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Numero do processo: 11012.000383/2002-73
Data da sessão: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1996, 1997, 1998
RESTITUIÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO,
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Para efeito de interpretação do inciso I do art,168 da Lei n2 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN), a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1 2 do art. 150 da
referida Lei.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 1996, 1997, 1998
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Cari) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 2).
Numero da decisão: 1803-000.491
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Luciano Inocência dos Santos e Roberto Armond Ferreira as Silva, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1996, 1997, 1998 RESTITUIÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Para efeito de interpretação do inciso I do art,168 da Lei n2 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN), a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1 2 do art. 150 da referida Lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1996, 1997, 1998 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Cari) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 2).
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EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Para efeito de interpretação do inciso I do art,168 da Lei n2 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN), a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1 2 do art. 150 da referida Lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1996, 1997, 1998 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Cari) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Luciano Inocência dos Santos e Roberto Arrnond Ferreira as Silva, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, JP.IV\r _...._ 4f Mor .".." .. ----. ' . e erreira de Moraes - Presidente (.S1 01 ' lb Sérgio Rodrigues Mende— Relator, 1 Processo n" 11012 000383/2002-73 SI 1 E03 Acórdão n 1803-00.491 I 804 EDITADO EM: 09/07/2010 Participaram presente de julgamento os Conselheiros: Selene Peneira de Moraes, Walter Adolfo Maresch, Luciano Inocêncio dos Santos, Roberto Annond Ferreira da Silva, Sérgio Rodrigues Mendes e Benedicto Celso Benicio Júnior. Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 748): Em 15/06/2007, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (/ls 695) contra despacho decisório (lis. 640) de que teve ciência em 16/05/2007 e que não reconheceu, por decaídos, direitos creclitórios de IRPJ e CSLL relativos aos anos- calendário de 1995 a 1997 e, em conseqüência, não homologou as compensações declaradas em 31/12/2002 com base nesses créditos. Alega a interessada que (sic, negritos do original): Até o dia 09/06/2005, o prazo para utilização de créditos tributários mediante compensação ou restituição era de cinco anos (art. 168, 1, do CIN), contados da data em que se deu a homologação tácita, ou seja, cinco anos após o pagamento a maior (tese dos cinco mais cinco). Em síntese, dez anos. O disposto no art. 30 da Lei Complementar 118/2005 somente se aplica a fatos ocorridos após a vigência da lei, ou seja, 09/06/2005. A aplicação do artigo 4° desta Lei Complementar, que determina a retroatividade do artigo 3°, foi rechaçada pelo Superior Tribunal de Justiça. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 747): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 1995, 1996, 1997 DISPOSITIVO EM VIGOR DESAPLICA 0'0 IMPOSSIBILIDADE. No julgamento administrativo, não se pode deixar de aplicar a legislação em vigor; no caso, não se pode afastar a aplicação de dispositivo que determina a retroatividade de regra relativa à decadência do direito à repetição de indébito. ASSUNTO. • NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO 5\INP Ano-calendário: 1995, 1996, 1997 Processo n' 11012.000383/2002-73 S1-TE03 Acórdão r1." 1803-00,491 F1 805 RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O direito à restituição de indébito decai em cinco anos contados da data do pagamento indevido. Solicitação Indeferida Cientificada da referida decisão em 19/07/2008 (A.R. de fls. 750), a tempo, em 15/08/2008, apresenta a interessada recurso de fls. 751 a 760, instruído com os documentos de fls. 761 a 799, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relatar Atendidos os pressupostos forinais e materiais, tomo conhecimento do recurso. O acórdão recorrido merece confirmação, por estar solidamente fundamentado em dispositivos de lei plenamente vigentes. No que se refere à alegada inconstitucionalidade da Lei Complementar rf 118, de 9 de fevereiro de 2005, em especial, o seu art„ 4 0, incide na espécie a Súmula Carf n° 2, de seguinte teor: O GARE não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, em contraponto ao entendimento manifestado pelo Superior Tribunal de Justiça (ST,J) (tese dos cinco mais cinco), releva anotar que o Supremo Tribunal Federal (STF) já externou em, pelo menos, duas oportunidades, nos Agravos Regimentais nos Agravos de Instrumentos ngs 64,773-SP e 69,363-SP, a correta inteligência dos artigos do Código Tributário Nacional (CTN) que tratam de prazo para pleitear restituição, tendo assentado que: A cláusula subordinada e condicional de ulterior homologação do pagamento em nada influi no raciocínio, porque ela funciona como ressalva em garantia dos interesses ,fazendários; em segundo lugar, porque, tratando-se de condição resolutiva, relação jurídica está ,formada e perdura, até que se realize a condição (v. Clóvis, com.. art. 119). No caso, a condição não se verificou e o direito resultante do pagamento se tornou definitivamente invulnerável: o negócio não se resolveu e sua eficácia não cessou („ Segue-se do exposto que não é da homologação do pagamento, expresso ou tácito, que flui o prazo prescricional de cinco anos, senão do pagamento mesmo, que, no caso, ocorreu em 1967 (..). ,SYor Conclusão Processo n° 1 1012 000383/2002-73 S1-TE03 Acórdão n.° 1803-00.491 El 806 Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto, SérgiO37ofkigues -ides MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF 1 a SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 11012.000383/2002-73 Interessado(a) : SUPERMERCADOS DALPIAZ LTDA. TERMO DE JUNTADA a Seção Declaro que juntei aos autos o Acórdão n° 1803-00,491, (fls. ), e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo. Encaminhem-se os presentes autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil Em / / ASSINATURA
score : 1.0
Numero do processo: 10670.002901/2007-81
Data da sessão: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2002
EMPRESAS INSTALADAS NA ÁREA DA SUDENE. BENEFÍCIO FISCAL DE REDUÇÃO DE 75% DO IRPJ. INÍCIO DA FRUIÇÃO.
A Medida Provisória nO2.199-14/2001, posteriormente alterada pela Lei n° 11.196/2005, extinguiu o incentivo da redução do Imposto de Renda para empreendimentos existentes, com exceção dos empreendimentos cuja atividade desenvolvida seja considerada prioritária, assim, o artigo 2° da referida Medida Provisória, facultou às pessoas jurídicas titulares desses empreendimentos, em operação na área de atuação da SUDENE, a continuidade desse incentivo, nos percentuais decrescentes e prazos sucessivos estabelecidos pela Lei nº 9.532/97. Não restou demonstrado
cabalmente nos autos que o beneficio utilizado referia-se ao período anterior à vigência da Medida Provisória nO2.199-14/2001.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Para aplicação da multa qualificada pelos condutas tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, é necessária a expressa indicação da infração cometida. Também é necessária a demonstração do dolo e da subsunção da ação ou omissão à norma
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO.
É cabível o agravamento da multa de ofício na hipótese de não
atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos.
CONCOMITÂNCIA DA APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA E DA MULTA DE OFÍCIO.
Impossibilidade da cobrança concomitante da multa de oficio e da multa isolada incidentes sobre a mesma base de cálculo.
REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE.
Não cabe à esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a análise das alegações relativas à representação fiscal para fins penais, já que tal procedimento não obedece o rito do Procedimento Administrativo Fiscal, regulado pelo Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 1402-000.026
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, dar provimento parcial ao recurso: por maioria de votos, para excluir a incidência da multa qualificada, vencidos os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes e Carmen Ferreira Saraiva que votavam pela manutenção da exaspedora; por unanimidade de votos, para excluir a multa isolada sobre estimativa não recolhidas em função da concomitância; por voto de qualidade, manter a multa agravada,
vencidos os Conselheiros Carlos Pelá (Relator), Carlos Alberto Gonçalves Nunes e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes quanto a multa agravada.
Nome do relator: Carlos Pela
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 EMPRESAS INSTALADAS NA ÁREA DA SUDENE. BENEFÍCIO FISCAL DE REDUÇÃO DE 75% DO IRPJ. INÍCIO DA FRUIÇÃO. A Medida Provisória nO2.199-14/2001, posteriormente alterada pela Lei n° 11.196/2005, extinguiu o incentivo da redução do Imposto de Renda para empreendimentos existentes, com exceção dos empreendimentos cuja atividade desenvolvida seja considerada prioritária, assim, o artigo 2° da referida Medida Provisória, facultou às pessoas jurídicas titulares desses empreendimentos, em operação na área de atuação da SUDENE, a continuidade desse incentivo, nos percentuais decrescentes e prazos sucessivos estabelecidos pela Lei nº 9.532/97. Não restou demonstrado cabalmente nos autos que o beneficio utilizado referia-se ao período anterior à vigência da Medida Provisória nO2.199-14/2001. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Para aplicação da multa qualificada pelos condutas tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, é necessária a expressa indicação da infração cometida. Também é necessária a demonstração do dolo e da subsunção da ação ou omissão à norma MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. É cabível o agravamento da multa de ofício na hipótese de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos. CONCOMITÂNCIA DA APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA E DA MULTA DE OFÍCIO. Impossibilidade da cobrança concomitante da multa de oficio e da multa isolada incidentes sobre a mesma base de cálculo. REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. Não cabe à esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a análise das alegações relativas à representação fiscal para fins penais, já que tal procedimento não obedece o rito do Procedimento Administrativo Fiscal, regulado pelo Decreto nº 70.235/72.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, dar provimento parcial ao recurso: por maioria de votos, para excluir a incidência da multa qualificada, vencidos os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes e Carmen Ferreira Saraiva que votavam pela manutenção da exaspedora; por unanimidade de votos, para excluir a multa isolada sobre estimativa não recolhidas em função da concomitância; por voto de qualidade, manter a multa agravada, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá (Relator), Carlos Alberto Gonçalves Nunes e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes quanto a multa agravada.
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QI MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 10670.00290 I/2007 -81 167.721 Voluntário 1402-00.026 - 4 Câmara /2 Turma Ordinária 28 de julho de 2009 IRPJ RIMA INDUSTRIAL S.A. 1 TURMAlDRJ-JUIZ DE FORAlMG Ano-calendário: 2002 EMPRESAS INSTALADAS NA ÁREA DA SUDENE. BENEFÍCIO FISCAL DEREDUÇÃO DE 75% DO IRPJ. INÍCIO DA FRUIÇÃO. A Medida Provisória nO2.199-14/2001, posteriormente alterada pela Lei n° 11.196/2005, extinguiu o incentivo da redução do Imposto de Renda para empreendimentos existentes, com exceção dos empreendimentos cuja atividade desenvolvida seja considerada prioritária, assim, o artigo 2° da referida Medida Provisória, facultou às pessoas juridicas titulares desses empreendimentos, em operação na área de atuação da SUDENE, a continuidade desse incentivo, nos percentuais decrescentes e prazos sucessivos estabelecidos pela Lei nO 9.532/97. Não restou demonstrado cabalmente nos autos que o beneficio utilizado referia-se ao período anterior à vigência daMedida Provisória nO2.199-14/2001. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Paraaplicação damulta qualificada pelos condutas tipificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, é necessária a expressa indicação da infração cometida. Também é necessária ademonstração do dolo e da subsunção da ação ou omissão à norma MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. É eabível onagravamento-da-mutta-de-ofício nahipótese de nãol-atemiirrrento---- pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para .prestar esclarecimentos. CONCOMITÂNCIA DA APLICAÇÂO DA MULTA ISOLADA E DA MULTA DE OFÍCIO. Impossibilidade da cobrança concomitante da multa de oficio e da multa isolada incidentes sobre amesmabase de cálculo. jJI Processo n' Acórdão n.' 1402-00.026 REPRESENTAÇÃO PARA FINS PENAIS. ANÁLISE. • Não cabe à esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aanálise das alegações relativas à representação fiscal para fins penais, já que tal procedimento não obedece o rito do Procedimento Administrativo Fiscal, regulado pelo Decreto nO70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, dar provimento parcial ao recurso: por maioria de votos, para excluir a incidência damulta qualificada, vencidos os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes e Carmen Ferreira Saraiva que votavam pela manutenção da exaspedora; por unanimidade de votos, para excluir a multa isolada sobre estimativa não recolhidas em função da concomitância; por voto de qualidade, manter a multa agravada, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá (Relator), Carlos Alberto Gonçalves Nunes e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes quanto amulta agravada. LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente A DE MENEZES - Redator Designado EDITADOE :JJ Participaram, dapresente sessão de julgamento os Conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Valmar Fonseca de Menezes, Carlos Pelá, Carmen Ferreira Saraiva, Carlos Alberto Gonçalves Nunes e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n' 10670.002901/2007-81 Acórdão n.' 1402-00.026 • Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto com o objetivo de reformar o acórdão n° 09-19.508, proferido pela l' Turma daDRJ/JFA, que julgou procedente o auto de infração à legislação do Imposto sobre aRendadas Pessoas Jurídicas - IRPJ, que constituiu o crédito tributário no montante de R$ 2.753.642,73 (dois milhões, setecentos e cinqüenta e três mil, seiscentos e quarenta e dois reais e setenta e três centavos), incluídos o principal, amulta de oficio, amulta isolada e os juros de mora. A autuação é originária daglosadadedução no montante de R$ 609.982,22. De acordo com a "descrição dos fatos e enquadramento legal", que é parte integrante do mencionado auto de infração, a fiscalização constatou que no ano-calendário de 2002 o contribuinte não faziajus aqualquer beneficio de redução do imposto de renda. o contribuinte informou na ficha 30 da DIPJ 2003, referente ao ano- calendário de 2002, quatro beneficios fiscais de redução de 75% do imposto de renda devido. Tais beneficios referem-se adois projetos de diversificação, um projeto de ampliação e um projeto de modernização, cujo Ato Concessório seriao de número 59301000246/2003-91, com prazos de vigência de 31/12/2002 e Intimado apresentar o referido Ato Concessório (fls. 70), o contribuinte silenciou-se. Assim, afiscalização socorreu-se daSUDENE, por meio do Termo 001/2007 (fls. 280), paraobtenção de maiores esclarecimentos. Em resposta, recebeu acópiade um protocolo de solicitação (fls. 283 a 286), de oito oficios de encaminhamento e de oito laudos constitutivos. Daanálise dadocumentação concluiu que o Ato Concessório informado naficha 30 daDIPJ 2003 nadamais é que um simples número de protocolo de solicitação de beneficio à SUDENE. Constatou que os laudos constitutivos foram expedidos em 31/12/2003, desta forma, aplicável o 2° do artigo 77 daInstrução Normativa n° 267 de 23/12/2002, que prevê a hipótese de fruição do beneficio somente apartir do ano-calendário daexpedição do laudo. A fiscalização acrescentou que o contribuinte protocolizou na Secretaria da Receita Federal, em 20/07/2004, os oito processos administrativos requerendo aconcessão do beneficio de redução fiscal (fls. 18), instruídos com os laudos constitutivos informados pela SUDENE. Desta forma, entendeu que não caberia ao contribuinte a alegação de que desconhecia que o benefício de redução pleiteado somente seria válido a partir do ano- calendário de 2003. Ressaltou, ainda, que em todos os oito processos relativos à solicitação de beneficio de redução do imposto de renda, o contribuinte teve o seu pleito considerado não- admissível, conforme se constata das cópias daqueles despachos (fls. 184 a279). Diante do exposto, afiscalização afirmou restar caracterizada aintenção da contribuinte em reduzir de maneira fraudulenta o valor do imposto de renda apagar no ano- calendário de 2002. Acrescentou, também, que ainformação naDIPJ12003 de números de atos