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Numero do processo: 18470.725440/2018-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 06 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Nov 27 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2013
ANISTIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE GFIP.
Foram extintas, por anistia, as multas por atraso na apresentação de Gfip constituídas até 20 de janeiro de 2015, desde que a declaração extemporânea tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a sua entrega.
Numero da decisão: 2301-008.150
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2301-008.138, de 06 de outubro de 2020, prolatado no julgamento do processo 13983.720251/2015-24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo César Macedo Pessoa, Letícia Lacerda de Castro, Maurício Dalri Timm do Valle e Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
Nome do relator: SHEILA AIRES CARTAXO GOMES
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2013 ANISTIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE GFIP. Foram extintas, por anistia, as multas por atraso na apresentação de Gfip constituídas até 20 de janeiro de 2015, desde que a declaração extemporânea tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a sua entrega.
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE GFIP. Foram extintas, por anistia, as multas por atraso na apresentação de Gfip constituídas até 20 de janeiro de 2015, desde que a declaração extemporânea tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a sua entrega. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2301-008.138, de 06 de outubro de 2020, prolatado no julgamento do processo 13983.720251/2015-24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo César Macedo Pessoa, Letícia Lacerda de Castro, Maurício Dalri Timm do Valle e Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de lançamento de multa por atraso na entrega das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – Gfip. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 54 40 /2 01 8- 30 Fl. 58DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-008.150 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.725440/2018-30 O lançamento foi impugnado e a impugnação foi considerada improcedente. Manejou-se recurso voluntário em que se alegou apenas a anistia da multa com base na Lei nº13.097, de 19 de janeiro de 2015. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Na ausência de prova da ciência do acórdão recorrido, dou por tempestivo o recurso. O recorrente alega que teria sido beneficiado pelas anistias contidas nos arts. 48 e 49 da Lei nº 13.097, de 2015: Art. 48. O disposto no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, deixa de produzir efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 27 de maio de 2009 a 31 de dezembro de 2013, no caso de entrega de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. (Sem grifo no original.) Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. (Sem grifo no original.) Em relação ao art. 48, percebe-se que o lançamento considerou apenas Gfip que tiveram valores declarados, que correspondem à base de cálculo da multa (e-fl. 10). Quanto ao art. 49, todas as declarações extemporâneas foram apresentadas após o último dia do mês seguinte ao previsto para a respectiva entrega, como facilmente se verifica no lançamento (e-fl. 10). Portanto, nenhuma das duas hipóteses de anistia aproveita ao recorrente. Voto por negar provimento ao recurso. Fl. 59DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-008.150 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 18470.725440/2018-30 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente Redatora Fl. 60DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 37169.003483/2007-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2005
AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL
A ausência de fundamento legal é vicio formal insanável que torna nulo o lançamento.
Processo Anulado
Numero da decisão: 2302-000.652
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em anular o auto de infração/lançamento, nos termos do relatório e voto quo integram o presente julgado.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ACORDAM os membros da 3" Câmara / 2" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, ern anular o auto de infração/lançamento, nos termos do relatorio e voto quo in so 'Am o p.reente julgac, o, ERA OSIVI/EA--Aesidente i (it" --(--"' --- -2.--0(--,'? , - LIEGE LA .,ROIX TE1OM AS I — Relatora Participaram do presente julgamento, os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi, Eduardo Oliveira (suplente), Arlin& Costa e Silva, Amilcar Barca Junior (suplente), Thiago D'Avila Melo Fernandes e Marco Andre Ramos Vieira (presidente), Relatório Trata a presente notificação, cientificada ao sujeito passivo cm 31/10/2006, de contribuiçOes previdenciarias incidentes sobre os valores pagos aos segurados contribuintes individnais, por meio de eart6es de premiação, no per iodo de 02/2003 a 12/2005 O relatório fiscal da nod ficação, fls. 39/41, esclarece que os frentistas, empregados dos postos de gasolina, recebem valores da notilicada, em decorrência da venda de detcrminados produtos para o consumidor. 0 pagamento de tais valores é efetuado através de cartões de premiação Ia operados pela empresa Incentive House. Não foram apresentadas as relações discriminando os valores pagos aos segurados, por competência, sendo quo o valor tributavel foi apurado com base nos valores nominais das notas fiscais emitidas pela Incentive -I louse S/A, contabilizadas pela notificada nas contas de "Despesas Promocionais" e "Promoções".. Ern razão dos segurados que receberam a premiação serem empregados dos postos de cotnbustiveis, o levantamento os tomou como contribuintes individuais da notificada.. procedente síntese: Após apresentação da impugnação, Decisão-Notificação .julgou o crédito IncontOrmada a notificada. apresentou recurso tempestivo, onde alega em a) Que cm 2003 implementou programa de incentivo e motivação para aumentar as vendas; b) Que a operacionalização e o repasse do brinde ocorre através da Incentive House, que disponibiliza os cartões para gerenciamento junto a instituições tinanceiras dos valores dos prêmios a serem distribuídos; c) Que este tipo de premiação não é exclusividade da recorrente; d) Que a ex igêrici a do deposito recursal é inconstitucional; e) Que a notificação é improcedente, posto que inexiste prova cabal da oconencia. do Lilo gerador. Não há prova de clue houve prestação de serviço recorrente; Que o pagamento de incentivos a frentistas não é elemento suficiente a caracterizar a prestação de serviços. Cabe ao Cisco provar a ocorrência do fato gerador, Que os valores não foram pagos em virtude da prestação de serviço sem vinculo empregaficio; 11) Que o pagamento efetuado não caracteriza remuneração, não podendo ser obi eto de tributação; i) Que os lientistas indicavam uni produto, mas sem obrigatoriedade ou vinculação; Que não foi respeitado o teto de contribuição Nita a reforma da decisão recorrida com a conseqiiente anulação do débito.. o relatót io. Process() n' 37L69.003483/2007-76 S2-C3 12 AcónKio n." 2302-00.,652 2 Voto Conselheira LIEGE LACROIX THOMAS I, Relatora Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exainc% Da Preliminar A recorrente argúi a inexigência do deposito reeursal para garantia de instancia, contudo tal pressuposto não é mais exigido por este Colegiado cm obediência ao Regimento Interno do Conselho dc Administrativo de Recursos Fiscais. Dc acordo coin o previsto no parágrafb único do art. 49 do Regimento interno do Conselho de Contribuintes RICC, aprovado pela Portaria n 147/2007 do Ministério da Fazenda, no julgamento de recurso voluntario ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundament() de inconstitucionalidade.. -N do se aplicando aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo, que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plendria definitiva do Supremo Tribumil Federal ., O STF já se posicionou ho julgamento do 1..ecurso .1:xtraordinario n `" 389383, transitado em julgado, pela inconstitucionalidade dos parágratbs I" e 2" do art 126 da Lei .11 Do Mérito O lançamento do debito se refere a prêmios de incentivo concedidos a segurados contribuintes individuais, Frentistas de postos de combustiveis, que efetuavam a venda de deterininados produtos de interesse da notificada. O pagamento dos valores a que tinham direito os segurados pela venda dos produtos, se dava através de cartões de premiação operados pela empresa Incentive llouse. Quanto a alegação de nulidade da notificação devido aos lançamentos terem sido efetuados corn base cur presunções, que não foram identificados .os empregados que receberem os prêmios, que a ocorrência do tutu gerador tem que ser demonstrada, que não foi respeitado o limite máximo de contribuição, tenho que o procedimento fiscal está amparado no que prescreve o artigo 33 e seus parágratOs da Lei n.' 8.212/91, sendo que compete a fiscalização da Previdência Social , à época, hoje da Receita Federal do Brasil solicitar e examinar livros e documentos da empresa a fim de assegurar o correto e eficaz cumprimento das obrigações principais e acessórias, relativamente às contribuições prevideneiárias.. Na Eilta. de apresentação de documentos ou se apresentados de forma deficiente, à fiscalização permitido inscrever de oficio importância que reputar devida, cabendo d empresa o Onus da prova em contrário. No caso em tela, a falta de apresentação dos documentos solicitados para identificar os beneficiários do prêmio pago através de cartões de premiação, a falta de apresentação dos contratos firmados pela recorrente coin a Incentive House, levou a fiscalização a proceder ao levantamento por aferição indireta, com base nos dados de que dispunha, qual sejam as notas fiscais aprcsentadas e a contabilidade da recorrente.. Portanto, não se tratam de valores presumidos, 1.11aS de dados extraidos das notas fiscais de serviços emitidas pela cmpiesa Incentive House S/A, as quais foram confrontadas com os registros contabeis da recorrente, elementos estes de seu perfeito conhecimento, que deram origem ao lançamento .A legisla0o expressa que em caso de recusa ou sonegação de qualquer informação ou documentação regulamente requerida ou a sua apresentaedo deficiente, o Auditor Fiscal deverá irlserever de oficio a importiincia que reputar devida, cabendo it empresa OU contribuinte o Onus da prova em contrario....A prerrogativa do INSS de arrecadar c fiscalizar as cont.' ibuic6es previdenciarias, hem como, aferit indiretamente a contribuição previdenciaría devida e lança-la de oficio, encontra embasamento legal no art. 148 do CFN, do qual o art. .3.1, §§ .3", 4" e 6' da 1,6 n 8..212/91 sao corokirios: "Art l ()Hondo o calculo do tributo tenha pot base, ou em eonsidcf aoio, o valo; ou pre(o de brats, direitos, serviços ott alas jiff itliCOV, (I autoridade lançadora, mediante process() egulat, at bin arã aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos Oil rid() mereçam fe as deelaraçães ou os eselau ecirriento 1 prestados, os doctunentos expedidos pelt) silica() passivo pet() iietceiro legalmente obrigado, TVS - SVIVada, (.(fS'o contestação, avaliação comraditOria, administrativa our judicial " lei 8 712191 "lii3. lo liutttuto Nacional do „S'eguu o Social INSS compete Ccadar, fiscalizar, lançar e nor matizar o reeolhintento das coral ibukcies sociais evislas nas alineas a, b e e do parágrafO ãnico do art 1/, bent como as cowl 1/nações incidentes a litulo dc substituição, e a Secretaria da Receita Pc:geral ,SRF compete arrecadar, hunçar e normalizar o recolhirnento das contribuiçães sociais previstuts na.s (diner's "d" C "e" do pal agrafo Unico do art I I, cabendo a ambos u.s ótg,ãos, na ester ii de sua competencia, promover a respectiva cobi ança e aplicar virk:(5es pi evistas tegalmenle. (Redação alterada petit Lei el(1.2.56/01) Oeor i end() i ecusa oii. onegação de qualqueu documento ou 111/01 /110(00, 011 sum apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Segruo Social-INSS e o nepar lamento da Receita Federal- 1)R1 , podem, sem prejui7o da penalidade cabível, inset-ever de O//cio Mirror hinder que m (puntt em devida, cabendo à empresa ou (10 segmado o Onus da prova em contr./1i/o 4" Na Taira prova regulai e formalizada, 0 montanle dos salai pago5 pela el-ecução de obra de construção civil pode sei obtido mechanic calculi° (Itt mão-de-obra empreula, /11 oporeional a ai ca construída e ao padrão de eyecução da obra. (abduct° ao proprida/ to, dono da obra, condámino da Process() ti" 37169.00348:3/2007-76 52-C312 Acórd5o n.° 2302-00.652 11 3 unidade imobiliaria 011 0111.11-C111 co-respon.savel o (;1711S da prova (.:711 contrario. §6 Se, no exame daescrituração contabil e de qualquer °into documento da empresa, a fis(!alizaeão constatar que a contabilidade não registra o movimerao real da l'el111111171100 dos segurados a seu serviço, o faturamento e o lucro, .serão apuradas, por aft,.1-4,!ão indireta, as contribuições efetivanwnte devidas, cabendo õ empresa o 0)111. ■ da prova em contralto " Contudo, analisando os autos constatei a ausência de indicacCio do dispositivo legal para dar sustentaçao a aferiyao indireta tanto no discriminativo Fundamentos Legais do Débito, fls.31/3 1, quanto no relatório fiscal da notiticayao, Ils 39/41 Portanto, mio constando a fundatnentaçao legal que ampara o lançamento, se vislumbra o cerceamento de defesa, pois o contribuinte ilIbo foi devidamente informado do procedimento utilizado pela fiscalizacao, Mio podendo se manifestar a respeito. A falta de referência ao fundamento legal que sustenta o lançamento fiscal gera cerceamento de defesa e a ampla defesa, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser Observada no processo administrativo fiscal. A Luta de indica0o da legislaçao que confere poder ii fiscalizaçao para proceder ao I impossibilita que o contribuinte tenha conhecimento de que o valor lançado toi arbinado, lhe sonegando o direito de se defender quanto a isso.. A propósito do tema, é salutar a adoçao dos ensinamentos de Sandro Linz Nunes que, cm seu trabalho intitulado Processo Administrativo 'fributario no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: A ampla dc,fisa deve er oliset vada no processo administrativo, sob pena de nulidade deyte.. mediante o oferecimento de oportunidade ao stijeito passivo para (pie este, querendo, possa opor-se a pretensão do lisco,.fazendo-.se serem conhecidas e apreciadas todas 05 stf(18 alefp.07k.'s dc . caratcL processual e material, bem como as provas (Jim que pretende provar as .suas ale .Uçoes. Feitas estas considerações, entendo que a notifieaçao deve scr anulada porque o contribuinte nib o teve ciência da fundamentay5o legal que embasou o levantamento. Pelo principio constitucional do contraditório, é taco Itado ii parte manifestar sua posiyao sobre fatos frazidos ao processo pela outra parte vez que tomando conheciinento dos atos processuais, pode, se desejar, reagir contra os mesmos Inserem-se no principio do contraditorio a chamada tegta da informação geral e também a regra da ouvida dos sujeitos ou audiência das pattes 0 princípio do contraditório é de índole constitucional, devendo sol . observado inclusive em processos administrativos, consoante art 5 0, LV, da Constitui0o Federal vigente. .,Ii I ', 1,V - aos litigantes , em processo judicial ou administrativo, C aoy acusados em geral sy.70 assegurados contiaditório C ampla dc/es, coin Os ineios e reeursos a ala inerentes; Foi contemplado também no art. 2" eaput e parágrafo (uric°, inciso X, da Lei n" 9.784/99, abaixo transerito: Lei n" 9 784/99, art 2' A Administração obedece á, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, vaK.do, 1 azoabilidade„ proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditlirio, seglIFLIIket interesse pblico a eficie'nela Par ágral° anieo Nos processos administrativos ..yerdo observadas, entre outros, os eritério.s de ) ..V - ,Liarantia dos direitos comunicação, apreyentação de aloaçõeY finals, a produção de provas e d interposição de eCti 08, 1108 pi" OCeS .5 - 08 de que possam resultar sanções e 111.1S" situações nosso) Nesse sentido, entendo que a notificação é nula, por vicio formal, já que descumprido o artigo 10, inciso IV, do Decreto n," 70.235/72, pois não trouxe os fundamentos legais que cmbasa.ram o lançamento por aferição indireta, configurando também o cerceamento de defesa. Ai! 70 0 auto da infração sciá lavrado por sçTvidoi- competerae, no local da verificação da falta, C conterá o Iv legator joiner, te 1 - qualilicação autuado, ii - o local, a data e a hot(' da knit atui 111 a deset < do do lato, IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, a deletroina(ao da evige?Ficia e a intimação para crimpi OU impugná-la no prazo de trinta dias, VI - a (issinatura do autuante a a indicação de seu (wig() ou limed° e o minwro de matrieula Voo pot a anulação da notificaçao pela existência de vicio formal por descumpri memo do artigo I 0 do Decreto -r.). ° 70235/72. IFGE LACROIX THOMASI Relatora
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Numero do processo: 13851.720005/2005-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 24 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Nov 03 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI COMO RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS. LEI Nº 9.363/96. BASE DE CÁLCULO. ENERGIA ELÉTRICA, COMBUSTÍVEIS E AFINS. SÚMULA CARF Nº 19.
Apenas são passíveis de integrar a base de cálculo do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, a aquisição de matéria-prima, produtos intermediários e materiais de embalagens, não se enquadrando como tais a energia elétrica, o bagaço de cana, lenha, o óleo 3A e afins, utilizados como combustíveis e fontes de energia elétrica, uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto. Aplicação da Súmula nº19, do CARF.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC, SE CARACTERIZADA OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS.
Constatada a oposição ilegítima ao ressarcimento de crédito presumido do IPI, a correção monetária, pela taxa Selic, deve ser contada a partir do encerramento do prazo de 360 dias para a análise do pedido do contribuinte, conforme o art. 24 da Lei nº 11.457/07 (Súmula CARF nº 154).
