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Numero do processo: 10283.720308/2010-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário: 2006 e 2007
Ementa:
SIMPLES. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO DE EXCLUSÃO E DE ATO DA ADMINISTRAÇÃO PROCEDENDO A EXCLUSÃO DE OFÍCIO. LANÇAMENTO NA MODALIDADE PREVISTA PARA O SIMPLES. VALIDADE.
Apurado omissões em empresa do SIMPLES que resultam em receitas que ultrapassam o limite previsto para tributação com base em tal modalidade, sem que a contribuinte tenha requerido sua exclusão ou diante da inexistência de ato da Administração procedendo a exclusão de ofício, é cabível o lançamento que exige tributos com base na legislação do SIMPLES. Recurso de ofício parcialmente provido para restabelecer as exigências do regime do simples.
INCONSTITUCIONALIDADE. Súmula do nº 2 do CARF.
Nos termos da Súmula nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso de ofício parcialmente provido.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 1402-000.898
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em 1) dar provimento parcial ao recurso de ofício somente para restabelecer as exigências do regime do simples do primeiro semestre do ano calendário de 2007, excluindo da base de cálculo o valor de R$ 7.046.432,80, em face de duplicidade. 2) negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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SIMPLES FEDERAL Recorrentes M B MAGALHAES BRASIL FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 e 2007 Ementa: SIMPLES. INEXISTÊNCIA DE PEDIDO DE EXCLUSÃO E DE ATO DA ADMINISTRAÇÃO PROCEDENDO A EXCLUSÃO DE OFÍCIO. LANÇAMENTO NA MODALIDADE PREVISTA PARA O SIMPLES. VALIDADE. Apurado omissões em empresa do SIMPLES que resultam em receitas que ultrapassam o limite previsto para tributação com base em tal modalidade, sem que a contribuinte tenha requerido sua exclusão ou diante da inexistência de ato da Administração procedendo a exclusão de ofício, é cabível o lançamento que exige tributos com base na legislação do SIMPLES. Recurso de ofício parcialmente provido para restabelecer as exigências do regime do simples. INCONSTITUCIONALIDADE. Súmula do nº 2 do CARF. Nos termos da Súmula nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso de ofício parcialmente provido. Recurso voluntário negado Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em 1) dar provimento parcial ao recurso de ofício somente para restabelecer as exigências do regime do Fl. 373DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.720308/201080 Acórdão n.º 140200.898 S1C4T2 Fl. 0 2 simples do primeiro semestre do anocalendário de 2007, excluindo da base de cálculo o valor de R$ 7.046.432,80, em face de duplicidade. 2) negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.720308/201080 Acórdão n.º 140200.898 S1C4T2 Fl. 0 3 Relatório M B MAGALHAES BRASIL, firma individual, sem registro de empregados (fl. 162 e 174), que se dedica ao comércio atacadista de carnes e derivados, já qualificada nos autos, com fundamento no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, recorre da decisão de primeira instância, que julgou procedente o lançamento de fls. 01 e seguintes, exigindo crédito tributário correspondente ao ano de 2006, que junto com a multa de 75% e juros de mora calculados até 18/06/10 perfaz o montante de R$ 12.775.146,50. O auto de infração de fls. 01 e seguintes descreve duas infrações, a saber: a) Omissão de receita (fl. 04); b) insuficiência de recolhimento (fl. 02). O recurso diz respeito somente aos aspectos relacionados à infração descrita como omissão de receita, contida no item 001 da fl. 04, de onde extraio a seguinte passagem: “0 contribuinte que atua no mercado de carnes ... Através das DAMS acessadas pela DRFB/MNS verificouse uma incompatibilidade entre a receita declarada com os valores oferecidos à tributação federal. Sendo assim, foi confirmada a ausência de declaração de rendimentos bem como a ausência de pagamentos pelas receita auferidas pela empresa. (...)” Destacamos que a empresa esta sendo autuada por omissão de receita nos anoscalendários de 2006 e 2007. A título esclarecedor informamos que em 2006 ela operou pelo SIMPLES e em 2007 operou até junho pelo SIMPLES e a partir de julho pelo Lucro Presumido. Desse modo, foram formalizados dois processos administrativos fiscais, sendo um deles referente ao período de 01/01/2006 até 30/06/2007 e o outro de 01/07/2007 até 30/12/2007 onde o sujeito passivo optou pelo lucro presumido. 0 valor da omissão para o período compreendido no SIMPLES (01/01/2006 a 30/06/2007) foi de R$39.844.088,63 (trinta e nove milhões oitocentos e quarenta e quatro mil e sessenta e três centavos), e para o período presumido (01/07/2007 a 31/12/2007) o valor da omissão foi de R$12.931.511,91 (doze milhões novecentos e trinta e um mil e noventa e um centavos). O que está em julgamento neste processo é o auto de infração de fls. 01 a 95 correspondente ao período de 1º de janeiro de 2006 a 30 de junho de 2007. Da decisão recorrida Do acórdão recorrido ainda extraio os seguintes trechos para efeito de relatório. Trata o processo de lançamentos (fls. 01/95), ciência em 18/06/2010 (fl. 03), decorrentes do SIMPLES (01/2006 a 06/2007) de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, PIS, CSLL, Cofins e Contribuição para a Seguridade Social, no montante de R$ 12.775.146,50, já acrescidos de multa de oficio e juros de mora calculados até 31/05/2010. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.720308/201080 Acórdão n.º 140200.898 S1C4T2 Fl. 0 4 2. Segundo Descrição dos Fatos (fls. 04/05) a imputação fundamentouse em valores não declarados de receitas contidas em DAMS/ICMS (livro de apuração do ICMS) fornecidos pelo contribuinte. No período de 01/2006 a 06/2006o contribuinte omitiu R$ 39.844.088,63. (...). A multa aplicada é de 75% (setenta e cinco por cento), inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96, no que concerne à infração Insuficiência de Recolhimentos e Omissão de Receitas. Responsabilidade Do Sr. Moab Bezerra Magalhães, que detém 100% do capital social da empresa, CPF 592.916.05700, conforme arts 134, II e VII, art. 135 e 136 do CTN. A interessada apresentou impugnação (fls. 197/278), de 19/07/2010, em que alega, em resumo: a) A receita anual da impugnante nos exercícios 2006 e 2007, assim como no exercício 2005, em muito ultrapassaram os limites de faturamento previstos na Lei 9.317/06 para permanência no Simples. Logo, o Impugnante deveria ser excluído do sistema, de oficio, e não ser tributado com base nele. b) O Impugnante desconhece os motivos pelos quais o contador (SR. Romos Otaviano de Lima, que já faleceu) prestou informações com as receitas auferidas em descompasso com a realidade; c) Não detém conhecimentos de matérias tributárias; d) 0 agente fiscal somou os valores contidos nas colunas "valor contábil" e "base de cálculo", do livro de apuração do ICMS, nos meses de março, abril, maio, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2006 e janeiro a junho de 2007. Mas, o montante do “valor contábil" já contém o montante de "base de cálculo" ; A julgou parcialmente procedente o lançamento com base nos seguintes fundamentos: (....) 11. 0 art. 16° da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, prescreve que a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Ou seja, enquanto não operarem os efeitos da exclusão a tributação permanecerá a ser efetuada através do Simples. 0 art. 15 da mesma lei prevê o prazo para que surta efeito a exclusão, conforme a razão seja receitas acima do limite legal (inciso IV): a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido. Logo, para o anocalendário 2007 não poderia ser aplicado a sistemática do Simples. Já para o anocalendário 2006 a aplicação do Simples não encontra óbice, visto que não comprovado o excesso de receita no anocalendário 2005. "Art. 14. A exclusão darseá de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: Fl. 376DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.720308/201080 Acórdão n.º 140200.898 S1C4T2 Fl. 0 5 II embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio OU atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição de auxilio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei 1705. 172, de 25 de outubro de 1966 (Sistema Tributário Nacional); Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9'; V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos I a VII do artigo anterior." 12. Procede a observação do Impugnante de que o agente fiscal somou os valores contidos nas colunas "valor contábil" e "base de cálculo", do livro de apuração do ICMS, nos meses de março, abril, maio, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2006 e janeiro a junho de 2007. Mas , o montante do "valor contábil" já contém o montante de "base de cálculo", conforme se depreende do Extrato DAM (código 5102 — vendas de mercadoria adquiridas ou recebida de terceiros, fls. 111/145), tendose em vista que a rubrica "base de cálculo" representa a diferença entre os montantes sob o código 5102. 9. A intenção de fraudar, de agir de máfé e de prejudicar terceiros é fundamental, mas não podemos incluir a falta de pagamento do tributo como uma situação suficiente para a tipificação da responsabilidade estipulada no art. 135, pois a infração de lei não se refere ao inadimplemento da obrigação e sim à prática de atos jurídicos ilícitos prévios. A infração deve ser identificada em momento anterior ao inadimplemento da obrigação, pois se refere às circunstâncias relacionadas à prática do evento descrito no fato jurídico, e não à satisfação do crédito. 10. Percebemos que o caso deste processo se enquadra perfeitamente no art. 135 do CTN, pois está configurado o dolo, a vontade dos sócios administradores em prejudicar o Fisco, como fartamente demonstrado pela fiscalização, infringindo a lei ao apresentar a DIPJ com valores flagrantemente inferiores aos constantes nos livros fiscais do ICMS. 11. 0 art. 16° da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, prescreve que a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarsed, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, As normas de tributação aplicáveis As demais pessoas jurídicas. Ou seja. enquanto não operarem os efeitos da exclusão a tributação permanecerá a ser efetuada através do Simples. 0 art. 15 da mesma lei prevê o prazo para que surta efeito a exclusão, conforme a razão seja receitas acima do limite legal (inciso IV): a partir do anocalendário subseqüente Aquele em que for ultrapassado o limite estabelecido. Logo, para o ano calendário 2007 não poderia ser aplicado a sistemática do Simples. Já para o ano calendário 2006 a aplicação do Simples não encontra óbice, visto que não comprovado o excesso de receita no ano calendário 2005. "Art. 14. A exclusão darseá de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: Fl. 377DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.720308/201080 Acórdão n.º 140200.898 S1C4T2 Fl. 0 6 II embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos a que estiver obrigada, bem assim pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio OU atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição de auxilio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Sistema Tributário Nacional); Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9°; V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos lia VII do artigo anterior." 12. Procede a observação do Impugnante de que o agente fiscal somou os valores contidos nas colunas "valor contábil" e "base de cálculo", do livro de apuração do ICMS, nos meses de março, abril, maio, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2006 e janeiro a junho de 2007. Mas , o montante do "valor contábil" já contém o montante de "base de cálculo", conforme se depreende do Extrato DAM (código 5102 — vendas de mercadoria adquiridas ou recebida de terceiros, fls. 111/145), tendose em vista que a rubrica "base de cálculo" representa a diferença entre os montantes sob o código 5102. 13. Neste sentido, voto por considerar procedente em parte o lançamento contestado, exonerandose a tributação relativa ao ano calendário 2007 e modificando a tributação relativa ao ano calendário 2006 nos seguintes valores: Os valores a que se refere à autoridade fiscal constam da planilha de fls. 351, que destacarei no voto. A parte foi cientificada do acórdão da DRJ em 03/02/2011 (fl. 354) e em 02/03/2011 ingressou com o recurso de fls. 359 e seguintes, alegando, em síntese: I – que o acórdão recorrido não apreciou a questão relacionada à exclusão da Recorrente do Simples, no ano de 2006, razão pela qual se faz necessário trazer a baila, mais uma vez, matéria. II – que tendo as receitas da recorrente, já no mês de fevereiro de 2006, ultrapassado os limites previstos na Lei nº 9.317, de 1996, ela deveria ter sido excluída de ofício do SIMPLES, conforme previsto nos artigos 12, 13 e 14 da Lei nº 9.316, de 1997. III – que ao não praticar o ato de exclusão de ofício e não considerar a Recorrente como enquadrada em regime normal de tributação como p. ex. o de lucro presumido , o agente fiscal cometeu grave erro de direito, que torna insubsistente o auto de infração. IV – Quanto ao direito, em análise sumária de cognição, está que a base legal art. 1° da MP n° 275, de 2005, que altera o art. 5° da Lei n° 9.317/96, utilizada para a aplicação dos percentuais de 9,80%, 12,60 % e 15,12 %, na coluna Percentuais, a partir do mês Fl. 378DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.720308/201080 Acórdão n.º 140200.898 S1C4T2 Fl. 0 7 de janeiro de 2006, no AINF em face da Recorrente, é inconstitucional em virtude do regramento contido na Emenda Constitucional n° 32/2001. È que a aludida Emenda Constitucional dispõe que "a MP que implique instituição ou majoração de impostos, exceto os previstos no art. 153, I, II, IV, e 154, II, da CF, só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada." V Uma vez que a MP n° 275/2005 fora convertida na Lei n° 11.307, em 19/05/2006, dúvidas não restam a cerca da inconstitucionalidade da cobrança em tela. É o relatório. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.720308/201080 Acórdão n.º 140200.898 S1C4T2 Fl. 0 8 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo. Quanto ao recurso de ofício o mesmo também preenche os requisitos de admissibilidade e merece ser conhecido. Inicio o exame dos autos pelo recurso de ofício. Do recurso de ofício Ao apurar a omissão de receita a autoridade fiscal, nos meses de março, abril, maio, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2006 e janeiro a junho de 2007, somou o “valor contábil” e o “valor da base de calculo”. Contudo, o primeiro já contém as receitas do segundo, o que importou em tributar duplamente parte das receitas. Às fls. 115, 117, 119, 127, 129, 131 e 133, encontramse os seguintes valores: Ano de 2006 competência venda de mercadorias base de cálculo valor contábil Março (fl. 115) 1.669.189,29 1.129,00 1.670.318,29 Abril (fl. 117) 1.120.988,11 1.530,00 1.122.518,11 Maio (fl. 119) 1.246.310,68 7.650,00 1.253.960,68 Setembro (fl. 127) 1.295.124,22 7.475,50 1.302.599,72 Outubro (fl. 129) 1.185.689,15 45.936,25 1.231.605,40 Nov (fl. 131) 1.291.940,30 54.818,30 1.346.758,60 Dezembro (fl. 133) 1.509.586,72 25.624,00 1.535.210,72 Da análise do quadro acima, conforme dito anteriormente, depreendese que o valor contábil decorre da soma do item vendas de mercadorias mais o item base de cálculo. Em síntese, o item base de cálculo mais venda de mercadorias compõe o valor total das omissões. Contudo, quando se verifica planilha de fl. 112 percebese que nos meses acima indicados a autoridade somou os dois valores, quando o correto seria pegar somente os valores da quarta coluna, identificados como valor contábil. Neste sentido, correto o acórdão recorrido no ponto em que destaca a seguinte passagem: “12. Procede a observação do Impugnante de que o agente fiscal somou os valores contidos nas colunas "valor contábil" e "base de cálculo", do livro de apuração do ICMS, nos meses de março, abril, maio, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2006 e janeiro a junho de 2007. Mas , o montante do "valor contábil" já contém o montante de "base de cálculo", conforme se depreende do Extrato DAM (código 5102 — vendas de mercadoria adquiridas ou recebida de terceiros, fls. 111/145), Fl. 380DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.720308/201080 Acórdão n.