concessionários inexistentes, e aefetiva dedução de beneficios de redução do imposto de renda antes do prazo expressamente declarado nos respectivos laudos constitutivos implicaram ação, p"rto oootrib"'o",oomo de deobd",õo, ~",àd~;d1: Processo n' 10670.00290112007-81 C'\v Acórdão n.' 1402-00.026 Folha O ~ tentativa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridadí&iaZemtlírfa ;<'las circunstâncias materiais do fato gerador daobrigação tributária e das condições [fªS1ontjl~lJ'uinte (inexistência do direito ao benefício fiscal), suscetíveis de afetar o crédito tributário correspondente, caracterizando o intuito de sonegar. A fiscalização também aplicou amulta de ofício agravada, no percentual de 225%, em virtude darecusa em prestar os esclarecimentos solicitados sobre o Ato Concessório nO59301000246/2003-91, declarado naDCTF, além damulta qualificada. segundo item apresentado na"descrição dos fatos e enquadramento legal" do auto de infração em comento refere-se à multa isolada aplicada sobre adiferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago naIRPJ estimativa. A fiscalização constatou divergência entre o valor informado na ficha II - Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, constante dapágina 13 daDIP 2003 - AC 2002 (fi. 101) e o valor escriturado naconta contábil 21550001.00000 - IMPOSTO DE RENDA do livro Razão Geral. Conforme se constata da escrituração efetuada pelo contribuinte, o valor do IRPJ estimativa montava aR$ 772.177,35, tendo sido tal valor escriturado acrédito daconta contábil 21550001.00000 e informado naficha Ii daDIPJ/2003. No entanto, verificou-se que o contribuinte escriturou a debito da mesma conta o valor de R$ 609.982,22, cujo histórico do lançamento é 'VR INCENTIVO FISCAL APROPRIADO REF LUCRO EXPLORAÇÃO - SUDENE. Após a dedução do referido incentivo, restaria naconta contábil um saldo de estimativa devida no montante de apenas R$ 162.195,13. O contribuinte foi intimado ajustificar adiferença e, em resposta, explicou que o resultado apurado do IRPJ Ano-Calendário 2002, depois de procedida acompensação do incentivo fiscal do lucro daexploração, teriatotalizado apenas R$ 162.195,13 e, ainda, que foi solicitada compensação do referido débito com créditos de tributos administrados pela Receita Federal, através do processo de ressarcimento nO 10670.720035/2004-61, cuja compensação não foi homologada, ocasionando, assim, ainscrição do débito em Divida Ativa daUnião, no processo de execução fiscal nO60.2.07.00159239, junto aComarca de Bocaiúva. A informação encaminhada pelo contribuinte foi confirmada através de consulta ao sistema SINCOR - PROFISC. Embora o contribuinte não tenhadeclarado naDCTF referente ao 4° trimestre de 2002 qualquer débito relativo ao IRPJ estimativa do período de apuração 1212002, apresentou pedido de compensação relativo atal periodo, no valor de R$ 162.195,13. Tendo em vistaque o valor daestimativa devidarelativa ao período de apuração 12/2002, conforme já relatado antenormente, e de R$--n2.1 77,35, ven1Ica-se que o pedÜlo de compensaçao apresentado diz respeito, tão-somente, aumaparte do valor efetivamente devido. Assim sendo, sobre aparcela do IRPJ estimativa devida relativa ao período de apuração dezembro/2002, que não foi declarada em DCTF, recolhida ou objeto de pedido de compensação, foi lançada amulta isolada sobre aestimativa. Também foi formalizada representação fiscal para fins penais, processo 10670.002902/2007-26. IJ~ 4 Processo n' 10670.002901/2007.81 Acórdão n.' 1402-00.026 Cientificada do lançamento, o contribuinte aduzindo, em síntese, que: • Houve erro material por parte da Recorrente que fez constar o número do protocolo, ao invés do número do Ato Concessório, desta feita, não houve a intenção de elidir, maquiar ou reduzir o crédito tributário; beneficio fiscal consubstanciado no direito à redução de 75% do Imposto de Renda é direito da Recorrente, a partir de projeto aprovado pela SUDENE, através da Declaração DAÍ/ITE n' 0060/1990, em conformidade com a legislação anterior, ou seja, conforme prazos e percentuais estabelecidos pela Lei n' 9.532/97; A continuidade do beneficio se faz presente pois a Recorrente continua a desenvolver a atividade considerada prioritária, conforme definição do Decreto n' 4.213/2002, com a ressalva de que solicitou o reenquadramento pela legislação em vigor; A multa agravada e a multa isolada é descabida, tendo em vista que não houve a intenção de dificultar a ação da fiscalização; Em julgamento à mencionada impugnação, aDelegacia daReceita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora (MG), considerou o lançamento procedente, conforme ementa aseguir transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Juridica - IRPJ Data dofato gerador: 31/12/2002 REDUÇÃO. DO. IMPo.STo. INCENTIVo.S FISCAIS AS EMPRESAS INSTALADAS NA ÁREA DA SUDENE. NÃO. RECo.NHECIMENTo. DO.DIREITO. o.bedecidas às demais formalidades a fruição do beneficio fiscal para os projetos de modernização, ampliação ou diversificação protocolizados a partir de de agosto de 2000, dar-se-á a partir do ano-calendário subseqüente àquele em que os respectivos projetos entrarem em operação, segundo laudo expedido pelo órgão competente do Ministério da Integração até o último dia útil do mês de março do ano-calendário subseqüente ao do início da operação. Na hipótese de expedição de laudo constitutivo após a referida data, a fruição do beneficio dar-se-á a partir do ano-calendário da expedição do laudo. Caracterizada a ocorrência da ação dolosa tendente a impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, é cabível a aplicação da multa qualificada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento). MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO. INTIMAÇÃO. • Processo n' 10670.002901/2007-81 ~C4"N> Acórdãn n.' 1402-00.026 FI. ~ A falta de atendimento a intimações, sem qualquer justificativa, configura procedimento meramente protelatório do sujeito passivo e, portanto, embaraço fiscalização. MULTA ISOLADA. IRPJ ESTIMATIVAS. Cabível o lançamento de multa de oficio isolada na falta de recolhimento de estimativas, quando o lançamento se dá depois de encerrado o ano-calendário correspondente. Lançamento Procedente Cientificada do julgamento, por via postal, em 23 de junho de 2008 (AR fi. 464), apresentou aRecorrente, no dia22 do mês subseqüente, também por viapostal (fi. 505), o recurso voluntário. A Recorrente reforça que, de acordo com o artigo I° daMedida Provisória nO 2.199-14 de 24 de agosto de 2001, o prazo de fruição do beneficio fiscal é de 1 (dez) anos contados apartir do ano-calendário de início de suafruição e, no caso em questão, aaprovação do projeto deu-se com aDeclaração DAÍ/ITE nO060/1990 e Portaria DAÍ/PTE n° 205/1990, e reenquadrado à legíslação vigente com aexpedição daDeclaração nO0111/2007, sendo que tal declaração remete aos anos-calendários de 2002 a2006 e declara expressamente o direito de a Recorrente utilizar o beneficio da redução do imposto de renda da pessoa jurídica nos exercícios referidos. Aduz que o simples fato do contribuinte não comunicar à Secretaria da Receita Federal do Brasil aconcessão do benefício fiscal deferido pela SUDENE não invalida tal direito e acrescenta que a SUDENE é o órgão competente para administrar e admitir o referido benefício, assim, o reconhecimento desse beneficio, por qualquer outra autoridade tributária, dar-se-á de forma vinculada. Alega atotal improcedência da aplicação da multa agravada e qualificada, pois (i) não há provas que comprovem o dolo na conduta da Recorrente; (ii) a conduta, supostamente dolosa, não foi qualificada ou individualizada em um dos tipos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nO4.502/64 e (iii) está em desacordo com o princípio da proporcionalidade que norteia aadministração pública. Quanto à multa de oficio isolada, sustenta a impossibilidade da cobrança pois, conforme já demonstrado, aRecorrente teria direito ao beneficio fiscal. Também aduz que é indevida a cobrança concomitante da multa isolada e da multa de oficio agravada e qualificada. Requer, ainda, o arquivamento darepresentação fiscal para fins penais, uma '.'ez-que não restou demonstrada aocorrência.de..crÍIne.contra.a.ordem-tributácia. _ Por fim, requer que sejadado provimento integral ao recurso. É o relatório. Processo n' 10670,002901/2007-81 Acórdão 1402-00.026 • • Voto Vencido Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. A glosa da redução realizada pelo Recorrente na DIPl 2003, referente ao ano- calendário de 2002, teve como fundamento os prazos para fruição do beneficio fiscal de que trata o caput do art. I° da Medida Provisória nO2.199-14, de 24 de Agosto de 200 I. Tais prazos estão previstos nos parágrafos I° e 2° da referida Medida Provisória, que, quando da redução realizada pelo Recorrente, estavam assim redigidos: Art, 1" A fruição do beneficio fiscal referido no capat dar-se-á a partir do ano-calendário subseqüente àquele em que o projeto de instalação, modernização. ampliação ou diversificação entrar em operação. segundo laudo expedido pelo Ministério da Integração Nacional, até o último dia útil do mês de março do ano-calendário subseqüente ao do inicio dafruição. 2º Na hipótese de expedição de laudo constitutivo após a data referida no fI", afruição do benefício dar-se-á a partir do ano- calendário da expedição do laudo. A autoridade fiscalizadora apurou que na ficha 30 - Atividades Incentivadas, da mencionada DIPl (fls. 163), o Recorrente informou quatro beneficios fiscais de redução de 75% do imposto de renda devido, cujo Ato Concessório seria o de n° com prazos de vigência de 31/12/2002 a 31/12/2012 . Objetivando a obtenção de maiores esclarecimentos sobre o Ato Concessório indicado, a fiscalização requereu à SUDENE cópia do processo indicado na DIPl, cópia dos laudos constitutivos do beneficio, bem como os oficios de encaminhamento referentes aos mencionados laudos. Da análise da documentação recebida, verificou que o número indicado tratava, a bem da verdade, do protocolo de solicitação de beneficio à SUDENE, e não do Ato Concessório propriamente dito. lá da análise dos demais documentos disponibilizados, verificou que os referidos laudos de constatação foram expedidos em 31/12/2003, desta forma, entendeu que seria aplicável o prazo contido no parágrafo 2° do artigo I° da Medida Provisória nO2.199-14/2001, ou seja, somente seria possível a fruição do beneficio após 31/12/2003. Em contrapartida, a Recorrente alega que o incentivo fiscal aproveitado fora concedido pela SUDENE, atual ADENE, através das Declarações DAÍ/ITE nO0060/1990 e Declaração nO 0111/2007, renovadas pelos Laudos Constitutivos nO 0505/2003, 0506/2003, 0509/2003, 0510/2003, 0511/2003, 0512/2003, 0513/2003, 0514/2003, Laudo Constitutivo Complementar nO0169/2007 e Portaria DAÍ/PTE n° 0205/90. Da análise dos mencionados documentos, cujas copias encontram-se apensadas aos autos, observa-se que os Laudos Constitutivos nOs 0505/2003, 0506/2003, 0509/2003, 0510/2003, 0511/2003, 0512/2003, 0513/2003 e 0514/2003 indicam como in~1!I ~ /'7 • Processo 10670.002901/2007-81 a Acórdão 1402-00.026 ~ FI. ~ 5" do prazo para conc~ssão do beneficio o ano calendário de 2003 e não fazem m~il\ão às Declarações DAI/ITE nO0060/1990 e Declaração n° 0111/2007. Desta feita, não há que se falar em eventual renovação de beneficios concedidos sobre a égide da legislação anterior, sendo aplicável a esses casos o disposto na Medida Provisória nO 2.199-14/200 I, posteriormente alterada pela Lei n° 11.196/2005, inclusive o prazo previsto no parágrafo 2° do artigo I° do mencionado diploma legal. Aliás, cumpre ressaltar que, não obstante o alegado erro material cometido pelo Recorrente quando do preenchimento da DIPJ, a própria SUDENE vinculou os laudos constitutivos mencionados no parágrafo anterior ao número de "Ato Concessório" equivocadamente indicado na DIPJ, assim, nessa primeira análise, o beneficio fiscal pretendido pelo contribuinte estava vinculado aos laudos expedidos para 31/12/2003. Sob outro prisma, não assiste razão ao Recorrente, mesmo se considerarmos que tais beneficios estão embasados nas Declarações DAÍ/IrE n° 0060/1990, Declaração nO 0111/2007, Laudo Constitutivo Complementar nO0169/2007 e Portaria DAÍ/PTE nO0205/90, documentos esses não analisados pela fiscalização, uma vez que foram apensados aos autos apenas com a Impugnação e Recurso Voluntário. Com efeito, a Declaração DAÍ/PTE nO0060/90 reconheceu o direito ao gozo da redução de 50% do impostos de renda e adicionais não restituíveis, nos termos do artigo 14 da Lei nO4.239/63, alterado pelo artigo 2° do Decreto-Lei nO2.454/88, abaixo transcritos: LEI N° 4.239, DE 27 DE JUNHO DE 1963. Art. 14. Até o exercícío de 1973 inclusive, os empreendimentos industriais e agrícolas que estiverem operando na área de atuação da SUDENE à data da publicação desta lei, pagarão com a redução de 50% (cínqüenta por cento) o impôsto de renda e adicionais não restituíveis. (Vide Lei nO 5.508, de 1968, Decreto-Lei nO 1.624, de 1978, Decreto-lei nO 1.898, de 1981, Decreto-lei nO2.134, de 1984, Lei nO7.450, de 1985, Decreto-lei nO2.454, de 1988, Lei nO8.874, de 1994, Lei nO 9.532, de 1997, (Vide Medida Provisória nO2.199-14, de 2001 DECRETO-LEI N° 2.454, DE 19 DE AGOSTO DE 1988. Art. 2° Ficam prorrogados, até o exercício financeiro de 1994, os incentivos fiscais previstos no art. 14 da Lei nO4.239, de 27 de junho de 1963, e no art. 22 de Decreto-Lei nO756, de 11 de agosto de 1969. com as alterações posteriores. Já a Portaria DAÍ/PTE nO0205/90 também trata do reconhecimento do direito à isenção do imposto de renda incidente sobre o lucro da exploração a a ncação e erro- ligas, especificando como data de entrada da operação o ano calendário de 1989, assim, o início do prazo para gozo do beneficio foi o exercício fiscal de 1990, ano base de 1989 e o térmíno deu-se no exercício fiscal de 1999, ano base de 1998. Considerando que a Recorrente pretende demonstrar que a dedução glosada pela autoridade fiscal é originária da referida declaração e portaria, mister a análise do Laudo Constitutivo Complementar n° 0169/2007 que, de acordo com o Oficio n° 2622/2007/ADENE (fls.497), está embasado na Declaração DAÍ/PTE n° 0060/90. Por meio desse laudo, a Agêncii1 Processo 10670.002901/2007-81 Acórdão n. 1402-00.026 • • o .fj de Desenvolvimento do Nordeste - ADENE estabelece que os percentul~ e prazos pã'ra utilização daredução são os estabelecidos no art. 3°, 2°, incisos 11e III da1~i\;I}° conforme abaixo: Os beneficios fiscais de redução do imposto de renda e adicionais não restituíveís, de que tratam art. da Lei n° 4.239, de 1963, e art. 22 do Decreto-lei n° 756. de 11 de agosto de 1969, observadas as demais normas em vigor, aplícáveís matéria, passam a ser calculados segundo os seguintes percentuais: J - 37,5% (trínta e sete inteíros e cínco décímos por cento), a partir de 1° de janeiro de 1998 até 31 de dezembro de 2003; IJ - 25% (vínte e cínco por cento), a partír de 1° de janeiro de 2004 até de dezembro de 2008; IJJ - 12.5% (doze inteiros e cinco décimos por cento), a partír de 1° dejaneiro de 2009 até 31 de dezembro de 2013. Referido laudo esclarece, ainda, que aMedida Provisória n° 2.199-14/200 I extinguiu o incentivo daredução do Imposto de Renda para empreendimentos existentes, com exceção dos empreendimentos cujaatividade desenvolvida sejaconsiderada prioritária. Assim, o artigo 2° da referida Medida Provisória facultou às pessoas jurídicas titulares desses empreendimentos em operação naàreade atuação daSUDENE acontinuidade desse incentivo nos percentuais decrescentes e prazos sucessivos estabelecidos pela Lei nO 9.532/97. A atividade exercida pela Recorrente foi considerada prioritária nos termos do artigo 2°, inciso VI, alínea "d" do Decreto n° 4.213/2002, desta forma, fica claro que, em se tratando de continuidade de beneficio concedido em período posterior à Medida Provisória nO 2.199- 14/2001, o percentual aser utilizado não seriao de 75%, como fez aRecorrente em suaDIP] 2003, mas sim aqueles estabelecidos expressamente no Laudo Constitutivo Complementar nO 0169/2007 . Frise-se, porém, que de acordo com o apurado durante a fiscalização, a redução realizada pelo Recorrente referia-se à projeto de diversificação, ampliação e modernização posterior à vigência daMedida Provisória n° 2.199-14/2001, assim, para fruição do beneficio da redução do imposto de renda, aRecorrente deveria ter observado o prazo estabelecido no art. 1°, 2°. Portanto, corretaaglosadaredução do imposto. Passo agoraà análise daaplicação damulta de oficio agravada, no percentual de 225%, em virtude darecusaem prestar esclarecimentos por faltade atendimento ao item 1-1 do termo de intimação 004/2007 e da conduta "fraudulenta, conforme previsto no artigo 44, inciso 11combinado com o 2°, alíneaadaLei nO9.430/96. Dois são os fatos alegados pela autoridade administrativa que motivaram a aplicação damulta de oficio qualificada e agravada: (i) caracterização de sonegação e (ii) a recusaem prestar esclarecimentos. Analisando os autos, verifica-se que o Recorrente apresentou resposta atodas as intimações encaminhadas pelaautoridade administrativa, desde o Termo de Início de AÇ~ Fiscal até o último Termo de Intimação expedido, qual seja, o de n° 00412007. /' ( f, Processo n° 10670.002901/2007-81 Acórdão 1402-00.026 • 10 ~ e lato, nao ouve resposta ao questIOnamento elto no Item o re er~Uv termo, contudo, tal omissão não causou nenhum prejuízo à fiscalização uma 1e"Z"queI'tais informações foram prontamente fornecidas pela SUDENE, na mesma data em que foram solicitadas, conforme comprovam os documentos acostados às fls. 280 a 306. Observa-se, também, que os laudos constitutivos e oficios de encaminhamento disponibilizados pela SUDENE já eram de conhecimento daSecretaria