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Numero do processo: 13652.000154/2005-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005
PAF - PRINCÍPIO DA LIVRE PERSUASÃO RACIONAL - DILIGÊNCIA - DILIGÊNCIA REPUTADA DESNECESSÁRIA PELO JULGADOR - INDEFERIMENTO. PRECEDENTES DO STJ.
O artigo 131 do CPC consagra o princípio da persuasão racional, habilitando o julgador a valer-se do seu convencimento, à luz dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto, constantes dos autos. Nada obstante, compete-lhe rejeitar perícias ou diligências, quando desnecessárias ou que delonguem desnecessariamente o julgamento, a fim de garantir a observância do princípio da celeridade processual
Numero da decisão: 3402-002.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Francisco Maurício de Albuquerque Silva. Fez sustentação oral o Dr. João Marques Neto OAB nº 313.726.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente). Ausente, justificadamente a Conselheira Nayra Bastos Manatta. e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, o Conselheiro João Carlos Cassuli Junior.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 IPI RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. Não se justifica a reforma da r. decisão recorrida quando tanto na fase instrutória, como na fase recursal, a Recorrente não apresenta nenhuma evidencia concreta e suficiente, cujo ônus lhe cabia (cf. art. 333, inc. I e 396 do CPC), para descaracterizar a motivação invocada pela d. Fiscalização para o indeferimento do ressarcimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 PAF PRINCÍPIO DA LIVRE PERSUASÃO RACIONAL DILIGÊNCIA DILIGÊNCIA REPUTADA DESNECESSÁRIA PELO JULGADOR INDEFERIMENTO. PRECEDENTES DO STJ. O artigo 131 do CPC consagra o princípio da persuasão racional, habilitando o julgador a valerse do seu convencimento, à luz dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto, constantes dos autos. Nada obstante, competelhe rejeitar perícias ou diligências, quando desnecessárias ou que delonguem desnecessariamente o julgamento, a fim de garantir a observância do princípio da celeridade processual Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro Francisco Maurício de Albuquerque Silva. Fez sustentação oral o Dr. João Marques Neto OAB nº 313.726. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 2. 00 01 54 /2 00 5- 91 Fl. 510DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente). Ausente, justificadamente a Conselheira Nayra Bastos Manatta. e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, o Conselheiro João Carlos Cassuli Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 426/444) contra o v. Acórdão DRJ/JFA nº 0920.671 de 10/09/08 constante de fls. 415/424 exarado pela 3ª Turma da DRJ de Juiz de Fora MG que, por unanimidade de votos, houve por bem “deferir parcialmente” a manifestação de inconformidade de fls. 367/393 (“para reconhecer o crédito de R$ 40.785,53 a título de crédito de relativo a COFINS de abril de 2005, a ser utilizado na compensação dos saldos devedores dos débitos de fl. 01, que fica desde já homologada até esse limite”), mantendo o Despacho Decisório da DRF de Poços de Caldas MG (fls. 352/362), que por sua vez deferiu parcialmente a compensação objeto Declaração de CompensaçãoDCOMP de débitos de IRPJ e CSLL, ambos do período de apuração de 05/2005, no valor original de R$ 738.657,23 e R$ 266.636,61, respectivamente, com créditos oriundos da COFINS não cumulativa relativamente ao mês de abril de 2005, no valor de R$ 345.748,72, e com crédito remanescente dos processos n° 13652.000093/200562 e 13652.000111/200514, referente a COFINS não cumulativa do mês de fevereiro de 2005 (fls. 01/03) reconhecendo o crédito de COFINS não cumulativa de abril de 2005 no valor de R$ 59.059,27 e homologar parcialmente a compensação pleiteada até o limite do crédito reconhecido, ressaltando que não existe crédito remanescente de COFINS não cumulativa referente a fevereiro de 2005, em função do valor do crédito reconhecido no processo n° 13652.000093/200562 (fls. 352/362). O r. Despacho Decisório da DRF de Poços de Caldas MG (fls. 352/362), explicita os motivos do indeferimento do Pedido de Ressarcimento, aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “Assunto: Declaração de compensação de débitos de IRPJ, código de receita 2362 e de CSLL, código de receita 2484, ambos de PA maio/2005 com alegado crédito remanescente de COFINS não cumulativa de fevereiro de 2005 e crédito de abril/2005 de mesma natureza sobre receitas de exportação. Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE COFINS nãocumulativa sobre receitas de exportação. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o Fl. 511DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13652.000154/200591 Acórdão n.º 3402002.389 S3C4T2 Fl. 3 3 reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrada pela SRF, passível de restituição ou ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. O crédito previsto nos incisos I, II, III e IX, do art. 30 da lei no 10.833 de 29/12/2003, desde que vinculado às receitas de exportações auferidas no mesmo período de apuração, pode ser utilizado na forma dos §§ 1º e 2º do art. 6º da mesma Lei, para fins de compensação com débitos próprios relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF, ou para ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO PARCIALMENTE. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA PARCIALMENTE. Dispositivos Legais: Arts. 151, inciso III, 156, incisos I, II e VII, 161, 163 da Lei na 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, nos arts. 1º a 45 do Decreto na 70.235/72, e alterações posteriores, arts. § 10, inciso II, 73 e 74 da Lei no 9.430/1996, este último com a redação determinada pelo art. 49 da Lei na 10.637/2002, pelo art. 17 da Lei n a 10.833/2003, e pelo art. 4º da Medida Provisória na 219, de 30 de setembro de 2004, no art. 15 da Lei n a 9.779/1999, no art. 90 da Medida Provisória no 2.15835/2001, na Lei na 10.276/2001, no art. 27 da Lei nº 10.522/2002, nos arts. 112 a 18 da Lei na 10.833/2003, art. 8º da Lei no 10.925 de 23/07/2004, IN SRF n o 460 de 18 de outubro de 2004. Por seu turno a r. decisão de fls. 415/424 da 3ª Turma da DRJ de Juiz de Fora MG, houve por bem “deferir parcialmente” contida na manifestação de inconformidade de fls. 367/393, mantendo parcialmente o Despacho Decisório da DRF de Poços de Caldas MG (fls. 352/362), aos fundamentos sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2005 CRÉDITO COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE A adquirente faz jus aos créditos das compras efetivamente comprovadas, independentemente das vendedoras não declararem a receita bruta ao fisco. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDUSTRIA. Para se beneficiar do crédito presumido a pessoa jurídica Interessada tem que provar que exerce cumulativamente as atividades listadas no §6° do art. 8° da Lei 10.925/2004. Solicitação Deferida em Parte” Fl. 512DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 80/85) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta que a reforma da r. decisão recorrida e a legitimidade do crédito ressarciendo, tendo em vista: a) preliminarmente a ilegalidade da r. decisão recorrida por cerceamento ao direito de defesa, em razão de ter sustentado a desnecessidade de realização de diligência eis que haveria indícios de que os fatos alegados teriam realmente ocorrido, como a alegada terceirização da produção e efetivo rebeneficiamento dos grãos, que estariam comprovados por sua própria finalidade social declarada em seu estatuto social; b) no mérito sustenta a reforma parcial da r. decisão recorrida relativamente à mantença parcial da glosa dos créditos relativos a bens adquiridos para revenda e referente as NFS de fls. 161, 162 e 199, em relação aos quais nesse momento apresenta os comprovantes de pagamento; c) relativamente ao crédito presumido de COFINS decorrente de atividades Agroindustriais, aduz que sua produção seria terceirizada admitida nos termos do RIPI, restando comprovado por meio das NFs que os insumos são adquiridos pela Recorrente e entregues diretamente nos Armazéns Gerais Sul Mineiro onde seria realizado o beneficiamento e separação dos grãos destinados à exportação, procedimento este essencial na produção do café nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/04 e do art. 6º da IN/SRF nº 660/06 e cuja possibilidade seria reconhecida pela Jurisprudência do CARF; d) assim reitera a possibilidade de comprovação por maio de diligência, após a qual requer o provimento integral do recurso para reconhecimento da legitimidade do crédito. É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O Recurso Voluntário preenche os requisitos de admissibilidade razão pela qual dele conheço. Preliminarmente rejeito a alegação de suposta violação ao princípio da verdade material, eis que como ressaltado na r. decisão recorrida, a ora Recorrente teve oportunidade de demonstrar a procedência de suas alegações mediante a prova documental não produzida oportunamente e, como também já assentou o E. STJ “o artigo 131 do CPC consagra o princípio da persuasão racional, habilitando o magistrado a valerse do seu convencimento, à luz dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto, constantes dos autos. Nada obstante, competelhe rejeitar diligências que delonguem desnecessariamente o julgamento, a fim de garantir a observância do princípio da celeridade processual. (cf. REsp 886.695/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 06.12.2007, DJ 14.12.2007; e EDcl no REsp 37033/SP, Rel. Ministro Ari Pargendler, Segunda Turma, julgado em 15.09.1998, DJ 03.11.1998)” (cf. AC. da 1ª do STJ no REsp 896045/RN, Reg. nº 2006/02290861, em sessão de 18/09/2008, Rel. Min. LUIZ FUX, Publ. in DJU de15/10/2008). No mérito, ante a ausência de comprovação oportuna da legitimidade do crédito e do ressarcimento pleiteados deve subsistir a r decisão recorrida, por seus próprios e jurídicos fundamentos que adoto como razões de decidir e transcrito: “No que concerne aos valores a título de bens adquiridos para revenda, listados às fls. 356/357, não aceitos por parte da autoridade fiscalizadora pelo fato de que os fornecedores Fl. 513DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13652.000154/200591 Acórdão n.º 3402002.389 S3C4T2 Fl. 4 5 declararam à Receita Federal que estavam ou inativos ou com receitas no período em análise igual a zero ou ainda com receitas no período menor que o valor total das notas fiscais de fornecimento à Exportadora de Café Guaxupé, ora requerente, é possível verificar pelos elementos constantes dos autos, que efetivamente existiu a transação comercial entre elas e a manifestante. A par da comprovação do efetivo pagamento dos bens adquiridos para revenda no período em questão, assim se manifesta a autoridade fiscal (fl. 356): Com relação aos documentos solicitados por esta SARAC para comprovação de pagamentos das NF apresentadas temos a observar que: às NF de fis. 161 e 162 não foi apresentado o comprovante de pagamento, mas sim NF de devolução total das mercadorias referentes a outras NF (fls. 163 e 164); os documentos de pagamentos de fls. 160, 168, 172, 188 e 193 não trazem a identificação de quem efetuou o pagamento; a NF de fl. 199 foi apresentada sem o respectivo comprovante de pagamento. Contra as constatações acima relativamente às notas fiscais de fls. 161, 162 e 199, não se insurge a requerente, deixando de apresentar quaisquer elementos de fato ou de direito que as infirmem, o que pressupõe sua a concordância com os fatos apurados, impondo a manutenção das glosas relativamente às referidas notas fiscais, cujos valores importam em R$87.500,00, R$ 87.500,00 e R$ 13.500,00, respectivamente, totalizando R$ 188.500,00. (...) Ressalta a autoridade administrativa na decisão, à fl. 360, que "o contribuinte que se declara produtor nos moldes do §6° do art. 8° da Lei 10.925 não tem direito ao crédito presumido referente à compra de café beneficiado uma vez que o beneficiamento é uma das atividades exercidas cumulativamente com as demais ali elencadas". Quanto a isso, a requerente se limita a rebater as constatações inseridas na decisão contestada, sem no entanto apresentar elementos comprobatórios de que é produtora de café, consoante o citado diploma legal. Aduz que as mercadorias são entregues diretamente no endereço da empresa Armazéns Gerais Sul Mineiro S/A porque a requerente possui filial estabelecida dentro dessa empresa, que o exercício de uma produção não envolve necessariamente equipamentos próprios já que a terceirização da produção é um procedimento previsto em lei, e que se reveste da condição de produtora de café uma vez que exerce atividade de rebeneficiamento, que consiste basicamente na separação dos grãos por tamanho, na correção dos defeitos capitais dos grãos relativos à sua coloração e sua densidade, procedimento essencial na produção do café e, tecnicamente está abrangido no conceito de beneficiamento. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 Afirma ainda que as aquisições referentes às notas fiscais de fls. 131 e 132 também dão direito ao crédito presumido sob exame uma vez que o fornecedor é cerealista que exerce cumulativamente as atividades de beneficiamento de café, comércio de café em grão, moagem e fabricação de produtos de origem vegetal, conforme CNPJ anexado à fl. 395. A despeito dessa discussão, cerealista ou não o fornecedor, o fato é que a requerente adquiriu desse fornecedor café já beneficiado, tal como das pessoas físicas. Cumpre aqui, no intuito de elucidar a questão, transcrever o art. 8° da Lei n° 10.925/2004, que determina as condições para fruição do direito ao crédito presumido da COFINS, sobre produtos adquiridos de pessoa física: Art. 8° As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706. 10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso lido caput do art. 3º das Leis les 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) (...) § 6º Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído pela Lei n°11.051, de 2004); (sem destaque no original) § 7º O disposto no § 6º deste artigo aplicase também às cooperativas que exerçam as atividades nele previstas. (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004). Da leitura da norma legal acima, inferese que para fazer jus ao crédito presumido a pessoa jurídica tem que produzir a mercadoria e considerase produção no caso concreto, qual seja produção do café, especificamente tratado no § 6°, o exercício cumulativo das atividades nele listadas, que inclui o beneficiamento. Entretanto, depreendese das notas fiscais de fls. 85/130 e 133/157 que a requerente adquiriu de pessoa física café beneficiado, para entrega ou já depositado no estabelecimento Armazéns Gerais Sul Mineiro S/A, e das notas fiscais de fls. 131/132 que a requerente adquiriu da pessoa jurídica Espelho e Fl. 515DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13652.000154/200591 Acórdão n.º 3402002.389 S3C4T2 Fl. 5 7 Cury Ltda, café beneficiado para entrega no referido armazém. Donde se conclui, como não há provas em contrário, que a requerente não realizou o beneficiamento do café adquirido de pessoa física, nem por máquinas próprias, tampouco por encomenda. A propósito da produção de todos os meios de provas, inclusive realização de diligências e perícias, requerida ao final da manifestação de inconformidade, registrese que é princípio basilar do direito o que afirma que o ônus da prova dos fatos supostamente ocorridos incumbe a quem os alega. No entanto, havendo "necessidade", pode a autoridade julgadora determinar, de oficio, ou a requerimento da impugnante, a realização de diligências, a teor do disposto no art. 18, caput, do Decreto 70.235/72. Pois bem, se a diligência requerida pela contribuinte tem como finalidade a verificação da real ocorrência de um fato por ela alegado, tal diligência deverá ser tida como "necessária" se houver nos autos do processo indícios de que aquele fato realmente ocorreu. Em outras palavras, se houver nos autos algum indício de que o fato alegado pela interessada verdadeiramente ocorreu, deve a autoridade julgadora, a bem da verdade material, que preside o processo administrativo fiscal, determinar a realização da diligência requerida. Entretanto, não havendo indício de veracidade nas alegações da interessada, deve a autoridade indeferir o pedido de diligência, sob pena de tomar a fase de produção de provas um meio para protelação indefinida do processo fiscal. No caso sob exame a interessada não realiza o beneficiamento da mercadoria, no caso o café, condição necessária, juntamente com as demais exigidas no artigo 8° da Lei n° 10.925/2004, para fazer jus ao crédito presumido que pleiteia. Ao contrário, adquire o café, já beneficiado, de terceiros. Reputase, assim, desnecessária diligência ou perícia para apurar o que está provado nos autos, razão pela qual indeferese a perícia requerida. Ademais, comparandose o teor do documento de fls. 09/12 com o teor da alteração contratual de fls. 396/399, registrada na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais sob o registro 3424306, constase que somente a partir de 21/09/2005, o objeto social da contribuinte passou a ser "a aquisição no mercado interno de café em coco e beneficiado, o seu benefício e rebenefício, bem como o comércio e exportação de café, além dos outros atos comerciais correlatos e afins ao objeto social...", data posterior, portanto, ao período em apreço.” Não se justifica, assim a reforma da r. decisão recorrida que deve ser mantida por seus próprios e jurídicos fundamentos, considerandose ainda que na fase instrutória, a ora a Recorrente não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente cujo ônus lhe cabia (cf. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 8 art. 333, inc. I e 396 do CPC) para descaracterizar a motivação invocada pela d. Fiscalização, para o indeferimento do ressarcimento. Considerando a inexistência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública, os débitos eventual e indevidamente compensados, devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (redação da Lei nº 10.833, de 2003). Isto posto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para manter a r. decisão recorrida, por seus próprios e jurídicos fundamentos. É como voto Sala das Sessões, em 27 de maio de 2014 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 517DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10980.720315/2008-08
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. AUSENCIA DE REQUISITO PREVISTO NA LEGISLAÇÃO.
