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Numero do processo: 35601.000210/2007-98
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 29/12/2006
PRELIMINAR. DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA.AUTO DE
INFRAÇÃO COM MULTA DE VALOR EXATO.
Tratando-se
de auto de infração com multa de valor exato fixado em Portaria
do Ministério da Previdência Social, não há o que se falar em decadência
parcial de crédito.
CO-RESPONSÁVEIS.
SÓCIOS. AUTO DE INFRAÇÃO. SIMPLES
INDICAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO.
A indicação de sócios no Auto de Infração não pode ser interpretada como
conduta prejudicável ao sujeito passivo, tendo em vista que tal ato constitui
em simples relação dos sócios da empresa à época da autuação, não havendo
qualquer tipo de consequência para esses sócios-gerentes,
o que só ocorrerá
em sede de execução fiscal, se preenchidos os requisitos legais.
GRUPO ECONÔMICO. NÃO CONSTATAÇÃO. AUSÊNCIA DE
PROVAS.
A existência de grupo econômico tem como consequência responsabilizar
pelo pagamento do crédito tributário todas as empresas componentes do
grupo, que deve ser comprovada através de relatórios e outros documentos
que possam evitar qualquer arbitrariedade da fiscalização.
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO OBRIGAÇÃO
ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE DESTAQUE 11% SOBRE O VALOR
BRUTO. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA.
DEFINIÇÃO LEGAL. LEI
8.212/91.NÃO CONSTATAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS.
A cessão de mão-de-obra
é conceituada segundo a Lei n 8.212/91, e que, uma
vez constatada, obriga o cedente de mão-de-obra
a destacar sobre a nota
fiscal de prestação de serviço 11% (onze por cento), nos termos do art. 31,
parágrafo 1, da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 11.941/2009, sistemática
interpretada como legal e constitucional pelos Tribunais Superiores.
Todavia, tal retenção só poderá acontecer se for constatada a cessão de mão-de-obra.,
o que não foi feito pela autoridade fiscal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-001.271
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Cid Marconi Gurgel de Souza
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DECADÊNCIA. NÃO OCORRÊNCIA.AUTO DE INFRAÇÃO COM MULTA DE VALOR EXATO. Tratandose de auto de infração com multa de valor exato fixado em Portaria do Ministério da Previdência Social, não há o que se falar em decadência parcial de crédito. CORESPONSÁVEIS. SÓCIOS. AUTO DE INFRAÇÃO. SIMPLES INDICAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. A indicação de sócios no Auto de Infração não pode ser interpretada como conduta prejudicável ao sujeito passivo, tendo em vista que tal ato constitui em simples relação dos sócios da empresa à época da autuação, não havendo qualquer tipo de consequência para esses sóciosgerentes, o que só ocorrerá em sede de execução fiscal, se preenchidos os requisitos legais. GRUPO ECONÔMICO. NÃO CONSTATAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. A existência de grupo econômico tem como consequência responsabilizar pelo pagamento do crédito tributário todas as empresas componentes do grupo, que deve ser comprovada através de relatórios e outros documentos que possam evitar qualquer arbitrariedade da fiscalização. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE DESTAQUE 11% SOBRE O VALOR BRUTO. CESSÃO DE MÃODEOBRA. DEFINIÇÃO LEGAL. LEI 8.212/91.NÃO CONSTATAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. A cessão de mãodeobra é conceituada segundo a Lei n 8.212/91, e que, uma vez constatada, obriga o cedente de mãodeobra a destacar sobre a nota fiscal de prestação de serviço 11% (onze por cento), nos termos do art. 31, Fl. 192DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 parágrafo 1, da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 11.941/2009, sistemática interpretada como legal e constitucional pelos Tribunais Superiores. Todavia, tal retenção só poderá acontecer se for constatada a cessão de mão deobra., o que não foi feito pela autoridade fiscal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente. Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35601.000210/200798 Acórdão n.º 2403001.271 S2C4T3 Fl. 183 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls.139 a 161 contra decisão da 8 turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas/SP (fls.121 a 125) que julgou PROCEDENTE o lançamento constante no Auto de Infração n 35.957.8071 no valor originário de R$ 1.156,95 (hum mil, cento e cinquenta e seis reais e noventa e cinco centavos). Segundo o relatório fiscal às fls. 04 e 05, a empresa, ora recorrente, é prestadora de serviços, mediante cessão de mãodeobra, tendo emitido várias notas fiscais de serviços sem o registro do destaque da contribuição previdenciária de 11% (onze por cento). Tais serviços foram prestados à empresa Fundição LUK, Divisão da LUK do Brasil, Embreagens LTDA, os quais foram descritos no relatório fiscal anexo aos autos. Em razão dessa conduta infratora, foi aplicada uma multa no valor de R$ 1.156,95 (hum mil, cento e cinquenta e seis reais e noventa e cinco centavos) com base nos arts.92 e 102 da Lei n° 8.212/91 e nos arts. 283, caput e §3° e art. 373 do Regulamento da Previdência Social combinados com a Portaria Conjunta MPS/GM n 342/2006. Ainda conforme o relatório fiscal, o crédito foi lançado para pagamento por qualquer pessoa de grupo econômico constatado pela auditoria, em respeito ao art. 30, inciso IX da Lei 8.212/91. Desta autuação, a recorrente foi notificada em 29/12/2006 e apresentou impugnação tempestiva às fls. 72 a 89, alegando em síntese: Em grau de preliminar, que deve ser excluído o nome dos administradores do pólo passivo da presente autuação fiscal, pois que os diretores relacionados pela impugnante sequer faziam parte da diretoria da empresa impugnante no período abrangido pela autuação, representando tal inclusão uma afronta ao Código Tributário Nacional; No mérito A decadência do direito de lançar os créditos tributários com fatos geradores ocorridos anteriormente a dezembro de 2001 com base no art.150, parágrafo 4, do Código Tributário Nacional, tendo em vista que o Auto de Infração ora impugnado foi lavrado em 29 de dezembro de 2006; Que não deve responder por descumprimento de obrigação acessória, visto que não foi realizada prestação de serviço mediante cessão de mãodeobra; A violação ao princípio da tipicidade – impossibilidade de aplicação da multa prevista no artigo 283, parágrafo 3 do regulamento previdenciário. Nesse sentido, elucidou que além do fato de não ser responsável pela obrigação a ela imposta, a multa prevista pelo art. 92 da Lei 8.212/91 não Fl. 194DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 pode servir de instrumento à autoridade fiscal, para que eleja ao seu arbítrio condutas que entenda como passíveis de incidência, sob pena de se conferir ilegítima subjetividade a uma norma sancionatória e violar os princípios da tipicidade e legalidade; A ofensa ao princípio da legalidade – impossibilidade da Portaria MPS/GM n° 342, de 16/08/2006, servir de parâmetro para aplicação da multa, haja vista que no relatório fiscal o autuante fixou a multa com fundamento na portaria acima citada. Entretanto é inadmissível que o parâmetro para fixação de multa seja fundamentado em Portarias, tendo em vista que o art. 97 do CTN dispõe que somente a lei pode estabelecer a instituição de tributos ou a sua extinção, a majoração de tributos ou a sua redução, bem como a fixação da alíquota do tributo e da sua base de cálculo. Por fim, requereu a imediata anulação da autuação. Alternativamente, requereu o acolhimento da impugnação para o fim de julgar improcedente o lançamento efetuado e cancelar o crédito constituído indevidamente, tendo como consequência o arquivamento do respectivo processo administrativo. Às fls.106 a 109 foi juntado ofício 263/2007 informando a constatação de grupo econômico composto por diversas empresas, inclusive a ora recorrente, as quais foram notificadas para apresentar manifestação. Instada a manifestarse acerca da impugnação, a 8° turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas/SP proferiu acórdão (n°0521.919) nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do Fato Gerador: 29/12/2006 FALTA DE DESTAQUE DA RETENÇÃO DE 11% DE QUE TRATA A LEI 8.212/91, ART. 31, § 1°, NA REDAÇÃO DADA PELA 9.711/98.INFRAÇÃO. A falta de destaque do percentual de 11% em nota fiscal/fatura de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, implica em descumprimento de norma previdenciária prevista pelo artigo 31, § 1°, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 9.711/98, sujeitando o infrator a multa de que trata o artigo 283, caput, § 3° do Regulamento Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. CO RESPONSÁVEIS A relação de corresponsáveis não tem como escopo incluir os diretores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, que eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa. DECADÊNCIA. PRAZO DECENAL. O prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 10 (dez) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Lançamento Procedente. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35601.000210/200798 Acórdão n.º 2403001.271 S2C4T3 Fl. 184 5 Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls.139 a 161, utilizandose dos mesmos argumentos apresentados na impugnação, requerendo, o provimento total do recurso voluntário, de forma a determinar o cancelamento do AI n 35.957.8071. Sucessivamente, pugnou pelo cancelamento dos créditos constituídos anteriormente a dezembro de 2001, em razão de ter ocorrido a decadência quinquenal com base no art.150, parágrafo 4 do Código Tributário Nacional. É o relatório. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DA PRELIMINAR: I DA NÃO OCORRÊNCIA DA DECADÊNCIA: A recorrente requer, tanto na impugnação como no recurso voluntário, o reconhecimento da decadência quinquenal dos créditos relativos a fatos geradores ocorridos anteriormente a dezembro de 2001, trazendo inclusive julgados para fundamentar seu pleito. A título de informação, destaco apenas que o mais correto, em termos processuais, é pleitear o reconhecimento da decadência em sede de preliminar, mas o requerimento realizado no mérito não impede sua apreciação. Sobre a aplicação do instituto ao caso em tela, destaco que seja impossível se falar em decadência, tendo em vista que, não obstante o período fiscalizado ter abrangido as competências 01/1998 a 07/2006, o valor cobrado a título de multa por infração cometida ao art.31, parágrafo 1, da Lei n° 8.212/91 combinado com o art.219, parágrafo 4, do Regulamento da Previdência Social, é único, independentemente do período que esteja sendo fiscalizado e considerado para fins de constituição de crédito. Por exemplo, a conduta em não destacar a contribuição sob a alíquota de 11% (onze por cento) em decorrência da cessão de mãodeobra na competência 06/1998 e esta mesma conduta ter sido realizada na competência 06/2003, considerando a data da notificação em 29/12/2006, não altera em nada o valor aplicado a título de multa, pois basta que tenha acontecido um erro em alguma competência para que seja a multa aplicada, considerando o valor unitário a ser cobrado do infrator. Nesse sentido, a Portaria do Ministério da Previdência Social n 342/2006 quantificou o valor exato para determinadas situações, dentre as quais a conduta violadora prevista no art.283, caput, e parágrafo 3 do Decreto n 3.048/99, que entrou em vigor em 16/08/2006, vejamos: Art. 7º A partir de 1º agosto de 2006: (...) V o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do Regulamento da Previdência Social RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada (caput do art. 283), varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.156,95 (um mil cento e cinquenta e seis reais e noventa e cinco centavos) a R$ 115.694,42 (cento e quinze mil seiscentos e noventa e quatro reais e quarenta dois centavos); Assim, considerando a ciência da lavratura do auto de infração em 29/12/2006 e pelos motivos acima expostos, entendo que seja desnecessário falarse em decadência, tendo em vista que uma competência estar decadente não influencia as outras de também estarem, principalmente sendo caso de que o pagamento da multa por descumprimento Fl. 197DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35601.000210/200798 Acórdão n.º 2403001.271 S2C4T3 Fl. 185 7 de obrigação acessória será único. Além disso, segundo o relatório fiscal, as competências que foram objeto de levantamento foram junho/2003 a setembro/2003, ou seja, período em que a constituição do crédito tributário poderia ser realizada. II – DA INDICAÇÃO DOS SÓCIOS – AUSÊNCIA DE VÍCIO: Quanto à solicitada exclusão dos sócios administradores do pólo passivo da autuação fiscal, cabe esclarecer que a relação de corresponsáveis, anexada aos autos pela Fiscalização, não tem como escopo incluir os sócios da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal, em consonância com o §3o do artigo 4o da Lei no 6.830/80, e após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa. A responsabilização dos sócios somente ocorrerá por ordem judicial, nas hipóteses previstas na lei e após o devido processo legal. O débito foi lançado somente contra a pessoa jurídica e, neste momento, os sócios não sofreram restrições em seus direitos. Assim, esta discussão é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada na via da execução judicial, na hipótese dos responsáveis serem convocados, por decisão judicial, para satisfação do crédito. Ademais, os relatórios de Corresponsáveis e de Vínculos fazem parte de todos os processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 688 da Instrução Normativa INSS/DC de 18/12/2003 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais e esclarece: Art. 688. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: X Relação de CoResponsáveis (CORESP), que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos (VÍNCULOS), que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais e esclarece: Fl. 198DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; Por fim, entendo que a indicação dos sóciosgerentes não representa nenhum vício que seja capaz de declarar a nulidade do auto de infração ora guerreado, motivo pelo qual não há o que se falar em nulidade. Todavia, ressalto ainda que a cobrança deva ser feita tão exclusivamente à pessoa da recorrente, pois não houve em nenhum momento provas concretas da formação do grupo econômico, o que só foi constatado pela fiscalização através de critérios carentes de plausibilidade. DO MÉRITO: I – DA INFRAÇÃO COMETIDA E DA ANÁLISE DO INSTITUTO CESSÃO DE MÃODEOBRA: A recorrente, segundo a auditoria, é prestadora de serviços, mediante cessão de mãodeobra, tendo emitido várias notas fiscais de serviços sem o registro do destaque da contribuição previdenciária de 11% (onze por cento). Entretanto, alega que não é cedente de mãodeobra, mas tão somente presta serviços. Para uma melhor análise do reconhecimento ou não desse instituto no caso em tela, impendese analisar em conjunto o trabalho realizado em ação fiscal e a legislação regente desta matéria. Primeiramente, analisemos a legislação que trata da cessão de mãodeobra. A Lei n 8.212/91 prevê que determinados serviços, além de outros discriminados em Regulamento da Previdência Social, sujeitarseão à tributação nos moldes da cessão de mãodeobra (tomador do serviço reterá 11% sobre o valor da nota fiscal/fatura prestação de serviço), in verbis: Lei n 8.212/91 Art.31 – (...) § 1o O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da Fl. 199DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35601.000210/200798 Acórdão n.