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Numero do processo: 10108.000293/2001-70
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1997
RECURSO ESPECIAL POR MAIORIA. INADMISSIBILIDADE. NÃO DEMONSTRADA A CONTRARIEDADE À LEI.
O recurso especial privativo da Fazenda Nacional, interposto em face de acórdão cuja decisão se deu por maioria de votos, para ser admitido depende da indicação de contrariedade à lei. Não satisfaz tal requisito a indicação de contrariedade a dispositivo de Instrução Normativa da Secretaria da Receita
Federal do Brasil.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL.
Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação ser
anterior ao fato gerador da obrigação tributária.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.174
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em relação à exigência do ADA e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso em relação à área declarada como de reserva legal. Vencidos os conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage que negaram provimento nesta matéria.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Caio Marcos Cândido
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1997 RECURSO ESPECIAL POR MAIORIA. INADMISSIBILIDADE. NÃO DEMONSTRADA A CONTRARIEDADE À LEI. O recurso especial privativo da Fazenda Nacional, interposto em face de acórdão cuja decisão se deu por maioria de votos, para ser admitido depende da indicação de contrariedade à lei. Não satisfaz tal requisito a indicação de contrariedade a dispositivo de Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil. ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL. Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação ser anterior ao fato gerador da obrigação tributária. Recurso especial provido.
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Processo n° 10108.000293/2001-70 Recurso n° 302-131.339 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-00.174 — 2 Turma Sessão de 18 de agosto de 2009 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado EMILIA AMETLA LEITE DE BARROS Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 1997 RECURSO ESPECIAL POR MAIORIA. INADMISSIBILIDADE. NÃO DEMONSTRADA A CONTRARIEDADE À LEI. O recurso especial privativo da Fazenda Nacional, interposto em face de acórdão cuja decisão se deu por maioria de votos, para ser admitido depende da indicação de contrariedade à lei. Não satisfaz tal requisito a indicação de contrariedade a dispositivo de Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil. ÁREA DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE AVERBAÇÃO À MARGEM DE REGISTRO PÚBLICO DO IMÓVEL RURAL. Por se tratar de condição essencial estabelecida em lei para a constituição de reserva legal, é imprescindível a averbação de tal área à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no Registro de Imóveis competente. Assim sendo, para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a citada averbação ser anterior ao fato gerador da obrigação tributária. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em relação à exigência do ADA e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso em relação à área declarada como de reserva legal. Vencidos os conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage que negaram provimento nesta matéria. 411 CARLOS ALB O FREITAS :ARRETO - Presidente e • AI* MARCO ,C_AN IDO — Relator EDITADO EM: sEi aot9 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão n° 302-37.946, exarado na sessão de julgamento de 24 de agosto de 2006, por entender que tal decisão violou dispositivo de lei. A interposição do recurso de deu com fulcro no inciso I do art. 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) aprovado pela Portaria MF n° 147, 25 de junho de 2007, verbis: Art. 7° Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: 1- decisão não-unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova; e Hodiernamente, a Portaria MF n° 259, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão que unificou os antigos Conselhos de Contribuintes e a CSRF, não mais prevê tal recurso, no entanto, transitoriamente estabeleceu, em seu art. 4°, regra que acolhe os recursos especiais interpostos com base no dispositivo supracitado, desde que a sessão de julgamento em que tenha sido exarado o acórdão recorrido seja anterior a 1° de julho de 2009, o que se deu no caso presente. Despacho em que se admite o recurso às fls. 217/220. Recurso da Fazenda Nacional às fls. 200/216. O contribuinte apresentou contra-razões às fls. 229/237. É o relatório. Passo ao voto. 2 Processo n° 10108.000293/2001-70 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.174 Fl. 2 Voto Conselheiro CAIO MARCOS CANDIDO, Relator Recurso Especial tempestivo. Decisão não unânime. Sessão de Julgamento ocorrida antes de 1° de julho de 2009. Passo a verificar o outro requisito de admissibilidade: a imputada contrariedade à dispositivo legal, separando sua análise de acordo com as matérias constantes do recurso. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: ITR ÁREA DE RESERVA LEGAL E PRESERVAÇÃO PERMANENTE, ISENÇÃO. E suficiente, para fins de isenção do ITR, a declaração feita pelo contribuinte da existência, no seu imóvel, das áreas de preservação permanente e de reserva legal, ficando responsável pelo pagamento do imposto e seus consectários legais, em caso de falsidade, a teor do art. 10, parágrafo 7", da Lei n°9 393/96, modificado pela MP n°.2.166-67/2001. Inicio a análise quanto à admissibilidade em relação à exclusão das áreas de proteção permanente, por falta de apresentação ou apresentação intempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA). No tocante a esta matéria verifica-se que ao longo do arrazoado a Fazenda Nacional estabelece como normas contrariadas pelo acórdão as Instruções Normativas da SRF n° 43, de 07 de maio de 1997, 67, de 01 de setembro de 1997 e 73, de 18 de julho de 2000. O recurso privativo da Fazenda Nacional previsto no inciso I do art. 5° do Regimento Interno da CSRF, aprovado pela Portaria MF n° 55, de 16 de março de 1998, deve satisfazer duas condições básicas para ser admitido: 1) combater acórdão contrário aos . interesses da Fazenda Nacional resultante de decisão não-unânime; e 2) contrariar lei ou à - evidência da prova. No presente caso apenas a primeira condição restou satisfeita. A segunda, não. Texto de Instrução Normativa da SRF não se confunde com lei. É texto regulamentador, compondo a legislação tributária, mas lei não é. Sendo assim, a indicação da contrariedade de dispositivo de IN não satisfaz o requisito essencial para interposição do recurso especial ora analisado. Pelo exposto, não conheço do recurso especial interposto em relação à exclusão das áreas de proteção permanente da tributação do ITR. 3 Em relação à exclusão da área de Reserva Legal. A Fazenda Nacional afirma que o julgado incorreu em contrariedade ao disposto alínea "a" do inciso II do § 1° do art. 10 da lei n° 9.393, de 1996 e do § 2° do art. 16 da lei n°4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1° da lei n° 7.803, de 1989. Tais dispositivos analisados conjuntamente impõem, segundo análise da Fazenda Nacional, a averbação da reserva legal como condição essencial para sua exclusão da base de cálculo do ITR. Alega ainda que não há como ser acolhida a aplicação retroativa do § 7° do art. 10 da lei 9.393, de 1996, alterado pela MP 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, que daria conta de que a mera declaração seria suficiente para se permitir a exclusão das áreas de reserva legal e de preservação permanente na apuração do ITR. Pelo exposto, vê-se, em sede de análise de admissibilidade do recurso, potencial contrariedade à lei, pelo quê, há que ser admitido o Recurso Especial no tocante à área de Reserva Legal. No mérito, em relação à matéria em que restou admitido o recurso especial, o lançamento de ITR teve como supedâneo a glosa da área declarada pelo contribuinte como sendo de reserva legal, por não ter sido cumprida a exigência de averbação no Registro de Imóveis anteriormente à ocorrência do fato gerador, o que infringiria a condição estabelecida no Código Florestal Brasileiro (Lei n° 4.771, de 1965), com redação do § 2° do art. 16 da lei n° 7.803, de 1989. Em relação à esta matéria, a 3' Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) vinha decidindo no sentido de que a comprovação da área declarada como de reserva legal, para fins de exclusão da tributação do ITR, poderia dar-se por outros meios de prova, independendo da averbação tempestiva de tal área à margem da matricula do imóvel rural no Registro de Imóveis competente. Neste sentido reproduzo a ementa do acórdão CSRF/03-05.505, de 12 de novembro de 2007: Ementa: 1TR. ÁREA DE RESERVA LEGAL - A comprovação da área de reserva legal para efeito de sua exclusão da base de cálculo do ITR não depende exclusivamente de sua prévia averbação no cartório competente, e seu reconhecimento pode ser feito por meio de Laudo Técnico e outras provas documentais idôneas, inclusive a sua averbaçã o procedida posteriormente à data do fato gerador. Peço vênia para discordar do posicionamento, então adotado, pelas razões a seguir apresentadas. A legislação aplicável à matéria estabelece que não serão consideradas para a formação da base de cálculo do ITR as áreas de reserva legal, ex vi da alínea "a" do inciso II do § 1° do art. 10 da lei n° 9.393/1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1 0 Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: 4 Processo n° 10108.000293/2001-70 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.174 Fl. 3 (-) II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; Conforme visto, a definição do que seja "área de reserva legal" encontra-se estabelecida no § 2° do art. 16 da lei n°4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1° da lei n° 7.803, de 1989: § 2°A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer titulo, ou de desmembramento da área. A reserva legal é uma restrição ao direito de exploração das áreas de vegetações nativas e sua discutida averbação tem a função de dar publicidade a terceiros daquela restrição. Tal posicionamento é corroborado pelo Supremo Tribunal Federal a partir do julgamento do Mandado de Segurança n° 22.688/PB (Tribunal Pleno, sessão de 28 de abril de 2000) em que se discutia tal tema relativamente à produtividade de imóvel em processo de desapropriação para fins de reforma agrária. Veja-se o tratamento dado à matéria em voto vista do Ministro Sepúlveda Pertence: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ser excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade (.) A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja determinada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel o que dos novos proprietários só estaria obrigado a preservar vinte por cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinaçã o nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo §2° do art. 16 da lei n°4.771/1965 não existe reserva legal. 5 Esta posição continua sendo adotado pelo STF, conforme se pode verificar nos autos do MS 28.156/DF, cujo acórdão foi publicado no Diário de Justiça de 02 de março de 2007. Assim sendo, a afirmativa de que a existência da área declarada como de reserva legal ou de que sua comprovação por outros meios, ou ainda de que sua averbação posteriormente à ocorrência do fato gerador, supriria a condição estabelecida na lei não condiz com a norma que emana da análise conjunta da alínea "a" do inciso II do § 1° do art. 10 da lei n° 9.393, de 1996 e do § 2° do art. 16 da lei n° 4.771, de 1965, com redação incluída pelo art. 1° da lei n° 7.803, de 1989. Tal norma estabelece a obrigação de dar publicidade a terceiros da criação de área correspondente a, no mínimo, 20% da propriedade rural protegida do uso indiscriminado, impondo ao proprietário um controle social em relação à conservação da cobertura vegetal daquela área. Quando a Lei n° 9.393, de 1996 reproduziu a obrigatoriedade de averbação estabelecida no Código Florestal, não estava criando obrigação acessória, com vista no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, mas, sim, repercutindo condição essencial à instituição de área de reserva legal, que deve ser cumprida pelo interessado para fruição da exclusão de tais áreas da base de cálculo do ITR. O conceito de obrigação acessória, à luz do §2° do artigo 113 do CTN, confirma a conclusão trazida no parágrafo anterior, posto que a obrigatoriedade da averbação não foi criada por legislação tributária, sendo assim não há que se falar em obrigação tributária acessória: 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (.) 2 0 A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Neste sentido, entendo ser condição essencial para a constituição de reserva legal a averbação de tal área à margem da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente. Apenas cumprida tal condição será possível a exclusão de tal área da base de cálculo do tributo. Sendo assim, apenas posteriormente à averbação considera-se constituída a área de reserva legal, não produzindo efeitos para períodos de apuração anteriores. Na forma do art. 144 do CTN, o lançamento tributário reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Tendo em vista que a averbação imposta em lei para constituição da reserva legal não foi realizada anteriormente à ocorrência do fato gerador, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial interposto em relação a esta matéria. 6 Processo n° 10108.000293/2001-70 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.174 Fl. 4 Pelo exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial no tocante à exclusão da área de Preservação Permanente e, no mérito,, para dar provimento ao recurso a fim de manter a glosa da área Reserva Legal. Cais Marcos Candido - Relatir dir 7
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Numero do processo: 10840.002074/2001-31
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue May 27 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1991, 1992, 1993
ILL - SOCIEDADE LIMITADA - DECADÊNCIA - PRAZO PARA RESTITUIÇÃO DO INDÉDITO.
-Nos casos de norma declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, bem como nas hipóteses em que a própria Administração edita ato reconhecendo a inexigibilidade do tributo recolhido, é a contar da publicação desses eventos jurídicos que começa a fluir o prazo que o contribuinte possui para pleitear a restituição.
- Publicada em 25 de julho de 1997 a Instrução Normativa SRF, n.º 63, por meio da qual a Administração reconheceu que não era devido crédito tributário exigido com base no artigo 35 da Lei n° 7.713, de 1998, o prazo que o contribuinte tem para pedir a restituição estende-se até 24 de julho de 2002.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: CSRF/04-00.949
Decisão: ACORDAM os membros da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos autos à DRF de origem para apreciar as demais questões relacionados ao pleito. Vencidas as Conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo e Ana Maria Ribeiro dos Reis que deram provimento ao recurso.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1991, 1992, 1993 ILL - SOCIEDADE LIMITADA - DECADÊNCIA - PRAZO PARA RESTITUIÇÃO DO INDÉDITO. -Nos casos de norma declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, bem como nas hipóteses em que a própria Administração edita ato reconhecendo a inexigibilidade do tributo recolhido, é a contar da publicação desses eventos jurídicos que começa a fluir o prazo que o contribuinte possui para pleitear a restituição. - Publicada em 25 de julho de 1997 a Instrução Normativa SRF, n.º 63, por meio da qual a Administração reconheceu que não era devido crédito tributário exigido com base no artigo 35 da Lei n° 7.713, de 1998, o prazo que o contribuinte tem para pedir a restituição estende-se até 24 de julho de 2002. Recurso Especial do Procurador Negado
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decisao_txt : ACORDAM os membros da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos autos à DRF de origem para apreciar as demais questões relacionados ao pleito. Vencidas as Conselheiras Maria Helena Cotta Cardozo e Ana Maria Ribeiro dos Reis que deram provimento ao recurso.
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Numero do processo: 19708.000050/2005-71
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2008
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2003
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários
Federais - DCTF pelas pessoas jurídicas obrigadas, quando
intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 302-40.058
Decisão: ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2003 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF pelas pessoas jurídicas obrigadas, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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Recorrida DRJ-CAMPO GRANDE/MS ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2003 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF pelas pessoas jurídicas obrigadas, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Ricardo Paulo Rosa e Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional Maria Cecilia Barbosa. Processo n° 19708.000050/2005-71 Acórdão n.° 302-40.058 CC03/CO2 Fls. 42 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado auto de infração exigindo a multa pelo atraso na entrega da DCTF, 1", 2", 3" e 4" trimestre(s) de 2003, no valor total de R$ 2.000,00. O lançamento teve como enquadramento legal a Lei n°5.172, de 1966 — Código Tributário Nacional — CT1V, art. 113, sç 3" e 160; Instrução Normativa (IN) SRF le 73, de 1996, art. 4", c/c art.2"; IN SRF n" 126, de 1998, art.6`; c/c item I da Portaria MF 118, de 1984; Decreto-lei n°2.124, de 1984, art. 5"; Medida Provisória (MP) n°16, de 2001, art. 7 0, convertida na Lei n°10.426, de 24 de abril de 2002. Notificada do lançamento, a interessada apresentou impugnação, alegando que a multa é indevida, pois: a) a responsabilidade pelo atraso na entrega da DCTF é do contador; b) até concorda em pagar a multa, mas ela é 1071 absurdo, pelo seu valor, e portanto, solicita que a multa se limite a 2% do montante dos tributos e contribuições informados nas DCTF; c) se tiver que pagar esta multa não terá mais condições de continuar trabalhando e recolhendo os impostos no prazo. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande/MS indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/CGE ri° 11.643, de 23/03/2007, fls.25/27: Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2003 DCTF. Multa por Atraso na Entrega. Cabimento. A contribuinte que, obrigada à entrega da DCTF, a apresenta fora do prazo legal sujeita-se à multa estabelecida na legislação de regência. Lançamento Procedente. Às fls. 33 o contribuinte foi intimado da decisão supra, motivo pelo qual apresenta Recurso Voluntário le fls. 36, tendo sido dado, então, seguimento ao mesmo. o relatório. 2 k Processo n° 19708.000050/2005-71 Acórdão n.° 302-40.058 CC03/CO2 Fls. 43 Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator 0 recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Discute-se a multa por entrega intempestiva de DCTF. As argumentações elencadas pela recorrente não suportam a alteração da decisão recorrida, a qual está bem fundamentada. 0 simples fato de não entregar a tempo a DCTF já configura infração legislação tributária, ensejando, de pronto, a aplicação da penalidade cabível. A obrigação acessória relativa à entrega da DCTF decorre de lei, a qual estabelece prazo para sua realização. Salvo a ocorrência de caso fortuito ou força maior, não comprovado nos autos, não há que se falar em denúncia espontânea. Ressalte-se que em nenhum momento a recorrente se insurge quanto ao atraso, pelo contrário, o confirma. De acordo corn os termos do § 4°, art. 11 do Decreto-lei 2.065/83, bem corno entendimento do Superior Tribunal de Justiça "a multa é devida mesmo no caso de entrega a destempo antes de qualquer procedimento de oficio. Trata-se, portanto, de disposição expressa de ato legal, a qual não pode deixar de ser aplicada, uma vez que é principio assente na doutrina pátria de que os órgãos administrativos não podem negar aplicação a leis regularmente emanadas do Poder competente, que gozam de presunção natural de constitucionalidade, presunção esta que só pode ser afastada pelo Poder Judiciário". Ante o exposto, voto p r negar provimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argumentos. Sala das Sessões, em 11 de dezembro de 2008 LUCIANO LOPES J A MEIDA MORAES - Relator 3
score : 1.0
Numero do processo: 11128.000141/2006-14
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Multa aduaneira
Data do fato gerador: 04/02/2004
MULTA POR ATRASO DE DECLARAÇÃO. DENÚNCIA
ESPONTÂNEA – IMPOSSIBILIDADE.
