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Numero do processo: 11080.010845/2006-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
DECADÊNCIA. AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação (art. 150, § 4.º do CTN), devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro.
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação (Recurso Especial nº 973.733).
O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Não sendo o contribuinte beneficiário de recursos movimentados no exterior em conta de terceiros, não é admissível o lançamento por omissão de rendimentos, se não restar comprovado o acréscimo patrimonial a descoberto.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECORRENTE IDENTIFICADO COMO ORDENTANTE (ORDER CUSTOMER - CLIENTE QUE DETERMINOU A ORDEM DE PAGAMENTO). Comprovado que o contribuinte é ordenante de recursos ao exterior, deveria a fiscalização ter verificado a presunção de acréscimo patrimonial a descoberto, nos moldes legalmente determinados, confrontando, mensalmente, as mutações patrimoniais com os rendimentos auferidos para se apurar a evolução patrimonial, nos termos do arts. 2o e 3o da Lei no 7.713/1988.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-001.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente
(assinado digitalmente)
RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação (art. 150, § 4.º do CTN), devendo o prazo decadencial ser contado do fato gerador, que ocorre em 31 de dezembro. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 08 45 /2 00 6- 81 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA 2 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Não sendo o contribuinte beneficiário de recursos movimentados no exterior em conta de terceiros, não é admissível o lançamento por omissão de rendimentos, se não restar comprovado o acréscimo patrimonial a descoberto. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RECORRENTE IDENTIFICADO COMO ORDENTANTE (“ORDER CUSTOMER” CLIENTE QUE DETERMINOU A ORDEM DE PAGAMENTO). Comprovado que o contribuinte é ordenante de recursos ao exterior, deveria a fiscalização ter verificado a presunção de acréscimo patrimonial a descoberto, nos moldes legalmente determinados, confrontando, mensalmente, as mutações patrimoniais com os rendimentos auferidos para se apurar a evolução patrimonial, nos termos do arts. 2o e 3o da Lei no 7.713/1988. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO– Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado Auto de Infração (fls. 02/17) para exigir credito tributário de Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2002, no montante total de R$197.926,37, acrescido de multa de ofício no percentual de 75%, e de juros de mora calculado até 30/11/2006, originado da omissão de rendimentos não declarados, constatada em operação conhecida como Banestado. A infração restou assim capitulada: art. 79 do Decretolei n° 5.844/43; art. 43, incisos I e II, e §1oda Lei n° 5.172/66; Arts. 1o a 3o e §§ da Lei n° 7.713/88; Arts. 1o a 3o da Lei n°8.134/90; Arts. 37, 38, 83 e 845 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99); Art. 1o da Lei n° 9.887/99. Do Relatório de Ação Fiscal (fls.04/14) que descreve, pormenorizadamente, os procedimentos de fiscalização, cabe transcrever os seguintes enxertos que justificam o lançamento: “Foram identificadas operações financeiras durante o ano calendário de 2001, nas quais o contribuinte aparece como ordenante de divisas através das contas/subcontas Fl. 174DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 11080.010845/200681 Acórdão n.º 2201001.853 S2C2T1 Fl. 174 3 mantidas/administradas em Instituição Financeiras dos Estados Unidos mencionadas anteriormente. Devese atentar que nos termos do Laudo Pericial da Polícia Federal, as operações identificadas na mídia eletrônica constituemse verdadeiras e representativas das operações realizadas. Assim, a transcrição e a análise das operações de mídia revelam que no anocalendário de 2001 foram efetuadas 3 (três) ordens de pagamento, totalizando US$ 119.969,00, nas quais o sujeito passivo consta como ordenante, por meio da conta 30172853, tendo como beneficiária a conta no MTB HUDSON BANK denominada Nakia, n° 30172853, conforme tabela a seguir: DATA VALOR EM US$ 17/05/2001 100.000,00 19/10/2011 9.985,00 08/11/2001 9.984,00 TOTAL 119.969,00 (..) 4. ANÁLISE DOS FATOS As informações e os documentos obtidos pela Polícia Federal e repassados a este órgão têm origem legal e idônea, conforme certificações das autoridades norteamericanas e brasileiras. Tais informações e documentos foram, previamente, submetidos à perícia técnica especializada do MJ/DPF/NC Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal do Ministério da Justiça, que expediu o laudo n° 108/206INC, conclusivo sobre a identificação do sujeito passivo, a operação, a data e o valor. Os registros da operação financeira de que aqui se trata, integrantes da Representação da EEF, foram disponibilizados ao contribuinte juntamente com a Intimação Fiscal n° 276/2006. De modo que resta comprovado que o fiscalizado é o titular dos recursos remetidos para a empresa Nokia Holdings e creditados na conta n° 30172853 em nome da referida empresa, no MTB CBCHudson Bank, fato plenamente reconhecido pelo próprio. Restou evidenciado, da mesma forma, a disponibilidade econômica da quantia de US$ 119.969,00 (cento e dezenove mil novecentos e sessenta e nove dólares norteamericanos)) por parte do contribuinte, nas datas das ordens de pagamento, confirmadas pelo próprio. De modo que restou passível de análise a origem dos depósitos alegada pelo fiscalizado e a forma de comprovação apresentada pelo mesmo. Em atendimento às intimações lavradas por essa fiscalização, no que se refere às operações referidas no Termo de Intimação Fl. 175DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA 4 Fiscal n° 315/2006, o sujeito passivo informa que obteve empréstimo junto à CUPRUM HOLDING LTD SWISS BRANCH, no ano de 2001, no valor de US$ 118.000,00. Referido empréstimo visava à aquisição de imóvel no Balneário de Punta Del Este, Uruguai. Como a transação não se concretizou, as remessas identificadas junto à Intimação Fiscal deste órgão referemse à restituição do citado empréstimo junto à Instituição Financeira, cujo total incluindo juros foi US$ 119.969,00. Em nova Intimação foi solicitado ao fiscalizado que comprovasse a obtenção do referido empréstimo junto à Instituição Financeira, bem como a comprovação da origem da operação por ocasião dos pagamentos. Em resposta, entregue em 14/11/2006 reitera o informado a este órgão, com respaldo no documento fornecido e assinado pelo gerente da Cuprum Holding, filial suíça. Com relação ao alegado pelo sujeito passivo, devem ser considerados outros aspectos que, a despeito dos critérios adotados pela Equipe Especial de Fiscalização, no conjunto, reforçam o entendimento quanto à omissão de rendimentos por parte do sujeito passivo: • Tratandose de operações detectadas no exterior, os meios de prova, naturalmente não são os mesmos disponíveis para as operações apuradas no Brasil. A globalização e os recursos existentes nos meios de comunicação atuais, no sistema financeiro moderno torna possível num simples toque na tela de um computador pessoal em qualquer parte do mundo realizar operações de transferências e aplicações financeiras; • Os documentos obtidos por este Órgão, que acompanharam a Intimação Fiscal n° 276/2006, identificam o contribuinte Pedro Paulo Salvador Zachia como ordenador de diversas remessas, no valor total de US$ 119.969,00 no MTB HUDSON BANK, tendo como beneficiária a conta neste banco denominada Nakia n° 30172853. • Não pode o Fisco ignorar os elementos de prova obtidos pela Polícia Federal, constante de registros eletrônicos de que o sujeito passivo realizou operações bancárias no exterior. Por outro lado, simples alegações formais, desacompanhadas de qualquer meio de prova (documental, testemunhal, etc.) tornam se inócuas diante dos elementos obtidos pelo Fisco; • Os documentos e informações obtidas pela Polícia Federal, com os quais embasou o Laudo Pericial foram fornecidos por Instituições Financeiras a princípio idôneas. De sorte que não contrapostas com documentação hábil e idônea, as provas obtidas pela Polícia Federal e encaminhadas à Receita Federal valem como verdadeiras, surtindo os efeitos jurídicos pretendidos na ação fiscal em apreço; • Restou, portanto, comprovado que o fiscalizado efetuou movimentação financeira de recursos no exterior, na condição de ordenador de remessas. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 11080.010845/200681 Acórdão n.º 2201001.853 S2C2T1 Fl. 175 5 • Em sua resposta o fiscalizado confirma a emissão das ordens de pagamento, uma vez que admite que foi ordenante das remessas que lhe foram atribuídas. Para tanto anexa cópia de correspondência em inglês, datada de 26/10/06, destinada a quem interessar possa, assinada pelo diretor cujo nome não foi possível identificar, em papel com o logotipo da CUPRUM HOLDING LTDA.,Filial SUIÇA, intitulada "confirmation". A assinatura do signatário não foi reconhecida por notário público habilitado. Referida carta foi submetida a Tradutora Pública Juramentada, habilitada pela Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Sul. • Segundo a citada carta, a importância de US$ 119.969,00, mandada pelo Sr. Pedro Paulo Salvadori Zachia, através de três (3) ordens de pagamento emitidas no período de maio a novembro de 2001, para a Nakia Holdings, conta n° 30172853, no MTBCBCHudson Bank, referese à acordo de empréstimo com a citada Instituição. • Quanto à intimação para comprovar o recebimento do alegado empréstimo, o contribuinte não logra comprovar a percepção do referido numerário, não apresenta documentos que comprovem sua origem em recursos declarados no anocalendário de 2001. Corrobora tal entendimento o fato de que o documento apresentado não informa data nem valores disponibilizados para o fiscalizado pela Instituição Financeira no ano calendário de 2001. Limitase a informar os valores pagos pelo sujeito passivo por ocasião da devolução do empréstimo, conforme alegado em sua resposta. • Atentese ainda para o fato de que a missiva apresentada a esta fiscalização, não obstante as cautelas tomadas em relação à assinatura do signatário, é totalmente desprovida da condição de documento hábil e idôneo, na medida em que faz prova apenas para as partes envolvidas, mas não faz prova perante terceiros, principalmente junto à Administração Tributária. • Ficou evidenciado que o contribuinte não consegue fazer prova do valor recebido a título de empréstimo. Diante dos fatos acima relatados, resta claro que o contribuinte teve a disponibilidade econômica de valor em moeda nacional equivalente a US$ 119.969,00, nas datas das remessas para a empresa Nakia Holdings. Considerando que o fiscalizado é contribuinte residente no país, fica caracterizada a omissão de rendimentos, cuja data da percepção é a mesma da operação de remessa para a empresa Nokia Holdings, diante da ausência de prova em contrário por parte do sujeito passivo e nos termos da legislação tributária aplicável. Restou caracterizada a omissão de rendimentos remetidos ao exterior, haja vista que o fiscalizado, devidamente intimado, deixa de comprovar as origens destes recursos, ensejando, à luz Fl. 177DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA 6 da legislação tributária pertinente, a caracterização de omissão de rendimentos.” DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou tempestivamente impugnação, fls.113/125, alegando em sintese que: § Houve a decadência do fato gerador ocorrido em 17/05/2001; § A remessa dos valores ao exterior não configura omissão de rendimentos, tratandose de restituição de valores relativos a empréstimo obtido junto a CUPRUM HOLDING LTD SWISS, no valor de US$ 118.000,00; § O objetivo do referido empréstimo era a aquisição de imóvel localizado no Balneário de Punta Del Este, Uruguai; § Como o negócio não se concretizou, afirma que desistiu do empréstimo e restituiu o valor da operação mais os encargos financeiros, perfazendo o montante de US$ 119.969,00, mediante as três remessas apontadas no procedimento fiscal. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar a matéria, os Membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar procedente o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/POA n°1029.782, de 31 de janeiro de 2011, fls. 128/133, em decisão assim ementada: DECADÊNCIA. No lançamento de ofício a contagem do prazo decadencial obedece à regra geral expressamente prevista no art. 173,1 do Código Tributário Nacional, iniciandose a contagem a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tratandose de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora eximese de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Impugnação Improcedente.” Fl. 178DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 11080.010845/200681 Acórdão n.º 2201001.853 S2C2T1 Fl. 176 7 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado da decisão de primeira instância em 14/10/2011, conforme AR de fls. 142, e com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em 26/10/2011, Recurso Voluntário Tempestivo (fls. 143/155), em que ratifica os termos da peça impugnatória apresentada. É o Relatório. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora O Recurso é tempestivo e preenche os pressupostos legais, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, o contribuinte argui a decadência do fato gerador ocorrido em 17/05/2001. É fato que havia uma corrente entendedora de que, no caso de presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, o fato gerador ocorria no mês dos créditos. Não obstante, a corrente majoritária deste colegiado entende que a modalidade de lançamento a qual se sujeita o Imposto de Renda Pessoas Físicas é a do lançamento por homologação cujo fato gerador se completa no encerramento do ano calendário. Conforme preceito do parágrafo 4°, do artigo 150 do CTN: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA 8 Esta última foi a posição pacificada neste Conselho, que se curvou ao entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no sentido de que, embora devido mensalmente, o fato gerador do Imposto de Renda Pessoas Físicas é complexivo anual, ou seja, completase apenas em 31 de dezembro de cada anocalendário. Assim, o valor devido mensalmente é mera antecipação do que será apurado no ajuste anual, como expressamente dito na Lei nº 8.134, de 1990, art. 2º c/c art 11, comando que se manteve nas mudanças legislativas posteriores: “DECADÊNCIA AJUSTE ANUAL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos, contados de 31 de dezembro de cada anocalendário questionado. Preliminares Rejeitadas”. (Acórdão 10422954, de 23/01/2008, Rel. Nelson Mallmann). “DEPÓSITO BANCÁRIO DECADÊNCIA A omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada deve ser apurada em base mensal, mas tributada na base de cálculo anual, cujo fato gerador ocorre no encerramento do anocalendário. (art. 150, § 4º, do CTN). Preliminares Rejeitadas” (Acórdão 10423124, de 23/04/2008, Rel. Antonio Lopo Martinez). “DEPÓSITOS BANCÁRIOS PERÍODOBASE DE INCIDÊNCIA APURAÇÃO MENSAL TRIBUTAÇÃO NO AJUSTE ANUAL Os valores dos depósitos bancários não justificados, a partir de 1º de janeiro de 1997, serão apurados, mensalmente, à medida que forem creditados em conta bancária e tributados como rendimentos sujeitos à tabela progressiva anual (ajuste anual). Preliminares Rejeitadas”.