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Numero do processo: 13888.901382/2014-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa.
BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO.
O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.317
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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Inclusão do ICMS na base de cálculo. Recorrente AÇOVIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESTRUTURAS METÁLICAS E PRÉMOLDADOS DE CONCRETO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. A existência de despacho decisório contendo motivação clara, explícita e congruente, desautoriza a alegação de cerceamento de defesa. BASE DE CÁLCULO. ICMS. EXCLUSÃO. O valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de pedido eletrônico de restituição da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, cumulado com declaração de compensação, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 13 82 /2 01 4- 16 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901382/201416 Acórdão n.º 3402003.317 S3C4T2 Fl. 3 2 denegado em tempo hábil por meio de despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o DARF representativo do pagamento indevido estava inteiramente alocado para a quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte. Em tempo hábil, foi apresentada manifestação de inconformidade na qual a defesa alegou, em síntese, que houve nulidade por cerceamento do direito de defesa e que o crédito do contribuinte decorre de pagamento indevido, em razão de ter sido incluído o ICMS na base de cálculo da contribuição. Afirmou que o ICMS é mero ingresso que não pode ser incluído no conceito de faturamento. Invocou o precedente consubstanciado no RE 240.785 do STF e informou que os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430/96 garantem seu direito de compensar o indébito apurado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, decidiu o seguinte: a) o valor do DARF está inteiramente alocado para pagamento de débitos informados pelo próprio contribuinte; b) a lei apenas permite a exclusão da base de cálculo da contribuição do ICMS recolhido na condição de substituto tributário e da receita proveniente da alienação onerosa de créditos do ICMS; e c) o valor dos débitos declarados para compensação é de magnitude superior ao valor do único DARF vinculado a essas compensações. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância, o contribuinte apresentou em tempo hábil recurso voluntário a este Colegiado, alegando, em síntese, o seguinte: a) nulidade por cerceamento de defesa porque o despacho decisório não diz as razões pelas quais o contribuinte não tem o crédito que alega possuir. Essa omissão impediu o contribuinte de exercer a plena demonstração de seu crédito, pois não há como argumentar contra uma decisão que se mostra lacônica; b) a base de cálculo da contribuição sempre foi o faturamento e com o advento da Lei nº 10.833/2003 houve uma ampliação, passando a base de cálculo a abranger a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte. Entretanto, o valor do ICMS não pode ser considerado como receita do contribuinte, sob pena de violação do art. 110 do CTN, pois a lei não pode considerar receita o que não é receita. O ICMS representa para o contribuinte mero ingresso, pois o valor é posteriormente destinado ao fisco estadual. Tal interpretação foi cristalizada em caráter definitivo no RE 240.7852, que deve ser aplicado ao caso concreto. Reafirmou a existência do indébito e seu direito de compensálo com base nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430/96. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10865.904904/201231, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.317): Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901382/201416 Acórdão n.º 3402003.317 S3C4T2 Fl. 4 3 "O recurso preenche os requisitos formais para sua admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Relativamente à preliminar de nulidade, não assiste razão à defesa. Isso porque, ao contrário do alegado, o despacho decisório declinou com todas as letras o motivo pelo qual a Administração Tributária denegou o pleito do contribuinte e não homologou as compensações declaradas. O Despacho Decisório apresenta a seguinte motivação: "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DECOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DECOMP. (...)" No mesmo despacho encontramse perfeitamente identificados o número do PER/DECOMP, o número do DARF e o valor relativo ao suposto pagamento indevido. O texto acima transcrito revela que a compensação não foi homologada porque o valor do DARF está inteiramente alocado para o pagamento de débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em outras palavras: o contribuinte não possui o crédito alegado no PER/DECOMP porque o valor já foi utilizado para extinguir débitos por ele próprio declarados. Portanto, o despacho decisório não foi lacônico, uma vez que declinou expressamente o motivo da não homologação da compensação: o contribuinte não tem o crédito alegado. Essa fundamentação está explícita de forma clara, precisa e congruente com a decisão de não homologar a compensação, o que atende às exigências do art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99. Sendo assim, é improcedente a alegação de nulidade, pois o contribuinte não teve seu direito ao contraditório e à ampla defesa cerceados, mesmo porque a apresentação de impugnação e de recurso voluntário, deduzindo argumentos no sentido de demonstrar a existência jurídica do indébito desautorizam a invocação dessa preliminar. No mérito, deflui dos autos que o contribuinte apurou e recolheu a contribuição incluindo o ICMS na sua base de cálculo e agora comparece perante a Administração Tributária alegando que o recolhimento foi efetuado em montante superior ao devido porque a inclusão do ICMS no faturamento ou na receita é inconstitucional. O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901382/201416 Acórdão n.º 3402003.317 S3C4T2 Fl. 5 4 O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, na redação vigente na época do fato gerador relativo ao pagamento tido como indevido, estabelecia o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decretolei/ del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/netahtml/ sijut/Pesquisa.htm) Portanto, o recolhimento efetuado pelo contribuinte está em conformidade com a legislação vigente e com entendimento sedimentado há anos na seara tributária, uma vez que o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional. O contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição porque o imposto estadual não se enquadra no conceito de faturamento ou mesmo no de receita estabelecido pela constituição. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, tal argumento não pode ser acatado pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Fl. 56DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 13888.901382/201416 Acórdão n.º 3402003.317 S3C4T2 Fl. 6 5 Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade, in verbis: "Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(...)" O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando no disposto no § 6º, I, acima transcrito, e nem nas disposições do Decreto nº 2.346/97, para que o entendimento possa ser estendido administrativamente a outros casos concretos. Não se olvide que essa questão é objeto do Tema 69 dos recursos submetidos à sistemática da repercussão geral no STF e será decidida no RE nº 574.706. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Considerando que os recolhimentos efetuados pelo contribuinte, com a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS, estão conformes à legislação vigente, voto no sentido de negar provimento ao recurso." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 57DF CARF MF Impresso em 17/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por MANUELLA BEATRIZ SANTOS VIEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10830.724406/2013-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Nov 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
INTIMAÇÃO ELETRÔNICA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO - DTE. ADESÃO ESPONTÂNEA. PEDIDO PARA QUE INTIMAÇÕES FOSSEM EFETUADAS POR VIA POSTAL. INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTO. INTIMAÇÃO ELETRÔNICA VÁLIDA. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO.
Diante da adesão espontânea, por meio de Certificado Digital, ao Domicílio Tributário Eletrônico, via Portal e-CAC da Receita Federal, sem que tenha havido posterior cancelamento desta opção, e ciente das disposições do art. 27, inc. III, do Dec. 70.235/72, quanto à validade da intimação eletrônica, não cabe alegação de nulidade da intimação, baseado no fato de que a contribuinte registrou em sua impugnação, pedido de intimação por via postal. O acórdão da DRJ consignou que as intimações seriam enviadas para o domicílio tributário do contribuinte. O envio da intimação para o Domicílio Tributário Eletrônico do contribuinte, portanto, está em conformidade com o acórdão recorrido e com a determinação do referido art. 27.
Numero da decisão: 1302-001.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, por ser intempestivo, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich que votou por conhecer o recurso e, no mérito, NEGAR-LHE provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 INTIMAÇÃO ELETRÔNICA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO - DTE. ADESÃO ESPONTÂNEA. PEDIDO PARA QUE INTIMAÇÕES FOSSEM EFETUADAS POR VIA POSTAL. INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTO. INTIMAÇÃO ELETRÔNICA VÁLIDA. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. Diante da adesão espontânea, por meio de Certificado Digital, ao Domicílio Tributário Eletrônico, via Portal e-CAC da Receita Federal, sem que tenha havido posterior cancelamento desta opção, e ciente das disposições do art. 27, inc. III, do Dec. 70.235/72, quanto à validade da intimação eletrônica, não cabe alegação de nulidade da intimação, baseado no fato de que a contribuinte registrou em sua impugnação, pedido de intimação por via postal. O acórdão da DRJ consignou que as intimações seriam enviadas para o domicílio tributário do contribuinte. O envio da intimação para o Domicílio Tributário Eletrônico do contribuinte, portanto, está em conformidade com o acórdão recorrido e com a determinação do referido art. 27.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, por ser intempestivo, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich que votou por conhecer o recurso e, no mérito, NEGAR-LHE provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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Locação de Mão de Obra Recorrente E.J. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM RECURSOS HUMANOS SOCIEDADE LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 INTIMAÇÃO ELETRÔNICA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO DTE. ADESÃO ESPONTÂNEA. PEDIDO PARA QUE INTIMAÇÕES FOSSEM EFETUADAS POR VIA POSTAL. INEXISTÊNCIA DE FUNDAMENTO. INTIMAÇÃO ELETRÔNICA VÁLIDA. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. Diante da adesão espontânea, por meio de Certificado Digital, ao Domicílio Tributário Eletrônico, via Portal eCAC da Receita Federal, sem que tenha havido posterior cancelamento desta opção, e ciente das disposições do art. 27, inc. III, do Dec. 70.235/72, quanto à validade da intimação eletrônica, não cabe alegação de nulidade da intimação, baseado no fato de que a contribuinte registrou em sua impugnação, pedido de intimação por via postal. O acórdão da DRJ consignou que as intimações seriam enviadas para o domicílio tributário do contribuinte. O envio da intimação para o Domicílio Tributário Eletrônico do contribuinte, portanto, está em conformidade com o acórdão recorrido e com a determinação do referido art. 27. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NÃO CONHECER do recurso voluntário, por ser intempestivo, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich que votou por conhecer o recurso e, no mérito, NEGARLHE provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 44 06 /2 01 3- 95 Fl. 1470DF CARF MF Processo nº 10830.724406/201395 Acórdão n.º 1302001.993 S1C3T2 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário face ao Acórdão nº 1267.115, da 8ª Turma da DRJ/RJ1 Rio de Janeiro, de 24/07/2014 que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação da recorrente, relativa as suas alegadas atividades de fornecimento de mão de obra temporária. Os autos se referem a obrigações tributárias relativas ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e reflexos Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição ao Programa de Integração Social PIS e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no ano calendário 2009. Em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal a recorrente teria oferecido à tributação apenas parte da receita auferida com a prestação de serviços de intermediação, deixando de oferecer os demais valores recebidos a título de "reembolso" (salários, encargos sociais e benefícios) no ano calendário de 2009, a saber: "(...) após análise dos livros e documentos (planilhas) encaminhados pela fiscalizada constatouse que a mesma ofereceu à tributação apenas a parte da receita auferida com a Prestação de Serviços de Intermediação, deixando de oferecer os demais valores recebidos denominados pela mesma como de reembolso (salários, encargos e benefícios). Entretanto, conforme já explanado anteriormente, não há previsão legal para a exclusão da receita bruta dos valores recebidos das tomadoras referentes aos salários, encargos e benefícios, eis que tais valores estão incluídos no preço do serviço prestado, nos termos do artigo 31 da Lei 8.9814/1995: (...). Alega que tais Receitas Financeiras foram adicionadas às bases de cálculo do PIS e da COFINS até o período de apuração, maio de 2009, tendo em vista a revogação do § 1º do artigo 3° da Lei 9.718/98, efetuada pelo inciso XII do artigo 79 da Lei 11.941/2009. Irresignada com a lavratura dos autos de infração, a recorrente apresentou impugnação, julgada parcialmente procedente, nos termos do Acórdão recorrido, tão somente para excluir as receitas financeiras da base de cálculo do PIS e da COFINS, mantendose o restante dos débitos cobrados pelos autos de infração em comento. Fl. 1471DF CARF MF Processo nº 10830.724406/201395 Acórdão n.º 1302001.993 S1C3T2 Fl. 4 3 A recorrente foi intimada eletronicamente, via Domicílio Tributário Eletrônico DTE, em 01/08/2016 (fl. 1.156). A ciência deuse por decurso de prazo, em 16/08/2014. O Recurso Voluntário foi apresentado, em 03/12/2014 (fls. 1.181/1.224), em que, resumidamente, a recorrente alega que não poderiam ser exigidos da recorrente a diferença de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS supostamente incidentes sobre os valores que são repassados por seus clientes e pagos à mão de obra fornecida (receitas de terceiros), uma vez que tais quantias não constituiriam sua receita bruta, mas sim meras "entradas". É o relatório. Voto A recorrente está regularmente representada. Todavia seu recurso voluntário é intempestivo, como a seguir se exposto. A recorrente alega, em preliminar, que seria nula a intimação eletrônica que foi enviada para a caixa postal que representa o seu domicílio tributário eletrônico, sob a alegação de que, na realidade, deveria ter ocorrido pela via postal em seu endereço, conforme expressamente requerido em sua impugnação. Apresenta as seguintes razões: Isto é, conforme se verifica às fls. 36 da sua impugnação, a ora recorrente requereu expressamente que "sejam todas as intimações e avisos decorrentes do presente feito realizados por correio, com aviso de recebimento (AR), no endereço da ora impugnante, qual seja, Avenida Francisco Glicério, 1.729, Centro, Campinas/SP, CEP 13012000, sob pena de nulidade". E tal pedido foi analisado e acolhido pelo v. acórdão recorrido, a saber: "Da intimação Quanto ao requerimento do interessado para que todas as intimações e avisos decorrentes do presente feito, realizados pelo correio, com aviso de recebimento (AR), sejam efetuados no seu endereço, cabe transcrever o art. 23 Decreto 70.235/72, in verbis: "Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova, de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. § 1° O edital será publicado, uma única vez, em órgão de imprensa oficial local, ou afixado em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação. Fl. 1472DF CARF MF Processo nº 10830.724406/201395 Acórdão n.º 1302001.993 S1C3T2 Fl. 5 4 §2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III quinze dias após a publicação ou afixação do edital, se este for o meio utilizado. § 3° Os meios de intimação previstos nos incisos I e II deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4º Considerase domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo o do endereço postal, eletrônico ou de fax, por ele fornecido, para fins cadastrais, à Secretaria da Receita Federal." (grifamos) Neste sentido, concluise que todas as intimações, publicações ou notificações serão remetidas para domicílio tributário do interessado. Como se vê, a d. autoridade julgadora de primeira instância, ao analisar o pedido da ora recorrente, no sentido de que as intimações decorrentes do presente feito deveriam ocorrer por via postal no endereço da sua sede, concluiu que todas as intimações deveriam ser remetidas ao seu domicílio tributário que, nos termos do §4° do art. 23 do Decreto 70.235/72, corresponde ao endereço postal, eletrônico ou de fax fornecido pelo contribuinte. E, considerando que a ora recorrente foi clara e expressa em sua impugnação quanto ao fornecimento de seu endereço postal para fins de recebimento de todo e qualquer aviso e intimação decorrente do feito, o que foi expressamente validado pelo v. acórdão recorrido, nao há dúvidas de que a intimação via DTE é nula. Insistase: a ora recorrente deixou consignado expressamente o seu domicílio tributário para fins de intimação decorrente do presente feito, qual seja, o endereço de sua sede e, não obstante a isso, a d. Receita Federal a intimou indevidamente por DTE, o que, sem maiores delongas, comprova a patente nulidade da referida intimação. Nesse sentido, a própria Receita Federal do Brasil entende que "o domicílio tributário do sujeito passivo para fins de intimação será o seu endereço cadastral, informado pelo próprio contribuinte à administração tributária." e que "na intimação por via postal, é suficiente, para darse por cientificado o sujeito passivo, que a mesma seja encaminhada e recebida no domicílio fiscal eleito por ele, correspondente ao endereço constante dos cadastros da Secretaria da Receita Federal do Brasil." Assim, tendo em vista o pedido expresso feito na impugnação da ora recorrente de que as intimações fossem feitas em seu endereço via postal, é medida de rigor a anulação da intimação realizada via DTE, sendo certo, por conseguinte, que ela não poderia ser considerada como termo a quo para contagem do prazo para interposição de recurso voluntário em face do acórdão que julgou a impugnação parcialmente procedente. Ressaltase, a propósito, que a Lei n° 9.784/99, que regula especificamente o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, determina que Fl. 1473DF CARF MF Processo nº 10830.724406/201395 Acórdão n.º 1302001.993 S1C3T2 Fl. 6 5 as intimações realizadas sem a observância das prescrições legais são nulas, sendo que o comparecimento espontâneo do contribuinte supre a irregularidade. Vejase: Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência de decisão ou a efetivação de diligências. (...) § 5° As intimações serão nulas quando feitas sem observância das prescrições legais, mas o comparecimento do administrado supre sua falta ou irregularidade, (g.n.) Deveras, é exatamente esta a situação ocorrida no presente caso. Isto é, diante da patente nulidade da intimação via DTE e do comparecimento da ora recorrente mediante a interposição do presente recurso voluntário, temse que ele é tempestivo e, por conseguinte, deverá ser regularmente processado e julgado por este Egrégio Conselho. Nessa esteira, vale mencionar que a própria Receita Federal do Brasil firmou posicionamento no sentido de que se a intimação não foi enviada ao endereço fornecido pelo contribuinte à Receita Federal, o lançamento deverá ser anulado: "LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO VÁLIDA. NULIDADE. A intimação válida na forma do art. 23 do Decreto n° 70.235, de 1972 ,é condição para a constituição regular do crédito tributário por intermédio do lançamento. Na ausência de intimação o lançamento deverá ser anulado. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. Considerase domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo o endereço por ele fornecido à Secretaria da Receita Federal, para fins cadastrais." Assim, aplicando o entendimento acima ao presente caso, temse que a intimação por Domicílio Tributário Eletrônico deve ser anulada, visto que este não foi o domicílio eleito pela ora recorrente para fins de recebimento das intimações correspondentes ao presente processo administrativo. É importante ressaltar, neste ponto, que o presente recurso deverá, obrigatoriamente, ser remetido ao E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pelo simples fato da recorrente ter suscitado e demonstrado, em sede de preliminar, a nulidade da intimação e a tempestividade do presente recurso. Isto, pois, como se sabe, o Ato Declaratório Normativo COSIT n° 15 de 12/07/1996 determina expressamente que, se for suscitada preliminar de tempestividade, o que justamente ocorre no caso em apreço, o crédito tributário discuto no processo administrativo será suspenso e a respectiva defesa ou recurso será julgado pela autoridade competente, a saber: "O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art. 151. , inciso III do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 e nos arts. 15 e 21 do Decreto n° 70.235, de 06 de Fl. 1474DF CARF MF Processo nº 10830.724406/201395 Acórdão n.º 1302001.993 S1C3T2 Fl. 7 6 março de 1972, com a redação do art. Io da Lei n° 8.748, de 9 de dezembro de 1993. Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal as Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada a cobrança amigável, sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar." Como se vê, o Ato Declaratório assegura que, diante da preliminar de tempestividade suscitada pela ora recorrente, o presente processo administrativo NÃO poderá ser encaminhado para inscrição em dívida ativa, tampouco para cobrança executiva, mas sim enviado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para análise e julgamento do recurso voluntário. Em outras palavras, considerando que a Receita Federal do Brasil, em norma por ela mesmo editada, assegura ao contribuinte que, se for suscitada preliminar de tempestividade, o recurso apresentado no âmbito administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário em discussão e, ainda, obriga o julgamento em segunda instância administrativa, não há dúvidas de que o processo administrativo em tela não poderá ser encaminhado para dívida ativa e cobrança executiva. Confirase o posicionamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda CARF, no sentido de que, se for suscitada preliminar de tempestividade na defesa/recurso, o que justamente ocorre no caso em comento, o crédito tributário deverá permanecer com a exigibilidade suspensa e o feito encaminhado para julgamento, a saber: "IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. AUSÊNCIA DE PRELIMINAR DE INTEMPESTIVIDADE. CONHECIMENTO DO RECURSO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de objeto, não se toma conhecimento de recurso voluntário interposto contra decisão de primeiro grau que não tomou conhecimento de impugnação intempestiva se essa questão não foi suscitada, em sede de preliminar, na fase recursal. Recurso Voluntário Não Conhecido." "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2003 ARGUIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. A defesa apresentada fora do prazo legal, se suscitada a preliminar de tempestividade, esta será observada. Restando intempestiva a impugnação, não se instaura a fase litigiosa do procedimento e não se examina as demais questões arguidas. Recurso Voluntário Não Conhecido." Fl. 1475DF CARF MF Processo nº 10830.724406/201395 Acórdão n.º 1302001.993 S1C3T2 Fl. 8 7 À vista de tais razões da recorrente passo à análise dos efeitos da presente intimação eletrônica, via Domicílio Tributário Eletrônico DTE. O art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação alterada pelo artigo 33 da Lei nº 12.844 de 2013, determina que a intimação, quando esta se der por meio eletrônico, considerarseá feita, da seguinte forma: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) Na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) Na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; Com base nesta disposição legal, a Receita Federal instituiu a possibilidade de as intimações de atos e decisões da Receita Federal do Brasil serem efetuadas, por meio do eCAC, através do serviço de “Caixa Postal – Mensagens Informativas”. Em decorrência da Lei nº 12.844/2013, portanto, estabeleceu que o contribuinte será considerado intimado pelo eCAC na data da consulta ao seu endereço eletrônico, mesmo que a visualização ocorra antes do transcurso do prazo de 15 dias da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, dispensando se, assim, a ciência pessoal ou por correio. No caso, a recorrente optou pelo domicílio tributário eletrônico. Foilhe, assim, assegurado a prerrogativa de cadastrar até 3 endereços de email e informados até 3 números de celulares, para recebimento de SMS, com o objetivo de alertálo sobre a existência de mensagens importantes na caixa postal do eCAC. Conforme dispõe a Instrução Normativa RFB nº 1.077/2010, em seu Anexo I, o Domicílio Tributário Eletrônico é representado por uma Caixa Postal que passa a ser utilizada por pessoas físicas e jurídicas. A adesão é facultativa e adesão só pode ser efetuada mediante a utilização de certificado digital (eCPF ou eCNPJ), por meio de procedimentos específicos realizados no sítio da RFB. A Receita Federal tem resguardada a faculdade de realizar as intimações tanto pela via eletrônica, como pelas demais vias, sem que haja previsão legal que determine ordem preferencial. Ainda assim, destacase que está assegurado ao contribuinte o direito de cancelar a opção pelo recebimento de intimações pela Caixa Postal do eCAC, a qualquer momento, sendo necessário apenas a apresentação do Termo de Cancelamento de Opção por Domicílio Tributário Eletrônico, conforme consta no Anexo II da Instrução Normativa SRF nº 664/2006. Diante de tais normas legais e regulamentares específicas sobre a intimação eletrônica, verifico que o acórdão recorrido, ao registrar que as intimações seriam enviadas ao domicílio do contribuinte, não lhe assegurou que seria pela via postal. Nem poderia ser, pois, como dito, não há previsão legal para se dar exclusividade ao contribuinte que deseja ser intimado por via postal. Fl. 1476DF CARF MF Processo nº 10830.724406/201395 Acórdão n.º 1302001.993 S1C3T2 Fl. 9 8 Temse que, ao aderir espontaneamente ao DTE a recorrente aquiesceu às regras específicas. Em especial, à obrigatoriedade de cadastrar emails e celulares para receber alertas de que deveria acessar a caixa postal de seu DTE. É possível que a adesão pela recorrente tenha se dado em função das inúmeras vantagens e segurança que o DTE confere ao contribuinte. Não há, portanto, fundamento que possa amparar as razões sustentadas pela recorrente com o intuito de ver declarada a nulidade da intimação eletrônica em questão. Por todo o exposto, considero intempestivo o apelo e voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário. ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Fl. 1477DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14485.001738/2007-88
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1998 a 30/05/2006
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 150, §4, INC. I, DO CTN. ENTENDIMENTO PACIFICADO PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. PORTARIA MF Nº 586/2010. APLICAÇÃO.
