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Numero do processo: 10820.003262/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2003
IRPJ E CSLL. GLOSA DE CUSTOS. BENS DO ATIVO PERMANENTE.
Dada a natureza e a expressividade dos valores unitários dos bens adquiridos e não tendo a recorrente trazido qualquer evidência de que os mesmos seriam meras peças de reposição para manutenção e reforma de outros itens do seu ativo, as aquisições devem ser consideradas bens do ativo permanente, sujeitos à depreciação, não podendo ser deduzidos diretamente como custos.
IRPJ E CSLL. GLOSA DE CUSTOS NÃO COMPROVADOS.
Correta a glosa de custos escriturados quando o contribuinte não apresenta os comprovantes da sua realização. A escrituração contábil e fiscal faz prova a favor do sujeito passivo, desde que esteja respaldada em documentação hábil e idônea.
IRPJ E CSLL. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXCLUSÃO INDEVIDA
DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL.
Inexistindo disposição legal em contrário, deve ser observado o regime de competência na tributação dos valores a serem compensados ou ressarcidos a título de crédito presumido de IPI, não se admitindo a sua exclusão do Lucro Real apurado para fins de IRPJ e da base de cálculo da CSLL, no período de sua apuração.
IRPJ E CSLL. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXCLUSÃO INDEVIDA
DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. ADIÇÃO EM
ANO POSTERIOR. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO.
Inexistindo disposição legal em contrário, deve ser observado o regime de competência na tributação dos valores a serem compensados ou ressarcidos a título de crédito presumido de IPI, não se admitindo a sua exclusão do Lucro Real apurado para fins de IRPJ e da base de cálculo da CSLL, no período de sua apuração. A adição à base de cálculo do valor excluído indevidamente no
ano-calendário anterior caracteriza postergação do pagamento dos tributos.
CSLL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. IMUNIDADE. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE.
A imunidade prevista no inciso I do § 2º do artigo 149 da Carta Federal não alcança o lucro das empresas exportadoras, incidindo sobre eles a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.
MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE.
A imposição de multa de ofício e de juros de mora sobre os tributos lançados de ofício pelo fisco decorre de expressa disposição legal. O CARF não é competente para se pronunciar argüições de inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação das Súmulas CARF nº 2 e 4.
Numero da decisão: 1302-000.882
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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GLOSA DE CUSTOS. BENS DO ATIVO PERMANENTE. Dada a natureza e a expressividade dos valores unitários dos bens adquiridos e não tendo a recorrente trazido qualquer evidência de que os mesmos seriam meras peças de reposição para manutenção e reforma de outros itens do seu ativo, as aquisições devem ser consideradas bens do ativo permanente, sujeitos à depreciação, não podendo ser deduzidos diretamente como custos. IRPJ E CSLL. GLOSA DE CUSTOS NÃO COMPROVADOS. Correta a glosa de custos escriturados quando o contribuinte não apresenta os comprovantes da sua realização. A escrituração contábil e fiscal faz prova a favor do sujeito passivo, desde que esteja respaldada em documentação hábil e idônea. IRPJ E CSLL. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. Inexistindo disposição legal em contrário, deve ser observado o regime de competência na tributação dos valores a serem compensados ou ressarcidos a título de crédito presumido de IPI, não se admitindo a sua exclusão do Lucro Real apurado para fins de IRPJ e da base de cálculo da CSLL, no período de sua apuração. IRPJ E CSLL. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. ADIÇÃO EM ANO POSTERIOR. POSTERGAÇÃO DE PAGAMENTO. Inexistindo disposição legal em contrário, deve ser observado o regime de competência na tributação dos valores a serem compensados ou ressarcidos a título de crédito presumido de IPI, não se admitindo a sua exclusão do Lucro Real apurado para fins de IRPJ e da base de cálculo da CSLL, no período de Fl. 266DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 267 2 sua apuração. A adição à base de cálculo do valor excluído indevidamente no anocalendário anterior caracteriza postergação do pagamento dos tributos. CSLL. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. IMUNIDADE. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. A imunidade prevista no inciso I do § 2º do artigo 149 da Carta Federal não alcança o lucro das empresas exportadoras, incidindo sobre eles a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. A imposição de multa de ofício e de juros de mora sobre os tributos lançados de ofício pelo fisco decorre de expressa disposição legal. O CARF não é competente para se pronunciar argüições de inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação das Súmulas CARF nº 2 e 4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Marcos Rodrigues de Mello Presidente. (documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Waldir Veiga Rocha, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Ausente momentaneamente o Conselheiro Diniz Raposo e Silva. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 268 3 Relatório Tratase de lançamentos de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, do anocalendário 2003, no valor total de R$ 5.171.813,58, incluindo o principal, multa de ofício e juros de mora atualizados até 30/05/2008, efetuados por meio dos Autos de Infração de fls. 102 a 112. Foram constatadas pela fiscalização as seguintes infrações, resumidamente descritas: 1) Valor de aquisição de bens do ativo permanente deduzidos indevidamente como custo; 2) Falta de comprovação de custos; 3) Redução indevida do Lucro Real, em virtude da exclusão, não autorizada pela legislação, de valores a título de crédito presumido de IPI não utilizado em compensações; 4) Inobservância do regime de competência ao excluir da apuração do resultado fiscal do anocalendário de 2003 o saldo do crédito presumido de IPI não utilizado em compensações de impostos naquele AC, adicionandoo nos anos em que ocorreu a sua utilização (ou compensação com outros impostos); 5) Exclusão do cálculo da CSLL do valor relativo à receita de exportação. O contribuinte tomou ciência dos lançamentos em 23/06/2008 e apresentou impugnação em 23/07/2008 (fls. 115/140), cujos principais argumentos estão bem sintetizados no relatório no acórdão da DRJRibeirão Preto, que transcrevo abaixo: O Fisco glosou custo no valor de R$ 1.187.408,28, por entender incabível a apropriação como custo das despesas provenientes da aquisição de bens que compõem o ativo permanente da pessoa jurídica, sustentando que, por serem aplicados em bens de natureza permanente e que aumentam a vida útil desses bens consumindose em período superior a um ano, deveriam ser imobilizados; A legislação autoriza a dedução da diminuição do valor dos bens do ativo, por meio dos arts. 305 e 307 do RIR, de 1999, que tratam da depreciação. O art. 249, I, do RIR, de 1999, citado no auto de infração, simplesmente determina que sejam adicionados ao lucro do exercício os custos e despesas que não sejam dedutíveis na determinação do lucro real, o que não se aplica ao caso em tela, já que exaustivamente demonstrado se tratar de apropriação de custos autorizados por lei. Não houve, também, violação ao art. 251 do RIR, de 1999, uma vez que, no caso em tela, não foi demonstrada qualquer contrariedade entre a escrituração da requerente e a legislação comercial e fiscal. No tocante ao art. 301, que não permite a dedução integral dos custos dos bens do ativo permanente quando seu valor ultrapasse R$ 326,61 ou sua vida útil ultrapasse a um ano, tal dispositivo deve ser interpretado em cotejo com o art. 305 do mesmo regulamento, uma vez que nele consta permissão Fl. 268DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 269 4 para a apropriação das despesas com ativo permanente, decorrentes do desgaste pelo uso, ação da natureza e obsolescência normal; É de se considerar que os equipamentos utilizados na usina de açúcar, em razão do desgaste pela operação ininterrupta durante o ano, se desgastam com intensidade, sendo reformados todos os anos para que tenham condição de operação, portanto, os materiais usados para reforma jamais ultrapassam o prazo de um ano; As aquisições dos bens ocorreram no primeiro e segundo trimestres de 2003 e considerando a depreciação acelerada, por se tratar de empresa em operação durante as 24 horas do dia, temse que os bens já se encontravam depreciados, à época da autuação (23/06/2008), em aproximadamente 95% de seu montante integral, razão pela qual, caso seja mantido o auto, o direito ao crédito extemporâneo deve ser garantido; Nos termos da legislação de regência, no segundo semestre de 2008, o contribuinte já teria direito à integral apropriação dos custos. Assim, nesse momento, a conduta do contribuinte somente poderia ser punida como descumprimento de obrigação acessória e não como falta de pagamento de tributo como fez a fiscalização; Deve ser reconhecida a inviabilidade da cobrança na forma como delineada pelo auto de infração, porque autorizada por lei, ou, na pior das hipóteses, seja reconhecido o direito à apropriação das despesas referentes aos equipamentos mencionados pelo Fisco, vez que já foram adquiridos há mais de cinco anos; Quanto aos custos não comprovados, alguns documentos foram extraviados e outros serão encaminhados pelas empresas fornecedoras, razão pela qual requer seja deferida a juntada dos citados documentos posteriormente. As despesas foram comprovadas por outros instrumentos probatórios, tais como a escrituração contábil regular e registro nos livros fiscais; O crédito presumido de IPI, para ressarcimento de PIS/Cofins, é incentivo fiscal para o exportador possuindo natureza jurídica de subsídio governamental e não ingresso de novas receitas operacionais na pessoa jurídica e que devam compor a base de cálculo dos impostos. A IN nº 413, de 2004, ampliou o conceito contábil de receita operacional para nele fazer constar os créditos presumidos de IPI, para ressarcimento de PIS/Cofins, que, em verdade, são incentivos dados pelo governo aos exportadores; A legislação garante ao contribuinte o prazo de cinco anos para se aproveitar do crédito presumido de IPI, razão pela qual fica a critério da defendente fazer ou não o uso do incentivo, em não o fazendo, descabida é a exigência de inclusão do mesmo na base de cálculo do IRPJ e CSLL; O crédito presumido foi concedido pelo governo para premiar o exportador, como forma de recuperar o custo do PIS/Cofins embutidos nos produtos exportados e o entendimento fiscal, na via contrária, por meio de instrução normativa, modifica o conceito do subsídio fiscal e o classifica como receita operacional, o que se mostra absurdo, uma vez que um crédito concedido para recuperar um imposto é oferecido à base de cálculo de outro; Depois do advento da Emenda Constitucional (EC) nº 33, de 2001, que instituiu a imunidade das contribuições sobre a receita de exportação, alterando o art. 149, § 2º, I da Constituição Federal (CF), não mais houve a incidência de CSLL sobre tais receitas. Impende esclarecer que, tanto nas receitas sobre as quais recaem Fl. 269DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 270 5 as contribuições para o PIS/Cofins, como nas receitas sobre as quais recaem a CSLL, temos as adições e exclusões previstas na legislação pertinente, e, desta operação, é que sai a base de cálculo de ambos os tributos. Assim, descabida a argumentação de que a imunidade não se aplica à CSLL já que esta tem como base de cálculo o lucro, eis que este nada mais é do que as receitas da pessoa jurídica excluídas as despesas empregadas para a produção, bem como as deduções permitidas conforme legislação de regência; Disto resulta que o lucro está contido no âmbito das receitas e, se a imunidade atinge estas, obviamente impedem que as mesmas formem o lucro para que sejam tributadas; A multa aplicada é confiscatória e ofende o princípio da moralidade (art. 37, caput da Constituição Federal – CF), da igualdade/isonomia das relações jurídicas fiscocontribuinte e viceversa (Arts. 1º, IV, 3º, I e IV, 5º, caput, c/c 150, II da CF), e da proporcionalidade e razoabilidade. Ofende, também, a Lei nº 9.784, de 1999, art. 2º, parágrafo único, VI; Os juros de mora exigidos com base na taxa Selic têm natureza remuneratória, contrariando o CTN. A sua aplicação para fins tributários carece de expressa previsão legal, eis que existem leis que fazem referência à aplicação da taxa Selic, no entanto não tem uma que trace seus contornos para fins tributários, para que seja atendido o princípio da legalidade; Os juros aplicados confrontamse com o preceituado no CTN, vez que vinculados à taxa Selic, possuem caráter remuneratório e possuem oscilação que se afasta do limite máximo de 1% determinado pelo CTN. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ Ribeirão Preto manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão nº 1432.914, de 17/03/2011 (fls. 197/208), com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 BENS DE NATUREZA PERMANENTE. DEDUÇÃO COMO CUSTO. Os bens de natureza permanente, de vida útil superior a um ano ou de valor superior a R$ 326,61 devem ser ativados para futura depreciação, não cabendo a sua contabilização como custo. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. TRIBUTAÇÃO. A receita relativa ao crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, deverá ser integralmente oferecida à tributação pelo imposto de renda, observandose o regime de competência. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2003 RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. IMUNIDADE. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 271 6 A norma constitucional que impede a incidência de contribuições sociais sobre receitas decorrentes de exportação aplicase apenas às contribuições que tenham incidência direta sobre a receita, não se estendendo àquelas incidentes sobre o lucro das pessoas jurídicas. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003 JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO. A juntada posterior de documentação só é possível em casos especificados na lei. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. É competência atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário pela Constituição Federal, manifestarse sobre a constitucionalidade das leis, cabendo à esfera administrativa zelar pelo seu cumprimento. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora com base no valor da taxa referencial do Selic tem previsão legal. Lançamento Procedente. A contribuinte foi cientificada da decisão de primeira instância em 08/04/2011 (AR – fls. 212), tendo interposto recurso voluntário em 29/04/2011(fls. 215/240). A recorrente repete em suas razões de recursos, ipsis litteris, as alegações trazidas na impugnação, já transcritas anteriormente, conforme relatório do acórdão da DRJ Ribeirão Preto que adoto. Ao final a recorrente requer que seja provido recurso, e ainda que sejam afastados a multa de ofício e os juros de mora, pelas razões expostas. É o relatório. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 272 7 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado O recurso voluntário apresentado é tempestivo e dele conheço. Assim passo a analisar as razões de recurso em relação a cada uma das infrações imputadas nos autos. 1. Sobre a glosa de custos. 