daReceita Federal, pois o Recorrente havia apresentado, em 19/07/2004, os Pedidos de Reconhecimento do Direito à Redução do IRPJ, referentes aos Laudos Constitutivos em comento, conforme fls. 175 a279. Desta forma, incabível aaplicação damultaagravada prevista no artigo 44, 2°, alínea a da Lei nO 9.430/96. Neste sentido decidiu este Conselho Administrativo no julgamento do recurso voluntário interposto no processo n° 19515.001565/2004-74, conforme ementaabaixo: Processo nO: 19515.00156512004-74 Recurso nO: EX OFFICIO Matéria: IRF - Ano(s): 1999 Recorrente: 5" TURMAlDRJ em SÃO PAULO - SP I Interessada: CARITAL BRASIL LTDA Sessão de : 18 DE OUTUBRO DE 2007 Acórdão nO: 106-16.558 MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO - Dispondo afiscalização dos elementos necessários para apuração da matéria tributável, descabe o agravamento da multa por não atendimento de intimação. Recurso de ofício negado. A fiscalização também aplicou amulta qualificada com base no artigo 44, inciso 11daLei nO9.430/96, cujaredação em vigor, quando do fato gerador objeto daautuação em análise, eraaseguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio. serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; 11- cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nO4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Entendeu a fiscalização que o fato do contribuinte ter protocolizado, em 207D-772004,oito processos adirimistrahvos requerendo a concessao do beneÍlciOâe reduçao fiscal e instruído-os com os laudos constitutivos informados pela SUDENE é suficiente para demonstrar que ele tinha conhecimento de que o referido beneficio somente seria válido a partir do ano-calendário de 2003. Assim, tendo se aproveitado do beneficio em momento indevido, restou configurada aintenção de reduzir, de maneira fraudulenta, o imposto devido. Não obstante autilização do termo "fraudulenta", aautoridade administrativa, em parágrafo posterior, transcreve os tipos de infração previstos nos artigos 71, 72 e 73 daLei n° 4.502/1964 e cita, de maneira genérica, asonegação. Imperioso ressaltar, apriori, que, por Processo n' 10670.002901/2007-81 Acórdão 1402-00.026 • " r:O tratar-se de norma jurídica relacionada à infração, com a correspondente ~i\:açãR~ae penalidade, é imprescindível que a autoridade fiscalizadora enquadre a conduta do co'fitrilfuinte em um dos tipos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nO4.502/1964. Deve demonstrar que a conduta do contribuinte subsume-se, integralmente, a um dos tipos previstos na legislação. Esse foi o entendimento deste Conselho no julgamento do Recurso n° 153805, conforme ementa parcialmente transcrita abaixo: Número do Recurso: 153805 QUINTA CAMARA Número do Processo: 10660.002902/2005-83 Tipo do Recurso: VOLUNTARIO Matéria: IRPJ E OUTROS Recorrente' ITAPORA DISTRIBUIDORA COMBUSTfvEIS LTOA. Recorrida/Interessado: TURMAlDRJ-JUIZ DE FORAlMG Data da 22/01/2008 01:00:00 Relator: Carlos Passuello Decisão: Acórdão 105-16839 Resultado: OUTROS - OUTROS .) MULTA QUALIFICADA - TIPIFICAÇÃO - Exigência que aplica a multa qualificada (150%) sem apresentar descrição com menção objetiva qual tipo infracional usa como apoio para tal, apenas indicando isoladamente no auto de infração o artigo 11,da Lei n' 9.430/96, comete omissão essencial que permite desqualificação da penalidade. .) Recurso voluntário conhecido parcialmente provido. Ademais, para que ocorra a sonegação, fraude ou conluio, é necessário que a autoridade fiscalizadora demonstre o dolo, que, de acordo com a definição do artigo 18, I do Código Penal, é caracterizado pela vontade de o agente obter resultado pela assunção do risco. A simples alegação de que o contribuinte protocolou dos requerimentos de concessão de benefício de redução fiscal não é suficiente para demonstrar a fraude e/ou sonegação. • Ressalte-se que a simples falta de pagamento também não é suficiente para demonstrar o "evidente intuito de fraude". Se assim o fosse, não teria o legislador criado dois tipos de multa de ofício, quais sejam, a multa no percentual de 75%, aplicável aos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata e a qualificada, no percentual de 150%, aplicável às hipóteses dos artigos 71, 72 e 73 da Lei nO 4.502/64. Se assim dispôs o legislador é porque admite-se a hipótese de falta de pagamento do tributo, sem, contudo, haver uma conduta dolosa que permita a aplicação da multa agravada. Desta feita, é imprescindível demonstrar a intenção de encobrir o fato gerador, o que não ocorreu no presente caso, já que o Recorrente declarou os valores na DCTF e atendeu aos termos de1iscahzação, com exceção OO1tem já analisado anteriormente. Para corroborar tal entendimento, importante reproduzir da ementa do Recurso n° 150250: Número do Recurso: 150250 PRIMEIRA CAMARA Número do Processo: 13603.002966/2003-95 Tipo do Recurso. VOLUNTARIO Matéria: COFINS Recorrente: GARANTIA INDÚSTRIA COMt=RCIO E IMPORTAÇÃO LTOA. Recorrida/Interessado: TURMAlDRJ-BELO HORIZONTElMG • Processo n' 10670.00290112007-81 Acórdão 1402-00.026 Data da Sessão: 25/06/200800.00:00 Relator: Flávio Franco Corrêa Decisão: Acórdão 101-96803 Resultado: OUTROS - OUTROS .) MULTA QUALIFICADA. SaNEGAçÃo. UTILIZAÇÃO. DE PESSaAS SEM CAPACIDADE ECaNÔMICa-FINANCEIRA NA CaNDIçÃa DE SÔCIAS DE PESSaA JURÍDICA. A inclusão de pessoas de reconhecida incapacidade econômico- financeira no quadro societário de pessoa jurídíca, em substítuíção aos verdadeiros sócios, não é suficíente, tão- somente, para caracterizar a intenção de sonegar. Tal expediente pode configurar tentatíva de frustrar eventual execuçãofiscal, nãopunível com multa qualificada. A sonegação se consuma no esforço de encobrír o fato gerador, segundo o tipo penal descrito no art. 7I da Lei 4.502/1964, e não na tentativa defrustrar a cobrança do crédito tributárío. Desta forma, deve-se aplicar a multa de oficio no percentual de 75%, conforme artigo 44, inciso I da Lei nO9.430/96. Cumpre, destarte, analisar a aplicação da multa isolada, incidente sobre a diferença apurada entre o valor escriturado e declarado/pago de Imposto de Renda Pessoa Jurídica por estimativa. A o analisarmos a descrição contida no auto de infração verificamos que a multa foi aplicada sobre o valor de R$ 609.982,22, parte integrante do valor total de R$ 772.177,35, escriturado na conta contábil 21550001.00000 - IMPOSTO DE RENDA. Concluiu-se que o valor de R$ 609.982,22 refere-se ao aproveitamento do incentivo fiscal, objeto do lançamento em questão, sobre o qual foi aplicada a multa de oficio. Sobre essa questão, diversos são os julgados deste Conselho que entendem pela impossibilidade da cobrança concomitante da multa de oficio e da multa isolada incidentes sobre a mesma base de cálculo, e não é outro entendimento que deve prevalecer, de acordo • com o acórdão abaixo transcrito, proferido pelo Conselho Superior de Recursos Fiscais: Número do Recurso: 102-151060 Turma: QUARTA TURMA Número do Processo: 14041.000888/2005-21 Tipo do Recurso: RECURSO.DE DIVERGÊNCIA Matéria: IRPF FAZENBA-NAGlGNA-f----- ------------- - - ---- Interessado(a): JANINE ZANCANARa DA SILVA Data da Sessão: 04/03/200809:30:00 Relator(a): Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Acórdão: CSRF/04-00.832 Processo n' 10670.002901/2007-81 Acórdão n.' 1402-00.026 Decisão: NPU UNANIMIDADE • • Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF . Ano-calendário: 2002 "MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA - MESMA BASE DE CÁLCULO - A aplicação concomitante da multa isolada (inciso IIl, do I ~ do art. da Lei n' 9.430, de 1996) e da multa de oficio (incisos I e 11,do art. da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. " Por fim, não cabe a esse Conselho Administrativo a análise das alegações relativas à representação fiscal parafins penais, já que tal procedimento não obedece o rito do Procedimento Administrativo Fiscal, regulado pelo Decreto n° 70.235/72. Diante do exposto, dou parcial provimento ao recurso para reformar o acórdão nO09-19.508, proferido pela l' TurmadaDRJIJFA, no que tange à aplicação damulta de oficio qualificada e agravada, que deve ser reduzida para 75%, e multa isolada, que deve ser cancelada. Voto Vencedor Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, Redator Designado. Apesar de minha discordância com o entendimento damaioria também se estender à qualificação damulta de oficio, fui designado para redigir o voto vencedor apenas no que conceme ao agravamento dapenalidade. e-acoroo com o relatóoo-sIIpI'a,-I'<:8()lveu-a-fisGaUzayão aplicar agravada, no percentual de em virtude da recusa em prestar os esclarecimentos solicitados sobre o Ato Concessório n° 59301000246/2003-91". Por sua vez, o auto de infração contempla a seguinte descrição dos fatos "Sobre o imposto de renda devido, apurado em virtude das glosas do beneficio de redução do imposto, foi lançada a multa de oficio agravada, nopercentual de 225%, em virtude da recusa Processo n' 10670.002901/2007-81 Acórdão n.' 1402-00.026 em prestar esclarecimentos, através da falta de atendimento ao item I-I do termo de intimação 004/2007 { ..}". Cientificado do Termo de Intimação 004/2007, o contribuinte deveria ter apresentado, no prazo de cinco dias úteis, "o Ato Concessório nO 59301000246/2003-91. relativo aos beneficios fiscais de redução do imposto de renda, cujos prazos de vigência seriam de 31/12/2002 a 31/12/2012, que foram informados na ficha 30 - Atividades Incentivadas, da DIPJ/2003 - AC 2002 (Declaração n° 1021869), e nas fichas 37 da DIPJ/2004 - AC 2003 (declaração n° 1055028) e da DIPJ/2005 - AC 2004 (declaração n° 1154890)". Contudo, quedou-se inerte. A fiscalização não obteve resposta, conforme atesta o próprio voto do Relator (voto vencido). Feitas tais considerações, não havia, luz do art.44, S2°, daLei nO9.430/96, outra solução a ser dada pela fiscalização senão agravar amulta de oficio em razão de o contribuinte não ter prestado no prazo marcado os esclarecimentos solicitados . Assim, com as devidas vênias ao nobre Relator, que tão bem estruturou o seu voto, aqui se discorda da conclusão de que o fornecimento, pela SUDENE, daquelas informações que deixaram de ser prestadas pelo sujeito passivo, bastaria para infirmar o agravamento, mesmo sob o argumento da ausência de prejuízo à atividade fiscal no caso concreto. Como bem posto nadecisão a quo: "Afalta de atendimento a intimações, sem qualquerjustificativa, como é o caso aqui tratado relativamente ao referido Termo de Intimação 004/2007 configura procedimento meramente protelatório do sujeito passivo e, portanto, embaraço à fiscalização. " (fI.46I) Por fim, cabe aindalembrar que, nos termos do art.142 do Código Tributário Nacional, "a atividade administrativa vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcionar'. Pelo exposto, levando-se em consideração que a qualificação foi afastada pelamaioria dos membros do colegiado, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso parareduzir amulta de oficio ao percentual de 112,5% .. 14
score : 1.0
Numero do processo: 10845.003705/86-71
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 1986
Ementa: Conferência Final de Manifesto. Falta e Acréscimo de Volumes.
A denúncia feita pelo sujeito passivo, antes do início de procedimento fiscal relacionado com a infração exime o contribuinte das multas fiscais (art. 138 do CTN).
A data de referência para cálculo do tributo é a do respectivo lançamento (art. 107 e § único, do R.A.).
Numero da decisão: 301-25.538
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, vencido o conselheiro Paulo César Bastos Chauvet, em dar provimento, em parte, para excluir a penalidade, face ao disposto no art. 138 do CTN, na forma do re1atório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Sady D'Assumpção Torres Filho
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ACORDÃO N.'....3Dl::-.2.5....538 ~rocesso nº 10845/003705/86-71. Recorrente Recorrid a l'AFTIUJS AGtl'CIA MARfTINIAmDA. DRF - SANTOS- SP.' COiferêi:.cia Fiúlcl1. de Manifesto. Falta e Acréscimo de Vo lumes. , , . A del:.uJ"..cia feita pelo sujej.to passivo, a:tes do ll:.J.CJ.O de procedimei:'.to fiscal relacionado com a L.fração exime o cO~itribuinte das multas fiscais (art. 1.38 do CTr). A data de referência para cál.culo do.tributo é a do res pectivo lançsmento (art. '07 e ~ ú~ico, do R.A.). Visto, relatado e dj.scutido o preseLte processo, ACORDAMos Membros da Primeira Câmara do Terceiro Canse lho de COLtribujJctes, por maiorül. de votos, vel'.cido o cOLselhej.ro Pau lo César :Gastos Chauvet, em dar provimento, em parte, para exchür a penalidade, face ao disposto no art. 138 do CTE, 'ia forma do re1.atórj.o e voto que passsm a integrar o presente julgado. SADY de dezembro de 1986. VISTO FM SFSSÃO DF: SERRANODE AlTDRADF, e JOÃO HOI.Al'DACOSrA. Ea;pt':lcj.parsm, ainda do presente julgamel:.to os seguL-:.tes COT se lhe i ro s':"""'- </ FRAFCISCO .MAR1'IFSI,fITF CAVAlCANTF, AGOSTINHO VIa FSCOVEDO:JARCEE.OS, HAiiITmOF DF SÁ DANTAS 2. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL :MF - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. RECURSO Nº 108.774 ACÓRDÃO Nº 301-25.533. RECORRENTE: NAUTILUS AG~CIA MARíTIMA LTDA. RECORRIDA RELATOR transcri to: DRF - SANTOS - SP. SADY D'ASSUlVIPÇÃO TORRES FILHO. R EL A TÓ RI O Adoto o relatórió da autoridade preparadora, a seguir "Na Conferência Final de Manifesto nº 3266/85, do navio LLOYD MANDU, entrado em 08/11/85,foram ap~ radas faltas de mercadorias, o que deu origem ao Auto de Infração de fls. 01, onde se exige do representante do transportador o pagamento do Im posto de Importação e a multa do art. 521, Inc. 11, "d", do Regulamento Aduaneiro (Dec. 91030/85). Inconformada, a interessada impugna a ação fis cal, alegando, em resumo, o seguinte: 1- A autuada é apenas agente do transportador, não podendo figurar como responsável pelos tribu- tos, já que pelo disposto no art. 128 do CTN, ela não se enquadra como contribuinte; 2-Ser incabível a aplicação da penalidade pr~ vista, uma vez que apresentou "denúncia espon tânea", protocolizada sob nQ 205.059/85, em 29/11/85, ou seja, antes do início de qualquer procedimento administrativo por parte desta Repartição, aplicando-se ao presente caso as disposições do art. 138 do CTN; e lembra que neste sentido, existe vasta jurisprudência f~ mada pelo E. Terceiro Conselho de Contribuin- tes e E. Câmara Superior de Recursos Fiscais; 3- Deposi tbu" para recurso a.importância referen te ao Imposto de Importação, no valor de.cCr$ 40.444,07, conforme cópia de fls. 13; • 4- A conversão em moeda nacional, do valor da mercadoria expresso em moeda estrangeira, far -se-á à taxa de câmbio vigente na data da ocorrência do respectivo fato gerador (arts. 143 e 144 do CTN), que é a entrada presumida da mercadoria em terrítorio nacional, confor- SERViÇO PÚBLICO FEDERAL 3. Rec. 108.774 Ac. 301-25.5 '38 conforme preceitua o art. 19 do CTN e os arts. lº e 24, do DL nº 37/66, razão por que discor da da taxa de câmbio utilizada na lavratura do presente Auto de Infração. A impugnação foi apreciada pelo autor do que, em informação às fls. 24, concluiu manutenção do auto de infração." feito, pela Acrescento que a ação fiscal foi julgada procedente, em decisão assim ementada: "Inaplicável, em Conferência Final de Manifes to, a norma geral do Direito Tributário (art~ 138 do CTN). Aplicam-se, para efeito de cálcu lo do imposto, a taxa e a alíquota tarifária vigentes na data. da 'intimação para pagamento~1 Inconformado, o sujeito passivo apresenta o recurso ora sob exame, reiterando os argumentos levantados na impugnação. É O RELATÓRIO. SERVIÇO PúBLICO fEDERAL v O T O 4. Rec.108.774 Ac. 301-25.5'38 Repilo a preliminar de ilegimitimidade passiva,com base em mansa e pacífica jurisprudência deste Conselho, abroquela I -do no art. 95, 11, do Decreto-lei nQ 37/66. Relativamente à não responsablização do agente pelo pagamento das multas, nos casos em que o mesmo antecipando-se ao fisco, denUncia a infração antes de qualquer procedimento admi nistrativo relacionado com essa irregularidade e efetua o depo sito da quantia arbitrada, é, também pacífico o entendimento do Colegiado no sentido de que, nesses casos, cabe a aplicação do disposto no art. 138 do CTN. . Por fim, com relação a taxa de câmbio para conver são da moeda estrangiera, entendo que a data base deve ser a da apuração da falta ocorrida, conforme dispõe o artigo 107 e seu parágrafo único do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nQ 91.030, de 05/03/86. . Assim sendo, voto no sentido de que se dê provimen to parcial ao recurso para considerar excluídas do crédito tribu tário exigido, as multas dos artigos 521 e 522 do R.A. (Dec. nQ 91.030/85). e dezembro de 1986. TORRES FJLHO - Relator. 00000001 00000002 00000003 00000004
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Numero do processo: 10909.001274/2004-88
Data da sessão: Wed Aug 04 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2000
SIMPLES. ATIVIDADES MESCLADAS, VEDAÇÃO.
Constatado nos autos que o periódico mensal veicula não só artigos e publicidade de terceiros, mas matérias jornalísticas do(s) seu(s) dirigente(s), jornalista(s) por profissão, vedada está a empresa a aderir ao Simples.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1801-000.319
Decisão: Acordam os membros do colegiada, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro André Almeida Blanco. O Conselheiro André Almeida Blanco apresentou declaração de voto.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2000 SIMPLES. ATIVIDADES MESCLADAS, VEDAÇÃO. Constatado nos autos que o periódico mensal veicula não só artigos e publicidade de terceiros, mas matérias jornalísticas do(s) seu(s) dirigente(s), jornalista(s) por profissão, vedada está a empresa a aderir ao Simples. Recurso Voluntário Negado.