º 2403001.271 S2C4T3 Fl. 186 9 empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) §4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). I limpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). II vigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). III empreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). Decreto n 3.048/99 – Regulamento Previdência Social Art.219.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) (...) §2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III construção civil; IV serviços rurais; V digitação e preparação de dados para processamento; VI acabamento, embalagem e acondicionamento de produtos; VII cobrança; VIII coleta e reciclagem de lixo e resíduos; IX copa e hotelaria; X corte e ligação de serviços públicos; XI distribuição; Fl. 200DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 XII treinamento e ensino; XIII entrega de contas e documentos; XIV ligação e leitura de medidores; XV manutenção de instalações, de máquinas e de equipamentos; XVI montagem; XVII operação de máquinas, equipamentos e veículos; XVIII operação de pedágio e de terminais de transporte; XIX operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão; (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) XX portaria, recepção e ascensorista; XXI recepção, triagem e movimentação de materiais; XXII promoção de vendas e eventos; XXIII secretaria e expediente; XXIV saúde;e XXV telefonia, inclusive telemarketing. (...) § 4º O valor retido de que trata este artigo deverá ser destacado na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, sendo compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa contratada quando do recolhimento das contribuições destinadas à seguridade social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados. Diante de todo o exposto, percebese que somente esses serviços, se constatada a cessão de mãodeobra, serão tributados pela regra do art.31 da Lei n 8.212/91. No caso em tela, a auditoria verificou, na análise da documentação da recorrente, que a própria empresa, em notas fiscais, não realizou a retenção de 11% (onze por cento), o que ficou constatado no relatório fiscal às fls.04 e 05, no qual ficou caracterizada a prestação de serviço de manutenção de equipamento e instalação elétrica. Todavia, não obstante a fiscalização ter tido esse entendimento, acredito que houve um equívoco quando da lavratura do Auto de Infração em epígrafe, tendo em vista que não ficou constatado que a prestação de serviço realizada ocorreu mediante cessão de mãode obra. Afinal, o que a legislação considera cessão de mãodeobra? Segundo a Lei n 8.212/91, a cessão de mão de obra é, ipsis litteris: Art.31 – (...) (...) Fl. 201DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35601.000210/200798 Acórdão n.º 2403001.271 S2C4T3 Fl. 187 11 §3oPara os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998).Destacouse. Desse modo, sendo o serviço contínuo, realizado nas dependências da empresa contratante ou nas de terceiros, executado através de pessoas físicas à disposição desta, ele será considerado cessão de mãodeobra. No caso em tela, a fiscalização não conseguiu provar que ocorreu a cessão de mãodeobra na prestação desses serviços, destacandose mais uma vez a subjetividade da autoridade lançadora, que, lança crédito com base em suposições e ainda determina que o contrário deve ser provado pelo contribuinte, desrespeitando o preceituado no art.142 do Código Tributário Nacional. Não pode a auditoria entender que pelo simples fato de existir notas fiscais emitidas para as tomadoras de serviços identificadas no relatório fiscal, a recorrente prestou serviço mediante cessão de mãodeobra. Com relação aos documentos da recorrente encontrados pela auditoria que constatam ter havido emissão de nota fiscal sem o destaque dos 11% (onze por cento), entendo que a recorrente, em razão da certeza de não ser cedente de mãodeobra emitiu Nota Fiscal NF sem o devido destaque, baseandose na idéia de que, realmente, não ocorreu a prestação mediante cessão dessa mãodeobra, tanto é que em outras NF’s o destaque foi feito. Portanto, entendo que a recorrente, nas ocasiões em que realizou a prestação de serviço mediante cessão de mãodeobra, efetuou o destaque dos 11% (onze por cento), e, em outras que não houve certamente a ocorrência do instituto, a retenção não foi feita, demonstrandose aqui a boafé da empresa nesses momentos. Além disso, a fiscalização sequer juntou as notas fiscais mencionadas no relatório fiscal e que serviram de embasamento para a lavratura do Auto de Infração, impedindo o total conhecimento do contribuinte aos fatos que serviram de fundamentação ao lançamento, ferindo princípios relevantes do processo administrativo tributário, como o da publicidade, contraditório e ampladefesa. Desta feita, diante da exposição acima, entendo que à recorrente não poderá ser imputada a multa no valor de R$ 1.156,95 (hum mil, cento e cinquenta e seis reais e noventa e cinco centavos) por ter deixado de destacar os 11% sobre os valores brutos das notas fiscais emitidas a alguns tomadores de serviços, tendo em vista que o fisco não conseguiu provar a ocorrência dessa prestação de serviço mediante cessão de mãodeobra. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10380.010625/2004-48
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: DECADÊNCIA TERMO - INICIAL - Conforme decisão do STJ em Acórdão
submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, para fins de aplicação do disposto no art. 173, I, do CTN, o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível.
Numero da decisão: 9101-001.342
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para afastar a decadência relativa ao IRPJ/CSLL. Os Conselheiros Valmar Fonsêca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Otacílio Dantas Cartaxo, votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral o advogado Sérgio Silveira Melo.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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DECADÊNCIA TERMO INICIAL Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, para fins de aplicação do disposto no art. 173, I, do CTN, o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para afastar a decadência relativa ao IRPJ/CSLL. Os Conselheiros Valmar Fonsêca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Otacílio Dantas Cartaxo, votaram pelas conclusões. Fez sustentação oral o advogado Sérgio Silveira Melo. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonsêca de Menezes, Marcos Shigueo Takata (Suplente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Hugo Correia Sotero (Suplente), Alberto Pinto Souza Júnior, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva e Silvana Rescigno Guerra Barretto. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por VALMIR SANDRI 2 Relatório A Fazenda Nacional apresenta recurso especial em face do Acórdão n° 1101 96471, proferido em 05/12/2007, por meio do qual a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, acolheu a preliminar de decadência quanto ao IRPJ e CSLL para os fatos geradores ocorridos até o 3º trimestre de 1999, bem assim do PIS e Cofins para os fatos geradores ocorridos até o mês de outubro de 1999 (inclusive). Alega a Fazenda Nacional que a decisão é contrária à lei, e justifica: “Quando o sujeito passivo da obrigação tributária antecipa o pagamento, a contagem do prazo decadencial tem início na data da ocorrência do fato gerador, conforme o disposto no art. 150, §4° do CTN. Por outro lado, não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regerseá pelo contido no art. 173, I, do CTN. No caso em tela, como o contribuinte não efetuou o pagamento do tributo, ocorreu o lançamento de oficio. Portanto, para fins de contagem de prazo decadencial não deve ser aplicado o art. 150, § 4°, CTN, e sim, o art. 173, Ido CTN.”. O recurso foi admitido pelo Presidente da Primeira Câmara da Primeira Seção do CARF. Ciente, o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10380.010625/200448 Acórdão n.º 9101001.342 CSRFT1 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme se depreende dos autos, alega a Fazenda Nacional que o acórdão guerreado é contrário à lei. Defende que, mesmo se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, em não tendo havido pagamento antecipado, o termo inicial a ser considerado deve ser o do inciso I do art. 173 do CTN, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Nos votos que proferi neste CARF antes da última alteração regimental, sempre manifestei meu entendimento no sentido de que o que define se o termo inicial será aquele previsto no art. 173, I ou no § 4º do art. 150 do CTN é a natureza do lançamento previsto na legislação específica do tributo (por declaração ou por homologação), em nada influenciando a circunstância de ter ou não havido pagamento. Por sua vez, a Portaria MF 586, de 21 de dezembro de 2010, introduziu o art. 62A ao Regimento Interno do CARF, com o seguinte teor: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A questão do termo inicial da decadência nos tributos sujeitos a lançamento por homologação foi objeto de decisão do STJ na sistemática de recursos repetitivos, na apreciação do REsp nº 973.733SC, de relatoria do Ministro Luiz Fux, com a seguinte ementa: RECURSO ESPECIAL Nº 973.733 SC (2007/01769940) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS REPR. POR : PROCURADORIAGERAL FEDERAL PROCURADOR : MARINA CÂMARA ALBUQUERQUE E OUTRO(S) RECORRIDO : ESTADO DE SANTA CATARINA PROCURADOR : CARLOS ALBERTO PRESTES E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO Fl. 262DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por VALMIR SANDRI 4 POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS RTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi,"Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10380.010625/200448 Acórdão n.º 9101001.342 CSRFT1 Fl. 3 5 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. A partir desse julgamento, dando comprimento ao art. 62A do Regimento, acolhi o entendimento expressado no item 1 da ementa da decisão do STJ, no sentido de que “O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Nesse passo, rendime ao entendimento defendido pela Douta Procuradoria da Fazenda Nacional, de que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, nos casos em que não há pagamento, o termo inicial se desloca para o art. 173, I, do CTN, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.. Contudo, observo que a decisão do STJ que, em observância ao art. 62A do Regimento, tem orientado as decisões do CARF, no item 3 de sua ementa, define o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado como sendo o primeiro dia do exercício seguinte ao fato imponível . Esse fato me indica que, para cumprir o Regimento, o termo inicial para a contagem da decadência deva ser o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador. A pesquisa dos precedentes indicados pelo Ministro Luiz Fux como ratificadores da decisão permitiu espancar a dúvida quanto ao real sentido da decisão adotada pelo STJ no regime de recursos repetitivos. É que o Ministro Relator se reportou ao RESP 246.142SP, de sua própria relatoria, e do qual transcrevo excertos da ementa e do voto condutor que têm relevância para a compreensão da decisão do STJ. Ementa: TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. 1. O crédito tributário constituise, definitivamente, em cinco anos, porquanto mesmo que o contribuinte exerça o pagamento antecipado ou a declaração de débito, a Fazenda dispõe de um quinquênio para o lançamento, que pode se iniciar, sponte sua, na forma do art. 173, I, mas que de toda sorte deve estar ultimado no quinquênio do art. 150, § 4º. Excerto do voto condutor do acórdão: Nas hipóteses de lançamento por homologação a individualização do dever tributário – obrigação e crédito, prescinde de ato administrativo de individualização da norma abstrata e geral, essencial nas demais modalidades de tributos. Exsurge a partir do fato gerador do tributo, não só a obrigação Fl. 264DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por VALMIR SANDRI 6 de declarar e quantificar o tributo, mas também a obrigação de pagálo. Diante destas considerações, a escorreita exegese conduz à conclusão de que, não exigindo o sistema constitucional que a pretensão tributária trilhe o caminho do lançamento, mostrase perfeitamente viável o nascimento do crédito tributário sem ato de lançamento. (...) Relativamente ao denominado lançamento por homologação, o que ocorre não é a homologação do lançamento efetuado pelo contribuinte, visto que, a teor do que dispõe o art. 142 do Código Tributário Nacional, o lançamento é ato privativo da autoridade administrativa, mas a convalidação da operação intelectual efetuada pelo sujeito passivo, valorando sua situação de vida de forma a conformála ao conteúdo da norma tributária, diversamente do que ocorre no lançamento de ofício ou por declaração, onde há a prática de um ato de aplicação do Direito, provinda da atividade administrativa privativa, outorgada pelo citado art. 142. O que se homologa, portanto, nas hipóteses de lançamento por homologação, não é o ato de lançamento, mas a atividade do sujeito passivo tendente à satisfação do crédito tributário. (...) Impende salientar que a homologação a que se refere o art. 150 do Código Tributário é da atividade do sujeito passivo, não necessariamente do pagamento do tributo. O que se homologa, quer expressamente, quer tacitamente, é o proceder do contribuinte, que pode ser o pagamento suficiente do tributo, o pagamento a menor ou a maior ou, também, o nãopagamento. Seja qual for, dentre todas as possíveis condutas do contribuinte, ocorre uma ficção do Direito Tributário, sendo irrelevante que tenha havido ou não o pagamento, uma vez que relevante é apenas o transcurso do prazo legal sem pronunciamento da autoridade fazendária, dilo o Codex Tributário. Transcorrido o prazo de cinco anos, previsto no art. 150, § 4º, não mais poderá o Fisco efetuar o lançamento do tributo, ou seja, constituir o crédito tributário”. Portanto, observando o entendimento do STJ expressado no julgamento do REsp 973.733SC, em decisão proferida no regime do art. 543C, do CPC, tenho que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, tenha ou não havido pagamento, transcorrido o prazo de cinco anos, previsto no art. 150, § 4º, do CTN, não mais poderá o Fisco efetuar o lançamento do tributo, mas, para se adequar de forma literal ao item 3 da ementa do REsp ora citado, no sentido de que: “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado "corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação”, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem que haja a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, e inexistindo declaração prévia do débito, me submeto a contagem do prazo a iniciarse do primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10380.010625/200448 Acórdão n.º 9101001.342 CSRFT1 Fl. 4 7 Dessa forma, tendo o contribuinte sido intimado do auto de infração em 19.11.2004, para exigir tributos com fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1999, e tendo o termo inicial para a contagem do prazo decadencial em janeiro de 2000, a teor do REsp 973.333SC, tinha o fisco até dezembro de 2004 para efetuar o lançamento relativo ao IRPJ e CSLL. PIS E COFINS, eis que houve pagamento e declaração. Isto posto, DOU provimento PARCIAL ao recurso da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 15 15 de maio de 2012. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 266DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 16327.001060/2003-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1102-000.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Marcos Vinicius Barros Ottoni.