1.1 Sobre dedução indevida de bens do ativo permanente como custo. A autoridade fiscal responsável pelo lançamento identificou que a recorrente lançou em sua contabilidade, diretamente como custos, a aquisição de diversos bens que, pela sua natureza e valor, caracterizarseiam como bens do ativo permanente, considerandoos indevidos e glosando tais custos. A recorrente alega que a legislação autoriza a dedução da diminuição do valor dos bens do ativo, por meio dos arts. 305 e 307 do RIR, de 1999, que tratam da depreciação. Entende que não se aplica ao presente caso os arts. 249, I, e 251 do RIR, de 1999, citados no auto de infração. Sustenta que em relação ao art. 301 do RIR/1999 que o mesmo deve ser interpretado em cotejo com o art. 305 do mesmo regulamento, uma vez que nele consta permissão para a apropriação das despesas com ativo permanente, decorrentes do desgaste pelo uso, ação da natureza e obsolescência normal. Alega ainda que os equipamentos utilizados na usina de açúcar, em razão do desgaste pela operação ininterrupta durante o ano, se desgastam com intensidade, sendo reformados todos os anos para que tenham condição de operação, portanto, os materiais usados para reforma jamais ultrapassam o prazo de um ano. Com relação a estas primeiras alegações sobre a matéria, observo que a recorrente traz argumentos genéricos no sentido de que os bens adquiridos e deduzidos como custos seriam todos eles utilizados para reforma de equipamentos e que seriam sujeitos a desgaste tal que sua vida útil não atingiria a um ano. No entanto, não trouxe aos autos sequer uma descrição vinculando cada um dos bens adquiridos à reforma de outros bens já constantes de seu ativo. Em contrapartida, a autoridade fiscal, em seu Termo de Constatação Fiscal relaciona em uma planilha os bens que foram adquiridos e deduzidos como custos, revelando, além do alto valor de cada item, tratarse de equipamentos autônomos e não a partes e peças de outros equipamentos. Verificase que entre os bens glosados estão, por exemplo: centrífugas de aço (R$ 360.000,00); filtro rotativo de cana (R$ 110.000,00); hidratador de cal (R$ 37.800,00); painéis para comando elétrico (R$ 545.006,02). Fl. 272DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 273 8 A autoridade fiscal observa, no Termo de Constatação Fiscal (fls 94), que a maior parte desses bens foram adquiridos em peça única, o que reforça a sua condição de bem permanente, in verbis: De acordo com a descrição dos materiais e da respectiva classificação fiscal, constantes nas notas fiscais (fls. 37 a 43), constatase que eles são bens de natureza permanente. Cabe ainda observar que a quantidade adquirida e respectivos valores são referentes, normalmente, a uma peça, o que também evidencia tratarse de bens de natureza permanente. Ante a natureza dos bens e a expressividade de seus valores unitários, não há como discordar das conclusões da autoridade autuante, mormente não tendo a recorrente trazido qualquer evidência de que tais bens seriam, de fato, meras peças de reposição para manutenção e reforma de outros bens do seu ativo. Com efeito, o art. 301 do Regulamento do Imposto de Renda estabelece como regra que os bens do ativo permanente não podem ser deduzidos como despesa operacional, salvo se de valor inferior a R$ 326,61 ou que não ultrapassem a um ano de vida útil. O § 2º do mesmo dispositivo estabelece ainda que, o custo dos bens adquiridos ou melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse ao período de um ano, deve ser ativado para posterior depreciação. De fato, o art. 305 do RIR/1999, permite a apropriação das despesas com ativo permanente, decorrentes do desgaste pelo uso, ação da natureza e obsolescência normal. Tal dedução, porém não pode ser feita diretamente por meio do lançamento do valor do bem em conta de custos ou de despesas operacionais. É necessário que o bem seja registrado no ativo sendo a apuração da quota de depreciação registrável na escrituração como custo ou despesa operacional mediante a aplicação da taxa anual de depreciação permitida na legislação do imposto de renda sobre o custo de aquisição dos bens depreciáveis (arts. 309 e 310 do RIR/1999). A recorrente alega ainda que as aquisições dos bens ocorreram no primeiro e segundo trimestres de 2003 e considerando a depreciação acelerada, por se tratar de empresa em operação durante as 24 horas do dia, temse que os bens já se encontravam depreciados, à época da autuação (23/06/2008), em aproximadamente 95% de seu montante integral, razão pela qual, caso seja mantido o auto, o direito ao crédito extemporâneo deve ser garantido e que no segundo semestre de 2008, o contribuinte já teria direito à integral apropriação dos custos. Assim, nesse momento, a conduta do contribuinte somente poderia ser punida como descumprimento de obrigação acessória e não como falta de pagamento de tributo como fez a fiscalização. Sustenta que na pior das hipóteses, seja reconhecido o direito à apropriação das despesas referentes aos equipamentos mencionados pelo Fisco, vez que já foram adquiridos há mais de cinco anos. Também não procedem esses argumentos expendidos pela recorrente. A autuação se reporta ao momento da ocorrência dos fatos geradores, no caso o anocalendário 2003. Assim o transcurso do tempo entre a data de ocorrência dos fatos geradores e a data da apuração não podem produzir efeitos retrospectivos, de forma a repercutir na base de cálculo do fato gerador apurado. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 274 9 O registro das quotas de depreciação na escrituração é faculdade conferida pela legislação ao sujeito passivo; porém, para a sua dedução é imprescindível que tanto os bens depreciáveis tenham sido ativados como as quotas de depreciação, que reduzem o seu valor contábil, sejam igualmente lançadas na escrituração. A ausência desses registros na contabilidade da recorrente impede que a depreciação venha a ser considerada para fins de apuração do imposto devido no ano calendário em que a falta foi verificada. Ante ao exposto, nego provimento ao recurso nesta parte. 1.2. Sobre a falta de comprovação de custos. A recorrente afirma, com relação aos custos não comprovados, que alguns documentos foram extraviados e que outros seriam encaminhados pelas empresas fornecedoras, razão pela qual requereu que fosse deferida a juntada dos citados documentos posteriormente. Alega ainda que ss despesas foram comprovadas por outros instrumentos probatórios, tais como a escrituração contábil regular e registro nos livros fiscais. A autoridade fiscal autuante descreveu a infração, no subitem A.2 do Termo de Constatação Fiscal (fls. 95), nestes termos: Após decorrido longo prazo desde a primeira intimação, e mesmo reintimado, o contribuinte não apresentou as notas fiscais referentes às seguintes Requisições de Materiais, constantes no Termo de Intimação datado de 17/01/2008: (....) Em que pese tenha requerido prazo adicional para apresentação dos documentos, tanto na impugnação, como no recurso voluntário apresentado, a recorrente em momento algum trouxe ao processo novos elementos que pudessem comprovar que os custos contabilizados tinham amparo documental. A escrituração contábil não é, por si só, suficiente para comprovar a ocorrência dos fatos nela registrados, devendo estar amparados por documentação hábil e idônea, nos termos do art. 923 do RIR/19991. Ante ao exposto, não tendo sido comprovados os custos é de ser mantida a sua glosa. 1.3 Tributação Reflexa: CSLL Por se constituírem infrações decorrentes e vinculadas, nos termos do § 2º do art. 24 da Lei 9.249/1995, aplicase integralmente ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido as conclusões relativas ao IRPJ. Assim, nego provimento ao recurso, no que se refere à glosa de custos, também em relação à CSLL. 1 Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Fl. 274DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 275 10 2. Sobre a redução indevida do Lucro Real e inobservância do regime de competência, em virtude da exclusão, não autorizada pela legislação, de valores a título de crédito presumido de IPI. 2.1 Em relação ao IRPJ A autoridade fiscal apurou que foi excluído do lucro real apurado no ano calendário 2003, sem autorização da legislação, o valor referente a crédito presumido de IPI não utilizado em compensações. Identificou ainda a que a fiscalizada inobservou o regime de competência ao excluir, da apuração do resultado fiscal do anocalendário de 2003, o saldo do crédito presumido de IPI não utilizado em compensações de impostos naquele AC, adicionandoo nos anos em que ocorreu a sua utilização (ou compensação com outros impostos). A recorrente alega que o crédito presumido de IPI, para ressarcimento de Pis/cofins, é incentivo fiscal para o exportador possuindo natureza jurídica de subsídio governamental e não ingresso de novas receitas operacionais na pessoa jurídica e que devam compor a base de cálculo dos impostos. Afirma que a IN nº 413, de 2004, teria ampliado o conceito contábil de receita operacional para nele fazer constar os créditos presumidos de IPI, para ressarcimento de Pis/cofins, que, em verdade, são incentivos dados pelo governo aos exportadores. Sustenta que a legislação garante ao contribuinte o prazo de cinco anos para se aproveitar do crédito presumido de IPI, razão pela qual fica a seu critério fazer ou não o uso do incentivo e, em não o fazendo, é descabida a exigência de inclusão do mesmo na base de cálculo do IRPJ e CSLL. Argumenta que o crédito presumido foi concedido pelo governo para premiar o exportador, como forma de recuperar o custo do Pis/cofins embutidos nos produtos exportados e o entendimento fiscal, na via contrária, por meio de instrução normativa, modifica o conceito do subsídio fiscal e o classifica como receita operacional, o que se mostra absurdo, uma vez que um crédito concedido para recuperar um imposto é oferecido à base de cálculo de outro. Examinando as infrações apuradas e as alegações da recorrente verificase que esta excluiu da apuração do lucro real do anocalendário 2003 parte do valor lançado como outras receitas, relativo a título de crédito presumido de IPI, como ressarcimento do Pis/Cofins, apurado conforme previsto na Lei nº 9.363/1996. Parte desses valores foi adicionado ao resultado tributável dos anos calendários subseqüentes (2004 e 2005) e parte foi simplesmente excluído. Deste modo, embora a fiscalizada conteste a tributação desses recursos, o fato é que ela própria reconheceu em sua escrituração contábil e fiscal que os valores eram tributáveis. No entanto, adotou o regime de caixa na tributação dos valores, ao adicionálos ao lucro líquido somente quando da sua utilização para compensação com outros tributos. A Lei nº 9.363/1996 que instituiu o incentivo à exportação, trata o crédito presumido como ressarcimento das contribuições ao Pis e a Cofins, incidentes sobre as respectivas Fl. 275DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 276 11 aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, para utilização no processo produtivo2. Portanto, em princípio, os valores apurados como crédito presumido do IPI corresponderiam ao reembolso das contribuições ao Pis e à Cofins incidentes sobre os insumos utilizados nos produtos importados, devendo ser reconhecidos contabilmente nas contas de resultado como recuperação de custos. Outra alternativa, adotada pela interessada, é a de reconhecêla como outras receitas operacionais. Assim, não há reparos ao procedimento contábil adotado pela recorrente. O litígio, portanto, cingese ao momento em que essas receitas deveriam ter sido oferecidas à tributação, o que passo a analisar. A legislação do imposto de renda adota o regime de competência para a tributação dos resultados das pessoas jurídicas. Assim, salvo disposição legal expressa em outro sentido, as receitas e demais ganhos da pessoa jurídica devem ser reconhecidas pelo regime de competência (arts. 251 e § 1º do art. 274 do RIR/1999 e § 1º do art. 187 da Lei nº 6.404/1976) 3. 2 Lei nº 9.363/1996: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) 3 RIR/1999: Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). Art. 274. Ao fim de cada período de incidência do imposto, o contribuinte deverá apurar o lucro líquido mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do período de apuração e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º, § 4º, e Lei nº 7.450, de 1985, art. 18). § 1º O lucro líquido do período deverá ser apurado com observância das disposições da Lei nº 6.404, de 1976 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 67, inciso XI, Lei nº 7.450, de 1985, art. 18, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 5º). (...) Lei nº 6.404/1976: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: (,,,) § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 277 12 Já o lucro real corresponde ao lucro líquido ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pela legislação do imposto de renda (art. 247, caput do RIR/1999) 4. As exclusões do lucro líquido estão previstas no art. 250 do RIR/1999, in verbis: Art. 250. Na determinação do lucro real, poderão ser excluídos do lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 3º): I os valores cuja dedução seja autorizada por este Decreto e que não tenham sido computados na apuração do lucro líquido do período de apuração; II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam computados no lucro real; III o prejuízo fiscal apurado em períodos de apuração anteriores, limitada a compensação a trinta por cento do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas neste Decreto, desde que a pessoa jurídica mantenha os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do prejuízo fiscal utilizado para compensação, observado o disposto nos arts. 509 a 515 (Lei nº 9.065, de 1995, art. 15 e parágrafo único). Parágrafo único. Também poderão ser excluídos: a) os rendimentos e ganhos de capital nas transferências de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária, quando auferidos pelo desapropriado (CF, art. 184, § 5º); b) os dividendos anuais mínimos distribuídos pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento (DecretoLei nº 2.288, de 1986, art. 5º, e DecretoLei nº 2.383, de 1987, art. 1º); c) os juros produzidos pelos Bônus do Tesouro Nacional BTN e pelas Notas do Tesouro Nacional NTN, emitidos para troca voluntária por Bônus da Dívida Externa Brasileira, objeto de permuta por dívida externa do setor público, registrada no Banco Central do Brasil, bem assim os referentes aos Bônus emitidos pelo Banco Central do Brasil, para os fins previstos no art. 8º do DecretoLei nº 1.312, de 15 de fevereiro de 1974, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.105, de 24 de janeiro de 1984 (Lei nº 7.777, de 19 de junho de 1989, arts. 7º e 8º, e Medida Provisória nº 1.76364, de 11 de março de 1999, art. 4º); 4 RIR/1999: Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). (...) Fl. 277DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 278 13 d) os juros reais produzidos por Notas do Tesouro Nacional NTN, emitidas para troca compulsória no âmbito do Programa Nacional de Privatização PND, controlados na parte "B" do LALUR, os quais deverão ser computados na determinação do lucro real no período do seu recebimento (Lei nº 8.981, de 1995, art. 100); e) a parcela das perdas adicionadas conforme o disposto no inciso X do parágrafo único do art. 249, a qual poderá, nos períodos de apuração subseqüentes, ser excluída do lucro real até o limite correspondente à diferença positiva entre os ganhos e perdas decorrentes das operações realizadas nos mercados de renda variável e operações de swap (Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, § 5º). Por outro lado, a Lei nº 9.363/1996 que instituiu o incentivo fiscal para exportação, nada dispôs sobre a sua exclusão desses valores na apuração do lucro tributável ou para sua tributação apenas no momento de sua efetiva utilização, seja na forma de compensação com outros tributos, seja na forma de ressarcimento em dinheiro. Assim, à míngua de disposição legal em contrário, deve ser observado o regime de competência na tributação dos valores a serem compensados ou ressarcidos a título de crédito presumido de IPI, não se admitindo a sua exclusão do lucro real no período de sua apuração. Ante ao exposto, mantenho o lançamento das infrações relativas à redução indevida do Lucro Real e à inobservância do regime de competência, em virtude da exclusão, não autorizada pela legislação, de valores a título de crédito presumido de IPI. 2.2 Em relação à base de cálculo da CSLL Aplicamse ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL as mesmas conclusões acima, aplicadas à apuração do IRPJ. A base de cálculo da CSLL foi definida pelo art. 2o da Lei n° 7.689, de 1988, in verbis: Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; b) no caso de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades, a base de cálculo é o resultado apurado no respectivo balanço ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) Fl. 278DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 279 14 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Incluído pela Lei nº 8.034, de 1990) 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase. (Incluído pela Lei nº 8.034, de 1990) § 2º (...) Além dessas disposições, aplicamse ao cálculo da CSLL as mesmas regras do imposto de renda, nos termos do artigo 57 da Lei 8.981, de 1995, com redação dada pela Lei 9.065, de 1995, in verbis: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) Assim, inexistindo disposição legal em contrário, deve ser observado o regime de competência na tributação dos valores a serem compensados ou ressarcidos a título de crédito presumido de IPI, não se admitindo a sua exclusão da base de cálculo da CSLL no período de sua apuração. Face ao exposto, mantenho o lançamento das infrações relativas à redução indevida da base de cálculo da CSLL e à inobservância do regime de competência da mesma contribuição social, em virtude da exclusão de sua base de cálculo, não autorizada pela legislação, de valores a título de crédito presumido de IPI. 3. Sobre a exclusão da receita de exportação