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Numero do processo: 36624.014326/2006-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/04/2001 a 31/10/2005
MPF. VÍCIO FORMAL. INOCORRÊNCIA
A ciência do sujeito passivo na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito após a expiração do Mandado de Procedimento Fiscal, não acarreta a nulidade do lançamento.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2001 a 31/10/2005
PREMIAÇÃO. PROGRAMA DE INCENTIVO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
A verba paga pela empresa a segurados obrigatórios do RGPS, por
intermédio de programa de incentivo, tem natureza jurídica de gratificação, sendo portanto fato gerador de contribuições previdenciárias.
SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. GRATIFICAÇÃO. HABITUALIDADE.
O conceito jurídico de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91 em momento algum vincula a natureza jurídica das parcelas integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias à habitualidade de seu recebimento. Sendo a natureza da verba auferida qualificada juridicamente como gratificação de desempenho, basta para a sua sujeição à tributação previdenciária o seu mero recebimento pelo segurado
obrigatório do RGPS, mesmo que tal pagamento tenha ocorrido uma única vez no histórico funcional do beneficiário.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA DE MORA. GRADAÇÃO.
A sistemática da gradação da multa de mora acarreta que, quanto mais tempo o obrigado tributário retiver o tributo devido, não o recolhendo aos cofres públicos, mais grave se revela a infração à obrigação tributária principal Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal que entenderam aplicar-se o art. 150, parágrafo 4º do CTN quanto a preliminar de extinção do crédito.
Numero da decisão: 2302-000.924
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal que entenderam aplicar-se o art. 150, parágrafo 4º do CTN quanto a preliminar de extinção do crédito.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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VÍCIO FORMAL. INOCORRÊNCIA A ciência do sujeito passivo na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito após a expiração do Mandado de Procedimento Fiscal, não acarreta a nulidade do lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2001 a 31/10/2005 PREMIAÇÃO. PROGRAMA DE INCENTIVO. SALÁRIO DE CONTRI BUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A verba paga pela empresa a segurados obrigatórios do RGPS, por intermédio de programa de incentivo, tem natureza jurídica de gratificação, sendo portanto fato gerador de contribuições previdenciárias. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. GRATIFICAÇÃO. HABITUALIDADE. O conceito jurídico de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91 em momento algum vincula a natureza jurídica das parcelas integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias à habitualidade de seu recebimento. Sendo a natureza da verba auferida qualificada juridicamente como gratificação de desempenho, basta para a sua sujeição à tributação previdenciária o seu mero recebimento pelo segurado obrigatório do RGPS, mesmo que tal pagamento tenha ocorrido uma única vez no histórico funcional do beneficiário. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA DE MORA. GRADAÇÃO. A sistemática da gradação da multa de mora acarreta que, quanto mais tempo o obrigado tributário retiver o tributo devido, não o recolhendo aos cofres públicos, mais grave se revela a infração à obrigação tributária principal Fl. 286DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 cometida, de molde que mais gravosa será a penalidade a ser imputada. Tal gradação não encontra óbices no ordenamento jurídico pátrio, de maneira que, para ser de observância obrigatória, exigese tão somente que seja instituída mediante lei stricto sensu, como assim o fez o art. 35 da Lei nº 8.212/91. RFFP. CABIMENTO. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária definidos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Edgar Silva Vidal que entenderam aplicarse o art. 150, parágrafo 4º do CTN quanto a preliminar de extinção do crédito. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva e Edgar Silva Vidal. Fl. 287DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014326/200628 Acórdão n.º 230200.924 S2C3T2 Fl. 283 3 Relatório Período de apuração MPF : 01/01/1996 a 31/12/2005 Período de apuração do débito: 01/04/2001 a 31/10/2005 Data da lavratura da NFLD : 31/10/2006 Data da Ciência da NFLD: 03/11/2006 Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD compreendendo contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social e a outras entidades e fundos, correspondentes à parte patronal, incidentes sobre os valores pagos aos segurados obrigatórios do RGPS mediante Cartão de Premiação denominados "Premium Card" e "Flexcard", emitidos pela empresa “Incentive House S/A”, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 26/28. Relata o auditor fiscal notificante que os fatos geradores que deram origem ao presente crédito tributário foram apurados com base nos valores nominais das notas fiscais de serviços e ou faturas de serviços, emitidas pela Empresa Incentive House S/A, CNPJ 00.416.126/000141, apresentadas pelo sujeito passivo, os quais foram confrontados com os lançamentos contábeis do período de 01/2001 a 12/2005. Tais dispêndios foram registrados na contabilidade da Notificada na Conta/Rubrica Serviços de Pessoa Jurídica, havendo sido adotadas como competência tributária as datas dos lançamentos das notas fiscais nos livros Diário. Discorre, outrossim, que a empresa concede aos empregados e contribuintes individuais uma premiação, com produtos destinados a ações motivacionais e programa de estímulo ao aumento de produtividade, a estreitar relacionamentos, e/ou divulgar marcas do Cliente junto ao seu público alvo, conforme definição do Contrato de Prestação de Serviços, assinado em 14/04/2004. Esclarece o auditor fiscal notificante que as alíquotas relativas às contribuições dos segurados foram aplicadas de acordo com a faixa salarial que eles se enquadram. Por derradeiro, informa a Autoridade Lançadora que empresa notificada não informou os fatos geradores em apreço nas correspondentes Guias de Recolhimento do FGTS e Informação à Previdência Social, nas quais não houveram sido, igualmente, declarados os beneficiários das premiações em tela. Aduz que tal irregularidade deu ensejo à Auto de Infração nº 37.014.3582, bem como a correspondente Representação Fiscal para Fins Penais, eis que tal conduta configura, em tese, o crime de sonegação de contribuições previdenciárias previsto no artigo 337A, inciso I, do Código Penal, com redação dada pela Lei 9.983, de 14/07/2000. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Notificado apresentou impugnação a fls. 48/68. Fl. 288DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 A Delegacia da Receita Previdenciária em São Paulo/Oeste lavrou Decisão Notificação (DN), a fls. 195/203, julgando procedente a Notificação Fiscal e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 04 de junho de 2007, conforme Aviso de Recebimento – AR, a fl. 207. Inconformada com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 214/247, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Que os pagamentos por intermédio do cartão constituemse premiações não habituais que visam exclusivamente a premiar o bom desempenho da atividade de cada colaborador e, por esta razão, não são salários. Aduz que o cartão de premiação visa ao aumento da produtividade, sendo concedido pelo desempenho do beneficiário individual e que não são habituais, pois depende da atividade de cada colaborador, concluindo que, nestas condições, não haveria incidência de contribuição ao INSS; • Que a Notificação só foi postada em 01/11/2006, após o prazo de execução do Mandado de Procedimento Fiscal com termo final estabelecido para 31/10/2006 e, em decorrência da intempestividade, todas as Notificações e Autuações seriam nulas; • Que o relatório fiscal não esclarece o porquê de os pagamentos em realce serem considerados como salário, nem expõe o fundamento legal para o referido enquadramento, deixando de apresentar todos os elementos essenciais à exata descrição da infração, o que implicaria cerceamento de defesa e nulidade da Notificação; • Que foram atingidas pela decadência, nos termos do art. 150 do CTN, as competências relativas aos meses de 04/2001 a 10/2001, considerando que a Notificação foi enviada em 01/11/2006. • Que inexiste prova da habitualidade dos valores recebidos pelos beneficiários à titulo de cartão premiação. • Que não merece prevalecer a multa gradativa do valor supostamente devido relativo à contribuição não recolhida, determinando percentuais menores para o caso da ora recorrente não apresentar defesa ou não recorrer da presente autuação. • Que a multa aplicada viola os direitos fundamentais inscritos no art. 5º LVI e LV da Constituição, requerendo a redução do valor aplicado; • Que é inadmissível a representação criminal antes da decisão final do processo administrativo, tendo em vista que este possibilita ao contribuinte o exercício do contraditório e da ampla defesa e a instauração penal consubstanciase em uma ameaça ao contribuinte. Ao fim, requer o Recorrente a declaração de decadência parcial das obrigações tributárias lançadas, a improcedência da NFLD em julgo, bem como a redução da multa aplicada. Fl. 289DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014326/200628 Acórdão n.º 230200.924 S2C3T2 Fl. 284 5 Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 290DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 04/06/2007, segundafeira, iniciandose pois o decurso do prazo recursal na terçafeira seguinte, digase, 05/06/2007. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 03 de julho do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso. Dele conheço. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES 2.1. DA COBERTURA DO MPF. Alega o Recorrente que a NFLD em tela somente foi postada em 01/11/2006, após o prazo de execução do Mandado de Procedimento Fiscal com termo final estabelecido para 31/10/2006 e, em decorrência da intempestividade, todas as Notificações e Autuações seriam nulas. Não procedem as alegações ora clamadas. Publicado com o escopo de estabelecer normas gerais sobre o planejamento das atividades da administração previdenciária em matéria fiscal, o Decreto n° 3.969, de 15 de outubro de 2001, determinou que os procedimentos fiscais relativos aos tributos federais previdenciários deverão ser instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), o qual extinguirseá pela conclusão do procedimento fiscal correspondente, registrado em termo próprio, ou, alternativamente, pelo decurso do seu prazo de validade, consideradas as prorrogações ocorridas. Nessa perspectiva, a ação fiscal, para ser qualificada como regular, necessita ser conduzida sob a cobertura de MPF válido, aqui incluídas suas prorrogações, desde a sua deflagração até o seu encerramento, devendo o auditor fiscal, nesse interregno, emitir todos os documentos fiscais atávicos ao seu ofício que importem numa conduta a ser praticada pelo Fiscalizado, tais como Notificações Fiscais e autos de infração. O texto do art. 142 do CTN informa que o Lançamento Tributário constitui se atividade privativa da autoridade administrativa fiscal, e circunscrevese à verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido, à identificação do sujeito passivo e, sendo caso, à propositura de aplicação da penalidade cabível. Código Tributário Nacional CTN Fl. 291DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014326/200628 Acórdão n.º 230200.924 S2C3T2 Fl. 285 7 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Deflui das tintas do citado art. 142 que o ato jurídico consubstanciado na ciência do contribuinte encontrase fora da atividade do lançamento, deste não fazendo parte constitutiva. Configurase tal ato de ciência, todavia, requisito de eficácia do lançamento, para que este possa produzir todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos, máxime em relação ao notificado, de molde a se lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa. A data de constituição do crédito tributário, seja por NFLD, seja mediante Auto de Infração, não pode ser interpretada portanto como o dia de ciência ao contribuinte, mas, sim, o da lavratura do lançamento estampado ostensivamente na folha de rosto do documento respectivo. Nesse quadro, a lavratura formal da Notificação Fiscal ou do Auto de Infração, executada pela autoridade administrativa competente, constituise o verdadeiro requisito de existência do ato jurídico em realce, figurando a ciência do contribuinte mero requisito de eficácia, não pode esta ser interpretada como ato integrante do procedimento administrativo do lançamento. Assim, não estando inserida no iter procedimental do lançamento, a ciência da Notificação Fiscal pelo sujeito passivo ocorrida após a expiração do prazo constante do Mandado de Procedimento Fiscal não figura, de modo algum, como causa de nulidade do lançamento tributário em questão, eis que este houve por formalizado, e assim constituído o crédito tributário, sob o manto de cobertura do MPF. De molde a espancar qualquer dúvida, a Câmara Superior do Conselho de Recursos da Previdência Social publicou a Resolução MPS/CRPS nº 1/2006, a qual fez editar o Enunciado nº 25 dispondo que a notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do MPF não implica nulidade do lançamento. RESOLUÇÃO MPS/CRPS N. 1, de 23 de fevereiro de 2006. Edita o enunciado nº 25 do Conselho de Recursos da Previdência Social. A CÂMARA SUPERIOR do Conselho de Recursos da Previdência Social especializada em matéria de custeio, no uso da competência que lhe é atribuída pelo artigo 303, parágrafo 1 , inciso IV, do Decreto n. 3048/99, na redação do Decreto n. 4.729, de 09 de junho de 2003, publicado no Diário Oficial da União de 10 de junho de 2003, tendo em vista o disposto no artigo 61, Parágrafos 1 e 2 e artigo 63, Parágrafo 5 , Inciso I da Portaria MPS n. 88/2004 Regimento Interno do CRPS – e Fl. 292DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 cumprindo deliberação do Conselho Pleno em reunião realizada no dia 23 de Fevereiro de 2006, resolve: Editar o seguinte enunciado: Enunciado nº 25 A notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF – não acarreta nulidade do lançamento. 2.2. DA DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 293DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014326/200628 Acórdão n.º 230200.924 S2C3T2 Fl. 286 9 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência revela que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Nessa condição, tendo sido o lançamento realizado em 31 de outubro de 2006, este apenas alcançaria os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2000, inclusive, excluído os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano. Considerando que a vertente Notificação Fiscal opera o lançamento de contribuições previdenciárias referentes às competências abril/2001 a outubro/2005, não demanda áurea mestria concluir que a obrigação tributária principal em julgo não se houve ainda por finada pela algozaria do instituto da decadência tributária. Vencidas as preliminares, passamos a análise do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre inicialmente assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 3.1. DA NATUREZA REMUNERATÓRIA DAS PREMIAÇÃOES. Alega o Recorrente que os pagamentos por intermédio do cartão constituem se premiações não habituais que visam exclusivamente a premiar o bom desempenho da atividade de cada colaborador e, por esta razão, não são salários. Aduz que o cartão de premiação visa ao aumento da produtividade, sendo concedido pelo desempenho do beneficiário individual e que não são habituais, pois depende da atividade de cada colaborador, concluindo que, nestas condições, não haveria incidência de contribuição ao INSS; Tal rogativa não merece acolhida por este Colegiado. A vexata quaestio sobre a qual se funda a lide em debate reside na subsunção ou não dos valores pagos mediante cartão premiação ao conceito legal de Salário de Contribuição, para os fins exclusivos de incidência de contribuições previdenciárias. Fl. 294DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei n.º 5.452 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) § 2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) § 3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) § 3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) Fl. 295DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014326/200628 Acórdão n.º 230200.924 S2C3T2 Fl. 287 11 § 4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de cohabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, o caráter de constância somente se verifica na eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustamnas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: Fl. 296DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. Citese, exemplificativamente, a definição jurídica do Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91, in verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Fl. 297DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014326/200628 Acórdão n.º 230200.924 S2C3T2 Fl. 288 13 Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesse cenário, a vista dos ensinamentos colhidos na melhor doutrina trabalhista, avulta compreenderemse no hodierno conceito de remuneração os três componentes do gênero, especificados nos moldes que se vos seguem: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; Fl. 298DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) O abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção Fl. 299DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014326/200628 Acórdão n.º 230200.924 S2C3T2 Fl. 289 15 estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é Fl. 300DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido § 9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Contextualizado nesses termos o quadro jurídiconormativo aplicável ao casoespécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que as verbas auferidas pelos segurados obrigatórios que prestam serviços à Recorrente, mediante Cartões de Premiação denominados "Premium Card" e "Flexcard", subsumemse no conceito de “salário de Contribuição” assentado no caput do art. 28 da Lei nº 8.212/91, não estando acobertados por nenhuma das hipóteses de não incidência destacadas no §9º desse mesmo dispositivo legal, razão pela qual integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. 3.1.1. DA NATUREZA JURÍDICA DAS PREMIAÇÕES Destaca o Recorrente que as verbas pagas aos seus empregados mediante Cartões de Premiação denominados "Premium Card" e "Flexcard" constituemse ganhos eventuais, não integrando o conceito de Salário de Contribuição por força das disposições inscritas no art. 28, §9º, ‘e’, 7 da Lei nº 8.212/91. Tal argumentação é totalmente descabida. Na hipótese sub oculi, não é exigida áurea mestria para perceber que tais pagamentos ostentam natureza jurídica de gratificação. Da pena de Plá Rodriguez, citado por Mascaro Nascimento, grafouse singular conceito de gratificações como as “somas em dinheiro de tipo variável, outorgadas voluntariamente pelo patrão aos seus empregados, a título de prêmio ou incentivo, para lograr a maior dedicação e perseverança destes. Mostrase valioso relembrar, no que pertine à natureza de liberalidade das gratificações, as palavras de Cabanellas: “provado ou comprovado o caráter habitual, geral, invariável e periódico da gratificação, esta perde a sua voluntariedade característica, para se converter em obrigatória; então, deixa de ser liberalidade para se transformar em direito exigível pelo trabalhador e inescusável pelo empregador” (Guillermo Cabanellas de Torres, Compendio de Derecho Laboral, Bibliográfica Omeba, Buenos Aires, 1968) É exatamente o que ocorre no caso concreto sobre o qual ora nos debruçamos. As verbas em destaque não se consubstanciam em ganhos eventuais, mas, sim, numa contraprestação remuneratória auferida pelos empregados que hajam alcançado as metas estabelecidas pela empresa, conforme declarado expressamente pelo Recorrente a fl. 231, in verbis: “... os referidos prêmios dependem do fato de o beneficiário ter atingido ou não as metas estabelecidas no plano de incentivo, ao contrário do que ocorre com sua remuneração habitual que será Fl. 301DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014326/200628 Acórdão n.º 230200.924 S2C3T2 Fl. 290 17 devida, enquanto perdurar o seu contrato de trabalho, independentemente de seu desempenho profissional.” Atingindo o colaborador as metas, este se titulariza no direito subjetivo à gratificação, podendo esta ser exigida inclusive judicialmente. O que é isso senão uma gratificação de desempenho ? Por tudo o quanto foi ora discutido, avulta que o benefício auferido pelos beneficiários das premiações oferecidas pelo Recorrente, dada a sua natureza jurídica de gratificação e por não constar expressamente no rol numerus clausus de hipóteses de não incidência tributária, constituise parcela integrante do Salário de contribuição dos segurados, estando sujeito, por decorrência legal vinculante, à incidência de contribuições sociais previdenciárias. 3.2. DA MOTIVAÇÃO Alega o Recorrente que o relatório fiscal não esclarece o porquê de os pagamentos em realce serem considerados como salário, nem expõe o fundamento legal para o referido enquadramento, deixando de apresentar todos os elementos essenciais à exata descrição da infração, o que implicaria cerceamento de defesa e nulidade da Notificação; Tal rogativa não reúne os requisitos necessários para prosperar. Avulta das alegações ora clamadas a necessidade de os relatórios fiscais serem emitidos também em Braille, para que todos, indistintamente, aproveitandose da sensibilidade epicrítica, possam ter acesso aos seus fundamentos. O item 2.1. do Relatório Fiscal, a fl. 26, destaca que os valores consolidados na NFLD em litígio referemse a remuneração de empregados pagas por meio de cartão de premiação. Na mesma esteira, o item 2.1.2 informa que Constituem fatos geradores dos tributos ora lançados, os valores pagos aos segurados empregados por meio do cartão de premiação, denominado "Premium Card" e "Flexcard", com produtos destinados a ações motivacionais e programa de estímulo ao aumento de produtividade, conforme cópias de notas fiscais em anexo. Os "programas visam a aumentar a produtividade, estreitar relacionamentos, e/ou divulgar marcas do Cliente junto ao seu público alvo", conforme definição do Contrato de Prestação de Serviços, assinado em 14/04/2004, que segue em anexo. Revela ainda que os fatos geradores foram apurados com base nos valores nominais das notas fiscais de serviços e ou faturas de serviços, emitidas pela Empresa Incentive House S/A — CNPJ 00.416.126/000141, apresentadas pelo sujeito passivo, os quais foram confrontados com os lançamentos contábeis do período de 01/2001 a 12/2005. Esses gastos foram registrados na contabilidade da Notificada na Conta/Rubrica Serviços de Pessoa Jurídica. Fl. 302DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 Na sequência, o anexo do Relatório Fiscal a fl. 34/35 elenca todos os beneficiários das premiações em realce, seus respectivos CPF e NIT, bem como os valores por eles auferidos em cada competência. Na mesma toada, cita o Relatório Fiscal que a empresa não informou esses fatos geradores em GFIP, tampouco os beneficiários da gratificação em apreço. De outro eito, o relatório FLD FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO, a fls. 14/17, descreve pormenorizadamente toda a fundamentação legal que oferece esteio jurídico ao lançamento ora em julgo, cabendo ressaltar que no tópico reservado aos fundamentos legais das rubricas encontramse destacadas toda a base legal instituidora das contribuições sociais ora lançadas. Como se observa, razão não assiste ao Recorrente eis que os relatórios que integram a NFLD em estudo não ostentam qualquer obscuridade ou dúvida quanto à hipótese de incidência dos tributos objeto deste lançamento. 3.3. DA HABITUALIDADE DO PAGAMENTO. Pondera o Recorrente inexistirem provas da habitualidade dos valores recebidos pelos beneficiários à titulo de cartão premiação. Razão não lhe assiste. O conceito jurídico de Salário de contribuição aviado no art. 28 da Lei nº 8.212/91 em momento algum vincula a natureza jurídica das parcelas integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias à habitualidade de seu recebimento. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5º; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 303DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014326/200628 Acórdão n.º 230200.924 S2C3T2 Fl. 291 19 Conforme já destacado nos tópicos precedentes, sendo a natureza da verba ora em apreço qualificada juridicamente como gratificação de desempenho, basta para a sua sujeição à tributação previdenciária o seu mero recebimento pelo segurado obrigatório do RGPS, mesmo que tal pagamento tenha ocorrido uma única vez no histórico funcional do beneficiário. O anexo do Relatório Fiscal, a fls. 39/93, elenca todos os beneficiários das premiações em debate, seus respectivos CPF e NIT, bem como os valores por eles auferidos em cada competência, além de outras informações pertinentes ao caso sub examine. A veracidade das informações contidas no suso citado anexo poderia ter sido sindicada e contestada pelo Recorrente mas não o foi , motivo pelo qual, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, devese lhe emprestar presunção iuris tantum de legalidade e veracidade. 3.4. DA GRADAÇÃO DA MULTA DE MORA. Exorta o Recorrente que não mereceria prevalecer a multa gradativa do valor supostamente devido relativo à contribuição não recolhida, determinando percentuais menores para o caso do Recorrente não apresentar defesa ou não recorrer da presente autuação. À suplica acima pautada não se reserva melhor sorte que as demais. De plano, cabe esclarecer que, em momento algum, a Constituição Federal vedou o emprego do mecanismo de gradação da multa de mora em razão da gravidade do atraso no recolhimento do tributo devido. A sistemática da gradação acima aludida acarreta que, quanto mais tempo o obrigado tributário retiver o tributo devido, não o recolhendo aos cofres públicos, mais grave se revela a infração à obrigação tributária principal cometida, de molde que mais gravosa será a penalidade a ser imputada. Tal gradação não encontra óbices no ordenamento jurídico pátrio, de maneira que, para ser de observância obrigatória, exigese tão somente que seja instituída mediante lei stricto sensu, como assim o fez o art. 35 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (grifos nossos) Fl. 304DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 20 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser Fl. 305DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014326/200628 Acórdão n.º 230200.924 S2C3T2 Fl. 292 21 utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Conforme já aventado alhures, estando os agentes fiscais inteiramente vinculados aos ditames da à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Reiterese que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. 3.5. DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Sustenta o Recorrente que a multa aplicada viola os direitos fundamentais inscritos no art. 5º LVI e LV da Constituição, requerendo a redução do valor aplicado. O presente apelo não pode ter o seguimento pretendido. Os princípios constitucionais destacados pelo Recorrente representam garantias asseguradas aos litigantes, nos processos judiciais ou administrativos, ao contraditório e à ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, sendo inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos. Conforme destacado nos tópicos precedentes, verificamos que a NFLD em relevo foi lavrada em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência dos fatos geradores da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, de forma discriminada por estabelecimento, levantamento e competência, as bases de cálculo da exação, as destinações de cada tributo, as alíquotas aplicáveis em cada caso, os montantes apurados, bem como as diferenças a serem recolhidas. O Relatório Fiscal expôs todos os elementos que motivaram a lavratura da vertente NFLD e o Relatório Fundamentos Legais do Débito encerrou todos os dispositivos legais amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF e TEAF, dentre outros, havendo Fl. 306DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 22 sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao Notificado. A ação se encontra amparada por Mandado de Procedimento Fiscal válido, a fl. 20, havendo sido os fatos geradores que compõem o presente lançamento apurado a partir de documentos apresentados pelo próprio Recorrente, deste exigidos mediante termos próprios de intimação a fls. 21/23. Dessarte, não vislumbramos pois qualquer vício ou violação aos princípios constitucionais iluminados pelo Recorrente na formalização do débito a amparar as suas alegações. 