Nome do relator: JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, e Marcos Vinicius Barros Ottoni. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 01 06 0/ 20 03 -5 8 Fl. 672DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 06/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16327.001060/200358 Resolução nº 1102000.157 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de retorno de diligência solicitada por este colegiado por meio do acórdão no 1102000.015, de 1o de setembro de 2010, para que fossem confirmadas as compensações de débitos de parcelas de estimativas de CSLL que estavam em discussão em outro processo administrativo, as quais afetariam o saldo negativo de CSLL do ano calendário de 2002 aqui discutido. Em 31.03.2003 a interessada protocolizou a Declaração de Compensação de fls. 01/02, na qual informou possuir crédito de Saldo Negativo da CSLL de 2002, no montante de R$ 7.448.714,40. Por meio do Despacho Decisório de fls. 309/315, a autoridade administrativa não homologou a compensação intentada, alegando a inexistência do direito creditório. A interessada apresentou manifestação de inconformidade arguindo que o despacho decisório partira da premissa equivocada de que não existiriam saldos negativos da CSLL nos anoscalendário de 1995 e 1997, o que acabou por refletir no não reconhecimento do saldo negativo de 2002, uma vez que aqueles saldos negativos haviam sido utilizados para compensar estimativas de 2002. Arguiu, também, que parcelas de estimativas de CSLL de 2002 haviam sido compensadas com saldo negativo de IRPJ de 1997 e com créditos de Cofins, e elaborou uma tabela (fls. 360) em que demonstra a composição de todas as parcelas que compõe o saldo negativo declarado. Salienta ainda que o que se discute no presente processo são apenas as compensações das estimativas de julho e parte de agosto de 2002 (totalizando R$.7.198.111,28) com os créditos de saldo negativo de CSLL de 1997, pois os saldos de IRPJ de 1997 e de CSLL de 1995 (que, juntos, totalizam R$.6.219.794,86) já são objeto de dois outros processos administrativos (16327.003912/200261 e 16327.002941/200124). Em face de diversos documentos apresentados em sede de impugnação, a DRJ/São PauloI proferiu o Acórdão DRJ/SPOI n° 9.386/2006, fls. 378/383, por meio do qual deu parcial provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada, determinando o retorno dos autos à DEINF/SPO, para que fossem analisados os documentos apresentados e reapreciado o direito creditório alegado. A DEINF/SPO proferiu então novo Despacho Decisório de fls. 464/471, cujas conclusões, em apertada síntese, foram as seguintes: a) Com relação à CSLL devida do anocalendário 1997, o valor total, de R$.21.889.111,97, estava suspenso por força da Medida Liminar deferida na MC n° 96.03.0921491, vinculada ao MS n° 95.00607824. As estimativas mensais então apuradas, e que também estavam informadas em DCTF com exigibilidade suspensa, tendo em vista a posterior desistência da lide, foram recolhidas em 31.07.2002 e 30.08.2002 nos moldes da anistia prevista na MP n° 38/02 (DARF anexos de fls. 363/368). Com isto, foi confirmada a existência de pagamento da CSLL a maior do que o devido, no montante original de R$.3.732.404,95 (R$.622.067,49 em 31.07.2002, e R$.3.110.337,46 em 30.08.2002) Estes Fl. 673DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 06/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16327.001060/200358 Resolução nº 1102000.157 S1C1T2 Fl. 4 3 valores, acrescidos dos juros moratórios com eles recolhidos, são considerados pagamentos indevidos ou a maior do que o devido a partir do mês seguinte ao de seus respectivos recolhimentos. Às fls. 440443 demonstrase os cálculos de apuração da parcela paga a maior e de sua compensação com as estimativas de Jul/02 e Ago/02; b) Com relação ao Saldo Negativo da CSLL do anocalendário 1995, objeto de discussão no PAF n° 16327.002941/200124, observa a DEINF/SPO que, após o julgamento da Manifestação de Inconformidade, restou reconhecido o direito creditório pleiteado pelo interessado no montante de R$ 2.138.513,01, em valores de 31.07.1999. Porém, este valor não foi suficiente para compensar todos os débitos informados pela interessada, de sorte que foi homologada a compensação da estimativa de Jun/02 (R$.2.116.428,55), mas não as de Ago/02 (R$.228.511,19) e de Out/02 (R$.1.475.992,89), conforme demonstrado às fls. 386/390; c) Com relação ao Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário 1997, objeto de discussão no PAF n° 16327.003912/200261, observa a DEINF/SPO que até aquele momento a DRJ ainda não se havia pronunciado acerca da Manifestação de Inconformidade interposta, permanecendo a compensação dos débitos de estimativa de CSLL dos períodos de apuração Set/02 (R$.2.395.228,69), Out/02 (R$.1.373,96) e Nov/02 (R$.2.259,58) com exigibilidade suspensa. Nestes termos, considerou a DEINF os valores dessas estimativas como integrantes do saldo negativo de CSLL de 2002, autorizando sua utilização para extinguir, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, uma parte dos débitos informados na Declaração de Compensação objeto do presente processo; d) Com relação às estimativas mensais de CSLL dos períodos de Jan/02 a Mai/02, também informadas em DCTF com exigibilidade suspensa por força da Medida Cautelar já citada, tendo em vista a posterior desistência da lide e os recolhimentos feitos em 31.07.02 e 30.08.02 nos moldes da anistia prevista na MP n° 38/02 (DARF anexos de fls. 248/252), demonstrou às fls. 450/453 o cálculo da imputação dos valores recolhidos às respectivas estimativas; e) Com relação ao alegado crédito da COFINS, utilizado para compensar parte dos débitos da CSLL dos períodos Jan/02 a Jun/02 e Set/02, a DEINF/SPO não os reconheceu por entender não demonstrada sua liquidez e certeza, além de não ter sido a referida compensação informada em DCTF. Consolidando todos estes dados, a autoridade administrativa elaborou às fls. 461 demonstrativo em que consta o reconhecimento, para fins de compensação com os débitos informados na Declaração de Compensação objeto deste processo, dos seguintes valores de crédito: como Saldo Negativo da CSLL do anocalendário 2002, dotado de certeza e liquidez, o montante de R$.2.255.891,45, e, como Saldo Negativo de CSLL do anocalendário 2002 pendente do julgamento da Manifestação de Inconformidade interposta no PAF n° 16327.003912/200261, o montante total de R$.2.398.862,23. Fl. 674DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 06/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16327.001060/200358 Resolução nº 1102000.157 S1C1T2 Fl. 5 4 Cientificada deste novo Despacho Decisório, a interessada apresentou nova Manifestação de Inconformidade em 28/12/2006 (fls. 475/480), acompanhada dos documentos de fls. 481/552, alegando, em síntese, o seguinte (mantida a mesma sequência dos itens conforme o relato acima feito do despacho decisório): a) Com relação à parcela das estimativas de 2002 compensadas com o Saldo Negativo de CSLL de 1997, há uma diferença de R$ 1.042.946,07, decorrente de divergência quanto ao critério de atualização. Enquanto a DEINF/SPO considerou que os valores pagos a maior, nos moldes da anistia prevista na MP n° 38/02, deveriam sofrer atualização apenas a partir da data de seus respectivos recolhimentos em 31.07.2002 e 30.08.2002, a interessada entende que a Selic deve incidir desde janeiro de 1998, pois se trata de saldo negativo de CSLL do ano calendário de 1997. No documento de fls. 551 demonstra a forma como deveria ter sido feita a referida atualização; b) Com relação à parcela das estimativas de 2002 compensadas com o Saldo Negativo da CSLL de 1995, há uma diferença de R$ 1.704.504,08, decorrente de divergência quanto ao critério de atualização. Enquanto a DEINF/SPO, no âmbito do PAF n° 16327.002941/200124, considerou que o direito creditório pleiteado pelo interessado deveria sofrer atualização apenas a partir 31.07.1999, a interessada entende que a Selic deve incidir desde janeiro de 1996, pois se trata de saldo negativo de CSLL do ano calendário de 1995. No documento de fls. 552 demonstra a forma como deveria ter sido feita a referida atualização; c) Com relação à parcela das estimativas de 2002 compensadas com o Saldo Negativo da IRPJ de 1997, não há, por ora, o que contestar, tendo em vista que tal valor está suspenso até decisão final dos pedidos de restituição no âmbito do PAF n° 16327.003912/200261, conforme decidido pela autoridade fiscal; d) Com relação às estimativas mensais de CSLL dos períodos de Jan/02 a Mai/02, que também estavam com exigibilidade suspensa por força de Medida Cautelar, e que foram posteriormente recolhidas nos moldes da anistia prevista na MP n° 38/02, há uma diferença de R$ 34.612,19, fruto de equívoco do fisco na alocação dos valores pagos. No documento de fls. 540 demonstra a forma como deveria ter sido feita a referida alocação; e) Com relação às compensações de parte da CSLL devida nos períodos de Jan/02 a Jun/02 e Set/02, totalizando R$ 16.037,06, com créditos de COFINS, é fato que a requerente deixou, por equívoco, de informar os valores compensados em DCTF, porém, junta à manifestação planilha demonstrando a compensação efetuada (fls. 505), acompanhada de cópias das Declarações de Compensação respectivas (fls. 506/528), razão pela qual requer a sua homologação, bem como a retificação de oficio das referidas DCTF (fls. 529/539). Fl. 675DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 06/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16327.001060/200358 Resolução nº 1102000.157 S1C1T2 Fl. 6 5 A autoridade julgadora de primeira instância, por meio do Acórdão no 16 12.670, fls. 580/587, indeferiu a Manifestação de Inconformidade, e confirmou integralmente o Despacho Decisório, conforme ementa a seguir transcrita. “SALDO NEGATIVO DE CSLL. INOCORRÊNCIA. Não constitui saldo negativo de CSLL, apurado em declaração anual, o pagamento efetuado após a respectiva entrega da DIPJ e com base em anistia. JUROS. TERMO INICIAL. IMPOSTO PAGO A MAIOR. O termo inicial de juros na hipótese de pagamento indevido ou a maior é o mês subseqüente ao do pagamento, se este tiver sido efetuado após 31 de dezembro de 1997.” Inconformada com esta decisão, a interessada apresenta tempestivamente o recurso voluntário de fls. 614/618, no qual reprisa seus argumentos. Por entender constituir prejudicial ao julgamento do recurso voluntário a questão relativa às estimativas de CSLL as quais a autoridade administrativa considerou não integrantes do saldo negativo de 2002 em razão de sua compensação não ter sido homologada, mas cuja discussão a respeito dessa homologação encontravase no âmbito de outro processo (PAF n° 16327.002941/200124), foi o julgamento convertido em diligência para que a autoridade administrativa informasse a respeito da prolação de decisão administrativa irreformável no âmbito daquele PAF. Em atendimento ao solicitado, informa a autoridade administrativa, no despacho de efls. 653655, que as Declarações de Compensação apresentadas para compensar os questionados débitos de CSLL dos períodos Ago/02 e Out/02 constituíram, uma vez não homologadas, em meio hábil para a exigência do tributo, não havendo motivo, portanto, para que a autoridade administrativa tivesse deixado de computálos na apuração do Saldo Negativo em questão, impondo ao interessado, ao não fazêlo, um verdadeiro bis in idem. Em conclusão, informa a autoridade administrativa que os débitos em comento encontramse parcialmente extintos e/ou em cobrança extrajudicial, e que a DEINF/SPO deveria, desde a prolação do atacado Despacho Decisórío, ter reconhecido tais valores na formação do Saldo Negativo da CSLL do anocalendário 2002. Intimada, a interessada concorda com a diligência e reitera seu pedido para que seja integralmente homologada a sua compensação declarada com o crédito de saldo negativo de 2002. É o relatório. Voto Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Fl. 676DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 06/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16327.001060/200358 Resolução nº 1102000.157 S1C1T2 Fl. 7 6 Por considerar que a autoridade administrativa, desde a prolação do Despacho Decisório de fls. 464/471, já reconhecera, ainda que sob condição resolutória, a parcela do direito creditório relativo às estimativas compensadas com o Saldo Negativo de IRPJ do ano calendário 1997, que são objeto de discussão no PAF n° 16327.003912/200261, esta Turma, na sessão de 1o de setembro de 2010, converteu o julgamento em diligência tão somente para que fosse aguardada a prolação de decisão administrativa irreformável apenas no âmbito do PAF n° 16327.002941/200124, em que se discute a parcela do direito creditório relativo às estimativas compensadas com o Saldo Negativo da CSLL do anocalendário 1995, tendo em vista que, neste último caso, a autoridade administrativa, quando da prolação do Despacho Decisório de fls. 464/471, não reconhecera como extintas as parcelas de Ago/02 (R$.228.511,19) e de Out/02 (R$.1.475.992,89). Contudo, melhor analisando a questão, após os debates ocorridos em plenário, na sessão do mês de maio passado, verifico que também há necessidade de um pronunciamento conclusivo acerca da parcela do direito creditório relativo às estimativas compensadas com o Saldo Negativo de IRPJ do anocalendário 1997, e que são objeto de discussão no PAF n° 16327.003912/200261, mormente porque o reconhecimento da compensação pela autoridade administrativa deuse, conforme ela mesmo salientou, sob condição resolutória. Portanto, não há como deixar de reconhecer que a resolução da questão, no âmbito do referido PAF, constitui questão prejudicial à análise do presente. Ademais, o raciocínio expendido pela autoridade administrativa no despacho de efls. 653655, em atendimento à diligência solicitada por este colegiado com relação ao PAF n° 16327.002941/200124 sequer pode ser aplicado ao PAF n° 16327.003912/200261, mesmo porque o reputo incorreto. Explico. Entendeu a referida autoridade que às Declarações de Compensação vinculadas ao PAF n° 16327.002941/200124 aplicarseia o disposto no § 6° do art. 74 da Lei n° 9.430/96, dispositivo este que possui a seguinte redação: “§ 6° A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados.” Por conta deste fato é que sustentou a autoridade diligenciante, no referido despacho, que a DEINF/SPO deveria ter computado “desde a prolação do atacado Despacho Decisório” as estimativas compensadas como integrantes do Saldo Negativo da CSLL do ano calendário 2002. Afirmou ainda que a COSIT Coordenação Geral de Tributação, da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, já se manifestou acerca da aplicação do sobredito dispositivo, “pacificando o entendimento de que, para ‘Declarações de Compensações’ de débitos estimados de IRPJ/CSLL, deve a autoridade administrativa preparadora, quando de sua não homologação, exigir a obrigação tributária principal com base nas referidas declarações, não cabendo, por conseguinte, a glosa na apuração do correspondente Saldo Negativo”. Ocorre que o referido dispositivo somente veio à lume por ocasião da edição da Lei no 10.833/03, e que a mesma COSIT também já manifestou expressamente o entendimento Fl. 677DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 06/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16327.001060/200358 Resolução nº 1102000.157 S1C1T2 Fl. 8 7 de que somente as declarações