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Numero do processo: 10930.002524/2004-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003CRÉDITO. INSUMOS EMPREGADOS NA PRODUÇÃO.Somente geram crédito de PIS os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais.CRÉDITO. MÃO DE OBRA. TRABALHADOR AVULSO. SINDICATO. CONTRATAÇÃO.Não geram crédito de PIS os dispêndios realizados com mão-de-obra avulsa, mesmo tendo sido o trabalho contratado com a intermediação de sindicato da categoria profissional, com o pagamento realizado ao sindicato para repasse aos trabalhadores.RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA.Por falta de previsão legal, é incabível a incidência de juros pela taxa Selic sobre os valores recebidos a título de ressarcimento de créditos de PIS na exportação.CONSTITUCIONALIDADE. LEIS.Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente.Recurso Voluntário Negado.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 3302-000.855
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Andréa Medrado Darzé, que reconheciam o direito ao crédito sobre as despesas com equipamentos de proteção individual.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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INSUMOS EMPREGADOS NA PRODUÇÃO. Somente geram crédito de PIS os dispêndios realizados com bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, observado as ressalvas legais. CRÉDITO. MÃODEOBRA. TRABALHADOR AVULSO. SINDICATO. CONTRATAÇÃO. Não geram crédito de PIS os dispêndios realizados com mãodeobra avulsa, mesmo tendo sido o trabalho contratado com a intermediação de sindicato da categoria profissional, com o pagamento realizado ao sindicato para repasse aos trabalhadores. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Por falta de previsão legal, é incabível a incidência de juros pela taxa Selic sobre os valores recebidos a título de ressarcimento de créditos de PIS na exportação. CONSTITUCIONALIDADE. LEIS. Não cabe à autoridade administrativa julgar os atos legais quanto ao aspecto de sua constitucionalidade por transbordar os limites de sua competência. Á ela cabe dar cumprimento ao ordenamento jurídico vigente. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Gileno Gurjão Barreto, Alexandre Gomes e Andréa Medrado Darzé, que reconheciam o direito ao crédito sobre as despesas com equipamentos de proteção individual. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator EDITADO EM: 02/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Andréa Medrado Darzé, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep Mercado Externo (fl. 01), protocolizado em 30/07/2004, relativo ao 3º trimestre/2003, apurado no regime de incidência nãocumulativa, com fundamento na Lei n° 10.637/2002. Posteriormente, a recorrente apresentou declarações de compensação vinculadas ao seu pedido de ressarcimento. A DRF em Londrina/PR, por meio do Despacho Decisório de fl. 345, deferiu parcialmente o pedido da recorrente, tendo efetuado a glosa de créditos concernentes aos custos/despesas com serviços relacionados às fls. 325/326 e aos pagamentos feitos a Sindicato de Trabalhadores e considerou, para efeitos de base de cálculo da contribuição, receitas financeiras não computadas pela recorrente. Ciente da decisão, a empresa interessada ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 356/379, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, que leio em sessão. A 3a Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba PR indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 0620.174, de 03/12/2008, cuja ementa abaixo transcrevo: BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. No cálculo do PIS, o sujeito passivo poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. PIS NÃOCUMULATIVA. DESPESAS COM MÃODEOBRA PESSOA FÍSICA. RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. •No sistema de nãocumulatividade, não geram créditos passíveis de desconto do PIS, as despesas com mãodeobra Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.002524/200420 Acórdão n.º 330200.855 S3C3T2 Fl. 473 3 pessoa física, ainda que pagas por meio de sindicato da categoria, por força da • legislação. TRIBUTAÇÃO. RECEITAS FINANCEIRAS. A contribuição para o PIS incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. As exclusões permitidas da base de cálculo são apenas as listadas de forma taxativa na legislação de regência. RESSARCIMENTO. JUROS EQUIVALENTES A TAXA SELIC. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível a incidência de juros compensatórios com base na taxa SELIC sobre valores recebidos a título de ressarcimento de créditos relativos ao PIS, por falta de previsão legal. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 09/02/2009, conforme AR de fl. 430, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 04/03/2009, com o recurso voluntário de fls. 431/457, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade, que abaixo resumo no essencial. 1 insumo é uma combinação dos fatores de produção (matériasprimas, horas trabalhadas, energia consumida, taxa de amortização, etc.) que entram na produção de determinada quantidade de bens ou serviço. Portanto, o conceito de insumo alcança tudo aquilo que é consumido em um processo, seja para fabricação de bens ou prestação de serviços e/ou aquilo que é utilizado pela empresa para desenvolver e atingir o seu objetivo social. Por este conceito, são dispêndios financeiros (gastos) com insumos os gastos realizados com a aquisição dos seguintes bens e serviços: Alimentação; Cesta Básica; Vale Transporte; Assistência Médica/Odontológica; Uniforme e Vestuário; Equipamento de Proteção Individual; Materiais de Manutenção/Conservação; Materiais Químicos e de Laboratórios; Materiais de Limpeza; Materiais de Expediente; Lubrificantes e Combustíveis; Outros Materiais de Consumo; Serviço Temporário; Serviços de Segurança e Vigilância; Serviços de Conservação e Limpeza; Serviços de Manutenção e Reparos; Outros Serviços de Terceiros; Exportação e Gastos Gerais. 2 A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina/PR reconhece o direito ao crédito da contribuição ao PIS/Pasep sobre os valores dos custos/despesas das seguintes rubricas: Materiais de manutenção, serviços de industrialização, serviços de manutenção, combustíveis e lubrificantes; 3 Discorre sobre a natureza jurídica dos sindicatos, alega que não contratou mãodeobra de pessoa física e, com relação aos serviços prestados pelo Sindicato dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias em Geral, alega que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Londrina/PR alterou o seu posicionamento para o fim de validar e legitimar os créditos da contribuição ao PIS/Pasep sobre os valores dos pagamentos efetuados ao referido sindicato, conforme transcrição abaixo (Processo Administrativo n° 16366.003268/200779 PIS Nãocumulativo do 2° TR/2007 fls. 363): b.3) Serviço temporário Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Constatei ainda que em relação ao item "Serviço Temporário", os dispêndios também contemplam insumos cuja aplicação foi feita diretamente na fabricação de produtos destinados à venda, e pagos para pessoas jurídicas estabelecidas no país. Cabe salientar, a título de ilustração e para estabelecer diferenciação dos serviços mencionados nos itens 1 a 15, que os pagamentos relativos ao item "serviço temporário" foram feitos para outra empresa proceder, mediante cessão de sua mãodeobra, serviços que implicam no manuseio direto da matériaprima (café) utilizado pela empresa requerente em seu parque industrial. (grifei) 4 é ilegal a inclusão de receitas financeiras na base de cálculo do PIS porque o disposto no artigo 3°, §1º da Lei nº 9.718/98 extrapolou o conceito de faturamento previsto na legislação societária, contábil e fiscal. Discorre sobre o conceito de receita; 5 não prospera a alegação da decisão recorrida de que as receitas financeiras integram a base de cálculo da contribuição social ao PIS em razão da Lei nº 10.637/2002 porque a EC nº 20/2003 acabou por determinar que a legislação infraconstitucional definirá os setores de atividade econômica para os quais a contribuição ao PIS será nãocumulativa. É, portanto, ilegal e inconstitucional a exigência do PIS sobre as receitas financeiras; 6 sobre a forma de apuração da receita decorrente de contratos de renda fixa e renda variável, a recorrente entende que os ajustes diários são marcações diárias dos ativos financeiros e devem ser calculados na forma que exemplifica, apurados no mês, considerando as perdas e os pagamentos efetuados pela outra parte contratante; 7 o valor a ressarcir deve ser atualizado pela Taxa Selic, conforme previsto no art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95. Cita decisão da CSRF sobre aplicação da taxa Selic no ressarcimento de crédito presumido de IPI (art. 1º da lei nº 9.363/96); Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o relatório do essencial Voto Conselheiro Walber José da Silva O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente está pleiteando o ressarcimento de PIS não cumulativo, cujo crédito pleiteado foi aproveitado para efetuar a compensação com débitos também da recorrente, devidamente declarados à RFB. A RFB deferiu parte do crédito pleiteado por ter efetuado a glosa de créditos sobre despesas que não se enquadram no conceito de insumo e/ou que não existe previsão legal, além de incluir receita financeiras na base de cálculo da exação. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.002524/200420 Acórdão n.º 330200.855 S3C3T2 Fl. 474 5 Com relação aos créditos, a RFB efetuou a glosa em relação aos seguintes gastos da recorrente: 1. Alimentação; 2. Cesta básica; 3. Vale transporte; 4. Assistência médica/odontológica; 5. Uniforme e vestuário; 6. Equipamento de proteção individual; 7. Matérias de manutenção/conservação; 8. Materiais químicos e de laboratórios; 9. Materiais de limpeza; 10.Materiais de expediente; 11.Lubrificantes e combustíveis; (exceto os utilizados na indústria) 12.Outros materiais de consumo; 13.Serviço temporário, contratado com sindicato; 14.Serviços de segurança e vigilância; 15.Serviços de conservação e limpeza; 16.Serviços de manutenção e reparos; 17.Outros serviços de terceiros; 18.Exportação; 19.Gastos gerais. Adoto integralmente os fundamentos da decisão recorrida quando à legitimidade das glosas efetuadas pela RFB, aos quais acrescento os argumentos abaixo. Em sua defesa, a recorrente parte de um equivocado conceito de insumo, tanto do ponto de vista fiscal, como econômico ou fabril. Em termos fiscais, a Lei nº 10.637/2002, em seu artigo 3º, afirma que o contribuinte poderá descontar créditos calculados em relação a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”. Não precisa muito esforço de hermenêutica jurídica para concluir que equivocase a recorrente quando afirma que insumo é tudo “aquilo que é utilizado pela empresa para desenvolver e atingir o seu objetivo social”. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Como bem disse a decisão recorrida, os insumos são consumidos ou aplicados diretamente na produção ou fabricação de bens e produtos. Os outros dispêndios não relacionados diretamente com a produção dos bens são custos indiretos e somente geram direito a crédito se houver expressa previsão legal. Nesse passo, as despesas realizadas com os bens e serviços acima listados não geram direito a crédito ou por não se constituírem em insumo ou por existir expressa vedação legal, quando forem insumos, como é o caso de mãodeobra adquirida de pessoa física, inclusive via sindicato de trabalhadores. Esclareçase que não foi realizado glosa de gastos com materiais de manutenção de máquinas industriais, com serviços de industrialização prestado por pessoa jurídica, com serviços de manutenção de máquinas industriais prestado por pessoa jurídica e com combustíveis e lubrificantes utilizados no processo produtivo. Portanto, não há que se falar em mudança de entendimento da DRF Londrina. Sobre os gastos com serviços temporários, realizados via sindicato de trabalhadores, enganas e a recorrente quando afirma que a DRF Londrina admite o crédito para tais gastos. Os gastos admitidos pela DRF em Londrina, a que se refere o processo nº 16366.003268/200779, foram feitos para outra empresa, pela cessão de sua mãodeobra, e não a sindicato, pela contratação da mãodeobra de seus filiados. Quanto à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo do PIS, não conheço dos argumentos da recorrente sobre a ilegalidade e inconstitucionalidade da Lei nº 10.637/02, por força do que dispõe a Súmula CARF nº 2, abaixo reproduzida. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto à forma de contabilização e apuração da receita financeira incluída na base de cálculo do PIS, também não vejo reparos a fazer na decisão recorrida, cujos fundamentos adoto. De fato, o procedimento adotado pela recorrente, abaixo descrito pela autoridade da RFB, teve como conseqüência a não tributação da receita financeira no valor de R$ 486.825,00, corretamente incluído na base de cálculo pela RFB. Em relação às receitas acima verifiquei que a empresa requerente contabiliza, incorretamente, tanto os ganhos/rendimentos quanto os prejuízos/perdas na mesma conta contábil, conforme razão contábil às fls. 311 a 319 e balancetes contábeis (fls. 43, 63, 83 e 84). Assim, por exemplo, a conta " Rendimentos de Mercado Futuro" (fis. 313 a 317) registra valores positivos (ganhos) e também valores negativos (perdas). Percebese pelo razão que tais valores (negativos) não se constituem em estornos (que seriam registros devedores) e sim que a requerente realmente escritura tanto os ganhos quanto as perdas na mesma conta. Quando efetua algum estorno (fls. 318/319), o lançamento espelha esta situação. [...] Assim, novamente no exemplo mencionado anteriormente, a requerente registrou a crédito da conta 85101010 — Fl. 6DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10930.002524/200420 Acórdão n.º 330200.855 S3C3T2 Fl. 475 7 Rendimentos de Mercado Futuro, no mês de julho de 2003, o valor de R$ 486.825,00. Registrou a débito, o mesmo valor de R$ 486.825,00 como perda com a referida aplicação (fls. 314/315). Em 31.07.2003 registrou a transferência (crédito) do valor de R$ 39.679,00 para a conta de perdas de mercado futuro. Desta forma o valor registrado a débito, não transferido, foi diminuído do valor oferecido à tributação pela requerente, que no mês em questão foi reduzido a zero (fls.43,125 e315). Portanto, para efeitos da legislação comercial, a requerente deveria registrar apenas o valor dos rendimentos na conta 85101010 (R$ 486.825,00) e o valor de R$ 526.504,00 na conta 85203003. Ao agir da forma acima, a requerente não ofereceu à tributação da contribuição para o PIS o valor de R$ 486.825,00. Por fim, pretende a recorrente que incida a taxa Selic no valor do ressarcimento pleiteado, pelos fundamentos que cita. Ratifico o entendimento da decisão recorrida de que não há previsão legal para a incidência da taxa Selic no ressarcimento e que este instituto não se confunde com a restituição. O ressarcimento em tela é uma modalidade de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep (art. 5º, § 2º, da Lei nº 10.637/02), ao passo que a restituição, prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional (CTN), é a devolução, ao contribuinte (de direito) de valores referentes a tributos ou contribuições pagos indevidamente ou a maior que os valores devidos, pelo sujeito passivo, ou seja, de receita que ingressou nos cofres da Fazenda Nacional e que não lhe pertencia de direito. Ambos são despesa pública e, como tal, a sua realização deve obedecer aos estritos limites da lei, independente do tipo de dispêndio. No mais, com fulcro no art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991, adoto e ratifico os fundamentos do acórdão de primeira instância. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 8 Fl. 8DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 02/03/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10435.720146/2006-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
NORMAS PROCEDIMENTAIS.
