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Numero do processo: 19515.002545/2010-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: SIMPLES
Ano-calendário: 2006
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE
Não existe nulidade de auto de infração lavrado por autoridade competente, sem preterição do direito de defesa e efetuado em consonância com o art 142 do Código Tributário Nacional.
OMISSÃO DE RECEITAS. DIVERGÊNCIA ENTRE VALORES DA DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA E GIA DO ICMS. É justificável o lançamento dos tributos do Simples quando apurada divergência entre os valores constantes da declaração simplificada e os declarados ao fisco estadual, nas GIA do ICMS.
DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO PELO REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão.
MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA DE NÃO CONFISCO. LEGALIDADE. O valor da multa de ofício aplicada decorre do disposto na Lei, tendo em vista infração cometida pelo Contribuinte, não havendo que se falar em confisco.
Numero da decisão: 1302-001.073
Decisão: Acordam os membros da Turma, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES Anocalendário: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE Não existe nulidade de auto de infração lavrado por autoridade competente, sem preterição do direito de defesa e efetuado em consonância com o art 142 do Código Tributário Nacional. OMISSÃO DE RECEITAS. DIVERGÊNCIA ENTRE VALORES DA DECLARAÇÃO SIMPLIFICADA E GIA DO ICMS. É justificável o lançamento dos tributos do Simples quando apurada divergência entre os valores constantes da declaração simplificada e os declarados ao fisco estadual, nas GIA do ICMS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO PELO REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA DE NÃO CONFISCO. LEGALIDADE. O valor da multa de ofício aplicada decorre do disposto na Lei, tendo em vista infração cometida pelo Contribuinte, não havendo que se falar em confisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Turma, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 2 (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade Relatório Fl. 479DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 19515.002545/201069 Acórdão n.º 1302001.073 S1C3T2 Fl. 63 3 Em decorrência de ação fiscal, o Contribuinte foi autuado em relação aos tributos abrangidos pelo Simples (IRPJ, PIS, COFINS e Contribuição para a Seguridade Social – INSS), acrescidos da multa proporcional e juros de mora, no valor total de R$ 5.579.238,88, referentes a fatos feradores ocorridos em 2006, caracterizados pela omissão de receita apurada diante da divergência das declarações ao fisco federal e Estadual. Com base no Convênio RFB nº 02337/2008, foram obtidos os dados das GIA — Guias de Informação e Apuração do ICMS, apresentadas pelo contribuinte à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, nas quais informou seu movimento de vendas no período base sob fiscalização. Do confronto entre o que o Contribuinte declarou na sua Declaração Simplificada em 2006, e os valores de vendas realizadas e informadas à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, nas Guias de Informação e Apuração do ICMS, foram encontradas diferenças entre os valores declarados ao Fisco Estadual e ao Fisco Federal, apuradas mensalmente e resumidas em mapas, assim apresentados: JANEIRO R$ 2.034.162,44 FEVEREIRO R$ 1.140.020,39 MARÇO R$ 1.308.910,97 ABRIL R$ 1.335.187,80 MAIO R$ 1.363.748,22 JUNHO R$ 957.477,18 JULHO R$ 1.130.000,00 AGOSTO R$ 2.015.852,37 SETEMBRO R$ 1.588.879,18 OUTUBRO R$ 1.686.935,57 NOVEMBRO R$ 1.648.521,32 DEZEMBRO R$ 967.747,28 TOTAL R$ 17.177.442,72 O contribuinte cientificado da ação fiscal não apresentou os documentos listados no Termo de Início e nem respondeu as reintimações, razão porque foram encaminhadas aos sócios Olivier Franqueira e Harley Franqueira, que também deixaram de atender à intimação. A Autoridade Fiscal então efetuou o lançamento por omissão de receitas no período correspondente ao ano calendário de 2006, caracterizada pela não declaração dos valores de vendas realizadas pela empresa na DSPJ – 2006 e, assim, devem ser adicionados os totais das mesmas à receita tributável do Contribuinte, apurados pelo SIMPLES através de lançamento de ofício, na forma de Auto de Infração. O presente processo contém o demonstrativo de percentuais aplicáveis sobre a receita bruta (fls. 114/116), o demonstrativo de apuração dos valores não recolhidos (fls. 117/122), assim como o demonstrativo de apuração dos imposto/contribuição sobre diferenças apuradas, fls. 123/128. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 4 Por fim, concluiu a Autoridade Fiscal pela exclusão de ofício do Contribuinte do Simples, com efeitos partir de 1º de Janeiro de 2007 e encaminha a Representação para o devido andamento. O Ato Declaratório Executivo DERAT/SPO/GABINETE/EQRES nº 63/2010 juntado às 407 declara o Contribuinte excluído do Simples Federal a partir de 01/01/2007. Ressaltado que no caso de não interposição de manifestação no prazo, a exclusão do Simples tornarseia definitiva. O Contribuinte intimado do Ato Declaratório pela vis postam em 05/10/2010 (fls. 410/411 e 416), não apresentou manifestação de inconformidade (fls. 422), porém apresentou impugnação, tempestivamente, em relação ao auto de infração, alegando em síntese o seguinte: inicialmente aponta ilegalidade da adoção de informações do Fisco Estadual como subsídio à fiscalização da Receita Federal. contesta a adoção de dados oriundos das GIA relativas ao ICMS, com base no art. 199 do CTN que não autoriza o lançamento com base exclusiva na prova emprestada. Colaciona jurisprudência judicial e administrativa sobre prova emprestada. discorre sobre competência tributária e capacidade tributária nos termos do art. 7º e 199 do CTN. que o auto de infração é nulo, não só pela prova emprestada, mas também porque não se observou o principio do contraditório, alegando que no momento da colheita de prova não foi intimado uma vez que o “AR” enviado à residência não foi por ele recebido. ataca a multa aplicada e seu “caráter confiscatório”. que a aplicação de multa de 75% é confisco. A 13ª Turma da DRJ/SP, julgou unanimemente improcedente a impugnação, alegando que: justificase o lançamento dos tributos do Simples quando apurado com base na divergência entre os valores constantes da declaração simplificada e os declarados ao fisco estadual, nas GIA do ICMS, ainda mais quando o Contribuinte, intimado, deixa e apresentar livros e documentos contábeis. verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. o valor da multa de ofício aplicada decorre do disposto na Lei, tendo em vista infração cometida pelo Contribuinte, não havendo que se falar em confisco. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 19515.002545/201069 Acórdão n.º 1302001.073 S1C3T2 Fl. 64 5 Intimado da decisão da DRJ em 20/08/12, o contribuinte apresentou recurso voluntário, tempestivo, em 17/09/12, reiterando os argumentos da impugnação, e alegando em síntese o seguinte: É o relatório. Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 482DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 6 Tomo conhecimento do recurso voluntário do Contribuinte, vez que apresentada com a observância do prazo e requisitos estipulados no Decreto 70.235/72. Alega o Contribuinte em seus argumentos de recurso basicamente 5 pontos de discordância em relação ao auto de infração: 1 – Nulidades; 2 – Cerceamento de direito de defesa; 3 – Impossibilidade de utilização de prova emprestada; 4 – Multa confiscatória; e, 5 – Inconstitucionalidades diversas. 1 A Defendente, pretende a anulação da autuação, porém, no âmbito do processo administrativo fiscal, as hipóteses de nulidade são taxativamente previstas nos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que determinam: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (Grifouse). 1.1 Como visto, a alegada nulidade somente pode ser suscitada em caso de lavratura por pessoa incompetente. Possíveis irregularidades, incorreções e omissões cometidas no auto de infração não importarão em nulidade e vão ser sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. 2 A presente ação fiscal foi inaugurada pelo Termo de fls. 26, recebido pelo Contribuinte em 26/11/2009, fls. 27, ocasião em que foi intimado a apresentar livros e documentos fiscais do ano calendário 2006. A Fiscalizada deixou de atender ao solicitado e, também deixou de receber a reintimação (vide fls. 29/32) e assim as as intimações e reintimações foram encaminhadas aos sócios (fls. 34/38 e 104/108), ao deixar de atender o procedimento fiscal deu causa à busca de informações por outro caminho disponível ao Fisco Federal. 2.1 – O argumento de que o sócio Harley não recebeu o “AR” não procede pois todas as cópias dos “AR” enviadas ao endereço do sócio Harley, foram recebidos e assinados e a impugnação, interposta dentro do prazo, foi firmada pelo próprio sócio Harley, vide fls. 39, 108, 181/182 e 203. 2.3 – Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo contribuinte e o seu direito de resposta ou de reação foram plenamente assegurados no curso do processo. 2.4 – Os autos estiveram à disposição do Recorrente para as vistas durante o prazo para impugnação e para apresentação deste recurso, ocasiões em que foi oportunizado à defesa o amplo acesso a todos os documentos constantes do processo. Não se configura, Fl. 483DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 19515.002545/201069 Acórdão n.º 1302001.073 S1C3T2 Fl. 65 7 portanto, cerceamento do direito de defesa quando o conhecimento dos atos processuais pelo contribuinte e seu direito de resposta ou de reação foram plenamente assegurados no curso do processo. 2.5 – Ante as circunstancias fáticas verificadas nos autos, me parece que não restou caracterizado o alegado cerceamento do direito de defesa do Recorrente. 3.0 – Em face do não atendimento das diversas intimações no prazo estipulado, não restou outra alternativa à autoridade lançadora que não constituir o credito com base nos valores de Vendas Mensais constantes das GIA entregues à Fazenda Estadual. 3.1 A Autoridade Fiscal obteve dados da GIA/ICMS do período fiscalizado com suporte no convênio firmado entre os fiscos Federal e Estadual. A receita declarada à Receita Estadual foi cotejada com as constantes das PJSI do ano calendário 2006, tendo sido detectadas elevadas divergências, que deu ensejo ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal fls. 109/113, esclarecimentos estes não prestados pelo Contribuinte. 3.2 Tendo a receita superado o limite de receita bruta permitido no Simples (R$ 2.400.000,00), o Contribuinte foi excluído do regime favorecido, através do Ato Declaratório Executivo n° 63, com efeitos a partir de 01/01/2007, não contestado, apesar de intimado (fls. 410/411 e 422). 3.3 A permuta de informações econômicofiscais, tem amparo legal no art 37, XXII da Constituição Federal e no art. 199 do CTN, este, abaixo transcrito: “Art. 199. A Fazenda Pública da União e as dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios prestarseão mutuamente assistência para a fiscalização dos tributos respectivos e permuta de informações, na forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio. Parágrafo único. A Fazenda Pública da União, na forma estabelecida em tratados, acordos ou convênios, poderá permutar informações com Estados estrangeiros no interesse da arrecadação e da fiscalização de tributos. Este parágrafo foi acrescido pela Lei Complementar nº 104, de 10/01/2001. “ 3.4 O entendimento do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, resumido na ementa a seguir: “DIVERGÊNCIA ENTRE LIVROS FISCAIS E DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS Caracterizase omissão de rendimentos, diferença a maior lançada no Livro Registro de Apuração do ICMS, em relação ao valor declarado pelo contribuinte em sua Declaração de Rendimentos, se o sujeito passivo não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos as razões das diferenças apuradas. 1º Conselho de Contribuintes/1a. Câmara/ACÓRDÃO 10194.317 em 14/08/2003. Publicado no DOU em: 14.10.2003. Na mesma linha o acórdão 10194.128. IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS. DIVERGÊNCIA ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS NO LIVRO RAZÃO E NO LIVRO REGISTRO DE APURAÇÃO DE ICMS. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 8 A divergência entre os valores das receitas escrituradas no Livro Registro de Apuração de ICMS e no Livro Razão, expurgadas as mercadorias devolvidas, caracteriza omissão de receitas quando não infirmada pelo sujeito passivo. PROVA EMPRESTADA. Os extratos das Declarações Periódicas de Informações – DPI’s, passaram do status de prova indiciaria para prova concreta, material e autoaplicavel, após todas as tentativas infrutíferas da fiscalização de confrontálas com a escrita contábil e fiscal, bem como do sujeito passivo se manifestasse sobre os dados nelas contidos. A autoridade fiscal é autorizada a diligenciar na busca da verdade material (2a Turma da 3a Câmara da 1a Seção do CARF. Acórdão nº 1302000.795 de 24/11/2011).” 3.5 Portanto, é legal a utilização pelo Fisco Federal de informações extraídas das declarações (GIA/ICMS) apresentadas pela própria Autuada à SEFAZ/SP, como se deu no presente caso e ao contrário do que argumenta, as divergências entre os valores declarados aos fiscos federal e estadual constituem prova de omissão de receitas. 3.6 Nestas circunstâncias, a omissão de receitas, devidamente quantificada, foi levada à tributação pelo regime adotado no lançamento, qual seja, o SIMPLES, uma vez que nos termos do artigo 24 da Lei nº 9.249/95, verificada a omissão de receita, a Autoridade Fiscal determinará o valor do imposto a ser lançado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração. 4 A Impugnante alega que a multa de ofício com percentual de 75% é confiscatória. Não tem amparo a argumentação apresentada vez que a aplicação da multa decorre de lei e não pode ser modificada. A multa de ofício de 75% deve acompanhar os tributos exigidos mediante lançamento de ofício, sendo que sua previsão legal encontrase disciplinada no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996. 4.1 Quanto à argüição de caráter confiscatório, importa esclarecer que a instância administrativa não é o foro adequado para discussões a respeito de ilegalidade ou inconstitucionalidade de leis, por absoluta falta de competência das autoridades administrativas, função que é reservada em caráter exclusivo aos juízes e tribunais. A autoridade fiscal deve cumprir as determinações legais de forma vinculada, não podendo, sob pena de responsabilidade funcional, desrespeitar as normas da legislação tributária, em observância ao art. 142, parágrafo único, do CTN. 5 Acrescentase, por oportuno, que as alegações de vedação ao confisco e respeito à capacidade contributiva previstas na Constituição Federal, não são de competência deste colegiado administrativo que tem o caráter vinculado da atividade fiscal. O administrador é um mero executor de leis, não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade e aplicabilidade do comando legal. A análise de teses contra a constitucionalidade de leis é privativa do Poder Judiciário. 5.1 – Quanto a estas matérias o CARF já editou Súmula neste sentido: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competende para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Fl. 485DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 19515.002545/201069 Acórdão n.º 1302001.073 S1C3T2 Fl. 66 9 Por todo o exposto restou caracterizada a receita omitida e a correção dos lançamentos realizados, já que as meras alegações do Recorrente, desprovidas de comprovação, mostramse insuficientes para afastar as autuações. Por todo exposto, nego provimento ao recurso voluntário e mantenho os créditos tributários. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 486DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE
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Numero do processo: 10380.016044/2007-62
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 24/11/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE EXIBIR QUALQUER LIVRO OU
DOCUMENTO.
AUTUAÇÃO. NULIDADE. VIOLAÇÃO AO DEVIDO PROCESSO
LEGAL E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE
INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO EM RELAÇÃO A RECORRENTE.
IRRELEVÂNCIA E IMPERTINÊNCIA. CRÉDITO DECORRENTE DE
AUTUAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL.
INEXISTÊNCIA DE COBRANÇA DE CONTRIBUIÇÃO.
INCONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO. MATÉRIA
VEDADA O CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA.
INCONSTITUCIONALIDADE. INEXISTENTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO
DECORRENTE DE MULTA PUNITIVA. AUSÊNCIA DE EXIGÊNCIA
DE CONTRIBUIÇÃO. RECORRENTE TOMADORA DOS SERVIÇOS.
DEVER DE APRESENTAR DOCUMENTOS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-001.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/11/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE EXIBIR QUALQUER LIVRO OU DOCUMENTO. AUTUAÇÃO. NULIDADE. VIOLAÇÃO AO DEVIDO PROCESSO LEGAL E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO EM RELAÇÃO A RECORRENTE. IRRELEVÂNCIA E IMPERTINÊNCIA. CRÉDITO DECORRENTE DE AUTUAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. INEXISTÊNCIA DE COBRANÇA DE CONTRIBUIÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO. MATÉRIA VEDADA O CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. INCONSTITUCIONALIDADE. INEXISTENTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECORRENTE DE MULTA PUNITIVA. AUSÊNCIA DE EXIGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. RECORRENTE TOMADORA DOS SERVIÇOS. DEVER DE APRESENTAR DOCUMENTOS. Recurso Voluntário Negado.
