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Numero do processo: 10380.720303/2008-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ERRO.
Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão, contradição ou lapso manifesto, deve-se retificar o Acórdão embargado. Deve ser expurgado o capítulo alienígena da decisão, bem como qualquer disposição sobre a aplicação da Taxa Selic no acórdão embargado.
Numero da decisão: 3401-005.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, devendo ser expurgado o capítulo alienígena da decisão, bem como qualquer disposição sobre a aplicação da Taxa Selic no acórdão embargado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ERRO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão, contradição ou lapso manifesto, deve-se retificar o Acórdão embargado. Deve ser expurgado o capítulo alienígena da decisão, bem como qualquer disposição sobre a aplicação da Taxa Selic no acórdão embargado.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ERRO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão, contradição ou lapso manifesto, devese retificar o Acórdão embargado. Deve ser expurgado o capítulo alienígena da decisão, bem como qualquer disposição sobre a aplicação da Taxa Selic no acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, devendo ser expurgado o capítulo alienígena da decisão, bem como qualquer disposição sobre a aplicação da Taxa Selic no acórdão embargado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Marcos Antonio Borges (suplente convocado). Ausente justificadamente a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 03 03 /2 00 8- 34 Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10380.720303/200834 Acórdão n.º 3401005.409 S3C4T1 Fl. 357 2 Relatório Em 13/03/2017, foi proferido, monocraticamente, o despacho de admissibilidade de embargos, pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan, que os acolheu, cujas razões abaixo se transcrevem: A FAZENDA NACIONAL invocou o art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, para interpor Embargos de Declaração contra o Acórdão nº 3401001.903, de 18 de julho de 2012, fls. 312 a 3211, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. FORMAS, NAVALHAS E MATRIZES UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE CALÇADOS. As formas, navalhas e matrizes utilizadas no processo produtivo do calçado devem ser consideradas como insumo para fins de crédito presumido do IPI, tendo em vista os seus desgastes e obsolescencia. VARIAÇÃO CAMBIAL. A variação cambial integra a receita bruta, conforme Portaria No. 356 DE 05 /12 /1988, do MINISTÉRIO DA FAZENDA. CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. As Receitas de revenda não integram a receita operacional bruta para efeito de apuração do índice de insumos aplicados em produtos industrializados exportados. RESSARCIMENTO. CREDITO PRESUMIDO DO IPI. JUROS SELIC. APLICABILIDADE. STJ. RECURSO REPETITIVO. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF conforme o art. 62A do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF n 586, de 2010, é devida a incidencia da Selic no ressarcimento do IPI quando há oposição ilegitima do Fisco. Consta do acórdão da decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10380.720303/200834 Acórdão n.º 3401005.409 S3C4T1 Fl. 358 3 Acordam os membros do colegiado, dar provimento ao recurso voluntário quanto às formas, matrizes e navalhas, vencidos os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e Júlio César Alves Ramos. Quanto às demais matérias, deuse provimento por unanimidade. Os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis e Odassi Guerzoni Filho votaram pelas conclusões quanto à variação cambial. O arrazoado de fls. 328 a 331, após síntese dos fatos relacionados com a lide, acusa o Acórdão de prover decisão extra petita. Requer que seja sanado o defeito que contamina o acórdão embargado, isto é, para que seja apontada qual a peça processual em que o recorrente postulou a atualização do suposto crédito pela taxa SELIC.. São esses os fatos. Passo à análise dos pressupostos de admissibilidade do apelo. Nos termos do art. 65 do RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma, e poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada, no prazo de cinco dias contados da ciência do acórdão. Os autos digitais foram encaminhados à PGFN para ciência da decisão embargada, em 25/04/2013 (fls. Termo de Ciência). Assim sendo, considerandose o prazo estabelecido no § 3º do art. 7º da Portaria MF nº 527, de 9 de novembro de 2010, o recurso, apresentado em 25/04/2013 (cfe. RM nº 12873, fls. 332), é francamente tempestivo. A propósito dos vícios apontados, recorro à doutrina de Moacyr Amaral dos Santos2 (1998, p. 146 a 148) para lembrar que se dá omissão quando o julgado não se pronuncia sobre ponto, ou questão, suscitado pelas partes, ou que os julgadores deveriam pronunciarse de ofício. Humberto Theodoro Junior3 (2004, p. 560), a seu turno, leciona que os Embargos de Declaração têm como pressuposto de admissibilidade a existência de obscuridade, contradição ou omissão na sentença produzida. E que, em qualquer caso, a substância da sentença será mantida, uma vez que tais embargos não visam a reforma do acórdão ou da sentença. Admitese a hipótese de alguma alteração no conteúdo do julgado, sem, entretanto, ocasionar um novo julgamento da causa, haja vista não ser esta a função desse remédio recursal. A jurisprudência não destoa. O STJ já proclamou que os embargos de declaração constituem a via adequada para sanar omissões, contradições, obscuridades ou erros materiais do decisório embargado, admitida a atribuição de efeitos infringentes apenas quando esses vícios sejam de tal monta que a sua correção necessariamente infirme as premissas do julgado Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10380.720303/200834 Acórdão n.º 3401005.409 S3C4T1 Fl. 359 4 (EDcl no AgRg no EREsp nº 747.702/PR, Rel. Ministro MASSAMI UYEDA, Corte Especial , DJe de 20/9/2012). A existência dos vícios de obscuridade, contradição ou omissão, pressupostos dos aclaratórios, deve ser cabalmente demonstrada pela parte quando avia esse remédio recursal, oportunizando ao próprio órgão julgador suprir deficiência no julgamento da causa, sob pena de ofensa ao dever da entrega da prestação jurisdicional a que todo o Juiz está obrigado diante da indeclinável função de dizer o direito. (...) Omissão Compulsando o recurso voluntário, fls. 348 a 365, constato que o recorrente devolveu à instância recursal a discussão a respeito do direito ao crédito presumido do IPI sobre tos das fôrmas, matrizes e navalhas e a questão da inclusão da variação cambial nas receitas de exportação e da exclusão da receita bruta, para fins de cálculo do Crédito Presumido do IPI, dos valores oriundos das receitas de revenda de mercadorias no mercado interno. A decisão embargada, a seu turno, após tratar das matérias aventadas no recurso voluntário, abriu um capítulo específico para a taxa Selic, nos seguintes termos: (...) TAXA SELIC Quanto à parte que diz respeito à aplicação (ou não) de juros com base na taxa Selic sobre a parcela do ressarcimento deferido cabe dar provimento para admitir a aplicação da referida taxa a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento, haja vista o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça na sistemática de recurso repetitivo. Levando em conta o art. 62A do Anexo II do RICARF, acrescentado pela Portaria MF n° 586. de 21/12/2010. que dispõe o seguinte: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional. na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei n° 5.869. de 11 de janeiro de ¡973. Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1° Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2O sobrestamento de que trata o § Io será feito de oficio pelo relator ou por provocação das partes A corroborar a aplicação dos juros Selic sobre a Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10380.720303/200834 Acórdão n.º 3401005.409 S3C4T1 Fl. 360 5 parcela do ressarcimento deferida na origem, na esteira da interpretação do STJ, o Acórdão n° 9303 001471, da 3a Turma da CSRF, prolatado em 31/05/2011 à unanimidade e que negou provimento ao Recurso Especial n° 124456, do Procurador da Fazenda Nacional. Nesse julgado da CSRF o relator, ilustre Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, menciona o Recurso Especial n° 993164/MG, julgado pela Ia Seção do STJ na sessão de 13/12/2010, cuja ementa informa o seguinte: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE IO/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC INOCORRÊNCIA. I. O crédito presumido de IPI. instituído pela Lei 9.363/96. não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97. ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. Pelo exposto, dou provimento ao Recurso para determinar a restituição dos valores correspondentes aos cinco DARF acostados à fl. 33, podendo o crédito ser utilizado para compensar débitos da própria recorrente, vencidos ou vincendos. A propósito, consta do relatório da decisão embargada, que o recorrente teria feito pedido expresso de correção do ressarcimento. Confirase o Relatório, fls. 346: 3 Do Pedido Requer que seja dado provimento ao recurso, para o fim de determinar que seja homologado o restante do Crédito Presumido do IPI relativo ao 2o trimestre de 2003 aplicandose sobre a parcela ressarcida a taxa selic, a partir do protocolo do pedido. É o relatório Confirase agora o pedido formulado no recurso voluntário, fls. 365: Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10380.720303/200834 Acórdão n.º 3401005.409 S3C4T1 Fl. 361 6 3 DO PEDIDO Por todo o exposto, diante da efetiva demonstração da assertiva dos procedimentos da Recorrente, se requer que seja dado provimento ao presente recurso, para o fim de determinar que seja homologado o restante do Crédito Presumido do IPI, relativo ao 2o trimestre de 2003. Como se vê, ao contrário do que constou no relatório do Acórdão embargado, o recorrente não pleiteou a correção, e o Colegiado adentrou o mérito de matéria que não lhe fora devolvida, sem declinar razões pelas quais o fez. A omissão merece colmatação. Conclusão Com essas considerações, para os fins previstos no § 7° do art. 65 do RICARF, com a redação que lhe foi dada pela Portaria MF nº 39, de 12 de fevereiro de 2016, acolho os embargos interpostos. Considerando tratarse de conselheira que não integra o Colegiado embargado, incluase o presente processo em lote a ser sorteado no âmbito da 1ª Turma Ordinária 4ª Câmara 3ª Seção – CARF. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator De fato, a matéria devolvida ao conhecimento deste colegiado se limita à controvérsia respeitante ao direito ao crédito presumido do IPI sobre tos das fôrmas, matrizes e navalhas e a questão da inclusão da variação cambial nas receitas de exportação e da exclusão da receita bruta, para fins de cálculo do Crédito Presumido do IPI, dos valores oriundos das receitas de revenda de mercadorias no mercado interno. A decisão embargada, por seu turno, decidiu de ofício pela aplicabilidade da taxa Selic sobre a parcela do ressarcimento deferido a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento em razão da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça na sistemática de recurso repetitivo. Ocorre que, por um lado, não se está diante de matéria passível de cognição ex officio por parte do aplicador administrativo. Por outro lado, o precedente de matiz vinculante consistente no recurso representativo de controvérsia é de aplicação necessária Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10380.720303/200834 Acórdão n.º 3401005.409 S3C4T1 Fl. 362 7 apenas no caso de matéria devolvida ao conhecimento, e se observe que a decisão implica resolução de mérito. Uma vez que o aplicador se encontra coarctado pela matéria devolvida, in casu, pelo manejo do recurso voluntário competente, a disposição que extrapole as hipóteses cognoscíveis de ofício afronta o princípio da adstrição insculpido no art. 492 do Código de Processo Civil, corolário do contraditório e da ampla defesa. Em que pese a rica discussão respeitante à natureza da decisão extra petita (concessão diversa do pleiteado) e ultra petita (concessão para além do pleiteado) e, sobretudo, aquela concernente aos seus efeitos (nulidade ou inexistência), observese que, no âmbito do processo administrativo federal, diante do preceptivo normativo do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, reconhecese que tal interpretação autêntica ostenta ao menos o claro predicado da nulidade por se tratar de autoridade incompetente a turma julgadora ao decidir sobre matéria estranha à sua jurisdição. Logo, ainda que não se vislumbre omissão propriamente dita a ser colmatada, assiste razão à embargante, devendo ser expurgado o capítulo alienígena da decisão, bem como qualquer disposição sobre a aplicação da taxa Selic no acórdão embargado. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, acolher os embargos de declaração opostos com efeitos integrativoinfringentes. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 362DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.722476/2010-59
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. NATUREZA DO VÍCIO. VÍCIO FORMAL.
Auto de infração com insuficiência na indicação dos fundamentos legais da exigência está eivado de vício formal e não material, mormente quando o relatório fiscal descreve adequadamente a infração, com a devida fundamentação legal.
