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Numero do processo: 13770.001032/2007-38
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/10/2006
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. REQUERIMENTO DE DESISTÊNCIA DE RECURSO EM RAZÃO DE PEDIDO DE PARCELAMENTO.
Requerimento de desistência do recurso apresentada por contribuinte em cumprimento ás formalidades do parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09.
Hipótese em que deve-se declarar a definitividade do crédito tributário face a desistência do sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, por desistência do sujeito passivo em face de pedido de parcelamento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/10/2006 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. REQUERIMENTO DE DESISTÊNCIA DE RECURSO EM RAZÃO DE PEDIDO DE PARCELAMENTO. Requerimento de desistência do recurso apresentada por contribuinte em cumprimento ás formalidades do parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09. Hipótese em que deve-se declarar a definitividade do crédito tributário face a desistência do sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, por desistência do sujeito passivo em face de pedido de parcelamento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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REQUERIMENTO DE DESISTÊNCIA DE RECURSO EM RAZÃO DE PEDIDO DE PARCELAMENTO. Requerimento de desistência do recurso apresentada por contribuinte em cumprimento ás formalidades do parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09. Hipótese em que devese declarar a definitividade do crédito tributário face a desistência do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário em litígio, por desistência do sujeito passivo em face de pedido de parcelamento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 00 10 32 /2 00 7- 38 Fl. 2654DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de auto de infração (Debcad nº 37.020.1876) para cobrança de contribuições previdenciárias que nos termos do relatório fiscal pode assim ser resumido: 3 Este Relatório Fiscal visa prestar os esclarecimentos necessários acerca da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD acima, que referese às CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE A REMUNERAÇÃO DE TRABALHADORES ENQUADRADOS NA CATEGORIA DE SEGURADO EMPREGADO, VEZ QUE RESTARAM EVIDENCIADOS OS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DO VINCULO EMPREGATiC10, da empresa, no período de 01/97 a 10/06. 4 O débito apurado destinase: 4.1 À Seguridade Social, correspondente a: a) Contribuição dos segurados, b) Contribuição da empresa, c) Financiamento da complementação das prestações por acidentes do trabalho — SAT (para competência até 06/1997), d) Financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência e incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (para competências a partir de 07/1997). 4.2 A Terceiros: INCRA, SALÁRIOEDUCAÇÃO, SESC, SENAC e SEBRAE. Após o trâmite processual, a 3ª Câmara / 4ª Turma Ordinária negou provimento ao recurso de ofício e deu provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recalculo do valor da multa, de acordo com o disciplinado no art. 61 da Lei nº 9.430/96, se mais benéfica ao contribuinte. o Acórdão 2301002.965 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 31/10/2006 DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, Fl. 2655DF CARF MF Processo nº 13770.001032/200738 Acórdão n.º 9202006.685 CSRFT2 Fl. 2.655 3 devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Aplicase o art. 150, §4º do CTN se verificado que o lançamento referese a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. REPRESENTAÇÃO COMERCIAL. A Lei nº 4.886/1965 determina que o contrato de representação comercial poderá prever a exclusividade do representante, bem como a vedação de que os serviços sejam prestados à outra empresa concorrente do mesmo ramo ou atividade, não servindo tais elementos para caracterizar a relação como empregatícia. Somente quando verificados a subordinação, onerosidade e não eventualidade é que será reconhecido o vínculo empregatício entre tomador e prestador de serviços. GRUPO ECONÔMICO. INTERESSE COMUM NO FATO GERADOR DO TRIBUTO. O art. 30, IX da Lei nº 8.212/1991, que impõe a responsabilidade solidária das empresas do mesmo grupo econômico pelo pagamento das contribuições previdenciárias, deve ser interpretado conforme os dispositivos do Código Tributário Nacional que tratam da matéria, quais sejam, os arts. 124 e 128. Restando comprovado pela fiscalização que as empresas apontadas como coresponsáveis compartilhavam de mesma estrutura, sócios e MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 2656DF CARF MF 4 Contra a decisão a Fazenda Nacional, interpôs recurso especial de divergência questionando o critério adotado pelo Colegiado no que tange a aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Contribuinte se manifesta às efls. 2.626 comunicando acerca da desistência parcial do recurso em razão da adesão ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009. Esclarece que a desistência se refere apenas ao período de 06/2002 à 10/2006. Contra o recurso da Fazenda Nacional não foi apresentada contrarrazões. É o relatório. Fl. 2657DF CARF MF Processo nº 13770.001032/200738 Acórdão n.º 9202006.685 CSRFT2 Fl. 2.656 5 Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O Recurso ora discutido preenche os requisitos legais, razão pela qual dele conheço. Em que pese o objetivo do recurso seja a discussão dos critérios utilizados pelo acórdão para aplicação da retroatividade benigna de norma, haja vista as alterações promovidas pela MP 449/08 em dispositivos da Lei nº 8.212/91, há nos autos fato relevante que deve ser considerado. Conforme mencionado no relatório, foi juntado aos autos petição (efls. 2.626) por meio da qual o contribuinte formaliza, nos termos em que facultado pela respectiva lei, sua desistência parcial das peças de impugnação e recurso interpostos no presente processo. Referida petição foi apresentada em razão da adesão do contribuinte ao programa de parcelamento de débitos federais instituído pela Lei nº 11.941/2009. Eis o conteúdo do citado documento: Fl. 2658DF CARF MF 6 Vale destacar que o pedido de desistência é parcial porque envolve apenas o período de 06/2002 à 10/2006. Com relação as demais competências lançadas no auto de infração essas foram extintas por decadência nos termos do acórdão proferido pela DRJ, decisão ratificada pela Turma Recorrida e contra a qual não foi interposto recurso. Lembramos que o artigo 14 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 7/2013 é expresso ao fixar como critério formal para adesão ao parcelamento instituído a renúncia por parte do contribuinte a todo e qualquer direito que fundamente ações judiciais ou administrativas. Eis o teor do citado artigo: Art. 14. Para aproveitar as condições de que trata esta Portaria, o sujeito passivo deverá desistir de forma irrevogável de impugnação ou recurso administrativos, de ações judiciais propostas ou de qualquer defesa em sede de execução fiscal e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e ações judiciais. Diante disto, em relação a parte do lançamento mantida pela decisão recorrida, não há mais qualquer litígio em questão, uma vez que o contribuinte renunciou ao seu direito de discutir o lançamento efetuado. Assim, por todo o exposto, conheço e dou provimento ao Recurso para declarar a definitividade do crédito tributário, haja vista o pedido de desistência apresentado sujeito passivo. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 2659DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.003840/2008-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade.
SIGILO DAS OPERAÇÕES DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001, LEI ORDINÁRIA Nº 10.174/01 E SEUS DECRETOS REGULAMENTARES (DECRETOS Nº 3.724, DE 2001, E Nº 4.489, DE 2009). CONSTITUCIONALIDADES DECLARADAS PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
1. O Pleno do Supremo Tribunal Federal, no julgamento conjunto das ADI 2.859, 2.390, 2.386 e2.397 e do Recurso Extraordinário 601.314, que questionavam dispositivos da Lei Complementar 105/2001, da Lei nº 10.174/01 e dos Decretos nº 3.724, de 2001, e nº 4.489, de 2009, que permitem à Receita Federal do Brasil receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelas instituições financeiras, sem prévia autorização judicial, concluiu pela constitucionalidade das normas.
2. A Lei Complementar nº 105/2001 e os Decretos nº 3.724, de 2001, e nº 4.489, de 2009, consagram, de modo expresso, a permanência do sigilo das informações bancárias obtidas com espeque em seus comandos, não havendo neles autorização para a exposição ou circulação daqueles dados. Trata-se de uma transferência de dados sigilosos de um determinado portador, que tem o dever de sigilo, para outro, que mantém a obrigação de sigilo, permanecendo resguardadas a intimidade e a vida privada do correntista.
3. Na sistemática da repercussão geral, decidiu o STF (Tema 225): O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal e A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
PLURALIDADE DE SUJEITOS PASSIVOS. LANÇAMENTO. INCLUSÃO DE TODOS OS RESPONSÁVEIS. VALIDADE.
Uma vez apurada pela Fiscalização a existência de pluralidade de sujeitos passivos, o lançamento deve ser dirigido contra todos eles, os quais deverão figurar no pólo passivo, assegurando a cada um o direito de defesa.
DEPOIMENTOS. VALORAÇÃO DA PROVA. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA.
A consideração de depoimentos e documentos se insere na atividade de valoração da prova, a cargo do órgão julgador, não podendo ser tomada como cerceamento de defesa, desde que o convencimento seja motivado.
IRPJ, CSLL, PIS E COFINS. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO.
Quando os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
Numero da decisão: 1201-002.118
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 NULIDADES NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade. SIGILO DAS OPERAÇÕES DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001, LEI ORDINÁRIA Nº 10.174/01 E SEUS DECRETOS REGULAMENTARES (DECRETOS Nº 3.724, DE 2001, E Nº 4.489, DE 2009). CONSTITUCIONALIDADES DECLARADAS PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. O Pleno do Supremo Tribunal Federal, no julgamento conjunto das ADI 2.859, 2.390, 2.386 e2.397 e do Recurso Extraordinário 601.314, que questionavam dispositivos da Lei Complementar 105/2001, da Lei nº 10.174/01 e dos Decretos nº 3.724, de 2001, e nº 4.489, de 2009, que permitem à Receita Federal do Brasil receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelas instituições financeiras, sem prévia autorização judicial, concluiu pela constitucionalidade das normas. 2. A Lei Complementar nº 105/2001 e os Decretos nº 3.724, de 2001, e nº 4.489, de 2009, consagram, de modo expresso, a permanência do sigilo das informações bancárias obtidas com espeque em seus comandos, não havendo neles autorização para a exposição ou circulação daqueles dados. Trata-se de uma transferência de dados sigilosos de um determinado portador, que tem o dever de sigilo, para outro, que mantém a obrigação de sigilo, permanecendo resguardadas a intimidade e a vida privada do correntista. 3. Na sistemática da repercussão geral, decidiu o STF (Tema 225): O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal e A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 PLURALIDADE DE SUJEITOS PASSIVOS. LANÇAMENTO. INCLUSÃO DE TODOS OS RESPONSÁVEIS. VALIDADE. Uma vez apurada pela Fiscalização a existência de pluralidade de sujeitos passivos, o lançamento deve ser dirigido contra todos eles, os quais deverão figurar no pólo passivo, assegurando a cada um o direito de defesa. DEPOIMENTOS. VALORAÇÃO DA PROVA. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. A consideração de depoimentos e documentos se insere na atividade de valoração da prova, a cargo do órgão julgador, não podendo ser tomada como cerceamento de defesa, desde que o convencimento seja motivado. IRPJ, CSLL, PIS E COFINS. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO. Quando os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
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Não se apresentando as causas elencadas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade. SIGILO DAS OPERAÇÕES DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001, LEI ORDINÁRIA Nº 10.174/01 E SEUS DECRETOS REGULAMENTARES (DECRETOS Nº 3.724, DE 2001, E Nº 4.489, DE 2009). CONSTITUCIONALIDADES DECLARADAS PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 1. O Pleno do Supremo Tribunal Federal, no julgamento conjunto das ADI 2.859, 2.390, 2.386 e2.397 e do Recurso Extraordinário 601.314, que questionavam dispositivos da Lei Complementar 105/2001, da Lei nº 10.174/01 e dos Decretos nº 3.724, de 2001, e nº 4.489, de 2009, que permitem à Receita Federal do Brasil receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelas instituições financeiras, sem prévia autorização judicial, concluiu pela constitucionalidade das normas. 2. A Lei Complementar nº 105/2001 e os Decretos nº 3.724, de 2001, e nº 4.489, de 2009, consagram, de modo expresso, a permanência do sigilo das informações bancárias obtidas com espeque em seus comandos, não havendo neles autorização para a exposição ou circulação daqueles dados. Tratase de uma transferência de dados sigilosos de um determinado portador, que tem o dever de sigilo, para outro, que mantém a obrigação de sigilo, permanecendo resguardadas a intimidade e a vida privada do correntista. 3. Na sistemática da repercussão geral, decidiu o STF (Tema 225): “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal” e “A Lei AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 38 40 /2 00 8- 42 Fl. 557DF CARF MF 2 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 PLURALIDADE DE SUJEITOS PASSIVOS. LANÇAMENTO. INCLUSÃO DE TODOS OS RESPONSÁVEIS. VALIDADE. Uma vez apurada pela Fiscalização a existência de pluralidade de sujeitos passivos, o lançamento deve ser dirigido contra todos eles, os quais deverão figurar no pólo passivo, assegurando a cada um o direito de defesa. DEPOIMENTOS. VALORAÇÃO DA PROVA. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. A consideração de depoimentos e documentos se insere na atividade de valoração da prova, a cargo do órgão julgador, não podendo ser tomada como cerceamento de defesa, desde que o convencimento seja motivado. IRPJ, CSLL, PIS E COFINS. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO. Quando os lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente convocado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, José Carlos de Assis Guimarães e Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório FAZENDA AGROPECUÁRIA XAVANTINA LTDA. recorre a este Conselho com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 0424.226, de 15/04/2011, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS), que julgou improcedente a impugnação apresentada. Fl. 558DF CARF MF Processo nº 10183.003840/200842 Acórdão n.º 1201002.118 S1C2T1 Fl. 558 3 O CARF, por intermédio da extinta 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento converteu o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 1202 000.259, de 24 de março de 2015. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da Resolução ao norte mencionada, completandoo ao final: "Fazenda Agropecuária Xavantina Ltda., pessoa jurídica acima qualificada, teve contra si lavrado o auto de infração (AI e demonstrativos às f. 03 a 23) em decorrência de omissão de receitas decorrente de receitas não contabilizadas e depósitos bancários não contabilizados cuja origem não foi comprovada. O lançamento resultou em R$ 1.522.979,56 de imposto, RS 1.142.234,62 de multa proporcional de oficio (75%) e RS 455.460,46 de juros de mora calculados até 31 de julho de 2008. Foram também lavrados os autos de infração reflexos (Pis/Pasep, Cofins e CSLL f. 24 a 67). O total do crédito tributário lançado e objeto deste processo é de R$ 5.535.962,21, incluídos os juros moratórios e as multas (f. 02). Os valores individuais estão discriminados em cada auto de infração. O Mandado de Procedimento Fiscal e o Termo de Início de Fiscalização foram enviados, por via postal, tanto ao endereço do senhor Wanderlei Farias Santos (cópia do AR à f. 70), quanto ao dos sócios constantes no contrato social (cópia do AR à f. 72), como também ao da pessoa jurídica na zona rural do município de CampinápolisMT (cópia de AR à f. 71). A única correspondência efetivamente recebida foi a enviada ao senhor Wanderlei Farias Santos. A enviada aos sócios retomou com a indicação “desconhecido” (f. 72) e aquela remetida à pessoa jurídica com a expressão “não procurado”. Em face desses fatos, foi publicado o edital para ciência quanto ao Mandado de Procedimento Fiscal e ao Termo de Início de Fiscalização, afixado em 6 de março de 2008 em local próprio da ARF/Barra do Garças/MT (f. 73). Foram emitidas as RMFs (f. 74 a .85), tendo os documentos correspondentes sido juntados às f. 86 a 116. Houve, ainda, intimação para empresas adquirentes de produtos da contribuinte (f. 117 a 122) que foram respondidas conforme documentos acostados às f. 123 a 127. Foi emitido, também, Termo de Intimação Fiscal para que o contribuinte justificasse os créditos financeiros, conforme planilhas a ele anexadas, enviado ao endereço do senhor Wanderlei Farias Santos (AR à f. 131). Fl. 559DF CARF MF 4 Não tendo havido resposta ao termo referido no parágrafo anterior, foram lavrados os autos de infração, enviados por via postal ao endereço do senhor Wanderlei Farias Santos e recebidos em 29 de agosto de 2008 (AR à f. 152). Em 26 de setembro de 2008 foi protocolado o documento de f. 162 a 171 (anexos às f. 172 a 248), no qual o senhor Wanderlei Farias Santos, por meio de procurador, aduz, em apertada síntese, que: a) retirouse da sociedade em meados de 2003; b) houve ofensa ao sigilo fiscal pelo fato de os autos de infração terem sido enviados ao seu endereço; c) o endereço da pessoa jurídica era conhecido do autuante, não sendo justificável o envio das peças ao seu endereço; d) os negócios com os frigoríficos intimados a prestar informações foram efetuados em nome próprio e não em nome da autuada; e) mesmo tendo se retirado da sociedade não ficou impedido de realizar negócios com a empresa, o que justifica transferências de numerário das contas da autuada para outras de sua titularidade; Í) não pode exercer o direito de defesa sem ter acesso aos dados contábeis da empresa autuada; g) os autos devem baixar em diligência, para intimação do representante legal da pessoa jurídica autuada, cancelandose a intimação a ele feita; h) a ação fiscal é nula pela falta de intimação à pessoa jurídica em face de seu representante legal; i) não tendo havido a regular intimação, não pode ocorrer a presunção de que depósitos bancários cuja origem não foi comprovada caracterizamse como omissão de receitas. Ao final, é requerida a declaração da ilegitimidade passiva ad causam do senhor Wanderlei Farias Santos e o acolhimento da preliminar de nulidade da ação fiscal. Se superadas as preliminares, sejam os autos de infração declarados improcedentes. Em 8 de julho de 2009 os autos de infração foram enviados por via postal ao endereço da pessoa jurídica, na zona rural de Campinápolis/MT, tendo sido recebidos em 10 de julho desse mesmo ano (AR a f. 255). Desse ato, bem como de todos os procedimentos de fiscalização e, bem assim, das diligências efetuadas, foi dado ciência ao senhor Wanderlei Farias Santos, conforme Termo de Informação Fiscal (f. 256 a 259), cujo recebimento ocorreu em 24 de agosto de 2009 (AR à f. 260). Não houve nenhuma manifestação a respeito desses documentos por parte das pessoas cientificadas. Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10183.003840/200842 Acórdão n.º 1201002.118 S1C2T1 Fl. 559 5 Foi então lavrado o Termo de Revelia (f. 271) e os autos foram enviados à PFNMT para inscrição dos débitos em Dívida Ativa da União (f. 285 a 297). Os autos foram remetidos ao Secat da DRF/Cuiabá, devolvidos à PFNMT para que fosse extinta a inscrição, enviados novamente ao Secat e, em seguida, remetidos a esta DRJ/CGE tendo em vista o documento juntado às f. 162 a 171. O recorrente, sr. Wanderley Farias Santos, ingressou com impugnação, tendo sido mantida a exigência, conforme decisão da DRJ de origem. Em sede de recurso, novamente o recorrente pleiteia a nulidade do auto, nos seguintes termos: “PRELIMINAR DE NULIDADE DA AÇÃO FISCAL A ação fiscal está maculada pela nulidade absoluta, uma vez que o representante legal da Empresa autuada é conhecido (JOSÉ VIEIRA DA SILVA), possui endereço de conhecimento da autoridade lançadora e, mesmo assim, não foi intimado pela fiscalização para esclarecer os eventuais depósitos e, por fim, para, em querendo, impugnar o presente lançamento. Se não bastasse a falta de intimação do atual representante legal da autuada, houve diligências sem obedecer às formalidades legais que concluiu, equivocadamente, ser o Recorrente sócio oculto da empresa autuada. (…) Acontece que a autoridade não diz como obteve tais informações se houve notificação para que essas pessoas prestassem esclarecimentos, “fabricando” provas ao arrepio da legislação tributária. As pessoas mencionadas NEGAM ter prestado tais declarações e se propuseram inclusive declarar formalmente não terem prestados tais informações, conforme documentos em anexo. É justamente com base nestas informações que a autoridade conclui ter o recorrente utilizado interposta pessoa, isso é absurdo, ilegal e não pode prosperar. Nesse diapasão, é importante frisar que as informações prestadas no âmbito do MPF não passam de meras declarações, sem qualquer formalidade ou compromisso em dizer a verdade e sequer, os declarantes assinam o documento de modo a confirmar as afirmações realizadas, evidenciando um disparate quanto a sua utilização para justificar o auto e a responsabilidade do recorrente. Caso esse procedimento tenha sido realizado de forma oficial não foi disponibilizado para apreciação e melhor elucidação de forma clara e justa dos fatos para elaboração do presente recurso, o que configura cerceamento ao direito de defesa. Fl. 561DF CARF MF 6 PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM O V Recorrente, tomando ciência da lavratura do AI, se insurgiu contra o relatório ali exposto e, sobretudo, contra o crédito ali consignado, NAO na condição de representante legal da empresa contribuinte mas o faz nos restritos termos do que dispoe o art. 9 da Lei n.° 9.784/99 e nos moldes do procedimento do Decreto 70235/72. Em meados de 2003, o Recorrente se retirou da sociedade empresaria autuada, conforme se depreende da alteração contratual às fls. 177/179. É sabido por todos que: ao cidadão/contribuinte e dado fazer TUDO aquilo que não exista proibição por lei, ao tempo em que ao administrador SOMENTE é possível fazer o autorizado por lei. No caso presente, estamos diante de ação de autoridade administrativa excedendo o que permite a legislação. Afinal, SEM QUALQUER PREVISÃO LEGAL, a autoridade administrativa conclui que o Recorrente, exsócio da sociedade autuada e sócio. É paradoxal, existe documento público que prova exatamente o contrário da ilaçâo patrocinada pela autoridade administrativa lançadora. Ademais, não foi constituido nenhum crédito tributário no período em que o Recorrente foi sócio da Empresa autuada, ou seja, em meados de 2003. A autoridade administrativa ao enviar o auto de infração da pessoa jurídica para o endereço de exsócio, no mínimo, ofende o sagrado direito do sigilo fiscal. Doutos Julgadores, o referido acórdão em seu bojo reconhece que o Recorrente NAO compoe o quadro de sócios, quando afirma em seu relatório que “na sétima alteraçao contratual da pessoa juridica (f.l77 e 178), datada de 30 de outubro de 2003 consta a cessão das cotas sociais da pessoa jurídica autuada do senhor Wanderlei Farias Santos para o senhor José Vieira da Silva, passando este a gerir o empreendimento”; ao tempo em que tenta justificar que o “senhor José Vieira da Silva não tinha condições financeiras de adquirir a empresa Fazenda Agropecuaria Xavantina LTDA, nem tão pouco administrala”, pasmem, em razão de algumas declarações, sem qualquer prova documental das afirmações realizadas, um disparate. Ora Excelências se houve a intimação ficta por meio de edital nada justifica o envio do AI ao Recorrente. Ademais, o endereço da empresa autuada é de conhecimento da autoridade autuante, sendo um dos sócios é vivo, capaz, sendo o representante legal da sociedade empresarial. Devese notar que, emitido Termo de Requisição de Movimentação Financeira junto às instituições financeiras e requisição dos dados cadastrais e eventuais procurações para terceiros, sendo que não havia procuradores, e que em uma das instituições o cadastro estava desatualizado, uma vez que ainda Fl. 562DF CARF MF Processo nº 10183.003840/200842 Acórdão n.