. 2 Lei nº 11488/2007: Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; Fl. 2816DF CARF MF Processo nº 12571.720094/201293 Acórdão n.º 1302002.629 S1C3T2 Fl. 2.817 15 alterados o percentual aplicável (de 75% para 50%) e também a base de incidência da multa (antes, a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, após, o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado). Assim, com relação aos fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 2007, os Conselheiros podem votar de acordo com seu livre convencimento sobre a matéria. Com efeito, a lei prevê expressamente aplicação da penalidade isolada no caso do descumprimento da obrigação de recolher o tributo estimado mensalmente, mesmo se apurado prejuízo ao final do exercício. Entendeu o legislador que tal infração (falta de recolhimento da estimativa) não deve ser ignorada. Com vistas à proteção da arrecadação tributária e prestigiando os contribuintes que em situação equivalente efetuaram os recolhimentos devidos por antecipação, houve por bem o legislador estabelecer uma penalidade para aquela infração, que não se confunde de modo algum com a multa de ofício eventualmente devida pelo não recolhimento do saldo de tributo apurado no final do exercício. Assim, se, além das estimativas mensais que deixaram de ser recolhidas, a fiscalização constata que também o saldo de imposto anual devido em face da apuração do resultado do exercício não foi declarado/recolhido, ou o foi à menor, impõese a cobrança das diferenças de tributos devidas acrescidas da respectiva multa de ofício (75%), aplicada sobre o saldo de tributo devido. Ora, é princípio basilar de hermenêutica que "a lei não contém palavras inúteis". Ao estabelecer que é devida a multa isolada ainda que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da contribuição social, o legislador deixou muito claro que a penalidade isolada não se confunde e não pode se fundir com a multa de ofício eventualmente devida pelo saldo de tributo devido no ano. Interpretação nesse sentido implica em negar validade ao citado dispositivo. A imposição da multa isolada visa prestigiar o contribuinte que cumpre com suas obrigações e observa um dos princípios essenciais da atividade econômica, previsto na Constituição Federal de 1988: o princípio da livre concorrência (vide Art. 170, inc IV, Art. 146A e Art. 173, § 4°). Ao impor ao infrator a penalidade isolada a lei visa desestimular comportamentos que levem a condições desiguais, pois enquanto os contribuintes que honram com suas obrigações sacrificam parte de seus fluxos de caixa para contribuir com a coisa pública, muitas vezes tendo que recorrer ao pagamento de juros a terceiros, o infrator (que deixa de recolher o tributo estimado) preserva o seu "Caixa" e se coloca em situação vantajosa economicamente perante os seus concorrentes. III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ” (NR) Fl. 2817DF CARF MF Processo nº 12571.720094/201293 Acórdão n.º 1302002.629 S1C3T2 Fl. 2.818 16 É cediço os efeitos que a sonegação tem sobre o equilíbrio concorrencial. Portanto, ao se desonerar da multa isolada o contribuinte que deixa de efetuar o recolhimento por estimativa ferirseia, além da legalidade, o princípio da isonomia. Rejeito, também, o argumento, que tem sido reiteradamente utilizado pelos que defendem a impossibilidade de coexistência das duas penalidades, quanto a possibilidade de estarmos diante da ocorrência de um "bis in idem": aplicação da multa isolada e da multa de ofício sobre um mesmo fato. Não vejo como se possa defender a existência de um mesmo fato a ensejar a aplicação das penalidades. A lei é cristalina ao estabelecer cada uma das hipóteses em que as penalidades são aplicáveis, sendo certo que as infrações ocorrem em momentos absolutamente distintos, embora possam ser detectadas num mesmo momento pela fiscalização. Enquanto a infração pelo não recolhimento dos tributos devidos com base na estimativa mensal ocorre durante o anocalendário de sua apuração, a infração pelo não recolhimento do tributo anual devido só pode ocorrer depois de encerrado o período de apuração respectivo. São fatos diversos que ocorrem em momentos distintos e a existência de um deles não pressupõe necessariamente a existência do outro. O percentual da multa isolada que antes coincidia com o mesmo percentual da multa de ofício também era comumente utilizado para justificar o alegado "bis in idem!". Porém, também não existe mais essa coincidência, em face de sua redução para 50% pela Lei n° 11.488/2007, e que passou a ser aplicada aos casos pretéritos (inclusive neste) em face da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, alínea "c" do CTN. Os prazos para cumprimento das obrigações em questão também são distintos em cada caso. Por fim, a definição da infração, da base de cálculo e do percentual da multa aplicável é matéria exclusiva de lei, nos termos do art. 97, inc.V do CTN, não cabendo ao intérprete questionar se a penalidade aplicada em tal e qual caso é adequada ou se é excessiva, a não ser que adentre a seara da sua constitucionalidade, o que é vedado no âmbito deste colegiado. Se a lei não prevê a possibilidade de aplicação de uma penalidade em detrimento da outra não cabe ao intérprete afastála ou modular sua aplicação. Por tais fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário quanto a este ponto. Conclusão Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 2818DF CARF MF Processo nº 12571.720094/201293 Acórdão n.º 1302002.629 S1C3T2 Fl. 2.819 17 Fl. 2819DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.907010/2010-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/07/2002
COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO.