O E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 973.733/SC, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, pacificou o entendimento de que o prazo decadencial para lançar os tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que não houve pagamento antecipado do tributo, conforme disposto no art. 173, inc. I, do CTN, ou de 5 anos a contar da data do fato gerador, caso tenha havido o pagamento antecipado do tributo, consoante art. 150, § 4º, do CTN.
Numero da decisão: 9202-004.454
Decisão: Recurso Especial provido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência, arguida pelo conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1998 a 30/05/2006 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 150, §4, INC. I, DO CTN. ENTENDIMENTO PACIFICADO PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. PORTARIA MF Nº 586/2010. APLICAÇÃO. O E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 973.733/SC, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, pacificou o entendimento de que o prazo decadencial para lançar os tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que não houve pagamento antecipado do tributo, conforme disposto no art. 173, inc. I, do CTN, ou de 5 anos a contar da data do fato gerador, caso tenha havido o pagamento antecipado do tributo, consoante art. 150, § 4º, do CTN.
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 150, §4, INC. I, DO CTN. ENTENDIMENTO PACIFICADO PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. PORTARIA MF Nº 586/2010. APLICAÇÃO. O E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp nº 973.733/SC, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, pacificou o entendimento de que o prazo decadencial para lançar os tributos sujeitos a lançamento por homologação é de 5 anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que não houve pagamento antecipado do tributo, conforme disposto no art. 173, inc. I, do CTN, ou de 5 anos a contar da data do fato gerador, caso tenha havido o pagamento antecipado do tributo, consoante art. 150, § 4º, do CTN. Recurso Especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de conversão do julgamento em diligência, arguida pelo conselheiro Heitor de Souza Lima Junior. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 5. 00 17 38 /2 00 7- 88 Fl. 611DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 230201.111, proferido pela 2º Turma Ordinária/3ª Câmara/2ª Seção de Julgamento do CARF. A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa referente a verba paga a título de participação nos lucros e resultados. O período do presente levantamento abrange as competências abril de 1998 a maio de 2006, fls. 69/72. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela sociedade empresária, fls. 243/259. A Delegacia da Receita Previdenciária decidiu pela procedência do lançamento, fls. 447/465. Não concordando com a decisão do órgão fazendário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 468/491. Em síntese, a recorrente em seu recurso alegou o seguinte: a NFLD é nula por falta de fundamento legal; nenhum fundamento da Lei 10.101 consta do FLD; apenas constar no relatório fiscal não é suficiente; haverá nulidade da CDA; parte do crédito foi atingido pela decadência; o PLR não possui natureza salarial; a norma constitucional possui eficácia plena; não há dúvidas, portanto, que a PLR da recorrente era intensamente negociada e todos os empregados tinham perfeita ciência de seus objetivos; a assinatura do Acordo de PLR apenas formaliza e ratifica todo o quanto já negociado e aprovado pela empresa e empregados; não há amparo legal para o argumento da fiscalização; não houve o cometimento de fraude, nem qualquer alegação da Fiscalização nesse sentido; não há na Lei n° 10.101/00 qualquer requisito impedindo que o empregador e seus empregados assinem o instrumento de acordo sobre a PLR em data posterior ao início do período de avaliação; houve, comprovadamente, intensa participação dos empregados (e da Comissão) na discussão das cláusulas e condições das PLR. Não foram apresentadas contrarrazões pelo órgão fazendário. Por meio de petição apresentada em sustentação, a recorrente informa que desistiu parcialmente do recurso incluindo as competências abril de 2003; maio de 2004; junho de 2005; maio de 2006. Fl. 612DF CARF MF Processo nº 14485.001738/200788 Acórdão n.º 9202004.454 CSRFT2 Fl. 10 3 A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 494/505, concedeu parcial provimento ao recurso, reconhecendo parcialmente a decadência, sob o argumento de que, por se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação, cujo pagamento não foi realizado, é necessário o lançamento de ofício. Por não ter pago, nem declarado em GFIP, os valores somente conseguiriam ser apurados em ação fiscal, daí a aplicabilidade do art. 173, inciso I do CTN, para efeitos da contagem do prazo decadencial. A obrigação não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de abril de 1998 a maio de 2006. O lançamento foi cientificado ao sujeito passivo em 24 de outubro de 2007, fl. 01. Caso o sujeito passivo não antecipe o pagamento, porque entenda que o tributo não é devido, obviamente não haverá crédito a ser extinto por homologação. Pelo exposto, encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial os fatos geradores (pagamentos) apurados pela fiscalização ocorridos anteriormente à competência novembro de 2001, inclusive esta, bem como o décimo terceiro desse ano. A competência dezembro de 2001 não decaiu, pois o crédito somente poderia ser constituído após o vencimento, ou seja em 2 de janeiro de 2002; assim o prazo de decadência, para tal competência, possui como termo de início o primeiro dia do exercício seguinte, ou seja o dia 1º de janeiro de 2003, a qual findaria em 1º de janeiro de 2008. O Contribuinte interpôs Recurso Especial às fls. 540/550, aduzindo divergência jurisprudencial a decadência do crédito constituído no Auto de Infração, pois, enquanto o acórdão recorrido entendeu que não seria aplicado o art. 150, § 4º, do CTN, uma vez que não houve a antecipação do pagamento da contribuição sobre a rubrica autuada, o acórdão paradigma entendeu que a exigência da contribuição sobre o salário indireto apenas amplia a base de cálculo menor, em todas as competências do auto de infração, atraindo, pois, a aplicação do art. 150, § 4º do CTN. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial, às fls. 578/579, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso do Contribuinte, visualizando a divergência, pois, enquanto o acórdão recorrido entendeu que deveria ser observado o art. 173, I do CTN, o acórdão paradigma considerou que, uma vez que comprovadamente a recorrente procedeu a recolhimentos previdenciários parciais, deve ser aplicado art. 150, § 4º do CTN. Às fls. 591/594, o Contribuinte apresentou pedido de desistência PARCIAL da discussão administrativa, referente apenas às competências de 10/2002 a 05/2006, e requerendo a configuração da decadência das outras competências, quais sejam, 04/1998 a 09/2002. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 599/608, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Fl. 613DF CARF MF 4 Voto Conselheira Ana Paula Fernandes – Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa referente a verba paga a título de participação nos lucros e resultados. O período do presente levantamento abrange as competências abril de 1998 a maio de 2006, fls. 69/72. O Acórdão recorrido concedeu parcial provimento ao recurso, reconhecendo parcialmente a decadência. O Recurso Especial, apresentado pelo Contribuinte, na parte que restou acolhida, trouxe para análise a divergência jurisprudencial sobre a decadência: enquanto o acórdão recorrido entendeu que não seria aplicado o art. 150, § 4º, do CTN, uma vez que não houve a antecipação do pagamento da contribuição sobre a rubrica autuada, o acórdão paradigma entendeu que a exigência da contribuição sobre o salário indireto apenas amplia a base de cálculo menor, em todas as competências do auto de infração, atraindo, pois, a aplicação do art. 150, § 4º do CTN. O Recurso Especial insurgiuse tão somente quanto à tese decadencial, conforme relatado alhures. Pois bem, para tratar da decadência do direito da Fazenda Nacional em lançar de ofício o imposto em questão é preciso analisar o fato gerador deste tributo. No presente caso tratase de Contribuição Previdenciária, cujo auto de infração discute o descumprimento de obrigação principal, a empresa recorrente deixou de recolher a contribuição devida sobre a remuneração de seus empregados. Estamos tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, onde parte da obrigação foi omitida pelo contribuinte e lançada de ofício pela Receita Federal, ensejando a dúvida entre a aplicação do disposto no art. 150, §4 ou 173, I, do CTN. Para elidir esta discussão necessário se faz que se observem outros requisitos. Embora o contribuinte tenha de fato omitido parte das receitas em sua declaração e isso tenha ensejado o lançamento de ofício, é preciso que se observe se houve adiantamento do pagamento do imposto devido ou de parte dele. Contudo, embora minha simpatia com a tese esposada pela Fazenda Nacional no tocante a aplicação do art. 173, I, nos casos de lançamento de ofício, no caso em tela, por força do artigo 62 do RICARF havendo orientação firmada no RE 973.733SC, me filio ao atual entendimento do STJ, no qual ficou definido que havendo o adiantamento de pelo menos parte do pagamento do imposto, este atrai a aplicação do art. 150, § 4 do CTN. Observese a Ementa do referido julgado: AGRAVO REGIMENTAL. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ICMS. Fl. 614DF CARF MF Processo nº 14485.001738/200788 Acórdão n.º 9202004.454 CSRFT2 Fl. 11 5 INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173, DO CTN. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. (RECURSO REPETITIVO RESP 973.733SC). Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 02/03/2010 Data da Publicação/Fonte DJe 16/03/2010 1. O tributo sujeito a lançamento por homologação, em não ocorrendo o pagamento antecipado pelo contribuinte, incumbe ao Fisco o poderdever de efetuar o lançamento de ofício substitutivo, que deve obedecer ao prazo decadencial estipulado pelo artigo 173, I, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue se após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (...) 3. Desta sorte, como o lançamento direto (artigo 149, do CTN) poderia ter sido efetivado desde a ocorrência do fato gerador, é do primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao nascimento da obrigação tributária que se conta o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário, na hipótese, entre outras, da não ocorrência do pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, independentemente da data extintiva do direito potestativo de o Estado rever e homologar o ato de formalização do crédito tributário efetuado pelo contribuinte ... (...) 5. À luz da novel metodologia legal, publicado o julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, submetido ao regime previsto no artigo 543C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, do CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 6. Agravo regimental desprovido. A doutrina também se manifesta neste sentido: O prazo para homologação é, também, o prazo para lançar de ofício eventual diferença devida. O prazo deste § 4° tem por finalidade dar segurança jurídica às relações tributárias. Ocorrido o fato gerador e efetuado o pagamento pelo sujeito passivo no prazo do vencimento, tal como previsto na legislação tributária, tem o Fisco o prazo de cinco anos, a contar do fato gerador, para emprestar definitividade a tal situação, homologando expressa ou tacitamente o pagamento realizado, com o que chancela o cálculo realizado pelo contribuinte. É neste prazo para homologação que o Fisco deve promover a fiscalização, analisando o pagamento efetuado e, no caso de entender que é insuficiente, fazer o lançamento de ofício através da lavratura de auto de infração, em vez de chancelálo pela homologação. Com o decurso do prazo de cinco anos contados do fato gerador, portanto, ocorre a decadência do direito do Fisco de lançar eventual diferença. A regra do § 4° deste art. 150 é regra especial relativamente à do art. 173, I, deste mesmo Código. E, havendo regra especial, prefere à regra geral. Não há que se falar em aplicação cumulativa de ambos os artigos, conforme se pode ver em nota ao art. 173, I, do CTN”. (PAULSEN, Leandro, 2014). Grifo nosso. Nessa perspectiva, cumpre enfatizar que o cerne da questão aqui debatida reside na análise da existência de pagamento antecipado de parte da contribuição exigida, cujo reconhecimento tem a aptidão de atrair a incidência do art. 150, § 4.º, do CTN. Em não havendo tal antecipação de pagamento, a aplicação do art. 173, I, do CTN é impositiva. Fl. 615DF CARF MF 6 Para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora pretendidos, afigurase óbvia a necessidade de se verificar se o contribuinte pagou parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos. Da análise dos autos verifico as fls. 56 a 58, do relatório fiscal a existência de pagamentos realizados sobre folha de pagamento sob o mesmo fundamento legal, em especial folha 58 a qual verificase a referência as diferenças recolhidas, tendo sido lavrada além da presente NFLD, também os seguintes documentos: 10.1. Auto de Infração 37.097.4743 (CFL 68) por não ter informado em GFIP os valores pagos a título de PLR em desacordo com a lei 10.101, de 19 de Dezembro de 2000. 10.2. NFLD 37.130.8569 onde estão lançadas separadamente as contribuições devidas relativas ao Salário Educação. Como houve lançamento de apenas três itens, conforme se verifica nas fls. 55: AI Número 370974743 Valor: 191.220,80 NFLD Número: 371308550 Valor: 4.014.057,46 NFLD Número: 371308569 Valor: 412.823,89 É de se concluir pela existência do recolhimento das diferenças, portanto, verificado o pagamento, para todos os períodos, vez que a NFLD de salário indireto corresponde as mesmas competências discutidas nos presentes autos, 01/98 a 12/06. Entendo desnecessária a diligencia apontada em sede de preliminar, vez que os dados constantes dos autos são suficientes para elidir a questão aqui debatida. Logo, constatada a existência de recolhimento, atrai a aplicação do disposto no 150, §4 do CTN, diferente do que decidiu o acórdão recorrido que merece reforma. Da análise do caso concreto, conforme apontado pelo acórdão recorrido, verificase que o lançamento em tela referese a período compreendido entre abril de 1998 a maio de 2006. O lançamento foi cientificado ao sujeito passivo em 24 de outubro de 2007, fl. 01. Assim, encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todas as competências anteriores a competência 10/2002. Diante do exposto, recebo o Recurso Especial interposto pelo contribuinte, para no mérito darlhe provimento. É como voto. (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 616DF CARF MF Processo nº 14485.001738/200788 Acórdão n.º 9202004.454 CSRFT2 Fl. 12 7 Fl. 617DF CARF MF
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Numero do processo: 17613.721746/2011-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DEPENDENTE. FILHA MAIOR DE 21 ANOS, INCAPACITADA PARA O TRABALHO.
Poderá ser considerada como dependente filha maior de vinte e um anos, uma vez comprovada a sua incapacidade ao trabalho.
PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO.
1. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. (Súmula CARF nº 98.)
2. Comprovada a existência da pensão alimentícia judicial, bem como seu pagamento, cancela-se a glosa anteriormente efetuada.
DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO E DEDUÇÃO DE PENSÃO JUDICIAL EM SEPARADO. ARTS. 638, IV, 641 E 643 DO RIR/99.
