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Numero do processo: 13826.000034/97-57
Data da sessão: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2000
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS — NULIDADE - Rejeitada a argüição de nulidade da decisão de primeiro grau, por não ficar comprovada a situação que a fundamentou. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS — Não e oponivel na esfera administrativa de julgamento arguição de inconstitucionalidade de norma legal. EPI — INTERNAÇÃO NA
ZONA FRANCA DE MANAUS/AMAZONIA OCIDENTAL - A declaração da SUFRAMA tem fé pública. constituindo-se em ato administrativo revestido de legitimidade, legalidade e moralidade, somente podendo ser invalidada mediante apresentação dc prova demonstrando de forma clara e objetiva sua improcedencia. A responsabilidade pelo internamento da mercadoria é da vendedora. pois a legislação somente admite a isenção após ficar comprovado
que a mercadoria foi realmente internada na Area objeto do incentivo, momento em que cessa o regime especial da suspensão tributária a que estava submetida. ALIQUOTAS - NOTA FISCAL - DIVERGÊNCIA DE INFORMAÇÕES - A nota fiscal de venda é o documento que se impõe para definir o tratamento tributario ao qual se submete o produto objeto da operação. Tem força probante qualm à efetiva saida da mercadoria que especifica. do estabelecimento
industrial, fazendo , ainda, prova em favor do Fisco o procedimento que o submete à saída com suspensão do imposto. Recurso negado.
Numero da decisão: 203-06.928
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos: I) em rejeitar a preliminar de nulidade da decido de primeira instância; e II) no
mérito, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Francisco de Sales Ribeiro Queiroz
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ementa_s : NORMAS PROCESSUAIS — NULIDADE - Rejeitada a argüição de nulidade da decisão de primeiro grau, por não ficar comprovada a situação que a fundamentou. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS — Não e oponivel na esfera administrativa de julgamento arguição de inconstitucionalidade de norma legal. EPI — INTERNAÇÃO NA ZONA FRANCA DE MANAUS/AMAZONIA OCIDENTAL - A declaração da SUFRAMA tem fé pública. constituindo-se em ato administrativo revestido de legitimidade, legalidade e moralidade, somente podendo ser invalidada mediante apresentação dc prova demonstrando de forma clara e objetiva sua improcedencia. A responsabilidade pelo internamento da mercadoria é da vendedora. pois a legislação somente admite a isenção após ficar comprovado que a mercadoria foi realmente internada na Area objeto do incentivo, momento em que cessa o regime especial da suspensão tributária a que estava submetida. ALIQUOTAS - NOTA FISCAL - DIVERGÊNCIA DE INFORMAÇÕES - A nota fiscal de venda é o documento que se impõe para definir o tratamento tributario ao qual se submete o produto objeto da operação. Tem força probante qualm à efetiva saida da mercadoria que especifica. do estabelecimento industrial, fazendo , ainda, prova em favor do Fisco o procedimento que o submete à saída com suspensão do imposto. Recurso negado.
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Recorrida DIU em Ribeirao Preto - SP NORMAS PROCESSUAIS — NULIDADE - Rejeitada a argiiição de nulidade da decisão de primeiro grau, por não ficar comprovada a situação que a fundamentou. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DAS LEIS — Não e oponivel na esfera administrativa de julgamento arguição de inconstitucionalidade de norma legal. EPI — INTERNAÇÃO NA ZONA FRANCA DE MANAUS/AMAZONIA OCIDENTAL - A declaração da SUFRAMA tem fé pública. constituindo-se em ato administrativo revestido de legitimidade, legalidade e moralidade, somente podendo ser invalidada mediante apresentação dc prova demonstrando de forma clara e objetiva sua improcedencia. A responsabilidade pelo internamento da mercadoria é da vendedora. pois a legislação somente admite a isenção após ficar comprovado que a mercadoria foi realmente internada na Area objeto do incentivo, momento em que cessa o regime especial da suspensão tributária a que estava submetida. ALIQUOTAS - NOTA FISCAL - DIVERGÊNCIA DE INFORMAÇÕES - A nota fiscal de venda é o documento que se impõe para definir o tratamento tributario ao qual se submete o produto objeto da operação. Tem força probante qualm à efetiva saida da mercadoria que especifica. do estabelecimento industria/, fazendo , ainda, prova cm favor do Fisco o procedimento que o submete à saída com suspensão do imposto. Recurso negado. • V AMÉRICA S/A. Vistos , relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: USINA NOVA ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes , por unanimidade de votos: I) em rejeitar a preliminar de nulidade da decido de primeira instância; e ID no mérito, em negar pro% imento ao recurso. Sala das Sessões. em 08 de novembro de 2000 °wino Da artaxo Presidente Francisco de 4tes Ribeito Quei oz. Relator Participaram, ainda , do presente julgamento os Conselheiros Antonio Augusto Borges Torres. Lina Maria Vieira. Mauro Wasilewski, Daniel Correa Homem de Carvalho, Renato Scalco lsquierdo e Francisco Mauricio R de Albuquerque Silva. Imp/ovrs 1 MINISTER* DA FAZENDA 40- SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 9- ,cesso : 13826.000034/97-57 Acórdão : 203-06.928 Recurso : 107.248 Recorrente : USINA NOVA AMERICA S/A. RELATÓRIO USINA NOVA AM:ERICA S/A, pessoa jurídica já qualificada nos autos do presente processo, recorre a este Colegiado, às fls. 265/325, contra decisão proferida pelo Sr. Delegado da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto - SP (fls. 216/228) que julgou procedente a exigência fiscal consubstanciada no auto de infração de fls. 01/07. Conforme demonstrativo de fls. 02/03 — DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL — IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - o presente lançamento foi efetuado em virtude da fiscalizada não ter comprovado o internamento da mercadoria açúcar, de sua fabricação, na zona franca de Manaus e Amazõnia Ocidental, referente ás Notas Fiscais emitidas em nome da empresa Cerealista Dunorte Ltda. (cópias is fls. 12/22) e Notas Fiscais relacionadas As fls. 11, em nome da firma individual Luiz da Silva Cezar (cópias não anexadas ao processo). Em confronto com a relação fornecida pela SUFRAMA — Superintendência da Zona Franca de Manaus- AM, referidas notas fiscais não constavam entre as 11110 que teriam sido internadas. Inaugurada a fase litigiosa do procedimento, o que ocorreu com a protocolização da peça impugnativa de fls. 971107, a autoridade julgadora singular solicitou i repaniçao preparadora que juntasse aos autos cópia do relatório do Sistema de Internamento de Mercadorias Nacionais emitido pela SUFRAMA, ou de certidão de não internação firmada pelo Superintendente da citada autarquia. Consta is fls. 110/138 a relação solicitada e, is fls. 139 a 141, a -Declaração de Não Reconhecimento", esta dizendo respeito aos faturamentos em nome da Cerealista Dunorte Ltda. No despacho de fls. 142, a repartição preparadora se reporta is notas fi scais emitidas em nome da firma individual Luiz da Silva Cezar, no sentido de que, "conforme já informado is fls. 03, não constam como internadas, não tendo o contribuinte apresentado comprovantes de internamento". Atendendo recomendação da autoridade julgadora a quo, através do despacho de fls. 143, foi dado vistas ao processo para que a então impugnante tomasse ciência do resultado da diligência, reabrindo-se-lhe o prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, "apresentar [...I novas alegações a respeito dos documentos juntados ao processo, e a juntar ao processo, no mesmo prazo, o conhecimento do transporte das mercadorias, ou, oil sua falta, declaração do • or 2 ,INISTER10 DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 1-1 esso : 13826.000034/97-57 scórdio : 203-06.928 transportador, datada e visada pela SUFRAMA, de que as mercadorias foram entregues ao destinatário, nos termos do parágrafo 2' do art. 180 do R1PV82." • Ato continuo, em 08/07/97 a empresa protocolizou o arrazoado de fls. 148/167, sem que do mesmo se tenha feito acompanhar a documentação acima indicada, requerida pelo julgador monocrático. As fls. 172/178 foi juntada cópia completa do laudo documentoscópico lavrado pelo Serviço de Criminal istica da Policia Federal, em virtude de, anteriormente, apenas parte desse mesmo laudo ter sido anexado ao processo, is fls. 25/27, conforme explicações fornecidas pelo órgão julgador de primeira 'instância, consoante despacho de fls. 180, de cujo despacho fez constar, ainda, mais uma recomendação no sentido de que fosse o processo "encaminhado SASAR/DRF/Marilia, a fim de intimar a contribuinte, entregando -lhe cópia do laudo, para que apresente aditamento à impugnação relativamente ao documento, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência da intimação." Referido laudo concluiu que as notas fiscais (fls. 15123) emitidas em nome da empresa Cerealista Dunorte Ltda. conteriam as seguintes caracteristicas: "sem carimbados ou rubricas da SUFRAMA; filigranações divergentes dos padrões". • Através da Decisão de fls. 216/228, a autoridade julgadora a quo manteve o lançamento, ementando sua decisão nos seguintes termos: "ALÍQUOTAS. NOTA FISCAL. DIVERGÊNCIA DE INFORMAÇÕES. A divergência de informações constantes das notas fiscais deve ser interpretada em favor do Fisco. AÇÚCAR DE CANA. ZONA FRANCA DE MANAUS. SUSPENSÃO DO IMPOSTO. CONDIÇÕES. EFETIVO INTERNAMENTO DAS MERCADORIAS. A suspensão do pagamento do imposto esta sujeita is condições previstas na legislação. Não verificadas, o pagamento do imposto é exigível do contribuinte, a não ser que o destinatário tenha sido o responsável pelo desvio da mercadoria." Cientificada dessa decisão em 03 de fevereiro de 1998 (AR de fls. 232), no dia 04 de março seguinte a autuada protocolizou seu recurso a este Conselho (fls. 265/325), alegando, em síntese, que: 3 30- . 4INISTERIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .esso : 13826.000034/97-57 :ccirdio : 203-06.928 produz e comercializa "açúcar nos tipos refinado e cristal, este nas modalidades 'superior', 'especial' e 'especial extra', os quais são tributados pelo IPI à aliquota "zero", sem que no periodo fiscalizado tenha fabricado o açúcar cristal "standard", tributado à aliquota de 18%, sendo a mercadoria retirada do seu estabelecimento pelt:, adquirente, apbs comprovar o seu pagamento e que, em se tratando de venda para outro estado, fica o adquirente obrigado a remeter-lhe a documentação comprovando que foi dada saida da mercadoria do estado de Sao Paulo. para efeito do 1CMS, as afirmações, quanto ao tipo de açúcar produzido estariam fartamente comprovadas pela apresentação do Livro de Produção Diária (LPD) "no qual registra-se os resultados das analises efetuadas por quimico profissional, [...] e, quando comercializado o açúcar, sua classificação consta do campo 'descrição dos produtos/especificações' das notas fiscais, cujas copias já foram entregues ao Agente Fiscal", atribuindo a urn equivoco o fato da classificação fiscal do produto ter sido descrito como sendo açúcar "standard"; a autuação não teria sido efetuada pela falta de comprovação do ingresso da mercadoria na Z.F.M. e na Amazônia Ocidental, como estabelece os artigos 180 e 181 do RIP!, mas em virtude de dúvidas suscitadas em relação As filigranações constantes das mesmas; a propria fiscalização não teria certeza quanto à veracidade da relação fornecida pela SUFRAMA e que servira de base à conclusão de que referidas mercadorias não teriam sido internadas na região incentivada, "posto que, admite a possibilidade de existir comprovações de internamento não relacionadas, a serem submetidas à própria SUFRAMA e, eventualmente, à perícia, posto que, neste caso, nem a SUFRAMA teria condições de averiguar a fidelidade da comprovação.", não sendo essa relação documento legal de comprovação do internamento, citando caso em que a Receita Federal teria desconsiderado autuação junto a outro contribuinte, pelos mesmos motivos, por reconhecer, naquela oportunidade, ter havido fraude na sua elaboração, com o envolvimento de funcionários da própria SUFRAMA; o laudo de exame documentoscopico lavrado pela Policia Federal apresenta-se de forma genérica e inconclusiva, em que não ficam demonstrados quais os "padrões" que balizaram a divergência atestada, alem de tratar-se de prova emprestada, elaborada sem a observância do principio do contraditOrio, não existindo previsão legal para que se exija "outros vistos como carimbos ou rubricas", mas que, mesmo se existisse, essa exigência seria norma do expediente interno da repartição, não se obrigando a empresa ao seu conhecimento, bastando que se lhe retomasse a 4 . via da nota fiscal visada pela SUFRAMA, "mediante filigranações, sem que isso 4 'AINISTÉRIO DA FAZENDA Sr S SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .esso : 13826.000034/97-57 : 203-06.928 houvesse lhe causado qualquer dúvida quanto a autenticidade do documento", sendo que, na grande maioria dos casos, seriam as mesmas autênticas; as notas fiscais em nome da firma individual Luiz da Silva Cezar, apesar de terem sido entregues a fiscalização, não foram periciadas, denotando não existir elemento material algum que as contrariem, não se justificando o lançamento fiscal relativo as mesmas; todos os documentos fiscais solicitados pela fiscalização e que se encontravam em seu poder foram entregues, conforme se pode constatar pelo recibo de entrega acostado à impugnação, os quais totalizavam "10 (dez) cadernos que deveriam ter sido juntados ao presente processo pelo Agente Fiscal, posto que prova essencial da veracidade das alegações da Recorrente"; o que a lei exige é que a empresa vendedora apresente todos os documentos comprobatórios da internação da mercadoria vendida, o que foi feito pela recorrente mediante a entrega de cópia de todos os documentos fiscais de que dispunha (os originais teriam sido entregues ao fisco estadual), cabendo 6. SUFRAMA atestar esse ingresso fisico da mercadoria naquela região; não caberia responsabilidade a recorrente quanto a possíveis desvios ocorridos na destinação da mercadoria, pois sua responsabilidade cessaria a partir da sua entrega ao adquirente; o julgador monocritico teria se contradito quando, para negar pedido de diligência formulado na impugnação, "consignou, is fls. 13 que 'lido hi necessidade de juntada de qualquer outro documento aos autos, posto que aqueles que deles constam são suficientes para resolver a questão", ao tempo em que reconhece ser a 4' via da nota fiscal ou uma das vias do conhecimento de transporte, datadas e visadas pela SUFRAMA, o documento hábil para comprovar o internamento de que trata os artigos 180 e 181 do RIP!, sem que providenciasse a juntada ao processo dos supracitados documentos entregues mediante recibo acostado a impugnação; "a juntada aos autos dos documentos entregues ao Sr. Agente Fiscal em 11 de outubro de 1996, é essencial para o deslinde da controvérsia objeto do presente processo, posto que se tratam de cópias das Notas Fiscais e dos conhecimentos de transporte filigranados e/ou carimbados, sob pena de evidente cerceamento ao direito de defesa da Recorrente".; o dispositivo aplicável ao caso seria o inciso I do parágrafo único do art. 35 do RIP!, e não o inciso II, pois compete ao recebedor do produto a responsabilidade pelo recolhimento de 5 AINISTERIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -esso : 13826.000034/97-57 'acórdão : 203-06.928 tributo porventura devido por não terem sido observadas as condições suspensivas estabelecidas na legislação; se a autoridade julgadora de primeiro grau considera imprescindivel o exame de suas contas bancárias para a elucidação do caso, deveria tê-lo requerido, mediante a realização de diligência, pois "nada tem a esconder", mesmo porque "jamais se recusou a atender qualquer solicitação ou pedido de informação feito pelas Autoridades Fiscais"; no julgamento de primeira instância não teriam sido apreciadas colocações incluidas na sua manifestação protocolada em 11/11197, o que se constituiria em "evidente cerceamento ao direito de defesa", devendo aquela decisão ser anulada para que outra seja proferida em seu lustar, analisando todos as razões expostas, não vindo a acarretar supressão de instância administrativa de julgamento; o Presidente da Republica teria reconhecido a inconstitucionalidade da cobrança do IPI aliquota de 18% sobre os açúcares, tanto que "revogou a lei inconstitucional, declarando-a como tal na Exposição de Motivos da MP n.° 1602/97", sendo de justiça que este Colegiado declare a improcedência da autuação; não procede a alegação do autuante, is fls. 07 do Auto de Infração, de que não teriam sido entregues as notas fiscais emitidas em nome da firma individual Luiz da Silva Cezar, pois o foram, por copia, haja vista os originais encontrarem-se nos autos do Inquérito Policial, fato que já era conhecido do Agente Fiscal quando da lavratura do Auto de Infração, em cujo erro teria incorrido também a autoridade julgadora a quo, ao proferir sua decisão prescindindo desses documentos essenciais ao deslinde da questão, constituindo-se na prova i qual se reportam os artigos 180 e 181 do RIPI, que transcreve; o documento que fundamenta a autuação fiscal não faz prova contra a contribuinte, pois esse procedimento somente poderia ser aceito para tal fim a partir do mês de setembro de 1997, com a edição das Portarias SUFRAMA n.