da base de cálculo da CSLL. A última infração identificada pela autoridade fiscal trata da exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 280 15 A recorrente alega que depois do advento da Emenda Constitucional (EC) nº 33, de 2001, que instituiu a imunidade das contribuições sobre a receita de exportação, alterando o art. 149, § 2º, I da Constituição Federal (CF), não mais houve a incidência de CSLL sobre tais receitas. Esclarece que, tanto nas receitas sobre as quais recaem as contribuições para o PIS/Cofins, como nas receitas sobre as quais recaem a CSLL, existem as adições e exclusões previstas na legislação pertinente, e, desta operação, é que sai a base de cálculo de ambos os tributos. Assim, seria descabida a argumentação de que a imunidade não se aplica à CSLL já que esta tem como base de cálculo o lucro e que este nada mais é do que as receitas da pessoa jurídica, excluídas as despesas empregadas para a produção, bem como as deduções permitidas conforme legislação de regência. Disto resulta, seguindo a recorrente, que o lucro está contido no âmbito das receitas e, se a imunidade atinge estas, obviamente impedem que as mesmas formem o lucro para que sejam tributadas. Com efeito, a Emenda Constitucional nº 33/2001 deu nova redação ao art. 149 da Constituição Federal de 1.988, ao incluir o § 2º que dispõe sobre a imunidade das receitas de exportação à incidência das contribuições sociais, in verbis: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. § 1º (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (grifei) (...) Por outro lado, a própria CF/88 estabeleceu no seu art. 195, inc. I, com a redação dada pela EC. 20/1998, que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, estabelecendo as hipóteses de incidência para as empresa, nestes termos: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; (grifei) Fl. 280DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 281 16 (...) A Constituição discriminou, portanto, as bases de incidência das contribuições sociais de forma clara, diferenciando a receita ou faturamento do lucro. Assim, não há como interpretar a imunidade prevista no inc. I do § 2º do art. 149 da Carta Magna como aplicável tanto às receitas como ao lucro. Essa questão foi objeto de decisão recente do Supremo Tribunal Federal, na análise do Recurso Extraordinário nº 564.413SC, Relator Min. Marco Aurélio, apreciada pelo pleno do STF com repercussão geral, tendo a maioria dos ministros entendido que a imunidade das contribuições sobre as receitas de exportação não se aplica à CSLL, nos termos do acórdão: IMUNIDADE CAPACIDADE ATIVA TRIBUTÁRIA. A imunidade encerra exceção constitucional à capacidade ativa tributária, cabendo interpretar os preceitos regedores de forma estrita. IMUNIDADE EXPORTAÇÃO RECEITA LUCRO. A imunidade prevista no inciso I do § 2º do artigo 149 da Carta Federal não alcança o lucro das empresas exportadoras. LUCRO CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO EMPRESAS EXPORTADORAS. Incide no lucro das empresas exportadoras a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal em negar provimento ao recurso extraordinário, por maioria e nos termos do voto do relator, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas. Brasília, 12 de agosto de 2010. MARCO AURELIO RELATOR Ante ao exposto, e tendo em vista o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais5, aprovado pela Portaria MF. Nº 256, de 22/06/2009, nego provimento ao recurso também nesta parte. 4. Sobre a aplicação da multa de ofício e dos juros de mora. A recorrente questiona a aplicação da multa de ofício e a incidência de juros de mora à taxa Selic. 5 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 282 17 Afirma que a multa aplicada é confiscatória e ofende o princípio da moralidade (art. 37, caput da Constituição Federal – CF), da igualdade/isonomia das relações jurídicas fiscocontribuinte e viceversa (Arts. 1º, IV, 3º, I e IV, 5º, caput, c/c 150, II da CF), e da proporcionalidade e razoabilidade. Ofende, também, a Lei nº 9.784, de 1999, art. 2º, parágrafo único, VI; Com relação aos juros de mora, exigidos com base na taxa Selic, sustenta que têm natureza remuneratória, contrariando o CTN. A sua aplicação para fins tributários careceria de expressa previsão legal, eis que existem leis que fazem referência à aplicação da taxa Selic, no entanto não tem uma que trace seus contornos para fins tributários, para que seja atendido o princípio da legalidade. Argumenta que os juros aplicados confrontamse com o preceituado no CTN, vez que vinculados à taxa Selic, possuem caráter remuneratório e possuem oscilação que se afasta do limite máximo de 1% determinado pelo CTN. As alegações da recorrente não podem ser acolhidas. A aplicação da multa de ofício sobre os lançamentos efetuados decorre de expressa disposição legal (art. 44, inc. I da Lei nº 9.430/1996) 6, pois o crédito tributário foi constituído por iniciativa da administração fazendária, resultando na aplicação de penalidade mais gravosa do que a simples multa moratória, que incide sobre os recolhimentos feitos com atraso, porém por iniciativa do próprio sujeito passivo, antes de iniciado o procedimento fiscal. Com relação à alegação de que a multa aplicada teria caráter confiscatório, e ainda ofenderia outros princípios constitucionais que, nos termos do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, é “vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. Assim também dispõe a Súmula CARF nº 2, in verbis: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que concerne à aplicação da taxa de juros Selic para corrigir o crédito tributário lançado, também esta decorre de disposição legal (Art. 13 da Lei 9.065/1995 e Art. 61, § 3º da Lei nº 9.430/1996)7, não podendo ser acolhida por este colegiado a alegação de inconstitucionalidade do dispositivo, nos termos acima expostos. 6 Lei nº 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; 7 Lei nº 9.065/1995: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 283 18 Também não se vislumbra qualquer ilegalidade ou contrariedade ao CTN, pois o mesmo estabelece, no § 1º do seu art. 161, que a taxa de juros de mora será calculada à taxa de 1%, se a lei não dispuser de modo diverso8. Além disso, a Súmula CARF nº 4, assim dispõe sobre a aplicação dos juros à taxa Selic: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante ao exposto rejeito as alegações da recorrente. 5. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Luiz Tadeu Matosinho Machado – Relator. Lei nº 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 8 Lei nº 5.172/66 (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (...) Fl. 283DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 10820.003262/200891 Acórdão n.º 130200.882 S1C3T2 Fl. 284 19 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17 /04/2012 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 12268.000376/2009-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 34. DEIXAR DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS NA CONTABILIDADE. INFRAÇÃO.
Constitui infração à legislação deixar a empresa de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, sujeitando o infrator a pena administrativa de multa.
PROVAS JUNTADAS EM FASE RECURSAL. COMPLEXIDADE DA PROVA. PRECLUSÃO.
O §4º do art. 16, do Decreto 70.235/72, estabelece que a prova deve ser juntada no momento da impugnação, sob pena de preclusão, bem como refere a legislação as hipóteses de superação deste momento de juntada. A prova que se demonstre complexa e que possa ocasionar a necessidade de perícia contábil ou diligências, não pode ser admitida sua juntada em fase recursal.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-004.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 34. DEIXAR DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS NA CONTABILIDADE. INFRAÇÃO. Constitui infração à legislação deixar a empresa de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, sujeitando o infrator a pena administrativa de multa. PROVAS JUNTADAS EM FASE RECURSAL. COMPLEXIDADE DA PROVA. PRECLUSÃO. O §4º do art. 16, do Decreto 70.235/72, estabelece que a prova deve ser juntada no momento da impugnação, sob pena de preclusão, bem como refere a legislação as hipóteses de superação deste momento de juntada. A prova que se demonstre complexa e que possa ocasionar a necessidade de perícia contábil ou diligências, não pode ser admitida sua juntada em fase recursal. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. Recurso Voluntário Negado
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MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CFL 34. DEIXAR DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS NA CONTABILIDADE. INFRAÇÃO. Constitui infração à legislação deixar a empresa de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, sujeitando o infrator a pena administrativa de multa. PROVAS JUNTADAS EM FASE RECURSAL. COMPLEXIDADE DA PROVA. PRECLUSÃO. O §4º do art. 16, do Decreto 70.235/72, estabelece que a prova deve ser juntada no momento da impugnação, sob pena de preclusão, bem como refere a legislação as hipóteses de superação deste momento de juntada. A prova que se demonstre complexa e que possa ocasionar a necessidade de perícia contábil ou diligências, não pode ser admitida sua juntada em fase recursal. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 03 76 /2 00 9- 17 Fl. 346DF CARF MF Processo nº 12268.000376/200917 Acórdão n.º 2202004.730 S2C2T2 Fl. 347 2 (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 12268.000376/200917 em face do acórdão nº 0240.721, julgado pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), em sessão realizada em 27 de setembro de 2012, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: “De acordo com o Relatório Fiscal de fl. 27, a empresa infringiu ao disposto na Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, artigo 32, inciso II, c/c o artigo 225, inciso II, e §§ 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, porque, segundo a fiscalização, deixou de escriturar em títulos próprios de sua contabilidade, e a partir de julho de 2005, os custos referentes às obras de construção civil, em especial as obras objeto da ação fiscal (Conjunto Habitacional Joinville, Escola Professora Nair S. Pinheiro e Cine Teatro Imperial da Lapa). Os custos incorridos na execução das referidas obras foram contabilizados em contas do grupo 41602 custo dos serviços prestados (custos da mãodeobra direta, encargos sociais e materiais aplicados nas obras), sendo que, nessas contas, estão lançados os custos de todas as obras executadas para terceiros, indistintamente. Não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no artigo 290 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999. A multa foi aplicada no valor de R$ 13.291,66 (treze mil e duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos), consoante a Lei nº 8.212, de 1991, artigo 92 e 102, e com o Regulamento da Previdência Social RPS, artigo 283, inciso II, “a”, e artigo 373, com o valor atualizado pela Portaria MPS 48, de 12.02.2009 (DOU de 13.02.2009). Fl. 347DF CARF MF Processo nº 12268.000376/200917 Acórdão n.º 2202004.730 S2C2T2 Fl. 348 3 O sujeito passivo apresentou impugnação com os seguintes argumentos, às fls. 33/39: De início, alega a nulidade da autuação dizendo que a mesma limitouse a indicar o valor a ser recolhido sem trazer qualquer informação objetiva sobre o cálculo que levou ao montante aplicado. Fala que a peça de autuação seria contraditória, apresentando de maneira genérica diferentes condutas atribuídas à impugnante. Assim, por faltar exatidão e clareza, entende ter ocorrido cerceamento ao contraditório e ao direito de defesa, devendo ser declarado nulo o auto de infração. Analisando os dispositivos da peça acusatória, fala que nenhum deles versa sobre a necessidade de manutenção de folha de trabalho separada por obras, e sobre quais as pessoas que estariam sujeitas a tal obrigação. Com base em Acórdão proferido pela 6a Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, que trata da ausência de fundamentação legal, a impugnante ainda conclui pela ilegalidade da penalidade aplicada. Quanto à alegação fiscal de que a impugnante teria deixado de observar os títulos próprios e por obra de construção civil, a partir de julho de 2005, diz que não merece prosperar, porque os seus lançamentos contábeis estão contabilizados por centros de custo que constam dos cabeçalhos das páginas dos livros razão e diário cópia inserta no anexo II. Além disso, para o período de 01.07.2005 a 31.12.2005, fala que elaborou um livro razão auxiliar no qual os lançamentos foram feitos por obra, sendo que este livro, entretanto, foi desconsiderado pela fiscalização em seu trabalho cópia constante do anexo III. Em relação ao período de 01/2006 a 12/2006, comenta que os lançamentos foram organizados por centros de custo que constam dos cabeçalhos das páginas cópias dos livros insertas no anexo IV. Com mais essas razões, afirma que deve ser afastada a cobrança vertida no auto de infração ora impugnado. Em seu pedido, requer a improcedência do auto de infração determinando o seu arquivamento. Requer, ainda, a produção de prova pericial contábil, nos termos do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, a fim de comprovar a regularidade de seus lançamentos contábeis. Por fim, protesta pela apresentação de razões complementares tendo em vista que no exíguo prazo de impugnação não foi Fl. 348DF CARF MF Processo nº 12268.000376/200917 Acórdão n.º 2202004.730 S2C2T2 Fl. 349 4 possível ultimar os trabalhos técnicos que visavam contestar as conclusões contidas no auto de infração. O processo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte, tendo em vista a Portaria SUTRI nº 3.237, de 12.08.2011, publicada no DOU de 15.08.2011.” A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pelo contribuinte, mantendo, assim o crédito tributário lançado, na integralidade. O contribuinte, inconformado com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 204/213, reiterando as alegações expostas em impugnação. Junta, em anexo ao recurso voluntário, documentos de fls. 215/344. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Documentos juntados em fase recursal. A perícia e as diligências requeridas foram indeferidas pela DRJ de origem, com fundamento no art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações da Lei n° 8.748/1993, por se tratarem de medidas absolutamente prescindíveis já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. Além disso, não foram cumpridas as determinações do art. 16, inciso IV, o que resulta na desconsideração do pedido eventualmente feito, conforme art. 16, § 1º do Decreto 70.235/72. Ademais, a solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir, de modo que o onus probandi seja suportado por aquele que alega. Portanto, improcedente tal pedido. Descabe, ainda, a inversão do ônus da prova. Os documentos juntados pelo contribuinte em fase recursal, às fls. 458/762, demandariam análise pela primeira instância, podendo inclusive, antes do julgamento de primeira instância, ser determinada perícia ou diligências. No entanto, a chegada aos autos de documentos, com mais de 300 páginas, que demandariam uma análise contábil, impedem que sejam recebidos como prova do alegado. Ocorre que o Decreto nº 70.235/72 estabelece no 4º do seu art. 16 que: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 349DF CARF MF Processo nº 12268.000376/200917 Acórdão n.º 2202004.730 S2C2T2 Fl. 350 5 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (grifouse) Não sendo demonstrado pela contribuinte alguma das hipóteses das alíneas acima, entendo por não receber os documentos nesta fase recursal, por preclusão. No presente caso, não há como superar o disposto no art. 16, §4º, do Decreto 70.235/72 em razão do princípio da verdade material ou do formalismo moderado, haja vista a complexidade da prova juntada, que deveria ter sido previamente apreciada pela autoridade julgadora de primeira instância, sob pena de violação inclusive do duplo grau de jurisdição. 2. Multa por descumprimento de obrigação acessória (CFL 34) Nos termos do artigo 32, inciso II, da Lei nº 8.212 de 24 de julho de 1991 combinado com o artigo 225, inciso II e parágrafos 13 ao 17, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, a empresa é obrigada a lançar, mensalmente, em título próprio de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Tendo em vista que restou comprovado nos autos o efetivo cometimento da infração, a aplicação da penalidade ao caso presente encontrase perfeitamente legal. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte ora recorrente. Portanto, deve ser negado o recurso quanto a este ponto. Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 350DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.002005/2010-36
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA.
