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Numero do processo: 13830.001229/2002-19
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 2002
IRPF - RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS - INCIDÊNCIA.
O art. 11, § 3°, da Lei n° 9311/96, com a redação dada pela Lei n° 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do credito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente. Súmula CARF n.° 35.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário. Súmula CARF n.°38.
Recurso especial negado
Numero da decisão: 9202-000.534
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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score : 1.0
Numero do processo: 10670.721705/2015-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 03 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Oct 06 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Ano-calendário: 2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. TEMPESTIVIDADE..
Não se conheço do recurso intempestivo que sequer suscita preliminar de tempestividade.
Numero da decisão: 2301-009.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Paulo César Macedo Pessoa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Fernanda Melo Leal, Flavia Lilian Selmer Dias, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
Nome do relator: Paulo César Macedo Pessoa
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Ano-calendário: 2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. TEMPESTIVIDADE.. Não se conheço do recurso intempestivo que sequer suscita preliminar de tempestividade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente (documento assinado digitalmente) Paulo César Macedo Pessoa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Fernanda Melo Leal, Flavia Lilian Selmer Dias, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
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score : 1.0
Numero do processo: 13005.000359/2005-00
Data da sessão: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3301-000.156
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais e Rodrigo da Costa Pôssas que negavam
provimento ao Recurso.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais e Rodrigo da Costa Pôssas que negavam provimento ao Recurso. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé – Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Paulo Guilherme Déroulède e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Porto Alegra que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte. A ora Recorrente apresentou Declarações de Compensação em formulários de papel para utilizar saldo credor da Contribuição ao PIS apurado na sistemática da não cumulatividade (§ 1º do art. 6º da Lei nº 10.833/03) referente ao mês de março de 2005, para compensação com tributos administrados pela RFB. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13005.000359/200500 Resolução n.º 3301000.156 S3C3T1 Fl. 2 2 No Termo de Verificação Fiscal restou esclarecido que: Em virtude de sua característica fortemente exportadora, a contribuinte apura saldos de créditos de PIS e COFINS vinculados a receitas de exportação, créditos esses passíveis de compensação com outros tributos ou ressarcimento. (...) Assim os montantes de outros tributos compensados em 2005 são superiores aos saldos de créditos vinculados à receita de exportação apurados durante o mesmo ano. Entretanto, parte das compensações efetuadas em 2005 lastreiamse em saldos de créditos apurados e acumulados em períodos anteriores ao anocalendário de 2005. As glosas de créditos de PIS e COFINS efetuadas para o período verificado, tanto referentes a créditos vinculados à exportação quanto a créditos vinculados ao mercado interno, foram efetuadas mediante a lavratura de autos de infração sem exigência de crédito tributário, dos quais deuse ciência ao contribuinte. Em seguida, a DRF em santa Cruz do Sul proferiu despacho decisório para reconhecer parcialmente o direito creditório da contribuinte no valor de R$ 193.006,52 glosar o montante de R$ 139.728,21 e homologar eventuais compensações feitas até o limite do crédito reconhecido. Inconformada com o despacho decisório, a ora Recorrente apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, onde, em breve síntese, alega: (i) que apurou um saldo credor disponível de R$ 332.743,73; (ii) a fiscalização glosou o valor de R$ 7.739,19, tendo reconstruído o saldo credor disponível para a compensação, que, em 31.03.2005 era de R$ 325.016,72; (iii) entretanto, o despacho decisório não reconheceu o direito creditório daquele valor, não tendo agregado os créditos oriundo e acumulados até 31.12.2004, ou seja, além de glosar a importância de R$ 7.739,19, glosou todo o crédito acumulado até 31.12.2004, sem qualquer motivação legal. A DRJ em Porto Alegre julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 REGIME NÃO CUMULATIVO. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. TRATAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS No âmbito do regime da não cumulatividade, a compensação de créditos de PIS, efetuada após o encerramento trimestre calendário, deverá ser precedida do pedido de ressarcimento que se refira a um único trimestre calendário, devendo os créditos extemporâneos ser pleiteados em procedimentos repetitórios referentes aos períodos específicos a que pertencem. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13005.000359/200500 Resolução n.º 3301000.156 S3C3T1 Fl. 3 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho repetindo as razões apresentadas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia se restringe à definição da possibilidade de utilizar na mesma declaração de compensação o crédito acumulado da Contribuição ao PIS relativo a mais de um mês, durante a vigência da IN nº 460/04. Pois bem. Como bem colocado pela decisão recorrida, à época, a presente matéria era regulada pela IN SRF nº 460/04, com a redação dada pela IN SRF nº 563/05, a qual não tornava obrigatória a utilização de créditos não utilizados em um mês na compensação de débitos da contribuinte, nos seguintes termos: Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º das Leis nº s 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão ser utilizados na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes: I de custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. (...) § 1º A compensação a que se refere este artigo será efetuada pela pessoa jurídica vendedora na forma prevista no § 1º do art. 26. (...) § 5º Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que se refere o inciso I do caput, remanescentes da dedução de débitos dessas contribuições em um mês de apuração, embora não sejam passíveis de ressarcimento antes de encerrado o trimestre do anocalendário a que se refere o Fl. 185DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13005.000359/200500 Resolução n.º 3301000.156 S3C3T1 Fl. 4 4 crédito, podem ser utilizados na compensação de que trata o caput do art. 26. Art. 22. Os créditos a que se referem os incisos I e II do caput do art. 21, acumulados ao final de cada trimestre do ano calendário, poderão ser objeto de ressarcimento. Analisando o texto acima transcrito, verificase que as normas vigentes à época do protocolo das declarações de compensação em análise proibiam o ressarcimento do saldo remanescente de créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS antes do encerramento do trimestre, mas, por outro lado, assegurava expressamente a compensação imediata, mês a mês. Em outras palavras, nos termos da IN SRF nº 460/04, com a redação dada pela IN SRF nº 563/05, o contribuinte podia no mês seguinte à apuração de saldo credor apresentar declaração de compensação, devendo, todavia, aguardar o término do trimestre caso optasse pelo ressarcimento. Notese que eram apenas estas as limitações impostas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ao aproveitamento do saldo credor da Contribuição ao PIS e da COFINS acumulado por empresa exportadora, nada dispondo a respeito do período a que o saldo credor deveria estar vinculado para fins de aproveitamento. Aliás, neste ponto, a autoridade recorrida bem esclarece que a utilização do saldo de créditos de meses anteriores em um mês de compensação era uma faculdade do contribuinte. E foi justamente isso que se verificou no caso dos autos. Com efeito, a ora Recorrente esclareceu em sua Manifestação de Inconformidade que o saldo credor acumulado ao final do primeiro trimestre de 2005 era composto também por créditos apurados no ano de 2004. Segundo o relato do contribuinte, o crédito pleiteado tinha a seguinte composição: Notese que, ainda que o contribuinte não tenha adotado o melhor procedimento para utilizar todo o saldo credor que dispunha à época do protocolo das declarações de compensação em análise, em face dos elementos que constam nos autos, resta evidente que ao indicar o Crédito da COFINS Apurado no mês – Mercado Externo nas declarações de compensação, a Recorrente fez incluir o saldo credor acumulado nos meses anteriores, o que não era vedado nos termos da IN nº 460/04. Em outras palavras, ainda que se entenda que o mais adequado seria apresentar uma declaração de compensação para cada mês no qual se tenha apurado saldo credor, não há qualquer fundamento jurídico para desconsiderar o procedimento adotado pelo contribuinte, muito menos para proceder à glosa do saldo credor acumulado em 2004, uma vez que, em face do que prescrevia a IN SRF nº 460, era facultado ao contribuinte a utilização do saldo de créditos de meses anteriores em um mês de compensação. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13005.000359/200500 Resolução n.º 3301000.156 S3C3T1 Fl. 5 5 Por outro lado, também não procede o argumento da decisão recorrida no sentido de que a simples circunstância de a Recorrente ter preenchido as declarações de compensação indicando Março de 2005 no campo reservado para mês e ano de apuração do crédito, seria suficiente para não admitir as alegações da Manifestação de Inconformidade, no sentido de que o saldo de 31.03.2005 contempla créditos de meses anteriores. Essas regras vigeram até o advento da IN SRF nº 600, de 12 de janeiro de 2006, a qual, dentre ouras disposições, passou a estabelecer o seguinte: Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: I custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; (...) § 1º A compensação a que se refere este artigo será efetuada pela pessoa jurídica vendedora na forma prevista no § 1º do art. 26. (...) § 5º O saldo credor acumulado, na forma do inciso I I e do § 4º, no período de 9 de agosto de 2004 até o final do primeiro trimestrecalendário de 2005, somente poderá ser utilizado para compensação a partir de 19 de maio de 2005. § 6º A compensação dos créditos de que tratam os incisos II e III e o § 4º somente poderá ser efetuada após o encerramento do trimestrecalendário. § 7º Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que se refere o inciso I, remanescentes da dedução de débitos dessas contribuições em um mês de apuração, embora não sejam passíveis de ressarcimento antes de encerrado o trimestre do anocalendário a que se refere o crédito, podem ser utilizados na compensação de que trata o caput do art. 26. § 8º A compensação de créditos de que tratam os incisos I e II e o § 4º, efetuada após o encerramento do trimestrecalendário, deverá ser precedida do pedido de ressarcimento formalizado de acordo com o art. 22. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13005.000359/200500 Resolução n.º 3301000.156 S3C3T1 Fl. 6 6 § 9º O crédito utilizado na compensação deverá estar vinculado ao saldo apurado em um único trimestrecalendário. Como é possível perceber, a IN SRF nº 600/06 estabeleceu significativa modificação no procedimento para a utilização do saldo credor acumulado da Contribuição ao PIS e da COFINS. Dentre as principais alterações, destacamse: (i) a vedação para a compensação de créditos antes do encerramento do trimestre, (ii) a necessidade de formalizar pedido de ressarcimento antes das declarações de compensação e, em especial para o que interessa para o deslinde da presente controvérsia, (iii) a imposição para que o crédito utilizado na compensação esteja vinculado ao saldo apurado em um único trimestrecalendário. Neste contexto verificase que, diferentemente do que defende a decisão recorrida, a vedação para utilizar em um único mês saldo credor acumulado de meses anteriores a um único trimestre calendário veio apenas com a IN SRF nº 600/06, a qual não se aplica ao presente processo, por se tratar de norma posterior. Postas essas razões jurídicas, ultrapasso o argumento da inadequação do procedimento adotado pelo contribuinte, para afastar as glosas fundamentadas exclusivamente no fato de se referirem a créditos relativos a meses anteriores a março de 2005. Tecido esses esclarecimentos e considerando o que dispõe o art. 18, I, Anexo II, da Portaria MF n° 256/08, o qual prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, e para que esta decisão não implique supressão de instancia, proponho que se converta o julgamento deste Recurso Voluntário em diligência à repartição de origem, para que verifique na escrituração contábil e fiscal da contribuinte a liquidez e certeza do crédito financeiro declarado pela Recorrente relativo aos meses anteriores a março de 2005, bem como eventual utilização por desconto ou ressarcimento/compensação em outros períodos. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 188DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE
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Numero do processo: 18471.001398/2002-91
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IRPJ. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos
quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, ou o faz de forma insuficiente
Numero da decisão: 9101-000.627
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do contribuinte. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Karem Jureidini Dias e Susy Gomes Hoffmann. Por unanimidade de votos, em determinar a remessa dos autos à DRJ para análise do tema relativo ao prejuizo fiscal, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Interessado FAZENDA NACIONAL Ementa: IRP.1. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS, PRESUNÇÃO LEGAL Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, ou o faz de forma insuficiente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso do contribuinte. Votaram pelas conclusões as Conselheiras Karem Jureidini Dias e Susy Gomes Hoffmann. Por unanimidade de votos, em determinar a remessa dos autos à DRJ para análise do tema relat'vo ao prejui, ,a fiscal, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. 4 CARLOS ALBERT , 1, AS BA.R 1 Elf0 - Presidente, '---------VALMIR_SAN RI - Rel..tor, EDITADO EM: 1 7 A Go 2010 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Couto, Karem Jureidini Dias, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Susy Gomes Hoffinann e Carlos Alberto Freitas Barreto, 1 Relatório Trata o presente de recurso voluntário interposto pela contribuinte, de decisão da Terceira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso de oficio, para restabelecer a exigência consubstancia nos Autos de Infrações de fls.81/100, no quais estão sendo exigidos o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPI) no valor de R$227319,81, a Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) no valor de R$6,323,40, a •Contribuição Social (CSLL) no valor de R$74.790,34 e a Contribuição para a Seguridade Social (COFINS) no valor de R$19.456,62, todos acrescidos de multa de oficio e juros de mora. O lançamento foi efetuado em virtude de ter sido apurado, em ação fiscal, infração decorrente de omissão de receita caracterizada pela não comprovação da origem dos recursos depositados no Banco Boavista/Inter Atlântico S/A, em 17/março/1998, no valor de R$ 972.831.26, conforme lançamento contábil as fls. 13 do Livro Diário n°16 (fls. 78). Tendo sido devidamente impugnado o lançamento, entendeu a 3 n . Turma da DRJ/RJOI, por unanimidade de votos, julgar improcedente o lançamento, por entenderem restar provada a origem do depósito bancário, com base em operação efetuada pela contribuinte, que adquiriu da Royal Cotton, algodão argentino e que os recursos para a compra foram obtidos através de financiamento da própria vendedora (empréstimo de T-Bills), sendo que os títulos (T-Bills) foram vendidos à empresa Crescente Construtora Ltda., mediante crédito no Banco Boavista/InterAtlântico S/A, em 17/março11998, no valor de R$972.831,26, tudo com base nos documentos juntados pela contribuinte. A vista do recurso de oficio interposto pela 3, Turma entendeu a Terceira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, restabelecer a exigência, ao argumento de que a vinculação do depósito em referência à suposta receita decorrente da alegada venda de títulos (T-Bills) a terceiros, mesmo que se admita que tenha ocorrido a operação de venda e compra, não foram exibidos registros na contabilidade da Recorrente de lançamentos relativos ao alegado "empréstimo de T-Bills", à venda dos aludidos títulos e a devolução dos valores respectivos na forma mencionada pela Recorrente em suas Manifestações. Neste passo, entenderam que a pura e simples indicação do motivo do depósito é insuficiente para desconstituir a presunção de omissão de receitas instituída pelo referido art. 42 da Lei 9430/96, cujo ônus recai sobre o sujeito passivo, ou seja, faz-se necessário a prova de que o valor creditado tem origem nas movimentações patrimoniais reconhecidas na escrituração contábil regular', o que não ocorreu com as operações de empréstimo e posterior venda e compra de "T-Bills". Intimada da decisão recorrida, a contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário (fls. 229/242), em que alega: a) Muito embora estivessem plenamente comprovadas as operações que deram origem ao depósito acoimado de omissão de receitas pelo auto de infração, com a prestação de todas as informações válidas e suficientes para esclarecer, não só a origem, como também o destino dos recursos, bem como a ausência de contabilização de todas as etapas da operação, o acórdão reconido entendeu por reformar a decisão de primeira instancia que já havia reconhecido à absoluta improcedência da autuação; 2 Processo n° 18471 001398/2002-91 CSRF-T1 Acórdão n 9101-00.627 Fl 2 b) Discorda do entendimento do acórdão recorrido no sentido de que, a apresentação de documentação idônea acompanhada dos respectivos esclarecimentos, desacompanhados dos registros contábeis não seriam suficientes para elidir a presunção de omissão de receitas, tendo em vista que, deixar de reconhecer o caráter probatório à documentação idônea, não contestada pela fiscalização, nem pela autoridade julgadora, para exigir como prova um lançamento contábil que espelhe as operações que se quer comprovar, trata-se de inadmissível alteração da ordem natural das coisas, e, por isso mesmo, de absoluto despautério, que não pode ser acolhido por essa Câmara Superior de Recursos Fiscais; c) É que a contabilidade da Recorrente, considerada indispensável pelo acórdão recorrido para a comprovação das operações, outra coisa não é do que uma declaração, de autoria da própria Recorrente, lastreada precisamente na documentação já apresentada nos presentes autos, e sendo assim, a contabilidade nada mais é do que uma representação formal de uma situação fática, que pode ser reconstituída a qualquer tempo pela pessoa jurídica, d) Dessa forma, em não havendo os respectivos registros contábeis, a única forma de elidir a presunção é a apresentação de documentação hábil e idônea e a prestação de esclarecimentos tal como feito pela Recorrente; e) Caso assim não fosse, não se estaria diante de simples presunção, mas sim de tributação direta, ante a mais absoluta impossibilidade de sua elisão, prestigiando-se uma verdade formal sobre a verdade material, em afrontosa violação a um dos princípios mais fundamentais do Direito Tributário brasileiro; f) Alega que a contabilidade da Recorrente não é completamente omissa no que respeita às operações em causa, mas apenas deixa de considerar algumas de suas etapas, por entender - sem prejuízo, nesse tocante, às regas contábeis usualmente aceitas — que o seu registro não era imprescindível para a extração dos respectivos efeitos; g) Alega que foram devidamente registrados na contabilidade da Recorrente o ingresso dos recursos financeiros decorrentes da operação de venda dos títulos à CRESCENTE, bem como a remessa à ROYAL CO'TTON do preço de compra da mercadoria adquirida, o pagamento a Aços Especiais Itabira/Acesita, por conta e ordem de ROYAL COTTON, de parte do valor do crédito que esta última detinha contra a Recorrente e o saldo remanescente do crédito em favor de ROYAL CO'TTON; h) Que não poderia o acórdão recorrido, com fundamento exclusivo na ausência de exibição dos respectivos registros contábeis da Recorrente, deixar de afastar a presunção de omissão de receitas, acatando a documentação e esclarecimentos prestados pela Recorrente, para o fim de considerar improcedente o lançamento; i) Por fim, alega erros na determinação da base de cálculo do IRPJ e CSL,L, por não terem sido considerados os saldos acumulados de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de exercícios anteriores, de acordo com o limite de 30%, conforme revela a planilha e os documentos contábeis anexados aos autos. É o relatório. -4 3 Voto Conselheiro VALMIR SANDR1 O presente recurso foi interposto tempestivamente e amparado no permissivo do art. 80, do RICSRF, aprovado pela Portaria n. 147, de 25 de junho de 2007. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório, a matéria posta à análise desta R Turma diz respeito à omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, restabelecida pela r. decisão recorrida, ao argumento de que ".„ a ausência de lançamentos contábeis relativos às operações de empréstimo e posterior venda e compra de "T-Bills" alegadas pela Recorrente foi atestada expressamente pela Fiscalização nesses autos. Esse foi, inclusive, o motivo pelo qual a Fiscalização entendeu não estar devidamente comprovada a origem do depósito bancário de titularidade da Recorrente." Dando continuidade ao seu entendimento afirma "„. A documentação acostada revela certa aparência de verdade nas alegações da Recorrente, em especial por conta da coincidência de valores estabelecidos no contrato de venda e compra e aqueles creditados na conta corrente da Recorrente. Contudo, falta o elo capaz de transformar tal verossimilhança em verdade processual, qual seja: a exibição da contabilidade da pessoa jurídica na qual estejam registrados os fatos relatados. Ausentes tais registros, permanece injustificada a origem do depósito, o que autoriza a tributação do seu valor como receita omitida". Por sua vez, em seu recurso voluntário, após descrever a operação da compra de algodão argentino, empréstimo e venda de títulos do Tesouro Americano "T-Bills", alega a Recorrente que deixou de contabilizar referidos títulos em sua contabilidade, pelo fato das operações terem sido efetuadas quase que simultaneamente — mesmo dia -, contabilizando apenas os recursos que ingressaram em seu patrimônio. Como se vê, o cerne da questão reside no fato de a Recorrente não ter contabilizado a operação de empréstimo e a venda das T-Bills avaliados em U$ 854,485,08 (oitocentos e cinquenta e quatro mil e quatrocentos e oitenta e cinco dólares norte americanos e oito centavos), que originaram o crédito em sua conta corrente no valor de R$ 972.831,26 (novecentos e setenta e dois mil e oitocentos e trinta e um reais e vinte e seis centavos), e por esse motivo, entendeu a Câmara recorrida que o crédito em conta corrente não se encontrava comprovada. Conforme se depreende dos documentos acostados aos autos pela Recorrente, há indicação que a mesma contraiu em 16,03.98, empréstimo em Nota do Tesouro dos Estados Unidos da América " T- Bill ", com vencimento para 28.02.2003, junto a ROYAL COTTON IMPORTATION Y EXPORTATION S.A,, na importância de US$ 854.485,08 (fls. 76/77), e as revendeu na mesma data a empresa CRESCENTE CONSTRUTORA LTDA., pelo valor de R$ 972.831,26 ((fls. 74/75). Por sua vez, a Recorrente registrou em sua contabilidade, na data de 17.03.98, a importância de R$ 972.831,26, como recebido da empresa Royal Cotton (t1. 78), sem qualquer menção ao referido empréstimo e sua venda. 4 Processo n° 18471 001398/2002-91 CSRF-T1 Acórdão n 9101-00.627 Fi 3 Corno é sabido, dentre os 7 (sete) princípios que norteiam a contabilidade - Principio da Entidade, Principio da Continuidade, Principio da Oportunidade, Principio do Registro pelo valor original, Principio da Atualização Monetária, Principio da Competência e Principio da Prudência -, o Principio da Oportunidade é de fundamental importância para a análise dos elementos patrimoniais das empresas, eis que determina que todos os fatos contábeis devem ser registrados quando eles efetivamente acontecem, incluindo os das filiais, sucursais e demais dependências de uma mesma entidade, ou seja, todas as operações praticadas pela empresa devem ser feitas imediatamente e de forma integral, independentemente das causas que as originaram, contemplando os aspectos fisicos e monetários, bem como de um fato futuro, desde que tecnicamente estimável e existindo razoável certeza de sua ocorrência. Nesse sentido, o artigo n, 177 da Lei das S.A. (Lei 6.404/76), determina que a escrituração da companhia será mantida em registros permanentes, com obediência aos preceitos da legislação comercial, societária e aos princípios de contabilidade geralmente aceitos, devendo observar métodos ou critérios contábeis uniformes no tempo e registrar as mutações patrimoniais segundo o regime de competência. Por seu turno, como visto dos autos e admitido pela própria Recorrente, os registros das operações de empréstimo e venda das T-Bills não foram registrados na sua contabilidade, ao argumento de que, por se tratar de operações simultâneas, seus registros não eram imprescindíveis. Engano seu. Ora, para que as operações em comento tivesse força probatória, não basta apenas argumentar e carrear aos autos documentos alhures para justificar o crédito em sua conta corrente, quando o lançamento que consta de sua escrita contábil indica outra pessoa como fornecedora dos recursos daquela que os documentos tentam comprovar. In casu, não se tratou de um mero erro contábil conforme quis fazer crer a Recorrente, mas sim - se tais documentos representassem à realidade dos fatos -, de uma sucessão de lançamentos contábeis que deixaram de ser praticados em sua contabilidade, não dando, portanto, segurança de que tais operações de fato aconteceram como alegado pela Recorrente. Na realidade, se efetivamente tivesse acontecido tais erros, a Recorrente poderia ter carreado aos autos os lançamentos contábeis retificando sua contabilidade para retratar os atos e fatos ocorridos, mesmo. posteriormente, ou ainda, cópias dos lançamentos contábeis efetuados pela empresa que adquiriu tais títulos, bem como, os comprovantes de transferências da titularidade das T-Bills ou mesmo sua custódia. Entretanto, nada disso foi carreado aos autos pela Recorrente no decorrer do processo. Portanto, meras alegações e documentos alienígenas a contabilidade da empresa não são suficientes para afastar a exigência consubstanciada no art, 42 da Lei 9.430/96, razão porque, entendo que não merece qualquer reforma a r. decisão recorrida quando restabeleceu a exigência exonerada pela DIC. Assim, mantida a decisão recorrida, deve o presente processo retomar a DRJ de origem, para que esta enfrente as alegações de erros na determinação da base de cálculo do IRPJ e CSLL, pelo fato de não terem sido considerados, no seu entendimento, os saldos 5 acumulados de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de exercícios anteriores, de acordo com o limite de 30%. É como voto. Relator 6
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Numero do processo: 12709.000681/2006-11
Data da sessão: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 27/11/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO JUDICIAL COM OBJETO IDÊNTICO À EXIGÊNCIA FISCAL. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento
de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo
cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo
judicial (Súmula CARF n o 1).