É cediço nesse Conselho que os efeitos da denúncia espontânea, prevista do
art. 138 do CTN, não alcançam a penalidade decorrente do atraso na entrega
de declaração.
CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO.
RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE.
O prazo para informar os dados constantes na declaração de embarque no
sistema SISCOMEX é de 7 dias, ainda que em relação aos fatos anteriores à
IN SRF n° 510/2005, desde estes não tenham julgamento definitivo,
consoante Solução de Consulta COSIT n° 8 de 14/02/2008.
Recurso Voluntário procedente.
Crédito tributário exonerado.
Numero da decisão: 3802-001.128
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso Voluntário para DAR provimento.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Multa aduaneira Data do fato gerador: 04/02/2004 MULTA POR ATRASO DE DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA – IMPOSSIBILIDADE. É cediço nesse Conselho que os efeitos da denúncia espontânea, prevista do art. 138 do CTN, não alcançam a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. O prazo para informar os dados constantes na declaração de embarque no sistema SISCOMEX é de 7 dias, ainda que em relação aos fatos anteriores à IN SRF n° 510/2005, desde estes não tenham julgamento definitivo, consoante Solução de Consulta COSIT n° 8 de 14/02/2008. Recurso Voluntário procedente. Crédito tributário exonerado.
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA – IMPOSSIBILIDADE. É cediço nesse Conselho que os efeitos da denúncia espontânea, prevista do art. 138 do CTN, não alcançam a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO. RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE. O prazo para informar os dados constantes na declaração de embarque no sistema SISCOMEX é de 7 dias, ainda que em relação aos fatos anteriores à IN SRF n° 510/2005, desde estes não tenham julgamento definitivo, consoante Solução de Consulta COSIT n° 8 de 14/02/2008. Recurso Voluntário procedente. Crédito tributário exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONHECER do Recurso Voluntário para DAR provimento. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/0 7/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. EDITADO EM: 28/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra o Acórdão 1730.512, lavrado pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo (DRJ/SPOII) em 12/03/2009, relativamente a multa aplicada no montante de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) em virtude de a interessada ter efetuado o registro de dados de exportação no sistema SISCOMEX a destempo. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem resumir a controvérsia até o presente momento, tomo emprestado o relatório presente no acórdão proferido a quo, de fls. 7884: “De acordo com o Auto de infração, a empresa em epígrafe deixou de registrar os dados de embarque das mercadorias despachadas através da DDE n° 2040079030/0, no SISCOMEX, na forma e prazo estabelecidos pela SRF, conforme disposto no art. 37 da Instrução Normativa n° 28, de 27/04/1994 e Noticia SISCOMEX n° 0105, item "2" de 27/07/1994. Uma vez que as mercadorias foram embarcadas ao amparo do Conhecimento Marítimo no QPE022672, emitido em 03/02/2004, data do efetivo embarque, tendo sido registrados os dados de embarque apenas no dia 06/02/2004, conforme extratos de "Consulta Histórico Despacho" e "Consulta Dados de Embarque", a empresa foi intimada em 13/09/2005, a apresentar, no prazo de 7 (sete) dias, a contar da ciência, DARF com o recolhimento da multa prevista no inciso IV, item "e" combinado com o item "c" do art. 107, do Decreto Lei n° 37/66, alterado pelo artigo 77 da lei n° 10.833/03, para a DDE n° 2040079030/0, tendo em vista os dados de embarque informados fora do prazo. A intimação acima citada é a de n° 154/05, de 13/09/2005 e encontrase às fls. 8. A interessada apresentou a defesa de fls. 13/19, onde alegou: a intimação no 154/05 é absolutamente nula, não se reveste dos requisitos legais; não houve falta de registro das DDEs no SISCOMEX. O que pode ter acontecido, é que os registros não teriam sido feitos imediatamente após a realização do embarque; Fl. 190DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/0 7/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11128.000141/200614 Acórdão n.º 3802001.128 S3TE02 Fl. 112 3 o procedimento de fiscalização só foi iniciado após a notícia da Requerente, que se efetivou com a entrega das DDEs; a denúncia espontânea da infração exclui o pagamento de qualquer penalidade; requer a aplicação do disposto no inciso X do art. 2° e no inciso III do art. 3° c/c parágrafo único do art. 6° da Lei 9.784/99, no sentido de que a presente impugnação seja recebida independentemente da apresentação do respectivo DARF. Em 05/01/2006, a fiscalização lavrou o Auto de Infração de fls. 01/05, para a cobrança da multa acima citada. Ciente, a interessada apresentou a impugnação de fls. 29/35, alegando o já anteriormente alegado, e mais: o registro da SD não pôde ser realizado dentro do prazo estabelecido, mas foi feito tão logo esteve ao alcance da Requerente; esse atraso não quer dizer, todavia, que a Requerente tenha criado embaraços, dificultado ou impedido a ação da fiscalização aduaneira. Isto seria interpretar a norma de uma forma absolutamente parcial, em desfavor do jurisdicionado; a conduta da interessada não se encontra tipificada nas alíneas "c" e "e" do inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei 37/66, com a redação dada pela Lei 10.833/03; não tendo a Requerente criado embaraços, dificultado ou impedido a fiscalização, nenhuma penalidade lhe pode ser imposta; está convicta que será julgada insubsistente a autuação em tela, bem como determinado, consequentemente, seu cancelamento e definitivo arquivamento, medida que ora se requer. E o Relatório”. Ao analisar a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, a 2ª Turma da DRJ/SPOII proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 04/02/2004 EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. No despacho de exportação o transportador deve registrar os dados do embarque no Siscomex, dentro do prazo previsto na legislação aduaneira. O desatendimento constitui embaraço á fiscalização. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. PRINCIPIO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. O contraditório e a ampla defesa devem se assegurados no curso do processo administrativo fiscal, que se instaura com a lavratura do auto de infração. Não ha que se falar em contraditório e ampla defesa na fase de mera investigação de atos ilícitos que antecede a lavratura do correspondente auto de infração. Lançamento Procedente A instância a quo afastou a preliminar de nulidade da intimação e manteve o crédito tributário lançado no auto de infração em litígio, por entender que a interessada descumpriu o disposto na IN 28/1994, a qual disciplinava, à época, que imediatamente após o embarque o contribuinte deveria registrar os dados deste no sistema SISCOMEX. Tendo em vista que o termo “imediatamente” é deveras subjetivo, a DRJ entendeu que o termo foi interpretado pela Notícia SISCOMEX n° 105/1994, a qual dava entendimento que esse prazo seria de 24 horas. E não obstante a IN 28/1994 ter sido alterada pela IN 510/2005, ocasião em que o prazo Fl. 191DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/0 7/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 para registrar os dados do embarque, em caso de transportador marítimo, passou a ser de 7 (sete dias), a Turma entendeu que tal norma não retroage, à luz dos princípios de direito tributário. Em seu Recurso Voluntário (fls. 87/93), que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, ratificando os argumentos apresentados em impugnação e aduzindo, ainda, que a IN 510/2005 tem, sim, efeitos retroativos, de modo que o ato praticado pela Recorrente não constitui embaraço à fiscalização, na medida em que as informações de embarque foram inseridas no SISCOMEX em prazo de 3 dias, inferior àquele estabelecido pela legislação, que é de 7 (sete) duas após o embarque. Com base nos argumentos apresentados, a Recorrente requereu que fosse julgado extinto o crédito tributário. Os autos então seguiram ao CARF para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. Sendo esses os aspectos mais relevantes do presente procedimento de revisão de lançamento tributário, passase ao voto. Voto Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi, Relator. Verificase que o presente Recurso Voluntário é tempestivo e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. A Recorrente alega no Recurso Voluntário apresentado que (a) inseriu as informações da declaração de embarque no SISCOMEX antes que fosse iniciada qualquer fiscalização, de modo que a denúncia espontânea deve afastar a aplicação da multa cominada no auto de infração; (b) o mero atraso no registro das informações não caracteriza embaraço à fiscalização; (c) devese aplicar, de modo retroativo, as alterações no prazo para efetuar os registros dos dados de embarque no SISCOMEX que passou a ser de 7 dias a partir da IN SRF n° 510/2005. a) Da denúncia espontânea Um dos argumentos da Recorrente diz respeito à aplicação dos benefícios da denúncia espontânea, trazida pelo CTN no art. 138, pois, segundo a interessada, registrou, ainda que não imediatamente, a declaração dos dados do embarque no SISCOMEX antes de qualquer fiscalização e, por isso, a multa aplicada no Auto de Infração em litígio deve ser afastada. No caso em tela, a infração é objetiva pelo simples decurso do prazo para apresentação do registro de embarque. Assim, uma vez transcorrido esse prazo sem que o sujeito passivo tenha adimplido com sua obrigação, a infração restará caracterizada. Admitir a denúncia espontânea no caso em tela seria transformar esse instituto em instrumento de permissibilidade para infrações referentes a obrigações acessórias, já que o simples cumprimento, no tempo intentado pelo sujeito passivo (desde que antes de descoberto pela fiscalização), não o levaria a qualquer tipo de responsabilização. O instituto, no lugar de incentivar o voluntarismo do Fl. 192DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/0 7/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11128.000141/200614 Acórdão n.º 3802001.128 S3TE02 Fl. 113 5 sujeito passivo em reconhecer seu erro e buscar retificálo, incentivaria o atraso no cumprimento das obrigações acessórias. Esse tem sido o entendimento de ambas as Turmas de Direito Público do STJ e também do CARF. No que toca o CARF, apenas à guisa de ilustração transcrevo o Acórdão abaixo: Acórdão nº 10195.964, de 25/01/2007 Ementa NULIDADE Não há vedação para a assinatura digital, não implicando vício formal nem cerceamento de defesa. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DENÚNCIA ESPONTÂNEA O instituto da denúncia espontânea para excluir a responsabilidade por infração não alcança a multa por atraso na entrega da declaração. Logo, não há como se reconhecer a procedência na alegação do Recorrente. b) Do embaraço à fiscalização A Recorrente argumenta, ainda, que não causou embaraço à fiscalização, já que o art. 107, inc. IV, alínea “c” impõe a aplicação de multa no valor de R$ 5.000,00 a quem, por qualquer meio ou forma, de modo omissivo ou comissivo, embaraçar, dificultar ou impedir a ação de fiscalização aduaneira. No entendimento da recorrente, ela não está sujeita à multa em comento, tendo em vista que não deixou de prestar as informações constantes na declaração de embarque no sistema SISCOMEX. O que ocorreu foi que a contribuinte não prestou as informações de forma imediata, mas que o fiz assim que lhe foi possível. Aduz, ainda, que deveria ser comprovado o embaraço sofrido em razão do atraso no registro na declaração de embarque. No entanto, a prestação de informações relativas ao embarque no SISCOMEX é obrigação acessória, na forma do art. 37 da IN SRF 28/1994 e o seu descumprimento caracteriza embaraço à fiscalização aduaneira, como prevê o art. 44 o mesmo diploma legal, in verbis: "Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. (. .) Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37 e 41 e § 3 do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decretolei n° 37/66, com redação dada pelo art. 52 do Decretolei n2 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis." (grifei). c) Retroatividade da IN n° 510/2005 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/0 7/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 Importante ressaltar que, à época em que a Recorrente despachou as mercadorias constantes na declaração de embarque, vigia a IN 28/1994, cuja redação estabelecia que o contribuinte deveria registrar as informações do embarque no SISCOMEX imediatamente após o despacho das mercadorias. Considerando que o termo “imediatamente” é de interpretação subjetiva, a Notícia SISCOMEX 105/1994 regulamentou que o prazo para registrar as informações do embarque no sistema seria de 24 horas. No entanto, no momento em que o auto de infração foi lavrado, 05/01/2006, a IN 28/1994 já tinha sido alterada pela IN SRF n° 510/2005, de forma que o prazo vigente para a inclusão de informações do embarque no sistema SISCOMEX era de 7 (sete dias). Resta saber, portanto, se é aplicável no caso em questão, de forma retroativa, o art. 37 da IN 28/1994 com a redação dada pela IN 510/2005, uma vez que o fato se deu antes da última Instrução Normativa Requerida. A Turma a quo entendeu que não se aplica a Instrução Normativa 510 de 2005, pois considerou que à época a legislação vigente exigia que as informações fossem incluídas no sistema no prazo de 24 horas, de acordo com a regulamentação do art. 37 da IN 28/94 pela Notícia SISCOMEX n° 105/1994 e que, aos fatos anteriores à IN 510/2005, é aplicável a interpretação dada pelo regulamento mencionado. A DRJ entendeu que tal ato normativo não retroage, pois não está previsto em nenhum inciso do art. 106 do CTN, o qual disciplina as ocasiões em que a lei tributária pode ter efeitos retroativos. Data a máxima vênia ao tribunal a quo, entendo que, no caso em questão, a instrução normativa 510 de 2005 pode ter, perfeitamente, efeitos retroativos. Diz o art. 106, I do CTN o seguinte, in verbis: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática”. Vejamos, ainda, o que ensina a Ilustre Cleide Previtalli Cais, em seu livro “O Processo Tributário – os princípios constitucionais e sua repercussão, 6ª ed.”: “Comentado o art. 106 do CTN, Aliomar Baleeiro ensina que a eficácia retroativa da lei fiscal é de caráter excepcional, somente atingindo os casos do art. 106, quando a lei Fl. 194DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/0 7/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11128.000141/200614 Acórdão n.º 3802001.128 S3TE02 Fl. 114 7 fiscal tem aplicação a atos ou fatos ocorridos antes da sua vigência, afirmando que isso ocorre quando ‘o dispositivo dá interpretação autêntica a outro ou outros de lei anterior, exclui penalidade desta, e, ainda, quando assume a característica de lex minor’. Assim, considerando que a interpretação autêntica deve ser limitada à função de esclarecer e suprir o que foi legislado, sem inovar ou onerar o cidadão, seguese que no inc. I do art. 106 não ocorre exigência tributária. Também não ocorre qualquer exigência tributária quanto ao inc. II do art. 106 do CTN, na medida em que regula princípio de Direito Penal, admitindo a aplicação retroativa da lei tributária em relação a ato não definitivamente julgado nas hipóteses da alínea a, b e c, todas elas de intuito benéfico ao contribuinte”. Considerando o caso concreto, temos que a IN 510 de 2005 desconsiderou que a não apresentação das informações constantes da declaração de embarque no sistema SISCOMEX em período superior a 24 horas se configurava descumprimento de obrigação acessória, desde que o lapso temporal para registrar os dados em comento não ultrapassasse o prazo de 7 (sete) dias. Sendo assim, estamos claramente diante de um caso previsto pelo art. 106, II, b, do CTN, razão pela qual é possível aplicar a retroatividade da norma tributária. Esse é, inclusive, o entendimento adotado pela Receita Federal do Brasil, que se percebe através do acórdão proferido, com base na Solução de Consulta COSIT n° 8 de 14/02/2008, pela Secretaria da Receita Federal, de n° 1735834, cuja ementa é a seguinte: “MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO DOS DADOS DE EMBARQUE NO SISCOMEX. No caso de transporte marítimo, constatado que o registro, no Siscomex, dos dados pertinentes ao embarque de mercadorias se deu após decorrido o prazo regulamentar, tornase aplicável a multa prevista na alínea “e”, incido IV do art. 107 do DL nº 37/66. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE. Nos termos da Solução de Consulta Interna nº 8 da COSIT, de 14/02/2008, aplicase a retroatividade benigna prevista na alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN, pelo não registro no Siscomex dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria no prazo previsto no art. 37 da IN SRF n° 28, de 1994, em face da nova redação dada a este dispositivo pela IN SRF no 510, de 2005”. Diante disso, entendo que é procedente o Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo, razão pela qual deve ser exonerado o crédito tributário constituído em razão de multa aplicada em função da inobservância do prazo de 24 horas para registrar os dados de embarcação no SISCOMEX. Conclusão Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para DARLHE provimento. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/0 7/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 196DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 17/0 7/2012 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 02/08/2012 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 11444.000727/2007-79
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/03/2007
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. DEIXAR DE ARRECADAR MEDIANTE DESCONTO AS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
A empresa é obrigada por lei a descontar das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e dos contribuintes individuais que lhes prestem serviço.