° 314, de 22/09/97, e 327, de 14/10/97. De acordo com o Regulamento vigente à época, a comprovação far-se-ia "mediante vistos da SUFRAMA nos documentos apresentados para verificação fiscal, que podem ser filigranações, rubricas ou carimbados que devem ser aceitos como prova do internamento." "a Recorrente comprovou o internamento das mercadorias nos termos da legislação de regência, mediante entrega, ao sr. Agente Fiscal, de todos os documentos comprobatórios exigidos por lei (4' via da nota fiscal e conhecimento de transporte devidamente filigranados, carimbados e/ou rubricados), documentos estes que, como demonstrado alhures, foram SONEGADOS aos presentes autos, de forma ilícita e ilegal, posto que fundamentais para o 6 tnINISTERIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES _esso : 13826.000034/97-57 : 203-06.928 deslinde da controvérsia, uma vez que a infração funda-se na sua não exibição (o que, como visto, é pura inverdade)."; a jurisprudência da Camara Superior de Recursos Fiscais aceita como elemento probante da internação as filigranações constantes das notas fiscais e conhecimentos de transporte, transcrevendo excerto do acórdão CSRF/02-0.303/89; nit) admite ter-lhe sido negado, na decisão recorrida, o pedido de informações e esclarecimentos a SUFRAMA, acerca da relação por ela elaborada, sob o argumento de que 'lido cabe a. Administração Tributaria perquirir a Superintendência sobre assunto de interesse da empresa autuada", constituindo-se esse procedimento em "desvio de finalidade" e negação do principio constitucional do devido processo legal, citando doutrina a respeito da publicidade que se deve dar aos atos administrativos, para que surtam efeitos "em relação a terceiros estranhos a ele", estando caracterizado o cerceamento do seu direito à ampla defesa; é imprescindivel conhecer-se os métodos e critérios utilizados na pericia, como fator que possibilite ao acusado defender-se da falsidade que se pretende seja apurada quanto a sua procedência; não cabe à recorrente controlar a legalidade dos atos praticados pelos servidores da SUFRAMA em seu nome, tampouco lhe cabendo controlar a regularidade das empresas que atuam na região por ela jurisdicionada, constituindo-se esses controles na própria razão de ser daquele órgão estatal; e a recorrente não pode responder por atos dolosos praticados por terceiros, os quais, somente apôs transcorridos vários anos, é que foram detectados pela fiscalização, sendo ela igualmente vitima de toda uma situação irregular de cuja existência nem mesmo suspeitava, devendo, assim, ser "cancelada a multa atribuida ao lançamento fiscal, por força do disposto no artigo 137 do CTI•1". Aditou seu recurso através da petição de fls. 351/358, em que são trazidos novos argumentos fundamentados no resultado do processo de consulta a respeito da classi ficação fiscal na TIPI, do produto que menciona. Consta dos autos (fls. 345) recibo do deposito recursal para garantia de instancia. o relatório. 7 AINISTERIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • ..esso : 13826.000034/97-57 '.córdio : 203-06.928 • VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR FRANCISCO DE SALES R. DE QUEIROZ fir 0 recurso é tempestivo e assente em lei, devendo ser conhecido. • A matéria que se põe i nossa apreciação diz respeito ao Imposto sobre Produtos Industrializados, saido com suspensão do estabelecimento industrial para remessa à Zona Franca de Manaus e Amazônia Ocidental, prevista no artigo 36, incisos XII e XIII, do Regulamento do IPI aprovado pelo Decreto n.° 87.981, de 23/12/82. A isenção somente se efetivará após comprovado o internamento do produto nas mencionadas areas, com a exclusão da obrigação tributária suspensa, momento em que se desobriga o remetente da responsabilidade pela suspensão e passa o produto a submeter-se ao regime da isenção. Conforme relatado, o presente lançamento foi efetuado por entender a fiscalização não ter a autuada comprovado o internamento da mercadoria açúcar, de sua fabricação, na Zona Franca de Manaus e Amazônia Ocidental, referente is notas fiscais emitidas em nome da empresa Cerealista Dunorte Ltda. (cópias is fls. 12/22) e Notas Fiscais relacionadas is fls. II, em nome da firma individual Luiz da Silva Cezar, consignadas na peça básica como não tendo sido apresentadas pela empresa no curso da ação fiscal. Em confronto com a relação fornecida pela SUFRAMA — Superintendencia da Zona Franca de Manaus, referidas notas fiscais não constavam entre as que teriam sido internadas. A principio, devemos analisar os motivos que fundamentaram o lançamento, ou seja: 1. a não comprovação do internamento a partir da apresentação das notas fiscais/conhecimentos de carga devidamente validadas pela SUFRAMA, e a relação fornecida pela mencionada autarquia, contendo as notas fiscais das mercadorias consideradas internadas. Com referencia is notas fiscais emitidas em nome da empresa Cerealista Dunorte Ltda. consta da peça básica que a documentação comprobat6ria solicitada no curso da ação fiscal fora apresentada, tendo a mesma, porem, sido considerada imprestável mediante laudo de exame documentoscópico elaborado pelo Serviço de Crirninalistica do Departamento de Policia Federal, face as irregularidades assim discriminadas: "sem carimbados ou rubricas da SUFRAMA:, filigranações divergentes dos padrões". Referido laudo foi elaborado para instruir processo junto Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo, sendo que durante os trabalhos de fiscalização foi 8 M AISTERIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 13826.000034/97-57 rdão : 203-06.928 acostado aos autos parte do mesmo (fls. 25/27), mas que, atendendo reclamação da então impugnante, teve seu inteiro teor acostado is fls. 172/178, oportunidade em que encaminhou-se • copia desse laudo i empresa, conforme Intimação n.° 355/97, de fls. 181, para que fosse apresentado aditamento à impugnação, relativamente ao supracitado documento, no prazo de 30 fir dias. A autuada, então, apresentou o longo arrazoado de fls. 183/213, quando na verdade esse aditamento deveria restringir-se ao mencionado laudo pericial. Esse arrazoado, is fls. 189, item 7, reporta-se ao laudo para desacreditá-lo, por entender não ser conclusivo quanto à autenticidade dos documentos periciados, bem como por não terem sido especificadas "quais as investigações e diligincias que foram realizadas para a sua elaboração, concluindo, a respeito de uma minoria de casos em que as filigranações constantes das notas fiscais examinadas apresentam tão somente divergincia dos "padrões", sem, contudo, esclarecer de que maneira e quanto eram divergentes, e quais sin as razões, motivos ou fundamentos da conclusão como se qualquer cidadão médio pudesse notar as diferenças." A propósito, deve-se registrar que, por solicitação da autoridade julgadora singular, conforme despacho de fls. 108, a SUFRAMA forneceu relação contendo as notas fiscais tidas como internadas (fls. 110/138), bem como `DECLARAÇÃO DE NÃO RECONHECIMENTO" (fls. 140/141) das "chancelas (carimbos, rubricas e filigranações) contidas nas declarações de transportes, referentes as notas" que, em seguida, foram relacionadas. • Do exposto, verifica-se perfeitamente que a decisão recorrida não se fundamentou, como aduz a recorrente, apenas nas imperfeições atribuidas no laudo documentação periciada, quando concluiu estarem referidas notas fiscais com as características "sem carimbados ou rubricas da SUFRAMA; filigranações divergentes dos padrões", mas também levou em consideração outros elementos, quais sejam o fato de as notas fiscais não constarem da supracitada relação fornecida pela SUFRAMA e o declarado não reconhecimento, pela mesma SUFRAMA, das chancelas (carimbos, rubricas e filigranações) contidas nas declarações de transportes relativas a essas notas fiscais. Relativamente is notas fiscais emitidas em nome da firma individual Luiz da Silva Cézar, em que consta não terem sido periciadas em face de sua não apresentação ao autor do procedimento fiscal, insurge-se a recorrente contra essa informação, inclusive com a grave acusação de que as mesmas teriam sido "SONEGADAS aos presentes autos de forma ilícita e ilegal", pois teriam sido apresentadas, conforme cópias do comprovante de fls. 13 e 168, dando conta de que tratar-se-iam de "copias das originais que encontra-se em poder da Secretaria da Fazenda Estadual" Reputo inaceitável essa despropositada, desnecessária e inoportuna acusação, pois o comprovante que afirma existir, acostado is fls. 13 e 168 dos autos, não passa de cópias da mesma correspondência, do seguinte teor: 9 313 KANISTERIO DA FAZENDA 44. SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ..,114;tt :.sso : 13826.000034197-57 • , ..órdio : 203-06.928 Delegacia da Receita Federal de Marina — 8' RF NC AFTN — Sergio Canevari Em atendimento à intimação n.° 96.00018-0 segue relatorios de comprovantes de internação de mercadorias na Zona Franca de Manaus e Amazônia Ocidental, sendo estas copias das originais que encontra-se em poder da Secretaria da Fazenda Estadual." (os negritos não são do original). Ora, convenhamos que nesta peleja temos como principal objetivo a busca da verdade material, e que se alguma contribuição a recorrente pretendesse trazer deveria ser no sentido da apresentação desses documentos, já que afirma serem copia daqueles cujos originais encontrar-se-iam na Secretaria da Fazenda Estadual. Querer atribuir a mencionada correspondência poder probante suficiente para justificar a inaceitivel acusação de que referidos documentos fiscais teriam sido "SONEGADOS aos presentes autos, de forma ilícita e ilegal", quando na referida correspondência os documentos encaminhados são citados de forma genérica, não identificados individualizadamente, soa, no mínimo, como uma atitude deselegante e incompativel com o nível do debate que deve pautar o contencioso administrativo fiscal. Consta do relatório outras arguições levantadas pela recorrente, porém entendo terem sido convenientemente apreciadas pela autoridade julgadora a quo, de cuja decisão transcrevo os excertos a seguir, os quais adoto como razões de decidir: "Vencidos dois aspectos preliminares levantados pela empresa — a juntada aos autos da relação da SUFRAMA e do laudo de exame documentoscopico. Afastada a possibilidade de ocorrência de cerceamento de direito de defesa, por falta de juntada aos autos de documentos. Mas as Segunda e terceira impugnações somente podem ser consideradas, respectivamente, quanto à relação da SUFRAMA e ao laudo, por força do disposto nos arts. 15 e 17 do Decreto n.° 70.235/72, com as alterações da Lei n.° 8.748/93. Assim, as alegações da empresa quanto à lista da SUFRAMA, constantes da terceira impugnação (fls. 202 a 206), não podem ser consideradas, posto que somente poderia versar sobre o laudo de exame documentoscopico. A impugnante alegou, ainda, nulidade por falta de motivação na autuação. A fiscalização, tendo conhecimento da lista de notas fiscais internadas, e tendo solicitado da empresa autuada as cópias das mesmas e comprovação de que tinham sido internadas, nos termos permitidos pelo art. 180 do REP1/82, obteve a apresentação somente de cópias de notas fiscais que tinham a empresa 10 ti AINISTEFUO OA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTROJINTES .esso : 13826.000034/97-57 `.córdão : 203-06.928 Cerealista Dunorte como destinatária. Tendo averiguado junta a SUFRAMA a relação de notas fiscais internadas, foi a empresa intimada a comprovar sua internação (declaração/conhecimento de transporte). No caso das notas fiscais relacionadas na fl. 02, disse a fiscalização que a empresa apresentou os comprovantes da internação, mas que, no entanto, do "Laudo de Exame Documentoscópico emitido pelo Serviço de Crirninalistica da Policia Federal (cópias is fls. 23 a 25), consta que os mesmos não continham os requisitos necessários (carimbados ou rubricas da SUFRAMA) e que as filigranações sic) divergentes dos padrões". No caso das notas fiscais de fl. 03, disse a fiscalização que a impugnante rid() comprovou o internamento das mercadorias, e que a empresa adquirente, Luiz da Silva César, teve sua inscrição estadual cancelada. Portanto, no primeiro caso, a fiscalização considerou que a prova do internamento não era idônea. Não se trata, como quis argumentar a impugnante, de motivo diverso daqueles previstos nos arts. 180 e 181 do RIP!, pois, se as provas si inidemeas, não se pode considerar que a empresa tenha cumprido a obrigação prevista nos referidos dispositivos. Já no segundo caso, a fiscalização • considerou que a empresa simplesmente não comprovou o internamento, como 4111 requer a legislação. Aldm disso, considerou a fiscalização ser o recolhimento do imposto, no presente caso, de responsabilidade da autuada (art. 35, parágrafo único, do RIPI/82). Assim, afasto de plano a possibilidade de nulidade do auto de infração por falta de motivação. A prova da internação é que pode dar razão impugnante, mas nunca o questionamento da valoração das provas pela fiscalização. 0 mesmo se aplica à fundamentação legal, já que a questão deve ser esclarecida nos termos di legislação aplicável. Desmotivada seria a autuação, se não se baseasse em qualquer elemento de prova, e tivesse fundamentação arbitrária, e não legal. Improcedente a alegação de desvio de finalidade. Ainda no que tange ao laudo de exame documentoscopico, alegou que não teria obedecido is disposições do Decreto n.° 70.235/72, para poder ser assim considerado prova pericial. Entretanto, tal argumentação não se sustenta, pelo fato de as disposições do referido Decreto dizerem respeito, tão-somente, i fase litigiosa do procedimento de determinação do crédito tributário. 0 laudo foi juntado aos autos na fase oficiosa, e como prova a favor do Fisco. Cabia ao 11 H. .; ■ "7 ),,INISTERIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES isso : 13826.000034/97-57 ‘córclão : 203-06.928 Fisco somente dar a ciência à empresa de sua existência, para que pudesse defender-se. Mas alegou a autuada que não teria tido condições de se defender. Ora, contestou a acusação de que as filigranações divergiam do padrão, mas que não eram falsas. Pois bem, tal fato não está sendo isoladamente utilizado contra a autuada, mas juntamente com o fato de o mesmo laudo dizer que não havia nas referidas notas fiscais carimbados ou rubricas (fl. 2). Observe-se que disse a fiscalização que estavam ausentes os requisitos (carimbos e rubricas), e que as filigranações eram divergentes do padrão. Não se referiu somente is filigranações, ao contrario, primeiro referiu-se aos requisitos. Além disso, a divergência das filigranações simplesmente seria conseqüência do fato de não ter havido o internamento, como poderiam ser as filigranações inteiramente coincidentes? Portanto, a divergência das filigranações em relação aos padrões tão-somente confirmaria a irregularidade, e nit) seria, assim, o único motivo da autuação. Ademais, a verificação da ausência desses requisitos — carimbos e rubricas — não requer opinião de perito, bastando que se observe o documento. Portanto, nit) há que falar em métodos, critérios etc., cujo desconhecimento importasse em cerceamento de direito de defesa. 0 laudo, por outro lado, restou conclusivo quanto ao que interessava ao caso, pois foi verificada a ausência dos carimbados e rubricados, exigidos pela legislação," Dúvida não hi quanto a necessidade do Estado precaver-se contra o uso indevido do instituto da isenção tributaria, mantido como uma exceção à regra, objetivando promover politicas governamentais de incentivo ao desenvolvimento setorial ou regional, conforme o caso. Compete a Superintendência da Zona Franca de Manaus - SUFRAMA, entidade autárquica vinculada a Secretaria de Desenvolvimento Regional da Presidência da República, a administração dos incentivos fiscais instituidos pelo Decreto-Lei n° 288167, estando entre as suas principais atribuições a de controlar e fiscalizar a correta utilização dos subsidios e incentivos fiscais que foram assegurados aquela região. Colocá-la sob suspeição ao argumento de que teriam ocorrido fraudes envolvendo servidores da autarquia, com a finalidade de negar-lhe credibilidade, mostra-se fora de propósito. A declaração fornecida pela SUFRAMA, no uso da competência que legalmente lhe foi atribuida, tem fé pública, pois, se assim não fosse, estaríamos negando a própria finalidade para a qual foi instituida. 0 fato é que, não logrando a recorrente apresentar elementos concretos e 12 at:40/4. &1 .NISTERIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES «0€111, r k ..sso : 13826.000034/97-57 %..órdão : 203-06.928 convincentes que pudessem infirmar as informações obtidas junto àquele órgão de controle e fiscalização, houve por bem insurgir-se contra o próprio órgão, tentando retirar-lhe credibilidade • para, assim, desqualificar provas que poderiam ser contestadas com a simples apresentação da contraprova, se existisse. 