Verificado que os rendimentos tributáveis auferidos pelo contribuinte não foram integralmente oferecidos a tributação na Declaração de Imposto de Renda, mantém-se o lançamento.
FALTA DE PROVAS. DECISÃO MANTIDA.
A impugnação deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem não têm qualquer relevância na análise dos fatos alegados.
Numero da decisão: 2002-000.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Verificado que os rendimentos tributáveis auferidos pelo contribuinte não foram integralmente oferecidos a tributação na Declaração de Imposto de Renda, mantém-se o lançamento. FALTA DE PROVAS. DECISÃO MANTIDA. A impugnação deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem não têm qualquer relevância na análise dos fatos alegados.
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Verificado que os rendimentos tributáveis auferidos pelo contribuinte não foram integralmente oferecidos a tributação na Declaração de Imposto de Renda, mantémse o lançamento. FALTA DE PROVAS. DECISÃO MANTIDA. A impugnação deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem não têm qualquer relevância na análise dos fatos alegados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 20 05 /2 01 0- 36 Fl. 101DF CARF MF Processo nº 11543.002005/201036 Acórdão n.º 2002000.302 S2C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl.66) contra decisão de primeira instância (fls.55/60), que julgou pela improcedência da impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Contra o contribuinte qualificado foi emitida a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF de fls. 09 a 12, em 12/07/2010, referente ao exercício 2009, anocalendário de 2008, que lhe exige o recolhimento de crédito tributário conforme demonstrativo abaixo (em Reais): Imposto de Renda Suplementar ( Sujeito à Multa de Ofício) 4.987,45 Multa de Ofício 75% (Passível de Redução) 3.740,58 Juros de Mora calculados até 30/07/2010 548,61 Imposto de Renda Pessoa Física (Sujeito à Multa de Mora) 0,00 Multa de Mora (Não Passível de Redução) 0,00 Juros de Mora calculados até 30/07/2010 0,00 Total do crédito tributário apurado 9.276,64 Decorre tal lançamento de revisão procedida em sua declaração de ajuste anual do exercício de 2009, anocalendário de 2008, quando foram verificadas as seguintes infrações: Omissão de Rendimentos do Trabalho sem Vínculo Empregatício Recebidos de Pessoa Jurídica – omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício, relativos ao exercício 2009, anocalendário 2008. Fonte Pagadora: Cretovale Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Trabalhadores. Valor: R$ 23.870,88. Os enquadramentos legais encontramse às fls. 10 dos autos. Conforme AR (Aviso de Recebimento) de fl. 14, o impugnante foi cientificado da autuação em 23/07/2010. Em 03/08/2010, apresentou impugnação (fls. 03/05) a o lançamento alegando, em síntese: que reafirma as justificativas apresentadas nos processos nº 2007/607435084492037 e 2005/607435192612081, que vai além da legalidade da aplicação dos normativos da SRF, pois esta é uma questão de legitimidade, pois a Constituição Federal protege os cidadãos e cidadãs dos efeitos tributários injustos e acima de suas possibilidades financeiras; que, por conclusão, pede a isenção fiscal, prevista na legislação, pois a sua esposa, Sônia Sampaio Vidal, dependente do contribuinte e sem renda própria, foi acometida de doença grave (câncer de mama), do que Fl. 102DF CARF MF Processo nº 11543.002005/201036 Acórdão n.º 2002000.302 S2C0T2 Fl. 4 3 decorreu esvaziamento de toda a poupança familiar e reflexos na economia doméstica; que em momento algum do seu pleito fez referência às rendas informais de sua esposa Sônia, que como um grande contingente de brasileiras, ajudam na renda familiar produzindo bolos e doces para festas de aniversários; que os transtornos orçamentários foram agravados pela perda do emprego e aposentadoria precoce do impugnante; que a atividade cooperativista é de cunho altruístico, haja vista que o rendimento auferido, inferior à remuneração de mercado, não suporta as despesas ferais inerentes ao cargo; Ao final, requer também que a isenção tenha seus efeitos retroativos a junho de 2000, época da cirurgia da esposa, que seja calculada e devolvida toda a contribuição feita ao fisco neste período, onde temos também um ônus advindo de outro auto de infração não contestado e parcelado em sessenta meses. Pugna pelo cancelamento do débito fiscal reclamado. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU REFORMA. ISENÇÃO. São isentos de tributação os rendimentos relativos a aposentadoria, reforma ou pensão, recebidos por portador de doença grave devidamente comprovada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados e do Distrito Federal. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÕES SEM PROVA. A impugnação deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa. São inadmissíveis no processo meras alegações desacompanhadas de provas que as justifiquem. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Será efetuado lançamento de ofício no caso de omissão de rendimentos tributáveis percebidos pelo contribuinte e omitidos na declaração de ajuste anual. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Fl. 103DF CARF MF Processo nº 11543.002005/201036 Acórdão n.º 2002000.302 S2C0T2 Fl. 5 4 Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi notificado em 31/08/2012 (fl.65); Recurso Voluntário protocolado dia 06/09/2012 (fl.66), assinado pelo próprio contribuinte. O recorrente em seu Recurso Voluntário, lança uma preliminar de mérito que confundese com o mérito e, com ele será analisado. O recorrente em sua peça de resistência, não juntou aos autos, a comprovação que os valores recebidos tinham natureza jurídica de ajuda de custo, para custeio de despesas extras, assim, neste sentido, sua defesa fica apenas no campo das alegações, e em direito quem alega deve provar seu fato constitutivo. Outra alegação do recorrente, é que sua esposa é portadora de moléstia grave, portanto faz jus à isenção do imposto de renda, neste aspecto razão não assiste ao recorrente, pois não é o próprio interessado que é acometido pela moléstia. Além de toda a argumentação, verificase que a própria fonte pagadora considerou os valores pagos como rendimentos tributáveis (fl.40). Quanto ao pedido de isenção fiscal, deixo de analisar eis que o mesmo não é cabível nesta oportunidade, até porque foge da competência deste CARF. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito, negase provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 104DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.724836/2012-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/04/2012
DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49.
Recurso Voluntário Improcedente
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.505
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/04/2012 DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49. Recurso Voluntário Improcedente Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
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ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49. Recurso Voluntário Improcedente Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 48 36 /2 01 2- 26 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10830.724836/201226 Acórdão n.º 3402005.505 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração para exigência de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). Cientificada do lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação, alegando que apresentou a DACON de forma espontânea, o que excluiria a penalidade nos termos do artigo 138 do CTN. Por meio do acórdão nº 05039.152, o Colegiado a quo julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando a alegação de sua impugnação pela exclusão da penalidade nos termos do artigo 138 do CTN (denúncia espontânea). O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.503, de 26 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10840.002032/201091, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.503): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese à aplicação da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, em caso de entrega intempestiva de obrigação acessória (DACON), mas antes de qualquer ato de ofício da autoridade fiscal. Tratase de aplicação direta da Súmula CARF nº 49: Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10830.724836/201226 Acórdão n.º 3402005.505 S3C4T2 Fl. 4 3 “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.” As Súmulas do CARF são de observância obrigatória pelos membros do colegiado, conforme disposto no artigo 72 do RICARF. Recentemente, por meio da Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, foi atribuído a determinadas súmulas do CARF, dentre as quais se encontra a Súmula 49, efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Dessa forma, a matéria se encontra pacificada em sentido contrário àquele defendido pela recorrente, não restando qualquer análise a ser feita neste julgamento. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, pela aplicação da Súmula CARF 49. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 78DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.907591/2009-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 13/04/2006
SALDO NEGATIVO DE CSLL. DCOMP. NÃO COMPROVAÇÃO.
Constatado que não houve a comprovação da existência de saldo negativo de CSLL para fins de compensar débitos da Contribuinte, de se considerar não homologada a compensação pleiteada no Per/Dcomp.
Numero da decisão: 1401-002.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 13/04/2006 SALDO NEGATIVO DE CSLL. DCOMP. NÃO COMPROVAÇÃO. Constatado que não houve a comprovação da existência de saldo negativo de CSLL para fins de compensar débitos da Contribuinte, de se considerar não homologada a compensação pleiteada no Per/Dcomp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 75 91 /2 00 9- 97 Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10855.907591/200997 Acórdão n.º 1401002.784 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário ao Acórdão 1439.112 proferido pela Sexta Turma da DRJ/RPO em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, ocasião em que não reconheceu o alegado direito creditório. A seguir, transcrevo os termos e fundamentos da decisão recorrida: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) [...], por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos (Cofins código de receita: 5856) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL – código de receita: 2484). Por intermédio do despacho decisório[...], não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, [...} interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade [...], na qual alega, em síntese, que: "(...) 2 A requerente recolheu durante o ano de 2005 a Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido, na forma de estimado com recolhimentos mensais, no valor de R$ 356.049,60 (trezentos e cinqüenta e seis mil, quarenta e nove reais e sessenta centavos), conforme demonstrada na ficha 17, Calculo da Contribuição Social, da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica. 3 Ao encerrar o seu balanço, no final do ano optou pela Apuração pelo Lucro Real, levantando balanço onde apurou o valor devido de R$ 238.600,74 (duzentos e trinta e oito mil, seiscentos reais e setenta e quatro centavos), conforme ficha 17 (Calculo da Contribuição Social), da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. 4 Conseqüentemente houve um recolhimento a maior no valor de R$ 117.448,86 (cento e dezessete mil, quatrocentos e quarenta reais e oitenta e seis centavos), conforme ficha 17, da DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10855.907591/200997 Acórdão n.º 1401002.784 S1C4T1 Fl. 4 3 5 Consta no Despacho Decisório em epigrafe, que foi localizado o recolhimento informado na PER/DCOMP, porem o mesmo foi utilizado para quitação de débitos do contribuinte. 6 Esse pagamento foi feito para CSLL em 31/10/2005, esse recolhimento foi feito por estimativa, porem com o levantamento de Balanço, para pagamento do IRPJ e CSLL, pelo lucro real foi constado que a CSLL foi feito a maior, portando foi feito a PER/DCOMP, para a sua devida compensação. 7 Conforme a DECLARAÇÃO PER/DCOMP, de n . 40273.68783.13042009.1.3.04.7720, enviada em 22/03/2006, a mesma tinha um saldo suficiente para fazer a compensação do Valor de RS 922,07 (novecentos e vinte e dois reais e sete centavos). 8 Esse valor R$ 922,07 (novecentos e vinte e dois reais e sete centavos)!, foi compensado através da PER/DCOMP. N .35017.86095.130406.1.3.04.2049, transmitida em 13/04/2006. Sem mais para o momento e nos colocando a disposição para qualquer outro esclarecimentos ou informações. Diante do exposto é que vem requerer de V.Sria, para que seja mantido o seu credito para a devida compensação solicitada em PER/DCOMP". É o relatório VOTO A manifestação de inconformidade interposta atende aos pressupostos de admissibilidade. Assim sendo, dela conheço. O Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada nos autos, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP[...]. Com efeito, no que diz respeito ao crédito de CSLL (código: 2484), relativo ao mês de setembro de 2005, no valor de R$ 23.510,11, observo que o mesmo foi utilizado integralmente para pagamento de um débito de CSLL (código: 2484), do próprio mês de setembro de 2005, no valor de R$ 23.510,11, assim declarado na DCTF de setembro de 2005 e apresentada pela declarante, conforme cópia de tela de sistema de controle anexada aos autos. Contudo, a recorrente vem, em sua defesa, alegar que a natureza do crédito em questão é de saldo negativo de CSLL, e não pagamento indevido ou a maior de CSLL. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10855.907591/200997 Acórdão n.º 1401002.784 S1C4T1 Fl. 5 4 Dessa forma, cabe perquirir, à luz do disposto na legislação de regência, se a declaração de compensação ora em exame encontrase devidamente instruída, especialmente no que concerne à comprovação de liquidez e certeza do crédito pleiteado. Nesse sentido, o Código Tributário Nacional (CTN), em seu artigo 170, dispõe: “a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda”. A respeito do tema, cumpre transcrever o disposto no Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aplicável também à CSLL, mais exatamente os artigos 221 a 232, verbis: [...] Assim, somente o saldo negativo de CSLL a pagar, calculado ao final do período de apuração, é que se mostra passível de restituição e/ou compensação posterior, nos termos da legislação vigente. No entanto, a apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, no caso, está na dependência da efetiva demonstração, pela requerente, do saldo negativo de CSLL apurado no final de cada período, uma vez que os valores recolhidos a título de estimativa são considerados pela lei como antecipações da contribuição social devido. Diante dessas considerações, esta Turma de Julgamento tem reiteradamente consignado que em tema de restituição e compensação de saldo negativo de IRPJ e de CSLL com outros tributos, ou com o próprio, cabe o atendimento de quatro premissas: 1ª) a constatação dos pagamentos ou das retenções; 2ª) a oferta à tributação das receitas que ensejaram as retenções; 3ª) a apuração do indébito, fruto do confronto acima delineado e, 4ª) a observância do eventual indébito não ter sido liquidado em autocompensações. Portanto, não basta à interessada alegar o pagamento a maior ou indevido do tributo, mas também deve trazer, por ocasião do presente contencioso, provas, lastreadas em lançamentos contábeis, que identifiquem, inequivocamente, a base de cálculo da CSLL, o saldo negativo de CSLL apurado e, por conseguinte, os registros contábeis relativos às compensações da CSLL devida nos períodos subseqüentes à apuração do indigitado saldo negativo de CSLL. [...] Neste contexto, a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10855.907591/200997 Acórdão n.