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Numero do processo: 11618.002395/2005-66
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
Verifica-se nos autos que, para o ano calendário de 1999, não houve pagamento antecipado. Em inexistindo pagamento a ser homologado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial dá-se no dia 01/01/2001 e o termo final no dia 31/12/2005.
Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 18/07/2005, portanto, antes de transcorrido o prazo de cinco contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não há que se falar em decadência.
Recurso especial provido em parte.
Numero da decisão: 9202-002.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a argüição de decadência.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire - Relator
EDITADO EM: 18/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONDUTA REITERADA. MULTA QUALIFICADA. IMPOSSIBILIDADE. A apontada conduta reiterada de pessoa física nos anos calendário de 1999 e 2000, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n°. 9.430, de 1996. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Verificase nos autos que, para o ano calendário de 1999, não houve pagamento antecipado. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 8. 00 23 95 /2 00 5- 66 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a argüição de decadência. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 18/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 102 48.633, proferido pela 2ª Câmara do 1º CC em 14/06/2007, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, desqualificou a multa e, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência em relação ao anocalendário de 1999; no mérito, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso. Segue abaixo sua ementa: “IRPF DECADÊNCIA AJUSTE ANUAL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO A tributação das pessoas físicas sujeitase a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, lançamento é por homologação, regra que também se aplica aos rendimentos arbitrados com base na presunção legal do art. 55, inciso XIII, do Regulamento do Imposto de Renda (acréscimo patrimonial a descoberto). In casu, afastada a multa qualificada, ocorreu a decadência quanto ao ano de 1999, seja pela regra de contagem do art. 150 do CTN, seja pelo art. 173, inciso I e parágrafo único do CTN . ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO ONUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA RENDIMENTOS APURADOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS, OMITIDOS NA DECLARAÇÃO DE IRPF Fl. 2DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11618.002395/200566 Acórdão n.º 9202002.527 CSRFT2 Fl. 8 3 EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE O fato de a fiscalização apurar omissão de rendimentos em face de depósitos bancários sem origem ou acréscimo patrimonial a descoberto, não configura, por si só, a prática de dolo, fraude ou simulação, nos termos dos art. 71 a 73 da Lei 4.502 de 1964. Preliminar de decadência parcialmente acolhida. Recurso negado.” A Fazenda Nacional afirma, no que diz respeito à multa qualificada, a decisão em comento diverge do paradigma que apresenta, cuja ementa será transcrita abaixo: “(...) OMISSÃO DE RECEITAS — DEPÓSITOS BANCÁRIOS — Caracterizamse omissão de receita ou de rendimento, os valores creditados em conta de depósito ou investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA A prática reiterada de omissão de receitas caracteriza a conduta dolosa, justificando a penalidade agravada. (...) Recurso Negado.” (AC 10195.282) Explica que o paradigma acima evidenciado foi claro, em caso análogo ao presente, em manter a multa de 150%, por aplicação do art. 44, II, da Lei n.° 9.430/96, uma vez constatado o evidente intuito de fraude, em hipótese, igualmente, de omissão reiterada de rendimentos (prática sucessiva por mais de um anocalendário). No mérito, entende que restou comprovado nos autos a ocorrência de atividade ilícita do autuado, observada a partir da conduta reiterada, sistemática, de omitir rendimentos durante anoscalendário sucessivos. Diz que tais práticas reiteradas revelaram evidente intuito fraudulento, a ensejar a incidência da multa qualificada e que reforça tal constatação o fato de ter sido o contribuinte sujeito a representação fiscal para fins penais. Ademais, sustenta que, diante do pleito para manutenção da multa no patamar de 150%, deve ser afastada a preliminar de decadência suscitada, posto que viola o estabelecido no art. 173, inciso I, do CTN. Ressalta que, nos autos, o contribuinte não antecipa o pagamento dos tributos recolhidos mediante lançamento por homologação. Ao final, requer o conhecimento e provimento de seu recurso especial. Nos termos do Despacho n.º 1020.118/2008, foi dado seguimento ao pedido em análise. Intimado da decisão e recurso em análise, o contribuinte apresentou, tempestivamente, petição denominada “Contrarazões ao Recurso Especial (e Recurso Adesivo)”. Inicialmente, solicita que as razões que apresenta sejam consideradas também como recurso contra o aresto atacado. Afirma que não se pode atribuir ao recorrido conduta dolosa por fato não especificamente provado, motivo pelo qual entende que deve a multa ser totalmente desqualificada. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Ao final, requer que o pedido formulado pela PGFN não seja provido. A petição do contribuinte, avaliada como se recurso especial fosse, teve seu seguimento negado nos termos do Despacho n.º 149/2009. Em seguida, o contribuinte retorna aos autos para apresentar petição em que indica “erro material de natureza manifesta”. Nos termos do Acórdão 10248.633, este pedido foi recebido como Embargos de Declaração e não foi admitido, pois foi considerado intempestivo. Ressaltouse que, “mesmo que a petição fosse recebida como Agravo, nos termos do Regimento anterior, teria sido apresentada intempestivamente da mesma maneira (...)”. Eis o breve relatório. Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Preenchidos os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional. Entendo que a apontada conduta reiterada de pessoa física nos anos calendário de 1999 e 2000, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n°. 9.430, de 1996. Precedentes da 2ª Turma da CSRF: “(...) IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA PRESUNÇÃO LEGAL MULTA QUALIFICADA. Para que possa ser aplicada a penalidade qualificada prevista, à época do lançamento em apreço, no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, a autoridade lançadora deve coligir aos autos elementos comprobatórios de que a conduta do sujeito passivo está inserida nos conceitos de sonegação, fraude ou conluio, tal qual descrito nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4302/64. O evidente intuito de fraude não se presume e deve ser demonstrado pela fiscalização. No caso, o dolo que autorizaria a qualificação da multa não restou comprovado, conforme bem evidenciado pela decisão de primeira instância e pelo acórdão recorrido. O valor dos rendimentos omitidos ou a omissão reiterada de rendimentos, isoladamente, sem nenhum outro elemento adicional, não caracterizam o dolo. Ademais, diante das circunstâncias duvidosas, tem aplicação ao feito a regra do artigo 112, incisos II e IV, do CTN. Recurso especial negado. (Acórdão nº 920200.969 — 2ª Turma da CSRF, Relator Conselheiro Gonçalo Bonet Allage) Fl. 4DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11618.002395/200566 Acórdão n.º 9202002.527 CSRFT2 Fl. 9 5 “IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONDUTA REITERADA. MULTA QUALIFICADA. IMPOSSIBILIDADE. A apontada conduta reiterada de pessoa física nos exercícios de 2002, 2003 e 2004, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n°. 9.430, de 1996. Precedentes da 2ª Turma da CSRF. (...) Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado.” (Acórdão nº 920202.361 — 2ª Turma da CSRF, Relator Conselheiro Elias Sampaio Freire) No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação temos o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, Fl. 5DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). Em suma, inexistindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial será: (a) o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) o Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Verificase nos autos que, para o ano calendário de 1999, não houve pagamento antecipado. Em inexistindo pagamento a ser homologado, a regra de contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Isto é, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial dáse no dia 01/01/2001 e o termo final no dia 31/12/2005. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11618.002395/200566 Acórdão n.º 9202002.527 CSRFT2 Fl. 10 7 Considerando que o contribuinte foi cientificado do auto de infração, em 18/07/2005, portanto, antes de transcorrido o prazo de cinco contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não há que se falar em decadência. Despiciendo é o retorno dos presentes autos para o colegiado a quo, posto que as alegações do contribuinte contidas em seu recurso voluntário já foram enfrentadas pela decisão recorrida. Pelo exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para afastar a decadência declarada. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 7DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/03/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10680.001094/00-12
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1996, 1997, 1998
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO.EQUIPARAÇÃO.
Somente foram equiparados a Declarações de Compensação, para os efeitos legais, os pedidos de compensação com débitos próprios.
PRELIMINAR DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS. DESCABIMENTO.
Não se equiparando os pedidos de compensação com débitos de terceiros a Declarações de Compensação, não se lhes aplica o prazo para homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo.
PRESCRIÇÃO EXTINTIVA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. DCTF.
A apresentação de DCTF constitui e confessa os débitos ali informados, dando início ao curso do prazo prescricional. O Pedido de Compensação, não convertido em DCOMP, não suspende a exigibilidade do crédito tributário, por não se enquadrar em nenhuma das hipóteses do artigo 151 do CTN. Não adotada qualquer medida tendente a inscrever o débito em dívida ativa dentro do praz, restam extintos os passivos por prescrição.
PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva, que ocorre na data da entrega da última declaração retificadora.
Numero da decisão: 1803-001.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1996, 1997, 1998 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO.EQUIPARAÇÃO. Somente foram equiparados a Declarações de Compensação, para os efeitos legais, os pedidos de compensação com débitos próprios. PRELIMINAR DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS. DESCABIMENTO. Não se equiparando os pedidos de compensação com débitos de terceiros a Declarações de Compensação, não se lhes aplica o prazo para homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo. PRESCRIÇÃO EXTINTIVA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. DCTF. A apresentação de DCTF constitui e confessa os débitos ali informados, dando início ao curso do prazo prescricional. O Pedido de Compensação, não convertido em DCOMP, não suspende a exigibilidade do crédito tributário, por não se enquadrar em nenhuma das hipóteses do artigo 151 do CTN. Não adotada qualquer medida tendente a inscrever o débito em dívida ativa dentro do praz, restam extintos os passivos por prescrição. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva, que ocorre na data da entrega da última declaração retificadora.
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DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO.EQUIPARAÇÃO. Somente foram equiparados a Declarações de Compensação, para os efeitos legais, os pedidos de compensação com débitos próprios. PRELIMINAR DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS. DESCABIMENTO. Não se equiparando os pedidos de compensação com débitos de terceiros a Declarações de Compensação, não se lhes aplica o prazo para homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo. PRESCRIÇÃO EXTINTIVA. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE TERCEIROS. DCTF. A apresentação de DCTF constitui e confessa os débitos ali informados, dando início ao curso do prazo prescricional. O Pedido de Compensação, não convertido em DCOMP, não suspende a exigibilidade do crédito tributário, por não se enquadrar em nenhuma das hipóteses do artigo 151 do CTN. Não adotada qualquer medida tendente a inscrever o débito em dívida ativa dentro do praz, restam extintos os passivos por prescrição. PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva, que ocorre na data da entrega da última declaração retificadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 10 94 /0 0- 12 Fl. 612DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.001094/0012 Acórdão n.º 1803001.511 S1TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Em 3 de fevereiro de 2000, a contribuinte solicitou (fl. 1) restituição de valores com saldos negativos de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), conforme demonstrativo de fls. 2 a 5. Esclarecia que tais saldos haviam sido apurados por ela própria e por empresa a ela incorporada (BRASIF Electronics S.A.,CNPJ n° 05.447.834/000163). Em 14 de junho de 2000, a interessada protocolizou o pedido de fl. 243, em que fazia menção expressa ao presente processo e apresentava débito a ser extinto por compensação com o crédito consignado na inicial. Estes pleitos foram analisados pela DRF de origem, que prolatou, em 7 de dezembro de 2007, o Despacho Decisório n° 1.756, de fls. 309 a 312, de que se extraem os seguintes trechos: Trata o presente processo de pedido de restituição (fls. 01/05) de créditos próprios decorrentes de saldos negativos da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido(CSLL) no valor de R$508.681,97 relativos aos anoscalendários de 1995, 1996 e 1997, exercícios de 1996, 1997e 1998, respectivamente. O valor acima mencionado é composto da seguinte forma, conforme informado pelo contribuinte: Fl. 613DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.001094/0012 Acórdão n.º 1803001.511 S1TE03 Fl. 4 3 Saldo negativo do anocalendário de 1995: CNPJ: 52.226.073/000108: R$47.587,48 CNPJ: 05.447.834/000163: R$18.736,53 Saldo negativo do anocalendário de 1996: CNPJ: 52.226.073/000108: R$16.087,00 CNPJ: 05.447.834/000163: R$117.742,31 Saldo negativo do anocalendário de 1997: CNPJ: 52.226.073/000108: R$0,00 CNPJ: 05.447.834/000163: R$34.500,00 Aos valores acima o contribuinte aplicou a taxa Selic, chegando ao valor consolidado de R$508.681,97 em fevereiro de 2000. Conforme explicitado pelo contribuinte à fls. 02 e de acordo com o Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, a TRICON Triunfo Componentes S.A., CNPJ 52.226.073/000108 incorporou a BRASIF Electronics SA., CNP] n° 05.447.834/000163. Em maio/98, a TRICON Triunfo Componentes S.A. incorporou a BRASIF S/A Exportação e Importação, CNPJ n° 20.515.441/0001 33, passando a assumir a razão social da incorporada. Posteriormente, em 14/06/2000, o contribuinte protocolou os pedidos de compensação de fls. 243 (Cofins), com a vinculação da compensação aos créditos do processo 10680.001094/0012. Passemos, pois, à análise dos créditos pleiteados pelo contribuinte. Tricon Triunfo Componentes S/A. CNPJ 52.226.073/000108 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) Ano calendário de 1995 O contribuinte não apurou, em sua DIPJ, com informações complementadas pelo demonstrativo de fls. 02, CSLL devida, tendo sido os valores efetivamente recolhidos com base na receita bruta e acréscimos informados (R$47.587,48) se transformado em saldo negativo do período. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) Ano calendário de 1996 O contribuinte não apurou CSLL devida, tendo o valor recolhido a título de imposto de renda com base na receita bruta e acréscimos (R$16.087,00) relativo ao mês de Janeiro/96, se convertido em saldo negativo daquele anocalendário. BRASIF Eletronics S/A CNPJ:05.447.834/000163 Fl. 614DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.001094/0012 Acórdão n.º 1803001.511 S1TE03 Fl. 5 4 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) Ano calendário de 1995 O contribuinte apurou, em sua DIPJ, CSLL a pagar de R$87.262,34, conforme ficha 11 (fls. 265), tendo sido esse valor quitado em 30/04/96. Os valores recolhidos com base na receita bruta e acréscimos totalizam R$153.249,21, com a atualizações pela Ufir. Entretanto, pelo demonstrativo de fls. 02, apurou saldo credor de R$ 18.736,53. Assim, o resultado final deve ser: CSLL a pagar (apurada pelo contribuinte): R$ 234.018,64 () Valor recolhido em 30/04/96: (R$87.262,34) (=) Saldo devedor: R$146.756,00 ()Estimativas recolhidas (R$153.249,21) (=)Saldo credor remanescente R$6.493,21 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) Ano calendário de 1996 Com relação ao anocalendário de 1996, o contribuinte recolheu efetivamente a importância de R$226.893,00 a título de CSLL apurada com base na receita bruta e acréscimos, que, confrontada com a CSLL devida na DIPJ (ficha 11, fls. 271), resulta em um saldo negativo (credor) de R$115.574,95. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) Ano calendário de 1997 No anocalendário de 1997, o contribuinte não apurou CSLL devida, mas não informou na ficha 11 a soma das estimativas recolhidas referentes aos meses de Janeiro a Março/97, no total de R$34.500,00, valor este que representa o saldo negativo pleiteado a fls, 02, e que é passível de restituição/compensação. Não constam compensações espontâneas efetuadas pelo contribuinte em relação aos créditos tratados neste processo nos anos calendários de 1998 e subseqüentes. [...] Diante do exposto, concluise que o contribuinte faz jus aos créditos relativos aos saldos negativos da CSLL próprios e da sucedida nos valores de R$47.587,48, em 31/12/95, R$16.087,00 (em 31/12/96), R$6.493,21 (em 31/12/95), R$115.574,95 (em 31/12/96) e R$34.500,00(em 31/12/97). À consideração superior. Decisão Tendo em vista o relatório e fundamentação acima, reconheço ao contribuinte o direito aos créditos relativos aos saldos negativos da CSLL próprios e da sucedida nos valores de R$47.587,48, em 31/12/95, R$16.087,00 (em Fl. 615DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.001094/0012 Acórdão n.º 1803001.511 S1TE03 Fl. 6 5 31/12/96),R$6.493,21 (em 31/12/95), R$115.574,95 (em 31/12/96) e R$34.500,00 (em 31/12/97) com os acréscimos correspondentes à taxa Selic, os quais poderão ser utilizados na compensação com débitos próprios e de terceiros (nessa ordem),conforme pedidos do contribuinte. Ordem de Intimação Dêse ciência deste Despacho Decisório ao contribuinte, informandolhe que do mesmo cabe a apresentado de manifestação de inconformidade junto à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em B. Horizonte, no prazo de 30(trinta) dias, contado do seu recebimento. As fls. 327, encontrase a seguinte correspondência, encaminhada pela DRF de origem à interessada: Processo:10680.001094/012 [...] Estamos encaminhando para ciência de Vossas Senhorias cópia do Despacho Decisório n° 1.756/2007, informando que o crédito reconhecido foi integralmente utilizado para extinguir totalmente, mediante compensação, o débito controlado pelo processo em referência e parte de um dos débitos controlados por meio do processo 10768.000653/00. Portanto, os demais débitos vinculados ao crédito do processo referência (Processos 10768.000653/0026 e 10768.001401/00 79) não extintos compensação serão objeto de cobrança. Ciente em 24 de janeiro de 2008 (fls. 324), a interessada apresentou, em 25 de fevereiro de 2008, segundafeira, a manifestação de inconformidade de fls.329 a 336, a seguir resumida. [...] 1. De plano, a REQUERENTE esclarece que, em 03.02.2000, apresentou Pedido de Restituição das quantias pagas indevidamente, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) calculada por estimativa por suas incorporadas (i)TRICON Triunfo Componentes Eletrônicos S/A, com relação aos anos calendários de 1995 e 1996 e (ii) BRASIF Eletronics S/A, com relação aos anos calendários de 1995, 1996 e 1997 1.1. Paralelamente, apresentou o Pedido de Compensação de fls. 234 e o Pedido de Compensação e as DCOMP objeto dos processos n°s 10680.009657/200415, 10768.001401/0079 e 10768.000653/0026, em apenso, declarando a compensação do citado valor com créditos tributários vincendos pelos quais era devedora. II O DESPACHO DECISÓRIO Fl. 616DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.001094/0012 Acórdão n.º 1803001.511 S1TE03 Fl. 7 6 2 Ao examinar a questão, o ilustre Sr. Chefe Port. DRF/BHE reconheceu a procedência de mais de 90% (noventa por cento) dos direitos vindicados, mas indeferiu indevidamente uma pequena parcela dos seus valores [...]. III OS FUNDAMENTOS DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE 3 Incorreções Cometidas na Decisão Recorrida no Tocante aos Créditos Tributários Advindos da Brasif Eletronics S/A dos AnosCalendários de 1996 e 1997. 3.1 Destarte, como primeiro ponto a merecer reparo naquele despacho, sobreleva que, no tocante ao anocalendário de 1995, a REQUERENTE solicitou a restituição/compensação de R$ 18.736,53, relativos a valores recolhidos indevidamente pela sua incorporada BRASIF Eletronics S/A, tendo a r. decisão recorrida reconhecido a procedência tão somente de R$ 6.493,21, partindo do pressuposto de somente terem sido recolhidos, segundo a DIPJ do anocalendário de 1995 da mencionada empresa, R$ 234.818,64 a título de CSLL. 3.1.1 Analisando, porém, os DARF de pagamento daquela contribuição no período, encontrase o total de R$ 253.555,17 (vide DARF de fls. 38/55), devendose essa diferença a desconsideração, no r. despacho decisório, dos recolhimentos de multa e juros, os quais, a teor do § 1° do art. 2° da Instrução Normativa SRF n° 600/2005, também são passíveis de restituição/compensação. 3.2 Nesse mesmo erro incorreu o Julgador a quo em relação ao ano calendário de 1996 pois, ao acatar o valor de R$ 115.574,95, quando a REQUERENTE solicitava R$ 117.742,31, não levou em conta os valores recolhidos a título de multa e juros naquele anocalendário (fls. 56 a 74), que pelos motivos acima expostos devem ser restituídos e/ou aceitos em compensação. 4. Na Data em que a Requerente foi Cientificada do Despacho Decisório Contestado Algumas Compensações já Estavam Homologadas Tacitamente. 4.1. Esses, porém, não são os únicos vícios a contaminar o despacho atacado. 4.11. Isso porque, a compensação, como modalidade de extinção de créditos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal, encontrase regulada pelo artigo 74 da Lei n° 9.430/96 [...], com a redação que lhe foi dada pelas Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 [...]. 4.2. Deveras, como se verifica do § 4° desse dispositivo, os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa em 30.12.2002 (data da publicação da Lei n° 10.637/2002), como era o caso dos de fls.243 destes autos e os Pedidos de Compensação objeto dos processos n°s Fl. 617DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.001094/0012 Acórdão n.º 1803001.511 S1TE03 Fl. 8 7 10768.001401/0079 e 10768.000653/0026, foram considerados declarações de compensação desde os seus protocolos. 