(Acórdão 10423308, de 26/06/2008, Rel. Nelson Mallmann). Assim sendo, o imposto lançado relativo à 17/05/2001, não se encontrava alcançado pelo prazo decadencial no início do procedimento fiscal, em maio de 2006, tampouco na data da ciência do auto de infração, em 18/12/2006 (“AR” fls.112), que teria até 31/12/2006 para efetuar o lançamento, pois o prazo quinquenal para que o fisco promovesse o lançamento tributário relativo aos fatos geradores ocorridos em 2001, começou a fluir em 31/12/01, exaurindose apenas em 31/12/06. Acrescentase, ainda, que, para depósitos bancários, esse entendimento restou pacificado após a edição da Portaria nº 106 de 21/12/2009, que divulgou os enunciados consolidados de súmulas aprovados pelo Pleno e pelas Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), nas sessões realizadas em 8.12.2009. Tratase da Súmula nº39 do CARF, a seguir reproduzida: Súmula CARF Nº 38. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 11080.010845/200681 Acórdão n.º 2201001.853 S2C2T1 Fl. 177 9 Dessa forma, considerase o fato gerador anual e que se aperfeiçoa no final do ano calendário, ou seja, em 31 de dezembro. Na contagem do termo inicial do prazo decadencial, até pouco tempo atrás, na inocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicavase o art. 150, §4º do CTN. Contudo, esse entendimento foi reformulado, face a alteração promovida pela Portaria MF n.º 586/2010 no artigo 62A do anexo II, que introduziu dispositivo no Regimento Interno deste E. Conselho que determina, in verbis: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” Assim, no que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, temos como parâmetro o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco Fl. 181DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA 10 regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Portanto, o STJ em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). Dessa forma, com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento e/ou imposto de renda retido na fonte, devese aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 11080.010845/200681 Acórdão n.º 2201001.853 S2C2T1 Fl. 178 11 No presente caso, independente de ter havido ou não pagamento, não prospera a alegação do contribuinte de que houve decadência do fato gerador ocorrido em 17/05/2001, já que a decadência só ocorreria em 31/12/2006, aplicando a regra do art. 150, § 4º do CTN ou 31/12/2007, nos termos do art. 173, I, do CTN, caso não tenha havido pagamento. Assim, é de se rejeitar a preliminar de decadência arguida. Quanto ao mérito, analisando o acórdão recorrido, verificase que o mesmo tratou o lançamento como se fosse de depósito bancário de origem não comprovada, fundamentado no artigo 42, da Lei nº 9.430/96. Não obstante, não é essa matéria objeto do lançamento,conforme se depreende do Relatório de Ação Fiscal, fls.12, a seguir transcrito: 5. INFRAÇÃO APURADA Omissão de rendimentos não declarados. Tratase de omissão de rendimentos provenientes ordenados ao/do exterior, por meio da conta denominada Nakia de n° 3017285364460145, junto ao MTB Hudson, por se tratarem de rendimentos remetidos à margem das declarações de rendimentos, com fundamento nos art. 37, art. 38 e 845, do Decreto n° 3.000, de 29 de março de 1999 (RIR/99), in verbis: (...) Segundo o artigo 38 do RIR/99, se o contribuinte teve a disponibilidade econômica dos valores representados pelas ordens de pagamento em que consta como ordenante, o benefício ficou determinado, quer pela forma, quer pelo título, respondendo passivamente pelos referidos valores perante a legislação do Imposto de Renda. Como as referidas parcelas não foram esclarecidas, a fiscalização fixou os rendimentos tributáveis de acordo com as informações disponíveis, pois os esclarecimentos prestados não foram satisfatórios, havendo a hipótese prevista no inciso II do artigo 845 do RIR/99. A decisão recorrida ao analisar a declaração apresentada pelo contribuinte, fls.96, entendeu que a mesma não comprova o alegado empréstimo bancário no exterior, pois apenas comprova o pagamento do referido empréstimo. Contrariamente ao entendimento da autoridade recorrida, apesar de não haver detalhamento de datas na referida declaração, a mesma confirma que houve no ano de 2011, empréstimo de US$118.000,00 que foi quitado no mesmo ano, conforme se observa na declaração e na sua tradução juramentada acostadas às fls.96 e 97, respectivamente, cuja transcrição segue abaixo: Fl. 183DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA 12 Declaração: Tradução: Diante desses documentos e do vultoso patrimônio do contribuinte que seguramente respalda empréstimo nesse valor, no meu entender, está comprovada a origem dos recursos, através de empréstimo e o pagamento do mesmo. Pois bem, mesmo que permaneça o entendimento da decisão de primeira instancia de que essa declaração apenas comprova o pagamento, ou seja, a saída do recurso do patrimônio do contribuinte, mas não o recebimento do recurso, outra deve ser a análise do presente caso. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 11080.010845/200681 Acórdão n.º 2201001.853 S2C2T1 Fl. 179 13 Conforme acima exposto, o lançamento não decorreu de depósito de origem não identificada, mas de omissão de rendimentos não declarados. Fato é que, conforme afirma o contribuinte, o empréstimo ocorreu em 2001, assim como seu pagamento, por essa razão que tais valores não constam da sua declaração. Nesse ponto, tem razão o contribuinte, pois a declaração da pessoa física guarda apenas a informação de 31 de dezembro de cada ano. Os valores movimentados no exterior, convertidos para o real, totalizaram R$283.325,74 (fls.13) e os valores constantes da Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2002, fls.106/109, tempestivamente entregue no modelo simplificado (fls.08) são: Cabe destacar que o contribuinte é ordenante e não beneficiário desses recursos. Assim, importaria estabelecer se ele teria rendimentos suficientes para efetuar esse pagamento, pois sequer é possível determinar a data da origem desses recursos, mas tão somente dos pagamentos, no momento em que estes vieram a ocorrer no exterior. Ocorre que, para tanto, seria necessário confrontar, mensalmente, as mutações patrimoniais com os rendimentos auferidos para se apurar a evolução patrimonial do contribuinte, nos termos dos arts. 2o e 3o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, a seguir transcritos: Art. 2o O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3o O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9o a 14 desta Lei. § 1o Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidas em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. ..... § 4o A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (Grifei.) Da leitura dos dispositivos legais acima mencionados, depreendese que devem ser confrontadas, mensalmente, as mutações patrimoniais com os rendimentos auferidos para se apurar a evolução patrimonial do contribuinte. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA 14 Portanto, no lançamento ora combatido, houve sua utilização de forma indevida para presumir a renda auferida, pois o feito não exprime a verdade material das situações concretas motivadoras da incidência tributária, não se amoldando aos ditames das Leis nºs 7.713/88, 8.134/90, 8.383/91 e 9.250/95, nem atendendo às determinações do artigo 142 do CTN, a seguir transcrito: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.” Aplicase plenamente à presente situação as considerações de José Souto Maior Borges em Lançamento Tributário, 2.ª Ed. Malheiros, 1999, p. 246, sobre os feitos portadores de vícios de elaboração: “O lançamento vicioso é, nesses termos considerado, aquele que apresenta deficiências jurídicas. Mas a conversão do lançamento num ato defeituoso não é decorrência de sua injustiça ou inconveniência. Apenas se liga a razões de ilegalidade ou, mais amplamente, de antijuridicidade. Defeito do lançamento significa, por um lado, que ele se encontra em contradição com um requisito qualquer, contemplado pela norma que lhe fundamenta a validade; não, porém, com toda a norma de sua produção. Mas, por outro lado, há de significar que o lançamento estará de acordo com o mínimo de determinação por essa norma, ou seja, com alguns critérios que lhe estão supraordenados, porque, do contrário, sequer existiria o lançamento como norma individual e concreta, ou seja, o lançamento não teria nenhuma validade. O lançamento defeituoso e, portanto, aquele que se encontra, sob um ângulo qualquer– ou seja, parcialmente –, em desacordo com as normas que regulam sua produção. Vale dizer: com as normas administrativas tributárias postas no Código Tributário Nacional e outros atos normativos de caráter geral e abstrato”. Ademais, a jurisprudência desse Conselho tem se firmado no entendimento de que para apuração da infração de acréscimo patrimonial a descoberto é imperiosa a elaboração de um demonstrativo de evolução patrimonial, que indique mensalmente, tanto a origem e recursos, como os dispêndios e aplicações. Nas origens devem ser considerados todos os rendimentos: tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. “OMISSÃO DE RENDIMENTOS SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES DE EXTRATOS BANCÁRIOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS APLICAÇÕES FINANCEIRAS. No arbitramento, em procedimento de ofício, efetuado com base em depósitos bancários ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, nos termos do parágrafo 5º do artigo 6º, da Lei n.º 8.021, de 1990, é imprescindível que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida, bem como seja comprovada a utilização dos valores em aplicações no mercado financeiro, evidenciando sinais exteriores de riqueza, visto que, por si só, depósitos bancários e aplicações financeiras não constituem fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos. O Lançamento assim constituído só é admissível quando ficar comprovado o nexo causal entre os depósitos e o fato que represente omissão de rendimento. Devendo, ainda, Fl. 186DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 11080.010845/200681 Acórdão n.º 2201001.853 S2C2T1 Fl. 180 15 neste caso (comparação entre os depósitos bancários e a renda consumida), ser levada a efeito a modalidade que mais favorecer o contribuinte.” “GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COM A RENDA MENSAL DECLARADA DISPONÍVEL – LEVANTAMENTO PATRIMONIAL – FLUXO DE RECURSOS E APLICAÇÕES – CHEQUES EMITIDOS – Os cheques emitidos, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. Mero indício de que os valores constantes dos cheques foram consumidos não conduz à alocação dos mesmos a título de aplicação, no fluxo de caixa. Cabe à fiscalização aprofundar seu poder investigatório a fim de demonstrar que os cheques emitidos representam efetivamente gastos suportados pelo contribuinte.” (Acórdão nº CSRF/0104.663 de 13/10/2003, Relator o Conselheiro Antonio de Freitas Dutra). “ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO — AUSÊNCIA DE CONFRONTAÇÃO DAS FONTES COM AS APLICAÇÕES DE RECURSOS — TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS — AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO DAS TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS COM RENDA CONSUMIDA OU AUMENTO PATRIMONIAL SEM LASTRO EM RENDIMENTOS DECLARADOS — Para se imputar a infração decorrente de acréscimo patrimonial a descoberto a contribuinte, mister confrontar todas as fontes de recursos, com as respectivas aplicações, em cada mês do anocalendário. Transferências bancárias, por si só, não podem ser utilizadas como aplicação de recursos, devendo a fiscalização perscrutar os beneficiários das transferências bancárias, buscando comprovar o consumo ou aumento patrimonial que tenha beneficiado o contribuinte fiscalizado.” (Acórdão nº10617.156 de 06/11/2008, Relator Giovanni Christian Nunes Campos) “IRPF – OMISSÃO DE RENDIMENTOS ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO É tributável, no ajuste anual, a quantia correspondente ao acréscimo patrimonial da pessoa física, caracterizado pelo excesso de aplicações sobre origens, apurado mensalmente por meio de fluxo de caixa, não justificado por rendimentos tributáveis, isentos, nãotributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. No caso de lançamento de ofício, o ônus de comprovar a existência do acréscimo a descoberto, entretanto, é da autoridade lançadora que deverá confrontar as aplicações dos recursos com as possíveis origens. Recurso provido.” (Acórdão 220100.427 de 29/10/2009, Relator Pedro Paulo Pereira Barbosa). “ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISPÊNDIOS. ÔNUS DA PROVA. No âmbito da presunção legal de acréscimo patrimonial a descoberto compete à fiscalização comprovar as aplicações e/ou dispêndios que irão compor o demonstrativo da variação patrimonial mensal e, ao contribuinte que possuem origem em rendimentos tributáveis, isentos, ou de tributação exclusiva na fonte ou definitiva.” “ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS. Simples transferência de numerário não pode ser considerada como aplicação de recursos quando não vinculada efetivamente a uma despesa, ou seja, quando não for comprovada sua destinação, sua aplicação Fl. 187DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA 16 ou seu consumo.” (Acórdão nº10617.150 de 05/11/2008, Relatora Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga). Assim, apesar da declaração apresentada pelo contribuinte não ter o detalhamento das datas em que foi feito o empréstimo, tampouco de quando ocorreu o pagamento, fato é que informa que ambos foram no ano de 2001. Acrescentando, ainda, a informação de que o contribuinte não foi o beneficiário desses recursos, mas sim seu ordenante, não há como prosperar, portanto, o lançamento de omissão de rendimentos, nos moldes como ocorreu no presente caso. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar e no mérito dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Fl. 188DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 11080.010845/200681 Acórdão n.º 2201001.853 S2C2T1 Fl. 181 17 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. __________(assinado digitalmente)_____________ MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 189DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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Numero do processo: 10746.001356/2003-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1999, 2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL . NULIDADE. AUSÊNCIA DE CIÊNCIA DO RESULTADO DA DILIGENCIA.
O julgamento de primeira instância foi realizado sem que o contribuinte tivesse sido intimado do resultado de diligência determinada pelo órgão julgador após a interposição da impugnação. O resultado do pronunciamento da fiscalização deveria ter sido informado ao contribuinte, antes da decisão de primeira instância, para que esta pudesse se manifestar a respeito das informações prestadas pela auditoria fiscal, o que configura transgressão ao art. 59, inciso II do Decreto n º 70.235 de 1972.
Recurso especial provido e parte.
