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Numero do processo: 10509.000135/2009-54
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2004
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.564
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2004 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte.
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2004 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 9. 00 01 35 /2 00 9- 54 Fl. 295DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10509.000135/200954 Acórdão n.º 9303003.564 CSRF‐T3 Fl. 296 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801005.241, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10509.000135/200954 Acórdão n.º 9303003.564 CSRF‐T3 Fl. 297 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10509.000135/200954 Acórdão n.º 9303003.564 CSRF‐T3 Fl. 298 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10509.000135/200954 Acórdão n.º 9303003.564 CSRF‐T3 Fl. 299 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 299DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10509.000135/200954 Acórdão n.º 9303003.564 CSRF‐T3 Fl. 300 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10509.000135/200954 Acórdão n.º 9303003.564 CSRF‐T3 Fl. 301 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10509.000135/200954 Acórdão n.º 9303003.564 CSRF‐T3 Fl. 302 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10509.000135/200954 Acórdão n.º 9303003.564 CSRF‐T3 Fl. 303 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 303DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 10/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 16643.000090/2009-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
NULIDADES. INOCORRÊNCIA.
A nulidade do lançamento somente se dá nos casos previstos no PAF, quando houver prejuízo à defesa ou ocorrer intervenção de servidor ou autoridade sem competência legal para praticar ato ou proferir decisão. Não se configurando qualquer dessas hipóteses, rechaçam-se as alegações do sujeito passivo.
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial cujo objeto seja idêntico ao do processo administrativo.
Numero da decisão: 1402-002.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as arguições de nulidade do lançamento por duplicidade de cobrança, formalização da exigência na vigência de liminar e inadequação da fundamentação. Por maioria de votos, não conhecer da arguição de nulidade por mudança de critério jurídico de lançamento por ser questão de mérito abrangido pela concomitância. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Demetrius Nichele Macei que votaram pela apreciação da matéria. No mérito, por unanimidade de votos não conhecer do recurso pela concomitância com ação judicial.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, DEMETRIUS NICHELE MACEI, PAULO MATEUS CICCONE, LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES e FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 NULIDADES. INOCORRÊNCIA. A nulidade do lançamento somente se dá nos casos previstos no PAF, quando houver prejuízo à defesa ou ocorrer intervenção de servidor ou autoridade sem competência legal para praticar ato ou proferir decisão. Não se configurando qualquer dessas hipóteses, rechaçamse as alegações do sujeito passivo. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial cujo objeto seja idêntico ao do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as arguições de nulidade do lançamento por duplicidade de cobrança, formalização da exigência na vigência de liminar e inadequação da fundamentação. Por maioria de votos, não conhecer da arguição de nulidade por mudança de critério jurídico de lançamento por ser questão de mérito abrangido pela concomitância. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Demetrius Nichele Macei que votaram pela apreciação da matéria. No mérito, por unanimidade de votos não conhecer do recurso pela concomitância com ação judicial. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 00 90 /2 00 9- 50 Fl. 725DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000090/200950 Acórdão n.º 1402002.109 S1C4T2 Fl. 726 2 FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, DEMETRIUS NICHELE MACEI, PAULO MATEUS CICCONE, LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES e FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR. Fl. 726DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000090/200950 Acórdão n.º 1402002.109 S1C4T2 Fl. 727 3 Relatório Votorantim Participações S.A. recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 5ª Turma da DRJ São Paulo01/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 08.1.71.002009 000341 e prorrogações (fls.1) a Fiscalização, apurou, relativamente à contribuinte acima identificada, os seguintes fatos, conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 377 a 403): 2 O presente auto se originou de equivoco ocorrido quando da fiscalização dos lucros apurados em 2006 pela empresa Azben Holding GmbH, residente na Áustria, que foram atribuídos unicamente à empresa Cazben Participações do Brasil Ltda (controlada pela fiscalizada), quando essa empresa austríaca e controlada diretamente tanto pela fiscalizada (40%) como pela empresa Cazben Participações do Brasil Ltda (60%). 3 O processo de n º 16561.000209/200813, relativo a empresa Cazben foi julgado pela 5ª Turma de Julgamento de São Paulo I SPO que corretamente exonerou 40% da matéria tributável, atribuída agora ao sujeito passivo do presente procedimento (fls. 286). 4 A empresa Cazben foi constituída em 2002 e, atualmente os sócios da empresa são as empresas Votorantim Participações S/A com noventa e nove cotas e Votorantim Investimentos Internacionais S/A, com apenas uma cota. 5 Junto com a alteração de sócios ocorrida em 19 de dezembro de 2002, foi aumentado o capital da empresa de R$ 1000, 00 para R$ 146.222.944, mediante a emissão de 146.221.944 quotas de R$ 1,00 cada uma, integralizadas da seguinte forma: 146.221.243 cotas pela Votorantim Participações S/A, sendo R$ 89.374.943,00, mediante conferencia de 60% de sua participação societária no capital social da Votorantim International Holding NV, empresa situada em Curaçao e R$ 58.848.000,00 em nota promissória “Pro Soluto” emitida pela investidora Votorantim Participações S/A e 1 cota de R$ 1,00 pela cotistas Votorantim Investimentos Internacionais S/A. 6 Em 23 de dezembro de 2002, a Cazben adquire participação de 60 % na empresa Azben, situada na Áustria, através de entrega dos bens: 60% da participação societária na empresa Votorantim International Holding N.V e da nota promissória “Pro soluto” emitida pela sua controladora Votorantim Participações S/A. 7 Relativamente a Votorantim Participações S/A (VPar) empresa fiscalizada no presente processo, no mesmo dia 23 de dezembro de 2002, a fiscalizada adquire participação de 40 % na empresa Azben, situada na Áustria, através de entrega dos bens constituídos por 40% da participação societária na empresa Votorantim International Holding N.V , sediada nas Antilhas Holandesas. Fl. 727DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000090/200950 Acórdão n.º 1402002.109 S1C4T2 Fl. 728 4 8 Ainda nessa mesma data, a Azben tem autorização para aquisição de todas as ações da Votorantim International North América Inc. situada nos Estados Unidos, com uma capital de US$ 1.000.000,00. 9 O auditor ressalta que durante o curso da fiscalização não foi constatada a existência da atividades informadas pela contribuinte, relativas a empresa Azben, tendo sido verificada tão somente a existência de registros de resultados oriundos de participações em outras empresas sediadas em paraísos fiscais, afirmação que é corroborada pela própria empresa Cazben, em informação prestada no processo nº 16561.000209/200813, relatando que as atividades efetivamente exercidas pela empresa Azben, são as descritas no documento de sua constituição, ou seja a aquisição e administração de participações em sociedades de todo o tipo e o investimento em bens de capital e todas as atividades oportunas e/ou necessárias, com exceção de transações bancárias, para o alcance dos objetivos previstos. 10 A empresa Azben apresentou entre 2003 e 2006 os seguintes resultados em dólares: Anocalendário Resultado da empresa Azben (US$) 2003 6.795.000,00 2004 4.726.000,00 2005 16.889.000,00 2006 99.162.000,00 11 O auditor efetuou a compensação dos prejuízos dos anoscalendário 2003 e 2005 e obteve o saldo de lucro de US$ 80.204.000,00, que converteu à taxa de câmbio do dólar do dia 29/12/2006, obtendo a base de cálculo de R$ 171.476.152,00. Considerando que a Vpar detém 40% das cotas da Azben, obteve a base de cálculo de R$ 68.590.460,80. 12 Em seguida, o auditor fiscal cita a legislação que utilizou como fundamento legal e apresenta longa exposição do que seria o planejamento tributário visando a elidir o recolhimento de impostos no Brasil, através da criação de empresas em paraísos fiscais ou beneficiadas com tratados para evitar a dupla tributação, discorrendo ainda sobre os conceitos de Treaty Shopping que entende que não pode ser permitido e que acredita poder ser catalogado como evasão fiscal. 13 Cita o casoexemplo de uma empresa americana cuja controladora situada nas Bahamas, que também detinha controle integral de outra empresa situada no Equador. A controladora enviou empréstimo de valor significativo a controlada americana. Nesse ínterim, a empresa no Equador, constituiu subsidiária em Honduras. Ao efetuar o pagamento do empréstimo, a empresa americana evitou pagar o imposto que teria que recolher se remetesse o dinheiro diretamente a Bahamas, utilizando o artifício de enviar o dinheiro para Honduras, sem imposto, por força de tratado firmado entre os Estados Unidos e Honduras. 14 Essa operação foi desclassificada pela corte americana alegando que a beneficiária não era a sociedade de Honduras, servindo apenas de veiculo para transferir o valor para a controladora nas Bahamas, sem o recolhimento de impostos. 15 O Auditor Fiscal entende haver similaridade desse caso, a situação da fiscalizada, alegando que a Azben serviria apenas de anteparo que os lucros auferidos com as vendas no exterior não fossem tributados. 16 Cita também as medidas tomadas pela OCDE para evitar abusos na utilização de tratados internacionais e ainda o trabalho de Agostinho Toffoli Tavolaro que não Fl. 728DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000090/200950 Acórdão n.º 1402002.109 S1C4T2 Fl. 729 5 considera estabelecimento permanente, de acordo com os modelos de tratado, variando, no entanto de um para outro, a utilização de instalações unicamente para fins armazenagem, exposição e entrega de bens, a manutenção de estoques para fins de transformação por outras empresas, a manutenção de uma instalação fixa unicamente para compra de bens ou mercadorias ou obtenção de informações para a empresa ou para fins de publicidade, fornecimento de informações, pesquisas científicas ou atividades de caráter preparatório ou auxiliar para empresa. 17 Considera, por outro lado, que uma pessoa, que atue em um dos estados contratantes, por conta de uma empresa do outro estado contratante, desde que não seja um agente independente, será considerado um estabelecimento permanente se esta pessoa tiver e, habitualmente exercer, autoridade para concluir contratos em nome da empresa, excluídos os de compra e venda de bens ou mercadorias para a empresa. 18 Conclui que o simples controle de uma sociedade residente em um estado contratante, por outra residente em outro estado contratante não é suficiente para a caracterização de estabelecimento permanente e que seriam estáveis as instalações que adquirem ou realizam diretamente um lucro , tendo caráter imediatamente produtivo. 19 O Auditor Fiscal cita também entendimento do autor sobre onde deveriam ser tributados os lucros e dividendos, auferidos por empresas situadas em países distintos, participantes de tratados para evitar a dupla tributação. 20 Discorre também a respeito do termo “beneficial owner” para designar aquele que realmente se beneficiaria das vantagens decorrentes de tratados, no caso de interposição de terceira pessoa, ou seja no treaty shopping é aquele que por interposta pessoa aufere as vantagens do TDT, sem nele aparecer e que, segundo Vogel deve preencher dois requisitos: possua direito de decidir se seu investimento (capital e ativo) deve ou não produzir rendimentos e possua o direito de dispor livremente sobre esse rendimento. 21 Desse modo, o Auditor Fiscal conclui que devem ser tributados na fiscalizada os lucros auferidos pela empresa Votorantin International Trading/Curação, por ser a fiscalizada, a beneficiária efetiva de tais resultados, considerando que “...a equivalência patrimonial positiva obtida por via empresa estabelecida no exterior, difere da equivalência patrimonial positiva auferida via controladas situadas no Brasil, exatamente porque estas ultimas ao apurarem seus resultados sofrem a devida tributação. . 22 O Auditor Fiscal esclarece que não contesta o ato jurídico praticado mas a verdadeira repercussão econômica dos fatos subjacentes. 23 O auditor Fiscal relata a existência de Mandado de Segurança interposto pela fiscalizada em 29/01/2003, junto a 24ª Vara Civil, visando não computar o resultado positivo da equivalência patrimonial nem os lucros não efetivamente disponibilizados. A segurança foi concedida em 15/10/2009 determinando que a autoridade coatora se abstenha de qualquer ato tendente à exigência de crédito tributário relativo ao IRPJ e CSLL incidentes sobre o lucro e a renda das impetrantes, decorrentes dos resultados de equivalência patrimonial, com exceção, no entanto, se o resultado corresponder aos lucros de coligadas ou controladas no exterior auferidos nos períodosbase de 2002 em diante, que pode ser legitimamente exigido a partir de sua disponibilidade econômica ou jurídica, não exigível a financeira. Fl. 729DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000090/200950 Acórdão n.º 1402002.109 S1C4T2 Fl. 730 6 24 Embora a decisão tenha reconhecido a inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 74 da MP nº 2.15835/01 e ilegalidade parcial do inciso primeiro do art. 7º da IN nº 213/2002, esta apenas relativa no que é incompatível com o caput do art. 74, foi decidido que “...a Fazenda Nacional pode exigir IRPJ e CSLL sobre o resultado da equivalência patrimonial no que corresponde ao lucros de coligadas e controladas no exterior auferidos no períodosbase de 2002 em diante, ai, evidentemente, inseridos os resultados oriundos de paises com os quais o Brasil celebrou Acordo Internacional para Evitar Dupla Tributação de Renda, tendo em conta a inexistência de qualquer ressalva no dispositivo e o exposto na fundamentação “ (sic) 25 Desse modo, em 21/12/2009, foram efetuados os seguintes lançamentos: – Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 365 a 368): Total do crédito tributário, R$ 35.233.550,63, incluídos o tributo e juros de mora, calculados até 29/08/2008. Fundamento legal: Embasamento legal: artigo 74 , caput e parágrafo único da MP nº 2.158/352001, artigos 25, §§ 2º e 3º, da Lei nº 9.249/1995; artigo 16 da Lei nº 9.430/96; arts. 249, inciso II, e.394 do RIR/99 , art. 3º da Lei nº 9.959/2000 e arts 1, art. 43 do CTNº e 4º da IN SRF nº 213/2002 – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 371 a 373): Total do crédito tributário, R$ 12.701.855,88, incluídos o tributo e juros de mora, calculados até 29/08/2008. Fundamento legal: artigo 2º, e §§, da Lei nº 7.689/88, artigo 1º da Lei nº 9.316/96; artigo 28 da Lei nº 9.430/96; e artigo 37 da Lei nº 10.637/2002. 26 Inconformada com o lançamento do qual foi cientificada na mesma data do lançamento, a contribuinte protocolizou em 20/01/2010, a impugnação (fls. 420 a 489), relativa ao lançamento fiscal, apresentando suas razões, em apertada síntese, a seguir: 26.1 Alega que é controladora direta da empresa Azben, constituída e situada na Áustria que, por sua vez, teria participações societárias em várias empresas, sediadas em outros países, inclusive na Votorantin International Holding NV (VIH), situada nas Antilhas Holandesas. 26.2 Alega que a Azben contabilizou seu investimento na VIH mas não apurou a equivalência patrimonial que não seria obrigatória na Áustria mas, para fins societários, a impugnante aplicou o método de equivalência patrimonial para avaliação de suas participações em Azben e VIH. 26.3 Alega que a VIH jamais distribuiu dividendos à Azben e esta, por sua vez, nunca distribuiu lucros ou dividendos à impugnante. 26.4 Alega que os autos de infração abstraem a existência e da personalidade jurídica da Azben e exigem IRPJ e CSLL da impugnante como esta fosse controladora direta da VIH. 26.5 Alega que os autos de infração também afastam a aplicação do Tratado para Evitar a Dupla Tributação firmado entre o Brasil e a Áustria em 1975 que está em vigor até a data presente. 26.6 Alega que impetrou Mandado de Segurança preventivo questionando a constitucionalidade do art. 74 da MP nº 215835/2001 e da IN SRF nº 213/2002 e a interpretação e aplicação da Convenção ao presente caso, e alega que a impugnante Fl. 730DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000090/200950 Acórdão n.º 1402002.109 S1C4T2 Fl. 731 7 não teria especificado qual acordo internacional estava se referindo, argumentando ter tratado o assunto em abstrato, sem vinculação a qualquer pais. 26.7 Nessa impugnação, portanto, pretende discutir a interpretação da Convenção, aplicandoa ao caso concreto. 26.8 Alega que seria possível o proferimento de decisão favorável a contribuinte na esfera administrativa e de uma decisão desfavorável judicialmente e viceversa, alegando que há algumas particularidades na Convenção que a distingue das outras convenções para evitar a dupla tributação. 26.9 Alega não renunciou ao seu direito de questionar administrativamente os termos da Convenção e cita acórdãos do Conselho de Contribuintes que embasariam o que alega. 26.10 Faz breve relato do procedimento fiscal e alega nulidade do auto de infração, afirmando que foram tributados resultados que já haviam sido tributados no processo administrativo nº 16561.000194/200711, caracterizando tributação em duplicidade. 26.11 Alega que está se pretendendo tributar o mesmo resultado do mesmo sujeito passivo com relação ao mesmo período objeto dos autos de infração do processo administrativo nº 16561.000194/200711, com critério jurídico distinto daquele utilizado na primeira autuação , o que, em sua opinião, contrariaria o art. 146 do Código Tributário Nacional – CTN. 26.12 Alega que os autos foram lançados com a aplicação de multa de 75%, enquanto o crédito tributário está com a exigibilidade suspensa, contrariando o art. 63 da Lei nº 9.430/96. 26.13 Discorre sobre a tributação em duplicidade que alega ter ocorrido no presente processo. 26.14 Alega ofensa ao art. 146 do CNT por reexame da primeira autuação, alegando ainda que não foram esclarecidos quais equívocos que motivaram o reexame, causando cerceamento de defesa e que a tributação foi feita por motivos diferentes, no processo administrativo nº 16561.000194/200711 e no presente processo, citando ainda doutrinadores a respeito e acórdãos do CARF. 26.15 Conclui que, pelos motivos apresentados os autos são nulo. 26.16 Alega que impetrou Medida Cautelar Incidental nº 2009.03.00.039733 8/SP com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário relativo ao IRPJ e a CSLL, informando que em 10/11/2009 foi concedida liminar na referida medida cautelar suspendendo a exigência do crédito tributário em questão, alegando que por esse motivo também os autos são nulos. 26.17 Alega que as imprecisões na aferição da base legal já são suficientes para decretar a nulidade dos autos, uma vez que não se sabe exatamente quais normas legais foram infringidas e porque. 26.18 Alega que os autos de infração de IRPJ e CSLL invocam imprecisa e aleatoriamente todas as normas baixadas sobre a tributação em bases universais no Brasil, sem contudo especificar quais seriam seus dispositivos pertinentes. Fl. 731DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000090/200950 Acórdão n.º 1402002.109 S1C4T2 Fl. 732 8 26.19 Discorre sobre a legislação de tributação em bases universais e sobre a convenção da OCDE, para demonstrar que os lucros da Azben somente poderiam ser tributados na Áustria, argumentando que a CSLL , tratandose de tributo essencialmente semelhante ao IRPJ não poderia ser cobrando nem sobre os lucros da Azben nem sobre os dividendos que ela distribuísse à impugnante. 26.20 Alega que a criação da Azben deveuse a inúmeras razões empresariais sólidas tais como centralização o recebimento das demais empresas estrangeiras e redistribuílos também no exterior, servir de captadora de recursos no exterior e mesmo empréstimos, além do fato que a Áustria participa da União Européia e tem estabilidade monetária e institucional. 26.21 Aponta como razões para a criação da empresa no exterior , a instabilidade da economia brasileira e inconstância das leis fiscais e cambiais brasileiras, argumentando que nada impede que o legislador resolva tributar pis e cofins sobre os dividendos proveniente do exterior. 26.22 Alega que os dividendos provenientes da Áustria não são tributados no Brasil por expresso acordo firmado entre os dois países, no tratado para evitar a bi tributação, e não poderia o auditor fiscal simplesmente desconsiderálo. 26.23 Alega que a Azben, ao contrário do que alega o auditor fiscal, é e sempre foi uma plataforma para os investimentos externos do grupo controlador e desde a sua criação aumentou seus investimentos no exterior e nunca distribuiu dividendos à impugnante. 26.24 Discorre sobre a Convenção de Viena, sobre a atuação da OCDE e sobre os modelos de convenção que foram ou não adotados pelo Brasil. 26.25 Discorre sobre os termos invocados pelo Termo de Verificação Fiscal para justificar o lançamento, tais como abuso de direito, fraude à lei, falta de propósito negocial, falta de isonomia e capacidade contributiva, visando demonstrar a improcedência dos argumentos do auditor fiscal que desconsideraram a empresa Azben, comentando o art. 116 do CTN e sua regulamentação, a mudança de entendimento sobre o caso na jurisprudência a americana e citando ainda juristas que embasariam o que alega. 26.26 Alega que a desconsideração da empresa Azben feita pelo auditor fiscal ferem diversos dispositivos legais que enumera às fls. 484 e 485. 26.27 Alega erro no cálculo do valor tributável, argumentando que o auditor fiscal efetuou todos os cálculos em dólares e somente converteu para moeda nacional em 31/12/2006, e cita o art.25. §4º da Lei nº 9.249/1995 que contrariaria o procedimento fiscal. 26.28 Investe contra o que chama de exigência de juros de mora sobre a multa de ofício e discorre a respeito. 26.29 Alega ilegalidade da exigência de juros calculados sobre a taxa Selic. 26.30 Por fim, requer que, se forem desconsideradas as alegações da nulidade e da improcedência integral dos autos de infração , que seja reduzido o valor exigido considerando os valores das taxas de cambio das datas de encerramento de cada um dos exercícios, seja declarada a impossibilidade do uso da taxa SELIC e seja vedada exigência de juros sobre a multa de oficio lançada. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000090/200950 Acórdão n.º 1402002.109 S1C4T2 Fl. 733 9 27 É o relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 16 25.215 (fls. 511539) de 05/05/2010, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 DESCLASSIFICAÇÃO DE EMPRESA SITUADA NO EXTERIOR. Aceitase a desclassificação de empresa situada no exterior com o fito de alcançar lucros produzidos por controlada dessa quando há indícios veementes que a empresa controladora situada em país com tratado para evitar a dupla tributação, sem qualquer propósito negocial, é mera repassadora dos lucros auferidos por empresas anteriormente controladas pela empresa fiscalizada, com o fito exclusivo de evitar a tributação no Brasil DESCONSIDERAÇÃO DE NEGÓCIOS. O planejamento tributário que é feito com abuso de direito, embora siga as normas legais, configura as chamadas operações sem propósito negocial, podendo ser desconsiderado quando visa exclusivamente a evasão de tributos legitimamente devidos. TAXA SELIC. Cobramse juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), por expressa previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 05/08/2010 (A.R. de fl. 542) a interessada interpôs recurso voluntário em 03/09/2010 (fls. 546567) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 733DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000090/200950 Acórdão n.º 1402002.109 S1C4T2 Fl. 734 10 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. A questão nos autos consiste em avaliar a tributação no Brasil, de lucros obtidos no exterior quando o resultado foi auferido por empresa sediada em local com o qual o Brasil não possui tratado para evitar a dupla tributação, mas controlada por empresa situada na Áustria, país com tratado nesse sentido formalizado com o Estado brasileiro. Em outras palavras, não se discute aqui a aplicação do Tratado de Dupla Tributação (TDT) pactuado com a Áustria aos lucros apurados em território austríaco o que representaria, no presente caso, aqueles decorrentes das atividades próprias da Azben. O lançamento foi feito contra a contribuinte, exigindo os tributos relativos aos lucros apurados pela empresa Votorantin International Holding NV (VIH), situada nas Antilhas Holandesas, empresa controlada pela empresa Azben, situada na Áustria que, por sua vez é controlada em parte pela fiscalizada (40%) e em parte (60%) pela empresa Cazben Participações do Brasil Ltda, CNPJ 05.322.792/000134, que por sua vez é controlada pela própria fiscalizada. No entendimento do sujeito passivo, os resultados apurados pela VIH estariam fora do alcance da legislação brasileira por pertencerem à Azben e, nesses termos, sob a guarida do TDT formalizado entre o Brasil e a Áustria. Quanto ao lançamento relativo à Cazben Participações do Brasil Ltda (60%), houve o lançamento consubstanciado no processo 16561.000209/200813, julgado por esta Turma no Acórdão 1402001.236, de 06/11/2012. Das preliminares de nulidade dos lançamentos suscitadas Alega a recorrente, preliminarmente, a nulidade dos lançamentos pelos motivos a seguir elencados. · em razão da tributação em duplicidade, uma vez que o suposto crédito tributário que os AI pretendem exigir já foi objeto de autuações anteriores, as quais originaram o Processo Administrativo n° 16561.000194/200711; · em razão de ofensa ao art. 146 do CTN, pois os AI adotam critério jurídico diverso (desconsideração da personalidade jurídica de empresa estrangeira) daquele adotado no Processo Administrativo n° 16561.000194/200711 (tributação de ganhos de equivalência patrimonial), sem justificar a mudança no critério; Fl. 734DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000090/200950 Acórdão n.