A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
Presentes os pressupostos de exigência, cobra-se multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996).
MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO INAPLICABILIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.334
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente
Assinado digitalmente
José Valdemir da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: JOSE VALDEMIR DA SILVA
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GLOSA. AUSENCIA DE REQUISITO PREVISTO NA LEGISLAÇÃO. A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996). MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO INAPLICABILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos César Quadros Pierre. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 03 15 /2 00 8- 08 Fl. 108DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10980.720315/200808 Acórdão n.º 2801003.334 S2TE01 Fl. 109 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4a. Turma da DRJ/CTA. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Trata o presente processo de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, fls. 68 a 71, referente ao anocalendário de 2005, que exige R$ 4.175,98 de imposto suplementar, com multa de ofício e juros de mora, em razão da glosa de R$ 15.185,38 de despesas médicas. Consta do lançamento que foram glosados os valores de R$ 4.005,00 e de R$ 6.000,00, declarados como pagos a Danielle C Tamiozo e André E B Cordeiro, respectivamente, “por falta de comprovações dos efetivos desembolsos, solicitados na intimação”, além dos R$ 5.180,38 referentes ao plano de saúde dos beneficiários Cléris,Priscila e Rogério. Cientificada do lançamento por via postal, em 12/09/2008 – fl. 75, a contribuinte apresentou, em 13/10/2008, por intermédio de procurador – fl. 17, a impugnação de fls. 02 a 12, acompanhada dos documentos de fls. 13 a 63, acatada como tempestiva pelo órgão de origem – fl. 74. Alega que os valores gastos com os tratamentos médicos declarados foram comprovados por meio de declarações dos profissionais que a atenderam. Afirma que a legislação do IR autoriza a dedução dos pagamentos efetuados com dentistas e fisioterapeutas referentes ao tratamento próprio. Insurgese contra a exigência da comprovação do efetivo desembolso, afirmando que efetuou os pagamentos com o dinheiro que guardava consigo para eventuais despesas e que não haveria “qualquer exigência legal se referindo que se faça as comprovações dos desembolsos que sejam coincidentes em datas e valores”. Suscita que a exigência de comprovação do desembolso afrontaria o princípio da legalidade, ressaltando que os documentos apresentados são suficientes para a comprovação dos tratamentos médicos, por possuírem todos os requisitos exigidos na legislação do IRPF. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10980.720315/200808 Acórdão n.º 2801003.334 S2TE01 Fl. 110 3 Concorda com a glosa das despesas com planos de saúde de Priscila e Rogério, não declarados como dependentes, salientando que apresentaria a comprovação do pagamento da parte não impugnada do lançamento e que espera “não ser prejudicada com a aplicação de multa de ofício e da multa de juros sem as devidas reduções que possui direito com o pagamento no vencimento da intimação”. Contesta a não aceitação da despesa referente ao plano de saúde de “Cléris G. Nascimento, por ter sido glosada erroneamente pelo Funbep, sendo retificado em nova declaração na data de 06 de outubro de 2008”. Protesta contra a aplicação da multa com percentual de 75%, afirmando que seria confiscatória e ilegal, corroborando suas argumentações com doutrina. Aduz que não agiu de má fé, que é cumpridora de seus deveres tributários e que sempre atendeu às intimações, afirmando se tratar de “pessoa leiga quanto à matéria em discussão, e, apenas tomou ciência do equívoco ocorrido quanto a sua declaração referente aos beneficiários no momento que procurou profissional especializado”. Apresenta doutrina acerca de confisco e de boa fé. Finaliza solicitando: A improcedência do lançamento; A interpretação mais benéfica da legislação tributária com consequente gradação da penalidade, citando o art. 112 do Código Tributário Nacional – CTN para pleitear; O cálculo do valor incontroverso. A impugnação apresentada foi julgada improcedente em parte, conforme acórdão de ( fls.76/85), assim ementado a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como nãoimpugnada a parte do lançamento com a qual a contribuinte concorda ou não se manifesta expressamente. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, portanto, em âmbito administrativo, não é efetuada a análise de ofensa a princípios constitucionais das exigências legais. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10980.720315/200808 Acórdão n.º 2801003.334 S2TE01 Fl. 111 4 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. APRESENTAÇÃO. Cumpre à contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa. DEDUÇÕES. ÔNUS DA PROVA. Havendo dúvidas quanto à regularidade das deduções, cabe à contribuinte o ônus da prova. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual da contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo pagamento e prestação do serviço. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. PREVISÃO LEGAL. APLICAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Segundo expressa previsão legal, com força vinculante sobre a autoridade lançadora, a multa de ofício de 75% deve ser aplicada quando verificada a falta de recolhimento de imposto de renda, em razão do descumprimento da legislação tributária. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão de 1a instância em 22.08.2011( fl. 90), a contribuinte, por seu advogado, apresentou recurso em 20.09.2011(fls.92/104). Em sua defesa argumentou em síntese o seguinte: ● Argumenta que os pagamentos foram feitos em espécie com saques na conta corrente da contribuinte. ● Alega que os recibos dos profissionais Daniele Cristina C. Tamiozo e André Ernesto B. Cordeiro, apresentados ( fl.2537), são sufucientes e cabais para comprovar as alegações da recorrente. ● Aduz que a contribuinte agiu de boa fé, pois cumpriu com todas as explicações do ordenamento para demonstração dos pagamentos solicitados. ● Invoca o princípio da legalidade, com cerne do processo Administrativo Fiscal, não deve exigir que se façam as comprovações dos desembolsos que seja coincidentes em datas e valores. ● Transcreveu longos trechos de doutrinadores bem como decisões do CARF. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10980.720315/200808 Acórdão n.º 2801003.334 S2TE01 Fl. 112 5 ● A multa de ofício deverá ser afastada pelo seu caráter confiscatório. posto que a contribuinte não cometeu qualquer infração. ● Por fim requer seja dado provimento ao recurso, julgandose improcedente a Notificação de Lançamentos em objeto e determinando seu arquivamento. É o Relatório Voto Conselheiro José Valdemir da Silva, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS O litígio cingese à glosa da dedução de despesas médicas referentes as profissionais Daniele Cristina C. Tamiozo no valor de R$ 4.005,00 e André Ernesto B. Cordeiro no valor de R$ 6.000,00, totalizando R$ 10.005,00, para os quais foram exigidos comprovação do efetivo pagamento. A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base da de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, o art. 80 do RIR, in verbis: “ Art. 80 – Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias ( Lei n. 9.250, art. 8o, inciso II, alínea “a” ). # 1o O disposto neste artigo ( lei n. 9.250, de 1995. 8º § 2o ). I – Aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidade que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza. II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF, ou no Cadastro Nacional Pessoa Jurídica – CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; g.n. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10980.720315/200808 Acórdão n.º 2801003.334 S2TE01 Fl. 113 6 Nada obsta, entretanto, que a Administração Tributária exija que a interessada comprove o efetivo pagamento das despesas médicas realizadas quando a Autoridade fiscal assim entender necessário, na linha do disposto no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR, aprovado pelo Decreto n. 3000/1999, cujo teor é o seguinte: Art. 73 – Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, ( DecretoLei n. 5.844, de 1943, art. 11 § 3o. Observo, por importante, que tal faculdade deve ser concretizada por meio de um ato cuja materialização se dá com lavratura de um termo, isto é, de um lançamento no qual está expressa a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. No caso vertente, a contribuinte foi intimado a comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas, mas não o fez, entendo que a glosa das referidas despesas médicas deve ser mantida por falta de comprovação do efetivo dispêndio, com fulcro no do art. 73 do RIR/99. Transcrevo jurisprudência desse Egrégio Conselho Administrativo de julgamento: DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO.POSSIBILIDADE. Toda as despesas médicas estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de provas dos respectivos pagamentos, nessa hipótese, a apresentação tãosomente de recibos, sem a prova do efetivo pagamento, é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. Multa de ofício. CARF – 2a secção – 1a Turma Especial / ACÓRDÃO 280100.497 em 12.05.2010.Publicado DOU 16.09.2010. MULTA DE OFICIO É Cabível, por disposição literal da lei, a incidência de multa de ofício, no percentual de 75%, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte, independentemente do motivo determinante da falta. MULTA. EFEITO CONFISCATÓRIO INAPLICABILIDADE No que tange ao caráter confiscatório do crédito tributário exigido, destaque se a súmula nº 2, do CARF, a saber: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10980.720315/200808 Acórdão n.º 2801003.334 S2TE01 Fl. 114 7 Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Fl. 114DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA
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Numero do processo: 10166.720209/2012-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2008
GLOSA DE COMPENSAÇÃO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS MEDIANTE ESCRITURA PÚBLICA DE CESSÃO DE DIREITOS. EXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO COM EXPRESSA AUTORIZAÇÃO DA CESSÃO. OBRIGATORIEDADE DE CUMPRIMENTO. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Uma vez que a recorrente levou a efeito compensação tributária de débitos próprios com créditos reconhecidos em favor de terceiros por decisão judicial transitada em julgado, nela havendo expresso comando judicial autorizando a negociação dos créditos em decorrência da parte que apurou os créditos ter comprovado não poder aproveitá-los em benefício próprio, há que ser privilegiado e respeitado o comando da sentença.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Luciana de Souza Espíndola Reis e Ronaldo de Lima Macedo que negavam provimento.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente.
Lourenço Ferreira do Prado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Igor Araújo Soares, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS MEDIANTE ESCRITURA PÚBLICA DE CESSÃO DE DIREITOS. EXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO COM EXPRESSA AUTORIZAÇÃO DA CESSÃO. OBRIGATORIEDADE DE CUMPRIMENTO. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Uma vez que a recorrente levou a efeito compensação tributária de débitos próprios com créditos reconhecidos em favor de terceiros por decisão judicial transitada em julgado, nela havendo expresso comando judicial autorizando a negociação dos créditos em decorrência da parte que apurou os créditos ter comprovado não poder aproveitálos em benefício próprio, há que ser privilegiado e respeitado o comando da sentença. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Luciana de Souza Espíndola Reis e Ronaldo de Lima Macedo que negavam provimento. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Lourenço Ferreira do Prado Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 02 09 /2 01 2- 04 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Igor Araújo Soares, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.720209/201204 Acórdão n.º 2402004.093 S2C4T2 Fl. 273 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo CENTRO UNIVERSITÁRIO DE BRASÍLIA, em face do acórdão que manteve a integralidade do Auto de Infração AI 51.012.7762, lavrado para a cobrança de contribuições sociais decorrente da glosa de compensações efetuadas. Para uma melhor elucidação da compensação glosada pela fiscalização nos autos do presente processo, transcrevo o seguinte trecho do relatório fiscal: Nos autos do processo n° 94.00493690, com trânsito em julgado em 01/04/2002, tendo como parte autora a empresa SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS E PORTUÁRIOS LTDA, CNPJ 42.361.972/000151, foi reconhecida a inexigibilidade da contribuição previdenciária incidente sobre o pagamento pela referida empresa a segurados avulsos e contribuintes individuais e o conseqüente direito de compensabilidade dos créditos da autora correspondentes aos recolhimentos efetuados a título dos tributos em comento. Além disso, foi reconhecido o direito da empresa em tela de livremente negociar seus direitos creditícios, dentro dos ditames dos artigos 286 a 298 do Código Civil em vigor. Segundo consta na documentação apresentada à fiscalização (escrituras públicas de direitos creditórios datadas de 02/02/2006 e 03/03/2008), a empresa SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS E PORTUÁRIOS LTDA cedeu os direitos creditórios em questão à empresa SERVPORT SERVIÇOS, PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA. CNPJ 07.665.976/000122, sendo os mesmos créditos posteriormente cedidos por esta última ao CEUB. Tais direitos creditórios referemse ao indébito de guias de recolhimento da previdência social relacionadas nas referidas escrituras. O CEUB então passou a compensar seus débitos previdenciários nas GFIPs de competências 02/2008 a 04/2008; 07/2008; 09/2008 a 02/2009, utilizando os mencionados créditos. A decisão judicial autorizou que a empresa SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS E PORTUÁRIOS LTDA pudesse apenas negociar seus direitos creditícios, dentro dos ditames dos artigos 286 a 298 do Código Civil, não abarcando em nenhum momento a hipótese de uma eventual cessionária utilizar os referidos créditos para compensar com os débitos tributários desta última. Logo, diante de tais fatos, a fiscalização previdenciária achou por bem glosar as compensações efetuadas pelo ora recorrente, pois o seu crédito fora adquirido, via cessão, da empresa SERVPORT SERVIÇOS, PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS Fl. 278DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 LTDA. CNPJ, por entender que a legislação que rege a os pedidos de compensação expressamente proíbe a compensação de débitos próprios com débitos de terceiros. As glosas efetuadas e cujas informações foram erroneamente informadas em GFIP se referiam ao período de 02/2008 a 04/2008; 07/2008 e 09/2008 a 13/2008, tendo sido o contribuinte cientificado do Auto de Infração em 15/03/2012 (fls. 138). Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, o recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta, em síntese, após fazer relato dos fatos ocorridos: 1. que o pedido de compensação não esbarra no art. 170A do Código Tributário Nacional, pois o crédito utilizado é decorrente de sentença judicial transitada em julgado; 2. que fora expressamente reconhecido pelo Poder Judiciário que a empresa SERVPORT poderia negociar livremente a cessão dos créditos que lhe foram reconhecidos nos autos do processo n. 3. alega que a fiscalização e o v. acórdão, erroneamente, deram interpretação diversa ao artigo 74, da Lei n.° 9.430/96, introduzida pela Lei n.° 11.051/04, uma vez que assevera que será considerada como "não declarada" a compensação nas hipóteses em que o crédito utilizado pelo contribuinte seja "de terceiros" (art. 74, § 12, II, "a", da Lei n.° 9.430/96). 4. entende que o cessionário tornase o legítimo titular do crédito cedido a partir do momento da notificação do devedor, não podendo a administração pública interpretar de forma diversa, chamando de "crédito de terceiros” o que, em realidade é de legítima titularidade do cessionário, no caso, o direito creditório judicial transitado em julgado; 5. que após ter sido reconhecido o direito da autora da ação (SERVPORT MARÍTIMA) de livremente negociar os direitos creditórios expressos no acórdão de fls 4815, dentro dos ditames dos arts. 286 e 298 do Código Civil de 2002, ficaram homologadas as cessões de crédito trazidas aos autos, dispensandolhe de fazêlo em relação aqueles remanescentes; 6. que a cessão de direitos creditórios, se efetuada após o trânsito em julgado da decisão judicial e com a aquiescência do Juízo no qual fora reconhecido o direito creditório, como é a hipótese dos autos, nem mesmo o devedor cedido, no caso, o INSS, pode oporse a ela. 7. entende que uma vez cedido o crédito, o cessionário PASSA A SER PROPRIETÁRIO DO CRÉDITO, podendo dispor, vender, ceder novamente, da maneira que julgar Fl. 279DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.720209/201204 Acórdão n.º 2402004.093 S2C4T2 Fl. 274 5 pertinente, concluindo que o instituto da cessão de crédito, além de não necessitar da autorização judicial para ter validade jurídica e gerar sua eficácia própria, é perfeitamente aceitável no âmbito do Direito Tributário, uma vez que não existe previsão proibitiva à cessão de crédito judicial transitado em julgado para fins de que esta possa ser oposto à Fazenda Nacional, gerando seus efeitos próprios, quer administrativa ou judicialmente. 8. afirma que, se restar devidamente comprovado que o cessionário é o legítimo titular do direito creditório que lhe foi cedido por ato entre vivos, após dado ciência ao devedor cedido, não haverá que se falar na aplicação da malsinada vedação da lei n.° 9.430/96 (art. 74, § 12, II, "a", com redação acrescentada pela Lei n.° 11.051/04), como é o caso presente. 9. sustenta que a multa aplicada é confiscatória; 10. que a multa moratória, na sua qualidade de acessório ao principal, deve ser excluída, na medida em que é ilegal a glosa efetuada 11. que não fora comprovado dolo ou fraude capazes de sustentar a lavratura de representação fiscal para fins penais. 12. por fim, a ilegalidade da SELIC. Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares, passo ao mérito. MÉRITO O presente recurso versa sobre a possibilidade ou não de se reconhecer o direito da contribuinte em compensar contribuições previdenciárias por si devidas com crédito adquirido da empresa SERVPORT SERVIÇOS, PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA, mediante escritura pública de cessão de direitos creditório juntada aos autos. A operação da cessão de créditos deuse da seguinte forma: (i) O detentor originário dos créditos, a empresa SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS E PORTUÁRIOS LTDA, impetrou ação ordinária cumulada com pedido de repetição do indébito n. 94.00493690, na qual obteve a declaração de inconstitucionalidade das contribuições previdenciárias incidentes sobre os pagamentos efetuados a administradores, avulsos e autônomos, com base no art. 3o, inciso I, da Lei 7.787/89 com trânsito em julgado em seu favor. (ii) Em decorrência do reconhecimento dos créditos a empresa SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS E PORTUÁRIOS LTDA, mediante escritura pública, cedeu seus direitos creditórios a empresa SERVPORT SERVIÇOS, PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA; (iii) A empresa SERVPORT SERVIÇOS, PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA cedeu os créditos a ora recorrente, também via cessão de créditos, mediante escritura pública; (iv) Todas as cessões de crédito foram objeto de habilitação no processo judicial n. 94.00493690. E toda a cessão de créditos, ao que também se depreende do relatório fiscal, se deu em decorrência de ordem judicial expressa no sentido de que a empresa que sagrouse vencedora na demanda, a SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS E PORTUÁRIOS LTDA, “poderia livremente negociar seus créditos”. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.720209/201204 Acórdão n.º 2402004.093 S2C4T2 Fl. 275 7 E o fundamento utilizado para que fossem levadas a efeito as glosas foi o fato de que não havia autorização expressa para que a empresa SERVPORT SERVIÇOS, PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA pudesse efetuar a cessão dos créditos à ora recorrente. Vale conferir o trecho do relatório que bem pontua a questão: A decisão judicial autorizou que a empresa SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS E PORTUÁRIOS LTDA pudesse apenas negociar seus direitos creditícios, dentro dos ditames dos artigos 286 a 298 do Código Civil, não abarcando em nenhum momento a hipótese de uma eventual cessionária utilizar os referidos créditos para compensar com os débitos tributários desta última. No caso em tela não foi o CEUB que apurou os créditos resultantes de pagamentos julgados indevidos por decisão judicial definitiva, e sim a empresa SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS E PORTUÁRIOS LTDA não podendo destarte a empresa fiscalizada efetuar a compensação relativa utilizandose dos créditos apurados por pessoas jurídicas diversa em razão de expressa vedação legal. Assim, fora considerado que a recorrente pretendeu compensar débitos próprios com créditos de terceiros, o que possui expressa vedação diante do comando legal do art. 74, § 12o, inciso II, alínea “a”, da Lei 9.430/96, a seguir: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) [...] 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no § 3o deste artigo; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) Pois bem, diante das premissas acima expostas, entendo que o presente caso não é justa e simplesmente um caso no qual a recorrente pretendeu compensar um crédito adquirido de terceiros via cessão, como ocorre em outra variedade de casos já analisados por esta Eg. Turma. Se trata de caso que possui nuance específica. E tal nuance, se justifica, exatamente pelo fato de que, relativamente ao pedido de compensação dos créditos que foram reconhecidos como indébito tributário nos autos da ação ordinária n. 94.00493690 existia uma ordem judicial expressa que autorizava livremente a sua negociação com terceiros. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Desta feita, entendo que aqui não deverá esta Turma analisar o caso única e exclusivamente sob a ótica da possibilidade de compensação ou não de créditos próprios com créditos de terceiros, mas avaliar, num primeiro momento, por se tratar de ponto nuclear da demanda, qual o efetivo alcance da ordem judicial emanada pelo Poder Judiciário e se diante de sua análise, poderseà considerar a cessão de créditos da empresa SERVPORT SERVIÇOS, PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA à recorrente como por ela abarcada e, conseqüentemente, válida. Digo isso até considerando que o próprio auditor fiscal, ao avaliar a cadeia de cessões, em momento algum chegou a questionar a validade da primeira cessão, ou seja, a da empresa SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS E PORTUÁRIOS LTDA para a empresa SERVPORT SERVIÇOS, PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA. A meu ver, a considerou válida, também para fins tributários, pois se do contrário fosse, certamente descaracterizaria toda a cadeia de cessões desde o seu nascedouro. Fato é que, a ordem judicial de cumprimento de sentença transitada em julgado deve obrigatoriamente ser acatada pela Receita Federal do Brasil, vejo eu, sem qualquer questionamento, nos exatos termos e condições em que proferida, pois descabe ao órgão administrativo qualquer juízo de valor sobre aquilo o que determinado pelo Poder Judiciário, sob pena, inclusive, de responsabilidade penal e administrativa. Ou seja, diante do comando da ordem judicial, deverá a autoridade administrativa competente dar o devido cumprimento àquilo o que fora determinado pelo Poder Judiciário. E no presente caso, a ordem judicial que busca a recorrente demonstrar que justifica a cessão de créditos mediante a qual levou a efeito o seu pedido de compensação, assim tem seu teor (fls. 65): “Às fls. 4.962/4.992 vem aos autos documentos públicos de cessão dos direitos creditórios decorrentes da presente demanda, com o fim de que o juízo seja cientificado da avenca realizada pelo autor com terceiros particulares. O INSS alega não ser obrigado a reconhecer os acordos realizados entre particulares, razão porque requer o desentranhamento dos documentos, por entender possuírem o defeito de tumultuar o andamento processual. [...] Manifestação do INSS às fls. 4.976/4.983, reiterando alegação, anterior, ao fundamento de falta de amparo legal para tolerância administrativa ao procedimento particular. Em adendo, comprova o conhecimento, por parte da autoridade administrativa, de sua iniciativa. Às fls. 5.100/5.116, traz documento comprobatório da impossibilidade de compensação com seus próprios débitos tributários, em função de seu movimento econômico nos últimos dois anos. É o relatório. Decido. [...] Mesmo que a norma, do recentíssimo diploma de 2002, já tenha sido revogada pelo art. 1° da Lei n° 10.677, de 22 de maio de Fl. 283DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.720209/201204 Acórdão n.º 2402004.093 S2C4T2 Fl. 276 9 2003, a inexistência de dispositivo que restaure a vigência da anterior disciplina juridicotributária nos termos do art. 2°, §§ 1 ° e 3D, da Lei de Introdução ao Código Civil, pelo chamado princípio da vedação à repristinação tácita faz concluirse pela ausência de regulamentação especifica do direito à compensação no que tange aos indébitos de natureza fiscal, especialmente o fim da autorização legal à normatização administrativa das condições e garantias à compensação, consoante a delegação prevista no art. 170 do C.T.N. Resta portanto, apenas a autorização legal genérica ao exercício do referido direito conferida pelos demais subsistentes artigos do Capítulo VII do Titulo 111 do Livro de Direito das Obrigações do Novo Código Civil, sem quaisquer restrições. Portanto, se agora não há nem como a autarquia ré querer impor restrições infralegais à compensação efetuada pelo particular, como outrora autorizado legalmente, quanto mais tentar. sob o pálio de principio público inaplicável à espécie, obstar a iniciativa do particular diante da inequívoca inexistência de proibição, em lei ou ato administrativo, à cessão de créditos assim declarados em provimento judicial definitivo de mérito. Isso porque se constata, a olhos vistos, que nem a derrogada Instrução Normativa INSS/DC n° 67/2002. nem a hoje plenamente vigente n. 100/2003, proíbem, expressa ou tacitamente, o procedimento intentado pela autora. Na atual INSS/DC n° 100, de 18 de dezembro de 2.003, diploma normativo que se propõe a regulamentar exaustivamente os procedimentos administrativos tributários sob a responsabilidade do INSS, consolidando 0~ congêneres arte.íoi es, â 'compensação é tratada nos arts. 201 a 205, sendo que as restrições ao s.eu uso são unicamente aquelas expressas nos arts. 202 e 203 que, como afirmado, calamse quanto à possibilidade de circulação dos créditos lá previstos. Retornando à disciplina do Direito Privado, única aplicável à espécie ainda mais dado o silêncio da normativa administrativa, vêse que o requisito de eficácia da cessão de crédito em relação ao autor é meramente a sua notificação (art. 29) do Novo Código Civil, ou 1069 do CC de 1916) A observância a tal requisito é caudalosamente comprovada nos autos pela juntada de extratos de consulta ao sistema de acompanhamento de processos administrativos no INSS, nos quais se atesta terem sido diretamente protocolados, e aceitos, autos administrativos comunicando, mediante regular acompanhamento da documentação correspondente, a transferência dos direitos creditícios a terceiros (p. ex., a fls. 5097/5098).. Adentrando em outros fundamentos utilizados pela autarquia em pretenso supedâneo a sua intenção obstativa não há como se entender o art. 123 do CTN no sentido trazido a fls. 4977. Trata se de norma referente ao pagamento do tributo típica do Direito Fl. 284DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Tributário. Não se aplica à repetição do indébito tributário, também instituto típico da disciplina fiscal. igualmente previsto no CTN. sem possuir, norma análoga. Muito menos á alienação de crédito oriundo de sentença judicial, matéria distante da principiologia tributária, como já visto. Da mesma forma, não há como se aplicar à espécie o § 4° do art. 66 da Lei 8.383/91, uma vez que a compensação lá disciplinada é aquela de cunho administrativo, aqui substituída por determinação judicial específica. Se ela não se pronunciou c.uanto à transferência a terceiro.~,. sua integração ao ordenamento jurídico nesse aspecto não se pode dar mediante a análise de instituto jurídico diferenciado, ainda que se entenda em vigor o mencionado parágrafo. [...] Concluindose pela inexistência de óbice à intenção do particular, a autorização para a homologação de seus negócios jurídicos,' já realizados, ou a se realizarem, advém também da própria necessidade de assegurar eficácia ao provimento judicial em seu.favor. As GPS de fls.. 5101/5114 demonstram a impossibilidade de se proceder à compensação como deferido no voto condutor, por não haver créditos tributários vincendos em montante que garanta o cumprimento do direito do particular. [...] De todo o exposto, DECLARO O DIREITO DE SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS; F MARITIMOS LTDA. a livremente negociar os direitos creditícios expressos no acórdão de fls. 4.815, dentro dos ditames dos arts. 286 e 298 do Código Civil de 2002, homologando as cessões de crédito trazidas aos autos, dispensandolhe, de fazêlo em relação àqueles remanescentes, cabendo à autoridade administrativa conferir a regularidade dos cálculos do principal e acréscimos moratórios, assim como a existência e liquidez dos créditos tributários vincendos empregados na compensação, assim considerados aqueles cuja data de vencimento seja posterior à de prolação do referido acórdão, não havendo que se respeitarem os direitos de terceiros sub judice mencionados na fundamentação. Dêse ciência ao INSS.” Referida decisão, proferida já após o trânsito em julgado da sentença na qual restou reconhecido o indébito, sobreveio diante dos pedidos de habilitação das cessões de crédito reconhecido em favor da SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS em favor de terceiros cessionários. Cabe ressaltar, que da fundamentação retro, bem como de sua parte dispositiva, verificase que a autarquia previdenciárias, no caso o INSS, teve plena participação nos autos, inclusive contrapondose à possibilidade de cessão dos créditos par fins de compensação relativamente a débitos de contribuições previdenciárias. A autarquia alegava que as cessões não poderiam produzir efeitos em relação a si. E tal fato se confirma na medida em que o Poder Judiciário ao analisar a possibilidade de cessão, fez alusão, como razões de decidir, não só ao art. 170 do CTN, mas também às disposições das IN/INSS 67/2002 e Fl. 285DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.720209/201204 Acórdão n.º 2402004.093 S2C4T2 Fl. 277 11 100/2003, além daquilo o que previsto sobre o assunto no art. 66 da Lei 8.383/91, concluindo que tais dispositivos não previam qualquer óbice ao procedimento adotado pela recorrente, no caso da cessão de seus créditos. Apenas para frisar, no que se refere ao art. 66 da Lei 8.383/91, depreendese da decisão que este restou afastado, tendo em vista que fora reconhecido, na oportunidade que o direito à compensação administrativo fora substituído por determinação judicial específica. Pois bem, a meu ver, a decisão não deixa dúvidas acerca de que a empresa SERVPORT SERVIÇOS MARÍTIMOS poderia levar a efeito livremente a cessão de seus créditos a terceiros, sobretudo relativamente às cessões que estavam juntadas nos autos do processo n. 94.00493690, sobre a qual a decisão expressamente se manifestou. Não obstante, também restou consignado na parte dispositiva, a meu entender, que outras cessões efetuadas, sequer necessitaram de homologação judicial, mas que também estariam autorizadas. Vejamos, mais uma vez o que restou consignado neste sentido: [...] DECLARO O DIREITO DE SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS; F MARITIMOS LTDA. a livremente negociar os direitos creditícios expressos no acórdão de fls. 4.815, dentro dos ditames dos arts. 286 e 298 do Código Civil de 2002, homologando as cessões de crédito trazidas aos autos, dispensandolhe, de fazêlo em relação àqueles remanescentes, cabendo à autoridade administrativa conferir a regularidade dos cálculos do principal e acréscimos moratórios Da análise de referido dispositivo, não vejo como deixar de considerar que ele expressamente se manifestou sobre a possibilidade de cessão dos créditos em relação às escrituras juntadas em referida ação e, ainda, relativamente às cessões do crédito remanescente no processo. De tal sorte, ainda considerando o teor de referida decisão, que digase de passagem, foi o que norteou as conclusões do auditor fiscal para levar a efeito o lançamento ora sob análise, dela verifico que o INSS participou de todo o processo de habilitação das cessões do crédito nos autos do processo judicial, tendo apresentado suas considerações de modo a demonstrar que tal documento não poderia ser oposto em seu desfavor, não sendo obrigado a aceitar as compensações que viessem a se originar de referidas cessões. Todavia, como se verifica da decisão, ressaltese, já proferida em sede de cumprimento de sentença, de modo a nortear a execução do julgado, neste quesito o INSS restou vencido. Vale ressaltar que restou vencido em decisão na qual se admitiu a validade da cessão considerado, ainda, que a legislação tributária, à época, não trazia qualquer óbice a compensação de créditos cedidos entre pessoas físicas ou jurídicas. A decisão manifestouse ainda, sobre o artigo 66 da Lei 8.383/91, a seguir: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período Fl. 286DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (Vide Lei nº 9.250, de 1995) § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) E sobre referido artigo disse que o mesmo, ao fazer alusão sobre a competência da Receita Federal e INSS para regulação de normas dirigidas a regular o direito de compensação, não deveria ser considerado, pois a sua aplicabilidade ficaria substituída pela compensação deferida nos limites e condições determinadas pelo Poder Judiciário, que, por fim, reconheceu que os créditos poderiam ser negociados livremente. Ou seja, se num processo judicial no qual se requereu a habilitação de escrituras de cessão, para fins de compensações tributárias, restou autorizado, após a análise das alegações de todas as partes envolvidas, a livre cessão dos direitos creditórios, não vejo como entender que havia qualquer limitação a negociação de tais valores, até porque a parte dispositiva é bastante clara no sentido de que as próximas cessões sequer haviam que ser homologadas. Além disso, foi deferido o direito dos créditos serem cedidos livremente, vocábulo este cujo significado é definido pelo dicionário da língua portuguesa Priberam como: 1. De modo livre. 2. Sem restrições ou limitações. Logo, a meu ver, não poderiam ser impostas quaisquer limitações à cessão dos créditos, mais ainda, em razão de que o instituto da cessão de créditos é plenamente válido, legal e expressamente regulado pelo Código Civil Brasileiro em seus arts. 286 e seguintes, a seguir: Art. 286. O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boafé, se não constar do instrumento da obrigação. Art. 287. Salvo disposição em contrário, na cessão de um crédito abrangemse todos os seus acessórios. O que depreendo da parte dispositiva do julgado é que se reconheceu a possibilidade de negociação dos créditos em si pela SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS E MARÍTIMOS LTDA, não havendo qualquer proibição para que viessem a Fl. 287DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.720209/201204 Acórdão n.º 2402004.093 S2C4T2 Fl. 278 13 ser novamente negociados por seus cessionários. Fato é que também não havia qualquer permissão para que os créditos viessem a ser negociados, mas, como já dito, tal conduta é plenamente possível diante do instituto da cessão de créditos prevista no Código Civil, acima transcrito. Além do mais, restou expresso que a negociação era livre. Em sendo livre, não vejo como transpor óbice ao seu cumprimento, mas tão somente em atender aquilo o que restou decidido pelo Poder Judiciário. Por conseguinte, a justificativa adotada pela fiscalização no presente processo como justificadora das glosas efetuadas não se sustenta, haja vista ter havido autorização judicial expressa permitindo a negociação dos créditos tributários na praça por parte da SERVPORT, livremente, não havendo, pois, que se falar, que diante do fato da ordem judicial não consignar que os cessionários poderiam levar a efeito novas cessões e negociações, estas estariam proibidas, sob pena de mitigação ao instituto da cessão de créditos previsto no Código Civil Brasileiro. Assim, se a recorrente adquiriu os referidos créditos da empresa SERVPORT SERVIÇOS, PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÃO DE BENS LTDA, cessionária da SERVPORT SERVIÇOS PORTUÁRIOS E MARÍTIMOS LTDA, tal fato não poderia ter sido adotado pela fiscalização para denegar o pedido de compensação requerido pela ora recorrente, que valeuse, a meu ver, daquilo o que bem ou mal fora autorizado pelo Poder Judiciário. Por outro lado, o que deveria ter sido realizado pela fiscalização e que não é objeto de discussão nos autos do presente processo, logo, não reconhecido em favor da recorrente, é qual seria o efetivo montante do crédito apurado e decorrente em seu favor da ação judicial n. 94.00493690, tãosomente, de modo a dar o devido cumprimento aquilo o que decidido pelo Poder Judiciário. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para julgar improcedente o lançamento. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 288DF CARF MF Impresso em 01/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11065.000406/2006-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
Ementa:
RESSARCIMENTO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS APURADAS PELO REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. ACRÉSCIMO DA TAXA SELIC. VEDAÇÃO.