Numero da decisão: 9202-002.098
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, com retorno à DRJ de origem para análise das demais questões suscitadas. Vencido o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage (Relator). Designado o Conselheiro Elias
Sampaio Freire para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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NULIDADE. AUSÊNCIA DE CIÊNCIA DO RESULTADO DA DILIGENCIA. O julgamento de primeira instância foi realizado sem que o contribuinte tivesse sido intimado do resultado de diligência determinada pelo órgão julgador após a interposição da impugnação. O resultado do pronunciamento da fiscalização deveria ter sido informado ao contribuinte, antes da decisão de primeira instância, para que esta pudesse se manifestar a respeito das informações prestadas pela auditoria fiscal, o que configura transgressão ao art. 59, inciso II do Decreto n º 70.235 de 1972. Recurso especial provido e parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, com retorno à DRJ de origem para análise das demais questões suscitadas. Vencido o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage (Relator). Designado o Conselheiro Elias Sampaio Freire para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Fl. 887DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado di gitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10746.001356/200351 Acórdão n.º 920202.098 CSRFT2 Fl. 838 2 (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire – RedatorDesignado FORMALIZADO EM: 13/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Marcelo de Freitas Honorato foi lavrado o auto de infração de fls. 0411, para a exigência de imposto de renda pessoa física, exercícios 1999 e 2000, em razão da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, sendo que as bases de cálculo do lançamento foram de R$ 920.057,15 e de R$ 1.587.744,44, respectivamente, para os anoscalendário 1998 e 1999, com multa de ofício agravada para o patamar de 112,5%. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF), após a realização de diligência, através da qual pediu para que a repartição de origem juntasse aos autos os demonstrativos dos depósitos bancários não comprovados utilizados para determinar os valores mensais levados à tributação (fls. 479480, Volume III), considerou o lançamento procedente em parte, excluindo da base de cálculo do lançamento os valores de R$ 146.341,20 e de R$ 1.011.571,05, respectivamente, para os anoscalendário 1998 e 1999, bem como reduzindo a multa de ofício para 75% (fls. 497517, Volume III). Por sua vez, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, apreciando o recurso de ofício apresentado pela DRJ e o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão n° 10248.796, que se encontra às fls. 769788 (Volume IV), cuja ementa é a seguinte: NULIDADE DO LANÇAMENTO — MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL — O mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo. A não observância na instauração, amplitude ou prorrogação do MPF poderá ser objeto de repreensão disciplinar. A incompetência só ficará caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou. Fl. 888DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado di gitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10746.001356/200351 Acórdão n.º 920202.098 CSRFT2 Fl. 839 3 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DECORRENTE DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO JUSTIFICADOS — AUTO DE INFRAÇÃO QUE NÃO IDENTIFICA OS DEPÓSITOS QUE CONSIDEROU NÃO JUSTIFICADOS — NULIDADE Em se tratando de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários não justificados, a relação dos mesmos faz parte da descrição dos fatos. No momento em que o auto de infração não contém a identificação individualizada, com data e valor, dos depósitos bancários não justificados, tal fato se constitui em nulidade material caracterizada pela inadequada descrição e identificação do fato gerador da obrigação tributária. Inteligência do art. 10, III, do Decreto n° 70.235, de 1972. Preliminar de nulidade do processo rejeitada. Preliminar de nulidade do lançamento acolhida. Recurso de ofício negado. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício e rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento por irregularidade no MPF e, pelo voto de qualidade, acolheu a preliminar de nulidade do lançamento pela ausência da relação dos depósitos bancários levados à tributação, vencidos os Conselheiros Naury Fragoso Tanaka, José Raimundo Tosta Santos (Relator) e Leila Maria Scherrer Leitão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Intimada do acórdão em 30/10/2008 (fls. 789), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 7°, inciso I, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147/2007, recurso especial às fls. 791796 (Volume IV), cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) Insurgese a Fazenda Nacional contra o r. acórdão proferido pela e. 2a Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso do contribuinte para anular o auto de infração por ausência de juntada do anexo de discriminação de cada um dos depósitos bancários antes da impugnação; b) Aduziu a e. Câmara a quo que a discriminação de cada um dos depósitos sobre os quais recai a presunção de omissão de rendimentos constitui a descrição dos fatos, e que a sua ausência no auto de lançamento importa em cerceamento ao direito de defesa, implicando nulidade material absoluta; c) O r. acórdão merece ser reformado, pois a decisão não unânime viola o artigo 59, § 1°, do Decreto n° 70.235/72; d) A discussão posta nos autos se resume à ocorrência ou não de nulidade pelo fato de terem sido juntados aos autos o anexo de discriminação de depósitos bancários considerados, presumidamente, como omissão de rendimentos após a apresentação da impugnação, por lapso da autoridade autuante; Fl. 889DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado di gitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10746.001356/200351 Acórdão n.º 920202.098 CSRFT2 Fl. 840 4 e) Os julgadores que restaram vencidos sustentaram que não haveria nulidade porque há prova nos autos de que a notificação do lançamento encaminhada ao sujeito passivo continha o anexo com a discriminação dos depósitos, o que seria demonstrado pelo AR e pelo conteúdo da impugnação apresentada; f) Por outro lado, o voto condutor firmou entendimento no sentido de que os elementos dos autos não dariam certeza de que o sujeito passivo teria recebido a discriminação antes da impugnação, e que a sua ausência implicaria em nulidade do próprio auto de infração, por insuficiente descrição dos fatos, o que configuraria nulidade material absoluta; g) É importante pisar que esse anexo do auto de infração foi juntado aos autos após a impugnação, em fls. 483 a 495, o que revela que, efetivamente, o lançamento se deu com base neles; h) O fato de não constar o referido anexo do auto de infração nos autos não implica em nulidade absoluta deste. O anexo não muda a descrição dos fatos, não altera a matéria tributável, a base do cálculo, a identificação do fato gerador e do sujeito passivo. Se declarada fosse a sua nulidade absoluta e outro lançamento pudesse ser efetuado, teria exatamente o mesmo teor daquele declarado nulo; i) Portanto, não há nulidade material no auto de infração, como entendeu o nobre voto condutor. O auto de infração é hígido, formalmente e materialmente; j) O que precisa ser analisado é o lapso consubstanciado na falta de juntada aos autos do anexo do auto de infração que discriminava cada um dos depósitos. Esse anexo somente foi juntado aos autos após a apresentação de impugnação pelo sujeito passivo. k) Essa juntada não implica em aditamento suplementar do auto de infração, na medida em que esse anexo já estava pronto, foi ele que baseou o auto de infração, a determinação da matéria tributável, apenas não foi juntado no momento oportuno aos autos. A sua confecção é contemporânea ao do auto de infração. É mais do que evidente que sem os dados do anexo sequer haveria possibilidade de lançamento; l) Por isso, a tese de que o auto de lançamento conteria nulidade absoluta por não descrever os fatos, por ser vago, por não identificar o fato gerador, não encontra guarida na realidade dos fatos trazida nestes autos. O auto de lançamento identifica perfeitamente o fato gerador e apresenta a matéria fática, que no caso da presunção de omissão de rendimentos com base em depósito bancários a isso se resume, não demandando maiores digressões; m) Da mesma forma, não há que se falar em aditamento suplementar do auto de infração, na medida em que o anexo foi elaborado juntamente com o auto, cediço que somente com base nele poderia ser identificado o fato gerador; Fl. 890DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado di gitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10746.001356/200351 Acórdão n.º 920202.098 CSRFT2 Fl. 841 5 n) Superada a questão da nulidade material do auto de infração, resta apreciar a questão acerca do cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo por falta de juntada do anexo aos autos juntamente com o auto de infração; o) Deve prevalecer o entendimento firmado pelos doutos julgadores que restaram vencidos, na medida em que há elementos nos autos que demonstram que os documentos enviados ao sujeito passivo continham o anexo juntado posteriormente aos autos (teor da impugnação e AR de fls. 216); p) Se esses elementos não forem encarados como seguros acerca da ciência do sujeito passivo sobre o anexo discriminatório, cumpre anotar que o diploma legal que rege o PAF determina que a nulidade de um ato nele produzido somente prejudica aqueles que lhe forem posteriores (art. 59, §1°, do Decreto 70.235/72); q) Outrossim, como visto, não há nulidade formal ou material no auto de infração, mas houve a falta de juntada do anexo discriminatório dos depósitos juntamente com o auto de infração, o que poderia, em tese, cercear a defesa do sujeito passivo; r) Nesse sentido, se acaso não prevalecer o posicionamento exarado pelos vencidos de que não há nulidade alguma a ser declarada, a única nulidade que poderia a Egrégia CSRF proclamar de ofício seria a do PAF desde o momento em que o fiscal deixou de juntar o anexo do auto de infração aos autos, o que importaria em reabertura do prazo para impugnação pelo sujeito passivo; s) Certo é que não pode prevalecer o entendimento firmado no voto vencedor, cediço que não há qualquer irregularidade no auto de infração e nem no seu anexo. A irregularidade presente nos autos é de direito processual (falta de juntada do anexo aos autos no momento oportuno), e não de direito material; t) Requer a Fazenda Nacional provimento ao presente recurso, para que seja reformado o r. acórdão proferido pela e. Câmara a quo, de modo que seja mantido o lançamento em sua integralidade. Admitido o recurso através do despacho n° 033 (fls. 797798), o contribuinte foi intimado e, inicialmente, apresentou “agravo” às fls. 805819, o qual foi rejeitado liminarmente por intermédio do despacho n° 22000011/2010 (fls. 836, Volume IV). Apresentou, também, contrarrazões às fls. 825835, onde defendeu, preliminarmente, a impossibilidade de conhecimento do recurso, em razão da ausência de pré questionamento e de indicação da prova que teria sido violada. Quanto ao mérito, pugnou, fundamentalmente, pela manutenção da decisão recorrida. É o Relatório. Fl. 891DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado di gitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10746.001356/200351 Acórdão n.º 920202.098 CSRFT2 Fl. 842 6 Voto Vencido Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator O Recurso Especial da Fazenda Nacional cumpre os pressupostos de admissibilidade e deve ser conhecido. Na visão deste julgador, a preliminar de não conhecimento do recurso argüida pelo contribuinte em sede de contrarrazões não pode prosperar, já que, contra decisão não unânime proferida sob a égide do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria n° 147/2007, a Fazenda Nacional insurgiuse apontando contrariedade ao artigo 59, § 1°, do Decreto n° 70.235/72, sob o fundamento de que inexiste nulidade no caso. Segundo penso, agindo assim a recorrente atendeu à regra regimental. Saber se houve ou não contrariedade a tal dispositivo legal é matéria a ser enfrentada no mérito do julgamento, o que passo a fazer a partir de agora, ressaltando que o préquestionamento do tema é evidente, tanto que restou acolhida a preliminar de nulidade do lançamento. Reitero que o acórdão proferido pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso de ofício e rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento por irregularidade no MPF e, pelo voto de qualidade, acolheu a preliminar de nulidade do lançamento pela ausência da relação dos depósitos bancários levados à tributação. Segundo a recorrente, a ausência de juntada ao processo, no momento da lavratura do auto de infração, do demonstrativo de depósitos bancários de origem não justificada, não causa cerceamento do direito de defesa, pois há perfeita descrição dos fatos, da matéria tributável, da base do cálculo, do fato gerador e do sujeito passivo da obrigação tributária. Eis a matéria em litígio. A presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada está prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, da seguinte forma: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Esse dispositivo legal atribui ao sujeito passivo o ônus de provar a origem dos depósitos bancários constatados pela autoridade fiscal, sob pena de se presumir que referidos valores configuram omissão de rendimentos. Fl. 892DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado di gitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10746.001356/200351 Acórdão n.º 920202.098 CSRFT2 Fl. 843 7 A discussão, no caso, cumpre repetir, está relacionada à ausência de juntada ao processo, no momento da lavratura do auto de infração, do demonstrativo de depósitos bancários de origem não comprovada. No voto condutor do acórdão recorrido, da lavra do Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, está consignado que (fls. 785786): Neste sentido, para viabilizar o direito de defesa, o artigo 10, III, do Decreto n° 70.235, de 1972, dispõe que o auto de infração deve conter, obrigatoriamente, a descrição do fato. Em assim sendo, nos casos de presunção de omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários de origem não justificada, o lançamento, ainda que por meio de documento anexo, deve relacionar, de forma individualizada, cada um dos depósitos que formam a base de cálculo da exigência do crédito tributário, sob pena de inviabilizar o direito de defesa. Cada depósito bancário não justificado constitui uma infração, razão pela qual deve estar precisamente identificada com valor e data, para que o sujeito passivo possa apresentar defesa. Tendo por pressuposto que a fase litigiosa do processo administrativo fiscal iniciase a partir do auto de infração, no momento em que este não especifica quais os depósitos considerados não justificados, informando a data, a conta e o respectivo valor, o sujeito passivo não terá meios para impugná los, a não ser com impugnações genéricas, semelhantes às que foram feitas neste processo. O Auto de Infração de fls. 04/11, ao tratar da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, lançou, em cada mês, a soma de todos os depósitos considerados não foram justificados. Em assim procedendo, na prática, o auto de infração não descreveu quais foram as infrações cometidas. Isto é, não identificou o dia e o valor correspondente a cada um dos depósitos que considerou não justificados. Embora, em tese, possa concordar com tais assertivas, entendo que, para este feito, inexiste justificativa para se declarar a nulidade do auto de infração. Nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Sob minha ótica, todos os requisitos do artigo 142 do CTN foram cumpridos, pois a autoridade lançadora identificou o fato gerador, determinou a matéria tributável, efetuou Fl. 893DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado di gitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10746.001356/200351 Acórdão n.º 920202.098 CSRFT2 Fl. 844 8 o cálculo do montante do tributo devido, indicou o sujeito passivo e aplicou a respectiva penalidade. Já o artigo 10 do Decreto n° 70.235/72 prevê os seguintes elementos obrigatórios do auto de infração: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Segundo penso, nenhuma dessas exigências restou descumprida no caso. Ademais, os artigos 59 e 60 do Decreto n° 70.235/72 assim estabelecem: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1°. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Às fls. 111118, anexado ao termo de intimação de fls. 110, está juntada a relação inicial de depósitos bancários identificados nas contas do contribuinte. Já no Termo de Verificação Fiscal de fls. 1220, a autoridade lançadora justifica a não aceitação de determinadas explicações dadas pelo sujeito passivo durante a fiscalização quanto à origem dos depósitos. Conseqüentemente, a tributação de ofício incidiu sobre tais créditos. A impugnação do contribuinte, além de trazer questões preliminares e diversas matérias de direito, foi bastante pontual com relação a diversos depósitos bancários, sem se insurgir quanto à falta do tal demonstrativo, sendo que a decisão de primeira instância Fl. 894DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado di gitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10746.001356/200351 Acórdão n.º 920202.098 CSRFT2 Fl. 845 9 acabou excluindo da base de cálculo do lançamento valor superior a R$ 1.150.000,00 pela comprovação da origem dos créditos. Portanto, sob minha ótica, inexistiu cerceamento do direito de defesa. Mais do que isso, às fls. 483495, em atendimento à diligência proposta pela DRJ, está juntado o referido demonstrativo, que retrata, fielmente, a exigência contida no auto de infração. De acordo com o voto do Relator do acórdão recorrido, Conselheiro José Raimundo Tosta Santos (fls. 782783): O recorrente também imputa ser inepto e nulo o procedimento fiscal que cerceou seu amplo direito de defesa, devido à ausência de peça indispensável ao seu conhecimento, representado pelo Demonstrativo de Depósitos Tributados (fato reconhecido pelo Órgão julgador de primeiro grau — fls. 479/480), que devolveu os autos à origem, mas foi ignorado pela instância preparadora, que afirmou à fl. 496 ter o autuado tomado ciência do anexo ao Relatório Fiscal de fls. 483/488, contendo os depósitos não justificados pelo contribuinte no decorrer da ação fiscal, por ocasião da ciência do lançamento, mas que, por um lapso, não constava no processo quando da instauração do contencioso administrativo. Nesta oportunidade, objetivando auxiliar o julgador, o órgão fiscalizador elaborou a planilha às fls. 489 a 495, demonstrando os créditos que compõem o Montante mensal tributado no lançamento. O recorrente redargüiu afirmando que o AR à fl. 216 menciona apenas o envio do AI, Termo de Verificação Fiscal e Demonstrativo de MPF, e que, portanto, peça indispensável ao conhecimento da matéria tributável não lhe foi enviada, cerceando seu direito de defesa. Esta questão, a meu ver, resta superada pela impugnação apresentada pelo autuado. O autuado demonstra conhecer a matéria tributável em sua impugnação e não reclama a ausência do anexo contendo a relação de depósitos bancários sem origem comprovada, o que evidencia ter referido anexo sido enviado ao contribuinte, consoante indica o Termo de Verificação Fiscal anexo ao Auto de Infração. Por outro lado, a defesa do autuado não expõe qualquer dúvida sobre a matéria tributável, somente o fazendo em sede recursal, após a diligência proposta pela Delegacia de Julgamento. É de se notar, inclusive, que grande parte da base tributável foi excluída no julgamento de primeiro grau, tendo em vista as alegações aduzidas pelo impugnante e elementos de prova juntados aos autos. Pareceme evidente que nenhum prejuízo foi causado à defesa do autuado. O cerceamento de direito de defesa alegado pelo recorrente refere se aos créditos bancários que já haviam constado de intimação para comprovar a origem dos recursos depositados, cujos totais mensais constam no Auto de Infração e Termo de Verificação Fiscal. Fl. 895DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado di gitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10746.001356/200351 Acórdão n.º 920202.098 CSRFT2 Fl. 846 10 A preliminar de nulidade do lançamento foi acolhida pelo Colegiado, por maioria de votos, restando sem deliberação as demais questões suscitadas no recurso, por perda do objeto. Concordo inteiramente com tais ponderações e adotoas como razões de decidir. Com estas singelas considerações, concluo que inexiste nulidade do lançamento em apreço, de modo que a decisão recorrida merece ser reformada. Voto, portanto, no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, devendo os autos retornar para a Câmara de origem a fim de que sejam apreciados os demais argumentos contidos no recurso voluntário apresentado pelo contribuinte. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 896DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado di gitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10746.001356/200351 Acórdão n.º 920202.098 CSRFT2 Fl. 847 11 Voto Vencedor Conselheiro Elias Sampaio Freire, Designado Ouso divergir do ilustre Conselheiro relator, pelas razões a seguir. Inicialmente há de se salientar que o julgamento de primeira instância foi convertido em diligência nos seguintes termos (fls. 479/480): “Assim, não há como se determinar, com precisão, quais depósitos foram excluídos e quais foram mantidos e somados para determinar, mensalmente, o montante das infrações a serem tributadas.” Na impugnação, o contribuinte solicita que se examine novamente os argumentos referentes ao anocalendário de 1998, apresentando novos documentos referente a esse exercício e ao seguinte, exercício de 2000. Assim, para que não se corra o risco de excluir algum depósito já excluído pela Fiscalização durante as investigações, proponho o encaminhamento do processo acima à DRF/Palmas — TO para que junte aos autos os demonstrativos dos depósitos incomprovados, utilizados para determinar os valores mensais levados a tributação. Após estas providências, caso o sujeito passivo não tenha conhecimento do mencionado demonstrativo, visando garantir a ampla defesa do contribuinte, que lhe seja dada ciência, para que possa se manifestar acerca da matéria objeto desta diligência.” Em atendimento à diligência determinada, houve a seguinte, manifestação (fls. 496): Em atendimento ao despacho da Delegacia de Julgamento (DRJ) de Brasília, constante à folha 481 do presente processo, esta Fiana tem a informar quer: 1) Por um lapso no momento da instrução do PAF, o "Anexo ao Relatório Fiscal" (fls 483 a 488), contendo os depósitos bancários não justificados pelo contribuinte no decorrer da ação fiscal, não constava do processo quando da instauração do contencioso administrativo; 2) O contribuinte teve ciência do "Anexo ao Relatório Fiscal" no por ocasião da ciência do lançamento, ou seja, em 24/11/2003 (fls 216); 3) Adicionalmente, no intuito de auxiliar o julgador, foi elaborada planilha (fls 489 a 495) a partir do "Anexo ao Fl. 897DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado di gitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10746.001356/200351 Acórdão n.