3.6. DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. Alega ainda ser inadmissível a representação criminal antes da decisão final do processo administrativo, tendo em vista que este possibilita ao sujeito passivo o exercício do contraditório e da ampla defesa e a instauração penal consubstanciarseia em uma ameaça ao contribuinte. O clamor acima postado não merece abrigo. O art. 66 do Decretolei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941 leis das contravenções penais – qualifica como “Omissão de Comunicação de Crime” o comportamento perpetrado por servidor público consistente na não comunicação à autoridade competente de conduta que represente, em tese, crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública. DECRETOLEI Nº 3.688 DE 3 DE OUTUBRO DE 1941 OMISSÃO DE COMUNICAÇÃO DE CRIME Art. 66. Deixar de comunicar à autoridade competente: I crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública, desde que a ação penal não dependa de representação; II crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício da medicina ou de outra profissão sanitária, desde que a ação penal não dependa de representação e a comunicação não exponha o cliente a procedimento criminal: Pena multa. Calcando nas mesmas teclas, o art. 16 da Lei nº 8.137/90, a qual define os crimes contra a ordem tributária, estatui que qualquer pessoa, aqui incluídos, por óbvio, os agentes públicos, poderá provocar a iniciativa do Ministério Público nos crimes descritos nessa lei, fornecendolhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Fl. 307DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014326/200628 Acórdão n.º 230200.924 S2C3T2 Fl. 293 23 Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990 Art. 16. Qualquer pessoa poderá provocar a iniciativa do Ministério Público, nos crimes descritos nesta lei, fornecendo lhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Parágrafo único. Nos crimes previstos nesta Lei, cometidos em quadrilha ou coautoria, o coautor ou partícipe que através de confissão espontânea revelar à autoridade policial ou judicial toda a trama delituosa terá a sua pena reduzida de um a dois terços. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.080, de 19.7.1995) Nessa perspectiva, revelase a Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP mera peça processual de informações, coletadas no curso da ação fiscal, a ser elaborada pelo agente público sempre que se deparar com conduta que represente, em tese, crime contra a ordem tributária, devendo conter, dentre outros elementos, exposição minuciosa do fato e os elementos caracterizadores do ilícito; indícios de prova material do ilícito ou qualquer outro documento sob suspeição que tenha sido apreendido no curso da ação fiscal; cópia autenticada do auto de infração e de termos fiscais lavrados; termos lavrados de depoimentos, declarações, perícias e outras informações obtidas de terceiros, utilizados para fundamentar a constituição do crédito tributário ou a apreensão de bens sujeitos à pena de perdimento; a qualificação completa das pessoas físicas responsáveis; a qualificação completa da pessoa ou das pessoas físicas a quem se atribua a prática do delito, mesmo que o fiscalizado seja pessoa jurídica; A identificação completa, se for o caso, da pessoa jurídica autuada, cópia dos contratos sociais e suas alterações, ou dos estatutos e atas das assembleias; qualificação completa das pessoas que possam ser arroladas como testemunhas; cópia das declarações de rendimentos, relativas ao período em que se apurou ilícito, da pessoa ou das pessoas físicas representadas e da pessoa jurídica envolvida, no caso de crime contra a ordem tributária; etc. No âmbito da legislação previdenciária, o art. 616 da IN SRP nº 3/2005 impõe ao auditor fiscal o dever funcional de formalizar a RFFP sempre que este, no exercício de suas atribuições institucionais, tiver conhecimento da ocorrência de comportamento omissivo ou comissivo que configure, em tese, crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça, bem como qualquer contravenção penal. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 616. Por disposição expressa no art. 66 do DecretoLei nº 3.688, de 1941 (Lei de Contravenções Penais), o AFPS formalizará RFFP sempre que, no exercício de suas funções internas ou externas, tiver conhecimento da ocorrência, em tese, de:(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça; II contravenção penal. Parágrafo único. Considerase, nos termos do DecretoLei nº 3.914, de 1941 (Lei de Introdução ao Código Penal e à Lei de Contravenções Penais): Fl. 308DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 24 I crime, a infração penal a que a lei comina pena de reclusão ou de detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa; II contravenção, a infração penal a que a lei comina isoladamente pena de prisão simples ou de multa, ou ambas, alternativa ou cumulativamente. Art. 617. São crimes de ação penal pública, dentre outros, os previstos nos arts. 15 e 16 da Lei nº 7.802, de 1989, alterada pela Lei nº 9.974, de 2000, nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 8.137, de 1990, nos arts. 54 a 56, 60 e 61 da Lei nº 9.605, de 1998, e os a seguir relacionados, previstos no DecretoLei nº 2.848, de 1940 (Código Penal):(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I homicídio culposo simples ou qualificado, com previsão nos §§ 3º e 4º do art. 121; II exposição ao risco, com previsão no art. 132; III a apropriação indébita previdenciária, com previsão no art. 168A; IV o estelionato, com previsão no art. 171; V a falsificação de selo ou de sinal público, com previsão no art. 296; VI a falsificação de documento público, com previsão no art. 297; VII a falsificação de documento particular, com previsão no art. 298; VIII a falsidade ideológica, com previsão no art. 299; IX o uso de documento falso, com previsão no art. 304; X a supressão de documento, com previsão no art. 305; XI a falsa identidade, com previsão nos arts. 307 e 308; XII o extravio, a sonegação ou a inutilização de livro ou documento, com previsão no art. 314; XIII o emprego irregular de verbas ou rendas públicas, com previsão no art. 315; XIV a prevaricação, com previsão no art. 319; XV a violência arbitrária, com previsão no art. 322; XVI a resistência, com previsão no art. 329; XVII a desobediência, com previsão no art. 330; XVIII o desacato, com previsão no art. 331; XIX a corrupção ativa, com previsão no art. 333; XX a inutilização de edital ou de sinal, com previsão no art. 336; XXI a subtração ou a inutilização de livro ou de documento, com previsão no art. 337; XXII a sonegação de contribuição social previdenciária, com previsão no art. 337A. Art. 618. São contravenções penais, entre outras:(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I recusar dados sobre a própria identidade ou qualificação, com previsão no art. 68 do Decretolei nº 3.688, de 1941 (Lei das Contravenções Penais); Fl. 309DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014326/200628 Acórdão n.º 230200.924 S2C3T2 Fl. 294 25 II deixar de cumprir normas de higiene e segurança do trabalho, com previsão no § 2º do art. 19 da Lei nº 8.213, de 1991. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, apreciando pedido de concessão de liminar postulado na ADIn nº 1.571, proclamou que o art. 83 da Lei 9.430/96 não estipulou uma condição de procedibilidade da ação penal por delito tributário. Consignou o STF que tal dispositivo dirigiuse apenas a atos da administração fazendária, prevendo o momento em que a notitia criminis acerca de delitos contra a ordem tributária, descritos nos arts. 1º e 2º da Lei 8.137/90 deveriam ser encaminhada ao Ministério Público. (Informativo STF n. 64, 1728 mar. 97, p. 1 e 4). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 83. A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária definidos nos arts. 1º e 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. (grifos nossos) Parágrafo único. As disposições contidas no caput do art. 34 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, aplicamse aos processos administrativos e aos inquéritos e processos em curso, desde que não recebida a denúncia pelo juiz. Ao contrário do tipo penal previsto no art. 2º, I, da Lei 8.137/90, consoante clássica diferenciação, pertence à categoria denominada delito formal, isto é, descreve o resultado naturalístico (supressão de pagamento de tributo) mas não o exige para a consumação formal do delito, os delitos previstos no art. 1º da Lei 8.137/90 são qualificados como crimes materiais, havendo a necessidade de se aguardar a decisão administrativa, para somente então poder ser intentada a ação penal. Dessarte, não havendo Notificação Fiscal ou Auto de Infração válido e/ou definitivo, não se pode dar, em tese, por caracterizado o crime, nem sequer excogitar sua materialidade, pois o artigo 142 do CTN estatui ser competência privativa da autoridade administrativa a constituição do crédito tributário pelo lançamento; Por outro lado, o artigo 5º, inciso LV, da CF, garante, ademais, a todo e qualquer contribuinte o direito de impugnar o lançamento tributário; Ademais, o art. 34 da Lei 9.249/95 concede ao sujeito passivo a alternativa de pagar o tributo devido e seus acessórios antes da denuncia, para ver extinta a punibilidade dos crimes descritos nos artigos 1º e 2º da Lei n. 8.137/90; Nesse contexto, o Pretório Excelso, por maioria, acolheu e aprovou proposta de edição da Súmula Vinculante nº 24, com o seguinte teor: “Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no artigo 1º, inciso I, da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo”. Diante desse quadro, constituise dever funcional do auditor fiscal a elaboração, ainda no curso da ação fiscal, da Representação Fiscal para Fins Penais, sempre que, no exercício de suas atribuições institucionais, tiver conhecimento da ocorrência de comportamento omissivo ou comissivo que configure, em tese, crime de ação penal pública Fl. 310DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 26 que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça, bem como qualquer contravenção penal. A representação acima referida, instruída com os elementos de prova e demais informações pertinentes, constituirseá de autos apartados e permanecerá sobrestada no âmbito da administração tributária até decisão definitiva na esfera administrativa que paute pela procedência total ou parcial do lançamento, quando, então, poderá ser encaminhada ao órgão do Ministério Público, para a devida instauração da persecução penal. Cumpre ressaltar, por relevante, que a prestação da RFFP ao Ministério Público não consubstanciase em hipótese de quebra de sigilo fiscal, conforme se depreende dos termos insculpidos no art. 198, §3º, I do CTN: Código Tributário Nacional CTN Art. 198. Sem prejuízo do disposto na legislação criminal, é vedada a divulgação, por parte da Fazenda Pública ou de seus servidores, de informação obtida em razão do ofício sobre a situação econômica ou financeira do sujeito passivo ou de terceiros e sobre a natureza e o estado de seus negócios ou atividades. (Redação dada pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) § 3o Não é vedada a divulgação de informações relativas a: (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) I – representações fiscais para fins penais; (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Assim esculpido o arcabouço legislativo/jurisprudencial, podemos afirmar inexistir qualquer irregularidade da formalização da RFFP em destaque, eis que o seu encaminhamento ao Ministério Público somente se dará após o Trânsito em Julgado administrativo da NFLD em julgo, mesmo assim, na estrita hipótese da procedência total ou parcial do lançamento levado a efeito pela Autoridade Lançadora. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 311DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 36624.014326/200628 Acórdão n.º 230200.924 S2C3T2 Fl. 295 27 Fl. 312DF CARF MF Emitido em 25/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/04/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/04/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 09/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 36144.002653/2006-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/1998 a 30/11/2002
AUXÍLIO CRECHE NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Nos
termos da Súmula 310 do STJ, o auxílio creche não integra o salário de contribuição. QUEBRA DE CAIXA VERBA NÃO ELENCADA NO ROL DAS ISENÇÕES Apenas as verbas contidas no do art. 28, parágrafo 9º, da lei 8.212/91, não estão sujeitas à incidência de contribuições previdenciárias.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-001.787
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para que sejam excluídos do lançamento os valores referentes ao auxílio creche.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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QUEBRA DE CAIXA VERBA NÃO ELENCADA NO ROL DAS ISENÇÕES Apenas as verbas contidas no do art. 28, parágrafo 9º, da lei 8.212/91, não estão sujeitas à incidência de contribuições previdenciárias. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para que sejam excluídos do lançamento os valores referentes ao auxílio creche. Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas de Souza Costa Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleuza Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36144.002653/200630 Acórdão n.º 240101.787 S2C4T1 Fl. 359 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada contra o contribuinte acima identificado referente a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados, da empresa, à destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa incidentes sobre a parcela remuneratória a titulo de auxilio creche e quebra de caixa. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 41/43, o crédito foi lançado uma vez que tais parcelas quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente integram o salário de contribuição para todos os fins e efeitos. Tais parcelas foram lançadas no período de junho de 1998 a novembro de 2002. Inconformado com a decisão de fls. 311 a 318 que julgou procedente em parte o lançamento, o notificado apresentou recurso à este conselho alegando em síntese: O auxilio creche não se constitui em um ganho habitual ou em salário utilidade, mas sim em uma indenização alcançada à empregada pela manutenção do local apropriado na empresa para a amamentação dos filhos; O pagamento do auxilio creche aos empregados, está previsto nas convenções coletivas de trabalho, que também estabelece a sua natureza; Sustenta que o valor correspondente à quebra de caixa se trata de uma parcela indenizatória e não salarial; O pagamento a título de quebra de caixa aos empregados, está previsto nas convenções coletivas de trabalho, que também estabelece a sua natureza; Requer a procedência do recurso com a reforma da decisão recorrida com a total desconstituição do crédito. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa DO AUXÍLOCRECHE Os valores pagos pela recorrente a título de auxílio creche, devem ser excluídos do levantamento em face do entendimento do Superior Tribunal de Justiça – STJ, que pacificou o entendimento sobre a matéria através da edição da Súmula 310, no sentido de que tais verbas não integram o salário de contribuição, senão vejamos: Súmula 310 – O auxílio creche não integra o salário de contribuição. DJ 23/05/2005 p. 371 RSTJ vol. 191 p. 588 DA QUEBRA DE CAIXA No tocante a esta parcela, resta cristalino que as alegações do recorrente foram amplamente contestadas na decisão de primeira instância (fls. 316/317 item 12). O parágrafo 9º do art. 28 da Lei 8212/91 é taxativo com relação às verbas que não integram o salário de contribuição,: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: ... ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36144.002653/200630 Acórdão n.º 240101.787 S2C4T1 Fl. 360 5 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6.recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8.recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9.recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t)o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. Ao se afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre a rubrica “quebra de caixa:”, sem que o pagamento destas parcelas cumpra os requisitos legais, seria admitir uma forma excepcional e não prevista em lei de isentar o contribuinte da exação lhe imposta, o que é repelido pelo nosso ordenamento jurídico tributário, na medida em que tal matéria está adstrita ao campo da reserva legal, sendo que só a Lei, esta entendida em seu sentido estrito, pode sobre ela dispor (art. 150, § 6° da CF, e art. 176 do CTN). Por sua vez os documentos trazidos aos autos pela empresa não tem o condão de afastar a natureza salarial da verba ora debatida, pois da sua análise não se verifica a presença dos pressupostos caracterizadores da isenção, não sendo possível ter a convicção de que tais verbas foram pagas nos termos da lei, restando evidenciado, pela forma como foram pagas, a sua natureza salarial. Ademais, não se pode admitir que uma Convenção Coletiva de Trabalho possa afastar a incidência de contribuição previdenciária, do contrário seria admitir uma forma excepcional e não prevista em lei de isentar o contribuinte da exação lhe imposta, o que é repelido pelo nosso ordenamento jurídico tributário, na medida em que tal matéria está adstrita ao campo da reserva legal, sendo que só a Lei, esta entendida em seu sentido estrito, pode sobre ela dispor (art. 150, § 6° da CF, e art. 176 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – CTN). Desta forma, podemos concluir que os Acordos e Convenções Coletivas (que possuem a natureza de convenção particular e cujos efeitos não podem ser opostos à Fazenda Pública, consoante o disposto no art. 123 do CTN) não afastam a incidência da contribuição previdenciária, servindo mesmo para justificála, cujos termos tem eficácia restrita às partes aderentes, não podendo se contrapor Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 36144.002653/200630 Acórdão n.º 240101.787 S2C4T1 Fl. 361 7 às disposições constantes da Lei n° 8.212/91, que tratam da incidência de contribuição previdenciária, nem ampliar o rol de isenções legalmente previstas CONCLUSÃO Ante ao exposto, voto no sentido de CONHECER DO RECURSO e no mérito DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, para que sejam excluídos do levantamento os valores referentes ao auxílio creche. Marcelo Freitas de Souza Costa Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA Assinado digitalmente em 23/04/2011 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, 27/04/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10245.900228/2009-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL
Data do Fato Gerador: 31/03/2004
OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE
DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se
pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é
possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de
nulidade.
DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE
INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA
RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF
VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR
INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA
COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de nãohomologação
de compensação
que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo
sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado
na DCOMP
Numero da decisão: 1101-000.526
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente
julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez
declaração de voto.
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do Fato Gerador: 31/03/2004 OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de nulidade. DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de nãohomologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez declaração de voto. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. Fl. 64DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900228/200929 Acórdão n.º 110100.526 S1C1T1 Fl. 65 2 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 65DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900228/200929 Acórdão n.º 110100.526 S1C1T1 Fl. 66 3 Relatório VIMEZER FORNC. DE SERV. LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/PA que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação declarada sob nº 33820.68411.290906.1.7.042678, na qual foi utilizado crédito de R$ 852,34, apurado em recolhimento de CSLL (código 2372), realizado em 30/04/2004 e relativo à apuração de 31/03/2004. Constou do referido despacho decisório que o recolhimento apontado foi localizado, mas já havia sido utilizado integralmente para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte informou que o débito apurado no período em questão constou de DIPJ retificadora e foi recolhido a maior, ensejando a apuração de indébito utilizado na compensação questionada. Argumentou que a afirmação fiscal, no sentido de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débito, deixou dúvida quanto a origem do débito considerado como quitado. Acrescentou que a simples falha no preenchimento das declarações não afasta em hipótese alguma a existência do direito material em relação à compensação, e que as informações apresentadas nas peculiares declarações permitiriam a confirmação do crédito utilizado. Discorre sobre o conceito de compensação e afirma que além de ter oferecido indevidamente valores a tributação, não se creditou de valores que foram devidamente retidos na fonte pelas fontes pagadoras, conforme documento anexado e evidenciado quando da exposição dos fatos. Daí a utilização do crédito para compensação de débitos próprios do impugnante, e que também são administrados pela Receita Federal. Ressalta que o crédito utilizado não se enquadra em qualquer das hipóteses do art. 74, §12 da Lei nº 9.430/96, e afirma ter demonstrado a insubsistência e total improcedência do Despacho Decisório. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos, acolhendo o voto condutor da decisão recorrida que, depois de destacar o efeito extintivo da Declaração de Compensação DCOMP, e a sua homologação tácita depois de transcorridos cinco anos de sua entrega, de modo a caracterizar a compensação como um procedimento efetivado pelo próprio contribuinte, sujeito apenas à posterior homologação pelo Fisco, de forma expressa ou tácita, assim abordou a defesa da interessada: • (...) a interessada indicou como crédito a compensar aquele constante de DARF relativo à receita de código 2372, do período de apuração de 31/03/2004. Ocorre que em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil (telas impressas de fls. 32/34) verificase que o referido DARF encontrase inteiramente alocado a débito informado pelo próprio sujeito Fl. 66DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900228/200929 Acórdão n.º 110100.526 S1C1T1 Fl. 67 4 passivo em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), não existindo, por conseguinte, crédito a compensar. • (...) o crédito tributário resulta constituído não somente pelo lançamento, mas também nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como se dá no caso de entrega da DCTF. Com efeito, o valor informado na DCTF, por decorrer de uma confissão do contribuinte, pode ser encaminhado à divida ativa da União sem que se faça necessário o lançamento de ofício. O valor confessado faz prova contra o contribuinte. Logo, se o valor declarado (confessado) em DCTF é igual ou maior que o valor pago, a conclusão imediata é que não há valor a restituir ou compensar, pois o próprio contribuinte está informando que efetuou um pagamento igual ou menor ao confessado. • (...) é condição necessária – embora não suficiente – a que o sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a confissão anterior. E nos termos da legislação que rege a matéria, a alteração de informações prestadas em DCTF efetuase mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. • (...) a desconstituição do crédito confessado em DCTF não depende apenas da apresentação de DCTFRetificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve pagamento indevido ou a maior. (...) • (...) No caso concreto, como permanece válida a confissão de dívida originalmente efetuada pela contribuinte, haja vista a não apresentação, ao que consta dos autos, de DCTFRetificadora, resulta notória a impossibilidade de ser acolhida sua pretensão. (...) em se tratando de pedido de restituição o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de apresentação de documentos comprobatórios de seu direito creditório, por ter sido ele quem inaugurou o procedimento administrativo. • Citando os arts. 15 e 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, destacou ser ônus do sujeito passivo trazer aos autos administrativos, já com sua peça impugnatória, as provas cuja produção encontrese em sua esfera de responsabilidade. Cientificada da decisão de primeira instância em 23/02/2011 (p. 41 dos autos digitalizados), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 15/03/2011 (fls. 42/55 dos autos digitalizados). Argumenta que a constituição do crédito tributário por meio de DIPJ ou DCTF é provisória, e somente se torna definitiva com a homologação, sendo que, em caso de retificação da declaração antes desta homologação, seu objeto passa a ser o valor retificado. E, ressaltando que a constituição do crédito tributário por meio de DCTF não exclui a constituição por meio de DIPJ retificadora, e citando o art. 1o da Instrução Normativa SRF nº 166/99, a recorrente discorda da afirmação, contida na decisão recorrida, de que o crédito tributário resulta constituído com a apresentação da DCTF. Fl. 67DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900228/200929 Acórdão n.º 110100.526 S1C1T1 Fl. 68 5 Assevera, também, que o ônus de aprovar ou não a compensação é do Fisco, cabendolhe questionar as informações veiculadas em declarações retificadoras, e exigir a apresentação de documentos comprobatórios, na medida em que não é permitido à contribuinte juntar estes elementos no momento da retificação. Enquanto o Fisco assim não procede, os valores declarados estarão revestidos de veracidade. Reconhece que a prova é de quem alega, mas, na constituição do crédito tributário mediante entrega de declaração, as provas devem ser guardadas na forma do art. 37 da Lei nº 9.430/96, durante o prazo em que o Fisco pode examinálas. Menciona, também, que a autoridade julgadora não atentou para o disposto no art. 9o do Decreto nº 70.235/72, que exige a juntada dos elementos comprobatórios do ilícito para formalização da exigência de crédito tributário, atuando de forma parcial de modo a, apenas, ratificar as decisões dos agentes fiscais. Esclarece que a afirmação fiscal de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos declarados somente é verdadeira de desconsiderada a retificação da DIPJ. Acrescenta que a declaração retificadora foi juntada à impugnação, mas que em momento algum foi mencionada no relatório, como sendo uma prova sem valor, e não motivando o julgador, apresentando as razões que o levaram à aparente glosa injustificada. Reitera que, enquanto não promovida qualquer glosa em face da declaração apresentada, esta subsiste como prova do crédito alegado. E, ainda que a declaração não tivesse sido juntada, na medida em que ela está sob guarda do Fisco, caberia à autoridade julgadora comprovar se a documentação de renda apresentada está em conformidade com o que fora apresentado à época. Aduz que a autoridade julgadora deveria, ao menos, ter procedido a uma diligência para confirmação destas informações, ao invés de optar pela omissão e glosa arbitrária. Conclui estar provado que a argumentação apresentada, no despacho decisório e corroborada pelo órgão julgador de primeira instância, é fraca e insubsistente, pois não respeitou as regras legais consagradas nos diplomas legais, dentre as quais a devida motivação, juntada de provas que corroborem o despacho (Dec. 70.235/72), e negligência na análise das provas carreadas pela Recorrente aos autos, como a ventilada Declaração de Renda Retificadora. Transcrevendo os dispositivos legais que regem a compensação no âmbito da Receita Federal, reafirma a necessidade de motivação e de provas para a nãohomologação da compensação, citando também dispositivos da Lei nº 9.784/99. Novamente menciona a necessidade de que o Fisco intime a contribuinte a apresentar as provas que não foram juntadas à declaração retificadora, e a prevalência das informações nela prestadas enquanto não questionadas. Reportase, também, às hipóteses nas quais a compensação é considerada não declarada (art. 74, §12 da Lei nº 9.430/96), para afirmar que não se consegue verificar no despacho decisório, nem as provas colacionadas e nem qual das hipóteses elencadas na lei que fora firmada a decisão, ou seja, com base em que regra legal a decisão está embasa (sic). Afirma que dentre as hipóteses previstas no referido dispositivo não se encontra o fato de o pagamento estar vinculado a débito declarado em DCTF, alegado pela autoridade julgadora. Destaca, mais uma vez, que a autoridade julgadora ignorou a DIPJ retificadora, e discorda da prevalência da declaração retificada, pois nada na legislação permite Fl. 68DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900228/200929 Acórdão n.