410. Por outro lado, deve-se admitir que os trabalhos da fiscalização desenvolveram-se a partir de documentos fiscais que lhe foram apresentados pela empresa, estavam eles devidamente formalizados, escriturados e referiam-se a mercadoria sujeita a imposto não lançado, porque submetido ao regime especial da suspensão tributária. Causa estranheza o fato de somente na fase litigiosa do procedimento serem apresentadas alegações de que, no período fiscalizado, a empresa não teria produzido referido tipo de açúcar. A nota fiscal de venda tem força probante quanto i efetiva saida da mercadoria que especifica, do estabelecimento industrial, fazendo, ainda, prova em favor do Fisco, o procedimento representado pela saída do produto com suspensão do imposto. De outra forma estaríamos admitindo ser a nota fiscal documento emitido em caráter condicional, o que seria um absurdo. Se verdadeiramente fosse do tipo tributado com a aliquota zero, não teria porque a recorrente utilizar-se desse instituto que mesma tem-se mostrado de dificil controle e aplicação, conforme se depreende de suas alegações. A responsabilidade pelo internamento da mercadoria é da vendedora, pois a legislação somente admite a isenção após a comprovação de que a mercadoria foi realmente internada na área objeto do incentivo. E não poderia ser diferente. Presume-se que a 411 vendedora/fabricante de produtos submetidos i suspensio tributária conhece a regra e a ela se submete sob sua conta e risco. Teri que seguir a destinação dada i mercadoria saída do seu estabelecimento com determinado e obrigatório destino previamente acordado entre as partes, sob pena de sofrer as sanções legais pertinentes. Transferir a responsabilidade ao adquirente, "lavando as mãos", como se fosse possivel esse procedimento, seria a maneira mais fácil de livrar-se da obrigação imposta pela norma, porém sem amparo na legislação. Peço vênia para novamente recorrer aos bem lançados termos da decisão recorrida, a respeito da responsabilidade pelo pagamento do IPI, conforme segue: "Vencida esta etapa, deve-se verificar a responsabilidade da empresa remetente, relativamente ao pagamento do IPI. 0 fato é que compete à empresa apresentar os documentos comprobatórios da internação e, do contrário, esta obrigada, por força de lei, a promover o recolhimento do IPI, nos termos dos arts. 180 e 181 do RIPI/82. Não o fazendo, fica sujeita i ação fiscal e, assim, exigência da multa. A comprovação do internamento deve ocorrer, em principio, nos termos do § 1 . do art. 180 do RIPI. consistindo de uma das vias do conhecimento de transporte e da 4' via da nota fiscal, datada e visada pela SUFRAMA. A falta de 13 MINISTÉRIO OA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES N.** zia • ,:esso : 13826.000034197-57 Acórdão : 203-06.928 qualquer um dos elementos mencionados resulta na desqualificação da prova, e, como conseqüência, na responsabilidade do remetente. Tat responsabilidade d de caráter objetivo, e deriva diretamente da não comprovação do internamento. Portanto, não hi falar em erro da determinação do sujeito passivo, posto que a empresa é o remetente das mercadorias, nos termos da lei. A remetente é a contribuinte do 'PI. No presente caso, há uma suspensão da incidência do imposto, condicionada i comprovação do internamento do produto. Esta é a conclusão que se tira da combinação dos arts. 33 e 180 do RIPI. Segundo o primeiro, "somente será permitida a saída ou o desembaraço de produtos com suspensão do imposto quando observadas as normas deste Regulamento e as medidas de controle baixadas pela Secretaria da Receita Federal". Assim, a suspensão do imposto, ao contrário da isenção, tem caráter precário, subordinada a uma condição resolutiva, nos termos do art. 34 do RIPI, não se constituindo num direito adquirido do remetente. Verificada a não satisfação dos requisitos que a condicionaram, o imposto torna-se imediatamente exigivel. Um dos requisitos exigidos pelo Regulamento, para o presente caso, é a comprovação do internamento das mercadorias. Ora, somente seria do destinatário a responsabilidade se esse promovesse a destinação diversa da que condicionou a suspensão. Não tendo a mercadoria sido internada, o destinatário em nada contribuiu para o desvio de destinação, sendo, assim, do remetente a responsabilidade, nos termos do arts. 35, II, 180 e 181 do RIP1. No que se refere à responsabilidade, hi que ficar esclarecido o real significado das disposições do CTN. Primeiramente, a autuada não é apenas responsável, é contribuinte do imposto, como já se disse. Em segundo lugar, a responsabilidade por infrações de natureza objetiva (art. 135 do CTN). No presente caso, a infração capitulada referiu-se à falta de declaração e recolhimento do imposto, derivada da responsabilidade da empresa, como contribuinte, de fazê-lo na constatação da inexistência de provas do internamento da mercadoria na ZFM ou na AO. Em outras palavras, ao receber as notas fiscais sem os carimbos ou rubricas da SUFRAMA (Cerealista Dunorte), ou simplesmente deixar de recebe- las (Luiz da Silva Cézar), a empresa deveria ter recolhido o imposto, e não o fez: 14 itolv , if' 414 MAISTERIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • :sso : 13826.000034/97-57 %,.órdio : 203-06.928 Portanto, o regulamento atribuiu ao contribuinte a responsabilidade pela comprovação do internamento e os meios de prova que se deve valer para isso. A falta da prova, por determinação legal, torna-o responsável pelo recolhimento do imposto que estava suspenso. A acusação formalizada no auto de infração foi clara: o lançamento decorreu do descumprimento da condição sine qua non para fruição do favor fiscal instituído pelo art. 36, inciso XII, do RIP! (Decreto-lei n.° 288/67), consubstanciada na prova da efetiva internação das mercadorias na Area incentivada (art. 180 e 181 do RIPI). Como a fiscalização coligiu provas que conduzem ã certeza de que o açúcar destinado à Zona Franca de Manaus e Amazônia Ocidental não ingressou fisicamente nas areas incentivadas, tal como exigido pela legislação de regEncia, a Usina, como remetente e contribuinte do rPi, é quem deve proceder ao recolhimento do imposto não pago, nos termos dos artigos 23, inciso VII, c/c 22, inciso II, e 35, par. único, inciso H, do Regulamento que estabelecem in verbis: "Art 22 São contribuintes: — o industrial, em relação ao fato gerador decorrente da saída de produto que industrializar em seu estabelecimento, bem como quanto aos demais fatos geradores decorrentes de atos que praticar:" Art. 23 Sao responsáveis: VII — os que desatenderem as normas e requisitos a que estiver condicionada a suspensão ou isenção do imposto:" "Art. 35 Quando nil() forem satisfeitos os requisitos que condicionaram a suspensão , o imposto tornar-se-á imediatamente exigível. Parágrafo único — Cumprirá a exigência: I o recebedor do produto, no caso de emprego ou destinaçdo diferentes dos que condicionaram a suspensão: "II — o remetente do produto nos demais casos". (grifei)" Portanto, para o deslinde da questão, cumpria verificar tão-somente que é o remetente dos produtos e se existia prova da nit) internacão dos mesmos na area incentivada, pois se a internação não ocorreu, a mercadoria certamente não foi recebida pelo destinatário que, conseqüentemente, não poderia dar-lhe emprego ou destinação diversa, tipificando-se, desse modo, por 15 • INISTER* DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ..esso : icOrdio : 13826.000034/97-57 203-06.928 de infração Exposição de entendimento administrativo exclusão, a hipótese do inciso II do artigo 35. Em outras palavras: o remetente do produto é responsável pelo cumprimento da obrigação tributária suspensa até o recebimento do produto pelo destinatário. Como ficou comprovado nos autos, o internamento das mercadorias não ocorreu, ocorrendo a condição resolutiva que importa no pagamento do imposto suspenso. Os demais documentos juntados ao processo, e citados pela fiscalização, fortaleceu a comprovação de que não ocorreu o internamento. Assim, no caso da empresa Cerealista Dunorte, ficou evidenciado que os documentos que fariam prova A empresa não possuíam os requisitos previstos no Regulamento. Ademais, o relatório da SUFRAMA deu conta de que, efetivamente, não houve o internamento. No caso da empresa Luis da Silva Cézar, a empresa sequer possuía provas. Além disso, a empresa destinatária não existia. Conclui-se que, realmente, a inexistência das provas exigidas pelo art. 180 do RIPI182 foi aprofundada pela fiscalização, que acabou encontrando outros elementos que evidenciavam a responsabilidade da empresa autuada. Acrescente-se que, mesmo se as notas fiscais tivessem os requisitos para comprovação, ainda assim seria licito ao Fisco apurar se a internação ocorreu ou não efetivamente. Neste caso, a empresa poderia alegar que não tinha condições de verificar a autenticidade dos requisitos. Mas não poderia, ainda assim, alegar que estaria desobrigada do pagamento do imposto, pois a condição de sua suspensão — o efetivo internamento — não se teria implementado." ainda, a recorrente, que a cobrança do imposto à aliquota lançada no auto inconstitucional, fato que teria sido reconhecido pelo Presidente da Republica na Motivos que justificou a edição da MP n.° 1602/97. Sobre o tema, é pacifico o nos Conselhos de Contribuintes de que foge à competência do julgador apreciar arguições de inconstitucionalidade de norma legal. 16 H ?..:INISTERIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • zsso : 13826.000034/97-57 -órcião : 203-06.928 Dessa forma, rejeitando a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, que deve ser mantida nos seus precisos termos, voto no sentido de negar provimento ao • recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. • COMO voto. Sala das sessões, em 08 de novembro de 2000 FRANC! I O DE . SALES R. DE QUE1ROZ • 17
score : 1.0
Numero do processo: 10283.000056/2007-73
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000
RECURSOS REPETITIVOS. RE 962.379.
As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sistemática dos recursos repetitivos, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (art. 62-A do Anexo II do Regimento Interno do CARF).
Numero da decisão: 3803-004.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Matéria: DCTF_PIS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (PIS)
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1959; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 198 1 197 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.000056/200773 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803004.593 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de setembro de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO MULTA DE MORA Recorrente VIDEOLAR S/A Recorrida FAZENDA PÚBLICA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. CANCELAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Aplicase a denúncia espontânea para cancelar o auto de infração relativo à multa de mora exigida em decorrência do pagamento em atraso de débito não previamente informado em declaração com efeito de confissão de dívida, em relação ao qual não se instaurara, anteriormente a sua efetivação, qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionado com a infração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000 RECURSOS REPETITIVOS. RE 962.379. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sistemática dos recursos repetitivos, devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 00 56 /2 00 7- 73 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10283.000056/200773 Acórdão n.º 3803004.593 S3TE03 Fl. 199 2 Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de retorno dos autos da repartição de origem após a realização da diligência determinada por meio da Resolução nº 3803000.125, de 6 de outubro de 2011, em que se solicitou a juntada aos autos de cópias das partes das DCTFs original e retificadora em que se encontravam identificadas as datas de sua apresentação e o débito sobre o qual se controverte nos presentes autos, para fins de se verificar a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea, nos termos definidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 962.379, submetido à sistemática dos recursos repetitivos. A controvérsia dos autos decorre do lançamento de multa de mora, por meio de auto de infração eletrônico, no montante de R$ 30.456,68, decorrente do pagamento em atraso, efetuado espontaneamente em 31/08/2001, da contribuição para o PIS devida em dezembro de 2000, cujo vencimento se dera em 15 de janeiro de 2001. Em resposta à diligência, a autoridade administrativa de origem juntou aos autos cópias de telas do sistema DCTF Gerencial (fls. 188 a 195), em que se constata a entrega da DCTF original em 14/02/2001 e de cinco DCTFs retificadoras em 01/12/2003, 23/08/2004, 26/08/2004/ 18/05/2005 e 09/01/2006, todas elas relativas ao 4º trimestre de 2000. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Com base nas informações repassadas pela repartição de origem, constatam se os seguintes fatos: a) a DCTF original, de nº 00001.002.001/20535406 (fls. 188 e 189), foi entregue em 14/02/2001, anteriormente à data do pagamento em atraso, ocorrido em 31/08/2001, não tendo sido nela declarado o débito da contribuição para o PIS devida em dezembro de 2000, cujo vencimento se dera em 15/01/2001; b) somente a partir da primeira DCTF retificadora, entregue em 01/12/2003, de nº 00001.002.003/51669526 (fls. 188 e 189), foi que o débito da contribuição para o PIS de dezembro de 2000, no montante de R$ 152.283,48, passou a ser declarado; c) o referido débito constou das DCTFs retificadoras subseqüentes (fls. 190 a 195). Fl. 202DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10283.000056/200773 Acórdão n.º 3803004.593 S3TE03 Fl. 200 3 Com base nos dados supra, constatase que o débito pago em atraso, que acarretara o lançamento de ofício da multa de mora, foi declarado em DCTF após a sua quitação, situação essa que permite a aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN) 1, conforme se verifica na seqüência. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em julgamento submetido ao rito do art. 543C do Código de Processo Civil (recursos repetitivos), de observância obrigatória pelos conselheiros do CARF2, já decidiu pela não aplicação da denúncia espontânea aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação regularmente declarados (REsp 962379), decisão essa cujo teor consta da súmula 360/STJ. Nesse julgamento, o STJ deixa claro que o afastamento da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) somente se dá quando o tributo, sujeito ao lançamento por homologação, tiver sido recolhido em atraso, mas após a apresentação da declaração com efeito de confissão de dívida. Eis o teor de partes dessa decisão do STJ: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido.(grifei) (...) VOTO (...) 4. Importante registrar, finalmente, que o entendimento esposado na Súmula 360/STJ não afasta de modo absoluto a possibilidade de denúncia espontânea em tributos sujeitos a lançamento por homologação. A propósito, reportome às razões expostas em voto de relator, que foi acompanhado unanimente pela 1ª Seção, no AgRG nos EREsp 804785/PR, DJ de 16.10.2006: 1 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 2 Conforme preceitua o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10283.000056/200773 Acórdão n.º 3803004.593 S3TE03 Fl. 201 4 "(...) 4. Isso não significa dizer, todavia, que a denúncia espontânea está afastada em qualquer circunstância ante a pura e simples razão de se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação. Não é isso. O que a jurisprudência afirma é a nãoconfiguração de denúncia espontânea quando o tributo foi previamente declarado pelo contribuinte, já que, nessa hipótese, o crédito tributário se achava devidamente constituído no momento em que ocorreu o pagamento. A contrario sensu, podese afirmar que, não tendo havido prévia declaração do tributo, mesmo o sujeito a lançamento por homologação, é possível a configuração de sua denúncia espontânea, uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN. (grifei) Verificase dos excertos supra que, para se afastar a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, há necessidade de que o tributo tenha sido pago em atraso e após a sua declaração com efeito de confissão de dívida. No presente caso, o pagamento em atraso se dera em 31/08/2001, anteriormente, portanto, à declaração do débito referente à contribuição para o PIS devida em dezembro de 2000, débito esse que somente passou a ser declarado na primeira DCTF retificadora entregue em 01/12/2003. Nesse contexto, temse por atendidos os pressupostos para a aplicação da denúncia espontânea nos termos fixados pelo STJ, pois o débito foi quitado em atraso, mas anteriormente a sua inclusão em declaração com efeito de confissão de dívida, assim como anteriormente a qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionado com a infração. Portanto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso, para cancelar o auto de infração relativo à multa de mora. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 204DF CARF MF Impresso em 24/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/10/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 30/09/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10620.000366/2001-24
Data da sessão: Wed May 12 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 1997
BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei nº 10.165, de 28/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal.
Recurso especial conhecido e negado.