º 1201002.118 S1C2T1 Fl. 560 7 constava o contrato social antigo, o que comprova que eram os próprios administradores que geriam a sociedade autuada. Quando da intimaçao de frigoríficos, um deles afirma que as transações foram realizadas pelo antigo sócio, ora Recorrente. A bem da verdade são realizadas pelo Recorrente, NAO EM NOME DA AUTUADA, MAS EM NOME PROPRIO, (…) Após ilegal e injustificada “requisição” de movimentação financeira, a Autoridade Administrativa elaborou planilhas descriminando TODA movimentação bancária, ou seja, os depósitos efetuados, as transferências de valores, entre outros, sendo devassado seu sigilo fiscal, o que fere de morte o princípio constitucional a ele protegido. Com efeito, de posse destas informações dos valores de movimentação financeira, o Sr. Wanderley Farias Santos foi considerado como sócio da Empresa Contribuinte (fls. 007), por fim dando origem ao Auto de Infração em combate . Ocorre, ilustres Julgadores, o procedimento utilizado NÃO está amparado pela legislação pátria, de modo que não é a via mais acertada para obter os esclarecimentos pretendidos pela Autoridade Administrativa, não obstante, há necessidade do provimento jurisdicional para a quebra de sigilo, em obediência aos principios consagrados na Carta Maior, a dignidade da pessoa humana, inviolabilidade da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e comunicações telefônicas, alem do princípio da legalidade, os quais modulam um Estado Democrático de Direito, remetendo a necessária harmonia ao texto constitucional. (...)” Aquele Colegiado, ou seja, a então 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, entendeu que as alegações de nulidade trazidas aos autos pelo recorrente, suposto sócio do sujeito passivo, estão intrinsecamente ligadas aos processo administrativo fiscal nº 14098.000174/200991, devendo o mesmo ser juntado aos autos "para a perfeita compreensão dos fatos e um julgamento com conhecimento de causa." Cumprida a diligência requerida, com a juntada por apensação do processo nº 14098.000174/200991 a este processo, os autos retornaram a este Colegiado para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. Fl. 563DF CARF MF 8 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Preliminarmente, o recorrente Wanderlei Farias Santos, único a apresentar recurso, requer a sua ilegitimidade passiva ad causam pelas razões a seguir mencionadas: em meados de 2003, o recorrente se retirou da sociedade empresária autuada, conforme se depreende da alteração contratual às fls. 177/179; no caso presente, estamos diante de ação de autoridade administrativa excedendo o que permite a legislação. Afinal, sem qualquer previsão legal, a autoridade administrativa conclui que o Recorrente, exsócio da sociedade autuada é sócio. É paradoxal, existe documento público que prova exatamente o contrário da ilação patrocinada pela autoridade administrativa lançadora; ademais, não foi constituído nenhum crédito tributário no período em que o Recorrente foi sócio da Empresa autuada, ou seja, em meados de 2003; o acórdão recorrido em seu bojo reconhece que o Recorrente não compõe o quadro de sócios, quando afirma em seu relatório que “na sétima alteração contratual da pessoa jurídica (f. l77 e 178), datada de 30 de outubro de 2003 consta a cessão das cotas sociais da pessoa jurídica autuada do senhor Wanderlei Farias Santos para o senhor José Vieira da Silva, passando este a gerir o empreendimento”; ao tempo em que tenta justificar que o “senhor José Vieira da Silva não tinha condições financeiras de adquirir a empresa Fazenda Agropecuária Xavantina Ltda, nem tão pouco administrála”, em razão de algumas declarações, sem qualquer prova documental; devese notar que, emitido Termo de Requisição de Movimentação Financeira junto às instituições financeiras e requisição dos dados cadastrais e eventuais procurações para terceiros, sendo que não havia procuradores, e que em uma das instituições o cadastro estava desatualizado, uma vez que ainda constava o contrato social antigo, o que comprova que eram os próprios administradores que geriam a sociedade autuada; quando da intimação de frigoríficos, um deles afirma que as transações foram realizadas pelo antigo sócio, ora Recorrente. A bem da verdade são realizadas pelo Recorrente, não em nome da autuada, mas em nome próprio; a autoridade autuante, quando identifica transferência da Empresa autuada para conta de titularidade do Recorrente, deve lembrar que com a sua saída da sociedade, o Recorrente não ficou proibido de realizar negócios com aquela Empresa. Ademais, sua falecida Genitora compunha o quadro de sócios da Empresa em referência; não se pode imaginar, nem por hipótese, que o Recorrente, sem ter acesso aos dados contábeis da Empresa autuada, possa exercer, em plenitude, o devido processo legal e a ampla defesa, constitucionalmente assegurado aos litigantes, inclusive na seara administrativa; cabe ressaltar que os débitos consignados no Auto de Infração não são contemporâneos à presença do Recorrente na condição de sócio da empresa autuada. Nesse contexto, cumpre registrar que o processo administrativo fiscal nº 14098.000174/200991, juntado a este por apensação, trata de representação fiscal para alteração de ofício do cadastro CNPJ da empresa Fazenda Agropecuária Xavantina Ltda, no Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10183.003840/200842 Acórdão n.º 1201002.118 S1C2T1 Fl. 561 9 que se refere ao seu quadro societário. A seguir extraio excertos da representação de efls. 58 do processo apenso: A representação ao norte mencionada foi cumprida pelo Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário da DRF/CUIABÁ/MT, conforme despacho de efls. 71 do processo apenso. Além disso, foi providenciada, por solicitação do chefe da SEFIS/DRF/CUIABÁ/MT (doc. de efls. 72 do processo apenso) nova ciência dos Autos de Infração e Termo de Informação Fiscal ao contribuinte pessoa jurídica e ao sócio Sr. Wanderlei, conforme AR de efls. 73 e 78 do processo apenso. Após, os autos do processo nº 14098.000174/200991 foram encaminhados ao arquivo pelo prazo de 5 anos e desarquivados em 05 de novembro de 2009 por solicitação do CARF e juntados a este por apensação. Entendo que descabe a análise aqui neste processo da alteração cadastral de ofício realizada pela DRF/CUIABÁ/MT incluindo o Sr. Wanderlei Farias dos Santos como sócio e responsável pela sociedade empresarial. Tal pedido deveria ser efetuado nos autos do processo de inclusão do recorrente no CNPJ da empresa autuada, de número 14098.000174/200991, apenso a este processo, eis que foi ali que proferiram a decisão de inclusão da pessoa física. Ademais, esta matéria não se submete às regras do processo administrativo fiscal e os julgadores tributários não têm competência para se manifestar sobre tal. Dessa forma, deixo de analisar tal pedido. A nulidade do lançamento é alegada pelo recorrente, uma vez que o representante legal da empresa autuada é conhecido (JOSÉ VIEIRA DA SILVA), possui endereço de conhecimento da autoridade lançadora e, mesmo assim, não foi intimado pela fiscalização para esclarecer os eventuais depósitos e, por fim, para em querendo, impugnar o presente lançamento. Fl. 565DF CARF MF 10 A argumentação de que o representante legal da empresa autuada não teria sido intimado, é no sentido de que, se a tese da fiscalização é que havia sócio "de fato" e o oficial era "de fachada", então cabia intimar somente o primeiro. Tal fato, não entanto, não se insere nas previsões da legislação de se considerar nulo o lançamento. Estatuem os arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 1972, in verbis: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” (Grifouse) Como se vê, de acordo com o art. 59, I, supra, só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração que se insere na categoria de ato ou termo , quando esse auto for lavrado por pessoa incompetente (art. 59, I). A nulidade por preterição do direito de defesa, como se infere do art. 59, II, transcrito, somente pode ser declarada quando o cerceamento está relacionado aos despachos e às decisões, ou seja, somente pode ocorrer em uma fase posterior à lavratura do auto de infração. No presente caso, a contribuinte e o sócio de fato apontado pela fiscalização foram intimados do auto de infração, não havendo a preterição do direito de defesa. Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, a teor do art. 60 do Decreto nº 70.235, de 1972. Caso não influam na solução do litígio, também prescindirão de saneamento. Dessa feita, não deve ser acolhida a preliminar de nulidade, em razão de não haver ofensa aos dispositivos legais mencionados. Requer também a recorrente, em matéria preliminar, a nulidade do procedimento fiscal tendo em vista a quebra de seu sigilo bancário na esfera administrativa, sem autorização judicial, em desacordo com as normas constitucionais e decisões colacionadas do STF e artigo 62A do RICARF. Não há qualquer ilegalidade, nulidade ou irregularidade na requisição e obtenção de documentos bancários pela Receita Federal do Brasil junto às instituições financeiras, pois, para tanto há suporte jurídico na Lei Complementar 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto 3.724, de 2001, e na Lei 10.174, de 2001. Em 24/02/2016, o Pleno do Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu o julgamento das ADI 2859, 2390, 2386 e 2397 e do Recurso Extraordinário 601.314, que questionavam dispositivos da Lei Complementar (LC) 105/2001 que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial, concluindo pela constitucionalidade das normas. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10183.003840/200842 Acórdão n.º 1201002.118 S1C2T1 Fl. 562 11 No julgamento do Recurso Extraordinário 601.314, submetido à sistemática da repercussão geral, decidiu o STF (Tema 225): “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal” e “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. Assim, ao contrário do que afirma o recorrente, foi aplicado o que dispõe o artigo 62 do REGIMENTO INTERNO DO CARF. A fiscalização enxergou o recorrente como sócio de fato da contribuinte. O esquema foi assim relatado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal dos autos de infração, verbis: A partir dos extratos bancários (087 a 111), foram elaboradas planilhas descriminando, toda a movimentação bancária, ou seja, os depósitos efetuados, as transferências de valores,etc. por data da movimentação e o mês da ocorrência, conforme documentos as folhas de n°.132 a 133. Também foram intimados os frigoríficos JBS e Margem para prestar informação se houve transação comercial com a contribuinte e com quem efetuou a transação (responsável), conforme documentação constante as folhas de n°.117 a 122. Em resposta, o frigorífico Margem informou que não houve transação (fl. n°.123). O frigorífico JBS apresentou relação da transação efetuada e informou também que a transação foi efetuada com o antigo sócio da contribuinte, ou seja, WANDERLEI FARIAS SANTOS, conforme documentos as folhas de n°.124 a 127. Os valores informados pela JBS foi confirmado junto aos extratos bancários, conforme consta na planilha a folha de n°.132/133 com a indicação de "FRIBOI" esses valores foram lançados como receita da atividade não contabilizada e os demais valores, foram lançados como depósitos bancários não contabilizados. As planilhas da movimentação financeira foram encaminhadas para o antigo sócio sr.WANDERLEI FARIAS SANTOS para comprovar origem dos recursos conforme Termo de Intimação Fiscal as folhas de n°.128 a 131, em decorrência dos fatos acima narrados. Tendo em vista que a contribuinte não se manifestou acerca das respectivas planilhas de movimentação financeira,os tributos e contribuições foram constituídos sob a forma de lucro real através deste auto de infração. ENCAMINHAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO AO SR WANDERLEI FARIAS SANTOS PARA CIÊNCIA Fl. 567DF CARF MF 12 Quando da requisição da movimentação financeira, foi solicitada que as instituições financeiras enviassem também dados da ficha cadastral e também instrumento de procuração outorgando poderes para terceiros, conforme documentos a folha de n°.084. Em resposta, a SICOOB ARAGUAIA encaminhou cópia do Contrato Social da contribuinte, onde consta ainda o sr. WALDERLEI FARIAS SANTOS como sócio responsável pela gestão da `contribuinte,conforme documentos a folha de n°.l12 a 116. O frigorífico JBS S/A também foi intimado a informar as transações realizadas com a contribuinte e também quem mediou as transações(fl. n°.117 e 118). Em respostas a JBS S/A informa que as negociações foram efetuadas com o Sr. Wanderlei Faria Santos (fl.n°.124). Os extratos bancários constante as folhas de nº 144 e 145 identifica transferência de valores para conta de outro titular, e, esses extratos da conta bancária da Agropecuária Xavantina. Os extratos bancários constante as folhas de n° 146 e 147 referemse a conta bancária pertencente ao sr. Wanderlei Farias Santos que recebeu os valores transferidos da conta da Agropecuária Xavantina. Pelos fatos acima, o sr. Wanderlei Farias Santos foi considerado como sócio da contribuinte em consequência disso, o auto de infração foi enviado em seu endereço pelo fato da contribuinte se localizar em zona rural e ciente do lançamento efetuado em nome da contribuinte. (Grifamos). A decisão de primeira instância assim decidiu sobre a questão: "No âmbito da Delegacia da Receita Federal em Cuiabá a questão já foi resolvida no bojo do processo n. 14098.000174/200991, formalizado especificamente para a inclusão, de ofício, do senhor Wanderlei no quadro societário da contribuinte autuada, conforme se vê no despacho de f. 369. Entretanto, tendose em vista a imposição tributária por meio do processo em tela. o senhor Wanderlei pode contra ela se insurgir, inclusive alegando a ilegitimidade desua posição como representante da contribuinte autuada, como de fato fez. Ocorre que muitos negócios jurídicos são celebrados ou mesmo implementados de maneira encoberta, com o intuito de ocultar da Administração Tributária a forma e principalmente os efeitos desses negócios. Isso é o que se verifica no caso de negócios jurídicos simulados ou com a utilização de interpostas pessoas. Em face disso, o responsável pelos serviços de fiscalização procurou de maneira exaustiva comprovar o ocorrido pela investigação dos fatos, carreando aos autos documentação da qual se pode extrair a relação entre o senhor Wanderlei com as pessoas que, segundo o contrato social, fariam parte do Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10183.003840/200842 Acórdão n.º 1201002.118 S1C2T1 Fl. 563 13 quadro`societário da pessoa jurídica autuada, e com ela própria: Fazenda Agropecuária Xavantina Ltda. Como pode ser visto no documento de,,f. 128 a 147, foi emitido Termo de Intimação Fiscal contendo planilhas anexas, para que fossem justificados os depósitos bancários. Tal termo foi enviado ao endereço do senhor Wanderlei e recebido em 21 de julho de 2008 (AR à f. 131). No termo referido no parágrafo anterior consta o seguinte (f. 128 e 129): "Inspecionando os extratos bancários, ficou evidenciado que houve muitas transferências da conta corrente da contribuinte para conta corrente do Sr. Wanderlei Farias Santos cujo histórico é “Déb. Transf Contas Out. Titular (RET)". Identificou também no extrato da contribuinte, pagamento referente aquisição de animais pela Friboi (JBS) que, de acordo com informação prestado por este em decorrência de Termo de Intimação Fiscal, toda transação da operação foi efetuada com o sr. Wanderlei Farias Santos. De acordo com a informação acima, é que este Termo de Informação Fiscal para comprovar origem dos avisos de créditos, depósitos, etc. constante nas Planilhas anexas, estão sendo enviado ao Sr. Wanderlei Farias Santos, conforme abaixo." A informação prestada pelo Friboi (JBS) a que se referiu o autuante encontrase no documento de f. 124, firmado pelo representante da empresa JBS S.A., senhor Valdir Aparecido Boni (procuração à f. 125), nos seguintes termos: Em atendimento ao TERMO DE INTIMAÇÃO em referencia, apresentamos em arquivo magnético/Excel. as Notas Fiscais de Entradas emitidas em nome da FAZENDA AGROPECUARIA XA VANTINA LTDA, CNPJ n”33. 03 I .055/0001 I8, AGROPECUARIA FARIAS SANTOS LTDA, CNPJ n° 05.081.209/000140 e WANDERLEI FARIAS SANTOS, CPF n° 209.592. 73620, referente as compras de gado na ano calendário de 2003 a 2006. Outrossim, informamos, que o Sr. Wanderlei Farias Santos. representou referidas empresas nas negociações. No Termo de Informação Fiscal (f. 256 a 259), recebido pelo senhor Wanderlei em 24 de agosto de 2009 (AR à f. 260), consta resultado de diligências conforme abaixo: a) ANDRÉIA SANTOS DE ALMEIDA SOARES, CPF 071.715.86839, neta de uma das sócias da Agropecuária )t:avantina Ltda a Senhora Delice Farias dos Santos já falecida, de que o sr. JOSE VIEIRA DA SILVA também falecido, era: a. Considerado uma pessoa da família; Fl. 569DF CARF MF 14 b. Um irmão de criação; e c. Desconhecia ter renda e ter adquirido a propriedade Fazenda Agropecuária Xavantina Ltda. b) MARIA APARECIDA DE ALMEIDA CUNHA, CPF 11° 765.183.10120 a. Que conheceu 0 sr. José Vie¡r'a._da Silva morando na residência da Sr” Delice Farias dos Santos 0'alecida a mais de 2 anos), sogra do seu irmão Juarez Sebastião de Almeida; b. Que era efetivamente uma pessoa da casa; c. Que prestava pequenos favores a Delice Farias dos Santos, como acompanhálo à missa e outras atividades cotidianas; d. Não parecia ser uma pessoa com condições aparentes de ser proprietário de nenhuma fazenda a não ser que tivesse recebido alguma herança. Na sétima alteração contratual da pessoa jurídica autuada (f. 177 e 178), datada de 30 de outubro de 2003, consta a cessão das cotas sociais da pessoa jurídica autuada do senhor Wanderlei Farias Santos para o senhor José Vieira da Silva, passando este a gerir o empreendimento. Conforme visto pelas declarações acima transcritas, o senhor José Vieira da Silva não tinha condições financeiras de adquirir a empresa Fazenda Agropecuária Xavantina Ltda., nem tampouco administrála. Demais disso, o representante do frigorífico Friboi (JBS S.A.) afirmou que as negociações com a empresa interessada neste processo eram conduzidas pelo senhor Wanderlei Farias Santos. Por outro lado, houve várias transferências de recursos financeiros da conta bancária da empresa autuada para uma conta controlada pelo senhor Wanderlei Farias Santos. Isoladamente, esses fatos não são conclusivos quanto à participação do senhor Wanderlei no quadro societário ou na administração da sociedade. Contudo, em conjunto, denotam que o senhor Wanderlei era de fato o proprietário e administrador da empresa em tela, como concluído no processo n. l4098.000l74/200991 supracitado. Portanto, correta a inclusão do senhor Wanderlei Farias Santos no quadro societário da pessoa jurídica, inclusive como seu administrador, estando claro que possuía totais condições de se defender da imputação a ele efetuada, até mesmo com acesso aos dados contábeis." E os argumentos listados pela fiscalização para considerar o Sr. Wanderlei Farias dos Santos como sócio oculto da fiscalizada foram assim justificados pelo recorrente em seu recurso voluntário: 1) 0 Recorrente representou a empresa autuada junto à instituição financeira SICOOB ARAGUAIA; Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10183.003840/200842 Acórdão n.º 1201002.118 S1C2T1 Fl. 564 15 A conclusão exposta pela autoridade fiscal não retrata a resposta prestada pela instituição financeira. O que responde a instituição é que em seu cadastro ainda existia contrato social que constava o nome do recorrente. Jamais afirmou que o recorrente geria os recursos da empresa autuada. 2) Que a empresa JBS S/A informou que o Recorrente representou a autuada; Novamente falta com a verdade a autoridade fiscal. A empresa JBS S/A em sua correspondência de Fls. 124 do processo l0183.003840/200842, encaminha notas fiscais de entrada emitidas em nome da empresa autuada, da empresa AGROPECUÁRIA FARIAS SANTOS, CNPJ 05.081.209/000140 e de WANDERLEI FARIAS SANTOS, CPF 209.592.73620 e que o Recorrente representou as empresas nas negociações. O Recorrente nunca negou que quando era sócio da Empresa autuada a representou nas negociações. Contudo, como se pode observar em todo o período representou a empresa AGROPECUÁRIA FARIAS SANTOS, CNPJ 05.081.209/000140 e mesmo em nome próprio como produtor rural pessoa física. Tanto é verdade que autoridade não traz aos autos as notas apresentas pela empresa JBS. A autoridade optou pela conclusão mentirosa ao ter o trabalho de analisar as notas e verificar a sua emissão e em qual banco foram realizados os pagamentos. 3) Que inspecionando os extratos bancários fornecidos por meio de requisição, verificou a existência de várias transferências de recursos com destino a conta corrente do recorrente; O Recorrente nunca negou que realizou negócios com empresa autuada. Mesmo porque sua genitora fazia parte do quadro social daquela empresa, o que não permite concluir que a transferência de valores de titularidade da autuada para a conta do recorrente faça com que ele passe a ter qualquer responsabilidade com os eventuais débitos daquela empresa, como quer fazer crer a autoridade autuante. Não satisfeito com as conclusões equivocadamente perpetradas, a autoridade fiscal (REINALDO CARDOSO DO ESPÍRITO SANTO) no cumprimento da diligência n° 0010, fls. 048 e seguintes do processo n° 14098.000l74/200991, com o objetivo de verificar a ocorrência interposta pessoa no quadro societária da empresa autuada, traz as seguintes informações: l) Que ouviu a Senhora Andréia Santos Almeida, concluiu: * O Sr. José Vieira da Silva morava na residência à Rua Bororos 1007 que pertencia a sua avó e era considerado uma pessoa de família, um irmão de criação; Fl. 571DF CARF MF 16 * Diz não ter nenhuma informação de sua renda; * Não sabia da aquisição por parte do mesmo, de nenhuma propriedade com o nome da Fazenda e Agropecuária Xavantina; * Diz que, embora constasse como herdeira do imóvel segundo os vizinhos, somente detém os Rendimentos de Aluguel, que são depositados em sua conta corrente; * Informou que o Sr. José Vieira da Silva FALECEU HÁ MAIS DE 01 (UM) ano. 2) Que ouviu a Senhora Maria Aparecida de Almeida Cunha, CPF 7651B3101~20, concluindo: * Diz ter conhecido a pessoa de José Vieira da Silva quando o mesmo morava na residência da Sr. Delice Farias dos Santos, sogra do seu irmão Juarez, pois o Hospital do seu falecido esposo era vizinho a esta residência; * Diz ter sido efetivamente uma pessoa da casa; * Que prestava pequenos favores a Dona Delice, tais como acompanhála à missa e outras atividades cotidianas; * Não parecia pessoa com condições aparentes de ser proprietário de nenhuma fazenda a não ser que tivesse recebido alguma herança; Acontece que a autoridade não diz como obteve tais informações se houve notificação para que essas pessoas prestassem esclarecimentos, “fabricando” provas ao arrepio da legislação tributária. As pessoas mencionadas NEGAM ter prestado tais declarações e se prepuseram inclusive declarar formalmente não terem prestados tais informações, conforme documentos em anexo. É justamente com base nestas informações que a autoridade conclui ter o recorrente utilizado interposta pessoa, isso é absurdo, ilegal e não pode prosperar. Nesse diapasão, é importante frisar que as informações prestadas no âmbito do MPF não passam de meras declarações, sem qualquer formalidade ou compromisso em dizer a verdade e sequer, os declarantes assinam o documento de modo a confirmar as afirmações realizadas, evidenciando um disparate quanto a sua utilização para justificar o auto e a responsabilidade do recorrente. Caso esse procedimento tenha sido realizado de forma oficial não foi disponibilizado para apreciação e melhor elucidação de forma clara e justa dos fatos para elaboração do presente recurso, o que configura cerceamento ao direito de defesa No caso concreto, as provas dos autos mostram com clareza cristalina que o Sr. Wanderlei Farias dos Santos era o sócio de fato da Fazenda Agropecuária Xavantina Ltda, corroborando o entendimento expresso no voto condutor da decisão de piso. A situação do recorrente, embora não figurasse formalmente como titular, sócio ou administrador da empresa, era ele quem efetivamente a controlava. Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10183.003840/200842 Acórdão n.º 1201002.118 S1C2T1 Fl. 565 17 O sócio administrador da Fazenda Agropecuária Xavantina Ltda, constituído pela Sétima Alteração Contratual, datada de 30 de outubro de 2003 (efls. 505/506 do processo apenso) , José Vieira da Silva, não tem, aparentemente, capacidade econômica para fazer frente aos débitos das empresas. A situação do recorrente, entretanto, se distingue da situação do administrador qualificado pelo instrumento ao norte mencionado. Isso porque, embora não figurasse mais formalmente como titular, sócio ou administrador da empresa, era ele quem efetivamente a controlava. A empresa JBS, ao contrário do que afirma a recorrente e conforme documento de efls. 478 do processo apenso, confirmou que o Sr. Wanderlei Farias Santos representou a Fazenda Agropecuária Xavantina Ltda nas negociações referentes às compras de gado nos anoscalendário de 2003 a 2006, objetos de autuação. As notas fiscais de entrada desse período, apresentadas pela JBS à fiscalização não comprovariam essa representação, sendo prescindíveis a sua juntada aos autos. Os extratos bancários de efls. 147/150, referentes ao anocalendário de 2016, apontam diversas transferências de recursos da Fazenda Agropecuária Xavantina Ltda para a contacorrente do Sr. Wanderlei Farias Santos, comprovando de maneira inequívoca, que era ele realmente quem administrava a Fazenda. Dentro desse contexto, os depoimentos de Andréia Santos de Almeida Soares (neta da sócia já falecida da Agropecuária Xavantina Ltda, Delice Farias dos Santos) e Maria Aparecida de Almeida Cunha (conhecida do Sr. José Vieira) à fiscalização, conforme "Termo de Encerramento de Diligência" nº 10, de efls. 499 do processo apenso, somados aos demais elementos de prova, vêm compor o conjunto probatório que aponta na mesma direção. Importa ressaltar que os depoimentos de Andréia e Maria Aparecida, isoladamente considerados, teriam pouco valor como prova, mas se tornam relevantes quando corroboram as outras provas carreadas aos autos. Ademais, não há provas nos autos que corroboram a afirmação do recorrente de que "as pessoas mencionadas NEGAM ter prestado tais declarações e se prepuseram inclusive declarar formalmente não terem prestados tais informações, conforme documentos em anexo". Assim, considero correta a inclusão do Sr Wanderlei Farias Santos no pólo passivo da obrigação tributária. Quanto aos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, importa ressaltar que, por recaírem sobre a mesma base fática do IRPJ, a decisão adotada para qualquer um deles há de ser a mesma para os demais, o que só não ocorreria se houvesse algum aspecto específico, inerente à legislação de um desses tributos, que exigisse solução diferente. Isso posto, VOTO no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator Fl. 573DF CARF MF 18 Fl. 574DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.914234/2009-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2010
INTEMPESTIVIDADE. CIÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVANTE DE INTIMAÇÃO. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO.
Não havendo nos autos o comprovante da ciência do sujeito passivo por via postal, mas mero relatório dos Correios de que a correspondência contendo o Despacho Decisório foi entregue, não há como se aferir que a ciência se deu na data nele constante, eis que se trata de documento apócrifo, não comprovando a intimação do sujeito passivo.
De acordo com o diploma legal que rege o Processo Administrativo Fiscal, na ausência de prova do recebimento, considera-se a intimação efetuada quinze dias após a sua expedição. Em face da não observância da regra processual pela decisão a quo, houve um erro no exame de admissibilidade da manifestação de inconformidade, a qual não poderia ser considerada intempestiva, devendo o acórdão recorrido ser anulado, com o retorno à primeira instância, para o proferimento de nova decisão, desta feita com o enfretamento do mérito das razões da Manifestação de Inconformidade.