º 1402002.109 S1C4T2 Fl. 735 11 · em virtude de os AI terem sido lavrados enquanto suspensa a exigibilidade do crédito tributário; e · por inadequação na fundamentação dos AI. Não vislumbro as preliminares de nulidade suscitadas. Visitando os autos do processo administrativo nº 16561.000194/200711 observase, no termo de verificação fiscal, fls. 1.019, que os valores lançados, contemplam os decorrentes de lucros não disponibilizados pela Azben no anocalendário de 2006. Vejase os excertos do TVF. Às fl. 1.028 daquele processo encontrase o demonstrativo de apuração do auto de infração IRPJ. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000090/200950 Acórdão n.º 1402002.109 S1C4T2 Fl. 736 12 A base tributável considerada no presente processo encontrase no extrato de fl. 363. Fl. 736DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000090/200950 Acórdão n.º 1402002.109 S1C4T2 Fl. 737 13 Em que pese a diferença entre as bases tributáveis, haveria aparente tributação em duplicidade a ser esclarecida. Nessa esteira, esta Turma resolveu converter o julgamento em diligência. A autoridade lançadora assim se pronunciou. "... Em 2007, foi lavrado Auto de Infração, tendo como sujeito passivo a Votorantim Participações S.A., conforme processo 16.561.000194/200711. Entretanto, por engano da Autoridade Autuante, foi determinada base de cálculo incorreta, tendo como origem o resultado da equivalência patrimonial e não dos lucros, conforme preconizava o art. 74 da MP n° 2.158/2001, no valor de R$ 32.009.994,42 (Fls. 1.011 daquele processo), não obstante os valores dos lucros dos anoscalendário de 2.003 a 2.006 estivessem consignados às fls. 433, 449, 445 e 441 do mesmo processo; Em se constatando tal equívoco, optouse por abrir MPF 08.1.71.002009 000341 em reexame conforme relatado por mim, no item 1.3 da TVF da presente autuação (fls. 378): 1.3. Em razão de equívoco ocorrido quando da fiscalização mencionada no item 1.1, na determinação da base de cálculo referente aos lucros auferidos em 2006 pela AZBEN Holding GmbH. (AZBEN), residente na Áustria, foi emitido o presente MPF com autorização de reexame; que foi a mim atribuído em virtude do falecimento da Autoridade Autuante original, como forma de sanear o lançamento. Tal autuação, levando em conta os valores referentes aos lucros auferidos pela Azben Áustria de 2004 a 2006 (fls. 344, 338, 327 e 322) e não os resultados de equivalência patrimonial, foi consignada no presente processo. Ressaltese que os montantes dos lucros auferidos pela Azben, utilizados no presente processo, foram obtidos em documentos apresentados pela autuada em virtude de intimação (fls. 004 a 006); Quanto ao processo que contem a autuação em que figura como sujeito passivo a Cazben (16.561.000209/200813), controlada da Votorantim Participações S.A., e detentora de 60% de participação da AzbenÁustria, autuada como se tivesse participação de 100% na sociedade austríaca, informo que tal equívoco já foi sanado conforme informação abaixo, extraída da própria resolução que determinou a presente diligência, conforme abaixo: O processo de n ° 16561.000209/200813, relativo a empresa Cazben foi julgado pela 5ª Turma de Julgamento de São Paulo SPO que corretamente exonerou 40% da matéria tributável, atribuída agora ao sujeito passivo do presente procedimento (fls.286). E ainda, conforme consignado no Termo de Verificação Fiscal do presente processo em seu item 1.4: 1.4 Em 30 de setembro de 2009, ou seja, estando a presente fiscalização em andamento, recebi Fl. 737DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000090/200950 Acórdão n.º 1402002.109 S1C4T2 Fl. 738 14 representação do Sr. Presidente da 5a Turma da DRJ I/SPO dando conta da necessidade de se efetuar o presente auto de infração tendo em vista que a Cazben S.A. Participações do Brasil Ltda., controlada pela Vpar e detentora de 60% das quotas da AzbenÁustria, havia sido equivocadamente autuada como se tivesse participação de 100%, tendo sido, portanto, corretamente exonerada em 40% da matéria tributável, atribuída, agora, ao sujeito passivo do presente procedimento fiscal (fls. 286); Portanto, o processo n° 16.561.000209/200813 não influi absolutamente nada no presente lançamento, por ter sido saneado no curso do contencioso fiscal instaurado; ..." Com efeito, de acordo com o relatório de diligência acima transcrito, não há duplicidade de lançamento, mas sim reexame para corrigir engano cometido no processo 16.561.000194/200711. Não vislumbro a nulidade suscitada do lançamento ora discutido. Também não vejo nulidade em virtude de os autos de infração terem sido lavrados enquanto suspensa a exigibilidade do crédito tributário. Com efeito, a lavratura do auto de infração é ato para a constituição do lançamento, não se confundindo com a cobrança do crédito tributário dele resultante. Por fim, também não há que se falar em nulidade por inadequação na fundamentação dos autos de infração. O enquadramento legal dos lançamentos, transcrito no relatório acima, se coaduna com os fatos apurados. Rejeito, pois, as preliminares suscitadas. Da matéria submetida ao crivo do poder judiciário De se consignar, inicialmente, que a recorrente impetrou mandado de segurança nº 2003.61.00.0036860 junto à 24ª Vara da Justiça Federal de São Paulo com o objetivo de suspender a exigibilidade do crédito tributário relativo ao IRPJ e a CSLL. Vejase o teor do pedido à fl. 472, e decisão judicial às fls. 494 e seguintes: ... pretendem obter o reconhecimento do direito liquido e certo de não serem compelidas ao pagamento do Imposto de Renda (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) calculados na forma do art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835/01 e do art. 7° da Instrução Normativa n° 213/02, dada a demonstrada inconstitucionalidade, e conseqüente ineficácia da citada regramatriz. Relatório na decisão judicial, fl. 494: I VOTORANTIM PARTICIPAÇÕES S/A. ajuíza a presente Medida Cautelar.Incidental, objetivando, em síntese e liminarmente, suspender a exigibilidade do crédito tributário Fl. 738DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16643.000090/200950 Acórdão n.º 1402002.109 S1C4T2 Fl. 739 15 relativo ao IRPJ e á CSLL, calculados na forma do art. 74 da MP n° 2.15834101 e do art. 7° da IN nº 213/02, até decisão finai a ser proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 2003.61.00.0036860. Vêse que a ação judicial atinge diretamente as questões aqui sob análise. Sob esse prisma, entendo que falece competência ao Órgão julgador administrativo para manifestarse sobre matéria submetida ao crivo do Poder Judiciário. A Súmula CARF nº 1 não dá margem a dúvida: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial” Estando a questão submetida ao judiciário, não pode este Conselho pronunciarse sobre a possibilidade ou impossibilidade da exigência fiscal. Deixo, portanto, de conhecer do recurso por ter sido a matéria ora discutida submetida ao crivo do Poder Judiciário. Conclusão Por todo o exposto, VOTO por rejeitar as arguições de nulidade do lançamento e, no mérito, por não conhecer do recurso por concomitância com ação judicial. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 739DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 12466.001851/2010-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 28/02/2005 a 26/01/2006
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não restam demonstrados os alegados dissídios jurisprudenciais, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 9303-003.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência jurisprudencial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente)
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 28/02/2005 a 26/01/2006 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não restam demonstrados os alegados dissídios jurisprudenciais, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso especial, por falta de divergência jurisprudencial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos (Substituto convocado), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 18 51 /2 01 0- 61 Fl. 902DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 27.941.424,93 referente à aplicação da multa cominada no artigo 23, § 3º, do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. O litígio foi instaurado e posteriormente foi objeto de julgamento pela 1ª Turma da DRJ/FNS, por meio do Acórdão nº 0724.405 de 13 de maio de 2011, em julgado assim ementado (fl. 742): Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 28/02/2005 a 26/01/2006 PENALIDADE. PROVAS. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. É ônus da fiscalização instruir o lançamento com todos os elementos de prova dos fatos constituintes do direito da Fazenda. A caracterização da infração depende da subsunção dos fatos à norma legal, sem o que é impossibilitada a aplicação de penalidade. Referida decisão foi objeto de Recurso de Ofício, tendo sido então prolatado, pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Terceira Seção de Julgamento, o Acórdão nº 3401002.919 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, que, por voto de qualidade, deu provimento ao recurso de ofício, restando consignada a seguinte ementa (fl. 777): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 28/02/2005 a 26/01/2006 Ementa PROVA EMPRESTADA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CABIMENTO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. É válido no processo administrativo o instituto da “prova emprestada”, desde que garantido às partes o contraditório e a ampla defesa, mostrandose válido o lançamento que carreia aos autos elementos de prova suficientes demonstrar a ocorrência de fatos jurídicos semelhantes àqueles verificados em outro procedimento administrativo, ainda que envolva partes distintas. AUSÊNCIA DE PROVA. ACOLHIMENTO. RECURSO DE OFÍCIO. PROVIMENTO. MÉRITO. ENFRENTAMENTO. Revista, em sede de recurso de ofício, a decisão de primeira instância administrativa que acolhe argumento de ausência de prova do ilícito administrativo, necessária se faz a devolução do julgamento para enfrentamento da questão meritória remanescente, a fim de que não haja indevida supressão de instância. A Fazenda Nacional tomou ciência da citada decisão à folhas 817 na data de 15/03/2015, restando consignado que não faria interposição de recurso à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Regularmente intimada do Acórdão nº 3401002.929, fls. 825, Cotia Trading SA interpôs então o recurso especial de fls. 833 a 859, aventando dissídio jurisprudencial Fl. 903DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.001851/201061 Acórdão n.º 9303003.527 CSRFT3 Fl. 903 3 quanto à legitimidade do aproveitamento de prova emprestada no processo administrativo fiscal. O recurso especial foi formalmente admitido à CSRF por meio do despacho de fls. 891 e 892. A fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 894 a 899. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator Admissibilidade O apelo foi apresentado tempestivamente, a matéria foi prequestionada e o instrumento recursal foi apropriadamente formado. Portanto, do ponto de vista formal, os pressupostos de admissibilidade foram plenamente satisfeitos. Contudo, a meu sentir, o despacho de admissibilidade de fls. 891 e 892 incorreu em equívoco, porquanto se ateve unicamente ao conteúdo formal do caso em espécie, quando, na verdade, o dissídio jurisprudencial revelase no conteúdo material, ou seja, o dissídio jurisprudencial consiste na interpretação divergente da mesma norma aplicada a fatos iguais ou semelhantes, o que implica a adoção de posicionamento distinto para a mesma matéria versada em hipóteses semelhantes na configuração dos fatos embasadores da questão jurídica. A decisão recorrida laborou em processo de determinação e exigência de crédito tributário, decorrente de infração considerada como dano ao Erário, capitulada no artigo 23, incisos IV e V, do DL nº 1.455, de 1976. Com vistas a bem descrever a infração detectada, a Fiscalização trouxe aos autos provas emprestadas do processo administrativo fiscal nº 12466.002687/200976, que demonstrariam que (1) a pessoa jurídica ocultada utilizou outro interveniente com vistas a realizar operação de importação de mercadorias, (2) os necessários ajustes pelo fabricante no exterior para que as mercadorias se adequassem às especificações determinadas pela real adquirente, e (3) que três dos quatro exportadores do presente processo são os mesmos exportadores identificados naquele processo. Apreciando tal conjunto probatório, a decisão recorrida chamou a atenção para a validade da prova emprestada, eis que colhida de procedimento administrativo aviado pela própria unidade de jurisdição onde realizado o procedimento fiscal sub examine, sendo que um dos contribuintes listados no pólo passivo desta exigência fiscal também figurava como interveniente nos processos administrativos em que extraídas as provas aqui utilizadas. Dá ainda especial relevo ao fato de que, à ora recorrente, ainda que não compondo, em qualquer condição, os processos originários dos elementos de prova aqui empregados, foi franqueado amplo acesso a esses documentos e ao presente processo, bem como, oportunizado o pleno contraditório, como corolário da ampla defesa, mediante o procedimento contencioso administrativo, com todas as faculdades, ônus e efeitos daí decorrentes, principalmente, a interposição dos recursos cabíveis. Concluiu então que, nesse contexto o transplante de provas Fl. 904DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 de um processo para outro é plenamente admissível, já que foi observado o princípio da ampla defesa, mormente o contraditório em relação a estes elementos de convicção. O voto condutor do Acórdão nº 30128.378, indicado como paradigma, a despeito da sua ementa, totalmente disparatada dos fatos processuais e da matéria controvertida, não deixa dúvidas quanto à sua imprestabilidade como representativo de divergência jurisprudencial a respeito da validade da prova emprestada. Confirase o inteiro teor do voto: MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO Nº: 117.210 ACÓRDÃO N° : 30128.378 VOTO O não atendimento do pedido de análise técnica pela autoridade que julgou a ação fiscal, a impossibilidade de realizála, atendendo Resolução do Conselho, pela inexistência de contra prova, bem como o argumento de se usar prova emprestada, caracterizam perfeitamente o cerceamento do amplo direito de defesa, que devese embasar em provas irrefutáveis e não em presunção Deixo pois de apreciar o mérito, para acolher a preliminar de Nulidade da presente ação final. Sala das Sessões, em 21 de maio de 1997 MOACYR ELOY DE MEDEIROS – RELATOR Como se vê, a precariedade do voto proferido impede que se estabeleça base de comparação entre as circunstâncias fáticas e que se deduza que o acórdão indicado rejeita peremptoriamente, em qualquer condição, a adoção de prova emprestada. O outro acórdão indicado, nº 3101001.749, não terá melhor sorte, pois o julgado pende do exame de embargos de declaração desde 10/12/2014 (antes, portanto, da impetração do recurso especial ora em análise). Tratandose de decisão precária, sem que se tenha esgotado definitivamente a “jurisdição”, o Acórdão também é imprestável como paradigma. Ainda que assim não fosse, o Acórdão indicado como paradigma nº 3010 001.749, ao contrário de divergir, está em franca sintonia com o acórdão recorrido, ao assentar que, no procedimento de fiscalização tendente à lavratura de auto de infração, o Fisco não está impedido de recorrer a prova emprestada de outros procedimentos instaurados para investigar os mesmos fatos, desde que individualize a conduta e o fato para fazer incidir a norma jurídica impositiva, em respeito ao art. 9° do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, sob pena de cerceamento do direito de defesa, tal e qual vaticinou o recorrido Acórdão nº 3401002.919. Se houve divergência de provimento entre os arestos confrontados, ela resultou, não da interpretação da norma tributária, mas dos fatos que subjaziam à sua incidência. Assim, por falta de comprovação material do dissídio, o apelo especial não merece conhecimento. Fl. 905DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12466.001851/201061 Acórdão n.º 9303003.527 CSRFT3 Fl. 904 5 Incidentalmente, não posso deixar de mencionar que o aproveitamento de provas emprestadas de outros processos, nos exatos termos em que admitiu a decisão recorrida, com sua validade condicionada ao respeito ao contraditório e ampla defesa do contribuinte, está em linha com a jurisprudência desta 3ª Turma da CSRF, ilustrada pelo Acórdão nº 9303 001.097 (Rel. Cons. Rodrigo Cardozo Miranda): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador:27/09/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA EMPRESTADA. POSSIBILIDADE. § 3º DO ARTIGO 30 DO DECRETO Nº 70.235/72. Não vicia o lançamento tributário a fundamentação da nova classificação fiscal calcarse em laudo feito em outro processo administrativo, que trata do mesmo produto, desde que não esteja em pauta a discussão sobre o produto em si, mas apenas sobre a sua classificação fiscal. São eficazes os laudos técnicos sobre produtos, exarados em outros processos administrativos, quando forem originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação. Recurso Especial do Procurador Provido Conclusão Forte nestes argumentos, não conheço do recurso especial do contribuinte. Sala de sessões, em 16 de março de 2016 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 906DF CARF MF Impresso em 11/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/04/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 06/04/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 11020.003245/2004-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTES USADOS NA PRODUÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO.
Considerando que, no caso vertente, os combustíveis e os lubrificantes, inclusive GLP, são utilizados no processo produtivo - há que se considerá-los como geradores de crédito da Cofins na sistemática não cumulativa, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03.
Numero da decisão: 9303-003.542
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Torres e Charles Mayer de Castro Souza, que davam provimento. O Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho votou pelas conclusões.
Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto
Tatiana Midori Migiyama - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Charles Mayer de Castro Souza (substituto convocado), Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTES USADOS NA PRODUÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. Considerando que, no caso vertente, os combustíveis e os lubrificantes, inclusive GLP, são utilizados no processo produtivo - há que se considerá-los como geradores de crédito da Cofins na sistemática não cumulativa, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Torres e Charles Mayer de Castro Souza, que davam provimento. O Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho votou pelas conclusões. Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto Tatiana Midori Migiyama - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Charles Mayer de Castro Souza (substituto convocado), Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto).
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DIREITO AO CRÉDITO. Considerando que, no caso vertente, os combustíveis e os lubrificantes, inclusive GLP, são utilizados no processo produtivo há que se considerálos como geradores de crédito da Cofins na sistemática não cumulativa, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Torres e Charles Mayer de Castro Souza, que davam provimento. O Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho votou pelas conclusões. Henrique Pinheiro Torres – Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 32 45 /2 00 4- 17 Fl. 3193DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen, Charles Mayer de Castro Souza (substituto convocado), Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 159.555, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial para reconhecer o direito ao crédito nas aquisições de GLP e lubrificantes para máquinas industriais. Em vista da decisão, foi consignado, então, no acórdão recorrido a seguinte ementa (Grifos Meus): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. OUTRAS DESPESAS. Por falta de previsão legal, não geram direito ao crédito do PIS/Cofins as despesas realizadas ou incorridas que não se enquadrem no conceito de insumo, exceto as previstas na legislação. Também não geram direito a crédito as despesas que não forem comprovadas por meio de documentação hábil e idônea. COMBUSTÍVEL E LUBRIFICANTES USADO NA PRODUÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. As despesas com a aquisição de combustíveis, inclusive o GLP, e os lubrificantes usados no processo produtivo da adquirente dão direito ao crédito do PIS/Cofins nãocumulativos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.” Fl. 3194DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.003245/200417 Acórdão n.º 9303003.542 CSRFT3 Fl. 3.194 3 Irresignada, após apreciação da matéria pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial requerendo que seja reformada a decisão recorrida na parte desfavorável à Fazenda Nacional, mantendose a glosa dos insumos indevidamente incluídos no cálculo do crédito do pedido de ressarcimento, em razão da divergência apontada e por ofensa ao disposto na Lei 10.833/03, IN SRF 247/02 e art. 111 do CTN. Insurge, para tanto, em síntese, que: · No caso concreto, parte dos insumos glosados pela autoridade a quo, como é o caso da aquisição de gás em empilhadeira e do lubrificante para máquinas, embora não sejam bens do ativo permanente e tenham sido consumidos ou gastos para que se dê o processo industrial, não tiveram contato físico direto, nem exerceram na condição de insumo, tampouco podem ser aproveitados como crédito da contribuição; · Não é qualquer gasto com combustível, lubrificante ou simplesmente qualquer custo, despesa ou encargo vinculado à receita de exportação que deve ser descontado da base de cálculo da Cofins, ao contrário, os descontos possíveis estão determinados na Lei 10.833/2002, regulamentada pela IN SRF 247/2002, e seus preceitos devem ser observados pelo aplicador do Direito. O apelo da Fazenda Nacional foi admitido integralmente, nos termos do Despacho de fls. 1 apreciado pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção em exercício à época. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Fl. 3195DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 O Recurso Especial é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso interposto pela Fazenda Nacional, eis que caracterizado o dissídio jurisprudencial, pois na análise dos julgados confrontados quanto à divergência suscitada, efetivamente se constatou. Ventiladas tais considerações, passo a discorrer sobre o cerne da lide, qual seja, primeiramente, sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito de PIS e Cofins trazida pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Vêse que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Fl. 3196DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.003245/200417 Acórdão n.º 9303003.542 CSRFT3 Fl. 3.195 5 Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] Fl. 3197DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] Fl. 3198DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.003245/200417 Acórdão n.º 9303003.542 CSRFT3 Fl. 3.196 7 §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. Fl. 3199DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, pra tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): Fl. 3200DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.003245/200417 Acórdão n.º 9303003.542 CSRFT3 Fl. 3.197 9 “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) a. matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) b. os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) [...]” · O art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: Fl. 3201DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; Fl. 3202DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.003245/200417 Acórdão n.º 9303003.542 CSRFT3 Fl. 3.198 11 f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; Fl. 3203DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos Fl. 3204DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.003245/200417 Acórdão n.º 9303003.542 CSRFT3 Fl. 3.199 13 de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõe se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como Fl. 3205DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 14 os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Fl. 3206DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11020.003245/200417 Acórdão n.º 9303003.542 CSRFT3 Fl. 3.200 15 Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Importante considerar que, no caso vertente, o gás (GLP) usado em empilhadeira e o lubrificante para máquinas são usados na produção de artefatos de madeira. Ademais a empilhadeira é usada para a movimentação de matéria prima e de produtos acabados dentro da empresa – o que se torna essencial para a sua atividade. Não se pode, ainda, desconsiderar o disposto no art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 com alterações posteriores, in verbis (Grifos Meus): “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]” Nesse ínterim, considerando que os combustíveis e os lubrificantes, inclusive GLP, são utilizados no processo produtivo – há que se considerálos como geradores de crédito da Cofins na sistemática não cumulativa – enfatizando ainda que a própria Lei 10.833/03 esclareceu que são geradores os combustíveis e lubrificantes utilizados na produção. Fl. 3207DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 16 Em vista de todo o exposto, voto por admitir o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e negarlhe provimento ao seu recurso. Tatiana Midori Migiyama Relatora Fl. 3208DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 29/03/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 37299.007476/2006-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 28/02/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não se acolhem os embargos declaratórios quando inexistente a omissão e/ou obscuridade apontadas no julgado pela parte recorrente.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 2401-004.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER dos embargos declaratórios e, no mérito, NEGAR-LHES PROVIMENTO, deixando de acolher o recurso por inexistir os vícios apontados pelo sujeito passivo.
