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Numero do processo: 12898.000190/2010-77
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 23/02/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Constitui infração, punível na forma da Lei, a falta de apresentação de documentos solicitados pela fiscalização.
Numero da decisão: 2403-001.818
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari -
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 23/02/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração, punível na forma da Lei, a falta de apresentação de documentos solicitados pela fiscalização. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 01 90 /2 01 0- 77 Fl. 189DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Carolina Wanderley Landim. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.000190/201077 Acórdão n.º 2403001.818 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I , Acórdão 1233.218 da 12ª Turma, que julgou improcedente a impugnação. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de auto de infração (DEBCAD n° 37.195.3081) lavrado contra a empresa em epígrafe, por ter deixado de apresentar à fiscalização documentos ou livros relacionados com as contribuições destinadas ao custeio da Seguridade Social, conforme disposto no artigo 33, §§ 2 o e 3o , da Lei n° 8.212/91, c/c artigos 232 e 233, do Decreto n° 3.048/99. 2. Segundo consta do Relatório Fiscal da Infração (fls. 26/30), a empresa, embora formalmente intimada pela fiscalização, através do Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF (fls. 06/07) e dos Termos de Intimação Fiscal TIF de números 1, 2, 3 e 4 (fls. 08/17), deixou de apresentar os seguintes documentos relacionados às contribuições previdenciárias, relativos ao período de 01/2005 a 12/2005: 2.1. Folhas de pagamentos referentes aos contratos firmados com a Diretoria de Engenharia da Aeronáutica, Fundação Ruben Berta e Porto Real Fomento S/A, em que a autuada figura como prestadora do serviço; 2.2. Contratos de prestação de serviço firmados com a Fundação Ruben Berta e a Porto Real Fomento S/A, em que a autuada figura como prestadora do serviço; 2.3. Contratos de prestação de serviços, firmados com diversas empresas, em que a autuada figura como tomadora, conforme detalhado no item "9" do relatório, às fls. 27; 2.4. Notas fiscais n° 23, 37, 39 e 40, emitidas pela Hebronil Rio Comercial Ltda; e notas fiscais n° 315 e 316, emitidas pela AHB Construções e Reformas Ltda, todas escrituradas na conta contábil "Serviços de Terceiros". 3. Conforme Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 31), a penalidade pecuniária aplicada importou no montante de R$ 14.107,77, em consonância com os artigos 92 e 102, da Lei 8.212/91, c/c art. 283, II, " j " , e art. 373, do Decreto n° 3.048/99, cujo valor foi atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 350, de 30/12/2009. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 4. Não ficaram configuradas quaisquer das circunstâncias agravantes previstas no artigo 290 do Decreto n° 3.048/99. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · da necessidade de exclusão dos sócios de qualquer tipo de cadastro para responsabilidade solidária; · a Recorrente forneceu toda a documentação solicitada pela fiscal autuante; · nos itens 8 e 9 do próprio Termo de Intimação, a fiscal autuante reconhece que foram entregues a ela uma série de documentos, tais como: folhas de pagamento, contratos, DIRF's e Registros contábeis da Recorrente; · a documentação solicitada nos Temos de Intimação Fiscal datados de 18/02/2009 e 01/02/2010, bem como os contratos solicitados em 01/02/2010, foram analisadas in loco pela fiscalização e devolvidos à Recorrente, não ficando em seu poder; · no mesmo sentido, os documentos solicitados na intimação de 18/12/2009, foram analisados no próprio estabelecimento da empresa pela fiscalização; · desta forma não restou demonstrado pela autoridade fiscal qualquer tentativa de embaraço à fiscalização por parte do contribuinte. É o relatório Fl. 192DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.000190/201077 Acórdão n.º 2403001.818 S2C4T3 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari , Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. RELATÓRIO DE VÍNCULOS A recorrente pleiteia pela exclusão dos sócios de qualquer tipo de cadastro para responsabilidade solidária. A manifestação referese ao Relatório de Vínculos, que é um relatório que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente. Quanto à solicitada exclusão de pessoas do rol de coresponsáveis cabe esclarecer que esta relação, anexada aos autos pela Fiscalização, não tem como escopo incluir pessoas físicas e jurídicas no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal, em consonância com a legislação, e após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa. A responsabilização somente ocorrerá por ordem judicial, nas hipóteses previstas na lei e após o devido processo legal. O débito foi lançado somente contra a pessoa jurídica e, neste momento, demais pessoas não sofrerão restrições em seus direitos. Assim, esta discussão é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada na via da execução judicial, na hipótese de convocação dos listados, por decisão judicial, para satisfação do crédito. Portanto, não há razão para a exclusão do Relatório de Vínculos dos autos. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS PARA A FISCALIZAÇÃO Fl. 193DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 A Recorrente afirma que forneceu toda a documentação solicitada pela fiscal autuante e que não restou demonstrado pela autoridade fiscal qualquer tentativa de embaraço à fiscalização por parte do contribuinte. Com base no Relatório Fiscal da Infração, que detalha os documentos emitidos pela fiscalização para intimação para apresentação de documentos e os documentos não apresentados, entendo caracterizada a infração. DA INFRAÇÃO PRATICADA 4. Durante a ação fiscal, o contribuinte acima qualificado deixou de exibir diversos documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, referentes ao período de 01/2005 a 12/2005, que foram solicitados através dos seguintes termos: Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, datado de 10/06/2009; Termo de Intimação Fiscal datado de 09/12/2009; Termo de Intimação Fiscal datado de 18/12/2009; Termo de Intimação Fiscal datado de 01/02/2010; Termo de Intimação Fiscal datado de 08/02/2010. 5. O sujeito passivo deixou de apresentar as folhas de pagamento referentes ao contrato N° 015/COMGAP/DIRENG/GAPRJ/2005, firmado com a DIRETORIA DE ENGENHARIA DA AERONÁUTICA CNPJ: 00.394.429/003550, EM 24/06/2005, relativo a construção de 07 blocos de 8 apartamentos, totalizando 56 PNR, em área do Comando da Aeronáutica, localizada na Vila Residencial de Jacarepaguá P J , cuja cópia foi juntado ao presente. Além do contrato, como prova da efetiva prestação dos serviços, foram anexadas, por amostragem, as notas fiscais de serviços n°3020, 3027, 3038, 3047, datadas, respectivamente, de 16/09/2005, 03/10/2005, 03/11/2005 e 05/12/2005, emitidas pela Prescon em nome da Diretoria de Engenharia da Aeronáutica, referentes a construção de 56 Próprios Nacionais e residenciais (PRN) em Jacarepaguá. 6. Também não foram exibidas as folhas de pagamento relativas aos serviços prestados a FUNDAÇÃO RUBEN BERTA CNPJ: 92.660.737/000159, cujos serviços podem ser comprovados através das Notas Fiscais n°s: 2903, 3016, 3023, 3024, 3032 e 3033, emitidas pela PRESCON em 11/03/2005, 09/09/2005, 23/09/2005, 23/09/2005, 27/10/2005 e 27/10/2005, respectivamente, referentes a obra de revitalização do restaurante CTO. 7. O contribuinte não apresentou os contratos celebrados com as empresas tomadoras de serviços: FUNDAÇÃO RUBEN BERTA CNPJ: 92.660.737/000159 e PORTO REAL FOMENTO S/A CNPJ: 74.116.435/000132, para as quais prestou serviços de obra de construção civil, conforme notas fiscais n°s 2852, 2857, 2858 e 2859, juntadas, por amostragem. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 12898.000190/201077 Acórdão n.º 2403001.818 S2C4T3 Fl. 5 7 8. A não apresentação dos contratos impossibilita a verificação do tipo de contratação, se por empreitada total ou cessão de mão de obra, e tem por fim, em empresa prestadora de serviços, no caso a Prescon, o exame do cumprimento das obrigações previdenciárias acessórias referentes à retenção de 11% (onze por cento) para a Seguridade Social incidente sobre o valor dos serviços discriminados em NF/FAT/REC emitidas contra empresa tomadora de serviços ou obra de construção civil. 9. Também não foram disponibilizados os contratos de prestação de serviços celebrados com as empresas Prestadoras de Serviços abaixo relacionadas: · CONTROLE E TECNOLOGIA ESTRUTURAL CNPJ: 15.466.782/000126; · TECNOBRAS ENGENHARIA LTDA CNPJ: 33.401.738/000110; · FONSOLOS CONSTR E ENGENHARIA LTDA CNPJ: 15.404.932/000177; · W NEVES PREST. DE SERV E RETRO ESCAVAÇÃO LTDA CNPJ: 31.169.931/000141; · HEBRONIL RIO COMERCIAL LTDA CNPJ: 04.576.452/000177 V SECAL SOC EMPREITEIRA DE CONSTRUÇÃO ALGARVIA LTDA V LC BRAGA CONSULTORIA E ENGENHARIA LTDA CNPJ: 07.524.300/000119 S N.J DA SILVA SUZANO MÁQ E EQUIP CONST CIVIL CNPJ:02.653.887/000142; · SERCOPRE SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO E PINTURA E REFORMA LTDA CNPJ: 05.609.108/000128; · CONSTRUTORA SOLIDWALL LTDA CNPJ: 06.208.386/000108; · ELETRO ELETRÔNICA GODINHO LTDA CNPJ: 02.650.561/000161; · H J RODRIGUES MELO LTDA CNPJ: 42.159.970/000184 10. Neste caso a Prescon figura como "Tomadora de Serviços". A apresentação dos contratos é indispensável para fins de verificação pelo auditorfiscal, de eventual dedução de materiais ou equipamentos efetuada na apuração da base de cálculo da retenção destacada na NF/FAT/REC. Cabe ressaltar que as empresas acima listadas, informaram em suas notas fiscais, apenas 50% ( cinquenta por cento ) do valor bruto da nota como mão de obra sujeita a tributação dos 11% ( onze por cento). Fl. 195DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 11. Analisando os lançamentos contábeis registrados na conta "Serviços de Terceiros", foram selecionadas diversas notas fiscais emitidas por prestadores de serviços em nome da Prescon, para fins de verificação do recolhimento das contribuições retidas. Dentre os documentos selecionados o contribuinte deixou de apresentar as notas fiscais abaixo relacionadas: · notas fiscais n° 23, 37, 39 e 40, emitida por HEBRONIL RIO COMERCIAL LTDA /CNPJ: 04.576.452/000177, lançadas no Livro Diário, folhas 23 e 33; · notas fiscais n° 0315 , 0316, emitida por AHB CONSTRUÇÕES E REFORMAS LTDA, lançadas no Livro Diário, folhas 22 CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 196DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 6/03/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 18471.001687/2005-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2002 PAGAMENTO SEM CAUSA. ADIÇÃO AO LUCRO REAL. Para glosa dos pagamentos considerados sem causa, adicionando-os na apuração do lucro real, há que se comprovar que os valores foram deduzidos como custos ou despesas, afetando o resultado do exercício. PREJUÍZOS FISCAIS. CONSIDERAÇÃO NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL PELA FISCALIZAÇÃO. A fiscalização ao elaborar o auto de infração está recalculando a base de cálculo do IRPJ declarada. Nesta condição deve considerar o prejuízo fiscal do ano e saldos anteriores, por ser um direito de dedução do contribuinte.