Numero da decisão: 2201-004.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2010 INTEMPESTIVIDADE. CIÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVANTE DE INTIMAÇÃO. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO. Não havendo nos autos o comprovante da ciência do sujeito passivo por via postal, mas mero relatório dos Correios de que a correspondência contendo o Despacho Decisório foi entregue, não há como se aferir que a ciência se deu na data nele constante, eis que se trata de documento apócrifo, não comprovando a intimação do sujeito passivo. De acordo com o diploma legal que rege o Processo Administrativo Fiscal, na ausência de prova do recebimento, considera-se a intimação efetuada quinze dias após a sua expedição. Em face da não observância da regra processual pela decisão a quo, houve um erro no exame de admissibilidade da manifestação de inconformidade, a qual não poderia ser considerada intempestiva, devendo o acórdão recorrido ser anulado, com o retorno à primeira instância, para o proferimento de nova decisão, desta feita com o enfretamento do mérito das razões da Manifestação de Inconformidade.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2010 INTEMPESTIVIDADE. CIÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVANTE DE INTIMAÇÃO. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NECESSIDADE DE NOVO JULGAMENTO. Não havendo nos autos o comprovante da ciência do sujeito passivo por via postal, mas mero relatório dos Correios de que a correspondência contendo o Despacho Decisório foi entregue, não há como se aferir que a ciência se deu na data nele constante, eis que se trata de documento apócrifo, não comprovando a intimação do sujeito passivo. De acordo com o diploma legal que rege o Processo Administrativo Fiscal, na ausência de prova do recebimento, considerase a intimação efetuada quinze dias após a sua expedição. Em face da não observância da regra processual pela decisão a quo, houve um erro no exame de admissibilidade da manifestação de inconformidade, a qual não poderia ser considerada intempestiva, devendo o acórdão recorrido ser anulado, com o retorno à primeira instância, para o proferimento de nova decisão, desta feita com o enfretamento do mérito das razões da Manifestação de Inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 42 34 /2 00 9- 30 Fl. 260DF CARF MF Processo nº 16327.914234/200930 Acórdão n.º 2201004.440 S2C2T1 Fl. 261 2 (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), José Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1632.954 8a Turma da DRJ/SP1, o qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada em face da não homologação da DCOMP nº 30296.48945.101007.1.3.043763, protocolizada em 19/11/2009. A manifestação de inconformidade (fls. 01 a 04), em face do Despacho Decisório eletrônico n° (de Rastreamento) 848708532 (fl. 12), de 07/10/2009, no qual a autoridade não homologou, por inexistência de direito creditório, a compensação declarada na DCOMP. Na Fundamentação da decisão, a autoridade informa que, consoante os sistemas de controle da RFB, o valor recolhido em DARF, em 28/05/2007, de R$ 27.161,34, código de receita 5936, relativo ao período de apuração de 31/05/2007, declarado na DCOMP como indevido ou a maior, teria sido integralmente utilizado na quitação de débito do interessado (mesmo tributo, valor e período de apuração mencionados), não restando, assim, crédito disponível para compensação. Em conseqüência, apurou valor devedor consolidado para pagamento até 30/10/2009, referente ao débito indevidamente compensado mediante a referida DCOMP, de R$ 28.182,61, de principal, R$ 6.177,62, de juros, e de R$ 5.636,52, de multa. Cientificado da decisão, em 19/10/2009 (fl. 41), o interessado apresentou manifestação de inconformidade, em 19/11/2009 (fl. 01), oferecendo, em síntese, as seguintes informações e razões: i) o direito creditório invocado, de R$ 27.161,34, seria líquido e certo porque resultante do pagamento de IRRF Rendimentos Decorrentes de Decisão da Justiça do Trabalho, código 5936, referente a 05/2007, em cumprimento de decisão judicial, no processo 1559/99 da 64ª Vara do Trabalho de São Paulo, valor esse quem posteriormente, a autoridade judicial determinou fosse devolvido ao beneficiário; ii) teria declarado, equivocadamente, o débito na DCTF que teria sido retificada em 27/10/2009 (fl. 13) para conter o valor correto (fl. 28); iii) considerando seu direito à compensação assegurado pelo artigo 74 da Lei n° 9.430/96 e pelos artigos 165 e 170 do CTN, requer seja revisto o Despacho Decisório, homologandose a compensação declarada. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 16327.914234/200930 Acórdão n.º 2201004.440 S2C2T1 Fl. 262 3 Foi prolatado o Acórdão nº 1632.954 8a Turma da DRJ/SP1 (fls. 144/149), que julgou pelo não conhecimento da manifestação de inconformidade, nos termos da seguinte ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. TEMPESTIVIDADE NÃO PROVADA. MÉRITO NÃO CONHECIDO. A contestação da data constante de comprovante emitido pelos Correios, de ciência da Decisão, mostrase inócua quando o contribuinte não logra trazer aos autos prova documental de outra data, alegada, que tornaria tempestiva a interposição da peça irresignatória. Eventual petição apresentada fora do prazo, mas suscitando questão de tempestividade, caracteriza impugnação e instaura a fase litigiosa do procedimento, comportando julgamento apenas dessa matéria preliminar, não do mérito.Manifestação de Inconformidade Não Conhecida. Sem Crédito em Litígio. Em face dessa decisão, cuja ciência se deu em 22/08/2011 (fl.190) e o recurso voluntário foi protocolado tempestivamente em 21/09/2011 (fls. 191/198), tendo apresentado as razões recursais, a seguir sintetizadas: 1) A tempestividade do recurso voluntário; 2) Que o presente recurso seja recebido com efeito suspensivo, nos termos do artigos 33, do Decreto 70.235/72. Ainda sobre o efeito suspensivo, alegou o art. 151, III, do CTN que prevê que as reclamações e recursos suspendem a exigibilidade do crédito tributário; 3) Que, ao contrário do alegado pela DRJ, há sim prova nos autos de que a intimação se deu no dia 20/10/2009. A ausência de AR contraria o disposto no artigo 23, II, do Decreto 70.235/72. O sistema de rastreamento dos correios não é prova da ocorrência da regular intimação. Por fim, requer seja provido o recurso voluntário para que os autos voltem à Delegacia da Receita Federal para julgamento do mérito da manifestação e inconformidade e, caso seja necessário, que seja intimada novamente para apresentar eventuais documentos, nos termos do artigo 16, §4º, alíneas "a" e "b", do Decreto 70.235/72. É relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Fl. 262DF CARF MF Processo nº 16327.914234/200930 Acórdão n.º 2201004.440 S2C2T1 Fl. 263 4 Mérito O julgamento da presente lide se restringe à análise da tempestividade da Manifestação de Inconformidade. No entendimento da DRJ, o protocolo foi intempestivo, uma vez que se deu em 19/11/2009, um dia após findo o prazo legal de 30 (trinta) dias. De acordo com o entendimento da autoridade julgadora de primeira instância, a prova da intimação do sujeito passivo é um relatório dos Correios atestando que a entrega de deu no dia 19/10/2009. Não há nos autos comprovante do recebimento da intimação (Aviso de Recebimento AR). Para o caso que se cuida, o Decreto nº 70.235/1972 estabelece que ausente o comprovante de recebimento da intimação deverá ser considerada realizada 15 (quinze) dias após a sua expedição. Vejamos: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. § 2° Considerase feita a intimação: II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Grifouse). Ocorre que, também não há nos autos a cópia da intimação para se aferir a data de sua expedição. Todavia, essa ausência pode ser suprida por uma dedução lógica. Se o Despacho Decisório foi emitido em 07/10/2009, a expedição da intimação só poderá ter se dado em data igual ou posterior à sua emissão. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 16327.914234/200930 Acórdão n.º 2201004.440 S2C2T1 Fl. 264 5 Considerando a data da expedição como sendo 07/10/2009, temse que o 15º dia posterior a esta data é 22/10/2009, dia em que efetivamente deve ser considerada realizada a intimação, nos termos das disposições normativas do Decreto nº 70.235/1972 supra transcritas. Com base nessas considerações, temse que a decisão de primeira instância padece de vício, eis que proferida em desacordo com o que estabelece o Decreto nº 70.23/1972, culminando em inegável preterição ao direito de defesa do contribuinte. Destarte, deve ser anulado o acórdão recorrido, com retorno dos autos à DRJ de origem para o proferimento de nova decisão, desta feita, com o enfretamento do mérito. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar lhe provimento. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 264DF CARF MF
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Numero do processo: 13560.000126/2006-84
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa.
Numero da decisão: 9202-006.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, para afastar a nulidade declarada, com retorno dos autos ao colegiado de origem para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência), não constituindo nulidade o fato de ter sido anteriormente calculado com base no regime de caixa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, para afastar a nulidade declarada, com retorno dos autos ao colegiado de origem para apreciação das demais questões do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 56 0. 00 01 26 /2 00 6- 84 Fl. 204DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. ), que teve origem na revisão de valores inseridos na DIRPF do contribuinte, correspondente ao exercício 2002, anocalendário 2001, lavrado para majorar os rendimentos tributáveis recebidos através de ação trabalhista, e para reduzir deduções diversas. O crédito tributário apurado foi assim especificado: IRPF Suplementar – R$ 16.370,10; multa de ofício (passível de redução) – R$ 12.277,57; juros de mora (calculados até 04/2006) – R$ 11.604,76, e totalizado no valor de R$ 40.252,43 (quarenta mil, duzentos e cinquenta e dois reais, quarenta e três centavos). De acordo com cálculos da fiscalização, dos rendimentos recebidos na ação judicial (R$ 114.167,13) foi deduzido, como não tributável, o FGTS de R$ 10.035,60 (v. fls. 54/55). O autuado apresentou impugnação onde argumenta, em síntese, que as verbas pagas incluíram parcelas isentas, desconsideradas pela autoridade lançadora; que se trata de indenização de antiguidade, prevista para os nãooptantes pelo FGTS, paga na rescisão do contrato de trabalho sem justa causa. Diz que essa verba constava da peça inicial da reclamatória trabalhista e fora contemplada expressamente na sentença da Junta de Conciliação (fls. 21/25), que determinara que a diferença salarial de horas extras se estenderia às repercussões pleiteadas na inicial. A planilha de cálculo que instruiu o pagamento discrimina, com valores de 1995, a indenização de antiguidade como R$ 5.478,66, e o seu reflexo na rescisão contratual com sendo R$ 21.910,00. O FGTS com a multa de 40% corresponderia a R$ 4.790,00. Estas parcelas somam R$ 32.178,66. Com as atualizações, este valor atingiu R$ 72.396,09 na data do pagamento das verbas. As certidões emitidas pelo setor de cálculo da Justiça do Trabalho confirmam a correção das planilhas de cálculo e a natureza não tributável da indenização de antiguidade. Não contesta as glosas de deduções. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA julgou o lançamento procedente, mantendo o crédito tributário em sua totalidade. Apresentado Recurso Voluntário pelo autuado, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 16/04/2013, foi sobrestado “o julgamento do recurso até que transite em julgado o acórdão do Recurso Extraordinário nº 614.406, nos termos do artigo 62A, do Anexo II, do RICARF”, de acordo com a Resolução nº 2102000127, da 2ª TO/1ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento. Encerrado o sobrestamento, em sessão plenária de 28/01/2016, foi dado provimento ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2201002.826 (fls. 149/157), com o seguinte resultado: "Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah e Márcio de Lacerda Martins (Suplente convocado)”. O acórdão encontrase assim ementado: Fl. 205DF CARF MF Processo nº 13560.000126/200684 Acórdão n.º 9202006.704 CSRFT2 Fl. 3 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 11/04/2016 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 12/04/2016, o Recurso Especial (fls. 159/164). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº da 2ª Câmara, de 20/03/2017 ( fls. 184/186), em confronto com o acórdão paradigma 9202003.695. · Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido a fim de que o cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente seja apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. · Afirma que não é justificável a derrubada integral do auto de infração, e que se deve recalcular o valor do imposto, tomandose como base o decidido recentemente em sede de recurso repetitivo, uma vez que aplicandose essa metodologia, poderá haver ainda imposto a ser recolhido, não havendo justificativa para sua dispensa, até porque a atividade de Fiscalização é vinculada (art. 142 do CTN). · Acrescenta que o contribuinte se defende dos fatos, tendo entendido perfeitamente a acusação que lhe foi dirigida pela Fiscalização. E finaliza: “Como o Judiciário entendeu apenas que a metodologia do cálculo da Fiscalização estava equivocado, não há pertinência em querer derrubar todo o auto de infração, sendo apenas necessária a indispensável adequação do caso “sub judice” à jurisprudência sedimentada nos tribunais superiores”. Cientificado do Acórdão nº 2201002.826, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN em 20/06/2017, o contribuinte apresentou contrarrazões em 12/07/2017, portanto, intempestivamente. É o relatório. Fl. 206DF CARF MF 4 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos de Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 184. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Vale destacar que, embora o sujeito passivo tenha apresentado contrarrazões ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional, as mesmas não serão conhecidas dada a sua intempestividade. Do Mérito Em face dos pontos trazidos no Recurso especial da Fazenda Nacional e do conteúdo do acórdão recorrido entendo que a apreciação do presente recurso cingise a discussão em relação a nulidade do lançamento, frente a regra aplicável no art. 62_a do RICARF em consonância com a interpretação adotada pelo STJ no REsp nº 1.118.429/SP, o qual firmou entendimento de que, no caso de recebimento acumulado no caso de recebimento acumulado de valores, decorrente de ações trabalhistas, revisionais, e etc., o Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF não deve ser calculado por regime de caixa, mas sim por competência; obedecendose as tabelas, as alíquotas, e os limites de isenção de cada competência (mês a mês). Um questão importante que ajudanos a delimitar o alcance da lide, referese ao fato de o relator do acórdão da Câmara a quo descrever em seu voto, mesmo que implicitamente, que o fundamento da declaração de nulidade diz respeito a jurisprudência do STJ a quem compete promover a interpretação ultima da lei federal, já ter se posicionado pela forma como deve ser interpretado o art. 12 da Lei 7.713/88, o que enseja um erro de cunho material na apuração do montante devido, porém em momento algum, o relator, deixa de reconhecer a incidência do tributo, nem faz qualquer referência ao caráter salarial ou indenizatório da verba. Podemos chegar a essa conclusão ao lermos os termos do voto abaixo transcrito: Conforme se verifica nos autos, o litígio se refere apenas ao lançamento relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente, em razão de ação revisional de benefícios de aposentadoria intentada contra o Instituto Nacional de Previdência Social INSS, no valor de R$ 42.613,77 sobre os quais incidiu o Imposto de Rende Retido na Fonte — IRRF de R$ 1.278,41. Também observo que a fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Ocorre que o Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, firmou o entendimento de que, no caso de recebimento Fl. 207DF CARF MF Processo nº 13560.000126/200684 Acórdão n.º 9202006.704 CSRFT2 Fl. 4 5 acumulado de valores, decorrente de ações trabalhistas, revisionais, e etc., o Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF não deve ser calculado por regime de caixa, mas sim por competência; obedecendose as tabelas, as alíquotas, e os limites de isenção de cada competência (mês a mês). [...] Tal entendimento é de aplicação obrigatória pelos Conselheiros do CARF, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, in verbis: [...] Por oportuno, esclareço que o Superior Tribunal de Justiça, em inúmeras recentes decisões, tem entendido que o recurso repetitivo se aplica, inclusive quando o rendimento acumulado é oriundo de ação trabalhista; conforme se verifica neste julgado: [...] Ainda, no Resp 783.724/RS Recurso Especial 2005/01589590, Relator Ministro Castro Meira, data do julgamento em 15/08/2006, o Relator bem demonstra que a aplicação da interpretação que deve ser dada ao artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, em relação à forma de apurar o valor do tributo incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, não se distingue em relação ao motivo da demora no recebimento, sejam benefícios previdenciários, onde a fonte pagadora seria o INSS, ou verbas trabalhistas, com fonte pagadora privada, citando, indiscriminadamente, como fundamento para decidir, uma e outra situação. [...] Considerando que a jurisprudência do Tribunal Superior, a quem compete promover a interpretação última da lei federal, já se posicionou pela forma como deve ser interpretado o art. 12 da Lei nº 7.713/1988, esclarecendo que não se trata de negarlhe aplicação ou muito menos de conferirlhe inconstitucionalidade, verifico então que existe erro de cunho material na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da legislação, destoante de interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial. Assim, tendo o lançamento sido fundamentado regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, é dever julgálo improcedente. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal. Fl. 208DF CARF MF 6 A base do fundamento do acórdão recorrido encontrase na própria ementa do acórdão, fls. 149 e seguintes, assim descrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido. " Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica, nos termos do voto do Relator. Ou seja, o cerne da questão referese ao questionamento se as decisões reiteradas do STJ, como mencionado pelo relator do acórdão recorrido, que acabaram por ensejar julgamento no ambito do STJ em sede de repetititivos e, portariormente pelo STF que declarou a inconstitucionalidade parcial do art. 12 da 7.713/1988, em sede de repercussão geral, seria capaz de eivar de vício material o lançamento? Entendo que não! Ao apreciarmos o inteiro teor da decisão do STF, e mais, baseado na decisão do STJ, que ensejou o pronunciamento daquela corte máxima, observamos que toda a discussão cingee sobre o regime de tributação aplicável aos RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE RRA, se regime de caixa (como originalmente lançado no dispositivo legal), ou o regime de competência (forma adotada posteriormente pela própria Receita Federal calcada em pareceres, decisões do STJ que ensejaram inclusive alteração legislativa art. 12A da 12.530/2010. Entendo que a decisão do STJ descrita no Resp 1.118.429/SP, se coaduna com a do caso ora apreciado já que, em ambas, discutise a sistemática de cálculo aplicável na apuração do imposto devido: caixa ou competência. Dessa forma, entendo que a aplicação do repetitivo se amolda a questão trazida nos autos, já que a mesma apresentase em estrita consonância com a matéria objeto de repercussão geral no RE 614.406/RS. Na verdade a posição do STF, nada mais fez do que pacificar a questão que já vinha sendo observada pelo STJ em seus julgados e pela própria Receita Federal e PGFN, por meio de seus pareceres. Vale destacar que no âmbito deste Conselho não é a primeira vez que essa questão é enfrentada por essa Câmara Superior. No Recurso Especial da PGFN processo nº 11040.001165/200561, julgado na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, encontramos situação similar, cujo voto vencedor, do ilustre Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior trata da matéria ora sob apreciação. Vejamos a ementa do acórdão nº 9202003.695: Fl. 209DF CARF MF Processo nº 13560.000126/200684 Acórdão n.º 9202006.704 CSRFT2 Fl. 5 7 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Ainda, como o objetivo de esclarecer a tese esposada no referido acórdão, transcrevo a parte do voto vencedor na parte pertinente ao tema: Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso Fl. 210DF CARF MF 8 repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Com base nas questões levantadas pelo ilustre conselheiro Heitor de Souza Lima Junior aqui transcritas, e as quais uso como fundamento de razões para decidir, entendo que a posição tanto do STJ no REsp nº 1.118.429/SP como do STF no RE 614.406/RS não foi no sentido de inexistência ou inconstitucionalidade do dispositivo que definia os valores dos rendimentos recebidos acumuladamente como fato gerador de IR, mas tão somente no sentido de que a apuração da base de cálculo do imposto devido não seria pelo regime de caixa (na forma como descrito originalmente na lei, art. 12 da Lei 7783/88) já que conferiria tratamento diferenciado e prejudicial ao contribuinte, já definindo o novo regime a ser aplicável para apuração do montante devido. Não se trata de alteração de critério jurídico aplicado pela fiscalização, mas de aplicação dos termos de lei, que posteriormente por decisão judicial deixa claro qual a melhor interpretação acerca do regime aplicável. Por fim, quanto ao argumento de ter ocorrido prescrição quinquenal em relação a todas as parcelas mensais caso se opte por reformar a decisão proferida, e que o recurso da Fazenda Nacional tratase de uma forma de procrastinar entendo pela Fl. 211DF CARF MF Processo nº 13560.000126/200684 Acórdão n.º 9202006.704 CSRFT2 Fl. 6 9 impossibilidade de apreciar qualquer novo argumento trazido pelo recorrente não suscitado em sede de impugnação, por ter se operado a preclusão. Dessa forma, considerando os termos do acórdão proferido, bem como a delimitação da lide objeto deste Recurso Especial ser tão somente sobre a nulidade do lançamento, encaminho pelo provimento do Resp da Fazenda Nacional, para afastar a nulidade, determinando o retorno dos autos à turma a quo para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para no mérito DARLHE PROVIMENTO para afastar a nulidade declarada, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 212DF CARF MF
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Numero do processo: 10140.001794/2003-39
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1998
NULIDADE AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Descabida a argüição de nulidade do procedimento fiscal, quando se constata que o auto de infração contém todos os elementos necessários à perfeita compreensão das razões de fato e de direito que fundamentaram o lançamento de oficio e o sujeito passivo teve conhecimento dos documentos que o embasaram.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 1998
DEPÓSITO BANCÁRIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ESPÓLIO.
A obrigação de comprovar a origem dos depósitos bancários, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei nº 9.430, de 1996, é do titular da conta corrente, não havendo como imputar ao espólio ou aos herdeiros a obrigação de comprovar depósitos feitos à época que o contribuinte era vivo e o único responsável pela movimentação financeira.
Entretanto, a comprovação da origem dos depósitos efetuados na conta do de cujus no período compreendido entre a abertura da sucessão até a data do formal de partilha, cabe ao espólio, representado pela inventariante.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
A Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recurso, não se aplica aos lançamentos efetuados com base na presunção legal de omissão de rendimentos prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1998
JUROS DE MORA. TAXA SELIC
A partir de 1 de abril de 1995, os juros moratórios dos débitos para com a Fazenda Nacional passaram a ser equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, de acordo com precedentes já definidos pela Súmula nº 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes, vigente desde de 28/07/2006.