André Luís Mársico Lombardi - Presidente
Cleberson Alex Friess - Relator "ad hoc"
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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Embargante METSO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 28/02/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA. Não se acolhem os embargos declaratórios quando inexistente a omissão e/ou obscuridade apontadas no julgado pela parte recorrente. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER dos embargos declaratórios e, no mérito, NEGARLHES PROVIMENTO, deixando de acolher o recurso por inexistir os vícios apontados pelo sujeito passivo. André Luís Mársico Lombardi Presidente Cleberson Alex Friess Relator "ad hoc" Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 29 9. 00 74 76 /2 00 6- 87 Fl. 1848DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 37299.007476/200687 Acórdão n.º 2401004.205 S2C4T1 Fl. 1.849 2 Relatório Cuidamse de embargos de declaração tempestivamente opostos pelo contribuinte, às fls. 1.444/1.451, contra o Acórdão nº 230101.596, de relatoria do Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, proferido pela 1ª Turma de 3ª Câmara da 2ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), o qual está juntado às fls. 1.335/1.348. 2. Reclama a embargante a existência de omissão e obscuridade no v. acórdão, conforme resumido a seguir. 2.1 Quanto ao vício de omissão, tendo em vista que a fiscalização desconsiderou a personalidade jurídica das empresas contratadas, caracterizando os seus sócios como segurados empregados da embargante, o acórdão formalizado silenciou sobre a vedação prevista no art. 129 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, que cuida da prestação de serviços intelectuais. Essa questão foi suscitada pela recorrente no "item III.10" do seu recurso voluntário. 2.2 Ainda com relação à omissão, a embargante afirma que o julgado também calouse sobre o fato de que não há regra legal para desconsideração de personalidade jurídica pelos agentes fiscais (parágrafo único do art. 116 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN), faltandolhes, ademais, competência funcional para declarar a relação de emprego. 2.3 No tocante ao vício de obscuridade, a peticionante sustenta que o voto vencedor aplicou a regra do art. 173 do CTN para a contagem do prazo decadencial, por entender caracterizada a simulação, contudo deixando de expor com clareza a fundamentação da ocorrência da conduta ilícita. 3. Designado relator "ad hoc" para pronunciamento sobre a admissibilidade dos embargos de declaração opostos1, os aclaratórios foram admitidos por meio de despacho do presidente da 2ª Seção (fls. 1.843 e 1.844/1.845, respectivamente). É o relatório. 1 A designação "ad hoc" deuse com fundamento no § 7º do art. 49 c/c § 2º do art. 65 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Fl. 1849DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 37299.007476/200687 Acórdão n.º 2401004.205 S2C4T1 Fl. 1.850 3 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator "ad hoc" 4. Uma vez preenchidos os requisitos de admissibilidade dos embargos, passo ao exame de mérito. 5. Antes, porém, saliento que a designação de relator "ad hoc" é medida excepcional, neste caso devida à circunstância de o relator originário não mais compor o colegiado. 5.1 À vista disso, incumbeme a emissão de opinião sobre a necessidade de saneamento do Acórdão nº 2301001.596, a fim de submeter a questão à apreciação da Turma. Ressalvo, assim, que tal juízo não implica a minha concordância ou discordância com os fundamentos e as conclusões da decisão embargada. 6. Pois bem. Conquanto propõese a parte embargante a indicar a ocorrência de "error in procedendo", entendo que não logrou demonstrar em que ponto o acórdão embargado ostenta algum dos vícios formais que ensejam o manejo dos declaratórios, de maneira a merecer integração e/ou aclaramento. 7. A respeito da alegação de omissão no acórdão, transcrevo a seguir parte do relatório e do voto do relator originário, Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, dado o conteúdo esclarecedor: RELATÓRIO [fls. 1.337/1.338] (...) 3. Quando da apresentação das razões recursais, o contribuinte aduziu em síntese: (...) f) que a desconsideração da personalidade jurídica não tem previsão legal e a incompetência funcional para declarar a existência de relação empregatícia; g) no mérito, defende a improcedência do débito levantado; não existe a relação de emprego configurada que o fisco procurou demonstrar, até porque todas as empresas prestadoras de serviços possuem ‘CNPJ’ próprio e funciona independentemente de determinações da recorrente. (...) Fl. 1850DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 37299.007476/200687 Acórdão n.º 2401004.205 S2C4T1 Fl. 1.851 4 VOTO [fls. 1.343/1.344] (...) DO VINCULO EMPREGATÍCIO 28. O relatório fiscal reza que “as contribuições incidem sobre os valores pagos através de notas fiscais de serviço a trabalhadores tidos pela Contratante com empresários, porém considerados por esta fiscalização como autênticos empregados da empresa, tendo em vista que prestam serviços de forma habitual, remunerada, pessoal, e subordinada à notificada.” 29. A recorrente alega que, para a desconsideração da personalidade jurídica deve haver prévia autorização legal, sem a qual a medida seria ilegal e abusiva, posto que qualquer ato da administração deve atender, obrigatória e exclusivamente ao princípio da legalidade. Argumenta, ainda, que eventual fraude não se presume, se prova, o que não ocorreu no presente caso, pois jamais existiu e não houve processo judicial. 30. A proposição de invalidade do procedimento fiscal não merece guarida, pois os elementos coligidos aos autos dão conta de que o Fisco procedeu à investigação e à fiscalização dentro dos limites da lei, não ocorrendo qualquer excesso violador de direito. 31. Nesse sentido prescreve o parágrafo 2º, do artigo 229, do Decreto 3.048/99: “se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. 32. A prova do vínculo empregatício entre os prestadores de serviço e a recorrente restaram patentes. Nesse momento, peço vênia para transcrever partes do relatório fiscal que comprovam os fatos: (...) 34. Assim, pelo relato fiscal resta evidente que estão presentes todos os pressupostos estabelecidos pelo artigo 3° da Consolidação das Leis do Trabalho — CLT para a caracterização dos prestadores de serviços como empregados da ora recorrente. (grifei) (...) 36. Dessa forma, mantenho o lançamento para o período de 12/2000 a 02/2005, pelos motivos expostos acima. Fl. 1851DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 37299.007476/200687 Acórdão n.º 2401004.205 S2C4T1 Fl. 1.852 5 8. De um lado, o trecho em destaque do relatório revela que o relator tinha conhecimento acerca dos argumentos trazidos pelo sujeito passivo no recurso voluntário, mais especificamente quanto à ausência de previsão legal para a desconsideração da personalidade jurídica e da incompetência da autoridade fiscal para a declaração da existência de relação empregatícia com os sócios das empresas prestadoras de serviços. 9. De outra banda, o voto indica a discordância do julgador com os argumentos da recorrente, de maneira tal que a linha de pensamento exposta no recurso voluntário foi rechaçada nos fundamentos por considerar o relator que a fiscalização "procedeu à investigação e à fiscalização dentro dos limites da lei, não ocorrendo qualquer excesso violador de direito.", sendo que "a prova do vínculo empregatício entre os prestadores de serviço e a recorrente restaram patentes." 10. É de verse que o acórdão embargado, relativamente a crédito tributário do período de 12/2000 a 02/2005, enfrentou e posicionouse sobre as questões trazidas pela recorrente à apreciação do Colegiado, ainda que não tenha mencionando expressamente os dispositivos das leis citadas no recurso voluntário (art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005, e art. 116, parágrafo único, do CTN). 11. Em outros dizeres, a questão controvertida foi solucionada de modo fundamentado pelo acórdão, não existindo a obrigatoriedade de menção aos dispositivos constitucionais e/ou legais invocados pelas partes, tampouco a necessidade de rebater uma a uma, em separado, as teses contidas no apelo recursal. 12. Como cediço, mesmo nos embargos destinados ao prequestionamento, a via recursal dos embargos de declaração é rígida e não se presta a discutir situação em que se alega "error in judicando", sob o fundamento de ter ocorrido uma inadequada análise das questões de direito. 13. Em verdade, pretende a embargante rediscutir a rigidez dos fundamentos do acórdão embargado, o que é inviável por meio dos declaratórios. 14. Quanto à obscuridade no julgado, é manifesta a clareza do acórdão recorrido quanto à justificativa para a incidência do art. 173 do CTN, assim reproduzido no voto vencedor: (...) Aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150 do CTN, apenas quando não for comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o que não é o caso presente, já que a fiscalização constatou e comprovou a ocorrência dessa última situação, caso em que se aplica o prazo previsto no art. 173, do CTN, transcrito a seguir: (grifei) (...) Fl. 1852DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 37299.007476/200687 Acórdão n.º 2401004.205 S2C4T1 Fl. 1.853 6 15. A meu sentir, o trecho destacado do voto permite inequívoca e objetiva compreensão das razões decisórias. A Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, redatora designada, anuiu com o entendimento consignado pela acusação fiscal quanto à conduta do sujeito passivo, uma vez que apoiada em linguagem de provas. Ratificou, desse modo, a ocorrência de simulação. 16. Nesse ponto, igualmente, visualizo que a embargante almeja rediscutir matéria já decidida, o que não é cabível pela via dos declaratórios. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER dos embargos declaratórios e, no mérito, NEGARLHES PROVIMENTO, deixando de acolher o recurso por inexistir os vícios apontados pelo sujeito passivo. É como voto. Cleberson Alex Friess Fl. 1853DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 03/04/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 10665.720290/2013-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2011
LANÇAMENTO. ERRO DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. DECLARAÇÃO.
Padece de erro de motivação o lançamento que arrola razões que não se compaginam com os elementos do processo, mostrando dissonância entre as imputações feitas e as informações e declarações carreadas aos autos no curso do procedimento fiscal. A motivação, como requisito obrigatório dos atos administrativos deve apresentar congruência na análise das razões de fato e de direito, com lastro no acervo documental, para subsunção do direito aplicável, sob pena de nulidade.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3401-003.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Robson José Bayerl - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge DOliveira e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2008 a 31/12/2011 LANÇAMENTO. ERRO DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. DECLARAÇÃO. Padece de erro de motivação o lançamento que arrola razões que não se compaginam com os elementos do processo, mostrando dissonância entre as imputações feitas e as informações e declarações carreadas aos autos no curso do procedimento fiscal. A motivação, como requisito obrigatório dos atos administrativos deve apresentar congruência na análise das razões de fato e de direito, com lastro no acervo documental, para subsunção do direito aplicável, sob pena de nulidade. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício. Júlio César Alves Ramos Presidente Robson José Bayerl Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 02 90 /2 01 3- 74Fl. 1883DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 11/07/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Tratase de auto de infração para exigência de PIS/PASEP e Cofins não cumulativos, período fevereiro/2008 a dezembro/2011, decorrente de glosas de crédito presumido previsto no art. 8º, I da Lei nº 10.925/04, devido ao não preenchimento dos requisitos para creditamento; aquisições de pessoa jurídicas inaptas e saídas com suspensão sem observância das regras atinentes. Em impugnação o contribuinte, preliminarmente, criticou a complexidade das planilhas elaboradas pela fiscalização e a descrição sucinta dos exames e glosas realizadas, bem como, sustentou a decadência do direito aos ajustes promovidos em 2007, refletidos no ano de 2008, em face da não cumulatividade. No mérito, apontou a confusão da autuação no que tange à atividade por ele exercida, à luz da definição legal estabelecida pela Lei nº 10.925/04 de estabelecimento cerealista e agroindústria; que não executa as atividades de cerealista, mas sim de agroindústria, apontando as incoerências entre a argumentação do lançamento e a realidade dos fatos; questionou a glosa dos créditos em decorrência de não realizar as fases de produção em estabelecimento próprio, mas de pessoas jurídicas interligadas; que, a partir de 13/05/2009, passou a exercer todas as etapas em estabelecimento próprio, fazendo jus ao crédito; que, relativamente às aquisições de pessoas jurídicas inaptas, é adquirente de boafé e comprova o pagamento do produto adquirido; e, que as saídas com suspensão das contribuições estariam amparadas pelo art. 40 da Lei nº 10.865/04. A DRJ Belo Horizonte/MG deu parcial provimento à impugnação, nos seguintes termos: “NULIDADES. INEXISTÊNCIA. Inexiste nulidade quando o exame da impugnação evidencia a correta percepção do conteúdo e do alcance do lançamento. Se não houve prejuízo para a defesa e o ato cumpriu sua finalidade, não há que se falar em decretação de nulidade. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Na ausência de pagamento antecipado contase o prazo para homologação do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. CRÉDITOS. DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. GLOSAS. Restabelecendose em parte os créditos glosados em procedimento fiscal, deve ser considerado parcialmente procedente o lançamento que apurou débitos remanescentes após reconstituição dos créditos informados em Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais Dacon. CRÉDITOS PRESUMIDOS. GLOSAS. LEI Nº 10.925, DE 2004. Para fazer jus a créditos presumidos no período objeto da autuação, a contribuinte precisa atender às exigências determinadas pela legislação. Fl. 1884DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 11/07/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10665.720290/201374 Acórdão n.º 3401003.188 S3C4T1 Fl. 11 3 CRÉDITOS BÁSICOS. GLOSAS. AQUISIÇÕES DE PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES DE FATO OU NÃO AUTORIZADAS A EMITIREM DOCUMENTAÇÃO FISCAL. COMPROVAÇÃO. Havendo prova do pagamento do preço ao fornecedor e do efetivo recebimento das mercadorias ou serviços, os créditos apurados com base em documentação fiscal inidônea devem ser restabelecidos. VENDAS A EMPRESA PREPONDERANTEMENTE EXPORTADORA. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DO TRIBUTO. REQUISITOS. A suspensão da incidência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins nas vendas realizadas a empresas preponderantemente exportadoras somente será admitida uma vez cumpridos todos os requisitos legais para o gozo do benefício. CRÉDITOS. NÃOCUMULATIVIDADE. SALDO INICIAL NO PERÍODO. Os atos administrativos gozam de presunção de legitimidade, de forma que o procedimento fiscal realizado em períodos anteriores não pode ser desconsiderado na apuração de créditos em períodos subseqüentes.” Em recurso voluntário o contribuinte repisou a decadência do direito de promover ajustes em 2007, com reflexos em 2008, mesmo que em 2007 não tenha havido lançamento; que o princípio da tipicidade cerrada impede que o órgão de julgamento altere o fundamento da autuação, como ocorreu, quando da análise da atividade exercida; que faria jus aos créditos glosados, na qualidade de agroindústria; que a suspensão das contribuições estaria embasada em lei; e, por fim, quanto às compras de empresas inaptas, juntou documentação complementar referente às aquisições não admitidas na DRJ por ausência de comprovação de pagamento/recebimento. Na sessão de 23/04/2014, através do Acórdão 3401002.565, a 1ª Turma Ordinária/4ª Câmara/3ª SEJUL/CARF anulou a decisão de primeira instância, por alteração dos fundamentos do lançamento, com vistas à sua manutenção, determinando que outro fosse exarado, com exame dos fatos à luz da imputação realizada no auto de infração. Em novel julgamento, a DRJ Belo Horizonte/MG, deu provimento integral à impugnação, em decisão assim ementada: “AUTUAÇÃO. ERRO NA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. NULIDADE MATERIAL. A precisa indicação da infração e enquadramento legal é aspecto essencial na fixação da matéria tributável de modo que eventual erro nesse aspecto do lançamento se constitui vício substancial e insanável e, portanto, enseja a nulidade do procedimento adotado.” Desta decisão houve interposição de recurso de ofício. Cientificado da decisão, o contribuinte não se manifestou. Em seguida, os autos foram devolvidos para prosseguimento. É o relatório. Fl. 1885DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 11/07/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator A remessa necessária atende aos requisitos para sua interposição, devendo ser analisada. Preambularmente, tendo em conta que o contribuinte, no caso vertente, não renovou sua irresignação na oportunidade franqueada, as questões deduzidas no recurso voluntário não serão conhecidas neste momento processual, mesmo porque já absorvidas pela exoneração integral do lançamento. Feita a observação inicial, passase ao exame. Segundo a decisão sob revisão, o motivo para reconhecimento da nulidade se justificou pelo erro de motivação da autuação, consistente na confusão perpetrada entre a atividade exercida pelo contribuinte, agroindústria, e as implicações daí decorrentes, e aquela tomada pela fiscalização, cerealista, para realização das glosas. Como destacado pela decisão de piso, a Lei nº 10.925/04, vigente por ocasião dos fatos, trouxe conceitos e tratamentos tributários diversos às atividades de cerealista e agroindústria, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, como se extrai de seus arts. 8º e 9º: “Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Lei nº 12.839, de 2013) (Vide Lei nº 12.865, de 2013) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 1886DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 11/07/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10665.720290/201374 Acórdão n.º 3401003.188 S3C4T1 Fl. 12 5 II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013) (Vide Lei nº 12.839, de 2013) I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e (Vide Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) II 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) IV 50% (cinquenta por cento) daquela prevista no caput do art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, regularmente habilitada, provisória ou definitivamente, perante o Poder Executivo na forma do art. 9oA; (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) V 20% (vinte por cento) daquela prevista no caput do art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no caput do art. 2o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, não habilitada perante o Poder Executivo na forma do art. 9oA. (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; Fl. 1887DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 11/07/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. § 5o Relativamente ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo, o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem, pela Secretaria da Receita Federal. § 6o Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Revogado pela Medida Provisória nº 545, de 2011) (Revogado pela Lei nº 12.599, de 2012). § 7o O disposto no § 6o deste artigo aplicase também às cooperativas que exerçam as atividades nele previstas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Revogado pela Medida Provisória nº 545, de 2011) (Revogado pela Lei nº 12.599, de 2012). § 8o É vedado às pessoas jurídicas referidas no caput o aproveitamento do crédito presumido de que trata este artigo quando o bem for empregado em produtos sobre os quais não incidam a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, ou que estejam sujeitos a isenção, alíquota zero ou suspensão da exigência dessas contribuições. (Incluído pela Medida Provisória nº 552, de 2011) (Vide Decreto Legislativo nº 247, de 2012) § 9o O disposto no § 8o não se aplica às exportações de mercadorias para o exterior. (Incluído pela Medida Provisória nº 556, de 2011) (Produção de efeito) Sem eficácia § 10. Para efeito de interpretação do inciso I do § 3o, o direito ao crédito na alíquota de 60% (sessenta por cento) abrange todos os insumos utilizados nos produtos ali referidos. (Incluído pela Lei nº 12.865, de 2013) Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide Lei nº 12.058, de 2009) (Vide Lei nº 12.350, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 545, de 2011) (Vide Lei nº 12.599, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 582, de 2012) (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013 (Vide Medida Provisória nº 609, de 2013) (Vide Lei nº 12.839, de 2013) (Vide Lei nº 12.865, de 2013) (Vide Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou Fl. 1888DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 11/07/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10665.720290/201374 Acórdão n.