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 24/11/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE EXIBIR QUALQUER LIVRO OU DOCUMENTO. AUTUAÇÃO. NULIDADE. VIOLAÇÃO AO DEVIDO PROCESSO LEGAL E AMPLA DEFESA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO EM RELAÇÃO A RECORRENTE. IRRELEVÂNCIA E IMPERTINÊNCIA. CRÉDITO DECORRENTE DE AUTUAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. INEXISTÊNCIA DE COBRANÇA DE CONTRIBUIÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO. MATÉRIA VEDADA O CONHECIMENTO NA SEARA ADMINISTRATIVA. INCONSTITUCIONALIDADE. INEXISTENTE. CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECORRENTE DE MULTA PUNITIVA. AUSÊNCIA DE EXIGÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. RECORRENTE TOMADORA DOS SERVIÇOS. DEVER DE APRESENTAR DOCUMENTOS. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Fl. 98DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.016044/200762 Acórdão n.º 280301.313 S2TE03 Fl. 97 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.016044/200762 Acórdão n.º 280301.313 S2TE03 Fl. 98 3 Relatório O presente Auto de Infração – AI DEBCAD 37.143.5129, CFL.38, deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o sindico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212, de 24.07.91, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme previsto no art. 33, parágrafos 2º e 3º da referida lei, combinado com os artigo 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social – RPS, apenso ao Decreto 3.048, de 06.05.99, com período de apuração do crédito de 01/2002 a 12/2006, conforme Mandado de Procedimento Fiscal MPF, de fls. 09, o auto de infração, objetiva a aplicação de penalidade por infração a dever instrumental, determinado por lei. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 26/12/2007, AR, de fls. 42. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, em 25/01/2008, conforme carimbo de recepção na peça impugnativa, de fls. 45, a defesa está acostada, as fls. 45 a 47, acompanhada dos documentos, de fls. 48 a 65. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 66 e 67. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza – CE, por intermédio do órgão julgador de primeiro grau, emitiu o Acórdão 0813.688 6ª Turma da DRJ/FOR, em 17/07/2008, fls. 68 a 73. No qual o lançamento foi considerado procedente, com redução de multa, uma vez que a reincidência específica foi retirada. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 01/04/2009, AR, fls. 80. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 82, recebido, em 30/04/2009, com razões recursais, as fls. 83 a 90, acompanhado dos documentos, de fls. 91 a 93, as razões recursais estão resumidas. Prolegômenos. • Que a recorrente não deixou de apresentar livros ou documentos, sendo o lançamento abusivo e caracterizador de erro procedimental do fisco, pois o contribuinte só é obrigado a contabilizar fatos geradores por ele suportados, não tendo que notificar obrigações fiscais inexigíveis ou suportadas por terceiro, o que se aplica aos documentos exigidos, sendo este o erro nodal da fiscalização; • Que o cerne da questão é a incidência de contribuição previdenciária prevista no artigo 22, IV da Lei 8.212/91 não praticando a autuada Fl. 100DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.016044/200762 Acórdão n.º 280301.313 S2TE03 Fl. 99 4 simulação ou elisão tributária e muito menos recusa de entrega de livros e documentos; • Que a contribuição não é inexigível e não havendo o principal, não há o acessório, não estando o lançamento guarnecido pelo ordenamento jurídico; • Que a decisão a quo manteve os males da autuação, o que culminou com o presente recurso; Preliminar. • Que a fiscalização violou direitos fundamentais, sendo eles o devido processo legal e a ampla defesa do contribuinte, pois as normas tributárias devem ter interpretação serena, razoável e proporcional, sendo que a recorrente não praticou a conduta imputada, uma vez que desde o recebimento do MPF e TIAD a empresa tem apresentado na medida do possível os documentos e livros solicitados; • Que a quantidade de documentos solicitados pelo agente fiscal era muito elevada e o tempo para cumprimento exíguo, o que acaba por violar o devido processo legal de forma obliqua e ampla defesa por violação à atividade probatória, sendo que a CSRF já decidiu que tal vício nulifica o auto; • Que não se pode exigir a contribuição social previdenciária, contida no artigo 22, IV da Lei 8.212/91 por ilegalidade em sua cobrança e por consequência a penalidade, pois a recorrente não é a devedora da contribuição social exigida; • Que a tese do fisco de que a HAPVIDA é a real tomadora dos serviços da recorrente não encontra respaldo no mudo fáticojurídico, pois apenas administra os recursos financeiros advindo dos usuários, uma vez que a real tomadora dos serviços e a Fundação Francisca Feitosa ou Fundação Ana Lima, sendo os serviços médicos prestados pelas fundações ou entidades cooperadas, desta forma a recorrente é parte ilegítima para responder pela contribuição; • Que embora na DIRF conste a HAPVIDA como fonte pagadora dos serviços, tais pagamentos ocorrem à conta e a ordem das fundações, estando comprovado pelos contratos anexos tal situação; • Que a contribuição em tela é inconstitucional, pois não introduzida no mundo jurídico por Lei Complementar; • Que sendo ilegítima a cobrança da contribuição o AI é insubsistente; • Que ficou claro o abuso da fiscalização e que a não apresentação dos livros fiscais e dos documentos decorreu da conduta do próprio fisco em conceder prazos inexequíveis, violando o devido processo legal e Fl. 101DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.016044/200762 Acórdão n.º 280301.313 S2TE03 Fl. 100 5 ampla defesa, o que enseja a aplicação do artigo 59 do Decreto 70.235/72; Mérito. • Que restou demonstrado pelos documentos que a recorrente não é a devedora da hipotética contribuição devida, existindo ainda o vício da inconstitucionalidade; • Conclui postulando; a) conhecimento e provimento do recurso; b) acolhimento da preliminar de nulidade; c) improcedência do auto em face da ausência de sujeição passiva da recorrente. O órgão preparador declarou que o Recurso Voluntário é tempestivo, fls. 95. Os autos foram remetidos ao Segundo Conselho de Contribuintes, fls. 95. É o Relatório. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.016044/200762 Acórdão n.º 280301.313 S2TE03 Fl. 101 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira –Relator. O recurso foi interposto tempestivamente, em 30/04/2009, conforme, fls. 82, vestibular recursal, com carimbo de recepção e AR, de fls. 80, uma vez que o contribuinte foi cientificado da decisão de primeiro grau, em 01/04/2009. A autoridade preparadora, também, reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 95. Prolegômenos. Inicialmente, frisese que o agente fiscal e a decisão a quo deixam claro que a recorrente deixou de apresentar diversos documentos no curso da ação fiscal como consignado nos autos, não havendo erro nem abuso do fisco, mas tão somente o cumprimento de seu mister pela aplicação da lei. O fato de ser ou não a recorrente o sujeito passivo da contribuição é irrelevante, pois o que a lei exige é que o documento ou livro tenha relação com a contribuição previdenciária, nada dizendo sobre a qualidade do intimado a apresentálos, pois se não fosse assim o responsável tributário por substituição nunca precisaria apresentar documentos ao fisco pelo fato da substituição, pois não é ele que arca com o ônus tributário, salvo quando descumpre a lei. O artigo 33, § 2º da Lei 8.212/91 é cristalino ao estabelecer tal exigência, basta observálo. Art. 33...omissis. § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (grifo meu). No presente não se está discutindo a cobrança ou não de contribuição, mas sim a não apresentação ou a recusa de fornecimento de documentos no curso da ação fiscal para nortear os trabalhos de fiscalização. De mais a mais a intenção o contribuinte é irrelevante, quando se trata de descumprir a obrigação legal a ele imposta, ou seja, o chamado dever instrumental ou obrigação acessória, atentese para a transcrição. TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO CONFIGURAÇÃO. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 9º, I, E 97, I, DO CTN. REPETIÇÃO DE DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO VEDADA EM RECURSO ESPECIAL. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ART. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.016044/200762 Acórdão n.º 280301.313 S2TE03 Fl. 102 7 136 DO CTN. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. INEXISTÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA LOCAL E REITERAÇÃO DA CONDUTA. IMPOSSIBILIDADE DE MITIGAÇÃO DA PENALIDADE. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA PARTE, IMPROVIDO. (RESP 200500865815, TEORI ALBINO ZAVASCKI, STJ PRIMEIRA TURMA, 02/02/2010). (grifo meu). Na seara tributária a relação de acessoriedade entre a chamada obrigação principal – dever de recolher o tributo e a acessória – dever jurídico positivo ou negativo para determinada ação (obrigação de fazer ou não fazer) não é idêntica ao da seara civil. No tributário a obrigação acessória, dever instrumental subsiste, ainda, que a obrigação principal não exista, conforme se extrai do dispositivo legal abaixo transcrito e que consta da Lei 5.172/66, bem como, conforme asseverado pela doutrina que transcrevo. Art. 175. Excluem o crédito tributário: Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA: As obrigações tributárias acessórias são os deveres instrumentais exigidos pelo sujeito ativo com o intuito de assegurar o interesse da arrecadação dos tributos e também para facilitar a atividade de fiscalização no sujeito passivo. Estas obrigações não estão relacionadas, no sentido de dependência, com uma determinada obrigação principal, podendo existir independentemente desta. Servem para viabilizar o cumprimento de possíveis obrigações principais de outros tributos, como por exemplo, na emissão de uma nota fiscal de uma operação isenta de ICMS, é exigida a emissão porque se presta para controlar contabilmente sua receita para repercussão em outros tributos, como as contribuições ao PIS e a COFINS e para o Imposto de Renda e a CSLL. Esta independência e a questão terminológica de obrigação gera conflitos doutrinários dos civilistas em face do Código Tributário Nacional, pois em Direito Tributário esta obrigação nem sempre é acessória seguindo caminho diverso da obrigação principal, contrariando a regra civilista "accessorium sequitur suum principale". Assim, deve ser distinguido o termo obrigação acessória na concepção da doutrina privatista, da obrigação acessória do Código Tributário Nacional. Na primeira é sustentado que as obrigações acessórias são meros deveres administrativos e não obrigações propriamente ditas no sentido jurídico, pelo fato de que toda obrigação tem repercussão no patrimônio, ou seja, tem conteúdo patrimonial; além de alegarem não ser a obrigação Fl. 104DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.016044/200762 Acórdão n.º 280301.313 S2TE03 Fl. 103 8 acessória, acessória, pois, no direito tributário, podem vir a existir independentemente da obrigação principal. Kiyoshi Harada [10] sobre a autonomia entre a obrigação tributária e a obrigação civil diz que "a obrigação tributária tem suas peculiaridades que lhe asseguram a autonomia. Tem como causa, invariavelmente, a lei e não a convergência de vontades, essencial na obrigação de natureza civil. A obrigação tributária é sempre 'ex lege'". Vale acrescentar que a obrigação acessória decorre da legislação tributária, abrangendo assim normas infralegais, como os decretos, com o intuito de regulamentar as leis instituidoras dos tributos pelos entes federados. 1 (grifos e distinções do original, negritos meus). XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX A impropriedade da locução pode ser verificada a partir da sua abrangência. Como imposições de um fazer ou de um nãofazer, não podem caracterizar uma obrigação, porque são despidas de conteúdo de cunho patrimonial, motivo pelo qual não podem ser tomadas como “obrigações” em sentido estrito, de acordo com as lições da teoria geral do direito. Ademais, o adjetivo “acessórias” representa um equívoco incorrido pelo legislador, por serem verdadeiros deveres, nem serem são acessórias porque a Administração Tributária fará uso do cumprimento dos deveres impostos aos contribuintes para aferir se houve ou não a concreção da hipótese de incidência da norma de tributação. No caso da comprovação da não ocorrência do fato jurídico tributário e a não instauração do vínculo obrigacional (obrigação tributária principal), diversos deveres foram cumpridos (entrega de documentos, preenchimentos de guias, declarações, etc.), mas nenhuma relação jurídica de cunho patrimonial se instaurou. Então como afirmar serem de natureza acessória? Portanto, as impropriamente denominadas pelo Código Tributário Nacional de “obrigações acessórias” são vínculos jurídicos que não apresentam cunho patrimonial e têm caráter instrumental, cujo objetivo é assegurar a efetividade da arrecadação e a fiscalização dos tributos, por isso devem ser chamadas de deveres instrumentais, isto é, comportamentos realizados pelo contribuinte no sentido de auxiliar a administração fiscaltributária. 2 (grifos meus) 1 Cristiano V. Fernandes Busto Advogado, Técnico em Contabilidade e Especialista em Direito Tributário pela Universidade Presbiteriana MACKENZIE 2 Rocha, Juliana Ferreira Pinto Advogada em São Paulo e Mestranda em Direito Tributário pela PUC/SP Fl. 105DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.016044/200762 Acórdão n.º 280301.313 S2TE03 Fl. 104 9 A contribuição previdenciária é contribuição existente e com bases sólidas incrustadas no ordenamento jurídico, sendo que a apresentação dos documentos requeridos é obrigatória, sob de pena de atuação, sendo a situação fática dos autos. Até o momento não vi males na autuação e nem na r. decisão recorrida. Preliminar. A recorrente tem o dever jurídico de apresentar todos os documentos solicitados pelo fisco no curso da fiscalização. Assim determina a legislação, como explicitado. Lei 5.172/66 Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Lei 8.212/91 Art. 33....omissis. § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (grifos meus). A obrigação legal do contribuinte está descrita em lei de forma clara, simples e objetiva não demandando maiores esforços exegéticos, onde até uma pessoa leiga entenderia tal dever, se houve alguma afronta a direitos foi por parte de contribuinte que violou o direito de fisco de examinar os documentos, não os apresentando como solicitado. Depreendese dos elementos que constam dos autos os seguintes fatos: 1. A fiscalização foi iniciada, em 06/11/2007, com a cientificação do sujeito passivo do MPF e do TIAF, respectivamente, de fls.09 e 10, sendo que neste último foram solicitados vários documentos, entre os quais os a seguir relacionados; Informações em meio digital com leiaute previsto no Manual Normativo de Arq. Dig. da SRP atual ou em vigor a época de ocorrência dos fatos geradores Organograma da empresa Fl. 106DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.016044/200762 Acórdão n.º 280301.313 S2TE03 Fl. 105 10 Balancetes contábeis Balanços patrimoniais DIRPJ/DIPJ e comprovantes de entrega Livro Diário Livro Razão Notas fiscais, faturas e recibos de mãode obra ou serviços prestados Contratos e faturas de cooperativas de trabalho 2. No dia, 03/12/2007 a recorrente foi intimada, novamente, desta vez via TIAD, de fls. 12, a apresentar os documentos abaixo listados, entre outros; Informações em meio digital com leiaute previsto no Manual Normativo de Arq. Dig. da SRP atual ou em vigor a época de ocorrência dos fatos geradores Balancetes contábeis Balanços patrimoniais Contratos e faturas de cooperativas de trabalho Contratos de prestação de serviços celebrados com terceiros Arquivos digitais da DIRF Extrato de fornecedores de cooperativas de trabalho Documentos que embasaram a elaboração da DIRF; 3. No dia, 11/12/2007 a recorrente foi intimada, novamente, via TIAD, de fls. 13, a apresentar os documentos abaixo listados, entre outros; Arquivos digitais da DIRF Balancetes contábeis Balanço social Balanços patrimoniais Contratos de prestação de serviços celebrados com terceiros Fl. 107DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.016044/200762 Acórdão n.º 280301.313 S2TE03 Fl. 106 11 Contratos e faturas de cooperativas de trabalho Documentos que embasaram a elaboração da D1RF Extrato de fornecedores de cooperativas de trabalho Informações em meio digital com leiaute previsto no Manual Normativo de Arq. Dig. da SRP atual ouem vigor a época de ocorrência dos fatos geradores Livro Diário Livro Razão 4. No dia, 11/12/2007 a recorrente foi intimada, novamente, via TIAD, de fls. 13, a apresentar os documentos abaixo listados, entre outros, sendo este com prazo final até 18/12/2007; 1 Arquivos digitais da DIRF 2 Balancetes contábeis 3 Balanço social 4 Balanços patrimoniais 5 Contratos e faturas de cooperativas de trabalho 6 Informações em meio digital com leiaute previsto no Manual Normativo de Arq. Dig. da SRP atual ou em vigor a época de ocorrência dos fatos geradores 7 Livro Diário 8 Livro Razão 9 Contratos de prestação de serviços celebrados com terceiros 10 Documentos que embasaram a elaboração da DIRF —11 Extrato de Fornecedores de cooperativas de trabalho Os documentos relacionados nos itens 1 a 6 foram objeto de intimação no TIAF de 06/11/2007, no TIAD de 03/12/2007 e no TIAD de 11/12/2007. Os documentos itens 7 e 8 foram objeto de intimação no TIAF de 06/11/2007, no TIAD de 11/12/2007,enquanto os documentos Fl. 108DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.016044/200762 Acórdão n.º 280301.313 S2TE03 Fl. 107 12 relacionados nos itens 9 a 1 1 foram objeto de intimação no TIAD de 03/12/2007, no TIAD de 11/12/2007. Em 12/12/2007 o contribuinte nos apresentou comunicado datado de 06/12/2007, no qual relata sua dificuldade operacional em atender às intimações, ao passo que solicita prazo maior para atendêlas. Em virtude da numerosa quantidade de intimações já realizadas, do prazo sucessivamente prorrogado, rejeitamos o pedido de prazo solicitado pelo contribuinte, no que fixamos como prazo final e peremptório o previsto neste termo. Ou seja, das intimações acima citadas verificase que o contribuinte foi instado a apresentar os documentos em quatro oportunidades distintas totalizando um prazo de apresentação de documentos de quarenta e um (41), sendo que nesta última oportunidade o agente fiscal autuante, cientificou o contribuinte que seu prazo já havia sido prorrogado por diversas vezes e que novo pedido de prorrogação estava indeferido. Todas as justificativas da recorrente para não apresentar as provas são evasivas de sua responsabilidade, podese verificar isto nos documentos, de fls. 59 e 60; 62; 65; que em resposta ao TIAD, de 03/12/2007; 12/12/2007; 14/12/2007; informam o que segue que recebido pelo fisco, em 12/12/2007; 14/12/2007; 18/12/2007, tudo de forma, respectiva. Resposta 12/12/2007. • Que está impossibilitada de fornecer diversos documentos em razão de problemas técnicos em seu sistema contábil, sendo que tal problema já havia sido informado; • Que não possui contratos e faturas de cooperativa de trabalho; • Que os contratos de prestação de serviços celebrados com terceiros são inúmeros e pede 30 dias de prazo para realizar o levantamento; • Que não possui extratos de fornecedores de cooperativa de trabalho; • Que os documentos que embasam a DIRF são na casa 1.380.000, ou seja, 276.000 ao ano, pedido 60 dias de prazo para fazer o levantamento. Resposta 14/12/2007. • Que com exceção dos Livros Diários e Razão, os demais documentos já foram objeto de resposta anterior, pois solicitados também pelo TIAD de 03/12/2007, onde esclareceu a impossibilidade de fornecê los e reiterando os pedidos formulados; • Que em relação aos livros não pode apresentálos, pois seu sistema contábil permanece não operacional; Fl. 109DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.016044/200762 Acórdão n.