Numero da decisão: 2803-002.104
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a).
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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CUSTEIO. DEIXAR DE ARRECADAR MEDIANTE DESCONTO AS CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. A empresa é obrigada por lei a descontar das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e dos contribuintes individuais que lhes prestem serviço. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 07 27 /2 00 7- 79 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11444.000727/200779 Acórdão n.º 2803002.104 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11444.000727/200779 Acórdão n.º 2803002.104 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, tendo em vista que a empresa deixou de arrecadar no período compreendido entre as competências 05/2004 e 02/2007, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço, conforme determinada o artigo 30, I, “a” da lei nº 8.212/91, artigo 4º, “caput” da Lei nº 10.666/2003 e artigo 216, I, “a” do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 19 de fevereiro de 2009 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2004 a 31/03/2007 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARRECADAÇÃO MEDIANTE DESCONTO DE CONTRIBUIÇÕES DE SEGURADOS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço. DOCUMENTOS APREENDIDOS. DEVOLUÇÃO. EXERCÍCIO DO CONTRADITÓRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A devolução ao sujeito passivo de documentos apreendidos que guardam relação com a autuação, seguida da reabertura do prazo regulamentar para apresentação de defesa, representam providências aptas à regularização do feito e asseguram ao sujeito passivo o pleno exercício do contraditório, não se caracterizando o cerceamento ao seu direito de defesa. IMPUGNAÇÃO GENÉRICA. EFEITOS. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada RELEVAÇÃO. REQUISITO. CORREÇÃO DA FALTA. INOCORRÊNCIA. Constitui requisito para a concessão da relevação da penalidade aplicada a correção pelo sujeito passivo da falta ensejadora da autuação no prazo previsto na legislação, não sendo concedido o benefício em questão quando não observado tal requisito. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11444.000727/200779 Acórdão n.º 2803002.104 S2TE03 Fl. 5 4 Lançamento Procedente Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A empresa quando intimada através do Termo de Início de Ação Fiscal – TIAF apresentou todos os documentos solicitados e que serviram de base para a lavratura do auto de infração. A empresa vem reiterar, que na data da lavratura do referido AI, não havia sido devolvidos pelo agente fiscal, os documentos fiscalizados e que serviram de base para o levantamento do débito em questão. Tais elementos, foram entregues apenas posteriormente pelo agente fiscal, diretamente à proprietária em sua residência, quando a empresa já estava com suas atividades paralisadas, e também, com toda sua organização administrativa prejudicada, pela lacração de seu estabelecimento, conforme consta na íntegra do processo. Como a atitude inicial do agente fiscal não se trata de um procedimento normal, e sim claramente no objetivo de dificultar o direito da empresa em analisar corretamente o que fora apurado, e este fato não foi tão agravante, que comprometeu seriamente qualquer ato de defesa por parte da empresa, é necessário que seja feito, conjuntamente órgão fiscalizador e empresa, uma revisão nestes levantamentos, para que possa ser identificado o que ali foi retratado, tendo em vista que inúmeros documentos que foram devolvidos posteriormente, não são reconhecidos pela empresa, da maneira que foram interpretados pelo agente fiscal. A empresa, assim como a sua proprietária, não reconhece em hipótese alguma, a existência de documentos extra folha, como foram qualificados na ação fiscal. Diante do exposto, é visto a necessidade de suspensão do referido auto de infração, até que seja feito o procedimento adequado de levantamento, conforme solicitado. A empresa declara, ainda, que não reconhece em nenhum momento como verdadeiros, os fatos e valores que aqui foram lavrados, devido a falta substancial de provas documentais, que venham a comprovar a existência clara e certa do apurado, tendo em vista que foi adotado pelo agente fiscal, um critério de análise com extremo uso de suposições e subjeções. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11444.000727/200779 Acórdão n.º 2803002.104 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Segundo consta no Relatório Fiscal da Infração (fls. 16), a empresa deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. Ainda de acordo com o citado relatório fiscal, constatouse que: 3. No curso da ação fiscal desenvolvida na empresa, confrontando os recibos de pagamento apreendidos com as folhas de pagamento, as rescisões de contrato de trabalho, os recibos de férias e os Livros de Registro de Empregados (matriz e filial), verificamos o seguinte: que a empresa confeccionou recibos de pagamentos dos segurados a seu serviço em formulário contínuo, pré impresso, de cor verde, e outros em papel sulfite; que os valores constantes dos recibos de pagamento do formulário verde, préimpresso, correspondem exatamente aos valores registrados nas folhas de pagamento; que as remunerações constantes dos recibos de pagamento confeccionados em papel sulfite não foram lançadas nas folhas de pagamento. 4. Da análise dos recibos de pagamentos elaborados em papel sulfite concluímos que os mesmos eram destinados ao pagamento complementar (extrafolha) da remuneração de seus segurados empregados constantes das folhas de pagamento e também de seus segurados não inscritos na previdência social e, portanto, ausentes dos Livros de Registro de Empregados de seu estabelecimento matriz e filial. Os pagamentos se referem ao período de 05/2004 a 03/2007. A falta cometida pelo contribuinte indica que ele infringiu o artigo art.30, inciso I, “a” da Lei 8.212/91, bem como o art. 216, inciso I, alínea “a” do Decreto 3.048/99. Apesar do auto, não ficaram configuradas as circunstâncias agravantes. O Relatório de fls. 17 aduz que a multa aplicada é a prevista nos artigos 92 e 102 da Lei nº 8.212/91 e nos artigos 283, inciso I, alínea “g” e 373 do RPS, aprovado pelo Fl. 70DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11444.000727/200779 Acórdão n.º 2803002.104 S2TE03 Fl. 7 6 Decreto nº 3.048/99, no valor de R$1.195,13, atualizada conforme Portaria MPS/GM 142, de 11/04/2007 (DOU de 12/04/2007). Com efeito, a empresa é obrigada por lei a descontar das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e dos contribuintes individuais que lhes prestem serviço. Em seu recurso o contribuinte não discutiu o mérito. Ele ficou restrito a questões genéricas do tipo: A empresa, assim como a sua proprietária, não reconhece em hipótese alguma, a existência de documentos extra folha, como foram qualificados na ação fiscal. É visto a necessidade de suspensão do referido auto de infração, até que seja feito o procedimento adequado de levantamento, conforme solicitado. A empresa declara, ainda, que não reconhece em nenhum momento como verdadeiros, os fatos e valores que aqui foram lavrados, devido a falta substancial de provas documentais, que venham a comprovar a existência clara e certa do apurado, tendo em vista que foi adotado pelo agente fiscal, um critério de análise com extremo uso de suposições e subjeções. Vêse, pois, que a penalidade aplicada está perfeitamente compatível com o ordenamento jurídico vigente. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.º 8.212/91, está dentro dos pressupostos legais e constitucionais, não foi inquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa. A empresa é obrigada por lei a descontar das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e dos contribuintes individuais que lhes prestem serviço. Por último, a autuação objeto do presente recurso, foi executada de acordo com os preceitos legais e o Auto de Infração lavrado, contém todos os elementos essenciais à sua validade, descritos no art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 06/03/1972, devendo ser mantido na sua integralidade, já que a recorrente não comprovou a correção da falta. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11444.000727/200779 Acórdão n.º 2803002.104 S2TE03 Fl. 8 7 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 6/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10746.000052/2001-13
Data da sessão: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Aug 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1997
NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE.
O Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à prova.
Em Recurso Especial é indispensável que se demonstre, de maneira clara e fundamentada, porque teria havido ofensa à prova.
O recurso especial apresentado demonstrou, fundamentadamente, que a decisão recorrida seria contrária à prova, merecendo ser conhecido.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS.
A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.209
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet
Allage que negaram provimento.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1997 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. O Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à prova. Em Recurso Especial é indispensável que se demonstre, de maneira clara e fundamentada, porque teria havido ofensa à prova. O recurso especial apresentado demonstrou, fundamentadamente, que a decisão recorrida seria contrária à prova, merecendo ser conhecido. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Recurso especial provido.
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Turma Sessão de 18 de agosto de 2009 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MANOEL REVERENDO JUNQUEIRA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 1997 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. O Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, fazia previsão de interposição de recurso especial na hipótese de contrariedade à prova. Em Recurso Especial é indispensável que se demonstre, de maneira clara e fundamentada, porque teria havido ofensa à prova. O recurso especial apresentado demonstrou, fundamentadamente, que a decisão recorrida seria contrária à prova, merecendo ser conhecido. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente em data anterior à ocorrência do fato gerador do imposto, o que não ocorreu no presente caso. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Gonçalo Bonet Allage que negaram provimento. (2 Processo n° 10746.000052/2001-13 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.209 Fl. 3 Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. De feito, a questão controvertida disse respeito à exigência da averbação da área de reserva legal para fins de isenção do ITR. A decisão recorrida partiu da premissa de que o Código Florestal ao tratar da averbação da área de reserva legal o fez com finalidade diversa da tributária, ao concluir que a exigência de averbação como pré-condição para o gozo de isenção do ITR não encontra amparo na lei ambiental. .• z. • . . • Para o deslinde da questão vale repassar as normas legais regedoras da isenção de ITR incidente sobre a área de reserva legal e, conseqüentemente, do próprio conceito de área de reserva legal. O art. 10, § 1°, inciso II, que trata da área tributável do imóvel para fins de ITR, exclui da incidência do imposto a áreas de preservação permanente e de reserva legal previstas no Código Florestal Brasileiro, in verbis: Art. 10 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989; Por seu turno, a Lei n° Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803, de 18 de julho de 1989 (Código Florestal Brasileiro), portanto, à época dos fatos geradores, previa a obrigatoriedade de averbação da área de reserva legal no registro de imóveis competente, nos seguintes termos: Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: sç 2°A reserva legal, assim entendida a área de, no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n°7.803 de 18.7.1989). No meu entender a averbação da área de reserva legal à margem da inscrição de matricula do imóvel no registro de imóveis competente é condição para que a referida área seja, efetivamente, considerada como área de reserva legal. I)L(k) 3 Processo n° 10746.000052/2001-13 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.209 Fl. 4 Por todo o - • osto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Elias Sampaio reire - Re ator
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Numero do processo: 10280.001819/2003-08
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – VALIDADE O Mandado de Procedimento Fiscal é apenas um instrumento gerencial de controle administrativo da atividade fiscal, que tem também como função oferecer segurança ao sujeito passivo, ao lhe fornecer informações sobre o procedimento fiscal contra ele instaurado e possibilitar-lhe confirmar, via Internet, a extensão da ação fiscal e se está sendo executada por servidores da Administração Tributária e por determinação desta.