O décimo terceiro salário é tributado exclusivamente na fonte, sendo as deduções correspondentes também realizadas em separado, forte nos arts. 638, inciso IV, 641 e 643 do RIR/99
Numero da decisão: 2301-004.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para (a) considerar dedutível, para fins de pensão alimentícia, o valor de R$37.972,65 e (b) reconhecer a condição de dependente, no ano de 2009, de Andressa Fraga Valentim, cancelando a glosa correspondente, nos termos do voto do relator.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 30/09/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 DEPENDENTE. FILHA MAIOR DE 21 ANOS, INCAPACITADA PARA O TRABALHO. Poderá ser considerada como dependente filha maior de vinte e um anos, uma vez comprovada a sua incapacidade ao trabalho. PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO. 1. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. (Súmula CARF nº 98.) 2. Comprovada a existência da pensão alimentícia judicial, bem como seu pagamento, cancela-se a glosa anteriormente efetuada. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO E DEDUÇÃO DE PENSÃO JUDICIAL EM SEPARADO. ARTS. 638, IV, 641 E 643 DO RIR/99. O décimo terceiro salário é tributado exclusivamente na fonte, sendo as deduções correspondentes também realizadas em separado, forte nos arts. 638, inciso IV, 641 e 643 do RIR/99
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FILHA MAIOR DE 21 ANOS, INCAPACITADA PARA O TRABALHO. Poderá ser considerada como dependente filha maior de vinte e um anos, uma vez comprovada a sua incapacidade ao trabalho. PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO. 1. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. (Súmula CARF nº 98.) 2. Comprovada a existência da pensão alimentícia judicial, bem como seu pagamento, cancelase a glosa anteriormente efetuada. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO E DEDUÇÃO DE PENSÃO JUDICIAL EM SEPARADO. ARTS. 638, IV, 641 E 643 DO RIR/99. O décimo terceiro salário é tributado exclusivamente na fonte, sendo as deduções correspondentes também realizadas em separado, forte nos arts. 638, inciso IV, 641 e 643 do RIR/99 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, para (a) considerar dedutível, para fins de pensão alimentícia, o valor de R$37.972,65 e (b) reconhecer a condição de dependente, no ano de 2009, de Andressa Fraga Valentim, cancelando a glosa correspondente, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 61 3. 72 17 46 /2 01 1- 14 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 30/09/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza e Gisa Barbosa Gambogi Neves. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 06047.889, exarado pela 5ª Turma da DRJ em Curitiba (fls. 155 a 161 – numeração dos autos eletrônicos). Pela Notificação de Lançamento (NL) 2010/288568378961221 (fls. 06 a 14) exigese do contribuinte crédito tributário no valor de R$ 42.427,58, decorrente da revisão da Declaração de Ajuste Anual (DAA), anocalendário 2009, pela qual foram glosados, no que interessa a este recurso voluntário, valores declarados a título de dedução de dependentes e de pensão alimentícia. Na impugnação (fls. 03 e 04), restou alegado que: (a) a glosa de dedução de dependentes é indevida, pois tal dedução referese à sua companheira e a filhos menores ou incapaz que de fato são seus dependentes; (b) a glosa de dedução de pensão alimentícia é indevida, pois tal despesa está baseada em decisão judicial. Analisada de ofício a documentação apresentada pelo contribuinte, a autoridade autuante acolheu em parte as alegações contidas na impugnação. Ainda inconformado quanto ao saldo do IRPF SUPLEMENTAR mantido no DespachoDecisório, o contribuinte manifestouse nos seguintes termos: (a) quanto à dedução de dependentes: discordo da glosa de R$1.730,40 referente à dependente maior de 24 anos, Andressa Fraga Valentim – CPF 043.592.26705, pois a sua relação de dependência não foi tratada em decisão judicial, mas sim em decisão clínica, pois tal pessoa sempre foi, e continua sendo, incapaz de se manter sozinha, conforme demonstram os laudos médicos apresentados e decisão de peritos do INSS, que lhe concederam pensão a partir do mês de abril de 2012 (fl. 128); (b) quanto à dedução de despesas com pensão alimentícia: foram apresentados, em 09.01.2012, documentos comprobatórios dos valores pagos com a pensão alimentícia declarada, os quais foram recebidos e protocolizados sob o Nr 07.201.00/5705; porém, no Termo Circunstanciado constou a afirmação de que não foi apresentado documento judicial homologando a dissolução conjugal que justificasse as deduções da base de cálculo do IRPF; discordar da glosa do valor de R$ 41.555,21; ter solicitado à Justiça a exoneração do pagamento de pensão de uma filha (Danielly Assis Valentim), hoje com mais de 30 anos; porém, o Juiz negouse a atender tal pedido, alegando que "para casos de pensão alimentícia não existe o fator idade limítrofe de 24 anos, pois existem outras questões a serem consideradas em face das normas do Direito de Família, sendo que a pensão é estabelecida após avaliações profundas relacionadas a questões essenciais à pessoa humana, como o direito de subsistência e dignidade da vida". Fl. 188DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 17613.721746/201114 Acórdão n.º 2301004.826 S2C3T1 Fl. 188 3 A DRJ julgou parcialmente procedente a impugnação, e o acórdão recorrido recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2009 DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Comprovada a legitimidade de despesa dedutível declarada, deve ser revisto o lançamento tributário realizado. DEDUÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Mantémse a glosa de dedução de despesa informada em Declaração de Ajuste Anual quando o contribuinte não comprova a sua procedência mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. A ciência dessa decisão ocorreu em 14/08/2014 (aviso de recebimento EBCT, fl. 166). Em 12/09/2014, foi apresentado recurso voluntário (fls. 168 a 172), reiterando os termos de suas manifestações anteriores e referindo, (a) em relação às despesas com dependentes, ser o médico Sebastião Lyrio Loureiro ligado ao SUS, sendo o seu laudo oficial, embora esse preste atendimento a sua filha em seu consultório particular e ser dispensável, segundo decisão do STJ, a apresentação de laudo médico oficial para caracterizar a situação de isento do imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF) e (b) em relação à pensão alimentícia, ter juntado aos autos certidão de objeto e pé, referida pela decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DA DEDUÇÃO DE DEPENDENTES A decisão recorrida decidiu a questão com base nos seguintes fundamentos: Da dedução de dependentes 8. O contribuinte alega que sua filha, a maior ANDRESSA FRAGA VALENTIM, deve ser considerada sua dependente, em razão de ser incapaz para o trabalho e, como prova de tal afirmação, junta diversas declarações médicas sobre tratamento psiquiátrico a que foi submetida tal pessoa, bem como aponta decisão INSS reconhecendo a sua incapacidade laboral, para fins de recebimento do benefício de auxíliodoença. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 8.1. Sobre tal pedido, cabia ao interessado demonstrar, por intermédio de laudo médico oficial ou por decisão judicial, que no anocalendário de 2009 tal pessoa era de fato incapaz para o trabalho, no entanto, o contribuinte juntou apenas documentos (fls 109/121) que apontam sim para a existência de transtornos psiquiátricos em sua filha, mas não provam que no ano de 2009 tal pessoa era incapaz para o trabalho, razão que poderia justificar a sua dependência em relação ao impugnante, mesmo na maioridade. 8.2. Reforça o juízo de necessidade de comprovação específica da incapacidade dessa filha maior, relativamente ao ano de 2009, o fato de na petição e na decisão judicial de divórcio do impugnante em relação à Sra. Regina Célia Valetim, mãe de ANDRESSA (fls 137/139), não constar qualquer menção quanto à obrigatoriedade do impugnante pagar alimentos à filha ANDRESSA, mas apenas a outras duas filhas que o contribuinte tem com a sua exmulher Regina (as quais também já eram maiores à época). Diferentemente, penso que se encontram acostados aos autos provas suficientes da incapacidade laborativa de Andressa Fraga Valentim no ano de 2009: 1. em 2003, perícia médica no INSS conclui que é incapacitada para o trabalho (fl. 37); 2. em 2006, declaração de seu psiquiatra de que seu quadro afeta de modo significativo o seu funcionamento cotidiano e a sua capacidade laborativa (fl. 35); 3. em 2008, atestado de seu psiquiatra declarando que é portadora de transtorno depressivo recorrente, com intenso sentimento de menos valia, labilidade do humor e afetiva com crises de irritabilidade, redução da memória anterógrada e acentuação da memória retrógrada, comportamento infantilizado, troca do dia pela noite, com grande risco de suicídio (fl. 39); 4. em 2011 declaração de seu psiquiatra de que seu quadro afeta de modo significativo o seu funcionamento cotidiano e a sua capacidade laborativa (fl. 34). Não é razoável supor que em 2009 seu quadro, crônico e já atestado por perícia médica oficial em 2003 e por laudos particulares em 2006, 2008 e 2011, tenha sido alterado significativamente, a ponto de recuperar a capacidade para o trabalho justamente em tal anocalendário. Dessa forma, entendo que restou comprovada a dependência, para fins de imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), de Andressa Fraga Valentim, no ano de 2009. DA DEDUÇÃO DA PENSÃO ALIMENTÍCIA O valor glosado pela notificação de lançamento, por falta de comprovação, foi R$41.555,21 A decisão recorrida decidiu a questão com base nos seguintes fundamentos: Fl. 190DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 17613.721746/201114 Acórdão n.º 2301004.826 S2C3T1 Fl. 189 5 Da dedução de pensão alimentícia (...) 10.1. Entretanto, no que tange à glosa de dedução de pensão alimentícia paga à REGINA CÉLIA FRAGA VALENTIM, à GABRIELA FRAGA VALENTIM e à FERNANDA FRAGA VALENTIM, em virtude de a respectiva decisão judicial ter sido emitida ainda à época em que as filhas beneficiárias eram menores e dessa decisão já haver decorrido mais de 14 anos e, ainda, levando em consideração que as condições de pagamento de pensão alimentícia estão sujeitas à alteração durante o período de execução (ou seja, o valor e a própria obrigação de pagar pensão alimentícia não transitam em julgado), cabia ao contribuinte demonstrar que no anocalendário de 2009 ainda restava judicialmente obrigado a pagar a referida pensão na forma original em que a decisão foi proferida, bem como as condições de seu pagamento, mediante a apresentação de certidão de objeto e pé do respectivo processo. 10.2. Diante disso, especificamente quanto a esta pensão alimentícia, entendese que não há elementos nos autos capazes de alterar a glosa realizada pela autoridade fiscal. O “comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte” emitido pela Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan) (efl. 44) declara o pagamento de R$37.972,65 a título de “pensão judiciária”. Tal valor corresponde à soma dos pagamentos de R$29.261,59 (já excluída a parcela referente ao 13º salário), devidos respectivamente a Gabriela Fraga Valentin (efl. 33), R$5.381,88 a Danielly Assis Valentim (e fl. 32) e R$3.329,18 a Helenice Souza Assis (efl. 31), de acordo com os “comprovantes de rendimentos pagos por pensão alimentícia” emitidos pela Cesan. As sentenças homologando os acordos de alimentos devidos a Helenice Souza Assis e Danielly Assis Valentim estão acostadas, respectivamente, às fls. 131/132 e 133/135. Já as pensões devidas à Fernanda Fraga Valentin e sua mãe, Regina Célia Fraga Valentim, estão comprovadas por carta de sentença (fl. 182) e ofícios destinados ao Chefe do Departamento de Pessoal da Cesan (fls. 178 e 180), pela qual ficou o contribuinte obrigado ao pagamento, a título de pensão alimentícia para Regina Célia Fraga Valentin (ex companheira), Gabriela Fraga Valentin (filha) e Fernanda Fraga Valentin (filha), de 30%, “sendo 10% para cada filho e 10% para a excompanheira, de seus salários, adicional por tempo de serviço e quinquênio, abatidos de IR e INSS; importância a ser depositada na conta (...), e, nome de GABRIELA FRAGA VALENTIM” (Grifos no original.). A declaração de ajuste anual (DAA) 2009/2010 do contribuinte confirma a informação prestada por ocasião da apresentação do recurso voluntário, que não foi deduzida pensão alimentícia de Gabriela Fraga Valentin. De Regina Célia Fraga Valentin foi deduzido o valor de R$16.020,68 e de Fernanda Fraga Valentin a quantia de R$16.000,00 (fl. 21). Perceba se que o “comprovante de rendimentos pagos por pensão alimentícia” emitido pela Cesan está em nome de Gabriela Fraga Valentin, a qual, embora não mais seja objeto da pensão alimentícia, é a titular da conta corrente na qual são depositadas as pensões. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Assim, entendo comprovada a dedução da pensão alimentícia devidas a Regina Célia Fraga Valentin, Fernanda Fraga Valentin, Helenice Souza Assis e Danielly Assis Valentim até o montante que constou no “comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte” emitido pela Cesan, ou seja, R$37.972,65. Registro que os valores de pensão alimentícia sobre o décimo terceiro salário (no caso concreto, R$3.500,36 e R$823,47) não são dedutíveis, em face de que serem tributados exclusivamente na fonte, nos termos do art. 26 da Lei 7.713, de 1988, dos arts. 7º, IV e 16 da Lei 8.134, de 1990, e do art. 4º, II da Lei 9.250, de 1995 (dispositivos esses consolidados nos arts. 638, IV, 641 e 643 do Decreto 3.000, de 1999 Regulamento do Imposto de Renda – RIR 99). Neste sentido, também a jurisprudência deste Carf: DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO E DEDUÇÃO DE PENSÃO JUDICIAL EM SEPARADO. ARTS. 638, IV, 641 E 643 DO RIR/99. O décimo terceiro salário é tributado exclusivamente na fonte, sendo as deduções correspondentes também realizadas em separado, forte nos arts. 638, inciso IV, 641 e 643 do RIR/99. Recurso Voluntário Negado. (Acórdão 2802003.228, relator Ronnie Soares Anderson) PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL SOBRE O DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. Descabe a dedução, na declaração de ajuste anual, de pensão alimentícia já deduzida de décimo terceiro salário tributado exclusivamente na fonte. (2801 003.988, relator, Carlos Cesar Quadros Pierre) Conclusão Voto, portanto, por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, para (a) considerar dedutível, para fins de pensão alimentícia, o valor de R$37.972,65 e (b) reconhecer a condição de dependente, no ano de 2009, de Andressa Fraga Valentim, cancelando a glosa correspondente. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 192DF CARF MF Impresso em 07/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 05/10/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 19515.721208/2013-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
ARBITRAMENTO DE LUCROS
Sujeita-se ao arbitramento de lucros o contribuinte que, validamente intimado, não apresentar à fiscalização os livros e documentos que compõem sua escrituração contábil.
OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS
Presumem-se decorrentes de omissão de receita os valores depositados em conta bancária cuja origem não for comprovada mediante documentação hábil e idônea.
MULTA QUALIFICADA - PERCENTUAL DE APLICAÇÃO
Aplica-se a multa qualificada no percentual de 150% se estiverem comprovadas as circunstancias previstas na lei como caracterizadoras de infração qualificada, como a sonegação a fiscal prevista no art. 71 da Lei nº 4502/64.
LANÇAMENTOS DECORRENTES - CSLL - PIS - COFINS
O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso.
Numero da decisão: 1201-001.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos Recursos Voluntário e de Ofício
(assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
.
EDITADO EM: 25/09/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, José Roberto Adelino da Silva, Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada), Eva Maria Los e Ronaldo Apelbaum.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 ARBITRAMENTO DE LUCROS Sujeita-se ao arbitramento de lucros o contribuinte que, validamente intimado, não apresentar à fiscalização os livros e documentos que compõem sua escrituração contábil. OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS Presumem-se decorrentes de omissão de receita os valores depositados em conta bancária cuja origem não for comprovada mediante documentação hábil e idônea. MULTA QUALIFICADA - PERCENTUAL DE APLICAÇÃO Aplica-se a multa qualificada no percentual de 150% se estiverem comprovadas as circunstancias previstas na lei como caracterizadoras de infração qualificada, como a sonegação a fiscal prevista no art. 71 da Lei nº 4502/64. LANÇAMENTOS DECORRENTES - CSLL - PIS - COFINS O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso.