A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via.
DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação.
Numero da decisão: 3201-003.289
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/07/2002 COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. CRÉDITO COM ORIGEM EM DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. A compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença que reconheceu o direito do contribuinte, sem o quê há de ser rejeitada a extinção do débito por essa via. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório FAZENDA TOZAN DO BRASIL LTDA. declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 70 10 /2 01 0- 39 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10830.907010/201039 Acórdão n.º 3201003.289 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou o seguinte: a) promovera medida judicial e obtivera provimento para o fim de declarar a inexistência de relação jurídicotributária que o obrigasse a recolher a contribuição (PIS/Cofins) a partir da base de cálculo determinada pela Lei nº 9.718/98, no período sob comento, tendolhe sido autorizada a compensação desses indébitos tributários em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior, devidamente corrigidos pelos mesmos critérios utilizados para correção do saldo devedor; b) referida decisão judicial veio a ser objeto de recurso de apelação da Fazenda Nacional, o qual foi recebido simplesmente em seu efeito devolutivo; c) a própria PGFN já emitiu orientação para que tal matéria, uma vez submetida ao Poder Judiciário, não fosse mais objeto de contestação/recurso; d) a compensação declarada encontravase amparada em decisão judicial, em conformidade com o art. 170A do Código Tributário Nacional, e, tendo o recurso de apelação interposto pela PGFN sido recebido tão somente no efeito devolutivo, não havia que se falar em trânsito em julgado da decisão, a qual desde o seu nascimento gozava de liquidez e certeza quanto à forma; e) os valores objeto da compensação declarada são de fácil confirmação por parte da Secretaria da Receita Federal, uma vez que inúmeras informações constantes das DIPJs do período informam o montante das receitas operacionais sobre as quais o Contribuinte ou suas incorporadas recolheram indevidamente a título de PIS/COFINS; f) ao confeccionar a PERD/COMP para a devida compensação, deixara de mencionar referida informação, não sendo possível mais retificar a declaração pelo fato de que, quando se insere a informação de que o crédito é decorrente de ação judicial, o sistema entende que o tipo de crédito informado na PERD/COMP retificadora é diferente do tipo de crédito informado na PERD/COMP original, tratandose, portanto, de mero erro de fato. Nos termos do Acórdão nº 05039.400, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão sob o argumento de que a compensação de créditos oriundos de decisões judiciais requer o trânsito em julgado da sentença, sem o que se rejeita a extinção de débitos por essa via. Além disso, a Delegacia de Julgamento consignou que o reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o quê não pode ele ser restituído ou utilizado em compensação. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário com os mesmos argumentos de defesa apresentados, aduzindo que a compensação realizada ocorrera em estrita conformidade com a decisão judicial proferida a seu favor. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10830.907010/201039 Acórdão n.º 3201003.289 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.276, de 30/01/2018, proferido no julgamento do processo 10830.903744/201120, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.276): Como se verifica pelo relato dos fatos, a Recorrente promoveu a compensação de débitos tributários utilizandose de crédito alegadamente decorrente do recolhimento indevido da COFINS nos termos do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (alargamento de base de cálculo). Ocorre que, tal compensação, ocorreu antes do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito de crédito do contribuinte, ou seja, em desconformidade com o art. 170A do CTN: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.(Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Nesse aspecto, pontua o acórdão da DRJ: Não obstante, ao contrário do que pretende a contribuinte, tal decisão não lhe garante o direito à compensação administrativa do crédito que entende possuir. Em certo momento de sua manifestação, a contribuinte alega que a decisão judicial teria reconhecido o seu direito à compensação. No entanto, a própria sentença de primeiro grau que reconheceu a inconstitucionalidade condicionou a compensação ao trânsito em julgado. É o que se constata pelos termos da sentença conforme consta do sítio do Tribunal: Isto posto, CONCEDO PARCIALMENTE A SEGURANÇA, extinguindo o feito com exame de mérito, nos termos do art. 269, I, CPC, para o fim de: a) declarar a inexistência de relação jurídico tributária que obrigue a impetrante a recolher