Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,224)
- Segunda Câmara (27,799)
- Primeira Câmara (25,084)
- Segunda Turma Ordinária d (17,395)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,074)
- Primeira Turma Ordinária (15,860)
- Primeira Turma Ordinária (15,855)
- Primeira Turma Ordinária (15,831)
- Segunda Turma Ordinária d (15,688)
- Segunda Turma Ordinária d (14,225)
- Primeira Turma Ordinária (12,958)
- Primeira Turma Ordinária (12,272)
- Segunda Turma Ordinária d (12,235)
- Quarta Câmara (11,513)
- Primeira Turma Ordinária (11,304)
- Quarta Câmara (83,955)
- Terceira Câmara (66,335)
- Segunda Câmara (54,592)
- Primeira Câmara (19,126)
- 3ª SEÇÃO (16,074)
- 2ª SEÇÃO (11,242)
- 1ª SEÇÃO (6,788)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (122,260)
- Segunda Seção de Julgamen (113,023)
- Primeira Seção de Julgame (75,502)
- Primeiro Conselho de Cont (49,051)
- Segundo Conselho de Contr (48,910)
- Câmara Superior de Recurs (37,700)
- Terceiro Conselho de Cont (25,965)
- IPI- processos NT - ressa (5,006)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,057)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,860)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,242)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,099)
- IRPJ - restituição e comp (2,087)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,641)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,197)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,619)
- HELCIO LAFETA REIS (3,510)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,210)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,899)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,625)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,605)
- WILDERSON BOTTO (2,588)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,074)
- 2021 (35,828)
- 2019 (30,958)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,914)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,465)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,086)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,176)
- 2010 (18,058)
- 2008 (17,077)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,838)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 12466.003153/2010-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 26/08/2005 a 21/06/2006
Ementa:
DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA.
Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do Decreto-Lei no 37/1966.
ADIANTAMENTO DE RECURSOS FINANCEIROS PARA FINANCIAR OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. PRESUNÇÃO DE OPERAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. LEI Nº 10.637/2002, ARTIGO 27
A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presume-se por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos artigos 77 a 81 da MP nº 2.158-35/2001.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO.
Considera-se fraudulenta a ocultação intencional do real adquirente nas operações presumidas por conta e ordem, consistindo em dano ao Erário, de acordo com o artigo 23 do Decreto-lei nº 1.455/1976. A pena de perdimento será convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar o crédito tributário vinculado às Declarações de Importação registradas anteriormente a 06/12/2005, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Lenisa Rodrigues Prado que davam integral provimento,.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 26/08/2005 a 21/06/2006 Ementa: DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do Decreto-Lei no 37/1966. ADIANTAMENTO DE RECURSOS FINANCEIROS PARA FINANCIAR OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. PRESUNÇÃO DE OPERAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. LEI Nº 10.637/2002, ARTIGO 27 A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presume-se por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos artigos 77 a 81 da MP nº 2.158-35/2001. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. Considera-se fraudulenta a ocultação intencional do real adquirente nas operações presumidas por conta e ordem, consistindo em dano ao Erário, de acordo com o artigo 23 do Decreto-lei nº 1.455/1976. A pena de perdimento será convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 12466.003153/2010-09
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5577037
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3302-003.059
nome_arquivo_s : Decisao_12466003153201009.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : PAULO GUILHERME DEROULEDE
nome_arquivo_pdf_s : 12466003153201009_5577037.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar o crédito tributário vinculado às Declarações de Importação registradas anteriormente a 06/12/2005, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Lenisa Rodrigues Prado que davam integral provimento,. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
id : 6321245
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:46:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048123438268416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2056; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12466.003153/201009 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.059 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de fevereiro de 2016 Matéria Multa Aduaneira Recorrente GEMAX TRADING COMPANY S/A e JRMINVESTIGAÇÕES IMUNOLÓGICAS S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 26/08/2005 a 21/06/2006 Ementa: DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do DecretoLei no 37/1966. ADIANTAMENTO DE RECURSOS FINANCEIROS PARA FINANCIAR OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. PRESUNÇÃO DE OPERAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. LEI Nº 10.637/2002, ARTIGO 27 A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos artigos 77 a 81 da MP nº 2.15835/2001. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. Considerase fraudulenta a ocultação intencional do real adquirente nas operações presumidas por conta e ordem, consistindo em dano ao Erário, de acordo com o artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976. A pena de perdimento será convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 31 53 /2 01 0- 09 Fl. 1634DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003153/201009 Acórdão n.º 3302003.059 S3C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar o crédito tributário vinculado às Declarações de Importação registradas anteriormente a 06/12/2005, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Lenisa Rodrigues Prado que davam integral provimento,. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para aplicação da multa substitutiva de pena de perdimento, pela prática de ocultação do real adquirente mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta na importação, definida como dano ao erário, lavrado em face de GEMAX TRADING COMPANY S/A como importador e contribuinte e de e JRMINVESTIGAÇÕES IMUNOLÓGICAS S.A, como real adquirente e responsável solidária. A GEMAX registrou declarações de importação DI na modalidade direta (por sua própria conta e ordem) no período de 26/08/2005 a 21/06/2006. Inicialmente, foi aberto procedimento especial de controle aduaneiro e de revisão de habilitação no comércio exterior, tendo a GEMAX não apresentado documentos que demonstrassem a origem e aplicação dos recursos financeiros, razão pela qual foi instaurado o procedimento previsto na IN SRF 228/2002, de acordo com o §3º do artigo 21 da IN SRF nº 650/2006. Em procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas, previsto na IN SRF 228/2002, apurouse a prática de ocultação do real adquirente JRM , mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, em razão do seguinte: 1. A GEMAX não possuía capacidade financeira e econômica para fazer frente ao volume de importações por ela transacionado devido a: a. movimentação em torno de R$ 30.000.000,00 de 2005 a 2007, para capital social da ordem de R$ 50.000,00 (aumentados para R$ 400.000,00 no quarto trimestre de 2006, decorrentes de lucros acumulados); b. aumento de capital social por reavaliação de bens, adquiridos por R$ 45 mil e reavaliados para R$ 2.774.000, em datas próximas, não havendo qualquer aumento de disponibilidade financeira; Fl. 1635DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003153/201009 Acórdão n.º 3302003.059 S3C3T2 Fl. 4 3 b. lucro líquido auferido no período foi em torno de R$ 980.000,00, muito inferior ao volume transacionado; c. Inexistência de quaisquer empréstimos e financiamentos tomadas de terceiros, conforme confirmados pela recorrente; 2. As operações somente puderam ser viabilizadas mediante adiantamentos de caixa recebidos pelos reais adquirentes para liquidação de contratos de câmbio e pagamentos dos tributos pagos no registro da DI, configurando a aplicação do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002; 3. Por várias vezes, a emissão das notas fiscais de venda era realizada no mesmo dia da emissão das notas fiscais de entrada, revelando giro imediato do estoque, indicando a encomenda da mercadoria; 4. A GEMAX é uma empresa de pequeno porte que atua, basicamente, como prestadora de serviços de comércio exterior, incluindo logística e financeiros, conforme informação colhida no próprio site da empresa, que jamais importa com ânimo próprio, mas por conta e ordem ou por encomenda; 5. As vantagens financeiras oferecidas pela GEMAX em seu site se coadunam com os objetivos pretendidos com a prática da ocultação do real adquirente: ausência de agregação de margem de lucro, implicando redução de carga tributária, redução de 33,3% no ICMS, com menor alavancagem dos tributos subsequentes (PIS, Cofins, ICMS), menor alavancagem do IPI, com recolhimento feito pela GEMAX sobre o custo da mercadoria e não sobre o preço de venda ao consumidor final. 6. Todas as vendas eram realizadas pelo custo das mercadorias pagas ao exportador, acrescido dos tributos pagos na importação e nacionalização e incidentes na venda ao mercado interno; 7. Todo o lucro obtido pela GEMAX decorre do FUNDAP que consiste em diferimento no pagamento do ICMS incidente na importação, financiamento de longo prazo de cerca de 70% do ICMS recolhido, com juros fixos a 1% a.a., com carência de 5 anos e mais 20 anos para amortização e realização de leilões de recompra de dívida, com existência de liquidação de contratos, por 10 a 15% do saldo devedor, em média; 8. A GEMAX vendia à JRM produtos com alto grau de especificidade e valor agregado, indicando tratar de venda encomendada; 9. A ocultação da JRM propiciaria: usufruir indiretamente dos benefícios do FUNDAP (incentivo fiscal no âmbito do ICMS no Espírito Santo); não se submeter aos procedimentos de habilitação no comércio exterior (IN SRF 650/2006); fugir ao controle da RFB quanto à avaliação dos riscos das operações de importação (parametrização), levandose em conta o perfil histórico e cadastral artigo 21 da IN SRF nº 680/2006. Ao final foi elaborada representação fiscal para fins penais. Em impugnação, a GEMAX pediu: "a) DEVOLVA o prazo para a impugnação do presente auto de infração, a ser contado a partir do dia em que a requerente Fl. 1636DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003153/201009 Acórdão n.º 3302003.059 S3C3T2 Fl. 5 4 receber de volta todos os seus livros e documentos fiscais, ora em poder da Administração, consoante demonstrado nos itens 16/33 e doc04; b) Sucessivamente ao pedido (a) acima, RECONHEÇA A DECADÊNCIA das Dl's objeto do auto de infração, vez que este foi lavradojnais de 5 (cinco) anos após a ocorrência do fato gerador, no termos do Acórdão n° 1739091, de 13/01/2010, desta e. DRJ (transcrito no item 81, acima); d ) Sucessivamente ao pedido (b) acima, ANULE o lançamento do crédito objeto do auto de infração, por impedimento do AFRF, nos termos da Portaria RFB n° 11.371/2007, artigos 2° c/c 12 c/c 14 e 15, parágrafo único (transcritos nos itens 34/36, acima), nos termos do Acórdão n° 302 37.093, do 3o Conselho de Contribuintes (transcrito no item 47, acima) c2) Alternativamente ao pedido ( d ) acima, ANULE o lançamento do crédito objeto do auto de infração, em decorrência da impossibilidade de se estender conclusões de outros processos administrativos à todas as importações do contribuinte; c3) Alternativamente ao pedido (c2) acima, ANULE o lançamento do crédito referente às Dl's em relação às quais o auto de infração não descreve nenhuma irregularidade, considerando o disposto no artigo 10, inciso III e no artigo 59, ambos do Decreto n° 70.235/72, bem como o fato de o Fisco não ter afastado a declaração e comprovação do importador de que obteve financiamento para gerir suas atividades no período em que foram realizadas as importações objeto dos autos, nos termos do Acórdão n° 0721519, de 15/10/2010, da e. 2a Turma desta e. DRJ (transcrita no item 59, acima) e JULGUE improcedente o auto de infração relativo à Dl n° 05/03841310. d) Sucessivamente ao pedido (c) supra, julgue IMPROCEDENTE o presente auto de infração, uma vez que: d1) restou comprovado que a Impugnante tinha origem de recursos para suas operações, decorrente de receita financeira líquida de 5,8% mais lucro operacional médio de 3% (does. 14) e que o capital social das S.A. não guarda relação direta com a origem dos recursos utilizados no comércio exterior; d2) Também porque o presente restou comprovado que a Impugnante tinha origem de recursos para suas operações, decorrente de receita financeira líquida de 5,8% mais lucro operacional médio de 3% (does. 14); d3) Também porque a Receita não comprovou que houve adiantamentos por parte do destinatário em relação a maior parte das Dl's e, em relação à Dl n° 05/11386707, restou comprovado que a Impugnante tinha origem para a operação, decorrente de receita financeira líquida de 5,8% mais lucro operacional médio de 3% (does. 14); Fl. 1637DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003153/201009 Acórdão n.º 3302003.059 S3C3T2 Fl. 6 5 d4) Também porque inexistente o dolo específico de fraudar, nos termos detalhados no item 229, supra e nos termos da solução de consulta n° 05/01/2010 (transcrita no item 231, acima), assim como dos Acórdãos no S 30239.026 e 10248607 do CARF (transcritos no item 278.1, acima) d5) Também porque as operações foram feitas na modalidade por encomenda, consoante comprovado pelos Relatórios de Margem de Lucro, acostados como doe. 14, e as operações são anteriores à IN SRF n° 634/06, aplicandose, em conseqüência, o disposto no artigo 417, 418 e 483 do Código Civil c/c artigo 313 do RIPI; o princípio da irretroatividade da norma penal tributária (Acórdãos DRJ no S 0719.952, de 21/05/2010 e 08 14514, de 28/11/2008), bem como o entendimento das Soluções de Consulta n° 45, de 05/02/1999 (item 244, acima) e 05/07/ 01/2010 (item 268, acima), e da exposição de motivos da MP n° 267, convertida na Lei n° 11.281/06 (transcrita no item 245, acima); e) Sucessivamente ao pedido (d) supra, julgue IMPROCEDENTE o presente auto de infração, uma vez que a pena aplicável seria multa diversa (art. 33 da lei n° 11.488/2007), nos termos da Orientação COANA/COFIA/DIFIA (transcrita no item 292, acima) e consoante Acórdãos DRJ no S 17 25849, de 17/06/2008, e 1726798, de 13/08/2008 (item 295, acima); e, f) Sucessivamente ao pedido (e) supra, que baixe o feito em diligência solicitando esclarecimentos e/documentos à Impugnante para posterior análise desta impugnação, nos termos do artigo 16, § 4o do Decreto n° 70.235/72, considerando se em especial o cerceamento do direito de defesa e a impossibilidade de juntar os livros contábeis como prova documental, por estarem de posse do fiscal autuante (doe. 04). Pugnou, ainda, pela ulterior juntada de documentos, e solicitou que o resultado do julgamento dessa impugnação seja pessoalmente comunicado à Dra. liana Benjó, inscrita na OAB/RJ sob o n° 103.345, com escritório à Av. Rio Branco, n° 245, grupo 1401, Centro, Rio de Janeiro, RJ. Por seu turno, a JRM impugnou o lançamento alegando: 1. A decadência relativa aos lançamentos ocorridos cinco anos antes da ciência do Auto de Infração, ocorrida em 06/12/2010; 2. A nulidade do Auto de Infração pra não comprovação do dolo específico quanto ao agir com fraude e em conluio com a GEMAX; 3. A responsabilidade objetiva prevista no §2º do artigo 94 do Decretolei nº 37/1966 não se aplica à pena de perdimento por interposição fraudulenta, na qual deve ser considerada a boafé do agente; 4. A ausência de dano ao erário com a consequente impossibilidade de aplicação da pena de perdimento; Fl. 1638DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003153/201009 Acórdão n.º 3302003.059 S3C3T2 Fl. 7 6 Em 16/01/2012, foi lavrado Termo de Ocorrência, no qual restou consignado a tentativa de devolução integral dos documentos e livros contábeis e fiscais à Sra. Maria Emília de Almeida e Souza, sócia e responsável pela GEMAX, que recebeu pessoalmente o Sr. Renato Felz de Oliveira, motorista da Alfândega do Porto de Vitória/ES, mas se recusou a receber a documentação após contato telefônico com terceiro, ficando voluntariamente com uma via do Termo de Devolução. A Vigésima Quarta Turma da DRJ/SP1 em São Paulo proferiu o Acórdão nº 1651.661, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2005, 2006 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. A interposição fraudulenta na importação caracteriza a penalidade previstas no art. 23, V, § 1° do Decretolei n°1.455/76. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada em 07/11/2013, por edital, a GEMAX não interpôs recurso voluntário, conforme termo de perempção, efls. 1.602. Por sua vez, a JRM, responsável solidária, apresentou recurso voluntário, tempestivamente, reprisando as alegações já deduzidas na impugnação. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Inicialmente, confirmase a não interposição de recurso voluntário pela GEMAX, pois a recorrente foi intimada por edital afixado em 23/10/2013, com ciência ocorrida em 07/11/2013, findando o prazo em 10/12/2013, sem que qualquer peça recursal tenha sido interposta. Salientase que a GEMAX solicitou cópias do processo em 06/02/2015 e nada objetou quanto à perempção declarada. Passase ao recurso voluntário interposto pela JRM, o qual atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 1639DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003153/201009 Acórdão n.º 3302003.059 S3C3T2 Fl. 8 7 Preliminarmente, a recorrente pugna pela decadência das infrações relativas às DI´s registradas em 2005. A decadência para constituição de crédito relativo a multa por infrações aduaneiras é dada pelos artigos 138 e 139 do Decretolei nº 37/1966: Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. O Decreto nº 4.543/2002 – RA/2002 reproduziu a mesma disposição do artigo 139 em seu artigo 669, sem qualquer ressalva: Art. 669. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração (Decretolei no 37, de 1966, art. 139) A multa aplicada decorre da conversão da pena de perdimento por não ter sido a mercadoria localizada ou ter sido consumida, nos termos do §1º1 do artigo 618 do RA/2002, por ocultação do sujeito passivo a ser considerada ocorrida no registro da Declaração de Importação, documento onde são prestadas as informações pertinentes à identificação do adquirente das mercadorias importadas. Portanto, tendo a ciência do Auto de Infração ocorrida em 06/12/2010, os lançamentos referentes às infrações relativas às DI´s registradas anteriormente a 06/12/2005 devem ser exonerados por decadência. Continuando em sua defesa, pugna pela nulidade do Auto de Infração por ausência de comprovação do dolo, por boafé a elidir a aplicação da responsabilidade objetiva e por inexistência de dano ao erário. Quanto ao dano ao erário, os artigos 23 e 24 do Decreto nº 1.455/1976 estipulam o que se considera dano ao erário: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: I importadas, ao desamparo de guia de importação ou documento de efeito equivalente, quando a sua emissão estiver vedada ou suspensa na forma da legislação específica em vigor; 1 Art. 618. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decretolei no 37, de 1966, art. 105, e Decretolei no 1.455, de 1976, art. 23 e § 1o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) [...] § 1o A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (Decretolei no 1.455, de 1976, art. 23, § 3o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) Fl. 1640DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003153/201009 Acórdão n.º 3302003.059 S3C3T2 Fl. 9 8 II importadas e que forem consideradas abandonadas pelo decurso do prazo de permanência em recintos alfandegados nas seguintes condições: a) 90 (noventa) dias após a descarga, sem que tenh sido iniciado o seu despacho; ou b) 60 (sessenta) dias da data da interrupção do despacho por ação ou omissão do importador ou seu representante; ou c) 60 (sessenta) dias da data da notificação a que se refere o artigo 56 do DecretoIei número 37, de 18 de novembro de 1966, nos casos previstos no artigo 55 do mesmo Decretolei; ou d) 45 (quarenta e cinco) dias após esgotarse o prazo fixado para permanência em entreposto aduaneiro ou recinto alfandegado situado na zona secundária. III trazidas do exterior como bagagem, acompanhada ou desacompanhada e que permanecerem nos recintos alfandegados por prazo superior a 45 (quarenta e cinco) dias, sem que o passageiro inicie a promoção, do seu desembaraço; IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas " a " e " b " do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) VI (Vide Medida Provisória nº 320, 2006) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (Vide) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Medida Provisória nº 497, de 2010) Fl. 1641DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003153/201009 Acórdão n.º 3302003.059 S3C3T2 Fl. 10 9 § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Art 24. Consideramse igualmente dano ao Erário, punido com a pena prevista no parágrafo único do artigo 23, as infrações definidas nos incisos I a VI do artigo 104 do Decretolei numero 37, de 18 de novembro de 1966. Percebese que o dano ao erário não diz respeito apenas à proteção da arrecadação de tributos, mas ao próprio controle aduaneiro. Neste sentido, a interposição fraudulenta em si, ou seja, a própria conduta é considerada dano ao erário, como expressamente disposta no artigo 23 acima transcrito. Embora a própria conduta configura o dano ao erário, podese enumerar vantagens em tese almejadas, mediante a interposição ilícita de pessoas como: burla ao controles da habilitação para operar no comércio exterior; blindagem do patrimônio do real adquirente ou encomendante, no caso de eventual lançamento de tributos ou infrações; quebra da cadeia do IPI; sonegação de PIS e Cofins, relativamente ao real adquirente, lavagem de dinheiro e ocultação da origem de bens e valores, aproveitamento indevido de incentivos fiscais do ICMS. Portanto, a alegação de que não houve dano efetivo ao erário, simplesmente pelo fato de não haver tributo a ser recolhido, não procede. Neste diapasão, citamse acórdãos deste Conselho: Acórdão nº 3403003.188, proferido em 20/08/2014: DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL. Nos arts. 23 e 24 do DecretoLei no 1.455/1976 enumeramse as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei. Acórdão 3202000.635, proferido em 26/02/2013: OCULTAÇÃO DO REAL IMPORTADOR. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. A ocultação do responsável pela importação de mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, é considerada dano ao erário. Fl. 1642DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003153/201009 Acórdão n.º 3302003.059 S3C3T2 Fl. 11 10 Quanto ao mérito, a recorrente informa em sua defesa que encomendava os produtos à BIOMETRIX DIAGNÓSTICA LTDA, a qual informava à GEMAX quais produtos deveriam ser adquiridos e que o adiantamento de recursos era uma questão meramente comercial, conforme a seguinte cláusula comercial: "As CONTRATADAS garantirão o fornecimento dos PRODUTOS para entrega nos locais que venham a constar dos pedidos das CONTRATANTES, dentro de cinco dias úteis da data da emissão de cada um, observados os preços de tabela das CONTRATADAS vigentes, para pagamento em prazo não inferior a vinte e oito dias do faturamento, fora a sua data, quando não se tratar de importação direta, caso em que o pagamento será antecipado. As alterações na tabela que constitui o Anexo único deste CONTRATO somente terão validade após sessenta dias de sua comunicação por escrito às CONTRATANTES." Primeiramente, destacase que a legislação prevê três modalidades de importação: importação direta, importação por "conta e ordem" e importação por encomenda. Na importação direta, o destinatário da mercadoria é o próprio importador que a utilizará para consumo próprio ou para revenda, possuindo a característica de não haver um destinatário prédeterminado e atualmente normatizada pela IN SRF nº 680/2006. O excerto abaixo extraído do artigo publicado na obra “Tributação Aduaneira à luz da jurisprudência do CARF” 2 esclarece: “I.1. Importação por conta própria A importação por conta própria é a tradicional modalidade de importação. É aquela modalidade de importação em que o importador adquire a mercadoria do exportador no exterior, fecha o câmbio em nome próprio, com recursos próprios, paga os tributos e a utiliza ou a venda no mercado interno para diversos compradores” Quanto às outras duas modalidades, o site da Receita Federal esclarece seus contornos3: Importação por conta e ordem: A importação por conta e ordem de terceiro é um serviço prestado por uma empresa a importadora , a qual promove, em seu nome, o Despacho Aduaneiro de Importação de mercadorias adquiridas por outra empresa a adquirente em razão de contrato previamente firmado, que pode compreender ainda a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e 2 Tributação Aduaneira: à luz da jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais/Ana Clarissa M. dos Santos Araújo...[et al.]; coordenação Marcelo Magalhães Peixoto,Ângela Sartori, Luiz Roberto Domingo. 1º ed. São Paulo; MP Editora, 2013. Artigo: "Dano ao Erário pela Ocultação Mediante Fraude a Interposição Fraudulenta de Terceiros nas Operações de Comércio Exetrior", página 53. 3 http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/despachodeimportacao/topicos1/importacao porcontaeordemeimportacaoporencomenda1/importacaoporcontaeordem/oqueeaimportacaopor contaeordem Fl. 1643DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003153/201009 Acórdão n.º 3302003.059 S3C3T2 Fl. 12 11 a intermediação comercial (art. 1º da IN SRF nº 225/2002 e art. 12, § 1°, I, da IN SRF nº 247/2002). Assim, na importação por conta e ordem, embora a atuação da empresa importadora possa abranger desde a simples execução do despacho de importação até a intermediação da negociação no exterior, contratação do transporte, seguro, entre outros, o importador de fato é a adquirente, a mandante da importação, aquela que efetivamente faz vir a mercadoria de outro país, em razão da compra internacional; embora, nesse caso, o faça por via de interposta pessoa a importadora por conta e ordem , que é uma mera mandatária da adquirente. Dessa forma, mesmo que a importadora por conta e ordem efetue os pagamentos ao fornecedor estrangeiro, antecipados ou não, não se caracteriza uma operação por sua conta própria, mas, sim, entre o exportador estrangeiro e a empresa adquirente, pois dela se originam os recursos financeiros. Importação por encomenda: A importação por encomenda é aquela em que uma empresa adquire mercadorias no exterior com recursos próprios e promove o seu despacho aduaneiro de importação, a fim de revendêlas, posteriormente, a uma empresa encomendante previamente determinada, em razão de contrato entre a importadora e a encomendante, cujo objeto deve compreender, pelo menos, o prazo ou as operações pactuadas (art. 2º, § 1º, II, da IN SRF nº 634/2006). Assim, como na importação por encomenda o importador adquire a mercadoria junto ao exportador no exterior, providencia sua nacionalização e a revende ao encomendante, tal operação tem, para o importador contratado, os mesmos efeitos fiscais de uma importação própria. Em última análise, em que pese à obrigação do importador de revender as mercadorias importadas ao encomendante predeterminado, é aquele e não este que pactua a compra internacional e deve dispor de capacidade econômica para o pagamento da importação, pela via cambial. Da mesma forma, o encomendante também deve ter capacidade econômica para adquirir, no mercado interno, as mercadorias revendidas pelo importador contratado. Outro efeito importante desse tipo de operação é que, conforme determina o artigo 14 da Lei nº 11.281/2006, aplicamse ao importador e ao encomendante as regras de preço de transferência de que tratam os artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430/1996. Em outras palavras, se o exportador estrangeiro, nos termos dos artigos 23 e 24 dessa lei, estiver domiciliado em país ou dependência com tributação favorecida e/ou for vinculado com o importador ou o encomendante, as regras de “preço de transferência” para a apuração do imposto sobre a renda deverão ser observadas. Fl. 1644DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003153/201009 Acórdão n.º 3302003.059 S3C3T2 Fl. 13 12 Salientase, ainda, que a importação por conta e ordem foi regulamentada pela Receita Federal do Brasil mediante a edição da IN SRF 225/2002, conforme autorizado pelo art. 80 da MP nº 2.15835/20014 e impõe ao real adquirente conseqüências relevantes como a prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com seu capital social ou o patrimônio líquido; a sujeição ao procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002 (verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas); a responsabilidade solidária quanto ao imposto de importação; a responsabilidade conjunta ou isolada, quanto às infrações aduaneiras; a sujeição ao pagamento dos tributos relativos ao IPI de sua saída por contribuinte por equiparação; a sujeição aos pagamentos de PIS/Pasep e Cofins sob as normas de incidência sobre a receita bruta do importador. A acusação fiscal é de que a GEMAX teria simulado importação direta quando na realidade teria importado por conta e ordem por presunção do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002, em razão de adiantamentos de recursos fornecidos pela JRM para a liquidação dos contratos de câmbio, uma vez que a GEMAX não possuía capacidade financeira e econômica próprias para suportar os custos das importações: O artigo 27 da Lei nº 10.637/2002 dispõe que: Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Por sua vez, os artigos 77 a 81 da MP nº 2.15835/2001 dispõem: Art. 77. O parágrafo único do art. 32 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 32. ................................................... ................................................... Parágrafo único. É responsável solidário: I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; II o representante, no País, do transportador estrangeiro; III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora." (NR) Art. 78. O art. 95 do DecretoLei nº 37, de 1966, passa a vigorar acrescido do inciso V, com a seguinte redação: 4 Artigo 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. Fl. 1645DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003153/201009 Acórdão n.º 3302003.059 S3C3T2 Fl. 14 13 " V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora." (NR) Art. 79. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora ou exportadora por conta e ordem de terceiro; e (Redação dada pela Lei nº 12.995, de 18 de junho de 2014) II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. Art. 81. Aplicamse à pessoa jurídica adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, as normas de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre a receita bruta do importador. Por outro lado, a partir da Lei nº 11.281/2006, foi disciplinada a figura da importação por encomenda, com regulamentação dada pela IN SRF nº 634/2006, nos seguintes termos: Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1o A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1o deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. § 3o Considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica Fl. 1646DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003153/201009 Acórdão n.º 3302003.059 S3C3T2 Fl. 15 14 importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) Art. 12. Os arts. 32 e 95 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 32. .............................................................................. .............................................................................. Parágrafo único. .............................................................................. .............................................................................. c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora." (NR) "Art. 95. .............................................................................. .............................................................................. VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora." (NR) Art. 13. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por encomenda ou por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 14. Aplicamse ao importador e ao encomendante as regras de preço de transferência de que trata a Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nas importações de que trata o art. 11 desta Lei. IN SRF nº 634/2006: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL , no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005 , e tendo em vista o disposto no art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999 , e nos incisos I e II do § 1º do art. 11 e nos arts. 12 a 14 da Lei nº 11.281, de 20 de fevereiro de 2006, resolve: Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Fl. 1647DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003153/201009 Acórdão n.º 3302003.059 S3C3T2 Fl. 16 15 Parágrafo único. Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente. Art. 2º O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). § 1º Para fins da vinculação a que se refere o caput, o encomendante deverá apresentar à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, requerimento indicando: I nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e II prazo ou operações para os quais o importador foi contratado. § 2º As modificações das informações referidas no § 1º deverão ser comunicadas pela mesma forma nele prevista. § 3º Para fins do disposto no caput, o encomendante deverá estar habilitado nos termos da IN SRF nº 455, de 5 de outubro de 2004 . Art. 3º O importador por encomenda, ao registrar DI, deverá informar, em campo próprio, o número de inscrição do encomendante no CNPJ. Parágrafo único. Enquanto não estiver disponível o campo próprio da DI a que se refere o caput, o importador por encomenda deverá utilizar o campo destinado à identificação do adquirente por conta e ordem da ficha "Importador" e indicar no campo "Informações Complementares" que se trata de importação por encomenda. Art. 4º O importador por encomenda e o encomendante são obrigados a manter em boa guarda e ordem, e a apresentar à fiscalização aduaneira, quando exigidos, os documentos e registros relativos às transações em que intervierem, pelo prazo decadencial. Art. 5º O importador por encomenda e o encomendante ficarão sujeitos à exigência de garantia para autorização da entrega ou desembaraço aduaneiro de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou patrimônio líquido do importador ou do encomendante. Parágrafo único. Os intervenientes referidos no caput estarão sujeitos a procedimento especial de fiscalização, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 228, de 21 de outubro de 2002 , diante de indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira citada. Fl. 1648DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003153/201009 Acórdão n.º 3302003.059 S3C3T2 Fl. 17 16 Art. 6º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. A caracterização como encomendante predeterminado traz conseqüências relevantes como o cumprimento das obrigações acessórias previstas na IN SRF 634/2006; a sujeição ao procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002 (verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas); a prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com seu capital social ou o patrimônio líquido; a responsabilidade solidária quanto ao imposto de importação; a responsabilidade conjunta ou isolada, quanto às infrações aduaneiras; a sujeição ao pagamento dos tributos relativos ao IPI de sua saída por contribuinte por equiparação; a aplicação das regras de preços de transferência de que trata a Lei nº 9.430/96. A inobservância das condições e requisitos por parte da pessoa jurídica importadora previstos na IN SRF 634/2006 acarreta a presunção de que a operação tenha sido realizada por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos artigos 77 a 81 da MP nº 2.15835/2001, nos termos do §2º do artigo 11 da Lei nº 11.281/2006. Outro aspecto que deve ser frisado é que o disposto no §3º do artigo 11 da Lei nº 11.281/2006 “considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior” juntamente com a disposição do parágrafo único do artigo 1º da IN SRF nº 643/2006 "Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente" implicam a conclusão de que a figura da importação por encomenda não admite a antecipação dos recursos pelo encomendante, ainda que parcialmente. Em complemento, a antecipação dos recursos torna presumida a operação por conta e ordem, conforme disposto no artigo 27 da Lei nº 10.637/2002. Defluise que a operação por encomenda, na qual o importador realiza toda a transação comercial e revende a mercadoria a um adquirente predeterminado, e este não antecipa qualquer recurso, é sujeita a um controle aduaneiro específico e acarreta todos os efeitos já acima mencionados. Destacase que a antecipação de recursos por parte do encomendante retira a figura da importação por encomenda (parágrafo único do artigo 1º da IN SRF 634/2006 e §3º do artigo 11 da Lei nº 11.281/2006) e a desloca para a figura da importação por conta e ordem, por ficção jurídica, representada pelas presunções de que trata o §2º do artigo 11 da Lei 11.281/2006 e o artigo 27 da Lei nº 10.637/2002. Estabelecido este entendimento, retornamse às alegações. Relativamente à sua capacidade financeira, a GEMAX alega que a fiscalização desconsiderou que o financiamento do BANDES, decorrente das operações com o FUNDAP, teria gerado uma receita financeira em torno de R$ 3.740.000,00, o que, aliado à existência de imóvel e do montante do capital social, no valor de R$ 400.000,00, comprovaria a origem dos recursos. Constatase que o valor de R$ 400.000 decorreu de integralização de lucros acumulados, passando de R$ 50.000 para os referidos quatrocentos mil. Já o valor de R$ 2,374 Fl. 1649DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003153/201009 Acórdão n.º 3302003.059 S3C3T2 Fl. 18 17 milhões relativo a imóvel decorreu de reavaliação de custo de aquisição de R$ 45 mil. Estes montantes não refletem capacidade financeira a suportar o volume de importações. Na realidade, a fiscalização considerou como recursos financeiros, o lucro líquido acumulado de 2005 a 2007 no valor de 980.000,00 em sua análise da capacidade econômicofinanceira da GEMAX, o que incluiu as receitas financeiras auferidas. No quadro 05 do relatório fiscal, constam receitas financeiras consideradas da ordem de R$ 3.921.000 para 2005 e 2006, e R$ 5.160.000, incluindo 2007. A questão esquecida pela recorrente é de que existem despesas operacionais, financeiras e não operacionais contabilizadas, que, por certo, absorveram parte das receitas financeiras auferidas. O fato é que no período de 2005 a 2007, houve aporte financeiro mediante integralização de capital da ordem de R$ 50.000,00 e lucro líquido da ordem de R$ 853.923,00 (soma do lucro do exercício do quadro 05), consideradas todas as receitas e despesas contabilizadas, para um volume de importações da ordem de R$ 30.000.000,00. Os valores referemse a receitas auferidas e despesas incorridas por regime de competência, o que, não necessariamente, corresponde ao fluxo financeiro. Entretanto, para fazer frente aos pagamentos das liquidações de câmbio com recursos próprios seria necessária uma engenharia financeira na qual os recebimentos das vendas fossem utilizados em liquidações de outras aquisições a serem posteriormente revendidas, e isto deveria acontecer em volume de R$ 29.000.000,00 dos R$ 30.000.000, operados no período de 2005 a 2007. Tal engenharia não foi provada pela recorrente que se limitou a alegar que o FUNDAP comprovava a origem dos recursos. Ressaltase que a fiscalização intimou a GEMAX a apresentar o Demonstrativo Sumário das Origens e Aplicações de Recursos referentes aos anos de 2005, 2006 e 2007, de acordo com o modelo do Anexo IC do Ato Declaratório Executivo Coana nº 3/2006, o qual contém um fluxo de caixa sumário. A recorrente apresentou o quadro com informações inconsistentes com a movimentação financeira de caixa e bancos registrada nos livros contábeis, tendo sido consignado em Termo de Constatação e Reintimação, datado de 11/06/2008. Tal demonstrativo foi reintimado em termo datado de 12/08/2008, não tendo sido apresentado pela recorrente, conforme constatado no relatório fiscal. Embora reconheçase que o financiamento proveniente do FUNDAP possa servir como comprovação da origem de recursos para a realização da algumas importações, a recorrente não demonstrou quais importações teriam sido realizadas com tais recursos. Assim, considero que está devidamente provada a incapacidade financeira e econômica da GEMAX para suportar os custos da importação do volume de R$ 30 milhões entre 2005 e 2007. Ainda referente ao procedimento especial da IN SRF nº 228/2002, a GEMAX foi intimada a apresentar a condição de real adquirente, mediante a disponibilização dos instrumentos de negociação, correspondências comerciais entre comprador e vendedor, ordens, pedidos de compra, publicações especializadas, cotações de preço, não tendo sido apresentados tais documentos, corroborando a tese fiscal. Neste aspecto, a IN SRF 228/2002 dispõe: Fl. 1650DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003153/201009 Acórdão n.º 3302003.059 S3C3T2 Fl. 19 18 Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: I ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, caso descaracterizada a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias; II interposição fraudulenta, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. Quanto aos adiantamentos, a fiscalização acusou que os referidos eram destinados a suportar as liquidações de câmbio e os pagamentos dos tributos devidos na importação. Nestes aspectos, a tabela seguinte demonstra os valores de liquidação e datas com os valores recebidos decorrentes das vendas aos clientes: DI Dt. registro Dt liq. câmbio Valor Dt. rec. antec. Valor Nota Fiscal Valor Dt. emissão 06/0568293 17/5/06 17/3/06 159.948 16/3/06 160.675 991 247.485 22/5/06 06/0722136 21/6/06 11/5/06 161.508 10/5/06 162.262 1060 260.208 26/6/06 As informações da planilha foram obtidas nos demonstrativos mencionados no relatório fiscal que comprovam os adiantamentos de recursos, assim descritos pela fiscalização: Modelo 1: "Traz informações acerca das correspondentes Dls que estão relacionadas às "vendas" das mercadorias importadas da GEMAX para o real adquirente, tais como o n° da Dl e o n° das correspondentes Adições, a descrição das mercadorias, suas quantidades e seu posicionamento na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), nome do exportador e valores de tributos vinculados à importação"; Modelo 2: " Traz as informações acerca das liquidações cambiais das obrigações junto a exportadores, relacionadas a cada uma das Dls, tais como o n° do contrato de câmbio, a data e o valor de liquidação do câmbio, o beneficiário do crédito das divisas no exterior e a /identificação do meio pelo qual a liquidação foi efetuada; Modelo 3: " Traz as informações acerca das "vendas" das mercadorias importadas no mercado interno, relacionadas a cada uma das Dls, tais como o n° e a data das correspondentes Notas Fiscais de "venda" de emissão da GEMAX, a descrição e quantidades das mercadorias, a identificação do destinatário (o adquirente), os valores de tributos e as condições de pagamento em foram celebradas as "vendas"; Modelo 4: "Traz as informações acerca dos valores recebidos em função das "vendas", tais como a identificação do autor dos pagamentos, o meio pelo qual este efetuou os Fl. 1651DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003153/201009 Acórdão n.º 3302003.059 S3C3T2 Fl. 20 19 pagamentos, junto com a correspondente identificação bancária, assim como as datas e respectivos valores recebidos." Comprovase, assim, que houve adiantamentos de valores para a liquidação do câmbio, o que corrobora a incapacidade financeira da GEMAX para arcar com os custos da importação, especialmente a liquidação do câmbio. Destacase, ainda, que as contabilizações dos lançamentos relativos aos adiantamentos eram registradas em conta de adiantamentos do passivo com históricos vinculando os recebimentos aos processos de importação. Exemplificando: "22121 PROC BMX 0071 10/05 REC.ADIANTAM.DE JRM INVEST IMUNOLOGICAS REF PROC GMX 0071", (efl. 947). Já a quitação do câmbio e demais despesas com importação eram ativadas em contas descritas como "mercadoria p/cta e ordem", revelando que a GEMAX, pelo menos em sua contabilidade, reconhecia as operações como por conta e ordem. Sob outro prisma, a fiscalização transcreveu no relatório fiscal as informações constantes na página da GEMAX da internet, na qual constava que a empresa atuava na área de prestação de serviços na área de comércio exterior, como assessoria de importação e exportação (contratação de frete, pickup (coleta) da mercadoria na fábrica, em qualquer localidade, logística completa do transporte internacional aéreo, marítimo e rodoviário, registro Siscomex – credenciamento, emissão de licenciamentos ( LI´s s no Decex, Ministério da Saúde, Ministério da Agricultura; registro de operação financeira (ROF) no Banco Central Bacen; contratação de seguro sobre transporte internacional com cobertura ampla porta a porta, com melhores taxas do mercado e outros constantes na página), assessoria especial (importações especiais, admissões temporárias e exportação temporária), serviços relacionados ao fechamento do câmbio (assessoria; conferência e exame da documentação recebida do exterior (Bancos e Exportadores) e devida adequação às normas cambiais no Brasil; orientações nos pedidos de abertura de Carta de Crédito confirmação, negociação e discrepâncias; contratação do câmbio pré e pósembarque), serviços de logística (contratação de fretes internacionais e nacionais, seguros e acompanhamento de todo desembaraço, desde a saída da mercadoria no exterior; nacionalização e entrega/distribuição para o cliente final). Além disso, oferecia vantagens financeiras como expressamente dispostas na página da internet: custo operacional: ausência de margem de lucro; ICMS interestadual 33,3% menor; menor alavancagem de IPI. Todas as informações se coadunam com a condição de prestadora de serviços e não de revendedora direta de mercadorias, o que aliado à falta de capacidade financeira, aos adiantamentos recebidos, à confirmação de encomenda feita em impugnação, à forma como são contabilizadas as operações, revelam efetivamente, tratarem de operações por conta e ordem, corroborando a presunção do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002. A recorrente, por sua vez, alega que não houve prova de sua participação em conluio com a GEMAX, ainda que se pudesse caracterizar uma conduta ilícita por parte da GEMAX. A respeito, frisese que a JRM já possuía conhecimento de que as importações com adiantamento não eram importações diretas, como a própria cláusula do contrato informado previa: Fl. 1652DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003153/201009 Acórdão n.º 3302003.059 S3C3T2 Fl. 21 20 "As CONTRATADAS garantirão o fornecimento dos PRODUTOS para entrega nos locais que venham a constar dos pedidos das CONTRATANTES, dentro de cinco dias úteis da data da emissão de cada um, observados os preços de tabela das CONTRATADAS vigentes, para pagamento em prazo não inferior a vinte e oito dias do faturamento, fora a sua data, quando não se tratar de importação direta, caso em que o pagamento será antecipado. As alterações na tabela que constitui o Anexo único deste CONTRATO somente terão validade após sessenta dias de sua comunicação por escrito às CONTRATANTES." Assim, a partir do recebimento de produtos com notas fiscais indicando tratarem de importações diretas, a recorrente demonstrou ter pleno conhecimento da irregularidade que se estava perpetrando. Ademais a responsabilidade prevista na legislação alcança quem concorre ou se beneficia da infração e ainda o adquirente no caso de importação por conta e ordem. Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...] V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Restou demonstrado que a recorrente adiantou recursos em operações por conta e ordem, embora a documentação tenha sido produzida como se fossem importações diretas. Destarte, configurado está, a partir das razões anteriormente expostas, que a recorrente é a real adquirente das mercadorias, tornandose responsável pela infração perpetrada. Neste sentido, citamse acórdãos deste Conselho: Acórdão nº 3201001.876: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DA MERCADORIA IMPORTADA. ART. 95, INCISO V, DO DL 37/66. Responde pela infração conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importador, nos termos previstos no art. 95, inciso V, do DecretoLei nº 37/66. Acórdão nº 3202001.610: LEGITIMIDADE DA AUTUAÇÃO. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE Fl. 1653DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.003153/201009 Acórdão n.º 3302003.059 S3C3T2 Fl. 22 21 Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente da mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Acórdão nº 3403002.593: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. IMPORTAÇÃO POR “CONTA E ORDEM” DE TERCEIRO. De acordo com o artigo 27 da Lei nº 10.637/02, a importação realizada com a utilização de recursos antecipados ao importador por terceiro, presumese por conta e ordem deste. E, se assim configurado, o artigo 95 do DecretoLei no. 37/66, atribui ao adquirente a responsabilidade solidária pelas infrações aduaneiras. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, exonerando os lançamentos relativos às DI´s registradas anteriormente a 06/12/2005. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1654DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10805.721766/2011-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10805.721766/2011-81