Numero da decisão: 1301-000.849
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso de ofício, para manter o IRRF sobre os pagamentos registrados na conta nº 2520.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida JULIO BOGORICIN Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2002 PAGAMENTO SEM CAUSA. ADIÇÃO AO LUCRO REAL. Para glosa dos pagamentos considerados sem causa, adicionandoos na apuração do lucro real, há que se comprovar que os valores foram deduzidos como custos ou despesas, afetando o resultado do exercício. PREJUÍZOS FISCAIS. CONSIDERAÇÃO NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL PELA FISCALIZAÇÃO. A fiscalização ao elaborar o auto de infração está recalculando a base de cálculo do IRPJ declarada. Nesta condição deve considerar o prejuízo fiscal do ano e saldos anteriores, por ser um direito de dedução do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso de ofício, para manter o IRRF sobre os pagamentos registrados na conta nº 2520. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Fl. 283DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 2 Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Tratase de Recurso de Ofício manuseado ante a parcial exoneração do crédito tributário controlado no presente processo, objeto da decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ. Verificase pela análise do presente processo que em desfavor da contribuinte foram lavrados autos de infração referentes ao anocalendário 2002, por meio dos quais foram exigidos o Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ, no valor primitivo de R$ 3.862.072,99 (fls. 84/88), a Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, no valor de R$ 80.647,09 (fls. 89/92), a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, no valor de R$ 372.217,37 (fls. 93/96), a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido — CSLL, no valor de R$ 1.398.986,26 (fls. 97/101), e o Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de (R$ 1.097.966,10), acrescidos da multa de 75% e dos encargos moratórios. Observase ainda, que fundamentouse a autuação de IRPJ na existência de Passivo Fictício, ou seja, omissão de receita caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigações não comprovadas eis que não teria apresentado diversos contratos de mútuos, indicandose como enquadramento legal, o disposto no artigo 24 da Lei 9.249/1995, artigo 40 da Lei 9.430/1996, artigos 249, I, 251 e parágrafo único, 279, 281, III, e 288 do RIR/1999. Na mesma oportunidade, glosouse ainda o que a fiscalização nominou de Pagamentos sem Causa (base de cálculo: R$ 3.137.046,00), porquanto a contribuinte não apresentou a documentação comprobatória dos pagamentos efetuados, relativos às contas 1169 (Júlio Bogoricin — fls. 73/74) e 2520 (Júlio Bogoricin — fls. 75/77), bem como os respectivos contratos mencionados nas referidas contas, ficando sem identificação os beneficiários dos pagamentos. Em decorrência dos fatos descritos acima, relativos ao IRPJ, foram lançadas as contribuições para o PIS e a Cofins e deram origem à autuação da CSLL e da segunda infração do IRPJ decorreu o IRRF. Inconformada com as autuações, a contribuinte apresentou Impugnação (fls. 128 133 e documentos de fls. 134 – 188), alegando em síntese, que possui prejuízos e bases negativas em valores superiores ao do lançamento, devendo ser compensados de ofício e que todas as operações glosadas se referem a operações identificadas, transações devidamente contabilizadas, pagamentos realizados a pessoas físicas e jurídicas existentes no país, com endereço certo, inscrição no CNPJ, atividade comprovada. Quanto às transações de mútuo, alegou que duas foram realizadas por empresas imobiliárias e três com bancos comerciais de maneira regular, afirmando que no caso Fl. 284DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 18471.001687/200532 Acórdão n.º 1301000.849 S1C3T1 Fl. 2 3 dos contratos de mútuos o lançamento independe de contrato escrito, porquanto referido na contabilidade a obrigação e os juros quando exigíveis. Afirmou ainda, que os pagamentos feitos a Júlio Bogoricin estão com o beneficiário identificado e o lançamento encontrase contabilizado, requerendo diligência, formulando quesitos e aduzindo que a autuação relativa a passivo fictício pode afetar o IRPJ, mas não o PIS e a Cofins que têm como fato gerador a receita decorrente da venda de mercadorias e serviços. Quanto ao IRRF, afirmou a contribuinte que o lançamento tomou em conta a afirmativa de que o pagamento foi realizado a credor não identificado eis que o próprio termo de constatação se refere às contas em que estão lançadas e o nome do credor, excluindo a afirmativa, poderia se discutir se o pagamento é dedutível ou se o interessado deve oferecer a tributação os valores recebidos, mas isto não alteraria o lançamento contábil, nem justificaria a autuação. Foi determinada a realização de diligência (fl. 200) para confirmar se os valores creditados na conta 1169 (Julio Bogoricin) são pagamentos ou recebimentos, além de conter o alerta sobre a falta de reajuste da base de cálculo para a autuação do IRRF. No relatório da diligência (fl. 202) consta a informação de lavratura de auto complementar (processo n° 18471.002076/200773) e de que os valores creditados na conta 1169 são operações não comprovadas a título de contratos de mútuos também nunca comprovados. A 2ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ, nos termos do acórdão e voto de folhas 215 a 223, julgou o lançamento parcialmente procedente, assentando para tanto, no que toca ao passivo fictício, que o artigo 40 da Lei 9.430/1996 dispôs que a manutenção no passivo, de obrigação cuja exigibilidade não seja comprovada, caracteriza, também, omissão de receita (base legal do art. 281, III, do RIR/1999) e, portanto, a matéria seria uma presunção jurídica relativa (juris tantum) que inverteria o ônus da prova, pois a simples existência do passivo seria o bastante para a presunção da receita omitida, razão pela qual, caberia ao contribuinte provar a exigibilidade dos valores mantidos na contabilidade mediante a apresentação dos contratos e dos documentos que originaram o saldo. Destacouse ainda, que alternativamente poderseia comprovar a exigibilidade do passivo indicado, com a apresentação da documentação dos pagamentos realizados posteriormente ao período examinado, para frisar que tanto na fase de fiscalização, quanto na impugnação do lançamento, a contribuinte não juntou um só documento que comprovasse o saldo existente em sua contabilidade, limitandose a pedir diligência, de sorte que no entender da Turma julgadora, ainda que os contratos tenham sido verbais, o que frisou seria pouco provável por se tratar de três instituições financeiras dentre os seis saldos apresentados, a contribuinte poderia, passados mais de dois anos da autuação, ter apresentado os pagamentos posteriores, entretanto, teria se mantido inerte e, portanto, diante da falta de comprovação dos saldos, o lançamento de passivo fictício foi mantido. Quanto aos considerados “pagamentos sem causa”, entendeu a decisão recorrida que segundo a descrição dos fatos (fls. 62 e 85), não foram apresentadas documentação dos pagamentos efetuados, relativos às contas 1169 (Júlio Bogoricin — fls. 73/74) e 2520 (Júlio Bogoricin — fls. 75/77), bem como os respectivos contratos, ficando desta forma sem identificação os beneficiários dos pagamentos. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 4 Frisouse ainda, que o enquadramento legal repousou nos citados artigos 249, I, que trata dos ajustes ao lucro liquido das deduções não admitidas; 251, parágrafo único, que trata da escrituração contábil e fiscal; 300 que dispõe sobre a dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros; e 304 que não permite a dedução de importâncias declaradas como pagas ou creditadas a título de comissões, bonificações, gratificações ou semelhantes, quando não for indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento e quando o comprovante não individualizar o beneficiário do rendimento. Dito isso, destacouse que a conta 1169 (fls. 73/74) inicia o ano de 2002 com o saldo devedor de R$ 1.584.454,87, tendo recebido lançamentos a crédito, a titulo de "Valor Ref. Amortização Contrato de Mutuo n° 24" e pela natureza da conta, devedora, os valores lançados a crédito não podem ser "pagamentos", mas sim "recebimentos". Em sendo recebimentos, a autuação estaria equivocada, pois os registros contábeis estão em contradição com o descrito no auto de infração. Frisouse que ainda que se pagamentos fossem, a Fiscalização deveria ter demonstrado que as operações afetaram a apuração do resultado do ano, ou seja, foram lançadas como custos ou despesas para que sofressem a glosa. Com relação a conta 2520, entendeu a decisão recorrida que o saldo inicia o ano credor em R$ 1.050.921,04 (fl. 75), tendo recebido lançamentos a débito, que serviram de base para autuação, mas para que a autuação prosperasse, os valores deveriam ser caracterizados como rendimentos de terceiros e ter afetado o resultado, sendo certo que a falta de apresentação dos contratos de mútuos não possuiria previsão legal para caracterizar os débitos como pagamentos sem causas ou como pagamentos a beneficiários não identificados. Ademais, entendeuse que careceria de prova que os débitos afetaram a apuração do resultado do exercício, de sorte que se poderia concluir que para realizar o lançamento o autuante deveria ter constatado a tipicidade da conduta segundo a legislação tributária, bem como indicar com certeza a infração cometida, frisando que tais condições não foram atendidas na infração "pagamentos sem causa", como visto acima e, portanto, o lançamento foi julgado improcedente. No que toca à apuração do IRPJ devido, destacou a decisão recorrida que ao apurar adições a ser incluídas na apuração do lucro real, a Fiscalização deve reconstituir a respectiva base tributável, partindo da declaração de IRPJ apresentada e que nesta circunstância, incluise a consideração de prejuízos fiscais ainda não utilizados, visto tratarse de um direito do contribuinte, elaborando planilha demonstrativa na folha 222. Entendeuse que a infração relativa à manutenção de passivo fictício é apta a desencadear o lançamento de PIS e COFNS, estendendose aquilo que decido à CSLL e destacando, quanto ao IRRF, que os valores autuados são os mesmos da infração de IRPJ relativa aos supostos “pagamentos sem causa”, ou seja, valores creditados na conta 1169 e valores debitados na conta 2520, ambas denominadas Júlio Bogoricin e como já relatado acima, tal lançamento foi julgado improcedente a revelar também, que não seria procedente o lançamento de IRRF. Diante da parcial exoneração do crédito tributário houve Recurso de Ofício ao então Conselho de Contribuintes, sendo este objeto para análise desse Colegiado. É o relatório. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 18471.001687/200532 Acórdão n.º 1301000.849 S1C3T1 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES 6 Como já adiantado acima, cuidase na espécie de Recurso de Ofício ante a exclusão da parcela do crédito tributário relativamente às autuações decorrente dos considerados “pagamentos sem causa”, afastandose, por óbvio seus reflexos na autuação de IRRF. A decisão recorrida também firmou entendimento de que na apuração do IRPJ devido cumpre à Fiscalização, em caso de procederse eventuais glosas, reconstituir a respectiva base tributável, partindo da declaração de IRPJ apresentada e que nesta circunstância, incluise a consideração de prejuízos fiscais ainda não utilizados, visto tratarse de um direito do contribuinte, elaborando planilha demonstrativa na folha 222 na qual se destaca o aproveitamento de tais prejuízos. Portanto, o que remanesce para discussão, é perquirir o acerto, ou não, da decisão em tela que entendeu não proceder glosas relativas à pagamentos sem causa e determinou fossem compensadas, na autuação, eventuais prejuízos fiscais existentes, até o limite permitido pela legislação. Ao meu sentir a decisão recorrida não está a merecer qualquer reparo. Isso porque como bem se frisou na decisão hostilizada, na descrição dos fatos, às folhas 62/85, a zelosa Fiscalização afirmou que não foram apresentados comprovantes e documentações relativos aos pagamentos efetuados nas contas 1169 (Júlio Bogoricin — fls. 73/74) e 2520 (Júlio Bogoricin — fls. 75/77), bem como os respectivos contratos que embasariam tais pagamentos, situação que segundo a Fiscalização, traria a consequência de considerarse sem identificação os beneficiários dos pagamentos. Foi cotejando esses fatos e constatações da Fiscalização, que a decisão impugnada aferiu que a conta 1169 (fls. 73/74) inicia o ano de 2002 com o saldo devedor de R$ 1.584.454,87, tendo recebido lançamentos a crédito, a título de "Valor Ref. Amortização Contrato de Mutuo n° 24", afirmando que pela natureza da conta ser devedora, os valores lançados a crédito não podem ser "pagamentos", mas sim "recebimentos". Ora, a conclusão da decisão recorrida é absolutamente coerente, porquanto em sendo “recebimentos” os valores considerados como pagamentos não identificados, a autuação estaria equivocada eis que os registros contábeis evidenciariam contradição com aquilo que descrito no auto de infração. De igual modo, tem razão a decisão recorrida ao afirmar que ainda que se tratassem de pagamentos, cumpria à Fiscalização demonstrar que as operações, aquelas consideradas como pagamentos não identificados, afetaram a apuração do resultado do ano, ou seja, foram lançadas como custos ou despesas e aí sim, caso não fossem comprovadas, sofressem a glosa. Também não merece censura a decisão recorrida, ao afirmar que em relação a conta 2520, de igual forma o saldo inicia o ano credor em R$ 1.050.921,04 (fl. 75), tendo recebido lançamentos a débito, que serviram de base para autuação, sendo certo que outra vez a Fiscalização não demonstrou que os tais valores afetaram o resultado, sendo certo que a falta de apresentação dos contratos de mútuos de fato não possui previsão legal para caracterizar os débitos como pagamentos sem causas ou como pagamentos a beneficiários não identificados. Diante disso, no tópico relativo à exclusão da parcela do crédito tributário relativo à glosa de pagamentos sem causa e seu reflexo no IRRF, a decisão recorrida deve ser mantida por seus próprios fundamentos. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES Processo nº 18471.001687/200532 Acórdão n.º 1301000.849 S1C3T1 Fl. 4 7 Quanto à decisão de que na apuração do IRPJ devido, cumpre à Fiscalização, em caso de procederse eventuais glosas, reconstituir a respectiva base tributável, partindo da declaração de IRPJ apresentada e que nesta circunstância, incluise a consideração de prejuízos fiscais ainda não utilizados, visto tratarse de um direito do contribuinte, cumpre mencionar que outra vez andou bem a decisão recorrida. Com efeito, consoante determinado na legislação tributária, o lucro real, base de cálculo do imposto de renda, é apurado a partir da escrituração contábil, com os ajustes e exclusões admitidas e as inclusões determinadas pela legislação tributária bem como a compensação dos prejuízos fiscais. Não é por outro motivo, por exemplo, que os artigos 42 da Lei 8.981/95 e 15 da Lei 9.065/95, estabelecem que na determinação do lucro real, a compensação dos prejuízos fiscais deve observar o limite máximo de 30% do lucro líquido ajustado, a demonstrar que a compensação dos prejuízos fiscais é parcel a ser considerada na aferição do lucro real. Tendo em conta que a base de cálculo definida na lei prevê a compensação dos prejuízos fiscais acumulados, ao proceder o lançamento de ofício, a ação fiscal deve levar em conta os prejuízos apurados e declarados pelo contribuinte, compensandoos de ofício. Pelo exposto, conheço do Recurso de Ofício e voto por DAR PARCIAL provimento ao recurso de ofício, mantendo a glosa quanto ao IRRF dos pagamentos da conta 2520. Sala das Sessões, em 15 de março de 2012 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES , Assinado digitalmente e m 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10730.002481/2008-62
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
Ementa:
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
É de se restabeler, as despesas médicas pleiteadas, quando comprovado por meio de documento hábil e idôneo.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2802-002.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$18.680,00 (dezoito mil, seicentos e oitenta reais), nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(Assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora.