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ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2000 SIMPLES. ATIVIDADES MESCLADAS, VEDAÇÃO. Constatado nos autos que o periódico mensal veicula não só artigos e publicidade de terceiros, mas matérias jornalísticas do(s) seu(s) dirigente(s), jornalista(s) por profissão, vedada está a empresa a aderir ao Simples, Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro André Almeida Blanco. O Conselheiro André Almeida Blanco apresentou declaração de voto. FAZENDA NACIONAL ANA DE BARROS FERNANDES — Presidente e Relatora EDITADO EM: 20 DEZ 2010 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, André Almeida Blanco, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes, Relatório A empresa em epígrafe solicita que seja reconhecida como optante do Simples, desde o ano-calendário de 2000. Desde a sua constituição, em 2000, entrega as declarações e efetua os recolhimentos de tributos federais observando esta sistemática beneficiada, do Simples. Ao avaliar o pedido de inclusão retroativa, a autoridade a quo entendeu que a empresa exerce atividade jornalística e está vedada pela legislação de fazer a opção pelo Simples, consoante art. 9', incisos XII, d, e XIII, da Lei ri° 9317/97. Fundamenta sua decisão com a juntada de cópia do jornal O Tempo, destacando o editorial, matérias de capa e composição da diretoria e responsáveis pela redação, diagramação e coluna social, entre outros documentos — Despacho decisório às fls. 25 a 27. Extraio trecho da fundamentação do referido despacho denegatório: O interessado em questão alega não praticar jornalismo propriamente dito (fl. 16), mas exerce, no mínimo, atividade assemelhada à jornalista por assinar editorial, ter colunas específicas de notícias e eventos sociais, além de ser responsável pela elaboração, distribuição e comercialização. O entendimento do termo "assemelhados" presente no inciso XIII do art. 90 da Lei n° 9.317, de 1996, amplia o texto da Lei abrangendo de forma inequívoca, não só as atividades propriamente ditas, mas a todas que de alguma forma se assemelham àquela. Esse entendimento é reforçado pelo acórdão 11° 2120/2002 - DRI/Florianópolis: "Ementa- JORNAL. ATIVIDADE VEDADA — É vedada a opção pelo SIMPLES e, portanto, obrigatória a exclusão de oficio da pessoa jurídica, indevidamente optante, que desempenha atividade de publicação de veículo de comunicação social (jornal) com opinião editorial e redação próprias" Inconformado com o indeferimento, a empresa apresenta a manifestação de fls. 29 a 37 alegando que inscreveu-se no CNN' como optante do Simples, procedendo regularmente à entrega das DIRIS e recolhimentos devidos por DARF-Simples, mas quando requereu certidão de contribuinte optante pelo Simples lhe foi negada porque não constava como optante nos cadastros da Receita Federal do Brasil. Daí que ao analisar os fatos e requerimento da recorrente, a autoridade competente negou-lhe a inclusão retroativa no Simples. Argumenta que a empresa exerce a atividade de edição e impressão de jornais unicamente e que a Lei n° 9317/96, no art. 9 0, inciso XII, alínea "d", exclui as empresas que realizam operações relativas a "...propaganda eàptil214 ..cidade, excluídos os veículos de comunicação; ". Daí entender que a vedação não se aplica às empresas que veiculam as comunicações, como é o seu caso, Traz diferenciação entre as agências de propaganda e publicidade daquelas empresas que somente veiculam as comunicações — jornais. 2 Processo n° 10909.001274/2004-88 Si-TE01 Acórdão n.° 1801-00.319 Fl 73 Cita ementa e trecho do acórdão n° 202-13.446 exarado pelo então 2° Conselho de Contribuintes, e ementas dos acórdãos n os 1.017/02 — DR). Ribeirão Preto/SP e 1.478/02 — DRJ Campinas/SP: "Editoração de jornais e revistas. É permitida a opção pelo Simples das pessoas jurídicas que se enquadram como veículo de comunicação (Jornal), quando apenas veiculam a propaganda e publicidade e não realizam a sua criação (alínea "d" do inciso X do art. 9' da Lei n° 9.317/96)" (Ac. n, 202-13.446, DOU de 19,42002, p. 42/3, Rel. Cons. Adolfo Monteio - in obra citada, pág. 508)" %Lis atividades de editoração e de computação gráfica não inviabilizam a opção pelo Simples desde que não se relacionem à criação publicitária, nem configurem a prestação de serviços profissionais de programador, analista de sistemas ou assemelhados" (Ac. N, 1017, de 25.3.2002, DRFJ-Ribeirão Preto, Rel José de Almeida Martins - Dicionário de Decisões Tributárias de 2001 e 2002. Editora Juarez de Oliveira, pág. 506)" "Pessoa jurídica que presta serviço de comunicação visual, se não exercer atividade assemelhada a de publicitário e desde que atenda aos demais requisitos constantes de legislação especifica, pode optar pelo Simples," (Ac, n. 1,478, de 2662002, DRFJ- Campinas, Rel. Edgard José Finazzi Filho - in obra citada, pág. 509)" Aduz, ainda, que a própria RFB confirmou sua opção ao Simples ao liberar as DIPJS da malha fiscal, sem fazer qualquer procedimento de oficio para exclui-Ia da sistemática. Culmina dizendo que a atividade única da empresa é a editoração de jornal, veiculação de comunicação. Ao analisar o litígio, a Terceira Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis/SC exarou o Acórdão n° 07-9.759/07, fls. 57 a 59, mantendo o indeferimento do pedido para inclusão retroativa no Simples. Assim restou ementado o atesto: SERVIÇOS PROFISSIONAIS DE JORNALISTA E ASSEMELHADOS VEDAÇÃO DE OPÇÃO. É vedada pela legislação tributária a opção pelo Simples de pessoa jurídica dedicada à prestação de serviços profissionais de jornalista ou assemelhados, por meio da publicação de periódico semanal. E trouxe em sua fundamentação: Para poder-se dirimir o presente litígio importa, inicialmente, distinguir as duas situações apontadas como atividades econômicas impeditivas da opção da requerente pelo Simples, em face da Lei n2 9.317, de .5 de dezembro de 1996; uma é a realização de operações de propaganda e publicidade (art. 9', "d"); a outra é a prestação de serviços profissionais de jornalista, publicitário, ou assemelhados (art. 9', XIII), (99 3 Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES 4 Mais fácil de terem seus conceitos descritos, operações de propaganda ou publicidade não se apresentam, no caso, como causa impeditiva de opção, pois não está provado que a requerente desenvolva tais atividades, Pacifico é o entendimento de que a simples publicação (veiculação) de matérias, ainda que de propaganda ou publicidade, criadas por outrem, não se constitui em impedimento à opção pelo Simples. Existe, neste sentido, expressa exceção legal na alínea "d" do inciso MI do art. 9' da Lei n° 9317, de 1996, transcrita no Despacho Decisório à 11 26, Entretanto, não há nos autos elementos de prova que permitam excluir-se a hipótese de "prestação de serviços profissionais de jornalista, publicitário, ou assemelhados (art. 9', XIII), eis que a direção de .jornal, a publicação de editoriais do próprio dirigente/proprietário/jornalista, com opinião jornalística associada a seu nome e imagem pública, concordam muito mais com a hipótese de vedação do que com a exceção permissiva. No caso, importa valorar-se devidamente a abrangência horizontal da disposição legal contida no inciso XIII do art 9° da referida lei, pois eventual enumeração taxativa não convive com o alargamento legal imposto pela expressão "assemelhados". Tempestivamente, a empresa apresentou o recurso voluntário de fls. 62 a 64, reprisando os argumentos da manifestação de inconformidade oferecida e solicitando que se acate a copiosa e remansosa jurisprudência administrativa espelhada no acórdão cuja ementa já se transcreveu neste relatório, de IV 202-13.446/01, no qual foi superado o entendimento da DRJ em Florianópolis ao decidir o Segundo Conselho de Contribuintes caso análogo por tratar- se do Jornal Força do Oeste Ltda. Transcreve o seguinte trecho: "Pela existência da figura de jornalista junto ao jornal, não quer dizer, com isso, que a pessoa jurídica em questão está prestando serviço de jornalista. O assinante do jornal não contrata, especificamente, os serviços profissionais de jornalista daquela pessoa jurídica, mas o direito de receber o exemplar daquela publicação e tomar conhecimento do que foi veiculado," (acórdão 20213446, de 08.11,2001)" Cita a ementa de outro acórdão, também de empresa jornalística n° 301- 31.826/05 — Empresa Jornalística e Editora Esteveo Diniz SC Ltda. Por fim, junta ao presente pesquisa das DIPJS entregues no período entre 2000 a 2006, no qual constam todas declarações como 'liberadas', entendendo estarem devidamente aceitas pela RFB e sua situação referendada. É o relatório, Passo a apreciar as razões recursais. Voto Processo o' 10909.001274/2004-88 S1-TE01 Acórdão n.0 1801-00319 Fl 74 Conheço do recurso interposto, por tempestivo. O cerne do litígio é apreciar se a atividade da empresa está ou não vedada a aderir ao Simples. Analiso os fatos. A empresa em foco é editora do periódico semanal "O Tempo". Verifico nos autos que o sócio administrador e diretor do referido periódico é jornalista — Antônio Carlos de Campos Silva , bem como o responsável pela redação do mesmo também é jornalista Mauricio Callado — documentos às fls. 07 (quadro societário da empresa) e fls. 21 (quadro diretivo da empresa, no próprio jornal). Verifico, ainda, que as matérias veiculadas no referido periódico não são totalmente escritas por terceiros, tendo o sr. Antônio Carlos de Campos Silva grande espaço para manifestar suas opiniões próprias, bem como noticiar fatos — matérias das fls. 20. E, presumo, das fls, 22, já que ninguém toma a autoria dos diversos comentários e notícias ali expostos. Destes dois fatos, concluo que a empresa vai além de simples trabalho editorial ou veiculação de comunicação, mas também expressa veemente a opinião de seu dirigente, tratando-se, de fato, de uma empresa cuja atividade encontra-se tipificada no já diversas vezes transcrito inciso XIII, do art. 9°, da Lei n° 9..317/96, no caso, prestação de serviços profissionais de jornalista. Concordo plenamente com a digressão feita no acórdão de primeira instância sobre ser o fato impeditivo desta empresa optar pelo Simples o exercício da profissão de jornalista que o dirigente exerce na empresa que dirige. Em nenhum momento se atribuiu a vedação à propaganda ou publicidade veiculada no periódico, que nota-se nitidamente serem de terceiros. Se não fosse a atividade do sócio-jornalista em franca exposição no referido periódico, tratar-se-ia de um caso de mera veiculação de comunicação, assim como empresas que vendem out doors, ou simples editoras. E quanto à jurisprudência administrativa ser favorável ao entendimento da recorrente, de forma mansa e pacífica, discordo de forma veemente. Os dois recentes julgados, cujas ementas transcrevo a seguir, demonstram justamente o contrário do alegado: PROCESSO N°: 10925001387/2001-32 SESSÃO DE: 26 de janeiro de 2005 ACÓRDÃO N° 301-31,621 RECURSO N° 127,467 RECORRENTE: SOCIEDADE JORNALÍSTICA DIÁRIO DO IGUAÇU LTDA. OPÇÃO PELO SIMPLES, EXCLUSÃO, É vedada opção pelo SIMPLES à pessoa jurídica que preste serviços profissionais de jornalista, ou assemelhados, e de qualquer profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. RECURSO VOLUNTÁRIO DESPROVIDO, Sobre o acórdão citado pela recorrente, observo que o desfecho foi recurso voluntário não provido, desfavorável à empresa que quis se manter no Simples: PROCESSO Nb * 10875.002168/2002-94 SESSÃO DE 20 de maio de 2005 ACÓRDÃO N' 301-31.826 RECURSO 151° 126140 RECORRENTE EMPRESA JORNALÍSTICA E EDITORA "ESTEVO DINIZ" S/C LTDA. RECORRIDA DRJ/CAMPINAS/SP SIMPLES. VEDAÇÕES. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica que realize operações relativas a propaganda e, publicidade, excluídos os veiculas de comunicação, bem como aquela que preste serviços profissionais de consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. Recurso a que se nega provimento. Portanto, a jurisprudência administrativa não está pacificada em se tratando desta matéria — exclusão ou inclusão retroativa no Simples — e, ainda que estivesse, mas não houvesse súmula editada por este órgão colegiado, os julgados só poderiam servir de apoio mas não constituem norma complementar às quais se vinculam os julgadores administrativos. Destarte, quando não há participação direta dos sócios praticando a atividade impeditiva legalmente estipulada, destaquei, pois não é o presente caso, não haveria óbice à presente empresa ser incluída retroativamente no Simples. Esclareço à recorrente que os fatos de haver entregue as DIPJ e efetuado os recolhimentos pela sistemática do Simples não são oponíveis para garantir que lhe fosse assegurado o direito de usufruir desta sistemática favorecida de tributação. Para melhor exemplificar, é o mesmo que uma empresa apurar os tributos com base em lucro presumido e estar vedada, por lei, a fazê-lo, sendo obrigada a apurar pelo lucro real. São formas de apurar os tributos federais devidos e colidindo em erro, o fisco não pode referendá-los, cabendo à empresa a assunção dos riscos e prejuízos O fato de a RFB haver recebido as declarações de pessoa jurídica na forma simplificada e liberá-las' em malha, também não pode ser oposto para que se beneficie da sistemática favorecida, pois o tratamento das malhas fiscais são superficiais e somente a fiscalização pode, em muitos casos, rever os atos espontâneos dos contribuintes e corrigi-los e autuá-los de oficio. A malha não opera individualmente, mas por parâmetros, e se a empresa só prestasse a atividade de editoração e veiculação de comunicação, como vimos, sem mesclar a atividade proibida de exercer o jornalismo por intermédio de seus administradores, não haveria d' Processo o' 10909001274/2004-88 81-TE01 Acórdão n." 1801-00.319 Fl. 75 qualquer irregularidade a ser apontada, Somente a análise da documentação de constituição das empresas e, muitas vezes, das atividades desenvolvidas in loco é que é capaz de dirimir dúvidas a respeito do direito dos contribuintes em optar ou não pelo Simples. E os procedimentos de malha fiscal não têm o condão de ratificar os atos dos contribuintes, exceto quando irregularidades são apontadas e o processo de verificação é desencadeado até a sua conclusão, Deve restar claro que, por se tratar de um regime de tributação favorecido, as normas tributárias que regem o Simples devem ser interpretadas com rigor. Voto, pelo exposto, em negar provimento ao recurso voluntário. ANA DE BARROS FERNANDES — Relatora 7 Declaração de Voto Conselheiro ANDRÉ ALMEIDA BLANCO Com a devida vênia da L Relatora, discordo de seu entendimento e, apesar de seu costumeiro acerto, vejo que assiste razão à Recorrente, pelas razões a seguir expostas: (i) os fatos e provas reproduzidos no relatório revelam que a empresa exerce atividade de edição e impressão de jornais, o que a caracteriza como um "veículo de comunicação", nos termos do art. 9', XII, alínea 'X, da Lei 9.317/96; (ii) o fato de serem "veiculados" neste periódico reportagens de jornalistas é o propósito maior do próprio veículo de comunicação denominado jornal; (iii) a condição de sócio e jornalista exercida pela pessoa fisica não se confunde com a atividade exercida pela empresa (objetivos sociais) que constitui veículo de comunicação; A atividade desenvolvida pela empresa é a editoração do jornal (veículo de comunicação) atividade que se encontra na exceção expressa da lei, qual seja a letra 'd', do inciso XII (Lei 9.317/96, art. 9 0) e a autoriza à opção pelo regime simplificado. Vejamos: ) XII- que realize operações relativas a; d) propaganda e publicidade, excluídos os veículos de comunicação;" A expressa previsão legal excluiu os veículos de comunicação (apesar de realizarem em sua essência operações relativas à propaganda e publicidade) autorizando-os à opção pelo regime simplificado. Vejo que a lei não colocou outra condições para os excetuar da vedação senão constituírem "veículos de comunicação". Se a lei não criou outras condições, não vejo espaços para criá-las. A condição de que seja o sócio da empresa um jornalista, ou que escreva no jornal (veículo de comunicação) do qual é sócio assim como os demais jornalistas que o fazem neste e em qualquer jornal não constitui obstáculo legal à opção. Só o âturamento comprovado da prestação de serviços deste veículo (empresa Recorrente) para outro veículo de comunicação ou qualquer outro tomador de serviços de jornalismo desautorizaria a opção Considero para minhas conclusões que a vedação expressa à opção pelo Simples para prestação de serviços profissionais de jornalismo, disposta no art, 9, XIII, da Lei 8 — ANDRÉ ALMEID Processo o' 10909.001274/2004-88 S1-TE01 Acórdão ri 1801-00319 Fl. 76 9,137/96, não se aplica aos veículos de comunicação (corno no caso o jornal) que toma os serviços de jornalistas, estes sim com opção desautorizado, Vejamos: "XIII - que preste serviços profissionais de corretor; representante comercial, despachante, ator; empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor; músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor-, consultor; estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor; jornalista, publicitário, .fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida"; (Vide Lei 10.034, de 24.10.2000) No presente caso, evidencia-se que a pessoa jurídica está constituída com a finalidade de prestação de serviços de veículo de comunicação, apesar da condição do sócio ou de sua atuação como jornalista no veículo do qual é sécio, Voto, pelo exposM em dar,prosunl-ept ao presente recurso voluntário, 9
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Numero do processo: 10830.010761/2008-16
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002 Aquisição de Participação Societária. Integralização de Capital. Taxa de Retorno. Pagamento em Prestações. Critério para Reavaliação do Custo do Investimento. Despesas Financeiras. Não Caracterização Contrato de compra e venda de participação societária, a prazo, quando há fixação de preço, em função de índices ou parâmetros, suscetíveis de objetiva determinação, não se pode confundir tais índices com encargos financeiros. Ágio. Necessidade de Cumprimento de Requisitos Legais Específicos. Deduções Indevidas. A amortização do ágio decorrente de investimento avaliado pelo patrimônio líquido não será computada na determinação da base de cálculo da CSLL, quando não preenchidos os requisitos dos arts. 385 e 386 do RIR/99.
Numero da decisão: 1302-002.334
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário quanto à glosa das despesas financeiras; por maioria de votos, negaram provimento ao recurso voluntário, quanto a indedutibilidade do ágio em relação
à CSLL. Vencidos os conselheiros: Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Gustavo Guimarães da Fonseca; e, por unanimidade, afastaram a multa isolada por falta de pagamento de CSLL por estimativa (ano calendário 2003, 2004 e 2005).