Em obediência a norma veiculada pelo art. 62 do Regimento Interno do CARF, e conforme o seu enunciado sumular n.º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3102-001.095
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
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Em obediência a norma veiculada pelo art. 62 do Regimento Interno do CARF, e conforme o seu enunciado sumular n.º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente. (assinado digitalmente) LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Paulo Celani, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Fl. 180DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 02 /03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por LUCIANO PONTES D E MAYA GOMES 2 Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte epigrafado contra o Acórdão n.º 11 25.302, da 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Recife/PE, que entendeu pela manutenção das glosas dos créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins não cumulativa proposta pelo despacho decisório. Antes que nos debrucemos sobre as razões recursais, é conveniente que previamente revisitemos os atos e fases processuais já vencidas, pelo que passamos a reproduzir o relato empreendido pela DRJ por este assim retratálas com fidelidade: 1. Cuida o presente processo de Pedido de Restituição/Compensação, PER/DCOMP n° 15592.24352.140606.1.1.099615 (fls. 01/04), de 14/06/2006, visando o Ressarcimento de crédito da Cofins não — cumulativa Exportação, relativo ao 2° trimestre de 2005, no valor de R$ 239.284,59 (duzentos e trinta e nove mil, duzentos e oitenta e quatro reais e cinquenta e nove centavos). 2. O Despacho Decisório n° 514 de 10.10.2007 (fl. 73) do Delegado da Receita Federal do Brasil em Caruaru/PE, com fulcro em Parecer Fiscal (fls. 68/72), decidiu DEFERIR PARCIALMENTE o PER/DCOMP n° 15592.24352.140606.1.1.099615, no valor de R$ 215.938,51 (duzentos e quinze mil, novecentos e trinta e oito reais e cinquenta e um centavos). 3. Cientificada de tal decisão, em 26/09/2008 (fl. 78), a contribuinte, por intermédio de seu representante legal, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 81/87), de 28/10/2008, em que contesta o decisum sob os seguintes argumentos: 3.1. a contribuinte é pessoa jurídica de direito privado, pertencente ao sistema agroindustrial de bovinocultura de corte, tendo por objeto social a industrialização e a comercialização de couros e peles; 3.2. para atingir seus objetivos, adquire o seu principal insumo — couro — diretamente de pessoas fisicas, em percentual bem próximo da integralidade das aquisições. Em tal contexto, as Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 trazem a instituição da sistemática do PIS/Cofins não — cumulativos, as quais permitem que a base de cálculo de tais contribuições seja reduzida em virtude dos créditos sobre insumos, custos e despesas incorridos ou pagos à pessoa jurídica domiciliada no país; 3.3. entretanto, o art. 3°, § 3°, inciso I, das referidas leis ao dispor que darão direito de crédito apenas aos bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no país, restou por vedar, expressamente, o creditamento da Cofins e PIS nas aquisições de produtos de pessoas fisicas; 3.4. ocorre que dita vedação ao direito de crédito não está em conformidade com a Constituição Federal, que atribui às contribuições PIS/Cofins o princípio da não — cumulatividade, que, na hipótese estabelecida no nível constitucional, não Fl. 181DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 02 /03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por LUCIANO PONTES D E MAYA GOMES Processo nº 10435.720146/200612 Acórdão n.º 110101.095 S1C1T1 Fl. 177 3 permite que haja restrições ao direito de abatimento, senão as previstas no texto constitucional; 3.5. tal afirmativa não se trata de mero exercício de argumentação, porquanto a Emenda Constitucional n° 42/2003, quando criou o sistema de não — cumulatividade para as contribuições incidentes sobre faturamento e receita bruta, permite, tão — somente, que a lei infraconstitucional apenas defina os setores para os quais será aplicado tal princípio; 3.6. ou seja, a norma infraconstitucional pode apenas definir quais grupos de contribuintes estão sujeitos à não — cumulatividade, não podendo restringir o direito de crédito decorrente de tal princípio; 3.7. não se pode admitir o provável argumento de que a CF tornou a nãocumulatividade das contribuições PIS/Cofins um instrumento de escopo extrafiscal, bastando proceder a leitura do art. 195, § 12 da CF; 3.8. se o legislador constituinte nada dispôs a respeito de limitações à não —cumulatividade estabelecida para essas contribuições, não pode o legislador infraconstitucional fazêlo sem qualquer autorização para tanto. Ao contribuinte é assegurada a não — cumulatividade plena, vedada qualquer limitação, não podendo a novel legislação beneficiar poucos segmentos econômicos em detrimento de outros, em clara ofensa a inúmeros princípios, em especial o da isonomia tributária; 3.9. reitera que o § 12 do artigo 195, da Constituição Federal não previu hipóteses de restrição de crédito quanto a insumos ou bens adquiridos de pessoas fisicas, não podendo as leis n° 10.637/02 e 10.833/03 assim prever, restringindo o alcance da norma constitucional, razão pela qual a vedação de crédito nesta hipótese tornase manifestamente inconstitucional; 3.10. os produtores rurais, pessoas fisicas, adquirem diversos insumos para obter o couro, todos sujeitos à incidência de PIS/Cofins, os quais evidentemente oneram os custos dos produtores pessoas fisicas, sem poder ser transferido aos adquirentes do couro, logo, não havendo a possibilidade de crédito na espécie, está sendo violado, novamente, o princípio da não —cumulatividade, instituído pela Emenda Constitucional n° 42/03, o qual deve ser observado em todas as etapas do processo produtivo; 3.11. se for eliminada a possibilidade de aproveitamento, estar seia anulando o sistema não — cumulativo, pois o setor agroindustrial de curtume suportaria maior ônus tributário, pela absorção de grande de seus créditos de PIS e Cofins; 3.12. requer a reconsideração do Despacho Decisório e o deferimento da totalidade do pedido de ressarcimento.. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 02 /03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por LUCIANO PONTES D E MAYA GOMES 4 Ao apreciar o feito, a DRJ de Recife/PE, como já enunciamos outrora, entendeu pela manutenção das glosas iniciais, assim se posicionando em relação aos argumentos do contribuinte: no que se refere as argüições de que as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 teriam extrapolado suas competências ao vedar, sem que a Constituição Federal assim o fizesse ou outorgasse poderes a tanto, a tomada de créditos sobre as aquisições de pessoas físicas, deixou de se manifestar suscitando limitação regimental à análise quanto a constitucionalidade de leis e atos normativos; que o contribuinte não se enquadraria na hipótese do §5o, do art. 3o, da Lei n.º 10.833/2003, que assegura crédito presumido sobre aquisições de pessoas físicas àquelas empresas produtoras de bens destinados à alimentação humana ou animal. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou oportuno recurso voluntário, pelo qual nada inova além dos argumentos já trazidos perante a instância a quo. É o que interessa ao julgamento. Voto Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes, relator Presentes os requisitos formais de admissibilidade recursal, passo ao respectivo exame. Da análise detida da peça recursal do contribuinte fica claro que toda a sua argumentação está no sentido de que a legislação de regência da Cofins não cumulativa, no caso, a Lei n.º 10.833/2003, ao vedar o crédito sobre as aquisições empreendidas às pessoas físicas, teria ido de encontro ao sentido da não cumulatividade da contribuição desenhada no texto constitucional. Enfim, o acatamento da pretensão do recorrente perpassaria necessariamente pelo afastamento da regra do art. 3o, §3o, inciso I, da Lei n.º 10.833/2003 sob o pálio de sêla inconstitucional, o que é vedado ao CARF por limitações regimentais, ex vi do art. 62 do seu Regimento Interno: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. O tema também merece enunciado sumular, assim vazado: Súmula n.º 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Da análise infraconstitucional do tema, não resta dúvidas que outra interpretação não merece ser extraída do art. 3o, §3o, inciso I, da Lei n.º 10.833/2003, senão a de que apenas as aquisições de pessoas jurídicas ensejarão o direito ao crédito. Por consectário, as aquisições de pessoas físicas estariam vedadas. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 02 /03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por LUCIANO PONTES D E MAYA GOMES Processo nº 10435.720146/200612 Acórdão n.º 110101.095 S1C1T1 Fl. 178 5 Chamese a atenção de que o legislador criou exceções a esta regra geral, quando pelo §5o do mesmo artigo 3o acima citado assegurou crédito presumido sobre as aquisições de pessoas físicas ao produtor de bens de origem animal ou vegetal destinados à alimentação humana ou animal, em clara demonstração de que quando pretendeu o legislador conferir o crédito na hipótese versada o fez. Isto posto, nego provimento ao presente recurso voluntário em prestígio à Súmula n º 2 do CARF. (assinado digitalmente) LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES Relator Fl. 184DF CARF MF Impresso em 17/04/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2012 por LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES, Assinado digitalmente em 02 /03/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 24/01/2012 por LUCIANO PONTES D E MAYA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10315.000781/2003-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/12/1998 a 31/03/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE.
Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa
incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade
incompetente ou com preterição do direito de defesa.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
Não demonstrada uma das hipóteses discriminadas nos incisos do § 4° do
artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, consideramse
preclusas, não se tomando
conhecimento, as alegações e as provas apresentadas após o prazo de
impugnação.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPETÊNCIA DO CARF.
Não cabe ao Conselho Administrativo Fiscal tomar conhecimento de matéria
alheia a lide administrativa.
COFINS. VENDAS A EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS.
ISENÇÃO. REQUISITOS.
Na venda a empresas comerciais exportadoras, com o fim específico de
exportação, os produtos devem ser remetidos diretamente para embarque de
exportação ou para recintos alfandegados. A possível exportação dos
produtos não supre o descumprimento dessas condições.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-00.957
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Alexandre
Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Fabiola Cassiano Keramidas acompanharam o relator pelas
conclusões.
Nome do relator: ALAN FIALHO GANDRA
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/1998 a 31/03/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. Não demonstrada uma das hipóteses discriminadas nos incisos do § 4° do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, consideramse preclusas, não se tomando conhecimento, as alegações e as provas apresentadas após o prazo de impugnação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPETÊNCIA DO CARF. Não cabe ao Conselho Administrativo Fiscal tomar conhecimento de matéria alheia a lide administrativa. COFINS. VENDAS A EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS. ISENÇÃO. REQUISITOS. Na venda a empresas comerciais exportadoras, com o fim específico de exportação, os produtos devem ser remetidos diretamente para embarque de exportação ou para recintos alfandegados. A possível exportação dos produtos não supre o descumprimento dessas condições. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Fabiola Cassiano Keramidas acompanharam o relator pelas conclusões.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1767; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10315.000781/200301 Recurso nº 865.622 Voluntário Acórdão nº 330200.957 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de maio de 2011 Matéria COFINS Recorrente SINGER DO NORDESTE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/1998 a 31/03/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. Não demonstrada uma das hipóteses discriminadas nos incisos do § 4° do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, consideramse preclusas, não se tomando conhecimento, as alegações e as provas apresentadas após o prazo de impugnação. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPETÊNCIA DO CARF. Não cabe ao Conselho Administrativo Fiscal tomar conhecimento de matéria alheia a lide administrativa. COFINS. VENDAS A EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS. ISENÇÃO. REQUISITOS. Na venda a empresas comerciais exportadoras, com o fim específico de exportação, os produtos devem ser remetidos diretamente para embarque de exportação ou para recintos alfandegados. A possível exportação dos produtos não supre o descumprimento dessas condições. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 210DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 03/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 03/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Fabiola Cassiano Keramidas acompanharam o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator. EDITADO EM: 03/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 1.408 e ss.) contra acórdão da DRJ/FortalezaCE (fls. 1.381 e ss.), que, relativamente a auto de infração de COFINS, negou provimento à impugnação da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: “EXPORTAÇÃO. VENDAS A EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS. ISENÇÃO. Consideramse vendidos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. A possível ocorrência de exportação dos produtos não supre o descumprimento dessas condições. PEDIDO PARA JUNTADA ULTERIOR DE PROVA DOCUMENTAL. INEXISTÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. A prova documental deverá ser apresentada no momento da impugnação, sob pena de preclusão desse direito, salvo se demonstrada uma das hipóteses discriminadas nos incisos do § 4° do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, condições as quais não foram demonstradas pelo sujeito passivo. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido”. Cientificada do acórdão, a interessada insurgese contra seus termos interpondo recurso voluntário a este Eg. Conselho, sustentando, em suma: i) nulidade da Fl. 211DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 03/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 03/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10315.000781/200301 Acórdão n.