º 920202.098 CSRFT2 Fl. 848 12 Relatório Fiscal" e com o mesmo conteúdo demonstrando mensalmente o montante das infrações que foram tributadas. Retornese àquela DRJ para prosseguimento do julgamento. Ato contínuo a 3ª Turma da DRFJ de Brasília procedeu ao julgamento de primeira instância (fls. 497/517). Ou seja, o julgamento de primeira instância foi realizado sem que o contribuinte tivesse sido intimado do resultado de diligência determinada pelo órgão julgador após a interposição da impugnação. O artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/72, estabelece o seguinte: “Art. 59. São nulos: (...) II – os despachos e decisões proferidos por autoridades incompetentes ou com preterição do direito de defesa;” Entendo que o resultado do pronunciamento da fiscalização deveria ter sido informado ao contribuinte, antes da decisão de primeira instância, para que esta pudesse se manifestar a respeito das informações prestadas pela auditoria fiscal, o que configura transgressão ao art. 59, inciso II do Decreto n º 70.235 de 1972. Acerca do contraditório e da ampla defesa lecionam Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. 3ª ed. São Paulo: Dialética, 2010. pág. 47): “Especificamente, no processo administrativo fiscal, há previsão para a observância do contraditório e da ampla defesa, já que a Lei nº 9.784/99, e seu artigo 2º, inciso X, prescreve “(...)”. Também o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes determina, a abertura de vista à parte contrária no caso de apresentação de esclarecimentos ou documentos pela outra parte. Importante frisar que, na hipótese de a decisão administrativa ser proferida sem respeitar o contraditório e a ampla defesa, ela é considerada nula por falta de elemento essencial à sua formação.” Nessa linha de entendimento, deixando o julgador recorrido de intimar/cientificar a Recorrente do resultado da diligência requerida, para devida manifestação, após a apresentação de sua Impugnação e antes de proferida a decisão de primeira instância, incorreu em cerceamento do direito de defesa da Recorrente, em afronta ao princípio constitucional do devido processo legal, o que enseja a nulidade formal da decisão recorrida, bem como de todos os atos subseqüentes, devendo o presente processo ser remetido à origem para intimar a Recorrente, com a conseqüente reabertura do prazo de defesa, das razões da fiscalização consubstanciadas na Informação Fiscal, às fls. 496, bem como da planilha Fl. 898DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado di gitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10746.001356/200351 Acórdão n.º 920202.098 CSRFT2 Fl. 849 13 elaborada planilha às fls. 489 a 495, para que seja, então, proferida nova decisão de primeira instância. Precedentes neste mesmo sentido: “CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA CONTRIBUINTE NÃO TOMOU CIÊNCIA DO RESULTADO DA DILIGÊNCIA. A ciência ao contribuinte do resultado da diligência é uma exigência jurídico procedimental, dela não se podendo desvincular, sob pena de anulação do processo, por cerceamento ao seu direito de defesa. Necessidade de retorno dos autos à instância originária para que se dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência, concedendolhe o prazo regulamentar para, se assim o desejar, apresentar manifestação.” (Acórdão nº 10515.982, Relator Conselheiro Daniel Sahagoff, data da sessão 20/09/2006) “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL . NULIDADE. AUSÊNCIA DE CIÊNCIA DO RESULTADO DA DILIGENCIA. CUMPRIMENTO DEFICIENTE. Ocorre cerceamento do direito de defesa quando a diligência proposta não é cumprida de forma adequada e quando do seu resultado não é concedido prazo para a manifestação do recorrente. Situações que acarretam na nulidade da diligencia efetuada e, por conseqüência, na nulidade da decisão de primeira instância.” (Acórdão nº 330201.118, Relator Conselheiro Alexandre Gomes, data da sessão 07/07/2011) “RECORRENTE. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. O recorrente possui direito de participação no processo administrativo em relação a qualquer ato praticado ou documento juntado. Diligência sem a comunicação de seu resultado à parte viola o princípio do contraditório. Transgressão ao art. 59, inciso II do Decreto n º 70.235 de 1972. DecisãoNotificação emitida sem observância dos princípios que regem o processo administrativo merece ser anulada. Anulada Decisão de Primeira Instância.” (Acórdão nº 230200.950, Relator Conselheiro Marco André Ramos Vieira, data da sessão 17/03/2011) Ante o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, no sentido de anular a decisão de primeira instância, para que o sujeito passivo seja informado do resultado do pronunciamento fiscal de fls. 496 e dos documentos Fl. 899DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado di gitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10746.001356/200351 Acórdão n.º 920202.098 CSRFT2 Fl. 850 14 inseridos ao processo às fls. 489 a 495, bem como seja oferecido ao mesmo prazo para manifestação. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 900DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado di gitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 17460.000551/2007-33
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Exercício: 1996
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO
QUINQUENAL.
Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991
pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula
Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos
previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato
gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do
Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento.
Recurso Voluntário Provido - Crédito
Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2803-001.271
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), em razão da decadência.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 1996 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. Recurso Voluntário Provido - Crédito Tributário Exonerado.
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DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. Em face da inconstitucionalidade declarada do art. 45 da Lei n. 8.212/1991 pelo Supremo Tribunal Federal diversas vezes, inclusive na forma da Súmula Vinculante n. 08, o prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, ou do art. 173, ambos do Código Tributário Nacional, conforme o modalidade de lançamento. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), em razão da decadência. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato, Wilson Antônio de Souza Correa, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/04/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 17460.000551/200733 Acórdão n.º 280301.271 S2TE03 Fl. 54 2 Relatório Tratase de crédito lançado pela fiscalização e mantido decisão recorrida contra o notificado acima identificado que, de acordo com o Relatório Fiscal, referese a contribuições destinadas A Seguridade Social e aos Terceiros, correspondente A parte devida pelo empregado (não descontada) e a parte devida pela empresa, inclusive para o financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Constituiu fato gerador das contribuições lançadas a remuneração devida pela mãodeobra utilizada em obra de construção civil (Rua Campinas, no 423, Bairro Santa Cecilia, na cidade de Brotas/SP , com característica de residencial medindo 167,17 metros quadrados de Area. Afirma que referido fato gerador foi apurado conforme Declaração e Informação sobre Obra), calculada através do Aviso para Regularização de Obra — ARO de fls. 1517 dos autos digitasi, nos termos do art. 30, inciso I, letras "a" e "b" c/c art. 22, inciso I e II, art. 33 § 4° e o art. 94, da Lei 8.212/91. A ciência da NFLD se deu 18/06/2006. A a prova de que construção foi concluída está no boleto do IPTU, com referente ao exercício de 1998, fls. 27 dos autos digitais. Período esse desconsiderado pela decisão aquo que entendeu como procedente o lançamento, em razão de entender que o prazo decadencial era decenal (art. 45, da Lei n. 8.212/1991), bem como a data de conclusão da obra seria a data de emissão do IPTU. A parte recorreu tempestivamente, alegando que a decadência o caso é a disposta no art. 173, I, do CTN, de natureza quinquenal, e que não houve justificativa da decisão em desconsiderar a data declarada pelo boleto IPTU. Os autos foram remetidos ao CARF/MF e a esta Turma Especial para apreciação. É o relatório. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/04/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 17460.000551/200733 Acórdão n.º 280301.271 S2TE03 Fl. 55 3 Voto O recurso é tempestivo, conforme supra relatado, dispensado do depósito prévio (Súmula Vinculante 21 do STF), assim deve o mesmo ser conhecido. Primeiro ponto a ser apontado, é que realmente a autoridade a quo não fundamentou juridicofáticamente o motivo de desconsideração do conteúdo declaratório do documento público boleto do IPTU de fls. 27. Atentese que tal documento tem natureza declaratória ao informar qual é a data da conclusão da obra para todos os fins, não sendo a data de sua emissão a data de conclusão da obra, e, consequente, ocorrência do fato gerador dos tributos em questão. Tanto que o disposto no art. 482, parágrafo terceiro, I, da INSRP n. 03/2005, vigente à época do lançamento, é claro em informar que o noleto do IPTU se é prova da conclusão da obra de construção, e não a sua emissão. Assim, em face à análise do Recurso e dos autos do processo, atentase à extinção dos créditos constituídos em razão da ocorrência de decadência. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado e obrigatório à administração pública, emitiu a Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, que pacificou o entendimento da inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. Observese a NFLD é referente às fatos geradores são dos períodos de 1996 e anteriores. Neste caso, apesar da natureza das contribuições tendentes ao lançamento por homologação (art. 150, do CTN), tratouse lançamento dos créditos é realmente um lançamento de ofício (art. 149, do CTN). Assim, deverseá aplicar a regra decadencial, no art. 173, I, do CTN, em que direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese Fl. 58DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/04/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 17460.000551/200733 Acórdão n.º 280301.271 S2TE03 Fl. 56 4 após 5 (cinco) anos, contadosdo primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ainda, em razão do segundo caso de decadência (art. 173, I, do CTN), tal matéria foi submetida ao crivo da 1ª. Seção do Superior Tribunal de Justiça, através de Recurso Especial representativo de controvérsia – RESP 973.733, conforme art. 543C do normativo processual (recurso repetitivo) e, segundo a nova redação do art. 62A do Regimento interno do CARF, de reprodução obrigatória pelos Conselheiros. Reproduzimos excerto da ementa: 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de. desarrazoado prazo decadencial decenal(...) grifamos Consoante a regra retro citada, forçoso se faz reconhecer a decadência referente a todos os fatos geradores ocorridos anteriormente ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Dessa forma, considerando que a data de ciência e perfectibilização do lançamento deuse em 18/06/2006., resta por decretar a extinção dos créditos tributários (art. 156, do CTN) por ocorrência do lapso decadencial , e estão extintos por decadência, aqueles oriundos de fatos geradores ocorridos em datas anteriores a 01.01.2001, conforme a regra do art. 173,I, CTN; Conclusão, Isto posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, para, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL, para declarar a decadência e extição dos créditos tributários fundados com base em fatos geradores geradores ocorridos em datas anteriores a 01.01.2001, conforme a regra do art. 173,I, CTN; Sala de Sessões, 19 de janeiro de 2012. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 59DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/04/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 17460.000551/200733 Acórdão n.º 280301.271 S2TE03 Fl. 57 5 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 07/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/04/2012 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/04/2012 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 22/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10980.905786/2008-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência.
JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator
Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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RESOLVEM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência. JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Odassi Guerzoni Filho, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 05 78 6/ 20 08 -8 6 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.905786/200886 Resolução nº 3401000.707 S3C4T1 Fl. 108 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de compensação no valor de R$ 1.498,40 de PIS não cumulativo referente ao período de apuração jun/2003. A DRF/Curitiba emitiu Despacho Decisório, no qual consta que foi localizado o pagamento referente ao DARF em questão, mas verificouse que ele foi integralmente utilizado para quitação de débito da contribuinte, não restando crédito disponível, razão pela qual não foi homologada a compensação declarada. Cientificada da decisão, a interessada protocolou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que: Para o período de apuração em discussão, teria efetuado mais de um recolhimento a título de contribuição ao PIS , nos valores de R$ 23.938,52 e R$ 1870,78, relativamente às receitas auferidas por sua matriz e filial, gerando um recolhimento total de R$ 25.809,30; Posteriormente, recalculou a contribuição devida, em face da redução à zero da alíquota de PIS sobre as vendas diretas do fabricante/montadora, prevista no art. 2º, § 2º, da Lei nº 10.485 de 2002, tendo então constatado que o valor efetivamente devido dessa contribuição seria de R$ 24.310,90; acrescenta que fez constar tal informação em DCTF, DIPJ E DACON retificadores; Independentemente da exclusão das referidas receitas decorrentes das comissões sobre as venda diretas, o DARF que indicou na PER/DCOMP contemplaria pagamento a maior ou indevido, que poderia aproveitar; Alega ter demonstrado pagamento a maior de R$ 1.498,40 (valor original), que utilizou para a compensação em tela; O referido crédito utilizado para a compensação do PIS8109 devido relativo à competência jun/2003, não se trata da tentativa de reduzir o tributo devido, mas de corrigir erro material no pagamento do DARF, a fim de que o regime misto de incidência do PIS, ao qual a se submete a recorrente, seja respeitado. Em 9.2.2011, a 3º Turma da DRJ/CTA julgou a Manifestação de Inconformidade da contribuinte improcedente, sob os seguintes fundamentos: Quanto à alegação de inclusão indevida na base de cálculo de valores de comissões de vendas diretas, cumpre destacar que a interessada, juntamente com a Manifestação de Inconformidade apresentada, não trouxe provas capazes de corroborar a existência do referido direito creditório, no caso, a demonstração precisa e inequívoca das comissões nas vendas diretas do fabricante/montadora, de que trata o art. 2º, §2º, da Lei nº 10.485, de 2002, nem comprovou que tais comissões teriam sido objeto da incidência de PIS em alíquota diferente de zero por cento. Portanto, não se pode aceitar tal argumentação. Não é correto aceitar a alteração do valor originalmente informado em DIPJ/Dacon do PIS não cumulativo após a emissão do Despacho Decisório, posto que não restou comprovada nos autos a inclusão indevida na base de cálculo de valores de comissão de vendas diretas. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.905786/200886 Resolução nº 3401000.707 S3C4T1 Fl. 109 3 A contribuinte foi cientificada da decisão em 21.2.2011 e protocolou recurso voluntário em 23.3.2011, tempestivamente, reiterando os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade e alegando, em síntese: No presente processo administrativo, a discussão não diz respeito ao direito creditório pela redução à zero da alíquota incidente sobre as comissões auferidas com as venda diretas e sim ao direito creditório havido com pagamento a maior do PIS no código 8109; Por cautela e para que não lhe fosse cobrada a contribuição relativa ao código 8109, a Recorrente imputou à chancela de “crédito” aos R$ 21.316,08, que já haviam sido recolhidos no mesmo DARF do PIS nãocumulativo. Feito isso, utilizou o referido crédito para a compensação do PIS8109 devido na própria competência jun/2003, pelo mesmo valor, mediante o PER/DCOMP ora em discussão; Como a compensação foi utilizada apenas para ajustar a quitação do PIS à sistemática mista a que se sujeita a recorrente, não há que se falar na cobrança dos acréscimos de multa moratória, razão pela qual, uma vez reconhecida a existência do direito creditório pleiteado, a homologação da PER/DCOMP é medida que se impõe; Por fim, a contribuinte requer que seja anulado o acórdão recorrido, a fim de que seja procedida à diligência fiscal necessária à solução da controvérsia; subsidiariamente, caso não acolhido o primeiro pedido, pugna pela homologação da compensação da totalidade dos créditos por ela pleiteados. É o Relatório. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.905786/200886 Resolução nº 3401000.707 S3C4T1 Fl. 110 4 Voto Este recurso deve ser conhecido por apresentar os elementos de tempestividade e cumprir os pressupostos de admissibilidade. Em suma, a contribuinte protocolou pedido de compensação de créditos referentes ao PIS. Não logrando êxito em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário onde defende a homologação dos créditos glosados referentes aos pagamentos a maior do referido tributo devendo estes ser compensados. Como os créditos serão valorados até a data da entrega da Declaração de Compensação, conforme o art. 28 da Instrução Normativa nº 600 de 28 de dezembro de 2005, estes devem estar devidamente constituídos até este mesmo dia. No caso em análise, não houve a entrega da DCTF retificadora que constituiria os créditos pleiteados, por este motivo o resultado de seu pedido de compensação não seria outro que não o indeferimento. Art. 28. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios na forma prevista nos arts. 38 e 39 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. (Redação dada pela IN SRF nº 323, de 24/04/2003) Após a negativa de seu pedido, a contribuinte providenciou a DCTF retificadora, isto é, constituiu os créditos, porém não seria possível utilizálos na compensação pleiteada, tendo em vista o inciso IV do parágrafo 3º do art. 26 da Instrução Normativa nº. 600 de 28 de dezembro de 2005, que reproduzo abaixo: (grifamos) Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação (...), ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (...) § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (...) IV – o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; (...) Com isso, para a utilização destes créditos a contribuinte deveria emitir outra Declaração de Compensação, não sendo possível compensálos com os débitos presentes neste Fl. 110DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.905786/200886 Resolução nº 3401000.707 S3C4T1 Fl. 111 5 processo, os quais corretamente foram exigidos na decisão recorrida, tendo em vista que a DCTF constitui confissão de vista, conforme o parágrafo 4º do art. 26 da Instrução Normativa 600 de 28 de dezembro de 2005, reproduzido abaixo: Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. (...) § 4º A Declaração de Compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Porém, tendo em vista o princípio da verdade material que deve reger o processo administrativo fiscal a obrigação da autoridade fiscal é verificar se os montantes pagos correspondem aos efetivamente devidos quando existe pedido de restituição, ressarcimento ou compensação, não obstante à falta de DCTF retificadora, evitando assim enriquecimento indevido por parte da Fazenda, independente do cumprimento ou não do aspecto formal. Sendo assim, é necessária diligência para verificar os montantes efetivamente pagos e aqueles que seriam devidos pela contribuinte e existindo pagamento a maior deve ser deferida a pretensão da contribuinte. Frente a todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que seja apurado, o valor que é devido, o valor que fora efetivamente pago e, sendo assim, se a contribuinte possui direito creditório em caso de pagamento a maior. Cientifiquese a contribuinte, do resultado para, caso queira, manifestarse no prazo de 30 dias. Fernando Marques Cleto Duarte Relator Fl. 111DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
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Numero do processo: 18108.001345/2007-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO
A empresa deve lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade,
de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o
montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais
recolhidos. Art. 32, inciso II, da Lei n.º 8.212/91. A falta de registro contábil
discriminado das contribuições previdenciárias descontadas dos segurados,
acarreta lavratura de auto de infração.