Numero da decisão: 9101-001.457
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto proferido pelo relator.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Ementa – MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – VALIDADE O Mandado de Procedimento Fiscal é apenas um instrumento gerencial de controle administrativo da atividade fiscal, que tem também como função oferecer segurança ao sujeito passivo, ao lhe fornecer informações sobre o procedimento fiscal contra ele instaurado e possibilitarlhe confirmar, via Internet, a extensão da ação fiscal e se está sendo executada por servidores da Administração Tributária e por determinação desta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto proferido pelo relator. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Albertina Silva Santos de Lima (suplente convocada), José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro Fl. 999DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10280.001819/200308 Acórdão n.º 9101001.457 CSRFT1 Fl. 2 2 de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias e Suzy Gomes Hoffmann. Relatório. Cuidase de exigências de IRPJ e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL; Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — Cofins e Programa de Integração Social — PIS), relativas aos exercícios de 2001 e 2002, formalizadas em decorrência da imputação de omissão de receita caracterizada pela falta de comprovação da origem dos depósitos, com imposição da multa agravada de 112,5%. Em impugnação tempestiva, a interessada alegou nulidade do lançamento em razão da falta de ciência da prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal. Relativamente ao mérito, sustentou que as supostas omissões correspondiam, na verdade, a operações de desconto bancário de cheques junto à instituição financeira. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém, analisando os feitos fiscais e a peça de defesa, prolatou o Acórdão n° 01.8.521, de 21 de junho de 2007, conforme ementa abaixo reproduzida. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. IRREGULARIDADE. VICIO FORMAL. A falta de ciência do sujeito passivo das prorrogações de prazo do MPF fere as disposições da Portaria SRF n° 3.007/2001 e caracteriza vicio insanável de ordem formal. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. PIS. COFINS. As questões sujeitas às mesmas regras adotadas para o lançamento do principal submetem se ao igual entendimento adotado para este. INOBSERVÂNCIA DO PERÍODO DE APURAÇÃO MENSAL. CRITÉRIOS TEMPORAL E QUANTITATIVO DO LANÇAMENTO. NULIDADE POR VICIO MATERIAL. O lançamento de ofício que aplica período de apuração trimestral para a Cofins, ao invés de mensal, deve ser anulado por vício material, uma vez que inobservou os critérios temporal e quantitativo previstos pelo art. 142 da Lei n° 5.172/66. INOBSERVÂNCIA DO PERÍODO DE APURAÇÃO MENSAL. CRITÉRIOS TEMPORAL E QUANTITATIVO DO LANÇAMENTO. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. O lançamento de oficio que aplica período de apuração trimestral para a Contribuição para o PIS, ao invés de mensal, deve ser anulado por vício material, uma vez que inobservou os critérios temporal e quantitativo previstos pelo art. 142 da Lei n° 5.172/66. Submetida a decisão a recurso de ofício, a Quinta Câmara deulhe provimento, por meio do Acórdão nº 10516.918, de 16 de abril de 2008, cuja ementa elucida seu teor: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ EXERCÍCIO: 2001, 2002 Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10280.001819/200308 Acórdão n.º 9101001.457 CSRFT1 Fl. 3 3 Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – O Mandado de Procedimento Fiscal representa mero instrumento de controle interno da Administração Tributária e, em razão disso, eventuais irregularidades que se possa identificar na sua emissão ou prorrogação não podem dar causa a nulidade do feito fiscal. Ciente do acórdão da Quinta Câmara, o contribuinte, tempestivamente, ingressou com recurso voluntário à Câmara Superior de Recursos Fiscais, alegando, em síntese, que houve a perda da vigência, validade e eficácia do Mandado de Procedimento Fiscal, acarretando a nulidade do auto de infração, e que o procedimento fiscal viola os princípios da legalidade, publicidade, contraditório, ampla defesa e moralidade, requerendo, afinal, a reforma do acórdão n° 10516.918 que julgou válido o Mandado de Procedimento Fiscal MPF, na medida em que este se encontra eivado de nulidade. É o relatório. Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10280.001819/200308 Acórdão n.º 9101001.457 CSRFT1 Fl. 4 4 VOTO Conselheiro Valmir Sandri, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Como descrito no relatório, tratase de recurso do contribuinte contra decisão da antiga 5ª. Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes (Acórdão nº 10516.918), que deu provimento ao recurso de ofício, ao argumento de que eventuais irregularidades que se possa identificar na sua emissão ou prorrogação não podem dar causa a nulidade do feito fiscal. Por seu turno, alega o recorrente que houve a perda da vigência, validade e eficácia do Mandado de Procedimento Fiscal, acarretando a nulidade do auto de infração, e que o procedimento fiscal viola os princípios da legalidade, publicidade, contraditório, ampla defesa e moralidade. Conforme bem apontado pela r. decisão recorrida, identificase às fls. 01, a emissão do competente Mandado de Procedimento Fiscal, o qual foi devidamente cientificado ao contribuinte em 26 de dezembro de 2002, e em cujo corpo se identifica o código 71954769, o que possibilitaria ao contribuinte verificar que o procedimento tinha sido prorrogado até 23 de janeiro de 2005 (fls. 844). Logo, a prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal original foi promovida com fiel obediência às disposições normativas em vigor à época da execução do procedimento fiscal (parágrafo 1° do art. 13 da Portaria SRF n° 3.007, de 2001), uma vez que foi efetuada pela autoridade outorgante através de registro eletrônico, estando disponível, na internet, tal informação. Assim, em que pese o fato do ato administrativo em referência (Portaria SRF n° 3 007, de 2001) prever que, após cada prorrogação, o responsável pelo procedimento fiscal deve fornecer ao sujeito passivo o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, não se pode cogitar que a eventual ausência de tal providência possa macular o procedimento com base na argüição de nulidade. Isto porque, o lançamento foi praticado por Auditor Fiscal da Receita Federal, cuja competência é derivada diretamente da lei, cabendo a ela, independentemente de observação de normas administrativas, cumprir as determinações contidas no art. 142 do Código Tributário Nacional, ou seja, sempre que apurar a ocorrência do fato gerador, deverá determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo da obrigação tributário e, sendo a hipótese, impor a respectiva penalidade caso se verifique a ocorrência de infração à lei, sob pena de responsabilidade funcional, tendo em vista ser ato vinculado e obrigatório. Isto significa dizer que tomando ciência do fato gerador da obrigação tributária, na forma, limites e condições estabelecidas em lei, é defeso a autoridade administrativa adotar uma atitude outra que não seja a expressa e previamente determinada em lei, ou seja, exigir o tributo, não lhe pertencendo a faculdade de optar por este ou aquele método de execução. Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10280.001819/200308 Acórdão n.º 9101001.457 CSRFT1 Fl. 5 5 O fato é que o Auto de Infração praticado contra a Recorrente esta perfeito e acabado, pois contém todos os elementos exigidos para a sua eficácia que consubstanciam a sua essência, como previstos nos artigos 142 do CTN e corolário natural da clausula final do art. 3o. do CTN, quando expressa que a prestação tributária é cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada, formalizado nos termos dos artigos 9o. e 23 do Decreto 70.235/72. Assim, eventuais omissões em documentos meramente administrativos (o que, digase de passagem, não ocorreu no presente caso), não tem o condão de invalidar o lançamento fiscal formalizado de acordo com a lei, eis que o MPF tem apenas a função dar ciência ao sujeito passivo da obrigação tributária do início do procedimento administrativo tributário, tirandolhe assim a espontaneidade, assim como, atribuir condições de procedibilidade ao agente do Fisco competente para o exercício da auditoria. Assim, tendo o Auditor Fiscal competência outorgada por lei para fiscalizar e constituir o crédito tributário pelo lançamento, não há o que se falar em nulidade de ato por ele lavrado no exercício de suas atribuições. Pelo exposto, nego provimento ao recurso, devendo o processo retornar à DRJ Belém, para que sejam apreciadas as questões de mérito trazidas pela contribuinte em sede de impugnação. É como voto. Sala das Sessões, em 15 de agosto de 2012. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 13637.000226/2007-51
Data da sessão: Wed Dec 02 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Dec 02 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006
DECADÊNCIA - ARTS 45 E 46 LEI N° 8.212/1991 -
INCONSTITUCIONALIDADE - STF - SÚMULA VINCULANTE
De acordo com a Sumula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4° do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006
ASSISTÊNCIA MÉDICA - BENEFÍCIO NÃO OFERECIDO À TOTALIDADE DE EMPREGADOS E DIRIGENTES - INCIDÊNCIA Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de assistência à saúde, a qual não é oferecida à totalidade de empregados e dirigente.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2402-000.362
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para, nas preliminares, excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, com fundamento no artigo 173, I do CTN, conforme o voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto e Marcelo Freitas de Souza Costa, que votaram em aplicar o § 4°, Art. 150 do CTN. No mérito, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, na forma do voto da relatora.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/2006 ASSISTÊNCIA MÉDICA - BENEFÍCIO NÃO OFERECIDO À TOTALIDADE DE EMPREGADOS E DIRIGENTES - INCIDÊNCIA \ t--N \ \Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título ‘ e assistência à saúde, a qual não é oferecida à totalidade de empregad\o-s- dirigente. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. jo Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 1 ACORDAM os membros da 4 a Câmara / 2' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para, nas preliminares, excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 11/2001, anteriores a 12/2001, com fundamento no artigo 173, I do CTN, conforme o voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto e Marcelo Freitas de Souza Costa, que votaram em aplicar o § 4°, Art. 150 do CTN. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do voto da relatora. • " • • IRA - Presidente IVO 41( A z • ARIA BAN EIRA — Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Rogério de Lellis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado, Marcelo Freitas de Souza Costa (Convocado) e Naja Moreira Barros Mazza (Suplente). • 2 Processo n° 13637.000226/2007-51 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-01362 Fl. 238 • Relatório Trata-se de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados, da empresa, à destinada ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, as destinadas a terceiros (Salário-Educação, SESC, SENAC, SEBRAE e INCRA). De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 72/77), foi constatado que a empresa mantém convênio com a UNIMED Barbacena, cooperativa de trabalho médico e que adquiriu medicamentos e vários outros produtos da Farmácia Glória Ltda e Drogaria Mantiqueira Ltda. Foi apresentada, pela UNIMED Barbacena, uma relação de usuários, bem como a npresa apresentou uma declaração quanto aos medicamentos e produtos adquiridos nas farmácias. Da análise da relação, a auditoria fiscal verificou que nem todos os trabalhadores e sócios são usuários do plano. Quanto à declaração esta limitou-se a dizer que os medicamentos e produtos eram disponibilizados no local de trabalho, embora fossem bastante diversificados e de valor significativo para ser consumidos num escritório de contabilidade. Pelas razões apresentadas, a auditoria fiscal concluiu que os valores em questão seriam salários indiretos e como tal integrariam o salário de contribuição. A notificada apresentou defesa (fis. 173/178) onde alega que os medicamentos e plano de saúde oferecidos pela mesma não podem ser considerados salário de contribuição de acordo com a alínea "q" do § 9° do art. 28 da Lei n°8.212/1991. Aduz que a divergência entre as GFIP — Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social e a relação fornecida pela UNIMED contendo os beneficiários vinculados à empresa se explica a partir do fato de que o rodízio de empregados na empresa, eventualmente, não é acompanhado pela atualizados dos dados cadastrais junto à UNIMED Barbacena, fazendo crer, falsamente, que o plano não abrangia a totalidade dos empregados. Menciona jurisprudência a respeito do tema e finaliza com a solicitação de diligências e perícias. Pelo Acórdão n° 09-17.769 (fls. 208/215), a 5 a Turma da DRJ Juiz de Fora fé) (MG) considerou o lançamento procedente. Contra tão decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 220R-- onde efetua a repetição das alegações já apresentadas em defesa e inova na argüição de k..11teria ocorrido a decadência do direito de lançar parte do crédito. É o relatório. 3 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. • Ainda que tenha sido argüido de forma inovadora em sede recursal, a preliminar de decadência deve ser acolhida. O lançamento em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei n° 8.212/1991. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários n° 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vineulante n° 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 "São inconstitucionais os parágrajb único do artigo 5 0 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103-A, capta, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional 11045/2004. in verbis: • Art. 103.a. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n) Da leitura do dispositivo constitucional, pode-se concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Da análise do caso concreto, verifica-se que o lançamento em tela refere-se a período compreendido entre 01/1997 a 12/2006 e foi efetuado em 22/05/2007, data da intimação do sujeito passivo. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, ab transcrito: "Art.173 - O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 4 Processo n° 13637.000226/2007-51 S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.362 Fl. 239 I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único - O direito a que se refere este artigo extingue- se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4 0 0 seguinte: "Art.150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4°- Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplica-se o prazo previsto no § 40 do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplica-se o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A n iti !LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PR,4Z0 DEC,4DENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4', DO CTN. ocevI. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direit r e Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação —que, segundo o art. 150 do CIN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa e 'opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 40 do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudencia is. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antemPação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, 1, do C77n1. 4.Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 2I6.758/SP, 1" Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. . DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. I. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4 0, do CT/V), que é de cinco anos. . 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova defraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do C731/. Omissis. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, I" Seção, RN Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) No caso em tela, trata-se do lançamento contribuições, cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação aos mesmo., %recorrente não efetuou qualquer antecipação. Nesse sentido, aplica-se o art. 173, inciso I '' • CTN, para considerar que estão abrangidos pela decadência os créditos correspondent ao‘ fatos geradores ocorridos até 11/2001, inclusive. • 6 Processo n° 13637.000226/2007-51S2-C4T2 Acórdão n.° 2402-00.362 Fl. 240 Quanto ao mérito, a recorrente alega que o lançamento foi efetuado com base em presunção da auditoria fiscal e que o fornecimento de assistência médica e medicamentos por parte da mesma se deu de acordo com o que dispõe a legislação. Relativamente à assistência médica fornecida, a auditoria fiscal verificou que a relação de usuários fornecida pela UNIMED não continha todos os empregados e sócios da recorrente. Por sua vez, a notificida atribui a existência da relação incompleta ao fato de que haveria rodízio de empregados e a atualização a cada mudança de empregado ou sócio instalaria o caos. Ao contrário do que entende a recorrente a auditoria fiscal demonstrou que tais beneficios não eram destinados à totalidade dos empregados e sócios diretores. O contrato firmado dispõe a obrigação da contratada em fornecer assistência médica aos diretores e empregados da contratante de acordo com o contingente cadastrado, ou seja, caberia à recorrente informar à UNIMED a totalidade dos funcionários e dirigentes. Se a informação não correspondia à totalidade de empregados e dirigentes, parte destes deixou de ser atendida. O argumento de que se fosse exigido o cadastramento ou atualização a cada mudança de empregado ou sócio da empresa, o caos se instalaria, também não pode ser aceito como justificativa para o fato de a relação de beneficiários fornecida pela UNIMED não conter a totalidade dos empregados e dirigentes da notificada. Primeiramente porque a recorrente não é uma empresa do porte que justificasse tal impossibilidade. Conforme se verifica na cópia do Livro Diário juntada aos autos (fl. 89) o montante de salários pagos leva a inferir que a empresa não possui número significativo de empregados. Além disso, sua atividade não demanda rodízio de empregados conforme afirmou. Em segundo lugar, haja vista os recursos disponíveis, como automação e internei, por exemplo, bem como a facilidade de envio de informações não é possível crer que a recorrente não tivesse condições de manter atualizados em tempo real, o contingente de beneficiários da assistência médica que oferece. Quanto aos valores pagos a farmácias, as quais a auditoria fiscal considerou salários indiretos, melhor sorte não assiste à recorrente. A justificativa apresentada pela recorrente de que tais produtos eram destinados ao uso efetivou de sócios e empregados no local de trabalho não se sustenta, haja vista a quantidade e os tipos de produto adquiridos que, dentre outras coisas, encontram-se . sabonetes, fraldas descartáveis, maquiagens, escovas de dente, desodorante, etc. (fl. 78). , Além disso, no que tange a medicamentos, a lei dispõe que não integrariam o sksalário de contribuição os valores dos reembolsos na compra dos mesmos. Ou seja, não trina lei a possibilidade de se excluir da base de incidência valores de medicamentos adquirido r " a empresa e colocados à disposição dos empregados no local de trabalho, sem qualquer coniro bem como de produtos estranhos ao conceito de medicamentos. jt Para que seja possível afastar a incidência de contribuição previdenciária sobre os valores pagos a titulo de assistência médica é necessário que tal beneficio seja concedido nos exatos termos da lei; Pelo Princípio da Legalidade, a autoridade administrativa deve exercer suas funções, dentre as quais o ato que resulta no lançamento tributário, na estrita conformidade com a lei; Com o objetivo de evitar toda sorte de interpretações, por parte da administração e dos administrados, a respeito da incidência ou não da contribuição previdenciária sobre determinada verba paga, a lei veio definir expressamente quais os pagamentos não integrariam o salário de contribuição. Tal definição encontra-se disposta no § 9° do art. 28 da Lei n°8.212/91; O cuidado do legislador se fez necessário pois seria temerário submeter à análise discricionária da autoridade administrativa a possibilidade de afastar ou não a incidência da contribuição previdenciária; A fim de reforçar o entendimento de que o propósito do legislador foi de restringir à lei todas as hipóteses de não incidência de contribuição, a Medida Provisória n° 1.596-14, de 10/11/97, posteriormente convertida na Lei n° 9.528/97, introduziu o termo "exclusivamente" ao § 9° da Lei n°8.212/91, que elenca as verbas que não integram o salário- de-contribuição; A aliena "q" do citado parágrafo dispõe que não integram o salário de contribuição o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médico-hospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. Se os requisitos para a isenção não foram cumpridos em sua totalidade, incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que ocorreu a decadência até a competência 11/2001. É como voto. Sala das Sessões, em 2 de dezembro de 2009 I A • IA BAN EIRA - Relatora 8 , MINISTÉRIO DA FAZENDA a CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS zziti±* QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo 110: 13637.000226/2007-51 Recurso d: 157.660 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto á Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2402-00.362 Brasili, , 02 d fevereiro de 2010 ELIAS S • 'AIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 19515.001956/2004-99
Data da sessão: Sun Apr 19 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed May 06 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador.
O fato gerador do IRPF se perfaz em 31 de dezembro de cada ano-calendário.
Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN).
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECUPERAÇÃO DA ESPONTANEIDADE. A Recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplica-se retroativamente, alcançando os atos praticados pelo contribuinte no decurso desse prazo.
O pagamento do tributo deve ser acrescido de juros e multa de
mora.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
ÔNUS DA PROVA.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TITULARIDADE.
Somente se aplica o disposto no § 5° do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, quando comprovado de forma cabal que os valores creditados pertencem a terceiros.
MULTA QUALIFICADA.
Para a qualificação da multa de ofício deve restar comprovado nos autos a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme definido na lei.