Nome do relator: Rogério Aparecido Gil
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002 Aquisição de Participação Societária. Integralização de Capital. Taxa de Retorno. Pagamento em Prestações. Critério para Reavaliação do Custo do Investimento. Despesas Financeiras. Não Caracterização Contrato de compra e venda de participação societária, a prazo, quando há fixação de preço, em função de índices ou parâmetros, suscetíveis de objetiva determinação, não se pode confundir tais índices com encargos financeiros. Ágio. Necessidade de Cumprimento de Requisitos Legais Específicos. Deduções Indevidas. A amortização do ágio decorrente de investimento avaliado pelo patrimônio líquido não será computada na determinação da base de cálculo da CSLL, quando não preenchidos os requisitos dos arts. 385 e 386 do RIR/99.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2126; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.010761/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.334 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de agosto de 2017 Matéria ÁGIO. GLOSAS. MULTAS Recorrente CPFL GERAÇÃO DE ENERGIA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 Aquisição de Participação Societária. Integralização de Capital. Taxa de Retorno. Pagamento em Prestações. Critério para Reavaliação do Custo do Investimento. Despesas Financeiras. Não Caracterização Contrato de compra e venda de participação societária, a prazo, quando há fixação de preço, em função de índices ou parâmetros, suscetíveis de objetiva determinação, não se pode confundir tais índices com encargos financeiros. Ágio. Necessidade de Cumprimento de Requisitos Legais Específicos. Deduções Indevidas. A amortização do ágio decorrente de investimento avaliado pelo patrimônio líquido não será computada na determinação da base de cálculo da CSLL, quando não preenchidos os requisitos dos arts. 385 e 386 do RIR/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário quanto à glosa das despesas financeiras; por maioria de votos, negaram provimento ao recurso voluntário, quanto a indedutibilidade do ágio em relação à CSLL. Vencidos os conselheiros: Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa e Gustavo Guimarães da Fonseca; e, por unanimidade, afastaram a multa isolada por falta de pagamento de CSLL por estimativa (ano calendário 2003, 2004 e 2005). (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa PresidenteSubstituta (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 07 61 /2 00 8- 16 Fl. 719DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16048.P8LT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.010761/200816 Acórdão n.º 1302002.334 S1C3T2 Fl. 3 2 Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Júlio Lima Souza Martins (Suplente Convocado), Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Ester Marques Lins de Sousa (PresidenteSubstituta). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão nº 0524.455 da 4ª Turma da DRJ de Campinas SP que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação da Contribuinte, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 Despesas Financeiras. Dedutibilidade. Somente são dedutíveis, para fins fiscais, as despesas que atendam aos requisitos da necessidade, normalidade e usualidade, em relação às atividades operacionais da pessoa jurídica. O conceito de necessidade deve ser corolário direto da relação havida entre os gastos (despesas) e a contribuição desses gastos para a geração da correspondente receita. Contrato de compra e venda de participação societária, a prazo, com a finalidade de troca de ações na integralização de subscrição de aumento de capital social, dependente, apenas, de autorização societária, gera despesas financeiras desnecessárias às atividades operacionais. Quando se fixa o preço em função de índices ou parâmetros, suscetíveis de objetiva determinação, não se pode confundir tais índices com encargos financeiros. A remuneração de garantia prestada em empréstimo é despesa vinculada ao próprio financiamento, portanto, a ser abatida pelo beneficiário do rendimento e não por empresa investidora coligada, que figure como garantidora coobrigada na operação financeira. Constitui, ainda, despesa desnecessária na investidora coligada, mesmo que a remuneração assumida na condição de garantidora possa vir implicar retorno de lucros da empresa investida. Multa estipulada em contrato de mútuo que onera o mutuante desvirtua a finalidade econômica do empréstimo feneratício, constituindo despesa desnecessária à obtenção da correspondente receita financeira. Multa isolada. Falta de recolhimento da estimativa. Concomitância com Multa de Ofício acompanhando exigência de Tributo. Compatibilidade. A falta de recolhimento do imposto sobre a base de cálculo estimada por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada, de que trata o inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. O lançamento é compatível com a exigência de Fl. 720DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16048.P8LT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.010761/200816 Acórdão n.º 1302002.334 S1C3T2 Fl. 4 3 tributo apurado ao final do anocalendário, acompanhado da correspondente multa de ofício. Multa isolada. Decadência. Tratandose de hipótese de lançamento de ofício, a contagem do prazo decadencial é regida pelas disposições do art. 173,1, do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003,2004 Base de Cálculo. Lucro Líquido. Despesas Financeiras. Dedutibilidade. Estendese à CSLL o decidido em relação ao IRPJ, relativamente à dedutibilidade de despesas financeiras, eis que afeta o lucro líquido, ponto de partida para a determinação da base de cálculo da contribuição. Ajustes da Base de Cálculo. Amortização de ágio. A amortização do ágio decorrente de investimento avaliado pelo patrimônio líquido não será computada na determinação da base de cálculo da CSLL, constituindo ajuste previsto na legislação tributária. Multa isolada. Falta de recolhimento da estimativa. Concomitância com Multa de Ofício acompanhando exigência de Tributo. Compatibilidade. A falta de recolhimento da contribuição sobre a base de cálculo estimada por empresa que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada, de que trata o inciso IV do § Io do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. O lançamento é compatível com a exigência da contribuição apurada ao final do anocalendário, acompanhada da correspondente multa de ofício. Multa isolada. Decadência Tratandose de hipótese de lançamento de ofício, a contagem do prazo decadencial é regida pelas disposições do art. 173,1, do CTN. Lançamento Procedente Aquisição de Ações em Pagamentos Parcelados e Corrigidos O processo em referência envolve, entre outras matérias, discussão sobre valores pagos pela Recorrente, corrigidos pelo IGPMFGV e remunerados por juros de 9,5% ao ano. A Fiscalização concluiu tratarse de despesas desnecessárias. Registrouse que, os valores corrigidos e pagos pela Recorrente deveriam ser considerados custo de aquisição do investimento. Tais pagamentos estavam previstos em contrato de compra e venda de ações, formalizado em 2002, pela Recorrente e a empresa do mesmo grupo, SEMESA. As prestações corrigidas estenderamse pelos anos seguintes e foram tratados em processos individualizados por períodos. Nesse processo (10830.010761/200816) incluíramse os anos calendários 2003 e 2004. Fl. 721DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16048.P8LT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.010761/200816 Acórdão n.º 1302002.334 S1C3T2 Fl. 5 4 As glosas relativas a tais pagamentos considerados como despesas desnecessárias também foram mantidas nos Procs. 10830.010855/200712 (2002); 10830.001530/200901; e 16643.720027/201239. Os processos foram apensados e sobrestados para julgamento concomitantemente, conforme Resolução nos autos. Sobre esse ponto, o Termo de Verificação Fiscal (TVF) registrou que, nos anos calendários 2003 e 2004, houve dedução nas bases do IRPJ e da CSLL, de R$50.554.718,81 e R$6.462.809,94, respectivamente, considerados pela Recorrente como despesas financeiras, relativas à compra e venda a prazo de ações da empresa SEMESA. Em relação a 2002, também houve dedução nas bases do IRPJ e da CSLL, de tais despesas, no valor de R$86.125.918,19, as quais foram objeto de análise do TVF contido no Proc. 10830.010855/200712. A Fiscalização concluiu que essa despesa seria indedutível, por não ser necessária e por entender que tais valores integrariam o preço de aquisição das ações (custo, e não despesa financeira). Ressaltou, ainda, que não houve fluxo de recursos financeiros (somente intregralização de ações da própria vendedora); que a operação teria se limitado a uma permuta de ações, entre empresas do mesmo grupo societário. Assim, o contribuinte teria compensado prejuízo fiscal com saldo insuficiente, nos anos citados. Contratação de Empresa para a Prestação de Garantia A Fiscalização verificou que a Recorrente considerou como despesas financeiras dedutíveis valores pagos a empresa Hejoassu, em remuneração à prestação de garantia e contra garantia, em favor das empresas Energética Barra Grande S.A. BAESA e Campos Novos Energia S.A. ENERCAN. Essas empresas seriam controladas pela Recorrente. Tais garantias teriam sido exigidas pelo BNDES para conceder financiamentos à BAESA e à ENERCAN. O BNDES teria exigido a garantia pessoal da Recorrente, na qualidade de controladora da BAESA e ENERCAN. Para tanto, a Recorrente contratou a Hejoassu para a prestação da garantia e contra garantia exigidas. Destacouse que, as controladas haviam vencido processo licitatório e que o financiamento pelo BNDES, condicionado a tais garantias era imprescindível para o cumprimento das obrigações assumidas. Com base em tais justificativas, a Recorrente considerou que tais despesas eram necessárias e como tal, dedutíveis nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. De outro modo, a DRJ concluiu que as despesas com a contratação de garantias estariam inseridas no processo de produção das controladas. Portanto, seriam despesas necessárias para as controladas e não para a Recorrente, que teria em seu ativo permanente os investimentos realizados nas controladas. Fl. 722DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16048.P8LT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.010761/200816 Acórdão n.º 1302002.334 S1C3T2 Fl. 6 5 Assim, a DRJ manteve o entendimento da DRF, no sentido de que tais despesas seriam indedutíveis, por não serem necessárias à Recorrente. Pagamento de Multa Pecuniária por Atraso em Contrato de Mútuo Conforme destacado no TVF, a Recorrente concedeu empréstimo à controlada ENERCAN, previamente ao referido financiamento perante o BNDES. No respectivo contrato de mútuo, previuse multa pecuniária de 100% do CDI, em caso de atraso pela mutuante (Recorrente) no aporte de recursos à mutuária (controlada ENERCAN) para as despesas com a implantação do projeto de aproveitamento hidrelétrico Campos Novos. A Recorrente sustentou que seria devida a previsão de multa pecuniária em tal contrato para assegurar o devido cumprimento das datas previstas para a disponibilização de recursos à ENERCAN. Diversamente, a DRJ manteve o entendimento da DRF no sentido de que tal multa pecuniária não seria necessária à Recorrente. Dedução de Despesas de Amortização de Ágio na Base da CSLL O TVF registrou que seria indevida a não adição na base de cálculo da CSLL do ágio pago pela Recorrente na aquisição da participação acionária na empresa SEMESA. Verificou que na apuração do lucro real a Recorrente adicionou ao lucro líquido (anos calendários 2003 e 2004) o valor do ágio amortizado para efeito do cálculo do valor devido do imposto de renda. Concluiu que, a Recorrente também deveria ter adicionado tal valor na base de cálculo da CSLL, em cumprimento às disposições do art. 57 da Lei nº 8.981/95 (redação dada pela Lei nº 9.065/95), c.c. art. 391 do Dec. nº 3.000/95 (RIR/99): Lei nº 8.981/91 Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido (Lei no. 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor , com as alterações introduzidas por esta Lei. Decreto 3.000/1999 Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei No 1.59B, de 1977, art. 25, e DecretoLei No 1.730, de 1979, art. 1o, inciso III)". Com base em tais fundamentos, a DRF adicionou à base de cálculo da CSLL os seguintes valores: Mês/Ano valor do ágio acumulado mensalmente glosa de despesas desnecessárias, acumulados mensalmente jan/03 3.553.746,15 9.893.169,69 fev/03 7.107.492,30 19.700.148,45 mar/03 10.661.238,45 27.523.613,96 abr/03 10.661.238,45 33.326.136,94 mai/03 17.768.730,75 35.139.630,42 Fl. 723DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16048.P8LT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.010761/200816 Acórdão n.º 1302002.334 S1C3T2 Fl. 7 6 jun/03 21.332.476,90 34.259.330,72 jul/03 24.876.223,05 35.537.847,87 ago/03 33.890.534,56 40.376.676,04 set/03 31.983.715,35 47.354.437,04 out/03 35.537.461,50 50.143.008,92 nov/03 39.091.207,65 50.335.923,31 dez/03 45.724.865,70 50.554.718,81 Mês/Ano. valor do ágio acumulado mensalmente glosa de despesas desnecessárias, acumulados mensalmente ian/04 3.553.746,15 263.789,99 fev/04 7.107.492,30 493.847,73 mar/04 10.661.238,45 807.745,14 abr/04 14.214.984,60 1.136.791,98 m ai/04 17.768.730,75 1.492.861,13 ¡un/04 11.934.454,74 3.116.103,12 ¡ul/04 13.923.530,53 3.488.018,70 ago/04 15.912.606,32 3.850.697,41 set/04 17.901.682,11 4.119.187,60 out/04 19.890.757,90 4.119.187,60 nov/04 21.879.833,69 5.162.314,15 dez/04 23.868.909,48 6.462.809,94 A glosa relativa às referidas despesas financeiras e à adição do ágio resultaram, conforme demonstrado nos Anexos I e II do TVF, em: CSLL a) transformação da base de cálculo negativa declarada em 2003 e 2004, em base de cálculo positiva; 2003 2004 Base de cálculo negativa do próprio período (2002) DECLARADO PELO CONTRIBUINTE (86.810.628,07) (21.027.924,18) GLOSA DE DESPESAS 50.554.718,81 6.462.809,94 ADIÇÃO DE AGIO 45.724.865,70 23.868.909,48 Base de cálculo do próprio período (2002) AJUSTADO PELA FISCALIZAÇÃO 9.468.956,44 9.303.795,24 Valor da CSLL devida, ajustada pela fiscalização 852.206,07 837.341,57 b) apuração de base de cálculo da estimativa de CSLL devida, não declarada e não recolhida; MêsAno estimativa devida e não recolhida percentual da multa isolada valor da multa isolada * ago03 20.142,14 0,50 10.071,07 dez03 832.063,94 0,50 416.031,97 jun04 230.163,69 0,50 115.081,85 dez/04 607.177,88 0,50 303.588,94 IRPJ a) transformação do prejuízo fiscal do exercício declarada referente ao ano calendário de 2003 em lucro tributável e aumento do lucro tributável declarado referente ao ano calendário de 2004 Fl. 724DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16048.P8LT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.010761/200816 Acórdão n.º 1302002.334 S1C3T2 Fl. 8 7 2003 2004 base de cálculo negativa do próprio período (2002) DECLARADO PELO CONTRIBUINTE (43.820.640,3 9) 2.033.915,84 GLOSA DE DESPESAS FINANCEIRAS 50.554.718,81 6.462.809,94 Lucro Real do próprio período (2002) AJUSTADO PELA FISCALIZAÇÃO 6.734.078,42 8.496.725,78 b) redução de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2003 e 2004; APURAÇÃO DO LUCRO REAL 2003 2004 DECLARADO AJUSTADO DECLARADO AJUSTADO hasc de cálculo (43.820.640,39) 6.734.078,42 2.033.915,84 8.496.725,78 IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 01.A ALÍQUOTA DE 15% 1.010.111,76 305.087,38 1.274.508,87 02.A ALÍQUOTA DE 6% _ 03.ADICIONAL _ 649.407,84 179.391,58 825.672,58 DEDUÇÕES ()PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR 4.319,10 4.319,10 ()IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE 3.391.340,55 3.391.340,55 3.382.778,79 3.382.778,79 ()IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE DE ÓRGÃO PUBLICO 1.321,06 1.321,06 ()IMPOSTO DE RENDA MENSAL PAGO POR ESTIMATIVA 480.159,86 480.159,86 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR (3.391.340,55) (1.731.820,94) (3.384.099,85) (1.768.397,37) REDUÇÃO DO SALDO NEGATIVO DECLARADO 1.659.519,60 1.615.702,48 c) apuração da base de cálculo da estimativa de IRPJ devida, não declarada e não recolhida; *A Fiscalização registrou que, a falta de recolhimento dos valores devidos das estimativas de CSLL e IRPJ, conforme tabelas acima, enseja o lançamento de ofício de multa isolada, conforme dispõe os artigos 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei n°9,430/96, alterado pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351/07, c/c art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei n° 5.172/66. Assim, a Fiscalização efetuou a glosa de despesas financeiras nos valores de R$ 50.554.718,81 e R$ 6.462.809,94, referentes aos anos calendários de 2003 e 2004, respectivamente, no cálculo do Lucro Real e da Base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, porque o contribuinte deduziu como despesas financeiras/dedutíveis, no cálculo do lucro operacional, valor que não se enquadra no conceito de despesas necessárias para as atividades ou para manutenção da fonte pagadora. A falta de adição do ágio amortizado nos exercícios de 2004 e 2005, nos valores de R$ 45.724.865,70 e R$ 23.868.909,48, respectivamente, à base de Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, sujeitou o fiscalizado ao lançamento de ofício. Mês/Ano estimativa devida e não recolhida percentual da multa isolada valor da multa isolada ago03 48.604,02 50% 24.302,01 dez03 1.610.915,59 50% 805.457,79 jun04 634.067,53 50% 317.033,76 dez04 981.634,96 50% 490.817,48 Fl. 725DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16048.P8LT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.010761/200816 Acórdão n.