º 280301.313 S2TE03 Fl. 108 13 Resposta 18/12/2007. • Que os explicações das manifestações anteriores continuam, não tendo sido possível realizar aos levantamentos de todos os pagamentos que geraram a DIRF, bem como os contratos de prestação de serviços com terceiros; • Que o sistema contábil continua não operacional; Na realidade o contribuinte é que pretendeu obstaculizar a fiscalização com evasivas e não apresentado os documentos solicitados, haja vista que suas justificativas carecem de provas, nos termos do artigo 333, II da Lei 5.863/73, bem como pela precariedade e pela falta de verossimilhança das alegações. A uma, porque não é possível acreditar que os sistemas informatizados contábeis da empresa ficaram indisponíveis por 41 dias consecutivos. Com todas as mazelas, desgraças e críticas ao serviço público do Brasil nem lá isto acontece, aconteceu na iniciativa privada, logo no período de fiscalização. A duas, porque os demais documentos solicitados ainda que sejam em grande quantidade por se referiram a anos passados e a muito passados 2002 a 2006 já deveriam estar contabilizados, organizados e devidamente arquivados de forma a possibilitar a sua consulta e utilização sempre que necessário e em especial em situações como uma fiscalização, sendo completa e absoluta a responsabilidade da recorrente em relação a isso. O fato de o contribuinte poder ou não apresentar a documentação exigida é irrelevante, pois o sujeito passivo fiscalizado tem a obrigação de ter seus arquivos em boa e regular ordem para fazer prova junto à fiscalização. A jurisprudência do CSRF não socorre ao contribuinte, pois não foi o fisco que impôs dificuldade a defesa do contribuinte, mas sim o contrário o contribuinte que buscou inviabilizar a fiscalização com sua conduta obstativa de fornecimento dos documentos necessários. A possibilidade de cobrança da contribuição é irrelevante ao caso, pois neste auto não se esta cobrando tal contribuição. A recorrente apenas foi autuada por deixar de apresentar documentos no curso da ação fiscal que seria necessário para o bom desenvolvimento do procedimento, ou seja, a empresa deixou de cumprir com sua obrigação de fazer, isto é, com seu dever instrumental, sujeitandose, assim, as penalidades da lei. Nas respostas ao TIAF e aos TIAD’s a recorrente diz: • Que não possui contratos e faturas de cooperativa de trabalho; • Que não possui extratos de fornecedores de cooperativa de trabalho; Entretanto, na peça recursal afirma que ela recorrente não é a prestadora de serviços, mas sim que tais serviços são prestados pela Fundação Francisca Feito (Fundação Ana Lima), ou entidades cooperadas. Quais? Se a própria recorrente afirma que elas não existem. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.016044/200762 Acórdão n.º 280301.313 S2TE03 Fl. 109 14 A recorrente é sociedade civil limitada, que conforme a cláusula sexta de seu contrato social, fls. 27, abaixo transcrita atua na área de saúde. A sociedade tem por objetivo social a contratação de serviços hospitalares, de odontologia, de medicina, de exames auxiliares, de diagnósticos de tratamento e a comercialização destes serviços através de planos de saúde a prestação de serviços de odontologia e administração de planos de saúde, finalidade esta que poderá ser reduzida, modificada ou ampliada, mediante a deliberação dos quotistas detentores de quotas representativas de mais da metade do capital social. A leitura de seu contrato social deixa claro que a recorrente põe no mercado plano de saúde, com seus decorrentes e necessários serviços e que para isso contrata prestadores de serviços hospitais, clínicas, laboratórios, profissionais e outras, sendo estes que prestam os serviços aos detentores dos planos – clientes/usuários, mas quem toma tais serviços e a recorrente é não há dúvidas em relação a isto. A recorrente é a fonte pagadora que consta da DIRF justamente porque é ela quem toma os serviços, os quais são prestados por intermédio de terceiras pessoas jurídicas contratadas para tal. Aliás, os citados contratos que diz a recorrente provariam suas alegações não estão juntados aos autos nunca vieram, sendo mais uma afirmação vazia, como tantas outras. A inconstitucionalidade da contribuição social, também, é irrelevante, pois não se está exigindo nenhuma contribuição social nestes autos, mas apenas foi a empresa autuada por não cumprir um dever legal. Mas, ainda, que se estivesse exigindo alguma contribuição, O QUE NÃO É O CASO, ad argumentandum tantum a análise de inconstitucionalidade seria inviável na seara administrativa, nos termos dos atos a seguir citados. Decreto 70.235/72 Art.26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Portaria MF 256/2009 RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Fl. 111DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.016044/200762 Acórdão n.º 280301.313 S2TE03 Fl. 110 15 No entanto, mais uma vez os fatos acima descritos são irrelevantes para o deslinde do presente auto, pois aqui estamos no campo da punição por descumprimento de dever instrumental, independentemente de qualquer contribuição devida, tendo esta à obrigação de apresentar os documentos exigidos pela fiscalização no curso da ação fiscal, pois se trata de obrigação legal. O presente auto de infração atende a todos os requisitos normativos a sua lavratura, sendo decorrente da falta de atendimento das obrigações pelo próprio recorrente que visou com sua conduta obstaculizar a ação fiscal, não havendo nulidade alguma a ser reconhecida. Assim sendo, rejeito todas as teses da preliminar, bem como o pedido de declaração de nulidade do auto. Mérito. As teses de mérito apenas repetem de forma sucinta o que já foi dito em preliminar, assim nada temos a acrescentar. Todavia, registro que os documentos juntados pela recorrente não provaram a suas alegações, pois junto à peça impugnatória foram anexadas apenas, as fls. 48 a procuração do causídico; 49 a 65 parte do Auto de Infração, ou seja, estes documentos não são aptos a provarem as alegações da recorrente. No tocante ao Recurso Voluntário a recorrente apenas juntou, as fls.91 a 93 documento de identificação pessoal do causídico e sua inscrição na OAB, bem como a procuração e nada mais. Verificase que a empresa tem dificuldades em apresentar seus registros contábeisfiscais. Mais uma vez, registro que não há cobrança de contribuição nestes autos sendo impertinente e desprovido de fundamento fático e jurídico tal alegação, assim como a questão da inconstitucionalidade foi acima esclarecida, sendo, também, desprovida de razão, uma vez que o auto não cobra contribuição social previdenciária. Destarte, com esses argumentos afasto todas as alegações da recorrente, haja vista não encontrarem supedâneo nos fatos, nas provas e no ordenamento jurídico. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso para no mérito negarlhe provimento, pelas razões e fundamentos expostos. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.016044/200762 Acórdão n.º 280301.313 S2TE03 Fl. 111 16 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/03/2012 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 01/04/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 19515.000757/2010-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
MULTA ISOLADA. FALTA DE TRANSCRIÇÃO DOS BALANCETES DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO NO LIVRO DIÁRIO. LANÇAMENTO INSUBSISTENTE. A ausência de transcrição dos balancetes de suspensão e redução, no livro diário, por si só, não caracteriza infração que justifique a aplicação de multa isolada.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-001.381
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pela, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Alexei Macorin Vivan e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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FALTA DE TRANSCRIÇÃO DOS BALANCETES DE SUSPENSÃO OU REDUÇÃO NO LIVRO DIÁRIO. LANÇAMENTO INSUBSISTENTE. A ausência de transcrição dos balancetes de suspensão e redução, no livro diário, por si só, não caracteriza infração que justifique a aplicação de multa isolada. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pela, Carlos Mozart Barreto Vianna, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Alexei Macorin Vivan e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 07 57 /2 01 0- 10 Fl. 644DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.000757/201010 Acórdão n.º 1402001.381 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório Pelo que se extrai do auto de infração cuja cópia consta a partir da fl. 338, tratase de exigência notificada à parte recorrente em 24/03/2010 (fl. 339), identificando as seguintes infrações, com o enquadramento legal que segue. 001 MULTA ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO SOBRE A ESTIMATIVA, em cada um dos meses do anocalendário de 2005. Enquadramento Legal: arts. 16 DA Lei nº 9.779, de 1999, art. 57, inciso II, da Medida Provisória Nº 2.15833, de 2001 e reedições. Pelo que se extrai do Termo de Verificação Fiscal (fls. 331 e seguintes), "não constam dos Livros Diário mensais apresentados os Balancetes de Suspensão a que se refere o art. 230 do RIR/99. Em conseqüência, o contribuinte ficou obrigado ao recolhimento por Estimativa. Não tendo feito estes recolhimentos, sujeitase A. multa isolada, de 75%, calculada sobre os valores que deveriam ser recolhidos com base na Estimativa." A planilha de fls. 332 demonstra que se exigiu multa isolada no percentual de 75% sobre os valores apurados mensalmente a título de IRPJ e de CSLL. Notificada, a parte interessada apresentou a impugnação de fls. 345 e seguintes alegando: a) que demonstrou que possuía escrituração contábil regular, tendo sido comprovado que havia calculado devidamente o IRPJ e a CSLL pelo regime do lucro real anual, adotandose, para todo anocalendário de 2005, a sistemática de suspensão e redução do imposto. b) Que atendendo a uma segunda intimação apresentou, ainda, os seguintes documentos: i) Comparativo entre o LALUR e a DIP] do ano de 2005; ii) Planilha com valores recolhidos e suspensos de Pis e Cofins em 2005; iii) DARFs e DCTF que confrontam com a planilha de Pis e Cofins; iv) balancetes mensais referentes ao meses de janeiro à dezembro de 2005 (Doc.9); e (grifo no original) v) Cópia da DIPJ 2006, anocalendário de 2005 (Doc. 10). c) Em que pese o fiel cumprimento a todas as normas relativas apuração do IRPJ e da CSLL pela sistemática de suspensão e redução, por simplesmente ter deixado de Fl. 645DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.000757/201010 Acórdão n.º 1402001.381 S1C4T2 Fl. 0 3 transcrever os balancetes de suspensão e redução no livro diário, a ora Impugnante foi surpreendida com o recebimento do auto de infração em epígrafe, por meio do qual lhe está sendo exigida multa isolada de 75% calculada sobre os valores de IRPJ e CSLL, estimados com base na receita bruta; Pelo que se extrai da linha 49 da ficha 09A (fl. 280) e da Ficha 12A (fl. 285), no ano de 2005 a recorrente apurou lucro real de R$ 694.598,30, recolheu estimativas nos meses de novembro e dezembro, apurando o imposto a pagar descrito na Ficha 12A. Por ter o valor das estimativas superado ao valor do imposto devido, apurou saldo negativo de R$ 159.699,72 (fl. 285). A DRJ, por meio do acórdão de fls. 524 e seguintes, julgou parcialmente procedente a impugnação, reduzindo a multa para o percentual de 50%. Intimada do acórdão, a parte interessada, de forma tempestiva, apresentou o recurso de fls. 851 e seguintes, repisando os argumentos articulados quando da impugnação, agora com nova jurisprudência da CSRF acerca do assunto. É o relatório. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.000757/201010 Acórdão n.º 1402001.381 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Pelo que se extrai do Termo de Verificação Fiscal, à fl. 457, a causa da autuação está na não transcrição dos Balancetes de Suspensão de suspensão nos Livros Diários. Contudo, esta obrigação acessória não invalida o procedimento adotado pela parte recorrente. Neste sentido destacase a recente e unânime jurisprudência da CSRF: FALTA DE ESCRITURAÇÃO DO BALANCETE SUSPENSÃO/REDUÇÃO MULTA ISOLADA – DESCABIMENTO A simples falta de transcrição dos balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a aplicação da multa isolada prevista pela falta de recolhimento das estimativas mensais, principalmente quando o contribuinte apresenta sua escrita contábil e fiscal e a fiscalização não consegue demonstrar irregularidades suficientes para descaracterizar a sua validade. (acórdão 9101 001.423. CSRF. Unânime. Julgamento 10/07/2012. Rel. Conselheiro Valmir Sandri. O acórdão acima referido, em seus fundamentos, destaca, dentre outros, os seguintes precedentes da CSRF, com grifos no original: Acórdão nº 910101.244, sessão de 22 de novembro de 2011: MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – A multa isolada reportase ao descumprimento de fato jurídico de antecipação, o qual está relacionado ao descumprimento de obrigação principal. O tributo devido pelo contribuinte surge quando o lucro real é apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade isolada pela mera ausência de transcrição dos balancetes de suspensão e redução, quando a fiscalização não contesta os valores de CSLL apurados ao final do período. Acórdão CSRF/0105.403, sessão em 20 de março de 2006: MULTA ISOLADA FALTA DE PAGAMENTO DA CSLL COM BASE NO LUCRO ESTIMADO A regra é o pagamento com base no lucro líquido apurado no trimestre, a exceção é a opção feita pelo contribuinte de recolhimento da contribuição e adicional determinados sobre base de cálculo estimada. A Pessoa Jurídica somente poderá suspender ou reduzir a contribuição devida a partir do segundo mês do ano calendário, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor da contribuição, inclusive adicional, calculados com base no Fl. 647DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.000757/201010 Acórdão n.º 1402001.381 S1C4T2 Fl. 0 5 lucro liquido do período em curso. A simples .falta de transcrição dos balanços ou balancetes no livro diário não pode justificar a aplicação da sanção. Se os fundamentos até aqui expostos já são suficientes para dar provimento ao recurso voluntário com base no entendimento de que a falta de transcrição dos balancetes de suspensão ou redução no Livro Diário não justifica a aplicação da multa isolada, fundamento este destacado nos precedentes acima, bem como nos acórdãos CSRF 9101.00.110, publicado em 16/11/2011 e acórdão 140100.243, publicado em 14/02/2011, fundamentos estes que acolho integralmente, no caso em tela há um segundo fundamento que importa na não exigência das estimativas. Sabidamente, o valor recolhido a título de estimativa se constitui em antecipação do imposto devido no final do ano. Assim, nos casos em que o contribuinte não apura imposto devido ou nas situações em que os valores recolhidos a título de estimativas superam o valor do imposto devido, resultando saldo negativo em favor do sujeito passivo, como revela a situação dos autos (fl. 618), não há o que se falar em exigência a título de estimativas. Isto seria o mesmo que exigir antecipação de pagamento sobre imposto que não é devido. Ademais, este colegiado, na sessão de 25 de fevereiro de 2011, em acórdão da lavra do ilustre Conselheiro Antônio José Praga de Souza, por maioria de votos, na ocasião vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima, assentou o entendimento, repetido em sessões posteriores, de que é inaplicável a penalidade por falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL, devido sobre as estimativas mensais, após o encerramento do período de apuração quando o contribuinte não apura tributo devido. Neste sentido segue a ementa do acórdão nº 140200.458, decorrente daquele julgamento: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL DEVIDO SOBRE AS ESTIMATIVAS MENSAIS. É inaplicável a penalidade após o encerramento do período de apuração quando o contribuinte não apura tributo devido. Recurso de Oficio Negado e Recurso Voluntário Provido. Na mesma linha do precedente acima referido a parte recorrente destaca os seguintes julgados da CSRF: Fl. 648DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.000757/201010 Acórdão n.º 1402001.381 S1C4T2 Fl. 0 6 Fl. 649DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.000757/201010 Acórdão n.º 1402001.381 S1C4T2 Fl. 0 7 Em meus acórdãos tenho destacado que por necessitar de recursos para executar suas funções, Administração não pode aguardar o encerramento do período de apuração para receber os tributos cujos fatos geradores irão ocorrer no final do exercício. Neste contexto, antes da ocorrência do fato gerador, criouse obrigações impondo ao sujeito passivo o dever de antecipar recolhimentos no decorrer do anocalendário. Tanto os valores recolhidos a título de carnêleão quanto o de estimativas são deduzidos do imposto apurado no final do exercício. Se deduzidos do valor do imposto devido não há como negar que têm natureza de tributo e correspondem, assim como o IRRF, em pagamento antecipado. Quando se estabelece obrigação do sujeito passivo em recolher carnêleão ou estimativa não se está imputando a ele qualquer omissão relacionada a fato gerador. Nestas circunstâncias o fato gerador ainda não ocorreu e, encerrado o período de apuração, pode haver situações em que sequer se verificará a existência da situação descrita em lei que resulte na obrigação de pagar tributo. Ocorrida a hipótese prevista na segunda parte do parágrafo anterior, para a pessoa física restituise os valores e em relação à pessoa jurídica conferese a esta o direito de usar tais recursos para compensar tributos devidos em períodos subsequentes. Se no mês de março contribuinte pessoa física ou jurídica deixar de recolher, por exemplo, carnêleão ou estimativa, respectivamente, no mês seguinte a autoridade fiscal pode exigir o valor não recolhido com multa de 50%. Contudo, encerrado o anocalendário não há o que se falar em recolhimento de carnêleão ou de estimativa, mas sim no efetivo imposto devido. Aqui, diferentemente do carnêleão ou das estimativas, temse infração que diz respeito ao não pagamento de tributo e, portanto, cominada com penalidade mais grave. Quando se fala em multa isolada esta só pode estar relacionada ao não recolhimento do carnêleão ou das estimativas devidas durante o anocalendário. Encerrado o anocalendário sem que os rendimentos ou lucros sejam oferecidos à tributação exigese o imposto com multa de 75%1. A não ser a adoção desta lógica jamais se aplicaria, nestas situações, o disposto no artigo 138 do CTN.2 1 Se o carnêleão e as estimativas têm como razão de ser o aporte de recursos, no decorrer do anocalendário, para que a Administração possa cumprir com suas obrigações, transcorrido o período de apuração não há mais o que se falar em exigência de carnêleão e nem de estimativas, mas sim do efetivo imposto devido. 2 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.000757/201010 Acórdão n.