EDITADO EM: 26/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 Ementa: DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. É de se restabeler, as despesas médicas pleiteadas, quando comprovado por meio de documento hábil e idôneo. Recurso Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$18.680,00 (dezoito mil, seicentos e oitenta reais), nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (Assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 26/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano.
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DESPESAS MÉDICAS. É de se restabeler, as despesas médicas pleiteadas, quando comprovado por meio de documento hábil e idôneo. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$18.680,00 (dezoito mil, seicentos e oitenta reais), nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente (Assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora. EDITADO EM: 26/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 24 81 /2 00 8- 62 Fl. 67DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório O recorrente foi notificada de lançamento de IRPF (Notificação fls. 04/06) do exercício 2007, ano calendário 2006, elaborado em virtude de glosa de despesas médicas no valor de R$ **18.680,00, por falta de comprovação. Glosado R$ 18.680,00 ,indevidamente deduzido a titulo de despesas médicas. Os pagamentos efetuados aos CPFs_485194.30759,043.975.00754 e 070.942.84721, nos valores: R$ 7.680,00, R$ 6.000,00 e R$ 5.000,00 respectivamente foram glosados tendo em vista que nos recibos apresentados não constavam os endereços dos profissionais emitentes. As glosas acima mencionadas, diminuiram o saldo do imposto a restituir declarado, pelo contribuinte em sua DIRPF Exercício 2007 de R$8.264,68, para R$ 1.127,68. As glosas foram impugnadas, consoante o relatório da decisão de primeira instância, com os seguintes argumentos: · alega que o fiscal tem razão ao afirmar não constar os endereços dos profissionais, mas que leigos — se incluindo entre eles — não deveriam ser punidos quando apresentam recibos devidamente assinados, constando o número do CPF e o nome legível do profissional; · alude ao Manual de Orientação, com transcrição de trecho do mesmo, e argumenta que, substituindo o recibo por cheques nominais ao profissional prestador do serviço e ao declarar no item da declaração de ajuste anual o nome e o CPF do mesmo, a Receita Federal, através de um cruzamento de informações, atestaria a veracidade das informações, motivo pelo qual, defende que, embora solicitado, o endereço é o que menos importa, até porque qualquer gráfica pode imprimilo, sendo ou não autêntico; · informa o CPF, número de registro, endereço e telefone dos profissionais Carla Maria Mendes de Magalhães, Juliana Abreu do Nascimento e Fernanda Coutinho França, sendo que esta última atenderia no domicilio como fisioterapeuta acompanhante, sendo informado seu endereço residencial; · alega que, como idoso e com condições financeiras, tem o privilégio de poder contar com atendimento profissional, pagando suas obrigações e impostos em dia, não possuindo cartão corporativo e estando em dia com o Ledo; · por fim, solicita que se julgue procedente a impugnação, restabelecendo a devolução a que entende ter direito, de R$ 6.264,68, devidamente corrigidos. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10730.002481/200862 Acórdão n.º 2802002.104 S2TE02 Fl. 8 3 A 1ª Turma da DRJ Rio de Janeiro (RJ), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n° 1330.594, de 30 de julho de 2010, que se encontra às fls. 37 a 39, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Deve ser mantida a glosa das deduções efetuadas na Declaração de Ajuste Anual a titulo de despesas médicas, quando os documentos de prova constantes dos autos não preenchem todos os requisitos estabelecidos em lei, não restando devidamente suprida a irregularidade detectada pela fiscalização. Impugnação Improcedente A Ciência desse acórdão em 20/08/2010 (fls. 43) e interposição de recurso voluntário em 08/09/2010 (fls. 44/45). Em sede de recurso, o litigante, alega em síntese que: · Apesar de não concordar com os argumentos contidos na decisão de primeira instância, no que se refere as profissionais, Fernanda Coutinho França, Juliana Abreu do Nascimento, e Carla Maria Mendes de Magalhães, para que não paire qualquer dúvida sobre o endereço comercial da aludida profissional à época, junta ao presente Recurso declaração firmada pelos profissionais, atestando a veracidade do seu endereço comercial, preenchendo, assim, os requisitos do artigo 8°, § 2°, inc. 11, da Lei 9250. · Diante do exposto, espera o Recorrente que esse E. Conselho dê provimento ao Recurso, a fim de que seja a excluída a glosa no valor de R$ 18.680,00 (Dezoito mil seiscentos e oitenta reais), respeitante à dedução a titulo de despesas médicas objeto dos recibos emitidos pelos profissionais, acima referidos, e lançados em sua Declaração de Ajuste Fiscal Ano Base 2006 , Exercício 2007 , por ser de direito e justiça. Relatado o essencial, passo ao voto. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso apresentado é tempestivo.Estando dotado, ainda, dos demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. O litígio gira em torno: R$18.680,00 (Dezoito mil seiscentos e oitenta reais), respeitante à dedução a titulo de despesas médicas objeto dos recibos emitidos pelos Fl. 69DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 profissionais Fernanda Coutinho França, Juliana Abreu do Nascimento, e Carla Maria Mendes de Magalhães. Assim, passase a análise do recurso apresentado. Verificase que no acordão de primeira instância, consta a seguinte fundamentação, para a não aceitação das despesas médicas relativas a Fernanda Coutinho França, Juliana Abreu do Nascimento, e Carla Maria Mendes de Magalhães. Ocorre que a documentação apresentada não se mostra hábil para a finalidade pretendida. Isto porque não se pode precisar que a informação dos endereços tenha sido aposta pelos correspondentes profissionais, tendo em vista a similaridade das letras e forma de preenchimento relativamente aos recibos emitidos pelos prestadores acima identificados. Ainda, a ausência de endereços também não pode ser suprida pela simples menção dos mesmos na peça de defesa. No caso, caberia ao contribuinte, para fins de ter sua pretensão atendida, providenciar, junto aos profissionais envolvidos, a retificação dos recibos emitidos ou declarações, firmadas pelos mesmos, no sentido de atender a exigência da fiscalização quanto ao endereço. Notese que até se poderia admitir o aproveitamento dos recibos originais para suprir a irregularidade, mas caberia a demonstração de que o acréscimo foi realizado pelo profissional, que poderia fazêlo no verso do recibo ou outro lugar disponível, com aposição de novo carimbo e assinatura/rubrica, o que não foi o caso. Analisandose os autos, especificamente às fls 43,46, 47, 48, constatase que o recorrente apresentou declarações dos profissionais: 1. . JULIANA ABREU DO NASCIMENTO– CPF 04397500754, R$ 6.000,00 , indicando como seu endereço profissional: — Rua Moreira Cesar 26 sala 1209 — Edifício Trade Center Icaraí— Niterói, RJ; 2. .CARLA MARIA MENDES DE MAGALHÃES– CPF 485194307 59, R$ 7.680,00, indicando como seu endereço profissional: — RUA PRESIDENTE BACKER 260— ICARAI NITERÓI – RJ; 3. FERNANDA COUTINHO FRANCA– CPF 07094284721, R$ 5.000,00, indicando como seu endereço profissional: — Rua três, quadra 13, lote 83— Itaipu — RJ; Na linha acima, vêse que o contribuinte trouxe aos autos os comprovantes normalmente suficientes para a comprovação das despesas médicas declaradas, os recibos respectivos, lastreados com a declaração dos profissionais atestando o recebimento dos valores declarados pelo recorrente. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso, para restabelecer a dedução com despesas médicas no valor de R$18.680,00. (Assinado digitalmente) Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10730.002481/200862 Acórdão n.º 2802002.104 S2TE02 Fl. 9 5 Dayse Fernandes Leite – Relatora Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 44023.000003/2006-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2302-000.211
Decisão: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 20/09/2006
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi - Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Adriana Sato, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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decisao_txt : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 20/09/2006 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi - Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Adriana Sato, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
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RESOLVEM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Adriana Sato, André Luís Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. 1. RELATÓRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 Data de lavratura do Auto de Infração: 20/09/2006. Data da Ciência do Auto de Infração: 20/09/2006. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 4 40 23 .0 00 00 3/ 20 06 -5 4 Fl. 497DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 44023.000003/200654 Resolução nº 2302000.211 S2C3T2 Fl. 498 2 Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lavrado em desfavor do Recorrente, em razão da apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme descrito no Relatório Fiscal e anexos, a fls. 05/06 e planilhas a fls. 07/10. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) Art. 284, II na redação do Dec.4.729, de 09/06/2003. Informa a Autoridade Lançadora que a empresa elaborou e apresentou GFIP de seus estabelecimentos e competências, deixando de informar, porém, na composição da remuneração, os valores pagos aos segurados empregados a titulo de: · SALÁRIOALIMENTAÇÃO, uma vez que a empresa não estava inscrita no PAT nos anos de 1999 e 2004. · VALETRANSPORTE, pois o valor era pago em dinheiro. · PLR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS, uma vez que foi pago em desacordo com a legislação. · PRÓLABORE, pago aos segurados empresários, em decorrência de empréstimos contraídos com a empresa. · REMUNERAÇÃO A SEGURADOS EMPREGADOS, decorrente do enquadramento de diversas pessoas jurídicas na condição de segurados empregados. · REMUNERAÇÃO A SEGURADOS EMPREGADOS, decorrente da apuração do valor de mãodeobra empregada, obtida por aferição na Conta "Construções em Andamento". A multa aplicada corresponde a 100 % do valor das contribuições previdenciárias devidas e não declaradas em GFIP, relativas aos fatos geradores descritos no parágrafo precedente, conforme destacado no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa a fls. 05/10. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 50/71. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 44023.000003/200654 Resolução nº 2302000.211 S2C3T2 Fl. 499 3 A Delegacia da Receita Previdenciária São Paulo Oeste baixou o feito em diligência para que a Fiscalização se pronunciasse sobre a documentação acostada pela empresa em sede de impugnação administrativa, conforme despacho a fl. 331. Informação Fiscal a fls. 332/334. Devidamente cientificada da Informação Fiscal acima referida, a Autuada ofereceu aditamento à defesa a fls. 348/350. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP proferiu Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 362/375, julgando procedente em parte o Auto de Infração imputado, para dele fazer excluir as obrigações tributárias alcançadas pela decadência, retificando o valor da penalidade pecuniária imputada ao infrator. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 07/12/2009. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 361/429, deduzindo seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Não ocorreram os fatos geradores descritos pela fiscalização; · O julgamento deve ser suspenso até o julgamento das NFLD conexas; · O pagamento de alimentação ocorreu de acordo com a lei específica; · Não houve infração de lei quanto ao pagamento da verba relativa ao transporte; · O pagamento de PLR ocorreu de acordo com as normas coletivas; · A verba relativa ao prólabore decorreu de um contrato de mútuo; · Não houve relação de emprego como alegado pela fiscalização; · A aferição de mãodeobra ocorreu de forma irregular; · Deve ser aplicada a retroatividade benigna; Ao fim, requer o cancelamento da autuação por nulidade. Em razão da incontestável relação de prejudicialidade entre a vertente demanda e o decisum a ser proferido no julgamento das Notificações Fiscais de Lançamento de Débito NFLD nº 37.013.6829, 37.013.6837, 37.013.6845, 37.013.6853 e 37.013.6861, almejando esquiva a decisões divergentes, o Julgamento houvese por convertido em diligência até o desfecho destes, nos termos da Resolução nº 2302000.123, de 30 de novembro de 2011, a fls. 428/429. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 44023.000003/200654 Resolução nº 2302000.211 S2C3T2 Fl. 500 4 A Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo emitiram informação em Resultado de Diligência dispondo que: NFLD nº 37.013.6829: A NFLD encontrase na fase: aguardando expedição acórdão, conforme tela SICOB (fl. 453). Tratase de NFLD parte conexa e parte não conexa a este AI. A parte conexa é composta pelos levantamentos PAT e VT2, o restante dos levantamentos não são conexos. O processo está no CARF, conforme tela Comprot (fl. 454). Processo digitalizado. NFLD nº 37.013.6837: A NFLD encontrase na fase: em cobrança pela PGFN, conforme tela SICOB (fl. 455). Tratase de NFLD conexa a este AI por tratarse de levantamento não declarado em GFIP. O processo está na Procuradoria Regional da Fazenda Nacional 3º região, conforme tela Comprot (fl. 456). NFLD nº 37.013.6845: A NFLD encontrase na fase: aguardando expedição acórdão, conforme tela SICOB (fl. 457). Tratase de NFLD conexa a este AI por tratarse de levantamento não declarado em GFIP. NFLD nº 37.013.6853: A NFLD encontrase na fase: aguardando homologação recurso. oficio, conforme tela SICOB (fl. 459). Tratase de NFLD parte conexa e parte não conexa a este AI. A parte conexa é composta pelo levantamento PJ2; o levantamento PJ1 não é conexo. O processo está no CARF, conforme tela Comprot (fl. 460). Processo digitalizado. NFLD nº 37.013.6861: A NFLD encontrase na fase: baixado por DN, conforme tela SICOB (fl. 461). Tratase de NFLD conexa a este AI por tratarse de levantamento não declarado em GFIP. O processo está na DEFISSP, conforme tela Comprot (fl. 462). Apenas a título de esclarecimento as demais NFLD lavradas na presente ação fiscal de nº 37.013.6802, 37.013.6810 e 37.013.6870 não são conexas a este Auto de Infração, e por este motivo não estão sendo prestadas informações a respeito de suas situações. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 44023.000003/200654 Resolução nº 2302000.211 S2C3T2 Fl. 501 5 Devidamente intimada via edital a fl. 494, a Autuada não se manifestou nos autos do processo. Relatados sumariamente os fatos relevantes. VOTO Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator ad hoc. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 07/12/2009. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 22/12/2010, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES 2.1. DEPENDÊNCIA DO JULGAMENTO DE NFLD CONEXA CFL 68 Conforme destacado anteriormente, as obrigações principais correspondentes aos fatos geradores tratados neste Auto de Infração foram lançadas mediante as NFLD nº 37.013.6829, 37.013.6837, 37.013.6845, 37.013.6853 e 37.013.6861, lavradas na mesma ação fiscal. Em sede de Diligência Fiscal, DICAT/DERAT em São Paulo I/SP informou o andamento processual dos Processos Administrativos Fiscais correspondentes às NFLD acima apontadas. Consulta à Base de Dados Informatizada da RFB e do CARF revelou que as NFLD nº 37.013.6829 e 37.013.6853 ainda não foram julgadas em grau de 2ª Instância Ordinária no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e que a NFLD nº 37.013.6861 encontrase baixada por DN, com homologação de nulidade. Assim, havendo flagrante questão prejudicial para o presente julgamento, exsurge que a decisão da procedência ou não do auto de infração ora em debate encontrase visceralmente associada à sorte das Notificações Fiscais conexas acima indicadas, lavradas na mesma ação fiscal em desfavor do Recorrente, as quais promovem o lançamento de obrigações tributárias principais referentes aos mesmos fatos geradores ora tratados. A prejudicialidade se revela ainda mais intensa na medida em que os argumentos de defesa expendidos pelo Recorrente têm por mérito a ocorrência ou não dos mencionados fatos geradores. In casu, não se trata de valores reconhecidos em folhas de Fl. 501DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 44023.000003/200654 Resolução nº 2302000.211 S2C3T2 Fl. 502 6 pagamento ou na contabilidade da empresa como parcelas integrantes do saláriode contribuição, mas, sim, de remunerações indiretas no entender da fiscalização. Assim, para evitar decisões discordantes é imprescindível a análise conjunta com a referida Notificação Fiscal. Nesse contexto, pugnamos pela conversão do julgamento em diligência para que: a) Sejam acostadas aos autos copia das decisões definitivas na Instância Administrativa referentes às NFLD nº 37.013.6829, 37.013.6837, 37.013.6845 e 37.013.6853. b) Seja acostada aos autos cópia da Decisão Administrativa que determinou a baixa da NFLD nº 37.013.6861, por nulidade; Para que não restem dúvidas, a diligência deve ser concluída pela juntada aos presentes autos de cópia das decisões definitivas acima mencionadas, no âmbito administrativo. Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado deve ser conferida vistas ao Recorrente, para que, desejando, possa se manifestar no processo, no prazo normativo. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pela CONVERSÃO do julgamento em DILIGÊNCIA, nos termos assinalados nos parágrafos anteriores. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator ad hoc. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13555.000064/2011-47
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
Omissão de Receitas. Diferenças entre os Valores Escriturados e Declarados/Pagos
A autoridade fiscal deve exigir os tributos que deixaram de ser pagos em virtude da sonegação de informações de receitas comprovadamente auferidas, escrituradas e informadas à Fazenda Estadual, mas que deixaram de ser oferecidas à tributação pelo Fisco Federal, com a entrega de DIPJ e de DCTF sem qualquer movimento operacional.
Retificação de Declaração. Ação Fiscal em Curso.
Já iniciado o procedimento fiscal, não se admite a declaração retificadora que vise sanar os valores que evidenciam a infração investigada.
Multa Qualificada. Evidente Intuito de Fraude.
Deve ser mantida a multa qualificada pelo evidente intuito de fraude quando comprovadas as ações ou omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, e das condições pessoas do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.
Numero da decisão: 1801-001.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
______________________________________
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
______________________________________
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 Omissão de Receitas. Diferenças entre os Valores Escriturados e Declarados/Pagos A autoridade fiscal deve exigir os tributos que deixaram de ser pagos em virtude da sonegação de informações de receitas comprovadamente auferidas, escrituradas e informadas à Fazenda Estadual, mas que deixaram de ser oferecidas à tributação pelo Fisco Federal, com a entrega de DIPJ e de DCTF sem qualquer movimento operacional. Retificação de Declaração. Ação Fiscal em Curso. Já iniciado o procedimento fiscal, não se admite a declaração retificadora que vise sanar os valores que evidenciam a infração investigada. Multa Qualificada. Evidente Intuito de Fraude. Deve ser mantida a multa qualificada pelo evidente intuito de fraude quando comprovadas as ações ou omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, e das condições pessoas do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇAS ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E DECLARADOS/PAGOS A autoridade fiscal deve exigir os tributos que deixaram de ser pagos em virtude da sonegação de informações de receitas comprovadamente auferidas, escrituradas e informadas à Fazenda Estadual, mas que deixaram de ser oferecidas à tributação pelo Fisco Federal, com a entrega de DIPJ e de DCTF sem qualquer movimento operacional. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. AÇÃO FISCAL EM CURSO. Já iniciado o procedimento fiscal, não se admite a declaração retificadora que vise sanar os valores que evidenciam a infração investigada. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. Deve ser mantida a multa qualificada pelo evidente intuito de fraude quando comprovadas as ações ou omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, e das condições pessoas do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 5. 00 00 64 /2 01 1- 47 Fl. 285DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/12/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13555.000064/201147 Acórdão n.º 1801001.281 S1TE01 Fl. 3 2 ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 2a. Turma de Julgamento da DRJ em Salvador/BA que, por unanimidade de votos, manteve integralmente as exigências consubstanciadas nos autos. O presente processo trata de autos de infração à legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, que exigem da empresa acima qualificada o crédito tributário no montante total de R$ 338.391,59, assim, como autos de infração das contribuições ao PIS, no total de R$ 85.622,73 e a COFINS, no total de R$ 395.182,67, já considerados nesses valores o principal, a multa de ofício qualificada e os juros de mora calculados até a data da lavratura, tendo em conta a constatação de irregularidades relativas a omissão de receitas oriundas da atividade de revenda de mercadorias, que foram escrituradas mas não declaradas, nos quatro trimestres do ano calendário de 2008. (fls. 01/40). De acordo com o relato constante do Termo de Verificação Fiscal (fls. 226/230), a empresa tem por objeto o comércio varejista de produtos em geral. O MPF teria sido emitido em função de divergências entre as informações prestadas à Secretaria de Fazenda Estadual, através das Declarações de Apuração Mensal do ICMS (DMA), com saídas no valor de R$ 4.790.472,39, e a DIPJ/2009, anocalendário 2008, com opção pelo lucro presumido, que se encontrava “zerada”. A DCTF referente ao 1º semestre de 2008 foi apresentada como se a empresa não tivesse movimento (“zerada”), enquanto a do 2º semestre não foi apresentada. No sistema Sinal 05 da RFB, não constariam pagamentos de tributos federais para o ano calendário de 2008, enquanto que a empresa teria movimentado em entidades financeiras, no mesmo período, o montante de R$ 2.528.163,24, fatos que sustentariam o indício de omissão de receitas no valor de R$ 4.790.472,39. A empresa fora, então, intimada a apresentar documentos de sua escrituração contábil e fiscal e de sua análise, principalmente dos Livros de Apuração do ICMS e de Saídas de Mercadorias verificouse que a DIPJ, com opção pelo lucro presumido, e a DCTF estavam Fl. 286DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/12/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13555.000064/201147 Acórdão n.º 1801001.281 S1TE01 Fl. 4 3 realmente sem qualquer informação “zeradas” e que as receitas escrituradas nos mencionados livros retratariam o que foi informado ao Fisco do Estado da Bahia. Ainda que excluída a espontaneidade, com o início da ação fiscal, o sujeito passivo teria apresentado a DIPJ/2009 e DCTF retificadoras, não levados em consideração para efeito de lançamento de ofício, especialmente quanto à multa de ofício aplicada, ressaltandose que os valores declarados retratariam a situação real, no que diz respeito à receita bruta da atividade, bem como da omissão do contribuinte quanto às obrigações acessória e principal. A auditoria fiscal considerou que os atos praticados pela empresa, mormente a apresentação da DIPJ/2009 e da DCTF do 1º semestre de 2008 “zeradas”, omissão da DCTF do 2º semestre de 2008, em desacordo com sua efetiva e real receita bruta escriturada e não declarada ao fisco federal, caracterizariam a prática contumaz de sonegação fiscal, definida no artigo 71 da Lei nº. 4.502/1964, aplicando a multa qualificada de 150%, nos termos do artigo 44, II, da Lei nº. 9.430/1996. Foi formalizado processo de representação fiscal para fins penais. Apresentada impugnação tempestiva, pela qual alegou a empresa, em resumo, que: • apresenta histórico de cumprimento satisfatório de suas obrigações para com a SRF, haja vista não ter registros de antecedentes de autuações, não podendo prosperar qualquer presunção de prática de fraudes e sonegações contra o Fisco; • à época dos fatos que deram origem à autuação, operava no ramo de supermercado. Procedeu regularmente à emissão de notas fiscais e cupons fiscais de ECP, registrando nos livros exigidos pela legislação estadual (RSM e RAICMS), bem como nas DMA mensais, todas as operações relativas à comercialização de mercadorias. Ante a indiscutível complexidade e diversidade de normas que regem a matéria, e por lamentáveis equívocos cometidos pelo então contador, quando da DIPJ/2009 e DCTF/2008, deixou de declarar corretamente os valores mensais de receitas sujeitas à tributação no âmbito da SRF; • tomou conhecimento do Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF), em 24/01/2011, e apresentou todos os livros e documentos requisitados pela Fiscalização, constatando, à época, os erros cometidos pelo seu antigo contador, que foram prontamente corrigidos com a apresentação das declarações retificadoras (DIPJ/2009 e DCTF relativas aos dois semestres de 2008), contendo dados corretos e retificados, após ter sido alertada pelo seu novo contador, fato este ocorrido antes mesmo da entrega dos livros e documentos à SRF. Não houve, portanto, a alegada falsidade de declarações, até porque a Autuada já fornecera, ao Fisco Estadual, demonstrativos corretos de sua movimentação, aos quais, obviamente, o Fisco Federal também teve acesso, o que, segundo o Relatório de Auditoria Fiscal, teria motivado a ação fiscal em comento; • destaca, preliminarmente, o cerceamento do direito de defesa em virtude da falta de informações no Auto lavrado, além da inexistência de menção expressa acerca da pretensa infração. Em virtude da pluralidade de exigências, o auto tornou confusa e insegura a determinação dos fatos, base de cálculo e forma de apuração de cada suposto crédito tributário, tornando um desafio à inteligência a compreensão da complexa peça; • o fato de ter apresentado documentos retificadores demonstraria sua boa intenção e boa fé e as multas aplicadas, por exorbitantes, caracterizariam verdadeiro confisco e não poderiam ultrapassar os 2%. Pede, ao final, pelo cancelamento das exigências. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/12/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13555.000064/201147 Acórdão n.º 1801001.281 S1TE01 Fl. 5 4 A 2a. Turma da DRJ em Salvador/BA julgou os lançamentos procedentes (fls. 255/265). As preliminares suscitadas foram afastadas e, no mérito, convalidadas as exigências com a qualificação da multa de ofício. Notificada da decisão, em 29/03/2012, apresentou, a interessada, em 27/04/2012, recurso voluntário. Em sua defesa alega que a argüição de cerceamento do direito de defesa não foi analisada seriamente pela autoridade julgadora “a quo”, discorrendo, novamente e extensamente sobre a questão. Defende que não se poderia julgar pela manutenção do auto de infração ao argumento de que a declaração retificadora não poderia prevalecer depois de iniciado o procedimento fiscal pois também não se prestariam, os dados nelas inseridos, para validar a autuação. Alega que não houve a dedução, dos tributos já pagos com base nas declarações anteriores, daqueles exigidos nos autos de infração o que os tornaria imprestáveis e reafirma o caráter confiscatório da multa aplicada. Assinala que tais questões já teriam sido levadas à apreciação da autoridade julgadora de 1a. instância que teria deixado de enfrentálas. Pugna, ao final, pela improcedência das exigências ou, alternativamente, a redução da multa de ofício aplicada. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. 1 Preliminar No que respeita à invocada nulidade do procedimento cumpre examinar, inicialmente, se no presente caso teriam sido observados os requisitos legais pertinentes à constituição do Crédito Tributário pela Fazenda Pública, conforme estabelecido no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal – PAF, bem como se teriam sido atendidas as exigências presentes no art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN Lei nº. 5.172, de 1966. Esta é a redação dos dispositivos mencionados: Decreto no. 70.235/72 – PAF Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta e conterá obrigatoriamente: Fl. 288DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/12/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13555.000064/201147 Acórdão n.º 1801001.281 S1TE01 Fl. 6 5 I – a qualificação do autuado; II – o local, a data e a hora da lavratura; III – a descrição do fato; IV – a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V – a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI – a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Lei nº. 5.172/66 – Código Tributário Nacional Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Nesse aspecto, não se verifica nos autos a ausência dos elementos essenciais à formalização do crédito tributário, eis que presentes a descrição das irregularidades com a identificação da ocorrência dos fatos geradores, das matérias tributáveis, como também a determinação das bases de cálculo e alíquotas aplicáveis, o cálculo dos tributos exigidos, a correta identificação do sujeito passivo e a imposição da penalidade cabível. Assim, o ato praticado no presente processo revestiuse de todas as formalidades para sua validade, não se detectando nos autos qualquer das hipóteses de nulidade previstas nos incisos I e II do art. 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972, abaixo transcrito, uma vez que o ato foi formalizado por pessoa competente, o AFRFB, e foi assegurado aos autuados o direito de defesa. Da mesma forma, as decisões administrativas somente podem ser objeto de anulação se também restar caracterizada afronta às disposições do artigo 59, inciso II: Art. 59 São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ...omissis... Não se verifica, in casu, incompetência da autoridade julgadora de 1a. instância. Tampouco a decisão foi proferida com preterição do direito de defesa da contribuinte. Nesse contexto cumpre consignar que a validação, pela DRJ em Salvador/BA, das exigências formalizadas pela auditoria fiscal faz parte do campo do livre convencimento do Fl. 289DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/12/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13555.000064/201147 Acórdão n.º 1801001.281 S1TE01 Fl. 7 6 julgador e, como tal, não pode ser motivo para anulação de decisão. Aquela autoridade teria ficado convencida, pelos fatos narrados pelo agente fiscal e pelos elementos constantes dos autos, que restou comprovada a omissão de receitas caracterizada por pagamentos não escriturados. Os elementos de prova angariados pela auditoria fiscal foram considerados como suficientes à manutenção das exigências, ou seja, no entendimento do julgador de 1a. instância, provaram a procedência da autuação. E aqui se adentra, novamente, no campo do livre convencimento do julgador que, como consignado, não pode ser motivo para anulação de qualquer decisão. 2 Mérito No mérito restou comprovado que a empresa, no anocalendário 2008, auferiu uma receita bruta da ordem de R$ 4.790.472,39, devidamente escriturada em seus livros comerciais e fiscais, informada à Fazenda Estadual da Bahia, mas, também comprovadamente, omitida da tributação pelo Fisco Federal. Relembrese que o valor da receita bruta foi informado à Secretaria de Fazenda Estadual, através das Declarações de Apuração Mensal do ICMS (DMA), com saídas no valor de R$ 4.790.472,39. Os livros e documentos de sua escrituração contábil e fiscal, principalmente os Livros de Apuração do ICMS e de Saídas de Mercadorias, confirmaram o registro desse faturamento auferido no período de 2008, confirmado, também, pela movimentação financeira detectada da ordem de R$ 2.528.163,24. Na DIPJ do anocalendário 2008 originalmente apresentada não foi informado qualquer valor de receita bruta auferida no período todo (“zerada”). Também na DCTF do 1o. semestre não foi declarado/confessado, qualquer valor de tributo devido ao Fisco Federal com base nas receitas auferidas. A DCTF do 2o. semestre, sequer chegou a ser apresentada. Nenhum pagamento de tributo foi detectado nos sistemas de pagamentos da RFB. Não há outra qualificação para os fatos apurados. Tratamse pura e simplesmente de sonegação. Nesse contexto, a recorrente sequer nega ter omitido receitas. Em verdade, não se aventurou a negar o inquestionável. Limitouse a argumentar que as retificações das declarações promovidas após o início do procedimento fiscal seriam válidas para o fim de excluir da tributação, com suas conseqüentes penalidades, os valores que já haviam sido detectados pelo Fisco. Nesse particular, o Código Tributário Nacional, Lei nº. 5.172, de 1966, ao tratar da possibilidade de correção da declaração por iniciativa do próprio declarante, condiciona essa faculdade à comprovação de erro e antes de qualquer notificação do Fisco. Determina o parágrafo 1o. do art. 147 do CTN: ..1o. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o contribuinte. Assim, ao contrário do que entende a defesa, a retificação da declaração deve ser promovida antes do início do procedimento fiscal. Da mesma forma, não se pode deixar de mencionar o que dispõe o Decreto n º 70.235, de 1972: Fl. 290DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/12/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13555.000064/201147 Acórdão n.º 1801001.281 S1TE01 Fl. 8 7 Art. 7o. O procedimento fiscal tem início com: I – o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; ... ...1o. O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Conforme descrito, o contribuinte somente procurou alterar os dados contidos em suas declarações após o início do procedimento fiscal, momento em que já não mais dispunha de espontaneidade para confessar eventuais irregularidades vinculadas à matéria sob exame. Nesse sentido, regular foi o procedimento da Fiscalização, ao deixar de considerar os dados das declarações retificadoras apresentadas. Quanto à qualificação da multa, cumpre consignar que, adotada a perspectiva de que a ocorrência do fato gerador somente se dá a conhecer por meio da conversão em linguagem competente dos eventos ocorridos no mundo fenomênico, não poderia subsistir a distinção legal entre os conceitos de sonegação (impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador) e fraude (impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador). Na verdade, tanto na sonegação, quanto na fraude, o que estaria em questão seria a conduta dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador , das condições pessoais do contribuinte, mediante a exclusão ou modificação de suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do tributo devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Decorre daí que a interpretação da fraude lato sensu, no âmbito da legislação tributária, deve ser sempre em relação à conduta dolosa do sujeito passivo, tendente a impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária: (i) da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; (ii) das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Na verdade, a norma jurídica a descrever a hipótese relativa à fraude stricto sensu, denota apenas os meios utilizados para impedir ou retardar o conhecimento pelas autoridades fazendárias, quais sejam: (i) o ocultamento da ocorrência do fato gerador, (ii) a exclusão ou modificação de suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. No caso em apreço, a caracterização do dolo e do evidente intuito de fraude foi feita, pela fiscalização, a partir da constatação da apresentação de declarações – DIPJ e DCTF – com informações inverídicas no sentido de que a empresa não teria tido qualquer movimento operacional no anocalendário 2008 e que denotaram uma ação continuada do contribuinte no intuito de não levar ao conhecimento do Fisco sua real situação econômico financeira, principalmente o recebimento de receitas, fato gerador da obrigação tributária principal. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/12/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13555.000064/201147 Acórdão n.º 1801001.281 S1TE01 Fl. 9 8 Relevante destacar que a fraude e a simulação devem, necessariamente, ser veiculadas em instrumento específico, de forma que não se podem imputar tais infrações se não materializadas documentalmente. In casu, cumpre reconhecer que o instrumento mediante o qual a fraude se materializou foram as irrefutavelmente inverídicas declarações DIPJ e DCTF “zeradas” do anocalendário 2008, mediante as quais a pessoa jurídica informou que não promoveu movimento operacional e financeiro, nos respectivos períodos. Observese que a admissão de apresentação de Declaração da Pessoa Jurídica com a inserção de falsas informações, como suporte fático da incidência da multa qualificada pelo evidente intuito de fraude, é aceita pela jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, e do Superior Tribunal de Justiça, conforme ementas de recentes julgados abaixo colacionadas: MULTA QUALIFICADA – CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada, quando a contribuinte, mediante fraude, modifica as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária, reduzindo o montante do tributo. Acórdão 10517.249, de 15/10/2008 1o. C.C / 5a. Câmara. Relator Paulo Jacinto do Nascimento. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. CONCEITUAÇÃO LEGAL. VINCULAÇÃO DA ATIVIDADE DO LANÇAMENTO. A aplicação da multa qualificada no lançamento tributário depende da constatação do evidente intuito de fraude conforme conceituado nos artigos 71, 72 e 73 da Lei no. 4.502/65, por força legal (art. 44, ii, Lei no. 9.430/96). Constatado pelo auditor fiscal que a ação, ou omissão, do contribuinte identificase com uma das figuras descritas naqueles artigos é imperiosa a qualificação da multa, não podendo a autoridade administrativa deixar de aplicar a norma tributária, pelo caráter obrigatório e vinculado de sua atividade. Acórdão 19100.016, de 20/10/2008. 1o. C.C. 1a. Turma Especial. Relatora Ana de Barros Fernandes. Superior Tribunal de Justiça – Resp 601106/PR / 2003/01318517 – 5a. Turma – Relator Ministro Gilson Dipp CRIMINAL. SONEGAÇÃO FISCAL. COMERCIALIZAÇÃO DE VEÍCULOS IMPORTADOS. ... X. Constatada a existência da obrigação tributária e comprovada a fraude na documentação exigida pelo Fisco, com a supressão do pagamento do imposto devido, inviável, nesta sede, o afastamento da condenação, ao fundamento de que a entrada irregular da mercadoria não constitui fato gerador do tributo. ... Recursos parcialmente conhecidos e desprovidos. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/12/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13555.000064/201147 Acórdão n.º 1801001.281 S1TE01 Fl. 10 9 Ademais, é evidente também que dado o volume das receitas ocultadas ao Fisco na declaração apresentada sem movimento, não se pode dizer que a empresa operou com erro. E não há alternativa para a conduta praticada: ou se caracteriza o erro; ou se caracteriza o dolo. Em sendo assim, cumpre reconhecer a fraude na apresentação da DIPJ e da DCTF de inatividade operacional, como uma tentativa da contribuinte de impedir ou retardar o conhecimento pelo Fisco Federal das receitas comprovadamente auferidas na sua atividade operacional. A DIPJ e a DCTF, em confronto com a escrituração contábil e fiscal, com as informações prestadas à Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia e com a movimentação financeira da empresa caracterizam a prática da omissão de receitas reiterada e sistemática. Dessa forma, tendo em conta a conduta reiterada e sistemática de omissão de receitas, caracterizada está a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Adotado tais fundamentos, a exigência da multa qualificada subsiste na exigência da omissão de receitas sobre os valores exigidos nos autos. Quanto ao pleito para que sejam deduzidos, dos tributos exigidos nos presentes autos de infração, os valores pagos com base nas declarações retificadoras cumpre assinalar, uma vez mais, que a retificação de ditas declarações, após o início do procedimento fiscal, não produziu qualquer efeito sobre os presentes lançamentos. Os valores recolhidos, portanto, não podem ser levados em consideração neste processo. A recorrente, se assim o desejar, deverá pleitear a restituição/compensação desses valores em rito próprio. No que tange aos autos de infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, destaquese que se tratam de exigências reflexas que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Em assim sendo, a decisão de mérito prolatada em relação à exigência matriz constitui prejulgados na decisão das exigências reflexas. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 293DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/12/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13555.000064/201147 Acórdão n.º 1801001.281 S1TE01 Fl. 11 10 Fl. 294DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/12/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10865.001858/99-24
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/12/1989 a 01/02/1992
FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que para os recolhimentos indevidos que ocorreram antes do advento da LC 118/2005 o prazo para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve observar a cognominada tese dos cinco mais cinco. (RESP nº 1.002.932).