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5572539
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1401-000.381
nome_arquivo_s : Decisao_10805721766201181.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : RICARDO MAROZZI GREGORIO
nome_arquivo_pdf_s : 10805721766201181_5572539.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto - Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
id : 6302285
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:46 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048123458191360
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1531; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2.582 1 2.581 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10805.721766/201181 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1401000.381 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 02 de fevereiro de 2016 Assunto IRPJ. Preços de transferência. Tempestividade. Recorrente DELPHI AUTOMOVEIS SYSTEMS DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Marcos de Aguiar Villas Boas, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Relatório Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .7 21 76 6/ 20 11 -8 1 Fl. 2582DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10805.721766/201181 Resolução nº 1401000.381 S1C4T1 Fl. 2.583 2 Tratase de recurso voluntário interposto por DELPHI AUTOMOVEIS SYSTEMS DO BRASIL LTDA contra acórdão proferido pela DRJ/São Paulo I que concluiu pela procedência total dos lançamentos efetuados. Os créditos tributários lançados, no âmbito da Demac/SP, referentes ao IRPJ e a CSLL, devidos nos períodos de apuração correspondentes ao anocalendário de 2006, totalizaram o valor de R$ 17.690.731,65. Tal autuação foi fundamentada por ajustes decorrentes do controle dos preços de transferência. A ciência da decisão recorrida foi processada por meio eletrônico, tendo sido disponibilizada na caixa postal do contribuinte em 06/06/2012 e configurada a ciência em 21/06/2012 (cf. Termo de Ciência por Decurso de Prazo às fls. 2324). Depois de lavrado um Termo de Perempção (fls. 2325), a empresa autuada apresentou um recurso voluntário, recebido em 24/08/2012. no qual, sobre a questão da tempestividade, alegou que: ao entrar no site da RFB na internet, em 06/08/2012, foi surpreendida com uma mensagem de que as informações disponíveis perante aquele órgão seriam insuficientes para a emissão/renovação de certidão positiva com efeitos de negativa; ao acessar o portal eCAC foi novamente surpreendida ao verificar que dois processos (incluindo o presente), até então pendentes de decisão de primeira instância, constavam em situação irregular (cobrança); no dia seguinte, compareceu à Agência da RFB em São Caetano do Sul onde soube que havia sido intimado do resultado dos julgamentos pela via eletrônica (contudo, a empresa nunca fez opção por receber notificações por meio eletrônico); foi, então, instruída a acessar os arquivos correspondentes no link “Processo Digital” no portal eCAC e constatou que tais arquivos nunca foram abertos pela recorrente e, quando tentou o acesso para tomar conhecimento das decisões e imprimilas, se deparou com a informação de que a página não estava disponível (fora do ar), sendo que essa situação permaneceu inalterada até o dia 15/08/2012; no intuito de solucionar a questão, ainda no dia 07/08/2012, requereu vista aos processos para obtenção de cópias, as quais lhe foram efetivamente disponibilizadas em 10/08/2012; o documento denominado “Termo de Abertura de Documento” (fls. 2330) atesta, de forma incontestável, que a recorrente somente teve ciência da decisão de primeira instância em 07/08/2012; a suposta ocorrência de ciência digital é inválida e não atende às diretrizes das Portarias SRF nº 259/06 e RFB nº 574/09, que dispõem expressamente que a intimação por meio digital é opcional e se opera necessariamente mediante entrega de recibo ao contribuinte; ademais, devese destacar que a recorrente havia conseguido renovar sua certidão em 03/08/2012, assim, se os débitos estivessem com cobrança em aberto já nessa data, não seria possível a renovação da certidão; Fl. 2583DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10805.721766/201181 Resolução nº 1401000.381 S1C4T1 Fl. 2.584 3 se é verdade que a empresa havia feito a opção pela ciência digital, todas as intimações relacionadas a seus processos deveriam ser enviadas nessa forma, contudo, isso não é o que se verifica, pois a intimação relativa ao processo nº 16651.000175/200786, que trata da mesma matéria, se deu por meio físico em 03/08/2012; portanto, resta claro que não houve opção por ciência digital e que, no presente processo, considerar a data da efetiva ciência, em 07/08/2012 (como consta no Termo de Abertura de Documento) ou em 10/08/2012 (quando lhe foram disponibilizadas as cópias), é suficiente para tornar o recurso tempestivo. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator A ciência eletrônica dos atos processuais está prevista no artigo 23 do Decreto nº 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal PAF): Art. 23. Farseá a intimação: (...) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 2° Considerase feita a intimação: (...) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 2584DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10805.721766/201181 Resolução nº 1401000.381 S1C4T1 Fl. 2.585 4 b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4° Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5° O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6° As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifei) Portanto, é inconteste que, de acordo com o § 4º, II, a condição para que a intimação seja feita na forma eletrônica é o consentimento do sujeito passivo. O artigo 4º da Portaria SRF nº 259/06, com as alterações promovidas pela Portaria RFB nº 574/09, materializa o ato administrativo reclamado no § 6º da seguinte forma: Art. 4° A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela RFB mediante: (Redação dada pela Portaria RFB n° 574, de 10 de fevereiro de 2009) I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. § 2° A autorização a que se refere o § 1° darseá mediante envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio do eCAC, sendo lhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. (Redação dada pela Portaria RFB n° 574, de 10 de fevereiro de 2009) Fl. 2585DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10805.721766/201181 Resolução nº 1401000.381 S1C4T1 Fl. 2.586 5 § 3º A intimação mediante registro em meio magnético ou equivalente será efetuada nos casos de aplicação de penalidade pela entrega de declaração após o prazo estabelecido na legislação. § 4° Após concluída a transmissão da declaração do sujeito passivo à RFB, o aplicativo por ele utilizado para gerar a declaração exibirá o recibo de entrega e a intimação a que se refere o § 3°, bem como possibilitará sua impressão. (Redação dada pela Portaria RFB n° 574, de 10 de fevereiro de 2009) (grifei) Destarte a autorização concedida pelo sujeito passivo é feita através de Termo de Opção, por meio do eCAC, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. A recorrente é categórica ao afirmar que não fez a referida opção. No entanto, a unidade de origem promoveu a ciência do resultado do julgamento na instância a quo pela via eletrônica e, decorrido o prazo para pagamento ou interposição de recurso, diante do silêncio do contribuinte, lavrou um Termo de Ciência por Decurso de Prazo (fls. 2324) e um Termo de Perempção (fls. 2325). A empresa também alega que a opção se opera necessariamente mediante entrega de recibo ao contribuinte. Motiva essa assertiva no que está expresso no § 4º do artigo 4º da Portaria (acima transcrito). Contudo, tal entendimento é equivocado porque o recibo mencionado nesse dispositivo diz respeito à intimação mediante registro em meio magnético ou equivalente tratada no § 3º (que explicita a hipótese do artigo 4º, II) e não à intimação enviada à Caixa Postal eleita como domicílio tributário tratada nos §§ 1º e 2º (que explicita a hipótese do artigo 4º, I). Portanto, não há que se falar em recibo. Ademais, a autuada ainda menciona a existência do “Termo de Abertura de Documento” estranhamente anexado às fls. 2330 do processo. Esse Termo, gerado eletronicamente no eProcesso, informa que “O Contribuinte tomou conhecimento do teor dos documentos relacionados abaixo, na data 07/08/2012 16:20h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Informações”. Os citados documentos relacionados são denominados “Acórdão de Impugnação” e “Intimação de Resultado de Julgamento”. Não consta identificação do servidor responsável pela lavratura do Termo, mas, apenas, do setor da ARF/São Caetano do Sul (COBRFAZSORATARFSCSSP) onde, aparentemente, essas informações foram inseridas no sistema. Por outro lado, o mesmo setor promoveu despacho (fls. 2569), em 04/09/2012, desta vez com a identificação da servidora Katia Yatiyo Onizuka, no qual propôs o encaminhamento do processo para o CARF “tendo em vista a apresentação de Recurso Voluntário com alegação de tempestividade”. Ou seja, não se pronunciou sobre a procedência do quanto alegado. Diante do exposto e considerando que a análise da tempestividade é condição necessária ao conhecimento do recurso e questão prejudicial ao julgamento do mérito, proponho a conversão do presente julgamento em diligência para que a unidade de origem: Fl. 2586DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10805.721766/201181 Resolução nº 1401000.381 S1C4T1 Fl. 2.587 6 a) junte, se houver, cópia do Termo de Opção previsto no § 2º do artigo 4º da Portaria SRF nº 259/06, com as alterações promovidas pela Portaria RFB nº 574/09; b) pronunciese sobre a autoria e, se cabível, os efeitos pretendidos com a lavratura do “Termo de Abertura de Documento” estranhamente anexado às fls. 2330 do processo. Devese promover ciência à empresa acerca das informações prestadas e dos demais elementos eventualmente juntados na diligência, para que esta, querendo, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 2587DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 19/02/ 2016 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 08/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 13629.000135/2008-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 12 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1201-000.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 12 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13629.000135/2008-03
anomes_publicacao_s : 201601
conteudo_id_s : 5557652
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 12 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1201-000.172
nome_arquivo_s : Decisao_13629000135200803.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 13629000135200803_5557652.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida e Ester Marques Lins de Sousa.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
id : 6250038
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:10 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048123460288512
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1997; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13629.000135/200803 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.172 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 8 de dezembro de 2015 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente MARCO AURÉLIO MARTINS CORREA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), João Otávio Oppermann Thomé, Luis Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 0928.220, exarado pela 1ª Turma da DRJ em Juiz de Fora MG. Por bem descrever o litígio objeto do presente processo, tomo de empréstimo o relatório contido na decisão de primeiro grau (fl. 552 e ss.): Para a contribuinte retro identificada foram lavrados em 17/01/2008 os Autos de Infração, fls. 04 a 68, referentes ao SIMPLES, mais especificamente IRPJ, PIS, CSLL, Cofins e Contribuição para Seguridade Social INSS. O crédito tributário exigido é de R$ 1.520.746,24, compreendendo multa e juros de mora calculados até 28/12/2007, e está consolidado no Demonstrativo, fls. 03. Decorreram os citados lançamentos de fiscalização relativa à contribuinte, quando, segundo as correspondentes Descrições dos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 29 .0 00 13 5/ 20 08 -0 3 Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13629.000135/200803 Resolução nº 1201000.172 S1C2T1 Fl. 3 2 Fatos e Enquadramento Legal, foram constatadas as seguintes infrações: • OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS. Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal, ..., parte integrante deste Auto de Infração; • INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Insuficiência de valor recolhido, decorrente da omissão de receitas apurada, tendo em vista a aplicação de uma alíquota maior ocasionada pela apuração de uma base de cálculo maior do Simples, decorrente da omissão de Receitas relativa a depósitos bancários de origem não justificada. A interessada apresenta as Impugnações, nas quais assim intitula os tópicos: (...) III Das razões de improcedência do lançamento fiscal Preliminarmente: da violação ao sigilo bancário. Procedimento inconstitucional. Vício Insanável. Cancelamento da Autuação Fiscal. III.I Da existência de lançamento em duplicidade. Necessidade de exclusão de parcelas consideradas no cômputo fiscal. (Assim, a título exemplificativo, temse que se um cheque de R$500,00 é depositado em 18/02/2008, inicialmente é lançado um valor (crédito) de R$500,00 bloqueado, decorrido o prazo para verificação é efetivado novo movimento (crédito) relativo ao desbloqueio. Vêse claramente, que não embora haja lançamento duplo de movimentos, o crédito é de R$500,00 e não R$1.000,00) Da utilização do percentual incorreto para a incidência do tributo devido no período de 03 a 12/2004. Necessária aplicação da legislação vigente á época da ocorrência do fato gerador. Da inexistência de rendimentos. Receitas Transitórias. Parceria Bancos CDC e Leasing. Custódia de Cheques. (Tal fato pode ser comprovado por prova pericial e pela juntada dos contratos e/ou declarações firmadas pelas competentes instituições financeiras, os quais, desde já, ressaltase, foram solicitados, mas ainda não apresentados vide documentos anexos, pelo que será requisitada diligência fiscal) Da impossibilidade de aplicação da multa isolada Da aplicação da Selic como juros de mora Em data posterior apresenta outros arrazoados nos quais informa, entre outros aspectos, que diligenciou perante às instituições Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13629.000135/200803 Resolução nº 1201000.172 S1C2T1 Fl. 4 3 financeiras para as quais prestava serviços intermediação em financiamentos, a fim de que fossem apresentados os contratos que comprovassem a veracidade dos fatos alegados, isto é, apenas parte dos valores que transitaram em suas contas (comissões) constitui renda/acréscimo patrimonial ou faturamento. Acrescenta que somente o Banco ABN AMRO enviou o referido contrato, reiterando ainda o pedido de diligência fiscal para que se oficie as outras instituições financeiras que cita. Examinadas as razões de defesa a DRJ de origem julgou improcedente a impugnação. Irresignada com a decisão, a interessada apresentou recurso voluntário repisando praticamente os mesmos argumentos trazidos na peça impugnatória (fl. 573 e ss.). Deixou, entretanto, de contestar a licitude da quebra do sigilo bancário e, ao final, solicitou: a) que sejam excluídos do crédito tributário os financiamentos obtidos junto aos parceiros, as transferências da conta 1.5903 do Banco do Brasil S/A, os descontos de cheques recebidos de clientes, os recursos movimentados no Unibanco e HSBC de titularidade do Sr. Carlos Maurício da Silva e os depósitos estornados (item 3.2); b) que seja reduzida a multa aplicada sobre o saldo remanescente ao patamar de 75% (item 3.1). Levada a controvérsia à apreciação da 2ª Turma da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF, aquele Colegiado resolveu sobrestar o julgamento até que fosse proferida decisão definitiva nos autos do RE 601314, em trâmite no STF (fl. 1170 e ss.). Posteriormente, haja vista a revogação dos §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, e tendo em conta que o relator original não mais é membro do CARF, o processo foi a mim distribuído mediante sorteio (fl. 1510). Por fim, devese enfatizar que em apenso aos presentes autos encontrase o processo nº 13629.000814/200874, relativo à exclusão da contribuinte do Simples em razão da autuação aqui contestada. Referida exclusão foi objeto de recurso voluntário, o qual deverá ser apreciado por esta Turma em conjunto com o presente processo. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) Da Admissibilidade do Recurso O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) DA OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Alega primeiramente a recorrente que depósitos bancários não caracterizam renda. Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13629.000135/200803 Resolução nº 1201000.172 S1C2T1 Fl. 5 4 Pois bem, no caso dos presentes autos não se tributou, simplesmente, depósitos bancários, mas sim omissão de receita decorrente de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Ora, houvesse a recorrente comprovado a origem dos depósitos bancários questionados pela fiscalização, sobre eles não haveria exigência tributária. Todavia, como não o fez, correta a presunção legal de omissão de receitas prevista na norma acima citada. Em relação à comprovação da origem dos recursos depositados nas contas correntes de sua titularidade, a recorrente alega, em síntese, o seguinte: a) os recursos depositados no Banco do Brasil têm origem em sua atividade de intermediação no financiamento de veículos por parte de instituições financeiras (Banco ABN ANRO Real S/A; Banco Itaú S/A; BV Financeira; HSBC S/A) a seus clientes. Alega que, apesar de receber em suas contas o valor total do financiamento, sua receita limitase à comissão auferida com a intermediação do negócio, a qual ficava entre 1% e 14,4% do valor financiado. Também foram realizados nesta conta desconto de cheques, conforme borderôs, e transferências entre contas de sua titularidade. À fl. 647 e ss. encontrase demonstrativo consolidado das origens do recursos depositados nesta conta; b) os recursos movimentados no Unibanco não são de sua propriedade, e sim do Sr. Carlos Maurício da Silva. Tais recursos eram repassados a esta pessoa por meio de cheques emitidos pela ora recorrente, conforme extratos bancários e cópia de cheques de fl. 709 e ss. c) da mesma forma, os recursos movimentados no HSBC também são de propriedade do Sr. Carlos Maurício da Silva e lhe eram repassados por meio de cheques emitidos pela ora recorrente, conforme documentos de fl. 848 e ss. Pois bem, pelo exame da documentação apresentada é possível verificar que, à primeira vista, a recorrente logrou êxito em comprovar a origem de parte dos recursos depositados em suas contascorrentes, em especial parte dos depósitos efetuados no Banco do Brasil. Como exemplo cito o depósito no valor de R$ 5.200,00 realizado no dia 28/01/2004, na conta nº 72621, agência 30031, do Banco do Brasil, e que consta do demonstrativo de depósitos não comprovados elaborado pelo auditor (fl. 86). Referido depósito, segundo informação prestada pelo Aymoré Crédito, Financiamento e Investimento S/A, tem origem em financiamento concedido por esta instituição financeira (fl. 619). No entanto, uma vez que os documentos comprobatórios somente foram trazidos em sua inteireza no âmbito do recurso voluntário, a meu juízo é prudente que os autos sejam devolvidos à fiscalização para que sobre eles se pronuncie. 3) CONCLUSÃO Tendo em vista todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência a fim de que a autoridade fiscal: a) examine os documentos apresentados pela recorrente e, com base no demonstrativo de fl. 86 e ss., pronunciese sobre a comprovação da origem dos recursos depositados; Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13629.000135/200803 Resolução nº 1201000.172 S1C2T1 Fl. 6 5 b) elabore relatório circunstanciado, acompanhado, se for o caso, de novo demonstrativo com indicação dos depósitos cuja origem foi comprovada e dos depósitos cuja origem permanece sem comprovação; c) cientifique a interessada a, se assim lhe convier, apresentar contrarrazões ao relatório acima indicado no prazo de vinte dias de sua ciência. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 p or MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 35301.004714/2007-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/01/1999
NORMAS GERAIS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. CTN.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
NORMAS GERAIS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO. ART. 150 E 173 CTN, OCORRÊNCIA.
Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733.
No presente caso, devido à data da ciência e as competências em que há lançamentos, a aplicação de quaisquer das regras determinadas no CTN implicará na extinção do crédito tributário, motivo do provimento do recurso do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.806
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário em razão da decadência.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/01/1999 NORMAS GERAIS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. NORMAS GERAIS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO. ART. 150 E 173 CTN, OCORRÊNCIA. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62-A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. No presente caso, devido à data da ciência e as competências em que há lançamentos, a aplicação de quaisquer das regras determinadas no CTN implicará na extinção do crédito tributário, motivo do provimento do recurso do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 35301.004714/2007-61
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5574847
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-004.806
nome_arquivo_s : Decisao_35301004714200761.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARCELO OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 35301004714200761_5574847.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário em razão da decadência. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Marcelo Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado.
dt_sessao_tdt : Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
id : 6310097
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:46:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048123463434240
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2203; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 555 1 554 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35301.004714/200761 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.806 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente ESTADO DO RIO DE JANEIRO GOVERNADORIA DO ESTADO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/01/1999 NORMAS GERAIS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. NORMAS GERAIS. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO. ART. 150 E 173 CTN, OCORRÊNCIA. Comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no § 4°, Art. 150 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. Não comprovada a ocorrência de pagamento parcial, a regra decadencial expressa no CTN a ser utilizada deve ser a prevista no I, Art. 173 do CTN, conforme inteligência da determinação do Art. 62A, do Regimento Interno do CARF (RICARF), em sintonia com o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Recurso Especial 973.733. No presente caso, devido à data da ciência e as competências em que há lançamentos, a aplicação de quaisquer das regras determinadas no CTN implicará na extinção do crédito tributário, motivo do provimento do recurso do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 30 1. 00 47 14 /2 00 7- 61 Fl. 555DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário em razão da decadência. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 35301.004714/200761 Acórdão n.º 2402004.806 S2C4T2 Fl. 556 3 Relatório Tratase de pedido de revisão, já analisado e aceito, interposto pela Receita Previdenciária, fls. 0443, combatendo o acórdão, fls. 0360, proferido pela 4" Câmara do Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), que anulou lançamento. Como o pedido de revisão foi aceito, cabe analisar as questões do recurso. Foi apresentado recurso voluntário, fls. 0406, contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), fls. 0360, que negou provimento à impugnação do sujeito passivo, nos seguintes termos: “RESPONSABILIDADE SOLIDARIA CESSÃO DE MÃO DE OBRA. O Art. 31, § 3º, da Lei 8.212/91, bem como o Art. 46, § 2 do Regulamento de Organização e Custeio da Seguridade Social, aprovado pelo Dec. 612/92 (vigente para as competências lançadas) definem a forma de elisão da responsabilidade solidária. Não cumpridos estes requisitos, a tomadora é responsável pelas contribuições previdenciárias apuradas pela fiscalização. TRIBUTÁRIO PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A solidariedade passiva, legalmente imposta, pode unir diversos devedores que responderão, cada qual, peia dívida toda. O INSS tem o direito de escolher e de exigir, de acordo com seu interesse e conveniência, o valor total do crédito constituído, sem que o devedor tenha qualquer benefício de ordem. TRIBUTÁRIO. PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 10 anos, por disposição expressa da Lei 8.212/91, em seu artigo 45. Precedentes do STJ TAXA SELIC. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes ã taxa referencial do Sistema Especial pe .^Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valbr atualizado,e multa de mora, todos de caráter irrelevável. LANÇAMENTO PROCEDENTE EM PARTE Fl. 557DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Segundo o relatório fiscal, fls. 0197, o lançamento referese a contribuições destinadas à Seguridade Social, oriundas de lançamento por solidariedade, já que a recorrente não apresentou a documentação exigida para a comprovação do adimplemento das contribuições dos prestadores que lhes pretaram serviço por cessão de mão de ora, coo determinava a legislação. Empresa prestadora de serviços: ORGANIZAÇÃO BENI LTDA. Constam dos lançamento exigências nas seguintes competências: 01/01/1997 a 31/01/1999. A recorrente foi cientificada do lançamento em 08/03/2005, fls. 0230 e 0315. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 0291, acompanhada de anexos, onde argumenta, em síntese, que: 1. O indeferimento do pedido de vista dos autos fora da repartição cerceou o direito de defesa do recorrente; 2. Foram violados, no lançamento, os Princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade; 3. O lançamento foi alcançado pela decadência; 4. Requer seja o recurso conhecido e provido. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento. A recorrente foi cientificada da decisão em 01/12/2005. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso, fls. 0406, em 29/12/2005, acompanhado de anexos, onde alega, as mesmas razões já expostas em sua impugnação. Em sede de contrarazões, o INSS pugna pela manutenção da decisão proferida em primeira instância. O CRPS analisou a questão e anulou o lançamento, pois entendeu que deveria ser emitido novo lançamento com observância do art. 351, da Instrução Normativa n ° 100, pois, em síntese, não foi citado o órgão público na capa da autuação. O autoridade preparadora ingressou com pedido de revisão, pois, em síntese, defende que a falha encontrada é uma mera irregularidade e não um vicio insanável. A Presidência da Quinta Câmara, do Segundo Conselho de Contribuintes, acolheu o pedido de revisão. Na análise do pleito, o colegiado acolheu o pedido de revisão – pois o lançamento não é só composto de sua capa e decidiu converter o julgamento em diligência, a fim de que se verificasse datas sobre ciência dos termos e do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Fl. 558DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 35301.004714/200761 Acórdão n.º 2402004.806 S2C4T2 Fl. 557 5 A fiscalização emitiu parecer conclusivo, onde relata as datas e a conformidade com o exposto na legislação, fls. 0485. O sujeito passivo foi intimado do parecer e apresentou suas razões, pela extinção do lançamento. Os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o relatório. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR Nas preliminares, devemos analisar a questão da decadência. Creio que já temos resposta sobre esta dúvida. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN). A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN e decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4º, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 560DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 35301.004714/200761 Acórdão n.º 2402004.806 S2C4T2 Fl. 558 7 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial Fl. 561DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Portanto, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado seja o I, art. 173 ou o § 4°, art. 150, ambos do CTN devemos identificar a ocorrência, ou não, de pagamentos parciais, pois só assim poderemos declarar os efeitos da decadência no lançamento. Ocorre que, no caso em questão, a recorrente foi cientificada do lançalemto em 2005 e os fatos geradores ocorreram entre as competências 06/1997 a 01/1999, portanto tornase irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, haja vista que a decadência há de ser declarada por qualquer das regras existentes. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para, nas preliminares, darlhe provimento, face a aplicação da decadência qüinqüenal. Marcelo Oliveira. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 13706.004532/99-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
ANULAÇÃO DE DESPACHO DECISÓRIO. ILEGALIDADE NÃO DEMONSTRADA. NULIDADE DO ATO ANULADOR.
A decisão de mérito proferida pela Delegacia da Receita Federal em despacho decisório exaure a sua função dentro do processo administrativo que analisa pedido de restituição/compensação, razão pela qual é nulo o despacho decisório posterior, proferido pela mesma instância, que anula a primeira decisão sem apontar, nessa, qualquer ilegalidade incorrida.
Numero da decisão: 1302-001.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em ANULAR o Despacho Decisório a fls. 830 e demais atos subsequentes, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Paulo Mateus Ciccone. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Alberto Pinto Souza Junior.
(documento assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Redator designado
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Paulo Mateus Ciccone, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Ana de Barros Fernandes Wipprich e Eduardo de Andrade
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998 ANULAÇÃO DE DESPACHO DECISÓRIO. ILEGALIDADE NÃO DEMONSTRADA. NULIDADE DO ATO ANULADOR. A decisão de mérito proferida pela Delegacia da Receita Federal em despacho decisório exaure a sua função dentro do processo administrativo que analisa pedido de restituição/compensação, razão pela qual é nulo o despacho decisório posterior, proferido pela mesma instância, que anula a primeira decisão sem apontar, nessa, qualquer ilegalidade incorrida.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 12 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 13706.004532/99-70
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5566891
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 12 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1302-001.761
nome_arquivo_s : Decisao_137060045329970.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : EDELI PEREIRA BESSA
nome_arquivo_pdf_s : 137060045329970_5566891.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em ANULAR o Despacho Decisório a fls. 830 e demais atos subsequentes, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Paulo Mateus Ciccone. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Redator designado (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Paulo Mateus Ciccone, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Ana de Barros Fernandes Wipprich e Eduardo de Andrade
dt_sessao_tdt : Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
id : 6272243
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048123471822848
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 44; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2041; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13706.004532/9970 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.761 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de janeiro de 2016 Matéria Pedidos de Compensação e DCOMP Saldo Negativo IRPJ Recorrente GLOBO COMUNICAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 ANULAÇÃO DE DESPACHO DECISÓRIO. ILEGALIDADE NÃO DEMONSTRADA. NULIDADE DO ATO ANULADOR. A decisão de mérito proferida pela Delegacia da Receita Federal em despacho decisório exaure a sua função dentro do processo administrativo que analisa pedido de restituição/compensação, razão pela qual é nulo o despacho decisório posterior, proferido pela mesma instância, que anula a primeira decisão sem apontar, nessa, qualquer ilegalidade incorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em ANULAR o Despacho Decisório a fls. 830 e demais atos subsequentes, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Edeli Pereira Bessa e Paulo Mateus Ciccone. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Redator designado (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Paulo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 45 32 /9 9- 70 Fl. 3294DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 3 2 Mateus Ciccone, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Ana de Barros Fernandes Wipprich e Eduardo de Andrade Fl. 3295DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 4 3 Relatório GLOBO COMUNICAÇÕES E PARTICIPAÇÕES S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro I que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que reconheceu integralmente o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 1998, mas deferiu/homologou parcialmente as compensações a ele vinculadas. A interessada apresentara pedidos de restituição entre 13/12/99 e 13/11/2001 e a eles vinculou pedidos de compensação com débitos próprios de 28/04/2000 a 15/04/2002, bem como pedidos de compensação com débitos de terceiros (TV Globo Ltda, CNPJ 33.252.156/000110). Em 30/09/2002 a autoridade fiscal cientificoua do reconhecimento integral do direito creditório e de sua destinação à liquidação das compensações pleiteadas. Posteriormente, em 16/07/2004 e 19/12/2006, a contribuinte requereu a substituição de pedidos de compensação por Declarações de Compensação DCOMP dos mesmos débitos, mas com valor reduzido em razão do que decidido na ação ordinária nº 99.00091175, na qual obteve o direito de calcular a Contribuição ao PIS e a COFINS com base no seu faturamento. Além disso, de 23/06/2004 a 20/07/2004 a contribuinte apresentou outras DCOMP para utilização de outras parcelas do saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário 1998, provavelmente com base no entendimento de que as retificações fizeram ressurgir direito creditório desta natureza. Frente a estas novas compensações, a autoridade fiscal anulou os despachos decisórios anteriores, tornou sem efeito as compensações executadas, cientificou a contribuinte destas providências em 02/08/2007 e, depois de realizada diligência fiscal para confirmação do direito creditório, notificoua em 22/06/2009 de nova decisão na qual: 1) reconheceu parcialmente o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 1998; 2) apurou que parte do crédito já havia sido utilizado em compensações sem pedido, informadas apenas em DCTF; 3) admitiu os pedidos de compensação com débitos de terceiros porque apresentados até 14/04/2000, mas ressalvou que eles não foram convertidos em DCOMP; 4) admitiu as retificações de parte dos pedidos de compensação, rejeitando aquelas referentes ao mês de março/2002; 5) declarou a prescrição do indébito para fins de compensação com as DCOMP apresentadas em 2004, negandolhes homologação; e 6) destinou o direito creditório reconhecido às demais compensações, homologando as compensações com débitos próprios e deferindo parcialmente as compensações com débitos de terceiros. A interessada foi cientificada desta decisão em 22/06/2009. Manifestando sua inconformidade, a contribuinte discordou da decisão que anulou as decisões favoráveis ao seu pleito; defendeu a conversão em DCOMP dos pedidos de compensação com débitos de terceiros, ou então a prescrição dos débitos compensados; afirmou a homologação tácita das compensações promovidas mediante DCOMP; pleiteou a compensação dos débitos na ordem cronológica dos pedidos de compensação, bem como o reconhecimento integral do direito creditório; afirmou a validade a retificação de débitos pertinentes a março/2002; e se opôs à prescrição do direito creditório para sua utilização no anocalendário 2004. Fl. 3296DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 5 4 A Turma Julgadora de 1ª instância reconheceu a prescrição dos remanescentes débitos de terceiros compensados com o crédito da interessada, porque referentes aos períodos de janeiro/2000 e fevereiro/2000, mas ressaltou que: · A lide cingese à análise do direito creditório, às DCOMP enviadas em 2004 e aos pedidos de compensação com débitos de terceiros que foram indeferidos; · Não cabe manifestação de inconformidade contra indeferimento de pedidos de retificação de DCOMP, consoante Instrução Normativa RFB nº 900/2008, o que impede a apreciação das alegações da contribuinte a respeito da compensação dos débitos de Contribuição ao PIS e de COFINS devidos em março/2002; · O art. 54 da Lei nº 9.784/99 permite que a Administração anule os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários em até 5 (cinco) anos, e a anulação do ato praticado em 30/09/2002 foi cientificado à contribuinte em 02/08/2007, sem qualquer cerceamento ao seu direito de defesa. Demais disso, a decadência não impede o Fisco de aferir a certeza e liquidez de créditos utilizados em compensação; · A prova do direito creditório utilizado em compensação incumbe ao sujeito passivo, e as retenções sofridas somente integram a apuração do saldo negativo se os rendimentos foram computados no resultado do período. Por sua vez, as retenções não admitidas pela autoridade fiscal decorreram de sua caracterização como exclusiva de fonte, e a contribuinte não comprovou ter elas outra natureza. Cumprialhe, ainda, demonstrar que as retenções não computadas no saldo negativo informado em DIPJ não foram destinados a compensações sem processo, como indicado em DCTF de 2000 a 2002; · Os pedidos de compensação com débitos de terceiros não foram convertidos em DCOMP consoante Parecer PGFN/CDA/CAT nº 1.499/2005, e sujeitamse ao disposto no art. 15 da Instrução Normativa SRF nº 21/97, somente sendo confrontados com o direito creditório da contribuinte depois de liquidados seus débitos próprios. Todavia, como os débitos informados nos pedidos não estavam com exigibilidade suspensa, verificouse a prescrição dos valores não alcançados pela compensação executada; e · Não houve a decadência das DCOMP apresentadas em 2004, em razão dos pedidos de restituição tempestivamente apresentados. Ademais, a anulação do despacho decisório anterior permitiu reconsiderar o crédito imbricado com as compensações ora analisadas. De outro lado, as DCOMP não foram homologadas tacitamente, em razão de sua apreciação em 22/06/2009, e a cobrança dos débitos nela indicados é possível. Fl. 3297DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 6 5 Cientificada da decisão de primeira instância em 31/01/2014 (fl. 2562), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 14/02/2014 (fls. 2565/2603). A recorrente relata seus procedimentos e os atos administrativos em face deles praticados, observando que apresentou recurso hierárquico contra a decisão que anulou o primeiro despacho decisório expedido, mas reproduziu seus argumentos em manifestação de inconformidade, dado que eventual invalidação do despacho anulatório resultaria na manutenção das decisões anteriores que lhe foram favoráveis. Anota, também, que na diligência realizada antes da emissão do segundo despacho decisório não foi encontrado nenhum equívoco nos lançamentos contábeis e nas declarações fiscais da RECORRENTE que pudessem alterar o valor do crédito pleiteado. Finalizando a introdução, resume que uma vez reconhecida a prescrição dos débitos de terceiros compensados com seu crédito, a única discussão que subsiste referese à homologação das DCOMPs apresentadas pela RECORRENTE em 2004 (constantes do processo nº 15374.720118/200923), e assim passa a demonstrar as razões de fato e de direito que justificam o reconhecimento integral do seu direito de crédito e, consequentemente, a homologação das compensações promovidas nas referidas DCOMPs. No que tange ao direito creditório, aduz estar demonstrado nos autos que apurou prejuízo no anocalendário 1998 e sofreu retenções no montante de R$ 31.443.326,48, restando confirmado no relatório de diligência de fls. 886/889 que todos os rendimentos foram oferecidos à tributação. Contudo, ainda assim, a autoridade fiscal reduziu seu crédito em R$ 6.476.833,52, sob a justificativa que parte dos informes de rendimento indicavam os rendimentos, que seriam decorrentes de CDBs e operações com swaps, como sujeitos à tributação exclusiva na fonte. A autoridade julgadora de 1ª instância, por sua vez, não acolheu suas alegações no sentido de que legislação então em vigor não submetia estes rendimentos à tributação exclusivamente na fonte. Cita as disposições da Lei nº 8.541/92 e as alterações promovidas pela Lei nº 8.981/95, que submeteram os rendimentos auferidos em aplicações financeiras de renda fixa a retenção que constituiria mera antecipação do IRPJ devido ao final do período de apuração, consoante inclusive justificado na Exposição de Motivos da Medida Provisória nº 812/94. Transcreve doutrina, reportase às alterações promovidas pela Lei nº 9.430/96 que estendeu o regime de antecipação também às pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido e no lucro arbitrado, e reproduz ementa de solução de consulta proferida pela 8ª e pela 4ª Regiões Fiscais neste sentido. Conclui ser inquestionável que as retenções constituem antecipações e que o equívoco nos informes de rendimento não podem prejudicar seu procedimento, até porque as autoridades administrativas estão adstritas aos termos da lei. Acrescenta que os informes de rendimento expressam que ali se trata de aplicações financeiras (CDBs e swaps), razão pela qual não lhe cabe fazer prova da natureza dos rendimentos, como exigido na decisão recorrida. Ademais, na diligência antes promovida, restou provado o cômputo dos rendimentos na base tributável do anocalendário 1998. Prossegue afirmando que não utilizou o direito creditório apurado no ano calendário para compensações em DCTF informadas ao longo de 1999, e assim não subsiste a glosa de R$ 2.576.518,60. A justificativa para a glosa tem em conta que a contribuinte não disporia de saldo negativo apurado de 1994 a 1997 para aquelas compensações, mas teria demonstrado em manifestação de inconformidade que o saldo negativo apurado no ano calendário 1997 seria suficiente para tanto. Referido argumento foi rejeitado sem contestação Fl. 3298DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 7 6 específica, razão pela qual a recorrente renova a demonstração do saldo negativo apurado no anocalendário 1996, integrado por saldos negativos anteriores e agregado ao saldo negativo informado na DIPJ no anocalendário 1997, esclarecendo que deixou de neste computar antecipações de R$ 5.861.897,40, e assim o crédito acumulado representaria, naquele momento, R$ 16.334.796,81, do qual apenas R$ 9.031.275,55 foi objeto de pedido de restituição/compensação. A parcela remanescente de R$ 7.303.521,30 foi, assim, destinada a compensações sem processo informadas em DCTF do 4º trimestre/98 ao 4º trimestre/99, restandolhe crédito de R$ 6.943.980,77, a evidenciar que dispunha de crédito mais que suficiente para as compensações aqui vinculadas ao saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário 1998. Aborda lançamento formalizado contra a contribuinte relativamente ao IRPJ devido no anocalendário 1996, exterioriza sua interpretação acerca da acusação fiscal, observa que o ato administrativo foi formalizado depois de compensado o saldo negativo daquele período, e conclui que o lançamento não poderia alterar as utilizações já promovidas. Acrescenta que desistiu do litígio acerca daquele lançamento e incluiu o correspondente débito no PAES, o que evidenciaria dupla penalização e enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. De toda sorte, mesmo admitindo a glosa, o crédito remanescente seria suficiente para as compensações promovidas em 1999, consoante demonstrativos que apresenta. Enfrenta também outra ressalva feita acerca de sua apuração no ano calendário 1996, asseverando que a autoridade fiscal, ao computar na apuração do saldo negativo apenas as retenções confirmadas em DIRF e os pagamentos do período, desconsiderou antecipações dos anoscalendário 1996 e 1997 liquidadas por meio de compensação com créditos anteriores. Acrescenta que o saldo negativo de períodos anteriores integrado à apuração de 1996 não foi questionado no auto de infração que resultou da revisão de sua apuração em 1996, e assim já está alcançado pela decadência. Observa que o saldo negativo de períodos anteriores a 1996 foi transportado, também, para a apuração do ano calendário 1997 e não foi questionado. Aponta ter apresentado em manifestação de inconformidade comprovantes de rendimento que evidenciam retenções superiores às admitidas na apuração do saldo negativo do anocalendário 1996, e demonstra que mesmo considerando a revisão promovida por meio de lançamento, o saldo negativo do anocalendário 1996 corresponderia a R$ 2.904.830,44, que atualizado e somado ao crédito do anocalendário 1997 totalizaria R$ 12.123.561,06. Este crédito, decotado dos pedidos de restituição/compensação no valor de R$ 9.031.275,51, representaria o montante de R$ 3.092.285,55 suficiente para as compensações sem processo promovidas nas DCTF de 1998 e 1999. Assim, mesmo no pior dos cenários não se justificaria a vinculação de tais compensações ao saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 1998. Na sequência, observa que a decisão de 1ª instância indevidamente vinculou outras compensações promovidas de 2000 a 2002 ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1998, questão que jamais foi levantada pelo DESPACHO DECISÓRIO. Assim, a decisão de 1ª instância teria alterado de forma ilegítima os fundamentos que embasaram o indeferimento de parte do crédito pleiteado. Cita jurisprudência administrativa que veda esta forma de atuação, e conclui ser inadmissível que não tendo promovido os atos necessários à cobrança desses débitos, as autoridades fazendárias queiram indiretamente exigilos por meio da glosa de parte do saldo negativo de 1998 (que, repitase, jamais foi indicado nas DCTFs de 2000, 2001 e 2002 e, portanto, utilizado nas compensações ali informadas). Fl. 3299DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 8 7 De toda sorte, mesmo que ultrapassados os argumentos acima, ainda assim haveria crédito suficiente para as compensações efetuadas nas DCTFs de 1999, 2000, 2001 e 2002, e nas DCOMPs de 2004 ora em discussão, especialmente tendo em conta o crédito remanescente a título de saldo negativo de IRPJ no anocalendário 1997, consoante demonstrativos que apresenta. Conclui, assim, que não há como prevalecer o entendimento adotado pelo DESPACHO DECISÓRIO, devendo ser homologadas todas as DCOMPs apresentadas pela RECORRENTE em 2004 e, ainda restituído o montante do crédito restaurado (em razão das retificações mencionadas nos itens 2.5 e seguintes, acima) que não foi utilizado em nenhuma compensação. Discorda, ainda, do indeferimento das retificações de DCTF promovidas em relação dos débitos de Contribuição ao PIS e COFINS referentes a março/2002, observando que a quitação destes valores se fez por meio de três pedidos de compensação, e que assim o cancelamento recairia sobre os últimos pedidos de compensação. Argumenta que na forma esperada pela autoridade fiscal, a retificação só teria repercussão sobre o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1999. E discorda da falta de apreciação de seus argumentos deduzidos em manifestação de inconformidade, porque a retificação dos débitos informados nos Pedidos de Compensação resultou na restauração de parte do saldo negativo de 1998 (R$ 268.357,95); assim, o que se discute não é o direito à retificação, mas a homologação das DCOMPs apresentadas em 2004, nas quais a RECORRENTE utilizou crédito decorrente da retificação de Pedidos de Compensação; ou seja, o que se discute é o indeferimento do próprio direito creditório da RECORRENTE. Afirma, assim, a competência da autoridade julgadora de 1ª instância para apreciação desta matéria, e reitera que a retificação somente não foi aceita porque a autoridade administrativa deixou de atentar para o fato de que a retificação desses débitos produziu efeitos diretos no saldo negativo de 1998 (e não apenas no saldo negativo de 1999, que é objeto de outro processo administrativo). Defende que, restaurada a parcela do crédito utilizada na compensação com aqueles débitos, seu valor deverá ser restituído juntamente com o restante do crédito restaurado que não foi utilizado em nenhuma compensação. Finaliza defendendo que, mesmo se ultrapassados todos os argumentos acima, as DCOMP apresentadas em 2004 devem ser homologadas porque, na medida em que o despacho decisório primeiro destinou o crédito reconhecido à contribuinte à compensação com débitos próprios, uma vez afastada, na decisão recorrida, a prescrição do direito à utilização do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998 naquelas DCOMP, o crédito reconhecido deve ser primeiro a elas imputado, para só depois ser destinado às compensações com débitos de terceiros. Em sua conclusão, além de pretender o reconhecimento integral do direito creditório, pede que sejam homologadas as compensações dos débitos constantes das DCOMPs de 2004 (processo administrativo nº 15374.720118/200923), já que, em relação aos demais débitos constantes dos Pedidos de Compensação e dos Pedidos de Compensação de Crédito com Débitos de Terceiro (processos administrativos nºs 13706.004532/9970, 13706.002251/0015, 13706.003382/200117), já que se reconheceu, em parte, sua quitação por compensação e, em outra parte, a prescrição da sua exigência. Pede também que seja aceita a retificação dos pedidos de compensação com débitos de março/2002, que lhe seja Fl. 3300DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 9 8 restituído o crédito não utilizado em compensação, ou ao menos homologadas as DCOMP de 2004, em razão da recomposição da ordem de compensação. Fl. 3301DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 10 9 Voto Vencido Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O presente litígio foi instaurado depois de anulado despacho decisório anterior, juntado às fls. 277/280, no qual fora reconhecido à contribuinte direito creditório de R$ 22.957.352,00. Referido crédito fora destinado à liquidação de débitos próprios e de terceiros, conforme fls. 281/288, sendo que no despacho de fls. 289/290 constam informações de outros direitos creditórios reconhecidos à contribuinte a título de saldo negativo de IRPJ e CSLL, referentes aos períodos de apuração de 1997 a 2001, também destinados à liquidação de débitos próprios e de terceiros. Ao final, remanesceu crédito de R$ 67.994.429,13, restituído à interessada conforme informações de fls. 297/298. A anulação do despacho decisório anterior decorre de retificações de débitos compensados requeridas pela contribuinte em 16/07/2004 (fl. 307) e 19/12/2006 (fl. 418/419), e está expressa no despacho de fls. 788/831, do qual a contribuinte foi cientificada em 02/08/2007 (fl. 836). Em sua manifestação de inconformidade, a interessada juntou a petição de fls. 1160/1175, na qual diz complementar recurso antes interposto contra a referida anulação. Em recurso voluntário afirma ter apresentado recurso hierárquico contra a decisão que anulou o primeiro despacho decisório expedido, mas ainda assim reproduziu seus argumentos em manifestação de inconformidade, dado que eventual invalidação do despacho anulatório resultaria na manutenção das decisões anteriores que lhe foram favoráveis. O exame dos autos revela que o recurso originalmente apresentado em 24/08/2007 está juntado às fls. 851/864. Naquela ocasião já constava, aqui, requerimento de diligência para confirmação de determinados aspectos da apuração da contribuinte (fls. 837/848), e as movimentações processuais seguintes destinaramse ao cumprimento desta diligência (fls. 865/889), e à reunião dos demais elementos necessários (fls. 890/942) para a segunda decisão acerca do direito creditório objeto deste processo (fls. 943/953). Ao final do relatório desta decisão está consignado que: Ressaltese, por fim, que em 24/08/2007, apresentou recurso (fls. 851/857) contra o Parecer Conclusivo n.