º 1402001.381 S1C4T2 Fl. 0 8 Imaginemos a situação em que o sujeito passivo, pessoa física ou jurídica, tenha obtido rendimentos sem oferecêlos à tributação. Passado quatro anos e onze meses ele resolve oferecer ditos rendimentos à tributação acompanhado do respectivo pagamento dos tributos. Em havendo o pagamento do imposto devido não se pode lhe imputar a multa pelo não recolhimento do carnêleão ou das estimativas. Agora, adotemos esta mesma situação, só que em vez de esperar quatro anos e onze meses para oferecer os rendimentos à tributação o sujeito passivo os oferece logo após o período de apuração, quando da entrega da declaração. Se no primeiro caso não se lhe aplica a multa isolada, aqui onde a infração é de menor gravidade, ao menos no que diz respeito ao tempo decorrido para oferecer os rendimentos à tributação, também não há o que se falar em multa isolada, sob pena de adorarse situação que resulta em conflito explicito com o disposto no artigo 138, do CTN. Dos fundamentos expostos resulta a seguinte indagação: Em que situações é devida multa isolada sem exigência da multa de ofício? Inicialmente, observemos que a multa de ofício é exigida sempre que houver omissão de rendimentos e não estivermos diante de denúncia espontânea, acompanhada do pagamento do tributo e juros, conforme previsto no artigo 138, do CTN. A multa isolada, por sua vez, é devida até o momento previsto para apuração do imposto devido. Verificado o fato gerador sem que o sujeito ofereça os rendimentos à tributação, não há o que se falar em multa isolada, mas sim em exigência dos tributos devidos com multa de 75%. Igualmente, não subsiste o argumento de que a multa isolada deve ser exigida após o encerramento do período de apuração, ainda que em concomitância com a multa de ofício, em virtude de estar prevista em norma autônoma e por não ter o sujeito passivo adimplido a obrigação na data do vencimento. Não se pode interpretar um dispositivo legal desconsiderando as demais normas que integram o sistema. Se assim fosse, pressupondo atraso do sujeito passivo em relação ao vencimento do tributo, chegaríamos ao ponto de formar raciocínio equivocado cumulando multa de ofício com multa moratória. Para tal, bastaria dizer que sendo a multa moratória devida nos casos de atraso no pagamento e que nos casos de omissão há atraso, ter seia situação em que ambas as multas seriam devidas. Mais, sempre que uma conduta de menor gravidade se constituir em pressuposto para que ocorra uma infração punida com penalidade mais grave, esta absorve a menor. Neste sentido basta observar o princípio da consunção, cujo exemplo citado por nós, em outras ocasiões, é o disposto na súmula 17 do STJ. Ainda em relação à multa isolada, na interpretação do artigo 44, II, alíneas “a” e “b” da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação atribuída pela Lei nº 11.488, de 2007, resultante da conversão da Medida Provisória 351, de 2007, não se pode desprezar a exposição de motivos que ao tratar da necessidade de alteração da lei apresentou a seguinte justificativa: 8. A alteração do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, efetuada pelo art. 14 do Projeto, tem o objetivo de reduzir o percentual da multa de ofício, lançada isoladamente, nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa Fl. 651DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 19515.000757/201010 Acórdão n.º 1402001.381 S1C4T2 Fl. 0 9 física a título de carnêleão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa, bem como retira a hipótese de incidência da multa de ofício no caso de pagamento do tributo após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa de mora. Pelo que se depreende da exposição de motivos, ao usar as expressões “multa de ofício, lançada isoladamente,” se está a falar de uma única multa, pois se assim não fosse não teria usado as expressões “lançada isoladamente”, mas sim, “lançada em concomitância com a multa de ofício. ISSO POSTO, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para cancelar a exigência. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 652DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 17/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 10380.901754/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002
Ementa:
É conditio sine qua non a existência de um pagamento indevido ou a maior que o devido para que o contribuinte faça jus à repetição do indébito, a qual só pode ocorrer dentro do prazo decadencial previsto na legislação. Caso contrário, estaríamos diante de um enriquecimento sem causa de uma das partes. Não ocorrendo tais condições, não há direito a crédito. Por sua vez, sem crédito, a compensação fica prejudicada, pela falta do principal pressuposto legal, qual seja: a reciprocidade de credor e devedor entre as pessoas envolvidas.
Numero da decisão: 3402-002.110
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para homologar a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido, nos termos do relatório de diligência
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto.
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Leonardo Mussi da Silva(Suplente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 Ementa: É conditio sine qua non a existência de um pagamento indevido ou a maior que o devido para que o contribuinte faça jus à repetição do indébito, a qual só pode ocorrer dentro do prazo decadencial previsto na legislação. Caso contrário, estaríamos diante de um enriquecimento sem causa de uma das partes. Não ocorrendo tais condições, não há direito a crédito. Por sua vez, sem crédito, a compensação fica prejudicada, pela falta do principal pressuposto legal, qual seja: a reciprocidade de credor e devedor entre as pessoas envolvidas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para homologar a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido, nos termos do relatório de diligência (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Leonardo Mussi da Silva(Suplente).
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Caso contrário, estaríamos diante de um enriquecimento sem causa de uma das partes. Não ocorrendo tais condições, não há direito a crédito. Por sua vez, sem crédito, a compensação fica prejudicada, pela falta do principal pressuposto legal, qual seja: a reciprocidade de credor e devedor entre as pessoas envolvidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para homologar a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido, nos termos do relatório de diligência (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Winderley Morais Pereira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca e Leonardo Mussi da Silva(Suplente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 17 54 /2 00 8- 71 Fl. 543DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901754/200871 Acórdão n.º 3402002.110 S3C4T2 Fl. 205 2 Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos, colaciono o relatório da Resolução nº 3402000312, de 01/09/2011, verbis: Tratase de pedido de ressarcimento cumulado com declaração de compensação. O credito usado na compensação é oriundo de pagamento a maior do PIS, efetuado em 15/10/2002. O Despacho decisório considerou que o recolhimento informado na DCOMP foi totalmente utilizado para quitar os débitos informados na DCTF, não havendo credito a ser usado na compensação. O pedido foi indeferido e as compensações não foram homologadas. Cientificada a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando: o crédito apurado em seu favor decorreu de correção nos cálculos de apuração do PIS, entretanto não foi efetivada a retificação através do envio de DCTF retificadora, bem como de DIPJ retificadora. detectada a falha, foi apresentada somente a retificação da DIPJ. A DCTF não foi apresentada em virtude de o contribuinte ter recebido Termo de Intimação para prestar esclarecimentos acerca de divergências apresentadas entre DIPJ e DCTF relativo à COFINS. em dezembro de 2006 apresentou as justificativas para o Termo de Intimação e solicitou orientação sobre a necessidade de retificação das DCTF já que estava sob procedimento fiscal. A orientação até hoje não foi recebida. anexa os PER/DCOMP e planilhas de atualização do alegado crédito. considera que com a retificação da DCTF, estará regularizada a pendência. Para tanto procedeu a retificação da DCTF de 2002 em 04 de junho de 2008. Requer o acatamento da retificação da DCTF, como também que os PER/DCOMP sejam acolhidos e que a cobrança dos débitos constantes das notificações sejam anuladas. A autoridade julgadora a quo indeferiu a solicitação. A contribuinte apresenta recurso voluntário alegando as mesmas razões da inicial, acrescendo: • o crédito apurado em favor da recorrente decorreu de correção nos cálculos de apuração do PIS, Fl. 544DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901754/200871 Acórdão n.º 3402002.110 S3C4T2 Fl. 206 3 • a retificação das DCTF foi realizada em virtude da revisão de DIPJ realizada no âmbito do processo 10.380.001058/2007 81(anexo I) que culminou com a lavratura de Auto de Infração da COFINS . Neste processo o nobre auditor fiscal utilizou como base para autuação os valores constantes da DIPJ como podemos observar as folhas 08 deste processo nota de rodapé "Fonte : coluna (A e B) Linha 20 e 21 da ficha 20a — DIPJ"(anexo II). • Se o auditor utilizou a DIPJ para realizar a autuação é porque verificou junto a escrituração contábil que os valores estavam corretos e portanto válidos(vide anexo III), razão pela qual a contribuinte também poderia utilizarse destas mesmas informações para lastrear seu pedido de restituição já que a base de cálculo da COFINS é a mesma do PIS. • O que este contribuinte fez foi apenas adequar a base de cálculo utilizada pelo auditor autuante no processo 10380.001058/200781 COFINS, à base de cálculo do PIS objeto da presente defesa, razão pela qual restaram evidenciados o pagamento à maior que foi objeto do presente crédito ora utilizado. • Os r. julgadores afirmam ter verificado que a recorrente apresentou DIPJ antes de cientificado da decisão denegatória de seu pedido, no entanto, a DIPJ, tratase de mecanismo meramente informativo de informações econômico fiscais, sem portanto, ter força de confissão. A Declaração que faria provas ao direito credit6rio seria a DCTF, por força do art. 5° do Decretolei nº 2.124/84, c/c o parágrafo 1º do artigo 90 da Instrução Normativa SRF no. 482, de 21 de dezembro de 2004, que lhe atribuem a condição de instrumento de confissão de divida e constituição definitiva de credito tributário. • Discorre sobre a ilegalidade da norma que criou a DCTF e deu a esta o caráter de confissão de divida. A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF converteu o julgamento em diligência para que o órgão de origem tomasse as seguintes providências: 1) Intimar a contribuinte para que ela apresente copias de seus livros fiscais demonstrando as corretas bases de calculo do PIS devido; 2) Intimar a contribuinte para que ela efetivamente demonstre através de planilha demonstrativa pormenorizada, embasadas em documentos contábeis fiscais, a correta base de calculo da contribuição devida, os valores recolhidos por meio de DARF e os valores que entende indevidos, bem como quais os valores já utilizados em outras compensações (com a devida comprovação); e Fl. 545DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901754/200871 Acórdão n.º 3402002.110 S3C4T2 Fl. 207 4 3) Verificar diante das informações e documentos apresentados pela contribuinte a existência do alegado direito creditório, inclusive com elaboração de demonstrativos de calculo e relatório final de diligencia, anexando os documentos que se fizerem necessários para o deslinde da questão. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza intimou o sujeito passivo para apresentar os documentos necessários para a feitura da diligência proposta. Passado o prazo de 20 dias, o contribuinte mantevese inerte. A Autoridade Preparadora fez a análise solicitada pelo Colegiado do Carf com base nos registros documentais que possuía. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Conforme relatado, a lide posta nos autos diz respeito a pedido de restituição cumulado com declarações de compensação. Este Colegiado baixou o processo em diligência para análise de questões imprescindíveis para o julgamento da controversa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza/CE realizou o trabalho de campo, ao final produziu um relatório fiscal, o qual o recorrente teve ciência para contestar e manifestou concordância com os dados apurados pelo Fisco. Com base nas apurações feitas pela Delegacia de Origem constato: a) Que o recorrente pleiteou um crédito financeiro referente ao recolhimento do PIS efetuado em 15/10/2002, no valor de R$ 51.671,51 e foi apurado um crédito a seu favor no valor de R$ 51.671,44; b) Que no processo nº 10380.900987/200856 o recorrente pleiteia a compensação deste crédito financeiro com débitos do IRRF referente à novembro de 2003, no valor de R$ 20.073,49; c) Que no processo nº 10380.900993/200811 o recorrente pleiteia a compensação deste mesmo crédito com débitos do PIS referente à janeiro de 2004, no valor de R$ 20.079,50; d) Que no processo nº 10380.900871/200817 o recorrente pleiteia a compensação deste mesmo crédito com débitos Fl. 546DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901754/200871 Acórdão n.º 3402002.110 S3C4T2 Fl. 208 5 da Cofins referentes a fevereiro de 2004, no valor de R$ 5.196,98; e e) Que no processo nº 10380.901754/200871 o recorrente pleiteia a compensação deste mesmo crédito com débitos do IRRF referentes a fevereiro de 2004, no valor de R$ 333,92. Diante desta quadro, convém tecer resumidas linhas sobre os institutos da restituição e da compensação. Nos casos de pagamento indevido ou a maior, fatos que justificam uma eventual repetição do indébito, a idéia de restituir é para que ocorra um reequilíbrio patrimonial. O direito de repetir o que foi pago emerge do fato de não existir débito correspondente ao pagamento. Portanto, a restituição é a devolução de um bem que foi transladado de um sujeito a outro equivocadamente. Deve ficar entre dois parâmetros, não podendo ultrapassar o enriquecimento efetivo recebido pelo agente em detrimento do devedor, tampouco ultrapassar o empobrecimento do outro agente, isto é, o montante em que o patrimônio sofreu diminuição. O ordenamento jurídico estabelece a obrigação de restituir a “todo aquele que recebeu o que lhe não era devido”, e essa obrigação se extingue com a restituição do indevido ou com a decadência do direito. A restituição do indevido pode ser feita por meio da compensação, que é uma forma indireta de extinção da obrigação, feita por uma via oblíqua. Doutrinariamente, a compensação é dividida em duas categorias: a legal e a convencional. A adotada pelo direito tributário é a legal, ou seja, presentes os pressupostos legais, ela se opera independentemente da vontade dos interessados. O conteúdo semântico do termo compensação, adotado pelo Código Tributário Nacional, tem os mesmos contornos do conceito consolidado no direito civil. Não se pode olvidar que os termos e conceitos jurídicos consolidados no direito privado não podem ser modificados pela lei tributária, conforme reza o art. 110 do CTN. É pressuposto da compensação que os sujeitos possuam uma condição recíproca de credor e devedor. Existe uma contraposição de direitos e obrigações que, colocados na balança e equilibrados, se extinguem. Tal extinção assemelhase ao pagamento, contudo um pagamento indireto pela exclusão de um débito em face do direito a um crédito. Nesta linha, podese inferir que compensar significa fazer um acerto no equilíbrio entre os débitos e os créditos que duas pessoas têm, ao mesmo tempo. Portanto, temos como pressupostos de admissibilidade da compensação legal a reciprocidade dos créditos (obrigações), a liquidez das dívidas, a exigibilidade atual das prestações e a homogeneidade das prestações (fungibilidade dos débitos). Após essa breve explanação, fica evidente que é conditio sine qua non a existência de um pagamento indevido ou a maior que o devido para que o contribuinte faça jus à repetição do indébito, a qual só pode ocorrer dentro do prazo decadencial previsto na legislação. Caso contrário, estaríamos diante de um enriquecimento sem causa de uma das partes. Não ocorrendo tais condições, não há direito a crédito. Por sua vez, sem crédito, a compensação fica prejudicada, pela falta do principal pressuposto legal, qual seja: a reciprocidade de credor e devedor entre as pessoas envolvidas. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901754/200871 Acórdão n.º 3402002.110 S3C4T2 Fl. 209 6 No direito tributário nacional, a compensação está prevista na espécie denominada de “compensação legal”, e assim sendo constitui um direito subjetivo que pode ser exercitado por quem se encontre em situação hábil a pleiteála exigindo que sua obrigação tributária seja extinta em procedimento de compensação, conquanto que sejam preenchidos os seguintes requisitos legais: · Especificidade, isto é, a existência de lei autorizativa específica; · A estipulação de condições e garantias na lei autorizativa específica; · Reciprocidade, ou seja, o sujeito passivo deve ser portador de créditos próprios oponíveis a outros créditos da Fazenda Pública; · Liquidez, que se caracteriza pelos créditos devidamente quantificados e expressos em unidades monetárias; · Certeza, diz respeito a sua constituição fundada na existência de uma relação jurídico tributária completamente definida; · Exigibilidade irrestrita relativamente aos créditos vencidos e também vincendos de compensação. Cumpre observar que o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no art. 170 da Lei nº 5.172, de 26 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), que diz: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” É oportuno tecer algumas linhas acerca da história da compensação tributária. O Código Tributário Nacional arrolou a compensação como uma das modalidades de extinção do crédito tributário, cometendo à lei ordinária a tarefa de disciplinarlhe as condições e garantias (art. 170 do CTN). Essa previsão encampa uma conotação de norma delineadora de simples perspectiva de direito, notadamente por ser dirigida à autoridade administrativa. Com o escopo de fulminar qualquer conjectura voltada à atribuição de letra morta ao instituto da compensação em matéria tributária, em nível federal, houve a devida instrumentalização desse instituto jurídico, de modo que a Lei nº 8.383/91, por força do seu art. 66, passou a autorizar a autocompensação de indébitos tributários no âmbito do lançamento por homologação. Assim, para que o contribuinte pudesse se valer do direito subjetivo à autocompensação de indébito tributário, nos termos do art. 66 da Lei nº 8.383/91, com Fl. 548DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901754/200871 Acórdão n.