MULTA VALOR REAJUSTADO POR PORTARIA MINISTERIAL
A aplicação das Portarias Ministeriais para reajustar o valor das multas
impostas por infração à legislação previdenciária está respaldada por
dispositivo legal, artigo 373, Regulamento da Previdência Social, aprovado
pelo Decreto n.º 3048/99.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.682
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO A empresa deve lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Art. 32, inciso II, da Lei n.º 8.212/91. A falta de registro contábil discriminado das contribuições previdenciárias descontadas dos segurados, acarreta lavratura de auto de infração. MULTA VALOR REAJUSTADO POR PORTARIA MINISTERIAL A aplicação das Portarias Ministeriais para reajustar o valor das multas impostas por infração à legislação previdenciária está respaldada por dispositivo legal, artigo 373, Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99. Recurso Voluntário Negado.
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Art. 32, inciso II, da Lei n.º 8.212/91. A falta de registro contábil discriminado das contribuições previdenciárias descontadas dos segurados, acarreta lavratura de auto de infração. MULTA VALOR REAJUSTADO POR PORTARIA MINISTERIAL A aplicação das Portarias Ministeriais para reajustar o valor das multas impostas por infração à legislação previdenciária está respaldada por dispositivo legal, artigo 373, Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3048/99. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relator Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 20/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato Ausência Momentânea: Eduardo Augusto Marcondes de Freitas Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18108.001345/200722 Acórdão n.º 230201.682 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de autodeinfração, lavrado e cientificado ao sujeito passivo acima identificado, em 28/11/2007, em virtude do descumprimento o artigo 32, inciso II da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso II e parágrafos 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter lançado em títulos próprios de sua contabilidade as contribuições previdenciárias retidas dos segurados. A multa punitiva foi aplicada de acordo com artigo 283, inciso II, letra “a”, do Regulamento da Previdência Social – RPS, e atualizada pela Portaria Ministerial n.º 142, de 11/04/2007. O relatório fiscal da infração diz que a autuada não provisionou contabilmente em título próprio as contribuições retidas dos segurados, de forma a demonstrar as contribuições do INSS a recolher, resultantes das retenções efetuadas sobre os pagamentos. Após a impugnação, Acórdão de fls. 93/97, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso argüindo em síntese: a) que não foi caracterizada a infração porque houve o lançamento na contabilidade, mas de forma imprópria segundo o fisco; b) que possui as contas obrigatórios do plano de contas; c) que não há lei que obrigue a escrituração em plano de contas próprio; d) que as Normas Brasileiras de Contabilidade não exigem que as cooperativas apresentem plano de contas para a escrituração de valores destinados aos cofres públicos; e) que a multa deve ser aplicada de acordo com o artigo 175 do Regulamento da Previdência Social e não pela Portaria 142, alcançando o valor de R$ 7.430,14. Requer a nulidade do auto de infração, ou a redução da multa. É o relatório. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi – Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Trata o presente processo de auto de infração lavrado pelo descumprimento de obrigação acessória que vem definida na legislação. É obrigação da empresa registrar de forma discriminada o montante das quantias descontadas dos segurados. O art. 32, inciso II da Lei n.º 8.212/91, traz que a empresa é obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Esse ordenamento encontra respaldo, também, no art. 225, inc. II e §13, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, verbis: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo obrigatoriamente: I – atender ao princípio contábil do regime de competência; e II – registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. § 14. A empresa deverá manter à disposição da fiscalização os códigos ou abreviaturas que identifiquem as respectivas rubricas utilizadas na elaboração da folha de pagamento, bem como os utilizados na escrituração contábil. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 18108.001345/200722 Acórdão n.º 230201.682 S2C3T2 Fl. 3 5 Na análise da contabilidade de uma empresa a auditoria fiscal verifica a obediência às formalidades intrínsecas e extrínsecas determinadas pela legislação comercial, fiscal e resoluções do Conselho Federal de Contabilidade, que visam possibilitar que os usuários da contabilidade possam analisar a situação da empresa versando seus interesses e que a demonstração dos resultados seja correta para a apuração do tributos que forem previstos em lei. Os princípios contábeis que regem a contabilidade visam, justamente, que os demonstrativos reflitam a areal situação da empresa no período analisado. Em face dos comandos normativos acima transcritos e à vista dos fatos relatados no "Relatório Fiscal da Infração", revelase procedente a autuação, uma vez que a fiscalização atesta que as retenções efetuadas nas remunerações dos segurados não foram provisionadas ou lançadas em título próprio, não havendo no plano de contas a conta relativa a INSS a recolher, o que dificulta a conferência dos valores efetivamente retidos dos segurados para ser confrontado com as folhas de pagamento e com os valores recolhidos. Quanto à inconformidade da recorrente acerca do valor da multa constar de Portaria Ministerial, faço referência ao artigo 373 do Regulamento da Previdência Social que diz: “Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no era.288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social.” Desta forma, a aplicação das Portarias Ministeriais para reajustar o valor das multas impostas por infração à legislação previdenciária está respaldada por dispositivo legal. A multa punitiva foi aplicada nos estritos termos da legislação em obediência ao disposto pelos artigos 283, inciso I, e 373, ambos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99. O artigo 283, inciso I, especifica a multa a ser aplicada frente à conduta da autuada e o artigo 373, determina que os valores expressos em moeda corrente referidos no Regulamento serão reajustados nas mesmas épocas e nos mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Frente à disposição legal, a multa foi aplicada de acordo com os valores constantes da Portaria Ministerial nº. 142, de 11/04/2007, vigente à época da autuação e que reajustou o valor da multa prevista no artigo 283, do Regulamento da Previdência Social. É totalmente inócua a referência feita pela recorrente ao artigo 175, do Regulamento da Previdência Social que trata do pagamento de parcelas relativo a benefício efetuado com atraso, não havendo qualquer relação com o reajuste da multa punitiva aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória. A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.º 8.212/91, não foi enquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa, vez que está dentro dos pressupostos legais e constitucionais. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 137DF CARF MF Impresso em 08/05/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 20/03/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 19615.000656/2007-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 08/06/2007
MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA.
É aplicada multa no valor de R$ 5.000,00, a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, à intimação em procedimento fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-001.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Pedro Guilherme Lunardelli. Ausência justificada de Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Pedro Guilherme Lunardelli. Ausência justificada de Luciano Lopes de Almeida Moraes.
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É aplicada multa no valor de R$ 5.000,00, a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, à intimação em procedimento fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Daniel Mariz Gudiño, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Pedro Guilherme Lunardelli. Ausência justificada de Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 61 5. 00 06 56 /2 00 7- 15 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Tratase de auto de infração, de fls. 1 a 6, lavrado contra o impugnante já qualificado nos autos, no qual foi constatado embaraço ou impedimento à ação da fiscalização, inclusive não atendimento à intimação, resultando na exigência fiscal de R$ 5.000,00, exclusivamente decorrente de multa regulamentar. Da Autuação Descreve a autoridade fiscal que, em procedimento de fiscalização realizado, em 02 de agosto de 2006, pela Divisão de Repressão ao Contrabando e Descaminho na 4ª Região Fiscal (DIREP/SRRF04) nas dependências do Centro de Distribuição da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), foi efetuada apreensão das mercadorias de origem estrangeira, desacompanhadas de documentação fiscal, constantes do Termo de Abertura/Retenção, fls. 08. Tais produtos foram enviados pela empresa Duplimidia BR Informática tendo como destinatário o impugnante. A fiscalização informa que, com base nas informações disponíveis, intimou o impugnante, fls. 09/10, solicitando, dentre outros elementos, maiores detalhes sobre a aquisição da mercadoria retida. Essa Intimação foi recebida em 23/08/2006, conforme AR às fls. 11, mas não foi respondida. O impugnante foi reintimado, fls. 12/13, tendo a reintimação sido recebida em 31/01/2007, conforme AR às fls. 14, porém novamente, não foi respondida. Face ao exposto, entendeu a autoridade autuante que se configurou a ocorrência de embaraço ou impedimento à ação da fiscalização, em função do não atendimento das intimações, e efetuou o lançamento da multa indicada no Auto de Infração em apreço. Da Impugnação Inconformado com a exigência, o contribuinte apresenta impugnação (fls. 20 a 22) com base sinteticamente nos seguintes fundamentos: Compulsando o auto de infração, verificou que as intimações encaminhadas, mesmo tendo sido recebidas no endereço fiscal, não foram recebidas pessoalmente por ele, ou por qualquer pessoa por ele autorizada ou por representante legal ou fiscal; O primeiro Termo de Intimação foi encaminhado por AR, no qual consta a assinatura do recebedor como sendo: Samuel Berto, no dia 23/08/2006, contudo desconhece essa pessoa, e por isso não recebeu o Termo; Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19615.000656/200715 Acórdão n.º 3201001.272 S3C2T1 Fl. 54 3 O Termo de Reintimação foi encaminhado por AR e consta a assinatura do recebedor como sendo: Elisângela do Nascimento, no dia 31/01/2007, também desconhece essa pessoa, e por esse motivo também não recebeu esse segundo termo; Como as intimações não foram recebidas pessoalmente pelo intimado, mas por terceiros, estranhos ao próprio intimado, não sendo aquelas pessoas suas representantes legais ou procuradoras legalmente autorizadas por ele, fica patente o cerceamento de defesa, e por conseguinte é de ser nulo o auto de infração e o respectivo valor da multa; Colaciona trechos do Código de Processo Civil (CPC), decisões judiciais e doutrina asseverando que: I – Não ocorrendo a citação do réu a relação processual não se aperfeiçoa, haja vista que é indispensável como meio de abertura do contraditório, na relação processual; I I – O art. 223, parágrafo único do CPC, impõe ao carteiro a obrigação de entregar a carta citatória pessoalmente ao citando, de quem exigirá a assinatura do recibo; III – A citação constante nos autos foi assinada por uma pessoa estranha à lide e ao intimado, estando os autos e os atos praticados nele nulos de pleno direito, não interessando o estado em que se encontra o processo, e o tempo decorrido. Ao final, requer o acolhimento da impugnação. É o relatório.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/REC no 1135.141, de 11/10/2011, proferida pelos membros da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/06/2007 MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO ADUANEIRA. INCIDÊNCIA. Aplicase multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, à intimação em procedimento fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 08/06/2007 NULIDADE DO LANÇAMENTO. NÃO CONFIGURAÇÃO. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, nos termos do artigo 11 do Decreto nº 70.235/1.972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Antes da lavratura de notificação, não há que se falar em violação ao princípio do contraditório, já que a oportunidade de contradizer o fisco é prevista em lei para a fase do contencioso administrativo, que se inicia com a impugnação do lançamento. INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. VALIDADE É válida a intimação feita por via postal entregue no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo e por ele fornecido, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal do Brasil, não sendo necessário que o AR seja assinado pessoalmente pelo contribuinte. IMPUGNAÇÃO IMPROCEDENTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO MANTIDO.” O julgamento foi pela improcedência da impugnação e manutenção dos autos. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Versa o presente sobre aplicação de multa por embaraço à fiscalização, cuja penalidade encontrase no art. 107, inciso IV, alínea “c”, do Decretolei nº 37/1966, com a redação do artigo 77, da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, que dispõe: “Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...)” (grifei) Observase que o recorrente foi intimado a prestar esclarecimentos no prazo de dez dias, contudo, conforme seus argumentos de defesa, a resposta não foi encaminhada à unidade responsável pela autuação. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19615.000656/200715 Acórdão n.º 3201001.272 S3C2T1 Fl. 55 5 Alega, ainda que, apesar das intimações terem sido recebidas no seu endereço fiscal, o presente lançamento seria nulo em face da ausência de intimação pessoal. Em matéria de processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade caso não se encontrem presentes as circunstâncias previstas pelo art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972: “Art. 59. São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Pelo transcrito, observase que, no caso de auto de infração – que pertence à categoria dos atos ou termos –, só há nulidade se esse for lavrado por pessoa incompetente, uma vez que por preterição de direito de defesa apenas despachos e decisões a ensejariam. Por outro lado, caso houvesse irregularidades, incorreções ou omissões diferentes das previstas no art. 59, essas não importariam em nulidade e poderiam ser sanadas, se tivessem dado causa a prejuízo para o sujeito passivo, como determina o art. 60 do mesmo decreto: “Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” Todos os atos e termos foram lavrados por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil servidor competente para tal lavratura, portanto, não ocorreram os pressupostos do artigo 59. No caso, houve ciência da notificação, conforme impugnação, bem como apresentação do recurso voluntário, exercendo, portanto, o seu direito de defesa. O art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, que dispõe sobre a intimação, in verbis: (...) Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 2° Considerase feita a intimação: Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)(grifei) Por todo o exposto, não há obrigatoriedade de que as intimações sejam entregues diretamente ao recorrente, o que é exigido somente para a intimação pessoal, sendo por via postal, basta apenas a prova de que a correspondência foi entregue no endereço de seu domicílio fiscal, podendo ser recebida por qualquer pessoa. O inciso I, §4º, art. 23, do Decreto nº 70.235/72 prescreve que o domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço por ele eleito e fornecido, para fins cadastrais, à Receita Federal. Assim sendo, os diversos Avisos de Recebimento encaminhados para o domicílio fiscal eleito pelo recorrente, validam as intimações, tendo, com o decurso do prazo nelas estipulado, configuradose o embaraço à ação de fiscalização aduaneira, nos termos do art. 107, inciso IV, alínea “c”, do DecretoLei nº 37, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003. Por tudo que foi exposto, sendo improcedentes os argumentos do recorrente, não se encontrando presente pressuposto algum de nulidade, não havendo, da mesma forma, irregularidade alguma a ser sanada, não deve ser acolhida a preliminar com esse fundamento, que se confunde com o próprio mérito. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19615.000656/200715 Acórdão n.º 3201001.272 S3C2T1 Fl. 56 7 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 3 0/05/2013 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 07/06/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10925.900755/2008-01
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 29/10/1999
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Não há falar em pagamento indevido ou a maior a titulo de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, relativo a período de apuração do ano-calendário de 1999, quando demonstrado que a Recorrente deduziu da CSLL, a título de 1/3 da COFINS Efetivamente Paga, valor superior ao permitido por lei, o que descaracteriza por si só o indébito pleiteado.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Não se constatando nos autos a prova do indébito tributário alegado pela Recorrente impossível se torna a compensação pleiteada.