o PIS e COFINS com base de cálculo determinada pela Lei 9718/98, nos períodos de julho/2001 a novembro/2002 e de julho/2001 a janeiro/2004, respectivamente, devendo, para tais períodos serem observadas as LC 7/70 e 70/91; b) reconhecer o direito líquido e certo da impetrante em compensarse dos indébitos tributários, após o trânsito em julgado, em razão dos recolhimentos indevidamente efetuados a maior, nos períodos supra, com quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos da fundamentação retro. Outrossim, declaro o direito da impetrante em corrigir monetariamente seus créditos, pelos mesmos critérios utilizados para correção do saldo devedor, relativamente Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10830.907010/201039 Acórdão n.º 3201003.289 S3C2T1 Fl. 5 4 aos períodos supra. Deverá a impetrante, nos termos do 1º, do artigo 74, da Lei nº 9430/96, quando do procedimento da compensação, efetuar a entrega à Secretaria da Receita Federal de declaração em que constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Custas na forma da lei, sem honorários de advogado (Súmula nº 105, STJ). Sentença sujeita ao reexame necessário. Comuniquese ao eminente relator do agravo noticiado nos autos a prolação da presente sentença, para as providências cabíveis. (destaque acrescentado) Com efeito, em que pese a sabida declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, é certo que, na hipótese do contribuinte, detentor de ação judicial, se fazia imprescindível, no momento da transmissão das Declarações de Compensação, o trânsito em julgado da decisão judicial. Desse modo, correto o entendimento da DRJ ao indeferir a compensação nos termos do art. 170A do CTN. Não obstante, há um segundo aspecto a ser considerado na hipótese dos autos. Ainda que ultrapassada a questão instrumental, a Recorrente não logrou demonstrar que os créditos que pretende restituir correspondem, efetivamente, à diferença da COFINS recolhida indevidamente em razão do alargamento da sua base de cálculo: É como assinala o Acórdão da DRJ: Noutra vertente, o crédito também não resta demonstrado, de vez que a contribuinte não consegue evidenciar que, no documento de arrecadação indicado na Declaração de Compensação, haveria alguma parcela indevida e, portanto, haveria crédito passível de utilização. Efetivamente, ainda que se admita a existência de um crédito decorrente de inconstitucionalidade no normativo que presidiu o recolhimento, é imprescindível que a contribuinte comprove a existência e o montante do crédito que reivindica. No caso, a inconstitucionalidade atingiu apenas uma parte do tributo que seria exigível, pelo que a demonstração do montante do crédito reivindicado assume contornos mais importantes. Nesse sentido, não cabe aqui a tentativa da manifestante no sentido de atribuir à Administração Tributária a responsabilidade pela apuração de seu crédito a partir das declarações que teria apresentado. Esta é uma incumbência da contribuinte, proponente original da extinção de débitos pela via da compensação. Nesse sentido, o Tribunal ao reformar parcialmente o provimento de primeira instância no que se refere ao direito à compensação, em decisão dada em 23/07/2012, é explícito ao atribuir à contribuinte o dever de comprovar seu crédito: Por fim, observo, in casu, não merecer acolhida a pretensão formulada pela Impetrante, no sentido de reconhecerse o direito à compensação das parcelas do PIS e da COFINS exigidas com base no art. 3º, § 1º da Lei n. 9718/98, à vista da ausência de documentos que comprovem o efetivo recolhimento do aludido tributo, razão pela qual a sentença deve ser reformada nesse ponto. (destaque acrescentado) Assim, o próprio Poder Judiciário, que reconheceu a inconstitucionalidade da Lei nº 9.718, de 1998, em benefício da contribuinte, não corroborou o pleito de autorização à compensação Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.907010/201039 Acórdão n.º 3201003.289 S3C2T1 Fl. 6 5 pela inexistência de provas do crédito. Tal prova não foi trazida a este processo administrativo pelo que, igualmente, é de ser negada a compensação por falta da prova da materialidade do crédito utilizado. Acrescento que, nesse aspecto, o Recurso Voluntário do Contribuinte restou silente. Seja em sede de Manifestação de Inconformidade, seja em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte deixou de comprovar a materialidade do crédito que pretende ver reconhecido. Com efeito, ainda que tenha ocorrido o reconhecimento judicial do direito ao crédito, o valor a ser ressarcido deverá necessariamente ser liquidado, ou nos autos da ação judicial, ou por via administrativa. Nesta via, por meio do procedimento próprio de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial, cuja existência não foi sequer noticiada nos autos. Por todo o exposto, entendo que o acórdão recorrido deve ser mantido em sua integralidade, votando por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 73DF CARF MF
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