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OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Presumemse decorrentes de omissão de receita os valores depositados em conta bancária cuja origem não for comprovada mediante documentação hábil e idônea. MULTA QUALIFICADA PERCENTUAL DE APLICAÇÃO Aplicase a multa qualificada no percentual de 150% se estiverem comprovadas as circunstancias previstas na lei como caracterizadoras de infração qualificada, como a sonegação a fiscal prevista no art. 71 da Lei nº 4502/64. LANÇAMENTOS DECORRENTES CSLL PIS COFINS O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento aos Recursos Voluntário e de Ofício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 12 08 /2 01 3- 17 Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 25/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 2 (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. . EDITADO EM: 25/09/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, José Roberto Adelino da Silva, Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada), Eva Maria Los e Ronaldo Apelbaum. Relatório Conforme o Termo de Constatação Fiscal – TCF (fls. 797/809), em ação fiscal procedida na empresa ACS DISTRIBUIDORA LTDA, CNPJ nº 07.462.759/000135 (extinta), foi apurada omissão de receita, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. A ação fiscal originouse no fato de que a pessoa jurídica ACS Distribuidora Ltda (Extinta), durante o anocalendário de 2009, manteve movimentação financeira incompatível com a receita declarada. A empresa ACS Distribuidora Ltda (Extinta) apresentou Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – DIPJ, anocalendário 2009, optando pelo Lucro Presumido, na qual informou receita bruta anual de R$ 264.521,57 (sujeita a 8% informada na Ficha 14 – Cálculo de IRPJ e não informada na Ficha 18 – Cálculo da CSLL). Constatouse que no decorrer do anocalendário 2009, a empresa ACS Distribuidora Ltda (Extinta) movimentou recursos creditados em suas contas correntes, mantidas junto a instituições financeiras, num total de R$ 107.638.907,04. O representante legal perante a Receita federal do Brasil (RFB) é ARTHUR CELSO DE SOUZA, CPF nº 060.767.38855, sóciofundador da empresa ao qual foi imputada a responsabilidade tributária, com base nos arts. 134, inciso VII e 135, inciso I do CTN. Tendo em vista a falta de apresentação dos livros contábeis e fiscais, o Fisco procedeu à determinação do Lucro Arbitrado, com base no art. 530, III, considerando receita omitida os valores constantes do demonstrativo de fls. 808, constante do TVF. Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 25/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.721208/201317 Acórdão n.º 1201001.473 S1C2T1 Fl. 3 3 Foram lavrados em nome do representante legal perante a RFB, Sr. Arthur Carlos de Souza, CPF nº 060.767.38855, os autos de Infração de fls. 810/860, que exigem crédito tributário relativo ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, no total de R$ 17.026.957,13. Foram aplicadas as multas previstas no art. 44, I (75%) e 44, I e § 1º (150%) da Lei nº 9.430, de 1996, respectivamente, sobre as receitas relativas a “outros créditos na conta bancária” e “créditos vinculados à cobrança” (relacionadas no demonstrativo de fls. 808), ambas aumentadas de metade, conforme previsto no § 2º desse dispositivo legal, tendo em vista a falta de atendimento à intimação que solicitou livros fiscais e esclarecimentos a respeito da pessoa jurídica, ACS Distribuidora Ltda. Impugnação O ora recorrente apresentou Impugnação, alegando, inicialmente, a nulidade do auto de infração. Em suma, argui que as imputações contidas nos autos de infração baseiamse unicamente em informações obtidas mediante a quebra ilegal e inconstitucional do sigilo bancário da empresa ACS, o que torna evidente a ampla e total nulidade da autuação. Ademais disso, sustenta que foram imputadas penalidades majoradas que atingem 225% dos valores dos tributos tidos por devidos, sem que sequer sejam indicadas as razões de majoração, impossibilitando a defesa do impugnante. Alega, então, que não merece prosperar a pretensão constitutiva do crédito tributário, uma vez que entre outros motivos padece a autuação de vício de procedimento, bem como imputa multas desamparadas de substrato infracional. Ainda argumenta o ora Recorrente que, além da ausência de fundamentação legal e bases legais precisas para a aplicação das penalidades majoradas de 112,5% e 225%, referidos percentuais configuram montante excessivamente desproporcional às infrações tributárias supostamente cometidas, pelo que afrontam diretamente o princípio constitucional da capacidade econômica do contribuinte e violam o princípio de proteção ao direito de propriedade (art. 5º, XXII da CF), conforme prescrevem os arts. 145, § 1º e 150, IV da CF. Restou evidente, segundo ora recorrente, que não poderia ser submetido a multas excessivas e desproporcionais, devendo, ao menos, serem reduzidas a um patamar razoável e proporcional. Desta feita, requereu: 1 a nulidade dos autos de infração; 2 o sobrestamento do julgamento da impugnação com base no art. 62A, parágrafo 1º, do Regulamento Interno do Carf, tendo em vista que a matéria discutida na presente defesa encontrase afetada ao julgamento, por parte do STF, do Recurso Extraordinário de nº 601.314. Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 25/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 4 3 seja, no mérito, cancelado o auto de infração ou ao menos, sejam reduzidas as penalidades pecuniárias a um patamar razoável e proporcional. Decisão da 3ª Turma da DRJ/RPO Quanto à nulidade sustentada pelo ora recorrente, entendeuse que os autos de infração foram lavrados cumprindose as formalidades legais essenciais, informando o motivo da autuação, a capitulação legal clara e coerente com a descrição dos fatos e as correspondentes provas da infração, a multa aplicada e a fundamentação legal. Portanto, estariam presentes no processo todos os elementos para a comprovação da ocorrência do ilícito tributário, nos termos do disposto no art. 9º do PAF. Já quanto à arguida nulidade do auto infração, sob alegação de que a quebra do sigilo dos dados bancários, mediante RMF é ilegal, inconstitucional, esclareceuse que não é competência da autoridade administrativa apreciar arguição de inconstitucionalidade, nem declarar ou reconhecer a inconstitucionalidade de lei, pois essa competência foi atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário pela CF, art. 102. À autoridade administrativa caberia observar as normas e zelar pelo seu cumprimento. Portanto, concluise que não há de se falar em prova ilícita, pois os extratos bancários foram obtidos com base na LC nº 105, de 2001. Quanto à alegada falta de provas da ocorrência de omissão de receita, por parte do Fisco, ressaltouse que o sujeito passivo, ora recorrente, foi intimado a comprovar com documentação hábil e idônea a origem dos depósitos, mas não o fez durante a ação fiscal, tampouco na fase impugnatória. Não ocorrendo por parte da fiscalizada tal procedimento, o Fisco, com base no que dispõe a Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, considerou que os valores cuja origem não foi comprovada, são oriundos de receita obtida à margem da escrituração. Quanto à legação de que a multa é confiscatória e que contraria o princípio da proporcionalidade, cumpriu observar novamente que não compete à autoridade administrativa apreciar a arguição nem declarar ou reconhecer inconstitucionalidade de lei. É de se presumir que a lei aprovada nos moldes constitucionais tenha estabelecido multas dentro de limites aceitáveis. No entanto, dentro dos limites legais, houve por bem a 3ª Turma da DRJ/RPO reduzir os valores das multas aplicadas ao percentual de 75% e 150%, de acordo com o que dispõe a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 44, I, e 44, I e §1º, respectivamente. Desconsiderouse, portanto, a aplicação do § 2º do art. 44 do referido dispositivo normativo. Sustentase a mantença da multa pelo fato de que restou evidente no processo o fato caracterizador da sonegação fiscal pela ACS Distribuidora Ltda (extinta), prevista no art. 71 da Lei nº 4502/64. Eis que, durante todo o ano calendário de 2009, a empresa omitiu receita deixando de recolher os respectivos tributos devidos e de declarálos em DCTF. Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 25/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.721208/201317 Acórdão n.º 1201001.473 S1C2T1 Fl. 4 5 Por fim, quanto ao sobrestamento do julgamento, cumpriu esclarecerse que, de acordo com a Portaria nº 545, de 18/11/2013, do Ministério da Fazenda, que altera o Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf, os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Regimento Interno do Carf foram revogados. Além disso, independentemente do que esteja disposto no Regimento do Carf, entendeuse inexistir previsão normativa para tal procedimento no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Portanto, fora dado prosseguimento ao julgamento da impugnação apresentada. Ante todo o exposto, o voto considerou procedente em parte a impugnação, para reduzir a multa de ofício aplicada de 112,5% para 75% e de 225% para 150%, mantendo se em parte o lançamento. Recurso Voluntário O recurso voluntário fora delineado exatamente nos mesmos termos da impugnação apresentada, sem inovações. Sustentase novamente: a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário; a falta de motivação do auto de infração, contendo imputações não comprovadas e não descritas como determina a lei; o não embasamento fático e legal da majoração da multa e, por consequência, a não comprovação de sonegação fiscal; e do caráter confiscatório das multas. Requer, então, o provimento do Recurso Voluntário para que sejam anulados os autos de infração, por estarem inquinados de vícios intransponíveis, ou o seu cancelamento ou a redução das multas aplicadas a percentuais mais baixos, dado o caráter abusivo e confiscatório delas. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. Preliminar Nulidade Aduz a Recorrente, nulidade da autuação, o que obriga este conselheiro a proceder à análise da existência de alguma das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), que assim dispõe: Art. 59. São nulos: Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 25/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 6 I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No presente caso temos que a autuação ora em combate, traz TVF que descreve de forma detalhada os eventos e fatos constatados, assim como, informa toda a fundamentação legal que lhe serviu de base, possibilitando ao Recorrente o pleno exercício de seu direito de defesa. Desta forma, entendo que estão preenchidos todos os requisitos formais e elementos obrigatórios previstos no art. 9º do já mencionado PAF, nçao havendio que se falar em nulidade do lançamento. Da Quebra de Sigilo Bancário – Da inconstitucionalidade Primeiramente, o recorrente alega que é inconstitucional a quebra de sigilo bancário através da utilização de RMF. No entanto, essencial salientar que a Lei Complementar nº 105/2001 estabeleceu o acesso da administração tributária aos dados bancários dos contribuintes, sem necessidade de decisão judicial. Especificamente o art. 6º da supracitada lei permite que os AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil e os agentes fiscais dos Estados e Municípios possam examinar livros e registros das instituições financeiras, desde que esses exames sejam considerados indispensáveis e que exista procedimento em curso. É este dispositivo legal que permite a emissão da Requisição de Movimentação Financeira (RMF). O tema fora discutido no RE 601.314/SP, com efeitos de repercussão geral, e prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. Segundo a decisão, a transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados. Portanto entendeuse que não há ofensa à Constituição Federal. Tendo sido julgado em sede de repercussão geral, a decisão se torna de observância obrigatória por este conselheiro, conforme determinação expressa do Regimento do CARF. Independente da mencionada decisão no sentido da constitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001, este Conselho não é competente para definir/proferir suas decisões se apoiando em supostas inconstitucionalidades da lei tributária, por força da Súmula nº 2 neste órgão aprovada, in verbis: Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 25/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.721208/201317 Acórdão n.º 1201001.473 S1C2T1 Fl. 5 7 “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Veja, ao CARF e à Administração em geral, compete exclusivamente o atendimento à lei, de modo que a LC nº 105/2001, enquanto constitucional, deve ser aplicada de modo integral e inconteste. Portanto, em plena vigência, validade e eficácia a Lei Complementar nº 105/2001, esta deve, especificamente em seu art. 6º, fornecer o embasamento legal e constitucional que autorize a emissão de RMF para apuração dos extratos bancários do contribuinte. Afasto, portanto, a presente preliminar de ordem formal levantada pela Recorrente. Mérito Da Omissão de Receitas A fiscalização construiu um conjunto probatório através da emissão do RMF, para a identificação dos extratos bancários da ora recorrente. Fora, então, atestado e instrumentalizado por meio do Auto de Infração, o total descompasso entre os valores declarados e os valores relativos as movimentações financeira do contribuinte. Todos os depósitos sem comprovação de origem, que não puderam ser confrontados com as informações dispostas em DIPJ e DCTFs ou em livros ou outros documentos contábeis, foram reputados e presumidos pelo fisco como omissão de receitas. No entanto, é de notório saber que a referida presunção que embasa a presente autuação fiscal, disposta no art. 42 da Lei nº 9430/96, é relativa e, assim, passível de ser ilidida a qualquer tempo pelo contribuinte. Dispõe assim o art. 42 da Lei nº 9430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Por sua vez, o contribuinte, entre as inúmeras oportunidades a ele carreadas para comprovar a origem dos depósitos bancários, não apresentou qualquer comprovação hábil e idônea. Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 25/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 8 Na realidade, o ora recorrente sequer se manifestou especificamente acerca do objeto alvo da autuação. Não houve atendimento a diversas intimações e reintimações, e os poucos esclarecimentos prestados não nortearam a omissão de receitas. Seguem algumas passagens do Termo de Constatação que comprovam o total descomprometimento do recorrente na elucidação dos fatos: “(...) Em 18 de junho de 2012 lavramos o Termo de Início de Ação Fiscal nº 01, encaminhado por via postal ao endereço cadastral da empresa ACS DISTRIBUIDORA LTDA (Extinta). A correspondência foi recebida no dia 21 do mesmo mês. O prazo de atendimento foi de 20 (vinte) dias, vencido em 11 de julho de 2012. Não houve atendimento. (...) Em 28 de agosto de 2012 lavramos o Termo de Embaraço à Fiscalização nº 03, encaminhado por via postal, notificando o contribuinte dos fatos ocorridos até a presente data, concedendolhe um prazo adicional de 5 (cinco) dias para apresentação dos documentos solicitados. A correspondência foi recebida no dia 31 do mesmo mês e o prazo para atendimento venceu em 10 de setembro de 2012. Não houve atendimento. (...) Em 5 de março de 2013 lavramos os Termos de Intimação nºs. 05 e 06, encaminhados por via postal aos sócios ARTHUR CELSO DE SOUZA e João Batista Gallo, respectivamente, solicitando os livros e documentos da empresa fiscalizada, do anocalendário 2009, bem como, a presença de ambos para prestar esclarecimentos. Os sócios solicitaram prorrogação de prazo, no entanto, não apresentaram os documentos, tampouco, compareceram para prestar esclarecimentos. Os sócios foram notificados novamente, Termos de Reintimação nºs. 11 e 12, lavrados em 7 de maio de 2013, encaminhados por via postal e recebidos no dia 13 do mesmo mês. Foi deferido aos sócios um prazo, improrrogável, de 5 (cinco) dias para atendimento, vencido em 20 de maio de 2013. O sócio ARTHUR CELSO DE SOUZA não apresentou os documentos e não compareceu à RFB para prestar esclarecimentos. (...) A intimação foi entregue ao sócio ARTHUR CELSO DE SOUZA em 26 de abril de 2013 e o prazo de atendimento venceu em 20 de maio de 2013. Não houve atendimento. O sócio foi notificado novamente, Termo de Reintimação nº 14, lavrado em 21 de maio de 2013, encaminhado por via postal e recebido no dia 23 do mesmo mês. Foi deferido ao sócio um prazo, improrrogável, de 5 (cinco) dias para atendimento, vencido em 28 de maio de 2013. Não houve atendimento. (...)” (nossos grifos) Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 25/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.721208/201317 Acórdão n.º 1201001.473 S1C2T1 Fl. 6 9 Tampouco no Recurso Voluntário ou na Impugnação há qualquer esforço no sentido de comprovação da origem das receitas supostamente omitidas. Não há qualquer tipo de alegação ou menção a contas específicas, constantes nos extratos bancários, que pudessem afastar o conceito de receita e que, portanto, devessem ser excluídas/desconsideradas no arbitramento. O ora recorrente tangencia, em todos os seus argumentos, questões de ordem estritamente formal, relacionados à suposta inconstitucionalidade ou ilegalidade do processo de autuação por presunção, contudo, mas em nenhum momento enfrenta o mérito, ou seja, a natureza das movimentações bancárias que foram objeto de fiscalização. É cediço que a utilização do RMF para a obtenção de extratos bancários é eficiente na apuração de receitas, mas estabelece um quadro generalista e abrangente. Cabe ao contribuinte, em contrapartida, realizar o filtro que selecione exatamente as movimentações bancárias que de fato satisfizeram o conceito jurídicocontábil de receita, ou, ao contrário, discriminar os valores que não correspondem a receitas para que tais sejam excluídos da base de tributação. Não lhe resta outra saída senão confrontar tais informações com sua contabilidade, com as declarações prestadas e com seus livros e documentos. Veja, informações bancárias não revelam fato novo para o contribuinte que registra e declara corretamente suas operações e que, portanto, não enfrenta maiores dificuldades para discriminar valores que possuem natureza de receita daqueles que não possuem a mesma natureza. Apenas para aqueles que omitem informações à Administração Tributária, tal tarefa de fazer a mesma discriminação mencionada no parágrafo acima, se mostra tarefa tormentosa. Importante ressaltar que a ausência de demonstração eficaz para cotejar as movimentações financeiras com as declaradas pelos contribuintes, resulta em atribuir à mencionada presunção, a natureza de veracidade absoluta. A existência de dois instrumentos que visam um mesmo objetivo, acaba por relativizálos entre si. Originalmente, tanto os extratos bancários obtidos a partir da utilização da RMF quanto as declarações e informações apresentadas pelos contribuintes, são dotadas de presunção relativa de veracidade, considerando que o primeiro relativiza a veracidade do segundo e, em contrapartida, o segundo relativiza a verdade do primeiro. A presunção de veracidade absoluta apenas se concretiza quando os dois instrumentos são confrontados, perpassando uma mútua complementariedade, para o alcance ótimo da unicidade e uniformidade de informações. Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 25/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 10 Portanto, com relação ao caso em tela, confrontando os extratos bancários apurados, com a DIPJ e a ausência de quaisquer outras documentações, esclarecimentos ou informações contábeis adicionais, atestase uma presunção absoluta de veracidade que confirma a omissão de receitas e valida a autuação fiscal. Este presente julgador tem posicionamento totalmente inclinado à aplicação do princípio da verdade material. No entanto, neste momento processual, se encontra completamente limitado a aplicálo, pois não há qualquer indício, evidência ou até mesmo esforço do contribuinte no sentido de comprovar a origem das movimentações financeiras. Cabe aqui mencionar que o princípio da verdade material visa que a Administração busque o que realmente ocorreu, o fato concreto e verdadeiro, sem se restringir apenas às regras procedimentais e processuais. Aplicar o princípio da verdade material, em casos como este, significa se “aliar” ao contribuinte na tentativa de ilidir a presunção relativa de omissão de receitas para atingir uma verdade absoluta ou, subsidiariamente, confirmar a referida presunção relativa do Fisco como uma presunção absoluta de veracidade. A conclusão aqui firmada, no entanto, é de que todo o processo fiscalizatório e todas as provas e informações constantes dos autos são suficientes para formar o convencimento e a convicção deste julgador. O processo fiscalizatório incorporou o princípio da verdade material e representou seu total exaurimento. A fiscalização, por si, como órgão da Administração, cumpriu com a sua função de atingimento do interesse público: intimando e reintimando o recorrente a todo custo, buscando informações e documentações e, inclusive, descartando transações que não evidenciassem o ingresso de novos recursos (resgate de aplicação financeira, devolução de cheque, estorno de débitos, dentre outros). Tudo isso com o intuito de concretizar referido princípio. Portanto, os autos perfazem uma verdade absoluta, que materialmente não fora contestada em sede de Impugnação ou de Recurso Voluntário. Não há fatos novos ou novas informações nas defesas apresentadas neste sentido, de modo que as informações levantadas pela fiscalização, em total alinho a uma interpretação sistemática do ordenamento jurídico, ao ver deste julgador, são suficientes à conclusão de que deve ser declarado procedente o lançamento, mantendo intacto o valor do total de omissão de receitas apurado. Conclusão irretorquível coaduna com o acórdão recorrido e, assim, com a mantença da autuação fiscal. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual, relativos à CSLL, PIS e COFINS, e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. Das Multas Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 25/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.721208/201317 Acórdão n.º 1201001.473 S1C2T1 Fl. 7 11 Mesmo diante de todo o exposto até aqui, me parece acertada a redução do percentual das multas aplicadas para 75% e 150%, conforme o decidido pela Autoridade Julgadora em 1ª Instância. A redução significa desconsiderar a aplicação do § 2º do art. 44 da Lei nº 9430/96 e a mantença destes percentuais significa o enquadramento no § 1º do mesmo art. 44 da Lei nº 9.430/96 c/c o previsto no art. 71 da Lei nº 4.502/64. De fato, referida fundamentação legal embasa exatamente o caso em tela. A sonegação fiscal, prevista no art. 71 da Lei nº 4502/64, é nítida: a omissão de receitas caracteriza uma omissão dolosa do recorrente, tendente a impedir parcialmente o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Os signos “tendente” e “parcialmente” são pontuais no contexto que ora se afigura. A intenção de omitir receitas é dolosa por parte do contribuinte, pois, voltada diretamente a evitar a tributação de montantes significativos, deixando de recolher os respectivos tributos devidos e de declarálos, e sem qualquer prova ou alegação robusta que conclua o contrário. No entanto, esta omissão não é suficiente para evitar o conhecimento do fato gerador, pois, a Fiscalização pode obter os extratos bancários com as movimentações financeiras por outro meio. Por isso a intenção é tendente e parcial a impedir o conhecimento do fato gerador e não totalmente impeditiva, uma vez que resta ao Fisco a possibilidade legal de emissão do RMF. Correta, então, a mantença da aplicação da multa de ofício de 75% e da multa qualificada, representando o valor dobrado por força do art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/96 c/c o art. 71 da Lei nº 4.502/64, ou seja, de 150%. Já quanto a redução da multa inicialmente aplicada, cumpre esclarecer que os incisos I, II e III, do § 2º do art. 44 da Lei nº 9430/96, não norteiam o caso concreto. A aplicação destes incisos perpassa uma análise um tanto subjetiva. A posição firmada pelo presente julgador é no sentido de que o enquadramento da ação/omissão do contribuinte no conteúdo normativo deste parágrafo depende da caracterização de uma conduta ostensiva e certeira, suficiente ao não atendimento de todos os incisos ali elencados, de modo inequívoco. A partir de uma análise minuciosa dos autos, não se pode dizer inequivocamente que o contribuinte deixou de prestar esclarecimentos de forma integral, em todos os momentos da fiscalização. Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 25/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 12 É certo que em muitos momentos o recorrente não se manifestou, mas em outros o fez, ainda que de maneira insatisfatória, infrutífera e sem qualquer colaboração para o atingimento da verdade dos fatos. A passagem extraída do Termo de Constatação confirma tal conclusão: “(...) Em 27 de agosto de 2012, o contribuinte nos apresentou resposta aos Temos nºs 01 e 02, redigida em papel timbrado da empresa, onde constam endereço e telefones de contato, assinatura por ARTHUR CELSO DE SOUZA (vide nota1), nos seguintes termos: “(...) A empresa ora peticionária foi objeto de Procedimento Especial de Fiscalização, amparado na IN/SRF 228/2002, o qual findou em 24 de janeiro do corrente ano, com a DECRETAÇÃO DA INAPTIDÃO do seu CNPJ. Quando da realização de tal procedimento, todos os documentos solicitados por meio da intimação de nº 1, foram entregues junto à Inspetoria da Receita Federal do Brasil, situada na Avenida Celso Garcia, os quais não foram devolvidos até a presente data (grifos nosso). De outro modo, uma vez que decretada a inaptidão do CNPJ da empresa ora peticionaria, não entende, e muito menos assim foi justificado nas intimações recebidas, A FUNDAMENTAÇÃO LEGAL E DETALHADA, demonstrando a real necessidade e obrigatoriedade para a entrega de qualquer documentação, lembrando que sobre nenhum contribuinte recai o dever de apresentar documentos, seja para quem for, sem que haja devida e justificada fundamentação. Considerando todo o narrado, pugna pelos devidos e necessários esclarecimentos dessa Douta Autoridade.” (...)” (grifo nosso) Apesar do completo descaso do ora recorrente, este se manifestou em raras ocasiões, fato que impede a adoção de um raciocínio extremista a ponto de não haver outra saída senão a majoração das multas em sua metade. Portanto, o aumento de metade dos percentuais não deve ser aplicado no caso concreto, razão pela qual entendo devem ser mantidas as multas de ofício (75%) e multa qualificada (150%), conforme definidas no julgamento em primeira instância. Neste ponto, cabe ressaltar que qualquer alegação de confiscatoriedade das multas coloca em xeque a constitucionalidade da Lei nº 9.430/96 e, como já firmado em momento anterior deste voto, com respaldo na Súmula nº 2 do CARF, este julgador não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, razão pela qual não há possibilidade de redução ou exclusão das multas sob esta égide. Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 25/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 19515.721208/201317 Acórdão n.º 1201001.473 S1C2T1 Fl. 8 13 Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO DE OFÍCIO para NEGARLHE PROVIMENTO e CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para AFASTAR as PRELIMINARES e, no MÉRITO, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 25/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Numero do processo: 10650.902455/2011-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente BLACK & DECKER DO BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 24 55 /2 01 1- 21 Fl. 225DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902455/201121 Acórdão n.º 9303003.951 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3803003.942, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 226DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902455/201121 Acórdão n.º 9303003.951 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902455/201121 Acórdão n.º 9303003.951 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902455/201121 Acórdão n.º 9303003.951 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 229DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902455/201121 Acórdão n.º 9303003.951 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902455/201121 Acórdão n.º 9303003.951 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10650.902455/201121 Acórdão n.º 9303003.951 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 232DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10580.726164/2009-87
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI FEDERAL.
Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda, tendo em vista a competência da União para legislar sobre essa matéria.
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9202-004.223
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise das demais questões postas no recurso voluntário, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra (relator) e Maria Teresa Martínez López, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise das demais questões postas no recurso voluntário, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra (relator) e Maria Teresa Martínez López, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva - Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
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PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI FEDERAL. Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda, tendo em vista a competência da União para legislar sobre essa matéria. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos a incidência de Imposto de Renda nos termos do art. 43 do CTN. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 61 64 /2 00 9- 87 Fl. 311DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise das demais questões postas no recurso voluntário, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra (relator) e Maria Teresa Martínez López, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 10580.726164/200987 Acórdão n.º 9202004.223 CSRFT2 Fl. 312 3 Relatório Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de IRPF sobre rendimentos auferidos do Ministério Público da Bahia, a título de valores indenizatórios de URV. Tais rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor (URV) em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar nº 20/2003, do Estado da Bahia. Importante destacar, ainda que referida Lei dispôs serem de natureza indenizatória as verbas em questão. No entendimento da autoridade fiscal, as diferenças recebidas pelo contribuinte têm natureza salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, portanto, são tributáveis pelo IRPF, sendo irrelevante a denominação dada pela Lei do Estado da Bahia. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, que fora julgada totalmente improcedente. Ato seguinte, tempestivamente foi apresentado Recurso Voluntário, apreciado pela 2ª Turma Ordinária, da 1ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO STF. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MEMBROS DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Complementar baiana 20/2003 determinou o pagamento das diferenças de URV aos membros do Ministério Público local, dando a elas a natureza de indenização, excluindo assim, da base de cálculo do imposto de renda. O STF interpretou através da Resolução 245/2002, que estes pagamentos quando efetuados pela União aos membros da magistratura e do Ministério Público Federal, não se sujeitavam à tributação, o que foi objeto também do Parecer PGFN 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 4 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Inconformada com essa decisão a União, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, alegando, em resumo: a) Em consonância ainda com o art. 16 da Lei nº 4.506/64, serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado, para fins de incidência do Imposto de Renda, todas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício de empregos, cargos ou funções. Logo, os valores recebidos a título de diferenças no cálculo da URV possuem natureza salarial e estão sujeitas ao imposto de renda. b) Não há Lei que isento do imposto de renda referidos rendimentos; c) A Resolução STF nº 245/2002 é restrita ao abono variável aplicável aos membros da Magistratura da União, e, por determinação expressa do Parecer PGFN n° 923/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, está fora da incidência tributária do imposto de renda também para os membros do MPF. Atribuir aos rendimentos em análise a mesma natureza do abono variável das Leis n°s 10.477/2002 e 9.655/98 seria alargar as fronteiras da nãoincidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto. Na análise de admissibilidade, o Presidente da 1ª Câmara da 2ª Sessão, deu seguimento ao Recurso Especial interposto tendo em vista serem as interpretações dos acórdãos recorrido e paradigma divergentes. No primeiro, entendeuse que as diferenças auferidas pelos membros do Ministério Público Federal, com base no art. 2º da Lei nº 10.477/2002, têm caráter indenizatório, e que igual raciocínio deve ser aplicado às diferenças auferidas aos membros do Ministério Público da Bahia. Portanto, que esses valores não devem sofrer a incidência do imposto de renda. No outro, que descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a analogia para verificar a incidência tributária (Acórdão 220201.206). Regularmente intimado o contribuinte apresentou contrarrazões. a) Os rendimentos previstos na Lei Complementar 20/2003 tem a mesma natureza daqueles mencionados pela Lei Federal nº 10.477/2002, que trata do pagamento de diferenças de URV a membros do Ministério Público Federal; b) É nítida a natureza indenizatória das diferenças de URV, na medida em que representam ressarcimento pelo erro de cálculo da remuneração; c) Quebra da isonomia quando se dispensa tratamento tributário diverso em relação às diferenças de URV pagas aos membros da magistratura Federal e aos membros do MPF em relação aos membros do Ministério Público Estadual; É o relatório. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 10580.726164/200987 Acórdão n.º 9202004.223 CSRFT2 Fl. 313 5 Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, deve ser admitido o recurso da União. Pois bem. No presente caso, o contribuinte enquadrou no campo de rendimentos isentos e não tributáveis de suas declarações de ajuste anual, exercícios 2005, 2006 e 2007, valores recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia, por entendelas isentas de imposto de renda à luz do disposto na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que assim dispõe Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei. O STF, ao se posicionar sobre o abono variável pago aos magistrados da União, nos termos do artigo 2º, da Lei 10.474/2002, que compreendia as diferenças de URV, dentre outras verbas, manifestouse pela sua natureza indenizatória, conforme artigo 1º da Resolução 245/2002, que assim dispõe: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Conforme conclusões do STF nas decisões que ensejaram o nascimento da Resolução em questão, a regra de incidência tributária é excetuada quando a concessão do abono for "feita para reparação da supressão ou perda de direito, característica que lhe emprestaria o caráter de indenização", que foi, exatamente, o que ocorreu com o abono variável e provisório previsto pelo art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002. Registrese ainda que somente com o advento da Lei nº 10.477, de 2002, os membros do Ministério Público da União passaram a fazer jus ao abono variável criado pela Lei nº 9.655/1998. Na ocasião, a PGFN se pronunciou por meio dos Pareceres 529/2003 e 923/2003, concluindo que, tal qual o abono pago aos membros da magistratura da União, o Fl. 315DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 6 abono concedido aos membros do Ministério Público da União possui natureza indenizatória, conforme Resolução 245/2002, do STF. Importante destacar que o Parecer emitido pela PGFN foi aprovado pelo Sr. Ministro da Fazenda que chancelou a exclusão da incidência do imposto de renda as verbas referentes às diferenças de URV, pagas aos servidores federias em questão. Nesse contexto, considerando que o pagamento da diferença de URV tem o objetivo de reparação ou supressão de perda de direito, e esta característica lhe confere a natureza de verba indenizatória para os membros da magistratura e Ministério Público da União, outra não pode ser sua natureza quando paga aos membros de Ministério Público Estadual. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas União e Estado da Bahia e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Diante de todo o aqui exposto, entendo que deve ser cancelado o crédito tributário exigido no Auto de Infração. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso da União. Gerson Macedo Guerra Fl. 316DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 10580.726164/200987 Acórdão n.º 9202004.223 CSRFT2 Fl. 314 7 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada DO MÉRITO Peço licença ao ilustre conselheiro para divergir do seu entendimento quanto ao mérito da incidência de Imposto de Renda sobre os rendimentos recebidos acumuladamente de diferenças de URV, bem como aplicação do princípio da isonomia no presente caso. Em face do REsp e do conteúdo do acórdão recorrido, cingese a discussão ao caráter indenizatório dos rendimentos relativos aos pagamentos recebidos pelos membros do Ministério Público da Bahia. Competência para legislar sobre IR. Primeiramente, conforme descrito no lançamento, a Lei Complementar nº 20 do Estado da Bahia, de 08 de setembro de 2003, consignaria o caráter indenizatório dos rendimentos, todavia, entendo que a competência para legislar sobre imposto de renda é da União, conforme disposto no art. 153, IV, da CF/88. Dessa forma, fazse necessário realizar a análise da natureza jurídica dos valores recebidos, de forma a se determinar seu caráter indenizatório ou salarial. Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: [...] III renda e proventos de qualquer natureza; [...[ § 1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V. § 2º O imposto previsto no inciso III: I será informado pelos critérios da generalidade, da universalidade e da progressividade, na forma da lei; Neste ponto, convém diferenciar a natureza salarial que se subsume ao citado dispositivo face a configuração de nítido acréscimo patrimonial das verbas com natureza indenizatórias, cujo fundamento para exclusão configurase como a reparação por um dano sofrido, ou mesmo as verbas legalmente descritas como indenizatórias. Nessa linha de raciocínio, entendo que a referida lei estadual não buscou, por meio do pagamento das diferenças, a recomposição de um prejuízo, ou dano material sofrido pelo contribuinte, mas a compensação em razão da ausência da devida correção salarial Fl. 317DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 8 decorrentes de alteração da moeda. Portanto, tais valores integram a remuneração percebida pelo sujeito passivo, constituindo parte integrante de seus vencimentos. Concluindo, em relação a este item, entendo incabível tomar como absoluta para exclusão da incidência do IR lei de outro ente da federação (no caso, o Estado da Bahia), face a competência instituída pelo texto constitucional. Incidência sobre valores de diferenças de URV. Ainda quanto ao mérito, é sabido que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais decorrentes da conversão da remuneração dos servidores beneficiados, quando da implantação do Plano Real. Em função disso, constatase que tais valores tem ligação direta com a remuneração, ou seja, se referem a remuneração (vencimentos) não percebidos anteriormente e acabam por importar diferenças ao longo dos anos subseqüentes. Nesse sentido, podemos concluir que o objetivo de ações judiciais sob esse fundamento ou mesmo da Lei Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, da Bahia (que apenas reconheceu esse direito) foi simplesmente pagar ao recorrente aquilo que antes deixou de ser pago, ou seja, diferença de salários. Considerando o nítido caráter salarial diferenças pagas a posteriori, penso que a verba trazida à discussão encontrase sujeita à incidência do IR, conforme dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Nesse sentido, estáse diante de acréscimo patrimonial tributável pelo Imposto de Renda, entendimento que fora inclusive salientado pelo acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Frente as considerações acima, também afasto os fundamentos adotados pelo julgador da turma a quo para definir a natureza das diferenças de URV. Segundo o acórdão recorrido a verba recebida pelos servidores estaduais possui a mesma natureza daquela percebida pelos seus pares da União e, portanto, não se poderia dispensar tratamento diferenciado àqueles que se encontram em mesma situação. Entendo, que não há como igualar as situações dos membros do Ministério Público Federal e Magistratura Federal com os pertencentes aos quadros do Estado da Bahia, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário, pois a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II do art. 111 do CTN. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 10580.726164/200987 Acórdão n.º 9202004.223 CSRFT2 Fl. 315 9 Com efeito, o Código Tributário Nacional veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação semelhantes. Pensar diferente implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º do art. 150 da CF e o art. 176 do CTN. Dessa forma, ao contrário do exposto pelo julgador a quo entendo que ao adotar mesmo tratamento tributário, alterando a natureza dos pagamentos, estaria sim, me valendo da analogia para definir fato gerador e base de cálculo de imposto sob a competência da União. A Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245/2002 conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). No mesmo sentido, a PGFN, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas para a Magistratura Federal e MP Federal, respeitando a interpretação do STF, contudo, tal verba não pode ser confundida com as diferenças decorrentes de URV, ora sob análise. Por fim, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2º e parágrafos da Lei n.º 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1º trouxe a forma de cálculo deste abono: “I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)”. A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre o abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.º 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal Fl. 319DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 10 do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional. Pelos fundamentos expostos, entendo que a verba em exame deve ser tributada. Quanto ao caráter salarial das verbas pagas a título de URV, já se pronunciou este conselho em outras ocasiões acerca do tema, ao qual cito julgados que corroboram com o encaminhamento aqui formulado: ACÓRDÃO 9202003.659 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Recurso especial provido. ACÓRDÃO 9202.003.585 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 10580.726164/200987 Acórdão n.º 9202004.223 CSRFT2 Fl. 316 11 Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido. ACÓRDÃO 2201002.491 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 PAF. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. O julgador administrativo não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela parte, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção”. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA 12 Inexistindo lei federal reconhecendo a isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda. IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73. “Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício”. IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988. Frente as questões colocadas acima, entendo que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV" consistem em diferenças salariais sujeitas a incidência de IR, sendo incabível acatar a argumentação de que a natureza salarial da referida verba seja alterada por legislação estadual, qual seja, a Lei Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, ou mesmo que Resolução nº 245 do STF lastreada em Lei federal com destinação específica possa ser aplicada por analogia a outros casos que não os expressamente nela descritos. Por fim, conforme acima esclarecido, a competência para legislar sobre IR recai sobre a União, não podendo ser alterada a natureza jurídica da verba para efeitos de definição do fato gerador. Nesse sentido, importante destacar que não pode o agente fiscal entender ou mesmo questionar a constitucionalidade de lei Estadual, cujo ente Estadual possui competência para definir não apenas a natureza jurídica da verba, como a incidências sobre os tributos cuja competência para legislar esteja sob sua égide. Por exemplo, a definição da natureza jurídica para efeitos de definição da natureza tributos de contribuição previdenciária para regime próprio de previdência. Assim, ao fisco Federal compete apreciar se a verba recebida pelos Membros do MP da Bahia, encontrase abarcada como fato gerador de IR, utilizandose dos fundamentos dessa legislação para apuração do fato gerador, da natureza jurídica do pagamento e da base de cálculo e montante do tributos apuráveis. Dessa forma, não há que se falar ser necessário, primeiramente, declarar a constitucionalidade da legislação estadual. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA Processo nº 10580.726164/200987 Acórdão n.º 9202004.223 CSRFT2 Fl. 317 13 Quanto a incompetência do CARF para afastar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, entendo não ser essa a questão aplicável ao caso concreto. Realmente nos termos do art. 62 do CARF: "é vedado aos membros das turmas de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob o fundamento de inconstitucionalidade", todavia, a competência básica dos membros desse colegiado é identificar se o lançamento se amolda as exigências legais e se os argumentos apontados pelo recorrente seriam suficientes para a desconstituição do lançamento. Assim, esse julgador em momento algum descumpri ou fere dispositivo regimental, pelo contrário, entendo que ao acatar os argumentos do recorrente pela aplicabilidade da legislação estadual e resolução 245/STF, aí sim, estaria afastando dispositivo legal. Bem, conforme foi apreciado acima, entendo correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal ao lançar as contribuições, posto que os valores recebidos, pela análise da legislação aplicável ao caso concreto, quais sejam, CF/88, CTN e legislação do IR, incorreto considerar os rendimentos como isentos ou não tributáveis. Quanto as demais questões trazidas em sede de contrarrazões deixou de apreciálas, considerando a existência de outros argumentos trazidos ainda em sede de recurso voluntário, mas não apreciados pela turma a quo frente ao encaminhamento do relator de no mérito dar provimento ao recurso. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para no mérito DARLHE PROVIMENTO, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 10/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 09/09/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 15/09/2016 por GERSON MACEDO GUERRA
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Numero do processo: 10680.015918/2004-37
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2003
ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO E REPARAÇÃO DE MÁQUINAS DA INDÚSTRIA DE MARCENARIA. ATIVIDADE DE ENGENHEIRO NÃO CONFIGURADA.
Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal.