4.3. O § 5° do mesmo artigo (com redação dada pela Lei n° 10.833/2003), estabeleceu que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. 4.4. Dessa forma, tendo os Pedidos de Compensação de fls. 243 e os constantes dos processos apensos n° 10768.001401/0079 e 10768.000653/0026 sido protocolizados no curso do ano de 2000, desde do ano de 2006 os créditos tributários neles compensados estavam homologados tacitamente e definitivamente extintos, sendo, portanto, nulo, porque carente de objeto, o Despacho Decisório ora combatido nesse particular, uma vez que dele a REQUERENTE só foi cientificada no dia 24.01.2008. IVO PEDIDO 5.A vista de todo o exposto, a REQUERENTE espera e confia se digne essa Colenda Turma reformar o r. Despacho Decisório DRF/BHE n° 1.756/2007 na parte em que lhe foi desfavorável, reconhecendo o seu direito creditório, homologando as compensações efetuadas e declarando a homologação das compensações discutidas nesta petição. Em 24 de julho de 2008, este Colegiado prolatou o Acórdão 02 18.518 (fls. 360 a 361), cujo voto, depois de transcrever os artigos 73 e 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, assim concluiu: [...]A partir das peças processuais, verificase que o pleito da interessada, em grande parte, já se encontra atendido pelo Despacho Decisório contra o qual se insurge a empresa. Como visto, determina o § 4° do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, fossem considerados declarações de compensação, desde o seu protocolo, os pedidos neste sentido que, a exemplo daquele de fl. 243, ainda pendessem de apreciação pela autoridade administrativa. Por conseguinte, o respectivo débito encontrase extinto por compensação ex tunc, achandose tal compensação homologada por decurso in albis do prazo homologatório estipulado pelo § 5°, acima transcrito, dado que, entre a protocolização deste pedido (14 de junho de 2000) e a prolação do Despacho Decisório por parte da DRF aperfeiçoado com sua ciência pela interessada, em 24 de janeiro de 2008 transcorreram mais de cinco anos. Desta forma, voto por considerar homologada a compensação na parte trazida à apreciação deste Colegiado, ficando, assim, sem objeto as demais alegações da interessada. [...]Ciente deste decisum, a interessada apresentou a petição de fls. 363 a 367, acompanhado dos documentos de fls. 368 a 396, a seguir transcrito: Fl. 618DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.001094/0012 Acórdão n.º 1803001.511 S1TE03 Fl. 9 8 À COLENDA TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM BELO HORIZONTEMG Assunto: Acórdão n° 0218.518 Processo n° 10680.001094/00 12 BRASIF SA. EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO, devidamente qualificada e representada nos autos do processo em epígrafe vem, por seus advogados que esta subscrevem, informar e requerer o que segue abaixo. l.De plano, a REQUERENTE lembra que, em 03.02.2000, apresentou Pedido de Restituição das quantias pagas indevidamente, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) calculada por estimativa por suas incorporadas (i)TRICON Triunfo Componentes Eletrônicos S/A, com relação aos anoscalendários de 1995 e 1996, e (ii) BRASIF Eletronics S/A, com relação aos anoscalendários de 1995,1996 e 1997. 1.1. Paralelamente, apresentou o Pedido de Compensação de fls. 234 e Pedidos de Compensação de Crédito com débitos de Terceiros (PCC) objeto dos processos n°s 10680.009657/2004 16, 10768.001401/0079 e 10768.000653/00 26, em apenso, requerendo a compensação daqueles valores com débitos vincendos de terceiros, entre os quais a DUFRY DO BRASIL DUTY FREE SHOP LTDA (DUFRY), sucessora por incorporação da BrasifDuty Free Shop Ltda. 2.Pelo Despacho Decisório DRF/BHE n° 1.7556/2007, de fls. 309/312, foi reconhecida a procedência de mais de 90% (noventa por cento) dos direitos vindicados. 2.1. O restante, porém, foi incorretamente indeferido, o que motivou a apresentação, em 25.02.2008, de Manifestação de Inconformidade, na qual a REQUERENTE, além de chamar atenção para o fato de que, na data em que foi cientificada daquela Despacho Decisório, as compensações já se encontrariam homologadas tacitamente, apontou os equívocos cometidos naquele decisum quanto ao mérito, reivindicando, então, o reconhecimento integral do seu direito creditório e de todas as compensações efetuadas, inclusive as relativas a débitos de terceiros. 3.A citada Manifestação de Inconformidade foi apreciada por essa Colenda Turma, que proferiu o Acórdão n° 0218.518, assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1996,1997,1998 Compensação Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de Fl. 619DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.001094/0012 Acórdão n.º 1803001.511 S1TE03 Fl. 10 9 compensação, desde o seu protocolo e serão considerados homologados em 5 anos, contados desta data. Compensação homologada. 3.1. No r. voto condutor do Acórdão em tela, assim se pronunciou o ilustre Relator: [seguese a transcrição do referido voto] 4.Por outro lado, apesar de comunicada pelo Memorando n° 33/ DRF/BHE/Seort/Eeqrestpj, nos autos do processo n° 10768.001401/0079 da apresentação tempestiva da Manifestação de Inconformidade em comento (doc.01), a Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária no Rio de Janeiro (DERAT/RJ), órgão com jurisdição sobre o domicílio fiscal daquela empresa, expediu a Carta de Cobrança n° 217/2008 (doc. 02), exigindo o pagamento imediato dos saldos dos débitos que foram considerados não compensados, mantendo, ainda, tais débitos com o status de "em cobrança". 4.1. Diante dessa ilegalidade a DUFRY impetrou o Mandado de Segurança n° 2008.51.01.0151780, objetivando ver reconhecido que a Manifestação de Inconformidade apresentada pela REQUERENTE havia suspendido a exigibilidade dos créditos tributários que lhe estavam sendo exigidos, bem como se abstraísse a o Delegado da DERAT/RJ de lhe fornecer "Certidão Conjunta Positiva Com efeitos de Negativa de Débitos relativos a Tributos Federais e a Dívida Ativa da União" alegando a existência daqueles débitos, tendo o Ex. mo Juízo da 5ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro concedido a liminar postulada (doc. 03). 5 Proferido, porém, posteriormente, o Acórdão n° 0218.518, a REQUERENTE está convicta de que nele foram reconhecidas homologadas também essas compensações. 5.1 Todavia, conhecedora do entendimento da DERAT/RJ de que Manifestação de Inconformidade não pode ser oposta ao indeferimento das compensações de créditos com débitos de terceiros e levando em conta que o r. voto condutor daquele acórdão referiuse expressamente apenas ao pedido de fls. 243 e declarou "sem objeto as demais alegações da interessada", a REQUERENTE, para prevenir discussões na execução do julgado, suplica que V.Sas, complementem o citado acórdão esclarecendo explicitamente que as compensações efetuadas com débitos de terceiros ao amparo do então vigente art. 15 da IN n° 21/95 estão igualmente homologadas. Caso, entretanto, assim não o entendam V Sas., o que se admite somente a título de argumentação, a REQUERENTE postula seja a presente petição considerada RECURSO VOLUNTÁRIO, nos termos do art. 17 da Lei n° 10.833/2003, encaminhandoa ao Primeiro Conselho de Contribuintes para apreciação das alegações aqui lançadas, bem como das aduzidas na sua Fl. 620DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.001094/0012 Acórdão n.º 1803001.511 S1TE03 Fl. 11 10 Manifestação de Inconformidade protocolizada em 25.02.2008, que deverão ser consideradas dela integrantes, por força do efeito devolutivo. Juntados os documentos de fls. 363 a 396, os presentes autos subiram de imediato ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo então lavrado o Acórdão 120200.484 da 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 22 de fevereiro de 2011, cujo voto se transcreve em parte (negrito acrescido): [...]Da leitura da fundamentação verificase que as alegações da contribuinte quanto à existência do crédito não foram examinadas uma vez que o voto condutor da decisão de 1ª Instância considerou que as mesmas restaram prejudicadas frente ao reconhecimento da ocorrência da homologação tácita. Entretanto, o que se verifica no caso em apreço, é que a decisão de 1a. instância deve ser anulada em razão de não haver apreciado a matéria relativa à compensação de créditos do presente processo com débitos de terceiros, o que acarretaria a supressão de instância, que não se pode admitir. Isso posto, voto por anular o acórdão DRJ/BH 0218.518, e tornar sem efeito todas as demais peças processuais proferidas após o referido acórdão. Em face disto, os autos retornaram a esta DRJ, com os documentos de fls. 409 a 414. Ao exame, verificase que se trata de cópias de pedidos de compensação de crédito com débito de terceiros (fls. 412 e 414), que faz em referência ao presente processo.” A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação, em decisão assim ementada: “COMPENSAÇÃO A pessoa jurídica tributada pelo lucro real somente poderá utilizar o valor pago a título de estimativa na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de CSLL do período. COMPENSAÇÃO Os pedidos de compensação que se valiam de créditos de terceiros não se converteram em declarações de compensação, e, por conseqüência, não se lhes aplica o prazo homologatório quinquenal previsto no § 5º do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996”. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, tece as seguintes considerações: a) É forçoso reconhecer a extinção definitiva dos créditos tributários em questão pela homologação tácita de suas compensações integrais, tendo em vista o decurso do prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 74, §§ 2 °, 4° e 5° da Lei n.° 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pelas Leis n.°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.001094/0012 Acórdão n.º 1803001.511 S1TE03 Fl. 12 11 b) Os requerimentos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa em 30.12.2002 foram considerados, sem exceção alguma, declarações de compensação desde os seus protocolos. Prevalece, por conseguinte, a regra básica de hermenêutica jurídica, que a nenhum operador do Direito é dado ignorar, segundo a qual, se a lei não distingue, não pode o intérprete distinguir . c) Nos casos de compensação a legislação aplicável é aquela vigente no momento do encontro de contas e, tendo a RECORRENTE e a DUFRY apresentado os PCC em 14.03.2000 e 30.03.2000, quando vigente a IN/SRF n° 21/97, que disciplinava a compensação prevista no artigo 74 da Lei n.° 9.430/96, não há como se falar, como o fez o Parecer acima citado, em compensação "...vedada expressamente pela legislação em vigor...". d) Ainda que se pudesse sustentar a tese suscitada pelo acórdão recorrido, no sentido de que os "Pedidos de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros" não teriam sido convertidos em Declarações de Compensação desde os seus protocolos, o que somente se admite por debate, imperioso será reconhecer que, nesse caso, os créditos tributários exigidos estariam todo modo extintos, por prescrição. e) Se os "Pedidos de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros" apresentados sob a égide da IN/SRF n° 21/97 não devem seguir o rito do Decreto n.° 70.235/72, conforme, reiterese, sustenta a Administração Tributária Federal, não há causa de suspensão de sua exigibilidade e, portanto, nada impedia a cobrança dos débitos, donde em 24.01.2008 extinto se encontrava o direito da Fazenda Nacional de exigilo, por haver transcorrido o prazo qüinqüenal de prescrição, nos termos dos artigos 156, inciso V, combinado com o artigo 174 do CTN. f) Ainda que os créditos tributários em exame não tivessem sido constituídos por meio de confissão de dívida nas datas de apresentação das DCTF ou dos Pedidos de Compensação, forçoso seria reconhecer que, por força do disposto no artigo 142 do CTN, deveriam as autoridades administrativas realizar a sua constituição de oficio, dentro do prazo de 5 (cinco) anos, o que também não aconteceu, ensejando a extinção dos créditos tributários pela consumação dos efeitos da decadência. Por meio da Resolução nº 1803000.051, de 18 de janeiro de 2012, o julgamento foi convertido em diligência para as seguintes providências: · Juntada aos autos das DCTF’s para verificação da data da constituição definitiva dos débitos objeto de compensações. · Apuração da data da inscrição em dívida ativa dos débitos controlados pelos processos nº 10768.001401/0079 e 10768.000653/0026. Realizada a diligência, os autos retornaram a este Conselho, tendo a recorrente acrescentado a seguinte consideração: a) Ainda que se possa admitir que o prazo prescricional para cobrança dos tributos iniciouse com a apresentação das DCTF retificadoras, em 15/07/2004 e 16/07/2004, é certo que quando da efetivação dos depósitos judiciais os créditos tributários já se encontravam prescritos. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.001094/0012 Acórdão n.º 1803001.511 S1TE03 Fl. 13 12 É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 31/08/2011 (AR de fls. 443). O recurso foi protocolado em 29/09/2011, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. O litígio cingese à parcela do direito creditório, no valor de R$ 14.410,68, não reconhecida pela unidade de origem. A diferença é resultante da desconsideração dos acréscimos legais (multa e juros) incidentes sobre os pagamentos determinados sobre base de cálculo estimada. Reproduzo o teor do voto proferido na sessão do dia 18 de janeiro de 2012, em relação às preliminares de homologação tácita nos termos do art. 74, §§ 2 °, 4° e 5° da Lei n.° 9.430/96, e decadência. I. Homologação tácita e decadência Estas preliminares já foram apreciadas por este colegiado, por ocasião do julgamento do recurso interposto no processo n° 13851.500861/200456, cuja ementa a seguir reproduzimos: “PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. ENTREGA DE DCTF. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DESCABIMENTO. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS GIA, ou de outra declaração dessa natureza prevista em lei (dever instrumental adstrito aos tributos sujeitos a lançamento por homologação), é modo de constituição do crédito tributário, dispensando a Fazenda Pública de qualquer outra providência conducente à formalização do valor declarado (STJ Recurso Repetitivo). PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO. EQUIPARAÇÃO. Somente foram equiparados a Declarações de Compensação, para os efeitos legais, os pedidos de compensação com débitos próprios. PRELIMINAR DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO COM DÉBITOS DE TERCEIROS. DESCABIMENTO. Não se equiparando os pedidos de compensação com débitos de terceiros a Declarações de Compensação, não se lhes aplica o prazo para homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo. Fl. 623DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.001094/0012 Acórdão n.º 1803001.511 S1TE03 Fl. 14 13 Nesse julgamento o colegiado assentou o seguinte entendimento: · A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF é modo de constituição do crédito tributário, dispensando a Fazenda Pública de qualquer outra providência conducente à formalização do valor declarado. · As regras do art. 74 da Lei n° 9.430/1996 (especificamente a conversão dos pedidos de compensação em declaração de compensação, e a aplicação do rito do Decreto n° 70.235/1972) apenas se aplicam às compensações com débitos próprios. · O prazo prescricional iniciase quando da entrega da declaração pelo contribuinte – constituição definitiva do crédito tributário – sendo que, a pendência de apreciação do pedido de compensação pela autoridade administrativa, não constitui hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. De fato, o pedido de compensação não está listado no art. 151 do CTN como hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. A lógica que permeia essa falsa lacuna legislativa revelase no fato de que a existência de créditos a compensar ou, em outras palavras, do direito creditório, é INDEPENDENTE da existência do crédito tributário (ou débito, invertendo o ângulo de análise) passível de ser extinto por meio da compensação. Sendo assim, a existência de crédito cuja exigibilidade não esteja suspensa autoriza de imediato sua cobrança. O fato de o contribuinte apresentar créditos de terceiros a compensar não produz quaisquer efeitos sobre a exigibilidade de seus débitos tributários. Isto porque o art. 74 é claro ao dispor que o contribuinte poderá fazer a compensação de débitos próprios, sendo que não há fundamento legal de validade para a compensação com crédito de terceiro, in verbis: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (nosso grifo) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002)” Por falta de previsão legal, o pedido de compensação com créditos de terceiros não pode ser considerado como uma declaração de compensação, e portanto, não pode ser regido pela nova sistemática introduzida pela Lei nº 10.637, de 2002. A preliminar de decadência também merece ser rejeitada, uma vez que os débitos objeto do presente processo foram declarados em DCTF, e portanto, é absolutamente legítima a sua cobrança. Fl. 624DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.001094/0012 Acórdão n.º 1803001.511 S1TE03 Fl. 15 14 II. Prescrição A diligência tornouse necessária a fim de verificarse a procedência da alegação de ocorrência da prescrição dos débitos cobrados. No caso concreto, a recorrente pretende compensar o direito creditório não homologado, no valor de R$ 14.410,68, com os seguintes débitos da contribuinte Brasif Duty Free Shop Ltda, CNPJ n° 27.197.888/000150: Processo Tributo Período Apuração Valor originário (R$) Valor remanescente (R$) IRPJ 12/1999 610.000,00 610.000,00 IRPJ 01/2000 0,04 0,04 IRPJ 02/2000 60.000,00 60.000,00 CSLL 12/1999 230.000,00 230.000,00 CSLL 01/2000 151.047,65 151.047,65 10768.001401/0079 PIS 01/2000 156.000,00 156.000,00 COFINS 12/1999 60.778,12 60.778,12 COFINS 02/2000 65.489,27 65.489,27 PIS 12/1999 180.169,77 180.169,77 10768.000653/0026 PIS 02/2000 139.000,00 139.000,00 Para verificarmos a ocorrência de prescrição dos débitos é necessário determinar a data de sua constituição definitiva, que se dá mediante a entrega da DCTF. A autoridade administrativa apresentou os seguintes esclarecimentos: Fl. 625DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.001094/0012 Acórdão n.º 1803001.511 S1TE03 Fl. 16 15 Nos termos do art. 174 do CTN , a ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. No presente caso, a recorrente entregou as últimas declarações retificadoras em 15/07/2004 e 16/07/2004. Por conseguinte, os créditos tributários foram constituídos definitivamente nesta datas, as quais correspondem ao termo inicial do prazo prescricional. A recorrente alega que quando da efetivação dos depósitos judiciais os créditos tributários já se encontravam prescritos. As inscrições dos débitos em Dívida Ativa da União foram efetuadas em 18/08/2008 e 27/07/2009, dentro portanto, do prazo de cinco anos. A prescrição se interrompe pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução fiscal, e não pelo depósito judicial. Ainda de acordo com a informação fiscal, a qual não foi contraditada pela recorrente, as duas inscrições na dívida encontravamse na situação ativa, sendo que em um dos casos não foi ajuizada a execução fiscal em face da existência de decisão judicial suspendendo a exigibilidade do crédito tributário. Não vislumbro a ocorrência da prescrição alegada pela recorrente, devendo ser rejeitada também esta preliminar. III. Mérito A decisão recorrida (fls. 454/467 numeração digital) assim se manifestou sobre o mérito do direito creditório: “Entretanto, cumpre relembrar que o direito creditório a que aspira a interessada deriva do saldo credor de CSLL apurado no final dos anoscalendário de 1995 e 1996, e não dos correspondentes pagamentos feitos por estimativa. Por conseguinte, nenhum destes pagamentos, tomado isoladamente, pode ser considerado indevido ou a maior nos termos do artigo 165, inciso I, da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1996 (CTN): (...) Em assim sucedendo, os eventuais encargos de multas e juros de mora não podem ser incluídos no cálculo do saldo negativo de CSLL. “ No recurso de fls. 489/510, a recorrente não reiterou suas alegações quanto ao mérito do pedido. Na impugnação, havia pleiteado a restituição da multa e juros com base no § 1º do art. 2° da Instrução Normativa SRF n° 600/2005, in verbis: “Art. 2º Poderão ser restituídas pela SRF as quantias recolhidas a título de tributo ou contribuição sob sua administração, nas seguintes hipóteses: Fl. 626DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10680.001094/0012 Acórdão n.º 1803001.511 S1TE03 Fl. 17 16 I – cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou em valor maior que o devido; II – erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III – reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. § 1º Também poderão ser restituídas pela SRF, nas hipóteses mencionadas nos incisos I a III, as quantias recolhidas a título de multa e de juros moratórios previstos nas leis instituidoras de obrigações tributárias principais ou acessórias relativas aos tributos e contribuições administrados pela SRF.” A leitura do dispositivo retro transcrito revela a possibilidade de restituição de quantias recolhidas a título de multa e de juros moratórios, quando os recolhimentos forem indevidos. Alguns dos recolhimentos foram efetuados com acréscimos legais, multa e juros de mora, como por exemplo o de fls. 64 – numeração digital. Ocorre porém, que o recolhimento dos acréscimos não foi indevido, uma vez que o pagamento não foi efetuado dentro do prazo legal. Por conseguinte, não há que se falar em recolhimento indevido de multa e juros de mora, sendo que, apenas compõe o saldo negativo o valor recolhido a título de principal da estimativa. Ante todo o exposto, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 627DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 26/11 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 10247.000141/2005-14
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 INSUMO. DELIMITAÇÃO DO CONCEITO Para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que onere a atividade da econômica, mas tão somente os que sejam diretamente empregados na produção de bens ou prestação de serviços. FORMAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE FLORESTAS Gastos no plantio e manutenção de florestas devem ser incorporados ao valor desse ativo, descabendo, portanto, computá-los como despesa. EXTRAÇÃO Os serviços necessários à extração da matéria-prima empregada no processo produtivo enquadram-se no conceito de insumo, para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social não-cumulativos. Consequentemente, os gastos incorridos com tais serviços devem ser computados para efeito de cálculo das contribuições. FRETES E COMBUSTÍVEIS Apenas os fretes incorridos e o combustível comprovadamente gastos no transporte dos insumos e dos produtos em industrialização incorporam-se ao custo dos mesmos e devem ser considerados para efeito de cálculo. SERVIÇOS ATRELADOS À MANUTENÇÃO DO PARQUE FABRIL Despesas com serviços de manutenção, que só atingem o processo produtivo indiretamente, não se incluem no rol dos dispêndios capazes de gerar crédito, independentemente da possibilidade de serem contabilizadas como custo.