º 1401002.784 S1C4T1 Fl. 6 5 expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário, Razão e Lalur, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado além da comprovação da contabilização com lastro em documentação hábil, das retenções na fonte e o oferecimento à tributação das receitas que deram origem a tais retenções. Diante dessas premissas, forçoso concluir que a pretensão da Recorrente não logra êxito, vez que a informação prestada na Declaração de Imposto de Renda (DIPJ), por si só, não dá lastro à pretensão repetitória, pois dito documento prova a declaração, não o fato. Noutras palavras: a certeza e liquidez de crédito da contribuinte, a título de saldo negativo de CSLL, não se exterioriza em razão do quantum do tributo declarado como devido no ano calendário, mas sim em relação ao quantum mostrado pela contabilidade. Consoante noção cediça, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, conforme dispõe o artigo 923 do RIR/1999: [...] No caso presente, a recorrente, com o recurso a esta instância julgadora, nada apresentou, além de cópias do Balanço Patrimonial apurado em 31/12/2005, de um demonstrativo denominado de Resultado do Exercício que compreenderia o período de 01/01/2005 a 31/12/2005, DARF relativo ao mês de setembro de 2005 e da própria DIPJ/2006, ficha 17. Ora, tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, a restituição também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. Por tais razões, a contribuinte, quando apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, provar um crédito tributário a seu favor para ter o direito de extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário seja o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. A propósito do tema, cumpre destacar o informativo de jurisprudência do STJ de nº 320, de 14 a 18 de maio de 2007, que trouxe o seguinte julgado: RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PROVA. RECOLHIMENTOS. A recorrente aduz que a eventual restituição, se cabível, haveria de ser respaldada em prova documental, acostada na inicial, dos valores efetivamente pagos com as devidas comprovações de Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10855.907591/200997 Acórdão n.º 1401002.784 S1C4T1 Fl. 7 6 recolhimento, e ante tal incerteza não pode ser a União condenada à restituição dos valores postulados (pela via da compensação), sob pena de infração ao princípio do enriquecimento sem causa. Isso posto, a Turma deu provimento ao recurso ao argumento de que o pressuposto fático do direito de compensar é a existência do indébito. Sem prova desse pressuposto, a sentença teria caráter apenas normativo, condicionada à futura comprovação de um fato. REsp 924.550SC, Rel. Min.Teori Albino Zavascki, julgado em 15/5/2007. (gn) Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Diante do exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. Cientificada da decisão do referido acórdão, a Contribuinte interpõe Recurso Voluntário, onde após um breve relato do indeferimento ao seu direito alegado, entende que a documentação acostada é suficiente ao seu pleito. A documentação a que se refere seria a ficha 17 da DIPJ (CSLL) do ano de 2005, DARF, Balanço Patrimonial e Per/Dcomp, além das "Fichas de cálculo da CSLL por estimativa referente a todos os meses de 2005 (JAN a DEZ)." É o relatório. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10855.907591/200997 Acórdão n.º 1401002.784 S1C4T1 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.780, de 26/07/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10855.903033/2009 52, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.780): Preenchidos os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário apresentado, dele conheço. Conforme relatoriado, a Recorrente informou como crédito no Perd/Dcomp um valor pago a título de estimativa mensal de CSLL, e posteriormente, por ocasião do indeferimento de seu pleito, alegou que a natureza do crédito em questão seria de saldo negativo de CSLL. A Recorrente, quando recebeu o Despacho Decisório, apresentou sua Manifestação de Inconformidade onde limitouse a afirmar que detinha saldo negativo de CSLL suficiente para a compensação pleiteada, apresentando o balanço e demonstração de resultado. A Decisão de piso não homologou a compensação pleiteada porque entendeu que os documentos trazidos pela Interessada não eram hábeis à comprovação da existência real de saldo negativo de CSLL de 2005. Neste sentido, a DRJ indicou o caminho que a Interessada deveria percorrer, era quase que como dissesse para apresentar tais documentos à segunda instância: Neste contexto, a contribuinte deveria trazer provas, lastreadas em lançamentos contábeis, dentre estas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em balanços ou balancetes, os Livros Diário, Razão e Lalur, etc., tudo de forma a ratificar o indébito pleiteado além da comprovação da contabilização com lastro em documentação hábil, das retenções na fonte e o oferecimento à tributação das receitas que deram origem a tais retenções. Entretanto, somente consta nos autos uma DCTF e relativa ao pagamento da CSLL citada no Per/dcomp, acostada Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10855.907591/200997 Acórdão n.º 1401002.784 S1C4T1 Fl. 9 8 pela Unidade de Origem, sendo que as demais, se é que existem, a Contribuinte não se pronunciou a respeito. Em fase recursal, a Recorrente trouxe, conforme relatoriado, a ficha 17 da DIPJ (CSLL) do ano de 2005, DARF, Balanço Patrimonial e Per/Dcomp, além das "Fichas de cálculo da CSLL por estimativa referente a todos os meses de 2005 (JAN a DEZ)," documentos estes que não tem o condão de validar um eventual saldo negativo de CSLL. Apesar das oportunidades, a Recorrente não as aproveitou, e, portanto, não sendo trazida aos autos a documentação mencionada pela DRJ, que pudesse permitir a este colegiado aferir que, efetivamente, o contribuinte apresenta saldo negativo de CSLL no anocalendário 2005, só me resta concordar com o decidido pela DRJ. E nem se trata aqui de se buscar a verdade material, uma vez que este princípio não é absoluto, ou seja, a Recorrente nada apresentou que fosse diretamente vinculado ao que consta em determinadas fichas da DIPJ, de forma que nem se poderia aventar a busca pela verdade material, pois tal princípio tem estreita ligação com o que foi impugnado, e, no caso, entendo que a Recorrente nada de novo trouxe aos autos que permitisse a este Relator o mínimo necessário a um exame de averiguação do alegado saldo negativo de CSLL. Na apreciação da questão, o acórdão recorrido mostrou se correto em suas conclusões e encontrase adequadamente fundamentado. Portanto, nego provimento ao Recurso Voluntário, não reconhecendo o alegado direito creditório. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 64DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.723156/2016-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP DE PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO
A Contribuição para o PIS/Pasep mensal, devidas pelas pessoas jurídicas de direito público interno, é calculada mediante aplicação da alíquota de 1% (um por cento) sobre o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas apenas as transferências efetuadas a outras entidades públicas com personalidade jurídica própria.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 31 56 /2 01 6- 36 Fl. 642DF CARF MF Processo nº 10480.723156/201636 Acórdão n.º 3301004.991 S3C3T1 Fl. 643 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 616 a 626) interposto pelo Contribuinte, em 27 de março de 2017, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 0441.959 (fls. 602 a 607), de 8 de fevereiro de 2017, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) – DRJ/CGE – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Impugnação (fls. 581 a 592). Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Tratase de Auto de Infração relativo à falta de recolhimento da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP, fls. 02 a 07, por meio do qual foi constituído o crédito tributário no valor total de R$ 4.837.405,72, somados o principal, multa e juros de mora, referente ao período de 01/2012 a 12/2012. Segundo o Auditor autuante, conforme consta do Relatório Fiscal de fls. 20 a 30, as contribuições lançadas não foram informadas pela contribuinte em suas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. Esclarece o Auditor que "o procedimento fiscal abrangeu o exame da regularidade das contribuições para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PASEP da pessoa jurídica do Município do Recife, representado pela Prefeitura Municipal (CNPJ 10.565.000/000192), e dos demais entes destituídos de personalidade jurídica própria e vinculados ao Poder Executivo Municipal", descritos no Relatório. No Relatório Fiscal o autuante, inicialmente, cita um breve histórico sobre a contribuição e cuida da definição de sua base de cálculo, dada pela Lei no 9.715/98: Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: ................... III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. ................... Art. 7o Para os efeitos do inciso III do art. 2o, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Observa ainda que a norma tributária utilizouse de termos do Direito Financeiro, e busca na Lei no 4.320/64 aqueles conceitos, encontrando o seguinte, sobre as receitas que compõem a base de cálculo da Contribuição para o Pasep devida pelas pessoas jurídicas de direito público interno: Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10480.723156/201636 Acórdão n.º 3301004.991 S3C3T1 Fl. 644 3 Receitas correntes: assim entendidas todas aquelas destinadas à manutenção e ao funcionamento dos serviços dos órgãos da Administração Direita e Indireta; Transferências correntes: recursos financeiros recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, quando destinadas a atender a despesas de manutenção e funcionamento; Transferências de capital: recursos financeiros recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, quando destinados à formação de um bem de capital. Esclarece que ficam excetuadas, portanto, da incidência da contribuição, tão somente as demais receitas de capital, que não se constituírem em transferências de capital. Demonstra a origem dos valores das bases de cálculo mensais apuradas, nos anexos de I a XIV e consolidadas no anexo XV, informando que foram utilizados os "dados constantes dos Balancetes Mensais das Receitas Orçamentárias do ano de 2012, apresentados pelo sujeito passivo durante o procedimento fiscal, relativos à Administração Direta e aos demais entes destituídos de personalidade jurídica própria e vinculados ao Poder Executivo Municipal". Especifica ainda algumas características específicas dos fundos RECIFIN e RECIPREV. Informa ainda que "sobre as bases de cálculo mensais, foram apurados, mediante a aplicação da alíquota de 1%, prevista no art. 8o, inciso III, da Lei no 9.715/98, os valores totais mensais devidos pelo município, a título de contribuição ao PASEP, consoante discriminado no Anexo XV". Além de terem sido deduzidos os valores retidos a título de contribuição ao PASEP por ocasião dos repasses das transferências efetuadas pela União ao Município (valores das retenções obtidos mediante consulta ao sítio do Banco do Brasil S/A na Internet). Foram também "deduzidos os valores declarados pelo Município, antes do início da ação fiscal, a título de contribuição ao PASEP, mediante Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, obtidos através de consulta ao banco de dados da RFB". Irresignada, a autuada apresentou impugnação ao lançamento, alegando , em síntese, que a autuação fincouse, "basicamente em valores vinculados a dois fundos, o RECIPREV (Fundo Previdenciário) e o RECIFIN (Fundo Financeiro), voltados a custear os benefícios previdenciários dos servidores públicos municipais". Alega ainda que a autoridade autuante "expressa e confessadamente apontou essa Edilidade como legitimada passiva da exação por analogia, por entender que o art. 37, da Lei no 17.142/2005 aduz que é de responsabilidade do município , "englobando suas autarquias e fundações", o dever de complementar eventuais insuficiências do regime próprio de previdência". Classifica o auto de infração como nulo, "porque lavrado contra quem não é o sujeito passivo da exação". No mesmo sentido, informa a existência de legislação municipal (Lei Municipal no 16.729/2001), especificamente aquela que criou o RECIPREV, autarquia previdenciária municipal, integrante da administração pública indireta, dotada de autonomia administrativa e financeira, responsável pela gestão dos fundos RECIPREV e RECIFIN, que aduz ser de tal ente a titularidade, dentre outras receitas, daquelas decorrentes das contribuições previdenciárias e compensações financeiras entre os regimes próprios e geral e de remuneração de depósito bancário. Salientou também que a "Lei Municipal 17.142/2005, citada pela autoridade autuante, ao seu turno, criou os fundos RECIPREV (mesmo nome da autarquia) e Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10480.723156/201636 Acórdão n.º 3301004.991 S3C3T1 Fl. 645 4 RECIFIN, dispondo expressamente que os mesmos serão geridos pela entidade autárquica previdenciária municipal". Ressaltou ainda que, "conforme disposto no art. 71 da Lei no 4.320/64, constitui fundo especial o produto de receitas especificadas que por lei se vinculem à realização de determinados objetivos ou serviços", o, em sua opinião, que significa dizer que "as receitas que integram os fundos públicos são, em verdade, titularizadas pela entidade a quem a lei atribuiu tais receitas" e se a "lei expressamente atribuiu à RECIPREV a titularidade das receitas em comento e posteriormente criou dois fundos (RECIPREV e RECIFIN) a ela vinculados, não restam dúvidas de que é da entidade previdenciária municipal a titularidade e disponibilidade de tais receitas". Diante de tudo que expôs, requer a autuada a anulação ou a improcedência do auto de infração impugnado. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 2 Turma da DRJ/CGE o Contribuinte ingressou com Recurso Voluntário com o intuito de reformar a referida decisão, extinguindo o débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0441.959 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2012 NULIDADE DO LANÇAMENTO Presentes os requisitos legais da notificação e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a argüição de nulidade do feito. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP DE PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO A Contribuição para o PIS/Pasep mensal, devidas pelas pessoas jurídicas de direito público interno, é calculada mediante aplicação da alíquota de 1% (um por cento) sobre o valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas apenas as transferências efetuadas a outras entidades públicas com personalidade jurídica própria. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10480.723156/201636 Acórdão n.