De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
Numero da decisão: 9101-002.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal De Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAÚJO, ANDRE MENDES DE MOURA, ADRIANA GOMES REGO, RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, MARCOS AURELIO PEREIRA VALADÃO (Presidente em exercício), LUIS FLAVIO NETO, NATHALIA CORREIA POMPEU.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2003 ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO E REPARAÇÃO DE MÁQUINAS DA INDÚSTRIA DE MARCENARIA. ATIVIDADE DE ENGENHEIRO NÃO CONFIGURADA. Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 59 18 /2 00 4- 37 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10680.015918/200437 Acórdão n.º 9101002.381 CSRFT1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAÚJO, ANDRE MENDES DE MOURA, ADRIANA GOMES REGO, RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, MARCOS AURELIO PEREIRA VALADÃO (Presidente em exercício), LUIS FLAVIO NETO, NATHALIA CORREIA POMPEU. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial sobre exclusão do Simples Federal. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 180300.420, de 20/052010, por meio do qual a 3a Turma Especial da 1a Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, deu provimento a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de afastar Ato Declaratório de Exclusão do Simples. O acórdão recorrido foi assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2003 SIMPLES. ATO DE EXCLUSÃO. NULIDADE. Sob pena de nulidade, a exclusão da sistemática de recolhimento simplificado, pelo exercício de atividade vedada por semelhança, deve estar acompanhada de prova irretorquível da prestação de serviços de profissional habilitado que impeça a opção e possibilite a aferição da legalidade do ato de exclusão. (Inteligência do art. 9º, inciso XIII da Lei n° 9.317/96). A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quanto ao entendimento de que a atividade prestada pela contribuinte prescinde da formação em engenharia, e que a opção pelo SIMPLES não estaria vedada pela Lei n.° 9.317/1996. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: o colegiado da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes perfilhou entendimento divergente do empregado pela colenda Primeira Câmara, por ocasião Fl. 170DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10680.015918/200437 Acórdão n.º 9101002.381 CSRFT1 Fl. 4 3 do Acórdão n.° 30237259, ao enfrentar situação análoga à do presente processo, como se afere da ementa confeccionada para esse acórdão: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES. EXCLUSÃO POR ATIVIDADE ECONÔMICA. Não pode optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que presto serviços de montagem ou manutenção de equipamentos, por serem equiparados a serviços profissionais de engenharia (art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96) RECURSO NEGADO. adentrando aos fundamentos do voto relator do acórdão paradigma, percebese claramente a similitude fática dos julgados em confronto (transcrição do voto); a Câmara a quo, contrariando o art. 9°, inciso XIII, da Lei 9.317/1996, deferiu a solicitação da contribuinte, anulando o Ato Declaratório de Exclusão da empresa contribuinte no SIMPLES; a atividade exercida pela recorrida, conforme relatório fiscal de fl. 52, é especificamente a manutenção e reparação de máquinas das indústrias de marcenaria, ou seja, está efetivamente equiparada à atividade exclusiva de engenheiro; na presente hipótese, a partir das notas fiscais carreadas aos autos, observa se que a recorrida tem como atividade econômica a prestação de manutenção, montagem, instalação de equipamentos industriais e, a teor da Resolução CONFEA n.° 218/73, tratase de atividade equiparada à de engenheiro; a referida Resolução, tendo em vista a sua atribuição legal para regulamentar o exercício profissional e as atividades a que se refere a Lei n° 5.194/66, não deixa dúvida de que as atividades de "Execução de instalação, montagem e reparo" e de "Operação e manutenção de equipamento e instalação" é de competência de engenheiro legalmente habilitado; para se beneficiar do SIMPLES a empresa teria que provar que não exerce a atividade vedada, porém não fez; corroborando esse entendimento, a COSIT, através do Ato Declaratório 4, de 22 de fevereiro de 2000, exarou disposição no sentido de que "não podem optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas que prestem serviços de montagem e manutenção de equipamentos industriais, por caracterizar prestações de serviço profissional de engenharia"; devese consignar que não importa se o serviço vem a ser efetivamente prestado por engenheiro ou por profissional legalmente habilitado, nos termos da Resolução n° 218 de 1973, baixada de acordo com a Lei n° 5.194 de 1966; o que interessa para caracterizar o impedimento é o fato de que as atividades de manutenção e reparo de equipamentos exigem a prestação dos serviços profissionais de engenheiro ou técnico legalmente habilitado, como demonstrado. Irrelevante, Fl. 171DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10680.015918/200437 Acórdão n.º 9101002.381 CSRFT1 Fl. 5 4 portanto, se a empresa possui empregados com habilitação em nível superior na área de engenharia ou equivalente; a União (Fazenda Nacional) requer seja conhecido e provido o presente recurso especial, para reformar o acórdão recorrido e restaurar o inteiro teor da r. decisão de primeira instância. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, a Presidente da 4a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 1400 00.217, de 26/11/2010, admitiu o recurso especial reconhecendo a existência da divergência suscitada, nos seguintes termos: O acórdão recorrido recebeu a ementa abaixo: [...] Nos termos do voto vencedor, faltou à Receita Federal do Brasil carrear provas que demonstrassem o desempenho de atividades de engenheiro ou equivalente, não sendo suficiente a ilação a código de atividade para fins de exclusão da pessoa jurídica do SIMPLES com base no art.9°, XIII, da Lei n°9.317/96. In verbis: [...] Por sua vez, a recorrente aduz haver interpretação divergente conferida por outro colegiado à lei tributária, consubstanciada em julgado que recebeu a seguinte ementa: [...] De acordo com o relatório e respectivo voto condutor, o acórdão paradigma trata de exclusão do sistema simplificado em razão do exercício de atividades "de prestação de serviços de manutenção e assistência técnica", que no entender do colegiado seriam próprias da profissão de engenheiro, consoante Lei n° 5.194/66 e Resolução CONFEA n° 218/73. Na oportunidade acrescentouse: [...] Dos votos vencedores dos acórdãos em confronto, considerandose haver semelhança entre as atividades desempenhadas (serviços de manutenção e reparação/assistência técnica), verificase a divergência suscitada. Em resumo, enquanto o acórdão recorrido, à luz do art.9°, XIII, da Lei n° 9.317/96, exige prova acerca da atuação de profissional habilitado com diploma de engenheiro ou equivalente, no paradigma ressaltouse "não ser relevante se o serviço vem a ser efetivamente prestado por engenheiro ou por profissional legalmente habilitado", bastando para caracterizar o impedimento "o fato de as atividades realizadas exigirem a prestação dos serviços profissionais assemelhados aos de engenheiro ou técnico legalmente habilitado", nos termos da Resolução CONFEA n° 218/73 e Lei n° 5.194/66, a exemplo das atividades de manutenção de máquinas e equipamentos. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10680.015918/200437 Acórdão n.º 9101002.381 CSRFT1 Fl. 6 5 Em 15/06/2012, a contribuinte foi intimada do despacho que admitiu o recurso especial da PGFN, e não apresentou contrarrazões ao recurso. É o relatório. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10680.015918/200437 Acórdão n.º 9101002.381 CSRFT1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. No presente processo se instaurou controvérsia sobre Ato Declaratório de Exclusão do Simples Federal, com base no art. 9º, XIII, da Lei nº 9.317/1996. Desde o início, a questão colocada é se a atividade da empresa, que consiste na execução de serviços de manutenção e reparação de máquinas das indústrias de marcenaria (conforme indicam as notas fiscais juntadas aos autos), configura ou não atividade vedada ao Simples Federal, na condição de prestação de serviços profissionais de engenheiro. Em razão da abrangências das normas editadas pelo CONFEA, que considera que as atividades de "Execução de instalação, montagem e reparo" e de "Operação e manutenção de equipamento e instalação" é de competência de engenheiro legalmente habilitado, esse tema já gerou muita controvérsia no âmbito do CARF. Entretanto, a matéria está atualmente pacificada, inclusive com edição de súmula pelo CARF: Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. De acordo com o art. 5º da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, o exame de admissibilidade dos recursos especiais deverá observar o nela disposto, o que alcança inclusive os recursos que já haviam sido apresentados antes dela. Essa mesma portaria estabelece no § 3º do art. 67 de seu Anexo II que: Art. 67 [...] [...] § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Assim, tratandose de matéria já sumulada pelo CARF, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 174DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O Processo nº 10680.015918/200437 Acórdão n.º 9101002.381 CSRFT1 Fl. 8 7 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 24/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 23/08/20 16 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADA O
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Numero do processo: 10218.900391/2008-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
CANCELAMENTO DE DÉBITO.
Quando constatado que os débitos compensados em PER/DCOMP também foram objeto de parcelamento/quitação, cabe à própria DRF de origem, conforme disposto no inciso XXII do artigo 224 e inciso XI do artigo 302 do Regimento Interno da RFB (anexo da Portaria MF nº. 203, de 14 /05 /2012), efetivar o cancelamento de débito em decorrência de preenchimento de PER/DCOMP.
Numero da decisão: 1201-001.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los e José Roberto Adelino da Silva. Ausente justificadamente, o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los e José Roberto Adelino da Silva. Ausente justificadamente, o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar.
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Quando constatado que os débitos compensados em PER/DCOMP também foram objeto de parcelamento/quitação, cabe à própria DRF de origem, conforme disposto no inciso XXII do artigo 224 e inciso XI do artigo 302 do Regimento Interno da RFB (anexo da Portaria MF nº. 203, de 14 /05 /2012), efetivar o cancelamento de débito em decorrência de preenchimento de PER/DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José Carlos de Assis Guimarães, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los e José Roberto Adelino da Silva. Ausente justificadamente, o conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 90 03 91 /2 00 8- 38 Fl. 87DF CARF MF 2 Relatório Por economia processual e considerar pertinente adoto o Relatório da decisão recorrida que transcrevo a seguir: Tratase de declaração de compensação transmitida em 02/06/2004 pela contribuinte acima identificada, no valor de R$28.040,21 (vinte e oito mil, quarenta reais e vinte e um centavos), na qual indicou parcela do crédito resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 6106, do período de apuração de 31/01/2004, com arrecadação em 10/02/2004, no valor originário de R$ 26.067,08 (vinte e seis mil, sessenta e sete reais e oito centavos). A Delegacia de origem, em análise datada de 07/01/2008 (fl. 55), constatou que: "considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados na PER/DCOMP, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada ". Cientificada, a interessada apresentou, em 07/11/2008, manifestação de inconformidade (fls. 01/06), na qual alega: 1) Os débitos compensados na PER/DCOMP de n° 08191.23534.020604.1.3.044810, discriminados à fl. 04, foram também objeto de parcelamento, firmado em 10/2004, documentos de fls. 07/35; 2) O parcelamento se encontraria na parcela 50 de um total de 60. Portanto, praticamente todos os débitos estariam quitados pelo mesmo; 3) Por um equívoco da contabilidade da empresa, não fora efetuado o pedido de cancelamento da PER/DCOMP, após a inclusão dos débitos no parcelamento, o que veio a ocorrer em data posterior ao seu envio; 4) O entendimento do Fisco tem sido no sentido de que o parcelamento significa desistência tácita da Compensação previamente efetuada. Cita jurisprudência administrativa; 5) A legislação que trata do parcelamento de que a adesão ao parcelamento caracteriza confissão irretratável de dívida; 6) Requer sejam anuladas pela autoridade fiscal as compensações efetuadas na PER/DCOMP retro, bem como os débitos subsistentes apontados no despacho decisório, seja porque o processo de parcelamento significa a desistência tácita das compensações, seja porque, os débitos antes compensados foram inscritos nos parcelamentos constantes dos Processos de números 10218.000389/2004/33 e 10218.000386/200408 (fs. 32 e 34); Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10218.900391/200838 Acórdão n.º 1201001.526 S1C2T1 Fl. 3 3 A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (Belém/PA) não conheceu da Manifestação de Inconformidade, conforme decisão proferida no Acórdão nº 01 20.092, de 02 de dezembro de 2010, fls.64/67, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 Ementa: IMPUGNAÇÃO. REQUISITOS. Nos termos do art. 16, III, do Decreto n° 70.235, de 1972, a impugnação deverá conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, sob pena de não ser conhecida. O contribuinte possui o ônus de contestar expressamente o despacho decisório que analisa seu pedido de ressarcimento/compensação, por meio de argumentos e documentação que militem em seu favor. Deve, pois, o interessado rebater de forma coerente e com meios de prova idôneos, dentro do respectivo trintídio, todos os argumentos fiscais dispostos em dado processo, precluindo o direito de fazê lo em momento posterior. Caso contrário, o despacho decisório será tido como não impugnado e, portanto, definitivo na via administrativa. Cientificado da mencionada decisão em 09/02/2011, conforme o despacho de fl.84, o contribuinte interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 03/03/2011. As razões aduzidas na peça recursal são, no essencial, as mesmas apresentadas na manifestação de inconformidade, acima relatadas, no sentido de que incorreu em erro ao não providenciar o pedido de cancelamento da Declaração de Compensação após a inclusão dos débitos no parcelamento. Diz o recorrente: ... os débitos compensados na PER/DCOMP objeto da Manifestação de Inconformidade, abaixo discriminados, foram também objeto de processo de parcelamento de débito, firmado em 10/2004, conforme se pode verificar nos documentos anexos(fls 7/35). Inclusive, o parcelamento já se encontra completamente quitado, de modo que todos os débitos que equivocadamente foram incluídos na Declaração de Compensação, se encontram quitados pelo referido parcelamento. ... Enfim requer que, seja reconhecida a ocorrência de desistência tácita das compensações efetuadas na PER/DCOMP nº 0 8 1 9 1 . 2 3 5 3 4 . 0 2 0 6 0 4 . 1 . 3 . 0 4 4 8 10 e por consequência, seja determinada a baixa dos débitos nela declarados, uma vez que quitados pela via do parcelamento. Fl. 89DF CARF MF 4 É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Conforme relatado, o presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 08191.23534.020604.1.3.044810, fls.48/55, transmitido eletronicamente em 02/06/2004, em que o contribuinte declara compensar débitos, com a utilização de crédito no valor de R$ 28.040,21, decorrente de pagamento a maior relativo ao DARF SIMPLES, código: 6106; período de apuração: 31/01/2004; data de arrecadação: 10/02/2004. O PER/DCOMP foi analisado por processo eletrônico, com a emissão do DESPACHO DECISÓRIO de 07 de outubro de 2008, fls.55/58, no qual, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP, reconhecendose o valor do crédito pretendido. Entretanto, considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, HOMOLOGOUSE PARCIALMENTE a compensação declarada, restando um valor principal devedor na ordem de R$ 1.576,28, com acréscimos moratórios, correspondente aos débitos indevidamente compensados. A recorrente, em síntese, alega que, os "débitos compensados na PER/DCOMP objeto da Manifestação de Inconformidade, abaixo discriminados, foram também objeto de processo de parcelamento de débito, firmado em 10/2004, conforme se pode verificar nos documentos anexos(fls 7/35). Inclusive, o parcelamento já se encontra completamente quitado, de modo que todos os débitos que equivocadamente foram incluídos na Declaração de Compensação, se encontram quitados pelo referido parcelamento." E finalmente requer que, seja reconhecida a ocorrência de desistência tácita das compensações efetuadas na PER/DCOMP nº 0 8 1 9 1 . 2 3 5 3 4 . 0 2 0 6 0 4 . 1 . 3 . 0 4 4 8 10 e por consequência, seja determinada a baixa dos débitos nela declarados, uma vez que quitados pela via do parcelamento. Tratase pois, de cancelamento de débito (fl.57) declarado no PER/DCOMP. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (Belém/PA) não conheceu da Manifestação de Inconformidade, conforme decisão proferida no Acórdão nº 01 20.092, de 02 de dezembro de 2010, fls.64/67, todavia assim concluiu: No caso concreto, constatase que a interessada informa que efetuou o parcelamento do débito, conforme documentos acostados aos autos às fls. 07/35, requerendo a anulação da PER/DCOMP pelo Fisco e que manter a compensação na forma da PER/DCOMP, gera pagamento em duplicidade do tributo, uma pela via de compensação e outra pela via do parcelamento, penalizando o contribuinte e caracterizando o enriquecimento sem causa da União Federal. No que diz respeito à cobrança decorrente da homologação parcial do PER/DCOMP, objeto dos autos (nos termos do despacho decisório de fl. 55, tornado definitivo), cumpre assinalar que compete à unidade de origem verificar em concreto a existência do erro de fato, bem como, em sendo o caso e em assim indicando o seu convencimento, adotar as providências necessárias ao tratamento manual que o caso vier a requerer. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10218.900391/200838 Acórdão n.º 1201001.526 S1C2T1 Fl. 4 5 Como se vê, concluiu a DRJ que cabe à DRF de origem a apreciação sobre o pedido de cancelamento do débito em decorrência da alegação de erro relativo ao PER/ DCOMP. Nesse diapasão, deve ser levada em consideração a existência de parcelamento e quitação do mesmo débito declarado, de modo a não gerar pagamento em duplicidade do tributo, uma pela via de compensação e outra pela via do parcelamento, penalizando o contribuinte e caracterizando o enriquecimento sem causa da União Federal. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao Recurso Voluntário para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Marabá/PA verificar o débito declarado no PER/DCOMP, e, uma vez quitado pelo parcelamento, cancelar o débito objeto do PER/DCOMP, no exercício de sua competência regimental em consonância com o inciso XXII do artigo 224 e inciso XI do artigo 302 do Regimento Interno da RFB (anexo da Portaria MF nº. 203, de 14 /05 /2012). (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.731330/2013-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2301-000.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 0735.352, exarado pela 6ª Turma da DRJ em Florianópolis (fls. 1752 a 1787 – numeração dos autos eletrônicos). O presente processo trata dos seguintes lançamentos: 1) Auto de Infração, DEBCAD nº 51.044.3800, no valor de R$5.737.860,47 já acrescido da multa de oficio, da multa e dos juros de mora, referente às contribuições previdenciárias e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – RAT, a cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados a serviço da autuada. 2) Auto de Infração, DEBCAD nº 51.044.3818, no valor de R$58.101.426,79 já acrescido da multa de oficio, da multa e dos juros de mora, referente às contribuições previdenciárias e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – RAT, a cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais a serviço da autuada. 3) Auto de Infração, DEBCAD nº 51.044.3788, no valor de R$13.615.815,03, já acrescido da multa de oficio, da multa e dos juros de mora, referente às contribuições devidas as terceiras entidades e fundos, a cargo da empresa, incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais a serviço da autuada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 31 33 0/ 20 13 -4 3 Fl. 1959DF CARF MF Processo nº 10580.731330/201343 Resolução nº 2301000.618 S2C3T1 Fl. 98 2 4) Auto de Infração, DEBCAD nº 51.044.3770, no valor de R$582.703,97, já acrescido da multa de oficio, da multa e dos juros de mora, referente às contribuições previdenciárias a cargo dos segurados empregados e contribuintes individuais, incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, aos mesmos. 