º 3402002.110 S3C4T2 Fl. 210 7 alterações introduzidas pelo art. 39 da Lei nº 9.250/95, bastava, simplesmente, que o mesmo tivesse efetuado pagamento indevido ou maior de tributos e que a compensação se realizasse com débitos vincendos de tributos da mesma espécie e destinação constitucional. Todavia, essa autocompensação deveria ficar demonstrada na contabilidade do sujeito passivo, tendo em vista o poderdever do fisco de fiscalizar e verificar a regularidade da compensação, ou, sendo o caso, diante da apuração de eventuais irregularidades, cabendo lhe notificar as diferenças e/ou excessos praticados. Desta forma, provase que ocorreu a autocompensação com a apresentação da respectiva escrituração nos livros fiscais. Com o advento da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, artigos 73 e 74, a Administração Tributária passou a admitir a compensação de créditos do sujeito passivo, perante a SRF, decorrentes de restituição ou ressarcimento, com seus débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da mesma Secretaria, vencidos ou vincendos, ainda que não fossem da mesma espécie e nem tivessem a mesma destinação constitucional. “Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração.” Regulamentando os artigos 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, foi baixado o Decreto nº 2.138, de 29/01/1997, dispondo sobre a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo, decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, a ser efetuada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil: “Art. 1°. É admitida a compensação de créditos do sujeito passivo perante a Secretaria da Receita Federal, decorrentes de restituição ou ressarcimento, com seus débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da mesma Secretaria, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. Parágrafo único. A compensação será efetuada pela Secretaria da Receita Federal, a requerimento do contribuinte ou de ofício, mediante procedimento interno, observado o disposto neste Decreto. (...) Fl. 549DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901754/200871 Acórdão n.º 3402002.110 S3C4T2 Fl. 211 8 Art. 7º. O Secretário da Receita Federal baixará as normas necessárias à execução deste Decreto.” A Secretaria da Receita Federal do Brasil normatizou os procedimentos de compensação mediante edição da IN/SRF nº 21, de 10/03/1997, alterada pela IN/SRF nº 73, de 15/09/1997. Sempre que o contribuinte fosse detentor de um crédito perante SRFB podia utilizálo na liquidação ou amortização de débito do mesmo tributo ou de outro tributo. Assim, a compensação poderia ser feita: · Independentemente de requerimento, se relativo a tributo ou contribuição da mesma espécie e se o crédito fosse anterior ao débito (IN SRF nº 21, art. 14); · Mediante requerimento do contribuinte: se relativo a tributo ou contribuição de espécie diferente (IN SRF nº 21, art 12). Neste caso, a compensação de débitos vincendos poderia ser efetuada desde que não existissem débitos vencidos, ainda que parcelados (IN SRF nº 21, art.12, § 3°); quando o débito fosse anterior ao crédito (IN SRF nº 21, art.14, §7°); quando o débito for de outro contribuinte (IN SRF nº 21, art.15); quando o débito for decorrente de lançamento de ofício (IN SRF nº 21, art. 16); · Em procedimento de ofício (IN SRF nº 21, art. 6º). A partir de 01/10/2002, com a publicação da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, implementaramse novas regras para a compensação: “Art. 49. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º. A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3º. Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: Fl. 550DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901754/200871 Acórdão n.º 3402002.110 S3C4T2 Fl. 212 9 I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. § 4º. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5º. A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo.” Com essa alteração, a compensação passa a ser declarada pelo próprio contribuinte, por meio da entrega da “Declaração de Compensação” (eletrônica, pelo PER/DCOMP, a partir de 14/05/2003), na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. A compensação realizada nesses moldes extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa, em 01/10/2002, foram transformados em declaração de compensação, desde o seu protocolo, e os débitos a ela vinculados passaram para a condição de extintos sob condição resolutória. De se observar que o Parecer PGFN/CAT nº 1.499, de 28/09/2005, em análise sobre diversos aspectos inerentes ao instituto da compensação, assim se manifestou sobre essas questões: “143. Ante todo o exposto, chegase às seguintes conclusões: (....) c.1) os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa só podem ser considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, se observadas todas as demais condições estabelecidas na Lei nº 9.430/96 e legislação correlata; c.2) assim, os pedidos administrativos de compensação, fundados em créditos de terceiro, pendentes de análise pela RF, protocolados antes das inovações legislativas acerca da matéria (Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03), não são alcançados pela nova sistemática da declaração de compensação. Ou seja, não se aplicam a conversão do “pedido de compensação” em “declaração de compensação” (com a extinção automática do crédito tributário), e nem mesmo, por conseqüência, o prazo previsto no § 5º, do art. 74, da lei nº 9.430/96 para homologação da compensação (cinco anos); c.3) aplicase o entendimento retro, também, aos pedidos de compensação, pendentes de apreciação, quando fundados em créditos que se refiram a “créditoprêmio” instituído pelo art. 1º Fl. 551DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10380.901754/200871 Acórdão n.º 3402002.110 S3C4T2 Fl. 213 10 do DecretoLei nº 491, de 05 de março de 1969; ou que se refiram a títulos públicos; ou sejam decorrentes de decisão judicial não transitada em julgado; ou que não se refiram a tributos ou contribuições administrados pela RF; (...) Retornando aos autos, diante dos fundamentos jurídicos e legais postos nos autos, dou provimento parcial ao recurso voluntário para homologar a compensação declarada até o limite do crédito financeiro reconhecido, nos termos do relatório de diligência. É como voto. Sala das Sessões, em 23/07/2013 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 552DF CARF MF Impresso em 15/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 0 5/08/2013 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 15504.013091/2009-96
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2005
PREVIDENCIÁRIO. DEIXAR DE INCLUIR NAS FOLHAS DE PAGAMENTO AS REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS A TODOS OS SEGURADOS A SERVIÇO DA CONTRATANTE.
Constitui infração à legislação previdenciária elaborar folha de pagamento em desacordo com o preceituado no artigo 32, I, da lei 8.212/91 que determina a inclusão das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a serviço da contratante.
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA.
Constatado o cometimento de infração a dispositivos da lei previdenciária deverá ser lavrado o respectivo auto de infração e cominada a penalidade cabível.
REINCIDÊNCIA. CONSTATADA. ELEVAÇÃO DA MULTA.
Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tomar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior.
A agravante - reincidência - eleva a multa em duas vezes a cada reincidência genérica, qual sei a, infrações distintas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-001.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Ivacir Júlio de Souza - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2005 PREVIDENCIÁRIO. DEIXAR DE INCLUIR NAS FOLHAS DE PAGAMENTO AS REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS A TODOS OS SEGURADOS A SERVIÇO DA CONTRATANTE. Constitui infração à legislação previdenciária elaborar folha de pagamento em desacordo com o preceituado no artigo 32, I, da lei 8.212/91 que determina a inclusão das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a serviço da contratante. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA. Constatado o cometimento de infração a dispositivos da lei previdenciária deverá ser lavrado o respectivo auto de infração e cominada a penalidade cabível. REINCIDÊNCIA. CONSTATADA. ELEVAÇÃO DA MULTA. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tomar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. A agravante - reincidência - eleva a multa em duas vezes a cada reincidência genérica, qual sei a, infrações distintas. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente Ivacir Júlio de Souza - Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2132; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.013091/200996 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403001.576 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 15 de agosto de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente JPAR DISTRIBUIDORA DE VEICULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2005 PREVIDENCIÁRIO. DEIXAR DE INCLUIR NAS FOLHAS DE PAGAMENTO AS REMUNERAÇÕES PAGAS OU CREDITADAS A TODOS OS SEGURADOS A SERVIÇO DA CONTRATANTE. Constitui infração à legislação previdenciária elaborar folha de pagamento em desacordo com o preceituado no artigo 32, I, da lei 8.212/91 que determina a inclusão das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a serviço da contratante. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA. Constatado o cometimento de infração a dispositivos da lei previdenciária deverá ser lavrado o respectivo auto de infração e cominada a penalidade cabível. REINCIDÊNCIA. CONSTATADA. ELEVAÇÃO DA MULTA. Caracteriza reincidência a prática de nova infração a dispositivo da legislação por uma mesma pessoa ou por seu sucessor, dentro de cinco anos da data em que se tomar irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento ou da data em que se configurou a revelia, referentes à autuação anterior. A agravante reincidência eleva a multa em duas vezes a cada reincidência genérica, qual sei a, infrações distintas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 30 91 /2 00 9- 96 Fl. 446DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.013091/200996 Acórdão n.º 2403001.576 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório A instância “ ad quod ” produziu o Relatório abaixo que li, compulsei com os autos e tendo corroborado o transcrevi , na íntegra, com grifos de minha autoria: “ Tratase de crédito apurado, pela fiscalização previdenciária contra o contribuinte acima identificado, no valor de R$ 2.652,36, por descumprimento da obrigação acessória prevista ao artigo 32, inciso I, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, inciso I, parágrafo 9° do Regulamento da Previdência Social — RPS aprovado pelo Decreto n° 3.048/99 uma vez que deixou de preparar folha de pagamento das competências 01/2004 a 11/2005;referente as remunerações dos segurados contribuintes individuais (transportadores autônomos .e demais pessoas físicas), a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Receita Federal do Brasil. A Auditoria, no Relatório Fiscal de fls.04/05, informa que restou configurada a agravante da reincidência genérica, em razão de autos de infrações, lavrados contra o contribuinte em ações fiscais distintas. Na ação fiscal encerrada em 31.05.2004 foi lavrado o AI DEBCAD 37.710.1421CFL68, com trânsito em julgado definitivo em 31.03.2005. Na ação fiscal encerrada em 01/12/2006 foram lavrados vários autos, entre eles os Al's DEBCAD's 37.030.4472CFL34, DEBCAD 37.030.4489 CFL35 Ambos com trânsito em julgado em 28.03.2007 (0 DEBCAD37.030.4462 CFL30 e o DEBCAD 37.030.4497 CFL59 lavrados na mesma ação fiscal ainda não possuem decisão definitiva). De acordo com o Relatório de aplicação da Multa de fls.05, a penalidade foi aplicada com observância ao comando dos 92 e 102, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e nos termos do Regulamento da Previdência Social RPS, artigo 283, inciso I, 'a', e artigo 373, no valor atualizado pela Portaria Conjunta MPS/MF n ° 48, de 12/02/2009, DOU de 13/02/2009. Tendo a mesma sido agravada, com valor elevado em duas vezes, em função da reincidência genérica, nos termos do inciso V do art.290 do Regulamento da Previdência Social —RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. A ação fiscal foi precedida de Mandado de Procedimento Fiscal de n° 06.1.01.00200800012 e Termo de Inicio da Ação Fiscal datado de 11/08/2008, fls. e Termos de Intimação Fiscal de fls., dos autos. 0 Auto de Infração foi lavrado em 31/07/2009, o contribuinte tomou ciência do lançamento em 10/08/2009, conforme Aviso dos CorreiosAR de fls.84, apresentando dentro do prazo legal a Fl. 448DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 4 impugnação que nos autos corresponde ao documento de fls.87/191. DA IMPUGNAÇÃO. Inicialmente, o contribuinte fala sobre a tempestividade de sua defesa, e, em preliminar, pede que seja aplicado o entendimento exarado no julgado que transcreve, sob o argumento de que se refere a caso idêntico ao seu. Na ementa do citado julgado vem expresso que não se pode caracterizar a reincidência antes do transito em julgado do processo referente a autuação anterior. Assim, requer a nulidade do auto de infração e, caso esta não seja declarada, que seja a multa retificada em sede de preliminar. Faz um breve relato dos fatos e argumenta que, o pagamento feito a autônomo, que presta serviços de natureza eventual à empresa, não pode ser considerado salário, pois, falta o elemento essencial para esta caracterização, qual seja, o vinculo. Alega que, a Auditoria considerou os serviços prestados por pessoa jurídica como sendo serviços sujeitos ao recolhimento de contribuições previdenciárias. Diz que, basta destacar no anexo I, "as pessoas jurídicas" consideradas, equivocadamente como contribuintes da seguridade social, fato que por si só gera a nulidade do auto de infração. Transcreve o § 9°, letra "e" item 7 da Lei 8.212/91, para argumentar que não há possibilidade de incluir os valores pagos, a titulo de ganhos eventuais, aos aut6nomos ou os pagamentos realizados a outras pessoas jurídicas, como salário de contribuição alega que, a simples constatação da natureza não salarial dos referidos pagamentos é suficiente para afastar a inclusão destes valores no contexto das contribuições previdenciárias. Com base no art.108, §1° do Código Tributário Nacional CTN, afirma que não cabe efetuar o enquadramento das citadas verbas por analogia, pois, do emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. Conclui que: os valores destinados ao pagamento de pessoa jurídica, que foram incluídas no anexo I do relatório fiscal, não devem ser incluídas em folha de pagamento, porque inexiste verbas previdenciárias incidentes sobre tais pagamentos, seja em razão da inexistência da relação jurídica, seja porque não possui natureza salarial; também, os valores pagos aos autônomos que prestaram serviços a impugnante, mesmo que estejam incluídos em contas que a auditoria entenda como sendo de incidência de contribuição previdenciária, não devem ser considerados como tal. Dos Pedidos Requer: 1o recebimento de sua peça e encaminhamento para análise do órgão competente; Fl. 449DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.013091/200996 Acórdão n.º 2403001.576 S2C4T3 Fl. 4 5 2 seja julgado improcedente o presente auto de infração para desconstituir o lançamento imposto na sua totalidade, pela não inclusão em folhas de pagamentos as remunerações pagas ou creditadas a diversos contribuintes individuais que prestaram à empresa, apurados junto à contabilidade e não relacionadas nas respectivas folhas relativas ao período de janeiro/2004 a novembro de 2005, pois, restou comprovado que os valores recebidos pelas pessoas jurídicas e pelos segurados contribuintes individuais, não constituem salário de contribuição; 3 o cancelamento do auto de infração na remota hipótese desta não ser aceita, a retificação do valor da multa, assim como devem ser recalculados os juros, utilizandose os percentuais permitidos em lei, por ser medida de justiça. É o relatório.” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls.194, a 7ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Belo Horizonte – MG DRJ/BHE, em 09 de dezembro de 2010 , exarou o Acórdão n° 0229.946 , mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.213, onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ” Fl. 450DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI 6 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro nos autos, o recurso é tempestivo. Aduz que reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO AGRAVAMENTO POR REINCIDÊNCIA Matéria enfrentada em primeira instância, que não tendo prosperado retorna, na íntegra em sede recursal. Nas oportunidades a Recorrente alegou que : “ não se pode caracterizar a reincidência antes do transito em julgado do processo referente a autuação anterior.” Assim, requereu a nulidade do auto de infração. Na condução do voto da instância a quo, a I. Julgadora aludiu o trânsito requerido manifestandose conforme o abaixo transcrito cujos argumentos não foram rechaçados pela Recorrente: “ A Auditoria constatou que a multa deveria ser agravada, pois, verificou a ocorrência da reincidência genérica, com base no AI DEBCAD 37.710.1421CFL68 (omissão de fato gerador) lavrado em ação fiscal concluída em 31.05.2004 com trânsito em julgado definitivo em 31.03.2005. Assim, a retroação do prazo de cinco anos considerandose, integralmente, o período de 01/2004 a 11/2005 alcança, necessariamente, a data da decisão administrativa definitiva referente à infração anterior (Auto de Infração, datada de 31/05/2005). Temse, pois, que embora parte do período da nova infração (01/01/2004 a 30/03/2005) esteja fora do período de reincidência, o período restante, no qual ficou configurada a nova infração (01/04/2005 a 30/11/2005) ocorreu dentro do prazo de cinco anos, que vai de 01/04/2005 a 31/03/2010, considerandose que em 31/03/2005 ocorreu o transito em julgado definitivo, no âmbito administrativo. Asseverese, neste ponto, que a multa prevista para o tipo de infração em tela é composta de um valor fixo e independe do número de documentos deficientes ou dos meses em que não foram apresentados, não havendo nenhuma hipótese legal que permita seu fracionamento. ” DO MÉRITO No presente caso, o lançamento diz respeito às obrigações acessórias referentes a obrigação de registrar nas folhas de pagamento as remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais transportadores autônomos e demais pessoas físicas – autônomos que lhe prestaram serviços. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI Processo nº 15504.013091/200996 Acórdão n.º 2403001.576 S2C4T3 Fl. 5 7 Ao analisar a documentação que lhe foi disponibilizada, restou constatada pela Auditoria que no período de 01/2004 a 11/2005 a empresa não registrou em suas folhas de pagamento todos os segurados que lhes prestaram serviços posto que não o fez para aqueles que lhe prestaram serviço na condição de contribuintes individuais e de segurados empregados. Consta nos autos que os recibos analisados pela Auditoria se referem aos pagamentos efetuados às pessoas físicas, denominados contribuintes individuais, no caso, os autônomos e os transportadores autônomos, identificados no anexo I e no Relatório de Lançamentos. Ademais, verificase que os documentos probantes colacionados, são recibos assinados de pagamentos a autônomos – RPA. Tendo isto presente, li e analisei o Relatório de primeira instância e compulsei com os autos, inclusive o Acórdão exarado naquela sede . DO RECURSO VOLUNTÁRIO E DAS REITERADAS ALEGAÇÕES Considerando que o Recorrente não confrontou as razões do “decisium” com pontuais e efetivos argumentos contraditórios, convencido da exação do lançamento e tendo anuído na íntegra a decisão da I. Julgadora “ ad quod ”, não me ocorre justificado trazer à colação arrazoado sinônimo para tornar a negar provimento. Assim, até mesmo por economia processual, entendo despiciendo reenfrentar os mesmos reclamos postados em sede de impugnação. CONCLUSÃO Conheço do Recurso para NO MÉRITO NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ivacir Júlio de SouzaRelator. Fl. 452DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES, Assinado digitalmente em 28/06/2013 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/07/2013 por CARLOS ALBERTO MEE S STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10314.012365/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Período de apuração: 09/01/2006 a 29/12/2006
PEREMPÇÃO.