Numero da decisão: 9202-000.895
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Susy Hoffmann Gomes e Carlos Alberto Freitas Barreto que dele não conheciam. Por unanimidade e votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Julio Cesar Vieira Gomes
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CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10620.000366/2001-24 Recurso n° 328.828 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-00.895 — 2. Turma Sessão de 12 de maio de 2010 Matéria ITR Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida MELHEM KHALIL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: W97 BASE DE CÁLCULO. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATORIO AMBIENTAL. PRESCINDIBILIDADE. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, somente após a vigência da Lei 11010.165, de 28/12/2000 é que se tornou imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recurso especial conhecido e negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Susy Hoffmann ornes e Carlos Alberto Freitas Barreto que dele não conheciam. Por unanimidade e votos, em egar provimento ao recurso. tat CARLOS AEBE 17 1 REITAS ARRETO- Presidente j . . JULIO SAR VIE I • GOM 5- Relator EDITADO EM: 3 1 NA A1 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffinann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (Suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e filias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Francisco de Assis Oliveira Junior. Relatório Trata-se de recurso especial de contrariedade interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão no qual, decidiu-se pela exclusão da base de cálculo do ITR da área do imóvel de preservação ambiental permanente, ainda que não informada em ato declaratório ambiental ou informada intempestivamente. Alega o ilustre representante da Fazenda Nacional que, ao prover o recurso voluntário, o acórdão recorrido acabou por malferir o artigo 10, § 4°, inciso 1, da IN/SRF n° 43/1997, com a redação do artigo 1 0, inciso II, da 1N/SRF n° 67/1997, o artigo 10 da Lei n° 9.393/96 e os artigos 2°, 3° e 16 da Lei n°4.771/65. E ainda que: a) A exigência existe desde a Lei n° 6.938, de 31/08/1981 com a redação dada pela Lei n° 10.165/2000, reiterando-se os termos da supracitada instrução normativa; b) A exigência alinha-se com a norma que consagrou o beneficio, servindo como meio para comprovação da área alcançada; c) A declaração evita que o direito seja comprovado por meios mais gravosos e dispendiosos, como a nomeação de peritos; c d) Não se discute a materialidade, isto é, ser ou não a área de preservação (nanente ou reserva legal, mas apenas o descumprimento de exigência essencial para que se valha do direito legal ao beneficio tributário, sempre interpretado literalmente. O recurso foi admitido através de despacho sob o fundamento de que merece acolhimento. Em contra-razões, o interessado sustenta a inadmissibilidade do recurso e, no e mérito, reprisa os argumentos em seu recurso voluntário. , É o relatório. 2 • Processo â° 10620.000366/200/ -24 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.895 EL 2 Voto Conselheiro JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Relator Sendo tempestivo e comprovada em tese a contrariedade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Devolve-se a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais o exame quanto à essencialidade ou não do cumprimento de determinadas exigências ou formalidades para fins de inclusão na base de cálculo do impoâto territorial rural - ITR das áreas rurais de proteção ambiental, conforme artigo 11 da Lei n° 8.847/94, verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: — de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n°4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. (.) Embora ambas as áreas sejam protegidas, há distinção na legislação no que se refere ao tratamento fiscal a elas dispensado, especialmente quanto às exigências a serem cumpridas. A matéria é quanto à necessidade ou não do Ato de Declaração Ambiental - ADA para fins de exclusão da área de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Em complemento ao Código Florestal e ao artigo 11 da Lei n° 8.847/94, abaixo transcrita, tem-se o artigo 10, caput, da Lei n°9.393, de 19/12/1996, in verbis: Art. 11. São isentas do imposto as áreas: 1-- de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n°4.771, de 1965, com a nova redação dada pela Lei n° 7.803, de 1989. (-) Art. 10. A apuração e a pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § ("Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: 11— área tributável, a área total do imóvel menos . as áreas: 3 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n°7.803, de 18 de julho de 1989; -- Mas, a exigência é encontrada no artigo 10 da Instrução Normativa SRF n° 43, de 07/05/1997, com a redação dada pelo art. 1° da Instrução Normativa SRF n° 67, de 01/09/1997, verbis: Art. 10. Área tributável e a área total do imóvel excluídas as áreas; 1- de preservação permanente; - de utilização limitada. § 1°Á área total do imóvel deve se referir à situação existente à época da entrega do DIAT, e a distribuição das áreas, à situação existente em 1 de janeiro de cada exercício, de acordo com os incisos I e II. (.) § 3" São áreas de utilização limitada: § 4° Ás áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBÁM_Á, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte: 11- o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBÁMÁ; III- se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for reconhecido pelo 'RAMA a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar recalculando o ITR devido. I Nos termos acima está claro que o contribuinte tem o prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITA, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao lhama. Sendo que para o exercício de 1998, o prazo se expirou em 31/05/1999, ou seja, seis meses após o prazo final para a entrega da DITR/1998, que foi 30/11/1998, conforme Instrução Normativa SRF n° 136, de 20/11/1998. A questão é saber se tal regra, veiculada por instrução normativa, encontra guarida no ordenamento jurídico. Entendo que não. De fato, não recebeu a autoridade administrativa delegação legal para criar exigências necessárias ao gozo da isenção: Constituição Federal: Art, 84. Compete privativamente ao Presidente da República: 4 Processo n" 10620.000366/2001-24 CSAF-T2 Acórdão n.° 9202-00.895 Fl. 3 IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução; Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: ••• V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa; Isto porque o artigo 10, caput, da Lei n° 9.393, de 19/12/1996, cuidou somente de adotar como modalidade o lançamento por homologação, conforme artigo 150, §4° do CTN, o que implica, necessariamente, a ulterior verificação do pagamento realizado pelo sujeito passivo. Contraria o disposto no artigo 150, §6° da Constituição Federal e o artigo 97, inciso IV do CTN o entendimento de que criar exigências por instrução normativa para o gozo do benefício de redução da base de cálculo estaria em consonância com a expressão "nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal". Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4" Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 150 (.) § 6. 0 Qualquer subsidio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a ut- i‘v impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei especifica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155„¢ 2.°, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional n° 3, de 1993). Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: 5 IV - a fixação de aliquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57e 65; Reitero que a delegação através da expressão "nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal" cinge-se às verificações necessárias para a homologação do pagamento realizado pelo contribuinte, não alcançando, muito menos, os procedimentos praticados junto aos órgãos de proteção do meio ambiente, no caso o IBAMA. E, em arremate, traz-se também as disposições dos artigos 176 e 179 do CIIN que reservam apenas à lei a competência para especificar as condições e requisitos necessários ao gozo da isenção, seja ela especifica ou geral: Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. ... Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. Ainda ressalta- se que a matéria encontra -se sumulada, conforme Súmula CARF no 41, in verbis: "A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000." Concluindo, entendo que para o período lançado a ausência do Ato de Declaração Ambiental — ADA não é impedido para o gozo da isenção. r\ Em razão,do ixposto, nego provimento ao recurso especial.! ! f \v\es ! ri ,,-- N .5,! "-- Julio C ar eira Gomes - Relator \I ! , 6
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Numero do processo: 10715.006588/2010-92
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges (Relator) que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges (Relator) que negavam provimento ao recurso voluntário. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 65 88 /2 01 0- 92 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006588/201092 Acórdão n.º 3801004.953 S3TE01 Fl. 3 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 192DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006588/201092 Acórdão n.º 3801004.953 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 120.000,00, referentes à multa regulamentar por não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, na forma e no prazo estabelecidos pela Receita. Conforme se descrição dos fatos, a interessada deixou de registrar os dados de embarque de Declarações de Exportação no Siscomex, na forma e prazo estabelecidos, conforme o disposto no art. 37 da IN SRF n° 28/94. Entendendo estar caracterizada a prestação de informação fora do prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, a autoridade fiscal aplicou a multa de R$ 5.000,00 por embarque, pelo descumprimento do prazo na informação dos dados de embarque no Siscomex. Regularmente cientificada a interessada apresentou impugnação que, em síntese, apresenta os seguintes argumentos: na análise do mérito da presente impugnação, deve ser reconhecida a nulidade integral do Auto de Infração haja vista que 9 (nove) dos 24 (vinte e quatro) vôos penalizados foram registrados dentro do novo prazo de 7 (sete) dias estabelecido na Instrução Normativa 1.096 de 13 de dezembro de 2010, que alterou o artigo 37 da Instrução Normativa n° 28/1994. Deve prevalecer a novel previsão quanto ao prazo para registro da carga exportada em razão da previsão legal da aplicabilidade da retroatividade da norma tributária quando esta for benéfica ao contribuinte, como preceitua o artigo 106 do Código Tributário Nacional. Dois dos embarques penalizados foram devidamente registrados no prazo de dois dias, contados conforme a regra preconizada na legislação processual civil brasileira e refletida no Código Tributário Nacional. Entende que os prazos devem ser contados conforme a regra preconizada na legislação processual civil brasileira e refletida no Código Tributário Nacional, segundo a qual o prazo se computa excluindo o dia de começo e incluindo o do vencimento, devendo tanto o dia inicial quanto a dia final caírem em dias úteis. Segundo a impugnante, essa regra sobre a sistemática de contagem de prazos é afirmada pela própria Receita Federal do Brasil, como consigna a resposta à consulta tributária Fl. 193DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006588/201092 Acórdão n.º 3801004.953 S3TE01 Fl. 5 4 formulada por contribuinte na Solução de Consulta nº 215, exarada em 2004 pelo Chefe da DISIT da 9a SRRF. Deve ser reconhecida a nulidade do auto, pois está evidenciada a violação dos princípios constitucionais da proporcionalidade, da razoabilidade e da moralidade do ato administrativo, por ausência de divulgação da novidade veiculada na IN 510/05, a lmpugnante e, certamente, diversas outras transportadoras aéreas, não foram avisadas desse prazo de 02 dias e tampouco da multa que lhes seria aplicável pela intempestividade do registro de embarque. eventual falta de cumprimento do novo prazo não decorreu de máfé da Impugnante, mas da falta de informação essencial devida por parte das Unidades Alfandegárias, dever este inerente ao Principio da Publicidade, a inobservância da finalidade educativa da multa fere não só a eficiência, como também a moralidade do ato administrativo, pois joga por terra a função balizadora do ato administrativo em relação à conduta dos administrados. a sua exigência se contrapõe à finalidade educativa da norma, pois está sendo formalizada após quase 5 anos do erro cometido pela lmpugnante. uma das principais causas da demora no registro de dados no sistema e que, certamente, lhe impediu de efetuar de maneira mais célere o registro dos embarques em referência foi a indisponibilidade constante do SISCOMEX verificada época dos fatos em debate (2006). As constantes falhas verificadas no sistema SISCOMEX isentam de culpa a Impugnante nos atrasos alegados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou parcialmente procedente a Impugnação, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2008 a 30/04/2008 REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO. O registro dos dados de embarque no Siscomex em prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para a via de transporte aérea, caracteriza a infração contida na alínea “e”, inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA. Aplicase a lei tributária, em matéria de penalidades, a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006588/201092 Acórdão n.º 3801004.953 S3TE01 Fl. 6 5 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando as alegações ofertadas quando da impugnação, acrescentando que com a edição da Instrução Normativa n° 1.096/2010 deixouse de definir como infração a inserção de dados de embarque de mercadorias no Siscomex, quando realizada dentro do prazo de 07 dias e pleiteando ainda a aplicação do instituto da denúncia espontânea após a publicação da Lei nº 12.350/2010, a qual alterou o art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devendose aplicar ao caso o instituto da retroatividade benigna. disposto no art. 106. II. do Código Tributário Nacional. É o Relatório. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006588/201092 Acórdão n.º 3801004.953 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Vencido Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. No presente caso foi lavrado Auto de Infração para cobrança da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, abaixo transcrita, haja vista o descumprimento da obrigação acessória disposta no art. 37 da IN SRF no. 28/1994, o qual foi posteriormente alterado pela IN SRF n° 510/2005: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ir empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. (Grifado) A IN SRF n° 28, de 27/04/1994, em seu art. 37, na redação dada pela IN SRF n° 510/2005, determinava que referido registro deveria ser efetuado no prazo de até dois dias da data do embarque: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Grifado) Da aplicação do novo prazo previsto na IN RFB no 1.096, de 13/12/2010. Entretanto, no tocante à penalidade, cumpre ainda verificar que a IN SRF n° 28/1994, teve sua redação alterada pela IN RFB n° 1.096, de 13/12/2010, com vigência a partir de 14/12/2010, estabelecendo o novo prazo de sete dias para a prestação das informações sobre embarque de mercadoria, conforme abaixo: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias,, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n°1.096, de 13 de dezembro de 2010) (grifei) Portanto, vêse, de fato, que a nova redação deixou de considerar como infração a prestação da informação em tela no prazo de até 7 dias da data do embarque, o que Fl. 196DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006588/201092 Acórdão n.º 3801004.953 S3TE01 Fl. 8 7 possibilita, em tais casos – desde que a lide não tenha sido definitivamente julgada – a aplicação da retroatividade benigna capitulada no artigo 106, inciso II, “b”, do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Quanto a contagem do prazo previsto para se prestar a informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, este deve ser contado de forma contínua, a partir da data da realização do embarque, conforme estipulado no caput do artigo 37 da IN/SRF 28/04, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento, em obediência a forma prevista no caput do artigo 210 do CTN, independente do expediente da repartição aduaneira, uma vez que o acesso ao referido sistema informatizado pelo responsável por prestar a informação ocorre de forma ininterrupta, sem a necessidade da intervenção da repartição aduaneira. Da análise da tabela acostada aos autos temse que o lançamento só poderia vigorar em relação às Declarações de Despacho de Exportação – DDE nas quais ao menos uma das informações sobre o embarque foi prestada em prazo superior aos 7 dias previsto na nova redação do artigo 37 da IN SRF nº 28/94 dada pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010, conforme reconhecido pela decisão recorrida. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A prestação de informações no Siscomex, como é o caso, é uma obrigação acessória e, aplicandose essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula CARF n° 49, que adota a mesma interpretação: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 197DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006588/201092 Acórdão n.º 3801004.953 S3TE01 Fl. 9 8 § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Apesar de alguns julgados recentes do CARF estarem admitindo a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo, entendo que na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Esse entendimento, do qual eu compartilho, foi evidenciado em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração Fl. 198DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006588/201092 Acórdão n.º 3801004.953 S3TE01 Fl. 10 9 cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006588/201092 Acórdão n.º 3801004.953 S3TE01 Fl. 11 10 Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Quanto às alegações da recorrente de que a imposição da penalidade viola os princípios da finalidade e da proporcionalidade, respeitam a matéria cuja discussão é estranha à competência deste Colegiado. Com efeito, na via administrativa o exame da lide há de se ater apenas à aplicação da legislação vigente, sendo descabido pronunciarse sobre a validade ou constitucionalidade dos atos legais, matéria que se encontra afeta ao Supremo Tribunal Federal, como se verifica dos artigos 102, I, “a” e III, “b”, da CRFB. Matéria está pacificada no âmbito administrativo, tendo sido objeto da Súmula CARF no 2, consolidada na Portaria CARF no 52, de 21/12/2010 (DOU de 23/12/2010), que dispôs, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 200DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006588/201092 Acórdão n.º 3801004.953 S3TE01 Fl. 12 11 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Apesar do bem fundamentado entendimento do Conselheiro Relator, voto em sentido diverso. Denúncia Espontânea O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço, portanto. A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66. Entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que a Recorrente alega que as informações foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentado após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Deste modo, entendo que por ter a Recorrente apresentado as declarações, mesmo que fora do prazo, passou a existir o instituto da denúncia espontânea. Assim, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. No presente caso temse que o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior à lavratura do Auto de Infração, bem como de qualquer outra intimação da RFB. Deste modo, aplicase ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e Fl. 201DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006588/201092 Acórdão n.º 3801004.953 S3TE01 Fl. 13 12 dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto, que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Ainda, cabe observar que, sendo o fato gerador anterior a Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, necessário aplicar in casu a retroatividade benigna da alteração legislativa processada pela referida Medida Provisória, conforme determina o artigo 106 do CTN. Logo, aplicável à referida legislação ao presente caso. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento. Diante da aplicação do instituto da denúncia espontânea, deixo de apreciar os demais argumentos trazidos pela recorrente. Alega a recorrente que apesar de ter realizado todos os registros tempestivamente, a averbação das referidas informações no Sistema foi realizada após o prazo legal de dois dias, de cunho eminentemente prático, que o Siscomex já vinha apresentado, no momento da inserção de dados. A autuação com base da averbação configuraria erro de tipificação legal, matéria que implicaria em nulidade do auto de infração. Esse seria o entendimento se a matéria não estivesse prejudicada pelo instituto da denúncia espontânea. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10715.006588/201092 Acórdão n.º 3801004.953 S3TE01 Fl. 14 13 Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para excluir a penalidade aplicada, em razão da denúncia espontânea. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Fl. 203DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 13888.001706/2003-53
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/1998 a 31/05/1998
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA.
Consoante confirmado pelo e. STJ no julgamento do recurso especial 973.733, a contagem do prazo decadencial para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação de que cuida o art. 150 do CTN rege-se pela disposição do art. 173 quando ausente o recolhimento do tributo ou contribuição.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. OPÇÃO PELO REFIS. DÉBITO NÃO INCLUÍDO.
O fato de o § 3º do Art. 2º da Lei 9.964/2000 estabelecer que a consolidação do Refis abrange todos os débitos existentes em nome da pessoa jurídica não impede que a Fazenda Pública venha apurar novos débitos, relativos aos períodos compreendidos no parcelamento especial.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.
A aplicação da taxa Selic para a atualização do crédito tributário é determinada em Lei, devendo a Administração Tributária observá-la, aplicando o referido índice (Súmula CARF nº 4).