º 1302002.334 S1C3T2 Fl. 9 8 O contribuinte deverá efetuar o estorno dos valores de base de cálculo negativa da CSLL e Prejuízos Fiscais acumulados referentes aos anos calendários de 2003 e 2004 em seus controles de saldos acumulados, tendo em vista o presente lançamento de ofício. O acórdão recorrido ratificou as conclusões da DRF e julgou improcedente a Impugnação da Recorrente. Recurso Voluntário A Recorrente foi intimada do acórdão recorrido, em 11/05/2009 (AR, fl. 627) e interpôs Recurso Voluntário, em 10/06/2009 (fls. 628). Procuração e Estatuto Social às fls. 548/555. Em suas razões, a Recorrente apresentou os motivos de fato e fundamentos de direito a seguir sintetizados. Em relação à aquisição das ações da SEMESA, por meio de integralização de ações, a Recorrente alega que, a intenção inicial era a de liquidar as respectivas prestações, em dinheiro. Ressalta que em virtude de ações de racionamento de energia elétrica, à época, seu faturamento foi reduzido e a obrigou promover as devidas quitações, mediante a integralização de ações. Sustenta que o fato de não ter havido fluxo financeiro na operação de compra e venda da SEMESA, não retira a natureza de encargos financeiros dos valores relativos à correção monetária (IGPMFGV) e dos juros remuneratórios de 9,5% ao ano que teriam sido cobrados sobre o valor das prestações previstas em cronograma de pagamento pela aquisição em questão. Com relação à dedução na base de cálculo da CSLL das alegadas despesas de amortização do ágio, a Recorrente alega que procedeu dessa forma, pelo fato de que somente em relação ao IRPJ, haveria obrigação de deduzir tais despesas, somente após o pagamento integrado do preço de aquisição. Sustentou que, em virtude da inexistência de vedação legal, estaria autorizada a deduzir na base de cálculo da CSLL, as despesas de amortização de ágio, desde o início do pagamento das referidas prestações. Complementou afirmando que as deduções na base do IRPJ só seriam efetuadas após a quitação integral das prestações. São essas as informações que entendemos relevantes para a compreensão do caso. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Na forma relatada, o Recurso Voluntário é tempestivo e a Recorrente está regularmente representada. Conheço do Recurso. A DRJ acompanhou a DRF, quanto ao entendimento de que as referidas despesas financeiras seriam indedutíveis, por não serem necessárias e por se tratar de valores que integrariam o preço de aquisição das ações (custo e não despesa financeira). Registrouse, Fl. 726DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16048.P8LT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.010761/200816 Acórdão n.º 1302002.334 S1C3T2 Fl. 10 9 ainda, que não houve fluxo de recursos financeiros; que a operação teria se limitado a uma permuta de ações, entre empresas do mesmo grupo societário. O outro ponto em questão, reside na ratificação pela DRJ do entendimento de primeira instância de que seria indevida a dedução na base de cálculo da CSLL das despesas de ágio, desde o início da quitação de tais prestações, por meio da citada integralização de ações. O acórdão recorrido registrou que, não haveria autorização para a dedução de despesas com amortização de ágio decorrente de aquisição de empresas do mesmo grupo empresarial, ainda mais, por não ter havido pagamento efetivo (inexistência de fluxo financeiro). Iniciamos pelas consideradas despesas financeiras dedutíveis. A Recorrente apresentou a tese de que a correção monetária (IGPMFGV) e os juros remuneratórios (9,5% ao ano) são próprios dos contratos de compra e venda de participações societárias; que tais encargos eram devidos no caso de pagamentos parcelados; e que a decisão pela aquisição a prazo constituíase em faculdade discricionária dos dirigentes da Recorrente. Diversamente, o acórdão recorrido manteve a glosa em questão, por dois motivos: (i) pela desnecessidade da despesa, porque tendo sido acordada a troca de investimento, desde a assinatura do contrato este poderia ser liquidado de imediato, pois dependia somente do aumento de capital, tendo sido o pagamento parcelado uma decisão administrativa, ressalvada a existência de ágio na proporção de 85,96%; e (ii) pelos encargos financeiros corresponderem ao preço efetivamente combinado. Observandose, ainda, os fundamentos da DRJ, ressaltouse os seguintes fatos: a) a Serra da Mesa consignou no referido contrato seu interesse em converter o crédito constituído na venda da SEMESA, em integralização de subscrição de futuros aumentos de capital na Recorrente; b) que, a despeito de o contrato de compra e venda ter sido celebrado em 08/11/2001, somente após a aprovação pela ANEEL, a compra das ações foi ratificada por deliberação em Assembléia, em 26/12/2001, sendo que, concomitantemente, deliberouse pelo aumento de capital social na CPFL Geração (AGE de fls. 77/82), tornando possível, assim, satisfazer a condição pretendida pela promitente vendedora (Serra da Mesa), a qual era também controladora da Recorrente; c) a própria ANEEL, a quem foi submetida a aprovação do contrato, autorizou a operação entre as promitentes vendedora e compradora, condicionada à conversão de parte do crédito da Serra da Mesa ao aumento do capital social da CPFLGeração (Resolução ANELL n° 582, de 21 de dezembro de 2001 fls. 139/140): "Art. 1º. Autorizar as concessionárias Serra da Mesa Energia S.A e CPFL Geração de Energia S.A a realizarem as seguintes operações: Fl. 727DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16048.P8LT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.010761/200816 Acórdão n.º 1302002.334 S1C3T2 Fl. 11 10 I transferência de bens, direitos e obrigações da empresa Serra da Mesa Energia S.A para a empresa SEMESA S.A, referentes a sua participação na Usina Hidrelétrica de Serra da Mesa, bem como a concessão da Usina Hidrelétrica de Ponte do Silva, com os respectivos bens vinculados, ficando subrogada à empresa SEMESA S.A todos os direitos e obrigações decorrentes da operação; II transferência do controle societário da empresa SEMESA S.A., detido pela empresa Serra da Mesa Energia S.A, para a empresa CPFL Geração de Energia SA; III aumento de capital na empresa CPFL Geração de Energia S.A, mediante a capitalização de parte do crédito que a empresa Serra da Mesa Energia S.A. constituirá junto à empresa CPFL Geração de Energia S.A, no valor de R$254.000.000,00 (...), referente à primeira parcela da venda da participação acionária na empresa SEMESA S.A, e aporte de capital em dinheiro dos acionistas 521 Participações S.A, no valor de RS 198.000.000,00 (...)." Dessa forma, não há como acatar as razões da Recorrente de que teria incorrido em despesas financeiras na aquisição da SEMESA, pois, na forma prevista no referido contrato de compra e venda, a correção monetária e os juros representam, em realidade, índice para fixação de preço, conforme autorizam as disposições do art. 487 do Código Civil (Lei nº 10.406/2002). Código Civil. Art. 487. É lícito às partes fixar o preço em função de índices ou parâmetros, desde que suscetíveis de objetiva determinação. Tal delimitação do preço de aquisição está expressamente prevista nas seguintes cláusulas e condições do referido contrato de compra e venda: Cláusula Segunda ("Preço e Pagamento") Item 2.1 aponta um valor de Preço, ajustado e acordado a partir da avaliação econômica dos bens, ativos e passivos da SEMESA, mediante adoção de taxa interna de retorno de IGPMFGV acrescido de 9,5% a.a, com base no fluxo de caixa projetado de SEMESA a partir de 01/10/2001, com a Placa de 694 MW, até 31/12/2002 e a Placa de 671 MW, a partir de 01/01/2003. Item 2.3 estipula que o Preço, as parcelas e o saldo remanescente devem ser "atualizados monetariamente'' com o mesmo índice de taxa interna de retorno de IGPMFGV acrescido de 9,5% a.a. Itens 2.6 e 2.6.1 reconhecem que a ANEEL pode revisar a quantidade de energia assegurada (Placa), para maior ou menor, implicando reajustes no Preço, por nova avaliação da SEMESA. Item 2.6.2 determina que a quantidade de MW é a única variável do modelo de avaliação necessária para a revisão do Preço. Fl. 728DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16048.P8LT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.010761/200816 Acórdão n.º 1302002.334 S1C3T2 Fl. 12 11 Item 2.6.3 reconhece que a diferença a maior ou a menor no Preço, em razão da variação da Placa, também serão reajustadas pelo mesmo índice de taxa interna de retorno de IGPMFGV acrescido de 9,5% a.a, implicando um valor a pagar ou uma conta a receber entre CPFLGeração e Serra da Mesa. Verificase, portanto, que o contrato visou assegurar/fixar o preço em função de índices ou parâmetros, suscetíveis de objetiva determinação. Não há fundamento para considerar tal correção monetária, no sentido de encargo financeiro. Ainda sobre a real natureza dos valores considerados pela Recorrente como despesas financeiras, mantêmse intactas as conclusões da DRJ, no sentido de que tais valores constituemse em investimentos caracterizadores de aplicação de capital em participação permanente na SEMESA. Somente haveria se falar em despesa, caso se tratasse de dispêndios para a manutenção da atividade da empresa (art. 179 da Lei nº 6.404/76 LSA). Como último fundamento do acórdão recorrido que deve ser mantido sobre esse ponto, temse que, houve troca de bens patrimoniais entre empresas do mesmo grupo societário, e os bens trocados caracterizam, em verdade, preço e compensação. Assim, pelo exposto, entendo que não há razão para a reforma do acórdão recorrido, mantendose a glosa dos referidos valores indevidamente considerados pela Recorrente como despesas financeiras. A Recorrente alega que incorreu em despesas com a contratação da empresa Hejoassu para que essa prestasse garantia e contra garantia, em favor das empresas Energética Barra Grande S.A. BAESA e Campos Novos Energia S.A. ENERCAN. Essas empresas seriam controladas da Recorrente. Tais garantias teriam sido exigidas pelo BNDES para conceder financiamentos à BAEXA e à ENERCAN. O BNDES teria exigido a garantia pessoal da Recorrente, na qualidade de controladora da BAESA e ENERCAN. Para tanto, a Recorrente contratou a Hejoassu para a prestação da garantia e contra garantia exigidas. Destacouse que, as controladas haviam vencido processo licitatório e que o financiamento pelo BNDES, condicionado a tais garantias era imprescindível para o cumprimento das obrigações assumidas. Com base em tais justificativas, a Recorrente considerou que tais despesas eram necessárias e como tal, dedutíveis nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. De outro modo, a DRJ concluiu que as despesas com a contratação de garantias estariam inseridas no processo de produção das controladas. Portanto, seriam despesas necessárias para as controladas e não para a Recorrente que detém em seu ativo permanente os investimentos realizados nas controladas. Assim, a DRJ manteve o entendimento da DRF, no sentido de que tais despesas seriam indedutíveis, por não serem necessárias à Recorrente. Fl. 729DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16048.P8LT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.010761/200816 Acórdão n.º 1302002.334 S1C3T2 Fl. 13 12 Nesse sentido, concluise que as despesas com a contratação da empresas prestora de garantia não atned aos requeisto do art 299 , qua to à necesida nor mal e suadado. com demosntarada no TVV RAITFA PELA DRJ. /sASIM. MANTEÉM OS FUNDOS OD ACORDO REOCORRIDO. Dedução de Despesa. Pagamento de Multa por Atraso na Disponibilização de Recursos a Controlas, prevista em Contrato de Mútuo Conforme destacado no TVF, a Recorrente concedeu empréstimo à controlada ENERCAN, previamente ao referido financiamento perante o BNDES. No respectivo contrato de mútuo, previuse multa pecuniária de 100% do CDI, em caso de atraso pela mutuante (Recorrente) no aporte de recursos à mutuária (controlada ENERCAN) para as despesas com a implantação do projeto de aproveitamento hidrelétrico Campos Novos. A Recorrente sustentou que seria devida a previsão de multa pecuniária em tal contrato para assegurar o devido cumprimento das datas previstas para a disponibilização de recursos à ENERCAN. Diversamente, a DRJ manteve o entendimento da DRF no sentido de que tal multa pecuniária não seria necessária à Recorrente. Da não adição da despesa de amortização de ágio na base de cálculo da CSLL A Recorrente sustenta que, desde o ano calendário 2002, quando do início do pagamento das prestações para aquisição da SEMESA, efetuou a dedução na base de cálculo da CSLL das despesas de amortização, sob o argumento de que inexiste disposição legal que impeça tal dedutibilidade, ou que estenda a essa Contribuição as disposições relativas ao IRPJ. Defende que não poderia ser aplicado ao caso, o comando contido no artigo 57, da Lei n° 8.981, de 1995 pelas razões que menciona, invocando julgado do Primeiro Conselho de Contribuintes cm reforço de sua tese. Com a devida vênia, o fato de não haver vedação, não autoriza a Recorrente a proceder de tal forma. O princípio constitucional da legalidade, aplicável ao caso, determina que, em matéria tributária, há a obrigatoriedade de expressa autorização para o procedimento. Sobretudo, não há que se deduzir despesa que ainda não se incorreu. Na forma relatada no TVF, em 2002, a Recorrente iniciou o pagamento das prestações previstas para a aquisição de participação societária na SEMESA. Por não haver liquidado integralmente tais prestações, a Recorrente adicionou à base de cálculo do IRPJ, os valores relativos a tais pagamentos parciais. Da mesma forma, deveria ter procedido, em relação à CSLL, em cumprimento às disposições do artigo 57, da Lei n° 8.981. Registrese que, no caso, é obrigatório que se dê à CSLL, a mesma interpretação dada pela Recorrente, no que diz respeito à verificação de que, em 2002, não haviam sido preenchidos os requisitos previstos nos arts. 385 e 386 do RIR/99, para fins de dedução na base de cálculo do IRPJ das despesas de amortização do ágio em questão Frisese que, não se trata de utilização de analogia ou interpretação extensiva para a exigência de tributo não previsto em lei, vedado pelo artigo 108, do CTN, como alegado pela Recorrente, posto que a obrigatoriedade de efetuar o aludido ajuste na base de cálculo da CSLL é decorrência natural do tratamento contábil e tributável previsto em tal dispositivo legal Fl. 730DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16048.P8LT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10830.010761/200816 Acórdão n.º 1302002.334 S1C3T2 Fl. 14 13 para os investimentos relevantes da pessoa jurídica realizados em outras sociedades, e se acha devidamente autorizada no referido artigo 57, da Lei n° 8.981, de 1995. Assim, também nesse ponto, não há razão para a reforma do acórdão recorrido. Da multa isolada pela falta de recolhimento da estimativa de IRPJ e CSLL Com relação à aplicação da multa isolada, pelas diferenças apuradas a título de estimativa, prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei n° 9.430, de 1996, verificase que, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício, em conformidade com a Súmula CARF nº 105. Quanto à decadência, por envolver penalidade isolada, face AO descumprimento à legislação tributária, a hipótese trata de lançamento de ofício, e não de lançamento por homologação. Assim, o prazo decadencial para exigência do correspondente crédito tributário é aquele regido pelo art. 173,1, do Código Tributário Nacional (CTN), aprovado pela Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966. Nestes termos, ainda que se considere a data do fato gerador da estimativa mais antiga (janeiro de 2002), não se vislumbra transcorrido o prazo decadencial, com a ciência do lançamento em 13/12/2007. Por todo o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, afastandose a multa isolada por falta de pagamento de CSLL por estimativa. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 731DF CARF MF Documento de 13 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP27.0318.16048.P8LT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ROGERIO APARECIDO GIL em 07/10/2017 02:17:00. Documento autenticado digitalmente por ROGERIO APARECIDO GIL em 07/10/2017. Documento assinado digitalmente por: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA em 14/12/2017 e ROGERIO APARECIDO GIL em 07/10/2017. Esta cópia / impressão foi realizada por VALERIA JOSE VIEIRA DA COSTA em 27/03/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP27.0318.16048.P8LT Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: 66707B8ACFA411CCA026515110883C399F51FCAA26AAEC8DD88C0311E935ACB5 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10830.010761/2008-16. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Data da sessão: Mon Mar 08 00:00:00 UTC 1982
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Decisão: RESOLVEM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator
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Numero do processo: 10940.001643/2001-01
Data da sessão: Wed May 12 00:00:00 UTC 2004
Numero da decisão: 202-00.687
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: Pasep- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Nayra Bastos Manatta