º 330200.957 S3C3T2 Fl. 2 3 decisão da DRJ por contrariar o princípio do contraditório e ampla defesa, vez que não foram apreciadas provas documentais apresentadas no curso do processo (após a impugnação); ii) nulidade do auto de infração por ausência de fundamentos fáticos e documental suficientes para embasálo; iii) que as vendas de mercadorias com o fim específico de exportação a empresa comercial exportadora são isentas de COFINS e iv) que deve ser cancelada a aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício, indicada na intimação da decisão de primeira instância, pela ausência de previsão legal expressa. O processo foi distribuído a este relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Alan Fialho Gandra, Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Preliminar de Nulidade A Recorrente afirma que a decisão da DRJ deve ser considerada nula por contrariar o princípio do contraditório e ampla defesa, vez que não foram apreciadas provas documentais apresentadas no curso do processo. Afirma, também, que o auto de infração não tem fundamentos fáticos e documental suficientes para embasálo e, por isso, deve ser considerado nulo. No tocante a alegação de inobservância do princípio do contraditório e ampla defesa, entendo que não há que se falar em nulidade visto que a decisão recorrida adotou o princípio da preclusão, insculpido no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/721 (Processo Administrativo Fiscal – PAF). Ademais, a demanda de diligência, originada pela própria turma julgadora de primeira instância, tem como principal foco esclarecer se as vendas foram (ou não) a empresas comerciais exportadoras, com o fim específico de exportação. Na consecução do seu fim, a diligência, consubstanciada no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.324 e ss.), analisou os documentos relacionados às operações em tela, portanto não procede a alegação de cerceamento do direito de defesa. 1 Art. 16 (...) §4° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (incluído pela Lei 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas. Fl. 212DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 03/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 03/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 4 Quanto a afirmação de que o auto de infração não tem fundamentos fáticos e documental suficientes para embasálo e, por isso, deve ser anulado, para melhor contextualizar, vejamos o que sustenta a Recorrente, em seu recurso voluntário, na íntegra: “13. Com efeito, antes de proferirem a decisão ora recorrida, as autoridades julgadoras de primeira instância determinaram que o processo fosse baixado em diligência, com base na seguinte afirmação: "destarte, considerando as alegações do contribuinte na impugnação, e ante à falta de elementos de prova suficientes para formar a convicção do julgador, deve o presente processo ser encaminhado à Delegacia da Receita Federal em Juazeiro do Norte (CE) para que seja realizada diligência com o objetivo de verificar se as receitas auferidas pelo contribuinte, e que ensejaram a lavratura do auto de infração, se enquadram ou não nas hipóteses elencadas no artigo 14 da Medida Provisória n. 2.15835/2001". 14. O auto de infração não havia, portanto, conforme reconhecido pelas próprias autoridades julgadoras, reunido elementos suficientes de prova para fundamentálo adequadamente. Esclareçase que a diligência não teve por objeto questões secundárias ou pontuais, mas sim a própria existência do fato gerador tributável. De fato, como fica claro da leitura da decisão que determinou a diligência em questão, o auto de infração não logrou comprovar adequadamente que as vendas realizadas pela Recorrente não haviam sido feitas a uma comercial exportadora com o fim específico de exportação. 15. Ora, em vista da ausência de suporte fático e documental adequado para sustentar a sua acusação, como reconhecido pelas próprias autoridades julgadoras, que tiveram de determinar a realização de diligência para busca de provas que pudessem de fato suportar a autuação contra o contribuinte, é evidente que o auto de infração em questão deve ser declarado nulo. De fato, não é possível suprir posteriormente, no curso do processo, deficiência dessa natureza. Se, quando da lavratura do auto de infração, o agente fiscal não foi capaz de reunir elementos de prova suficiente, não é possível que posteriormente o faça, pois o momento processual adequado para o agente fiscal reunir as provas porventura existentes contra o contribuinte antecede a lavratura do auto de infração e se esgota com a autuação. 16. Até mesmo porque tal situação fere o próprio direito de ampla defesa e contraditório do contribuinte, bem como o princípio do devido processo legal. 17. Assim, ante a ausência de embasamento adequado da autuação, conforme reconhecido pelas próprias autoridades julgadoras, há que se declarar nulo o auto de infração ora lavrado”. Em que pese a turma julgadora ter determinado a diligência para verificar se as receitas auferidas pelo contribuinte se enquadram ou não nas hipóteses de isenção, entendo que tal fato não implica dizer que o auto de infração estava desprovido de suporte fático e documental, eis que está perfeitamente composto. A propósito, vejamos o que dispõe o art. 10 do Decreto n.° 70.235, de 1972: Fl. 213DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 03/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 03/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10315.000781/200301 Acórdão n.º 330200.957 S3C3T2 Fl. 3 5 "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente:" I qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 (trinta) dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o numero de matrícula." Da observação das peças que compõem o auto de infração verificase que estão de acordo com o dispositivo transcrito, havendo suficiente descrição da motivação do lançamento, estando perfeitamente fundamentado. Ademais, mesmo que o auto de infração estivesse eivado desse vício a diligência supriu a suposta lacuna pois, para consecução do seu fim, reanalisou o acervo documental pertinente, conforme se percebe no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.324 e ss.). Devese, também, atentar para o que dispõem os arts. 59 e 60 do Decreto n° 70.235/72, quanto a nulidade, verbis: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." (Grifouse) Como se vê, de acordo com o art. 59, I, transcrito, só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração que se insere na categoria de ato ou termo , quando esse auto for lavrado por pessoa incompetente (art. 59, I). A nulidade por preterição do direito de defesa, como se infere do art. 59, II, transcrito, somente pode ser declarada quando o cerceamento está relacionado aos despachos e às decisões, ou seja, somente pode ocorrer em • uma fase posterior à lavratura do auto de infração. Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa. Caso não influam na solução do litígio, também prescindirão de saneamento (art. 60 do Decreto n° 70.235/72). Fl. 214DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 03/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 03/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 6 Portanto as preliminares suscitadas pela Recorrente não ensejam nulidade. Isenção do PIS e COFINS sobre as vendas de mercadorias com o fim específico de exportação a empresa comercial exportadora A exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da contribuição para o PIS fora prevista no art. 5º da Lei nº 7.714, de 29 de dezembro de 1988, que com a redação dada pela Lei 9.004, de 16 de março de 1995, assim dispunha: Art. 5º Para efeito de determinação da base de cálculo das contribuições para o Programa de Integração Social PIS e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PASEP, instituídas pelas Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, e 8, de 3 de dezembro de 1970, respectivamente, o valor da receita de exportação de mercadorias nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. (Revogado pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001). § 1º Serão consideradas exportadas, para efeito do disposto no caput deste artigo, as mercadorias vendidas a empresa comercial exportadora, de que trata o art. 1º do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972. (Revogado pela Medida Provisória nº 215835, de 2001). Em relação à Cofins, a exclusão das receitas de exportação fora prevista pela Lei Complementar nº 70, de 1991, que no seu artigo 7º, III e IV, com redação dada pela Lei Complementar nº 85/96, assim dispunha: Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes:(Revogado pela Medida Provisória nº 1.8586, de 29/06/99, cuja última reedição foi a MP nº 2.15835, de 24/08/01) III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; (Revogado pela Medida Provisória nº 1.8586, de 29/06/99, cuja última reedição foi a MP nº 2.15835, de 24/08/01 IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; (Revogado pela Medida Provisória nº 1.8586, de 29/06/99, cuja última reedição foi a MP nº 2.15835, de 24/08/01 O art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, assim dispõe: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei nº 1.248, de Fl. 215DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 03/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 03/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10315.000781/200301 Acórdão n.º 330200.957 S3C3T2 Fl. 4 7 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. A MP nº 1.8586, de 1999, foi sucessivamente reeditada, tendo sua última reedição o nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. O Decretolei nº 1.248, de 1972, trata das empresas comerciais exportadoras conhecidas como Trading Companies. Por força desse Decretolei, são condições básicas para configurar uma Trading Company a constituição sob a forma de sociedade por ações, capital mínimo fixado pelo Conselho Monetário Nacional e certificado de registro especial concedido pela Secex em conjunto com a Secretaria da Receita Federal – SRF. A diferença básica entre esse tipo de empresa (Trading Company) e as demais empresas comerciais exportadoras reside no fato de que as últimas não estão sujeitas a tantas exigências, não precisando cumprir os requisitos do citado DecretoLei nº 1.248, de 1972, aplicandoselhes as leis comerciais e civis que regem as demais sociedades empresariais. Logo, a diferença é apenas a sua forma de constituição, podendo ambas adquirir produtos no mercado interno e realizar a exportação. Atualmente, o benefício em baila tem assente legal no art. 5º, III, da Lei nº 10.637/02, para o PIS, e no art. 6º, III, da Lei nº 10.833/03, verbis: Lei nº 10.637/02 Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Lei nº 10.833/03 Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Por outro lado, necessário elucidarmos o significado da expressão “fim específico de exportação” o qual podemos colher, e.g., nos seguintes excertos da legislação, com grifo nosso: Decretolei nº 1.248/72 Art.1º As operações decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial Fl. 216DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 03/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 03/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 8 exportadora, para o fim específico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste DecretoLei. Parágrafo único. Consideramse destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtorvendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. Lei nº 9.532/97 Art. 39. Poderão sair do estabelecimento industrial, com suspensão do IPI, os produtos destinados à exportação, quando: I adquiridos por empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Instrução Normativa SRF nº 247/02 Art. 46. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas: VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decreto Lei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico deexportação para o exterior; e IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. § 1º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Decreto nº 4.524/02 (REGULAMENTO DO PIS/PASEP/COFINS) Art. 45. São isentas do PIS/Pasep e da Cofins as receitas (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 14, Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º , e Lei nº 10.560, de 2002, art. 3º , e Medida Provisória nº 75, de 2002, art. 7º ): VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; e Fl. 217DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 03/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 03/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10315.000781/200301 Acórdão n.º 330200.957 S3C3T2 Fl. 5 9 IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. § 1º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Instrução Normativa SRF nº 594/05 Art. 43. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins não incidem sobre as operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação; e Parágrafo único. Para efeito do inciso II, consideramse vendidos com o fim específico de exportação os produtos remetidos, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado. Destarte, quer sejam os produtos vendidos a empresa comercial exportadora, quer a empresa exportadora registrada na Secex do MDIC, desde que a operação se enquadre na definição de “fim específico de exportação”, ou seja, que os produtos sejam remetidos diretamente para embarque de exportação ou para recinto alfandegado, a receita da operação gozará da isenção da Cofins e do PIS. É importante salientar que, nos termos do Código Tributário Nacional, art. 111, I e II, “Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário e outorga de isenção”. Tratandose de um benefício fiscal, medida excepcional adotada pelo legislador com o objetivo de promover as exportações ao exterior, cabe à contribuinte o ônus de apresentar provas que evidenciem a concretização do ato excludente. Da análise dos autos, constatase que, no presente caso, as vendas em questão foram para o mercado interno, não sendo os produtos diretamente exportados ou enviados para recinto alfandegado, e não se trata de vendas a empresa comercial exportadora, sob a égide do Decretolei nº 1.248, de 1972. Ademais, a própria Contribuinte afirma em sua impugnação que os produtos entraram fisicamente no estabelecimento adquirente. Assim, caracterizado que as vendas não foram destinadas especificamente para exportação, vez que se verifica que as mercadorias não foram embarcadas diretamente para o exterior, nem depositada em recinto alfandegado, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, não há como excluir estas receitas da base de cálculo da Cofins e do PIS. Fl. 218DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 03/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 03/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 10 Juros de mora sobre a multa de ofício Concernente a presente matéria, a Recorrente aduz que a intimação que recebeu da decisão de primeira instância administrativa está cobrando juros de mora sobre as multas de ofício lavradas e que tal procedimento é descabido face a ausência de previsão legal expressa. Insta destacar que inexiste no auto de infração ora em debate a constituição de juros de mora sobre multa de mora, não havendo, portanto, o litígio suscitado pela interessada, pelo que, quanto a isso, não cabe manifestação deste órgão julgador colegiado. De qualquer forma, a eventual incidência de juros de mora sobre o crédito tributário impugnado, é circunstância a ser avaliada pelo órgão encarregado de sua cobrança, em função dos dispositivos legais que regem tal atividade. Nesse particular, entendo que tal matéria é alheia a lide administrativa e, portanto, não tomo conhecimento da mesma. Conclusão Sendo o que basta para o deslinde do contencioso e em vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator Fl. 219DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 03/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 03/06/2011 por ALAN FIALHO GANDRA
score : 1.0
Numero do processo: 37048.278600/2006-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/1995 a 28/02/1997
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PRECLUSÃO MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
Nos termos do § 6.º do art. 9.º da Portaria MPS/GM n.º 520/2004 c/c art. 17 do Decreto n.º 70.235/1972, a abrangência da lide é determinada pelas alegações constantes na impugnação, não devendo ser consideradas no recurso as matérias que não tenham sido aventadas na peça de defesa.
A empresa tomadora não apresentou impugnação, sendo que para a mesma não existe recurso válido a ser conhecido.