Numero da decisão: 3201-001.337
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Daniel Mariz Gudino, Paulo Sérgio Celani, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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DECADÊNCIA. Consoante confirmado pelo e. STJ no julgamento do recurso especial 973.733, a contagem do prazo decadencial para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação de que cuida o art. 150 do CTN regese pela disposição do art. 173 quando ausente o recolhimento do tributo ou contribuição. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. OPÇÃO PELO REFIS. DÉBITO NÃO INCLUÍDO. O fato de o § 3º do Art. 2º da Lei 9.964/2000 estabelecer que a consolidação do Refis abrange todos os débitos existentes em nome da pessoa jurídica não impede que a Fazenda Pública venha apurar novos débitos, relativos aos períodos compreendidos no parcelamento especial. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. A aplicação da taxa Selic para a atualização do crédito tributário é determinada em Lei, devendo a Administração Tributária observála, aplicando o referido índice (Súmula CARF nº 4). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 17 06 /2 00 3- 53 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOEL MIYAZAKI 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Joel Miyazaki, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Daniel Mariz Gudino, Paulo Sérgio Celani, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep, abrangendo os períodos de apuração março e maio de 1998, totalizando um crédito tributário apurado de R$ 25.081,31. Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões de recurso voluntário apresentado pela recorrente: Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 1/16, na qual alegou ter declarado/consolidado todos os seus débitos até a competência de fevereiro de 2000 no Programa de Recuperação Fiscal — REFIS, além do período lançado ter sido "abrangido pelos efeitos da decadência". Estando os débitos incluídos no REFIS, sua exigência na autuação levará à duplicidade de seu pagamento pela contribuinte. Reiterou que, nos termos da Lei n° 9964, de 10 de abril de 2000, a consolidação no REFIS abrangeria todos os débitos existentes em nome da pessoa jurídica. Reclamou do caráter abusivo da multa de ofício e suscitou a inconstitucionalidade da taxa Selic como juros de mora. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 08/03/2007, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), considerou procedente em parte o lançamento, cancelando a exigência da multa de ofício aplicada, conforme Acórdão n° 1415.057: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1998 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio. MULTA DE OFICIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXONERAÇÃO. Exonerase a multa de oficio imposta sobre diferença apurada em débito declarado na DCTF, tendo em vista a retroatividade benigna do caput do art. 18 da Lei n°10.833, de 2003. Lançamento Procedente em Parte Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13888.001706/200353 Acórdão n.º 3201001.337 S3C2T1 Fl. 92 3 A Recorrente foi cientificada do teor do referido acórdão em 16/04/2007, tendo protocolado seu recurso voluntário em 15/05/2007, que, em síntese, reitera os argumentos da sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Por atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, conheço o recurso voluntário e passo a analisálo. Em relação à defesa da decadência do crédito tributário, esclarecese que a matéria foi definida pelo e. Superior Tribunal de Justiça, em acórdão proferido nos autos do REsp 973.733 SC (2007/01769940), submetido à sistemática dos recursos repetitivos de que trata o art. 543C do CPC, restando assim definida a matéria: RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS REPR. POR : PROCURADORIAGERAL FEDERAL PROCURADOR : MARINA CÂMARA ALBUQUERQUE E OUTRO(S) RECORRIDO : ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADOR : CARLOS ALBERTO PRESTES E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOEL MIYAZAKI 4 Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Denise Arruda, Humberto Martins, Herman Benjamin, Mauro Campbell Marques, Benedito Gonçalves, Eliana Calmon e Francisco Falcão votaram com o Sr. Ministro Relator. Brasília (DF), 12 de agosto de 2009(Data do Julgamento) MINISTRO LUIZ FUX Relator Fl. 100DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 13888.001706/200353 Acórdão n.º 3201001.337 S3C2T1 Fl. 93 5 Desta forma, deixou de ter relevância a verificação da específica natureza do tributo para a verificação do regime decadencial aplicável (Art. 150, par. 4º ou Art. 173, I do CTN) sendo a identificação do regime definido com base na verificação da existência (ou não) de pagamento do tributo pelo contribuinte no respectivo exercício. No caso concreto sob julgamento, o Auto de Infração originouse da realização de Auditoria Interna nas DCTFs apresentadas pela recorrente, que vinculou os débitos de PIS a pagamentos que não foram localizados, com período de apuração 03/1998 e 05/1998. Em não havendo pagamento do tributo, o lançamento enquadrase na situação prevista pelo artigo 173, I, do CTN, iniciandose o prazo quinquenal no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, qual seja 1º/01/1999. O lançamento, portanto, poderia ser efetuado até o dia 31/12/2004. Diante desta configuração, e tendo em vista que o auto de infração foi cientificado ao sujeito passivo em 18/07/2003, concluise que o lançamento não se encontra eivado pela decadência. Em relação ao argumento que os débitos estariam incluídos no Refis, o cerne da questão aqui é se a simples formalização da opção pelo ingresso no Refis, sem a declaração expressa do débito, é suficiente para que o débito esteja incluído e, desta forma, já constituído. A análise do direito envolvido demonstra que a resposta é negativa. Não há nada nas normas que regem esse programa de parcelamento especial que apontem no sentido de que a mera opção pelo Refis seja entendida como confissão de todos os débitos. O que reza a norma é que o programa deverá incluir todos os débitos, porém caberá ao contribuinte formalizar essa inclusão mediante a apresentação da competente declaração. Somente com esta restará caracterizada a constituição dos débitos não declarados. O fato de as normas mencionarem que o Programa compreende todos os débitos não implica que todos os débitos estejam necessariamente confessados com a opção por aderir ao Programa. Caberia ao contribuinte apontar os débitos não confessados, o que se faria dentro de determinado prazo, sob pena de perda do direito ao parcelamento especial em relação a esses débitos. Ademais, como se colhe do parágrafo único do art. 3° do Decreto n° 3.431, de 24.04.2000, os débitos não constituídos são incluídos no Programa mediante confissão. Portanto, somente com a confissão os débitos são considerados como incluídos no Programa. No caso sob exame, conforme demonstrado no acórdão proferido pela DRJ, os valores da contribuição exigidos foram declarados em DCTF pela contribuinte como pagos, sendo que apenas posteriormente se verificou a inexistência dos pagamentos. Desta forma, tais débitos, à época da opção pelo Refis, não constavam em nome da pessoa jurídica, e por isso não foram incluídos no Programa de Recuperação Fiscal, tal como demonstram as telas do sistemas da RFB. Inexiste, portanto, a alegada duplicidade de exigência do crédito tributário, mostrandose correto o lançamento fiscal. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOEL MIYAZAKI 6 A recorrente pretende ainda a exclusão da taxa Selic do lançamento, argumentando que sua aplicação seria inconstitucional e ilegal, pois estaria em desacordo com a Constituição e com o Código Tributário Nacional. Ocorre que a aplicação da taxa Selic é determinada pelo art. 13 da Lei nº 9.065//95 e pelo art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96 – dispositivos de lei que se encontram em vigor, não tendo sido revogados nem julgados inconstitucionais, sendo por isso de aplicação obrigatória pelos agentes fiscais, conforme exigido pelo art. 142 do CTN. Com efeito, na medida em que a atividade do lançamento é estritamente vinculada à aplicação da lei, é dever do agente fiscal aplicar as normas vigentes. Ademais, este entendimento encontrase já sumulado pelo CARF Súmula CARF nº 4 , sendo determinado que “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Por tais motivos, concluise pela manutenção da taxa Selic. Destarte, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o lançamento. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 102DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/08/2013 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 10980.723994/2012-45
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO.
Não havendo omissão, os embargos se prestam a reformar decisão embargada pretendendo dar interpretação diversa à norma aplicável ao caso concreto, o que não merece acolhimento.
NORMA DE ISENÇÃO. NECESSIDADE DE INTERPRETAÇÃO LITERAL. REGRA APLICÁVEL AOS ÓRGÃOS JULGADORES COM RESERVAS.
Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção, contudo, ao órgão judicante não cabe outorgar isenção, tão pouco restringir ou ampliar o texto isentivo. A este Conselho cabe apenas verificar o sentido e alcance da lei, atendidas as regras de hermenêutica aplicáveis às normas jurídicas em geral, inclusive à literal, gramatical, o que efetivamente ocorreu.
Numero da decisão: 1402-002.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento aos embargos de declaração. Vencido o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Designado o Conselheiro Demetrius Nichele Macei para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
(assinado digitalmente)
DEMETRIUS NICHELE MACEI - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO. Não havendo omissão, os embargos se prestam a reformar decisão embargada pretendendo dar interpretação diversa à norma aplicável ao caso concreto, o que não merece acolhimento. NORMA DE ISENÇÃO. NECESSIDADE DE INTERPRETAÇÃO LITERAL. REGRA APLICÁVEL AOS ÓRGÃOS JULGADORES COM RESERVAS. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção, contudo, ao órgão judicante não cabe outorgar isenção, tão pouco restringir ou ampliar o texto isentivo. A este Conselho cabe apenas verificar o sentido e alcance da lei, atendidas as regras de hermenêutica aplicáveis às normas jurídicas em geral, inclusive à literal, gramatical, o que efetivamente ocorreu. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento aos embargos de declaração. Vencido o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Designado o Conselheiro Demetrius Nichele Macei para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 39 94 /2 01 2- 45 Fl. 390DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/02/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.723994/201245 Acórdão n.º 1402002.058 S1C4T2 Fl. 391 2 (assinado digitalmente) DEMETRIUS NICHELE MACEI Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/02/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.723994/201245 Acórdão n.º 1402002.058 S1C4T2 Fl. 392 3 Relatório Trata o presente da análise dos EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pela FAZENDA NACIONAL (fls. 380/382) contra o Acórdão 1402001.726, proferido por esta 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, que negou provimento ao recurso de ofício apresentado. Tais embargos mostramse tempestivos e preenchem os demais requisitos para seu conhecimento. Designado para pronunciarme sobre a admissibilidade dos embargos, assim o fiz: "... Em resumo, alega a Fazenda Nacional que há omissão no voto condutor do acórdão ao não justificar o afastamento do art. 111 do CTN, vez que, para o estabelecimento de isenção, há que se seguir a interpretação literal da lei. Nesse sentido, assim se pronunciou a embargante: O contribuinte apresentou DIPJ dos anoscalendário 2007 a 2010 como isento de IRPJ e desobrigado à apuração de CSLL. Entretanto, por se tratar de entidade desportiva dedicada ao futebol profissional, alguns regramentos específicos que definem o tratamento tributário destinado à atividade precisam ser observados. Diante da determinação constitucional (art. 217, III) de tratamento diferenciado entre desporto profissional e nãoprofissional, o art. 18, IV da Lei nº 9.532/97, revogou a isenção do imposto de renda para as entidades que se dediquem à prática desportiva de caráter profissional. Eis a redação do dispositivo: Art. 18. Fica revogada a isenção concedida em virtude do art. 30 da Lei nº 4.506, de 1964, e alterações posteriores, às entidades que se dediquem às seguintes atividades: (...) IV de prática desportiva, de caráter profissional; (...) Parágrafo único. O disposto neste artigo não elide a fruição, conforme o caso, de imunidade ou isenção por entidade que se enquadrar nas condições do art. 12 ou do art. 15. Apesar da revogação, o parágrafo único do artigo acima citado manteve a isenção para as entidades enquadradas nas condições dos arts. 12 ou 15 da mesma Lei. O artigo 15 tem a seguinte redação: Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as Fl. 392DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/02/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.723994/201245 Acórdão n.º 1402002.058 S1C4T2 Fl. 393 4 associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Destaque nosso) Entretanto, tendo em vista a exigida literalidade na interpretação da legislação que trata sobre outorga de isenção (art. 111, II do CTN), devese atentar que os clubes de futebol profissional não se enquadram entre as entidades listadas no artigo transcrito. A isenção do IRPJ para instituições recreativas tem por finalidade estimular atividades de lazer, recreação e prática de esporte amador. Entidades desportivas dedicadas ao futebol profissional não são estritamente recreativas. O contribuinte também não se enquadra nas “associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos”, uma vez que não presta nenhum tipo de serviço. É importante perceber que a isenção do IRPJ é para as receitas das atividades listadas no art. 15, em interpretação literal. O sujeito passivo obtém receitas da exploração do futebol profissional (publicidade, marketing, bilheteria, transmissão de jogos, prêmios, etc.), com o principal objetivo de vencer campeonatos de futebol. Não há filantropia, cultura, recreação e pesquisa científica com o fruto dessas receitas obtidas. Quase a totalidade das receitas destinase ao pagamento dos atletas, funcionários e manutenção da estrutura necessária para a participação em competições profissionais. Não se vislumbra nenhuma fundamentação legal nem razão para isenção tributária no caso. Apesar de todos esses fatos, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF negou provimento ao recurso de ofício por meio de uma interpretação extensiva da norma isentiva. Contudo, verificase que no acórdão há uma omissão, pois a Turma não justificou o afastamento do art. 111 do CTN. [...] De fato, há que se dar razão à embargante no sentido de que, pelo menos em tese, o acórdão embargado negou provimento ao recurso de ofício com base em uma interpretação extensiva da norma isentiva. A se confirmar tal conclusão, presente estaria a omissão aventada pela embargante. Desse modo, por entender que, em tese, houve omissão sobre ponto que a turma deveria ter se pronunciado, com base no art. 65, § 2°, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, manifestome pela admissão dos embargos de declaração opostos e conseqüente retorno dos autos a este Colegiado para apreciação. ..." O I. Presidente desta turma aprovou o despacho, admitindo os embargos na forma apresentada acima, retornando os autos para relato e inclusão em pauta de julgamentos. É o relatório. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/02/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.723994/201245 Acórdão n.º 1402002.058 S1C4T2 Fl. 394 5 Voto Vencido Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar Como relatado, no acórdão embargado foi mantido o entendimento da DRJ quanto à isenção de IRPJ para as atividades de exploração de prática desportiva, de caráter profissional, promovidas por clubes recreativos e associações civis sem fins lucrativos que prestem os serviços para os quais foram constituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam. Vejase nesse sentido, a ementa do acórdão embargado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 EXPLORAÇÃO DE PRÁTICA DESPORTIVA, DE CARÁTER PROFISSIONAL, POR CLUBES RECREATIVOS E ASSOCIAÇÕES CIVIS SEM FINS LUCRATIVOS QUE PRESTEM OS SERVIÇOS PARA OS QUAIS FORAM CONSTITUÍDAS E OS COLOQUEM À DISPOSIÇÃO DO GRUPO DE PESSOAS A QUE SE DESTINAM. ISENÇÃO. O artigo 18 da Lei n° 9.532, de 1997, revogou a isenção das entidades em geral que exploram a prática desportiva, de caráter profissional. Contudo, seu parágrafo único assegurou a fruição do benefício para as entidades constituídas como clubes recreativos, e também como associações civis sem fins lucrativos que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam. Alega a embargante que há omissão no voto condutor do acórdão ao não justificar o afastamento do art. 111 do CTN, vez que, para o estabelecimento de isenção, há que se seguir a interpretação literal da lei. De fato, compulsando o acórdão recorrido observase que a isenção em análise baseiase em uma interpretação extensiva da lei, o que torna imperioso a justificativa para o afastamento do art. 111 do CTN. Tendo em vista que o acórdão recorrido passou ao largo quanto a essa justificativa, entendo caracterizada a omissão aventada, que deve ser sanada. Retifico, pois, o voto do acórdão embargado na forma a seguir apresentada, tomando emprestado, com a devida vênia, os fundamentos da embargante, que adoto como razão de decidir nesse voto, na forma a seguir apresentada. Há que se consignar, de início, que a conclusão quanto à matéria em discussão é controversa. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/02/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.723994/201245 Acórdão n.º 1402002.058 S1C4T2 Fl. 395 6 Na linha de entendimento da decisão recorrida e embargada temse o Parecer n° 086/2012/CONJURME/CGU/AGU, de 03 de setembro de 2012, cuja ementa transcrevese a seguir. Autuações da RFB contra entidades de prática desportiva que desenvolvem a modalidade futebol de forma profissional descaracterização de sua natureza jurídica associativa. Imposição de adoção do modelo de sociedades empresárias. O futebol integra o patrimônio cultural brasileiro e revestese de elevado interesse social. Inobservância do principio constitucional da liberdade associativa (CF art. 5o XVII) e da autonomia das entidades desportivas (CF art. 217 I). Desrespeito à Carta Olímpica e, consequentemente, ao disposto no §1° do art. Io da Lei 9.615/1998. Não configuração de cancelamento legal dos benefícios tributários concedidos através da Lei N° 9.532/1997 e da Medida Provisória N° 2.15835/2001 àqueles clubes de futebol. Conclui aquele parecer: 1. o desporto é elemento constitutivo da cultura nacional e, na forma da Lei Pelé, integra o patrimônio cultural brasileiro, sendo considerada de elevado interesse social; 2. a desconsideração do princípio da liberdade associativa e consequente obrigatoriedade de transformação das entidades de prática desportiva em sociedades empresárias acarreta em efeitos deletérios à organização do desporto; 3. além de se tratar de ferimento ao disposto na Constituição Federal e na Lei Geral do Desporto quanto à autonomia das entidades desportivas, a interpretação equivocada da RFB ataca os princípios inscritos na Carta Olímpica, a qual o Brasil assente. 