º 140200.898 S1C4T2 Fl. 0 9 tendose em vista que a rubrica "base de cálculo" representa a diferença entre os montantes sob o código 5102.” Quanto ao ano de 2007, quando se verifica a planilha de fl. 110, percebese que, salvo em relação ao mês de abril, a autoridade fiscal cometeu o mesmo equívoco verificado nos parágrafos acima, o que resultou em aumento indevido da base de cálculo no montante de R$ 7.046.432,80, importância esta que deve ser excluída da base de cálculo, adotando para tal as mesmas razões já apontadas em relação ao ano de 2006. Ainda em relação ao anocalendário de 2007, o acórdão recorrido excluiu integralmente a exigência do crédito tributário por considerar que tendo a empresa, no ano de 2006, excedido ao limite da receita para enquadramento no SIMPLES não poderia a fiscalização, em 2007, fazer exigência com base em tal sistemática. Para o acórdão recorrido tal exigência deve ser cancelada pois, em outras palavras, pretender ajustar a base de cálculo para aplicar lucro arbitrado importaria em novo lançamento na medida em que isto corresponde em alteração da descrição dos fatos, da base de cálculo, forma de tributação e norma de incidência tributária. Ao meu sentir, absolutamente precisos os fundamentos do acórdão recorrido, quando destaca que não cabe à instância julgadora adequar o lançamento. Neste sentido, louvo me dos fundamentos da declaração de voto que apresentei na Câmara Superior de Recursos Fiscais, quando do julgamento do processo nº 10540.001336/200393, “in verbis”: “Não se pode agravar a situação da parte recorrente, razão pela qual acompanho o voto do relator pelas conclusões. No entanto, peço vênia para deixar registrado que tendo a Câmara Julgadora, na análise da prova, formado convencimento de que todos os recursos que transitaram na conta bancária são oriundos da atividade rural, não prospera o lançamento feito com base na omissão de rendimentos caracterizada por depósito bancário não justificado (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996) e não cabe a este órgão alterar a fundamentação legal da exigência para exigir crédito tributário com base no artigo 5º da Lei nº 8.023, de 1990, sob pena de violação das disposições constantes no artigo 18, § 3º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que assim dispõe: § 3º. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 09.12.1993). Diante da análise da prova e a conclusão a que chegou o colegiado, à luz da norma acima transcrita, grifada por mim, caso o crédito tributário não tenha sido extinto pela decadência, o que cabe é a lavratura de novo auto de infração. ....(omis...) Fl. 381DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.720308/201080 Acórdão n.º 140200.898 S1C4T2 Fl. 0 10 Superada as questões iniciais acerca da matéria, formada convicção de que os recursos tributados como depósitos bancários são provenientes de receitas omitidas na atividade rural, passo analisar o voto recorrido tributando a receita omitida na forma dos artigos 4º e 5º, da Lei nº 8.023, de 1990. Ao estabelecer os requisitos do auto de infração, o artigo 10 do Decreto 70.235, de 1972, dispõe “in verbis”: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Os requisitos previstos nos incisos III e IV, a saber, a descrição do fato e a disposição legal infringida são elementos essenciais do lançamento. Havendo erro quanto à descrição do fato tributado, por conseqüência, a descrição legal infringida e a penalidade também estarão incorretas. Em tais hipóteses, quer em face das normas aqui citadas, quer em razão do que dispõe o artigo o artigo 142 do CTN1, o auto de infração não pode subsistir. No caso dos autos, o fato tributado foi “omissão de rendimentos caracterizada por depósito bancário não justificado” e a norma apontada como de incidência foi o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. No decorrer do processo se apurou que não se tratava de omissão de rendimentos caracterizada por depósito bancário, mas sim de receita proveniente da atividade rural cuja norma de exigência tributária é o artigo 4º da Lei nº 8.023, de 1990. Em tais circunstâncias não é lícito que o órgão julgador, a pretexto de corrigir, faça um novo lançamento indicando nova matéria fática; nova regra de incidência e novo montante do tributo devido. Tal modo de agir se constitui em procedimento que a autoridade julgadora não tem competência para tal. Quem julga não pode fazer lançamento e quem faz lançamento não pode julgar. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não tem competência para, em julgamento, alterar a descrição da matéria tributável e a regra de incidência tributária e ao mesmo tempo proferir julgamento em relação ao seu próprio lançamento. Em face ao que dispõe o § 3º do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, anteriormente transcrito, em exames posteriores, não se pode inovar ou alterar a fundamentação da exigência tributária, sem lavratura de novo auto de infração. A propósito assunto, Luiz Henrique Barros Arruda, destaca que o termo agravar, na acepção do Decreto n.º 70.235/72, não significa apenas tornar a exigência mais onerosa, mas compreende também modificar os argumentos que a suportam ou seus fundamentos, a exemplo do que 1 “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Fl. 382DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.720308/201080 Acórdão n.º 140200.898 S1C4T2 Fl. 0 11 requer a lavratura de auto de infração ou notificação de lançamento suplementar, nos termos do artigo 18, § 3.º (Arruda, Luiz Henrique Barros de. "Processo Administrativo Fiscal", Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1994, 2.ª ed., p. 55)". Em relação ao assunto, ainda transcrevo a seguinte passagem do acórdão nº 04.01.040, da CSRF, correspondente a julgamento que se realizou na sessão de 07 de outubro de 2008, em que fui designado para fazer o voto vencedor: `... Pois bem, no caso concreto a matéria tributável de que trata o auto de infração está caracterizada como sendo presunção de omissão de depósitos bancários não justificados (art. 42 da Lei nº 9.420, de 1996). Ao avaliar a prova dos autos, a Douta Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes identificou que não se trata de depósitos bancários de origem não justificada, mas sim de rendimentos omitidos provenientes da atividade rural. Em sendo rendimentos provenientes da atividade rural, por evidente que a matéria tributável em nada se identifica com aquela que foi descrita no auto de infração. Em sendo outra matéria tributável, por conseqüência a norma de incidência tributária também é outra, no caso o artigo 5º da Lei nº 8.023, de 19902. Não posso concordar com a decisão da Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes no ponto em que, verificando que a matéria tributável não é aquela que foi descrita no auto de infração, ao apreciar o recurso, faz uma verdadeira alteração da descrição dos fatos e da norma de incidência tributária para exigir o imposto com base nos fatos jurídicotributários que efetivamente ocorreram, aplicando sobre eles o artigo 5º, parágrafo único, da Lei nº 8.023, de 1990. Tal modo de agir constitui, na verdade, um novo lançamento, procedimento que a autoridade julgadora não tem competência para tal. Quem julga não pode fazer lançamento e quem faz lançamento não pode julgar. Ao agir da forma como atuou no acórdão Quarta Câmara fez um novo lançamento e ao mesmo tempo proferiu julgamento em relação ao seu próprio lançamento. Ao meu sentir, pelas razões acima expostas, verificado que se tratam de rendimentos provenientes da atividade rural, a decisão correta que deveria ter sido adotada seria a de cancelar o lançamento. No entanto, como estou diante de recurso da Fazenda Nacional, em razão da vedação de utilização do princípio da “reformacio in pejus”, não posso cancelar o lançamento, sob pena de agravar a situação da recorrente. No acórdão acima referido, o Conselheiro Antônio Praga, embora decidindo no sentido de negar provimento ao recurso, defendeu entendimento de que, em tais 2 Art. 5º. À opção do contribuinte, pessoa física, na composição da base de cálculo, o resultado da atividade rural, quando positivo, limitarseá a vinte por cento da receita bruta no anobase. Parágrafo único. A falta de escrituração prevista nos incisos II e III do artigo 3º implicará o arbitramento do resultado à razão de vinte por cento da receita bruta no anobase. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.720308/201080 Acórdão n.º 140200.898 S1C4T2 Fl. 0 12 hipóteses, é possível ao órgão julgador reduzir a base de cálculo nos limites da atividade rural. Tal fundamento, na Primeira Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção é defendido pelo ilustre Conselheiro Eduardo Farah, que a título de exemplo já me alertou que nada impede que alguém, acusado de algo mais grave, seja punido por questão de menor gravidade. Inobstante o brilhantismo do ilustre relator e a verdade contida em sua afirmação, na seara tributária, peço vênia para discordar. Se quisermos traçar comparativo com o direito processual penal, o que acho possível, não podemos esquecer que tanto as Câmaras do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, quanto às Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais, não são órgãos judicantes de primeiro instância, como são as Delegacias de Receita Federal DRJ, aplicando se, em relação à comparação feita, a Súmula número 453 do Supremo Tribunal Federal, que assim dispõe: 453 Não se aplicam à segunda instância o artigo 384 e parágrafo único do Código de Processo Penal, que possibilitam dar nova definição jurídica ao fato delituoso, em virtude de circunstância elementar não contida, explícita ou implicitamente, na denúncia ou queixa. A propósito da comparação feita como alicerce do argumento sustentando a possibilidade de dar nova definição jurídica à matéria tributária, no caso, passar do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 para o ar. 5º da Lei nº 8.023/90, e à referência ao artigo 384, parágrafo único, do Código de Processo Penal, segue a transcrição da citada norma, com a redação anterior e posterior à modificação introduzida pela Lei nº 11.719, de 20.06.2008, para fins de posterior considerações: Redação anterior do art. 384 do CPP, vigente à época da aprovação da Súmula 453 Redação atual do art. 384 do PPP "Art. 384. Se o juiz reconhecer a possibilidade de nova definição jurídica do fato, em conseqüência de prova existente nos autos de circunstância elementar, não contida, explícita ou implicitamente, na denúncia ou na queixa, baixará o processo, a fim de que a defesa, no prazo de 8 (oito) dias, fale e, se quiser, produza prova, podendo ser ouvidas até três testemunhas. Parágrafo único. Se houver possibilidade de nova definição jurídica que importe aplicação de pena mais grave, o juiz baixará o processo, a fim de que o Ministério Público possa aditar a denúncia ou a queixa, Art. 384. Encerrada a instrução probatória, se entender cabível nova definição jurídica do fato, em conseqüência de prova existente nos autos de elemento ou circunstância da infração penal não contida na acusação, o Ministério Público deverá aditar a denúncia ou queixa, no prazo de 5 (cinco) dias, se em virtude desta houver sido instaurado o processo em crime de ação pública, reduzindose a termo o aditamento, quando feito oralmente. § 1º Não procedendo o órgão do Ministério Público ao aditamento, aplicase o art. 28 deste Código3. § 2º Ouvido o defensor do acusado no prazo de 5 (cinco) dias e admitido o aditamento, o juiz, a requerimento de qualquer das partes, designará dia e hora para continuação da audiência, com inquirição de testemunhas, novo interrogatório do acusado, realização de debates e julgamento. § 3º Aplicamse as disposições dos §§ 1º e 2º do art. 383 ao caput deste artigo. 3 Art. 28. Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar a denúncia, requerer o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer peças de informação, o juiz, no caso de considerar improcedentes as razões invocadas, fará remessa do inquérito ou peças de informação ao procuradorgeral, e este oferecerá a denúncia, designará outro órgão do Ministério Público para oferecêla, ou insistirá no pedido de arquivamento, ao qual só então estará o juiz obrigado a atender. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.720308/201080 Acórdão n.º 140200.898 S1C4T2 Fl. 0 13 se em virtude desta houver sido instaurado o processo em crime de ação pública, abrindo se, em seguida, o prazo de 3 (três) dias à defesa, que poderá oferecer prova, arrolando até três testemunhas. § 4º Havendo aditamento, cada parte poderá arrolar até 3 (três) testemunhas, no prazo de 5 (cinco) dias, ficando o juiz, na sentença, adstrito aos termos do aditamento. § 5º Não recebido o aditamento, o processo prosseguirá. (NR) (Redação dada ao artigo pela Lei nº 11.719, de 20.06.2008, DOU 23.06.2008, com efeitos a partir de 60 (sessenta) dias após a data de sua publicação). Os dispositivos acima referidos não servem para, mediante analogia, defender a tese de que a segunda instância administrativa pode dar nova definição jurídica ao fato narrado no auto de infração. E não se diga que transformar lançamento por omissão de depósito bancário em omissão de rendimentos da atividade rural não é nova definição jurídica à exigência feita no auto de infração. Na redação anterior do artigo 384 do Código de Processo Penal, reconhecida a possibilidade de nova definição jurídica do fato, o processo devia ser baixado em diligência a fim de que a defesa pudesse impugnar e produzir provas. No entanto, nos termos da Súmula 543 do STF, tal situação só é possível antes do julgamento de primeira instância, que não é o que está ocorrendo nos processos administrativos fiscais. (...omis) Ainda em relação ao argumento de que, constatado nova definição jurídica ao fato, em consequência da prova colhida, por analogia ao direito penal, seria possível aplicar norma menos grave, é preciso que se tenha presente a atual redação do artigo 384 do Código de Processo Penal, anteriormente transcrito, que só admite tal possibilidade mediante aditamento da denúncia, o que quer dizer, com a garantia do direito de defesa do denunciado em relação aos novos fatos e nova definição jurídica apontada como regra de incidência. A impossibilidade da segunda instância administrativa dar nova definição jurídica aos fatos é mais evidente nos casos em que o sujeito passivo, pessoa física, exerce atividade comercial e tal fato não é acolhido ou percebido quando da lavratura do auto de infração, mas que em razão da prova resulta demonstrado. Nestas circunstâncias, determina o artigo 41, § 1º, b, da Lei nº 4.506, de 1964, repetido pelo artigo 150, § 1º, II, do Regulamento do Imposto de Renda, que a tributação se dê como sendo empresas individuais. No momento em que a tributação deve ocorrer como empresa individual, atribuindose inclusive CNPJ, em não existindo registros contábeis e nem opção pela tributação com base no lucro presumido ou, quando cabível, no sistema Simples, a apuração da base de cálculo deve darse por arbitramento, procedimento que não pode ser feito em segundo grau, sob pena de se violar por absoluto o direito de defesa, inclusive com a possibilidade do fiscalizado demonstrar que suportou prejuízo e não lucro tributável. Não me seduz o entendimento de que, constatada a omissão, é necessário salvar o auto de infração. A justiça fiscal não pode ser realizada a qualquer preço. Existem, na busca da exigência do crédito tributário, limitações impostas por valores mais altos, no caso o direito de defesa que é suprimido nas hipóteses em que a segunda instância, atuando como órgão fiscalizador e não julgador, altera a descrição dos fatos ou lhe atribui nova definição jurídica, sem se ater ao que dispõe o artigo 18, § 3º, do Decreto nº 70.325, de 1972. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.720308/201080 Acórdão n.