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Numero do processo: 10166.908052/2009-33
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. PEREMPÇÃO.
Não se toma conhecimento de recurso interposto fora do prazo legal.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 3403-002.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso por intempestivo.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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score : 1.0
Numero do processo: 10735.902028/2010-22
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
Restituição. Compensação. Admissibilidade. Súmula CARF n. 84.
Somente são dedutíveis da CSLL ou IRPJ apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008.
Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida.
Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1801-001.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade jurisdição, para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2007 Restituição. Compensação. Admissibilidade. Súmula CARF n. 84. Somente são dedutíveis da CSLL ou IRPJ apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. Reconhecimento do Direito Creditório. Análise Interrompida. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
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COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. SÚMULA CARF N. 84. Somente são dedutíveis da CSLL ou IRPJ apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade jurisdição, para análise do mérito do litígio, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 20 28 /2 01 0- 22 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 30/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 12/03/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Fl. 218DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 03/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/06/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 2 Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo – Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A ora Recorrente transmitiu declaração de compensação n. 24007.11094.310107.1.3.047955, referente a crédito originado de pagamento a maior de IRPJ pago por estimativa, para compensação de débito de IRPJ no valor de R$ 3.666,56. O Despacho Decisório n. 880535689, não reconheceu o direito creditório da Recorrente, sob o fundamento de que o crédito alegado tratavase “de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período”. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade em que afirmou, em síntese, que recolheu os valores de R$ 34.030,85 e R$ 4.674,40, a título de estimativa mensal, correspondente ao mês de agosto de 2006, quando o montante devido, apurado mediante elaboração de Balanço de Suspensão ou Redução, era de R$ 6.838. A 3a Turma da DRJ/RJ, através do Acórdão 1238.021 julgou improcedente o pedido da Recorrente, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano calendário:2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVAS MENSAIS. CSLL. O pagamento a título de estimativa mensal de CSLL somente pode ser utilizado na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de CSLL do período. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Na decisão ora recorrida, entendeuse, em síntese, que a não haveria direito à compensação, pois a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, que efetua pagamento de estimativas mensais (IRPJ ou CSLL), só poderia utilizar esses valores ao final do período de apuração, já que a lei determina que o indébito seja apurado apenas no dia 31 de dezembro. Em sede de recurso voluntário, a ora Recorrente reafirmou os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade, por conseguinte, o seu direito creditório, por força do pagamento indevido de estimativas mensais. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 30/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 12/03/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Fl. 219DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 03/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/06/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Processo nº 10735.902028/201022 Acórdão n.º 1801001.343 S1TE01 Fl. 4 3 Fez sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Selmo A.C. Mesxquita, OAB/SP 119.076. É o relatório. Voto Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Relatora O presente recurso preenche os requisitos de admissibilidade e é tempestivo, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme relatado, foi negado o direito creditório da Recorrente, sob o fundamento de que não haveria direito à compensação, pois a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual, que efetue pagamento de estimativas mensais (IRPJ ou CSLL), só poderia utilizar esses valores ao final do período de apuração, já que a lei determina que o indébito seja apurado apenas no dia 31 de dezembro. A Delegacia de Julgamento, por sua vez, não se pronunciou sobre o mérito do direito creditório, porém, manifestouse no sentido de que a Recorrente apenas deveria utilizar tal pagamento quando da apuração da CSLL anual, seja para dedução do CSLL devida ou na composição do respectivo saldo negativo. Esse tema é pacificado nessa Turma Especial, citandose o Acórdão n° 180100.490, de 22/02/2011, em que foi Relatora a Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, no qual se fixou o entendimento segundo o qual à Administração Tributária não é permitido definir qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Outrossim, a matéria é objeto da súmula desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de nº 84, que assim dispõe: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Em face do exposto, uma vez que a Recorrente não teve apreciado o mérito de seu direito creditório, pois a instância administrativa preparadora estabeleceu como prejudicial ao exame, a impossibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, deve ser o retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para apreciação do aspecto meritório do crédito em tela. Ainda, deve se ressaltar, conforme a linha de entendimento adotada, que enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos, abrindose inclusive, novos prazos para o exercício do contraditório e ampla defesa, sobre o entendimento meritório acerca do direito de crédito. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 30/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 12/03/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Fl. 220DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 03/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/06/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO 4 Assim sendo, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o consequente retorno dos autos à unidade de jurisdição, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. Observo que a Recorrente tem outros processos que versam sobre Per/Dcomp cujos créditos tributários são estimativas recolhidas, pelo que se sugire à autoridade a quo reunilos e adaptar as Per/Dcomp para restituição de saldo negativo de IRPJ/CSLL e reunilas em um só processo, a fim de evitarse decisões conflitantes – (v. Portaria RFB nº 666/08). (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Fl. 216DF CARF MF Impresso em 30/05/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 12/03/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO Fl. 221DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO, Assinado digitalme nte em 03/06/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 02/06/2013 por ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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Numero do processo: 10120.002017/2004-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
Ementa:
APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (Acórdão nº CSRF 401-05838).
RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODO-BASE. A multa isolada pode ser exigida após o encerramento do exercício em que as antecipações seriam devidas, estando o valor da sua base de cálculo limitada ao montante do tributo efetivamente devido, apurado no encerramento desse exercício.
Numero da decisão: 9101-001.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional (multas concomitantes) e, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso do contribuinte (multa isolada). Vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva e Valmir Sandri que davam provimento integral.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonsêca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ
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FAZENDA NACIONAL E EVOLUTI TECNOLOGIA E SERVIÇOS LTDA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (Acórdão nº CSRF 40105838). RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. APLICABILIDADE APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODOBASE. A multa isolada pode ser exigida após o encerramento do exercício em que as antecipações seriam devidas, estando o valor da sua base de cálculo limitada ao montante do tributo efetivamente devido, apurado no encerramento desse exercício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional (multas concomitantes) e, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso do contribuinte (multa isolada). Vencidos os Conselheiros José Ricardo da Silva e Valmir Sandri que davam provimento integral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 20 17 /2 00 4- 21 Fl. 707DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 30/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonsêca de Menezes, José Ricardo da Silva e Plínio Rodrigues de Lima. Relatório Tratase de recursos especiais de divergência interpostos i) pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN,com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, admitido através do despacho de fls. 626, e ii) pela contribuinte, admitido através do despacho de fls. 693/696, contra decisão proferida no Acórdão nº 140200.062, sessão de 06/11/2009 (fls. 598/601), pela Segunda Turma Ordinária da 4ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento. O recurso especial apresentado pela Procuradoria da Fazenda Nacional –PFN diz respeito à aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada, tendo o aresto guerreado, nessa matéria, sido assim ementado: PENALIDADE — MULTA ISOLADA — FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOB BASE ESTIMADA. Não cabe a aplicação concomitante da multa de ofício incidente sobre o tributo apurado e da multa isolada por falta de recolhimento da estimativa, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, §1º, inciso IV, quando calculadas sobre os mesmos valores, apurados em procedimento fiscal. Incabível a exigência da multa isolada concomitante. O acórdão trazido como paradigma, nº 19300018 (fls. 610), proferido pela extinta Terceira Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, apresenta a seguinte ementa: "(...) CONCOMITÂNCIA DE MULTA ISOLADA COM MULTA ACOMPANHADA DO TRIBUTO A multa de oficio aplicada isoladamente sobre o valor do imposto apurado por estimativa, que deixou de ser recolhido, no curso do Anocalendário, é aplicável concomitantemente com a multa de oficio calculada sobre o imposto devido com base no lucro real anual igualmente não recolhido, em face de se tratar de infrações distintas." Quanto ao recurso especial interposto pela contribuinte, a matéria trazida à colação referese à possibilidade de se aplicar a multa isolada, não concomitante, após o encerramento do períodobase de apuração do IRPJ, a qual foi mantida mediante decisão proclamada nos termos a seguir: Fl. 708DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 30/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.002017/200421 Acórdão n.º 9101001.574 CSRFT1 Fl. 10 3 Acordam os membros do Colegiado, (...) por voto de qualidade, em manter a multa isolada não concomitante de R$ 214.234,62 (IRPJ) e de R$ 27.530,69 (CSLL), (...). Consta do voto condutor da decisão recorrida que: esse entendimento está centrado na interpretação de que constatado o não recolhimento das estimativas, a multa isolada é devida até mesmo nas situações em que o contribuinte apresenta prejuízo fiscal no anocalendário correspondente (desde que não tenha apurado os balancetes de suspensão ou redução do tributo demonstrando o prejuízo fiscal ou redução do tributo). Por essa interpretação não importa que o lançamento tenha sido realizado durante o anocalendário ou após o seu encerramento. Extraio do despacho que deu seguimento ao recurso especial (fls. 674) a transcrição dos fundamentos que embasaram a decisão proferida no acórdão paradigma, nos seguintes excertos do seu voto condutor: (...). Dentro de tal contexto, certo é que encerrado o período de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece o tributo efetivamente devido com base na apuração do lucro real. Entendo, portanto, que o fisco somente poderá impor multa de oficio isolada, quando e se constatar recolhimento(s) menor(es) do que a base estimada, se o fizer dentro do períodobase de apuração e pagamento bem assim, antes da contribuinte entregar sua declaração de ajuste anual. (...). Foram apresentadas contrarrazões tanto da PFN quanto da contribuinte, as quais serão lidas em plenário. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, relator. Conforme relatado, estão sendo trazidos à nossa apreciação recursos especiais de divergência apresentados pela Procuradoria da Fazenda Nacional – PFN e pela contribuinte, estando ambos de acordo com os pressupostos legais e regimentais de admissibilidade, devendo ser conhecidos. As matérias postas à apreciação deste Colegiado são por demais conhecidas, quais sejam: 1. Recurso especial da PFN: aplicação da multa de ofício em concomitância com a multa isolada sobre a mesma infração apurada em procedimento de fiscalização, e Fl. 709DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 30/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 2. Recurso especial da contribuinte: aplicação da multa isolada, não concomitante, após o encerramento do período base de apuração do IRPJ, ou seja, a fiscalização apurou omissão de receitas nos anos calendário de 1999, 2000 e 2001, sendo que nos anos de 2002 e 2003 foram apuradas apenas insuficiência no pagamento das estimativas, sendo essa a base sobre a qual foi lançada a multa isolada em questão. Impende ressaltar que os fatos geradores são anteriores à vigência da Lei nº 11.388/2007 (conversão da MP nº 351/2006). Inicio pela análise do dissenso jurisprudencial levantado pela PFN, que consiste na cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas do IRPJ e da CSLL, com fulcro no art. 44, § 1º, inciso IV, atual art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/1996, concomitantemente com a multa de ofício de que trata o art. 44, inciso II, atual art. 44, § 1º, ambos da mesma Lei, lançadas com base em receitas omitidas. Por discorrer sobre a matéria com muita propriedade, peço vênia para transcrever excertos do voto condutor da decisão proferida por esta Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no acórdão CSRF nº 40105838, sessão de 15/04/2008, no processo nº. 13626.000292/200304, da lavra do i. Conselheiro Marcos Vinicius Néder de Lima, que adoto como razões de decidir: “(...). Após a edição desse dispositivo legal, inúmeros debates instalaramse no âmbito desse Conselho de Contribuintes, sobretudo acerca da aplicação cumulativa das sanções neles previstas. Na verdade, a leitura isolada dos enunciados do artigo 44 da Lei n° 9.430 tem levado alguns dos meus pares a sustentar a aplicação da multa isolada em todos os casos em que não houver recolhimento da estimativa. Sustentam que a sanção foi concebida justamente para assegurar efetividade ao regime da estimativa e preservar o interesse público. Ressalto, inicialmente, que a divergência não se situa na necessidade de dar efetividade ao regime de estimativa, porquanto o intérprete deve atribuir a lei o sentido que lhe permita a realização de suas finalidades. Mas, a pretexto de concretizálo, não se pode menosprezar o sentido mínimo do texto legal. Por força da segurança jurídica, a interpretação de normas que imponham penalidades deve ser atenta ao que dispõe os textos normativos e esses oferecem limites à construção de sentidos. Na verdade, Kelsen já dizia que toda norma legal deriva de uma vontade pré jurídica (um querer), mas a dificuldade do intérprete repousa na identificação de o que se reputará como sendo essa vontade. No dizer de Marçal Justen Filho, não há qualquer caráter predeterminado apto a qualificar o interesse como público. Sustenta que "o processo de democratização conduz à necessidade de verificar, em cada oportunidade, como se configura o interesse público. Sempre e em todos os casos, tal se dá por meio da intangibilidade dos valores relacionados aos direitos fundamentais1". Nessa trilha de raciocínio, iniciaremos pelo exame das formulações literais, isolando os enunciados prescritivos e sua estrutura lógica, para depois alcançar as significações normativas e, como produto final, a regra jurídica. Norma não são textos nem o conjunto deles, mas os sentidos construídos a partir da interpretação sistemática dos textos2. 