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 3202-000.281
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
Nome do relator: José Luiz Novo Rossari
1.0 = *:*
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 27/11/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO JUDICIAL COM OBJETO IDÊNTICO À EXIGÊNCIA FISCAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF n o 1). RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
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AÇÃO JUDICIAL COM OBJETO IDÊNTICO À EXIGÊNCIA FISCAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF no 1). RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. José Luiz Novo Rossari Presidente e Relator Editado em 13 de abril de 2011 Estiveram presentes à sessão os Conselheiros José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior e Paulo Sérgio Celani. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/06/2011 por NALI DA COSTA RODRIGUES CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Assinado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 12709.000681/200611 Acórdão n.º 320200.281 S3C2T2 Fl. 386 2 Relatório Cuidase do recurso voluntário contra a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC que não conheceu da impugnação apresentada pela recorrente e declarou definitiva, na esfera administrativa, a exigência fiscal feita pela Inspetoria da Receita Federal em Curitiba/PR, de exigência de IPI, PIS e Cofins incidentes na importação de mercadoria objeto de despacho aduaneiro pela Declaração de Importação no 06/14328424 e descrita como “1 ECÓGRAFO COM ANÁLISE ESPECTRAL DOPPLER, MARCA GENERAL ELECTRIC, MODELO LOGIQ 5 EXPERT”, em razão de a matéria ser objeto de processo judicial, conforme estabelece o Ato Declaratório Normativo Cosit no 3, de 1996. Para historiar os fatos transcrevo o relatório constante do Acórdão proferido pela DRJ em Florianópolis/SC, que adoto, verbis: “Trata o presente processo de três autos de infração referentes à Declaração de Importação (DI) nº 06/14328424. O primeiro auto de infração trata do IPI (R$ 1.862,33), o segundo, da Cofins (R$ 9.544,24) e o terceiro do Pis/Pasep (R$ 2.072,10), todos incidentes na Declaração de Importação já citada Foram lançados tãosomente os tributos, uma vez que na autuação se entendeu que a exigibilidade dos créditos está suspensa por força da medida liminar concedida nos autos dos processos de agravo de instrumento nº 2006.04.00.035321 0 e 2006.04.00.0353221. Intimada a empresa autuada (fl. 55), ingressou a mesma com as impugnações de fls. 5671 e 97119. Seguem as alegações da empresa. Ajuizou dois mandados de segurança preventivos a fim de evitar a incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) Pis/Pasep e Cofins incidentes na importação. Alega suspensão do direito do fisco federal em constituir exigência de crédito tributário uma vez que a empresa é isenta (não incidência) dos citados tributos. O artigo 62 do Decreto nº 70.235/72 veda a instauração de procedimento fiscal a quem é beneficiado nos casos de suspensão da exigibilidade por força de decisão judicial. Alega litispendência entre os processos judicial e administrativo. Alega a inconstitucionalidade da cobrança do IPI e das contribuições sociais Pis/Pasep e Cofins na sua operação de importação. Solicita extinção do auto de infração por existência de demanda judicial. Solicita a nulidade ou improcedência da autuação. À folha 157, encaminhouse o processo para julgamento e informouse a tempestividade da impugnação.” O julgamento em primeira instância foi realizado pela 2ª Turma da DRJ em Florianópolis/SC, nos termos do Acórdão DRJ/FNS no 0711.397, de 3/11/2007 (fls. 282/283), que por unanimidade de votos decidiu por não conhecer da impugnação, tendo em vista a existência de ação judicial com o mesmo objeto do Auto de Infração, pelo que deve ser tida Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/06/2011 por NALI DA COSTA RODRIGUES CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Assinado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 12709.000681/200611 Acórdão n.º 320200.281 S3C2T2 Fl. 387 3 como encerrada a discussão na esfera administrativa à espera do pronunciamento definitivo do Judiciário, que é quem detém a competência última de dizer o direito aplicável ao caso. Consta nos autos informação da DRFB em Maringá/PR (fls. 300/301), de que os valores de R$ 1.536,43 e R$ 7.076,87, exigidos a título de PIS e Cofins, respectivamente, foram transferidos para o processo no 10950.001605/200806, para cobrança imediata, e os créditos referentes ao IPI (R$ 1.862,33), e às diferenças de PIS (R$ 535,67) e de Cofins (R$ 2.467,37), permanecem com a exigibilidade suspensa até decisão final deste processo. A contribuinte apresenta recurso (fls. 310/355), em que ratifica as preliminares de nulidade e as alegações de mérito já antes apresentadas por ocasião de sua impugnação. Acrescenta ainda a preliminar de nulidade da decisão recorrida, entendendo que essa decisão fez crer que as exigências constantes dos Autos de Infração não estão abarcadas pela decisão judicial citada, demonstrando de maneira clara e inequívoca que a impugnação apresentada deixou de ser analisada em todos os seus termos, ocasionando grave prejuízo à recorrente. No mérito, e em essência, alega que as liminares judiciais suspenderam a exigibilidade do IPI, PIS e Cofins devidos na importação, não havendo possibilidade de se lavrar autos de infração fiscal, em razão de que os tributos não foram recolhidos por força de determinação judicial, pelo que requer a reforma da decisão ora recorrida para fins de declarar inexigíveis os tributos em questão e o reconhecimento da total improcedência dos Autos de Infração. É o relatório. Voto Conselheiro José Luiz Novo Rossari O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razões por que dele tomo conhecimento. As preliminares suscitadas pela recorrente em repetição àquelas já trazidas por ocasião de sua impugnação, podem, todas, ser resumidas em uma só questão: a alegação de que, em havendo a concessão de medida liminar judicial tornase descabido o lançamento pertinente à exigência de tributos e contribuições referentes à mesma matéria que se está discutindo judicialmente. Tal alegação não tem qualquer justificativa nem alicerce legal. A legislação vigente prevê expressamente o procedimento fiscal de lançamento para prevenção de decadência, nos casos em que se configure o ingresso do contribuinte na esfera judicial com concessão de medida liminar ou tutela antecipada, como dispõe o art. 63 da Lei no 9.430/1996, verbis: “Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício.” (Redação dada pelo art. 70 da Medida Provisória no 2.15835/2001) Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/06/2011 por NALI DA COSTA RODRIGUES CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Assinado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 12709.000681/200611 Acórdão n.º 320200.281 S3C2T2 Fl. 388 4 Portanto, não assiste razão à recorrente, visto que o procedimento fiscal tem pleno embasamento legal, não havendo sequer de se cogitar de eventual afronta do Fisco às decisões judiciais que concederam liminares em mandados de segurança. A lei acima transcrita foi instituída justamente para possibilitar a imediata instauração do procedimento fiscal com o objetivo de prevenir a decadência do direito de a Fazenda Nacional agir. Por isso que, em relação à preliminar acrescentada no recurso, também não assiste razão à recorrente, visto que o órgão julgador aplicou a legislação correta no caso em exame, ao considerar a existência das ações judiciais e, justamente em razão desse fato, concluir pela concomitância de objeto nas vias judicial e administrativa. Pelo exposto, rejeito as preliminares apresentadas pela recorrente. No mérito, está pacificamente assentado na esfera administrativa o entendimento de que a opção do contribuinte pela via judicial implica renúncia às instâncias julgadoras da via administrativa ou desistência de eventual recurso interposto, no caso de o objeto da lide ser idêntico em ambas. Verificase que no caso em exame a identidade de objetos é clara e admitida pela recorrente, como se verifica de seu recurso: “20 Como acertadamente consta do v. acórdão recorrido, a matéria objeto do presente processo administrativo está sendo discutida judicialmente (processos 2006.70.00.0281560 e 2006.70.00.0281571), sendo que, a RECORRENTE pleiteia a não incidência do PIS/COFINS Importação e IPI na importação dos equipamentos médicos anteriormente descritos (ECÓGRAFO COM ANÁLISE ESPECTRAL DOPPLER e Ressonância Magnética).” A matéria está disciplinada pelo Ato Declaratório Normativo no 3/1996, do CoordenadorGeral do Sistema de Tributação da SRF, que dispõe, verbis: “a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial – por qualquer modalidade processual , antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto; b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p. ex., aspectos formais do lançamento, base de cálculo etc.); (...)” O órgão julgador tratou a matéria de acordo com esse entendimento, de conformidade com os termos expressamente explicitados no Ato Declaratório (Normativo) no 3/1996 da Cosit/SRF, tendo em vista que os autos do processo demonstram inequivocamente que a matéria nele discutida – incidência do IPI, PIS e Cofins na importação é idêntica àquela discutida nas ações judiciais impetradas pela recorrente, razão pela qual não cabe reparo à decisão recorrida. O ADN citado teve como base o disposto no art. 38 da Lei no 6.830/80 e no art. 1o, § 2o, do Decretolei no 1.737/79, e em sua elaboração foi considerada a semelhança das situações, de forma que viesse a abranger toda e qualquer ação impetrada na esfera judicial, tendo em vista que as sentenças daí decorrentes serão sempre hierarquicamente superiores e prevalentes sobre as que eventualmente vierem a ser proferidas nas instâncias administrativas. Nos casos da espécie, o processo deve ser encaminhado à unidade da RFB de origem para aguardar o trânsito em julgado da ação judicial e obediência aos seus termos. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/06/2011 por NALI DA COSTA RODRIGUES CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Assinado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 12709.000681/200611 Acórdão n.º 320200.281 S3C2T2 Fl. 389 5 A matéria está pacificada no âmbito administrativo, culminando com a edição da Súmula CARF no 1, divulgada pela Portaria CARF no 106, de 21/12/2009 (DOU de 22/12/2009), que dispôs, verbis: “Súmula CARF no 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Diante do exposto, voto por que se rejeitem as preliminares de nulidade dos Autos de Infração e da decisão recorrida e, no mérito, por não caber o pronunciamento administrativo referente à matéria em razão de que a mesma está sendo discutida na via judicial, voto por que não se tome conhecimento do recurso no que diz respeito às alegações pertinentes à incidência do IPI e das contribuições ao PIS e Cofins. José Luiz Novo Rossari Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/06/2011 por NALI DA COSTA RODRIGUES CÓ PI A Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Assinado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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Numero do processo: 36624.013913/2006-08
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2004
ADMISSIBILIDADE. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF.
No caso, não há demonstração de interpretação divergente entre decisões, motivo para o não conhecimento do recurso.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.219
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Nome do relator: Marcelo Oliveira
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2004 ADMISSIBILIDADE. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. No caso, não há demonstração de interpretação divergente entre decisões, motivo para o não conhecimento do recurso. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1528; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 936 1 935 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 36624.013913/200608 Recurso nº 151.137 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202002.219 – 2ª Turma Sessão de 28 de junho de 2012 Matéria CONT. PREVIDENCIÁRIA Recorrente SANSUY S/A INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS Interessado PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL (PFN) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2004 ADMISSIBILIDADE. REQUISITO. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. No caso, não há demonstração de interpretação divergente entre decisões, motivo para o não conhecimento do recurso. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 01 39 13 /2 00 6- 08 Fl. 1901DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 1902DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 36624.013913/200608 Acórdão n.º 9202002.219 CSRFT2 Fl. 937 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0873, interposto pelo sujeito passivo contra acórdão, fls. 0854, que decidiu, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: Õ1/01/2002 a 30/04/2004 CUSTEIO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A empresa está obrigada a recolher a contribuição devida incidente sobre a remuneração paga aos segurados que lhe prestam serviços. CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. O órgão julgador não está obrigado a apreciar toda e qualquer alegação apresentada pela recorrente, mas tão somente aquelas que possuem o condão de formar ou alterar sua convicção. ESPONTANEIDADE DESCABIMENTO. O beneficio da espontaneidade se aplica somente a multas de caráter punitivo, relativas ao descumprimento de obrigação acessória, e não à multa de caráter moratória aplicada pelo descumprimento da obrigação principal. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em rejeitar as preliminares suscitadas; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso. Em seu recurso especial o sujeito passivo alega, em síntese, que: 1. O julgado – no que se refere à decisão judicial que declarou a inexigência de contribuição ao INCRA – ao qual o direito da recorrente foi negado, está em Fl. 1903DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 divergência com o acórdão 10193553, merecendo reforma; 2. O acórdão recorrido, de n° 20601.437, deixou de reconhecer que a Recorrente, na qualidade de sucessora do direito garantido às empresas incorporadas, faz jus ao afastamento da contribuição ao INCRA; 3. O acórdão não reconheceu do direito da recorrente por afirmar que as incorporadas são pessoas distintas da incorporadora; 4. Já o acórdão paradigma entendeu que a empresa incorporadora assume todas as obrigações e todos os direitos da incorporada, como se verifica da ementa: "IRPJ — INCENTIVOS FISCAIS — A incorporadora que adquire empresa sediada na área de atuação da SUDAM e detentora de benefícios fiscais, não só assume todas as obrigações da incorporada, mas também seus direitos, sendo o marco para o início da fruição dos benefícios fiscais, a data da protocolização do pedido junto à Autarquia. Recurso de ofício a que se nega provimento. (N° Recurso 125588, Número do Processo 10283.007199/9944, i a Turma, da i a Câmara, da 1ª Seção, Relatora Lina Maria Vieira, N° Acórdão 10193553, Data da Sessão 26/07/2001)”; 5. Dessa forma, comprovada a divergência; 6. Tanto a Lei das S/A quanto o Código Civil preconizam que a incorporadora sucede a incorporada em todos os seus direitos e obrigações; 7. Portanto, a recorrente é detentora do direito concedido à suas incorporadas ao não pagamento do INCRA, garantido pela decisão judicial; 8. Por todo o exposto, requer o conhecimento e o provimento do seu recurso. Por despacho, fls. 0915, deuse seguimento ao recurso especial. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contra razões, fls. 0919, argumentando, em síntese, que: 1. O recurso não deve ser conhecido, pois tratamse de situações fáticas e jurídicas distintas; 2. Enquanto o acórdão recorrido trata de efeitos de decisão judicial para a incorporadora, o acórdão recorrido trata de efeitos de benefícios/incentivos fiscais para a incorporadora; Fl. 1904DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 36624.013913/200608 Acórdão n.º 9202002.219 CSRFT2 Fl. 938 5 3. Somente ao bem do debate, caso o acórdão recorrido seja admitido, no mérito deve ser negado seu provimento; 4. A recorrente não figurou como parte da ação judicial; 5. Por não ser parte na ação judicial, a recorrente não pode ser favorecida por tal decisão, conclusão que se extrai do art. 472, do Código de Processo Civil; 6. No caso da demanda em referência, o provimento judicial foi lastreado em circunstâncias específicas e concretas peculiares aos fatos retratados e aos sujeitos processuais envolvidos; 7. Não pode o julgador administrativo, a título de análise, verificar a identidade de objeto social ou de outras circunstâncias atinentes ao incorporador com todos aqueles elementos ventilados na ação judicial em relação às empresas autoras e posteriormente incorporadas, para entender pela identidade de elementos e conseqüente estender os efeitos da decisão judicial a quem não foi parte na demanda; 8. Em razão do exposto, a PFN solicita que o recurso não seja conhecido, devido a falta de requisito para sua admissibilidade, e, caso o seja, que seja negado provimento ao pleito. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 1905DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Quanto à admissibilidade, devemos analisar questão. Para que seja conhecido recurso especial do sujeito passivo fazse necessária a demonstração da divergência de decisões. Portaria MF 256/2009: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Analisando os requisitos para conhecimento do recurso especial, entendemos que o mesmo não deve ser conhecido, pois tratamse de situações fáticas e jurídicas distintas. Como bem delimita a nobre PFN, enquanto o acórdão recorrido trata de efeitos de decisão judicial para a incorporadora, o acórdão paradigma trata de efeitos de benefícios/incentivos fiscais para a incorporadora. Pela leitura de trecho do acórdão recorrido e da ementa do acórdão paradigma, chegase a essa conclusão. ACÓRDÃO RECORRIDO: A notificada afirma em sua peça recursal, à fl. 732, que moveu ação judicial para afastar a contribuição ao INCRA, que tramitou perante a 5a Vara Federal do DF, transitando em julgado conforme cópias anexas. Em seguida, em sua manifestação à fl. 842, se contradiz ao declarar que "não participou da referida ação judicial promovida contra o INCRA". De fato, restou comprovado, nos autos, que a autora da ação visando afastar a cobrança da contribuição ao INCRA não é a recorrente, e sim uma empresa que não mais existe por ter sido incorporada pela empresa notificada. E como a recorrente não foi parte da ação movida pelas incorporadas, não há a possibilidade de que seja abarcada por tal decisão. Portanto, são pessoas jurídicas distintas. A inexigibilidade da contribuição ao INCRA buscada pela recorrente demanda uma ação própria, em que a recorrente seja a autora. E como não há decisão judicial transitada em julgado nesse sentido, a recorrente é contribuinte do INCRA, devendo recolher as contribuições devidas. Acórdão paradigma: Fl. 1906DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 36624.013913/200608 Acórdão n.º 9202002.219 CSRFT2 Fl. 939 7 "IRPJ — INCENTIVOS FISCAIS — A incorporadora que adquire empresa sediada na área de atuação da SUDAM e detentora de benefícios fiscais, não só assume todas as obrigações da incorporada, mas também seus direitos, sendo o marco para o início da fruição dos benefícios fiscais, a data da protocolização do pedido junto à Autarquia. Recurso de ofício a que se nega provimento. (N° Recurso 125588, Número do Processo 10283.007199/9944, i a Turma, da i a Câmara, da 1ª Seção, Relatora Lina Maria Vieira, N° Acórdão 10193553, Data da Sessão 26/07/2001)”; Voto: A decisão recorrida, que julgou procedente em parte o lançamento, excluiu da tributação as receitas líquidas provenientes da comercialização de forno microondas, no ano calendário de 1994, sob o entendimento de que a concessão do benefício fiscal foi transferido à incorporadora SHARP do Brasil S/A, com efeitos a partir do anocalendário de 1992, conforme Ato Declaratório DCl/DAI/SUDAM nº 33/99. Como bem argumentou a autoridade singular, o ato normativo proferido pela Secretaria da Receita Federal determina que "a incorporadora que adquire empresa sediada na área de atuação da SUDAM e detentora de benefícios fiscais, não só assume todas as obrigações da incorporada, mas também seus direitos" e que o marco para o início da fruição dos benefícios fiscais se opera a partir da protocolização do pedido junto à Autarquia. Portanto, restou comprovada a ausência de divergência entre as duas decisões. CONCLUSÃO: Devido ao exposto, voto em não conhecer do recurso do sujeito passivo, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 1907DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/10/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 13866.000411/2002-37
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
PROVAS DAS ALEGAÇÕES.