Numero da decisão: 9202-007.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. NATUREZA DO VÍCIO. VÍCIO FORMAL. Auto de infração com insuficiência na indicação dos fundamentos legais da exigência está eivado de vício formal e não material, mormente quando o relatório fiscal descreve adequadamente a infração, com a devida fundamentação legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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NULIDADE. NATUREZA DO VÍCIO. VÍCIO FORMAL. Auto de infração com insuficiência na indicação dos fundamentos legais da exigência está eivado de vício formal e não material, mormente quando o relatório fiscal descreve adequadamente a infração, com a devida fundamentação legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões do recurso voluntário. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 24 76 /2 01 0- 59 Fl. 343DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2403001.652, proferido na sessão de 16 de outubro de 2012, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1996 a 28/02/2001 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO ORIGINÁRIO POR VÍCIO MATERIAL. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º ou do art. 173, I do CTN, a depender da antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal; assim como quando o lançamento substituir um lançamento considerado nulo por vício material. Recurso Voluntário Provido A decisão foi assim registrada: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso em face de decadência por quaisquer dos critérios estabelecidos no CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Carolina Wanderley Landim. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Segundo o Relatório Fiscal (efls. 15 a 27) o lançamento objeto do processo destinase a formalização da exigência de “Contribuição Previdenciária DOS SEGURADOS QUE A EMPRESA DEVE RETER E RECOLHER AO INSS (Lei 8212/91 art 30 inciso I, letras “a” e “b”), devida por RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA e calculada por aferição indireta (...) na forma das legislações e normas instruídas no presente relatório fiscal”. E foi realizado com o objetivo de “restabelecer a exigência anulada por vício formal dos Lançamentos Fiscais constituídos pelas NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n° 35.067.6682 (levantamentos SC1 e SM1) e 35.067.6690 (levantamento SC2) conforme ementa da 4ª CAJ – CÂMARA DE JULGAMENTO/CRPS”, conforme ementa: “NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO LAVRADA COM FALTA DO TIPO DE DÉBITO, ACARRETANDO AUSÊNCIA DA FUNAMENTAÇÃO LEGAL NO RELATÓRIO FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO, ENSEJA A SUA NULIDADE, PELA IMPOSSIBILIDADE TÉCNICA DE SE EFETUAR A CORREÇÃO NO SISTEMA DE CADASTRAMENTO DE DÉBITO, CARACTERIZANDO SE VÍCIO FORMAL INSANÁVEL – LANÇAMENTO NULO.” O recurso visava rediscutir as seguintse matérias: a) Limites da coisa julgada – possibilidade de reapreciação pela Turma a quo da natureza do vício que anulou o lançamento anterior, p0ara fins de verificação da regra de contagem do prazo decadencial; Fl. 344DF CARF MF Processo nº 11080.722476/201059 Acórdão n.º 9202007.307 CSRFT2 Fl. 3 3 b) Natureza do vício que ensejou a nulidade do lançamento, para fins de definição da regra de contagem do prazo decadencial. Em exame preliminar de admissibilidade, o Presidente da Quarta Câmara, da Segunda Seção do CARF deu seguimento ao apelo da Fazenda Nacional penas em relação à matéria “b” Natureza do vício que ensejou a nulidade do lançamento, para fins de definição da regra de contagem do prazo decadencial. Essa decisão foi posteriormente ratificada, por meio do Despacho de reexame de efls. Em suas razões recursais, quanto à matéria que teve seguimento, a Fazenda Nacional aduz que o entendimento exarado pelo acórdão recorrido de que a falta de indicação da fundamentação legal do arbitramento enseja a anulação do lançamenti por vício material não merece prosperar, pois se trata de meroa irregularidade na exteriorização do lançamento; que da leitura do art. 142 do CTN e do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1.972 percebese que a indicação do fundamento legal do arbitramento constitui aspecto formal do lançamento; que à luz da doutrina, que cita, um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensável à existência do ato; que no caso sob análise, entendeuse que houve deficiência na indicação do fundamento legal do arbitramento; que a infração tributária, todavia, restou devidamente evidenciada nas NFLDS, que também se fizeram acompanhar dos devidos documentos comprobatórios dos fatos ali noticiados; que essa é a jurisprudência do CARF. Cientificado do Acórdão Recorrido, do Recurso Especial da Procuradoria e do Despacho que lhe deu seguimento em 21/07/2014 (AR, efls. 263 ) o Contribuinte apresentou, em 01/08/2014 (Carimbo, efls. 265), tempestivamente, as Contrarrazões de efls. 265 a 273 no qual aduz, em síntese que “um ponto intransponível a obstar o conhecimento do presente recurso é o fato de que o acórdão recorrido acolkheu a preliminar suscitada julgando procedente o recurso voluntário do contribuinte para aplicar a decadência total por qualquer critério do CTN”, nos termos do art. 67, § 2º do RICARF; que não restaram satisfeitos os pressupostos de admissibilidade; que, quanto ao mérito, aduz que a discussão sobre a contagem do prazo decadencial, embora relevante de maneira geral, não são essenciais ao deslinde da presente controvérsia, haja vista que o Recorrido não pode ser enquadrado como responsável solidário. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Não procedem as objeções levantadas pela Contribuinte nas suas contrarrazões, simplesmente porque não se aplica ao caso em apreço a restrição do § 2º, do art. 67 do RICARF. O referido dispositivo trata de decisão que anule decisão de primeira instância, o que não se tem neste caso. Aqui, a decisão cuja nulidade foi declarada é a de segunda instância. No mais, restaram efetivamente demonstradas as divergências apontadas do recurso. Fl. 345DF CARF MF 4 Quanto ao mérito, registrese, inicialmente, que a autuação objeto do processo se deu em razão de deliberação contida no Acórdão nº 748TCUPlenário, proferida no processo nº 019.636/20051, que determinou a revisão de ofício dos acórdãos que anularam os débitos previdenciários, e de que a Receita Federal deveria proceder às correções formais, restabelecendo a exigência e emitindo novo relatório de Fundamentos Legais do Débito ao Contribuinte, de modo a sanar o vício que motivou a nulidade apontada. Transcrevo, por pertinente à matéria ora em discussão, excertos do voto condutor do acórdão do nº 748TCUPlenário: Como se observa no Relatório que precede a este Voto, o processo em questão teve origem em denúncia versando sobre possíveis irregularidades ocorridas na anulação de diversas Notificações Fiscais de Lançamento de Débito NFLD, em todo o Brasil, pelo Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS. 2. Após ações de saneamento promovidas pela 4ª Secex, restou demonstrado que as anulações teriam ocorrido devido ao entendimento do CRPS de que faltou nas NFLD a indicação específica de normativo aplicável ao débito, prejudicando a ampla defesa do contribuinte. Baseouse, também, em dispositivo do Código Tributário Nacional CNT que impede o saneamento do débito após julgamento de primeira instância, razão pela qual mencionado Conselho teria concluído ser impossível salvar o débito, porque a falta cometida teria preterido o direito de defesa e comprometido a caracterização do fato gerador. [...] 5. Já o denunciante traz a tese de que tal razão não seria suficiente para anulação do lançamento, até porque os contribuintes sequer citam tal falta em seus recursos, e ainda, porque o artigo 33 da Lei 8.212/91 está indicado no relatório do fiscal e na capa do processo, só não havendo a indicação específica do § 3º (que diz que ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou a sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social INSS e o Departamento da Receita Federal DRF, podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário). Acrescenta ainda que a falta do dispositivo poderia ser reparada com o envio ao contribuinte de relatório aditivo informando sobre tal parágrafo. 6. Entendo ser razoável o posicionamento defendido pelo denunciante no parágrafo acima. De fato existem meios, inclusive previstos no regimento do Conselho, que permitem suprir a falta de indicação completa do fundamento legal do lançamento e com isso evitar anulações desnecessárias e prejudiciais à Previdência. Como visto, a existência do débito não foi contestada e nem questionada. A única falha existente nos lançamentos anulados era formal, não sendo, portanto, razoável a adoção da decisão pela simples anulação, enquanto cabível a opção pelo saneamento. 7. Da mesma forma foi inadequada a utilização do Código Tributário Nacional CTN (artigo 203 do CTN), pois o referido Fl. 346DF CARF MF Processo nº 11080.722476/201059 Acórdão n.º 9202007.307 CSRFT2 Fl. 4 5 dispositivo é aplicável à Dívida Ativa, isto é, a débitos em cobrança judicial, que não é o caso dos processos submetidos à apreciação do CRPS, que é instância administrativa. 8. Quanto à alegada impossibilidade de salvar o débito lançado, como visto, também não se sustenta. Nos casos em questão seria possível, sim, o saneamento dos processos, vez que não há vedação expressa ao encaminhamento posterior de relatório aditivo que indique termo faltante ao processo original. A anulação, nos termos das normas que regem o processo administrativo, somente se dá quando ocorre uma nulidade absoluta, a exemplo da lavratura de ato por pessoa incompetente, cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa, nãoobediência à forma prescrita em lei, mesmo assim nos casos em que o ato, se realizado de outro modo, não alcançar a finalidade, o que não ocorreu na hipótese ora em análise. [...] 18. Como visto na instrução à fl. 325, a unidade técnica propôs “que fosse determinado ao CRPS e à SRFB que, de modo a evitar a anulação definitiva dos débitos, com vistas a evitar prejuízos para a Administração, em respeito aos princípios constitucionais da eficiência, economicidade e legalidade, procedam, conjuntamente, ao saneamento dos processos listados nas fls. 71/102 e outros cujos débitos também tenham sido anulados pela falta do termo “§ 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91” no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD, mediante os seguintes procedimentos: a) O CRPS, utilizandose da prerrogativa do artigo 53, § 1º, do Regimento Interno, bem como dos artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72, recepcionado com força de lei, reverta as anulações e converta os processos em diligências; b) A SRFB proceda às correções formais quanto à inclusão do normativo aplicável e apresente novo relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD ao contribuinte, de modo a elidir a falha formal causa das anulações.” 19. Quanto à adequação da proposta, cabe inicialmente salientar que o CRPS é instância recursal administrativa, integrante da estrutura do Ministério da Previdência Social MPS, a qual compete decidir, em última instância, sobre recursos de interesse dos beneficiários e contribuintes do Regime Geral da Previdência Social. 20. Sendo órgão administrativo colegiado, suas deliberações são imputadas ao corpo deliberativo e não a cada qual de seus componentes. Suas decisões são terminativas na esfera administrativa. Apesar dessas características, não resta afastado o constitucional mister do TCU para exercer sobre o órgão a fiscalização de atos que envolvam recursos públicos federais ou qualquer procedimento que possa causar dano aos cofres públicos federais. Fl. 347DF CARF MF 6 21. Partindo da análise dos princípios constitucionais envolvidos, observase que compete ao Tribunal de Contas da União não somente a proteção do Erário por danos diretos ou indiretos. Competelhe, também, ainda que não isoladamente, a guarda dos princípios da legalidade, da legitimidade, da moralidade e da economicidade (art. 37, cabeça, c/c os arts. 70 e 71 da Constituição Federal). [...] 24. Ante essas considerações, entendo pertinente acolher a proposta da unidade técnica quanto à determinação a ser efetivada ao CRPS e à SRFB para que procedam, conjuntamente, ao saneamento dos processos listados nas fls. 71/102 e outros cujos débitos também tenham sido anulados pela falta do termo “§ 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91” no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD. 25. No entanto, entendo pertinente realizar pequeno ajuste no que tange aos fundamentos da deliberação, visto que não se sustenta a proposta para que o próprio órgão proceda a anulação utilizandose das prerrogativas previstas nos os artigos 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72, visto que as deliberações cuja anulação se pretende foram adotadas pelo colegiado administrativo competente por provocação da parte passiva no exercício do contraditório e ampla defesa (esfera recursal). 26. O mais razoável é a utilização da competência deste Tribunal para o exercício do controle administrativo da legalidade dos atos praticados pelo CRPS, visto que restou comprovado que houve ilegalidade e lesão à Administração, podendo, portanto, este Tribunal, no exercício de sua função corretiva, assinalar prazo para que o Conselho em questão adote as providências necessárias ao exato cumprimento da lei (art. 45 da Lei nº 8.443, de 16 de julho de 1992), revertendo as anulações efetivadas e convertendo os processos em diligências, utilizandose da prerrogativa do artigo 53, § 1º, do Regimento Interno daquele conselho. 27. Acolho, também, a proposta no sentido de que a Secretaria da Receita Federal do Brasil SRFB proceda às correções formais quanto à inclusão do normativo aplicável e apresente novo relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD ao contribuinte, de modo a elidir a falha formal causadora das anulações. Registrese, todavia, atendendo pedido de reconsideração interposto pelo Conselho de Recuros da Previdêrncia Social – CRPS, foi proferido pelo TCU o Acórdão nº 2474/2010, na sessão de 22/09/2010, com o seguinte teor: ACORDAM os Ministros do Tribunal de Contas da União, reunidos em Sessão Plenária, com fundamento no art. 48 da Lei n° 8.443/1992 e diante das razões expostas pelo relator, em: 9.1. conhecer do presente pedido de reexame para, no mérito, darlhe provimento, de modo a tornar insubsistentes os subitens 9.2, 9.3 e 9.5 do Acórdão nº 748/2008TCUPlenário; Fl. 348DF CARF MF Processo nº 11080.722476/201059 Acórdão n.