de compensação entregues à RFB a partir de 31/10/2003, data da publicação da MP no 135, de 2003, constituem confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados, entendimento este que reputo correto. O entendimento da COSIT a que se refere a diligenciante, portanto, somente se aplica no caso de DCOMP apresentada a partir de 31/10/2003. E, no caso, as declarações de compensação apresentadas (16327.000386/2003 68 e 16327.004170/200291, vinculadas ao PAF n° 16327.002941/200124) são anteriores a 31/10/2003, ou seja, não constituem confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente à exigência dos débitos indevidamente compensados. Portanto, a DEINF/SPO não poderia têlos computado como integrantes do Saldo Negativo da CSLL do anocalendário 2002, como sustentou a autoridade diligenciante. Nesses casos de declarações de compensação, bem como de pedidos de compensação convertidos em declaração de compensação, apresentados antes de 31/10/2003, em se tratando de compensação indevida de tributo ou contribuição não lançado de ofício nem confessado, a priori, deve a autoridade fiscal promover o lançamento de ofício do crédito tributário. Contudo, em se tratando de crédito tributário relativo a estimativas de IRPJ ou de CSLL, cediço que estas não são passíveis de exigência após o encerramento do ano calendário, nem mesmo quando informadas em DCTF. Em caso de falta de pagamento das estimativas, a autoridade fiscal deve tão somente exigir a multa isolada pelo não pagamento das estimativas, além do eventual imposto devido no ajuste. O próprio CARF tem vários julgados neste sentido. Neste sentido, também, é o entendimento da COSIT, conforme excerto da ementa da Solução de Consulta Interna nº 18, de 13 de outubro de 2006, que abaixo transcrevo: “Os débitos de estimativas declaradas em DCTF devem ser utilizados para fins de cálculo e cobrança da multa isolada pela falta de pagamento e não devem ser encaminhados para inscrição em Dívida Ativa da União;” (destaquei) Em síntese e conclusão, se a compensação indevida for de estimativa de IRPJ ou de CSLL informada em DCTF, e a DCOMP em questão não constituir instrumento de confissão de dívida, por ser anterior a 31/10/2003, não há como aceitar dita compensação da estimativa para fins de composição de saldo negativo antes do trânsito em julgado do processo administrativo em que se discute dita compensação. Portanto, concluo que a informação prestada pela autoridade diligenciante não está de acordo com o que dela foi solicitado, e não é suficiente para que se conclua pela aceitação da compensação das estimativas dos períodos de Ago/02 (R$.228.511,19) e Out/02 (R$.1.475.992,89) como integrantes do saldo negativo do ano calendário de 2002. Da mesma forma, as estimativas dos períodos de Set/02 (R$.2.395.228,69), Out/02 (R$.1.373,96) e Nov/02 (R$.2.259,58), e que estão vinculadas ao PAF n° 16327.003912/200261, também foram objeto de declarações de compensação apresentadas antes de 31/10/2003, logo, também não poderão ser objeto de cobrança nem de inscrição em dívida ativa. Resta, portanto, apenas a alternativa de aguardar o desfecho definitivo desta questão mediante o trânsito em julgado do referido processo administrativo. Fl. 678DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 06/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME Processo nº 16327.001060/200358 Resolução nº 1102000.157 S1C1T2 Fl. 9 8 Pelo exposto, oriento meu voto pela conversão do julgamento em diligência, para que autoridade administrativa informe, após a prolação de decisão administrativa irreformável nos processos n° 16327.002941/200124 e 16327.003912/200261, se destas decisões decorreu ou não a homologação, e em que medida, das parcelas de estimativa de CSLL de Ago/02 (R$.228.511,19), Out/02 (R$.1.475.992,89), Set/02 (R$.2.395.228,69), Out/02 (R$.1.373,96) e Nov/02 (R$.2.259,58). Acaso tenha a recorrente efetivamente pago, após julgamento porventura a ela desfavorável, alguma parcela de alguma dessas estimativas acima referidas, solicitase informar tal circunstância, para fins de análise por este colegiado das conseqüências deste pagamento, uma vez que a mera informação de que o referido débito estaria sendo objeto de cobrança não é suficiente para a sua aceitação, no entender deste relator, mormente porque tal cobrança revelarseia indevida. É como voto. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Relator Fl. 679DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 17/ 06/2013 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME
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Numero do processo: 13609.000496/2010-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
MULTA QUALIFICADA
Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado nº 14 da Súmula, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do intuito de fraude
Numero da decisão: 2202-002.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente ).
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Maria Lucia Moniz De Aragao Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior, ausente justificadamente, o conselheiro Fabio Brun Goldschmid.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos do enunciado nº 14 da Súmula, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do intuito de fraude Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto do relator. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente ). (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior– Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 04 96 /2 01 0- 02 Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/08/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 2 Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Maria Lucia Moniz De Aragao Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior, ausente justificadamente, o conselheiro Fabio Brun Goldschmid. Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/08/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13609.000496/201002 Acórdão n.º 2202002.333 S2C2T2 Fl. 1.572 3 Relatório Em decorrência da ação fiscal levada a efeito contra o contribuinte identificado, foi lavrado auto de infração (fls. 1.489/1.495), relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, do exercício 2007, anocalendário de 2006, formalizando lançamento de oficio do crédito tributário no valor total de R$ 390.323,37. O relatório fiscal com a descrição dos fatos e enquadramento legal encontra se As folhas 1.486/1.488. 0 lançamento originouse na constatação de omissão de rendimentos provenientes de atividade rural. As empresas Siderúrgica Noroeste Ltda, Insivi Industria Siderúrgica Viana Ltda, V & M do Brasil S/A, Comercial de Alimentos Friso Ltda e Comercial de Alimentos Colorado Ltda foram intimadas a apresentar as notas fiscais de produtor rural referentes As aquisições efetuadas no anocalendário de 2006 do contribuinte Francisco Carlos Santos Vieira. Mediante Termo de intimação no 01, o contribuinte foi intimado a confirmar ou contestar as informações prestadas pelas empresas referente aos recebimentos dos valores demonstrados nas planilhas de folhas (1.362/1.371). A resposta não foi aceita pela fiscalização, conforme relatado à folha 1.487. Os valores apurados foram constituídos com a aplicação da multa qualificada, tendo em vista a tipificação da conduta como sonegação, conforme inciso I e II do art. 1' da Lei 8.137/90. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta impugnação de fls. 1.505 a 1517. A Delegacia da Receita Federal da Julgamento de Belo Horizonte, ao analisar a impugação, deu provimento parcial através do acórdão DRJ/BHE 0228.644, de 17 de setembro de 2012, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 ATIVIDADE RURAL A falta de escrituração das receitas e despesas da atividade rural justifica o arbitramento do resultado à razão de vinte por cento das receitas recebidas. Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/08/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 4 MULTA QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, II, da Lei rit) 9.430/1996, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, dentre as hipóteses tipificadas nos artigos 71, 72 e 73, da Lei n°4.502, de 1964. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Devidamente cientificado dessa decisão o contribuinte apresente tempestivamente recurso voluntário onde questiona a manutenção da multa qualificada de 150%. É o relatório Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/08/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 13609.000496/201002 Acórdão n.º 2202002.333 S2C2T2 Fl. 1.573 5 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. No caso o Recorrente questiona a aplicação da multa qualificada de 150%, no entender do contribuinte não há que se falar em sonegação, tendo em vista todas as operações estarem devidamente documentadas com emissão de documento fiscal, conforme detectado pela própria fiscalização. Não houve nenhuma conduta que configure crime ou as hipóteses previstas nos incisos I e II do art. 71 da Lei 4.502/64. De acordo com todo o conjunto probatório constante do processo, o que houve foi uma simples divergência entre os valores informados na declaração de rendimentos e aqueles constantes das notas fiscais. Desse modo, a situação só pode ser enquadrada no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 uma vez que se trata exclusivamente de declaração inexata. Entendo que assiste razão ao Recorrente, pois ao analisarmos o termo de verificação fiscal elaborado pela autoridade lançadora, não há porque se falar em qualificação da multa em 150%: Em virtude da constatação da omissão de grande parte das vendas de carvão vegetal por ele realizada, tanto em sua DIRPF/07 quanto em seu Livro Caixa, conduta esta tipificada como sonegação tanto no inciso I quanto no inciso II do art. 1 da Lei 8.137/90, clara está a ocorrência no presente caso, da situação prevista no art. 71 da Lei 4.502/64, motivo pelo qual os valores apurados referentes As omissões de receita foram constituídos coma a aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, inciso II da Lei 9.430/96. Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. O evidente intuito de fraude deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos, o que não foi efetuado pela autoridade lançadora. Desta forma, nos termos do enunciado nº 14 da Súmula do CARF, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do intuito de fraude: Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/08/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA 6 Súmula nº 14 do CARF: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito dou provimento para desqualificar a multa de ofício reduzindoa a 75%. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/08/2013 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/08/2013 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10830.002662/2005-18
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/1988 a 31/03/1999
FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos cinco mais cinco (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009).
DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF.
O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe-195 DIVULG 10/10/2011).
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-002.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para afastar a decadência a partir de julho/1995, determinando o retorno dos autos à unidade preparadora para análise das demais questões suscitadas.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu, quanto ao prazo para pedido de restituição de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), que o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a chamada tese dos “cinco mais cinco” (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009). DIREITO TRIBUTÁRIO. LEI INTERPRETATIVA. APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. DESCABIMENTO. VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS. APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL PELO STF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 26 62 /2 00 5- 18 Fl. 384DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 O Supremo Tribunal Federal, ao seu turno, declarou a inconstitucionalidade do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para restituição tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. (RE 566621, Rel. Ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10/10/2011). Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial para afastar a decadência a partir de julho/1995, determinando o retorno dos autos à unidade preparadora para análise das demais questões suscitadas. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Rodrigo Cardozo Miranda Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Antônio Lisboa Cardoso e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, ora Recorrente (fls. 229 a 358), contra o v. acórdão proferido pela Colenda Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 229 a 358) que, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do direito à repetição de indébito, por entender que o direito de pleitear eventual restituição do PASEP, formalizado em 7 de junho de 2005, já tinha sido extinto, pois foi alcançado pela decadência, que se operou com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da publicação da Resolução do Senado Federal nº 49, de 9 de outubro de 1995. Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório do acórdão a quo, cujo teor, no que interessa às questões ora trazidas ao especial, é o seguinte, in verbis: “(...) Por intermédio do Acórdão n° 0521879, de 12/05/2008, às fls. 175/176 (verso), a DRJ de Campinas indeferiu a solicitação por entender que estava extinto o direito à restituição dos recolhimentos efetuados anteriormente a 07/06/2000, tendo em vista a data de protocolo – 07/06/2005. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.002662/200518 Acórdão n.