Não sendo recorrida a exigência no prazo de trinta dias contados da ciência
da decisão de primeira instância, deve ser declarada a perempção, não se
conhecendo do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3102-001.407
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 09/01/2006 a 29/12/2006 PEREMPÇÃO. Não sendo recorrida a exigência no prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância, deve ser declarada a perempção, não se conhecendo do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte. Recurso Voluntário Não Conhecido
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Não sendo recorrida a exigência no prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância, deve ser declarada a perempção, não se conhecendo do recurso voluntário apresentado pelo contribuinte. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ricardo Paulo Rosa – Presidente Subtituto e Relator. EDITADO EM: 07/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, Winderley Morais Pereira, Luciano Pontes de Maya Gomes, Mara Cristina Sifuentes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado em 14/11/2007, para a cobrança da multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria, art. 84, inciso I da MP nº 2.1583501. Fl. 5398DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA 2 Destacou a fiscalização que a Lei 10.833/03 em seu art. 69 § 2º, inciso III determina a aplicação da multa supracitada nos casos de prestação de informação inexata necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro adequado: “ Art. 69. A multa prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, não poderá ser superior a 10% (dez por cento) do valor total das mercadorias constantes da declaração de importação. § 1º A multa a que se refere o caput aplicase também ao importador, exportador ou beneficiário de regime aduaneiro que omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. § 2º As informações referidas no § 1º, sem prejuízo de outras que venham a ser estabelecidas em ato normativo da Secretaria da Receita Federal, compreendem a descrição detalhada da operação, incluindo: I identificação completa e endereço das pessoas envolvidas na transação: importador/exportador; adquirente (comprador)/fornecedor (vendedor), fabricante, agente de compra ou de venda e representante comercial; II destinação da mercadoria importada: industrialização ou consumo, incorporação ao ativo, revenda ou outra finalidade; III descrição completa da mercadoria: todas as características necessárias à classificação fiscal, espécie, marca comercial, modelo, nome comercial ou científico e outros atributos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal que confiram sua identidade comercial; IV países de origem, de procedência e de aquisição; e V portos de embarque e de desembarque. § 3º (Vide Medida Provisória nº 320, de 2006)” Isso porque, em ato de revisão aduaneira da empresa em epígrafe, foram selecionados os 97 itens de maior relevância no comércio exterior da empresa conforme anexo I. Dentre os itens selecionados 73 foram considerados de descrição insuficientes conforme anexo II. A fiscalização fez uma amostragem da descrição das mercadorias nas DIs em questão, conforme podemos observar às fls. 04/11. Ciente do Auto de Infração em 07/12/2007, a interessada apresentou a impugnação de fls. 2298/2308, onde em síntese alegou: as mercadorias importadas pela Impugnante não foram erroneamente ou insuficientemente descritas nas Declaração de Importação/Admissão no RECOF, afigurandose ilegal e verdadeiramente abusiva a aplicação da multa ora combatida; por ter grande parte de sua produção destinada ao mercado externo, a Impugnante é beneficiária do Regime Aduaneiro de Entreposto Comercial sob Controle Informatizado, disciplinado pela Instrução Normativa SRF nº 417, de 20 de abril de 2004, que lhe permite que os insumos da produção sejam importados com suspensão do Imposto de Importação, IPI, e PIS/COFINS – Importação; a impugnante exporta grande parte de sua produção, é certo que a importação dessas autopeças sequer configura fato imponível dos tributos aduaneiros, ante a regra de suspensão na importação dessas mercadorias e conseqüente baixa no momento em que as máquinas com elas montadas são exportadas para o exterior; as próprias Declarações de Importação/Admissão no Regime, registradas durante todo o exercício de 2006 (doc. 04/342) atestam essa condição e demonstram Fl. 5399DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.012365/200781 Acórdão n.º 310201.407 S3C1T2 Fl. 3 3 que os produtos importados pela Impugnante gozam de suspensão de tributos aduaneiros; ainda que se admitissem quaisquer irregularidades na descrição das mercadorias, é certo que não houve qualquer perda de arrecadação ou máfé da Impugnante, o que justifica a relevação da penalidade aplicada, que desde já se requer, com fundamento no Art. 654 do Regulamento Aduaneiro; a mera leitura das Declarações de Importação/Admissão no Regime Especial é suficiente para concluir que as mercadorias importadas foram correta e suficientemente descritas pela Impugnante; tomemse, por exemplo, os itens constantes da Adição 007 da Declaração de nº 06/00268580 (doc. 04), classificados na posição NCM 9401.20.00 (Assentos para veículos automóveis) e descritos como 14X5721100/200 – CONJUNTO BANCO OPERADOR; apesar da clara descrição da mercadoria, o Auto de Infração aponta, às fls. 05, que teria havido insuficiência nessa descrição, pois “A descrição não aponta onde o item será utilizado, não cita que o item será utilizado em automóvel .” se a própria posição NCM 9401.20.00 se refere, justamente, a assentos para veículos automóveis, como supor que os referidos assentos seriam utilizados em algo que não automóveis?” não houve erro ou sequer divergência quanto à classificação das mercadorias na Nomenclatura Comum do MERCOSUL, seria mesmo incoerente exigir o recolhimento de qualquer multa no caso em tela por suposta insuficiência da descrição das mercadorias, já que a concordância do Fisco quanto a NCM adotada configura verdadeira confissão de que as descrições, tal como efetuadas, foram suficientes para enquadrar as mercadorias em questão nas respectivas posições; nesse sentido, assume natureza nitidamente confiscatória a multa ora combatida, esbarrando no comando inserto no art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988, e criando embaraço ao próprio Regime Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado, cujo bom funcionamento imprescinde de segurança jurídica, que acaba de ser abalada ante a utilização de medida originalmente de propósito educativo com fins evidentemente arrecadatórios; incabível a autuação fiscal ora perpetrada também em razão do disposto no art. 146 do Código Tributário Nacional; a norma contida no art. 146 doCTN está a dar guarida ao princípio da segurança jurídica, protegendo todos os atos de boafé do contribuinte e impedindo a Administração de se ocupar de novo critério ou propagr nova interpretação sob fatos ocorridos no passado, sobre os quais já tenha havido lançamento ou cobrança; durante todo o exercício de 2006, o Fisco aceitou a classificação das mercadorias nas posições adotadas e com as descrições informadas, não pode agora pretender rever os tais acontecimentos, com base em novo entendimento sobre o assunto, alterando critério jurídico em que se baseara anteriormente; requer seja julgado improcedente o Auto de Infração. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Fl. 5400DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA 4 Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 09/01/2006 a 29/12/2006 Multa de 1% do Valor Aduaneiro A infração capitulada no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835, de agosto de 2001, inserese no plano da responsabilidade objetiva, não reclamando, portanto, para sua caracterização, a presença de intuito doloso ou máfé por parte do sujeito passivo. Demonstrado insuficiência na descrição detalhada da mercadoria para sua correta classificação, impõese a aplicação da multa. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Depreendese do despacho à folha 5.339 do processo que o mesmo foi encaminhado a este Conselho por força da determinação contida no artigo 35 do Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores, determinando o julgamento da perempção pelo órgão de segunda instância do Processo Administrativo Fiscal, se não vejamos. O interessado tomou ciência da decisão de primeira instância administrativa, em 13/05/2010 (fl.5311). O prazo regulamentar para apresentação de Recurso Voluntário encerrouse no dia 14/06/2010 (dia de funcionamento normal das unidades da Receita Federal do Brasil), mas a empresa só o fez no dia 16/06/2010. Anexamos ao presente processo (folhas de n° 5312 a 5327), e juntamos o Termo de Perempção (fl. 5338), para apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Vêse à folha 5.311 que o Aviso de Recebimento cientificando a recorrente da decisão de primeira instância foi recebido no dia 13 de maio de 2010, uma quinta feira, e o Recurso Voluntário foi apresentado no dia 14 de junho do mesmo ano. O Decreto 70.235/72 e alterações posteriores estabelece que os prazos se iniciam e encerram somente em dias de expediente normal, e que serão contínuos, excluindose de sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Constatase que o Recurso foi apresentado 32 dias depois da ciência do Acórdão recorrido. Sendo de 30 dias contados da data da ciência o prazo para apresentação do Recurso, está caracterizada a perempção, restando definitiva na esfera administrativa a decisão tomada em primeira instância. Dos Prazos Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Fl. 5401DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10314.012365/200781 Acórdão n.º 310201.407 S3C1T2 Fl. 4 5 Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; No corpo do Recurso, sob o título “DA TEMPESTIVIDADE DO RECURSO”, a recorrente afirma ter sido intimada do acórdão recorrido em 17 de maio de 2010, razão para que fosse considerado tempestivo o Recurso Voluntário carreado aos autos. Embora isso, as peças processuais acima identificadas dão conta de outra realidade, não havendo qualquer razão para que se acolha a data informada pela recorrente. Pelo exposto, VOTO POR NÃO CONHECER do Recurso Voluntário apresentado a este Colegiado, tendo em vista sua apresentação fora do prazo determinado em Lei. Sala de Sessões, 21 de março de 2012. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 5402DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2012 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 07/06/2012 p or RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10860.905021/2009-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006
PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. DESCUMPRIMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CABIMENTO.
No âmbito do procedimento de compensação, o ônus da prova do indébito tributário recai sobre o declarante que, se não exercido ou exercido inadequadamente, implica não homologação da compensação declarada, por ausência de comprovação do crédito utilizado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. CABIMENTO. A não comprovação da existência do crédito utilizado na compensação constitui motivo suficiente para a não homologação do respectivo procedimento compensatório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006 PROVA DO INDÉBITO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. DESCUMPRIMENTO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CABIMENTO. No âmbito do procedimento de compensação, o ônus da prova do indébito tributário recai sobre o declarante que, se não exercido ou exercido inadequadamente, implica não homologação da compensação declarada, por ausência de comprovação do crédito utilizado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 50 21 /2 00 9- 93 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Helder Massaaki Kanamaru, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DComp) eletrônica, transmitida em 15/2/2008, em que informada a compensação da parcela indevida do pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de fevereiro de 2006, no valor de R$ 24.073,85, com débito da Cofins do mês de janeiro de 2008. Por intermédio do Despacho Decisório eletrônico de fl. 7, em razão da inexistência de crédito disponível, a compensação não foi homologada, sob o argumento de que, embora localizado na base dados, o pagamento informado havia sido integralmente utilizado na quitação do débito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de fevereiro de 2006, no valor de R$ 71.265,39. Em sede de manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou que: a) o direito creditório compensado referiase ao pagamento maior que o devido da Contribuição para o PIS/Pasep, calculada sobre o valor do ICMS, que não integrava a base de cálculo da referida Contribuição, pois não se representava faturamento, mas mero ingresso financeiro, repassado ao Fisco Estadual; e b) a matéria encontravase em regime de repercussão geral no STF, aguardando o julgamento da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 18. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a 8ª Turma de Julgamento da DRJ em Capinas/SP julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por falta de comprovação do crédito compensado, com base nos seguintes argumentos: a) estava correto o despacho decisório que não homologara a compensação declarada pelo contribuinte, por insuficiência de crédito; b) o reconhecimento do direito creditório aproveitado em DComp não homologada necessitava da prova de sua existência e do montante, o que não feito pela manifestante, que não carreara aos autos o conjunto probatório que possibilitasse a verificação da existência do alegado pagamento indevido ou a maior que o devido; c) as autoridades administrativas eram incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade da legislação tributária vigente no País; e d) o valor do ICMS integrava a base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, portanto, era inexistente o direito creditório compensado. Em 23/7/2012, a recorrente foi cientificada da referida decisão. Em 20/8/2012, apresentou o Recurso Voluntário de fls. 63/71, no qual reafirmou os argumentos de defesa suscitados na fase de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Fl. 92DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10860.905021/200993 Acórdão n.º 3102001.910 S3C1T2 Fl. 21 3 Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia cingese à comprovação do direito creditório utilizado na DComp de fls. 2/6. A recorrente alegou que crédito compensado era proveniente do pagamento maior que do devido da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de fevereiro de 2006, calculada sobre o valor do ICMS incluído na base de cálculo da referida Contribuição, porém, não apresentou nenhum documento fiscal ou contábil que comprovasse o alegado. No âmbito do procedimento de compensação, realizado pelo contribuinte, este tem o ônus de provar que o crédito utilizado atende os requisitos da certeza e liquidez, conforme exige o art. 170 do CTN, e que, na data da entrega da referida Declaração, o crédito era passível de restituição ou ressarcimento, nos termos do caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Nesse sentido, quando originário de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, além do cumprimento dos requisitos formais determinados na legislação específica, o contribuinte deve comprovar, com documentação adequada, que o alegado indébito é decorrente de alguma das causas especificadas nos incisos I a III do art. 165 do CTN. Em conformidade os referidos preceitos legais, determina o inciso III do art. 161 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), combinado com o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, que, desde a fase de manifestação de inconformidade, a recorrente tinha o ônus/dever de provar o alegado indébito, mediante apresentação de documentação contábil e fiscal adequada, e assim refutar o fato da inexistência do crédito suscitado na decisão não homologatória da compensação e comprovado nos autos. Segundo a recorrente, a origem do crédito utilizado teve origem no suposto pagamento a maior que o devido da Contribuição para o PIS/Pasep, que prescinde de comprovação com documentos contábeis e fiscais adequados, previstos na legislação tributária, o que não ocorreu no caso em tela. Não se pode olvidar, ademais, que, em conformidade com o disposto no art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), que se aplica subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, a prova compete a quem alega o direito reivindicado, por conseguinte, quando o fato é alegado pelo contribuinte, caso do crédito tributário utilizado na compensação de em apreço, a ele compete provar o alegado, com prova adequada. Na ausência de comprovação do fato alegado, consequentemente, fica prejudicada a análise da questão jurídica suscitada pela recorrente, atinente à exclusão do ICMS da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. 1 "Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; [...]" Fl. 93DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 Dessa forma, demonstrada a falta de comprovação da existência do crédito utilizado na compensação em apreço, condição suficiente para o deslinde da contenda, em decorrência, deve ser mantida a não homologação da compensação em apreço. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 94DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 16 /07/2013 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
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Numero do processo: 19515.720871/2011-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006, 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007
RECOLHIMENTOS EFETUADOS ANTES DO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. DEDUÇÃO DA EXIGÊNCIA.
Os pagamentos efetuados antes do início do procedimento fiscal não podem compor a exigência do crédito tributário constituído de ofício, devendo ser excluídos do montante de tributos exigidos, com a consequente redução de penalidades e juros moratórios também lançados.
Numero da decisão: 1402-001.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Paulo Roberto Cortez e Sandra Maria Dias Nunes. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Leonardo de Andrade Couto - Presidente Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Paulo Roberto Cortez e Sandra Maria Dias Nunes. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá.