º 9202007.307 CSRFT2 Fl. 5 7 9.2. manter em seus exatos termos os demais itens da deliberação recorrida; 9.3. dar ciência do inteiro teor deste acórdão, acompanhado do relatório e do voto que o fundamentam, ao recorrente e à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Eis os itens tornados insubsistentes pela decisão: “9.1. conhecer da denúncia, uma vez que atende aos requisitos de admissibilidade previstos no art. 235 do Regimento Interno do TCU; 9.2. com fundamento no art. 71, inciso IX, da Constituição Federal e art. 45 da Lei nº 8.443, de 16 de julho de 1992, fixar o prazo de 90 (noventa) dias para que o Conselho de Recursos da Previdência Social e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, em respeito aos princípios constitucionais da eficiência, economicidade e legalidade, procedam, conjuntamente, ao saneamento dos processos listados no Anexo 1 deste Acórdão e outros processos cujos débitos também tenham sido anulados pela falta do termo ‘§ 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91’, utilizandose da prerrogativa do artigo 53, § 1º, do Regimento Interno do CRPS; 9.5. determinar ao Ministério da Previdência Social a abertura de procedimento administrativo visando a apurar responsabilidades pela anulação indevida dos débitos apontados neste processo; No pedido de Reconsideração do CRPS alegou, dentre outras razões, o seguinte: 5.14. As causas que comprometem a validade do lançamento não são exclusivamente as indicadas no art. 59 do Decreto 70.235/72, segundo declarado pelo Manual do Contencioso e consoante algumas decisões do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda (fls. 76/78, anexo 4). A doutrina também entende que deva ser decretada a nulidade do lançamento quando ausentes os seus pressupostos de validade. A jurisprudência judicial igualmente oferece proteção ao entendimento adotado pelo CRPS, declarando a nulidade de CDAs desprovidas dos requisitos de validade, um dos quais o fundamento legal. 5.15. As decisões do CRPS não feriram o princípio da legalidade nem acarretaram prejuízo ao erário. Se o Relatório de Fundamento Legal é o elemento que “alimenta” a CDA, no que concerne aos fundamentos legais da notificação, então a ausência de um dispositivo essencial no relatório viciaria a CDA. A unidade julgadora, buscando evitar custos desnecessários a título de sucumbência judicial, decidiu anular os lançamentos. 5.16. Não houve prejuízo ao erário, pois a maioria das notificações já foram refeitas, sendo certo que o tempo Fl. 349DF CARF MF 8 dispensado nessas novas ações fiscais é mínimo, haja vista todos os dados já estarem armazenados, bastando, apenas, a inclusão do fundamento legal correto. 5.17. As decisões de nulidade por vício interrompem o prazo decadencial, conforme preceitua o art. 45, II, da Lei 8.212/91. Assim, o fisco detém novo prazo decadencial para lavrar nova notificação fiscal corrigindo o equívoco incorrido no lançamento original. 5.18. A maioria dos processos já foi refeita ou não pode ser refeita, pelo fato de alguns deles estarem enquadrados em impedimentos, como é o caso da não caracterização de solidariedade decidida pelo Parecer AGU 055/2006. 5.19. Como grande parte das notificações anuladas já foi substituída por novos lançamentos com a devida correção do vício formal, na hipótese de haver o “saneamento” dos lançamentos originários, tramitarão dois processos distintos para o mesmo fato gerador, o que é repudiado pelo ordenamento jurídico pátrio. 5.20. Ainda que as decisões da unidade julgadora não retratassem a melhor interpretação jurídica a respeito do assunto, esgotada a instância administrativa, o acórdão deveria ter sido cumprido pelo INSS/SRP, a teor do art. 57 do Regimento Interno do CRPS (Portaria MPS 88/2004) e do art. 308, § 2º, do Decreto 3.048/99. O cumprimento das decisões do CRPS, imediatamente e em todos os casos mencionados no acórdão recorrido, evitaria qualquer eventual imputação de dano. Por sua vez, em sua razões de decidir o Relator aduz o seguinte: 10. Quanto ao mérito da matéria de fundo em si, assiste razão ao CRPS, pois, conforme apropriadamente aponta a Serur, embora as decisões que deram ensejo ao Acórdão ora combatido, não representarem, a priori, a “melhor solução jurídica”, não foram frontalmente ilegais, vez que tomadas nos limites interpretativos permitidos pelos normativos então vigentes. [...] 15. Contudo, como afirma a Serur, “(...) a pacificação do assunto após a Consulta 696 (1ª instância) e o Enunciado 29 (2ª instância) não significa que tenham sido ilegais as decisões anteriores que manifestaram entendimento diverso” pois, ao anularem os lançamentos questionados por esta Corte, os Conselheiros do CRPS observaram, a rigor, o que prescreve o art. 202, inciso III, do Código Tributário Nacional, o qual determina que a Certidão de Dívida Ativa contenha a disposição de lei que fundamente o crédito tributário. 16. Assim, considerando a limitação do sistema informatizado, que não permitia lançar o citado fundamento legal (§ 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/1991), não seria possível emitir uma CDA livre de vício, que a macularia no âmbito judicial. Ademais, embora esse vício pudesse ser sanado até o julgamento de 1ª instância na esfera judicial (art. 203 do CTN), entendo, assim como a Serur, ser razoável tomar providências para corrigilo Fl. 350DF CARF MF Processo nº 11080.722476/201059 Acórdão n.º 9202007.307 CSRFT2 Fl. 6 9 ainda na esfera administrativa, para evitar a dependência da Procuradoria Federal. 17. Demais disso, vejo que, para demonstrar o quanto a matéria em exame era controversa – tanto que originou a mencionada Consulta 696 e o referido Enunciado 29, o que, per si, já é razão suficiente para dar provimento ao presente recurso –,o recorrente apresenta em seu pedido de reexame lançamentos tributários idênticos aos ora questionados, não só no âmbito do CRPS, mas também na 1ª instância do fisco previdenciário, conforme demonstram algumas DecisõesNotificações anexadas às fls. 37/52 e 59/63, anexo 4. Ante o exposto, acompanhando a manifestação da Secretaria de Recursos, VOTO por que este e. Tribunal Pleno aprove o Acórdão que ora submeto à sua consideração. Enfim, o que se tem configurado é que o CRPS declarou a nulidade de autuações por vicio formal insanável em razão de incompletude na fundamentação legal da autuação, mais esecificamente pela ausência na fundmentação legal da exigência da menção ao § 3º do art. 33, da Lei nº 8.212, de 1991; que o TCU, embora tenha acolhido inicialmente a denúncia de irregularidade dos Acórdãos nºs 2.338/2005 e 2.339/2005, que declararam a nulidade dos lançamento e determinado sua reparação, acolheu posteriormente pedido de reconsideração da CRPS sob o fundamento de que o procedimento daquele Colegiado tinha amparo nas normas que disciplinavam o processo administrativo e de que providências já haviam sido tomadas para a recomposição da exigência das contribuições. Cumprenos, portanto, considerado o quadro descrito acima, e ultrapassada a questão dos efeitos da coisa julgada administrativa matéria que não teve seguimento decidir se o vício que ensejou a declaração da nulidade dos lançamentos originais pelo CRPS era formal ou material. Entendeu o Recorrido que se trata de vício material, pois “os lançamentos originários ocorreram sem a devida fundamentalção legal, não atendendo, por conseguinte, a legislação tributária, inclusive o direito de dfesa da Recorrente”, e que a fiscalização não informou ao contribuinte a fundamentação legal para embasar o arbitramento”. Ora, que há uma irregularidade no lançamento, caracterizada pela imprecisão/insuficiência na fundamentação legal da exigência é fato incontroverso e o acórdão que declarou originalmente a nulidde do lançamento o fez em razão deste. O que se discute é se esse defeito configura vício formal ou material. O acórdão do antigo CSRF declarou a nulidade por vício formal, conforme consta de sua ementa e posteriormente corroborado pela manifestação apresentada perante o Tribunal de Contas da União. Conforme extensamente referido, o vício consiste na ausência, na fundamentação legal da autuação, da referência ao § 3º do art. 33, da Lei nº 8.212, de 1991, que na redação em vigor à época previa o seguinte: Art. 33 [...] § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de Fl. 351DF CARF MF 10 ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Ocorre que, se é certo que se o referido dispositivo não foi mencionado na espeficiameção dos dispositivos legais que fundamentaram a autuação, o foi na descrição dos procedimentos adotados pela fiscalização. Confirase: DA SITUAÇÃO ENCONTRADA E DOS PROCEDIMENTOS ADOTADOS 5. Relacionamse abaixo, por levantamento fiscal específico, a situação e os procedimentos adotados: I ( ... )* II – Levantamento: “SC1 – SOLIDA. CONST. CIVIL ANTES 1999”: Foi solicitada pela Auditoria Fiscal a relação de contratos de obras de construção civil realizados pelo Banco do Brasil a partir de MAIO de 1995, assim como os respectivos processos físicos. Em resposta ao pedido, a Instituição Financeira informou que os dados referentes aos contratos de construção/reforma/acréscimo, bem como as respectivas parcelas de pagamento, notas fiscais/faturas/recibos, são cadastrados no sistema informatizado SISPAG, fato comprovado pela Auditoria Fiscal através da confrontação das informações contidas no SISPAG com a documentação física dos processos. Nesse contexto, utilizaramse as informações contidas nesse sistema subsidiariamente nos casos de apresentação deficiente dos documentos solicitados, conforme determina o §3o, do art.33, da Lei no 8.212/91. (destaquei) Não é certo, portanto, afirmar que o procedimento adotado pela fiscalização não se baseou em fundamento legal ou sequer que os autuados não foram informados desse fundamento. Houve sim, falha na reprodução desse dispositivo legais, como se fez com outros dispositivos legais, no capítulo opróprio da fundamentação legal. Tratase, sem dúvida, de vício de natureza formal, pois localizado na exteriorização do ato, no substrato do instrumento de autuação, na sua forma, enfim. Também não se cogita de cerceamento de direito de defesa, posto que os autuados foram plenamente cientificados do procedimentos adotado e de seus fundamentos e tanto é assim que a contribuinte pode exercitar o contraditório com desenvoltura. E não é desprezível o fato de que, em momento algum, a contribuinte arguido cerceamento de direito de defesa ou mesmo dificuldade no exercício desse direito em razão desse defeito do instrumento de autuação. Pareceme, pois, inadequado o acórdão recorrido invocar cerceamento de dreito de defesa quando a própria parte não denunciou o prejuízo ao exercício desse direito. Ao contrário, demonstra conhecer os fundamentos da autuação e exerce plenamente o direito ao contraditório. Ante o exposto, conheço do reurso e, no mérito, doulhe provimento para afastar a decadência declarada pelo acórdão recorrido, devendoo processo retornar à instância a quo par analise do mérito. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 11080.722476/201059 Acórdão n.º 9202007.307 CSRFT2 Fl. 7 11 Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 353DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.679823/2011-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 14/11/2006
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Numero da decisão: 3302-005.974
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e José Renato Pereira de Deus, que davam provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 14/11/2006 ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). IMPOSSIBILIDADE. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado) e José Renato Pereira de Deus, que davam provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 23 /2 01 1- 19 Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10880.679823/201119 Acórdão n.º 3302005.974 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição (PER) da contribuição (PIS/Cofins), em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou que o direito creditório decorria do pagamento a maior da contribuição, dada a inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 09061.731, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando ser incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS ou da Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário, o que não consta ser o caso da interessada. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, especialmente o novel posicionamento do STF no sentido de declarar a inconstitucionalidade da manutenção do ICMS na base de cálculo das contribuições. É o relatório. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10880.679823/201119 Acórdão n.º 3302005.974 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302005.969, de 26/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.679818/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302005.969): O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, se reveste dos demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação de regência e a matéria é de competência deste Colegiado. A presente discussão jurídica gravita exclusivamente em torno da possibilidade jurídica de se computar, na base de cálculo do PIS e da COFINS, o ICMS incidente sobre as mercadorias vendidas ou dos serviços prestados. A recorrente insurgese contra a inclusão do ICMS no faturamento, base de cálculo das contribuições exigidas, no caso específico Cofins e PIS, argüindo ser inconstitucional sua cobrança. Ressalta que o parágrafo primeiro do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, norma conhecida como alargamento da base de cálculo dessas contribuições, foi reconhecida como inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Assim concluindo ser inconstitucional a cobrança da Cofins e do PIS sobre os valores indevidos na base de cálculo do faturamento, mais precisamente do ICMS. Argumenta que o valor do ICMS não revela medida de riqueza. Em razão da similitude com o presente caso concreto, adoto as razões de decidir da I. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302 004.158), que também foi adotado pelo I. Conselheiro Walker Araújo, processo administrativo nº 13609.000892/200998 (acórdão 3302005.708), que peço venia para transcrever: "II Mérito II.3 ICMS/ISSQN na base de cálculo do PIS/COFINS Conforme relatado anteriormente, alega a Recorrente que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins, em razão da inclusão do ICMS/ISSQN na base de cálculo das contribuições. Cita e pede aplicação do RE 240.7852/MS. Para dirimir a controvérsia sobre a inclusão ou não do ICMS/ISSQN na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS e afastar a aplicação da decisão proferida pela Suprema Corte ao presente caso, empresto as razões de decidir da i. Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, nos autos do processo administrativo nº 10283.902818/201235 (acórdão 3302004.158): Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10880.679823/201119 Acórdão n.º 3302005.974 S3C3T2 Fl. 5 4 A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1144469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10880.679823/201119 Acórdão n.º 3302005.974 S3C3T2 Fl. 6 5 empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da nãocumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃOAPLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10880.679823/201119 Acórdão n.º 3302005.974 S3C3T2 Fl. 7 6 Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10880.679823/201119 Acórdão n.º 3302005.974 S3C3T2 Fl. 8 7 julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento ficam, desde já, encontramse fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. Aplicase ao ISSQN, os mesmos fundamentos explicitados pelo Superior Tribunal de Justiça para manter o ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, considerando, inclusive, que o RESP 1.144.469/PR tratou dos referidos impostos. III. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Assim, pelas já esposadas razões, voto por negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.900105/2008-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPENSAÇÃO.
A compensação de créditos tributários só é autorizada legalmente para créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.