Especificamente no caso da contribuição ao PIS e da COFINS apuradas pelo regime não-cumulativo, o ressarcimento de saldos credores admitido pelos artigos 5º, §§1º e §2º e 6º, §§1º e 2º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente, não se sujeita à remuneração pela Taxa SELIC em virtude de expressa vedação nesse sentido, contida nos artigos 13 e 15, da Lei nº 10.833/03.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, à unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Dilson Gerent, OAB/RS 22.484.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
BERNARDO MOTTA MOREIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real, Helder Massaaki Kanamaru e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: BERNARDO MOTTA MOREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, à unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Dilson Gerent, OAB/RS 22.484. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente. BERNARDO MOTTA MOREIRA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real, Helder Massaaki Kanamaru e Bernardo Motta Moreira.
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Correção Monetária. Recorrente SCHMIDT IRMÃOS CALÇADOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 Ementa: RESSARCIMENTO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS APURADAS PELO REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. ACRÉSCIMO DA TAXA SELIC. VEDAÇÃO. Especificamente no caso da contribuição ao PIS e da COFINS apuradas pelo regime nãocumulativo, o ressarcimento de saldos credores admitido pelos artigos 5º, §§1º e §2º e 6º, §§1º e 2º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente, não se sujeita à remuneração pela Taxa SELIC em virtude de expressa vedação nesse sentido, contida nos artigos 13 e 15, da Lei nº 10.833/03. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, à unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Dilson Gerent, OAB/RS 22.484. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. BERNARDO MOTTA MOREIRA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 04 06 /2 00 6- 58 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.000406/200658 Acórdão n.º 3301002.088 S3C3T1 Fl. 121 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real, Helder Massaaki Kanamaru e Bernardo Motta Moreira. Relatório Trata o presente processo pedido de Restituição/Declarações de Compensação no qual a interessada, no litígio endereçado à Delegacia de Julgamento em Porto Alegre, busca a incidência de juros calculados com base na taxa Selic sobre valores ressarcidos de Pis/Pasep e Cofins dentro da sistemática de nãocumulatividade destas contribuições. Segundo a Requerente, ela teria por atividade econômica principal a fabricação de calçados, exportando significativa parte de sua produção. Faria jus, assim, aos créditos do PIS e da COFINS referentes ao ressarcimento do PIS e da COFINS inclusos no preço das aquisições dos insumos destinados à produção, conforme o previsto nas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03. Narra que tais créditos foram apurados de acordo com a referida legislação e foram objetos de pedidos de ressarcimento, os quais foram analisados em vários processos administrativos, sendo os créditos restituídos ou compensados com tributos do contribuinte. Ocorre, contudo, que teria decorrido significativo lapso temporal entre o final dos trimestres em que os créditos foram constituídos e sua efetiva devolução e/ou compensação, que se deu por valores nominais, ou seja, sem qualquer atualização. Entende a Requerente, que, uma vez reconhecido o direito ao crédito, como o foi, em todos os processos administrativos que relacionou, este deveria ser atualizado monetariamente, desde as datas de encerramento de cada trimestre civil, pelos mesmos índices utilizados pela Fazenda Nacional para a atualização dos seus créditos tributários, inclusive com o acréscimo de juros de 1% ao mês, até a data da efetiva restituição ou compensação. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ/POA, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 Ementa: É vedada a incidência de juros compensatórios sobre os ressarcimentos de Pis/Pasep e Cofins, sendo inaplicável a taxa Selic sobre os créditos gerados pela sistemática da nãocumulatividade. Inconformada, a Recorrente apresentou recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: Fl. 121DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.000406/200658 Acórdão n.º 3301002.088 S3C3T1 Fl. 122 3 “2.1 Como antes posto, este processo administrativo teve origem no pedido de ressarcimento complementar de crédito presumido do IPI, vinculado a outros 12 processos, cujos valores foram ressarcidos ou tiveram a sua compensação homologada pelos correspectivos valores originais, sem a necessária complementação dos valores correspondentes à variação da Taxa SELIC. 2.2 Uma vez reconhecido o direito de crédito, como ocorreu relativamente aos 12 processos administrativos, é evidente que os seus valores deveriam ter sido acrescidos da variação da Taxa SELIC, desde as datas de encerramento de cada trimestre civil até a sua efetiva devolução e/ou compensação, pelos mesmos índices utilizados pela Fazenda Nacional para a atualização dos seus créditos tributários, inclusive com o acréscimo de juros de 1% no mês em que foi efetivada a restituição ou feita a compensação. 2.3 Basta observar o disposto no § 4º, do art. 39, da Lei n. 9.250/95, que determina a obrigatoriedade de ditos valores serem acrescidos, a partir de 10 de janeiro de 1996, de juros equivalentes taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. Isto, entretanto, não foi o que ocorreu. É o relatório. Voto Conselheiro Bernardo Motta Moreira O recurso é tempestivo e, observadas as demais formalidades aplicáveis, dele tomo conhecimento. Primeiramente, destacase que não há notícia nestes autos de que o direito à correção monetária ou aos juros tenha sido primeiramente pleiteado ou discutido nos autos originais, isto é, nos processos decorrentes dos pedidos de ressarcimento em questão. Inexistindo “litispendência” a respeito, nada impede, pois, que o debate seja travado neste segundo feito. Pois bem. Sobre este tema – aplicação de remuneração, pela Taxa SELIC, aos créditos de PIS e COFINS apurados pelo regime da nãocumulatividade e pretendidos em ressarcimento este Conselho já se manifestou em diversas oportunidades. Neste particular, é importante trazer à baila a regra contida no artigo 13, da Lei nº 10.833/03, aplicável também à contribuição ao PIS por imposição do artigo 15, inciso VI, da mesma lei. Eis o dispositivo: Fl. 122DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.000406/200658 Acórdão n.º 3301002.088 S3C3T1 Fl. 123 4 “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores”. Chama à atenção, na dicção do enunciado, a expressa menção aos §§ 1º e 2º do artigo 6º do próprio diploma, a significar que a restrição ao acréscimo de juros e correção monetária se estende, inclusive, em caso de aproveitamento dos créditos por meio de ressarcimento e compensação e durante o prazo de tramitação destes feitos. Daí porque, a meu sentir, não há como assegurar semelhante pretensão ao contribuinte postulante sem incorrer em inobservância do preceito em exame. Vale lembrar que, uma vez prevista expressamente em lei a vedação à correção pretendida pela Recorrente, não pode este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ignorar a referida vedação, sob pena de usurpar suas funções, que tem, em última análise, aferir a legalidade dos atos praticados pelos contribuintes. Como sabido, não pode este Conselho afastar aplicação de lei sob o argumento de que esta é incompatível com o ordenamento jurídico pátrio, sendo esta função exclusiva do Poder Judiciário. Inclusive, registrese que a orientação firmada pelo E. STJ, ao ensejo do julgamento do recurso especial nº 1.035.847 não induz à conclusão diversa, mesmo se considerarmos o quanto dispõe o artigo 62A do RICARF e que o julgado em questão foi produzido sob o rito do artigo 543C do CPC. Vejase: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA.INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em Fl. 123DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.000406/200658 Acórdão n.º 3301002.088 S3C3T1 Fl. 124 5 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Como se vê, a hipótese levada a julgamento no precedente em questão respeitava ao ressarcimento de créditos de IPI, tributo de cuja legislação não consta preceito que, tal qual o artigo 13 da Lei nº 10.833/03, vede expressamente o acréscimo de juros ou correção monetária ao principal. Concluise, assim, que ante circunstâncias normativas diversas, uma em que a legislação silencia sobre o direito à remuneração dos saldos credores pleiteados e a outra em que vigora expressa vedação a respeito, diversas também podem ser as soluções exegéticas possíveis. Aliás, a Súmula n° 411 da jurisprudência do E. STJ conduz, em verdade, à solução oposta, vez que o enunciado é categórico na referência aos créditos de uma espécie tributária em particular, o IPI. Eis o seu inteiro teor: “É devida a correção monetária ao creditamento de IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco.” Daí porque, em se tratando especificamente de ressarcimentos em matéria de PIS e COFINS nãocumulativos, é incabível a aplicação de correção monetária e de juros ao respectivo principal. Isso posto, nego provimento ao recurso. Bernardo Motta Moreira Relator Fl. 124DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11065.000406/200658 Acórdão n.º 3301002.088 S3C3T1 Fl. 125 6 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 06/01/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10580.720891/2009-31
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2802-000.055
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62- A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 27/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros. Em proveito ao valioso trabalho consubstanciado às fls. 157 e seguintes dos autos, perfeitamente elaborado pela Douta Delegacia da Receita Federal, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais valese da respectiva transcrição do relatório apresentado naquela oportunidade, a saber: “Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 147.746,44, Fl. 276DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720891/200931 Resolução n.º 2802000.055 S2TE02 Fl. 277 2 incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não representaram qualquer acréscimo patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001; b) o referido erro ocorreu no procedimento de conversão de cruzeiro real para URV a que eram submetidos os salários pagos aos membros do Ministério Público Estadual. Tal procedimento tinha o intuito de preservar o ganho mensal, compensando as perdas em face dos altos índices de inflação, o que evidencia a feição indenizatória da URV; c) o acordo para o pagamento das diferenças de URV se deu através da Lei Estadual Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, tendo o impugnante recebido tais valores ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006; d) a referida diferença consistiu apenas em correção do capital, ou seja, recomposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado. Não correspondeu a qualquer permuta do trabalho/serviço por moeda que configurasse a natureza salarial. Assim, por ser mera atualização do principal, e por não ter sido implementada em tempo certo, não deveria ser levada à tributação, Fl. 277DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720891/200931 Resolução n.º 2802000.055 S2TE02 Fl. 278 3 haja vista o entendimento doutrinário e jurisprudencial, que veda a tributação da correção monetária; e) a mera correção monetária não aumenta ou acresce patrimônio do contribuinte, apenas lhe torna indene das perdas inflacionárias, portanto, não integra a base de cálculo do imposto de renda; f) havia um evidente caráter compensatório da URV desde sua gênese, e as diferenças recebidas representaram uma reparação por danos, tendo clara natureza de indenização, e não de salário. Dessa maneira, por não caracterizar aumento patrimonial, a verba recebida não subsume nos conceitos de renda e proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; g) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda; h) apesar da citada resolução ter sido dirigida à magistratura federal, é impositiva e legítima a equiparação do tema por analogia às verbas recebidas pelos magistrados estaduais, conforme preceitua o art. 108 do CTN. Negar o caráter indenizatório destas verbas é afrontar o princípio constitucional da isonomia, não só na sua concepção geral, mas, também, no que tange a tratamento diferenciado entre membros do Ministério Público Federal da União e Estadual. Viola, também, o disposto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal que proíbe o tratamento desigual entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente; i) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória; j) o sujeito passivo da obrigação de tributária, na condição de responsável, era a fonte pagadora, que estava obrigada a reter o imposto. Desta forma, a discussão acerca da classificação dos rendimentos pagos deveria ser travada entre o fisco federal e a fonte pagadora. Entretanto, não se instaurou qualquer procedimento fiscal contra a fonte pagadora, mas sim contra o impugnante, que sofreu os dissabores e ônus da ação fiscal, inclusive com a imposição de multa de ofício e juros moratórios; l) de forma transversa o Estado Membro devedor da obrigação mensal de retenção não exauriu sua obrigação e gerou para o contribuinte o dever de pagar mais imposto; conseqüentemente o Estado se beneficia com os acréscimos que sua inação causou. Assim, ao lançar o tributo nos termos da autuação gera quebra da capacidade contributiva do signatário; m) o impugnante não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, simplesmente seguiu a informação prestada pela fonte pagadora, e fez constar em suas declarações de rendimentos relativas aos períodos bases de 2004 a 2006 as parcelas recebidas como isentas de Fl. 278DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720891/200931 Resolução n.º 2802000.055 S2TE02 Fl. 279 4 tributação. Isto posto, mantida a exigência fiscal, devese observar o princípio da boafé, da qual estava imbuído o impugnante, e afastar a exigência da multa de ofício e juros de mora; n) a informação prestada pela fonte pagadora estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Portanto, os valores declarados pelo impugnante tratase de informação lastreada em ato normativo expedido por autoridade administrativa, que se enquadra na hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Assim, de acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, devem ser afastados a multa de ofício e os juros de mora; o) o lançamento fiscal tributou isoladamente os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar os rendimentos e deduções já declarados, conforme determina o art. 837 do RIR/1999. Caso fosse mantida a tributação das verbas recebidas, caberia sujeitálas ao ajuste anual, o que resultaria em um imposto devido menor; p) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; q) parte dos valores recebidos a título de URV se referia à correção incidente sobre 13º salários e férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isentas, conseqüentemente, mesmo que prevalecesse o entendimento do órgão fiscalizador, caberia a exclusão de tais parcelas na apuração da base de cálculo sujeita ao lançamento fiscal; r) os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam um indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia;” Ato contínuo, em sessão de 03/03/2010, a 3ª Turma da DRJ/SDR, no Acórdão 1526.374, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, fundamentando que: (a)as diferenças reconhecidas através da Lei Complementar da Bahia n.º 20, tinham, em sua origem, natureza eminentemente salarial, por se incorporarem à remuneração dos membros do Ministério Público da Bahia, inclusive ressaltando a espontaneidade do contribuinte, que reconheceu a ocorrência do fato gerador do tributo; (b)o recebimento extemporâneo de referidas diferenças não altera a sua natureza, mesmo nos casos em que o beneficiário tenha sido obrigado a recorrer ao judiciário, e que o acordo tenha sido implementado mediante lei complementar; (c)independe a natureza do tributo conferida pelo Artigo 3º Lei Complementar da Bahia n.º 20, uma vez que prevalece a lei federal que regulamenta o imposto de renda; Fl. 279DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720891/200931 Resolução n.º 2802000.055 S2TE02 Fl. 280 5 (d)a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, sendo que as indenizações não desfrutam de isenção indistintamente, nos termos do Artigo 150, § 6º, CF/88; (e)o Artigo 55, inciso XIV, do RIR/99, determina que as indenizações estão sujeitas à tributação; (f)a Resolução nº 245, de 2002, do STF, não pode ser aplicada aos Membros do Ministério Público Estadual, pois que não se pode conferir isenção sem lei específica e nem por analogia, nos termos do inciso II, do Artigo 111, do CTN, sendo inextensível o âmbito de aplicação de tal Resolução, não havendo em que se falar em isonomia; (g)é de competência exclusiva da União a exigência do tributo e o lançamento fiscal em comento; (h)é cabível a aplicação da multa de ofício em percentual de 75%, uma vez que esta é fixada independentemente da boafé do impugnante, com fulcro no Artigo 136 do CTN, diferentemente da sanção prevista no inciso II, do Artigo 44, da Lei n.º 9.430/1996; e (i)inaplicável o artigo 100 do CTN ao caso, haja vista que os informes de rendimentos fornecidos pelo Ministério Público Estadual não tem caráter normativo e nem a autoridade administrativa emitente teria competência para versar sobre a matéria em comento. Regularmente intimado (fl. 163), o Contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário (fls. 165/256), repisando os argumentos contidos na Impugnação e requerendo a reforma do Acórdão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal, a fim de que seja cancelado o débito fiscal, alegando (i) natureza indenizatória da URV; (ii) violação ao Princípio da Isonomia Tributária; (iii) reconhecimento da verba indenizatória da URV na esfera estadual, considerando ter havido tal entendimento na esfera federal, ao Membros do Ministério Público; (iv) da incorreção das alíquotas utilizadas pela Autoridade Fiscal; (v) inobservância de deduções aplicáveis; (vi) responsabilidade da fonte pagadora e não do contribuinte; (vii) exclusão da multa de ofício e dos juros de mora; É o relatório. Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Preliminarmente, observo que a hipótese do lançamento de ofício de Imposto de Renda Pessoa Física contempla rendimentos recebidos de forma acumulada, matéria que se encontra pendente de julgamento ao qual se atribuiu repercussão geral, conforme decisão nos autos do Recurso Extraordinário número 614232, cuja ementa segue abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão Fl. 280DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720891/200931 Resolução n.º 2802000.055 S2TE02 Fl. 281 6 geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. Voto no sentido de sobrestar o julgamento até decisão do pretório Excelso sobre o tema. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Fl. 281DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 13987.000094/2003-63
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/1998
IMPUGNAÇÃO A LANÇAMENTO ELETRÔNICO. NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO NÃO EXAMINADA PELA PRIMEIRA INSTÂNCIA.