4. não houve qualquer modificação nas normas federais que tenha cancelado as isenções tributárias previstas na Lei N° 9.532/1997 e na Medida Provisória N° 2.15835/2001 às entidades de prática desportiva que desenvolvam a modalidade futebol de forma profissional, desde que sua natureza jurídica seja a de associações civis sem finalidade lucrativa. (destaquei). Em sentido contrário, o Parecer PGFN/CAT/Nº 2567/2012 entende que, ainda que seja possível para uma entidade do desporto profissional adotar a forma de associação civil sem fins lucrativos, os princípios contidos no Art. 145, § 1º (Capacidade contributiva) e Art. 150, II (Vedação de tratamento desigual), ambos da Constituição Federal, levariam à conclusão de que o Art. 27, § 13, da Lei nº 9.615/98, teria afastado a aplicação das normas de isenção contidas no Art. 15 da Lei nº 9.532/97, e nos artigos 13 e 14 da MP nº 2.15835, de 2001, para as entidades de desporto profissional, inclusive os clubes de futebol. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/02/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.723994/201245 Acórdão n.º 1402002.058 S1C4T2 Fl. 396 7 No caso em análise, a contribuinte apresentou DIPJ dos anoscalendário 2007 a 2010 como isento de IRPJ e desobrigado à apuração de CSLL. Entretanto, tratandose de entidade desportiva dedicada ao futebol profissional, alguns regramentos específicos que definem o tratamento tributário destinado à atividade precisam ser observados. Diante da determinação constitucional (art. 217, III) de tratamento diferenciado entre desporto profissional e nãoprofissional, o art. 18, IV, da Lei nº 9.532/97, revogou a isenção do imposto de renda para as entidades que se dediquem à prática desportiva de caráter profissional. Vejase a redação do dispositivo. Art. 18. Fica revogada a isenção concedida em virtude do art. 30 da Lei nº 4.506, de 1964, e alterações posteriores, às entidades que se dediquem às seguintes atividades: (...) IV de prática desportiva, de caráter profissional; (...) Parágrafo único. O disposto neste artigo não elide a fruição, conforme o caso, de imunidade ou isenção por entidade que se enquadrar nas condições do art. 12 ou do art. 15. Apesar da revogação, o parágrafo único do artigo acima citado manteve a isenção para as entidades enquadradas nas condições dos arts. 12 ou 15 da mesma Lei. No caso presente, tratase de instituição enumerada no art. 15, verbis: Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Grifei) Nesse diapasão, os fundamentos do acórdão embargado trazem extensiva interpretação sobre a pertinência dos clubes de futebol no grupo das instituições de caráter recreativo, vejase o excerto da decisão recorrida, no que interessa. "... Reitero que nenhuma dúvida existe de que a impugnante é, intrinsecamente, uma entidade recreativa. O autuante fundamenta seu entendimento (fls. 26) nos seguintes termos: "A condição de instituição de caráter recreativo também não se aplica integralmente, pois, em função da interpretação restrita do CTN, não há como aceitar tal enquadramento através da interpretação extensiva ou de integração analógica. A isenção do IRPJ para instituições recreativas tem por finalidade estimular atividades de lazer, recreação e prática de esporte amador. Entidades desportivas dedicadas ao futebol profissional não são estritamente recreativas." (Negritei). Fl. 396DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/02/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.723994/201245 Acórdão n.º 1402002.058 S1C4T2 Fl. 397 8 Entende o autuante, portanto, que somente as entidades estritamente recreativas estão alcançadas pela isenção e que tais entidades poderiam dedicarse apenas ao esporte amador. Em outras palavras, a mera circunstância de haver a prática desportiva, de caráter profissional, suprimiria o direito à isenção. Penso, entretanto, que esse entendimento somente se justificaria em face da leitura isolada do artigo 15 acima transcrito, que sozinho já concede isenção às entidades estritamente recreativas. O autuante ignora por completo o parágrafo único do art. 18, que assegurou a fruição do benefício para qualquer entidade que, enquadrada no art. 15, também se dedique à prática desportiva, de caráter profissional. Repito, por força do art. 15, as entidades estritamente recreativas, já eram beneficiárias da isenção. Para tais entidades, o parágrafo único do art. 18 é absolutamente inoperante, porque não existe necessidade de assegurar um benefício do qual já dispõem. Para que o parágrafo único do art. 18 faça algum sentido é necessário admitir que veio autorizar que as entidades nele mencionadas todas previamente beneficiárias de imunidade ou isenção exerçam as atividades econômicas listadas nos incisos do caput do artigo, sem perder o benefício fiscal. O autuante argumenta (fls. 26), verbis: "É importante perceber que a isenção do IRPJ é para as receitas das atividades listadas no art. 15, em interpretação literal. O sujeito passivo obtém receitas da exploração do futebol profissional (publicidade, marketing, bilheteria, transmissão de jogos, prêmios, etc.), com o principal objetivo de vencer campeonatos de futebol. Não há filantropia, cultura, recreação e pesquisa científica com o fruto dessas receitas obtidas..." Ora, a isenção do artigo 15 é para as receitas inerentes às atividades das entidades contempladas no artigo 15, em interpretação literal, como advoga o autuante. Mas não é dessa isenção que se está aqui cogitando. O benefício em questão é outro; tratase daquele previsto no parágrafo único do artigo 18, que garante àquelas entidades do artigo 15 o exercício das atividades todas elas econômicas listadas no artigo 18, mantendo a isenção da qual são titulares. Mas o autuante argumenta que tais receitas advêm de exploração de atividade econômica, insistindo que o parágrafo único do art. 2° da Lei Pelé afirma expressamente que a exploração e a gestão do desporto profissional constituem exercício de atividade econômica. Ora, o objetivo do parágrafo único do art. 18 foi exatamente permitir que as entidades ali referidas conservassem a isenção, quando exercessem as atividades econômicas listadas nos diversos incisos do artigo. É óbvio que, caso as receitas adviessem de filantropia, cultura, recreação, etc., não haveria a necessidade de ter assegurada a fruição da isenção, uma vez que tais receitas já são intrinsecamente isentas. Pareceme óbvio, portanto, que o único sentido possível do parágrafo único do artigo 18 é aquele que, excepcionalmente, concilia o exercício de determinada atividade econômica com a isenção de algumas entidades, permitindolhes conservarem o benefício intrínseco, mesmo exercendo tais atividades. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/02/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.723994/201245 Acórdão n.º 1402002.058 S1C4T2 Fl. 398 9 Entendo, portanto, que o lançamento é improcedente, porque ignora a isenção expressamente assegurada pelo parágrafo único do art. 18 da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, aos clubes recreativos. ..." E continua, agora considerando a alternativa de a interessada ser associação civil que presta os serviços para os quais foi instituída, e os coloca à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. "... Entretanto, mesmo que a impugnante não fosse um autêntico clube recreativo, entendo que também faria jus à isenção, pelo mesmo dispositivo legal, mas na condição de associação civil que presta os serviços para os quais foi instituída, e os coloca à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. Esse foi o entendimento esposado nos votos anteriormente referidos, cujos pontos mais relevantes passo a reproduzir. ..." Como se constata, os próprios fundamentos do voto condutor do acórdão embargado evidenciam a interpretação extensiva dada para a norma isentiva analisada. Sem essa interpretação extensiva, os clubes de futebol profissional não se enquadrariam entre as entidades listadas no artigo 15 acima citado. Reforço ser imperioso a interpretação literal da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção, conforme prescrito no art. 111, II, do CTN, de modo que se deve dar ao texto isentivo interpretação restrita, vedandose a interpretação extensiva ou de integração analógica. Com isto, pretendese impedir que se dê à norma concessiva de isenção alcance maior do que o pretendido pelo legislador, ou seja, que a interpretação ou a utilização de qualquer outro princípio de hermenêutica termine por ampliar o alcance da isenção concedida. Assim, tendo em vista a exigida literalidade na interpretação da legislação que trata sobre outorga de isenção (art. 111, II do CTN), forçoso reconhecer como descabido o entendimento exarado nos acórdãos, tanto o recorrido quanto o embargado, no que se refere à isenção tributária para as atividades de exploração de prática desportiva, de caráter profissional, promovidas pela autuada. Nesse sentido, caracterizada a omissão aventada, Voto no sentido de dar provimento aos embargos de declaração para, uma vez sanada a omissão, atribuirlhes efeitos infringentes para retificar os termos do acórdão embargado, dando provimento ao recurso de ofício apresentado. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 398DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/02/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.723994/201245 Acórdão n.º 1402002.058 S1C4T2 Fl. 399 10 Voto Vencedor Conselheiro DEMETRIUS NICHELE MACEI. Tratase de Embargos declaratórios, opostos pela Fazenda Nacional, argumentando que teria havido contradição no acórdão embargado por ter deixado de interpretar literalmente isenção do imposto, negando assim vigência ao artigo 111 do Código Tributário Nacional (CTN) 1. O ilustre Conselheiro relator votou no sentido de acolher os embargos, dandolhes efeitos infringentes e, conseqüentemente, dando provimento ao Recurso Ofício, mantendo a exigência fiscal. Sem esquecer da profundidade e equilíbrio sempre presentes nos votos proferidos pelo colega relator, ousei discordar das suas conclusões neste caso específico, pelos seguintes motivos: Em primeiro lugar, é preciso observar que o acórdão recorrido deu "sua" interpretação da legislação ao caso concreto, como é usual da atividade judicante. Neste sentido, os presentes embargos ultrapassariam seu cabimento, na medida em que tentam, por via do afastamento de aparente contradição, tentar fazer prevalecer seu entendimento, "sua outra" interpretação, vencida no referido acórdão. Só por esta razão, em prestígio a atividade judicante da Turma que debateu e deliberou à unanimidade o acórdão, apenas o fato do mal uso destes embargos já seria motivo para não acolhêlos, ao menos quanto aos efeitos pretendidos (infringentes). Em segundo lugar, é um verdadeiro idiotismo2 conceber que seja possível ao legislador estabelecer aprioristicamente um critério de interpretação, com a pretensão de evitar a chamada interpretação "extensiva" ou " restritiva" da lei. Este tema é recorrente na doutrina e jurisprudência, e não são raras as vezes em que o Estado, por meio da fiscalização tributária, se utiliza da equivocada "interpretação" da regra do art. 111 do CTN que estabelece regras de "interpretação" das isenções. Vejase que o referido artigo, por si, já cria uma espiral lógica interminável. A interpretação, da interpretação, da interpretação... 1 "Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; (...)" 2 Expressão utilizada por José Souto Maior Borges para dizer que não é possível ao interprete restringir ou ampliar o sentido de uma norma. Se o fizer, deixa de ser ato de interpretar para ser revogar ou legislar. (Isenções Tributárias. 2 ed. São Paulo. Sugestões Literárias, 1980. p. 110) Fl. 399DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/02/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.723994/201245 Acórdão n.º 1402002.058 S1C4T2 Fl. 400 11 Tércio Sampaio Ferraz Jr. compara a interpretação à tradução de um texto. O texto estrangeiro diz alguma coisa, e todos sabemos disso, mas cabe ao tradutor estabelecer o que o texto quer dizer para nós. O mesmo acontece com a regra jurídica, que é vertida a regra usual no momento de seu uso no caso concreto (aplicação).3 Para que não haja sequer discussão sobre valores extrajurídicos na análise da questão, vejamos algumas conclusões de renomado positivista do Direito. Hans Kensen, ao tratar da hermenêutica (ciência da interpretação), identificou que na esfera estática da norma, cabe ao interprete apenas descrever o ordenamento, sem nunca agregar nada ao objeto interpretado (a lei, o ordenamento jurídico). Este é o entendimento expressado pela Fazenda Nacional nos presentes embargos, qual seja, de que do texto isentivo só se pode extrair uma norma, um comando possível. Já ao tratar da esfera dinâmica da norma, naquele momento em que o julgador verifica o sentido e alcance de um texto legal para a aplicação a um dado caso concreto, a atividade do interprete deixa de ser neutra pois, quando é declarada a aplicabilidade (ou não) de uma norma a um determinado fato, o interprete efetivamente agrega algo. Aqui poderíamos distinguir a interpretação doutrinária da interpretação da autoridade julgadora. Na primeira, temos apenas texto e interprete. Na segunda, temos texto, interprete e produto da atividade do interprete. Muito se discute a respeito da natureza jurídica da regra de isenção. Alguns afirmam que se trata de privilégio do Estado ao contribuinte, um favor fiscal; outros que se trata de renúncia do Estado à parcela de tributo do contribuinte, reconhecendo que para aquele sujeito (ou situação) não há capacidade contributiva. Ambos os entendimentos não são suficientes para justificar que a interpretação seja apenas literal, gramatical, especialmente na esfera dinâmica da norma. A um, porque nosso sistema constitucional há muito prevê o principio da isonomia, afastando qualquer "privilégio" a determinada classe de pessoas. Ora, por privilégio devese entender que o Estado, mesmo sabendo que o sujeito pode pagar (tem capacidade contributiva) o escolhe para que não pague. Isto é privilégio. A dois porque, seja por privilegio, seja por estabelecer renúncia, ou a uma terceira ou quarta categoria, não há nada que justifique que a isenção seja tratada como norma jurídica diferente das demais, sujeitandose outras regras gerais diferentes daquelas a que estão sujeitas as demais regras jurídicas do ordenamento brasileiro. O ordenamento jurídico é um só e é assim que a Constituição Federal faz referência às normas de inferior hierarquia, dando fundamento de validade a todas, sem exceção. 3 Introdução ao Estudo do Direito. 4 ed. rev. ampl. São Paulo, Atlas, 2003. p. 268. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/02/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.723994/201245 Acórdão n.º 1402002.058 S1C4T2 Fl. 401 12 Outra coisa, bem diferente, são as regras de integração da legislação tributária. Notese que o CTN estabelece no seu Capitulo IV as regras de "interpretação e integração" dos artigos 107 a 112, indistintamente. Digo isso pois o primeiro artigo do capítulo faz referência expressa apenas à interpretação, mas refere se obviamente a ambos os institutos, ao dizer: "CAPITULO IV Interpretação e Integração da Legislação Tributária. Art. 107. A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste Capítulo. (...)" (grifei) Por integração entendese o preenchimento de lacunas na legislação. Neste sentido, não poderia caber a analogia em matéria de isenções, por exemplo, justamente porque, neste caso, o interprete estaria agindo como legislador, inovando a norma, ampliando o seu sentido, ou eventualmente restringindo. Como afirmei antes, ao interprete não cabe restringir ou ampliar, mas somente interpretar. MAS ao interpretar, não é possível limitarse a determinada técnica interpretativa ao estabelecer o sentido e alcance do texto, especialmente quando o interprete reveste a figura de julgador. Afirmar isso seria um verdadeiro absurdo. Seria admitir que a interpretação desconsiderasse a existência de determinada norma constitucional contrária, ou até mesmo lei de mesmo nível, que contivesse comando antinômico, por exemplo (resultado da interpretação sistemática). Na interpretação não há lacuna a preencher. O interprete não está inovando, e nem poderia, em relação ao texto interpretado. Neste sentido, aliás, já decidiu o Superior Tribunal de Justiça, in verbis: ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. APOSENTADORIA POR TEMPO DE SERVIÇO. MOLÉSTIA GRAVE. CARDIOPATIA. ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 111, INCISO II, DO CTN. LEI N. 4.506/64 (ART. 17, INCISO III). DECRETO N. 85.450/80. PRECEDENTES. 1. O art. 111 do CTN, que prescreve a interpretação literal da norma, não pode levar o aplicador do direito à absurda conclusão de que esteja ele impedido, no seu mister de apreciar e aplicar as normas de direito, de valerse de uma equilibrada ponderação dos elementos lógico sistemático, histórico e finalístico ou teleológico, os quais integram a moderna metodologia de interpretação das normas jurídicas. (...) 3. Recurso especial conhecido e nãoprovido. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/02/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.723994/201245 Acórdão n.º 1402002.058 S1C4T2 Fl. 402 13 (REsp 192.531/RS, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/02/2005, DJ 16/05/2005, p. 275) Entendo que a regra inscrita no artigo 111 do CTN só faz sentido caso se refira às situações de integração da lei tributária, para não admitir que o aplicador da lei de isenção, por meio de analogia, por exemplo, conceda isenção a quem não tem. Por isso mesmo a aplicação da norma precisa ser literal, no sentido de que se não há regra expressa concedendo isenção para determinada classe de sujeitos ou de situações, não pode o aplicador fazêlo. Entendo que aqui o legislador apenas fez a necessária ressalva quanto a aplicação da analogia prevista no artigo 1084, pois a ele é defeso interferir na técnica para se chegar à melhor ou pior interpretação. Por essa razão é que, mesmo reconhecendo que determinada isenção ofendeu o principio da igualdade, nem o Poder Judiciário pode "estender" a isenção àquele que foi preterido pelo legislador, mas se encontrava na mesma situação jurídica. Isto equivaleria a ultrapassar a literalidade da norma de isenção para beneficiar outros que a legislação não quis beneficiar. Neste sentido: Agravo regimental no recurso extraordinário. Tributário. Imposto de renda. Isenção. Alcance do benefício. Necessidade de reexame da legislação infraconstitucional. Impossibilidade de atuação do judiciário como legislador positivo. Efeito confiscatório da exação. Súmula nº 279/STF. 1. A suposta ofensa à Constituição somente poderia ser constatada a partir da análise e da reinterpretação da legislação infraconstitucional, o que torna oblíqua e reflexa eventual ofensa, a qual é insuscetível, portanto, de viabilizar o conhecimento do recurso extraordinário. 2. Impossibilidade de o Poder Judiciário atuar como legislador positivo para estabelecer isenções de tributos não previstas em lei. 3. O caráter confiscatório da exação, no caso em exame, somente seria aferível mediante reexame do quadro fáticoprobatório. Incidência da Súmula nº 279/STF. 4. Agravo regimental não provido. (RE 852409 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Segunda Turma, julgado em 07/04/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe080 DIVULG 29042015 PUBLIC 30042015) Finalmente, entendo que não houve qualquer omissão no acórdão embargado, muito menos negativa de vigência ao artigo 111 do CTN. 4 "Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; (...)" Fl. 402DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/02/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10980.723994/201245 Acórdão n.º 1402002.058 S1C4T2 Fl. 403 14 Muito ao contrário. Visto por outro prisma, ao interpretar a norma de isenção o acórdão partiu justamente da sua interpretação gramatical, literal, para daí seguir às demais técnicas de hermenêutica em direito admitidas (teleológica, histórica e sistemática), até que chegasse à interpretação mais adequada ao caso concreto. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento aos embargos de declaração. É o meu voto. (assinado digitalmente) DEMETRIUS NICHELE MACEI Redator designado. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/02/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/02/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 23/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10640.002089/2002-37