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DEDUÇÃO DA EXIGÊNCIA. Os pagamentos efetuados antes do início do procedimento fiscal não podem compor a exigência do crédito tributário constituído de ofício, devendo ser excluídos do montante de tributos exigidos, com a consequente redução de penalidades e juros moratórios também lançados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Leonardo de Andrade Couto Presidente Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto, Paulo Roberto Cortez e Sandra Maria Dias Nunes. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 08 71 /2 01 1- 32 Fl. 687DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 19515.720871/201132 Acórdão n.º 1402001.393 S1C4T2 Fl. 688 2 Relatório Por bem retratar o litígio até a prolação da decisão de primeira instância, adoto o relatório do acórdão recorrido, in verbis: Tratase de auto de infração, cientificado ao Contribuinte em 31/08/2011 que consolida exigências de IRPJ (sob a sistemática do Lucro Arbitrado) e seus reflexos (Cofins, Contribuição ao PIS e CSLL), no monte total de R$ 14.174.026,21, então computados juros de mora até 29/07/2011 (lavratura havia em 23/08/2011), bem que multa de ofício ao patamar de 75%, tudo com respeito a períodos de apuração (trimestral para o IRPJ e a CSLL, mensal para a Contribuição ao PIS e a Cofins) compreendidos nos anos calendário de 2006 e 2007 (fls. 02, 437/482, 498; d’ora em diante, a menos que se diga o contrário, a referência a folhas dos autos sempre será feita tendose em conta a numeração estampada pelo processo de digitalização a que submetido ditos autos). Não obstante o procedimento fiscal terse iniciado com atenção às contribuições previdenciárias, redundou mesmo em autuações sobre IRPJ e seus reflexos (como antes mencionado) e, sobre esse exato ponto, do “TERMO DE VERIFICAÇÃO E CONSTATAÇÃO FISCAL” de fls. 483/495, extraise o que de interesse (observese que a citação seguinte vai transposta ao presente texto sob o formato de “figura”, justamente porque o texto original não se encontra sob formato editável, sendo de nenhum sentido redigitar fragmento de texto já presente nos autos, mas de possível transporte para o presente “locus"): [...] [...] Fl. 688DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 19515.720871/201132 Acórdão n.º 1402001.393 S1C4T2 Fl. 689 3 [...] [...] Fl. 689DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 19515.720871/201132 Acórdão n.º 1402001.393 S1C4T2 Fl. 690 4 Fl. 690DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 19515.720871/201132 Acórdão n.º 1402001.393 S1C4T2 Fl. 691 5 [...] [...] [...] Fl. 691DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 19515.720871/201132 Acórdão n.º 1402001.393 S1C4T2 Fl. 692 6 Fl. 692DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 19515.720871/201132 Acórdão n.º 1402001.393 S1C4T2 Fl. 693 7 [...] Fl. 693DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 19515.720871/201132 Acórdão n.º 1402001.393 S1C4T2 Fl. 694 8 [...] Como já dito, cientificado das autuações em 31/08/2011, o Contribuinte apresenta sua insurgência em 30/09/2011 (fls. 501/520). Alega: Fl. 694DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 19515.720871/201132 Acórdão n.º 1402001.393 S1C4T2 Fl. 695 9 1)Reconhece não ter dado cumprimento integral ao que lhe fora solicitado, isso “porque, o escritório terceirizado de contabilidade que prestava os serviços de escriturações contábeis e fiscais não mais prestava serviços à impugnante, além de ter transferido seu domicílio para local desconhecido”. De toda forma, o tanto fornecido, a dizer, “documentos que demonstravam suas movimentações financeiras, tais como livros relacionados ao Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS e ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI”, seria suficiente a validar “as apurações e recolhimentos já realizados pela impugnante”, circunstância que afastaria (1) o arbitramento do lucro, base de cálculo do IRPJ e da CSLL, bem que e muito particularmente, (2) as exigências de Contribuição ao PIS e de Cofins que, então, foram consignadas sem a observância da sistemática da não cumulatividade, tudo como processado nesses autos. Segue trecho da impugnação: 2)Ainda nesse tópico, acusa a imprescindibilidade de a autoridade fiscal declinar o porquê de o tanto de documentação fornecido no curso do procedimento ter sido considerado insuficiente “para a apuração do Lucro Real e, principalmente, da contribuição ao PIS e da COFINS”, respeitado para essas últimas a sistemática da nãocumulatividade. Ausente tal motivação, nulo seria o auto de infração. Segue cita: 3)Também nesse ponto, concorreria a seu favor o princípio da verdade material, a significar que cumpriria à Fiscalização buscar, a partir de toda sorte de documentação fornecida pela Impugnante e/ou acessada em face de outros entes tributantes (livros fiscais pertinentes ao ICMS, ao IPI, DCTF, DACON, GIA – guia de apuração e informação do ICMS), a real base de cálculo do IRPJ, da CSLL, da Contribuição ao PIS, da Cofins, consideradas para estas últimas a sistemática da nãocumulatividade. 4)Ainda que “pudesse restabelecer toda sua escrita fiscal e contábil relativa aos anos de 2006 e 2007 (que como já relatado não foi disponibilizada pela empresa terceirizada que lhe prestava serviços)”, precisaria dispor de tempo para tal empreitada, o que não lhe teria sido franqueado no curso do procedimento fiscal. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 19515.720871/201132 Acórdão n.º 1402001.393 S1C4T2 Fl. 696 10 5)Considera, enfim, que, tomados os documentos já presentes e/ou referidos no curso do procedimento fiscal, mais “os balanços relativos aos anos de 2006 e 2007, os quais refletem as reais movimentações financeiras e fiscais da impugnante”, e, mais ainda, estudo sobre a lucratividade do setor em que atua – “roupas de vestuário, exceto roupas íntimas” –, estudo esse que apontaria para “uma margem de lucro aproximada a 1%”, enfim, servira o conjunto à devida apuração da base de cálculo do IRPJ, da CSLL, da Contribuição ao PIS e da Cofins, respeitado para os dois últimos a sistemática da nãocumulatividade. 6)No que toca à multa de ofício, a considera “abusiva e inconstitucional”. A ementa decisão de primeira instância ficou assim redigida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006, 31/03/2007, 30/06/2007, 30/09/2007, 31/12/2007 PESSOA JURÍDICA ORIGINALMENTE SUJEITA À TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO REAL. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS DIÁRIO E RAZÃO. OBRIGATORIEDADE DE GUARDA INSTRANSMISSÍVEL. LONGO CURSO TEMPORAL DE SUA BUSCA JUNTO AO CONTRIBUINTE E SEUS ADMINISTRADORES, EM DIVERSIDADE DE ENDEREÇOS. LEVANTAMENTO DE RECEITA BRUTA A PARTIR DE OUTROS DOCUMENTOS. ESGOTAMENTO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. ARBITRAMENTO DO LUCRO COM BASE NA RECEITA BRUTA CONHECIDA. CABIMENTO. INEXISTÊNCIA DE “MODALIDADE” CONDICIONAL. Se a pessoa jurídica opta pela apuração do imposto de renda segundo a sistemática do lucro real, então é de rigor o uso dos livros comerciais contábeis Diário e Razão, correndo à sua conta eventual culpa in eligendo e/ou culpa in vigilando sobre o profissional que teria sua guarda. Considerado que foi dado ao Interessado 1 (um) ano e 9 (nove) meses para a coleta de tais livros, considerado a Fiscalização ter atuado não só junto ao Contribuinte, bem que em face de seus sóciosadministradores, em diversos endereços, e ainda, ter ela colhido e trazido à discussão documentário a partir do qual se pudesse estimar a receita bruta do Interessado, não cabe dizer de qualquer exiguidade de prazo, não tem lugar ofensa que seja ao princípio da verdade material. Seguese arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida, expediente cuja validade não vem condicionada à posterior apresentação dos antes mencionados livros comerciaiscontábeis Diário e Razão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, Fl. 696DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 19515.720871/201132 Acórdão n.º 1402001.393 S1C4T2 Fl. 697 11 30/11/2006, 31/12/2006, 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 REGIME NÃOCUMULATIVO. LUCRO ARBITRADO. IMPOSSIBILIDADE. A pessoa jurídica tributada pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado permanece sujeita ao regime cumulativo no que importa à Cofins. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006, 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 REGIME NÃOCUMULATIVO. LUCRO ARBITRADO. IMPOSSIBILIDADE. A pessoa jurídica tributada pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado permanece sujeita ao regime cumulativo no que importa à Contribuição ao PIS. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006, 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 INCONSTITUCIONALIDADE. RECONHECIMENTO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. Cumpre à Administração Tributária aplicar a Lei de ofício. Por outra, em nível administrativo, não se afasta a aplicação de Lei, não se declara a sua inconstitucionalidade. Entendimento já consolidado, inclusive, no enunciado nº 02 da Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. PAGAMENTOS ANTERIORES À AUTUAÇÃO. Comprovada a existência de pagamento anterior à própria autuação, merece o correspondente reparado (exclusão) o lançamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/04/2006, 31/05/2006, 30/06/2006, 31/07/2006, 31/08/2006, 30/09/2006, 31/10/2006, 30/11/2006, 31/12/2006, 31/01/2007, 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007, 31/05/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/08/2007, 30/09/2007, 31/10/2007, 30/11/2007, 31/12/2007 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. PAGAMENTO. Para os tributos sujeitos ao nomeado “lançamento por homologação”, presente o pagamento antecipado, e não presente a hipótese de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 19515.720871/201132 Acórdão n.º 1402001.393 S1C4T2 Fl. 698 12 Em razão do montante de crédito tributário exonerado, recorreuse de ofício. O contribuinte não apresentou Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 19515.720871/201132 Acórdão n.º 1402001.393 S1C4T2 Fl. 699 13 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins em que houve arbitramento dos lucros. O contribuinte era optante pelo lucro real trimestral, e, por conseguinte, sujeito ao regime não cumulativo das contribuições para o PIS e para a Cofins. A Fiscalização deduziu do montante exigido os valores declarados em DCTF relativo a cada tributo lançado de ofício. Contudo, deixou de consignar valores indevidamente recolhidos pelo contribuinte a título de estimativas mensais de IRPJ e CSLL, e obviamente não incluídos em DCTF, uma vez que o contribuinte optara pela apuração trimestral dos tributos incidentes sobre o lucro. De igual forma, a autoridade fiscal não levou em consideração valores recolhidos pelo contribuinte, e não declarados em DCTF, a título de PIS e Cofins sob o regime da não cumulatividade. A decisão de primeira instância cancelou o crédito tributário relativos a tais recolhimentos, assim se manifestando: Considerase, agora, um particular aspecto da corrente autuação: é que a Fiscalização, uma vez calculadas as incidências próprias que se faziam pertinentes às rubricas de IRPJ e de CSLL, delas fez excluir o monte que, a igual título, ia confessado em DCTF. Vejamse nos Quadros 01 e 02 abaixo: Quadro 01 Resumo da exigência de IRPJ em termos de principal vide fls. 443/444, 446/447. Período de Devido Informado Exigido apuração em DCTF (1) (2) (3) (4)=(2) (3) 1º Trim./2006 203.400,88 28.247,51 175.153,37 2º Trim./2006 247.744,37 29.222,80 218.521,57 3º Trim./2006 274.414,52 24.088,06 250.326,46 4º Trim./2006 349.619,06 22.802,81 326.816,25 1º Trim./2007 242.310,50 36.087,55 206.222,95 2º Trim./2007 304.516,91 18.849,79 285.667,12 3º Trim./2007 248.849,95 32.877,01 215.972,94 4º Trim./2007 351.920,03 0,00 351.920,03 Quadro 02 Resumo da exigência de CSLL em termos de principal vide fls. 477/480. Período de Devido Informado Exigido apuração em DCTF 1º Trim./2006 94.230,39 16.873,66 77.356,73 2º Trim./2006 114.184,97 19.020,31 95.164,66 3º Trim./2006 126.186,53 10.831,70 115.354,83 4º Trim./2006 160.028,58 10.369,01 149.659,57 1º Trim./2007 111.739,72 13.711,52 98.028,20 Fl. 699DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 19515.720871/201132 Acórdão n.º 1402001.393 S1C4T2 Fl. 700 14 2º Trim./2007 139.732,61 8.945,92 130.786,69 3º Trim./2007 114.682,47 9.495,72 105.186,75 4º Trim./2007 161.064,01 0,00 161.064,01 E, de fato, as vinculações consignadas nas DCTF (fls. 285/304) restam confirmadas nos sistemas eletrônicos da RFB; no caso, sob a modalidade “pagamento”, contemplados os códigos 0220, 6012, 2484 e 2362 (documentos juntados). Ocorre que essa mesma consulta revela mais. Ali se constata haver: 1) Pagamento sob o código 2484 (“CSLL DEMAIS PJ QUE APURAM O IRPJ COM BASE EM LUCRO REAL ESTIMATIVA MENSAL”), referente ao mês de dezembro/2007, no importe de R$ 17.799,80, e assim feito em 31/01/2008 (bem anterior à lavratura da corrente autuação, ocorrida em 23/08/2011; fls. 437/482), e com a nota “disponível”. Nessa porção, portanto, a autuação é improcedente (vide Quadro 03 ao final desse voto). 2) Pagamento sob o código 2362 (“IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS ESTIMATIVA MENSAL”), referente ao mês de dezembro/2007, no importe de R$ 43.443,87, e assim feito em 31/01/2008 (bem anterior à lavratura da corrente autuação, ocorrida em 23/08/2011; fls. 437/482), e com a nota “disponível”. Nessa porção, portanto, a autuação é improcedente (vide Quadro 04 ao final desse voto). E há mais. Ocorre que dita consulta também revela pagamentos de Contribuição ao PIS e de Cofins, mas sob o regime nãocumulativo, respectivamente sob os códigos 6912, com a descriçãotipo “PIS NÃO CUMULATIVO (LEI 10.637/02)”, e 5856, com a descriçãotipo “COFINS NÃOCUMULATIVA”, todos havidos em data anterior à formalização dos correntes autos (vide documentos juntados). Não é de nenhum propósito, simplesmente, ignorar tais pagamentos, isso sob a justificativa de terem sido feitos sob a modalidade do regime nãocumulativo, ao passo que, como visto, o presente Contribuinte, à conta do arbitramento do lucro no período de interesse (anoscalendário de 2006 e 2007), estar sujeito ao regime cumulativo em face de tais contribuições. Devese ter presente que, de qualquer forma, os tributos “Contribuição ao PIS” e “Cofins”, em alguma porção, foram recolhidos, apenas que em montante à menor, justamente em função de o Contribuinte terse pautado em regra de apuração própria ao regime nãocumulativo, quando, conforme fica corrente na presente autuação, há de se calcular ditas exigências sob o regime cumulativo. Por outra e de conseqüência: tais pagamentos, se confessados em DCTF e, nesse instrumento, vinculados a códigos atinentes ao regime nãocumulativo, devem ser liberados para dar satisfação ao que devido sob o regime cumulativo (presentemente exigido). Resumindo: o Contribuinte não deve Contribuição ao Fl. 700DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Processo nº 19515.720871/201132 Acórdão n.º 1402001.393 S1C4T2 Fl. 701 15 PIS e Cofins sob o regime nãocumulativo nos anoscalendário de 2006 e 2007, mas sim sob o regime cumulativo. Nesse sentido, também cabem exclusões nas autuações de Contribuição ao PIS e de Cofins (vide Quadros 05 e 06 ao final desse voto). [...] Entendo correta a conclusão do acórdão recorrido, adotando as razões acima transcritas como fundamento de minha decisão. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício. Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator Fl. 701DF CARF MF Impresso em 28/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/06/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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Numero do processo: 10120.720513/2011-99
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2010
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO
RECURSO
INTEMPESTIVO
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso
voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2403-001.300
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO
CONHECER DO RECURSO, por intempestividade.