° 129/2007 e o correspondente despacho decisório. No qual apresenta cópias dos pedidos de restituição e compensação apresentados e requer: 1) maiores informações sobre tabelas (8, 9, 10 e 11) do referido parecer e detalhamento sobre as eventuais receitas que estariam sem comprovação; 2) que as realocações de créditos utilizados nas compensações sejam reanalisadas, a fim de que todos os valores sejam revisados e retificados como solicitado pela GLOBOPAR; 3) receber os extratos dos processos citados a fim de verificar as compensações efetuadas; e 4) que ao fim da análise e retificações solicitadas receba plena quitação dos débitos compensados. Observase na referida petição denominada pela contribuinte como recurso contra o ato anulatório que, em verdade, não foi ali questionada a validade do ato, mas sim requeridos esclarecimentos acerca de circunstâncias mencionadas na motivação daquele ato, bem como pleiteada sua ciência da nova liquidação das compensações e a plena quitação dos débitos depois da revisão do processo. De forma semelhante, na petição complementar citada Fl. 3302DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 11 10 na manifestação de inconformidade oposta contra a decisão proferida após a anulação do despacho inicial, a contribuinte arremata que: A PETICIONÁRIA requer a análise dos esclarecimentos complementares ora apresentados, para, conforme requerido no seu recurso apresentado em 24.08.2007, sejam mantidas as DECISÕES FAVORÁVEIS e, conseqüentemente, reconhecido o direito creditório pleiteado e definitivamente extintos os créditos quitados por meio das compensações apresentadas nos autos dos processos administrativos n°s 13706.004532/9970, 13706.002251/0015 e 13706.003382/200117. Logo, embora denominando tais petições de recurso, a contribuinte não pretendeu, por meio delas, questionar o mérito ou a forma do ato anulatório, mas apenas antecipar dúvidas e prestar esclarecimentos que viabilizassem a produção de uma segunda decisão também favorável aos pedidos de restituição/compensação sob nova análise. Por sua vez, ao ser proferida esta segunda decisão em 17/04/2009, os esclarecimentos da contribuinte foram considerados, e as razões de decidir estão claramente expostas, de modo que os requerimentos da contribuinte foram formalmente atendidos, muito embora sem a homologação integral das compensações. A decisão de 1ª instância aqui recorrida abordou a possibilidade de revisão do ato administrativo anterior dentro do prazo decadencial previsto no art. 54 da Lei nº 9.784/99 e observou que o ato anulatório foi devidamente cientificado à contribuinte, demonstrandolhe os motivos de nulidade das decisões anteriores, afirmando não proceder a arguição de nulidade do Despacho Decisório de fls. 830/831, exarado com fulcro no Parecer Conclusivo nº 129/2007. De fato, a Lei nº 9.784/99 assim dispõe: Art. 54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada máfé. A primeira decisão aqui proferida, favorável à contribuinte por reconhecer lhe direito creditório superior ao posteriormente aferido, foi assinada em 04/09/2002, finalizandose a execução das compensações em 30/09/2002 e a emissão de ordem bancária em 26/09/2002. Por sua vez, a ciência do ato anulatório foi promovida em 02/08/2007, antes, portanto, do transcurso do prazo decadencial estipulado no art. 54 da Lei nº 9.784/99. Esclareçase, por oportuno, que, no âmbito do Recurso Representativo de Controvérsia nº 1.138.206/RS, o Superior Tribunal de Justiça afastou a aplicação da Lei nº 9.784/99 ao processo administrativo regulado pelo Decreto nº 70.235/72 para negar o dever do agente público decidir pedido de administrados no prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 49 daquela lei, razão pela qual não se vislumbra, ali, manifestação acerca da aplicação subsidiária do art. 54 da Lei nº 9.784/99, que rege o prazo para anulação de atos administrativos. É certo que relativamente aos débitos compensados, outros prazos decadenciais e prescricionais estarão em curso desde os atos praticados pela contribuinte com vistas a sua constituição/extinção, mas a análise destas circunstâncias será feita ao final, depois de avaliada a defesa da contribuinte acerca do direito creditório por ela afirmado e da sua suficiência para liquidação dos débitos compensados. Para além disso, importa ter em conta que a revisão do ato administrativo em referência foi motivada por requerimentos da contribuinte no sentido da substituição de Fl. 3303DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 12 11 pedidos de compensação já liquidados pelo direito creditório inicial por declarações de compensação dos mesmos débitos, mas em menor valor. A admissibilidade desta substituição, porém, disponibilizaria à contribuinte parcelas do crédito inicialmente pleiteado, dado que elas deixariam de estar vinculadas aos débitos minorados, e assim poderiam sujeitarse à devolução em espécie, visto que a contribuinte apresentara originalmente não só pedidos de compensação, mas também pedidos de restituição do indébito, para além do fato de a contribuinte ter apresentado novas DCOMP para destinação de parcelas do crédito assim disponibilizado. É este o contexto no qual a autoridade fiscal responsável por eventual restituição de indébito vislumbra a necessidade de revisão do primeiro ato administrativo de reconhecimento do direito creditório, e conclui pela necessidade de sua anulação dentro do prazo que a lei autoriza. Adicionese, ainda, que a segunda decisão proferida acerca dos pedidos de restituição/compensação menciona que os procedimentos antes adotados no presente processo administrativo foram objeto de auditoria interna, da qual resultou a recomendação do refazimento e retificação dos procedimentos de restituição/compensação. Executadas estas análises, a autoridade fiscal competente descreveu às fls. 788/830 as irregularidades que determinariam a desconstituição do ato anterior e a produção de nova decisão acerca dos procedimentos da contribuinte. Na decisão anulatória foram discriminados os pedidos de restituição e de compensação apresentados pela contribuinte e, relativamente ao direito creditório pleiteado, no valor original de R$ 31.443.326,48, identificado descompasso entre as retenções que o originaram e o montante deduzido na apuração do IRPJ devido no ajuste anual (R$ 28.061.099,49), mas ressalvada a dedução de retenções na apuração da estimativa de junho/98 no valor de R$ 2.710.005,18, de onde a autoridade fiscal conclui que a contribuinte deixou de deduzir, na apuração do anocalendário 1998 consignada em DIPJ, retenções no montante de R$ 672.221,81, o que impediria o deferimento da restituição e das correspondentes compensações nesta parte, pois a contribuinte deixara de exercer a opção de dedução que lhe confere o art. 2º, §4º da Lei nº 9.430/96, ainda que tivesse computado os rendimentos correspondentes na apuração do lucro real. O saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1998 restaria, assim, reduzido a R$ 30.771.104,67, mas a autoridade fiscal prosseguiu observando que a contribuinte não teria incluído todos os rendimentos de aplicações financeiras no lucro tributável, dado o valor indicado na linha 23 da Ficha 07 da DIPJ/99 (R$ 156.509.771,42, a ser decotado por R$ 6.509.662,41 por operações de swap que não sofreram retenção na fonte) ser inferior ao indicado pelas fontes pagadoras em informes de rendimento (R$ 176.422.221,53), além dos excedentes consignados apenas em DIRF (R$ 41.530.983,62 e R$ 18.885,78). Mesmo que consideradas as receitas financeiras consignadas em cópia do Livro Razão juntada aos autos (R$ 162.323.251,14), este valor ainda seria inferior ao esperado em razão das informações das fontes pagadoras. Ao final, a autoridade fiscal ainda mencionou a existência de erro na data de valorização do crédito na execução das compensações antes procedidas, colocou em dúvida se os pedidos de compensação com débitos de terceiros seria anteriores à vedação instituída pela Instrução Normativa SRF nº 41/2000, e assim propôs e foi aceita a anulação do despacho decisório anterior. Resta claro, assim, que a anulação foi promovida por autoridade competente, está devidamente motivada e ainda não estava alcançada pelo prazo decadencial, caso se entenda que o art. 54 da Lei nº 9.784/99 é aplicável ao caso. Logo, inexiste qualquer vício que prejudique a validade do ato posteriormente emitido em desfavor do sujeito passivo, aqui questionado. Fl. 3304DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 13 12 Passando ao mérito do direito creditório utilizado nas compensações, consta no Pedido de Restituição de fl. 01 a indicação do montante de R$ 27.374.346,52, acompanhado de informações consignadas em DIPJ apontando a apuração de saldo negativo de IRPJ no ano calendário 1998 equivalente a R$ 30.771.104,67 (fl. 44). O demonstrativo de fl. 104 indica que o montante de R$ 27.374.346,52 corresponderia ao valor atualizado de retenções sofridas em razão de rendimentos auferidos em aplicações financeiras, ao longo do anocalendário 1998, no valor original de R$ 22.957.352,00. A atualização corresponderia à variação da taxa SELIC de fevereiro/99 a novembro/99, mês anterior à apresentação do pedido de restituição. Nos processos administrativos apensos, nº 13706.002251/0015 e 13706.003382/0117, a contribuinte pleiteou a restituição de outras parcelas do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 1998, nos valores originais de R$ 6.295.625,68 e R$ 2.190.348,80, respectivamente. Assim, seu crédito original, somado ao pedido inicial de R$ 22.957.352,00, representaria o total de R$ 31.443.326,56, cuja composição, proveniente de retenções promovidas por instituições financeiras, foi detalhada à fl. 263. Na primeira análise do direito creditório, foi reconhecido à contribuinte, nestes autos, o direito creditório de R$ 22.957.352,00 conforme fls. 277/279. Nos processos apensos também foram reconhecidas integralmente as parcelas de R$ 6.295.625,68 e de R$ 2.190.348,80, do mesmo direito creditório, conforme fls. 260/262 do processo apenso nº 13706.002251/0015 e fls. 105/107 do processo apenso nº 13706.003382/200117. Ante os requerimentos da contribuinte para substituição de determinados pedidos de compensação por declaração de compensação dos mesmos débitos, mas em menor valor (fls. 307/583), foram juntados aos autos os elementos reunidos para confirmação das retenções sofridas pela contribuinte (fls. 584/787), seguindose a decisão anulatória do despacho inicial às fls. 788/830, e o despacho dos autos para que a DEFIS/RJ confirmasse na apuração da contribuinte os itens cuja comprovação era demandada (fls. 837/848). No Relatório Fiscal de fls. 886/889 a autoridade responsável pela diligência disse ter analisado o saldo negativo de IRPJ passível de restituição, dado não ser possível a devolução do imposto de renda retido na fonte e: 1) informou que os descompassos entre as informações das fontes pagadoras e os rendimentos oferecidos à tributação decorriam da adoção do regime de competência para reconhecimento destes, concluindo pela exatidão dos valores constantes da DIPJ; 2) apontou erro no informe de rendimentos produzido pela Caixa Econômica Federal, e ante a impossibilidade de esta instituição fornecer os elementos necessários concluiu que deveria prevalecer o que consignado na escrituração da contribuinte; 3) apurou que os rendimentos auferidos em operações de swap foram registrados na linha 23 da Ficha 7 da DIPJ, destinada a outras receitas financeiras; 4) afirmou não ter identificado irregularidade do registro de despesas financeiras, ou de exclusão de provisão, ambas em valores representativos; e 5) investigou junto às fontes pagadoras os descompassos verificados entre DIRF e informes de rendimento. Os demonstrativos de fls. 873/883 correlacionam retenções na fonte de R$ 30.676.374,14 com o rendimento total contabilizado de R$ 114.848.917,90, e os termos lavrados e documentos reunidos pela Fiscalização integram os Anexos 1 a 4 destes autos, digitalizados às fls. 1806/2468. A partir destes elementos e de outros juntados às fls. 890/942, o direito creditório pleiteado pela contribuinte é parcialmente reconhecido e as compensações parcialmente homologadas, em razão do que, a seguir sintetizado: Fl. 3305DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 14 13 · A análise do saldo negativo deveria ficar limitada ao que informado em DIPJ (R$ 30.771.104,67), apesar de os pedidos de restituição indicarem o crédito total de R$ 31.443.326,48, porque era obrigação da contribuinte apresentar demonstrativos e comprovantes de seu crédito (art. 6º da Instrução Normativa SRF nº 21/97), o que se fez por meio da DIPJ. Ademais, as DCTF apresentadas no 1º trimestre/99 apontavam débitos compensados sem processo IRRF, autorizando a conclusão de que a interessada não teria incluído parte do Fonte retido ao longo do ano de 1998 no ajuste anual, porque já a teria utilizado em compensações sem processo; · A retenção promovida por Caixa Econômica Federal, no valor pretendido de R$ 6.295.625,68, além de apresentar irregularidades no informe de rendimentos, corresponderia a rendimentos sujeitos à tributação exclusiva na fonte. Por ter esta mesma natureza, também foram rejeitadas as retenções promovidas por Banco Fininvest S/A, no montante de R$ 78.930,46, informe de rendimentos de fls. 125/126, e pela Morgan Guaranty Trust Company of New York, na quantia de R$ 102.277,38 (fls. 129/131); · O saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1998 teria sido destinado a compensação sem processo de débitos de IRRF no ano de 1999 no montante de R$ 2.576.518,60, dado que não há evidências de créditos de IRPJ disponíveis em períodos anteriores para tais compensações; · A retificação do pedido de compensação tendo por objeto a Contribuição ao PIS e a COFINS devidas em março/2002 não poderia ser admitida porque, embora a contribuinte também tenha sido favorecida com decisão judicial neste período, a parcela que passou a estar com exigibilidade suspensa em razão de decisão judicial não estava vinculada ao pedido de compensação juntado ao processo administrativo apenso nº 13706.003382/200117, mas sim ao processo administrativo nº 13706.003003/200199; e · A utilização do indébito por meio das DCOMP apresentadas de 23/06/2004 a 20/07/2004 teria extrapolado o prazo previsto no art. 165, I do CTN, contado a partir da apuração do saldo negativo ao final do anocalendário 1998. O direito creditório reconhecido no montante de R$ 22.682.278,76 foi imputado aos pedidos de compensação com débitos próprios e, na sequência, aos pedidos de compensação com débitos de terceiros, restando em aberto parte dos débitos de terceiros cuja compensação era pretendida. Além disso, as DCOMP apresentadas de 23/06/2004 a 20/07/2004 foram integralmente não homologadas em razão da prescrição do indébito. A recorrente confronta todos os argumentos deduzidos no despacho decisório para justificar seu reconhecimento parcial. Inicialmente no que se refere à limitação das análises ao saldo negativo informado em DIPJ, não merecem acolhida os argumentos deduzidos pela autoridade fiscal. A Fl. 3306DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 15 14 indicação de saldo negativo na DIPJ no montante de R$ 30.771.104,67 não autoriza a presunção de que parte das retenções de imposto de renda na fonte foram destinadas a compensações com tributos de mesma espécie. É possível, também, que a contribuinte tenha errado ao preencher aquela declaração e deixado de ali consignar parte das retenções experimentadas no correspondente anocalendário. Neste sentido, inclusive, observase que os pedidos de restituição complementares formalizados nos autos dos processos administrativos nº 13706.002251/0015 e 13706.003382/200117 podem ter sido motivados pela constatação tardia de retenções promovidas pelas fontes pagadoras Caixa Econômica Federal e Banco Bradesco S/A, dado que os informes de rendimento destas operações não foram relacionados no pedido inicial. Cumpriria à autoridade fiscal ter reunido provas no sentido de que houve aquela destinação, especialmente junto à escrituração do sujeito passivo, e não apenas se valer do que assim constatado junto às declarações prestadas pela contribuinte: Ademais, cumpre destacar o entendimento da contribuinte de que "a não dedução deste IRRF do imposto devido não seria fator impeditivo para fins de compensação dos mesmos''' (fl. 852). Nesse sentido, foi verificado, no sistema eletrônico "DCTF Gerencial 4.8" de gerência das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais, mais especificamente na DCTF relativa ao 1° Trimestre de 1999 (fl. 891/892), que somente nos três primeiros meses deste ano a empresa já havia compensado sem processo IRRF, num total de R$611.366,22, com saldo negativo de IRPJ apurado em períodos anteriores. Conforme a DCTF do segundo trimestre de 1999 (fl. 893), débitos de IRRF, no montante de R$ 539.975,28, foram compensados também sem processo com saldo credor de IRPJ de períodos anteriores. Ou seja, a interessada não teria incluído parte do Fonte retido ao longo do ano de 1998 no ajuste anual, porque já a teria utilizado em compensações sem processo, o que constituiria outra razão para a autoridade fiscal limitar os pedidos de restituição ao montante do saldo negativo apurado na DIPJ/1999. Por oportuno vejase o que evidenciado na referida consulta (fls. 891/892): Fl. 3307DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 16 15 Tais informações somente permitem cogitar que débitos de imposto de renda foram liquidados com créditos de mesma espécie apurados em período anterior, mas isoladamente não autorizam inferir que o crédito corresponderia ao saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 1998, ou às retenções que o compõem. De toda sorte, a autoridade fiscal retomou esta análise mais à frente, ao negar reconhecimento a outra parcela do indébito, e agregou elementos referentes à inexistência de saldos negativos de IRPJ apurados em períodos de apuração anteriores a 1999, para reforçar a presunção de que houve destinação do saldo negativo apurado em 1998 à compensação de débitos de mesma espécie, sem pedido. Assim, preliminarmente apenas afastase a limitação da análise do saldo negativo ao montante informado em DIPJ, para, na sequência, aferir se os demais elementos reunidos pela autoridade fiscal autorizam a conclusão de que parte do valor pleiteado fora destinado a compensação com débitos de mesma espécie, sem pedido. Neste sentido, a autoridade fiscal decotou o saldo negativo pretendido pela contribuinte em R$ 2.576.518,60 por inferir que esta parcela teria sido destinada a compensação de débitos de IRRF, de mesma espécie, sem pedido, ao longo do anocalendário 1999. Para chegar a este total, a autoridade fiscal agrega aos montantes antes referidos, compensados no 1º e 2º trimestres/99, os demais débitos de IRRF declarados de forma semelhante nos outros dois trimestres de 1999, conforme parte final do extrato de débitos declarados, à fl. 903: Fl. 3308DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 17 16 A contribuinte não foi intimada a esclarecer quais créditos teria utilizado nestas compensações, sendo certo que, à época, na forma do art. 66 da Lei nº 8.383/91este encontro de contas poderia ser promovido apenas em sua escrituração comercial, caso tivessem por referência indébito de mesma natureza, assim considerados o IRPJ e o IRRF, nos termos do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 14/98: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto nos arts. 121 e 166 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), no art. 66 da Lei nº 8.383, de 31 de dezembro de 1991, alterado pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, no art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 18 da Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da receita Federal, às Delegacias da receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: I independe de prévia autorização dos órgãos da Secretaria da Receita Federal a compensação de saldo do imposto de renda da pessoa jurídica com débito de imposto de renda retido na fonte, decorrente de responsabilidade tributária. II não será admitida, entretanto, a compensação do crédito derivado do recolhimento do imposto de renda retido na fonte, decorrente de responsabilidade tributária, tendo em vista que, nesse caso, o respectivo encargo financeiro foi suportado por terceiro. CARLOS ALBERTO DE NIZA E CASTRO (negrejouse) A glosa promovida no despacho decisório baseiase em inferências assim construídas: Para determinar o direito creditório a ser reconhecido, é necessário verificar se saldo negativo apurado em 1998 já não foi utilizado pela contribuinte. Nesse sentido, pesquisa realizada no sistema DCTFGER, de gerência das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, revela que a contribuinte no ano de 1999 realizou compensações sem processo de débitos de IRRF, no total de R$ 2.576.518,60, utilizando como crédito saldo negativo de IRPJ de anos anteriores. Portanto, a quantia correspondente aos débitos de IRRF de Fl. 3309DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 18 17 1999 compensados sem processo deve ser subtraída do saldo credor de IRPJ de 1998 apurado de ofício nesta decisão. Poderseia cogitar da utilização de saldos negativos referentes a períodos anteriores a 1998. Mas uma breve análise dos exercícios de 1994, 1995, 1996 e 1997 não indica a existência de saldos credores de IRPJ passíveis de utilização nas compensações sem processo realizadas ao longo de 1999. Na Declaração de Rendimentos relativa ao anobase de 1994, a contribuinte não informou a existência de qualquer saldo credor de IRPJ a pagar (fl. 913). Em relação ao ano calendário de 1995, registrese que a contribuinte obteve sentença favorável em ação ordinária, processo n.° 97.00125149, para compensar integralmente seu prejuízo fiscal sem as limitações estabelecidas pelas Leis n.° 8.981 e n.° 9.065, ambas de 1995. Para prevenir o direito da Fazenda Nacional, a fiscalização elaborou lançamento de IRPJ, no valor de R$ 8.449.976,37, conforme se verifica no acórdão DRJ/RJOI n.° 1.138, de 10/05/2002 (fls.904/909). Posteriormente, o Tribunal Regional Federal da 2o Região deu provimento ao recurso da União (processo n.° 98.02.410675). Assim, não há que se falar em saldo credor de IRPJ no ano de 1995, pois na verdade existe um saldo de IRPJ a pagar no referido período. No ano de 1996, a empresa apurou imposto devido de R$ 3.448.165,85 (fl. 910) e teria feito antecipações de: R$ 4.591.662,77 a título de IRRF, conforme extrato IRF Consulta (fl. 911), e R$292.952,50 a título de estimativa, extrato pagamento à fl. 912. Neste período, portanto, os recolhimentos antecipados realizados pela contribuinte teriam superado o IRPJ devido em R$ 1.436.449,42. A requerente informou na DIRPJ referente ao ano calendário de 1997 saldo credor de IRPJ de R$ 10.472.899 (fl. 914). Contudo, pelos sistemas da RFB, somente seria possível convalidar o valor R$ 7.989.693,91, correspondente ao IRRF constante nas DIRF, R$ 7.988.750,98 (fl. 915), e nas estimativas efetivamente pagas, R$ 942,93 (fl. 912). E este valor já está vinculado aos pedidos de restituição/compensação efetuados nos processos n.° 13706.0004230/9919 e 13706.001446/0039, que juntos solicitam R$9.031.275,51. Ou seja, com referência ao saldo negativo de 1997, a contribuinte não só utilizou todo o suposto crédito do período, R$ 7.989.693,91, como também deve ter usado parte do saldo credor oriundo do ano de 1996. Cabe ainda ressaltar que a interessada informou, na DCTF relativa ao 4 o trimestre de 1998, várias compensações de débitos de IRRF com saldo negativo de IRPJ de anos anteriores. Somando somente os maiores valores compensados sem processo (fls. 916/921), obtémse um total parcial de R$ 715.900,17. Assim, considerando os fatos expostos, inferese que a empresa utilizou o saldo negativo do ano calendário de 1998 para compensar valores de IRRF apurados ao longo de 1999. Conforme planilha de fl. 922, após a compensação dos referidos débitos, o saldo negativo de IRPJ remanescente é de R$ 22.682.278,76. Nestes termos, cumpre reconhecer o direito creditório da contribuinte no valor de R$ 22.682.278,76, referente à parcela ainda não utilizada do saldo negativo de IRPJ a pagar apurado no ano calendário de 1998. A recorrente principia sua contestação afirmando ter apurado saldo negativo de R$ 6.595.140,03 no anocalendário 1996, consoante informado em sua DIPJ juntada à manifestação de inconformidade (fls. 1204/1229): Fl. 3310DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 19 18 A autoridade fiscal, porém, tem em conta os dados desta declaração já alterados por lançamento suplementar, como indicado à fl. 910: Fl. 3311DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 20 19 A autoridade fiscal nada noticia acerca do referido lançamento suplementar e dá curso em sua análise a partir da equivocada premissa de que a contribuinte teria apurado imposto devido de R$ 3.448.165,85. Para além disso, reduz as antecipações informadas pela contribuinte em razão do que informado em DIRF e em pagamentos de estimativas, alcançando saldo negativo em montante inferior ao apurado depois do lançamento suplementar acima indicado (R$ 1.436.449,42 contra R$ 4.481.309,91). A recorrente, por sua vez, demonstra que o lançamento suplementar em referência foi lavrado em 25/10/2001, depois de destinado o saldo negativo à compensação de débitos em 1998 e 1999. Para tanto, juntou à manifestação de inconformidade o auto de infração correspondente (fls. 1301/1304), por meio do qual foi alterada a compensação de prejuízos originalmente promovida pela contribuinte, elevando o IRPJ devido e reduzindo o saldo negativo do período ao valor antes indicado (R$ 4.481.309,91), consignandose, como destacado na defesa, que caso o contribuinte já tenha compensado ou recebido restituição em valor superior ao alterado, deverá providenciar o recolhimento da diferença entre o valor compensado ou restituído e o valor alterado, com os acréscimos legais cabíveis. Contudo, ao contrário do que alega a recorrente, este comando não significava a necessidade de recolhimento da diferença de IRPJ apurada no períodobase de 1996, mas sim dos valores indevidamente compensados com o saldo negativo originalmente apurado. De toda sorte, a recorrente demonstra nos demais documentos juntados à manifestação de inconformidade (fls. 1308/1318) que desistiu da impugnação interposta contra aquele lançamento e requereu em 31/07/2003 o parcelamento do imposto que entendeu devido no anocalendário 1996, ajustado ao montante de R$ 1.996.247,09 em razão de deduções do Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT). Assim, embora interpretando equivocadamente as consequências do lançamento em referência, a confissão irretratável daquela dívida restabeleceria, ao menos em parte, o saldo negativo de IRPJ originalmente apurado no anocalendário 1996, a evidenciar a superficialidade da análise fiscal aqui promovida que, como dito, não teve em conta os efeitos do lançamento suplementar. Fl. 3312DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 21 20 Recordese, ainda, que autoridade fiscal também reduziu as antecipações admitidas no lançamento suplementar de R$ 7.850.046,60 para R$ 4.591.662,77 a título de IRRF, conforme extrato IRF Consulta (fl. 911), e R$ 292.952,50 a título de estimativa, extrato pagamento à fl. 912, sem exigir da contribuinte a apresentação dos correspondentes comprovantes de retenção. E, neste sentido, a recorrente juntou à manifestação de inconformidade os elementos de fls. 1320/1376 para evidenciar as retenções sofridas no montante de R$ 6.060.043,79. Para além disso, em ponto anterior de sua defesa, a contribuinte diz que o montante de R$ 7.850.046,60 está detalhado na ficha 09 da DIPJ, e contempla não só retenções na fonte, como também estimativas compensadas nos valores de R$ 1.177.641,10 e R$ 244.225,02, o que, de fato, constatase na DIPJ juntada à manifestação de inconformidade (fls. 1212/1216), sem qualquer objeção oposta pela autoridade fiscal. A recorrente prossegue informando que o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 1996, somado a outros créditos de anos anteriores, foram destinados à liquidação das antecipações de IRPJ do anocalendário 1997, também reduzidas por IRRF do próprio anocalendário 1997 no montante de R$ 3.169.378,11, de modo a resultar no saldo negativo informado em DIPJ no montante de R$ 10.472.899,41. Ressalta, porém, que sofreu outras retenções no montante de R$ 5.861.897,40, que embora não indicadas na DIPJ também integrariam o saldo negativo daquele período, assim totalizado em R$ 16.334.796,81. Os comprovantes de retenção juntados à manifestação de inconformidade (fls. 1271/1299) confirmariam as retenções no total de R$ 9.031.275,51. Com referência ao saldo negativo deste período, a autoridade fiscal apenas confirmou o valor R$ 7.989.693,91, correspondente ao IRRF constante nas DIRF, R$ 7.988.750,98 (fl. 915), e nas estimativas efetivamente pagas, R$ 942,93 (fl. 912). Ignorou, portanto, as estimativas liquidadas por meio de compensação, como informado em DIPJ, e as demais retenções que poderiam ser confirmadas mediante a apresentação de informe de rendimentos. E, constatando que a contribuinte já se valera da parcela de R$ 9.031.275,51 nos processos administrativos nº 13706.0004230/9919 e 13706.001446/0039, a autoridade fiscal cogitou que a contribuinte ali teria se utilizado não só do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 1997, como parte do saldo credor oriundo do ano de 1996, o que de fato, possivelmente ocorreu, mas mediante destinação do saldo credor de IRPJ apurado no ano calendário 1996 para compensação das estimativas devidas ao longo do anocalendário 1997. Ao final, a recorrente conclui que dispunha de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 1997 no valor total de R$ 16.334.796,81, confirma que destinou a parcela de R$ 9.031.275,55 aos processos administrativos acima referidos, mas ainda assim lhe restou crédito de R$ 7.303.521,30, suficiente para as compensações sem processo efetuadas nas DCTFs relativas ao 4º trimestre de 1998 e 1º a 4º trimestres de 1999, restandolhe, ainda, crédito de R$ 6.943.980,77. Subsidiariamente demonstra que mesmo admitindose a redução promovida por meio de lançamento suplementar no saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário 1996, ainda assim lhe restaria, depois da destinação da parcela de R$ 9.031.275,55 do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1997, crédito de R$ 5.189.691,17, excedente em R$ 3.815.512,18 das compensações sem processo questionadas pelo Fisco. Considerando os elementos juntados à manifestação de inconformidade, impõese concluir que a autoridade fiscal não logrou reunir indícios suficientes para inferir a inexistência de saldo negativo de IRPJ disponível para as compensações sem processo promovidas pela contribuinte. As retenções parcialmente confirmadas em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal foram confrontadas por comprovantes de retenção Fl. 3313DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 22 21 apresentadas pela contribuinte, o lançamento suplementar promovido no anocalendário 1996 não foi abordado pela autoridade fiscal e as antecipações liquidadas por compensação nos anoscalendário 1996 e 1997 foram desconsideradas sem qualquer justificativa na análise fiscal. Frente a tal contexto, o conjunto probatório reunido pela defesa é suficiente para demonstrar a fragilidade das conclusões fiscais, e embora insuficiente para provar, efetivamente, a existência e o montante do crédito apurado até 1997, e sua suficiência e efetiva destinação às compensações apontadas pela autoridade fiscal, é prova bastante para desconstituir as inferências construídas no despacho decisório com vistas a justificar a glosa aqui questionada. De fato, tivesse a autoridade fiscal baseado a sua conclusão em investigação específica das apurações anteriores, estaria a contribuinte obrigada a desconstituir tais conclusões com provas mais robustas. Contudo, como a própria acusação fiscal se baseia em suposições, os elementos trazidos pela recorrente são hábeis a demonstrar sua improcedência. A recorrente também observa que a decisão de 1ª instância indevidamente vinculou outras compensações promovidas de 2000 a 2002 ao saldo negativo em debate, e esta questão, de fato, não foi levantada no despacho decisório, até porque o pedido de restituição aqui sob análise foi protocolado, em sua parte inicial, ao final do anocalendário 1999. De toda sorte, a acusação fiscal, dentro de seus limites, restou desconstituída, de modo que não só a análise do saldo negativo não pode ficar restrita ao que informado em DIPJ, como também deve ser DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário para restabelecer a parcela de R$ 2.576.518,60 do direito creditório, glosada por suspeita de sua destinação a compensações sem processo. Prosseguindo, a autoridade fiscal não admitiu a dedução de retenções promovidas por Caixa Econômica Federal (R$ 6.295.625,68), Banco Fininvest S/A (R$ 78.930,46) e Morgan Guaranty Trust Company of New York (R$ 102.277,38), porque corresponderiam a rendimentos tributáveis exclusivamente na fonte. Apreciando a inconformidade manifestada pela contribuinte, a autoridade julgadora de 1ª instância asseverou que: 47. No caso concreto, a autoridade fiscal informa na sua decisão que os rendimentos auferidos em aplicações financeiras junto à Caixa Econômica Federal sujeitaram à tributação exclusiva na fonte, o que impede, a seu ver, a dedução do IRRF, no valor de R$ 6.295.625,68, do IRPJ devido no período para a determinação do saldo de imposto a pagar. 48. Observa ainda que não foram admitidas a dedução do IR retido na fonte pelo Banco Fininvest S/A, no valor de R$ 78.930,46, informe de rendimentos de fls. 125/126, e pela Morgan Guaranty Trust Company of New York, no montante de R$ 102.277,38 (fls. 129/131), porque se trata de tributação exclusiva na fonte. 49. Com base no exposto acima, apurou o valor de IRRF passível de integrar o saldo negativo de IRPJ, isto é, R$ 24.966.492,96 (R$ 31.443.326,48 – 6.295.625,68 – R$ 78.930,46 – 102.277,38). 50. Assim sendo, reconheceu a autoridade administrativa o direito creditório no valor de R$ 22.682.278,76, que se refere à parcela ainda não utilizada do saldo negativo de IRPJ a pagar apurado no anocalendário de 1998 (vide cálculo à fl. 922). 51. O interessado alega que as retenções na fonte desconsideradas pela autoridade fiscal não tratam de tributação exclusiva na fonte, como afirmam equivocadamente os informes de rendimentos. Fl. 3314DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 23 22 52. Entendo que a razão está com a autoridade administrativa. Em primeiro lugar, porque, como bem salientado pela autoridade administrativa, o comprovante de rendimentos elaborado pela Caixa Econômica Federal possui valores mensais destoando do total anual e também divergentes das importâncias informadas em DIRF. 53. Ademais, conforme o informe de rendimentos financeiros do anocalendário de 1998, juntado pelo interessado, os rendimentos em análise sujeitaramse à tributação exclusiva na fonte. Destarte, não cabe argüir se os referidos valores integraram ou não o lucro real, pois não é possível a dedução do correspondente IRRF, de R$ 6.295.625,68. 54. Em síntese, o comprovante de rendimentos apresentado pelo requerente, apesar de demonstrar a retenção na fonte efetuada pela CEF, é prova contrária ao reconhecimento do indébito pleiteado pelo interessado. 55. Cabia ao interessado provar qual foi efetivamente a aplicação financeira realizada na CEF, a natureza dos rendimentos para efeito de tributação, assim como a demonstração do oferecimento à tributação dos valores em comento. 56. Tendo em vista que o interessado somente faz referência à parte da legislação fiscal sobre o tema, esquivandose de comprovar os fatos mencionados no item acima, entendo que deve ser mantida a decisão atacada. 57. O mesmo raciocínio se aplica a dedução do IRRF pelo Banco Fininvest S/A, no valor de R$ 78.930,46, informe de rendimentos de fls. 125/126, e pela Morgan Guaranty Trust Company of New York, no valor de R$ 102.277,38 (fls. 129/131), visto que o interessado não comprovou que não se trata de tributação exclusiva na fonte. O informe de rendimentos emitido pela Caixa Econômica Federal consta à fl. 04 do processo apenso nº 13706.002251/0015 e é, abaixo, reproduzido: Fl. 3315DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 24 23 Como se vê, as decisões precedentes deram crédito ao título atribuído aos rendimentos (3. RENDIMENTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA VALORES EM REAIS) e desmereceram a informação da operação que os ensejou (CDB). Ignoraram, também, a investigação fiscal promovida junto à escrituração do sujeito passivo acerca destes rendimentos, e as diversas irregularidades constatadas na prestação de informações por parte da instituição financeira em referência. De fato, à fl. 257 consta o resumo das informações prestadas pela instituição financeira em DIRF, no qual rendimentos de R$ 23.671.903,16 e retenção de R$ 4.708.680,17 estão associadas ao código de retenção 3426, destinado a aplicações financeiras de renda fixa, exceto em fundos de investimento por pessoa jurídica, consoante informa a própria Receita Federal em seu sítio na Internet (http://www.receita.fazenda.gov.br/pessoajuridica/ dirf/Mafon2002/rendcapital/AplicacaoFinanRenFixaPJ.htm). Além disso, a Caixa Econômica Federal foi intimada a esclarecer o descompasso entre os valores informados, nada se perquirindo acerca do código de retenção consignado em DIRF (fls. 587/588). De forma semelhante, a decisão anulatória do despacho inicial apenas mencionou que: Sobre esse aspecto em particular, mormente em razão dos valores envolvidos, cumpre salientar em relação à Caixa Econômica Federal: Fl. 3316DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 25 24 I Enquanto a DIRF (fls. 655 linha 164 da planilha às fls. 754) acusa rendimentos de R$ 23.671.903,16, o Informe de Rendimentos Financeiros às fls. 04 do processo apensado n.2 13706.002251/0015 registra R$ 28.107.803,84, ou seja, há uma diferença de R$ 4.435.900,68 entre a DIRF e o Informe de Rendimentos Financeiros. II O valor de R$ 28.107.803,84 indicado no Informe de Rendimentos Financeiros difere em R$ 4.026.744,59 do que se obtém pela soma dos rendimentos mensais nele discriminados, os quais importam em R$ 32.134.548,43 (ver a linha 158 da planilha às fls. 754). III A diferença de R$ 4.026.744,59 corresponde aos rendimentos brutos mensais de janeiro, fevereiro e março (R$ 1.624.834,35; R$ 733.614,16 e R$ 1.668.296,08), que não foram computados pela CEF na determinação do total anual. [...] É importante esclarecer, quanto ao erro existente no Informe de Rendimentos Financeiros da CEF, que na planilha às fls. 754 os rendimentos mensais nele indicados foram totalizados corretamente, razão pela qual, bem assim pelo fato de que tais rendimentos superam, sem exceção, aqueles que constam da DIRF, ele não teve influência alguma sobre o valor de R$ 41.530.983,62 acima tabulado sob a referência 02 Depois de editada a decisão anulatória, a autoridade fiscal requereu diligência inclusive para, no que toca particularmente ao tópico II2, esclarecer e sanar as inconsistências acima apontadas entre o Informe de Rendimentos Financeiros da Caixa Econômica Federal às fls. 04 do processo apensado n.