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DRJ em Curitiba - PR RESOLUÇÃO N° 202-00.687 12'C~MFIFI. •I I: i Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: KUGLER ARTES GRÁFICAS LTDA. RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora. Sala das Sessões, em 12 de maio de 2004 ~ ..~ £4.eM.<t::;~ 1I7nrfque Pinheiro Tõ'íTés Presidente ~~\O--~~Nayr Bastos ~~~ Rela ra . Participaram, ainda, da presente resolução os Conselheiros Antônio Carlos Bueno Ribeiro, Gustavo Kelly Alencar, Marcelo Marcondes Meyer-Kozlowski, Jorge Freire, Raimar da Silva Aguiar e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. cl/opr 1 \' 12.ee.MF IFI. : 10940.001643/2001-01 123.643 KUGLER ARTES GRÁFICAS LTDA. RELATÓRIO Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° Recurso n° Recorrente - - - - - -- - - -- o ~ _ _ ~ ~. ~ __ •••• ~..•...,,""'t'--~. ~ Trata o processo de auto de infração de fls. 47/64, que exige R$13.561,84 de contribuição ao Programa de Integração Social - PIS, R$10.171,14 de multa de lançamento de oficio de 75%, prevista no art. 86, 9 1°, da Lei n° 7.450, de 23 de dezembro de 1985, e art. 2° da Lei n° 7.683, de 02 de dezembro de 1988, c/c art. 4°, I, da Medida Provisória n.o 298, de 29 de julho de 1991, art. 4°, I, da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991, art. 44, I, da Lei n° 9.430: de 27 de dezembro de 1996 e art. 106, lI, "c", do Código Tributário Nacional- CTN (Lei nO5.172 de 25 de outubro de 1966), além dos encargos legais. A autuação ocorreu devido à falta/insuficiência de recolhimento da contribuição ao PIS, relativa aos períodos de apuração 09/1991 a 04/1994,07/1994 a 09/1995, 05 e 07 a 10/1998, conforme demonstrativos de apuração às fls. 47/53 e de juros de móra às fls. 54/59, tendo como fundamento legal: art. 3°, "b", da Lei Complementar n.o 7, de 07 de.setembro de 1970, art. 1°, parágrafo único, da Lei Complementar n.o 17, de 12 de dezembro de 1973, e no título 5, capítulo 1, seção 1, alínea "b", itens I e lI, do Regulamento do PISlPasep, aprovado pela Portaria MF n.o 142, de 15 de julho de 1982; arts. 2°, I, 3°, 8°, I, e 9° d~ Medida Provisória n.O 1.212, de 28 de novembro de 1995, e suas reedições, convalidadas pela Lei n° 9.715, de 25 de novembro de 1998. . Na "descrição dos fatos e enquadramento legal", à fl. 61, parte integrante do auto de infração, a autoridade fiscal descreve o procedimento administrativo, dele constando, em síntese: • trata o presente processo de ação judicial ordinária de Repetição de Indébito com Compensação n° 97.0020426-0, da qual a contribuinte faz parte como litisconsorte ativa, para, conforme pleiteado na exodial (cópias às fls. 01/15), efetuar as compensações de valores pagos a maior das contribuições para o PIS, em observância aos Decretos-Leis nOs2.445, de 29 de junho de 1988 e 2.449, de 21 de julho de 1988, declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal- STF; • efetuada a compensação com débitos do PIS, e bases de cálculo apuradas nos registros contábeis da empresa, nos moldes da LC n° 7, de 1970 e alterações posteriores, constatou-se que os valores recolhidos foram insuficientes para quitar os débitos, conforme demonstram as planilhas anexas. Cientificada da autuação em 19/10/2001 (fl. 60), a interessada interpôs, tempestivamente, em 14/11/2001, a impugnação de fls.78/84, instruída com os documentos de fls. 85/92, cujo teor é sintetizado a seguir: 2 • inicialmente, diz que foi autuada por ter compensado valores recolhidos a maior, a título de PIS, com valores devidos do próprio PIS, em razão de sentença judicial, e por entender o agente fiscal que não havia diferença pois não considerou a semestralidade dos recolhimentos; ,.f J I I ~ Processo n° Recurso n° ': .. Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10940.001643/2001-01 123.643 ~.Fld • seguindo orientação derivada de entendimento jurisprudencial e do próprio Conselho de Contribuintes e, ainda, com suporte em sentença judicial, procedeu à compensação dos valores recolhidos a maior, a título de PIS, com os valores devidos do próprio PIS; pois sendo contribuinte desde o advento do Decreto-Lei n° 2.445, de 1988 (alterado pelo Decreto-Lei n° 2.449, de 1988), foi obrigada a recolher a referida exação não mais sobre o faturamento, mas, sim, sobre a receita operacional bruta, a uma alíquota de 0,65%, conforme o art. 1°, V, daquele decreto-lei, cujo vencimento dava-se no mês subseqüente ao fato gerador; • com a declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-Leis nOs 2.445 e 2.449, de 1988, pelo Supremo Tribunal Federal- STF e a suspensão de sua execução pela Resolução n° 49, de 09 de outubro de 1995, do Senado Federal, nasceu para a empresa o direito à diferença entre o ql,Je pagou, desde 01/07/1988, a título de PIS, com base nos decretos-'leis e o estabelecido na Lei Complementar nO07, de 1970, motivo pelo qual está apresentando a presente impugnação; • diz que se fosse. procedente o referido auto de infração, grande parte da exigência fiscal encontrar-se-ia fulminada pela decadência, face ao decurso do prazo de mais de cinco anos dos presentes créditos, conforme determinado no CTN; cita o art. 156, V, do CTN que dispõe que o crédito tributário extingue-se com a decadência e transcreve o art. 173, I, do mesmo diploma legal, que fixa o prazo decadencial em 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento; que, ao contrário do que determina o dispositivo transcrito, o auto de infração engloba competências de 1991 até 1995, quando somente poderiam ser exigidos, na melhor das hipóteses, créditos tributários do ano de 1998 em diante; • o CTN foi recepcionado como lei complementar, uma vez que o art. 146, lU, da Constituição Federal, de 05 de outubro de 1988, exige lei complementar para estabelecer normas gerais em matéria tributária e que, assim sendo, as determinações previstas no CTN quanto à decadência e prescrição somente podem ser alteradas por lei de mesma hierarquia; • a regra básica para a contagem do prazo decadencial é aquela prevista no art. 173, I, do CTN, mas que, quando se trata de lançamento por homologação, como é o caso do PIS, o prazo decadencial está delineado no art. 150, 94°, do CTN, ou seja, cinco (5) anos a contar da data de ocorrência do fato gerador, findo o qual dá-se a homologação tácita; • para abonar suas alegações, cita e transcreve ementas de julgamentos do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda; • alega que, por terem sido retirados do mundo jurídico os precitados Decretos-Leis nOs 2.445 e 2.449, de 1988, por uma questão de lógica, a administração pública só poderia exigir O PIS com base na Lei Complementar n° 7, de 1970;r 3 ----- ---------- - - - --~---- " . - -- ~ ~ - ~ ~~ - Processo nO Recurso n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10940.001643/2001-01 123.643 ~ld 4 • diz, também, que com a edição da Resolução n° 49, de 1995, do Senado Federal, teria direito de reaver a diferença entre o que pagou a título de PIS, com o que deveria ser pago com base na Lei Complementar n° 7, de 1970, tendo, para esse fim, ingressado com ação ordinária de compensação, na qual obteve sentença favorável, e que serviu de base para proceder às compensações; • no seguimento, discorre sobre normas legais que tratam do instituto da compensação (art. 170 do CTN, art. 66 e parágrafos da Lei n° 8.383, de 1991, com a redação do art. 58 da Lei n.o 9.065, de 1995 e art. 39 da Lei n.o 9.250, de 26 de dezembro de 1995), dizendo .que no caso de pagamento indevido, como seria o presente, teria direito de efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente, isto é, que poderia fazer a compensação da difereIilçll.paga a mais no passado com créditos tributários vincendos, citando parecer da doutrina sobre o tema; • entende que a autuação é decorrente da determinação existente no art. 17 da Instrução Normativa SRF n.o 21, de 1997, que teria estabelecido que a compensação, decorrente de créditos reconhecidos 'pelo judiciário, será revisada no mérito pelo Fisco, o que, afirma, é inadmissível 'ante os princípios da harmonia e independência dos Poderes da União (art. 2° da Constituição Federal de 1988) e da legalidade; • sustenta que se a Fazenda Nacional discorda ou discordou da interpretação dada pelo Judiciário em relação ao prazo de recolhimento do PIS, que entende ser o cerne da questão, deveria ter interposto recurso contra essa decisão ou intentado ação judicial própria; argumenta que essa matéria já foi "longa e exaustivamente estudada" pelos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, que reiteradas vezes decidiram que cabe razão aos contribuintes, transcrevendo, às fls. 80/84, trechos de acórdãos desses órgãos; • em resumo, afirma que a autuação é flagrantemente improcedente haja vista que a empresa procedeu à recuperação dos valores pagos a maior do PIS, amparada por sentença judicial, em cujo processo o Fisco deveria ter levantado as premissas em que pretendesse embasar a ação fiscal e, se não o fez, a matéria não pode ser mais discutida, face o decurso dos prazos processuais na instância judicial, e que, por outro lado, se não bastasse a mencionada decisão judicial, o Conselho de Contribuintes já manifestou-se sobre o tema dando abrigo ao pleito dos contribuintes; e • por fim, pede que se acatem os seus argumentos e que se considere improcedente o auto de infração. A autoridade julgadora de primeira instância manifestou-se por meio do Acórdão DRJ/CTA n° 3.347, de 26/03/2003, fls. 94/106, julgando procedente o lançamento, ementando sua decisão nos seguintes termos: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário -{ -~ - - - -- - ----- ---- "- I -:( Processo n° Recurso nO Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10940.001643/2001-01 123.643 IPC~MF IFI. Período de apuração: 01/09/1991 a 30/04/1994, 01/07/1994 a 30/09/1995 Ementa: DECADÊNCIA. o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito relativo à contribuição ao PIS decai em dez anos. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/1991 a 30/04/1994, 01/07/1994 a 30/09/1995; 01/05/1998 a 31/05/1998, 01/07/1998 a 31/10/1998 Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento do PIS, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos legais. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação de direito de compensação não fundamentado, não comprovado e nem demonstrado - não constitui razão oponível ao ?ançamento de oficio regularmente efetuado. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/1991 a 30/04/1994,01/07/1994 a 30/09/i995 PIS. PRAZO DE RECOLHIMENTO. ALTERAÇÕES. Normas legais supervenientes alteraram o prazo de recolhimento da contribuição ao PIS previsto originariamente em seis meses. ATUALIZAÇÃO MONETARIA. LEGALIDADE. A atualização monetária do valor da contribuição decorre de expressa previsão legal. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/05/1998 a 31/05/1998, 01/07/1998 a 31/10/1998 Ementa: BASE LEGAL. A partir de 10 de março de 1996, a contribuição ao PIS é exigida com base na LC nO 7, de 1970, com as alterações introduzidas pela MP 1.212, de 1995, e reedições, convalidadas pela Lei n° 9.715, de 1998. Lançamento Procedente ". A contribuinte tomou ciência do teor do referido Acórdão em 14/0412003, fi. 110, e, inconformada com o julgamento proferido, interpôs, em 14/05/2003, recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes, fls. 111/139, no qual reitera suas razões apresentadas na inicial. A recorrente efetuou arrolamento de bens garantindo o seguimento do recurso interposto, segundo documentos de fl. 147. É o relatório. ;( 5 Processo n° Recurso n° Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10940.001643/2001-01 123.643 VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA NAYRA BASTOS MANA TIA ["CC-MF IFI. O recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. O processo versa sobre a exigência do PIS, decorrente, segundo o Fisco, de insuficiência de crédito para efetuar compensação, autorizada pelo Judiciário em ação transitada em julgado favorável à recorrente. Verifica-se, entretanto, da análise dos autos, que a divergência apontada pelo Fisco decorreu da aplicação do critério da semestralidade, não objeto de apreciação pelo Judiciário, por parte da contribuinte nos cálculos dos valores a compensar. , No que diz respeito à semestralidade é entendimento pacífico neste :Conselho de Contribuintes que, até a entrada em vigor das alterações na legislaçã0 de regência do PIS, introduzidas pela Medida Provisória nO1.212/1995, a base de cálculo dessa contribuição deve ser calculada com base no faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária. Assim sendo, diante dos fatos, e com esteio no artigo 29 do Decreto nO 70.235/72, somos pela transformação do presente voto em diligência, para que seja tomada a seguinte providência: - verificar se as compensações autorizadas pelo Judiciário e efetuadas pela contribuinte foram suficientes para cobrir o valor lançado no presente Auto de Infração, considerando-se a base de cálculo como sendo o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária, e atualizando-se os créditos porventura existentes nos termos definidos na Sentença Judicial, elaborando demonstrativo dos cálculos. Do resultado das averiguações, seja dado conhecimento ao sujeito passivo, para que, querendo, manifeste-se sobre o mesmo no prazo de 30 (trinta) dias. Após conclusão da diligência, retornem oS autos a esta Câmara, para julgamento. Sala das Sessões, em 12 de maio de 2004 ( \"~~WQl'Qk NAYfABAfTOS MANATTA 6 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006
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Numero do processo: 10166.012288/00-63
Data da sessão: Thu Jun 17 00:00:00 UTC 2004
Numero da decisão: 201-00.430
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Sergio Gomes Veloso
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RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Sala das Sessões, em 17 de junho de 2004. CONSERVENGE - CONSTRUÇÃO E CONSERVAÇÃO LTDA. DRJ em Brasília - DF ["CC-MF IFI. RESOLUÇÃO NQ201-00.430 10166.012288/00-63 121.746 Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Recorrente Recorrida Processo nQ Recurso nQ ~~~.~-'. J~sefa~Maria Coelho Mar~~es - U - preSiden~~ ( Sérgi J1 0meS Velloso Rela~ll Participaram, ainda, da presente resolução os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo Galvão, Antonio Carlos Atulim, José Antonio Francisco, Rodrigo Bemardes Raimundo de Carvalho (Suplente) e Rogério Gustavo Dreyer. Ausente o Conselheiro Antonio Mario de Abreu Pinto. 1 ~""'I'II.~":Ir'~'",' ~ 4~.;lf..404"'T.\.., •• , Processo nº Recurso nº Recorrente Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10166.012288/00-63 121.746 CONSERVENGE-CONSTRUÇÃO E CONSERVAÇÃO LTDA. RELATÓRIO I ~CC-MF IFI. Contra a recorrente foi lavrado o Auto de Infração para cobrança dos valores devidos a título de Cofins no período compreendido entre os meses de abril/92 e fevereiro/93. Inconformada com. a autuação, a recorrente apresentou a impugnação de fls. 35/54, aduzindo: 1) que nos autos do Mandado de Segurança por ela impetrado lhe foi assegurado o direito de compensar os créditos de Finsocial com débitos da Cofins; e 2) que a multa imposta é abusiva. O lançamento foi julgado procedente, nos termos do Acórdão DRJIBSA n~ 1.197/2002, fls. 56/63, assim ementado: "Ementa: Nulidade Não há que se falar de nulidade quando a exigência fiscal sustenta-se em processo instruído com todas as peças indispensáveis e não se vislumbra nos autos que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender. Falta de Recolhimento Constatada falta de recolhimento da contribuição no período alcançado pelo auto de infração, é de se manter o lançamento, por força de lei. Compensação Compete às DRF efetuar a compensação, nos estritos termos das Instruções Normativas SRF 021 e 073/1997. Multa de Oficio O não pagamento das parcelas devidas, em suas épocas próprias, sujeita a empresa à incidência de multa e juros. No caso dos autos, o percentual da multa equivale a setenta e cinco por cento, porque o lançamento é de oficio, em face da faita de recolhimento. Multa Confiscatória O instituto do confisco, constitucionalmente posto, importa em prejuízos exorbitantes para toda a sociedade, não ocorre com infrações à legislação tributária. Juros - Limite Legal O 9 10 do art. 161 do CTN não impõe limite ao legislador ordinário para o estabelecimento da taxa de juros, portanto, pode a lei ordinária fixá-la em percentual diverso, superior ou inferior, a 1% ao mês. Juros de Mora - Aplicabilidade da Taxa Selic Sobre os créditos tributários vencidos e não pagos a partir de abril de 1995, incidem os juros de mora equivalentes à taxa SELIC para títulos federais. Lançamento Procedente n. 2 Contra a'decisão de primeira instância foi interposto recurso voluntário, repisando os argumentos da peça impugnatória. Subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório, passo a decidir. I I Processo nQ Recurso nQ Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10166.012288/00-63 121.746 ~Ld 3 c I I I ! \ 1 I Processo nQ Recurso nQ Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes 10166.012288/00-63 121.746 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR SÉRGIO GOMES VELLOSO I" CC-MF IFI. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos, dele tomo conhecimento. A recorrente ampara sua defesa na alegação de que teve, a seu favor, sentença transitada em julgado, autorizando a compensação dos seus créditos de Finsocial com débitos da Cofns. Acontece que o documento trazido por ela, que trata desta decisão judicial, é o extrato obtido junto à Internet, de acordo com o qual vê-se que o Mandado de Segurança n£ 91.00.07898-9 já esta findo, fi. 40. Contudo, este documento, por si só, não deixa claro se a recorrente realmente integrou a lide e se a decisão autorizou a compensação. Noto que tais aspectos são cruciais, pois as majorações de alíquotas de Finsocial somente foram desconsideradas pelo STF em relação às empresas vendedoras de mercadorias e mistas. Como a recorrente é empresa exclusivamente prestadora de serviço, a questão não pode ser tratada nos termos da IN SRF n£ 32/97, devendo haver expressa decisão judicial neste sentido. Assim, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a recorrente traga aos autos cópias da: 1) inicial do Mandado de Segurança; 2) decisão que transitou em julgado; e 3) certidão de objeto e pé do processo. É como voto. Saladasses~ill' ~ dejunho de2004. SÉRGI#OMES VELLOSO ~ 4 00000001 00000002 00000003 00000004
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Numero do processo: 10980.011918/2002-11
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 202-01.007
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligencia, nos termos do voto do Relator
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Dalton Cesar Cordeiro de Miranda
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Numero do processo: 14041.000145/2008-02
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2003 FATO GERADOR - OCORRÊNCIA - AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO - NULIDADE Um dos requisitos para a validade do lançamento é a demonstração clara e precisa da ocorrência do fato gerador. É nulo o lançamento em que não se tem a certeza quanto à ocorrência do fato gerador. Processo Anulado
Numero da decisão: 2402-003.420
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o lançamento por vício material.