São incabíveis alegações genéricas. Os argumentos aduzidos deverão ser acompanhados de demonstrativos e provas suficientes que os confirmem.
CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT.
A produção e a exportação de produtos não tributados pelo IPI (NT), por se encontrarem fora do campo de incidência do IPI, não podem ser considerados produtos industrializados.
Por conseguinte, não podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO.
No caso de venda à empresa comercial exportadora, para usufruir do benefício do crédito presumido, cabe à contribuinte comprovar o fim específico de exportação para o exterior, demonstrando que os produtos foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMO NÃO ADMITIDO NO CÁLCULO.
Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n o 9.363/96 os insumos que, embora consumidos na produção, não entrem em contato direto com o produto fabricado, não se enquadrando, portanto, no conceito de matéria-prima ou produto intermediário, caracterizando-se como custo indireto incorrido na produção.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-000.983
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Mauricio Taveira e Silva
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ementa_s : Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 PROVAS DAS ALEGAÇÕES. São incabíveis alegações genéricas. Os argumentos aduzidos deverão ser acompanhados de demonstrativos e provas suficientes que os confirmem. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. A produção e a exportação de produtos não tributados pelo IPI (NT), por se encontrarem fora do campo de incidência do IPI, não podem ser considerados produtos industrializados. Por conseguinte, não podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. No caso de venda à empresa comercial exportadora, para usufruir do benefício do crédito presumido, cabe à contribuinte comprovar o fim específico de exportação para o exterior, demonstrando que os produtos foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMO NÃO ADMITIDO NO CÁLCULO. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei n o 9.363/96 os insumos que, embora consumidos na produção, não entrem em contato direto com o produto fabricado, não se enquadrando, portanto, no conceito de matéria-prima ou produto intermediário, caracterizando-se como custo indireto incorrido na produção. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 Ementa: PROVAS DAS ALEGAÇÕES. São incabíveis alegações genéricas. Os argumentos aduzidos deverão ser acompanhados de demonstrativos e provas suficientes que os confirmem. CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NT. A produção e a exportação de produtos não tributados pelo IPI (NT), por se encontrarem fora do campo de incidência do IPI, não podem ser considerados produtos industrializados. Por conseguinte, não podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. No caso de venda à empresa comercial exportadora, para usufruir do benefício do crédito presumido, cabe à contribuinte comprovar o fim específico de exportação para o exterior, demonstrando que os produtos foram remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMO NÃO ADMITIDO NO CÁLCULO. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei no 9.363/96 os insumos que, embora consumidos na produção, não entrem em contato direto com o produto fabricado, não se enquadrando, portanto, no conceito de matériaprima ou produto intermediário, caracterizandose como custo indireto incorrido na produção. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 432DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1219.13517.Q208. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13866.000411/200237 Acórdão n.º 330100.983 S3C3T1 Fl. 425 2 ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado Digitalmente) Mauricio Taveira e Silva Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Fábio Luiz Nogueira e Maria Teresa Martínez López. Relatório NARDINI AGROINDUSTRIAL LTDA., devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 312/350 contra o acórdão nº 1417.914, de 12/12/2007, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto SP, fls. 286/300, que deferiu em parte a solicitação de ressarcimento de crédito presumido de IPI, referente ao 3º trimestre de 2001, juntamente com declaração de compensação protocolizada em 12/11/2002 (fl. 01), conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pela requerente ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal de São José do Rio Preto, que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento de IPI e homologou as compensações declaradas até o montante do crédito deferido. A contribuinte solicitou o ressarcimento de crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363 de 1996, e a Portaria MF nº 38/97, no valor total de R$ 85.089,55. Apresentou também, declaração de compensação deste crédito com débitos próprios. O pedido foi deferido parcialmente em virtude de retificações efetuadas no cálculo do crédito presumido, tendo sido reconhecido o direito creditório de R$ 8.952,00, com base na informação fiscal de fls. 159/177 que, em resumo, passo a relatar: 1. Exclusão das exportações realizadas por terceiros, empresas não constituídas sob a forma preconizada pelo inciso I, art. 2º do DecretoLei nº 1.248/72 (tradingcompany), num total de R$ 1.583.499,64; Fl. 433DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1219.13517.Q208. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13866.000411/200237 Acórdão n.º 330100.983 S3C3T1 Fl. 426 3 2. Mudança no critério de rateio dos insumos utilizados nos produtos não acabados e nos produtos acabados e não vendidos: desconsideração do método adotado pela contribuinte “ATR”; 3. Utilização de insumos não admitidos pela legislação do IPI (cal virgem; condicionador de lama; fosfato, hipoclorito de sódio, optisperse, sal grosso e oxialqulatos em águas), no total de R$ 62.942,63. 4. Glosa de insumos utilizados na industrialização de produtos não exportados (cana de açúcar utilizada na produção de álcool) – no total de R$ 3.274.789,93. Regularmente cientificada, a postulante apresentou manifestação de inconformidade, defendendo a inclusão, no cálculo da receita de exportação, das exportações realizadas por empresas comerciais exportadoras, mesmo que não estejam formalizadas como uma tradingcompany, por considerar que se encontra atendido o fim específico de exportação. Acrescentou que a exclusão desses valores afrontaria os princípios da legalidade e da isonomia. Em sua defesa, fez as seguintes considerações: O parágrafo único do artigo 1º da lei nº 9363/96, ao estabelecer o crédito presumido para as vendas realizadas para empresas comerciais exportadoras, o fez de forma ampla e irrestrita, abrangendo todas as empresas que tenham por objeto social a comercialização e exportação de produtos, ainda que não atendam aos requisitos exigidos pelo Decretolei nº 1.248/72. em nenhum momento o texto legal determina ou condiciona que a exportação somente gerará o benefício quando a empresa comercial exportadora, adquirente dessas mercadorias, for constituída conforme os requisitos previstos no artigo 2º do Decretolei nº 1.248/72; Todos os insumos (que sofreram glosa), apesar de não integrarem o produto final, são integralmente consumidos durante o processo de produção do açúcar e do álcool, sendo, portanto, produtos intermediários essenciais para a fabricação das mercadorias. Negar o direito pleiteado pela empresa é negar vigência ao artigo 2º da Lei nº 9.363/96, que admite ser a base de cálculo do benefício o total das aquisições; A exclusão dos insumos utilizados na lavoura de canadeaçúcar destinadas à fabricação de álcool é indevida, pois a apuração do crédito presumido é o resultado do percentual da receita de exportação sobre o valor total dos insumos adquiridos, justamente para quantificar o custo dos insumos aplicados no montante exportado. Assim, se um insumo é utilizado tanto para produtos exportados como para os vendidos no mercado interno, a própria fórmula de cálculo do benefício trata de conceder o crédito para àqueles insumos que foram utilizados na industrialização dos produtos exportados. Aceitar o procedimento fiscal implicaria em reduzir ainda mais a base de cálculo do crédito presumido, mitigando o benefício fiscal em Fl. 434DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1219.13517.Q208. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13866.000411/200237 Acórdão n.º 330100.983 S3C3T1 Fl. 427 4 exame, visto que a própria fórmula do benefício automaticamente já exclui essa parcela; Por fim, solicitou que seja conhecida e provida a manifestação de inconformidade, para que seja cancelada a decisão da DRF, com a homologação do ressarcimento e da compensação. A DRJ deferiu em parte a solicitação cujo acórdão restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria submetida a glosa em revisão de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, não especificamente contestada na manifestação de inconformidade, é reputada como incontroversa, e é insuscetível de ser trazida à baila em momento processual subseqüente. VENDAS PARA EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS COM O FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Diante do conceito dado à expressão “empresa comercial exportadora” em diferentes oportunidades pela SRF e pelo MF, concluise que são admitidas no cálculo do crédito presumido as vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação, nos termos da Lei nº 9.532, de 1997, art. 39, § 2º, e não apenas as vendas a empresas enquadradas no Decretolei n° 1.248, de 1972. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que pleiteia. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INSUMOS. Os conceitos de produção, matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem são os admitidos na legislação aplicável ao IPI, não abrangendo os gastos gerais de produção. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo do crédito presumido é determinada pela aplicação do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional sobre o valor total das aquisições destinadas à produção (industrialização). Solicitação Deferida em Parte Tempestivamente, em 07/03/2008, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 312/350, apresentando os seguintes argumentos: Fl. 435DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1219.13517.Q208. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13866.000411/200237 Acórdão n.º 330100.983 S3C3T1 Fl. 428 5 a) preliminarmente, nulidade do Despacho Decisório por ausência de motivação. Após ver seu pleito deferido pela DRJ, em relação a inclusão do álcool destinado ao mercado nacional, verificou que o crédito concedido havia sido bem aquém de suas expectativas. Somente, então, com a decisão ora recorrida, pode perceber que a pretexto de efetuar a mudança no critério de rateio dos insumos utilizados nos produtos não acabados e nos produtos acabados e não vendidos, o fisco desconsiderou a totalidade de insumos aplicados na produção de bens destinados ao mercado interno, sem motivação e ao arrepio da lei. Sem motivação, pois, o Despacho Decisório indeferiu parcialmente o crédito pleiteado pelos seguintes motivos: (i) haver desconsiderado as exportações feitas por empresas comerciais exportadoras não constituídas na forma do art. 2°, do DecretoLei n° 1.248/72 (o que veio a ser reformado pela DRJ); (ii) desconsideração de insumos, por entender que não exercem uma ação direta sobre o produto em produção; (iii) desconsideração de insumos utilizados na produção de álcool não exportado. Assim sendo, a Recorrente impugnou todos os pontos acima, e deixou de impugnar a mudança no critério de rateio do ATR para o controle de estoques tendo em vista este ser mais benéfico à Recorrente e pela inexistência de qualquer referência à desconsideração de insumos aplicados na produção de bens destinados ao mercado interno. Ao arrepio da lei, pois o art. 2º da Lei nº 9.363/96 não traz qualquer restrição quanto aos insumos que devam ser considerados, inclusive mencionando, expressamente, que deve ser considerado o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Assim, ante a patente nulidade decorrente da falta de motivação na desconsideração, no cálculo do crédito presumido, dos insumos destinados à fabricação de bens destinados ao mercado interno, o que impõe, em última análise, mácula à ampla defesa e contraditório, de rigor que seja tida por nula a decisão, determinando o regresso dos presentes autos à Delegacia de origem para que se manifeste, motivadamente, acerca da glosa em questão, abrindose novo prazo para apresentação de manifestação de inconformidade. Acaso não acatada a preliminar suscitada, a interessada apresenta as seguintes razões de mérito: b) erro de cálculo da decisão recorrida que, embora tenha decidido pela inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI dos insumos aplicados em mercadorias destinadas ao mercado nacional no 3° trimestre de 2001, também desconsiderou os insumos aplicados em meses anteriores na produção de bens destinados ao mercado interno, sem qualquer justificativa. Com efeito, a própria metodologia de cálculo, ao determinar que para se chegar à base de cálculo do crédito presumido de IPI a ser ressarcido devese multiplicar a totalidade dos insumos aplicados na produção pela relação percentual entre as receitas de exportação e a receita operacional bruta do trimestre, já sensibiliza o quanto dos insumos foi aplicado na produção de produtos destinados à exportação, de modo que desconsiderar os insumos aplicados em trimestres anteriores na produção de bens destinados ao mercado interno é mitigar o direito de crédito sem qualquer base legal e fundamento lógico; c) a título de esclarecimento é oportuno deixar claro que mesmo se estas aquisições não fossem oneradas pelas contribuições ao PIS/Cofins ou ainda se os insumos fossem aplicados em mercadorias nãotributadas (NT), a Recorrente faria jus ao crédito presumido de IPI. Essa é a vontade da lei, visto que o art. 1° da Lei n° 9.363/96 não restringiu o benefício não cabendo, portanto, ao intérprete fazêlo; d) tendo demonstrado de forma cabal o atendimento dos requisitos a que estava sujeita para o gozo do beneficio, não pode ser responsabilizada por eventual falha de apresentação de documentação por parte das empresas comerciais exportadoras, únicas Fl. 436DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1219.13517.Q208. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13866.000411/200237 Acórdão n.º 330100.983 S3C3T1 Fl. 429 6 passíveis de penalização, nos estritos termos da própria legislação, devendo nesse caso serem concedidos os créditos presumidos de IPI decorrentes das vendas realizada para as empresas comerciais exportadoras; e) indevida a exclusão dos insumos supostamente inadmitidos pela legislação do IPI, tendo em vista que a cal virgem, o hipoclorito de sódio, sal grosso, condicionador de lama, fosfato, optisperse e oxialgulatos, todos utilizados e consumidos ao longo do processo de industrialização da Recorrente, constituem indubitavelmente produtos intermediários. Ressalte se que a cal virgem é responsáveis pela manutenção do PH da água da lavagem da cana, sendo, portanto, utilizada diretamente no processo de produção; f) suspensão da exigibilidade dos débitos compensados, atrelados a este pedido de ressarcimento, consoante art. 74, § 11 da Lei nº 9.430/96, c/c art. 151, III do CTN. Por fim, requer: (i) seja conhecido o presente Recurso Voluntário, suspendendo se a exigibilidade do crédito tributário relacionado à compensação vinculada ao direito creditório em discussão, nos termos do art. 151, III, do CTN e art. 74 da Lei 9.430/96; (ii) preliminarmente, seja tido por NULA não só a decisão lançada como também o procedimento fiscal, na medida em que desconsiderou, para fins de aferimento da base de cálculo do crédito presumido de IPI, os insumos acumulados em trimestres anteriores destinados à fabricação de produtos não destinados à exportação sem qualquer motivação em qualquer momento do processo administrativo, bem como sem qualquer demonstrativo de cálculo aberto, cerceando o direito de defesa da Recorrente, para que ao final seja proferida nova decisão pela DRJ, conferindose à ora Recorrente prazo para apresentação de nova manifestação de inconformidade, na preservação do direito de defesa: ou, caso assim não entendam V.Sas, (iii) no mérito, seja REFORMADO o Acórdão 1417.914 — 2ª Turma da DRJ/RPO, para assegurar o direito à consideração, no cômputo do crédito presumido de IPI da Recorrente, de todos os valores glosados no procedimento de fiscalização, especialmente, daqueles relativos as vendas realizadas às empresas comerciais exportadoras, tendo em vista que estas cumpriram o fim especifico de exportação, às aquisições de insumos destinados ao fabrico de mercadorias destinados ao mercado interno, bem como de todos os insumos integralmente consumidos no processo de industrialização, tendo em vista que o procedimento adotado pelas autoridades fiscais e chancelado pelo acórdão recorrido não encontra amparo legal, negando eficácia aos enunciados postos na Lei nº 9.363/96, conforme fartamente demonstrado acima, tudo como medida de Direito e de Justiça. É o Relatório. Fl. 437DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1219.13517.Q208. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13866.000411/200237 Acórdão n.º 330100.983 S3C3T1 Fl. 430 7 Voto Conselheiro Mauricio Taveira e Silva, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. O presente processo referese a glosa em ressarcimento de crédito presumido de IPI, referente ao 3º trimestre de 2001, bem assim, a não homologação da compensação declarada, protocolizada em 12/11/2002 (fl. 01). Nessa toada, conforme aduziu a recorrente, com supedâneo no art. 49 da MP nº 66 de 29/08/02, posteriormente convertida na Lei nº 10.637/02, que incluiu o § 2º ao art. 74 da Lei nº 9.430/96, e ainda, com base neste mesmo diploma legal, art. 74, § 11, c/c art. 33 do Decreto nº 70.235/72 e art. 151, III do CTN, os débitos declarados objetos desta compensação encontramse com a exigibilidade suspensa, em decorrência do recurso apresentado, até o julgamento definitivo do presente processo administrativo. Conforme relatado anteriormente, a contribuinte entende deva ser reconhecida a nulidade do Despacho Decisório por ausência de motivação. Após ver seu pleito deferido pela DRJ, em relação a inclusão do álcool destinado ao mercado nacional, verificou que o crédito concedido havia sido bem aquém de suas expectativas. Somente, então, com a decisão ora recorrida, pôde perceber que a pretexto de efetuar a mudança no critério de rateio dos insumos utilizados nos produtos não acabados e nos produtos acabados e não vendidos, o fisco desconsiderou a totalidade de insumos aplicados na produção de bens destinados ao mercado interno, sem motivação e ao arrepio da lei. Sem motivação, pois, o Despacho Decisório indeferiu parcialmente o crédito pleiteado pelos seguintes motivos: (i) haver desconsiderado as exportações feitas por empresas comerciais exportadoras não constituídas na forma do art. 2°, do DecretoLei n° 1.248/72 (o que veio a ser reformado pela DRJ); (ii) desconsideração de insumos, por entender que não exercem uma ação direta sobre o produto em produção; (iii) desconsideração de insumos utilizados na produção de álcool não exportado. Assim sendo, a Recorrente impugnou todos os pontos acima, e deixou de impugnar a mudança no critério de rateio do ATR para o controle de estoques tendo em vista este ser mais benéfico à Recorrente e pela inexistência de qualquer referência à desconsideração de insumos aplicados na produção de bens destinados ao mercado interno. Ao arrepio da lei, pois o art. 2º da Lei nº 9.363/96 não traz qualquer restrição quanto aos insumos que devam ser considerados, inclusive mencionando, expressamente, que deve ser considerado o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Nessa toada a interessada requer seja tido por nulo o despacho decisório como também o procedimento fiscal, na medida em que desconsiderou, para fins de aferimento da base de cálculo do crédito presumido de IPI, os insumos acumulados em trimestres anteriores destinados à fabricação de produtos não destinados à exportação sem qualquer motivação em qualquer momento do processo administrativo, bem como sem qualquer demonstrativo de cálculo aberto, cerceando o direito de defesa da Recorrente, para que ao final Fl. 438DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1219.13517.Q208. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13866.000411/200237 Acórdão n.º 330100.983 S3C3T1 Fl. 431 8 seja proferida nova decisão pela DRJ, conferindose à ora Recorrente prazo para apresentação de nova manifestação de inconformidade, na preservação do direito de defesa. Não procede a alegação da contribuinte, conforme se demonstrará. Compulsando os autos verificase à fl. 151 o “Demonstrativo do Custo das Mat. Primas, Prod. Interm. e Material de Bem. Utilizados na Exportação – 3º Trimestre de 2001”, elaborado pelo fisco. Por sua vez, estes documentos embasaram o Despacho Decisório de fls. 189/193, o qual registra: Consta das fls. 159 a 177, relatório do auditor fiscal responsável pela diligência apurando que o contribuinte faz jus parcialmente ao valor pleiteado e opinando pelo deferimento Parcial do Pedido de Ressarcimento. Já a decisão recorrida tratou do tema nos seguintes termos: Exclusão de insumos (canadeaçúcar) utilizados na produção de produtos não exportados (álcool). O Fisco procedeu à glosa de insumos utilizados na industrialização de produtos não exportados (cana de açúcar utilizada na produção de álcool), no total de R$ 3.274.789,93, sob o argumento de que estes insumos não foram utilizados na produção destinada ao mercado interno e não à exportação. A empresa argumentou que a exclusão dos insumos utilizados na lavoura de canadeaçúcar destinadas à fabricação de álcool é indevida, pois a apuração do crédito presumido é o resultado do percentual da receita de exportação sobre o valor total dos insumos adquiridos, justamente para quantificar o custo dos insumos aplicados no montante exportado. Com relação a este tema, correto o argumento da contribuinte. Para esclarecer o assunto, permitome novamente transcrever os artigos 1º e 2º da Lei nº 9.363/96: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. (destacado na transcrição) Fl. 439DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1219.13517.Q208. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13866.000411/200237 Acórdão n.º 330100.983 S3C3T1 Fl. 432 9 Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. Da leitura do dispositivo legal acima transcrito depreendese que a base de cálculo do crédito presumido é determinada pela aplicação do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional sobre o valor total das aquisições destinadas à produção (industrialização). O resultado, portanto, é o valor dos insumos usados nos produtos industrializados e exportados. Sendo assim, somente se admite glosa nas aquisições se estas não corresponderem ao conceito de insumos (matéria prima, material de embalagem e produtos intermediários) dado pela legislação do IPI; se estas aquisições forem desoneradas tanto das contribuições para o PIS e Cofins, como do IPI, ou se forem usadas em produtos não industrializados (nãotributados pelo IPI NT). Portanto, a simples destinação para o mercado nacional de parte da produção industrial não é motivo de glosa, para efeitos da apuração do crédito presumido. Como a fundamentação do fisco baseouse exclusivamente na destinação ao mercado interno do produto industrializado, não levantando qualquer outro argumento, devese pressupor que o produto (álcool) é tributado pelo IPI e que os insumos utilizados em sua industrialização também são tributados/onerados pelo imposto e pelas contribuições citadas. Sendo assim, o cálculo efetuado pelo fisco deve ser alterado e passa a ser o seguinte: Total dos insumos R$ 8.382.065,34 Estoque insumos em 31/12/00 R$ 1.079.141,50 Total R$ 7.302.923,84 Relação Percentual 9,04% Base de cálculo Crédito Presumido R$ 660.184,32 Percentual CP 5,37% Total acumulado R$ 35.451,90 CP 1º Trimestre R$ 190,09 CP 2º Trimestre R$ 10.412,40 CP 3º Trimestre R$ 24.849,41 valor concedido R$ 8.952,00 Total R$ 15.897,41 Pelo exposto, voto pelo deferimento em parte da solicitação, reconhecendo o direito creditório da diferença de R$ 15.897,41, a ser utilizado na compensação dos débitos declarados. Portanto, diferente do que alega a recorrente, de que os valores considerados foram elaborados sem qualquer demonstrativo de cálculo aberto, tais valores foram explicitados na planilha produzida pelo fisco à fl. 151, “Demonstrativo do Custo das Mat. Primas, Prod. Interm. e Material de Bem. Utilizados na Exportação – 3º Trimestre de 2001”, Fl. 440DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1219.13517.Q208. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13866.000411/200237 Acórdão n.º 330100.983 S3C3T1 Fl. 433 10 bem assim, pela instância a quo ao reconhecer a pertinência do argumento da interessada, em relação à indevida exclusão dos insumos utilizados na lavoura de canadeaçúcar destinadas à fabricação de álcool, reconhecendo o direito creditório adicional, conforme tabela acima. Todavia, ao invés de a contribuinte, valerse dos valores registrados, tanto na planilha quanto no quadro, anteriormente citados, apresenta, em fase recursal, não somente nova argumentação, como também, as tabelas constantes das fls. 330/331, as quais não guardam qualquer pertinência com os números registrados nos documentos precitados, elaborados pela administração. De se ressaltar que consoante o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, as alegações e provas devem ser apresentadas em primeira instância, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Ademais, caberia à contribuinte demonstrar, pontual e numericamente, com memória de cálculo relacionada àqueles valores consignados pela administração, suas discordâncias, justificando e apresentado documentos comprobatórios de modo a evidenciar o alegado e não tentar invalidar o procedimento efetuado, apresentando, apenas, a mencionada tabela simplista. Imputar a instância julgadora suprir deficiência da contribuinte é subverter as obrigações no processo administrativo. Portanto, pelas razões expostas, não procedem as alegações de nulidade, bem assim, o argumento aduzido de erro de cálculo da decisão recorrida que também teria desconsiderado os insumos aplicados em meses anteriores na produção de bens destinados ao mercado interno. A contribuinte menciona que mesmo aquisições não oneradas pelas contribuições ao PIS/Cofins ou ainda se os insumos fossem aplicados em mercadorias não tributadas (NT), a Recorrente faria jus ao crédito presumido de IPI, vez que a lei não restringiu o benefício. Ainda que não haja autorização na lei para o ressarcimento referente às aquisições que não sofreram incidência da contribuição ao Pis e da Cofins no fornecimento ao produtor exportador, de se registrar que o álcool hidratado carburante e álcool anidro carburante, classificados na TIPI na posição 2207.10.00 NT, estão fora do campo de incidência do IPI, não podendo ser considerados produtos industrializados e, por conseguinte, excluídos da base de cálculo do crédito presumido. De fato, conforme se demonstrará, os produtos não tributados pelo IPI, que constam na TIPI como “NT”, não dão direto ao crédito presumido. O art. 1º da Lei nº 9.363/96, consigna: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (grifei) Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Fl. 441DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1219.13517.Q208. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13866.000411/200237 Acórdão n.º 330100.983 S3C3T1 Fl. 434 11 Assim, é necessário que a empresa seja “produtora e exportadora”, para que se faça jus ao benefício, relativo às aquisições de “matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo.” Na mesma toada, assim dispõe a Lei nº 9.363/96 em seu art. 4º, in verbis: Art.4oEm caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, farseá o ressarcimento em moeda corrente. (grifei) Cabe, ainda, transcrever o art. 4º da Portaria MF nº 38/97, que dispõe sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido e consigna: Art. 4º O crédito presumido será utilizado pelo estabelecimento produtor exportador para compensação com o IPI devido nas vendas para o mercado interno, relativo a períodos de apuração subseqüentes ao mês a que se referir o crédito. (grifei) Acerca do tema assim versam os arts. 1º e 2º, § 1º da IN SRF nº 23/97: Art. 1º O crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, como ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para a Seguridade Social COFINS, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo de bens destinados à exportação para o exterior, de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, será apurado e utilizado de conformidade com o disposto nesta Instrução Normativa. Direito ao Crédito Presumido Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; (...) (grifei) No mesmo passo o § 1º do art. 17 da IN SRF nº 313/2003 registra que: § 1º Não integra a receita de exportação, para efeito de crédito presumido, o valor resultante das vendas para o exterior de produtos nãotributados e produtos adquiridos de terceiros que não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização pela pessoa jurídica produtora. Portanto, conforme se depreende de uma exegese sistêmica, a empresa produtora tem que ser contribuinte do IPI. De forma clara, a IN SRF nº 23/97 faz menção ao Fl. 442DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1219.13517.Q208. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13866.000411/200237 Acórdão n.º 330100.983 S3C3T1 Fl. 435 12 direito ao crédito presumido, inclusive quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero. Acaso houvesse interesse de estender o benefício aos produtos NT, obrigatoriamente deveria têlos mencionado, pois, em se tratando de benefício fiscal, sua interpretação deverá ser restritiva e, portanto, a determinação precisa do seu significado enseja uma interpretação literal. A despeito da existência de eventual procedimento ensejador de industrialização, para os efeitos fiscaistributários, não ocorre industrialização quando os elementos produzidos são indicados na Tabela de Incidência do IPI/TIPI como produtos NT. Sobre o tema, assim leciona o mestre Raymundo Clovis do Valle Cabral Mascarenhas, (in Tudo sobre IPI, 5ª edição, 2003, p.25/27), tecendo os comentários abaixo: O IPI não incide sobre os produtos constantes de códigos da Tipi seguidos da expressão "NT", que significa "nãotributado". (...) A Tabela de incidência do IPI – Tipi, que tem por base a Nomenclatura Comum do Mercosul, é uma relação ordenada e codificada de todas as coisas existentes, objeto de comercialização (mercadorias), seguidas das correspondentes alíquotas de incidência ou da expressão “NT”. Devese observar que na Tipi estão incluídas todas as coisas existentes, sejam produtos naturais (animais, vegetais e minerais) ou elaborados, ainda que não expressamente discriminados. (...) c) NT – que significa não tributado. Os produtos discriminados em códigos da Tipi aos quais corresponda a sigla NT não estão incluídos no campo de incidência do IPI, nada importando que tais produtos possam ser considerados, para outros efeitos não relacionados com o IPI, como produtos industrializados. Da mesma obra merecem ser transcritos os dois excertos abaixo: Não integra a receita de exportação, para efeito de crédito presumido do IPI, o valor resultante das vendas para o exterior de produtos não tributados e produtos adquiridos de terceiros que não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização pela pessoa jurídica exportadora, integrando, entretanto, a receita operacional bruta (IN nºs 313/2003 e 315/2003). (p. 233) (...) Empresa fabricante de produtos classificados como "NT" na Tipi não é estabelecimento industrial nos termos do art. 8º, não sendo caracterizado como contribuinte do citado imposto. Nestas condições, fazem jus ao crédito presumido do IPI de que trata a Lei n. 9.363/1996 somente as empresas que derem saída a produtos tributados, ainda que sob alíquota zero, incluindose, entre estes, carnes de bovinos e de suínos (Decisão nº 362/98 da 8ª RF). (p.233/234) Fl. 443DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1219.13517.Q208. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13866.000411/200237 Acórdão n.º 330100.983 S3C3T1 Fl. 436 13 No mesmo diapasão a administração tributária se manifestou através do Parecer MF/SRF/COSIT/DITIP n.º 139, de 22 de abril de 1996, no item 4.11, conforme abaixo: "O contribuinte produtorexportador de produtos com alíquota zero ou isentos tem direito ao crédito, ainda que não tenha débito de IPI. Não tem direito ao crédito presumido o exportador de produtos não tributados pelo IPI (produtos NT), e, produtos que não são industrializados, pois neste caso ele não é contribuinte do IPI." De se registrar que tal situação não se verifica em relação aos produtos com alíquota zero, por se tratar de situação distinta, vez que os produtos classificados como NT estão fora do alcance do IPI, por inexistir industrialização. Portanto, também em relação a este tema, não há reparos a fazer na decisão recorrida. Quanto às vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação, a interessada argumenta que, tendo demonstrado de forma cabal o atendimento dos requisitos a que estava sujeita para o gozo do beneficio, não pode ser responsabilizada por eventual falha de apresentação de documentação por parte das empresas comerciais exportadoras, únicas passíveis de penalização, nos estritos termos da própria legislação, devendo nesse caso serem concedidos os créditos presumidos de IPI decorrentes das vendas realizada para as empresas comerciais exportadoras. Não assiste razão à interessada, conforme se demonstrará. Embora seja uma matéria sobre a qual são travadas discussões, assim como a instância a quo, também considero equivocado o entendimento acerca da necessidade de exportação tão somente pelas empresas comerciais exportadoras constituídas ao amparo do DecretoLei nº 1.248/72, conhecidas como “trading companies”, uma vez que estas são espécie do gênero empresa comercial exportadora. A venda de produtos à empresa comercial exportadora constituída com base no indigitado Decreto Lei, com o fim específico de exportação, acarreta, de imediato, benefícios fiscais para o produtorvendedor, tornando a operação interna equiparada a uma exportação para todos os efeitos, sendo transferido o ônus tributário para a empresa comercial exportadora, em caso de inocorrência da exportação. De outra banda, a venda à empresa comercial exportadora não regulada pelo precitado DecretoLei, com o fim específico de exportação, se traduz numa operação interna beneficiada pela suspensão do IPI, sendo sua atuação de mera intermediária e os estímulos fiscais gerados pela exportação, desde que cumpridos os requisitos necessários, destinamse ao estabelecimento industrial que é, de direito, o exportador. Corroborando o entendimento esposado, assim dispõe o sítio da Receita Federal do Brasil, junto à internet (www.receita.fazenda.gov.br), na parte referente a Perguntas e Respostas sobre IPI, pergunta 031, a qual registra: 031 Tendo em vista a alínea “a” do inciso V do art. 42 do Ripi/2002, a suspensão do IPI prevista para produtos saídos do estabelecimento industrial com destino à exportação é aplicável Fl. 444DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1219.13517.Q208. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13866.000411/200237 Acórdão n.º 330100.983 S3C3T1 Fl. 437 14 a todas as empresas comerciais que operam no comércio exterior ou somente às Trading Companies? A suspensão do IPI aplicase a todas as empresas comerciais exportadoras que adquirirem produtos com o fim específico de exportação, aí incluídas as empresas comerciais exportadoras de que trata o DecretoLei nº 1.248, de 1972. Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Destarte, devem ser admitidas no cálculo do crédito presumido as vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação, nos termos da Lei nº 9.532/97, art. 39, § 2º, e não apenas as vendas às empresas constituídas na forma do Decreto Lei n° 1.248/72. Feitas essas considerações, passase à análise do benefício fiscal do crédito presumido de IPI, criado pela Lei nº 9.363/96, o qual assim consigna no parágrafo único do seu art. 1º: Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior.(destaquei) Por sua vez, assim dispõe o § 2º do art. 39, da Lei nº 9.532/97: § 2º Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. (grifei) De se registrar que, houvesse intenção do legislador, a expressão “com o fim específico de exportação para o exterior” teria sido acrescida de algo como: “ou a comprovação da efetiva exportação.” Porém, nesta outra hipótese, a exequibilidade de controle do benefício fiscal ficaria prejudicada pelo envolvimento de mais de uma empresa na comprovação do feito. Nessa toada, ao elaborar a lei, fora definida a obrigação do produtor em vender para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. A partir daí, o descumprimento da obrigação de exportar gera sanção tão somente à empresa comercial exportadora, isentando a empresa produtora de qualquer ônus, vez que teria cumprido sua parte. Portanto, repisese, cabe ao produtor exportador cumprir a determinação legal, ao vender o produto para empresa comercial exportadora, de demonstrar ter cumprido a exigência de: “com o fim específico de exportação para o exterior”, sendo totalmente irrelevante ter ou não ocorrido a exportação. De se ressaltar que os favores fiscais são devidamente regrados de modo a evitar a saída indevida de valores dos cofres públicos. Nesse passo, cabe ao administrado a observância das regras impostas, e não à administração fazendária se sujeitar a análises casuísticas em contradição com as determinações contidas nas normas que regem a matéria. Fl. 445DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1219.13517.Q208. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13866.000411/200237 Acórdão n.º 330100.983 S3C3T1 Fl. 438 15 A interessada reedita seu argumento apresentado na primeira instância, no sentido de que o “fim especifico de exportação” ficou comprovado nos autos pelas notas fiscais classificadas como “venda para futura exportação”, ou, ainda, através dos “memorandos de exportação” e dos demais documentos relacionados às vendas, bem como da ampla documentação apresentada pelas próprias empresas comerciais exportadoras. Porém, de modo a comprovar o fim específico de exportação, caberia à contribuinte demonstrar que os produtos vendidos (para exportação) foram remetidos diretamente a embarque para o exterior ou a recinto alfandegado, por conta e ordem do adquirente (empresa comercial exportadora). Contudo, além que não constar no processo qualquer evidência do cumprimento das precitadas exigências, a interessada apenas argumenta e menciona a existência de material suficiente nos autos a comprovar suas alegações. De se registrar serem incabíveis alegações genéricas. Conforme mencionado anteriormente, os argumentos aduzidos deverão ser acompanhados de demonstrativos e provas suficientes que os confirmem. Assim, caberia à contribuinte demonstrar, cabalmente, com documentos e os referenciando às folhas dos autos do processo, de modo a evidenciar o alegado e não atribuindo ao fisco a tarefa de descobrir dentre os documentos apresentados, aqueles que possam eventualmente servir como prova. Repisese: imputar a instância julgadora suprir deficiência da contribuinte é subverter as obrigações no processo administrativo. Portanto, em relação a este tema, também não há reparos a fazer à decisão recorrida. A contribuinte argumenta ser indevida a exclusão dos insumos supostamente inadmitidos pela legislação do IPI, tendo em vista que a cal virgem, o hipoclorito de sódio, sal grosso, condicionador de lama, fosfato, optisperse e oxialgulatos, todos utilizados e consumidos ao longo do processo de industrialização da Recorrente, constituem indubitavelmente produtos intermediários. A Lei nº 9.363/96, instituidora do crédito presumido de IPI, assim consigna em seu parágrafo único do art. 3º: Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. (Grifei) Assim, passase a análise dos preceitos relativos ao IPI. Nessa toada, quanto a essa glosa, o cerne da questão decorre de divergência da conceituação envolvendo, matérias primas e produtos intermediários, pois, entende a recorrente que o insumo deve ser compreendido em seu sentido lato, abrangendo, portanto, toda e qualquer matériaprima cuja utilização na cadeia produtiva seja necessária à consecução do produto final. O regime jurídico que rege os créditos de IPI não se refere a insumos genericamente utilizados na produção, mas especificamente à matériaprima, ao produto intermediário e ao material de embalagem. Em outras palavras, a legislação criou um conceito jurídico de insumo, que é totalmente diferente do conceito econômico adotado pela recorrente. Fl. 446DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1219.13517.Q208. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13866.000411/200237 Acórdão n.º 330100.983 S3C3T1 Fl. 439 16 A legislação do IPI, através do inciso I do art. 66 do RIPI/79, o qual corresponde aos arts. 82, I, do RIPI/82, art. 147, I, do RIPI/98 e art. 164, I, do RIPI/02, menciona que a possibilidade de creditamento decorre de insumos utilizados na industrialização de produtos tributados, incluindose os insumos que, não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização. Visando ao esclarecimento desses conceitos foram editados os Pareceres Normativos CST nº 181/74 e CST nº 65/79, mencionando que os insumos, embora não se integrando ao novo produto fabricado, devem ser consumidos em decorrência de contato direto com o produto em fabricação; não podem ser partes nem peças de máquinas, combustíveis e, não podem estar compreendidos no ativo permanente. Para maior clareza, trazse à colação o item 13 do PN CST nº 181/74, in verbis: 13. Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, às partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâminas de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos etc.(grifei) De acordo com a Informação Fiscal, à fl. 172, em resposta à intimação de fl. 147, a contribuinte esclarece a finalidade e o local de utilização dos referidos insumos (fls. 148/150). Em razão da inocorrência de ação direta exercida sobre o produto em fabricação, mas apenas um contato indireto, tais insumos foram desconsiderados no cálculo do crédito presumido. De se registrar que a interessada não trouxe aos autos qualquer elemento de prova visando demonstrar a ocorrência de contato direto destes insumos com os produtos fabricados. Portanto, bem decidiu a recorrida quanto à glosa efetuada, pois, conforme se depreende do item 13 do PN CST nº 181/74, não há previsão de utilização do benefício em relação à cal virgem, o hipoclorito de sódio, sal grosso, condicionador de lama, fosfato, optisperse e oxialgulatos, consumidos na produção, uma vez que sequer entram em contato direto com o produto fabricado, não se enquadrando, portanto, no conceito de MP, PI ou ME, caracterizandose como custo indireto incorrido na produção. Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida. (Assinado Digitalmente) Mauricio Taveira e Silva Fl. 447DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1219.13517.Q208. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13866.000411/200237 Acórdão n.º 330100.983 S3C3T1 Fl. 440 17 Fl. 448DF CARF MF Documento de 17 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1219.13517.Q208. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MAURICIO TAVEIRA E SILVA em 19/07/2011 15:33:18. Documento autenticado digitalmente por MAURICIO TAVEIRA E SILVA em 19/07/2011. Documento assinado digitalmente por: RODRIGO DA COSTA POSSAS em 21/07/2011 e MAURICIO TAVEIRA E SILVA em 19/07/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 09/12/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP09.1219.13517.Q208 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 39E935AAC1C7F43E6B25282ABC304FEAD09FFBF8 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13866.000411/2002-37. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13830.903279/2011-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Oct 13 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do Fato gerador: 15/04/2003
RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. ANÁLISE DO DIREITO PELO FISCO.