° 13706.002251/0015, já relatadas mais acima, bem assim sua discrepância com a DIRF às fls. 655 do processo principal, também já detalhadas alhures, novamente sem perquirir de qualquer irregularidade na natureza dos valores retidos. Desta diligência resultou a constatação de que a contribuinte escriturou os seguintes valores em razão de operações com a Caixa Econômica Federal (fl. 873): E a autoridade fiscal encarregada da diligência ainda consignou que (fl. 888): Fl. 3317DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 26 25 Com relação as divergências apontadas entre as DIRFs apresentadas pelas instituições financeiras e os comprovantes de rendimentos entregues pela empresa que ora solicita a restituição do saldo negativo de IRPJ, temos a informar que todos os bancos que apresentaram divergências foram intimados a prestar os devidos esclarecimentos e as respostas encontramse acostadas no anexo 3. Cabe ressaltar, que a Caixa Econômica Federal, via telefone, entrou em contato direto com o Auditor signatário da ação fiscal e informou que em virtude do tempo decorrido não era possível reaver toda a documentação solicitada, desde já foi pedido que enviasse todos os documentos encontrados que tivessem a ver com a matéria questionada. O informe de rendimentos apresentado pela instituição financeira apresenta como somatório dos rendimentos o valor de R$ 28.107.803,84 e como retido na fonte o valor de R$ 6.295.625,68, entretanto ao efetuarmos o somatório mês a mês os valores constantes do informe de rendimentos encontramos como resultado R$ 32.134.558,43. Diante do fato, da instituição financeira não apresentar a documentação necessária para que as dúvidas pudessem ser sanadas, entendo que a melhor forma para darmos prosseguimento ao processo seria o de acatar o que encontrase registrado nos livros comerciais e fiscais, pois, foi com base neles que o contribuinte vem pleiteando as compensações com o saldo negativo de IRPJ. [...] Os elementos reunidos na diligência e juntados às fls. 148/157 do Anexo 1 expressam a movimentação contábil dos ativos mantidos na instituição financeira de 1996 a 2000 e evidenciam aplicações, resgates e rendimentos que seguem o padrão de aplicações de renda fixa. Por sua vez, como bem aduz a recorrente, os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa deixaram de se sujeitar a tributação exclusiva na fonte desde a alteração da Lei nº 8.541/92 pela Lei nº 8.981/95: Lei nº 8.541/92: Art. 36. Os rendimentos auferidos pelas pessoas jurídicas, inclusive isentas, em aplicações financeiras de renda fixa iniciadas a partir de 1° de janeiro de 1993 serão tributadas, exclusivamente na fonte, na forma da legislação vigente, com as alterações introduzidas por esta lei. § 1° O valor que servir de base de cálculo do imposto de que trata este artigo será excluído do lucro líquido para efeito de determinação do lucro real. § 2° O valor das aplicações de que trata este artigo deve ser corrigido monetariamente pela variação acumulada da Ufir diária da data da aplicação até a data da cessão, resgate, repactuação ou liquidação da operação. § 3° A variação monetária ativa de que trata o parágrafo anterior comporá o lucro real mensal ou anual, devendo ser apropriada pelo regime de competência. § 4° O imposto retido na fonte lançado como despesa será indedutível na apuração do lucro real. § 5° O disposto neste artigo contempla as aplicações efetuadas nos fundos de investimento de que trata o art. 25 da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 6° O disposto neste artigo se aplica às operações de renda fixa iniciadas e encerradas no mesmo dia (daytrade). § 7° Fica mantida a tributação sobre as aplicações em Fundo de Aplicação Financeira (FAF) (Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, art. 21, § 4°), nos termos previstos na referida lei . § 8° O disposto neste artigo não se aplica aos ganhos nas operações de mútuo entre pessoas jurídicas controladoras, controladas ou coligadas. Fl. 3318DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 27 26 Lei nº 8.981/95: Art. 65. O rendimento produzido por aplicação financeira de renda fixa, auferido por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta, a partir de 1º de janeiro de 1995, sujeitase à incidência do Imposto de Renda na fonte à alíquota de dez por cento. § 1º A base de cálculo do imposto é constituída pela diferença positiva entre o valor da alienação, líquido do imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, e sobre operações relativas a títulos ou valores mobiliários (IOF), de que trata a Lei nº 8.894, de 21 de junho de 1994, e o valor da aplicação financeira. § 2º Para fins de incidência do Imposto de Renda na fonte, a alienação compreende qualquer forma de transmissão da propriedade, bem como a liquidação, resgate, cessão ou repactuação do título ou aplicação. § 3º Os rendimentos periódicos produzidos por título ou aplicação, bem como qualquer remuneração adicional aos rendimentos prefixados, serão submetidos à incidência do Imposto de Renda na fonte por ocasião de sua percepção. § 4º O disposto neste artigo aplicase também: a) às operações conjugadas que permitam a obtenção de rendimentos predeterminados, realizadas nas bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, bem como no mercado de balcão; b) às operações de transferência de dívidas realizadas com instituição financeira, demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil ou com pessoa jurídica nãofinanceira; c) aos rendimentos auferidos pela entrega de recursos a pessoa jurídica, sob qualquer forma e a qualquer título, independentemente de ser ou não a fonte pagadora instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil. § 5º Em relação às operações de que tratam as alíneas a e b do § 4º, a base de cálculo do imposto será: a) o resultado positivo auferido no encerramento ou liquidação das operações conjugadas; b) a diferença positiva entre o valor da dívida e o valor entregue à pessoa jurídica responsável pelo pagamento da obrigação, acrescida do respectivo Imposto de Renda retido. § 6º Fica o Poder Executivo autorizado a baixar normas com vistas a definir as características das operações de que tratam as alíneas a e b do § 4º. § 7º O imposto de que trata este artigo será retido: a) por ocasião do recebimento dos recursos destinados ao pagamento de dívidas, no caso de que trata a alínea b do § 4º; b) por ocasião do pagamento dos rendimentos, ou da alienação do título ou da aplicação, nos demais casos. § 8º É responsável pela retenção do imposto a pessoa jurídica que receber os recursos, no caso de operações de transferência de dívidas, e a pessoa jurídica que efetuar o pagamento do rendimento, nos demais casos. Art. 66. Nas aplicações em fundos de renda fixa, inclusive, em Fundo de Aplicação Financeira (FAF), resgatadas a partir de 1º de janeiro de 1995, a base de cálculo do imposto sobre a renda na fonte será constituída pela diferença positiva entre o valor do resgate, líquido de IOF, e o valor de aquisição da quota. Fl. 3319DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 28 27 Parágrafo único. O imposto, calculado à alíquota de dez por cento, será retido pelo administrador do fundo na data do resgate. [...] Art. 76. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, ou pago sobre os ganhos líquidos mensais, será: (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) I deduzido do apurado no encerramento do período ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real; II definitivo, no caso de pessoa jurídica não submetida ao regime de tributação com base no lucro real, inclusive isenta, e de pessoa física. § 1º No caso de sociedade civil de prestação de serviços, submetida ao regime de tributação de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 2.397, de 1987, o imposto poderá ser compensado com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos sócios beneficiários. § 2º Os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável e os ganhos líquidos produzidos a partir de 1º de janeiro de 1995 integrarão o lucro real. § 3º As perdas incorridas em operações iniciadas e encerradas no mesmo dia (day trade), realizadas em mercado de renda fixa ou de renda variável, não serão dedutíveis na apuração do lucro real. § 4º Ressalvado o disposto no parágrafo anterior, as perdas apuradas nas operações de que tratam os arts. 72 a 74 somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o limite dos ganhos auferidos em operações previstas naqueles artigos. § 5º Na hipótese do § 4º, a parcela das perdas adicionadas poderá, nos anos calendário subseqüentes, ser excluída na determinação do lucro real, até o limite correspondente à diferença positiva apurada em cada ano, entre os ganhos e perdas decorrentes das operações realizadas. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) § 6º Fica reduzida a zero a alíquota do IOF incidente sobre operações com títulos e valores mobiliários de renda fixa e renda variável. § 7º O disposto no § 6º não elide a faculdade do Poder Executivo alterar a alíquota daquele imposto, conforme previsto no § 1º do art. 153 da Constituição Federal e no parágrafo único do art. 1º da Lei nº 8.894, de 21 de junho de 1994. (negrejouse) Assim, os documentos juntados aos autos permitem concluir que houve erro material por parte da instituição financeira ao indicar, no informe de rendimentos, que os rendimentos auferidos pela contribuinte estariam sujeitos à retenção de imposto exclusivamente na fonte, razão pela qual deve ser admitida a dedução de R$ 6.295.625,68, referente a imposto retido por Caixa Econômica Federal. Quanto às retenções promovidas por Banco Fininvest S/A e Morgan Guaranty Trust Company of New York, observase nos informes de rendimento descompassos semelhantes aos promovidos pela Caixa Econômica Federal. Vejase: Fl. 3320DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 29 28 As duas instituições financeiras também atribuem o título de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva para informar o resultado de aplicações de renda fixa. Notese, aliás, que nenhum dos formulários aqui reproduzidos trazem campo destinado a rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual. Somente há campos para informação de rendimentos isentos ou sujeitos à tributação exclusiva na fonte, muito embora esta incidência não fosse mais a regra desde a edição da Lei nº 8.981/95. Acrescentese, por oportuno, que a Lei nº 8.981/95 estabeleceu a seguinte regra de transição: Fl. 3321DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 30 29 Art. 67. As aplicações financeiras de que tratam os arts. 65, 66 e 70, existentes em 31 de dezembro de 1994, terão os respectivos rendimentos apropriados prorata tempore até aquela data e tributados nos termos da legislação à época vigente. § 1º O imposto apurado nos termos deste artigo será adicionado àquele devido por ocasião da alienação ou resgate do título ou aplicação. § 2º Para efeitos de apuração da base de cálculo do imposto quando da alienação ou resgate, o valor dos rendimentos, apropriado nos termos deste artigo, será acrescido ao valor de aquisição da aplicação financeira. § 3º O valor de aquisição existente em 31 de dezembro de 1994, expresso em quantidade de Ufir, será convertido em Real, pelo valor de R$ 0,6767. § 4º Excluemse do disposto neste artigo as aplicações em Fundo de Aplicação Financeira (FAF) existentes em 31 de dezembro de 1994, cujo valor de aquisição será apurado com base no valor da quota na referida data. § 5º Os rendimentos das aplicações financeiras de que trata este artigo, produzidos a partir de 1º de janeiro de 1995, poderão ser excluídos do lucro real, para efeito de incidência do adicional do Imposto de Renda de que trata o art. 39. Nestes termos, a possibilidade de tributação exclusiva na fonte para rendimentos de aplicação de renda fixa limitavase ao valores auferidos até 31/12/94 e ainda não resgatados. Contudo, como pode ser observado no informe de rendimentos do Banco Fininvest S/A, a contribuinte não apresentava saldo inicial de aplicações em 31/12/97, e relativamente à fonte pagadora Morgan Guaranty Trust Company of New York, somente foi auferido rendimento no mês de setembro/98, sem qualquer ressalva pela autoridade fiscal acerca da origem da aplicação antes de 31/12/94. Recordese, ainda, que na diligência fiscal promovida antes do despacho decisório, concluiuse que os rendimentos em referência foram, assim, como os demais, regularmente computados na apuração do lucro tributável segundo o regime de competência, dado que nenhuma ressalva foi feita acerca destas fontes pagadoras. Vejase o que consta às fls. 886/889: Considerando a diferença de valores encontrados nos informes de rendimentos fornecidos pelas instituições financeiras e o total de rendimentos oferecidos a tributação oriundos de aplicação financeira, o contribuinte foi intimado a comprovar que a totalidade desses rendimentos informados nos comprovantes de rendimentos apresentados pelo sujeito passivo foram escriturados nos livros contábeis e fiscais e oferecidos a tributação. Diante da escrituração do contribuinte verificamos que a divergência apresentada consiste na forma de contabilização das receitas, uma vez que o contribuinte acima qualificado realiza sua escrituração pelo regime de competência, enquanto que os informes de rendimentos apresentados e anexados ao processo que são emitidos pelas instituições financeiras são realizados pelo regime de caixa. Diante dos fatos, verificamos, por amostragem a exatidão dos valores constantes da DIPJ. Cabe ressaltar que a Caixa Econômica Federal, em virtude de um erro de somatório em seu informe de rendimentos, encontravase entre as instituições financeiras selecionadas para análise junto aos valores escriturados pelo contribuinte. Desde já posso informar que devem ser considerados os valores registrados nos livros, fiscais do sujeito passivo, pois, são estes os que foram oferecidos a tributação, conforme fls. anexas da conta de ativo 1.1.11.2.01.0291 Aplic. Financ. CEF(anexo 1). Neste anexo também encontramse as folhas do razão da conta Fl. 3322DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 31 30 3.5.92.1.07.0015 receitas sobre as aplicações financeiras, relativa ao ano calendário de 1998. Nos anexos 1 e 2 , também encontramos a conta de investimento, separadas por instituição financeira, para os demais anos calendário(conferidas por amostragem). No razão da conta de ativo comprovamos que existe divergências entre os valores dos informes de rendimentos, emitidos pelas instituições financeiras e os valores escriturados nos livros do sujeito passivo em função da forma de escrituração. Enquanto, o contribuinte esta sujeito ao regime de competência, as instituições financeiras utilizam o regime de caixa. Em função do exposto, os valores a serem considerados devem ser os constantes da DIPJ, considerando que não se verificou discrepância entre a Declaração de Informações Econômico Fiscais e os registros contábeis constantes dos livros do sujeito passivo. Diante da documentação apresentada pelo contribuinte para os demais anos calendário e o cotejo dos mesmos com os valores registrados em sua escrituração, entendemos que a amostragem realizada foi suficiente para acreditar que o sujeito passivo vem fazendo suas Declarações em comum acordo com os valores registrados em seus livros comerciais e fiscais. (negrejouse) Por todo o exposto, ante as informações contraditórias presentes nos informes de rendimentos, indicando tratarse, ali, de rendimentos auferidos em aplicações de renda fixa, mas apontados como sujeitos a tributação exclusiva na fonte, e também porque ausente qualquer demonstração, por parte da autoridade fiscal, de que a retenção tenha sido promovida em razão de rendimentos auferidos até 31/12/94, mas sim presente a constatação de que os rendimentos em referência foram regularmente computados na apuração do lucro tributável, impõese concluir pela inexistência de provas que sustentem a glosa promovida no despacho decisório aqui contestado, razão pela qual deve ser DADO PROVIMENTO ao recurso voluntário para admitir que houve erro na indicação destes rendimentos como sujeitos a tributação exclusiva, permitindose a dedução do imposto de renda retido na apuração do IRPJ devido no anocalendário 1998. A recorrente também discorda do indeferimento das retificações de DCTF promovidas em relação dos débitos de Contribuição ao PIS e COFINS referentes a março/2002, manifestandose contra a falta de apreciação de seus argumentos na decisão recorrida, argumentando que a retificação dos débitos informados nos Pedidos de Compensação resultou na restauração de parte do saldo negativo de 1998 (R$ 268.357,95); assim, o que se discute não é o direito à retificação, mas a homologação das DCOMPs apresentadas em 2004, nas quais a RECORRENTE utilizou crédito decorrente da retificação de Pedidos de Compensação; ou seja, o que se discute é o indeferimento do próprio direito creditório da RECORRENTE. Contudo, a restauração do saldo negativo, como acima mencionado, somente se verifica e passa a ser objeto de discussão se a retificação pleiteada for deferida. Por sua vez, a apreciação desta retificação não está contemplada, na lei, como ato sujeito à discussão no contencioso administrativo especializado. Isto porque, com a edição da Lei nº 9.784/99, o contencioso administrativo passou a observar suas regras, exceto quando disciplinados por lei própria: Art. 1o Esta Lei estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração. [...] Fl. 3323DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 32 31 Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. E, até então, o Decreto nº 70.235/72 tratava, apenas, da discussão dos lançamentos tributários no âmbito das instâncias administrativas especializadas (DRJ, Conselhos de Contribuintes, Câmara Superior de Recursos Fiscais): Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Parágrafo único. Na hipótese de devolução do prazo para impugnação do agravamento da exigência inicial, decorrente de decisão de primeira instância, o prazo para apresentação de nova impugnação, começará a fluir a partir da ciência dessa decisão. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] Art.25.O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: I em primeira instância: a) aos Delegados da Receita Federal, titulares de Delegacias especializadas nas atividades concernentes a julgamento de processos, quanto aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) b) às autoridades mencionadas na legislação de cada um dos demais tributos ou, na falta dessa indicação aos chefes da projeção regional ou local da entidade que administra o tributo, conforme for por ela estabelecido. II Em segunda instância, aos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, com a ressalva prevista no inciso III do § 1º. § 1° Os Conselhos de Contribuintes julgarão os recursos, de ofício e voluntário, de decisão de primeira instância, observada a seguinte competência por matéria: [...] III 3° Conselho de Contribuintes: tributos estaduais e municipais que competem à União nos Territórios e demais tributos federais, salvo os incluídos na competência julgadora de outro órgão da administração federal; [...] § 4º O recurso voluntário interposto de decisão das Câmaras dos Conselhos de Contribuintes no julgamento de recurso de ofício será decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Com a alteração da Lei nº 9.430/96 pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, passou a existir previsão legal expressa no sentido de que a Fl. 3324DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 33 32 nãohomologação de compensações também seria objeto de apreciação no contencioso administrativo especializado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) [...] O ato de nãohomologação de DCOMP ou de indeferimento de pedido de compensação é formalizado em face de uma determinada compensação declarada ou pleiteada considerada sujeita à apreciação da autoridade administrativa competente. O ato de indeferimento de retificações ou cancelamentos de pedidos de compensação ou DCOMP é anterior a esta apreciação, e prestase, justamente, a impedila em relação às novas informações ali veiculadas, fazendo prevalecer o pedido ou declaração anterior. Assim, o ato de indeferimento de retificações ou cancelamentos não integra o ato de nãohomologação passível de discussão no contencioso administrativo especializado. Tratase de providência paralela, que pode até repercutir no ato de nãohomologação da compensação, mas que se sujeita à discussão administrativa no âmbito do contencioso administrativo geral. Caso houvesse recurso pendente de apreciação pelas autoridades administrativas definidas na Lei nº 9.784/99, poderia até se cogitar de sobrestar o presente julgamento, para se aguardar a definição acerca de qual pedido de compensação/DCOMP deveria prevalecer como veículo da compensação promovida pela contribuinte. Todavia, a contribuinte não apresentou tempestivamente seu questionamento, razão pela qual o indeferimento tornouse definitivo. Fl. 3325DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 34 33 Todavia, registrese que, caso presente causa de nulidade absoluta, sua declaração se imporia independentemente de recurso do interessado. De fato, neste sentido é a Lei nº 9.784/99: Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Art. 54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada máfé. § 1o No caso de efeitos patrimoniais contínuos, o prazo de decadência contarseá da percepção do primeiro pagamento. § 2o Considerase exercício do direito de anular qualquer medida de autoridade administrativa que importe impugnação à validade do ato. Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. No presente caso, porém, não se vislumbra qualquer defeito insanável que pudesse ensejar a ilegalidade do ato de indeferimento de retificação/cancelamento das DCOMP, dado que este: · foi praticado por autoridade competente (Delegado da Receita Federal da DERAT/RJ); · enuncia motivos coerentes com as provas reunidas, no sentido de que a retificação não deveria ter alcançado as parcelas dos débitos vinculados ao crédito aqui em debate, mas sim outra parcelas dos mesmos débitos compensados nos autos do processo administrativo nº 13706.003003/200199; · foi regularmente cientificado ao interessado. Portanto, mesmo para além das atribuições legalmente previstas, não há motivos para se representar à autoridade competente para revisão de ofício do ato de indeferimento de parte das retificações pleiteadas pela contribuinte, porque nenhum vício nele se verifica. Por estas razões, o presente voto é no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, na parte em que questiona o indeferimento da retificação do pedido de compensação dos débitos de Contribuição ao PIS e COFINS devidos em março/2002. A recorrente defende, por fim, que, mesmo se ultrapassados todos os argumentos acima, as DCOMP apresentadas em 2004 devem ser homologadas porque, na medida em que o despacho decisório primeiro destinou o crédito reconhecido à contribuinte à compensação com débitos próprios, uma vez afastada, na decisão recorrida, a prescrição do direito à utilização do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998 naquelas DCOMP, o crédito reconhecido deve ser primeiro a elas imputado, para só depois ser destinado às compensações com débitos de terceiros. Fl. 3326DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 35 34 De fato, como bem observado na decisão recorrida, a liquidação de pedidos de compensação com débitos de terceiros deve observar o que consignado na Instrução Normativa SRF nº 21/97: Compensação de Crédito de um Contribuinte com Débito de Outro Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. § 1º A compensação de que trata este artigo será efetuada a requerimento dos contribuintes titulares do crédito e do débito, formalizado por meio do formulário "Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros", de que trata o Anexo IV. § 2º Se os contribuintes estiverem sob jurisdição de DRF ou IRFA diferentes, o formulário a que se refere o parágrafo anterior deverá ser preenchido em duas vias, devendo cada contribuinte protocolizar uma via na DRF ou IRFA de sua jurisdição. § 3º Na hipótese do parágrafo anterior, a via do Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, entregue à DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do débito terá caráter exclusivo de comunicado. § 4º Na hipótese do § 2º, a competência para analisar o pleito, efetuar a compensação e adotar os procedimentos internos de que trata o § 2º do art. 13 é da DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do crédito. 5º Nas compensações de que trata este artigo, o Documento Comprobatório de Compensação de que trata o Anexo V será emitido em duas vias, devendo ser entregue uma via para cada contribuinte. § 6º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art.17. (negrejouse) Nestes termos, a autoridade competente deve primeiro imputar o direito creditório reconhecido aos débitos do próprio sujeito passivo, e somente se apurada parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, destinála à liquidação de débitos de outro contribuinte. No presente caso, não foram homologadas as DCOMP que vincularam débitos próprios do sujeito passivo a parcelas do saldo negativo de IRPJ nos valores nelas apontado de R$ 2.190.348,80 e de R$ 4.473.807,68 (fls. 01/43 do processo apenso nº 15374.720118/200923), e por esta razão o direito creditório reconhecido à contribuinte, embora em menor monta do que pleiteado, ainda assim permitiu que fossem alcançados débitos de terceiros consoante conclusão final da decisão aqui questionada: iii) DEFERIR a compensação da parcela de RS 3.567.859,92 referente ao débito de R$ 5.024.469,01 assinalado no Pedido de Compensação de Crédito Próprio com Débito de Terceiro de fls. 168 (Cofins de 01/2000) e dos débitos de R$ 5.562.212,53, R$ 6.545.507,84 e R$ 1.416.958,75, constantes respectivamente, dos Pedidos de Compensação de Crédito Próprio com Débito de Terceiros às fls. 02 e 153 (Cofins de 11/1999 e PIS e Cofins de 12/1999); iv) INDEFERIR a compensação do saldo de R$ 1.456.919,09 pertinente ao débito de R$ 5.024.459,01 de que trata o Pedido de Compensação de Crédito Próprio com Fl. 3327DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 36 35 Débito de Terceiro de fls. 158, mencionado no item III, e as compensações dos débitos de PIS de 01/2000 e de PIS e Cofins de 02/2000 constantes nos Pedidos de Compensação de Crédito Próprio com Débito de Terceiro de fls. 168 e 180. Ocorre que a autoridade julgadora de 1ª instância afastou o argumento adotado no despacho decisório para negar homologação a estas compensações, qual seja, a prescrição do direito de utilização do indébito. Neste sentido, consignou que: Portanto, entendo que não ocorreu a decadência do direito do interessado pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ, referente ao anocalendário de 1998, já que o pedido inicial foi efetuado em 13/12/1999 (fl. 01), e não em 23/06/2004 e 20/07/2004, como entendeu a DERAT/RJO. Salvo melhor juízo, a anulação das Decisões – Pareceres Conclusivos nº 137 (fls. 277/279), nº 138 (fls. 256/261 do processo nº 13706.002251/0051) e nº 139 (fls. 104/106 do processo nº 13706.003382/200117) permitiu que o interessado procedesse à retificações e à apresentação de novos pedidos de compensação, os quais devem receber o mesmo tratamento dos demais pedidos de compensação e DCOMP, em razão da sua admissão pela RFB. Cabe acrescentar, ainda, que o Supremo Tribunal Federal decidiu, em sede de repercussão geral, que as alterações promovidas pela Lei Complementar nº 118/2005 somente produziriam efeitos relativamente às ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, aplicandose antes disso a jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça em favor do prazo de 10 (dez) anos para repetição ou compensação de indébito. E no mesmo sentido também se consolidou a jurisprudência deste Conselho em face de pedidos administrativos de restituição/compensação: Súmula CARF nº 91. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Assim, é certo que o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 1998 ainda era passível de utilização no momento da apresentação das DCOMP em referência, de 23/06/2004 a 20/07/2004. E, afastado o óbice apresentado no despacho decisório para tanto, o direito creditório reconhecido à contribuinte deveria ser primeiro destinado à compensação dos débitos próprios veiculados em tais DCOMP, para somente depois ser imputado aos débitos de terceiros. Consequência desta providência, tendo em conta os montantes antes mencionados, seria a eventual subsistência, apenas, de débitos de terceiros não liquidados, cuja cobrança não seria mais possível, nos termos do que também consignado na decisão de 1ª instância: DOS PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO COM DÉBITO DE TERCEIRO. 65. Tratase agora do indeferimento da compensação do saldo de R$ 1.456.919,09 pertinente ao débito de R$ 5.024.469,01 assinalado no Pedido de Compensação de Créditos Próprios com Débito de Terceiro de fl. 168 (COFINS de 01/2000), bem como as compensações dos débitos de PIS de 01/2000 e de PIS e COFINS de 02/2000, as quais constam dos Pedidos de Compensação de Créditos Próprios com Débito de Terceiro de fls. 168 e 180. 66. Inicialmente, impende informar que o Parecer PGFN/CDA/CAT n.º 1.499/2005, já esclareceu que os Pedidos de Compensação de Crédito com Débito de Terceiro não se convertem em DCOMP, não se aplicando a tais pedidos o prazo previsto no § 5º, do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 para homologação da compensação (cinco anos): Fl. 3328DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 37 36 IV – IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO DE UM CONTRIBUINTE COM DÉBITO DE OUTRO 31. Tópico também importante, já objeto de diversas consultas dirigidas a esta CDA, é o referente à possibilidade, ou não, de ocorrer a compensação de crédito de um contribuinte com débito de outro. 32. Em primeiro lugar, devese assentar que a legislação tributária não permite a cessão de créditos a terceiros com a finalidade de compensação. Assim, no mesmo diapasão do Direito Privado, a compensação do regime de Direito Público exige a existência de duas pessoas, simultaneamente credoras e devedoras uma da outra, havendo duas obrigações recíprocas entre as partes, sendo que o que diferencia aqueles regimes de compensação é o fato de que no Direito Tributário (Direito Público) as partes têm de ser credor e devedor recíprocos ex lege e ab initio. 33. A redação do art. 170, do CTN, não deixa margem a dúvidas, na medida em que apenas admite que se proceda ao encontro de contas entre créditos fiscais com créditos do próprio sujeito passivo contra o Fisco, ou seja, apenas no caso de o sujeito passivo ter direito a recebimento de algum crédito seu contra a Fazenda ele pode optar por compensar esse valor com débitos seus para com o Fisco. 34. O próprio Código Civil de 1916, no seu art. 1.017, já exigia o “encontro entre a administração e o devedor” para que fosse efetivada a compensação. Do mesmo modo, a lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002 – Novo Código Civil, entende ser essencial à compensação a existência de créditos e débitos recíprocos, conforme regra do seu art. 368, reflexo positivado daquilo que se entende por compensação no âmbito da teoria geral do direito. Neste ponto, a despeito de a compensação tributária exigir que os partícipes da relação jurídica tributária sejam os originais, o regime de direito público e o de direito privado aplicados à compensação têm um denominador comum, senão veja se: “Art. 368. Se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem”. 35. Assim, tendo em vista o disposto no citado art. 170 do CTN e no art. 74 da Lei n.º 9.430/96, e a despeito do que dispunha o art.15 da IN/SRF n.º 21/97, temse que a compensação com crédito de terceiro não encontra amparo legal. A este respeito já houve manifestação desta Procuradoria, por meio do Parecer PGFN/CAT n.º 1010/2000, que assim dispôs: “11. A IN SRF nº 21, de 10 de março de 1997, com as alterações da IN SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997, que dispõe sobre a restituição, o ressarcimento e a compensação de tributos e contribuições federais, a par de instruir os agentes do fisco a respeito dos procedimentos a serem adotados nesses casos em função de créditos decorrentes de sentenças judiciais (art. 17), autorizou a utilização de créditos de terceiros para fins de compensação (art.15). 12. Não obstante, as disposições legais que regem a matéria não contemplaram tal procedimento. O já transcrito art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, é explícito quando diz que a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos, para fins de compensação, mas não faz referência à utilização de créditos de terceiros.” Após, conclui o mencionado Parecer: “14. Com efeito, a compensação é restrita aos casos expressamente previstos em lei e as normas legais que dispõem sobre essa forma de extinção do crédito tributário não previram a utilização de crédito não pertencente ao próprio contribuinte. Por tal razão, nos parece acertada a IN SRF nº 41, de 7 de abril de 2000, que vedou a compensação de débito do sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administrados pelo órgão, com créditos de terceiros. 15. Somente o fato de a IN SRF nº 21 não ter fundamento de validade, no que se refere à utilização de crédito de terceiro para fins de compensação, seria suficiente para dar cabo ao caso concreto do presente pleito.” Fl. 3329DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 38 37 37. Deste modo, conforme manifestações anteriores da PGFN, a compensação com crédito de terceiro não tem fundamento legal de validade. Por fim, devese ressaltar, mais uma vez, que a sistemática prevista na IN SRF n.º 21/97, aludida no parágrafo anterior ainda era a do “pedido de compensação”. V – COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DE TERCEIRO – PEDIDOS PENDENTES DE APRECIAÇÃO NÃO SÃO CONVERTIDOS EM DCOMPS 38. Partindo do disposto no tópico anterior, é de se perquirir: e os pedidos de compensação com créditos de terceiro que, quando da entrada em vigor da Lei nº 10.637/02 (que incluiu o § 4º ao art. 74 da Lei nº 9.430/96), encontravamse pendentes de análise pela SRF, estão sujeitos à nova disciplina da “declaração de compensação”? 39. Ora, partindo do pressuposto de que a compensação com créditos de terceiro afigurase como exceção, vedada expressamente pela legislação em vigor, e do fato de o sujeito passivo apenas poder contrapor seu crédito líquido e certo ao crédito fiscal, como direito subjetivo público seu, no caso de existir norma legal autorizadora do encontro de contas e, ainda, submetendose ele aos requisitos de condições e garantias estipulados pela lei específica, é de se entender que os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, se observadas todas as demais condições estabelecidas na lei nº 9.430/96 e legislação correlata. 40. Assim, os pedidos administrativos de compensação, fundados em créditos de terceiro, pendentes de análise pela SRF (RFB), protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria (Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03), não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação. 41. Com efeito, o precitado art. 74 da Lei nº 9.430/96, na redação dada pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02, ao instituir a “declaração de compensação”, expressamente previu que a mesma só poderia ser prestada pelo próprio detentor do crédito contra o Fisco, ou seja, para que a “declaração de compensação” feita à Secretaria da Receita Federal extinga o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (art. 74, § 2º, da Lei nº 9.430/96), mister se faz que o contribuinte utilize se de créditos próprios. 42. Se não existe “declaração de compensação” com créditos de terceiro, por óbvio, os pedidos de compensação com créditos que não pertençam ao próprio contribuinte, mesmo que pendentes de análise por parte da RFB, não podem transmudarse naquela. 43. E mais, permanecendo como pedidos de compensação, não estão sujeitos à nova sistemática instituída para a compensação. 44. Tal entendimento decorre, inclusive, de uma interpretação sistemática das regras jurídicas encartadas na Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, ou seja, do confronto entre as regras contidas nesse diploma legal, bem como entre essas regras e as demais que tratam do instituto da compensação. 45. Dito isso, concluise, desde já, que o novel regime da compensação, que é realizada por meio de declaração (DCOMP) prestada à SRF (hoje RFB), não alcança, sob hipótese alguma, os casos de compensação com créditos de terceira pessoa. 46. Não podendo o novo regime instituído para a compensação ser desmembrado, de maneira que apenas alguns de seus postulados sejam cumpridos, em detrimento de outros, é evidente a inaplicabilidade das novas disposições sobre a compensação aos encontros de contas daquela natureza. 47. Resumindo, o encontro de contas pleiteado deve ser analisado de acordo com as normas anteriores, que previam a utilização de créditos de terceiro, não se aplicando, inclusive, a conversão do “pedido de compensação” em “declaração de compensação” (com a extinção automática do crédito tributário), e nem mesmo, por conseqüência, o prazo previsto no § 5º, do art. 74, da lei nº 9.430/96 para homologação da compensação (cinco anos). Fl. 3330DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 39 38 48. Não se afigura correto, pois, a conversão dos pedidos de compensação desse jaez (com créditos de terceiros) em declarações de compensação, por total ausência de previsão legal para tanto. 49. E mais, por também não observarem as condições estabelecidas no art. 74 da Lei nº 9.430/96 (com a redação dada pela MP nº 66/02), resta claro que não podem ser convertidos em declaração de compensação os pedidos de compensação pendentes de apreciação, quando fundados em créditos que se refiram a “créditoprêmio” instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 05 de março de 1969; ou que se refiram a títulos públicos; ou sejam decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado; ou não se refiram a tributos ou contribuições administrados pela SRF. Aplicase, pois, o entendimento retro exposto. 50. Por fim, cumpre chamar a atenção para o fato de que, com a entrada em vigor do art. 4º da Lei nº 11.051/04, as compensações, pretendidas a partir desta data, em que os créditos sejam de terceiros (assim como aqueles que se encontrem nas situações elencadas no parágrafo anterior), serão consideradas não declaradas (vide, a respeito, os recém incluídos §§ 12 e 13 da Lei nº 9.430/96, que disciplinam esta situação e que ainda serão objeto de análise no presente Parecer). [...] 143. Ante todo o exposto, chegase às seguintes conclusões: [...] c) a legislação tributária não permite a cessão de créditos a terceiros com a finalidade de compensação. Assim, no mesmo diapasão do Direito Privado, a compensação do regime de Direito Público exige a existência de duas pessoas, simultaneamente credoras e devedoras uma da outra, havendo duas obrigações recíprocas entre as partes, sendo que o que diferencia aqueles regimes de compensação é o fato de que no Direito Tributário (Direito Público) as partes têm de ser credor e devedor recíprocos ex lege e ab initio; c.1) os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, se observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata; c.2) assim, os pedidos administrativos de compensação, fundados em créditos de terceiro, pendentes de análise pela RFB, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria (Leis nºs 10.637/02e 10.833/03), não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação. Ou seja, não se aplicam a conversão do “pedido de compensação” em “declaração de compensação” (com a extinção automática do crédito tributário), e nem mesmo, por conseqüência, o prazo previsto no § 5º, do art. 74, da lei nº 9.430/96 para homologação da compensação (cinco anos); [...] 67. Por outro giro, aplicase ao caso concreto o art 15 da Instrução Normativa SRF nº 21/1997, que dispõe que somente a parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte: Compensação de Crédito de um Contribuinte com Débito de Outro Art. 15. A parcela do crédito a ser restituído ou ressarcido a um contribuinte, que exceder o total de seus débitos, inclusive os que houverem sido parcelados, poderá ser utilizada para a compensação com débitos de outro contribuinte, inclusive se parcelado. § 1º A compensação de que trata este artigo será efetuada a requerimento dos contribuintes titulares do crédito e do débito, formalizado por meio do formulário "Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros", de que trata o Anexo IV. Fl. 3331DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 40 39 § 2º Se os contribuintes estiverem sob jurisdição de DRF ou IRFA diferentes, o formulário a que se refere o parágrafo anterior deverá ser preenchido em duas vias, devendo cada contribuinte protocolizar uma via na DRF ou IRFA de sua jurisdição. § 3º Na hipótese do parágrafo anterior, a via do Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, entregue à DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do débito terá caráter exclusivo de comunicado. § 4º Na hipótese do § 2º, a competência para analisar o pleito, efetuar a compensação e adotar os procedimentos internos de que trata o § 2º do art. 13 é da DRF ou IRFA da jurisdição do contribuinte titular do crédito. 5º Nas compensações de que trata este artigo, o Documento Comprobatório de Compensação de que trata o Anexo V será emitido em duas vias, devendo ser entregue uma via para cada contribuinte. § 6º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art.17. 68. Destarte, está correto o Despacho Decisório Parecer Conclusivo nº 264/09, que entendeu que os Pedidos de Compensação de Crédito com Débito de Terceiro não se converteram em DCOMP, e que somente a parcela do crédito a ser restituído que exceder o total de débitos próprios, ou seja, da Globo Comunicação e Participações S/A, poderá ser utilizada para a compensação com débitos da TV Globo Ltda. 69. Por outro lado, cumpre informar que os débitos de terceiros, como mencionado acima, referemse à TV Globo Ltda, CNPJ 33.252.156/000119. Em consulta aos sistemas da RFB, percebese que os débitos foram declarados por meio de DCTF. Ademais, observase que o interessado informou a existência da referida compensação e que o sistema validou a informação prestada, ou seja, não foi efetuada a cobrança dos débitos por meio da lavratura de autos de infração (fls. 1.429 a 1.432). 70. Ademais, verificase que os débitos estão sendo controlados no processo nº 15374.001067/200261, e que não constam dos autos indícios da existência da prática de qualquer ato por parte da Administração que possa configurar um ato de cobrança. 71. Também não foram localizadas DCTF que retificassem os débitos mencionados desde 29/07/2004. 72. Portanto, cabe analisar se ocorreu a prescrição, como defende o interessado. Para isso, é importante verificar se a manifestação de inconformidade suspende o prazo para a cobrança dos débitos. 73. Quanto à suspensão da exigibilidade, o Código Tributário Nacional, no art. 151, inciso III, dispõe que as reclamações e os recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo: “Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (....) III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; (....).” 74. A manifestação de inconformidade até a edição da Medida Provisória nº 135, de 29 de dezembro de 2003, era regulada pela IN SRF nº 210/2002 e não tinha efeito suspensivo. Como o CTN condiciona a suspensão da exigibilidade, no caso de interposição de reclamações ou recursos, à existência de lei reguladora do processo administrativo tributário, necessário foi criar por meio de lei reguladora, nova Fl. 3332DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 41 40 modalidade de manifestação de inconformidade para atender a determinação contida no CTN. 75. Com a MP nº 135, de 2003, (Lei nº 10.833, de 2003), instituiuse, por meio de lei reguladora, as exigências e critérios do novo instituto Declaração de Compensação e as normas processuais pertinentes aos processos referentes a essas declarações de compensações, atribuindose à manifestação de inconformidade o efeito suspensivo. 76. O art. 17 da Lei nº 10.833, de 2003 (Medida Provisória nº 135/2003), dispõe: “Art. 17. O art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 49 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. (....) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (....) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. § 12. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação das declarações de compensação e dos pedidos de restituição e de ressarcimento, fixar critérios de prioridade em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de prescrição”. 77. Assim sendo, a manifestação de inconformidade, com efeito suspensivo, só teve previsão legal a partir da Lei nº 10.833, de 2003, que alterou o art. 74, da Lei nº 9.430/1996, e se restringiu a nãohomologação de compensação. A não homologação está necessariamente vinculada a uma declaração de compensação (DCOMP), instituída pela Lei 10.637, de 2002, o que não se confunde com o indeferimento de um pedido de compensação com débitos de terceiros, que não foram convertidos em DCOMP. 78. Em síntese, impende reconhecer a prescrição da COFINS e do PIS, referente aos meses de 01/2000 e 02/2000, que constam dos Pedidos de Compensação de Crédito com Débito de Terceiro de fls. 168 e 180, bem como do processo 15374.001067/200261. (destaques do original) Assim, ainda que não reconhecido integralmente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, dado o indeferimento de parte das retificações de pedidos de compensação, sua eventual insuficiência para liquidação dos débitos compensados revelará, provavelmente, débitos de terceiros já alcançados pela prescrição, sendo certo que, neste ponto, a decisão de 1ª instância, por ser favorável ao sujeito passivo, não se sujeita a reexame nesta instância administrativa de julgamento. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de declarar a validade do ato anulatório que precedeu o reconhecimento parcial do direito creditório aqui em debate e, frente aos questionamentos apresentados pela contribuinte: Fl. 3333DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 42 41 · NÃO CONHECER do recurso voluntário relativamente aos argumentos opostos contra o indeferimento da retificação do pedido de compensação tendo por objeto os débitos de Contribuição ao PIS e de COFINS de março/2002; · DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para afastar a limitação do reconhecimento do direito creditório ao que consignado em DIPJ, bem como restabelecer a parcela de R$ 2.576.518,60 glosada por suspeita de sua destinação a compensações sem processo; · DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para admitir a dedução de retenções promovidas por Caixa Econômica Federal (R$ 6.295.625,68), Banco Fininvest S/A (R$ 78.930,46) e Morgan Guaranty Trust Company of New York (R$ 102.277,38); e · DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para que o direito creditório reconhecido seja destinado primeiro à liquidação das compensações com débitos próprios, inclusive aquelas declaradas em 2004, e depois às compensações com débitos de terceiros. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 3334DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 43 42 Voto Vencedor Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. Ouso divergir do brilhante voto apresentado pela Relatora, pois entendo que são nulos todos os atos decisórios praticados neste processo, desde o segundo Despacho Decisório, inclusive, que anulou a Decisão nº 137/02 a fls. 280, pelas razões que se segue. Inicialmente, cabe trazer à baila o que dispõe o art. 71 do Decreto nº 7.574/2011, se não vejamos: Art. 71 . Não cabe recurso de ofício das decisões prolatadas, pela autoridade fiscal da jurisdição do sujeito passivo, em processos relativos a restituição, ressarcimento, reembolso e compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (Lei nº 10.522, de 2002, art. 27). Ora, o que essa norma preceitua implicitamente é a definitividade da decisão de mérito favorável ao contribuinte em processo de restituição, não cabendo qualquer revisão ex officio. Assim, a Decisão nº 137/02 que deferiu o pedido da recorrente exauriu a função da DERAT/RJO dentro desse processo administrativo que analisava o pedido de restituição/compensação. É verdade que, nos termos da Súmula nº 473 do Supremo Tribunal Federal, "A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque dêles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial". Por oportuno, deixo de abordar o art. 56 da Lei 9.784/99, em razão do que fora decidido no REsp 1138206RS (representativo de controvérsia). Por outro lado, ocorre que, em se tratando de ato vinculado como a referida Decisão nº 137/02, não há que se falar em revogação (só se revoga ato discricionário), mas apenas em anulação e desde que esteja eivada de vício que a torne ilegal. Assim, para anular a Decisão nº 137/02 a fls. 280 (que reconheceu o direito creditório pleiteado pela recorrente) e aquelas posteriores dela decorrentes, a DERAT/RJ deveria demonstrar a existência de vícios que tornassem a Decisão nº 137/02 ilegal. No entanto, o Despacho Decisório a fls. 830 assim fundamentou sua decisão: "Com base no Parecer Conclusivo n.º 129/2007, às fls. 788/829 do processo em epígrafe, que aprovo e adoto, o qual fica fazendo parte deste Despacho Decisório como se nele estivesse transcrito, DECIDO ANULAR os Pareceres Conclusivos n.— 137; 138 e 139 e as Decisões n. 137/02; 138/02 e 139/02 e, adicionalmente, tornar sem efeito a compensação dos débitos relacionados nos Pedidos de Compensação de Crédito com Débito de Terceiro, com cópia às fls. 02; Fl. 3335DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 44 43 153; 168 e 180 deste processo (principal), bem assim a dos que figuram: a) Nos Pedidos de Compensação às fls. 195; 209; 222 e 235 do processo principal, como também naqueles às fls. 01; 97; 110; 123; 136; 149; 162; 177; 190; 203; 216; 230; 231 e 245 do processo apensado nº 13706.002251/0015 e às fls. 01; 02 e 03 do processo apensado nº 13706.003382/200117. b) No referido Parecer Conclusivo n.º 129/2007, mais especificamente na: b1) Tabela 19, os quais foram compensados com o crédito de R$ 6.295.625,68 reconhecido pela Decisão n.º 138/02 relativa ao processo apensado nº 13706.002251/0015. b2) Da Tabela 20, todos compensados com o crédito de R$ 22.957.352,00 reconhecido pela Decisão n.º 137/02 atinente ao processo principal. b3) Da Tabela 21, que foram compensados com o crédito de R$ 2.190.348,80 reconhecido pela Decisão nº 139/02 concernente ao processo apensado nº 13706.003382/200117. Que sejam tomadas as providências no sentido de elaborar novo Parecer Conclusivo sobre os pleitos em causa, bem assim de cientificar a interessada do decidido, a qual, desde já, fica notificada de que relativamente a este Despacho Decisório não cabe instauração do contraditório de que tratam os parágrafos 9º e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, mas tãosomente a interposição do recurso previsto no art. 56 da Lei nº 9.784/1999.". Ora, o aludido Parecer nº 129/2007 não aponta nenhuma ilegalidade da Decisão 137/02, mas, como bem ressalta a Relatora: "A anulação do despacho decisório anterior decorre de retificações de débitos compensados requeridas pela contribuinte em 16/07/2004 (fl. 307) e 19/12/2006 (fl. 418/419), e está expressa no despacho de fls. 788/831, do qual a contribuinte foi cientificada em 02/08/2007 (fl. 836). Como se vê, não foi apontada qualquer ilegalidade da Decisão nº 137/02, razão pela qual é nulo o Despacho Decisório a fls. 830 e todos os atos decisórios que dele decorreram, restando assim válida as Decisões nº 137/02, 138/02 e 139/02. Assim, voto por acolher a preliminar de nulidade suscitada, para declarar nulo o Despacho Decisório a fls. 830 e todos os atos decisórios que dele decorreram, restando válidas as Decisões nº 137/02, 138/02 e 139/02 destes autos. (documento assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 3336DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13706.004532/9970 Acórdão n.º 1302001.761 S1C3T2 Fl. 45 44 Fl. 3337DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 12/02/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722561/2011-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 27/05/2011
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária.
AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR A EMPRESA DE PREPARAR FOLHA DE PAGAMENTO DAS REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS A TODOS OS SEGURADOS A SEU SERVIÇO.
Deixar a empresa de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, constitui infração à legislação previdenciária.
AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR A EMPRESA DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE, DE FORMA DISCRIMINADA, FATO GERADOR, CONTRIBUIÇÃO E VALORES RECOLHIDOS.
Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores das contribuições previdenciárias, as contribuições por ela devidas e as descontadas, e os totais recolhidos, constitui infração à legislação previdenciária.
AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR A EMPRESA DE ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS, MEDIANTE DESCONTO DA RESPECTIVA REMUNERAÇÃO.
Deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço, constitui infração à legislação previdenciária
Recurso Voluntário Negado.
Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.º 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.º 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias e as destinadas aos terceiros , mencionadas nos artigos 2º e 3º da Lei n.º 11.457/07, será regido pelo Código Tributário Nacional (Lei n.º 5.172/66).
MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL.
A multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, ao qual faz referência o art. 35A da Lei nº 8.212/91, aplica-se ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias a partir da competência 12/2008.
MULTA MAIS BENÉFICA. RETROAÇÃO.
De acordo com o expresso no art. 106, II, alínea c, do Código Tributário Nacional CTN, em Auto de Infração lavrado contra o contribuinte por descumprimento de obrigação tributária previdenciária, devem ser confrontadas as penalidades apuradas conforme a legislação de regência do fato gerador com a multa determinada pela norma superveniente, aplicando-se a que lhe for menos severa. Não compete ao órgão julgador administrativo reduzir percentual de multa aplicado de conformidade com a legislação pertinente.
N ão compete ao órgão julgador administrativo reduzir percentual de multa aplicado de conformidade com a legislação pertinente.
Numero da decisão: 2402-004.802
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Marcelo Oliveira fará declaração de voto
(assinado digitalmente)
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lourenço Ferreira do Prado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 27/05/2011 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR A EMPRESA DE PREPARAR FOLHA DE PAGAMENTO DAS REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS A TODOS OS SEGURADOS A SEU SERVIÇO. Deixar a empresa de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, constitui infração à legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR A EMPRESA DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE, DE FORMA DISCRIMINADA, FATO GERADOR, CONTRIBUIÇÃO E VALORES RECOLHIDOS. Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores das contribuições previdenciárias, as contribuições por ela devidas e as descontadas, e os totais recolhidos, constitui infração à legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR A EMPRESA DE ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS, MEDIANTE DESCONTO DA RESPECTIVA REMUNERAÇÃO. Deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço, constitui infração à legislação previdenciária Recurso Voluntário Negado. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.º 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.º 8, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias e as destinadas aos terceiros , mencionadas nos artigos 2º e 3º da Lei n.º 11.457/07, será regido pelo Código Tributário Nacional (Lei n.º 5.172/66). MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. A multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, ao qual faz referência o art. 35A da Lei nº 8.212/91, aplica-se ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias a partir da competência 12/2008. MULTA MAIS BENÉFICA. RETROAÇÃO. De acordo com o expresso no art. 106, II, alínea c, do Código Tributário Nacional CTN, em Auto de Infração lavrado contra o contribuinte por descumprimento de obrigação tributária previdenciária, devem ser confrontadas as penalidades apuradas conforme a legislação de regência do fato gerador com a multa determinada pela norma superveniente, aplicando-se a que lhe for menos severa. Não compete ao órgão julgador administrativo reduzir percentual de multa aplicado de conformidade com a legislação pertinente. N ão compete ao órgão julgador administrativo reduzir percentual de multa aplicado de conformidade com a legislação pertinente.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10166.722561/2011-95
anomes_publicacao_s : 201601
conteudo_id_s : 5559153
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-004.802
nome_arquivo_s : Decisao_10166722561201195.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : LOURENCO FERREIRA DO PRADO
nome_arquivo_pdf_s : 10166722561201195_5559153.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Marcelo Oliveira fará declaração de voto (assinado digitalmente) Ronaldo de Lima Macedo - Presidente. (assinado digitalmente) Lourenço Ferreira do Prado - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado
dt_sessao_tdt : Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
id : 6255691
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048123493842944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2368; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.722561/201195 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.802 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de dezembro de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente PAULO BAETA EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2008 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DA EMPRESA SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Devida contribuição a cargo da empresa sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços . LANÇAMENTO. NULIDADE. Está afastada a hipótese de nulidade quando o lançamento, lavrado por autoridade competente, atende a todos requisitos formais e possibilita ao sujeito passivo o pleno exercício do direito de defesa. FATOS CONSTITUTIVOS DO DIREITO DA FAZENDA. ÔNUS DA PROVA. A exigência do crédito tributário será formalizada em autos de infração ou notificações de lançamento, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. FASE PROCEDIMENTAL. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Uma vez que o procedimento preparatório do ato de lançamento é atividade meramente fiscalizatória, durante a qual não se aplica o contraditório ou a ampla defesa, não há que se falar em violação aos Princípios constitucionais posto que inexiste a exigência de pretensão fiscal tampouco litígio entre as partes. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE. STF. Com a declaração de inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n.º 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da Súmula Vinculante n.º 8, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 25 61 /2 01 1- 95 Fl. 1863DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Ass inado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 publicada no Diário Oficial da União em 20/06/2008, o lapso de tempo de que dispõe a Secretaria da Receita Federal do Brasil para constituir os créditos relativos às contribuições previdenciárias e as destinadas aos terceiros , mencionadas nos artigos 2º e 3º da Lei n.º 11.457/07, será regido pelo Código Tributário Nacional (Lei n.º 5.172/66). MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. A multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, ao qual faz referência o art. 35A da Lei nº 8.212/91, aplicase ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias a partir da competência 12/2008. MULTA MAIS BENÉFICA. RETROAÇÃO. De acordo com o expresso no art. 106, II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional CTN, em Auto de Infração lavrado contra o contribuinte por descumprimento de obrigação tributária previdenciária, devem ser confrontadas as penalidades apuradas conforme a legislação de regência do fato gerador com a multa determinada pela norma superveniente, aplicando se a que lhe for menos severa. Não compete ao órgão julgador administrativo reduzir percentual de multa aplicado de conformidade com a legislação pertinente. N ão compete ao órgão julgador administrativo reduzir percentual de multa aplicado de conformidade com a legislação pertinente. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/05/2011 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR A EMPRESA DE PREPARAR FOLHA DE PAGAMENTO DAS REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS A TODOS OS SEGURADOS A SEU SERVIÇO. Deixar a empresa de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, constitui infração à legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR A EMPRESA DE LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE, DE FORMA DISCRIMINADA, FATO GERADOR, CONTRIBUIÇÃO E VALORES RECOLHIDOS. Deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores das contribuições previdenciárias, as contribuições por ela devidas e as descontadas, e os totais recolhidos, constitui infração à legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR A EMPRESA DE ARRECADAR CONTRIBUIÇÃO DE SEGURADOS, MEDIANTE DESCONTO DA RESPECTIVA REMUNERAÇÃO. Fl. 1864DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Ass inado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10166.722561/201195 Acórdão n.º 2402004.802 S2C4T2 Fl. 3 3 Deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço, constitui infração à legislação previdenciária Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Marcelo Oliveira fará declaração de voto (assinado digitalmente) Ronaldo de Lima Macedo Presidente. (assinado digitalmente) Lourenço Ferreira do Prado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado Fl. 1865DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Ass inado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Relatório Tratase de Autos de Infração de Obrigações Principais e de Obrigações Acessórias lavrados em desfavor do contribuinte acima identificado, referente às contribuições sociais devidas pela empresa e pelos segurados, destinadas à Seguridade Social (Fundo de Previdência e Assistência Social – FPAS), incidentes sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais – pessoas físicas – pelos serviços prestados a empresa Paulo Baeta, no período fiscalizado. Como se depreende do Relatório Fiscal de fls. 1550/1599, os pagamentos realizados pela Recorrente não transitaram em sua folha de salários do período fiscalizado, tampouco foram declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Declaração à Previdência Social (GFIP) bem como lançadas na contabilidade da Empresa, inexistindo recolhimento à Seguridade Social (GPS) das contribuições devidas, conforme determina a legislação vigente. Adotamos trecho do acórdão a quo (fls.) que bem resume o quanto consta nos autos, seguese: "AI DEBCAD n.º 37.315.7649, no montante de R$ 1.435.650,95 (um milhão, quatrocentos e trinta e cinco mil e seiscentos e cinquenta reais e noventa e cinco centavos), consolidado em 25/07/2011, referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, incidentes sobre a remuneração paga a segurados contribuinte individuais que lhe prestaram serviços de intermediação imobiliária, nas competência de 01/2006 a 11/2008; AI DEBCAD n.º 37.315.7657, no montante de R$ 902.407,15 (novecentos e dois mil e quatrocentos e sete reais e quinze centavos), consolidado em 25/07/2011, referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, da parte dos segurados contribuintes individuais, incidentes sobre a remuneração a eles paga pelos serviços de intermediação imobiliária prestados à autuada, nas competência de 01/2006 a 11/2008; AI DEBCAD n.º 37.315.7606, com código de fundamento legal 30, e multa no valor originário de R$ 4.573,29 (quatro mil e quinhentos e setenta e três reais e vinte e nove centavos), por infração ao disposto no art. 32, inciso I da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991, e no artigo 225, inciso I e parágrafo 9º do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999; AI DEBCAD n.º 37.315.7614, com código de fundamento legal 34, e multa no valor originário de R$ 45.732,42 ( quarenta e cinco mil e setecentos e trinta e dois reais e quarenta e dois centavos), por infração ao disposto no art. 32, inciso II da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991, e no artigo 225, inciso II e parágrafos 13 a 17º do Regulamento da Fl. 1866DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Ass inado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10166.722561/201195 Acórdão n.º 2402004.802 S2C4T2 Fl. 4 5 Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999; AI DEBCAD n.º 37.315.7622, com código de fundamento legal 59, e multa no valor originário de R$ 4.573,29 (quatro mil e quinhentos e setenta e três reais e vinte e nove centavos), por infração ao disposto no caput do art. 4º, da Lei n. 10.666/2003, combinado com o artigo 216, inciso I, alínea “a”, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999; AI DEBCAD n.º 37.315.7630, com código de fundamento legal 68, e multa no valor originário de R$ 271.195,46 ( duzentos e setenta e um mil e cento e noventa e cinco reais e quarenta e seis centavos), por infração ao disposto no artigo 32, inciso IV, parágrafo 5º da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991, na redação da Lei n.º 9.528, de 10/12/1997, e no artigo 225, inciso IV e parágrafo 4º do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999." Os débitos 37.315.7606, 37.315.7614, 37.315.7622, 37.315.7630, 37.315.7649 e 37.315.7657 foram lavrados em 25/07/2011, sendo cientificado o contribuinte em 29/07/2011. A Recorrente apresentou impugnação em 25/08/2011, fls., tendo sido mantido o lançamento. Inconformada com o julgamento de primeira instancia administrativa o Contribuinte interpõe recurso voluntário, fl., onde alega, em síntese: Quanto as obrigações principais constantes dos DEBCADS (1) AI DEBCAD nº 37.315.7649 e (2) AI DEBCAD nº 37.315.7657, a Recorrente alega: Preliminarmente: 1) foram atingidos pela decadência parcial os créditos relativos a janeiro de 2006 a julho de 2006, pois a empresa só foi cientificada do lançamento em 28 de julho de 2011. Portanto, devem ser julgados NULOS os créditos referentes ao período de janeiro a julho de 2006, pois desobedeceram ao prazo quinquenal de decadência, relativamente à constituição do tributo. 2) São inválidas as provas coligidas, uma vez que tanto a oitiva do Gerente Administrativo, ocorrida em 31.01.2011, e a oitiva do Gerente de Vendas, que se deu em 15.02.2011, das medidas denominadas como "reunião, ou "entrevista", que teriam ocorrido na sede da própria empresa, previamente agendada (fl. 12 do relatório), porquanto aduz que as pessoas Fl. 1867DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Ass inado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 ouvidas sequer possuem poder para representar a empresa em negócios, como se verifica do estatuto social da Recorrente. No mérito alega que: 1) Os corretores são autônomos, remunerados exclusivamente pelos clientes e não possuem vínculos empregatícios com a empresa em tela, razão pela qual não procede o lançamento do crédito previdenciário pela fiscalização. 2) Que a fiscalização equivocouse na utilização do arbitramento de ofício como medida para base de cálculo para a cobrança das contribuições previdenciárias. E que a aferição indireta não se aplica a situação fática existente, que inexistiu a recusa na entregada dos documentos tampouco irregularidade em sua escritura contábil; 3) A Fiscalização não aceitou o percentual de 0,8% apresentado, pois o confrontou com os valores apresentados pelos clientes. Como exposto acima, A PROVA OBTIDA PELOS TERCEIROS FOI CONSTITUÍDA ILEGALMENTE e, por isso também, carece de validade na sua utilização, e as comissões aos corretores, que são autônomos, foram pagas diretamente pelos clientes interessados. 4) Que houve equívoco da fiscalização uma vez que utilizou aos montantes lançados na conta nº 60999, considerando o valor ali existente como a renda auferida pela corretagem a ser dividido em 50% entre a mesma e corretor, tendo em vista a tabela de honorários aprovada pela Assembléia Geral Extraordinária do Sindimóveis/DF em 22.11.96 (50% para a empresa imobiliária e 50% para o corretor). 5) Que os valores constantes da referida conta pertencem exclusivamente a Recorrente, uma vez que o corretor recebeu sua participação paga diretamente pelo cliente; 6) Que é descabida a multa de ofício aplicada, uma vez que essa previsão surgiu somente com a MP 449, de 2008, sendo que a fiscalização se deu no período de 2004 a 2007. Assim, a medida provisória não pode retroagir para criar nova espécie de multa, pois não estava vigente. 7) Que se está pretendendo impor DOIS tipos de multa, quando na verdade UMA é inexistente. Não se pode comparar a multa de ofício com a multa de mora. A multa de mora, pela atual redação, é a mais benéfica. Quanto as obrigações acessórias pertinentes aos DEBCADS 37.315.7606, 37.315.7614, 37.315.7622, 37.315.7630, aduz a Recorrente que: 8) No tocante ao DEBCAD 37.315.7630, a Recorrente alega que além de se valer de dispositivo confuso, a Fiscalização utilizou a redação do 32, inciso IV, § 4º c/c § 5º na sua forma antiga, que atualmente vige com a (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009, cuja metodologia de cálculo é completamente diversa da estabelecida pela fiscalização, nos estritos termos do art. 32A atualizado. Entretanto, o cálculo foi simples e Fl. 1868DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Ass inado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10166.722561/201195 Acórdão n.º 2402004.802 S2C4T2 Fl. 5 7 direto, com base no art. 284, incisos I e II do RPS, que é um DECRETO, o qual não pode se sobrepor a LEI, em função do escalonamento das normas que rege o ordenamento jurídico brasileiro. 9) Reitera os motivos recursais referentes às obrigações principais também para as obrigações acessórias, quais sejam: a decadência das obrigações principais, invalidade das provas colididas, mérito da não incidência, indevida utilização da base de cálculo e descabimento da multa de ofício. 10) Por fim, pugna pela improcedência do lançamento fiscal, por todos os motivos expendidos em sede recursal. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 1869DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Ass inado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo do recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Passo a analise das preliminares suscitadas pela Recorrente. PRELIMINARES Da decadência Alega a Recorrente que foram atingidos pela decadência parcial nos Autos de Infração relativos ao descumprimento de obrigação tributária principal (AI’s) DEBCAD n.º 37.315.7649 e 37.315.7657, dos créditos relativos a janeiro de 2006 a julho de 2006, pois a empresa só foi cientificada do lançamento em 28 de julho de 2011. No entanto, tenho que tal afirmação não procede, como passo a expor. Tratase o caso em tela de lançamento de ofício, na forma do artigo 149, inciso 9, do Código Tributário Nacional, senão vejamos: “Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte (...)" É exatamente o caso dos autos. Constatase que a empresa não declarou as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais em GFIP, não houve a inclusão desses valores na base de cálculo considerada pela autuada, portanto, não há que se falar nem em apuração da contribuição devida, nem em recolhimento antecipado, no tocante ao fato gerador objeto destas autuações. Daí porque aplicase a regra prevista no artigo 173, inciso I, do CTN, abaixo transcrito: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;" Fl. 1870DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Ass inado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10166.722561/201195 Acórdão n.º 2402004.802 S2C4T2 Fl. 6 9 (...) Trago, para tanto, a mesma conclusão constante no r. acórdão de primeiro grau, neste tópico senão vejamos: “(...) E, ao se aplicar o disposto no artigo 173, inciso I do CTN aos AI’s em tela, se constata que não há, nestes, qualquer competência fulminada pela decadência, uma vez que a competência mais antiga objeto de lançamento aqui é 01/2006, correspondendo o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”, no caso, a 01/01/2007, sendo que a decadência para lançar esta competência somente ocorreria em 01/01/2012 e que a constituição do crédito se deu anteriormente a tal data, mais especificamente, em 29/07/2011. (...)” Desta forma, afasto a preliminar arguida pela Recorrente no tocante a decadência. Da invalidade das provas coligidas Alega Recorrente que devem ser consideradas inválidas as provas coligidas nos autos, uma vez que aduz que tanto a oitiva do Gerente Administrativo, ocorrida em 31.01.2011, e a oitiva do Gerente de Vendas, que se deu em 15.02.2011 foram medidas denominadas como "reunião, ou "entrevista", que teriam ocorrido na sede da própria empresa, previamente agendada (fl. 12 do relatório). Aduz que a tomada dos depoimentos é INVÁLIDA na medida em que as pessoas ouvidas sequer possuem poder para representar a empresa em negócios, como se verifica do estatuto social. Ora, não há como prosperar a alegação da Recorrente, quando pugna pela invalidação da oitiva das figuras acima mencionadas para a instrução do lançamento. Tampouco prospera que houve o cerceamento de seu direito de defesa tendo em vista o procedimento fiscal adotado. Também não vejo presente a alegada coação que aduz ter sofrido as pessoas ouvidas na fase fiscalizatória, sobretudo diante da total ausência de provas neste sentido. Verificase que todo o percurso adotado pela fiscalização encontrase amparado pela legislação vigente no tocante a produção provas para embasamento da autuação fiscal, senão vejamos o artigo 9º do Decreto 70.235/72: Art. 9º A exigência do crédito tributário será formalizada em auto de infração ou notificação de lançamento, distinto para cada tributo. Fl. 1871DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Ass inado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 § 1º Quando mais de uma infração à legislação de um tributo decorrer do mesmo fato e a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de convicção, a exigência será formalizada em um só instrumento, no local a verificação da falta, e alcançará todas as infrações e infratores. § 2º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)(g.n.) Art.9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009)(g.n.) Temse, portanto, que os lançamentos realizados pela autoridade fiscal ocorreram em verdadeira consonância com o que prevê a legislação acima descrita, observadas todas as suas formalidades dos elementos de provas previstos e legais para a formação da convicção da fiscalização. Cumpre ressaltar que os atos anteriores ao lançamento refutamse a investigação fiscal, meros atos preparatórios para a constituição do créditos tributário, marcado também pela inquisitoriedade. Assim, a garantida da ampla defesa e contraditório ocorre a partir da lavratura do auto de infração. Vale trazer o entendimento deste CARF acerca da matéria: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. INTIMAÇÃO ESPECÍFICA. AMPLA Fl. 1872DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Ass inado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10166.722561/201195 Acórdão n.º 2402004.802 S2C4T2 Fl. 7 11 DEFESA. IMPUGNAÇÃO. Os procedimentos da autoridade fiscalizadora têm natureza inquisitória não se sujeitando ao contraditório os atos lavrados nesta fase. Somente depois de lavrado o auto de infração e instalado o litígio administrativo é que se pode falar em obediência aos ditames do princípio do contraditório e da ampla defesa. Ademais, após a ciência do auto de infração, com o litígio instaurado entre o fisco e o contribuinte, a legislação concede na fase impugnatória, ampla oportunidade para apresentação documentos e razões de fato e de direito. OMISSÃO DE RECEITAS CORRETORA DE SEGUROS Constatados pagamentos efetuados pelas empresas seguradoras por serviços prestados a título de comissões de corretagem, não contabilizados pela empresa corretora de seguros beneficiária dos rendimentos, é lícito o lançamento dos valores correspondentes como omissão de receitas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Verificada a omissão de receita, o valor correspondente deverá ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social, do PIS e da Cofins.( Acórdão nº 1803 001.546 – Sessão de 06/11/2012 – Por unanimidade de votos – Rel. Cons. VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN). Não vejo portanto qualquer motivo consistente no sentido de apontar a ilicitude na obtenção dos depoimentos colhidos, mesmo porque tais diligencias se mostraram essenciais para a subsistência no lançamento fiscal. Certo é que a instauração do contraditório e ampla defesa restam amplamente demonstradas, tendo em vista que o Recorrente foi devidamente notificado do lançamento bem como foi concedido do prazo de trinta dias para a contribuinte pagar ou impugnar o feito, podendo então, nessa ocasião, apresentar as razões de fato e de direito que militam a seu favor e produzir todas as provas admitidas no direito, para corroborar suas alegações, requerendo, inclusive, a realização de diligências e perícias, tudo observado até aqui. MÉRITO Da Existência de Vínculo Alega o Recorrente que inexiste vínculos empregatício com os corretores posto que são autônomos e remunerados exclusivamente pelos clientes da mesma, razão pela qual não procede o lançamento do crédito previdenciário pela fiscalização. Alega ainda que os corretores não prestam serviço a Recorrente, e que apenas intermediam as transações de vendas, para obtenção de lucros pessoais e exclusivos, os quais são pagos diretamente pelo cliente. No entanto, razão não assiste à Recorrente uma vez que o conjunto probatório acostado aos autos permite a segura convicção sobre a admissibilidade do lançamento do crédito previdenciário. Fl. 1873DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Ass inado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 Trago, para tanto, a robusta fundamentação do r. acórdão de primeiro grau senão vejamos: "Conforme consta do Relatório Fiscal, para sustentação da tese de que a comissão de venda é custo direto do comprador, a autuada, na condição de intermediadora da operação, formaliza, juntamente com a incorporadora/construtora proprietária do imóvel, o contrato de promessa de compra e venda pelo valor líquido da operação, ou seja, exclui do “Valor de Negociação” (Tabela de Vendas) o valor da comissão de venda, impondo ao comprador o pagamento desse valor diretamente ao corretor responsável pela venda. No entanto, de acordo com o fluxo descrito no item 79 do Relatório Fiscal, elaborado a partir de informações prestadas pela própria empresa, pelos adquirentes diligenciados e corretores que prestaram depoimentos ao fisco, o fato de o cliente ter repassado diretamente ao corretor o valor correspondente à sua comissão de venda não significa que este pagamento está sendo feito por conta e risco do comprador, como se o corretor trabalhasse exclusivamente para ele (comprador) e a empresa estivesse fora do processo de venda. Portanto, ratificando o exposto pela fiscalização, ao adotar tal sistemática o propósito da empresa é livrarse da obrigação previdenciária principal, decorrente da transação imobiliária, pois a mesma está impedindo ou retardando o conhecimento por parte do fisco da ocorrência do fato gerador decorrente dessa prestação de serviço, não se trata apenas de um controle interno próprio, como aduz a autuada ao impugnar especificamente os itens 80 e 81 do Relatório Fiscal. Ressaltese que, no caso, o corretor está investido de autonomia para intermediar o negócio como representante da autuada (itens 63 a 70 do Relatório Fiscal) e não como profissional autônomo sem qualquer vínculo com esta, como alega a impugnante ao impugnar especificamente o item 59 do Relatório Fiscal. Conforme consta do item 70 do Relatório Fiscal “ Conforme dito anteriormente (item 44), referido Pedido é o documento que inicia o processo de venda no âmbito da empresa Paulo Baeta, cujo documento identifica o proponente, o imóvel objeto da proposta, as condições de pagamento, o recibo de pagamento do sinal e outras condições inerentes ao contrato de promessa de compra e venda a ser firmado entre as partes, sendo que os signatários desse documento são o “proponente comprador” e o “corretor” que age em nome da empresa Paulo Baeta na operação imobiliária. O Anexo 04 traz cópias dos Pedidos de Reserva referentes às operações imobiliárias efetivadas com os compradores diligenciados.” Cabe observar ainda que no item 69 do Relatório Fiscal a fiscalização traz mais informações que vêm a confirmar que os corretores agiam como representantes da autuada, “dos 16 compradores de imóveis convocados pela auditoria fiscal, conforme consta dos Termos de Atendimento à Intimação, 13 responderam que o corretor responsável pela venda do imóvel Fl. 1874DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Ass inado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10166.722561/201195 Acórdão n.º 2402004.802 S2C4T2 Fl. 8 13 identificouse como representante da empresa Paulo Baeta, inclusive alguns desses compradores preservaram o cartão de visita entregue pelo corretor naquela oportunidade, cujo cartão contém a identidade da empresa representada.” Nesse sentido, observe no Anexo 04, Diligência 05, fls. 13 e Diligência 12, fls .24 do mesmo anexo, as cópias dos referidos cartões. Os esclarecimentos prestados pelos compradores estão registrados no Termo de Atendimento à Intimação integrante do Anexo 04.” Nos termos da legislação previdenciária todo aquele que “presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego” é segurador obrigatório da Previdência Social na categoria de “contribuinte individual” (Art.12, inciso V, alínea g, da Lei no 8.212, de 1991), que foi o que ocorreu no presente caso. (...) E, sobre as referidas remunerações também incidem as contribuições previdenciárias da parte do contribuinte individual, cuja a arrecadação e o recolhimento são de responsabilidade da empresa, nos termos do artigo 4º, caput, da Lei n.º 10.666 de 08/05/2003, a seguir transcrito. Portanto, temse que os valores pagos a título de comissão a esses “corretores” tratase, na realidade, de remuneração paga a segurados contribuintes individuais nos termos do art. 22, III, da lei 8.212.91, base de cálculo das contribuições previdenciárias apuradas nos Autos de Infração acima descritos. Ante o exposto, com base no conjunto probatório constante nos autos e no princípio da verdade material, ratificamos também o contido no item 93 do Relatório Fiscal, restou devidamente caracterizado o ato fraudulento a partir do não reconhecimento por parte da empresa do vínculo com o corretor de imóvel que lhe presta serviço de intermediação imobiliária, transferindo a responsabilidade do pagamento da comissão de venda que lhe é devida para o comprador do imóvel, pois esta foi a realidade fática verificada, não se trata de uma situação inexistente como alega a impugnante. E, como consequência desse não reconhecimento a Empresa não incluiu os referidos corretores na folha de pagamento de prestação de serviços, não os declarou na GFIP do período correspondente, não contabilizou o pagamento em títulos próprios da sua contabilidade e tampouco efetuou o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, cuja omissão caracteriza, em tese, crime de sonegação fiscal previsto no art. 337A do Código Penal (Decreto Lei nº 2.848, de 07/12/1940) com a redação dada pela Lei n° 9.983, de 14/07/2000." No caso em preço entendo como a fiscalização ao verificar que o corretor tem certa de autonomia para intermediar o negócio como verdadeiro representante da empresa e não como profissional autônomo sem qualquer vínculo com esta. Vale trazer trechos do relatório fiscal (fls.1550 a 1599): Fl. 1875DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Ass inado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 14 "Ademais, cabe ressaltar que todo o controle da venda, inclusive o pagamento da comissão do corretor, é exercido pela Empresa. Segundo o fluxo acima descrito, a documentação que integra o processo de venda assim como os cheques referentes ao sinal e à comissão do corretor são encaminhados à direção da Empresa para conferência da transação realizada e aferir o real valor da comissão de venda no sentido de constatar se esta não foi cobrada a maior. O cheque relativo ao sinal é destinado à incorporadora/construtora e o da comissão de venda fica sobrestado na Empresa até à efetivação do negócio (assinatura do contrato) quando é liberado ao corretor. Diante desses fatos, não há como sustentar que o corretor não tenha vínculo com a Empresa e que o pagamento da comissão de venda seja realizado no âmbito do comprador e corretor, sem qualquer participação da Empresa, com o propósito de livrarse da obrigação principal previdenciária decorrente da transação imobiliária. 83. Para ilustração da prática adotada pela Empresa objetivando a transferência do pagamento da comissão de venda para o comprador do imóvel, observe o caso do adquirente do apartamento nº 614 do Edifício Rivoli, no Setor Sudoeste, Brasília/DF, senhor Lincoln da Costa e Oliveira, devidamente intimado pela auditoria fiscal para apresentar documentos e prestar esclarecimentos no âmbito do Mandado de Procedimento Fiscal. (Anexo 04, Diligência 05) 84. Referido comprador pagou pelo imóvel o valor total de R$ 621.000,00, conforme consta da Tabela de Venda apresentada a esta auditoria fiscal (Anexo 04, Diligência 05, Fls. 10), sendo R$ 61.560,00 a título de sinal; R$ 273.240,00 a serem pagos em 60 parcelas mensais e 4 semestrais (valor da poupança); e o saldo remanescente de R$ 277.760,00 (valor do financiamento) quando da emissão do habitese. A soma desses valores totaliza R$ 612.560,00, conforme registra o Pedido de Reserva e Proposta de Compra nº 13310. (Anexo 04, Diligência 05, Fls. 11) 85. Além desses valores, o comprador pagou mais R$ 8.440,00 ao senhor José Everaldo R. Ferreira, CPF 379.518.94149, Corretor de Imóveis (CRECIDF 9357) da Equipe de Vendas da empresa Paulo Baeta (vide cartão entregue ao comprador – Anexo 04, Diligência 05, Fls. 13) pela prestação dos serviços de intermediação da venda do imóvel acima identificado, conforme consta do Recibo de Pagamento de Autônomo –RPA entregue ao comprador (Anexo 04, Diligência 05, Fls. 12). O pagamento ao corretor foi efetuado mediante transferência eletrônica, conforme recibos emitidos pelo caixa eletrônico do Banco do Brasil (Anexo 04, Diligência 05, Fls. 14 e 15). 86. A soma dos valores pagos pelo adquirente (61.560,00 + 273.240,00 + 277.760,00 + 8.440,00) totaliza R$ 621.000,00, que equivale ao “Valor de Negociação” constante da “Tabela de Vendas’ (Anexo 04, Diligência 05, Fls. 10). Porém, o Pedido de Reserva e Proposta de Compra assim como o Contrato de Promessa de Compra e Venda firmado entre o comprador e a incorporadora/construtora, proprietária do Fl. 1876DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Ass inado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10166.722561/201195 Acórdão n.º 2402004.802 S2C4T2 Fl. 9 15 imóvel, com a intermediação da empresa Paulo Baeta, exibem o valor de R$ 612.560,00 (Anexo 04, Diligência 05, Fls. 11 e 17). Observe que a diferença entre o “valor da negociação” (R$ 621.000,00) e o “valor do contrato” (R$ 612.560,00) equivale exatamente à importância paga a título de comissão de venda (R$ 8.440,00). 87. Semelhante ao caso acima relatado, a auditoria fiscal possui documentação comprobatória de mais 15 (quinze) adquirentes de imóveis de diferentes empreendimentos, todos devidamente intimados a prestar esclarecimentos vinculados ao presente Mandado de Procedimento Fiscal e relativos aos imóveis adquiridos com a intermediação da empresa Paulo Baeta. Referidos adquirentes, responderam também a um questionário versando sobre questões relativas ao processo de aquisição do respectivo imóvel, através dos quais a maioria confirma, em síntese, as seguintes questões: que o imóvel a que se refere a documentação apresentada foi adquirido com a intermediação imobiliária da empresa Paulo Baeta; que o valor do Pedido de Reserva e Proposta de Compra assim como do Contrato de Promessa de Compra e Venda não contemplam o valor da comissão de venda, cujo valor foi pago “por fora” diretamente ao corretor; que o corretor responsável pela venda identificouse como representante da empresa de intermediação imobiliária Paulo Baeta. 88. Vale destacar a declaração de alguns adquirentes que fugiram à regra estabelecida pela Empresa quanto ao pagamento da comissão de venda, conforme segue abaixo: adquirente do apartamento 301, Residencial Moliére, em Águas Claras, BrasíliaDF, senhora Eliana Souza dos Santos, que pagou a título de comissão de venda a importância de R$ 6.217,85, cujo pagamento foi feito por meio do cheque nº 003670 do Banco do Brasil, nominativo a empresa de intermediação imobiliária Paulo Baeta; (Anexo 04, Diligência 02, Fls. 11) adquirente do apartamento 604, Edifício L’Essence, localizado na SQSW 300, Bloco N, Setor Sudoeste, BrasíliaDF, senhora Giovana Segurado Coelho, a qual pagou a importância de R$ 18.498,00, a título de comissão de venda, ao corretor Marcello Adrianni de Oliveira Fagundes e ao Supervisor Renato Rosa de Almeida Nogueira. Porém, o pagamento foi feito por meio de transferência eletrônica para a conta de Cláudio Quintana de Arruda, Gerente de Vendas da empresa Paulo Baeta. (Anexo 04, Diligência 04, Fls. 26) Fl. 1877DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Ass inado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 16 89. O Demonstrativo 5 elaborado a partir de documentos apresentados à auditoria fiscal pelos adquirentes de unidades imobiliárias, apresenta casos concretos efetivados pelo contribuinte no período fiscalizado, os quais constituem prova material dessa prática lesiva ao fisco já incorporada aos procedimentos da Empresa. 90. Observese, no referido demonstrativo, que o “Valor de Negociação” é o valor que compõe a “Tabela de Vendas” definida pela incorporadora/construtora com a assessoria da empresa de intermediação imobiliária Paulo Baeta. O “Valor da Comissão do Corretor” corresponde ao percentual negociado entre as duas empresas. Posteriormente, a empresa intermediadora apresenta esse percentual da comissão com os corretores. E o “Preço de Venda” é resultado da subtração entre o “Valor de Negociação” e o “Valor da Comissão do Corretor”. 91. Do ponto de vista do comprador, esta prática não traz para este nenhum custo adicional, pois o valor que está pagando pelo imóvel é o valor de venda apresentado pela empresa no ato da negociação e nada mais. A diferença verificada entre a Tabela de Venda (valor negociado) e o contrato de promessa de compra e venda corresponde ao valor da comissão devida ao corretor. (...) 92. Diante do exposto, percebese com clareza a manobra fraudulenta arquitetada pela empresa Paulo Beta em parceria com as incorporadoras/construtoras responsáveis pelos empreendimentos com a quais firmou contrato de prestação de serviços de intermediação imobiliária no período fiscalizado, com o claro objetivo de impedir ou retardar o conhecimento por parte do fisco da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal decorrente dessa prestação de serviço. 93. Portanto, o ato fraudulento está caracterizado a partir do não reconhecimento do vínculo com o corretor de imóvel que lhe presta serviço de intermediação imobiliária transferindo a responsabilidade do pagamento da comissão de venda que lhe é devida para o comprador do imóvel. E como conseqüência desse não reconhecimento, a Empresa não inclui o corretor na folha de pagamento de prestação de serviços, não declara na GFIP do período correspondente, não contabiliza o pagamento em títulos próprios da sua contabilidade e tampouco efetua o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, cuja omissão caracteriza, em tese, crime de sonegação fiscal previsto no art. 337A do Código Penal (DecretoLei nº 2.848, de 07/12/1940) com a redação dada pela Lei n° 9.983, de 14/07/2000." Assim, com base na documentação apresentada e nas informações prestadas pela Empresa, como também nos documentos e esclarecimentos trazidos pelos compradores de imóveis e ainda nos depoimentos dos corretores de imóveis convocados como testemunhas, tenho que real intenção da Recorrente é de eximirse dos encargos previdenciários incidentes sobre a operação de venda de unidades imobiliárias descumprindo o determina o Art. 22, inciso III, da Lei nº 8.212/91. Na oportunidade trago à lume, as considerações do acórdão de primeiro grau: Fl. 1878DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Ass inado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10166.722561/201195 Acórdão n.º 2402004.802 S2C4T2 Fl. 10 17 "(...) 63. Se não há vínculo entre o corretor e a empresa Paulo Baeta, conforme alega a Empresa, como sustentar tal afirmativa diante de declarações dos próprios gestores de que “as vendas vinculadas aos empreendimentos imobiliários contratados pela Empresa são feitas por corretores autônomos que procuram a empresa Paulo Baeta, interessados em lançamentos imobiliários”. (destaquei) 64. Nessa direção, o Gerente de Vendas da Empresa ao ser questionado sobre as suas competências institucionais respondeu que “. . . credencia os corretores de imóveis que demandam a empresa por lançamentos imobiliários; analisa o currículo profissional desses corretores, inclusive pesquisa junto ao CRECI registros de condutas desabonadoras, a fim de evitar o credenciamento de pessoas que possam prejudicar a imagem da imobiliária; organiza equipes de vendas direcionando o perfil do corretor com as necessidades do empreendimento quanto à localidade, tamanho, material de acabamento, nível econômico dos clientes potenciais, entre outros”. (destaquei) (...)" Resta inequívoco assim, que os corretores – prestadores de serviços estão diretamente vinculados à Empresa, e desaguam as alegações da Recorrente de inexistência de vínculo entre corretores e a empresa autuada porquanto a situação fática evidencia o liame entre as partes, já que o corretor autônomo age em nome e a pedido da PAULO BAETA, não importando se o pagamento fora eventualmente efetuado pelo adquirente do imóvel. A propósito, cito os seguintes precedentes sobre o assunto, já analisados por este Eg. Conselho: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 "CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA SOBRE A REMUNERAÇÃO DE CORRETORES. No caso de compra e venda de imóveis com a participação de corretores, ainda que todas as partes do negócio acabem usufruindo dos serviços de corretagem, a remuneração é devida por quem contratou o corretor, ou seja, em nome de quem atua. Nesse sentido, ensina Orlando Gomes que se “somente uma das partes haja encarregado o corretor de procurar determinado negócio, incumbelhe a obrigação de remunerálo”. E ainda, “entre nós, quem paga usualmente a comissão é quem procura os serviços do corretor” (GOMES, Orlando. Contratos. 20ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2000, p. 382). É legítimo que, após a prestação dos serviços no interesse de uma das partes, haja estipulação de cláusula de remuneração, por se tratar de direito patrimonial, disponível. No entanto, tal prerrogativa não significa dizer que não houve ainda a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias, pois o crédito jurídico do corretor decorre de sua prévia prestação de serviços, ainda que Fl. 1879DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Ass inado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 18 a quitação seja perpetrada, posteriormente, por terceiro (adquirente). Para fins de incidência das contribuições previdenciárias, em cada caso, é preciso verificar quem são as partes da relação jurídica, para se saber quem é o credor e o devedor da prestação de serviços e, conseqüentemente, da remuneração (crédito jurídico), pouco importando de onde sai o dinheiro, podendo nem mesmo haver transação financeira como sói ocorrer com as prestações in natura (utilidades). MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. Tendo a multa de ofício natureza jurídica penalidade tributária, ela integra o conceito de crédito tributário, nos termos do artigo 142 do CTN, sujeitandose aos juros moratórios referidos nos artigos 161 do CTN e 61 da Lei n° 9.430/96. Recurso Voluntário Negado (Acórdão 2302003.573, Rel. Andre Luiz Marisco Lombardi, sessão de 20/01/2015)" Da base de cálculo No tocante à base de cálculo utilizada pela fiscalização, tenho que ela foi devidamente aplicada tendo em vista a incoerência nas informações prestadas pela Recorrente. Verificase total discrepância entre as informações prestadas pela Recorrente e o valor efetivamente apurado pela fiscalização no tocante ao percentual praticado a título de comissão do vendedor. A recorrente alega que o valor da comissão dos corretores responsáveis pela venda correspondeu a 0,80% do preço de venda do imóvel. Ao contrário do alegado acima, depreendese da documentação e das declarações prestadas pelos compradores de imóveis intimados, que o valor da comissão do corretor responsável pela venda comprovado pelos adquirentes, em todas as unidades pesquisadas, é superior ao valor informado pela empresa registrado nas Planilhas apresentadas à fiscalização. Assim, face à inconsistência dos argumentos trazidos pela Recorrente, agiu corretamente a fiscalização o arbitramento do valor base de cálculo do tributo com amparo no artigo Art. 33, § 6º da Lei 8.212, de 24/07/1991, senão vejamos: “Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 6º. Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.” Fl. 1880DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Ass inado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10166.722561/201195 Acórdão n.º 2402004.802 S2C4T2 Fl. 11 19 Salientese que para o arbitramento do valor da base de cálculo, fiscalização se valeu, de forma correta, na Tabela de Honorários divulgada pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis – CRECI 8ª Região/DF( item 106 do Relatório Fiscal), prevê no caso de incorporação de área edificada (horizontal ou vertical), para venda de empreendimentos imobiliários, a divisão de comissão na proporção de 50% (cinqüenta por cento) para cada um quando houver parceria estabelecida entre Corretor de Imóveis (pessoa física) e/ou Empresa Imobiliária (pessoa jurídica). Importante,também, transcrever aqui parte do r. acórdão: “A fiscalização esclarece ainda que os valores recebidos pela empresa Paulo Baeta pela prestação de serviços de intermediação imobiliária, por unidade vendida, foram informados pela empresa por meio da Planilha “Unidades Imobiliárias Vendidas no Período de Janeiro/2006 a Dezembro/2008”, como também foram declarados a Receita Federal do Brasil por meio da DIMOB (Declaração de Informações Sobre Atividades Imobiliárias) dos anos base 2006, 2007 e 2008, e na contabilidade da Empresa, tais valores estão devidamente registrados na conta do grupo de Receita de Venda de Imóveis – Serviço Prestado – Código 60999 – e como tal, exatamente o mesmo montante, foram considerados como base de cálculo das contribuições previdenciárias objeto do presente lançamento de ofício. Como afirma a própria impugnante em sua peça defensória os valores contabilizados nesta conta referemse, exclusivamente, aos valores auferidos pela autuada a título de corretagem (que corresponde a 50%). O mesmo valor recebido pela imobiliária a título de comissão de venda é também devido ao corretor que efetuou a venda, perfazendo o total da renda auferida pela corretagem (100%), dessa forma, os outros 50% referentes à comissão paga aos corretores foram, corretamente, arbitrados pela fiscalização como base de cálculo das contribuições previdenciárias apuradas neste lançamento, cabendo ratificar, novamente, o exposto acima, não procedem as alegações da impugnante de que tais comissões tenham sido pagas diretamente pelo cliente. No caso da incorporação realizada pela empresa Paulo Baeta (venda direta), a auditoria fiscal considerou como base de cálculo da contribuição o percentual médio da comissão de intermediação recebida pela Empresa em todo o período fiscalizado equivalente a 2,06% (dois ponto seis por cento) aplicado sobre o valor de cada transação imobiliária. Portanto, considerando que a escrituração contábil da empresa não registra o movimento real de remuneração dos segurados contribuintes individuais que lhe prestam serviços, a fiscalização, corretamente, arbitrou o valor da base de cálculo das contribuições previdenciárias com base no disposto no Art. 33, § 6º da Lei 8.212/91, visto que não basta à disponibilização da escrituração contábil para a auditoria fiscal, mas é necessário que a mesma esteja correta, eficiente e de conformidade com a legislação, como também é necessário que sejam Fl. 1881DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Ass inado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 20 prestados pelo sujeito passivo, quando intimado, todos os esclarecimentos e documentos solicitados no transcorrer da ação fiscal. Assim, mantenho a base de cálculo adotada pela fiscalização, e, afasto, desta forma, a alegação de ilegalidade na aferição indireta combatida pela Recorrente. AI DEBCAD n.º 37.315.7630 Da multa e fatos geradores posteriores à mp 449/2008. Inicialmente cumpre asseverar que a infração à legislação previdenciária, imputada no Auto de Infração 37.315.7630 é incontroversa, na medida em que a recorrente não considera os corretores autônomos como seus prestadores de serviço. Entretanto, a atual jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) do CARF se encaminha no sentido da decisão proferida pela Primeira Instância, que está vazada na ementa, nos seguintes termos: “MULTA MAIS BENÉFICA. RETROAÇÃO. De acordo com o expresso no art. 106, II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional CTN, em Auto de Infração lavrado contra o contribuinte por descumprimento de obrigação tributária previdenciária, devem ser confrontadas as penalidades apuradas conforme a legislação de regência do fato gerador com a multa determinada pela norma superveniente, aplicandose a que lhe for menos severa. Não compete ao órgão julgador administrativo reduzir percentual de multa aplicado de conformidade com a legislação pertinente. CONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. No âmbito do processo administrativo fiscal é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade.” Assim, a multa deve ser mantida,conforme nossa jurisprudência da CSRF. AI DEBCAD n.º 37.315.7606 – Multa por deixar de preparar folhas de pagamento A recorrente sofreu multa por ter deixado de preparar folhas de pagamento com a indicação de todos os contribuintes individuais que estavam a seu serviço, a saber, os corretores autônomos. Ao agir dessa forma infringiu o disposto no art. 32, inciso I da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991, e no artigo 225, inciso I e parágrafo 9º do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. Conforme já fora amplamente discutido no presente julgamento, fato é que, os corretores autônomos não indicados em folha de pagamento, tiveram o seu vínculo reconhecido em face da recorrente, de modo que, em estando a seu serviço, deveriam ter sido incluídos em folha de pagamentos. Assim, a multa aplicada merece ser mantida em sua integralidade. AI DEBCAD n.º 37.315.7614 – Multa contabilidade Fl. 1882DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Ass inado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10166.722561/201195 Acórdão n.º 2402004.802 S2C4T2 Fl. 12 21 Ainda por não ter reconhecido os corretores autônomos como seus efetivos prestadores de serviço, a recorrente deixou de contabilizar em títulos próprios de sua contabilidade, os pagamentos efetuados a tais corretores, considerados como fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas. Ao agir dessa forma infringiu ao disposto no art. 32, inciso II da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991, e no artigo 225, inciso II e parágrafos 13 a 17º do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. Mais uma vez, diante do fato de que os corretores autônomos tiveram o seu vínculo reconhecido em face da recorrente, deveria esta ter contabilizado os seus pagamentos em títulos próprios. Assim, a multa aplicada merece ser mantida em sua integralidade. AI DEBCAD n.º 37.315.7622 – Multa pela não realização de descontos. Fato é que dos pagamentos efetuados aos corretores autônomos, não foram efetuados os descontos cabíveis em sua remuneração a título de contribuições previdenciárias. Logo, houve infração ao disposto no caput do art. 4º, da Lei n. 10.666/2003, combinado com o artigo 216, inciso I, alínea “a”, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999; E, neste tópico, mais uma vez, a recorrente se limita a defender, como o fez em todos os demais Autos de Infração acessória, à exceção do AI 68, que a inexistência de vínculo em face dos corretores não autoriza a aplicação da multa. Assim, reconhecido o contrário, fato é que deve ser mantida a multa aplicada. Ante todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1883DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Ass inado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 22 Declaração de Voto Conselheiro Marcelo Oliveira. Quanto à questão de mérito, sobre a incidência de contribuição previdenciária nos contratos de corretagem, caracterizando vínculo, como segurado contribuinte individual, entre os segurados e as empresas construtoras e desconsiderando vínculo estabeçecido em contratos entre os corretores e os adquirentes de imóveis, cabe destacar algumas considerações. Essa discussão começou a surgir recentemente no CARF, com decisões favoráveis (2302003.572) e contrárias (2403002.285, 2803003.816 e 2803003.757) à exigência, pois há contratos que atestam que o pagamento da remuneração é de responsabilidade dos adquirentes de imóveis e não das empresas construtoras ou imobiliárias. A discussão é rica, já que fato gerador e responsabilidade da contribuição previdenciária, assim como sua base de cálculo estão vinculadas à determinação do Salário de Contribuição (SC). Conforme o Relatório Fiscal (RF), em suas fls. 003, a fiscalização conceituou ose segurados pelo seguinte fundamento legal: Lei 8.212/1991: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: ... V como contribuinte individual ... g) quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Sem sombra de dúvida, já que não se tratam de pessoas jurídicas, os segurados que trabalham como corretores são contribuintes individuais. Cabe esclarecer de quem é a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias. Fl. 1884DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Ass inado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10166.722561/201195 Acórdão n.º 2402004.802 S2C4T2 Fl. 13 23 A determinação sobre a definição de SC, para o contribuinte individual, também está na Legislação, com a consequente obrigação tributária da empresa, que está sendo exigida no presente lançamento. Lei 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; Portanto, para se exigir contribuição previdenciária da empresa (diferente de IRPF), como ocorre no presente lançamento, são necessárias as seguintes características nas remunerações, em síntese: 1. Que a remuneração seja paga ou creditada pela empresa; 2. Que a remuneração seja decorrente de serviços prestados para a empresa. Em exigências como as que estamos analisando, há dúvidas sobre os dois pontos, pois há contratos, entre corretores e adquirentes, sem a participação de construtoras ou imobiliárias, como a recorrente, que definem que o adquirente é que está pagando a remuneração para o corretor e que a prestação de serviços é para o adquirente e não pela empresa. No mercado imobiliário, por experiência pessoal, sei que esse fato ocorre. As pessoas físicas que trabalham como corretores, em muitas vezes, prestam serviços para várias imobiliárias e construtoras, trabalham por conta própria, agem como se fossem empreendedores individuais, com seus estoques de imóveis disponíveis, negociam, como defensores dos adquirentes, redução de preços com as construtoras e com as imobiliárias, reduzem suas taxas de corretagem, subcontratam outros corretores, etc. Assim, para que a exigência recaia sobre as construtoras e as imobiliárias, desconsiderando contratos entre adquirentes e corretores, fazse necessária a subsunção à norma, com o Fisco demonstrando: 1. Que a remuneração foi paga ou creditada pela empresa; 2. Que a remuneração foi decorrente de serviços prestados para a empresa. Analisando o presente caso há ponto que nos leva a decidir pela manutenção do lançamento. Fl. 1885DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Ass inado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 24 A remuneração, como demonstra o RF, era controlada pela recorrente, empresa: "82. Ademais, cabe ressaltar que todo o controle da venda, inclusive o pagamento da comissão do corretor, é exercido pela Empresa. Segundo o fluxo acima descrito, a documentação que integra o processo de venda assim como os cheques referentes ao sinal e à comissão do corretor são encaminhados à direção da Empresa para conferência da transação realizada e aferir o real valor da comissão de venda no sentido de constatar se esta não foi cobrada a maior. O cheque relativo ao sinal é destinado à incorporadora/construtora e o da comissão de venda fica sobrestado na Empresa até à efetivação do negócio (assinatura do contrato) quando é liberado ao corretor. Diante desses fatos, não há como sustentar que o corretor não tenha vínculo com a Empresa e que o pagamento da comissão de venda seja realizado no âmbito do comprador e corretor, sem qualquer participação da Empresa, com o propósito de livrarse da obrigação principal previdenciária decorrente da transação imobiliária." Ora, só sobresta, controla, determina o momento de um pagamento por um bem quem tem posse ou propriedade sobre esse bem. Quando a empresa define se, quando e porque irá pagar o corretor ela demonstra, de forma cabal, que esse direito (valor) não era do corretor, mas seu e que ela o utiliza, consequentemente, como forma de pagamento por um serviço prestado, já que decorre de uma venda de um bem que lhe pertence. Se o direito/valor fosse do corretor ele controlaria o destino do cheque, bem, e daria a destinação que desejasse, devendo, inclusive, ser responsável pela cobrança, exigir o cumprimento da parte que descumpriu o contrato (adquirente ou empresa), etc. A definição sobre a entrega de um bem pertence a quem tem a posse ou a propriedade desse bem. Assim, caracterizado o pagamento e a consequente prestação de serviço pela e para a empresa, recorrente, ocorre o fato gerador, com a incidência de contribuição a cargo da empresa e a respectiva obrigatoriedade de retenção da contribuição dos segurados, exigidas nos autos. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, acompanho o relator para negar provimento ao recurso, nos termos da declaração acima. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira. Fl. 1886DF CARF MF Impresso em 20/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/0 1/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Ass inado digitalmente em 18/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.003613/2010-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
SECURITIZAÇÃO. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO.