º 3301004.991 S3C3T1 Fl. 646 5 Por meio do Recurso apresentado o Contribuinte traz argumentos alegando ser ilegítima a inclusão do município de Recife no polo passivo da presente autuação, mais especificamente no que tange os fundos RECIPREV e RECIFIN, que são autarquias previdenciárias integrantes da administração indireta. Nesse sentido cito os seguintes trechos do Recurso para melhor elucidar o que aduz o Contribuinte (fls. 618 a 620) No caso dos fundos RECIPREV e RECIFIN, a autoridade autuante, com base no art. 37 da Lei Municipal n. 17.142/2005, entendeu, por analogia, que as receitas a eles relativas são imputáveis ao Município do Recife, e não à autarquia previdenciária municipal. Data vênia, tratase de um equívoco! Inicialmente, cumpre anotarse que por expressa vedação do art. 108, §1º, do CTN, a analogia, que só pode ser invocada em caso de ausência de disposição legal expressa, “não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei”! Ora, como o tributo é definido pela conjugação dos cinco aspectos indispensáveis à incidência (material, temporal, espacial, subjetivo e quantitativo), temse que a vedação do §1º, do art. 108, do CTN, obstaculiza o emprego da analogia para a integração da legislação tributária em qualquer desses aspectos, ou seja, não se pode utilizar da analogia para identificar fato gerador, local e momento de sua ocorrência, sujeição passiva ou base de cálculo e alíquota da exação, vez que todos esses elementos são adstritos aos princípios da legalidade estrita e da tipicidade, encampados no art. 150, I, da CF e no art. 97, do CTN. (...) Secundariamente, e aqui reside o maior equívoco da autuação, o Ilmo. Auditor, além de empregar analogia “in mallam partem”, para “presumir” e definir sujeito passivo da exação, fêlo em situação não permitida, porque, com cediço e legalmente determinado no caput do art. 108, do CTN, o uso de tal técnica de integração da legislação tributária apenas é possível em caso de omissão legal, inexistente na espécie. Além disso, o Contribuinte cita normas municipais que demonstram a autonomia administrativa e financeira dos respectivos fundos e que, portanto, é dessas autarquias a titularidade das receitas decorrentes das contribuições previdenciárias, compensações entre os regimes próprio e geral, e de remuneração de depósitos bancários. Em que pese os argumentos do Contribuinte, na análise da legislação aplicável ao caso, entendo correto o entendimento da DRJ/CGE que assim se pronunciou (fls. 607): (...) Foram deduzidas do PASEP devido, os valores retidos a título de contribuição ao PASEP por ocasião dos repasses das transferências efetuadas pela União ao Município, além daqueles valores declarados pelo Município, antes do início da ação fiscal, mediante Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. A contestação formalizada pela contribuinte, através da impugnação apresentada, diz respeito, fundamentalmente, à inclusão na base de cálculo da contribuição, dos Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10480.723156/201636 Acórdão n.º 3301004.991 S3C3T1 Fl. 647 6 valores pertencentes aos fundos municipais RECIFIN, CNPJ 07.749.692/000114 e RECIPREV, CNPJ 07.749.668/000185 (ambas cadastradas no sistema CNPJ da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB com o código "1120 Autarquia Municipal", fls. 73 e 74), valores esses constantes respectivamente dos anexos XIII e XIV. Alegou também a contribuinte que o sujeito passivo da obrigação tributária foi determinado pelo autuante através de utilização de "analogia". Salientese, porém, que a mera inclusão da palavra "analogia" pelo Auditor autuante não inviabiliza sua análise, uma vez que a determinação do sujeito passivo da obrigação tributária foi determinada de forma objetiva e com base nas hipóteses previstas em Lei. Já a fim de chegarmos à conclusão sobre a correta apuração da base de cálculo da contribuição, revejamos o que dispõe a Lei no 9.715/98, sobre esta questão (grifos meus): Art. 2o A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: ................... III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. ................... Art. 7o Para os efeitos do inciso III do art. 2o, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Como se vê, tratase de um sistema que faz incidir a Contribuição para o PIS/Pasep uma única vez sobre as receitas, de sorte que o ônus seja suportado pela pessoa jurídica de direito público que detém o registro contábil da receita própria arrecadada e das transferências correntes e de capital recebidas. Em outras palavras, a pessoa jurídica que recebe a transferência a inclui em sua base de cálculo, enquanto a pessoa jurídica de onde parte a transferência a deduz. Isso com o propósito de coibir o bis in idem, ou seja, a tributação da mesma receita em dois entes públicos. Exemplos de entidades públicas são as autarquias e as fundações públicas, que são contribuintes, ao contrário dos fundos meramente contábeis, sem personalidade jurídica própria, como é o caso do FUNDEB e de diversos outros. Cabe agora analisar se os fundos RECIFIN e RECIPREV dispõem da personalidade jurídica necessária à sua caracterização como sujeitos passivos da obrigação tributária relativa ao PIS/PASEP. A Lei municipal nº 17.142 de 2005, fls. 549 a 574, citada pelo autuante, que reestruturou o regime próprio de previdência social do município do Recife (PE), criou, através de seu art. 32, o Fundo Previdenciário RECIPREV, de natureza contábil e caráter permanente, para custear na forma legal, as despesas previdenciárias relativas aos servidores admitidos a partir de 17 de dezembro de 1998. Criou também, através de seu art. 33, o Fundo Financeiro RECIFIN, de natureza contábil e caráter temporário, para custear as despesas previdenciárias relativas aos segurados admitidos até 16 de dezembro de 1998. Além disso, através dos mesmos artigos, esclarece que os respectivos fundos têm como entidade gestora a Autarquia Municipal de Previdência e Assistência à Saúde dos Servidores. Fl. 647DF CARF MF Processo nº 10480.723156/201636 Acórdão n.º 3301004.991 S3C3T1 Fl. 648 7 Fica claro, então, que a Lei não concedeu personalidade jurídicas aos fundos RECIFIN e RECIPREV, que são entes meramente contábeis. Os valores que os compõem pertencem ao Município de Recife, inclusive sendo contabilizado por este (balancetes de fls. 425 a 473) e são somente geridos pela Autarquia Municipal de Previdência e Assistência à Saúde dos Servidores, cadastrada nos sistemas da Receita Federal do Brasil sob o CNPJ 05.244.336/000113. Essa sim com personalidade jurídica, possuindo inclusive receita própria, conforme esclarecido pelo autuante no item 3.15 do Relatório Fiscal. A personalidade jurídica da Autarquia Municipal de Previdência e Assistência à Saúde dos Servidores não se transmite aos fundos por ela administrados. Assim, as receitas constantes dos anexos XIII e XIV, pertencentes respectivamente aos fundos RECIFIN e RECIPREV, são receitas do Município de Recife, devendo compor a base de cálculo da contribuição devida por este ente, conforme corretamente incluídas pelo Auditor autuante no anexo XV.(grifouse). Na observância dos argumentos expostos pelo Contribuinte e na decisão ora recorrida, constatase que de fato a RECIFIN e a RECIPREV são entes meramente contábeis, visto que a Lei Municipal nº 17.142/2005 não concedeu a esses fundos personalidade jurídica, estando, portanto, vinculadas a pessoa jurídica de direito público interno do Município de Recife, o que leva ao entendimento de que o município é o legitimado no polo passivo para a cobrança das referidas contribuições. No sentido de melhor observar a legislação e o correto entendimento da matéria citase trechos do Relatório Fiscal do Auto de Infração (fls. 25 e seguintes): 3.10 No que diz respeito aos entes Fundo Financeiro – RECIFIN – CNPJ 07.749.692/000114 e Fundo Previdenciário – RECIPREV – CNPJ 07.749.668/000185, objeto de apuração respectivamente nos anexos XIII e XIV, observamos, a partir do exame dos respectivos balancetes da receita (anexos), que os mesmos registram receitas inerentes ao financiamento do Regime Próprio de Previdência Social do Município do Recife, reestruturado pela Lei Municipal no 17.142/2005 (anexa), quais sejam: • as contribuições dos servidores ativos, inativos e pensionistas para o regime próprio de previdência; • as remunerações dos recursos do regime próprio de previdência depositados em instituições bancárias (rendimentos de aplicações financeiras) e • as compensações financeiras entre o regime próprio de previdência e o regime geral de previdência social – RGPS. 3.11 As receitas mencionadas no subitem 3.10 configuram, portanto, receitas correntes do Município do Recife, destinadas essencialmente a custear os benefícios a serem pagos pelo regime próprio de previdência. Tais receitas integram o Fundo Financeiro – RECIFIN e o Fundo Previdenciário – RECIPREV, fundos de natureza contábil e que possuem como entidade gestora a Autarquia Municipal de Previdência e Assistência à Saúde dos Servidores – CNPJ 05.244.336/000113, consoante estabelecido nos arts. 32 e 33 da Lei Municipal no 17.142/2005 (anexa). Os referidos recursos não constituem receitas da aludida autarquia, que apenas os gerencia para pagamento das correlatas despesas, mas sim da pessoa jurídica do Município do Recife, instituidora do regime próprio de previdência social. Da mesma maneira que os benefícios previdenciários pagos pelo mencionado regime próprio não constituem despesas da autarquia, mas sim do Município do Recife, Fl. 648DF CARF MF Processo nº 10480.723156/201636 Acórdão n.º 3301004.991 S3C3T1 Fl. 649 8 custeadas com recursos previstos na Lei Orçamentária (receitas tributárias, por exemplo, que fornecem recursos para o pagamento das contribuições do Município para o regime próprio). A desvinculação entre as receitas referidas no subitem 3.10 e a autarquia que as administra encontrase retratada, por exemplo, nos arts. 35 e 37 da Lei Municipal no 17.142/2005 (anexa), os quais transcrevemos: “Art. 35 Os recursos dos Fundos Previdenciário e Financeiro deverão ser depositados em contas distintas das contas da entidade gestora e com inscrições próprias e individuais no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas do Ministério da Fazenda – CNPJ. “Art. 37 O Município, englobando os Poderes Legislativo e Executivo, suas autarquias e fundações, é responsável pela cobertura de eventuais insuficiências financeiras do Regime Próprio de Previdência Social do Município do Recife, decorrentes do pagamento de benefícios previdenciários.” 3.12 Vemos que o art. 37 da Lei Municipal no 17.142/2005 expressamente preconiza que eventuais insuficiências financeiras do regime próprio de previdência devem ser supridas pela pessoa jurídica do Município do Recife, e não pela autarquia que gerencia os recursos do aludido regime, donde, por analogia, concluímos que as receitas que custeiam o regime não pertencem à autarquia gestora, mas sim ao Município, na condição de instituidor do seu regime próprio de previdência social. 3.13 Examinando os comprovantes de inscrição no CNPJ do Fundo Financeiro – RECIFIN – CNPJ 07.749.692/000114 e do Fundo Previdenciário – RECIPREV – CNPJ 07.749.668/000185 (anexos), observamos que a natureza jurídica dos mesmos impropriamente consta como “1120 – AUTARQUIA MUNICIPAL”, quando o correto seria “1201 – FUNDO PÚBLICO”, nos ditames dos arts. 1o e 2o da Instrução Normativa RFB no 1.143/2011 c/c o art. 71 da Lei no 4.320/1964. Não se deve confundir a natureza jurídica dos fundos, meramente contábeis e destituídos de personalidade jurídica, com a da entidade que os administra, no caso a autarquia municipal, esta sim dotada de personalidade jurídica própria. A autarquia previdenciária municipal tem a atribuição de gerir os recursos que integram os fundos públicos meramente contábeis (financeiros), sendo estes integrados por recursos vinculados, pertencentes ao Município. 3.14 O DecretoLei no 200, de 1967, que dispõe sobre a organização da administração federal e estabelece diretrizes para a reforma administrativa, em seu art. 5o, define autarquia nos seguintes termos: “Art. 5o Para os fins desta lei, considerase: I – Autarquia – o serviço autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios, para executar atividades típicas da Administração Pública, que requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira descentralizada.” 3.15 Pela definição acima, revelase inconteste a personalidade jurídica própria das autarquias, bem como a razão de sua criação, qual seja o desempenho de atividades e a prestação de serviços característicos da Administração Pública, mas que, por uma questão de conveniência, visando a uma maior eficiência no exercício da atividade, resolve o ente federativo (Município) não fazêlo diretamente, mas por intermédio de uma entidade descentralizada. Ressalta ainda o fato das autarquias possuírem patrimônio e receitas próprios para o exercício de suas atividades. No caso da autarquia previdenciária do Município do Recife, suas receitas próprias no ano de 2012 foram Receitas de Serviços, no valor de R$ 16.422.245,30 e Receitas Patrimoniais, no montante de R$ 229.105,81, conforme o demonstrativo apresentado pelo Município durante o procedimento fiscal “DESDOBRAMENTO Fl. 649DF CARF MF Processo nº 10480.723156/201636 Acórdão n.º 3301004.991 S3C3T1 Fl. 650 9 DA RECEITA POR UNIDADE ORÇAMENTÁRIA” (anexo). Sobre tais receitas, evidentemente, não estão sendo lançadas contribuições para o PASEP na presente ação fiscal, pois que, estas sim, são contribuições devidas pela autarquia previdenciária municipal, pessoa jurídica de direito público interno distinta da pessoa jurídica do Município do Recife, nos termos do art. 41, inciso IV, da Lei nº 10.406/02 (Código Civil), e, portanto,também sujeito passivo das contribuições para o PASEP, nos ditames do art. 2o, inciso III, da Lei n 9.715, de 25 de novembro de 1998. 3.16 Em que pesem as considerações formuladas nos subitens 3.10 a 3.15, decidimos, por cautela, consultar os sistemas informatizados da RFB com vistas a verificar se houve declaração de contribuições devidas ao PASEP mediante Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF ou recolhimento de contribuições ao PASEP (Documentos de Arrecadação de Receitas Federais – DARF – código da receita “3703 – PASEP – Pessoa Jurídica de Direito Público), no período de 01/2012 a 12/2012, por parte da Autarquia Municipal de Previdência e Assistência à Saúde dos Servidores – CNPJ 05.244.336/000113, do Fundo Financeiro – RECIFIN – CNPJ 07.749.692/000114 ou do Fundo Previdenciário – RECIPREV – CNPJ 07.749.668/000185. As consultas efetuadas revelaram que não houve nenhuma declaração de débito ou recolhimento relativo às contribuições para o PASEP, no citado período, em nome das mencionadas entidades, circunstância essa que, somada a todo o exposto, corrobora e ratifica o lançamento das contribuições em questão, incidentes sobre as receitas detalhadas nos anexos XIII e XIV, na pessoa jurídica do Município do Recife. Portanto, diante do exposto pelo Contribuinte e no Relatório Fiscal do Auto de Infração acima citado, entendo correto a decisão da DRJ. Assim tendo em vista a legislação aplicável ao caso e os autos do processo, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 650DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.721807/2014-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/07/2014 a 25/08/2014
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PEÇA APRESENTADA COMO SE RECURSO FOSSE. CARÊNCIA DE COMPETÊNCIA.