1 MARÇAL, Justen Filho. Curso de Direito Administrativo. São Paulo: Saraiva, 2005, p.43/44. 2 Ricardo Guastini citado por Humberto Asila em Teoria dos Princípios, São Paulo: Malheiros, 2005, p.22. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 30/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.002017/200421 Acórdão n.º 9101001.574 CSRFT1 Fl. 11 5 Nesse sentido, o artigo 44 da Lei n° 9.430/96 prescreve, de forma sintética, o seguinte: HIPÓTESE CONSEQÜÊNCIA Dado que houve falta de pagamento ou recolhimento, recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória Pagar multa de 75% ou 150%3, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição (art. 44, caput, inciso I e II) Dado que pessoa jurídica está sujeita ao pagamento do IR de forma estimada, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa no ano correspondente. Pagar multa isolada de 75% calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição (caput, art. 44, §1º, IV) Dado que a pessoa jurídica prova, por meio de balanço ou balancetes mensais, que o valor acumulado excede o valor do imposto calculado com base no lucro real do período. Dispensar recolhimento por estimativa (art. 44, §1º, IV c/c art. 35, §2º, da Lei 8981/95). O exame literal dos textos legais acima transcritos evidencia que o caput do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 determina que a multa seja calculada "sobre a totalidade ou diferença de tributo". Ou seja, as penalidades previstas nos incisos I e II, e no §1°, IV, referemse todas à falta de pagamento de tributo. Assim, ambas as penalidades discutidas nesse processo, por força da previsão legal, incidem sobre a mesma base de cálculo, ao contrário, do quer fazer crer a Procuradoria da Fazenda Nacional. Importante firmar que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, eis que, juridicamente, o fato gerador do tributo só será tido por ocorrido ao final do período anual (31/12). O valor do lucro — base de cálculo do tributo só será apurado por ocasião do balanço no encerramento do exercício, momento em que são compensados os valores pagos antecipadamente em cada mês sob bases estimadas e realizadas outras deduções desautorizadas no cálculo estimado. O aplicador, diante dessas proposições extraídas do texto legal, deve buscar a interpretação que alcance a coerência interna do conjunto, por isso a construção lógica da regra jurídica não pode levar ao cumprimento de um enunciado prescritivo e ao necessário descumprimento de outro do mesmo dispositivo legal. O intérprete deve buscar o sentido do conjunto que afaste contradições, afinal, dentre a moldura de significações possíveis de um texto de direito positivo a escolha do intérprete de ser feita em consonância com todo ordenamento jurídico. Nesse sentido, vale lembrar que o rigor é maior em se tratando de normas sancionatórias, não se devendo estender a punição além das hipóteses figuradas no texto. Além da obediência genérica ao princípio da legalidade, devem também atender a exigência de objetividade, identificando com clareza e precisão, os elementos definidores da conduta delituosa. Para que seja tida como infração, a ocorrência da vida real, descrita no suposto da norma individual e concreta expedida pelo órgão competente, tem de satisfazer a todos os critérios identificadores tipificados na hipótese da norma geral e abstrata. A insegurança, sobretudo no campo de aplicação de penalidades, é absolutamente 3 A hipótese de majoração da multa de oficio para 150% está prevista no inciso lido art. 44 da Lei n°9.430/96 caso identificado verdadeiro intuito de fraude. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 30/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 incompatível com a essência dos princípios que estruturam os sistemas jurídicos no contexto dos regimes democráticos. Reportandome a doutrina de Paulo de Barros Carvalho, a base de cálculo da regra sancionatória, à semelhança da regra de incidência tributária, apresenta três funções: (i) compor a específica determinação da multa; (ii) medir a dimensão econômica do ato delituoso, e (iii) confirmar, infirmar ou afirmar o critério material da infração. A primeira função permite apurar o montante da sanção. Na segunda, o valor adotado como base de cálculo busca aferir o quanto o sujeito ativo foi prejudicado (função reparadora) e para garantir eficácia a norma (função desestimuladora da conduta ilícita). Por fim, a última função da base de cálculo atende a exigência de proporcionalidade entre o delito e a sanção. Se a conduta visa coibir falta de pagamento de tributo, a base de cálculo apropriada é o montante não pago. Se, por outro lado, a conduta ilícita referese ao descumprimento de um dever instrumental não relacionado à falta de recolhimento de tributo, não seria razoável adotar essa grandeza como base de cálculo. Nessa mesma linha, a adoção de bases de cálculo e percentuais idênticos em duas regras sancionadoras faz pressupor a identidade ou, pelo menos, a proximidade da materialidade dessas condutas ilícitas. Ou seja, sanções que têm a mesma base de cálculo devem, em princípio, corresponder a idêntica conduta ilícita. Essas conclusões aplicadas à legislação tributária evidenciam o desarranjo na adequação das regras sancionadoras atualmente vigentes no imposto sobre a renda, em que ofensas a bens jurídicos de distintos graus de importância para o Direito são atribuídas penas equivalentes, sem que se atente ao princípio da proporcionalidade punitiva. A punição prevista no artigo 44 da Lei n° 9.430/96 pelo nãorecolhimento do tributo (75% do imposto devido) é equivalente a punição prevista no mesmo artigo pelo descumprimento do dever de antecipar o mesmo tributo (75% do valor da estimativa). Em certos casos, a penalidade isolada chega a ser superior a multa de oficio aplicada pelo não recolhimento do tributo no fim do ano. Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão, menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Assim, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam "princípio da consunção". Segundo as lições de Miguel Reale Junior: "pelo critério da consunção, se ao desenrolar da ação se vem a violar uma pluralidade de normas passandose de uma violação menos grave para outra mais grave, que é o que sucede no crime progressivo, prevalece a norma relativa ao crime em estágio mais grave..." E prossegue "no crime progressivo, Fl. 712DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 30/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.002017/200421 Acórdão n.º 9101001.574 CSRFT1 Fl. 12 7 portanto, o crime mais grave engloba o menos grave, que não é senão um momento a ser ultrapassado, uma passagem obrigatória para se alcançar uma realização mais grave".4 Assim, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de oficio na hipótese de falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também pela falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio por falta de recolhimento de tributo. Essa mesma conduta ocorre, por exemplo, quando o contribuinte atrasa o pagamento do tributo não declarado e é posteriormente fiscalizado. Embora haja previsão de multa de mora pelo atraso de pagamento (20%), essa penalidade é absorvida pela aplicação da multa de oficio de 75%. É pacífico na própria Administração Tributária, que não é possível exigir concomitantemente as duas penalidades — de mora e de oficio — na mesma autuação por falta de recolhimento do tributo. Na dossimetria da pena mais gravosa, já está considerado o fato de o contribuinte estar em mora no pagamento. Nesse sentido, cabe ressaltar que a Medida Provisória 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, veio a disciplinar posteriormente a aplicação de multas nos casos de lançamento de oficio pela Administração Pública Federal. Esse dispositivo legal veio a reconhecer a correção da jurisprudência desta Câmara, estabelecendo (que) a penalidade isolada não deve mais incidir "sobre a totalidade ou diferença de tributo", mas apenas sobre "valor do pagamento mensal" a título de recolhimento de estimativa. Além disso, para compatibilizar as penalidades ao efetivo dano que a conduta ilícita proporciona, ajustou o percentual da multa por falta de recolhimento de estimativas para 50%, passível de redução a 25% no caso de o contribuinte, notificado, efetuar o pagamento do débito no prazo legal de impugnação (Lei no 8.218/91, art. 6°). Assim, a penalidade isolada aplicada em procedimento de oficio em função da não antecipação no curso do exercício se aproxima da multa de mora cobrada nos casos de atraso de pagamento de tributo (20%). Providência que se fazia necessária para tornar a punição proporcional ao dano causado pelo descumprimento do dever de antecipar o tributo. (...).” Discordo, pois, do entendimento externado pela PFN no seu recurso especial. Quanto ao dissenso jurisprudencial levantado pela contribuinte, cuja discussão é sobre a aplicabilidade da multa isolada sobre estimativas não recolhidas a título de antecipações do devido na apuração dos resultados do exercício, temse que, de acordo como a descrição dos fatos constante da Peça Básica (fls. 196 – vol. I), nos anos de 2002 e 2003, a diferença lançada neste auto de infração é decorrente da utilização, nos anos anteriores, do saldo de Imposto de Renda Retido. A decisão recorrida considerou que a mesma seria devida sob o entendimento de que a multa isolada é devida até mesmo nas situações em que o contribuinte apresenta prejuízo fiscal no anocalendário correspondente (desde que não tenha apurado os balancetes de suspensão ou redução do tributo demonstrando o prejuízo fiscal ou redução do tributo). Por essa interpretação não importa que o lançamento tenha sido realizado durante o anocalendário ou após seu encerramento. (voto condutor – p. 8, fls. 618, vol. III) A recorrente argumenta que: 4 Instituições de Direito Penal, Pane Geral. Rio de Janeiro: Forense, 2002, págs. 276 e 277 Fl. 713DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 30/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 8 (...) o recolhimento por estimativa corresponde a uma antecipação provisória sujeita a ajuste do valor que virá, ou estimase que venha, a ser devido ao ensejo do encerramento do período de apuração. Portanto, encerrandose o exercício, com a apuração definitiva do imposto e seu pagamento no tempo legalmente aprazado, cessa qualquer possibilidade de imposição da multa isolada sobre valor não recolhido antecipadamente, pois a infração falta de pagamento (inciso I) – que é o pressuposto da conduta punível deixa de existir em face do adimplemento da obrigação, agora não mais provisória, e sim definitiva. Forçoso concluir que as disposições do inciso IV do §1º do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, interpretadas sistematicamente com o conjunto da disciplina tributária pertinente, não autorizam a aplicação da multa isolada após a apuração definitiva do imposto e seu pagamento tempestivo. (...). Meu entendimento é o de que referida multa pode ser exigida após o encerramento do exercício em que as antecipações seriam devidas, cuja base de cálculo, porém, fica limitada ao valor do tributo apurado no períodobase de incidência, ou seja, sobre os valores não antecipados e que seriam suficientes à quitação do tributo efetivamente devido, importando dizer que a penalidade não seria imponível no caso da ocorrência de prejuízo fiscal, contrariamente ao entendimento externado na decisão recorrida. Esse tem sido o entendimento prevalecente nesta instância especial de julgamento administrativo, consoante decisões proferidas nos arestos assim ementados: · Processo nº 10680.005834/200312 Acórdão nº CSRF/0105.552 – sessão de 04/12/2006 CSLL – MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – TRIBUTO APURADO INFERIOR AO VALOR CALCULADO POR ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 determina que a multa de ofício seja calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, grandeza que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. Na apuração do lucro real anual, o tributo devido pelo contribuinte só é conhecido ao final do período de apuração quando ocorre a aquisição de renda pelo contribuinte – fato gerador do Imposto sobre a Renda. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando o valor do cálculo estimado ultrapassa o tributo devido na escrita fiscal ao final do exercício. · Processo nº 10930.005173/200328 Acórdão CSRF nº 910100.110 – sessão de 11/05/2009 RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA – MULTA ISOLADA. A exigência da multa de lançamento de ofício isolada, sobre diferenças de IRPJ e CSLL não recolhidos mensalmente, somente faz sentido se operada no curso do próprio ano calendário, ou, se após o seu encerramento, se da Fl. 714DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 30/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.002017/200421 Acórdão n.º 9101001.574 CSRFT1 Fl. 13 9 irregularidade praticada pela contribuinte (falta de recolhimento ou recolhimento a menor) resultar prejuízo ao fisco, como a insuficiência de recolhimento mensal frente à apuração, após encerrado o anocalendário, de tributo devido maior do que o recolhido por estimativa, hipótese não ocorrente quando o contribuinte apura prejuízo no final do exercício. (...). Por esses fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, para afastar a multa isolada por concomitância com a multa de ofício, e de dar parcial provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, para que o valor da base de cálculo da multa isolada seja limitada ao montante do tributo efetivamente devido, apurado no encerramento do exercício. É como voto. (assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Fl. 715DF CARF MF Impresso em 25/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalme nte em 30/05/2013 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 13896.001267/2010-17
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997.
A Lei n.° 9.430/1996, vigente a partir de 1° de janeiro de 1997, estabeleceu, em seu artigo 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito.
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Aplicação da Súmula CARF nº 26.
INCONSTITUCIONALIDADE. CARF. INCOMPETÊNCIA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NATUREZA DO RECURSO DEPOSITADO. PAGAMENTO PELA AQUISIÇÃO DE COTAS DE CAPITAL SOCIAL. COMPROVAÇÃO. INSTRUMENTO PARTICULAR QUE CONSIGNA A QUITAÇÃO. INDÍCIOS CONVERGENTES DE PAGAMENTO EM MOMENTO POSTERIOR. ORIGEM COMPROVADA. EXCLUSÃO DO LANÇAMENTO.
A indicação de quitação em dinheiro do valor de alienação de cotas de capital social registrada no Instrumento Particular é prova relativa, a qual pode ser elidida pela existência nos autos de indícios convergentes de que parte do pagamento se deu no ano posterior por meio de cheque, o que permite tomar como comprovada a origem dos recursos relativamente ao cheque depositado e, conseqüentemente, excluir o valor correspondente da base de cálculo do lançamento que se fundamentou na presunção legal de omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários.