A legislação pertinente não prevê prazo próprio para que a Administração Tributária aprecie os pedidos de restituição de tributos, não sendo possível o reconhecimento por preclusão de crédito tributário objeto de pedido de restituição.
Numero da decisão: 3301-010.602
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-010.597, de 27 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 13830.903243/2011-31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ari Vendramini, Salvador Candido Brandao Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semiramis de Oliveira Duro, Jose Adão Vitorino de Morais, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Jucileia de Souza Lima, Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: Liziane Angelotti Meira
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ANÁLISE DO DIREITO PELO FISCO. A legislação pertinente não prevê prazo próprio para que a Administração Tributária aprecie os pedidos de restituição de tributos, não sendo possível o reconhecimento por preclusão de crédito tributário objeto de pedido de restituição. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-010.597, de 27 de julho de 2021, prolatado no julgamento do processo 13830.903243/2011-31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ari Vendramini, Salvador Candido Brandao Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semiramis de Oliveira Duro, Jose Adão Vitorino de Morais, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), Jucileia de Souza Lima, Liziane Angelotti Meira (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 32 79 /2 01 1- 15 Fl. 164DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-010.602 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.903279/2011-15 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Visando à elucidação do caso, adoto o relatório do constante da decisão recorrida. Segundo esse relatório, trata-se de Pedido de Restituição Eletrônico – PER apresentado pela interessada, relativo à Pagamento Indevido e/ou a Maior (PGIM) de PIS/Cofins. Conforme Despacho Decisório Eletrônico, o direito creditório foi parcialmente reconhecido, mediante o fundamento de que o pagamento apontado foi parcialmente alocado a débito confessado, restando saldo disponível inferior ao pretendido. Cientificada do despacho decisório a interessada apresentou manifestação de inconformidade, acompanhada de documentos, na qual defendeu seus direitos e requereu a homologação tácita da totalidade do crédito pretendido, reformando-se ou cancelando-se o Despacho Decisório. A Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Foi apresentado Recurso Voluntário, no qual são apresentadas questões que serão analisadas no voto que segue. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. A Recorrente concentra seu Recurso Voluntário no argumento de que, se a autoridade fiscal não analisou seu pedido de restituição no prazo de cinco anos, haveria decadência. Cumpre lembrar que a Recorrente apresentou o PER 7 e não apresentou posteriormente Pedido de Compensação. Conforme se concluiu na decisão recorrida, a legislação não estabelece um prazo para a Administração tributária analisar os pedidos de restituição e não há direito à restituição por preclusão ou por decadência. Reproduzo o entendimento da decisão recorrida, com o qual concordo e adoto integralmente. Vejamos os termos da decisão recorrida: Fl. 165DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-010.602 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.903279/2011-15 A manifestação de inconformidade é tempestiva e dotada dos pressupostos de admissibilidade, dela se conhecendo. No que tange ao lapso temporal transcorrido para que o pleito da contribuinte fosse analisado, em que pese suas alegações, fato é que a legislação pertinente não prevê prazo próprio para que a Administração Tributária aprecie os pedidos de restituição de tributos. De outro lado, o prazo processual é matéria expressamente regulada no Decreto nº 70.235, de 1972, que trata do Processo Administrativo Fiscal. E, particularmente aos atos processuais, assim dispôs o mencionado Decreto: “Art. 4.º. Salvo disposição em contrário, o servidor executará os atos processuais no prazo de 8 (oito) dias.” Na técnica processual, prazos próprios são aqueles cujo descumprimento produz uma conseqüência específica dentro da relação processual, qual seja, em regra, a de perder o direito, no âmbito restrito do curso processual, de fazer aquilo a que aquele prazo se destinava (preclusão). Já os prazos impróprios representam limites legais cujo descumprimento importa, eventualmente, em sanções disciplinares, sem interferir no conteúdo da relação processual em si (na esfera judicial, são tidos como prazos impróprios aqueles atribuídos ao juiz, e próprios, em regra, os atribuídos às partes). O prazo previsto no artigo 4º do Decreto nº 70.235, de 1972, é, assim, prazo impróprio, destinado que é não às partes da relação jurídico-processual, mas à autoridade local, para a prática dos atos de condução do processo. O art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações da Lei nº 10.833, de 2003, tratando especificamente de compensação e fazendo uso da previsão contida no art. 4º do Decreto nº 70.235, de 1972, que facultou a execução de ato processual em lapso de tempo diferente de 8 (oito) dias, estipulou prazo próprio de 5 (cinco) anos para a homologação, pela autoridade administrativa, da compensação declarada pela contribuinte. Como dito acima, o prazo estabelecido no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, aplica-se, tão-somente, na apreciação das declarações de compensação, haja vista sua natureza jurídica diversa, que opera efeitos constitutivos e extintivos de débitos a partir da data de transmissão. A jurisprudência trazida pela Fl. 166DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-010.602 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.903279/2011-15 recorrente trata, justamente, dessa hipótese de Declaração de Compensação, não se referindo a Pedido de Restituição. A Lei nº 9.784, de 1999, por sua vez, aplicável subsidiariamente no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, foi editada no sentido de regular o Processo Administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, estabelecendo a obediência aos princípios constitucionais que devem regrar a atuação da Administração Pública, entre os quais aqueles citados pela recorrente, de segurança jurídica e duração razoável do processo. Muito embora também verse sobre atos dos processos administrativos (ciência ao interessado, intimação, petição, dever de decidir, prazos processuais), não respalda eventual conclusão de que, diante da demora na análise do pedido, resta reconhecido o pleito de restituição de indébitos tributários feito pela contribuinte. Não se pode olvidar que a atuação da Administração Pública regra-se pela legalidade. Assim é que a busca pela eficiência – aqui compreendida a resposta ao administrado em prazo mais breve possível – não prescinde da verificação da legitimidade do pleito, especialmente no caso de restituição de tributos. Portanto, incabível a pretensão de aplicação das disposições do art. 108 do CTN, pois inexiste lacuna legal acerca do prazo para conclusão de atos processuais, sendo imperioso reconhecer que, nos casos de pedido de restituição, à falta de determinação expressa em sentido contrário, aplica- se a disposição do art. 4º do Decreto nº 70.235/1972, cuja inobservância não interfere no conteúdo da relação jurídico-tributária tratada no pedido de restituição. Dessa forma, não há de se falar em reconhecimento de crédito tributário objeto de pedido de restituição por preclusão. Importante destacar que o tratamento do PER transmitido pela contribuinte se deu de forma eletrônica. O deferimento parcial do PER em tela decorreu do fato de o DARF como origem do crédito ter sido parcialmente utilizado na quitação de débitos informados pela própria contribuinte. Dessa forma e considerando que o Recurso Voluntário se concentrou na questão da decadência ou preclusão, proponho manter o entendimento da decisão de piso, nos seus próprios termos. Diante do exposto, proponho negar provimento o Recurso Voluntário. Fl. 167DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-010.602 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.903279/2011-15 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste processo. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Fl. 168DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10680.723503/2010-89
Data da sessão: Tue Mar 23 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue May 11 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. GLOSA. CABIMENTO.
Constatado que a autuada registrou em sua escrituração e creditou-se de valores cuja comprovação documental não logrou demonstrar, cabe a glosa do montante indevidamente creditado.
COMPENSAÇÃO.
Somente são passíveis de compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza na data da apresentação ou transmissão da Declaração de Compensação.
Numero da decisão: 3301-009.882
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-009.878, de 23 de março de 2021, prolatado no julgamento do processo 10680.723468/2010-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ari Vendramini, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Candido Brandao Junior, Jose Adao Vitorino de Morais, Semiramis de Oliveira Duro, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada, Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: Liziane Angelotti Meira
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CRÉDITOS. NÃO COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. GLOSA. CABIMENTO. Constatado que a autuada registrou em sua escrituração e creditou-se de valores cuja comprovação documental não logrou demonstrar, cabe a glosa do montante indevidamente creditado. COMPENSAÇÃO. Somente são passíveis de compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza na data da apresentação ou transmissão da Declaração de Compensação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3301-009.878, de 23 de março de 2021, prolatado no julgamento do processo 10680.723468/2010-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ari Vendramini, Marcelo Costa Marques D Oliveira, Marco Antonio Marinho Nunes, Salvador Candido Brandao Junior, Jose Adao Vitorino de Morais, Semiramis de Oliveira Duro, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada, Liziane Angelotti Meira (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 35 03 /2 01 0- 89 Fl. 693DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-009.882 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.723503/2010-89 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de pedido de ressarcimento de créditos de CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP do Regime Não-Cumulativo, vinculados à exportação, seguido de Declaração(ões) de Compensação – Dcomp relativa(s) ao mesmo crédito. Com vistas a verificar a procedência do pedido, foi realizado junto à Contribuinte procedimento de auditoria fiscal, relativo às contribuições para o PIS /Pasep e Cofins do regime não cumulativo. Segundo relatório fiscal, o procedimento concentrou-se, basicamente, no cotejo entre valores constantes dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais DACON e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, bem como planilhas apresentadas pelo sujeito passivo no decorrer dos trabalhos de fiscalização. As verificações tinham por objetivo analisar e conferir os valores que deram origem aos créditos pleiteados nos pedidos de ressarcimento apresentados pela empresa. O relatório fiscal discorre sobre as intimações expedidas e documentos apresentados pelo contribuinte no curso do procedimento e, ao tratar dos fatos constatados, enfatiza questões acerca da majoração de custos relativos às compras do insumo carvão vegetal– registro de compras de carvão vegetal em valor superior ao constante da nota fiscal de aquisição do insumo – tendo destacado a legislação pertinente no âmbito estadual e federal. Em outro tópico, a autoridade fiscal evidencia a falta de comprovação quanto à efetividade de operações praticadas com seis fornecedores de carvão vegetal. De forma que foram glosados os créditos pertinentes às irregularidades constatadas, sendo refeitas as apurações das contribuições para o Pis e da Cofins no trimestre. Outrossim, do procedimento fiscal resultou, ainda, o aproveitamento de ofício de créditos das contribuições, com a consequente redução do saldo passível de ressarcimento, no trimestre. Com fundamento no referido Relatório Fiscal emitiu-se o Despacho Decisório, reconhecendo parcialmente à Contribuinte o direito creditório vindicado e homologando parcialmente as compensações efetuadas, até o limite do direito creditório reconhecido. Cientificada, a interessada apresentou tempestivamente a manifestação de inconformidade e documentos anexos, para formular as seguintes alegações. 1 – Do Pedido de Apensamento 2 – Legalidade do Procedimento de Emissão de Nota Fiscal de Entrada na Aquisição de Carvão Vegetal – Ajuste de Preço e Quantidade – Cumprimento ao RICMS e Orientações da Secretaria do Estado de Fazenda de Minas Gerais – Invasão de Competência Tributária. 3 – Das Nuances da Operação Mercantil do Carvão Vegetal – Comprovação Inequívoca de Pagamento no Momento da Aquisição do Carvão Vegetal. Fl. 694DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-009.882 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.723503/2010-89 4 – Da Composição do Custo Adotado na Empresa – Efetivo Custo Incorrido. 5 – Suposições Fiscais: Fornecedores Inativos/Ausência de Comprovação do Efetivo Pagamento. 6 - Pedido Requer que seja julgada procedente a Manifestação de Inconformidade, anulandose o despacho decisório combatido, reconhecendo a integralidade do direito creditório pleiteado. Requer, ainda, provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito. A Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou a manifestação de inconformidade improcedente, segue excerto da Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP (...) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. NÃO COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. GLOSA. CABIMENTO. Constatado que a autuada registrou em sua escrituração e creditou-se de valores cuja comprovação documental não logrou demonstrar, cabe a glosa do montante indevidamente creditado. COMPENSAÇÃO. Somente são passíveis de compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar de liquidez e certeza na data da apresentação/transmissão da Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Foi apresentado recurso do contribuinte, no qual apresenta questões que serão analisadas no voto que segue. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e deve ser conhecido. Analisaremos cada um dos argumentos constantes do Recurso Voluntário: 1. LEGALIDADE DO PROCEDIMENTO DE EMISSÃO DE NOTA FISCAL DE ENTRADA NA AQUISIÇÃO DO CARVÃO VEGETAL — AJUSTE DE PREÇO E QUANTIDADE — CUMPRIMENTO AO RICMS/MG E ORIENTAÇÕES DA SECRETARIA DO ESTADO DE FAZENDA DE MINAS GERAIS — INVASÃO DE COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA. A Recorrente defende a correição do procedimento de emitir a nota fiscal no momento da entrada do caminhão na usina, após a realização da efetiva medição do produto. Defende também que a pauta fiscal é instrumento administrativo de referência prévia à operação, destinado a informar o valor de mercado do produto, facilitando a Fl. 695DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-009.882 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.723503/2010-89 determinação da base de cálculo, mas que ela não reflete, na maioria dos casos, o valor de mercado, sendo necessário proceder ao ajuste de preço e quantidade de mercadoria no momento da entrada da mercadoria. Segundo a Recorrente, esse procedimento encontra respaldo no IX, do RICMS/MG. Adoto, neste ponto, o entendimento constante do voto vencedor ao Acórdão no. 1402001.185 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de autoria do Conselheiro Jose Praga de Souza , em relação ao mesmo contribuinte, mesma operação, no processo no. 10680.723509/2010-56, já julgado definitivamente no âmbito administrativo: Vejamos a transcrição dos fundamentos do voto condutor da decisão recorrida no que tange ao mérito: “(...) III MAJORAÇÃO DE CUSTOS — REGISTRO DE COMPRAS DE CARVÃO VEGETAL EM VALOR SUPERIOR AO CONSTANTE DA NOTA FISCAL DE AQUISIÇÃO III.1. ASPECTOS LEGAIS DA AUTUAÇÃO O item 3 do TVF trata da majoração de custos apurada em face da constatação de dedução de compras de carvão vegetal em valor superior ao constante das notas fiscais de aquisição, conforme apuração feita nos Quadros Demonstrativos n° 01, 01A e 02. O impugnante defendeu a legalidade do procedimento de emissão de nota fiscal de entrada na aquisição de carvão vegetal, para fins de ajuste de preço e quantidade, tendo enfatizado o cumprimento ao RICMS e orientações da SEF/MG. Contudo, não tem razão o defendente, uma vez que, tanto no âmbito estadual quanto federal, não há previsão legal de dispensa de emissão de nota fiscal pelo fornecedor do insumo no caso de ajuste de preço e quantidade do carvão vegetal ou reajustamento de preço, conforme foi evidenciado no TVF e se passa a explicitar em seguida. Primeiramente, deve ser ressaltado que as normas legais pertinentes ao ICMS não se confundem com a legislação que cuida dos impostos e contribuições federais. Neste sentido, legislação especifica define aspectos que devem ser observados pelos contribuintes nas respectivas esferas de atuação dos entes tributantes, não podendo o impugnante se socorrer apenas na legislação estadual para afastar a tributação de impostos e contribuições regidos por legislação federal. No caso, verifica-se que o contribuinte restringiu sua discussão aos aspectos da aplicação do art. 150, § 2 ° — Anexo IX — Parte 1 do RICMS, se omitindo e considerar a regulamentação estabelecida em Convênio Sinief (Sistema Nacional Integrado de Informações EconômicoFiscais), de abrangência maior, por constituir ato firmado por representantes da Unido, dos Estados e do Distrito Federal, desconsiderando ainda a própria legislação federal, conforme destaques feitos no TVF. Assim, vale transcrever trechos do TVF que evidenciaram a análise da questão a teor das disposições firmadas em Convênio Sinief: (...) E bom lembrar que o art. 199 do CTN dispõe que a Fazenda Pública da Unido e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestarseão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou especifico, por lei ou convênio. Fl. 696DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-009.882 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.723503/2010-89 Do mesmo modo, conforme consignado no TVF, é importante evidenciar o que a legislação no âmbito federal diz sobre o assunto: Saliente-se que o Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 — RIPI/2002, regulamentou o assunto relativo a emissão de documentos fiscais no Titulo VIII, Capitulo X Seção II, de cujo exame não se vislumbra a previsão da hipótese alegada pelo contribuinte, qual seja, a validade, para fins fiscais, da nota fiscal de entrada pelas empresas adquirentes de produtos/mercadorias para fins de regularização de diferenças de quantidades, valor unitário e complemento de prego de carvão vegetal adquirido de estabelecimentos obrigados a emissão de notas fiscais. Ainda relativamente à hipótese alegada pela fiscalizada, cumprese ressaltar que, em face do disposto nos arts. 320 e 323, do RIM/2002, fica evidente a obrigatoriedade de emissão da nota fiscal, modelo 1 ou 1 A pelo estabelecimento que promoveu a saída do carvão vegetal (inciso I, do art. 323), mesmo quando haja apuração de diferenga de quantidades e preps (incisos Xe NI do art. 333 do RIPI/2002). Além do mais, o inciso II do citado art. 323 remete a obrigatoriedade de emissão das notas fiscais de entrada somente em relação as hipóteses descritas em seu art. 359, dentre as quais não se vislumbra a hipótese de sua emissão em razão de diferenças de quantidade, preço unitário e complemento de preço de carvão vegetal adquirido de pessoas jurídicas obrigadas a emissão de documentos fiscais. Portanto, das hipóteses de emissão de nota fiscal de entrada previstas na legislação em referencia não se incluiu a situação alegada pela fiscalizada em resposta ao Termo de Intimação Fiscal, datado de 03/03/2010, não podendo ser a mesma considerada, para efeitos fiscais, documento hábil para o registro e dedução do suposto custo adicional em razão de eventual regularização. Não há como olvidar que a regulamentação feita por força de Convênio Sinief e a legislação federal determinam a emissão do documento fiscal competente pelo fornecedor do insumo no caso de reajustamento de preço ou de regularização de preço ou de quantidade, ficando afastada qualquer hipótese de "invasão de competência" nesse caso, de forma que a nota fiscal de entrada de carvão vegetal não pode ser considerada documento hábil e suficiente para fins de comprovação de custos de insumos sujeitos a dedução na apuração do IRPJ e da CSLL. Assim, a prevalecer o entendimento do impugnante quanto à interpretação por ele dada às disposições do art. 150 , § 2 ° — Anexo IX — Parte 1 do RICMS, na redação original vigente a época dos fatos geradores, ficaria configurado evidente conflito entre as normas reguladoras do Estado de Minas Gerais e as disposições expressas no Convênio S/N°, de 15 de dezembro de 1970, art. 21, e no Convênio Sinief n° 6, de 21 de fevereiro de 1989, art. 40, citadas no TVF, que prevêem a emissão de nota fiscal pelo fornecedor na situação discutida. Portanto, a nota fiscal de entrada, ainda que o contribuinte considere necessária a sua emissão para atender a legislação do Estado de Minas Gerais, não dispensa nem substitui a nota fiscal complementar, emitida pelo fornecedor do insumo, no caso de majoração de custos em função de suposta regularização de diferenças de quantidades de carvão vegetal, de valor unitário ou complemento de preço, exigida no âmbito do Convênio Sinief e pela legislação federal. Independentemente das considerações legais feitas acima, é notório que a nota fiscal de entrada, emitida unicamente com base em controles de pesagem e registro de entrada de carvão, todos procedimentos executados pelo próprio adquirente da mercadoria, não poderia se prestar como documento eficaz para a comprovação da operação de reajustamento de preço ou regularização de preço ou quantidade do insumo adquirido, em substituição a nota fiscal complementar Fl. 697DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-009.882 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.723503/2010-89 emitida pelo fornecedor, conforme foi também ressaltado pela fiscalização, nos seguintes termos: Saliente-se, que, para fins fiscais, os documentos relativos aos controles de pesagem e de registro de entrada de carvão, apresentados pelo contribuinte fiscalização, não possuem nenhum efeito. Isto se deve ao fato de que, além de corresponderem a documentos produzidos pela própria Siderúrgica Valinho S/A, documentos firmados sem lastro em documento legal emitido pelo fornecedor do carvão vegetal não podem ser considerados hábeis, em face da legislação supramencionada, para fins de dedução de custo de produtos adquiridos. Portanto, pelo fato de estes complementos de preço corresponderem a valores amparados por documento produzido pela fiscalizada (notas fiscais de entrada, controles de pesagem e registro de entrada de carvão), os mesmos não podem ser admitidos como custo dedutível para fins de apuração do lucro real, da base de cálculo da CSLL e tampouco servirem de base para o cálculo do crédito de PIS/CONFINS. Desta forma, pode-se afirmar com segurança que o contribuinte não dispunha da documentação hábil para a comprovação dos custos decorrentes de diferenças de preço ou quantidade apuradas quando da entrega do carvão vegetal em seu estabelecimento, motivo suficiente para a glosa dos custos e do aproveitamento dos créditos pertinentes. Portanto, adotado o voto no trecho transcrito como fundamento da minha decisão, a conclusão é de que que não assiste razão à Recorrente neste ponto. 