º 9303002.030 CSRFT3 Fl. 376 3 Descontente com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou o recurso voluntário de fls. 179/199, no qual argumenta, em síntese, que: a) De acordo com o novo entendimento do STJ, deve a prescrição/decadência das ações de repetição e compensação tributárias ser contada da seguinte forma: a1) Os recolhimentos efetuados até 09 de junho de 2005, data da vigência da LC 118/2005) aplicase a Teoria dos 5 mais 5; a2) Os recolhimentos efetuados após 09 de junho de 2005, aplicase prazo quinquenal; a3) Na hipótese "a1", aplicação da teoria dos 5 mais 5 fica limitada ao prazo máximo de cinco anos após 09 de junho de 2005, ou seja, a 09 de junho de 2010. Nesta esteira, como a Prefeitura de Campinas protocolizou seu pedido em 07/06/2005, antes do limite estabelecido pelo STJ, aplicase à presente demanda a tese do prazo decenal. Dessa forma, apenas os valores que são anteriores ao decênio que antecede a data do ajuizamento do pedido em 07/06/2005 encontramse atingidos pela decadência, ou seja, períodos anteriores a 1994. Quanto ao mérito, pugna pelo reconhecimento dos valores recolhidos a titulo de PASEP sob a égide cós DecretosLeis n° 2448/88 e 2449/88, que tiveram sua execução suspensa ante a declaração de inconstitucionalidade. Termina sua peça recursal requerendo que seja dado provimento ao recurso voluntário. É o relatório.” O acórdão a quo foi ementado nos seguintes termos: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL REPETIÇÃO DE INDÉBITO – DECADÊNCIA. Somente após a publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em Ação Declaratória de Inconstitucionalidade é que se forma o indébito e, portanto, iniciase o prazo decadencial para sua repetição, "dies a quo". Recurso negado. Irresignada, insurgese a Recorrente contra o acórdão a quo pela via especial. Para viabilizar seu apelo, junta julgados deste Colegiado, bem assim de nossos Tribunais Superiores, satisfazendo, assim, os requisitos para viabilizar se apelo. Aponta, em síntese, que diante do fato de ter formalizado seu pedido de restituição antes de 9 de junho de 2005 (pedido formalizado em 7 de junho de 2005), data em que entrou em vigor a Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005, o prazo Fl. 386DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 decadencial para a repetição de indébito deve contarse através da interpretação conjunta dos artigos 150, §4º e 168, I do Código Tributário Nacional (CTN), de modo que, somados os 5 (cinco) anos para o Fisco homologar o crédito, mais 5 (cinco) anos para o contribuinte pleitear a restituição, o prazo total para a repetição de indébito seria de 10 (dez) anos, conforme pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ). De seu turno, a Fazenda Nacional, ora Recorrida, apresentou contrarazões (fls. 365 a 371), alegando, em síntese, que ao presente caso deve ser aplicado o disposto nos artigos 3° e 4° da Lei Complementar n° 118/2005, e artigos 168, caput e inciso I e 156, I, do CTN, os quais determinam que o prazo decadencial para a repetição de indébito, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação, é de apenas 5 (cinco) anos. Verificase, assim, que a matéria trazida a debate diz respeito apenas ao prazo decadência para a repetição de indébito tributário, se de 5 (cinco) (artigo 168, I do CTN) ou 10 (dez) anos (tese dos 5 mais cinco, soma dos prazos decadenciais dos artigos 150, §4º e 168, I do CTN). O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 360. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. No tocante ao prazo para restituição de indébito, é de se destacar, inicialmente, que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIO CONDUÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º, DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. 1. O princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC 118, de 9 de fevereiro de 2005, aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, posto norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação correspectiva. Fl. 387DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.002662/200518 Acórdão n.º 9303002.030 CSRFT3 Fl. 377 5 2. O advento da LC 118/05 e suas conseqüências sobre a prescrição, do ponto de vista prático, implica dever a mesma ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. Isto porque a Corte Especial declarou a inconstitucionalidade da expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional", constante do artigo 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005 (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. Deveras, a norma inserta no artigo 3º, da lei complementar em tela, indubitavelmente, cria direito novo, não configurando lei meramente interpretativa, cuja retroação é permitida, consoante apregoa doutrina abalizada: "Denominamse leis interpretativas as que têm por objeto determinar, em caso de dúvida, o sentido das leis existentes, sem introduzir disposições novas. {nota: A questão da caracterização da lei interpretativa tem sido objeto de não pequenas divergências, na doutrina. Há a corrente que exige uma declaração expressa do próprio legislador (ou do órgão de que emana a norma interpretativa), afirmando ter a lei (ou a norma jurídica, que não se apresente como lei) caráter interpretativo. Tal é o entendimento da AFFOLTER (Das intertemporale Recht, vol. 22, System des deutschen bürgerlichen Uebergangsrechts, 1903, pág. 185), julgando necessária uma Auslegungsklausel, ao qual GABBA, que cita, nesse sentido, decisão de tribunal de Parma, (...) Compreensão também de VESCOVI (Intorno alla misura dello stipendio dovuto alle maestre insegnanti nelle scuole elementari maschili, in Giurisprudenza italiana, 1904, I, I, cols. 1191, 1204) e a que adere DUGUIT, para quem nunca se deve presumir ter a lei caráter interpretativo "os tribunais não podem reconhecer esse caráter a uma disposição legal, senão nos casos em que o legislador lho atribua expressamente" (Traité de droit constitutionnel, 3a ed., vol. 2o, 1928, pág. 280). Com o mesmo ponto de vista, o jurista pátrio PAULO DE LACERDA concede, entretanto, que seria exagero exigir que a declaração seja inseri da no corpo da própria lei não vendo motivo para desprezála se lançada no preâmbulo, ou feita noutra lei. Encarada a questão, do ponto de vista da lei interpretativa por determinação legal, outra indagação, que se apresenta, é saber se, manifestada a explícita declaração do legislador, dando caráter interpretativo, à lei, esta se deve reputar, por isso, interpretativa, sem possibilidade de análise, por ver se reúne requisitos intrínsecos, autorizando uma tal consideração. (...) ... SAVIGNY coloca a questão nos seus precisos termos, ensinando: "tratase unicamente de saber se o legislador fez, ou Fl. 388DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 quis fazer uma lei interpretativa, e, não, se na opinião do juiz essa interpretação está conforme com a verdade" (System des heutigen romischen Rechts, vol. 8o, 1849, pág. 513). Mas, não é possível dar coerência a coisas, que são de si incoerentes, não se consegue conciliar o que é inconciliável. E, desde que a chamada interpretação autêntica é realmente incompatível com o conceito, com os requisitos da verdadeira interpretação (v., supra, a nota 55 ao n° 67), não admira que se procurem torcer as conseqüências inevitáveis, fatais de tese forçada, evitandose lhes os perigos. Compreendese, pois, que muitos autores não aceitem o rigor dos efeitos da imprópria interpretação. Há quem, como GABBA (Teoria delta retroattività delle leggi, 3a ed., vol. 1o, 1891, pág. 29), que invoca MAILHER DE CHASSAT (Traité de la rétroactivité des lois, vol. 1o, 1845, págs. 131 e 154), sendo seguido por LANDUCCI (Trattato storicoteorico pratico di diritto civile francese ed italiano, versione ampliata del Corso di diritto civile francese, secondo il metodo dello Zachariæ, di Aubry e Rau, vol. 1o e único, 1900, pág. 675) e DEGNI (L'interpretazione della legge, 2a ed., 1909, pág. 101), entenda que é de distinguir quando uma lei é declarada interpretativa, mas encerra, ao lado de artigos que apenas esclarecem, outros introduzido novidade, ou modificando dispositivos da lei interpretada. PAULO DE LACERDA (loc. cit.) reconhece ao juiz competência para verificar se a lei é, na verdade, interpretativa, mas somente quando ela própria afirme que o é. LANDUCCI (nota 7 à pág. 674 do vol. cit.) é de prudência manifesta: "Se o legislador declarou interpretativa uma lei, devese, certo, negar tal caráter somente em casos extremos, quando seja absurdo ligála com a lei interpretada, quando nem mesmo se possa considerar a mais errada interpretação imaginável. A lei interpretativa, pois, permanece tal, ainda que errônea, mas, se de modo insuperável, que suplante a mais aguda conciliação, contrastar com a lei interpretada, desmente a própria declaração legislativa." Ademais, a doutrina do tema é pacífica no sentido de que: "Pouco importa que o legislador, para cobrir o atentado ao direito, que comete, dê à sua lei o caráter interpretativo. É um ato de hipocrisia, que não pode cobrir uma violação flagrante do direito" (Traité de droit constitutionnel, 3ª ed., vol. 2º, 1928, págs. 274275)." (Eduardo Espínola e Eduardo Espínola Filho, in A Lei de Introdução ao Código Civil Brasileiro, Vol. I, 3a ed., págs. 294 a 296). 5. Consectariamente, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005), o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, continua observando a cognominada tese dos cinco mais cinco, desde que, na data da vigência da novel lei complementar, sobejem, no máximo, cinco anos da contagem do lapso temporal (regra que se coaduna com o disposto no artigo 2.028, do Código Civil de 2002, segundo o qual: "Serão os da lei anterior os prazos, quando reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor, já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada."). 6. Desta sorte, ocorrido o pagamento antecipado do tributo após a vigência da aludida norma jurídica, o dies a quo do prazo Fl. 389DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.002662/200518 Acórdão n.º 9303002.030 CSRFT3 Fl. 378 7 prescricional para a repetição/compensação é a data do recolhimento indevido. 7. In casu, insurgese o recorrente contra a prescrição qüinqüenal determinada pelo Tribunal a quo, pleiteando a reforma da decisão para que seja determinada a prescrição decenal, sendo certo que não houve menção, nas instância ordinárias, acerca da data em que se efetivaram os recolhimentos indevidos, mercê de a propositura da ação ter ocorrido em 27.11.2002, razão pela qual forçoso concluir que os recolhimentos indevidos ocorreram antes do advento da LC 118/2005, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 8. Impende salientar que, conquanto as instâncias ordinárias não tenham mencionado expressamente as datas em que ocorreram os pagamentos indevidos, é certo que os mesmos foram efetuados sob a égide da LC 70/91, uma vez que a Lei 9.430/96, vigente a partir de 31/03/1997, revogou a isenção concedida pelo art. 6º, II, da referida lei complementar às sociedades civis de prestação de serviços, tornando legítimo o pagamento da COFINS. 9. Recurso especial provido, nos termos da fundamentação expendida. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1002932/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça a chamada tese dos “cinco mais cinco”. Importante destacar, por outro lado, quanto a eventual alegação de aplicação retroativa da Lei Complementar nº 118/2005, que o Excelso Supremo Tribunal Federal entendeu recentemente que referida norma é aplicável apenas a partir de 09 de junho de 2005, conforme decidido em sede recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida. Referido julgado tem a seguinte ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos Fl. 390DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.(RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273) (grifos e destaques nossos) O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62 A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 391DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10830.002662/200518 Acórdão n.º 9303002.030 CSRFT3 Fl. 379 9 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que referidas decisões proferidas respectivamente pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça e pelo Excelso Supremo Tribunal Federal deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Conforme relatado acima, a presente hipótese trata de pedido de restituição, formulado em 07/06/2005 (fls. 1), de parcelas pagas a título de contribuição para o PASEP de julho de 1988 a março de 1996 (fls. 1 a 6). Aplicandose a tese dos “cinco mais cinco”, depreendese que o termo final para a formulação do pedido de restituição seria em 1998 e 2006, respectivamente. Como o pedido de restituição ora em apreço foi apresentado em 07/06/2005, considerando a tese dos “cinco mais cinco”, ele afigurase intempestivo quanto às parcelas recolhidas anteriormente a 07/06/1995. Por conseguinte, em face de todo o exposto e com arrimo no artigo 62A do RICARF, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso especial interposto pela Recorrente para considerar tempestivo o pedido de restituição apenas quanto aos recolhimentos realizados a partir de 07/06/1995, inclusive, devendo o pedido de restituição e eventual compensação, por consequência, ser analisados pela competente autoridade da Receita Federal. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 392DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/01/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 21/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002358/2002-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/02/1998 a 31/12/2001
PIS. MATÉRIA SUBMETIDA AO JUDICIÁRIO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
RECURSO. DESISTÊNCIA E RENÚNCIA.
Extingue-se o contraditório com a desistência expressa do recurso interposto.
Recurso Voluntário do Qual não se Conhece
Numero da decisão: 3302-001.564
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/1998 a 31/12/2001 PIS. MATÉRIA SUBMETIDA AO JUDICIÁRIO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. RECURSO. DESISTÊNCIA E RENÚNCIA. Extinguese o contraditório com a desistência expressa do recurso interposto. Recurso Voluntário do Qual não se Conhece Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 18471.002358/200266 Acórdão n.º 330201.564 S3C3T2 Fl. 1.549 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, José Evande Carvalho Araújo, Helio Eduardo de Paiva Araújo e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de retorno de diligência aprovada pela Resolução n. 330200.008, de 14 de agosto de 2009, cujo relatório foi o seguinte: Tratase de recurso voluntário (fls. 322 a 347) apresentado em 18 de fevereiro de 2005 contra o Acórdão n° 7.145, de 28 de dezembro de 2004, da DRJ Rio de Janeiro II / RJ (fls. 303 a 310), do qual tomou ciência a Interessada em 19 de janeiro de 2005 e que, relativamente a auto de infração de PIS dos períodos de fevereiro, maio, julho, setembro, novembro de 1998, fevereiro de 1999 a abril de 2001, junho a dezembro de 2001, considerou procedente o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep “Período de apuração: 01/02/1998 a 28/02/1998, 01/05/1998 a 31/05/1998, 01/07/1998 a 31/07/1998, 01/09/1998 a 30/09/1998, 01/11/1998 a 30/11/1998, 01/02/1999 a 31/12/2001 “Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCIDÊNCIA. “A partir de 01/02/1999, os créditos presumidos do ICMS integram a base de cálculo da contribuição para o PIS. “JUROS DE MORA. TAXA SELIC. “Procede acobrança de encargos de juros com base na Taxa SELIC, porque se encontra amparada em lei, cuja constitucionalidade não pode ser aferida na esfera administrativa. “Lançamento Procedente” O auto de infração foi lavrado em 22 de outubro de 2002 e, segundo o termo de fl. 231 e os demonstrativos de fls. 133 a 136, foram apuradas diferenças devidas da contribuição entre os valores declarados e os apurados a partir da escrituração da empresa. Na impugnação, a Interessada alegou que o auto de infração seria nulo, em face de haver sido "lavrado na vigência de medida suspensiva da exigibilidade do crédito tributário". Segundo a Interessada, foilhe deferida medida liminar autorizando efetuar o "depósito judicial do montante excedente trazido pela referida Lei n. 9.718/98" (processo n. 2000.51.01.0143528), passando a efetuar o recolhimento de 2% sobre o faturamento mensal. A seguir, alegou ser impossível a Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 18471.002358/200266 Acórdão n.