º 3401003.188 S3C4T1 Fl. 13 7 cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004)” (destacado) Consoante o Termo de Verificação Fiscal de fls. 92 e ss., a fiscalização partiu da premissa que o contribuinte se classificaria como cerealista e, nesta condição, não faria jus ao crédito presumido por desatender aos requisitos cumulativos para fruição do pretenso direito, como atesta a seguinte passagem: “A Legislação do PIS e da COFINS prevê a possibilidade de aproveitamento de tais créditos desde que a pessoa jurídica que fará jus aos créditos pleiteados exerça as funções de secagem, limpeza, padronização, armazenagem, comercialização dos grãos de café adquiridos, não podendo utilizar estabelecimentos de terceiros para tais atividades. O contribuinte em questão formulou consulta junto à Secretaria da Receita Federal através dos processos 13674.000037/200499, onde questionou o direito a créditos de COFINS sobre compra de produtos de origem vegetal (classificadas no capítulo 9 da Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM) de acordo com o disposto no artigo 3º, §§ 5º e 11 da Lei nº. 10.833/2003 e artigo 5º da MP 183/2004. Pela Solução de Consulta SRRF/6ªRF/DISIT Nº 213 de 24 de junho de 2004, ao contribuinte foi respondido que só faz jus a tais créditos quem exerce cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos; não podendo utilizar estabelecimentos de terceiros para realizar tais atividades. Verificando a documentação apresentada pelo próprio contribuinte, nesta auditoria fiscal, apuramos que a armazenagem do café adquirido, neste período analisado, era feita pela empresa ARMAZÉNS GERAIS OESTE MINEIRO LTDA, CNPJ: 20.333.613/000158. Os créditos de PIS e de COFINS oriundos de tais custos de armazenagem foram concedidos como sendo apropriados à entrada do café no estabelecimento do contribuinte (custo do produto adquirido). (...) No entanto, a legislação vigente à época (artigo 8º, inciso I da Lei nº 10.925/2004) diz que só fazia jus ao aproveitamento de tais créditos desde que a pessoa jurídica exerça CUMULATIVAMENTE as funções de Fl. 1889DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 11/07/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 secagem, limpeza, padronização, armazenagem, comercialização dos grãos de café adquiridos, não podendo utilizar estabelecimentos de terceiros para tais atividades. O contribuinte continuou armazenando café nos estabelecimentos da empresa ARMAZÉNS GERAIS OESTE MINEIRO LTDA, CNPJ: 20.333.613/000158 conforme demonstrado na própria planilha de apuração de créditos de PIS e COFINS confeccionada por ele mesmo. A sede situada no endereço rua Siqueira Campos, nº 274, galpão A, bairro São Francisco, Piumhi – MG, não era suficiente para armazenagem das sacas de café e a empresa continuava a utilizar estabelecimento de terceiros para cumprir a etapa de armazenagem do café. Esta armazenagem gerou créditos de PIS e de COFINS oriundos de seus custos de armazenagem que foram concedidos como sendo apropriados à entrada do café no estabelecimento do contribuinte (custo do produto adquirido). Sendo assim, o contribuinte não faz jus a tais créditos por não atender as condições da legislação, sendo por esta razão glosados. Pela glosa de tais créditos, foram apurados valores devidos a título de contribuições devidas ao PIS e COFINS que foram devidamente cobradas em Autos de Infração específicos.” (destacado) Ocorre que o contribuinte, ora recorrente, nunca informou exercer a atividade de cerealista, como assevera a fiscalização, mas sim agroindústria, como deixa claro a declaração prestada às fls. 156, encaminhada em 14/09/2012, em atendimento a intimação da própria fiscalização, onde informa o seguinte: “De 2007 a 12/05/2009, informamos que o processo de padronização, beneficiamento, mistura de tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separação por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação fiscal (sic), foi realizado preponderantemente pelo Armazéns Gerais Oeste Mineiro Ltda., CNPJ (...), empresa interligada uma vez que o sócio controlador de ambas é Ramiro Júlio Ferreira Júnior, CPF (...). (...) De: 13/05/2009 a 31/12/2011, informamos que o processo de padronização, beneficiamento, mistura de tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separação por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação fiscal (sic), foi realizado pela empresa Minas Export Ltda., na sede da empresa com maquinário próprio.” Como se vê, não se afirmou que a atividade consistisse em secagem, limpeza, padronização, armazenagem e comercialização do café, como destacou a fiscalização, mas sim o exercício das atividades de padronização, beneficiamento, mistura de tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separação por densidade dos grãos. Demais disso, como bem salientado pela decisão sub examine, ainda que fosse o caso de tratarse de cerealista, o fundamento para denegação do crédito estaria Fl. 1890DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 11/07/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10665.720290/201374 Acórdão n.º 3401003.188 S3C4T1 Fl. 14 9 equivocado, haja vista que o art. 8º, § 4º, I da Lei nº 10.925/04 veda a possibilidade de aproveitamento do referido crédito presumido a pessoas jurídicas que exerçam essa atividade. Ou seja, ainda que o recorrente fosse cerealista, a inexistência do direito requerido não esbarraria na ausência de exercício cumulativo das operações de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar, como aduziu a fiscalização, mas na proibição pura e simples de sua fruição. É certo que parte da glosa seria procedente, todavia, por razão diversa daquela externada no TVF, consistente no fato do contribuinte, mesmo na qualidade de agroindústria, não realizar as operações de padronização, beneficiamento, seleção por aroma e sabor ou classificação por densidade em estabelecimento próprio, mas utilizando da estrutura de terceiros, o que, nos termos da Solução de Consulta nº 3/2007/DISIT 6ª RF/RFB, formulada pelo próprio contribuinte, não garantiria direito ao crédito. Entretanto, os atos decisórios não podem corrigir a fundamentação do lançamento, devendo examinar a sua procedência sob o ângulo estrito da acusação fiscal, sob pena de indevida inovação da autuação. Em síntese, as razões elencadas no auto de infração, na forma proposta, não respaldam as glosas de crédito presumido efetivadas, haja vista que o contribuinte não exerce a atividade de cerealista, motivo pelo qual mostrase nulo o lançamento, por vício de motivação, como acertadamente decidiu o colegiado a quo. Esse defeito acabou por reverberar na parcela da autuação que desconsiderou as vendas com suspensão das contribuições, eis que também lastreadas na ausência de preenchimento dos requisitos para qualificarse, o contribuinte, como cerealista. Respeitante às aquisições de pessoas jurídicas baixadas, cuja prova foi complementada, à luz da primeva decisão de piso, o novel decisório deixou de se manifestar, no tocante ao mérito, ante a absorção integral dos valores exigíveis, pelo restabelecimento do crédito presumido. Neste diapasão, acertado o raciocínio engendrado, ao passo que, uma vez anulada a glosa dos créditos presumidos, a partir dos demonstrativos componentes da autuação, nenhum valor remanesceria para ser exigido, de modo que o enfretamento da questão acabaria por incidir sobre o direito em tese, pois, independente do que decidido, a exoneração alcançaria a totalidade da exigência fiscal. Por conveniente, cumpre acentuar que a insubsistência do lançamento, em hipótese alguma, implica o exame ou reconhecimento do direito ao crédito presumido aqui tratado, restando claro que a improcedência do lançamento se deveu exclusivamente ao vício de motivação. Em face de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Robson José Bayerl Fl. 1891DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 11/07/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 Fl. 1892DF CARF MF Impresso em 29/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 11/07/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 13/07/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 14098.720101/2014-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3201-000.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Maurício Haga, OAB/SP nº 228398.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira,Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o(a) advogado(a) Maurício Haga, OAB/SP nº 228398. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Winderley Morais Pereira,Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. RELATÓRIO Os interessados acima identificados recorrem a este Conselho em face do Acórdão nº 0130.969, de 23 de dezembro de 2014, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) (fls. 2216/2256) O feito foi assim relatado pela DRJ: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 98 .7 20 10 1/ 20 14 -8 7 Fl. 2498DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 14098.720101/201487 Resolução nº 3201000.649 S3C2T1 Fl. 2.499 2 Trata o presente processo de Autos de Infração com exigência tributária da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins no valor R$ 16.434.491,64, incluindo principal, multa e juros de mora, e da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS/Pasep no valor de R$ 3.568.014,62, incluindo o principal, multa e juros de mora, totalizando o crédito tributário no valor de R$ 20.002.506,26, conforme demonstrativo de fl. 2, lavrados em decorrência de insuficiência de recolhimento das contribuições. Consta do Relatório Fiscal que a empresa GUAPORÉ CARNE S/A não incluiu na base de cálculo do PIS e nem da Cofins os ganhos com incentivos fiscais do ICMS concedido pelo Governo do Estado de Rondônia no valor de R$ 11.224.633,77, e calculou créditos das Contribuições, relativas às aquisições de insumos (gados) de pessoas físicas com alíquota cheia, não respeitando o limite de crédito presumido de 60%. Foi constatado que durante o período em que se deu a infração o estabelecimento pertencia à empresa GUAPORÉ CARNE S/A, sendo que o mesmo foi posteriormente alienado à empresa JBS S/A (CNPJ nº 02.916.265/000160). Reflexo das apurações fiscais e dos lançamentos na contribuinte, foram imputados como responsáveis tributáveis: JBS S/A (CNPJ nº 02.916.265/000160), com fundamento nos arts. 133, inciso I, combinado com os arts. 124 e 129 do CTN; Diosmirso Ferreira (CPF nº 327.635.73991) e Ivana Carnelos Birtche (CPF nº 513.851.71120) sócios da empresa Guaporé Carnes Ltda, com fundamento no art. 135, incisos II e III, do CTN; e Wesley Mendonça Batista (CPF nº 364.873.92120) presidente da JBS, com fundamento no art. 135, incisos II e III, do CTN. Consta do Termo Fiscal de Caracterização de Sucessão (fls. 46/60), que a fiscalização efetuou diligência no local onde deveria estar instalada a firma Guaporé Carnes Ltda, conforme cadastro da RFB (Município de ColiderMT, Av. Ulisses Guimarães, 889, Pólo Industrial III), mas foi encontrada e em pleno funcionamento utilizando todas as instalações da firma Guaporé, a firma JBS S/A. No local, conforme Termo de Constatação, encontravase o Sr. Klebston Ferreira Barros, que se identificou, como Coordenador de RH da JBS, o qual esclareceu, dentre outros: a) que o Gerente Administrativo estava viajando, b) a JBS arrendou todos os estabelecimentos da Guaporé Carnes c) a JBS entrou em atividade em 01/03/2012, d) que a arrendatária além de alugar todos os imóveis e instalações, assumiu todos os empregados da arrendante, fazendo as devidas anotação nas respectivas Carteira de Trabalhos e Previdência Social dos empregados e, apresentou uma cópia do Contrato de Locação, firmado entre a JBS e a FR Participações Ltda, CNPJ n°. 13.608.635/000118, esclarecendo, ainda que o Contrato de Arrendamento firmado com a Guaporé Carnes S/A, encontrase em poder da Matriz. Fl. 2499DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 14098.720101/201487 Resolução nº 3201000.649 S3C2T1 Fl. 2.500 3 A fiscalização, solicitou extensão de Mandado de Procedimentos Fiscais, para fins de diligência, em relação às firmas FR Participações e JBS S/A e, inda, solicitou ao Serviço de Programação da Delegacia da Receita Federal em CuiabáMT levantamento, em relação às alterações de cadastros, imóveis e movimentações de empregados, em especial esta através da DIRF e aquela pela GFIP, além de outras base de informações da SRFB. O Serviço de Programação da Delegacia da Receita Federal em CuiabáMT, após seus levantamentos apresentou Relatório de Cruzamentos de Informações, dando ênfase ao ano de 2012, em que foram noticiados a transferência dos parques industriais: No cruzamento foram constatados, em síntese: 1 que a firma JBS constituiu cinco filiais, na data de 17/02/2012, todos nos mesmos endereços dos estabelecimentos da Guaporé Carnes Ltda, anexando a relação comparativa. 2 que os estabelecimentos da Guaporé Carnes apresentaram GFIP com os trabalhadores até fevereiro de 2012 e, as filiais da JBS S/A, das localidades em que ocorreram as transações de transferências apresentaram as GFIP dos mesmos empregados, a partir de março/2012, o que caracteriza ter assumido os empregados a partir da sucessão e, ainda, confirma as informações prestadas pelo Sr. Klebston Ferreira Barros. 3 que dos 2.017 trabalhadores ativos da Guaporé Carnes, na data da transação, 1.998 trabalhadores foram transferidos para firma JBS e passaram a constar da GFIP desta, a partir de março de 2012. 4 que também foi comparada a relação dos beneficiários pessoas físicas do código 0561 rendimento de trabalho assalariado da DIRF de 2012 das duas empresas, quando se verificou que dos 2.228 trabalhadores, pessoas física, constantes da DIRF da Guaporé, 2014 trabalhadores também estão relacionadas na DIRF da JBS. Os Fatos identificados, nos item 2, 3 e 4 confirmam as informações do Sr. Klebston Ferreira Barros, Coordenador de RH. 5 que através da DOI, foram registrados as seguintes transações: a) em 30/03/2012, a empresa CICC Participações S/A alienou um imóvel localizado em ConfresaMT para a FR Participações Ltda e o mesmo imóvel foi alienado para a JBS em 11/04/2012 pelo mesmo valor de compra, b) em 20/07/2012, a empresa CICC Participações S/A alienou um imóvel localizado em JuínaMT para a FR Participações Ltda e o mesmo imóvel foi alienado para a JBS no mesmo dia e pelo mesmo valor de compra, c) em 11/04/2012, a empresa CICC Participações S/A alienou dois imóveis localizado em Porto Velho RO para a JBS, d) em 29/05/2012, a empresa CICC Participações S/A alienou um imóvel localizado em São Miguel do guaporéRO para a FR Participações Ltda e o mesmo imóvel foi alienado no mesmo dia para a JBS pelo mesmo valor de compra, e) que existem duas DOI informando que os imóveis localizados, no Município de São Miguel do Guaporé, já descrito, foram adquiridos pela empresa Guaporé Carnes, em 28/03/2008, f) que a empresa CICC Participações S/A , CNPJ n°. 10.524.693/000175 tinha como razão social anterior Nova Guaporé Participações S/A, é uma holding com endereço em Colider e tem como Fl. 2500DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 14098.720101/201487 Resolução nº 3201000.649 S3C2T1 Fl. 2.501 4 dirigentes as mesmas pessoas constantes do cadastro da Guaporé Carnes Ltda, ou seja , os membros da família Birtche, g) conclui a programação que a firma FR Participações Ltda foi colocada no negócio apenas com a tentativa de camuflar a transação, o negócio foi efetivamente realizado entre a Guaporé Carnes Ltda e a JBS S/A. Foi intimada a firma FR Participações Ltda, para esclarecer a transação e a locação dos parques industriais a empresa JBS e comprovar a propriedade dos imóveis alocados. Esta apresentou balanço patrimonial, balancetes de verificações mensais, relativos aos anos calendários 2011 e 2012, contrato de locação de imóvel e instalações industriais, contratos de compromisso de venda e compra de unidades industriais firmado com a JBS S/A e Escritura de Venda e Compra de Imóvel. Analisando os documentos apresentados individualmente, em especial, aos contratos, escrituras e demonstrativos financeiros, a fiscalização fez a seguinte síntese: 1 Contrato Particular de Compromisso de Venda e Compra de unidade Industrial Frigorífica e Outras Avenças, ambos datados 11/04/2012. Um referente a Unidade Frigorífica de ConfresaMT e Outro relativo a Unidade Frigorífica de São Miguel do GuaporéRO. a) Quanto a Unidade de Confresa, extraise do contrato como vendedora da unidade a FR Participações Ltda e compradora a JBS S/A., por outro lado, a ora vendedora afirma ser a legitima proprietária do imóveis e instalações, tendo adquirido em 03/02/2012, através de contrato de compromisso firmado com a Industria Frigorífica Confresa Importações e Exportações, CNPJ n°. 08.779.949/000143. Preço ajustado foi de R$ 44.000.000,00, parcelados em quatro parcelas iguais. b) Quanto a Unidade de São Miguel do Guaporé, extraise do contrato como vendedora da unidade a FR Participações Ltda e compradora a JBS S/A., por outro lado, a ora vendedora afirma ser a legitima proprietária do imóveis e instalações, tendo adquirido em 03/02/2012, através de contrato de compromisso firmado com a Guaporé Carnes S/A. Preço ajustado foi de R$ 48.000.000,00, deste deverá ser deduzidos os aluguéis pagos e a diferença se houver, pagamento em 60 dias. 2 Escritura de Venda e Compra de Bens Imóveis e Instalações Industriais: a) Transcrito pelo Cartório Pirapora Oficial de Registro Civil das Pessoas Naturais e Tabelião de Notas de Pirapora do Bom Jesus, Comarca de BarueriSP. Neles foram lavradas as escrituras dos seguintes imóveis: a) Área de Terra Rural, medindo 29,7375 ha, localizado no município de ConfresaMT e instalações frigoríficas, ao preço de R$ 44.000.000,00, b) Área de Terra Rural, medindo 21,4678 ha, localizado no município de São Miguel do Guaporé RO e instalações frigorífica, ao preço de R$ 48.000.000,00. d) Área de Terra Rural, medindo 19,4041 ha, localizado no município de JuinaMT e instalações frigorífica, ao preço de R$ 75.000.000,00, sendo esta retificada em 20/07/2012. Registrase que a escrituras dos imóveis correspondem às informações das DOIs listadas pelo Serviço de Programação da DRFCuiabá. Fl. 2501DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 14098.720101/201487 Resolução nº 3201000.649 S3C2T1 Fl. 2.502 5 b) Transcrito pelo 1º. Serviço Registrai Estado de Mato Grosso Comarca de Porto Alegue do Norte. Nele foi lavrada a escritura do imóvel, composto de Área de Terra Rural, medindo 29,7375 ha, localizado no município de ConfresaMT, que segundo, Certidão de inteiro Teor, pertencia à firma Industria Frigorífica Confresa Importação e Exportação Ltda, até o dia 13/03/2012, data em que foi vendido para a Nova Guaporé Participações S/A, CNPJ n°. 10.524.693/000175, por R$ 500.000,00 e esta vendeu para FR Participações Ltda, em 30/03/2012 por R$ 44.000.000,00 (diferença gritante entre os valores de compra e venda), por fim o imóvel foi vendido para a JBS pelo mesmo valor de R$ 44.000.000,00. Registrase que neste caso, o imóvel e suas instalações, embora tenham sido locados para JBS pela FR Participações Ltda, ele sequer pertencia ao locador, na data da assinatura do contrato de locação, que ocorreu em 10/02/2012 e sua suposta compra ocorreu um mês após a assinatura do contrato de locação. Na data da locação o imóvel pertencia a Nova Guaporé Participações S/A. A fiscalização verificou os Balanços Patrimoniais e Balancetes do Razão, anos calendários 2011 e 2012 elaborados para atender a intimação fiscal, e destacou “o que mais chama atenção é a insuficiência de lastros patrimoniais, seja financeiros, seja faturamento e seja imobilizações.” Consignou a fiscalização: Podem ser sintetizadas nas transações firmadas entre a firma Guaporé Carnes, FR Participações e a JBS, dentre outros devidamente relatados e comprovados, em termos cronológicos e fatos relevantes: a) que a FR Participações adquiriu as Unidades Industriais em 03/02/2012 da Guaporé Carnes e as alocou para JBS em 10/02/2012, por R$2.000.000,00 mensal e vendeuas em 11/04/2012 pelo mesmo valor por que foi adquirido: b) o imóvel, composto de Área de Terra Rural, medindo 29,7375 ha, localizado no município de ConfresaMT, na data da assinatura do contrato de locação não pertencia a FR Participações, mas sim, a Nova Guaporé Participações S/A. Como a Nova Guaporé Participações S/A, por transformação resultou na CICC Participações S/A e esta pertence a mesmos sócios da Guaporé Carnes S/A. Ainda, como já relatado, a Industria Frigorífica Confresa, Importação e Exportações Ltda, tem como sócios, a Sra Ivana Camelos Birtche e a sua Filha Carolina Camelos Birtche, elas são os mesmos sócios da firma Guaporé Carnes S/A. Asseverou a Fiscalização “Não paira dúvida de que todos os imóveis e instalações objetos dos contratos de locação, são de fato e de direito de propriedade da firma Guaporé Carnes S/A e, todos por conveniência das partes foram alocados e posteriormente alienados, por intermédio da FR Participações, para a JBS, para atender aos interesses da Guaporé Carne S/A e JBS S/A.” A fiscalização realizou circularização de informações, intimando os Cartórios de Registros de Imóveis, localizados em todas as circunscrições de localizações dos Imóveis supostamente locados, posteriormente vendidos, pelos mesmos valores de compras, buscando saber perante aos registrais, as existências de imóveis, escriturados e Fl. 2502DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 14098.720101/201487 Resolução nº 3201000.649 S3C2T1 Fl. 2.503 6 registrados, em nome das empresas Guaporé Carnes, FR Participações e seus sócios, e sintetizou os resultados, a seguir: 1 Cartório, 2º. Tabelionato de Notas e Registros Civil de Confresa, informa que nada foi encontrado. 2 Cartório Oficio de Registro Civil das pessoas Naturais, Tabelionato de Notas e Anexos, São Miguel do Guaporé, foi informado apenas, dois Imóveis em nome da Guaporé Carnes, o primeiro matricula 186, área de 7,4999 ha, averbação de alteração contratual efetuada em 14/10/2010, sendo também averbada a estrutura da industria frigorífica na mesma data, esta com área construída de 18.667,34 m2. O segundo imóvel matricula n°. 176, com 21,4678 ha, havido por doação da Prefeitura Municipal de São Miguel do Guaporé, em favor da Industria Frigorífica São Miguel do Guaporé Importação e Exportação Ltda. 3 Cartório, 2º. Serviço Notarial e Registrais de Juina, foi localizado apenas dois Imóveis, um Escriturado no Livro 34R, às folhas. 126 e V, com 19, 4041 ha, havido em 23/12/2009, em nome de Juina Frigorífico Ltda, representada pela sócia Ivana Camelos Birtche, nele estão averbadas as instalações do Frigorífico. Outros imóveis, Escritura Livro 35R, às folhas 117 e V, com, com área de 12,1264 ha, resultante da unificação de 04 Lotes, os de n°. 231, 232,233 e 2334, localizados no Núcleo Pioneiro Projeto Juina. 5 Cartório, 2º. Serviço de Registro de Imóveis e Títulos e Documentos de Juina, informa que não foram localizados nenhum imóveis escriturados ou registrados, em nome dos signatários. 6 Cartório do 1º. Oficio de Colider, foram localizados 04 Imóveis urbanos, em nome de Ivana Camelos Birtche e seis em nome de Deosmirso Ferreira, a primeira é sócia da Guaporé Carnes S/A e o segundo sócio da FR participações Ltda. As matriculas dos imóveis em nome de Ivana, são M341, M 1052, M17.301, todos foram unificados na Matricula n°. 