Para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ das pessoas jurídicas, optantes pelo regime de lucro presumido, que exploram atividade de securitização de créditos, inexiste base legal para excluir da receita bruta auferida o custo de aquisição dos direitos creditórios. O percentual de presunção a ser aplicado sobre a receita bruta é de 8%.
CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO.
Inexistindo disposição específica, aplica-se à Contribuição Social sobre o Lucro, CSLL, o decido no IRPJ.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 1402-002.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves.. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008 SECURITIZAÇÃO. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ das pessoas jurídicas, optantes pelo regime de lucro presumido, que exploram atividade de securitização de créditos, inexiste base legal para excluir da receita bruta auferida o custo de aquisição dos direitos creditórios. O percentual de presunção a ser aplicado sobre a receita bruta é de 8%. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Inexistindo disposição específica, aplica-se à Contribuição Social sobre o Lucro, CSLL, o decido no IRPJ. Recurso de Ofício Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10920.003613/2010-51
anomes_publicacao_s : 201601
conteudo_id_s : 5556347
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1402-002.005
nome_arquivo_s : Decisao_10920003613201051.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
nome_arquivo_pdf_s : 10920003613201051_5556347.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves.. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
id : 6243308
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048123524251648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2177; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 199 1 198 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.003613/201051 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1402002.005 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de dezembro de 2015 Matéria LUCRO PRESUMIDO COEFICIENTE Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TAIPA SECURITIZADORA S.A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE INTERESSE DE AGIR. Tratandose de recurso voluntário interposto em face de acórdão de primeira instância que exonerou a totalidade do crédito tributário em litígio, o mesmo não deve ser conhecido ante à falta de interesse de agir da recorrente. Eventuais falhas no cumprimento das decisões devem ser sanadas no âmbito da unidade encarregada da execução do acórdão. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 SECURITIZAÇÃO. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ das pessoas jurídicas, optantes pelo regime de lucro presumido, que exploram atividade de securitização de créditos, inexiste base legal para excluir da receita bruta auferida o custo de aquisição dos direitos creditórios. O percentual de presunção a ser aplicado sobre a receita bruta é de 8%. CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Inexistindo disposição específica, aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro, CSLL, o decido no IRPJ. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 36 13 /2 01 0- 51 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.003613/201051 Acórdão n.º 1402002.005 S1C4T2 Fl. 200 2 (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves.. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.003613/201051 Acórdão n.º 1402002.005 S1C4T2 Fl. 201 3 Relatório A 5ª Turma da DRJ EM Ribeirão Preto recorre a este Conselho, com fulcro no art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, em razão de o acórdão nº 10920.003613/201051 ter exonerado a totalidade do crédito tributário objeto da presente lide, cujo montante (tributo e multa) supera R$ 1 milhão. O relatório da decisão recorrida bem sintetiza o litígio, razão pelo qual o adoto, verbis: Tratase de autos de infração, fls. 7886, relativo ao IRPJ e CSLL, lucro presumido, anoscalendário 2007 e 2008, no valor total de R$ 2.117.819,44 (inclusos multa de oficio de 75% e juros de mora à taxa Selic, calculados até agosto2010). Consoante Termo de Verificação Fiscal TVF, às fls. 6670, a Fiscalização constatou que: “(...) 3.1. — APLICAÇÃO INDEVIDA DE COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO DO LUCRO— LUCRO PRESUMIDO A fiscalizada desenvolve a atividade de securitização. Para se determinar a forma de apuração da receita bruta dessa atividade, é necessário compreender como ocorrem as operações nela realizadas. Nesse sentido, temse que as securitizadoras são instituições não financeiras, cuja atividade consiste na conversão de um grupo de ativos (créditos) gerados por uma determinada empresa (originadora) em títulos mobiliários passíveis de negociação. Isso provoca a transformação de títulos de pouca liquidez em títulos mobiliários líquidos, com a transferência dos riscos associados Aqueles, aos compradores destes. A securitização corresponde, assim, à emissão de títulos mobiliários lastreados em recebíveis comerciais, com a conseqüente distribuição dos riscos de um único credor para vários. Dai decorre que as companhias securitizadoras têm como principal atividade a compra de direitos creditórios, ao que é associado o gerenciamento de créditos (gestão de crédito e a seleção de riscos). Em razão disso, as atividades desenvolvidas as assemelham as empresas de factoring (aquisição de direitos de crédito e gerenciamento de riscos). A principal receita das empresas de factoring consiste na diferença entre o valor de face do titulo e o valor pelo qual ele é adquirido. Por analogia, é razoável que as securitizadoras apurem a receita da mesma forma. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.003613/201051 Acórdão n.º 1402002.005 S1C4T2 Fl. 202 4 Por conseguinte, a apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL das securitizadoras também seguem as disposições aplicáveis, salvo disposições legais expressas ao contrário, As empresas de factoring. Aqui cabe esclarecer que as empresas de factoring estão obrigadas à apuração do lucro real, obrigação esta que não existia para a securitizadoras nos anos calendário de 2007 e 2008. As securitizadoras estão obrigadas a apurar o lucro real a partir da publicação da Medida Provisória n° 472, de 15/12/2009, convertida na Lei n° 12.249/2010. Embora obrigadas ao lucro real, os dispositivos legais abaixo apresentam o percentual de presunção do lucro da atividade de factoring. Esse percentual é utilizado pelas empresas de factoring que optam pela apuração anual do imposto para o pagamento mensal de estimativas de IRPJ e para o cálculo do IRPJ na apuração do lucro arbitrado, que nada mais é do que os percentuais do lucro presumido majorados em 20%. Os dispositivos legais estão mostrados abaixo (grifou se): (...) Pelos motivos e dispositivos legais acima mencionados e conforme o disposto no artigo 108, inciso I, da Lei n° 5.172/1966 — Código Tributário Nacional, a base de cálculo do IRPJ lucro presumido para as pessoas jurídicas que desenvolvem a atividade de securitização é o resultado da aplicação do percentual de 32% sobre a receita bruta. A receita bruta consiste na diferença entre o valor de face do titulo e o valor pelo qual ele é adquirido. (...) 3.2 — APLICAÇÃO INDEVIDA DE COEFICIENTE DE DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL — APURAÇÃO REFLEXA Os mesmos argumentos mencionados no item acima se aplicam para a apuração da Contribuição Social Sobre Lucro Liquido — CSLL. Os dispositivos legais aplicáveis no caso da CSLL são mostrados abaixo (grifouse). (...) Pelos motivos e dispositivos legais acima mencionados e conforme o disposto no artigo 108, inciso I, da Lei n° 5.172/1966 — Código Tributário Nacional, a base de cálculo da CSLL lucro presumido para as pessoas jurídicas que desenvolvem a atividade de securitização é o resultado da aplicação do percentual de 32% sobre a receita bruta. A receita bruta consiste na diferença entre o valor de face do titulo e o valor pelo qual ele é adquirido. (...)” Fl. 202DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.003613/201051 Acórdão n.º 1402002.005 S1C4T2 Fl. 203 5 A Contribuinte foi cientificada na pessoa de seu diretor Bernardo Schuelter em 13/09/2010, vide fl. 70, tendo apresentado impugnação em 11/10/2010 (fls. 92 e seguintes), aduzindo: (...) Contudo, a exigência fiscal delineada no AIIM não • pode prosperar, conforme se verá a seguir. III. Da correta utilização do percentual de lucro presumido de 8% 9. A definição última da questão que será analisada a seguir encontrase no artigo 15 da Lei 9.249/95, pelo que cumprenos analisálo pormenorizadamente: (...) 10. No entendimento expresso pelo D. Auditor Fiscal da Receita Federal, a Impugnante estaria enquadrada no artigo 15, §1 12 , Ill, item "d", conforme se observa do já citado Termo de Verificação Fiscal. Porém, veremos que a própria fundamentação utilizada pelo D. Agente Fiscal desautoriza a conclusão indicada acima. Observese nesse sentido o seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal: (...) 11. Em primeiro lugar, notese que a securitização de recebíveis é negócio jurídico complexo envolvendo a cessão onerosa de direitos e a venda de títulos lastreados em tais direitos (ou seja, compra e venda de direitos). Tal negócio jurídico não pode ser simplesmente descrito como um serviço (tal como nos itens "a" e "d" do artigo 15, §1°, inciso Ill, da Lei 9.249/95), tido como "obrigação de fazer" pelo direito privado, seja por estar circunscrito à aquisição e alienação de direitos, seja por não ser remunerado como um serviço prestado. 12. Ademais, carece a securitização da figura de um "tomador de serviço", na medida em que a operação envolve diferentes etapas e • participantes. Confirase, a esse respeito, a lição de AIRES F. BARRETO (ISS na Constituição e na Lei, 22 edição, Ed. Dialética, 2005, pg.36): (...) 13. De fato, a razão repele o entendimento de que aquele que figura como alienante de recebíveis ou o outro que adquire títulos mobiliários seja o destinatário de um serviço. 14. Corrobora para tal entendimento o teor do artigo 32 da Lei n° 9.514/97, que trata de companhias securitizadoras de créditos imobiliários: (...) 18. 0 factoring envolve dois tipos atividades bem distintas e definidas: o primeiro representado pela Fl. 203DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.003613/201051 Acórdão n.º 1402002.005 S1C4T2 Fl. 204 6 prestação cumulativa e continua de serviços de assessoria crediticia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos e administração de contas a pagar e a receber, engloba obrigações de fazer; o segundo é oriundo da aquisição de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços, uma obrigação de dar. 19. Já a securitização consiste na conversão de um grupo de ativos (créditos) gerados por uma determinada empresa (originadora) em títulos mobiliários passíveis de negociação. Desse modo, a receita obtida nessa atividade decorre exclusivamente do diferencial entre o valor de face do titulo e o valor pelo qual é acordada a cessão, havendo apenas a obrigação de dar. 20. Assim, na atividade de securitização: (i) não há obrigação de fazer; (ii) não existe prestação de serviço , (iii) não se cogita a existência de um tomador de serviços; bem como h uma cessão de créditos, pela qual qualquer atividade de gestão de créditos realizada pela securitizadora é desenvolvida em beneficio próprio e não de terceiros, como é o caso das empresas de factoring. (...) 22. Enfim, o entendimento esposado pelo D. Agente Fiscal de Rendas não encontra amparo sequer na própria Receita Federal do Brasil, que assim decidiu recentemente: 23. Diante da clareza da decisão acima transcrita, devese reconhecer que assiste razão A lmpugnante (sendo uma companhia securitizadora de créditos) no que toca ao enquadramento de sua atividade ao percentual de lucro presumido estabelecido pela regra geral (8% IRPJ / 12% CSLL), pelo que as exigências decorrentes de entendimento diverso devem ser prontamente canceladas. IV. Conclusão e pedido 24. Em vista de todo o exposto, concluise que a receita bruta de sociedades securitizadoras de créditos, como a Impugnante, está sujeita aos percentuais de 8% (IR) e 12% (CSLL) para a determinação do lucro presumido. Sendo assim, requerse seja o presente AIIM integralmente cancelado. (...)” Cumpre ainda relatar que, mediante ofício 478 de 9/9/2013, cópia a fl. 132, a 6a. Vara Federal da 2a. Subseção Judiciária da Justiça Federal de São Paulo determinou o julgamento em 1a. instancia deste processo no prazo de 30 dias, Fl. 204DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.003613/201051 Acórdão n.º 1402002.005 S1C4T2 Fl. 205 7 em face de antecipação de tutela concedida na Ação Ordinária 005103 39.2013.403.6102. Aludido oficio foi recepcionado em 17/09/2013; ato continuo o processo foi distribuído a este julgador. A turma julgadora, de forma unânime, resolveu exonerar o crédito tributário amparada no entendimento exarado pela própria RFB por meio da Solução de Divergência Cosit nº 8 de 2011, recorrendo de ofício a este Conselho. O contribuinte, por sua vez, apresentou recurso voluntário porque, em que pese a exoneração da totalidade do crédito tributário em litígio, foi cientificado da decisão que julgou sua impugnação procedente, mas, contraditoriamente, foi intimado a pagar ou parcelar o crédito tributário, podendo ainda apresentar recurso voluntário ao CARF (fls. 157161). Nesse cenário, requereu a adequação da cobrança ao decidido pela turma julgadora de primeira instância. Já à fl. 164, consta despacho exarado pelo Presidente da turma julgadora de primeira instância com o seguinte teor: O presente processo retornouse a esta DRJ com a solicitação para que fosse implementado ou corrigido o julgamento no sistema SIEF processos tendo em vista a contradição entre a intimação feita ao contribuinte para pagar e a decisão do Acórdão exonerando o contribuinte e recorrendo de ofício da decisão ao CARF. Examinando o Acórdão 1445.494, de 10 de outubro de 2013 (fl. 149/156), verificase que não há qualquer contradição entre a conclusão do Acórdão e o Voto que, por unanimidade, a 5a Turma decidiu por julgar procedente a impugnação, cancelando as exigências, e recorrendo de ofício ao CARF. No entanto, verificase que constou, erroneamente, na fl. 1 do Acórdão, “Crédito Tributário Mantido”, razão pela qual foi expedida a intimação. Diante desse fato, entendo que não há razão para proferir novo Acórdão ou Acórdão Retificador, pois tratase apenas de um erro formal que pode ser saneado por meio do presente Despacho. Assim, a referida expressão “Crédito Tributário Mantido” fica substituída por “Crédito Tributário Exonerado”, pois assim foi decidido pela 5a Turma, devendo, ainda, ser corrigido o equívoco junto ao sistema SIEF processos. Às fls. 178190 constam novos demonstrativos e despacho da unidade de origem reconhecendose o vício nas intimações anteriores, esclarecendose que o crédito tributário houvera sido exonerado e encontravase com sua exigibilidade suspensa em razão da interposição de recurso de ofício. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.003613/201051 Acórdão n.º 1402002.005 S1C4T2 Fl. 206 8 É o relatório. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.003613/201051 Acórdão n.º 1402002.005 S1C4T2 Fl. 207 9 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. RECURSO VOLUNTÁRIO Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão de primeira instância que exonerou a totalidade do crédito tributário em litígio. Conforme relatado, houve equívoco na intimação encaminhada ao contribuinte quando da cientificação da decisão de primeira instância, por meio da qual intimouse o contribuinte a recolher o crédito tributário já exonerado, ou, alternativamente, a apresentar recurso voluntário ao CARF. O recurso voluntário, basicamente, ataca a cobrança do crédito tributário em razão da exoneração do crédito tributário já decidido pela delegacia de julgamento. Conforme já relatado, o evidente vício na intimação exarada pela unidade de origem foi corrigido, adaptandose os seus termos e, principalmente, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário ante a interposição de recurso de ofício. O contribuinte intimado a esse respeito. Isso posto, voto por não conhecer do recurso voluntário ante à falta de interesse de agir da recorrente. RECURSO DE OFÍCIO O recurso de ofício preenche os pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Compulsando os autos, entendo que a decisão recorrida deve ser confirmada pelos seus próprios fundamentos. Conforme se observa, a própria RFB firmou entendimento de que, se tratando de pessoa jurídica cuja atividade é a securitização, o coeficiente de presunção aplicável para fins de determinação do IRPJ e da CSLL para os optantes pelo lucro presumido é de 8% e 12%, respectivamente. A fim de se evitar tautologia, e conforme possibilita o § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, transcrevo os fundamentos da decisão recorrida, adotandoos como razões de decidir: Fl. 207DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.003613/201051 Acórdão n.º 1402002.005 S1C4T2 Fl. 208 10 Conforme relatado, o litígio no presente processo versa sobre o percentual a ser aplicado sobre a receita para determinação do lucro presumido da contribuinte, cuja a atividade é de securitização. A contribuinte aplicou 8% (atividades gerais); por seu turno, a Fiscalização entende que o correto é 32% (prestação de serviços) e lavrou os autos de infração para exigir a diferença de IRPJ e CSLL. Na peça impugnatória a contribuinte questionou diretamente a matéria principal em litígio, pelo que passo a apreciála. Pois bem, verificase, de plano que a matéria foi objeto da Solução de Divergência Cosit nº 8 de 2011, cuja ementa elucida: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SECURITIZAÇÃO. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ das pessoas jurídicas, optantes pelo regime de lucro presumido, que exploram atividade de securitização de créditos, inexiste base legal para excluir da receita bruta auferida o custo de aquisição dos direitos creditórios. O percentual de presunção a ser aplicado sobre a receita bruta é de 8%. Excetuamse do acima disposto as sociedades securitizadoras de créditos imobiliários, financeiros e do agronegócio, visto que encontramse obrigadas à apuração do lucro real, de acordo com o inciso VII do art. 14 da Lei nº 9.718, de 1998. Dispositivos Legais: Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 15; Lei nº 9.514, de 20 de novembro de 1997, art. 3º; Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 1º e 25, inciso I; Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 31 e parágrafo único; Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 14, inciso VII; Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010, art. 22; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, arts. 518, 519 e 224. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SECURITIZAÇÃO. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. Para fins de apuração da base de cálculo da CSLL das pessoas jurídicas, optantes pelo Fl. 208DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.003613/201051 Acórdão n.º 1402002.005 S1C4T2 Fl. 209 11 regime de lucro presumido, que exploram atividade de securitização de créditos, inexiste base legal para excluir da receita bruta auferida o custo de aquisição dos direitos creditórios. O percentual de presunção a ser aplicado sobre a receita bruta é de 12%. Excetuamse do acima disposto as sociedades securitizadoras de créditos imobiliários, financeiros e do agronegócio, visto que encontramse obrigadas à apuração do lucro real, de acordo com o inciso VII do art. 14 da Lei nº 9.718, de 1998. Dispositivos Legais: Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, arts. 15 e 20; Lei nº 9.514, de 20 de novembro de 1997, art. 3º; Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 29; Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 31 e parágrafo único; Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 14, inciso VII; Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010, art. 22; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, arts. 518, 519 e 224. Vejamos a transcrição fundamentos da aludida decisão, que peço vênia para adotar aqui como razões de decidir. “(...) Pela leitura das citadas ementas, inferese que há divergência entre as regiões fiscais no tocante a dois pontos em relação às securitizadoras: determinação da receita bruta para fins de apuração das bases de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), na sistemática de tributação com base no lucro presumido; e percentual de presunção a ser aplicado sobre a mencionada receita bruta. 6. No que tange ao primeiro ponto, a Disit/SRRF09 entende por receita bruta a diferença entre o valor de face e o valor de aquisição do título ou direito creditório objeto da operação de securitização. Como argumento para tal tese, cita o Ato Declaratório Normativo (ADN) COSIT nº 31, de 24 de dezembro de 1997, o Ato Declaratório (AD) SRF nº 009, de 23 de fevereiro de 2000, e o Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.003613/201051 Acórdão n.º 1402002.005 S1C4T2 Fl. 210 12 6.1. No entanto, os atos mencionados dizem respeito à atividade desenvolvida pelas empresas de fomento comercial (factoring), que não se confundem com as securitizadoras. De acordo com art. 15, § 1º, inciso III, alínea “d”, da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a definição da atividade de factoring é a seguinte: “d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring).” (grifo nosso) 6.2. Já a operação de securitização, em síntese, compreende um processo por meio do qual uma sociedade, com o objetivo de antecipar o recebimento de seus créditos vincendos, agrupa determinados direitos creditórios e os transfere, com determinado deságio, a uma sociedade de propósito específico (securitizadora). A adquirente, tendo por lastro os referidos créditos e a fim de captar recursos no mercado de captais, emite títulos e valores mobiliários. 6.3. Nesse sentido, a Lei nº 9.514, de 20 de novembro de 1997, assim definiu a securitização de créditos imobiliários: “Art. 3º As companhias securitizadoras de créditos imobiliários, instituições não financeiras constituídas sob a forma de sociedade por ações, terão por finalidade a aquisição e securitização desses créditos e a emissão e colocação, no mercado financeiro, de Certificados de Recebíveis Imobiliários, podendo emitir outros títulos de crédito, realizar negócios e prestar serviços compatíveis com as suas atividades.” 6.4. Dessa forma, não há como fazer uso das normas que regulamentam a atividade de factoring para aplicálas às securitizadoras, pois estas não prestam de forma cumulativa as atividades relacionadas no art. 15, § 1º, inciso III, alínea “d”, da Lei nº 9.249, de 1995. São, portanto, operações distintas. 6.5. Feita a devida diferenciação, cabe ratificar o entendimento exposto pelas Soluções de Consulta Disit/SRRF08 nº 33, de Fl. 210DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.003613/201051 Acórdão n.º 1402002.005 S1C4T2 Fl. 211 13 2009, e Disit/SRRF10 nº 47, de 2008, quando afirmam que inexiste base legal para excluir da receita bruta auferida os custos referentes à aquisição dos direitos creditórios para efeito de apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL no regime de lucro presumido. 6.6. No que diz respeito ao IRPJ, tal entendimento é respaldado pelo art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995, combinado com os arts. 1º e 25, inciso I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e o art. 31 e parágrafo único da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Os dispositivos citados estão transcritos nos arts. 518, 519 e 224 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, com as seguintes redações: “Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Art. 519. Para efeito do disposto no artigo anterior, considerase receita bruta a definida no art. 224 e seu parágrafo único.” “Art. 224. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário (Lei nº 8.981, de 1995, art. 31, parágrafo único).” (grifo nosso) 6.7. Em relação à CSLL devida pelos contribuintes optantes pelo lucro presumido, a sua base de cálculo será determinada a partir da mesma receita bruta mencionada acima, conforme os arts. 29 da Lei nº 9.430, Fl. 211DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.003613/201051 Acórdão n.º 1402002.005 S1C4T2 Fl. 212 14 de 1996, 15, § 1º, inciso III, e 20 da Lei nº 9.249, de 1995, cujas redações seguem transcritas: “Art. 29. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado e pelas demais empresas dispensadas de escrituração contábil, corresponderá à soma dos valores: I de que trata o art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; (...)” “Art. 20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts. 27 e 29 a 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1º do art. 15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. (Redação dada Lei nº 10.684, de 2003)” (grifo nosso) 6.8. Decorre dos dispositivos legais acima transcritos que o legislador autorizou a não inclusão na receita bruta das vendas canceladas, dos descontos incondicionais concedidos e dos impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Assim, sem a devida previsão legal, não há possibilidade de excluir da receita bruta o custo de aquisição dos direitos creditórios. 7. Em relação ao percentual de presunção a ser aplicado sobre a receita bruta para a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, a Disit/SRRF09 decidiu que este seria de 32%, relativo à prestação de serviços em geral, conforme o disposto nos arts. 25, inciso I, e 29, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, combinados com os arts. 15, § 1º, inciso III, alínea “a”, e 20 da Lei nº 9.249, de 1995: Fl. 212DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10920.003613/201051 Acórdão n.º 1402002.005 S1C4T2 Fl. 213 15 7.1. Todavia, cabe observar que, na operação de securitização, há uma compra e venda de créditos vincendos, como descrito anteriormente. A sociedade securitizadora adquire os direitos creditórios com deságio, passa a ser a legítima credora e os recebe diretamente dos devedores pelo valor de face do título cedido. Dessa forma, por não se tratar de atividade caracterizada como prestação de serviços, o caso enquadrase na regra geral para fins de opção pelo lucro presumido. Assim, o percentual de presunção a ser aplicado sobre a receita bruta para a apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL é de 8% e 12%, respectivamente. (...)” CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de julgar procedente a impugnação interposta pela Contribuinte, para cancelar integralmente as exigências consubstanciadas no presente processo. Logo, o recurso de ofício não merece prosperar, confirmandose a exoneração do crédito tributário correspondente. CONCLUSÃO Isso posto, voto por não conhecer do recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 213DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 20/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.005844/2007-19
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Sep 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 30/04/2007
INFORMAR FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP.
Deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999.
RETENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE A RECEITA DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO PLENO NO STF. AFASTABILIDADE POR EXCEÇÃO AO ART. 62, DO REGULAMENTO INTERNO DO CARF.
Conforme o julgamento do Recurso Extraordinário n. 363852/MG, pelo pleno do STF, é a inconstitucionalidade do texto do art. 1º da Lei 8.540/92, que deu nova redação aos arts. 12 V e VII, 25, I e II, e 30, IV, da Lei 8.212/91, com a redação atualizada (Lei 9.528/97) e instituiu contribuição previdenciária sobre a comercialização da produção rural, ao entendimento de que configuradas bitributação, ofensa ao princípio da isonomia e necessidade de instituição por lei complementar. Julgamento que permite o afastamento da aplicação dos dispositivos declarados inconstitucionais, na forma do art. 62. parágrafo único, do Regimento Interno do CARF.
APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO EX OFÍCIO. REDUÇÃO DE MULTA MORATÓRIA.PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E MORALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ART. 106, II, E 112, DO CTN. ALTERAÇÃO DO ART. 35-A, DA LEI N. 8.212/1991, PELA LEI N. 11.941/2009.
Em razão dos princípios da legalidade e moralidade da Administração Pública, e do disposto nos artigos 106, II, e 112, ambos do CTN, na aplicação da multa de ofício a aplicada aos valores do créditos tributários lançados por oficio em NFLD de fatos geradores não declarados em GFIP, deve aplicado o art. 35-A, da Lei n. 8.212/1992, incluído pela MP n. 449/2008 convertida na Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao sujeito passivo, comparando-se a aplicação da multa do art. 44, I, da Lei n. 9.430/1998, com a multa do art. 35, da Lei n. 8.212/1992, na redação anterior à MP n. 449/2008.