º 330201.564 S3C3T2 Fl. 1.550 3 aplicação de multa de ofício e de juros de mora sobre os montantes depositados mensalmente. Acrescentou que as diferenças exigidas pela Fiscalização para o ano de 1998 corresponderiam a valores transferidos à chamada "Divisão Itaipu" , seguimento autoral da recorrente, e que os valores exigidos pela Fiscalização para os período de apuração compreendido entre fevereiro de 1999 e dezembro de 2001 decorrem de créditos presumidos de ICMS tomados pela impugnante, específicos da indústria fonográfica, os quais não estão abarcados pelo conceito de receita determinado pela Lei n° 9.718, de 1998. Ademais, alegou ser ilegal a exigência de juros de mora com base na taxa Selic. Conforme ementa já reproduzida, a DRJ julgou procedente o lançamento de ofício, considerando que este foi lavrado nos termos da lei. O voto que aprovou a diligência teve o seguinte teor: Em suma, considerouse que as receitas do seguimento autoral corresponderiam a efetiva receita e não somente a transferências contábeis, que a apresentação de ação judicial importaria renúncia às instâncias administrativas e que a Selic seria aplicável. Ademais, as receitas de atividades de seguimento autoral representam faturamento e compõem a base de cálculo da contribuição no conceito existente anteriormente à Lei n. 9.718, de 1998. Os créditos de ICMS, entretanto, somente seriam tributáveis pelo novo conceito, questão que foi objeto da ação judicial apresentada pela Interessada. A taxa Selic, ademais, é devida, nos termos das Súmulas n. 4 do antigo 1º Conselho de Contribuintes e n. 3 do 2 o Conselho de Contribuintes. Cumpre esclarecer que a ação judicial impetrada pela Interessada transitou em julgado em 26 de outubro de 2006 (http://www.trf2.gov.br/cgibin/ingres?proc=200102010103843& mov=l), no processo n. 2001.02.01.0103843. O teor da decisão foi o seguinte: (http://www.trf2.gov.br/ iteor/ RJ0108310/ l/ 22/ 153006.rtf): “RELATÓRIO “Tratase de apelação em mandado de segurança impetrado com o fito de que a Impetrante não seja compelida a praticar as alterações introduzidas pela Lei n" 9718/98, de forma que se utilize a base de cálculo e a alíquota prevista na Lei n" 70/91. As fls. 69, foi deferido parcialmente o pedido de liminar desde que se procedesse ao depósito excedente a 2% sobre o faturamento, entendido este como se estabelece na LCn" 70/91. Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 18471.002358/200266 Acórdão n.º 330201.564 S3C3T2 Fl. 1.551 4 O Ministério Público opinou pela denegação da segurança (fls. 93/97). A sentença denegou a segurança (fls. 116/132). A Impetrante apelou (fls. 138/165) alegando a impossibilidade de modificação de lei complementar por lei ordinária. Disserta sobre o conceito de faturamento e receita bruta, trazendo diversa jurisprudência sobre o assunto. As fls. 172/182, as contrarazões da União Federal/Fazenda Nacional. O Ministério Público oficiando neste Tribunal manifestouse às fls. 194/197. E o relatório. VOTO Cuidase de mandado de segurança impetrado com o fito de que se afaste a Lei n" 9718/98. A matéria relativa às alterações promovidas pela mencionada lei, no que se refere à ampliação da base de cálculo da COFINS e do PIS art. 3", § Io , foi apreciada pelo Supremo Tribunal Federal (RE 346084), havendose declarado a inconstitucionalidade do § Iodo art. 3o da Lei n" 9718/98. Cumpre referir que a inconstitucionalidade foi declarada em relação à Lei n" 9718/98 apenas, permanecendo vigentes a regras determinadas pela Lei n" 10637/02 (relativa ao PIS) e a Lei n" 10833/03 (relativa à COFINS). Quanto ao aumento da alíquota dessa exação, o fato de que a alteração da alíquota se tenha feito por lei ordinária não fere o princípio da hierarquia das leis, tendo em vista que, de acordo com o entendimento firmado pelo E. STF na ADC l/DF, a Lei Complementar 70/91 tem caráter substancial de lei ordinária. Restou assente que, não obstante instituída por lei complementar, a COFINS poderia ser validamente prevista em lei ordinária, uma vez que o seu fundamento constitucional está no art. 195,1, da CF/88, que não exige essa modalidade legislativa para a criação de contribuições sociais destinadas ao financiamento da seguridade social, não se enquadrando na previsão do art. 154,1, da CF/88. Nesse sentido, refiro os seguintes acórdãos proferidos pelo E. TRF2" Região: [...] No mesmo sentido, vejamse os seguintes acórdãos do E. TRF 1”Região: [...] Portanto, a Interessada obteve decisão judicial transitada em julgado, considerando devida a Cofins pela alíquota de 3% Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 18471.002358/200266 Acórdão n.º 330201.564 S3C3T2 Fl. 1.552 5 sobre o faturamento como definido na legislação anterior à Lei n. 9.430, de 1996. Em vários julgamentos, a antiga 1º Câmara do 2o Conselho de Contribuintes firmou o entendimento de que, no caso de trânsito em julgado de decisão judicial, o próprio colegiado poderia aplicar a decisão, adequando o auto de infração ao decidido pelo Judiciário. No presente caso, a Interessada alegou que o resultado da arrecadação fonomecânica não representaria receitas, razão pela qual se sabe que não foram objeto de recolhimento nem de depósitos judiciais. Nessa matéria, os valores lançados são devidos com multa e juros de mora, uma vez que não foram recolhidos e declarados, nos termos da fundamentação do acórdão de primeira instância. Relativamente a tais receitas de créditos do ICMS, a ação judicial transitou favoravelmente à Interessada. Em relação à diferença de alíquota (2% para 3%), entretanto, não se sabe se a Interessada efetuou os depósitos judiciais corretamente, questão importante para determinar se a multa de ofício e os juros de mora seriam cabíveis. À vista do exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência, para que a Fiscalização verifique, relativamente à diferença de alíquotas, se a Interessada efetuou corretamente os depósitos judiciais, podendo intimar a Interessada a demonstrar a formação dos valores depositados judicialmente. Ademais, deverá elaborar demonstrativo dos valores lançados e dos valores depositados, dando ciência à Interessada de relatório de diligência, que terá o prazo de trinta dias para apresentar resposta. A informação fiscal de fls. 493 a 495 deu conta de que O contribuinte jamais logrou apresentar o demonstrativo solicitado, os depósitos judiciais e, principalmente os livros contábeis, justificando a dificuldade pelo tempo decorrido desde os períodos de apuração solicitados, as diversas trocas de contadores, e que, provavelmente, esses elementos estariam em um arquivo fora do Rio de Janeiro, etc, etc... [...] Posteriormente, retificamos as solicitações informando que as solicitações mencionadas anteriormente como sendo de PIS, na realidade se referiam ás contribuições para COFINS, dando ciência ao contribuinte para sua manifestação. A interessada também com relação à COFINS não logrou apresentar qualquer elemento, sequer localizou e apresentou os livros contábeis com os registros das receitas contabilizadas, Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 18471.002358/200266 Acórdão n.º 330201.564 S3C3T2 Fl. 1.553 6 para que se pudesse verificar as bases de cálculo e a alíquota aplicada, que resultaram nos depósitos judicias efetuados. Muito menos demonstrou que os depósitos judiciais, convertidos em renda da União, resultaram da aplicação da alíquota de 3% sobre as bases de cálculo, como seria de seu interesse comprovar, o que, a nosso ver, evidencia que os depósitos judiciais foram calculados à alíquota de 2%. Depois a interessada, através de seus advogados, informou que desistiu da demanda fiscal, porém, a procuração conferiu poderes aos mesmos apenas para os atos comuns de natureza processual, não poderes irrestritos, notadamente os que envolvem o caso de desistência da demanda fiscal. Diante disso, o pedido de desistência foi reiterado informando que, com base no disposto na Lei 11.941 de 2009, além do PIS, solicitou o parcelamento objeto da diferença para a COFINS (de 2% para 3%), mas dessa vez, subscritos pelo diretor administrativo e pela diretora presidente da sociedade, conforme resoluções dos sócios da Emi Music Brasil Ltda, cópias anexas. Declarou, reiterando também, que desistiu da demanda fiscal, em caráter irrevogável e irretratável, renunciando a qualquer alegação de direito em que ainda poderia se fundar sua defesa. Dessa forma, considerando que a confissão de que solicitou o parcelamento objeto da diferença para a COFINS de 2% para 3%, importa em reconhecimento da alíquota de 2%, fundamenta a determinação da multa de ofício e juros de mora cabíveis. Considerando também que a desistência irrevogável e irretratável implica em renúncia processual, falta de interesse e o abandono do seu andamento, entendemos desnecessário dar ciência ao contribuinte deste relatório de diligência. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Conforme esclarecido no relatório, relativamente às receitas de créditos do ICMS, a ação judicial transitou favoravelmente à Interessada. Nessa matéria, deverá ser aplicado o disposto no Ato Declaratório Cosit n. 3, de 1996. Embora tenha sido esclarecido na resolução que a Turma poderia conhecer do recurso e julgar a matéria, tal situação sempre ocorre quando haja outras matérias a serem Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 18471.002358/200266 Acórdão n.º 330201.564 S3C3T2 Fl. 1.554 7 apreciadas. No caso dos autos, como a Interessada desistiu do restante da matéria, não existe razão para conhecer do recurso. Isso porque, em relação à primeira questão, aplicase a renúncia às instâncias administrativas, conforme Súmula Carf n. 1 e, quanto à segunda, havendo desistência do recurso, aplicase o disposto no art. 51 da Lei n. 9.784, de 1998: “Súmula CARF n. 1 “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” “Art. 51. O interessado poderá, mediante manifestação escrita, desistir total ou parcialmente do pedido formulado ou, ainda, renunciar a direitos disponíveis.” À vista do exposto, voto por não tomar conhecimento do recurso. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 1554DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 12448.722820/2011-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2011
REGULARIZAÇÃO APÓS O PRAZO. INCLUSÃO NÃO ADMITIDA.
A legislação de regência determina que a regularização das pendências, quando realizada após a expiração do prazo impede a opção pelo Simples Nacional no mesmo anocalendário.
Numero da decisão: 1302-001.142
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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INCLUSÃO NÃO ADMITIDA. A legislação de regência determina que a regularização das pendências, quando realizada após a expiração do prazo impede a opção pelo Simples Nacional no mesmo anocalendário. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Marcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade Relatório O presente processo trata de manifestação de inconformidade contra o indeferimento da opção pelo Simples Nacional. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 2 Pelo Termo de Indeferimento se constata que a empresa fez a solicitação da opção em 03/01/2011 e as situações impeditivas seriam débitos cujas exigibilidades não estariam suspensas, quais sejam: 1 – Débitos com a SRFB de natureza previdenciária – Competências 13/2007 e 06/2010 nos valores de R$ 937,64 e R$ 2.123,47; 2 Débitos com a SRFB de natureza não previdenciária (cód. Receita 2089) – Competências 01/2009 e 02/2010 nos valores de R$ 779,38 e R$ 788,78; e, 3 – Débito Inscrito em Dívida Ativa PGFN (cód. Receita 4493/COFINS) – Inscrito em 11/06/2010 sob o nº70.6.10.00514764. Proc. nº 12448.506436/201018. Irresignada a Contribuinte, em impugnação, sustenta estar com parcelamentos em dia e seus impostos pagos. Acosta guias com código de receita 2089 dos valores de R$ 779,38 e R$ 788,78, recolhidas em 30/12/2010, GPS de competência de 06/2010 no valor de R$ 3.576,65 e de 07/2010 de R$ 1.100,00 referente ao processo de nº 15463001990/201011. Posteriormente adita à defesa com as mesmas guias juntadas anteriormente e alegando que os débitos previdenciários foram parcelados e quitados no prazo e o débito inscrito também está devidamente parcelado. A 13ª Turma da DRJ/RJ, pelo acórdão 1242.641, por unanimidade de votos negou provimento a impugnação indeferindo o pedido de opção pelo SIMPLES Nacional conforme a ementa a seguir: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. REGULARIZAÇÃO APÓS O PRAZO. INCLUSÃO NÃO ADMITIDA. A regularização das pendências, quando realizada após a expiração do prazo fatal de que trata a legislação de regência, impede a opção pelo Simples Nacional no mesmo anocalendário. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Ciente da decisão da DRJ em 20/12/2011, apresentou recurso voluntário tempestivo, em 21/12/2011, alegando simplesmente que todas as pendências do código 4493 foram resolvidas dentro do prazo e que vem recolhendo os impostos pelo simples nacional desde janeiro de 2011. Anexa cópia da consulta dos débitos com inscrição. É o relatório. Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE Processo nº 12448.722820/201147 Acórdão n.º 1302001.142 S1C3T2 Fl. 63 3 Preenchidos os requisitos formais de admissibilidade, conheço do recurso voluntário. Inicialmente, destaco que o prazo dos Contribuintes para realizar a opção pelo Simples Nacional, está previsto no parágrafo 2º do art. 16 da Lei Complementar 123/2006, que regulamentado pelo Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, dispôs no art. 7º da Resolução CGSN nº 04/2007, o seguinte: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009)(grifei) De acordo com o Termo de Indeferimento, as pendências que impediram a recorrente de efetuar a opção pelo Simples Nacional, consistiam em débitos, com a SRFB de natureza previdenciária e não previdenciária e de débito Inscrito em Dívida Ativa, cuja exigibilidade não estariam suspensas, quando da opção pelo Simples. Sobre o tema, o inciso V do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 2006, estabelece: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: ... V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Analisando os documentos trazidos aos autos fica evidente que a Recorrente não regularizou as pendências que a impediam de optar pelo Simples Nacional dentro do prazo fatal de 30/01/2011. Os débitos de IRPJ (cód. 2089) e contribuições previdenciárias e não previdenciárias foram adimplidos em tempo, porém a concessão de parcelamento da inscrição nº 7061000514764 de fls. 17, é datado de 28/02/2011, sendo que a guia de recolhimento anexada às fls. 16 é de 15/02/2011, o que denota que a regularização desta pendência é extemporânea. Como a legislação de regência determina que todas as pendências devem estar regularizadas até o último dia de janeiro, prazo para opção, deveria a interessada ter Fl. 52DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE 4 provado que até esta data não restariam pendências, sob pena de ter seu ingresso no sistema indeferido no respectivo anocalendário. Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário da Contribuinte, para indeferir o seu pedido de inclusão na sistemática do Simples Nacional no anocalendário 2011. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 53DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/07/2013 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por EDUAR DO DE ANDRADE
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Numero do processo: 13864.000358/2009-61
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 30/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. VALE-TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SÚMULA CARF Nº 89.