Realidade em que a primeira instância de julgamento não examinou a documentação acostada pelo sujeito passivo nem acolheu seu pedido de diligência, eis que a decisão considerou como decaído o direito de pleitear a compensação, questão superada pelo colegiado de segunda instância.
Necessidade de remessa dos autos à instância a quo para que esta se pronuncie sobre a legitimidade da parte do lançamento que remanesce em litígio frente à documentação acostada aos autos pela recorrente, que em nenhum momento foi analisada pela autoridade administrativa.
Recurso a que se dá parcial provimento para exonerar a parte do crédito tributário correspondente ao período em que o direito da Fazenda Pública já havia decaído, devendo os autos ser remetidos à instância recorrida para que esta se manifeste sobre a legitimidade da parte do lançamento subsistente.
Prejudicial de mérito materializada em relação a parte dos créditos tributários objeto do litígio.
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. COMPENSAÇÃO OU REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PRAZO PARA REQUERIMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 4º, SEGUNDA PARTE, DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. INTERPRETAÇÃO DITADA PELO ARTIGO 3º DA REFERIDA NORMA. APLICAÇÃO UNICAMENTE A PROCESSOS FORMALIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. HIPÓTESE NÃO MATERIALIZADA NOS AUTOS. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Com a declaração da inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, a aplicação da interpretação ditada pelo artigo 3o da referida norma (prazo de 5 anos para se pleitear a restituição) passou a ser considerada válida, unicamente, para os processos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005.
Realidade em que o sujeito passivo informou nas DCTF do primeiro e do segundo trimestres de 1998, entregues respectivamente em 06/05/1998 e em 31/07/1998, a título de pagamentos realizados mediante DARF, valores que entendeu correspondiam a direito creditório pelo aduzido recolhimento a maior do PIS nos anos de 1990 e 1991. À época da transmissão das DCTF ainda não vigorava a interpretação de que trata o artigo 3o da Lei Complementar nº 118/05, segundo a qual, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário ocorre no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do CTN.
Prescrição que não restou caracteriza, uma vez que a compensação a que se reporta a interessada, ressalvada qualquer manifestação quanto à sua legitimidade, se deu dentro do prazo de 10 anos admitido pela tese dos 5 + 5 anos pavimentada pelo STJ (5 anos para a homologação tácita do lançamento - artigo 150, § 4º, do CTN -, mais 5 anos para se pleitear a restituição - artigo 168, I, c/c 156, VII, do CTN).
Numero da decisão: 3802-003.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1998 a 31/05/1998 PIS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO MATERIALIZADO. DIES A QUO PARA A CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL. DATA DO FATO GERADOR. DECADÊNCIA DO DIREITO DA FAZENDA PÚBLICA. As contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social CSLL, COFINS e PIS/PASEP , diante da obrigatoriedade legal que exige a antecipação de seu recolhimento sem o prévio exame da autoridade administrativa, se enquadram como tributos sujeitos a lançamento por homologação, nos termos do artigo 150 do Código Tributário Nacional. De acordo com referido artigo, para que se configure o lançamento por homologação é requisito indispensável o recolhimento do tributo, caso em que o sujeito passivo antecipase à atuação da autoridade administrativa. Dessa forma, somente se sujeitam às normas aplicáveis ao lançamento por homologação os créditos tributários satisfeitos pela via do pagamento. Diante da constatação de pagamento antecipado, mesmo que parcial, a contagem do prazo decadencial deverá observar a regra prescrita no artigo 150 do CTN, cujo § 4º estabelece o prazo de cinco anos para a homologação, a contar da ocorrência do fato gerador. Referida regra, diante da inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei no 8.212/91, proclamada na Súmula Vinculante no 8, vale integralmente para as referenciadas contribuições sociais. Transcorrido o prazo qüinqüenal para a constituição dos créditos tributários sujeitos a lançamento por homologação deverá ser declara a decadência, posto que já extinto o próprio direito que vigorava em favor da Fazenda Pública quando da formalização do auto de infração. Prejudicial de mérito materializada em relação a parte dos créditos tributários objeto do litígio. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 7. 00 00 94 /2 00 3- 63 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. COMPENSAÇÃO OU REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PRAZO PARA REQUERIMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 4º, SEGUNDA PARTE, DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. INTERPRETAÇÃO DITADA PELO ARTIGO 3º DA REFERIDA NORMA. APLICAÇÃO UNICAMENTE A PROCESSOS FORMALIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. HIPÓTESE NÃO MATERIALIZADA NOS AUTOS. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Com a declaração da inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, a aplicação da interpretação ditada pelo artigo 3o da referida norma (prazo de 5 anos para se pleitear a restituição) passou a ser considerada válida, unicamente, para os processos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Realidade em que o sujeito passivo informou nas DCTF do primeiro e do segundo trimestres de 1998, entregues respectivamente em 06/05/1998 e em 31/07/1998, a título de pagamentos realizados mediante DARF, valores que entendeu correspondiam a direito creditório pelo aduzido recolhimento a maior do PIS nos anos de 1990 e 1991. À época da transmissão das DCTF ainda não vigorava a interpretação de que trata o artigo 3o da Lei Complementar nº 118/05, segundo a qual, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário ocorre “no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150” do CTN. Prescrição que não restou caracteriza, uma vez que a compensação a que se reporta a interessada, ressalvada qualquer manifestação quanto à sua legitimidade, se deu dentro do prazo de 10 anos admitido pela tese dos 5 + 5 anos pavimentada pelo STJ (5 anos para a homologação tácita do lançamento artigo 150, § 4º, do CTN , mais 5 anos para se pleitear a restituição artigo 168, I, c/c 156, VII, do CTN). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/1998 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS OU INDEVIDOS. DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NECESSIDADE. “Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício.” (Súmula Carf nº 52). Os débitos declarados em DCTF vinculados a créditos não comprovados ou indevidos, nos termos do art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, devem ser objeto de lançamento de oficio. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/1998 IMPUGNAÇÃO A LANÇAMENTO ELETRÔNICO. NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO NÃO EXAMINADA PELA PRIMEIRA INSTÂNCIA. Realidade em que a primeira instância de julgamento não examinou a documentação acostada pelo sujeito passivo nem acolheu seu pedido de diligência, eis que a decisão considerou como decaído o direito de pleitear a compensação, questão superada pelo colegiado de segunda instância. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13987.000094/200363 Acórdão n.º 3802003.311 S3TE02 Fl. 128 3 Necessidade de remessa dos autos à instância a quo para que esta se pronuncie sobre a legitimidade da parte do lançamento que remanesce em litígio frente à documentação acostada aos autos pela recorrente, que em nenhum momento foi analisada pela autoridade administrativa. Recurso a que se dá parcial provimento para exonerar a parte do crédito tributário correspondente ao período em que o direito da Fazenda Pública já havia decaído, devendo os autos ser remetidos à instância recorrida para que esta se manifeste sobre a legitimidade da parte do lançamento subsistente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ Porto Alegre (fls. 70/75 do arquivo digital acostado ao eprocesso), a qual, por unanimidade de votos, deu parcial provimento à impugnação formalizada pelo sujeito passivo, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/1998 PAGAMENTO INDEVIDO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. TERMO DE INÍCIO DO PRAZO DECADENCIAL. O prazo de decadência do direito à compensação de créditos originados de pagamento indevido de tributos tem seu termo inicial na data da extinção do crédito tributário, que se dá com (sic) no instante em que se realiza o pagamento indevido. DIREITO CREDITÓRIO. INEXISTÊNCIA. Não havendo comprovação de pagamento indevido, não há como homologar a compensação declarada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 129DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/1998 MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. Em face do princípio da retroatividade benigna, consagrado no CTN, deve se cancelar a multa de ofício aplicada, ante o advento de norma tributária com aplicação retroativa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/1998 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de solicitar a realização de perícias, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo aquela ser indeferida por prescindível ou impraticável. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em conseqüência do julgamento em tela foi afastada a multa de ofício de 75%, tendo sido mantido o valor principal do tributo, acrescido de juros de mora. A lavratura do auto de infração decorreu dos fatos descritos no relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito: Trata o presente processo de lançamento eletrônico em decorrência de auditoria interna de DCTF, para a qual foi apurada falta de recolhimento de PIS referente a períodos de apuração entre 0101/1998 e 0106/1998, eis que não foram localizados alguns dos pagamentos correspondentes aos débitos declarados, conforme constou do Auto de Infração e seus anexos. Não constou informação acerca da ciência da contribuinte. Em 01/08/2003 a contribuinte apresentou impugnação. De forma sintética, nela referiu que não deixou de pagar a contribuição como mencionado na autuação, tendo procedido à compensação com créditos que possuía da mesma exação (PIS), proceder que foi desconsiderado pela Fiscalização. Disse que seu procedimento não está relacionado com falta de pagamento, mas sim com a compensação de créditos efetuada com observância das normas aplicáveis à matéria. Alegou ter compensado valores indevidos de PIS, resultantes da declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, dos Decretoslei nºs 2.445 e 2.448, de 1988 (introduziram modificações na LC nº 07/1970) diretamente em sua escrita fiscal (competências fevereiro, março, abril, maio e junho de 1998). Referiu entender que a compensação de tributos tem natureza meramente administrativa, cabendo ao contribuinte que recolheu valores a maior registrálos em sua escrita fiscal, que ficará à disposição do Fisco para averiguação da regularidade do procedimento. Disse não haver qualquer necessidade de requerimento de autorização à Receita Federal para proceder a compensação, eis que os créditos e débitos compensados são da mesma espécie e que somente a compensação entre créditos e débitos de espécies diferentes é que necessitava de prévia autorização. Referiu ter feito incidir correção monetária sobre os valores indevidos, por estar amparado pela jurisprudência reiterada e uniforme de tribunais, especialmente dos Tribunais Regionais Federais e STJ. Entendeu que a multa aplicada era confiscatória. Solicitou realização de perícia contábil e indicou quesitos. Fez seus pedidos. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13987.000094/200363 Acórdão n.º 3802003.311 S3TE02 Fl. 129 5 A ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 24/01/2014 (v. 79/81). Inconformado, o sujeito passivo apresentou, em 21/02/2014 (fls. 82), o recurso voluntário de fls. 82/97, onde ressalta o seguinte: a) que a decisão de primeira instância seria nula por cerceamento ao direito de defesa da recorrente, uma vez que não foi deferido o pedido de perícia técnica para atestar a legitimidade da compensação realizada em sua contabilidade; b) que a recorrente teria direito a créditos decorrentes de recolhimentos indevidos do PIS realizados na sistemática dos Decretosleis nos 2.445/88 e 2.449/88; e, c) que, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a contagem do prazo para a recuperação de indébitos tributários só começaria a fluir depois de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Diante do exposto, requer a reclamante seja dado provimento à preliminar de nulidade suscitada, ou, alternativamente, seja reformada a decisão guerreada considerando legítimas as compensações realizadas, tese que, acaso não seja acolhida, remete a pedido de redução do patamar da multa aplicada para o equivalente a multa de mora. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Da Admissibilidade do recurso O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Não será apreciado, contudo, o pedido de redução da multa aplicada contra a interessada, uma vez que, conforme relatado, aludido pleito já foi acolhido pela primeira instância, a qual afastou a multa de ofício de 75%, tendo mantido unicamente o valor principal do tributo, acrescido de juros de mora. Isso pode ser confirmado no extrato do processo acostado às fls. 76/77. Contribuições sociais. Contagem do prazo decadencial. Pagamento antecipado demonstrado. Prejudicial de exame do mérito em relação a parte dos créditos tributário objeto do litígio. Antes de nos debruçarmos sobre a legitimidade da compensação realizada pelo sujeito passivo, examinemos, por ser questão de ordem pública, se o lançamento ocorreu dentro do prazo legalmente previsto. As contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social – CSLL, COFINS e PIS/PASEP –, diante da obrigatoriedade legal que exige a antecipação de seu recolhimento sem o prévio exame da autoridade administrativa, se enquadram como tributos Fl. 131DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 sujeitos a lançamento por homologação, nos termos do artigo 150 do Código Tributário Nacional – CTN. De acordo com referido artigo, para que se configure o lançamento por homologação é requisito indispensável o recolhimento do tributo, caso em que o sujeito passivo antecipase à atuação da autoridade administrativa. Dessa forma, somente se sujeitam às normas aplicáveis ao lançamento por homologação os créditos tributários satisfeitos pela via do pagamento. Em outras palavras, o CTN condiciona a contagem do prazo, tal como definida no artigo 150, ao efetivo pagamento do tributo. Essa conclusão está em sintonia com o § 1º do mesmo dispositivo, segundo o qual “o pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento”. Sobre essa questão Luciano Amaro ensina o seguinte1: Na prática, o “dever de antecipar o pagamento” significa que o sujeito passivo tem o encargo de valorizar os fatos à vista da norma aplicável, determinar a matéria tributável, identificarse como sujeito passivo, calcular o montante do tributo e pagálo, sem que a autoridade precise tomar qualquer providência. E o lançamento? Este – diz o Código Tributário Nacional – operase por meio do ato da autoridade que, tomando conhecimento da atividade exercida pelo devedor, nos termos do dispositivo, homologaa. A atividade aí referida outra não é senão a de pagamento, já que esta é a única providência do sujeito passivo tratada no texto. Melhor seria falar em “homologação do pagamento”, se é isso que o Código parece ter querido dizer. (grifo nosso) Como conseqüência, não havendo pagamento, não há o que se homologar, e, nesse caso, a extinção do crédito tributário não ocorre após o decurso do prazo definido no § 4º do artigo 150 do CTN, sujeitandose, então, à regra geral prevista no artigo 173, inciso I, do mesmo diploma legal, aplicável também se demonstrada fraude ou simulação (cujo conceito envolve o dolo). Em tais hipóteses, o dies a quo para contagem do prazo decadencial corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ter sido lançado. Essa questão, inclusive, já foi examinada pelo STJ no âmbito do REsp 973.733SC, acórdão o qual foi submetido ao regime do artigo 543C do CPC, portanto, de observação obrigatória pelos conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A de seu Regimento Interno (Portaria MF nº 256, de 22/06/2009 – dispositivo inserido pela Portaria MF no 586/2010). Com efeito, referido julgado está em sintonia com a fixação do dies a quo para a contagem do prazo decadencial nos termos acima defendidos, conforme se observa de seu teor: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1 Direito Tributário Brasileiro. 