º 110100.526 S1C1T1 Fl. 69 6 concluir que erro de procedimento do contribuinte resultasse na glosa de um direito líquido e certo. Reafirma a validade do que contido na DIPJ retificadora depois de transcorridos cinco anos de sua entrega, e a necessidade de, na dúvida, se decidir em favor do contribuinte, que figura como parte hipossuficiente na relação jurídica. Quanto à menção à necessidade de DCTF retificadora, a recorrente aduz que não pode o julgador analisar algo, não carreados nos autos pelas partes, sem com isso avaliar as provas trazidas aos autos e anexas ao mesmo (sic). Reafirma as evidências do crédito presentes na DIPJ retificadora e na DCOMP, a possibilidade que tinha o Fisco de exigirlhe as demais provas necessárias, e, mais à frente, acrescenta que não foi apresentada a fundamentação legal para a exigência veiculada na decisão recorrida. Questiona se a DIPJ retificadora e a DCOMP nada valem na análise, e novamente aborda o ônus da prova, destacando que tem o dever de guarda, e não de juntada de provas como cópias de livros contábeis ou de demonstrações contábeis. Quanto aos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, acrescenta que poderia apresentar sua documentação contábil à época da elaboração do despacho decisório, mas ela não lhe foi requerida. Pede, assim, um julgamento eqüidistante e que, se for necessário que seja corrigido o despacho decisório, determinando que o agente fiscal intime a Recorrente para apresentar os livros, se não considerar válido os créditos pretendidos. Que aplique a multa em caso da não apresentação das retificadoras de forma correta, conforme preceitua a lei, mas que o faça sob a égide da lei, respeitando o princípio da legalidade e motivação, peculiares ao procedimento administrativo. Invoca a aplicação do art. 37 da Constituição Federal e do art. 2o da Lei nº 9.784/99, e cita excertos da obra de Celso Antonio Bandeira de Mello, para concluir que o despacho estava divorciado com o regramento legal. Acrescenta que no caderno processual administrativo, não se encontra carreados elementos que fundamentam a decisão do agente fiscal (sic). Complementa que a decisão recorrida foi omissa quanto à apreciação do fato da Recorrente ter informado DIPJRetificadora e ter anexado a presente, ofendendo o disposto no art. 31 do Decreto nº 70.235/72. Na medida em que os agentes fiscais não questionaram as informações prestadas nesta declaração, uma vez apresentada esta prova pela contribuinte, o ônus de desconstituila passa ao Fisco. Por fim, aborda os efeitos das declarações retificadoras, reportase ao dever de retificar a DCTF quando retificada a DIPJ (art. 18 da Medida Provisória nº 2.18949/2001 e arts. 1o e 4o da Instrução Normativa SRF nº 166/99), mas aduz que o descumprimento desta norma não tem como penalidade a perda do crédito, até porque o próprio art. 2o, inciso II da Instrução Normativa SRF nº 166/99 reconhece os efeitos da retificação da DIPJ para fins de restituição. Fl. 69DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900228/200929 Acórdão n.º 110100.526 S1C1T1 Fl. 70 7 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A contribuinte alegou, em sua impugnação, que teria informado, em DIPJ, apuração de CSLL em valor inferior à soma dos três recolhimentos de R$ 9.620,33, dos quais o primeiro foi confirmado na análise eletrônica da DCOMP nº 33820.68411.290906.1.7.042678. Embora não tenha juntado à sua defesa cópia da referida DIPJ, confirmase nos sistemas informatizados da Receita Federal que, no período indicado na DCOMP, constou da declaração retificadora apresentada em 25/11/2005, e processada sob nº 1288756, a apuração de CSLL incidente sobre o Lucro Presumido no valor de R$ 27.661,24, bem como que três recolhimentos foram efetuados no valor principal de R$ 9.620,33, sendo a 2a e a 3a quotas acrescidas de juros e registradas sob nos 4037245172 e 4037543932. Tais elementos confirmam a alegação de que a retificação de DIPJ promovida pela recorrente evidencia pagamento a maior de CSLL no valor de R$ 1.199,75, utilizado parcialmente na compensação aqui tratada. Relevante anotar que tal indébito foi também utilizado na DCOMP nº 26292.28951.110906.1.7.048824 (processo administrativo nº 10245.900329/200908), pelo valor de R$ 347,40, o qual, somado ao indébito aqui utilizado (R$ 852,34), não supera o pagamento a maior verificado pela diferença entre o débito informado na DIPJ Retificadora (R$ 27.661,24) e o valor principal recolhido (3 quota(s) de R$ 9.620,33). Cabe esclarecer, ainda, que a interessada também formalizou compensações de indébitos apurados em recolhimentos de COFINS e Contribuição ao PIS, as quais restaram, de igual forma, não homologadas, resultando em litígios já apreciados, em sua quase totalidade, pela 3a Seção de Julgamento deste Conselho, cuja 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, por meio dos Acórdãos nº 340101.262 a 340101.317, e 340101.365 a 340101.384, acolheu, à unanimidade, o voto do I. Conselheiro Emannuel Carlos Dantas de Assis, que concluiu pela nulidade da decisão recorrida com base nos seguintes fundamentos: Apesar de a Manifestação de Inconformidade estar centrada na existência de DIPJ retificadora, o acórdão recorrido tratou apenas da DCTF. Considerando que esta não foi retificada e seu valor coincide com o do recolhimento, julgou improcedente a inconformidade sem ao menos fazer menção à retificação da DIPJ. O voto nem ao menos cita a retificação da DIPJ, que para mim é tema crucial para o deslinde do litígio. Seria irrelevante a retificação? A DIPJ retificada deve ser confrontada com a DCTF ou, sem a retificação desta, deve ser simplesmente desprezada? A circunstância de a retificação ter sido anterior à DCOMP tem alguma importância? São indagações a serem respondidas, de modo a completar a fundamentação do acórdão recorrido. Houve, então, omissão do acórdão recorrido, no que desprezou por completo a retificação da DIPJ. E como essa omissão caracteriza preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, necessita ser sanada, sob pena de supressão de instância. Diante da possibilidade deste Colegiado decidir em desfavor da Recorrente, se considerar que a DCTF (não retificada) deve prevalecer Fl. 70DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900228/200929 Acórdão n.º 110100.526 S1C1T1 Fl. 71 8 sobre a DIPJ retificadora, apresentase inaplicável o § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72.1 Para a correição do feito fazse necessário que a DRJ trate da retificação da DIPJ, podendo, se julgar pertinente, determinar diligência visando investigar os valores informados pela Recorrente. Afinal, a confissão em DCTF é relativa e admite provas em contrário, cabendo ainda admitir sua retificação se demonstrado, pelo contribuinte, que os valores nela consignados são superiores aos realmente devidos. Para verificação desses valores, pode ser conveniente análise da contabilidade, da escrita fiscal e de documentos fiscais dos perídos em questão. De todo modo, a retificação da DIPJ há de analisada pela DRJ – com ou sem realização de diligência, ao seu juízo, que deve produzir novo acórdão em substituição ao ora anulado. Pelo exposto, voto por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância o complemente, pronunciandose, também, sobre a DIPJ retificadora. Em seguida ao novo acórdão a ser prolatado deve ser reaberto o prazo para eventual recurso voluntário, tudo conforme o rito do Decreto nº 70.235/72. Contudo, ante a confirmação, junto aos sistemas da Receita Federal, das informações alegadas pela recorrente em sua impugnação, vislumbrase aqui a possibilidade de aplicação do art. 59, §3o do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Isto porque estáse diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. É possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 14/2000, que a informação de débitos em DIPJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Dívida Ativa da União: Art. 1o. O art. 1o. da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: Fl. 71DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900228/200929 Acórdão n.º 110100.526 S1C1T1 Fl. 72 9 “Art. 1o. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” [...] Esta é a interpretação que se extrai destes dispositivo, pois, até então, a Instrução Normativa SRF nº 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, em Dívida Ativa da União, de saldos de tributos a pagar: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições , constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído à declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do anocalendário 1999, a qual, inclusive, passou a denominarse Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Além disso, como a própria recorrente antecipa em sua defesa, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF nº 166/99, editada com fundamento na Medida Provisória nº 2.189 49/2001, nos termos a seguir transcritos: Medida Provisória nº 2.18949/2001, que convalida texto presente desde a Medida Provisória nº 1.99026, de 14 de dezembro de 1999: Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Art. 2o A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, deverá apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. [...] Fl. 72DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900228/200929 Acórdão n.º 110100.526 S1C1T1 Fl. 73 10 Nestes termos, se a contribuinte estava obrigada a retificar a DCTF quando retificasse a DIPJ, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Esclareçase, apenas, que, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração dos valores constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: Da Retificação da DCTF Art. 9º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º As DCTF retificadoras, que vierem a ser apresentadas a partir da publicação desta Instrução Normativa, deverão consolidar todas as informações prestadas na DCTF original ou retificadoras e complementares, já apresentadas, relativas ao mesmo trimestre de ocorrência dos fatos geradores. § 4º As disposições constantes deste artigo alcançam, inclusive, as retificações de informações já prestadas nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) referentes aos trimestres a partir do anocalendário de 1997 até 1998 que vierem a ser apresentadas a partir da data de publicação desta Instrução Normativa. § 5º A pessoa jurídica que entregar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados na DIPJ, deverá apresentar, também, DIPJ retificadora. § 6º Verificandose a existência de imposto de renda postergado de períodos de apuração a partir do anocalendário de 1997, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 7º Fica extinta a DCTF complementar instituída pelo art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 45, de 05 de maio de 1998. Das Disposições Finais Art. 10. Deverão ser arquivados os processos administrativos contendo as solicitações de alteração de informações já prestadas nas DCTF, apresentadas até a data da publicação desta Instrução Normativa e ainda pendentes de apreciação, aplicandose, às DCTF retificadoras respectivas, referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, o disposto nos §§ 1º a 3º do art. 9º desta Instrução Normativa. Fl. 73DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900228/200929 Acórdão n.º 110100.526 S1C1T1 Fl. 74 11 §1º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, somente deverá ocorrer após a confirmação, pela unidade da SRF, da entrega da correspondente declaração em meio magnético. § 2º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anos calendário de 1997 e 1998, somente deverá ocorrer após os devidos acertos, pela unidade da SRF, nos Sistemas de Cobrança. Todavia, tem razão a recorrente quando afirma que o descumprimento daquela obrigação não enseja, como penalidade, a perda do crédito. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] § 2o A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF no 094, de 24 de dezembro de 1997; II – será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. [...] Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. Parágrafo único. Sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da restituição ou compensação, observado o disposto no art. 2º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 22, de 18 de abril de 1996. Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, uma vez formalizada a retificação da DIPJ, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição – PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizálo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5o, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003). Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ retificadora apresentada antes da edição do despacho decisório que Fl. 74DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900228/200929 Acórdão n.º 110100.526 S1C1T1 Fl. 75 12 expressou a nãohomologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendoa ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Acrescentese, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF nº 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 255/2002, antes citada, a revisão de ofício da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou [...] § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. [...] Observese, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento em que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] Ultrapassado este limite, a observância do princípio da legalidade na exigência de tributos confessados em DCTF somente se efetiva mediante revisão de ofício, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ retificadora, da qual consta não Fl. 75DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900228/200929 Acórdão n.º 110100.526 S1C1T1 Fl. 76 13 apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por conseqüência, admitir sua compensação. Assim, embora evidente que a decisão recorrida foi omissa quanto a argumento da defesa, deixase de declarar sua nulidade pois, no mérito, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e homologar a compensação declarada. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 76DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900228/200929 Acórdão n.º 110100.526 S1C1T1 Fl. 77 14 Declaração de Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Quando a Administração pratica algum ato que tem por base apenas declaração do próprio contribuinte e o contribuinte refuta ou retifica a declaração, o ato deve ser reformado, pois perde sua base fática. Isso porque, se é verdade que a Administração pode praticar seus atos considerando apenas as próprias declarações do contribuinte, também é verdade que as declarações podem ser retificadas ou infirmadas. Assim, se a Administração se acomoda em adotar como único elemento de convicção uma declaração, fica sujeita a ver seu ato reformado, quando o conteúdo desta declaração é alterado por quem a declarou, quer pela negativa do conteúdo, quer por uma retificação, quer por outra declaração com conteúdo divergente. Já manifestei meu entendimento sobre a questão em voto sobre situação semelhante, que transcrevo abaixo (negritei): ... Assim, o lançamento decorre da convicção do Fisco de que a compensação informada pelo contribuinte era de fato feita com base nos DARFs indicados e na constatação de que estes eram insuficientes. Noutro giro, esta convicção decorre na crença de que a DCTF informasse corretamente a forma pela qual foi feita a compensação. Talvez, até o lançamento tenha decorrido da crença de que os fatos informados em DCTF tornemse verdades absolutas e não possam ser retificados. No entanto, nenhuma destas crenças é pertinente, pois a retificação da DCTF é admitida, já que, como qualquer declaração de informação, pode conter erros. Inclusive, a retificação de DCTF não exige a prova de erro em que se fundamente, como demonstra o art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. A regra pode servir de parâmetro na verificação dos requisitos impostos pela própria RFB para a retificação de DCTF. O texto é o seguinte: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; Fl. 77DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900228/200929 Acórdão n.º 110100.526 S1C1T1 Fl. 78 15 b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Como visto acima, a disciplina posta pela Receita Federal para as alterações da DCTF não obrigam que o contribuinte tenha de comprovar o erro que motiva a alteração. As restrições apenas visam disciplinar as alterações com o instituto da espontaneidade, da inscrição em dívida ativa, e mudança do órgão que administra o título executivo constituído por débitos em aberto. Portanto, o contribuinte pode alterar o que informou em DCTF sem ter que, para isso, provar o seu erro anterior. Também no CTN não consta nenhuma exigência para retificação de DCTF. A única restrição feita no Código sobre retificação de declaração, é posta no art. 147, e referese a retificação de declaração preparatória de lançamento, relativa a tributo lançado por declaração e asssim mesmo aos casos em que esta nova declaração vise reduzir tributo. Ou seja, a única restrição legal se refere a alteração da declaração do sujeito passivo que será usada pela Administração para efetuar com base nela o lançamento, dentro da sistemática dos tributos lançados por declaração. Apenas este tipo de declaração é que sofre a exigencia de que o contribuinte precisa provar o erro que motiva a retificação. As outras declarações a que os contribuintes estão obrigados, não sofrem a restrição feita pela pelo art. 147 do CTN. Assim, submetemse a regra geral que é a da liberdade de modificar o informado sem necessidade de demosntrar o erro que justifique a retificação. Tal regra decorre do princípio constitucional de que o administrado não é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Assim, no caso concreto, era (ou deveria ser) de conhecimento do Fisco que a DCTF poderia estar errada e poderia ser infirmada pelo contribuinte a qualquer Fl. 78DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900228/200929 Acórdão n.º 110100.526 S1C1T1 Fl. 79 16 tempo, sem maior ônus para este do que a simples afirmação do erro. Deste modo, percebese que foi uma opção consciente do Fisco efetuar o lançamento com os poucos dados que ele tinha sobre a questão. O Fisco preferiu se abstrair da realidade, para considerar apenas as informações da DCTF. A fragilidade do lançamento decorre da opção do Fisco pelo nível de investigação dos fatos. Tal como alega o contribuinte, o Fisco, ao constatar que a compensação informada na DCTF não podia ser admitida por falta de crédito, podia e devia ter intimado o contribuinte a esclarecer a matéria. Deveria ter intimado o contribuinte a esclarecer a origem do crédito que fundamentava a compensação indicada. Ao não fazêlo, conformouse em trabalhar com uma situação instável, que poderia ser alterada unilateralmente pelo contribuinte. Bastaria que o contribuinte infirmasse, tal como fez, a compensação declarada e afirmasse que o crédito teria outra origem, que o lançamento perderia sua base fática. Também, vale destacar que a DCTF não era um instrumento pelo qual se solicitasse compensação, mas apenas um instrumento de informação. Recapitulando, é preciso ter em mente que, na época, a DCTF apenas indicava uma compensação que foi feita na contabilidade do contribuinte. Também, é preciso considerar que a DCTF não era um veículo de pedido de compensação, que pudesse ser deferido ou indeferido nos termos em que fosse solicitado, mas era um veículo meramente informativo quanto a compensação feita e registrada na contabilidade. Por isso, a compensação informada na DCTF não está sujeita ao crivo de ser ou não concedida, mas sim ao crivo de ser ou não considerada correta. ... Dentro dos poderes atribuídos ao Fisco para desempenho de sua função, não existe a prerrogativa substituir a investigação da matéria tributável por uma investigação de declaração sobre a matéria tributável. Caso o Fisco opte por investigar apenas os fatos declarados, e não a matéria sobre a qual pretende se manifestar, assume o risco de ver suas presunções feitas com base na declaração refutadas pela simples retificação. O ônus de provar que a compensação eventualmente estivesse errada era do Fisco. Não é razoável pretender inverter este ônus sem haver uma previsão legal para tanto. Portanto, não se pode pretender, como quis a DRJ, que o contribuinte tenha de comprovar sua compensação, sem que ninguém o tenha intimado a fazer isso, apenas porque o Fisco suspeitou da compensação declarada na DCTF. ... Não havendo regra que torne imutável o informado em declaração, não havendo regra que exija a comprovação para retificação de declaração, o uso da declaração como elemento de convicção para autuação é frágil e pode ser refutado pela simples negativa. Isso porque a matéria tributável não é o retratado na declaração, mas sim a que de fato ocorreu. Além disso, no presente caso, o ato da Administração foi praticado tendo por base a DCTF, mas desconsiderando a DIPJ, embora ambas as declarações estivessem disponíveis. Deste modo, mesmo antes do ato, o contribuinte já apresentava elementos divergentes de sorte que era absolutamente impróprio que a Administração considerasse apenas uma das declarações, em detrimento da outra. Essa situação de divergência, por sí só já obrigava que a Administração aprofundasse suas investigações, para analisar a divergência entre as declarações e para buscar elementos que entendesse corroborar sua convicção sobre os fatos. Mas, não foi este o caminho trilhado. Fl. 79DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900228/200929 Acórdão n.º 110100.526 S1C1T1 Fl. 80 17 O ato administrativo foi praticado e foi impugnado. Para demonstrar a impertinência do conteúdo da DCTF o contribuinte alega o conteúdo de sua DIPJ. Dessa forma o contribuinte infirma a sua DCTF e, com isso, retira as bases fáticas do despacho. Por tais razões, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Fl. 80DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 13502.000568/2007-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano-calendário: 2003
Ementa:
Alteração de regime de tributação (Lucro Presumido X Lucro Real)
Após a vigência da Lei 9718 não é mais possível a alteração de regime de tributação.
Numero da decisão: 1302-000.515
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 Ementa: Alteração de regime de tributação (Lucro Presumido X Lucro Real) Após a vigência da Lei 9718 não é mais possível a alteração de regime de tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade e Irineu Bianchi (Vicepresidente) Relatório Fl. 100DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13502.000568/200704 Acórdão n.º 1302000.515 S1C3T2 Fl. 315 2 Trata o processo em questão de Autos de Infração referentes aos quatro trimestres do anocalendário de 2003, relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, às fls. 03 a 14, no valor de R$179.401,03 (cento e setenta e nove mil, quatrocentos e um reais e três centavos); à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, às fls. 15 a 24, no valor de R$50.221,07 (cinquenta mil, duzentos e vinte e um reais e sete centavos); à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, às fls. 25 a 31, no valor de R$470,37 (quatrocentos e setenta reais e trinta e sete centavos); e à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, às fls. 32 a 38, no valor de R$101,87 (cento e um reais e oitenta e sete centavos), acrescidos da multa de ofício e dos juros de mora. O Auto de Infração de IRPJ foi proveniente de: 1) falta/insuficiência de recolhimento/declaração do imposto de renda apurado com base no lucro presumido, relativo aos quatro trimestres do anocalendário de 2003, calculado a partir das receitas relacionadas no anexo 1 do Auto de Infração. O enquadramento legal aponta infração aos arts. 224, 516, 518 e 519, § 1º, inciso III, alínea “a”, e §§ 4º a 7º do RIR/1999. 2) omissão de rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa apurados nos quatro trimestres do anocalendário de 2003, conforme anexo 2 deste Auto de Infração. Os valores do imposto retido na fonte, demonstrados no anexo 3, foram compensados na determinação do imposto devido. O enquadramento legal aponta infração ao art. 521 do RIR/1999. Os demais Autos de Infração, relativos à CSLL, à COFINS e ao PIS, decorreram do Auto do IRPJ. No caso da CSLL, o enquadramento legal aponta: art. 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 1988; art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995; art. 29 e inciso II da Lei nº 9.430, de 1996; e art. 37 da Lei nº 10.637, de 2002. A COFINS, decorrente do item 2 do Auto do IRPJ, teve como enquadramento legal: arts. 2º, inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524, de 2002. Quanto ao PIS, também decorrente do item 2 do Auto do IRPJ, o enquadramento legal aponta: arts. 1º e 3º da Lei Complementar nº 07, de 1970; e arts. 2º, inciso I, alínea “a” e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524, de 2002. Relatando os fatos ocorridos, o Autuante declara, em síntese, que: – o contribuinte fornece mãodeobra para diversas empresas e apresentou a DIPJ/2004, anocalendário 2003, em 31/05/2004, como inativa. Posteriormente, em 30/06/2004, retificoua, informando como forma de tributação o lucro real trimestral. Em 22/01/2007, já sob ação fiscal, entregou outra DIPJ retificadora com base no lucro real anual; – na DCTF original, entregue em 16/05/2003, informou débitos para o 1º trimestre de 2003, de IRPJ, sob o código 3373, e de CSLL, sob o código 6012, ambos relativos a pessoas jurídicas que apuram lucro real trimestral. O mesmo procedimento foi adotado quanto ao 3º trimestre de 2003. Mais tarde, já sob fiscalização, apresentou duas DCTF retificadoras, excluindo o débito do IRPJ e mantendo o da CSLL, com o mesmo código; – entretanto, o contribuinte, no 1º trimestre de 2003, efetuou pagamento do IRPJ sob o código 2089 (lucro presumido), o mesmo ocorrendo em relação à CSLL, paga sob o código 2372. Com estes pagamentos, o contribuinte manifestou a opção pela tributação com Fl. 101DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13502.000568/200704 Acórdão n.º 1302000.515 S1C3T2 Fl. 316 3 base no lucro presumido, conforme disposto nos artigos 516, §§ 1º e 4º, e 517 do RIR/1999. No 3º trimestre de 2003, efetuou recolhimentos também sob os códigos 2089 e 2372; – o RIR/1999 diz que a opção pelo lucro presumido será manifestada com o pagamento da primeira quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração, sendo definitiva para todo o anocalendário. Excepcionalmente, o art. 22 da Lei nº 10.684, de 2003, permitiu a alteração do regime de tributação de lucro presumido para lucro real, no 4º trimestre de 2003. Consoante o LALUR não houve apuração de lucro tributável no 4º trimestre e, assim, não houve pagamento, neste período, com o código específico de apuração pelo lucro real. Dessa forma, o contribuinte que mudasse de opção, deveria informar tal mudança na DIPJ/2004, o que também não foi feito, confirmando a opção pelo lucro presumido em todo o anocalendário de 2003; – definida a forma de tributação, confrontamos os valores de faturamento escriturados nos livros Razão, de apuração do ISS e nos balancetes de verificação, constatando divergências nos meses de janeiro, março, abril, maio e dezembro de 2003. Intimado a explicar essas diferenças, o contribuinte não se manifestou. Aplicamos então os valores constantes do livro de apuração do ISS, coincidentes com os registrados nos demonstrativos entregues pelo contribuinte, para apuração do PIS e da COFINS. Tais valores estão indicados no anexo 01 desse Auto de Infração; – o coeficiente para apuração da base de cálculo do IRPJ é de 32%, e da CSLL é de 12% até agosto de 2003 e de 32% a partir de 01/09/2003, conforme o art. 20 da Lei nº 9.249/95. Dos valores devidos, compensamos as retenções do imposto de renda informadas pelas fontes pagadoras e demonstradas no anexo 3. Também compensamos os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, conforme o sistema SINAL da RFB; – registrese que os valores pagos pelo contribuinte foram declarados em DCTF sobre outro código. Assim, fica ele intimado a retificar as DCTF dos 1º e 3º trimestres de 2003, incluindo o IRPJ pago sob o código 2089, e mudando o código de recolhimento da CSLL de 6012 para 2372. Fica cientificado, também, do aproveitamento desses valores nestes Autos de Infração, vedada sua compensação ou qualquer outra forma de utilização. Às fls. 36 a 48, a pessoa jurídica apresentou impugnação ao feito fiscal, alegando, em resumo, que: DOS FATOS: • em 03/01/2007, o recorrente foi notificado do início da ação fiscal, referente ao exercício de 2003, sendolhe solicitado uma série de livros e documentos, todos entregues ao preposto fiscal. Em 01/02/2007, o recorrente entregou ao preposto fiscal, como apêndice, os balancetes mensais e o LALUR, formalizando ainda declaração de opção pelo lucro real, conforme protocolo recepcionado pela DRF, cuja cópia segue anexa; • em 24/05/2007, foi mais uma vez intimado para explicar algumas questões, tendo comparecido à sede da DRF, justificando que a forma de tributação durante todo o período de 2003 fora através do lucro real anual. Explicou que divergência dos valores da receita bruta, entre a escrita fiscal e a contábil, deuse em função de notas fiscais canceladas, indevidamente contabilizadas como válidas, e que a diferença do salário deuse em função do transporte de valores. Embora não tenha efetivado por escrito tais justificativas, o preposto Fl. 102DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13502.000568/200704 Acórdão n.