DECADÊNCIA INTERPOSIÇÃO DE AÇÃO JUDICIAL SOBRE MESMA MATÉRIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-001.754
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não
conhecer do recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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A empresa tomadora não apresentou impugnação, sendo que para a mesma não existe recurso válido a ser conhecido. DECADÊNCIA INTERPOSIÇÃO DE AÇÃO JUDICIAL SOBRE MESMA MATÉRIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37048.278600/200649 Acórdão n.º 240101.754 S2C4T1 Fl. 236 3 Relatório A presente NFLD, lavrada sob o n. 37.048.2786, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social em virtude do instituto da responsabilidade solidária, previsto no art. 30, IV, da Lei n ° 8.212/1991. O período compreende as competências 10/1995 a 02/1997 . A base de cálculo dos segurados utilizados na prestação de serviços pela empresa CONVACO CONST. VALE DO AÇO LTDA, CNPJ n. 19905116/000106, em se tratando de serviços executados nas atividades de construção, foram obtidas mediante análise das notas fiscais de serviços, bem como faturas emitidas. Vale ressaltar, ainda que a NFLD em tela foi lavrada em substituição a NFLD n. 35.007.3546, cientificada ao sujeito passivo em 01/12/1999 e anulada pela 4. Câmara de Julgamento – Acordão 724/2005, ofício n. 10/4ª CAJ/CRPS, de 04/04/2006, em face da omissão no relatório FLD do dispositivo legal do arbitramento, bem como pello fato da NFLD ter englobado de forma consolidada 169 prestadores de serviços. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 14/12/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 26/12/2006, bem como em relação ao prestador de serviços em 22/12/2006. Manifestouse a empresa prestadora, fl. 36 a 38, onde em síntese alega: 1. Estranha a requerente não ter sido intimada quanto à adoção do procedimento fiscal instaurado por força do MPF 09319094F900, o que caso viesse a ocorrer evitaria a lavratura da presente autuação; 2. Conforme cópias das GRPS anexas, foi efetuado o pagamento da parte de segurados para o período de 10/1995 a 02/1997 da filial localizada em Volta Redonda (CNPJ 19.905.116/000793 na época); 3. As Contribuições Previdenciárias (empresa, SAT e terceiros) foram parceladas da seguinte maneira: Processos 55.636.9149 — para o período de 08/1995 a 03/1996, 55.703.4574 — para o período de 04/1996 a 01/1997 e 55.741.7619 — para o período de 02/1997 a 03/1997; 4. Os Processos acima citados encontramse no REFIS e a requerente encontrase em dia com as obrigações dele decorrentes; 5. Requer a suspensão da exigibilidade da NFLD e o acolhimento da defesa julgando improcedente o lançamento efetuado. Foi colacionado aos autos informação do CNAF acerca de fiscalizações na empresa prestadora, fls. 77 a 80, porém fiscalização total ocorreu no período de 06/1988 a 03/1996 com cobertura do diário até 04/1995 e fiscalização parcial de 04/1996 a 01/2000. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que determinou a procedência do lançamento, fls. 81 a 88. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Não conformado com o resultado proferido a tomadora apresentou recurso, fl. 96 a 122. Em síntese alega: 6. Os créditos encontramse decadentes; 7. A responsabilidade solidária prevista no art. 3º, VI da Lei n° 8.212/91, na sua redação originária, deve ser observada no momento da exigibilidade do crédito previdenciário e não na sua constituição, sendo obrigatória a averiguação, por parte da fiscalização, da efetiva inadimplência da prestadora de serviços antes de efetuar qualquer lançamento contra a tomadora. Não foi efetuada a análise da escrituração da prestadora para fisn de verificação da sua adimplência. 8. O débito foi constituído mediante presunção, sendo assim, o Recorrente não pode ser responsabilizada, ainda que solidariamente, por um débito cuja existência sequer foi constatada. 9. O procedimento adotado pelo Fiscal neste lançamento impossibilita qualquer defesa da Recorrente, uma vez que não é fornecida qualquer informação acerca da origem do débito que lhe é cobrado. 10. Destaca acórdãos e posicionamento da Consultoria jurídica afastando dita cobrança. 11. Cabe, neste ponto, ressaltar que a simples ausência de apresentação por parte da Recorrente das guias de recolhimento previdenciário da prestadora de serviços jamais poderia ensejar o lançamento do presente débito, por tratarse de obrigação acessória. 12. Inexiste dispositivo legal que preveja a obrigatoriedade de apresentação das guias de recolhimento previdenciário por parte da empreiteira. 13. Concluise, portanto, que não havendo qualquer comprovação acerca da existência do débito que é cobrado, inclusive com a apresentação de guias pelo prestadora, padece de nulidade insanável o lançamento consubstanciado na NFLD n° 37.048.2786. A empresa prestadora mesmo devidamente intimada não apresentou recurso. O processo foi encaminhado para julgamento no âmbito deste Conselho. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 37048.278600/200649 Acórdão n.º 240101.754 S2C4T1 Fl. 237 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 234. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: DA DECADÊNCIA Quanto a preliminar de decadência observase que a empresa ingressou em juízo questionando a aplicação da decadência, obtendo decisão judicial que determinou o período alcançados pela decadência qüinqüenal. Apesar de não ter sido colacionado aos autos qualquer informação sobre ação judicial, da análise das diversas outras NFLD lavradas durante o mesmo procedimento e colocadas em pauta nesta mesma sessão de julgamento, identificase a existência de ação judicial de autoria da recorrente. Foi anexado em NFLD de mesmo fundamento decisão judicial – Processo n. 2007.51.10.0000350 de autoria da CSN em face do INSS, onde questiona a decadência do direito de efetuar o lançamento em relação a todas as NFLD lavradas em substituição a NFLD 350073546 declarada nula por vício formal. Sentenciou o juiz no sentido de conceder em parte a ordem liminar, para suspender a exigibilidade dos créditos que se refiram a fatos geradores anteriores a 01/12/1994, fl. 38 a 42. Ressaltese No entanto, verificando o andamento do processo, constatei que foi proferida sentença, em 03/04/2007, na qual o MM. Juiz CONCEDEU EM PARTE A SEGURANÇA, para afastar em definitivo a exigência dos créditos que se refiram a fatos geradores anteriores a 01/01/1994. Assim, entendo que em relação a decadência não há o que ser apreciado, considerando que a matéria discutida em juízo, não há de ser apreciada pela esfera administrativa, evitando decisões diversas sobre a mesma matéria. Nesse mesmo sentido dispõe a súmula deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais :SÚMULA NO 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. DO MÉRITO Quanto ao mérito, destacase que a empresa CSN apresentou recurso tempestivo, em que alega em síntese a ilegitimidade do levantamento de credito por Fl. 5DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 responsabilidade solidária na tomadora, sem que verifique a escrituração contábil da prestadora de serviços. Contudo, nos termos do § 6.º do art. 9.º da Portaria MPS/GM n.º 520/2004 c/c art. 17 do Decreto n.º 70.235/1972, a abrangência da lide é determinada pelas alegações constantes na impugnação, não devendo ser consideradas no recurso as matérias que não tenham sido aventadas na peça de defesa. Em sede de impugnação apenas a prestadora de serviços manifestouse, sendo que em sede de recurso mesmo devidamente intimada não se manifestouse. Assim, os argumentos quanto ao mérito do lançamento apresentados pela empresa tomadora em sede recursal não merecem ser apreciados por se tratar de matéria preclusa. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, entendo que não existe recurso a ser conhecido. CONCLUSÃO: Voto pelo NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 6DF CARF MF Emitido em 30/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL Assinado digitalmente em 10/05/2011 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SIL, 19/05/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10670.001355/2007-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2000 a 29/02/2004
Ementa: RECURSO INTEMPESTIVO.
O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado.
Numero da decisão: 2302-001.185
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda
Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário pela intempestividade.
Matéria: Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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score : 1.0
Numero do processo: 15889.000169/2007-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 22/06/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 67. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91.
A não entrega, bem como a entrega com atraso da GFIP constitui-se
violação à obrigação acessória prevista no art. 32, IV da Lei nº 8.212/91, e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária.
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 67. ART. 32-A DA LEI Nº 8212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA.
As multas decorrentes da não entrega de GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A
à Lei nº 8.212/91.
Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.056
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32-A, inciso II, que na conversão pela Lei nº 11.941 foi renumerado para o art. 32-A, inciso I da Lei nº 8.212 de 1991.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 22/06/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 67. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91. A não entrega, bem como a entrega com atraso da GFIP constitui-se violação à obrigação acessória prevista no art. 32, IV da Lei nº 8.212/91, e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 67. ART. 32-A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes da não entrega de GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1967; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 61 1 60 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15889.000169/200773 Recurso nº 258.589 Voluntário Acórdão nº 230201.056 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de maio de 2011 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS AI CFL 67 Recorrente BARRA TUR TRANSPORTES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 22/06/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 67. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91. A não entrega, bem como a entrega com atraso da GFIP constituise violação à obrigação acessória prevista no art. 32, IV da Lei nº 8.212/91, e sujeita o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 67. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes da não entrega de GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei nº 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei nº 8.212 de 1991. MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA Presidente. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 2 ARLINDO DA COSTA E SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de Turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva e Wilson Antonio de Souza Correa. Relatório Período de apuração MPF : Janeiro/2002 a janeiro/2007. Data da lavratura da Auto de Infração: 22/06/2007. Data da ciência do Auto de Infração : 22/06/2007. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lavrado em desfavor do recorrente, em virtude de não ter sido comprovada a entrega das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social GFIP, referente às competências de julho de 2006 a janeiro de 2007, inclusive, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 04. CFL 67 Deixar a empresa de informar mensalmente ao INSS, por intermédio da GFIP/GRFP, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo. A multa foi aplicada em conformidade com o art. 32, IV, §§ 4º e 7 º da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.528/97 e art. 102 c/c art. 284, I c.c. art. 373 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, com os valores atualizados pelo art.9º, V da Portaria MPS nº 142, de 11/04/2007, resultando na aplicação de penalidade pecuniária no valor de R$ 5.646,99 (cinco mil, seiscentos e quarenta e seis reais e noventa e nove centavos), calculada na forma da memória de cálculo postada a fl. 06. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o autuado apresentou impugnação a fls. 25/27. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, em Brasília/DF lavrou Decisão Administrativa a fls. 39/42, julgando procedente a autuação e mantendo o valor do crédito tributário objeto do Auto de Infração em relevo em sua integralidade. A autuada foi cientificada da decisão de 1ª Instância no dia 17 de dezembro de 2007, conforme Aviso de Recebimento – AR a fl. 46. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 15889.000169/200773 Acórdão n.º 230201.056 S2C3T2 Fl. 62 3 Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 49/52, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Que o lançamento não pode prosperar, pois a empresa já fora alvo de fiscalização afeta ao mesmo período, sem que nenhuma irregularidade houvesse sido constatada; • Que a suposta infração não trouxe nenhum prejuízo aos cofres da Previdência Social, já que se trata tão somente de um dever instrumental, logo não pode a recorrente ser penalizada. Ao fim, requer a reforma da decisão recorrida com o fim de anular o presente Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 17/12/2007. Havendo sido o recurso voluntário postado na agência dos correios em 16 de janeiro de 2008, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a ausência de questões preliminares, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO. Inicialmente, cumpre assentar que não será objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 4 2.1. DA MOTIVAÇÃO. O Recorrente alega que o lançamento não pode prosperar, pois a empresa já fora alvo de fiscalização afeta ao mesmo período, sem que nenhuma irregularidade houvesse sido constatada. A súplica acima clamada é improcedente. Em primeiro lugar, a empresa não logrou coligir aos autos qualquer indício de prova material que desse esteio à alegação de já ter havido, em suas dependências, fiscalização anterior abrangendo o mesmo período de apuração da presente. Em segundo lugar, os procedimentos fiscais relativos aos tributos federais previdenciários eram executados, à época, por Auditores Fiscais da Previdência Social habilitados. Tais procedimentos eram instaurados mediante Mandado de Procedimento Fiscal o qual determinava o escopo e a amplitude da ação fiscal a ser desenvolvida na empresa. No caso presente, os MPF a fls. 12/15 determinam a verificação do cumprimento das obrigações relativas às Contribuições Sociais administradas pela SRP, em nome do INSS, e àquelas relativas a terceiros conveniados, conforme determinado nos artigos 1° e 3º da Lei nº 11.098 de 13 de janeiro de 2005. Em terceiro lugar, cumpre destacar que, nos termos do art. 173, I do CTN, que o Direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (grifos nossos) II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Não se mostra demasiado requinte relembrar que o §3º do art. 113 do mesmo Codex Tributário estatui que a obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária, sendo esta apurada e lançada mediante o competente Auto de Infração. Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade Fl. 4DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 15889.000169/200773 Acórdão n.º 230201.056 S2C3T2 Fl. 63 5 pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Em quarto, cabe acentuar que inexiste na legislação que disciplina a matéria em realce qualquer dispositivo que, mesmo indiretamente, vede a realização de nova auditoria fiscal a um mesmo sujeito passivo, abrangendo o mesmo período de apuração e os fatos geradores idênticos, que vise a recuperar créditos tributários não constituídos nas ações fiscais anteriores. É mister salientar que a situação descrita no parágrafo anterior não se confunde com revisão de oficio de lançamento, mas , sim, de ação fiscal nova, da qual pode resultar a constituição de créditos tributários relativos a fatos geradores os quais não foram objeto de lançamentos anteriores. Não nos furtamos de assinalar igualmente que atividade desempenhada pelos auditores fiscais se revela integralmente vinculada à Lei, dela não se podendo descuidar sob pena de responsabilidade funcional. No caso sub examine a Auditoria Fiscal foi instaurada por meio do Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 09367229 F00 visando a verificação do cumprimento das obrigações previdenciárias perante a Seguridade Social e as relativas a outras entidades e fundos, incidentes sobre os rendimentos pagos, devidos ou creditados a todos os segurados, no período de apuração de agosto de 1999 a janeiro de 2007. Por força da imperatividade do preceito insculpido no caput do art. 37 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 142 do CTN, havendo sido constatado o descumprimento objetivo da obrigações acessórias em apreço, o auditor fiscal procedeu à lavratura do presente Auto de Infração, como assim determina taxativamente a lei. Código Tributário Nacional CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 6 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. No caso in concreto que ora se nos apresenta, a Autoridade Lançadora verificou a não entrega de GFIP nas competências de julho de 2006 a janeiro de 2007, inclusive, fato que representa violação à obrigação acessória tributária prevista no art. 32, IV da Lei nº 8.212/91. Tal omissão, enseja a lavratura do Auto de Infração Código de Fundamentação Legal CFL 67 – cuja penalidade deve ser aplicada em conformidade com o art. 32, IV, §§ 4º e 7 º da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei nº 9.528/97 e art. 102 c/c artigos 284, I e 373 ambos do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, com os valores atualizados pelo art. 9º, V da Portaria MPS nº 142, de 11/04/2007. O Recorrente teve a oportunidade, em diversas vezes, de contradizer os motivos ensejadores da presente autuação elencados pelo fisco, na realização do ônus que lhe fora imposto pela lei. Assim não o fez, limitandose a deduzir e contrapor alegações vazias, desprovidas de esteio em indício de prova material, não logrando assim desincumbirse do encargo que lhe pesava e se lhe mostrava contrário. Optou, a seu risco, por exortar asserções ao vento, as quais se mostraram insuficientes para elidir o lançamento tributário em exame. 2.2. DO PREJUÍZO AOS COFRES DA PREVIDÊNCIA SOCIAL. Argumenta o Recorrente que a suposta infração não trouxe nenhum prejuízo aos cofres da Previdência Social, já que se trata tão somente de um dever instrumental, logo não pode a recorrente ser penalizada. A alegação acima postada é totalmente desprovida de razoabilidade. Em primeiro lugar, há que se ter em mente que as informações prestadas ao fisco federal mediante GFIP não possui finalidade unicamente tributária, não visa unicamente à arrecadação. Elas têm uma função social paralela àquela de natureza arrecadatória eis que tais informações prestadas nas GFIP servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituirão a base de dados da própria autarquia previdenciária visando à concessão de aposentadorias e pensões em tempo ágil, dispensando a comprovação dos requisitos de concessão por parte do segurados. A inclusão de informações na base de dados do CNIS visa a garantir que novos subsídios para o reconhecimento dos benefícios passem a constar do Cadastro, além daqueles já disponíveis como o registro de pessoas físicas e jurídicas, vínculos empregatícios, remunerações e contribuições. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 15889.000169/200773 Acórdão n.