º 140200.898 S1C4T2 Fl. 0 14 Em resumo, tendo a Câmara Julgadora, na análise da prova, formado convencimento de que todos os recursos que transitaram na conta bancária são oriundos da atividade rural, não prospera o lançamento feito com base na omissão de rendimentos caracterizada por depósito bancário não justificado (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996) e não cabe a este órgão alterar a fundamentação legal da exigência para exigir crédito tributário com base no artigo 5º da Lei nº 8.023, de 1990, sob pena de violação das disposições constantes no artigo 18, § 3º, do Decreto nº 70.235, de 1972. Apesar do meu do entendimento pessoal em negar provimento ao recurso de ofício por erro no critério de apuração, o colegiado entendeu em não acolher dito entendimento. Assim, tendo em vista as disposições regimentais que determinam que vencido em relação à preliminar o relator deve enfrentar as questões de mérito, ressalvo o meu ponto de vista para, no caso concreto, adotar o entendimento dos demais pares de que “em face da inexistência de ato formal excluindo a empresa do SIMPLES, é valido o lançamento feito com base em tal modalidade, mesmo nos casos em que esta exceda o limite da receita e devesse ser excluída de ofício.” Com tais considerações, se restabelece a exigência em relação ao ano calendário de 2007, excluindo da base de cálculo, neste ano, o valor de R$ 7.046.432,80, sendo R$ 1.406.408,73, referente ao mês de janeiro; R$ 1.478.499,17, referente ao mês de fevereiro; R$ 1.568.689,51 referente ao mês de março; R$ 1.367.617,62 referente ao mês de maio e R$ 1.225.217,77 referente ao mês de julho. Do recurso voluntário Inicialmente, em que pese o termo de solidariedade, destaco que somente a pessoa jurídica manuseou da faculdade de recorrer. Isto não quer dizer que a decisão do acórdão recorrido tornouse definitiva em relação à pessoa física, pois sendo firma individual, antes da vigência da Lei nº 12.441, de 2012, a responsabilidade a pessoa física, pelos débitos da empresa, era ilimitada. O recurso em tela pode ser sintetizado pelas questões atinentes aos seguintes pontos: a) não exame, pelo acórdão recorrido de que a recorrente, no mês de fevereiro de 2006, ultrapassou o limite da receita passível de tributação por meio do SIMPLES, devendo ser excluída de ofício; b) que a medida provisória nº 275, de 2005, que alterou o art. 5° da Lei n° 9.317/96, utilizada para a aplicação dos percentuais de 9,80%, 12,60 % e 15,12 %, somente foi convertida na Lei nº 11.307, no ano de 2006, razão pela qual só poderia produzir efeitos a partir de 2007, conforme previsto no artigo 62, § 2º, da Constituição Federal, abaixo transcrito: § 2º Medida provisória que implique instituição ou majoração de impostos, exceto os previstos nos arts. 153, I, II, IV, V, e 154, II, só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada. I Da questão relacionada à necessidade da Administração Tributária, de ofício, ter excluído a recorrente do SIMPLES, a partir de fevereiro de 2006. A Declaração de Firma Individual de fl. 104 demonstra que a recorrente foi constituída no ano de 1994. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.720308/201080 Acórdão n.º 140200.898 S1C4T2 Fl. 0 15 Pela legislação vigente a época, no que diz respeito à receita, havia distinção entre receita ultrapassada no anocalendário de início das atividades e receita ultrapassada após o primeiro ano de funcionamento da empresa. Nos termos do artigo 13, § 2º, da Lei nº 9.317, de 1996, a empresa que ultrapassasse, no ano imediatamente anterior, o limite da receita bruta estaria excluída do SIMPLES nesta condição. Por força do artigo 14 da mesma lei, a exclusão seria realizada de ofício nos casos em que não fosse realizada por comunicação da pessoa jurídica, cujos efeitos encontramse disciplinados nos incisos I a VI, do artigo 15, a seguir transcrito: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 13; II a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) III a partir do início de atividade da pessoa jurídica, sujeitandoa ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência, acrescidos, apenas, de juros de mora quando efetuado antes do início de procedimento de ofício, na hipótese do inciso II, "b", do art. 13; IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9º; V a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. VI a partir do anocalendário subseqüente ao da ciência do ato declaratório de exclusão, nos casos dos incisos XV e XVI do caput do art. 9o desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) No caso dos autos, a empresa foi constituída no ano de 1994. Nos anos de 2005 e 2006 não declarou receita declarada que ultrapassasse ao limite do SIMPLES. No entendimento do Colegiado, nos casos em que não houver ato da Administração excluindo a empresa do SIMPLES e tendo esta optado pela tributação por meio desta modalidade de apuração, em sendo constatado omissões que ultrapassem o limite da receita permitida para inclusão no SIMPLES, é subsistente o lançamento feito com base nesta sistemática. II Da alegação de inconstitucionalidade do aumento de alíquota, para o ano de 2006, pela Medida Provisória nº 275, de 2005, que somente foi convertida em na Lei nº 11.307, no ano de 2006. Conforme destacou a recorrente, à luz do artigo 62, § 2º, da Constituição Federal, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001, a medida provisória que implique instituição ou majoração de impostos, exceto os previstos nos arts. 153, I, II, IV, Fl. 387DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10283.720308/201080 Acórdão n.º 140200.898 S1C4T2 Fl. 0 16 V, e 154, II, só produzirá efeitos no exercício financeiro seguinte se houver sido convertida em lei até o último dia daquele em que foi editada. Pela tese do recorrente, como a Medida Provisória nº 275, de 2005, somente foi convertida na Lei nº 11.307, no ano de 2006. Assim, sua eficácia, no que diz respeito a majoração das alíquotas do SIMPLES, somente poderia produzir efeitos a partir de 2007. Se fosse possível superar o óbice da Súmula nº 02 do Carf, que dispõe que não compete ao Carf apreciar constitucionalidade de lei, as relevantes questões suscitadas pelo recorrente exigiria que se analisasse a matéria sob três pontos: a) A medida provisória e a regra da anterioridade antes da edição da emenda constitucional nº 32, de 2001; b) A medida provisória e a regra da anterioridade após a edição da EC 32/2001 e antes da EC 42/2003 c) a medida provisória e a regra da anterioridade após a edição da EC 42/2003. Contudo, diante do que dispõe a Súmula nº 02 do Carf, no caso concreto dita análise tornase desnecessária, pois ainda que viéssemos a comungar com a tese da recorrente, não poderíamos a acolher em face do óbice contido na Súmula 02. ISSO POSTO, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso de ofício somente para restabelecer as exigências do regime do simples do primeiro semestre do anocalendário de 2007, excluindo da base de cálculo o valor de R$ 7.046.432,80, em face de duplicidade. 2) negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 388DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL, Assinado digitalmente em 23/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10880.954397/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/06/2001
ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN.
Em processos que decorrem da não-homologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).
MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972.
Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3401-004.161
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/06/2001 ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGO 170 DO CTN. Em processos que decorrem da nãohomologação de declaração de compensação, o ônus da prova recai sobre o contribuinte, que deverá apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito (artigo 170, do CTN). MOMENTO DE PRODUÇÃO DE PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 43 97 /2 00 8- 11 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10880.954397/200811 Acórdão n.º 3401004.161 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araujo Branco. Relatório Tratase de declaração de compensação apresentada em meio eletrônico, que restou não homologada face a inexistência de crédito, conforme despacho decisório que integra os autos ora em apreço. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, na qual alegou, em síntese, que: (i) o DARF indicado na DCOMP pela Manifestante como sendo a fonte de seu crédito foi localizado nos sistemas da Receita Federal do Brasil; (ii) foi identificada também a existência de um pagamento vinculado ao referido DARF; (iii) o crédito utilizado na DCOMP efetivamente existe, tendo sido o Despacho Decisório proferido unicamente em razão de um simples equívoco cometido pela contribuinte, o de se esquecer de retificar a respectiva DCTF no momento em que foi constatado que o pagamento da contribuição havia sido feito a maior; (iv) no caso de não ser acatada a defesa apresentada, prevalecerá o enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional em prejuízo de direito liquido e certo da manifestante. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) prolatou o Acórdão DRJ nº 1630.775, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade manejada, de forma a não reconhecer o direito creditório pleiteado. Regularmente notificada desta decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo, no qual reiterou as razões de sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.146, de 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.954389/200866, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Na apreciação de tal processo, o relator (Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco) propôs conversão em diligência, rechaçada por todos os demais conselheiros que compõem o colegiado, sendo designado para redigir o voto vencedor em relação à matéria o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D’Oliveira. Vencida a proposta de Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10880.954397/200811 Acórdão n.º 3401004.161 S3C4T1 Fl. 4 3 diligência, o colegiado, no mérito, foi unânime na negativa de provimento ao recurso voluntário. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.146): "Com as devidas vênias ao entendimento do i. Conselheiro Relator, apresento nas linhas a seguir os motivos pelos quais divergi da proposta de conversão do julgamento em diligência, votando pela apreciação da Recurso Voluntário. A questão a ser decidida pelo Colegiado no processo ora em julgamento diz respeito ao direito probatório em pedido de restituição com declaração de compensação. Como regra, o artigo 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A respeito, comenta a doutrina: "compete, em regra, a cada uma das partes o ônus de fornecer os elementos de prova das alegações de fato que fizer. A parte que alega deve buscar os meios necessários para convencer o juiz da veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão/exceção, afinal é a maior interessada no seu reconhecimento e acolhimento".1 Nessa linha, a Lei nº 9.784/1999, que regula os processos administrativos federais, determina: "Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei". (grifos nossos) Assim, como esse Colegiado já teve a oportunidade de decidir, "o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário, no qual cabe ao Fisco provar a ocorrência do fato gerador, e em processos relativos a pedidos de ressarcimento e compensação, em que cabe ao contribuinte provar o seu direito de crédito". (Acórdão nº 3401003.204; Data da Sessão: 23/08/2016: Relator: Augusto Fiel Jorge d'Oliveira) Quanto ao momento de produção de prova, seguindo o disposto no artigo 16, inciso III e parágrafo 4º, e artigo 17, do Decreto nº 70.235/1972, a regra geral é que seja apresentada no primeiro momento processual em que o contribuinte tiver a oportunidade, seja na apresentação da impugnação em processos decorrentes de lançamento seja na apresentação de manifestação de inconformidade em pedidos de restituição e/ou compensação, podendo a prova ser produzida em momento posterior apenas de forma excepcional, nas hipóteses em que "a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) 1 Curso de Direito Processual Civil. Vol. 02. Fredie Didier Jr., Paula Braga, Rafael de Oliveira. Edição 2013. Editora Juspodivm. p. 8185. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10880.954397/200811 Acórdão n.º 3401004.161 S3C4T1 Fl. 5 4 destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos", sob pena de preclusão. Dessa maneira, no presente processo, que trata de declaração de compensação, o ônus da prova cabe à Recorrente, sendo que o momento adequado para a apresentação das razões de fato e de direito, com amparo em toda prova necessária para tanto, se dá por ocasião do protocolo de sua Manifestação de Inconformidade ao despacho eletrônico que não homologou a compensação. Como se verifica pela análise do despacho decisório e da decisão recorrida, o motivo para a não homologação da declaração de compensação foi o equívoco cometido pela Recorrente, de não ter retificado a DCTF referente ao alegado pagamento a maior, qual seja referente ao PIS de Setembro de 2000. Diante disso, as autoridades fiscais constataram uma coincidência entre valores devidos e pagos a título de PIS naquele período de apuração, não sendo possível a identificação pela Administração Tributária de qualquer pagamento a maior ou indébito a ser restituído ou compensado. Na linha do que vem decidindo o CARF, a retificação de DCTF não é condição para a homologação de compensação, sendo, na realidade, necessário que o indébito esteja devidamente provado. Assim, uma vez não homologada a compensação da Recorrente e ficando claro à Recorrente que tal decisão se deu em razão da ausência de DCTF, caberia a ela, na apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, demonstrar o indébito, o que poderia ser feito, inicialmente, com a exposição do valor que foi pago e do que, a seu entender deveria ter sido pago, a gerar a diferença. Segundo, as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida. Terceiro, a juntada da documentação comprovando a ocorrência do indébito, o que, a depender do caso, exigiria documentos contábeis, notas fiscais etc. Porém, em sua Manifestação de Inconformidade, para sustentar o seu direito de crédito, a Recorrente apenas reitera a afirmação de que teria ocorrido um pagamento a maior e que o excesso em tal pagamento corresponderia ao exato valor objeto da declaração de compensação. Segundo a Recorrente, “foi constatado que o pagamento de PIS realizado em 13/10/2000 havia sido feito a maior, para assim reduzir o valor do débito de PIS relativo ao mês de outubro/2000 de R$ 539.691,85 para R$ 529.519,48, medida essa necessária para evidenciar o direito creditório na importância de R$ 10.172,37”. (fls. 42) Porém, a Recorrente inicia e encerra ali as suas explicações acerca do pagamento a maior que teria realizado. A Recorrente deixa de expor as razões de fato ou de direito que levam a conclusão de que os valores efetivamente pagos o foram de forma indevida e não apresenta documento algum que Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10880.954397/200811 Acórdão n.º 3401004.161 S3C4T1 Fl. 6 5 porventura pudesse dar suporte à ocorrência do indébito, como documentos contábeis e notas fiscais, ainda que de modo rudimentar, para indicar um princípio de prova, a ser potencialmente aprofundada em diligência. Nesse cenário, entendo que a Recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o seu direito de crédito. Ressaltese que esse direito não foi obstado pela ausência de retificação de DCTF, providência que já se afirmou não é entendida por essa Turma como condição para homologação da compensação, mas por carência probatória do direito alegado, que poderia ter sido suprida no decorrer do contencioso, seguindo as regras de processo administrativo, mas não o foi pela parte a quem interessava demonstrálo, a Recorrente. Ante o exposto, apresento divergência em relação ao Relator, por entender que não é hipótese de conversão do julgamento em diligência, mas sim de carência probatória por parte do Recorrente, motivo pelo qual voto por conhecer e negar provimento ao Recurso Voluntário interposto, mantendo a decisão recorrida e o despacho decisório que não reconheceu a homologação da compensação declarada pela Recorrente. " Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 95DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.003929/2006-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003 LANÇAMENTO. LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. Nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96, caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Por tratar-se de uma presunção legal, o ônus da prova é do sujeito passivo.