Numero da decisão: 3402-007.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para que seja aplicada a atualização monetária pela SELIC sobre os créditos presumidos reconhecidos no despacho decisório a partir do término do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias contado da apresentação do pedido de ressarcimento, aplicando-se o disposto no art. 24 da Lei nº11.457/2007, independentemente da data em que foi protocolizado o pedido, até a data da sua efetiva concretização, com o encontro de contas na compensação.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Renata da Silveira Bilhim, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes (Presidente). Ausente a conselheira Maysa de Sa Pittondo Deligne, substituída pela conselheira Sabrina Coutinho Barbosa.
Nome do relator: Pedro Sousa Bispo
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LEI Nº 9.363/96. BASE DE CÁLCULO. ENERGIA ELÉTRICA, COMBUSTÍVEIS E AFINS. SÚMULA CARF Nº 19. Apenas são passíveis de integrar a base de cálculo do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, a aquisição de matéria-prima, produtos intermediários e materiais de embalagens, não se enquadrando como tais a energia elétrica, o bagaço de cana, lenha, o óleo 3A e afins, utilizados como combustíveis e fontes de energia elétrica, uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto. Aplicação da Súmula nº19, do CARF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC, SE CARACTERIZADA OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. Constatada a oposição ilegítima ao ressarcimento de crédito presumido do IPI, a correção monetária, pela taxa Selic, deve ser contada a partir do encerramento do prazo de 360 dias para a análise do pedido do contribuinte, conforme o art. 24 da Lei nº 11.457/07 (Súmula CARF nº 154). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para que seja aplicada a atualização monetária pela SELIC sobre os créditos presumidos reconhecidos no despacho decisório a partir do término do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias contado da apresentação do pedido de ressarcimento, aplicando-se o disposto no art. 24 da Lei nº11.457/2007, independentemente da data em que foi protocolizado o pedido, até a data da sua efetiva concretização, com o encontro de contas na compensação. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes - Presidente (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 72 00 05 /2 00 5- 04 Fl. 528DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-007.743 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13851.720005/2005-04 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Silvio Rennan do Nascimento Almeida, Renata da Silveira Bilhim, Marcos Antônio Borges (suplente convocado), Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes (Presidente). Ausente a conselheira Maysa de Sa Pittondo Deligne, substituída pela conselheira Sabrina Coutinho Barbosa. Relatório Tratam os autos de manifestação de inconformidade em face de Despacho Decisório que excluiu do cálculo do crédito presumido, apurado pela Lei nº 9363/96 e Portaria MF nº 38/97, as parcelas referentes às aquisições de pessoas físicas; gastos com energia elétrica, óleo 3 A, do bagaço de cana e lenha, e a exclusão do custo do frete relativo ao transporte das matérias-primas adquiridas dos produtores rurais pessoas físicas. Regularmente cientificada, o contribuinte alegou, em síntese, que os critérios em que pautou a fiscalização para indeferir parcialmente o seu pedido não encontravam amparo na Lei nº 9.363/96. Por fim, requereu que sobre o crédito a que tem direito seja aplicada a taxa SELIC. A empresa, em 16/04/2009, impetrou mandado de segurança 2009.61.20.006482- 8, com o objetivo de afastar as exigências impostas para a apuração do crédito presumido de IPI, decorrente da aquisição de insumos de pessoas físicas ou cooperativas e sua posterior utilização em mercadorias exportadas pela impetrante, anulando as decisões proferidas nos autos dos processos administrativos nº 12893.00020/200882, 13851.720006/200541, 12893.00021776 e 13851.72.0005/200504,, com fundamento na Lei nº 9.363/1996. Em 20/01/2010, foi concedida a segurança determinando a nulidade dos despachos decisórios emitidos pela Autoridade Administrativa nos citados processos e determinar que esta procedesse à reanálise dos referidos processos administrativos, no prazo de 30 dias, sem a imposição de restrições previstas em lei acerca do aproveitamento de crédito presumido decorrente da aquisição de pessoas físicas e cooperativas, não contribuintes do PIS e da Cofins, afastando a aplicação das Instruções Normativas nºs 23/1997, 103/1997 e 419/2004, todas da Secretaria da Receita Federal. Conforme determinado na decisão judicial, a SACAT/DRF/AQA reanalisou o direito creditório do crédito presumido de IPI e, do valor pleiteado, deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento (nos termos da sentença judicial) no montante de R$ 21.156.855,53, glosando R$ 1.615.712,54, referente aos gastos com energia elétrica, óleo 3 A, do bagaço de cana e lenha. Após cientificada dos novos despachos decisórios, a recorrente, visando o deferimento total do crédito, apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, os seguintes aspectos: 1. Os cálculos realizados pela fiscalização devem ser refeitos para considerar o montante do estoque inicial como o valor correspondente ao estoque final em 31/12/2002 apurado nos termos da decisão que vier a ser proferida no processo nº 13851.000593/2003-96. 2. A fiscalização glosou os custos de fretes relativos ao transporte de laranjas adquiridas de produtores rurais pessoas físicas e, conforme reconhecido pela d. Fl. 529DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-007.743 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13851.720005/2005-04 autoridade fiscal, há uma “ordem judicial” no sentido de que deve se considerado, na base de cálculo do crédito presumido, o custo das laranjas adquiridas de produtores rurais pessoas físicas e que por coerência lógica, inclui os valores correspondentes aos fretes destas aquisições. 3. A energia elétrica, o bagaço de cana , o óleo 3 A e a lenha são essenciais às atividades da requerente, pois a ativação de sua linha de produção depende desses insumos, que ademais, são efetivamente consumidos na produção das mercadorias exportadas pela requerente. 4. Incidência da taxa SELIC sobre o ressarcimento deferido, desde a data do protocolo do pedido. Ato contínuo, a DRJ-RIBEIRÃO PRETO (SP) julgou a Manifestação de Inconformidade do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. CONCEITO. Os conceitos de produção, matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo as despesas com energia elétrica e combustível. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Existe vedação a impedir a atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito presumido de IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seguida, devidamente cientificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Neste Recurso, a Empresa questionou as glosas do crédito presumido sobre às aquisições de energia elétrica, bagaço de cana, óleo 3A e lenha, repetindo os mesmos argumentos apresentados na sua Manifestação de Inconformidade. Por fim, reiterou pela aplicação da SELIC aos créditos reconhecidos desde a data do protocolo do pedido de ressarcimento. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Sousa Bispo, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Conforme consignado no relatório, o processo trata de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI do 1º trimestre/2003, com fulcro no apurado pela Lei nº9363/96 e Portaria MF nº 38/97, que foi deferido parcialmente no montante de R$ 21.156.855,53, e glosado o montante de R$ 1.615.712,54, referente aos gastos com energia elétrica, óleo 3 A, do bagaço de cana e lenha. Fl. 530DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-007.743 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13851.720005/2005-04 Cabe frisar que inicialmente a lide possuía mais matérias em discussão, tais como créditos de glosa de aquisições de pessoas físicas, frete e ajustes no estoque inicial, mas, após a impetração de mandado de segurança, julgado favoravelmente à recorrente, restaram em discussão na lide apenas dois pontos, quais sejam, direito ao crédito sobre aquisições de energia elétrica, combustíveis e afins; e direito à aplicação da SELIC sobre o crédito a ser ressarcido. No que se refere ao primeiro ponto, percebe-se que a recorrente pleiteia que os dispêndios com as suas fontes energéticas (energia elétrica, combustíveis, bagaço de cana, óleo 3A e lenha) utilizadas no processo produtivo sejam computadas no cálculo do ressarcimento do crédito presumido de IPI solicitado. A Autoridade Fiscal, por sua vez, entende que tais dispêndios não são passíveis de cálculo de reconhecimento de crédito presumido, posto que os mesmos não se enquadram como matéria-prima ou produto intermediário, vez que não são consumidos diretamente no contato físico com o produto em fabricação, ou sofram, em função de ação exercida efetivamente sobre o produto em elaboração, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, nos termos do Parecer Normativo CST nº 65/79. Quanto a este aspecto, transcrevo trecho de um dos votos paradigmas utilizados no enunciado da Súmula CARF nº19 que padronizou os julgamentos dessa questão nas turmas colegiadas do CARF: Este Colegiado tem-se manifestado, reiteradamente, pela exclusão das parcelas objeto da glosa da base de cálculo do crédito presumido, por entender que, para efeito da legislação fiscal, tanto a energia elétrica quanto os combustíveis não se caracterizam como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, salvo quando o consumo de energia elétrica é medido especificamente em relação à cadeia produtiva do industrial. De outro modo não poderia ser, senão vejamos: o art. 12 da Lei nº 9.363/96 enumera expressamente os insumos utilizados no processo produtivo que devem ser considerados na base de cálculo do crédito presumido: matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. A seu turno, o parágrafo único do art. 32 da Lei nº 9.363/96 determina que seja utilizada, subsidiariamente, a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI para a demarcação dos conceitos de matérias-primas e produtos intermediários, o que é confirmado pela Portaria MF n2 129, de 05/04/95, em seu art. 2º, § 3º. Preditos conceitos, por sua vez, encontramos no art. 82, I, do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto n2 87.981/82 (reproduzido pelo inciso I do art. 147 do Decreto nº 2.637/1988 – RIPI/1988), assim definidos: Art. 82. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão – creditar-se: I – do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, exceto os de alíquota zero e os isentos incluindo-se, entre as matérias-primas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. (negrito nosso) Da exegese desse dispositivo legal, tem-se que somente se caracterizam como matéria-prima e ou produto intermediário os insumos empregados diretamente na industrialização de produto final ou que, embora não se integrem a este, sejam consumidos efetivamente em seu fabrico, isto é, sofram, em função de ação Fl. 531DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-007.743 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13851.720005/2005-04 exercida efetivamente sobre o produto em elaboração, alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. A contrário senso, não integrando o produto final ou não havendo o desgaste decorrente do contato físico, ou de ação direta, exercida sobre o produto em fabricação, predito insumo não pode ser considerado como matéria-prima ou produto intermediário. Na esteira desse entendimento já trilhava a Coordenação-Geral do Sistema de Tributação da Receita Federal que, por meio do Parecer Normativo CST nº 65/1979, explicitou quais insumos que mesmo não integrando o produto final podem ser caracterizados como matéria-prima ou produto intermediário: "hão de guardar semelhança com as matérias-primas e os produtos intermediários stricto sensu, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida". Diante disso, entendo não ser cabível à inclusão na base de cálculo do crédito presumido das despesas havidas com energia elétrica e combustíveis utilizados no acionamento de máquinas e motores, já que ditos produtos não podem, legalmente, para fins de apuração do beneficio em análise, enquadrar-se como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, pois não foram consumidos ou desgastados em ação direta exercida sobre os produtos em fabricação. Pelos mesmos motivos, entendo correta a glosa relativa aos combustíveis. (negritos nossos) Eis como restou definida essa questão na súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Como se sabe, as Súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no artigo 72 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Tratando-se o caso concreto também de energia elétrica e combustíveis, as determinações da súmula 19 obrigatoriamente se aplicam ao caso. Vale ressaltar, ainda, que o bagaço de cana, óleo 3A e a lenha, por se constituírem em fontes energéticas alternativas utilizadas pela empresa, podem ser entendidos como espécies de combustíveis, e, por isso, plenamente aplicável a eles a mencionada súmula. Com relação à correção dos créditos pela taxa SELIC desde a data do protocolo, essa questão também se encontra pacificada no CARF, em vista da súmula nº154, in verbis: Constatada a oposição ilegítima ao ressarcimento de crédito presumido do IPI, a correção monetária, pela taxa Selic, deve ser contada a partir do encerramento do prazo de 360 dias para a análise do pedido do contribuinte, conforme o art. 24 da Lei nº 11.457/07. A mesma temática, referente a incidência da taxa Selic sobre créditos a ressarcir, foi anteriormente objeto de julgamento na sistemática dos recursos repetitivos pelo STJ no Resp nº1.035.847, inclusive esse julgamento do STJ foi citado em vários julgamentos administrativos Fl. 532DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-007.743 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13851.720005/2005-04 precedentes para edição da Súmula CARF nº 154. Nesse julgamento, o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quando obstaculizado injustamente por ato estatal, administrativo ou normativo, o creditamento pela Fazenda. Decorrente deste julgamento, restou sumulado que é devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). No caso concreto, identifica-se que houve oposição administrativa ilegítima da Fazenda Nacional, uma vez que não se reconheceu o crédito relativo às aquisições de insumos de pessoas físicas. A fundamentação para o indeferimento foram as restrições contidas na IN SRF nº23/97 que, conforme informado nos autos, foi afastada por decisão judicial transitada em julgado da empresa porque a referida norma extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363⁄96. Sendo determinado na referida decisão que deve ser calculado o crédito presumido sobre aquisições de insumos de pessoas físicas não contribuintes do PIS e da COFINS. Também equipara-se a oposição ilegítima do Fisco a demora na apreciação dos pedidos administrativos de ressarcimento, o que justifica a aplicação da Selic. Nesse sentido, reproduzem-se as ementas abaixo, referentes aos julgados AgRg no AREsp 335.762/SP e REsp 1.240.714/PR: PROCESSUAL CIVIL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO NA VIA ADMINISTRATIVA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO. INCIDÊNCIA DE CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. SÚMULA 83/STJ. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. AFRONTA AOS ARTS. 49 E 111 DO CTN E AO ART. 20, §4º, DO CPC. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. MATÉRIA DE PROVA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7 DO STJ. 1. Hipótese em que o Tribunal a quo determinou a incidência de correção monetária no montante indevidamente recolhido e restituído administrativamente, uma vez que transcorreu um grande lapso temporal, em que os valores foram corroídos pela inflação. Incidência da Taxa Selic. [...] 4. Ademais, a Primeira Seção do STJ, no julgamento do Resp 1.035.847/RS, Relator Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos recursos repetitivos, pacificou entendimento quanto a incidir correção monetária sobre créditos de IPI decorrentes do princípio da não-cumulatividade. Havendo obstáculo ao aproveitamento de créditos escriturais por ato estatal, administrativo ou normativo, posterga-se o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizá-los monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Diante disso, é unânime a orientação da Segunda Turma de que a demora na apreciação dos pedidos administrativos de ressarcimento é equiparável à resistência ilegítima do Fisco, o que atrai a correção monetária, inclusive com o emprego da Selic. Súmula 83/STJ (AgRg no AREsp 335.762/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/10/2013, Dje 07/10/2013) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. PRODUTOR RURAL. CRÉDITOS PRESUMIDOS. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 8º DA LEI 10.925/04. LEGALIDADE DA ADI/SRF 15/05 E DA IN SRF 660/06. PRECEDENTES DO STJ. MORA DO FISCO. INEXISTÊNCIA. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃO PROVIDO. [...] Fl. 533DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-007.743 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13851.720005/2005-04 2. O Superior Tribunal de Justiça tem entendido ser legítima a atualização monetária de crédito escritural quando há demora no exame dos pedidos pela autoridade administrativa ou oposição decorrente de ato estatal, administrativo ou normativo, postergando o seu aproveitamento, o que não ocorre na hipótese, em que os atos normativos são legais. 3. "O Fisco deve ser considerado em mora (resistência ilegítima) somente a partir do término do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias contado da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento, aplicando-se o art. 24 da Lei 11.457/2007, independentemente da data em que efetuados os pedidos" (AgRg no REsp 1.232.257/SC, Rel. Min. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Primeira Turma, DJe 21/2/13). (REsp 1240714/PR, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/09/2013, DJe 10/09/2013) (negritos nossos) Dessa forma, deve ser seguido o mesmo entendimento do STJ, nos termos do art. 62-A do RICARF, para que nos casos de demora na apreciação do pedido de ressarcimento seja caracterizada a resistência ilegítima do Fisco ao pleito contribuinte, justificando a aplicação da Taxa SELIC. A jurisprudência desta turma Colegiada do CARF também tem acatado essa posição, conforme denota o recente voto proferido pela ilustre Conselheira Maria Aparecida de Paula, no acórdão nº3402.0007.294, sessão de 29 de janeiro de 2020, no qual o Colegiado, em composição semelhante a atual, ratificou por unanimidade esse posicionamento. A seguir transcrita a ementa sintetizadora dessa posição: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. ANÁLISE. MORA. ATUALIZAÇÃO. CABIMENTO. RECURSOS REPETITIVOS. SÚMULA CARF N. 154. É cabível a atualização monetária no pedido de ressarcimento pela aplicação da tese jurídica deduzida no REsp 1035847/RS em sede de recursos repetitivos, de reprodução obrigatória pelos conselheiros do CARF por força regimental, no sentido de que "É devida a correção monetária sobre o valor referente a créditos de IPI admitidos extemporaneamente pelo Fisco". No mesmo sentido é o entendimento constante no REsp 993.164/MG, também proferido sob a sistemática dos recursos repetitivos, complementado pela orientação da Segunda Turma do STJ no sentido de que “a demora na apreciação dos pedidos administrativos de ressarcimento é equiparável à resistência ilegítima do Fisco, o que atrai a correção monetária” (AgRg no Agravo em Recurso Especial nº 335.762/SP). Contudo, em face do posicionamento firmado por este CARF no enunciado da Súmula CARF nº 154, com esteio no REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543-C do CPC, é de se considerar o Fisco em mora somente após o “encerramento do prazo de 360 dias para a análise do pedido do contribuinte, conforme o art. 24 da Lei nº 11.457/07”. Assim, no ressarcimento de crédito presumido de IPI, há a incidência da atualização pela Selic no direito creditório reconhecido no Despacho Decisório a partir do término do prazo de 360 dias do protocolo do pedido até a data da sua efetiva concretização, com seu recebimento em pecúnia ou com o encontro de contas na compensação, conforme seja o caso. Fl. 534DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-007.743 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13851.720005/2005-04 (negrito nosso) No que diz respeito ao termo inicial a ser utilizado para a incidência da correção, os julgados do STJ e a súmula CARF nº 154 indicam que a mora somente seja caracterizada após o término do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias contados da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento, por aplicação do art.24 da Lei nº11.457/2007. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja aplicada a atualização monetária pela SELIC sobre os créditos presumidos reconhecidos no despacho decisório a partir do término do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias contado da apresentação do pedido de ressarcimento, aplicando-se o disposto no art. 24 da Lei 11.457/2007, independentemente da data em que foi protocolizado o pedido, até a data da sua efetiva concretização, com o encontro de contas na compensação. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Fl. 535DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10865.003022/2007-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 06 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Nov 24 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/1999 a 31/07/2007
ALIMENTAÇÃO IN NATURA. PAT.