º 230201.056 S2C3T2 Fl. 64 7 Em termos tributários, a entrega da GFIP, muito além de uma mera obrigação acessória, configurase como o próprio lançamento tributário em relação às contribuições previdenciárias nela declaradas, podendo o fisco federal, vencido o prazo para o recolhimento da exação nela consignada, ajuizar imediatamente a competente ação de execução fiscal. A não entrega das GFIP impõe ao fisco o ônus de instaurar auditoria fiscal na empresa infratora visando a promover o lançamento tributário das contribuições previdenciárias não declaradas no citado documento declaratório, o que implica relevante atraso na realização do crédito previdenciário de titularidade do fisco. Tal atraso importa em redução do Orçamento Público, o que compromete a realização das metas traçadas pelo Governo Federal. Aditese, conforme já salientado no tópico precedente, que o mero descumprimento de obrigação acessória convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Mostra auspicioso destacar que, nos termos do art. 136 do CTN, a responsabilidade por infração à legislação tributária tem caráter objetivo, independe da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, sendo irrelevante, igualmente, a sindicância da culpa ou da intenção do infrator. Código Tributário Nacional CTN Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco mostrase irrelevante para a lavratura do correspondente auto de infração e para a imputação da respectiva penalidade pecuniária. Não se pode perder de vista que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a sindicância, pelos agentes do fisco, do efetivo cumprimento das obrigações ditas principais, bem como na prestação de informações de relevante interesse para o Estado, como é o caso ora em apreciação. Dessarte, a mera violação objetiva de obrigação de natureza instrumental, acarreta, por presunção legal, prejuízo imediato no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, bem como outros de natureza parafiscal e extrafiscal. Dessarte, contrariando o entendimento esposado pelo Recorrente, há quádruplo prejuízo para a Administração Pública: O social, pela não prestação de informações destinadas a integrar o Cadastro Nacional de Informações Sociais – CNIS; O Tributário, eis que não se consolida o lançamento tributário das contribuições previdenciárias que a lei obriga a declarar em GFIP, O econômico, representado pelo atraso na realização do crédito previdenciário e pela penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação acessória; e o público, pela redução em redução do Orçamento Anual, o que compromete a realização das metas traçadas pelo Governo Federal. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 8 2.3. DA RETROATIVIDADE BENIGNA Por derradeiro, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As normas legislativas que tratavam da imposição de penalidades decorrentes da não entrega de GFIP ou de sua entrega contendo incorreções, foram alteradas pela Lei nº 11.941/2009, produto da conversão da Medida Provisória nº 449/2008. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Lei federal revogou o §4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, fazendo introduzir no bojo desse mesmo Diploma Legal o art. 32A, ad litteris et verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). (grifos nossos) §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §2º Observado o disposto no §3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §3 A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Fl. 8DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 15889.000169/200773 Acórdão n.º 230201.056 S2C3T2 Fl. 65 9 II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Originariamente, a conduta infracional consistente na não apresentação de GFIP, independentemente do recolhimento da contribuição correspondente, era punível com pena pecuniária correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados. A Medida Provisória nº 449/2009, convertida na Lei nº 11.941/2009, promoveu alterações na tipificação da infração em destaque, a qual passou a ser a falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, sendo tal conduta, na hipótese de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, apenada com multa de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, limitada a 20% (vinte por cento). No caso de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária, a multa a ser aplicada será de R$ 200,00 (duzentos reais). Nos demais casos, é prevista a penalidade de R$ 500,00 ( quinhentos reais). A multa acima delineada será aplicada ao infrator independentemente de este ter promovido ou não o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, a teor do inciso I do art. 32A acima transcrito, fato que demonstra ostentar a ora discutida imputação de penalidade pelo descumprimento de obrigação instrumental acessória natureza objetiva. Assim, a sua mera inobservância consubstanciase infração e implica a imposição de penalidade pecuniária, em atenção às disposições estampadas no art. 113, §3º do CTN. A Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22 de abril de 2010, que assim dispôs em seu artigo 4º: Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 10 II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Mostrase flagrante que a citada IN RFN nº 1.027/2010 extrapolou os limites da lei, inovando o ordenamento jurídico, eis que, nos termos do art. 97 do CTN, somente a lei formal poderia dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 15889.000169/200773 Acórdão n.º 230201.056 S2C3T2 Fl. 66 11 A alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício aplicada pelo descumprimento de obrigação principal for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória. Como é de sabença universal, a incidência de ambas as penalidades são independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, independentemente de o contribuinte ter promovido o recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei n º 8.212/91. Uma vez que a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória encontrase prevista em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa, emanada do Poder Executivo, extrapola os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 32A da Lei nº 8.212/91 um benefício ao contribuinte, verificase a incidência do preceito encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN, devendo ser observada a retroatividade benigna, sempre que a multa decorrente da sistemática de cálculo realizada na forma prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91 cominar ao Sujeito Passivo uma penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. Assim, tratandose o presente caso de hipótese de não entrega de GFIP, deverá ser aplicada a penalidade prevista no inciso II do art. 32A da Lei nº 8.212/91, se esta se mostrar mais benéfica ao sujeito passivo. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL. Nessas circunstâncias, a multa deve ser calculada considerando as disposições inscritas no art. 32A, II da Lei nº 8.212/91, inserido pela Medida Provisória nº 449/2008, na estrita hipótese de a multa a ser aplicada se mostrar mais benéfica ao recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 12 É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 12DF CARF MF Emitido em 05/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 20/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA
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Numero do processo: 10920.001216/2003-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato
administrativo. Inadmissível a mera alegação.
IPI. RESSARCIMENTO. ESTORNO. REQUISITO.
A anulação do crédito, através do estorno, é requisito para o ressarcimento.
IPI. CRÉDITOS. INSUMOS NT, ISENTOS OU ALÍQUOTA ZERO.
IMPOSSIBILIDADE.
A aquisição de insumos isentos, nãotributados
e de alíquota zero não gera
crédito de IPI. Não havendo exação de IPI, não há valor algum a ser
creditado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.058
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALAN FIALHO GANDRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação. IPI. RESSARCIMENTO. ESTORNO. REQUISITO. A anulação do crédito, através do estorno, é requisito para o ressarcimento. IPI. CRÉDITOS. INSUMOS NT, ISENTOS OU ALÍQUOTA ZERO. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de insumos isentos, nãotributados e de alíquota zero não gera crédito de IPI. Não havendo exação de IPI, não há valor algum a ser creditado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator. EDITADO EM: 08/07/2011 Fl. 224DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Leonardo Mussi da Silva. Relatório A empresa Celulose Irani S.A. apresentou pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI, originado da aquisição de insumos, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos, de que trata o artigo 11 da Lei n° 9.779/99 e IN SRF n° 33/99, referente ao terceiro trimestre do ano de 2002, cumulado com pedido de compensação. A DRF de jurisdição da Contribuinte, em despacho decisório, deferiu parcialmente o pedido e homologou as compensações até o limite do crédito deferido. Inconformada com a parte indeferida, apresentou suas razões e argumentos em manifestação de inconformidade, aduzindo, em síntese: i) Legitimidade dos créditos vez que são decorrentes de aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização. As CFOP's utilizadas na escrituração por si só não justificam a glosa dos créditos ora definidos, eis que seu registro está equivocado. Desta forma, necessária seria uma análise da efetiva operação a fim de verificar se o produto adquirido atende aos requisitos para manutenção dos créditos; ii) A inserção de dados no campo "informações complementares", referese a crédito legítimo e passível de recuperação, uma vez que sua origem se deu com a efetiva entrada da mercadoria. Ademais, sendo a escrituração um procedimento de formalidade, não poderá frustrar o objetivo da contribuinte de creditarse do imposto. iii) O valor do ressarcimento não pode ser limitado ao valor estornado, eis que o crédito é totalmente legítimo; iv) São devidos os créditos relativos a aquisições de insumos isentos e/ou de alíquota zero. A DRJ/Ribeirão Preto/SP prolatou acórdão mantendo o despacho decisório proferido pela DRF, em acórdão com a seguinte ementa: “RESSARCIMENTO DE IPI. ESTORNO DE CRÉDITOS NO RAIPI. REQUISITOS. O direito ao ressarcimento de créditos reclama, em contrapartida do contribuinte, o estorno, na escrita fiscal, do Fl. 225DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10920.001216/200315 Acórdão n.º 330201.058 S3C3T2 Fl. 2 3 valor pedido, no período de apuração em que for encaminhado à autoridade fiscal. DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que pleiteia. Manifestação de Inconformidade. Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. Cientificada do acórdão, a Interessada insurgese contra seus termos, apresentando Recurso Voluntário, afirmando, em síntese: i) Legitimidade dos créditos vez que são decorrentes de aquisições de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização. As CFOP's utilizadas na escrituração por si só não justificam a glosa dos créditos ora definidos, eis que seu registro está equivocado. Desta forma, necessária seria uma análise da efetiva operação a fim de verificar se o produto adquirido atende aos requisitos para manutenção dos créditos; ii) O valor do ressarcimento não pode ser limitado ao valor estornado, eis que o crédito é totalmente legítimo; iii) Os créditos decorrentes de insumos isentos ou de alíquota zero foram corretamente utilizados, eis que foram operacionalizados quando a matéria estava favorável aos contribuintes; iv) Atualização monetária pela SELIC Finaliza requerendo seja reconhecido integralmente o direito creditório, atualizado pela SELIC. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Alan Fialho Gandra, Relator Fl. 226DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 4 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. No tocante as glosas de créditos indevidos referentes a aquisições de produtos para comercialização (CFOP's 1.12 e 2.12), verificase que a Recorrente, limitandose a argumentar, não juntou aos autos nenhuma prova que garanta o que aduz, contrariando, portanto, o teor do art. 16, III1, do Decreto nº 70.235/72. Noção cediça, a parte que invoca direito resistido deve produzir as provas necessárias do respectivo fato constitutivo. O Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, sobre o assunto, assim dispõe: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento. Ademais, do mesmo modo que o Decreto n.° 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Em verdade, este dispositivo legal apenas transfere, para o processo administrativo fiscal, o sistema adotado pelo Código de Processo Civil, que, em seu artigo 333, ao repartir o ônus probandi, o faz inadmitindo a mera alegação e a negação geral. Assim, na hipótese de ressarcimento pleiteado, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Destarte, correta a manutenção das glosas em apreço. Quanto a alegação de que o valor do ressarcimento não pode ser limitado ao valor estornado, também, não assiste razão à Recorrente. 1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Fl. 227DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10920.001216/200315 Acórdão n.º 330201.058 S3C3T2 Fl. 3 5 Sabese que o estorno, no ressarcimento, é um procedimento contábil que visa impedir a utilização de créditos em duplicidade. A anulação do crédito em baila tem previsão expressa no nosso ordenamento jurídico, vejamos: Decreto nº 4.544/02 (Regulamento do IPI – RIPI) Art. 193. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25, § 3º, Decreto lei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 8ª, Lei nº 7.798, de 1989, art. 12, e Lei nº 9.779, de 1999, art. 11): § 5º Anularseá o crédito no período de apuração do imposto em que ocorrer ou se verificar o fato determinante da anulação, ou dentro de vinte dias, se o estabelecimento obrigado à anulação não for contribuinte do imposto. Portanto, nesse particular, correto o procedimento fiscal. No que tange a utilização de créditos decorrentes de insumos isentos ou de alíquota zero, não assiste razão a Recorrente pelas razões adiante expostas. A Constituição Federal de 1988, reproduzindo o texto da Carta Magna anterior, assegurou aos contribuintes do IPI o direito a creditaremse do imposto cobrado nas operações antecedentes para abater nas seguintes. Tal princípio está insculpido no art. 153, § 3º, inciso II, verbis: “Art. 153. Compete à União instituir imposto sobre: (...) IV produtos industrializados; (...) § 3º O imposto previsto no inciso IV: I Omissis II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores;” (grifo nosso) O Código Tributário Nacional estabelece, no artigo 49 e parágrafo único, as diretrizes desse princípio, e remete à lei a forma dessa implementação. “Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes.” Fl. 228DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 6 O legislador ordinário, consoante essas diretrizes, criou o sistema de créditos que, regra geral, confere ao contribuinte o direito a creditarse do imposto cobrado nas operações anteriores (o IPI destacado nas Notas Fiscais de aquisição dos produtos entrados em seu estabelecimento) para ser compensado com o que for devido nas operações de saída dos produtos tributados do estabelecimento contribuinte, em um mesmo período de apuração, sendo que, se em determinado período os créditos excederem aos débitos, o excesso será transferido para o período seguinte. A lógica da nãocumulatividade do IPI, prevista no art. 49 do CTN, e reproduzida no art. 81 do RIPI/82, posteriormente no art. 146 do RIPI/98 (Decreto nº 2.637/1998) e no art. 163 do RIPI/02 (Decreto nº 4.544/2002), é, pois, compensar do imposto a ser pago na operação de saída do produto tributado do estabelecimento industrial ou equiparado o valor do IPI que fora cobrado relativamente aos produtos nele entrados (na operação anterior). Todavia, até o advento da Lei nº 9.779/99, se os produtos fabricados saíssem não tributados (Produto NT), tributados à alíquota zero, ou gozando de isenção do imposto, como não haveria débito nas saídas, conseqüentemente, não se poderia utilizar os créditos básicos referentes aos insumos, vez não existir imposto a ser compensado. O princípio da nãocumulatividade só se justifica nos casos em que haja débitos e créditos a serem compensados mutuamente. Essa é a regra trazida pelo artigo 25 da Lei nº 4.502/64, reproduzida pelo art. 82, inciso I, do RIPI/82 e, posteriormente, pelo art. 164, inciso I, do RIPI/2002, a seguir transcrito: “Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente;” De outro lado, a mesma sistemática vale para os casos em que as entradas foram desoneradas desse imposto, isto é, as aquisições das matériasprimas, dos produtos intermediários ou do material de embalagem que não foram onerados pelo IPI, pois não há o que compensar, porquanto o sujeito passivo não arcou com ônus algum. A premissa básica da nãocumulatividade do IPI reside justamente em se compensar o tributo pago na operação anterior com o devido na operação seguinte. O texto constitucional é taxativo em garantir a compensação do imposto devido em cada operação com o montante cobrado na anterior. Ora, se no caso em análise não houve a cobrança do tributo na operação de entrada da matériaprima, não há falarse em direito a crédito, tampouco em nãocumulatividade. Ademais, quanto aos insumos tributados à alíquota zero, o CARF aprovou a súmula abaixo, cuja aplicação pelos seus membros é obrigatória. Súmula CARF n° 18: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Fl. 229DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 10920.001216/200315 Acórdão n.º 330201.058 S3C3T2 Fl. 4 7 Diante do exposto, entendo não haver para a reclamante o direito a crédito de IPI referente a aquisições de insumos não tributados, isentos ou de alíquota zero, por não existir norma legal que albergue a sua pretensão. Concernente a incidência da SELIC sobre ressarcimento, que passo a analisar pela possibilidade de ser vencido na matéria acima, entendo ser incabível por falta de previsão legal. O § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95 inseriu no seu comando a aplicação da taxa Selic somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de ressarcimento (instituto completamente distinto daqueles). Na mesma linha têmse a Lei nº 8.383/91, art. 66, com redação dada pelo artigo 58 da Lei nº 9.069, de 1995. Ambos dispositivos pressupõem a existência de pagamento. A propósito, vejamos o teor dos citados excertos legais, com grifo nosso: Lei nº 9.250/95. “Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. §4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada.” (grifei) Lei nº 8.383/91 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. §1º omissis § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. Conforme se vê, os dispositivos acima tratam de compensação ou restituição, para os casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais. Não cogitam os referidos atos de ressarcimento de créditos escriturais do IPI. Fl. 230DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 8 Somado a isso, a SELIC tem natureza de juros e alcança patamares muito superiores à inflação, aplicála é causar favorecimento sem expressa previsão legal. E, também, a Fazenda Nacional não corrige os débitos escriturais do IPI e, analogamente e por força do princípio da isonomia, os créditos ressarcidos não devem ser corrigidos. Sobre o tema, assim tem se posicionado, reiteradamente, a Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, e.g., no acórdão CSRF/0203.855: “RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito. Recursos especiais do Procurador provido e do Contribuinte negado”. Ademais, é noção cediça (prescrita no art. 2º, I, da Lei nº 9.784/99) que a Administração Pública, nos processos administrativos, deve atuar conforme a lei e o Direito, princípio extensivo ao julgador dado sua competência estritamente vinculada. Por outro lado, o princípio da legalidade, insculpido no artigo 37, caput, da CF/88, preceitua que à Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza, sob pena de violação do princípio da legalidade. No caso em tela, não há norma garantidora da pretensão da Recorrente. Portanto, incabível a aplicação da SELIC sobre os valores ressarcidos ou a ressarcir. No mais, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, adoto e ratifico as razões e fundamentos do acórdão de primeira instância. Pelas razões acima aduzidas e sendo o que basta para o deslinde da questão, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra Relator Fl. 231DF CARF MF Emitido em 13/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 10/07/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 08/07/2011 por ALAN FIALHO GANDRA
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Numero do processo: 10735.002040/2005-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/11/1999 a 31/12/2002
PAGAMENTOS EFETUADOS A TÍTULO DE SIMPLES. ERRO DE
FATO. ÔNUS DA PROVA.