Numero da decisão: 1402-000.932
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, e no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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LUCRO PRESUMIDO. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. Nos termos do art. 42 da Lei 9.430/96, caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Por tratarse de uma presunção legal, o ônus da prova é do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, e no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10730.003929/200601 Acórdão n.º 140200.932 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão de primeira instância que considerou o lançamento procedente em parte. Nos presentes autos, exigese o IRPJ, CSLL, contribuição para o PIS e COFINS, relativos ao anocalendário de 2003, em razão das seguintes infrações: a) diferenças entre as receitas escrituradas e os depósitos bancários e investimentos sem comprovação da origem dos recursos, no montante de R$ 3.695.748,11; b) diferenças entre as receitas escrituradas no livro de apuração do IPI e as receitas declaradas, no montante de R$ 683.666,71. Transcrevo da decisão de primeira instância as razões contidas na impugnação: 4 Ao impugnar as exigências, fls. 557/562 e documentos de fls. 563/662, o interessado alega, em síntese, que: nem todos os lançamentos a crédito nas contas podem ser considerados como vendas efetuadas, posto que, nem todo crédito que é lançado em conta corrente é resultante de vendas; no quadro elaborado pelo autuante, que apurou uma diferença de R$ 683.666,71, a realidade é outra, já que quer tributar o valor bruto das notas fiscais de vendas, sem excluir o valor do IPI. Para tanto, apresenta demonstrativo do valor do IPI à fl. 569; não assiste razão ao fisco em estranhar que uma empresa considerada de médio porte seja obrigada a vincular toda a sua movimentação financeira através de banco às vendas realizadas. A movimentação financeira é resultante do seu capital de giro e fluxo de caixa, mas nunca originada da falta de emissão de notas fiscais; o procedimento do autuante fere a legislação; os valores dos depósitos não podem ser vinculados aos valores das emissões das notas fiscais emitidas em 2003, posto que a movimentação financeira é normal; a título de comprovação do que é afirmado, entende que basta tomar como base o próprio levantamento do autuante com os correspondentes lançamentos efetuados no livro caixa. A Turma Julgadora entendeu ser procedente somente a alegação da então impugnante, quanto à exclusão do IPI da base de cálculo dos tributos, pois no conceito de receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador de serviços seja mero depositário, e que conforme demonstrativo de fls. 569, e documentos de fls. 454/500, a diferença encontrada pelo autuante referese ao IPI não excluído nas vendas. Fl. 709DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10730.003929/200601 Acórdão n.º 140200.932 S1C4T2 Fl. 3 3 A ciência da decisão de primeira instância se deu em 16.12.2008, e o recurso voluntário foi apresentado em 12.01.2009. A recorrente argüi que na impugnação questionou sobre vários pontos extraídos dos lançamentos contábeis da autuada, efetuados de forma cronológica que não deixam dúvidas quanto à sua exatidão. Ratificou integralmente, os termos da referida impugnação. Ressaltou que atendendo às exigências do fisco no início da fiscalização, não se omitiu em nenhum momento e nem criou qualquer obstáculo que pudesse cercear o direito de acesso a toda a documentação existente na empresa. Salientou que considerando a complexidade da matéria, as autoridades fiscais também poderiam cometer equívocos, tais como: a) Conforme noticiado no TVCF, foi apresentado um demonstrativo que integra o processo, onde o auditor alegou haver apurado uma diferença entre depósitos bancários não identificados e receita escriturada no valor de R$ 3.695.748,11; b) que os membros da Turma Julgadora consideraram parte do lançamento procedente. Alega, que a Turma Julgadora deixou de apreciar todos os fundamentos inseridos no item 4 da impugnação, fato que para um melhor juízo e julgamento justo, tal omissão tornou despiciente por parte dos julgadores, em prejuízo da recorrente. Pede que este colegiado aprecie com cautela e serenidade o que foi exposto às fls. 2 e 3, sendo esta última até o item 1 da impugnação, oferecida e endereçada ao Delegado de Julgamento, datada de 28.07.2006. No item 4 da impugnação consta o seguinte: 4 A prevalecer tais fundamentos com que se baseou o Sr.. Auditor Fiscal para tributar a Empresa Impugnante, tal procedimento fere frontalmente a legislação que trata do caso em espécie, pois, se considerarmos o saldo de caixa existente em 31/12/2002 no valor de R$131.686,51; se considerarmos a diferença de R$683.686,71 acima mencionada e apresentada pelo Fisco, ocasionando bitributação do IRPJ, C.SOCIAL, PIS e COFINS; se considerarmos os saldos bancários existentes na data de 31/12/2002, a saber: Banco do Brasil S/A valor R$72.70 4,62 (doc. 04), Banco Bradesco S/A valor R$3.652,48 (doc. 05), UNIBANCO S/A valor R$28.333,96 (doc. 06) e Banco Itaú S/A valor R$854,49 (doc. 07) se considerarmos finalmente que o valor total dos depósitos bancários efetuados durante o ano de 2003, estimados em R$1.004.175,68, entende a Impugnante que o .valor dos referidos depósitos não podem ser vinculados aos valores da emissão de notas fiscais emitidas no ano de 2003, posto que essa movimentação financeira é normal. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10730.003929/200601 Acórdão n.º 140200.932 S1C4T2 Fl. 4 4 Como é sabido, não é vedado às empresas em geral realizarem no seu diaadia saques em um banco e transferilo para outro para suprir possíveis saldos negativos, que nada mais significa tratarse de manter o seu fluxo diário de caixa e seu giro financeiro. Frisese que não é demais afirmar que a empresa Impugnante possui movimentação financeira em vários bancos localizados na cidade de Nova Friburgo/RJ, onde mantém suas contas. A título de comprovação do que ora é afirmado, entende a Impugnante que basta tomar como base o próprio levantamento elaborado pelo digno Sr. Auditor Fiscal, conforme documentos anexos, numerados de 01 a 39, devidamente rubricados pelo Sr Fiscal (doc. 08), bem como xerox anexas correspondentes aos lançamentos efetuados no Livro Caixa da Empresa Impugnante, (doc. 09). Pelas razões acima trazidas pela Impugnante a mesma CONTESTA todas as parcelas relativas à cobrança do imposto e seus encargos, objeto do Auto de Infração em tela. Face ao exposto e confiando plenamente no bom senso do honrado Julgador, que após analisando atentamente os termos da presente Impugnação à luz do bom Direito, declare a insubsistência do Auto de Infração, objeto da presente defesa e determine a extinção do crédito tributário dele resultante, como medida da sábia e cristalina JUSTIÇA. Este é o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima. O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Após a decisão de primeira instância resta em discussão, a infração de omissão de receitas, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos recursos, relativa ao anocalendário de 2003 (lucro presumido). A recorrente argumenta que a Turma Julgadora deixou de apreciar seus argumentos expostos no item 4 da impugnação, cujo teor está transcrito no relatório acima. Não tem razão a recorrente. Nesse item, a recorrente afirma que deveriam ser levados em consideração, os saldos de suas contas correntes bancárias, em 31.12.2002 e em 31.12.2003, e o total dos depósitos bancários do ano de 2003, estimados em R$1.004.175,68, e que essa movimentação Fl. 711DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10730.003929/200601 Acórdão n.º 140200.932 S1C4T2 Fl. 5 5 financeira seria normal, razão pela qual não se poderia vincular os depósitos às notas fiscais emitidas nesse ano. Diz ainda que não é vedado transferir recursos entre bancos. Destacou ainda no item 4 da impugnação, que basta tomar como base o próprio levantamento elaborado pela autoridade fiscal, conforme documentos anexos (1 a 39), devidamente rubricados pelo fiscal (doc. 8), bem como xerox anexas correspondentes aos lançamentos efetuados no Livro caixa da empresa (doc. 9). A Turma Julgadora em relação à infração de omissão de receitas decidiu o seguinte: 8 Por meio do art. 42 da Lei 9.430/1996 passouse a caracterizar omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem destes recursos (art. 287 do RIR/1999). Tratase de presunção legal que, intimado á prestar os esclarecimentos, o ônus da prova passa a ser do contribuinte. 9 O interessado foi intimado (fls. 89/128) e reintimado (fls. 155/156 e 157/159) para identificar as origens dos recursos relativos aos lançamentos a crédito das contas bancárias. Por falta de resposta satisfatória, os valores foram caracterizados como omissões de receitas e bases de cálculo da tributação. 10Não elide da comprovação o fato de o interessado alegar que para todas as vendas são emitidas as respectivas notas fiscais. Todas as suas operações devem estar registradas na escrituração comercial (art. 251 do RIR/1999) e suportadas por documentos hábeis e idôneos (art. 264 do RIR11999). 14Portanto, diante da falta de comprovação com documentos hábeis e idôneos da origem dos recursos creditados nas contas bancárias, o lançamento é procedente. Portanto, a Turma Julgadora não se omitiu na apreciação da matéria. A infração de omissão de receitas caracterizada pelos depósitos mantidos em instituições financeiras, para os quais, o contribuinte seja devidamente intimado e não comprove com documentação hábil e idônea a origem dos recursos, está fundamentada no art. 42 da Lei 9.430/96, que trata de uma presunção legal, cujo ônus da prova é do sujeito passivo. A existência de saldos bancários em 31.12.2002 e em 31.12.2003, não ilide essa presunção legal, pois é a origem de cada depósito/crédito que deve ser comprovada. Quanto à inexistência de vedação em relação à transferência entre instituições financeiras, houvesse o autuante considerado transferências da mesma titularidade, como valores tributados, deveria a recorrente apontar quais são esses depósitos e comprovar que de fato são valores da mesma titularidade, entretanto, nada foi apontado e comprovado em relação a esse tipo de transferência. Não se trata da obrigação legal dos contribuintes em vincular cada depósito a uma venda, mas sim, de comprovação da origem dos recursos creditados em suas contas Fl. 712DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10730.003929/200601 Acórdão n.º 140200.932 S1C4T2 Fl. 6 6 correntes mantidas junto a instituições financeiras, o que efetivamente, o sujeito passivo não logrou comprovar. Os documentos que foram apresentados com a impugnação, tratamse apenas de alguns extratos bancários que informam o saldo dessas contas correntes em 31.12.2002 e em 31.12.2003, o anexo ao auto de infração, onde constam os valores dos depósitos/créditos relacionados individualmente, e o livro de registro de apuração do IPI, que nada comprovam em relação à origem dos recursos. Aplicase às exigências decorrentes de tributação reflexa, o decidido em relação ao tributo principal, em razão da estreita relação de causa e efeito. Do exposto, oriento meu voto para rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, e no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Relatora Fl. 713DF CARF MF Impresso em 24/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 24/03/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 13804.000497/2003-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO.
O Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal determina que a competência para a apreciação de recursos relativos a processos de compensação direito creditório de IRPJ é da Primeira Seção de Julgamento
Numero da decisão: 3201-002.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. Declinou-se da competência para a Primeira Seção de Julgamento. Ausente, justificadamente, a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro SouzaPresidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Helcio Lafeta Reis, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2002 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. O Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal determina que a competência para a apreciação de recursos relativos a processos de compensação direito creditório de IRPJ é da Primeira Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. Declinou-se da competência para a Primeira Seção de Julgamento. Ausente, justificadamente, a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro SouzaPresidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Helcio Lafeta Reis, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1524; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 93 1 92 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13804.000497/200311 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.039 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de fevereiro de 2016 Matéria RESSARCIMENTO Recorrente PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. O Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal determina que a competência para a apreciação de recursos relativos a processos de compensação direito creditório de IRPJ é da Primeira Seção de Julgamento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. Declinouse da competência para a Primeira Seção de Julgamento. Ausente, justificadamente, a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza–Presidente (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Helcio Lafeta Reis, Cassio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 04 97 /2 00 3- 11 Fl. 1090DF CARF MF 2 Relatório Referese o presente processo administrativo a declaração de compensação de créditos oriundos de saldo negativo de IRPJ, referentes ao 2o e 3o trimestres de 2002 É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora Em conformidade com o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal, Portaria nº 343/2015, a competência das Seções de Julgamento para apreciação de recursos relativos a compensação de direito creditório de IRPJ é da Primeira Seção de Julgamento, como se verifica: Art. 7º Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. Destarte, a combinação do dispositivo, com o art. 2o, I, do mesmo diploma,são determinantes da competência da Primeira Seção de Julgamento. Em face do exposto, voto por declinar a competência para apreciação do presente processo, devendo este ser enviado para processamento e distribuição na Primeira Seção de Julgamento. Assim, voto no sentido de não conhecer o recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 13804.000497/200311 Acórdão n.º 3201002.039 S3C2T1 Fl. 94 3 Fl. 1092DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.907086/2011-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO.