Preliminares rejeitadas.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-000.206
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR
as preliminares argüidas pelo Recorrente e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir o imposto devido pelo contribuinte para R$ 30.660,23.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Maria Lucia Moniz de Aragão Calomino Astorga
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INOCORRÊNCIA. Descabida a argüição de nulidade do procedimento fiscal, quando se constata que o auto de infração contém todos os elementos necessários à perfeita compreensão das razões de fato e de direito que fundamentaram o lançamento de oficio e o sujeito passivo teve conhecimento dos documentos que o embasaram. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1998 DEPÓSITO BANCÁRIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ESPÓLIO. A obrigação de comprovar a origem dos depósitos bancários, para efeito do disposto no artigo 42, da Lei ri9- 9.430, de 1996, é do titular da conta corrente, não havendo como imputar ao espólio ou aos herdeiros a obrigação de comprovar depósitos feitos à época que o contribuinte era vivo e o único responsável pela movimentação financeira. Entretanto, a comprovação da origem dos depósitos efetuados na conta do de acjus no período compreendido entre a abertura da sucessão até a data do formal de partilha, cabe ao espólio, representado pela inventariante. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea—, a-origem—dos recursos utilizados-nessas operações A Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recurso, não se aplica aos lançamentos efetuados com base na presunção legal de omissão de rendimentos prevista no art. 42, da Lei n' 9.430, de 1996. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1998 JUROS DE MORA. TAXA SELIC A partir de 1 de abril de 1995, os juros moratórios dos débitos para com a Fazenda Nacional passaram a ser equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, de acordo com precedentes já definidos pela Súmula n(2 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes, vigente desde de 28/07/2006. Preliminares rejeitadas. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares argüidas pelo Recorrente e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir o imposto devido pelo contribuinte para R$ 30.660,23. 1//7 /N LSOI)/ • • - Pregidente. • ALOMINO ASTORGAD CMARI/I Lc"LAúCIA 1\'4°NCLIZ(1 Relatora EDITADO EM: O 8 FEV NIO Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Nelson Mallmann (Presidente da Turma) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior, e Gustavo Lian Haddad (Vice-Presidente). Ausente, justificadamente, Heloisa Guarita Souza. • 2 Processo n° 10140.001794/2003-39 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.206 Fl. 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado -foi lavrado o Auto de Infração de fls. — — 141 e 142 - volume I, integrado pelos demonstrativos de fls. 143 a 145 - volume I, pelo qual se exige a importância de R$128.178,60, a título de Imposto de Renda Pessoa Física — IRPF, acrescida de multa de oficio de 10% e juros de mora, em virtude da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, ano-calendário 1998. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal encontra-se resumido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 142 - volume I, nos seguintes termos: Em decorrência da fiscalização do espólio de Habib Rezek, CPF n° 013.195.588-87, apurou-se omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme demonstrativo denominado DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA, que fica fazendo parte integrante deste auto de infração. Em conseqüência, a falta dessa comprovação traz repercussões de ordem tributária sobre os herdeiros do sr. Habib Rezek. Assim, intimamos o Sr. Habib Rezek Junior para apresentar as contra-razões para a desconstituição dos juízos de valor levantados por esta fiscalização, assegurando o contraditório e a ampla defesa. Em resposta, o contribuinte apresentou a correspondência de 14/07/2003 apontando que no levantamento fiscal constam valores em duplicidade perfazendo um valor total de R$ 69.236,00. Aceitou-se, parcialmente, as alegações do contribuinte em sua correspondência, para, também, excluir da tributação os valores de R$ 43.063,00 e R$ 181.091,00, devidamente comprovados, cabendo observar que o crédito de 09/02/1998 na conta corrente bancária 76142-7 é de R$ 2.000,00. DO JULGAMENTO DE l a INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada pelo contribuinte às fls. 184 a 205 - volume I, a 2a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande (MS) julgou procedente em parte o lançamento, proferindo o Acórdão n2 04-10.099 (fls. 238 a 250 - volume I), de 04/08/2006, assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE. Tendo o auto de infração sido lavrado por servidor competente, com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento e, existentes no instrumento os elementos necessários para que o contribuinte exerça o direito do contraditório e da ampla defesa, afastam-se as preliminares de nulidade argüidas. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância a apreciação de argüições de ilegalidade/inconstitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 Ementa: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza-se omissão de rendimentos, a existência de valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ESPÓLIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS SUCESSORES. PENALIDADES. Inexiste previsão legal para aplicação de multa, seja ela moratória ou de oficio, contra os sucessores e o cônjuge meeiro, quando a infração cometida pelo de cujus for apurada após a abertura da sucessão. A cobrança de penalidades não ultrapassa os limites do espólio para atingir os sucessores após a partilha. A decisão a quo, diante das informações complementares trazidas em sede de impugnação, excluiu do montante tributável os depósitos nos valores de R$69.984,00 e R$76.202,50, efetuados em 17/03/1998 e 22/06/1998, respectivamente (fl. 246 — volume I) e afastou a aplicação da multa de 10% sobre o valor remanescente do imposto apurado. Do RECURSO VOLUNTÁRIO Notificado do Acórdão de primeira instância, em 15/08/2006 (vide AR de fl. 256 - volume II), o contribuinte interpôs, em 04/09/2006, tempestivamente, o recurso de fls. 259 a 271 - volume II, firmado por seus procuradores (conforme instrumento de mandato de fl. 272 — volume II, no qual, após breve relato dos fatos, apresenta as razões de sua irresignação a seguir sintetizadas. 1. Argúi a nulidade do Auto de Infração por falta de motivação do ato, pois entende que omissão de receitas e rendimentos não pode ser fato gerador do imposto, mas sim a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de rendas e proventos de qualquer natureza. Transcreve jurisprudência e doutrina. 2. Alega que houve irregular quebra do sigilo bancário quando a Receita Federal exigiu do recorrente a apresentação dos extratos de todas as suas contas bancárias no período, pois apenas a conta do Bradesco de d- 6314-2 tinha como titulares o recorrente e seu falecido pai, pois somente o espólio era objeto de fiscalização. Assim, os agentes fiscais -o 4 . Processo n° 10140.001794/2003-39 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.206 Fl. 3 estavam autorizados a invadir os dados bancários do recorrente e somente o Poder Judiciário poderia requisitar às instituições financeiras à quebra do sigilo. Requer, assim, a anulação do Auto de Infração. Cita doutrina sobre o assunto. 3. Sustenta que depósito bancário, mesmo com o advento da Lei d- 9.430, de 1996, por si só, não constitui fato gerador do imposto de renda, sendo necessário prova cabal e robusta de que ele foi utilizado como renda consumida. Invoca a Súmula n •'• 182 do extinto Tributai Federal de Recursos — TRF, que dispõe ser ilegítimo lançamento arbitrado com base apenas em extrato bancário. ConClui afirmando a presente autuação só seria admissivel se fosse comprovado o nexo causal entre os depósitos e o fato que representasse a suposta omissão de rendimentos, o que não ocorreu. Cita precedentes administrativos e doutrina para corroborar seu entendimento. 4. Entende não ser justo que o recorrente seja penalizado por não conseguir comprovar todos os depósitos bancários feitos em 1998, relativamente às transações realizadas por seu pai, já falecido. 5. Por fim, discorda da aplicação da taxa SELIC, alegando ter esta caráter remuneratório e não moratório, violando o limite previsto no art. 161 do Código Tributário Nacional que fixou as taxas de juros a 12%, ou seja, 1% ao mês. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote d- 02, sorteado e distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes de 16/12/2008, veio numerado até à fl. 381 - volume II (última). =\‘•5 • Voto Conselheira MARIA LÚCIA MONIZ DE ARAGÃO CALOMINO ASTORGA, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. 1 Nulidade do Auto de Infração Como preliminares, o contribuinte argúi: (i) a falta de motivação do Auto de Infração, porque omissão de receitas e rendimentos não pode ser fato gerador do imposto; e (ii) houve a irregular quebra do sigilo bancário quando a Receita Federal exigiu do recorrente a apresentação dos extratos de todas as suas contas bancárias no período, pois somente o espólio era objeto de fiscalização. No tocante à falta de motivação do Auto de Infração (item i), quanto se fala "omissão de rendimentos" quer-se dizer "falta de declaração de rendimentos" e, sendo estes rendimentos de natureza tributável, temos o fato gerador do imposto. No presente caso, o fato gerador é a omissão de rendimentos tributáveis caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, com fundamento no art. 42 da Lei n-Q 9.430, de 1996, a qual se encontra perfeitamente descrita no Auto de Infração (fl. 142 — volume I), não havendo, portanto, que se falar em falta de motivação do lançamento. Da mesma forma, não procede a alegação de quebra do sigilo bancário do contribuinte (item ii), pois os extratos bancários foram fornecidos diretamente pela inventariante na fiscalização do espólio. Observa-se, ainda, que a conta do Bradesco de n' 6314-2, pelos extratos juntados às fls. 89 a 103 do Anexo I consta apenas o nome do de adus, não havendo qualquer indicação de que a conta seria conjunta. Outrossim, existindo ação fiscal em nome do contribuinte, regularmente instaurada pelo Mandado de Procedimento Fiscal — MPF n2 01.4.01.00-2003-00350-0, poderia a fiscalização solicitar todas as informações que julgasse necessária a verificação do - cumprimento das obrigações tributárias inclusive solicitar informações a respeito de sua movimentação financeira própria, sem que isso significasse quebra irregular do sigilo bancário. Destarte, superadas as preliminares, passá-se a análise do mérito 2 Presunção de omissão com base em depósito bancário de origem não comprovada O contribuinte alega que: (i) depósitos bancários, por si só, não constitui fato gerador do imposto de renda, sendo necessário prova cabal e robusta de que ele foi utilizado como renda consumida; e (ii) não pode ser penalizado por não conseguir comprovar todos os depósitos bancários feitos em 1998, relativamente às transações realizadas por seu pai, já falecido. Inicialmente, impõe-se fazer uma retrospectiva da legislação, no que diz respeito ao uso da mov . entação financeira como base para a caracterização de omissão de rendimentos (item i). 6 Processo n° 10140.001794/2003-39 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.206 Fl. 4 Antes da Lei n-9- 8.021, de 12 de abril de 1990, não existia disposição legal específica sobre o uso da movimentação financeira como caracterizadora de omissão de rendimentos. Havia um entendimento de que depósitos bancários de origem não comprovada poderiam configurar acréscimo patrimonial a descoberto (art. 52 da Lei d- 4.069, de 11 de junho de 1962, c/c art. 43 do Código Tributário Nacional - CTN e art. 3 2, §1', da Lei n' 7.713, de 1988) ou sinais exteriores de riqueza (art. 9 2 da Lei 4.129, de 14 de julho de 1965), duas hipótese de presunção de omissão de rendimentos. No caso de tributação embasada na presunção de acréscimo patrimonial a descoberto, a movimentação bancária era considerada, por um lado, uma aplicação (os depósitos) e, por outro, uma fonte de recursos (os saques), fazendo parte de um demonstrativo que cotejava todas as mutações patrimoniais com os rendimentos auferidos e, caso fosse constatada a existência de acréscimo patrimonial a descoberto, presumia-se a ocorrência de omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte justificar a origem de tais incrementos com rendimentos já tributados, isentos, não tributáveis ou de tributação exclusiva. Na prática utilizava-se o saldo inicial como recurso, e o saldo final, como aplicação, já que a diferença entre eles equivale à diferença entre o total dos depósitos e o total dos saques do mesmo período. Os depósitos bancários poderiam, ainda, servir de base para presumir rendimentos omitidos, diante da constatação de sinais exteriores de riqueza evidenciadores de renda auferida ou consumida, não submetida à tributação. Neste caso, o somatório puro e simples dos valores depositados cujas origens não fossem justificadas não era suficiente para caracterizar a omissão de rendimentos, sendo necessário constatar a existência de sinais exteriores de riqueza que evidenciasse a renda auferida ou consumida. A Súmula tf 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos foi editada nesta época, em que não existia uma presunção legal que versasse expressamente sobre omissão de rendimentos com base na movimentação financeira do contribuinte, considerando ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado com base exclusivamente em extratos ou depósitos bancários. Em seguida, promulgou-se o Decreto-lei n' 2.471, de 1 2 de setembro de 1988, a seguir reproduzido, determinando o cancelamento dos processos referentes a crédito tributário decorrente de valores arbitrados com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários, conforme disposto em seu art. 9 2, inciso VII: Art. 90 Ficam cancelados, arquivando-se, conforme o caso, os respectivos processos administrativos, os débitos para com a Fazenda Nacional, inscritos ou não como Dívida Ativa da União, ajuizados ou não, que tenham tido origem na cobrança: VII - do Imposto sobre a Renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários. - Infere-seassim que-a partir do-Decreto-lei d-=2.4171, de 1988, o lançamento de acréscimo patrimonial a descoberto decorrente de simples movimentação financeira, deixou de ser exigível, visto que se baseava apenas em valores extraídos de documentos bancários (depósitos, saques ou diferenças entre saldos). Desta forma, a apuração de omissão de rendimentos a partir da movimentação financeira passou a ter fundamento apenas no art. 9 2 da Lei d. 4.729, de 1965 (constatação de sinais exteriores de riqueza) que vigorou até a edição da Lei d- 8.021, de '12 de abril de 1990, que revogou expressamente este dispositivo legal, definindo com mais clareza em que termos os sinais exteriores de riqueza poderiam ensejar a tributação de omissão de rendimentos. Com a edição da Lei fl2 8.021, de 1990, os depósitos bancários de origem não comprovada passaram a configurar expressamente como hipótese de omissão de rendimentos, desde que fosse estabelecido um nexo de causalidade entre tais depósitos e fatos concretos ensejadores do ilícito, conforme disposto em seu art. 6, in verbis: Art. 6' O lançamento do ofício, além dos casos já especificados em lei, far-se-á arbitrando-se os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. § J2 - Considera-se sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. § 2 - Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do imposto de renda em vigor e do imposto de renda pago pelo contribuinte. § 3 - Ocorrendo a hipótese prevista neste artigo, o contribuinte será notificado para o devido procedimento fiscal de arbitramento. § 4' - No arbitramento tomar-se-ão como base os preços de mercado vigentes à época da ocorrência dos fatos ou eventos, podendo, para tanto, ser adotados índices ou indicadores econômicos oficiais ou publicações técnicas especializadas. § 5' - O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 62 - Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte. O legislador deixa claro que os depósitos bancários podem ser utilizados para fins de apuração de omissão de rendimentos, contudo, nos estritos termos do §5 2 e do capuz' do artigo acima transcrito, ou seja, não basta apenas constatar a existência dos depósitos, mas deve-se estabelecer uma conexão, um nexo causal, entre estes depósitos e alguma exteriorização de riqueza e/ou operação concreta do sujeito passivo que pudesse ter dado ensejo à omissão de rendimentos. • Na realidade, a Lei n2 8.021, de 1990 nada mais fez do que consolidar, de forma explícita, o tratamento tributário a ser aplicado aos depósitos bancários de origem não justificada e que já vinha sendo adotado tendo em vista a presunção de omissão de rendimentos com base em sinais exteriores de riqueza, nos termos do art. 9 2 da Lei n' 4.729, de 1965 (só revogado pela própria Lei n' 8.021, de 1991), e o disposto no Decreto-Lei n2 2.471, de 1988 (92, inciso VIII) que excluía do campo de incidência do imposto de renda os montantes arbitrados com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósi s bancários. 8 , Processo n° 10140.001794/2003-39 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.206 Fl. 5 Entretanto, a remissão do contribuinte à Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recurso, não o socorre, eis que foi editada antes da vigência da Lei d- 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que alterou novamente as normas para a tributação de depósitos bancários. Com o advento da Lei n2 9.430, de 1996, criou-se uma presunção mais sumária que atribui ao fisco a simples constatação da existência de depósitos bancários não justificados pelo contribuinte, para que se estes sejam tributados como omissão de rendimentos, como se observa pelo teor do art. 42 do referido diploma legal: Art.42.Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de 1 investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 1 §1' O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2' Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e 1 contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1- os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II -no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). [...] (grifou-se) De acordo com o dispositivo acima transcrito, basta ao fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origens não comprovadas para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Trata-se de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), e, portanto, cabe ao fisco comprovar apenas o fato definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique-evidenciada a omissão de rendimentos. No se refere aos precedentes administrativos mencionados pelo recorrente, cabe_lembrar que estas decisões_não têm caráter_vinculante,_valendo_apenasentre as partes, existindo jurisprudência administrativa mais recente corroborando nosso entendimento. A exemplo, cite-se: r\,,, 9 DEPÓSITOS BANCÁRIOS - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Presume-se a omissão de rendimentos sempre que o titular de conta bancária, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento (art. 42 da Lei n°. 9.430, de 1996). (Acórdão ri' 104-22.356, de 25/04/2007). OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários, cuja origem em rendimentos já tributados, isentos e não tributáveis o sujeito passivo não comprova mediante prova hábil e idônea.(Acórdã o e 106-16.142, de 28/02/2007) LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1 0 de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. (Acórdão 129- 102- 48.047, 08/11/2006). DEPÓSITO BANCÁRIO — OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Caracterizam omissão de rendimentos valores creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. (Acórdão CSRF n 00.259, de 12/09/2006) Demonstrada, assim, a legalidade do lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Resta agora examinar a questão relacionada à sujeição passiva, uma vez que o lançamento decorre de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, apurada na fiscalização do espólio de Habib Rezek, cujo crédito tributário, em parte (50%), está se exigindo do contribuinte na qualidade de herdeiro. Compulsando-se os elementos que compõe os autos, importa destacar: 1. A ação fiscal foi iniciada em nome do espólio, conforme Representação Fiscal de fls. 2 a 7 do Anexo I, no curso da qual a inventariante, Sra. Dyrce Rezek (vide fl. 165 do Anexo I), foi intimada a apresentar os extratos das contas bancárias em nome do de cujus, movimentadas nos ano-calendário 1998, bem como justificar a origem dos recursos nelas depositados (fls. 12, 13, 14, 17, 19, 20, 21 e 26 do Anexo I). As respostas da inventariante bem como todos os documentos por ela fornecidos encontram-se no Anexo I deste processo. 2. De acordo com informação prestada pela inventariante, os valores que ingressaram na conta corrente do espólio decorrem da atividade rural exercida por seu marido em vida (fls. 15 e 16 do Anexo I). 3. Analisando a documentação apresentada pela inventariante, remanesceram sem comprovação os depósitos relacionados às fls. 5 a 7 c-k% Processo n° 10140.001794/2003-39 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.206 Fl. 6 do Anexo I, totalizando R$1.233.938,01 (fl. 8 do Anexo I), sendo formalizada a Representação de fls. 3 a 7 do Anexo I, a fim de fossem abertas fiscalizações em nome dos herdeiros, Srs. Habib Rezek Júnior e Marco Antonio Rezek. 4._A_abertura da sucessão ocorreu em_21/06/1998, conforme Certidão de Óbito anexada à fl. 162 do Anexo I, e o encerramento do espólio, em 04/08/1998, de acordo cópia da sentença homologando o formal de partilha, anexada à fl. 237 do Anexo I. 5. No presente lançamento foram tributados valores depositados nos meses de janeiro a setembro de 1998, ou seja, antes da abertura da sucessão e após a homologação do formal de partilha. Como se sabe, o espólio é pessoalmente responsável pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão (art. 131, inciso III, do Código Tributário Nacional - CTN), bem como os herdeiros e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação (art. 131, inciso II, do CTN). Esta responsabilidade abrange não só os créditos tributários definitivamente constituídos até a abertura da sucessão, mas também os em curso de constituição ou posteriormente constituídos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas antes da morte do contribuinte, no caso do espólio, e antes da data da partilha, no caso dos herdeiros e meeiros, nos termos do art. 129 do CTN. O espólio existe entre a data da abertura da sucessão até a data da partilha, sendo o inventariante responsável solidário pelos tributos por ele devido (espólio) neste período (art. 134, inciso IV do CTN). Encerrado o inventário, eventuais créditos tributários devidos pelo espólio passam a ser de responsabilidade dos herdeiros e do cônjuge meeiro, limitados ao montante do quinhão do legado ou da meação. Para que a presunção de omissão de rendimentos, prevista no art. 42 da Lei ri' 9.430, de 1996, se aperfeiçoe é necessário que o(s) titular(es) da conta seja(m) previamente intimado(s) a comprovar a origem dos depósitos. Ou seja, cabe ao fisco identificar os depósitos bancários de origem não comprovada e intimar o contribuinte a sobre eles se manifestar com o fim de cumprir o encargo que a presunção do art. 42 da Lei n 2 9.430, de 1996 lhe transfere. Em se tratando de conta conjunta, é entendimento pacificado neste Tribunal, que a falta de intimação prévia de um dos titulares acarreta a improcedência do lançamento referente aos créditos efetuados nesta conta. Assim, diferentemente de outras infrações, a presunção de omissão de rendimentos baseada em depósitos bancários de origem não comprovada tem como requisito fundamental a intimação prévia do titular da conta, sem a qual ela não se confouna. No caso de procedimento fiscal instaurado após a morte do contribuinte, tendente a averiguar a regularidade do depósitos efetuados em contas de titularidade do de cujus, há que se fazer um divisão temporal quanto a responsabilidade pela comprovação da origem destes depósitos: depósitos efetuados antes e depois da abertura da sucessão. Visto-que o titular da conta,- antes-da-abertura-da-sucessão,-era-o-de-adus,--é-a. - ele a quem se deve imputar o ônus de comprovar a origem dos depósitos efetuados até sua morte, não se podendo transferir tal responsabilidade ao espólio. Assim, sendo a intinação 1\1 neste caso materialmente impossível, a presunção vista no art. 42 da Lei ri 9.430, de 1996, não se aperfeiçoa em relação aos depósitos efetuados à época em que o contribuinte era vivo. Corroborando nosso entendimento, também já se manifestou a Ilustre Conselheira Heloísa Guarita Souza, a quem peço vênia para transcrever um trecho do voto constante do Acórdão nu 104-22.290, de 28/03/2008, quando foi apreciada situação semelhante: É pacífico que a tributação dos depósitos bancários de origem não comprovada trata-se de uma presunção relativa, legalmente autorizada, mas que depende, primeiro, da não comprovação por parte do titular da conta bancária, depois de devidamente intimado, da origem de tais depósitos. Mas, ressalte-se que é elemento essencial, componente da norma, a prévia intimação do titular da conta bancária. Tanto assim que, quando a conta é conjunta, a jurisprudência desse Conselho já firmou entendimento de que também ele deve ser intimado para fazer essa comprovação, sob pena de improcedência da autuação quanto à parte não intimada ou se tal fato não foi levado em conta. No caso concreto, a hipótese normativa é de materialização impossível, haja vista que o titular das contas bancárias autuadas já era falecido antes mesmo do início da fiscalização. Para essa obrigação, não se transfere o inventariante ou o espólio, uma vez que com o "de cujos" não se confundem. Ora, se é faticamente impossível intimar o titular da conta bancária para comprovar a origem dos depósitos bancários, porque falecido, não há como materializar a hipótese de incidência tributária prevista no artigo 42, supra- transcrito, tendo em vista o princípio da legalidade tributária. Caso contrário, estar- se-á transformando uma presunção relativa em presunção absoluta, ao se tomar a totalidade dos depósitos como não comprovados. Sob outra ótica, estar-se-á violando o princípio da legalidade ao se dirigir a intimação —elemento essencial da norma jurídico-tributária do artigo 42 — para a inventariante, já que ela não se confunde com o "de cujus". A responsabilidade tributária por sucessão somente estaria presente, mesmo considerando que os fatos motivadores da autuação são anteriores ao falecimento do contribuinte, se fosse material e autonomamente possível a aplicação da regra legal embasadora do lançamento, o que não acontece, em função das características essenciais do artigo 42, já destacadas. Isto é, se a obrigação tributária decorrente do comando do artigo 42 é de nascimento impossível — pela impossibilidade de intimação do titular da conta bancária —nem mesmo há de se cogitar na hipótese de responsabilidade tributária uma vez que ela é dependente de uma obrigação tributária pré-constituída, inexistente no caso concreto. Com isto quer-se dizer que o instituto da responsabilidade tributária não é autônomo, mas pressupõe a existência de uma obrigação tributária pré-constituída (independentemente da sua formalização ou declaração pelo lançamento) e cujo cumprimento não foi honrado pelo contribuinte, por qualquer uma das situações previstas no Código Tributário Nacional. Após a abertura da sucessão, o espólio, assim entendido como o "conjunto de bens, direitos e obrigações da pessoa falecida" (art. 2' da Instrução Normativa ri." 81, de 11 de outubro de 2001), passa a ser o responsável pela movimentação financeira das contas bancárias pertencentes ao contribuinte falecido, até a data da partilha. Neste caso, é possível intimar o espólio, representado pelo inventariante, a se manifestar quanto a origem dos depósitos efetuados nas contas bancárias do de cujus, no período sob sua responsabilidade, e, se for o caso, efetuar o lançamento com base na presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. (s 12 Processo n° 10140.001794/2003-39 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.206 Fl. 7 Retornando ao caso em concreto, tem-se que a presente ação fiscal originou- se de procedimento instaurado em nome do espólio, no qual foi a inventariante, Sra. Dyrce Rezek (vide fl. 165 do Anexo I), intimada a apresentar os extratos das contas bancárias em nome do de cujus, movimentadas nos ano-calendário 1998, bem como justificar a origem dos recursos nelas depositados (fls. 12, 13, 14, 17, 19, 20, 21 e 26 do Anexo I). A origem dos — depósitos foi em - parte comprovada, esclarecendo _ a inventariante que os valores que ingressaram nas contas correntes fiscalizadas decorriam da atividade rural exercida por seu marido em vida (fls. 15 e 16 do Anexo I). Constatando a fiscalização que o inventário já havia sido encerrado, formalizou a Representação de fls. 3 a 7 do Anexo I, a fim de fossem abertas fiscalizações em nome dos herdeiros, Srs. Habib Rezek Júnior e Marco Antonio Rezek. Analisando-se as planilhas elaboradas pela fiscalização às fls. 146 a 148 — volume I, verifica-se que o total dos depósitos efetuados antes da abertura da sucessão é de R$646.099,01, conforme a seguir relacionados. Banco Conta Agência . Data Valor 1 Bradesco 63142 1 22012 05/01/1998 1 30.682,94 Bradesco 63142 1 22012 113/02/1998 960,52_ Bradesco 63142 : 22012 13/02/1998 50.524,18 Bradesco 63142 ; 22012 04/03/1998 1 3.700,00 1 Bradesco : 63142 ; 22012 12/03/1998 1 29.191,87 Bradesco 1 63142 r- 22012 25/03/1998 1 19.000,00 1 Bradesco 63142 22012 04/05/1998 8.000,00 1 Bradesco 63142 22012 1 19/05/1998 1 1.000,00 1 Bradesco 1 63142 22012 . 