5) Auto de Infração, DEBCAD nº 51.044.3761 (CFL 22), no valor de R$635.545,79, por apresentar a fiscalizada arquivos e sistemas de informação em meio digital correspondentes aos registros de seus negócios e atividades econômicas ou financeiras, livros ou documentos de natureza contábil e fiscal com omissão ou incorreção. 6) Auto de Infração, DEBCAD nº 51.044.3753 (CFL 59), no valor de R$3.625,74, por deixar a fiscalizada de arrecadar, mediante desconto da remuneração, as contribuições devidas pelos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. Conforme Relatório Fiscal, a fiscalizada, intimada a apresentar os documentos que a autorizam considerarse isenta das contribuições sociais patronais, apresentou o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos expedido pelo Conselho Nacional de Serviço Social em nome da Associação Universitária e Cultural da Bahia, CNPJ 13.970.322/000105, dos anos 1993 e 1998 e Diário Oficial que publica a Resolução 03, de 23 de janeiro de 2009, que defere o pedido de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas) da Associação Universitária e Cultural da Bahia. Ocorre que a UCSAL, conforme consta do seu Estatuto em anexo, registrado no 1º Ofício de Registro Civil das Pessoas Jurídicas, é pessoa jurídica de direito privado, dotada de autonomia didáticocientífica, financeira, administrativa e disciplinar que será exercida na forma das disposições legais, estatutárias e regimentais próprias, tratandose, portanto, de instituição que possui personalidade jurídica própria. A personalidade jurídica própria também foi reconhecida por sentença judicial no processo de execução n° 9200034314, exarado pelo Juiz Federal da 4ª Vara Federal. o qual reconheceu que, diferentemente do que asseverou a embargante, a executada é dotada sim de personalidade jurídica própria. Assim sendo, diante da realidade dos fatos, era indispensável a UCSAL a apresentação do seu Certificado, vez que a isenção de que trata o art. da Lei nº 12.101, de 2009, não se estende à entidade com personalidade jurídica própria constituída e mantida pela entidade à qual a isenção foi concedida. Não cabendo assim hipótese legal nenhuma para a entidade considerarse isenta. A autoridade fiscal constatou que: as GFIP, foram entregues com o Código FPAS 639 referente a Entidades Filantrópicas com isenção, o qual inibe o cálculo das contribuições patronais devidas pela empresa à Previdência Social; através de uma análise comparativa entre GFIP e Folhas de Pagamento, foi observado que a empresa não declarou todos os segurados empregados e contribuintes individuais que constavam dos arquivos das Folhas de Pagamento. Tais segurados encontram se detalhados por competência em planilha que consta do Anexo VII; Fl. 1960DF CARF MF Processo nº 10580.731330/201343 Resolução nº 2301000.618 S2C3T1 Fl. 99 3 com base nas informações constantes das folhas de pagamentos e nas informações contábeis foram considerados como fatos geradores das contribuições lançadas os fatos geradores a seguir relacionados: (I) valor da remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais não declarados em GFIP ; (II) diferença entre remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais declarada em GFIP e encontrada na folha de pagamento; (III) diferença entre o valor descontado pela Impugnante a título de Vale transporte(3,72%) e o valor previsto na legislação (6%); (IV) valores pagos a título de bolsa de estudos concedidos aos empregados, dependentes dos empregados e parentes dos empregados; (V) valores desembolsados a título de Plano de Saúde; (VI) valores desembolsados a título de Seguro de Vida; e (VII) valores desembolsados em favor da empresa Bradesco Previdência e Seguros S/A a título de previdência privada. Foi aplicada a multa de 75% sobre os valores constantes dos levantamentos: BS, BP,VT,SG PP, PL, SE, CS, Cl. Sobre as contribuições correspondentes ao levantamento BG foi aplicada a multa qualificada de 150%, conforme dispõe o art. 44, inciso I, § Iº da Lei 9.430, de 1996, vez que embora exista várias decisões administrativa de 1ª e 2ª, relativas a períodos anteriores, ratificando o entendimento de que a UCSAL não tem o direito de autoenquadrarse como entidade isenta, ela continuou informando na GFIP o código FPAS 639, deixando assim de declarar e recolher aos cofres públicos as contribuições patronais no período de 01 a 12/2009 e 01 a 12/2010. O dirigente da autuada na época dos fatos geradores, Reitor José Carlos Almeida, foi considerado como responsável solidário pelo crédito previdenciário apurado por meio do auto de infração DEBCAD nº 51.044.3818. A autuada, devidamente intimada, a fim de impugnar os autos de infração acima identificados apresentou defesa administrativa, acostada aos autos às fls. 1.229 a 1.561 alegando, em breve síntese, que: não obstante esteja formalmente constituída e registrada no CNPJ, não possui personalidade jurídica própria, não subsistindo autonomamente à sua mantenedora, Associação Universitária e Cultural da Bahia. para presumir que teria personalidade jurídica própria, o Agente Fiscal pautou se unicamente na existência de estatuto social da Impugnante, registrado em cartório, transcrevendo trecho de sentença proferida em processo do qual a Impugnante figurou como parte, não havendo qualquer comprovação de que a Impugnante teria autonomia administrativa, acadêmica e financeira; Fl. 1961DF CARF MF Processo nº 10580.731330/201343 Resolução nº 2301000.618 S2C3T1 Fl. 100 4 a Impugnante cumpre todos os requisitos previstos na legislação para o gozo da isenção tributária e, além disso, os levantamentos apontados pelo Sr. Agente Fiscal possuem evidentes inconsistências e não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Da Assistência Social Em perfeita sintonia com a caracterização constitucional da assistência social, como política pública social, de defesa de direitos e garantia de acesso aos direitos sociais, a Impugnante oferece à população de Salvador, em especial de baixa renda, além da concessão de Bolsas de Estudos para seus cursos universitários, diversos projetos e atividades que proporcionam condições de desenvolvimento social, formação da cidadania, acesso à justiça, à habitação, à saúde, além de promover o abrandamento da aguda desigualdade sócioeconômica da região. Das Ações Desenvolvidas pela Impugnante A Impugnante e a sua mantenedora conquistaram credibilidade no cenário da educação superior no Estado da Bahia, tendo formado mais de 55 mil profissionais nas mais diversas áreas do conhecimento e apresenta os seguintes indicadores: oferta 38 cursos de graduação, bacharelados e licenciaturas e 12 cursos de graduação tecnológica; 11.000 estudantes, 456 docentes do Quadro da Carreira do Magistério, e 495 funcionários; 86 professores doutores e 193 mestres, representando 61,18% do total de docentes; 4 mestrados e 1 doutorado aprovados pela CAPES; 48 grupos de pesquisa cadastrados no CNPq; 40 cursos de especialização e MBA; 5 bibliotecas e 320 mil livros; 20 laboratórios de informática e mais de 1.100 computadores; 24 laboratórios de ensino e pesquisa; 5 campi em Salvador Federação, Lapa, Pituaçu, Garibaldi e Carlos Gomes; 08 projetos de extensão e ação comunitária e seus respectivos subprojetos, voltados para a população da periferia de Salvador; Em média 2.000 alunos carentes atendidos por bolsas e 986 por programas de crédito. Demonstrandose a condição de entidade beneficente de assistência social da impugnante, é imperioso ressaltar que nenhum dos programas descritos na impugnação foi levado em consideração quando da autuação da Impugnante. Esses indicadores demonstram claramente que a Associação Universitária e Cultural da Bahia, por meio de sua mantida, Universidade Católica do Salvador, desenvolve as suas atividades em consonância com o disposto no artigo 203 da Constituição Federal de 1988, bem cumprindo a sua missão institucional. Dentre os programas desenvolvidos pela Impugnante, que foram ignorados pelo Sr. Agente Fiscal citamse, entre outros, os seguintes: Bolsas de Estudos; Universidade Para Todos – PROUNI; Bolsa UCSAL; Faz Universitário; Orientação para a Saúde; Projeto de Assessoria Jurídica Popular; Bairro do Engenho Velho da Federação; Educação e Cidadania; UCSal nos Bairros; Projeto Economia dos Setores Populares; Projeto Envelhecer Crescendo; Unidade de Assistência em Fisioterapia; Projeto de Assistência Jurídica e Social; Diante de todo o exposto, se evidencia que a personalidade jurídica da Impugnante, quando o assunto é a prestação de serviços jamais foi ou será dissociada à Associação Universitária e Cultural da Bahia. Afinal, a atividade por elas desenvolvida é una e indivisível. As autuações combatidas padecem de fundamentação, na medida em que a Fiscalização não diligenciou para colher provas e documentos que demonstrassem que a Impugnante não atendeu aos requisitos legais para o enquadramento como entidade assistencial e isenta; tampouco comprovou que a Impugnante teria materialmente personalidade jurídica Fl. 1962DF CARF MF Processo nº 10580.731330/201343 Resolução nº 2301000.618 S2C3T1 Fl. 101 5 própria e por essa razão não poderia ter para si, estendida a certificação conferida à sua entidade mantenedora. Em que pese possuir CNPJ e estatuto próprio, a Impugnante não subsiste dissociadamente de sua mantenedora, Associação Universitária e Cultural da Bahia, não possuindo total autonomia patrimonial, administrativa e financeira e tal situação não foi comprovada pela auditoria fiscal, que se pautou exclusivamente nas afirmações contidas em sentença proferida na ação judicial. Efetivamente, a existência de CNPJ e Estatuto Social configuram que a Impugnante teria personalidade jurídica formal, mas não a personalidade jurídica material. Quando de sua constituição há muito tempo, a Impugnante constituise na forma como hoje se mantém, estruturandose por estatuto social e CNPJ distintos de sua mantenedora, isso porque, a legislação de regência estipulava que as entidades educacionais assim se organizassem, inexistindo restrição para a extensão da isenção conferida à entidade mantenedora à sua mantida, mesmo que constituída na forma como a Impugnante se mantém; assim, a forma de constituição da Impugnante jamais causou qualquer prejuízo ao reconhecimento da sua atuação como entidade assistencial, bem como à concessão da isenção. Ademais, a estrutura e forma de constituição da Impugnante e sua mantenedora, antecedem à previsão contida no art. 55, § 2o da Lei n° 8.212/, de 1991, quando não havia qualquer restrição à fruição da isenção em razão da existência de CNPJ próprio, de modo que após a vigência do referido dispositivo legal, somente não foi possível à Impugnante alterar a sua forma de constituição e baixar o seu CNPJ, para figurar somente como uma extensão de sua mantenedora, em razão de restrições fiscais que lhe foram imputadas e que impediram a alteração na sua forma de constituição; a permanência dessa forma de constituição da Impugnante, com o registro de seus atos constitutivos e CNPJ próprios em nada lhe beneficia, não havendo qualquer vantagem para que tal estrutura seja mantida a despeito da vedação legal existente para a fruição da sua condição isenta. Para o período de 2009 a Impugnante detinha sua condição de isenta, reconhecida através da publicação da Resolução CNAS n° 3, de 23 de janeiro de 2009 (DOU 26/01/2009) no item 2.771, o deferimento do Processo de Renovação do CEBAS n° 71010.004579/200611, relativo ao triênio 2007 – 2009; para o triênio de 2010 a 2012 e 2013 a 2015, a Impugnante, em 30 de dezembro de 2009 e em 29 de junho de 2012, protocolou, tempestivamente, os seus pedidos de renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, junto a Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior, do Ministério da Educação SERES MEC, por meio dos processos n° 71010.005218/200926 e 23000.010886/201247, respectivamente, conforme dispõe o art. 8o do Decreto n° 7.237/2010, que regulamenta a Lei n° 12.101 de 2009, os protocolos dos requerimentos de renovação, servem como prova da certificação até o julgamento dos processos que se encontram em análise pelo MEC. Com efeito, em que pese a sua constituição formal como pessoa jurídica, a Impugnante não subsiste sem à sua entidade mantenedora, e a Fiscalização não infirmou tal condição por meio de provas, simplesmente presumindo que a Impugnante teria materialmente personalidade jurídica própria com respaldo em sentença proferida em ação judicial e pela existência de estatuto social e CNPJ próprios, tendo em vista que o lançamento não se sustenta mediante a apresentação de provas, frente a flagrante violação ao princípio da verdade material, bem como em vista da patente insuficiência de sua fundamentação e comprovação da Fl. 1963DF CARF MF Processo nº 10580.731330/201343 Resolução nº 2301000.618 S2C3T1 Fl. 102 6 situação jurídica ensejadora da ocorrência dos supostos fatos geradores, torna nulo o ato de forma insanável; nesse sentido foram proferidos inúmeros julgados pelos nossos tribunais pátrios. É afirmada, ainda, a decadência do direito de constituir o credito tributário referente ao ano base de 2009, afirmada a inocorrência dos fatos geradores das contribuições providenciarias, a impossibilidade de aplicação da multa agravada, por inexistência de dolo e sonegação fiscal, a indevida inclusão dos diretores no relatório de vínculos, o não cabimento da representação fiscal para fins penais e a ilegalidade da incidência de juros sobre o valor da multa. Foi requerido: (I) o acolhimento das preliminares e a anulação dos autos de infração em epígrafe; (II) acaso assim não se entenda, seja julgado improcedentes os autos de infração, com a conseqüente extinção do crédito tributário; (III) subsidiariamente, caso assim não se entenda, seja julgada (i) indevida a aplicação da multa de ofício qualificada de 150%, com a conseqüente redução do referido percentual; e (ii) recalculada a multa por descumprimento de obrigação acessória indicada no Auto de Infração DEBCAD nº 51.044.3761, em razão do evidente erro de cálculo demonstrado; (IV) independentemente do acolhimento dos outros pedidos, sejam excluídas as pessoas arroladas no "relatório de vínculos" do pólo passivo da autuação fiscal. José Carlos Almeida Da Silva, por sua vez, na qualidade de responsável solidário também apresentou instrumento de impugnação de fls. 1.564 a 1.673, por meio do qual argumenta que se após analisar os argumentos apresentados pela UCSAL, o órgão julgador votar pela manutenção dos autos de infração originários do presente processo requer que sejam analisados os seus argumentos, a fim de se determinar o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária. Destaca que a inclusão de responsáveis tributários no pólo passivo da obrigação tributária não compete à Receita Federal do Brasil, mas, sim, à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, razão pela qual o auto de infração DEBCAD nº 51.044.3818, integrante do presente processo deveria ter sido lavrado apenas em nome da pessoa jurídica que formalmente realizou os atos contestados pelo Sr. Agente Fiscal. Vez que, nessa etapa processual o crédito tributário ainda está pendente de constituição definitiva, podendo sofrer alterações em decorrência do julgamento da Impugnação apresentada pela UCSAL. Aduz que, não bastasse isso, o Fisco está a imputar responsabilidade ao Impugnante com base no disposto no artigo 135, inciso III, do CTN, sem comprovar a existência da conduta dolosa, fraudulenta ou de sonegação, e o interesse pessoal do Impugnante na suposta fraude ou sonegação. Argumenta que haveria dolo por parte da UCSAL, caso fossem constatados documentos falsos, sem qualquer tipo de substância, como o objetivo de fazer transparecer ao Fisco uma condição de entidade isenta que não fosse compatível com as atividades Fl. 1964DF CARF MF Processo nº 10580.731330/201343 Resolução nº 2301000.618 S2C3T1 Fl. 103 7 efetivamente praticadas pela Impugnante. Nesse sentido, é o entendimento do CARF consubstanciado no acórdão n° 1402001.316, julgado em 02/04/2013. O Superior Tribunal de Justiça também possui tal posicionamento, conforme EAG 494.887RS, julgado em 16/10/2007, segundo o qual o sócio deve responder pelos débitos fiscais do período em que exerceu a administração da sociedade apenas se ficar provado que agiu com dolo ou fraude. Alega que o fato de haver decisões existentes em outros processos administrativos sobre a mesma matéria ora debatida, não implica, necessariamente, que essa E. Turma Julgadora deve seguir os entendimentos já manifestados por outras Delegacias de Julgamento. Isso porque, as discussões administrativas citadas pelo Sr. Agente Fiscal no Relatório Fiscal ainda estão pendentes de análise pelo E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ocasião na qual certamente resultará a reforma das decisões citadas pelo Sr. Agente Fiscal. Por outro lado, destaca que em nenhum momento o Sr. Agente Fiscal apontou qual seria o dispositivo do estatuto social da entidade que teria sido desrespeitado pelo Impugnante, dando azo ao surgimento de obrigação tributária. E mais, a verificação de tal violação nem mesmo seria possível, uma vez que o Impugnante, na condição de reitor da entidade autuada, não exercia qualquer ingerência sobre as atividades administrativas e operacionais desta e, tampouco, ao cumprimento de suas obrigações acessórias (como, por exemplo, o preenchimento de suas GFIPs). Afirma que tampouco houve infração de lei, vez que conforme demonstrado na peça impugnatória da UCSAL, nenhum ato contrário à lei foi praticado. Os atos praticados pela entidade revestiamse de plena regularidade formal, legal e demonstravam sua efetiva condição de entidade beneficente isenta de contribuições previdenciárias, não cabendo falar em infração de lei. Pois, ainda que se pretendesse alegar que a UCSAL deixou de recolher tributos e que essa seria a infração de lei de que trata o artigo 135 do Código Tributário Nacional, o que se admite apenas a título de argumentação, não poderia prosperar o entendimento do Sr. Agente Fiscal. Isso porque, conforme entendimento pacífico na doutrina, a infração de lei a que faz referência o artigo 135 não há de ser entendida como a mera ausência de pagamento de tributo. Alega ainda que há que se considerar que o intuito do disposto no artigo 135 do CTN é responsabilizar o diretor, gerente ou representante da sociedade que age em interesse próprio, de forma contrária aos interesses da sociedade, ou seja, que se faz necessário não só a ocorrência de qualquer infração por parte da sociedade que representa, mas também a verificação desta infração derivada do interesse próprio do dirigente ou administrador. Por fim, diante do exposto, além de reiterar os argumentos expostos na peça impugnatória apresentada pela Universidade Católica do Salvador UCSAL, requer o cancelamento do Termo de Sujeição Passiva Solidária n° 1 lavrado em face do ora Impugnante. A DRJ julgou a impugnação procedente em parte, no seguinte sentido: EFEITOS DA DECISÃO Em face das razões expendidas e à luz da legislação previdenciária, há que se excluir as contribuições apuradas na competência 01 de 2009, constantes dos autos de infração DEBCADs nºs 51.044.3800, 51.044.3818, 51.044.3788 e 51.044.377 0, conforme demonstrativo abaixo. Fl. 1965DF CARF MF Processo nº 10580.731330/201343 Resolução nº 2301000.618 S2C3T1 Fl. 104 8 Bem como há que se alterar o valor e do auto de infração DECDAD nº 51.044.3761 de R$ 635.545,79 para R$ 620.499,11. DA CONCLUSÃO Por fim, diante do exposto, voto no sentido de julgar procedente em parte a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário alterando o valor dos autos de infração DEBCADs nºs 51.044.3800, 51.044.3818, 51.044.3788 e 51.044.3770, conforme demonstrativo acima, acrescido da multa de oficio e dos juros de mora, e do auto de infração DECDAD nº 51.044.3761 para R$ 620.499,11; bem como, reduzir a multa de ofício qualificada de 150 % para multa de ofício regular de 75% e afastar a responsabilidade solidária atribuída ao Reitor José Carlos da Silva Almeida. O acórdão recebeu as seguintes ementas: DECADÊNCIA O prazo decadencial qüinqüenal, nos casos de contribuições sujeitas ao lançamento por homologação, se existir pagamento antecipado, nos termos do art, 150, § 4º, do CTN, será contado a partir do fato gerador. Contudo, os lançamentos lavrados em virtude do descumprimento de obrigação, por não se tratarem de lançamento por homologação, estão sujeitos as regras contidas no inciso I, art. 173, do CTN. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ISENÇÃO. REQUISITOS. PERSONALIDADE JURÍDICA. As entidades educacionais que promovem assistência social beneficente, desde que atendam os requisitos da legislação, fazem jus à isenção das contribuições para a seguridade social, previstas no § 7º, do art. 195, da Constituição Federal. A isenção concedida a uma pessoa jurídica não é extensiva à outra empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja por aquela mantida ou controlada, conforme redação do §2º do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, atualmente substituído pelo art. 30 da Lei nº 12.101/2009. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Integra o salário de contribuição a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades, com exceção, exclusivamente, das verbas previstas no § 9º do art. 28, da Lei nº 8.212, de 1991. A natureza jurídica dos valores pagos não depende da denominação dada pelo empregador. A impugnante não comprovou que os valores considerados pela fiscalização não visavam retribuir o trabalho. Fl. 1966DF CARF MF Processo nº 10580.731330/201343 Resolução nº 2301000.618 S2C3T1 Fl. 105 9 PREVIDÊNCIA PRIVADA. SEGURO DE VIDA. EM DESACORDO COM A NORMA LEGAL. INTEGRAM O SALÁRIODE CONTRIBUIÇÃO. As importâncias pagas aos empregados a título de Fundo de Previdência Privada e Seguro de Vida não extensivas à totalidade dos empregados e dirigentes, integram a base de cálculo para incidência das contribuições previdenciárias. ASSISTÊNCIA MÉDICA. Se o sujeito passivo oferece assistência médica ou odontológica a diversos empregados, porém não a todos, indistintamente, os valores que desembolsa para custear tal benefício integram o saláriode contribuição, na forma prevista no art. 28, §9º, alínea “q”, da Lei nº 8.212, de 1991. BOLSAS DE ESTUDOS. Os valores pagos a título de bolsa de estudo integram o salário de contribuição, quando não se tratar de educação básica ou cursos de capacitação profissional e qualificação profissional que se vinculem às atividades desenvolvidas pela empresa, e quando não forem disponibilizados universalmente a todos os segurados vinculados ao sujeito passivo. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. A qualificação da multa de ofício para 150% somente pode ocorrer quando a autoridade fiscal provar de modo inconteste, por meio de documentação acostada aos autos, o dolo por parte do contribuinte, condição imposta pela lei. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. A lavratura do Termo de Sujeição Passiva, com a imputação de responsabilidade pessoal ao dirigente, por suposto ato de fraude a lei, contrato social ou estatuto, deve ser precedido, obrigatoriamente, de comprovação da intenção fraudulenta. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. DEVER DO AGENTE FISCAL. A emissão da representação é ato vinculado do AuditorFiscal ao constatar que as irregularidades encontradas caracterizam, em tese, crime ou contravenção penal, sobre as quais não efetua nenhum juízo de valor acerca da culpabilidade do autor, atribuição esta do representante do Ministério Público. A ciência dessa decisão ocorreu em 12/09/2014 (fl. 1789). Em 13/10/2014, foi apresentado recurso voluntário (fls. 1792 a 1867), sendo reiterados, em síntese, os termos da impugnação. Os pedidos consistem em que : Fl. 1967DF CARF MF Processo nº 10580.731330/201343 Resolução nº 2301000.618 S2C3T1 Fl. 106 10 (I) sejam acolhidas as preliminares, a fim de que sejam integralmente anulados os autos de infração; (II) acaso assim não se entenda, seja parcialmente reformada a decisão recorrida , para que sejam canceladas as autuações, com a conseqüente extinção do crédito; (III) seja arquivada a representação fiscal para fins penais até decisão ulterior. O processo foi distribuído para este relator em 09/12/2015 (fl. 1933). É o relatório. Na sessão de 09 de dezembro de 2015, esta Turma, apreciando o processo 10580.733921/201193, no qual é sujeito passivo o mesmo contribuinte, e no qual também está sendo discutida sua imunidade, resolveu baixar os autos em diligência através da Resolução nº 2301000.547, nos seguintes termos: Porém, antes do exame de mérito, em especial sobre o direito a imunidade, é necessário que sejam prestados alguns esclarecimentos. Dos fatos 1. Em vários documentos emitidos pelo Ministério da Educação comprovase que a recorrente é, de fato, mantida pela Associação Universitária e Cultural da Bahia: MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO INTERESSADA: Associação Universitária e Cultural da Bahia UF: BA ASSUNTO: Recredenciamento da Universidade Católica do Salvador, com sede no Município de Salvador, no Estado da Bahia RELATOR: Gilberto Gonçalves Garcia eMEC Nº: 20077654 PARECER CNE/CES Nº: 280/2011 COLEGIADO: CES APROVADO EM: 7/7/2011 Voto favoravelmente ao recredenciamento da Universidade Católica do Salvador (UCSal), com sede na Praça Ana Nery, s/nº, no Bairro Nazaré, no Município de Salvador, no Estado da Bahia, mantida pela Associação Universitária e Cultural da Bahia, com sede no Município de Salvador, Estado da Bahia, até o primeiro ciclo avaliativo do SINAES a se realizar após a homologação deste Parecer, nos termos do artigo 10, § 7º, do Decreto nº 5.773/2006, com redação dada pelo Decreto nº 6.303/2007, observado o prazo máximo de 10 (dez) anos, fixado no inciso I do artigo 59 daquele Decreto O que também se comprova pelo Estatuto da recorrente às fls. 2.325. 2. Constatase que alguns CEBAS emitidos para períodos anteriores aos fatos geradores constava a extensão de seus efeitos à recorrente, fls. 246/248 e que a mantenedora obteve a renovação do CEBAS para o período de 01/01/2004 a 31/12/2009, fls. 254/255. 3. Nos autos e nem em pesquisas realizadas na Internet foi possível obter para exame o Estatuto da Associação Universitária e Cultural da Bahia – AUCB e nem alguma informação sobre a execução de atividades de ensino a estudantes que não seja através da recorrente, o que no mínimo soa contraditório, já que a AUCB teve que comprovar a execução de atividades de ensino a estudantes carentes com percentual de gratuidade para fins de obtenção do CEBAS: Fl. 1968DF CARF MF Processo nº 10580.731330/201343 Resolução nº 2301000.618 S2C3T1 Fl. 107 11 Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009 Art. 13. Para fins de concessão ou renovação da certificação, a entidade de educação que atua nas diferentes etapas e modalidades da educação básica, regular e presencial, deverá: (Redação dada pela Lei nº 12.868, de 15 de outubro de 2013) I demonstrar sua adequação às diretrizes e metas estabelecidas no Plano Nacional de Educação (PNE), na forma do art. 214 da Constituição Federal; (Incluído pela Lei nº 12.868, de 15 de outubro de 2013) II atender a padrões mínimos de qualidade, aferidos pelos processos de avaliação conduzidos pelo Ministério da Educação; e (Incluído pela Lei nº 12.868, de 15 de outubro de 2013) III conceder anualmente bolsas de estudo na proporção de 1 (uma) bolsa de estudo integral para cada 5 (cinco) alunos pagantes. (Incluído pela Lei nº 12.868, de 15 de outubro de 2013) Para a convicção deste colegiado é necessário que se esclareça sobre a execução efetiva de atividades de ensino por parte da mantenedora a justificar o CEBAS obtido por ela ou se apenas é uma entidade cujo objeto estatutário é a coordenação/ administração/supervisão de atividades de ensino executadas através de outra entidade, no caso a recorrente. (Grifouse.) Na sessão de 21/09/2016, a seu turno, esta Turma decidiu encaminhar novamente os autos do processo 10580.733921/201193 em diligência (Resolução 2301 000.632), pelas razões abaixo transcritas: A decisão recorrida se sustenta no fundamento de que sendo ambas pessoas jurídicas regularmente constituídas e com CNPJ próprio, o reconhecimento da recorrente como entidade beneficente seria vedado pelo artigo 55, §2º da Lei 8.212/91, atual artigo 30 da Lei 12.101/2009: Em relação às alegações supratranscritas, cumpre inicialmente registrar que independentemente do fato da Impugnante e da Associação Universitária e Cultural da Bahia serem ou não entidade mantida e entidade mantenedora, a UCSAL não tem direito à isenção, em razão de não cumprir os requisitos necessários para tanto. A isenção concedida a uma pessoa jurídica não é extensiva a outra empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja por aquela mantida ou controlada, conforme redação do §2º do art. 55 da Lei 8.212/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, atualmente substituído pelo art. 30 da Lei 12.101/2009. Assim, a Impugnante não pode querer se valer do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social da Associação Universitária e Cultural da Bahia para que seja reconhecido seu direito à isenção. A polêmica central discorre sobre a UCSAL possuir ou não personalidade jurídica própria. ... Lei nº 8.212/91: artigo 55 (...) Fl. 1969DF CARF MF Processo nº 10580.731330/201343 Resolução nº 2301000.618 S2C3T1 Fl. 108 12 §2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. (Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) ... Lei nº 12.101/2009 Art. 30. A isenção de que trata esta Lei não se estende a entidade com personalidade jurídica própria constituída e mantida pela entidade à qual a isenção foi concedida. Pareceme que tal dispositivo legal é até mesmo desnecessário. Por óbvio que uma entidade não pode se apropriar da imunidade/isenção concedida a outra entidade, ainda que entre elas exista uma relação entre mantenedora/mantida. Quando a mantenedora é reconhecida como entidade beneficente de assistência social em razão das atividades que desempenha diretamente não se estende seu CEBAS às entidades ensino por ela mantidas, que não necessariamente estarão cumprindo os mesmos requisitos legais: percentual mínimo de gratuidades, não remuneração de dirigentes etc. Mas o caso que ora se examina não é tão simples assim. A diligência não soluciona a dúvida quanto à possibilidade de que a mantenedora não desenvolva diretamente atividade de ensino, mas somente indiretamente, e justamente através da mantida, ora recorrente. As respostas prestadas pela recorrente à intimação reiteram o que fora alegado desde a impugnação sobre a rígida divisão de atribuições: mantenedora com as atividadesmeio, dentre as quais a representação junto ao MEC, e a mantida com as atividadesfim na área de ensino. Apesar das informações trazidas pela fiscalização e pelo recorrente, ressaltandose que não foram examinados os registros contábeis e outros documentos da mantenedora, ainda não se tem certeza razoável se as atividadesfim de ensino são, de fato, desempenhadas somente pela entidade mantida. O compartilhamento do mesmo estabelecimentosede, fls. 2682, ou a alegação de que mantenedora e mantida desempenham suas atividades conjuntamente, como se formassem uma unidade econômica, não são informações suficientes para se esclarecer se a mantenedora também executa diretamente atividades de ensino a justificar a concessão de CEBAS. Com efeito, examinando o artigo 2º do estatuto da entidade mantenedora, constatase que a entidade mantenedora também pode manter e dirigir outras organizações de caráter cultural e social além da Universidade Católica de Salvador, fls. 2718. E na resposta à intimação durante a diligência, a recorrente apresentou várias atividades que poderiam estar sendo executadas direta ou indiretamente pela mantenedora, fls 2733. Não é vedado pelo MEC que entidades mantenedoras mantenham mais de uma entidade ou mesmo que desenvolvam diretamente atividades e ensino. Assim, as dúvidas permanecem: caso a mantenedora, de fato, somente cuide das atividadesmeio e não mantenha outra entidade que não a recorrente, como poderia ela ser reconhecida como entidade beneficente de assistência social e não seja extensivo esse direito à mantida, aquela que efetivamente desempenha atividadesfim na área de ensino? Em relação à atividade de ensino, como o contribuinte é a entidade que contrata segurados empregados e os remunera e não a entidade mantenedora (considerando que seus segurados desempenham apenas atividadesmeio), comprovada a situação acima, reconhecer a imunidade/isenção apenas para a mantenedora resultaria que os efeitos somente seriam em relação aos segurados das atividadesmeio, ficando de fora justamente o corpo docente da instituição de ensino. Será essa uma discussão de mérito após o esclarecimento principal: abstendose da tese levantada pelo recorrente de que comporiam uma unidade Fl. 1970DF CARF MF Processo nº 10580.731330/201343 Resolução nº 2301000.618 S2C3T1 Fl. 109 13 econômica de fato, a entidade mantenedora desenvolve ou não diretamente atividade fim de ensino, ou seja, concorrentemente à atividade da mantida? Retornando, então, ao fundamento adotado pela fiscalização, bastaria que o CEBAS tenha sido emitido em nome da mantenedora e a mantida tenha personalidade jurídica própria para não se admitir a possibilidade de que, na verdade, o CEBAS se refira às atividades da mantida, ou seja, segundo esse entendimento coincidiriam emissão e concessão, ainda que se tratem de entidades dentro de uma relação mantenedora/mantida. Dessa forma, a emissão em nome da mantenedora excluiria qualquer possibilidade de a concessão ser para a mantida, mesmo que na avaliação realizada pelo MEC que levou à concessão do CEBAS tenham sido analisados apenas os requisitos legais cumpridos pela mantida. Quantos aos requisitos legais previstos na Lei nº 12.101/2009, na página mantida na internet, o MEC os apresenta de forma prática: Documentos Para comprovar o atendimento aos requisitos definidos pela Lei nº 12.101/2009, e suas alterações, a entidade deve apresentar documentos e informações relativos à entidade mantenedora, assim como a todas as suas mantidas. São eles: Entidade mantenedora: comprovante de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ); cópia da ata de eleição dos atuais dirigentes e do instrumento comprobatório de representação legal, quando for o caso; cópia autenticada do ato constitutivo registrado no Cartório de Registro Civil das Pessoas Jurídicas, na forma da lei, com identificação do Cartório em todas as folhas e transcrição dos dados de registro no próprio documento ou em certidão (Art. 3º, III, do Decreto nº 7.237, de 20/7/2010), comprovando que a entidade foi constituída e está em funcionamento há, no mínimo, doze meses. Em se tratando de fundações, deverá ser atendido o art. 62 do Código Civil Brasileiro – escritura pública do ato constitutivo; relatório de atividades desempenhadas no exercício fiscal anterior ao requerimento, destacando informações sobre o público atendido e os recursos envolvidos; plano de atendimento com concessão de bolsas, bem como as ações assistenciais e programas de apoio aos alunos bolsistas; demonstrações contábeis e financeiras do exercício anterior ao do requerimento, compreendendo: Balanço Patrimonial assinado pelo representante legal da entidade e pelo contador, inscrito no Conselho Regional de Contabilidade (CRC); Demonstração do Resultado do Exercício assinada pelo representante legal da entidade e pelo contador, inscrito no CRC; Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido assinada pelo representante legal da entidade e pelo contador, inscrito no CRC; Notas Explicativas do exercício anterior ao requerimento assinadas pelo representante legal da entidade e pelo contador, inscrito no CRC; Demonstração dos Fluxos de Caixa do exercício anterior ao requerimento assinada pelo representante legal da entidade e pelo contador, inscrito no CRC. Fl. 1971DF CARF MF Processo nº 10580.731330/201343 Resolução nº 2301000.618 S2C3T1 Fl. 110 14 Obs.1: Se a receita bruta anual do exercício anterior ao do requerimento for superior ao limite máximo estabelecido no inciso II, do art. 3º, da Lei Complementar nº 123/2006 , deverá ser encaminhado um parecer de auditoria independente do exercício anterior ao requerimento. Obs.2: Com relação aos demonstrativos contábeis, é importante que se observe as Normas Brasileiras de Contabilidade, em especial a Interpretação Técnica Geral (ITG2002). Entidade mantida (instituição de educação): ato de credenciamento da instituição de educação regularmente expedido pelo órgão normativo do sistema de ensino; relação de bolsas de estudo e demais ações assistenciais e programas de apoio a alunos bolsistas, com identificação precisa dos beneficiários (documentos protocolados a partir de 2011); documentos relativos ao processo de seleção de bolsistas e à análise do perfil socioeconômico; plano de atendimento, com indicação das bolsas de estudo e ações assistenciais, além dos programas de apoio a alunos bolsistas, durante o período pretendido de vigência da certificação; regimento ou estatuto; identificação dos integrantes do corpo dirigente, destacando a experiência acadêmica e administrativa de cada um; caso a entidade atue concomitantemente na área de assistência social, deve ser também apresentado o comprovante de inscrição das ações assistenciais desenvolvidas junto aos conselhos municipais ou do Distrito Federal e o comprovante de que as referidas ações são realizadas de forma gratuita, continuada e planejada; se o requerimento for de renovação, deverá ser apresentado o relatório de atendimento às metas definidas no plano de atendimento precedente. Como se vê, são exigidos comprovantes de ambos, mantenedora e mantidas, destacandose que os documentos exigidos para as mantidas são justamente relativos à atividadefim e, especialmente, à concessão de bolsas de ensino e gratuidades em geral. Por fim, oportuno mencionar que há acórdãos desse CARF em outros processos do mesmo recorrente que adotou o mesmo entendimento da fiscalização; porém, sem apreciação da questão a que se refere a diligência: Acórdão nº 2301003.537 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária E o CEBAS da mantenedora não é extensivo à mantida, assim como a isenção. Portanto, não há a necessidade de se cancelar o CEBAS da mantenedora. Quanto o argumento de ausência de personalidade jurídica própria, os documentos juntados aos autos contradizem tal afirmação. Fl. 1972DF CARF MF Processo nº 10580.731330/201343 Resolução nº 2301000.618 S2C3T1 Fl. 111 15 O próprio estatuto da UCSAL dispõe, no art. 3o, que ela é dotada de autonomia didáticocientífica, financeira, administrativa e disciplinar. Acórdão nº 2401002.884 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária DIREITO A ISENÇÃO ENTIDADE MANTENEDORA EXTENSÃO DA ISENÇÃO A MANTIDA APLICAÇÃO APENAS A ENTES DESPERSONALIZADOS. Existindo personalidade jurídica, não prospera o argumento de que a entidade poderia valerse da condição de isenta de sua mantenedora. Os termos do Parecer 509 do MPAS são aplicados apenas a entes despersonalizados. ... Conforme bem destacado pelo auditor, e reforçado perante a Decisão do CRPS transcrita no relatório fiscal complementar, a UCSAL possui personalidade jurídica, devendo ela própria cumprir os requisitos do art, 55 da lei 8212/91, quanto ao gozo de isenção. Assim, ao não ter requerido a isenção, ou mesmo possuir os documentos que possibilitariam a realização do pedido, não há de fazer jus a isenção pretendida, considerando que também não requereu, perante o INSS o direito a isenção. ... A informação sobre a execução direta de atividades de ensino pode ser obtida dos registros contábeis e os respectivos documentos de caixa da entidade mantenedora. Caso, de fato, ela preste diretamente atividades de ensino, independentemente da entidade mantida, haverá registros das receitas auferidas de seus alunos. Acrescentase nessa diligência um pedido de outra informação: a recorrente seria a única entidade mantida pela Associação Universitária e Cultural da Bahia? E quanto à remuneração de dirigentes, que se esclareça sobre a origem dos pagamentos: decorreriam da condição de diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores ou, de outra forma, seria uma contraprestação pela atividade docente, coordenação pedagógica ou outra atividadefim do ensino? Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para os esclarecimentos acima e seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação sobre esta decisão no prazo de 30 dias. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Como no presente processo também se discute a imunidade da recorrente, penso ser adequado que os mesmos esclarecimentos e elementos probatórios juntados aos autos do processo 10580.733921/201193 (respeitantes à questão de sua imunidade) também sejam juntados aos presentes autos, a fim que, em face de elementos probatórios análogos, possam ser tomadas decisões uniformes a respeito do tema. Fl. 1973DF CARF MF Processo nº 10580.731330/201343 Resolução nº 2301000.618 S2C3T1 Fl. 112 16 Diante do exposto, voto em converter o julgamento em diligência para as providências solicitadas, no mesmo sentido, também nos autos do processo 10580.733921/201193 (Resoluções 2301000.547 e 2301000.632). A recorrente deverá ser intimada da manifestação da autoridade preparadora, abrindose o prazo de trinta dias para suas alegações. Após, devem os autos retornar para julgamento. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Relator Fl. 1974DF CARF MF
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