Comprovado nos autos que a origem do crédito apurado pelo Contribuinte diz respeito as receitas financeiras, excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por conta da decisão do STF que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, o crédito pleiteado deve ser admitido.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3302-004.982
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidades de votos, em dar provimento parcial para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos que a origem do crédito apurado pelo Contribuinte diz respeito as receitas financeiras, excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por conta da decisão do STF que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, o crédito pleiteado deve ser admitido. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
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Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. COMPROVAÇÃO. Comprovado nos autos que a origem do crédito apurado pelo Contribuinte diz respeito as receitas financeiras, excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS por conta da decisão do STF que declarou inconstitucional a ampliação da base de cálculo, o crédito pleiteado deve ser admitido. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Acordam os membros do Colegiado, por unanimidades de votos, em dar provimento parcial para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 70 86 /2 01 1- 17 Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10930.907086/201117 Acórdão n.º 3302004.982 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge L. Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição (PER), transmitido eletronicamente, que foi indeferido nos termos do despacho decisório emitido pela DRF em Londrina, pois o pagamento indicado para dar suporte ao crédito estava totalmente utilizado para extinção de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Na manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento de pedido de restituição (PER), a contribuinte alega que recolheu valores indevidos de PIS/Pasep e de Cofins, levando em conta a legislação vigente à época, que alargava a suas bases de cálculo ao considerar as receitas financeiras como integrantes do conceito de faturamento. Aduz, porém, que o STF considerou inconstitucional tal ampliação da base de cálculo. Anexando jurisprudência do STF e do CARF e planilha demonstrando as diferenças pleiteadas. Encaminhado para julgamento, a DRJ em Curitiba não acolheu as razões contidas na manifestação de inconformidade e manteve o indeferimento do pedido de restituição. Cientificada, a contribuinte ingressou com recurso voluntário dirigido ao CARF, onde repete as razões já aduzidas, questiona a necessidade de ser parte em ação judicial questionando a constitucionalidade da incidência do PIS ou da Cofins sobre as receitas financeiras, informa que está apresentando cópia dos livros razão e diário, esclarece que é beneficiária da repercussão geral do RE nº 566.621, e, ao final, pede a reforma do acórdão anteriormente proferido. Ao analisar o recurso, a 2ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF, reconheceu, em face da repercussão geral, a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo e deu provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito (análise dos livros diário e razão apresentados). A DRJ em Curitiba julgou, por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, por entender que o contribuinte não comprovou documentalmente a origem dos créditos que alegou possuir, nos termos do Acórdão nº 06053.789. Intimada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário alegando, em síntese: preliminarmente (i) mudança de critério jurídico e cerceamento de defesa; (ii) decadência do direito de lançar ou revisar; e meritoriamente (iii) que há documentos nos autos que demonstram a origem do crédito apurado. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10930.907086/201117 Acórdão n.º 3302004.982 S3C3T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.965, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10930.907064/201157, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.965): "I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 24.12.2015 (fls.112) e protocolou Recurso Voluntário em 26.01.2015 (fls. 114129), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Preliminares II.1 Nulidade da decisão recorrido mudança de critério jurídico Segundo a Recorrente houve mudança de critério jurídico por parte da Turma Julgadora "a quo", na medida em que Despacho Decisório não homologou as compensações apresentadas pela Recorrente pelo fato de que todo o DARF havia sido integralmente utilizado para extinguir débito do contribuinte, ao passo que a segunda decisão recorrida motivou o indeferindo do crédito pela não comprovação da origem do crédito através de documentação hábil e idônea. Sobre mudança de critério jurídico, vale transcrever os ensinamentos do i. professor Hugo Brito de Machado Machado que, com a clarividência que lhe é peculiar expõe seu entendimento sobre o tema: Há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa simplesmente muda de interpretação, substitui uma interpretação por outra, sem que se possa dizer que qualquer das duas seja incorreta. Também há mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas em lei, na feitura do lançamento, depois pretende alterar esse lançamento, mediante a escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a determinação de um crédito tributário em valor diverso, geralmente mais elevado (Hugo de Brito 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10930.907086/201117 Acórdão n.º 3302004.982 S3C3T2 Fl. 5 4 Machado, Curso de Direito Tributário, 12ª edição, Malheiros, 1997, p 123) No presente caso, entendo que não houve mudança de critério jurídico, na medida em que tanto a autoridade julgadora quanto a fiscalização analisaram a origem do crédito com base nos fatos e fundamentos apresentados pela Recorrente. Aliás a unidade julgadora ao proferir a segunda decisão nada mais fez do que cumprir a ordem proferida pelo Carf que determinou fosse feita a análise quanto a origem do crédito pleiteado, considerando que a questão sobre a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo das contribuições já havia sido solucionado pelo STF. Nesse contexto, coube à autoridade julgador analisar o direito da Recorrente com base nos novos fatos e documentos carreados aos autos, justificando, assim, a alteração dos fundamentos para manter o indeferimento do pedido de restituição, sem que isso acarrete em mudança de critério jurídico. Assim, afasto a preliminar de nulidade suscita pela Recorrente. II.2 Decadência Em síntese apartada, a Recorrente pleiteia a incidência do prazo decadencial do direito do fisco realizar o lançamento de fato gerador ocorrido em 30.06.2001, nos termos do §4º, do artigo 150, do CTN e, subsidiariamente, pede seja admitida a homologação tácita do pedido realizado em 30.06.2005. Em relação ao prazo decadencial, adoto como razão de decidir o voto do i. Julgador Jorge Olmiro Lock Freire, nos autos do processo nº 16327.910550/201157 (acórdão nº 3402004.468), posto : Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10930.907086/201117 Acórdão n.º 3302004.982 S3C3T2 Fl. 6 5 quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de Fl. 207DF CARF MF Processo nº 10930.907086/201117 Acórdão n.º 3302004.982 S3C3T2 Fl. 7 6 apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. No presente caso, a lide diz respeito apenas em relação ao pedido de restituição formulado pela Recorrente, inexistindo, para este caso aplicação do prazo decadencial pleiteado pelo contribuinte, razão, pela qual, deve ser afastado. III Mérito Inicialmente é imperioso destacar que a matéria em discussão diz respeito a comprovação da origem do crédito, posto que a questão sobre a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo das contribuições, já foi analisada na decisão de fls. 9299, proferida por este Conselho. Pois bem A decisão recorrida, manteve o indeferimento do pedido de restituição apresentada pela Recorrente com base nos seguintes fundamentos: No presente caso, a contribuinte apresentou excertos dos livros diário e razão, e neles consta o lançamento nas contas contábeis nºs 8.01.10.25.74 e 8.01.10.25.86, de valores de PIS e de Cofins que teriam incidido sobre as receitas financeiras do período e que, portanto, no entender da interessada, seriam passíveis de restituição. Compulsandose os autos, no entanto, constatase que neles não há qualquer comprovação acerca das contas contábeis e dos valores que compuseram as bases de cálculo das receitas financeiras consideradas pela contribuinte. Na falta dessa demonstração, apoiada, obviamente, em provas, não há como se verificar se os valores pleiteados realmente têm relação com receitas compreendidas no alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins e, nesse caso, não há como deferir o direito pleiteado. Com todo respeito ao entendimento proferido pela unidade julgadora que, analisou o direito creditório sob análise através dos documentos juntados no primeiro recurso voluntário, entendo que os documentos carreados pela Recorrente, juntados em ambos recursos voluntários demonstram, ainda que parcialmente, a origem do crédito apurado sobre as receitas financeiras, devendo, assim, ser deferido em parte o pedido de restituição sob análise. Isto porque, no entendimento deste relator, tanto as planilhas carreadas às fls. 2829, 155161 e 189, quanto os livros diário e razão carreados as fls. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10930.907086/201117 Acórdão n.º 3302004.982 S3C3T2 Fl. 8 7 5962 e 131154 e, o Documento de Arrecadação de Receitas Federais de fls. 130 documentos juntados nos recursos voluntários interpostos pela Recorrente , demonstram e lastrearam parte do crédito apurado pela Recorrente. Com efeito, o crédito apurado pela Recorrente foi devidamente informado em seu livro razão carreado às fls.147152 e, está amparado pelas planilhas fornecidas pelo contribuinte que demonstram o cálculo do tributo e forma de apuração do crédito (fls.189), inexistindo, assim, ausência de comprovação da origem do crédito. É de se ver que nos documentos carreados às fls.147 e seguintes, especialmente o plano de contas de fls. 165166, há o registro das seguintes receitas financeiras contabilizadas no razão do período sob análise: Descontos Obtidos; Juros Ativos; Rendimentos de Aplicação Financeira e Variação Monetária Ativa. Contudo, os valores registrados pela Recorrente em sua contabilidade são inferiores aos valores objeto do pedido de restituição, justificando, assim, o deferimento parcial do crédito pleiteado. Importante registrar, que o contribuinte não foi intimado à demonstrar a composição das receitas financeiras, sendo que as questões concernentes a prova da origem do crédito foram suscitadas somente na decisão de primeiro grau. Neste caso, havendo dúvida quanto à origem do crédito, deveria a unidade julgadora converter o julgamento em diligência e dar oportunidade ao contribuinte de apresentar outros documentos e, não simplesmente descartar os documentos carreados aos autos para afastar o direito por ausência de provas. Neste cenário, diversamente do que entendeu a unidade julgadora, vejo que os documentos juntados pela Recorrente, se prestam à comprovar, ainda que parcialmente, a origem do crédito. IV Conclusão Diante do exposto, rejeito as preliminares de nulidade e decadência, e no mérito dou parcial provimento ao recurso voluntário para admitir o crédito da contribuição correspondente às valores de receitas financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão de fls. 147 e seguintes. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Assim, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo os documentos juntados pela Recorrente se prestam à comprovar, ainda que parcialmente, a origem do crédito. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu rejeitar as preliminares de nulidade e decadência, e no mérito dar parcial provimento ao recurso voluntário para admitir o crédito da contribuição correspondente aos valores de receitas Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10930.907086/201117 Acórdão n.º 3302004.982 S3C3T2 Fl. 9 8 financeiras das contas DESCONTOS OBTIDOS, GANHO EM RENDA VARIÁVEL, GANHO EM RENDA FIXA, JUROS ATIVOS, PRÊMIOS S/ INVESTIMENTOS, RECUP. DESPESAS FINANCEIRAS, REND. DE APLICS. FINANCEIRAS, VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E VARIAÇÕES MONETÁRIAS ATIVAS, informados nas folhas do Livro Razão, constantes do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 210DF CARF MF
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Numero do processo: 16045.000375/2009-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 17/07/2008
IPI. ESTABELECIMENTO SEM INSCRIÇÃO NO CNPJ. DESAMPARO DE DOCUMENTO FISCAL. EXPOSIÇÃO À VENDA. PENALIDADES.
Os produtos expostos à venda por estabelecimento não inscrito no CNPJ, e ao desamparo de documentação fiscal regular ficam sujeitos à pena de perda, prevista no art. 22, parágrafo único, do Decreto-Lei no 34/1966, e no art. 87, II da Lei no 4.502/1964.