Numero da decisão: 1001-001.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPENSAÇÃO. A compensação de créditos tributários só é autorizada legalmente para créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. COMPENSAÇÃO. A compensação de créditos tributários só é autorizada legalmente para créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de Declaração de Compensação 24328.24080.141103.1.3.020196 e 25442.26635.151203.1.3.027854, (efl. 02/12), data de transmissão 14/11/2003 e 15/12/2003, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 01 05 /2 00 8- 11 Fl. 125DF CARF MF 2 através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com Crédito de Saldo Negativo de IRPJ de R$ 15.021,82 do Período de Apuração 3° Trimestre / 2003. O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório 754360709 (efl. 13), de 20/03/2008, que analisou as informações e não reconheceu o direito creditório justificando "Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não foi apurado saldo negativo, uma vez que, na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), correspondente ao período de apuração do crédito informado no PER/DCGP, consta imposto a pagar: Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito = R$ l5.02l,82; Valor do imposto a pagar na DIPJ = R3 43.926,60". A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em que alegou que possui crédito de IRRF, de código de receita 8045, referente a “Outros Rendimentos”, no valor de R$ 15.021,82. Em resumo do acórdão recorrido (efls. 58/59): A manifestação de inconformidade, protocolizada em 29/04/2008 (fl. 18), foi apresentada por meio de sócio procurador (fls. 18 a 31), acostando elementos de fls. 32 a 35, e alegando, em resumo, que possui crédito de IRRF, de código de receita 8045, referente a “Outros Rendimentos”, no valor de R$ 15.021,82, que “por motivos administrativos não foram compensados com o IRPJ apurado neste mesmo trimestre, como seria de praxe, e sim compensados com o PIS e a COFINS, conforme informado nos PER/DCOMP ...” (sic) É o relatório. A manifestação de inconformidade foi analisada pela Delegacia de Julgamento (Acórdão 1627.221 4ª Turma da DRJ/SP1, efls. 58/60). A decisão de primeira instância entendeu que o interessado não poderia pretender compensar o IRRF com PIS e COFINS, mas, sim, saldo negativo apurado na DIPJ (pois foi este o crédito informado nas PERDCOMPs). Além disso a DIPJ do período (3° trimestre do anocalendário de 2003) informou imposto de renda a pagar, e não saldo negativo de IRPJ. Cientificada da decisão de primeira instância em 24/11/2010 (efl. 64) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 10/12/2010 (efl. 67), em que repete os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, sustentando que tinha crédito não informado em DIPJ, e que solicita a retificação desta declaração nos termos daquele Recurso. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. A Recorrente alega que incorreu em erro na prestação de informações na DIPJ que demonstraria o crédito requerido por meio das PER/DCOMPs listadas. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96), fazendose necessário comprovar a exatidão das informações referentes ao crédito alegado (na PERDCOMP em questão) e confrontar com análise da situação fática, de Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10880.900105/200811 Acórdão n.º 1001001.030 S1C0T1 Fl. 126 3 modo a se conhecer qual o tributo devido no período de apuração e comparálo ao pagamento declarado e comprovado. Desta forma, concordo com o asseverado na decisão de primeira instância de que o interessado não poderia pretender compensar o IRRF com PIS e COFINS, se informou em PERDCOMP que o crédito adviria de saldo negativo apurado na DIPJ. Como a DIPJ do período (3° trimestre do anocalendário de 2003) informou imposto de renda a pagar, e não saldo negativo de IRPJ, não há crédito a ser restituído e compensado. Ou seja, no caso presente pretendeuse modificar as características do tributo que geraria o crédito a ser restituído/compensado. Mas a retificação nesta condição é vedada pela legislação. Cabe destacar que depois de proferida a decisão administrativa não se admite a retificação da declaração de compensação, conforme disposto no art. 77 da IN RFB n° 900, de 30/12/2008, in verbis: Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13433.720277/2010-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
CRÉDITO PRESUMIDO NA EXPORTAÇÃO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL (N/T). PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
De acordo com a Súmula CARF nº 124, a produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não-tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996.
Numero da decisão: 3201-004.361
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO NA EXPORTAÇÃO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL (N/T). PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a Súmula CARF nº 124, a produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não-tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
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CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTO N/T. Recorrente A FERREIRA INDÚSTRIA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO NA EXPORTAÇÃO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL (N/T). PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a Súmula CARF nº 124, a produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 72 02 77 /2 01 0- 94 Fl. 179DF CARF MF Processo nº 13433.720277/201094 Acórdão n.º 3201004.361 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face de decisão proferida pela DRJ/ Ribeirão Preto, que manteve o Despacho Decisório da DRF/Mossoró/RN e, consequentemente, não reconheceu o direito ao crédito presumido do IPI pleiteado. Como é de costume desta Turma de julgamento, transcrevese o relatório do Acórdão de primeira instância, para apreciação: "Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela requerente, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil que indeferiu o pedido de ressarcimento de créditos do IPI e não homologou as compensações declaradas. A empresa em epígrafe peticionou ressarcimento de crédito presumido do IPI, de que trata a Lei n° 9.363/96, (...), a serem compensados com débitos contidos nos Per/Dcomp relacionados no processo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil indeferiu o ressarcimento, considerando o fato de que a empresa produz e exporta castanha de caju sem casca, produto classificado na TIPI com NCM 0801.32.00, como não tributado (NT). Explicitou que mesmo havendo um EX tarifário com alíquota zero (0%) de IPI, este somente poderia ser aplicado quando o produto fosse acondicionado em embalagens de apresentação, que não é o caso dos produtos exportados pela manifestante, por se encontrarem embalados em caixas para transporte. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, encaminhada pelo órgão de origem como tempestiva, na qual alegou, em suma, que a exportação do produto industrializado, ainda que sob a rubrica NT, foi examinada em Recurso Repetitivo, em vista do que pedese que o mesmo entendimento seja "reproduzido neste processo", na forma do art 62 A do Regimento do “CARF”, porque, em matéria infraconstitucional, o RR do Superior Tribunal de Justiça constitui a última palavra no ordenamento jurídico do Brasil. Por outra, informa que o CARF afastou, por unanimidade, qualquer restrição ao produto NT. Solicitou também que fosse reconhecido, porque assim também foi decidido no Recurso Repetitivo, o direito à correção do crédito pelaTaxa Selic." O Acórdão nº 14043.634, da DRJ/Ribeirão Preto, possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 13433.720277/201094 Acórdão n.º 3201004.361 S3C2T1 Fl. 4 3 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional (CTN). DECISÕES PROFERIDAS PELO STJ EM RECURSO REPETITIVO. APLICABILIDADE. MESMO OBJETO. A controvérsia submetida ao rito do artigo 543C, do CPC, cingese sobre a legalidade da Instrução Normativa 23/97 que restringiu o direito ao crédito presumido do IPI às pessoas jurídicas efetivamente sujeitas à incidência da contribuição destinada ao PIS/PASEP e da COFINS, à luz do disposto na Lei n° 9.363/96 e não ao Direito ao crédito presumido nas operações de exportação de produtos Não Tributados NT. Não possuindo o mesmo objeto, não pode ser aplicada ao caso concreto. CRÉDITO PRESUMIDO NA EXPORTAÇÃO. PRODUTO NÃO TRIBUTÁVEL (N/T). A castanha de caju sem casca, quando não acondicionada em embalagem de apresentação, é classificada na TIPI, no código NCM 0801.32.00, com a notação “NT”, correspondente a produto nãotributável. Nesse caso, em vista de que a exportação de produto classificado como nãotributável pela legislação do IPI não dá direito a crédito presumido do imposto, não se confirma o direito creditório pleiteado. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Em seguida, os autos foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 13433.720277/201094 Acórdão n.º 3201004.361 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.356, de 24/10/2018, proferido no julgamento do processo 13433.720230/201021, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.356): "Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais conforme Regimento Interno deste Conselho e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Pessoalmente entendo que é possível o creditamento nas operações do contribuinte, contudo, a matéria possui a recente Súmula n.º 124, que deve ser aplicada ao presente litígio administrativo fiscal, por ser obrigatória, em acordo com o regimento interno deste Conselho: "Súmula CARF nº 124 A produção e a exportação de produtos classificados na Tabela de Incidência do IPI (TIPI) como "não tributados" não geram direito ao crédito presumido de IPI de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363, de 1996." Não reconhecido o crédito, resta prejudicado o argumento do contribuinte a respeito da aplicação da taxa Selic. Diante do exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 182DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.722790/2017-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014
IPI. REGIME ESPECIAL ART. 56 DA MP Nº 2.158-35/2001. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE
O valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, exigência esta que não está contida na legislação sob análise, que exige expressamente que os valores de frete "sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos".
Numero da decisão: 3201-004.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014 IPI. REGIME ESPECIAL ART. 56 DA MP Nº 2.158-35/2001. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE O valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, exigência esta que não está contida na legislação sob análise, que exige expressamente que os valores de frete "sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos".
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REGIME ESPECIAL ART. 56 DA MP Nº 2.15835/2001. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE O valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, exigência esta que não está contida na legislação sob análise, que exige expressamente que os valores de frete "sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 27 90 /2 01 7- 04 Fl. 319DF CARF MF Processo nº 11065.722790/201704 Acórdão n.º 3201004.268 S3C2T1 Fl. 320 2 Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em sede de Recurso Especial, o qual está consignado nos seguintes termos: "Tratase de exigência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), formalizada no auto de infração de fls. 201/209, lavrado em 13/09/2017 pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo, com ciência da contribuinte em 21/09/2017, totalizando o crédito tributário de R$ 73.523.828,60. Segundo a descrição dos fatos de fl. 202 e o relatório fiscal de fls. 214/228, houve recolhimento a menor de IPI, no período de janeiro de 2013 a dezembro de 2014, por ter o estabelecimento escriturado indevidamente o crédito presumido de IPI sobre frete, previsto no art. 56 da MP nº 2.15835/2001, já que, conforme descrito, a autuada não teria cumprido as condições previstas na legislação para fazer jus ao benefício, pois não informou o valor do frete nas notas fiscais eletrônicas de vendas do produto e não comprovou que os fretes foram cobrados juntamente com o preço dos produtos vendidos, evitando assim a incidência do IPI sobre esse valor. Inconformada com a autuação, a contribuinte protocolizou impugnação de fls. 239/263, aduzindo em sua defesa as seguintes razões: a legislação não condiciona o aproveitamento do crédito presumido ao destaque do frete na nota fiscal de saída, exigindo apenas que ele tenha composto o preço da mercadoria; uma vez demonstrado que a mercadoria foi vendida pelo seu valor CIF, há uma presunção de que o frete foi suportado pelo alienante, compôs o preço da mercadoria e consequentemente a base de cálculo do IPI, independentemente de não haver destaque na nota de saída; há diversas manifestações das autoridades fiscais, inclusive em acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no sentido de que a exigência da indicação do valor do frete em nota fiscal só se aplica aos casos em que sua cobrança ocorrer em separado na mercadoria; a fim de afastar quaisquer dúvidas relacionadas à adição do frete ao preço das mercadorias, a impugnante reitera ter apresentado, no curso da ação fiscal, a documentação que demonstra que suportou economicamente o seu ônus e que a parcela, por conseguinte, integrou o preço de venda de seus veículos; procedeu todos os lançamentos contábeis requisitados nas vendas com cláusulas CIF, ficando comprovado que o valor do frete, por tratarse de despesa de venda e paga com a receita Fl. 320DF CARF MF Processo nº 11065.722790/201704 Acórdão n.º 3201004.268 S3C2T1 Fl. 321 3 obtida com a venda do veículo ao adquirente, está embutido no preço do veículo vendido; cumpridos os requisitos exigidos pelo art. 56 da MP 2.158 35/2001, deve ser reconhecida a improcedência das glosas perpetradas pela fiscalização. Por fim, protesta por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente a realização de diligência e a juntada de laudo comprovando a composição do preço dos veículos vendidos, dentre outros documentos." A decisão recorrida julgou improcedente a Impugnação e apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI SOBRE O FRETE. O direito ao crédito presumido de IPI relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte, previsto na MP nº 2.15835/2001, está condicionado à comprovação de que o frete foi efetivamente cobrado juntamente com o preço dos produtos vendidos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) o regime especial de concessão de crédito presumido de IPI sobre fretes foi introduzido pelo art. 56 da MP nº 2.15835/2001; (ii) posteriormente, houve a edição da Instrução Normativa (IN) nº 91/2001, que regulamentou os procedimentos para adesão ao regime; (iii) a Instrução Normativa (IN) nº 91/2001 não menciona os requisitos previstos no inciso II do § 1º do art. 56 da MP 2.15835/2001, mas apenas estabelece que as saídas dos produtos objeto do regime devem ser feitas com cláusula C&F; (iv) segundo a Resolução CAMEX nº 21, de 07/04/2011, as cláusulas C&F são aquelas em que o vendedor assume o risco e se responsabiliza por contratar e pagar o frete para transportar o produto vendido até o local do destinatário, ficando tais despesas embutidas no preço da mercadoria vendida; (v) ao prescrever que as operações de saída devem ser realizadas com cláusula C&F, a Instrução Normativa abarcou, em uma única frase, todos os requisitos Fl. 321DF CARF MF Processo nº 11065.722790/201704 Acórdão n.