Se o contribuinte efetua seus recolhimentos indicando código de Receita do
SIMPLES, ao alegar que não estava submetido à tal sistemática, deve
comprovar que houve o alegado erro de fato. Não havendo documentação
suficiente nos autos, e não tendo juntado qualquer documento adicional, suas
alegações não podem prosperar.
Numero da decisão: 3302-000.976
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Recorrida DRJ NOVA IGUAÇU/RJ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1999 a 31/12/2002 PAGAMENTOS EFETUADOS A TÍTULO DE SIMPLES. ERRO DE FATO. ÔNUS DA PROVA. Se o contribuinte efetua seus recolhimentos indicando código de Receita do SIMPLES, ao alegar que não estava submetido à tal sistemática, deve comprovar que houve o alegado erro de fato. Não havendo documentação suficiente nos autos, e não tendo juntado qualquer documento adicional, suas alegações não podem prosperar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas Relatora EDITADO EM: 01/08/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas (Relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 251DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/1 1/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 2 Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 168/179) constituindo crédito tributário de PIS, derivado de falta de recolhimento da contribuição sobre valores escriturados em seu Livro Caixa, porém, não declarados em suas DCTF’s, o que foi verificado pela Fiscalização e apontado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 164/167). As divergências lançadas referemse ao período de novembro de 1999 a dezembro de 2002, e ao principal foram incluídos juros de mora e multa de oficio no percentual de 75%, totalizando R$ 7.700,62. Irresignada com a autuação promovida a Recorrente apresentou sua Impugnação (fls. 186/192), alegando em síntese que (i) os recolhimentos por ela promovidos nos anoscalendário de 2000 e 2001, sob o código 6106 — SIMPLES e, no período de 2002 e 2003, sob o código 8109 — PISFaturamento, não foram considerados, quando da apuração dos valores indevidos, objeto do Auto de Infração; e que (ii) constatada a existência de recolhimentos para o período autuado não poderia ter sido aplicada a multa de 75%, mas apenas a de 20%, já que aquela teria caráter confiscatório e só seria aplicada em casos de fraude, o que, todavia, não ocorreu. A DRJ, ao analisar a defesa apresentada (fls. 218/225), constatou que de fato não haviam sido considerados os pagamentos efetuados pela Recorrente, quando da constituição do crédito tributário. Desta feita, julgou parcialmente procedente a Impugnação apresentada, determinando a exclusão dos valores recolhidos a título de PIS (proporcionalizando as quantias, em relação aos pagamentos efetuados na égide do SIMPLES), da quantia total objeto do lançamento. Assim, foi reduzido de R$ 3.192,93 para R$ 1.657,26 o valor de principal. No que se refere à multa questionada, manteve sua aplicação, por estar adstrita ao comando legal contido no artigo 44, I da Lei nº 9.430/96, esclarecendo que não se tratava de atraso no pagamento que pudesse ensejar apenas a aplicação da penalidade de 20%, mas sim caso de falta de pagamento. Houve o cancelamento da multa proporcionalmente ao valor cujo pagamento foi reconhecido no acórdão, reduzindoa de R$ 2.394,52 para R$ 1.242,94. Diante da decisão proferida a Recorrente apresentou seu Recurso Voluntários (fls. 237/241) alegando que não houve diligência suficiente da fiscalização e da DRJ, especialmente em relação a pagamentos efetuados no âmbito do SIMPLES – rechaçando a proporcionalização do valor – pois a empresa jamais teria sido optante do referido sistema. Alega, ainda, que caberia ao Fisco promover esta verificação. Vieramme, então, os autos para decidir. É o relatório. Voto Fl. 252DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/1 1/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 10735.002040/200578 Acórdão n.º 330200.976 S3C3T2 Fl. 2 3 Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A matéria objeto do presente restringese à adequação dos valores do Auto de Infração, realizada pela DRJ, ao constatar que pagamentos de PIS efetuados pela Recorrente não haviam sido considerados no cômputo dos valores objeto do lançamento. Diante de tal constatação a DRJ promoveu a exclusão dos valores pagos, no valor cobrado no Auto de Infração. Ocorre que, parte destes valores foram pagos sob o código de receita do SIMPLES, o que ocasionou o aproveitamento apenas da parcela dos pagamentos que se referia ao PIS – na medida em que se trata de sistema de pagamento que contempla (em percentuais e proporções reduzidas) o recolhimento de diversos tributos. Todavia, segundo as alegações da Recorrente, ela jamais fora optante do SIMPLES, razão pela qual tal proporcionalização no aproveitamento dos pagamentos seria equivocada. Porém, apesar de apresentar tais alegações em seu Recurso Voluntário a Recorrente não fez qualquer prova a respeito, limitandose a afirmar que caberia ao Fisco promover tais verificações. Ocorre que, conforme se constata da análise dos documentos trazidos pela autoridade fiscal (fls. 200/201 e 218) os pagamentos foram realizados, pela Recorrente, sob o código utilizado para pagamentos no SIMPLES. A própria Recorrente, em sua Impugnação, alerta para os pagamentos efetuados, citando expressamente que foram efetuados sob o código 6106 – SIMPLES. Neste momento, contudo, não fez qualquer afirmação no sentido de que teria ocorrido um eventual erro de fato no pagamento dos DARF’s, pois não seria optante do Regime. A Fiscalização, por sua vez, referese no Termo de Verificação Fiscal (fls. 164/167) que a Recorrente foi excluída do SIMPLES em 1999, e contra tal assertiva a Recorrente também não fez qualquer comentário em sua Impugnação, tampouco comprovou de qualquer forma que jamais teria sido optante do regime. Por outro lado, intimada a apresentar suas DCTF’s retificadoras a Recorrente não o fez alegando que havia perdido todos seus registros contábeis, acusando em sua defesa o antigo contador da empresa de ter desaparecido “com a totalidade dos documentos contábeis, recolhendo indevidamente os tributos, empregando códigos diversos e variados, totalmente contrário com as entregas de suas declarações anuais”. Se assim foi, como poderiam ter certeza de que a empresa não era optante do SIMPLES? Ademais, verificase que os Livros Caixa e as Notas Fiscais do período foram apresentadas à Fiscalização – tanto que fundamentaram a divergência entre valores pagos e valores declarados que ensejaram o lançamento – e constam dos autos. Fato é que, na ocorrência de eventual erro de fato, por parte do Contribuinte, cabe a ele comprovar o erro. Se equivocouse no preenchimento de Declarações e/ou guias de recolhimento, não cabe ao Fisco investigar para saber se o contribuinte agiu equivocadamente. Ao contrário, cabe ao contribuinte informar ao fisco sobre seu erro e corrigilo, apresentando documentação hábil e suficiente a comprovar a ocorrência do erro. Só desta maneira é possível reconhecer a existência do erro de fato e corrigilo, ainda no curso do processo administrativo. Fl. 253DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/1 1/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 4 Considerando que a Recorrente não procedeu desta forma, e não obstante tenha alegado que jamais foi optante do SIMPLES, as evidências constantes dos autos apontam para conclusão contrária. Sendo assim, entendo que não merecem prosperar as alegações do Recorrente, devendo ser mantida a decisão proferida pela DRJ. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos expostos. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 254DF CARF MF Emitido em 18/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/1 1/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 10768.906758/2006-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1999
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
É nula a decisão que não reconhece crédito pleiteado, para compensação, em PER/Dcomp, sem fundamentar as razões da negativa e sem apresentar elementos comprobatórios que infirmem as declarações do contribuinte.
Numero da decisão: 1101-000.500
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ANULAR o
despacho decisório da DRF por vício material. Fez sustentação oral o advogado da recorrente, Dr. Heyrovsky Torres Rodrigues (OAB/DF n º 33.838).