Numero da decisão: 3401-004.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes), Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 17/07/2008 IPI. ESTABELECIMENTO SEM INSCRIÇÃO NO CNPJ. DESAMPARO DE DOCUMENTO FISCAL. EXPOSIÇÃO À VENDA. PENALIDADES. Os produtos expostos à venda por estabelecimento não inscrito no CNPJ, e ao desamparo de documentação fiscal regular ficam sujeitos à pena de perda, prevista no art. 22, parágrafo único, do Decreto-Lei no 34/1966, e no art. 87, II da Lei no 4.502/1964.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes), Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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ESTABELECIMENTO SEM INSCRIÇÃO NO CNPJ. DESAMPARO DE DOCUMENTO FISCAL. EXPOSIÇÃO À VENDA. PENALIDADES. Os produtos expostos à venda por estabelecimento não inscrito no CNPJ, e ao desamparo de documentação fiscal regular ficam sujeitos à pena de perda, prevista no art. 22, parágrafo único, do DecretoLei no 34/1966, e no art. 87, II da Lei no 4.502/1964. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes), Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 03 75 /2 00 9- 30 Fl. 307DF CARF MF 2 Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 1 a 181, lavrado em 22/10/2009 (com ciência em 24/10/2009 – AR à fl. 117), para aplicação da pena de perdimento por exposição à venda de produtos (joias e relógios de pulso de procedência estrangeira) sem que o estabelecimento vendedor esteja inscrito no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), e de introdução irregular, com fundamento no art. 22, parágrafo único, do DecretoLei no 34/1966, c/c art. 514, III do Regulamento do IPI (RIPI) – Decreto no 4.544/2002, e no art. 87, II da Lei no 4.502/1964, c/c art. 513, caput e inciso II do mesmo RIPI. A empresa questionou a apreensão judicialmente, sem êxito (fls. 68 a 71). Às fls. 119 a 144, consta impugnação datada de 18/11/2009, na qual alega a empresa que: (a) houve ofensa à Súmula 323 do STF, e aos princípios da vedação ao confisco, do devido processo legal, e da ampla defesa/contraditório, razoabilidade e proporcionalidade; (b) a penalização decorre da falta de CNPJ da filial para exercício das atividades no shopping de temporada de Campos do Jordão, evento temporário (45 dias), sem animus de definitividade, mas a RFB não possui qualquer regulamentação para CNPJ em atividades temporárias; (c) todas as mercadorias apreendidas estão devidamente acompanhadas de notas fiscais e tiveram sua entrada regular no país, tendo sido pagos os tributos incidentes na operação; (d) o estabelecimento em Campos do Jordão tinha autorização da Prefeitura Municipal para o comércio de joias e relógios; (e) tanto a autuada possui CNPJ que ele foi arrolado na autuação, o que afasta o enquadramento da autuação; (f) eventuais irregularidades na selagem (selos com “durex”) não ocasionam, por si, o perdimento as mercadorias; e (g) em respeito aos arts. 455 e 486 do citado RIPI, a autuação deve ser afastada diante da comprovação do cumprimento de todas as obrigações tributárias. Em 26/10/2016 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 253 a 262), decidindo unanimemente o colegiado administrativo pela improcedência da impugnação, sob os seguintes fundamentos: (a) não houve violação a princípios constitucionais, nem se exige tributo na autuação; (b) os artefatos (joias e relógios de pulso das posições 71.02 a 71.04, 71.06 a 71.11, 71.13 a 71.16, 91.01 e 91.02 da TIPI) foram encontrados em local (Av. Macedo Soares, no 499, EUC 31, Capivari, Campos do Jordão, SP) no qual funcionava estabelecimento (com o nome de fantasia “NIELSEN”) desprovido de inscrição no CNPJ, obrigatória mesmo para o exercício temporário de atividades; (c) todas as mercadorias estavam desacompanhadas de notas fiscais, e estavam sob a responsabilidade da Sra. Josenilda Barreto Gomes, que declarou que as vendia com talonário da empresa “ACOHN Presentes LTDA”, de São Paulo, sendo que, para algumas, foi posteriormente trazida a respectiva nota fiscal ao local; (d) é irrelevante a autorização do município, no caso, para aplicação da penalidade, pois, ainda que para um período de 45 dias, deveria ter sido solicitada a respectiva inscrição no CNPJ; (e) a Súmula 323 do STF não se aplica ao caso, pois a apreensão não está vinculada a crédito tributário; e (f) a falta de selos de controle não está entre os fundamentos da autuação, sendo apenas mencionada na descrição dos fatos. Cientificada da decisão de piso em 20/02/2017 (AR à fl. 273), a empresa apresenta recurso voluntário, em 17/03/2017 (fls. 276 a 289), com as seguintes alegações de defesa: (a) há contradição entre expressões apostas na ementa do acórdão da DRJ (que afirmam não haver exigência de crédito) e a intimação que o acompanha (para pagamento de crédito); (b) há afronta aos princípios constitucionais da legalidade e da reserva legal, ao não se indicar a lei que impõe a penalidade, e no fato de ter a Instrução Normativa citada na autuação extrapolado o poder conferido pelo decreto; (c) houve erro ou ignorância escusável da Instrução Normativa por parte da sócia e administradora da empresa, que é apenas empresária, e não se trata de “pessoa acima da média”; (d) a penalidade aplicada, por descumprimento de 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 308DF CARF MF Processo nº 16045.000375/200930 Acórdão n.º 3401004.455 S3C4T1 Fl. 307 3 obrigação acessória, é desproporcional; (e) alguns argumentos utilizados na decisão de piso são demasiadamente amplos e genéricos; e (f) em relação aos relógios “Cartier”, ocorreu prestação e informações no MS no 2008.61.21.0026637, tendo a fiscalização desconsiderado as notas fiscais por não haver menção à marca citada, mas pelos modelos a marca é identificável (e, se necessário, poderiam ser identificáveis por perícia). A unidade envia o processo ao CARF, reconhecendo a tempestividade do recurso, em 20/03/2017 (fl. 305). No CARF, o processo foi distribuído a este relator, por sorteio, em outubro de 2017. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. A autuação se dá, basicamente, como relatado, com fundamento no art. 22, parágrafo único, do DecretoLei no 34/1966, c/c art. 514, III do Regulamento do IPI (RIPI) – Decreto no 4.544/2002, e no art. 87, II da Lei no 4.502/1964, c/c art. 513, caput e inciso II do mesmo RIPI. A empresa questionou a apreensão judicialmente, sem êxito (fls. 68 a 71). Cabe, de início, transcrever os dispositivos de ordem legal, para verificar se efetivamente houve violação à reserva legal ou à legalidade: “DecretoLei n. 34/1966: Art. 22. Na Tabela anexa à Lei nº 4.502, de 1964, substituamse pelas seguintes as alíquotas correspondentes às seguintes posições: 71.02 e 71.03 ........................................................................... 5% 71.05 a 71.10 ......................................................................... 12% 71.12 a 71.15 ......................................................................... 12% 91.01 ...................................................................................... 12% Parágrafo único. Será aplicada a pena de perda aos produtos das posições indicadas neste artigo, quando encontradas em poder de vendedor ambulante ou estabelecimento não inscritos no CadastroGeral de Contribuintes do Ministério da Fazenda ou cuja origem não fôr devidamente comprovada.” (grifo nosso) “Lei n. 4.502/1964: Fl. 309DF CARF MF 4 Art . 87. Incorre na pena de perda da mercadoria o proprietário de produtos de procedência estrangeira, encontrados fora da zona fiscal aduaneira, em qualquer situação ou lugar, nos seguintes casos: (...) II quando o produto, sujeito ao impôsto de consumo, estiver desacompanhado da nota de importação ou de leilão, se em poder do estabelecimento importador ou arrematante, ou de nota fiscal emitida com obediência a tôdas as exigências desta lei, se em poder de outros estabelecimentos ou pessoas, ou ainda, quando estiver acompanhado de nota fiscal emitida por firma inexistente.” (grifo nosso) Como se percebe pela simples leitura das normas de ordem legal, a pena de perda é aplicável tanto nas hipóteses de mercadorias encontradas em poder de estabelecimento não inscrito no CadastroGeral de Contribuintes do Ministério da Fazenda (atual CNPJ) quanto para as mercadorias desacompanhadas de nota de importação ou nota fiscal regularmente emitida, de acordo com a lei (os requisitos estão relacionados no art. 47 da lei, e abrangem, por exemplo, a marca da mercadoria). No caso em análise, a fiscalização detectou descumprimento a ambos os ditames legais, mencionando ainda seus correspondentes regulamentares. Não se vislumbra, assim, qualquer descumprimento de princípios constitucionais afetos à legalidade ou à reserva legal. Estando a previsão expressa em lei, descabe ainda a este tribunal administrativo avaliar eventual descumprimento de preceitos constitucionais, seja afetos à vedação ao confisco (que trata de tributo, e não de penalidades), seja no que se refere à razoabilidade ou proporcionalidade, ou ainda a outros ditos “princípios” constitucionais. É o que aclara a Súmula no 2 deste CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Não se vê, ainda, qualquer afronta ao regulamento ou à lei na disposição da Instrução Normativa (IN) RFB no 748/2007 (vigente ao tempo dos fatos) que estabelecia a obrigatoriedade de inscrição no CNPJ mesmo no caso de atividades temporárias (art. 10). Tal dispositivo, aliás, foi mantido nas IN RFB subsequentes (no 1.005/2010, no 1.183/2011, no 1.470/2014, e no 1.634/2016), e trata de matéria cadastral, interna à instituição. Afora os argumentos aqui analisados, a defesa, na peça recursal, suscita outros quatro, todos em sede inaugural. Dois deles seriam afetados por preclusão, por tratarem de matéria não impugnada na instância de piso, e que não traz fato novo. A alegação de ignorância escusável, além de preclusa, é avessa à responsabilidade objetiva, tanto em matéria tributária (art. 136 do Código Tributário Nacional) como aduaneira (art. 94, § 2 do Decretolei no 37/1966). Por sua vez, a alegação de que teria a empresa demonstrado em juízo que as notas fiscais seriam relativas a relógios “Cartier”, além de não encontrar amparo na própria decisão judicial, constante dos autos, também não se revela conclusiva, sequer a ponto de demandar diligência. Ademais, recordese que a ausência de nota fiscal regular (o que inclui a marca do produto) não foi o único motivo a sustentar a autuação. E não é despiciendo adicionar que a inscrição no CNPJ da empresa (matriz) não dispensa a necessidade de inscrição no CNPJ pelos demais estabelecimentos, ainda que temporários, a ela atrelados. Tal informação é relevante porque a defesa repisa o argumento de que possui CNPJ (confundindo o CNPJ do estabelecimento matriz com o de outros estabelecimentos da empresa, como o que estava vendendo os produtos desacompanhados de documentação regular). Em relação aos dois argumentos inaugurais restantes, esses a nosso ver não preclusos, pois derivados da decisão de piso, cabe destacar que o primeiro, ao alegar que teria a decisão Fl. 310DF CARF MF Processo nº 16045.000375/200930 Acórdão n.º 3401004.455 S3C4T1 Fl. 308 5 da DRJ sido genérica em ampla, incorre na mesma falha a ela imputada. Não alega a empresa especificamente em que tais disposições ditas genéricas e amplas lhe obstaculizaram a defesa, ou prejudicaram. Basta a leitura integral da decisão da DRJ para perceber que foi suficientemente clara e específica, não ocasionando prejuízo à defesa. O próprio fato de a peça recursal deixar de trazer argumentos levantados inicialmente em sua impugnação, e trazer uma série de outros sequer antes aventados, aponta para a compreensão do teor da decisão de piso. Ademais, cabe recordar quais são os excertos considerados genéricos e amplos pela defesa (fl. 285): O primeiro excerto, logo na folha inicial do voto condutor da decisão de piso, trata de disposições preliminares, assim complementadas (fl. 260): Aliás, sequer poderia o julgador administrativo de piso analisar constitucionalidade de norma legal vigente, por padecer de competência para tal. E o segundo e o terceiro excertos ditos “genéricos” são simples chamadas que antecedem mera transcrição de legislação. Improcedentes, assim, a nosso ver, as alegações (genéricas) de defesa em relação a ser (igualmente) genérica a decisão de piso. E o último argumento de defesa, também inaugural e não precluso, por tratar de matéria afeta à decisão de piso, calcase em informações eletrônicas constantes nos votos e intimações. Digo eletrônicas porque não são digitadas pelo relator ou pelo redator do voto, mas automaticamente inseridas pelo sistema da RFB. No recurso voluntário, questionase eventual contradição entre “ementa e acórdão”, e entre “voto e acórdão”. Nas palavras da recorrente (fl. 278): Fl. 311DF CARF MF 6 Cabe, em relação à alegação, esclarecer que a expressão “sem crédito em litígio” é interna, cadastral, e devida ao fato de ser o processo referente a perda de mercadoria, e não a tributos/multas. Tal informação é absolutamente compatível com a externada no voto, de que não há crédito tributário em discussão, mas pena de perda de mercadoria. A expressão automática “intimese para pagamento do crédito mantido” (fl. 253) é claramente equivocada, visto que, como exposto, não há crédito tributário em litígio, mas pena de perda de mercadoria. E não ocasiona prejuízo alguma à defesa, nem permite que a fiscalização lhe exija crédito tributário relativo a este processo administrativo. Tanto que após a decisão da DRJ não há nenhum DARF de cobrança. Desejar que tal expressão inquine de nulidade o julgamento é absolutamente avesso às normas do Decreto no 70.235/1972, essencialmente seu artigo 59, que versa sobre nulidades, visto que não houve nem preterição do direito de defesa nem ato, termo, despacho ou decisão por autoridade incompetente. Aliás, o próprio Decreto no 70.235/1972, que rege o “processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União”, trata, ainda que excepcionalmente, de apreensão de mercadorias (art. 7o, II) e de perda de mercadorias (art. 34, II). Digo excepcionalmente porque a pena de perdimento, em regra, está sujeita ao rito previsto no Decreto no 1.455/1976, que culmina em instâncias julgadoras distintas daquelas arroladas no Decreto no 70.235/1972. E a pena de perda, apenas a título excepcional (como é o caso das infrações relativas ao IPI), obedece ao rito do Decreto no 70.235/1972, conforme esclarece a Solução de Consulta Interna COSIT no 15, de 30/07/2014, ainda que a defesa não tenha suscitado tal discussão relativa a competência. Fl. 312DF CARF MF Processo nº 16045.000375/200930 Acórdão n.º 3401004.455 S3C4T1 Fl. 309 7 Assim, sendo patente que as mercadorias estavam, de fato, desacompanhadas de documentação fiscal regular, e, ainda, estavam expostas à venda por estabelecimento sem inscrição no CNPJ, cabível a manutenção da penalidade por ambos os enquadramentos legais referidos na autuação. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 313DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.725820/2009-24
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA SALARIAL.
Tratando-se de verba de natureza eminentemente salarial e não existindo qualquer isenção concedida pela União, ente constitucionalmente competente para legislar sobre imposto de renda, não há dúvida de que as diferenças de URV devem se sujeitar à incidência do imposto de renda.
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE JUROS DE MORA.
Como a verba principal não é isenta ou fora do campo de incidência do IR, bem como não é oriunda de rescisão do contrato de trabalho, há incidência do imposto de renda sobre os juros.