TAXA SELIC. ILEGALIDADE.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Aplicação da súmula CARF nº 4.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da R$120.000,00 (cento e vinte mil reais) da base de cálculo, referente ao depósito realizado em 10/05/2006, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 16/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei n.° 9.430/1996, vigente a partir de 1° de janeiro de 1997, estabeleceu, em seu artigo 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Aplicação da Súmula CARF nº 26. INCONSTITUCIONALIDADE. CARF. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NATUREZA DO RECURSO DEPOSITADO. PAGAMENTO PELA AQUISIÇÃO DE COTAS DE CAPITAL SOCIAL. COMPROVAÇÃO. INSTRUMENTO PARTICULAR QUE CONSIGNA A QUITAÇÃO. INDÍCIOS CONVERGENTES DE PAGAMENTO EM MOMENTO POSTERIOR. ORIGEM COMPROVADA. EXCLUSÃO DO LANÇAMENTO. A indicação de quitação em dinheiro do valor de alienação de cotas de capital social registrada no Instrumento Particular é prova relativa, a qual pode ser elidida pela existência nos autos de indícios convergentes de que parte do pagamento se deu no ano posterior por meio de cheque, o que permite tomar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 12 67 /2 01 0- 17 Fl. 914DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 como comprovada a origem dos recursos relativamente ao cheque depositado e, conseqüentemente, excluir o valor correspondente da base de cálculo do lançamento que se fundamentou na presunção legal de omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários. TAXA SELIC. ILEGALIDADE. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Aplicação da súmula CARF nº 4. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da R$120.000,00 (cento e vinte mil reais) da base de cálculo, referente ao depósito realizado em 10/05/2006, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2007, anocalendário 2006, conforme auto de infração de fls. 825/827 e demonstrativos de fls. 828/829 (fl. digital), em virtude de ter sido apurada omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada a partir de fiscalização na qual, após intimação fiscal, o contribuinte apresentou os extratos bancários. A descrição dos fatos é apresentada no Termo de Constatação Fiscal, às fls. 808/824 (fl. digital). Na autuação foram computados exclusivamente os depósitos de valor individual superior a R$12.000,00, listados abaixo: a) em 10/05/2006 – R$120.000,00; R$90.000,00 e R$40.000,00; Fl. 915DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13896.001267/201017 Acórdão n.º 2802002.422 S2TE02 Fl. 915 3 b) em 11/05/2006 – R$30.500,00 e R$60.000,00; e c) em 12/06/2006 – R$34.250,00 e R$45.750,00 Na impugnação, o contribuinte alegou a inadequação do lançamento por presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários e que a origem dos recursos foi comprovada, em síntese, da seguinte maneira: a) alienação de cotas da sociedade Amazon PC Ltda (R$800.000,00) em 2004 e disponibilidade de numerário acumulado também naquele ano (R$ 200.000,00); b) no anocalendário de 2005, o transporte do numerário de R$ 200.000,00, acrescendose a ele, o valor correspondente ao recebimento pela alienação das quotas da sociedade, tendo sido transportado para o anocalendário seguinte o numerário correspondente a R$ 800.000,00, sendo R$ 600.000,00 para transferência para aquisição de imóvel no exterior (Estados Unidos – conforme contrato Banco do Brasil n° 06/020794, em 22/08/2006) e R$ 200.000,00 a título de numerário disponível para futuras aplicações; c) a remessa de numerário para o exterior foi acobertada pelo respectivo Registro de Operações de Câmbio Sisbacen, na data supra, documento onde se fez constar a remessa do valor de US$ 309.000, com valor equivalente em reais no importe de R$ 658.077,30 para a aquisição de imóvel; d) há nos autos comprovantes inequívocos das operações que subsidiaram a elaboração de seu informe de rendimentos relativo ao anocalendário de 2006, e justifica a disponibilidade dos valores questionados pela fiscalização; e) com as diligências deflagradas a partir da expedição de mandados extensivos, eventuais dúvidas relativas àquilo que se erigiu como recebimentos incomprovados, restam demonstradas a partir dos documentos e informações oriundas dos contribuintes instados a manifestarse nos autos sobre os valores pagos em relação ao impugnante. f) impossibilidade de exigir juros de mora com base na Selic. A impugnação foi indeferida pelos fundamentos a seguir sintetizados: a) legalidade da presunção de omissão de rendimentos que se amparou no art. 42 da Lei 9.430/1996 tal como consta do enunciado da Súmula CARF nº 26; b) inexistiu cerceamento de direito de defesa em relação ao lançamento como alegado, pois cabia ao impugnante tão somente comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos depósitos relacionados ao presente auto de infração. Não se trata de exigir apresentação de provas relativas a operações das quais não tenha sido parte; c) não foi comprovada pelo impugnante a origem dos recursos, uma vez que: c.1. o depósito de R$ 120.000,00, de 10/05/2006, recebido da Sra. Ana Maria Rodrigues Fernandes Pereira não tem nenhuma relação com o pagamento pela alienação das quotas da empresa Amazon PC, pois no Instrumento Contratual (fls. 54/61) consta que referida alienação foi paga em dinheiro; Fl. 916DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 c.2 quanto ao depósito de R$ 40.000,00, em 10/05/2006, não se acata a alegação de que era numerário em poder do impugnante pois foi realizado pelo Sr. Hélio Bispo do Nascimento e não há qualquer explicação sobre possíveis negócios entre o impugnante e o Sr. Hélio; c.3 em relação aos depósitos efetuados em dinheiro pelo próprio impugnante em 10, 11 e 12/05/2006 (fls. 26, 29, 30, 31 e 32) não há como acatar a alegação de que teve como origem numerário que o impugnante dispunha em seu poder, uma vez que não merece veracidade a informação da DIRPF2007 de que dispunha de R$600.000,00 em 31/12/2005, em virtude dos seguintes fatos: c.3.1 esse valor precisar de respaldo na DIRPF2006 na qual informou saldo de R$200.000,00 em 31/12/2004 e dos valores que alegou ter recebido (fls. 43/45) da Srª Ana Maria Fernandes Pereira (R$400.000,00 referente a alienação de cotas da Amazon), do Sr. Carlos Eugênio Soares Diniz e da venda de um automóvel Corola, sendo que o valor recebido pela Venda das cotas foi recebido em 2005 e não em 2004, não há comprovação da venda do automóvel Corola, na impugnação o contribuinte alega que recebeu do Sr. Carlos Eugênio uma série de depósitos bancários e não numerário, depósitos relacionados às fls. 846/847, nem há prova de que tenha feito saques que justifiquem a posse desse numerário; o contribuinte, portanto, não comprovou recebimento de numerário em 2005; c.3.6. na DIRPF 2007 (fls. 722/726) o contribuinte declarou que possuía R$600.000,00 em espécie em 31/12/2005 e R$ 800.00,00 em 31/12/2006 e afirma que depositou o numerário em sua conta, com o fim de possibilitar a remessa ao exterior do valor de R$ 658.077,30 (US$ 309.000), ocorrida em 22/08/2006, conforme consta no extrato bancário de fl. 14, para a compra de um imóvel. c.3.7. Embora a remessa ao exterior tenha ocorrido, o valor do numerário em poder do contribuinte em 2006 não diminuiu; ao contrário, aumentou. Como não comprovou o recebimento de dinheiro em espécie no ano de 2006, implica reconhecer que não depositou em sua conta corrente parte do numerário o qual alega que tinha em seu poder, pois, se o tivesse feito, deveria ter em 31/12/2006 um saldo de moeda nacional menor do que tinha em 31/12/2005. d) a multa de oficio e os juros de mora decorrem de previsão legal, quanto ao último sua exigência é também acolhida pela Súmula CARF nº 4. Ciência da decisão em 23/11/2011. Recurso Voluntário interposto em 16/12/2011. O recorrente descreve o procedimento de fiscalização, as conclusões da autoridade autuante e objeções feitas à sua impugnação, indicando ponto a ponto as razões de decidir do acórdão recorrido, alega que a análise de evolução patrimonial apurada de acordo com o fluxo financeiro não é apta a demonstrar Acréscimo Patrimonial a Descoberto, sendo mera presunção motivo insuficiente para elaborar de um auto de infração, e que a precisa indicação do enquadramento legal é essencial ao lançamento sob pena de constituir vício substancial e insanável conforme entendimento consolidado no CARF. Reitera os termos da impugnação. O recorrente sustenta que a origem dos recursos é comprovada pelo fato de haver disponibilidade financeira para realizar os depósitos, o que se comprova pelas razões abaixo: Fl. 917DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13896.001267/201017 Acórdão n.º 2802002.422 S2TE02 Fl. 916 5 1. em 2004 já contava com a disponibilidade de numerário de R$200.000,00 e alienou cotas da sociedade Amazon PC Ltda que lhe possibilitou receber, parte dele (fls. 896), nos anos seguintes (total R$800.000,00); os adquirentes foram Ana Maria e Carlos Eugênio. 2. o pagamento de Ana Maria foi de R$220.000,00 em moeda corrente nacional que foi entregue pela adquirente em virtude de venda de imóvel por ela realizada em 26/06/2005 conforme escritura anexa; o valor restante (R$180.000,00) foi quitado em duas parcelas, um cheque de R$120.000,00 e um depósito em conta corrente de R$60.000,00. 3. o pagamento do Sr. Carlos Eugênio foi de R$175.000,00 em 2004 e R$225.000,00 por meio de depósitos on oline e TED realizados nos meses de junho a agosto de 2005 (cf. relação às fls. 898), tendo como origem a agência 0334, onde a Amazon PC mantém conta de depósitos, o que comprova que os valores creditados em sua conta em 13/07/2005 e 19/07/2005 originaramse da Amazon PC e quitam ao valores devidos por Carlos Eugênio, sócio da Amazon PC. 4. retifica a informação da impugnação de que o valor de R$120.000,00 recebido de Ana Maria referiuse a empréstimo concedido, tratase de pagamento pela alienação das cotas sociais; 5. em 2005 teve a disponibilidade de R$200.000,00 mais os R$800.000,00, os quais foram transferidos para o ano de 2006; 6. em 2006, transferiu R$658.077,30 para aquisição de imóvel no exterior (contrato Banco do Brasil em 22/08/2006) e manteve R$200.000,00 em numerário disponível para futuras aplicações; e 7. a autoridade fiscal considerou os contratos particulares como prova quando eram desfavoráveis ao contribuinte (compra) mas os desconsiderou quando favoráveis (venda). O recorrente sustenta ser inaplicável taxa Selic para cálculo dos juros de mora e afirma que a Delegacia de Julgamento usou de retórica para tentar amparar os fracos argumentos que sustentam a autuação, o que requer apenas reiterar a impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O lançamento combatido amparase no art. 42 da Lei 9.430/1996 e os extratos bancários foram apresentados pelo contribuinte à Fiscalização, de forma que não há identidade em relação à discussão travada no Recurso Extraordinário nº 601.314 pelo STF e conseqüentemente, nenhum óbice regimental ao prosseguimento do julgamento. Fl. 918DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Nos lançamento amparados no referido dispositivo legal, aplicamse, dentre outras, as Súmulas CARF nº 2 e 26. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Intimado a justificar a origem dos depósitos, o contribuinte fornece as informações e documentos, porém a autoridade fiscal considerou que uma série de depósitos ocorridos em maio de 2006 não tiveram a comprovação, uma vez que, essencialmente, o contribuinte justificava a origem dos depósitos com uma devolução de empréstimo e com numerário em seu poder, o que a fiscalização considerou não ter sido comprovado diante das demais informações coletadas e da falta de documentação comprobatória. O recorrente não tem razão em alegar a inexistência de fundamentação para o lançamento, uma vez que os fatos se amoldaram adequadamente à previsão legal do art. 42 da Lei 9.430/1996. Os argumentos do acórdão recorrido são relevantes e consistentes e não mera cortina de fumaça como afirmou o recorrente, como suposta justificativa para não contrapor os argumentos da decisão. A questão central trazida com a impugnação e reiterada com o recurso voluntário pode ser resumida como a tentativa de comprovar que o depósito de R$120.000,00 é parte do pagamento feito pela Srª Ana Maria referente à aquisição de cotas sociais da empresa Amazon e que os outros 5 depósitos foram feitos pelo próprio contribuinte com o numerário existente em 31/12/2005 para possibilitar a incontroversa transferência de dinheiro para o exterior ocorrida em agosto de 2006 para compra de imóvel. O documento de fls. 25 comprova que esse depósito corresponde a um cheque emitido por Ana Maria Rodrigues Fernandes Pereira. O documento de fl. 27 demonstra que o depósito de R$ 40.000,00, na data de 10/05/2006, foi feito em dinheiro por Hélio Bispo do Nascimento. Os demais créditos correspondem a depósitos em dinheiro feitos pelo próprio impugnante (fls. 26, 29, 30, 31 e 32). Quanto ao depósito de R$40.000,00 feito em 10/05/2006 pelo Sr. Hélio Bispo do Nascimento, a Delegacia de Julgamento considerou que não é possível aceitar a explicação de que se trata de numerário em poder do impugnante, uma vez que o impugnante não apresentou qualquer explicação de possíveis negócios com o Sr. Hélio. Também não há qualquer manifestação do recorrente em relação ao fundamento do acórdão combatido em relação a este depósito. Não merece reparo o acórdão recorrido, nesse ponto. Fl. 919DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13896.001267/201017 Acórdão n.º 2802002.422 S2TE02 Fl. 917 7 É preciso analisar o depósito do cheque de R$120.000,00 emitido pela Srª Ana Maria e os outro cinco realizado em dinheiro pelo próprio recorrente. Há uma discussão que permeia todo o recurso voluntário acerca da posse de numerário como justificativa para os depósitos. A existência ou não desse numerário em espécie exige investigar a forma como se deu o pagamento das cotas alienadas do recorrente para sua exesposa Ana Maria. Destarte, a apreciação da justificativa para o depósito do cheque de R$120.000,00 fundese com a análise da justificativa para os outro cinco depósitos em dinheiro. No tocante ao depósito de R$120.000,00, de 10/05/2006, na fase de fiscalização o contribuinte alegou que era uma devolução de empréstimo da Srª Ana Maria. Diante da fragilidade das informações prestadas pelo fiscalizado, a autoridade fiscal coletou informações nas Declarações de Ajuste Anual da Srª Ana Maria e nas respostas por ela prestadas às fiscalização, conforme demonstrado adiante. Na DIRPF/2004 constou: RECEBIDO COMO DOAÇÃO DO MEU EXMARIDO MILTON JOSE PEREIRA JÚNIOR CPF.855.224.65891 400.000 QUOTAS DO CAPITAL SOCIAL DA EMPRESA AMAZON PC INDUSTRIA E COMERCIO DE MICRO COMPUTADORES LTDA CNPJ. 01.614.079/000103 Valor R$ 400.000,00" Na DIRPF2005: ADQUIRIDO DO SR. MILTON JOSE PEREIRA JÚNIOR CPF. 855.224.65891 400.000 QUOTAS DO CAPITAL SOCIAL DA EMPRESA AMAZON PC INDUSTRIA E COMERCIO DE MICRO COMPUTADORES LTDA CNPJ. 01.614.079/000103 PARA PAGAMENTO TOTAL DE R$400.000,00 NO EXERCÍCIO DE 2.005 " Valor R$ 400.000,00 O mesmo valor de R$ 400.000,00 encontrase registrado no campo "Dívidas e Ônus Reais", na DIRPF/2005, da seguinte maneira: "PAGAMENTO A SER FEITO NO EXERCÍCIO DE 2.005 AO SR. MILTON JOSE PEREIRA JÚNIOR CPF. 855.224.65891 REFERENTE COMPRA DE QUOTAS DO CAPITAL SOCIAL DA EMPRESA AMAZON PC LTDA." Valor em 2004 R$ 400.000,00 No ano seguinte, não aparece tal valor. Ou seja, de acordo com a DIRPF/2006 da Sra. Ana Maria, a dívida teria sido quitada ainda em 2005, o que coincide com a informação prestada pelo contribuinte no início da fiscalização, em documento de 16/05/2009, onde se lê: "b) ... o contribuinte realizou a cessão de 400.000 quotas do capital da empresa Amazon PC Ind. e Com. De Fl. 920DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Microcomputadores Ltda para a Sra. Ana Maria Fernandes Pereira, pelo valor de R$ 400.000,00, cuja quantia foi recebida no ano de 2005. " Ainda que ambos tenham declarado a transferência acima, durante o ano de 2005, nenhum dos dois comprovou a transferência de valores no mesmo ano. Ou seja, do valor que a Sra. Ana Maria declarou ter recebido em sua conta bancária, seja referente à alienação de cotas ou à venda do imóvel, não houve sequer a comprovação de saída no extrato bancário para pagamento ao Sr. Milton durante o ano de 2005. (grifos acrescidos) Rejeitada pela fiscalização a alegação de quitação de empréstimo, a partir da impugnação, o contribuinte muda a versão. Desiste de alegar que houve quitação de empréstimo e volta a afirmar que é parte do pagamento das cotas adquiridas conforme o Instrumento de alteração contratual de fls. 54/61. O acórdão recorrido refutou essa alegação, pois no referido documento (assinado pelas partes, por testemunhas com autenticação em Cartório e registro na Junta Comercial) foi consignado que o pagamento pela aquisição das cotas (R$400.000,00) foi feito pela Srª Ana Maria em dinheiro na data da assinatura da alteração societária (2004), dessa forma não há comprovação de que haja relação entre o cheque emitido e depositado em maio de 2006 com a referida alienação de cotas. A transferência e posse de quantias significativas de numerário em espécie (R$600.000,00 em 31/12/2005 e R$800.000,00 em 31/12/2006) é fato que por si só gera desconfiança. Nestes autos, a comprovação da transferência e posse de numerário baseiam se exclusivamente em informações contraditórias e oscilantes dos próprios interessados que mudam a versão para encontrar uma argumentação que mereça fé à medida que são contraditas pela autoridade lançadora ou julgadora (ora doação, ora empréstimo,ora quitação em dinheiro à vista em 2004, ora de 2005 em diante com depósitos bancários, etc). Quando intimada pela fiscalização para comprovar da origem dos recursos que teriam sido entregues em espécie ao recorrente, a Srª Ana Maria alegou que os recursos teriam sido entregues em 2005 tendo como origem os recursos provenientes de alienação de um imóvel e das cotas da Amazon PC recém adquiridas. Foi comprovado que ingressaram R$123.750,00 em 2005 e R$196.500,00 em a partir de junho de 2006 na conta da Srª Ana Maria que supostamente teriam como origem as transações supramencionadas. Com toda vênia, transcrevese mais uma vez parte do que a autoridade fiscal relatou no Termo de Verificação Fiscal: Houve, apenas, a comprovação de depósitos na conta de Milton José Pereira Jr. em 2006. totalizando R$ 132.000,00, valor que, conforme relatamos, foi declarado pelo contribuinte fiscalizado como pagamento de empréstimo efetuado à Sra. Ana Maria em dinheiro e no mesmo exercício. A transferência da Sra Ana Maria ao Sr. Milton foi efetuada via bancária, ou seja, os Fl. 921DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13896.001267/201017 Acórdão n.