2. DAS NUANCES DA OPERAÇÃO MERCANTIL DO CARVÃO VEGETAL - COMPROVAÇÃO INEQUÍVOCA DE PAGAMENTO NO MOMENTO DA AQUISIÇÃO DO CARVÃO VEGETAL Defende a Recorrente a efetividade dos pagamentos aos fornecedores efetuados pela empresa, seja através de cheques nominais, depósitos em conta corrente dos fornecedores, e cheques ao portador com expressa referência à nota fiscal correspondente a operação. Também aqui adoto o entendimento constante do voto vencedor ao Acórdão no. 1402001.185 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de autoria do Conselheiro Jose Praga de Souza, em relação ao mesmo contribuinte, mesma operação, mesmo período (IRPJ e reflexos) no processo no. 10680.723509/201056, nos seguintes , já julgado definitivamente no âmbito administrativo: III.2. ANALISE DOCUMENTAL Sendo insuficientes e ineficazes os documentos produzidos pelo próprio contribuinte adquirente do produto e beneficiário da dedução dos custos ou do crédito correspondente (nota fiscal de entrada, controles de pesagem e registro de entrada de carvão), restaria ao impugnante comprovar a efetividade do reajustamento de preço ou regularização de preço e quantidade por meio da apresentação de outros documentos com vista a validar a operação retratada nas notas fiscais de entrada. Nesse sentido, o impugnante afirmou que o valor lançado nas notas fiscais de entrada "6 pulverizado entre os envolvidos no processo" de corte, produção, transporte e todos os demais serviços relacionados ao carvão vegetal, prática autorizada pelo produtor/fornecedor. Acrescentou ainda que os pagamentos eram feitos, em sua maioria, aos motoristas encarregados do transporte. Fl. 698DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-009.882 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.723503/2010-89 Conforme se pode inferir, o contribuinte ao relatar que o valor lançado nas notas fiscais de entrada era "pulverizado" entre diversos agentes que atuaram na operação de aquisição do carvão vegetal, e o pagamento, na maioria dos casos, efetuado ao motorista responsável pelo transporte, acaba por admitir que não tem condições de comprovar a efetividade do pagamento a quem de direito (produtor/fornecedor) pelas diferenças de preço ou de quantidade registradas nas mencionadas notas fiscais de entrada do insumo. Em verdade, uma vez que o contribuinte assumiu a responsabilidade, por sua conta e risco, de repassar a terceiros valores devidos aos fornecedores de carvão vegetal pelas diferenças apuradas na entrada do insumo em seu estabelecimento, ao não dispor do documento hábil a comprovar estas diferenças (nota fiscal complementar emitida pelo fornecedor do insumo), ficou sem elementos de comprovação da operação perante o fisco federal, inviabilizando a dedução dos custos ou aproveitamento dos créditos correspondentes. Esta falta de condições do contribuinte autuado de levar a cabo as comprovações devidas no que respeita também ao pagamento dos insumos já foi destacada na análise da fiscalização, conforme se denota do seguinte trecho extraído do TVF: Em relação aos documentos apresentados pelo contribuinte como prova do pagamento das notas fiscais de entrada por ele próprio emitidas (vide cópias reprográficas juntadas por amostragem nos Anexos II a VIII do presente processo), ressaltese que, além de se referirem, em quase sua totalidade, a cópias de cheques emitidos ao portador e/ou nominalmente a terceiros, também não conseguem demonstrar o custo adicional (diferenças de quantidades, valores e complementos de prep) que se encontra descrito tãosomente em notas fiscais de entrada de carvão vegetal emitidos pela própria Siderúrgica Valinho S/A. Sobre esse assunto, vale salientar que o próprio contribuinte, intimado por duas vezes a apresentar prova documental que evidenciasse a vincula ção das pessoas fisicas beneficiárias dos pagamentos registrados como efetuados aos respectivos fornecedores de carvão vegetal (mediante apresentação, dentre outros, do instrumento de procuração que autorize o recebimento por conta e ordem dos respectivos fornecedores) reconheceu a impossibilidade de apresentar "qualquer documentação que demonstre a vincula ção havida entre as pessoas indicadas no quadro apresentado no Termo ora respondido, assim como naquele datado de 28/06/2010, com seus fornecedores (..)”0 próprio exemplo utilizado pelo contribuinte na impugnação para demonstrar o seu "modus operandi", relativamente à transação que teria sido mantida com a empresa F L da Silva, cujos documentos constam do Anexo XVI, conforme relação constante do Relatório, atesta a inviabilidade da comprovação, diante da inexistência de nenhum vinculo entre os cheques indicados e a suposta beneficiária F L Silva, conforme se demonstra abaixo: valor da nota fiscal de entrada n°028410 — R$13.253,00; valor da nota fiscal de emissão da F L Silva — R$7.200,00; pagamento efetuado em seis cheques, emitidos ao portador (beneficiário não identificado), sem nenhuma vinculação com o fornecedor F L Silva, no valor total de R$13.253,00 . notese que a coincidência de valor existe apenas em relação A nota fiscal de entrada, documento emitido pelo próprio contribuinte autuado, e por isso mesmo ineficaz para comprovar eventuais diferenças decorrentes de ajuste de preço ou quantidade do insumo adquirido, conforme a legislação vigente já discutida; documentos outros, tais como a Autorização para Transporte de Produto Florestal (ATPF) e guias de recolhimento do imposto estadual dizem respeito apenas à nota fiscal original emitida pelo fornecedor do carvão vegetal; é notório que, no exemplo examinado, não há nenhum documento bancário vinculando os diversos cheques A F L Silva, seja pelo pagamento das diferenças decorrentes de Fl. 699DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-009.882 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.723503/2010-89 ajuste de preço ou quantidade indicadas na nota fiscal de entrada do insumo e, nesse caso, nem sequer pelo valor original da nota fiscal do fornecedor. Não há, portanto, como admitir que pagamento "pulverizado" a diversos supostos agentes que atuaram na operação de compra do carvão vegetal, formalizado em diversos cheques emitidos ao portador, possa referendar uma venda realizada por um fornecedor especifico e ainda com base em documento ineficaz (nota fiscal de entrada) para a comprovação das diferenças de preço ou quantidade. A questão suscitada pela defesa no tocante a existência de cópias de cheques indicando no verso o número das notas fiscais correspondentes A operação já foi examinada pela autoridade fiscal, nos seguintes termos: Acrescente-se que consta do verso das cópias reprograficas dos cheques (que foram extraídas, por amostragem, diretamente dos originais que se encontram em poder da instituição bancária, apresentados pelo contribuinte, fls. 91 a 222, do Anexo I) um carimbo com a seguinte informação: "cheque destinado ao pagamento nota fiscal n° ___________parte (X) origem ( ) entrada" A despeito disto, vale ressaltar que, sendo a indicação do número da nota fiscal que deu origem ei emissão daqueles cheques correspondente ii nota fiscal originalmente emitida pelo fornecedor, tal informação, além de firmada pela própria Siderúrgica Valinho S/A em documento de sua própria emissão, também não serve para comprovar a efetividade do custo adicional registrado pela fiscalizada, haja vista que nas notas fiscais assim informadas (de emissão dos respectivos fornecedores de carvão vegetal) não há descrição de nenhuma parcela que corresponda eis diferenças de quantidades, valores unitários e complementos de prep e que constam somente destacados nas notas fiscais de entrada emitidas pela própria Siderúrgica Valinho S/A. Neste sentido, observese, que ainda que a informação, realizada pela própria Siderúrgica Valinho S/A no verso dos cheques por ela emitidos, mencionasse o número da sua nota fiscal de entrada, esta informação, por estar desacompanhada do documento fiscal hábil para prova do custo adicional, ou seja, a nota fiscal complementar emitida pelo vendedor do carvão vegetal também não serviria para comprovar a efetividade da existência do custo adicional. O que se traduz da correta análise feita pela autoridade fiscal, é que o cheque "admite" qualquer anotação no seu verso, especialmente quando feita pelo próprio emitente, não se podendo considerar que tal inscrição, por si só, ateste a efetividade do registro, quando o pagamento representado por aquele cheque não guardar nenhuma outra vinculação direta com a operação a que supostamente diz respeito, no tocante ao destinatário/beneficiário (fornecedor do carvão vegetal), valor e data da operação indicados no competente documento fiscal hábil. O impugnante apontou ainda a existência de cheques nominais emitidos para os seguintes fornecedores: F L da Silva; Carvão Diamante Ltda; Express Com. Imp. e Exportação Ltda; Gregório Echeverria; Indústria e Comércio Carvão União Ltda. Marcia Fortunato Borges. E ainda a ocorrência de depósitos bancários em conta corrente dos próprios fornecedores, no caso de Bern Indústria e Comércio de Madeira Ltda. e Comércio de Carvão MS. Estas questões também foram apreciadas pela autoridade fiscal, que assim se pronunciou a respeito no TVF: Por outro lado, observese que mesmo nos casos em que eventualmente se verifique a existência de cheques nominais ao vendedor do carvão vegetal estes pagamentos também não serviram, por si sós, para comprovação da efetividade Fl. 700DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-009.882 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.723503/2010-89 do custo adicional descrito nas notas fiscais de entrada emitidas pela própria Siderúrgica Valinho S/A, pelo fato de estarem desacompanhados de documentação fiscal fundamental e necessária para tanto, ou seja, a nota fiscal complementar emitida pelo vendedor do carvão vegetal. Diante, pois, da falta de comprovação deste custo adicional mediante a apresentação das competentes notas fiscais complementares emitidas pelos respectivos fornecedores de carvão vegetal, fica caracterizada a indedutibilidade das importâncias registradas na escrituração comercial/fiscal da Siderúrgica Valinho S/A a titulo de regularização de diferenças de quantidades, valor unitário e complemento de prep de carvão vegetal adquirido, conforme discriminado na coluna "Valor da Majoração do Custo", do Quadro Demonstrativo n°01, em anexo, fis. 101 a 153. Analisando a documentação apresentada pelo impugnante nos Anexos XVI, XVII e XVIII, cuja especificação consta do Relatório, relativamente as citadas empresas, constatase o seguinte: F L Silva: confirmando a abordagem feita quando do exame do exemplo apresentado pelo impugnante quanto a citada empresa, foram apresentados cheques ao portador e também cheques nominais a terceiros estranhos A operação original de compra do carvão vegetal, que sinalizam a "pulverização" do pagamento a que fez referência o impugnante, ineficazes para comprovar o ajuste de preço e quantidade do insumo. Carvão Diamante Negro Ltda: foram anexados diversos cheques ao portador ou nominais a terceiros, denunciando a "pulverização" do pagamento, cujos valores guardam relação apenas com as notas fiscais de entrada, assim como com outros documentos de lavra da própria Siderúrgica Valinho, ineficazes para comprovar o ajuste de preço e quantidade do insumo. Express Comercio Importação e Exportação Ltda: o contribuinte juntou cópias de cinco cheques (somente frente), datados de 13/08/2006, nominativos a citada empresa, no valor total de R$13.911,00; não há como identificar a destinação final dos cheques diante da falta da apresentação da cópia dos versos desses documentos; a emissão de diversos cheques para o mesmo destinatário, na mesma data, quando bastaria um único cheque em favor do fornecedor de carvão vegetal, a chamada "pulverização", inviabiliza a comprovação da operação. Gregório Echeverria: o impugnante juntou cópia de cheques nominativos A empresa, depositados em contas de terceiros, conforme comprovantes também anexados aos autos; o somatório desses cheques guarda relação apenas com a nota fiscal de entrada emitida pelo próprio emitente dos cheques, documento ineficaz para comprovar o ajuste de preço e quantidade do carvão vegetal. Indústria e Comércio Carvão União Ltda: foram juntadas cópias de diversos cheques nominativos a empresa (somente frente), sinalizando a "pulverização" do pagamento, não havendo como identificar a destinação final desses cheques; a única coincidência seria com a nota fiscal de entrada, documento ineficaz porquanto emitido pelo próprio contribuinte emitente dos cheques e em desacordo com a legislação de âmbito federal. Márcia Fortunato Borges: foram apresentados dois cheques nominativos, depositados em conta corrente da empresa fornecedora, que guardam relação apenas com as notas fiscais de entrada; não houve a apresentação da nota fiscal complementar emitida pela empresa fornecedora do insumo a fim de atestar que o pagamento correspondeu efetivamente a ajuste de prego ou quantidade relativamente A operação faturada anteriormente. Bent Indústria e Comércio de Madeira Ltda: o impugnante juntou cópia de cheques nominativos A empresa, acompanhados do comprovante de depósitos pertinente, entretanto, os valores e datas desses cheques não foram vinculados a nenhuma nota fiscal; os demais cheques anexados por cópia foram emitidos ao Fl. 701DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-009.882 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.723503/2010-89 portador e vinculados tão somente a notas fiscais de entrada; os demais documentos anexados pelo impugnante foram elaborados pela própria Siderúrgica Valinho, não sendo suficientes para a comprovação da operação de ajuste de preço ou quantidade do insumo; as ATFP e guias de recolhimentos de tributos estaduais estão vinculadas apenas As notas fiscais originalmente emitidas pelo fornecedor. Comércio de Carvão MS Dr. Amorim: foram apresentados cheques nominativos, depositados em conta corrente da empresa fornecedora, que guardam relação apenas com as notas fiscais de entrada; não houve a apresentação da nota fiscal complementar emitida pela empresa fornecedora do insumo a fim de atestar que o pagamento correspondeu efetivamente a ajuste de preço ou quantidade de operação já faturada. Além das empresas acima, mencionadas expressamente na impugnação, nos Anexos XVI, XVII e XVIII, conforme relação apresentada no Relatório, constam ainda documentos pertinentes As seguintes empresas: LM Pereira: cópia de extratos bancários do autuado e de cheques ao portador, cujos valores correspondem A nota fiscal de entrada; constam ainda documentos de arrecadação e autorizações vinculadas apenas A nota fiscal original emitida pelo fornecedor do insumo; Michel Honório Viana: cópia de extratos bancários do autuado e de cheques ao portador, cujos valores correspondem A nota fiscal de entrada; constam ainda documentos de arrecadação e autorizações vinculadas apenas A nota fiscal original emitida pelo fornecedor do insumo; Libania Ferreira Santos: cópia de extratos bancários do autuado e de cheques ao portador, cujos valores correspondem A nota fiscal de entrada; constam ainda documentos de arrecadação e autorizações vinculadas apenas A nota fiscal original emitida pelo fornecedor do insumo; Fermin° Antunes Martins: cópia de extratos bancários do autuado e de cheques ao portador, cujos valores correspondem A nota fiscal de entrada; constam ainda documentos de arrecadação e autorizações vinculadas apenas A. nota fiscal original emitida pelo fornecedor do insumo; Inicio Antônio Alves: cópia de extratos bancários do autuado e de cheques ao portador, cujos valores correspondem A nota fiscal de entrada; constam ainda documentos de arrecadação e autorizações vinculadas apenas a nota fiscal original emitida pelo fornecedor do insumo; Aldair de Souza A Costa: cópia de extratos bancários do autuado e de cheques ao portador, cujos valores correspondem A nota fiscal de entrada; constam ainda documentos de arrecadação e autorizações vinculadas apenas A nota fiscal original emitida pelo fornecedor do insumo; Rodomec Mecanização e Transporte Ltda: cópia de cheques nominativos A empresa, acompanhados do comprovante de depósitos pertinente, entretanto, os valores e datas desses cheques não foram vinculados a nenhuma nota fiscal; os demais cheques anexados por cópia foram emitidos ao portador e vinculados tão somente a notas fiscais de entrada; constam ainda documentos de arrecadação e autorizações vinculadas apenas A nota fiscal original emitida pelo fornecedor do insumo. Analisando o conjunto de documentos pertinentes a todas as empresas acima relacionadas, na grande maioria dos casos, constatase a existência de cheques ao portador, nominativos a terceiros, nominativos ao fornecedor, porém depositados em contas de terceiros, traduzindo a alegada "pulverização" de pagamentos a que se referiu o impugnante, tornando impossível verificar a destinação do numerário e a validação da operação retratada nas notas fiscais de entrada. Em outros casos (Bent e Rodomec), houve depósitos em conta corrente do fornecedor sem qualquer vinculação com as notas fiscais competentes, além dos usuais cheques "pulverizados". E ainda em dois casos (Márcia Fortunato Borges e Comércio de Carydo MS Dr. Amorim), foram constatados depósitos nas contas dos fornecedores, que guardam correspondência tão somente com a nota fiscal de entrada emitida pelo autuado, mas são insuficientes para comprovar o Fl. 702DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-009.882 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.723503/2010-89 reajustamento de preço ou quantidade do insumo adquirido, diante da inexistência da nota fiscal complementar. Em verdade, todos os documentos que dão guarida As notas fiscais de entrada foram produzidos pelo próprio adquirente dos insumos, tais como: controles internos de pesagem, cópia de cheques, planilhas de custos, entre outros. Note-se ainda que documentos de arrecadação estadual, autorizações de órgãos florestais ou ambientais, entre outros documentos de terceiros anexados à impugnação, estão vinculados apenas às notas fiscais emitidas pelos fornecedores, com base nos valores e quantidades originalmente informados. Ou seja, não ha nenhum documento de terceiro, especialmente do fornecedor do carvão vegetal, que ateste a majoração do custo decorrente de ajuste de preço ou quantidade. Porém, o que ficou patente em todos os casos analisados é a inexistência de documento legal (nota fiscal complementar) atestando que as diferenças, apuradas pelo confronto da nota fiscal de entrada com a nota fiscal do fornecedor, efetivamente existiram, de forma a autorizar o registro do