Recurso extraordinário negado.
Numero da decisão: 9900-000.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad - Relator
EDITADO EM: 12/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad - Relator EDITADO EM: 12/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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RESTITUIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que para os recolhimentos indevidos que ocorreram antes do advento da LC 118/2005 o prazo para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, deve observar a cognominada tese dos cinco mais cinco. (RESP nº 1.002.932). Recurso extraordinário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 18 58 /9 9- 24 Fl. 366DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 12/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Em 30/11/1999, Comercial Bertolini Corte por meio dos documentos de fls. 01/58, solicitou a restituição dos valores recolhidos indevidamente a título de Contribuição para o Fundo de Investimento Social (FINSOCIAL) excedentes ao 0,5% relativo ao período de 12/1989 a 02/1992. A Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, ao apreciar o recurso especial interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° CSRF/0305.478 que se encontra às fls. 279/306 e cuja ementa é a seguinte: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — RECONHECIMENTODE DIREITO CREDITÓRIO — DUPLO GRAU ANÁLISE DE MÉRITO — Nos processos administrativos fiscais de pedido reconhecimento do direitocreditório, cujo litígio instaurouse apenas quanto ao prazo para interposição do pleito, ou seja, a unidade de origem da Receita Federal não apreciou o mérito, afastada essa preliminar, os autos devem retornar àquela origem para essa análise, podendo o contribuinte apresentar outra manifestação de inconformidade à DRJ, no prazo de 30 dias da ciência, caso discorde da nova decisão. Recurso especial negado.” Como se verifica do referido acórdão, prevaleceu, pelo voto de qualidade, o entendimento de que a contagem do prazo de 5 (cinco) anos para interposição do pedido de Fl. 367DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10865.001858/9924 Acórdão n.º 9900000.389 CSRFPL Fl. 9 3 restituição iniciouse em 31/08/1995, com a publicação da MP nº 1.110/1995, tendo sido determinado o retorno dos autos à DRF de origem para julgamento do mérito. Intimada do acórdão em 04/09/2008 (fls. 308) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o recurso extraordinário de fls. 310/319, em que sustenta divergência entre o v. acórdão recorrido e o Acórdão CSRF/0202.088, de 17/10/2005, proferido pela 2ª Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ao Recurso Extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme Despacho nº 286/2008 de 29/09/2008 (fls. 328/329). Intimado sobre a admissão do recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte deixou de apresentar contrarazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional sustenta divergência entre o v. acórdão recorrido e o Acórdão CSRF/0202.088, de 17/10/2005, em relação ao dies a quo para contagem do prazo prescricional para repetição de indébito preenche os requisitos de admissibilidade. O Acórdão CSRF/0202.088, de 17/10/2005, encontrase assim ementado: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — REPETIÇÃO DE INDÉBITO O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário do contribuinte.” Verifico que a divergência está caracterizada na interpretação, dada pelos julgadores da Segunda e Terceira Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da norma que define o prazo e seu termo inicial de contagem, para o exercício do direito de restituição de indébito tributário. O dissídio jurisprudencial resta claro ante o confronto das referidas decisões enquanto no acórdão recorrido a contagem dos cinco anos iniciase a partir da publicação no DOU da Medida Provisória nº 1.110, de 30/08/1995, no acórdão paradigma é a partir da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado. Dessa forma, conheço do recurso extraordinário interposto. No mérito, já manifestei meu entendimento em diversas oportunidades segundo o qual o prazo para restituição de tributos cuja inconstitucionalidade ou não incidência foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em sede de controle concentrado, pela Fl. 368DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 autoridade fiscal ou por ato do Poder Legislativo deveria se dar a partir da data de publicação do ato que reconheceu tal circunstância.. Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, conforme alteração promovida pela Portaria MF n.º 586/2010 no artigo 62A do anexo II, introduziu dispositivo que determina, in verbis, que: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” No que diz respeito ao prazo para apresentação de pedido de restituição de tributo declarado inconstitucional ou cuja não incidência foi reconhecida pela administração tributária, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 1.110.578, nos termos do artigo 543C, do CPC, consolidou entendimento diverso, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo 168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 23/06/2009, DJe 10/08/2009; AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp 1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp. 732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU 21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ 19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10865.001858/9924 Acórdão n.º 9900000.389 CSRFPL Fl. 10 5 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” Nos termos da decisão acima referida, temse que é despicienda para fins de contagem do prazo para a restituição de tributos pagos indevidamente a declaração de inconstitucionalidade em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado, da lei instituidora do tributo a ser restituído. No que diz respeito ao prazo para apresentação de pedido de restituição de tributo declarado inconstitucional ou cuja não incidência foi reconhecida pela administração tributária, o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o RESP nº 1.110.578, nos termos do artigo 543C, do CPC, consolidou entendimento diverso, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação corespectiva. 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, Fl. 370DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I,I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT , para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inseri da no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração . (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System dês heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandoselhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteoricopratico di diritto civile francese Ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada , quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa. " Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na Fl. 371DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 10865.001858/9924 Acórdão n.º 9900000.389 CSRFPL Fl. 11 7 data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada." ). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.” Como se verifica do voto condutor do Ministro Luiz Fux, restou consagrada a tese de que o prazo prescricional para a repetição ou compensação dos tributos sujeitos a lançamento por homologação começa a fluir decorridos 05 (cinco) anos, contados a partir da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio computado desde o termo final do prazo atribuído ao Fisco para verificação do quantum devido. No presente caso, considerando que o pedido de restituição foi apresentado em 30/11/1999, verificase que de fato não ocorreu a decadência em relação a recolhimentos de FINSOCIAL relativos às competências de 12/1989 (fatos geradores de 31/12/1989) a 02/1992 (fatos geradores de 28/02/1992), haja vista que não ocorreu o transcurso de mais de 10 anos entre a data do pedido de restituição e a data da ocorrência do respectivo fato gerador do tributo. Destarte, voto no sentido de conhecer do recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 372DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 10680.006909/2007-06
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DEDUÇÕES. PREVIDÊNCIA PRIVADA. DESPESAS MÉDICAS.
Deve se mantida a glosa das deduções quando não comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte.
RETIRADA DE MATERIAL PARA OBTENÇÃO DE CÉLULA-TRONCO.
A retirada de material para obtenção de célula-tronco, com finalidade criogênica, apesar da possível utilidade futura, não tem a finalidade de tratamento prevista na legislação do imposto de renda.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIDO.
Descabe ao fisco produzir provas em favor do contribuinte, devendo, portanto, ser indeferido o pedido de diligência que tem por finalidade obter provas que deveriam e poderiam ter sido produzidas pelo recorrente
Pedido de Diligência Indeferido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÕES. PREVIDÊNCIA PRIVADA. DESPESAS MÉDICAS. Deve se mantida a glosa das deduções quando não comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte. RETIRADA DE MATERIAL PARA OBTENÇÃO DE CÉLULA-TRONCO. A retirada de material para obtenção de célula-tronco, com finalidade criogênica, apesar da possível utilidade futura, não tem a finalidade de tratamento prevista na legislação do imposto de renda. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIDO. Descabe ao fisco produzir provas em favor do contribuinte, devendo, portanto, ser indeferido o pedido de diligência que tem por finalidade obter provas que deveriam e poderiam ter sido produzidas pelo recorrente Pedido de Diligência Indeferido. Recurso Voluntário Negado.