Numero da decisão: 9202-006.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 25/02/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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NATUREZA SALARIAL. Tratandose de verba de natureza eminentemente salarial e não existindo qualquer isenção concedida pela União, ente constitucionalmente competente para legislar sobre imposto de renda, não há dúvida de que as diferenças de URV devem se sujeitar à incidência do imposto de renda. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE JUROS DE MORA. Como a verba principal não é isenta ou fora do campo de incidência do IR, bem como não é oriunda de rescisão do contrato de trabalho, há incidência do imposto de renda sobre os juros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 58 20 /2 00 9- 24 Fl. 451DF CARF MF 2 EDITADO EM: 25/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2802001.170 proferido pela Segunda Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF, em 27 de outubro de 2011, no qual restou consignada a seguinte ementa: IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS PAGAS A DESTEMPO. RECURSO ESPECIAL Nº 1.227.133/RS JULGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO. Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, cuja Ementa é “JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla” o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo. JUROS DE MORA. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 10580.725820/200924 Acórdão n.º 9202006.407 CSRFT2 Fl. 3 3 Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte. Contra a referida decisão, foram opostos embargos de declaração pela Procuradoria da Fazenda Nacional, e, após, análise de admissibilidade, foram, monocraticamente, rejeitados. Conforme a descrição dos fatos e o enquadramento legal constantes do auto de infração, fls. 3 a 10, o crédito tributário fora constituído em razão de ter sido apurada uma classificação supostamente indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual da ora Recorrente como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Tais rendimentos correspondiam aos valores recebidos pela Recorrente, membro do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em 36 (trinta e seis) parcelas, no período de janeiro de 2004 e dezembro de 2006. Irresignada, o Contribuinte impugnou a autuação requerendo, em síntese: a declaração da sua ilegitimidade passiva, em face da responsabilidade pelo pagamento do Estado da Bahia; o reconhecimento do caráter indenizatório da verba referente às diferenças de URV e sua exclusão da base de cálculo do Imposto de Renda, nos anos 2004, 2005 e 2006; subsidiariamente, a exclusão da multa de ofício de 75%, dos juros de mora constantes do auto de infração e dos valores referentes a 13º salários e abonos férias sujeitos à tributação exclusiva e isentos, respectivamente. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento entendeu pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário. Posteriormente, foi interposto Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 302 a 318, com o fito de rediscutir a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora, no qual, acerca da divergência, a Recorrente Sustenta que o Acórdão recorrido adotou entendimento divergente do posicionamento adotado nos Acórdãos nº 2101 002.018 e 2801002.871. Foi realizado exame de admissibilidade, fls. 320 a 324, sendo dado seguimento ao citado Recurso para a rediscussão da questão atinente à incidência do Imposto de renda sobre juros de mora, com base unicamente no Acórdão Paradigma n.º 2801 002.871. Por meio de contrarrazões, fls. 329 a 346, o Contribuinte sustentou a manutenção do Acórdão recorrido, no que diz respeito à exclusão dos juros incidentes sobre as verbas recebidas, bem como alegou a fragilidade dos Acórdãos paradigmas indicados para embasar a divergência jurisprudencial, diante da superveniência da decisão proferida, em sede de repetitivo, pelo STJ, no REsp n.º 1.227.133/RS. Fl. 453DF CARF MF 4 No que se refere ao Recurso Especial interposto pela Contribuinte, fls. 383 a 406, o apelo visa rediscutir: a não incidência do imposto de renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória. Com a análise da divergência jurisprudencial, pelo Despacho de Admissibilidade, fls. 434 a 438, relativamente à mencionada matéria, foi considerado o Acórdão Paradigma n.º 2102002.687, que demonstrou a divergência sustentada, tratandose de situação fática idêntica (diferenças de URV pagas aos membros do Ministério Público do Estado da Bahia), razão pela qual foi dado seguimento ao Recurso. No que se refere ao mérito, a Recorrente aduz, em síntese: a) as parcelas referentes às diferenças de URV, em verdade, não representam qualquer acréscimo patrimonial, produto do capital ou do trabalho, mas constituem ressarcimento pelo erro no cálculo da remuneração, na oportunidade da conversão de cruzeiro real para URV e, conseqüentemente, reposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado, na tentativa de reparar prejuízos; b) o Ministério Público da União, por força da simetria verificada pela Lei n.º 10.477/2002, também é contemplado com a isenção que cuida a resolução n.º 245/2002; c) a impossibilidade de tratamento desigual entre os membros do Ministério Público da União e dos Estados, ainda que as parcelas recebidas pelos mesmos possuam denominação distintas, pois a verba é a mesma e, portanto, deve receber o mesmo tratamento. Foram apresentadas contrarrazões pela Procuradoria da Fazenda Nacional, conforme consta do Despacho de fls. 440 a 447, nas quais foi , em síntese, argüida a incidência do IRPF sobre o abono instituído pela Lei Estadual n.º 20/2003 recebido pelos membros da Magistratura e do Ministério Público da Bahia. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora 1. Recurso Especial da Contribuinte Conheço do recurso especial, pois se encontra tempestivo e presentes os requisitos de admissibilidade. Acerca do conhecimento do Recurso, convém destacar, consoante relatado, que, com a análise da divergência jurisprudencial, pelo Despacho de Admissibilidade, fls. 434 a 438, relativamente à mencionada matéria, foi considerado o Acórdão Paradigma n.º 2102 002.687, que demonstrou a divergência sustentada, tratandose de situação fática idêntica (diferenças de URV pagas aos membros do Ministério Público do Estado da Bahia), razão pela qual foi dado seguimento ao Recurso. Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10580.725820/200924 Acórdão n.º 9202006.407 CSRFT2 Fl. 4 5 Em sede de contrarrazões, a procuradoria da Fazenda Nacional não se insurgiu quanto ao conhecimento, limitandose a tratar da matéria atinente ao mérito. Nesse contexto, expresso concordância com o Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial da Contribuinte. 1. 1. Das diferenças de URV Argumenta o Recorrente a não incidência do imposto de renda sobre a diferença de URV, considerando que tais parcelas não representam qualquer acréscimo patrimonial, produto do capital ou trabalho, mas constituem ressarcimento pelo erro no cálculo da remuneração, na oportunidade da conversão de cruzeiro real para URV e, conseqüentemente, reposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado, na tentativa de reparar prejuízos. Desse modo, a verba sob análise é indenização e não salário. Além disso, sustenta a Contribuinte que, com o advento da Resolução n.º 245 do Supremo Tribunal Federal, foi dado tratamento definitivo à controvérsia, deixando claro que se cuida de verba indenizatória os abonos conferidos aos magistrados federais em razão das diferenças de URV e, por esse motivo, isentos da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Ademais, ressalta que o Ministério Público da União, por força da simetria verificada pela Lei n.º 10.477/2002, também é contemplado com a isenção que cuida a Resolução n.º 245/2002. Reafirmando o exposto, salienta o recorrente a edição da Lei Complementar n.º 20/2003 determinando a natureza indenizatória das parcelas referentes às diferenças de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor. Assim, a primeira apreciação a ser feita referese à natureza das verbas sob análise. E o segundo ponto a ser examinado é sobre a existência ou não de isenção relativa à URV. Ao meu ver, embora seja pouco relevante, para fins de incidência do imposto de renda, a natureza indenizatória da verba, entendo que os valores recebidos pela Contribuinte decorrem da compensação pela falta de correção no valor nominal do salário, oportunamente, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. Não obstante o meu entendimento anteriormente destacado acerca da natureza salarial da diferença de URV, cabe ressaltar que, no caso do Ministério Público da Bahia, foi publicada uma Lei Estadual (LC 20/2003) que dispôs de modo diverso, tratando a verba como indenização. Tendo em vista que o imposto de renda é regido por legislação federal, tal dispositivo não possui efeito tributário para a análise do tributo em questão. Assim, estando a mencionada lei em plena vigência, prestase apenas ao fim por ela almejado, qual seja o pagamento de precatório, de forma especial. Cabe destacar que a inaplicabilidade da LC 20/2003 não decorre de um juízo de inconstitucionalidade, mas sim de uma interpretação sistemática das normas, em Fl. 455DF CARF MF 6 observância do princípio da legalidade, tendo em vista a ausência de lei isentiva, no presente caso. Observase que a Constituição Federal exige a edição de lei específica para a concessão de isenção, conforme abaixo transcrito: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) § 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g.” (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) O Código Tributário Nacional, em consonância com a exigência constitucional, destaca, em seu art. 97, que: somente a lei pode estabelecer (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Como é sabido, a isenção é uma das hipóteses de exclusão do crédito tributário, portanto, fazse necessária a edição de lei para a instituição de isenção. Acrescentase que o caput do art. 43 do Decreto 3.000/99 (RIR) e do art. 16 da Lei n. 4.506/64 deixam claras as regras da tributação sobre as remunerações por trabalho prestado no exercício de cargo público, hipótese dos autos, como se extrai dos trechos abaixo colacionados: “Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...). “Art. 16. serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado tôdas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5º do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: (...) Além disso, o art. 3º da Lei 7.713/88 evidencia a determinação da incidência do IRPF sobre o rendimento bruto, pouco importando a denominação da parcela tributada, nos seguintes termos: “Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10580.725820/200924 Acórdão n.º 9202006.407 CSRFT2 Fl. 5 7 (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título.” Ora, tratandose de verba de natureza eminentemente salarial e não existindo qualquer isenção concedida pela União, ente constitucionalmente competente para legislar sobre imposto de renda, não há dúvida de que as diferenças de URV devem se sujeitar à incidência do imposto de renda. Sobre a aplicação da Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) 245/2002 pugnada pela Recorrente, notase que foi conferida natureza jurídica indenizatória ao abono variável concedido à Magistratura Federal e ao Ministério Público da União, não se confundindo com as diferenças decorrentes de URV, ora analisadas. Cumpre ressaltar que não há ofensa ao princípio da isonomia, no presente caso, pois, além do abono variável ter natureza distinta da verba sob análise, a Contribuinte não integra o quadro das carreiras da Magistratura Federal ou do Ministério Público Federal. Como bem destaca a Procuradoria da Fazenda, talvez fosse possível cogitar a hipótese de violação ao princípio da isonomia se, por exemplo, uma vez reconhecida a não incidência de um tributo sobre determinada verba para os membros da carreira do MPF, algum Procurador da República, porventura, fosse excluído do benefício sem motivo aparente. Aí sim seria cabível discutir ofensa ao princípio da igualdade, pois estaríamos diante de situações iguais sendo tratadas de formas distintas. Não é esse o caso dos autos, considerando que a Contribuinte integra a carreira do Ministério Público do Estado da Bahia e as verbas possuem naturezas distintas. Desse modo, reiterese, deve ser considerada a natureza salarial das diferenças sob apreciação. E, ainda que fosse considerada a natureza indenizatória da verba sob análise, ressaltase que a incidência do imposto de renda independe da denominação do rendimento, pois as indenizações não gozam de isenção indistintamente, mas tão somente as previstas em lei específica concessiva de isenção. Havendo, notadamente, acréscimo patrimonial, sob a forma de diferenças de vencimentos recebidos a destempo, resta evidente a incidência do imposto de renda. 1.2. Conclusão Deste modo, voto por conhecer do Recurso Especial da Contribuinte, em concordância com o Despacho de Admissibilidade, e, no mérito, negarlhe provimento. 2. Recurso Especial da Fazenda Nacional 2.1. Do Conhecimento Conforme relatado, foi interposto Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional com o fito de rediscutir a incidência do imposto de renda sobre os juros Fl. 457DF CARF MF 8 de mora, no qual, acerca da divergência, a Recorrente Sustenta que o Acórdão recorrido adotou entendimento divergente do posicionamento adotado nos Acórdãos nº 2101002.018 e 2801002.871. Foi realizado exame de admissibilidade, fls. 320 a 324, dandose seguimento ao citado Recurso para a rediscussão da questão atinente à incidência do Imposto de renda sobre juros de mora, com base unicamente no Acórdão Paradigma n.º 2801002.871. Por meio de contrarrazões, fls. 329 a 346, o Contribuinte sustentou a manutenção do Acórdão recorrido, no que diz respeito à exclusão dos juros incidentes sobre as verbas recebidas, bem como alegou a fragilidade dos Acórdãos paradigmas indicados para embasar a divergência jurisprudencial, diante da superveniência da decisão proferida, em sede de repetitivo, pelo STJ, no REsp n.º 1.227.133/RS. Não obstante os argumentos da Recorrida, entendo que restou devidamente demonstrada a divergência jurisprudencial com base no Acórdão Paradigma nº 2801002.871, conforme se extrai do seguinte trecho da ementa: JUROS DE MORA. DECISÃO DO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. A decisão do STJ, em sede de recurso repetitivo, que excluiu a exigência do imposto de renda sobre juros de mora, se restringiu aos pagamentos efetuados em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por força da norma isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988. Notase que o Acórdão recorrido, consignou entendimento, em sentido contrário, inclusive com base no mesmo Recurso Repetitivo (interpretado de modo diverso), como se verifica da parte da ementa abaixo transcrita: JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS PAGAS A DESTEMPO. RECURSO ESPECIAL Nº 1.227.133/RS JULGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO. Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, cuja Ementa é “JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla” o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. Cabe salientar que ambos os casos tratam da situação fática atinente ao recebimento das diferenças de Unidade Real de Valor. Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10580.725820/200924 Acórdão n.º 9202006.407 CSRFT2 Fl. 6 9 Portanto, observase a divergência apta a ensejar o conhecimento do recurso interposto pela Fazenda Nacional, em consonância com o disposto no Despacho de Admissibilidade. 2.2. Dos juros de mora No que se referem aos juros de mora, aplico o posicionamento da Primeira Seção do STJ, no Recurso Repetitivo n.º 1.227.133/RS, no sentido da incidência do imposto de renda sobre tais juros, em regra, não incidindo, excepcionalmente, quando decorrentes da rescisão do contrato de trabalho ou quando a verba principal for isenta ou fora do campo de incidência do IR. Portanto, como a verba principal não é isenta ou fora do campo de incidência do IR, bem como não é oriunda de rescisão do contrato de trabalho, há incidência do imposto de renda sobre os juros. Reafirmando o exposto, temos que as verbas pagas a título de juros de mora seguem a mesma natureza das verbas principais a que se referem. Tal situação está expressamente prevista no art. 55, inciso XIV, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n.º 3.000/99): “Art. 55. São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): (...) XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis;” (Grifamos) Convém lembrar que os juros de mora relativos ao recebimento em atraso de verbas de natureza salarial são tributáveis, nos termos do art. 43, §3º do Decreto 3.000/99 (RIR) e do art. 16, parágrafo único, da Lei n.º 4.506/64: “Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...) § 3º Serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, parágrafo único).” “Art. 16. serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado tôdas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções Fl. 459DF CARF MF 10 referidos no artigo 5º do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: (...) Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo.” (Grifamos) No presente caso os juros moratórios em questão são acessórios de verbas de natureza salarial. Assim, por óbvio, também têm natureza salarial, e, sendo assim, configuram acréscimo patrimonial sujeito à tributação por parte do Imposto de Renda. 2.3. Da conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial da Fazenda e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 460DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18336.000237/2005-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 27/12/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. EXISTÊNCIA.
Constatada contradição entre a conclusão do voto, que se mantém escorreita, e a parte dispositiva da ementa e o resultado do julgamento, acolhem-se os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para que seja sanado o vício apontado, mantendo-se integralmente a decisão embargada.
Retificam-se as incorreções nas redações do dispositivo da acórdão e do resultado do julgamento para adequá-los ao que restou decidido:
Parte dispositiva da ementa:
"RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO"
Resultado do Julgamento:
"ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relato."
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3201-003.308
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto.
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 27/12/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. EXISTÊNCIA. Constatada contradição entre a conclusão do voto, que se mantém escorreita, e a parte dispositiva da ementa e o resultado do julgamento, acolhem-se os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para que seja sanado o vício apontado, mantendo-se integralmente a decisão embargada. Retificam-se as incorreções nas redações do dispositivo da acórdão e do resultado do julgamento para adequá-los ao que restou decidido: Parte dispositiva da ementa: "RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO" Resultado do Julgamento: "ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relato." Embargos Acolhidos.