Preliminar Rejeitada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-000.056
Decisão: DECISÃO: Por unanimidade de votos desqualificar a multa; por maioria de votos acolher a preliminar de decadência relativa ao ano calendário de 1998, vencida a Relatora .Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA. No mérito, por unanimidade de votos, considerar espontâneas as Declaração de Ajuste Anual Retificadoras e, nesta conformidade, considerar como recurso o valor de R$ 158.691,24 em janeiro de 2001.
Nome do relator: Núbia Matos Moura
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECUPERAÇÃO DA ESPONTANEIDADE. A recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos praticados pelo contribuinte no decurso desse prazo. O pagamento do tributo deve ser acrescido de juros e multa de mora. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 2 2 rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TITULARIDADE. Somente se aplica o disposto no § 5° do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, quando comprovado de forma cabal que os valores creditados pertencem a terceiros. MULTA QUALIFICADA. Para a qualificação da multa de ofício deve restar comprovado nos autos a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme definido na lei. Preliminar Rejeitada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos desqualificar a multa; por maioria de votos acolher a preliminar de decadência relativa ao ano calendário de 1998, vencida a Relatora. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA. No mérito, por unanimidade de votos, considerar espontâneas as Declaração de Ajuste Anual Retificadoras e, nesta conformidade, considerar como recurso o valor de R$ 158.691,24 em janeiro de 2001. (assinado digitalmente) IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO Presidente (assinado digitalmente) NÚBIA MATOS MOURA Relatora (assinado digitalmente) MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA – Redator Designado Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka, Eduardo Tadeu Farah, José Raimundo Tosta Santos, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Silvana Mancini Karam e Vanessa Pereira Rodrigues Domene. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 3 3 Relatório STELLA KUPERMAN, já qualificada nos autos, inconformada com a decisão de primeiro grau, prolatada pelos Membros da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP II, mediante Acórdão DRJ/SPOII n° 11.709, de 24/02/2005, fls. 1803/1826, recorre a este Conselho de Contribuintes pleiteando a sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário, fls. 1834/1839. Mediante Auto de Infração, fls. 05/16, formalizouse exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, no valor total de R$1.738.491,49, incluindo multa de ofício qualificada e juros de mora, estes últimos calculados até 31/08/2004. As infrações apuradas pela autoridade fiscal, detalhadas no Auto de Infração e no Termo de Constatação e Conclusão Fiscal, fls. 1670/1716, foram omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada, nos anoscalendário de 1998 a 2000 e acréscimo patrimonial a descoberto, nos anoscalendário de 2001 e 2002. No Termo de Constatação e Conclusão Fiscal a autoridade fiscal justifica a qualificação da multa de ofício, valendo destacar os seguintes trechos: A contribuinte, a partir do ano calendário 1998, ao não apresentar declaração IRPF e levandose em consideração a quantidade e os valores dos depósitos bancários, que demonstram de forma inequívoca que a mesma estaria sujeita a entrega da declaração IRPF, permite a conclusão desta fiscalização de que tal procedimento teve como finalidade suprimir ou reduzir o imposto de renda, mediante a omissão de informação às autoridades fazendárias na ocultação do fato gerador do tributo e, em conseqüência a sonegação fiscal. A intenção, o dolo do agente, a manipulação do fato gerador, com o objetivo de reduzir ou suprimir tributo de forma não permitida em lei, ou seja de forma evasiva, é fraude. Ressaltese que tal procedimento teve continuidade nos anos calendários 1999 e 2000, mesmo considerando que a contribuinte tenha apresentado as respectivas declarações IRPF, visto que os valores dos rendimentos declarados (R$23.532,71 e R$30.000,00) ficaram muito aquém dos valores dos depósitos bancários efetuados em suas contas correntes do BCN (R$194.956,61 e R$383.576,96). Para o anocalendário de 2000 e 2001, tendo ocorrido dispêndios altíssimos na construção do imóvel sido à Alameda Sião (R$873.030,68 e R$458.662,35, respectivamente), inclusive em valores superiores aos depósitos bancários na conta corrente 3.345 do BCN (R$134.402,02 e R$128.809,28), a contribuinte chegou a apresentar declaração retificadora, constando o recebimento de doação do valor de R$220.000,00 de seu sogro (Sr. Rubens Bolorino), na tentativa de encobrir omissão de rendimentos e assim tentar justificar pelo menos em parte os Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 4 4 custos da obra. Tal tentativa foi reconsiderada através de nova declaração retificadora e com esclarecimentos, após devidamente intimada a comprovar a doação, de que a mesma não teria ocorrido e que foi um “equívoco”. A partir desta nova declaração retificadora (16/05/03) surge um fato novo, o seu marido, Rubens Maurício Bolorino, teria auferido rendimentos (lucros distribuídos) na sociedade da qual era sócio quotista. As declarações da contribuinte e a declaração de Rubens Maurício Bolorino (que a movimentação dos depósitos bancários em conta corrente da contribuinte tiveram como origem rendimentos que auferiu da empresa da qual seria sócio cotista), não podem ser acatadas em virtude de que nenhuma documentação hábil e idônea foi apresentada para fins de comprovação. Cientificada do lançamento, em 27/09/2004, Aviso de Recebimento – AR, fls. 1727, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 1728/1763, que se encontra assim resumida no Acórdão recorrido: I DAS PRELIMINARES Do Descabimento da Multa Qualificada 4.1 Conforme inciso II do art. 957 do Decreto 3.000/1999, a multa qualificada de 150% só poderá ser aplicada de ofício, com a constatação de existência de evidente intuito de fraude; ou seja, deverá restar comprovado pelo fisco que o contribuinte agiu com dolo. 4.2 As justificativas da fiscalização para aplicação da multa qualificada carecem de comprovações solistas, constituindose muito mais em ilações de agentes fiscais. 4.3 À luz da legislação citada é incoerente classificarse um levantamento alicerçado em presunção de omissão de receitas como evidente intuito de fraude. (...) A fiscalização não logrou comprovar o dolo por parte da impugnante. A existência de omissão de receitas neste Auto de Infração é um processo meramente dedutivo e não conclusivo, pelo que descabe a aplicação da multa qualificada. DA DECADÊNCIA Lançamento de Ofício – Anocalendário 1999 4.6 Uma vez que 1) o fato gerador do IRPF é mensal, consoante Lei º 7.713/1988; 2) nos termos do parágrafo 1º do art. 150 do CTN, a contribuinte efetuou o pagamento do imposto regularmente declarado, extinguindo o crédito, sob condição resolutória; 3) a revisão do lançamento apenas ocorreu com a lavratura do Auto de Infração em setembro/2004; concluise que estão prescritos os lançamentos efetuados referentes aos fatos geradores ocorridos nos meses de jan/99, fev/99, mar/99, abr/99, mai/99, jun/99, jul/99 e ago/99. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 5 5 (...) Lançamento de Ofício – Anocalendário 1998 4.8 A contribuinte não estava sujeita a apresentação da Declaração IRPF relativa ao anocalendário 1998, exercício 1999, conforme Manual de Declaração de Ajuste Anual. 4.9 Dessa forma e nos termos do art. 150 e §§ do CTN, o período de janeiro/1998 a dezembro/1998 encontrase abrangido pela decadência. 4.10 O art. 173 do CTN é genérico. Sendo assim, só é aplicável apenas quando o fato não se enquadrar nas normas específicas contidas no art. 150. 4.11 Não resta qualquer dúvida que, pelas suas características, o IRPF enquadrase no conceito de lançamento por homologação, sujeitandose, portanto, às regras do art. 150 do CTN. 4.12 Ainda que houvesse questionamento pela falta de entrega da declaração do anocalendário 1998, mesmo assim esta não se prosperaria, uma vez que o art. 173 não contempla essa exceção. 4.13 Assim, através dos argumentos e jurisprudência já elencados, manifestase pela total nulidade do lançamento de ofício realizado. II DO MÉRITO Da Nulidade da Autuação Baseada nas Informações Referentes aos Depósitos Bancários – Erro de Fato 4.14 A apuração realizada pela fiscalização contém vícios insanáveis e portanto deve ser considerada nula. 4.15 Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, com as alterações da Lei nº 9.481/1997 e 10.637/2002, a fiscalização procedeu à soma algébrica dos valores depositados em contas correntes em nome da declarante, mês a mês. Entretanto, em momento algum, efetuou quaisquer questionamentos acerca do destino do numerário. 4.16 A fiscalização considerou que valores depositados em determinado mês do anocalendário, não têm qualquer relação com os valores depositados em mês posterior. Não basta apenas considerar o saldo de um mês para o posterior, se a fiscalização não logra comprovar que as saídas foram realizadas para fins diversos das entradas dos meses posteriores. 4.17 A Pessoa Física não está sujeita a escrituração; portanto, os rendimentos já tributados em um determinado mês pela fiscalização, devem ser considerados nas tributações de meses posteriores dentro de um mesmo anocalendário. 4.18 Um levantamento que não considera o que já foi tributado em um mês para os meses posteriores, acaba por tributar o Fl. 5DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 6 6 mesmo resultado diversas vezes, tornando o levantamento nulo por erro de fato. Da Nulidade da Autuação Baseada Nas Informações Referentes aos Depósitos Bancários – Vício na Origem 4.19 A ação fiscal na verdade realizou o levantamento de informações relativas ao período de janeiro/1998 a dezembro/2000 através das disposições contidas na Lei nº 10.174, de 2001 e na Lei Complementar 105, de 2001. 4.20 Dessa forma, a fiscalização aplicou ao arrepio da Lei nº 10.174/01 uma irretroatividade incabível, uma vez que não autorizada pelo referido diploma legal. Com isso, acabou por ferir a segurança jurídica, quer pela materialidade do direito, quer pela especificidade do tributo, em clara desobediência ao art. 144, § 2º, do CTN; crivando o lançamento de ofício de vício em sua própria origem. 4.21 Sobre o assunto, reproduz o voto vencedor referente ao Acórdão 10419.227 do Conselheiro João Luis de Souza Pereira do Primeiro Conselho de Contribuintes. Da Nulidade da Autuação Baseada nas Informações Referentes aos Depósitos Bancários – Erro na Identificação do Titular da Conta de Depósito 4.22 A fiscalização deixou de levar em consideração a declaração do exmarido da impugnante, na qual o mesmo assume a titularidade dos depósitos bancários existentes em nome da autuada, então sua esposa. Acréscimo Patrimonial a Descoberto 4.23 Em 31/07/2003, utilizandose do favor fiscal contido na Lei nº 10.684/03, a impugnante efetivou sua opção pelo PAES – Parcelamento Especial. 4.24 Dada a especificidade da norma em pauta, ela se sobrepõe a quaisquer outras genéricas; de modo que a mesma precisa ser considerada nos levantamentos fiscais, sob pena de incorrerse em erros de apuração; o que efetivamente ocorreu. 4.25 O apartamento nº 2.073 do edifício Hyde Park considerado como adquirido pelos auditores pelo valor de R$30.000,00, no anocalendário 2001, não se baseia em fatos. É mais um erro cometido nesta autuação, visto que pela documentação do imóvel verificase a forma correta da transação imobiliária bem como o seu valor real. 4.26 Com relação ao veículo, o demonstrativo de Fluxo de Caixa não contempla como recurso a alienação do referido veículo. 4.27 Assim, por totalmente inválido o levantamento efetuado pela fiscalização, o mesmo deverá ser considerado nulo, ficando a critério da autoridade julgadora baixar o processo em diligência para a correta apuração dos valores. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 7 7 (...) A DRJ São Paulo/SP II julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento e os fundamentos da decisão recorrida estão consubstanciados nas seguintes ementas: PRELIMINAR. DECADÊNCIA Tratandose de lançamento ex officio, a regra aplicável na contagem do prazo decadencial é a contida no art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciando se o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não se discriminando situações de dolo, fraude ou simulação, pelo simples motivo de que o art. 173 não contempla essas discriminações. Ainda que se entendesse tratarse de tributo sujeito ao lançamento por homologação, presente o dolo, aplicase a regra geral do art. 173, inciso I, do CTN. SUJEITO PASSIVO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. O sujeito passivo da obrigação principal é a contribuinte que tem relação pessoal e direta com a situação que constitui o respectivo fato gerador. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Sujeitase à tributação a variação patrimonial apurada, não justificada por rendimentos declarados/comprovados, por caracterizar omissão de rendimentos. Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade lançadora. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em contas de depósito mantidas junto às instituições financeiras, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. RETROATIVIDADE. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processo de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. MULTA QUALIFICADA. Configurado o dolo, impõese ao infrator a aplicação da multa qualificada prevista na legislação de regência. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 8 8 Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 22/08/2006, fls. 1829, a contribuinte apresentou, em 21/09/2006, Recurso Voluntário, fls. 1834/1839, trazendo as alegações a seguir resumidas: Decadência – Os fatos geradores ocorridos no anocalendário 1998 e nos meses de janeiro a agosto de 1999 encontramse alcançados pela decadência na data do lançamento. Multa qualificada – Não houve dolo na conduta da contribuinte, que jamais tencionou lesar o Fisco. Suas Declarações de Ajuste Anual – DAA eram elaboradas pelo contabilista de seu exmarido, sem sua conferência, dado que não possui habilitação técnica para tanto. Depósitos bancários – As contascorrentes nºs. 22450 e 35703 do BCN eram movimentadas nos anoscalendário 1998 e 1999 pela empresa Zander, da qual seu ex marido era sócio. Acréscimo Patrimonial – Para o anocalendário 2002 a recorrente utilizouse do Parcelamento Especial Paes. O apartamento do Edifício Hyde Park foi adquirido por doação, com cláusula de usufruto para Rubens Bolorino, logo, por desinformação, a recorrente entendeu não ter sobre o mesmo a posse, tampouco a propriedade, mesmo porque a aquisição deste foi feita como reposição de bem, pela venda do imóvel situado na Rua Medeiros de Albuquerque, 453. A nota fiscal do veículo marca Ford, modelo F150 XLT Super Cab foi emitida em nome de seu exesposo. O apartamento 122 do Edifício Barão de Limeira foi transmitido para a contribuinte em condomínio com suas três irmãs, face o falecimento de seu pai. A DAA retificadora, anocalendário 2002, apresentada em 16/10/2002, data da ciência do Termo de Início de Fiscalização, teve por objetivo a inclusão de rendimentos. Prova disto que, quando da apreensão, realizada no endereço da empresa Word Comercial do Brasil Ltda, das notas fiscais que a contribuinte vinha juntando desde o início da construção de sua casa, justamente para que ao final fosse incluído em sua DAA, porém a fiscalização imputou à contribuinte a conduta de omissão de rendimentos, sem ter encerrado o ano calendário. É o Relatório. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 9 9 Voto Vencido Conselheira NÚBIA MATOS MOURA, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. O crédito tributário exigido no Auto de Infração referese aos fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 1998 a 2002 e em sua defesa a recorrente traz a preliminar de decadência. Ocorre que o lançamento foi exigido com multa de ofício qualificada, cuja aplicação também foi contestada pela defesa. Assim, considerando que a manutenção ou não da multa qualificada interfere na contagem do prazo decadencial, analisarseá, de pronto, a aplicação da multa qualificada para, em seguida, proceder ao exame das alegações relativas à decadência trazidas pela recorrente. Como se sabe para a qualificação da multa de ofício a autoridade fiscal deve comprovar que o contribuinte incorreu nas hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 19641 . Exigese que reste demonstrado o propósito deliberado de modificar a característica essencial do fato gerador do imposto, quer pela alteração do valor da matéria tributável, quer pela exclusão ou modificação das características essenciais do fato gerador, com a finalidade de se reduzir o imposto devido ou evitar ou diferir seu pagamento. Inaplicável, portanto, a multa qualificada nos casos de presunção simples de omissão de rendimentos/receitas ou mesmo quando se tratar de omissão de rendimentos/receitas de fato. No presente caso, a autuação utilizou de presunção legal para concluir pela omissão de rendimentos (acréscimo patrimonial a descoberto e depósitos bancários de origem 1 Lei n° 9.430, de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...) II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidade administrativas ou criminais cabíveis. Lei nº 4.502, de 1964 Art. 71 – Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I – da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II – das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 – Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no artigo 71 e 72. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 10 10 não comprovada), de modo que fica ainda mais distante a caracterização do dolo. A presunção legal autoriza que se conclua pela omissão de rendimentos e não pelo “evidente intuito de fraude”. Para o lançamento com a multa qualificada, a autoridade fiscalizadora deve provar outros fatos além daqueles que são requisitos da presunção legal, o que não ocorreu no presente caso. O fato de a contribuinte se encontrar omissa quanto à entrega da Declaração de Ajuste Anual DAA, relativamente ao anocalendário 1998, de ter movimentação bancária expressiva não compatível com os valores declarados e até mesmo a falta de declaração da existência de bens em suas DAA não são fatos suficientes para justificar a qualificação da multa de ofício. Vale destacar que tal matéria já foi pacificada neste Conselho de Contribuintes, que editou súmula, aplicável ao caso, que cristaliza o entendimento de que a simples apuração de omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício: Súmula 1ºCC nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Nessa conformidade, deve o percentual da multa de ofício ser reduzido para 75%. No que se refere à decadência, oportuno que se observe o Parecer PGFN/CAT/nº 1617/2008, aprovado pelo Ministro da Fazenda em 18/08/2008, que estabelece orientações a serem observadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB e pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN, em face da edição pelo Supremo Tribunal Federal – STF da Súmula Vinculante nº 8. O Parecer acima referido versa sobre a decadência e a prescrição das contribuições previdenciárias, contudo, suas conclusões, que se encontram a seguir transcritas, importam para o exame que se pretende: 49.Lembrando que nem toda a Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980, cuida somente de créditos tributários, e que, portanto, para efeitos daquela norma devese atentar à especificidade dos créditos, as observações aqui elencadas promovem síntese pontual, da forma que segue: a)A Súmula Vinculante nº 8 não admite leitura que suscite interpretação restritiva, no sentido de não se aplicar efetivamente o prazo de decadência previsto no Código Tributário Nacional; é o regime de prazos do CTN que deve prevalecer, em desfavor de quaisquer outras orientações normativas, a exemplo das regras fulminadas; b) apresentada a declaração pelo contribuinte (GFIP ou DCTF, conforme o tributo) não há necessidade de lançamento pelo fisco Fl. 10DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 11 11 do valor declarado, podendo ser lançado apenas a eventual diferença a maior não declarada (lançamento suplementar); c) na hipótese do subitem anterior, caso o Fisco tenha optado por lançar de ofício, por meio de NFLD, as diferenças declaradas e não pagas em sua totalidade, aplicase o prazo decadencial dos arts. 150, § 4º, ou 173 do CTN, conforme tenha havido antecipação de pagamento parcial ou não, respectivamente; o prazo prescricional, ainda, e por sua vez, contase da constituição definitiva do crédito tributário; d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art.. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN; f) para fins de cômputo do prazo de decadência, todas as vezes que comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação deve se aplicar o modelo do inciso I, do art. 173, do CTN; g) Para fins de cômputo do prazo de prescrição, nas declarações entregues antes do vencimento do prazo para pagamento devese contar o prazo prescricional justamente a partir do dia seguinte ao dia do vencimento da obrigação; quando a entrega se faz após o vencimento do prazo para pagamento, o prazo prescricional é contado a partir do dia seguinte ao da entrega da declaração; h) A súmula em apreço, em princípio, qualificaria interpretação literal: todo o art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, estaria alcançado pela inconstitucionalidade. Porém, por tratarse de matéria do mais amplo alcance público, o intérprete deve buscar resposta conciliatória, que não menoscabe expectativas de alcance de benefícios; principalmente, e do ponto de vista mais analítico, devese observar que há excertos do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, que não seriam substancialmente alcançados pela decisão do Supremo Tribunal Federal. A principal conclusão exarada no Parecer acima citado é que o disposto na Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), no que se refere aos prazos decadenciais e prescricionais aplicase às contribuições previdenciárias. Via de conseqüência, podese deduzir que as conclusões do Parecer aplicamse ao Imposto de Renda Pessoa Física, assim como aos demais tributos. Pois muito bem. É pacífico, com o advento das Leis nºs 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e 8.134, de 27 de dezembro de 1990, que o Imposto sobre a Renda Pessoa Física é tributo sob a modalidade de lançamento por homologação, dado que se atribui ao contribuinte o dever de antecipar o pagamento. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 12 12 Deste modo, considerandose as orientações contidas no Parecer PGFN/CAT/nº1617/2008, há de se concluir que o prazo decadencial do Imposto sobre a Renda Pessoa Física deve ser contado da seguinte forma: (i) ocorrido o pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN; (ii) não ocorrendo o pagamento antecipado ou se comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação devese aplicar o disposto no inciso I do art. 173, do CTN; Cumpre, ainda, esclarecer que o imposto de Renda Pessoa Física, embora apurado mensalmente, se sujeita ao ajuste anual, e em assim sendo sua apuração somente se faz ao final do exercício, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual. Tratase, pois, de fato gerador complexivo anual. No presente caso, a multa de ofício qualificada foi afastada, dado que não restaram comprovadas nos autos as hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Entretanto, verificase que a contribuinte deixou de apresentar a DAA, referente ao anocalendário de 1998, exercício de 1999, de modo que não ocorreu a antecipação do pagamento. Isto posto, a contagem do prazo decadencial deve ser feita nos termos em que determinado no inciso I do art. 173 do CTN. Ou seja, para proceder ao lançamento referente à omissão de rendimentos ocorrida no anocalendário de 1998, o Fisco deveria esperar a entrega da Declaração de Ajuste correspondente, cujo prazo final para apresentála se deu em 30/04/1999. Portanto, o lançamento só poderia ter sido efetuado a partir de 30/04/1999, sendo 01/01/2000 o termo inicial do prazo decadencial, primeiro dia do exercício seguinte ao que o Auto de Infração poderia ter sido lavrado, e 31/12/2004 o termo final. Como a ciência ao Auto de Infração ocorreu em 27/09/2004, fls. 1727, não há que se falar, no presente caso, em decadência do direito de lançar crédito tributário relativos aos fatos geradores ocorridos durante o anocalendário de 1998. No que se refere aos fatos geradores do anocalendário de 1999, exercício 2000, para o qual a contribuinte apresentou sua DAA tempestivamente, fls. 17/19, apurando saldo de imposto a pagar, verificase a ocorrência da antecipação do pagamento, de modo que se deve aplicar, para a contagem do prazo decadencial, o previsto no § 4º do art. 150 do CTN. Como já mencionado, o fato gerador do imposto de renda pessoa física é complexivo anual, de sorte que os fatos geradores ocorridos durante o anocalendário de 1999 somente se completaram em 31/12/1999, data a ser considerada para fins de contagem do prazo decadencial, que se encerrou em 31/12/2004, não se verificando, portanto, mais uma vez, a decadência do lançamento. Afastadas as questões preliminares, devese examinar, de pronto, como preliminar de mérito, a espontaneidade da contribuinte no que tange à apresentação das Declarações de Ajuste Anual – DAA, retificadoras, relativas ao anocalendário de 2001, exercício 2002, fls. 24/28, apresentadas em 16/10/2002 e 16/05/2003. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 13 13 Dos autos constatase que a ciência ao Termo de Início de Ação Fiscal, fls. 36/37, se deu mediante Aviso de Recebimento – AR, fls. 38, em 16/10/2002, portanto, na mesma data em que a contribuinte apresentou a primeira DAA retificadora. No Termo de Constatação e Conclusão Fiscal, fls. 1670/1716, a autoridade lançadora afirma que a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos prestou informação de que não poderia precisar a hora exata da entrega da correspondência (Termo de Início de Ação Fiscal), porém, a empresa esclareceu, fls. 294, que o carteiro sai para seu distrito (área de distribuição) por volta das 8:00 horas e retorna lá pelas 16:30 horas. Assim, a autoridade fiscal concluiu que quando da apresentação das DAA retificadoras a contribuinte já se encontrava com sua espontaneidade excluída, dado que a entrega da primeira DAA retificadora se deu às 17:10 hs. Dos esclarecimentos prestados pelos Correios não se pode garantir, com absoluta certeza, que a entrega do Termo de Início de Ação Fiscal à contribuinte tenha se dado antes das 17:10 hs, de modo que, na dúvida, devese concluir pela espontaneidade da contribuinte quando da apresentação da DAA retificadora. Ademais, oportuno se faz observar o que estabelece o art. 138 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN) e o art. 7o do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, abaixo transcritos: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de Fiscalização, relacionados com a infração. Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2º Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Da leitura dos textos legais acima transcritos depreendese que os atos referidos nos incisos I e II do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 1972, que iniciam o Fl. 13DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 14 14 procedimento fiscal, têm validade por 60 dias e que, caso este prazo não tenha sido prorrogado em razão da prática de qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, a espontaneidade do sujeito passivo restabelecese no 61º dia. Estando a espontaneidade restabelecida, caso não tenha sido praticado nenhum ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, não terá havido prorrogação do prazo inicialmente previsto de sessenta dias e, em conseqüência, fica descaracterizado o início do procedimento fiscal. Restabelecida a espontaneidade, os atos praticados pelo sujeito passivo são considerados espontâneos, com efeitos ex tunc. O pagamento do tributo porventura devido deverá ser acompanhado apenas dos acréscimos moratórios previstos na legislação (multa e juros de mora), ficando excluída a aplicação da multa de ofício. No presente caso, no período compreendido entre a ciência do Termo de Início de Ação Fiscal, 16/10/2002, e a conclusão do procedimento fiscal, em 27/09/2004 (ciência do Auto de Infração) sucederamse vários Termos, quais sejam: Termos de Reintimação, Termos de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal e Termos de Constatação e Intimação Fiscal, dos quais a contribuinte foi cientificada nas seguintes datas: 06/01/2003 – fls. 94, 13/02/2003 – fls. 97, 03/04/2003 – fls. 99, 22/04/2003 – fls. 130, 17/07/2003 – fls. 204, 24/07/2003 – fls. 207, 19/09/2003 – fls. 240, 29/09/2003 – fls. 242, 11/12/2003 – fls. 252, 01/03/2004 – fls. 254, 27/04/2004 – fls. 258, 30/06/2004 – fls. 280 e 23/08/2004 – fls. 282. Verificase, portanto, que durante o procedimento fiscal a contribuinte foi cientificada inúmeras vezes da continuidade dos trabalhos fiscais, mediante ciência de Termos, conforme acima especificado, entretanto, no período compreendido entre as datas da ciência do Termo de Início de Ação Fiscal e do Auto de Infração, por várias vezes transcorreram mais de 60 dias entre um termo e outro, de modo que se propiciou à contribuinte a recuperação de sua espontaneidade. Nestes termos, as DAA retificadoras, ano calendário 2001, exercício 2002, apresentadas pela contribuinte, devem ser acatadas como espontâneas. Na primeira declaração retificadora a contribuinte alterou seus rendimentos tributáveis de R$25.400,00 para R$298.125,39 e consignou doação recebida de Rubens Bolorino, no valor de R$220.000,00. Já na segunda retificadora a referida doação foi excluída e os rendimentos tributáveis foram alterados de R$298.125,39 para R$184.091,24. Sabese que a declaração retificadora substitui integralmente a anteriormente apresentada, assim, devem prevalecer as informações contidas na última DAA retificadora. Vale destacar que quando da apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, demonstrativo, fls. 471/472, a autoridade fiscal assim procedeu, no que se refere aos rendimentos declarados, conforme Termo de Constatação e Conclusão Fiscal, fls. 1709: a2 – Do valor dos rendimentos declarados espontaneamente no ano de 2001 (doc. fls. 22/24) no montante de R$25.400,00 ,a parcela de R$8.691,24 foi considerada como rendimento recebido de PJ (HB HOTÉIS), alocandose mensalmente os valores constantes da DIRF da HB HOTÉIS, e a parcela remanescente de R$16.708,76 será considerada como Fl. 14DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 15 15 rendimento recebido de pessoa física, sendo alocado o referido valor no mês de janeiro por ser mais benéfico para a contribuinte. Aplicandose o mesmo procedimento adotado pela autoridade fiscal, quando do levantamento do acréscimo patrimonial, devese acrescentar como recurso para o mês de janeiro de 2001 o valor de R$158.691,24, correspondente à diferença entre R$184.091,24 e R$25.400,00. Dando continuidade ao exame da infração de omissão de rendimentos detectada por acréscimo patrimonial a descoberto, passase à análise das demais argüições trazidas pela defesa. Afirma a contribuinte que o apartamento do Edifício Hyde Park foi adquirido por doação, com cláusula de usufruto para Rubens Bolorino, logo, por desinformação, a recorrente entendeu não ter sobre o mesmo a posse, tampouco a propriedade, mesmo porque a aquisição deste foi feita como reposição de bem, pela venda do imóvel situado na Rua Medeiros de Albuquerque, 453. De fato, a escritura pública de aquisição do apartamento do Edifício Hyde Park, fls. 161/162, menciona o usufruto vitalício do imóvel para Rubens Bolorino e Maria Alexandrina Bolorino, entretanto, também menciona que a contribuinte e seu excônjuge, pagaram pela aquisição do referido imóvel a quantia de R$30.000,00. Quanto à alegação de que o imóvel teria sido adquirido para reposição de bem alienado (Rua Medeiros de Albuquerque, 453), cumpre esclarecer que a contribuinte não juntou aos autos cópias de documentos relativos à alienação mencionada, tampouco, constam de suas DAA, referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, fls. 17/35, a propriedade de tal imóvel, muito menos sua alienação. No que tange ao veículo marca Ford, modelo F150 XLT Super Cab, cumpre esclarecer que o fato de a nota de fiscal de aquisição ter sido emitida em nome de seu ex cônjuge não altera o levantamento efetuado pela autoridade fiscal, dado que quando da apuração do acréscimo patrimonial a descoberto foram considerados como recursos os rendimentos do exesposo. Com relação ao apartamento 122 do Edifício Barão de Limeira, que a contribuinte afirma ter recebido de herança juntamente com suas irmãs, vale destacar que a autoridade fiscal não incluiu no levantamento do acréscimo patrimonial a descoberto, fls. 471/472, tal aquisição. Nessa conformidade, deve ser mantida em parte a infração de omissão de rendimentos detectada por acréscimo patrimonial a descoberto, para considerar como recurso no mês de janeiro de 2001 a quantia de R$158.691,24, oferecida à tributação na DAA/2002 retificadora. Quanto à alegação da contribuinte de que apresentou Pedido de Parcelamento Especial – Paes relativamente ao anocalendário 2001, exercício 2002, cumpre esclarecer que tal matéria não é de competência deste Conselho de Contribuintes, de modo que para obter esclarecimentos a contribuinte deve dirigirse ao Centro de Atendimento ao Contribuinte – CAC mais próximo de seu endereço. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 16 16 No que tange à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, a contribuinte afirma que os valores que transitaram em suas contascorrentes, mantidas junto ao BCN nºs. 22450 e 35703, pertenciam à pessoa jurídica Zander, da qual seu exmarido era sócio. Como é sabido, a partir da vigência da Lei nº 9.430, de 1996, ficou determinado que se considerasse, por presunção legal, como omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. A afirmação de que os recursos movimentados nas contascorrentes da contribuinte pertenciam à pessoa jurídica, da qual seu exmarido é sócio, não é suficiente para atender o disposto no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. É inaceitável a simples declaração desacompanhada de documentos comprobatórios. É bem verdade que durante o procedimento fiscal a contribuinte apresentou declaração firmada por seu exesposo, fls. 201, que confirma as alegações da contribuinte. Entretanto, a declaração firmada pelo exmarido da contribuinte, desacompanhada de documentação comprobatória do alegado, não é suficiente para elidir a responsabilidade da recorrente pelos depósitos efetivados em suas contascorrentes, salvo se houvesse comprovação de que os valores ali movimentados de fato pertencessem à referida empresa, da qual seu exmarido é sócio. Importante ressaltar, ainda, que o parágrafo 5º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, introduzido pelo art. 58 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, somente admite a mudança da sujeição passiva para pessoa não titular da conta bancária quando devidamente provado que os valores creditados pertencem a terceiro. § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. Assim, a simples declaração do exmarido da contribuinte não basta para que se desloque a titularidade das contascorrentes examinadas para a pessoa jurídica, da qual seu exmarido é sócio, de sorte que deve prosperar a infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, nos moldes em que consubstanciado no lançamento. Ante o exposto, voto por desqualificar a multa de ofício, afastar a decadência e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para, com relação à infração de omissão de rendimentos detectada por acréscimo patrimonial a descoberto, considerar a quantia de R$158.691,24, como recurso no mês de janeiro de 2001. (assinado digitalmente) NÚBIA MATOS MOURA Fl. 16DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 17 17 Voto Vencedor Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva Apesar do julgamento ter sido realizado na sessão de maio de 2009, somente em 30 de agosto de 2011 foi disponibilizado no sistema que eu fizesse o voto vencedor em relação à decadência quanto ao anocalendário de 1998. No que diz respeito aos demais aspectos o colegiado acompanhou o valor da ilustre relatora. No que diz respeito à desqualificação da multa, além dos precisos fundamentos constantes do voto da relatora, aproveito a ocasião para destacar que na exigência de crédito tributário constituído a partir de depósitos bancários de origem não comprovada não se pode falar em omissão qualificada do contribuinte com a finalidade de sonegar, ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador, pois ao efetuar transação financeira dáse o oposto, isto é, possibilita, conforme artigo 5° da Lei Complementar n° 105, de 2001, e arts. 1°, 2°, §§ 2° e 3°, do Decreto n° 4.489, de 2002, que seja encaminhado à Fiscalização informações acerca de todos os recursos que movimentou. Em relação à movimentação financeira é preciso que se tenha presente as normas contidas nos dispositivos legais anteriormente citados, os quais seguem transcritos: Lei Complementar n° 105, de 2001. .... Art. 5º O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. Decreto nº 4.545, de 2002. Art. 1º As instituições financeiras, assim consideradas ou equiparadas nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 1º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001, devem prestar à Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda informações sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços, sem prejuízo do disposto no art. 6º da referida Lei Complementar. Art. 2º As informações de que trata este Decreto, referentes às operações financeiras descritas no § 1º do art. 5º da Lei Complementar nº 105, de 2001, serão prestadas, continuamente, em arquivos digitais, de acordo com as especificações definidas pela Secretaria da Receita Federal, e restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e com os montantes globais mensalmente movimentados, relativos a cada usuário, vedada a inserção de qualquer elemento que Fl. 17DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 18 18 permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos efetuados. .... § 2º As instituições financeiras deverão conservar todos os documentos contábeis e fiscais, relacionados com as operações informadas, enquanto perdurar o direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários delas decorrentes. § 3º A identificação dos titulares das operações ou dos usuários dos serviços será efetuada pelo número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e pelo número ou qualquer outro elemento de identificação existente na instituição financeira. Se por força das disposições legais antes referidas, mais precisamente o art. 2°, § 3°, do Decreto n° 4.489, de 2002, as informações são continuamente, em arquivos digitais, prestados à Secretaria da Receita Federal, identificando cada uma das operações realizadas por seus respectivos titulares, não se pode falar em sonegação ou omissão com o intuito de ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador. Se estivéssemos no campo do direito penal estaria configurada situação de crime impossível, pois em fazendo aplicação financeira não tem o contribuinte como impedir o conhecimento desta por parte da fiscalização. Da decadência: Se meus registros não me traem, em 06 de fevereiro de 1905, em Conferência sobre COISA JULGADA, na Universidade de Bolonha, Chiovenda iniciou sua exposição dizendo que nada mais havia a ser dito sobre o tema que não fosse repetição de tudo quanto já havia sido falado e escrito. O tempo, senhor da verdade, mostrou que o ilustre processualista estava errado. Nos cem anos seguintes rios de tinta foram gastos acerca do tema que hoje ainda inquieta os processualistas. Em Ciclo de Palestras realizado neste mês, na Universidade do Rio Grande do Sul, fui testemunha que o tema Coisa Julgada continua inquietando os processualistas. A título de exemplo, sito apenas dois aspectos, quais sejam: a) a nova teoria da relativização da coisa julgada; e b) a coisa julgada nas ações coletivas (o tratamento dado no atual projeto de Código de Processo Civil). Faço tal registro porque em relação à decadência há incontáveis controvérsias e que, com certeza, não serão solucionadas em curto espaço de tempo. O Colegiado reconheceu a decadência, em relação ao anocalendário de 1998, pelos fundamentos que declinarei posteriormente. Todavia, por se tratar de norma processual, registro que após a sessão de julgamento deste feito e antes que o processo fosse encaminhado para que eu fizesse o voto vencedor, foi acrescido ao Regimento Interno do CARF o artigo 62A que estabelece que os Conselheiros, em seus julgados, são obrigados a observarem as decisões proferidas, em sede de recursos repetitivos, pelo STF e STF, sendo que o primeiro, na sessão de 12.08.2009, por meio do RESP 973733/SCSC, proferiu decisão contendo os seguintes pontos: O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o Fl. 18DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 19 19 mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC:REsp 973733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 12.08.2009, DJe 18.09.2009). Nesse segmento, o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed.Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, Documento: 574862 Inteiro Teor do Acórdão Site certificado DJe: 21/02/2011 Página 1 de 30. Se correta a interpretação de que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, no caso de fato gerador verificado em 31 de dezembro de 1998, temse o início do prazo em 01 de janeiro de 1999, razão pela qual, na data do lançamento, especificada no relatório, o crédito tributário, em relação ao ano de 1998, já se encontrava extinto pela decadência. Por tais fundamentos, na linha do artigo 62A do Regimento Interno do CARF e do que foi decidido no Recurso Especial nº 973733/SC, submetido ao rito do artigo 542C, do CPC, não há como deixar de afastar a decadência em relação ao anocalendário de 1998. Por oportuno, para evitar embargos, destaco que é somente em relação ao anocalendário de 1998, pois o fato gerador, no caso de depósito bancário de origem não comprovada, em relação às pessoas físicas, concretizase em 31 de dezembro de cada ano. Por força do artigo 62A, não tinha como deixar de declinar os fundamentos da decisão do STJ, mas, ao meu sentir, para que se compreenda o instituto da decadência como uma das formas de extinção do crédito tributário fazse necessário entender a constituição deste. Não se pode falar em extinção do crédito tributário sem compreender sua constituição. A constituição do crédito tributário está prevista no Livro Segundo, Título III, Capítulo II, do Código Tributário Nacional, cujo artigo 142 prevê, “in verbis:” Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, Fl. 19DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 20 20 identificar o sujeito passivo e sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível2. Embora o art. 142 do CTN atribua privativamente à autoridade administrativa a prerrogativa de constituir o crédito tributário pelo lançamento, o art. 150 previu o lançamento por homologação, que ocorre em relação aos tributos cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de realizar os atos necessários para apurar o montante devido e realizar o pagamento, sem prévio exame da fiscalização. O lançamento por homologação se concretiza no momento em que o sujeito passivo: a) identifica a ocorrência do fato gerador; b) determina a matéria tributável e c) calcula o montante do tributo devido, com obrigação de realizar o pagamento. Existindo sujeito passivo, matéria tributável, identificação da regramatriz de incidência tributária e cálculo do tributo devido, temse os elementos essenciais do lançamento. O pagamento do tributo devido não integra a essência do lançamento. O crédito tributário, resultante do lançamento por homologação, existirá ainda que o tributo não for pago. O pagamento é ato jurídico que ocorre num segundo momento para extinguir o que foi constituído em momento anterior. O pagamento, no caso concreto, pode ser comparado com a sentença proferida na ação de resolução contratual que extingue o contrato celebrado entre as partes. Extinto contrato, as obrigações decorrentes do liame jurídico existente entre os contratantes desaparecem com a sentença resolutória3. Em relação aos tributos dáse o mesmo, efetuado o pagamento, extinguese o crédito tributário. Quando se fala em constituição e extinção do crédito tributário é preciso identificar o momento da sua constituição e o momento da sua extinção. a) No momento da constituição do crédito tributário, no lançamento por homologação, o sujeito passivo apura a ocorrência do fato gerador, a matéria tributável e calcula o valor do imposto devido. b) No momento da extinção do crédito tributário temse o pagamento do tributo correspondente. Nos casos de lançamento por homologação, este se consuma quando o sujeito passivo apura a ocorrência do fato gerador, identifica a matéria tributável e calcula o valor devido, com obrigação de realizar o pagamento, independentemente de intimação do sujeito ativo. O pagamento é mera causa de extinção do crédito tributário. Só se extingue o que existe. Primeiro o crédito tributário precisa ser constituído para depois, num segundo momento, por meio de causa externa, caracterizada pelo pagamento, ser extinto4. 2 O CTN prevê três modalidades de lançamentos que se distinguem pela medida da participação do sujeito passivo. (i) O lançamento de ofício, no qual toda a atividade é desenvolvida pela autoridade fiscal. (ii) O lançamento por declaração, no qual o sujeito passivo apresenta uma declaração contendo as informações sobre a matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação, que fica a cargo da autoridade fiscal definir o montante devido e notificar o sujeito passivo para efetuar o pagamento. E por fim, (iii) o lançamento por homologação, no qual o contribuinte desenvolve toda a atividade apuratória do valor do tributo devido e realiza o pagamento, ficando a cargo da autoridade fiscal a posterior verificação dessa atividade e, se for o caso, sua respectiva homologação. 3 A sentença decorrente da ação de resolução contratual tem eficácia constitutiva negativa. Ver artigo 475 do Código Civil. 4 Além do pagamento, há outras causas de extinção do crédito tributário previstas no artigo 156 do CTN. Entretanto, interessanos, neste momento, apenas o pagamento. Fl. 20DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 21 21 Se o contribuinte, por exemplo, apresentar Declaração de Ajuste Anual com imposto a pagar, tal fato se constitui lançamento por homologação. Apresentada Declaração de Ajuste Anual, no caso de pessoa física5, ou DCTF, no caso de pessoa jurídica, e apurado o montante do imposto devido, o lançamento, independentemente de pagamento, está perfeito. Se o pagamento não for realizado, não se fará novo lançamento, pois o crédito tributário já está constituído. Em tais casos, cabe à Procuradoria da Fazenda Nacional intimar o contribuinte para realizar o pagamento, sob pena de inscrição em dívida ativa e execução.6. Verificada a existência de evento qualificado pela norma de exigência tributária, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação7, cabe ao sujeito passivo apurar a matéria tributável, o montante do tributo devido e o responsável pelo pagamento, no caso o próprio sujeito passivo. O pagamento do imposto devido é algo que se encontra fora do lançamento. É causa de extinção daquilo que foi validamente constituído. A homologação feita pela autoridade fiscal diz respeito à atividade realizada pelo contribuinte para apurar o montante devido. Não se pode confundir homologação do lançamento, com o pagamento do crédito. O que se homologa é o lançamento e não o pagamento feito pelo sujeito passivo. O fato de haver ou não pagamento não altera a tipicidade do lançamento. Para confirmar que a assertiva de que a incidência da norma que prevê o lançamento por homologação não está condicionada a necessidade de pagamento prévio, basta citar a hipótese de o contribuinte, que embora cumpra o dever legal de apurar o quantum debeatur, conclui que não há nada a ser pago, como ocorre, por exemplo, na compensação de prejuízos fiscais, e nas hipóteses de isenção e imunidade. Nesse contexto, se o contribuinte, por exemplo, estiver sob o abrigo de uma imunidade ou isenção de IPI, onde não ocorre nenhum pagamento, tendo em vista que o 5 Encerrado o anocalendário, a pessoa física, apura os rendimentos e as despesas dedutíveis e calcula o valor do imposto devido, informando tal fato à Receita Federal por meio da Declaração de Ajuste Anual. Ao apresentar a Declaração de Ajuste Anual, com imposto a pagar ou a restituir, o lançamento se consuma, tanto isto é verdadeiro que a fiscalização, para exigir o tributo não necessita lavrar auto de infração, bastando encaminhar as informações prestadas pelo contribuinte para que a Procuradoria da Fazenda Nacional proceda a inscrição em divida ativa, com posterior execução. 6 Ver artigos 47 e 74, §§ 7° e 8° da Lei n° 9.430, de 1996. Art. 47. A pessoa física ou jurídica submetida à ação fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal poderá pagar, até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, os tributos e contribuições já declarados, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo. (Redação dada ao artigo pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997, DOU 11.12.1997, conversão da Medida Provisória nº 1.602, de 14.11.1997, DOU 17.11.1997). Art. 74.... § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003, DOU 30.12.2003 Ed. Extra). § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003, DOU 30.12.2003 Ed. Extra). 7 São exemplos de tributos sujeitos a lançamentos por homologação os rendimentos decorrentes de ganho de capital na alienação de bens; rendimentos provenientes de aplicação financeiras, pagamentos de lucros e juros a não residentes no país etc. Fl. 21DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 22 22 imposto sequer é destacado em nota fiscal, tal fato (a inexistência de pagamento) não impede que o fisco homologue expressamente a atividade à qual o sujeito passivo está obrigado por lei (como a emissão de notas fiscais, classificação fiscal dos produtos, escrituração de livros e apuração do tributo devido, se for o caso); ou então que, na ausência de homologação expressa, se opere a homologação tácita pelo decurso do prazo previsto no § 4º do art. 150, do CTN. Igualmente existe atividade a ser homologada nas hipóteses de verificação de prejuízo fiscal, quando não é apurado IRPJ e CSLL devidos, por ausência de lucro tributável. No caso do imposto de renda pessoa física, o sujeito passivo, ao término de cada anocalendário, apresenta Declaração de Ajuste Anual. Nos casos em que o contribuinte não apurar nenhum imposto a pagar, mesmo assim a Fiscalização irá homologar sua declaração. Isto, conforme já afirmei, demonstra que o que se homologa é a atividade praticada pelo sujeito passivo e não eventual pagamento realizado8. O pagamento, volto a repetir, é causa de extinção do tributo decorrente da atividade correspondente ao lançamento por homologação praticado pelo contribuinte. Quer o sujeito passivo tenha apurado ou não imposto a pagar; quer o contribuinte tenha pago ou não o tributo que eventualmente tenha apurado, o prazo decadencial para o lançamento em face de eventuais omissões sempre terá como marco a data da ocorrência do fato gerador. Neste ponto, tenho que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que somente admite a contagem do prazo decadencial pelo artigo 150, § 4°, do CTN nos casos em que houver pagamento antecipado, merece ser revista, pois tal tese não apresenta solução para as situações em que o contribuinte faz o lançamento e apura prejuízo, para ser compensado no período seguinte, como ocorre na atividade agrícola. A jurisprudência da citada Corte também não resolve, de forma adequada, os casos em que a pessoa física apresenta Declaração de Ajuste Anual, sem imposto a pagar ou com direito a restituição. Na linha das razões de decidir até aqui expostos, são dignos de destaque os fundamentos do ilustre Conselheiro Nelson Mallmann, extraído do acórdão n° 10420.071: (...) Como, também, refuto o argumento daqueles que entendem que só pode haver homologação se houver pagamento e, por conseqüência, como o lançamento efetuado pelo fisco decorre da falta de recolhimento de imposto de renda, o procedimento fiscal não estaria no campo da homologação, deslocandose para a modalidade de lançamento de ofício, sujeito sempre à regra geral de decadência do art. 173 do CTN. É fantasioso. Em primeiro lugar, porque não é isto que está escrito no caput do art. 150 do CTN, cujo comando não pode ser sepultado na vala da conveniência interpretativa, porque, queiram ou não, o citado artigo define com todas as letras que “o lançamento por homologação (...) operase pelo ato em que a 8 ZUUDI SAKAKIHARA, ao comentar sobre o objeto da homologação, assim se posiciona: “Cumpre recordar, porém, que o objeto da homologação é a atividade do sujeito passivo no sentido de determinar e quantificar a prestação tributária. Assim, não será alcançada pelos efeitos da homologação, expressa ou ficta, a operação que não foi concluída nesse procedimento. Isso pode ocorrer em relação àqueles tributos, cuja apuração, para fins de antecipação do pagamento, abrange inúmeras operações, cada uma das quais constituem, por si, fato gerador do imposto, como no caso do ICMS e do IPI, por exemplo”. In “Código Tributário Nacional”, coordenador Vladimir Passos de