O fornecimento de alimentação aos segurados empregados não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NÃO PAGAMENTO
Na ausência de pagamento, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, I do CTN).
Numero da decisão: 2201-007.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Francisco Nogueira Guarita - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fofano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: Francisco Nogueira Guarita
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fofano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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PAT. O fornecimento de alimentação aos segurados empregados não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. NÃO PAGAMENTO Na ausência de pagamento, o prazo de cinco anos para constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, I do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fofano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório O presente processo trata de recurso voluntário em face do Acórdão nº 14-19.020 – 9ª Turma da DRJ/RPO, fls. 327 a 342. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 30 22 /2 00 7- 90 Fl. 366DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-007.418 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.003022/2007-90 Trata de autuação referente a contribuições sociais destinadas à Seguridade Social e, por sua precisão e clareza, utilizarei o relatório elaborado no curso do voto condutor relativo ao julgamento de 1ª Instância. O Auto-de-Infração - AI - DEBCAD n° 37.071.384-2, lavrado por ter sido constatado que a Autuada apresentou GFIP - Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, envolvendo as competências 09/99 a 07/07, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, de acordo com o explanado no Relatório Fiscal da Infração e Anexos, o que constitui infração às disposições contidas no art. 32, inciso IV, § 5 o , da Lei n° 8.212, de 24/07/91, com a redação dada pela Lei n° 9.528, de 10/12/97. Foi aplicada a multa no valor de RS 37.276,86 (trinta e sete mil, duzentos c setenta c seis reais e oitenta e seis centavos), fundamentada no art. 32, inciso IV, parágrafo 5 o , da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 9.528/97 c/c art. 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99 e valor atualizado através da Portaria Ministerial MPS/GM n° 142, de 11/04/07, tudo de conformidade com o contido no leito, no Relatório Fiscal da Infração, no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa e Anexos do presente processo. Na Relatório Fiscal da Infração e na Planilha que constitui Anexo do Relatório Fiscal, do presente Auto, são demonstrados, mês a mês. os valores corretos dos salários-de- contribuição, os que constaram nas GF1P da empresa e as diferenças não declaradas c o cálculo da multa aplicada. IMPUGNAÇÃO: Dentro do prazo regulamentar a Notificada contestou o Lançamento, através do instrumento de fls. 39 a 48 c documentos de fls. 52 a 316. consubstanciada nas seguintes alegações, em síntese: -Dos Fatos. Reporta-se inicialmente ao contido no Auto-de-lnfração, aduz que as incorreções já foram totalmente corrigidas, bem como as supostas contribuições incidentes sobre os valores das cestas básicas não são devidas, em razão de não integrarem o salário dos funcionários. - Considerando que a autuação se deu única e exclusivamente em função de incorreções que já foram corrigidas, bem como em relação a tributos em que já operou-se a decadência e sobre contribuições indevidas (no caso das cestas básicas), vem, através da presente Defesa, afastar o lançamento efetuado. - Preliminarmente. Da Consumação da Decadência - Período 1999 a 2002. Tece elaborado arrazoado sobre o assunto. Transcreve dispositivos legais do Código Tributário Nacional e da Constituição Federal, Doutrina de Ilustres Tributaristas e farta Jurisprudência. - Conclui que, muito embora a Lei n° 8.212/91 tenha previsto prazo prescricional dc 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, considerando que estas são espécies do gênero tributo, devem submeter-se ao prazo de 05 (cinco) anos estabelecido pelo CTN. o qual possui força dc lei complementar. - Assim, a cobrança dc tributo, cujo direito da Fazenda em constituir o crédito tributário tenha decaído, é flagrantemente ilegal e arbitrária, constituindo verdadeiro confisco, prática esta vedada pelo art. 150, ine. IV da CF/88. - Do Mérito.O Auto de Infração foi lavrado em razão de suposta ausência dc recolhimento de contribuições devidas em razão de cestas básicas distribuídas aos empregados, sem que fosse inscrita no PAT - Programa de Alimentação do Trabalhador, no período de 1999 a 2007. Fl. 367DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-007.418 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.003022/2007-90 - Não há que se falar em incidência previdenciária, nem mesmo fiscal» nas cestas básicas, pois conforme se verifica nos holerites ora anexados, estão descontados na proporção dc 50% do valor dc cada cesta básica fornecida. -Ressalva-se que a legislação, a doutrina e a jurisprudência entendem que o salário é configurado apenas pelo fornecimento gratuito da utilidade ao empregado, se houver participação do mesmo, deixará de ter natureza salarial. Transcreve jurisprudência. -Conclui que, no caso em questão, como havia o desconto do empregado, para pagamento de uma parte da cesta básica, não haverá incidência previdenciária. nem fiscal, sobre a mesma, eis que tal verba não era gratuita, sendo totalmente incabível a presente autuação. - Fica impugnado o lançamento no valor de RS 35.828,25 (trinta c cinco mil, oitocentos e vinte c oito reais e vinte c cinco centavos), referente às cestas básicas. - Da correção das informações na GFIP. A autuação se deu em razão de incorreções de informações na GFIP, como valores de pró-labore, notas fiscais referentes a autônomos, salários de empregados e rescisões. - Conforme comprovam os documentos ora anexados, referidas informações foram devidamente corrigidas , não havendo razão para manutenção da presente autuação. - Do Pedido. Por todo o exposto, requer a Impugnante a anulação do Auto de Infração , pelas razões: - da decadência do direito ao lançamento de tributos federais referentes a fatos geradores ocorridos em 11/99 a 12/02. - de restar comprovado que não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valor referentes às cestas básicas, na medida em que as mesmas eram arcadas em 50% pelos funcionários, descaracterizando caráter salarial do benefício. - por estarem totalmente corrigidas as incorreções levantadas nas GFIP. É o Relatório. Em sua decisão, o órgão julgador de 1ª instância, decidiu que assiste razão em parte à contribuinte, de acordo com a seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/09/1999 a 31/07/2007 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária, ficando o responsável sujeito à penalidade (multa). DECADÊNCIA. PRAZO DECENAL. A decadência no âmbito da Previdência Social é decenal. O direito de o fisco previdenciário constituir seu crédito sujeita-se ao prazo decadencial de 10 anos, previsto cm norma específica da Previdência Social. Fl. 368DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-007.418 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.003022/2007-90 RELEVAÇÃO. CORREÇÃO PARCIAL DA FALTA. IMPOSSIBILIDADE. Cabível a relevação da multa apenas nas competências em que se verificou a correção integral da infração. CORREÇÃO. RELEVAÇÃO DA MULTA. A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta integralmente em cada competência, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Presentes os requisitos legais do Auto de Infração e inexistindo ato lavrado por pessoa incompetente ou proferido com preterição ao direito de defesa, descabida a arguição de nulidade do feito. AUTUAÇÃO PROCEDENTE COM RELEVAÇÃO PARCIAL DA MULTA APLICADA Lançamento Procedente O contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 347 a 357, refutando os termos do lançamento e da decisão de piso. Voto Conselheiro Francisco Nogueira Guarita, Relator. O presente Recurso Voluntário foi formalizado dentro do prazo a que alude o artigo 33 do Decreto n. 70.235/72 e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, daí por que devo conhecê-lo e, por isso mesmo, passo a apreciá-lo em suas alegações meritórias. Observo, de logo, que a empresa recorrente encontra-se por sustentar basicamente as seguintes alegações: ( i ) Da Consumação da Decadência — Período de 1999 até 2002 - O Acórdão ora recorrido considerou que a decadência no âmbito da Previdência Social é decenal, argumentando que o direito do fisco previdenciário constituir seu crédito sujeita-se ao prazo decadencial de 10 anos, previsto em norma específica da Previdência Social, qual seja, a Lei n° 8.212/91. ( ... ) 18. - Desse modo, conforme verifica-se do presente processo, a ora Recorrente foi intimada do lançamento somente cm 15/10/2007. data esta posterior ao limite decadencial de 05 (cinco) anos para o lançamento fiscal. 19 - Com isto, fica impugnado o lançamento no valor de RS 6.928,62 (seis mil, novecentos e vinte c oito reais e sessenta e dois centavos), por se tratar dc valor correspondente ao período de 09/1999 a 12/2002, maculado pela decadência do direito de constituir o crédito tributário, nos termos da lei. Fl. 369DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-007.418 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.003022/2007-90 ( ii ) Da Natureza Não Salarial da Cesta Básica Fornecida pela Recorrente - Conforme mencionado, o Auto de Infração foi lavrado em razão de suposta ausência de recolhimento de contribuições devidas em razão de cestas básicas distribuídas aos empregados, sem que a empresa fosse inscrita no PAT - Programa de Alimentação do Trabalhador, no período de 1999 a 2007. - Ocorre que, primeiramente, é importante ressaltar que não há que se falar em incidência previdenciária, nem mesmo fiscal, nas cestas básicas, pois, conforme se verifica nos holerites já anexados nos autos, nos quais constam detalhadamente a remuneração recebida pelos funcionários, bem como a discriminação das cestas básicas , estas são descontadas na proporção de 50% (cinqüenta por cento) do valor de cada cesta fornecida ao empregado . ( iii ) Da Correção Integral das Informações na GFIP - Conforme comprovou a Recorrente, referidas informações foram devidamente corrigidas, não havendo razão para manutenção da presente autuação. - Todavia, a decisão de Ia instância administrativa entendeu que as incorreções na GFIP foram corrigidas apenas parcialmente, tendo em vista considerar que não foram corrigidas e entregues as GFIP's referentes às cestas básicas consideradas como salário por falta do convênio com o PAT - Programa dc Alimentação do Trabalhador. - Ocorre que tais informações não foram corrigidas pois não estavam erradas, porque, conforme visto, as cestas básicas não se caracterizam como salário, na medida em que são descontadas em folha na proporção de 50% (cinqüenta por cento) do valor de cada cesta fornecida ao empregado. - Assim, não houve correção apenas parcial, mas integral das informações, devendo ser relevada totalmente a multa aplicada à Recorrente. Por questões didáticas, entendo que seja mais apropriado examinar as alegações da contribuinte em tópicos separados. 1 - Da Consumação da Decadência — Período de 1999 até 2002 A recorrente requer a decadência de 1999 a 2002. No entanto, considerando que a ciência do auto de infração deu-se em 15/10/2007 e também o fato de que não consta no processo a informação de que houve pagamentos, tem-se que a autuação que estaria abrangida pela decadência seria apenas os lançamentos efetuados até a competência de novembro de 2001, devendo permanecer intactos os lançamentos ocorridos referentes ao períodos a partir desta data. Sobre a decadência de contribuições previdenciárias, onde, antes o entendimento era de que a mesma se operava em 10 anos após a ocorrência do fato gerador, atualmente a questão já se encontra pacificada nesta Corte, uma vez que o Supremo Tribunal Federal - STF declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, editando a Súmula Vinculante n° 08, conforme transcrita a seguir: Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 370DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-007.418 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.003022/2007-90 Assim, resta evidente a inaplicabilidade do art. 45 da lei 8.212/91 para amparar o direito da fazenda pública em constituir o crédito tributário mediante lançamento, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições previdenciárias sujeitam-se aos artigos 150, § 4º, quando há o pagamento antecipado, e 173 da Lei 5.172/66 (CTN), quando não haja o pagamento ou nas situações de dolo, fraude ou simulação, cujo teor merece destaque: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (Grifou-se); Para a aplicação da contagem do prazo decadencial, este Conselho adota o entendimento do STJ, no Recurso Especial nº 973.733/SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, e, portando, de observância obrigatória neste julgamento administrativo. Assim, o prazo decadencial inicia sua fluência com a ocorrência do fato gerador quando há antecipação do pagamento, conforme artigo 150, § 4º do CTN, contando-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o contribuinte não antecipa o pagamento devido, ou ainda quando se verifica a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deve-se utilizar o artigo 173, I, do CTN. 2 - Da Natureza Não Salarial da Cesta Básica Fornecida pela Recorrente Mesmo a recorrente tendo apresentado um aditamento ao seu recurso no processo 10865.003026/2007-78, onde demonstra o entendimento sedimentado da jurisprudência e também o posicionamento do CARF no sentido de que há a falta de interesse da PGFN em recorrer sobre a não incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de alimentação in natura, tem-se que esta turma também já se posiciona neste sentido. Por conta disso, vê-se que a recorrente está arrazoada ao solicitar o cancelamento total da autuação haja vista o fato de que não devem incidir contribuições previdenciárias junto a pagamentos relacionados ao fornecimento de alimentação in natura, junto ao PAT. No caso, diverge-se da decisão sobre o tema, haja vista a existência de várias decisões judiciais que corroboram com as alegações da recorrente, além da existência do parecer Fl. 371DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-007.418 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.003022/2007-90 PGFN/CRJ nº 2.117/2011, onde orienta os Procuradores da Fazenda Nacional a serem dispensados de recorrerem em causas afetas ao tema. Tanto é assim, que a própria Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) reconheceu que o tema encontra-se pacificado no Superior Tribunal de Justiça através do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011, manifestando-se pela edição de ato declaratório da Procuradora- Geral da Fazenda Nacional que dispensasse a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional da interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, bem como de apresentar contestação acerca da matéria ora abordada, in verbis: Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílio-alimentação in natura. Nao incidência. Jurisprudência pacífica no Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da lei n° 10.522. de 19 de julho de 2002. e do Decreto nª 2.346, de 10 de outubro de 1997. Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional autorizada a nao contestar, a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. Com efeito, foi expedido o Ato Declaratório n.° 03/2011, pelo qual a PGFN ficou autorizada a não apresentar contestação, interpor recurso, bem como de desistir dos já interpostos, quanto às ações judiciais Neste questionamento, entendo que deve ser acatada a exclusão da autuação efetuada a título de Contribuição Previdenciária no que diz respeito à não incidência no caso do auxílio-alimentação in natura. A referida exclusão da autuação é baseada no citado parecer PGFN/CRJ nº 2.117/2011, onde defende que nas decisões que envolvam o auxílio-alimentação in natura a PGFN seja dispensada de contestar e recorrer das decisões contrárias. Portanto, de acordo com o parecer acima, não tem por que manter autuação por temas em que a PGFN já se manifestou no sentido de não mais contestar ou recorrer, devendo portanto, ser acatado o recurso voluntário no sentido de provê-lo integralmente, para que sejam excluídas as autuações sobre auxílio-alimentação in natura, restando portanto razão à recorrente. 3 - Da Correção Integral das Informações na GFIP Considerando que a negativa de provimento à impugnação da recorrente, no que diz respeito à não relevação da multa pela falta da correção total das GFIP’s, foi devida à falta de correção das GFIP’s relacionadas ao pagamentos referentes ao Programa de Alimentação ao Trabalhador e que este acórdão contempla a solicitação de cancelamento da autuação da recorrente, não tem mais porque se manifestar sobre esta solicitação. Conclusão Por todo o exposto e por tudo que consta nos autos, conheço do presente recurso voluntário, para DAR-LHE provimento. (documento assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita Fl. 372DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-007.418 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.003022/2007-90 Fl. 373DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 17284.720856/2018-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 06 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Nov 26 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2013
ANISTIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE GFIP.
Foram extintas, por anistia, as multas por atraso na apresentação de Gfip constituídas até 20 de janeiro de 2015, desde que a declaração extemporânea tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a sua entrega.