01/06/1998 1 1.000,00 1 Bradesco 761427 1 01104 05/01/1998 1 500,00 1 Bradesco 1 761427 . 01104 1 21/01/1998 1.000,00 1 Bradesco :% 761427 01104 : 05/02/1998 5.000,00 1 Bradesco 761427 01104 I- 09/02/1998 2.000,00 Bradesco 761427 01104 12/03/1998 500,00 1 Bradesco : 761427 . 01104 1 17/04/1998 1 1.000,00 Bradesco j 761427 01104 27/04/1998 1.000,00 Bradesco 1 761427 01104 ; 21/05/1998 500,00 1 Bradesco 761427 01104 04/06/1998 1 1.000,00 1 Bradesco 1 761427 01104 18/06/1998 1.000,00 1 HSBC 1084729 ; 0870 19/01/1998 1 19.000,00! _ HSBC 1084729 g 0870 26/01/1998 12.000,00 1 HSBC , 1084729 1 0870 : 02/02/1998 : 10.000,00 HSBC 1084729 : 0870 , 05/02/19981 7.000,00 HSBC 1084729Â 0870 09/02/1998 4.000,00 1 HSBC 1084729 : 0870 16/02/1998 13.504,00 HSBC . 1084729 0870 27/02/1998 15.000,00 13 _ Banco Conta Agência Data Valor HSBC 1084729 0870 :1 02/03/1998 25.000,00 HSBC I 1084729 I 0870 1 06/03/1998 : 60.000,00 HSBC II 1084729 1 0870 1I 09/03/1998 7.555,00 3 HSBC 1 1084729 1 — 0870 :F 17/03/1998 1 69.984,00 r rHSBC 1 1084729 r0870 I' 24/03/1998 10.000,00 HSBC i 1084729 1 0870 1 13/04/1998 10.000,00 _ HSBC 1 1084729 0870 20/04/1998 1 10.000,00 HSBC 1 1084729 1. 0870 I1 22/04/1998 5.000,00 HSBC 1084729 0870! 22/04/1998 2.294,00 HSBC 1 1084729 1 0870 1 29/04/1998 : 30.000,00 HSBC 1084729 11 0870 ; 04/05/1998 1 20.000,00 HSBC 11 1084729 1 0870 18/05/1998 11.000,00 HSBC 1084729 11 0870 25/05/1998 5.000,00 HSBC 1084729 1-0870 : 01/06/1998 ! 27.000,00 HSBC I1 1084729 1 r— 0870 Ii 04/06/1998 9.000,00 1 HSBC I, 1084729 0870 09/06/1998 ; 15.000,00 HSBC 11 1084729 0870 3 15/06/1998 15.000,00 HSBC : 1 1084729 0870 : 1 22/06/1998 : 76.202,50 Total dos depósitos efetuados antes da abertura da sucessão 646.099,01 •, • . „ Dos valores acima, a decisão a quo, já havia excluídos os depósitos de R$69.984,00 e R$76.202,50, efetuados em 17/03/1998 e 22/06/1998, respectivamente (fl. 246 — volume I). Assim, de acordo com exposto anteriormente, não se pode imputar ao espólio, e muito menos aos herdeiros, a obrigação de comprovar a origem dos depósitos efetuados pelo de cujus em vida, razão pela qual há que se excluir o valor remanescente de R$499.912,51 (R$646.099,01 — R$69.984,00 — R$76.202,50), referente a depósitos efetuados antes da abertura da sucessão e mantidos pela decisão de primeira instância. Entretanto, após a aberturà da sucessão, a responsabilidade pela movimentação das contas bancárias era do espólio e ele, por meio de sua inventariante, foi regularmente intimado a comprovar a origem dos depósitos efetuados neste período e, não o fazendo, autorizado estava o fisco a efetuar, como o fez, o lançamento com base na presunção prevista no art. 42 da Lei n2 9.430, de 1996. Assim, o lançamento referente aos depósitos efetuados após a morte do contribuinte, até a homologação do formal de partilha, cuja origem não foi comprovada pelo espólio deve ser mantido, cabendo, apenas a exclusão do valor de R$197.432,00, referente a valores creditados após a homologação do formal de partilha, por não serem mais de responsabilidade do espólio, conforme abaixo discriminados: Banco :1 Conta !rAgência ;1 Data Valor Bradesco II 63142 I 22012 ;1 05/08/1998 r 107.000,00 11Bradesco i 1 63142 22012 124/08/1998 1.600,00 ! iiBradesco ir-6-3ÃÃ-2--; 22012 10/09/1998 :r 2.196,00 rBradesco 63142 122012 18/09/1998 !I 5.000,00 14 Processo n° 10140.001794/2003-39 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.206 Fl. 8 Banco Conta .; Agência : Data Valor .à Bradesco' 761427 .' 01104 ;1 06/0811998 5.000,00 [13radesco - 761427 - r-- 01104 [10/08/1998 : 21.336,00 , ! Bradesco . 761427 : 01104f 17/0/19988 ; : r 500000,._, _ Bradesco : 761427 .F-15-1-104 'I 17/08/1998 _ 7.000,00 ! Bradesco 76142701104 1 24/08/1998 i 6.000,00 I , .. . . , i Bradesco 761427 * 01104 . 08/09/1998 3.700,00 i HSBC . [-TI 0870 . 06/08/1998; 33.600,00 . 197.432,00. , ,. , , Em obediência ao principio da legalidade, há que se declarar de oficio, ainda, a improcedência de outra parte do lançamento. O art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, base legal do lançamento de omissão decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, previa, no caso de pessoa física, que o levantamento da omissão de rendimentos fosse feito excluindo-se os depósitos individualmente inferiores a R$1.000,00, desde que no total não ultrapassem R$12.000,00 num mesmo ano-calendário (inciso II, § 3 2, do art. 42). Contudo, com o advento da Lei n2 9.481, de 13 de agosto de 1997, tais limites foram aumentados para R$ 12.000,00 e R$ 80.000,00, respectivamente, produzindo seus efeitos a partir de janeiro de 1997 (art. 4 2 e 62' da Lei n° 9.481/1997). Desta forma, há que se julgar improcedente também o valor de R$11.880,00, correspondente ao total dos depósitos individuais inferiores a R$12.000,00, efetuados entre a abertura da sucessão e a homologação do formal de partilha.. Destarte, há que se excluir da base de cálculo do imposto devido pelo espólio o montante total de R$709.224,51 (R$499.912,51 + R$197.432,00 + R$11.880,00), apurando- se, ao final, como parcela do imposto sobre responsabilidade do contribuinte, o valor de R$30.660,23, conforme abaixo demonstrado: CÁLCULO DO IMPOSTO DEVIDO PELO ESPÓLIO Valores em R$ (1) Base de cálculo declarada (fl. 143) 11.451,96 (2) Total da infração lançada (fl. 143) 933.548,01 (3) Valores excluídos pelo decisão do Colegiado (709.224,51) (4) Base de Cálculo ajustada ((1) + (2) — (3)) 235.775,46 (5) Imposto apurado (TABELA PROGRESSIVA) 61.958,25 (6) Imposto pago (fl. 143) 637,79 (7) Imposto devido ((5) — (6)) 61.320,46 (8) Imposto devido por cada herdeiro (50% de (7)) 30.660,23 3 Taxa Selic Na verdade, a exigência dos juros apurados a partir da Taxa SELIC está prevista, de forma literal, no artigo 13 da Lei n0 9.065, de 20 de junho de 1995 e no §3 2 do art. 61- da -Lei- n2-9.430/-1996, -não havendo_ como afastá-la sem expurgar, _também, tais dispositivos literais de lei. 15 Ademais, esta matéria já se encontra pacificada no âmbito deste Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula n' 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes', em vigor desde de 28/07/2006: Súmula J2 CC n 4: Á partir de 1' de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à . taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Destarte, há que se referendar o feito fiscal naquilo que se relaciona com a aplicação da Taxa SELIC como juros de mora. 4 Conclusão Diante do exposto, voto por REJEITAR as preliminares suscitadas pelo recorrente e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para reduzir o imposto devido pelo contribuinte para R$30.660,23. ./ 1.1CGGLA- Ãe.e, MARIA L CIA MONIZ DE A • • GÃd&-)LOMINO ASTORGA • • 1 As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de aplicação obrigatória nos julgamentos de segundo . grau, nos termos do art. 72, §4° do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009. 16 - MINISTÉRIO DA FAZENDA m"K,' CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS4M, Processo n°: 10140.001794/2003-39 Recurso n°: 154.447 • TERMO DE INTIMAÇÃO 1 Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do ' Acórdão n° 2202-00.206. iBrasília/DF O 8 FEV 2013 t(.... EVELINE COÊLHO DE ELO HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / , Procurador(a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 15374.900017/2008-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2003
DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO
A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
Numero da decisão: 2201-004.433
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que votaram pela conversão do julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ERRO EM DCTF Recorrente BANCO BANERJ S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Milton da Silva Risso e Douglas Kakazu Kushiyama, que votaram pela conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 00 17 /2 00 8- 53 Fl. 103DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 58/63, interposto contra decisão da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, de fls. 46/50, que não deu provimento à Manifestação de Inconformidade do contribuinte, não homologando a compensação pleiteada haja vista a ausência de comprovação da existência do crédito. Tratase do PER/DCOMP nº 01793.00049.191103.1.3.049534, fls. 19/24, no qual o contribuinte buscava compensar suposto crédito no valor original de R$ 38.735,73, oriundo do pagamento indevido ou a maior de IRRF, código 0561, com o débito de CPMF, da 2º semana de novembro de 2003, no valor de R$ 46.943,83. Conforme Despacho Decisório de fl. 16, a compensação pleiteada não foi homologada pois "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados em PER/DCOMP". Da Manifestação de Inconformidade Em razão da clareza didática do resumo elaborado pela DRJ no Rio de Janeiro/RJ das razões apresentadas em manifestação de inconformidade, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: "Inconformada, a interessada apresentou, em 28/03/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 3/7, na qual alega, em síntese: 3.1) que faltou ao despacho decisório a demonstração das razões que levaram à não homologação da compensação, o que a impediu de exercer o direito constitucional de ampla defesa; 3.2) que o Fisco não trouxe aos autos nenhum elemento que desse suporte ao fato motivador da nãohomologação da compensação, exceto a descrição dos valores apurados; 3.3) que o ônus da prova incumbe a quem alega o fato constitutivo de seu direito; 3.4) que o ato administrativo há de ser sempre motivado; 3.5) que o "auto de infração" é nulo de pleno direito por não haver a demonstração do alegado, não permitindo apreender o motivo e o fato da autuação; 3.6) que declarou, por erro, o valor que indica como pagamento indevido ou a maior como DARF vinculado ao débito do período; Fl. 104DF CARF MF Processo nº 15374.900017/200853 Acórdão n.º 2201004.433 S2C2T1 Fl. 91 3 3.7) que sua alegação é comprovada pelo PER/DCOMP (fls. 16/21), DARF (fl. 22) e quadro demonstrativo (fl. 23) trazidos aos autos; 3.8) que o valor do débito apresentado na DCTF (fls. 24/31) contém erro que deve ser observado, especificamente, no campo pagamento com DARF, pois o valor pleiteado foi recolhido indevidamente; e 3.9) que pede a alteração de oficio das informações constantes da DCTF.” Da Decisão da DRJ A DRJ no Rio de Janeiro julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada, na decisão assim emendada. (fls. 46/50): “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer cerceamento a direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERALS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO INDEFERIMENTO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Não se homologa compensação baseada em direito creditório, o qual não foi devidamente demonstrado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Em suas razões, a autoridade julgadora afastou a preliminar de nulidade arguida pelo contribuinte, afirmando não haver violação ao princípio constitucional da ampla defesa, considerando que no Despacho Decisório de fl. 16 informa, com clareza, as razões pela qual não reconhece o direito creditório invocado. Também nas palavras da autoridade julgadora, o DARF foi vinculado ao débito nos termos da própria declaração apresentada pelo contribuinte (fl. 28). Quanto ao mérito, afirma que o contribuinte não provou as alegações de erro de preenchimento da DCTF, notadamente não apresentando prova documental capaz de provar, cabalmente, a existência do direito creditório. A DRJ entendeu que os documentos apresentados (PER/DCOMP, DARF e quadro demonstrativo) não servem para demonstrar erro o erro de fato que culminou no pagamento indevido ou a maior. Fl. 105DF CARF MF 4 Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, cientificado do Acórdão da DRJ em 07/06/2010, conforme fazem prova o AR de fl. 57 e a tela de consulta dos Correios de fl. 79, apresentou o recurso voluntário de fls. 58/63 em 07/07/2010. Em suas razões, praticamente reiterou as alegações demérito apresentadas em sede de manifestação de inconformidade, além de defender que o processo administrativo se rege pelo princípio da verdade material e que os documentos apresentados, quando interpretados sob a ótica de tal princípio, são suficientes para comprovar a existência do direito creditório. Ademais, juntou ao processo documentação que acredita ser relevante para comprovar a existência do pagamento indevido ou a maior de IRRF, qual seja, documentos relativos ao processo judicial nº 1344/98, que tramitou na 77ª Vara do Trabalho de São Paulo, bem como o DARF vinculado àquele processo (fls. 80/88). Sobre esse tema, afirmou que foi réu em reclamação trabalhista nº 1344/98 proposta por exfuncionário, na qual foi realizado depósito judicial no montante de R$ 108.016,96 com o respectivo recolhimento do IRRF de R$ 38.735,73 (fls. 80/81). Todavia, tal montante somente foi liberado para o exfuncionário em 11/06/2003 (fl. 87). Assim, na ocasião do efetivo levantamento, o RECORRENTE alegou que recolheu novamente o IRRF no valor de R$ 42.044,79 (fl. 88). Portanto, entendeu ter demonstrado o recolhimento em duplicidade do tributo e, consequentemente, o seu direito ao crédito pleiteado, o qual não foi contemplado somente por erro no preenchimento da DCTF. Alegou que tal erro não poderia ser utilizado como fundamento para o não reconhecimento do crédito. Este recurso de voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Da Alegação de Prevalência do Princípio da Verdade Material Conforme demonstrado pelo Despacho Decisório de fl. 16, o pedido de compensação não foi homologado por não restar crédito disponível para compensação, devido ao DARF ter sido utilizado integralmente para quitar débito do RECORRENTE relativo ao código 0561 (IRRF rendimento do trabalho assalariado) cujo período de apuração foi 30/11/2002. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 15374.900017/200853 Acórdão n.º 2201004.433 S2C2T1 Fl. 92 5 Sustenta o RECORRENTE que, em verdade, houve equívoco cometido na elaboração das DCTF originais apresentadas, haja vista que o mesmo débito foi declarado em dois DARFs distintos. Aduz ser equivocada a conclusão do Julgador de 1ª Instância sobre a impossibilidade da DRJ e do CARF reconhecerem direito a crédito sem suporte documental produzido previamente pelo contribuinte, pois no processo administrativo vigora o princípio da verdade material. Um dos princípios norteadores do processo administrativo é o cumprimento a estrita legalidade, desta forma, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais promove a verificação da legalidade dos atos administrativos produzidos no curso do procedimento fiscal e do julgamento em primeira instância, cotejando os fatos identificados e os efetivamente ocorridos com a legislação tributária correspondente. No caso dos tributos federais, a compensação tributária ocorre nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. No presente caso, a Autoridade Administrativa emitiu o Despacho Decisório de fl. 16 informando que o crédito que se almeja compensar já estava consignado em outro débito, confessado pelo contribuinte em DCTF. Neste sentido, assim, dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Fl. 107DF CARF MF 6 Ora, não pode a autoridade administrativa proceder com a homologação quando existe, de fato, vinculação do crédito a valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência. Sobre o tema, adoto como razões de decidir as palavras do Ilustríssimo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, proferida no acórdão nº 2201004.311: A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. (...) Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário prova lo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Apesar do procedimento de constituição do crédito tributário não ser regido pelo CPC, a adoção dos critérios principiológicos criados por tal norma em aplicação analógica ao presente caso oferece diretrizes de suma importância para resolução da demanda. Assim, uma vez em curso o procedimento de análise de compensação de crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. Apenas em sede de Recurso Voluntário o contribuinte traz um mínimo de provas para fundamentar sua alegação de ocorrência de erro de fato, qual seja, a cópia de alguns trechos do processo judicial 1344/98, que tramitou na 77ª Vara de São Paulo, processo este que originou o débito de IRRF objeto da presente celeuma. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 15374.900017/200853 Acórdão n.º 2201004.433 S2C2T1 Fl. 93 7 Contudo, não deveria o contribuinte comprovar o suposto recolhimento em duplicidade, pois é evidente que houve o recolhimento, tanto que o despacho decisório atesta a utilização do pagamento reputado como a maior pelo contribuinte para quitar débito confessado pelo RECORRENTE. Em verdade, deveria o contribuinte comprovar que cometeu equívoco na sua DCTF; ou seja, que os débitos confessados nessa declaração estavam equivocados. Assim, deveria ter comprovado o erro na DCTF através de balanços contábeis e demais documentos aptos a comprovar o valor correto devido a título IRRF para o período em questão, ou então auditoria realizada por perito independente. Neste sentido se verifica no Acórdão nº 3201001.713 da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. É bem verdade que, em razão do princípio da autotutela, pode a Administração Tributária reconhecer de ofício a ocorrência de erro que justifique a alteração de ato administrativo que tenha constituído crédito tributário em desacordo com a legislação aplicável, ou tenha denegado ao contribuinte pleito que faz jus. Todavia, não existe nos autos evidências suficientes para se proceder com a correção de ofício, considerando que, o crédito tributário objeto de pedido compensação foi integralmente utilizado para quitar dívida confessada pelo contribuinte. Não há, também, nos presentes autos elementos que justifiquem eventual conversão em diligência, ante ausência quase que integral de conteúdo probatório do direito do contribuinte. Por fim, não há nada nos autos que indique eventual ofensa aos ao princípio da Verdade Material. Todo o procedimento fáticoprobatório e jurídico presente nos autos foi levado em consideração nesta decisão, uma vez não comprovada a ocorrência de erro de fato; a cobrança de um débito indevidamente compensado é medida que se impõe como consequência da não homologação da compensação, devendo sobre estes incidir os acréscimos legais previstos para os casos de pagamento a destempo. Conclusão Pelas razões acima, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Fl. 109DF CARF MF 8 (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 110DF CARF MF
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Numero do processo: 11555.001192/2009-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2000 a 31/05/2004
ADESÃO A PARCELAMENTO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO.
A adesão a parcelamento configura confissão espontânea e irretratável, importando na desistência do recurso voluntário interposto. O eventual não cumprimento do acordo não tem o condão de retomar o Processo Administrativo Fiscal, uma vez que já se consumou a renúncia ao contencioso.
Numero da decisão: 2201-004.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. O Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, por ter se declarado impedido, não participou do julgamento.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. A adesão a parcelamento configura confissão espontânea e irretratável, importando na desistência do recurso voluntário interposto. O eventual não cumprimento do acordo não tem o condão de retomar o Processo Administrativo Fiscal, uma vez que já se consumou a renúncia ao contencioso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. O Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama, por ter se declarado impedido, não participou do julgamento. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 55 5. 00 11 92 /2 00 9- 68 Fl. 1522DF CARF MF Processo nº 11555.001192/200968 Acórdão n.º 2201004.474 S2C2T1 Fl. 1.523 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra DecisãoNotificação nº 26.401.4/0089/2006, (fls.1.346/1.353), que julgou procedente em parte a impugnação. O lançamento em questão encontrase fundamentado na NFLD nº 35.649.3180 e foi resumido nos termos do relatório da decisão de piso: Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada contra o Frigorífico Santa Elvira Ltda., que de acordo com o RelatórioRF de fls. 8592, referese à: a) contribuição social da empresa (cota patronal); b) contribuição social destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho(RAT), ambas, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados, inclusive o 13º salário, declarada e não declarada em GFIP; c) contribuição social da empresa (cota patronal) incidente sobre a remuneração, inclusive prólabore, paga ao contribuinte individual; d) contribuição social do contribuinte individual, não retida pela empresa; e) contribuição social correspondente a 11% do valor da nota fiscal fatura de prestação de serviço, mediante empreitada de mãodeobra, não retida pela empresa; f) contribuição social arrecada do empregado, mediante desconto da respectiva remuneração; g) contribuições destinadas a outras entidades e fundos(Incra e Sebrae) incidentes sobre a remuneração paga ao empregado, todas apuradas no período de 05/2000 a 06/2004. (...) A responsabilidade solidária foi atribuída às empresas acima identificadas por comporem um grupo econômico (...). Notificado do lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação nos seguintes termos, conforme excerto do acórdão de primeira instância: Em 10.01.2006, apresentou impugnação tempestiva, alegando os seguintes fundamentos: Inexistência de Grupo econômico e entendimento equivocado da Fiscalização ao afirmar que as empresas Frigorífico Santa Elvira Ltda, Frigorífico Novo Estado S/A, Frigorífico Porto Ltda, Frigorífico Bonsucesso Ltda e Frigorífico Vale do Rio Acre Ltda, caracterizam um grupo econômico, a partir de meras suposições sem embasamento firme, concreto e legal. Presunção ilegal da solidariedade face a ausência de provas de formação do Grupo Econômico. Fl. 1523DF CARF MF Processo nº 11555.001192/200968 Acórdão n.º 2201004.474 S2C2T1 Fl. 1.524 3 Inobservância dos limites estabelecidos no mandado de Procedimento Fiscal MPF, destacandose a devassa fiscal na empresa através de MPFcomplementar, a inaceitável verificação quanto às obrigações acessórias e a consequente lavratura dos Autos de Infrações, e; o equivocado entendimento para o fim de caracterizar o suposto grupo econômico. Violação ao Decreto nº 3.969, de 15.10.2001; Inobservância às formalidades do Relatório Fiscal previstas na instrução normativa MPS/SRP n 03, de 14.07.2005, ao procederem as conclusões, sem fundamento concreto, tomando por base questões subjetivas, sem amparo em documentos ou outras provas; Improcedência das contribuições sociais aferidas com base nas Notas Fiscais de Prestação de Serviços emitidas pela empresa Rondometal Ltda, tendo em vista a inexistência de obra de construção civil a cargo do Frigorífico Santa Elvira Ltda, fato também admitido pela fiscalização, ao deixar de expedir "ex officio" a matrícula CEI e ao deixar de autuar a empresa por não ter matriculado a obra perante o INSS. A decisão de primeira instância restou ementada nos termos abaixo: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A empresa está obrigada a recolher as contribuições sociais previstas no art. 22, incisos, I, II e III, da Lei 8.212/91, e contribuições destinadas aos terceiros (Incra e Sebrae), na forma da legislação vigente; O grupo econômico responde solidariamente pelas contribuições previdenciárias (art.30, inciso IV, da Lei 8.212/91); Improcede o lançamento de contribuições sociais lançadas não acobertadas pelo Mandado de Procedimento Fiscal (Decreto 3.969/2001). LANÇAMENTO PARCIALMENTE PROCEDENTE. Cientificado do acórdão de primeira instância em 07/06/2006 (fl.1.389), o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário (fls.1.398/1.406), tempestivamente, em 16/06/2006, com as mesmas alegações da impugnação anteriormente julgada parcialmente improcedente. O recurso apresentado não foi recebido por ser considerado deserto, uma vez que não comprovou o depósito da garantia de instância prevista no §1º, do art. 126, da Lei 8.213/91, com redação dada pela Lei 10.684/03. Despacho da PGFN (fls. 1.505/1.506), determinou a inclusão dos responsáveis solidários (integrantes do grupo econômico) no sistema da dívida previdenciária. Manifestouse ainda acerca da inexistência de prescrição do crédito tributário, devido ao pedido de parcelamento que foi encerrado no dia 29/12/2011, data em que teve início o decurso de um novo prazo prescricional. Fl. 1524DF CARF MF Processo nº 11555.001192/200968 Acórdão n.º 2201004.474 S2C2T1 Fl. 1.525 4 Em nova manifestação (fls. 1512/1513), a PGFN determinou o prosseguimento e a análise do recurso anteriormente deserto, tendo em vista a inconstitucionalidade da garantia exigida pela Lei 8.213/91. É relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Preliminarmente Da Renúncia ao Contencioso Administrativo O despacho exarado pela ProcuradoraChefe da Fazenda Nacional no Estado de Rondônia noticia que a recorrente aderiu ao parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.941/2009, na data de 13 de outubro de 2009. Acrescenta o referido despacho que o pedido de parcelamento do crédito tributário configura confissão espontânea, o que implica na interrupção do prazo prescricional (art. 174, IV, do CTN). Em conclusão, assevera que a adesão ao parcelamento especial manteve o crédito com a sua exigibilidade suspensa até o cancelamento da conta que ocorreu em 29/12/2011, voltando a correr o prazo prescricional. Em novo despacho, a PGFN destaca que é necessário ressaltar que o STF emitiu a Súmula Vinculante 21 acerca do tema: É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Prossegue aduzindo que é obrigatória a revisão de legalidade da inscrição em dívida, não restando outra alternativa à PFN/RO que não seja rever a legalidade dos atos praticados pela autoridade administrativa, para concluir pela necessidade de se cancelar a inscrição em DAU, devolvendo o PAF para o âmbito da administrativo, de forma a se concluir o julgamento do recurso a que se negou seguimento. Da narrativa supra, pode se concluir que a recorrente aderiu ao parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009 e não cumpriu com a obrigação pactuada, o que culminou com exaração do primeiro despacho, dando conta de que a execução fiscal poderia ter seu curso normal, já que o parcelamento resultou na interrupção do prazo prescricional. Todavia, a inscrição em dívida ativa foi cancelada por força da Súmula Vinculante nº 21 do Supremo Tribunal Federal e se determinou o retorno dos autos à Receita Federal do Brasil, que por sua vez determinou a remessa do PAF a este CARF para o julgamento do recurso. Fl. 1525DF CARF MF Processo nº 11555.001192/200968 Acórdão n.º 2201004.474 S2C2T1 Fl. 1.526 5 Ocorre que, não obstante a negativa do seguimento do recurso ser inconstitucional, em data posterior, a recorrente aderiu a parcelamento especial instituído pela Lei nº 11.941/2009 e, de acordo com as regras estabelecidas na Portaria Conjunta PGFN /RFB nº 6, de 22 de julho de 2009, desistiu de forma irrevogável do presente recurso, na forma abaixo: Art. 13. Para aproveitar as condições de que trata esta Portaria, em relação aos débitos que se encontram com exigibilidade suspensa, o sujeito passivo deverá desistir, expressamente e de forma irrevogável, da impugnação ou do recurso administrativos ou da ação judicial proposta e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e as ações judiciais, até 30 (trinta) dias após o prazo final previsto para efetuar o pagamento à vista ou opção pelos parcelamentos de débitos de que trata esta Portaria. (Redação dada pelo(a) Portaria Conjunta PGFN RFB nº 11, de 11 de novembro de 2009) Considerando que a Súmula Vinculante nº 21 tem caráter ex tunc, a inscrição do presente crédito tributário não produziu qualquer efeito. Dessa forma, ao aderir ao parcelamento especial a recorrente renunciou expressamente ao presente processo administrativo fiscal. Diferentemente do âmbito judicial, em que o não cumprimento do parcelamento importa na continuidade da execução fiscal; na esfera administrativa, não há de se cogitar de retomada do PAF, uma vez que o crédito tributário já está definitivamente constituído pela desistência de forma irrevogável do recurso administrativo. Nesse sentido temse o artigo 78, §§ 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. (...) § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente.(destaquei). Observe que a renúncia ao contencioso administrativo ocorre com a confissão da dívida que é externada através do pedido de parcelamento. O cumprimento do parcelamento é irrelevante para fins de confissão de dívida e de renúncia aos meios de impugnação administrativos e judiciais. Fl. 1526DF CARF MF Processo nº 11555.001192/200968 Acórdão n.º 2201004.474 S2C2T1 Fl. 1.527 6 Aplicandose a norma acima transcrita, no sentido do pedido parcelamento como desistência do contencioso administrativo, entendeu o CARF, através do acórdão 9303 005.182, relatado pelo Conselheiro Demes Brito e julgado no dia 18/05/2017: PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. DESISTÊNCIA O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso nos termos do artigo 78 , parágrafo 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF nº 342, de junho de 2015. (destaquei). Conforme vastamente demonstrado, não resta saída diversa do não conhecimento do presente recurso por explícita renúncia ao contencioso administrativo por parte do sujeito passivo. Conclusão Diante do exposto, voto pelo não conhecimento do presente Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 1527DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.724567/2015-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário:2010, 2011, 2012
NULIDADE ACÓRDÃO DRJ. FALTA DE ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS SOBRE A MESMA MATÉRIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. DESNECESSIDADE. INOCORRÊNCIA.
A decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. INDIVIDUALIZAÇÃO DE DEPÓSITOS. PRESENÇA. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA OU DEFICIÊNCIA NA IDENTIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
A alegação de nulidade do lançamento de ofício, sob o argumento de cerceamento de defesa e violação ao art. 142 do CTN, diante da suposta carência de investigação e esforços da Fiscalização na identificação da infração, não se sustenta quando verificada a adequada confecção da Autuação, constando no TVF a conclusão de sua analise técnica, bem como fundamentação jurídica clara.
No caso de lançamento referente a omissão de receitas, a individualização dos depósitos e créditos questionados por meio de planilha, disponibilizada ao contribuinte e anexa ao processo administrativo, instruindo os Autos de Infração, mostra-se plenamente adequada.
Quando alegado, o prejuízo à defesa do contribuinte precisa ser objetivamente demonstrado para implicar em nulidade do lançamento procedido.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário:2010, 2011, 2012
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO FRAUDE E SIMULAÇÃO. ART. 173 CTN. TERMO INICIAL.
A contagem do prazo decadencial, mesmo para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, submete-se à regra do art. 173, inciso I, do CTN quando presente dolo, fraude ou simulação na conduta colhida. Nestes casos, o marco inicial da contagem do prazo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
ARBITRAMENTO. OMISSÃO DE RECEITAS. LUCRO PRESUMIDO. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA NÃO DECLARADA E REGISTRADA. IRRELEVÂNCIA DO LIMITE DE RECITA BRUTA AUFERIDA. ART. 530 RIR/99. POSSIBILIDADE.
O arbitramento não é modalidade de sanção fiscal e tampouco uma prerrogativa ou uma faculdade do contribuinte quando autuado. Trata-se de modalidade de apuração do lucro tributável, aplicável quando verificadas, concretamente, as suas hipóteses legais de adoção.
Quando constatado pela Fiscalização que o contribuinte, mesmo que optante pelo regime do Lucro Presumido, procedeu ao registro de movimentação financeira/bancária extremamente inferior ao montante realmente constatado, é cabível o arbitramento, posto que revelada profunda deficiência em sua escrita.
Nesse caso, é irrelevante o fato de o valor total de receitas percebidas ainda estar contido no limite anual de receita bruta auferida para fins de opção e permanência no regime do Lucro Presumido.
OMISSÃO DE RECEITAS. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. ADEQUAÇÃO DO CONJUNTO PROBATÓRIO.
A legítima constatação de omissão de receitas tributáveis constitui presunção relativa, cabendo ao contribuinte o ônus da prova da insubsistência da infração. As alegações do contribuinte devem ser cabalmente comprovadas através de meio hábil para elidir a acusação fiscal, contando com documentos idôneos, juridicamente válidos e diretamente relacionados aos créditos questionados.
A utilização de planilhas e documentos elaborados pelo próprio contribuinte, principalmente quando confeccionados ao tempo de sua defesa, não constitui meio hábil para elidir a acusação fiscal.
OMISSÃO DE RECEITAS. CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTOS REFLEXOS.
No que tange à acusação de omissão de receitas, quando ausentes fundamentos distintos, aquilo decidido em relação ao IRPJ também motiva a manutenção ou a exoneração das exigências de Contribuição para o PIS e de COFINS.
RESPONSABILIDADE. SÓCIO ADMINISTRADOR. ART. 124 INCISO I CTN. INADEQUAÇÃO.
A norma contida no art. 124, inciso I, do CTN não é própria e adequada para a responsabilização de sócios administradores, devidamente constantes do contrato ou do estatuto social das pessoas jurídicas autuadas.
O interesse comum a que se refere o dispositivo não é aquele econômico, finalístico e consequencial, que os titulares naturalmente têm na exploração dos negócios mercantis pela pessoa jurídica.
Para a ocorrência da responsabilidade solidária prevista na norma é necessária a demonstração comprovada da participação direta e conjunta das pessoas apontadas como responsáveis na realização do fato gerador, revestindo-se de copartícipes da infração apurada.
RESPONSABILIDADE. SÓCIO ADMINISTRADOR. DEMONSTRAÇÃO ESPECÍFICA DA CONDUTA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO E COMPROVAÇÃO DAS HIPÓTESES DO ART. 135 CTN. IMPROCEDÊNCIA.
A responsabilização do sócio administrador é prerrogativa excepcional da Administração Tributária, que demanda conjunto probatório robusto, preciso e individualizado da conduta infracional para permitir a transposição da personalidade jurídica do contribuinte, penetrando na esfera patrimonial de seu gestor e titular.
A mera constatação da função de administração em instrumento societário e a simples argumentação, genérica e abstrata, de que as práticas das empresas dependem de atos de gestão de pessoas naturais, não é capaz de atribuir responsabilidade ao sócio administrador.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO.
Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos.
Numero da decisão: 1402-002.958
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) negar provimento ao recurso de ofício; ii) negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte; e, iii) dar provimento ao recurso voluntário do responsável solidário Eloy Tuffy para afastar a responsabilização imputada.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário:2010, 2011, 2012 NULIDADE ACÓRDÃO DRJ. FALTA DE ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS SOBRE A MESMA MATÉRIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. DESNECESSIDADE. INOCORRÊNCIA. A decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INDIVIDUALIZAÇÃO DE DEPÓSITOS. PRESENÇA. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA OU DEFICIÊNCIA NA IDENTIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A alegação de nulidade do lançamento de ofício, sob o argumento de cerceamento de defesa e violação ao art. 142 do CTN, diante da suposta carência de investigação e esforços da Fiscalização na identificação da infração, não se sustenta quando verificada a adequada confecção da Autuação, constando no TVF a conclusão de sua analise técnica, bem como fundamentação jurídica clara. No caso de lançamento referente a omissão de receitas, a individualização dos depósitos e créditos questionados por meio de planilha, disponibilizada ao contribuinte e anexa ao processo administrativo, instruindo os Autos de Infração, mostra-se plenamente adequada. Quando alegado, o prejuízo à defesa do contribuinte precisa ser objetivamente demonstrado para implicar em nulidade do lançamento procedido. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário:2010, 2011, 2012 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO FRAUDE E SIMULAÇÃO. ART. 173 CTN. TERMO INICIAL. A contagem do prazo decadencial, mesmo para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, submete-se à regra do art. 173, inciso I, do CTN quando presente dolo, fraude ou simulação na conduta colhida. Nestes casos, o marco inicial da contagem do prazo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 ARBITRAMENTO. OMISSÃO DE RECEITAS. LUCRO PRESUMIDO. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA NÃO DECLARADA E REGISTRADA. IRRELEVÂNCIA DO LIMITE DE RECITA BRUTA AUFERIDA. ART. 530 RIR/99. POSSIBILIDADE. O arbitramento não é modalidade de sanção fiscal e tampouco uma prerrogativa ou uma faculdade do contribuinte quando autuado. Trata-se de modalidade de apuração do lucro tributável, aplicável quando verificadas, concretamente, as suas hipóteses legais de adoção. Quando constatado pela Fiscalização que o contribuinte, mesmo que optante pelo regime do Lucro Presumido, procedeu ao registro de movimentação financeira/bancária extremamente inferior ao montante realmente constatado, é cabível o arbitramento, posto que revelada profunda deficiência em sua escrita. Nesse caso, é irrelevante o fato de o valor total de receitas percebidas ainda estar contido no limite anual de receita bruta auferida para fins de opção e permanência no regime do Lucro Presumido. OMISSÃO DE RECEITAS. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. ADEQUAÇÃO DO CONJUNTO PROBATÓRIO. A legítima constatação de omissão de receitas tributáveis constitui presunção relativa, cabendo ao contribuinte o ônus da prova da insubsistência da infração. As alegações do contribuinte devem ser cabalmente comprovadas através de meio hábil para elidir a acusação fiscal, contando com documentos idôneos, juridicamente válidos e diretamente relacionados aos créditos questionados. A utilização de planilhas e documentos elaborados pelo próprio contribuinte, principalmente quando confeccionados ao tempo de sua defesa, não constitui meio hábil para elidir a acusação fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS. CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTOS REFLEXOS. No que tange à acusação de omissão de receitas, quando ausentes fundamentos distintos, aquilo decidido em relação ao IRPJ também motiva a manutenção ou a exoneração das exigências de Contribuição para o PIS e de COFINS. RESPONSABILIDADE. SÓCIO ADMINISTRADOR. ART. 124 INCISO I CTN. INADEQUAÇÃO. A norma contida no art. 124, inciso I, do CTN não é própria e adequada para a responsabilização de sócios administradores, devidamente constantes do contrato ou do estatuto social das pessoas jurídicas autuadas. O interesse comum a que se refere o dispositivo não é aquele econômico, finalístico e consequencial, que os titulares naturalmente têm na exploração dos negócios mercantis pela pessoa jurídica. Para a ocorrência da responsabilidade solidária prevista na norma é necessária a demonstração comprovada da participação direta e conjunta das pessoas apontadas como responsáveis na realização do fato gerador, revestindo-se de copartícipes da infração apurada. RESPONSABILIDADE. SÓCIO ADMINISTRADOR. DEMONSTRAÇÃO ESPECÍFICA DA CONDUTA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO E COMPROVAÇÃO DAS HIPÓTESES DO ART. 135 CTN. IMPROCEDÊNCIA. A responsabilização do sócio administrador é prerrogativa excepcional da Administração Tributária, que demanda conjunto probatório robusto, preciso e individualizado da conduta infracional para permitir a transposição da personalidade jurídica do contribuinte, penetrando na esfera patrimonial de seu gestor e titular. A mera constatação da função de administração em instrumento societário e a simples argumentação, genérica e abstrata, de que as práticas das empresas dependem de atos de gestão de pessoas naturais, não é capaz de atribuir responsabilidade ao sócio administrador. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos.
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EPP FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:2010, 2011, 2012 NULIDADE ACÓRDÃO DRJ. FALTA DE ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS SOBRE A MESMA MATÉRIA. CERCEAMENTO DE DEFESA. DESNECESSIDADE. INOCORRÊNCIA. A decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INDIVIDUALIZAÇÃO DE DEPÓSITOS. PRESENÇA. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA OU DEFICIÊNCIA NA IDENTIFICAÇÃO DA INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A alegação de nulidade do lançamento de ofício, sob o argumento de cerceamento de defesa e violação ao art. 142 do CTN, diante da suposta carência de investigação e esforços da Fiscalização na identificação da infração, não se sustenta quando verificada a adequada confecção da Autuação, constando no TVF a conclusão de sua analise técnica, bem como fundamentação jurídica clara. No caso de lançamento referente a omissão de receitas, a individualização dos depósitos e créditos questionados por meio de planilha, disponibilizada ao contribuinte e anexa ao processo administrativo, instruindo os Autos de Infração, mostrase plenamente adequada. Quando alegado, o prejuízo à defesa do contribuinte precisa ser objetivamente demonstrado para implicar em nulidade do lançamento procedido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 45 67 /2 01 5- 41 Fl. 7665DF CARF MF Processo nº 10830.724567/201541 Acórdão n.º 1402002.958 S1C4T2 Fl. 7.666 2 Anocalendário:2010, 2011, 2012 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DOLO FRAUDE E SIMULAÇÃO. ART. 173 CTN. TERMO INICIAL. A contagem do prazo decadencial, mesmo para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, submetese à regra do art. 173, inciso I, do CTN quando presente dolo, fraude ou simulação na conduta colhida. Nestes casos, o marco inicial da contagem do prazo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 ARBITRAMENTO. OMISSÃO DE RECEITAS. LUCRO PRESUMIDO. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA NÃO DECLARADA E REGISTRADA. IRRELEVÂNCIA DO LIMITE DE RECITA BRUTA AUFERIDA. ART. 530 RIR/99. POSSIBILIDADE. O arbitramento não é modalidade de sanção fiscal e tampouco uma prerrogativa ou uma faculdade do contribuinte quando autuado. Tratase de modalidade de apuração do lucro tributável, aplicável quando verificadas, concretamente, as suas hipóteses legais de adoção. Quando constatado pela Fiscalização que o contribuinte, mesmo que optante pelo regime do Lucro Presumido, procedeu ao registro de movimentação financeira/bancária extremamente inferior ao montante realmente constatado, é cabível o arbitramento, posto que revelada profunda deficiência em sua escrita. Nesse caso, é irrelevante o fato de o valor total de receitas percebidas ainda estar contido no limite anual de receita bruta auferida para fins de opção e permanência no regime do Lucro Presumido. OMISSÃO DE RECEITAS. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. ADEQUAÇÃO DO CONJUNTO PROBATÓRIO. A legítima constatação de omissão de receitas tributáveis constitui presunção relativa, cabendo ao contribuinte o ônus da prova da insubsistência da infração. As alegações do contribuinte devem ser cabalmente comprovadas através de meio hábil para elidir a acusação fiscal, contando com documentos idôneos, juridicamente válidos e diretamente relacionados aos créditos questionados. A utilização de planilhas e documentos elaborados pelo próprio contribuinte, principalmente quando confeccionados ao tempo de sua defesa, não constitui meio hábil para elidir a acusação fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS. CONTRIBUIÇÕES. LANÇAMENTOS REFLEXOS. No que tange à acusação de omissão de receitas, quando ausentes fundamentos distintos, aquilo decidido em relação ao IRPJ também motiva a manutenção ou a exoneração das exigências de Contribuição para o PIS e de COFINS. Fl. 7666DF CARF MF Processo nº 10830.724567/201541 Acórdão n.º 1402002.958 S1C4T2 Fl. 7.667 3 RESPONSABILIDADE. SÓCIO ADMINISTRADOR. ART. 124 INCISO I CTN. INADEQUAÇÃO. A norma contida no art. 124, inciso I, do CTN não é própria e adequada para a responsabilização de sócios administradores, devidamente constantes do contrato ou do estatuto social das pessoas jurídicas autuadas. O interesse comum a que se refere o dispositivo não é aquele econômico, finalístico e consequencial, que os titulares naturalmente têm na exploração dos negócios mercantis pela pessoa jurídica. Para a ocorrência da responsabilidade solidária prevista na norma é necessária a demonstração comprovada da participação direta e conjunta das pessoas apontadas como responsáveis na realização do fato gerador, revestindose de copartícipes da infração apurada. RESPONSABILIDADE. SÓCIO ADMINISTRADOR. DEMONSTRAÇÃO ESPECÍFICA DA CONDUTA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO E COMPROVAÇÃO DAS HIPÓTESES DO ART. 135 CTN. IMPROCEDÊNCIA. A responsabilização do sócio administrador é prerrogativa excepcional da Administração Tributária, que demanda conjunto probatório robusto, preciso e individualizado da conduta infracional para permitir a transposição da personalidade jurídica do contribuinte, penetrando na esfera patrimonial de seu gestor e titular. A mera constatação da função de administração em instrumento societário e a simples argumentação, genérica e abstrata, de que as práticas das empresas dependem de atos de gestão de pessoas naturais, não é capaz de atribuir responsabilidade ao sócio administrador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010, 2011, 2012 IDENTIDADE DE IMPUTAÇÃO. Decorrendo a exigência de CSLL da mesma imputação que fundamentou o lançamento do IRPJ, deve ser adotada, no mérito, a mesma decisão, desde que não presentes arguições especificas e elementos de prova distintos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, i) negar provimento ao recurso de ofício; ii) negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte; e, iii) dar provimento ao recurso voluntário do responsável solidário Eloy Tuffy para afastar a responsabilização imputada. Fl. 7667DF CARF MF Processo nº 10830.724567/201541 Acórdão n.º 1402002.958 S1C4T2 Fl. 7.668 4 (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Eduardo Morgado Rodrigues (suplente convocado em substituição ao Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 7668DF CARF MF Processo nº 10830.724567/201541 Acórdão n.º 1402002.958 S1C4T2 Fl. 7.669 5 Relatório Tratase de Recurso de Ofício e Recursos Voluntários (Contribuinte fls. 7576 a 7609 e Responsável fls. 7612 a 7646), interpostos contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte/MG (fls. 7500 a 7541) que manteve integralmente as Autuações sofridas pela Contribuinte (fls. 04 a 522), mas excluiu a responsabilidade de apenas um dos Responsáveis arrolados, a sócia da Empresa autuada, Sra. MARLENE RITO NICOLAU (Impugnação às fls. 6551 a 6832), rejeitando integralmente a Impugnação apresentada pela Empresa (fls. 6845 a 7465) e pelo Responsável, o sócio, Sr. ELOY TUFFI (fls. 7469 a 7486). O processo versa sobre exações de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, referentes aos anoscalendário de 2010, 2011 e 2012, acompanhadas de multa de qualificada (150%), lavradas em face da empresa MICROCAMP ESCOLA DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E COMERCIO DE LIVROS LTDA. EPP, sujeita ao regime de apuração pelo Lucro Presumido, tendo sido responsabilizados seus Sócios administradores, Sr. ELOY TUFFI e Sra. MARLENE RITO NICOLAU. A acusação fiscal que sustenta as Autuações se resume à constatação de omissão de receitas, com base em verificação de depósitos bancários de origem não comprovada, invocando o art. 42 da Lei nº 9.430/96, vez que inúmeros valores identificados na movimentação financeira das contas correntes da Contribuinte não possuíam correspondência em seus Livros, Declarações e documentos fiscais, não sendo ofertados à devida tributação. O valor das movimentações financeiras da Contribuintes nas suas contas correntes, especificamente no Banco Bradesco, era imensamente superior ao valor da Receita Bruta declarada em sua DIPJ e em outras declarações fiscais, bem como aquele constante das Notas Fiscais emitidas: Fl. 7669DF CARF MF Processo nº 10830.724567/201541 Acórdão n.º 1402002.958 S1C4T2 Fl. 7.670 6 Fl. 7670DF CARF MF Processo nº 10830.724567/201541 Acórdão n.º 1402002.958 S1C4T2 Fl. 7.671 7 Por entender que a conduta infracional apurada (a omissão de receitas reiterada e ininterrupta, nos três anoscalendário colhidos) enquadrase nas hipóteses dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, foi qualificada a penalidade aplicada. A responsabilidade solidária dos sócios deuse pela aplicação objetiva da previsão do art. 124, inciso I, combinada com o disposto no art. 135, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional. Contextualizando a Ação Fiscal e o lançamento de ofício perpetrado, a Fiscalização esclarece que a Contribuinte foi alvo da Operação Avaritia, na qual o Ministério Público Federal e a Receita Federal do Brasil, conjuntamente, apuraram fraudes fiscais e outros ilícitos, obtendo medidas judiciais para quebra de sigilos legais e outras ações que levaram ulteriormente à emissão do MPF correspondente, com a obtenção de parte da documentação e provas que embasam a presente Autuação. Intimados do lançamento de Ofício, a Contribuinte e os Responsáveis ofertaram Impugnações individuais, alegando em suma: MICROCAMP: a) Da ilegalidade na determinação do regime de apuração em decorrência da opção pelo Lucro Presumido e a Impossibilidade de Arbitramento. b) Da origem dos depósitos bancários e Da Comprovação que não possuem a natureza jurídica de receita: b.1) Erro da Base de Cálculo Ausência de Exclusão do lançamento dos valores creditados em conta corrente que dispensariam a comprovação de origem por claramente não representarem receita; b.2) Mérito Do Reembolso de Despesas Relativas do Fundo de Marketing. Necessidade de Exclusão da Base de Cálculo; b.3) Erro da Base de Cálculo conta corrente utilizada exclusivamente pelo sócio para pagamento de despesas pessoais. c) Não cabimento de qualificação da multa, vez que a Fiscalização não comprovou o dolo, apenas o presumiu pela "reiteração da conduta". d) Em face da ausência de dolo, fraude ou simulação, bem como pelo fato dos tributos terem sido pagos nas datas previstas em lei, a Impugnante aponta que desapareceu o direito de constituir o crédito tributário em relação aos meses anteriores a novembro/2010, eis que atingido pela DECADÊNCIA. Fl. 7671DF CARF MF Processo nº 10830.724567/201541 Acórdão n.º 1402002.958 S1C4T2 Fl. 7.672 8 e) Inexistência de Solidariedade dos Sócios ausência de prova. f) Das nulidades: f.1) Nulidade da autuação em razão da impossibilidade de Arbitramento. Inexistência de decretação de desclassificação da escrituração. Cerceamento de Defesa. f.2) O lançamento tributário é NULO, eis que não a fiscalização NÃO INDIVIDUALIZOU OS CRÉDITOS A SEREM COMPROVADOS; f.3) Da ausência de individualização dos documentos apreendidos pela Polícia Federal. (extraído do relatório do v. Acórdão da DRJ fls. 7508 a 7509) Sra. MARLENE RITO NICOLAU: Fl. 7672DF CARF MF Processo nº 10830.724567/201541 Acórdão n.º 1402002.958 S1C4T2 Fl. 7.673 9 A Impugnação do Sr. ELOY TUFFI, basicamente, repete os termos da defesa da Contribuinte, aprofundandose academicamente nas matérias de responsabilidade. Ato contínuo, o processo foi encaminhado à 2ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE, que julgou totalmente procedente o lançamento, excluindo apenas a responsabilidade da Sócia, Sra. MARLENE RITO NICOLAU. Confirase a ementa daquele julgado a quo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011, 2012 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Há de se rejeitar a preliminar de nulidade quando comprovado que a autoridade fiscal cumpriu todos os requisitos pertinentes à formalização do lançamento e à atribuição do vínculo de responsabilidade, tendo o sujeito passivo sido cientificado dos fatos e das provas documentais que motivaram a autuação e a responsabilização solidária e, no exercício pleno de sua defesa, manifestado contestação de forma ampla e irrestrita, que foi recebida e apreciada pela autoridade julgadora. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Fl. 7673DF CARF MF Processo nº 10830.724567/201541 Acórdão n.º 1402002.958 S1C4T2 Fl. 7.674 10 Configuram omissão de receita, por presunção legal, os valores não contabilizados, creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. ARBITRAMENTO DO LUCRO. RECEITA BRUTA CONHECIDA. PERCENTUAL APLICÁVEL. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados na legislação pertinente, acrescidos de 20%. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada sempre que ficar caracterizada a prática de fraude definida na forma da lei e comprovada em procedimento fiscal, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. No caso de omissão de receita, o valor correspondente deverá ser considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da Contribuição Social, do PIS e da Cofins. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011, 2012 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. Na situação do lançamento, em que foi aplicada multa qualificada devido à caracterização da prática de fraude, inicia se a contagem do prazo de decadência do direito de a Fazenda Nacional formalizar a exigência tributária no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou Fl. 7674DF CARF MF Processo nº 10830.724567/201541 Acórdão n.º 1402002.958 S1C4T2 Fl. 7.675 11 estatutos, os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica de direito privado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Diante de tal revés, a Contribuinte e o Responsável remanescente no polo passivo do feito apresentaram Recursos Voluntário (Contribuinte fls. 7576 a 7609 e Responsável fls. 7612 a 7646), em suma, reiterando suas alegações de defesa já trazidas nos autos, bem como apontando especificamente as razões de reforma do v. Acórdão recorrido. Diante da exclusão da Sra. MARLENE RITO NICOLAU da demanda, foi interposto Recurso de Ofício pela DRJ a quo. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 7675DF CARF MF Processo nº 10830.724567/201541 Acórdão n.º 1402002.958 S1C4T2 Fl. 7.676 12 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator Os Recursos Voluntários são manifestamente tempestivos e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. O Recurso de Ofício foi expressamente interposto no v. Acórdão recorrido e verificase sua conformidade com as hipóteses de cabimento trazidas na Portaria MF nº 63/20171. Recurso Voluntário Contribuinte A Recorrente em questão alega uma série de matérias preliminares, inclusive em relação a higidez do v. Acórdão, além das supostas nulidades das quais o lançamento de ofício padeceria. Primeiramente, em relação à suposta nulidade do v. Acórdão, a Recorrente alega que este decisório não teria se pronunciado sobre sua alegação de ter sido indevido o arbitramento do lucro, ao passo que, mesmo após a verificação de omissão de receitas, não teria extrapolado o limite vigente de R$ 48.000.000,00 da opção pelo Lucro Presumido e que só poderia a Fiscalização ter exigido os tributos em tela sob sistemática de apuração diferente se o valor do teto do regime optado tivesse sido ultrapassado. 1 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Fl. 7676DF CARF MF Processo nº 10830.724567/201541 Acórdão n.º 1402002.958 S1C4T2 Fl. 7.677 13 Diante disso, entende a Contribuinte ser necessário o retorno dos autos à Instância a quo para a prolatação de nova decisão, complementar, em relação a esta alegação. Não assiste razão à Recorrente nesse ponto. O que se revela é que o tema apontado como ausente na r. decisão da DRJ revestese de argumento sobre a mesma matéria de Direito alegada pela Contribuinte, qual seja: ter sido indevido o arbitramento do lucro. Dessa forma, a matéria, per si considerada, de um ponto de vista processual, dentro de todas aquelas trazidas, foi efetiva e satisfatoriamente enfrentada, afirmando expressamente o N. Relator a quo no seu voto vencedor que não há como cogitar a tributação pelo lucro presumido quando os fatos registrados pela fiscalização atestam a ocorrência da hipótese do arbitramento, diante das evidentes deficiências na escrituração dos Livros Caixa que os tornaram imprestáveis para identificar a movimentação financeira, inclusive bancária, do contribuinte no período fiscalizado (fls. 7517). E conclui: legitimado o arbitramento do lucro, a base de cálculo do IRPJ está prevista no art. 532 do RIR/1999, segundo o qual o lucro arbitrado das pessoas jurídicas, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de 20% (fls. 7517). Como se observa, entendeu e reafirmou a DRJ a quo ter sido plenamente lícita e correta da medida do arbitramento. A fundamentação do v. Acórdão (independentemente de se procedente ou não, o que não se confunde com sua validade) foi clara e trouxe elementos bastantes para afastar a pretensão da Contribuinte em relação à matéria de Direito relacionada à adoção do arbitramento no lançamento de ofício. Mesmo que uma defesa possa ser rica, trazendo inúmeras arguições sobre uma determinada matéria, a multiplicidade argumentativa não obriga o Julgador a esgotála em seu decidir. Fl. 7677DF CARF MF Processo nº 10830.724567/201541 Acórdão n.