Nome do relator: Ana Maria Bandeira
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É nulo o lançamento em que não se tem a certeza quanto à ocorrência do fato gerador. Processo Anulado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular o lançamento por vício material. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 45 /2 00 8- 02 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa incidentes sobre valores pagos a contribuintes individuais, bem como a contribuição destes contribuintes, cuja arrecadação e recolhimento passou a ser responsabilidade da empresa após a vigência da Lei nº 10.666/2003. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 25/27), foi efetuada análise das informações dos segurados e suas remunerações constantes dos bancos de dados do CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais, informadas pelo contribuinte por meio de GFIP Guias do FGTS e Informações à Previdência Social, para confrontar com os pagamentos a pessoas sem vinculo empregatício declaradas por meio da DIRF Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte. Do confronto, a auditoria fiscal concluiu que foram sonegados pagamentos que foram apurados no livro razão, conta REPASSES MÉDICOS PESSOA FÍSICA. A autuada teve ciência do lançamento em 20/12/2007 e apresentou defesa (fls. 54/73), onde alega que a autuação seria nula pelo fato de a auditoria fiscal não ter observado o art. 142 do Código Tributário Nacional – CTN, como também o art. 37 da Lei nº 8.212/1991. A não observância dos dispositivos citados residiria na não discriminação clara e precisa dos fatos geradores. Entende que a auditoria fiscal não buscou a verdade material, uma vez que da simples leitura do artigo 3º do Estatuto Social da ora Impugnante, é perceptível a não incidência do tributo, tendo em vista que a AMAI não é empregadora e muito menos tomadora de serviços dos médicos a ela associados. Argumenta que a fiscalização ignorou solenemente as regras relativas às empresas que atuam na área da saúde. Transcreve o artigo 275 da Instrução Normativa MPAS/SRP 03/2005 para concluiu que a autuada não se enquadra em qualquer das definições de empresa que atua na área da saúde. Afirma que assina, em nome de seus associados, os documentos (contratos, convênios e assemelhados) com os efetivos tomadores de serviços dos profissionais médicos (empresas públicas ou privadas), recebendo, em nome desses profissionais, os valores acordados, o que a caracteriza, ao fim e ao cabo, como simples repassadora dos valores recebidos, fato que não a torna, como já mencionado anteriormente, como empregadora ou tomadora de serviços de seus associados. De igual forma, entende que não está obrigada a realizar qualquer tipo de desconto de contribuição dos associados, tendo em vista que ela não é tomadora de seus serviços. Menciona o parágrafo único do art. 36 da Portaria RFB n°. 10.875, de 16 de agosto de 2007, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal relativo às contribuições sociais de que tratam os arts. 2° e 3° da Lei n°. 11.457, de 16 de março de 2007, segundo o qual os julgadores de lª instância (Delegacias da Receita Federal de Julgamento — DRJ) Fl. 151DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000145/200802 Acórdão n.º 2402003.420 S2C4T2 Fl. 151 3 continuariam vinculados aos pareceres da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social — MPS, no caso, especificamente os pareceres 1.800/99, 1.172/98 e 1.045/97. Aduz que os diretores não podem figurar como coresponsáveis, sob o argumento de que o suposto não pagamento das obrigações previdenciárias, por si só, não caracteriza nenhum das situações previstas em lei para a responsabilização pessoal do administrador. Alega o efeito confiscatório do lançamento e a inaplicabilidade da taxa de juros SELIC. Solicita a realização de diligência e perícia onde apresenta questões a serem esclarecidas, bem como indica perito. Pelo Acórdão nº 0326.430 (fls. 88/97), a 5ª a Turma da DRJ/Brasília julgou o lançamento procedente. Argumenta o relator que a Associação Médica de Assistência Integrada — AMAI, apesar de constituída sob a forma jurídica de sociedade simples, pretende, em realidade, atrair a incidência das normas jurídicas de tributação que regem tipo societário diverso, qual seja, a sociedade cooperativa, pois, na situação em concreto, a carga fiscal seria substancialmente reduzida. Transcrevese abaixo, trecho da decisão: Entendese que as meras disposições estatutárias formais não são determinantes para definir o regime jurídico tributário aplicável à espécie, mas, sim, a realidade material quanto à efetiva ocorrência do fato gerador. Assim, é ineficaz juridicamcnte, em relação ao Fisco, a forma híbrida societária almejada pela recorrente, querendo impor um regime tributário que aproveita a forma societária da sociedade simples para elidir a ocorrência do fato gerador relativa à contratação de serviços de cooperados de uma cooperativa, mas define o seu objeto à semelhança das cooperativas para elidir a ocorrência do faro gerador na remuneração partilhada entre os associados. Ou seja, por um aspecto ou por outro, não haveria contribuição a cargo das empresas, seja da prestadora de serviços seja das tornadoras destes. Ocorre que a situação definida na Lei de Custeio, como sendo o fato gerador da obrigação tributária, deve ser interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelo contribuinte, a teor do artigo 118 do CTN. Por conseguinte, é irrelevante o Estatuto da AMAI, sob o aspecto de sua forma jurídica híbrida, como visto anteriormente, pois o que interessa é verificar se houve remuneração auferida pelos seus associados. E a remuneração é uma conseqüência lógica da atuação da Associação, que não poderia realizar os objetivos propostos, originários de contratos firmados com planos de saúde, Fl. 152DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 convênios etc., sem se utilizar da mãodeobra dos contribuintes individuais a seu serviço. Assim, ainda que se pudesse demonstrar, eventualmente, que este contribuinte não escritura como receita os valores ganhos na execução desses contratos, a verdade material é que esta Associação não é uma simples intermediadora de mãodeobra, como alega em sua defesa, mas uma empresa cuja atividade econômica consiste na exploração dos serviços de saúde e, para tanto, reúne um corpo profissional qualificado e à sua disposição para que possa cumprir os seus compromissos contratuais. Restou, assim, configurada a ocorrência do fato gerador de contribuições previdenciárias, de modo que a situação analisada subsumese na hipótese de incidência extraída do inciso III do artigo 22 da Lei n° 8.212/91, bem como do artigo 4º da Lei n° 10.666/2003, que fundamentam o presente lançamento fiscal, conforme relatório de Fundamentos Legais do Debito — FLD, as fls. 16/17, que é parte integrante da presente NFLD. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 107/136), onde alega que parte do lançamento estaria nulo em face da Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, que o acórdão recorrido laborou em erro ao proceder a equiparação entre a Recorrente que é pessoa jurídica na modalidade de associação, com a figura jurídica da cooperativa. Entende que a decisão recorrida ao tentar transmudar o enquadramento jurídico da Recorrente para outro diverso daquele constante da autuação, labora de forma atentatória aos princípios basilares do direito tributário e constitucional e merece ser rechaçado por este Conselho. No mais, efetua a repetição das alegações de defesa. É o relatório. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000145/200802 Acórdão n.º 2402003.420 S2C4T2 Fl. 152 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Em sede de preliminar, a recorrente argumenta a nulidade do lançamento por não observância dos artigos 142 do CTN e 37 da Lei nº 8.212/1991, especificamente no que se refere à discriminação clara e precisa da ocorrência do fato gerador. O lançamento em questão foi efetuado após análise das informações dos segurados e suas remunerações constantes dos bancos de dados do CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais, informadas pelo contribuinte por meio de GFIP Guias do FGTS e Informações à Previdência Social em confronto com os pagamentos a pessoas sem vinculo empregatício declaradas por meio da DIRF Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte. Na existência de divergências resultante do confronto acima, a auditoria fiscal concluiu que foram sonegados pagamentos. Assim, com base na conta do livro razão denominada REPASSES MÉDICOS PESSOA FÍSICA, a auditoria fiscal considerou tais valores como sendo remuneração paga a contribuintes individuais, efetuando o lançamento da contribuição patronal de 20% e a contribuição do segurado contribuinte individual no valor de 11% que a empresa passou a ser responsável pela arrecadação e recolhimento após a Lei nº 10.666/2003. Os fatos mencionados compreendem toda a motivação do lançamento por parte da auditoria. A contribuição da empresa incidente sobre as remunerações pagas a contribuintes individuais está prevista no art. 22, inciso III, da Lei nº 8.212/1991, cujas disposições transcrevese: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços Já a contribuição dos segurados encontra fundamento no art. 4º da Lei nº 10.666/2008, que assim dispõe: "Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 10 (dez) do mês seguinte ao da competência. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Percebese da leitura dos dispositivos que as contribuições em questão tem como pressuposto para sua existência a efetiva prestação dos serviços à empresa pelos contribuintes individuais. Havendo a prestação dos serviços pelos contribuintes individuais, ocorre o fato gerador e surge para a empresa contratante a obrigação de declarálo em GFIP. Ao confrontar os valores pagos a contribuintes individuais declarados em GFIP com aqueles declarados na DIRF, a auditoria fiscal verificou divergências que levaram a inferir a existência de sonegação. Estas diferenças podem ser um indício de sonegação, mas a sua existência, sem uma maior investigação das razões de sua origem, por si só, não são capazes de levar à conclusão de que haveria fatos geradores não declarados em GFIP, ou seja, sonegação fiscal. Tal conclusão se deve ao fato de que enquanto a GFIP traz os fatos geradores de contribuições previdenciárias, que no presente caso, seria a prestação de serviços por parte de contribuintes individuais, os valores apurados em DIRF não representam necessariamente que houve a prestação dos serviços por parte destes contribuintes à empresa declarante. Cumpre lembrar que a obrigação de reter e recolher o imposto de renda de pessoas físicas abrange outras situações, além da efetiva prestação de serviços. Vale citar o artigo 29 da vigente Instrução Normativa RFB nº 1.234, de 11 de janeiro de 2012, que dispõe sobre a retenção de tributos: Art. 29. No caso de pagamentos a associações de médicos, de veterinários ou de odontólogos que atuem na intermediação da prestação de serviços médicos, veterinários ou de odontologia, prestados por pessoas físicas ou por pessoas jurídicas, os quais realizam os procedimentos médicos, veterinários ou odontológicos, em nome próprio, em suas respectivas instalações, deverá ser observado o seguinte: I se o associado for pessoa jurídica, a retenção será efetuada sobre o total pago a cada pessoa jurídica prestadora dos serviços, observado os seguintes percentuais: (...) II se o associado for pessoa física, caberá a retenção do imposto sobre a renda na fonte calculado com base na tabela progressiva mensal, sobre o total pago a cada pessoa física; De acordo com o dispositivo encimado, verificase que a obrigação de reter o imposto de renda existe ainda que os serviços não tenham sido prestados à associação, ou seja, quando esta atua como mera intermediária. No entanto, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária demanda a prestação dos serviços e, a meu ver, este quesito não restou plenamente demonstrado no Relatório Fiscal. Asseverese que é perfeitamente possível que a recorrente, como uma associação, atuasse como mera repassadora dos valores aos seus associados, como é possível inferir pela própria conta utilizada pela auditoria fiscal, qual seja, REPASSES MÉDICOS PESSOA FÍSICA. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000145/200802 Acórdão n.º 2402003.420 S2C4T2 Fl. 153 7 É certo que a situação fática poderia ser diversa da apresentada, no entanto, o Relatório Fiscal não traz qualquer elemento nesse sentido, sequer informando a que grupo de contas pertencia a conta citada. A decisão recorrida, por sua vez, apresenta a tese de que a recorrente, embora constituída como associação, atuaria como verdadeira cooperativa, situação que ensejaria a manutenção do lançamento, com amparo no art. 118 do CTN. Entendo que a decisão recorrida levanta questões que não foram suscitadas pela auditoria fiscal, para fundamentar o lançamento. Tanto a associação como a cooperativa são formas de associação previstas em lei, cada uma com suas características próprias. Caso a auditoria fiscal tivesse observado a existência de uma simulação de tal sorte que a recorrente, embora apresentasse todas as características de cooperativa, tivesse se constituído sob a forma de associação com a finalidade de absterse do recolhimento de tributos, poderia ter demonstrado o fato e efetuado o lançamento, como se cooperativa fosse, com respaldo no art. 118 do CTN, mencionado na decisão recorrida. No entanto, nada disso foi feito, ou seja, a auditoria fiscal não utilizou uma suposta simulação como razão para motivar o lançamento. Portanto, não resta claro nos autos se os valores lançados na conta REPASSES MÉDICOS PESSOAS FÍSICAS seriam ou não fatos geradores de contribuições previdenciárias de responsabilidade da recorrente. Dessa forma, o lançamento não pode prevalecer por estar viciado em sua própria constituição. Quanto à natureza do vício existente no lançamento, permitome transcrever trecho do voto apresentado no acórdão nº 2402001.543, de lavra do Dr. Nereu Miguel Ribeiro Domingues que explica com propriedade a diferenciação entre vício formal e material. Cumpre inicialmente esclarecer que a discussão do tema é bastante relevante, pois, dependendo da natureza imputada ao defeito encontrado no lançamento, as autoridades fiscalizadoras terão o prazo decadencial “reiniciado” para constituir o crédito tributário, nos termos do art. 173, inc. II, do CTN. Para que a controvérsia seja devidamente dirimida, devese delimitar os conceitos de vício formal e material, assim como os motivos que dão ensejo ao reconhecimento dessas duas espécies de vícios, que igualmente ensejam a nulidade do lançamento, porém com diferentes efeitos. No que tange ao vício formal, assim conceitua De Plácido e Silva1: “É o defeito, ou a falta, que se anota em um ato jurídico, ou no instrumento, em que se materializou, pela 1 Silva, De Plácido e. Vocabulário Jurídico / atualizadores: Nagib Slaibi Filho e Gláucia Carvalho. 25ª edição. Ed. Forense. Rio de Janeiro, 2004. p. 1482. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 omissão de requisitos, ou desatenção à solenidade, que se prescreve como necessário à sua validade ou eficácia jurídica.” Assim, vislumbrase que o erro de forma deve estar relacionado com o descumprimento dos requisitos e solenidades necessários à criação do ato jurídico, bem como que importe na sua invalidade ou ineficácia jurídica, presentes na medida em que há preterição do direito de defesa do sujeito passivo, situação que leva ao insucesso de se atingir a finalidade do ato administrativo. Vale dizer, num primeiro momento, que o vício de forma está intimamente ligado com o alcance da finalidade do ato administrativo. Nesse mesmo sentido expõe Marcos Vinicius Neder2: “O vício processual de forma só deve conduzir ao reconhecimento da invalidade do ato quando a própria finalidade pela qual a forma foi instituída estiver comprometida.” Cabe ressaltar também o entendimento de Manoel Antonio Gadelha Dias3: “O ato administrativo é ilegal, por vício de forma, quando a lei expressamente a exige ou quando determinada finalidade só pode ser alcançada por determinada forma.” No campo prático, as “solenidades” formais do lançamento se referem a todos os requisitos complementares necessários para se compor a linguagem para a comunicação jurídica4, ou seja, para que o ato administrativo possua todos os elementos necessários à efetiva interação com o sujeito passivo, permitindo que este compreenda todas as motivações que o levaram a ser autuado, tais como a descrição dos fatos, a exposição da capitulação legal infringida, a menção ao local, data e hora da lavratura, etc. Esses requisitos compõem os elementos extrínsecos/formais do lançamento, os quais, para que importem na invalidade jurídica do ato administrativo, devem estar maculados a ponto de preterir o direito de ampla defesa e contraditório do sujeito passivo. Desta forma, ao se identificar que houve falha na exposição de um requisito complementar no auto de infração, e que, em virtude disso, houve deficiência na comunicação jurídica do ato administrativo, preterindo o direito de defesa do sujeito passivo, estarseá diante de um vício formal, que pode ser regularizado pela autoridade fiscal através de um novo lançamento, dentro do prazo decadencial previsto pelo art. 173, inc. II, do CTN. 2 Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, São Paulo, Dialética, 2002, p. 416. 3 Tôrres, Heleno Taveira et al (coordenação). Direito Tributário e Processo Administrativo Aplicados São Paulo: Quartier Latin, 2005. p. 340. 4 Tôrres, op. cit. p. 346. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000145/200802 Acórdão n.º 2402003.420 S2C4T2 Fl. 154 9 Cabe ainda ressaltar que, como é cediço, nesses casos, a permitida regularização do vício formal realizada por lançamento superveniente não poderá alterar os elementos materiais do ato administrativo previstos no art. 142 do CTN (fato gerador, obrigação tributária, matéria tributável, cálculo do montante devido e identificação do sujeito passivo), tendo em vista que apenas aperfeiçoará a forma de sua constituição para possibilitar que haja comunicação jurídica, permitindo que o contribuinte conheça as efetivas razões de autuação, bem como que realize a devida defesa, caso entenda ser necessário. Expostas minhas considerações acerca do conceito de vício formal, passo a analisar as características do vício material. Analisando o procedimento adotado pelo Código Tributário Nacional para se constituir o ato administrativo – lançamento – (art. 142 do CTN), verificase que a fiscalização deve “verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Tais procedimentos, embora façam parte do lançamento, resultam na formação dos seus elementos materiais/intrínsecos, sem os quais não haverá a constituição do crédito tributário. Destarte, caso a aferição desses elementos seja feita de forma equivocada, o lançamento resultante não estará revestido com os requisitos básicos inerentes à “construção”5 do ato, resultando na sua nulidade. Não obstante, quando a fiscalização não aplica os elementos intrínsecos como deveria, ela certamente estará infringindo a disposição legal pertinente (seja aquela aplicável ao cálculo do montante devido, ou à determinação do fato gerador, etc.), importando na existência de um vício material. Nesse sentido, leciona Leandro Paulsen6: “Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei.” Vejase, assim, que a ocorrência do vício material está diretamente ligada com a deformidade do conteúdo do lançamento, que acaba por exigir indevidamente tributos do sujeito passivo, em ofensa, inclusive, ao princípio da legalidade, situação inaceitável nas relações do fisco com o contribuinte. Outra questão que bem delimita os casos de vício formal e material é o efeito que seria presenciado caso fosse permitido 5 “VÍCIO MATERIAL – ERRO NA CONSTRUÇÃO DO LANÇAMENTO – Padece de vício material o lançamento que altera as características do crédito tributário, modificando seus elementos. (...)” (CARF, 1° Conselho, 2ª Câmara, Relator Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho, Acórdão n° 10248700, Sessão de 08/08/2007) 6 Paulsen, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado. Editora: ESMAFE, 2010. p. 1194. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 um novo lançamento, realizado para sanar os vícios existentes no lançamento anterior. Caso o vício seja formal, o novo lançamento exigirá: (i) a mesma matéria tributável, (ii) o mesmo montante apurado no lançamento anterior, (iii) que o lançamento abranja os mesmos fatos geradores, (iv) que o sujeito passivo seja o mesmo, e (v) que seja a mesma multa aplicada, tendo em vista que, com o novo lançamento, apenas se ajustará os elementos extrínsecos do ato administrativo. Em se tratando de vício material, o novo lançamento acabará alterando os elementos substanciais do lançamento, o que resultará na cobrança de um tributo diferente, ou em valor diferente, ou apurado por critérios diferentes, ou de outro sujeito passivo, assim por diante, situação que não pode se valer do prazo decadencial previsto no art. 173, inc. II, do CTN. Versando sobre os efeitos resultantes das alterações promovidas pelo lançamento superveniente, este CARF assim se posicionou: “VÍCIO MATERIAL Havendo alteração de qualquer elemento inerente ao fato gerador, à obrigação tributária, à matéria tributável, ao montante devido do imposto e ao sujeito passivo, se estará diante de um lançamento autônomo que não se confunde com o lançamento refeito para corrigir vício formal, nos termos previstos no artigo 173, II, do CTN. (...)”. (CARF, 1° Conselho, 2ª Câmara, Relator José Raimundo Tosta Santos, Acórdão n° 10247829, Sessão de 16/08/2006) Nessa mesma linda de entendimento, peço vênia para destacar também trecho do voto proferido pelo i. Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, que verificou a indevida aplicação do vício formal e externou seu entendimento para que fosse reconhecido o vício material do lançamento. Vejase: “Em suma, entendo que o vício formal pressupõe que novo lançamento, se viabilizado, não poderá ultrapassar os limites estabelecidos no lançamento primitivo, relativamente aos seus elementos estruturais, substanciais. No presente caso, um novo lançamento forçosamente modificará a base imponível, com óbvios reflexos no cálculo do montante do tributo devido, (...)" (CARF, 1ª Conselho, 7ª Câmara, Relator Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Acórdão nº 10706.757, Sessão de 22/08/2002) – destacouse Da análise do caso concreto, podese inferir que se trata de vício material, ou seja, sequer se tem a certeza da existência do fato gerador, um dos elementos intrínsecos do lançamento descritos no art. 142 do CTN, quais sejam, fato gerador, obrigação tributária, matéria tributável, cálculo do montante devido e identificação do sujeito passivo. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000145/200802 Acórdão n.º 2402003.420 S2C4T2 Fl. 155 11 Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e ANULAR o lançamento por vício material. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 160DF CARF MF Impresso em 02/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 26/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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