Data da sessão: Mon Aug 23 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3302-000.056
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-10-07T15:52:19Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-10-07T15:52:19Z; Last-Modified: 2010-10-07T15:52:19Z; dcterms:modified: 2010-10-07T15:52:19Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:5e7bd066-7bc0-4ca5-82d1-9062535e8eb9; Last-Save-Date: 2010-10-07T15:52:19Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-10-07T15:52:19Z; meta:save-date: 2010-10-07T15:52:19Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-10-07T15:52:19Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-10-07T15:52:19Z; created: 2010-10-07T15:52:19Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2010-10-07T15:52:19Z; pdf:charsPerPage: 818; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-10-07T15:52:19Z | Conteúdo => S3-C3T 2 H 359 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO I'rocesso n" 10640002089/2002-37 Recurso n" NA Resolução n" 3302-00.056 — 3 Câmara / r Turma Ordinária Data 23 de agosto de 2010 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente ASSOCIAÇÃO DE CARIDADE SÃO JOSÉ DE BICAS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o .julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator, (Assinado digitalmente.) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco - Relator Participaram da presente resolução os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Man Fialho Gandra, Andréa Medrado Darze, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Processo n" 10640,002089/2002-37 Resoluçào n " 3302-00.056 S3-C312 Fl 360 RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário (lis. 270 a 274) apresentado em 24 de novembro de 2009 contra o Acórdão if 09-26409, de 7 de outubro de 2009, da 2 Turma de Julgamento da DM Florianópolis (tis, 264 a 267), que, relativamente a pedido de restituição de Cotins dos períodos de maio de 1997 a maio de 2002, indeferiu a solicitação da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO CLASSIFICA (;To DE MERCADORIAS Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 DECADÊNCIA. O direito de pleitear restituição extingue-se em 05 anos caritó, me ar ligo 168- CTN COFINS ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL ISENÇÃO A isenção dá Cotins para "as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei", estabelecida o inciso III do artigo 6" da LC 70/91 foi revogada a partir de 30/06/1999 pela AIP 2 158-35/2001, que também estabeleceu no, que "em relação aos latos geradores ocorridos a partir de I" de levei eito de 1999, são isentas da COFINS as receitas relativas às atividades próprias elas entidades instituições de educação e de assistência social a que se refere o art 12 da Lei n' 9532, de 10 de dezembro ele 1997". ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DESTINAÇÃO DE SUPERÁVIT Se o estatuto da entidade prevê que superávits apurados serão destinados integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais, desnecessário a apresentação de ata de assembléia que versem sobre o tema ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCLIL NÃO REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTES A entidade deve comprovar por meio de e.scrinuação completa de suas receitas e despesas, que não remunera, por qualquer turma, seus dirigentes pelos serviços prestados Direito creditório não reconhecido O pedido foi apresentado em 26 de .julho de 2002 e foi inicialmente indeferido pelo despacho de lis, 149 a 152, de 28 de maio de 2009, cujo parcial teor se reproduz a seguir: [ I verifica-se que as instituições a que se refere o ar t 15 da Lei d 9 532, de 1997, somente estão isentas da Cofins em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de fevereiro de 1999 (AIF 1858-6/99, atual AIP 2. 158-35/2001) Nesse sentido, a Lei n" 11.423/2001, que revogou a IN 04/97, acrescentou entre as entidades não sujeitas à retenção, inclusive da Cotins, as instituições de caráter filantrópico e associações sem fins lucrativos; situação em que se coloca a requerente, conforme declaração que traz aos autos à11.06 2 Processo n" 106 ,10.0020R9/2002-37 S3-C31-2 Reso1uç5o n." 3302-00,056 Fl. 361 No presente caso, conforme telas do sistema 1RPJ/consulta, a contribuinte apresentou declaração de isenta, relativa aos anos- calendário de 1998 a 200.2 (fl. 99), não tendo compensado qualquer valor retido na fonte (fis 100/143). Por outro lado, também não foi informada a receita que gerou a retenção na fonte, evidenciando não ter sido ela oferecida à tributação. Assim sendo, considerando ser devida a Cojins incidente sobre pagamento efetuado a entidade sem fins lucrativos, relativamente a fatos geradores ocorridos até janeiro de 1999 (MP 1858-6/99, art. 14 e IN 04/1997, art. 18), e não tendo sido referida receita oferecida a tributação na declaração, torna-se definitiva a tributação da Cofias, de janeiro/1998 a janeiro/1999, ocorrida na fonte. A mesma conclusão se impõe ao ano-calendário de 1997, vez que, da declaração, não constou qualquer valor a titulo de Colins a pagar . Resta analisar a situação dos demais tributos retidos, incluindo a Colhas retida a partir de fevereiro de 1999. A não-retenção do imposto/contribuições em questão está condicionada ao cumprimento, pela requerente, dos requisitos do art 1.2, §2", alíneas "a", "e" e "g", e §3', da Lei tf 9 .532/1997 Na situação sob exame, consta dos art,s. 1" e 3' da Reforma dos Estatutos da Associação de Caridade São José de Bicas, registrado no Cartório do 2" Oficio de Bicas/MG, em 17/09/1996 (fls. 07 e 17), tratar a interessada de sociedade civil, "de .fins filantrópicos, e não lucrativos", que manterá sob denominação de Hospital São José, estabelecimento "destinado a recolher e tratar gratuitamente os doentes desvalidos .. podendo atender, também, mediante módica retribuição, pessoas que estejam em condições de pagar". Conforme telas do sistema JAPI/Consulia (fls 98/99), a interessada vem cumprindo o requisito previsto na alínea "e". Relativamente ao disposto na letra "g", consta do referido estatuto (ali 38, ,f1 17): "a associação só se extinguirá pela deliberação ( ..) em assembleia geral, e os seus bens remanescentes serão destinados para União, Estado, Município ou entidade congênere, juridicamente constituída, que esteja registrada no Conselho Nacional de Assistência Social, ou outro órgão que venha a substitui-lo". Dessa .forma, o requisito em questão foi atendido Em relação a alínea "a", prevê o estatuto (01.8', fl. 08) que a associação será administrada pela Diretoria gratuitamente. Assim, foi a interessada notificada (fls. 144/145) a apresentar páginas do livro Caixa de .forma a comprovar/demonstrar não ter havido de fato remuneração a seus dirigentes. Também foi solicitado o demonstrativo de resultado e balanço patrimonial, de maneira a se verificar a existência (ou não) de superávit, cuja destinação as atas solicitadas poderiam comprovar Ocorre que até a presente data não foi apresentada a documentação solicitada, não tendo sido atendido o disposto na alínea "a", bem como, não ficou comprovado se encontrar a requerente enquadrada no conceito previsto no §3" do ar t.12 da Lei n" 9 532/97. 3 Processo n" 10640.00208912002-37 S3-C31-2 Resolução n " 3302-00.056 Fl 362 Dessa forma, não ficou comi.), ovado tratar-se a requerente , de entidade sem fins lucrativos, restando ser indeferidos os pedidos de fls 01 e 91 Na manifestação de inconformidade, a Interessada apresentou vasta documentação. A DRJ considerou que "o inciso 111 do artigo 6 da LC 70/91 determinou a isenção da contribuição para 'as entidades beneficentes de assistência social que atendam As exigências estabelecidas em lei', entre as quais se inclui a manifestante, sendo que tal preceito foi revogado a partir de 30/06/1999 pela MP 2.158-35/2001, que também estabeleceu no inciso X do seu artigo 14, que 'em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 17 de fevereiro de 1999, são isentas da COHNS as receitas relativas às atividades próprias das entidades e instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei n c 9,532, de 10 de dezembro de 1997." Concluindo que "atendidas as exigências estabelecidas em lei, a isenção da Cafins não se restringe a fatos geradores posteriores a fevereiro de 1999", a DRJ manteve o indeferimento, conforme ementa anteriormente reproduzida, por considerar que "a entidade não comprovou que não remunera, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados, como previsto na alínea 'a' do § 3, do artigo 12 da Lei 9,532/97". No Recurso, a Interessada alegou inicialmente não se aplicar ao seu caso a Lei Complementar ri" 118, de 2005, quanto ao prazo para o pedido, à vista de os pagamentos terem sido efetuados anteriormente à publicação da mencionada LC. A seguir, contestou o acórdão de primeira instância em relação a conclusão de que não teria demonstrado não remunerar seus dirigentes, afirmando que "o Estatuto Social da Recorrente é cristalino ao expressamente vedar o recebimento de honorário, gratificação, lumilicação ou vantagens aos seus dirigentes " Acrescentou o seguinte: Nada obstante, em razão dos princípios que norteiem o processo administrativo fiscal, mormente os principios da legalidade, da ampla defisa e da verdade material, a Recorrente pede vênia para trazer aos autos as declarctçães e atas de eleição em apenso, que confir mam, através de documentos firmados pelos Provedores, relacionados à época dos fatos geradores, que os membros da Diretoria da ASSOMO() DE CARIDADE SÃO JOSÉ DE BICAS não receberam nenhuma remuneração, por qualquer fbrma, pelos serviços gratuitos prestados à entidade, ora Recorrente. Tendo, pois, a Recorrente acostado documentação hábil que demonstra o atendimento aos requisitos legais para usitfi uh a imunidade tributária perante a Autoridade Administrativa competente, sobretudo porque o Estatuto Social veda expressamente o recebimento de qualquer lucro, gratificação, bonificação ou vantagens pelos seus dirigentes e uma vez comprovado a retenção indevida o Fisco deve reconhecer o direito c/-editor-10 da Recorrente, consoante artigo 165, 1, cio Código Tributário Nacional Juntou as declarações dos dirigentes e ex-dirigentes nas fls., 275 a 295 e demais documentos até a fl. 308, 5 Processo n" 10640 002089/2002-37 S3-C3 12 Resoluçào o" 3302-0111,056 Fl. 363 É o relatório. Processo n" 10640.002089/2002-37 S3-(.312 Resolução n "3302-1~56 Ii 364 VOTO Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendo-se tomar conhecimento. Conforme esclarecido no relatório, o direito pleiteado foi denegado por não ter sido oferecida à tributação, na declaração de rendimentos, a receita objeto de retenção da Co fins, que, assim, ter-se-ia tomado definitiva, e por não haver a Interessada demonstrado a não remuneração dos dirigentes, matéria objeto da apresentação de vasta documentação no recurso. Para que tais situações sejam mais bem esclarecidas, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, para que a Interessada seja intimada a demonstrar o oferecimento à tributação das receitas objetos de retenção na fonte e a apresentai .. à Fiscalização o livro Caixa e o demonstrativo de resultado e balanço patrimonial, com o fim de provar a não remuneração e a destinação das sobras de resultado. Ademais, a Fiscalização deverá verificar a legitimidade da documentação juntada ao recurso e se atende ao relatado no parágrafo anterior, para, posteriormente, lavrar relatório fiscal sobre a diligência, dando prazo de trinta dias para resposta da Interessada, Sala das Sessões, em 23 de agosto de 2010 (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco 6
score : 1.0
Numero do processo: 11128.006354/2003-07
Data da sessão: Thu Jul 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO -
Data do fato gerador: 21/12/1999
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. LUTAVIT E 50 S.
O produto Lutavit E 50. Acetato de Vitamina E. 50%, cujo nome comercial é Lutava E. 50 5, identificado como uma preparação constituída de Acetato de
Tocoferol; (Acetato de Vitamina E) e Substâncias Inorgânicas à base de Sílica, na forma de pó, a ser utilizada pelas indústrias formuladoras de ração, conforme laudo técnico oficial, classifica-se no código NCM 2309.90.90. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 1\1° 4 DO
CARF.
Nos termos da Súmula n° 04 do CARF, a partir de I' de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e
Custódia - SELIC para títulos federais.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 3201-000.502
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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LUTAVIT E 50 S. O produto Lutavit E 50. Acetato de Vitamina E. 50%, cujo nome comercial é Lutava E. 50 5, identificado como uma preparação constituída de Acetato de Tocoferol; (Acetato de Vitamina E) e Substâncias Inorgânicas à base de Sílica, na forma de pó, a ser utilizada pelas indústrias formuladoras de ração, conforme laudo técnico oficial, classifica-se no código NCM 2309.90.90. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 1\1° 4 DO CARF. Nos termos da Súmula n° 04 do CARF, a partir de I' de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. JUDITH DO:AMARAL MARCONDES ARMANDO - Preside te Processo n" 11128006354/2003-07 83-C2TI Acórdão ri 3201-00302 Fl 108 /\ OV-Lek(2n)b--(r 1/v MARCELO RIBEIRO NOGUEIR FORMALIZADO EM: 20 de Setembro de 2010, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Mércia Trajano D'Amorim, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Ricardo Paulo Rosa e Tatiana Midmi Migiyama (Suplente). 2 Processo n" 11128.006354/2003-07 Acórdão n." 3201-00.502 53-C2T I Fl 109 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 16/10/2003, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de imposto de importação e multa de mora, devido à apuração dos fatos a seguir descritos. A empresa acima qualificada submeteu à admissão em entreposto aduaneiro mercadoria descrita como — Lutavit E 50. Acetato de Vitamina E 50% Nome Comercial. Lutavit E 50 S . . Qualidade: Industrial Feed Grade, Concentração . 50%. Estado Físico. • Sólido. Uso. Exclusivo para Fabricação de Ração Animal, por meio da declaração n°99/0980942-7, registrada em 16/11/1999. Amostras do produto importado foram coletadas e encaminhadas ao Labana para análise laboratorial. A nacionalização da totalidade da mercadoria foi qfètuada por meio da declaração n" 99/1105.352-0, registrada em 21/12/1999 (cópia de fis 24 a .27), na qual o produto importado foi classificado no código NCNI 2936.28.12, com alíquota de Imposto de Importação e Imposto sobre Produtos Industrializados de 0%. Da análise do Laudo n" 0021 de 05/01/2000, às /is. 32/33, esclarecendo que a mercadoria analisada tratava-se de "Preparação constituída de Acetato de Tocoferol; (Acetato de Vitanzina E) e Substâncias. Inorgânicas à base de Sílica, na .forma de pó, a ser utilizada pelas indústrias formuladoras de ração", a autoridade .fiscal classificou a mercadoria no código NCild 2309,90.90, sujeita à alíquota de imposto de importação de 11% Reproduzo do laudo acima mencionado as informações de interesse para a solução do presente litígio: "RESPOSTAS AOS OUESITOS 1. Não se trata somente de Acetato de Vitamina E. Trata-se de Preparação constituída de Acetato de Tocoferol; (Acetato de Vitamina E) e Substâncias Inorgânicas à base de Sílica, na forma de pó, a ser utilizada pelas indústrias .formuladoras de ração. ) 3 Processo n011128.006354/20(13-07 S3-C211 Acórclilo n " 3201-00,502 F 1 110 III.Segundo Compêndio Brasileiro de Alimentação Animal (cópia anexa), preparação contendo 50% de Acetato de Vitamina E é utilizada exclusivamente na produção de ração animal, após pré-mistura sobre um suporte adequado. ) IV. De acordo com as Referências Bibliográficas, a Sílica é um excipiente cuja função nesta preparação é de um adsorvente ou suporte. Adsorvido dessa . forma, o Acetato de Tocoferol, que é uni líquido oleoso, pode ser manuseado como um pó com alta .fluidez, Essa transformação facilita a administração e o doseamento uniforme da vitamina aos animais, que normalmente é misturada à ração ou aos alimentos secos. A Sílica também ajuda manter a integridade da vitamina, principalmente na presença de oligoelementos e, quando é submetida às condições adversas durante estocagem, em termos de umidade, temperatura e contra agressões físicas como na moagem." Em decorrência, foi lavrado o presente auto de 4-ação, formalizando a exigência do recolhimento do imposto de importação apurado em razão da alteração de ai/quota tarifária, e da multa de mora, totalizando, com juros calculados até 30/09/2003, o valor de R$ 76,409,86 Cientificado da lavratura do auto de b?fiação em 20/10/2003 (/7, 01), o contribuinte por intermédio de seus advogados e procuradores (instrumento de Mandato às . 11s. 61/62) protocolizou impugnação, tempestivamente, em 17/11/2003, de .lis. 41 a 60, alegando, resumidamente, que: 1) a classificação adotada pela autoridade _fiscal afronta o entendimento administrativo exarado na Decisão Coana n" 002/99, cópia de fls. 66 a 71, consulta formulada pela Sindirações, pois da mera verificação do objeto da referida consulta, não pode haver dúvida de que o entendimento exarado naquela decisão é plenamente aplicável ao caso; 2) decisão do Comitê do Sistema Harmonizado classifica preparação de vitamina E 50% adsoivida em sílica na subposição 2936,28; 3) não são devidos . juros e multa de mora enquanto se está discutindo a legitimidade e a legalidade da cobrança efetuada pelos órgãos públicos, unia vez que o crédito tributário está suspenso não podendo ser exigível, que a constituição definitiva do crédito tributário somente ocorre com o encerramento do processo administrativo; 4) resta claro o caráter cow`iscatório das multas nas proporções que foram aplicadas,- 5) incabível a aplicação de . juros de mora, posto que o crédito tributário sequer foi definitivamente constituído e, ainda que se 4 Processo rl" 11128.006354/200.3-07 Acórdão n." 3201-00,502 S3-C2TI Fl 11 I pudesse lançá-lo, não poderia sobre de incidir a taxa SELIC, em razão da sua clara inconstitucionalidade A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - Dota (folio° gerador: 21/12/1999 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORM Preparação constituída de Acetato de Tocaferol,- (Acetato de Vitamina E) e Substâncias Inorgânicos à base de Sílica, na forma de pó, a ser utilizada pelas indústrias .formuladoros de ração, conforme laudo técnico oficial, classifica-se no código NCM 2309.90.90. Cabível a multa de mora, aplicada aos débitos para com a União não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, conforme art. 61, parágrafo .2", da Lei n" 9.430/96. JUROS DE MORA - TAXA SELIC Legítimo a exigência de juros de mora com base na equivalente à taxo rgferencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, por força do disposto no artigo 61, § 3" da Lei n°9 430/96. Lançamento procedente. O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes e fui designado como relatar do presente recurso voluntário, na forma regimental. Tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência deste Conselheiro para atuar como relatar no .julgamento deste processo, na forma da Portaria n° 41, de 15 de fevereiro de 2009, requisitei a inclusão em pauta para julgamento deste recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais de admissibilidade, portanto dele torno conhecimento. Em nossa última sessão, este Colegiada adotou um voto da relataria do ilustre Conselheiro Ricardo Rosa, nos autos do recurso voluntário 0 0 141,713, do mesmo contribuinte sobre a classificação fiscal deste mesmo produto, qual seja, a Lutavit E. 50. Acetato de Vitamina E. 50%. Por razão de economia e eficiência processual, adoto aquele voto como fundamento do meu decidir . neste processa, nos seguintes termos: 5 Processo n" 11128 006354/2003-07 53-C211 Acórdão n '3201-00302 El 112 A primeira questão que precisa ser resolvida é quanto à correta classificação fiscal das mercadorias. O produto é o Lutavit E50%. A recorrente não discorda que, para classificar-se no capítulo 29, como pretende, o produto não pode ter sido adicionado de nenhuma substância que o torne particularmente apto a ser utilizado em uma finalidade específica. É o que se depreende do teor do recurso voluntário, se não vejamos. Resta claro do entendimento exarado na referida consuta que, a adsorção do acetato de Vitamina E em sílica impossibilita complementarmente a pretensão fiscal de ver o produto classificado sob a égide da posição 2309. Isto porque, as normas explicativas do capítulo 23, expressamente excluem desta posição as vitaminas, ainda que apresentadas adsorvidas em substrato ou por revestimento, desde que as quantidades de substâncias acrescentadas, não modifiquem o caráter de vitaminas e nem as tornem particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral, remetendo, neste caso a posição 2936, (grifas meus) Destaque-se que foi exatamente essa a razão para que a i. Julgadora de primeira instância tenha considerado procedente o lançamento, qual seja, o fato de o produto importado ter sido adicionado de uma substância que o torno particulairriente apto a um uso especifico. Desta forma, restando incontroversa tal condição, com a qual concordo, mister descobrir se o produto importado foi ou não adicionado de alguma substância com este efeito. Em seu favor, a contribuinte alega decisão tornada em âmbito administrativo, pela Divisão de Nomenclatura, Classificação e Origem de Mercadorias — DINOM, unidade integrante da estrutura da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil e pelo Comitê do Sistema Harmonizado. O assunto foi examinado pela i. Julgadora de primeira instância. 