º 1302000.515 S1C3T2 Fl. 317 4 fiscal, em seu anexo 01 da intimação fiscal nº 02, procedeu à apuração de forma correta, não cabendo aqui questionamentos; • em 18/06/2007, o preposto fiscal procedeu à lavratura do auto de infração, argumentando que, pelo fato de haver detectado o pagamento de darf, no 1º e 3º trimestres de 2003, através do código 2089 para o IRPJ e 2372 para a CSLL, o recorrente fizera a opção para apuração pelo lucro presumido para todo o exercício de 2003; DO DIREITO: • o recorrente sempre procedeu à apuração do IRPJ e da CSLL pelo lucro real. O preposto fiscal leva em consideração o pagamento de darf pelos códigos 2089 e 2372, embora na própria DCTF dos respectivos trimestres hajam sido informados, corretamente, os códigos 3373 e 6012. Questionamos aqui que os darf sejam determinantes na opção pela forma de tributação do lucro presumido, primeiro, por estarem em desconformidade com as DCTF apresentadas e, segundo, porque não eram devidos os aludidos pagamentos, tendo em vista a recorrente apresentar base de cálculo negativa naqueles trimestres, conforme preceitua o art. 30 da Lei nº 9.430/95, e que deverão ser objeto de pedido de restituição por pagamento indevido; • ademais, todas as outras obrigações acessórias que tem o recorrente foram integralmente cumpridas, como a transmissão das DCTF, a entrega da DIPJ, embora a declaração originária tenha sido apresentada como inativa, mas houve a devida retificação confirmando a tributação pelo lucro real, além da escrita do livro diário, não do livro caixa, como seria no caso de lucro presumido, e do LALUR, que apura o lucro real; • os arts. 516 e 517 do Decreto 3000/99, quando dispõem que, uma vez efetuado o pagamento do tributo pelo lucro presumido, o contribuinte estará efetivando opção que deverá prevalecer para todo o exercício, diz respeito ao pagamento do tributo devido no trimestre, o que não ocorreu no caso em foco. O simples fato de haver pagamento de valor qualquer, mas utilizandose o código de recolhimento, mesmo que erroneamente, pelo lucro presumido, não deve ser considerado como opção por essa forma de tributação, mesmo porque deverão ser observadas as declarações que consubstanciarão a opção do contribuinte. É clara a forma de tributação pelo lucro real, por parte do recorrente, cabendolhe efetivar o pedido de restituição dos pagamentos indevidos; NO MÉRITO: • são estes, em síntese, os pontos discordantes apontados nesta impugnação: a) manter e considerar a opção pelo lucro real anual, a teor das DCTF e DIPJ tempestivamente apresentadas, além das escritas fiscal e contábil em conformidade com esta forma de tributação; b) sejam considerados os livros Diário e LALUR e os balancetes apresentados ao preposto fiscal; c) sejam considerados os comprovantes de despesas, como notas fiscais, folhas de pagamentos, comprovantes de impostos e encargos sociais apresentados ao preposto fiscal; d) que haja o efeito suspensivo do crédito tributário aqui contestado, para fins de obtenção de certidões negativas; • à vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência total do lançamento, requer que seja acolhida a presente impugnação. A DRJ decidiu: Fl. 103DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13502.000568/200704 Acórdão n.º 1302000.515 S1C3T2 Fl. 318 5 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 LUCRO PRESUMIDO. OPÇÃO DEFINITIVA. A opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação a todo o anocalendário e será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GERAIS. A base de cálculo do imposto e do adicional, em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de trinta e dois por cento sobre a receita bruta da atividade de prestação de serviços. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2003 LUCRO PRESUMIDO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS GERAIS. A base de cálculo dessa contribuição, em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de doze por cento, até 31/08/2003, e de trinta e dois por cento, a partir de 01/09/2003, sobre a receita bruta da atividade de prestação de serviços. Lançamento Parcialmente Impugnado. Cientificada do acórdão DRJ em 17/04/2009, a recorrente apresentou recurso em 14/05/2009. Em seu recurso reitera os argumentos da impugnação, em especial que, apesar de haver pago o IRPJ e a CSLL pelo lucro presumido no três primeiros trimestres de 2003, declarou em DCTF e na DIPJ, entregues antes da ação fiscal, sua opção pelo lucro real. Voto Conselheiro MARCOS RODRIGUES DE MELLO O recurso é tempestivo e deve ser conhecido.. Importante para a solução da lide transcrever parte do voto condutor do acórdão recorrido: O item 1 dos Autos de Infração do IRPJ e da CSLL decorreram da verificação de diferenças, nos quatro trimestres do ano calendário de 2003, entre os valores do imposto e da contribuição declarados nas respectivas DCTF (pelo lucro real) e recolhidos em relação aos 1º e 3º trimestres (pelo lucro presumido) e os valores calculados com base no lucro presumido, em consonância com a opção manifestada pela Fl. 104DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13502.000568/200704 Acórdão n.º 1302000.515 S1C3T2 Fl. 319 6 Contribuinte ao efetuar o pagamento do IRPJ e da CSLL referentes ao 1º trimestre de 2003. Por sua vez, a Impugnante alegou que sempre apurou o IRPJ e a CSLL pelo lucro real anual, pedindo a manutenção dessa sistemática, e que o fato de ter efetuado, em alguns trimestres, pagamentos com o código de lucro presumido não deve ser suficiente para efeito de se determinar a opção pela forma de tributação, pois nas DCTF informou os códigos corretos, como também porque apurou bases de cálculo negativas nos mesmos trimestres. Primeiramente, convém transcrever o artigo 516, §§ 1º e 4º, do RIR/1999: Art. 516. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a vinte e quatro milhões de reais, ou a dois milhões de reais multiplicado pelo número de meses de atividade no anocalendário anterior, quando inferior a doze meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13). § 1º A opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação a todo anocalendário (Lei nº 9.718, de 1998, art. 13, § 1º). (...). § 4º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 26, § 1º). Assim, como regra geral, não há possibilidade de alteração na forma de tributação escolhida. A opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação a todo o anocalendário, a partir do pagamento da quota do imposto devido referente, no caso, ao 1º período de apuração do ano calendário. No caso presente, a Autuada efetuou o recolhimento do imposto de renda (código 2089) e da contribuição social (código 2372) correspondentes ao 1º trimestre do anocalendário de 2003, com base no lucro presumido, manifestando, portanto, sua opção por essa forma de tributação. A título de ilustração, vale aduzir que, diante de algumas situações especiais, admitese a mudança da opção pelo lucro presumido para outra modalidade de tributação, dentro do mesmo anocalendário. Por exemplo, se a pessoa jurídica que houver pago o imposto com base no lucro presumido e que, em relação ao mesmo anocalendário, incorrer em situação de obrigatoriedade de apuração pelo lucro real por ter auferido lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior, deverá apurar o IRPJ e a CSLL sob o regime de apuração pelo Fl. 105DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13502.000568/200704 Acórdão n.º 1302000.515 S1C3T2 Fl. 320 7 lucro real trimestral, a partir, inclusive, do trimestre da ocorrência do fato, consoante o disposto no artigo 2º do Ato Declaratório Interpretativo nº 5, de 31/10/2001. Outra exceção abrese quando, durante o anocalendário, ocorrer qualquer das hipóteses de arbitramento previstas na legislação tributária, situação em que a pessoa jurídica poderá, desde que conhecida a receita bruta, determinar o lucro tributável segundo as regras relativas ao regime de tributação com base no lucro arbitrado. Ressaltese que tal hipótese, bem como a descrita no parágrafo anterior, não aconteceu no caso concreto. Cabe destacar ainda que, por força do artigo 22 da Lei nº 10.684, de 30/03/2003, que deu nova redação ao artigo 20 da Lei nº 9.249, de 1995, acrescentandolhe o parágrafo único, as pessoas jurídicas submetidas ao lucro presumido puderam, excepcionalmente, em relação ao 4º trimestre do anocalendário de 2003, optar pelo regime de tributação com base no lucro real trimestral, tomando como definitiva a tributação com base no lucro presumido relativa aos três primeiros trimestres. Notese que a situação da Autuada também não se subsume à referida hipótese, pois, tendo efetuado pagamentos de IRPJ e CSLL relativos aos 1º e 3º trimestres de 2003, com base no lucro presumido, não apurou e, conseqüentemente, não recolheu esses tributos referentes ao 4º trimestre. Ademais, não indicou na DIPJ/2004 qualquer mudança da forma de tributação de lucro presumido para o lucro real, no 4º trimestre de 2003. O fato de a pessoa jurídica ter apresentado suas declarações – tanto as DCTF como as DIPJ – pelo lucro real não tem relevância alguma para efeito de determinação da forma de tributação, uma vez que a opção, como dito anteriormente, se manifesta com o primeiro pagamento efetuado no ano calendário e este, referente ao 1º trimestre de 2003, indicou o regime do lucro presumido, sendo definitivo para todo o ano calendário de 2003. A posição expressa pelo acórdão DRJ acompanha a jurisprudência deste colegiado e entendo relevante trazer o texto legal que trata da matéria: Lei 9430: Art.26.A opção pela tributação com base no lucro presumido será aplicada em relação a todo o período de atividade da empresa em cada anocalendário. §1º A opção de que trata este artigo será manifestada com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada ano calendário. §2º A pessoa jurídica que houver iniciado atividade a partir do segundo trimestre manifestará a opção de que trata este artigo Fl. 106DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13502.000568/200704 Acórdão n.º 1302000.515 S1C3T2 Fl. 321 8 com o pagamento da primeira ou única quota do imposto devido relativa ao período de apuração do início de atividade. §3º A pessoa jurídica que houver pago o imposto com base no lucro presumido e que, em relação ao mesmo anocalendário, alterar a opção, passando a ser tributada com base no lucro real, ficará sujeita ao pagamento de multa e juros moratórios sobre a diferença de imposto paga a menor. §4º A mudança de opção a que se refere o parágrafo anterior somente será admitida quando formalizada até a entrega da correspondente declaração de rendimentos e antes de iniciado procedimento de ofício relativo a qualquer dos períodos de apuração do respectivo anocalendário. Lei 9718: Art. 13. A pessoa jurídica cuja receita bruta total, no ano calendário anterior, tenha sido igual ou inferior a R$ 48.000.000,00 (quarenta e oito milhões de reais), ou a R$ 4.000.000,00 (quatro milhões de reais) multiplicado pelo número de meses de atividade do anocalendário anterior, quando inferior a 12 (doze) meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1° A opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação a todo o anocalendário. §2° Relativamente aos limites estabelecidos neste artigo, a receita bruta auferida no ano anterior será considerada segundo o regime de competência ou de caixa, observado o critério adotado pela pessoa jurídica, caso tenha, naquele ano, optado pela tributação com base no lucro presumido. Como se vê acima, a Lei 9718 alterou o tratamento dado à matéria pela Lei 9430, não sendo mais permitida a alteração do regime de tributação. Enquanto vigente a Lei 9430, entendo que era possível a alteração do regime, desde que feita até a entrga da DIPJ e antes de qualquer procedimento de ofício. No REsp 573552, o STJ, embora indeferindo alteração de regime, assim entendeu: TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. MUDANÇA DE REGIME DE TRIBUTAÇÃO. ART. 26, § 4º, DA LEI Nº 9.430/96. 1. Somente será admitida a mudança de opção de regime tributário, quando formalizada até a entrega da correspondente declaração de rendimentos e antes de iniciado procedimento fiscal. Fl. 107DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13502.000568/200704 Acórdão n.º 1302000.515 S1C3T2 Fl. 322 9 2. Não há possibilidade de retificação do regime tributário após a entrega da declaração, conforme preceitua o artigo 26, § 4º, da Lei nº 9.430/96. 3. Recurso especial provido. Como se pode ficar, o STJ admite a mudança de regime, desde que atendidos os requisitos do § 4º do art. 26 da Lei 9430. Após a alteração trazida pela Lei 9718, essa alteração não é mais possível Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Relator Fl. 108DF CARF MF Emitido em 17/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Assinado digitalmente em 17/03/2011 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
score : 1.0
Numero do processo: 10675.003231/2006-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2002
Ementa: PROCESSOS JUDICIAIS. AUSÊNCIA DE QUALQUER DECISÃO JUDICIAL A OBSTAR O PROCESSAMENTO DO PRESENTE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Não há qualquer notícia nos autos de decisão judicial que tenha determinado a suspensão da exigibilidade do crédito tributário aqui em discussão, ou mesmo o sobrestamento deste processo administrativo fiscal, ou ainda o cancelamento do lançamento. Por outro lado, enquanto este processo tramitar na via administrativa, o crédito tributário estará com a exigibilidade suspensa.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. HONORÁRIOS AUFERIDOS PELO AUTUADO EM DECORRÊNCIA DA GESTÃO DE NEGÓCIOS DE TERCEIRO. CONFISSÃO PELO AUTUADO DO RECEBIMENTO DOS VALORES DAS OPERAÇÕES INTERMEDIADAS EM SUA CONTA CORRENTE BANCÁRIA.
HONORÁRIOS COMPROVADOS A PARTIR DE RECIBOS EMITIDOS PELO AUTUADO. NEGATIVA DO RECEBIMENTO DOS VALORES COM LASTRO EM NOTA PROMISSÓRIA EMITIDA PELO TERCEIRO EM ANO SUBSEQÜENTE AO DOS FATOS GERADORES.
IMPOSSIBILIDADE. Não restou dúvida que as operações administradas
pelo recorrente autuado existiram, como se comprovou pela documentação juntada aos autos pelo próprio autuado e pela vultosa movimentação financeira em suas contas bancárias, bem como que o fiscalizado recebeu os honorários avençados, como se comprovou pelos recibos juntados aos autos, emitidos pelo próprio contribuinte fiscalizado (beneficiário). Assim, seria de
uma estranheza ímpar que um advogado, administrando negócios de
terceiros, funcionando como mandatário, com contrato de honorários de 15% sobre os valores recebidos, efetuasse múltiplas operações de intermediação de negócios, civis e comerciais, recebesse os dinheiros em suas contas correntes, emitisse recibos dos honorários recebidos, porém repassasse todo o quantum ao mandante, recebendo, apenas, uma Nota Promissória no exercício seguinte, como paga de seu trabalho. Omissão de rendimentos
mantida.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-001.238
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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AUSÊNCIA DE QUALQUER DECISÃO JUDICIAL A OBSTAR O PROCESSAMENTO DO PRESENTE PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Não há qualquer notícia nos autos de decisão judicial que tenha determinado a suspensão da exigibilidade do crédito tributário aqui em discussão, ou mesmo o sobrestamento deste processo administrativo fiscal, ou ainda o cancelamento do lançamento. Por outro lado, enquanto este processo tramitar na via administrativa, o crédito tributário estará com a exigibilidade suspensa. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA. HONORÁRIOS AUFERIDOS PELO AUTUADO EM DECORRÊNCIA DA GESTÃO DE NEGÓCIOS DE TERCEIRO. CONFISSÃO PELO AUTUADO DO RECEBIMENTO DOS VALORES DAS OPERAÇÕES INTERMEDIADAS EM SUA CONTA CORRENTE BANCÁRIA. HONORÁRIOS COMPROVADOS A PARTIR DE RECIBOS EMITIDOS PELO AUTUADO. NEGATIVA DO RECEBIMENTO DOS VALORES COM LASTRO EM NOTA PROMISSÓRIA EMITIDA PELO TERCEIRO EM ANO SUBSEQÜENTE AO DOS FATOS GERADORES. IMPOSSIBILIDADE. Não restou dúvida que as operações administradas pelo recorrente autuado existiram, como se comprovou pela documentação juntada aos autos pelo próprio autuado e pela vultosa movimentação financeira em suas contas bancárias, bem como que o fiscalizado recebeu os honorários avençados, como se comprovou pelos recibos juntados aos autos, emitidos pelo próprio contribuinte fiscalizado (beneficiário). Assim, seria de uma estranheza ímpar que um advogado, administrando negócios de terceiros, funcionando como mandatário, com contrato de honorários de 15% sobre os valores recebidos, efetuasse múltiplas operações de intermediação de negócios, civis e comerciais, recebesse os dinheiros em suas contas correntes, emitisse recibos dos honorários recebidos, porém repassasse todo o quantum ao mandante, recebendo, apenas, uma Nota Promissória no Fl. 737DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 exercício seguinte, como paga de seu trabalho. Omissão de rendimentos mantida. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 03/05/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Núbia Matos Moura, Eivanice Canário da Silva, Rubens Maurício Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Acácia Sayuri Wakasugi e Giovanni Christian Nunes Campos. Relatório Em face do contribuinte JORGE EDUARDO DA CUNHA ABRÃO, CPF/MF nº 789.493.43649, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 23/11/2006, auto de infração (fls. 589 a 609), com ciência postal em 28/11/2006, a partir de ação fiscal iniciada em 17/02/2005 (fl. 611). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 145.076,56 MULTA DE OFÍCIO R$ 108.807,42 MULTA EXIGIDA ISOLADAMENTE R$ 106.882,26 Ao contribuinte foram imputadas as seguintes infrações, ambas apenadas com multa de ofício de 75% sobre o imposto lançado ou não antecipado, no anocalendário 2001: 1. omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, sem vínculo empregatício, no montante de R$ 528.690,06; 2. falta do pagamento do carnêleão. Fl. 738DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10675.003231/200690 Acórdão n.º 2102001.238 S2C1T2 Fl. 2 3 Abaixo, colacionamse excertos do relatório fiscal que explicitam a motivação da autuação (fls. 591 a 601), verbis: Em 12/02/2003 foi protocolizado nesta Delegacia da Receita Federal em UberlândiaMG, um documento/denúncia intitulado Medida Urgente, (fls. 09 a 69) de autoria de Adriana de Freitas Pacheco, CPF: 766.037.76634, com data de 07 de fevereiro de 2003. Referido documento, onde assinam, além da contribuinte supracitada, os advogados Iara Silene de Almeida Barbosa e Sérgio Mestriner Júnior, do escritório Barbosa & Mestriner Advogados Associados, continha graves denúncias que apontavam para a sonegação do imposto de renda da pessoa física de JORGE EDUARDO DA CUNHA ABRÃO CPF: 789.493.43649, em função de contrato de prestação de serviços entre eles. Sobre o assunto, foi inclusive impetrada por Adriana de Freitas Pacheco contra Jorge Eduardo da Cunha Abrão, AÇÃO JUDICIAL DE PRESTAÇÃO DE CONTAS, cujo processo de n° 702.02.011.4352 encontrase atualmente no Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (f1.70 a). Naqueles autos estão os originais dos recibos juntados a este Processo pela Sra. Adriana no embasamento de sua denúncia. De.posse de tal denúncia, e verificando em seus sistemas de informações eletrônicas que a movimentação financeira do denunciado excedia em muito os seus rendimentos declarados, esta Delegacia da Receita Federal decidiu pela abertura de ação fiscal em 17 de fevereiro de 2005, com a emissão do devido Mandado de Procedimento Fiscal n° 1216. Em conseqüência, foi emitido Termo de Início de Ação Fiscal em 21/02/2005, (fls.71 e 72) onde a AuditoraFiscal designada para o trabalho solicitou ao contribuinte, no prazo de 20 (vinte) dias: 1. "Extratos bancários de conta corrente e de aplicações financeiras referentes ao anocalendário de 2001 das instituições relacionadas a seguir: (..) Em 31/03/2005 (fls. 81 a 85) o Sr. Jorge Eduardo apresentou os extratos de fls. 86 a 172, salientando que a movimentação financeira neles constante seria em virtude do "contrato de honorários de prestação de serviços" (grifo nosso) pactuado com a Sra. Adriana de Freitas Pacheco (fls. 81 a 84 ). (...) Em 30/08/2006 o Sr. Jorge Eduardo recebeu nova Intimação desta Fiscalização (termo datado de 28/08/2006), (fls. 183 a 192) onde solicitamos o que se segue, no prazo de 20 (vinte) dias: 1. "Extratos bancários mensais referentes ao ano calendário de 2001 da conta de POUPANÇA VIVA mantida na Agência 188 do BANCO BCN, de cujo saldo foram efetuadas várias transferências para a conta corrente n° 462.142 do mesmo Banco (cujos extratos foram apresentados pelo próprio Fl. 739DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 contribuinte), conforme solicitado no Termo de Início da Ação Fiscal lavrado em 21/02/2005. (Referido Termo incluía a solicitação tanto das contas correntes como das aplicações financeiras. Os extratos da Poupança Viva, entretanto, •não foram apresentados até a presente data); 2. Apresentar documentação hábil e idônea que comprove a origem dos recursos pelos quais se efetuaram os depósitos bancários listados abaixo (e também os constantes dos extratos solicitados no item 1 desta Intimação), correlacionandoos às respectivas atividades econômicas: • ANEXO I conta n° 001.8364 do BANCO SAFRA AG. 13100; • ANEXO II conta n° 52.3184.10 do BANKBOSTON AG. Uberlândia • ANEXO III conta n° 36.00500.9 do BANKBOSTON AG. Uberlândia ANEXO IV conta n° 462.142 do BCN AG. 188 3. Seguem no anexo V, relação de recebimentos com cópias dos recibos relativos ao pagamento de honorários e comissões diversas, do AC de 2001 acostados no Processo n° 0702020114352, AÇÃO DE PRESTAÇÃO DE CONTAS que move Adriana de Freitas Pacheco contra Jorge Eduardo da Cunha Abrão. Solicitamos a comprovação do oferecimento de tais valores à tributação do Imposto de Renda Pessoa Física ou a declaração do motivo do não oferecimento. (...) Em resposta à Intimação, cujo prazo de 20 (vinte) dias expirava em 19/09/2006, o contribuinte solicitou, no dia do vencimento, 19/09/2006, um prazo adicional de 30 (trinta) dias. Foi concedido a ele prazo até o dia 04/10/2006, (fl. 193) quando o Sr. Jorge Eduardo apresentou suas alegações de fls. 194 a 203, onde, em síntese, disse que toda a movimentação financeira existente em suas contascorrentes eram de dinheiro proveniente das transações da Sra. Adriana de Freitas Pacheco de cujos bens era administrador de acordo com o Contrato de fls. 205 a 208. Declarou, também, que não ofereceu à tributação os valores constantes do anexo V da Intimação (fls. 191), em virtude de não ter percebido tais valores. Juntou naquela data, vários documentos embasando as denúncias contidas no seu supracitado documento de alegações (fls. 204 a 335). (...) Esta Fiscalização, tendo analisado todos os documentos citados neste Auto de Infração e anexados ao presente Processo, entendeu que a movimentação financeira do Sr. Jorge Eduardo da Cunha Abrão realmente sofreu algumas alterações em função dos recebimentos e pagamentos efetuados por ele em virtude de seu contrato de prestação de serviços com a Sra. Adriana de Freitas Pacheco. No entanto, há documentação farta que comprova os RECEBIMENTOS do Sr. Jorge Eduardo, ( fls . 360 Fl. 740DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10675.003231/200690 Acórdão n.º 2102001.238 S2C1T2 Fl. 3 5 a 481) exatamente em função de ter administrado os bens da Sra. Adriana, oriundos do Contrato que ele próprio cita e anexa. Isto posto, procedemos à presente autuação por OMISSÃO DE RENDIMENTOS recebidos de pessoa física, com as seguintes considerações: Com relação aos 7 (sete) itens supracitados, constantes das alegações do contribuinte (fls. 345 a 359) temos a esclarecer o que se segue: 1) Que os extratos bancários da conta Poupança Viva não lhe foram ainda enviados pelo BCN; A presente ação fiscal foi iniciada em fevereiro de 2005 e, desde o início, o contribuinte foi intimado a apresentar os extratos de suas contascorrentes, poupanças e demais aplicações financeiras. Após 1 ano e 8 meses, não o fez; Não obstante isso, tendo esta Fiscalização entendido o cabimento da autuação por omissão de rendimentos, tais extratos não foram essenciais à conclusão dos trabalhos. 2) Que "a Receita Federal não está trabalhando com a finalidade de examinar os elementos/documentos visto que, É INICIADA UMA AÇÃO FISCAL COM BASE EM RECIBOS 'CONSTANTE DE UM LIVRO CAIXA, E, A EXPLICAÇÃO, COMPROVAÇÃO E ORIGEM DE TODA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA QUE TAMBÉM CONSTA DESTE MESMO LIVRO CAIXA NÃO É ACEITA"; Esta Fiscalização despendeu todos os esforços necessários ao exame de todos os documentos apresentados pelos 2 (dois) contribuintes, Sr. Jorge Eduardo da Cunha Abrão e Sra. Adriana de Freitas Pacheco, dando aos dois, visto que há denúncias de ambas as partes, a mesma importância e o mesmo tratamento. 3) Que "para exercer seu papel de fiscalizar os documentos o livro caixa serve, mas, para justificar e comprovar a origem dos recursos aquele (livro caixa) não serve de prova. Se os recibos que embasam a ação fiscal tem origem no livro caixa, e são aceitos, os documentos juntados, explicados e relacionados também devem ser aceitos"; Os recibos que embasam a ação fiscal NÃO TÊM origem no livro caixa, mas NO CONTRATO DE HONORÁRIOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E OUTRAS AVENÇAS, (fls. 205 a 208) firmado entre o Sr. Jorge Eduardo (contratado) e a Sra. Adriana (contratante), do qual destacamos algumas cláusulas: "CLÁUSULA PRIMEIRA: JORGE EDUARDO DA CUNHA ABRÃO se obriga a administrar todos os bens imóveis, móveis, semoventes, maquinários, agrícolas, veículos, contas correntes da CONTRATANTE, bem como, vender, comprar, trocar, conforme poderes conferido a sua pessoa pelo Instrumento de Mandato lavrado no Cartório do Primeiro Ofício de Fl. 741DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 Notas de UberlândiaMG, às fls. 021, LIVRO 1104, datada de 04/07/2000" (anexa nas fls. 284); "CLÁUSULA SEGUNDA: Fica pactuado entre a CONTRATANTE e o CONTRATADO que, os honorários da prestação dê' serviço é de 15% (quinze por cento) do valor geral de toda a movimentação da administração dos bens, tanto da compra como da venda". "CLÁUSULA TERCEIRA: O pagamento dos honorários acima mencionados deverão ser efetuados a partir da administração de cada negócio, da compra, da venda, e emissão de cada cheque". Ora, o Sr. Jorge exerceu as funções para as quais foi contratado, sobre isso não há questionamento das partes junto à esta Delegacia da Receita Federal. Ele mesmo apresentou as denúncias de fls. 194 a 203, onde se constata que alguns dos valores aqui autuados representam EXATAMENTE os 15% de seus honorários de acordo com a cláusula segunda, vejamos alguns exemplos: Denúncia do Sr. Jorge Eduardo (f 1. 197, item 11): Venda de 5.200 sacas de soja para Eloi Piva, pelo total de R$ 62.400,00. .15% de R$ 62.400,00 = R$ 9.360,00 Existe um recibo do Sr. Jorge para a Sra. Adriana, datado de 11/06/2001, exatamente no valor de R$ 9.360,00 (fl. 360 e 374 a 378, 378a, 378b, 378c) e com o histórico de pgto. de comissão de venda de soja para Eloi Piva. Coincidentemente, existe também o lançamento da entrada dos R$ 62.400,00 da venda da soja a Eloi Piva no livro caixa dois (fl. 285). Denúncia do Sr. Jorge Eduardo (fl. 197, item 12): Venda de 21.000 sacas de soja para Kennedy dos Santos, pelo total de R$ 200.000,00. 15% de R$ 200.000,00 = R$ 30.000,00 Existe um recibo do Sr. Jorge para a Sra. Adriana, datado de 11/06/2001, exatamente no.valor de R$ 30.000,00 (f 1. 360 e 374 a 376) e com o histórico de pgto. de comissão de venda de soja para o Sr. Kennedy. Denúncia do Sr. Jorge Eduardo (f is. 197 e 198, item 13): Venda de 23,8651 hectares a Mauro Gomide, no valor de R$ 30.000,00. 15% de R$ 30.000,00 = R$ 4.500,00 Fl. 742DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10675.003231/200690 Acórdão n.º 2102001.238 S2C1T2 Fl. 4 7 Existe um recibo do Sr. Jorge para a Sra. Adriana, datado de 04/07/2001, exatamente no valor de R$ 4.500,00 (f 1. 360, 382 e 385 a 387) e com o histórico de pgto. de comissão por venda de parte da fazenda a Mauro Gomide. Coincidentemente, existe também o lançamento da entrada dos R$ 30.000,00 da venda no livro caixa dois (fl. 293) Obs.: O contribuinte alegou que este pagamento teria sido lançado 2 (duas) vezes, uma em 04/07/2001 no valor de R$ 4.500,00 e outra em 14/08/2001, onde estaria contido no valor de R$ 51.013,84. A Fiscalização acatou, pois, o seu pleito, retificando o valor da data de 14/08/2001 para R$ 46.513,84. Denúncia do Sr. Jorge Eduardo (f 1. 