A legislação de regência exige que se demonstre a vinculação direta entre o
dispêndio e o processo produtivo.
CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO.
Por expressa determinação legal, os créditos da Cofins e da contribuição para
o PIS/Pasep nãocumulativas,
apurados quando da aquisição de produtos e
serviços que serviram de insumo de produto exportado não estão sujeitos à
correção pela taxa Selic.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3102-001.270
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, para acolher os créditos calculados sobre gastos com corte, arraste, baldeio, traçamento e transporte da madeira, incorridos quando da sua extração. Vencidos os conselheiros: a)Nanci Gama, que também acolhia os créditos calculados em razão dos gastos na formação e manutenção de florestas, na manutenção do parque fabril, além da correção monetária a partir da apresentação da PER/Dcomp; b) Álvaro Almeida Filho, que também acolhia os créditos calculados em razão dos gastos na formação e manutenção de florestas e na manutenção do parque fabril; e c) Luciano Pontes de Maya Gomes, que também acolhia a correção monetária a partir da apresentação da PER/Dcomp.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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DELIMITAÇÃO DO CONCEITO Para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que onere a atividade da econômica, mas tão somente os que sejam diretamente empregados na produção de bens ou prestação de serviços. FORMAÇÃO E CONSERVAÇÃO DE FLORESTAS Gastos no plantio e manutenção de florestas devem ser incorporados ao valor desse ativo, descabendo, portanto, computálos como despesa. EXTRAÇÃO Os serviços necessários à extração da matériaprima empregada no processo produtivo enquadramse no conceito de insumo, para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social nãocumulativos. Consequentemente, os gastos incorridos com tais serviços devem ser computados para efeito de cálculo das contribuições. FRETES E COMBUSTÍVEIS Apenas os fretes incorridos e o combustível comprovadamente gastos no transporte dos insumos e dos produtos em industrialização incorporamse ao custo dos mesmos e devem ser considerados para efeito de cálculo. SERVIÇOS ATRELADOS À MANUTENÇÃO DO PARQUE FABRIL Despesas com serviços de manutenção, que só atingem o processo produtivo indiretamente, não se incluem no rol dos dispêndios capazes de gerar crédito, independentemente da possibilidade de serem contabilizadas como custo. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000141/200514 Acórdão n.º 310201.270 S3C1T2 Fl. 431 2 A legislação de regência exige que se demonstre a vinculação direta entre o dispêndio e o processo produtivo. CORREÇÃO MONETÁRIA. VEDAÇÃO. Por expressa determinação legal, os créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativas, apurados quando da aquisição de produtos e serviços que serviram de insumo de produto exportado não estão sujeitos à correção pela taxa Selic. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, para acolher os créditos calculados sobre gastos com corte, arraste, baldeio, traçamento e transporte da madeira, incorridos quando da sua extração. Vencidos os conselheiros: a)Nanci Gama, que também acolhia os créditos calculados em razão dos gastos na formação e manutenção de florestas, na manutenção do parque fabril, além da correção monetária a partir da apresentação da PER/Dcomp; b) Álvaro Almeida Filho, que também acolhia os créditos calculados em razão dos gastos na formação e manutenção de florestas e na manutenção do parque fabril; e c) Luciano Pontes de Maya Gomes, que também acolhia a correção monetária a partir da apresentação da PER/Dcomp. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Álvaro Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: O presente processo trata sobre pedido de ressarcimento de Cofins no valor de R$ 3.603.072,68, resultado da diferença entre R$ 4.422.995,02 (suposto crédito) e R$ 819.922,34 (alegado débito), conforme fls. 234, referente ao 3° trimestre de 2005. 2. Ao analisar tal pretensão, a Delegacia de origem, no uso de sua competência regulamentar, proferiu despacho decisório (fls. 251/267), no qual deferiu parcialmente o pleito do contribuinte. 3. O sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade (fls. 296312), contra a decisão retrocitada, alegando, em suma: (a) No mérito, considerou que o referido Despacho Decisório negou vigência ao princípio da nãocumulatividade do PIS, entendendoo como um benefício fiscal. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000141/200514 Acórdão n.º 310201.270 S3C1T2 Fl. 432 3 (b) Tal resistência do Fisco é absolutamente desarrazoada, não só em virtude de uma interpretação sistemática da Lei n° 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003, como também pela disposição contida no artigo 195, § 12, da Constituição Federal, que delimita toda e qualquer dúvida sobre o princípio da não cumulatividade aplicável de forma ampla e irrestrita à contribuição em tela. (c) A decisão ora impugnada desconsiderou o direito da defendente ao aproveitamento do crédito do PIS calculados sobre serviços de transporte, tais como a contratação do frete relacionada à comercialização da produção da pasta de celulose, bem como a prestação de serviços contratados para a manutenção de seu parque fabril. (d) A DISIT da 2ª Região Fiscal da Secretaria da Receita Federal já se posicionou em favor do creditamento do frete na operação de venda, consoante Solução de Consulta n° 01, de 13/01/2004. (e) Tem direito ao crédito da Cofins sobre os valores de insumos empregados na produção da sua própria matériaprima, destinada a produção de celulose, de acordo com o previsto na Lei n. 10.833/2003 e parágrafo 12 do art. 195 da CF. (f) Seu processo produtivo, que tem como produto final a pasta química de madeira, conhecida como celulose, dividese em três etapas, através das quais verticalizou a produção, por estratégia de mercado: a primeira etapa consiste na produção da madeira em suas áreas de reflorestamento; a segunda no corte das árvores e preparação das mesmas para a extração da celulose (onde são descascadas, picadas e transformadas em cavacos) e a terceira etapa consiste no cozimento dos cavacos em soluções alcalinas de onde se obtém a fibra celulósica. Esclarece que produz produtos químicos consumidos e reaproveita resíduos obtidos no processo. (g) Entende que os custos advindos do emprego de bens e de serviços na sua atividade florestal enquadramse no conceito de insumos para a produção da pasta química de madeira (celulose) , comercializada pela defendente, devendo, portanto, ser admitidos como passíveis de creditamento na apuração da Cofins. (h) Se a defendente adquirisse a madeira de terceiros não teria havido questionamento e o benefício seria admissível, o que seria uma violação ao princípio da igualdade. Tal entendimento não se encontraria presente na Lei n. 10.833/2003, que previria em seu art. 3° a possibilidade de se creditar todos os bens e serviços utilizados desde o início do processo produtivo ou de fabricação. (i) Já com relação aos créditos apurados sobre os custos da prestação de serviços da manutenção do parque fabril da Defendente, restaria claro que sem a realização de tal manutenção as atividades relacionadas à produção de celulose Fl. 474DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000141/200514 Acórdão n.º 310201.270 S3C1T2 Fl. 433 4 ficariam seriamente prejudicadas, razão pela qual tais crédito deveriam ser reconhecidos. (j) Sobre o crédito relacionado ao presente processo administrativo deveria ser aplicada a taxa Selic desde a data da apresentação do respectivo pedido de ressarcimento, conforme art. 39, § 4°, da Lei n. 9.250/95 e entendimento da CSRF, do Conselho de Contribuintes. Entendimento contrário ofenderia o princípio da isonomia, tendose em vista que a SRF faz uso de tal taxa para a atualização de seus créditos. 2. Em 15/02/2008, esta Turma da Delegacia de Julgamento converteu o julgamento em diligência (fls. 326/328), para as seguintes providências da Delegacia de origem: a) DAR CIÊNCIA ao sujeito passivo do presente “despacho para diligência”. b) CALCULAR os créditos para ressarcimento da contribuição relativos a fretes pagos na operação de venda de celulose, quando o ônus for suportado pelo próprio contribuinte e desde que pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, na forma dos artigos 3° (inciso IX) e 93 da Lei n° 10.833/2003 (com redação dada pela Lei nº 11.051/2004), INTIMANDO o contribuinte para apresentar a comprovação necessária à realização desta diligência. Ao final dos cálculos, PRODUZIR parecer conclusivo, mencionando todos o(s) crédito(s) do contribuinte e o(s) débito(s) compensado(s). c) DAR CIÊNCIA ao sujeito passivo do parecer conclusivo e da memória de cálculo elaborados de acordo com o item “b” supra, CONCEDENDOLHE o prazo de 30 (trinta) dias, a contar da data de ciência da intimação, para manifestarse exclusivamente sobre os créditos relativos ao frete (elaborado conforme item “b”, supra) e sobre eventuais novos elementos ingressados no processo após a manifestação de inconformidade. d) ENCAMINHAR os presentes autos a esta DRJ para prosseguimento do julgamento administrativo. 3. Em resposta, a unidade de origem anexou as fls. 332/333 e 338/345. Consta ainda manifestação do contribuinte, em 07/07/2008, nas fls. 334/338, na qual informou sobre o Acórdão n° 20181.144 Em tal julgado, a Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuinte acolheu parcialmente recurso do sujeito passivo em outro processo. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pelo deferimento parcial do pedido de compensação, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 Fl. 475DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000141/200514 Acórdão n.º 310201.270 S3C1T2 Fl. 434 5 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. É vedada, em dado processo administrativo, a extensão dos efeitos de outras decisões, por não se constituírem em normas complementares do Direito Tributário. Isso porque foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribua eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional, salvo na hipótese de edição de súmula administrativa, na forma do artigo 26A do Decreto 70.235/1972, incluído pela Lei nº 11.196/2005. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 COFINS NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITO. Somente podem gerar créditos da Contribuição as despesas com matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. COFINS NÃOCUMULATIVA. FRETE. CRÉDITO. OPERAÇÃO DE VENDA. ÔNUS DO VENDEDOR. Do valor apurado da contribuição para a Cofins ou o PIS/Pasep, poderá, a partir de 1º de fevereiro de 2004, ser descontado o crédito calculado em relação ao frete contratado na operação de venda, desde que o ônus tenha sido suportado pelo vendedor e pago à pessoa jurídica domiciliada no País. JUROS COMPENSATÓRIOS. RESSARCIMENTO. Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a autuada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa. Posteriormente, apresentou o sujeito passivo pedido de desistência parcial do recurso, informando que abre mão de discutir as glosas relativas aos insumos empregados na geração de energia elétrica e tratamento e captação de água distribuídas para moradores de comunidade vizinha de seu estabelecimento fabril. É o Relatório. Voto Fl. 476DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000141/200514 Acórdão n.º 310201.270 S3C1T2 Fl. 435 6 Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção 1 Preliminarmente Demarcação do Litígio Não há questão preliminar a ser enfrentada. Antes de passar à análise dos fundamentos do recurso, entendo prudente demarcar a matéria litigiosa. No mérito, a discussão limitase à possibilidade de apuração de créditos quando das seguintes despesas: a) produtos e serviços empregados na pesquisa, plantio, manutenção e extração de florestas; b) fretes e movimentação de insumos; c) combustível empregado na frota; d) outros produtos e serviços empregados na manutenção do parque fabril; Pleiteiase, ainda a correção dos créditos mediante a aplicação da taxa Selic, a partir da apresentação de Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). 2 Mérito 2.1 Regime Probatório Antes de passar à análise do mérito, entendo que é importante registrar a opinião deste relator no sentido de que a nãocumulatividade, diferentemente do que se tem corriqueiramente alegado, não representa um benefício. Entretanto, independentemente da aplicabilidade dos comandos do CTN afetos à hermenêutica dos dispositivos legais, no caso o art. 1111 ou da repartição do ônus da prova, no caso o art. 1792, não se pode olvidar que a apuração de créditos é um redutor do imposto a pagar e, como tal, uma circunstância impeditiva da formação da obrigação tributária. Consequentemente, nos litígios que envolvem essa matéria não se pode olvidar do comando do art. 333, do Código de Processo Civil3, aplicado subsidiariamente. 1 Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. 2 Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. 3 Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 477DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000141/200514 Acórdão n.º 310201.270 S3C1T2 Fl. 436 7 Analisando tal distribuição, concluiu o professor Hugo de Brito Machado4 No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado) Assim sendo, não vejo como atribuir exclusivamente ao fisco o dever de buscar elementos que infirmem as alegações do sujeito passivo. Cabe a este último, a meu ver, o dever de trazer ao processo os elementos que respaldem seu pleito. 2.2 Conceito de Insumo Outro ponto que merece ser demarcado preambularmente é a opinião deste relator acerca do conceito de insumo, para efeito de apuração de créditos do PIS e da Cofins não cumulativos. Como já tive oportunidade de me manifestar anteriormente, entendo que esse conceito não segue o mesmo viés que norteia a apuração de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados. Neste, privilegiase o critério físico, no caso do PIS e da Cofins, o da pertinência (ou inerência, se tomado o conceito doutrinário fixado no parecer juntado aos autos). Com efeito, a tributação pelo IPI, tem como fato gerador, regra geral, a saída do produto industrializado. Nada mais coerente, portanto, do que avaliar a qualificação do dispêndio (como insumo) em razão da sua relação com aquele produto. Lembrar, nessa senda, o que dizia o art. 164 do Regulamento do IPI vigente à época dos fatos litigiosos5 e que repete a redação de regulamentos anteriores e é repetida pelo que lhe sucedeu:. II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. 4 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. 5 Aprovado pelo Decreto nº 4.544, de 26/12/2002 Fl. 478DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000141/200514 Acórdão n.º 310201.270 S3C1T2 Fl. 437 8 Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo se, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; De se destacar, ademais, que a exegese desse dispositivo, tanto no âmbito do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, quanto do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, sempre levou em consideração as orientações do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979 10.1 Como o texto fala em ‘incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários’, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários ‘stricto sensu’, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. Por outro lado, quando se trata das contribuição para o PIS e a Cofins não cumulativas, incidentes sobre o faturamento, coerentemente, a meu ver, o legislador ampliou o universo dos dispêndios classificáveis como insumo, conforme se extrai do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, que repete a redação do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Como é possível perceber, de acordo com a legislação de regência, a relação do bem com o processo produtivo não seria medida exclusivamente em razão do produto, mas do processo produtivo como um todo. Evidentemente, isso não significa equiparar a insumo, para efeito de cálculo dos créditos de PIS e Cofins, toda e qualquer despesa ou custo inerente à atividade econômica, nem muito menos estender, por analogia, os conceitos fixados pela legislação que rege a apuração do Lucro Real, no caso, os artigos 249 e 250 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3000, de 1999. Com efeito, tal e qual se verifica com relação ao Imposto sobre Produtos Industrializados, tratase de fato gerador diverso (auferir lucro) e de base de cálculo formada sob uma sistemática igualmente diversa. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000141/200514 Acórdão n.º 310201.270 S3C1T2 Fl. 438 9 Ademais, pedindo vênia ao sujeito passivo, registro minha opinião no sentido de que o texto do já transcrito art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, não dá margem para que se considere a “essencialidade” por si só como critério para a classificação do gasto como insumo. Mais uma vez, reafirmese, o dispositivo legal privilegia a relação de pertinência com o processo produtivo, não fazendo menção, salvo engano, à essencialidade do gasto. Nessa linha, entendo ser perfeitamente possível que determinado gasto, por alguma circunstância extrínseca ao processo produtivo, seja considerado essencial, mas que por não estar diretamente ligado àquele processo, não possa ser considerado insumo. Outro ponto sobre o qual não posso deixar de me manifestar é a interpretação fixada nos acórdãos do Segundo Conselho de Contribuintes e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais trazidos ao processo. Mesmo reconhecendo a excelência do colegiado responsável, peço vênia para discordar da exegese assentada em tais manifestações, pois entendo que o § 3º do art. 5º da Lei nº 10.833, de 20036 não autoriza a apuração de créditos a partir de toda e qualquer dispêndio vinculado à receita de exportação. Confirase, preambularmente, a redação do dispositivo: § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. Em uma leitura isolada, poderseia concluir que o comando ampliou o rol de despesas passíveis de gerar direito a crédito: ao invés de limitálos aos bens e serviços empregados no processo produtivo, passara a admitir que toda e qualquer despesa vinculada à exportação conferisse tal direito. Ocorre que, a meu ver, esse parágrafo não pode interpretado sem levar em consideração os demais parágrafos do mesmo art. 5º, em especial do 1º e do 2º, assim redigidos (original não destacado): § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas 6 Igualmente aplicável ao cálculo do PIS/Pasep por força do comando inserido no art. 15 da mesma lei. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000141/200514 Acórdão n.º 310201.270 S3C1T2 Fl. 439 10 previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Como é possível concluir, a apuração dos créditos aptos a usufruir do tratamento diferenciado conferido a empresas exportadoras, diferentemente do que se cogitou, deve ser realizada segundo os moldes do art. 3º da mesma Lei nº 10.833, de 2003, observando se, consequentemente, o critério fixado no já transcrito inciso II desse mesmo artigo. Finalmente, no que se refere a máquinas e equipamentos incorporados ao ativo permanente, o valor do crédito será apurado mediante aplicação das alíquotas da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os encargos de depreciação e amortização, conforme consignado no §1º, III do mesmo art. 3º: § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no art. 2º sobre o valor: (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; Em suma, para efeito da discussão que povoa o presente litígio, somente são passíveis de gerar crédito os bens e serviços utilizados no processo de fabricação e, no caso dos bens do ativo imobilizado, os valores de depreciação e amortização. Feitas tais considerações, passase à análise higidez das glosas alvo de litígio. 2.3 Formação e Manutenção de Florestas Com a devida licença, penso que não há como reconhecer os gastos em questão como custo ou despesa, para efeito de cálculo do crédito do PIS e da Cofins não cumulativos. De fato, apesar de não concordar com a premissa de que os gastos na formação e manutenção de floresta estejam dissociados ao processo produtivo, não vejo como considerar esses gastos como despesa ou custo, na medida em que os mesmos se incorporam ao valor daquelas florestas, contabilmente classificadas no ativo imobilizado, nos termos do art. 183, V da Lei nº 6.404, de 1976: Art. 183 No balanço, os elementos do ativo serão avaliados segundo os seguintes critérios: (...) V os direitos classificados no imobilizado, pelo custo de aquisição, deduzido do saldo da respectiva conta de depreciação, amortização ou exaustão; Por outro lado, o § 2º, “c”, do mesmo art. 183 deixa claro que os valores investidos em tal ativo devem ser alvo de exaustão, na medida em que o bem seja explorado (original não destacado): § 2º A diminuição de valor dos elementos do ativo imobilizado será registrada periodicamente nas contas de: Fl. 481DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000141/200514 Acórdão n.º 310201.270 S3C1T2 Fl. 440 11 (...) c) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração, de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. Ora, se representam um bem do ativo imobilizado, o valor da sua aquisição ou produção jamais será computado como despesa ou custo. Relembro o comando do no §1º, III do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Ou seja, tratandose de floresta, o custo a ser considerado é o valor da exaustão, calculada sobre o valor contábil do bem. Destaco, ainda, que eventual resistência do Fisco em admitir que se apurem créditos de PIS e Cofins a partir de tais custos, matéria estranha ao presente litígio, esclareça se, a meu ver, não desvirtua a natureza desses gastos. Assim, dispêndios que agreguem valor a determinado bem do ativo imobilizado, salvo expressa disposição legal em contrário, não representam um custo, mais um investimento, independentemente do tratamento tributário que posteriormente vier a ser conferido ao desgaste do bem. 2.4 Serviços Atrelados à Extração de Florestas Com base no que já foi debatido anteriormente, não vejo como rejeitar os créditos relativos aos serviços de corte, arraste, baldeio, traçamento, transporte e manuseio da madeira. Com efeito, tratandose de serviços atrelados aos produtos que servirão de matériaprima, seu emprego direto no processo produtivo da recorrente é inegável. Satisfeita tal condição, consequentemente, há que se reconhecer o direito ao crédito, nos termos do art. 3º, II, das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Por outro lado, a norma não dá margem para desconsiderar os gastos incorridos em etapa da produção que antecede a industrialização do produto. Basta fazer uma leitura isolada do dispositivo para concluir que se admitem créditos inerentes a insumos utilizados na produção (qualquer que seja o processo) e na industrialização. Ademais, no que se refere aos gastos com o transporte de insumos, já se manifestou o Fisco, por meio da Solução de Consulta nº 210 SRRF/8ª RF, de 25 de junho de 2009 (D.O. U: de 07/07/2009 (original não destacado): Geram direito a créditos da Cofins apurada em regime não cumulativo os dispêndios com combustíveis e lubrificantes utilizados ou consumidos no processo de produção de bens e serviços, os dispêndios com a energia elétrica consumida estabelecimentos da pessoa jurídica, os dispêndios com armazenagem de mercadoria e os dispêndios com o frete pago na aquisição de insumos. O transporte de bens entre os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica, desde que estejam estes em fase de industrialização, também enseja apuração de créditos da Cofins. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000141/200514 Acórdão n.º 310201.270 S3C1T2 Fl. 441 12 Nessa ordem de consideração, acato os gastos incorridos com corte, arrasto, baldeio, taçamento mecanizado, transporte, desdobramento, desgalhamento, manuseio, carga e descarga da madeira. 