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2007, p. 364/365. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13987.000094/200363 Acórdão n.º 3802003.311 S3TE02 Fl. 130 7 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (Destaques do original) No que concerne à contagem do prazo decadencial para a constituição de créditos tributários alusivos ao PIS – objeto específico da lide – há ainda uma observação que merece ser contemplada. Assim como a CSLL e a COFINS, o PIS é uma das contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social, ex vi da alínea “d” do parágrafo único do artigo 11 da Fl. 133DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 8 Lei nº 8.212, de 24/07/1991, bem como do inciso VI do parágrafo único do artigo 195 do Decreto nº 3.048, de 06/05/1999 (Regulamento da Previdência Social). Com respeito às contribuições em tela, estabelecia o artigo 45 da Lei nº 8.212/91 que o direito de constituir o crédito tributário extinguirseia em dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Portanto, aludido dispositivo se contrapunha ao prazo decadencial de 5 anos estipulado no § 4º do artigo 150 do CTN, divergindo, também, em relação à sistemática que o Código Tributário prescreve para a fixação do termo de início a partir do qual o decurso do referido prazo deve ser examinado – já que fixava indefinidamente como dies a quo para a contagem do prazo decadencial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, em respeito ao princípio constitucional da reserva de lei complementar, no qual se fundou sólida jurisprudência judicial e administrativa, o Supremo Tribunal Federal aprovou, em 12/06/2008 (DOU de 20/06/2008), a Súmula Vinculante no 8, segundo a qual “são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Com efeito, o reconhecimento da natureza tributária das contribuições sociais, por força do artigo 195 da Constituição Federal, implicou sua subsunção à regra inserta no artigo 146, III, “b”, da mesma lei maior, onde se exige que o estabelecimento de normas gerais sobre decadência e prescrição tributárias se dê mediante a edição de lei complementar. Assim, definida a inconstitucionalidade formal dos dispositivos da Lei no 8.212/91 acima citados, válido, também para as contribuições sociais, as regras de prescrição e decadência estabelecidas pelo Código Tributário Nacional, já comentadas acima. Releva ressaltar por fim que os artigos 45 e 46 da Lei no 8.212/91 foram expressamente revogados pelo artigo 13, inciso I, alínea “a”, da Lei Complementar no 128, de 19/12/2008. O caso presente envolve a exigência do PIS de competência do período de janeiro a junho de 1998. Em relação a referido período, houve, sim, recolhimento parcial em todos os meses correspondentes (código de receita 8109), conforme se observa no RELATÓRIO DE AUDITORIA INTERNA DE PAGAMENTOS INFORMADOS NA DCTF (fls. 22/23), DARF acostados aos autos (fls. 52) e extrato de consulta ao sistema SINAL09 (fls. 54), informações as quais estão consolidadas na tabela abaixo: Competência Vencimento Data do pagamento Valor recolhido Fls. e processo jan/1998 13/02/1998 10/02/1998 92,00 23, 52 e 54 fev/1998 13/03/1998 10/03/1998 163,14 23, 52 e 54 mar/1998 15/04/1998 07/04/1998 132,47 23, 52 e 54 abr/1998 15/05/1998 08/05/1998 174,08 22 e 54 maio/1998 15/06/1998 10/06/1998 272,48 22 e 54 jun/1998 15/07/1998 10/07/1998 367,89 22 e 54 Em vista do pagamento antecipado, aplicase, ao caso, a contagem do prazo decadencial prescrita no § 4º do artigo 150 do CTN, ou seja, de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13987.000094/200363 Acórdão n.º 3802003.311 S3TE02 Fl. 131 9 O lançamento só foi formalizado em 02/07/2003 (conforme AR de fls. 67), data da ciência do auto de infração nº 0001239 (fls. 20/27). Diante disso, e considerando o prazo de 5 anos prescrito pelo CTN para a extinção do direito à constituição do crédito tributário, temse que, quando da formalização do lançamento, aludido direito já se encontrava definitivamente extinto pela decadência em relação ao PIS de competência dos meses de janeiro a maio de 1998. Em vista da decadência parcial, há que se afastar, de pronto, a exigência relativa ao período acima citado, sobre a qual não mais se faz necessária nenhuma consideração em vista da materialização da prejudicial de mérito reportada. Resta analisar, portanto, a parte da lide correspondente ao mês de junho de 1998, no montante de R$ 1.286,48 (valor principal), devendo darse provimento ao recurso, de pronto, quanto aos créditos tributários de competência dos meses de janeiro a maio de 1998. Por fim, contrariamente ao entendimento exarado pela instância recorrida, resta destacar que, diante das datas em que foram protocolizadas as DCTF (06/05/1998 e 31/07/1998), era indispensável o lançamento de ofício para constituir o crédito tributário decorrente de compensações indevidas, como, aliás, dispõe a Súmula nº 52 do CARF, abaixo transcrita: Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de DCTF, ensejam o lançamento de ofício. Com efeito, considerando o disposto no artigo 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24/08/2001, era necessário o lançamento de ofício uma vez que somente o saldo a pagar declarado em DCTF, ou seja, aquele declarado como devido e não vinculado a qualquer crédito, seria objeto de confissão de dívida: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Nesse sentido, o seguinte julgado deste Colegiado: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS OU INDEVIDOS. DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO DÉBITO DECLARADO. “Os tributos objeto de compensação indevida formalizada em Pedido de Compensação ou Declaração de Compensação apresentada até 31/10/2003, quando não exigíveis a partir de Dctf, ensejam o lançamento de ofício.” (Súmula Carf nº 52). Os débitos declarados em Dctf vinculados a créditos não comprovados ou indevidos, nos termos do art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, devem ser objeto de lançamento de oficio. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 10 DECADÊNCIA. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. A decadência do crédito tributário é matéria de ordem pública e pode ser conhecida de ofício. Precedentes do Carf. TERMO INICIAL. PRAZO DECADENCIAL. TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos lançados por homologação, tendo havido pagamento antecipado pelo sujeito passivo, o termo inicial submetese ao § 4º do art. 150 do CTN. Interpretação pacificada pelo STJ no Resp nº 973.733/SC, julgado no regime do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do Regimento Interno do Carf. Extinção dos créditos tributários reconhecida. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. EFEITO SUSPENSIVO. AUSÊNCIA. MP Nº 135/2003. PARECER PGFN Nº 1.499/2005. A manifestação de inconformidade do sujeito passivo apresentada antes da vigência da Medida Provisória nº 135/2003 é destituída de efeito suspensivo. Recurso Voluntário Provido (Processo nº 13830.001069/9806. Acórdão nº 3802000.904. Data da sessão: 21/03/2012. Decisão unânime. Relator: Solon Sehn) Do prazo para a repetição de indébitos de tributos sujeitos a lançamento por homologação. Inocorrência de prescrição do direito. Delimitada a amplitude da lide em vista da decadência parcial do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito pelo lançamento, examinemos primeiramente se a “compensação” a que alude a interessada foi formalizada dentro do prazo legal. A forma de contagem do prazo para se requerer a repetição de indébito tributário foi definida pelo Supremo Tribunal Federal na sessão plenária de 04/08/2011, que julgou o Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, o qual substituiu o RE nº 561.908 como paradigma na repercussão geral, tendo o STF, na ocasião, assentado ser inconstitucional o artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005, considerando válida a aplicação da interpretação ditada pelo artigo 3o da referida norma (prazo de 5 anos para se pleitear a restituição) tãosomente para os processos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Referido acórdão foi assim ementado: DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR NO 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4o, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13987.000094/200363 Acórdão n.º 3802003.311 S3TE02 Fl. 132 11 Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4o, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3o, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Com isso, para períodos anteriores, deverá ser aplicada a orientação consolidada na Primeira Seção do STJ, segundo a qual, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação – como é o caso do PIS –, o prazo para repetição ou compensação do indébito é de 10 anos, contados do seu fato gerador (aplicação combinada dos artigos 150, § 4o, 156, VII, e 168, I, todos do CTN). No caso concreto, os supostos pagamentos a maior ocorreram no período de 02/07/1990 e 01/07/1991 (vide LISTAGEM DE CRÉDITOS A RECUPERAR – fls. 28/39), e as DCTF onde os créditos reclamados foram informados como recolhimentos mediante DARF foram apresentadas em 06/05/1998 e em 31/07/1998. Portanto, o pleito de compensação, ressalvado no presente momento qualquer comentário acerca de sua legitimidade, se deu dentro do prazo de 10 anos admitido pela tese dos 5 + 5 pavimentada pelo STJ (5 anos para a homologação tácita do lançamento – artigo 150, § 4º, do CTN –, mais 5 anos para se pleitear a restituição – artigo 168, I, c/c 156, VII, do CTN). Assim, uma vez demonstrado que o direito alegado pela recorrente não se encontrava prescrito, passase para o exame das demais questões de mérito do pedido, que, dada a decadência parcial do direito de a Fazenda Nacional formalizar o lançamento, estão Fl. 137DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 12 restritas ao crédito tributário de competência do mês de junho de 1998, conforme demonstrado no tópico anterior. Da necessidade de retorno dos autos à instância recorrida para sua manifestação quanto à parte do crédito tributário remanescente A primeira instância de julgamento indeferiu o pedido de perícia formulado pelo sujeito passivo, eis que “já houve análise de documentação, demonstrativos e declarações pela autoridade anterior”. Assim, considerou o pedido de perícia “prescindível para o deslinde das questões apresentadas no presente processo”, onde “se encontram todos os elementos que determinaram a livre convicção do julgador, observandose, ademais, que não restam dúvidas materiais que demandem, obrigatoriamente, a ajuda de um perito para o seu deslinde”. É importante ressaltar que o colegiado a quo entendeu que “[...] já se encontrava decaído o direito de pleitear restituição/compensação quando da apresentação das DCTF [...]”, veredicto com o qual discordamos pelas razões acima apresentadas. Com efeito, nessa conjuntura, dispensável seria qualquer exame adicional quanto à documentação acostada pelo sujeito passivo. Superada, contudo, a decadência do direito de a interessada pleitear a compensação dos créditos que alega em seu favor, e restando evidente que o auto de infração, por ser eletrônico, não considerou os documentos acostados aos autos pela reclamante, necessário seja examinado se, nos autos, há elementos suficientes para a comprovação do indébito tributário, a fim de conceder ao sujeito passivo pleno direito de defesa. Nessa seara, consta, às fls. 28/39, a listagem dos créditos a recuperar elaborada pelo sujeito passivo. Restringindo o exame ao crédito tributário de competência do mês de junho de 1998, já que todo o restante deverá ser exonerado em função da decadência do direito de a Fazenda Pública formalizar o lançamento, conforme ressaltado, temos, às fls. 39, o demonstrativo do crédito reclamado pelo sujeito passivo, no montante de R$ 1.286,48, ou seja, exatamente o valor do principal lançado correspondente ao aludido período (vide fls. 24). Diante do exposto, para não caracterizar a supressão de instância, e considerando que em nenhum momento foram apreciados os documentos anexados pela reclamante, impende sejam os autos devolvidos à DRJ recorrida para que esta se manifeste sobre a legitimidade do crédito alegado pela suplicante em relação ao mês de junho de 1998, e, consequentemente, sobre a legitimidade do lançamento correspondente, devendo ser tratada como superada a questão da inexistência de decadência do direito de se pleitear a compensação, bem como o fato de que, quando da formalização do lançamento, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito já se encontrava definitivamente extinto pela decadência em relação ao PIS de competência dos meses de janeiro a maio de 1998. Da conclusão Por todo o exposto, voto para dar parcial provimento ao recurso, no seguinte sentido: a) para que seja exonerado o crédito tributário em relação aos débitos do PIS de competência dos meses de janeiro a maio de 1998, uma vez demonstrada a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativamente a aduzido período; Fl. 138DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13987.000094/200363 Acórdão n.º 3802003.311 S3TE02 Fl. 133 13 b) para que os autos sejam devolvidos à instância recorrida a fim de que esta se manifeste sobre a legitimidade do crédito alegado pela suplicante em relação ao mês de junho de 1998, ou seja, à parte do crédito tributário que remanesce em litígio; e, c) tratar como superada a questão da inexistência de decadência do direito de se pleitear a compensação, uma vez demonstrado que subsistia tal direito à época da apresentação das DCTF. Sala de Sessões, em 22 de julho de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 139DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 11080.008736/2002-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1997
DCTF. RECOLHIMENTO NÃO LOCALIZADO. ERRO DE PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, constatado erro no seu preenchimento e comprovando-se que todo o valor de IPI supostamente devido já foi integralmente recolhido pela filial, o cancelamento da autuação fiscal é medida que se impõe.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-002.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, à unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Paulo Ayres Barreto, OAB/SP 80.600.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente.