A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-002.556
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Fábio Pallaretti Calcini.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 30/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. VALE-TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SÚMULA CARF Nº 89. A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale-transporte, mesmo que em pecúnia. Recurso Voluntário Provido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1534; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13864.000358/200961 Recurso nº 13.864.000358200961 Voluntário Acórdão nº 2803002.556 – 3ª Turma Especial Sessão de 18 de julho de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente ENGESEG EMP. VIGIL. COMPUTADORIZADA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 30/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SÚMULA CARF Nº 89. A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 03 58 /2 00 9- 61 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 1/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13864.000358/200961 Acórdão n.º 2803002.556 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Fábio Pallaretti Calcini. Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente a contribuições previdenciárias não descontadas, decorrentes do levantamento VT “Vale Transporte em Dinheiro”, parte dos Terceiros (FNDE, SES, SENAC, INCRA e SEBRAE), nas competências de 01/2005 a 12/2005. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 18 de julho de 2011 e ementada nos seguintes termos: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 30/12/2005 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial durante a ação fiscal e antes do lançamento implica renúncia à via administrativa, no tocante à matéria em que os pedidos administrativo e judicial são idênticos, devendo o julgamento aterse à matéria diferenciada. DECISÃO JUDICIAL – A decisão judicial somente interfere no processo administrativo quando a sentença de primeiro grau for confirmada pelo tribunal em obediência ao segundo grau de jurisdição. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA – Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL. HABILITAÇÃO PROFISSIONAL EM CONTABILIDADE. EXIGÊNCIA INCABÍVEL. A competência do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil está prevista em lei e, para o seu exercício, não se exige a habilitação profissional do contador. CERCEAMENTO DE DEFESA – Não configurado o cerceamento de defesa, na medida em que o lançamento contém todos os requisitos necessários à liquidez e certeza do crédito, especialmente, quando oriundos de fatos geradores obtidos das folhas de pagamento e escrituração da própria impugnante. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 83DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 1/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13864.000358/200961 Acórdão n.º 2803002.556 S2TE03 Fl. 4 3 Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: O lançamento diz respeito a valores despendidos em pecúnia para custeio do valetransporte, inobstante a empresa promova o desconto dos empregados do percentual previsto em lei, denotando o nítido caráter indenizatório da verba. Ante a potencialidade da lavratura do presente expediente, a recorrente impetrou mando de segurança preventivo, processo nº 2009.61.03.0062504, distribuído a 1ª Vara Federal de São José dos Campos – SP, obtendo provimento liminar que corrobora a suspensão da exigibilidade da contribuição perquirida pela autoridade lançadora, ensejando, pois, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, na forma do inciso IV, do artigo 151 do CTN. Que seja acolhida a preliminar suscitada, ante a inexistência, no auto de Infração, de elementos mínimos necessários a exata mensuração da base de cálculo utilizada pelo Auditor Fiscal da Receita Federal, culminando, ipso facto, na nulidade do presente expediente ante a malsinada ofensa ao pleno exercício do contraditório e ampla defesa, na forma contemplada no inciso II, do artigo 59, do Decreto nº 70.235/72. Ainda em análise preliminar, propugna esta delegacia se pronuncie acerca da incompetência material do Auditor Fiscal para proceder a análise da escrita fiscal da recorrente, propugnando, nesse contexto pela aplicação do inciso I, do artigo 59, do Decreto nº 70.235/72. Caso as preliminares não seja acolhidas, o que se admite por amor a dialética, requer, ab initio seja rechaçado o instituto da preclusão administrativa vez que a matéria objeto do MS nº 2009.61.03.0062504, distribuído a 1ª Vara Federal de São José dos Campos – SP, não está literalmente colacionada no presente expediente, sobretudo face as considerações aduzidas no relatório fiscal, propugnando, dessarte, seja reconhecida a improcedência do lançamento promovido sobre os valores pagos em pecúnia aos funcionários da recorrente, vez que referida verba é de cunho eminentemente indenizatório, mormente face ao desconto do percentual de 6%, conforme se extrai do próprio relatório fiscal. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 1/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13864.000358/200961 Acórdão n.º 2803002.556 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Como se pode observar dos autos, a discussão diz respeito à verba vale transporte paga em pecúnia. A fiscalização entendeu que o procedimento adotado pelo contribuinte descaracteriza o instituto e que o pagamento em dinheiro transforma a verba em saláriode contribuição. Por seu turno, o contribuinte afirma que os valores despendidos em pecúnia para custeio do valetransporte, inobstante a empresa promover o desconto dos empregados do percentual previsto em lei, tem nítido caráter indenizatório. In casu, a solução do litígio passa pela obrigatoriedade de os membros do CARF respeitar as Súmulas aprovadas pelo Conselho (art. 72 do RICARF). Desse modo, considerando o teor da Súmula CARF nº 89, que dispõe que “a contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia”, dou provimento ao recurso aviado pelo contribuinte. Ora, se não há incidência de contribuição social previdenciária sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia, não existe mais motivo para o fisco efetuar lançamentos a esse título. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 1/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
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Numero do processo: 14367.000283/2008-19
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2005
PREVIDENCIÁRIO. APLICAÇÃO DO ART. 17 DO DECRETO N. 70.235/72.
Consideram-se não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas, nos termos do art. 17 do Decreto n. 70.235/72.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
Não constitui cerceamento de defesa, quando a parte não teve nenhum documento impedido de ser juntado após a impugnação.
ALIMENTAÇÃO FORNECIDA EM PECÚNIA SEM A INSCRIÇÃO NO PAT.
Incide a contribuição previdenciária quando a empresa fornece alimentação em pecúnia não estando inscrita no PAT.
ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte o ônus de provar o alegado.
MULTA DE MORA.
Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, c do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crétido Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para determinar ao recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o relator na questão da exclusão da base de cálculo da contribuição previdenciária os valores pagos a título de alimentação, e o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Ivacir Julio de Souza Redator Designado
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2005 PREVIDENCIÁRIO. APLICAÇÃO DO ART. 17 DO DECRETO N. 70.235/72. Consideramse não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas, nos termos do art. 17 do Decreto n. 70.235/72. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não constitui cerceamento de defesa, quando a parte não teve nenhum documento impedido de ser juntado após a impugnação. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA EM PECÚNIA SEM A INSCRIÇÃO NO PAT. Incide a contribuição previdenciária quando a empresa fornece alimentação em pecúnia não estando inscrita no PAT. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte o ônus de provar o alegado. MULTA DE MORA. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crétido Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para determinar ao recálculo da multa de mora, de acordo com o AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 36 7. 00 02 83 /2 00 8- 19 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/12 /2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA 2 disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. 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Fl. 214DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/12 /2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 14367.000283/200819 Acórdão n.º 2403001.503 S2C4T3 Fl. 63 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP (DEBCAD n. 37.196.2072), emitido em 30/09/2008, cuja notificação ocorreu em 03/10/2008 (fl. 01), lavrado em face da INCAN – INDÚSTRIA E CONSTRUÇÃO DA AMAZÔNIA, no valor de R$ 147.679,41 (cento e quarenta e sete mil, seiscentos e setenta e nove reais e quarenta e um centavos), referente as contribuições devidas à Seguridade Social, em relação às seguintes rubricas: “Empresa”; “Sat/rat”; “C.ind/adm/aut”; “Juros s/recolhimento” e “Multa s/recolhimento”. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 37/43, o crédito em tela tem como fato gerador o pagamento de remuneração pela Recorrente aos seus empregados e contribuintes individuais. Constituise nos seguintes levantamentos não declarados em GFIP: Para o estabelecimento com CNPJ n. 01.474.425/000103, foram lavrados os seguintes levantamentos: 1RC – RESCISÕES; CTA – CONTAB UTILID ALIMENT EMPREG; CTE – CONTAB REMUN EMPREGADOS; CTP – CONTAB REMUN PREST SERV; CTS – CONTAB REMUN SOCIOS. Para a obra matrícula CEI n. 38.840.00414/77, foram lavrados os seguintes levantamentos: 1RC – RESCISÕES; 2RC – RESCISÕES DIF VERBAS REMUN; DAL – Diferença de AC. Legais; DFP – FOLHA DE PAGAMENTO; RAT – CONTRIBUIÇÃO RAT. A Fiscalição compreendeu as competências entre 01/2004 a 01/2005. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a Recorrente apresentou, tempestivamente, Impugnação de fls. 88/99, acompanhada de cópias do Contrato Social/Alterações; Cartão do CNPJ e dos documentos de identificação do representante legal da Recorrente, nas fls. 100/176, com os seguintes argumentos, após resumir a autuação, em suma: CTA – CONTAB UTILID ALIMENT EMPREG: A Recorrente sustenta que estava inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador – PAT, desde 2001, assim como demonstrado no anexo, razão pela qual deve ser anulado o lançamento. CTS – CONTAB REMUN SÓCIOS: A Recorrente alega que a conta contábil “C/C Sócios”, cujo significado é “conta corrente dos sócios”, na verdade é uma conta de antecipação de lucros, razão pela qual não incide contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, § 1o, “j” da Lei n. 8.212/91. Discorre acerca de equívocos formais na sua contabilidade, para concluir que em relação ao quantum, a contabilidade está correta, fato reconhecido, inclusive, nos Autos de Infrações DEBCAD ns. 37.196.2064, 37.196.2072 e 37.196.2080. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/12 /2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA 4 Alega, outrossim, que as remunerações dos sócios estão lançadas na conta contábil “Prolabore”. Nesse diapasão, a Fiscalização optou pela verdade formal, em face da verdade material. Por fim, alega que o saldo final no exercício da 2004 era de R$ 155.953,07, conforme “Quadro 2 – Valores lançados na conta C/C Sócios” e transferidos como custo para apuração do resultado do exercício do relatório fiscal e o lucro real apurado na “Ficha 09 – Demonstração do Lucro Real”, que foi de R$ 208.688,55, demonstrandose a verdadeira natureza dos lançamentos, pois, explicitaria a existência de lucros a serem distribuídos. CTE – CONTAB REMUN EMPREGADOS: Em relação a este levantamento, a Recorrente impugna a conta “Adiantamento de Salário” – cód. 1.8.7.02.052, que se trata de antecipação de salário a ser abatido no fechamento da folha de salários, sendo que a fiscalização, em face do saldo da conta ter sido transferido para a conta de apuração do resultado, tornoua fato gerador da contribuição previdenciária, o que caracterizaria bis in idem, tendo em vista que seus valores estão inclusos na conta própria para registros de salários, sendo assim, nulos de pleno direito os créditos fiscais apurados com base em seus valores. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA), por meio da 5a Turma da DRJ/BEL, prolatou o Acórdão n° 0115.701, de fls. 180/187, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2005 DÉBITO REGULARMENTE LAVRADO. ATENDIMENTO DAS FORMALIDADES LEGAIS. Crédito previdenciário constituído dentro das técnicas fiscais e atendendo à legislação vigente é plenamente regular, em conformidade com o art. 10 do Decreto 70.235/1972, c/c o art. 142 do CTN. DAS PROVAS Efetuado o lançamento, o momento oportuno para apresentação das provas documentais é com a impugnação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 191/197, com os seguintes argumentos, em síntese: A Recorrente contesta o Acórdão ao argumento de que teve cerceado o seu direito da ampla defesa e do contraditório, em face do não atendimento ao princípio da verdade material. Traz os incisos LIV e LV do art. 5o da Constituição Federal. Traz doutrinas e jurisprudência para embasar o alegado. É o relatório. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/12 /2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 14367.000283/200819 Acórdão n.º 2403001.503 S2C4T3 Fl. 64 5 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls. 189 e 191, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE CNPJ N. 01.474.425/000103: 1RC – RESCISÕES; CTP – CONTAB REMUN PREST SERV; MATRÍCULA CEI N. 38.840.00414/77: 1RC – RESCISÕES; 2RC – RESCISÕES DIF VERBAS REMUN; DAL – DIFERENÇA DE AC. LEGAIS; DFP – FOLHA DE PAGAMENTO; RAT – CONTRIBUIÇÃO RAT Ressaltese que não houve impugnações específicas no que tange à multa aplicada em decorrência das discriminações acima. Diante disso, presumemse aceitas as imputações constantes no Auto de Infração objeto da lide, nos termos do art. 17 do Decreto n. 70.235/72, verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA POR NÃO ATENDIMENTO AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL A Recorrente entende que teve cerceado o seu direito à ampla defesa. Apesar de dispender grandes esforços para conceituar o princípio da verdade material, não trouxe fatos, direito ou provas concretas para invalidar o Acórdão da DRJ. Como exemplo do vazio das alegações da Recorrente temos o último parágrafo da fl. 196, onde impugna o Acórdão da DRJ, que vedou a juntada de novos documentos. Ocorre que, como a Recorrente não trouxe nenhum documento após a Impugnação, logo, não teve nenhum documento indeferido de fato. Por essas razões, não há como prosperar o pleito da Recorrente em cerceamento do direito de defesa. DO MÉRITO CTA – CONTAB UTILID ALIMENT EMPREG A Recorrente foi autuada por não incluir na base de cálculo da contribuição previdenciária os valores referentes ao alimento em pecúnia fornecido aos empregados, sem estar inscrita no PAT, nos termos da Lei n. 6.321/76. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/12 /2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA 6 Apesar de alegar estar inscrita no PAT, a Recorrente não comprovou o alegado. A DRJ, no seu r. acórdão, julgou como procedente o lançamento no que se refere a essa autuação, por entender que a inscrição no PAT é condição essencial para que tais verbas possam ser excluídas do conceito de remuneração. É pacífica a jurisprudência do Colendo STJ, no sentido de que o fornecimento do alimento in natura, mesmo sem a inscrição no PAT, não deve integrar a base de cálculo da Contribuição Previdenciária, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. Caso em que se discute a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas recebidas a título de auxílio alimentação in natura, quando a empresa não está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. A jurisprudência desta Corte pacificouse no sentido de que o auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Precedentes: EREsp 603.509/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, DJ 8/11/2004; REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2010; AgRg no REsp 1.119.787/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29/6/2010. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 5.810/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/06/2011, DJe 10/06/2011) (grifo nosso) Da análise do recente acórdão, verificase que o Tribunal Superior aplicou a Súmula 83 do STJ, verbis: NÃO SE CONHECE DO RECURSO ESPECIAL PELA DIVERGÊNCIA, QUANDO A ORIENTAÇÃO DO TRIBUNAL SE FIRMOU NO MESMO SENTIDO DA DECISÃO RECORRIDA. Em outras palavras, por ser matéria pacífica, o STJ nem conhece Recursos em sentido contrário. Nesse diapasão, em 20 de dezembro de 2011, a própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional editou o Ato Declaratório n. 03/2011 autorizando “a dispensa de apresentação de contestação de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante:“nas ações judiciais que visem Fl. 218DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/12 /2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 14367.000283/200819 Acórdão n.