198, item 14): Venda de casa na Rua Princesa Isabel, 509, pelo valor de R$ 90.000,00. 15% de R$ 90.000,00 = R$ 13.500,00 Existe um recibo do Sr. Jorge para a Sra. Adriana, datado de 26/07/2001, exatamente no valor de R$ 13.500,00 (fl.360 e 391 a 393, 393 a, 393 b). Coincidentemente, existe também o lançamento da entrada dos R$ 90.000,00 da venda da casa no livro caixa dois (f1.297.) Denúncia do Sr. Jorge Eduardo (fl. 198 e 199, item 16): Venda de uma área com 301,8948 hectares a Kennedy dos Santos e outra de 397,7830 hectares a Roberto Silveira Netto, no valor total de R$ 1.037.100,00 no dia 10/08/2001. 15% de R$ 1.037.000,00 = R$ 155.550,00. Existe um recibo do Sr. Jorge para a Sra. Adriana, datado de 14/08/2001, exatamente no valor de R$ 155.550,00 (fls. 360 e 397 a 403) e com o histórico de pgto. de comissão por venda de parte da fazenda Rochedo. Denúncia do Sr. Jorge Eduardo (fl. 199, item 17): Venda de 7.000 sacas de soja a Roberto Silveira Netto, pelo valor de R$ 98.000,00. 15%. de R$ 98.000,00 = R$ 14.700,00. Existe um recibo do Sr. Jorge para a Sra. Adriana, datado de 27/11/2001, exatamente no valor de R$ 14.700,00 (fl. 360 e 433 a 439) e com o histórico de pgto. de comissão por venda de soja a Roberto Silveira Netto. Coincidentemente, existe também o lançamento da saída dos R$ 14.700,00 da comissão, no livro caixa dois (fl. 439.) Denúncia do Sr. Jorge Eduardo (fl. 199, item 18): Fl. 743DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 8 Venda de 3.000 sacas de soja a Kennedy dos Santos, pelo valor de R$ 40.000,00. 15% de R$ 40.000,00 = R$ 6.000,00. Existe um recibo do Sr. Jorge para a Sra. Adriana, datado de 27/11/2001, exatamente no valor de R$ 6.000,00 (f1.360, 434 e 444 a 448) e com o histórico de pgto. de comissão por venda de soja a Kennedy dos Santos. Coincidentemente, existe também o lançamento da saída dos R$ 6.000,00 da comissão, no livro caixa dois (f 1. 448). Denúncia do Sr. Jorge Eduardo (fl. 199 e 200, item 19): Venda de 2.000 sacos de soja a Roberto Silveira Netto, por R$ 26.000,00. 15% de R$ 26.000,00 = R$ 3.900,00. Existe um recibo do Sr. Jorge para a Sra. Adriana, datado de 31/12/2001, exatamente no valor de R$ 3.900,00 (fl. 360/361 e 457 a 460) e com o histórico de pgto. de honorários por venda de soja a Roberto. Coincidentemente, existe também o lançamento da saída dos R$ 3.900,00 da comissão, no livro caixa dois (fl. 459). 4) Que "a documentação apresentada é hábil e idônea, comprova a origem dos recursos pelos quais se efetuaram depósitos bancários em minhas contas corrente; Desnecessário análise mais detalhada, uma vez que esta Fiscalização não está autuando o contribuinte por sua movimentação financeira, mas por omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, conforme comprovantes de fls. 362 a 481. 5) "Que não declarou os valores transcritos na intimação fiscal por não ter percebido os valores referidos,"em virtude de estornos, cancelamentos e retificações constantes do livro caixa, ficando esclarecido que o livro caixa era apenas para conferência particular da Sra. Adriana de Freitas Pacheco e Jorge Eduardo..."; O livro "caixa 2" citado possui valores riscados e reescritos, rasuras, etc, não servindo como prova PRINCIPAL e ABSOLUTA nem a favor do Sr. Jorge Eduardo nem contra ele. Todos os lançamentos aqui efetivados, provêm de RECIBOS emitidos e assinados pelo Sr. Jorge Eduardo da Cunha Abrão (fls. 362 a 481). Por meio de detida análise, confronto e cruzamento de documentos e informações tanto do Sr. Jorge quanto da Sra. Adriana, comprovouse a veracidade dos recibos anexos a este Processo e que atestam os vários recebimentos do Sr. Jorge Eduardo no ano de 2001. O livro caixa 2 foi usado na presente ação fiscal apenas como prova acessória em alguns casos em que foi possível o confronto com outros documentos. Salientamos que apesar de tudo o acima exposto, acatamos as solicitações do contribuinte e deixamos de efetuar o lançamento daqueles valores que ele alega não ter recebido e que constam Fl. 744DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10675.003231/200690 Acórdão n.º 2102001.238 S2C1T2 Fl. 5 9 do livro caixa dois assinado pela Sra. Adriana, como estornos de comissões e honorários recebidos, nos seguintes valores: R$ 45.000,00 recibo de 14/08/2001; (fl. 59 e 360 e 398) R$ 4.500,00 recibo de 14/08/2001 no valor de R$ 51.013,84 = vr.lançado = R$46.513,84; (fl. 397, 398, 405, 406) R$ 18.354,99 recibo de 31/08/2001; (fl. 410) (fls. 409 a 413) R$ 6.000,00 recibo de 29/10/2001; (f1.360) (fl. 429) R$ 2.250,00 recibo de 27/11/2001; (fl. 360) (fl. 434) Foram deduzidos também da base de cálculo, R$ 10.200,00 (dez mil e duzentos reais) relativos a rendimentos já declarados pelo contribuinte, o que refletiu, em seu favor, nos seguintes meses: Janeiro/2001, de R$ 7.017,39 (relativos a recibo de honorários), f1.360 e 362 a 364 levando a base de cálculo deste mês para R$0,00 (ZERO); Fevereiro/2001, de R$ 1.551,11 (relativos a recibo de honorários), fl.360 e 365 a 367 levando a base de cálculo deste mês para R$0,00 (ZERO); Março/2001, de R$ 960,82 (relativos a recibo de honorários) , fl.360 e 368 a 370 levando a base de cálculo deste mês para R$0,00 (ZERO); Maio/2001, de R$ 34.132,27 (relativos a recibo de honorários) , fl. 360 e 371 a.373 levando a base de cálculo deste mês para R$ 33.461,59. Isto posto, e considerando que o contribuinte recebeu os demais valores relacionados no ANEXO V da Intimação de 28/08/2006 (fl. 360/361) cujos comprovantes encontramse anexos na fls. 362 a 481 e não ofereceu tais valores à tributação, (DIRPF/2002 fls. 482 a 486) efetuamos o presente lançamento por omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, no resguardo dos interesses da Fazenda Pública Nacional. 6) Que os honorários não foram recebidos, porém renegociados para que fossem quitados em 10 de julho de 2002, conforme Título de crédito emitido por Adriana de F. Pacheco, com vencimento em 10/07/2002, no valor de R$ 425.000,00, o que não foi quitado até o momento, haja vista a rescisão do contrato de prestação de serviço em abril de 2002; Realmente, o contribuinte apresentou cópia de uma Nota Promissória a esta Fiscalização, no valor supracitado (fl. 131). Contudo, nada foi apresentado que comprovasse que referida NP correspondesse a todos e quaisquer valores que o Sr. Jorge Eduardo tivesse direito, e não recebido, pelo contrato de prestação de serviços com a Sra. Adriana ou fora dele. A NP não é vinculada ao contrato, podendo ser relativa a valores de outras transações, (ou de outros anoscalendário), alguns deles Fl. 745DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 10 constantes do próprio livro caixa 2, como é o caso dos recibos supracitados (item 5) em que esta Fiscalização acatou a argumentação do contribuinte sobre estornos, etc. Além disso, ressaltase, mais uma vez, que a Sra. Adriana de Freitas Pacheco apresentou uma denúncia, à qual juntou recibos que comprovam rendimentos do Sr. Jorge Eduardo da Cunha Abrão e intimada por esta Fiscalização (fl. 488) a confirmar o argumento de que alguns valores não teriam sido pagos ou teriam sido devolvidos, NEGOU expressamente tal ocorrência, como podese confirmar pelo doc. de fl. 498/499. Portanto, a presente autuação não decorre do livro caixa 2, mas da análise técnica desta Fiscalização sobre uma denúncia de sonegação de impostos, comprovada com recibos idôneos pela denunciante e contra a qual (denúncia) o denunciado não apresentou documentação hábil. Salientase, outrossim, que o denunciado apresenta movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados (doc. de fl. 497), possibilitando que os valores de suas comissões e honorários tivessem sido movimentados naquelas contascorrentes, mesmo que conjuntamente com valores que não lhe pertencessem. 7) Que "Conforme Termo de Intimação Fiscal datado de 05/10/2006, a Nobre Auditora Fiscal da Receita Federal afirma que as argumentações da origem dos recursos depositados em minhas contas correntes não foram acompanhadas de quaisquer comprovações, não sendo equivalentes os valores alegados com os depósitos existentes, sendo importante apenas o ano calendário 2001, não interessando quaisquer comprovantes com data de outros anos". Os valores dos depósitos constantes dos extratos que foram apresentados realmente não correspondem aos valores das transações efetivadas pelo Sr. Jorge Eduardo em nome da Sra. Adriana. Não se pode precisar, portanto, que tais contas serviam apenas para a movimentação oriunda de tais transações. Como não se procedeu a qualquer lançamento com base em movimentação financeira, o assunto tornouse prejudicado. No tocante aos comprovantes, a frase exata constante do Termo de Intimação é a seguinte: "Outrossim, lembramos a V.Sa. que o anocalendário ora em fiscalização é o de 2001, não nos interessando, nesta ação fiscal, quaisquer comprovantes com data de outros anos". Tais palavras denotam apenas que a fiscalização sobre o Sr. Jorge Eduardo é atualmente apenas relativa ao ano de 2001, não precisando ele por enquanto se referir por recebimentos havidos em outros anos. Com relação às denúncias apresentadas por ele, informamos que esta Fiscalização tomou todas as medidas legais cabíveis, assim como o faz com quaisquer outras denúncias trazidas a seu conhecimento. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 4ª Turma da DRJ/JFA, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0920.034, de 31 de julho de 2008 (fls. 679 a 684). Fl. 746DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10675.003231/200690 Acórdão n.º 2102001.238 S2C1T2 Fl. 6 11 A decisão acima apenas reduziu a multa isolada do percentual de 75% para 50% sobre o carnêleão não pago. O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 16/09/2008 (fl. 687). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 15/10/2008 (fl. 688). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: § não pode prosperar o lançamento, pois a matéria tributável está sendo discutida em processos administrativos e judiciais, em que figuram como partes o autuado e a Sra. Adriana de Freitas Pacheco, devendo, assim, ser suspensa a exigibilidade dos créditos tributários, na forma do art. 151, II, do CTN; § não praticou nenhum ato que fizesse incidir o imposto de renda, devendo ser cancelado o lançamento, como fez prova com a documentação anexada aos autos; § “A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador (C.P.C., art. 131 e 332 e Decreto n° 70.235, de 1972, art. 29), o que não acontece, pois a prova demonstra de forma clara e cristalina conforme item dos documentos, que a denunciante/contribuinte/Adriana mentiu, POIS O Sr. Jorge Eduardo não recebeu qualquer valor junto aos recibos alegados, haja visto ter recebido uma Nota Promissória referente ao pagamento como promessa de pagamento cuja sujeição passiva é embasada” (fl. 697 – transcrição do recurso voluntário). Ao final, o contribuinte pede a prolação de nova decisão, para cancelamento do lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 16/09/2008 (fl. 687), terçafeira, e interpôs o recurso voluntário em 15/10/2008 (fl. 688), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 16/10/2008, quintafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. De plano, não há qualquer notícia nos autos de decisão judicial que tenha determinado a suspensão da exigibilidade do crédito tributário aqui em discussão, ou mesmo o sobrestamento deste processo administrativo fiscal, ou ainda o cancelamento do lançamento. Por outro lado, enquanto este processo tramitar na via administrativa, o crédito tributário estará com a exigibilidade suspensa. Fl. 747DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 12 Dessa forma, afastase essa defesa do recorrente, pois não há qualquer óbice que impeça a tramitação do presente processo administrativo fiscal. O recorrente simplesmente nega que tenha recebido honorários da Sra. Adriana de Freitas Pacheco, considerados como omitidos pela autoridade autuante, e que uma nota promissória juntada aos autos, no valor de R$ 425.555,00, emitida pela Sra. Adriana e datada de 10/01/2002, com vencimento em 10/07/2002, comprovaria a não percepção dos honorários, sendo certo que tal NP sequer teria sido liquidada. De plano, vêse que não assiste razão ao recorrente. Inicialmente, devese observar que a autoridade fiscal detectou uma movimentação financeira do autuado incompatível com os rendimentos declarados, tendo, inclusive, intimadoo a acostar aos autos os extratos de suas contas bancárias, bem como comprovar a origem dos créditos nelas existentes. Para comprovar a origem dos depósitos bancários, o contribuinte se socorreu do Contrato de Honorários de Prestação de Serviços e Outras Avenças firmado entre ele e a Sra. Adriana de Freitas Pacheco, detalhando a existência de numerosas e vultosas operações civis (alienação de imóveis e arrendamento) e comerciais (alienação de produtos agrícolas). Assim não restou qualquer dúvida que o contribuinte administrava o patrimônio da Sra. Adriana Pacheco, tendo recebido vultosas quantias, como se vê na própria resposta do fiscalizado de fls. 197 a 337, na qual trouxe aos autos expressiva documentação comprobatória das operações administradas. Ainda, como se vê na correspondência enviada ao fisco pelo autuado, de fls. 348 a 350, o recorrente repisa que os valores que transitaram em suas contas correntes provieram das operações acima citadas, sendo que os beneficiários delas não teriam pagado o imposto devido. Aqui negou que tivesse recebido os honorários, como faria prova a NP já citada. Ora, a partir das operações acima, e na forma do contrato de honorários citado acima, o recorrente auferia 15% sobre o valor das operações a título de honorários, como se vê nos recibos emitidos pelo próprio autuado (fls. 363 a 491), tendo como pagadora a Sra. Adriana de Freitas Pacheco. Insistese que o contribuinte emitiu recibos no curso de todo o ano de 2001, dando quitação dos valores recebidos, porém aqui os renega, ao argumento que seus honorários teriam sido consolidados na NP citada, emitida em janeiro de 2002. A tese defensiva acima é absolutamente inverossímil. Não restou dúvida que as operações administradas pelo recorrente existiram, como se comprovou pela documentação juntada aos autos pelo próprio autuado e pela vultosa movimentação financeira em suas contas bancárias, e que o recorrente recebeu os honorários avençados, como se comprovou pelos recibos de honorários juntados aos autos, emitidos pelo próprio contribuinte fiscalizado. Assim, seria de uma estranheza ímpar que um advogado, administrando negócios de terceiros, funcionando como mandatário, com contrato de honorários de 15% sobre os valores recebidos, efetuasse múltiplas intermediações de negócios, civis e comerciais, recebesse os dinheiros em suas contas correntes, emitisse recibos dos honorários recebidos, porém repassasse todo o quantum ao mandante, recebendo, apenas, uma Nota Promissória no exercício seguinte, como paga de seu trabalho. Ora, tratase de defesa desarrazoada, sem sentido. Claramente o fiscalizado advogado recebeu os valores dos honorários e não os ofereceu à tributação. Já no tocante a Nota Promissória emitida em seu favor no ano subseqüente, certamente se trata de diferença de Fl. 748DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10675.003231/200690 Acórdão n.º 2102001.238 S2C1T2 Fl. 7 13 honorários ou outro ajuste, não tendo qualquer liame com os honorários efetivamente percebidos no ano de 2001, estes que restaram comprovados pelos recibos emitidos pelo próprio fiscalizado, por sua vultosa movimentação financeira e pela documentação das operações administradas, estas inclusive trazidas aos autos pelo fiscalizado. Com as considerações acima, restou claro que os fatos geradores do imposto de renda aqui em discussão ocorreram, que o contribuinte omitiu rendimentos e, assim, deve ser submetido ao auto de infração aqui em discussão. Para finalizar, devese observar que não foi juntada qualquer prova obtida nos processos judiciais referidos pelo recorrente que pudesse alterar as conclusões acima. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 749DF CARF MF Emitido em 25/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Assinado digitalmente em 03/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 10935.009135/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri May 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Exercício: 2008
ISENÇÃO IPI. DEFICIENTE FÍSICO. OSTOMIA. A verificação da
existência de deficiência física, para fins de reconhecimento da isenção de
que trata a Lei n° 8.989/95 (e alterações posteriores) depende dos conceitos
previstos no Decreto n° 3.298/99, conforme disposição expressa no art. 2°, §
1°, inciso I, da Instrução Normativa SRF n° 607/2006, que regulamenta a
isenção em tela.
LAUDO MÉDICO. SUFICIÊNCIA DE PROVAS.
Havendo laudo médico constatando a existência de uma das condições que o
Decreto nº 3.298/99 define como “deficiência física” descabe qualquer
avaliação, por parte da autoridade fiscal, quanto à existência da deficiência.
Aliás, o auditor é incompetente tecnicamente para proceder à avaliação
médica do contribuinte. Pelo princípio da legalidade é de se respeitar o que
determina a norma legal a que a administração tributária está adstrita. É de se
deferir o pedido de isenção quando o laudo médico atesta a presença de
deficiência prevista nas normas pertinentes.
Numero da decisão: 3302-000.987
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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DEFICIENTE FÍSICO. OSTOMIA. A verificação da existência de deficiência física, para fins de reconhecimento da isenção de que trata a Lei n° 8.989/95 (e alterações posteriores) depende dos conceitos previstos no Decreto n° 3.298/99, conforme disposição expressa no art. 2°, § 1°, inciso I, da Instrução Normativa SRF n° 607/2006, que regulamenta a isenção em tela. LAUDO MÉDICO. SUFICIÊNCIA DE PROVAS. Havendo laudo médico constatando a existência de uma das condições que o Decreto nº 3.298/99 define como “deficiência física” descabe qualquer avaliação, por parte da autoridade fiscal, quanto à existência da deficiência. Aliás, o auditor é incompetente tecnicamente para proceder à avaliação médica do contribuinte. Pelo princípio da legalidade é de se respeitar o que determina a norma legal a que a administração tributária está adstrita. É de se deferir o pedido de isenção quando o laudo médico atesta a presença de deficiência prevista nas normas pertinentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora Fl. 74DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas Relatora EDITADO EM: 01/08/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas (Relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de Pedido de Isenção de IPI na aquisição de automóvel de passageiro, para deficiente físico, nos termos facultado pela Lei nº 8.989/95 (fls. 01). A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel indeferiu o pedido (fls. 45/47) por entender que o laudo médico emitido (fls. 04/05) apesar de indicar que a Recorrente é portadora de doença grave (ostomia), não confirmaria se é portadora de deficiência física que lhe legitime o aproveitamento do benefício fiscal. Diante da negativa a Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade (fls. 49/50), alegando, em síntese, que o indeferimento de seu pleito baseiase em fundamento equivocado, pois “a ostomia descrita no laudo médico é considerada deficiência física”, nos termos do disposto no artigo 4º do Decreto nº 3.298/99 (alterado pelo Decreto nº 5.296/04). A DRJ, ao promover a análise da Manifestação de Inconformidade julgou ser improcedente o pedido da Requerente (fls. 52/59), por fundamento semelhante àquele adotado para indeferir o pedido inicial. A decisão restou assim fundamentada, verbis: “Das referidas descrições não restou atestado o comprometimento da função física de qualquer membro da interessada, e, considerando as reservas interpretativas que a espécie impõe, concluo que, em que pese o seu sério problema de saúde, não é possível caracterizar a deficiência do interessado como passível do reconhecimento da Isenção do IPI. Isto porque a descrição não permite concluir que a COLOSTOMIA nela realizada tenha causado "alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física", requisito essencial para a fruição do beneficio da isenção nos casos de deficiência física.” Fl. 75DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10935.009135/200817 Acórdão n.º 330200.987 S3C3T2 Fl. 2 3 Cientificada da decisão proferida a Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário (fls. 61/70), alegando, em síntese que a deficiência física que possui assim se classifica em razão do conceito de deficiência física estabelecido pelo Decreto nº 3.298/99. Ademais, alega que referido Decreto que é justamente o diploma a que a Receita Federal, em sua página eletrônica, indica ser a norma que define “deficiência física” para fins de fruição do benefício de IPI ora pleiteado. Traz ainda jurisprudência que confirma seu entendimento. Reforça seus argumentos destacando parte do laudo juntado aos autos para concluir que sua deficiência acarretou a perda da função fisiológica, referente ao sistema excretor. Vieramme, então, os autos para decidir. É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relator Tratase de Recurso Voluntário apresentado tempestivamente, com cumprimento dos requisitos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. A questão central ora sob análise versa sobre a discussão se a ostomia – deficiência comprovadamente sofrida pela Recorrente – é suficiente para justificar a concessão da isenção de IPI pleiteada, com base na Lei nº 8.989/95. Referida Lei estabelece a isenção do IPI nos seguintes termos: “Art. 1º: Ficam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por: (...) IV – pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal; (...) §1º Para a concessão do benefício previsto no art. 1º é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia Fl. 76DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções.” (destacamos) Notase que referido dispositivo concede o benefício para pessoas portadoras de deficiência física e, em seu parágrafo primeiro, menciona alguns casos de deficiência, como exemplos que dão direito à isenção. Constatase que se trata de alguns exemplos de deficiência porque o parágrafo primeiro – que os enumera – referese expressamente no sentido de que serão considerados portadores de deficiência também aqueles casos ali mencionados. A definição legal de deficiência física, por sua vez, foi estabelecida pelo Decreto nº 3.298/99, que trata da Política Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência. Referida norma é citada pela Instrução Normativa nº 988/09, que disciplina justamente a isenção de IPI ora sob análise, verbis: “Art. 2º As pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, ainda que menores de 18 (dezoito) anos, poderão adquirir, diretamente ou por intermédio de seu representante legal, com isenção do IPI, automóvel de passageiros ou veículo de uso misto, de fabricação nacional, classificado na posição 87.03 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (Tipi). § 1º Para a verificação da condição de pessoa portadora de deficiência física e visual, deverá ser observado: I no caso de deficiência física, o disposto no art. 1º da Lei nº 8.989, de 1995, com a redação dada pela Lei nº 10.690, de 16 de junho de 2003, e no Decreto nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999, com suas alterações posteriores; e (...)” (destacamos) Dos dispositivos em destaque constatase que, para verificação da condição de deficiente físico que faz jus ao benefício de IPI pleiteado pela Requerente, devem ser observadas as disposições contidas no citado Decreto nº 3.298/99. A respeito da verificação da condição de deficiente físico, assim dispõe referido Decreto, verbis: “Art. 3º. Para os efeitos deste Decreto, considerase: I deficiência – toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano. (...) Art. 4º. É considerada pessoa portadora de deficiência a que se enquadra nas seguintes categorias: (...) I deficiência física alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, Fl. 77DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10935.009135/200817 Acórdão n.º 330200.987 S3C3T2 Fl. 3 5 tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções.” (destaquei) Dos dispositivos legais em destaque concluise que: a) A legislação tributária confere direito à isenção aos portadores de deficiência física, assim considerados aqueles definidos pelo Decreto nº 3.298/99; b) Referido Decreto estabelece que será considerada deficiência não apenas a perda total de uma estrutura fisiológica, mas também a perda ou anormalidade na função fisiológica que gere incapacidade para o desempenho considerado “normal” para o ser humano; c) Ademais, o Decreto º 3.298/99 estabelece expressamente que será considerada portadora de deficiência física a pessoa portadora de alteração completa ou parcial de um segmento do corpo humano, apresentada, inclusive e em especial, na forma de ostomia; d) Ostomia é justamente a condição apresentada pela Requerente, conforme laudo médico, condição esta que não é questionada pela autoridade fiscal em nenhum momento deste processo. Do exposto é possível constatar que as alegações da DRJ no sentido de que “não é possível caracterizar a deficiência do interessado como passível do reconhecimento da Isenção do IPI” são totalmente descabidas. Isto porque, independentemente de a DRJ ter entendido que tal deficiência não teria causado "alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física", é evidente que tal alteração ocorre sim nos casos de ostomia. Aliás, é justamente (e expressamente) o que estabelece o citado Decreto nº 3.298/99, que é a norma utilizada pela Receita Federal para definir o que é e quais são as deficiências físicas que dão ensejo ao aproveitamento do beneficio fiscal sob análise. Assim, a norma definidora de deficiência física reconhece que a ostomia é uma delas. Reconhece, ainda, que a ostomia gera o comprometimento de estrutura fisiológica, impedindo seu funcionamento normal. Logo, não poderia a DRJ questionar o que está expressamente estabelecido nas normas que regem a concessão da isenção em tela. Ao proceder desta forma, negando o pleito da Recorrente, a autoridade julgadora ofendeu o princípio da legalidade tributária, na medida em que deixou de cumprir o que determinam as normas regulamentadoras do benefício fiscal em tela, mormente quanto à conceituação legal de deficiência física suficiente à concessão da isenção de IPI pleiteada (ao Fl. 78DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 6 desrespeitar o conceito de deficiência física trazido pelo Decreto nº 3.298/99, o qual a IN 988/09 estabeleceu que deveria ser respeitado, para concessão da isenção). Este posicionamento, inclusive, não é o que vem sendo adotado pelas DRJ’s, que têm reconhecido o direito à isenção aos portadores de ostomia, como se depreende de decisões recentes: “Decisão 1018468 Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre 1ª Turma Imposto sobre Produtos Industrializados IPI ISENÇÃO DE IPI NA AQUISIÇÃO DE AUTOMÓVEL POR DEFICIENTE FÍSICO. DESCABIMENTO. DEFICIÊNCIA FORMAL DO LAUDO DE AVALIAÇÃO. 1. Somente dão direito à outorga da isenção de IPI na aquisição de automóvel por deficiente físico as seguintes condições: paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções (art. 1º, § 1º, da Lei 8.989/95, alterada pela Lei 10.690/2003 e art. 4º do Decreto no 3.298/99). 2. São passíveis de usufruir o benefício fiscal, ainda, as pessoas portadoras de (a) deficiência visual, (b) deficiência mental severa ou profunda e (c) autistas (art. 1º, IV, da Lei 8.989/95, alterada pela Lei 10.690/2003). 3. Trombofilia com múltiplos episódios de trombose venosa profunda e insuficiência venosa crônica por síndrome póstrombótica, consubstanciada em edema, anormalidades tróficas e impotência funcional não permite o deferimento da isenção pleiteada. Anocalendário: 01/01/2008 a 31/12/2008 Publicado no DOU em: 20/02/2009” (destacamos) Também é esta a posição deste Conselho, verbis: “ISENÇÃO IPI. DEFICIENTE FÍSICO. A isenção de que trata a Lei n° 8.989/95 e alterações posteriores restringese às hipóteses citadas em seu art,. 1°, bem como àquelas previstas no Decreto n° 3298/99, conforme interpretação expressa no art. 2°, § 1°, inciso I, da Instrução Normativa SRF n° 607/2006. É de se indeferir o pedido quando o laudo médico não atesta a presença de deficiência prevista nas normas pertinentes.“ (Recurso Voluntário n° 240.351, Acórdão n° 340100.628, 3ª Seção, 4° Câmara da 1ª Turma Ordinária , Data de decisão: 17/03/2010) Pelo exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para determinar seja reconhecida a isenção de IPI pleiteada. É como voto. Fl. 79DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10935.009135/200817 Acórdão n.º 330200.987 S3C3T2 Fl. 4 7 (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 80DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 03/1 2/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 11020.003148/2004-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/05/2004
INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO.
Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a
inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para afastar a exigência da Cofins sobre as receitas que não representam venda de mercadoria ou de serviço.
COOPERATIVAS. BASE DE CALCULO. EXCLUSÕES.
As exclusões da base de cálculo da Cofins, permitidas pela legislação, devem estar registradas na contabilidade de forma individualizadas e segregadas por operações que representam atos cooperados e atos não cooperados.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.093
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Laércio Márcio Laner, OAB/RS 46244.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para afastar a exigência da Cofins sobre as receitas que não representam venda de mercadoria ou de serviço. COOPERATIVAS. BASE DE CALCULO. EXCLUSÕES. As exclusões da base de cálculo da Cofins, permitidas pela legislação, devem estar registradas na contabilidade de forma individualizadas e segregadas por operações que representam atos cooperados e atos não cooperados. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Laércio Márcio Laner, OAB/RS 46244. WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 11/07/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Contra a COOPERATIVA VINÍCOLA GARIBALDI LTDA foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de Cofins relativa a fatos geradores ocorridos entre 02/1999 e 05/2004, tendo em vista que a Fiscalização constatou que a interessada não pagou ou não declarou em DCTF ou pagou ou declarou a menor a Cofins, conforme apuração feita com base na escrituração fiscal/contábil. Tempestivamente, a contribuinte insurgese contra a exigência fiscal, conforme impugnação às fls. 58/66, cujos argumentos de defesa estão sintetizados no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A DRJ em Porto Alegre RS manteve o lançamento, nos termos do Acórdão no 1015.180, de 14/02/2008 – fls. 105/106. Ciente da decisão de primeira instância em 24/03/2008 (AR de fl. 111), a cooperativa autuada interpôs recurso voluntário em 04/04/2008, no qual alega, em apertada síntese, que: 1 não ocorreu o fato gerador da Cofins e não é pessoa jurídica contribuinte da exação. Não tem receita própria. Aplicase ao caso a Lei no 5.764/71. Cita doutrina; 2 a receita da prestação de serviços sobre produtos entregues por não associados está sujeito à tributação da Cofins; 3 existem graves e insanáveis inconstitucionalidade na Medida Provisórias nº 1.8586/99 e suas alterações até setembro de 1999. Afronta aos arts. 246 e 146, III, c, da CF/88; 4 as disposições das Medida Provisória nº 1.8589/99 e 201/2002 foram aplicadas pela Fiscalização sem observância do prazo nonagesimal; 5 a Fiscalização não apresentou demonstrativo de apuração da base de cálculo da Cofins com a identificação das exclusões permitidas pelas Medida Provisória nº 1.8589/99 e 201/2002 (arts. 15 e 1º, respectivamente) e pela IN SRF nº 247/2002. Se o tivesse feito não teria apurado base de cálculo alguma; 6 no lançamento foi incluído nas bases de cálculo da Cofins receitas financeiras, sem que se perquirisse a natureza das mesmas, sendo improcedente o lançamento nesta parte. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído a este Conselheiro Relator. Na sessão do dia 06/06/2009 este CARF converteu o julgamento em diligência à DRF de origem, nos termos da Resolução nº 330200.003, para as seguintes providências: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.003148/200416 Acórdão n.º 330201.093 S3C3T2 Fl. 420 3 1 completar o demonstrativo de fls. 21/22 para incluir, uma a uma, mês a mês, o valor das exclusões permitidas legalmente na base de cálculo da Cofins da recorrente; 2 opinar sobre a eventual redução da base de cálculo, e da Cofins devida, e prestar as informações e os esclarecimentos que julgar importantes para o julgamento do recurso voluntário; 3 dar ciência à recorrente do demonstrativo acima, das demais conclusões da diligência e desta Resolução, abrindolhe prazo para, querendo, manifestarse; 4 expirado o prazo para manifestação da recorrente, acima referido, devolver o processo a este CARF. Intimada e reintimada a recorrente para comprovar que as exclusões alegadas tinham registro em separado na contabilidade que demonstram a sua natureza, conforme determina a Resolução CFC nº 920/2001, não atendeu a intimação plenamente, tendo apresentado justificativas para as exclusões pretendidas. As explicações da recorrente ou não tinham registros contábeis em separado ou não se constituíam em parcelas dedutíveis da base de cálculo da Cofins, conforme INFORMAÇÃO FISCAL de fls. 366/387. Ciente da referida informação fiscal, a recorrente manifestase às fls. 393/403 para descrever as características especiais das cooperativas para concluir que o valor repassados aos associados é o valor da matériaprima e que a receita de industrialização do produto entregue pelo associado é igual ao custo dos produtos vendidos, excluída a matéria prima. Defende, ainda, que o critério (princípio contábil da competência) utilizado é o mais justo e uniforme ao excluir o repasse e a receita de industrialização da produção do associado exatamente no período em que elas se realizam, quando da realização da receita de venda e do seu respectivo custo do produto vendido. Sobre a contabilização em separado do valor da uva recebida de associados e de não associados, afirma a recorrente que o critério de rateio adotado (que define para as vendas futuras o percentual de ato cooperativo ou não cooperativo, aplicandoo linearmente até que nova safra seja recebida) é uma metodologia aceita pela RFB e pela legislação instituidora das contribuições aludidas, pois o próprio § 8° do artigo 3° das Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003, além do §3° do artigo 6° da mesma Lei 10.833/03, aplica forma semelhante para separar cumulatividade e nãocumulatividade. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva, relator. O presente recurso voluntário foi submetido a julgamento pelo CARF na sessão do dia 06/07/2009, da 2TO/3C/3SJ, conforme resolução de fls. 147/149. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 O processo retornou à repartição de origem para, especialmente, a Fiscalização incluir, uma a uma, mês a mês, o valor das exclusões permitidas legalmente na base de cálculo da Cofins que a recorrente alegara não ter sido considerado quando da autuação. Esclareçase que os valores relativos a “repasses” e “sobras” foram excluído da base de cálculo da exação quando da lavratura do auto de infração. Portanto, quando a estas parcelas não há litígio. Intimada a demonstrar, acompanhado dos respectivos lançamentos contábeis, as exclusões pretendidas no recurso voluntário, a recorrente não logrou atender integralmente a solicitação da Fiscalização, especialmente quanto aos registros contábeis comprobatórios das exclusões alegadas, conforme se pode extrair das conclusões da INFORMAÇÃO FISCAL de fls. 374/395, verbis:. As exclusões legalmente permitidas, a que o contribuinte faz jus, estão devidamente identificadas no demonstrativo de fls 21/22 (repasses e sobras). Quanto às demais exclusões pleiteadas pelo contribuinte, neste aspecto não lhe assiste razão, seja por não ter capacidade técnica (entendase registros contábeis segregados) para demonstrar seu efetivo valor, pretendendo utilizarse de critérios de rateio escolhidos a seu bel prazer, e não contemplados pela legislação, e ainda assim, sem a devida comprovação dos parâmetros de rateio utilizados, seja ainda por incluir nestas pretendidas exclusões, valores cuja natureza não encontra previsão legal fim (exclusão da base de cálculo do PIS e COFINS das cooperativas). Tais conclusões encontramse amplamente dissecadas nos tópicos anteriores. [...] Não foi verificada, por este diligenciante, qualquer redução a ser feita na base cálculo obtida pela fiscalização. Destaquese, outrossim, que se verificou que o contribuinte, embora extremamente prolixo em desfilar suas teses (notese que seu recurso voluntário tem mais de 30 páginas), quando chamado a demonstrar os valores de exclusões a que julga ter direito, é extremamente econômico e confuso em suas declarações. Teve de ser intimado e reintimado para que finalmente apontasse as contas contábeis que registram as exclusões pretendidas. Além disso não o fez de forma completa, informando apenas as grandes contas (sintéticas), omitindo, por exemplo, a explicação de que os valores por ele identificados como Repasses aos associados eram obtidos quantificandose os aportes, na conta por ele identificada, advindos da conta 11030100068 MATERIA PRIMA, conclusão esta obtida pela fiscalização após longo estudo da contabilidade apresentada. Também NÃO identificou as contas contábeis que registram segregadamente, ou se for o caso, o critério de rateio pelo qual foram obtidas as exclusões (coluna 100,000% dos demonstrativos apresentados) dos itens identificados pelo contribuinte como (i) Custo de mercadorias Varejo — Grupo Custo Mercadorias Vendidas e (ii) Custo dos produtos vendidos (Refrigerante) Grupo Custo Mercadorias Vendidas. Dessa forma, não sabemos se tais valores têm origem em uma conta Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11020.003148/200416 Acórdão n.º 330201.093 S3C3T2 Fl. 421 5 contábil especifica, ou se foram obtidos mediante algum critério de rateio (talvez tenham sido obtidos em razão da receita com refrigerantes e com varejo??). Lembrese que o contribuinte foi intimado e reintimado a respeito. Por fim, para demonstrar a falta de cuidado e seriedade do contribuinte para com os valores envolvidos, além dos erros apontados em suas planilhas, reiterase o fato de o mesmo pretender transfigurar o conceito legal de "valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa (art 15, inciso I, da MP 1.858/7 de 99 e art 33, inciso I da IN 247/02), em valores de produtos entregues pelos associados .5 cooperativa, decorrentes do ato cooperativo por eles empreendido (redação minha). Nas respostas à Fiscalização, a recorrente defende que o valor repassado aos associados é o valor da matériaprima e que a receita de industrialização do produto entregue pelo associado é igual ao custo dos produtos vendidos, excluída a matériaprima. Conforme bem disse a autoridade diligente, não existe nenhum fundamento legal para a pretensão da recorrente. Em primeiro lugar, a recorrente não faz escrituração em separado do valor da uva recebida de associado e o valor da compra de uva de não associados. Em segundo lugar, como ficou provado na diligência, a matériaprima utilizada na fabricação dos produtos vendidos não é unicamente uva; Em terceiro, nos custos dos produtos vendidos estão incluídos custos que não são de venda e que também não há escrituração contábil em separado, sendo que o critério de rateio adotado pela recorrente fere de morte os princípios contábeis, especialmente a Resolução CFC nº 920/2001; Em quarto lugar, nos “repasses” aos associados, excluídos da base de cálculo da Cofins, pode conter tanto valor relativo a aquisição de uva como de comercialização dos produtos. Também é absolutamente improcedente o argumento da recorrente de que a RFB aceita o critério por ela dotado para separar o ato cooperativo do ato não cooperativo, qual seja: um percentual estabelecido pela recorrente que servirá para todo o ano. Como bem disse a autoridade diligente, na fixação de tal percentual não foi utilizado dados registrados na contabilidade da recorrente. Quanto à multa de ofício aplicada, a mesma obedeceu aos estritos termos do dispositivo legal consignado no auto de infração, nada havendo a reformar. Por último, é incontroverso que na base de cálculo da exação foi incluída, pela Fiscalização, as receitas financeiras e outras receitas operacionais (fls. 21/22). E o fez com base, dentre outros, no art. 3º da Lei nº 9.718/98, exceto para o período de apuração de maio de 2004, que foi apurado pela modalidade não cumulativa. Em 09/11/2005, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nos 357.950, 390.480 e 358.273 (Diário da Justiça da União de 15/08/2006), declarou, incidentalmente e por maioria, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei no 9.718/98. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Por seu turno, o Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 256/2009), em seu art. 62, Parágrafo Único, inciso I1, autoriza expressamente a este Colegiado afastar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal”. No caso concreto, não há outra solução a não ser cumprir a determinação regimental e excluir as demais receitas (receitas financeiras e receitas operacionais) da base de cálculo da contribuição apurada pela Fiscalização, reduzindo o valor da Cofins lançada. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19992, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo da Cofins o valor das demais receitas (receitas financeiras e outras receitas operacionais), exceto para o período de apuração de 05/2004 (não cumulativo). (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; 2 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 11/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 19515.001093/2008-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003, 2004, 2005
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO.
O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação, sendo certo que na ausência de pagamento antecipado, o prazo decadencial encerra-se depois de transcorridos cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
ÔNUS DA PROVA.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-001.435
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. O imposto sobre a renda pessoa física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação, sendo certo que na ausência de pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.001093/200883 Acórdão n.º 210201.435 S2C1T2 Fl. 372 2 Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 17/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra NESI CURI foi lavrado Auto de Infração, fls. 274/282, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa aos anoscalendário 2002 a 2004, exercícios 2003 a 2005, no valor total de R$ 497.547,85, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 29/02/2008. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 270/273, foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 287/312, que se encontra assim resumida no Acórdão DRJ/SPOII nº 1731.103, de 15/04/2009, fls. 315/328: 1. O procedimento fiscal foi encaminhado por meio do correio e, conforme aviso de recebimento, teve início em 1° de agosto de 2007. Tendo por norte a prescrição qüinqüenal, estão prescritos os lançamentos referentes aos meses de janeiro de 2002 a julho de 2002. 2. A presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei 9.430/96 colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais, pois a experiência com casos anteriores evidenciou que entre esses dois fatos não havia nexo causal, vale dizer, constatouse não haver liame absoluto entre o depósito bancário e o rendimento omitido. Este fato se repete no presente Auto de Infração. 3. No caso vertente, o contribuinte Nesi Curi, octogenário, com a viuvez e solidão, passou a vender, a partir de 2001, objetos, utensílios, quadros, obras de arte, móveis, eletrodomésticos, peças de decoração, roupas, pertences, pequenas jóias e demais Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.001093/200883 Acórdão n.º 210201.435 S2C1T2 Fl. 373 3 itens que guarneciam a sua residência, ou seja, objetos que foram reunidos durante uma vida de 50 anos de ininterrupto casamento. A MP 252/2005 elevou o valor de isenção em relação ao ganho de capital da pessoa física auferido na alienação de bens e direitos de pequeno valor. 4. Afirma que o ato fiscalizador é nulo, pois deve ser tipificado como ilegítimo, uma vez que algumas obras de arte até então possuídas e posteriormente vendidas possuíam valor significativo que somado às demais pequenas vendas e depósitos trocados de banco em banco fizeram com que a presunção do agente fiscal estimasse números inimagináveis. A DRJ São Paulo II julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 31/08/2009, Aviso de Recebimento (AR), fls. 332, o contribuinte apresentou, em 25/09/2009, recurso voluntário, fls. 333/363, no qual reitera e reforça as alegações e argumentos trazidos na impugnação. É o Relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.001093/200883 Acórdão n.º 210201.435 S2C1T2 Fl. 374 4 Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. No recurso, muito embora, a defesa se reporte à prescrição, verificase que tencionava suscitar a decadência do crédito tributário, relativo aos fatos geradores ocorridos de janeiro a julho de 2002. Para a análise da questão, devese observar o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, determina: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Nesse sentido, no que se refere à contagem do prazo decadencial de tributos e contribuições devese adotar as conclusões exaradas no Recurso Especial nº 073.733 SC (2007/01769940), cuja ementa abaixo se transcreve: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.001093/200883 Acórdão n.º 210201.435 S2C1T2 Fl. 375 5 mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) No presente caso, cuidase de omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, cujos fatos geradores ocorreram nos anos calendário 2002, 2003 e 2004. O contribuinte apresentou sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício 2003, anocalendário 2002, fls. 04/06, tempestivamente, e informou rendimentos tributáveis de R$ 6.173,33. Não apurou imposto a pagar ou a restituir, tampouco, teve imposto de renda retido na fonte. Não ocorreu, portanto, a antecipação do pagamento, de modo que a contagem do prazo decadencial deve se dar nos moldes do art. 173, inciso I, do CTN, conforme entendimento acima transcrito. O exercício em que o lançamento pode ser efetuado é o ano em que se instaura a possibilidade de o Fisco lançar. Ou seja, para proceder ao lançamento referente à omissão de rendimentos ocorrida no anocalendário 2002, o Fisco deveria esperar a entrega da Declaração de Ajuste correspondente, cujo prazo final para apresentála se deu em 30/04/2003. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.001093/200883 Acórdão n.º 210201.435 S2C1T2 Fl. 376 6 Portanto, o lançamento só poderia ter sido efetuado a partir de 01/05/2003, sendo 01/01/2004 o termo inicial do prazo decadencial, primeiro dia do exercício seguinte ao que o Auto de Infração poderia ter sido lavrado, e 31/12/2008 o termo final. Como a ciência ao Auto de Infração ocorreu em 26/03/2008, fls. 285, não há que se falar, no presente caso, em decadência do direito de lançar crédito tributário relativo aos fatos geradores ocorridos durante o anocalendário 2002. Afastase, portanto, a alegação de decadência suscitada pela defesa. Aduz, ainda, o contribuinte em sua defesa que a presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais, pois a experiência com casos anteriores evidenciou que entre esses dois fatos não havia nexo causal, vale dizer, constatouse não haver liame absoluto entre o depósito bancário e o rendimento omitido. Optando por essa linha de argumento, o contribuinte parece pretender negar validade ao art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que determinou que se considere, por presunção legal, como omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ao assim proceder o contribuinte subtrai a discussão do âmbito da competência deste Colegiado. Isso porque o processo administrativo tributário materializa um instrumento de controle da legalidade do lançamento, espécie de ato administrativo. Vale dizer, sua atribuição consiste em aferir o grau de consentaneidade existente entre o lançamento e a legislação que o rege. Mas isso, sempre tendo por premissa básica a presunção de constitucionalidade e legalidade que são inerentes aos diplomas legais. Partindo deste pressuposto (legalidade e constitucionalidade do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996), fazse um rápido histórico da legislação vigente sobre a tributação de depósitos bancários, com o objetivo de se aclarar a evolução do ordenamento jurídico que regeu, e rege, a matéria tributária objeto do presente lançamento. A Lei nº 8.021, de 14 de abril de 1990, determinou: Art. 6º O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) §5º O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 6° Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.001093/200883 Acórdão n.º 210201.435 S2C1T2 Fl. 377 7 À vista de tais regras temse que os rendimentos omitidos poderiam ser arbitrados com base nos sinais exteriores de riqueza, caracterizados por gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. A omissão poderia, ainda, ser presumida no valor dos depósitos bancários injustificados, desde que apurados os citados dispêndios e que este fosse o critério de arbitramento mais benéfico ao contribuinte. A partir de 1997, entretanto, o assunto em tela passou a ter um disciplinamento diferente daquele previsto na Lei nº 8.021, de 1990. Foi promulgada a Lei nº 9.430, de 1996, que aplicase aos fatos geradores futuros ou pendentes ocorridos a partir de 01/01/1997: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) Art. 88. Revogamse: (...) XVIII – o §5º do art. 6º da Lei n.º 8.021, de 12 de abril de 1990. Desta forma, o legislador estabeleceu, a partir da referida data, uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. Há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais – o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. Assim, o legislador substituiu uma presunção por outra, as duas relativas ao lançamento do rendimento omitido com base nos depósitos bancários, porém diversas nas condições para sua aplicação: a da Lei nº 8.021, de 1990, condicionavase à falta de comprovação da origem dos recursos à demonstração dos sinais exteriores de riqueza e que fosse este o critério mais benéfico ao contribuinte; já a presunção da Lei nº 9.430, de 1996, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições financeiras. Veja que o lançamento não foi amparado única e exclusivamente em depósitos bancários, conforme argumenta o contribuinte. Pelo contrário, o fato gerador é a aquisição de disponibilidade de rendimentos representada pelos recursos que ingressam no seu patrimônio por meio dos depósitos ou por créditos bancários cuja origem não foi esclarecida. Destaquese que a Súmula nº 182 e o Decretolei n° 2.471, de 01 de setembro de 1988, tinham como objeto os lançamentos calcados na legislação anterior à vigência da Lei nº 9.430, de 1996, não se aplicando, portanto, ao presente caso. Enfim, no presente caso, a ocorrência do fato gerador decorre da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a Fl. 7DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 19515.001093/200883 Acórdão n.º 210201.435 S2C1T2 Fl. 378 8 ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Nesse ponto, vale dizer que o contribuinte buscou justificar os créditos havidos em suas contas bancárias esclarecendo que, depois de viúvo, passou a vender, a partir de 2001, objetos, utensílios, quadros, obras de arte, móveis, eletrodomésticos, peças de decoração, roupas, pertences, pequenas jóias e demais itens que guarneciam a sua residência, ou seja, objetos que foram reunidos durante uma vida de 50 anos de ininterrupto casamento. Contudo, tal alegação carece de comprovação, visto que o contribuinte não juntou aos autos nenhum documento que comprovasse a realização de tais vendas. Ora, conforme já mencionado, no caso da presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, recai sobre o contribuinte o ônus da prova da origem dos recursos movimentados em suas contascorrentes. E quando alguém de fato pode, e legalmente está obrigado a provar alguma coisa, e não o faz, preferindo ficar no terreno das alegações, se sujeita à aplicação do princípio de que alegar e não provar é o mesmo que nada alegar. É inaceitável a declaração não corroborada por qualquer elemento subsidiário. Deste modo, ausentes os elementos de prova da alegação da defesa, resulta procedente o feito fiscal. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 8DF CARF MF Emitido em 20/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/08/2011 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
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Numero do processo: 10845.000855/2003-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituíla.
A comprovação da origem dos depósitos deve ser feita pelo contribuinte de forma individualizada, inclusive quanto a eventuais lucros ou dividendos recebidos.
Hipótese em que o Recorrente não desconstituiu a presunção.
IRPF. DESPESAS COM DEPENDENTE. DEDUTIBILIDADE.
REQUISITOS.
O art. 38, §8º, da Instrução Normativa n.º 15/2001 estabelece que “os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração”, razão pela qual as despesas efetuadas em relação aos pais do Recorrente, não havendo este
considerado os rendimentos auferidos pelos entes em sua declaração, não poderiam
ser deduzidas da base de cálculo do imposto.