Freitas,ed. RT, p. 150. Fl. 22DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 23 23 referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.” O que é passível de ser ou não homologado é a atividade exercida pelo sujeito passivo, em todos os seus contornos legais, dos quais sobressaem os efeitos tributários. Limitar a atividade de homologação exclusivamente à quantia paga significa reduzir a atividade da Administração Tributária a um nada, ou a um procedimento de obviedade absoluta, visto que toda quantia ingressada deveria ser homologada e, a contrário sensu, não homologando o que não está pago. Em segundo lugar, mesmo que assim não fosse, é certo que a avaliação da suficiência de uma quantia recolhida implica, inexoravelmente, no exame de todos os fatos sujeitos à tributação, ou seja, o procedimento da autoridade administrativa tendente à homologação fica condicionado ao “ conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, na linguagem do próprio CTN. Fazse necessário lembrar, que a homologação do conjunto de atos praticados pelo sujeito passivo não é atividade estranha a fiscalização federal. Ora, quando o sujeito passivo apresenta declaração com prejuízo fiscal num exercício e a fiscalização reconhece esse resultado para reduzir matéria a ser lançada em período subseqüente, ou no mesmo períodobase, ou na área do IPI, com a apuração de saldo credor num determinado período de apuração, o que traduz inexistência de obrigação a cargo do sujeito passivo. Ao admitir tanto a redução na matéria lançada como a compensação de saldos em períodos subseqüentes, estará a fiscalização homologando aquele resultado, mesmo sem pagamento. (....) I.a) Do aspecto temporal do fato gerador: Os fatos geradores das obrigações tributárias são classificados como instantâneos ou complexivos. O fato gerador instantâneo, como o próprio nome revela, dá nascimento à obrigação tributária pela ocorrência de um acontecimento, sendo este suficiente por si só (imposto de renda na fonte, ganho de capital na alienação de bens, rendimentos decorrentes de aplicações no mercado financeiro etc). Em contraposição, os fatos geradores complexivos são aqueles que se completam após o transcurso de um determinado período de tempo e abrangem um conjunto de fatos e circunstâncias que, isoladamente considerados, são destituídos de capacidade para gerar a obrigação tributária exigível. Este conjunto de fatos se corporifica, depois de determinado lapso temporal, em um fato imponível. Exemplo clássico de tributo que se enquadra nesta classificação de fato gerador complexivo é o imposto de renda da pessoa física, apurado no ajuste anual. O fato gerador da obrigação tributária é o marco inicial do prazo decadencial. Diferença, todavia, deve ser observada em relação aos fatos geradores instantâneos, em que o marco inicial do prazo decadencial se dá na data do evento jurídico eleito pelo legislador e os Fl. 23DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 24 24 fatos geradores complexivos, nos quais o evento que interessa à exigência da obrigação tributária só se consuma em determinada data, como se fosse a linha de chegada de uma maratona. No decorrer do percurso temse inúmeros passos, mas para efeito de vitória só é considerado um único passo, qual seja, o passo dado pelo maratonista que primeiro atingir a linha de chegada. I.b) Das modalidade de lançamento: O Código Tributário Nacional, nos artigos 147, 149 e 150 prevê, respectivamente, o lançamento por declaração, o lançamento de ofício e o lançamento por homologação. O lançamento por declaração dáse quando a lei atribui ao sujeito passivo ou a terceiro a obrigação de prestar informações para que o sujeito ativo, com base nas informações prestadas pelo contribuinte, apure o montante do imposto devido. Temos como exemplo de lançamento por declaração a sistemática de pagamento do Imposto de Renda do exercício de 1993, em que os contribuintes preenchiam a Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física, mas não efetuavam apuração ou recolhimento do imposto devido. Para pagamento do tributo, os sujeitos passivos aguardavam o recebimento de Notificação de Lançamento, em que constava o valor do débito calculado pela autoridade administrativa. Caracteriza, também, lançamento por declaração o mecanismo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR empregado até 1996, no qual o proprietário informava a extensão de sua propriedade e a produção nela obtida em formulário (declaração) especialmente destinado a este fim, de maneira que a Receita Federal, com base nestes dados, promovia a emissão da Notificação de Lançamento. No lançamento por homologação o sujeito passivo é quem verifica a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determina a matéria tributável e calcula o montante do tributo devido. Neste caso, a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Exemplos de lançamentos por homologação são o Imposto de Renda na Fonte, o Imposto de Renda proveniente ganho obtido na alienação de bens, o atual Imposto de Renda Pessoa Física etc. O lançamento de ofício ocorre na hipótese de haver uma omissão ou inexatidão do contribuinte em relação às atividades que deveria cumprir, de maneira que a autoridade efetuará o lançamento, via de regra, com a aplicação de penalidade administrativa. Cabe ressaltar que não há tributo cujo regime de lançamento seja o “de ofício”, originalmente. O lançamento de ofício é efetuado de forma residual em relação a tributos cujo regime é o “por declaração” ou “por homologação” e em que tenha havido irregularidade no mecanismo de apuração ou recolhimento por parte do contribuinte, demandando a intervenção da autoridade administrativa no sentido de efetuar um lançamento “complementar” em relação ao período de apuração. Em síntese, considerando que o imposto de renda encontrase entre os tributos cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever apurar o montante devido e antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, dito tributo, como já referido anteriormente, amoldase à sistemática de lançamento por homologação, onde a contagem do Fl. 24DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 25 25 prazo decadencial, salvo os casos de dolo, fraude e simulação9, encontra respaldo no § 4º do artigo 150, do CTN, hipótese na qual os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. Diante do caso dos autos, quando do lançamento, a exigência do crédito tributário em relação ao anocalendário de 1998 já havia sido atingida pela decadência. Pelo exposto, voto no sentido DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para acrescer ao voto da relatora o reconhecimento da decadência em relação ao anocalendário de 1998. É o voto. (assinado digitalmente) MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA 9 Nos casos de dolo, fraude e simulação a data do fato gerador deixa de ser o marco inicial da decadência e passa a prevalecer a regra do artigo 173, I, do CTN, isto é, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetivado. Nesta linha segue doutrina de Luciano Amaro: “A segunda questão diz respeito à ressalva dos casos de dolo, fraude ou simulação.... Em estudo anterior, concluímos que a solução é aplicar a regra do artigo 173, I. Essa solução não é boa, mas continuamos não vendo outra, de lege lata. A possibilidade de o lançamento poder ser feito a qualquer tempo é repelida pela interpretação sistemática do Código Tributário Nacional (art. 156, V, 173, 174, 195, parágrafo único). Tomar de empréstimo prazo do direito privado também não é solução feliz, pois a aplicação supletiva de outra regra deve, em primeiro lugar, ser buscada dentro do próprio subsistema normativo, vale dizer, dentro do Código. Aplicar o prazo geral (5 anos, do art. 173) contado após a descoberta da prática dolosa, fraudulenta ou simulada igualmente não satisfaz, por protrair indefinitivamente o início do lapso temporal. Assim, resta aplicar o prazo de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido feito. Melhor seria não ter criado a ressalva. (AMARO, Luciano, citado por Leandro Paulsen, in, Direito Tributário Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. Ed. Livraria do Advogado, 6ª. Edição. Porto Alegre, 2004. p. 1010). Na mesma linha dos fundamentos anteriormente expostos segue a doutrina de Sacha Calmon Navaro Coelho, para quem “em ocorrendo fraude, ou simulação, devidamente comprovados pela Fazenda Pública, imputáveis ao sujeito passivo, da obrigação tributária do imposto sujeito a ‘lançamento por homologação’, a data do fato gerador deixa de ser o dia inicial da decadência. Prevalece o dies a quo do art. 173, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetivado.” (In. Liminares e Depósitos Antes do Lançamento por Homologação – Decadência e Prescrição, 2ª. ed. Dialética, 2002, p. 16). Fl. 25DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Processo nº 19515.001956/200499 Acórdão n.º 330100.056 S3C3T1 Fl. 26 26 Fl. 26DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 05/12/2011 por IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2011 por NUBIA MATO S MOURA, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13832.000055/2003-20
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/1995 a 28/02/1999
PRAZO PRESCRICIONAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. RESTITUIÇÃO. LEI 118/05. APLICAÇÃO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO. REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito é de 10 anos contados do seu fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-001.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a prejudicial de decadência/prescrição e devolver o processo para o órgão julgador de primeira instância, para julgar as demais questões de mérito. Ausente a Conselheira Nanci Gama.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Relator.
EDITADO EM: 11/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Ausente a Conselheira Nanci Gama.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/11/1995 a 28/02/1999 PRAZO PRESCRICIONAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. RESTITUIÇÃO. LEI 118/05. APLICAÇÃO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito é de 10 anos contados do seu fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data. Recurso Voluntário Provido em Parte
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REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. RESTITUIÇÃO. LEI 118/05. APLICAÇÃO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de repercussão geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito é de 10 anos contados do seu fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a prejudicial de decadência/prescrição e devolver o processo para o órgão julgador de primeira instância, para julgar as demais questões de mérito. Ausente a Conselheira Nanci Gama. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 2. 00 00 55 /2 00 3- 20 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA 2 Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 11/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Ausente a Conselheira Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de pedido de restituição de créditos da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) que teriam sido recolhidos indevidamente no período entre 01/11/1995 e 01/02/1999, no valor de R$ 39.518,45, combinado com pedido de compensação com débitos vencidos e vincendos, sob a alegação de que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 18 da Lei nº 9.715, de 1998, no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no 1.417–0, inexiste fato gerador da contribuição para aquele período. Instruem o processo o pedido de restituição de fl. 1 e as guias de recolhimento de fls. 2 a 15. Dando prosseguimento ao processo, a DRF/MaríliaSP emitiu Despacho Decisório de fls. 87 a 96, indeferindo o pedido de compensação, em parte pelo fato de os pagamentos efetuados até 10/04/1998 terem sido atingidos pela decadência, porquanto o pedido foi protocolizado em 10/04/2003. Quanto ao mérito, a autoridade a quo alegou que, com a declaração da inconstitucionalidade dos Decretoslei nºs 2.445, de 29 de junho de 1988, e 2.449, de 21 de julho de 1988, e do art. 15 da Medida Provisória (MP) no 1.212, de 1995 o PIS voltou a ser exigido com base na Lei Complementar (LC) nº 7, de 7 de setembro de 1970, e alterações, entre outubro/1995 e fevereiro/1996 e, posteriormente, com base na MP no 1.212, de 1995, assim não há que se falar em inexistência do fato gerador nesses períodos. Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou a impugnação às fls. 99/118, requerendo a esta DRJ a reforma da decisão proferida pela DRF, para que seja autorizada a restituição do PIS, cumulada com a compensação com débitos vencidos e vincendos. Alegou, em resumo, que após a declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Adin no 1417–0, em 02/08/1999, criouse um período de vacância da lei entre outubro de 1995 e fevereiro de 1999, até a entrada em vigor da Lei nº 9.715, de 1998. Tal fato teria ocorrido porque a MP nº 1.212, de 1995, não respeitou o prazo nonagesimal de cobrança (90 dias) e o art. 18 da Lei no 9.715, de 1998, cometeu o mesmo erro. Com a declaração de inconstitucionalidade do seu art. 18, essa lei somente teve vigência a partir de março de 1999, não havendo, portanto, fato gerador naquele período, assim os valores pagos seriam indevidos. Por outro lado, a cobrança com base na Lei n.º 7, de 1970, também seria incabível, pois não poderia haver dois diplomas legais normatizando o mesmo assunto no mesmo período e pelo fato de que não poderia haver a repristinação Fl. 179DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13832.000055/200320 Acórdão n.º 3102001.632 S3C1T2 Fl. 3 3 daquela lei complementar após a declaração de inconstitucionalidade do art. 18 da Lei no 9.715, de 1998, por ser instituto vedado no Direito brasileiro. Quanto ao prazo para se postular a restituição, argumenta que, nos tributos lançados por homologação, como é o presente caso, a extinção do crédito estaria sujeita a uma condição resolutória, qual seja, a homologação, tácita, após cinco anos, ou expressa, por parte do Fisco; assim, o prazo para se pleitear restituição/compensação é de cinco anos, contados da homologação do pagamento, que é quando ocorreria a extinção do crédito; como neste caso não houve homologação expressa, na prática o prazo para se exercer o direito à restituição/compensação do indébito seria de dez anos. Discorre ainda sobre o direito à compensação à luz da legislação de regência, bem assim dos seus fundamentos constitucionais, quais sejam, cidadania, justiça, isonomia, propriedade e moralidade. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/1995 a 28/02/1999 RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO. A restituição de indébito fiscal relativo ao PIS está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. PIS. VIGÊNCIA. Suspensa a aplicação de medida provisória (MP 1.212/1995) durante o período de anterioridade nonagesimal e suspensa a execução de legislação declarada inconstitucional (Decretoslei nºs 2.445 e 2.449, de 1988), aplicase o disposto na legislação então vigente (LC 7/1970). PIS. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. Em cumprimento ao princípio constitucional da anterioridade nonagesimal, as alterações introduzidas pela Medida Provisória nº 1.212, de 1995 e suas reedições, somente terão eficácia a partir do período de apuração de março de 1996. COMPENSAÇÃO. PIS. INDEFERIMENTO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição/compensação extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido o pagamento antecipado, nos casos de lançamento por homologação. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA 4 Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. O prazo prescricional do direito de requerer a restituição dos valores da Contribuição para o PIS/PASEP pagos a maior deve ser decidido à luz das disposições contidas no Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O artigo 62A, alteração introduzida pela Portaria 586/2010, dispõe que as matérias de repercussão geral deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543 B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes."(AC) No dia 04 de agosto de 2011 foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal o Recurso Extraordinário 566.621, prolatando sentença sobre a aplicação do prazo de cinco anos definido pela Lei Complementar nº 118/05, nos seguintes termos. RE 566621 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Julgamento: 04/08/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273 DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações Fl. 181DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13832.000055/200320 Acórdão n.º 3102001.632 S3C1T2 Fl. 4 5 inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. É dos autos a informação de que o protocolo do pedido de restituição sub judice data de 10 de abril de 2003, quando o prazo para repetição do indébito era, conforme decisão acima transcrita, de dez anos, alcançando, por conseguinte, os fatos geradores ocorridos depois do dia 10 de abril de 1993 e não do dia 10 de abril de 1998, como decidido na instância a quo. Uma vez que tratase de uma prejudicial de mérito, ainda que o direito pleiteado tenha sido examinado para os pagamentos realizados depois do dia 10/04/1998, é preciso que se decida sobre o merecimento dos pedidos protocolados em data anterior, entre 10 de abril de 1993 e 10 de abril de 1998. VOTO POR DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para afastar, nos termos do vertente Voto, a preliminar de prescrição do direito à repetição do indébito e determinar o retorno do processo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de origem para apreciar os demais aspectos inerentes ao mérito do pedido. Sala de Sessões, 26 de setembro de 2012. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/02/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 11/11/2012 por RICARDO PAULO ROSA
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