2.5 Combustível Empregado na Frota Própria. Na esteira do que exposto quando da análise do conceito de insumo, após compulsar os autos, em especial as planilhas onde são descritas as despesas com a aquisição de combustível, vêse que aquelas que se referem ao processo produtivo (óleo tipo BPF e para a Casa de Força), já foram aceitas pela Autoridade de Jurisdição. Restaria enfrentar, assim, a possibilidade de se apurar créditos quando da aquisição de combustíveis para a frota de veículos da recorrente. Como destacado anteriormente, os custos relativos à movimentação dos produtos em elaboração, que englobam, evidentemente, os combustíveis empregados na frota do contribuinte, em princípio, inseremse no rol dos insumos capazes de gerar crédito. Em sentido diverso, tal tratamento não se estende aos combustíveis empregados em atividade diversa, como, por exemplo, o transporte de empregados ou de produtos industrializados entre estabelecimentos. Justamente em razão desse tratamento diferenciado em razão do emprego é que a apuração dos créditos não pode prescindir de uma escrituração que permita identificar o uso dado ao combustível. Assim, na medida em que não foi trazido ao processo qualquer elemento que demonstre qual foi o valor incorrido ou o quantitativo empregado como insumo e quais são utilizados em veículos que, se observado o texto da lei, não seriam utilizados em tal finalidade, não vejo como reconhecer os créditos atrelados à aquisição de combustíveis para a frota. 2.6 Manutenção do Parque Fabril Com a devida vênia, não vejo como considerar que a manutenção do parque fabril, independentemente da sua relevância para o exercício da atividade econômica, possa se inserir no conceito de insumo, para efeito de cálculo da contribuição alvo de discussão. Mais uma vez, há que se relembrar a delimitação imposta pelo inciso II do art. 3º: o crédito se limita aos bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos. Assim, na esteira do que já foi abordado anteriormente, não vejo como considerar as despesas com manutenção, que só atingem o processo produtivo indiretamente, no rol dos dispêndios capazes de gerar crédito, independentemente da possibilidade de serem contabilizadas como custo indireto. Caberia demonstrar, imagino, que as despesas rotuladas como de manutenção do parque, teriam relação direta com o processo produtivo da recorrente. 2.7 Taxa Selic. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000141/200514 Acórdão n.º 310201.270 S3C1T2 Fl. 442 13 Busca a contribuinte, finalmente, a correção monetária dos créditos a partir da data da formulação do pedido objeto do presente litígio, onde é pleiteado, relembrese, o ressarcimento do saldo credor remanescente àquele utilizado nos termos do § 1º do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, onde se lê: Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Com efeito, o § 2º do mesmo art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, prevê expressamente tal possibilidade: § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Ocorre que, em pese a alegada violação aos princípios constitucionais expostos com maestria no parecer acostado ao processo, não vejo como, em nome de tais princípios, reconhecer a correção pleiteada. Para tanto, seria necessário afastar a proibição expressa gizada no art. 13 da mesma Lei nº 10.833, de 2003, onde se lê (original não destacado): Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Não vejo, outrossim, como aplicar no presente julgamento a interpretação assentada no REsp nº 1.035.847 / RS, julgado em sede de “Recurso Repetitivo”, disciplinado pelo art. 543C do Código de Processo Civil. Com efeito, como é cediço, por força no art. 62A do Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais7, este Colegiado deve reproduzir as decisões proferidas pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça. 7 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10247.000141/200514 Acórdão n.º 310201.270 S3C1T2 Fl. 443 14 Entretanto, a matéria ali debatida, esclareçase, é a aplicação da correção monetária sobre créditos do IPI, apurados nos termos da Lei nº 9.363, de 1996, diploma que, sabidamente, não previu a incidência da Selic, mas também não proibiu tal incidência. Assim sendo, tratandose de arcabouço jurídico diverso, não vejo como reproduzir as conclusões daquela egrégia corte. 3 Conclusão Com essas considerações, dou parcial provimento ao recurso voluntário para acolher os créditos calculados sobre gastos com corte, arraste, baldeio, traçamento, transporte e manuseio da madeira, incorridos quando da sua extração Sala das Sessões, em 11 de novembro de 2011 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 485DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 2 9/08/2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10680.002267/2001-72
Data da sessão: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2007
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA – PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO. Em sede de recuso interposto com base no artigo 9º , II, do Regimento Interno da CSRF, não se abre a via especial quando não provada a existência de divergência quanto à interpretação de dispositivo legal.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: CSRF/02-02.627
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
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Numero do processo: 10925.003513/2007-89
Data da sessão: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS FAVORECIDOS PELA ALÍQUOTA-ZERO, NÃO-TRIBUTAÇÃO E ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Consoante jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, não há direito à utilização de créditos do IPI na aquisição de insumos não-tributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero, por ausência de previsão legal para tanto.
Numero da decisão: 3101-001.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres - Presidente. Corintho Oliveira Machado - Relator. EDITADO EM: 08/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado. Ausente a Conselheira Vanessa Albuquerque Valente.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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AQUISIÇÃO DE INSUMOS FAVORECIDOS PELA ALÍQUOTAZERO, NÃOTRIBUTAÇÃO E ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Consoante jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, não há direito à utilização de créditos do IPI na aquisição de insumos nãotributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero, por ausência de previsão legal para tanto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Corintho Oliveira Machado Relator. EDITADO EM: 08/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro e Corintho Oliveira Machado. Ausente a Conselheira Vanessa Albuquerque Valente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 35 13 /2 00 7- 89 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 2 Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeiro grau até aquela fase: O contribuinte em epígrafe pediu o ressarcimento do saldo credor do IPI, relativo ao período em destaque. O pleito foi indeferido porque a fiscalização constatou que na composição do saldo credor constavam créditos calculados sobre a aquisição de insumos não onerados pelo IPI, sem base legal ou ordem judicial que respaldasse a pretensão do interessado. Tempestivamente, o contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que seus créditos estariam garantidos constitucionalmente, conforme julgados que cita. A DRJ em RIBEIRÃO PRETO/SP indeferiu a solicitação, ficando a ementa do acórdão com a seguinte dicção: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/01/2004 a 31/03/2004 DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. Solicitação Indeferida. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, onde ataca a decisão de primeiro grau, diz que a sistemática de tributação do IPI não está de acordo com a Constituição da República/88, aponta diferenças constitucionais entre o IPI e o ICMS (para o qual existe impeditivo constitucional de creditamento nas hipóteses que aqui se cuida) e requer o reconhecimento do direito creditório. Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação do órgão julgador de segundo grau. Relatados, passo a votar. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10925.003513/200789 Acórdão n.º 3101001.224 S3C1T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A matéria destes autos é iterativa nas lides tributárias, tanto no plano judicial como no administrativo. Na esfera do Judiciário, hodiernamente, pacificouse no Supremo Tribunal Federal posição contrária aos anseios da recorrente, como se pode verificar nos arestos abaixo: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS FAVORECIDOS PELA ALÍQUOTAZERO, NÃOTRIBUTAÇÃO E ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é no sentido de que não há direito à utilização de créditos do IPI na aquisição de insumos nãotributados, isentos ou sujeitos à alíquota zero. Precedentes. 2. Agravo regimental desprovido. RE 508708 AgR/RS Rio Grande do Sul; Ag. Reg. no Recurso Extraordinário; Relator: Min. Ayres Britto; Julgamento: 04/10/2011; Órgão Julgador: Segunda Turma; DJe230 Divulg 02122011 Public 05122011 EMENTA: IPI – CRÉDITO. A regra constitucional direciona ao crédito do valor cobrado na operação anterior. IPI – CRÉDITO – INSUMO ISENTO. Em decorrência do sistema tributário constitucional, o instituto da isenção não gera, por si só, direito a crédito. IPI – CRÉDITO – DIFERENÇA – INSUMO – ALÍQUOTA. A prática de alíquota menor – para alguns, passível de ser rotulada como isenção parcial – não gera o direito a diferença de crédito, considerada a do produto final. RE 566819/RS Rio Grande do Sul; Relator: Min. Marco Aurélio; Julgamento: 29/09/2010; Órgão Julgador: Tribunal Pleno Fl. 103DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S 4 EMENTA: Recurso extraordinário. Tributário. 2. IPI. Crédito Presumido. Insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da nãocumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 4. Recurso extraordinário provido. RE 370682 ED/SC Santa Catarina; Relator: Min. Gilmar Mendes; Julgamento: 06/10/2010; Órgão Julgador: Tribunal Pleno IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI DIREITO A CRÉDITO INSUMOS SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO E NÃO TRIBUTADOS INVIABILIDADE PRECEDENTES DO PLENÁRIO. O Pleno, apreciando os Recursos Extraordinários nºs 353.657 5/PR e 370.6829/SC, concluiu pela inviabilidade de o contribuinte creditar valor a título de IPI na aquisição de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero, considerada a circunstância de implicar ofensa ao alcance constitucional do princípio da nãocumulatividade, preceituado no inciso II do § 3º do artigo 153 do Diploma Maior. (...) RE 379264 AgR/PR Paraná; Ag. Reg. no Recurso Extraordinário; Relator: Min. Marco Aurélio; Julgamento: 23/09/2008; Órgão Julgador: Primeira Turma; DJe227 Divulg 27112008 Public 28112008 É bem verdade que o assunto creditamento de IPI pela aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero ainda serve de pano de fundo para discussão no Pretório Excelso, com repercussão geral, acerca da possibilidade de ação rescisória desconstituir julgado com base em nova orientação da Corte Suprema (RE 590809); todavia, essa discussão de cunho notadamente processual, pelo menos por ora, não tem maiores implicações neste expediente, porquanto não conta com mandado de sobrestamento. No âmbito administrativo, ainda cumpre apontar a edição da Súmula CARF nº 18 A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI, que também é desfavorável à parte da pretensão da recorrente. Posto isso, voto por DESPROVER o recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Sala das Sessões, em 23 de agosto de 2012. CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Fl. 104DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S Processo nº 10925.003513/200789 Acórdão n.º 3101001.224 S3C1T1 Fl. 4 5 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 10/09 /2012 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRE S
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Numero do processo: 13227.720003/2007-35
Data da sessão: Fri Jul 31 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Jul 31 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996: autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo.
ÔNUS DA PROVA.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.
MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada, independentemente da apresentação da Declaração de Ajuste Anual e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2102-000.258
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara
da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARGIAL ao recurso, para reduzir a multa de oficio de 150% para 75%, nos term. do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Núbia Matos Moura
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996: autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada, independentemente da apresentação da Declaração de Ajuste Anual e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada. Recurso parcialmente provido.
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LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996: autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. MULTA QUALIFICADA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A apuração de depósitos bancários em contas de titularidade do contribuinte cuja origem não foi justificada, independentemente da apresentação da Declaração de Ajuste Anual e do montante movimentado, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Co - • . dministrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em DAR provi .- - to PARGIAL ao recurso, para reduzir a multa de oficio de 150% para 75%, nos term. do voto/ia Re :tora. / G IOVAN H RISTIANf .jsj," PO il Alir / .44, i Processo n°13227.720003/2007-35 52-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.258 Fl. 323 Presidente -44,201 NUBIA MATOS MOURA Relatora FORMALIZADO EM: 2 '1 AGO 2009 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Rubens Mauricio Carvalho, Vanessa Pqçeira Rodrigues Domene. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Sidney Ferro Barros. Relatório CARLA RODRIGUES SCHOCK, já qualificada nos autos, inconformada com a decisão de primeiro grau, prolatada pelos Membros da 2' Turma da Delegada da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA, mediante Acórdão DRJ/BEL n° 01-8.489, de 18/06/2007, fls. 287/292, recorre a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário, fls. 297/306. Mediante Auto de Infração, fls. 117/122, formalizou-se exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (1RPF), no valor total de R$586.396,73, incluindo multa de oficio qualificada e juros de mora, estes últimos calculados até 29/12/2006. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Verificação de Infração, fls. 104/109, foi omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. A multa de oficio foi aplicada na sua forma qualificada por entender a autoridade fiscal que a falta de apresentação da Declaração de Ajuste Anual (DAA) revela a intenção da contribuinte em impedir o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador do imposto de renda. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação, fls. 135/144, que foi devidamente apreciada pela autoridade julgadora de primeira instância, conforme Acórdão DRJ/BEL n° 01-8.489, de 18/06/2007, fls. 287/292. Naquela oportunidade, decidiu-se pela procedência do lançamento, por unanimidade de votos. Os fundamentos da decisão recorrida estão consubstanciados nas seguintes ementas: roia 2 Processo no 13227.720003/2007-35 S2-CIT2 Acórdão n.° 2102-00.258 Fl. 324 TRIBUTAÇÃO. PATRIMÓNIO. RENDIMENTO. Quando o artigo 42 da Lei n.° 9.430/1996 determina que o depósito bancário não comprovado caracteriza omissão de receita, não se está tributando o depósito bancário, e sim o rendimento presumivelmente auferido, ou seja, a disponibilidade econômica a que se refere o artigo 43 do CTN. O efeito da presunção é que, a partir de um fato indiciário, chega-se a um fato que se quer provar a ocorrência. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional (C77V). ENTENDIMENTO DOMINANTE DOS TRIBUNAIS SUPERIORES. VINCULA ÇÃO ADMINISTRATIVA. A autoridade julgadora administrativa não se encontra vinculada ao entendimento dos Tribunais Superiores pois não faz parte da legislação tributária de que fala o art. 96 do Código Tributário Nacional, desde que não se traduzam em súmula vinculante nos termos da Emenda Constitucional n° 45, DOU de 31/12/2004. Cientificada da decisão de primeira instância, por via postal, em 23/07/2007, Aviso de Recebimento — AR, fls. 296, a contribuinte apresentou, em 17/08/2007, Recurso Voluntário, fls. 297/306, trazendo as seguintes alegações: Depósitos bancários, por si só, não autorizam o lançamento efetuado, já que não constituem fato gerador do imposto de renda, haja vista não caracterizar disponibilidade de renda e proventos, não podendo, por conseqüência, caracterizar sinais exteriores de riqueza. É imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida. Ao contrário do que afirma a decisão recorrida, a autoridade fiscal não levou em consideração os empréstimos obtidos pela contribuinte no ano-calendário examinado. No Termo de Verificação — Relação dos Depósitos — verifica-se que foram levados à tributação créditos, cujo histórico é "descontos de cheques", que nada mais são do que empréstimos. É o Relatório. Voto Conselheira NUBLA MATOS MOURA, Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. 471 3 Processo n° 13227.720003/2007-35 S2-CIT2 Acórdão n.° 2102-00.258 Fl. 325 Cuida o Auto de Infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de valores cuja origem não foi comprovada e o lançamento foi realizado sob a égide do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, com as alterações posteriores introduzidas pelos arts. 4° da Lei n° 9.481, de 13 de agosto de 1997 e 58 da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Oportuno se faz um rápido histórico da legislação vigente sobre a tributação de depósitos bancários, com o objetivo de se aclarar a evolução do ordenamento jurídico que regeu, e rege, a matéria tributária objeto do presente lançamento. A Lei n°8.021, de 14 de abril de 1990, determinou: Art. 60 O lançamento de oficio, além dos casos já especcados em lei, far-se-á arbitrando-se os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. §5° O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 6° Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte. À vista de tais regras tem-se que os rendimentos omitidos poderiam ser arbitrados com base nos sinais exteriores de riqueza, caracterizados por gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. A omissão poderia, ainda, ser presumida no valor dos depósitos bancários injustificados, desde que apurados os citados dispêndios e que este fosse o critério de arbitramento mais benéfico ao contribuinte. A partir de 1997, entretanto, o assunto em tela passou a ter um disciplinamento diferente daquele previsto na Lei n° 8.021, de 1990: foi promulgada a Lei n° 9.430, de 1996, que se aplica aos fatos geradores Muros ou pendentes ocorridos a partir de 01/01/1997: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (.) Art. 88. Revogam-se: (.) XVIII— o 15° do art. 6" da Lei n,° 8,021, de 12 de abril de 1990. Desta forma, o legislador estabeleceu, a partir da referida data, uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a origem dos 44 Processo n° 13227.720003/2007-35 52-C1 T2 Acórdão n.° 2102-00.258 Fl. 326 créditos efetuados em sua conta bancária, tem-se a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. Há a inversão do ónus da prova, característica das presunções legais — o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. Assim, o legislador substituiu uma presunção por outra, as duas relativas ao lançamento do rendimento omitido com base nos depósitos bancários, porém diversas nas condições para sua aplicação: a da Lei n° 8.021, de 1990, condicionava-se à falta de comprovação da origem dos recursos à demonstração dos sinais exteriores de riqueza e que fosse este o critério mais benéfico ao contribuinte; já a presunção da Lei n°9.430, de 1996, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do fiscalizado, em instituições financeiras. Deste modo, a partir da vigência da Lei n°9.430, de 1996, ficou determinado que se considere, por presunção legal, como omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de oficio, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física, regularmente intimada, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações. Desta forma, não pode prevalecer a a alegação da defesa no sentido de que a infração não poderia prosperar por não restar demonstrada nos autos a utilização dos valores depositados como renda consumida. Vale, ainda, destacar que as ementas de decisões deste Conselho que a defesa fez constar de seu recurso, no que diz respeito aos lançamentos com base em depósitos bancários, se referem à legislação anterior à edição da Lei n° 9.430, de 1996, restando, portanto, inteiramente prejudicada qualquer argumentação com base nas mesmas. No que se refere à comprovação da origem dos depósitos levados à tributação a recorrente afirma que a autoridade fiscal não levou em consideração os empréstimos obtidos pela contribuinte no ano-calendário examinado. Conforme bem esclarecido na decisão recorrida, a autoridade fiscal excluiu da tributação todos os créditos relativos a estornos, devolução de cheques e liberação de empréstimos, de sorte que a alegação da defesa não pode prosperar. Por fim, a contribuinte alega que créditos, cujo histórico é descontos de cheques, nada mais são do que empréstimos, de modo que deveriam ser excluídos da tributação. De fato, o desconto de cheques é uma operação de crédito, na qual a instituição bancária antecipa valores por meio do desconto de cheques pré-datados. Entretanto, a liquidação da operação ocorre automaticamente com a compensação dos cheques no dia do vencimento dos títulos descontados. Destaque-se que a compensação dos cheques não é registrada nos extratos bancários do cliente que efetuou o desconto dos cheques, ou seja, no extrato bancário, o valor dos cheques pré-datados são creditados somente no momento do desconto. Assim, muito embora o desconto de cheques seja uma operação de crédito (empréstimo), os créditos, cujo histórico seja desconto de cheques, não devem ser excluí, 4dos da dfir s Processo n°13227.720003/2007-35 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00158 Fl. 327 tributação, dado que tal histórico, de fato, corresponda a depósito com cheque, que é realizado de forma antecipada. Deste modo, cabendo à contribuinte comprovar a origem dos depósitos bancários efetivados em sua conta-corrente e não o tendo feito no curso da ação fiscal e nem nas fases de impugnação e recurso, conclui-se pela manutenção da infração de omissão de rendimentos, conforme consubstanciada no lançamento. No que se refere a multa de oficio, que foi aplicada em sua forma qualificada, muito embora não tenha sido suscitado pela contribuinte, há de se observar o dispoáto na Súmula n° 14, editada pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, que cristaliza o entendimento de que a simples apuração de omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio: Súmula 1°Ct n° 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Publicada no DOU, Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006). Este é o caso dos autos, dado que a autuação utilizou presunção legal para concluir pela omissão de rendimentos, de sorte que fica ainda mais distante a caracterização do dolo. A presunção legal autoriza que se conclua pela omissão de rendimentos e não pelo "evidente intuito de fraude", a que se reporta o art. 44 da Lei n°9.430, de 1996. Nestes termos, incabível a qualificação da multa de oficio. Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para reduzir o percentual da multa de oficio de 150% para 75%. Sala da Se, õ -, em 31 de julho de 2009. I 4 NUBI s A • OURA 6 Page 1 _0046400.PDF Page 1 _0046500.PDF Page 1 _0046600.PDF Page 1 _0046700.PDF Page 1 _0046800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10120.012528/2008-84
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIOS NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MPF. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento interno de planejamento e controle das atividades de fiscalização. Eventuais falhas nesses procedimentos, por si só, não ensejam a nulidade o lançamento decorrente da ação fiscal.
REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. POSSIBILIDADE. Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos do contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência seja considerada indispensável por autoridade administrativa competente.
PAF. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)
PAF. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. CABIMENTO. A diligência/perícia deve ser determinada pela autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante/recorrente, para o esclarecimento de fatos ou a adoção de providências considerados necessários para a formação de convencimento sobre as matérias em discussão no processo e não para produzir provas de responsabilidade das partes.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracteriza-se como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Preliminares rejeitadas
Recurso negado
Numero da decisão: 2201-002.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, arguida pelo Conselheiro Guilherme Barranco de Souza. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares argüidas pelo recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinatura digital
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente
Assinatura digital
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator
EDITADO EM: 25 de abril de 2013.
Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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VÍCIOS NO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. MPF. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento interno de planejamento e controle das atividades de fiscalização. Eventuais falhas nesses procedimentos, por si só, não ensejam a nulidade o lançamento decorrente da ação fiscal. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. POSSIBILIDADE. Havendo procedimento fiscal em curso, os agentes fiscais tributários poderão requisitar das instituições financeiras registros e informações relativos a contas de depósitos e de investimentos do contribuinte sob fiscalização, sempre que essa providência seja considerada indispensável por autoridade administrativa competente. PAF. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2) PAF. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. CABIMENTO. A diligência/perícia deve ser determinada pela autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante/recorrente, para o esclarecimento de fatos ou a adoção de providências considerados necessários para a formação de convencimento sobre as matérias em discussão no processo e não para produzir provas de responsabilidade das partes. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. Desde 1º de janeiro de 1997, caracterizase como omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Preliminares rejeitadas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 25 28 /2 00 8- 84 Fl. 730DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, arguida pelo Conselheiro Guilherme Barranco de Souza. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares argüidas pelo recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator EDITADO EM: 25 de abril de 2013. Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado). Relatório GERALDO FERREIRA BORGES interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJBRASÍLIA/DF (fls. 284) que julgou procedente em parte lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 30/35, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício de 2006, no valor de R$ 1.710.637,28, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 3.506.464,29. A infração que ensejou o lançamento foi a omissão de rendimentos apurada com base em depósitos bancários sem comprovação de origem, conforme descrição fiscal do auto de infração e termo anexo. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que o procedimento fiscal foi constituído ao arrepio da lei fiscal; que a Autoridade Autuante não tinha poderes para fiscalizar o Contribuinte através do MPF 0120100.200.8002; que os MPF foram criados para que tenha sempre uma identificação do Agente Fiscal e os seus limites, e que dê ao contribuinte uma garantia de realização de forma tranqüila e transparente; que, por ser criado por força de norma positiva, serve o MPF para estabelecer o laço entre o Fisco e o contribuinte, devendo sua prorrogação obedece aos mesmos critérios de sua criação; que não pode o fisco fazer a sua prorrogação sem que o contribuinte tenha sido comunicado; que para que haja a prorrogação deve a haver a comunicação, sendo inconcebível uma prorrogação unilateral, sem o devido conhecimento das partes relacionadas no MPF; que, no caso em tela, houve tãosomente a comunicação inicial da abertura dos trabalhos fiscais, pelo termo de início Fl. 731DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10120.012528/200884 Acórdão n.º 2201002.060 S2C2T1 Fl. 3 3 de ação fiscal recebido em 06/03/2008, cujo MPF foi emitido em 05/02/2008; que como determina o disposto na Portaria n° 3.007/2001 e modificações posteriores, é indispensável a presença válida de um MPF para a confirmação e principalmente aceitação dos atos praticados pela Fiscalização; que no art. 12, I, da referida Portaria, o prazo é de 120 dias para a validade do MPF, a contar de sua emissão; que no caso em tela, ele foi emitido em 05/02/2008. Expirou o seu prazo no mês de junho de 2008; que mesmo considerando o início do prazo na intimação do sujeito passivo, 06/03/2008, este findaria em de 120 dias, em 04/07/2008; que, desta forma, ocorreu a extinção do MPF, o que macula, inteiramente, os atos praticados pela Autoridade Autuante; que não pode o Poder Público, sem o consentimento expresso do contribuinte ou autorização judicial, violar a intimidade das informações bancárias; que tais atos são plenamente nulos; que as provas foram colhidas contra o Impugnante, com requerimento direcionado ao banco, o que torna ilícitas essas provas; que nossos tribunais, de forma a corrigir e coibir tais abusos, chegou a sumular o assunto, a exemplo do TRF, via Súmula 182; que o art. 42 da Lei 9.430/96 surge para o mundo jurídico ao arrepio da legalidade, pois vem em matéria reservada à Constituição, tentar sua modificação via lei Lei Ordinária; que não se pode sequer buscar auxílio no disposto no Art. 5° da Lei Complementar nº 105, pois tal dispositivo já está sendo discutido e questionado no Supremo Tribunal Federal; que a aplicação do disposto na Lei Complementar nº 105 só poderá ocorrer mediante expressa autorização judicial, o que, no caso em tela, ficou completamente à margem da lei; que a freqüente utilização dos famigerados depósitos bancários, mesmo se considerando os valores acima de R$ 1.000,00 (um mil reais), não dá ao Fisco o poder de considerar como sendo receita tributável os valores levados a crédito em conta corrente; que, para tanto, deveria considerar como contrapartida, como despesas, os débitos na mesma conta; que a contabilidade exige e impõe o sistema de partidas dobradas; que é cediço que os custos da atividade nunca são inferiores a 70%, ultrapassando muitas vezes os 80%; que muitos dos depósitos são transferências de uma conta de titularidade do autuado para outra de sua mesma titularidade, como adiante será mostrado e provado, por meio de amostragem; que, assim,é indispensável para a realização de uma perícia, o que requer; que tendo ocorrido agressão ao princípio da capacidade contributiva, ao considerar somente as receitas sem respeitar os débitos como custo, a fiscalização, feriu os ditames constitucionais, maculando de nulidade o lançamento; que o Termo de Intimação Fiscal n° 334/2008 não consta e não descreve qualquer lista ou relação dos depósitos; que não cabe ao contribuinte corrigir os trabalhos da Fiscalização, quanto esta por desídia não junta peça indispensável a sua manifestação; que de igual forma se procede na Intimação de fl. 220, feita ao filho do contribuinte, onde, além de cometer o mesmo erro, intima pessoa estranha à relação do MPF, sem a emissão de MPFD; que novamente se vê à folha 221, a descrição do AR ser feita a Intimação desacompanhada da famigerada lista; que por isso o lançamento é nulo de pleno direito; que o Contribuinte é produtor rural, vivendo exclusivamente dos ganhos da referida atividade, com diversos empréstimos e financiamentos para girar sua atividade financeira, já que possui a exemplo da grande maioria, pouco capital de giro; que possui um verdadeiro condomínio firmado entre si e seus filhos, entre eles Geraldo Ferreira Borges Filho; que acontecem constantes trocas de créditos entre eles, pois quando se vende gado em nome de um, os recursos são destinados ao pagamento de obrigações do condomínio; que 1/3 da receita é destinada a cada um; que para provar o alegado, além das diversas comprovações que ora se faz por amostragem, existe uma conta no Banco do Brasil que é de responsabilidade de ambos, Geraldo e seu filho. E, em outra, os seus filhos fazem levantamentos, depósitos e transferências de valores; que apresenta diversos comprovantes e justificativas de depósitos, efetuados em suas contas, provenientes de vendas de produtos agrícolas e transferências de uma conta para outra; que só será possível identificar e explicitar se o processo for convertido em diligência, para apreciação dos depósitos e comprovantes, posto que tal obrigação é da autoridade autuante e não da Autoridade Julgadora. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 A DRJBRASÍLIA/DF julgou procedente em parte o lançamento para excluir da base de cálculo o valor de R$ 84.880,00, com base nas considerações a seguir resumidas. Inicialmente, a DRJ indeferiu a apresentação posterior de provas, mencionando como fundamento o art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972. Também indeferiu o pedido de realização de diligência/perícia, observando, com fundamento no artigo 16 do mesmo decreto, que essas providências devem ser tomadas a critério da autoridade julgadora quando entendêlas necessárias, podendo indeferir as que considerar prescindíveis ou impraticáveis e que, no caso, por se destinar a produzir prova de responsabilidade da parte, entendeu ser prescindível a realização dos procedimentos. A DRJ observou, quanto às alegadas inconstitucionalidades que os órgãos julgadores não são competentes para se pronunciarem sobre este tipo de alegação. Relativamente à preliminar de irregularidade quanto ao MPF, especialmente quanto à prorrogação deste, a DRJ registrou que o procedimento relativamente à prorrogação dispensa a intimação pessoal ao sujeito passivo; que com a emissão do MPF original é fornecido ao contribuinte um código de acesso que permite ao fiscalizado acompanhar a evolução do MPF pela internet, inclusive as suas prorrogações; que, no caso, foi fornecido o referido código e, portanto, o contribuinte poderia ter ele próprio verificado as prorrogações; que, portanto, não se verifica a irregularidade apontada. Sobre a quebra do sigilo bancário, a DRJ anota que, diferentemente do que foi sustentado pelo Impugnante, os agentes do Fisco podem ter acesso ás informações sobre a movimentações financeiras dos contribuintes, desde que observados certos procedimentos que, no caso foram observados, não havendo, também quanto a este ponto qualquer irregularidade no procedimento fiscal. Quanto à alegada violação ao princípio da isonomia e irregularidade quanto à não observação dos débitos constantes dos extratos bancários, a DRJ anota que não se verifica na autuação nenhuma dessas irregularidades; que o fato de a autuação ter desconsiderados depósitos de valores inferiores a R$ 1.500,00 destinase apenas a facilitar a apuração, desprezando valores de menor monta, e quanto à não consideração dos débitos, diz que o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996 não prevê esta providência. Sobre a alegada não apresentação da relação dos depósitos a DRJ observa que, diferentemente do que foi afirmado na impugnação, foi fornecida, mais de uma vez, a relação dos depósitos e que o próprio Contribuinte, em uma de suas petições, referese expressamente à relação dos depósitos. Quanto ao mérito, após sustentar a regularidade da autuação0 para a apuração de omissão de rendimentos a partir de depósitos bancários sem comprovação de origem, tendo como fundamento o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a DRJ passa à análise das alegadas origens dos depósitos e faz os seguintes comentários a respeito dos documentos apresentados: 1) comprovantes diversos de depósitos em dinheiro, vários com aposição de um nome escrito à mão, efetuados pelo próprio favorecido. Não há correspondência de datas e valores com outras contas, o que indicaria transferências, não sendo possível determinar a origem e natureza dos depósitos (p. exemplo., fls. 291/300, 302/303, 306/309, 312, 314/315, 324, 362, etc); 2. comprovantes de depósitos sem identificação de origem, natureza, identificação de ser em dinheiro ' ou cheque, alguns Fl. 733DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10120.012528/200884 Acórdão n.º 2201002.060 S2C2T1 Fl. 4 5 .com aposição de nome próprio, escrito, à mão, sem qualquer outra informação adicional (p. exemplo, fls. 350/351, 388, etc); 3. comprovantes diversos de depósitos em cheques, onde não há indicação da origem e natureza dos créditos ou indicação de correlação com transferências entre contas de mesma titularidade (p. exemplo., fls. 305, 31k 322, 441, etc.); 4. extratos de conta de terceiros, sem indicação de origem/natureza da operação (p. exemplo, fl. 305); 5. cópias de telas, contendo extratos, rabiscados à mão, sem qualquer organização, legibilidade e mesmo indicação clara do seu objetivo. Algumas totalmente ilegíveis (p. exemplo, fls. 301, 304, 310/311, 313, 319, 428, 458/465, etc); 6. comprovantes de transferências em que o remetente é terceiro, sem indicação de origem e natureza da operação (p. exemplo, fl. 334); 7. cópias de cheques nominativos à terceiros, sem indicação de origem e natureza da operação (p. exemplo, fls. 337, 407). Daí conclui pela exclusão apenas do valor de R$ 84.880,00, relacionado em tabela no voto. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 12/08/2009 (despacho de fls. 729) e, em 10/09/2009, interpôs o recurso voluntário de fls. 314/352, que ora se examina, e no qual reitera, em síntese as alegações e argumentos da impugnação. Apresenta novos elementos de prova e, por fim, formula pedido nos seguintes termos: I Requer o recebimento da presente recurso, por tempestivo, bom e valioso, recebendoo em ambos os efeitos, impondo o seu conhecimento, para analisar suas razões, para ao final, dar provimento em sua integra; II Requer o reconhecimento das teses esposadas em preliminar para anular o lançamento; III Requer uma vez ultrapassadas as preliminares, a desconsideração dos meios utilizados pela fiscalização para apurar e autuar o contribuinte, vez que, ferem frontalmente os ditames constitucionais, merecendo de plano a sua rejeição, anulando o lançamento e arquivando o processo em face da sua INCONSTITUCIOlVALIDADE, uma vez que foram utilizados como base valores e informações colhidas em extratos bancários, sem a expressa autorização do mesmo ou da justiça, ferindo a doutrina e a jurisprudência trazida à colação; IV Requer, ainda, a conversão do julgamento em PERÍCIA E DILIGÊNCIAS, nos termos da 16, IV do Decreto 70.235/72, tendo como orientadores da mesma, as questões e quesitos supra relacionado, sem preclusão do direito de complementálos no decorrer da mesma, em prestígio da ampla defesa e do estrito processo legal; Fl. 734DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 V Requer que, após, o justo reconhecimento dos direitos, ora avocados, reconhecida a inconsistência do auto de infração, a violação dos preceitos constitucionais, a agressão direta a proibição legal de autuação com base em extratos bancários, sem autorização judicial, para anular o mesmo e arquivar o processo; VI Assim, seja ao final, por decisão fundamentada na nova realidade dos fatos e fundamentos, uma vez cancelando o Auto de Infração sela desconstituída a presente relação processual administrativa, com o conseqüente formalidades de praxe. VII – Outrossim, Caso remanesça qualquer valor tributável e exigível contra o contribuinte, lhe seja devolvido o prazo para pagamento e/ou parcelamento com a redução da multa à razão de 50%, em face da nova realidade encontrada; anulando o auto anterior e aplicando sobre o mesmo um novo procedimento. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Inicialmente, sobre a preliminar de sobrestamento do recurso argüida pelo Conselheiro Guilherme Barrando de Souza, na esteira do que vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, entendo que não se aplica ao caso a regra do art. 62A do RICARF. É que inexiste decisão definitiva sobre a matéria, submetida ao regime do artigo 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Rejeito, portanto, a preliminar. Como se colhe do relatório, cuidase de lançamento com base em depósitos bancários sem comprovação de origem. O Contribuinte aponta, inicialmente, falhas quanto a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, especialmente quanto à renovação do mesmo que ensejariam a nulidade do procedimento. Pois bem,. afirma o Recorrente que não foram observados os prazos de validade do MPF; que a prorrogação do prazo do MPF somente poderia ocorrer mediante ciência prévia do Fiscalizado, o que diz não ter ocorrido no caso. A alegação, contudo, decorre, data venia, de uma interpretação equivocada das normas que regem o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. É que o MPF diz respeito aos procedimentos de controle interno da atividade fiscal por parte da administração tributária e não a normas que regem o processo administrativo fiscal, de modo que eventuais falhas quanto aos procedimentos e emissão desse documento não têm nenhuma repercussão quanto à Fl. 735DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10120.012528/200884 Acórdão n.º 2201002.060 S2C2T1 Fl. 5 7 validade do procedimento fiscal. É o que se extrai das normas que disciplinam o procedimento de emissão desse documento, a saber, senão vejamos. O Mandado de Procedimento Fiscal foi instituído pela Portaria SRF nº 1.265, de 22 de novembro de 1999 com o objetivo de disciplinar os procedimentos fiscais relativamente aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Esta portaria foi posteriormente revogada pela Portaria SRF nº 3.007, de 26 de novembro de 2001, que disciplinou a mesma matéria, com algumas alterações. O art. 2º da portaria nº 3.007, de 2001 assim dispõe: Art. 2º Os procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF serão executados, em nome desta, pelos Auditores Fiscais da Receita Federal – AFRF e instaurados mediante ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Parágrafo único. Para o procedimento de fiscalização será emitido Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPF F), no caso de diligência, Mandado de Procedimento Fiscal Diligência (MPFD). Seguese a este dispositivo uma série de outros que tratam, entre outros assuntos, da competência para emissão do MPF, forma, conteúdo, prazos, hipóteses de dispensa de sua emissão, etc. Nos artigos 12 e 13, a portaria fixa os prazos de validades e as condições de sua renovação, verbis: Art. 12. Os MPF terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o artigo anterior poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de trinta dias. § 1º A prorrogação de que trata o caput farseá por intermédio de registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, cuja informação estará disponível na Internet, nos termos do art. 7º, inciso VIII. § 2º Após cada prorrogação, o AFRF responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo VI. Já os artigos 15 e 16 cuidam da extinção do MPF e seus efeitos, a saber: Art. 15. O MPF se extingue: Fl. 736DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 I pela conclusão do procedimento fiscal, registrado em termo próprio; II pelo decurso dos prazos a que se referem os arts. 12 e 13; Art. 16. A hipótese de que trata o inciso II do artigo anterior não implica nulidade dos atos praticados, podendo a autoridade responsável pela emissão do Mandado extinto determinar a emissão de novo MPF para a conclusão do procedimento fiscal. Parágrafo único. Na emissão do novo MPF de que trata este artigo, não poderá ser indicado o mesmo AFRF responsável pela execução do Mandado extinto. O prazo de que trata o art. 13 foi posteriormente aumentado para sessenta dias, pela Portaria SRF nº 1.432, de 23 de setembro de 2003. É fácil perceber que toda essa disciplina diz respeito apenas ao acompanhamento internos das atividades dos agentes fiscais e jamais qualquer vício quanto a este procedimento, admitido aqui apenas para argumentar, poderia configurar cerceamento do direito de defesa. Especificamente quanto à prorrogação dos prazos, como ressaltou a decisão de primeira instância, a informação é disponibilizada ao contribuinte por meio da internet. Com o início do procedimento o contribuinte recebe um número de identificação e com ele passa a poder acompanhar na internet o andamento da ação fiscal. Não há, portanto, no procedimento, necessidade da ciência pessoal das prorrogações dos MPF. Não vislumbro, portanto, o vício apontado, razão pela qual rejeito a preliminar de nulidade do lançamento. O Contribuinte também se insurge contra a quebra do sibilo bancário. Sobre este ponto, o acesso dos agentes do Fisco às informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes tem respaldo legal na Lei Complementar nº 104, de 2001. E sobre a retroatividade dessa lei, entendo que, atendidas as condições fixadas na lei, o Fisco pode ter acesso às informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes e utilizálas como base para o lançamento tributário. Se é verdade que o art. 5º, inciso X, da Constituição Federal garante o direito à privacidade, no qual se inclui o sigilo bancário, também é certo que esse direito não é absoluto e ilimitado, a ponto de se opor aos próprios agentes do Estado, na sua atividade de controle, por exemplo, do cumprimento das obrigações fiscais por parte dos contribuintes. Isto é, não se pode pretender, por exemplo, que o sigilo bancário se preste para acobertar irregularidades passíveis de apuração pelos agentes do Fisco. O ordenamento jurídico brasileiro, inclusive, embora sempre reconhecendo o sigilo das informações bancárias, tem uma larga tradição em franquear o acesso a essas informações aos agentes do Fisco. Assim, a Lei nº 4.595, de 1964, já prescrevia no seu art. 38, in verbis: Lei nº 4.595, de 1964: Art. 38 – As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10120.012528/200884 Acórdão n.