º 3201004.268 S3C2T1 Fl. 322 4 previstos nas alíneas do inciso II do art. 56 da MP nº 2.158/35/2001, já que todos eles estão incluídos nas condições da cláusula C&F; (vi) é possível separar as condições impostas pela legislação para fruição do crédito presumido de IPI de 3% nos seguintes itens: (a) ser estabelecimento industrial ou equiparado de produtos classificados nos Códigos 8433.53.00, 8433.59.1, 8701.10.00, 8701.30.00, 8701.90.00, 8702.10.00 Ex01, 8702.90.90 Ex01, 8703, 8704.2, 8704.3 e 8706.00.20 da TIPI; (b) apresentar, anualmente, Termo de Adesão à Delegacia ou Inspetoria da receita Federal da jurisdição do estabelecimento; (c) realizar as operações de saída com cláusula CIF, de Custo e Frete, i.e., se responsabilizar diretamente pela contratação do serviço de transporte dos produtos do seu estabelecimento ao adquirente, incluindo no preço da mercadoria o valor do frete; (d) informar o valor do crédito no campo “Informações Complementares” do Livro de Apuração do IPI, modelo 8 e deduzido do "Valor do IPI", com a discriminação "Crédito Instituído pelo Art. 56 da Medida Provisória No 2.15835, de 2001; (vii) a legislação não faz qualquer referência a respeito da necessidade de segregação do valor do frete do preço do produto na nota fiscal; (viii) não há qualquer dispositivo que condiciona a fruição do crédito presumido ao fato do valor do frete ser considerado base de cálculo apartada do IPI; (ix) cita a Solução de Consulta nº 17, de 26 de janeiro de 2012; (x) em relação às saídas de produto 87.03 no regime especial em questão, o frete deve ser exigido juntamente do preço da mercadoria, não se aplicando o disposto no art. 413, inciso V do RIPI/2010; (xi) não é aplicável o § 2º do art. 13 da Lei nº 6.729/79, na medida em que esta Lei regulamenta a relação jurídica entre fábrica e concessionária de veículos, não tratando do regime especial de crédito presumido de IPI, que foi instituído mais de dez anos depois pela MP nº 2.15835/2001, e é regulamentado especificamente por esta; (xii) o entendimento de que o art. 56 da MP nº 2.15835/2001 não impõe o destaque do frete no documento fiscal é o que vem sendo adotado pelo Conselho Administrativo de Recurso Fiscais (CARF), em casos idênticos; (xiii) foram apresentadas informações por amostragem e dos lançamentos contábeis apresentados, verificouse que (i) o valor integral da Nota Fiscal nº 794.163 foi lançado na conta de ativo “contas a Receber de Concessionárias”; e (ii) que o valor do serviço de transporte contratado foi reconhecido como despesa de venda, após a exclusão dos impostos recuperáveis, por meio do lançamento da fatura emitida pela transportadora em 12/12/2014, em conjunto com outros Cte.; (xiv) O Sr. AFRFB não refuta o fato de a Recorrente ser a contratante do serviço de transporte. Por outro lado, alega que não haveria comprovação de que o valor do Fl. 322DF CARF MF Processo nº 11065.722790/201704 Acórdão n.º 3201004.268 S3C2T1 Fl. 323 5 frete estaria incluído no preço, pelo fato do seu valor (R$ 388,01) não ter sido adicionado ao lançamento em “contas a Receber de Concessionárias”; (xv) para a d. fiscalização e para a r. decisão recorrida, a Recorrente deveria ter registrado no “contas a receber de concessionárias” o valor de R$ 55.386,80, equivalente a R$ 55.006,80 (valor da nota fiscal) somado a R$ 380,00 (valor do frete no conhecimento de transporte; (xvi) nesse tipo de operação, como o vendedor assume o ônus de contratar e arcar com o frete, o valor dessa despesa é incluído no preço do produto ao adquirente. Por conseguinte, a quantia a ser recebida pelo vendedor, e a ser lançada na conta contábil “contas a receber”, é aquela constante na nota fiscal de saída, a qual já engloba o custo do transporte, não havendo que se falar em valores adicionais; (xvii) a despesa com frete, por sua vez, será paga com a receita obtida pelo vendedor com a venda do veículo ao adquirente. Sendo assim, para comprovar que estes valores compuseram o preço da mercadoria, basta a demonstração do reconhecimento do valor do serviço de transporte no resultado do vendedor, como despesa de venda, o que foi devidamente feito pela Recorrente; e (xviii) ao contrário do que alega a D. Fiscalização, verificase que a Recorrente procedeu todos os lançamentos contábeis requisitados nas vendas com cláusulas CIF, ficando comprovado que o valor do frete, por tratarse de despesa de venda, está embutido no preço do veículo vendido. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator A decisão recorrida julgou improcedente a Impugnação sob o pressuposto de que a Recorrente não destacou em suas notas fiscais de saída o valor correspondente ao frete e que tal procedimento não seria possível. Vejamos o excerto do julgado: "No caso concreto, o sujeito passivo deixou de destacar em suas notas fiscais de saída o valor correspondente ao frete, sustentando, porém, que tal valor é cobrado juntamente com o preço final dos veículos. Aduz que a legislação condiciona o regime especial à cobrança do frete juntamente com o preço do produto, não exigindo o destaque do valor do frete no campo próprio das notas fiscais. Não me parece ser essa a correta interpretação da norma legal. Acatar o entendimento da recorrente seria admitir que a alínea “b” do inciso II, que exige a cobrança conjunta do frete, é absolutamente inútil, pois segundo a tese defendida, o valor do Fl. 323DF CARF MF Processo nº 11065.722790/201704 Acórdão n.º 3201004.268 S3C2T1 Fl. 324 6 frete está sempre inserido na composição do preço, e também, é sempre cobrado com o valor do produto." E prossegue: "Tenho, pois, que a ausência de destaque do frete na respectiva nota fiscal, na forma regulamentar, obsta, por si só, a pretensão do sujeito passivo. Notese, nesse sentido, que a despesa de frete apresenta a natureza específica de pagamento pela contratação de um meio de transporte para a movimentação externa de bens. Por decorrência, o conceito de frete não alcança despesas que exibam natureza nitidamente diversa e representem e recebam o tratamento de custo geral da produção. Porém, as alegações constantes da impugnação objeto de cognição advogam a tese de que na composição do preço de venda dos respectivos produtos está incluído o frete e, por isso, restariam atendidas as condições necessárias à escrituração do crédito presumido em comento. Em outros dizeres, como todas as despesas encontramse incluídas na formação do preço de venda, então, no preço cobrado, também se encontram inseridas tais despesas, dentre as quais o valor do frete contratado. Ocorre que ao optar por, supostamente, levar as despesas de transporte à composição do preço de venda dos produtos em tela, o sujeito passivo deu a tais dispêndios a natureza de custo da produção, deixando de lhes aplicar o tratamento de frete. Em tal hipótese, o valor do transporte não necessita, de fato, ser destacado em nota fiscal, uma vez que integraria o “preço do produto”, mas também perde a natureza de frete. (...) Logo, a exigência de destaque do valor do frete no campo próprio das notas fiscais de saída, antes de representar interpretação equivocada da norma substantiva, é decorrência lógica e necessária da mens legis que, induvidosamente, projetouse a dissuadir a prática recorrente da indústria automotiva no sentido de “evitar a incidência do IPI sobre o valor do frete dos veículos vendidos”." A Recorrente consigna em sua peça recursal para provar o seu direito que: "Além disso, para demonstrar que o valor do frete estava incluso no preço do produto, a Recorrente apresentou à fiscalização: (i) Tabelas de Preço de Venda divulgadas às concessionárias, com a informação de que o frete já estaria incluso no valor ali mencionado; (ii) Nota fiscais que replicam exatamente o valor do produto constante das tabelas de preço divulgadas e que fazem constar que o frete é por conta da emitente (Recorrente); e Fl. 324DF CARF MF Processo nº 11065.722790/201704 Acórdão n.º 3201004.268 S3C2T1 Fl. 325 7 (iii) Os respectivos conhecimentos de transporte, que evidenciam que o tomador de serviço é o remetente da mercadoria (Recorrente). A Recorrente tem como atividade econômica principal a fabricação de automóveis, camionetas e utilitários, dentre os quais, os classificados no código 87.03 da TIPI – “automóveis de passageiros e outros veículos automóveis principalmente concebidos para transporte de pessoas (exceto os da posição 87.02), incluindo os veículos de uso misto (station wagons) e os automóveis de corrida”. O art. 56 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, com redação dada pela Lei nº 11.827, de 20/11/2008, assim dispõe: “Art. 56. Fica instituído regime especial de apuração do IPI, relativamente à parcela do frete cobrado pela prestação do serviço de transporte dos produtos classificados nos códigos 8433.53.00, 8433.59.1, 8701.10.00, 8701.30.00, 8701.90.00, 8702.10.00 Ex 01, 8702.90.90 Ex 01, 8703, 8704.2, 8704.3 e 87.06.00.20, da TIPI, nos termos e condições a serem estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O regime especial: I consistirá de crédito presumido do IPI em montante equivalente a três por cento do valor do imposto destacado na nota fiscal; II será concedido mediante opção e sob condição de que os serviços de transporte, cumulativamente: a) sejam executados ou contratados exclusivamente por estabelecimento industrial; b) sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos referidos no caput deste artigo, nas operações de saída do estabelecimento industrial; (Redação dada pela Lei nº 11.827, de 2008) c) compreendam a totalidade do trajeto, no País, desde o estabelecimento industrial até o local de entrega do produto ao adquirente. § 2º O disposto neste artigo aplicase, também, ao estabelecimento equiparado a industrial nos termos do § 5o do art. 17 da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. § 3º Na hipótese do § 2o deste artigo, o disposto na alínea "c" do inciso II do § 1o alcança o trajeto, no País, desde o estabelecimento executor da encomenda até o local de entrega do produto ao adquirente. § 4º O regime especial de tributação de que trata este artigo, por não se configurar como benefício ou incentivo fiscal, não impede ou prejudica a fruição destes. (Incluído pela Lei nº 12.407, de 2011)" Fl. 325DF CARF MF Processo nº 11065.722790/201704 Acórdão n.º 3201004.268 S3C2T1 Fl. 326 8 Merece reprodução o excerto do Recurso Voluntário: "48. Assim, inicialmente foram trazidos a conhecimento a Tabela de Preço (anexo I – fls 110/112), vigente em dezembro de 2014, na qual se observa o preço unitário do Honda FIT LX CVT, a saber R$ 55.060,80. Na mesma tabela, divulgada para toda a rede de concessionárias consta em seu rodapé a informação de que no preço de venda está incluído o valor do frete. 49. Na sequência, por meio do anexo II, foi apresentada a nota fiscal nº 794.163 do referido produto (fl. 114), no valor de R$ 55.060,80, cuja operação ocorrera em dezembro de 2014, juntamente com seu Sped Fiscal e lançamento no Livro Razão (fls. 116/118). Os anexos III e IV complementaram as informações relativas à citada nota fiscal no que se refere à apuração e escrituração do PIS/COFINS, ICMS e IPI (fls. 120/127). 50. Os lançamentos contábeis decorrentes da emissão da Nota Fiscal nº 794.163 foram os seguintes: (...) 51. Por meio do Anexo V (fls. 128/130) demonstrouse o custo dos produtos vendidos, evidenciado através do modelo 07, onde o mesmo informa saldo final e o custo unitário do veículo apresentado nesta amostragem, no valor de R$ 32.648,51, com a sua contabilização a crédito na conta estoque, conforme balancete emitido do Sped Contábil. 52. Ato contínuo, por meio do Anexo VI (fls. 131/138), demonstrouse a escrituração fiscal de conhecimento de transporte Cte nº 32883, o qual referencia a citada nota fiscal, indicando R$ 388,01 a título de frete. 53. Além disso, demonstrouse a contabilização da fatura nº 1224930, emitida pela transportadora em 12/12/2014, no valor de R$ 102.455,94, com vencimento em 07/01/2015 (Anexo VII – fls. 139/188), que consolidou a cobrança de vários CTe, inclusive o de nº 32883: 54. Cumpre ressaltar que o Documento Auxiliar do Conhecimento de Transporte Eletrônico – DACTE torna lídimo que a remetente é a Recorrente, bem como que é ela a tomadora do serviço. 55. Dos lançamentos contábeis apresentados pela Recorrente, verificouse que (i) o valor integral da Nota Fiscal nº 794.163 foi lançado na conta de ativo “contas a Receber de Concessionárias”; e (ii) que o valor do serviço de transporte contratado foi reconhecido como despesa de venda, após a exclusão dos impostos recuperáveis, por meio do lançamento da fatura emitida pela transportadora em 12/12/2014, em conjunto com outros Cte. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 11065.722790/201704 Acórdão n.º 3201004.268 S3C2T1 Fl. 327 9 56. O Sr. AFRFB não refuta o fato de a Recorrente ser a contratante do serviço de transporte. Por outro lado, alega que não haveria comprovação de que o valor do frete estaria incluído no preço, pelo fato do seu valor (R$ 388,01) não ter sido adicionado ao lançamento em “contas a Receber de Concessionárias”. Depreendese, então, que os fabricantes dos produtos previstos no caput do art. 56, tem a opção do regime especial que concede crédito presumido no percentual de 3% do valor do imposto na saída desses produtos, desde que cumpram os seguintes requisitos: (i) execute ou contrate diretamente o serviço de transporte; (ii) que este serviço compreenda a totalidade do trajeto até o local de entrega ao adquirente; e (iii) que o valor do serviço seja cobrado juntamente com o preço dos produtos objeto do regime especial. Assim, entendo que não há na legislação que rege a matéria a exigência de que o valor do frete seja, obrigatoriamente, segregado na nota fiscal. Este é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende do julgado a seguir transcrito de relatoria do Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Exercício: 2000 REGIME ESPECIAL ART. 56 DA MP Nº 2.15835/2001. CRÉDITO PRESUMIDO. FRETE O valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, exigência esta que não é feita pela legislação sob análise, que exige expressamente que os valores de frete "sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos" (art. 56, II, 'b', MP 2.158/2001). (Processo nº 16045.720011/201518; Acórdão nº 9303006.465; Relator Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza; sessão de 13/03/2018) Do voto destaco: "Dos três requisitos antes mencionados, a controvérsia se instaurou apenas quanto ao segundo. Isso porque, nas notas fiscais emitidas pela contribuinte, não houve, como já adiantamos, o destaque do valor do frete pago no transporte dos veículos. Sustenta a douta PFN que esse fato – a falta de destaque do frete nas respectivas notas ficais – é impeditivo à fruição do benefício do crédito presumido de três por cento sobre o valor do IPI destacado. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 11065.722790/201704 Acórdão n.º 3201004.268 S3C2T1 Fl. 328 10 Não nos parece correta a exigência. Notese que, ao dispor que os serviços de transporte "sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos", não se está a dizer que os valores a eles correspondentes sejam cobrados destacadamente na nota fiscal, mas que componham o valor cobrado e pago pelas concessionárias, o que pode se dar na forma pretendida pela fiscalização, ou seja, em separado, ou embutido no preço dos veículos, como ordinariamente ocorre no comércio internacional. Referimonos aos inconterms CRF ou CIF, em que o importador paga o valor da mercadoria, acrescido do frete, no primeiro caso, e do seguro e do frete, no segundo, mas, em ambos, paga um preço só, sem destaque de qualquer valor em separado, já que a responsabilidade da entrega ao porto de destino fica por conta do exportador." Ainda, da referida decisão, merece ser reproduzido o rol de Soluções de Consultas e Acórdãos da DRJ que adotam tal entendimento: "ASSUNTO: Obrigações Acessórias EMENTA: NOTA FISCAL. SAÍDA DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. É exigida a informação do valor do frete e do seguro na nota fiscal emitida por estabelecimento sujeito à legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no quadro “Cálculo do Imposto”, somente quando essas despesas sejam cobradas separadamente do preço da mercadoria. Nessa hipótese, o valor do frete e o valor do seguro serão somados ao valor total dos produtos para obtenção do valor total da nota." (Solução de Consulta SRRF10/Disit nº17, de 26/01/2012) "ASSUNTO: Obrigações Acessórias EMENTA: NOTA FISCAL. SAÍDA DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. É exigida a informação do valor do frete e do seguro na nota fiscal emitida por estabelecimento sujeito à legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), no quadro “Cálculo do Imposto”, somente quando essas despesas sejam cobradas separadamente do preço da mercadoria." (Solução de Consulta SRRF10/Disit nº14, de 23/01/2012) "ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI EMENTA: Frete. Inclusão na base de cálculo. Destaque na Nota Fiscal. O valor do frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado, compõe a base de cálculo do IPI. A legislação do IPI é silente quanto ao destaque do valor do frete na nota fiscal. Frete. Produtos NT. Destaque na Nota Fiscal. Para a legislação do IPI, sendo o produto NT fora da incidência do imposto, não é necessário que se destaque o valor do frete na nota fiscal." (Solução de Consulta SRRF09/Disit nº 217, de 26/12/2001) "ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Fl. 328DF CARF MF Processo nº 11065.722790/201704 Acórdão n.º 3201004.268 S3C2T1 Fl. 329 11 Período de apuração : 12/02/1990 a 30/09/1999 EMENTA: IPI. RESTITUIÇÃO. Incabível a restituição de imposto que não foi pago a maior ou indevidamente. IPI. VALOR TRIBUTÁVEL. Inadmissível a restituição do IPI incidente sobre e fretes e despesas financeiras, ainda que cobrados separadamente na nota fiscal, porque se incluem no valor tributável. INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa é incompetente para se manifestar sobre a inconstitucionalidade da lei e dos atos normativos. RESTITUIÇÃO. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de pleitear restituição de pagamento espontâneo do IPI, reputado indevido pelo contribuinte, se extingue c om o decurso do prazo de cinco anos, contados da data do pagamento." (Acórdão nº 147888, de 27 de Abril de 2005) "ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração : 01/01/1993 a 31/12/1998 EMENTA: IPI. RESTITUIÇÃO. Incabível a restituição de imposto que não foi pago a maior ou indevidamente. IPI. VALOR TRIBUTÁVEL. Inadmissível a restituição do IPI incidente sobre fretes e despesas financeiras, ainda que cobrados separadamente na nota fiscal, porque se incluem no valor tributável. IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. PRESCRIÇÃO. Inadmissível o ressarcimento de créditos prescritos, referentes à aquisição de insumos cuja entrada no es tabelecimento tenha ocorrido anteriormente a cinco anos contados da data de protocolização do pedido. IPI – RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. CORREÇÃO MONETÁRIA. Inaceitável, por falta de expressa previsão legal, a correção monetária do valor do ressarcimento de crédito de IPI." (Acórdão nº 103699, de 06 de Maio de 2004) Ainda do CARF: "REGIME ESPECIAL ART. 56, MP 2.15835/2001. CRÉDITO PRESUMIDO. O valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, exigência esta que não é feita pela legislação sob análise, que exige expressamente que os valores de frete "sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos" (art. 56, II, 'b', MP 2.158/2001)." (Processo nº 10860.721673/201515; Acórdão nº 3402004.087, Relatora Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne; sessão de 27/04/2017) "REGIME ESPECIAL ART. 56, MP 2.15835/2001. CRÉDITO PRESUMIDO. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 11065.722790/201704 Acórdão n.º 3201004.268 S3C2T1 Fl. 330 12 O valor do frete somente deve ser segregado na nota fiscal quando esse valor for cobrado ou debitado em separado do adquirente, exigência esta que não é feita pela legislação sob análise, que exige expressamente que os valores de frete "sejam cobrados juntamente com o preço dos produtos" (art. 56, II, 'b', MP 2.158/2001)." (Processo nº 16045.720011/201518; Acórdão nº 3402004.086, Relatora Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne; sessão de 27/04/2017) Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 330DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.003561/2004-64
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: sistema integrado de pagamento de impostos e contribuições das
microempresas e das empresas de pequeno porte simples LOCAÇÃO
E/OU Cessão de mão-de-obra
Ano — calendário 2003
Ementa: LOCAÇÃO E/011 CESSÃO Dl MÃO-DE-OBRA A Não caracteriza
locação de mão-de-obra, a disponibilização de funcionários para execução de tarefas determinadas, mesmo quando as atividades contratadas sejam executadas nas dependências da contratante, desde que as atividades laborais exercidas não caracterizem vinculo direto ou indireto entre o contratante e O efetivo prestador de serviço contratado, seja pela inexistência de relação de subordinação/ hierarquia, ou pela inexistência de continuidade, na realização da prestação desses serviços, ou illeS1110 pela inexistência de pagamento efetuado por horas-homem trabalhadas
Numero da decisão: 1202-000.334
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Nereida De Miranda Finamore
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' , Nereida de M -1-,iranda ina ore II . ra - Relalor a , , 1 EDITADO LM: o 5 AGO 2010 Participaram da sessão de jtilgarriento os conselheiros: Nelson Posso "filho (Presidente), Carlos Alberto Donassolo, Valéria Cabiat Géo Verçota, Darei Mendes de Carvalho Unho (Suplente Convocado), Nereida de "Miranda Finamme lloda, Orlando Jose Gonçalves Bueno (Vice Presidente da Turma). Relatório Trata-se de recurso interposto pela contribuiule empresa FERRHRA SOUZA C01,I1E11 AS I :i DA MF, pelo qual requer a ievisão da decisão contida no ATO 014.1,A.KATORIO 1 XPC1_11.1.V0 N O 27, de 5 de abril de 2005, da DRF em Ribeirão Preto, o qual a excluiu do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Pmpresas do Pequeno Porte (SIMPI_PS), em vittude da interessada exercer atividade de locação de mão-de-obra, que é atividade vedada consoante o art. 9 0 , X:11, "I" da Lei n 0 9 317/96. Como consta do referido AD.P, exclusão dar-se-à a partiu de 24 de junho de 2003, nos termos da Medida Pu ovisoria n'2.158, de 2001 e da Instrução Normativa do SR1' n'355/2003, A exclusão foi motivada por Representação fiscal do INSS que entendeu que a comi-1 ihninte oci ai ivicláde vedada pArl orn;,o pela sisternirtica Ar) administrativa preparada pelo servidot do INSS à época (11 4) verificou-se que o contrato de prestação de serviços, celebrado em 9/6/2003: - tem como objeto a execução de sei viços específicos da colheita de citros produzidos na prol)] iedade mal da tomadom, efetuada por finicionálios da requerente, os quais, em nenhuma hipótese, possuirão ífiCk.L10 empregando com a tomadora. - nas cláusulas abaixo transcritas (11 8), verifica-se a cessão de mão-de-obra, segundo §3 " do art.. 31 da 1,ei 8212/1991: a) A puestacão dos: serviços dar- se-á exclusivamente nas (.1épendOncias da contratante to.madorade serviços; .b) A prestadora dc serviços se obriga a cumprir com toda a legislação providenciaria e trabalhista , bem corn o a ressarcir qualquer despesa que venha a ser i rn P0sra z.) krluadbla em 1Jalá-l0 aos funcionários da prestadora; c) A prestadora de serviços obriga-se, ainda., a apresentar cópias quitadas das conti ibuicoes prev idenciár ias Na manifestação de inconformidade apresentada à.DR1, a interessada: 1 - alegoLi que para realização da colheita é preciso estai na pi opriedade do tomador do serviço, portanto, não se poderia considerar tal lato para caracterização da cessão ou locação de mão -d e-o li a 2 descreveu os passos que são tomados na realização de trabalhos de colheita: a) a requerente fiz a avaliação do pomat e levantamento dos custos de pessoal e máquinas, os quais são rateados pela estimativa de produção (colheita) pois , ao produtor, o que interessa é o custo unitário por caixa colhida; 771/ 112 P1úc(sso n" 101i40 0035( 1/2004-64 S1-C212 Acórcr10 " 1202-00,334 H 1 2,36 e) é feita limpeza prévia do pomar, roça ou gradeação, se necessário, mediante locação de máquinas e equipamentos, bem como dos serviços necessários para O manejamento desses; d) iniciada a colheita, oiganiza-se as "turmas de colheitas" compostas pelo (irradio de funcionários da requerente; e) todos os equipamentos específicos para a colheita (sacolas, escadas, equipamentos de pioteção individual, etc..) são fornecidos pela requerente, bem como os serviços de hanspoites necessários para os funcionários. Para comprovação anexou ,aos autos, cópia da nota de, aquisição dos materiais , RPA, guias de recolhimento do FGTS , GFIP , recibo de lides relativos aos transportes, e recibo de locação de máquinas e equipamentos agrícolas. . 13 --alegou que a empresa é pequena e que tiveram apenas duas turmas de colheita com aproximadamente 30 empregados cada e com um faturamento de R$ I 16.390, 14, em 200.3, e de RS 5 855,16, em 2004; e, — solicitou o cancelamento do A DF n"27/2005. Mediante acórdão lavrado pela Delegacia da RE' de Julgamento em Ribeirão Preto, tbi mantido o indeferimento da solicitação da Interessada por se tratar de locação de mão-de-obra, tendo em vista que: - no caso temos a cessão de mão-de-obra com base no Parecer COS1T n' 69, de 10 de novembro de 1999, consoante os itens 3 e 4: - Em se tratando cle locação da indo-de-obra, pressupãe-se que -seiá utilizado trabalho alheio, ou seja, alguém cederá a outrem a atividade labor ativa em vil urde de necessidade transitória de _substituição de pessoal regulai e pei manente ou do acréscimo calino) . dinárlo de tarefas. - A locação de mão de obra pode também ser definida como o contrato pelo qual a locador se obriga a fazer alguma coisa para uso ou proveito do locatário, não importando a 'Will" C.:(1 (lO ti abalhO ou do sei viço. Os trabalhos ,são realizados sem a obi igação de executar a 01)10 completa, ou seja, sem a produção de UM CSIllit1(10 (1M-3,11án:ido Na locação de mão de obra, também de/ia/da como contrato de pi estação de serviços, a locadora assume a obi igação de contratar empregados, trabalhadores avulsos ou autónomos sob sua exclusiva csponsabilidade do ponto de vista jurídico A locadora é responsável pelo vinculo empregatício e pela prestação de serviços, sendo que os cinp, egadas ou contratados ficam à disposição da tomado; a dos serviços (locatária), que detém o comando das tardas ., fiscalizando a execução e o andamento dos serviços" - a Instruca.o "Normativa da SRF n" 34, de 1989, dispõe que na locação de inão-de- obra, os empregados são colocados a ser viço da locatária, pessoa jurídica, em local por esta detenninado - o .1.)atecer. COSIT n 1,236, de 26 de dezembro de 1989, expressa o entendimento que, no locação de mão-de-obra, é necessário que a locatária administre os serviço .s realizados pelos empregados da locadora, isto é, a locatária detenha o C0.1 llandO, determinando as tare as, 1:1 SCal izando execução dos trabalhos, enliin, controlando o andamento dos sei viços desempenhados pelos empregados colocados O sua disposição - o art 23 da Lei n" 9.711, de 20 de novembro de 1998, que conferiu nova redação ao int. 31 da Lei n'8 212, de 24 de julho de 1991, dispõe que a empreso contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, devera reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou latina de prestação de ser vi.ços. Essa mesma lei denne "cessão de mio-de-ohm" conto a eol.ocacão a disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados (Inc realizem serviços contínuos relacionados ou não com a atividade-fim da empresa - Com base na mais tradicional doutrina sobre o assunto em comento, trouxe-nos a distinção de empreitada .e locação de ruão-de-obra, cujo cerne está na obrigação de razet: a) se o objeto do contrato ror o lOrne.cimento de ruão-de-obro, sob controle e supervisão do empregador dessa: mão-de-obra, temos a locaçã.o de mão-de-obra-, e b) se o objeto J .o! O prestação de uru determinado serviço com 11111 determinado resultado, temos a empreitada. ()une aspecto relevante pana distinção é a Rama de relllunerirção: na locircão de mão-de-obra a renrunetirç'i :ro baseiir-se nas horas-homeill 11 k;,-, dila" k.) gut;u unipiugadu r.C.111ElliCee it uispusrçau d() iouariui. 11,1(1 que na empreitada, a finura de {enumeração baseia-se na produç,ão. Regularmente intirnada da decisão supra mencionada em 19 de. setembro de 2007 (AR), a Interessada apresentou Recurso Voluntário no dia 17 de outubro do mesmo ano Nessa ocasião reiterou os argumentos apresentados nu Manislêstação de "Incortrormidade/Impugnação apresentada anteriormente, bem como expressorr que a 1)R.