10.698, originando a matricula n°. 21.828 e os imóveis em nome de Deosmirso são M6.535, M6.975, M 9.046,M 9.047, M10.169 e M10.442, localizados no Município de Nova Canaã doNorte, sendo acostadas as respectivas escrituras de ambos. 7 Cartório do 2º Oficio de Colider, foram localizados imóveis apenas em nome de Ivana Camelos Birtche , somando dois urbanos, imóveis, lotes 15 e 16 da quadra 16, Gleba Cafezal. Perfazendo os dois imóveis, uma área de 983,95 m2. Diz a fiscalização, em consultando, a JUCEMAT Sistema Consulta SIARCO, constatase dois fatos importante, conforme documentos acostados, o primeiro, a Ata de Assembléia extraordinária realizada, em 15/03/2012, cadastrada na JUCEMAT em 23/03/212, na qual esta consignada de forma clara a aprovação da dissolução da Sociedade, a indicação de liquidante, a transferência e o encerramento das atividade. O segundo, a Ata da Assembléia Extraordinária, realizada em 21/05/2013, onde se encontra registrada a autorização para venda de ativos, instalações, bem como a transferência de colaboradores, obviamente, esses colaboradores, são os funcionários transferidos para Fl. 2503DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 14098.720101/201487 Resolução nº 3201000.649 S3C2T1 Fl. 2.504 7 a JBS na data da negociação, sua indicação na Ata foi apenas pró forma. Acrescenta a fiscalização, registrase ainda, que a assembléia de extinção da firma, ocorreu apenas 15 dias após a JBS S/A ter assumido as operações de todos os estabelecimento da firma Guaporé Carnes S/A, que ocorreu na data de 01/03/2012. Destaca a fiscalização, por fim, não menos relevante para caracterizar, que houve as efetivas operações de compra e venda dos estabelecimentos em comento, atendendo intimação, a fiscalizada, ou seja, a Guaporé Carnes Ltda, apresentou, Diário Oficial do Estado de Rondônia, no qual estão registrados os Atos Concessórios n°. 005/08 CONDER e 006/08CONDER e o Parecer n°.008/CONSIT/SEFIN e 001/2012/SECRETÁRIO EXECUTIVO DO CONDER, naqueles foram concedidos os benefícios fiscais de titularidade da sucedida Guaporé Carnes Ltda para a JBS S/A, conforme expresso no item 01, verbis. 1) "Fica aprovada “Ad Referendum" a solicitação de transferência de titularidade da Empresa Guaporé Carnes S/A para a empresa JBS S/A, CNPJ n°. 02.916.265/000126, Inscrição Estadual n°. 3493121, no Município de São Miguel do Guaporé, a partir de 1º de março de 2012." Diz ainda a fiscalização “Registramos que a data de 1º, de março de 2012 é a data da sucessão, inicio das atividades da sucessora nos parques industriais em comento.” No Termo de fls. 46/60, concluiu a fiscalização: Com base nos fatos e documentos acostados e acima listados, esta fiscalização conclui pela: a) Sucessão da Firma Guaporé S/A pela JBS S/A mediante compra, dos estabelecimentos da sucedida, portanto, é sucessora tributária, nos termos, do art. 133, inciso I, combinados com os arts. 124 e 129, ambos da Lei n°. 5.172, de 1996CTN (Verbis), respondendo pelas obrigações tributárias da sucedida, uma vez que a alienante encerrou as atividades. ... Ficou demonstrado por esta fiscalização, a utilização de meios artificioso, ou seja, utilizou de uma Terceira Empresa, sem lastro para realizar uma suposta alienação ou arrendamento, no caso a FR Participações Ltda, com tentativa de mascarar a operação de uma compra e venda efetuada com o fito de afastar a aplicação do art. 133, inciso I, do CTN. Os Fatos caracterizam a hipótese legal para enquadrar a JBS como adquirente do fundo de comércio ou estabelecimento, portanto, responsável único, pelas obrigações tributárias da sucedida, até a data da realização do negócio. Registrase por derradeiro, a firma JBS S/A, encontrase instalada no mesmo endereço da sucedida, utilizando mesmo espaço territorial, construções, instalações e os mesmos funcionárias, continuando as atividades da Guaporé Carnes S/A. Fl. 2504DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 14098.720101/201487 Resolução nº 3201000.649 S3C2T1 Fl. 2.505 8 b) Manter no pólo passivo da obrigação tributária, a firma A Guaporé Carnes S/A, CNPJ n°. 08.872.390/0001 00, nos termos, do art. 133, inciso I, combinados com os art. 124, 129 e 134, inciso VII, da Lei n°. 5.172, de 1996 CTN (Verbis), por responsabilidade inversa. ... c) Incluir no Pólo Passivo da obrigação Tributária, os Acionistas Administradores, na qualidade de Responsáveis Solidários, os Acionistas administradores, das firma Guaporé Carnes S/A, CNPJ n°. 08.872.390/000100 e JBS S/A, CNPJ n°. 13.608.635/0 00118, da primeira a Sra. Ivana Camelos Birtche, CPF: 513.851.71120, Rua Cuiabá, 805, Setor Leste, Centro, ColiderMT e o Sr. Diosmirso Ferreira, CPF n°. 327.635.73991, Rua Xingu, 93, Centro, ColiderMT e da segunda, o SR. Wesley Mendonça Batista, CPF n°. 364.873.921 20, Av . Marginal Direita do Tietê, 500, Vila Jaraguá, São PauloSP, por infração aos dispostos nos incisos, II e III, do art. 135, combinado com o art. 124, inciso VII, todos da Lei n°. 5.172, de 1966 ( CTN) Verbis por realizarem negócios que afronta a lei e ao arrepio dos Estatutos Sociais. ... Verificase, pelos relatos e documentos carreados, que os Acionistas Administradores, foram os legítimos responsáveis pela emaranhado negocial, caracterizado, pela inclusão de terceiros sem lastros patrimoniais e financeiros e a tentativa de fazer passar uma alienação como se arrendamento fosse, tudo com o fito de camuflar o verdadeiro negócio, ou seja, a venda dos estabelecimentos industriais. Da Impugnação da Guaporé Carne S/A Cientificada da autuação em 11/07/2014, a empresa controverteu a exação através da impugnação de fls. 1934/1967, apresentada em 11/08/2014, em que protesta, em síntese: Preliminarmente, pugna pela nulidade do auto de infração, sob a alegação de que há cerceamento ao direito de defesa, por entender que há ausência de fundamento legal, tanto para a afirmação de que a empresa “não fez passar pelo resultado do exercício os ganhos com incentivos fiscais do ICMS", quanto para a acusação de ter usado fora dos limites créditos relativos a aquisições de pessoas físicas. No mérito: Quanto a acusação de ter deixado de incluir na base da Cofins e do PIS os ganhos com incentivos fiscais do ICMS concedido pelo Governo do Estado de Rondônia, reportase da seguinte forma: Diz que, sob o conceito de receita bruta ou faturamento não parece possível acomodar um tributo que mais propriamente pode ser classificado como ônus do contribuinte, pois, afinal, o ICMS é uma fonte de receita do Erário Estadual, expressamente prevista no art. 155, inciso II, CF. Entende que, para a conceituação do vocábulo "faturamento" é necessário aterse ao seu sentido etimológico, o qual aponta para um Fl. 2505DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 14098.720101/201487 Resolução nº 3201000.649 S3C2T1 Fl. 2.506 9 negócio jurídico advindo de operação mercantil na qual se percebe valores que ingressarão nos cofres daqueles que vendam mercadorias ou prestam serviços a terceiros. Alega que, se o ICMS não constitui ingresso patrimonial pela circunstância de simplesmente transitar pelo caixa do contribuinte, tido como mero agente repassador dos mencionados tributos, não há como admitilo na base de cálculo das contribuições previstas no art. 195, inciso I, "b", CF, posto que estes incidem sobre a receita ou faturamento. Diz mais, se o ICMS é despesa do sujeito passivo da COFINS e receita do Erário Estadual, é injurídico tentar englobálo na hipótese de incidência desta exação. A inclusão do ICMS, AINDA QUE NA PARTE PRESUMIDA, na base de cálculo da COFINS resulta em tributação de riqueza que não pertence ao contribuinte. Acrescenta, em relação ao período que engloba o regime de apuração cumulativo do PIS/COFINS, as contribuições têm por base de cálculo o faturamento, cujo conceito já está consolidado pelo STF no sentido de compreender apenas as receitas decorrentes da venda de mercadorias e serviços. Desse modo, as subvenções não se consubstanciam em entradas financeiras decorrentes da venda de mercadorias ou serviços, logo, esses benefícios concedidos não integram a base de cálculo do PIS/COFINS na sistemática cumulativa. Argui que, o crédito de ICMS não constitui em entrada de recursos, não podendo ser assim avaliado. Portanto, os valores escriturados a título de crédito de ICMS não compõem a base de cálculo da COFINS/PIS nãocumulativo, ainda que subvencionado. Cita decisões judiciais e soluções de consultas. Diz que, não obstante o Supremo Tribunal Federal ter reconhecido que não se integra à base de cálculo do IRPJ e CSLL a parcela decorrente de incentivos fiscais, a repercussão também se estende aos tributos PIS e COFINS em virtude de serem consideradas sinônimas as expressões receitas brutas e faturamento. Entende que deve ser considerado ainda a aplicabilidade do artigo 112, II do CTN ao caso em tela, já que houve investimentos em ativos, empregabilidade e produção, atendendo aos fins da subvenção. Alega que, o Fisco Federal não reconheceu a espontaneidade da prestação das informações levadas através de DCTF's retificadoras/Dacon's, não as admitindo e favor da empresa autuada, e requerse um expresso pronunciamento sobre tal contrariedade, valendo o destaque que ao sujeito passivo é dado o direito de pleitear a alteração do valor objeto do lançamento em sede de impugnação, mediante provas idôneas, consoante preconizado pelo Art. 145,1 do CTN. Acrescenta que, as declarações ainda que prestadas após o início da ação fiscal, efetuadas pelo sujeito passivo merecem ser validadas, visto que diante da exaustiva explanação de que não há fato gerador de tributo federal a englobar subvenções de investimentos, não houve a Fl. 2506DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 14098.720101/201487 Resolução nº 3201000.649 S3C2T1 Fl. 2.507 10 intenção por parte da Impugnante em omitirse de recolhimento dos tributos. Insurgese contra a cobrança de juros, com os seguintes argumentos: a) A cobrança de juros acima do que estatui o artigo 161 do Código Tributário Nacional CTN, especialmente quanto a SELIC, não pode prevalecer diante da imprevisão legal nela averiguada. b) A impropriedade da Taxa SELIC para fins tributários é que a aludida taxa não foi criada por lei, ou seja, a SELIC é instrumento hábil para o mercado financeiro, mas não para matéria tributária, em face do princípio da legalidade (art. 150 da CF). Concluiu, caso persista a obrigação principal, o que se admite apenas a título de argumentação, sejam os juros de mora reduzidos ao percentual legal de 1% (um por cento) ao mês, nos moldes do §1º do art. 161 do Código Tributário Nacional CTN, sem a capitalização, ou seja, incidência de juros sobre juros. Por fim, requer que: a) Sejam acolhidas as preliminares para reconhecer a nulidade do lançamento; b) Quanto ao mérito, seja julgado improcedente o lançamento efetuado quanto ao PIS e COFINS incidente sobre a parcela de subvenção de investimento (crédito presumido de ICMS); c) A produção de prova pericial, caso haja dúvidas sobre as declarações, registros e demonstrações financeiras; d) A juntada de novos documentos a serem carreados aos autos, em denodo ao princípio da verdade material, aplicável ao processo administrativo fiscal. Em 12/08/2014, através documento de fls. 1970/1974, a empresa Guaporé Carne S/A aditou sua impugnação, no qual traz argumentos contra a caracterização de sucessão, onde diz, que: a) O exercício autuado referese exclusivamente a 2009, ano em que a Impugnante encontravase em total atividade empresarial para todos os efeitos legais, diferindo completamente da época apresentada pela fiscalização para justificar a sucessão. c) Afirmou a autoridade fiscal que recebeu, em 2012 a notícia que a empresa JBS havia arrendado comercialmente o imóvel em 01 de março daquele ano passando a executar novas atividades. d) Entretanto, a própria autoridade fiscal afirma também e corroborado através de documentos já constantes dos autos, que referida locação do parque industrial se deu através de negociação havida entre as empresas FR PARTICIPAÇÕES LTDA e JBS SA, ocorrida em 11 de abril de 2012. e) Ao que se vê, todos esses fatos, contemporâneos em mais de três anos ao exercício de 2009 são afirmados pela autoridade fiscal e Fl. 2507DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 14098.720101/201487 Resolução nº 3201000.649 S3C2T1 Fl. 2.508 11 documentados nos autos, porém, em nada alteram os atos jurídicos perfeitos e acabados referente ao exercício de 2009, tornandose indevida e improcedente a caracterização da sucessão. f) O ato de sucessão prescinde de uma empresa suceder a outra na atividade, o que nunca existiu, pois, a uma que a Impugnante nunca deixou de existir para justificar ter sido sucedida por outra. g) A duas que conforme reconhecido pela própria autoridade fiscal, não existe vínculo jurídico, documental e sequer de fato entre as empresas arroladas no pólo passivo da sujeição tributária, mormente porque todas as operações e transações comerciais, a partir de 2012, foram consolidadas entre as empresas JBS e FR PARTICIPAÇÕES, nunca participando a aqui Impugnante. h) A Impugnante nunca deixou de existir, logo, sendo incabível a conclusão fiscal de ter sido sucedida, é que quando do início da presente ação fiscal, tão logo fora intimada, bem como em inúmeros atos posteriores, apresentouse ao Fisco com legítimo interesse em responder pelas obrigações tributárias, prova maior é que no final do ano de 2013, nos dias 23 e 30 de dezembro, transmitiu ao Fisco Federal as DACONs retificadoras, e DCTF’s em 23 de dezembro de 2013, buscando o reconhecimento da confissão do débito, apuração de PIS e COFINS. i) Uma empresa que continua realizando atos de defesa de seus interesses, inclusive confessando débitos em DACON's, sendo titular não só de direitos, mas também de obrigações, não pode ser considerada sucedida por outra, principalmente em exercício que sequer há comprovação de qualquer liame que seja, de qualquer natureza, entre as empresas arroladas passivamente. Por fim, requer que seja julgado improcedente a caracterização da sucessão. Da Impugnação da JBS S/A Cientificada da autuação em 17/07/2012, a empresa JBS S/A, apresenta impugnação tempestiva, por meio dos arrazoados de fls. 2130/2188, cujos argumentos, após relato dos fatos, estão a seguir sintetizados. DA RESPONSABILIDADE DIRETA E EXCLUSIVA DOAS ADMINISTRADORES DA GUAPORÉ CARNE S/A (ART. 135, CTN) As supostas infrações apontadas à "GUAPORÉ CARNES" revelam atos praticados com excesso de poder pelos administradores daquela empresa, razão pela qual aplicase o artigo 135, III, CTN, em relação aos dirigentes daquela empresa. Há, ainda, clara infração ao estatuto social da "GUAPORÉ CARNES", o qual previa expressamente a necessidade da orientação, controle e fiscalização dos negócios da companhia pelo conselho de administração e da diretoria. Logo, por expressa disposição legal a Impugnante jamais poderia compor o pólo passivo da presente autuação, justamente porque a Fl. 2508DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 14098.720101/201487 Resolução nº 3201000.649 S3C2T1 Fl. 2.509 12 responsabilidade dos dirigentes à época dos fatos geradores pela norma tributária é exclusiva, originária e pessoal, nos termos do artigo 135, III do CTN. Tanto a doutrina, como a recente jurisprudência do STJ apontam a responsabilização exclusiva dos administradores decorrente da prática de atos com infração de lei, contrato social ou estatutos da sociedade que tenham desencadeado uma relação jurídica obrigacional stricto sensu entre Fisco e a pessoa jurídica por ele administrada. In casu, restou evidenciada a prática de infração à Lei pelos dirigentes daquela empresa à época dos fatos, ensejando sua responsabilidade pessoal e exclusiva. Logo, se a responsabilidade pessoal não alcança sequer o contribuinte (pessoa jurídica), não há que se falar em responsabilidade do suposto sucessor ou dirigentes deste, seja ela solidária e/ou subsidiária. Dessa forma, fazse inafastável a exclusão da Impugnante da presente autuação em razão da responsabilidade pessoal e exclusiva dos dirigentes da Guaporé Carne S/A. Inclusive, notese que os administradores da Guaporé Carne já se encontram no pólo passivo do presente auto de infração, conforme consta do Demonstrativo de Responsáveis Tributários anexo a presente autuação. Segundo a fiscalização, a suposta responsabilidade da Impugnante teria se iniciado em 1º de março de 2012, conforme se depreende do Termo Fiscal de Caracterização de Sucessão anexo ao presente Auto de Infração. Portanto, o ônus tributário foi atribuído originariamente a Guaporé Carnes S/A e somente em um segundo momento é que foi transmitido para a Impugnante, justamente em razão do supracitado Termo de Caracterização de Sucessão. Ora, se estamos falando de supostas infrações ocorridas anteriormente ao fato gerador da suposta responsabilidade por sucessão (Termo Fiscal de Caracterização de sucessão), não há porque desviar tal ônus de quem por lei deve assumilo. Se o CTN prevê expressamente os fundamentos de responsabilidade e se, no caso em análise, as supostas infrações foram cometidas antes que nascesse a supostaresponsabilidade da Impugnante e se não há qualquer dificuldade em subsumir os atos pretensamente infracionais aos seus responsáveis, quais sejam os administradores da Guaporé Carnes S/A, não existe respaldo legal para transferir tal obrigação à Impugnante. No caso em tela, ainda mais razão existe para que não se admita o compartilhamento de responsabilidade entre os administradores e a Impugnante, vez que o que fundamenta a responsabilidade dos primeiros é a prática de atos ilícitos e o nosso ordenamento não autoriza que a pena ultrapasse o limite do infrator. Tratase do princípio alçado ao nível constitucional da individualização da pena, ínsito no art. 5º, inciso XLVI, da Fl. 2509DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 14098.720101/201487 Resolução nº 3201000.649 S3C2T1 Fl. 2.510 13 Constituição Federal, o qual estabelece, em linhas gerais, que as sanções impostas aos infratores devem ser personalizadas e particularizadas de acordo com a natureza e as circunstâncias dos delitos e à luz das características pessoais do infrator. Contrariamente, a responsabilidade por sucessão não se fundamenta na ilicitude, não sendo justo, nem razoável, que tal sujeito passivo indireto pague por um "crime" que não cometeu. Em outras palavras, deve ser anulado o lançamento fiscal em relação à Impugnante, uma vez que os administradores à época somente eles são os legitimados para figurar no pólo passivo do Auto de Infração ora rechaçado. AQUISIÇÃO DE FUNDO DE COMÉRCIO OU ESTABELECIMENTO A ENSEJAR A SUBSUNÇÃO AO ART 133 DO CTN Não houve aquisição nem de estabelecimento tampouco de fundo de comércio a ensejar a subsunção ao disposto no art. 133, inciso I, CTN. Cumpre, nesse sentido, ressaltar que cingiuse o relatório fiscal a mencionar que demais estabelecimentos que um dia pertenceram àquela empresa tiveram sua propriedade transferida à Impugnante (tais como Confresa/MT e São Miguel do Guaporé/RO). Todavia, nada foi comprovado em relação à aquisição da sede em COLÍDER/MT. Estamos aqui a tratar da acusação de aquisição de estabelecimento, para a qual, portanto, não há comprovação. Corrobora, nesse sentido, afirmação contida no "Termo fiscal de caracterização de sucessão", que afirma que acusação é fundada no fato de que a Impugnante está instalada no local um dia funcionou Guaporé Carnes. Isto é, não há afirmação, nem comprovação de que a unidade de COLÍDER/MT (matriz da Guaporé Carnes) foi adquirida. Além disso, na página 15 do "Relatório Fiscal Caracterização dos Fatos Autos de Infração PIS e COFINS", há afirmação de que a sócia de GUAPORÉ CARNES S/A declara que não houve venda daquela Companhia. Assim, não houve aquisição do estabelecimento autuado, de COLÍDER/MT, pois se tivesse havido, a DRF autuante o teria comprovado. Cumpre reiterar que a comprovação de compra transferência de propriedade foi comprovada somente no tocante a outros estabelecimentos, mas não em relação à unidade de COLÍDER/MT AUTUADA. De fato, o imóvel situado em Colider é de propriedade da Prefeitura Municipal de Colider e será doado para a JBS S/A. Porém, tal procedimento depende de formalização perante o INCRA, cujo processo administrativo se encontra atualmente em trâmite. Fl. 2510DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 14098.720101/201487 Resolução nº 3201000.649 S3C2T1 Fl. 2.511 14 Para a aquisição de fundo de comércio, seria necessário que houvesse a comprovação de aquisição do ponto, cliente, nome, marcas, patentes, máquinas, mercadorias, etc. Não há que se falar em aquisição de ponto, pois a Impugnante tem vários estabelecimentos no Estado do Mato Grosso, de forma que o "ponto" da empresa autuada não é determinante para a atividade da empresa, que precisava tãosomente das instalações, da estrutura do imóvel. De fato, a Impugnante tem inúmeras filiais no Estado do Mato Grosso, além do estabelecimento de COLÍDER/MT, onde um dia funcionara GUAPORÉ CARNES, o que comprova que não há que se falar em relevância do "ponto". No tocante aos clientes, também não há caracterização de aquisição de tal elemento, pois, conforme visto, a Impugnante tem grande atuação no Estado do Mato Grosso, de forma que tem clientela própria não só no próprio Estado, como no país inteiro, que digase de passagem, é muito mais ampla e relevante que a clientela de GUAPORÉ CARNES S/A. No atinente às marcas e patentes, que são, notadamente, os maiores ativos de uma empresa, a Impugnante também não as adquiriu de GUAPORÉ CARNES S/A. De fato, a Impugnante tem marcas e patentes próprias de envergadura nacional e não adquiriu nem, se utiliza das marcas daquela empresa. Assim, data vênia, não há caracterização de sucessão tributária. Sucessão trabalhista tem requisitos distintos da sucessão tributária. Diz que houve menção a processos trabalhistas, e assevera que a sucessão trabalhista tem requisitos distintos da sucessão tributária (art. 133, CTN, utilizado in casu). Assim, para a sucessão trabalhista, basta que haja a posse da empresa para caracterização do vínculo, ao passo que, para a sucessão tributária, conforme exaustivamente exposto, é necessária a aquisição do estabelecimento ou do fundo de comércio, que são figuras juridicamente distintas da mera posse. Argumento subsidiário. A imputação de responsabilidade