Numero da decisão: 1802-001.763
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 29/10/1999 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não há falar em pagamento indevido ou a maior a titulo de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, relativo a período de apuração do anocalendário de 1999, quando demonstrado que a Recorrente deduziu da CSLL, a título de 1/3 da COFINS Efetivamente Paga, valor superior ao permitido por lei, o que descaracteriza por si só o indébito pleiteado. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Não se constatando nos autos a prova do indébito tributário alegado pela Recorrente impossível se torna a compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 07 55 /2 00 8- 01 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho Relatório Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fl.87) que a seguir transcrevo: Por meio do Despacho Decisório constante nos autos, foi considerada não homologada a Declaração de Compensação DCOMP transmitida pela interessada, em que figura como crédito pagamento indevido ou a maior. Na fundamentação do referido despacho, consta que: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados 'um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Irresignada com o referido decisório, a contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade, na qual alegou, em resumo, o seguinte: que o entendimento não merece prosperar, uma vez que no período de pagamento do referido DARF, a Recorrente poderia ter compensado 1/3 da COFINS devida sobre o faturamento, mês a mês, com a contribuição social sobre o lucro liquido (CSLL); como pagou todos os valores de CSLL, nasceu o direito a postular a compensação em razão dos pagamentos indevidos ou a maior, já que dispunha de créditos de COFINS; assim, como a legislação previa a possibilidade de abater 1/3 da COFINS com a CSLL, foi o que fez a Recorrente; diante disto, não existe óbice a compensação realizada, eis que o DARF apresentado no PER/DCOMP significava tributo pago indevidamente ou a maior; postula pela suspensão do crédito tributário em discussão nos autos; Fl. 128DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900755/200801 Acórdão n.º 1802001.763 S1TE02 Fl. 3 3 transcreve o art. 8° da Lei n° 9.718/98, (fls. 03/04) e decisões judiciais que referendam a possibilidade da compensação, "[...] já que no período a Recorrente mantinha 1/3 de crédito sobre a COFINS, que poderia ter sido compensado com a CSLL, no entanto, como acabou pagando todo o valor da CSLL naquele período, ao perceber, requereu a compensação da CSLL paga, limitada ao crédito de 1/3 da COFINS no mesmo período." caso não seja este o entendimento desta Delegacia de Julgamento, que seja "[...] aplicado aos valores declarados nas declarações de compensações somente a incidência da atualização monetária, excluindose qualquer outra penalidade (juros de mora, Multa Isolada, Multa), nos termos do art. 63 e seguintes, da Lei n° 9.430/96." A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (Florianópolis/SC) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0725.011, de 29 de junho de 2011 (fls.86/88). O contribuinte cientificado da mencionada decisão em 29/08/2011 (ciência pessoal, fl.96), interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 22/09/2011. As razões aduzidas na peça recursal são, no essencial, as mesmas apresentadas na impugnação, acima relatadas, portanto, desnecessário repetilas. Finalmente requer: a) Seja recebido e processado o Recurso Voluntário para julgar insubsistente o processo administrativo n°. 10.925.900.755/200801; b) Seja homologada a declaração de compensação realizada pela recorrente em todo período transcrito no processo administrativo, por ser direito previsto na Lei 9.718/98; c) Caso não seja acatado o pedido de insubsistência acima pleiteado no item "a", por não ser este o entendimento desta Seção de Julgamento, requer seja aplicado aos valores declarados nas declarações de compensações somente a incidência da atualização monetária, excluindose qualquer outra penalidade juros de mora, Multa Isolada, Multa), nos termos do art.63 e seguintes, da Lei 9.430/96; d) Seja os créditos aqui discutidos nos termos do inciso III, do Art.151, do Código tributário Nacional e §11°, art.74, da Lei 9.430/96, considerado com exigibilidade suspensa; e) Por fim, requerse a análise através do próprio banco de dados da Receita Federal do Brasil, das DIPJs entregues pela notificada nos períodos de 1999 e 2000, por ter se passado mais de cinco anos da data de entrega de tais declarações, a notificada não possui mais a mencionada documentação. É o relatório. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 02111.16446.230704.1.3.045591 (fl.15), transmitido em 23/07/2004, em que a contribuinte pretende compensar débito com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL (DARF: código – 2372, Data de Arrecadação: 29/10/1999, Valor: R$ 1.238,65). Conforme o despacho decisório de fl.11, emitido em 09/05/2008 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em sede de primeira instância, a manifestação de inconformidade apresentada em 17/06/2008(fls.01/10), foi julgada improcedente mediante o Acórdão nº 07 25.011, de 29 de junho de 2011 (fls.86/88) mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação porque constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. A Recorrente alega que tal entendimento não merece prosperar porque o DARF informado tem origem em pagamento indevido ou a maior, pois à época de seu pagamento havia benefício expresso em lei que lhe garantia a utilização de 1/3 da Cofins com a CSLL apurada no trimestre. Não há dúvida de que, nos termos do art. 8° da Lei n° 9.718, de 1998, a Recorrente poderia ter compensado, com a CSLL, um terço da COFINS devida sobre o faturamento, vejamos: Art. 8° Fica elevada para três por cento a alíquota da COF1NS. § 1° A pessoa jurídica poderá compensar, com a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL devida em cada período de apuração trimestral ou anual, até um terço da COFINS efetivamente paga, calculada de conformidade com este artigo. § 2° A compensação referida no § 1°: Fl. 130DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900755/200801 Acórdão n.º 1802001.763 S1TE02 Fl. 4 5 I somente será admitida em relação à COFINS correspondente a mês compreendido no período de apuração da CSLL a ser compensada, limitada ao valor desta; II no caso de pessoas jurídicas tributadas pelo regime de lucro real anual, poderá ser efetuada com a CSLL determinada na forma dos arts. 28 a 30 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 3° Da aplicação do disposto neste artigo, não decorrerá, em nenhuma hipótese, saldo de COF1NS ou CSLL a restituir ou a compensar com o devido em períodos de apuração subseqüentes. § 4° A parcela da COF1NS compensada na forma deste artigo não será dedutível para fins de determinação do lucro real. Ressaltese que a possibilidade da pretendida compensação alcançava valores pagos de COFINS até o ano de 1999, com débitos de CSL daquele mesmo ano (Lei n° 9.718/98, art. 8°, § 2°, inciso I), haja vista que o dispositivo legal citado pela Recorrente foi revogado a partir de 01 de janeiro de 2000. Após sucessivas reedições da Medida Provisória originalmente editada, a revogação encontrase no art. 93 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, a seguir: Art. 93. Ficam revogados: ... III a partir de 10 de janeiro de 2000, os §§ 1° a 4° do art. 8° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998; ... A questão dos autos remetese ao ano calendário de 1999 e pode ser dirimida à luz da DIPJ/2000, juntada aos autos, fls.23/43, principalmente ao confronto da CSLL e Cofins demonstradas, respectivamente, na Ficha 31A – Cálculo da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – Presumido (fls.29/30) e Ficha 33A: Cálculo da COFINS (fls.37/42) do ano calendário de 1999, cujos valores dos trimestres serão transcritos abaixo: 1º Trimestre/1999 (fl.29) ... 08.BASE DE CALCULO DA CSLL 45.916,83 09.CSLL APURADA 3.673,35 DEDUÇÕES 10.()1/3 da COFINS Efetivamente Paga 2.068,67 ... 13.CSLL A PAGAR 1.604,68 Janeiro/1999 (fls.37/38) CALCULO DA COFINS 15.COFINS APURADA 111,85 ... 17.COFINS A,PAGAR 111,85 Fevereiro/1999 CALCULO DA COFINS 15.COFINS APURADA 220,44 ... 17.COFINS A,PAGAR 220,44 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Março/1999 CALCULO DA COFINS 15.COFINS APURADA 218,46 ... 17.COFINS A,PAGAR 218,46 Total de Cofins a pagar no 1º trimestre/1999: 111,85 + 220,44 + 218,46 = 550,75. Portanto, 1/3 de 550,75 = R$ 183,58). Do confronto, constatase que a Recorrente deduziu da CSLL do 1º Trimestre/1999, à título de “1/3 da COFINS Efetivamente Paga” o valor de R$ 2.068,67, portanto maior que o limite legal, no valor de R$ 183,58. 2º Trimestre/1999 (fl.29) 08.BASE DE CALCULO DA CSLL 53.240,77 09.CSLL APURADA 6.388,89 DEDUÇÕES 10.()1/3 da COFINS Efetivamente Paga 4.152,79 ... 13.CSLL A PAGAR 2.236,10 Abril/1999 (fls.38/39) CALCULO DA COFINS 15.COFINS APURADA 183,05 ... 17.COFINS A,PAGAR 183,05 Maio/1999 CALCULO DA COFINS 15.COFINS APURADA 211,61 ... 17.COFINS A,PAGAR 211,61 Junho/1999 CALCULO DA COFINS 15.COFINS APURADA 155,45 ... 17.COFINS A,PAGAR 155,45 Total de Cofins a pagar no 2º trimestre/1999: 183,05 + 211,61 + 155,45 = 550,11. Portanto, 1/3 de 550,75 = R$ 183,37). Do confronto, constatase que a Recorrente deduziu da CSLL do 2º Trimestre/1999, à título de “1/3 da COFINS Efetivamente Paga” o valor de R$ 4.152,79, portanto maior que o limite legal, no valor de R$ 183,37. 3º Trimestre/1999 (fl.29) 08.BASE DE CALCULO DA CSLL 62.592,61 09.CSLL APURADA 7.511,11 DEDUÇÕES 10.()1/3 da COFINS Efetivamente Paga 3.884,17 ... 13.CSLL A PAGAR 3.626,94 Julho/1999 (40/41) CALCULO DA COFINS 15.COFINS APURADA 173,75 ... 17.COFINS A PAGAR 173,75 Agosto/1999 (40/41) CALCULO DA COFINS 15.COFINS APURADA 159,87 ... Fl. 132DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900755/200801 Acórdão n.º 1802001.763 S1TE02 Fl. 5 7 17.COFINS A PAGAR 159,87 Setembro/1999 (40/41) CALCULO DA COFINS 15.COFINS APURADA 208,46 ... 17.COFINS A PAGAR 208,46 Total de Cofins a pagar no 3º trimestre/1999: 173,75 + 159,87 + 208,46 = 542,08. Portanto, 1/3 de 542,08 = R$ 180,69). Do confronto, constatase que a Recorrente deduziu da CSLL do 3º Trimestre/1999, à título de “1/3 da COFINS Efetivamente Paga” o valor de R$ 3.884,17, portanto maior que o limite legal, no valor de R$ 180,69. 4º Trimestre/1999 (fl.30) 08.BASE DE CALCULO DA CSLL 66.444,57 09.CSLL APURADA 7.973,35 DEDUÇÕES 10.()1/3 da COFINS Efetivamente Paga 4.319,13 ... 13.CSLL A PAGAR 3.654,22 Outubro/1999 (fl.41) CALCULO DA COFINS 15.COFINS APURADA 208,42 ... 17.COFINS A PAGAR 208,42 Novembro/1999 (fl.42) CALCULO DA COFINS 15.COFINS APURADA 192,45 ... 17.COFINS A PAGAR 192,45 Dezembro/1999 (fl.42) CALCULO DA COFINS 15.COFINS APURADA 192,23 ... 17.COFINS A PAGAR 192,23 Total de Cofins a pagar no 4º trimestre/1999: 208,42 + 192,45 + 192,23 = 593,10. Portanto, 1/3 de 593,10 = R$ 197,70. Do confronto, constatase que a Recorrente deduziu da CSLL do 4º Trimestre/1999, à título de “1/3 da COFINS Efetivamente Paga” o valor de R$ 4.319,13, portanto maior que o limite legal, no valor de R$ 197,70. A Recorrente não alega pagamento a maior relativo a Cofins pertinente ao ano calendário de 1999. Depreendese, pois, que os valores mensais de Cofins a pagar demonstrados na Ficha 33A: Cálculo da COFINS (fls.73/78) do ano calendário de 1999 DIPJ/2000, são os efetivamente pagos pela pessoa jurídica e, como se vê a Recorrente deduziu da CSLL dos Fl. 133DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Trimestres/1999, à título de “1/3 da COFINS Efetivamente Paga”, valor SUPERIOR ao limite legal a que tinha direito. Assim, não há falar em pagamento indevido ou a maior a titulo de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, relativo a período de apuração do anocalendário de 1999. Ao contrário do que alega, houve pagamento a menor de CSLL, por haver a Recorrente deduzido da CSLL no ano calendário de 1999, valor superior a 1/3 da COFINS Efetivamente Paga, o que descaracteriza por si só o indébito pleiteado. Ressaltese que, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento, pela autoridade administrativa, de crédito do contribuinte na Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Com efeito, não se constatando nos autos a prova do indébito tributário alegado pela Recorrente impossível se torna a compensação pleiteada. A Recorrente pede a suspensão da exigibilidade dos créditos, objeto do PERDCOMP, nos termos do inciso III, do Art.151, do Código tributário Nacional e §11°, art.74, da Lei 9.430/96. Registrese que, o recurso voluntário interposto no processo que trata de PER/DCOMP indeferido segue o rito processual do Decreto n° 70.235, de 1972, conforme determinado no § 11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, de sorte que, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário indevidamente compensado, enquadrase no disposto no inciso III do art. 151 do CTN. A Recorrente requer que, caso seja negada a compensação pleiteada, seja aplicado ao débito declarado no PER/DCOMP somente a incidência da atualização monetária, excluindose qualquer outra penalidade juros de mora, Multa Isolada, Multa, nos termos do art.63 e seguintes, da Lei 9.430/96. Sobre os débitos, temse como esclarecedora a decisão recorrida que tratou o assunto nos seguintes termos: Já com relação à alegação final de que não seja acrescida qualquer penalidade aos valores declarados no PER/DCOMP, Fl. 134DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900755/200801 Acórdão n.º 1802001.763 S1TE02 Fl. 6 9 de se dizer apenas que os acréscimos moratórios (juros e multa) são legalmente previstos, não havendo como afastálos se os débitos não foram pagos/compensados em suas datas de vencimento. Nesse sentido, assim dispõe o vigente art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° 0 percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Desse modo, os débitos tributários não pagos devem ser exigidos pela autoridade administrativa com os acréscimos legais previstos na legislação tributária. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 13896.001977/2010-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado.
DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
O Recurso Voluntário da qual o interessado desiste expressamente não será conhecido.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2301-003.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em acolher os embargos; b) acolhidos os embargos, em não conhecer do recurso, devido à desistência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva (relator) e Marcelo Oliveira (presidente).
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vício apontado. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. O Recurso Voluntário da qual o interessado desiste expressamente não será conhecido. Embargos Acolhidos.
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score : 1.0
Numero do processo: 10480.913038/2009-99
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .9 13 03 8/ 20 09 -9 9 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.913038/200999 Resolução nº 1802000.239 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife (PE), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte. A Recorrente apresentou a Declaração de Compensação DCOMP (fls. 03/11), por meio da qual procurou compensar crédito a título de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, do período de apuração de 30/06/2006, com débito de IRPJ Lucro presumido no 4º trimestre de 2006. A DRF Recife, por meio do Despacho Decisório Eletrônico (fl. 13), não homologou a compensação, fundamentandose no fato de que, para o DARF discriminado no PER/Dcomp, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito suficiente para quitação dos débitos informados no PER/Dcomp. Conforme Histórico das Comunicações (fl. 19), e imagem do sistema Sucop, fl. 21, a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 20/10/2009. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 18/11/2009 (fls. 23 a 33), argumentando e requerendo, em síntese, que: a) o presente processo teve início em 07/02/2007 em razão da Declaração de Compensação transmitida, na qual identificou DARF do período de apuração de 30/06/2006 correspondente a IRPJ, código de receita 2089, com vencimento em 31/07/2006 e recolhido em 31/07/2006; b) em 14/08/2006 procedeu à entrega à DCTF relativa ao 1º semestre de 2006, na qual apurou e declarou IRPJ no valor de R$ 796.432,27, IRPF no valor de R$ 4.599,08, CSLL no valor de R$ 317.368,97, PIS/Pasep no valor de R$ 81.963,40 e Cofins no valor de R$ 379.678,66; c) verificou que essa DCTF continha algumas omissões relativas ao total de tributos e transmitiu em 22/11/2006 a 1ª DCTF retificadora, informado novos tributos e contribuições devidos relativos ao trimestre declarado, retificando o valor do débito de Cofins do 1º TRI 2006 para R$ 383.417,21, e repetindo os valores dos demais tributos; d) posteriormente, em 05/09/2007, ainda para sanear erros da DCTF primitiva, elaborou e transmitiu a 2ª DCTF retificadora, na qual alterou o valor do IRPF para R$ 4.300,90, acrescentou R$ 401,39 de CSRF 1º TRIM – 2006, mantendo os demais valores; e) cientificada do Despacho Decisório, a contribuinte, ora manifestante, analisando as DCTF, tanto a primitiva quanto as retificadoras, detectou que o valor nelas lançado, sob a rubrica de IRPJ (código 208901), não retrata com exatidão o valor apurado, que efetivamente importa em R$ 410.023,43, enquanto o valor de R$ 424.009,61, na verdade, representa o valor pago e recolhido em 30/04/2006, mediante DARF próprio; f) é indiscutível que o valor declarado naquele PER/Dcomp relativo ao tributo recolhido pela manifestante é de R$ 424.009,61, e que é cabível a compensação do valor recolhido a maior, no valor de R$ 13.986,18; Fl. 92DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.913038/200999 Resolução nº 1802000.239 S1TE02 Fl. 4 3 g) ao elaborar e transmitir aquela "Declaração de Compensação" buscou apenas o reconhecimento do crédito recolhido em 30/04/2006, mediante DARF próprio, para a devida e cabível compensação de IRPJ relativo ao 3°TRIM/2006; h) a Declaração de Compensação da manifestante preenche todos os requisitos necessários à sua legalidade e ao deferimento da sua compensação e homologação; i) reconhece que o Despacho Decisório, relativo ao PER/DCOMP 05042.15552.070207.1.3.040045, que não homologou o pedido da contribuinte com base nos registros existentes junto à SRFB, notadamente aqueles originários da 2ª DCTF, transmitida pela contribuinte em 05/09/2007 e recepcionada sob o nº 36.90.34.61/01, está correto, posto que coerente e com base nos lançamentos constantes junto a essa SRFB; j) no entanto, considerando que as informações das DCTF, inclusive aquelas retificadoras, a última transmitida em 05/09/2007, protocolada sob o nº “36.90.34.61.01”, não retratam com fidelidade os valores de totalização dos tributos apurados no 1° TRIM de 2006, requer o direito de elaborar e transmitir, na forma da lei, uma nova DCTF retificadora, objetivando declarar com exatidão os débitos e créditos tributários, “retificando, na sua total inteireza, a DCTF transmitida e recepcionada em 05/09/2007, protocolada sob o nº 36.90.34.61.01”; k) requer determinar que o Auditor Fiscal que proferiu o Despacho Decisório desconsidere as DCTF (primitivas e retificadas) transmitidas e recepcionadas nas datas já declinadas, posto que as mesmas não retratam com fidelidade os valores de totalização dos tributos apurados no 1° TRIMESTRE de 2006, e que considere e analise o Pedido de Compensação formulado pela manifestante, com base na DCTF retificadora, a qual será transmitida e recepcionada por esta SRFB, posto que nesta, enfim, serão retratados com fidelidade os valores de totalização dos tributos apurados no 1°trimestre de 2006; l) solicita, por fim, a revisão do "Despacho Decisório" para que seja julgado procedente o seu pleito, no que concerne à homologação do procedimento, “e se assim não o fizer, de ofício, determinar o arquivamento dos pedidos de compensações formulados pelo contribuinte, desconstituindo o crédito postulado, bem como, também, desconstituir os débitos apurados como devidos pelo contribuinte”. A DRJ de Recife (PE) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2006 IMPUGNAÇÃO E PROVAS DOCUMENTAIS. PRAZO DE APRESENTAÇÃO. Pela legislação de regência do processo administrativo fiscal, as razões de impugnação e as provas documentais devem ser apresentadas no prazo de trinta dias contados da data em que for feita a intimação da exigência, ressalvada a hipótese, desde que fundamentada, de posterior apresentação de provas documentais que demonstrem a impossibilidade de efetuálas naquele prazo, se por motivo de força maior, ou se refiram a fato ou direito superveniente ou caso se destinem a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.913038/200999 Resolução nº 1802000.239 S1TE02 Fl. 5 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com essa decisão em 13/02/2012, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/03/2012, onde busca a reforma do acórdão da DRJ. É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.913038/200999 Resolução nº 1802000.239 S1TE02 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente, em sua manifestação de inconformidade, reconheceu que o Despacho Decisório, relativo ao PER/DCOMP 05042.15552.070207.1.3.040045, que não homologou o seu pedido, como estando o mesmo correto, “posto que coerente e com base nos lançamentos constantes junto a essa SRFB”, ao mesmo tempo em que alega que as informações transmitidas nas DCTF apresentadas (original e retificadoras) não retratam com fidelidade os valores de totalização dos tributos no 1º Trimestre de 2006 e, por isso, requer que sejam desconsideradas tais DCTF e que seja considerado o seu Pedido de Compensação com base na DCTF que ainda iria transmitir, com os valores dos débitos e créditos com exatidão e, que, assim, seja revisto o Despacho Decisório para que seja julgado procedente o seu pleito, e se assim não o fizer, que se arquivem os pedidos de compensação formulados, desconstituindo tanto o crédito postulado como os débitos apurados como devidos pela contribuinte. Lembrese que antes de qualquer procedimento fiscal foi vedado a contribuinte que retificasse sua DCTF para contemplar as alterações promovidas em razão do recálculo da base de cálculo do IRPJ. Posteriormente a DRJ de Recife entendeu que não poderiam ser produzidas novas provas em razão de ter expirado o prazo de trinta dias contados da data em que foi feita a intimação. Nesse ponto discordo da decisão da DRJ, senão vejamos alguns julgados sobre o tema. A esse respeito: “(...) PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO APRESENTAÇÃO. APÓS IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE E VERDADE MATERIAL. O artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, estabelece como regra geral para efeito de preclusão que a prova documental deverá ser apresentada juntamente à impugnação do contribuinte, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO”. (CARF – Ac. 240100135 – 1ª Turma – 4ª Câmara – 2ª Seção). E também: “QUESTÃO PROCESSUAL MOMENTO DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS PRECLUSÃO PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA VERDADE MATERIAL A apresentação de prova documental, após o decurso do prazo para interposição de impugnação, pode ser admitida excepcionalmente, nos termos do artigo 16, do Decreto nº. 70.235/72, Fl. 95DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.913038/200999 Resolução nº 1802000.239 S1TE02 Fl. 7 6 com redação dada pela Lei nº. 9.532/97, a fim de que a decisão proferida se coadune com os princípios da legalidade e da verdade material. Recurso especial não conhecido. (CSRF – 3ª Turma Ac. Nº 40305210 – Processo 10814.008031/9875). O dito princípio da verdade material é muito bem abordado pelo ilustre doutrinador James Marins em sua obra Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial), Dialética, 2001, p. 176. “A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalização através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. Deve fiscalizar em busca da verdade material: deve apurar e lançar com base na verdade material. (grifos nossos)” E também através dos seguintes julgados: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE PRINCÍPIO DA VERDADE REAL O processo administrativo fiscal regese pelo princípio da verdade material, devendo a autoridade julgadora utilizarse de todas as provas e circunstâncias de que tenha conhecimento. O interesse substancial do Estado é a justiça. Processo anulado, a partir da decisão de primeira instância, inclusive. (2º CC Proc. 10945.000309/200182 Rec. 121225 (Ac. 20178154) 1 a C. Rel. Antônio Mário de Abreu Pinto DOU 29.08.2005 p. 74)” “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PRESSUPOSTOS BASILARES VERDADE MATERIAL. Sob o manto da verdade material, todo o erro ou equívoco deve ser reparado tanto quanto possível, de forma menos injusta tanto para o fisco quanto para o contribuinte. Erros e equívocos não tem o condão de se transformarem em fatos geradores de obrigação tributária. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Quarta Câmara, Processo nº 10768.014567/9614, Acórdão n° 10417249, Relator Conselheiro Nelson Mallmann, julgamento em 10/11/99)” Negar o direito creditório da Recorrente baseado em supostos erros materiais apresentados entre a DIPJ e a DCTF, sem a análise do crédito, afronta aos princípios basilares de Justiça. Com a devida vênia, ao contrário da análise feita pela DRJ, o julgador sempre que possível deve buscar a solução mais justa para depois dar uma roupagem jurídica.. A DIPJ alegada pelo contribuinte como matéria de prova está supostamente com os dados da apuração compatíveis com o crédito tributário alegado na PER/DCOMP, portanto divergentes da DCTF. Sendo assim, estamos diante de duas declarações oficiais, com informações divergentes entre si, onde uma assiste razão ao contribuinte e a outra ao Fisco. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10480.913038/200999 Resolução nº 1802000.239 S1TE02 Fl. 8 7 Tendo em vista que não há qualquer dispositivo na legislação que disponha sobre hierarquia entre as declarações, sendo ambas válidas e legítimas, entendo que a prova apresentada não é suficiente para a comprovação das alegações feitas. Para a solução desta questão caberia ao contribuinte juntar à sua defesa a documentação contábil que deu suporte ao preenchimento das declarações. Por todo o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, afastando a decisão da DRJ de Recife e retorno a delegacia de origem para análise: a) do direito creditório alegado pela Recorrente a luz da sua escrita contábil, memórias de cálculo do IRPJ e escrituração das notas fiscais de faturamento; b) juntar cópia da DIPJ referente ao anocalendário em questão; c) intimar o contribuinte do resultado da diligência para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias. Concluída a diligência fiscal, a delegacia de origem deverá lavrar relatório circunstanciado, pormenorizado e conclusivo dos resultados apurados. Por tudo que foi exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 97DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 11686.000077/2008-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3302-000.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
EDITADO EM: 15/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora. EDITADO EM: 15/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto.