„1 não analisou os tatos apresentados í_ o relatório. l'iocesso n" 0$40 003.561/2004-04 Si -C212 Acot LED n " 1202-00.334 ri I 277 Voto Conselheira "NI I 4DA. 1).F .MIRANDA FINA MOR L IORTA, Relatora. O Recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decido n"70,235, de 1972, assim sendo, dele conheço C,on forme i datado, o presente processo trata de pedido de reine:fusão no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das I inpresas de Pequeno Porte (SIMPITS), diante da edição do Ato Declaratorio IF.xecutivo n°27, de 2005,que excluiu a Interessada por . eXCI:Cerr atividade vedada, qual seja, locação de mão-de-obra, nos 'termos do artigo 9', XII, letra "r, da I ,ei n" 931 7/1 996 Consoante dispõe a Lei n"9 317, de 1996, art. 9 0 , XII, letra "f", ia ver bis: "41 i 9°- Não poderá optar pelo ,S1/1,1P1ES a pessoa jia Idica. X1/ que realize operaçães relativas a o pi cstay7 o de serviço de vigiláncia, limpeza, eonservação e locação de mão-de- obra,. " (rrifOs meus) Para o entendimento do significado da expressão "locação de inao-de-obra" valemo- nos de Valentin Carrion, ia Comentários à Consolida.cão das Leis do Trabalho, também citado pe .] [)RJ no seu acórdão. L le nos ensina que: "Na locação de mão de obra e na falsa .subempreitada, quem angaria trabalhadores, os coloca simplesmente (ou quase) à disposição de um empresário, de quem recebem as ordens e com quem se relaeionam constante e diretamente, inserindo-se no meio empre,sarial do tornado; de ,serviço, muito mais no que do de quem o contratou e o remunera, o locado; é apenas um intermediário que se intromete entre ambos, comprometendo o relacionamento direto entre o 071/71 egado e seu patrão natural; eras eu g .rau extremo, quando, sem Mais, apenas avilta o salário do trabalhador e lucra o intermediário (Camerlynek, -Tc Contrai"). a figura do marchandage, com suas características mais ou menos nítidas e que é proibida em vários países " (gritos da relatora) Portanto, na locação de mão-de-obra, os trabalhadores atuam na atividade fim da empresa contratante e sob às ordens dos administradores da própria conitatante da prestação de serviços. Para o caso em questão, com base no contrato de prestação de serviços apresentado, temos que a empresa coloca a disposição do contratante seus funcionários, bem corno os equipamentos e maquittarios que necessitam pata o desenvolvimento dos seus trabalhos. C22( 77) ()utra distinção apontada para diferenciar empreitada de locação de ode-obra, é a coutratacão do preço que, no caso, corresponde i multiplicação da quantidade de caixas-peso de frutos pelo valor estabelecido pelas partes para a colheita de cada uma das caixas-peso.. 'Portanto, não se baseia nas horas-homern trabalhadas, mas na imodução que o corpo de funcionários ou turma de colheita pertãz.. Na representação fiscal do servidor do INSS, alegou-se que era locação de mão-de- obra, por ser a prestação dos serviços realizada rias dependências da contratante fumadora de serviços• Ora, não ha corno realizar a colheita dos frutos/caros cru outro lugar que não onde estejam as árvores, é intriuseco é realização rios trabalhos. Outra alegação foi que a prestadora de serviços se obriga: a cumprir com toda a legislação prev idenciária e trabalhista, e a apresentar cópias quitadas das contribuições previdenciarias, ou mesmo a ressarcir qualquer custo decorrente da relação aos funcionários da prestadora. Pssas cláusulas, bem como a outra que obriga os funcioná] ios a seguir os pro.cedimentos de segurança e de.scontamina.ção da contratante, tem corno final idade o bom controle interno administrativo e ev itar riscos adicionais no desenvolvimento das atividades da contratante.. Nesse sentido também temos a decisão proferida no Acórdão de n" :301-33.542 da 1." ("_ • âni.ara do 3" Conselho de Contribuintes, em. sessão de 23 janeiro de 2007, onde por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso, cuja ementa abaixo transcrevo: "Assunto: Sistema integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das 1aupresas de Pequeno Porte - Simples Pxercício: 1097 Ementa: SIMPLES. EXCLUSÃO, LOCAÇÃO DE M.A.O-DE-0131A. IMPROC'EPÉN(1A„ Não caracteriza locação de mão-de-Obra a contração por parte de pessoa jurídica, junto é outra pessoa jurídica, na qualidade dc contratante, a cessão de trabalhadores para execução de tarefas, mesmo qw.hudo as atividades contratadas devam ser executadas no espaço de fábrica ou físico da contratante, desde que as atividades laborais exercidas não caracterizem vínculo direto ou indireto entre o contratante e. o efetivo prestador (pessoa física) de serviço contratado, seja pela inexistência de relação de subordinação/ hierarquia, Ou pela inexistén.cia de continuidade na realização da prestação desses serviços, ou mesmo pela inexistência de pagamento efetuado diretamente pelo contratante ao executor pessoa fisica da tarefa, da atividade ou serviço." Nessa mesma linha de entendimento, temos os Acórdãos de ds. 302-3 S05 e 302-38050, ambos de 21 de junho de 2006. Isto posto, DOU provimento rio recurso, cancelando o AÏ0 .DECJ SARAI ()RIO EXECIAIVO NL27, de 5 de abril de 2005, da DRE em Ribeirão Preto, que a excluiu do SIMPLES. Nereida de Miranda finai ore or a MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECTIRSOS PISCAIS SECUNDA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃOSECUNDA TERMO DE INTIMAÇÃO linime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art 81, § 3 0, do anexo II, do Regimento Interno do CART, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de _junho de 2009. Brasília, 09 de agosto de 20110.. Maria Conceição cie Sousa 'Tãxlri'gues - Secretária da Cantata Ciência Data: Nome: Procurador (a) da Fazenda Nacional Encanduliamentfi da PFN: [ I apenas com ciência; [] com Recurso Especial; [ 1 com Embargos de Declaração
score : 1.0
Numero do processo: 10711.007729/2009-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
DECADÊNCIA - INFRAÇÕES ADUANEIRAS
Os créditos tributários relativos a infrações incidentes exclusivamente sobre o controle do comércio exterior regem-se pelos arts. 138 e 139 do Decreto-lei 37/66; normas válidas, vigentes e eficazes.
AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo do auto de infração.
Recursos especiais do contribuinte e da Fazenda negados.
Numero da decisão: 9303-007.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Vanessa Marini Cecconello, que lhe deu provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA - INFRAÇÕES ADUANEIRAS Os créditos tributários relativos a infrações incidentes exclusivamente sobre o controle do comércio exterior regem-se pelos arts. 138 e 139 do Decreto-lei 37/66; normas válidas, vigentes e eficazes. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo do auto de infração. Recursos especiais do contribuinte e da Fazenda negados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Vanessa Marini Cecconello, que lhe deu provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA INFRAÇÕES ADUANEIRAS Os créditos tributários relativos a infrações incidentes exclusivamente sobre o controle do comércio exterior regemse pelos arts. 138 e 139 do Decretolei 37/66; normas válidas, vigentes e eficazes. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo do auto de infração. Recursos especiais do contribuinte e da Fazenda negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Vanessa Marini Cecconello, que lhe deu provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 77 29 /2 00 9- 91 Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10711.007729/200991 Acórdão n.º 9303007.645 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial do Contribuinte e da Fazenda contra o Acórdão 3301002.972 (fls. 196/209), de 18/05/2016, que negou provimento aos recursos de ofício e voluntário, o qual restou assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Por expressa determinação legal, o agente marítimo, representante do transportador estrangeiro no País, é responsável solidário com este em relação à exigência de tributos e penalidades decorrentes da prática de infração à legislação tributária. O agente marítimo é, portanto, parte legítima para figurar no polo passivo do auto de infração. REGISTRO NO SISCOMEX DOS DADOS DE EMBARQUE. PRAZO. O registro dos dados de embarque no Siscomex em prazo superior a 7 dias, contados da data do efetivo embarque, para o transporte marítimo, caracteriza a infração contida na alínea "e", inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66. Recurso de Ofício negado e Recurso Voluntário negado. A Fazenda manejou recurso especial de divergência (fls. 211/219), admitido pelo despacho em agravo de fls. 229/232, insurgindose contra o recorrido na parte que negou provimento ao recurso de ofício, alegando que o prazo decadencial, em caso, não se rege pelos arts. 138 e 139 do DecretoLei 37/66, "haja vista que a disciplina da decadência tributária é matéria afeta à lei complementar, nos termos da CF/88, e a referida lei tem natureza de lei ordinária", pugnando pela aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF. Em consequência, entende que o termo a quo do prazo decadencial deve ser aquele a que se refere o art. 173, I, do CTN, pelo que pede o provimento do especial para afastar a decadência reconhecida pelo recorrido, tendo em vista que a ciência do lançamento operouse em 15/11/2009. Em contrarrazões (fls. 245/251), o contribuinte pede que seja julgado improcedente o especial de divergência fazendário. O contribuinte também interpôs recurso especial (fls. 254/267), admitido pelo despacho de fls. 293/296, postulando a reforma do recorrido sob a alegação, em resumo, de que o agente marítimo age como mandatário, em nome do armador, razão pela qual não pode ser diretamente responsabilizada pela autuação. Por tal, pede o provimento de seu especial de divergência para exonerálo da penalidade que lhe foi imposta. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10711.007729/200991 Acórdão n.º 9303007.645 CSRFT3 Fl. 4 3 A Fazenda, em contrarrazões ao especial do contribuinte (fls. 298/303), averba, com espeque no art. 128 do CTN, que a partir da vigência do Decretolei 2.742/88, que alterou o art. 32 do DL 37/66, o agente marítimo passou a figurar expressamente como responsável pela infração em exame. Acresce que no REsp 1.129.430/SP, julgado em sede de repetitivo, ficou assentado que o agente marítimo não poderia ser responsabilizado até antes da vigência do DL 2.742/88 porque inexistia previsão legal para tanto. Contudo, conclui, a partir da vigência do DecretoLei nº 2.472/88 já não há mais óbice para que o agente marítimo figurasse como responsável tributário, pelo que pede que seja negado provimento ao especial interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço ambos recursos nos termos em que processados. RECURSO DA FAZENDA NACIONAL O recurso da Fazenda pede que o prazo decadencial seja aquele do art. 173, I, do CTN e não o do art. 139 do DL 37/66, que dispõe: Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior1 se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. Ora, a legislação válida, vigente e eficaz determina às explícitas que o prazo é de cinco anos a contar da data da infração. Se não há decisão judicial afastando tal norma do ordenamento jurídico, ou decisão judicial que a afaste ao caso concreto, ela deve ser aplicada em toda sua extensão. Também assentado nesta Turma que essa regra decadencial vale para as infrações de controle do comércio exterior, exclusivamente. O julgado e a Súmula do STF a que se refere a douta Procuradoria restringe se ao julgamento das normas inquinadas naquele julgado de inconstitucionalidade formal. Assim, o julgamento daquele caso não se espraia ao presente. Demais disso, para que adentrássemos no mérito pugnado pela Fazenda, teríamos que nos debruçar sobre matéria de índole constitucional, competência que falece a este Sodalício. Portanto, nego provimento ao especial Fazendário. RECURSO DO CONTRIBUINTE A infração imputado ao contribuinte foi a do art. 107, IV, e, do Decretolei 37/66, que dispõe: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: 1 Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10711.007729/200991 Acórdão n.º 9303007.645 CSRFT3 Fl. 5 4 ... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais):(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) ... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; O recorrente entende que na qualidade de agência de navegação não poderia ser responsabilizado por obrigações do transportador. Ocorre que os agentes marítimos são os representantes dos navios e dos armadores nos portos, perante às autoridades governamentais e portuárias. Assumem a administração de cada escala do navio, incluindo documentação da embarcação e da carga, controles de origem fiscal, recolhimento de tributos, contato com as autoridades e contratação dos diversos serviços necessários. Ocorre que embora não sendo sujeito passivo o recorrente é contribuinte por se tratar de responsável, nos termos do art. 121, I, do CTN, combinado com o art. 128, do mesmo Digesto Tributário. Assim, se houver lei que determine a responsabilidade solidária, de modo expresso pelo crédito tributário a terceira pessoa vinculada ao fato gerador, a ela poderá o Fisco dirigir a cobrança por eventual crédito tributário lançado. E o art. 32 do DL 37/66, estatui tal responsabilidade. Vejase: Art . 32. É responsável pelo imposto: (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988. I o transportador, quando transportar mercadoria procedente do exterior ou sob controle aduaneiro, inclusive em percurso interno; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) ... Parágrafo único. É responsável solidário: .(Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) ... II o representante, no País, do transportador estrangeiro; (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Da mesma forma, a responsabilidade de quem representa o transportador é expressa nos termos do inciso I do art. 95 do mesmo diploma legal (DL 37/66), já que respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para a sua prática, ou dela se beneficie. No mesmo sentido já se pronunciou esta Turma no Acórdão 9303003.276, de 05/02/2015, cuja ementa transcrevo: ILEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE DO AGENTE MARÍTIMO. O Agente Marítimo, representante no Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10711.007729/200991 Acórdão n.º 9303007.645 CSRFT3 Fl. 6 5 país do transportador estrangeiro, é responsável solidário e responde pelas penalidades cabíveis. Recurso Especial da Fazenda provido. Portanto, é de ser negado provimento ao especial do contribuinte. DISPOSITIVO Em face do exposto, conheço dos recursos especiais de divergência da Fazenda e do contribuinte, mas negolhes provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10711.007729/200991 Acórdão n.º 9303007.645 CSRFT3 Fl. 7 6 Fl. 328DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13749.720193/2011-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 31/10/2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON.