Carece de competência do Colegiado deste CARF para analisar peça apresentada como se recurso fosse, devendo retornar à unidade preparadora e ser processada, pela DRJ competente, como manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 3401-005.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça apresentada a título de recurso, por carência de competência do colegiado para análise inaugural da matéria, devendo tal peça retornar à unidade preparadora e ser processada, pela DRJ competente, como manifestação de inconformidade.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
André Henrique Lemos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/07/2014 a 25/08/2014 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PEÇA APRESENTADA COMO SE RECURSO FOSSE. CARÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Carece de competência do Colegiado deste CARF para analisar peça apresentada como se recurso fosse, devendo retornar à unidade preparadora e ser processada, pela DRJ competente, como manifestação de inconformidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça apresentada a título de recurso, por carência de competência do colegiado para análise inaugural da matéria, devendo tal peça retornar à unidade preparadora e ser processada, pela DRJ competente, como manifestação de inconformidade. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/07/2014 a 25/08/2014 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PEÇA APRESENTADA COMO SE RECURSO FOSSE. CARÊNCIA DE COMPETÊNCIA. Carece de competência do Colegiado deste CARF para analisar peça apresentada como se recurso fosse, devendo retornar à unidade preparadora e ser processada, pela DRJ competente, como manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da peça apresentada a título de recurso, por carência de competência do colegiado para análise inaugural da matéria, devendo tal peça retornar à unidade preparadora e ser processada, pela DRJ competente, como manifestação de inconformidade. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 72 18 07 /2 01 4- 37 Fl. 305DF CARF MF 2 Relatório Adotase o relatório do Despacho Decisório de piso por bem retratar a situação dos autos: Trata o presente de declaração de compensação de créditos decorrentes da ação judicial nº 2002.61.00.0065831, que reconheceu o direito da autora de compensar os valores recolhidos a maior a título de PIS, com débitos do próprio PIS. 2. O sujeito passivo apresentou o formulário Declaração de Compensação, no dia 25/08/2014, com o propósito de compensar débitos de PIS não cumulativo (código 6912) no valor original de R$ 91.058,30, indicando como origem do crédito o Processo de Restituição nº 13884.721716/201311. Para justificar a ausência de apresentação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), o sujeito passivo alegou falha do programa ao não permitir a compensação de créditos habilitados independentemente do tempo transcorrido entre a data do trânsito em julgado e a data da declaração de compensação. 3. Conforme o Despacho Decisório SEORT nº 406/2014, de fls. 74 a 81, a autoridade administrativa considerou não declarada a compensação, pelo fato de não ter sido utilizado o programa PER/DCOMP para declarála, nos termos do §1º do art. 46 da IN RFB nº 1.300/2012. Concluiu que não houve falha no programa PER/DCOMP que impedisse a sua utilização no caso, mas sim impossibilidade legal de compensação de créditos prescritos detectada pelo sistema. 4. O interessado foi cientificado do Despacho Decisório precitado, em 06/12/2014, conforme cópia de AR à fl.87. 5. Inconformado com a decisão consubstanciada no Despacho Decisório SEORT nº 405/2014, o sujeito passivo apresentou recurso hierárquico, de fls. 88 a 129, alegando em síntese que: 1) O trânsito em julgado da ação judicial nº 2002.61.00.006583 1 ocorreu em 09/08/2007; 2) Apresentou, em 30/07/2008, o Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Transitada em Julgado, conforme Processo Administrativo nº 13884.001551/200808; 3) A RFB deferiu a habilitação do crédito em 19/06/2009 e autorizou a compensação; 4) Utilizou, no período de 11/2009 a 08/2011, o valor inicialmente habilitado, no montante histórico de R$ Fl. 306DF CARF MF Processo nº 13884.721807/201437 Acórdão n.º 3401005.303 S3C4T1 Fl. 260 3 1.587.235,10, mês a mês, até o seu exaurimento, e aguardou a análise definitiva do montante de seu crédito; 5) Recebeu em 11/2013, o Termo de Comunicação SEORT nº 806/2013, reconhecendo o crédito de R$ 2.286.301,74, atualizado até a data da transmissão da primeira Declaração de Compensação, realizada em 25/11/2009, bem como homologou as compensações inicialmente declaradas; 6) Após a dedução dos valores compensados até então, calculou o saldo remanescente em 03/2014, no montante de R$ 847.220,74; 7) Entregou a Declaração de Compensação em formulário, no dia 25/08/2014, em razão de falha demonstrada no programa PER/DCOMP, a qual impediu a geração da declaração eletrônica de compensação em virtude da ocorrência do trânsito em julgado da ação em data superior a cinco anos; 8) O artigo 42 da IN RFB nº 1.300/2012 permitiria a utilização do saldo remanescente, uma vez que o pedido inicial de restituição foi efetivado pelo sujeito passivo em 11/2009, dentro do prazo de cinco anos do trânsito em julgado; 9) O Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Transitada em Julgado foi apresentado decorridos onze meses do trânsito em julgado; 10) O recurso teria efeito suspensivo por força do inciso III, do artigo 151, da Lei nº 5.172/1966, Código Tributário Nacional – CTN; 11) A glosa do crédito teria decorrido da demora na análise do pedido de habilitação, uma vez que o real crédito foi aferido no momento da análise das compensações, quatro anos depois. 6. Após apresentar seus argumentos, o sujeito passivo requer o provimento do recurso, reformando a decisão administrativa para: 1) Homologar a compensação no valor de R$ 91.058,30, referente ao PIS não cumulativo, do período de apuração de 31/07/2014; 2) Anular integralmente o Termo de Intimação DRF/SJC/SEORT e da cobrança do DARF que o acompanha; 3) Suspender a exigibilidade do crédito tributário. Sobreveio o Despacho Decisório nº 2 – GAB/DRF/SJC, efl. 133, de 30 de março de 2016, o qual julgou improcedente o Recurso Hierárquico, a teor da conclusão abaixo transcrita: 24. Com base nos fatos e informações acima analisados, e em atenção ao estabelecido no artigo 302, VI, do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14/05/2012, e no Fl. 307DF CARF MF 4 artigo 56, § 1º, da Lei nº 9.784, de 29/01/1999, decido pelo NÃO PROVIMENTO do recurso hierárquico em pauta, para manter a decisão questionada que considerou não declaradas as compensações apresentadas no presente processo. Irresignada, a Recorrente interpôs seu recurso voluntário em 03/05/2016 (efls. 147 e seguintes), após ser cientificada da decisão em 04/04/2016. Nas razões do recurso aduziu, em síntese: 1. Problema do sistema, motivo pelo qual teve de requerer a compensação por meio de formulário; 2. Que a RFB utilizou o Parecer Normativo Cosit 11/2014 para embasar a negativa por prescrição do crédito e que esta norma inexistia à época dos fatos; 3. Segundo a instrução normativa 900/08 e 1300/08, vigentes quando do pedido de habilitação do crédito, não estabeleciam prazo para utilização do crédito após o deferimento do pedido de habilitação; 4. O Delegado da RFB utilizou a alteração da IN 1300/08 de 2015, realizada 7 meses após o pedido de compensação, para negar o pedido de compensação; 5. Que o Delegado RFB fez confusão entre o prazo prescricional destinado ao pedido de habilitação do crédito (art. 82, §4º da IN 1300/2012) com o novo prazo determinado pela IN 1557/15; 6. Sustenta o cabimento de recurso voluntário; 7. Da impossibilidade da IN 1557/15 retroagir; 8. Ao final requer a reforma integral da decisão recorrida, representada pelo despacho decisório no 1/2016, e anular integralmente o Termo de Intimação DRF/SJC/SEORT. É o relatório. . Voto Conselheiro André Henrique Lemos, Relator O ponto central diz respeito ao reconhecimento de créditos fiscais do PIS e da COFINS nãocumulativas, acumulados mensalmente, os quais restaram indeferidos totalmente pela autoridade fiscal, por meio de despacho decisório em sede de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso PER. Notese que a questão cingese à formação, instrução, cognição da prova, e esta, quando se trata de PER/DCOMP um pedido de iniciativa do sujeito passivo , a ele cabe tal ônus. Por mais longínquo e penoso tenha sido o percurso judicial e administrativo percorrido pela Recorrente no caso concreto, a conclusão é de que o contribuinte há de fazer esta prova. Antes de adentrar neste assunto de mérito, necessário tratar de uma questão de ordem. A Contribuinte apresentou peça como se recurso fosse, faltando competência a este Colegiado para a análise inaugural da matéria. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 13884.721807/201437 Acórdão n.º 3401005.303 S3C4T1 Fl. 261 5 Temse que tal peça deve retornar à unidade preparadora, devendo ser processada e sucessivamente julgada pela DRJ competente, como manifestação de inconformidade. Nestes termos, voto por não conhecer do recurso voluntário, não conhecendo da peça apresentada a título de recurso, por carência de competência do colegiado para análise inaugural da matéria, devendo tal peça retornar à unidade preparadora e ser processada, pela DRJ competente, como manifestação de inconformidade. (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Fl. 309DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725720/2009-06
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL.
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
Numero da decisão: 9202-007.235
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL. Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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DIFERENÇAS DE URV. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL. Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 57 20 /2 00 9- 06 Fl. 287DF CARF MF 2 Relatório Tratavase, inicialmente, de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08/09/2003. A citada verba corresponde a diferenças de remuneração verificadas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV, em 1994. Na apuração da exigência não foram considerados valores com origem em décimo terceiro salário e em abono de férias. A forma de cálculo aplicada foi a determinada no Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, aprovado pelo Ministro da Fazenda no DOU de 11/05/2009, que dispõe sobre rendimentos recebidos acumuladamente, levando em conta as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem os rendimentos, sendo o cálculo mensal e não global (Auto de Infração de fls. 2 a 10). Em sessão plenária de 06/06/2012, foi julgado o Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 220201.185 (fls. 141 a 153), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 IRPF RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12). ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). IR COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL NATUREZA INDENIZATÓRIA MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10580.725720/200906 Acórdão n.º 9202007.235 CSRFT2 Fl. 288 3 dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. JUROS DE MORA Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte.” A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. Vencidos os Conselheiros Ewan Teles Aguiar, Rafael Pandolfo (Relator) e Pedro Anan Júnior, que proviam o recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Lopo Martinez.." Cientificada do acórdão em 23/04/2013 (AR Aviso de Recebimento de fls. 169), a Contribuinte opôs, em 26/04/2013 (carimbo de fls. 162), os Embargos de Declaração de fls. 162 a 168, rejeitados conforme despacho de 06/11/2013 (fls. 174/175). Intimada da rejeição dos Embargos em 29/02/2016 (AR Aviso de Recebimento de fls. fls. 180), a Contribuinte interpôs, em 14/03/2016 (carimbo de fls. 182), o Recurso Especial de fls. 182 a 217, com fundamento no art. 64 e seguintes, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial, somente em relação à matéria “URV – parcelas de natureza indenizatória", conforme despacho de 23/09/2016 (fls. 263 a 272). Intimado, o Contribuinte não apresentou Agravo. Relativamente à matéria que obteve seguimento, a Contribuinte apresenta as seguintes alegações: a origem dos pagamentos da Lei Estadual n° 8.730, de 2003, e da Lei Complementar n° 20, de 2003, foi o desfecho desfavorável à Fazenda Pública baiana nos autos da AO 613BA e 614BA julgadas pelo STF, de forma que o Estado da Bahia utilizou de sua própria receita originária para compensar seus Servidores Públicos em razão das diferenças havidas por conta da URV; a decisão recorrida contradiz o quanto já foi decidido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara do CARF, que já analisou idêntico assunto ao aqui discutido, tendo concluído pelo caráter indenizatório da parcela recebida a título de URV (processo n° 10580.726058/20090, que originou o Acórdão n° 210201.746); por fim, cumpre destacar as conclusões fornecidas pelo Parecer do Jurista Marco Aurélio Greco, tendo tal estudo sido empreendido em resposta à consulta formulada pelas Associações de Classe dos Membros do Ministério Público, dos Tribunais de Contas e da Magistratura do Estado da Bahia: Fl. 289DF CARF MF 4 "(...) Embora se trate de matéria controvertida, o exame das circunstâncias e do contexto vigorante à época da edição das leis estaduais mostra existirem elementos para considerar que o abono variável previsto na Lei Federal englobou a parcela correspondente à diferença de URV resultante da lei n. 8.880/94. Na medida em que o Supremo Tribunal Federal emitiu pronunciamento afirmando a natureza jurídica da verba, inclusive à vista de precedentes do próprio Tribunal, é no mínimo razoável entender que a verba contemplada nas leis estaduais comunga da mesma natureza jurídica daquela prevista pela lei federal." Ao final, a Contribuinte pede que seja conhecido e provido o recurso, reconhecendose a improcedência do lançamento, em razão da natureza indenizatória da parcela em exame. O processo foi encaminhado à PGFN em 1º/02/2017 (Despacho de Encaminhamento de fls. 277) e, na mesma data (Despacho de Encaminhamento de fls. 286), foram oferecidas as Contrarrazões de fls. 278 a 285, contendo os seguintes argumentos: o abono variável foi instituído inicialmente para os membros da Magistratura Federal, nos termos da Lei nº 9.655, de 1998, alterada pela Lei 10.474, de 2002; em 27/06/2002, foi editada a Lei nº 10.477, que, dispondo sobre a remuneração do Ministério Público da União, estendeu o abono variável concedido aos membros da Magistratura Federal, bem como a forma de cálculo e pagamento, aos membros do Ministério Público da União; em 12/12/2002, o Presidente do Supremo Tribunal Federal editou a Resolução nº 245, que previu que o abono variável possui natureza indenizatória; na mesma linha do quanto decidido administrativamente pelo Supremo Tribunal Federal, o ProcuradorGeral da República em 23/12/2002, emitiu despacho estendendo a interpretação contida na Resolução nº 245, de 2002, ao abono variável concedido aos membros do Ministério Público da União; após essa sequência de leis e despachos, vieram dois Pareceres da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN (Parecer 529/2003 e 923/2003) que reconheceram a não incidência tributária sobre o abono variável percebido pelos membros da Magistratura e Ministério Público Federal; ocorre que o contribuinte não integra o quadro de nenhuma das duas carreiras e os referidos pareceres reconheceram a não incidência tributária apenas aos membros da Magistratura e Ministério Público Federal, conforme os estritos limites traçados pela Resolução 245 do Supremo Tribunal Federal; não há que se falar em ofensa ao princípio da isonomia; com efeito, nenhuma das leis que dispõem sobre o tema ora tratado (Leis 9.655, de 1998, 10.474, de 2002, e 10.477, de 2002) exime a tributação de Imposto de Renda sobre a parcela discutida; tratamse de leis limitadas a instituir o abono variável e sua forma de cálculo, não havendo nenhuma norma sobre a tributação; Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10580.725720/200906 Acórdão n.º 9202007.235 CSRFT2 Fl. 289 5 ainda que essas leis dispusessem sobre a não incidência de IRPF sobre o abono variável, devese guardar obediência ao artigo 111 do Código Tributário Nacional, no sentido de que todo dispositivo legal que disponha sobre isenção, suspensão, exclusão de crédito tributário deve receber interpretação restritiva; cumpre registrar que a pretensão da contribuinte também viola a lei tributária, sobretudo se considerado o artigo 3º, da Lei 7.713, de 1988; o legislador foi claro ao determinar a incidência de IRPF sobre o rendimento bruto, ressalvado o teor dos artigos 9º a 14 da mesma Lei, onde não consta qualquer referência ao abono discutido no caso em apreço; ademais, pouco importa a denominação da parcela tributada, se títulos, direitos, origem, bastando que haja benefício do contribuinte de qualquer forma e a qualquer título; no caso concreto constatase que os rendimentos objeto do lançamento fiscal foram recebidos pelo contribuinte em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, que dispõe sobre diferenças decorrentes do erro na conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor – URV, portanto não há dúvida de que o abono deve se sujeitar à incidência do IRPF. Ao final, a Fazenda Nacional pede que seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pela Contribuinte. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Contribuinte é tempestivo e, na parte em que teve seguimento, atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. O apelo visa rediscutir a não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória. A matéria não é nova neste Colegiado. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08/09/2003. A multa de ofício foi excluída em Segunda Instância. As verbas ora analisadas constituem diferenças salariais verificadas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real, portanto tais valores referemse a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar ao Contribuinte aquilo que antes deixou de ser pago, que nada mais é que salário, portanto de natureza tributável. Fl. 291DF CARF MF 6 Assim, o recebimento da verba ora tratada configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada ao ganho. Seguindo esta linha, a Lei nº 7.713, de 1988, assim dispõe: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...)” (grifei) Quanto à alegação de violação ao princípio da isonomia, a Contribuinte traz à baila o fato de que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, atribuiu natureza indenizatória ao Abono Variável concedido aos membros da Magistratura da União pela Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529, de 2003, manifestou entendimento no sentido de que a verba em tela não estaria sujeita à tributação. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10580.725720/200906 Acórdão n.º 9202007.235 CSRFT2 Fl. 290 7 Entretanto, a Resolução nº 245, do STF, bem como o Parecer da PGFN, se referem especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União pela Lei nº 10.474, de 2002; e o que se discute no presente processo é se tal entendimento deve ser aplicado à verba recebida pelos membros do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. Primeiramente, verificase que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do Abono Variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, assim, não se trata de uma decisão judicial, cujos efeitos são bem distintos dos de uma resolução administrativa. Destarte, obviamente que a Resolução do STF nunca vinculou a Administração Tributária da União. Com o advento do Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, portanto com força vinculante em relação aos Órgãos da Administração Tributária, concluiuse que o Abono Variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, teria natureza indenizatória. Entretanto, dito parecer é claro quanto aos limites desse entendimento, conforme será demonstrado na sequência. O parecer destaca que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do Imposto de Renda. Após, faz a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, ele tem natureza indenizatória. Ainda segundo o parecer da PGFN, seria este o entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, relativamente ao abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Assim, claro está que o Parecer da PGFN somente reconheceu a natureza indenizatória do Abono Variável, previsto nas Leis nºs 9.655, de 1998, e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF, no sentido de que tal verba destinarseia a reparar direito. Destarte, a Resolução nº 245, do STF, não possui efeitos de decisão judicial, e o Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, apenas reconhece a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF quanto à natureza reparatória, especificamente para esse abono. Portanto, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a Resolução nº 245, do STF, excluiu do abono a verba referente à diferença de URV, o que evidencia que esta não tem natureza indenizatória, mas sim de recomposição salarial. Confirase a manifestação do Superior Tribunal de Justiça, por meio de voto da Ministra Eliana Calmon, reconhecendo a falta de identidade entre o abono variável tratado na Resolução e as diferenças de URV: “TRIBUTÁRIO – IMPOSTO DE RENDA – DIFERENÇAS ORIUNDAS DA CONVERSÃO DE VENCIMENTOS DE SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL EM URV – VERBA PAGA EM ATRASO – NATUREZA REMUNERATÓRIA – RESOLUÇÃO 245/STF – INAPLICABILIDADE. Fl. 293DF CARF MF 8 1. As diferenças resultantes da conversão do vencimento de servidor público estadual em URV, por ocasião da instituição do Plano Real, possuem natureza remuneratória. 2. A Resolução Administrativa n. 245 do Supremo Tribunal Federal não se aplica ao caso, pois faz referência ao abono variável concedido aos magistrados pela Lei n. 9.655/98. Ademais, não se trata de decisão proferida em ação com efeito erga omnes, de modo que não pode ser considerada como fato constitutivo, modificativo ou extintivo de direito suficiente para influir no julgamento da presente ação. 3. Agravo regimental não provido." (STJ, AgRg no Ag 1285786/MA, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20/05/2010) E também o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão no Recurso Extraordinário n.º 471.115: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Assim, não há como estenderse o alcance dos atos legais acima referidos para verbas distintas, concedidas para outro grupo de servidores, por meio de ato específico, diverso daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Com efeito, a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II, do art. 111, do CTN. Ademais, o mesmo código veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação supostamente semelhante, o que implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º, do art. 150, da Constituição Federal, e o art. 176, do CTN. Destarte, a verba em exame deve ser efetivamente tributada. Ressaltese que as verbas ora analisadas já foram objeto de inúmeros julgados proferidos pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, dentre os quais o Acórdão nº 9202 004.464, de 28/09/2016, que reformou o Acórdão nº 210201.746, indicado pela Contribuinte como paradigma, oportunidade em que se deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, com a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10580.725720/200906 Acórdão n.º 9202007.235 CSRFT2 Fl. 291 9 Exercício: 2005, 2006, 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação." Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 295DF CARF MF
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Numero do processo: 13405.000377/2001-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1996
RESTITUIÇÃOECOMPENSAÇÃO DEINDÉBITO CONTAGEM DO PRAZO DE DECADÊNCIA - INTELIGÊNCIA DO ART. 168 DO CTN.
Aopedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. AplicaçãodaSúmulaCARF91aocaso.
Numero da decisão: 1301-003.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito adicional de R$4.916,01 de CSLL e de R$18.430,78 de IRPJ, bem como homologar as compensações declaradas até este limite, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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Aopedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. AplicaçãodaSúmulaCARF91aocaso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito de crédito adicional de R$4.916,01 de CSLL e de R$18.430,78 de IRPJ, bem como homologar as compensações declaradas até este limite, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 40 5. 00 03 77 /2 00 1- 47 Fl. 406DF CARF MF Processo nº 13405.000377/200147 Acórdão n.º 1301003.355 S1C3T1 Fl. 407 2 Augusto Daniel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório GISAN COMERCIAL LTDA, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 3a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE) DRJ/REC (fls. 313 e ss), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Segundo o Relatório do acórdão recorrido: Pedido de Restituição/Compensação Consiste o presente processo de pedidos de restituição/compensação apresentados pela empresa acima identificada, em 10/10/2001, mediante a inicial de folhas 01a 05 e 206 a 207, de créditos de IRPJ e de CSLL, relativos aos saldos negativos apurados nas declarações de rendimentos dos exercícios de 1993, 1998, 1999 e 2000, anos calendários de 1992, 1997, 1998 e 1999, com débitos de PIS e COFINS, relativos aos períodos de apuração de março de 2001 a janeiro de 2002, relacionados nos formulários de pedido de compensação às fls. 04, 05 e 207. Despacho Decisório da DRF 2. Em 27/02/2004, a Delegacia da Receita Federal em Recife/PE, através do Despacho Decisório de folha 239 e tendo por base o Termo de Informação Fiscal de fls. 237/238 decidiu por homologar em parte a compensação efetuada pelo contribuinte, em função do reconhecimento do direito creditório do contribuinte junto à Fazenda Nacional, referente aos saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados nas declarações de rendimentos dos exercícios de 1998, 1999 e 2000. 3. Ressaltouse, no Temo de Informação Fiscal, que os saldos negativos do IRPJ e da CSLL apurados na declaração de rendimentos do exercício de 1993, anocalendário de 1992, em nome da empresa GIBAHIA DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS DE CONSUMO LTDA CNPJ n0 14.618.573/000198, incorporada à empresa em epigrafe, e tomados disponíveis pela Receita Federal, em 22/07/96 e 23/09/96 (fls. 41 e 42), não puderam ser restituídos nem compensados, tendo em vista o transcurso do prazo qüinqüenal. Da Manifestação de Inconformidade Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Manifestação de Inconformidade, que aduziu os seguintes argumentos: 4.1. que, em virtude dos documentos de fls. 41 e 42, disponibilizando créditos relativos ao anocalendário de 1992, já havia pela Receita Federal a homologação do direito da requerente compensar os mesmos, inexistindo qualquer prazo para que a empresa o concretizasse. Fl. 407DF CARF MF Processo nº 13405.000377/200147 Acórdão n.º 1301003.355 S1C3T1 Fl. 408 3 4.2. que não há decadência do direito de pleitear a restituição/compensação, pois o contribuinte conta com prazo de 5 (cinco) anos para solicitar a restituição de valores, contados da homologação, que em sendo tácita, resulta num prazo de 10 (dez) anos para o mesmo. Acrescenta que esse é o entendimento da Primeira Seção do STJ, que no Eresp 435835 uniformizou a Jurisprudência ao decidir aplicar a regra geral dos "cinco mais cinco", nos casos de prescrição de tributos sujeitos á homologação, em decorrência da aplicação dos artigos 150 e 168 do CTN. Em julgamento realizado em 16 de outubro de 2006, 3ª Turma da DRJ/REC, considerou improcedente a manifestação apresentada e prolatou o acórdão 1117127, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1996 RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição/compensação, não resgatada, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados do dia seguinte à data da disponibilização do crédito tributário. Solicitação Indeferida Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 327 e ss, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de manifestação de inconformidade, atendose aos seguintes pontos: da não ocorrência da decadência do direito da recorrente de pleitear a compensação, seu direito é de 10 anos; do direito à compensação dos créditos; O processo chegou a este CARF, e em 14/08/2008, a Turma de Julgamento resolveu converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução 1051.416, para que a unidade administrativa de origem verifique se os valores disponibilizados ao contribuinte em 1996 foram resgatados ou utilizados pelo mesmo e se dê ciência ao contribuinte sobre o resultado da diligência. Assim, juntouse a Informação PJ SEORT, às fls. 382. Recebi os autos por sorteio em 12/04/2018. É o relatório. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 13405.000377/200147 Acórdão n.º 1301003.355 S1C3T1 Fl. 409 4 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/JFA e intimada ao recolhimento do débito em 07/03/2007, (AR à fl. 298), e apresentou em 05/04/2007, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 302 e ss. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. A discussão se refere ao pedido de compensação dos valores de R$4.916,01 e R$18.430,78, de IRPJ e CSLL, referentes à restituição do exercício de 1992, que haviam sido disponibilizados em 22/07/96 e 23/09/96. As declarações foram apresentadas em 10/10/2001. Através da Resolução 159.266, este CARF determinou a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de origem verificasse se os valores disponibilizados ao contribuinte em 1996 foram resgatados ou utilizados pelo mesmo. À fl. 361, consta a informação da SEORT, de que após consultas nos sistemas de controles de processos Comprot, não foram localizados processos administrativos versando sobre pedido de restituição/compensação de saldo credor de IRPJ 1992/1993 em favor da recorrente ou da incorporada, bem como, foi consulta do sistema SIAFI, onde também não foram detectados pagamentos de restituições ordens bancárias para os exercícios indicados. Assim, para o questionamento suscitado pela Turma a quo a resposta é de que não houve pagamentos, nos termos do inc. II, art. 26 da IN 600/2005: § 5 O sujeito passivo poderá compensar créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à SRF, desde que, à data da apresentação da Declaração de Compensação: I o pedido não tenha sido indeferido, mesmo que por decisão administrativa não definitiva, pela autoridade competente da SRF; e II se deferido o pedido, ainda não tenha sido emitida a ordem de pagamento do crédito. Ademais, em que pese o despacho decisório e a DRJ entenderem que o prazo de 5 anos já havia transcorrido para o pedido de restituição, já que a disponibilização do crédito se deu em 23/9/1996 e o ajuizamento do requerimento em 10/10/2001, fato é que temos a Súmula CARF 91, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase Fl. 409DF CARF MF Processo nº 13405.000377/200147 Acórdão n.º 1301003.355 S1C3T1 Fl. 410 5 o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Dessa forma considerando que o pedido ocorreu antes da data mencionada, o prazo prescricional a ser aplicado é de 10 anos, de tal forma que no caso em tela não há que se falar em prescrição ou decadência. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE provimento para conhecer o direito à utilização do crédito adicional de R$4.916,01 e R$18.430,78, de CSLL e de IRPJ, referente ao anocalendário de 1992, bem como homologar as compensações até este limite. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 410DF CARF MF
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Numero do processo: 12571.000035/2010-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/2010-57, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para que o processo seja encaminhado à repartição de origem onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, nestes autos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP de créditos de PIS/Pasep mercado interno e exportação, apurados no regime de incidência nãocumulativa, com base no art. 3º, §1º da Lei nº 10.637/2002. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 25 71 .0 00 03 5/ 20 10 -3 3 Fl. 458DF CARF MF Processo nº 12571.000035/201033 Resolução nº 3301000.739 S3C3T1 Fl. 458 2 Cabe ressaltar a existência dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, que tratam dos Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins, respectivamente, lançados em decorrência da análise do direito creditório promovida nos créditos das referidas contribuições dos anos de 2003 a 2007. Além da glosa dos créditos, foi verificado que, em diversos períodos de apuração, ocorreu a não tributação de algumas receitas pelo Contribuinte, motivo pelo qual lhe restou saldo devedor da contribuição a pagar, sendo, então, lavrados os dois Autos de Infração citados. No âmbito dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, proferiuse as Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, respectivamente. Nestas resoluções decidiuse por converter os julgamentos em diligências para fins de juntada de processos vinculados, processos esses, inclusive o presente, em que se estão sendo analisados os créditos de PIS/Pasep e Cofins (PER/DCOMPs) e que deram ensejo aos autos de infração constantes dos processos referidos. No cumprimento da Resolução nº 3301000.520 assim constou do Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Devolvamse os presentes autos ao Conselheiro Valcir Gassen, para prosseguimento, informando que os processos 12571.000024/2010 53, 12571.000025/201006, 12571.000026/201042, 12571.000027/201097, 12571.000028/201031, 12571.000029/201086, 12571.000030/201019, 12571.000031/201055, 12571.000032/201008, 12571.000033/201044, 12571.000034/201099, 12571.000035/201033, 12571.000036/201088, 12571.000037/201022, 12571.000038/201077, 12571.000039/201011, 12571.000040/201046, 12571.000041/201091, 13931.000368/200874, 13931.000948/200861, 13931.000949/200814, 13931.000950/200831, 13931.000951/200885, 13931.000952/200820, 13931.000953/200874, 13931.000954/200819, 13931.000955/200863, 13931.000956/200816 e 13931.000957/200852, que tratam da análise de créditos de PIS (PER/DECOMPs) e que deram ensejo ao auto de que trata este processo foram distribuídos ao referido Conselheiro, em cumprimento à determinação constante da Resolução 3301000.520, de 28/9/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Quando da análise dos autos para julgamento dos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, distribuídos a este relator, constatouse que os dois processos referemse a autos de infração, o primeiro no que tange a contribuição ao PIS e o segundo diz respeito a Cofins, e que existiam outros processos vinculados a estes e que Fl. 459DF CARF MF Processo nº 12571.000035/201033 Resolução nº 3301000.739 S3C3T1 Fl. 459 3 tratam de pedidos de restituição e de compensação (PER/DCOMP) de PIS e Cofins mercado interno e exportação apurados no regime de incidência nãocumulativa. Em pesquisa realizada no eprocesso verificouse que esses processos vinculados aos autos de infração encontravamse distribuídos em fases distintas. Por intermédio das Resoluções nº 3301000.520 e 3301000.521, proferidas nos Processos nºs. 12571.000200/201057 e 12571.000201/201000, os processos vinculados foram reunidos e distribuídos a este Conselheiro prevento. Assim, entendo que foram atendidas as Resoluções nº 3301000.520 e 3301 000.521. Verificando os processos de PER/Dcomps, constatase que o Auto de Infração alcança todos os períodos de apuração dos PER/Dcomps vinculados, sendo que a solução do litígio no processo do lançamento alcança os processos de ressarcimento/compensação vinculados. Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência, para que o presente processo seja encaminhado à repartição de origem, onde deverá aguardar até que seja proferida a decisão definitiva no processo nº 12571.000200/201057, que deverá ser juntada, em cópia de seu inteiro teor, neste processo. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 460DF CARF MF
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