custo na contabilidade do autuado. Nestas condições, deve ser mantida a glosa dos valores correspondentes majoração de custos levada a efeito pelo autuado com base apenas em notas fiscais de entrada, por constituírem documentos ineficazes perante o fisco federal. Portanto, adotado o voto mencionado como fundamento e concluo que não assiste razão à Recorrente também neste ponto. III - COMPOSIÇÃO DO CUSTO ADOTADO NA EMPRESA - EFETIVO CUSTO INCORRIDO A Recorrente explica seus procedimentos contábeis para calcular o efetivo curso incorrido. Afirma que em nenhum momento a Fiscalização conseguiu produzir, comprovar qualquer irregularidade na escrituração da empresa, que, ainda que a Impugnante não houvesse efetuado os pagamentos, uma vez comprovado que ocorreu a efetiva aquisição do carvão vegetal, e que a matéria-prima restou utilizada no processo produtivo, o direito a apropriação do custo deve ser reconhecido, por incorrido. Defende assim, que, uma vez compatível a produção de ferro-gusa, com a aquisição do carvão vegetal, o que se infere da escrituração contábil da Reclamante - e que restará sobejamente comprovado através da realização da prova pericial contábil, a glosa do custo apropriado configura-se ato arbitrário e ilegal. Neste item, adota-se integralmente o voto vencedor ao Acórdão no. 1402001.185 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de autoria do Conselheiro Jose Praga de Souza , em relação ao mesmo contribuinte, mesma operação, no processo no. 10680.723509/201056, nos seguintes termos: II.3. CONSIDERAÇÕES ACERCA DA APURAÇÃO DO CUSTO E ENQUADRAMENTO LEGAL DA INFRAÇÃO Aduziu o impugnante que era imprescindível que o valor adotado pela fiscalização, como base de calculo, deveria se reportar à correspondente quantidade física —metragem/m 3 para que viesse a compor, através de seu preço médio, o valor tributável. Enfatizou ainda a compatibilidade entre o consumo do carvão vegetal e a produção de ferrogusa, acusando que o procedimento fiscal está alicerçado em meras suposições. Também anexou laudo técnico e planilhas de custos, que integram o Anexo XVI, conforme especificado no Relatório. Fl. 703DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-009.882 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.723503/2010-89 0 que o impugnante sugeriu nesse caso está relacionado a chamada auditoria de estoques, procedimento previsto no art. 286 do RIR11999, para fins de apuração de omissão de receitas, por presunção legal, determinada a partir de levantamento por espécie de quantidade de matérias-primas e produtos intermediários utilizados no processo produtivo da pessoa jurídica. Com base nesse levantamento, considerar-se-ia receita omitida o valor resultante da multiplicação das diferenças de quantidade de produtos ou de matérias-primas e produtos intermediários pelos respectivos preços médios de venda ou de compra, conforme o caso, em cada período de apuração abrangido pelo levantamento. Na situação vertente, porém, não cogitou a autoridade fiscal de realizar auditoria de estoque, o que demonstra a inocuidade do laudo técnico e das planilhas de custos apresentadas, voltados que são para essa modalidade de levantamento, cuja validade fica limitada aos fins a que se destinam, não tendo o condão de assegurar a regularidade do contribuinte perante a Fazenda Pública Federal ou de obstar as verificações da autoridade fiscal realizadas em estrita observância ás normas legais pertinentes. Conforme se viu, o trabalho fiscal se fundamentou na análise contábil do registro de custos, tendo constatado a existência de valores contabilizados com base em documento ineficaz, porquanto impróprio para a comprovação de ajuste de preço ou quantidade ou reajustamento de preço, nos termos da regulação feita em Convênio Sinief e pela legislação federal. Não há entre as hipóteses mencionadas (auditoria de estoque e verificação documental dos custos contabilizados) qualquer relação de subordinação ou precedência, ou seja, qualquer uma das alternativas para investigação pode ser autonomamente utilizada pela autoridade fiscal, no exercício de suas funções regulamentares, observada a constituição das devidas provas da infração. Nada há de irregular, portanto, no procedimento de oficio que se assenta na constatação de glosa de custos majorados sem o amparo em documento hábil, independentemente de qualquer levantamento quantitativo de estoques de produtos ou de matérias-primas e produtos intermediários. O impugnante argumentou ainda que a fiscalização não fez prova de que o carvão vegetal foi acobertado por nota fiscal inidônea nem houve a declaração de ineficácia do contribuinte ou de documento por ele emitido. Conforme exaustivamente debatido, a glosa dos custos contabilizados decorreu da falta de comprovação com documentação hábil das diferenças de custos decorrentes de ajuste de preço ou quantidade ou reajustamento de preço, por terem sido amparadas em notas fiscais de entrada. Assim, a autoridade fiscal não caracterizou a infração como uso de nota fiscal inidônea até mesmo porque o que se verificou foi a ausência da nota fiscal complementar emitida pelo fornecedor do insumo, documento hábil para comprovar as diferenças de custo contabilizadas, a teor da legislação vigente. No tocante aos questionamentos acerca do enquadramento legal da exigência, o contribuinte discorreu acerca da legislação citada pela fiscalização ao final do item 3 do TVF (arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 289 e parágrafos, 290, 293, 294 e 300 do RIR/99, Decreto n° 3.000/99"), para afirmar que nenhum desses artigos tipificados foi arranhado. Primeiramente, é importante notar que a glosa dos custos contabilizados foi levada a efeito, essencialmente, com base na regulação feita por meio do Convênio Sinief e na legislação federal citada pela autoridade fiscal no TVF, já debatida no item HU desse Voto, ao qual se faz remissão, que tratou especialmente dos aspectos legais da autuação, tendo ficado evidenciado que a nota fiscal de entrada constituía documento impróprio para a comprovação da majoração de custos em função de suposta regularização de diferenças de Fl. 704DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-009.882 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.723503/2010-89 quantidades de carvão vegetal, de valor unitário ou complemento de preço. 0 documento hábil exigido é a nota fiscal complementar emitida pelo fornecedor do insumo, ausente na situação tratada. Portanto, à luz das disposições dos incisos III e IV do art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, que rege o processo administrativo-fiscal, a infração foi devidamente caracterizada e contextualizada na legislação vigente, ficando justificada e autorizada a glosa do custo indevidamente contabilizado com base em documento ineficaz perante o fisco federal. Pode-se dizer que, subsidiariamente, foram citadas as mencionadas normas do Regulamento do Imposto de Renda, que tratam da escrituração do contribuinte tributado pelas regras do lucro real, sobre as adições ao lucro liquido, além de normas pertinentes aos registros e avaliação do custo de mercadorias e matérias- primas utilizadas no processo produtivo, que também estão inseridas no contexto do lançamento pertinente à glosa de custos contabilizados sem lastro em documento hábil, não havendo nesse particular nenhuma incoerência ou irregularidade. Nestas condições, também não há reparo algum a se fazer no que tange ao enquadramento legal da infração. Portanto, adotado o voto mencionado como fundamento e concluo que não assiste razão à Recorrente também neste ponto. IV - SUPOSIÇÕES FISCAIS: FORNECEDORES INATIVOS/AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO Em relação a notas fiscais provenientes de fornecedores inativos e notas sem comprovação do efetivo pagamento dos tributos, a Recorrente informa que cumpriu seu dever ao apresentar notas fiscais de todas suas operações, mas que não seu dever fiscalizar a situação fiscal de seus fornecedores. Seguindo na trilha do voto do Conselheiro Jose Praga de Souza , em relação ao mesmo contribuinte, mesma operação, no processo no. 10680.723509/201056, adotamos o entendimento constante da decisão recorrida: Além das glosas por majoração de custos relativos à aquisição do carvão vegetal, a fiscalização constatou que a documentação apresentada em relação a seis fornecedores de carvão vegetal, em conjunto com as informações que integram o banco de dados constantes dos sistemas da RFB, apontava elementos suficientes à convicção de que as notas fiscais apresentadas pela empresa fiscalizada (aquelas tidas por emitidas originalmente pelos mencionados fornecedores, notas fiscais de entrada e/ou notas fiscais avulsas) não poderiam ser consideradas como documentos hábeis para a comprovação das operações registradas em sua escrituração comercial/fiscal. Dentre os elementos que levaram à citada convicção, foram ressaltados: • Fornecedor que apresentou informação à RFB atestando estar INATIVO e/ou não haver realizado nenhuma operação de venda comercial durante o período objeto do procedimento fiscal. • Operações acobertadas Notas Fiscais Avulsas firmadas por pessoas físicas, sem a comprovação do vinculo com a pessoa jurídica nelas indicadas como remetentes do carvão vegetal. • AUTORIZAÇÕES PARA TRANSPORTE DE PRODUTO FLORESTAL — ATPF, emitidas e/ou firmadas por pessoas distintas do fornecedor. Fl. 705DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-009.882 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.723503/2010-89 • Pagamentos comprovados por meio de emissão de vários cheques emitidos ao portador e/ou nominais a pessoas distintas do fornecedor, bem como por meio de recibos de depósitos bancários, a favor de pessoas físicas sem a comprovação de vínculo que autorize os recebimentos por conta e ordem do fornecedor. • Recibos firmados por pessoas, sem a comprovação do vinculo com a pessoa jurídica fornecedora do carvão vegetal e/ou devida autorização formal para o recebimento em nome do fornecedor. Em sua defesa a contribuinte argumenta que não pode ser responsabilizada pela situação fiscal de seus fornecedores, tendo acentuado que, no site da Receita Federal, constatou o registro de situação cadastral ATIVA para todos os fornecedores ou HABILITADO em relação ao período abrangido pela autuação. Pondera ainda que, além das notas fiscais emitidas pelo fornecedor, restaram apresentadas as notas fiscais de entrada, bem como o efetivo comprovante de pagamento dos valores consignados na referida nota. Ressalta a ausência de Ato Declaratório de inidoneidade de nota fiscal nos casos em exame. Primeiramente, cumpre salientar que, diferentemente do entendimento da defesa, as inconsistências apontadas pela fiscalização no exame das declarações das pessoas jurídicas constituem elementos de prova que se somam a outros, todos convergindo no sentido de denunciar a incapacidade do autuado de comprovar a efetividade das compras de carvão objeto das notas fiscais de emissão de alguns fornecedores, conforme se passa a explicitar. Ensina a boa doutrina que a presunção simples, na qualidade de prova indireta, é meio idôneo para referendar exigências tributárias, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes. Em outras palavras, se os fatos relatados pelo fisco forem convergentes, vale dizer, se todos levarem ao mesmo ponto, a prova estará feita. No caso em exame, o trabalho fiscal está calcado num encadeamento lógico de indícios convergentes que convencem o julgador quanto à não aquisição do insumo carvão vegetal nas operações com os fornecedores F.L. DA SILVAME (CNPJ –04.888.353/000120), MICHEL HONÓRIO VIANA –ME (CNPJ – 05.701.992/000106), CARVÃO DIAMANTE NEGRO LTDA (CNPJ – 07.387.030/000141), GUIMARÃES & SILVEIRA LTDA (CNPJ – 07.654.534/000180) e T.L.A. DA SILVA – ME (CNPJ –07.762.422/000143). Listemos os indícios destacados no Relatório Fiscal: 1) F.L. DA SILVA-ME (CNPJ – 04.888.353/000120) Fornecedor apresentou a DIPJ, relativamente ao anocalendário de 2005, em formulário destinado às pessoas jurídicas que se encontram na situação de INATIVA. No anocalendário de 2006, apresentou declaração em formulário destinado às optantes pelo SIMPLES, porém sem consignar nenhum valor a titulo de receita. Do exame das 1.347 notas fiscais de fornecedor apresentadas pela SIDERÚRGICA VALINHO S/A observase que três delas se referem a notas fiscais avulsas emitidas pela Secretaria de Estado da Fazenda no Mato Grosso do Sul, tendo como remetente a pessoa jurídica do fornecedor F. L. da Silva e, como destinatário, a Siderúrgica Valinho S.A. Para cada uma destas três notas fiscais avulsas houve a emissão de vários cheques grafados nominalmente a pessoas físicas, das quais, após pesquisa junto ao banco de dados da RFB não se consegue vislumbrar qualquer vínculo com o fornecedor F.L da Silva — ME. Fl. 706DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3301-009.882 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.723503/2010-89 Alguns beneficiários dos pagamentos relativos a essas notas fiscais avulsas, também são beneficiários de pagamentos referentes a operações contratadas com outros fornecedores. Restaram infrutíferas as tentativas para intimação do fornecedor e seus sócios. As notas fiscais de entrada, os controles de pesagem e de registro de entrada de carvão, todos emitidos pela Siderúrgica Valinho S.A. não comprovam, per si, que o carvão vegetal adveio, de fato, da pessoa jurídica F. L da Silva; Em relação aos pagamentos realizados a este fornecedor, segundo se constada das cópias contábeis, os desembolsos relativos a 746 notas fiscais (emitidas de maio de 2005 a maio de 2006) foram efetuados por meio de vários cheques ao portador. A partir de junho de 2006, as demais cópias contábeis dos cheques e os recibos de depósitos bancários apresentados indicam diversas pessoas físicas, as quais, dos exames realizados junto ao banco de dados da RFB, não se consegue vislumbrar qualquer vínculo com o fornecedor F.L. da Silva ME. Dentre os beneficiários apontados nos cheques e nos recibos de depósitos bancários, a pessoa física Elizabeth das Graças também figura relacionada na documentação apresentada em relação ao fornecedor T.L.A. da Silva, assim como Raphael Oliveira de Rezende aparece relacionado ao fornecedor Michel Honório Viana. A fiscalizada, intimada, manifestou a impossibilidade de fornecer qualquer documentação que demonstrasse a vinculação das pessoas beneficiárias dos valores relacionados nos cheques em referência aos fornecedores de carvão vegetal. Em relação às notas fiscais apresentadas pela fiscalizada, podese concluir de que estas não podem ser consideradas como documentação hábil para fins de apuração do respectivo crédito deduzido da base de cálculo do PIS/COFINS em sua DACON. 2 – MICHEL HONÓRIO VIANA –ME (CNPJ – 05.701.992/000106) A empresa apresentou as DIPJ relativamente aos exercícios de 2004 a 2009, anoscalendário de 2003 a 2008, respectivamente, como pessoa jurídica INATIVA; sendo que as notas fiscais em questão foram emitidas no anocalendário de 2006. Do exame das 46 notas fiscais emitidas pelo fornecedor, cinco foram extraídas diretamente de talonários, enquanto as demais se referem a notas fiscais avulsas emitidas pela Secretaria de Estado da Fazenda no Mato Grosso do Sul, tendo como remetente a pessoa jurídica do fornecedor Michel Honório Viana e, como destinatário, a Siderúrgica Valinho S.A. Do exame destas 41 notas fiscais avulsas, no campo destinado à assinatura, 22 delas constava a indicação da pessoa física do Sr. Betânio do Carmo; 16 indicavam a pessoa física do Sr. Ronaldo Mendonça Pereira; duas, a pessoa física do Sr. Raphael Oliveira de Rezende e uma, a pessoa física da Sra. Clain Cristina S do Carmo; Em campo específico destas mesmas 41 notas fiscais avulsas, parte das AUTORIZAÇÕES PARA TRANSPORTE DE PRODUTO FLORESTAL – ATPF, na verdade, foram concedidas em nome de pessoas físicas e/ou jurídicas distintas da empresa Michel Honório Viana, em referência, conforme especificado, figurando, entre outras, a empresa Carvão Diamante Ltda. e a empresa T.L. A da Silva, que também constam registradas na escrituração comercial/fiscal da fiscalizada como sua fornecedora de carvão vegetal, conforme adiante se verificará. As tentativas de intimação da empresa não obtiveram êxito. As notas fiscais de entrada, os controles de pesagem e de registro de entrada de carvão, todos emitidos pela Siderúrgica Valinho S/A, não conseguem comprovar Fl. 707DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3301-009.882 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.723503/2010-89 que o carvão vegetal descrito nos mesmos adveio, de fato, da pessoa jurídica Michel Honório Viana. Quanto aos pagamentos, observou a fiscalização que, para cada nota fiscal de aquisição de carvão vegetal, o contribuinte apresentou vários cheques ao portador, o que não permite evidenciar que os valores constantes dos referidos cheques foram, de fato, recebidos pela pessoa jurídica Michel Honório Viana – ME. Ademais, conforme afirmou o próprio contribuinte, a quitação das referidas notas fiscais avulsas foi realizada na própria nota fiscal de entrada e foi firmada “normalmente pelo motorista”; A fiscalizada, intimada, manifestou a impossibilidade de vinculação das pessoas físicas (beneficiárias dos valores relacionados nos cheques em referência) aos fornecedores de carvão vegetal. 3 – CARVÃO DIAMANTE NEGRO LTDA (CNPJ – 07.387.030/000141) Relativamente ao anocalendário de 2006, a empresa apresentou a Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica – DSPJ não tendo sido informado nenhum valor a título de receita auferida nos meses de março a julho de 2006 (meses correspondentes às notas fiscais registradas na escrituração comercial e fiscal da fiscalizada), tendo apenas consignado no mês de novembro de 2006 receita bruta não decorrente da prestação de serviços no valor de R$3.959,25. Do exame das 27 notas fiscais apresentadas pela fiscalizada, é de se observar que apenas 16 foram extraídas de talonários (sem observar a seqüência numérica das mesmas); as outras 11, se referem a notas fiscais avulsas emitidas pela Secretaria de Estado da Fazenda no Mato Grosso do Sul, tendo como remetente a pessoa jurídica do fornecedor Carvão Diamante Negro Ltda e, como destinatário, a Siderúrgica Valinho S.A. Destas 11 notas fiscais avulsas, no campo destinado à assinatura, em nove consta a indicação da pessoa física do Sr. Betânio do Carmo; em uma, foi indicada a pessoa física do Sr. Antônio Carlos Macedo e, em outra, a pessoa física da Sra. Keelly Paula Pereira. Das observações consignadas também em campo específico destas 11 notas fiscais avulsas, verificase que parte das ATPF, na verdade, foram concedidas em nome de pessoas físicas e/ou jurídicas distintas da empresa fornecedora Carvão Diamante Negro Ltda, conforme especificado, podendo ser destacados os nomes da empresa Michel Honório Viana – ME e do Sr. Betânio do Carmo. As tentativas para intimação da empresa foram infrutíferas, assim como infrutíferas as tentativas de intimação de seu sócioadministrador. Ressaltou a fiscalização que as notas fiscais de entrada, os controles de pesagem e de registro de entrada de carvão, todos emitidos pela Siderúrgica Valinho S.A. também não conseguem comprovar que o carvão vegetal descrito nos mesmos adveio, de fato, da pessoa jurídica Carvão Diamante Negro Ltda. Quanto aos comprovantes de pagamentos, é de se observar para cada nota fiscal de aquisição de carvão vegetal houve a emissão de vários cheques, a maioria emitidos ao portador, sendo que a quitação das referidas notas fiscais avulsas foi realizada na própria nota fiscal de entrada e foi firmada “normalmente pelo motorista”. As cópias contábeis dos cheques revelam que a fiscalizada somente emitiu cheques nominais a partir de 19/07/2006, tendo sido observado que em nenhum desses cheques consta a empresa Carvão Diamante Negro Ltda como beneficiária de suas emissões. É de se ressaltar que os mesmos foram emitidos em benefício de pessoas físicas que, segundo pesquisas realizadas nos sistemas de dados da RFB, não possuem nenhuma relação com a referida empresa Carvão Diamante Negro Ltda, conforme especificado. Apresentadas cópias reprográficas de alguns dos cheques emitidos ao portador, verificouse que nenhum dos cheques apresentados foi sacado e/ou depositado Fl. 708DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 3301-009.882 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.723503/2010-89 pela Carvão Diamante Negro Ltda. e que todos os beneficiários de suas emissões (apontadas nos cheques de forma manuscrita ou por meio de carimbos) referemse a pessoas físicas e jurídicas das quais, em pesquisa nos sistemas de dados da RFB, não se consegue vislumbrar qualquer vínculo com a empresa Carvão Diamante Negro Ltda. Dos beneficiários dos cheques verificados, a fiscalização ressaltou o fato de a empresa Comercial de Carvão Costa Rica (beneficiária de três cheques) não ter sido a pessoa jurídica emitente da nota fiscal. Vêse também que quatro cheques tiveram por beneficiário a Cooperativa de Produtores de Café e quatro outros cheques tiveram por beneficiários postos de combustíveis; A fiscalizada, intimada, manifestou a impossibilidade de vinculação das pessoas físicas (beneficiárias dos valores relacionados nos cheques em referência) aos fornecedores de carvão vegetal. 