º 2802002.422 S2TE02 Fl. 918 9 comprovantes são inaptos a comprovar a origem de moeda em espécie, a não ser que houvesse ocorrido o respectivo saque da conta corrente, fato que o contribuinte, conforme relatamos no item 1.3, não logrou comprovar. Assim, não tendo sido comprovada, pelo contribuinte fiscalizado ou pela Sra. Ana Maria a efetiva transferência a Milton José Pereira Jr de parte dos valores informados como transferidos em 2005, restaram sem comprovação de origem e efetiva disponibilidade os valores constantes na tabela "Valores sem comprovação”. No apelo recursal o recorrente não contrapõe a fundamentação do acórdão recorrido, pois considera que bastaria reiterar a impugnação. Diante de versões contraditórias do próprio contribuinte, a DRJ fundamentouse exclusivamente na prova documental, o Instrumento de Alteração contratual, que indica o pagamento em dinheiro em 2004. Ocorre que a autoridade lançadora já havia verificado que houve comprovação de que há quitação de valores por depósitos bancários de forma diversa do que estipulado em Instrumento de Alteração Contratual, o que justifica admitir prova em contrário acerca da transferência de valores em outros anos. Verificase ainda que, diferentemente do que consta no Instrumento Particular de 17a Alteração Contratual da empresa Amazon PC (onde se lê que, na data de 24/01/2005 Ana Maria teria transferido 200.000 cotas de capital a Carlos Eugênio Soares Diniz, tendo recebido, no mesmo ato e em dinheiro. R$ 200.000,00), os comprovantes bancários demonstram que os valores foram transferidos em parcelas, via depósito em conta bancária, totalizando R$ 196.500,00 até dezembro de 2006, restando ainda R$ 3.500,00, que a contribuinte afirma ter recebido em dinheiro. Entretanto, cabe ao interessado a prova que faça prevalecer realidade distinta da que foi anotada no Instrumento de alienação das cotas. Não há uma informação precisa da Srª Ana Maria de que o cheque de R$120.000,00 seja relativo à aquisição das cotas. Registrese algumas anotações da autoridade fiscal. A Sra. Ana Maria Rodrigues Fernandes Pereira foi intimada em 04/08/2009 a apresentar comprovantes da origem e efetiva disponibilidade do valor de R$ 400.000,00 (moeda em espécie) em 1ºo de julho de 2004, pagos ao Sr. Milton José Pereira Júnior, pela transferência de cotas da empresa Amazon PC Indústria e Comércio de Microcomputadores LTDA, CNPJ 01.614.079/000103, conforme Instrumento Particular da 16a Alteração Contratual da empresa, ou comprovantes da origem e disponibilidade de referido valor em 2005, conforme declarado pelo Sr. Milton. Fl. 922DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 Na data de 20/08/2009, a Sra. Ana Maria R. F. Pereira apresentou a este SEFIS/DRF/BRE os seguintes elementos, sem maiores esclarecimentos (grifos acrescidos) A Cópia simples do Instrumento Particular da 17ª Alteração e Consolidação Contratual da empresa Amazon PC Indústria e Comércio de Microcomputadores LTDA, CNPJ 01.614.079/000103, datada de 24 de janeiro de 2005; B Escritura definitiva de venda e compra do apartamento 82, n° 165 da Av. João Castaldi São Paulo, datada de 29 de junho de 2005, em que declara o recebimento de R$ 220.000,00. Não há reparo a ser feito ao acórdão recorrido, quanto à falta de credibilidade acerca da posse de numerário pelo recorrente. Não obstante, ainda que sem um esclarecimento preciso, os documentos que a Srª Ana Maria apresentou indicam que ela utilizou os recursos da venda das suas cotas e do imóvel para transferir para o recorrente a título de pagamento das cotas que adquirira em 2004, ao passo que os valores que ela recebeu entre junho e dezembro de 2005 suportariam a transferência de R$120.000,00 realizada em 10/05/2006 por meio de cheque. Há indícios convergentes que permitem considerar comprovada a origem desse depósito e afastar os R$120.000,00 da base de cálculo do lançamento. Passase a analisar os demais depósitos, que foram feitos em dinheiro pelo próprio contribuinte que apresenta como justificativa a existência de numerário em seu poder que foi depositado para possibilitar a transferência para o exterior realizada em agosto de 2006 por meio de contrato firmado junto ao Banco do Brasil. Embora não se trate de autuação por Acréscimo Patrimonial a Descoberto, é relevante a alegação de que havia numerário em poder do contribuinte em 31/12/2005 informado na Declaração de Ajuste Anual, pois é um fato incontroverso que os depósitos foram feitos em dinheiro pelo contribuinte, o que permite flexibilizar a exigência de comprovação individualizada dos depósitos, como é típico da autuação fundamentada no art. 42 da Lei 9.430/1996. A comprovação de que possuía em 31/12/2005 numerário em espécie que lhe possibilitasse realizar os depósitos em dinheiro ocorridos em 10 (R$90.000,00), 11 (R$30.500,00 e R$60.000,00) e 12/05/2006 (R$34.250,00 e R$45.750,00) favoreceria o recorrente. A tese do recorrente é que em 2005 teve a disponibilidade de R$200.000,00 advindos de ano anterior mais R$800.000,00 decorrentes dos recebimentos pela venda da cotas da Amazon a Carlos Eugênio e Ana Maria, os quais foram transferidos para o ano de 2006, de forma que possuía R$600.000,00 de dinheiro em espécie em seu poder em 31/12/2005, tal como declarado na DIRPF2007. Não obstante, é igualmente relevante apreciar os argumentos da autoridade fiscal e do acórdão recorrido para firmar a premissa de que não merece credibilidade a informação acerca da disponibilidade do referido numerário. O acórdão recorrido contrapôs informações e documentos apresentados pelo contribuinte durante a fiscalização para demonstrar a fragilidade da informação da DIRPF2007. Fl. 923DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13896.001267/201017 Acórdão n.º 2802002.422 S2TE02 Fl. 919 11 Em resumo, a comprovação desse estoque de dinheiro em espécie baseouse na alienação das cotas da Amazon Pc Ltda, as quais primeiramente foram cedidas (392.000 cotas) para o Sr. Carlos Eugênio Soares Diniz (2003) e depois 400.000 cotas para a Srª Ana Maria (2004) e na alienação de um automóvel Corola (R$35.000,00). Inexiste prova do recebimento de recursos pela venda de automóvel. Não há indicação no Instrumento de alteração contratual de como foi a forma de pagamento das cotas cedidas ao Sr. Carlos Eugênio. O recorrente relaciona às fls. 846/847 os depósitos que comprovariam o pagamento em 2005, porém a falta de comprovação dos saques desse valor impede aceitar que tenham contribuído na formação de um estoque de moeda em dinheiro para compor a declaração do ano seguinte. A fiscalização buscou aferir a real transferência de numerário da Srª Ana Maria ao recorrente. Como esse numerário teria vindo da alienação das ações pela Srª Ana Maria, bem como pela alienação de imóvel, a fiscalização buscou perante o alienante do imóvel a comprovação da forma de pagamento (R$200.000,00) à Srª Ana Maria, sendo que o alienante, Sr. Marco Aurélio Valetta, não conseguiu comprovar disponibilidade de recursos no país para fazer frente ao envio de dinheiro em espécie à Srª Ana Maria, pois seus recursos estariam em conta no exterior e não foi comprovada a transferência de numerário pelo Sistema Financeiro Nacional. A fim de comprovar a origem da “Moeda em poder do contribuinte”, que teria advindo dos depósitos bancários efetuados por Carlos Eugênio (2005) e Ana Maria (2006), a Fiscalização intimou o recorrente a indicar os saques efetuados na conta bancária, o contribuinte não apontou qualquer saque. Apontou somente alguns cheques que foram nominais a terceiros e não servem para o fim ora discutido. Os cheques nominais ao recorrente foram posteriores aos depósitos ora em litígio. Contraria a lógica ter numerário vindo de depósitos bancários se os recursos não são sacados da conta bancária. O acórdão recorrido demonstrou ainda que se as alegações do contribuinte acerca da posse de numerário fossem verídicas, ocorrida a transferência bancária para o exterior ocorrida em agosto de 2006, ele deveria ter em 31/12/2006 um saldo de moeda nacional menor do que tinha em 31/12/2005, e não os R$800.000,00 declarados, de forma que a origem dos depósitos tributados no lançamento certamente não decorrem de rendimentos declarados pelo contribuinte, permanecendo ainda sem comprovação. Não há qualquer enfrentamento dessa relevante questão no recurso voluntário. Não há indícios convergentes que permitam admitir a posse de numerário como origem dos depósitos tributados no auto de infração. Fl. 924DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 Sobre a utilização da taxa referencial Selic, cumpre registrar que a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, tal como consta do enunciado da súmula CARF nº 4. Portanto, o voto é para que seja dado provimento parcial ao recurso voluntário a fim de excluir da R$120.000,00 da base de cálculo, referente ao depósito realizado em 10/05/2006. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 925DF CARF MF Impresso em 05/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10469.727117/2011-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO.
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 2402-003.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade.
Júlio César Vieira Alves - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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Recorrente MUNICÍPIO DE BOM JESUS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade. Júlio César Vieira Alves Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 71 17 /2 01 1- 51 Fl. 151DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de AIOP DEBCAD n° 51.003.7844, decorrente de ação fiscal em que foi verificada irregularidade em relação às contribuições destinadas à Seguridade Social, a cargo da empresa, incidentes sobre os valores pagos a título remuneração, no período de 01/2009 a 12/2009 (13/2009, inclusive). De acordo com o relatório fiscal de fls. 12/15, após análise dos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, foi constatado que havia valores divergentes entre a base de cálculo considerada pela Recorrente e a apurada pela fiscalização. Foi aplicada multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) em razão da ausência de declaração em GFIP ou declaração inexata, nos termos do art. 35A da Lei n° 8.212/91, com acréscimo de 37,5% (trinta e sete e meio por cento) decorrente do não atendimento de intimação à intimação fiscal para prestar esclarecimentos, nos termos do art. 44, § 2°, da Lei n° 9.430/96. Intimado da autuação, o Recorrente apresentou impugnação intempestiva, às fls. 67/74, alegando, em síntese: i) Que o Município Recorrente encontrase com índice de endividamento muito alto perante o INSS e que, em razão disso, possui interesse em aderir a parcelamento, não o fazendo por impossibilidade de pagamento de parcela inicial no valor de R$ 90.000,00; ii) Que a multa aplicada ultrapassa e muito o valor efetivamente devido a título de contribuições, afrontando o princípio do não confisco e da proporcionalidade; iii) Que o Município possui diminuta capacidade financeiropatrimonial, já que muito pequeno e sustentado quase que exclusivamente pelo FPM; iv) Que a previsão legal de multa não dispensa a análise de sua validade, tendo em vista a supremacia constitucional e o controle jurisdicional da validade das leis; v) Que o pagamento do valor principal somado à multa de ofício pode levar o Município à falência. Requereu a realização de diligência no sentido de esclarecer a alíquota aplicada a cada servidor ante o grau de risco de cada atividade , isoladamente, vez que alguns dos servidores realizam atividades de grau de risco 1 e, como conseqüência, pretendia a aplicação dos percentuais de SAT efetivamente devidos, com elaboração de novo cálculo. Ainda, requereu o afastamento das multas e juros aplicados, por entender que as informações contidas nas GFIPs de SAT no período fiscalizado foram inseridas de forma correta e, ao final, pleiteou a desconstituição do crédito tributário com a conseqüente confirmação de que os valores já recolhidos foram suficientes para satisfação da obrigação tributária. Alternativamente, requereu a minoração da multa aplicada e o parcelamento do valor a ser apurado sem a necessidade de pagamento de parcela inicial. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10469.727117/201151 Acórdão n.º 2402003.437 S2C4T2 Fl. 224 3 A defesa foi remetida a apreciação e, às fls. 117/120, foi proferido acórdão pela DRJ/REC julgando improcedente a impugnação, sob o fundamento de que, para fins de aplicação de multa, “o fisco apenas cumpriu o que determinava a lei de regência (Art. 35A da Lei n° 8.212/91), não podendo se escusar de aplicar mencionados comandos, sob pena de responsabilização funcional”. Em complemento, a autoridade julgadora ainda esclarece que o agravamento de 50% (ou seja, 37,5% sobre o principal) da multa também encontra guarida na legislação então vigente (art. 44, Lei n° 9430, uma vez que demonstrado às fls. 12/15 a inércia da Municipalidade em relação à intimação da autoridade fiscal. Quanto à pretensão de realização de diligência, a autoridade julgadora se manifestou indeferindoa sob a justificativa de que não foram verificados quaisquer indícios quanto ao equívoco de aplicação de alíquota de SAT, considerando, ainda, o fato de a Municipalidade não ter demonstrado quais foram os supostos equívocos ocorridos. Mais ainda, o acórdão esclareceu que o Regulamento da Previdência Social – RPS atribuiu à Administração Pública em geral o CNAE 84116/00 (grau de risco de 2%), não havendo que se questionar a alíquota corretamente aplicada no ato da fiscalização. Face o acórdão proferido, o Recorrente, às fls. 131/134, interpôs recurso voluntário alegando, em suma, que o valor da multa é desproporcional à natureza da infração cometida, sendo certo que o Recorrente prestou todas as informações cabíveis à Receita Federal. Em requerimento, pleiteou o cancelamento das multas aplicadas ou o deferimento de parcelamento dos valores devidos sem a necessidade de depósito prévio. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do recurso. É o relatório. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator A Recorrente foi intimada de decisão em 19/04/2012, conforme se verifica às fls. 127/128, e apresentou recurso voluntário em 21/05/2012 (fls. 131/143), portanto, após findo o prazo para apresentação do mesmo. O parágrafo primeiro do art. 305 do Decreto n. 3.048/99 estabelece o prazo para a apresentação de recurso contra decisão do INSS de interesse dos contribuintes e este, após alteração trazida pelo Decreto n. 4.729/03, é de 30 (trinta) dias. Conforme dispõe o art. 23, II, do Decreto n. 70.235/72, a intimação via postal demanda apenas que haja prova do recebimento no domicílio tributário do sujeito passivo, exatamente na forma ocorrida nos presentes autos: “Art. 23. Farseá a intimação: II – por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...)” Assim, o recurso apresentado pela interessada foi intempestivo, não sendo possível o seu conhecimento por ausência de cumprimento do requisito de admissibilidade. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso vez que intempestivo. É como voto. Thiago Taborda Simões Fl. 154DF CARF MF Impresso em 27/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10166.908056/2009-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Sat Jun 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. PEREMPÇÃO.