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PREVIDÊNCIA PRIVADA. DESPESAS MÉDICAS. Deve se mantida a glosa das deduções quando não comprovadas por documentação hábil apresentada pelo contribuinte. RETIRADA DE MATERIAL PARA OBTENÇÃO DE CÉLULATRONCO. A retirada de material para obtenção de célulatronco, com finalidade criogênica, apesar da possível utilidade futura, não tem a finalidade de tratamento prevista na legislação do imposto de renda. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIDO. Descabe ao fisco produzir provas em favor do contribuinte, devendo, portanto, ser indeferido o pedido de diligência que tem por finalidade obter provas que deveriam e poderiam ter sido produzidas pelo recorrente Pedido de Diligência Indeferido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 69 09 /2 00 7- 06 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10680.006909/200706 Acórdão n.º 2801002.941 S2TE01 Fl. 311 2 Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis e Ewan Teles Aguiar. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 9ª Turma da DRJ/BHE/MG. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: “Cuidase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda de Pessoa Física, exercício 2005, anocalendário 2004 que formalizou a exigência do crédito tributário assim discriminado: Imposto (2904) R$24.013,60 Multa de Oficio R$18.010,20 Juros de Mora (até 30/04/2007) R$7.240,10 Valor do Crédito Tributário Apurado R$49.263,90 Em sede de revisão da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, procedeuse ao lançamento de ofício do Imposto de Renda, originário das alterações promovidas conforme demonstrativo de fls. 27/31, tendo sido alteradas para R$0,00 as deduções com despesas médicas (R$36.197,45), de dependentes (R$3.816,00), com instrução (R$1.998,00), com previdência privada (R$42.515,46), de incentivo (R$200,00), por falta de comprovação dos gastos, apesar de devidamente intimado. Foi apurada ainda omissão de rendimentos recebidos das fontes pagadoras Secretaria de Estado da Fazenda/MG (R$4.431,90, com IRRF sobre a omissão de R$795,69) e Tribunal de Justiça/MG (R$571,20). Na peça impugnatória apresentada às fls. 01/24 (instrumento de mandato à fl. 25) o contribuinte manifesta sua irresignação contra parte do lançamento tributário. Por meio de questão de ordem nega não ter atendido à intimação fiscal para apresentação de documentação comprobatória das despesas declaradas como dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda. Informa que mesmo diante de recibos/notas fiscais apresentados, o auditor fiscal comunicoulhe a respeito da não aceitação dos Fl. 311DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10680.006909/200706 Acórdão n.º 2801002.941 S2TE01 Fl. 312 3 recibos, pois também seria necessária a apresentação das cópias de cheques que comprovariam os respectivos pagamentos. Alerta que a lei não traz essa exigência, já que ressalva apenas a apresentação de cheques caso não haja a apresentação dos recibos ou estes sejam comprovadamente inidôneos. Ressalta que o ano de 2004 foi atípico em sua vida financeira, pois com o nascimento do 2º filho, muitas foram as despesas médicas incorridas. Quanto às deduções, apresenta suas justificativas para cada valor glosado pela malha fiscal. Às fls. 177/179, promove a juntada de sua certidão de casamento e a de nascimento de seus filhos para comprovar a relação de dependência e procedência da respectiva dedução. Os comprovantes das despesas com instrução foram acostados às fls. 32/46 e referemse às mensalidades escolares de sua filha Maria Luisa Godói Baracho junto ao Instituto Cecília Meireles. O contribuinte junta comprovantes de pagamento e extratos relativos à previdência privada, fls. 48/65 e requer o julgamento pela procedência das deduções no montante de R$42.515,46. Pugna pela procedência das seguintes despesas médicas: Hospital Mater Dei (R$1.909,24 fls. 103/108), Maria Ângela Gontijo (R$130,00 fl. 109), Denison Cavalcante Pinto (R$900,00). Quanto a esse último profissional, o contribuinte adverte que os gastos no anocalendário 2004 foram da ordem de R$1.650,00 e que pesquisando em seus arquivos pessoais identificou a numeração de alguns cheques (850326, 850438, 850523, 85041, 85048, 85049), que seriam todos no valor de R$150,00, R$900,00 no total, aptos a comprovar parcialmente a despesa médica declarada. Ainda que não tenha havido manifestação expressa na impugnação, o contribuinte ainda carreou aos autos os recibos e notas fiscais relativos aos seguintes profissionais da área médica/odontológica e clínicas, inseridos na declaração de ajuste anual: Paulo Tadeu de Mattos Pereira Poggiali (3.350,00 fls. 73/90 e 126151), Clínica Ginecológica Marcílio Magalhães (R$3.780,00 fls. 91/97), Phitágoras Carmo de Moraes (R$1.300,00 fls. 98/102), Estelamares Dória V. Barros (R$160,00 fls. 110/111), Arnaldo Antônio Elian (R$150,00 fl. 112), Ivan Cunha Melo (R$120,00 fl. 113), Rosângela Fátima de Macedo Moura (R$110,00 fl. 114), Luiz Megale (R$150,00 fls. 115 e 161), Criopraxis Criobiologia Ltda (R$3.500,00 fls. 116 e 162/173), Policlínica Oftalmológica (R$120,00 fl. 117), SAMBH Serviço de Anestesia Médica de Belo Horizonte (R$1.000,00 fl. 118), CÉU Centro Especializado em Ultra Sonografia (R$120,00 fl. 119), Bradesco Saúde (R$1.229,88 fl. 120) e Hernane Saldanha Lopes (R$9.800,00 fl. 121/124). Fl. 312DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10680.006909/200706 Acórdão n.º 2801002.941 S2TE01 Fl. 313 4 Esteirado em farta jurisprudência e julgados administrativos do antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, repugna a exigência da apresentação de cheques para comprovar despesas constantes de recibos e notas fiscais. Com justificativas lastreadas em diversos princípios constitucionais, requer o cancelamento do crédito tributário. O contribuinte, em tópico intitulado "do crédito reconhecido e pago efetuou cálculos e recolheu o imposto no valor de R$3.069,99, acompanhado de multa de ofício reduzida para 50% e juros moratórios (fl. 181). Os valores reconhecidos referemse a: A dedução de incentivo (R$200,00), cujo pagamento foi em favor da Associação Mineira de Defesa do Meio Ambiente AMDA; Omissão de rendimentos no valor total de R$5.003,10, já mencionados anteriormente; Despesas médicas declaradas com os seguintes profissionais da área médica ou clínicas no valor total de R$7.598,33, conforme consta da fl. 09 da peça impugnatória: Márcia Helena M.F. Oliveira, Instituto de Patologia Hermes Pardini, ECOAR Medicina Diagnostica Ltda, Rochele Pedrosa Godói, Vicente Gabrich e Phitágoras Carmo de Moraes (apenas o valor de R$126,00). O reconhecimento dessas glosas fundamentase em ressarcimento pelo plano de saúde ou ausência da documentação comprobatória.” A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 213/223, que restou assim ementado: GLOSA DE DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. INSTRUÇÃO. RESTABELECIMENTO PARCIAL. Os valores glosados acompanhados de documentação devem ser restabelecidos até o montante comprovado dos gastos. DESPESAS MÉDICAS. COLETA/ARMAZENAMENTO DE CÉLULASTRONCO. DEDUÇÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível, por falta de previsão legal, deduzir da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, a título de despesas médicas, os valores pagos na prestação de serviço de coleta, processamento e criopreservação de célulastronco. GLOSA DE DEDUÇÃO. DEPENDENTES. A dedução com dependente deve ser acatada, quando caracterizada a relação de dependência conforme previsão da lei tributária. CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. ÂMBITO ADMINISTRATIVO. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10680.006909/200706 Acórdão n.º 2801002.941 S2TE01 Fl. 314 5 Ao julgador administrativo é vedada a apreciação da constitucionalidade ou legalidade das normas vigentes, cuja competência é do Poder Judiciário. Regularmente cientificado daquele acórdão em 22/08/2011 (fl. 249), o interessado, representado por sua advogada (fl. 289), interpôs recurso voluntário de fls. 255/288, em 20/09/2011. Em sua defesa, pretende seja reformado o acórdão recorrido no que diz respeito: · à glosa dos pagamentos feitos à Sociedade Mineira de Cultura, no valor de R$ 4.437,98, reconhecendose a possibilidade de sua dedução; · à glosa do IASAMINAS, que seja dita glosa reduzida para R$ 2.124,82 ; · à glosa dos pagamentos feitos aos profissionais Phitágoras Carmo de Moraes (R$ 1.300,00), Arnaldo Antônio Elian (R$ 150,00), Rosângela Fátima de Macedo Moura (R$ 110,00) e Hernane Saldanha Lopes (R$ 9.800,00) e também à Policlínica Oftalmológica (R$ 120,00), reconhecendose a possibilidade de sua dedução; · à glosa dos valores pagos ao profissional Denison Cavalcante Pinto (R$ 900,00), reconhecendose a possibilidade de sua dedução; · à glosa dos valores pagos à CRYOPRAXIS Criobiologia Ltda (R$ 3.500,00); · à glosa dos valores relativos ao parto de filho comum do casal, no valor de R$ 3.029,24. Requer, ainda, caso haja dúvidas acerca da idoneidade de tais despesas, seja o processo baixado em diligência para fins de comprovação por parte do fisco. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O recorrente pretende sejam restabelecidas diversas deduções, sem, contudo, aditar qualquer elemento de prova. O valor declarado referente à Sociedade Mineira de Cultura a título de dedução com previdência privada deve ser mantido, pois, como bem registrou a decisão recorrida não restou demonstrado o vínculo da proposta de adesão de fl. 52 com o pagamento acostado à fl. 51. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10680.006909/200706 Acórdão n.º 2801002.941 S2TE01 Fl. 315 6 Também não se comprovou que os valores pagos à IASAMINAS referemse a contribuições a PGBL para que possam ser deduzidos como previdência privada, conforme legislação de regência. Neste sentido, não merece acolhida a solicitação do recorrente para que se considere a parcela de R$ 182,28, conforme nota de rodapé no informativo de fl. 53, dispondo que os valores das contribuições p/ o Fundo Auxiliar de Desemprego Normal (FUNDESN) não são dedutíveis da base de cálculo do IR, devendo deduzir somente as contribuições para FUNDESA (Invalidez) e pensão. Em relação aos pagamentos feitos a Phitágoras Carmo de Moraes, Arnaldo Antônio Elian, Rosângela Fátima de Macedo Moura, Hernane Saldanha Lopes e à Policlínica Oftalmológica, observase que a glosa foi mantida por ausência de indicação do paciente nos recibos. Conforme expressa previsão legal (art. 8º , § 2o , II, da Lei 9.250/95), a dedução de despesas médicas restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Por este motivo, além da identificação de quem arcou com a despesa, é imprescindível que esteja identificado quem foi o beneficiário do tratamento. Assim, caberia ao sujeito passivo, em face da motivação da glosa, apresentar documentos outros (laudos ou declarações dos profissionais, retificação dos recibos) no sentido de sanar o vício formal nos comprovantes apresentados, o que, na espécie, não foi providenciado. Melhor sorte não socorre o interessado no que diz respeito à glosa do valor de R$900,00 relativo aos pagamentos ao profissional Denison Cavalcante Pinto, já que o contribuinte simplesmente enumerou uma relação de cheques que supostamente teriam sido emitidos para quitar as despesas declaradas. A retirada de material para obtenção de célulatronco, com finalidade criogênica, apesar da possível utilidade futura, não tem a finalidade de tratamento prevista na legislação do imposto de renda. Assim, a despesa constante da nota fiscal emitida pela empresa Cryopraxis Criobiologia Ltda. não pode ser considerada dedutível como despesa médica. Diferentemente do que entende o peticionário, as despesas como o parto do filho não é passível de dedução na declaração em tela, dado que o cônjuge do contribuinte apresentou declaração em separado no modelo simplificado. Ou seja, as despesas médicas pleiteadas pelo recorrente, que poderia delas fazer uso de forma supletiva, caso seu cônjuge não fizesse, já foram objeto de dedução por aquele, via desconto simplificado, sendo vedada a utilização da mesma dedução de despesa médica por mais de um contribuinte Além disso, rejeitase o pedido de diligência que tem por finalidade obter provas que deveriam e poderiam ter sido produzidas pelo recorrente. Desarrazoado imputar tal ônus probatório ao fisco. A autoridade fiscal não tem o dever de produzir a prova necessária à defesa do sujeito passivo. Diante do exposto, voto por indeferir o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 315DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 10680.006909/200706 Acórdão n.º 2801002.941 S2TE01 Fl. 316 7 Fl. 316DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES
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Numero do processo: 10120.006940/2010-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/12/2009
DA NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA
A alegação de que a Decisão de Primeira Instância encontra-se eivada, pois a Fiscalização teria se baseado em NIT-PIS errados para determinar a autuação, não há de prosperar já que ele não maculou o lançamento, não cabendo a necessidade de realização de perícia, exatamente porque não houve prejuízo ao lançamento, e, portanto à defesa.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP.
Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram ern manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) ern dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas !imitada ao determinado no Art. 61, da Lei n° 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à (TIP - deve ser mantida a penalidade equivalente à sorna de: *) multa de mora limitaa1a a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do 'art. 32-A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei n° 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. Redator: Mauro José Silva.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Adriando Gonzales Silvério, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 69 40 /2 01 0- 80 Fl. 2150DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram ern manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) ern dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas !imitada ao determinado no Art. 61, da Lei n° 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à (TIP deve ser mantida a penalidade equivalente à sorna de: *) multa de mora limitaa1a a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do 'art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei n° 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. Redator: Mauro José Silva. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Adriando Gonzales Silvério, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes. Fl. 2151DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10120.006940/201080 Acórdão n.º 2301003.236 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de AI — Auto de Infração relativo às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes às contribuições dos segurados, descontadas da remuneração paga devida ou creditada aos seus segurados empregados, arrecadadas pelo contribuinte, e não repassadas à Previdência Social, nos termos do inciso I, alíneas "a" e "b", do art. 30 da Lei n° 8.212/91. Ressalva que os fatos descritos configuram, em tese, infração penal tipificada no artigo168A do DecretoLei 2.848, de 07/12/1940 Código Penal, com a redação dada pela Lei 9.983 de 14/07/2000, e foram objeto de Representação Fiscal para Fins Penais. Quanto a multa, esclareceu a Fiscalização que em decorrência das alterações na Lei 8.212/91, introduzidas pela Lei 11.941/09, foi aplicado o dispositivo mais benéfico ao contribuinte pela não declaração em GFIP e não recolhimento das contribuições previdenciárias, respeitado o disposto no art. 106, inciso II, alínea “c”, da Lei 5.172, de 25/10/1966 Código Tributário Nacional. Inconformada com autuação, apresentou, tempestivamente, sua impugnação, cuja qual foi julgada improcedente. Em 27 de fevereiro de 2012 foi notificada da decisão e em 27 de março do mesmo ano interpôs o presente remédio, alegando a) exclusivamente a nulidade da decisão recorrida, porque o Fiscalizador cometeu erro de fato/material ao fundamentar o lançamento, haja vista que a Recorrente, na impugnação comprovou que as informações trazidas na autuação, muitas delas estavam equivocadas quanto ao número do NITPIS, o que levou a Fiscalização a erro material; b) que a Fiscalização deveria ter utilizado o princípio da razoabilidade e não ter aplicado a sanção, e; c) ao final pede a realização de perícia contábil. Eis o relato. Fl. 2152DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Vencido Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator Sendo tempestivo e acudindo todas as demais exigências processuais, merece ser acolhido o presente recurso aviado, passandose à sua análise. i) DA NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA Segundo a Recorrente a conduta que motivou a Fiscalização autuála foi a declaração em GFIP de número de PIS, informado pelo funcionário, cujo qual estava errado. E, estas informações não corretas, quando em confronto com o número certo causou à Fiscalização de preenchimento incorreto. Para demonstrar o que alega, junta uma relação de empregados, cujos números considerados pela Fiscalização estavam errados, como é o caso de Marcia Emiliano Santiago, onde, segundo a Recorrente, a Fiscalização considerou o número NIT 10838020671, ao passo que o certo seria 13622467311. Assim, compulsando as peças dos autos viuse que o NIT da empregada em comento considerado pela Fiscalização foi de fato o NIT 10838020671 MARCIA EMILIANO SANTIAGO (fls. 95 volume 1). Mas, não vejo prejuízo ao lançamento o fato de um outro NIT ter ocorrido o dito erro. Aliás, em verdade, ocorreu em 4 casos apenas, como a própria Recorrente informar. E, isto não macula o lançamento, razão pela qual não há de ser acollhida esta dita nulidade no lançamento, e tão pouco comporta perícia apenas para saber qual o NIT/PIS é correto. Ademais, a Recorrente é responsável pelas informações prestadas à Autoridade Fiscal. MULTA Alega a Recorrente que deveria a Fiscalização ter aplicado o princípio da razoabilidade, o que não cabe no caso em tela, já que se aplica a razoabilidade em casos permissíveis e específicos, mormente quando há na legislação entendimento dúbio ou mesmo laguna normativa, o que não é o presente caso. Portanto, não há de aplicar a razoabilidade quando na clareza da lei, cessa sua interpretação, segundo já diziam os latinos. Por outro lado, segundo consta do relatório fiscal e da decisão ora hostilizada que a multa aplicada foi a que mais beneficiou a Recorrente, inclusive por respeito ao artigo 106, II do CTN. Então, em caso como este, ou seja, quando a Fiscalização diz ter aplicado o dispositivo legal que mais beneficia o Recorrente e no seu arrazoado da Decisão há muito bem embasamento para tal mister, ou seja, a retroatividade da lei, há de pautar o melhor dispositivo, que no caso tenho que deve ser o artigo 32A da Lei 8.212/90. Fl. 2153DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10120.006940/201080 Acórdão n.º 2301003.236 S2C3T1 Fl. 4 5 CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente Recurso Voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, tenho que o mesmo deve ser conhecido, para no mérito DAR LHE PROVIDMENTO PARCIAL somente para aplicação da multa mais benéfica, sendo certo que o Artigo 32A é o que atende. E, quanto aos demais quesitos, não vejo imperfeição na Decisão ‘a quo’ merecedora de reforma, razão pela qual a mantenho em sua integralidade. É o voto. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa – Relator Fl. 2154DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA 6 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Fl. 2155DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10120.006940/201080 Acórdão n.º 2301003.236 S2C3T1 Fl. 5 7 Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei Fl. 2156DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA 8 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a Fl. 2157DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10120.006940/201080 Acórdão n.º 2301003.236 S2C3T1 Fl. 6 9 aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 2158DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA 10 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora Fl. 2159DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10120.006940/201080 Acórdão n.º 2301003.236 S2C3T1 Fl. 7 11 no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 2160DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA 12 Fl. 2161DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.006383/00-73
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração:01/06/1990 a 30/09/1995
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
Recurso Extraordinário do Procurador Negado
Numero da decisão: 9900-000.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Extraordinário
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração:01/06/1990 a 30/09/1995 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Recurso Extraordinário do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Extraordinário OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 63 83 /0 0- 73 Fl. 283DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão proferido pelo colegiado a quo, que deu provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. A PGFN interpôs Recurso Extraordinário a este Pleno alegando, em síntese, que o direito de ação relativo ao exercício de um direito subjetivo de crédito, decorrente de pagamento indevido, é atribuído ao sujeito passivo, e o termo inicial do prazo prescricional de 05 (cinco) anos (art. 168 do CTN) para exercêlo começa da data da extinção do crédito tributário, operandose este tão logo efetue o pagamento indevido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. O pedido de restituição foi apresentado em 16/06/2000, relativo ao período de apuração de 01/06/1990 a 30/09/1995. Não assiste razão à recorrente, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações propostas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Com efeito, de acordo com a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10283.006383/0073 Acórdão n.º 9900000.652 CSRFPL Fl. 3 3 Assim, somente os pleitos referentes aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 10 anos da data do protocolo estariam com o eventual direito de restituição extinto, tendo em vista terem sido alcançados pela prescrição. No presente caso, não houve a perda do direito a se pleitear a restituição em relação a todo o período objeto da solicitação. Portanto, em que pese a minha total discordância com tal entendimento, com fulcro no art. 62A do Anexo II à Portaria MF nº 256/09 (RICARF), deve ser reconhecida a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco. Ante o exposto, voto pelo não provimento do Recurso Extraordinário interposto pela PGFN, com a remessa dos autos à autoridade preparadora para a análise do mérito. Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 285DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.001834/98-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1996
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. COMPENSAÇÃO DO IRRF. A compensação do IRRF deve ser efetuada no ano-calendário em que o rendimento foi efetivamente disponibilizado ao beneficiário, e por ele tributado na Declaração de Ajuste Anual.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2101-002.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
___________________________________
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
José Raimundo Tosta Santos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1996 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. COMPENSAÇÃO DO IRRF. A compensação do IRRF deve ser efetuada no ano-calendário em que o rendimento foi efetivamente disponibilizado ao beneficiário, e por ele tributado na Declaração de Ajuste Anual. Recurso Voluntário Provido
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COMPENSAÇÃO DO IRRF. A compensação do IRRF deve ser efetuada no anocalendário em que o rendimento foi efetivamente disponibilizado ao beneficiário, e por ele tributado na Declaração de Ajuste Anual. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 18 34 /9 8- 22 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0635.982 (fl. 128), que, por unanimidade de votos, considerou não impugnada a matéria não contestada e procedente em parte o lançamento, para alterar o resultado da declaração de ajuste anual de imposto a pagar de R$ 11.277,00 para R$ 10.777,00, em face das seguintes alterações: (a) dedução de imposto para R$ 0,00; e (b) imposto retido na fonte para R$ 9.570,00 (fl. 07). Em sua impugnação ao lançamento, o contribuinte alega que a fonte pagadora DU PONT DO BRASIL não emitiu o informe de rendimentos e a DIRF, conforme “carta” de 04/02/1998, ao passo que houve a retenção em 20/06/1995, consoante DARF, e o valor foi liberado em 20/11/1996, segundo “cheques” em nome de JULIO CRISTIANO DE SOUZA; acrescenta que nos rendimentos tributáveis foi lançado o rendimento de R$ 8.315,00 do INSS, mas que o correto seria de R$ 6.315,00. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau julgou procedente em parte a impugnação, para corrigir o rendimento tributável auferido do INSS, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 1996 DEDUÇÃO DO IMPOSTO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a infração apurada que não é objeto de contestação. RETENÇÃO DE IMPOSTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Inexistindo comprovação de retenção de imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos que compuseram o ajuste anual, descabe a dedução do imposto de renda devido apurado. ERRO DE FATO. ALTERAÇÃO DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. Constatandose erro de fato na quantificação da base de cálculo sujeita ao ajuste anual, cabe proceder à sua correção. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em seu apelo ao CARF, às fls. 139/143, a recorrente reitera o seu direito à compensação do IRRF retido no ano de 1995, que incidiu sobre os rendimentos tributados auferidos em ação trabalhista, conforme provam os documentos extraídos do processo judicial e juntados aos autos. Argumenta que agiu de boafé, e que buscou a compensação do IRRF relativo aos valores auferidos em processo trabalhista no ano de 1996. Ao vedar a utilização do IRRF, está o ente tributante, de forma direta, se locupletando indevidamente de valores pertencentes ao patrimônio do contribuinte. É o relatório. Voto Fl. 146DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10980.001834/9822 Acórdão n.º 2101002.114 S2C1T1 Fl. 146 3 Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Em litígio a glosa do IRRF de no valor de R$ 14.654,00 (fl. 11) que teria incidido sobre rendimentos que o contribuinte alega haver auferido no anocalendário 1996 da DUPONT DO BRASIL S/A. O valor do IRRF pleiteado resulta dos recolhimentos efetuados através dos DARFs à fl. 03, nos valores de R$12.445,00 e de R$2.209,42, em 19/06/1995 e 20/06/1995, respectivamente. Os rendimentos correspondentes, segundo o contribuinte, são os indicados nos cheques à fl. 05, nos valores de R$36.957,65 e R$10.817,60 (fl. 04), datados de 28/11/1996. Do exame das peças processuais, firmo convencimento de que o imposto de renda retido pela fonte pagadora, no anocalendário de 1995, consoante DARFs à fl. 03 (onde consta o nome de Antonio Francisco Borges e a referência ao processo trabalhista), corroborado pela Declaração da empresa à fl. 02, DIRF à fl. 23 e Comprovante de Rendimentos à fl. 24 estão relacionados aos rendimentos auferidos da empresa DU PONT DO BRASIL S/A, no anocalendário de 1996, conforme fotocópias dos cheques à fl. 04, no montante de R$47.775,25, nominal ao patrono do contribuinte na reclamatória trabalhista. Esse descompasso entre retenção do imposto e disponibilização do numerário ao reclamante muitas vezes ocorre devido a questionamentos das partes na liquidação da sentença, tal como alegou o autuado. De fato, o aviso de crédito emitido pelo Banco do Brasil, à fl. 114, indica expressamente que o valor de R$36.972,65, relacionado ao RDB emitido em 20/06/1995, somente foi pago em 28/11/1996. Este valor foi complementado pelo RDB emitido em 20/09/1996, cujo valor de R$10.832,60 também foi liberado em 28/11/1996 (fl. 116). Descontados as respectivas tarifas de serviço, no valor de R$15,00 cada, os valores decorrentes da reclamatória trabalhista foram disponibilizado ao recorrente, através do seu patrono, em 28/11/1996, pelos cheques à fl. 04. Em que pese os óbices levantados pela decisão recorrida para negar a realidade dos fatos, entendo que o conjunto probatório nos autos são conclusivos e concordantes com o pleito do recorrente. Verificase, inclusive que na DIRPF do contribuinte, relativo ao anocalendário de 1995, nenhum rendimento da fonte pagadora DU PONT foi relacionado, como também não foi compensado IRRF (fls. 70 e 73). Portanto, firmo convencimento de que a retenção efetuada em 1995 referese aos rendimentos apenas disponibilizados no ano de 1996, até porque os dois avisos de crédito expedidos pelo Banco do Brasil possuem datas do ano de 1996. Nos termos do artigo 12, inciso V, da Lei nº 9.250, de 1995, o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo, poderão ser compensados com o imposto de renda devido apurado na Declaração de Ajuste Anual – DAA. A tributação dos rendimentos deve ocorrer no ano em que este foi efetivamente disponibilizado ao beneficiário (anocalendário de 1996). No mesmo período deve ocorrer a compensação do IRRF, que guarda estrita relação com o rendimento sobre o qual incidiu. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 O Estado não tem interesse subjetivo nas questões. Deve sempre atuar de forma a promover a justiça e demais princípios constitucionais relacionados à boa administração pública. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso, para restabelecer o IRRF no valor de R$14.654,00. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 148DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 09/0 4/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/04/2013 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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