Numero da decisão: 2301-008.148
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2301-008.138, de 06 de outubro de 2020, prolatado no julgamento do processo 13983.720251/2015-24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo César Macedo Pessoa, Letícia Lacerda de Castro, Maurício Dalri Timm do Valle e Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
Nome do relator: SHEILA AIRES CARTAXO GOMES
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE GFIP. Foram extintas, por anistia, as multas por atraso na apresentação de Gfip constituídas até 20 de janeiro de 2015, desde que a declaração extemporânea tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a sua entrega. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2301-008.138, de 06 de outubro de 2020, prolatado no julgamento do processo 13983.720251/2015-24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Maurício Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo César Macedo Pessoa, Letícia Lacerda de Castro, Maurício Dalri Timm do Valle e Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de lançamento de multa por atraso na entrega das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – Gfip. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 28 4. 72 08 56 /2 01 8- 04 Fl. 57DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-008.148 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 17284.720856/2018-04 O lançamento foi impugnado e a impugnação foi considerada improcedente. Manejou-se recurso voluntário em que se alegou apenas a anistia da multa com base na Lei nº13.097, de 19 de janeiro de 2015. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Na ausência de prova da ciência do acórdão recorrido, dou por tempestivo o recurso. O recorrente alega que teria sido beneficiado pelas anistias contidas nos arts. 48 e 49 da Lei nº 13.097, de 2015: Art. 48. O disposto no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, deixa de produzir efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 27 de maio de 2009 a 31 de dezembro de 2013, no caso de entrega de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. (Sem grifo no original.) Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. (Sem grifo no original.) Em relação ao art. 48, percebe-se que o lançamento considerou apenas Gfip que tiveram valores declarados, que correspondem à base de cálculo da multa (e-fl. 10). Quanto ao art. 49, todas as declarações extemporâneas foram apresentadas após o último dia do mês seguinte ao previsto para a respectiva entrega, como facilmente se verifica no lançamento (e-fl. 10). Portanto, nenhuma das duas hipóteses de anistia aproveita ao recorrente. Voto por negar provimento ao recurso. Fl. 58DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-008.148 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 17284.720856/2018-04 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes – Presidente Redatora Fl. 59DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10580.903460/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Nov 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2006
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-007.943
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-007.937, de 25 de agosto de 2020, prolatado no julgamento do processo 10580.903454/2012-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Tom Pierre Fernandes da Silva Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Maria Eduarda Alencar Camara Simões (suplente convocada), Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-presidente) e Tom Pierre Fernandes da Silva (Presidente). Ausente o conselheiro João Paulo Mendes Neto.
Nome do relator: TOM PIERRE FERNANDES DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2006 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-007.937, de 25 de agosto de 2020, prolatado no julgamento do processo 10580.903454/2012-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Tom Pierre Fernandes da Silva Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Maria Eduarda Alencar Camara Simões (suplente convocada), Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-presidente) e Tom Pierre Fernandes da Silva (Presidente). Ausente o conselheiro João Paulo Mendes Neto.
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESSARCIMENTO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-007.937, de 25 de agosto de 2020, prolatado no julgamento do processo 10580.903454/2012-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Tom Pierre Fernandes da Silva – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Maria Eduarda Alencar Camara Simões (suplente convocada), Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-presidente) e Tom Pierre Fernandes da Silva (Presidente). Ausente o conselheiro João Paulo Mendes Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 34 60 /2 01 2- 11 Fl. 62DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-007.943 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.903460/2012-11 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que denegara o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. Por bem resumir os fatos dos autos, adota-se parcialmente o relatório elaborado pela DRJ: “Cuidam os autos de Pedido de Ressarcimento de crédito(..) Inconformada com o não reconhecimento do crédito pleiteado, a interessada aduz que, em síntese: Não deve ser considerada a restrição de que a Contribuinte não informou os créditos solicitados em seus Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais, ou seja, só por não constar no Dacon, só por isso, o crédito não existiria, e a contribuinte não teria direito. A Receita Federal fornece software que não é possível retificar o Dacon para incluir o valor requerido, vez que não há campo disponível para registrar o ressarcimento pedido com base no art. 17 da Lei 11.033/04 para atividade da Contribuinte. Comportamento contraditório e ilegal, que não pode surtir o efeito de encurralar o contribuinte. Ora, o que importa é existirem os créditos documentadamente, não sendo apenas sua menção no Dacon o atestado único da existência. A contribuinte tem todas as Notas Fiscais que geraram os créditos, e estavam à disposição da fiscalização e não foram examinadas; quer intimando para apresentá-las ou para separar in loco, ante o volume de notas fiscais. Ou seja, a fiscalização poderia, se visse base, criticar o somatório dos créditos nas Notas Fiscais, mas nada questionou; também poderia, se visse base, criticar a fundamentação legal dos créditos, mas nada questionou. E não foram pontos aceitos pela fiscalização, e assim o debate fica restrito apenas em saber se o que afasta um creditamento é o Dacon não registrar. E, definitivamente, o creditamento é garantido por lei; e esse suposto poder, de negar crédito que não esteja em Dacon, não está em lei. Assim, pelo exposto, espera a reforma do Despacho Decisório, para que, conseqüentemente, seja deferido o seu pedido de ressarcimento ora em baila.” Diante disso, a DRJ concluiu pela improcedência da manifestação de inconformidade por razão de carência probatória, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Normas de Administração Tributária DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo demonstrar, por meio de provas hábeis, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 63DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-007.943 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.903460/2012-11 Irresignada, a empresa apresentou recurso voluntário alegando que: (i) faz jus ao crédito pleiteado diante do disposto no art. 17 da Lei n. 11.033/04; (ii) que a DRJ inovou ao negar provimento a manifestação de inconformidade por carência probatória, vez que o despacho decisório negou provimento com base em motivação diversa (não retificação de Dacon), o que representaria cerceamento do direito de defesa da empresa; e (iii) que as NFs mencionadas pela DRJ encontram-se à disposição da fiscalização, bastando que a empresa seja intimada e/ou que seja realizada diligência para que as mesmas sejam entregues para avaliação, não sendo este motivo razoável para negar provimento ao direito pleiteado. Nestes termos, requer o provimento do pedido e homologação dos créditos discutidos. O processo foi então encaminhado ao CARF, para análise e voto. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual merece ser conhecido. Conforme destacado no relatório, trata-se de pedido de ressarcimento não homologado pela fiscalização em razão da ausência de retificação de Dacon para refletir os créditos pleiteados, cuja decisão foi mantida pela DRJ/BSB sob a conclusão de carência probatória. Por sua vez, a recorrente alega que houve inovação, por parte da DRJ, quanto ao fundamento de negativa de provimento, o que implicaria em ilegalidade e cerceamento de defesa. Argumenta, ainda, que a negativa de provimento pela não apresentação das NFs não seria justificativa razoável, visto que caberia ao Fisco intimar a contribuinte a apresentar as mesmas, seja no curso do processo, seja por meio de realização de diligência. Ora, entendo que não assiste razão à recorrente. Primeiramente, não se verifica a existência de vícios processuais nos presentes autos. Isto porque, a DRJ/BSB, ao negar provimento sob fundamento diverso não inovou e/ou alterou o critério jurídico sob o qual a recorrente está sujeita. O que ocorreu foi, tão somente, a superação do formalismo exigido pela fiscalização quanto à retificação de Dacon e análise do mérito, tal qual havia sido requerido pela recorrente. Não obstante, a análise do mérito versa, necessariamente, sobre a verificação de certeza e liquidez do crédito pleiteado, o que deve estar amparado por documentos fiscais e contábeis. Considerando que a recorrente não traz um documento sequer aos autos para comprovar o seu direito, tratando-se de autos bastante enxutos e pautados unicamente em argumentos jurídicos, a DRJ/BSB não teve outra saída à negar provimento à manifestação de inconformidade por carência probatória – o que, em minha visão, está correto. Diante disso, poderia a recorrente ter corrigido a lacuna probatória existente nos autos no momento do recurso voluntário, apresentando os documentos e NFs mencionados no acórdão de piso, mas não o fez. Assim, diante da inexistência de documentos nos autos que permitam a avaliação da liquidez e certeza do direito da recorrente, não há que se falar em violação ao devido processo ou na possibilidade da realização de diligência, já que esta serviria apenas para Fl. 64DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-007.943 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10580.903460/2012-11 produção de provas, o que não é permitido. A diligência presta-se para sanar dúvidas existentes diante de fatos e documentos pré-existentes nos autos, o que não é o caso. Dito isso, restando verificada a carência probatória, entendo que a decisão de piso deve ser mantida. Nestes termos, voto por conhecer o recurso voluntário e, no mérito, por negar-lhe provimento. É como voto. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Tom Pierre Fernandes da Silva – Presidente Redator Fl. 65DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10925.906356/2012-22
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 07 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Nov 09 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE.
Não apresentação de prova inequívoca hábil e idônea tendente a comprovar a existência e validade de indébito tributário derivado de recolhimento indevido ou a maior de imposto retido na forma de legislação específica, acarreta a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por consequência, a não-homologação da compensação declarada em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito.
DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF, sendo que deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório.
Numero da decisão: 1002-001.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado Digitalmente)
Ailton Neves da Silva- Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Rafael Zedral- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Marcelo José Luz de Macedo e Thiago Dayan da Luz Barros.
Nome do relator: Rafael Zedral
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. Não apresentação de prova inequívoca hábil e idônea tendente a comprovar a existência e validade de indébito tributário derivado de recolhimento indevido ou a maior de imposto retido na forma de legislação específica, acarreta a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por consequência, a não-homologação da compensação declarada em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF, sendo que deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) Ailton Neves da Silva- Presidente. (Assinado Digitalmente) Rafael Zedral- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Marcelo José Luz de Macedo e Thiago Dayan da Luz Barros.
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LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. Não apresentação de prova inequívoca hábil e idônea tendente a comprovar a existência e validade de indébito tributário derivado de recolhimento indevido ou a maior de imposto retido na forma de legislação específica, acarreta a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por consequência, a não- homologação da compensação declarada em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF, sendo que deve prevalecer a decisão administrativa que não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) Ailton Neves da Silva- Presidente. (Assinado Digitalmente) Rafael Zedral- Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 63 56 /2 01 2- 22 Fl. 51DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-001.727 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10925.906356/2012-22 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Rafael Zedral, Marcelo José Luz de Macedo e Thiago Dayan da Luz Barros. Relatório Por bem descrever o ocorrido, valho-me do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito: Em sessão de a DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, nos termos da ementa abaixo reproduzida: Trata-se de Manifestação de Inconformidade interposta pelo interessado referenciado contra Despacho Decisório emitido em 03/01/2013 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba-SC, com número de rastreamento 041981767, cópia inserta no processo, que homologou parcialmente a compensação declarada na PER/DCOMP nº 37820. 28586.140508.1.3.04-3847. Da análise do pleito, a autoridade administrativa concluiu pela existência parcial do crédito original pleiteado. Abaixo, segue resumo do Despacho Decisório: A ciência do despacho decisório se deu em 22/01/2013, por via postal. Em 25/01/2013, a parte interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o despacho decisório citado acima, alegando que os débitos referentes ao PER/DCOMP nº 15672.25917.200106.1.3.04-6493 já estariam parcelados e quitados junto à Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN. Assim, “requer o contribuinte que seja acolhido o presente recurso voluntário a fim de que seja cancelado o débito”. O interessado traz aos autos, dentre outros, os seguintes documentos: cópia do despacho decisório (fl. 14), cópia de extrato de consulta a inscrição junto à PFN (fls. 15 a 20). Fl. 52DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-001.727 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10925.906356/2012-22 Em sessão de 20 de julho de 2017 (e-fls. 24) a DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte, nos termos da ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR DE CSLL. Incabível a homologação da declaração de compensação quando não comprovado o alegado indébito tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Considerando que a recorrente contesta exclusivamente a alocação do DARF aos débitos compensados no PERDCOMP 15672.25917.200106.1.3.04-6493 no valor de R$ 16.550,39, entenderam os julgadores que os débitos compensados no referido PER/DCOMP foram compensados no dia 20/01/2006 , enquanto que a inscrição em DAU ocorreu em 10/04/2006 (e-fls. 42). Deste modo, entenderam os julgadores que o débito “já havia sido extinto em 20/01/2006” pelo PER/DCOMP 15672.25917.200106.1.3.04-6493. Ciente da decisão de primeira instância, o ora Recorrente apresenta Recurso Voluntário (e-fls.31 ), no qual expõe os fundamentos de fato e de direito a seguir sintetizados. Reafirma sua tese de defesa: de que os débitos indicados no despacho decisório forma em verdade parcelados junto à PGFN. Apresenta dados relativos aos processo de débito (e-fls. 31/32). Ao final, pede a revisão do Acórdão da DRJ no sentido de que seja deferido seu pleito. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Zedral, Relator. Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23-B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF nº 329/2017. Demais disso, observo que o recurso e atende os outros requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 53DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-001.727 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10925.906356/2012-22 DO MÉRITO Quanto ao mérito, o recurso deve ser indeferido. A discussão aqui travada não está relacionada com a diferença entre o valor pago do DARF e o montante devido do tributo (no caso débito de estimativa). Conforme informações do próprio despacho decisório, o DARF informado no per/dcomp foi recolhido no valor de R$ 33.089,65, enquanto que o débito de estimativa foi declarado em DCTF no valor de R$ 12.408,61. No entanto, o mesmo despacho decisório afirma que o saldo de pagamentos (diferença entre R$ 33.089,65 e R$ 12.408,61) estaria vinculado a outros dois PER/DCOMPs : 1. 15672.25917.200106.1.3.04-6493 – R$ 16.550,39 2. 28275.200308.1.3.04-745) - R$ 3.213,61 A recorrente se insurge exclusivamente contra a vinculação do DARF ao PER/DCOMP 15672.25917.200106.1.3.04-6493, afirmando que os débitos dele indicados foram objeto de parcelamento. O Acórdão recorrido indeferiu o recurso apresentado sob o argumento de que a compensação operada no PER/DCOMP 15672.25917.200106.1.3.04-6493 prevaleceria sobe a inscrição em DAU, pois o PER/DCOMP foi transmitido em 20/01/2006, enquanto que a inscrição dos débitos em Dívida Ativa da União teria ocorrido em 10/04/2006. O relator do acórdão da DRJ fundamentou seu entendimento no artigo 74, § 2º da Lei 9.430/1996: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002)” Portanto, correto o entendimento da Delegacia de Julgamento, pois os débitos foram compensados em DCOMP seis meses antes da data da formalização da inscrição em DAU. Fl. 54DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-001.727 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10925.906356/2012-22 Ademais, ainda que pudéssemos abstrair o teor do artigo 74, § 2º da lei 9430/1996, não está claro nos presentes autos que os débitos compensados no PER/DCOMP 15672.25917.200106.1.3.04-6493 são exatamente os mesmos que foram inscritos em Dívida Ativa da União. Realizando qualquer combinação entre os valores inscritos na inscrição 91.6.06.05626-08 (e-fls. 42) não é possível chegar ao valor compensado de R$ 16.550,39. Também deve ser observado que a recorrente não contestou os fundamentos que motivaram o julgamento proferido pela DRJ, tendo apresentado uma peça recursal a este CARF que apenas repete o recurso apresentado à DRJ. DISPOSITIVO Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento. É como voto. Rafael Zedral – relator. Fl. 55DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10980.005513/2005-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 22 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Oct 27 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2003
PRELIMINAR. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL.
De acordo com a Súmula CARF nº 91, de efeito vinculante em toda a Administração Tributária, ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 09 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
PRELIMINAR. REGIME CUMULATIVO. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. RECEITAS TRIBUTÁVEIS.
O STF, no julgamento da Questão de Ordem no Recurso Extraordinário RE 585.235 QO-RG/MG, com Repercussão Geral, decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, contida no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.
Numero da decisão: 3401-008.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer a não ocorrência da prescrição e o efeito erga omnes da decisão proferida pelo STF e, com isto, determinar o retorno dos autos à unidade de origem para nova análise e decisão.
(assinado digitalmente)
Tom Pierre Fernandes da Silva Presidente.
(assinado digitalmente)
Lázaro Antônio Souza Soares - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Ronaldo Souza Dias, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (suplente convocado(a)), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Tom Pierre Fernandes da Silva (Presidente). Ausente o conselheiro João Paulo Mendes Neto.