Não se toma conhecimento de recurso interposto fora do prazo legal.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 3403-002.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso por intempestivo.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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score : 1.0
Numero do processo: 10880.979289/2009-23
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 29/07/2005
Ementa:
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-001.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 29/07/2005 Ementa: PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 92 89 /2 00 9- 23 Fl. 29DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa. Relatório Por economia processual adoto o Relatório da decisão recorrida (fl. 13) que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 01 e 02)relativa ao pagamento indevido ou maior de CSLL— cod. 2372, no montante de R$ 43,34, ocorrido em 29/07/2005, com débito próprio de COFINS — cód. 2172. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 22/11/2005, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fl. 03, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que homologou parcialmente a compensação declarada por insuficiência do crédito. Segundo o Despacho Decisório o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 07, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas A requerente tem como objeto social o transporte rodoviário de cargas e na execução desses serviços seus veículos estão sujeitos ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras. Por força do artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, o valor do vale pedágio não é considerado receita operacional ou rendimento tributável da empresa não constituindo base de incidência de contribuições social ou previdenciárias. Portanto os valores recebidos a titulo de pedágio pela Requerente, obrigatoriamente destacados no campo especifico do conhecimento de transporte rodoviário, conforme prevê o ,¢ único do mesmo artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, não deveriam ter composto a base de cálculo do PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Ocorre que por desconhecimento até então pela Requerente desse fato, os valores relativos ao pedágio vinham sendo considerados como receita da empresa e, conseqüentemente, incluídos na base de calculo de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Tendo tomado conhecimento da não incidência dos impostos federais sobre os valores recebidos a título de pedágio, a Requerente efetuou levantamento dos valores pagos a maior relativos ao prazo prescricional, e efetuou pedido de restituição conforme PER/DCOMP nº 07693.28611.141105.1.2.048736, relativo ao período de apuração abr/2005. Fl. 30DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979289/200923 Acórdão n.º 1802001.692 S1TE02 Fl. 3 3 Nesse período, conforme poderá ser constatado pela planilha anexa, foram destacados nos conhecimentos de transporte o valor correspondente a R$ 4.012,98, relativo ao pedágio, valor esse que não deveria ter integrado a base de cálculo do imposto. Sendo feita a verificação poderá ser constatado que o percentual do imposto aplicado sobre a diferença acima informada corresponde exatamente ao crédito pleiteado e compensado pela Requerente. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/São Paulo/SP1) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1627.336, de 27 de outubro de 2010 (fls.12/15), cientificado ao interessado em 07/12/2010. A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.12): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador:29/07/2005 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 04/01/2011 narrando os mesmos fundamentos aduzidos na manifestação de inconformidade acima sintetizados, portanto, desnecessário repetilos. A Recorrente reforça que em sua manifestação de inconformidade apresentou além de suas alegações relativas as compensações efetuadas, a relação dos conhecimentos de transporte onde os valores de pedágio foram destacados e indevidamente considerados como receita operacional da empresa. A confirmação de que os valores relativos ao pedágio constavam dos referidos conhecimentos de transporte e por conseqüência foram considerados na apuração da receita operacional tributável poderia, a critério do órgão julgador de primeira instância, ter sido feita através de diligência junto a Recorrente. Finalmente requer que a principio o julgamento seja transformado em diligência, a fim de que sejam devidamente comprovadas todas as alegações da Recorrente, para ao final serem as compensações efetuadas julgadas procedentes, evitando a apropriação indébita pelo estado de valores, certamente, indevidos pelo contribuinte. E por ser esta uma medida da mais plena JUSTIÇA É o relatório. Fl. 31DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 11733.10978.221105.1.3.043186 (fls.01/02), transmitido em 22/11/2005, em que a contribuinte pretende compensar débito de Cofins: R$ 46,52, código 2172, relativo ao mês de Outubro de 2005, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do CSLL no valor de R$ 43,34, código – 2372; Período de Apuração: 30/06/2005; Data de Arrecadação: 29/07/2005. Consta do despacho decisório de fl.03, emitido em 24/08/2009 que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Contrapondose ao despacho decisório, a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada em 23/09/2009(fl.07), foi no sentido de que o crédito decorre do valor relativo ao pedágio destacado no conhecimento de transporte, o qual, segundo o disposto no artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, nem constituirá base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. Apresenta em anexo (fl.08), uma relação de conhecimentos de transporte relativos ao período de apuração de abril/2005 e respectivo valor do pedágio cujo total monta a R$ 4.012,98. Na decisão de primeira instância a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, sob o fundamento de que não fora homologada a compensação porque constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito (CSLL, código 2372) foi utilizado na quitação de débito confessado em DCTF e não há prova nos autos de que os valores relativos ao pedágio integraram a base de cálculo da CSLL relativa ao período de apuração de abril/2005, de modo a comprovar o alegado indébito tributário. Vejamos os fundamentos que também adoto como razão de decidir: ... De inicio, é de se registrar que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos. Pautado neste principio, tanto a Declaração de Compensação — DCOMP prevista no artigo 49 da Lei n° 10.637/2002 quanto o Pedido de Restituição — PER (eletrônico),utilizam as informações constantes das declarações apresentadas pelo contribuinte (DCTF, DIPJ, DACON, etc). Fl. 32DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979289/200923 Acórdão n.º 1802001.692 S1TE02 Fl. 4 5 No caso, por se tratar de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, o processamento comparou o pagamento indicado com a informação constante na DCTF. 0 procedimento em tela constatou que o recolhimento indicado foi integralmente utilizado para quitação de débitos informado na DCTF. Dito de outra forma, para o tributo e período de apuração informado, não consta do conta corrente da Receita Federal do Brasil RFB crédito disponível para compensação. ... De plano, o que se observa nos autos é que a interessada não traz qualquer elemento que demonstre suas alegações, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. CPC "Art. 333. 0 ânus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II — ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Com efeito a simples relação do conhecimento de transporte não é suficiente para comprovar que o valor em questão integrou a base de calculo da CSLL relativa ao período de apuração de abr/2005, visto que, está desacompanhada de copia da escrituração contábil que deve obrigatoriamente estar assinada pelo contabilista responsável, bem como do próprio conhecimento de transporte. Assim sendo, em face de tudo o quanto foi exposto, VOTO no sentido de considerar a manifestação de inconformidade IMPROCEDENTE. Em sede recursal, a Recorrente reproduz os mesmos argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, mas, apesar dos fundamentos aduzidos pela DRJ, a Recorrente em nada se desincumbiu para provar que os valores ditos recebidos a título de pedágio, deveras compôs a base de cálculo da CSLL do período de apuração em comento a proporcionar o pagamento indevido do mencionado tributo. A Recorrente requer diligência para comprovar que os valores relativos ao pedágio foram considerados na apuração da receita operacional tributável. Fl. 33DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Sobre tal pleito, vale esclarecer que a diligência se reserva à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde do litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probante puder ser demonstrado nos autos, de sorte que a autoridade julgadora possa formar a sua livre convicção. Ora, nada impedia ao contribuinte, acaso interessado em comprovar seu direito creditório, a proceder a juntada de cópia da escrituração contábil e comparar com os valores declarados na DIPJ/2006 e DCTF. Pois, como explicado na decisão recorrida, a simples relação do conhecimento de transporte é insuficiente para comprovar que o valor em questão integrou a base de cálculo da CSLL relativa ao período de apuração de abril/2005. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Registrese que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Fl. 34DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979289/200923 Acórdão n.º 1802001.692 S1TE02 Fl. 5 7 A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 22/11/2005, tomou ciência do despacho decisório expedido em 24/08/2009, e apresentou a manifestação de inconformidade em 23/09/2009. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 16327.000032/2005-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1999
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL.
EXCESSO DE CUSTO EFETIVO. ADIÇÃO.
Não obstante o § 7º do art. 18 da Lei 9430/96 fale apenas em custo - o que poderia ser tomado como custo de aquisição, o inciso I do art. 5º da IN 38/97 deixa claro que deve ser adicionado às bases tributáveis o excesso de custo computado em resultado.
CRITÉRIO JURÍDICO.
A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode determinar que se refaça o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente, mesmo porque, nessa hipótese, estar-se-ia determinando um novo lançamento.
Numero da decisão: 1302-001.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, CRISTIANE SILVA COSTA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR E GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1999 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. EXCESSO DE CUSTO EFETIVO. ADIÇÃO. Não obstante o § 7º do art. 18 da Lei 9430/96 fale apenas em custo - o que poderia ser tomado como custo de aquisição, o inciso I do art. 5º da IN 38/97 deixa claro que deve ser adicionado às bases tributáveis o excesso de custo computado em resultado. CRITÉRIO JURÍDICO. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode determinar que se refaça o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente, mesmo porque, nessa hipótese, estar-se-ia determinando um novo lançamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. EDUARDO DE ANDRADE - Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, CRISTIANE SILVA COSTA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR E GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA.
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Recorrente Produtos Roche Químicos e FArmacêuticos S/A Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIAS. PRL. IN SRF nº 38/97. O § 1˚ do art. 4˚ da IN 38/97 desbordou dos limites legais da norma regulamentada (art. 18 da Lei nº 9.430/96), ao vedar a aplicação do método PRL aos insumos importados, em verdadeira afronta ao princípio da legalidade. EXCESSO DE CUSTO EFETIVO. ADIÇÃO. Não obstante o § 7º do art. 18 da Lei 9430/96 fale apenas em custo o que poderia ser tomado como custo de aquisição, o inciso I do art. 5º da IN 38/97 deixa claro que deve ser adicionado às bases tributáveis o excesso de custo computado em resultado. CRITÉRIO JURÍDICO. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode determinar que se refaça o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente, mesmo porque, nessa hipótese, estarseia determinando um novo lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 00 32 /2 00 5- 85 Fl. 2528DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. EDUARDO DE ANDRADE Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, CRISTIANE SILVA COSTA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR E GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA. Relatório Versa o presente processo sobre recursos de ofício e voluntário interpostos em face do Acórdão n˚ 0817.296 da 4ª Turma da DRJ/FOR, cuja ementa assim dispõe: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO MAIS BENÉFICO. A apuração dos preços de transferência é ônus do contribuinte, que pode adotar o método legal mais benéfico, dentre os possíveis. Ao Fisco não é exigível que encontre o preço para cada um dos métodos e escolha o mais benéfico. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. CUSTO EFETIVO. É possível encontrar o ajuste necessário sobre o custo efetivo a partir dos preços de aquisição das mercadorias e das quantidades vendidas, sem usar diretamente o valor efetivamente lançado na conta de resultado. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PIC. DADOS DO SISCOMEX. POSSIBILIDADE. Os dados contidos no Siscornex podem ser utilizados pelo Fisco para a definição do preço de transferência pelo método PIC. Nesse caso, a impossibilidade de realização dos ajustes previstos na norma de regência é suprida pela exclusão daquelas transações que se diferenciam nos elementos passíveis de ajuste. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PIC. SIGILO FISCAL. Fere o sigilo fiscal a divulgação detalhada das transações comerciais dos contribuintes utilizadas como paradigma. O direito de defesa do autuado é suprido pela possibilidade de apresentação, a qualquer tempo, de cálculo alternativo, conforme os dados por ele colhidos. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. DESPESAS COM FRETE, SEGURO E TRIBUTOS NÃO RECUPERÁVEIS. Na apuração dos preços praticados, assim como dos preços parâmetros, deve se incluir o valor do frete e do seguro, cujo ônus tenha sido do importador, e dos tributos não recuperáveis incidentes na importação. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. CASOS DE IMPOSSIBILIDADE LEGAL. Fl. 2529DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.000032/200585 Acórdão n.º 1302001.110 S1C3T2 Fl. 2.453 3 Não se pode falar em comutatividade plena dos métodos de cálculo quando a lei exclui a aplicação de um deles. O artigo 18 da Lei n° 9.430, de 1996, exclui a aplicação do método PRL para serviços e para bens que não são submetidos à revenda ou quando seu preço de revenda seja indeterminável. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 1999 CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fatica, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplicase a mesma decisão do principal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 1999 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. A Administração Tributária não pode afastar a aplicação de lei pelo mero argumento de inconstitucionalidade. ILEGALIDADE DE NORMA INFRALEGAL. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não pode afastar a aplicação de ato normativo infralegal pelo argumento de ilegalidade. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA INSTRUMENTAL. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de planejamento, não contaminando a ação fiscal se emitido com eventuais falhas. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Já foi pacificado, na esfera administrativa, que, a partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplencia, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. A multa de oficio é débito decorrente de um tributo ou contribuição, sujeitandose à incidência de juros moratórios calculados pela taxa SELIC. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO. AUSÊNCIA DE EFETIVO PREJUÍZO. Não há nulidade por falta ou insuficiência de motivação se o contribuinte demonstra conhecer o motivo da exação e exerce efetivamente seu direito de defesa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” A autoridade julgadora de primeira instância reduziu as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL em R$ 3.056.326,45, resultante do acolhimento de algumas teses de defesa, o que levou a autoridade de primeira instância a recorrer de ofício da decisão. A contribuinte foi cientificada da decisão recorrida em 26/10/2010, conforme AR a fls. 2307, e interpôs recurso voluntário em 25/11/2010, no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que o auto de infração da CSLL é nulo, pois o MPF e suas renovações nunca tiveram como objeto a CSLL; Fl. 2530DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 b) que a despeito de o ilustre fiscal ter absoluto conhecimento de que a Recorrente adotou o método PRL para CEFTRIAXONA SAL DISSODICO ESTERIL, BROMAZEPAM IMP. e TENOXICAM IMPORTADO, e o método PIC para o produto ROVIMIX E 50 ADSORBATO, simplesmente desconsiderou tal informação como se sequer existisse, e autuou a Recorrente adotando o método PIC no lugar do PRL e o método PRL no lugar do PIC, sem base legal para tanto e sem qualquer explicação quanto ao motivo pelo qual o fez, o que torna o lançamento inquestionavelmente nulo, por absoluta falta de motivação e cerceamento do direito de defesa; c) que decisão recorrida rejeita a preliminar de nulidade ao argumento de que por ocasião das diligências “o contribuinte tomou ciência do motivo pelo qual foram rejeitados os métodos de cálculo supracitados, embora não constassem explicitamente do auto de infração”; d) que foi somente por ocasião das diligencias que a Recorrente tomou conhecimento dos motivos pelos quais foram rejeitados os métodos de cálculo por ele adotados, conforme reconhece a r. decisão recorrida, apenas confirma o vicio de nulidade apontado na defesa, logo não resta dúvida de que o direito de defesa da Recorrente foi cerceado, posto que estava impedida de exercer de forma plena seu direito de defesa em relação aos autos de infração lançados, sendo nulo os lançamentos por absoluta falta de motivação; e) que o ilustre fiscal em momento algum examinou qual o valor do custo registrado pela Recorrente em conta de resultado relativamente aos produtos para os quais entendeu terem sido efetuadas adições a menor; f) que a decisão recorrida sustenta que: “Em resumo, o contribuinte afirma que o lançamento é ilegal, na medida em que foi levantado a partir dos preços pagos nas importações dos insumos e não dos custos efetivamente deduzidos. Todavia, o impugnante não apresenta os valores desses custos, para que pudessem ser verificados. Resta apenas a análise do método adotado pela fiscalização para se chegar ao valor lançado, conforme as manifestações e os documentos encontrados, nos autos, já mencionados”; g) que tal argumento não e por si só suficiente para convalidar o procedimento adotado pela fiscalização, posto que nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, compete à fiscalização, e não ao contribuinte, proceder à. verificação dos fatos para apurar a correta base tributável; h) que não se tratando de produtos passíveis de distinção física no estoque, é evidente que a dedutibilidade do custo é feita sempre pelo custo médio ponderado do estoque no momento da baixa, e não pelo custo de aquisição de cada unidade importada; i) que a baixa de um determinado insumo para produção não da origem ao lançamento do custo respectivo em conta de resultado, o que só ocorrerá após o término do processo de industrialização e quando da baixa do estoque do produto final acabado por força de sua venda; j) que a Recorrente foi intimada e informou nos autos a existência, quantidade e valor tanto de estoques iniciais como de estoques finais dos produtos acabados (fls. 180/181 e doc. 06 da defesa), possuindo também estoques iniciais e finais das substâncias importadas e mesmo de substâncias em produção (Lexotan — Bromazepan) (fls. 180/181 e doc. 06 da defesa), logo, considerando que o custo médio do estoque no início do ano está afetado pelo valor do estoque inicial existente, é evidente que o custo computado em conta de resultado relativamente as vendas efetuadas ao longo do ano não guarda relação direta com o valor pago pelas importações ocorridas no mesmo ano, uma vez que afetado por aquele valor inicial; Fl. 2531DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.000032/200585 Acórdão n.º 1302001.110 S1C3T2 Fl. 2.454 5 l) que o raciocínio empregado pelo ilustre fiscal e corroborado pela r. decisão recorrida somente resultaria em um valor coincidente com o custo computado em resultado se a Recorrente além de não possuir estoque inicial dos produtos em questão em 01/01/99 tampouco possuísse estoque final em 31/12/99; m) que a distorção decorrente da desconsideração dos estoques inicial e final é particularmente grave em períodos de grande desvalorização cambial, que é exatamente o que ocorreu no ano de 1999; n) que é justamente porque no final do ano os preços são mais elevados que existindo importações que ainda não deram origem a vendas, não se pode admitir que 100% dessas importações sejam consideradas para o fim de apurar o ajuste unitário com base na média ponderada, pois só as vendas realizadas após tais importações sofreram o impacto do maior custo médio decorrente de tais importações; o) que o procedimento adotado no caso concreto pela fiscalização não guarda qualquer relação com os princípios básicos da contabilidade, traz distorções nos resultados, alem de ir de encontro ao que determina a legislação (art. 18, § 7° da Lei n° 9.430/96 como do art. 10 da IN 38/97); p) que o art. 18 da Lei n° 9.430/96 admite a dedução como despesa dos custos, despesas e encargos nas operações de importação com pessoa vinculada somente até o valor que não exceda ao preço determinado "por um dos" métodos indicados, consignando expressamente em seu § 4° que “Na hipótese de utilização de mais de um método, será considerado dedutível o maior valor apurado”, logo, para que possa a fiscalização glosar determinada despesa deverá necessariamente demonstrar que a mesma é superior ao preço apurado segundo os três métodos previstos no art. 18, até porque a glosa estará restrita à parcela excedente ao maior preço apurado segundo aqueles métodos; q) que em momento algum demonstrou o ilustre fiscal que o custo registrado pela Recorrente é de fato superior ao maior preço parâmetro que seria apurado segundo os métodos previstos na Lei n° 9.430/96, mas, pelo contrário, simplesmente elegeu o método que bem entendeu para cada produto e comparou diretamente o preço parâmetro assim apurado com o preço constante dos documentos de importação da Recorrente; r) que tendo sido reconhecida a relação de prejudicialidade entre o presente processo administrativo e o processo administrativo n° 16327.003187/200310, pela decisão recorrida, e tendo ocorrido naqueles autos a exoneração parcial da matéria tributável também em relação ao produto Hivid 0,75mg 100 claq, dúvida não resta que a mesma redução decidida naquele processo quanto ao ajuste unitário para o produto Hivid deve ser igualmente aplicada no presente feito; s) que o artigo 18 da Lei n° 9.430/96 possibilita ao contribuinte a adoção de qualquer um dos métodos previstos em seus incisos I a III, sem qualquer restrição, razão pela qual afigurase manifestamente ilegal o parágrafo 1° do artigo 4° da Instrução Normativa n° 38/97 que viola frontalmente o dispositivo legal, sendo que assim já se manifestou a CSRF (cita acórdãos); t) que tanto é verdade que a "interpretação" da IN 38/97 não tem qualquer amparo legal que, posteriormente, o próprio art. 18 Lei n° 9.430/96 teve sua redação alterada pela Lei n° 9.959/00 para prever uma margem de lucro distinta para os casos de bens importados aplicados na produção, reconhecendo portanto expressamente que o método em questão não é incompatível com a industrialização do produto importado antes de sua revenda; Fl. 2532DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 u) que sequer foi informado à Recorrente o nome do importador, que está disponível apenas para consulta da Receita Federal, ou anexados aos autos documentos relativos às supostas importações realizadas por terceiros, o que impede que a Recorrente possa avaliar se de fato se trata de produtos similares, e mesmo se no sistema SISCOMEX não foram informados pelos importadores dados incorretos quanto à existência ou não de vínculo com o exportador; v) que, de plano se verifica que nenhum dos produtos listados foram importados de fabricante de notória reputação comercial, como é o caso da Recorrente, sendo importante ressaltar que os medicamentos da recorrente são considerados pelo próprio Ministério da Saúde como "referência" para sua categoria, o que demonstra serem diferenciados com relação aos concorrentes (doc. 12 da inicial); x) que o custo de qualquer produto médico importado dos EUA, dadas suas rígidas normas de vigilância sanitária e fiscalização do FDA, são muito maiores que os de outros países; z) que a qualidade e a reputação comercial das empresas comparadas para fins de similaridade estão implícitas em toda e qualquer interpretação que se faça da matéria, ainda mais em se tratando no caso concreto, como se disse, de produtos nos quais a qualidade e a reputação dos laboratórios são determinantes na escolha da maior parte dos consumidores; aa) que, tendo em vista os dados relativos às importações de terceiros estarem ocultos não se sabe se foram consideradas importações efetuadas ao longo de todo o período base; ab) que, para que tais operações de importações possam ser tidas como representativas de um preço de mercado, passível de ser comparado com o preço praticado pela Recorrente nas diversas operações realizadas, é necessário que também aquele único importador efetue importações em volume expressivo e durante todo o ano, e não como ocorreu no caso duas únicas operações de volume reduzido; ac) que os dados coletados pela fiscalização para utilização como preços comparados, obtidos de outros importadores a partir de suas respectivas Declarações de Rendimentos e aparentemente também do sistema SISCOMEX, não são em absoluto admissíveis para efeito de apuração do PIC, conforme expressamente determinado pela própria IN n° 38/97; ad) que não tendo a Recorrente acesso aos "sistemas informatizados" utilizados pela Receita Federal, fica totalmente impedida de verificar, por exemplo, se de fato foram consideradas todas as importações de terceiros realizadas no anobase (o que não ocorreu, como se verá) e as quantidades corretas, se os produtos comparados são similares, se possuem as mesmas características técnicas e qualidade, ou mesmo se a fiscalização não "elegeu" para comparação com os preços praticados pela Recorrente apenas aquelas operações que mais lhe favoreciam, o que inviabiliza a Recorrente de realizar a contraprova; ae) que a comparação a ser efetuada pela fiscalização devia se dar entre o preço parâmetro apurado pelo método PRL e aquele pago pelo importador à empresa ligada, uma vez que os valores relativos ao frete, seguro e ao imposto de importação são custos efetivos, que não são afetados pelo vínculo existente entre importador e exportador, e portanto devem ser necessariamente deduzidos integralmente, como expressamente prevê a lei; af) que a Recorrente apresentou cópias de 2 faturas/invoice e respectivas Declarações de Importação das quais se verifica claramente que o valor do frete já foi prépago às transportadoras Lufthansa Cargo AG e Swissair, as quais obviamente não têm vinculo algum com a Recorrente, não havendo qualquer sentido em se pretender incluir a despesa efetiva do frete no limite de dedutibilidade do preço parâmetro; Fl. 2533DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.000032/200585 Acórdão n.º 1302001.110 S1C3T2 Fl. 2.455 7 ah) que, no que diz respeito aos ajustes apurados pelo método PRL, as diferenças apuradas pela fiscalização decorrem exclusivamente das nulidades gerais acima apontadas e principalmente dos erros apontados no item IV.1 relativos as nulidades especificas incorridas pela fiscalização ao apurar a suposta adição tributável por este método, tendo em vista a inclusão das despesas com frete, seguro e imposto de importação no preço praticado, para efeito de comparação com o preço parâmetro, quando estas são sempre dedutíveis, nos termos expressos do parágrafo 6° do art. 18 da Lei n° 9.430/96 e do art. 4°, § 4°da IN n° 38/97; ai) que, acaso não reconhecida a nulidade do auto de infração deverá então ser o mesmo cancelado pelo mérito, tendo em vista inexistir qualquer outra adição passível de tributação além daquelas já feitas pela Recorrente; aj) que o lançamento deveria ter sido feito com a suspensão da exigibilidade do crédito tributário correspondente à dedução da CSLL lançada da base de cálculo do IRPJ e sem qualquer acréscimo a titulo de multa ou juros, em razão da decisão in liminis litis que lhe foi concedida no Mandado Segurança n° 2001.61.00.0322460 visando assegurar seu direito de calcular e recolher o imposto de renda devido relativo ao anobase de 1999 sem adicionar a sua base de cálculo o valor da CSL devida; al) que seja por um enfoque literal, teleológico ou sistemático, a única interpretação possível do artigo 61 da Lei n° 9.430/96 é aquela que autoriza a incidência de juros somente sobre o valor dos tributos e contribuições, e não sobre o valor da multa de oficio lançada, até porque referido artigo está a disciplinar os acréscimos moratórios incidentes sobre os débitos em atraso que ainda não foram objeto de lançamento; am) que a taxa SELIC não pode ser tomada como base para o cômputo dos juros moratórios. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (doc. a fls. 2408 e segs.), nas quais alega, em apertada síntese, o seguinte: a) que não há qualquer nulidade do MPF que previu como tributo apenas o IRPJ, quando a análise dos mesmos fatos revelou a ofensa à legislação tributária própria de outras espécies tributárias; b) que a autuação supriu satisfatoriamente os requisitos aptos a permitir a ampla defesa da Contribuinte Recorrente; c) que a Fiscalização considerou as vendas liquidas conforme a movimentação do estoque, assim, o cálculo levou em conta a repercussão do estoque inicial no custo médio de todo o estoque, ao mesmo tempo em que quantifica o custo somente daqueles produtos finais acabados, após a venda dos mesmos; d) que a CSRF já decidiu que o Fisco não precisa demonstrar que o método utilizado no cálculo dos Preços de Transferência seria o menos gravoso ao Contribuinte; e) que o método PRL, à época, era deveras incompatível com a importação de produtos e submissão dos mesmos à industrialização; f) que não há vicio no lançamento pelo fato de alguns dados de Contribuintes (nome e CNPJ), utilizados como parâmetro de comparação, relativamente importação de produtos similares entre partes não vinculadas, não terem sido divulgados ao Contribuinte; g) que não há qualquer respaldo legal ou jurisprudencial à pretensão da Contribuinte Recorrente que visa a afastar a inclusão das despesas com frete, seguro e tributos incidentes na importação no cálculo do PRL; Fl. 2534DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 h) que é de prevalecer a interpretação que considera a incidência de juros moratórios sobre os tributos e quantias decorrentes, a exemplo da multa de oficio, mesmo porque a Súmula no 4 do CARF corrobora nossos argumentos, na medida em que fala genericamente em débitos tributários. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso de ofício atende o disposto no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/72 c/c a Portaria MF nº 03/2008, razão pela qual dele conheço. No mérito, negolhe seguimento, pois correto o entendimento da autoridade julgadora de primeira instância ao reconhecer que: a) a decisão definitiva no PAF nº 16.327.003187/200310, que afastou o ajuste com base no método PIC do “bromazepam", “fluoro uracil substância”; “5'fosfato sódico de vitamina E” e “ceftriaxona”, resultou no restabelecimento do valor adotado pelo contribuinte para o estoque final em 1998 desses itens e, em consequência, tais valores deveriam ser considerados, nos presentes autos, como estoque inicial em 1999, o que resultou em uma redução das bases tributáveis de R$ 3.002.020,83, decorrentes da soma dos seguintes valores: Bromazepam..................................R$ 2.426.102,38, Fluoro Uracil Substância.....................R$ 47.129,70, Ceftriaxona........................................R$ 460.749,40, 5’Fosfato Sódico de vitaminas B2.......R$ 68.039,35; b) o contribuinte já tinha feito a adição à base tributável decorrente do ajuste de preços de transferência do produto “miditromm apar. System” e o próprio autuante, ao responder a diligência, reconheceu que assistia razão ao contribuinte à redução da base imponível lançada em R$ 41.819,38; c) havia que ser retificado o preço parâmetro da ceftriaxona, pois foram consideradas importações entre empresas vinculadas no cálculo do preço parâmetro pelo método PIC, o que contraria o §2° do artigo 18 da Lei n° 9.430/96, logo, ao se retificar a planilha de fls. 698/699, para excluir do cálculo as declarações de importação n° 9812329030, 9812329277 e 9812329285, chegouse a um preço parâmetro no valor de R$ 673,74 e uma redução da base imponível em R$ 10.846,66; d) a retificação do preço parâmetro da tenoxicam, pois o recorrente utilizou a modalidade de pagamento 21 (pagamento à vista) e os paradigmas utilizaram as modalidades 21 (pagamento à vista), 31 (financiamento do fornecedor) e 10 (pagamento antecipado), logo deveria ser excluída a importação com pagamento antecipado, por ser prejudicial à contribuinte e, assim sendo, a planilha de fl. 701 foi retificada, para excluir do cálculo a declaração de importação n° 9907080667, o que levou a preço parâmetro no valor de R$ 961,43 e uma redução das bases imponíveis em R$ 1.639,58. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por advogados com poderes para tal (conforme docs. a fls. 822 e 2184), razão pela qual dele conheço. Fl. 2535DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.000032/200585 Acórdão n.º 1302001.110 S1C3T2 Fl. 2.456 9 Preliminarmente, deve ser afastada a alegação de nulidade do auto de infração da CSLL, por entender a recorrente de que tal contribuição não fazia parte da fiscalização por não constar do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e de suas renovações. Ocorre que o artigo 8° da Portaria RFB nº 3.014/11, que disciplina a emissão de MPF, dispensa a menção expressa de todos os tributos, desde que os lançamentos tenham por base os mesmos fatos. No caso em tela, é irrefragável que a exigência da CSLL decorreu dos mesmos elementos de prova utilizados para o lançamento do IRPJ, mesmo porque se referem às mesmas circunstâncias fáticas. Vale a transcrição do art. 8º da Portaria RFB nº 3.014/11, in verbis: “Art. 8º Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa no MPF.”