A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49.
A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo.
Numero da decisão: 3302-005.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13749.720190/2011-44, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 31/10/2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo.
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Recorrente INDÚSTRIA NACIONAL DE COLCHÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/10/2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13749.720190/201144, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 9. 72 01 93 /2 01 1- 88 Fl. 39DF CARF MF Processo nº 13749.720193/201188 Acórdão n.º 3302005.869 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Contra o sujeito passivo foi lavrada notificação de lançamento relativa a FALTA/ATRASO NA ENTREGA DA DACON com exigência de crédito tributário no valor de R$ 500,00 e acréscimos legais. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. Irresignado, o contribuinte apresentou impugnação contra o lançamento alegando que em 2009 a empresa era optante pelo Simples Nacional e mudou o regime tributário para Lucro Presumido em Jan/2010, passando a ser obrigada a apresentação do Dacon mensal. Acrescenta que a empresa apresentou o Dacon espontaneamente, para a simples regularização de sua situação cadastral na RFB, uma vez que os impostos foram quitados no período. Ressalta o debate em torno do tema nos tribunais e a tese da inaplicabilidade da multa tributária no caso de confissão espontânea. Cita jurisprudência, o art. 138 do CTN, a Constituição Federal de 1988, o Decreto 2124/84 e a IN 124/86, em sua argumentação. Defende que a multa aplicada por atraso na entrega da Dacon não tem fundamento na lei e portanto é ilegal. A Delegacia Regional de Julgamento de Belo Horizonte/MG, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos do Acórdão nº 02041.454. Entendeu a Turma que: o argumento denúncia espontânea utilizado para o pedido de cancelamento não pode ser acolhido no âmbito administrativo, pois a matéria se encontra sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Intimada do Acórdão de Impugnação, a contribunte ingressou com Recurso Voluntário alegando que: O contribuinte em 2009 era empresa optante pelo SIMPLES NACIONAL e mudou seu regime de tributação pata o lucro presumido em janeiro de 2010, e passou a ser obrigado à apresentação de DACON, haja vista que a partir desta data as empresas com tributação neste regime passou a ser obrigadas a apresentação mensal. Cumpridora de suas obrigações acessórias tributárias a empresa apresentou a DACON espontaneamente, para simples regularização de sua situação cadastral na Receita Federal, uma vez que seus impostos todos foram quitados no período. Referente a multa ora cobrada, vale ressaltar que corre, entretanto, hodiernamente, grande debate em torno do tema, prevalecendo, dentro dos tribunais a tese da inaplicabilidade da multa tributária no caso da confissão espontânea de débito tributário, sendo, " in casu", totalmente defesa à imposição, sob qualquer forma de denominação empregada renegando, inclusive, ponto de vista já sedimentado na jurisprudência pátria, até mesmo em tribunais superiores. Fl. 40DF CARF MF Processo nº 13749.720193/201188 Acórdão n.º 3302005.869 S3C3T2 Fl. 4 3 Ressaltase também que os Estados Federativos não estão aplicando penalidades multas aos contribuintes quando apresentam suas obrigações acessórias fora do prazo espontaneamente. O argumento expendido na presente verte de modo direto do Código Tributário Nacional, legislação infraconstitucional elevada, portanto, à condição de verdadeira lei complementar. Especificamente no art. 138 da referida legislação é que vamos confrontar a normatização básica para o perfeito entendimento do caso "ore sub examen". DO PEDIDO À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência (parcial ou total) da decisão de primeira instância, requer que seja dado provimento ao presente Recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.866, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13749.720190/201144, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.866): "Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 03 de janeiro de 2013, via Aviso de Recebimento, às folhas 25 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 04 de fevereiro de 2013, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. O Recurso Voluntário apresenta a questão da Denúncia Espontânea. Passase à análise. Fl. 41DF CARF MF Processo nº 13749.720193/201188 Acórdão n.º 3302005.869 S3C3T2 Fl. 5 4 Quanto à aplicação da denúncia espontânea ao caso, observo que decisões reiteradas e uniformes proferidas neste Conselho foram consubstanciadas na Súmula CARF n° 49, de observância obrigatória pelos seus membros, por força do art. 72, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. O enunciado da súmula é o seguinte: Súmula CARF no 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente de atraso na entrega de declaração. Serviram de acórdãos paradigmas para ela, entre outros, os seguintes: · n° CSRF/0400.574, de 19/06/2007; · n° 19200.096, de'o6/10/2008; · n° 0709.410, de 30/05/2008; · n° 10196.625, de 07/03/2008; · n° 10516.674, de 14/09/2007; · n° 10809.252, de 02/03/2007. Cito as ementas: Acórdão CSRF/0400.574: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO PENALIDADE As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem vínculo direto com fato gerador de tributo, não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138 do CTN. Recurso especial provido. Acórdão 19200.096: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF EXERCÍCIO: 2005 DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN (precedentes CSRF). DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. CONFISCO. Fl. 42DF CARF MF Processo nº 13749.720193/201188 Acórdão n.º 3302005.869 S3C3T2 Fl. 6 5 A penalidade pela entrega da declaração extemporaneamente não se caracteriza como tributo. Inaplicável, assim, o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal de 1988. Recurso negado. Acórdão 10709.410: Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2001, 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A entrega da declaração de IRPJ fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, sujeita à multa estabelecida na legislação de regência do tributo, posto que não ocorre a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, por tratarse de descumprimento de obrigação acessória com prazo fixado em lei para todos os contribuintes. Acórdão 10196.625: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇAO DIPJ. A cobrança de multa por atraso na entrega de declaração tem previsão legal e deve ser efetuada pelo Fisco, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea se refere à obrigação principal, não se aplicando às obrigações acessórias, por não estar vinculado diretamente com a existência do fato gerador do tributo. Recurso Voluntário Negado Acórdão 10809.252: IRPJ MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. DO PEDIDO À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência (parcial ou total) da decisão de primeira instância, requer que seja dado provimento ao presente Recurso. Recurso negado. Verificase que o fundamento para não se aplicar a denúncia espontânea às declarações, nos acórdãos que serviram de paradigma para a edição da Súmula CARF n° 49, também justifica sua não aplicação ao caso presente, pois Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13749.720193/201188 Acórdão n.º 3302005.869 S3C3T2 Fl. 7 6 a apresentação do Dacon é obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 44DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.721528/2011-11
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
Numero da decisão: 2001-000.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Redator Designado.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira (Relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Redator Designado. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 15 28 /2 01 1- 11 Fl. 110DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2009, anocalendário de 2008, em que foram glosadas deduções de despesas médicas no valor de R$ 20.200,00. O contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Recife de f. 61/78. Cientificado, a interessado apresentou recurso voluntário de f. 83/89. Em síntese, alega que atendeu ao que foi solicitado pela autoridade fiscal, apresentando os respectivos recibos relativos às despesas médicas. Aduz que os recibos, por si só, fazem prova dos pagamentos realizados a este título. Argumenta que não está obrigada a apresentar seus exames médicos e laboratoriais. Sustenta ainda que não é razoável exigir a apresentação de extratos ou outros meios de prova dos pagamentos, seja porque a pessoa física não é obrigada a ter escrita fiscal, seja porque a reunião destes documentos é difícil para o contribuinte. Pugna pela procedência do recurso e pelo cancelamento do crédito tributário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. A questão aqui posta para análise cingese à glosa de despesas médicas. A interessada, no recurso, insurgese contra estas glosas, pelas razões que enumera. Dispõe o art. o art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Consta da fundamentação do lançamento, bem como da decisão de primeira instância, que é necessária a apresentação de comprovação do efetivo pagamento para aceitação das despesas médicas. Desta forma, verificase que o recibo, ao contrário do que defende a recorrente, não faz prova absoluta da real ocorrência do pagamento. A autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar outros elementos de convicção da efetiva realização da despesa que se pretende deduzir. Não poderia ser de outra forma. Entender o contrário seria tolher a ação da fiscalização, que ficaria impossibilitada de exercer sua atividade investigativa, na busca de Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10380.721528/201111 Acórdão n.º 2001000.473 S2C0T1 Fl. 3 3 verificar a veracidade das declarações prestadas. Há que ser frisado que aqui não se trata de mera prerrogativa, mas de um dever da autoridade fiscal, haja vista tratarse de dedução da base de cálculo e, portanto, de redução do tributo. Com efeito, as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. Analisando a Notificação de Lançamento, verificamos que foram glosadas despesas médicas de valores significativos, que justifica a solicitação de informações adicionais. A Descrição dos Fatos e Enquadramento legal do Lançamento encontrase devidamente fundamentado, com todas as razões que levaram a efetivação da glosa. Não foram apresentadas provas do efetivo pagamento das despesas, não houve suficiente descrição do tratamento ou dos exames realizados. Aqui deve prevalecer o princípio do benefício da prova, já que o interesse em provar é do contribuinte, a quem a prova aproveita. Não há que se falar em quebra de sigilo ou de invasão à privacidade do cidadão. Não há quebra de sigilo perante o fisco, cuja atividade primordial é justamente investigar a veracidade dessas despesas que resultam em redução de tributo. Ademais, ao intimar o contribuinte para apresentar documentos adicionais que comprovam a efetividade das despesas (provas essas que beneficiam o contribuinte), a autoridade fiscal não está interessada na intimidade da pessoa, mas está cumprindo o dever legal de investigar a veracidade das declarações prestadas. Tratase de imposto lançado por homologação e o quantum devido pode ser alterado pela autoridade lançadora, no exercício de suas atribuições legais. Da mesma forma, não se mostra desarrazoado o pedido de apresentação de extratos bancários. Pode ocorrer de o contribuinte haver pago as despesas em cheques ou mediante saques da conta corrente, o que seria facilmente comprovado pela existência de saques de valores compatíveis em datas aproximadas das da efetivação das despesas. O contribuinte poderia requerer à instituição financeira os referidos extratos (em alguns casos, obtémse extratos pela internet, em poucos instantes), sendo que essa providência não lhe seria de difícil execução. Se tivesse atendido a este simples pedido, provavelmente não seriam glosadas parte ou a totalidade das despesas. O contribuinte, entretanto, por diversas vezes, mediante negativas genéricas, se opôs a trazer os elementos de prova que lhe seriam benéficos. Não apresentou à autoridade lançadora, não juntou à impugnação e não se aproveita da oportunidade agora trazida pelo recurso voluntário. Desta forma, reitero a motivação do voto exposto na decisão de primeira instância, que indeferiu a dedução das despesas glosadas. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negarlhe provimento. Fl. 112DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Voto Vencedor Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para os dias atuais. Além disso, Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10380.721528/201111 Acórdão n.º 2001000.473 S2C0T1 Fl. 4 5 mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Redator Designado. Fl. 114DF CARF MF
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