'Tomo a liberdade de reproduzir excertos do voto onde o assunto é analisado. Com relação à Decisão Coaria if 002/1999, exarada em processo protocolizado pela Sindirações, cabe lembrar que a classificação fiscal atribuída ao produto objeto daquela decisão baseia-se em informações prestadas pela consulente, o produto não foi submetido à análise laboratorial. No item Composição da decisão COANA, na 11, 63, consta que "Els.sa sílica confere fluidez ao acetado de vitamina E, facilitando assim seu manuseio, mas não modifica as suas características e nem o destina a fins particulares", A afirmação de que a quantidade de sílica adicionada não promove a destinação do produto para uma finalidade específica é de fundamental importância para a não exclusão do produto do Capítulo 29. Em relação a estes apontamentos, a recorrente apresenta apenas alegações fundamentadas em relato incorreto dos fatos, tangenciando o assunto, tal como consta às folhas 94 e 95 do processo. Do exposto, verifica-se claramente que a posição tarifária adotada pela ora recorrente é exatamente a mesma da indicada na solução de Consulta COANA 02/1999, não cabendo o julgador de primeira instância ignorar tal fato apenas e tão 6 Processo n" 11128.006354/2003-07 S3-C2T 1 Acórdão o " 3201-00.502 F I . 113 somente indicando de forma superficial que provavelmente (hipótese) o consultado não requisitou análises laboratoriais. Como é de conhecimento público e notório, as consultas respondidas pelos órgãos do fisco seguem a risca rigorosa legislação, sendo respondida sempre por competentes agentes que, por sua vez, levam em considerações diversos aspectos técnicos para solucionar as mesmas, ) Por esse exato motivo, não poderia o órgão julgador de primeira instância administrativa afastar os ditos do órgão consultado nos autos do procedimento administrativo 10168,003154/98-36, por mera indicação de que em tese (sem provas) não houve análise laboratorial, portanto, o produto debatido não é o mesmo. Ora, a menção à inexistência de exame laboratorial das mercadorias objeto da consulta é apenas um dos aspectos considerados na decisão de piso para chegar a conclusão de que o produto não tinha as mesmas características do importado pela recorrente. No todo, o que a i. Julgadora demonstra com precisão elogiável é que, na decisão da consulta, seja pela ausência de uma análise mais acurada das características técnicas do produto, seja por imprecisão nas informações fornecidas pela consulente, decidiu-se a classificação de um produto adicionado de uma substância que iião modifica as suas características e nem o destina a fins particulares, circunstâncias opostas às identificadas no caso concreto, conforme informado no laudo técnico e se quer contestado pela recorrente. Outrossim, a decisão a quo não é menos precisa quando comenta a decisão do Comitê do Sistema Harmonizado. Quanto à decisão do Comitê do Sistema Harmonizado, da Organização Mundial das Alfândegas (OMA), a que alude a impugnante, a seguir reproduzida em português, conforme consta na Instrução Normativa SRF n° 615/2006, concorda esta relatora que o produto nela descrito classifica-se no Capítulo 29. De acordo com texto, infere-se que as substâncias adicionadas ao princípio atendem às exigências estabelecidas nas Notas do Capítulo 29, como também nas orientações das NESH, quais sejam: estabilização por substâncias necessárias para sua conservação ou trasnporte, sem conferir ao produto uma destinação específica. Ante todo o exposto, identificado fator excludente para classificação do produto do capítulo 29, verifica-se que a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil agiu corretamente ao classificá-lo NCM 2309.90.90, código no qual se incluem as preparações destinadas a entrar na fabricação dos alimentos completos e alimentos complementares para nutrição animal, tal como decidido em primeira instância de julgamento administrativo. O recorrente pede o afastamento da multa aplicada, com base no art 530 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91„030/85 c/c artigo 61, § 2° da Lei n" 9,430/96, pois não teria ficado comprovada a má-fé ou o dolo. Ocorre que a aplicação da multa em questão não está vinculada a dolo ou má-fé, mas decorre do simples não pagamento no prazo legalmente estipulado, 7 Processo n" 11128006354/2003-07 S3-C211 Acórdão n 03201-00302 F 1 114 No tocante aos argumentos levantados pelo contribuinte em seu recurso voluntário relativos a eventual inconstitucionalidade, este CARF aprovou a Súmula CARF 2, cujo texto, vinculante para este Colegiado, é o seguinte: O CARF não é competente para se pronunciai sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Já, no que diz respeito à aplicação da taxa SELIC, este CARF aprovou a Súmula CARF 4, cujo texto, também vineulante para este Colegiado, é o seguinte: A partir de I" de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimpãicia, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Por todo o exposto, VOTO por conhecer do recurso voluntário interposto para negar-Ihe provimento. ' 1\ 10 \MÁ_ "e) 0 MARCELO RIBEIRO NOGUEIR Á/LÁ!..4...L. 8
score : 1.0
Numero do processo: 10283.900056/2006-94
Data da sessão: Fri Jul 02 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3302-000.050
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relatar.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: WALBER JOSÉ DA SILVA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relatar. WALBER JOSÉ DA SILVA — Presidente e Relator, EDITADO EM: 22/07/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Luis Eduardo G. Barbieri e Alexandre Gomes. Ausente o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação transmitida em 15/08/200.3 pela empresa IFER DA AMAZÔNIA LTDA,, na qual indicou crédito de COFINS cio período de apuração de fevereiro de 2003, com arrecadação em 14/03/2003, no valor total de R$ 108.685,72. O Delegado da RFB não homologou a compensação sob a alegação de que o referido Darf fora utilizado integralmente para quitação de débitos da recorrente, não restando crédito disponível para compensação, Processo o" 10281900056/2006-94 Resoluçào o " 3.302-00.050 S34...312 1. 110 Cientificada, a empresa interessada ingressou com manifestação de inconformidade julgada improcedente pela DR.1 em Belém — PA, sob a alegação de que a interessada não logrou provar, por meio de documentação hábil e idônea, o valor devido de Cofins do período de apuração de fevereiro de 2003, nos termos do Acórdão IV 01-13..765, de 28/04/2009. Ciente da decisão de primeiro grau em 03/06/2009, a interessada ingressou com o Recurso Voluntário de fls. 88/102 no dia 30/06/2009, no qual alega, em apertada síntese, que: 1-houve erro na apuração, no pagamento e na declaração do débito de Cotins de fevereiro de 2003, conforme alegado na manifestação de inconformidade e DR.1 que proferiu a decisão recorrida não poderia indeferir, de plano, o pleito da recorrente sem antes realizar diligência para comprovar as alegações da decisão recorrida, especialmente se considerar que o sistema eletrônico de transmissão da compensação não permite a produção de provas; 2- o crédito pleiteado originou-se de pagamento indevido resultando da inclusão na base de cálculo da Cofins da venda de mercadorias a estabelecimentos situados na Zona Franca de Manaus (art. 5°-A da Lei n° 10.637/2002, com redação da Lei n° 10.684/2003). Sem a inclusão dessas vendas na base de cálculo da exação, o valor devido é de R$ 275,65, conforme documentos que acosta aos autos; Ao final requer a realização de diligência para apurar o crédito alegado e a procedência da compensação realizada e declarada.. É o relatório. Voto Conselheiro Walber José da Silva - Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele se conhece. Como relatado, a lide versa sobre matéria de fato: o valor devido da Cofins mês de fevereiro de 2003. A recorrente alega que o valor devido é R$ 275,65 e que o valor declarado e pago originalmente está errado porque nele está incluído a Cotins incidente sobre as vendas para empresas sediadas na ZEM, todas com projetos aprovados pelo SUFRAM A. A DR.1 de Belém — PA indeferiu o pleito da recorrente porque a mesma deixou de apresentar prova de suas alegações. Correto o procedimento da DR.1.. Em sede de recurso voluntário, a interessada trouxe os documentos de fls. 103/106. 'Tais documentos não são provas inequívocas da base de cálculo da Cofins do mês de fevereiro de 2003, mas são indícios (muito fortes) de que a recorrente vendeu mercadorias para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, nas condições que afirma. Em homenagem ao princípio da verdade material, entende que deve ser deferido o pedido da recorrente para que a repartição competente da REB apure o valor devido da 2 Processo n" 10283.900056/2006-94 Resolucilo n 3.302-00.050 S3-012 H 111 Cofins no mês de fevereiro de 2003 e se manifeste sobre a DCTF retificadora apresentada pela recorrente. Esclareço que sobre a mesma querela, mudando apenas o período de apuração para alguns deles, existem os processos abaixo relacionados, cujas diligências podem ser realizadas conjuntamente, economizando tempo da RFB e da recorrente,. PROCESSOS 10283.900056/2006-94 10283.900057/2006-39 10283.900058/2006-83 10283.900059/2006-28 10283.900060/2006-52 10283.900061/2006-05 10283.901048/2008-27 10283.901425/2008-28 10283.901773/2008-03 10283.901774/2008-40 10283.901778/2008-28 Em face do exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição da RFB de origem para apurar o valor da Cotins devida no mês de fevereiro de 2003 e se manifestar sobre a procedência da DCTF retificadora apresentada pela recorrente e sobre a existência de pagamento a maior realizado através do Darf indicado na DCOMP. Sala das Sessões, em 02 de julho de 2010, Walber José da Silva 3
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Numero do processo: 18192.000306/2007-04
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/2006
Ementa:
DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a homologação tácita exposta no artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional e excluir do lançamento as competências até 12/1998, inclusive. Vencido o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva que entendeu aplicar-se o artigo 173, I do código Tributário Nacional.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Leo Meirelles do Amaral, Andre Luis Marsico Lombardi, Fabio Pallaretti Calcini, Arlindo da Costa e Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/2006 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/2006 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer a homologação tácita exposta no artigo 150§4º, do Código Tributário Nacional e excluir do lançamento as competências até 12/1998, inclusive. Vencido o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva que entendeu aplicarse o artigo 173, I do código Tributário Nacional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 19 2. 00 03 06 /2 00 7- 04 Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Leo Meirelles do Amaral, Andre Luis Marsico Lombardi, Fabio Pallaretti Calcini, Arlindo da Costa e Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18192.000306/200704 Acórdão n.º 2302002.709 S2C3T2 Fl. 1.107 3 Relatório A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada em 28082006 e cientificada ao sujeito passivo em 31/08/2006, referese a diferenças de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, cuja base de cálculo foi apurada através dos valores informados em folhas de pagamento, no período de 01/1996 a 06/2006 e declarados em GFIP, a partir de 01/1999. A notificada impugnou o crédito lançado argüindo que o Fisco não atentou para sua condição de optante pelo SIMPLES no período de 01/1997 a 10/2004, conforme faz prova com declaração expedida pela Secretaria da Receita Federal às fls. 624. Destarte, os autos baixaram em diligência para manifestação fiscal, sendo procedida a retificação do lançamento, um novo relatório fiscal e promovida a ciência da notificada com a reabertura do prazo de defesa, o qual não foi utilizado. Acórdão de fls. 900/904, julgou o lançamento procedente em parte para excluir o período em que a notificada foi optante do SIMPLES, restando no lançamento o período de 01/1996 a 12/1996 e 11/2004 a 06/2006. Ainda inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) que não foi excluído do lançamento o décimo terceiro salário de 1998, quando era optante do SIMPLES; b) que a rescisão do contrato de trabalho de Sandro Coelho Brasil, na competência 01/1996 aparece com um valor de R$ 2.083,00, quando na verdade o valor é R$ 20,83, conforme comprova com a folha de pagamento que anexa; c) que a competência 08/1996 foi recolhida; d) que o prolabore dos sócios em 11/1996, também foi recolhido, mas não foi considerado o recolhimento;que recolheu SAT/RAT nas competências de 11/1004, 12/2004, 03/2005 a 06/2005. Requer a extinção da NFLD e de seu conteúdo, isentando a recorrente dos recolhimentos de multa, juros e correção monetária. É o relatório. Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. A recorrente traz considerações acerca de competências doa exercícios de 1996 e 1998. Todavia é de se ver que as mesmas já foram atingidas pela fluência do prazo decadencial, tanto pelos fundamentos do artigo 173, I do Código Tributário Nacional, quanto do artigo 150§4º, do mesmo diploma legal. A notificação referese ao período de 01/1996 a 06/2006 e foi lavrada em 28/8/2006, com ciência pelo sujeito passivo em 31/08/2006. Embora a primeira instância administrativa já tenha promovido a retificação do crédito lançado, frente à existência de opção pelo SIMPLES no período de 01/1997 a 10/2004, é de se ver que os exercícios de 1996 e 1998, encontramse decadentes, porque nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18192.000306/200704 Acórdão n.º 2302002.709 S2C3T2 Fl. 1.108 5 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, devendo observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado: Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Portanto, na aplicação de um ou outro artigo legal, os exercícios de 1996 e 1998, estavam decadentes quando do lançamento em 31/08/2006, devendo ser excluídos da notificação. Assim, restam as argüições da recorrente acerca dos recolhimentos que diz ter efetuado a título de contribuições para o Seguro Acidente do Trabalho nas competências de 11/2004, 12/2004 e de 03/2005 a 06/2005. O relatório fiscal de fls.186/192, diz que o levantamento se refere a contribuições incidentes sobre valores constantes das folhas de pagamento e também declarados pela recorrente em GFIP, mas que não tinham sido integralmente recolhidos, conforme as guias de guias de recolhimento apresentadas. A recorrente alega que procedeu ao recolhimento de SAT, nas competências acima descritas, mas como prova de suas alegações junta apenas as guias de recolhimento, que por apresentarem o recolhimento de tal alíquota (SAT) de forma englobada com a contribuição da empresa, não permite por si só vizualizar a correção do valor recolhido a título de SAT (1%). Para tanto, a recorrente deveria ter colacionado aos autos as folhas de pagamento, as GFIP’s, rescisões de contrato de trabalho, recibos de férias, etc, enfim todos os documentos que foram analisados pelo fisco e que perfizeram a base de cálculo da contribuição previdenciária devida, a fim de comprovar que o valor lançado já foi recolhido. Pelos elementos constantes dos autos não é possível dar guarida à pretensão da recorrente acerca dos recolhimentos efetuados para o Seguro Acidente do Trabalho. Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18192.000306/200704 Acórdão n.º 2302002.709 S2C3T2 Fl. 1.109 7 Ainda é de se ver que a notificação teve por base as informações prestadas pela recorrente nas suas folhas de pagamento, em GFIP e o confronto das mesmas com os valores recolhidos em GPS, de forma que se tornam incontroversos os valores lançados. As folhas de pagamentos foram preparadas pela própria recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. Acrescentase, ainda, que a partir de 01/01/99, com a implantação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP, os valores nela declarados são tratados como confissão de dívida fiscal, nos termos do artigo 225, §1° do Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Art.225. (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Portanto, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento como da GFIP, caberlheia demonstrálo e providenciar sua retificação; no entanto, embora oferecida essa oportunidade durante todo o processo, não o fez. Apreciada a regularidade das bases de cálculo consideradas pela fiscalização, passase ao exame das exações exibidas no relatório discriminativo analítico do débito. Todos os recolhimentos e créditos do recorrente foram devidamente considerados para o cálculo das contribuições e todas as rubricas levantadas decorrem de regrasmatrizes legalmente criadas e que, portanto, não podem ser afastadas do lançamento sob pena de se negar aplicação aos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para excluir do lançamento as contribuições previdenciárias referentes às competências de janeiro a dezembro de 1996, bem como aquelas relativas ao décimo terceiro salário de 1998, pela homologação tácita, na forma disposta pelo Código Tributário Nacional, artigo 150,§4º. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 04/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 03/09/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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