. Do Art. 4º, § 1º, da IN SRF 38/97 – Imposição do Método PIC A recorrente sustenta também a nulidade da autuação, por absoluta falta de motivação e cerceamento do direito de defesa, em razão de a autoridade lançadora ter desconsiderado a sua opção pelo método PRL para os CEFTRIAXONA SAL DISSODICO ESTERIL, BROMAZEPAM IMP. e TENOXICAM IMPORTADO e adotado o método PIC, sem base legal para tanto e sem qualquer explicação quanto ao motivo pelo qual o fez. Não entendo que tenha havido cerceamento do direito de defesa, pois o posicionamento da Administração Tributária Federal sobre a matéria era público e notório, já que veiculado na Instrução Normativa SRF nº 38, de 1997, a qual foi publicada no DOU de 05/05/1997. Assim, a questão passa pela análise da legalidade do § 1 ˚ do art. 4˚ da IN 38/97. Por outro lado, a questão reside em saber se o § 1 ˚ do art. 4˚ da IN 38/97 encontra amparo na Lei n° 9.430/96, para tanto vejamos como dispõe a referida instrução: "Art. 4º Para efeito de apuração do preço a ser utilizado como parâmetro, nas importações de empresa vinculada, não residente, de bens, serviços ou direitos, a pessoa jurídica importadora poderá optar por qualquer dos métodos referidos nesta Seção exceto na hipótese do § 1º, independentemente de prévia comunicação à Secretaria da Receita Federal. § 1º A determinação do preço a ser utilizado como parâmetro, para comparação com o constante dos documentos de importação, quando o bem, serviço ou direito houver sido adquirido para emprego, utilização ou aplicação, pelo própria empresa importadora, na produção de outro bem, serviço ou direito, somente será efetuada com base nos métodos de que tratam os arts. 6° e 13. ................................................................................................................." Como se verifica, o § 1˚ do art. 4˚ da IN 38/97 vedou a adoção do método PRL quando o produto importado fosse utilizado na produção de outro bem, serviço ou direito, pois, nesse caso, a referida instrução obrigava a adoção do método PIC ou CPL. Cabe, então, Fl. 2536DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 saber se tal limitação encontra amparo na norma de regência da matéria art. 18 da Lei n˚ 9.430/96. De certa forma, tal questão, senão já pacificada por este Colegiado, está em vias de sêlo, pois a ilegalidade do § 1˚ do art. 4˚ da IN 38/97 é verificável ictu oculi do simples cotejo com o teor do art. 18 da Lei n˚ 9.430/96, se não vejamos como dispõe: "Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: I Método dos Preços Independentes Comparados PIC:...; ............................................................................................... II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: ....... ............................................................................................... III Método do Custo de Produção mais Lucro CPL" O art. 18 da Lei n˚ 9.430/96, acima transcrito na sua redação original, faculta ao contribuinte que não esteja em procedimento de fiscalização a adoção de qualquer um dos métodos ali previsto, para realizar os ajustes de preços de transferência. Da mesma forma, caso o contribuinte não realize espontanemente os ajustes de preços de transferência, a autoridade fiscal poderá, em procedimento de fiscalização, adotar qualquer um dos métodos do art. 18. Destarte, o § 1˚ do art. 4˚ da IN 38/97 desbordou dos limites legais da norma regulamentada, ao criar a limitação para a adoção do método PRL, em verdadeira afronta ao princípio da legalidade. Ademais, alegações de que haveria a impossibilidade de uso do PRL, por ele não isolar o custo do bem importado, resta baldada, quando verificamos que isso seria apenas uma questão de calibragem de percentual, questão que viria a ser solucionada posteriormente com a introdução do PRL 60. Todavia, não havia a impossibilidade de aplicação do PRL para insumos importados, sendo que a eventual falta de calibragem do percentual legal não poderia justificar a vedação de tal método, pois que em total desalinho com o que dispunha expressamente o texto legal então vigente. É bem verdade que alguns defendiam a inaplicabilidade do PRL à época no caso de aquisição de insumos, pelo fato do método se referir à revenda, operação em que a mercadoria não sofre qualquer tipo de transformação, simples compra e venda mercantil. Tal argumento, contudo, caiu por terra quando introduziram um método especificamente para o caso de aquisição de insumos e denominaram também de “preço de revenda menos lucro” (PRL60). Por essas razões, voto por excluir das bases tributáveis lançadas o valor de R$ 22.120.586,24, decorrentes da soma dos seguintes valores: a) R$ 12.602.610,16, relativos ao valor adicionado às bases tributáveis em decorrência do ajuste do preço da CEFTRIAXONA SAL DISSÓDICO ESTERIL (valor remanescente após a exclusão da DRJ/FOR); b) R$ 8.220.839,05, relativos ao valor adicionado às bases tributáveis em decorrência do ajuste do preço do BROMAZEPAM IMP (valor remanescente após a exclusão da DRJ/FOR); Fl. 2537DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.000032/200585 Acórdão n.º 1302001.110 S1C3T2 Fl. 2.457 11 c) R$ 1.297.137,03, relativos ao valor adicionado às bases tributáveis em decorrência do ajuste do preço do TENOXICAM IMPORTADO (valor remanescente após a exclusão da DRJ/FOR). Da adoção do Método PRL A recorrente sustenta também a nulidade da autuação, por absoluta falta de motivação e cerceamento do direito de defesa, em razão de a autoridade lançadora ter desconsiderado a sua opção pelo método PIC para o ROVIMIX E 50 ADSORBATO e adotado o método PRL, sem base legal para tanto e sem qualquer explicação quanto ao motivo pelo qual o fez. Inicialmente, ressaltese que, pelo Termo de Intimação a fls. 48, a recorrente foi intimada a “apresentar as memórias de cálculo e a documentação de suporte ao método utilizado, conforme disposto no inciso II do art. 39 da IN nº 38/97” . O Termo de Verificação Fiscal a fls. 686 e segs. nada fala sobre a questão, mas, no relatório de diligência a fls. 1908, a autoridade lançadora assim se pronuncia: “Quanto à suposta utilização do PIC para o Rovimix, por parte do impugnante, bem como pelo fato dos argutos julgadores entenderem que tal fato estava cabalmente demonstrado e suportado pela legislação de preços de transferência, esta fiscalização encontrase estupefata, quanto mais pelo fato desta fiscalização, ao apresentar as planilhas com as importações paradigmáticas para a apuração do PIC com todas minudentemente descritas e identificadas pelas DIs, ter seus cálculos questionados, enquanto o contribuinte apresenta dois valores — um identificado como "CACEX" — e a DRJ dá tudo como perfeito. Mais eis que o impugnante não apresenta — como não apresentou a esta fiscalização — quais as fontes consideradas, quais os produtos efetivamente importados, se tais importações foram efetivamente praticadas por partes independentes, etc., e a DRJ quer que aceitemos tais "planilhas"?” Assim, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa da recorrente, pois foi dado ciência à recorrente deste relatório de diligência e do outro que viria a ser elaborado e, nos dois momentos, foilhe oportunizado o direito de falar nos autos. Ou seja, não há nulidade sem prejuízo. Por sua vez, é óbvio que a autoridade lançadora não poderia aceitar o uso do método PIC pela recorrente se ela não informa quais as fontes consideradas, quais os produtos efetivamente importados, se tais importações foram efetivamente praticadas por partes independentes. Aliado a isso, frisese que não houve ajuste feito espontanemente pelo recorrente, ou seja, o suposto uso do método PIC pela recorrente não gerou qualquer adição à base de cálculo. Em sua impugnação (doc. a fls. 775), a recorrente se limitou a dizer o seguinte: “Contudo, da simples leitura do Termo de Verificação Fiscal e dos autos de infração lavrados verificase que o ilustre fiscal autuante simplesmente apurou o preço de transferência daqueles três primeiros produtos pelo método PIC, e deste último pelo método PRL, sem sequer apreciar os cálculos Fl. 2538DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 efetuados pela Impugnante e sem tampouco consignar qualquer explicação quanto ao motivo pelo qual foram desconsiderados aqueles cálculos. Vale dizer, não se dignou o ilustre fiscal autuante sequer a indicar o motivo pelo qual teria simplesmente desconsiderado os cálculos efetuados pela Impugnante e o critério por ela expressamente indicado (PRL no caso daqueles três primeiros produtos e PIC no caso do ROVIMIX E 50 ADSORBATO). Em consequ ência, o lançamento efetuado é nulo por absolta ausência de motivação e consequ ente cerceamento ao direito de defesa da Impugnante.”. Após cientificada do primeiro relatório de diligência, a recorrente se manifesta da seguinte forma quanto à questão (a fls. 1.949): “Quanto ao ROVIMIX E 50 ADSORBATO, o ilustre fiscal autuante informa que a Impugnante não apresentou a memória de cálculo, o que, contudo, não afasta todos os vícios apontados na impugnação quanto a apuração do ajuste pelo método PRL.”. Após cientifada do segundo relatório de diligência (doc. a fls. 2.174), a recorrente se manifestou por meio do doc. a fls. 2.175 e segs., mas não se pronuncia sobre a questão, ou seja, novamente, não refuta a alegação da fiscalização de que não apresentou a memória de cálculo. No recurso voluntário interposto (doc. a fls. 2.377), a recorrente muda sua linha de defesa e assim se manifesta sobre a questão: “Por outro lado, e como já acima salientado, a Recorrente como informado às fls. 160 e 162 deixou de fazer qualquer adição relativamente ao produto ROVIMIX E 50 ADSORBATO porque efetuando os cálculos pelo método PIC não apurou ajuste a ser feito. De se salientar que a apuração do preço parâmetro pelo método PIC quanto a este produto só foi possível porque as vitaminas na atualidade têm a natureza de verdadeiras "commodities", estando disponível para os importadores no chamado "Sistema Alice" uma relação de todas as importações efetuadas por mercadorias e países, elaborada pela SECEX/DECEX/SERPRO (doc. 13 da defesa), o que aliás só vem corroborar o fato de que quando lhe é possível a Recorrente elabora os cálculos do preço de preferência também por este método. Nessas condições, se antes não for declarada a nulidade do auto de infração também quanto ao ajuste apurado pelo método PRL quanto a este produto, inclusive em razão da absoluta falta de motivação quanto às razões pelas quais foram desconsiderados os cálculos apresentados pela Recorrente, quando menos deverá então ser cancelada a exigência pelo mérito, uma vez que inexistente no caso qualquer adição a ser feita.”. Ao se analisar a resposta apresentada pela recorrente a fls. 203/206, fica evidente que ela, ao se valer de dados colhidos do Sistema Alice para calcular o preço parâmetro, fêlo inapropriadamente, pois não sabia sequer identificar se tais importações tinham sido feitas por partes independentes. Aliás, todas as críticas feitas pelo recorrente ao uso do método PIC pela fiscalização são aplicáveis a sua própria adoção deste mesmo método. Por essas razões, entendo que era legítima a adoção, pela Fiscalização, do método PRL no cálculo do ajuste de preços de transferência do produto ROVIMIX E 50 ADSORBATO. Fl. 2539DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.000032/200585 Acórdão n.º 1302001.110 S1C3T2 Fl. 2.458 13 Da Falta de Exame do Custo Registrado Alega a recorrente que afirma que: a) o ilustre fiscal em momento algum examinou qual o valor do custo registrado pela Recorrente em conta de resultado relativamente aos produtos para os quais entendeu terem sido efetuadas adições a menor; b) o lançamento foi levantado a partir dos preços pagos nas importações dos insumos e não dos custos efetivamente deduzidos; c) que não se tratando de produtos passíveis de distinção física no estoque, é evidente que a dedutibilidade do custo é feita sempre pelo custo médio ponderado do estoque no momento da baixa, e não pelo custo de aquisição de cada unidade importada; d) a baixa de um determinado insumo para produção não da origem ao lançamento do custo respectivo em conta de resultado, o que só ocorrerá após o término do processo de industrialização e quando da baixa do estoque do produto final acabado por força de sua venda; e) o custo médio do estoque no início do ano está afetado pelo valor do estoque inicial existente, é evidente que o custo computado em conta de resultado relativamente as vendas efetuadas ao longo do ano não guarda relação direta com o valor pago pelas importações ocorridas no mesmo ano, uma vez que afetado por aquele valor inicial; f) o raciocínio empregado pelo ilustre fiscal e corroborado pela r. decisão recorrida somente resultaria em um valor coincidente com o custo computado em resultado se a Recorrente além de não possuir estoque inicial dos produtos em questão em 01/01/99 tampouco possuísse estoque final em 31/12/99; g) que informou nos autos a existência, quantidade e valor tanto de estoques iniciais como de estoques finais dos produtos acabados (fls. 180/181 e doc. 06 da defesa), possuindo também estoques iniciais e finais das substâncias importadas e mesmo de substâncias em produção (Lexotan — Bromazepan) (fls. 180/181 e doc. 06 da defesa). São procedentes os argumentos da recorrente, pois, embora o § 7º do art. 18 da Lei 9430/96 fale apenas em custo o que poderia ser tomado como custo de aquisição, o inciso I do art. 5º da IN 38/97 deixa claro que deve ser adicionado às bases tributáveis o excesso de custo computado em resultado, se não vejamos: “Art. 5º Após apurados por um dos métodos referidos nesta Seção, os preços a serem utilizados como parâmetro, nos casos de importação de empresas vinculadas, serão comparados com os constantes dos documentos de aquisição, observandose que: I se o preço praticado na aquisição pela empresa vinculada, domiciliada no Brasil, for superior àquele utilizado como parâmetro, serão adicionados ao lucro real e à base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido CSLL o valor resultante do excesso de custo, computado nos resultados da empresa, decorrente da diferença entre os preços comparados; [...]” [grifo nosso] Ora, o excesso de custo computado em resultado, quando aplicado o critério do custo médio para avaliação de estoque e existente estoques iniciais, não será igual a Fl. 2540DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 diferença entre os preços praticado e parâmetro multiplicado pela baixas do estoque no período, como sustentou o autuante, se não vejamos o seguinte excerto do TVF (doc. a fls. 735), in verbis: “C apuração da base de cálculo do imposto: a. verificouse o percentual da diferença entre o preço praticado e o preço parâmetro, de acordo com a fórmula % = ( ( preço praticado — preço parâmetro) / preço parâmetro ) X 100; b. para os produtos com percentual positivo superior a 5 apurouse a diferença absoluta entre os mesmos, que se constitui no valor unitário do ajuste a ser efetuado; c. para os produtos sujeitos ao método do PIC, os cálculos para conversão do ajuste de US$ para R$ estão demonstrados nas próprias planilhas de importação, consistindo no produto do ajuste unitário em US$ pela taxa de câmbio na data da importação e da quantidade importada. Os totais assim obtidos, para cada uma das importações efetuadas durante o ano, foram somados e divididos pela quantidade total importada, obtendose, destarte, o valor do ajuste unitário em R$; d. para a obtenção da base de cálculo do imposto, multiplicouse o valor do ajuste unitário pelo total das vendas e outras movimentações, a qualquer titulo, informadas pelo contribuinte, menos o estoque inicial. As vendas e outras movimentações de estoque consideradas foram as informadas pelo contribuinte, tendo sido consideradas por esta fiscalização como fidedignas, e são as constantes das planilhas de movimentação de estoque, em anexo;” Assim, entendo que o critério adotado pelo autuante está em desalinho com o figurino legal, pois deveria ter recalculado o custo médio para cada saída no período de apuração, a partir do lançamento do preço parâmetro (em substituição ao preço de aquisição) nas entradas durante o período de apuração, para, então, poder calcular o excesso de custo lançado em resultado (decorrentes das diferenças entre o custos médios contabilizado e recalculado). Decerto que a IN 38/97 não é um primor de norma jurídica, mas a clareza do disposto no I do art. 5º deixa claro que a adição às bases tributáveis deve ser do excesso de custo lançado em resultado, valor diferente daquele apurado no auto de infração. Diante de tal constatação, concluo que o lançamento deva ser cancelado, pois não cabe a esta instância julgadora determinar às autoridades lançadoras o critério jurídico que devam adotar no lançamento. Já que o TVF é parte integrante do lançamento tributário fica claro que foi adotado um critério jurídico, o qual, se alterado para atender às conclusões deste julgado, significaria um possível novo lançamento e não apenas uma correção de base de cálculo. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode determinar que se refaça o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente, mesmo porque, nessa hipótese, estaríamos determinando um novo lançamento. Por essas razões, entendo que não é o caso de se baixar o processo em diligência, mas de cancelamento do lançamento tributário. Por último, ressalto que as conclusões acima levam também ao cancelamento do lançamento referente às bases decorrente da aplicação do ajuste (apurado no lançamento do ano de 1998, objeto do PAF 16327.003187/200310 ) sobre os estoques iniciais em 1999 (item C, subitem g, do TVF a fls. 735/736), pois, conforme o relatório do Acórdão DRJ/SPO1 7.876/05 (doc. a fls. 2.032 destes autos), foi utilizado o mesmo critério jurídico para cálculo do ajuste naquele ano. Fl. 2541DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.000032/200585 Acórdão n.º 1302001.110 S1C3T2 Fl. 2.459 15 Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, para o cancelamento integral do lançamento. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 2542DF CARF MF Impresso em 23/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/0 7/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 44021.000043/2007-05
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/2002
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em
âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais
questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder
Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A,
caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do
CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao
CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DEIXAR DE EXIBIR LIVRO OU DOCUMENTO RELACIONADO COM, CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS.
Constitui infração á legislação tributário-previdenciária
deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-001.278
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO.
Nome do relator: Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/11/2002 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE DA AUTUAÇÃO - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - DEIXAR DE EXIBIR LIVRO OU DOCUMENTO RELACIONADO COM, CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração á legislação tributário-previdenciária deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Recurso Voluntário Negado.