Numero da decisão: 2803-004.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO, EDUARDO DE OLIVEIRA.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 30/04/2007 INFORMAR FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP. Deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999. RETENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE A RECEITA DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO PLENO NO STF. AFASTABILIDADE POR EXCEÇÃO AO ART. 62, DO REGULAMENTO INTERNO DO CARF. Conforme o julgamento do Recurso Extraordinário n. 363852/MG, pelo pleno do STF, é a inconstitucionalidade do texto do art. 1º da Lei 8.540/92, que deu nova redação aos arts. 12 V e VII, 25, I e II, e 30, IV, da Lei 8.212/91, com a redação atualizada (Lei 9.528/97) e instituiu contribuição previdenciária sobre a comercialização da produção rural, ao entendimento de que configuradas bitributação, ofensa ao princípio da isonomia e necessidade de instituição por lei complementar. Julgamento que permite o afastamento da aplicação dos dispositivos declarados inconstitucionais, na forma do art. 62. parágrafo único, do Regimento Interno do CARF. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO EX OFÍCIO. REDUÇÃO DE MULTA MORATÓRIA.PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E MORALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ART. 106, II, E 112, DO CTN. ALTERAÇÃO DO ART. 35-A, DA LEI N. 8.212/1991, PELA LEI N. 11.941/2009. Em razão dos princípios da legalidade e moralidade da Administração Pública, e do disposto nos artigos 106, II, e 112, ambos do CTN, na aplicação da multa de ofício a aplicada aos valores do créditos tributários lançados por oficio em NFLD de fatos geradores não declarados em GFIP, deve aplicado o art. 35-A, da Lei n. 8.212/1992, incluído pela MP n. 449/2008 convertida na Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao sujeito passivo, comparando-se a aplicação da multa do art. 44, I, da Lei n. 9.430/1998, com a multa do art. 35, da Lei n. 8.212/1992, na redação anterior à MP n. 449/2008.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Sep 15 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 10120.005844/2007-19
anomes_publicacao_s : 201509
conteudo_id_s : 5521357
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 15 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2803-004.194
nome_arquivo_s : Decisao_10120005844200719.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : GUSTAVO VETTORATO
nome_arquivo_pdf_s : 10120005844200719_5521357.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO, EDUARDO DE OLIVEIRA.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
id : 6123195
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048123532640256
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2394; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.005844/200719 Recurso nº 10.120.005844200719 Voluntário Acórdão nº 2803004.194 – 3ª Turma Especial Sessão de 11 de março de 2015 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente LASA LAGO AZUL SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 30/04/2007 INFORMAR FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP. Deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999. RETENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE A RECEITA DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO PLENO NO STF. AFASTABILIDADE POR EXCEÇÃO AO ART. 62, DO REGULAMENTO INTERNO DO CARF. Conforme o julgamento do Recurso Extraordinário n. 363852/MG, pelo pleno do STF, é a inconstitucionalidade do texto do art. 1º da Lei 8.540/92, que deu nova redação aos arts. 12 V e VII, 25, I e II, e 30, IV, da Lei 8.212/91, com a redação atualizada (Lei 9.528/97) e instituiu contribuição previdenciária sobre a comercialização da produção rural, ao entendimento de que configuradas bitributação, ofensa ao princípio da isonomia e necessidade de instituição por lei complementar. Julgamento que permite o afastamento da aplicação dos dispositivos declarados inconstitucionais, na forma do art. 62. parágrafo único, do Regimento Interno do CARF. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO EX OFÍCIO. REDUÇÃO DE MULTA MORATÓRIA.PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E MORALIDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ART. 106, II, E 112, DO CTN. ALTERAÇÃO DO ART. 35A, DA LEI N. 8.212/1991, PELA LEI N. 11.941/2009. Em razão dos princípios da legalidade e moralidade da Administração Pública, e do disposto nos artigos 106, II, e 112, ambos do CTN, na aplicação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 58 44 /2 00 7- 19 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 da multa de ofício a aplicada aos valores do créditos tributários lançados por oficio em NFLD de fatos geradores não declarados em GFIP, deve aplicado o art. 35A, da Lei n. 8.212/1992, incluído pela MP n. 449/2008 convertida na Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao sujeito passivo, comparandose a aplicação da multa do art. 44, I, da Lei n. 9.430/1998, com a multa do art. 35, da Lei n. 8.212/1992, na redação anterior à MP n. 449/2008. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima e Oseas Coimbra Junior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO, EDUARDO DE OLIVEIRA. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10120.005844/200719 Acórdão n.º 2803004.194 S2TE03 Fl. 3 3 Relatório O presente Recurso Voluntário apresentado busca a revisão parcial da decisão a quo que manteve parcialmente crédito constituído pelo Auto de Infração a título de multa por descumprimento ao art. 32, IV, da Lei n. 8.212/1991, por não ter informado em GFIP os valores das aquisições de produtos rurais de produtores pessoas físicas, que sofreria tributação com base nos artigos 25, I e II, e 30, IV, da mesma lei. A ocorrência dos eventos sobre os quais incidiu a norma de imposição tributária se deu nas competências no período de 01/02/2008 a 31/12/2008. , sendo o lançamento cientificado no dia 10.04.2007 (fls.120). Em seu recurso, a contribuinte alega que, como a decisão descaracterizou a parte como agroindústria (art. 22A, da Lei n. 8.212/1991), a aplicação da multa seria indevida, bem como a multa deveria ser reduzida. É o relatório. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira relator ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para redigir o voto. Esclareço que aqui reproduzo as razões de decidir do então conselheiro, com as quais não necessariamente concordo. I – Da Admissibilidade do Recurso O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. II – Em que pese a alegação de ser a contribuinte considerada ou não agroindústria, tal alegação não atingiria o objeto de apreciação, pois o fundamento parcial para manutenção são oriundos do dever de retenção dos adquirentes de produtos rurais de pessoas físicas (art. 30, IV, da Lei n. 8212/1991), o que deve considerado para o cálculo na forma antiga do artigo 32, IV, §§ 3º e 5º, da Lei n. 8.212/1991. Entretanto, realmente deve ser isso considerado para o cálculo da multa, se mantida a forma anterior de cálculo. III – A base do lançamento remanescente foram alvos de declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, Recurso Extraordinário n. 363852/MG, declarou como inconstitucional o texto do art. 1º da Lei 8.540/92, que deu nova redação aos arts. 12 V e VII, 25, I e II, e 30, IV, da Lei 8.212/91, com a redação atualizada (Lei 9.528/97) e instituiu contribuição previdenciária sobre a comercialização da produção rural, ao entendimento de que configuradas bitributação, ofensa ao princípio da isonomia e necessidade de instituição por lei complementar. Julgamento que permite o afastamento da aplicação dos dispositivos declarados inconstitucionais. Logo, tais dispositivos, podem ter sua eficácia afastada por este Conselho na forma do art. 62, parágrafo único, I, do Regimento Interno do CARF. Antes de qualquer demonstração, devese ter em vista o texto do art. 195, com atenção especial aos §§ 4º e 8º, da Constituição Federal de 1988, antes da redação dada pela Emenda Constitucional 20, de 22 dezembro de 1998, que era o vigente na época de publicação da Lei n. 8540/1992 e alterações até da Lei nº 9.528/1997, que alteraram a Lei n. 8212/1991, objetos da presente discussão: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; II dos trabalhadores; Fl. 130DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10120.005844/200719 Acórdão n.º 2803004.194 S2TE03 Fl. 4 5 III sobre a receita de concursos de prognósticos. (...) § 4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I. (...) § 8º O produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais, o garimpeiro e o pescador artesanal, bem como os respectivos cônjuges, que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes, contribuirão para a seguridade social mediante a aplicação de uma alíquota sobre o resultado da comercialização da produção e farão jus aos benefícios nos termos da lei. Como se vê, antes da Emenda Constitucional 20/1998, as únicas fontes autorizadas constitucionalmente para custear os serviços da Seguridade Social eram a folha de salários, o lucro e o faturamento das empresas, os trabalhadores e os concursos de prognósticos. E, qualquer fonte diversa, necessariamente, deve ser instituída por Lei Complementar em sentido estrito e não pode resultar em uma incidência cumulativa. 1ª Inconstitucionalidade – Não consonância da Lei Ordinária com o disposto no art. 195, § 8º, da CF/1988 Ressaltase, ao observarmos o texto do §8º, do art. 195, da CF/1988, em sua redação anterior e posterior à Emenda Constitucional n. 20/1998, em caso excepcional, autorizou a instituição de fonte de custeio diferente à dos incisos do caput, de produtores rurais que exercem suas atividades em regime de em regime de economia familiar, sem empregados permanentes. A única forma de instituição de fontes de custeios diversas da disposta no art. 195, da CF/1998, como supra apontado naquele momento, era por meio de lei complementar e que a nova contribuição não fosse cumulativa, conforme disciplinado no §4º, do mesmo artigo 195 e o art. 154, I da CF/1988, sob pena de inconstitucionalidade frontal e formal ao seguinte dispositivo: Art. 195. (...) §4º A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no art. 154, I”. (...) Art. 154. A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição; Fl. 131DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 Isso é, qualquer alteração ou inclusão das fontes de custeio da seguridade social e da previdência pública não inclusas nas disposições acima deveriam ser introduzidas no ordenamento jurídico brasileiro por meio de lei complementar em sentido estrito, bem como as contribuições instituídas deveriam ter a natureza não cumulativa, sob pena de inconstitucionalidade plena. No caso em voga, notase que as alterações realizadas pelo art. 1º, da Lei Ordinária n. 8540/1992 e seguintes até a Lei nº 9.528/1997, todas anteriores a Emenda Constitucional n. 20/1998, incluíram uma nova fonte de custeio da seguridade social e previdência. O art. 1ª da indicada lei modificou a redação do art. 25, da Lei Ordinária n. 8212/1991, de forma ampliar invalidamente as fontes de custeio da seguridade social, pois não se trata de uma lei complementar em sentido estrito, nem têm cunho nãocumulativo, incidindo varias vezes sobre o mesmo fato gerador. Antes da publicação da Lei Ordinária n. 8540/1992, os arts. 25 c/c 12,VI da Lei Ordinária n. 8.212/1991, apenas instituía a contribuição previdenciária dos produtores rurais que exploravam a atividade em regime familiar, reconhecidos como segurados especiais, sobre o resultado da comercialização de seus produtos, bem como colocava pare esse a facultatividade da contribuição previdenciária geral incidente sobre os vencimentos dos trabalhadores (não cumulatividade).1 Com a sanção e publicação da Lei Ordinária n. 8540/1992, o art. 1º, os arts. 12, V e VII e 25 da Lei Ordinária n. 8.212/1991, passou a ter a seguinte redação: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como equiparado a trabalhador autônomo, além dos casos previstos em legislação específica: a) a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária ou pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxílio de empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não contínua; Redação dada pela Lei n° 8.540, de 22.12.92); (...) VII como segurado especial: o produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais, o pescador artesanal e o assemelhado, que exerçam essas atividades individualmente ou em regime de 1 Texto original dos arts. 12, VII, e 25, da Lei n. 8212/1991: Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: VII como segurado especial: o produtor, o parceiro, o meeiro e o arrendatário rurais, o garimpeiro, o pescador artesanal e o assemelhado, que exerçam essas atividades, individualmente ou em regime de economia familiar, ainda que com o auxílio eventual de terceiros, bem como seus respectivos cônjuges ou companheiros e filhos maiores de 14 anos ou a eles equiparados, desde que trabalhem, comprovadamente, com o grupo familiar respectivo. Art. 25. Contribui com 3% (três por cento) da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção o segurado especial referido no inciso VII do art. 12. § 1° O segurado especial de que trata este artigo, além da contribuição obrigatória referida no caput, poderá contribuir, facultativamente, na forma do art. 21. § 2° Integram a produção, para os efeitos deste artigo, os produtos de origem animal, vegetal ou mineral, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem, torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10120.005844/200719 Acórdão n.º 2803004.194 S2TE03 Fl. 5 7 economia familiar, ainda que com auxílio eventual de terceiros, bem como seus respectivos cônjuges ou companheiros e filhos maiores de quatorze anos ou a eles equiparados, desde que trabalhem, comprovadamente, com o grupo familiar respectivo. (Redação dada pela Lei n° 8.398, de 7.1.92). (...) Art. 25. A contribuição da pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I dois por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho. § 1º O segurado especial de que trata este artigo, além da contribuição obrigatória referida no "caput", poderá contribuir, facultativamente, na forma do art. 21 desta Lei. § 2º A pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12, contribui, também, obrigatoriamente, na forma do art. 21 desta Lei. § 3º Integram a produção, para os efeitos deste artigo, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem, torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. § 4º Não integra a base de cálculo dessa contribuição a produção rural destinada ao plantio ou reflorescimento, nem sobre o produto animal destinado a reprodução ou criação pecuária ou granjeira e a utilização como cobaias para fins de pesquisas científicas, quando vendido pelo próprio produtor e quem a utilize diretamente com essas finalidades, e no caso de produto vegetal, por pessoa ou entidade que, registrada no Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, se dedique ao comércio de sementes e mudas no País. § 5º (VETADO) A redação, em especial dos incisos I e II, art. 25, se manteve inalterada pelas alterações seguintes dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 e seguintes, mantendo todas as características da regra matriz instituída. E como demonstrado pela transcrição do art. 1º, da Fl. 133DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA 8 Lei n. 10.256/20012, novamente, os incisos I e II do art. 25, da Lei n. 8.212/1991, não foram alterados, mantendose com a redação da Lei nº 9.528, de 10.12.97. Assim, notese a alteração grave dada aos artigos 12, V e VII, 25, I e II, e 30, pela nova redação da Lei Ordinária n. 8.540/1992 até a Lei n. 9.528, aos dispositivos acima, ampliou a gama de fontes de custeio e contribuintes (sujeito passivo da relação jurídico tributária) das contribuições do art. 25 da Lei Ordinária n. 8212/1991. Antes eram apenas produtores rurais que exerciam a sua atividade no regime de economia familiar, agora também começara a atingir os produtores rurais pessoas físicas que exploram a atividade de forma empresarial ou de qualquer outra forma diversa ao regime familiar. Ou seja, a lei ordinária ampliou a sua fonte de custeio para além das hipóteses constitucionais autorizadas pelo texto do art. 195, I, e §8º, da CF/1988. A segunda alteração grave, a lei alteradora instituiu que a fonte de custeio passaria a ser 2,0% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para a seguridade e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho. Isso, ao contrário de dispõe de uma única alíquota o resultado da comercialização da produção, conforme claramente disposto no §8º, do art. 195, da CF/1988. Inclusive, os incisos I e II do art. 25, da Lei n. 8.212/1991, que estabelecem a alíquota e a base de cálculo das contribuições questionadas, desde 1997, estão com a mesma redação inconstitucional até o presente momento, o que sequer foi alterado pela Lei n. 10.265/2010, não saneando a inconstitucionalidade, pois não alterou a parte do dispositivo que foi declarada como inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Ou seja, indiferentemente de quaisquer supostas alterações, os dispositivos que nasceram inconstitucionais, conforme declaração do próprio Supremo Tribunal Federal, são extirpados do ordenamento jurídico. Ou seja, os incisos I e II, do art. 25, da Lei n. 8.212/1991, que foram incluídos pela Lei n. 8.540/1992 e mantidos pelas leis anteriores, eram inconstitucionais desde a publicação da inclusão, justamente por tributarem a receita bruta ao invés de faturamento, como ordenava o art. 195, I, da CF/1988, antes da Emenda Constitucional 20/1998. De nada serve a alegação que se alterou partes do dispositivo, se as demais bases da construção da norma de incidência tributária já eram inválidas, e nenhum saneamento sofreram. Ou seja, está nítido que as contribuições e fontes de custei da seguridade social instituídas pelas alterações aos artigos 12, V e VII, 25, e 30, IV, da Lei n. 8.212/1991, ocorreram por lei ordinária em sentido estrito, sem autorização constitucional. Além de desobedecer a única forma que poderiam ter sido instituídas: por lei complementar e com natureza nãocumulativa, conforme ordena o art. 195, §4º c/c art. 154, I, ambos da Constituição Federal de 1988. 2ª Inconstitucionalidade do texto dos incisos IV do art. 30, da Lei 8212/1991, pelo art. 1º da Lei 8540/1992 – Imunidade das Exportações e Dupla Tributação 2 Trecho do art. 1º da Lei n. 10256/2001, que trata do art. 25, da Lei n. 8212/1991: “Art. 1o A Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, passa a vigorar com as seguintes alterações: (...) ´Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: ..................................................................... § 9o (VETADO) (...)” Fl. 134DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10120.005844/200719 Acórdão n.º 2803004.194 S2TE03 Fl. 6 9 Ainda, há a alteração do texto dos incisos IV e X do art. 30, da Lei 8212/1991, pelo art. 1º da Lei 8540/1992. Deve ser asseverado que as alterações do art. 30, IV e X, da Lei Ordinária n. 8212/1991 estabeleceram as seguintes normas: a) a Recorrente subrogase na obrigação do recolhimento, sendo substituta tornandose diretamente responsável retenção e recolhimento das contribuições sociais em questão, mesmo quando o produto se destina à exportação. b) Bem como ordena ao produtor recolher a contribuição diretamente nos casos de venda direta ao exterior (exportação), ao varejo, à outros produtores rurais e aos segurados especiais. Contudo, tais alterações normativas são inconstitucionais em sua plenitude. Quando o produtor ou a adquirente vendem os produtos oriundos do primeiro para exportação, os mesmos não podem ser retidos/cobrados das contribuições discutidas. Não se pode esquecer que tais contribuições previdenciárias tem natureza de contribuições sociais, e no caso em voga a mesmas não podem incidir sobre receita decorrentes de exportações, conforme a vedação expressa do art. 149, § 2º, da Constituição Federal de 1988 (red. da Emenda Constitucional Nº 33, de 11/12/2001): Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) II poderão incidir sobre a importação de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados e álcool combustível; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) II incidirão também sobre a importação de produtos estrangeiros ou serviços; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) III poderão ter alíquotas: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) Fl. 135DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA 10 b) específica, tendo por base a unidade de medida adotada. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) Em tempo, ressaltese que como pode haver retenção ou dever de recolhimento se núcleo da regramatriz tributária é inconstitucional? Logo, por ser a cobrança das contribuições previdenciárias dispostas nos artigos 25, I e II, da Lei n. 8.212/1991, inconstitucional, a sua retenção também o é, por inexistência do que se reter, sob pena de cometimento de um ato ilegal de cobrança, por sua ordem, o disposto do art. 30, IV e X, também o é. Desta forma, está clara a inconstitucionalidade de tal cobrança de qualquer uma das partes (produtores e adquirentes). Ou seja, as alterações supra referidas sofrem de flagrantes inconstitucionalidades materiais e formais. Tais inconstitucionalidades invalidam totalmente o texto do art. 1º, da Lei Ordinária n. 8540/1992 e redações seguintes até a Lei Ordinária n. 9.528/1997. Os entendimentos acima já foram a muito tratados e acrescentados pelo Supremo Tribunal Federal e demais Tribunais Federais pátrios, inclusive em tratandose de contribuições sociais (previdenciárias) de natureza semelhantes, ao ponto que das inconstitucionalidades supra demonstradas todas estão plenamente fundadas na jurisprudência pátria, conforme abaixo exemplificado. Entre os casos temse o caso a primeira instituição reformuladora do FUNRURAL pago pelas empresas agroindustriais, após à promulgação da Constituição Federal de 1988, realizada pela Lei Ordinária n. 8.870/1994, que criou uma contribuição previdenciária cujo a fonte o valor estimado da produção agrícola, o que não estava elencado no texto do art. 195, da CF/1988, vigente na época: EMENTA: AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA À SEGURIDADE SOCIAL POR EMPREGADOR, PESSOA JURÍDICA, QUE SE DEDICA À PRODUÇÃO AGROINDUSTRIAL (§ 2º DO ART. 25 DA LEI Nº 8.870, DE 15.04.94, QUE ALTEROU O ART. 22 DA LEI Nº 8.212, DE 24.07.91): CRIAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO QUANTO À PARTE AGRÍCOLA DA EMPRESA, TENDO POR BASE DE CÁLCULO O VALOR ESTIMADO DA PRODUÇÃO AGRÍCOLA PRÓPRIA, CONSIDERADO O SEU PREÇO DE MERCADO. DUPLA INCONSTITUCIONALIDADE (CF, art. 195, I E SEU § 4º) PRELIMINAR: PERTINÊNCIA TEMÁTICA. 1. Preliminar: ação direta conhecida em parte, quanto ao § 2º do art. 25 da Lei nº 8.870/94; não conhecida quanto ao caput do mesmo artigo, por falta de pertinência temática entre os objetivos da requerente e a matéria impugnada. 2. Mérito. O art. 195, I, da Constituição prevê a cobrança de contribuição social dos empregadores, incidentes sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; desta forma, quando o § 2º do art. 25 da Lei nº 8.870/94 cria contribuição social sobre o valor estimado da produção agrícola própria, considerado o seu preço de mercado, é ele inconstitucional porque usa uma base de cálculo não prevista na Lei Maior. 3. O § 4º do art. 195 da Constituição prevê que a lei complementar pode instituir outras fontes de receita para a seguridade social; desta forma, quando a Lei nº 8.870/94 servese de outras fontes, criando contribuição nova, além das expressamente previstas, é ela inconstitucional, porque Fl. 136DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10120.005844/200719 Acórdão n.º 2803004.194 S2TE03 Fl. 7 11 é lei ordinária, insuscetível de veicular tal matéria. 4. Ação direta julgada procedente, por maioria, para declarar a inconstitucionalidade do § 2º da Lei nº 88.870/94. (ADI n. 1103 1, Pleno do STF, Rel. Min. Maurício Corrêa, julg. 18.12.1996) Da mesma forma, em caso semelhante, de confusão do legislador ordinário com os conceitos de receita bruta e faturamento, que até a Emenda Constitucional n. 20 de 22 de dezembro de 1998 não eram tratados pela Constituição como sinônimos (um gênero e outro espécie), publicou a Lei Ordinária n. 9.718 de 27 de novembro de 1998, que sofria de inconstitucionalidades semelhantes à da Lei Ordinária 8540/1992 e seguintes, pois a receita bruta não estava elencada como fonte de custeio da seguridade social autorizada pelo art. 195, da CF/1988, conforme claramente demonstrado pelo voto condutor do acórdão do Recurso Extraordinário n. 390840, da lavra do Ministro Relator Marco Aurélio do Supremo Tribunal Federal (Acórdão do Recurso Extraordinário n. 390.840/MG, da lavra do Ministro Marco Aurélio, Pleno do STF, DJU 15.08.2006) O caso paradigma o seu acórdão publicado (DJU 22.04.2010), que no recente julgado do Supremo Tribunal Federal, amplamente divulgado pelos meios de comunicação, nos autos do Recurso Extraordinário n. 363.852/MG, foi claro em declarar a inconstitucionalidade das alterações legislativas estabelecidas pelo texto do 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, justamente objeto central da presente demanda: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo – considerações. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA 12 Ainda, é cabal o apresentado pelo voto condutor que foi liberado pelo Relator do indicado processo, o Ministro do STF, Dr. Marco Aurélio de Melo: Na interposição deste recurso, foram observados os pressupostos gerais de recorribilidade. Os documentos de folhas 43, 213 e 765 evidenciam a regularidade da representação processual e do preparo. Quanto à oportunidade, o acórdão recorrido teve notícia veiculada no Diário de 22 de janeiro de 2002, segunda feira (folha 744), ocorrendo a manifestação do inconformismo em 14 de fevereiro imediato, quartafeira (folha 745), no prazo assinado em lei, considerandose que o início da contagem deu se após o término do período de férias coletivas. A origem deste processo está no fato de os recorrentes adquirirem bovinos de produtores rurais, pessoas naturais. Então, à luz do inciso IV do artigo 30 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, surgem como “subrogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea a do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento”. A exceção aberta à responsabilidade fixada corre à conta da comercialização direta pelo produtor rural, a pessoa natural, com o exterior ou no varejo, para o consumidor. Em síntese, são os recorrentes os responsáveis pelo que devido pelo segurado obrigatório, pessoa natural que explore atividade pecuária, consoante dispõe o artigo 25, incisos I e II, da Lei nº 8.212/91: Art. 25. A contribuição da pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta lei, destinada à Seguridade Social, é de: I. dois por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II. um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho. (...) O artigo 195 da Carta da República, ao revelar, no inciso I, as balizas primárias da contribuição do empregador, alude à folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; à receita ou ao faturamento e ao lucro alíneas a, b, c. A previsão é exaustiva quanto aos fatos que podem dar causa à obrigação de financiamento da seguridade social. Na redação primitiva, anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, tratandose de empregador, a contribuição decorreria da folha de salários, do faturamento ou do lucro, não surgindo a possibilidade de se ter cumulação em virtude de ato normativo ordinário. Somente a Constituição Federal é que, considerado o mesmo fenômeno jurídico, pode abrir exceção à unicidade de incidência de contribuição. Isso ocorre, como exemplificado em parecer de Hugo de Brito Machado e Hugo de Brito Machado Segundo, publicado na Revista Dialética de Direito Tributário, página 94, Fl. 138DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10120.005844/200719 Acórdão n.º 2803004.194 S2TE03 Fl. 8 13 no tocante à folha de salários, no caso das contribuições para o SESI, o SESC, etc e em relação ao faturamento, presentes a Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social COFINS e o Programa de Integração Social PIS. Tanto é assim que, no artigo 240 inserto no Título IX Das Disposições Constitucionais Gerais da Carta de 1988, previuse: Art. 240. Ficam ressalvadas do disposto no art. 195 as atuais contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários, destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical. Já o PIS veio a ser agasalhado, especialmente considerada a contribuição da empresa a partir do faturamento, pelo artigo 239 também das Disposições Gerais da Carta de 1988: Art. 239. A arrecadação decorrente das contribuições para o Programa de Integração Social, criado pela Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público, criado pela Lei Complementar nº 8, de 3 de dezembro de 1970, passa, a partir da promulgação desta Constituição, a financiar, nos termos que a lei dispuser, o programa do segurodesemprego e o abono de que trata o § 3º deste artigo. (...) Cumpre assentar, como premissa constitucional, que, no tocante ao faturamento e ao financiamento do gênero seguridade social, contase apenas com essas duas exceções. A regra, dada a previsão da alínea b do inciso I do referido artigo 195, é a incidência da contribuição social sobre o faturamento, para financiar a seguridade social instituída pela Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, a obrigar não só as pessoas jurídicas, como também aquelas a ela equiparadas pela legislação do imposto sobre a renda artigo 1º da citada lei complementar. Já aqui surge duplicidade contrária à Carta da República, no que, conforme o artigo 25, incisos I e II, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, o produtor rural passou a estar compelido a duplo recolhimento, com a mesma destinação, ou seja, o financiamento da seguridade social recolhe, a partir do disposto no artigo 195, inciso I, alínea b, a COFINS e a contribuição prevista no referido artigo 25. Vale frisar que, no artigo 195, temse contemplada situação única em que o produtor rural contribui para a seguridade social mediante a aplicação de alíquota sobre o resultado de comercialização da produção, ante o disposto no § 8º do citado artigo 195 a revelar que, em se tratando de produtor, parceiro, meeiro e arrendatários rurais e pescador artesanal bem como dos respectivos cônjuges que exerçam atividades em regime de economia familiar, sem empregados permanentes, dáse a contribuição para a seguridade social por meio de aplicação de alíquota sobre o resultado da comercialização da produção. A razão do preceito é única: não se ter, quanto aos nele referidos, a base para a contribuição estabelecida na alínea “a” do inciso Fl. 139DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA 14 I do artigo 195 da Carta, isto é, a folha de salários. Daí a cláusula contida no § 8º em análise ... sem empregados permanentes...”. Forçoso é concluir que, no caso de produtor rural, embora pessoa natural, que tenha empregados, incide a previsão relativa ao recolhimento sobre o valor da folha de salários. É de ressaltar que a Lei nº 8.212/91 define empresa como a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos, ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional – inciso I do artigo 15. Então, o produtor rural, pessoa natural, fica compelido a satisfazer, de um lado, a contribuição sobre a folha de salários e, de outro, a COFINS, não havendo lugar para terse novo ônus, relativamente ao financiamento da seguridade social, isso a partir de valor alusivo à venda de bovinos. Cumpre ter presente, até mesmo, a regra do inciso II do artigo 150 da Constituição Federal, no que veda instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente. De acordo com o artigo 195, § 8º, do Diploma Maior, se o produtor não possui empregados, fica compelido, inexistente a base de incidência da contribuição a folha de salários a recolher percentual sobre o resultado da comercialização da produção. Se, ao contrário, conta com empregados, estará obrigado não só ao recolhimento sobre a folha de salários, como também, levando em conta o faturamento, da Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social – COFINS e da prevista tomada a mesma base de incidência, o valor comercializado no artigo 25 da Lei nº 8.212/91. Assim, não fosse suficiente a duplicidade, considerado o faturamento, temse, ainda, a quebra da isonomia. O tema ora em discussão por pouco não foi objeto de julgamento quando apreciada a Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.1031/DF. O Tribunal deixou de adentrar a questão ante a falta de pertinência temática, porque ajuizada a ação pela Confederação Nacional da Indústria. Todavia, foi adiante quanto ao § 2º do artigo 25 da Lei nº 8.870/94, que tinha a seguinte redação: § 2º O disposto neste artigo se estende às pessoas jurídicas que se dediquem à produção agroindustrial, quanto à folha de salários de sua parte agrícola, mediante o pagamento da contribuição prevista neste artigo, a ser calculada sobre o valor estimado da produção agrícola própria, considerado seu preço de mercado. Pois bem, concluiuse pelo surgimento de uma nova base de cálculo, ficando assim redigida a ementa: 1. Preliminar: ação direta conhecida em parte quanto ao § 2º do art. 25 da Lei nº 8.870/94; não conhecida quanto ao caput do mesmo artigo, por falta de pertinência temática entre os objetivos da requerente e a matéria impugnada. 2. Mérito. O art. 195, I, da Constituição prevê a cobrança de contribuição social dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; desta forma, quando o § 2º do artigo 25 da Lei nº 8.870/94 cria contribuição social sobre o Fl. 140DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10120.005844/200719 Acórdão n.º 2803004.194 S2TE03 Fl. 9 15 valor estimado da produção agrícola própria, considerado o seu preço de mercado, é ele inconstitucional porque usa uma base de cálculo não prevista na Lei Maior. 3. O § 4º do art. 195 da Constituição prevê que a lei complementar pode instituir outras fontes de receita para seguridade social; desta forma, quando a Lei nº 8.870/94 serve se de outras fontes, criando contribuição nova, além das expressamente previstas, ela é inconstitucional, porque é lei ordinária, insuscetível de veicular tal matéria. 4. Ação direta julgada procedente, por maioria, para declarar a inconstitucionalidade do § 2º do artigo 25 da Lei nº 8.870/94 – Diário da Justiça de 25 de abril de 1997, ementário 1866/02. Assentou o Plenário que o § 2º do artigo 25 da Lei nº 8.870/94 fulminado ensejara fonte de custeio sem observância do § 4º do artigo 195 da Constituição Federal, ou seja, sem a vinda à balha de lei complementar. O enfoque serve, sob o ângulo da exigência desta última, no tocante à disposição do artigo 25 da Lei nº 8.212/91. É que, mediante lei ordinária, versouse a incidência da contribuição sobre a proveniente da comercialização pelo empregador rural, pessoa natural. Ora, como salientado no artigo de Hugo de Brito Machado e Hugo de Brito Machado Segundo, houvesse confusão, houvesse sinonímia entre o faturamento e o resultado da comercialização da produção, não haveria razão para a norma do § 8º do artigo 195 da Constituição Federal relativa ao produtor que não conta com empregados e exerça atividades em regime de economia familiar. Já estava ele alcançado pela previsão imediatamente anterior – do inciso I do artigo 195 da Constituição. Também sob esse prisma, procede a irresignação, entendendose que comercialização da produção é algo diverso de faturamento e este não se confunde com receita, tanto assim que a Emenda Constitucional nº 20/98 inseriu, ao lado do vocábulo “faturamento”, no inciso I do artigo 195, o vocábulo “receita”. Então, não há como deixar de assentar que a nova fonte deveria estar estabelecida em lei complementar. O mesmo enfoque serve a rechaçar a óptica daqueles que vislumbram, no artigo 25, incisos I e II, da Lei nº 8.212/91, a majoração da alíquota alusiva à citada contribuição que está prevista na Lei Complementar nº 70/91. Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência (folha 699). Fl. 141DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA 16 O caso tratado pela Corte Suprema é de mesma natureza que o presente, logo está plenamente comprovada a inconstitucionalidade dos dispositivos questionados na presente demanda. Inclusive a decisão, perpassa pela inalteração dos dispositivos questionados em especial os incisos I e II, do art. 25, e IV, do art. 30, ambos da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/1997. Ainda, acompanhando o voto o Ministro do STF, Dr. Marco Aurélio de Melo, há várias decisões no mesmos sentido tem sido proferidas pelos Tribunais Regionais Federais: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL (FUNRURAL). EMPREGADOR RURAL, PESSOA NATURAL. INCIDÊNCIA SOBRE A RECEITA BRUTA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. INCONSTITUCIONALIDADE. PRECEDENTE DO STF. DIREITO À RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. 1. O Supremo Tribunal Federal, em recente julgado, consolidou entendimento no sentido da inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/92, que deu nova redação aos arts. 12, V e VII, 25, I e II, e 30, IV, da Lei 8.212/91, com a redação atualizada (Lei 9.528/97), até que a legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional 20/98, venha a instituir a contribuição. Entendeu se que a incidência da referida exação sobre a comercialização de produtos agrícolas pelo produtor rural, pessoa natural, configura bitributação, ofensa ao princípio da isonomia e criação de nova fonte de custeio sem lei complementar. 2. Nessa linha, consignou aquela Excelsa Corte que: "... Considerando as exceções à unicidade de incidência de contribuição previstas nos artigos 239 e 240 das Disposições Constitucionais Gerais, concluiuse que se estaria exigindo do empregador rural, pessoa natural, a contribuição social sobre a folha de salários, como também, tendo em conta o faturamento, da COFINS, e sobre o valor comercializado de produtos rurais (Lei 8.212/91, art. 25), quando o produtor rural, sem empregados, que exerça atividades em regime de economia familiar, só contribui, por força do disposto no art. 195, § 8º, da CF, sobre o resultado da comercialização da produção. Além disso, reputouse que a incidência da contribuição sobre a receita bruta proveniente da comercialização pelo empregador rural, pessoa natural, constituiria nova fonte de custeio criada sem observância do art. 195, § 4º, da CF, uma vez que referida base de cálculo difere do conceito de faturamento e do de receita." ( Informativo STF nº 573, 1º a 5 de fevereiro de 2010. Proposta da União no sentido da modulação dos efeitos da decisão plenária rechaçada pela Suprema Corte de Justiça Nacional. 3. Acerca da prescrição do direito de pleitear repetição de indébito dos tributos lançados por homologação, tenho como critério determinante a linha de orientação emanada do STJ, no sentido de que, nestes casos de tributos lançáveis por homologação, o prazo prescricional para repetição se conta na Fl. 142DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10120.005844/200719 Acórdão n.º 2803004.194 S2TE03 Fl. 10 17 modalidade "5+5", não havendo falar em efeito retroativo do art. 3º da LC nº 118, de 09.02.2005. 4. Aliás, nesse ponto, o egrégio Superior Tribunal de Justiça, em recente decisão proferida na Argüição de Inconstitucionalidade nos Embargos de Divergência em Recurso Especial, referente ao incidente de inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005, registrou que: "(...) Assim, na hipótese em exame, com o advento da LC 118/05, a prescrição, do ponto de vista prático, deve ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a ação de repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova" (AI nos EREsp 644736/PE, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, CORTE ESPECIAL, julgado em 06/06/2007, DJ 27/08/2007 p. 170). 5. A Corte Especial deste Tribunal, seguindo entendimento já manifestado pelo STJ, declarou a inconstitucionalidade da expressão: "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, constante do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005" (ArgInc 2006.35.02.0015150, Des. Federal Leomar Amorim, Corte Especial, Sessão de 02/10/2008). 6. Nesse diapasão, ocorreu a prescrição das parcelas anteriores ao decênio do ajuizamento da ação, ou seja, das parcelas anteriores a 24.7.1990, tendo em vista que a presente demanda foi proposta em 24.7.2000. 7. Na restituição do indébito tributário, a correção monetária deverá incidir sobre os valores desde os recolhimentos indevidos, em decorrência da Súmula nº 162 do STJ, com a utilização dos índices instituídos por lei. A partir de 1º/01/96, deve incidir apenas a Taxa SELIC, excluindose qualquer índice de correção monetária ou juros de mora (art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95). 8. Apelação provida. Sentença reformada. Segurança parcialmente concedida para declarar a inexistência de relação jurídicotributária que obrigue os promoventes a efetuar o recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre o valor da Receita Bruta da Comercialização da Produção Rural FUNRURAL; bem como para condenar a ré a promover a restituição aos autores dos valores indevidamente recolhidos a tal título, observada a prescrição das parcelas anteriores a 24.7.1990 (prescrição decenal).(AMS 200035000121340, DESEMBARGADOR FEDERAL REYNALDO FONSECA, TRF1 SÉTIMA TURMA, 16/04/2010) Não restam dúvidas da inconstitucionalidade dos artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei Fl. 143DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA 18 nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, não podendo ser mantido a retenção e as cobranças até que nova legislação institua a contribuição arrimada na Emenda Constitucional n. 20/1998. O posicionamento foi ratificado em duas outras oportunidades nos tribunais superiores: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I – Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II – Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III – RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. (STF RE: 596177 RS , Relator: Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Data de Julgamento: 01/08/2011, Tribunal Pleno, Data de Publicação: REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. FUNRURAL. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. EXTINÇÃO DESSA CONTRIBUIÇÃO PELO ART. 138 DA LEI 8.213/91. POSTERIOR RECONHECIMENTO, PELO STF, DA INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 25 DA LEI Nº 8.212/91, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1º DA LEI 8.540/92, QUE RESTABELECERA ALUDIDA HIPÓTESE DE EXAÇÃO. ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL QUE ORA SE ACOLHE. RECURSO DO CONTRIBUINTE PROVIDO. 1. Na linha de precedentes deste STJ, a contribuição ao FUNRURAL, incidente sobre a receita da comercialização da produção rural, foi extinta pelo art. 138 da Lei nº 8.213/91, relativamente ao empregador rural pessoa física (AgRg no Ag 1.359.692/RS, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, DJe 9/9/2011; AgRg no REp 1.226.313/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 19/4/2011), tendo, contudo, sido restabelecida por força do art. 1º da Lei nº 8.540/92, no passo em que deu nova redação ao art. 25 da Lei nº 8.212/91. 2. Entretanto, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 596.177/RS, processado sob o rito do art. 543B do CPC (DJe 29/8/2011), averbou a inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 8.540/92, reconhecendo, com isso, a não sujeição do empregador rural Fl. 144DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10120.005844/200719 Acórdão n.º 2803004.194 S2TE03 Fl. 11 19 pessoa física ao recolhimento de contribuição previdenciária sobre a receita da comercialização de sua produção. 3. Recurso especial do contribuinte parcialmente provido para se afastar a incidência do tributo questionado no subjacente mandamus, com a devolução do feito à Corte de origem, para que prossiga no julgamento das demais questões levantadas no apelo do impetrante. (REsp 1070441/SC, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/09/2014, DJe 06/10/2014) Dessa forma, com a permissão disposta art. 62, parágrafo único, I, do Regimento Interno do CARF/MF, entendo como necessário o afastamento da aplicação do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, incisos IV, da Lei nº 8.212/91, bem como declarando a improcedência e nulidade dos lançamentos dos créditos constituídos com base em tais dispositivos, oriundos da aplicação de 2% sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção rural adquirida pela Recorrente de produtores rurais pessoa física e de 0,1% sobre a mesma base de cálculo para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho. IV – Em análise da retroatividade da nova redação aos artigos 32 e 32A, a partir da MP n. 449/2008, deve ser observado que ao caso houve recente afetação de nova legislação. Assim, deixo de ater a tais alegações e passo a atentar à Lei n. 13.097/2005, bem como sob licença transcrevo o voto do Dr. Ricardo Magaldi Messetti, nos autos do processo n. __________________, o qual adoto integralmente: Lei n. 13.097, publicada em 19 de janeiro de 2015, inovou o ordemanento jurídico, sendo que a multa prevista no artigo 32A da Lei nº 8.212/1991, pela falta de entrega da GFIP, deixou de produzir efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 27/05/2009 a 31/12/2013, no caso de entrega de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária – GFIP sem Movimento. Ficaram, ainda, anistiadas as multas pela entrega da GFIP fora do prazo ou apresentada com incorreções ou omissões, desde que a declaração (GFIP) tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega, in verbis: (...) Seção XIV Da Apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP Art. 48. O disposto no art. 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, deixa de produzir efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 27 de maio de 2009 a 31 de dezembro de 2013, no caso de entrega de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA 20 Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. Art. 50. O disposto nos arts. 48 e 49 não implica restituição ou compensação de quantias pagas. Todavia, antes de adentrar na anistia específica trazida pela Lei 12.093/2015, faço um apertado escorço sobre o instituto da anistia em matéria tributária. Ora, a anistia é classificada como o perdão legal da infração, o que obsta a constituição do crédito tributário referente às correspondentes penalidades. É causa de exclusão do crédito tributário, o que significa dizer que impede a constituição do crédito através do lançamento, consoante a norma do art. 175 do CTN, e, como todo benefício fiscal, somente pode ser concedida por Lei tributária específica. Insta salientar, outrossim, que a a anistia não se confunde com a remissão. Esta é causa de extinção do crédito tributário, ou seja, operase após o lançamento e consequente constituição do crédito. Além disso, consoante o art. 172 do CTN, a remissão exige justificativa para sua concessão (casos de admissibilidade), ao passo que a anistia pode ser absoluta e concedida incondicionalmente, desde que referente às penalidades ocorridas até a vigência da lei concessiva. Além disso, a anistia abrange apenas as infrações. A remissão, por sua vez, pode ser apenas referente às infrações ou ao crédito tributário como um todo. O catedrático da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Professor Paulo de Barros Carvalho, discorrendo sobre a conceituação da Anistia e da Remissão, em sua renomada obra Curso de Direito Tributário, ensina: "Anistia fiscal é o perdão de falta cometida pelo infrator de deveres tributários e também quer dizer o perdão da penalidade a ele imposta por ter infringido mandamento legal. Tem, como se vê, duas acepções: a de perdão pelo ilícito e a de perdão da multa. As duas proporções semânticas do vocabulário anistia oferecem matéria de relevo para o Direito Penal, razão porque os penalistas designam anistia o perdão do delito e o indulto o perdão da pena cominada para o crime. Voltandose para apagar o ilícito tributário ou a penalidade infligida ao autor da ilicitude, o instituto da anistia traz em si indiscutível caráter retroativo, pois alcança fatos que se compuseram antes do termo inicial da lei que a introduz no ordenamento. Apresenta grande similitude com a remissão, mas com ela não se confunde. Ao remir, o legislador tributário perdoa o débito tributário, abrindo mão do seu direito subjetivo de percebêlo; ao anistiar, todavia, a desculpa recai sobre o ato da infração ou sobre a penalidade que lhe foi aplicada. Ambas retroagem, operando em relação jurídica já constituídas, porém de índole diversa: a remissão, em vínculo obrigacional de natureza estritamente tributária; a Fl. 146DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10120.005844/200719 Acórdão n.º 2803004.194 S2TE03 Fl. 12 21 anistia, igualmente em liames de obrigação, mas de cunho sancionatório." Diferente não é o entendimento do saudoso mestre Aliomar Baleeiro, no seu consagrado Direito Tributário Brasileiro: "A anistia não se confunde com a remissão. Esta pode dispensar o tributo, ao passo que a anistia fiscal é limitada à exclusão das infracões cometidas anteriormente à vigência da lei. que a decreta." Assim, utilizandose das lapidares lições do mestre Aliomar Baleeiro, temse que o CTN, para a anistia, tomou de empréstimo o milenar instituto político de clemência, esquecimento e concórdia, com este, porém, não se confundindo, apesar da mesma natureza perdão, esquecimento , de um lado, por restringilo, posto que a anistia fiscal exclui os atos qualificados como crime ou contravenção ou atos que, sem este qualificativo, envolvem dolo, fraude, simulação ou conluio, de outro, por ampliálo, posto que se estende, para além do legislador federal, aos legisladores estaduais e municipais. Quanto à remissão esclarece que o CTN se refere ao mesmo instituto de Direito Privado de que trata o Código Civil, arts. 1.053 a 1.055. que tem, como a anistia política, o mesmo cerne significativo na ideia de perdão (remitir ou perdoar a dívida). Embeberando nos sempre maestrais ensinamentos de Tarcio Sampaio Ferraz Jr, em artigo reproduzido na Revista Dialética de Direito Tributário n. 92, a distinção entre os dois institutos, no âmbito tributário (sistematicidade orgânica da matéria), é importante porque produzem efeitos diferentes a remissão é modalidade de extinção do crédito (CTN. art. 156), a anistia exclui o crédito (CTN. art. 175). Mas reduzir a distinção entre ambos a perdão de infração e penalidades correspondentes (a anistia) e a perdão do crédito (a remissão) é, data venia, uma fórmula muito pobre, já pela origem diferente que manifestam. O exame da sistematicidade orgânica exige, para além da estrutura do contexto normativo, a consideração da gênese dos conceitos. O transporte para o Direito Tributário não apaga as origens e ignorálas pode conduzir a perigosas simplificações. Afinal o direito é um fenômeno da vida humana e não um texto sem contexto. Assim, a remissão, dentre as modalidades de extinção, é um dos casos em que o CTN se serve "de institutos e conceitos de Direito Privado, no mesmo sentido em que este os criou e estruturou (CTN, arts. 109 e 110)", lembrando, por sua vez. que a anistia fiscal, "como a anistia política", pode ser absoluta ou condicional, geral ou restrita. O fato de a anistia fiscal, como a anistia política, poder ser absoluta é já um primeiro dado a ser considerado. Ao contrário da remissão, que o CTN vincula à racionalidade de uma relação meio/fim casos de admissibilidade, conforme o art. 172 do CTN , a anistia, que pode ser absoluta, poderá ser então concedida incondicionalmente ("irrestritamente pela lei sem quaisquer condições", nas palavras de Aliomar Baleeiro, op. cit., p. 533), Fl. 147DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA 22 alheia ao cálculo limitador da racionalidade. Isto a aproxima de suas origens mais remotas, quando era concedida em alusão a eventos que não guardavam nenhuma relação com os efeitos do ato soberano. Por isso, no direito moderno, a anistia não é vista, basicamente, como um favorecimento individual, posto que seu destinatário imediato é a pessoa humana e a sociedade. Nesse sentido, não pede nenhuma justificação condicional ao ato da autoridade que a concede, ainda que, secundariamente, possa atingir certas finalidades (como por exemplo, a paz social ou um benefício econômico). Ou seja, ela não é concedida por que nem para que um conjunto de beneficiários por meio dela ela se beneficie, mas no interesse soberano da própria sociedade. Além disso, sendo oblívio, esquecimento, juridicamente ela "provoca a criação de uma ficção legal", ela não "apaga" propriamente a infração, mas "o direito de punir", razão pela qual aparece depois de ter surgido o fato violador, não se confundindo com uma novação legislativa. Entendese, assim, porque a anistia fiscal é capitulada como exclusão do crédito (gerado pela infração) e não como extinção (caso da remissão), pois se trata de créditos que aparecem depois do fato violador, abrangendo a fortiori apenas infrações cometidas anteriormente à vigência da lei que a concede. E, como na anistia política, da qual segue o cancelamento das penalidades ou a revisão das penas correspondentemente à infração anistiada, também a anistia fiscal será seguida de cancelamento de multas, eventualmente sob condição de pagamento do tributo, cujo crédito então não se extingue. Ou seja, o crédito gerado pela infração se exclui porque a infração se anistia. isto é, desaparece o direito de punir. Desaparecido esse, desaparecem as penalidades, embora, obviamente, a recíproca não seja verdadeira, isto é, as penalidades podem ser extintas (por exemplo, pelo pagamento) sem que desapareça infração e, em consequência, sem que o crédito tenha sido excluído. O CTN, no art. 180, fala, assim, em anistia de infrações e não de anistia de penalidade. Afinal, como esclarece o inúmeras vezes clamado Aliomar Baleeiro, "o Fisco, se há infração legal por parte do sujeito passivo, pode cumular o crédito fiscal e a penalidade. exigindo esta e aquele". Esta autonomia da exigência da penalidade que, como crédito, nasce da infração. explica que a anistia desta exclua a exigência daquela que, em consequência, se cancela. Mas a mesma autonomia tem de admitir a hipótese de mera redução de multas e penalidades, isto é, do crédito correspondente, sem que haja. obviamente, perdão da infração ou de que o crédito gerado pela infração possa ser extinto (e não excluído) por qualquer das modalidades de extinção de crédito. Afinal, não se pode anistiar um "pedaço" de uma infração, embora se possa perdoar parte de um crédito. Já a remissão é. justamente, uma dessas modalidades, cuja estrutura, como diz Aliomar Baleeiro, vem do Direito Privado. A Fl. 148DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10120.005844/200719 Acórdão n.º 2803004.194 S2TE03 Fl. 13 23 remissão de dívida é negócio jurídico unilateral, que pode ser abstrato ou causal. Se causal, faz depender de solução de outra obrigação a sua eficácia. A eventual bilateralidade da remissão depende do que o credor quer. Ou seja, a bilateralidade não lhe é essencial. Entendese, desse modo. que a remissão tributária seja ato fundamentado e que a lei concedente preencha os requisitos estabelecidos pela lei complementar. Na verdade, a remissão privada pode ser da dívida ou da pena. Ou seja, se a anistia só se refere à infração, isto não exclui a possibilidade de a remissão referirse também e mesmo apenas ao crédito resultante da pena pecuniária imposta, e até somente a uma parte deste crédito. Ora, a possibilidade da remissão da pena tem uma consequência que não pode ser menosprezada. Afinal, no campo tributário, há de se reconhecer que haverá casos em que a lei anistia a infração, donde se segue a extinção da pena. mas outros há em que ela cancela a penalidade sem ter anistiado a infração. Neste último caso, qual o instituto que estará sendo aplicado; o de origem política (penal) ou o de origem privada? Ora. tenhase em conta que. quando se trata de perdão de pena criminal, não se fala em anistia, mas em indulto. "Ao contrário da anistia, o indulto não extingue o crime, impede tãosó a execução da pena a que tenham sido condenados os que dele se beneficiam" (Aníbal Bruno. Direito Penal, tomo 3°. Rio de Janeiro/São Paulo. 1966. p. 204). Mas de indulto não fala a lei tributária. E quando fala em concessão de anistia, limitadamente (CTN. art. 18211), não prevê nenhuma hipótese de limitação referente a uma (parcial!) redução de penalidades pecuniárias. Mesmo porque, nesse caso, não haveria anistia, mas indulto. Não obstante, a doutrina tributária fala em anistia de penalidades, argumentando que. em tal caso. sendo a sanção a negação da negação do direito provocada pela infração, ela é a afirmação daquele direito (a dupla negação é uma afirmação). Donde se segue que a supressão da pena equivaleria à supressão do direito que ela confirma, isto é, a anistia da pena equivaleria à anistia da infração correspondente. Daí, apesar de o CTN falar apenas em anistia de infração, poderse admitir também a anistia (imprópria?) de penalidade (cf. Zelmo Denari; Comentários ao Código Tributário Nacional, vol. 4, São Paulo, 1978, pp. 181 e ss.). Esse argumento, que admite a anistia da infração por força da anistia da pena, valeria quando ocorresse o cancelamento total da pena, mas é impróprio quando o caso é de mera redução, pois seria então de se perguntar se estaria ocorrendo a anistia (em parte?!) da infração, em relação à qual, como se sabe, a pena pecuniária não tem função compensatória de crédito. Podese anistiar uma infração e não outra, a infração referente a um tributo e não a outro, as infrações punidas com multa até certo montante, mas não um "pedaço" de infração nem penas até certo montante de tal modo que a infração ou o direito de punir Fl. 149DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA 24 ficassem "meio" anistiados. A possibilidade legal de perdão de parte de penalidades, com a utilização da fórmula "cancelamento ou redução de multas e penalidades", merece, pois, uma outra explicação. Segue, pois, que é irrecusável a hipótese de mero perdão de penalidade, isto é, de perdão do crédito correspondente, independente do oblívio da infração. Ou seja, quando o legislador tributário disciplina o perdão de penalidades ou vê na sua anistia uma correlação com a anistia da infração (por inteiro) ou, querendo referirse apenas à penalidade (ao crédito correspondente) mantendose a infração e não recorrendo impropriamente ao instituto da anistia, só pode estar a falar em remissão. Assim, a remissão tributária sendo modalidade de extinção do crédito tributário tal como ele é constituído pelo lançamento e, no caso de penalidades, o crédito se constituindo por lançamento de ofício, quando a lei prevê o cancelamento ou redução de penalidades nada impede que estejamos diante de remissão e não de anistia. Assim, entendo que a anistia trazida pelo artigo 49 da Lei 13.097/2015 deve ser aplicada ao caso concreto como remissão, extinguindo o crédito tributário referente à obrigação acessória em comento. Destaco, outrossim, que a norma tributária não há de trazer palavras inúteis, deste feito entendo que à remissão da multa por entrega de GFIP apresentada com incorreções ou omissões não há qualquer condição, devento ser de imediato aplicado os termos propostos, com a corolária extinção do crédito tributário lançado. Dessa forma, como fundamento autônomo, ao anterior, também leva a conclusão pelo cancelamento do crédito tributário em questão. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento. V – Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, para no mérito, DARLHE PROVIMENTO, reformando a decisão anterior e cancelar o lançamento. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização Fl. 150DF CARF MF Impresso em 15/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 14/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13876.000439/2001-74
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000
RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE.