º 2201002.060 S2C2T1 Fl. 6 9 (...) § 5º Os agentes fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados somente poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, quando houver processo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. § 6º O disposto no parágrafo anterior se aplica igualmente à prestação de esclarecimentos e informes pelas instituições financeiras às autoridades fiscais, devendo sempre estas e os exames ser conservados em sigilo, não podendo ser utilizados senão reservadamente. O próprio Código Tributário Nacional, Lei nº 5.172, de 1966, recepcionado pela Constituição de 1988 como lei complementar, expressamente determina que as instituições financeiras devem prestar informações sobre negócios de terceiros, o que, obviamente, inclui as operações financeiras, silenciando, inclusive, sobre a exigência de prévio processo administrativo instaurado: Lei nº 5.172, de 1966: Art. 197 – Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II – os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras. Ainda nesse mesmo sentido, foi editada, posteriormente a Lei nº 8.021, de 1990, ampliando, inclusive, o rol das instituições obrigadas a prestar informações ao Fisco: Lei nº 8.021, de 1990: Art. 7º A autoridade fiscal do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento poderá proceder a exames de documentos, livros e registros das bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, bem como solicitar a prestação de esclarecimentos e informações a respeito de operações por elas praticadas, inclusive em relação a terceiros. Art. 8º Iniciado o procedimento fiscal, a autoridade fiscal poderá solicitar informações sobre operações realizadas pelo contribuinte em instituições financeiras, inclusive extratos de contas bancárias, não se aplicando, nesta hipótese, o disposto no art. 38 da Lei nº 4.595, de 31 de dezembro de 1964. Parágrafo único – As informações, que obedecerão às normas regulamentares expedidas pelo Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, deverão ser prestadas no prazo máximo de dez dias úteis contados da data da solicitação, aplicandose, no caso de descumprimento desse prazo, a penalidade prevista no § 1º do art. 7º. Fl. 738DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 Finalmente, a Lei complementar nº 105, de 2001, a qual versa expressamente sobre o dever de sigilo das instituições financeiras em relação às operações financeiras de seus clientes, fez a ressalva quanto ao acesso a essas informações pelos agentes do Fisco, a saber: Lei Complementar nº 105, de 2001: Art. 1º – As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: (...) VI – a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Como se vê, o ordenamento jurídico brasileiro de há muito vem estabelecendo, em caráter sempre excepcional e em determinadas condições previamente estabelecidas, o acesso a informações bancárias dos contribuintes pelos agentes do Fisco. Assim, a legislação brasileira tem, insistentemente, se inclinado no sentido da relativização do alcance do sigilo bancário, prevendo expressamente as situações excepcionais em que se admite a abertura daquelas informações. Por outro lado, não se deve esquecer que os agentes do Fisco, assim como os auditores do Banco Central do Brasil, e as próprias instituições financeiras, estão sujeitos ao dever de manter sigilo das informações a que tenham acesso em função de suas atividades. Desse modo, a rigor, sequer se pode falar em quebra de sigilo, mas em mera transferência deste. Finalmente, cumpre ressaltar que os dispositivos legais acima transcritos são normas válidas e, portanto, plenamente aplicáveis, eis que não foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal STF. Sobre as alegadas inconstitucionalidades, é entendimento pacífico no âmbito deste Conselho já consolidado em súmula, que os órgãos julgadores não são competentes para apreciarem este tipo de argüição. Tratase da Súmula CARF nº 2, a saber: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10120.012528/200884 Acórdão n.º 2201002.060 S2C2T1 Fl. 7 11 Sobre o pedido de diligência/perícia, registrese desde logo que, no processo administrativo fiscal, fica a critério da autoridade julgadora determinar ou não este tipo de providência. É o que reza o artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, a saber: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) Pois bem, no presente caso, a demanda do Contribuinte visa claramente à produção de prova que é de sua responsabilidade. Cumpre ao Contribuinte comprovar suas alegações, especificamente no caso de lançamento com base em depósitos bancários, comprovar as origens destes. Não se presta a diligência/perícia para suprir deficiências das partes quanto à apresentação de provas sob sua responsabilidade. Indefiro, pois, o pedido de perícia/diligência. Quanto ao mérito, cuidase, na espécie, de lançamento com fundamento no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o qual para melhor clareza, transcrevo a seguir, já com as alterações e acréscimos introduzidos pela Lei nº 9.481, de 1997 e 10.637, de 2002, verbis: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). Fl. 740DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares." Como assinala Alfredo Augusto Becker (Becker, A. Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário. 3ª Ed. – São Paulo: Lejus, 2002, p.508): As presunções ou são resultado do raciocínio ou são estabelecidas pela lei, a qual raciocina pelo homem, donde classificamse em presunções simples; ou comuns, ou de homem (praesumptiones hominis) e presunções legais, ou de direito (praesumptiones juris). Estas, por sua vez, se subdividem em absolutas, condicionais e mistas. As absolutas (juris et de jure) não admitem prova em contrário; as condicionais ou relativas (juris tantum), admitem prova em contrário; as mistas, ou intermédias, não admitem contra a verdade por elas estabelecidas senão certos meios de prova, referidos e previsto na própria lei. E o próprio Alfredo A. Becker, na mesma obra, define a presunção como sendo "o resultado do processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável" e mais adiante averba: "A regra jurídica cria uma presunção legal quando, baseandose no fato conhecido cuja existência é certa, impõe a certeza jurídica da existência do fato desconhecido cuja existência é provável em virtude da correlação natural de existência entre estes dois fatos". Pois bem, o lançamento que ora se examina baseouse em presunção juris tantum, onde o fato conhecido é a existência de depósitos bancários de origem não comprovada e a certeza jurídica decorrente desse fato é o de que tais depósitos foram feitos com rendimentos subtraídos ao crivo da tributação. Tal presunção pode ser ilidida mediante prova em contrário, a cargo do autuado. O caso, o contribuinte alega que é produtor rural e vive exclusivamente dos ganhos da referida atividade, com diversos empréstimos e financiamentos para girar sua atividade financeira; que possui um verdadeiro condomínio firmado entre si e seus filhos, entre eles Geraldo Ferreira Borges Filho; que acontecem constantes trocas de créditos entre eles, pois quando se vende gado em nome de um, os recursos são destinados ao pagamento de obrigações Fl. 741DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10120.012528/200884 Acórdão n.º 2201002.060 S2C2T1 Fl. 8 13 do condomínio; que 1/3 da receita é destinada a cada um; que para provar o alegado, além das diversas comprovações que ora se faz por amostragem, existe uma conta no Banco do Brasil que é de responsabilidade de ambos, Geraldo e seu filho. Como se vê, o Contribuinte procura descrever suas atividades econômicas, mas, em momento algum, vincula um único depósito a estas atividades. Notese que a Lei nº 9.430, de 1996 é categórica ao exigir a comprovação, individualizada, das origens dos depósitos. Vale dizer, não basta indicar uma atividade, que, teoricamente, justificaria uma certa movimentação financeira. É preciso demonstrar, de forma individualizada, as origens dos depósitos. Por outro lado, é inaceitável que alguém que tenha tão elevada movimentação financeiras; que, como diz o Contribuinte, movimenta recursos da atividade rural, não possa identificar, se não na totalidade, pelo menos de parte representativa dos depósitos, as origens desses valores: Se no caso de vendas, a quem e o que se vendeu, e como foi pago, demonstrando a relação entre o valor recebido e o depósito; se foi empréstimo, identificando o mutuante e o depósito correspondente. Nestas condições, penso que o Contribuinte não comprovou as origens dos depósitos, devendo prevalecer a autuação. E sobre a súmula 182 do extinto TFR a mesma não se aplica ao caso, pois foi editada antes da vigência da Lei nº 9.430, de 1996, que introdução novo tratamento legal à matéria. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 742DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 25/ 04/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10675.001882/2003-01
Data da sessão: Wed Aug 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PAF SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA – DIREITO DE DEFESA NECESSIDADE
DE CONHECIMENTO DOS ARGUMENTOS NA FASE LITIGIOSA – É cabível e necessária a apreciação dos argumentos veiculados nas impugnações apresentadas pelos responsáveis solidários, incluídos pela
fiscalização no pólo passivo da obrigação tributária
Numero da decisão: 9101-001.153
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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PAF SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA – DIREITO DE DEFESA NECESSIDADE DE CONHECIMENTO DOS ARGUMENTOS NA FASE LITIGIOSA – É cabível e necessária a apreciação dos argumentos veiculados nas impugnações apresentadas pelos responsáveis solidários, incluídos pela fiscalização no pólo passivo da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 11ªª TTUURRMMAA DDAA CCÂÂMMAARRAA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Valmar Fonseca de Menezes, Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Alberto Pinto Souza Júnior, Viviane Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Júnior e Antonio Carlos Guidoni Filho. Ausente, momentaneamente a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10675.001882/200301 Acórdão n.º 910100.153 CSRFT1 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional, com base no artigo 7º, inciso II, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em face do Acórdão nº 10709.232, da então Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O Auto de Infração, lavrado contra a empresa BC Comércio e Exportação de Café Ltda. exige IRPJ e CSLL, referentes aos anoscalendário de 1997 e 1998. Houve o arbitramento do lucro, em razão da falta de apresentação de livros e documentos de sua escrituração, bem como a imputação de penalidade qualificada em 150%. Foram indicados como responsáveis os Srs. Adriano Galvão de Oliveira Damasceno, Luiz Carlos Pelissari Silveira, Valter Pedrosa Ferreira, Paulo Sérgio de Oliveira e Nilton José de Melo, nos termos do artigo 124, I e art. 135, II do Código Tributário Nacional. A empresa autuada bem como os responsáveis apresentaram suas impugnações no processo. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento considerou o lançamento parcialmente procedente, reduzindo a multa de ofício para 75%. Não houve apreciação dos argumentos dos responsáveis. Devidamente intimados, houve a interposição de Recurso pelos Srs. Luiz Carlos Pelissari Silveira, Paulo Sérgio de Oliveira e Nilson José de Melo, conforme fls. 637/644, 647/662 e 665/680. Não houve recurso pelos responsáveis Adriano Galvão de Oliveira Damasceno e Valter Pedrosa. O acórdão nº 10708.374, de 07/12/2005, entendeu por bem anular a decisão recorrida por falta de apreciação dos argumentos dos responsáveis. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento prolatou nova decisão, mantendo integralmente a exigência, inclusive a multa qualificada em 150%, excluindo a responsabilidade do Luiz Carlos Pelissari Silveira. Devidamente intimados da decisão, apresentaram recurso os responsáveis Paulo Sérgio de Oliveira, Nilson José de Melo e Adriano Galvão de Oliveira Damasceno. Embora mantido como responsável, Valter Pedrosa não apresentou recurso Em nova análise dos recursos, a então Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso para reduzir a multa de ofício para 75 %, bem como para excluir a responsabilidade de Paulo Sérgio de Oliveira e Nilson José de Melo. A Câmara entendeu, ainda, pela manutenção da responsabilidade do Sr. Adriano Galvão de Oliveira Damasceno. A decisão restou assim ementada: FISCALIZAÇÃO — SOLICITAÇÃO DE INFORMAÇÕES FINANCEIRAS — LEGALIDADE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA. INDÍCIO DE OMISSÃO DE RECEITA — Não é nulo o procedimento da fiscalização que ao requisitar Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10675.001882/200301 Acórdão n.º 910100.153 CSRFT1 Fl. 3 3 informações bancárias da fiscalizada se estriba nos pressupostos do Decreto n° 3.724/2001 que regulamentou o art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001. Os argumentos relativos à retroatividade da Lei n° 10.174/2001 estão situados na seara da constitucionalidade das leis, matéria não afeta ao órgão julgador administrativo. IRPJ/CSLL — ANOSCALENDÁRIO DE 1998 E 1999 — ARBITRAMENTO DO LUCRO — BASE DE CÁLCULO — É assente em lei o procedimento fiscal que toma como receita bruta conhecida, para fins de arbitramento do lucro, as receitas constantes dos livros fiscais e informadas pelo próprio contribuinte, mormente quando o inconformismo da autuada não vem acompanhado de qualquer elemento de prova de que aquela não é a receita bruta auferida. IRPJ/CSLL MULTA DE OFÍCIO QUALIFICAÇÃO — Em matéria de penalidade, não podem os julgadores administrativos reformar decisão anterior em prejuízo da autuada, mormente porque a anulação da decisão anterior se deu, exclusivamente, por falta de apreciação das impugnações contra a atribuição de responsabilidade pelo crédito tributário. CRÉDITO TRIBUTÁRIO RESPONSABILIDADE ATRIBUÍDA A TERCEIROS É válida a atribuição a terceiro de responsabilidade pelo crédito tributário, quando as provas dos autos revelam interesse comum nas situações que constituam fato gerador da obrigação principal. Excluemse, entretanto, as responsabilidades atribuídas com base em indícios não relevantes a ponto de serem tomados como prova, já na fase de formação do título executivo. Diante da referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, alegando, em síntese, que, no âmbito do processo administrativo, não é possível a discussão da responsabilidade solidária, o que só se faz possível no momento da cobrança judicial do crédito. Como paradigma, aponta o Acórdão nº 10195.816, segundo o qual “incabível discutir se responsabilidade solidária no processo administrativo fiscal, pois tal questão está adstrita à fase de cobrança do crédito tributário”. Requer, por fim, a reforma do acórdão para que seja restabelecida a responsabilidade solidária dos Srs. Paulo Sérgio de Oliveira e Nilson José de Melo. O Despacho de fls. 2885/890 deu seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, tendo os responsáveis Paulo Sérgio de Oliveira e Nilson José de Melo apresentado suas Contrarrazões às fls. 904/909. Cumpre esclarecer que o Sr. Adriano Galvão de Oliveira Damasceno, cuja responsabilidade foi mantida pelo acórdão recorrido, foi devidamente intimado do acórdão às fls. 902, porém, não apresentou Recurso Especial. A empresa BC Comércio foi intimada do acórdão por meio do Edital de fls. 955, tampouco apresentando Recurso Especial. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10675.001882/200301 Acórdão n.º 910100.153 CSRFT1 Fl. 4 4 Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O Recurso é tempestivo, e estando devidamente demonstrada a divergência, foi determinado seu seguimento em juízo de admissibilidade, pelo que dele conheço. O Recurso Especial da Fazenda Nacional requer o restabelecimento da responsabilidade solidária dos Srs. Paulo Sérgio de Oliveira e Nilson José de Melo, excluídas pelo acórdão recorrido. Alega a Recorrente, com base no acórdão apontado paradigma de nº 10195.816, que não é possível a discussão de responsabilidade no âmbito do processo administrativo. Esclareço que fazem parte da lide apenas os Srs. Paulo Sérgio de Oliveira e Nilson José de Melo, cujas responsabilidades foram excluídas no acórdão recorrido. Embora intimado da decisão que manteve sua responsabilidade, o Sr. Adriano Galvão de Oliveira Damasceno não apresentou Recurso Especial. A empresa autuada (BC Comércio e Exportação de Café Ltda.) também intimada, tampouco apresentou Recurso Especial. A responsabilidade do Sr. Luiz Carlos Pelissari Silveira foi excluída em decisão de Primeira Instância, não sendo mais parte da lide. E, com relação ao Sr. Valter Pedrosa, embora tenha sido mantida sua responsabilidade desde a Primeira Instância, o mesmo não apresentou Recurso Voluntário, também estando preclusa sua análise. Esclareço, ainda, que se trata de decidir, in casu, se procedente ou não a discussão acerca da responsabilização solidária no âmbito do processo administrativo. As questões de mérito sobre os dados de fato que ensejaram ou não a responsabilidade não são objeto desse recurso, uma vez que se reportam à matéria fática que não pode ser conhecida em Recurso Especial de Divergência. A Constituição Federal, em seu artigo 5º, LIV, assegurou aos litigantes o contraditório e a ampla defesa, tanto no processo judicial quanto no processo administrativo. Verificase que tais direitos devem ser assegurados a todos os litigantes, razão pela qual, se o sujeito passivo indicado como responsável também é parte da lide, e dela poderá sofrer diversas consequências danosas, ao responsável também deve ser dada a oportunidade de exercer o contraditório e a ampla defesa. Nesse sentido, Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martínez Lopes (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª Edição, 2010) apontam as razões para assegurar o direito de defesa ao responsável no processo administrativo: “Em que pese haver a possibilidade de defesa judicial pela via dos embargos à execução, o responsável inscrito na dívida ativa figurará, até que lhe seja oferecida a possibilidade da interposição dos referidos embargos, como inadimplente, arcando com todas as consequências danosas advindas desse fato (v.g., inscrição no Cadin, impossibilidade de obter certidão negativa). Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10675.001882/200301 Acórdão n.º 910100.153 CSRFT1 Fl. 5 5 Assim, incluído como responsável tributário no auto de infração ou em termo de responsabilidade à parte, esperase que o interessado possa sempre se defender contra o lançamento no âmbito do contencioso administrativo. Em substância, tratase de dar plea atuação ao princípio constitucional que garante o direito de defesa, não só no trâmite do processo judicial, mas também na precedente fase administrativa.” Seguindo tal orientação, diversos são os acórdãos deste Conselho em que se reconhece o direito de defesa do responsável solidário, verbis: “Ementa: SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA NECESSIDADE DE APRECIAÇÃO Carece de respaldo legal a decisão de primeira instância que deixa de conhecer impugnações interpostas por sujeitos passivos solidários com base no argumento de que o acórdão prolatado em segundo grau é inexeqüível. O responsável tributário que ingressa na relação jurídicotributária como sujeito passivo indireto, poderá dela ser excluído se assim entender as autoridades competentes para apreciar as suas razões. Não conhecer os argumentos expendidos pelos indicados no autos para compor o pólo passivo da obrigação tributária constitui, à evidência, cerceamento do direito de defesa. (Acórdão 10517372, sessão de 18/12/2008)” “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE A SÓCIO PESSOA FÍSICA E A TERCEIROS NECESSIDADE DE CONHECIMENTO DOS ARGUMENTOS NA FASE LITIGIOSA ADMINISTRATIVA É nula a decisão de primeiro grau que deixa de apreciar os argumentos das impugnações postas por contribuintes incluídos pela fiscalização no pólo passivo da obrigação tributária. (Acórdão nº 10708.374, sessão de 07/12/2005)” “PAF. NULIDADE. DEVIDO PROCESSO LEGAL. Tendo em vista que a empresa indicada como responsável solidária não foi cientificada da decisão de primeira instância, deve ser declarada a nulidade do acórdão, por preterição do direito de defesa. Preliminar de nulidade acolhida. (Acórdão CSRF/0305.559, sessão de 12/11/2007)” “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS. DIREITO À IMPUGNAÇÃO. NECESSIDADE DE CONHECIMENTO PELA DRJ. Nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento deve identificar os sujeitos passivos da relação obrigacional tributária, incluindo, quando possível, além do contribuinte o responsável tributário referido no inc. II do art. 121 do mesmo Código. Efetuado o lançamento contra o contribuinte e o responsável tributário, ambos têm direito à impugnação. Apresentada a impugnação em tempo hábil pelo responsável tributário, mas não sendo conhecida pela primeira instância, o processo deve ser anulado desde a decisão recorrida para que outra seja proferida, com análise dos argumentos de Fl. 5DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10675.001882/200301 Acórdão n.