prevista no art.133, CTN, tem condicionante: saber se houve continuidade (ou não) das atividades pelo alienante. Quanto a este tópico, diz: Para a aplicação da responsabilidade prevista no art. 133, CTN, deve haver a comprovação de cessação (ou não) das atividades do alienante. No caso de cessação das atividades do alienante, aplicarseá o previsto no inciso I, que prevê que a responsabilidade do adquirente será "integral" (inciso I). Fl. 2511DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 14098.720101/201487 Resolução nº 3201000.649 S3C2T1 Fl. 2.512 15 Por sua vez, se houver continuidade das atividades, isto é, se o alienante "prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo" aplicarseá a responsabilidade subsidiária (inciso II). Assim, necessária a realização de diligência fiscal para averiguar perante os cadastros da JUCEMAT ou mesmo da RFB, se os sócios da GUAPORÉ CARNES S/A prosseguiram na mesma ou em outra atividade. Tal diligência é necessária, pois a depender da continuidade (ou não), a responsabilidade da Impugnante caso os argumentos anteriores sejam afastados e seja reconhecida a aplicação do art. 133, CTN será "integral" (inciso I) ou "subsidiária" (inciso II), esta última com benefício de ordem. Nesse último caso responsabilidade subsidiária (art. 133, II, CTN) , há benefício de ordem, de forma que, primeiramente, devem ser esgotados os meios de cobrança do débito do devedor principal e se e somente se não houver êxito, pode a cobrança ser direcionada ao responsável subsidiário. Não pode a Autoridade Fiscal ignorar que o dispositivo art. 133, II, CTN comporta um mandamento: o de que se deve, primeiramente, buscar o crédito tributário perante o alienante e somente em caso de insucesso poderá imputar responsabilidade à "JBS". Assim, de rigor o reconhecimento de nulidade do Termo Fiscal de Caracterização de Sucessão. Caso assim não se entenda, no mínimo, merece ser o julgamento convertido em diligência fiscal para averiguar perante a JUCEMAT ou RFB se os sócios da GUAPORÉ CARNES S/A prosseguiram na mesma ou em outra atividade. Inexistência de elementos para atribuir responsabilidade solidária com fulcro do art. 124, CTN Quanto a este tópico, diz: O art. 124, CTN, prevê responsabilidade solidária das pessoas que tenham "interesse comum na situação que constitua o fato gerador do tributo": Todavia, não há qualquer "interesse comum na situação que constitua o fato gerador do tributo", pois não houve participação da Impugnante JBS S/A no fato gerador do tributo, que foi praticado unicamente pela GUAPORÉ CARNES S/A. O fato gerador deve revelar que os solidários "sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídico tributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação", como indica o Superior Tribunal de Justiça. Transcreve ementa. DA AUSÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO NO PRAZO LEGAL E DA DECADÊNCIA (ART. 150, §4º, CTN) – PA JUNHO/2009. Fl. 2512DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 14098.720101/201487 Resolução nº 3201000.649 S3C2T1 Fl. 2.513 16 Alega que não há como subsistir a pretensão do Fisco em relação ao mês de JUN/2009, pois o Impugnante foi intimado do Auto de Infração somente em 17/7/2014, e, portanto, tais créditos já tinham sido devidamente homologados tacitamente, a teor do §4° do art. 150, CTN. Diz, partindose da conjugação dos artigos 150, parágrafo 1o e 168, I, do CTN, a extinção do crédito tributário no caso dos tributos cujo lançamento se dá por homologação, operase com o pagamento "antecipado" realizado pelo sujeito passivo. Conclui, de rigor, portanto, o reconhecimento da ausência da homologação e consequente decadência do direito de constituir o crédito tributário atinente ao mês de JUN/2009. DO MÉRITO. ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS E DO PIS. INCONSTITUCIONALIDADE. Transcreve arts. das Leis n° 9.718/98, 10.637/2002 e 10.833/2003, e o artigo 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal de 1988, e acrescenta, como demonstramos citados dispositivos, somente pode ser admitida a cobrança da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS sobre uma quantia que possua a natureza de faturamento e de receita do seu contribuinte. Alega que o ICMS incidente nas operações de venda de bens e serviços, cujo vendedor figure na condição de contribuinte, não engloba o faturamento desta pessoa e muito menos possui a natureza de receita passível de fazer parte da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Entende que os valores relativos ao ICMS somente poderiam fazer parte da base de cálculo das contribuições em apreço se fossem riqueza do contribuinte, ou seja, se passasse a figurar no seu patrimônio sem a necessidade e obrigação de repassálo a terceiro. Diz, na realidade, faturamento e receita do contribuinte englobam as quantias recebidas que passam a integrar em definitivo o seu patrimônio, sem a obrigação de repassálas a terceiros. Não é possível, assim, admitir a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela, sob pena de estarem sendo cobradas sobre quantum que não corresponde ao faturamento e receitas do contribuinte. Assevera, a ilegalidade, no caso em tela, decorre da ofensa ao art. 110 do Código Tributário Nacional. Acrescenta, como visto, ao não observar o conceito de faturamento e receita próprios do direito privado, o v. acórdão incorreu em ilegalidade que merecerá ser sanada. MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO DA SUBVENÇÃO DE ICMS NA B.C. DO PIS E DA COFINS Alega que a pretensão não merece guarida, pois se trata de subvenção que passa ao largo da tributação, uma vez tais valores não se enquadram no conceito de receita, como tem decidido o C. CARF. Transcreve ementa. Fl. 2513DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 14098.720101/201487 Resolução nº 3201000.649 S3C2T1 Fl. 2.514 17 Diz, além do exposto, ainda sob outro ponto de vista subvenção para investimentos , merece guarida a pretensão da Impugnante. Por meio das subvenções o Poder Público incentiva determinadas atividades que tem interesse em fomentar. Apesar de ser uma liberalidade, sua outorga se dá em vista do cumprimento de uma finalidade que é de interesse geral. Entende que embora se cuide claramente de subvenção para investimento, independentemente da classificação da subvenção (para custeio ou para investimento), tais valores não podem compor a base de cálculo das exações em tela, pois, conforme anteriormente visto, tratase de recuperação de custo, que não é "receita". Necessidade de diligência para que possa exercer amplamente sua ampla defesa e contraditório. Necessidade de acesso a livros contábeis e fiscais, bem como obrigações acessórias de GUAPORÉ CARNES S/A. Diz, importa ressaltar que, no mérito relacionado aos débitos que são relativos a COFINS e PIS apurados por GUAPORÉ CARNES S/A , por não se tratar de fatos imponíveis praticados pela Impugnante, haverá necessidade de baixa em diligência para que tenha acesso a todos os livros fiscais, contábeis, bem como obrigações acessórias para verificar se as contribuições em tela foram corretamente apuradas Alega que, embora o Auto de Infração em tela tenha sido instruído com planilhas, a Impugnante não tem acesso às suas bases, o que tem o condão de cercear seu direito à ampla defesa e contraditório. Entende que, se está sendo responsabilizada pelo crédito tributário em tela e sua íntegra, nada mais justo que tenha acesso a todos os documentos daquela Companhia (de quem jamais foi dirigente) para verificar se a forma de apuração obedeceu aos ditames legais. Por fim, requer e espera o deferimento de diligência para perícia relacionada aos documentos fiscais e contábeis de GUAPORÉ CARNES S/A. Da impossibilidade de sucessão da multa e Juros Quanto a este tópico, diz: Não há dúvida quanto a campo de aplicação do artigo 132 do CTN, o qual se refere expressamente à responsabilização do sucessor pelos "tributos" relativos ao estabelecimento empresarial, os quais não se confundem, em hipótese alguma com imposições de natureza sancionatória. Isto porque a pena não pode ultrapassar o infrator. Se houve alguém que praticou supostos atos ilícitos, estes foram os administradores da Guaporé Carnes S/A, não podendo a suposta sucessora ser responsabilizada pelas multas decorrentes e infrações à legislação tributária e criminal sem ter agido ilicitamente. A doutrina e jurisprudência majoritária reconhecem que a definição de tributo trazida no art. 3º do CTN exclui expressamente do campo de significação as obrigações de natureza de sanção. Fl. 2514DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 14098.720101/201487 Resolução nº 3201000.649 S3C2T1 Fl. 2.515 18 Não é diferente o posicionamento do Prof. Sacha Calmon Navarro Coelho, vejamos: "os sucessores só respondem pelos tributos, e não pelas multas, já que o CTN, ao cuidar da responsabilidade dos sucessores, fala apenas em tributo. O STF tem decidido que as multas punitivas só podem ser irrogadas ao infrator". No plano jurisprudencial o Conselho de Contribuintes já apreciou a questão da responsabilidade do sucessor pelas multas tributárias, não sendo o tema controvertido, prevalecendo a posição desde os precedentes mais antigos até os mais novos. Verificase que em nenhuma hipótese poderia o eventual "sucessor" responder pelos juros de mora e pela multa, posto que não concorreu de nenhuma forma à infração cometida. A Impugnante, no caso em tela, foi responsabilizada indevidamente pelos tributos devidos pela Guaporé Carnes S/A, de modo que não possui conhecimento algum sobre as infrações por ela cometidas, circunstância que não pode qualificála como sucessora integral de todos os débitos porventura existentes. Por fim, relevante esclarecer que a citada jurisprudência do E. STF, no sentido de afastar a multa do sucessor, continua válida, pois a Primeira Seção do E. STJ deixou claramente assentado um marco temporal para a responsabilidade do sucessor por multa da sucedida, qual seja: a multa "transferível" é somente aquela lavrada anteriormente ao momento da sucessão. Por todos os motivos expostos, sendo a Impugnante adquirente de boa fé deve ser afastada a responsabilidade da Impugnante pela multa e juros no caso em tela. Da Impugnação da Sra. Ivana Carnelos Birtche Cientificada da autuação, a Sra. Ivana Carnelos Birtche, apresenta impugnação tempestiva, por meio dos arrazoados de fls. 2044/2050, onde alega: a) O Auto de Infração encontrase equivocado ao arrolar como responsável solidário a sócia, aqui Impugnante, eis que não houve desconsideração da personalidade jurídica da empresa Impugnante, assim como não consta de qualquer fase do procedimento fiscal a comprovação que tenha a sócia obrado com omissão ou praticado qualquer ato interveniente de má gestão, excesso de poderes ou infração de lei. b) Requer, desta forma, a aplicação da legislação em vigor, respeitandose os regramentos contidos nos artigos 134 e 135 do Código Tributário Nacional, excluindose do polo passivo a sócia aqui Impugnante, mediante o evidente erro na identificação do sujeito passivo. c) Para responder pelo crédito fazendário, deveria estar acompanhada da comprovação de que tenha agido com excesso de poderes ou de forma fraudulenta ou prejudicial à sociedade, ou, ainda, ao arrepio da lei comercial, conforme decisão do Superior Tribunal de Justiça abaixo, o que jamais ocorreu ou foi provado no Trabalho Fiscal do referido AIIM. Fl. 2515DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 14098.720101/201487 Resolução nº 3201000.649 S3C2T1 Fl. 2.516 19 d) Há de se salientar ainda, que o Auditor Fiscal da Receita Federal, utilizou como motivação para incluir a Impugnante, digase de passagem de forma indevida conforme já demonstrado acima, a realização de uma "ALIENAÇÃO DE ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL", fato este que jamais ocorreu. e) Não há em momento algum, prova de alienação, como tenta descrever o Auditor Fiscal. Fica claro no próprio relatório que informa os documentos juntados no Processo Administrativo Fiscal, que a natureza jurídica do negócio efetuado jamais foi de alienação, e sim de LOCAÇÃO / ARRENDAMENTO, conforme já transcrito no parágrafo anterior. f) Diante disto, não restam dúvidas que a inclusão da Impugnante como solidária da obrigação Tributária do presente AIIM é totalmente descabida, pois não atende aos requisitos legais dos artigos 134 e 135 do CTN, e está em desacordo com a jurisprudência Pátria do Supremo Tribunal Federal, devendo esta ser imediatamente excluída do Polo Passivo do presente Auto ao qual se impugna. g) Quanto ao mais, a Impugnante reitera todos os argumentos escandidos na peça de defesa da empresa Guaporé Carne SA (Impugnação e Termo Aditivo), impugnando na íntegra toda a autuação efetuada, pugnando, ao final, pela total improcedência dos lançamentos efetuados. Da Impugnação do Sr. Wesley Mendonça Batista Cientificado da autuação, o Sr. Wesley Mendonça Batista, apresenta impugnação tempestiva, por meio dos arrazoados de fls. 2076/2127, onde, após relato dos fatos, diz que: a) Não é e nunca foi dirigente de "GUAPORÉ CARNES"; (ii) e tampouco à época dos fatos (2009). b) O fato de que o Impugnante nunca foi dirigente de "GUAPORÉ CARNES" é evidenciado pelo que consta do próprio relatório fiscal, que indica como dirigentes daquela empresa: IVANA CARNELOS BIRTCHE e DIOSMIRO FERREIRA. c) Ainda que prospere a tese de que teria havido sucessão – o que não se admite , um detalhe deve ser ressaltado: o Impugnante sequer teria como ser dirigente à época dos fatos (2009), posto que a própria acusação fiscal é de que a sucessão teria ocorrido em 2012. d) Dessa forma, há falta de subsunção do caso concreto ao preceito do art. 135, CTN, a lhe ensejar o redirecionamento. e) Ainda que seja reconhecida a sucessão o que em hipótese nenhuma se admite não há sequer como alegar que o Impugnante era dirigente à época, já que a acusação é de que a sucessão teria ocorrido em 2012 e os fatos imponíveis aqui tratados são de 2009. f) A jurisprudência do E. Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que o dirigente que não ocupava o cargo à época dos fatos imponíveis não pode ser responsabilizado. Fl. 2516DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 14098.720101/201487 Resolução nº 3201000.649 S3C2T1 Fl. 2.517 20 g) Dessa forma, de rigor o provimento da presente Impugnação para excluir o Impugnante da presente autuação. h) Em seguida apresenta os mesmos argumentos que constam da impugnação da empresa JBS S/A, em relação a: sucessão (aquisição de estabelecimento), responsabilidade solidária, decadência, inclusão da subvenção de ICMS na B.C. do PIS e da Cofins, cerceamento ao direito de defesa, impossibilidade de sucessão da multa e Juros. Cientificado através do Edital de Intimação DRFCuiabá nº 0001/14 de 15/08/2014, o Sr. Diosmirso Ferreira não apresentou impugnação. A DRF de BelémPA julgou improcedentes as Impugnações apresentadas, considerando, ainda, revel o autuado Diosmirso Ferreira, face à ausência de impugnação: Em face da referida decisão, foram interpostos os seguintes Recursos Voluntários, reiterando os mesmos argumentos das Impugnações apresentadas: (i) IVANA CARNELOS BIRTCHE, às fls. 2267/2307; (ii) DIOSMIRSO FERREIRA, às fls. 2308/2315; (iii) GUAPORÉ CARNE S/A, às fls. 2316/2348; (iv) JBS S/A, às fls. 2361/2403; e (v) WESLEY MENDONÇA BATISTA, às fls. 2415/2460. Após, os autos foram remetidos ao CARF e distribuídos à minha relatoria. É o relatório. RESOLUÇÃO Os autos são complexos e diversos são os temas de fato e de direito a serem abordados. Um dos temas de maior relevância diz respeito à verificação de responsabilidade tributária por sucessão entre as empresas Guaporé Carnes S/A (sucedida) e JBS S/A (sucessora), nos termos do art. 133 do Código Tributário Nacional: Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova Fl. 2517DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 14098.720101/201487 Resolução nº 3201000.649 S3C2T1 Fl. 2.518 21 atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. Entendeu a Fiscalização que a empresa JBS teria sucedido a Guaporé Carnes, com extenso material de constatação fiscal nesse sentido, sendo clara a aquisição "por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual". Em princípio, entendo que assiste razão à Fiscalização. Há fatos claros nos autos que demonstram a sucessão ocorrida entre as empresas. Todavia, uma vez constatada a sucessão, nos termos do citado caput do art. 133 do CTN, é preciso que esta Turma Julgadora defina qual a extensão dessa responsabilidade, se integral (inciso I) ou subsidiária (inciso II). Para tanto, imprescindível se faz, nos termos de expressa disposição legal,verificar se houve o encerramento ou a continuidade das atividades pela empresa sucedida. Nesse aspecto, decidiu a DRJ pela aplicação da responsabilidade integral, ou seja, aquela prevista para os casos em que a alienante cessa a exploração do comércio, indústria ou atividade. A justificativa está presente no seguinte trecho do acórdão: A extinção da empresa Guaporé Carnes S/A, ocorreu, embora esta tenha argüido em sua defesa que não, a prova consta do trecho da Ata de Assembléia Geral de Liquidação, registrada na Junta Comercial do Estado do Mato Grosso em 21/03/2002, transcrito abaixo: Esclareçase, por oportuno, que embora a decisão mencione o ano de 2002, pelos documentos acostados aos autos, verificase, que em fato, referese ao ano de 2012. Ocorre que, em consulta pública ao sítio da Receita Federal do Brasil, o CNPJ da empresa Guaporé (sucedida) encontrase na situação de ativo desde 03/11/2005: REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL CADASTRO NACIONAL DA PESSOA JURÍDICA NÚMERO DE INSCRIÇÃO02.916.265/0001 60MATRIZ COMPROVANTE DE INSCRIÇÃO E DE SITUAÇÃO CADASTRAL DATA DE ABERTURA16/12/1998 NOME EMPRESARIALJBS S/A Fl. 2518DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 14098.720101/201487 Resolução nº 3201000.649 S3C2T1 Fl. 2.519 22 TÍTULO DO ESTABELECIMENTO (NOME DE FANTASIA)******** CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL10.11201 Frigorífico abate de bovinos CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS10.13901 Fabricação de produtos de carne10.13902 Preparação de subprodutos do abate49.30202 Transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, intermunicipal, interestadual e internacional49.30201 Transporte rodoviário de carga, exceto produtos perigosos e mudanças, municipal15.10600 Curtimento e outras preparações de couro46.23102 Comércio atacadista de couros, lãs, peles e outros subprodutos nãocomestíveis de origem animal20.63100 Fabricação de cosméticos, produtos de perfumaria e de higiene pessoal47.72500 Comércio varejista de cosméticos, produtos de perfumaria e de higiene pessoal46.46001 Comércio atacadista de cosméticos e produtos de perfumaria20.61400 Fabricação de sabões e detergentes sintéticos20.62200 Fabricação de produtos de limpeza e polimento46.49408 Comércio atacadista de produtos de higiene, limpeza e conservação domiciliar19.32200 Fabricação de biocombustíveis, exceto álcool20.29100 Fabricação de produtos químicos orgânicos não especificados anteriormente20.99199 Fabricação de outros produtos químicos não especificados anteriormente46.23199 Comércio atacadista de matériasprimas agrícolas não especificadas anteriormente46.22200 Comércio atacadista de soja CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA2046 SOCIEDADE ANONIMA ABERTA LOGRADOUROAV MARGINAL DIREITA DO TIETE NÚMERO500 COMPLEMENTOANDAR 3 BLOCO I CEP05.118100 BAIRRO/DISTRITOVILA JAGUARA MUNICÍPIOSAO PAULO UFSP ENDEREÇO ELETRÔNICOboni@jbs.com.br TELEFONE(11) 31444000 ENTE FEDERATIVO RESPONSÁVEL (EFR)***** SITUAÇÃO CADASTRALATIVA DATA DA SITUAÇÃO CADASTRAL03/11/2005 MOTIVO DE SITUAÇÃO CADASTRAL SITUAÇÃO ESPECIAL******** DATA DA SITUAÇÃO ESPECIAL******** Ademais, cumpre acrescentar que a Recorrente JBS trouxe a conhecimento dessa Turma, por meio de memoriais, a existência de ação judicial proposta pela empresa Guaporé Carnes no ano de 2015, mais um fato que evidencia a continuidade das suas operações. Ou seja, verifico que há dúvida razoável quanto ao encerramento ou não da empresa Guaporé para fins de determinação acerca da continuidade ou não de suas atividades. E mais, diante dos vastos indícios de sucessão fraudulenta, reputo necessário esclarecer tal aspecto para fins de solução da questão. Por ser a questão de relevo ao deslinde da controvérsia , voto por determinar a realização de diligência para que a Autoridade Preparadora apresente esclarecimentos aos autos quanto à continuidade ou encerramento das atividades pela empresa Guaporé Carnes S/A, devendo fazêlo com base nos (i) atos registrados na JUCEPA e também perante o (ii) Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas, administrado pela própria RFB e, ainda, por meio da (iii) verificação de eventuais declarações prestadas pelo contribuinte. Após, seja dada vista aos Recorrentes acerca do resultado da Diligência fiscal, concedendo o prazo de 30 (trinta) dias para se manifestar acerca do resultado, devendo, após, os autos retornarem a este Conselho para prosseguimento do julgamento. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 2519DF CARF MF Impresso em 06/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 01 /04/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO, Assinado digitalmente em 05/04/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10865.722963/2014-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2011 a 30/09/2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA.
Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado.
OCORRÊNCIA DE CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE. POSSIBILIDADE DE AGRAVAMENTO DA MULTA.
É de ser agravada a multa de ofício desde que provada a ocorrência de uma das circunstâncias de que trata o no § 1º do art. 68 da Lei nº 4.502, de 1964.
INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DA IMPUGNANTE. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DO DIRETOR.
A eventual aplicação das hipóteses de responsabilidade de que tratam o inciso III do art. 135 e o art. 137 do CTN não excluem a pessoa jurídica do polo passivo da obrigação tributária.
BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE VALORES A TÍTULO DE BONIFICAÇÃO, FRETE E SEGURO
Não podem ser excluídos da base de cálculo do IPI valores a título de bonificação, frete e seguro, porque legalmente previstos como integrantes do valor tributável do imposto.
INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF.
Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO
No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, exceto quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, matéria em que ficaram vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Shappo, que davam provimento ao recurso. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, José Luiz Feistauer de Oliveira, Cassio Shappo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. OCORRÊNCIA DE CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE. POSSIBILIDADE DE AGRAVAMENTO DA MULTA. É de ser agravada a multa de ofício desde que provada a ocorrência de uma das circunstâncias de que trata o no § 1º do art. 68 da Lei nº 4.502, de 1964. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DA IMPUGNANTE. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DO DIRETOR. A eventual aplicação das hipóteses de responsabilidade de que tratam o inciso III do art. 135 e o art. 137 do CTN não excluem a pessoa jurídica do polo passivo da obrigação tributária. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE VALORES A TÍTULO DE BONIFICAÇÃO, FRETE E SEGURO Não podem ser excluídos da base de cálculo do IPI valores a título de bonificação, frete e seguro, porque legalmente previstos como integrantes do valor tributável do imposto. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. INCOMPETÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DO CARF. Este Colegiado é incompetente para apreciar questões que versem sobre constitucionalidade das leis tributárias. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 29 63 /2 01 4- 55 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, exceto quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, matéria em que ficaram vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Cássio Shappo, que davam provimento ao recurso. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, José Luiz Feistauer de Oliveira, Cassio Shappo, Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "Trata o presente processo do auto de infração de fls. 2 a 10 no qual consta a exigência do IPI, cód. 2945, no valor de R$ 5.512.110,41, multa de ofício no percentual de 112,5% no valor de R$ 6.201.124,22, e juros moratórios, no valor de R$ 1.462.752,69. De acordo com o Termo de Constatação Fiscal de fls. 11 a 14, o lançamento decorre de apuração de valores IPI a pagar relativamente aos períodos de apuração de janeiro de 2011 a setembro de 2012. Segundo a autoridade lançadora, tais valores Fl. 204DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10865.722963/201455 Acórdão n.º 3201002.207 S3C2T1 Fl. 204 3 não foram recolhidos e apenas uma pequena parte foi declarada em DCTF. Quanto aos meses de outubro a dezembro de 2012, como os valores declarados em DCTF coincidem com o que consta da escrituração fiscal da Impugnante, não houve lançamento. Aliás, no que se refere ao período de janeiro de 2011 a setembro de 2012, a Impugnante teria informado em DCTF os valores devidos de forma correta e, posteriormente, teria retificado tais valores, de forma a manter apenas uma pequena parte dos débitos, em total desacordo com o que consta da sua escrituração fiscal. A conduta adotada pela Impugnante, acima referida, motivou, além do lançamento, a imposição de multa de ofício aumentada de metade. A Impugnante se insurge contra a autuação alegando, primeiramente, que possui novo administrador em razão da má administração promovida por um dos sócios, tendo, inclusive, havido destituição judicial deste antigo administrador. Tal fato resta comprovado pela cópia do Acórdão e Voto proferidos nos autos do processo 2014.0000306627 TJSP (fls. 110 a 116). Informa que sua defesa será baseada, exclusivamente, nos fatos relatados e documentos acostados aos autos, já que nos exercícios anteriores a 2013, cujos fatos geradores são questionados, a Impugnante possuía outro administrador e a documentação do período é extremamente precária. Quanto ao direito em discussão, a Impugnante alega: a necessidade de exclusão da base de cálculo do IPI dos valores a título de bonificação, frete e seguro; a inexistência dos requisitos para a aplicação da multa “qualificada”; a inexistência de responsabilidade tributária da Impugnante; e a ilegalidade da incidência de juros sobre multa de ofício. Pelo exposto, requer o cancelamento do presente Auto de Infração." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o lançamento. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 30/09/2012 OCORRÊNCIA DE CIRCUNSTÂNCIA AGRAVANTE. POSSIBILIDADE DE AGRAVAMENTO DA MULTA. É de ser agravada a multa de ofício desde que provada a ocorrência de uma das circunstâncias de que trata o no § 1º do art. 68 da Lei nº 4.502, de 1964. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DA IMPUGNANTE. RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA DO DIRETOR. A eventual aplicação das hipóteses de responsabilidade de que tratam o inciso III do art. 135 e o art. 137 do CTN não excluem a pessoa jurídica do polo passivo da obrigação tributária. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 30/09/2012 BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE VALORES A TÍTULO DE BONIFICAÇÃO, FRETE E SEGURO Não podem ser excluídos da base de cálculo do IPI valores a título de bonificação, frete e seguro, porque legalmente previstos como integrantes do valor tributável do imposto. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Cientificada, a empresa interpôs recurso voluntário onde repisa as alegações apresentadas na impugnação. Pede a exclusão da base de cálculo do IPI dos valores referentes a descontos incondicionais e bonificações, frete e seguro. Alega também, a inexistência dos requisitos necessários para a aplicação da multa qualificada e a ilegalidade da incidência dos juros sobre a multa. Consta ainda do Recurso, a alegação de inexistência de responsabilidade tributária da Recorrente, visto que à época dos fatos a Recorrente não era administrada pelos atuais responsáveis e que a aplicação do art. 137 do CTN afastaria a responsabilidade da pessoa jurídica, sendo de se responsabilizar, apenas, o antigo administrador que teria praticado os atos dolosos. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecidas. A Recorrente pede a exclusão dos valores referentes a descontos incondicionais e bonificações, frete e seguro da base de cálculo do IPI. A discussão quanto a incidência do IPI sobre as bonificações, frete e seguro foi tratado no art. 14 da Lei nº 4.502/64. Art. 14. Salvo disposição em contrário, constitui valor tributável: (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) I quanto aos produtos de procedência estrangeira, para o cálculo efetuado na ocasião do despacho; a) o preço da arrematação, no caso de produto vendido em leilão; b) o valor que servir de base, ou que serviria se o produto tributado fosse para o cálculo dos tributos aduaneiros, acrescido de valor deste e dos ágios e sobretaxas cambiais pagos pelo importador; Fl. 206DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10865.722963/201455 Acórdão n.º 3201002.207 S3C2T1 Fl. 205 5 II quanto aos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. § 1º. O valor da operação compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário. § 2º. Não podem ser deduzidos do valor da operação os descontos, diferenças ou abatimentos, concedidos a qualquer título, ainda que incondicionalmente. § 3º. Será também considerado como cobrado ou debitado pelo contribuinte, ao comprador ou destinatário, para efeitos do disposto no § 1º, o valor do frete, quando o transporte for realizado ou cobrado por firma coligada, controlada ou controladora ou interligada do estabelecimento contribuinte ou por firma com a qual este tenha relação de interdependência, mesmo quando o frete seja subcontratado. § 4º. Será acrescido ao valor da operação o valora das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, nos casos de remessa de produtos industrializados por encomenda, desde que não se destinem a comércio, a emprego na industrialização ou no acondicionamento de produtos tributados, quando esses insumos tenham sido fornecidos pelo próprio encomendante, salvo se tratar de insumos usados. (grifo nosso) Quanto aos descontos incondicionais concedidos o STJ se manifestou no RESP nº 1.149.424, de relatoria da Ministra Eliana Calmon, julgada nos ritos do recurso repetitivo. Foi definido pelo tribunal que os descontos incondicionais não sofrem a incidência do IPI, entretanto, a decisão da primeira instância negou provimento a esta matéria também motivada na ausência de comprovação dos descontos incondicionais concedidos, conforme pode ser verificado no trecho abaixo extraído do voto condutor do acórdão recorrido. Ainda que se pudesse discutir a exclusão da base de calculo do IPI relativamente a qualquer dos itens levantados pela Impugnante o que se cogita apenas para argumentar não há nos autos qualquer prova de que haja, na composição da base de cálculo escriturada e declarada, valores a título de frete, bonificações ou seguro. Ademais, no caso concreto, os valores das operações foram informados pela própria Impugnante e nada se informa sobre eventual retificação de sua escrituração que pudesse ser utilizada como suporte à sua pretensão. Com as informações da decisão de piso, que negou seguimento por ausência de comprovação documental, a Recorrente não trouxe comprovação da existência de bonificação. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a Fl. 207DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 Assim, quanto a está matéria as bonificações não são aceitas para redução da base de cálculo por falta de comprovação documental e o frete e o seguro, em razão das determinações do art. 14, II, §§ 1º e 2º da Lei nº 4.502/64. Quanto ao agravamento da multa de ofício. Nos termos relatados, a Recorrente apresentou no período de janeiro de 2011 a outubro de 2012, DCTFs com valores corretos, posteriormente cancelou as DCTFs já enviadas e registrou novas declarações com valores insignificantes. A conduta resta claramente tipificada no sentido de ocultar os reais valores devidos dos tributos, o que configura o agravamento da multa nos termos do art. 68, § 1º, IV da lei nº 4.502/64. Art. 68. A autoridade fixará a pena de multa partindo da pena básica estabelecida para a infração, como se atenuantes houvesse, só a majorando em razão das circunstâncias agravantes ou qualificativas provadas no processo. § 1º São circunstâncias agravantes: I a reincidência; II o fato de o impôsto, não lançado ou lançado a menos, referirse a produto cuja tributação e classificação fiscal já tenham sido objeto de decisão passada em julgado, proferida em consulta formulada pelo infrator; III a inobservância de instruções dos agentes fiscalizadores sôbre a obrigação violada, anotada nos livros e documentos fiscais do sujeito passivo; IV qualquer circunstância que demonstre a existência de artifício doloso na prática da infração, ou que importe em agravar as suas conseqüências ou em retardar o seu conhecimento pela autoridade fazendária. § 2º São circunstâncias qualificativas a sonegação, a fraude e o conluio. (grifo nosso) O percentual de agravamento de 50% (cinquenta por cento) atendeu as determinações do art. 80, § 6º, I. Art. 80. A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou a falta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ... § 6o O percentual de multa a que se refere o caput deste artigo, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será: 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10865.722963/201455 Acórdão n.º 3201002.207 S3C2T1 Fl. 206 7 I aumentado de metade, ocorrendo apenas uma circunstância agravante, exceto a reincidência específica; " Alega ainda a Recorrente, que não teria responsabilidade nos atos praticados por antigos administradores. Também para esta matéria não assiste razão ao recurso. O agravamento recai sobre a multa de ofício exigida da pessoa jurídica. O fato de existir a mudança dos administradores não elide a exigência da penalidade sobre a empresa. Quanto a exigência de juros sobre a multa de ofício. Também para esta matéria não pode prosperar o recurso. A multa de ofício é lançada em conjunto com o principal fazendo um crédito único. Não ocorrendo o pagamento, a Fazenda Pública deixa de receber todo o crédito tributário que a ela era devida, e assim, faz jus a receber juros de mora sobre este montante. O CTN define como sujeito a multa de mora, o crédito não integralmente pago no vencimento, não existindo nenhuma determinação legal para excluir do conceito de créditos não integralmente pagos, a multa de ofício. Destarte não há como separar a multa de ofício do total do crédito exigido. A matéria já foi objeto de julgamento pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, no Acórdão nº 9101001.350, na sessão do dia 15 de maio de 2012, quando foi decidido pela incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. A ementa do citado acórdão ficou assim redigida. "JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Em se tratando de débitos relacionados com tributos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31/12/1994, sobre a multa por lançamento de ofício incidem, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora calculados segundo a taxa Selic, exvi dos arts.29 e 30, da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002." Por fim, consta do recurso, alegações de ofensa a princípios constitucionais. Quanto a esta matéria, este colegiado esta impedido de se manifestar, diante da edição da súmula nº 2 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009, que veda o pronunciamento sobre inconstitucionalidade de lei tributária. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Fl. 209DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 8 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Fl. 210DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 18/06/ 2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 10880.720265/2014-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2402-000.557
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do Relatório e do Voto do Relator.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do Relatório e do Voto do Relator. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Natanael Vieira dos Santos e João Victor Ribeiro Aldinucci. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 20 26 5/ 20 14 -2 7 Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/06/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10880.720265/201427 Resolução nº 2402000.557 S2C4T2 Fl. 602 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) DRJ/SPO, que julgou procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) exigindo crédito tributário no valor total de R$ 16.507.101,94 (fls. 2/35), em decorrência da apuração de omissão de ganho de capital auferido em operações de incorporação de ações da HFF Participações S.A. e da Sadia S.A. pela BRF Brasil Foods S.A., ocorridas em julho e agosto de 2009. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 9/35, integrante do lançamento, a fiscalização apresenta histórico dos procedimentos fiscais e a motivação da autuação. Dele se extraem as observações e argumentos a seguir transcritos, no essencial: III. 2.1. Ações da HFF Participações S.A. de ONEIDA MARIA SCHNITZER FONTANA, em 08/07/2009 64. Na AGE da HFF Participações S.A., de 08/07/2009, deliberouse (dentre outras questões) o aumento de capital social em R$9.926.613,00 e aprovou, ainda, imediatamente posteriores, dois aumentos de capital social, de R$628.670,00 (item 4.7 da ata) e de R$215.840.122,00 (item 4.8 da ata), efetivados mediante a emissão, respectivamente, de 9.926.611, 628.668 e 215.840.122 ações ordinárias nominativas. (...) 66. Portanto, após os três sucessivos (quase concomitantes) aumentos de capital e a redução do capital social da HFF Participações SA, aprovados na AGE de 08/07/2009, o capital social da HFF passou a ser de R$226.395.804,55, correspondente a 226.395.405 ações, das quais 5.050.627 eram patrimônio de ONEIDA MARIA SCHNITZER FONTANA. (...) III. 2.2. Incorporação das ações da HFF Participações S.A. pela BRF Brasil Foods S.A. 70. A incorporação da totalidade das ações da HFF Participações S.A. pela BRF Brasil Foods S.A. operação de reorganização societária que converteu aquela em subsidiária integral desta foi prevista, inicialmente, no Acordo de Associação firmado em 19/05/2009 entre a Perdigão S.A. (anterior denominação social da BRF Brasil Foods S.A., vigente até 07/07/2009), a Sadia S.A. e a HFF Participações S.A., cujo teor está sintetizado no Fato Relevante de 19/05/2009. 71. Este Acordo ressaltou que o propósito mediato desta operação de reorganização societária (a incorporação das ações da HFF pela BRF) era a iminente associação entre as empresas Perdigão S.A. e Sadia S.A., sendo, portanto, uma das etapas da futura junção. 72. Neste Acordo já estava prevista a relação de substituição de 1 ação da HFF por 0,166247 ação da (futura) BRF. Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/06/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10880.720265/201427 Resolução nº 2402000.557 S2C4T2 Fl. 603 3 73. Ulteriormente, em 22/06/2009, a (ainda) Perdigão e a HFF celebraram o "Protocolo e Justificação da Incorporação das Ações de Emissão da HFF Participações S.A. pela Perdigão S.A.", que é documento obrigatório e inerente à incorporação de ações, por disposição expressa do caput do art. 252 da Lei n° 6.404/1976, que remete aos termos dos artigos 224 e 225 desta Lei. 74. O "Protocolo e Justificação" previu, como condição suspensiva da efetivação da operação de reorganização societária, a HFF tornarse proprietária de ações da Sadia (131.070.000 ações, no mínimo, e 231.236.725 ações, no máximo) até 08/07/2009, que foi a data prevista para a aprovação, em Assembléia Geral da Perdigão, da incorporação de ações (item "c" da Cláusula Primeira). 75. Em sintonia com o Acordo de Associação, a Cláusula Segunda do "Protocolo e Justificação" destacou a incorporação de ações como uma das etapas da iminente associação entre a Perdigão S.A. e a Sadia S.A., enquanto a Cláusula Terceira dispôs sobre a relação de substituição, já previamente definida, de 1 ação ordinária da HFF por 0,166247 ação ordinária da (futura) BRF, tendo em vista as conclusões alcançadas nos laudos de avaliação econômicofinanceira. 76. A Cláusula Oitava, item 8.2, condicionou a consumação da incorporação de ações à convocação de assembléias gerais, no âmbito da HFF e da Perdigão (...) 77. Os laudos de avaliação econômicofinanceira (da HFF, feito pela "PLANCONSULT", e da Perdigão, feito por "CREDIT SUISSE") foram anexados ao "Protocolo e Justificação" (Anexos I e II), com a ressalva de que as nomeações das empresas que os elaboraram seriam ratificadas na AGE que deliberaria a incorporação de ações. (...) 80. No âmbito da HFF, o "Protocolo e Justificação" foi aprovado na AGE realizada em 08/07/2009 as 10h:30 (item 4.10 da ata), registrandose, nesta ocasião, que houve a implementação de todas as condições de eficácia da incorporação de ações (item 4.11). (...) 84. Portanto, a incorporação da totalidade das ações da HFF pela BRF foi deliberada no "Acordo de Associação", de 19/05/2009; no "Protocolo e Justificação", de 22/06/2009 e nas AGES ocorridas, nas duas empresas, em 08/07/2009, e observou todas prescrições legais pertinentes. 85. Esta operação de reorganização societária consubstanciou a alienação, pelos acionistas da HFF, para a BRF, de todas as suas ações mediante o recebimento de 0,166247 ação da BRF, com preço unitário de R$39,40, por cada ação da HFF alienada. 86. O evento resultou, ainda, no aumento de R$1.482.889.902,75 no capital social da BRF (correspondente ao valor econômico atribuído à HFF no laudo de avaliação) por meio da emissão de 37.637.557 ações ordinárias, a R$39,40, a serem integralizadas pelos (ex) acionistas da HFF com suas ações, assim como na conversão da HFF em subsidiária integral da BRF, que passou a ser sua única acionista. (...) Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/06/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10880.720265/201427 Resolução nº 2402000.557 S2C4T2 Fl. 604 4 Concluída a análise da "incorporação de ações", passase à análise do efeito tributário deste evento na seara individual da contribuinte: 88. Em 08/07/2009, ONEIDA MARIA SCHNITZER FONTANA alienou à BRF Brasil Foods S.A., por meio da incorporação de ações, 5.050.627 ações da HFF Participações S.A, das quais ela era proprietária. 89. O custo de aquisição de suas ações da HFF Participações S.A. foi R$5.050.627,00 (5.050.627 x R$1,00, que é o preço unitário das ações da Sadia S.A. conferidas ao patrimônio da HFF Participações S.A., a título de integralização do capital social por ele subscrito); 90. Em contraprestação, ONEIDA MARIA SCHNITZER FONTANA recebeu, dentre as novas ações ordinárias da BRF Brasil Foods S.A. emitidas em aumento de capital social, 839.651 ações, nos valores unitário de R$39,40 e total de R$33.082.249,40 (produto da multiplicação do número de ações recebidas 839.651 pelo preço unitário destas R$39,40). 91. Portanto, o ganho de capital auferido pela contribuinte foi R$28.031.622,40 (R$33.082.249,40 R$5.050.627,00). 92. O Imposto de Renda devido pela contribuinte em relação a este ganho de capital é R$4.204.743,36 (R$ 28.031,622,40 x 15%). III 2.3 Ações preferenciais da Sadia S.A., de ONEIDA MARIA SCHNITZER FONTANA 96. Em 18/08/2009, se efetivou a incorporação da totalidade das ações da Sadia S.A. pela já BRF Brasil Foods S.A., que foi fato pertencente ao processo de associação destas empresas e que será explicitado adiante. ONEIDA MARIA SCHNITZER FONTANA era proprietária de 9.964.035 ações da Sadia S.A, todas da classe preferencial, ao custo médio unitário de R$2,904794, conforme informou em sua resposta ao Termo n° 12 – Intimação Fiscal. III 2.4 Incorporação das ações da Sadia S.A. pela BRF Brasil Foods S.A.: Ganho de Capital Imposto de Renda 97. Da mesma forma que a incorporação das ações da HFF Participações S.A. pela BRF Brasil Foods S.A., a incorporação das ações da Sadia S.A. pela BRF Brasil Foods S.A. foi prevista, inicialmente, no Acordo de Acionistas de 19/05/2009, firmado entre a então Perdigão S.A., a Sadia S.A. e a BRF Brasil Foods S.A., como mais uma das operações pertinentes à unificação das operações dessas empresas (Perdigão S.A. e Sadia S.A.). 98. Em 08/07/2009, os administradores da BRF e da Sadia firmaram o "Protocolo e Justificação" (cópia do documento registrado na Junta Comercial do Estado de Santa Catarina sob o n° 20092879586), o qual; ratificou a relação de substituição, anteriormente prevista no Acordo de Associação, pela qual os acionistas da Sadia S.A. receberiam, em contraprestação à transferência de cada ação ordinária ou preferencial, de sua titularidade, à BRF Brasil Foods S.A. a título de integralização do capital social subscrito 0,132998 ação ordinária desta empresa. Esta relação de substituição foi estabelecida com base no laudo de avaliação econômicofinanceira, elaborado por Banco de Investimentos Credit Suisse (Brasil) S.A. em 19/05/2009. (...) Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/06/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10880.720265/201427 Resolução nº 2402000.557 S2C4T2 Fl. 605 5 101. O "Protocolo e Justificação" previu, também, o aumento do capital social da BRF em montante correspondente ao valor econômico atribuído à Sadia no Laudo de Avaliação elaborado pela PLANCONSULT Planejamento e Consultoria Ltda., com database 31/12/2008, o qual definiu o valor de R$5,23 por ação cláusulas 5.1 e.5.2. 102. Finalmente, o "Protocolo e Justificação" condicionou a consumação da incorporação de ações à realização de AGE, no âmbito das duas empresas, com os seguintes escopos (cláusula décima, item 10.1): (...) 104. No âmbito da BRF, a AGE de 18/08/2009 deliberou a aprovação de (ata registrada na Junta Comercial sob o n° 20092879560): (...) 106. A AGE da Sadia ocorreu na mesma data, 18/08/2009 (ata registrada na JUCESC sob o nº 20092879624), e também aprovou o "Protocolo e Justificação", a incorporação de ações e a subscrição do capital social da BRF aumentado em virtude deste evento (dentre outras deliberações). 107. O Boletim de Subscrição de 18/08/2009, registrado na JUCESC sob o n° 20092998011, demonstra, com clareza, o número de ações ordinárias da BRF Brasil Foods S.A. subscritas pelo DiretorPresidente da Sadia S.A., por conta dos acionistas desta empresa; o valor do capital social da BRF Brasil Foods S.A. correspondente à subscrição e, ainda, a forma de integralização do capital social subscrito (qual seja, a conferência de todas as ações da Sadia S.A.). 108. Portanto, a incorporação da totalidade das ações da Sadia pela BRF foi deliberada no "Acordo de Associação", de 19/05/2009; no "Protocolo e Justificação", de 08/07/2009 e nas AGES ocorridas, nas duas empresas, em 18/08/2009, e observou todas prescrições legais pertinentes. Concluída a análise da "incorporação de ações" preferenciais da Sadia S.A. pela BRF Brasil Foods S.A., passase à análise do efeito tributário, desta decorrente, em relação à contribuinte: 109. Em 18/08/2009, 9.964.035 ações preferenciais da Sadia S.A. de propriedade de ONEIDA MARIA SCHNITZER FONTANA foram incorporadas pela BRF Brasil Foods S.A.. 110. O.custo total de aquisição de suas ações preferenciais da Sadia S.A. foi R$28.943.470,31, conforme resposta da contribuinte ao Termo n° 12 – Intimação Fiscal. 111. Em contraprestação, ela recebeu, dentre as novas ações ordinárias da BRF Brasil Foods S.A. emitidas em aumento de capital social, 1.325.196 ações, nos valores unitários de R$39,32 e total de R$52.106.706,72 (produto da multiplicação do número de ações recebidas 1.325.196 pelo preço unitário destas R$39,32). 112. Portanto, o ganho de capital auferido pelo contribuinte foi R$23.163.236,41 (R$52.106.706,72 R$28.943.470,31). 113. O imposto de renda devido pelo contribuinte em relação a este ganho de capital é R$3.474.485,46 (R$23.163.236,41 x 15%). (...) Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/06/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10880.720265/201427 Resolução nº 2402000.557 S2C4T2 Fl. 606 6 117. Conforme os fatos e as verificações fiscais já expostos, com base nos documentos que embasam o trabalho desenvolvido neste procedimento fiscal, concluí que foram omitidos, no anocalendário 2009, rendimentos sujeitos à tributação definitiva, correspondentes aos Ganhos de Capital decorrentes de: • alienação de ações ordinárias da HFF Participações S.A. para a BRF Brasil Foods S.A., por meio da operação de incorporação de ações, em 08/07/2009; • alienação de ações preferencias da Sadia S.A. para a BRF Brasil Foods S.A., por meio da operação de incorporação de ações, em 18/08/2009. Irresignada, a contribuinte impugnou o lançamento, aduzindo as razões por ela assim sintetizadas: Incorporação de Ações (i) a incorporação de ações consiste em instituto de direito societário, com regime jurídico próprio, exaustivamente regulamentado pela Lei 6.404, de 15 de dezembro de 1976 (Lei das Sociedades por Ações "LSA"), como forma de constituição de uma subsidiária integral de sociedade brasileira; (ii) na incorporação de ações, a participação na sociedade incorporadora é um reflexo daquela mesma participação anteriormente detida na sociedade que foi objeto da conversão em subsidiária integral; (iii) tratase a incorporação de ações, portanto, de hipótese de subrogação real legal por meio da qual se operou a substituição das ações detidas anteriormente por ações da BRF, mantendose a mesma proporção e valor do investimento anteriormente detido; (iv) a incorporação das ações foi deliberada e aprovada por assembléia geral em vista dos interesses da sociedade e não de seus acionistas; (v) não houve, no referido processo de aprovação, manifestação de vontade expressa por parte dos acionistas no sentido da transmissão da propriedade das ações em questão à BRF no contexto de tal operação. Os acionistas que participaram de tal processo enquanto integrantes da Assembléia Geral e votaram acerca da aprovação da operação, o fizeram no exercício de sua função social e não em vista de seus interesses individuais; (vi) com efeito, não houve, em momento algum, a intenção por parte da Impugnante em transferir o investimento detido na Sadia à BRF. Eventual alienação deste investimento iria de encontro com o propósito primordial de sua constituição: a preservação do investimento na Sadia no âmbito familiar; (vii) buscouse, por meio do uso desse instrumento societário (i.e. incorporação de ações), a unificação/associação de dois negócios que antes eram performados/executados separadamente. Conforme destacado no Fato Relevante, o objetivo de ambas as companhias em se associarem consistiu em passar a atuar conjuntamente no mercado, ganhando força operacional, administrativa e negociai em escala nacional e internacional; (viii) a incorporação de ações é o único instrumento societário hábil à associação de sociedades como Sadia e Perdigão. No caso da fusão, duas sociedades operantes deixam de existir, para que uma terceira, resultante da união de ambas, assuma os negócios, com inscrições e demais registros novos. Contudo, por questões regulamentares e comerciais, essa terceira sociedade ficaria inoperante até conseguir Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/06/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10880.720265/201427 Resolução nº 2402000.557 S2C4T2 Fl. 607 7 todas as licenças necessárias para funcionamento, bem como a alteração de cadastros de fornecedores e clientes; (ix) por outro lado, na incorporação de sociedades, uma das sociedades deixa de existir, o que, além de ir de encontro com a vontade de associação das Assembléias Gerais das envolvidas, também gera dificuldades operacionais; (x) na sessão de julgamento de 20.2.2013, a 2a Câmara da 2a Turma Ordinária do E. CARF proferiu decisão favorável ao contribuinte em processo administrativo que trata da não incidência de IRPF sobre o ganho de capital na incorporação de ações, sob o entendimento de que, de fato, a operação de incorporação de ações não consiste em evento de alienação apto a ensejar a apuração de ganho de capital sujeito à incidência do imposto de renda; (xi) diante da ausência da manifestação de vontade da Impugnante em transferir a propriedade de suas ações à BRF no contexto de tal operação, não pode ser esta tratada como evento de alienação apto a ensejar a apuração de ganho de capital sujeito à regular incidência do IRPF; (xii) admitir que a incorporação de ações é uma operação de alienação sujeita à apuração de ganho de capital, além de ir contra o ordenamento jurídico Sadia, que investiram seu patrimônio na sociedade devido à sua sólida tradição e não necessariamente pretendiam alienar as suas ações; e (xiii) se em complemento à inexistência da cultura de investimentos em bolsa no Brasil, o Governo passar a tributar fatos que independem da vontade dos acionistas e/ ou exigir tributos sobre ganhos irreais, criarseá um ambiente de insegurança jurídica generalizada no Mercado, no qual as pessoas deixarão de investir em bolsa com receio de serem autuadas sem nem mesmo saberem que ocorreu uma operação supostamente sujeita à incidência de imposto de renda. Permuta e Inexistência de Acréscimo Patrimonial (xiv) ad argumentandum, tendo em vista que a própria D. Fiscalização reconhece que a Impugnante recebeu ações BRF em contraprestação às suas ações anteriormente detidas, não há dúvidas de que, na remota hipótese de se considerar que a incorporação de ações é alienação, tratarseia de uma típica operação de permuta. Conforme remansosa jurisprudência do E. CARF, a permuta não está sujeita à incidência de IRPF se não houver torna, sendo a autuação insubsistente também por este ângulo; e (xv) o próprio Superior Tribunal de Justiça referendou decisão no sentido de que o recebimento de ações e quotas de outras empresas em substituição à participação acionária anteriormente detida gera apenas expectativa de lucro que não poderia dar ensejo à incidência do Imposto de Renda. Regime de Caixa (xvi) ainda que se entenda que a incorporação de ações é uma forma de alienação sujeita à apuração de ganho de capital, o auto guerreado não merece prosperar nos termos em que lavrado, na medida em que o suposto ganho nunca foi percebido pela Impugnante. Isenção do IRPF (xvii) a Impugnante possuía ações Sadia desde 1983, sendo assim, quando da revogação do DecretoLei, seu direito subjetivo à isenção do IRPF incidente sobre o ganho de capital decorrente da alienação desta participação societária tornouse um Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/06/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10880.720265/201427 Resolução nº 2402000.557 S2C4T2 Fl. 608 8 direito adquirido, que não pode ser modificado, conforme determina a Constituição Federal e a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro. Sendo assim, não subsiste a pretensão da D. Fiscalização em tributar suposto ganho auferido pela Impugnante com relação a essas ações. Insubsistência do valor de principal apurado (xviii) tendo em vista que a Impugnante registrou as ações HFF em sua DIRPF pelo mesmo custo de aquisição das ações Sadia anteriormente detidas (i.e. pelo custo com base no qual conferiu as ações Sadia à HFF), para a apuração do valor correto do IRPF devido sobre suposto ganho de capital apurado pela Impugnante na operação de incorporação das ações HFF pela BRF, esta D. DRJ deve, data máxima vênia, considerar como custo unitário das ações HFF o custo unitário correto e devidamente corrigido das ações Sadia já contemplando as capitalizações de lucros realizadas por esta sociedade, a saber, R$2,913900. Juros (xix) merecem ser afastados os juros de mora sobre a multa de ofício, por manifesta ofensa à Legislação Pátria e ao Princípio da Segurança Jurídica. A exigência foi mantida no julgamento de primeiro grau (fls. 1316/1359), ensejando a interposição de recurso voluntário em 23/4/2015 (fls. 1365/1490), o qual repisou, em linhas gerais, os termos da impugnação. De sua parte, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões (fls. 1494/1514), contestando os argumentos da recorrente. É o relatório. Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/06/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10880.720265/201427 Resolução nº 2402000.557 S2C4T2 Fl. 609 9 VOTO Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Inicialmente, cabe observar que na apuração do ganho de capital verificado quando ocorrida a incorporação das ações da HFF Participações S.A. (HFF) pela BRF Brasil Foods S.A. (BRF), em 8/7/2009, foi atribuído pela fiscalização o custo unitário de aquisição de R$ 1,00 para as ações da HFF. Isso porque o custo total de aquisição de suas ações da HFF foi de R$ 5.050.627,00 (5.050.627 ações x R$ 1,00, que é o preço unitário das ações da Sadia S.A. conferidas ao patrimônio da HFF a título de integralização do capital social por ela subscrito). Tal cálculo baseouse na aplicação do § 2º do art. 16 da Lei nº 7.713/88, que prescreve que "o custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e dos bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens". Porém defende a recorrente, com fulcro no § 3º desse mesmo artigo, que considerando as sucessivas capitalizações de lucros acontecidas na Sadia S.A., o custo de aquisição de suas ações deveria ter sido acrescido, na proporção em que essas capitalizações correspondessem à sua participação societária. Mas, "por um equívoco da Sadia", ela não foi informada quanto à parcela de lucro ou reserva capitalizado que lhe caberia, e por consequência, referido acréscimo não foi espelhado no custo de aquisição de suas ações daquela empresa, por faltarlhe conhecimento técnico para tanto, o que consubstanciaria erro de fato. Sintetizada a questão nesses termos, devem ser transcritos os art. 130 e 135 do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99), no que interessa ao deslinde da controvérsia: Art.130.O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e de bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16, §2º). §1º No caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas de lucros, que tenham sido tributados na forma do art. 35 da Lei nº 7.713, de 1988, ou apurados no ano de 1993, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16, § 3º, e Lei nº 8.383, de 1991, art. 75). §2º O custo é considerado igual a zero (Lei nº 7.713, de 1988, art. 16, §4º): I no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas apurados até 31 de dezembro de 1988, e nos anos de 1994 e 1995; II no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente; Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/06/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10880.720265/201427 Resolução nº 2402000.557 S2C4T2 Fl. 610 10 III quando não puder ser determinado por qualquer das formas descritas neste artigo ou no anterior. (...) Art.135. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital ou incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista (Lei nº 9.249, de 1995, art.10, parágrafo único).(grifei) A leitura das disposições supra revela que a prescrição do artigo 130, § 1º, que tem por base legal o artigo 16, § 3º, da Lei n° 7.713/88, aplicase até o anocalendário de 1993. Ressaltese que a tributação do lucro “na forma do art. 35 da Lei n° 7.713, de 1988”, mencionada no referido parágrafo 1°, não mais vigorou a partir do anocalendário de 1993, por força do disposto no artigo 75 da Lei n° 8.383/91. Já o artigo 135 do RIR/99, cuja matriz legal é o artigo 10, parágrafo único, da Lei n° 9.249/95, aplicase a partir de janeiro de 1996. Na verdade, tratamse de regras que concernem a períodos distintos, pois anteriormente a 1996 o lucro distribuído era passível de tributação, inclusive na fonte, não sendo alterado o custo de aquisição da participação societária quando da capitalização dos lucros pela pessoa jurídica. Sendo tal participação alienada, o lucro dantes capitalizado sofria a incidência "cheia" do ganho de capital. Com o advento do art. 10º da Lei nº 9.249/95, os lucros passaram a ser tributados somente na pessoa jurídica. A partir de então os dividendos passaram a ser isentos, o que poderia ensejar a preferência pela sua distribuição frente à sua retenção e reinvestimento, dando azo à descapitalização das empresas. Para evitar tal situação, e estimular a retenção dos lucros de modo a possibilitar a realização de investimentos e formação bruta de capital sem endividamento perante terceiros, com o consequente crescimento da economia e geração de empregos, o regramento do parágrafo único do art. 10 da Lei nº 9.249/95 (art. 135 do RIR/99, acima reproduzido) previu uma "compensação" para que os sócios não decidissem priorizar a distribuição de lucros. Com efeito, para que os lucros não fossem distribuídos como dividendos aos sócios mas sim incorporados mediante aumento de capital da empresa, foi possibilitado o ajuste no custo de aquisição das participações societárias dos acionistas, na proporção em que fossem aqueles capitalizados, balizandose assim o alcance do benefício legal da isenção dos dividendos. Assim, adicionouse ao natural efeito diferimento do ganho de capital na postergação da alienação das ações, a vantagem de que esse ganho sujeito à tributação verseia diminuído do montante dos lucros que foram capitalizados e não distribuídos aos sócios. Destarte, ainda que o art. 135 do RIR/99 refirase tãosomente às quotas e ações distribuídas em razão da capitalização de lucros ou reservas, sob o ponto de vista teleológico sistemático não há motivo para que essa capitalização não reflita, igualmente, acréscimo do custo de aquisição de ações já detidas pelos sócios. Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/06/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10880.720265/201427 Resolução nº 2402000.557 S2C4T2 Fl. 611 11 Tragase à colação as ponderadas palavras de Paulo Cezar Aragão e Fernanda Mattar Mesquita a respeito do tema: Em outras palavras: se o acionista receber ações com base em reservas e lucros cuja capitalização não seria tributada, por haverem sido apurados a partir de janeiro de 1996, a parcela de tais lucros ou reservas que caberia ao acionista não apenas está isenta de tributação para a pessoa jurídica que os capitalizar, como também atualizará a base de custo do acionista pessoa física ou jurídica, para uma eventual apuração futura do ganho de capital tributável. Dessa forma, sem descapitalizar a companhia com distribuições de dividendos acima do obrigatório, o acionista vê aumentado o seu custo de aquisição que serve de base para a apuração do ganho de capital em caso de venda de ações. Uma leitura literal do texto da lei, reproduzida no RIR, que alude a “quotas ou ações distribuídas”, tem feito com que algumas companhias abertas, ao capitalizarem lucros ou reservas, adotem ainda a prática, até certo ponto ultrapassada, de distribuírem novas ações aos seus acionistas (por exemplo, as aqui tratadas bonificações), que na reforma se buscou desestimular, para evitar uma “ilusão de ganho” característica de um mercado de capitais incipiente e de uma economia inflacionária. Sempre foi objeto de análise a possibilidade de que esta capitalização de lucros ou reservas fosse feita sem a distribuição de novas ações, pelos custos de implantação que as bonificações representam e, acima de tudo, pelo custo adicional que geram, principalmente, nos casos das companhias brasileiras com certificados de depósito de ações no exterior (“ADRs”), para os titulares dos referidos ADRs, já que, no mercado externo, o número de ações alienadas usualmente impacta o custo de transferência junto aos bancos depositários (uma vez que novos ADRs serão emitidos, fazendo com que uma mesma operação passe a envolver um número maior e custos de transação aumentados), tornando as operações mais onerosas para os investidores estrangeiros de portfólio (por exemplo, feitos com base na Resolução CMN nº 2.689), que estariam, em qualquer caso, isentos de tributação sobre ganho de capital. Para esses investidores de portfólio, desse modo, a distribuição de novas ações em bonificação não tem real sentido econômico, apenas aumentando o custo de transação. Nos últimos anos, contudo, a Receita Federal do Brasil divulgou Soluções de Consulta com base nas quais se reconhece que, em ambos os casos (por exemplo, na capitalização de reservas com ou sem a emissão de novas ações), o custo (fiscal) de aquisição dos acionistas pode sofrer ajuste. Assim, segundo esse novo entendimento, a distribuição de novas ações não é necessária para o gozo do benefício de aumento do custo (fiscal) de aquisição para as pessoas físicas ou jurídicas, ainda que os citados arts. 135 e 383, parágrafo único, do RIR aludam a esse fato, uma vez que – como lembrado – com ou sem a emissão de novas ações, estão sendo incorporadas, ao capital social, reservas que, se distribuídas como dividendos e imediatamente capitalizadas, resultariam em um aumento da base de cálculo do investimento total realizado, também sem tributação. Fl. 1539DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/06/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10880.720265/201427 Resolução nº 2402000.557 S2C4T2 Fl. 612 12 E, como visto acima, é perfeitamente justificável que assim seja, já que não apenas o resultado econômico é o mesmo para o acionista, com ou sem emissão de novas ações, como também não há razão para que a capitalização de reservas nessas circunstâncias tenha tratamento menos favorecido, se a companhia pode proceder a essa capitalização de suas reservas sem alterar o número de ações (inclusive aumentando o valor nominal das existentes, quando for o caso).1 (grifos do original). Como observado pela contribuinte e no excerto acima, o entendimento ora partilhado vem ao encontro de recentes posicionamentos da Receita Federal do Brasil acerca do assunto, dentre os quais se pode citar a Solução de Consulta nº 45/13 da Disit SRRF 4ª Região, e a Solução de Consulta nº 53/08, da Disit da SRRF 6ª Região. No caso em comento, a recorrente juntou à impugnação, como documentos de números 12 a 17, atas de assembléia da Sadia S.A. com vistas a comprovar a realização de diversas capitalizações de lucros entre 1999 e 2007, o que levaria ao incremento no custo de aquisição das ações por ela detidas, para um custo médio por ação de R$ 2,9139, conforme demonstrado no anexo 12 à impugnação, custo esse superior ao que embasou o ganho de capital apurado pelo Fisco. Não obstante, necessário é que a autoridade fazendária manifestese, tendo em vista os documentos colacionados aos autos, em particular os já mencionados anexos 12 a 17 da impugnação, acerca da correção dos cálculos efetuados pela contribuinte, que culminaram na atribuição do valor de R$ 2,9139 como custo médio unitário das ações da Sadia S.A. por ela possuídas. Isso, evidentemente, partindo do pressuposto, já fixado por este Colegiado mediante a Resolução ora exarada, de que a contribuinte pode efetivamente acrescer o custo de aquisições de suas ações em razão dos lucros e reservas capitalizadas, a despeito de terem sido ou não emitidas novas ações nessas operações. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem pronunciese acerca da correção dos cálculos efetuados pela contribuinte que levaram à atribuição do custo unitário médio de aquisição de R$ 2,9139 às ações da Sadia S.A. por ela detidas, sendo que, após a ciência da referida sobre o resultado desse exame, e o transcurso do prazo para respectiva manifestação, deve retornar o processo ao CARF para prosseguimento. Ronnie Soares Anderson. 1 Cfr. Considerações a respeito da capitalização de reservas e lucros à luz da lei das sociedades por ações. In: WALD, Arnoldo; GONÇALVES, Fernando; SOARES DE CASTRO, Moema Augusta (coord.); FREITAS, Bernardo Vianna; CARVALHO, Mário Tavernard Martins de (org.). Sociedades anônimas e mercado de capitais. São Paulo: Quartier Latin, 2011. p. 79104. Fl. 1540DF CARF MF Impresso em 01/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2016 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 28/06/20 16 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 29/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 11080.720707/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
EMBARGOS INOMINADOS. ADMISSIBILIDADE.
Verificando-se que existe ação ajuizada pelo Contribuinte com o mesmo objeto do Recurso Voluntário, qual seja, a forma de tributação do imposto de renda incidente sobre as verbas trabalhistas pagas acumuladamente, da qual o colegiado não tinha conhecimento ao proferir o acórdão embargado, verifica-se a ocorrência de lapso manifesto que merece ser reparado.
SÚMULA CARF Nº 1. CONCOMITÂNCIA ENTRE O RECURSO ADMINISTRATIVO E AÇÃO JUDICIAL. COINCIDÊNCIA DE OBJETO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Embargos Acolhidos com Efeitos Infringentes.
Numero da decisão: 2202-003.406
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para retificar o Acórdão nº 2202-003.048, para não conhecer do recurso, por concomitância com ação judicial.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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ADMISSIBILIDADE. Verificandose que existe ação ajuizada pelo Contribuinte com o mesmo objeto do Recurso Voluntário, qual seja, a forma de tributação do imposto de renda incidente sobre as verbas trabalhistas pagas acumuladamente, da qual o colegiado não tinha conhecimento ao proferir o acórdão embargado, verifica se a ocorrência de lapso manifesto que merece ser reparado. SÚMULA CARF Nº 1. CONCOMITÂNCIA ENTRE O RECURSO ADMINISTRATIVO E AÇÃO JUDICIAL. COINCIDÊNCIA DE OBJETO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Embargos Acolhidos com Efeitos Infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, com efeitos infringentes, para retificar o Acórdão nº 2202003.048, para não conhecer do recurso, por concomitância com ação judicial. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 07 07 /2 01 1- 71 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.720707/201171 Acórdão n.º 2202003.406 S2C2T2 Fl. 206 2 Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele elaborado pelo Ilustre embargante, complementandoo ao final: Tratase de embargos inominados em face do Acórdão nº 2202 003.048, da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF (fls. 172 a 182), julgado na sessão plenária de 8 de dezembro de 2015, cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. JUSTIÇA TRABALHISTA. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART. 62, § 2º. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitandose, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ e do STF, com aplicação da sistemática dos Arts. 543B e 543C do CPC. Art. 62, §2º do RICARF determinando a reprodução do entendimento. Recurso Voluntário Provido. O dispositivo do acórdão foi assim redigido: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, vencidos os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e EDUARDO DE OLIVEIRA que deram provimento parcial ao recurso para serem aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. O Conselheiro PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO deu provimento, pelas conclusões. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.720707/201171 Acórdão n.º 2202003.406 S2C2T2 Fl. 207 3 Após o julgamento pelo Colegiado da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, foi solicitada pela DRF de origem, em 06/01/2016, a juntada de documentos, os quais correspondem às peças judiciais de fls. 165 a 170. Em 10/03/2016, a Presidente da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento emitiu despacho de encaminhamento (fl. 201) solicitando a análise sobre a existência de ação judicial que pode conter o mesmo objeto do Recurso Voluntário, o que implicaria em anulação do acórdão proferido, por concomitância com ação judicial (Súmula CARF nº 01). Analisando a questão, concluiu o Embargante que "de fato, a ação ajuizada pelo Contribuinte possui o mesmo objeto do Recurso Voluntário, qual seja, a forma de tributação do imposto de renda incidente sobre as verbas trabalhistas pagas acumuladamente". Citando os artigos 65 e 66 do Regimento Interno do CARF , arrematou que "resta evidente a ocorrência de lapso manifesto, o qual merece ser reparado" e então recebeu "a informação sobre a existência de ação judicial como embargos inominados, acolhendoos para que se corrija o lapso apontado". O acórdão embargado foi ainda alvo de outro recurso: o recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com cópia na folha 184 e seguintes. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. ADMISSIBILIDADE Conforme artigos 65 e 66 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, cabem embargos inominados para corrigir "inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão".Os embargos poderão ser interpostos, dentre outros, por conselheiro do colegiado ou pelo próprio relator. Cabe ao Presidente da Turma verificar as condições de admissibilidade, podendo designar o relator para se pronunciar. No caso em questão, o foi o próprio Presidente da Turma que, ao interpor os embargos, já se manifestou expressamente pela admissibilidade dos mesmos, determinando a inclusão em pauta de julgamento. MÉRITO O acórdão embargado foi proferido na sessão de julgamento de 08 de dezembro de 2015. Até aquele momento, não constavam dos autos quaisquer informações sobre a existência de ação judicial com o mesmo objeto em discussão em sede administrativa e, portanto, o acórdão foi proferido, regularmente, em conformidade com a documentação que constava do processo sob análise, lembrando do brocardo "o que não está nos autos não está no mundo" (quod non est in actis non est in mundo). Somente em 06 de janeiro de 2016 foi Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.720707/201171 Acórdão n.º 2202003.406 S2C2T2 Fl. 208 4 solicitada a inclusão de cópias das decisões judiciais, conforme registro no eprocesso, na folha 164. Na apelação cível nº 506884082.2011.404.7100/RS, tendo como partes Valdir Ferraz de Abreu e a União, conforme documentos de folhas 167/8, discutese exatamente a forma de cálculo do imposto de renda incidente sobre verbas recebidas acumuladamente em virtude de sentença judicial trabalhista, tendo determinado a forma de apuração, mesmo objeto que se discute nos autos deste processo administrativo. A ação judicial foi distribuída em 19/12/2011, meses depois da abertura deste processo administrativo, aberto em 03/02/2011, quando o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento consubstanciado na Notificação de Lançamento de folha 05. Tal notificação trata de: "omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista..." No recurso ao CARF, protocolado em 19 de abril de 2012 (fl. 79), o contribuinte não mencionou que discutia judicialmente a forma de cálculo do imposto sobre rendimentos provenientes de ação trabalhista. Bem, conforme tratado acima, não verifico que tenha havido "equívoco" ou "erro" no acórdão proferido pelo colegiado do CARF, em face da situação que se apresentou, mas conforme acolhidos os embargos, houve uma inexatidão material. A solução encontrada é de fato salutar e concluise pela aplicação da Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em face do exposto, VOTO pelo acolhimento dos embargos interpostos com efeitos infringentes para retificar o Acórdão 2202003.048 (fl. 172), para não conhecer do recurso voluntário interposto, por concomitância com ação judicial (Súmula CARF nº 1). Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 11080.720707/201171 Acórdão n.º 2202003.406 S2C2T2 Fl. 209 5 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10 /06/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 11/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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