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Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do redator designado. Vencida a Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Relatora. Designado o Conselheiro Walber José da Silva para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. EDITADO EM: 15/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Jonathan Barros Vita e Gileno Gurjão Barreto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 86 .0 00 07 7/ 20 08 -0 8 Fl. 353DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000077/200808 Resolução nº 3302000.319 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase, na origem, de Pedidos de Ressarcimento de PIS não cumulativo, em função da apuração de créditos da referida contribuição referentes ao período de 01/01/2007 a 31/03/2007 em decorrência da utilização de créditos vinculados às receitas no Mercado Interno. A contribuinte é pessoa jurídica de direito privado, do ramo da indústria, comércio, importação e exportação de carnes, aves, ovos, peixes, frutas, cereais, legumes, gorduras e condimentos em geral, conforme estatuto social anexo. Com base na verificação e análise dos trabalhos fiscais executados, o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil efetuou a seguinte descrição das irregularidades fiscais por ele constatadas: I.1 o contribuinte não ofereceu à tributação as receitas decorrentes dos incentivos fiscais "PRODEPE", crédito presumido de ICMS concedido pelo Decreto (Estadual PE) n° 23.504, de 27 de agosto de 2001, e "PROARROZ", crédito fiscal de ICMS concedido pelo Decreto (Estadual MT) n° 4.366, de 21 de maio de 2002. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS é o valor do faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pelas pessoas jurídicas, independentemente das atividades por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas, admitidas as exclusões e deduções expressamente previstas em lei. Integram o faturamento os valores contabilizados como incentivos fiscais "PRODEPE" e "PROARROZ", inexistindo previsão legal para que sejam excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. I.2 O contribuinte incluiu indevidamente na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS fretes sobre transferências e fretes sobre devoluções. O valor do frete contratado de pessoa jurídica domiciliada no país para a realização de simples transferências de mercadorias dos estabelecimentos industriais aos estabelecimentos distribuidores e filiais não integra a operação de venda a ser realizada posteriormente, não podendo ser utilizado na apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Da mesma forma, o valor do frete sobre devoluções não integra a base de cálculo de apuração dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Dará direito ao crédito o frete contratado para entrega de mercadorias diretamente aos clientes, na venda do produto, quando o ônus for suportado pelo vendedor, conforme arts. 3o , inciso IX, e 15 da Lei n° 10.833/2003. I.3 A interessada foi intimada a apresentar declaração dos fornecedores pessoa jurídica de que as vendas de arroz com casca, do período compreendido entre 4 de abril de 2006 e 31 de dezembro de 2007, foram efetuadas com tributação de PIS/Pasep e da COFINS e não com suspensão da contribuição. As pessoas jurídicas que exercem atividades conforme o art. 3º , incisos I e III, e § 1º , incisos I a III, da IN SRF 660/2006, atendem aos requisitos exigidos para aplicação da suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS em relação às vendas de arroz com casca (código 1006.10 da Fl. 354DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000077/200808 Resolução nº 3302000.319 S3C3T2 Fl. 4 3 NCM) para adquirentes pessoa jurídica agroindustrial tributada pelo lucro real, destinadas à produção de arroz de códigos 1006.20, 1006.30 e 1006.40 da NCM, de acordo com os arts. 4º , incisos I a III, e 6º , inciso I, da IN SRF 660/2006. O contribuinte satisfaz as condições de adquirente da aplicação da suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A interessada não apresentou a declaração dos fornecedores, não demonstrando desta forma que em relação às compras de arroz com casca tem direito a integralidade dos créditos de PIS/Pasep e da COFINS. Assim, as compras de arroz com casca do contribuinte dos fornecedores pessoa jurídica foram consideradas como tendo sido efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, sendo admitido apenas o crédito resumido de atividades agroindustriais referente a estas compras. I I . C O N C L U S Ã O Em função dos fatos anteriormente descritos e das irregularidades fiscais constatadas, após efetuados os ajustes necessários e outras correções obrigatórias demonstrados em planilhas anexas, que obedeceram ao disposto na legislação do PIS/Pasep não cumulativo, concluo que os direitos creditórios da fiscalizada, relativamente aos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep devem ser reconhecidos apenas de forma parcial. (...) Em consequência, o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre reconheceu parcialmente o direito creditório em favor da requerente, relativo ao pedido de ressarcimento de PIS NãoCumulativo Mercado interno, referente ao 1º trimestre de 2007. A contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, alegando, preliminarmente, a nulidade da decisão pela ofensa à constituição federal e aos princípios do processo administrativo fiscal – PAF, em face de ausência de fundamentação expressa, e no mérito: · Discorda sobre a inclusão dos créditos de ICMS, oriundos de programas de benefícios fiscais ("PRODEPE" e "PROARROZ"), na base de cálculo do PIS e da COFINS como receita, na medida em que as leis instituidoras desses benefícios objetivariam o fomento da competitividade e sustentabilidade das empresas situadas nos estados do MT e PE. Entende que tais valores não poderiam ser considerados como receita da empresa, pois não representariam um ingresso de novo valor ao seu patrimônio, sendo apenas abatidos de seus débitos de ICMS, de forma a reduzir o saldo devedor de imposto estadual devido. · Considera igualmente legítimos os créditos apurados sobre as despesas de fretes de transferências entre os estabelecimentos da própria pessoa jurídica e devoluções, com o fundamento de que tais despesas lançadas seriam desdobramentos das despesas dos fretes incorridos nas operações de venda. Discorre sobre sua necessidade de possuir centros de distribuição para possibilitar o atendimento das diferentes regiões do país, bem como para as exportações de suas mercadorias. Entende que tais fretes deveriam também ser enquadrados como custo ou despesas da empresa, sujeitos à apuração dos respectivos créditos das contribuições. Cita e transcreve jurisprudência do STF, além de doutrina e legislação tributária para amparar seus argumentos no sentido de que a glosa destas despesas afrontaria aos princípios constitucionais da nãocumulatividade, da isonomia e do nãoconfisco. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000077/200808 Resolução nº 3302000.319 S3C3T2 Fl. 5 4 · Justifica o cálculo de créditos sobre a integralidade das compras de insumos adquiridos com a suspensão da contribuição, com o argumento de que não cumpriria com os requisitos já consagrados pela Lei n° 10.925/2004 para o cálculo do crédito presumido e normatizados pela Instrução Normativa SRF n° 660/2006, portanto não estaria sujeita a observar a suspensão da exigibilidade das contribuições, conforme entendeu a fiscalização. Considera que teria a faculdade de escolher, ou não, a suspensão da exigibilidade, cita e transcreve Solução de Consulta para embasar seu entendimento. Informa que nas Notas Fiscais de aquisição emitidas por seus fornecedores não existiria a expressão "Venda efetuada com suspensão da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", requisito formal exigido pelo Art.2º, §2º da IN 660/06. Acrescenta que seus fornecedores também não lhe pediram declaração de que apuraria seu IRPJ pelo Lucro Real, em face da ausência destas solicitações, inferiu que não teria sido utilizada a suspensão da exigibilidade nas correspondentes operações de compra e venda. Contesta a intimação recebida para que apresentasse declarações de seus fornecedores informando se as vendas haviam ocorrido com ou sem a suspensão, pois entende que não lhe caberia exigir tal informação de seus parceiros comerciais. Aponta que inclusive adquiriria arroz em casca de pessoas jurídicas revendedoras do produto, não cerealistas, portanto fora dos requisitos previstos na IN 660/06. · pede a realização de perícia para o esclarecimento de quesitos que define como necessários para demonstrar a origem e a composição dos créditos em litígio. Relativamente à questão da inclusão, como receita, na base de cálculo do PIS e da COFINS, de valores referentes a créditos de ICMS, concedidos por programas estaduais de benefícios fiscais ('"PRODEPE" e "PROARROZ") a contribuinte impetrou Mandado de Segurança n.° 2008.71.00.0323140 junto à Justiça Federal Tributária de Porto AlegreRS, que teve liminar favorável em 27 de fevereiro de 2009 (publicado em 04/03/2009). Mas, a sentença proferida em 1ª instância de 27/07/2009 denegou a segurança. E, em decorrência de apelações e embargos interpostos pelas partes, a Sentença judicial de 1ª instância foi reformada pelo o TRF4 para conceder a segurança pleiteada, determinando a incidência de correção monetária, pela taxa SELIC, pelo fato de que a demora no ressarcimento dos créditos presumidos se deu por óbice indevido do Fisco. A contribuinte foi cientificada do cumprimento da sentença do Mandado de Segurança 2008.71.00.0323140, por meio da INTIMAÇÃO DRF/SEORT/COMP/REST 2.180/2010. Portanto, tal questão não faz mais parte do litígio. Em julgamento da manifestação de inconformidade, a DRJ/POA, acordou, por unanimidade de votos, por desconhecer da manifestação de inconformidade na parte que contesta a inclusão de créditos de ICMS oriundos de incentivos fiscais estaduais na base de cálculo das contribuições, tendo em vista a identidade de objeto com questões levadas ao crivo do Poder Judiciário. E, nas matérias controversas restantes, também por unanimidade de votos, acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento em julgar improcedente a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório em litígio, nos termos do relatório e voto que integram aquele julgado, consoante a ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O P I S / PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 Ementa: Fl. 356DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000077/200808 Resolução nº 3302000.319 S3C3T2 Fl. 6 5 NULIDADES. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as irregularidades que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. CRÉDITOS DE ICMS CONCEDIDOS POR INCENTIVOS FISCAIS. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação/despacho decisório, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Não existe previsão legal para o cálculo de créditos a descontar da Cofins e do PIS nãocumulativos sobre valores relativos a fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. Comprovado o preenchimento de todos os requisitos para a suspensão da contribuição para o PIS e para a Cofins, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3 o da Lei n° 10.637/2002 e da Lei n° 10.833/2003, respectivamente, pelo adquirente dos insumos, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos do disposto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004. Manifestação de inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. A contribuinte, irresignada, apresenta o seu Recurso Voluntário, por meio do qual contesta o referido Acórdão, que, segundo alega, não merece prosperar o entendimento firmado, pelas razões de recurso que expõe, reprisando, em sua maioria, os argumentos da impugnação, segundo os títulos e subtítulos postos a seguir: I DOS FATOS E DA DECISÃO RECORRIDA II DA PRELIMINAR II. I. 1 DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO EM FACE DA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO MOTIVACIONAL; II. I. 1.1 DA OFENSA AO PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA CERCEAMENTO DE DEFESA II. I. 1. 2 DA ILEGALIDADE II. II DA PERDA DO OBJETO PARA DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA SOBRE O CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. EM FACE DA PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL III DO DIREITO Fl. 357DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000077/200808 Resolução nº 3302000.319 S3C3T2 Fl. 7 6 III. I DO CONCEITO DE INSUMO PARA O PIS E A COFINS, NÃO CUMULATIVOS III. II DO FRETE DE TRANSFERÊNCIA III. II. 1 DA NÃOCUMULATIVIDADE III. III DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA III. III. 1 DO HISTÓRICO LEGISLATIVO REFERENTE AO CRÉDITO NA AQUISIÇÃO PE ARROZ EM CASCA III. III. 2 DA NÃO ADEQUAÇÃO AOS REQUISITOS DA INSTRUÇÃO NORMATIVA N° 660/06 III. III. 3 DA ALTERAÇÃO LEGISLATIVA PELA INSTRUÇÃO NORMATIVA RFB N° 977/09 III. III. 4 EQUÍVOCOS REFERENTES À GLOSA DO CRÉDITO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA III. III. 5 EQUÍVOCO REFERENTE À GLOSA DOS CRÉDITOS DECORRENTES DA AQUISIÇÃO DE ARROZ EM CASCA DE PESSOAS JURÍDICAS REVENDEDORAS III. III. 6 DA PERÍCIA IV DO PEDIDO Formula o seu pedido nos seguintes termos: “Diante do exposto, a ora Recorrente requer que seja recebido e acolhido o presente Recurso Voluntário para determinar a reforma do r. acórdão recorrido, para o fim de que seja reconhecida a nulidade do despacho decisório combatido. Sucessivamente, caso não seja este o entendimento, requer que o presente recurso seja acolhido por Vossas Senhorias para determinar a reforma do r.acórdão recorrido, para o fim do deferimento total do crédito pleiteado, haja vista a total comprovação da sua legitimidade”. Na forma regimental, o processo foi distribuído para a conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó relatar. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Redator Designado. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000077/200808 Resolução nº 3302000.319 S3C3T2 Fl. 8 7 O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado, trata o presente processo de pedido de ressarcimento de PIS. Uma das questões suscitadas pela Recorrente diz respeito à possibilidade de escriturar crédito normal de PIS e da Cofins na aquisição de arroz com casca, especialmente quando na nota fiscal de aquisição não consta que a produto saiu do estabelecimento vendedor com suspensão das contribuições, conforme autoriza o art. 9º da Lei nº 10.925/04. A DRF considerou que todas as aquisições de arroz em casca saíram do estabelecimento vendedor com suspensão das contribuições para o PIS e Cofins e, por isto, não geram direito ao crédito básico e sim a crédito presumido. Disse a autoridade Fiscal: A interessada foi intimada a apresentar declaração dos fornecedores pessoa jurídica de que as vendas de arroz com casca, do período compreendido entre 4 de abril de 2006 e 31 de dezembro de 2007, foram efetuadas com tributação de PIS/Pasep e da COFINS e não com suspensão da contribuição. As pessoas jurídicas que exercem atividades conforme o art. 3º , incisos I e III, e § 1º , incisos I a III, da IN SRF 660/2006, atendem aos requisitos exigidos para aplicação da suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS em relação às vendas de arroz com casca (código 1006.10 da NCM) para adquirentes pessoa jurídica agroindustrial tributada pelo lucro real, destinadas à produção de arroz de códigos 1006.20, 1006.30 e 1006.40 da NCM, de acordo com os arts. 4º , incisos I a III, e 6o , inciso I, da IN SRF 660/2006. O contribuinte satisfaz as condições de adquirente da aplicação da suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A interessada não apresentou a declaração dos fornecedores, não demonstrando desta forma que em relação às compras de arroz com casca tem direito a integralidade dos créditos de PIS/Pasep e da COFINS. Assim, as compras de arroz com casca do contribuinte dos fornecedores pessoa jurídica foram consideradas como tendo sido efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, sendo admitido apenas o crédito presumido de atividades agroindustriais referente a estas compras Por sua vez, a empresa Recorrente afirma, no Recurso Voluntário, que nas notas fiscais de compra de arroz em casca, emitidas no período em questão, não contém a informação de que as vendas foram efetuadas com suspensão da contribuições e, também, que adquire arroz em casca de Pessoas Jurídicas revendedoras, que não atendem aos requisitos normativos para efetuar venda com suspensão do PIS e da Cofins. Junta notas fiscais de aquisição de arroz em casca junto às empresas PURO GRÃO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ARROZ E SOJA LTDA e SLC COMERCIAL DE MÁQUINAS AGRÍCOLAS LTDA, . Para a realização da venda de arroz em casca com suspensão do PIS e da Cofins, no período de 04/04/2006 (data da publicação da IN SRF 636/2006) a 24/07/2006 (dia anterior à publicação da IN SRF nº 660/2006), a pessoa jurídica (autorizada) vendedora deveria solicitar (e o adquirente fornecer) a declaração prevista no § 3º, do art. 2º da IN SRF nº 636/2006. A partir do dia 25/07/2006, além da referida declaração, a pessoa jurídica vendedora deveria consignar na nota fiscal que a venda estava sendo realizada com a suspensão do PIS e da Cofins (§ 2º, do art.2º, da IN SRF nº 660/2006). Fl. 359DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000077/200808 Resolução nº 3302000.319 S3C3T2 Fl. 9 8 Em caso semelhante, este Colegiado entendeu que é necessário a comprovação de que a operação atendia às condições legais para dar saída com suspensão do PIS e da Cofins., conforme Acórdão nº 330201.982, de 28/02/2013, proferido nos autos do Processo nº 11686.000013/200980. Na oportunidade, o Colegiado entendeu que, não havendo o Fisco logrado provar que a mercadoria saiu com suspensão do PIS e da Cofins, tem o contribuinte adquirente o direito de escriturar o crédito normal e não o crédito presumido, cabendo à Administração avaliar a necessidade e oportunidade de efetuar o lançamento da exação que deixou de ser recolhida pelo fornecedor da Recorrente, se for o caso. Portanto, ao contrário do entendimento da Fiscalização, naquele julgado o Colegiado entendeu que a suspensão somente se opera se forem cumpridos os requisitos formais fixados pela Receita Federal do Brasil, conforme lhe autoriza o art. 9º, in fine, da Lei nº 10.925/04. Diante destes fatos, há necessidade de a Fiscalização efetuar um levantamento, junto aos fornecedores da Recorrente, com o objetivo de identificar quem efetivamente cumpriu os requisitos exigidos pela IN nº 660/06 nas vendas de arroz em casca para a Recorrente, ou seja, possui a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A (para as vendas realizadas a partir 05/04/2006) e consignou na nota fiscal que a mercadoria saiu com suspensão do PIS e da Cofins (para as vendas realizadas a partir 25/07/2006). Há, portanto, nos autos incerteza quanto ao cumprimento das obrigações acessórias para a saída do arroz em casca com suspensão do PIS e da Cofins pelos fornecedores da Recorrente, nos termos determinados pelas IN SRF nº 636/06 e 660/06. Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para as seguintes providências: 1 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente, cujos fornecedores detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 1.1 Juntar cópia da declaração entregue pela SLC Alimentos S/A a cada fornecedor e, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 2 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e NÃO consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 2.1 Juntar cópia da declaração entregue pela SLC Alimentos S/A a cada fornecedor e, por amostragem, cópias de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 3 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores NÃO detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e consignaram na Fl. 360DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 11686.000077/200808 Resolução nº 3302000.319 S3C3T2 Fl. 10 9 nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 3.1 Juntar, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 4 Listar as compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente cujos fornecedores NÃO detêm a declaração fornecida pela SLC Alimentos S/A e NÃO consignaram na nota fiscal que a venda foi efetuada com suspensão do PIS e da Cofins. A listagem deve conter, no mínimo, número da nota fiscal, data e valor da operação e nome e CNPJ do fornecedor. 4.1 Juntar, por amostragem, cópia de notas fiscais de cada fornecedor. Se já existir cópia de notas fiscais do fornecedor nos autos, não há necessidade de juntar novas cópias. 5 No relatório de conclusão da Diligência deve constar um resumo do valor das compras de arroz em casca realizadas pela Recorrente em cada uma das situações descritas nos itens anteriores; 6 Opinar sobre a procedência (ou não) do direito ao crédito normal em cada uma das situações descritas nos itens 1 a 4; 7 Prestar as informações e os esclarecimentos que julgar importante para o deslinde da questão, inclusive situações não contempladas nos itens 1 a 4; 8 dar ciência à Recorrente desta Resolução e do resultado da diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº 7.574/11. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Fl. 361DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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