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro
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NULIDADE. É nula a decisão que não reconhece crédito pleiteado, para compensação, em PER/Dcomp, sem fundamentar as razões da negativa e sem apresentar elementos comprobatórios que infirmem as declarações do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ANULAR o despacho decisório da DRF por vício material. Fez sustentação oral o advogado da recorrente, Dr. Heyrovsky Torres Rodrigues (OAB/DF n º 33.838). (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro Relator. EDITADO EM: 13/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vicepresidente), e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , Assinado digitalmente em 13/07/2011 por CARLOS EDUARD O DE ALMEIDA GUER 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão que considerou improcedente manifestação de inconformidade apresentada em razão de despacho decisório que não homologa declaração de compensação. Em 15/07/2003, o contribuinte apresenta PER/Dcomp pela qual pretende compensar crédito de saldo negativo do anocalendário de 1999, de empresa incorporada, com débito de Cofins, de junho de 2003 (proc. fls. 3 a 12). Parecer conclusivo (proc. fls. 38 e 39), datado de 13/03/2008, apresenta o resumo da ficha 13 da DIPJ do anocalendário de 1999, conforme abaixo: Ficha 13A Cálculo do IR Ano Calendário 1999 01. Aliquota 15 % R$ 642.128,66 03. Adicional R$ 404.085,77 16. IR mensal estimativa R$ 1.152.621,59 18. IR a pagar R$ 106.407,16 Conforme parecer conclusivo, os valores indicados na linha 16 devem corresponder apenas às estimativas do anocalendário efetivamente pagas. Adiciona que, no caso em concreto, conforme sistemas de informação, as estimativas de março, abril e maio foram parceladas no PAES (proc. fls. 30 a 35). Diz que, por isso, “esses valores não podem ser considerados efetivamente pagos, tendo em vista que o parcelamento não foi quitado”. Também, consta do parecer que existe outras PER/Dcomp (proc. fl. 36 e 37) que pleiteiam créditos de pagamentos indevido ou a maior das estimativas de janeiro e fevereiro de 1999, controladas nos processos nº 10768.906580/200626 e nº 10768.906581/200671. Conclui que os pagamentos indevidos ou a maior, referentes a estimativas de janeiro ou fevereiro de 1999, não podem compor o saldo negativo de 1999. Por fim, o parecer registra que “observandose então as DCTF's ativas para o anocalendário de 1999 (fls. 25 e 26), bem como a Ficha 12 da DIPJ 2000/1999 (fls. 18 à 23), constatase facilmente que se esgotaram todas as possíveis fontes de composição do alegado saldo negativo de IRPJ referente ao ano calendário 1999’. Com base no parecer, despacho conclusivo não reconhece o crédito pleiteado, correspondente ao saldo negativo de IRPJ, e não homologa a compensação (proc. fl. 40). Em 30/05/2008, o contribuinte é cientificado (proc. fl. 41). Em 01/07/2008, apresenta manifestação de inconformidade (proc. fls. 67 a 75). Explica que apurou o IRPJ anual no montante de R$ 1.046.214,43, mas que a dedução correspondente ao IR dos meses anteriores é de R$ 1.152.621,59, implicando em um saldo negativo de R$ 106.407,16. Esclarece que apurou o IRPJ mensal por meio de balancetes de suspensão e que indicou imposto devido em todos meses, mas que em razão da dedução dos recolhimentos dos meses de janeiro a maio não teve nada a pagar de junho a dezembro. Para explicar como efetuou os recolhimentos referentes aos meses de janeiro a maio de 1999, o contribuinte apresenta a seguinte tabela: janeiro fevereiro março abril maio Imposto de renda a pagar 157.704,89 165.253,89 71.308,69 292.126,39 466.227,72 Compensações com: Saldo negativo 1997 16.498,69 Fl. 2DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , Assinado digitalmente em 13/07/2011 por CARLOS EDUARD O DE ALMEIDA GUER Processo nº 10768.906758/200639 Acórdão n.º 110100.500 S1C1T1 Fl. 195 3 Pagto a maior 05/97 79.632,12 71.308,69 74.248,89 15.255,13 Pagto a maior 07/97 217.877,50 12.052,29 Pagto a maior 10/97 372.969,93 Pagto a maior 04/97 24.842,29 49.053,02 Pagto a maior 03/97 99.502,28 Saldo do IR a recolher 33.360,32 36.568,75 0,00 0,00 49.451,68 Afirma que, conforme a tabela, apenas nos meses de janeiro, fevereiro e maio foi necessário efetuar recolhimento por DARF para complementar a estimativa e que tais diferenças foram parceladas pelo PAES, sendo devidamente quitados. Alega que isso não impede de apurar o saldo negativo, até porque estas são quitadas pelo parcelamento. Demonstra a apuração mês a mês com a tabela abaixo: Com relação a acusação de que as estimativas de janeiro e fevereiro já teriam sido utilizadas em outros processos, diz que “conforme já exposto, os únicos saldos de estimativa mensal a recolher foram transportados para o PAES, de modo que quaisquer outros recolhimentos com o código de arrecadação 2362 — IRPJ estimativa — para o ano de 1999 configuram, de imediato, pagamento indevido ou a maior”. Sustenta que recolheu 2 DARF de estimativa mensal, referentes a janeiro e fevereiro, não mencionados nos dados acima, e que, por isso, devem ser considerados como outros créditos independentes do saldo negativo. Resume seus créditos no ano de 1999 com a tabela abaixo, informando que os pagamentos indevidos de janeiro e fevereiro nesses montantes é que estão sendo pleiteados nos outros 2 processos: Em 16/12/2008, a 3ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro entende que a manifestação de inconformidade é improcedente (proc. fls. 136 a 138). Conforme a DRJ, só “se considera efetivamente pago por estimativa o crédito tributário extinto por meio de dedução do IRRF sobre receitas que integraram a base de cálculo; compensação de pagamento a maior ou indevido; compensação de saldo negativo de IRPJ de períodos anteriores; compensação solicitada por meio de processo administrativo ou autorizada por medida judicial; valores Devido Meses anteriores Saldo Janeiro 157.704,89 157.704,89 Fevereiro 322.958,79 157.704,89 165.253,89 Março 394.267,48 322.958,79 71.308,69 Abril 686.393,87 394.267,48 292.126,39 Maio 1.152.621,59 686.393,87 466.227,72 Junho 671.020,69 1.152.621,59 (481.600,90) Julho 440.446,98 1.152.621,59 (712.174,61) Agosto 598.311,79 1.152.621,59 (554.309,79) Setembro 802.627,20 1.152.621,59 (349.994,39) Outubro 746_563,43 1.152.621,59 (406.058,16) novembro 307.466,34 1.152.621,59 (845.155,24) dezembro 1.046.214,43 1.152.621,59 106.407,16 Mês Principal Juros Selic Total jan/99 548.230,00 436.007,32 984.237,32 fev/99 350.576,85 271.171,19 621.748,04 Saldo negativo 106.407,16 60.130,69 166.537,85 Total => 1.005.214,01 767.309,20 1.172.523,21 Fl. 3DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , Assinado digitalmente em 13/07/2011 por CARLOS EDUARD O DE ALMEIDA GUER 4 pagos por meio de Darf”. Portanto, não se poderia deduzir estimativas parceladas após a entrega tempestiva da DIPJ. Quanto aos pagamentos indevidos de estimativas de janeiro e fevereiro, a DRJ esclarece que a DRF apenas observou que estes valores não seriam considerados, por já terem sido utilizados. Conforme a DRJ, o contribuinte não apresentou nada em sua manifestação de inconformidade que pudesse afastar a análise da DRF. Em 17/04/2009, o contribuinte é cientificado (proc. fl. 144). Em 15/05/2009, apresenta recurso voluntário (proc. fls. 147 a 158). Inicialmente pede que os processos 10768.906580/200626 e 10768.906581/200671, que versam, respectivamente, sobre a compensação com o pagamento indevido de estimativa de janeiro e fevereiro de 1999, sejam julgados em conjunto com o presente processo. Na sequencia, repete seus argumentos, pelos quais entende que pode compensar as estimativas parceladas no PAES. Também explica que os pagamentos indevidos das estimativas de janeiro e fevereiro de fato ocorreram, pois recolheu 2 DARF, de R$ 548.230,00 e R$ 350.586,85, que não foram usados no cômputo do saldo negativo. Esclarece que está compensando estes valores por meio de outros processos. Diz que a estimativa de janeiro foi quitada por meio de aproveitamento de crédito de 1997 no montante de R$ 124.366,57, de sorte que o DARF de 548.230,00 corresponde a estimativa paga a maior. Complementa dizendo que a estimativa de fevereiro foi quitada por meio de aproveitamento de crédito de 1997 no montante de R$ 128.685,14, de sorte que o DARF de 350.586,85 corresponde a estimativa paga a maior. Diz que a DRF não poderia, em 2008, analisar o saldo negativo de 1999, pois o direito do Fisco examinar já havia decaído. Argumenta que “o crédito referese a período em que o Fisco já homologou os recolhimentos geradores do crédito, reconhecendose a extinção da obrigação, o que pressupõe, por óbvio, o reconhecimento também do quantum debeatur, sem o que não se poderia atestar o cumprimento da obrigação principal”. Enfatiza que, como o Fisco já homologou o lançamento que gerou o crédito, não pode mais revêlo e nem fazer nova apuração, pois é proibido ao Fisco discutir base de cálculo de tributo já decaído. Sustenta que o prazo decadencial é de 5 anos a contar do fato gerador e, portanto, não é mais possível o Fisco recalcular a base de cálculo de tributo para fins de quantificação do crédito, devendo ser aceita a apuração declarada pelo contribuinte. Expressa seu raciocínio nos seguintes termos: Assim é que, transcorridos mais de cinco anos do fato gerador, tal como se verifica no caso vertente, sem que a autoridade fiscal tenha contestado a regularidade dos recolhimentos efetuados pelo contribuinte, considerase homologado o lançamento e operase a extinção do crédito tributário. Da extinção do crédito tributário pela homologação, inferese a definição com certeza e exatidão do valor do tributo devido em confronto com os recolhimentos efetuados, pois, do contrário, não se poderia atestar a extinção da obrigação. De fato, o contribuinte, nos termos da legislação, apresenta declarações fiscais nas quais informa o resultado fiscal do período (DCTF, DIPJ, etc). Nestas, são demonstradas todas as receitas, exclusões e deduções, que levaram à apuração do imposto devido pela empresa. Tais declarações são apresentadas justamente para permitir que o Fisco tome conhecimento dos resultados da empresa, de forma a poder avaliar se há ou não tributo em aberto. E, caso desconfie que há recolhimento a menor, deverá o Fisco efetuar a fiscalização do contribuinte, para aferir se as informações Fl. 4DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , Assinado digitalmente em 13/07/2011 por CARLOS EDUARD O DE ALMEIDA GUER Processo nº 10768.906758/200639 Acórdão n.º 110100.500 S1C1T1 Fl. 196 5 apresentadas nas Declarações estão ou não corretas, e se há ou não tributo devido. Isto importa em dizer que, a, Fiscalização somente poderá questionar os resultados apresentados nas declarações fiscais do contribuinte dentro do prazo de que dispõe para a constituição do crédito tributário. Afinal, se já não mais é permitido lançar tributo supostamente devido, tampouco poderá ser, revista a declaração fiscal do contribuinte (que só existe para permitir a análise de eventual tributo em aberto). Tal qual a homologação tácita do pagamento antecipado do crédito tributário (que se torna imutável), os resultados lançados pelo contribuinte em sua declaração tornamse imutáveis com o decurso do prazo decadência! para lançamento do tributo. Para isto, aliás, existe o instituto da decadência. Voto Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Relator. O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Conforme a DRF, as fontes de composição do saldo negativo de 1999 são as demonstradas pelo próprio contribuinte na sua DIPJ (proc. fls. 18 a 23) e DCTF (proc. fls. 25 e 26). As tabelas apresentadas pelo contribuinte na sua manifestação de inconformidade retratam a situação declarada na DIPJ e na DCTF, mencionadas pela DRF. Essas tabelas indicam que o saldo negativo decorreu do fato de que os recolhimentos referentes às estimativas de janeiro a maio de 1999 serem superior ao IRPJ anual devido. Não obstante esta concordância entre contribuinte e Fisco, em reconhecer os fatos declarados na DIPJ e DCTF, a decisão da DRF considera pressupostos diferentes daqueles informados na DIPJ e DCTF. Assim, na verdade, se tem duas posições: 1º) para o contribuinte, as estimativas de janeiro a maio são em partes extintas por compensação e apenas uma parte das estimativas de janeiro, fevereiro e maio são levadas para o PAES; 2º) já a DRF ignora as estimativas de janeiro e fevereiro e afirma que as estimativas de março, abril e maio foram parceladas por meio do PAES, mas não foram quitadas. Nessa situação, é preciso analisar as razões da posição que a DRF sustenta. Ou seja, quais os fundamentos e elementos comprobatórios que apresenta para refutar os dados declarados, que incialmente parece reconhecer. Para comprovar que as estimativas de março, abril e maio foram parceladas no PAES, a DRF apresenta cópias de telas do sistema SIEF PER/Dcomp, onde consta informação de que estas estimativas foram compensada com créditos de 1997, e também consta os dizeres “transferido para o PAES” (proc. fls. 30 a 35). No entanto, a DRF não explica como ou porque a compensação alegada pelo contribuinte (das estimativas de 1999 com créditos de 1997) seria infirmada por essas telas. A DRF apenas junta telas de sistemas da Receita, que não Fl. 5DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , Assinado digitalmente em 13/07/2011 por CARLOS EDUARD O DE ALMEIDA GUER 6 são conclusivas quanto às compensações das estimativas de 1999 com os créditos de 1997, e diz que as estimativas de março a maio foram parceladas. Assim, a afirmação da DRF fica sem demonstração e ela pretende refutar a DCTF sem qualquer explicação. Além disso não se sabe se a DRF considera que as estimativas de março a maio foram totalmente parceladas (transferidas para o PAES) ou se foram parceladas apenas nos montantes indicados pelo contribuinte. Mas, essa situação de incerteza sobre os fundamentos da decisão não é admissível. Para melhor demonstrar o quanto é descompromissada a decisão da DRF, vale recapitular brevemente a legislação relativa à compensação: 1º) o art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, permitiu a compensação entre tributos da mesma espécie; 2º) a IN DpRF nº 67, de 26/05/1992 autorizou a compensação independente de qualquer requerimento ou informação ao Fisco (o único controle da compensação era a contabilidade do contribuinte); 3º) o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, permitiu a compensação entre tributos de diferentes natureza; 4º) a IN SRF nº 73, de 1996, determinou a informação em DCTF de compensações efetuadas a partir de 01/01/1997; 5º) o art. 14 da IN SRF nº 21, de 1997, estabeleceu que somente a compensação entre tributos da mesma espécie poderia ser feita independente de requerimento; 6º) a MP nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002, e a MP 135, de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, alteraram a redação do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, estabelecendo, respectivamente, que toda compensação se daria mediante apresentação de declaração de compensação, e que o prazo para a homologação era de 5 anos. Portanto, conforme a legislação, no ano de 1999, seria possível haver a utilização do saldo negativo de 1997 ou de pagamento indevido de estimativa de 1997, para compensar estimativa de 1999, sem pedido de autorização administrativa, devendo apenas constar de DCTF. Então, para a DRF ignorar a DCTF do contribuinte (proc. fls. 25), seria preciso até examinar a contabilidade da empresa. Mas, nem este e nem um outro exame foi feito. Para melhor analisar outros aspectos da posição da DRF, cabe observar sua decisão na literalidade. Conforme consta do parecer, a DRF sustenta que não cabe reconhecer o saldo negativo porque: As estimativas correspondentes aos períodos de apuração de Março, Abril, e Maio de 1999, foram parceladas através do PAES. Dessa maneira, estes valores não podem ser considerados efetivamente pagos, tendo em vista que o parcelamento não foi quitado. Da afirmativa se conclui que a razão do não reconhecimento do crédito é o fato de que as estimativas parceladas não estarem ainda quitadas. Porém, abstraindose do fato de que, conforme a DCTF, apenas parte da estimativa de janeiro, fevereiro e maio teria sido parcelada, cabe notar que a DRF afirma que o parcelamento não foi quitado sem juntar qualquer comprovação deste fato. Novamente, tal afirmativa por si só é inaceitável. Não é possível fundamentar a decisão na não quitação do parcelamento e afirmar tal fato, sem comprovar que não houve a quitação ou sem dar qualquer informação sobre o montante parcelado e o montante já pago até a data da decisão. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , Assinado digitalmente em 13/07/2011 por CARLOS EDUARD O DE ALMEIDA GUER Processo nº 10768.906758/200639 Acórdão n.º 110100.500 S1C1T1 Fl. 197 7 Mesmo considerando que se passaram apenas 5 anos, entre a data da Lei nº 10.684, de 2003, e a data da decisão, e que a lei permitia parcelar em até 180 meses, existem outras condições na lei que possibilitariam que o parcelamento estivesse quitado ou mesmo que o contribuinte tivesse quitado o parcelamento por sua vontade, na época da análise da DRF. Por isso, a DRF não poderia simplesmente afirmar que o parcelamento não foi quitado sem demontrar este fato. Ademais, também seria relevante, para analisar a questão, saber o quanto do parcelamento foi pago na época da decisão. Porém, existem outros pontos deficientes na decisão da DRF. Conforme a DIPJ e DCTF, retratadas nas tabelas do contribuinte, também existiram estimativas em janeiro e fevereiro. Mas, a DRF se refere a estas estimativas de modo absolutamente dúbio, dizendo que existem dois processos onde o contribuinte pleiteia pagamento indevido ou a maior de estimativas de janeiro e fevereiro e que estes valores não podem ser considerados na apuração do saldo negativo. Assim, a DRF não esclarece se os valores referentes aos pagamentos indevidos ou a maior são os mesmos que compuseram o saldo negativo que é objeto do presente processo ou se são outros recolhimentos que nada tem a ver com o crédito deste processo. Mas, frente a total falta de explicação com que a DRF trata as estimativas de janeiro e fevereiro, parece que a DRF considerou (sem fundamentar e nem explicar) que os pleitos existentes nos dois processos prejudicavam o pleito deste e permitia ignorar as estimativas de janeiro e fevereiro. Em resumo, a DRF sustenta o não reconhecimento do crédito insinuando que as estimativas de janeiro e fevereiro estão solicitadas em outros processos e afirmando que as estimativas de março, abril e maio foram parceladas e não foram quitadas. Mas, ela não explica como chegou a esta conclusão, não refuta a compensação parcial destas estimativas com créditos de 1997 declaradas na DCTF que menciona, não justifica seu posicionamento quanto as estimativas de janeiro e fevereiro, não diz o quanto do parcelamento foi pago e o quanto não foi pago, etc. Em suma, não apresenta nenhuma análise e comprovação de suas conclusões. Com tais vícios, nos fundamentos, o despacho decisório é nulo. Nesta situação, só restou ao contribuinte, na sua manifestação de inconformidade, repetir os dados existentes na sua DIPJ e DCTF. Além disso, o contribuinte tenta explicar a situação dos pagamentos indevidos referentes às estimativas de janeiro e fevereiro e os outros dois processo, para alegar que são questões diferentes da julgada neste processo. Já a DRJ julgou improcedente a manifestação alegando que não era possível deduzir do IRPJ anual as estimativas parceladas após a entrega da DIPJ. No entender da DRJ só “se considera efetivamente pago por estimativa o crédito tributário extinto por meio de dedução do IRRF sobre receitas que integraram a base de cálculo; compensação de pagamento a maior ou indevido; compensação de saldo negativo de IRPJ de períodos anteriores; compensação solicitada por meio de processo administrativo ou autorizada por medida judicial; valores pagos por meio de Darf”. É importante notar a diferença entre a fundamentação do ato da DRF e da fundamentação da decisão da DRJ. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , Assinado digitalmente em 13/07/2011 por CARLOS EDUARD O DE ALMEIDA GUER 8 A DRF alega que os valores correspondentes às estimativas não podem ser considerados efetivamente pagos, tendo em vista que o parcelamento não foi quitado. A DRJ entende que estimativas parceladas após a entrega da DIPJ não podem compor a apuração do saldo negativo. Ou seja, conforme a DRF, estimativas parceladas podem ser computadas na apuração do saldo negativo, desde que o parcelamento esteja quitado. Já a DRJ não admite tal possibilidade. Portanto, a DRJ inovou na fundamentação do ato e manteve a decisão atacada por fundamentos diferentes daqueles que a motivaram. Assim, também a decisão da DRJ seria nula, se antes dela já não o fosse a decisão da DRF. Além disso, a DRJ minimiza a nulidade da decisão da DRF no que tange à falta de explicação e fundamentação para ignorar as estimativas de janeiro e fevereiro. Conforme a DRJ, os dizeres da DRF não afetariam a questão, pois a DRF apenas teria dito que os pagamentos indevidos não poderiam compor o saldo negativo, não tendo se referido às estimativas devidas. Ora, essa explicação não justifica a falta de fundamentação e explicação da DRF sobre as estimativas de janeiro e fevereiro consideradas na apuração do saldo negativo. Assim, também neste aspecto da questão a decisão da DRJ seria nula, se antes dela já não o fosse a decisão da DRF.. O § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, permite que o julgador não se manifeste a respeito de nulidade, se for possível decidir a favor do contribuinte. No caso em concreto, tal decisão, a par de sua complexidade jurídica, dependeria de verificações que não foram feitas no momento oportuno pela DRF. Por exemplo, para analisar a possibilidade de decidir em favor do contribuinte, seria preciso converter o julgamento em diligência para se determinar exatamente: a situação das estimativas de janeiro e fevereiro e os outros dois processos, bem como a situação da compensação das estimativas de 1999 com os créditos de 1997, e ainda verificar a situação do parcelamento. Deste modo, a possibilidade de decisão favorável depende de um resultado incerto. Assim, não há como evitar a declaração de nulidade da decisão da DRF, por vício material. Por estas razões, voto por declarar a nulidade da decisão da DRF por vício material. Sala das Sessões, 30 de junho de 2011. (assinado digitalmente) Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro Relator Fl. 8DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , Assinado digitalmente em 13/07/2011 por CARLOS EDUARD O DE ALMEIDA GUER Processo nº 10768.906758/200639 Acórdão n.º 110100.500 S1C1T1 Fl. 198 9 Fl. 9DF CARF MF Impresso em 13/02/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE , Assinado digitalmente em 13/07/2011 por CARLOS EDUARD O DE ALMEIDA GUER
score : 1.0
Numero do processo: 11050.001405/2009-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 25/08/2004
REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE NA EXPORTAÇÃO. MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005).