BERNARDO MOTTA MOREIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: BERNARDO MOTTA MOREIRA
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RECOLHIMENTO NÃO LOCALIZADO. ERRO DE PREENCHIMENTO. COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, constatado erro no seu preenchimento e comprovandose que todo o valor de IPI supostamente devido já foi integralmente recolhido pela filial, o cancelamento da autuação fiscal é medida que se impõe. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, à unanimidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Paulo Ayres Barreto, OAB/SP 80.600. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. BERNARDO MOTTA MOREIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Andrada Márcio Canuto Real e Bernardo Motta Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 87 36 /2 00 2- 70 Fl. 1696DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.008736/200270 Acórdão n.º 3301002.157 S3C3T1 Fl. 1.697 2 Relatório Em auditoria interna de Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF) de que tratam a IN SRF n° 045, de 1998, e a IN SRF nº 077, de 1998, foi constatada a falta de pagamento, relativamente ao ano de 1997, consoante capitulação legal consignada à fl. 31 (quadro 10 do auto de infração) e, então, foi lavrado o auto de infração para exigir R$ 758.943,47, inclusos juros e multa. Inconformada, em 19.06.2002, a Recorrente apresentou Impugnação contra o Auto em referência, com a alegação de que recolheu esses valores, e informou que a lavratura do Auto é improcedente por erro ou ausência de processamento do pagamento. Também pelo fato da constatação ser executada por processamento eletrônico. Apresentou DARF anexada demonstrando o pagamento (fls. 24/27). A DRJ de Ribeirão Preto/SP, em 17.11.2006, analisou a Impugnação e a documentação colacionada, e concluiu que os pagamentos efetuados pela Interessada não foram suficientes para liquidar o débito informado na DCTF. Constatou também, que as cópias dos DARFs em que constam os pagamentos, referemse a débitos das filiais da empresa e não ao débito lançado nos autos, embora sejam em valores iguais aos lançados no presente processo. Eis a ementa da decisão: DCTF. FALTA DE PAGAMENTO. Não comprovado o pagamento do imposto, mantémse a exigência, que deverá ser recolhida juntamente com os acréscimos legais. Insatisfeita, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 49/60), solicitando a reforma da decisão proferida, para declarar improcedente o lançamento, consequentemente a extinção do credito tributário. Segundo a Recorrente, o acórdão da DRJ não poderia prevalecer, “uma vez que os valores ora exigidos não pertencem à matriz, mas sim à filial da Recorrente, conforme comprovam os documentos em anexo” e “os referidos valores estão vinculados à filial da Recorrente, e não à matriz, em que pese terem sido informados na DCTF do 4° trimestre de 1997, como vinculados ao CNPJ da matriz, referemse na verdade à filial, de CNPJ 93.088.342/000358”. Informa também, “que a matriz não era devedora de IPI, no período em tela, é a ausência de DIPI no CNPJ da Matriz, conforme atestado pela Receita” além de “que a declaração de tais valores na DCTF da matriz não passou de um equívoco, assim sendo procedente a retificação de sua DCTF, para excluir os valores de: R$ 37.154,96; R$ 60.382,70; R$ 106.546,56 e R$ 85.910,94 os quais foram declarados na DCTF da filial, verdadeira titular dos débitos”. Reconheceu, que num primeiro momento forneceu informações e, num segundo momento, retificouas. Indaga, portanto: “já que o Fisco acatou a existência das primeiras informações, como poderia desconsiderar a retificação?”. Fl. 1697DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.008736/200270 Acórdão n.º 3301002.157 S3C3T1 Fl. 1.698 3 Em suma, rebate com a linha de raciocínio de que não há fundamento jurídico algum, para que o Fisco considere as informações “A” e desconsidere as informações “B”, sendo que ambas foram fornecidas pela própria Contribuinte e suportadas inclusive por documentos. Finalizando com a tese de que os valores exigidos foram efetivamente pagos pela filial da Recorrente, razão pela qual o crédito tributário está definitivamente extinto, nos termos do artigo 156, I, do CTN. Também se posiciona contra o efeito confiscatório da multa no percentual de 75% e da impossibilidade de utilização da taxa Selic como índice de juros de mora. Na sessão do dia 26 de julho de 2010, este Conselho converteu o julgamento em diligência, para apuração da alegação de erro no preenchimento da DCTF. À fl. 858, a Fiscalização expôs o seguinte resultado: 1) não consta a entrega de DIPI para o CNPJ da Matriz; 2) os lançamentos contábeis relativos a valores devidos na conta "IPI a recolher" (vide planilha de fls. 857), para os decêndios em questão no presente processo, correspondem aos valores informados na coluna "Débito" da DIPI da Filial (93.088.342/000358). Há divergência, apenas, no 3°Decêndio de 12/1997, onde o valor da DIPI está a maior (R$221,60) que o valor contábil. 3) os lançamentos contábeis relativos a valores a recuperar na conta "IPI a recuperar”, são confirmados no sistema SINAL10, referentes a pagamentos de DARFs de código de receita "1038 IPI Vinculado Importação", e com o CNPJ da matriz (93.088.342/000196). Vêse, pelo somatório dos meses novembro (R$361.047,41) e dezembro (R$280.584,85), que tais valores são os informados na coluna "Crédito" da DIPI da filial (93.088.342/000358). 4) o saldo a pagar e os Darfs pagos correspondem ao apurado/informado na D1PI da Filial (93.088.342/000358). Com base nos elementos apresentados pelo interessado, e considerando que os lançamentos contábeis envolvem (ou ao menos deveriam envolver) a totalidade das operações da empresa (Matriz + Filiais), não consta saldo de IPI a pagar para os períodos em questão (quais sejam 3° Decêndio de 11/1997 e 1°, 2° e 3° Decêndios de 12/1997). De igual sorte, não há DIPI para o CNPJ da Matriz, o que corrobora a inexistência de IPI a pagar para tal CNPJ (93.088.342/000196) nos períodos em questão (quais sejam 3° Decêndio de 11/1997 e 1°, 2° e 3° Decêndios de 12/1997). (destacamos) Considerando o despacho proferido pelo próprio d. fiscal autuante de que não haveria saldo devedor de IPI a recolher pela matriz, a Recorrente se manifestou reiterando o pedido constante do recurso voluntário interposto em 04/04/2007, para que seja reformada a r. decisão recorrida, para declarar improcedência do lançamento em questão e a conseqüente extinção do crédito tributário. Fl. 1698DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11080.008736/200270 Acórdão n.º 3301002.157 S3C3T1 Fl. 1.699 4 E o Relatório. Voto Conselheiro Bernardo Motta Moreira Declaro que ouvi atentamente as palavras proferidas da tribuna do Prof. Paulo Ayres Barreto, patrono da Recorrente. Ressalto também que recebi os memoriais apresentados. O recurso voluntário foi apresentado por parte legítima em tempo hábil, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado, portanto, dele tomo conhecimento. Como relatado, a Recorrente teve contra si lavrado o Auto de Infração, consolidando crédito tributário de IPI relativo ao ano de 1997, no montante de R$ 758.943,47, compreendendo o tributo, multa de oficio e juros de mora. Segundo a fiscalização, a Recorrente teria declarado o suposto débito em DCTF, o qual não teria sido pago. O julgamento do recurso foi convertido em diligência para que fosse verificada a existência de débitos de IPI no CNPJ da matriz nos períodos de apuração autuados. Restou demonstrado que os débitos declarados por equívoco em nome da matriz, objeto da autuação, foram devidamente recolhidos pela filial. Ficou claro, portanto, que a declaração dos valores exigidos a título de IPI na DCTF da matriz não passou de um equívoco da Recorrente, razão pela qual nenhum valor a esse título pode ser dela exigido. Aliás, bem demonstrou a Recorrente, em seu recurso, e foi confirmado pela Fiscalização, todo o valor de IPI supostamente devido já foi integralmente recolhido pela filial. Diante de todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário, exonerando o crédito tributário na íntegra. Bernardo Motta Moreira – Relator Fl. 1699DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 13/03/20 14 por BERNARDO MOTTA MOREIRA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 11128.009690/2008-16
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 18/08/2008
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.291
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 18/08/2008 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes- Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.009690/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801003.291 – 1ª Turma Especial Sessão de 23 de abril de 2014 Matéria Obrigações Acessórias Recorrente WILSON SONS AGENCIA MARITIMA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/08/2008 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 96 90 /2 00 8- 16 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.009690/200816 Acórdão n.º 3801003.291 S3TE01 Fl. 3 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.009690/200816 Acórdão n.º 3801003.291 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 7ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR), em que foi julgada improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte, sendo o crédito tributário mantido. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre carga transportada, na forma e no prazoestabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que foi contestado pela empresa autuada, (...)à época de sua formalização. Da Autuação No campo DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração consta, em síntese, que a empresa autuada solicitou, após o decurso do prazo para prestar informação sobre carga transportada, definido na Instrução Normativa RFB nº 800/2007, a retificação de dado já incluído no sistema informatizado de controle de cargas. Em razão dessa conduta, a autoridade autuante entendeu estar caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita. A fiscalização informou que, de acordo com a legislação regente, o controle aduaneiro da movimentação de cargas, embarcações e unidades de carga é feito por meio do Siscomex Carga, o qual deverá ser suprido de informações a serem prestadas pelos intervenientes no comércio exterior, inclusive as agências de carga ou de navegação, como é o caso da autuada. As referidas informações estão dispostas nos Anexos da IN SRF nº 800/2007, e servem para gerar o conhecimento eletrônico (CE) de carga. A autoridade lançadora esclareceu que, nos termos dos artigos 3º e seguintes da IN RFB nº 800/2007, a autuada responde pelas informações prestadas a destempo, e que essa responsabilidade é objetiva, perfazendose independentemente da intenção do agente, consoante dispõe o art. 136 do Código Tributário Nacional. Diante dos fatos apurados, a fiscalização lavrou o Auto de Infração em debate, tendo como fundamento, além dos dispositivos legais já mencionados, os indicados no campo ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.009690/200816 Acórdão n.º 3801003.291 S3TE01 Fl. 5 4 Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e apresentou impugnação, na qual aduz os argumentos a seguir sintetizados. a) A conduta da impugnante não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, uma vez que ela não deixou de prestar a informação exigida e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. b) Mesmo que a conduta da impugnante pudesse ser considerada infração, ainda assim não seria cabível a multa aplicada, pois o pedido de retificação foi feito antes de qualquer ação fiscal, sendo aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea, constante no art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. c) A penalidade também não pode ser cominada à impugnante porque ela não se reveste da condição de empresa de transporte internacional, nem é prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agência de carga. É apenas uma agência de navegação, que tem por fim prover as necessidades do navio no porto de destino, e não pode ser equiparada às empresas mencionadas anteriormente. d) O fato de a agência marítima ser representante do transportador estrangeiro não implica em responsabilidade solidária pela prestação de informação de forma irregular, pois a solidariedade tem que estar prevista em lei. e) O Auto de Infração não atende às exigências legais, pois não traz o transportador como sujeito passivo nem apresenta qualquer prova ou informação que possa contribuir para sua identificação. Ao final a defesa requer que o lançamento seja julgado improcedente.” A impugnação foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/FOR conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Responde pela prestação intempestiva de informação legalmente exigida a agência de navegação marítima representante de transportador estrangeiro que tiver concorrido para a prática dessa infração ou dela se beneficiado. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.009690/200816 Acórdão n.º 3801003.291 S3TE01 Fl. 6 5 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. RETIFICAÇÃO INTEMPESTIVA DE REGISTRO. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO DO AGENTE. MULTA A retificação de registro sobre carga transportada após o prazo fixado para prestar essa informação confirma que o dado correto não foi apresentado tempestivamente, fato que é tipificado como infração autônoma, punível com multa específica, independente da intenção do agente. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A prestação de informações sobre as cargas transportadas na forma e no prazo legalmente estabelecidos é obrigação acessória autônoma, cujo descumprimento não comporta saneamento via denúncia espontânea, que é expressamente afastada após a atracação do veículo transportador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, onde em suas razões, requer a reforma do acórdão. É o sucinto relatório. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.009690/200816 Acórdão n.º 3801003.291 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Velloso da Silveira –Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A controvérsia em discussão nestes autos se refere à aplicação da multa à recorrente Wilson Sons Agência Marítima Ltda. A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, em que a Recorrente protesta pela atipicidade dos fatos praticados, pela nulidade do auto de infração que apresentou fundamentos conflitantes para a penalidade, bem como requer o benefício da denúncia espontânea, haja vista ter apresentado as informações previstas pela IN/SRF nº 28/94. A multa aplicada está prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c", do Decreto lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; Preliminarmente afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Ocorre que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar Fl. 126DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.009690/200816 Acórdão n.º 3801003.291 S3TE01 Fl. 8 7 as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tal argumento, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. É que a penalidade correspondente é excluída. Ocorre que a Recorrente solicitou através de petição datada de 20/01/2011 (fl. 21), retificação de informação do CEMERCANTE n° 151005206011704, referente ao Conhecimento de Carga n° MOLU13900291395, consignado à empresa New Track Importação, Exportação e Distribuição Ltda. A informação referiase ao NCM informado incorretamente. Assim, em 28/01/2011 foi promovida pela Receita Federal do Brasil a referida retificação, conforme consta no auto de infração. Assim, somente após o protocolo da petição retificadora da NCM, é que ocorreu a lavratura do Auto de Infração, sendo intimada a contribuinte, por carta A.R.. Portanto, o Auto de Infração somente foi lavrado após o protocolo da petição que retificou a NCM. Logo, o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior à lavratura da Intimação, assim como antes também da lavratura do Auto de Infração. Deste modo, aplica se ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; Fl. 127DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.009690/200816 Acórdão n.º 3801003.291 S3TE01 Fl. 9 8 b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto, que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão Fl. 128DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11128.009690/200816 Acórdão n.º 3801003.291 S3TE01 Fl. 10 9 de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Em face do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para excluir a penalidade aplicada em razão da denúncia espontânea. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relator Fl. 129DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 19515.004141/2007-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - OPERAÇÕES BANCÁRIAS NO EXTERIOR -NULIDADE- ERRO NA TIPIFICAÇÃO LEGAL. Se todo o procedimento fiscalizatório foi conduzido com base na omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a tipicação legal correta seria o artigo 42 da Lei 9.430 de 1996 e não omissão de rendimentos de origem do exterior.
Se a tipicação legal for incorreta isso causa nulidade do lançamento por vicio material.