De igual modo, é indevida a dedução de despesas em relação ao cônjuge que já tenha apresentado sua declaração em separado, consoante iterativa jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.060
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. O artigo 42 da Lei n. 9.430/96 estabelece presunção relativa que, como tal, inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte desconstituíla. A comprovação da origem dos depósitos deve ser feita pelo contribuinte de forma individualizada, inclusive quanto a eventuais lucros ou dividendos recebidos. Hipótese em que o Recorrente não desconstituiu a presunção. IRPF. DESPESAS COM DEPENDENTE. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS. O art. 38, §8º, da Instrução Normativa n.º 15/2001 estabelece que “os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração”, razão pela qual as despesas efetuadas em relação aos pais do Recorrente, não havendo este considerado os rendimentos auferidos pelos entes em sua declaração, não poderiam ser deduzidas da base de cálculo do imposto. De igual modo, é indevida a dedução de despesas em relação ao cônjuge que já tenha apresentado sua declaração em separado, consoante iterativa jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Fl. 722DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10845.000855/200311 Acórdão n.º 210101.060 S2C1T1 Fl. 672 2 (assinado digitalmente) JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Substituto (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros José Raimundo Tosta Santos (Presidente Substituto), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Evande Carvalho Araújo (convocado), Walter Reinaldo Falcão Lima (convocado), Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 408/426) interposto em 19 de outubro de 2009 contra o acórdão de fls. 384/401, do qual o Recorrente teve ciência em 17 de setembro de 2009 (fl. 405), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o auto de infração de fls. 04/06, lavrado em 25 de março de 2003, em decorrência de (i) omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas; (ii) dedução indevida de dependente; (iii) despesas médicas deduzidas indevidamente; e (iv) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, verificadas no ano calendário de 1998. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 1998 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei n.° 9.430/1996, vigente a partir de 1° de janeiro de 1997, estabeleceu, em seu artigo 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem e a natureza não tributável dos valores depositados em sua contacorrente ou, alternativamente, não Fl. 723DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10845.000855/200311 Acórdão n.º 210101.060 S2C1T1 Fl. 673 3 demonstrar que tais quantias já tenham sido previamente tributadas na declaração de rendimentos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. A realização de diligência e de perícia não se presta para produção de provas que o sujeito passivo possuía o encargo probatório de trazer ao processo. Lançamento Procedente em Parte.” (fl. 384) Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 408/426, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O Recorrente aduz, em breve síntese, que (i) os depósitos bancários de origem não comprovada, objeto de lançamento in casu, são decorrentes de sua atividade profissional na condição de prestador de serviços na área de recuperação de créditos, razão pela qual as quantias que ingressavam em sua conta, apontadas pela fiscalização, seriam pertencentes a terceiros, o que poderia, inclusive, ser comprovado por meio de diligência; (ii) os valores percebidos de pessoa jurídica, a saber, HSBC Leasing Arrendamento Mercantil, não deveriam ser exigidos do contribuinte, eis que decorreriam de falha operacional da companhia, ao deixar de enviar o respectivo informe de rendimentos; (iii) quanto à dedutibilidade das despesas em relação aos seus pais, a legislação do imposto de renda permitiria o cômputo de referidas despesas, havendo sido comprovada a dependência econômica em relação ao Recorrente; e, por fim, (iv) em relação aos gastos efetuados com o plano de saúde de sua cônjuge, referidas despesas não teriam sido incluídas em sua declaração de imposto de renda, sendo certo, ainda, que seria sua dependente financeira, não possuindo recursos para arcar com o respectivo valor. No tocante ao primeiro aspecto, atinente aos depósitos sem origem comprovada, verificase que o lançamento teve por lastro a presunção legal referida pelo artigo 42 da Lei n.º 9.430/96. Como é pacífico na jurisprudência deste Conselho, desde 1997, após a edição da referida Lei n.º 9.430/96, em se verificando depósitos bancários sem origem comprovada, e em não havendo o contribuinte logrado êxito em demonstrar sua origem, gravita em prol do Fisco presunção relativa. Nesse sentido, conforme preceitua o artigo 42 da Lei n.º 9.430/96: Fl. 724DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10845.000855/200311 Acórdão n.º 210101.060 S2C1T1 Fl. 674 4 “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º. O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Na realidade, instituiu o referido dispositivo autêntica presunção legal relativa, cujo condão é justamente o de inverter o ônus da prova, atribuindoo ao contribuinte, que passa a ter o dever de refutála. Como é cediço, a presunção, seja ela hominis ou legal, é meio de prova que prescreve o reconhecimento jurídico de um fato provado de forma indireta. Ou seja, provando se diretamente o fato indiciário, temse, por conseguinte, a formação de um juízo de probabilidade com relação ao fato presumido que, a partir de então, necessita ser afastado pelo contribuinte. Nesse sentido, a presunção relativa referida pelo artigo 42 da Lei n.º 9.430/96 é legítima, não ferindo, em nenhum ponto, a legislação tributária em vigor. Notese, ainda, que a Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR), segundo a qual seria insuficiente para comprovação da omissão de rendimentos a simples verificação de movimentação bancária, consubstancia jurisprudência firmada anteriormente à edição da Lei n.º 9.430/96, motivo pelo qual não deve ser aplicada. A 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, da qual esta 1ª Turma Ordinária teve origem, por sua vez, já consolidou entendimento de acordo com o qual, a partir da edição da Lei n.º 9.430/96, é válida a presunção em referência, sendo ônus do Recorrente desconstituíla com a apresentação de provas suficientes para tanto. É o que se depreende das seguintes ementas, destacadas dentre as inúmeras existentes sobre o tema: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 158.817, Relatora Conselheira Núbia Matos Moura, sessão de 24/04/2008) Fl. 725DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10845.000855/200311 Acórdão n.º 210101.060 S2C1T1 Fl. 675 5 “LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. TRIBUTAÇÃO PRESUMIDA DO IMPOSTO SOBRE A RENDA O procedimento da autoridade fiscal encontrase em conformidade com o que preceitua o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em que se presume como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantidos em instituição financeira, cuja origem dos recursos utilizados nestas operações, em relação aos quais o titular pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 141.207, Relator Conselheiro Romeu Bueno de Camargo, sessão de 22/02/2006) Vale ressaltar, inclusive, no tocante ao aspecto probatório, que os documentos que comprovem a origem dos valores movimentados devem ser devidamente armazenados pelo mesmo lapso de tempo que as autoridades fiscais têm para constituir possível crédito. Nesse sentido, colacionase alguns acórdãos que elucidam tal entendimento: “NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – PROVA – No processo administrativo tributário os fatos devem evidenciarse com provas documentais. A documentação dos fatos havidos no transcorrer do anocalendário tem prazo para guarda igual àquele em que possível a constituição do correspondente crédito tributário.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 146.926, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 04/07/2007) “DOCUMENTOS – GUARDA – O prazo para guarda de documentos é o mesmo que o permitido ao sujeito ativo para exigir o tributo ou rever de ofício o lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – A presunção legal de renda com suporte na existência de depósitos e créditos bancários de origem não comprovada tem fundamento legal na norma do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo caráter relativo e transfere o ônus da prova em contrário ao contribuinte.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 140.839, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 21/06/2006) Com fundamento no exposto, portanto, havendo sido oportunamente apontados, pela fiscalização, depósitos bancários que, após as deduções realizadas pelo julgador de primeiro grau, somam a quantia de R$ 294.762,58, caberia ao contribuinte o ônus de demonstrar, mediante documentação hábil e idônea, que a titularidade dos referidos recursos pertencia a terceiros, sendo insuficiente, para tal fim, a simples juntada, no mais das vezes, de Fl. 726DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10845.000855/200311 Acórdão n.º 210101.060 S2C1T1 Fl. 676 6 planilha, elaborada pelo próprio Recorrente e sem a assinatura do suposto titular das verbas, apontando o repasse dos recursos e sua respectiva natureza, ou mesmo cheques sem assinatura e demonstrativos do próprio depósito efetuado, que nada dizem com relação à coincidência entre os valores ingressados e retirados de sua conta corrente. De fato, analisandose as planilhas de justificativa dos depósitos efetuados em sua contacorrente, verificase que o contribuinte alega, via de regra, que referidos recursos correspondem a (i) reembolso/adiantamento de custas e despesas processuais de processos por ele patrocinados; (ii) transferência de contas da mesma titularidade; (iii) recebimento de parcelas referentes a acordos judiciais e extrajudiciais celebrados em nome de terceiros (clientes), posteriormente repassados a estes; (iv) honorários advocatícios recebidos de clientes. No que atine à primeira hipótese, salvo alguns parcos casos em que o Recorrente demonstra a natureza dos recursos percebidos, não há qualquer indicativo de que as verbas depositadas em suas contascorrentes seriam meras reposições de capital não sujeitas à incidência do imposto de renda, seja porque, em muitos casos, os recibos apresentados indicam o recebimento de honorários advocatícios, cuja tributação prévia não fora comprovada, seja, ainda, porque não há coincidência entre valores e datas nos documentos acostados aos autos que, supostamente, dariam suporte à pretensão do contribuinte. Neste caso específico, frisese que a mera apresentação da guia comprobatória do recolhimento de custas, coincidente em valor com as quantias depositadas, e, igualmente, com proximidade de datas, seria suficiente ou, ao menos, indício relevante para a consideração dos argumentos ventilados pelo contribuinte, prova esta não acostada à hipótese. Cumpre frisar, neste ponto, que o próprio contribuinte, à época em que intimado pela fiscalização para comprovar diversos depósitos efetuados em suas contascorrentes, endereçou missiva ao órgão arrecadador juntando diversos recibos emitidos por clientes indicando, expressamente, a natureza dos valores ingressados, e, bem assim, comprovantes de recolhimento de taxa judiciária e de cópias de autos de processo judicial, documentos estes devidamente acatados pelo órgão preparador, o que indica ter o contribuinte ciência acerca da forma como deveria ter escriturado referidas despesas. Quanto às alegações de transferência entre contas bancárias de mesma titularidade, verificase que referidas alegações já foram devidamente acatadas pelo órgão julgador de primeiro grau, não subsistindo qualquer discussão em sede recursal. No tocante às verbas decorrentes de acordos judiciais celebrados em nome de clientes, por sua vez, igualmente se verifica que o Recorrente deixou de acostar aos autos documentos que comprovassem ou mesmo indicassem a correlação entre os depósitos efetuados e eventual repasse posterior aos seus clientes, com coincidência de valor e data, como exige a jurisprudência deste Tribunal Administrativo. Ademais, tratandose de acordos firmados em nome de terceiros e de montantes recebidos em suas contascorrentes, deveria o contribuinte terse munido de elementos hábeis a demonstrar a transferência dos aludidos recursos para terceiros, tais como o termo de transação, celebrado entre as partes, procuração conferida com poderes específicos para transacionar, bem como para receber e dar quitação, recibos assinados pelos clientes, demonstrando a natureza dos recursos e, bem assim, o repasse efetuado por meio das contas de titularidade do contribuinte, peças judiciais demonstrando a existência prévia de relação jurídica entre o depositante e o cliente (verificouse apenas um caso neste sentido), ou, ao Fl. 727DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10845.000855/200311 Acórdão n.º 210101.060 S2C1T1 Fl. 677 7 menos, a correlação entre os valores ingressados e posteriores repasses, em períodos próximos, coincidentes em valor para seus clientes, o que não ocorreu in casu. No que atine ao último aspecto, observase que o Recorrente alega, simplesmente, que os depósitos bancários seriam decorrentes do adimplemento de honorários advocatícios, pagos por Álamo Transportes Ltda., não comprovando, entretanto, que referidos valores já teriam sido tributados em sua declaração de imposto de renda. Assim, não havendo a demonstração de que os valores pagos já teriam sido oferecidos à tributação, não há meios de se reconhecer a pretensão do Recorrente. Feitas as precedentes considerações, em caráter genérico, a respeito dos depósitos efetuados em contacorrente do contribuinte, cumpre observar que todas as alegações do Recorrente, relativas a cada um dos depósitos, de que tratam as fls. 416/423 do recurso, foram minuciosamente examinadas e afastadas pela decisão recorrida (fls. 389/399). Como concordo integralmente com a criteriosa análise feita pelos integrantes da DRJ em Belém (PA), peço vênia adotar como fundamento de meu voto, quanto a este específico aspecto, as considerações feitas, às fls. 389/399 dos autos, pelo ilustre Relator da decisão recorrida. Devese afastar, portanto, as ilações do Recorrente no que tange à tentativa de afastamento da presunção que baseou o lançamento. Ora, da simples leitura do artigo 42 da Lei n.º 9.430/96, entendese que cabe ao contribuinte comprovar a origem de receita ou de rendimento creditados em conta de depósito ou de investimento de sua titularidade, mediante documentação hábil e idônea para tanto. Como se sabe, o processo administrativo é regido pelos princípios da verdade material e da informalidade. Poderia, assim, o contribuinte, em atenção à decisão recorrida, ainda em sede de recurso voluntário, apresentar documentos que efetivamente comprovassem a origem dos recursos e suas alegações de que os depósitos tratam de posse transitória de numerário de terceiros ou transferência de valores entre contas de mesma titularidade. E nem se diga, a este respeito, que teria o contribuinte requerido a realização de prova técnica e de diligências, na presente hipótese, para o fim de comprovar as suas alegações. Com efeito, muito embora haja dispositivo facultando a utilização de provas técnicas e a realização de diligências por parte do órgão preparador, o respectivo deferimento, pelo julgador, deve se encontrar lastreado (i) na utilidade de referidos meios probatórios para o deslinde da controvérsia e (ii) na existência de indícios, ao menos, da plausibilidade das alegações do contribuinte. No caso vertente, contudo, o deferimento de prova técnica seria despiciendo, uma vez que a análise a respeito da omissão de rendimentos não exige conhecimento técnico, sendo corriqueira a sua análise por este órgão julgador. Nada obstante, a realização de diligências na espécie, voltadas à intimação das instituições financeiras tomadoras dos serviços do Recorrente, igualmente não teria proveito, seja porque (i) não há dispositivo legal que as obrigue a guardar documentos por um período tão extenso e, também, (ii) os documentos comprobatórios, que pretende o Recorrente obter de terceiros, deveriam estar em sua guarda, à luz da legislação aplicável, consoante já apontado oportunamente. Fl. 728DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10845.000855/200311 Acórdão n.º 210101.060 S2C1T1 Fl. 678 8 Quanto aos rendimentos provenientes de prestação de serviços sem vínculo empregatício para HSBC Leasing Arrendamento Mercantil, por sua vez, também sem razão o Recorrente. De fato, limitase o Recorrente a alegar, em sua peça recursal, quase em tom de confissão, que a “empresa de leasing para a qual prestei serviços advocatícios apesar de ter declarado em ‘DIRF’ o mencionado pagamento deixou de enviar o informe de rendimentos respectivos para a Delegacia da Receita Federal, desta forma ocasionando a omissão no ano calendário de 1998.” Ora, referida alegação não tem o condão de infirmar a existência de recursos percebidos pelo Recorrente no citado anocalendário, devendose destacar, igualmente, que não há prova de que o contribuinte tenha, de fato, oferecido referido valor à tributação. Deste modo, sendo certo que eventual falha operacional da fonte pagadora não retira a responsabilidade do contribuinte de oferecer, regularmente, os rendimentos percebidos à tributação, consoante claramente descrito no Parecer Normativo COSIT n.º 1/2002, não merecem prosperar as assertivas. No tocante às despesas médicas incorridas em virtude de serviços prestados aos seus pais, Sr. João Garcia e Sra. Maria Rosa Portezan, deduzidas da base de cálculo do imposto de renda do Recorrente, limitase a alegar que, muito embora não tenha declarado os rendimentos a eles pertinentes, deveriam ser considerados em virtude do estado de “pobreza” dos entes, sendo nítida a dependência financeira em relação ao Recorrente. Ora, em que pesem às assertivas do ora Recorrente, tal como bem pontuado pelo decisum exarado pelo julgador a quo, “a dependência de que trata a declaração do IRPF é um conceito jurídico, e não financeiro”, razão pela qual eventuais despesas incorridas por seus dependentes “financeiros” apenas poderiam ser admitidas se tais pessoas fossem incluídas como dependentes na declaração de ajuste, considerandose, destarte, os respectivos rendimentos na base de cálculo do imposto. Neste sentido, aliás, o disposto pelo art. 38, §8º, da IN 15/2001, in verbis: “Art. 38. Podem ser considerados dependentes: (...) §8º. Os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração.” No caso vertente, portanto, muito embora assista razão ao contribuinte no tocante à possibilidade, em tese, de seus pais figurarem como dependentes na declaração de ajuste anual do imposto de renda, na forma do art. 77, §1º, VI, do RIR/99, deveria o Recorrente ter declarado seus pais como dependentes e, nesse sentido, acrescido aos seus rendimentos os valores por ele percebidos, o que não foi feito. De igual modo, é indevida a dedução de despesas em relação ao cônjuge, uma vez que este já apresentou declaração em separado referente ao exercício que foi objeto do presente auto de infração, sendo aplicável, portanto, o citado §8º do art. 38 da IN 15/2001, eis que, relativamente ao cônjuge, igualmente não foram considerados os respectivos rendimentos na declaração do Recorrente. Assim, não podendo ser o cônjuge, na espécie, considerado dependente, para fins de imposto de renda, indevidas as deduções com despesas médicas, na forma do art. 80, §2º, II, do RIR/99. Fl. 729DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10845.000855/200311 Acórdão n.º 210101.060 S2C1T1 Fl. 679 9 Por tais razões, não se encontrando os gastos em referência nos parâmetros acima estabelecidos, não há que se permitir referidas deduções, devendo ser mantida a decisão recorrida por seus próprios fundamentos. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 730DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 19/04/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 10726.000362/2006-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Classificação de Mercadoria.
Fato Gerador: 11/09/2001, 14/09/2001, 25/09/2001
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. BROCA DE PERFURAÇÃO E JATO DE BROCA. Classifica-se no código TEC/NCM 8207.19.00 a “broca” utilizada
exclusivamente para perfuração de solo e rochas para exploração
petrolífera, dotada de estrutura cortante que pode ser de aço,
carbureto de tungstênio ou cortadores adiamantados.
REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO LEGAL.
O DecretoLei nº37/66 define a revisão aduaneira como o ato pelo
qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, reexamina o despacho aduaneiro, com a finalidade de verificar a
regularidade ou não da importação, do pagamento do imposto e
demais gravames devidos à Fazenda Nacional, ou da regularidade
do benefício fiscal aplicado e da exatidão das informações prestadas pelo importador. A reclassificação fiscal de mercadoria submetida a despacho, em decorrência de revisão aduaneira, não configura mudança de critério jurídico.
MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NOMENCLATURA DO
MERCOSUL.
Mantida a reclassificação fiscal, é cabível a multa porprocional
ao valor aduaneiro decorrente da incorreição na classificação
fiscal adotada pela contribuinte na Declaração de Importação.
MULTA POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA
DISPENSADA DE LICENCIAMENTO. APLICAÇÃO DA RETROATIVIDADE
BENIGNA.
Por aplicação do princípio da retroatividade benigna insculpido
no art. 106, II,”a”, do CTN, deve ser excluída a multa do controle administrativo aplicada, quando o atual tratamento
administrativo dado à mercadoria dispensa a licença de importação.