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. De acordo com a Súmula CARF nº 91, de efeito vinculante em toda a Administração Tributária, ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 09 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. PRELIMINAR. REGIME CUMULATIVO. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. O STF, no julgamento da Questão de Ordem no Recurso Extraordinário RE 585.235 QO-RG/MG, com Repercussão Geral, decidiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, contida no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para reconhecer a não ocorrência da prescrição e o efeito erga omnes da decisão proferida pelo STF e, com isto, determinar o retorno dos autos à unidade de origem para nova análise e decisão. (assinado digitalmente) Tom Pierre Fernandes da Silva – Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Lázaro Antônio Souza Soares, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Fernanda Vieira Kotzias, Ronaldo Souza Dias, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 55 13 /2 00 5- 97 Fl. 214DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-008.049 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.005513/2005-97 convocado(a)), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Tom Pierre Fernandes da Silva (Presidente). Ausente o conselheiro João Paulo Mendes Neto. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o Relatório da DRJ – Rio de Janeiro II (DRJ-RJ2): Trata o processo de pedido de restituição de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins), fl. 01, protocolizado em 14/06/2005, em relação aos pagamentos efetuados, entre 15/0311999 e 15/0112004, para os períodos de apuração 02/1999 a 12/2003, conforme planilhas de fls. 7, 9 e 10. O valor total do referido pedido importa em R$1.067.366,61 (um milhão, sessenta e sete mil, trezentos e sessenta e seis reais e sessenta e um centavos). 2. Às fls. 03/05, a interessada apresenta petição onde argumenta a existência de razões impeditivas à formalização do pedido por meio do programa Per/Dcomp. 3. Em 08/07/2005 o pedido foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal em Curitiba/PR, por meio do despacho decisório às fls. 27/29, em razão da decadência, a teor dos arts. 165 e 168 do CTN e item I do Ato Declaratório SRF n° 96, de 26/1111999, quanto aos recolhimentos havidos antes de 14/06/2000. Na mesma ocasião, e quanto aos pagamentos efetuados após 14/06/2000, não se tomou conhecimento do pedido de restituição, por ter sido formalizado em desacordo com as normas administrativas vigentes. Por fim, ressaltou a autoridade fiscal que as alegações da impugnante referentes à inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/98 não podem ser objeto de discussão na esfera administrativa. 4. Inconformada com a decisão proferida, a interessada interpôs, em 04/08/2005, manifestação de inconformidade, fls. 32/56, cujo teor é sintetizado a seguir. 5. Primeiramente, após breve relato das ocorrências do processo e do despacho decisório que nele foi proferido, alega em síntese que: a) A Cofins é um de tributo sujeito a lançamento por homologação. Nesse sentido, a restituição dos valores recolhidos indevidamente aos cofres públicos podem ser pleiteados no prazo de 10 (dez) anos; b) Dessa forma, revela-se fundamental ser reconhecido o equívoco do despacho decisório que entendeu como prescrito o direito à restituição dos pagamentos efetuados pela ora manifestante, a titulo de contribuição à Cofins, antes de 14/06/2000; c) Referidos pagamentos, cujo despacho equivocadamente entendeu como impassíveis de restituição, e que se deram entre 15/03/1999 até 14/06/2000, não se encontram fulminados pela prescrição, já que o pedido administrativo da ora manifestante foi protocolado em 14/06/2005 e esta poderia pleitear a restituição de valores indevidamente pagos, conforme enquadramento no art. 168, I, do CTN, nos últimos 10 (dez) anos contados desta data; d) Superada a preliminar que afasta a equivocada prescrição atribuída aos valores recolhidos pela ora manifestante anteriormente a 14/06/2000, insurge-se esta contra decisão do Ilustre Delegado da Receita Federal em "não tomar conhecimento do Pedido de Restituição conexo com valores recolhidos após 14/06/2000 uma vez que o mesmo foi protocolizado em desacordo com as normas administrativas vigentes."; Fl. 215DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-008.049 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.005513/2005-97 e) A forma adotada pela ora manifestante para pedir a restituição da contribuição indevida recolhida a título de Cofins, é apropriada; f) A empresa explicou, quando do protocolo, que o presente Pedido de Restituição não pôde ser realizado por meio do Pedido Eletrônico, através do programa PER/DCOMP, em virtude de que no mesmo só é possível solicitar: 1) restituição de saldos negativos de IRPJ ou CSLL; 2) pagamentos indevidos ou a maior e 3) ressarcimento e ressarcimento de IPI referente a créditos presumidos de IPI, previstos na Lei n° 9.363/96 e Lei n° 10.276/01 e créditos de IPI relativos a entradas de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem para industrialização; g) Demonstrou-se que em se tratando de Pedido de Restituição, a Receita Federal apenas admite como pagamento indevido ou a maior créditos líquidos e certos, e estes somente quando referentes a apenas três hipóteses: 1) pagamento indevido ou a maior decorrente de erro; 2) pagamento a maior apurado em declaração; ou 3) pagamento indevido resultante de processo administrativo ou judicial ou declaração de inconstitucionalidade de lei pelo STF em ADIn ou suspensão da execução de lei por resolução do Senado Federal. h) Por entender que o caso em tela não se enquadra em nenhuma das hipóteses supra citadas, vez que se trata de Pedido de restituição de Cofms (que indevidamente é exigida pela legislação vigente), foi requerido pela ora manifestante o deferimento do mesmo na forma apresentada, qual seja, em papel. Justificou-se que tal requerimento estava em conformidade com o artigo 3º da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n° 414, de 30 de março de 2004 que dispõe: (...) i) Em contrapartida a Receita Federal não aceitou a forma adotada pela empresa por entender que seria aplicável ao caso o disposto no artigo 2% inciso IV, c, da mesma Instrução Normativa que determina: (...) j) Constata-se que o caso da empresa não se enquadra em nenhuma das hipóteses acima referida, já que se trata de pedido de restituição de pagamentos indevidos a título de Cofms com base em ilegalidades e inconstitucionalidades da Lei n° 9.718/98, e por esse motivo é que o pedido foi elaborado em formulário, como prevê o artigo 3° da Instrução Normativa n° 414 de 30 de março de 2004; k) Por todo exposto, não restam dúvidas quanto a possibilidade de se pleitear a restituição, como feito pela empresa, via formulário, dos valores pagos a título de Cofins; 1) Quanto ao Direito em si, alega que em 27 de novembro de 1998 foi editada a Lei n° 9.718/98, a qual modificou significativamente a base de cálculo da Cofins (deixou de ser faturamento e passou a ser a totalidade das receitas auferidas), além de majorar a alíquota de 2% para 3%; m) Criou-se, assim, uma contribuição totalmente nova, a qual passou a incidir não mais sobre o faturamento, mas sobre a totalidade das receitas das pessoas jurídicas; n) Ocorre que, a Lei 9.718/98, ao mudar a base de cálculo da Cofins, extrapolou os limites fixados pelo art. 195, I da Constituição, que previa a possibilidade da incidência de contribuição sobre o total de receitas; Fl. 216DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-008.049 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.005513/2005-97 o) Assim, tendo em vista a ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação que revogou a LC n° 70/91, e tendo em vista a ausência de lei posterior à EC n° 20/98 criando contribuição sobre todas as receitas, conclui-se que, a Cofins não é devida pelos contribuintes nos moldes da Lei n° 9.718/98; p) Por fim, requer o deferimento do pedido de restituição da contribuição à Cofins, recolhida no período de 15/03/1999 a 15/01/2004 (competências de fev/1999 a dez/2003), face às ilegalidades e inconstitucionalidades da Lei 9.718/98, para que a mesma seja compensada ou ressarcida com a devida atualização pela taxa SELIC. 6. Em 28/03/2008 foi proferido o Acórdão n° 19.450 (fls. 58/68), por meio do qual acordaram os membros da 4a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro - II, por unanimidade de votos, em: a) Considerar não formulado o pedido de restituição em relação aos recolhimentos efetuados após 14/06/2000, e, por conseguinte, não conhecer da manifestação de inconformidade em relação a tais recolhimentos; b) Considerar formulado o pedido de restituição em relação aos recolhimentos efetuados antes de 14/06/2000, e, por conseguinte, conhecer da manifestação de inconformidade apresentada em relação ao pleiteado referente a esses meses, exceto no que diz respeito à argüição de inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/1998; e c) Não dar provimento à manifestação de inconformidade na parte conhecida, para indeferir o Pedido de Restituição. 7. Em 16/05/2008, o interessado apresentou o Recurso Voluntário de fls. 71 a 93. 8. Em 19/11/2009, foi proferido o Acórdão n° 3401-00.322 da 4ª Câmara /1ª Turma Ordinária do CARF para anular o processo desde o despacho decisório de fis. 27/29, determinando à Delegacia da Receita Federal em Curitiba/PR que prolatasse outra decisão, considerando válido o Pedido de Restituição em papel e submetendo-o ao rito do Decreto n° 70.235/72, de modo que eventual manifestação de inconformidade interposta pelo contribuinte fosse conhecida na integralidade pela DRJ. 9. Em 22/02/2010 foi proferido o Despacho Decisório de fls. 106/110, por meio do qual: - foi indeferido o Pedido de Restituição, conexo aos valores recolhidos anteriormente a 14/06/2000, uma vez que o direito de pleitear o crédito em comento (constituído de DARF's cuja datas de pagamento sejam superiores a 5 anos se comparadas com a data de protocolização do pleito) já se encontrava prescrito na data de protocolização do Pedido de Restituição de fl. 01; - foi indeferido o Pedido de Restituição, conexo aos valores recolhidos posteriormente a 14/06/2000, uma vez a atividade administrativa é plenamente vinculada, e o interessado pleiteia estes valores (recolhidos posteriormente a 14/06/2000) fundados em alegação de inconstitucionalidade; - o interessado foi cientificado que em caso de inconformidade, poderia manifestá-la à Delegacia da Receita Federal de Julgamento no prazo de trinta dias, a contar da data da ciência desta decisão. 10. Em 19/03/2010 o interessado protocolou a manifestação de inconformidade de fls. 113/123, onde alega em síntese que: - O pedido de restituição se refere à COFINS, que é um tributo sujeito a lançamento por homologação; Fl. 217DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-008.049 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.005513/2005-97 - Nesse sentido, a restituição dos valores recolhidos indevidamente ao cofres públicos pode ser pleiteada no prazo de 10 (dez) anos; - O Superior Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 346.084/PR, declarou a inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º da Lei n° 9.718/1998 (que ampliou a base de cálculo do PIS e da Cofins, para envolver a totalidade das receitas da empresa); - Dessa forma, a ampliação da base de cálculo da Cofins conferida pela Lei n° 9.718/98 é ilegal e inconstitucional, devendo ser garantido o direito de a contribuinte recolher a referida contribuição nos moldes da Lei Complementar n° 70/91, ou seja, incidente sobre o faturamento e não sobre a totalidade das receitas; (...) Sendo assim, por força do Decreto acima mencionado, a administração pública deverá observar a decisão do Supremo Tribunal Federal que declarou a inconstitucionalidade dos dispositivos da Lei 9.718/98 que modificaram a base de cálculo da COFINS e do PIS. Por fim, requer o deferimento do pedido de restituição da contribuição à COFINS, recolhida no período de 15/03/1999 a 15/01/2004 (competências de fev/1999 a dez/2003), face às ilegalidades e inconstitucionalidades da Lei 9.718/98, para que a mesma seja compensada ou ressarcida com a devida atualização pela taxa SELIC, que é a mesma utilizada por este órgão na recuperação de seus créditos 11. É o relatório. A 4ª Turma da DRJ-RJ2, em sessão datada de 15/10/2010, decidiu, por maioria de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade. Foi exarado o Acórdão nº 13- 31.888, às fls. 184/197, com a seguinte ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. BASE DE CÁLCULO. ART. 3°, § 1° DA LEI N° 9.718, DE 1998. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. EFEITOS INTER PARTES. A decisão exarada pelo STF no sentido da inconstitucionalidade do art. 3°, § 1% da Lei n° 9.718, de 1998, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes nele envolvidas, eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, sem efeitos erga ~es, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTOS INDEVIDOS. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Pagamentos feitos em conformidade com a legislação em vigor não são indevidos e não dão origem a direito creditório da contribuinte em face da União. O contribuinte, tendo tomado ciência do Acórdão da DRJ em 13/12/2010 (conforme Aviso de Recebimento - AR, à fl. 199), apresentou Recurso Voluntário em 21/12/2010, às fls. 200/212, basicamente reiterando os mesmos argumentos da Impugnação. É o relatório. Fl. 218DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-008.049 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.005513/2005-97 Voto Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. O Despacho Decisório exarado pela DRF – Curitiba, e mantido integralmente pela decisão de piso, não realizou a análise do mérito do Pedido de Restituição tendo em vista o seu indeferimento por conta de duas questões preliminares de mérito, referentes a: (i) prescrição do direito, para o período anterior a 14/06/2000; e (ii) incompetência para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, para períodos posteriores a 14/06/2000. Questões preliminares de mérito, diferentemente das questões prejudicais (aquelas de cuja solução dependerá não a possibilidade nem a forma do pronunciamento sobre a outra questão, mas o teor mesmo desse pronunciamento) são questões já situadas no âmbito do meritum causal, mas suscetíveis, se resolvidas em certo sentido, de dispensar o órgão julgador de prosseguir em sua atividade cognitiva. Nas palavras de Fredie Didier et ali na obra Curso de Direito Processual Civil, vol. 01, 2017, pág. 499: Considera-se questão preliminar aquela cuja solução, conforme o sentido em que se pronuncie, cria ou remove obstáculo à apreciação da outra. A "própria possibilidade de apreciar-se a segunda depende, pois, da maneira por que se resolva a primeira. A preliminar é uma espécie de obstáculo que o magistrado deve ultrapassar no exame de uma determinada questão. É como se fosse um semáforo: acesa a luz verde, permite-se o exame da questão subordinada; caso se acenda a vermelha, o exame torna-se impossível. Em relação à preliminar de prescrição, entendo que assiste razão ao Recorrente. Com efeito, o Pedido de Restituição (PER em formulário em papel) foi enviado para a unidade local da Receita Federal por via postal na data de 08/06/2005, conforme Aviso de Recebimento à fl. 30, apesar de somente ter sido recebido na RFB em 13/06/2005, conforme assinatura de servidor, à mão, que consta no PER à fl. 03: Fl. 219DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-008.049 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.005513/2005-97 Nos termos do art. 56, § 5º, do Decreto nº 7.574/2011, a data a ser considerada como a de apresentação do pedido deve ser a data da postagem, 08/06/2005: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). (...) § 5º Na hipótese de remessa da impugnação por via postal, será considerada como data de sua apresentação a da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, o qual deverá trazer a indicação do destinatário da remessa e o número do protocolo do processo correspondente. Como o pagamento mais antigo para o qual se pleiteia restituição data de 15/03/1999, nenhuma parcela do Pedido foi atingida pelo instituto da prescrição, nos termos da Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Em relação à preliminar de incompetência, também assiste razão ao recorrente. Com efeito, o STF, em 10/09/2008, pacificou a matéria ao reconhecer a Repercussão Geral na Questão de Ordem no Recurso Extraordinário RE 585.235 QO-RG/MG: EMENTA Recurso. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nºs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. DECISÃO O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento Fl. 220DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-008.049 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.005513/2005-97 ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. 10.09.2008. Tema 110 - Ampliação da base de cálculo da COFINS. Tese: É inconstitucional a ampliação da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98. Obs: Redação da tese aprovada nos termos do item 2 da Ata da 12ª Sessão Administrativa do STF, realizada em 09/12/2015. A partir desta decisão, a questão que se impõe aos aplicadores do Direito, tais como as Autoridades Tributárias, é verificar quais receitas devem ser incluídas na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim, o presente processo à Delegacia da Receita Federal (DRF) de jurisdição do contribuinte para proceder à verificação da existência dos supostos pagamentos indevidos ou a maior indicados nas planilhas às fls. 09/13 e, caso existentes, realizar sua quantificação, solicitando do contribuinte os livros e documentos comerciais/fiscais que entender necessários para sua análise. Deste novo Despacho Decisório deverá ser dada ciência ao contribuinte para, se for o caso, apresentar Manifestação de Inconformidade perante a Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ). Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer a não ocorrência da prescrição e o efeito erga omnes da decisão proferida pelo STF e, com isto, determinar o retorno dos autos à unidade de origem para nova análise e decisão. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares - Relator Fl. 221DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13837.000216/2005-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 22 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Nov 11 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2005
CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho.
Devem ser revertidas as glosas de créditos relacionadas com dispêndios considerados essenciais ao processo produtivo.