4 – GUIMARÃES & SILVEIRA LTDA (CNPJ – 07.654.534/000180) De acordo com pesquisas realizadas nos sistemas da RFB, a empresa foi constituída em 27/10/2005, apresentou DIPJ somente em relação ao anocalendário de 2005, não se verificando, contudo, nenhum valor consignado a título de receita auferida no correspondente trimestre; relativamente ao período a que se referem as notas fiscais de aquisição de carvão vegetal, anocalendário de 2006, o fornecedor não apresentou a DIPJ correspondente. Foram apresentadas à fiscalização duas notas fiscais avulsas (nº 010269465 e nº 010269464) emitidas em 24/06/2006 pela Secretaria de Estado da Fazenda no Mato Grosso do Sul, nos valores de R$7.875,00 e R$12.375,00, respectivamente, ambas apontando como remetente a pessoa jurídica do fornecedor Guimarães & Silveira Ltda e, como destinatário a Siderúrgica Valinho S.A. Nas notas fiscais avulsas, no campo destinado à assinatura do produtor, consta a indicação da pessoa física do Sr. Betânio do Carmo, enquanto a pessoa cadastrada como sócioadministrador da empresa era o Sr. Adalto Ferreira Guimarães. Encaminhado Termo de Diligência Fiscal ao endereço do fornecedor, via postal, ao endereço constante dos cadastros da RFB, este foi devolvido pelos Correios. Realizada diligência junto ao fornecedor, o Sr. Adalto Ferreira Guimarães afirmou, entre outras coisas, que “nunca teve empresa registrada em seu nome” e “que desconhece a remessa de tais notas fiscais e tampouco as pessoas que nelas figuram e assinam como produtor e respectivos transportadores”. Diante disso, providenciou, em 21/06/2010, a formalização da Ocorrência Policial nº 138/2010. Constatou a fiscalização, no que tange aos comprovantes de pagamentos, que foram apresentados cheques ao portador e cópias contábeis de cheques, todos emitidos ao portador. O exame das cópias dos cheques revela que nenhum deles foi sacado e/ou depositado pela empresa Guimarães & Silveira Ltda. e que todos os beneficiários de suas emissões (apontados nos cheques de forma manuscrita ou por meio de carimbos) referemse a pessoas físicas e jurídicas as quais, após pesquisa nos sistemas de dados da RFB, não se conseguiu vislumbrar qualquer vínculo com a referida empresa. Da relação de beneficiários de cheques, elaborada pela fiscalização, chamou atenção o fato de o Sr. Betânio do Carmo (também mencionado em relação aos fornecedores Michel Honório Viana e Carvão Diamante Ltda) ser o beneficiário dos cheques especificados. Afirmou a autoridade fiscal que as notas fiscais de entrada, os controles de pesagem e de registro de entrada de carvão, todos emitidos pela própria Fl. 709DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 3301-009.882 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.723503/2010-89 Siderúrgica Valinho S.A., também não conseguem comprovar que o carvão vegetal descrito nos mesmos adveio, de fato, da pessoa jurídica Guimarães & Silveira Ltda. Questionada acerca da vinculação das pessoas beneficiárias daqueles valores, a empresa autuada afirmou que “infelizmente, encontrase impossibilitada de fornecer qualquer documentação que demonstre a vinculação havida entre as pessoas indicadas no quadro apresentado no termo ora respondido, assim como naquele datado de 28/06/2010, com seus fornecedores (...).” 5 – T.L.A. DA SILVA – ME (CNPJ – 07.762.422/000143) A empresa apresentou DIPJ, relativamente ao anocalendário de 2006, em formulário destinado às pessoas jurídicas que se encontram na situação INATIVA. As tentativas para intimação da empresa não lograram êxito. Relativamente aos pagamentos das quatro notas fiscais correspondentes, ficou constatado que, em relação às três primeiras, foram efetuados por meio de cheques ao portador. Do exame das cópias acostadas aos autos, verificouse que nenhum dos cheques apresentados foi sacado e/ou depositado pela pessoa jurídica T.L.A. da Silva e que os beneficiários das emissões destes cheques, que constam grafados de forma manuscrita, referemse a pessoas físicas as quais, da pesquisa nos sistemas de dados da RFB, não se consegue vislumbrar qualquer vínculo com a empresa T.L.A. da Silva, conforme especificado. Quanto à nota fiscal nº 00366, a fiscalizada apresentou cópias contábeis de três cheques nominais, além de dois recibos de depósitos bancários sendo que os pagamentos tiveram por beneficiários somente pessoas físicas distintas da empresa T.L.A. da Silva, conforme especificado. As notas fiscais de entrada, os controles de pesagem e de registro de entrada de carvão, todos emitidos pela Siderúrgica Valinho S. A, não conseguem comprovar que o carvão vegetal descrito nos mesmos adveio, de fato, da pessoa jurídica T.L.A. da Silva. Questionada acerca da vinculação das pessoas (beneficiárias dos valores relacionados nos cheques) aos fornecedores de carvão vegetal, a Siderúrgica Valinho S/A manifestou a impossibilidade de comprovar documentalmente qualquer vínculo. Nas intimações expedidas pela autoridade fiscal, a contribuinte foi instada a apresentar os documentos comprobatórios dos custos incorridos nas operações e a comprovar o efetivo pagamento, ou apresentar contratos e instrumentos de procuração que autorizassem o recebimento dos valores por conta e ordem dos fornecedores, tendo, invariavelmente, alegado a “impossibilidade de fornecer qualquer documentação que demonstre a vinculação havida entre as pessoas indicadas no quadro apresentado no termo ora respondido”. Conforme abordagem já feita neste Voto, cheques emitidos ao portador e nominativos a terceiros, “pulverizado” a diversos supostos agentes que atuaram na operação de compra do carvão vegetal pela Siderúrgica Valinho, sem que se estabeleça nenhum vínculo com o suposto fornecedor, não podem servir de prova de pagamento das notas fiscais questionadas. Da mesma forma, anotações no verso dos cheques com a inscrição das notas fiscais a que supostamente se referem não comprovam pagamento, se estes cheques foram emitidos ao portador ou depositados em contas de terceiros estranhos ao fornecedor indicado no documento fiscal. Também vale destacar que eventuais carimbos apostos por agentes fiscalizadores no trânsito da mercadoria não atestam a regularidade das pessoas jurídicas emitentes dos documentos, muito menos o efetivo pagamento ao fornecedor Fl. 710DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 3301-009.882 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.723503/2010-89 indicado no documento fiscal, pelas quantidades e nos valores dos insumos nele inscritos. Não há como deixar ainda de registrar que a autoridade fiscal apontou a existência de notas fiscais avulsas firmadas por pessoas físicas sem a comprovação do vínculo com a pessoa jurídica nelas indicadas como remetentes do carvão vegetal e a emissão de Autorização Para Transporte de Produto – ATPF, relativamente a pessoas distintas do fornecedor. Quanto à ausência de ato declaratório de inidoneidade de nota fiscal, tal fato não impede a glosa dos respectivos créditos, quando esta está estruturada numa gama de elementos coletados pela fiscalização, todos convergindo no sentido de denunciar a incapacidade do autuado de comprovar a efetividade das compras de carvão vegetal objeto das notas fiscais de emissão dos fornecedores. De todo modo, uma nota fiscal declarada inidônea e uma nota fiscal emitida sem que se possa atestar a efetividade da operação nela retratada têm em comum o fato de não se prestarem a amparar o registro de um custo na contabilidade do contribuinte, autorizando a glosa do valor correspondente, ainda que o ato declaratório de inidoneidade possa ter outras implicações previstas na legislação que define a sua expedição. Nestas condições, verifica-se que, no exercício regular de suas funções, a autoridade fiscal promoveu minucioso trabalho de investigação, que não ficou restrito à pesquisa nos sistemas de cadastro e controles da RFB que, por si só, já fornecem importantes informações acerca da vida fiscal dos contribuintes. Podese afirmar que a fiscalização foi além, tendo envidado esforços nas tentativas de intimar os fornecedores de carvão, analisando detidamente os comprovantes de pagamento apresentados, apontando suas limitações, evidenciando inconsistências no que tange à emissão de notas fiscais avulsas, tendo ainda desconstituído a força probante das notas fiscais de entrada e outros documentos de controle interno do contribuinte, além de ter oportunizado à fiscalizada prestar os esclarecimentos e comprovar por outros meios a efetividade das operações retratadas nas notas fiscais questionadas. Por fim, releva destacar que, nas Leis 10.637/02 e 10.833/03, instituidoras da cobrança não cumulativa do PIS e da COFINS, só há previsão legal para creditamento dos gastos com bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, senão vejamos: Lei 10.637/2002: § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; (...) Lei 10.833/2003 § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; (...) Portanto, não havendo logrado êxito em apresentar documentação hábil capaz de comprovar a efetividade das operações registradas em sua contabilidade, relativas ao carvão vegetal supostamente adquirido das pessoas jurídicas retromencionadas, merece ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização. 6. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade, com a manutenção do despacho decisório exarado pela autoridade a quo. Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte. Sala de Sessões, 29 de julho de 2013. Fl. 711DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 3301-009.882 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10680.723503/2010-89 (assinado digitalmente) Marly Custodio de Souza Relatora Portanto, adotado o voto mencionado como fundamento e concluo que não assiste razão à Recorrente também neste ponto. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente Redatora Fl. 712DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10830.902959/2010-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3401-000.501
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ODASSIR GUERZONI FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça. Fl. 626DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0121.12327.4Z7L. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.902959/201042 Resolução n.º 3401000.501 S3C4T1 Fl. 756 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito de IPI (saldo credor apurado conforme o artigo 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999 e IN SRF nº 33 de 1999), relativo ao 4º trimestre de 2005, no valor de R$ 19.336.290,73, o qual foi formulado mediante a entrega de PER/Dcomp em 24/02/2006, ao qual foram vinculadas declarações de compensação de débitos mediante a entrega de Dcomp em datas posteriores e em montante equivalente ao crédito postulado. A DRF em CampinasSP, todavia, acolhendo parecer emitido pelo seu Serviço de Fiscalização, reconheceu apenas de forma parcial o montante do crédito pleiteado, de sorte que não homologou todas as compensações declaradas. Na Informação Fiscal em que baseado o Despacho Decisório da DRF, observa se que a glosa parcial decorreu da constatação de “falta de lançamento do IPI”, o que, por sua vez, teria se originado no “uso indevido de benefício fiscal previsto na Lei nº 8.248/91 e suas alterações, uma vez que não foram encontradas portarias conjuntas MCT/MF, em nome do contribuinte, identificando esses produtos/modelos”.(sic) Esclarece ainda a autoridade fiscal na sua informação que esse IPI recolhido a menor fora objeto de lançamento de oficio por meio de auto de infração autuado em outro processo administrativo, qual seja, o de nº 10830.014190/201011, cuja apuração se dera mediante a reconstituição da escrita fiscal, a qual resultou em saldo credor a menor do aquele originalmente constante do Livro Registro de Apuração do IPI. Assim, o crédito reconhecido montou a R$ 13.287.193,09 e foi esse o limite utilizado para a homologação das compensações declaradas, de sorte que os débitos exsurgidos foram objeto de cartas de cobrança. Na Manifestação de Inconformidade a interessada, preliminarmente, pediu a unificação do presente processo àquele em que autuado o mencionado lançamento de ofício do IPI, sob o argumento de que, ocorrendo o cancelamento do auto de infração, a reconstituição de seu saldo credor e que implicou na glosa ora em discussão também deixaria de existir. Para tanto, invocou a aplicação da regra contida no § 2º do art. 29 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, e no inciso II do art. 1o da Portaria Receita Federal do Brasil nº 666, de 2008. Ad argumentandum, pediu, alternativamente, que se sobrestasse o julgamento do presente feito até que se tenha uma decisão quanto aos rumos do referido processo nº 10830.014190/201011. Quanto ao mérito, a interessada reproduziu os seus argumentos de defesa lançados na impugnação ao referido lançamento de oficio, os quais, em apertadíssima síntese, clamam pela nulidade da autuação por falha na busca da verdade dos fatos [ a fiscalização não teria demonstrado interesse em apurar a inexistência de produtos comercializados sem o benefício da isenção fiscal de que trata a Lei 8.248/91], e, quanto ao mérito, que nenhum dos produtos/modelos escolhidos pelo Fisco para motivar a imputação [não inclusão na portaria ministerial para a fruição do benefício] deixou de constar do referido ato infralegal, de sorte que a reconstituição de sua escrita fiscal não poderia ser dada como certa. A 8a Turma da DRJ em Ribeirão PretoSP, todavia, considerou improcedentes os termos da Manifestação de Inconformidade. Fl. 627DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0121.12327.4Z7L. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.902959/201042 Resolução n.º 3401000.501 S3C4T1 Fl. 757 3 Para afastar a regra constante do inciso II, do art. 1o da Portaria Receita Federal do Brasil nº 666, de 2008, de que “Serão objeto de um único processo administrativo: [...] II – ...a não homologação de compensação e o lançamento de ofício de crédito tributário delas decorrentes;”, esclareceu a instância de piso que o referido processo nº 10830.014190/201011, que trata do auto de infração de IPI, “não decorreu da não homologação das compensações, como é o caso da multa isolada ou de glosas de créditos, ao contrário, a não homologação das compensação é que é decorrente do lançamento efetivado e da consequente diminuição do saldo credor de IPI, [...]”. Quanto ao pedido da interessada para a juntada ou anexação dos processos, alegou a DRJ não existir qualquer dispositivo legal a prever tais hipóteses, e, quanto ao pedido de sobrestamento, esclareceu não existir essa figura jurídica no processo administrativo tributário. No mérito, a instância de piso assim se manifestou, verbis: “[...] Com relação às questões de mérito levantadas pela contribuinte, estas serão julgadas no processo referente ao lançamento, não podendo ser analisadas neste, já que o presente se refere à compensação de créditos e débitos do sujeito passivo e não à infração verificada pelo Fisco. [...]” E foi justamente invocando os termos da decisão que essa mesma 8ª Turma da DRJ em Ribeirão PretoSP proferira no Acórdão nº 14032.958, de 22/03/2011, no bojo do referido processo administrativo nº 10830.014190/201011, ou seja, mantendo na íntegra no auto de infração, que a DRJ manteve as glosas e a não homologação das compensações tratadas no presente processo. No Recurso Voluntário a interessada, preliminarmente, suscitou a nulidade do “Despacho Decisório” (sic) [na verdade, pretendeu referirse ao Acórdão da DRJ, ora vergastado], sob o argumento de que não fora cientificada em tempo hábil [o fora em 06/05/2011] dos termos daquele Acórdão nº 14032.958, de sorte que sua defesa teria sido cerceada na medida em que não teve acesso aos fundamentos que, na verdade, foram utilizados para manter o indeferimento de seu pleito contido na Manifestação de Inconformidade. Esclareço eu que, na verdade, a Recorrente pediu um novo prazo para a apresentação de suas considerações, desta feita, levando em conta os termos do Acórdão da DRJ proferido no processo que versa sobre o auto de infração. A Recorrente insistiu na juntada dos processos [este e o do auto de infração], ou, alternativamente, no sobrestamento do presente julgamento até que se decida sobre os rumos da lide envolvendo o auto de infração, de modo a se evitar prejuízo de sua parte. Explica que esse prejuízo ocorreria no caso de obter uma decisão desfavorável neste processo, situação que o obrigaria ao recolhimento imediato dos débitos cuja compensação não fora homologada, e, de outra parte, caso futuramente venha obter uma decisão favorável no processo que trata do lançamento dos débitos do IPI, o que evidenciaria a improcedência das glosas dos créditos; assim, teria havido um locupletamento ilegal por parte do Fisco. Fl. 628DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0121.12327.4Z7L. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.902959/201042 Resolução n.º 3401000.501 S3C4T1 Fl. 758 4 Quanto ao mérito, reproduziu os termos de sua impugnação. No essencial, é o Relatório. Fl. 629DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0121.12327.4Z7L. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.902959/201042 Resolução n.º 3401000.501 S3C4T1 Fl. 759 5 Voto A tempestividade se faz presente pois, cientificada da decisão da DRJ em 28/04/2011, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 27/05/2011. Preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. A Recorrente tem razão quanto à necessidade de se aguardar o desfecho na esfera administrativa da lide por ela instaurada em face do auto de infração contido no processo nº 10830.014190/201011. É que, embora não se tenha carreado para este processo os termos lavrados pela fiscalização naqueloutro, que trata da autuação de débitos do IPI, é certo que lá é que estão detalhados todos os procedimentos adotados pelo Fisco e que culminaram na reconstituição da escrita fiscal da autuada e que resultou, de um lado, na apuração de saldo credor diferente [a menor] daquele constante do Livro Reg. Apuração do IPI, e, de outro, na necessidade de constituição de ofício de valores de IPI supostamente tidos como recolhidos a menor, em face da alegada utilização indevida de alíquota reduzida, por sua vez, resultante de uma alegada fruição também indevida dos benefícios da Lei nº 8.248, de 1991, para alguns produtos e modelos fabricados e comercializados. Então, não obstante a Recorrente aqui apresente contestação às glosas efetuadas em seu pedido de ressarcimento de IPI, o fato é o que o fez reproduzindo as suas alegações lançadas na Impugnação apresentada naquele processo, que trata do auto de infração de IPI. Como relatei acima, a própria DRJ considerou que, verbis, “Com relação às questões de mérito levantadas pela contribuinte, estas serão julgadas no processo referente ao lançamento, não podendo ser analisadas neste, já que o presente se refere à compensação de créditos e débitos do sujeito passivo e não à infração verificada pelo Fisco”. Além disso, uma outra questão prejudicial suscitada pela Recorrente é, referindose aos procedimentos adotados pelo Fisco na auditoria fiscal que resultou no auto de infração, de que a autoridade fiscal teria incorrido em “patente falha na busca da verdade dos fatos”, e contra ou a favor desse argumento não é possível a este Relator apresentar considerações, haja vista a inexistência, neste processo, dos elementos e documentos necessários para tanto. Vêse, portanto, que a presente lide está na inteira dependência do que restar definitivamente decidido no processo que trata do auto de infração, pois, repitase, é lá que estão todos os fundamentos lançados pela fiscalização para vislumbrar uma fruição indevida de benefício fiscal e que resultou na reconstituição de ofício dos saldos credores apurados pela interessada. Assim, se, de um lado, não se faz necessária a juntada dos dois processos, conforme aliás, preconiza a instância ora recorrida, porquanto, acresço eu, nada de irregular existe na forma com que autuados os processos, de outro, é imperioso que o julgamento deste processo seja sobrestado até que haja o deslinde da discussão travada no processo que trata do lançamento de débitos de IPI. Por óbvio que, caso se julgue indevida a reconstituição do saldo credor efetuada pelo Fisco no outro processo, também restarão indevidas as glosas dos créditos aqui efetuadas. Fl. 630DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0121.12327.4Z7L. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.902959/201042 Resolução n.º 3401000.501 S3C4T1 Fl. 760 6 Em face de todo o exposto, encaminho meu voto pela conversão do presente julgamento em diligência para que a Unidade de origem aguarde a decisão definitiva na esfera administrativa, assim entendida aquela contra a qual não caiba mais nenhum tipo de recurso, do processo nº 10830.014190/201011, de modo que, somente após, com a sua juntada, o presente processo retorne a julgamento neste Colegiado. A Recorrente deverá cientificada dos termos desta Resolução, para, caso deseje, sobre ela se manifeste no prazo de trinta dias. É como voto. Odassi Guerzoni Filho Relator Fl. 631DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP11.0121.12327.4Z7L. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ODASSI GUERZONI FILHO em 26/07/2012 15:54:53. Documento autenticado digitalmente por ODASSI GUERZONI FILHO em 26/07/2012. Documento assinado digitalmente por: JULIO CESAR ALVES RAMOS em 02/08/2012 e ODASSI GUERZONI FILHO em 26/07/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 11/01/2021. 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