Numero da decisão: 3202-000.300
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Gilberto de Castro Moreira Junior votaram pelas conclusões, no que pertine à multa por falta de licenciamento.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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Fato Gerador: 11/09/2001, 14/09/2001, 25/09/2001 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. BROCA DE PERFURAÇÃO E JATO DE BROCA. Classificase no código TEC/NCM 8207.19.00 a “broca” utilizada exclusivamente para perfuração de solo e rochas para exploração petrolífera, dotada de estrutura cortante que pode ser de aço, carbureto de tungstênio ou cortadores adiamantados. REVISÃO ADUANEIRA. PREVISÃO LEGAL. O DecretoLei nº37/66 define a revisão aduaneira como o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, reexamina o despacho aduaneiro, com a finalidade de verificar a regularidade ou não da importação, do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional, ou da regularidade do benefício fiscal aplicado e da exatidão das informações prestadas pelo importador. A reclassificação fiscal de mercadoria submetida a despacho, em decorrência de revisão aduaneira, não configura mudança de critério jurídico. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NOMENCLATURA DO MERCOSUL. Mantida a reclassificação fiscal, é cabível a multa porprocional ao valor aduaneiro decorrente da incorreição na classificação fiscal adotada pela contribuinte na Declaração de Importação. MULTA POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA DISPENSADA DE LICENCIAMENTO. APLICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Por aplicação do princípio da retroatividade benigna insculpido no art. 106, II,”a”, do CTN, deve ser excluída a multa do controle administrativo aplicada, quando o atual tratamento administrativo dado à mercadoria dispensa a licença de importação. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, 22/06/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10726.000362/200672 Acórdão n.º 3202000.300 S3C2T2 Fl. 2 2 Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Gilberto de Castro Moreira Junior votaram pelas conclusões, no que pertine à multa por falta de licenciamento. José Luiz Novo Rossari – Presidente Irene Souza da Trindade Torres – Relatora Editado em 22/06/2011. Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Mara Cristina Sifuentes e Antônio Spolador Junior. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: Trata o presente processo de exigência fiscal, fruto de Revisão Aduaneira prevista no art. 570 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002, com as alterações do Decreto n°4.765, de 24 de junho de 2003. Por meio do auto de infração de fls. 11 a 15, exigese da contribuinte retro epigrafada as quantias de R$ 93.942,96 a título de Multa do Controle Administrativo e de RS 3.637,57 a título de Multa por erro de Classificação de Mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul. Os fundamentos da autuação, de acordo com a autoridade fiscal foram: 1. Classificação fiscal incorreta. 2. Importação desamparada de guia de importação ou documento equivalente. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, 22/06/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10726.000362/200672 Acórdão n.º 3202000.300 S3C2T2 Fl. 3 3 De acordo com o relato da fiscalização e os documentos acostados aos autos, depreendese que a autoridade autuante promoveu a lavratura do auto de infração pelas razões abaixo elencadas: • O importador, por meio das DI's n° 01/09016925; 01/09149321; 01/09149330 e 01/09486115, submeteu a despacho a mercadoria "BROCAS DE PERFURAÇÃO", classificandoa na TEC no código 8207.50.19. • Que as “BROCAS" foram reclassificadas para o código NCM 8207.19.00. Não se conformando com a ação fiscal da qual foi regularmente cientificada (fls. 13), a autuada se insurge contra o lançamento efetuado, apresentando impugnação (fls. 57 a 82), instruída cornos documentos de fls. 83 a 133. Assim se manifesta, em síntese: • Que no ano de 2001 e 2002 a autuada regularmente importava o mesmo produto sob a classificação tarifária pertinente a "outras brocas de metais comuns, mesmo diamantadas" (código 8207.50.19). • Que houve conferência física dos produtos, em algumas ocasiões, sendo as importações sempre concluídas sem ressalvas quanto à classificação tarifária adotada. • Que no caso específico das quatro DI's envolvidas na autuação, adotouse, efetivamente, tal classificação tarifária, na posição 8207.50.19. • Que nas quatro DI's em comento — e aí vai necessária retificação ao relato da autuação — há a clara descrição da mercadoria, no campo intitulado "descrição detalhada da mercadoria". Senão vejamos: a DI 01/09486115 faz expressa menção à "jatos para broca 8389" e a "brocas 08 ½”; a DI 01/09016925 menciona broca 08 ½ HP 11" e "broca 12 ¼ HP 11"; a DI 01/09149330 faz referência à "broca 8.500 DS 104 HGN com jato instalado"; a DI 01/09149321 indica o objeto da importação como "broca 12 ¼ D51HC" . • Defende que na hipótese em exame não houve erro de fato e a alteração da classificação fiscal representava tentativa de alteração de critério jurídico, proibido de acordo com o disposto no art. 146 do CTN. • Que é inaplicável a multa de que trata o art. 526, II do RA, consoante disposto no ADN COSIT n° 12/1997. • Defende a aplicação do art. 100 do CTN. Requer, por fim, a insubsistência da autuação. A DRJFlorianópolis/SC julgou procedente o lançamento (fls. 164/171), nos termos da decisão cuja ementa abaixo se transcreve: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, 22/06/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10726.000362/200672 Acórdão n.º 3202000.300 S3C2T2 Fl. 4 4 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 11/09/2001 a 25/09/2001 Ferramenta dotada de uma estrutura cortante que pode ser de aço, carbureto de tungstênio ou cortadores adiamantados (Broca para Perfuração) e suas partes (Jatos para Brocas), utilizada pela Sonda para perfurar o solo e as rochas mais profundas, utilizadas nas máquinas de perfuração da indústria petrolífera, classificase no código NCM 8207.19.00. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Aplicase a multa de I% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada de maneira incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria. FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. PENALIDADE. Aplicase a multa por falta de LI nas importações sujeitas a Licenciamento Automático e não Automático em que as mercadorias não estão corretamente descritas, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 19/10/2001 a 31/10/2001 NORMAS COMPLEMENTARES. PRÁTICAS REITERADAS DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. As práticas reiteradas das autoridades administrativas somente podem ser consideradas normas complementares quando presentes o uso e a convicção jurídica da necessidade da conduta e sejam de aplicação geral pública e uniforme, atingindo todos os contribuintes que se encontrem na mesma situação (ática e jurídica, sendo, no entanto, inadmissíveis no caso de atos praticados em desacordo com a lei (contra legem). REVISÃO ADUANEIRA. INEXISTÊNCIA DE MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO.Revisão aduaneira consiste em reexame do despacho de importação e não de lançamento, o qual somente se perfaz com a homologação expressa ou tácita, sendo, por isso, incabível a argüição de mudança de critério jurídico. Lançamento Procedente Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário a este Colegiado (fls. 178/192), alegando, em apertada síntese: que, conforme comprovam as DI n.ºs 01/08439490, registrada em 23/08/2001, e 02/04340661, registrada em 15/05/2002 , no decorrer dos anos de 2001 e 2002 a Receita Federal aceitava, sem ressalvas, para as mesmas mercadorias, a classificação tarifária aposta nas DI a que se refere a presente autuação, de tal forma que o critério de classificação defendido pela Fiscalização, representaria, em verdade, uma modificação no critério jurídico adotado pela administração para um mesmo fato; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, 22/06/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10726.000362/200672 Acórdão n.º 3202000.300 S3C2T2 Fl. 5 5 que pretende a autuação, a partir da reclassificação tarifária proposta, impor à Recorrente exigência não formulada quando do transcurso das importações, representada pela emissão de licença de importação; que a recorrente apresentou à Receita Federal descrição apropriada das mercadorias que importou, o que afasta o óbice posto pelo Sr. Fiscal autuante, quanto à aplicação ao caso das ADN's COSIT n.ºs 10 e 12, ambas de 1997; e que, na situação examinada, sequer há de se cogitar dolo ou máfé, pois a importadora processou regularmente as importações das mercadorias, adotando a classificação fiscal que lhe pareceu própria e recolheu os tributos de importação, com base nas mesmas alíquotas aplicáveis à reclassificação tarifária proposta pelo Fisco. Ao final, requereu o provimento do Recurso Voluntário, para ser declarado insubsistente o Auto de Infração. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora Tomo por interposto o recurso voluntário juntado às fls. 178/192, visto que, mesmo nele tendo sido consignado erroneamente o número do processo administrativo 10726.000434/200672 sendo os presentes autos o processo de número 10726.000362/2006 72 deixa claro ter sido oferecido em face do Acórdão DRJ/Florianópolis/SC nº. 0716.121, de que cuidam estes autos. Assim, o recurso voluntário ora em apreço é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, razões pelas quais dele conheço. Da Classificação Fiscal das Mercadorias Cuidase de Auto de Infração, lavrado em 05/09/2006 (ciência em 06/09/2006), contra a empresa FLUPETROL FLUIDOS PETROLÍFEROS LTDA, para exigência de multa do controle administrativo de 30%, por falta de licença de importação, e multa de 1% sobre o valor aduaneiro, por classificação incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul, no valor total de R$ 97.580,53. O cerne do litígio diz respeito à classificação fiscal de mercadoria importada pela interessada, identificada como “brocas”, classificada pela contribuinte no código TEC/NCM 8207.50.19 – Ferramentas de furar; outras brocas, mesmo diamantadas, tendo a Fiscalização procedido a reclassificação para o código TEC/NCM 8207.19.00 – Outras ferramentas de perfuração ou de sondagem, incluídas as partes. A contribuinte foi intimada a apresentar esclarecimentos quanto às especificidades da mercadoria importada, tendo sido esclarecido o seguinte (fls.08/09): Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, 22/06/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10726.000362/200672 Acórdão n.º 3202000.300 S3C2T2 Fl. 6 6 1. São aplicadas/utilizadas em que tipo de máquinas ? (especificar o nome e a função das máquinas) Resposta: As brocas [são] utilizadas na perfuração de poços de petróleo; a máquina que utiliza este produto é denominada "Perfuratriz Rotativa", que na indústria petroleira é chamada de Sonda. A sonda poderá ser terrestre ou marítima distinguindose pelo local onde faz a sondagem, mas a máquina é, em principio, a mesma. 2. Qual a função que elas desempenham na indústria em que são utilizadas ? Resposta: A função da máquina é de fazer um poço para pesquisar e/ou produzir petróleo. Na indústria de exploração de petróleo a broca é a ferramenta utilizada pela Sonda para perfurar o solo e rochas mais profundas. 3. Qual o princípio de funcionamento ?Resposta: [O]Princípio de funcionamento de uma broca de perfuração de uma rocha [é] pelo Sistema de Perfuração Rotativa; são necessários dois elementos variáveis principais que atuam sobre a Broca de Perfuração: 1. Rotação. A broca deve manterse girando no fundo do poço. Uma micro analogia poderia ser [...nada mais consta do texto nesta parte] 2. Peso. A broca deve vencer a resistência da rocha para poder perfurála. O processo usado é de se aplicar uma força sobre a broca que vença a resistência. Essa força é o peso aplicado. São valores enormes dimensionados por toneladas ou milhares de quilogramas. Também se dimensiona o peso em libras", que equivale a aproximadamente meio quilograma. Rotação e Peso representam o principio de funcionamento de uma broca de perfuração de poços de petróleo. 4. De que materiais são constituídas? Resposta: Como material de fabricação de uma broca para perfuração rotativa existem basicamente dois tipos de brocas de perfuração quanto ao material de fabricação:Brocas de corpo de aço e Brocas de corpo de matriz. Esta matriz é uma mistura de vários materiais sendo principalmente Carbureto de tungstênio e cobalto. Todas empresas que fabricam brocas de perfuração utilizam este tipo de material, podendo variar, no caso de corpo matriz, a composição percentual de cada elemento. Além do corpo, a broca possui uma estrutura cortante. A depender da composição da rocha a ser perfurada, a estrutura cortante poderá ser de aço, carbureto de tungstênio ou cortadores adiamantados. As formas da estrutura cortante são variadas mas se compõem basicamente desses três tipos de material. (...) (sublinhados não constantes do original) Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, 22/06/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10726.000362/200672 Acórdão n.º 3202000.300 S3C2T2 Fl. 7 7 Consta, ainda, do Relatório anexo ao Auto de Infração (fls. 17/18), as seguintes respostas quanto às brocas importadas: 1) São aplicada/utilizadas em que tipos de máquinas?(especificar o nome e a função das máquinas) RESPOSTA: "As brocas são utilizadas na perfuração de poços de petróleo, a máquina que utiliza este produto é chamada de "Perfuratriz Rotativa" que na indústria petroleira é chamada de "Sonda". A sonda poderá ser terrestre ou marítima distinguindose pelo local onde faz a sondagem mas a máquina é, em princípio, a mesma." 2) Qual a função que elas desempenham na indústria em que são utilizadas? RESPOSTA: "A função da máquina é de fazer um poço para pesquisar e/ou produzir petróleo. Na indústria de exploração de petróleo a broca é a ferramenta utilizada pela Sonda para perfurar o solo e rochas mais profundas." 3) Qual o princípio de funcionamento? RESPOSTA: " Princípio de funcionamento de uma broca de perfuração de uma rocha pelo Sistema de Perfuração Rotativa, são necessários dois elementos variáveis principais que atuam sobre a Broca de Perfuração: I. Rotação. A broca deve manter se girando no fundo do poço. 2. Peso. A broca deve vencer a resistência da rocha para poder perfurála. Rotação e peso representam o princípio de funcionamento de uma broca de perfuração de poços de petróleo." 4) De que materiais são constituídas? RESPOSTA: "Como material de fabricação de uma broca para perfuração rotativa existem basicamente dois tipos de brocas de perfuração quanto ao material de fabricação. Brocas de corpo de aço e Brocas de corpo de matrix. Esta matriz é uma mistura de vários materiais sendo principalmente Carbureto de Tungstênio e cobalto. Todas empresas fabricam brocas de perfuração utilizam este tipo de material, podendo variar, no caso de corpo matriz, a composição percentual de cada elemento. Além do corpo, a broca possui uma estrutura cortante. A depender da composição da rocha a ser perfurada, a estrutura cortante poderá ser de aço, carbureto de tungstênio ou cortadores adiamantados. As formas da estrutura cortante são variadas mas se compõem basicamente desses três tipos de material.” Verificase, portanto, que as brocas importadas são ferramentas destinadas exclusivamente à perfuração de poços de petróleo, não podendo ser utilizadas em máquinas que não sejam de perfuração ou sondagem, não se confundindo, entretanto, com tais máquinas, razão pela qual seguem classificação distinta daquelas. Ex vi da Regra Geral nº 1, a classificação fiscal de um produto é determinada, primeiramente, pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo. Os Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, 22/06/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10726.000362/200672 Acórdão n.º 3202000.300 S3C2T2 Fl. 8 8 títulos das seções, dos capítulos e dos subcapítulos têm valor apenas indicativo. As posições são agrupamentos de mercadorias representadas por quatro dígitos numéricos; já o termo “texto da posição” referese à redação pertinente a cada uma das posições. In casu, não há controvérsia na classificação quanto à Posição, qual seja, 8207, mas, sim, em nível de Subposição. Resultada, portanto, corretamente classificada a mercadoria na posição 8207, o próximo passo é determinar em qual das Subposições que compõem essa posição o produto será classificado. O caminho para se chegar à Subposição correta é dado pela Regra Geral nº. 06 do Sistema Harmonizado, que assim dispõe: “6. A classificação de mercadorias nas Subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas Subposições e das Notas de Subposição respectivas, assim, como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendose que apenas são comparáveis Subposições do mesmo nível (...)” Para se determinar a Subposição correta, primeiro comparase, dentro da posição (8207), todas as Subposições de primeiro nível (um travessão); em seguida, fixada a de primeiro nível, passase para o segundo nível (dois travessões). Após identificada a Subposição correta, devese encontrar dentre essa o Item e o Subitem correspondentes, bastando, para tanto, seguir o que dispõe a Regra Geral Complementar nº 1 (RGC1) sobre a classificação em nível de Item e Subitem. Segundo a RGC1, todas as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado são aplicáveis, feitas as devidas adaptações, para se determinar, dentro de cada Posição ou Subposição, o Item aplicável e, dentro deste, o Subitem correspondente, sendo que só são comparáveis um Item com outro Item ou um Subitem com outro Subitem. Assim, tomandose como fundamento as Regras de Interpretação do Sistema Harmonizado acima postas, temos os seguintes textos dos códigos pretendidos: 82.07 FERRAMENTAS INTERCAMBIÁVEIS PARA FERRAMENTAS MANUAIS, MESMO MECÂNICAS, OU PARA MÁQUINASFERRAMENTAS (POR EXEMPLO: DE EMBUTIR, ESTAMPAR, PUNCIONAR, ROSCAR, FURAR, MANDRILAR, BROCHAR, FRESAR, TORNEAR, APARAFUSAR), INCLUÍDAS AS FIEIRAS DE ESTIRAGEM OU DE EXTRUSÃO, PARA METAIS, E AS FERRAMENTAS DE PERFURAÇÃO OU DE SONDAGEM 8207.1 Ferramentas de perfuração ou de sondagem 8207.13.00 Com parte operante de ceramais ("cermets") 8207.19.00 Outras, incluídas as partes 8207.20.00 Fieiras de estiragem ou de extrusão, para metais 8207.30.00 Ferramentas de embutir, de estampar ou de puncionar 8207.40 Ferramentas de roscar interior ou exteriormente 8207.40.10 De roscar interiormente 8207.40.20 De roscar exteriormente 8207.50 Ferramentas de furar 8207.50.1 Brocas, mesmo diamantadas 8207.50.11 Helicoidais, com diâmetro inferior ou igual a 52mm 8207.50.19 Outras 8207.50.90 Outras 8207.60.00 Ferramentas de mandrilar ou de brochar 8207.70 Ferramentas de fresar 8207.70.10 De topo Fl. 8DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, 22/06/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10726.000362/200672 Acórdão n.º 3202000.300 S3C2T2 Fl. 9 9 8207.70.20 Para cortar engrenagens 8207.70.90 Outros 8207.80.00 Ferramentas de tornear 8207.90.00 Outras ferramentas intercambiáveis Comparando a mercadoria objeto da reclassificação levada a efeito pelo Fisco com os textos das Subposições acima transcritos, verificase que as brocas importadas não são meras ferramentas de furar (8207.50), mas sim ferramentas utilizadas nas sondas para perfuração de solos e rochas na exploração petrolífera, conforme fartamente demonstrado pela Fiscalização e informado pela própria recorrente, quando diz que “as brocas [são] utilizadas na perfuração de poços de petróleo; a máquina que utiliza este produto é denominada "Perfuratriz Rotativa", que na indústria petroleira é chamada de Sonda”(8207.1). Assim, como não possuem parte operante de ceramais, a broca de perfuração ora sob análise, dotada de estrutura cortante que pode ser de aço, carbureto de tungstênio ou cortadores adiamantados, incluise na Subposição 8207.19, a qual não possui desdobramentos, chegandose ao perfeito enquadramento tarifário no código 8207.19.00 – Outras ferramentas de perfuração ou de sondagem, incluídas as partes. Ressaltese que, no processo administrativo fiscal, também é aplicável o princípio processual de que ao autor cabe o ônus de demonstrar os fatos constitutivos de seu direito, isto é, à Fazenda Pública cabe demonstrar os fatos que justificam o lançamento fiscal (quem alega tem de provar) e, ao sujeito passivo, os fatos impeditivos e ou modificativos do direito demonstrado pelo autor (pela Fazenda Pública). No caso, nada traz a defesa para contrapor as provas produzidas pela autoridade autuante, e, antes pelo contrário, as explicações que fornece acerca das mercadorias apenas corroboram as conclusões do Fisco. Seu argumentos de defesa mostramse vazios de fundamentação e irrelevantes para justificar a classificação pretendia. Assim, diante dos elementos constantes dos autos, mostrase correta a reclassificação das mercadorias “brocas” e para o código 8207.19.00 – Outras ferramentas de perfuração ou de sondagem, incluídas as partes. Da Revisão Aduaneira Informa a recorrente que já havia procedido outras importações das mesmas mercadorias utilizandose do código 8207.50.19, sem que a Receita Federal houvesse manifestado qualquer óbice. Acontece que tal fato não vincula a Administração em importações posteriores, o que só seria cabível se tivesse havido algum processo de consulta formal, indicando aquela classificação como a correta. A Receita Federal pode e deve proceder a revisão aduaneira, dentro do prazo quinquenal legal, para fins de verificar a correição dos procedimentos adotados pelo importador. Após o despacho aduaneiro, a DI pode ser submetida a revisão para apurar qualquer irregularidade relativa ao despacho, inclusive os aspectos que englobam a correta classificação tarifária da mercadoria, conforme se depreende do disposto no art. 455 do RA/1985, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, a saber: Fl. 9DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, 22/06/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10726.000362/200672 Acórdão n.º 3202000.300 S3C2T2 Fl. 10 10 Art. 455 A revisão aduaneira é o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, reexamina o despacho aduaneiro, com a finalidade de verificar a regularidade da importação ou exportação quanto aos aspectos fiscais, e outros, inclusive o cabimento de benefício fiscal aplicado (DL 37/66, art. 54). Deste modo, descabe a alegação da recorrente de que a reclassificação tarifária consistiria em mudança de critério jurídico por parte da autoridade administrativa. Da Multa por Errônea Classificação na Nomenclatura Comum do Mercosul NCM No tocante à manutenção da exigência fiscal pertinente à multa proporcional ao valor aduaneiro da mercadoria, por erro na classificação fiscal adotada pelo sujeito passivo, também não merece reprimenda o acórdão vergastado, vez que a imposição dessa penalidade decorre de texto literal de lei, mais precisamente, do disposto no artigo 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, o qual assim dispõe: "Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria. § 2o A aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis." As condições para aplicação dessa multa são objetivas, não figurando, portanto, no campo discricionário da autoridade administrativa decidir por sua aplicação ou não. Ao contrário, presentes as hipóteses tipificadas na lei, o agente do fisco está vinculado e obrigado a infligir a sanção cominada, sob pena de responsabilidade funcional e, também, da seara penal. In casu, a reclamante, de fato, praticou a conduta proibida pela norma, qual seja, proceder à classificação fiscal incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul, por conseguinte, tornouse paciente da sanção, cominada: multa de 1% do valor aduaneiro da mercadoria. De outro lado, não cabe às instâncias administrativas discutirem eventuais vícios da lei, pois tal discussão importa em avaliar a constitucionalidade do ato legal, atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Da Multa do Controle Administrativo por Falta de Licença de Importação Entendeu a Fiscalização que as “ brocas”, mercadorias constantes das DI nºs. 01/09016925 (fls.30/32), 01/09149321 (fls. 34/36), 01/09149321 (fls. 34/36) e 01/09486115 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, 22/06/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10726.000362/200672 Acórdão n.º 3202000.300 S3C2T2 Fl. 11 11 (fls. 41/43), não estavam descritas corretamente, com todos os elementos necessários à perfeita identificação e classificação tarifária dos produtos, razão pela qual deixou de aplicar do ADN/COSIT nº. 12/1997 e aplicou à recorrente a multa do controle administrativo por falta de licença na importação, prevista no art. 526, II, do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº. 9.030/1985) As cópias das DI acima mencionadas juntadas aos autos não trazem o campo de “Descrição Detalhada da Mercadoria”, provavelmente por alguma falha da digitalização dos documentos. A autoridade julgadora “a quo” menciona a seguinte descrição detalhada: "Broca 08 1/2 HP11"; "Broca 12 1/4 hp11"; "Broca 12 1/4 D51HC517M 6 5/8 Serial"; "Broca 8.500 DS104HGN A2 Com jato instalado"; "Broca 08 1/2 MHP43DGH C 437M 4 1/2". Já a contribuinte, afirma: a DI 01/09486115 faz expressa menção à "jatos para broca 8389" e a "brocas 08 ½”; a DI 01/09016925 menciona broca 08 ½ HP 11" e "broca 12 ¼ HP 11"; a DI 01/09149330 faz referência à "broca 8.500 DS 104 HGN com jato instalado"; a DI 01/09149321 indica o objeto da importação como "broca 12 ¼ D51HC" Afirma a querelante que a descrição das mercadorias constantes nas DI, informando o número de série do equipamento, aliada ao fato de o contrato social da empresa assinalar que suas atividades estão voltadas para a perfuração e o desenvolvimento de poços de petróleo (fl. 195), isso, por si só, já seria suficiente para se inferir que as brocas e demais mercadorias importadas destinavamse ao emprego em perfuração de petróleo. Ora, a simples menção do número de série dos equipamentos não fornece elemento algum para que se possa identificar a especificidade do produto importado, muito menos o objeto social da empresa. Embora a perfuração e o desenvolvimento de poços de petróleo sejam as suas atividades precípuas, isto não significa que todo e qualquer produto importado pela recorrente tenha relação com tais atividades, podendo referirse a qualquer outra, até mesmo relacionarse à atividade de manutenção da atividade principal. Se da descrição das mercadorias nas DI constasse o fim a que se destinavam as brocas, tal informação, de plano, teria levado à classificação fiscal correta . Não se está com isso a dizer que houve dolo ou má fé da empresa, mas imprecisão dos dados informados e ocultação de dados cruciais à correta classificação fiscal. Acontece, porém que, a partir da vigência da Portaria Secex no 17/2003 (DOU de 2/12/2003), houve a inclusão da modalidade de importações dispensadas de Licenciamento, além daquelas com Licenciamento Automático ou Não Automático. Essa sistemática permanece até os dias de hoje, em que vige a Portaria Secex no 10/2010, a saber: Art. 7º O sistema administrativo das importações brasileiras compreende as seguintes modalidades: I – importações dispensadas de Licenciamento; II – importações sujeitas a Licenciamento Automático; e III – importações sujeitas a Licenciamento Não Automático. Art. 8º Como regra geral, as importações brasileiras estão dispensadas de licenciamento, devendo os importadores tão somente providenciar o registro da Declaração de Importação – DI no SISCOMEX,com o objetivo de dar início aos Fl. 11DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, 22/06/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10726.000362/200672 Acórdão n.º 3202000.300 S3C2T2 Fl. 12 12 procedimentos de Despacho Aduaneiro junto à unidade local da RFB. § 1º São dispensadas de licenciamento as seguintes importações: I – sob os regimes de entrepostos aduaneiro e industrial, inclusive sob controle aduaneiro informatizado; II – sob o regime de admissão temporária, inclusive de bens amparados pelo Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Importação de Bens Destinados às Atividades de Pesquisa e de Lavra das Jazidas de Petróleo e de Gás Natural REPETRO; III – sob os regimes aduaneiros especiais nas modalidades de loja franca, depósito afiançado,depósito franco e depósito especial; IV – com redução da alíquota de imposto de importação decorrente da aplicação de “ex tarifário”; V – mercadorias industrializadas, destinadas a consumo no recinto de congressos, feiras e exposições internacionais e eventos assemelhados, observado o contido no art. 70 da Lei n.º 8.383, de 30 de dezembro de 1991; VI – peças e acessórios, abrangidas por contrato de garantia; VII – doações, exceto de bens usados; VIII – filmes cinematográficos; IX – retorno de material remetido ao exterior para fins de testes, exames e/ou pesquisas, com finalidade industrial ou científica; X – amostras; XI – arrendamento mercantil leasing, arrendamento simples, aluguel ou afretamento; XII – investimento de capital estrangeiro; XIII – produtos e situações que não estejam sujeitos a licenciamento automático e não automático; e XIV – sob o regime de admissão temporária ou reimportação, quando usados, reutilizáveis e não destinados à comercialização, de recipientes, embalagens, envoltórios, carretéis, separadores, racks, cliplocks, termógrafos e outros bens retornáveis com finalidade semelhante destes, destinados ao transporte, acondicionamento, preservação, manuseio ou registro de variações de temperatura de mercadoria importada, exportada, a importar ou a exportar: e XV – nacionalização de máquinas e equipamentos que tenham ingressado no País ao amparo do regime aduaneiro especial de admissão temporária para utilização econômica , aprovado pela RFB, na condição de novas. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, 22/06/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10726.000362/200672 Acórdão n.º 3202000.300 S3C2T2 Fl. 13 13 § 2º Na hipótese de o tratamento administrativo do Siscomex previsto nos artigos 9º e 10 acarretar licenciamento para as importações definidas no § 1º deste artigo, o primeiro prevalecerá sobre a dispensa . Subseção II Licenciamento Automático Art. 9º Estão sujeitas a Licenciamento Automático as importações: I – de produtos relacionados no Tratamento Administrativo do SISCOMEX; também disponíveis no endereço eletrônico do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior MDIC, para simples consulta, prevalecendo o constante do aludido Tratamento Administrativo; e II – as efetuadas ao amparo do regime aduaneiro especial de drawback. Parágrafo único. Caso o produto, identificado pela Nomenclatura Comum do MERCOSUL da Tarifa Externa Comum (NCM/TEC), possua destaque, e a mercadoria a ser importada não se referir à situação descrita no destaque, o importador deverá apor o código 999, ficando a mercadoria dispensada daquela anuência. Subseção III Licenciamento Não Automático Art. 10. Estão sujeitas a Licenciamento Não Automático as importações: I – de produtos relacionados no Tratamento Administrativo do SISCOMEX e também disponíveis no endereço eletrônico do MDIC para simples consulta, prevalecendo o constante do aludido Tratamento Administrativo; onde estão indicados os órgãos responsáveis pelo exame prévio do licenciamento não automático, por produto; II – as efetuadas nas situações abaixo relacionadas: a) sujeitas à obtenção de cotas tarifária e não tarifária; b) ao amparo dos benefícios da Zona Franca de Manaus e das Áreas de Livre Comércio; c) sujeitas à anuência do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq; d) sujeitas ao exame de similaridade; e) de material usado, salvo as exceções estabelecidas no § 2º e no § 3º do art. 37 desta Portaria; f) originárias de países com restrições constantes de Resoluções da Organização das Nações Unidas (ONU); Fl. 13DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, 22/06/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10726.000362/200672 Acórdão n.º 3202000.300 S3C2T2 Fl. 14 14 g) substituição de mercadoria, nos termos da Portaria do Ministério da Fazenda n.º 150, de 26 de julho de 1982; h) sujeitas a medidas de defesa comercial; e i) operações que contenham indícios de fraude. § 1º Na hipótese da alínea “h”, o licenciamento amparando a importação de mercadorias originárias de países não gravados com direitos deverá ser instruído com Certificado d e Origem emitido por Órgão Governamental ou por Entidade por ele autorizada ou, na sua ausência, documento emitido por entidade de classe do país de origem atestando a produção da mercadoria no país, sendo que este último documento deverá ser chancelado, n o país de origem, por uma câmara de comércio brasileira ou representação diplomática. §2º Todos os documentos mencionados nos parágrafos anteriores deste artigo ficarão retidos no Departamento de operações de Comércio Exterior (DECEX) ou na instituição bancária autorizada a operar. §3º Caso o produto, identificado pela NCM/TEC, possua destaque, e a mercadoria a ser importada não se referir à situação descrita no destaque, o importador deverá apor o código 999, ficando a mercadoria dispensada daquela anuência. (grifos não constantes do original) Sendo, hoje, portanto, a dispensa de licença na importação a regra geral, e vez que, na data do julgamento deste processo. tendo sido efetuada consulta acerca do tratamento administrativo dado às mercadorias classificadas no código 8207.19.00, no endereço eletrônico da Secretaria da Receita Federal do Brasil, sem que nada conste sobre exigência de licenciamento, automático ou não, referente a “brocas de perfuração”, podese inferir tratarse atualmente da regra geral de dispensa de licença na importação. Notese que há exigência de licenciamento apenas se o destaque de NCM for igual a 1 (EXCLUSIVAMENTE BROCAS DE ENCAIXES SDS PLUS), caso em que a mercadoria está sujeita à anuência do Ministério do Desenvolvimento Industria e Comercio Exterior, não se aplicando, portanto, ao caso sob análise. Assim, em razão da aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, “a”, do CTN, entendo incabível a aplicação da multa do controle administrativo infligida. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para excluir do lançamento apenas a multa do controle administrativo por falta de licença na importação. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 14DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, 22/06/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI Processo nº 10726.000362/200672 Acórdão n.º 3202000.300 S3C2T2 Fl. 15 15 Fl. 15DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Assinado digitalmente em 22/06/2011 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, 22/06/2011 por JOSE LUIZ NOV O ROSSARI
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