Numero da decisão: 3301-008.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, revertendo-se as glosas sobre os serviços de manutenção de empilhadeiras, bem como os gastos na contratação de pessoa jurídica prestadora de serviços de locação de mão-de-obra alocada no processo produtivo.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Salvador Cândido Brandão Junior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira (presidente da turma), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Breno do Carmo Moreira Vieira, Marco Antonio Marinho Nunes, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: Salvador Cândido Brandão Junior
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INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho. Devem ser revertidas as glosas de créditos relacionadas com dispêndios considerados essenciais ao processo produtivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, revertendo-se as glosas sobre os serviços de manutenção de empilhadeiras, bem como os gastos na contratação de pessoa jurídica prestadora de serviços de locação de mão-de-obra alocada no processo produtivo. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente (documento assinado digitalmente) Salvador Cândido Brandão Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira (presidente da turma), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Breno do Carmo Moreira Vieira, Marco Antonio Marinho Nunes, Marcos Roberto da Silva (Suplente), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior Relatório Trata-se de declaração de compensação para utilização de crédito da contribuição para o PIS não cumulativa, referente aos meses de janeiro e fevereiro de 2005, homologada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 7. 00 02 16 /2 00 5- 05 Fl. 374DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-008.826 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13837.000216/2005-05 parcialmente, conforme despacho decisório de fls. 64-70 em razão de diversas glosas realizadas pela fiscalização, em relação aos insumos. Os créditos glosados decorrem das seguintes rubricas: a) estoque de abertura b) consultoria de produção c) mão-de-obra temporária contratada d) serviços de manutenção Por bem sintetizar a controvérsia, adoto o relatório da r. decisão de piso: Trata-se de Declarações de Compensação com aproveitamento de direito de crédito apurado em janeiro e fevereiro de 2005 decorrente do regime da não cumulatividade da PIS vinculado a operações no mercado externo. Instaurou-se ação fiscal com o objetivo de verificar o procedimento da contribuinte. Em informação fiscal de fls. 46, o Serviço de Fiscalização da unidade de origem discrimina as glosas que levaram à redução do crédito aproveitado pela contribuinte, das quais resultou o reconhecimento de crédito no total de R$ 262.039,67, relativamente ao PIS no referido período, tendo sido glosados R$ 7.228,44. Em Despacho Decisório de fls. 51/57, o Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia de origem, tendo em vista o resultado do procedimento fiscal, reconheceu parcialmente o direito credit6rio referente a janeiro e fevereiro de 2005 e homologou, no limite do crédito reconhecido, as compensações declaradas. Noticiada da decisão em 27/07/2010, em 26/08/2010 a contribuinte protocolou a Manifestação de inconformidade de fls. 61/89 contestando as glosas praticadas pela fiscalização. O detalhamento das glosas e das razões de oposição da contribuinte serão apresentados em conjunto com o voto.. Em 22 de agosto de 2011 a 3ª Turma da DRJ/CPS proferiu o acórdão nº 0534.832, fls. 300-310, para julgar improcedente a manifestação de inconformidade e manter as glosas realizadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2005 NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA. Os valores despendidos com locação de mão de obra não geram créditos no regime da não cumulatividade. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. GERAÇÃO DE CRÉDITOS. GASTOS NÃO CARACTERIZADOS COMO INSUMOS. IMPOSSIBILIDADE. Não geram créditos no regime da não cumulatividade os dispêndios com bens e serviços que não se enquadram no conceito de insumo definido na legislação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 375DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-008.826 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13837.000216/2005-05 Notificada do resultado do julgamento, a contribuinte apresentou seu recurso voluntário, fls. 316-358, para repisar os argumentos de sua manifestação de inconformidade, conforme síntese abaixo: - O conceito de insumo estabelecido pela legislação de IPI não pode ser aplicado às apurações não cumulativas das contribuições sociais para o PIS e da COFINS; - Por incidir sobre as receitas, deve-se aplicar o mesmo critério aplicável ao imposto de renda; - Cita os artigos 290, 291 e 299 do Regulamento de Imposto de Renda; - A conceituação de insumos para fins de PIS e COFINS deve se pautar pelos dispositivos constantes do Regulamento de IRPJ relativos aos custos e despesas operacionais das empresas e não pelos limites trazidos pelas Instruções Normativas n° 247/2002 e 404/2004 fundamentadas na legislação do IPI; - Com essa concepção de insumos a Recorrente expõe seus argumentos para reversão das glosas em relação às despesas com contratação de mão-de-obra temporária, consultoria de produção e serviços de manutenção de máquinas e equipamentos, incluídas a manutenção de empilhadeiras, as quais serão melhor debatidas na análise do mérito de cada item. É a síntese do necessário. Voto Conselheiro Salvador Cândido Brandão Junior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos da legislação. Como exposto, cinge a controvérsia na apuração do conceito de insumos de PIS e COFINS e sua aplicação aos créditos apurados sobre as despesas incorridas pela Recorrente. As compensações receberam tratamento manual e, após análise de demonstrativos, notas fiscais, escrita contábil e fiscal, a fiscalização concluiu pela glosa dos créditos apurados sobre os dispêndios relacionados com (i) estoque de abertura; (ii) contratação de mão-de-obra temporária; (iii) consultoria de produção; (iv) serviços de manutenção de máquinas e equipamentos. Com referidas glosas, a DRF decidiu por homologar parcialmente a compensação, reconhecendo-se o montante de R$ 262.040,67 de créditos, realizando a glosa de um montante de R$ 7.228,44, conforme tabela abaixo: Fl. 376DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-008.826 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13837.000216/2005-05 A matéria controvertida nestes autos restringe-se apenas às glosas pela contratação de mão-de-obra temporária e despesas com serviços de manutenção, na medida em que a Recorrente não apresentou recurso sobre às glosas relacionadas com contratação de consultoria e estoque de abertura. Antes de analisar o mérito das glosas, convém fixar o entendimento de insumos a ser aplicado para fins de nortear a análise das glosas. GLOSAS DE CRÉDITO Verifica-se do termo de verificação fiscal de fls. 280-284, que a Recorrente é fabricante de esteiras e componentes para tratores, os quais, em sua maioria, são autopeças referidas na Lei 10.485/2002, anexos I e II. A fiscalização realizou intimações para apresentação de documentos e após a análise realizou intimações para explicações e complementação de documentos. Auditou os livros contábeis, fiscais e demais documentos, como planilhas, juntadas pela Recorrente durante o procedimento. Toda documentação foi auditada e conferida pela fiscalização, analisando cada item para fins de constatar se a despesa incorrida pode compor a base de cálculo dos créditos das contribuições, analisando se tal dispêndio corresponde ao conceito de insumos previsto no artigo 3º, II das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. O conceito de insumos adotado pela fiscalização estava alinhado com as INs SRF nº 247/2002 e 404/2004, vinculando-se à concepção de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem e prestação de serviços utilizados na produção, devendo-se integrar ao produto final ou ser utilizado diretamente no produto produzido. Assim, as glosas efetuadas foram levadas a efeito em decorrência de uma questão jurídica: a adoção pela fiscalização de um conceito de insumos mais restrito, inspirado na legislação do IPI, assim entendido como a matéria prima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações em função da ação diretamente Fl. 377DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-008.826 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13837.000216/2005-05 exercida sobre o produto ou serviço, desde que os mesmos não estejam incluídos no ativo imobilizado da empresa. Este conceito, no entanto, resta superado pela jurisprudência deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, confirmado pelo Superior Tribunal de Justiça quando do julgamento, em sede de recursos repetitivos, do REsp nº 1.221.170/PR, que julgou como ilegais as Instruções Normativas nº 247/2002 e 404/2004 ao firmar a seguinte tese: “O conceito de insumo deve ser aferido a luz dos critérios da essencialidade ou relevância, considerando-se a importância de determinado item, bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte” (grifei): TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (grifei) Da leitura do voto da lavra da Ministra Regina Helena Costa, extrai-se que sua decisão se fundamenta em decisões da Câmara Superior da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, destacando que o contexto da essencialidade ou relevância de uma despesa deve sempre ser analisada em relação à imprescindibilidade para a atividade produtiva (leia-se produção de bens) ou para a prestação de serviços, para que possa ser considerado insumo: Demarcadas tais premissas, tem-se que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo Fl. 378DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-008.826 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13837.000216/2005-05 elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual - EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. (...) Assim, pretende sejam considerados insumos, para efeito de creditamento no regime de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS ao qual se sujeitam, os valores relativos às despesas efetuadas com "Custos Gerais de Fabricação", englobando água, combustíveis e lubrificantes, veículos, materiais e exames laboratoriais, equipamentos de proteção individual - EPI, materiais de limpeza, seguros, viagens e conduções, "Despesas Gerais Comerciais" ("Despesas com Vendas", incluindo combustíveis, comissão de vendas, gastos com veículos, viagens, conduções, fretes, prestação de serviços - PJ, promoções e propagandas, seguros, telefone e comissões) (fls. 25/29e). Como visto, consoante os critérios da essencialidade e relevância, acolhidos pela jurisprudência desta Corte e adotados pelo CARF, há que se analisar, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou de relevância para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa. (grifei) O Ministro Mauro Campbell Marques, acrescenta um critério que denomina de “teste de subtração”, assim entendido como uma despesa relacionada com a imprescindibilidade e a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte, devendo ser considerados, no conceito de insumo, todos os bens e serviços que sejam pertinentes ao processo produtivo ou que viabilizem o processo produtivo, de forma que, se retirados, impossibilitariam ou, ao menos, diminuiriam o resultado final do produto. Aliás, entendo que entre meu voto e o voto da Min. Regina Helena há apenas uma incongruência entre signos e significados, pois dentro do critério da relevância (defendido pela Min. Regina Helena) compreendo estar (somente os trechos grifados) "a aquisição de todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes" (transcrição do item "4" da ementa que propus). Já dentro do critério da essencialidade está (somente os trechos grifados) "a aquisição de todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes" (transcrição do item "4" da ementa que propus). Por fim, no critério da pertinência está (somente os trechos grifados) "a aquisição de todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e Fl. 379DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-008.826 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13837.000216/2005-05 cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes" (transcrição do item "4" da ementa que propus). Para o somatório das três situações dei o signo de "pertinência e essencialidade", que agora a Min. Regina Helena batizou de "essencialidade e relevância", mas o conteúdo é idêntico, de modo que não vejo prejuízo algum em denominarmos pela tríade "pertinência, essencialidade e relevância", a abarcar as situações em que há imposição legal para a aquisição dos insumos. (grifos do original) Após o julgamento do REsp nº 1.221.170/PR a RFB publicou o Parecer Normativo nº 05/2018 para consolidar alguns pontos do conceito de insumo fixado pelo entendimento jurisprudencial. Com isso, em razão das glosas terem sido efetivadas por questões de direito, o presente julgamento também será pautado por questões jurídicas, sobre o conceito de insumos fixado pelo STJ, bem como na análise dos argumentos, das provas e das questões fáticas debatidas pelas partes no relatório fiscal e no recurso voluntário. Saliente-se que o caso se trata de pedido de ressarcimento e declaração de compensação, onde cabe à Recorrente o ônus da demonstração da correção da apuração dos créditos requeridos, bem como a aplicação dos insumos, ativos e equipamentos no processo produtivo. A ordem de análise das glosas será de acordo com a disposição realizada no TVF. CONTRATAÇÃO DE MÃO-DE-OBRA TEMPORÁRIA A fiscalização realizou glosas sobre a contratação de serviços relacionados com a locação de mão-de-obra temporária, por entender que estariam desvinculados do processo produtivo, não sendo possível considera-los como insumo, pois não se tratavam de serviços utilizados na produção, conforme mandamento das instruções normativas julgadas ilegais: Nas planilhas "Créditos a Descontar — PIS" e "Créditos a Descontar — COFINS", apresentadas pelo contribuinte, constam base de cálculo de créditos aproveitados sob a rubrica "Serviços utilizados como insumos — M.O. Temporária" no período de janeiro e fevereiro/2005 respectivamente de R$76.989,17 e R$73.001,70. Em 18/05/2010 o contribuinte apresentou planilhas "Mão de Obra Temporária", por mês, e notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas relativas a despesas de contratação de mão-obra temporária do período agosto a dezembro/2004. Entendemos que os serviços de janeiro e fevereiro de 2005 são semelhantes aos do período anterior. Apresentou cópias de contrato de fornecimento de mão-de-obra de operadores de máquinas. As notas fiscais foram emitidas por empresas prestadoras de serviços de locação de mão de obra, tais como, por exemplo: Team Leasing Brasil Parceria em Solução de Mao de Obra Ltda; Difference Sistemas, Serviços Temporários Ltda; Meta Melhores Talentos Recursos Humanos Ltda; lnovak Serviços Temporários Ltda; e Mega Serv Recursos Humanos Ltda. (...) O serviço prestado pela empresa de contratação de trabalho temporário diferencia-se do trabalho realizado pelos empregados temporários ou por empresas prestadoras de serviços. Para estes, o serviço contratado é o próprio serviço aplicado diretamente sobre Fl. 380DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-008.826 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13837.000216/2005-05 a fabricação de produtos; por exemplo, contrata-se um operador de máquina que operará máquinas de fabricação dos produtos, ou então, contrata-se uma empresa especializada para executar determinado serviço da fabricação do produto. Já na contratação da empresa de trabalho temporário, o serviço contratado é o agenciamento e a locação de mão-de-obra, e não a prestação de um serviço aplicado nas atividades produtivas. Nesta, o objeto não 15 a prestação de serviços na atividade produtiva, mas sim a locação temporária de trabalhadores; apenas num segundo momento o trabalho executado pelo empregado temporário é que será consumido ou aplicado na produção dos bens, não havendo aplicação ou consumo dos custos indiretos da contratação (transporte, alimentação, saúde, previdência, FGTS, ISS, remuneração da contratação e locação, etc.). Ante o exposto, excluimos da base de cálculo dos créditos de PIS e COFINS dos meses de janeiro e fevereiro de 2005 os gastos com contratação de mão de obra temporária antes referidos, e glosamos créditos de PIS e COFINS As aliquotas de 1,65% e 7,6% respectivamente, por falta de previsão legal para seu aproveitamento. Neste ponto, as glosas pela contratação de fornecimento de mão de obra utilizada no processo produtivo merecem ser revertidas. A própria RFB já tratou do assunto do Parecer Normativo nº 05/2018: 9.1. TERCEIRIZAÇÃO DE MÃO DE OBRA 123. Certamente, a vedação de creditamento estabelecida pelo citado inciso I do § 2º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, alcança apenas o pagamento feito pela pessoa jurídica diretamente à pessoa física. 124. Situação diversa é o pagamento feito a uma pessoa jurídica contratada para disponibilizar mão de obra à pessoa jurídica contratante (terceirização de mão de obra), o que afasta a aplicação da mencionada vedação de creditamento. 125. Neste caso (contratação de pessoa jurídica fornecedora de mão de obra), desde que os serviços prestados pela pessoa jurídica contratada sejam considerados insumo nos termos decididos pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça e aqui explanados e inexistam outros impedimentos normativos, será possível a apuração de créditos em relação a tais serviços. 126. Deveras, na hipótese de contratação de pessoa jurídica fornecedora de mão de obra (terceirização de mão de obra) somente se vislumbra que o serviço prestado por esta pessoa jurídica (disponibilização de força de trabalho) seja considerado insumo se a mão de obra cedida for aplicada diretamente nas atividades de produção de bens destinados à venda (ou na produção de insumos utilizados na produção de tais bens – insumo do insumo) ou de prestação de serviços desempenhadas pela pessoa jurídica contratante. 127. Como cediço, sempre houve grande discussão jurídica acerca da possibilidade de terceirização da atividade-fim da pessoa jurídica. Exatamente por isso, a Solução de Consulta Cosit nº 105, de 31 de janeiro de 2017, publicada no DOU de 23 de março de 2017, somente reconhecia como enquadrada no conceito de insumos a contratação, em conformidade com a Lei nº 6.019, de 3 de janeiro de 1974, de empresa de trabalho temporário para disponibilização de mão de obra temporária utilizada na atividade-fim da pessoa jurídica contratante. 128. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal decidiu na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 324 e no Recurso Extraordinário 958252/MG que “é lícita a terceirização ou qualquer outra forma de divisão do trabalho entre pessoas jurídicas distintas, independentemente do objeto social das empresas envolvidas, mantida a responsabilidade subsidiária da empresa contratante”. 