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CONTRADIÇÃO. EXISTÊNCIA. Constatada contradição entre a conclusão do voto, que se mantém escorreita, e a parte dispositiva da ementa e o resultado do julgamento, acolhemse os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para que seja sanado o vício apontado, mantendose integralmente a decisão embargada. Retificamse as incorreções nas redações do dispositivo da acórdão e do resultado do julgamento para adequálos ao que restou decidido: Parte dispositiva da ementa: "RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO" Resultado do Julgamento: "ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relato." Embargos Acolhidos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos declaratórios. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto. Paulo Roberto Duarte Moreira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 33 6. 00 02 37 /2 00 5- 87 Fl. 308DF CARF MF Processo nº 18336.000237/200587 Acórdão n.º 3201003.308 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Trata o presente processo de embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do Acórdão 320100.251, prolatado na sessão de 10/07/2009 por esta Turma. O acórdão embargado tem sua ementa foi assim redigida: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 27/12/2000 APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade ante simples divergência de interpretação da legislação tributária. PEDIDO DE PERÍCIA NÃO FORMULADO. Considerase não formulado o pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos definidos em Lei. ALADI. 1NTERMEDIAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DAS CONDIÇÕES DO REGIME DE ORIGEM. PERDA DO DIREITO À AL1QUOTA PREFERENCIAL. Não se aplica a preferência tarifária quando o produto importado é faturado em terceiro pais não signatário do Acordo e sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Cientificado da decisão, a Fazenda Nacional, por intermédio de sua Procuradoria, interpôs embargos de declaração sustentando que a decisão recorrida contém contradição pois que a parte dispositiva da ementa bem como o resultado do julgamento foram no sentido de dar provimento ao recurso voluntário; ao passo que, na parte dispositiva do voto encaminhoo por negar provimento. Assim constou: Voto: "Por esse motivo, VOTO AFASTAR preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado pelo contribuinte." Parte dispositiva da ementa: Não se aplica a preferência tarifária quando o produto importado é faturado em terceiro pais não signatário do Acordo Fl. 309DF CARF MF Processo nº 18336.000237/200587 Acórdão n.º 3201003.308 S3C2T1 Fl. 4 3 e sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Resultado do Julgamento: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator No despacho de admissibilidade (fls. 305/306), atestouse a tempestividade da peça e, no mérito da análise, acolheu os embargos, uma vez que evidenciada a contradição nas partes apontadas do acórdão. A contribuinte manifestouse nos autos postulando o recebimento de cópia da fatura comercial nº 006375, emitida por Empresa Colombiana de Petróleos ECOPETROL, que juntara à folha 301 do processo. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Admitidos os embargos por decisão do Presidente da Turma, o processo foi a mim distribuído, o qual incluí em pauta de julgamento. Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF), cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma. Verificase contradição quando as proposições ou porções da decisão se tornam inconciliáveis, ainda que em parte. Caracterizase por uma evidente colisão entre enunciados de mesma parte ou não do julgamento (relatório, fundamentos e dispositivo). A contradição está apontada objetivamente. No interior da própria decisão restou caracterizado esse vício, ou seja, ficou evidenciada a desconformidade interna na decisão relativamente à conclusão do voto frente à parte dispositiva da ementa e resultado do julgamento, conforme transcrições de seus textos no relato. Mister então verificar se os fundamentos do voto e as razões de decidir encontram consonância com sua conclusão, ou se nestes também há contradição. Caso contrário, o vício se deve a um provável erro de escrita no dispositivo da ementa e no resultado do julgamento. Passemos à análise. Fl. 310DF CARF MF Processo nº 18336.000237/200587 Acórdão n.º 3201003.308 S3C2T1 Fl. 5 4 O processo tratou de autuação fiscal em decorrência da fiscalização não aceitar os argumentos e elementos apresentados pela contribuinte para justificar a triangulação de mercadoria importada, envolvendo país não participante de Acordo Econômico e conceder preferência tributária nele prevista para redução de tributos. Na condução do voto o relator pontuou seus argumentos que implicou a decisão ao final proferida; cumpre pois aqui assentálos: (i) demonstrada a desconformidade entre certificado de origem e fatura ao indicarem a procedência da mercadoria. O primeiro, informou empresa colombiana; no segundo, constou empresa situada nas Ilhas Cayman, país este não membro da Aladi, o que impede a fruição do benefício de redução de alíquota; (ii) a razoabilidade da operação, do ponto de vista comercial e econômico, não implica regularidade tributária; (iii) a inobservância da confirmação da origem da mercadoria com vistas à aplicação da alíquota preferencial importa a perda do benefício pleiteado; (iv) considera equivocado o entendimento do contribuinte de que a inobservância das restrições impostas no art. 4º da Resolução 78 não traria a perda do direito á redução tarifária; (v) A inobservância das condições especificadas nos itens "i", "ii" e "iii" da alínea "b" do art. 4º da resolução 78 importa a perda do direito à redução do imposto; Por fim, para que não permaneça dúvida de que o voto caminhou no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, transcrevo o último parágrafo que antecede a conclusão/parte dispositiva do voto: De todo o exposto, o que se conclui é que a operação empreendida pela recorrente está em desacordo com a legislação de regência do Imposto que, inclusive, em situações análogas, exige que sejam adotadas certas cautelas para o reconhecimento da aplicação da alíquota preferencial. Nem mesmo estas foram observadas no caso vertente. Assim, a conclusão correta que reflete os argumentos e fundamentação do voto é a de negar provimento ao recurso voluntário, retificandose os enunciados do dispositivo da ementa e do resultado do julgamento. Quanto à petição de juntada de documento pela recorrente, ainda que se conhecesse do seu conteúdo, o presente embargos, interposto pela Fazenda Nacional, não se presta a revolver o que restou decidido no mérito do acórdão embargado, mas tãosomente enfrentar o vício alegado e sanado. Conclusão Por todo exposto, voto por ACOLHER os Embargos de Declaração interpostos, sem efeitos infringentes, retificandose a parte dispositiva da ementa e o resultado do julgamento, para consignar a decisão da turma em negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 18336.000237/200587 Acórdão n.º 3201003.308 S3C2T1 Fl. 6 5 Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 312DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15471.001202/2010-80
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 47 1. 00 12 02 /2 01 0- 80 Fl. 41DF CARF MF 2 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento de fls. 05 a 09, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2008, anocalendário de 2007, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 15.360,00 , por falta de comprovação de pagamento, reduzindo o imposto de renda a restituir para R$583,17. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação de fls 02 a 03, juntando recibos e declaração médica para evidenciar a prestação do serviço. Alega, em síntese, que nenhuma irregularidade foi praticada. A DRJ Porto Alegre, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte não seriam suficientes para comprovar as despesas, devendo, por essa razão, ser mantida a glosa das despesas médicas. Em sede de Recurso Voluntário, alega o contribuinte que não é possível manterse a glosa de despesa com tratamento de despesas médicas, sob o fundamento da falta de comprovação da prestação de serviço, quando os próprios emitentes dos recibos, reconhecem têlos prestados. Apresenta, para tanto, provas ratificadoras, capazes elidir quaisquer dúvidas quanto as despesas médicas despendidas, por meio de recibos detalhados e declaração em anexo. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Em relação ao tópico de dependentes, já foi devidamente analisado e concedido pela DRJ. Sendo assim, não há lide neste ponto, pois a controvérsia já foi sanada em relação a esta questão. Passemos então à análise no que se refere às despesas médicas apresentadas como passíveis de dedução pelo Contribuinte, ora Recorrente. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do Fl. 42DF CARF MF Processo nº 15471.001202/201080 Acórdão n.º 2001000.257 S2C0T1 Fl. 3 3 imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou os recibos dos pagamentos relativos ao tratamento de psicoterapia contendo nome completo do prestador, com CPF/CNPJ do prestador, credenciamento profissional, valor pago pelo contribuinte, beneficiário dos serviços, ratificando a veracidade das informações contidas nos recibos apresentados. Em sede de Recurso Voluntário até declaração juntou. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] Sem razão o notificado. Os recibos apresentados não suprem integralmente o motivo da glosa, pois não consta o endereço do profissional conforme determina o artigo 80, do § 1º, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda. Registrese ainda, por oportuno, que os recibos não informam o beneficiário do serviço prestado. Conclusão Fl. 43DF CARF MF 4 Ante o exposto, VOTO por julgar a impugnação improcedente e pelo não reconhecimento do direito creditório pleiteado. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal simplesmente entende que os recibos e a declaração emitida pelo prestador do serviço, assinada e datada pelo mesmo, não foram suficientes para comprovar as despesas. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Fl. 44DF CARF MF Processo nº 15471.001202/201080 Acórdão n.º 2001000.257 S2C0T1 Fl. 4 5 Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação pouco vasta do lançamento no sentido de que os documentos simplesmente não foram suficientes bem como intenção do contribuinte em evidenciar a existência das despesas declaradas, entendo que deve ser acatado o pedido do Contribuinte para reformar a decisão a quo e manter a dedução das despesas médicas em análise. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar a dedução das despesas médicas ora glosadas em comento. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 45DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.659066/2012-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.323
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão da DRJ que considerou improcedente Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação pleiteada. Conforme o Despacho Decisório, o DARF identificado como origem do crédito vindicado havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte alega que: · importa mercadorias, referentes as NCMS n° 9021.1020 e revende a distribuidores e convênios médicos e hospitais; · de acordo com art. 8°, § 12, inciso XIX da Lei nº 10.865/04, incluído pela Lei nº 12.058/09 (vigência a partir de 01/01/2010), ficam reduzidas a 0% as alíquotas de PIS/COFINS importação, na hipótese de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 59 06 6/ 20 12 -4 8 Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10880.659066/201248 Resolução nº 3402001.323 S3C4T2 Fl. 3 2 importação de artigos e aparelhos ortopédicos ou para fraturas classificados na NCM 90.21.10; · Art. 28. Ficam reduzidas a 0% (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: XV artigos e aparelhos ortopédicos ou para fraturas classificados no código 90.21.10 da NCM; (Incluído pela Lei n°12.058, de 2009) (Produção de efeito); · a empresa durante o período de Janeiro/2010 a Abril/2012, continuou a recolher PIS/COFINS sobre as mencionadas mercadorias; · outrossim, o valor considerado como VALOR ORIGINAL TOTAL/UTILIZADO no despacho decisório está diferente do informado no PER/DCOMP; · portanto, acredita que faz jus ao crédito utilizado nos PER/DCOMP não homologados, para tanto anexando os documentos, assim especificados: a Cópia da Planilha com os valores dos créditos, tais como o número dos PER/DCOMP; b Cópia do livro de Saída do referido período; c Cópia dos Dacon com os valores de receita com alíquota zero; d Cópia dos Darf recolhidos do referido período; e Cópia da Lei nº 12.058 f Cópia do PER/DCOMP do período. A DRJ não reconheceu o direito creditório por entender que o contribuinte não havia comprovado a existência de crédito líquido e certo. Diante deste quadro, o contribuinte interpôs o recurso voluntário, em que repisou os fundamentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, com especial ênfase para o fato haver provado as retificações das declarações prestadas (DACON's e DCTF's) com operações sujeitas à alíquota zero para o período em análise, fato este que não poderia ter sido ignorado pela decisão atacada, sob pena de ofensa ao princípio da verdade material. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402001.316, de 22 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.659059/201246, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10880.659066/201248 Resolução nº 3402001.323 S3C4T2 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3402001.316: "5. A questão aqui posta não demanda maiores digressões. Como visto alhures, no período de janeiro de 2010 a abril de 2012 o recorrente recolheu PIS/COFINS para mercadorias sujeitas a alíquota zero (art. 8°, § 12, inciso XIX e XV da Lei nº 10.865/04), o que fez com que apresentasse pedido de compensação para reaver o que pagou indevidamente. 6. Acontece que as sobreditas retificações foram apresentadas após o despacho decisório impugnado e, por isso, ignorados pela DRF. Ademais, a decisão recorrida aduz que além de tais retificações o contribuinte também deveria ter apresentado outros elementos de prova a atestar seu crédito, de modo a tornálo líquido e certo. 7. Já em sede de recurso voluntário o contribuinte trouxe outros documentos que aparentemente comprovam seu crédito, quais sejam, as notas fiscais de comercialização dos produtos desonerados e indevidamente tributados, bem como uma planilha em que correlaciona tais bens aos valores indevidamente pagos a título de tributo. 8. Percebese, pois, que diante dos fatos aqui expostos e dos documentos acostados nos autos, é possível vislumbrar que de fato o contribuinte possui um crédito em seu favor. Logo, levando ainda em consideração que no âmbito do processo administrativo vigora o princípio da verdade material1, e, ainda, com especial respeito aos valores da eficiência e da moralidade, que devem conformar as ações da Administração Pública, é salutar que o presente caso seja convertido em julgamento para que: · a unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o recorrente promoveu as retificações necessárias a demonstrar a existência do crédito aqui vindicado e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para a compensação promovida. 9. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a seu respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em 1 "Registrese, desde já, que este importante valor normativo não se assemelha a uma ferramenta mágica, como pretendem alguns, e, por óbvio, não tem a aptidão de "validar" preclusões e atecnias, nem de transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar esta importante norma. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização." (RIBEIRO, Diego Diniz. O CPC/2015 e seus reflexos no processo administrativo tributário. In: Paulo de Barros Carvalho, Priscila de Souza. (Orgs.). Racionalização do sistema tributário. São Paulo: Noeses, 2017, p. 219240.). Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10880.659066/201248 Resolução nº 3402001.323 S3C4T2 Fl. 5 4 análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, DECIDO CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que unidade preparadora, com base nos documentos acostados nos autos, bem como outros que venha a solicitar junto ao contribuinte, analise se de fato o recorrente promoveu as retificações necessárias a demonstrar a existência do crédito aqui vindicado e, em caso positivo, detalhe analiticamente o impacto de tal crédito para a compensação promovida. Elaborado o sobredito relatório fiscal, o contribuinte deverá ser intimado para, facultativamente, se manifestar a seu respeito em 30 (trinta) dias, exatamente como prescreve o parágrafo único do art. 35 do Decreto n. 7.574/2011. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire . Fl. 260DF CARF MF
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