º 1402002.958 S1C4T2 Fl. 7.678 14 Nesse mesmo sentido é o Acórdão nº 1401002.094, proferido pela 1ª Turma Ordinária dessa 4ª Câmara, de relatoria do I. Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, publicada em 21/09/2017: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1997, 1998 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. FALTA DE ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS. DESNECESSIDADE. A decisão não precisa enfrentar todas as questões trazidas na peça recursal, se os fundamentos constantes no voto são suficientes para afastar a pretensão da parte recorrente. Assim, a requisitada nulidade por cerceamento do direito de defesa deve ser afastada. Assim, não procede a alegação de nulidade do v. Acórdão recorrido, não havendo necessidade de ser exarada decisão complementar, podendo se prosseguir normalmente com o julgamento da presente demanda. Tal matéria será apreciada nessa sede recursal, quando da análise das alegações referentes à validade do arbitramento. Já em relação às alegações de nulidade do lançamento de ofício, primeiro alega a Recorrente a ocorrência de cerceamento de defesa pela não individualização dos depósitos tratados como omissão de receitas e nem daqueles que a Fiscalização, de ofício, excluiu do cálculo, por entender não se tratar de receitas tributáveis da Empresa, o que contaminou todo o ato administrativo do lançamento tributário. Ainda que seja certo que deve haver a individualização dos créditos em conta corrente que deveriam ser comprovados, como hoje exprime a jurisprudência majoritária deste E. CARF sobre o tema, não assiste razão à Recorrente. Mesmo tendo a Fiscalização no texto do TVF se valido de tabelas indicando valores mensais referentes às omissões de receitas percebidas, instrui e compõe o presente lançamento de ofício uma planilha de 361 páginas, acostada às fls. 2902/3261 que traz tal apontamento individual dos créditos a serem comprovados pela Contribuinte. Vide trecho de tais documentos: Fl. 7678DF CARF MF Processo nº 10830.724567/201541 Acórdão n.º 1402002.958 S1C4T2 Fl. 7.679 15 Tal questionamento e oportunidade individualizada de comprovação foi ofertada à Recorrente desde a Ação Fiscal, não havendo em se falar de cerceamento de defesa. Os valores não considerados de ofício no cálculo do lançamento (por serem tidos como receitas não tributáveis) estão fora de tal planilha. E, mesmo que não pudessem ser identificados, tal fato em nada prejudica os Recorrentes, vez que estão fora do objeto litigioso do feito. Diante disso, afastase tal alegação preliminar de nulidade das Autuações. Em relação à apuração da base de cálculo do lançamento por meio de arbitramento, alega a Recorrente que, como já mencionado, não teria extrapolado o teto legal vigente do Lucro Presumido, bem como não teria havido a decretação formal e prévia da inutilidade sua escrita durante a Fiscalização, não havendo quaisquer erros ou falhas que a tornassem imprestável, justificando a manobrar de aplicação do art. 530 do RIR/99. Pois bem, como se verifica no TFV e restou registrado nas tabelas e documentos, apenas 7,18% do montante total das suas movimentações financeiras foram declaradas e registradas na sua escrita. Observe os valores envolvidos: Fl. 7679DF CARF MF Processo nº 10830.724567/201541 Acórdão n.º 1402002.958 S1C4T2 Fl. 7.680 16 Nesse sentido, a Fiscalização afirmou que os Livros Caixa apresentados pela fiscalizada não refletem a movimentação financeira desta, assim, estes Livros Caixa, referentes aos anoscalendário 2010, 2011 e 2012, estão imprestáveis, inciso II do artigo acima, para a identificação da efetiva movimentação financeira, alínea “a” do inciso II. Não há como escapulir à determinação legal, a esta fiscalização federal cabe cumprir o ordenamento jurídico citado acima e estabelecer de ofício, o regime arbitrado para a apuração do lucro da fiscalizada nos anos em discussão. Ressaltou também que, mesmo intimada a Empresa, por Termo de Intimação formal e específico, a apresentar documentação referente às 6 (seis) contas correntes do Banco Bradesco, esta não forneceu qualquer informações ou documento, sendo aqueles documentos obtidos por meio de pedido de quebra de sigilo fiscal feito pelo Departamento de Polícia Federal, que posteriormente cedeu a documentação à Secretaria da Receita Federal. Desse modo, assim como fundamentado no TFV e defendido no v. Acórdão da DRJ, os fatos ocorridos se amoldam à hipótese específica do art. 530 do RIR/99: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando: (...) II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; (destacamos) Ainda que este Conselheiro entenda e defenda que o arbitramento do lucro não deve ser confundido com sanção, sendo prerrogativa excepcional do Fisco, não há dúvidas que tamanha ausência de registros contábeis da real movimentação financeira (mais de 92%) enquadrase em profunda deficiência da escrita, sendo certamente imprestável para fins de identificação dos valores tributáveis. Fl. 7680DF CARF MF Processo nº 10830.724567/201541 Acórdão n.º 1402002.958 S1C4T2 Fl. 7.681 17 E como se observa, a motivação da adoção do arbitramento não foi a violação do teto do Lucro Presumido, mas apenas a deficiência do conteúdo dos Livros da Recorrente. Apesar do art. 24 da Lei nº 9249/95 prever que, em casos como o presente, o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão, tal prescrição é geral e não contempla ou menciona hipótese de deficiências ou falhas de escrituração. Tal assunto é precisa e especialmente tratado no art. 530 do RIR (art. 45 da Lei nº 8.981/95), que deve ser interpretado e aplicado de maneira sistemática em relação às demais normas que disciplinam a apuração do imposto sobre a renda e os procedimentos para o lançamento de ofício. Nesse sentido, tratando de caso extremamente semelhante a este, confirase o Acórdão nº 1302.001.805, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta mesma 1ª Seção, de relatoria da I. Conselheira Edeli Pereira Bessa, acompanhada por unanimidade nesse ponto, publicado em 24/03/2016: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. SIGILO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ALEGAÇÕES DE MÚTUO, APLICAÇÕES FINANCEIRAS E TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS. Excluise da base tributável apenas depósito cujo estorno está comprovado em extrato bancário, rejeitandose alegações incomprovadas ou vinculadas, apenas, a contratações em termos Fl. 7681DF CARF MF Processo nº 10830.724567/201541 Acórdão n.º 1402002.958 S1C4T2 Fl. 7.682 18 gerais, dissociadas de comprovantes coincidentes e datas e valores, mormente se nenhum livro contábil ou fiscal foi apresentado pelo sujeito passivo. ARBITRAMENTO. CABIMENTO. Correto o arbitramento procedido pela Autoridade Fiscal quando o contribuinte, optante pelo regime do Lucro Presumido, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou, alternativamente Livro Caixa, no qual esteja registrada toda sua movimentação financeira, inclusive bancária. (destacamos) Desse modo, no caso, é patente a subsunção dos fatos envolvidos à norma carregada em tal dispositivo que trata do arbitramento do lucro, sendo irrelevante ter o montante total da receita bruta colhida permanecido abaixo do limite à época vigente de R$ 48.000.000,00 para a opção pelo Lucro Presumido. Diante disso, afastase mais essa alegação preliminar de nulidade das Autuações, não merecendo reparos a postura fiscal. Não obstante, afirma a Contribuinte terse operado a decadência parcial dos créditos exigidos. Nesse sentido, tendo sido lavradas as Autuações em 23/11/2015, alega que os períodos colhidos pela Fiscalização anteriores a novembro de 2010 (de janeiro a outubro de 2010) teriam sido abarcados pela caducidade, dentro do cômputo de decadência do art. 150, § 4º do CTN, incidente ao caso, posto que não houve qualquer hipótese que justificaria a aplicação do art. 173, inciso I, do mesmo Codex. Como se observa, a alegação é plausível, mas sua plena constatação deve ser verificada em conjunto com a motivação da aplicação de multa qualificada, vez que o fundamento para tal sanção mais gravosa também justifica o cômputo do prazo quinquenal de decadência nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Caso mais adiante entendase que não fora comprovada conduta fraudulenta, dolosa ou simulada por parte da Contribuinte, a incidência do art. 150, § 4º do CTN é imperiosa (havendo indicação de que houve recolhimentos e constituição de débitos nos períodos), podendo se reconhecer a decadência de parte dos débitos aqui exigidos, apenas no período compreendido entre janeiro a setembro de 2010, vez que estava a Contribuinte sujeita à dinâmica da apuração do Lucro Presumido, com vencimentos trimestrais. Em relação ao mérito, desde a Impugnação a Contribuinte primeiro alega que alguns valores dispensariam a comprovação de origem por claramente não representarem Fl. 7682DF CARF MF Processo nº 10830.724567/201541 Acórdão n.º 1402002.958 S1C4T2 Fl. 7.683 19 receita, devendo ser excluídos da base tributável colhida (e igualmente ferindo o art. 142 do CTN, confundindose tal alegação com preliminar já enfrentada). Apresentou a Recorrente uma tabela no corpo de sua Impugnação e Recurso Voluntário (fls. 6858 e 7593 que remete às mesmas planilhas que individualizaram os créditos questionados pela Fiscalização) na qual estariam discriminados tais valores que não representariam receitas: Ao enfrentar tal alegação, o v. Acórdão recorrido alcançou e fundamentou a conclusão de que não haveria prova documental atestando o histórico do lançamento alegado e que muitos dos valores lá apontados já foram excluídos pelo Fisco na apuração da base de cálculo tributável das Autuações. Tal argumentação é clara e concisão, não havendo qualquer contradição em seus termos. Fato é que planilhas elaboradas pelo próprio contribuinte tem valor probante extremamente relativo ou mesmo nenhum quando desacompanhadas de documentação idônea e hábil para desconstituir as constatações fiscais que fundamentaram o lançamento. Lembrese que aqui as Autuações expressamente valeramse da presunção contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96, cuja validade sequer debatese nessa esfera de jurisdição. Uma vez devida e corretamente procedido ao lançamento de ofício, referente à infração de omissão de receitas, valendose de tal dispositivo legal específico, o ônus probatório é totalmente do contribuinte. Fl. 7683DF CARF MF Processo nº 10830.724567/201541 Acórdão n.º 1402002.958 S1C4T2 Fl. 7.684 20 Como mencionada, tal alegação de defesa não se arrima ou remete a nenhum documento fiscal, contábil ou mesmo particular que efetivamente comprove que os valores lá apontados realmente não se tratam de receita tributável. O combate pelo contribuinte à acusação fiscal de omissão de receitas, referente a depósitos de origem não comprovada, obriga à apresentação de conjunto probatório preciso e cabal da fonte e, consequentemente, da natureza dos créditos especificamente questionados. Simples alegações textuais recursais e planilhas de elaboração do próprio contribuinte (ou mesmo de terceiros, não vinculados à operação questionada), sem conexão ou correlação à documentação pertinente e eficaz, não elidem a acusação e não afastam a presunção legal invocada. Frisese que o mesmo vale para as planilhas acostada pela Contribuinte referente a transferências entre contas (fls. 7040 a 7055), posto que emitido pela própria Empresa autuada, inclusive com data de impressão da época de sua defesa (e não dos fatos gerados colhidos). Posto isso, afastase tais alegações da Recorrente nesse ponto, não merecendo reforma o v. Acórdão da DRJ e, por consequência, o lançamento de ofício. Outra alegação meritória no Recurso Voluntário referese a receitas que seriam, na verdade, reembolso de fundo de marketing, alimentado pelas franqueadas da Contribuinte, dividindo essas despesas. Na tentativa de comprovar tal alegação, a Recorrente mostra cláusula contratual onde estaria previsto tal fundo: Fl. 7684DF CARF MF Processo nº 10830.724567/201541 Acórdão n.º 1402002.958 S1C4T2 Fl. 7.685 21 Também, acosta documentos (fls. 7056 a 7340), como, por exemplo, cópias de Nota Fiscal referente a serviços envolvidos na participação em feiras comerciais e boleto de seu pagamento, ilustrando as despesas (vide fls. 7596 e 7597). Ocorre que, em primeiro lugar, tal previsão contratual comprova apenas a existência jurídica da obrigação das franqueadas arcarem com as despesas de marketing, de maneira absolutamente abstrata e incerta. Não provam a efetiva existência de um fundo de marketing e muito menos que esses valores eram suportados pela Contribuinte (a franqueadora, no caso). Na verdade, tais cláusulas atestam o contrário ao alegado. E os documentos referentes aos valores gastos com propagandas apenas provam que a Recorrente contratou e pagou por tais serviços, mas não que os valores que circularam em suas contas correntes (movimentação essa omitida) eram referentes a seu reembolso pelas franqueadas. Dessa forma, os documentos trazidos para suportar tal alegação não se prestam a comprovar a origem e a natureza de restituição pelas franqueadas dos valores gastos com propaganda e marketing. Nem há aqui, então, de se falar em encontro de datas e valores. Claramente, não procede tal alegação, devendo ser mantido o lançamento de ofício em relação a tais valores questionados. Registrese que a alegação trazida em Impugnação de que a conta corrente 18104 foi utilizada exclusivamente pelo sócio para pagamento de despesas pessoais não foi sustentada em sede de Recurso Voluntário, demonstrandose preclusa. Superados os questionamentos meritórios em relação ao lançamento e sua quantificação, passase à análise das alegações referente à multa qualificada aplicada. É certo que o presente caso é sensível ao disposto nas Súmulas CARF nº 14 e nº 25: Fl. 7685DF CARF MF Processo nº 10830.724567/201541 Acórdão n.º 1402002.958 S1C4T2 Fl. 7.686 22 Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Diante disso, deve se analisar se, além da mera infração de omissão de receitas, houve por parte da Fiscalização fundamentação diversa, específica e adequada para suportar o evidente intuito de fraude do sujeito passivo, necessário para a aplicação e manutenção da multa na monta de 150%. No TVF, brevemente se discorre sobre tal penalidade e sua justificativa: 118 O percentual da multa de ofício aplicado ao presente caso foi aumentado na proporção na prevista no Art. 957, inciso II, do RIR/99, abaixo transcrito, visto que nos anos de 2010, 2011 e 2012: A As notas fiscais emitidas pela fiscalizada, bem como os valores declarados por esta nas declarações DIPJ, DACON, DCTF e LIVRO CAIXA, reiteradamente, não contemplam a totalidade das suas receitas tributáveis apuradas por esta fiscalização federal. Omissão de receitas reiterada. B A prática reiterada de omissão das receitas das atividades, nos três anos fiscalizados, é corroborada solidamente pelos fatos narrados no tópico anterior VI ANÁLISE FISCAL AUDITORIA INTERNA X NOTAS FISCAIS EMITIDAS PELA FRANQUEADORA, que comprovam que a fiscalizada ofereceu à tributação somente parte de sua receita tributável a fim de reduzir dolosamente o recolhimento de impostos. Omissão de receitas reiterada. (...) 120 Abaixo, apresentaramse julgados que corroboram a aplicação da multa qualificada de 150% no presente caso alicerçado no fato de que a fiscalizada reiteradamente escriturou seus Livros Caixa de forma a encobertar, camuflar, ocultar a receita que efetivamente obtinha, recolhendo tributos a menor. Fl. 7686DF CARF MF Processo nº 10830.724567/201541 Acórdão n.º 1402002.958 S1C4T2 Fl. 7.687 23 Em tese, tratase de fraude, ou seja, crime contra a ordem tributária. (destacamos) Como se observa, expressamente afirma a Autoridade Fiscal que a reiteração das condutas envolvidas na omissão de receitas nos 3 (três) anoscalendário colhidos nessa infração tratarseia de fraude. É certo que durante todo esse período a Contribuinte deixou de declarar 92% da sua movimentação financeira, não trazendo qualquer explicação para tal conduta. Inclusive, na sua defesa, a Contribuinte atémse a alegar nulidades e pugnar pela redução da base cálculo, não apresentando uma justificativa tributária lícita para o ocorrido. O entendimento deste E. CARF, e especificamente desta C. 1ª Seção, é que em casos como este é adequada a qualificação, como aqui ilustra o recente Acórdão nº 1401 002.029, proferido pela C. 1ª Turma dessa mesma 4ª Câmara, de votação unânime e relatoria do I. Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, publicado em 25/09/2017: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS. A falta de apresentação dos livros comerciais exigidos pela legislação deve ensejar ao arbitramento do lucro, nos termos do art. 530, III, do RIR/1999. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO QUE SE CONVERTE EM OMISSÃO. Aos depósitos bancários creditados nas contas correntes da empresa, aplicase a presunção de omissão de receitas conforme disposto no caput do art. 42, da Lei nº 9.430/1996. Em não se comprovando os depósitos, convertese tal presunção em omissão de receitas, passíveis de tributação. DEPÓSITOS DE ORIGEM COMPROVADA. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos cujas origens são comprovadamente decorrentes do desenvolvimento da atividade comercial da empresa ensejam a tributação específica da atividade por omissão de receitas, Fl. 7687DF CARF MF Processo nº 10830.724567/201541 Acórdão n.º 1402002.958 S1C4T2 Fl. 7.688 24 conforme § 1º do art. 42, da Lei nº 9.430/1996, não havendo que se falar na presunção legal do caput do mesmo dispositivo legal. MULTA QUALIFICADA. Comprovada a intenção dolosa da empresa em deixar de declarar e tributar os impostos obrigatórios e inerentes à sua atividade mercantil, mormente pela prática reiterada de omitir informações durante 3 (três) anos consecutivos, impõese a qualificação da multa de ofício, por subsunção da prática do sujeito passivo com o disposto no §1º do art. 44, da Lei nº 9.430/1996. (destacamos) Desse modo, considerando a monta proporcional dos valores omitidos (92% das receitas transitadas) e a continuidade ininterrupta da postura da Contribuinte por 3 (três) anos pelo menos, apresentase correta a qualificação da multa, nos termos dos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64. Igualmente, por consequência, afastase a alegação de decadência, vez que aplicável ao caso o art. 173, inciso I do CTN para o cômputo do prazo decadencial. Em relação à matéria referente a responsabilidade dos sócios, alegada no Recurso Voluntário da Empresa, não se conhece agora de tal matéria, vez que é objeto específico do Recurso Voluntário do Sr. ELOY TUFI e do Recurso de Ofício, devendo ser devida enfrentada em tais apelos individuais. Recurso Voluntário Sr. ELOY TUFFY No que tange à responsabilização solidária do Sócio administrador, Sr. ELOY TUFFI, observamos que a sua responsabilização foi apresentada no TVF de forma objetiva: 16Sobre a solidariedade tributária, os incisos I e II do artigo 124 e os incisos II e III do artigo 135 da Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966, CTN Código Tributário Nacional, a seguir transcritos, dispõem: [transcrição dos dispositivos] 17O lançamento efetivado para a constituição dos créditos tributários, mediante a lavratura do presente Auto de Infração, tem como sujeito passivo, contribuinte, a pessoa jurídica acima Fl. 7688DF CARF MF Processo nº 10830.724567/201541 Acórdão n.º 1402002.958 S1C4T2 Fl. 7.689 25 nomeada, MICROCAMP ESCOLA DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E COMÉRCIO DE LIVROS LTDA, CNPJ: 07.139.282/000151; e como RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS, em consonância com os artigos 124 e 135 do CTN, os que sequem: 1. O Sr. ELOY TUFFI, CPF nº 507.066.08887, na situação de sócio e administrador da empresa MICROCAMP ESCOLA DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E COMÉRCIO DE LIVROS LTDA, CNPJ: 07.139.282/000151, com 50% do capital social da empresa. 2. O Sr. MARLENE RITO NICOLAU TUFFI , CPF nº 116.227.99828, na situação de sócio e administrador da empresa MICROCAMP ESCOLA DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E COMÉRCIO DE LIVROS LTDA, CNPJ: 07.139.282/000151, com 50% do capital social da empresa. A jurisprudência dessa C. 2ª Turma Ordinária é no sentido de que o art. 124, inciso I, do CTN não contém norma adequada para possibilitar a responsabilização dos sócios administradores das pessoas jurídicas, devidamente constantes dos contratos e estatutos sociais que lhes constituem. É cediço que, para ocorrer a responsabilização solidária lá prevista é necessária a constatação e a prova da participação conjunta de pessoas, como referido na sua redação, quando da ocorrência do fato gerador, devendo ser estas copartícipes das infrações percebidas pelo Fisco. O interesse comum que se refere o inciso I do art. 124 do CTN não é aquele econômico, consequencial, que os titulares, naturalmente, têm na exploração dos negócios mercantis pela pessoa jurídica. A utilização de tal dispositivo para atribuir responsabilidade aos sócios (administradores ou não), sob a simples conjectura de haver interesse econômico, acaba por desconsiderar, indevida e ilegalmente, a personalidade jurídica. E mesmo o art. 135 do CTN dispositivo este adequado à responsabilização dos sócios administradores traz consigo uma prerrogativa excepcional da Administração Tributária, que demanda conjunto probatório robusto e preciso para permitir a transposição da personalidade jurídica do contribuinte, penetrando na esfera patrimonial de seu gestor e titular. A aplicação do art. 135 do CTN não pode ser objetiva e automática. Fl. 7689DF CARF MF Processo nº 10830.724567/201541 Acórdão n.º 1402002.958 S1C4T2 Fl. 7.690 26 Confirase a lição de Aliomar Baleeiro2 (em obra atualizada por Misabel Abreu Machado Derzi) sobre o tema: A aplicação do art.135 supõe assim: 1. a prática de ato ilícito, dolosamente, pelas pessoas mencionadas no dispositivo; 2. ato ilícito, como infração de lei, contrato social ou estatuto, normas que regem as relações entre contribuinte e terceiro responsável, externamente à norma tributária básica ou matriz, da qual se origina o tributo; 3. a autuação tanto da norma básica (que disciplina a obrigação tributária em sentido restrito) quanto da norma secundária (constante no art. 135 e que determina a responsabilidade do terceiro, pela prática do ilícito). Como antes mencionado, um tema tão sensível, com consequências patrimoniais tão severas, demanda materialidade probatória da conduta pessoal das pessoas responsabilizadas. Ainda que tenhase considerado como fraudulenta a postura da Contribuinte para fins de qualificação da multa, como se observa, não houve qualquer apontamento, demonstração ou prova da conduta individualizada do Sr. ELOY TUFFI (e nem da Sra. MARLENE RITO NICOLAU, digase). Assim, existe deficiência técnica no lançamento de ofício na fundamentação legalmente exigida para responsabilização dos sócios, de modo que a responsabilidade solidária imposta pela Autoridade Fiscal no lançamento de ofício não pode prevalecer. Diante disso, desse ser afastada a responsabilidade solidária do Sr. ELLOY TUFFI pelos débitos lançados, dandose integral provimento ao seu Recurso Voluntário (com tal apreciação e conclusão, fica prejudicada as alegações de mesmo teor do Recurso Voluntário da Contribuinte). 2 Direito Tributário Brasileiro. 11ª Ed., rev. e ampl. por Misabel Machado Derzi. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 757. Fl. 7690DF CARF MF Processo nº 10830.724567/201541 Acórdão n.º 1402002.958 S1C4T2 Fl. 7.691 27 Recurso de Ofício Após a edição da Portaria MF nº 63/2017, a exclusão de responsáveis das demandas processuais administrativas é causa ensejadora de Recurso de Ofício, mesmo que não expressamente interposto pela DRJ. Como se observa do relatório, o v. Acórdão recorrido afastou a responsabilidade da Sócia Sra. MARLENE RITO NICOLAU, por entender que não houve a devida comprovação do seu poder de gerência, não participando da administração da Contribuinte. Porém, como já consta do presente voto, no item acima abordado, a mesma fundamentação para a exoneração da responsabilidade do Sr. ELOY TUFFI aplicase (e acrescentase) na manutenção da exoneração da Sra. MARLENE RITO NICOLAU, não sendo necessário repetir tais fundamentos. Contudo, em nova adição argumentativa e para fins processuais, adotase o art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, pela concordância meritória com o v. Acórdão da DRJ nesse ponto. Confirase as razões de decidir sobre a matéria em tela: Por outro lado, alegou Marlene Rito Nicolay que "jamais praticou atos de administração" e que a fiscalização também não demonstrou (nem alegou) a prática, pela impugnante, de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Discorreu ainda a impugnante sobre o processo de separação conjugal de Eloy Tuffi iniciado por fatos ocorridos em 2010, tendo em agosto de 2011 ajuizado ação de divórcio, seguida da partilha de bens, sempre destacando o seu distanciamento da empresa autuada, da qual se afastou formalmente no ano de 2014. Abstraindose de questões de ordem pessoal, irrelevantes na caracterização da responsabilidade solidária no caso concreto, é fato que a fiscalização no TVF não evidenciou nenhum elemento que comprove a atuação de Marlene Rito Nicolay como administradora da Microcamp no período fiscalizado, tendo se restringido ao único registro formal de sua condição de "sócio e administrador" no contrato social da empresa. Desta forma, a insuficiência de comprovação da participação de Marlene na efetiva gestão da empresa no período abrangido Fl. 7691DF CARF MF Processo nº 10830.724567/201541 Acórdão n.º 1402002.958 S1C4T2 Fl. 7.692 28 pela autuação afasta a possibilidade de se manter o vínculo de responsabilidade, que lhe foi atribuído com base apenas em registro no contrato social. Pelo exposto, voto por conhecer e negar provimento ao Recurso de Ofício, mantendo integralmente o v. Acórdão recorrido em relação ao afastamento da responsabilidade da Sra. MARLENE RITO NICOLAU. Em relação ao Recurso Voluntário do Contribuinte, voto por conhecêlo, prejudicadas as alegações da responsabilidade de sócios, vez que objeto de recursos próprios, negandolhe provimento de forma integral, mantendo as Autuações e a multa qualificada. No que tange ao Recurso Voluntário do Sr. ELOY TUFFI, voto por conhecê lo e darlhe provimento integral, afastando a responsabilidade solidária atribuída a este Recorrente. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 7692DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.675907/2009-69
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2003
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE PELO CARF.
CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº2).
VALIDADE DA INTIMAÇÃO POSTAL
É válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do
recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF nº 9).
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 28/02/2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3001-000.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleber Magalhães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: CLEBER MAGALHAES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/2003 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE PELO CARF. CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº2). VALIDADE DA INTIMAÇÃO POSTAL É válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF nº 9). Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 28/02/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Recurso Voluntário Negado
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IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE PELO CARF. CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº2). VALIDADE DA INTIMAÇÃO POSTAL É válida a ciência do Despacho Decisório por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário (Súmula CARF nº 9). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 28/02/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 59 07 /2 00 9- 69 Fl. 103DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Ávila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Por bem resumir os fatos, adoto o relatório produzido pelo tribunal de origem, a 2ªTurma da DRJ/Belo Horizonte (efl. 64 e ss): DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 849905984 emitido eletronicamente em 23/10/2009, referente ao PER/DCOMP nº 19095.12523.110706.1.3.042243. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de COFINS, Código de Receita 2172, no valor original na data de transmissão de R$745,83, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 31/10/2003. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN),art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 06/11/2009, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 01/12/2009, tendo indicado endereço para onde deverão ser enviadas todas as notificações e intimações referentes ao presente processo. Também aduziu que o débito decorrente da não homologação da compensação está com a sua exigibilidade suspensa, consoante legislação especificada. Em preliminar, argumenta que recebeu o despacho decisório questionado, mas o Aviso de Recebimento (AR) não foi juntado aos autos, como instrumento de prova, pelo fato de a Receita Federal não entregar cópia do documento em tempo hábil, Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10880.675907/200969 Acórdão n.º 3001000.324 S3C0T1 Fl. 3 3 apesar de solicitado pelo manifestante. Requer a anexação do termo de assinatura do AR pelos motivos que passa a discorrer. Alega que o despacho decisório teria sido recebido por pessoa não autorizada para recebimento da sua correspondência e que apenas o sócio, o representante legal da empresa ou qualquer pessoa legitimada poderiam ter recebido a correspondência que trata de intimação com aviso de recebimento. Defende que os princípios da verdade material e da legalidade impõem à Administração rever seus atos contrários ao ordenamento jurídico, o que a leva a requerer a anulação da notificação do despacho decisório. Na possibilidade de que não ser acolhida a preliminar suscitada, passa a discorrer sobre o mérito da compensação. Nas questões de fato, alega que efetuou compensação em conformidade com o disposto no artigo 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, tendo feito menção ainda ao Código Tributário Nacional (CTN) e às instruções normativas que regularam a matéria. O sistema, na hipótese de crédito proveniente de decisão judicial, apenas aceita a compensação se corretamente informada a data do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o direito creditório. Entende ser descabida tal exigência, na medida em que as compensações são realizadas dentro da sistemática do lançamento por homologação, na qual o contribuinte apura por sua conta e risco o valor devido ao Fisco. Argui que o processo eletrônico a impede de esclarecer a origem do crédito (“declaração expressa de inconstitucionalidade do STF”) e de exercer seu direito constitucional de petição, a qual somente pode ser providenciada com a interposição da manifestação de inconformidade. Na parte que trata dos fundamentos legais, assevera que recolheu a Cofins na forma prevista pela Lei nº 9.718, de 1998, a qual majorou a alíquota do tributo de 2% para 3%, inconstitucionalmente a seu ver, pois a Lei Complementar nº 70, de 1991, previa a alíquota de 2%. Assim, se viu obrigado a recuperar os valores indevidamente recolhidos por meio da compensação. Destaca que o legislador editou a Lei Complementar 70, de 1991, que descreveu minuciosamente a regra matriz da hipótese de incidência da Cofins, sendo sua base de cálculo o faturamento. Em seguida, o Poder Executivo, por meio da Medida Provisória nº 1.724, de 1998, teria alterado a base de cálculo da Cofins para receita bruta e majorado a alíquota para 3%, em afronta ao disposto no artigo 155 da Magna Carta, pois a tributação deveria recair apenas sobre o “faturamento”. Fl. 105DF CARF MF 4 Argumenta ainda que a inclusão das receitas financeiras no cálculo da Cofins somente foi permitida com a edição da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Contudo, a Lei nº 9.718, de 1998 foi editada em data anterior à emenda, e deveria ter respeitado o antigo texto do art. 195 da Constituição Federal, que não previa a cobrança de contribuições à seguridade social sobre receitas financeiras. Portanto, totalmente inconstitucional a alteração da base de cálculo da Cofins por lei ordinária, que não se convalida com a superveniência da Emenda Constitucional. Alega que a MP nº 1.724, de 1998, convertida na Lei nº 9.718, de 1998, que dispõe sobre a cobrança adicional de 1% da Cofins, fere o princípio da equidade na participação do custeio da seguridade social, tendo a Lei estabelecido que o acréscimo de 1% da Cofins deveria ser pago por todas as empresas, mas poderia ser compensado com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Com isso, as empresas altamente lucrativas não sofreram os efeitos do aumento da carga tributária; somente as empresas que tiveram prejuízos ou lucro baixo, como o manifestante, é que arcaram com a majoração da Cofins. Passa, na continuação, a tratar do prazo prescricional para a repetição do indébito tributário. Defende que, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a extinção do crédito tributário se dá com a homologação, expressa ou tácita, do Fisco. Adotada esta premissa, o prazo prescricional para a recuperação de valores indevidamente recolhidos deveria ter início cinco anos após a data do efetivo pagamento (a chamada tese dos cinco mais cinco). Salienta que a empresa “efetuou a restituição do COFINS dentro do prazo prescricional” (sic), em conformidade com as jurisprudências do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Conselho de Contribuintes, tendo o manifestante dez anos para pedir de volta o que foi pago indevidamente. Assevera que, para fundamentar sua decisão, o julgador monocrático aduziu que a Lei Complementar 118/05, dispondo sobre a interpretação do inciso I do art. 168, descreveu que a extinção do credito tributário nos tributos com lançamento por homologação ocorre no pagamento, entendimento que considera equivocado, uma vez que a lei interpretativa deve esclarecer o significado de texto legal controverso, o que não foi o caso, posto que a interpretação posta foi inovadora e contrária à jurisprudência. No Recurso Voluntário, a Recorrente, em suma, repete as alegações já expressas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10880.675907/200969 Acórdão n.º 3001000.324 S3C0T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Cleber Magalhães Relator. O limite da competência das Turmas Extraordinárias do CARF é de sessenta salários mínimos, segundo o 23B, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. O valor do saláriomínimo nacional é de R$ 954,00, segundo Decreto nº 9.255, de 29 de dezembro de 2017. Dessa forma, o limite de valor de litígio para processos a serem julgados pelas turmas extraordinárias é de R$ 57.240,00. Como o valor em litígio é de R$ 1.613,11 (efl. 2), a análise do p.p. está dentro da alçada das turmas extraordinárias. Da preliminar Da intimação por via postal Quanto à arguição de nulidade do Despacho Decisório, uma vez que teria sido recebido por pessoa não autorizada pela empresa, cumpre destacar o que prescreve o inciso II do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: Art. 23. Farseá a intimação: [...]II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; Exige a norma legal que a entrega da intimação seja efetuada no domicílio eleito pelo sujeito passivo. Não se impõe que o sócio ou representante legal do sujeito passivo pessoa jurídica tenha diretamente recebido a intimação cientificada por via postal. O próprio CARF já se posicionou sobre o assunto, por intermédio da na Súmula nº 9, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Assim, voto por REJEITAR a preliminar de nulidade apresentada pela Recorrente. Do mérito Da Inconstitucionalidade da decorrente da alteração da base de cálculo da COFINS pela Medida provisória nº 1.724. Fl. 107DF CARF MF 6 No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, consoante o disposto no art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, salvo os casos de declaração de inconstitucionalidade por decisão definitiva plenária do STF, e de edição de atos específicos do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional e da AdvocaciaGeral da União, nos estritos termos previstos no § 6º da referida norma legal. No mesmo sentido, assim determina a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente pra se pronunciar sobre a constitucionalidade de lei tributária. Do não reconhecimento do crédito no montante postulado Em um processo de restituição, ressarcimento ou compensação, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, quer por pedido de restituição ou ressarcimento, quer por compensação, em ambos os casos mediante a apresentação do PER/DCOMP, de tal sorte que, se a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) resistir à pretensão do interessado, indeferindo o pedido ou não homologando a compensação, incumbirá a ele – o contribuinte –, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. Levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo (art. 170 do CTN), concluise que deve a RFB não homologar a compensação se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, notadamente com base em informações prestadas em DCTF, quando o contribuinte deixa de comprovar eventual erro cometido no preenchimento daquela declaração. Esse entendimento aplicase também à restituição. Compete ao contribuinte comprovar o direito ao crédito postulado na Declaração de Compensação. Não se encontram nos autos, entretanto, smj, nenhuma prova robusta do solicitado. Não pode a administração tributária aquiescer com o pedido da Recorrente sem que ela apresente elementos que comprovem a justiça de seu pleito. Não há, assim, como acatar o pedido de reforma da decisão do tribunal a quo. Assim, por todo o exposto, voto por REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.675907/200969 Acórdão n.º 3001000.324 S3C0T1 Fl. 5 7 (assinado digitalmente) Cleber Magalhães Fl. 109DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.900760/2013-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012
COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito.
NÃO-CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime não-cumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-004.568
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. Recorrente Dona Francisca Energética S/A Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime nãocumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 90 07 60 /2 01 3- 53 Fl. 326DF CARF MF Processo nº 11060.900760/201353 Acórdão n.º 3301004.568 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria RS pela não homologação da compensação declarada, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados na Dcomp. Inconformada com a não homologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que o crédito declarado é legítimo, decorrente de pagamento a maior, não sendo utilizado para quitação de outros débitos. Explica a interessada que, em razão de sua atividade, por estar sujeita ao regime cumulativo e não cumulativo, faz jus aos créditos previstos no artigo 3º, inciso I, da Lei nº 10.637/2002 e artigo 3º, inciso I, da Lei nº 10.833/2003, podendo, assim, descontar créditos, relativos às operações de compra e aquisição de energia revendida, do valor apurado a título de débito de PIS e de Cofins, respectivamente, escriturandoos conforme determinam as normas aplicáveis nos campos próprio do Dacon. E que, nos períodos de apuração compreendidos entre junho de 2011 e outubro de 2012, realizou apuração dos débitos das contribuições sociais sem o desconto dos créditos permitidos na legislação tributária. Entretanto, posteriormente, decidiu pelo exercício extemporâneo de seu direito, retificando a apuração do período, para o fim de apropriar os créditos no mês de competência em que deveriam ter sido apropriados; para tanto, retificou e transmitiu o Dacon correspondente, em 29 de janeiro de 2013, acompanhado da respectiva DCTF, também retificadora. Em tópico específico – Princípio da verdade material – a contribuinte argumenta que, em razão dos princípios da estrita legalidade, da verdade material e do inquisitório na investigação dos fatos tributários, a negativa de homologação de compensação deve irrestrita obediência à lei. Desta forma, entende que o Fisco tem o dever jurídico de investigação, em busca da verdade material, mesmo nas hipóteses de compensação. A contribuinte solicita, ainda, a reunião dos processos que relaciona, para que tramitem em conjunto e sejam objeto de um único julgamento ou para que as decisões proferidas, ainda que separadamente, sejam todas no mesmo sentido, em atenção ao princípio da economia e eficiência processual e ao princípio da segurança, a fim de evitar a existência de decisões conflitantes ou divergentes sobre a mesma matéria e pressupostos fáticos e jurídicos. Por fim, a contribuinte requer que, para evitar a ciência por edital, as intimações sejam encaminhadas ao endereço do escritório administrativo, que menciona. A Recorrente apontou os seguintes motivos que legitimam o recolhimento indevido do PIS/COFINS: Fl. 327DF CARF MF Processo nº 11060.900760/201353 Acórdão n.º 3301004.568 S3C3T1 Fl. 4 3 · Suas atividades estatutárias envolvem a geração, comercialização e transmissão de energia elétrica. Para tanto, realiza operações de venda e comercialização de energia originária de seu próprio processo de geração ou adquirida de outras geradoras para revenda. · Para as operações de revenda, o regime de apuração do PIS e COFINS é o não cumulativo. · Sustenta que o contrato de compra e venda de energia elétrica foi celebrado entre a Recorrente e a Gerdau em 03 de maio de 2011. · Então faz jus aos créditos do art. 3º, I da Lei n° 10.637/2002 e art. 3º, I da Lei n° 10.833/2003. · Todavia, nos períodos de apuração compreendidos entre junho de 2011 e outubro de 2002, a empresa apurou PIS e COFINS, sem o abatimento dos créditos referentes a aquisição e energia elétrica para revenda. · Em seguida, ao constatar que a existência de créditos de PIS e COFINS não apropriados, retificou sua apuração nos meses de competência (aproveitamento extemporâneo). · No presente caso, anexou a nota fiscal de aquisição de energia elétrica, sobre a qual incidiriam PIS e COFINS passíveis de creditamento. · Após a reapuração os novos e menores débitos de PIS e COFINS foram devidamente informados em DACON retificadora transmitida em 29/01/2013. Foi feita a retificação da DCTF posteriormente. A 4ª Turma da DRJ/FNS negou provimento à manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07037.020. Em seu recurso voluntário, a Recorrente: · Em preliminar, requer a vinculação e julgamento em conjunto deste processo com outros 33 recursos voluntários contra acórdãos idênticos da DRJ de Florianópolis, uma vez que os processos decorrem dos mesmos pressupostos de fato e direito; · Reitera os fundamentos de sua impugnação; · Acosta novas provas; · Afirma que o Direito à restituição via compensação decorre do pagamento indevido, e não da declaração do crédito em DCTF; · Assevera que, por imposição do princípio da verdade material, a análise quanto à existência do crédito deve se sobrepor à declaração formal do mesmo (em DCTF) ao tempo da apresentação da DCOMP; · Ataca a decisão da DRJ, ao defender que deixou de verificar a procedência do crédito para fazer análise meramente formal quanto à existência do crédito em DCTF ao tempo da transmissão da DCOMP; · Sustenta que a prova produzida é suficiente para atestar a existência do crédito; · Por isso, requer que o próprio CARF ateste a veracidade do crédito, considerandose a suficiência da prova já apresentada; ou, alternativamente, que baixe o processo em diligência para que a DRF o faça. Em petição datada de janeiro de 2016, a empresa pugna pela aplicação do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 11060.900760/201353 Acórdão n.º 3301004.568 S3C3T1 Fl. 5 4 Esta turma de julgamento converteu o feito em diligência, Resolução n° 3301000.425, de 28 de junho de 2017, para que a unidade de origem analisasse a documentação apresentada pela Recorrente em sua manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, com vistas a esclarecer a existência do crédito passível de ser utilizado na compensação pretendida. Assim, foi solicitado à autoridade que: a) aferisse a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informasse se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) esclarecesse se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada e d) elaborasse relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. A diligência foi realizada, cujo despacho segue acostado nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.545, de 17 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11060.900738/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.545): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Creditamento sobre a aquisição de energia elétrica para revenda Dispõem os art.3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003 que: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: A energia elétrica adquirida para revenda subsomese à previsão normativa de creditamento sobre “bens adquiridos para revenda”, porquanto a energia elétrica foi equiparada no sistema constitucional à mercadoria (art. 155, parágrafo 2º, X, alínea “b” e parágrafo 3º, CF/88). Fl. 329DF CARF MF Processo nº 11060.900760/201353 Acórdão n.º 3301004.568 S3C3T1 Fl. 6 5 Diante disso, observase que há suporte legal que legitima o crédito de PIS sobre a energia elétrica adquirida para revenda. Dessa forma, com razão a Recorrente ao pleitear o creditamento no regime da nãocumulatividade. Fundamentação do acórdão da DRJ Como relatado, a Recorrente apresentou DCOMP em 30/01/2013 para compensar débito de IRPJ com crédito de pagamento indevido de PIS, decorrente da aquisição de energia elétrica para revenda. A DACON foi retificada em 29/01/2013 e a DCTF retificada em 05/09/2013. A DRJ ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade o fez com fundamento único: antes da apresentação da DCOMP, a empresa deveria ter retificado regularmente a DCTF. Entendo que assiste razão à Recorrente, quando afirma que a compensação via PER/DCOMP não está vinculada à retificação de DCTF. Isso porque o indébito tributário decorre do pagamento indevido, nos termos dos art. 165 e 168 do CTN, a retificação da DCTF não “cria” o direito de crédito. Nesse sentido, o CARF já se manifestou: Acórdão n° 3403002.370, 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária: DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO (DCOMP). RETIFICAÇÃO POSTERIOR DE DADOS DA DCTF. A retificação da DCTF, para demonstrar a diferença entre valor confessado e recolhido, não é condição prévia para a transmissão da DCOMP, nem é ato que, por si mesmo, cria o direito de crédito do contribuinte. A existência do indébito depende da demonstração, por meio de provas, pelo contribuinte. Recurso provido. Ademais, o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, publicado no DOU de 01/09/2015, esclarece: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA Fl. 330DF CARF MF Processo nº 11060.900760/201353 Acórdão n.º 3301004.568 S3C3T1 Fl. 7 6 RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em Fl. 331DF CARF MF Processo nº 11060.900760/201353 Acórdão n.º 3301004.568 S3C3T1 Fl. 8 7 PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Assim, discordo da decisão de piso que manteve a não homologação da compensação sobre o argumento de que a DCTF retificadora deveria ter sido transmitida antes da Dcomp. Por conseguinte, se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Ônus da prova – recolhimento indevido No presente caso, a interessada trouxe elementos fiscais e societários para comprovar o valor pleiteado: estatuto social no qual consta a atividade de comercialização de energia elétrica; cópia do contrato de fornecimento de energia elétrica, celebrado em 03/05/2011, com a destinatária da energia nas operações de revenda; cópia da nota fiscal de compra de energia; DCTF e DACON retificadoras. Ressalta a empresa que o contrato de compra e venda de energia elétrica, que revendeu energia adquirida por meio da Nota Fiscal acostada aos autos, é suficiente para comprovação do direito de crédito de PIS. Em seu recurso voluntário, objetivando comprovar que a energia elétrica adquirida foi objeto de revenda, anexou: 1 planilha demonstrativa dos volumes comprados, que equivalem exatamente aos volumes vendidos; 2 o Relatório CCEE demonstrando que o balanço de energia elétrica negociada pela recorrente apresenta volumes idênticos na posição de compradora e vendedora e 3 as notas fiscais de venda de energia elétrica com os mesmos volumes apresentados nos demonstrativos. Além disso, acosta aos autos a DACON original para demonstrar que o crédito objeto da nota fiscal referida não havia sido considerado na apuração da contribuição originalmente. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 11060.900760/201353 Acórdão n.º 3301004.568 S3C3T1 Fl. 9 8 As DACON e DCTF retificadoras (acostadas na manifestação de inconformidade) se voltam a comprovar que o crédito calculado sobre a energia adquirida através da nota fiscal apresentada, gerou a apuração de PIS com valor inferior ao recolhimento do DARF, representando pagamento indevido. Toda a documentação da Recorrente foi analisada em diligência fiscal, tendo a autoridade despachado o seguinte: 7. A contribuinte apresentou cópia dos registros contábeis, livro razão e Diário, fls. 314/382388/428, onde consta registro da compra de energia elétrica, com creditamento de PIS, com base no art. 3º, inciso I, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Com resumo dos lançamentos contábeis à folha 429. 8. Conforme NFE série 1, nº 189, de 21/03/2012, fl. 53, ou no portal da Nota Fiscal Eletrônica, fls. 383/387, foi adquirido energia elétrica pela Dona Francisca Energética S.A – RS da Gerdau Aços Longos S.A., CNPJ 07.358.761/005632, localizada no município de Cachoeira Alta – GO, dentro do sistema integrado de energia, valor R$ 2.684.844,00 com destaque de PIS em R$ 44.299,93. 9. Declaração de compensação com base legal no art. 170 da Lei nº 5.172, de 25.10.1966 (CTN); art. 74 da Lei nº 9.430, de 27.12.1996; art. 49 da Lei nº 10.637, de 30.12.2002; art. 17 da Lei nº 10.833, de 29.12.2003; art. 4º da Lei nº 11.051, de 29.12.2004; art. 30 da Lei nº 11.941, de 27.05.2009; IN RFB nº 1.300, de 20.11.2012; IN RFB nº 1.717, de 17.07.2017. 10. Crédito acrescido de juros equivalentes à taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia para títulos federais, nos termos do artigo 39, § 4º da Lei n.º 9.250, de 26.12.1995 e do artigo 73 da Lei nº 9.532, de 10.12.1997, e conforme inc. V do art. 143 da IN RFB nº 1.717, de 17.07.2017. 11. De acordo com o art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2002; com o art. 142 da Lei nº 5.172, de 25.10.1966; Portaria RFB nº 1.453, de 29.09.2016; com a Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012 e o art. 241, inc. I do Regimento da SRFB, foi constatado que a DACON retificadora de março de 2012, está em conformidade com os registros contábeis e amparada em documentação, sendo confirmado crédito de PIS não cumulativo, código 6912, pago a maior em 25/04/2012, no valor de R$ 44.299,92 e conforme indicado pela contribuinte, o valor de R$ 42.126,22 (quarenta e dois mil, cento e vinte e seis reais com vinte e dois centavos), com o acréscimo da taxa Selic acumulada, foi lançado em planilha de cálculo SAPO junto com o débito, que foi satisfeito, fls. 430/433. A diligência confirmou o crédito pleiteado e, ao cotejar com o débito apontado, reconheceu que foi suficiente para a sua satisfação, logo deve ser homologada a compensação. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 11060.900760/201353 Acórdão n.º 3301004.568 S3C3T1 Fl. 10 9 Conclusão Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 334DF CARF MF
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