129. Nesses termos, Fl. 381DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-008.826 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13837.000216/2005-05 pode-se concluir que, na hipótese de contratação de pessoa jurídica fornecedora de mão de obra, somente haverá a subsunção ao conceito de insumos geradores de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins se a mão de obra cedida pela pessoa jurídica contratada atuar diretamente nas atividades de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços protagonizadas pela pessoa jurídica contratante. Diferentemente, não haverá insumos: a) se a mão de obra cedida pela pessoa jurídica contratada atuar em atividades-meio da pessoa jurídica contratante (setor administrativo, vigilância, preparação de alimentos para funcionários da pessoa jurídica contratante, etc.); b) se, por qualquer motivo, for declarada irregular a terceirização de mão de obra e reconhecido vínculo empregatício entre a pessoa jurídica contratante e as pessoas físicas. (grifei) Desta feita, devem ser tratados como insumos os casos de contratação de pessoa jurídica fornecedora de mão de obra, desde que os serviços prestados pela pessoa jurídica contratada estejam relacionados com as atividades de produção ou na prestação de serviços desempenhadas pela pessoa jurídica contratante. Da leitura do TVF, a própria fiscalização afirma que as contratações estavam relacionadas com mão-de-obra para operação de máquinas. Assim, deve ser reconhecido como insumo os gastos relacionados com a contratação de pessoa jurídica pelo fornecimento de mão- de-obra utilizadas no processo produtivo da Recorrente. Analisando-se os contratos, é possível identificar que os trabalhadores temporários desempenharam a função de operador de máquina e empilhadeira, havendo também a contratação para mecânico de manutenção, fls. 114-145. Diante disso, reverte-se as glosas. SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS — MANUTENÇÃO E REPAROS De acordo com o termo de verificação fiscal, a Recorrente apresentou planilhas que listam notas fiscais e de serviços de manutenção, com a apresentação de cópias das notas de serviços, inclusive de peças de consumo utilizadas na manutenção de equipamentos. A fiscalização analisou as notas fiscais apresentadas apenas tratou das notas fiscais relacionadas com os serviços. Melhor explicando, a fiscalização detectou que parte das notas era de produtos, ou de produtos junto com serviços. Para estas notas, a fiscalização detectou que parte dos produtos constantes destas notas fiscais já estavam escriturados no Livro de Entradas da empresa, seja como material de consumo, seja como retorno de conserto. Com isso, a fiscalização concluiu que esses produtos eram peças de reposição utilizadas em serviços de manutenção, como já estavam no livro de entradas, já foram consideradas como insumo, com apuração dos créditos das contribuição. Assim, a glosa desses produtos teve como motivação dois argumentos: 1) ou já foram considerados na apuração dos créditos como partes e peças, vez que escriturados no livro de entrada; 2) ou o produto não era considerado insumo, por ser de consumo indireto na produção. Fl. 382DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-008.826 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13837.000216/2005-05 Quanto aos serviços em si, apenas reconheceu direito a crédito quando aplicados ou consumidos na fabricação de produtos. A glosa foi realizada em relação aos serviços que a fiscalização entendeu não terem sido aplicados na produção. Elaborou uma planilha com a indicação dos serviços com direito à crédito e os que estariam fora do conceito de insumos. Na mesma planilha, assinalou os produtos utilizados na manutenção que não dariam direito a crédito, seja porque não são insumos, seja porque já foram apurados com tais. Lembrando que essa análise fiscal se restringe à análise dos créditos apurados sobre os serviços, excluindo os créditos sobre produtos, pois já apurados em outra rubrica. A planilha está em fls. 291-299, e contém breve descrição dos serviços prestados. Segue as observações da fiscalização: Intimado, o contribuinte apresentou planilha "Manutenção e reparos 2005", anexa, que lista notas fiscais e de serviços somando R$ 481.171,79 e R$410.572,10 em janeiro e fevereiro, e na qual incluímos as colunas "descrição" e "IND". Apresentou cópias de parte das notas fiscais listadas na planilha, num total de R$ 334.812,77 em janeiro e R$ 238.505,79. O contribuinte não indicou quais notas foram efetivamente aproveitadas. Parte das notas era de serviço, outras de produtos, outras de serviço e produtos. Constatamos que muitos produtos constantes das notas fiscais já foram escriturados no Livro de Entradas da empresa, ora classificados como material de consumo, ora como retorno de material enviado para conserto. Por exemplo, as notas da empresa Bassetto, relativas a manutenção de motores, cujas peças constam do livro de entradas como material de consumo (rolamentos, fios, vedação) e as da Sandvik, que constam como retorno. Os produtos não registrados no livro de entradas referem-se a material de consumo indireto, despesa não passível de aproveitamento de crédito. Concluímos que as peças de reposição utilizadas em serviços de manutenção que dão direito a crédito das contribuições são aquelas já consideradas como insumos no Livro Registro de Entradas. Desconsideramos as peças listadas na planilha do contribuinte porque ou já foram registradas no livro de entradas, e, portanto consideradas na apuração dos créditos, ou porque não são insumos. Já quanto aos serviços, dão direito a crédito aqueles aplicados ou consumidos na fabricação dos produtos. Como o contribuinte não indicou entre as notas apresentadas quais compuseram seus cálculos, excluímos serviços que entendemos não foram aplicados ou consumidos na fabricação de produtos, como por exemplo: de transporte; em motobombas; não especificados; prestados pela empresa Romaq e relativos a manutenção de empilhadeiras; recarga de extintores; manutenção de automóveis; manutenção de bateria; supervisão; bomba hidráulica; industrialização por encomenda já considerada no livro de entradas; não especificados prestados juntamente com fornecimento de produtos de elétrica predial. Na planilha "Manutenção e reparos 2005" a coluna "descrição" contém um resumo dos itens da nota fiscal e a coluna "IND" indica se aceitamos (s) ou não (n) a nota apresentada como despesa de manutenção passível de aproveitamento de crédito das contribuições. Aceitamos despesas de serviços de manutenção nos valores de R$130.211,60 e R$98.745,62, nos meses de janeiro e fevereiro, e recusamos as demais notas fiscais. Desconsideramos itens listados para os quais não foram apresentadas as notas fiscais. (grifei) Fl. 383DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-008.826 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13837.000216/2005-05 Note que dentre os serviços glosados estão os serviços de manutenção de empilhadeiras, prestados pela empresa Romaq. A glosa realizada, como afirmado pela própria DRJ na decisão de piso, teve como fundamento o argumento de que empilhadeiras são máquinas que não fazem parte da produção dos produtos, relacionando-se com a produção de forma indireta, para o transporte interno de insumos e produtos. Diante da sua pertinência com o processo produtivo, deve-se reverter as glosas desses dispêndios. Quanto aos demais serviços, como recarga de extintor, manutenção de bateria e demais serviços especificados no TVF, não há que se reverter a glosa, diante da falta de demonstração de sua relação com a produção dos produtos. Quanto às partes e peças para reposição nas máquinas e equipamentos já registrados no livro de entradas, a fiscalização realizou as glosas, mas não por entender que não se trata de insumos, mas sim porque a Recorrente já havia aproveitado como produtos utilizados como insumos. A Recorrente realiza uma demonstração, nota por nota, fornecedor por fornecedor das partes e peças, demonstrando a utilização destes produtos em máquinas e equipamentos utilizadas no processo produtivo, o que, ao meu ver, demonstra a possibilidade de crédito por se tratar de insumo. A título de exemplo, comenta quais produtos foram comprados e em quais máquinas foram utilizadas e onde se insere no processo produtivo em relação às notas fiscais emitidas por Bosseto Bosseto, Okuma, Mestra, JSL comercial, Festo, BUSAK, dentre outras. Entretanto, não combateu os argumentos da conclusão fiscal de que trais produtos já foram escriturados como insumos e aproveitados, não havendo que se falar em reversão de glosas nesse caso. A mesma conclusão pode ser vista na r. decisão de piso: A autoridade fiscal conta que muitos produtos constantes da listagem já teriam sido apropriados na base de cálculo de créditos não cumulativos por via do registro no Livro de Entrada, sob a rubrica material de consumo e portanto não foram admitidos como formadores de crédito por serviços de manutenção. Esse é um ponto importante para a análise do litígio, na medida em que a autoridade focou seu trabalho sobre os serviços de manutenção, em coerência com o nome que a contribuinte deu à rubrica sobre a qual calculou os créditos. A por essa razão que para uma mesma nota fiscal, a auditoria admite apenas a parcela faturada relativa aos serviços de manutenção e reparos propriamente prestados para fins de apuração de crédito. Veja-se, por exemplo, a nota fiscal de n° 1516, emitida por Basseto & Basseto. A nota consta da listagem de fl. 277, havendo a fiscalização admitido (indicador IND marcado como "s") a apuração de crédito sobre serviços no montante de R$ 3.150,75. Por outro lado, a mesma nota consta da lista à fl. 278, havendo a auditoria negado a inclusão das peças como geradoras de crédito. A vista da própria nota fiscal A fl. 207, elucida de vez a questão, havendo a clara separação entre produtos e serviços. Repita-se que a ação da fiscalização limita-se a negar a apuração de créditos sobre as peças no âmbito da rubrica Serviços de reparo e manutenção, já que algumas peças de reposição tiveram o crédito correspondente devidamente calculado no âmbito da conta material de consumo, via Livro de Entrada. (grifei) Fl. 384DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-008.826 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13837.000216/2005-05 Não há glosas a reverter em relação a esse ponto. Portanto, deve-se reverter as glosas realizadas sobre os serviços de manutenção das máquinas empilhadeiras. CONCLUSÃO Isto posto, voto por conhecer do recurso voluntário para dar parcial provimento, revertendo-se as glosas sobre os serviços de manutenção de empilhadeiras, bem como os gastos na contratação de pessoa jurídica prestadora de serviços de locação de mão-de-obra alocada no processo produtivo. (documento assinado digitalmente) Salvador Cândido Brandão Junior Fl. 385DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10935.723816/2015-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 06 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Nov 16 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2010
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE.
A teor do inciso III do artigo 151 do CTN, as reclamações e os recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
Não há que se falar em cerceamento de defesa quando o contribuinte tem acesso a todas as informações necessárias à compreensão das razões que levaram à autuação, tendo apresentado impugnação e recurso voluntário em que combate os fundamentos do auto de infração.
AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Súmula CARF nº 46.
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PREVIDENCIÁRIA. SÚMULA CARF Nº 148.
No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN (Súmula CARF nº 148).
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. GFIP - GUIA DE RECOLHIMENTO DO FGTS E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL. PREVISÃO LEGAL. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
É cabível, por expressa disposição legal, na forma do art. 32-A da Lei 8.212, de 1991, com redação dada pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, a aplicação da Multa por Atraso na Entrega de Declaração (MAED), relativo a entrega extemporânea da GFIP, sendo legítimo o lançamento de ofício, efetivado pela Administração Tributária, formalizando a exigência. Sendo objetiva a responsabilidade por infração à legislação tributária, correta é a aplicação da multa no caso de transmissão intempestiva. O eventual pagamento da obrigação principal, ou inexistência de prejuízos, não afasta a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE GFIP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
A denúncia espontânea insculpida no art. 138 do CTN não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49), sendo inaplicável à hipótese de infração de caráter puramente formal, que seja totalmente desvinculada do cumprimento da obrigação tributária principal.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE GFIP. FISCALIZAÇÃO ORIENTADORA DESTINADA ÀS MICROEMPRESAS E EMPRESAS DE PEQUENO PORTE. DUPLA VISITA. DESCABIMENTO.
Incabível a aplicação da fiscalização prioritariamente orientadora e do critério da dupla visita, previstos no art. 55 da Lei Complementar nº 123, de 2006, à multa por atraso na entrega da GFIP.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. LEI N. 13.097/2015, ARTS. 48 E 49. NÃO ENQUADRAMENTO NA ANISTIA OU REMISSÃO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA MULTA POR ATRASO. PROJETOS DE LEI DA CÂMARA DOS DEPUTADOS (PL 7.512/2014, PL 4.157/2019) E DO SENADO FEDERAL (PL 96/2018). INAPLICABILIDADE.
Não se aplica o disposto no art. 48 da Lei n.º 13.097, de 2015, para o período de 27 de maio de 2009 a 31 de dezembro de 2013, havendo ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias.
Não se aplica a anistia do art. 49 da Lei n.º 13.097, de 2015, para o período até 20/01/2015, quando a GFIP não é entregue até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega.
Mero Projeto de Lei (PL) que não foi definitivamente aprovado pelo Congresso Nacional e, ainda que eventualmente aprovado, que não foi objeto de sanção pelo Presidente da República, não obriga os particulares, nem a Administração Tributária, que atua com base no princípio da legalidade.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2401-008.026
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar, afastar a prejudicial de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2401-007.995, de 06 de agosto de 2020, prolatado no julgamento do processo 16592.720919/2018-78, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araujo, Rayd Santana Ferreira, Andre Luis Ulrich Pinto (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A teor do inciso III do artigo 151 do CTN, as reclamações e os recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se falar em cerceamento de defesa quando o contribuinte tem acesso a todas as informações necessárias à compreensão das razões que levaram à autuação, tendo apresentado impugnação e recurso voluntário em que combate os fundamentos do auto de infração. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Súmula CARF nº 46. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PREVIDENCIÁRIA. SÚMULA CARF Nº 148. No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN (Súmula CARF nº 148). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. GFIP - GUIA DE RECOLHIMENTO DO FGTS E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL. PREVISÃO LEGAL. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. É cabível, por expressa disposição legal, na forma do art. 32-A da Lei 8.212, de 1991, com redação dada pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, a aplicação da Multa por Atraso na Entrega de Declaração (MAED), relativo a entrega extemporânea da GFIP, sendo legítimo o lançamento de ofício, efetivado pela Administração Tributária, formalizando a exigência. Sendo objetiva a responsabilidade por infração à legislação tributária, correta é a aplicação da multa no caso de transmissão intempestiva. O eventual pagamento da obrigação principal, ou inexistência de prejuízos, não afasta a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE GFIP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. A denúncia espontânea insculpida no art. 138 do CTN não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49), sendo inaplicável à hipótese de infração de caráter puramente formal, que seja totalmente desvinculada do cumprimento da obrigação tributária principal. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE GFIP. FISCALIZAÇÃO ORIENTADORA DESTINADA ÀS MICROEMPRESAS E EMPRESAS DE PEQUENO PORTE. DUPLA VISITA. DESCABIMENTO. Incabível a aplicação da fiscalização prioritariamente orientadora e do critério da dupla visita, previstos no art. 55 da Lei Complementar nº 123, de 2006, à multa por atraso na entrega da GFIP. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. LEI N. 13.097/2015, ARTS. 48 E 49. NÃO ENQUADRAMENTO NA ANISTIA OU REMISSÃO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA MULTA POR ATRASO. PROJETOS DE LEI DA CÂMARA DOS DEPUTADOS (PL 7.512/2014, PL 4.157/2019) E DO SENADO FEDERAL (PL 96/2018). INAPLICABILIDADE. Não se aplica o disposto no art. 48 da Lei n.º 13.097, de 2015, para o período de 27 de maio de 2009 a 31 de dezembro de 2013, havendo ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias. Não se aplica a anistia do art. 49 da Lei n.º 13.097, de 2015, para o período até 20/01/2015, quando a GFIP não é entregue até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. Mero Projeto de Lei (PL) que não foi definitivamente aprovado pelo Congresso Nacional e, ainda que eventualmente aprovado, que não foi objeto de sanção pelo Presidente da República, não obriga os particulares, nem a Administração Tributária, que atua com base no princípio da legalidade. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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A teor do inciso III do artigo 151 do CTN, as reclamações e os recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se falar em cerceamento de defesa quando o contribuinte tem acesso a todas as informações necessárias à compreensão das razões que levaram à autuação, tendo apresentado impugnação e recurso voluntário em que combate os fundamentos do auto de infração. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Súmula CARF nº 46. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA PREVIDENCIÁRIA. SÚMULA CARF Nº 148. No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN (Súmula CARF nº 148). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. GFIP - GUIA DE RECOLHIMENTO DO FGTS E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL. PREVISÃO LEGAL. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. É cabível, por expressa disposição legal, na forma do art. 32-A da Lei 8.212, de 1991, com redação dada pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, a aplicação da Multa por Atraso na Entrega de Declaração (MAED), relativo a entrega extemporânea da GFIP, sendo legítimo o lançamento de ofício, efetivado pela Administração Tributária, formalizando a exigência. Sendo objetiva a responsabilidade por infração à legislação tributária, correta é a aplicação da multa no caso de transmissão intempestiva. O eventual pagamento da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 38 16 /2 01 5- 11 Fl. 43DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-008.026 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.723816/2015-11 obrigação principal, ou inexistência de prejuízos, não afasta a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE GFIP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. A denúncia espontânea insculpida no art. 138 do CTN não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula CARF nº 49), sendo inaplicável à hipótese de infração de caráter puramente formal, que seja totalmente desvinculada do cumprimento da obrigação tributária principal. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE GFIP. FISCALIZAÇÃO ORIENTADORA DESTINADA ÀS MICROEMPRESAS E EMPRESAS DE PEQUENO PORTE. DUPLA VISITA. DESCABIMENTO. Incabível a aplicação da fiscalização prioritariamente orientadora e do critério da dupla visita, previstos no art. 55 da Lei Complementar nº 123, de 2006, à multa por atraso na entrega da GFIP. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. LEI N. 13.097/2015, ARTS. 48 E 49. NÃO ENQUADRAMENTO NA ANISTIA OU REMISSÃO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DA MULTA POR ATRASO. PROJETOS DE LEI DA CÂMARA DOS DEPUTADOS (PL 7.512/2014, PL 4.157/2019) E DO SENADO FEDERAL (PL 96/2018). INAPLICABILIDADE. Não se aplica o disposto no art. 48 da Lei n.º 13.097, de 2015, para o período de 27 de maio de 2009 a 31 de dezembro de 2013, havendo ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias. Não se aplica a anistia do art. 49 da Lei n.º 13.097, de 2015, para o período até 20/01/2015, quando a GFIP não é entregue até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. Mero Projeto de Lei (PL) que não foi definitivamente aprovado pelo Congresso Nacional e, ainda que eventualmente aprovado, que não foi objeto de sanção pelo Presidente da República, não obriga os particulares, nem a Administração Tributária, que atua com base no princípio da legalidade. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar, afastar a prejudicial de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2401-007.995, de 06 de agosto de 2020, prolatado no julgamento do processo 16592.720919/2018-78, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 44DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-008.026 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.723816/2015-11 (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araujo, Rayd Santana Ferreira, Andre Luis Ulrich Pinto (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se o presente processo sobre lançamento, no qual é exigido do contribuinte acima identificado crédito tributário de multa por atraso na entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. O enquadramento legal foi o art. 32-A da Lei 8.212, de 1991, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Ciente do lançamento, a contribuinte ingressou com impugnação alegando, em síntese, o que se segue: a ocorrência de denúncia espontânea, falta de intimação prévia, alteração de critério jurídico, preliminar de decadência, citou jurisprudência, preliminar de nulidade, princípios. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, cujo dispositivo considerou a impugnação improcedente, com a manutenção do crédito tributário exigido. É de se ver os principais fundamentos utilizados pela decisão a quo: 1) No que se refere à decadência, não assiste razão à interessada. Trata-se de lançamento de ofício, devendo-se aplicar o disposto no CTN, art. 173, I. 2) A ação fiscal é procedimento administrativo que antecede o processo administrativo fiscal. Sendo procedimento de natureza inquisitória, a ação fiscal tem por escopo a obtenção dos meios de prova e demais elementos necessários ao lançamento tributário, todos expressos no PAF, art. 9º, e no CTN, art. 142. 3) Nessa fase dita inquisitória, muito embora os limites legais devam ser respeitados, a intimação do contribuinte somente terá lugar se necessária ou oportuna, não cabendo alegar cerceamento do direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório ou devido processo legal. De fato, após a ciência do auto de infração é que o contribuinte poderá exercer o direito de defesa com todas as garantias constitucionais e legais inerentes. 4) As disposições insertas no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, não contrariam o entendimento manifestado acima. Em nenhum momento há imposição de prévia intimação ao lançamento tributário. Apenas nos casos em que a intimação é Fl. 45DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-008.026 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.723816/2015-11 necessária, qual sejam a não apresentação da declaração e a apresentação com erros ou incorreções é que a intimação deve ser realizada. 5) Portanto, a intimação que anteceda a constituição do crédito tributário somente será realizada se necessária, visando suprir o lançamento daqueles elementos previstos em lei e sem os quais ele poderia resultar ineficaz. 6) A impugnante aduziu genericamente a nulidade do lançamento a qual deve ser afastada, uma vez que o auto de infração foi lavrado seguindo as determinações do Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 9º e 10, contendo a infração cometida (atraso na entrega da GFIP), a data limite e a data efetiva de entrega, além do correto enquadramento legal. Para infirmar essa constatação, caberia a ela comprovar eventual entrega no prazo. 7) No que se refere à multa em si, de plano, esclareça-se que o art. 7º, V, da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011, expressamente determina a vinculação do julgador administrativo. A autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitar-se a aplicá-la, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. 8) A exigência da penalidade independe da capacidade financeira ou de existência de danos causados à Fazenda Pública. Ela é exigida em função do descumprimento da obrigação acessória. A possibilidade de ser considerada, na aplicação da lei, a condição pessoal do agente não é admitida no âmbito administrativo, ao qual compete aplicar as normas nos estritos limites de seu conteúdo, sem poder apreciar arguições de cunho pessoal. 9) Sobre a denúncia espontânea, considerando a vinculação do julgador administrativo prevista no art. 7º, V, da Portaria MF nº 341, de 2011, e a Solução de Consulta Interna (SCI) nº 7 – Cosit, de 26 de março de 2014, publicada no sítio da Receita Federal em 28/03/2014, que vincula essa autoridade julgadora. 10) Esclareça-se que o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) a respeito da matéria é o mesmo, já tendo sido, inclusive, objeto de Súmula, que transcrevo: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. 11) Não há que se falar também em alteração de critério jurídico, violação do princípio da segurança jurídica ou do princípio da publicidade. Essa alteração ocorreu já no início de 2009, com a inserção do art.32-A da Lei nº 8.212, de 1991, no arcabouço jurídico pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, alterando a sistemática de aplicação de multas vinculadas à GFIP, em especial com a previsão de aplicação da multa por atraso na entrega de GFIP, até então inexistente. 12) No tocante à alegação de ofensa a princípios constitucionais da sanção pecuniária, afastar multa prevista expressamente em diploma legal sob tal fundamento implicaria declarar a inconstitucionalidade de lei. Ademais os princípios de vedação ao confisco, da proporcionalidade e da razoabilidade, previstos na Constituição Federal (CF), são dirigidos ao legislador de forma a orientar a feitura da lei. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la. 13) No que diz respeito à jurisprudência trazida aos autos, é de se observar o disposto no art. 472 do Código de Processo Civil, que determina que a sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Donde se conclui que, não sendo parte nos litígios objetos dos acórdãos, a interessada não pode usufruir os efeitos das sentenças ali prolatadas, pois os efeitos são inter partis e não erga omnes. Fl. 46DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-008.026 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.723816/2015-11 A contribuinte, por sua vez, inconformada com a decisão prolatada, interpôs Recurso Voluntário, repisando, em grande parte, os argumentos tecidos em sua impugnação. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário interposto. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: 1. Juízo de Admissibilidade. O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. Cabe esclarecer que, a teor do inciso III, do artigo 151, do CTN, as reclamações e os recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. Nesse sentido, enquanto o recorrente tiver a oportunidade de discutir o débito em todas as instâncias administrativas, até decisão final e última, o crédito tributário em questão não deve ser formalizado pela Administração Pública, nos termos do art. 151, III, do CTN. Portanto, neste momento, em razão do recurso tempestivamente apresentado, o presente crédito tributário está com sua exigibilidade suspensa, o que torna desnecessária a solicitação da recorrente neste sentido. 2. Preliminar. A recorrente alega que não foi intimada a prestar esclarecimentos ou apresentar as GFIPs no prazo regulamentar, o que violaria o contraditório e à ampla defesa, ferindo de morte o devido processo legal. Contudo, esclareço que na fase oficiosa, a fiscalização atua com poderes amplos de investigação, tendo liberdade para interpretar os elementos de que dispõe para efetuar o lançamento. O princípio do contraditório é garantido pela fase litigiosa do processo administrativo (fase contenciosa), a qual se inicia com o oferecimento da impugnação. As disposições insertas no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, não contrariam o entendimento manifestado acima. Em nenhum momento há imposição de prévia intimação ao lançamento tributário. Apenas nos casos em que a intimação é necessária, qual sejam a não apresentação da declaração e a apresentação com erros ou incorreções é que a intimação deve ser realizada. Entendo que não houve nos autos em momento algum cerceamento do direito de defesa da recorrente ou violação ao contraditório e ao devido processo legal, tendo em vista Fl. 47DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-008.026 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.723816/2015-11 que lhe foi oportunizado a prática de todos os atos processuais inerentes ao processo administrativo-fiscal, contidos no Decreto no 70.235/1972. O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo o contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo, hipótese que não se verifica in casu. O contraditório é exercido durante o curso do processo administrativo, nas instâncias de julgamento, não tendo sido identificado qualquer hipótese de embaraço ao direito de defesa do recorrente. Ademais, a Súmula CARF nº 46 dispõe no sentido de que “o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018)”. Para além do exposto, entendo que o auto de infração em discussão está em conformidade com o art. 10 do Decreto 70.235/1972 e não violou o art. 59 desta norma. Veja-se: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente arts. 142 do CTN e 10 do Decreto n° 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento. Fl. 48DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-008.026 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.723816/2015-11 Portanto, não há de se falar em nulidade do auto de infração, tendo em vista que este foi devidamente instituído com base no Decreto nº 70.235/1992, bem como foi assegurado à Recorrente o exercício de seu direito à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal, razões pelas quais afasto a preliminar arguida. 3. Prejudicial de Mérito - Decadência. Sobre a alegação acerca da decadência (denominada incorretamente de “prescrição”), cumpre rejeitá-la de plano, eis que, em se tratando de obrigação acessória, o prazo decadencial se rege pelo disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Isso porque, no caso de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo. Em outras palavras, no caso de lançamento de obrigação acessória a regra decadencial a ser aplicada é a do art. 173, I do CTN, uma vez que não há pagamento parcial de multa por obrigação acessória, de modo que não é aplicável a regra decadencial do no art. 150, § 4º, do CTN ou da Súmula CARF n. 99. A propósito, é de se destacar a Súmula CARF nº 148, in verbis: Súmula CARF nº 148 No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. Acórdãos Precedentes: 2401-005.513, 2401-006.063, 9202-006.961, 2402-006.646, 9202-006.503 e 2201-003.715. Assim, tendo a ciência do lançamento ocorrido antes de transcorridos cinco anos, contados a partir de 1° de janeiro do exercício seguinte, não procede a prejudicial de decadência arguida. 4. Mérito. Pois bem. A entrega da Guia de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social - GFIP fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa correspondente a 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, respeitados o percentual máximo de 20% (vinte por cento) e os valores mínimos de R$ 200,00, no caso de declaração sem fato gerador, ou de R$ 500,00, nos demais casos. A propósito, é de se ver a redação do art. 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, que assim estabelece: Art. 32-A.O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentá-la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar-se-á às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] II – de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte Fl. 49DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-008.026 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.723816/2015-11 por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não-apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Cabe destacar que a responsabilidade por infrações à legislação tributária, via de regra, independe da intenção do agente ou do responsável e tampouco da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato comissivo ou omissivo praticado, a teor do preceito contido no art. 136 da Lei n.º 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN). Nesse sentido, a exigência da penalidade independe da capacidade financeira ou de existência de danos causados à Fazenda Pública. Ela é exigida em função do descumprimento da obrigação acessória. A possibilidade de ser considerada, na aplicação da lei, a condição pessoal do agente não é admitida no âmbito administrativo, ao qual compete aplicar as normas nos estritos limites de seu conteúdo, sem poder apreciar arguições de cunho pessoal. Quanto a obrigação de apresentar a declaração em comento a tempo e modo, entendo que não demonstrou o recorrente, de modo objetivo, fato impeditivo, modificativo ou extintivo do dever de cumprir a obrigação instrumental. E, ainda, conforme visto anteriormente, o contribuinte deve cumprir a obrigação acessória de entregar a GFIP no prazo legal sem necessidade de intimação prévia, sob pena de aplicação da multa prevista na legislação (Súmula CARF n° 46). De acordo com o Manual da SEFIP, Versão 8.4 - Capítulo I (Item 11 -Comprovantes de recolhimento do FGTS e prestação das informações ao FGTS e à Previdência Social e 11.2 – Comprovantes para a Previdência Social), a entrega de GFIP/SEFIP para a Previdência Social pode ser comprovada mediante a exibição dos seguintes documentos: a) Protocolo de Envio de Arquivos, emitido pelo Conectividade Social; b) Comprovante de Declaração à Previdência; c) Comprovante/Protocolo de Solicitação de Exclusão. Tais documentos são aqueles que podem ser considerados aptos a comprovar o envio da GFIP no prazo. Portanto, como em relação à(s) GFIP considerada(s) na autuação, a contribuinte não apresentou nenhum desses documentos (que comprovem o envio da declaração no prazo legal), está correta a aplicação de penalidade pelo atraso na entrega da GFIP. Dessa forma, é cabível, por expressa disposição legal, na forma do art. 32-A da Lei 8.212, de 1991, com redação dada pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, a aplicação da Multa por Atraso na Entrega de Declaração (MAED), relativo a entrega extemporânea da GFIP, sendo legítimo o lançamento de ofício, efetivado pela Administração Tributária, formalizando a exigência. Existindo o dever jurídico de adimplir a obrigação de entregar a GFIP, no prazo estabelecido, o seu descumprimento enseja a lavratura de auto de infração, por se tratar de atividade vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Logo, agiu corretamente a autoridade fiscal ao lançar o crédito tributário (art. 142, do Código Tributário Nacional). E, ainda, cabe reforçar que o eventual pagamento da obrigação principal, ou inexistência de prejuízos, não afasta a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP. A exigência da penalidade, tal como prescrita em lei, independe da capacidade financeira ou de existência de danos causados à Fazenda Pública. Trata-se de uma obrigação objetiva que independe de boa-fé ou de alegada adequação à sua imposição. Fl. 50DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2401-008.026 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.723816/2015-11 Destaca-se que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. São obrigações que não se confundem, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Fica evidente, portanto, que o envio da GFIP constitui obrigação distinta do recolhimento de contribuições à Previdência Social por meio de documento de arrecadação – GPS. A recorrente alega, ainda, que a responsabilidade tributária foi excluída pela denúncia espontânea da infração, motivo pelo qual, dever-se-ia observar o art. 138 do CTN, inclusive no presente caso, que se trata de obrigação acessória. Contudo, cabe esclarecer que a denúncia espontânea insculpida no art. 138 do CTN não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, sendo inaplicável à hipótese de infração de caráter puramente formal, que seja totalmente desvinculada do cumprimento da obrigação tributária principal. Trata-se de matéria já sumulada neste Conselho: Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). A recorrente também alega que, por estar enquadrada como Microempresa, amparada pelo Estatuto da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte, faz jus ao benefício previsto no art. 55, da Lei Complementar n° 123/2006, que prevê a fiscalização orientadora, não punitiva, tal como ocorreu no caso em apreço. Além de se tratar de matéria não arguida em sua impugnação, estando, portanto, preclusa, entendo que não lhe assiste razão, eis que o artigo 55, da Lei Complementar n° 123/2006, não se aplica ao processo administrativo fiscal relativo a tributos e, consequentemente não recai sobre multas por descumprimento de obrigação tributária fiscal. Ademais, seu âmbito de aplicação fica restrito às matérias sujeitas a observação das medidas nele previstas, sendo elas as de: aspecto trabalhista; metrológico; sanitário; ambiental; segurança; relações de consumo; e uso e ocupação do solo. Para além do exposto, cabe esclarecer que a Lei nº 13.097, de 2015, conversão da Medida Provisória (MP) nº 656, de 2014, anistiou tão-somente as multas lançadas até sua publicação (20/01/2015) e dispensou sua aplicação para fatos geradores ocorridos até 31/12/2013, no caso de entrega de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. É de se ver: Da Apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP Fl. 51DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2401-008.026 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.723816/2015-11 Art. 48. O disposto no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, deixa de produzir efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 27 de maio de 2009 a 31 de dezembro de 2013, no caso de entrega de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. Art. 50. O disposto nos arts. 48 e 49 não implica restituição ou compensação de quantias pagas. Somente serão beneficiadas com a anistia contida nos artigos 48 e 49 da Lei 13.097/2015, as multas por atraso na entrega de GFIP que atendam aos requisitos instituídos por aquela lei. Veja-se que as condições para o implemento do benefício são: (i) fatos geradores ocorridos no período de 27 de maio de 2009 a 31 de dezembro de 2013; (ii) apenas casos de entrega de GFIP sem movimento (sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária); ou (iii) multas lançadas até a publicação da Lei n° 13.097/2015; e (iv) declarações que tenham sido apresentadas até o último dia útil do mês subsequente ao previsto para a entrega. Não se trata, portanto, da hipótese dos autos, pois o auto de infração denota que houve fato gerador das contribuições, sendo que o lançamento ocorreu após a publicação da Lei n° 13.097/2015. Ademais, a recorrente não comprovou que as GFIP’s foram entregues até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. No que se refere ao Projeto de Lei (PL) n.º 7.512, de 2014, agora tramitando na forma do PL n.º 4.157, de 2019, cabe destacar que ainda não convertido em lei, motivo pelo qual ainda não possui vigência, nem validade. Não há, portanto, motivos que justifiquem a reforma da decisão proferida pela primeira instância que, a meu ver, examinou com proficuidade a questão posta. Por fim, sobre a alegação de que a multa é confiscatória, desarrazoada e desproporcional, oportuno observar que já está sumulado o entendimento segundo o qual falece competência a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Tem-se, pois, que não é da competência funcional do órgão julgador administrativo a apreciação de alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. A declaração de inconstitucionalidade/ilegalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos é prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, outorgada pela própria Constituição Federal, falecendo competência a esta autoridade julgadora, salvo nas hipóteses expressamente excepcionadas no parágrafo primeiro do art. 62 do Anexo II, do RICARF, bem como no art. 26-A, do Decreto n° 70.235/72, não sendo essa a situação em questão. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para rejeitar a preliminar, afastar a prejudicial de decadência e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. Fl. 52DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2401-008.026 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10935.723816/2015-11 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar, afastar a prejudicial de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente Redatora Fl. 53DF CARF MF Documento nato-digital
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