Numero da decisão: 2202-002.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de voto dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pelo contribuinte o Dr. José Henrique Longo, OAB/SP 86.901.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marcio De Lacerda Martins, Fabio Brun Goldschmidt, Marcela Brasil De Araujo Nogueira.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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Se todo o procedimento fiscalizatório foi conduzido com base na omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a tipicação legal correta seria o artigo 42 da Lei 9.430 de 1996 e não omissão de rendimentos de origem do exterior. Se a tipicação legal for incorreta isso causa nulidade do lançamento por vicio material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de voto dar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pelo contribuinte o Dr. José Henrique Longo, OAB/SP 86.901. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente em Exercício (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 41 41 /2 00 7- 12 Fl. 631DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Pedro Anan Junior – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior, Marcio De Lacerda Martins, Fabio Brun Goldschmidt, Marcela Brasil De Araujo Nogueira. Fl. 632DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.004141/200712 Acórdão n.º 2202002.587 S2C2T2 Fl. 609 3 Relatório O processo referese ao Auto de Infração de fls. 186 e seguintes com o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, relativo aos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, no valor de R$ 1.080.057,79, juros de mora de R$ 778.752,64 (calculados até 30/11/2007) e multa de ofício de R$ 810.043,34. A ação fiscal foi iniciada com a emissão de Termo de Início de Fiscalização em 22/02/2007, anexo aos autos às fls. 07 a 10 (folhas estas do processo administrativo digitalizado, bem como as demais referências a folhas nesta decisão), encaminhado ao contribuinte por via postal, com ciência em Aviso de Recebimento – AR expedido pela ECT, em 26/02/2007, às fls. 11. O procedimento fiscal e as infrações verificadas foram relatados pela autoridade lançadora na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (às fls. 186 a 189) e no Termo de Verificação Fiscal e de Constatação (às fls. 164 a 185). Os fatos apurados pela fiscalização e relatados na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (às fls. 186 a 189) e no Termo de Verificação Fiscal e de Constatação (às fls. 164 a 185) consolidam a constatação de omissão de rendimentos recebidos de fontes pagadoras situadas no exterior. A fiscalização foi finalizada com a emissão do Auto de Infração e de Termo de Encerramento, lavrados em 12/12/2007 (às fls. 186 a 189 e 190, respectivamente), encaminhados ao contribuinte por via postal, com ciência em Aviso de Recebimento – AR expedido pela ECT, em 15/12/2007, às fls. 191 A impugnação, anexa às fls. 199 e seguintes, foi protocolada tempestivamente em 14/01/2008, conforme consta em despacho emitido por DERAT / SPO /EQCOB, em 15/04/2008, às fls. 303. O contribuinte requer seja declarado nulo o Auto de Infração, pelas alegações que seguem, em síntese, sem prejuízo da leitura integral da peça impugnatória, bem como: 1. Seja julgado extinto o imposto de renda decorrente dos fatos geradores ocorridos entre 05/02/2001 e 30/11/2002, pela decadência que se aperfeiçoou em relação a esse período; 2. Seja cancelado o auto de infração ora impugnado, pela inaplicabilidade da presunção de omissão de receitas prevista no artigo 42 da Lei 9.430/1996 decorrente da falta de regular intimação do requerente para informar à fiscalização a origem dos recursos mantidos em conta do Chase Manhattan Bank N.A., bem como pela ausência de produção da prova primária que incumbe ao AFRFB produzir; Fl. 633DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 3. Seja cancelado o auto de infração em razão da constatação de que o requerente não é parte legítima para figurar em seu pólo passivo, tendo a fiscalização incorrido em erro de pessoa; 4. Seja declarado nulo o auto de infração por ausência de intimação da Sra. Pauline Ayoub para apresentação de informações sobre a origem dos depósitos recebidos; 5. Seja reconhecido o erro de base de cálculo cometido durante a fiscalização, devendo ser reduzida para o valor correspondente à metade dos depósitos efetivados com relação aos períodos não extintos pela decadência (às fls. 230); 6. Insurgese contra a aplicação da taxa SELIC como índice de juros de mora, visto sua latente afronta a Carta Política de 1988 e ao CTN; 7. Requer seja determinado expressamente o cancelamento dos juros de mora sobre a multa de ofício exigida nos presentes autos (às fls. 385). Consta dos autos às fls. 304 a 321, decisão proferida pela autoridade de primeira instância, que acordou, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. Cientificado da decisão proferida por aquela autoridade, o contribuinte interpôs recurso voluntário ao Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – 2ª Seção de Julgamento, juntado aos autos às fls. 326 e seguintes. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – 2ª Seção de Julgamento, por meio do Acórdão nº 2202 – 01.097 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de fls. 431 e 432, relatório e voto de fls. 433 a 444, analisando a preliminar de ausência de apreciação de argumentos e documentos juntados à impugnação e entendendo que os mesmos não foram examinados em sua totalidade, achou por bem, anular a decisão por preterição do direito de defesa, conforme a ementa: NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTOS E DOCUMENTOS. A falta de apreciação de argumento e documentos juntados a impugnação, caracteriza cerceamento do direito de defesa e dá causa a nulidade da decisão de primeira instância, devendo os autos retornarem à instância quo para seja proferida nova decisão Com a anulação daquela decisão, retornaram os autos a esta DRJ para novo julgamento em primeira instância. A 10ª Turma de Julgamentom da DRJ de São Paulo, DRJ/SP2, ao realizar novo julgamento, por unanimidade de votos, manteve o lançamento conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003 Fl. 634DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.004141/200712 Acórdão n.º 2202002.587 S2C2T2 Fl. 610 5 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não se cogita a nulidade processual, nem a nulidade do ato administrativo de lançamento quando o lançamento de ofício atende aos requisitos legais e os autos não apresentam as causas apontadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/1.972. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MEIOS DE PROVA. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTES NO EXTERIOR. As informações constantes de relatório da Secretaria da Receita Federal SRF decorrem de Laudo Técnico do Instituto Nacional de Criminalística INC, elaborado a partir das mídias eletrônicas e documentos apresentados pela Promotoria do Distrito de Nova Iorque à Justiça Federal, identificam o contribuinte como beneficiário de rendimentos recebidos de fontes no exterior, e constituem prova plenamente válida. ILEGITIMIDADE PASSIVA. A ausência nos autos de elementos que descaracterizem a relação do contribuinte com a contacorrente de sua titularidade, cujos créditos foram objetos da presente autuação, prejudica a argumentação de ilegitimidade passiva. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTES PAGADORAS SITUADAS NO EXTERIOR. Comprovada nos autos a movimentação de recursos no exterior, caracterizando rendimentos auferidos e não declarados, são corretos o lançamento por omissão de rendimentos e a aplicação de sanção à infração tributária. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Desde 1° de janeiro de 1997, as multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos estão sujeitas à incidência de juros de mora, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC), conforme determina dispositivo legal vigente. JUROS DE MORA. SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. Havendo previsão legal da aplicação da taxa SELIC, não cabe à Autoridade Julgadora exonerar a cobrança dos juros de mora legalmente estabelecida. Fl. 635DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EXTENSÃO. As decisões judiciais, a exceção daquelas proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade de normas legais, e as administrativas não têm caráter de norma geral, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência senão àquela, objeto da decisão. ILEGALIDADE. Não cabe a discussão de ilegalidade ou inconstitucionalidade de legislação vigente, na esfera administrativa Devidamente cientificado dessa decisão, o contribuinte apresenta tempestivamente recurso voluntário onde alega em síntese: Decadência parcial do lançamento; Erro na capitulação legal – depósitos bancários de origem não comprovada; Erro na identificação do sujeito passivo; Aplicação da Súmula 29 do CARF – conta conjunta Aplicação indevida da taxa Selic. É o relatório Fl. 636DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.004141/200712 Acórdão n.º 2202002.587 S2C2T2 Fl. 611 7 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto ser conhecido. Conforme se depreende da descrição dos fatos que justificaram a presente autuação, a omissão de rendimentos de fontes do exterior foi apurado a partir de supostas remessas ordenadas pelo Recorrente, a partir de conta corrente no exterior para beneficiário no exterior. Às fls. 9 a 10, 60 a 100, está a relação das operações que serviram de fundamento para a exigência. Além desse documento, registrese que a fiscalização trouxe aos autos, como elementos de fundamentação do trabalho fiscal, os documentos de fls. 19/58, 101/150 relativos a: a) MemorandoCircular Cofis/GAB n° 2004/00652 b) Ofício n° 120/03 – PF/FT/SR/DPF/PR; c) Ofício n° 01/03 – PF/FT/NY/SR/DPF/PR; d) Laudos de Exame Econômico Financeiro preparado pelo Instituito Nacional de Criminalistica; O contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos valores depositados na conta do exterior. O mesmo alega que os recursos não são de sua titularidade, mas sim da sua genitora e ele era mera beneficiário. A autoridade fiscal entendeu que não houve comprovação da origem, e os recursos eram sim de titularidade do Recorrente. Podemos verificar que toda a fiscalização foi conduzida para que o contribuinte comprovasse a origem dos recursos depositados em sua conta no exterior, ou seja conduta típica prevista para fundamentar o auto nos termos do artigo 42 da Lei 9.430 de 1996, o qual peço licença para transcrever: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 637DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9481, de 1997) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002)” No caso, entendo que, se existe previsão legal de presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada e se, de fato, essa origem não foi comprovada, descabe o lançamento com base na infração "Omissão de Rendimentos Recebidos de Fontes no Exterior", infração esta distinta e com enquadramento legal específico. Portanto, necessitaria estar provada pela Autoridade Fisacl, mediante documentação hábil e idônea, a natureza da percepção dos recursos depositados nas referidas transações bancárias, para que fosse possível aferir, se, de fato, tratavamse de rendimentos tributáveis recebidos de fontes no exterior. Como essa prova não é clara, não há como prosperar o lançamento com a infração e enquadramento legal indicado. Fl. 638DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.004141/200712 Acórdão n.º 2202002.587 S2C2T2 Fl. 612 9 Entendo que tal fato causa nulidade do auto de infração por vício material, conforme procuro diferenciar abaixo. No que diz respeito ao vício material, podemos definir que são aqueles intrínsecos ao lançamento tributário, definidos no artigo 142 do CTN, ou seja verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável, cálculo do montante devido e a correta identificação do sujeito passivo, elementos esses fundamentais que antecedem e preparam a formalização do lançamento tributário, sem o quais o mesmo não tem eficácia e validade, conforme podemos observar no acórdão abaixo: LANÇAMENTO – NULIDADE VÍCIO MATERIAL – DECADÊNCIA Nulo o lançamento quando ausentes a descrição do fato gerador e a determinação da matéria tributável, por se tratar de vício de natureza material. Aplicável o disposto no artigo 150, § 4º, do CTN. (Acórdão 10247201) Já o vício formal são aqueles que não interferem diretamente no lançamento tributário, cuja ausência não impedem a compreensão dos fatos da infração aplicada, não fazendo parte do conteúdo material, como por exemplo local da lavratura do auto de infração, nome do auditor fiscal, e da chefia, etc., como podemos verificar no acórdão abaixo: ITR NULIDADE VÍCIO FORMAL É nula por vício formal a Notificação de Lançamento que não contenha a identificação da autoridade que a expediu, requinte essencial prescrito em lei. (Acórdão 30331865) Podemos observar que no caso em questão a autoridade fiscal não efetuou o enquadramento legal correto do lançamento, elemento fundamental para a eficácia e a validade da exação, sendo que a sua ausência reveste de nulidade, o lançamento efetuado por desatender norma prevista no artigo 142 do CTN. Gostaria de destacar que esse tribunal administrativo já se manifestou a respeito da matéria, 1º Conselho de Contribuintes / 2a. Câmara / ACÓRDÃO 102 48.678 em 05.07.2007 IRPJ Ex(s): 1994 VÍCIO MATERIAL É material o vício verificado na falta de intimação do contribuinte, cientificandoo do lançamento, para que exerça seu direito de defesa. Recurso provido. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 No que diz respeito a nulidade do auto de infração em decorrência de erro na tipificação legal esse tribunal administrativo já se posicionou sobre a matéria conforme acórdão abaixo transcritas: Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, não apreciar as preliminares arguidas e no mérito, darlhe provimento ao recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 640DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/05/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/06/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10680.912778/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.652
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Redator.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator
EDITADO EM 24/04/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente a Conselheira Nayra Bastos manatta.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Redator. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator EDITADO EM 24/04/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente a Conselheira Nayra Bastos manatta.
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GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA – Relator EDITADO EM 24/04/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Silvia de Brito Oliveira, Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente a Conselheira Nayra Bastos manatta. Relatório. Tratase de Recurso Voluntário (fls. 62/84) contra o v. Acórdão DRJ/BHE nº 0238.041 de 20/03/12 constante de fls. 51/55 exarado pela 2ª Turma da DRJ do Belo Horizonte MG que, por unanimidade de votos, houve por bem “indeferir a manifestação de inconformidade” de fls. 01/03, mantendo o Despacho Decisório Eletrônico da DRF de Belo Horizonte MG (fls. 06/07), que indeferiu e deixou de homologar a PER/DCOMP nº 26345.36996.200905.1.3.047720, através da qual a ora Recorrente pretendia ver reconhecido RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 12 77 8/ 20 09 -5 1 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10680.912778/200951 Resolução nº 3402000.652 S3C4T2 Fl. 3 2 o direito creditório relativo ao PIS – Folha de Salários no valor original na data de transmissão de R$ 1.748,17, representado por Darf recolhido em 15/11/03 e compensar o valor restituendo com o débito discriminado no referido PER/DCOMP. Por seu turno a r. decisão de fls. 51/55 da 2ª Turma da DRJ do Belo Horizonte MG, houve por bem “indeferir a manifestação de inconformidade” de fls. 01/03, mantendo o Despacho Decisório Eletrônico da DRF de Belo Horizonte MG (fls. 06/07), aos fundamentos sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 62/84) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta que a reforma da r. decisão recorrida e a legitimidade do crédito compensando, tendo em vista: a) o afastamento da exigência do PIS incidente sobre a folha pela Receita Federal e o efeito vinculante da solução de consulta nº 412/2004 nos termos do art. 100, inc. II do CTN ; b) a ilegalidade da exigência concomitante do PIS folha/faturamento e a ausência de dedução das rubricas previstas no Decreto nº 4524/02 pela Recorrente em violação à legalidade e à tipicidade cerrada. Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 62/84) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta que a reforma da r. decisão recorrida e a legitimidade do crédito compensando, tendo em vista: a) o afastamento da exigência do PIS incidente sobre a folha pela Receita Federal e o efeito vinculante da solução de consulta nº 412/2004 nos termos do art. 100, inc. II do CTN ; b) a ilegalidade da exigência concomitante do PIS folha/faturamento e a ausência de dedução das rubricas previstas no Decreto nº 4524/02 pela Recorrente em violação à legalidade e à tipicidade cerrada. É o Relatório. Voto. Como se verifica dos autos, a Recorrente afirma que recolhia a contribuição ao PIS/Pasep com base na folha de pagamento e, com base na Solução de Consulta nº 412, de 15 de dezembro de 2004, a própria Receita Federal manifestouse no sentido de que o contribuinte em questão se insere no rol daqueles para os quais a Contribuição em questão incide sobre o faturamento. Assim sendo, uma vez que houve recolhimento de PIS sobre a folha de pagamento e não sobre o faturamento, mostrase viável que possa ter ocorrido efetivamente, ao menos em tese, algum recolhimento indevido a título da referida contribuição, do que redundaria haver crédito em favor da contribuinte, razão pela qual se faz necessária uma verificação mais detalhada para aferimento de valores devidos sobre o faturamento, comparando com aqueles que seriam devidos sobre a folha, para então, aquilatar a existência ou não de créditos. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10680.912778/200951 Resolução nº 3402000.652 S3C4T2 Fl. 4 3 Desta forma, entendo que o processo não se encontra em condições de receber um julgamento justo, pelo que proponho a conversão do julgamento em diligência, pois há que se verificar se a contribuinte teria, efetivamente, algum valor a recolher, o que depende de cálculo para aferimento do montante devido, o que não está afeto a esta esfera de julgamento. Assim sendo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora adote as seguintes providências: Recomponha a(s) apuração(ões) da contribuição para o PIS/Pasep do contribuinte para o(s) período(s) de apuração(ões) objeto(s) destes autos, mediante a aplicação dos comandos da Solução de Consulta n° 412/2004, de que é titular a Recorrente; Contraponha o valor aferido conforme alínea “a”, acima, com o valor que foi recolhido pelo contribuinte a título da contribuição ao PIS/Pasep, manifestandose sobre a existência, legitimidade e suficiência de créditos decorrentes de eventual pagamento indevido ou a maior para a restituição e/ou compensação levada a efeito nestes autos; Ao final, emitir Relatório Conclusivo da diligência, intimando a Recorrente para que sobre ele se manifeste, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, e após, com ou sem manifestação, seja o feito remetido a este Conselho para reinclusão em pauta e prosseguimento do julgamento. É como voto. Sala das Sessões, em 23 de abril de 2014 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 164DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 19/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 23/05/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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