A divergência a ser comprovada pelo recorrente, nos termos regimentais, se refere à matéria discutida e decidida na instância anterior. Sendo ela a possibilidade de tomada de créditos de IPI na aquisição de partes e peças de máquinas que, comprovadamente, se desgastem em menos de um ano por contato direto com o produto em elaboração, perfeitamente aceitável a comprovação da divergência por meio de decisão que entende que partes e peças de máquinas nunca geram tal direito. Irrelevante para a aceitação do recurso que a comprovação dos requisitos previstos no Parecer Normativo CST tenha sido feita por apresentação de laudo do INT, na decisão recorrida, e não haja laudo naquela aceita como paradigma.
PRODUÇÃO DE CARBETO DE SILÍCIO E ÓXIDO ALUMÍNIO. INSUMOS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS.
No processo produtivo do carbeto de silício e do óxido de alumínio, é cabível a escrituração de créditos decorrentes da aquisição de insumos que, embora não se integrem ao produto final, sofrem desgaste ou perda das propriedades físicas ou químicas em contato com o produto em fabricação.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-003.260
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López, que não conheciam do recurso e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas e Fabiola Cassiano Keramidas, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos.
assinado digitalmente
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente
assinado digitalmente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Redator ad hoc
assinado digitalmente
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Redator designado para o voto vencedor
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201502
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. A divergência a ser comprovada pelo recorrente, nos termos regimentais, se refere à matéria discutida e decidida na instância anterior. Sendo ela a possibilidade de tomada de créditos de IPI na aquisição de partes e peças de máquinas que, comprovadamente, se desgastem em menos de um ano por contato direto com o produto em elaboração, perfeitamente aceitável a comprovação da divergência por meio de decisão que entende que partes e peças de máquinas nunca geram tal direito. Irrelevante para a aceitação do recurso que a comprovação dos requisitos previstos no Parecer Normativo CST tenha sido feita por apresentação de laudo do INT, na decisão recorrida, e não haja laudo naquela aceita como paradigma. PRODUÇÃO DE CARBETO DE SILÍCIO E ÓXIDO ALUMÍNIO. INSUMOS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS. No processo produtivo do carbeto de silício e do óxido de alumínio, é cabível a escrituração de créditos decorrentes da aquisição de insumos que, embora não se integrem ao produto final, sofrem desgaste ou perda das propriedades físicas ou químicas em contato com o produto em fabricação. Recurso Especial do Procurador Negado
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13876.000439/2001-74
anomes_publicacao_s : 201509
conteudo_id_s : 5529872
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 9303-003.260
nome_arquivo_s : Decisao_13876000439200174.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : RODRIGO CARDOZO MIRANDA
nome_arquivo_pdf_s : 13876000439200174_5529872.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López, que não conheciam do recurso e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas e Fabiola Cassiano Keramidas, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. assinado digitalmente CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente assinado digitalmente HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Redator ad hoc assinado digitalmente JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Redator designado para o voto vencedor Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 04 00:00:00 UTC 2015
id : 6145713
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048123546271744
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2597; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 570 1 569 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13876.000439/200174 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.260 – 3ª Turma Sessão de 04 de fevereiro de 2015 Matéria IPI SALDO CREDOR RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALCOA ALUMÍNIO S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. A divergência a ser comprovada pelo recorrente, nos termos regimentais, se refere à matéria discutida e decidida na instância anterior. Sendo ela a possibilidade de tomada de créditos de IPI na aquisição de partes e peças de máquinas que, comprovadamente, se desgastem em menos de um ano por contato direto com o produto em elaboração, perfeitamente aceitável a comprovação da divergência por meio de decisão que entende que partes e peças de máquinas nunca geram tal direito. Irrelevante para a aceitação do recurso que a comprovação dos requisitos previstos no Parecer Normativo CST tenha sido feita por apresentação de laudo do INT, na decisão recorrida, e não haja laudo naquela aceita como paradigma. PRODUÇÃO DE CARBETO DE SILÍCIO E ÓXIDO ALUMÍNIO. INSUMOS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS. No processo produtivo do carbeto de silício e do óxido de alumínio, é cabível a escrituração de créditos decorrentes da aquisição de insumos que, embora não se integrem ao produto final, sofrem desgaste ou perda das propriedades físicas ou químicas em contato com o produto em fabricação. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López, que não conheciam do recurso e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas e Fabiola Cassiano Keramidas, que davam provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 00 04 39 /2 00 1- 74 Fl. 570DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13876.000439/200174 Acórdão n.º 9303003.260 CSRFT3 Fl. 571 2 Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos. assinado digitalmente CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO – Presidente assinado digitalmente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Redator ad hoc assinado digitalmente JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Redator designado para o voto vencedor Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional contra o v. acórdão proferido pela Colenda Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (Cópia de fls. 512 a 517) que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao creditamento dos produtos que se enquadram no conceito de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, nos termos do laudo técnico do Instituto Nacional de Tecnologia (INT). Por bem descrever a controvérsia, adoto o relatório apresentado na Colenda Turma a quo pela ilustre Relatora, Conselheira Sílvia de Brito Oliveira, verbis: "Tratase de pedido de ressarcimento, cumulado com pedido de compensação, de saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) apurado no 2º trimestre de 2000, com fulcro no art. 11 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999. O pedido, formalizado em 11 de setembro de 2001, foi parcialmente deferido pela Delegacia da Receita Federal (DRF) em SorocabaSP, em virtude da glosa de créditos relativos à aquisição dos materiais relacionados às fls. 91 a 94, que, conforme informação fiscal constante das fls. 96 a 101, tratam se de partes, peças e acessórios de máquinas e equipamentos cujo desgaste não se dá por ação direta sobre o produto fina! ou do produto final sobre esses materiais, e também por determinação de estorno dos créditos relativos a aquisições de insumos utilizados na produção de produto não tributado (mulita). Contra essa decisão, foi apresentada manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em Ribeirão PretoSP, que manteve o indeferimento parcial, nos termos do voto condutor do Acórdão constante das fls. 145 a 151, ensejando a interposição de recurso a este Fl. 571DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13876.000439/200174 Acórdão n.º 9303003.260 CSRFT3 Fl. 572 3 Segundo Conselho de Contribuintes, às fls. 160 a 176, para aduzir, em preliminar, a nulidade da decisão da instância de piso, por indeferir o pedido de realização de perícia documental e técnica e, com isso, ofender os princípios do devido processo legal e do contraditório e ampla defesa e, no mérito, alegar, em síntese, que: 1 os insumos cujos créditos foram glosados são equipamentos de grande porte (britadores, moinhos, eletrodos, fornos), que mantêm contato direto com as grandes estruturas maciças, e outros materiais (peneiras, esferas, rolos e martelos dos moinhos, mandíbulas, grelhas e placas de revestimento) que mantêm contato direto com o próprio produto final; II — esses insumos são, sim, em consonância com o art. 519, inc. II, do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002, produtos intermediários e são imprescindíveis no processo produtivo da contribuinte, desgastandose por contato direto com os grãos em processo de produção, conforme Parecer Normativo CST n° 65, de 1979. A recorrente alegou ainda a necessidade de converter o julgamento do recurso em diligência, pois a matéria litigiosa depende da produção de prova pericial técnica e documental para demonstrar que os materiais cujos créditos foram glosados são utilizados no processo de industrialização e não são do ativo permanente e que se consomem ou se desgastam em decorrência de ação direta sobre o produto fabricado. Ao final, solicitouse o integral provimento do seu recurso para, preliminarmente, decretarse a nulidade da decisão recorrida e, no mérito, para que seja reconhecido seu direito à compensação pleiteada, pois os bens relativos às glosas de crédito são considerados intermediários ou insumos, nos termos do art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, e arts. 164, inc. I, e 519, inc. II, do Decreto n° 4.544, de 2002, refazendose, por conseqüência, os cálculos dos créditos que devem ser estornados, em virtude das saídas do produto não tributado denominado mulita. Também foi requerida a reunião dos processos administrativos que listou, por serem de conteúdo idêntico, possuírem decisões similares e estarem na mesma fase processual. Esta Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em sessão realizada 12 de fevereiro de 2008, decidiu converter o julgamento do recurso voluntário em diligência para que fosse providenciado laudo detalhado do processo produtivo do carbeto de silício e do óxido de alumínio, no estabelecimento industrial, com destaque par a aplicação dos insumos objeto das glosas de crédito. Após efetuada a diligência, estes autos retornaram a esta Quarta Câmara com a informação fiscal constante das fls. 259 a 261, da qual releva destacar que: Fl. 572DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13876.000439/200174 Acórdão n.º 9303003.260 CSRFT3 Fl. 573 4 I na época da fiscalização que resultou na glosa dos créditos, a filial da Alcoa Alumínio S/A em SaltoSP já não produzia mais o carbeto de silício e o óxido de alumínio, que passou a ser produzido pela Treibacher Scheleifmittel Brasil Ltda, que comprara a Alcoa Alumínio S/A; II a verificação do processo produtivo foi feito na Treibacher Scheleifmittel Brasil Ltda., com acompanhamento de representantes da Alcoa Alumínio S/A; e III já se passaram quase seis anos daquela fiscalização e, agora, a situação é outra, pois não há mais representantes da Alcoa Alumínio S/A na Treibacher Scheleifmittel Brasil Ltda. e a ora recorrente informou que o carbeto de silício e o óxido de alumínio, atualmente, não é produzido em nenhum de seus estabelecimentos. Ao final, o responsável pela diligência solicitada por esta Câmara retornou os autos para que aqui se decidisse, diante dos fatos acima relatados, sobre a viabilidade de se produzir o laudo no estabelecimento da Treibacher Scheleifmittel Brasil Ltda. Na sessão de 09 de outubro de 2008, novamente decidiuse converter o julgamento do recurso em diligência para que fosse produzido o laudo técnico com base no processo produtivo do estabelecimento acima referido. A diligência foi realizada com base no processo produtivo do estabelecimento da pessoa jurídica Treibacher Scheleifmittel Brasil Ltda. e o processo foi encaminado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) com o relatório técnico elaborado pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT), às fls. 283 a 310, em que consta descrição da linha de produção do óxido de alumínio e do carbeto de silício e lista de partes e peças que, segundo o entendimento do INT, desempenham funções específicas e essenciais no processo produtivo, com desgastes que requerem a reposição periódica dessas partes e peças. A contribuinte manifestouse sobre a diligência, às fls. 313 a 317, para expressar sua concordância com o relatório do 1NT e pedir o integral provimento do seu recurso, em face do laudo técnico que atestou o efetivo desgaste dos produtos intermediários em decorrência do contato físico contínuo com o material em fabricação. É o relatório". (grifos e destaques nossos) A ementa do v. acórdão recorrido, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 DILIGÊNCIA E PERÍCIA. INDEFERIMENTO. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INCABÍVEL. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13876.000439/200174 Acórdão n.º 9303003.260 CSRFT3 Fl. 574 5 O indeferimento do pedido de diligência ou de perícia não configura cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, sendo incabível a decretação da nulidade da decisão recorrida. LAUDO TÉCNICO DO INT. ADOÇÃO. Salvo se comprovada a improcedência do laudo ou parecer do Instituto Nacional de Tecnologia, é ele adotado no aspecto técnico de sua competência. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 PRODUÇÃO DE CARBETO DE SILÍCIO E ÓXIDO DE ALUMÍNIO. INSUMOS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS. No processo produtivo do carbeto de silício e do óxido de alumínio, é cabível a escrituração de créditos decorrentes da aquisição de insumos que, embora não se integrem ao produto final, sofrem desgaste ou perda das propriedades físicas ou químicas em contato com o produto em fabricação. (grifo nosso) A Colenda Turma a quo entendeu, em síntese, na esteira do voto proferido pela Ilustre relatora, Conselheira Sílvia de Brito Oliveira, que em razão do laudo técnico produzido pelo INT não ter sido impugnado, ele deve ser adotado na sua conclusão, qual seja, para admitir os créditos do IPI relativos às aquisições de produtos listados na r. decisão, com fundamento no artigo 30 do Decreto nº 70.235/72. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado recurso especial (fls. 520 a 530), objetivando reformar o v. acórdão quanto ao creditamento de IPI, para os fins do art. 11 da Lei n° 9.779/99, em relação às partes e peças de máquinas utilizadas no processamento e produção de óxido de alumínio e carbeto de silício. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido através do r. despacho de fls. 544 e 545, reconhecida a divergência entre o conceito de produto intermediário, nos termos da legislação do IPI. Contrarrazões às fls. 552 a 561. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Henrique Pinheiro Torres redator ad hoc Por intermédio do Despacho de fl. 569, nos termos do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, incumbiume o Presidente da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais a formalizar o presente acórdão. Ressaltese que o relator original entregou o relatório e seu voto à secretaria da Câmara Superior. Contudo, em virtude de sua renúncia ao mandato, não foi possível concluir a formalização da citada decisão. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13876.000439/200174 Acórdão n.º 9303003.260 CSRFT3 Fl. 575 6 Desta forma, adotase o voto entregue pelo relator original, Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, vazado nos seguintes termos: "Inicialmente, quanto à admissibilidade, entendo que o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional não merece ser conhecido. Com efeito, verificase que nenhum dos paradigmas trazidos à colação no recurso especial enfrentou a matéria considerando as premissas do v. acórdão recorrido, quais sejam: (i) que os insumos, embora não se integrem ao produto final, sofrem desgaste ou perdas das suas propriedades físicas ou químicas em contato com o produto em fabricação; e (ii) que o laudo técnico produzido pelo INT não foi impugnado, devendo ser adotado na sua conclusão, qual seja, para admitir os créditos do IPI relativos às aquisições de produtos listados na r. decisão, com fundamento no artigo 30 do Decreto nº 70.235/72. Os paradigmas colacionados, ao seu turno, apenas apontaram, de forma genérica, que partes e peças não dão direito a crédito de IPI. Aliás, os paradigmas não cuidaram da questão específica do desgaste das propriedades físicas ou químicas dos insumos em contato com o produto em fabricação e, especialmente, do acolhimento ou não de laudo técnico do INT para deferimento dos créditos com arrimo no artigo 30 do Decreto nº 70.235/72. Destarte, as premissas específicas deste caso não foram abordadas nos paradigmas colacionados e, por conseqüência, se mostram inservíveis para comprovação da divergência. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Vencido no tocante à admissibilidade, entendo que, quanto ao mérito, o recurso não merece melhor sorte. Com efeito, cabe reiterar que toda a discussão dos autos diz respeito à possibilidade de creditamento de IPI sobre partes, peças e acessórios de máquinas e equipamentos cujo desgaste não se dá por ação direta sobre o produto final ou do produto final sobre esses materiais. Durante o processo administrativo, o contribuinte sempre alegou que os insumos cujos créditos foram glosados são equipamentos de grande porte (britadores, moinhos, eletrodos, fornos), que mantêm contato direto com as grandes estruturas maciças, e outros materiais (peneiras, esferas, rolos e martelos dos moinhos, mandíbulas, grelhas e placas de revestimento) que mantêm contato direto com o próprio produto final. Alegou, também, que esses insumos são, sim, em consonância com o art. 519, inc. II, do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002, produtos intermediários e são imprescindíveis no processo produtivo da contribuinte, desgastandose por contato Fl. 575DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13876.000439/200174 Acórdão n.º 9303003.260 CSRFT3 Fl. 576 7 direto com os grãos em processo de produção, conforme Parecer Normativo CST n° 65, de 1979. No laudo técnico juntado, fica clara a distinção entre o que são partes e peças, que não dão direito ao crédito e o que são partes e peças que atuam como verdadeiros insumos no processo industrial: “12. As partes e peças de máquina, aparelho ou equipamento não são consideradas produtos consumidos imediata e integralmente no processo de industrialização por serem componentes de uma estrutura estável e duradora. 13. Entretanto, as partes e peças que, mais que meros componentes de máquina, aparelho ou equipamento, desenvolvem atuação particularizada, essencial e específica, dentro da linha de produção, em contacto físico com o produto que se industrializa, o qual importa na perda de suas dimensões ou características originais, exigindo, por conseguinte, a sua substituição periódica em razão de sua inutilização ou exaurimento, embora preservada a estrutura que as implementa ou as contém são considerados produtos consumidos imediata e integralmente no processo de industrialização.” (grifos nossos) Nesse sentido, aliás, é o seguinte excerto da r. decisão recorrida, que abrange tudo o que se foi discutido sobre a matéria veiculada no recurso especial, e cujos fundamentos acolho e adoto como razão de decidir, verbis: “Relativamente ao mérito, tendo em vista que o laudo técnico foi elaborado pelo 1NT e que não houve arguição, tampouco comprovação, de sua improcedência, com fundamento no art. 30 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, adotoo para admitir os créditos do IPI relativos às aquisições dos produtos assim denominados: Bucha de poliuretano para bico micronizador; Bucha de poliuterano do micronizador; Cunha de fixação da mandíbula movei; Cunha lateral inferior/superior/direita/esquerda; Cunha para fixar grelhas; Eixo Oco de saída; Esfera de aço; Esfera de Cerâmica; Grelha para moinho Faço; Hélice com tubo mecânico; Mandíbula Móvel; Martelo para moinho Faço; Martelo para moinho Sabia; Placa de Impacto para Traseira do Moinho Martelo; Placa de Impacto Superior do Moinho Martelo; Fl. 576DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13876.000439/200174 Acórdão n.º 9303003.260 CSRFT3 Fl. 577 8 Placa para regulagem do Moinho Martelo; Placa de impacto tampa do Moinho Martelo; Revestimento inferior lateral para Moinho Faço; Revestimento lateral direito do Moinho Faço; Rolo para Moinho de Rolo; Segmento Anel quebrador superior moinho canário; Segmento Anel quebrador inferior moinho canário; Suporte do Martelo Moinho Faço; Camisa Cone para rebritador (móvel); Chapa preta para proteção do eletrodo; Placas perimetrais extremidade moinho a bola; Ponteiro para Rompedor Hidráulico; Revestimento para Câmara para Rebritador Cónico; Argola poliuretano para bola PE; Deck superior, intermediário e inferior; Disco de fixação dos martelos moinho sabiá; Placa superior, inferior e central do moinho canário; Placa de Desgaste Moinho Martelo Faço; Segmento abaulado para moinho bolas; Segmento plano para o moinho Rosenweig; Correia RE 3; Chapa perfurada de aço para peneira; Conjunto revestimento de alta alumina moinho bola; Revestimento da carcaça do mieronizador; Revestimento do bocal; Tampa superior; e Telas". Por conseguinte, em face de todo o exposto, vencido no tocante à admissibilidade, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional, mantendo o v. acórdão recorrido em sua integralidade." Com base nesses fundamentos o relator original não conheceu do recurso da Fazenda Nacional, sendo vencido por maioria, e, no mérito, negou provimento ao recurso, sendo acompanhado pela maioria do Colegiado. assinado digitalmente Henrique Pinheiros Torres redator ad hoc. Voto Vencedor Fl. 577DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13876.000439/200174 Acórdão n.º 9303003.260 CSRFT3 Fl. 578 9 Conselheiro Júlio César Alves Ramos, relator designado para redigir o voto vencedor. Divergiu a maioria quanto ao conhecimento do recurso apresentado pela PFN, que o nobre relator repelia. Nesse sentido, reiterou a maioria do colegiado que a divergência se instaura, ou não, quanto à matéria objeto da decisão e não quanto aos argumentos que a instância tenha adotado. Como indicado por ele mesmo, a decisão aplicou as conclusões de laudo elaborado pelo INT que afirmou que as partes e peças de máquinas entravam em contato com o produto em elaboração e se desgastavam em menos de um ano para aceitálas como geradoras de crédito de IPI. Por isso mesmo, entendi, no que fui acompanhado pela maioria, que o ponto em discussão é, tãosomente, se partes e peças de máquinas podem dar direito a crédito do IPI quando atendidas as condições previstas no Parecer Normativo CST 65/79, exatamente as que foram enfaticamente asseguradas pelo laudo produzido pelo INT, ou se, como apontam os paradigmas, elas nunca dão esse direito mesmo que aquelas condições sejam atendidas, o que, enfatizese, só mesmo em raríssimas ocasiões acontece. Nessa linha, não vejo que o paradigma devesse registrar que laudo elaborado pelo INT possa ser desconsiderado ou que produtos que não entrem em contato direto com aquele em elaboração possam ser admitidos como geradores de crédito, o que implicaria repelir as conclusões do PN CST. A afirmação da nobre relatora no julgamento original do qual aliás participei e a acompanhei em suas conclusões no sentido de que as conclusões do laudo devem ser aplicadas quando ele não tenha sido contestado, não constitui, assim, a matéria do julgamento, mas uma justificativa para que a relatora e o colegiado aceitassem que aqueles dois requisitos do PN eram realmente atendidos no caso concreto, por estranho que possa parecer. Destarte, para mim, a divergência está perfeitamente caracterizada com a apresentação de decisão que repele a possibilidade de tomada de créditos de IPI em relação a aquisição de partes e peças em qualquer caso, isto é, mesmo que entrem elas em contato com o produto em elaboração e se desgastem em menos de um ano, sendo de todo irrelevante que tal constatação se dê por meio de laudo elaborado ou não. Com essas considerações, entendemos atendido o pressuposto regimental para processamento do recurso especial e dele conhecemos. assinado digitalmente Júlio César Alves Ramos redator designado para o voto vencedor Fl. 578DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.019256/99-07
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/12/1990 a 31/03/1992
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN.
Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplica-se ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerando-se o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão-somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante.
Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional dar-se-á a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador).
Numero da decisão: 9900-000.735
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: Rafael Vidal de Araújo - Relator "ad hoc"
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201208
camara_s : Pleno
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/1990 a 31/03/1992 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplica-se ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerando-se o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão-somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional dar-se-á a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador).
turma_s : PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 10880.019256/99-07
conteudo_id_s : 5550775
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9900-000.735
nome_arquivo_s : Decisao_108800192569907.pdf
nome_relator_s : Rafael Vidal de Araújo - Relator "ad hoc"
nome_arquivo_pdf_s : 108800192569907_5550775.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
dt_sessao_tdt : Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
id : 6201383
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048123552563200
conteudo_txt : Metadados => date: 2015-11-18T11:47:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2015-11-18T11:47:24Z; Last-Modified: 2015-11-18T11:47:24Z; dcterms:modified: 2015-11-18T11:47:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2015-11-18T11:47:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-11-18T11:47:24Z; meta:save-date: 2015-11-18T11:47:24Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-11-18T11:47:24Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2015-11-18T11:47:24Z; created: 2015-11-18T11:47:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2015-11-18T11:47:24Z; pdf:charsPerPage: 2447; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-11-18T11:47:24Z | Conteúdo => CSRF-PL Fl. 1 1 0 CSRF-PL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10880.019256/99-07 Recurso nº Extraordinário Acórdão nº 9900-000.735 – Pleno Sessão de 29 de agosto de 2012 Matéria Repetição de indébito - Prescrição Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MÁQUINAS DENIS LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/1990 a 31/03/1992 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. Quando do julgamento do RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, foi declarada a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, momento em que estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. Diante das decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores a respeito da matéria, aplica-se ao caso os estritos termos em que foram prolatadas, considerando-se o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão- somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 09 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), vale o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º, com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional dar-se-á a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 30/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por JOSE ROBERTO FRANCA, Assinado digitalmente em 30/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/11/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 2 Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Relator "ad hoc" (assinado digitalmente) EDITADO EM: 18/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento), Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Trata-se de recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional - PFN, versando sobre a contagem do prazo prescricional do direito à repetição de indébitos tributários. A recorrente assevera que referido prazo seria de 5 (cinco) anos a contar da data em que ocorreu o recolhimento indevido ou a maior que o devido, consoante interpretação a ser dada ao inciso I do art. 165 do Código Tributário Nacional – CTN, interpretação essa que teria sido referendada pela Lei Complementar nº 118/2005. A discussão em causa, portanto, reporta-se exclusivamente ao prazo prescricional para requerer a repetição de indébito tributário, sendo importante ressaltar que o presente pedido foi formalizado anteriormente à vigência da Lei Complementar nº 118/2005, que passou a viger a partir do dia 09/06/2005. No presente caso, a data de protocolo do pedido de restituição/compensação foi formalizado em 30/06/1999, e se refere a fatos geradores ocorridos entre 12/90 e 03/92. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 30/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por JOSE ROBERTO FRANCA, Assinado digitalmente em 30/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/11/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10880.019256/99-07 Acórdão n.º 9900-000.735 CSRF-PL Fl. 2 3 Voto Conselheiro designado "ad hoc" Rafael Vidal de Araújo Primeiramente, cabe ressaltar que fui designado ad hoc para redação deste acórdão, porque o julgado anexado e assinado no e-processo pelo Conselheiro Relator Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, que não pertence mais a este Colegiado, não foi formalizado pela falta de assinatura do então Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Dessa forma, transcrevo abaixo o voto do documento desentranhado do e- processo, assim como fiz com a ementa e o relatório deste Acórdão: "O recurso extraordinário interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional –PFN preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade, consoante atesta o despacho competente, devendo ser conhecido. Conforme relatado, a questão que se põe à apreciação deste Colegiado diz respeito exclusivamente à preliminar de prescrição do direito à repetição de indébitos fiscais, merecendo ressaltar que o acórdão paradigma considerou irrelevante que o indébito tenha por fundamento a declaração de inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo quinquenal a partir da extinção do crédito tributário, conforme se extrai da leitura da ementa transcrita no recurso extraordinário, a seguir: ACÓRDÃO PARADIGMA "Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO- ILL- O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido." (grifo nosso).(Recurso n° 102-147786.Processo n° 10183.003219/2002-93.Acórdão CSRF/0400.810. Quarta Turma. Relatora Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo). Os dispositivos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN, citados na ementa acima transcrita, estão assim redigidos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou Fl. 159DF CARF MF Impresso em 30/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por JOSE ROBERTO FRANCA, Assinado digitalmente em 30/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/11/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 4 da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II - erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III - reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. ......................................................................................................... Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (vide art. 3º da LC. nº 118, de 2005) II - na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. ......................................................................................................... A modalidade de extinção do crédito tributário a que se refere o supra transcrito dispositivo do inciso I, do art. 168 é o definido no inciso I, do art. 156, também do CTN, a seguir: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I - o pagamento; (...). Assim, contado da data da extinção do crédito tributário, pelo pagamento, teria o contribuinte cinco anos para fazer valer o seu direito à restituição, entendimento que mereceu intermináveis discussões no âmbito do contencioso administrativo tributário e nos Tribunais Superiores do Poder Judiciário pátrio. Dessa forma, em face da interminável batalha judicial estabelecida sobre o tema, e com a pretensão de pacificar e tornar definitivo um entendimento a respeito, sobreveio a Lei Complementar - LC nº 118/2005, cujos artigos 3º e 4º alteraram e acrescentaram dispositivos ao Código Tributário Nacional CTN, dispondo ainda sobre a interpretação a ser dada ao inciso I do art. 168 da mesma Lei, nos termos a seguir reproduzidos: Art. 3º- Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4º - Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 30/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por JOSE ROBERTO FRANCA, Assinado digitalmente em 30/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/11/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10880.019256/99-07 Acórdão n.º 9900-000.735 CSRF-PL Fl. 3 5 106,inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. Por seu turno, o mencionado inciso I, do art. 106, do CTN, estabelece que: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa,excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (...). Assim, a questão já teria sido definitivamente resolvida com a edição dos suso transcritos dispositivos da LC nº 118/2005, segundo o qual a interpretação a ser dada ao inciso I, do art.168, do CTN, é a de que “a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei.” (Lei nº 5.172/1966 – CTN) Entretanto, o Superior Tribunal de Justiça - STJ declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do artigo 4° da LC nº 118/2005, ao entender que não se trata de lei meramente interpretativa, já que inova o ordenamento jurídico no tocante ao momento em que o crédito torna-se extinto, e que, portanto, não pode retroagir nos moldes do artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN, sob pena de ofender o princípio da segurança jurídica, de respeitável proteção em nosso ordenamento. Referida matéria, até a sessão de 04/08/2011 do Supremo Tribunal Federal – STF, encontrava-se submetida ao regime de repercussão geral, oportunidade em que foi negado provimento ao RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, sendo relatora a Ministra Ellen Gracie, declarando a inconstitucionalidade do acima transcrito art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 (cinco) anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09/06/2005, tendo referida decisão Suprema sido assim ementada: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/2005, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts . 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se auto-proclamado interpretativa,implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 30/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por JOSE ROBERTO FRANCA, Assinado digitalmente em 30/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/11/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 6 Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando-se as aplicações inconstitucionais e resguardando-se, no mais, a eficácia da norma, permite-se a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B,§ 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido Por seu turno, o Superior Tribunal de Justiça - STJ, em recentíssima decisão (sessão de 02/08/2012), ao julgar o recurso representativo de controvérsia REsp nº 1.269.570MG, entre muitas outras mais antigas, seguiu a referida posição jurisprudencial proferida do Tribunal Maior, consoante se extrai da leitura da ementa do REsp 1089356/PR, assim disposta: REsp 1089356 / PR RECURSO ESPECIAL 2008/02103521 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 - SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 02/08/2012 Data da Publicação/Fonte DJe 09/08/2012 Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSOS ESPECIAIS. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 543-B,§ 3º, DO CPC. MANDADO DE SEGURANÇA QUE ATACA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS DA CSLL Fl. 162DF CARF MF Impresso em 30/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por JOSE ROBERTO FRANCA, Assinado digitalmente em 30/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/11/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10880.019256/99-07 Acórdão n.º 9900-000.735 CSRF-PL Fl. 4 7 REFERENTES AO EXERCÍCIO DE 1996. PEDIDO ADMINISTRATIVO PROTOCOLADO ANTES DE 09/06/2005. INAPLICABILIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº. 118/2005 E DO ART. 16 DA LEI Nº.9.065/95. 1. Tanto o STF quanto o STJ entendem que, para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09/06/2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento. Já para as ações ajuizadas antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, §4º com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5).Precedente do STJ: recurso representativo da controvérsia REsp n. 1.269.570-MG,1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 23.05.2012. Precedente do STF (repercussão geral): recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011. 2. No caso, embora se trate de mandado de segurança ajuizado no ano de 2007, houve observância do prazo do art. 18 da Lei nº.1.533/51 e a impetrante impugna o ato administrativo que decretou a prescrição do seu direito de pleitear a restituição dos saldos negativos da CSLL referentes ao ano-calendário de 1995,exercício de 1996, cujo pedido de restituição foi protocolado administrativamente em 05.07.2002, antes, portanto, da Lei Complementar n. 118/2005. Diante das peculiaridades dos autos, o Tribunal de origem decidiu que o prazo prescricional deve ser contado da data de protocolo do pedido administrativo de restituição. Em assim decidindo, a Turma Regional não negou vigência ao art. 168, I, do CTN; muito pelo contrário, observou entendimento já endossado pela Primeira Turma do STJ (REsp 963.352/PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 13.11.2008). 3. No tocante ao recurso da impetrante, deve ser mantido o acórdão do Tribunal de origem, embora por outro fundamento,pois, ainda que o art. 16 da Lei n. 9.065/95 não se aplique nas hipóteses de restituição, via compensação, de saldos negativos da CSLL, no caso a impetrante formulou administrativamente simples pedido de restituição. Na espécie, ao adotar a data de homologação do lançamento como termo inicial do prazo prescricional quinquenal para se pleitear a restituição do tributo supostamente pago a maior, o Tribunal de origem considerou tempestivo o pedido de restituição, o qual, por conseguinte, deverá ter curso regular na instância administrativa. Mesmo que a decisão emanada do Poder Judiciário não contemple a possibilidade de compensação dos saldos negativos da CSLL com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, nada obsta que a impetrante efetue a compensação sob a regência da legislação tributária posteriormente concebida. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 30/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por JOSE ROBERTO FRANCA, Assinado digitalmente em 30/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/11/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 8 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido, e recurso especial da impetrante não provido, em juízo de retratação. Nessa mesma linha, transcrevo ementa de outros julgados do STJ, nos quais o prazo prescricional é contado, em se tratando de pagamentos indevidos cuja repetição fora requerida anteriormente à vigência da LC nº 118∕2005 (09/06/2005), da data do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa: “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL EM CONTROLE CONCENTRADO.REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL.LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REGRA DOS "CINCO MAIS CINCO". PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que,"mesmo em caso de exação tida por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle concentrado, seja em difuso, ainda que tenha sido publicada Resolução do Senado Federal (art. 52, X, da Carta Magna), a prescrição do direito de pleitear a restituição, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa." 2. O entendimento jurisprudencial é a síntese da melhor exegese da legislação no momento da aplicação do direito, por isso é aceitável a sua mudança para o devido aprimoramento da prestação jurisdicional. Agravo regimental improvido.” (AgRg no Ag 1406333 / PE, Relator: Ministro Humberto Martins) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). PRESCRIÇÃO.TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP(ART.543-C DO CPC). COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. DATA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. RESP 1.137.738/SP (ART. 543-C DO CPC). POSSIBILIDADE, IN CASU, DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. FEV/1991. IPC. 21,87%. 1. Agravos regimentais interpostos pelos contribuintes e pela Fazenda Nacional contra decisão que negou seguimento aos seus recursos especiais. 2. A Primeira Seção adota o entendimento sufragado no julgamento dos REsp 435.835/SC para aplicar a tese dos "cinco mais cinco" à contagem do prazo prescricional, inclusive para a repetição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Precedentes: EREsp 507.466/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 25/3/2009, DJe 6/4/2009; AgRg nos EAg 779581/SP, Fl. 164DF CARF MF Impresso em 30/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por JOSE ROBERTO FRANCA, Assinado digitalmente em 30/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/11/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 10880.019256/99-07 Acórdão n.º 9900-000.735 CSRF-PL Fl. 5 9 Rel.Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 9/5/2007, DJe 1/9/2008; EREsp 653.748/CE, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/11/2005, DJ 27/3/2006. 3. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial representativo de controvérsia (REsp 1.002.932/SP), ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Em sede de compensação tributária, deve ser aplicada a legislação vigente por ocasião do ajuizamento da demanda. "[A]autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte,sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si". (REsp 1.137.738/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção,DJe 1º/2/2010, julgado sob o rito do art. 543-C do CPC). 5. Na correção de indébito tributário incide o índice de 21,87% em fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário, IPC/IBGE em substituição à INPC do mês). Precedentes: REsp 968.949/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 10/3/2011; EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 871.152/SP, Rel.Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/8/2010; AgRg no REsp 945.285/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 7/6/2010; REsp 1.124.456/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/4/2010. 6. Agravo regimental das contribuintes parcialmente provido para assegurar a correção monetária no mês de fevereiro de 1991 pelo índice de 21,87%. 7. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido.” (AgRg no REsp 1131971 / RJ, Relator: Ministro Benedito Gonçalves) Através da Portaria MF nº 586, de 21/12/2010–DOU de 22/12/2010, foram introduzidas alterações no Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, DOU de 23/06/2009, sobrevindo o art. 62-A, que assim dispõe: Art. 62-A.As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 30/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por JOSE ROBERTO FRANCA, Assinado digitalmente em 30/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/11/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO 10 Sendo assim, diante dessas decisões proferidas pelos nossos Tribunais Superiores, outra não poderia ser minha posição a respeito da matéria, senão a de aplicar ao caso os estritos termos das sobreditas decisões do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, considerando-se o prazo prescricional de 5 (cinco) anos aplicável tão- somente aos pedidos formalizados após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir dos pedidos protocolados nas repartições da Receita Federal do Brasil do dia 9 de junho de 2005 em diante. Para os pedidos protocolados anteriormente a essa data (09/06/2005), valeria o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese dos 5+5), ou seja, a contagem do prazo prescricional dar-se-ia a partir do fato gerador, devendo o pedido ter sido protocolado no máximo após o transcurso de 10 (dez) anos a partir dessa data (do fato gerador). No presente caso, a data de protocolo do pedido de restituição/compensação foi formalizado em 30/06/1999, e se refere a fatos geradores ocorridos entre 12/90 e 03/92. Sendo assim, o direito à repetição não foi alcançado pela prescrição. Isto posto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, devendo o processo retornar à repartição de origem para que seja analisada a viabilidade do pedido quanto às questões de mérito, sua liquidez, demais matérias não examinadas e adoção das providências que considerar cabíveis, devendo o processo, posteriormente, seguir seu trâmite de acordo com o Decreto nº 70.235/1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal-PAF. É assim que voto." Rafael Vidal de Araújo ("ad hoc") Fl. 166DF CARF MF Impresso em 30/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por JOSE ROBERTO FRANCA, Assinado digitalmente em 30/11/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 27/11/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Relatório Voto
score : 1.0