º 910100.153 CSRFT1 Fl. 6 6 defesa de todos os sujeitos passivos impugnantes. Embargos acolhidos. (Acórdão nº 20312.647, sessão de 12/12/2007)” A discussão acerca da responsabilidade no âmbito do processo administrativo fiscal se faz ainda mais necessária frente à prerrogativa da Fazenda Pública de redirecionar a execução fiscal para terceiro, responsável solidário. O entendimento já pacificado pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que a inclusão de sócio na Certidão de Dívida Ativa, em razão da presunção de legalidade do ato administrativo, inverte o ônus da prova, cabendo, portanto, ao sujeito passivo comprovar que não restou caracterizada nenhuma das circunstâncias previstas no artigo 135 do Código Tributário Nacional (excesso de mandato, infringência à lei ou ao contrato social). Nesse sentido o julgamento do Recurso Especial Representativo de Controvérsia nº 1.104.900/ES, (Primeira Seção do STJ, Rel. Ministra Denise Arruda, DJe 1º/4/2009, sob o regime do artigo 543C do CPC), asseverou que é possível o redirecionamento da execução fiscal de maneira a atingir sócio da empresa executada, desde que o seu nome conste da CDA. Assim, considerando que a inscrição em dívida ativa pressupõe a liquidez e certeza do crédito, inclusive em relação ao nome do devedor e de eventuais codevedores responsáveis; considerando ser o lançamento atividade vinculada, que pressupõe a identificação do sujeito passivo, incluindo a identificação de responsável solidário; considerando que a indicação de responsável solidário por meio do lançamento deve estar acompanhada de provas, é certo que no âmbito administrativo deve ser possibilitada a discussão quanto ao vínculo de responsabilidade, garantindose o direito à ampla defesa e ao contraditório. Nesse sentido é o voto do Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima no acórdão CSRF/0105543, sessão de 19/06/2006: Primeiramente, cumpre examinar a legitimidade processual dos responsáveis solidários para atuar no processo administrativo fiscal. Essas pessoas sofreram a imputação da responsabilidade solidária pela fiscalização por débitos de empresa individual com fundamento no interesse comum na situação que constitui o fato gerador (art. 124, I, do CTN) e, se mantida a exigência, os acusados seriam incluídos na certidão de dívida ativa, titulo que goza de liquidez e certeza e permite a cobrança do crédito tributário em Juízo. O efeito prático da presunção de certeza e liquidez estabelecida em lei é inverter o ônus da prova; invocandoa, a autoridade administrativa fica dispensada de provar a existência do crédito tributário que a lei presume — cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se relativa), provar o fato presumido não existir no caso. Na cobrança executiva, não há lugar para discussões sobre o mérito da pretensão do fisco ao crédito tributário, incluindose as questões relativas à sujeição passiva. Como observa Paulo Cesar Conrado, no processo de execução, o Estadojuiz parte do "direito material tributário já dito". Como regra, a legitimidade passiva processual, ou seja, a legitimidade para se defender da imposição fiscal, decorre da própria sujeição passiva na relação jurídica material. Nesse aspecto, Fl. 6DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10675.001882/200301 Acórdão n.º 910100.153 CSRFT1 Fl. 7 7 verificase que a fiscalização atribuiu a determinadas pessoas a responsabilidade pelo pagamento do tributo com fundamento em sua participação no fato jurídico tributário ou em função de seu vinculo com o realizador desse fato. Humberto Theodoro Júnior observa que o procedimento previsto na Lei de Execução Fiscal não se destina ao acertamento da relação creditícia entre o Fisco e o contribuinte, mas apenas se volta para a expropriação de bens do devedor para satisfação do direito ao credor (artigo 646, CPC). Segundo ele, o acertamento é fato que precede à execução e consolidase no título executivo. Por isto, no processo executivo, não há lugar para discussões e definições de situações controvertidas ou incertas no plano jurídico. 3 A imputação de responsabilidade pelo auditor fiscal e a, posterior, inclusão do acusado na CDA resultam, sem dúvida, conseqüências gravosas na esfera de direitos do contribuinte. O responsável se vê diante de uma demanda judicial expropriatória de seu patrimônio com fulcro na exigência de tributo e respectivos acréscimos legais. Essa ação executiva vem acompanhada por prova plena, qualificada pela presunção de certeza e liquidez, cuja origem está lastreada em prévio processo administrativo fiscal. Em que pese haver a possibilidade de defesa judicial pela via dos embargos a execução, o responsável inscrito na dívida ativa figurará, até que lhe seja oferecida a possibilidade da interposição dos referidos embargos, como inadimplente, arcando com todas as conseqüências danosas advindas desse fato (v.g., inscrição no CADIN, impossibilidade de obter certidão negativa). Assim, incluído como responsável tributário no auto de infração ou em termo de responsabilidade à parte, devese .assegurar o direito de defesa administrativo do interessado quanto a tal imputação. A Suprema Corte tem reafirmado sua posição firme de que "não se pode desconhecer que o Estado, em tema de restrição à esfera jurídica de qualquer cidadão ou entidade, não pode exercer a sua autoridade de maneira abusiva ou arbitrária, desconsiderando, no exercício de sua atividade, o postulado da plenitude de defesa, pois cabe enfatizar o reconhecimento da legitimidade éticojurídica de qualquer medida imposta pelo Poder Público, de que resultem conseqüências gravosas no plano dos direitos e garantias individuais, exige a fiel observância do princípio do devido processo legal (CF, art. 5 0, LIV e LV)". A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal sustenta a essencialidade desse princípio, "nele reconhecendo uma insuprimível garantia, que, instituída em favor de qualquer pessoa ou entidade, rege e condiciona o exercício, pelo Poder Público, de sua atividade, ainda que em sede materialmente administrativa, sob pena de nulidade do próprio ato punitivo ou da medida restritiva de direitos." (grifei) 4 Dessa perspectiva não se afastou a Lei n° 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. O art. 2° desse diploma legal determina, expressamente, que a Administração Pública obedecerá aos princípios da ampla Fl. 7DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10675.001882/200301 Acórdão n.º 910100.153 CSRFT1 Fl. 8 8 defesa e do contraditório. O parágrafo único desse dispositivo estabelece que nos processos administrativos sejam observados, dentre outros, os critérios de "observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados" (inciso VIII) e de "garantia dos direitos à comunicação" (inciso X). Além disso, a Lei n°9.784, de 1999, em várias passagens, resguarda o direito à informação aos acusados (art. 28) 6 e a interposição de recursos nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio (art. 2°, parágrafo único, inciso X)6. A propósito, ensina a eminente Professora Ada Pellegrini Grinover: "litigantes existem sempre que, num procedimento qualquer, surja um conflito de interesses. Não é preciso que o conflito seja qualificado pela pretensão resistida, pois neste caso surgirão a lide e o processo jurisdicional. Basta que os partícipes do processo administrativo se anteponham face a face, numa posição contraposta. Litígio equivale à controvérsia, a contenda, e não a lide. Pode haver litigantes — e os há — sem acusação alguma, em qualquer lide." 7 Com efeito, o inciso II do artigo 90 e 58 da Lei n° 9.784/99, lei geral do processo administrativo, incluem também, entre os legitimados para atuar no processo administrativo, "aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direito ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada". A legitimação do terceiro se configura quando a solução que se dará à lide deve influir em outra relação jurídica de direito material em que ele faz parte como sujeito passivo, como é o caso da atribuição de responsabilidade solidária por interesse comum. A ausência de dispositivo específico disciplinando a matéria no Decreto n° 70.235/72 leva a concluir que esta norma geral aplicase subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Cientificados da imputação de responsabilidade solidária pela fiscalização, nasce o direito ao acusado de ver suas alegações apreciadas pela Câmara Recorrida por força do que dispõe a Lei n° 9.784, de 1999, e o art. 50, VII, do texto constitucional. Firmado esse entendimento, passo a examinar a ilegitimidade passiva alegada pela decisão da turma julgadora de primeira instância. Nesse sentido, cabe observar o lançamento fiscal ter fundamento em interposição fictícia de pessoas, em que a pessoa jurídica realizou negócios jurídicos em seu nome apenas para ocultar os reais beneficiários dos rendimentos e que normalmente figurariam no pólo passivo da obrigação tributária. Segundo a fiscalização, a imputação os rendimentos foi realizada as pessoas que efetivamente praticaram o fato jurídico tributário, reunido em sociedade de fato ou comum. Essa, aliás, é a regra inscrita na Lei n° 9.430/96, art. 42, § 5°, que determina que, no caso de interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos será efetuada em relação ao Fl. 8DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10675.001882/200301 Acórdão n.º 910100.153 CSRFT1 Fl. 9 9 terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito bancário, como a seguir transcrito: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002." Como no caso em comento, a acusação trouxe evidências relativas à existência vários beneficiários da omissão de receita, organizados sobre a gerência do principal interessado, impõe a fiscalização a solidariedade por força do interesse comum demonstrado pelo conjunto de pessoas (sociedade de fato). Como na solidariedade não há benefício de ordem, a exigência fiscal recai sobre todos os integrantes dessa sociedade de fato, arrolados no lançamento, podendo o fisco em fase de cobrança eleger, entre os devedores solidários, aqueles que irão responder, em parte ou integralmente, pela dívida. Não vislumbro também a possibilidade de tal imputação de responsabilidade por solidariedade ser realizada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, posteriormente, na fase de cobrança, como sustenta a decisão de primeiro grau. Neste processo, não estamos diante de hipótese de responsabilidade por substituição ou transferência a ensejar o redirecionamento da cobrança em razão de fato superveniente ocorrido após a inscrição em Dívida Ativa v.g., impossibilidade de cobrança do contribuinte — art. 134, atuação dos sócios com excesso de poder ou infração à lei — art. 135, evento sucessório — art 131/132/133). A identificação dos sujeitos passivos já era passível de conhecimento pelos agentes fiscais por ocasião da lavratura do auto de infração, pois a pluralidade de pessoas que compõe o pólo passivo da obrigação tributária, já pertencia à relação jurídica desde a ocorrência do fato jurídico tributário. O lançamento fiscal que traz os devedores solidários apenas explicita tal fato. Nesse caso, não é admissivel qualquer inovação no lançamento de ofício para inclusão de novas pessoas no pólo passivo da obrigação tributária após transcorrido o prazo decadencial previsto no 173 do Código Tributário Nacional. Dado o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário e determinar o Fl. 9DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10675.001882/200301 Acórdão n.º 910100.153 CSRFT1 Fl. 10 10 retorno à DRJ competente para apreciação das questões apresentadas pelos interessados (responsável principal e solidário) na impugnação ao lançamento. Ademais, as decisões com preterição do direito de defesa são nulas, conforme dispõe o artigo 59, II, do Decretolei nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Além do Decreto nº 70.235/72 (que dispõe especificamente sobre o processo administrativo fiscal), de se observar também, ainda que de forma subsidiária, o disposto na norma geral do Processo Administrativo Federal (Lei nº 9.784/99), que garante a participação, inclusive com a possibilidade de produção de provas, daqueles que têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão. Esse é o teor dos mencionados dispositivos: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: [...] VIII – observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; [...] X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; [...] Art. 9o São legitimados como interessados no processo administrativo: [...] II aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada; [...] Art. 58. Têm legitimidade para interpor recurso administrativo: [...] II aqueles cujos direitos ou interesses forem indiretamente afetados pela decisão recorrida; Fl. 10DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 10675.001882/200301 Acórdão n.º 910100.153 CSRFT1 Fl. 11 11 Por fim, cumpre citar a Portaria RFB nº 2.284, de 29 de novembro de 2010, que estabelece os procedimentos a serem observados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, quando da constatação de pluralidade de sujeitos passivos de uma mesma obrigação tributária, garantindo direito de defesa para todos os autuados como responsáveis, verbis: Art. 3º Todos os autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura de prazo para que cada um deles apresente impugnação. Art. 8º Na hipótese de diligência ou de perícia, de que trata o art. 18 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, todos os autuados que impugnaram ou recorreram do crédito tributário serão cientificados do resultado, sendolhes concedido prazo para manifestação. Portanto, a contrario sensu, se é nula a decisão que não analisa o Recurso dos responsáveis, não merece reparos o acórdão que julgou a responsabilidade solidária Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, mantendo o quanto decidido pelo acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Relatora. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 04/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS
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Numero do processo: 10835.000118/2004-19
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
EMPRESA INAPTA. Aquisição de insumos junto a empresas inaptas por inexistência de fato. Art. 82 da lei nº 9.430/96. Não comprovada a efetiva operação. Os documentos emitidos por pessoa jurídica declarada inexistente de fato são inidôneos desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde sua constituição, nos termos do art. 43 § 3º, IV da IN nº 200 de 2002.
CESSÃO DE CRÉDITO. PAGAMENTO A TERCEIROS. Não caracterizada relação jurídica negocial.
RESSARCIMENTO PIS/COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI não integra a base de cálculo da Cofins e do PIS.
COFINS NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA DOS CRÉDITOS. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL.
Dada a expressa determinação legal vedando a atualização de créditos do PIS e da Cofins não cumulativos é inadmissível a aplicação de correção monetária e incidência de juros aos créditos objeto de pedido de ressarcimento.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-001.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acórdão os membros do Colegiado: 1- por unanimidade de votos, em desconsiderar os créditos atrelados às notas fiscais relativas às aquisições de pessoas jurídicas declaradas inaptas. Quanto a este ponto, os Conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama acompanharam o Relator pelas conclusões; 2- por maioria de votos, em afastar o acréscimo à base de cálculo fundado nos créditos presumidos do IPI. Vencidos os Conselheiros Winderley Morais Pereira e Ricardo Paulo Rosa; e, 3- por voto de qualidade, em negar provimento com relação à atualização dos créditos com base na taxa Selic. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho (relator), Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. Designado para redigir o voto vencedor, quanto a esta fração do litígio, o Conselheiro Winderley Morais Pereira
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
Álvaro Arthur L. de Almeida Filho Relator
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Redator Designado
EDITADO EM: 02/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Marcelo Guerra de Castro (Presidente da Turma), Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Nanci Gama, Winderley Morais Pereira e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho.
Nome do relator: ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO
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Aquisição de insumos junto a empresas inaptas por inexistência de fato. Art. 82 da lei nº 9.430/96. Não comprovada a efetiva operação. Os documentos emitidos por pessoa jurídica declarada inexistente de fato são inidôneos desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde sua constituição, nos termos do art. 43 § 3º, IV da IN nº 200 de 2002. CESSÃO DE CRÉDITO. PAGAMENTO A TERCEIROS. Não caracterizada relação jurídica negocial. RESSARCIMENTO PIS/COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI não integra a base de cálculo da Cofins e do PIS. COFINS NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA DOS CRÉDITOS. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL. Dada a expressa determinação legal vedando a atualização de créditos do PIS e da Cofins não cumulativos é inadmissível a aplicação de correção monetária e incidência de juros aos créditos objeto de pedido de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do Colegiado: 1 por unanimidade de votos, em desconsiderar os créditos atrelados às notas fiscais relativas às aquisições de pessoas jurídicas declaradas inaptas. Quanto a este ponto, os Conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama acompanharam o Relator pelas conclusões; 2 por maioria de votos, em afastar o acréscimo à base de cálculo fundado nos créditos presumidos do IPI. Vencidos os Conselheiros Winderley Morais Pereira e Ricardo Paulo Rosa; e, 3 por voto de qualidade, em negar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 01 18 /2 00 4- 19 Fl. 2996DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 2 provimento com relação à atualização dos créditos com base na taxa Selic. Vencidos os Conselheiros Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho (relator), Luciano Pontes de Maya Gomes e Nanci Gama. Designado para redigir o voto vencedor, quanto a esta fração do litígio, o Conselheiro Winderley Morais Pereira (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur L. de Almeida Filho – Relator (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira – Redator Designado EDITADO EM: 02/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Marcelo Guerra de Castro (Presidente da Turma), Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Nanci Gama, Winderley Morais Pereira e Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho. Relatório Tratase de recurso voluntário visando a reforma do acórdão nº 1421.906 da 4ª Turma da DRJ/RPO, que indeferiu o pedido de ressarcimento do saldo credor da contribuição ao programa de integração social PIS. De acordo com o relatório da decisão recorrida se pode observar que: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento do saldo credor da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), relativo a receita de exportações, apurado • no regime de incidência nãocumulativa, no valor de R$ 751.651,49, relativo ao quarto trimestre de 2003, conforme pedido de fl. 1. Com relação ao crédito postulado, foram apresentadas posteriormente várias Declarações de Compensação (DCOMP) informando diversas compensações desse crédito com débitos de vários tributos. A DRF/Presidente PrudenteSP, por meio do despacho decisório de fls. 1.610/1.612, deferiu parcialmente a solicitação da contribuinte, reconhecendo o crédito no valor de R$ 477.685,71. Segundo o relatório de fls. 1.573 a 1.609, o deferimento parcial do pedido foi devido, em parte, à inclusão na base de cálculo de valores relativos à venda de ativo imobilizado e ao crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Fl. 2997DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10835.000118/200419 Acórdão n.º 3102001.472 S3C1T2 Fl. 1.060 3 Também foram glosados créditos referentes a compras de matériasprimas de empresas com situação cadastral irregular, como empresa inexistente de fato, inativa, não cadastrada na Secretaria de Fazenda estadual, omissa na entrega das declarações etc. Além das glosas, quanto às empresas inexistentes de fato, foram eitas representações propondo a sua inaptidão. Também foram glosados valores referentes a pagamentos feitos a sócios e com benfeitorias realizadas em seus imóveis. O despacho de fls. 2.244 e 2.245 homologou parcialmente as compensações declaradas até o limite do crédito deferido no despacho de fls. 1.610 a 1.612. Cientificada dos despachos acima e inconformada com o deferimento parcial de seu pedido, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 2.254/2.290, alegando, em resumo, que o valor do crédito presumido de IPI não se trata de receita mas sim de recuperação de custos, assim não seria tributado pelo PIS e Cofins, conforme julgados que transcreve. Quanto às glosas das aquisições de empresas irregulares, alega que as • operações de compras foram comprovadas, conforme documentos que demonstram o pagamento e o recebimento das mercadorias, que ora anexa. Argúi que a Instrução Normativa (IN) SRF IP 200, de 2002, em seu art. 43, dispõe que os documentos emitidos por empresa inapta somente são considerados inidôneos a partir da publicação do ato que declarou a inaptidão e que a maioria das declarações de inaptidão ocorreram a partir de dezembro de 2007, ou seja, posteriormente à realização das operações glosadas. Aduz que o art. 82 da Lei ri 9.430, de 1996, dispõe que os documentos emitidos por empresas inaptas produzem efeitos para terceiros desde que a operação seja comprovada, e que o Conselho de Contribuintes vem decidindo nesse sentido, conforme ementas de julgados que transcreve. Alega que agiu de boafé, pois pesquisou a regularidade dos fornecedores nos sítios da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e da Fazenda estadual antes de realizar as operações e que, à época das operações, as empresas estavam devidamente • habilitadas, conforme cópias das telas do sítio da Receita Federal e do sistema Sintegra da Fazenda estadual, que anexa, pois as declarações de inaptidão ou inabilitação somente produzem efeitos após a publicidade dos respectivos atos, e ainda que não cabe ao contribuinte provar a existência e a regularidade dos emitentes das notas fiscais. Fl. 2998DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 4 Argúi ainda que não houve verificação do efetivo ingresso dos produtos adquiridos, cujas notas fiscais foram glosadas, em ofensa ao princípio da verdade material. Alega também que o crédito ressarcido deveria sofrer correção monetária, assim requer a aplicação de juros moratórios ao valor deferido, porquanto tratase de isonomia com a Fazenda Pública, que os cobra nos casos de inadimplência e os acresce às restituições de pagamentos indevidos, nos dois casos com juros equivalentes à taxa do Selic. Transcreve julgados nesse sentido. Por fim, requer diligência e perícia para atender aos quesitos contidos às fls. 2.289 e 2.290. Após analisar a manifestação de inconformidade apresentada em razão do não acolhimento total do pedido de ressarcimento, decidiu a 4ª Turma da DRJ/RPO, pelo indeferimento da manifestação, consoante se depreende da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO • Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 EMPRESA INAPTA. DOCUMENTOS. VALIDADE. Documentos fiscais emitidos por empresa inapta somente produzem efeitos tributários para terceiros caso a empresa beneficiária dos documentos prove a existência e a legitimidade das operações. FORNECEDORES. PAGAMENTOS A TERCEIROS. CESSÃO DE CRÉDITO. GLOSA. Glosase o crédito referente ao PIS e à Cofins não cumulativos oriundo de compras cujo pagamento foi repassado a terceiros que não mantiveram qualquer espécie de relação jurídica ou negociai com a beneficiária do crédito. CESSÃO DE CRÉDITO. CONTRATO. COMPROVAÇÃO. Para ter eficácia perante terceiros, a cessão de crédito deve estar embasada em contrato público, ou particular que atenda aos requisitos da legislação civil, em ambos casos devidamente lançado no Registro de Títulos e 4111 Documentos. PIS. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. O crédito presumido de IPI integra a base de cálculo da Cofins e do PIS na sistemática nãocumulativa de apuração dessas contribuições. Fl. 2999DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10835.000118/200419 Acórdão n.º 3102001.472 S3C1T2 Fl. 1.061 5 RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa do Selic a valores objeto de ressarcimento. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Solicitação Deferida em Parte Inconformada com a decisão acima, a contribuinte apresenta recurso voluntário alegando em síntese que: 1 – Realizou pedido de ressarcimento de PIS/PASEP não cumulativo, incidente sobre insumos de produtos exportados, o qual foi reconhecido pela Receita; 2 – A autoridade fiscal realizou à glosa de valores de compras de matérias primas e materiais secundários, reduzindo assim o crédito pretendido; 3 – De acordo com o item 9 do termo de verificação fiscal, a fiscalização através das informações contidas no “SISCOMEX” e do “SIGADW”, somadas as notas e livros fiscais apresentados, constatou que não há irregularidades nas exportações realizadas pela empresa no período fiscalizado.; 4 – O crédito presumido de IPI não configura receita, cabendo seu ressarcimento, não podendo, mesmo se considerado como receita, incidir sobre as exportações; 5 – O art. 3º da portaria 187/93, referese como ineficaz para todos os efeitos tributários os documentos emitidos por uma pessoa jurídica apta para uma empresa inapta, o que não é o caso dos autos; 6 – Resta comprovado nos autos a efetividade das operações de compras e o recebimento das mercadorias; 7 – De acordo com a instrução normativa INSF 200 de 13/09/2002 vigente a época dos fatos, a inidoneidade dos documentos só pode ser atribuídas após a publicação do ADE, o que só ocorreu após as operações; 8 – Não prospera a alegação de que os contribuintes não tinham existência fática, pois realizaram operações comerciais e estavam cadastrados junto a fazenda Estadual e a Receita Federal; Fl. 3000DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 6 9 – As empresas afirmadas com inexistentes pela fiscalização, efetivamente efetuaram vendas para outros contribuintes, a assim são devedoras do PIS e COFINS, portanto o recolhimento ou não do tributo foge a alçada da recorrente; 10 – Não procede a exigência de comprovação da relação jurídica entre o fornecedorcedente e os beneficiáriocessionários, pois eles não estão obrigados a prestar contas de suas atividades comerciais para a recorrente. 11 – O fato dos cessionários serem pessoas físicas não impede o creditamento das contribuições do PIS/PASEP e COFINS; 12 – Sustenta que no caso em liça deve ser aplicado o art. 82, parágrafo único da Lei nº 9.430/96, sob o argumento de que não há qualquer restrição quanto ao pagamento, sendo necessário apenas sua efetiva comprovação, independentemente se o mesmo foi realizado ao fornecedor ou a outra pessoa. 13 – Por fim busca a recorrente que os valores objeto do ressarcimento sejam atualizados pela taxa SELIC a partir da data do pedido. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Álvaro Almeida Filho Conheço do presente recurso por ser tempestivo e tratar de matéria de competência da terceira sessão. Como demonstrado no relato acima a recorrente visa o ressarcimento do saldo credor do PIS não cumulativo pago nas etapas que antecedem a exportação, o deferimento foi parcial em razão da inclusão na base de cálculo de valores relativos ao crédito presumido do IPI. Também foram afastados os créditos provenientes de compras de matérias primas de empresas com situação cadastral irregular. Sobre a aquisição de empresas declaradas inaptas a lei nº 9.430/96 a partir do art. 80 estabeleceu as diretrizes sobre “empresa inidônea” e define em seu art. 82 “caput” que não produzirá efeitos em favor de terceiros os documentos expedidos por pessoas jurídicas inaptas, in verbis: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Percebese que a norma acima propõe duas formas em que os documentos serão considerados inidôneos, pois a declaração de inaptidão da empresa não exclui as outras formas de inidoneidade de documentos prevista na legislação, assim o fato da declaração de inaptidão ser posterior, não legitima os documentos emitidos no passado, caso estes preencham as hipóteses de inidoneidade prevista na norma. Fl. 3001DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10835.000118/200419 Acórdão n.º 3102001.472 S3C1T2 Fl. 1.062 7 Observando o termo de verificação fiscal, percebese que as compras que foram objeto de glosa decorrem de empresas inaptas, inaptidão essa caracterizada em sua grande maioria por inexistência de fato, consoante se depreende do item 10 do referido termo: A empresa acima identificada adquiriu, de fornecedores localizados no estado de São Paulo e de outros Estados, matéria prima(couro verde), a ser utilizado na processo de Fabricação. Após análise das notas fiscais de compras, e pesquisas aos Sistemas Corporativos da Receita Federal do Brasil, bem como do Sintegra, na internet, constatouse que parte dos fornecedores encontramse em situações irregulares, tais como: empresa inexistente de fato, empresa inativa, empresa não cadastrada na Secretária da Fazenda do Estado (não habilitada no Sintegra), empresa omissa na entrega de declarações, etc. Diante de tal situação, foram realizadas diligências em várias empresas fornecedoras, sendo que o resultado da maioria delas foi a constatação de inexistência de fato, com Representação Fiscal propondo a Inaptidão das mesmas. A Instrução Normativa nº 200/2002, em vigor a época dos fatos, ao dispor sobre o cadastro nacional da pessoa jurídica estabelece em seu art. 37 as hipóteses em que a pessoa jurídica será considerada inexistente de fato nos seguintes termos: Art. 37. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica: I que não dispõe de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto; II que não for localizada no endereço informado à SRF, quando seus titulares também não o forem; III que tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários; IV – cujas atividades regulares se encontrem paralisadas, salvo quando enquadrada nas situações a que se referem as alíneas "a" e "c" do inciso III do § 1o do art. 28. Quanto aos documentos emitidos por pessoa jurídica considerada inapta a mesma resolução, já os considerava inidôneos, mesmo antes da declaração da inaptidão, consoante prescreve os inciso III, IV e V do §3º e § 4º do art. 43, os quais assim definem: Art. 43. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. § 3o O disposto neste artigo aplicarseá em relação aos documentos emitidos: Fl. 3002DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 8 I ... II ... III a partir da data desde a qual se caracteriza a situação prevista no inciso III do art. 37; IV na hipótese dos incisos I, II e IV do art. 37, desde a paralisação das atividades regulares da pessoa jurídica ou desde a sua constituição, se ela jamais houver exercido atividade regular; V na hipótese do inciso IV do art. 29, desde a data de ocorrência do fato. § 4o A inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos, previstas na legislação, nem legitima os emitidos anteriormente às datas referidas no § 3o deste artigo (Grifo nosso). No tocante ao argumento da recorrente de que a declaração de inidoneidade dos documentos apenas podem surtir efeitos após a publicação do ADE, este deve ser afastado, pois, só as hipóteses dos incisos I e II do § 3º do art. 43 estabeleciam tal marco temporal, sendo as situações respectivamente definidas nos inciso I e II do art. 29 da resolução nº 200/2002: Art. 29. Será declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica: I omissa contumaz: a que, embora obrigada, deixou de apresentar as declarações referidas nos itens 1 e 3 da alínea "c" do inciso I do art. 48, por cinco ou mais exercícios consecutivos e, intimada, não regularizou sua situação no prazo de sessenta dias, contado da data da publicação da intimação; II omissa e não localizada: a que, embora obrigada, deixou de apresentar as declarações referidas no inciso anterior, por um ou mais exercícios e, cumulativamente, não foi localizada no endereço informado à SRF; Percebese, no caso nos autos que as operações comerciais realizadas pela recorrente foram acobertadas por notas fiscais emitidas por empresas inexistente de fato, aplicandose assim as disposições contidas no art. 37 da mesma norma em detrimento das hipóteses elencadas no art. 29: Art. 37. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica: I que não dispõe de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto; II que não for localizada no endereço informado à SRF, quando seus titulares também não o forem; Fl. 3003DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10835.000118/200419 Acórdão n.º 3102001.472 S3C1T2 Fl. 1.063 9 III que tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários; IV – cujas atividades regulares se encontrem paralisadas, salvo quando enquadrada nas situações a que se referem as alíneas "a" e "c" do inciso III do § 1o do art. 28. Sobre o terma é oportuno apresentar o posicionamento adotado pela 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção ao discorrer sobre a natureza declaratória dos atos de inaptidão da receita: Insurgese ainda a Recorrente contra os efeitos temporais do Ato Declaratório. Segundo ela, seus efeitos aplicarseiam somente após a edição do Ato Declaratório. Não prospera tal alegação. A esse respeito a princípio cabe enfatizar que a natureza declaratória dos atos de inaptidão da Receita Federal do Brasil, uma vez que eles apenas reconhecem fatos já existentes, por isso, muitas vezes tem efeito extunc (retroativos), ao contrário dos atos constitutivos. Assim o Ato declaratório não constitui fato jurídico, apenas declara uma situação irregular que já se verificava no passado e que indícios convergentes mostram, como é o caso da inexistência de fato dos estabelecimentos em comento. 1 Ressaltese que a instrução INSF de 200/2002, já disciplinava no § 5º do art. 43, que caberia ao terceiro interessado, o qual tenha adquirido bens, direitos e mercadorias ou tenha tomado serviços, comprovar que a operação tenha ocorrido, para assim ser possível o pedido de ressarcimento, portando acerta a decisão recorrida ao afirmar que: Desta forma, como se trata de pedido de ressarcimento postulado pela interessada, a ela cabe o ônus de demonstrar a ocorrência e a exatidão das operações geradoras de crédito fiscal, mormente quando sobre tais operações pairem dúvidas, como a possível inexistência de fato das empresas emissoras dos documentos fiscais... Já o parágrafo único do art. 82 estabelece que as hipóteses de inidoneidade de documentos fiscais será afastada quando o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviço comprove: 1) a efetivação do pagamento do preço respectivo; e 2) recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Assim, ao não satisfazer as condições simultaneamente, não há como prosperar os argumentos da recorrente no tocante ao pedido de ressarcimentos dos créditos relativos a aquisições de matéria prima de empresas inaptas. 1 Acordão 140100.536 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 1ª Seção Processo n 15940.000509/200794 Fl. 3004DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 10 Em relação a cessão de crédito sustenta a recorrente que não seriam necessárias maiores formalidades, bastando apenas a comunicação ao devedor nos termos do art. 290 do Código Civil. O Código Civil em seu art. 2882 define que a mesma é ineficaz quando a transmissão de um crédito não for celebrada através de instrumento público, ou em caso de instrumento particular, que sejam atendidos os requisitos insculpidos no art. 6543 do mesmo diploma legal, o qual ao estabelecer as condições de validade da procuração particular define em seu § 1ª que a mesma deve conter a indicação do lugar onde ocorre a outorga, a qualificação das partes, e discriminação dos poderes conferidos. Ressaltese ainda que a Lei de Registros Públicos nº 6.015/1973 que estabelece em seu art. 129 9º)4 que para os instrumentos de cessão de direitos e de créditos surtirem efeitos perante terceiros, devem ser registrados no Registro de Títulos e Documentos. Acontece, que no caso dos autos não foram obedecidas as exigências indicadas, tal assertiva também pode ser constatada pelas afirmações da própria recorrente ao dizer em suas razões recursais que “as cartas de cessão de crédito com firmas reconhecidas em cartório são mais que suficientes para comprovar tal relação jurídica e notificação do devedor/recorrente”. Por essas razões não há como reconhecer a eficácia das cessões de créditos desprovidas das formalidades legais. Quanto a exclusão da “receita” relativa ao crédito presumido de IPI da base de cálculo da PIS e COFINS, destaca a recorrente que o legislador procurou desonerar as exportações das contribuições de PIS e da COFINS incidentes sobre os insumos utilizados na fabricação de produtos exportados, e assim apresenta o crédito presumido de IPI não como receita e sim com recuperações de custo. 2 Código Civil Art. 288. É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrarse mediante instrumento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do § 12 do art. 654. 3 Código Civil Art. 654. Todas as pessoas capazes são aptas para dar procuração mediante instrumento particular, que valerá desde que tenha a assinatura do outorgante. sç 1' O instrumento particular deve conter a indicação do lugar onde foi passado, 411 a qualificação do outorgante e do outorgado, a data e o objetivo da outorga com a designação e a extensão dos poderes conferidos. § 22 O terceiro com quem o mandatário tratar poderá exigir que a procuração traga afirma reconhecida. 4 Lei de Registros Públicos Art. 129. Estão sujeitos a registro, no Registro de Títulos e Documentos, para surtir efeitos em relação a terceiros: (Renumerado do art. 130 pela Lei nº 6.216, de 1975). 9º) os instrumentos de cessão de direitos e de créditos, de subrogação e de dação em pagamento. Fl. 3005DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10835.000118/200419 Acórdão n.º 3102001.472 S3C1T2 Fl. 1.064 11 A lei nº 9.363/96 estabeleceu o crédito presumido de IPI para ressarcimento da COFINS e PIS/PASEP ao definir em seu art. 1º5 que empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais terá direito a crédito presumido do Imposto sobre produtos industrializados, com o ressarcimento das contribuições que incidam sobre as aquisições no mercado interno de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo. Portanto, deve ser analisado se o Crédito Presumido seria “receita” ou “recuperação de custo”, ora se durante as aquisições os produtos não tivessem sofrido a exação das contribuições, o valor dos produtos indiscutivelmente seriam menores, portanto o crédito presumido permite que o contribuinte recupere suas despesas, consequentemente não possui natureza jurídica de receita, mas significa uma recuperação de custos. Pensar de outra forma, e considerar o crédito presumido de IPI, para fins da base de cálculo das contribuições, seria um contrassenso, pois o mesmo foi criado justamente para estimular as exportações e assim ao admitilo como receita se estaria neutralizando e retirando todo o benefício fiscal concedido por lei. Sobre o mesmo tema CARF já se posicionou no mesmo sentido, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS. O registro na escrituração mercantil do crédito presumido do IPI tem como fundamento a desoneração do custo dos produtos vendidos, classificandose como recuperação de custos ou receita operacional, sendo inadmissível a sua exclusão da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. PIS.COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. O crédito presumido previsto na Lei nº 9.363/96 não constitui receita da pessoa jurídica, mas mera recomposição de custos, razão porque não podem ser considerados na determinação da base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins. 6 O posicionamento acima é o mesmo adotado pelo STJ, conforme se depreende do julgamento do Resp 807130SC: TRIBUTÁRIO – CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI – LEIS 9.363/96 E 10.276/2001– NATUREZA JURÍDICA – NÃO INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. 5 Lei nº 9.363/96 Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. 6 CARF Acórdão 180300.703 3ª Turma Especial. Primeira Seção de Julgamento. Fl. 3006DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 12 1. O STJ e o STF já definiram que: a) a base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, que equivale à receita bruta, resultado da venda de bens e serviços pela empresa; b) a Lei 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo "faturamento", para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado; c) a noção de faturamento inscrita no art. 195, I, da CF/1988 (na redação anterior à EC 20/98) não autoriza a incidência tributária sobre a totalidade das receitas auferidas pelos contribuintes, não sendo possível a convalidação posterior de tal imposição, ainda que por força da promulgação da EC 20/98; d) é inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (base de cálculo do PIS e da COFINS), o que impede a incidência do tributo sobre as receitas até então não compreendidas no conceito de faturamento da LC nº 70/91; e) desnecessária, no caso específico, lei complementar para a majoração da alíquota da COFINS, cuja instituição se dera com base no art. 195, I, da Carta Magna. 2. O legislador, com o crédito presumido do IPI, buscou incentivar as exportações, ressarcindo as contribuições de PIS e de COFINS embutidas no preço das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos pelo fabricante para a industrialização de produtos exportados. O produtorexportador apropriase de créditos do IPI que serão descontados, na conta gráfica da empresa, dos valores devidos a título de IPI. 3. O crédito presumido do IPI tem natureza jurídica de benefício fiscal, não se constituindo receita, seja do ponto de vista econômicofinanceiro, seja do ponto de vista contábil, devendo ser contabilizado como "Recuperação de Custos". Portanto, não pode integrar a base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. Ainda que se considerasse receita, incabível a inclusão do crédito presumido do IPI na base de cálculo do PIS e da COFINS porque as receitas decorrentes de exportações são isentas dessas contribuições. 4. Recurso especial não provido. Ao final busca a recorrente que os valores objeto do pedido de ressarcimento sejam atualizados com a aplicação da taxa SELIC a partir da data da solicitação. Como já demonstrado a pretensão da recorrente decorre de pedido de ressarcimento, e não de repetição de indébito tributário, para a qual há expressa previsão legal de atualização nos termos do art. 39 da lei 9.250/95. Fl. 3007DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10835.000118/200419 Acórdão n.º 3102001.472 S3C1T2 Fl. 1.065 13 Não obstante a ausência de previsão legal, negar o pedido de atualização o crédito pretendido, e reconhecido pela própria fazenda, ensejaria enriquecimento sem causa da União, principalmente pelo fato da pretensão resistida percorrer diversos anos até o deferimento, como no presente caso. Sob este prisma o Superior Tribunal de Justiça no julgamento do recurso especial nº 1.035.847 submetido ao regime do art. 543C, representativo de controvérsia, reconheceu que o pedido de ressarcimento de crédito de IPI enseja a incidência de correção monetária, decisão essa que transitou em julgado em 10/03/2010. Assim, deve prevalecer o mesmo entendimento a caso em tela, aplicandose o disposto no art. 62A do regulamento do CARF, sendo, portanto devida a correção monetária dos créditos pretendidos que foram deferidos, e atualizálos a partir do protocolo dos pedidos administrativos. Por todo exposto dou parcial provimento ao recurso voluntário, para deferir o ressarcimento do PIS ao excluir o crédito presumido do IPI da base de cálculo e reconhecer o direito a atualização dos créditos pretendidos a partir do protocolo dos pedidos administrativos. Sala de sessões 26 de abril de 2012. (assinado digitalmente) Álvaro Arthur L. de Almeida Filho Relator Fl. 3008DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA 14 Voto Vencedor Em que pese o respeitável voto do e. relator, peço vênia para divergir do entendimento quanto à correção monetária e aplicação da taxa Selic aos créditos do PIS e COFINS no regime não cumulativo. A legislação expressamente veda a correção monetária e aplicação de juros sobre os créditos objeto do pedido de ressarcimento, conforme previsto no art. 13 e no art. 15 da Lei nº 10.833/2003. “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. .... Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: I nos incisos I e II do § 3o do art. 1o desta Lei; II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o e 10 a 20 do art. 3o desta Lei; III nos §§ 3o e 4o do art. 6o desta Lei; IV nos arts. 7o e 8o desta Lei; V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; VI no art. 13 desta Lei.” Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso quanto a quanto a possibilidade de correção dos créditos. Sala de sessões 26 de abril de 2012. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 3009DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmen te em 17/10/2012 por ALVARO ARTHUR LOPES DE ALMEIDA FILHO, Assinado digitalmente em 23/11/2012 por L UIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 10950.000519/2005-25
Data da sessão: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2002, 2003, 2004
DIF. PAPEL IMUNE. ATRASO. ENTREGA. REALIZAÇÃO DE OPERAÇÕES. A inflição de multa pelo atraso na entrega da DIF - Papel Imune decorre da realização de operações com papel imune, e não da concessão do Registro Especial.
RETRO ATIVIDADE BENIGNA. A lei nova aplica-se a fatos geradores pretéritos, quando beneficiar o contribuinte.
DIF. PAPEL IMUNE. MULTA. REDUÇÃO. A Lei 11.945/09 reduziu o patamar da multa por atraso na entrega da declaração e pela informação incorreta.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente.
Numero da decisão: 3301-00.157
Decisão: ACORDAM os Membros da 3ª CÂMARA / 1ª TURMA ORDINÁRIA do TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa de oficio, aplicando-se a Lei n° 11.945, de 04/06/09, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IPI- ação fiscal - penalidades (multas isoladas)
Nome do relator: Gustavo Kelly Alencar
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