VIGÊNCIA E APLICABILIDADE.
Em se tratando do descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF no 28/1994, a multa instituída no art. 107, IV, “e” do Decreto-lei
no 37/1966, na redação dada pela Lei no 10.833/2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex.
Recurso Voluntário Provido,
Numero da decisão: 3202-000.343
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres.
Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Octávio Carneiro Silva Corrêa.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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MULTA DO ART. 107, IV, “E” DO DL 37/1966 (INs SRF 28/1994 E 510/2005). VIGÊNCIA E APLICABILIDADE. Em se tratando do descumprimento do prazo de registro dos dados de embarque na exportação estabelecido pelo art. 37 da IN SRF no 28/1994, a multa instituída no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/1966, na redação dada pela Lei no 10.833/2003, somente começou a ser passível de aplicação a partir de fatos ocorridos a partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF no 510/2005 entrou em vigor e fixou prazo certo para o registro desses dados no Siscomex. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres. Ausente momentaneamente o Conselheiro Octávio Carneiro Silva Corrêa. José Luiz Novo Rossari Presidente. Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Júnior e Paulo Sergio Celani. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 2 Relatório Para fins de resumir a controvérsia, adoto o relatório do acórdão recorrido. “Trata o presente processo do auto de infração de fls. 02 a 06, por meio do qual encontrase formalizada a exigência do crédito tributário no valor de R$ 20.000,00 em decorrência do fato de a interessada, segunda a autuação, ter registrado intempestivamente os dados de embarque de mercadorias, relativos aos despachos de exportação indicados às fls. 04 e 05, descumprindo dessa forma a obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, de 27 de abril de 1994, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005, sujeitandose por essa infração à multa prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, com a redação dada pelo art. 61 da Medida Provisória nº 135, de 2003, publicada no DOU de 31/10/2003, e confirmada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Cientificada da exigência que lhe é imposta, a interessada apresenta a impugnação de fls. 11 a 29, onde, em preliminar, propugna pela nulidade do lançamento em face da extinção do prazo do direito de constituir o crédito tributário em relação às infrações com fatos geradores ocorridos até o dia 22/08/2004, haja vista que a ciência do auto de infração que consubstancia as exigências em questão ocorreu em 24/08/2009 (v. AR juntado à fl. 09). No mérito, em síntese, argumenta; a) a falta de proporcionalidade e razoabilidade da penalidade diante da infração acusada; b) que não pode ser punida de forma repetida pelo mesmo fato, sob pena de se caracterizar bis in idem; c) não houve prejuízo ao Erário Público; d) atendida a obrigação, mesmo que a destempo, mas acompanhada do pagamento integral do principal, ineficaz a aplicação da multa, já que o cumprimento do principal extingue o acessório” A impugnação foi considerada procedente em parte pela unidade julgadora da RFB, nos termos do acórdão recorrido, cuja ementa está assim redigida: “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário. Data do fato gerador: 14/08/2004, 15/08/2004, 22/08/2004 Crédito Tributário. Constituição. Prazo. Extinção. Exclusão. É de ser excluído o valor do crédito tributário correspondente a penalidade por infração cuja exigência tenha sido notificada ao sujeito passivo após o decurso do prazo de cinco anos, a contar da data da infração, em face da extinção do direito de sua constituição. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 25/04/2005. Registro dos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação. Realização. Intempestiva. Infração. Penalidade. O registro dos dados de embarque, no Siscomex, relativo à mercadoria destinada à exportação realizado fora do prazo fixado constitui infração pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 37 da Instrução Normativa SRF nº 28, Fl. 94DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 11050.001405/200932 Acórdão n.º 3202000.343 S3C2T2 Fl. 93 3 de 1994 sujeitando o transportador à multa prevista na alínea “e” do inciso IV do art. 107 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.” Contra a decisão, a contribuinte ingressou com o recurso voluntário em análise, no qual repete os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade e é da competência da 3a. Seção de Julgamento. Logo, deve ser conhecido. Antes de mais nada, esclareço que a data do fato gerador da infração para a qual foi mantida a penalidade constante da ementa do acórdão recorrido está incorreta. O certo é 25/08/2004 e não 25/04/2005. Observo que a recorrente apenas apresenta argumentos de direito; ela não nega os fatos descritos no auto de infração, o que nos impõe considerálos verdadeiros. Conforme já assentado pelo relator do acórdão recorrido, as infrações que ensejaram a lavratura do auto de infração que deu origem a este processo não dizem respeito a operações de importação, mas sim a exportações. Especificamente, a conduta atribuída à recorrente foi deixar de registrar nos sistemas informatizados de controle aduaneiro, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, os dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação. A recorrente não nega que procedeu aos registros somente após terem sido transcorridos sete dias do embarque. Afirma que, não obstante isto, tal intempestividade não seria suficiente para justificar a imposição da multa. A infração e a sanção em discussão estão definidas e fundamentadas na legislação aduaneira, em especial no DecretoLei n.º 37, de 18/11/1966, que possui status de lei. Vejamse alguns de seus dispositivos em vigor na data dos fatos e que fundamentaram a lavratura do auto de infração: “Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a Fl. 95DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 4 chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) ...” “Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” “Art.96 As infrações estão sujeitas às seguintes penas, aplicáveis separada ou cumulativamente: ... III multa; ....” “Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) ... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) ... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e ... § 2o As multas previstas neste artigo não prejudicam a exigência dos impostos incidentes, a aplicação de outras penalidades Fl. 96DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 11050.001405/200932 Acórdão n.º 3202000.343 S3C2T2 Fl. 94 5 cabíveis e a representação fiscal para fins penais, quando for o caso. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)” A autoridade fiscal fundamenta a aplicação da penalidade, também no art. 37 da Instrução Normativa SRF n.º 28/94, de 27/04/1994, que com a redação dada pela IN SRF n.º 510/2005, de 14/02/2005, dispõe: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. § 1º Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da SRF de despacho. § 2º Na hipótese de embarque marítimo, o transportador terá o prazo de sete dias para o registro no sistema dos dados mencionados no caput deste artigo.” Da leitura destes dispositivos, restaria claro que, ao deixar de registrar os dados de embarque de mercadorias objeto de declarações de exportação, no prazo de sete dias, contados da data do embarque, a recorrente não se conduziu do modo exigido no art.37 e na alínea “e” do inciso IV do art. 107, do DL n.º 37/66, fazendo incidir o comando do caput e do inciso IV deste artigo 107, ou seja, caracterizarseia infração, que, por força de lei, ensejaria aplicação da multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) ao infrator por infração. Há aqui, porém, um equívoco. É que, no caso, o embarque do navio ocorreu em 17/08/2004, quando ainda não havia sido editada a IN SRF n.º 510/2005. O artigo 37 da IN SRF n.º 28/94 possuía, então, a seguinte redação: “Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho.” Logo, não se podia aplicar, na época dos fatos, o prazo de sete dias para o registro de dados de embarque de mercadoria, na via marítima, vez que a Secretaria da Receita Federal o estabeleceu apenas em 15/02/2005, por meio da IN SRF n.º 510/2005. Verificase, portanto, que o auto de infração está fundamentado em norma inadequada para aplicação da sanção, o que, por si só, não caracteriza cerceamento do direito de defesa, haja vista que a recorrente teve conhecimento dos fatos e da sanção que lhe foram imputados, tendo impugnado a exigência com argumentos que demonstram tal conhecimento. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 6 Por outro lado, verificase que a lei determina que a infração se dá com o descumprimento da obrigação de prestar informações na forma e no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, de sorte que se estes não tiverem sido estabelecidos, não há que se falar em infração. Como vimos, conforme art. 37 da IN SRF n.º 28/94, com a redação vigente à data dos fatos, a forma estabelecida pela Receita Federal para a prestação de informações relativas ao embarque de mercadoria seria o registro dos seus dados no Sistema Integrado de Comércio ExteriorSiscomex. O momento para a efetivação destes registros era “imediatamente após realizado o embarque da mercadoria”. O termo “imediatamente”, no caso, pode levar à interpretação de que o prazo seria indeterminado ou que seria no instante seguinte ao do embarque. De uma ou de outra forma, não pode a imposição da penalidade se sustentar, pois se “imediatamente” implica um prazo indeterminado, não há como aplicar a pena sob a alegação de que o prazo de sete dias, ou qualquer outro, foi descumprido; e, se o termo “imediatamente” significa que o transportador ou o agente de carga deve proceder aos registros do embarque nos instantes seguintes a este, vale dizer, nos segundos ou minutos seguintes, então, este termo não define um prazo. Determinar que alguém deve fazer algo imediatamente não pode ser equiparado a dar um prazo a este alguém para fazêlo. Ora, o comando da norma é claro: deve haver um prazo para o cumprimento da obrigação. A própria RFB reconheceu a impropriedade de se exigir que o registro dos dados de embarque se fizesse nos instantes seguintes à sua efetivação que expediu a Notícia Siscomex no 105/1994, pela qual veiculou que o termo “imediatamente” deveria ser entendido como “em até 24 horas da data do efetivo embarque da mercadoria”. Por outro lado, uma vez que Notícia Siscomex não possui caráter normativo, nem sequer consta da Portaria SRF n.º 1, de 02/01/2001, que disciplina a edição de atos de natureza tributária e aduaneira, de atos administrativos, despachos e correspondência da Secretaria da Receita Federal, o prazo de 24 horas nela referido não pode ser considerado como o prazo a ser exigido do transportador ou agente de carga. Deste modo, o prazo somente foi estabelecido com a edição da IN SRF n.º 510/2005, portanto, só após a sua entrada em vigor se pode dizer que foi descumprido. Não vejo, pois, como manter a autuação nos termos em que formalizada, especialmente, porque à época dos fatos não havia um prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal para a efetivação dos registros dos dados de embarque de mercadoria destinada ao exterior, motivo pelo qual dou provimento ao recurso voluntário, consideradas prejudicadas as demais alegações da recorrente. Paulo Sergio Celani. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 11050.001405/200932 Acórdão n.º 3202000.343 S3C2T2 Fl. 95 7 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 27/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/03/2012 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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