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa a infração e as circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, data de sua lavratura, não há que se falar em nulidade da autuação fiscal posto ter sido elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DEIXAR DE EXIBIR LIVRO OU DOCUMENTO RELACIONADO COM, CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração á legislação tributárioprevidenciária deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 44021.000043/200705 Acórdão n.º 240301.278 S2C4T3 Fl. 109 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão nº 1719.449 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo II – SP que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 37.064.1493, às fls. 01, sendo o valor da multa aplicada originalmente R$ 104.124,78. O Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 38, foi lavrado pela Fiscalização contra o Recorrente em função de que a empresa ter deixado de apresentar os documentos adiante elencados exigidos através dos Termos de Intimação p/ Apresentação de documentos (TIAD) de 01/11/2006 e 12/12/2006, acompanhados do Mandado de Procedimento Fiscal no. 09350191 de 01/11/2006. Livro Diário e L. Razão ref. ao período de 01/2002 a 06/2006. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 33, §§ 2° e 3°, com redação da MP 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea "j" e art. 373. Segundo se depreende do Relatório Fiscal da Multa, às fls. 02, considerando as informações constantes no Termo de Antecedentes, onde consta a existência de reincidências especificas, onde elevamos a multa em 9 vezes, conforme disposto no artigo 292, inciso IV, do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Foi emitido o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 09350191F00, às fls. 09. A ciência do Auto de Infração ocorreu em 22.12.2006, às fls. 01. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Fiscal da Multa, às fls. 02, é de 01/2002 a 06/2006. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, às fls. 47 a 54, conforme o Relatório da decisão de primeira instância (às fls. 72 a 76): PRELIMINARMENTE 6. A Defendente aponta prejudicial de status constitucional relativa à ocorrência de cerceamento ao direito de ampla defesa. A acusação relativa à falta de apresentação de documentos Fl. 127DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 fiscais é sobremaneira imprecisa, visto que não há expresso no Auto de Infração os documentos que não foram apresentados. Insta ressaltar, a Defendente colaborou e disponibilizou toda a documentação ao Fisco para a realização do trabalho fiscal. NO MÉRITO 7. Uma simples análise da descrição sumária da infração demonstra a ausência de autuação específica, clara e objetiva, visto que não revelou quais documentos a Defendente deixou de apresentar ao Fisco, cerceando por completo o seu direito de defesa. 7.1 A Defendente no momento da fiscalização atendeu à solicitação do D. Agente Fiscal; apresentou todos os documentos exigidos. Ademais, a documentação apresentada foi utilizada para o lançamento das NFLDs. Não pode a Defendente ser autuada por ter deixado de exibir os documentos exigidos por lei em procedimento de fiscalização, quando estes foram devidamente apresentados 8. No tocante à gradação da multa, conforme o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, esta foi elevada em nove vezes, face a ocorrência de duas reincidências, nos termos do inciso IV do artigo 292 do Regulamento da Previdência Social — RPS (transcrito pela Defendente). 8.1 O Relatório Fiscal da Infração descreve que a Defendente é reincidente no mesmo tipo de infração por duas vezes, no fundamento legal 38. Assim, a multa não pode ser elevada em 9 vezes como se fosse reincidente por três vezes na mesma infração. 9. A multa pelo descumprimento de obrigação acessória deve ser tratada como crédito tributário e, assim, não pode ferir o princípio constitucional tributário do nãoconfisco. O princípio do nãoconfisco relacionase ainda com os princípios da capacidade contributiva e da proibição de excesso/proporcionalidade, de modo direto. 9.1 A multa por descumprimento de obrigação acessória é extremamente alta, o que viola os princípios constitucionais supra mencionados. A Unidade julgadora de primeira instância analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos Acórdão nº 1719.449 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo II SP, fls. 72 a 76, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2006 Documento Original: Al n° 37.064.1493, de 22/12/2006 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 44021.000043/200705 Acórdão n.º 240301.278 S2C4T3 Fl. 110 5 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. Constitui infração deixar de apresentar documentos ou livros relacionados com as contribuições para a Seguridade Social, em conformidade com o previsto no artigo 33, § 2° da Lei n° 8.212/91. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 82 a 90, onde reitera os argumentos aduzidos em sede de Impugnação: (i) Do cerceamento de defesa. Digase que a acusação relativa a falta de apresentação de documentos fiscais é sobremaneira imprecisa, visto que não há expresso no Auto de Infração os documentos que não foram apresentados. (ii) Apresentação de documentos. Não pode a Recorrente ser autuada por ter deixado de exibir os documentos exigidos por lei em procedimento de fiscalização, quando estes foram devidamente apresentados. (iii) Da gradação da multa. O Relatório Fiscal de Intimação descreve que a Recorrente é reincidente no mesmo tipo de infração por duas vezes, no fundamento legal 38. Assim, a multa não pode ser elevada em 9 vezes como se fosse reincidente por três vezes na mesma infração. (iv) Da violação de princípios constitucionais. A multa por descumprimento de obrigação acessória no valor de R$ 104.124,78 (cento e quatro mil, cento e vinte e quatro reais e setenta e oito centavos) é extremamente alta o que viola os princípios constitucionais supramencionados. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 107. É o Relatório. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 107. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (iv) Da violação de princípios constitucionais. A multa por descumprimento de obrigação acessória no valor de R$ 104.124,78 (cento e quatro mil, cento e vinte e quatro reais e setenta e oito centavos) é extremamente alta o que viola os princípios constitucionais supramencionados. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 130DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 44021.000043/200705 Acórdão n.º 240301.278 S2C4T3 Fl. 111 7 § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (b) Do Preceito fundamental à lavratura do Auto de Infração De plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente Fl. 131DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. Folha de Rosto do Auto de Infração; b. Instruções para o Contribuinte – IPC; c. REPLEG – Relatório de representantes Legais; d. VÍNCULOS – Relação de Vínculos; e. TIAF –Termo de Início da Ação Fiscal; f. Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD; g. TEAF –Termo de Encerramento da Ação Fiscal. h. Relatório Fiscal da Infração. Cumprenos esclarecer ainda, que a autuação fiscal foi elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999, especialmente com a discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura. Art.293.Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §1oRecebido o autodeinfração, o autuado terá o prazo de trinta dias, a contar da ciência, para efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de cinqüenta por cento ou impugnar a autuação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §2oImpugnada a autuação, o autuado, após a ciência da decisão de primeira instância, poderá efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de vinte e cinco por cento, até a data limite Fl. 132DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 44021.000043/200705 Acórdão n.º 240301.278 S2C4T3 Fl. 112 9 para interposição de recurso. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §3ºO recolhimento do valor da multa, com redução, implica renúncia ao direito de impugnar ou de recorrer.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) §4oApresentada impugnação, o processo será submetido à autoridade competente, que decidirá sobre a autuação, cabendo recurso na forma da Subseção II da Seção II do Capítulo Único do Título I do Livro V deste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) Analisandose o auto de infração e seus anexos, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. artigo 293, Decreto 3.048/1999. (i) Do cerceamento de defesa. Digase que a acusação relativa a falta de apresentação de documentos fiscais é sobremaneira imprecisa, visto que não há expresso no Auto de Infração os documentos que não foram apresentados. Analisemos. Não assiste razão à Recorrente porque o Relatório Fiscal da Multa, às fls. 02, expressamente indica os documentos que não foram apresentados, quais sejam, o Livro Diário e o Livro Razão: Lavramos o presente Auto por ter deixado a empresa de apresentar a esta fiscalização os documentos adiante elencados exigidos através dos Termos de Intimação p/ Apresentação de documentos (TIAD) de 01/11/2006 e 12/12/2006, acompanhados do Mandado de Procedimento Fiscal no. 09350191 de 01/11/2006. Livro Diário e L. Razão ref. ao periodo de 01/2002 a 06/2006. (ii) Apresentação de documentos. Não pode a Recorrente ser autuada por ter deixado de exibir os documentos exigidos por lei em procedimento de fiscalização, quando estes foram devidamente apresentados. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 Analisemos. Em que pese a argumentação da Recorrente, não consta nos autos que a Recorrente tenha exibido para a AuditoriaFiscal os Livros Diário e Razão. Desta forma, mantenho a autuação. (iii) Da gradação da multa. O Relatório Fiscal de Intimação descreve que a Recorrente é reincidente no mesmo tipo de infração por duas vezes, no fundamento legal 38. Assim, a multa não pode ser elevada em 9 vezes como se fosse reincidente por três vezes na mesma infração. Analisemos. O Auto de Infração, Código de Fundamentação Legal – CFL 38, foi lavrado pela Fiscalização contra o Recorrente em função de que a empresa ter deixado de apresentar os documentos adiante elencados exigidos através dos Termos de Intimação p/ Apresentação de documentos (TIAD) de 01/11/2006 e 12/12/2006, acompanhados do Mandado de Procedimento Fiscal no. 09350191 de 01/11/2006. Livro Diário e L. Razão ref. ao período de 01/2002 a 06/2006. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 33, §§ 2° e 3°, com redação da MP 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, arts. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. II, alínea "j" e art. 373. Segundo se depreende do Relatório Fiscal da Multa, às fls. 02, considerando as informações constantes no Termo de Antecedentes, onde consta a existência de reincidências especificas, onde elevamos a multa em 9 vezes, conforme disposto no artigo 292, inciso IV, do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Outrossim, em relação à elevação da multa, a Instrução Normativa SRP n° 03, de 14/07/2005, dispõe acerca do cálculo da multa devida: . Art. 659. Caso haja agravante, o valor da multa será obtido mediante a multiplicação do valor mínimo estabelecido pelos fatores de elevação previstos nos incisos II a X do art. 657. §1° A partir da segunda reincidência, o valor total da multa será obtido mediante a multiplicação do seu valorbase pelo produto dos fatores de elevação previstos nos incisos IV a VI do art. 657. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 44021.000043/200705 Acórdão n.º 240301.278 S2C4T3 Fl. 113 11 Portanto, correta a AuditoriaFiscal neste ponto da elevação da multa. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para, NAS PRELIMINARES, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 135DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10650.902436/2011-03
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Nos casos de PER/Dcomp transmitida sem a correspondente retificação da Dctf, o contribuinte preserva o direito à compensação desde que a mesma ocorra antes da ciência do despacho decisório. A retificação posterior somente é cabível excepcionalmente, por força do princípio da verdade material, condicionada à prova da existência do direito creditório. Ausentes quaisquer desses pressupostos, não cabe a homologação da compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-001.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Jose´ Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Ausência momentânea do Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Nos casos de PER/Dcomp transmitida sem a correspondente retificação da Dctf, o contribuinte preserva o direito à compensação desde que a mesma ocorra antes da ciência do despacho decisório. A retificação posterior somente é cabível excepcionalmente, por força do princípio da verdade material, condicionada à prova da existência do direito creditório. Ausentes quaisquer desses pressupostos, não cabe a homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Jose´ Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Ausência momentânea do Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2001 a 31/10/2001 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Nos casos de PER/Dcomp transmitida sem a correspondente retificação da Dctf, o contribuinte preserva o direito à compensação desde que a mesma ocorra antes da ciência do despacho decisório. A retificação posterior somente é cabível excepcionalmente, por força do princípio da verdade material, condicionada à prova da existência do direito creditório. Ausentes quaisquer desses pressupostos, não cabe a homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 24 36 /2 01 1- 03 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Ausência momentânea do Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentado nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apurac ão: 01/10/2001 a 31/10/2001 Ementa: ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENC ÃO. A isenc ão prevista no art. 14 da Medida Provisória no 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória no 2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplica se, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Manifestac ão de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem resumir a controvérsia até a presente fase processual, transcrevese parte do relatório do acórdão da DRJ: Trata o presente processo de Pedido Eletrônico de Restituição PER, no 41526.67726.290304.1.2.045157 transmitido em 29/03/2004, no valor de R$ 1.030,69, relativo a parte do recolhimento de PIS/PASEP (P.A. 10/2001) efetuado em 14/11/2001, que o interessado alega ser indevido por referirse a vendas de mercadorias a clientes estabelecidos na Zona Franca de Manaus. A DRF/Uberaba/MG, emitiu Despacho Decisório Eletro nico por meio do qual indeferiu o Pedido de Restituic aõ, por inexiste ncia de crédito, tendo em vista que o pagamento indicado como indevido ou a maior não oferecia saldo disponível para restituic ão, uma vez que fora integralmente utilizado para quitac aõ de débitos do contribuinte. A fundamentac ão legal da decisão e ́o art. 165 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou Manifestac ão de Inconformidade, na qual consta, em síntese: a) Preliminarmente, o contribuinte requer a nulidade do Despacho Decisório por cerceamento do direito de defesa, alegando que sequer tem certeza quanto ao motivo pelo qual o seu direito creditório foi indeferido, dado que o débito de PIS/PASEP apurado foi comprovadamente recolhido a maior e declarado na DCTF. Afirma que esta ́impossibilitado de atacar, de forma certeira, o fundamento da glosa perpetrada. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10650.902436/201103 Acórdão n.º 3802001.578 S3TE02 Fl. 123 3 b) Alega que naõ constam, no Despacho Decisório, informac ões precisas acerca das supostas incorrec ões cometidas pelo contribuinte, evidenciando a nulidade do ato administrativo em aprec o. c) No mérito, solicita a restituic ão do PIS e da Cofins incidentes sobre as vendas efetuadas para a Zona Franca de Manaus. Discorre sobre a criac ão da Zona Franca de Manaus, sua manutenc aõ por meio do ADCT, art. 40, da Constituic ão Federal de 1988, concluindo que as vendas de mercadorias para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus equivalem a exportac ões para o estrangeiro, gozando as operac ões de todos os benefícios destas, inclusive a isenc aõ do PIS e da Cofins. d) Afirma que dentre as exclusões expressamente previstas em lei, a Medida Provisória no 18586 determinava que, em relac ão aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, as receitas de exportac aõ de mercadorias para o exterior são isentas do PIS e da Cofins. e) Aduz que a limitac ão constante na Medida Provisória de que a isenc ão supra não alcanc aria as receitas de vendas efetuadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus foi contestada perante o Supremo Tribunal Federal, na Medida Cautelar no 2.216 1. f) Afirma que o STF, Tribunal que dita o Direito, decidiu que não é permitido à lei/medida provisória suprimir direitos que foram outorgados constitucionalmente aos contribuintes. g) Com relac ão ao direito creditório, aduz que o suposto erro formal contido na DCTF, por ter declarado deb́itos equivocadamente majorados, não é capaz de extinguir o direito creditório originado de pagamentos comprovadamente recolhidos a maior. h) Invoca os princípios da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade i) Solicita, ao final, com respaldo no disposto no art. 16, inciso IV, do Decreto n.° 70.235/72, a realizac aõ de dilige ncia, para que se comprove a existe ncia do crédito pleiteado. Formula os seus quesitos. j) Solicita que, na remota hipótese de o direito creditório não ser reconhecido, que seja declarada a nulidade do despacho decisório. A Recorrente, nas razões de fls. 85102, salvo no tocante à preliminar de nulidade, reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, requerendo, por fim, o provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 24/05/2012 (fls. 83), interpondo recurso tempestivo em 21/06/2012 (fls. 85). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 A Recorrente, ao transmitir o PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do período correspondente, o que fez com que a mesma continuasse atrelada à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação, consoante o despacho decisório a seguir: “3 FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL [...] A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Em casos dessa natureza, a Turma tem reconhecido o direito à compensação, desde que o contribuinte: (i) retifique a Dctf antes da ciência do despacho decisório; ou (ii) ainda que a posteriormente, o faça antes da inscrição do débito em dívida ativa e comprove, de plano, a existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes acórdãos, acompanhados pela unanimidade do colegiado: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS PROLAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. POSSIBILIDADE. NATUREZA DO INDÉBITO NÃO DEMONSTRADA. PROVA INSUFICIENTE. RECURSO DESPROVIDO. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Sendo insuficiente a prova apresentada, não há como se homologar a compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.125. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 28/07/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10650.902436/201103 Acórdão n.º 3802001.578 S3TE02 Fl. 124 5 Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.”(Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). Contudo, no presente caso concreto, verificase que o interessado sequer retificou a Dctf do período correspondente, o que prejudica a homologação da compensação, porquanto o Darf continua atrelado à quitação do débito originário. Votase, assim, pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 126DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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