Nome do relator: Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro
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Não se toma conhecimento de recurso intempestivo Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER DO RECURSO, por intempestividade. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza.. Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente – SOCIEDADE DE ENSINO DE CALDAS NOVAS LTDA. contra Acórdão nº 0344.088 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília DF, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigações principais AIOP – Auto de Infração de Obrigação Principal nº. 37.323.8037, nº. 37.323.8045, nº. 37.321.0795 bem como por descumprimento de obrigações acessórias AIOA – Auto de Infração de Obrigação Acessória nº. 37.321.0809, 37.323.8002, 37.323.8029, 37.323.8010 com ciência da Recorrente em 18.03.2011, conforme Aviso de Recebimento AR nº RJ326348961 BR às fls. 01. Conforme o Relatório da decisão de primeira instância, às fls. 947 a 955: (i) Em relação aos AIOP nº. 37.323.8037, nº. 37.323.8045, nº. 37.321.0795: Tratase de crédito correspondente às contribuições previdenciárias devidas pela empresa à seguridade social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, as destinadas a outras entidades e fundos e as devidas por segurados empregados e contribuintes individuais, tanto as descontadas pela empresa de suas respectivas remunerações, quanto às não descontadas conforme descrito abaixo: AIOP 37.323.8037: Contribuições devidas pela empresa destinadas à Seguridade Social e financiamento dos benefícios concedidos razão do grau de incidência de incapacidade laborativa valor R$ 4.933.281,16. AIOP 37.321.0795: Contribuições Previdenciárias destinadas a outras entidade e fundos valor R$ 906.010,01 AIOP 37.323.8045: Contribuições devidas por segurados – valor R$ 2.036.820,43 Em síntese, foram verificadas as seguintes situações, de acordo com as pesquisas realizadas: A empresa não providenciou a formalização de todos os empregados ou trabalhadores que utiliza; não declarou na Guia de Recolhimento ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP todos os seus empregados; Declarou IRPJ incompatível com seu funcionamento e alunos pagantes que freqüentam e se formam na Faculdade Unicaldas; Não recolheu contribuição previdenciária efetivamente descontada dos segurados contribuintes individuais ou de seus empregados; Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.720513/201199 Acórdão n.º 240301.300 S2C4T3 Fl. 1.021 3 Não cumpriu diversas obrigações trabalhistas; Não entregou Relação Anual de Informações Sociais –RAIS, nem GFIP com todos os empregados que reclamaram direito/remuneração na Justiça do Trabalho; Além de não ter declarado em GFIP todos os segurados, a empresa não recolheu todas as contribuições previdenciárias devidas para Outras Entidades e Fundos (Terceiros). Em relação ao Fato gerador dos créditos previdenciários: Os fatos geradores dos créditos previdenciários foram arbitrados de acordo com as bases de cálculo lançadas nos LEVANTAMENTOS abaixo listados, todos eles valores não declarados em GFIP e não recolhidos. Os Salários e os segurados não declarados em GFIP foram apurados com base em diversos dados conseguidos em processos de outros órgãos e em sistemas informatizados. Tais valores compõem os seguintes LEVANTAMENTOS e suas respectivas especificações, conforme relatórios “DD Discriminativo do Débito” e “RLRelatório de Lançamentos”: A1 – Remuneração dos empregados declaradas em RAIS, com valor superior à remuneração daqueles mesmos empregados declarados na última GFIP exportada pela empresa antes do início da ação fiscal; A2 e A7 – Empregados e remunerações declaradas em RAIS, que não foram declaradas na última GFIP exportada antes do início da ação fiscal; A3 e A8 – Retirada ou prólabore dos administradores ou proprietários da empresa; A4 e A9 – Remunerações e segurados que haviam sido declarados em GFIP, que foram substituídas ou alteradas em GFIP posterior para a mesma competência/mês declarada pela empresa antes do início desta ação fiscal; (constam do processo 10120.720515/201188). A5 – Remuneração para empregado declarado em DIRF em valor superior ao declarado em toda e qualquer GFIP do mesmo ano de 2009 (valor relativo a 57 empregados não declarados em GFIP, mas declarados em DIRF); A6 e A0 – Valores aferidos de remunerações para empregados nunca declarados em GFIP ou em DIRF ou em RAIS, os 13º salários de 2007 a 2009. Em relação às multas: De acordo com o RF, em nenhum mês foi aplicada a retroação da multa de oficio atual, visto que não resultou em valor mais benéfico ao contribuinte. Porém, a multa do AI 78 pelo Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 descumprimento de obrigação acessória, nos meses 10/2008 e 11/2008, resultou em valor mais benéfico ao contribuinte que a multa do AI 68, sendo aplicada a multa pelo AI 78 ou retroatividade benéfica. Desse modo, foi comparada a multa atual com o somatório da multa anterior e multas pelas informações incorretas em GFIP (AI 68 e AI 67), constatandose que as multas anteriores são valores menos severos para o contribuinte no período de 01/2007 a 09/2008. Em 10/08 e 11/08, a multa de mora anterior e o AI 78 foi menos severo ao contribuinte, conforme listagens juntadas “COMPMULTA”, “comparação de multa antes e após MP449”, “Classificação da multa da apuração”, “Calculo AI 67”, “Calculo AI 68”, “Calculo AI 77”. (ii) Em relação aos AIOA nº. 37.321.0809, 37.323.8002, 37.323.8029, 37.323.8010: DEBCAD nº 37.323.8002 AI com CFL 38 no valor de R$ 91.413,30: tratase de auto de infração lavrado em razão de ter a empresa deixado de apresentar TODOS os documentos e esclarecimentos, inclusive documentos relacionados com as contribuições previdenciárias, solicitados por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF e pelos dois Termos de Intimação Fiscal TIF. Assim, a empresa infringiu a Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 33, §§ 2° e 3°, com redação da MP 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, combinado com os art. 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, com o agravante de obstaculizar ou dificultar a ação fiscal e com reincidência especifica ou pela mesma infração, conforme art. 290 e 292 do Decreto n.3.048/99. DEBCAD nº 37.323.8029 AI com CFL 67 no valor de R$ 28.947,83: tratase de auto de infração lavrado em razão de a empresa não ter declarado em GFIP o 13° salário de 2007, ou seja, não ter declarado no documento previsto no art.32, inciso IV da Lei 8.212/91, norma anterior à publicação da MP 449 publicada no DOU de 04/12/2008. Desse modo, a empresa infringiu a Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, IV e § 9°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com o art. 225, IV e §§ 2° e 3°, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. DEBCAD nº 37.321.0809 AI com CFL 68 no valor de R$ 319.949,70: tratase de auto de infração lavrado em razão de não ter a empresa Processo 10120.720513/201199 declarado todos os segurados e remunerações em GFIP de competência anterior à MP 449 de 03/12/2008, GFIP válidas e exportadas no sistema CNIS na data do início da ação fiscal. De acordo com o Relatório Fiscal, a empresa não incluiu em GFIP todos os segurados e remunerações que constam nas RAIS de 2007 e 2008. A empresa utilizou e remunerou trabalhadores que não foram incluídos em GFIP, apesar de constarem em Reclamatórias Trabalhistas, em DIRF, em RAIS, e em GFIP Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.720513/201199 Acórdão n.º 240301.300 S2C4T3 Fl. 1.022 5 entregues e excluídas antes do início da ação fiscal. A empresa não incluiu em GFIP as remunerações pagas “por fora” ou com cheque de terceiros, como o cheque da Eniet de Fátima Kamenach. DEBCAD nº 37.323.8010 AI, com CFL 78 no valor de R$1.000,00: tratase de auto de infração lavrado por ter a empresa apresentado, após o dia 04/12/2008, GFIP com incorreções ou omissões referentes a fatos geradores anteriores à MP 449/08, conforme Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso IV, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/1997, com a redação da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Desse modo, a empresa infringiu a Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, inciso IV, com a redação dada pela MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009. A ciência dos AIOP e dos AIOAs ocorreu em 18.03.2011, conforme fls. 01. O período objeto dos AIOPs e AIOAs, conforme o Relatório Fiscal, é de 01/2007 a 06/2010. A Recorrente apresentou impugnação tempestiva. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0344.088 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília DF, Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2010 LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. Deixando o contribuinte de apresentar documentação hábil e idônea, a despeito de ter sido devidamente intimado, é correto o arbitramento das contribuições devidas. O Fisco pode constituir o crédito tributário por presunção, com apresentação de provas indiretas, se o contribuinte não lhe apresentar os documentos (provas diretas) requeridos. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Nas hipóteses legais, §§ 3º, 4º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, a autoridade lançadora deve promover o lançamento por arbitramento, cabendo ao notificado o ônus da prova de que a base de cálculo apurada não representa o montante realmente devido. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Cabe ao impugnante trazer juntamente com suas alegações impugnatórias todos os documentos que dêem a elas força probante. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE.Somente ensejam a nulidade, os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa.Descabe a alegação de nulidade quando não existirem atos insanáveis e quando a autoridade notificante observa os devidos procedimentos fiscais previstos na legislação previdenciária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A empresa foi cientificada do Acórdão nº 0344.088 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília DF conforme a Intimação ARF/CNV nº 025/2011, recebida via Aviso de Recebimento – AR nº RM 496045700BR. A tela do Sistema de Cobrança – CCADPRO juntada aos autos, indica para o AIOP nº 37.321.0795, as datas de ciência do Recurso em 07.10.2011 e a data de expiração do Recurso em 08.11.2011. Foi emitida Carta Cobrança ARF/CNV nº 035/2011, em função de não ter sido interposto Recurso Voluntário e nem ter sido efetivado os pagamentos relacionados ao AIOPs e AIOAs. Foi lavrado em 01.12.2011 Termo de Perempção, às fls. 981: TERMO DE PEREMPÇÃO Decorrido o prazo previsto e não tendo o interessado apresentado recurso à instância superior da decisão da autoridade de primeira instância, e sem que no mesmo prazo tenha havido pagamento ou parcelamento do lançamento, lavro, nesta data, o presente termo para os devidos efeitos, devendo o processo permanecer no órgão circunscricionante pelo prazo de 30 (trinta) dias para cobrança amigável, após o qual, na falta de regularização, será encaminhado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para fins de inscrição do débito em Dívida Ativa. Foi interposto Recurso Voluntário, em 23.12.2011, onde a Recorrente aduz: Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.720513/201199 Acórdão n.º 240301.300 S2C4T3 Fl. 1.023 7 A Unidade da Receita Federal do Brasil encaminha o Recurso Voluntário ao CARF, observando que o Recurso foi apresentado intempestivamente, conforme o Termo de Perempção lavrado e os registros de intempestividade nos sistemas RFB/SIEF e RFB/SICOB: 1. O sujeito passivo em referência apresentou a destempo recurso total relativo aos AI 37.321.0809, 37.323.8002, 37.323.8010 e 37.323.8029 e AIOP 37.321.0795, 37.323.8037 e 37.323.8045, protocolado em 23/12/2011, conforme folhas juntadas de nºs 985 a 1001. 2. Em análise preliminar do recurso interposto, quanto a existência dos elementos essenciais à instrução do recurso, verificouse a ausência de documento, conforme Comunicado ARF/CNV nº 002/2012, constante a fls. 1002, do qual o sujeito passivo teve ciência em 19/01/2012, conforme fls. 1003 e 1004. 3. Expirado o prazo para complementação da documentação em 24/01/2012, somente em 26/01/2012 é que foi evidenciada a complementação da documentação, conforme fls. 1005. 4. Processo com termo de perempção lavrado em 01/12/2011, conforme fls. 981. 5. Registrado no SICOB os eventos “Dispensa Guia Recursal/Liminar/MP 413”, ”Apresentação de Recurso Intempestivo” e ”Encaminhamento do Recurso”, ficando o processo na situação “AGUARD. EXPEDIÇÃO DO ACÓRDÃO”, conforme fls. 1006 a 1013. É o Relatório. Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Na verificação dos requisitos de admissibilidade, devese analisar a tempestividade do Recurso Voluntário. A ciência do AIOP ocorreu em 18.03.2011, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou impugnação tempestiva. A primeira instância analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0344.088 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília DF, . A empresa foi cientificada do Acórdão nº 0344.088 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília DF conforme a Intimação ARF/CNV nº 025/2011, recebida via Aviso de Recebimento – AR nº RM 496045700BR, em 26.09.2011. A tela do Sistema de Cobrança – CCADPRO juntada aos autos, indica para o AIOP nº 37.321.0795, as datas de ciência do Recurso em 07.10.2011 e a data de expiração do Recurso em 08.11.2011. Foi emitida Carta Cobrança ARF/CNV nº 035/2011, em função de não ter sido interposto Recurso Voluntário e nem ter sido efetivado os pagamentos relacionados ao AIOPs e AIOAs. Foi lavrado em 01.12.2011 Termo de Perempção, às fls. 981: TERMO DE PEREMPÇÃO Decorrido o prazo previsto e não tendo o interessado apresentado recurso à instância superior da decisão da autoridade de primeira instância, e sem que no mesmo prazo tenha havido pagamento ou parcelamento do lançamento, lavro, nesta data, o presente termo para os devidos efeitos, devendo o processo permanecer no órgão circunscricionante pelo prazo de 30 (trinta) dias para cobrança amigável, após o qual, na falta de regularização, será encaminhado à Procuradoria Geral da Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10120.720513/201199 Acórdão n.º 240301.300 S2C4T3 Fl. 1.024 9 Fazenda Nacional para fins de inscrição do débito em Dívida Ativa. A Unidade da Receita Federal do Brasil encaminha o Recurso Voluntário ao CARF, observando que o Recurso foi apresentado intempestivamente, conforme o Termo de Perempção lavrado e os registros de intempestividade nos sistemas RFB/SIEF e RFB/SICOB: 1. O sujeito passivo em referência apresentou a destempo recurso total relativo aos AI 37.321.0809, 37.323.8002, 37.323.8010 e 37.323.8029 e AIOP 37.321.0795, 37.323.8037 e 37.323.8045, protocolado em 23/12/2011, conforme folhas juntadas de nºs 985 a 1001. 2. Em análise preliminar do recurso interposto, quanto a existência dos elementos essenciais à instrução do recurso, verificouse a ausência de documento, conforme Comunicado ARF/CNV nº 002/2012, constante a fls. 1002, do qual o sujeito passivo teve ciência em 19/01/2012, conforme fls. 1003 e 1004. 3. Expirado o prazo para complementação da documentação em 24/01/2012, somente em 26/01/2012 é que foi evidenciada a complementação da documentação, conforme fls. 1005. 4. Processo com termo de perempção lavrado em 01/12/2011, conforme fls. 981. 5. Registrado no SICOB os eventos “Dispensa Guia Recursal/Liminar/MP 413”, ”Apresentação de Recurso Intempestivo” e ”Encaminhamento do Recurso”, ficando o processo na situação “AGUARD. EXPEDIÇÃO DO ACÓRDÃO”, conforme fls. 1006 a 1013. Deste modo, resta evidenciado que a Recorrente interpôs Recurso Voluntário no presente processo relacionado aos AIOP nº. 37.323.8037, nº. 37.323.8045, nº. 37.321.0795 bem como aos AIOA nº. 37.321.0809, 37.323.8002, 37.323.8029, 37.323.8010 apenas em 23.12.2011, portanto após o prazo de trinta dias estabelecido no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Assim, o Recurso Voluntário apresentado pela Recorrente foi intempestivo e, dessa forma, não foi cumprido requisito de admissibilidade o que impede o seu conhecimento. Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 CONCLUSÃO Voto pelo NÃO CONHECIMENTO do Recurso Voluntário, referente aos AIOP nº. 37.323.8037, nº. 37.323.8045, nº. 37.321.0795 bem como aos AIOA nº. 37.321.0809, 37.323.8002, 37.323.8029, 37.323.8010, em face de sua intempestividade. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 24/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10882.908379/2009-10
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERDA DE OBJETO.
O processo administrativo fiscal instaura-se com a apresentação de Manifestação por parte do sujeito passivo da demanda e tem um objeto específico a alteração do pedido altera o objeto da discussão implica em impossibilidade de conhecimento do recurso.
Numero da decisão: 3801-001.865
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso , nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes, Presidente
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio De Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, , Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERDA DE OBJETO. O processo administrativo fiscal instaurase com a apresentação de Manifestação por parte do sujeito passivo da demanda e tem um objeto específico a alteração do pedido altera o objeto da discussão implica em impossibilidade de conhecimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso , nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Flávio de Castro Pontes votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes, Presidente (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio De Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, , Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 83 79 /2 00 9- 10 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento/Compensação transmitido em 02.03.2009 através do PER/DCOMP nº 12358.66338.020309.1.7.042107 no qual se objetivava compensar créditos apurados da COFINS referentes ao período de apuração de janeiro de 2005 no valor total original de R$ 23.116,58 (vinte e três mil cento e dezesseis reais e cinquenta e oito centavos) com débitos de IRPJ referentes ao período de apuração de setembro de 2005 no valor total original de R$ 12.209,63 (doze mil duzentos e nove reais e sessenta e três centavos). Em 07.10.2009 foi proferido Despacho Decisório indeferindo o pedido formulado sob alegação de que não foram encontrados créditos suficientes para satisfação dos débitos apontados. Irresignada, apresentou a Contribuinte em 18.11.2009 a competente Manifestação de Inconformidade alegado em síntese que incorrera em erro quando do preenchimento da DCTF original, a qual todavia havia sido retificada em 17.11.2009., requerendo fosse reconhecida formalmente a não procedência da cobrança contida no despacho decisório e a reconsideração da não homologação declarada. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP proferiu acórdão em 17.02.2011 julgando improcedente a defesa apresentada sob alegação de que a Impugnante não lograra êxito na comprovação de seus créditos eis que a retificação da DCTF após o despacho decisório deve ser acompanhada de prova da existência do crédito. Cientificada do indeferimento de seu pleito apresentou em 29.03.2011 o presente Recurso Voluntário, objetivando seja cancelada a exigência fiscal e seja arquivado o processo administrativo instaurado sob o argumento que no mês de competência não consta qualquer débito em aberto, ou seja, não tinha valores a pagar de IRPJ (estimativa) no mês para o qual pediu a compensação. É o relatório, Fl. 69DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.908379/200910 Acórdão n.º 3801001.865 S3TE01 Fl. 69 3 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Relator Conforme depreendese do relatório, trata o presente caso de pedido formulado pela Recorrente objetivando fossem compensado débitos de IRPJ com créditos apurados do PIS/PASEP. No seu recurso voluntário a Recorrente alega que não existe nada a compensar e pede que seja cancelada de ofício a cobrança decorrente da presente compensação. Tenho que o pedido não se coaduna com o pedido nesse processo, que é o de compensação. A cobrança decorre da sua nãohomologação e pelo que se pode depreender, o que a Recorrente pleiteia é o cancelamento da Per/Dcomp porque não havia, no período compensado valores a pagar. Esse pedido, entretanto é novação ao pedido inicial e torna impraticável à essa Turma apreciálo por absoluta falta de competência, vejamos como foi formulado: Em razão do exposto, a Recorrente requer, no mínimo, a realização de diligência em seu estabelecimento para análise da documentação hábil e idônea tendente à verificação e comprovação de que não houve base tributável para o IRPJ no mês de competência 09/05. (...) ...ser reformada totalmente a r. decisão proferida pela D. DRJ em Campinas, cancelando a exigência que foi objeto de manutenção a título de IRPJ, multa, juros e demais acréscimos, em face da inexistência do débito compensado, determinandose, por conseguinte, o arquivamento do processo administrativo instaurado, ou, no mínimo, seja convertido o julgamento em diligência para averiguação e comprovação de que não houve base tributável para o mês competência 09/05. A possibilidade de conhecimento e apreciação dessas novas alegações é defesa a essa turma por força dos artigos 14 e 15 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Nesse sentido, não há como se conhecer do presente recurso. É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 70DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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