º 2403001.503 S2C4T3 Fl. 65 7 obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária.” Ademais, a Jurisprudência também pacificou entendimento no sentido de que não incide contribuição previdenciária em relação ao valetransporte pago em pecúnia. Sendo, inclusive, matéria prevista na Súmula n. 60 de 08 de dezembro de 2011 da Advocacia Geral da União, verbis: Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba Nesse diapasão, levandose em consideração o porte da Recorrente, temse que os valores pagos a título de alimentação foram razoáveis, assim como se constata na planilha constante na fl. 55 elaborada pela Fiscalização. Razão pela qual, no que tange se refere ao alimento pago em pecúnia, deve o Recurso Voluntário deve ser julgado procedente. CTS – CONTAB REMUN SÓCIOS Segundo a Fiscalização, a Recorrente pagou aos sócios da empresa remunerações, constantes na conta “C/C Sócios” – cód. 1.2.1.03.006, pelas razões abaixo: “(...) tratase de conta do ativo, registrando valores repassados a sócios, conforme lançamentos a débito. No final do período (31/12/2004), a empresa encerrou a conta efetuando dois lançamento (crédito): um de R$ 179.224,02 e outro de R$ 9.030,00. Contudo, verificouse que a contrapartida de tais lançamentos não envolveu a conta ‘Caixa’ nem conta relativa a bancos. Na verdade, a contrapartida ocorreu com lançamentos a débito na conta do ativo ‘Rateio’ – cód. 1.8.1.02.059. Na mesma data (31/12/2004), o saldo final da conta ‘Rateio’, no valor de R$ 1.365.529,28 (já inclusos os valores oriundos da conta ‘C/C Sócios’), foi transferido – como custo operacional – para a conta ‘Apuração do Resultado’ – cód. 5.1.1.01.001. Desta forma, verificase que os valores repassados aos sócios não foram devolvidos à empresa e sim absorvidos como custo por esta, configurando pagamento de remuneração a tais beneficiários nas datas dos repasses registrados a débito na conta ‘C/C Sócios’;” Em sede de Impugnação, a Recorrente reconhece a deficiência formal na sua contabilidade, contudo, alega que se trata de distribuição antecipada de lucros, razão pela qual, não incide contribuição previdenciária, nos termos da alínea “j”, § 1o do art. 28, da Lei n. 8.212/91. De fato, não incide contribuição previdenciária em relação à distribuição nos lucros ou resultados da empresa, não nos termos do § 1o da citada Lei, mas nos termos do § 9o, verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) Fl. 219DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/12 /2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA 8 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; A Fiscalização expôs as suas razões de fato que a fizeram chegar à conclusão de que os valores se referiram a remuneração, inclusive colacionando os anexos constantes nas fls. 57/58. Por outro lado, a Recorrente não comprovou o alegado, ou seja, nem mesmo a existência de lucros a serem distribuídos de forma antecipada. Logo, diante da ausência de provas mínimas para comprovar o alegado, no que se refere a essa rubrica, deve o lançamento ser mantido. CTE – CONTAB REMUN EMPREGADOS A Fiscalização verificou a existência das seguintes contas: “Salário (custos)” – cód. 1.8.1.02.007; “Adiantamento de Salário” – cód. 1.8.1.02.052; “Diarista” – cód. 1.8.1.02.058. Com base na movimentação das contas, concluiu que se tratam de remunerações de segurados empregados. Em sede de Impugnação, a Recorrente apenas justifica a conta “Adiantamento de Salário” – cód. 1.8.1.02.052; para, mais uma vez alegar que a sua contabilidade padece de vícios formais e a Fiscalização deveria buscar a verdade material, assim como a inclusão dessa conta na base de cálculo da contribuição previdenciária caracterizaria um bis in idem. A Recorrente, por sua vez, não comprovou o bis in idem, por esse motivo, deve o lançamento ser mantido. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabelece que os débitos referentes a contribuições não recolhidas no prazo previsto em lei, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo), para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 220DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/12 /2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 14367.000283/200819 Acórdão n.º 2403001.503 S2C4T3 Fl. 66 9 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO Do exposto, julgo procedente em parte o recurso para determinar a exclusão da base de cálculo da contribuição previdenciária os valores pagos a título de alimentação, assim como para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 221DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/12 /2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA 10 Voto Vencedor Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Redator Designado Designado para redigir o voto vencedor, exponho as razões de divergir: Sem estar inscrita no PAT, nos termos da Lei n. 6.321/76, a Recorrente foi autuada por não incluir na base de cálculo da contribuição previdenciária os valores referentes ao alimento pago em pecúnia aos empregados Destacando que não deve incidir a contribuição previdenciária quando a empresa fornece alimentação em pecúnia em valores razoáveis, mesmo que não esteja inscrita no PAT, o I. Relator entendeu de conceder provimento à Recorrente para determinar a exclusão da base de cálculo da contribuição previdenciária os valores pagos a título de alimentação. Exposto o entendimento supra, ouso divergir com suporte consolidado em vasta jurisprudência no âmbito deste Conselho bem como também nos julgados do Tribunal Superior do Trabalho e Superior Tribunal de Justiça em que observa que I. Ministros das referidas Cortes têm avalizado a divergência que ora patrocino: Segundo Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária ,Acórdão nº 20600317 do Processo 35410000223200712 , 12/12/2007 : “ (...) PREVIDENCIÁRIO SALÁRIO IN NATURA ALIMENTAÇÃO INSCRIÇÃO NO PAT AUSÊNCIA BASE DE INCIDÊNCIA. Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de ajuda alimentação fornecidos sem a competente inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, conforme dispõe a alínea "c" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Negado. ” ( grifos de minha autoria) Tribunal Superior do Trabalho. 3ª Turma Acórdão do processo Nº RR 16240037.2008.5.15.0066, 16/02/2011: “ RECURSO DE REVISTA. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO FORNECIDO POR TERCEIRO. NATUREZA SALARIAL. INTEGRAÇÃO. NÃO APLICAÇÃO DA EXCEÇÃO PREVISTA NA OJ 133 DA SBDI1/TST. O auxílio alimentação fornecido em razão do contrato de trabalho, ainda que por terceira pessoa, no caso a FAEPA, sem notícia de inscrição do real empregador no PAT, tem natureza salarial, nos termos da Súmula 241/TST. Quanto à OJ 133 da SBDI1/TST, dada a sua natureza excepcional, deve ser interpretada restritivamente. Logo, exclui a natureza salarial do auxílio alimentação apenas se o empregador estiver inscrito no PAT, o que não é a Fl. 222DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/12 /2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 14367.000283/200819 Acórdão n.º 2403001.503 S2C4T3 Fl. 67 11 hipótese dos autos. Precedentes. Recurso de revista conhecido e provido. ” ( grifos de minha autoria) Superior Tribunal de Justiça. 1ª Turma , AgRg no Ag 730362 / PR , 15/08/2006 Relator(a) Min. Denise Arruda: “ Ementa AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM DINHEIRO. CARÁTER REMUNERATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. ACORDOS TRABALHISTAS. INSCRIÇÃO NO PAT – PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. IRRELEVÂNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 7º, XXVI, DA CONSTITUIÇÃO. 1. Não incorre em omissão, contradição ou obscuridade o acórdão que, mesmo sem se ter pronunciado sobre todos os temas trazidos pelas partes, manifestouse de maneira precisa e concisa sobre aqueles relevantes e aptos à formação da convicção do órgão julgador, resolvendo de modo integral o litígio. 2. As parcelas referentes ao auxílioalimentação pagas em pecúnia, em caráter habitual e remuneratório, integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. 3. O fato de a referida verba ter sido adimplida de uma só vez, quando da celebração de acordo trabalhista, não lhe retira o caráter remuneratório. 4. A alegação de suposta violação de dispositivos constitucionais extrapola a competência atribuída a este Superior Tribunal de Justiça, a teor do disposto no art. 105, III, da Constituição Federal. 5. Agravo regimental desprovido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça: A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto da Sra. Ministra Fl. 223DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/12 /2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA 12 Relatora. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Luiz Fux e Teori Albino Zavascki votaram com a Sra. Ministra Relatora. Ausente, ocasionalmente, o Sr. Ministro José Delgado.” CONCLUSÃO Face ao exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso. É como voto. Ivacir Júlio de Souza. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 11/12 /2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 11/12/2012 por MARCELO MAGALHAES P EIXOTO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA
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Numero do processo: 10580.725932/2009-85
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
IRPF. ABONO PERCEBIDO PELOS INTEGRANTES DA MAGISTRATURA DO ESTADO DA BAHIA (LEI ESTADUAL nº 8.730, de 08 de setembro de 2003)
As verbas percebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real, ainda que recebidas em virtude de decisão judicial, têm natureza salarial e, portanto, estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda. Precedentes do C. STJ e deste E. Sodalício.
JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA.
Por ocasião do julgamento do EDCL no Resp 1227133 - RS, Primeira Seção, Rel. Ministro Cesar Asfor Rocha, julgado em 23.11.2011. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL.
Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos.
Preliminares Rejeitadas
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2802-001.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir dos rendimentos tributáveis a parcela de R$33.987,16 (trinta e três mil, novecentos e oitenta e sete reais e dezesseis centavos) em cada ano-calendário e a multa de ofício, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
EDITADO EM: 15 de maio de 2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. IRPF. ABONO PERCEBIDO PELOS INTEGRANTES DA MAGISTRATURA DO ESTADO DA BAHIA (LEI ESTADUAL nº 8.730, de 08 de setembro de 2003) As verbas percebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real, ainda que recebidas em virtude de decisão judicial, têm natureza salarial e, portanto, estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda. Precedentes do C. STJ e deste E. Sodalício. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Por ocasião do julgamento do EDCL no Resp 1227133 - RS, Primeira Seção, Rel. Ministro Cesar Asfor Rocha, julgado em 23.11.2011. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. Preliminares Rejeitadas Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2223; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 81 1 80 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.725932/200985 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802001.602 – 2ª Turma Especial Sessão de 16 de maio de 2012 Matéria IRPF Recorrente CRISTINA SEIXAS GRACA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: ILEGITIMIDADE PASSIVA. SÚMULA CARF Nº 12. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. IRPF. ABONO PERCEBIDO PELOS INTEGRANTES DA MAGISTRATURA DO ESTADO DA BAHIA (LEI ESTADUAL nº 8.730, de 08 de setembro de 2003) As verbas percebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real, ainda que recebidas em virtude de decisão judicial, têm natureza salarial e, portanto, estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda. Precedentes do C. STJ e deste E. Sodalício. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Por ocasião do julgamento do EDCL no Resp 1227133 RS, Primeira Seção, Rel. Ministro Cesar Asfor Rocha, julgado em 23.11.2011. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Não comporta multa de oficio o lançamento constituído com base em valores espontaneamente declarados pelo contribuinte que, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração de rendimentos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 59 32 /2 00 9- 85 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Preliminares Rejeitadas Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir dos rendimentos tributáveis a parcela de R$33.987,16 (trinta e três mil, novecentos e oitenta e sete reais e dezesseis centavos) em cada anocalendário e a multa de ofício, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 15 de maio de 2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos André Ribas de Mello. Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls.17/24, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, 2006, 2007, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$61.812,78, acrescido de multa de ofício e juros de mora. A autuação decorreu de omissão de rendimentos recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual n° 8.730, de 08 de setembro de 2003., que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente” Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação (fls. 47 a 116), acatada como tempestiva. Alegou, em apertada síntese, que não teria classificado indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois seriam isentos de imposto de renda em conformidade com a legislação que instituiu tal verba indenizatória. Assevera que a responsabilidade pela retenção do imposto seria da fonte pagadora, no caso o Estado da Bahia, sendo impossível atribuir responsabilidade decorrente da omissão da fonte à autuada. Questiona a multa de ofício, ponderando que seu erro teria sido motivado pela fonte pagadora e tal entendimento teria sido expresso pelo Ente autuante em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, Fl. 256DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.725932/200985 Acórdão n.º 2802001.602 S2TE02 Fl. 82 3 ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Pondera que mesmo que o valor decorrente do recebimento da URV em atraso fosse tributável, não caberia tributar os juros incidentes sobre ele, tendo em vista sua natureza indenizatória. Invoca a distribuição constitucional das receitas para reforçar seus argumentos de impossibilidade de manutenção da exigência em discussão. Pondera que o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos Magistrados Federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo não sofre a incidência do imposto de renda. Assim, tributar estes mesmos valores recebidos pelos Magistrados Estaduais constitui violação ao princípio constitucional da isonomia. A 3ª Turma DRJ/Salvador/BA, conforme Acórdão de fls.145 a 121, julgou a impugnação improcedente, mantendo o lançamento. Cientificado da decisão de primeira instância em 31/05/2010, o contribuinte, por intermédio de representantes (procuração às fls. 117) apresentou, em 09/06/2010, o Recurso de fls. 155 a 239, reiterando os argumentos da impugnação e ressaltando os seguintes pontos: a) inexistência de conduta hábil à aplicação de multa de ofício, face à responsabilidade exclusiva da fonte pagadora e diante do efeito vinculante de Consulta Administrativa realizada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia; b) nulidade da decisão, motivada por ausência de fundamentação suficiente.c) não incidência do Imposto de Renda sobre os juros moratórios e/ou compensatórios; d) natureza indenizatória dos valores (diferenças de URV) pagos em atraso; e)da ilegitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado; e f) violação ao princípio constitucional da isonomia (art. 150, inciso II, da Constituição Federal). É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e presentes, ainda, os demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. Antes de apreciar o mérito das razões expostas em sede de recurso voluntário, cumpre analisar as questões prévias apresentadas pela recorrente em relação à nulidade da decisão de 1ª instância, por ausência de fundamentação quanto à alegada ilegitimidade ativa da União Federal para exigir imposto de renda cujo produto da arrecadação cabe ao Estado e por não enfrentar argumento relevante relativo “à quebra da capacidade contributiva” . Não é de se acolher a argüição de nulidade por ausência de fundamentação suficiente. A decisão colegiada de 1º grau enfrentou a infundada alegação sobre a ilegitimidade ativa da União Federal, ainda que de forma sucinta. Além de ser pacífico o entendimento do C. STJ no sentido de que “o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os argumentos expostos pelas partes” (AgRg no Ag 1401739/RJ. DJe 29/06/2011) desde que adote fundamentação suficiente para o efetivo julgamento da lide, é de se constatar que houve a sucinta, porém, suficiente abordagem, sendo desnecessário exigir do órgão julgador fundamentação exaustiva, conforme pretendido. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 O mesmo raciocínio se aplica à alegação de não enfrentamento sobre o alegado desrespeito à capacidade contributiva, com a ressalva de se tratar de matéria de ordem constitucional, cujo pretensão para fins de afastar preceito legal expresso, ainda que a descontento deste julgador, é vedado pela lei processual administrativa (artigo 26A do Decreto nº. 70.235/72). Rejeitadas as preliminares argüidas, passo ao mérito. Controvérsia similar a aqui exposta foi enfrentada pela 1ª Turma Especial, em 25 de agosto de 2011, no julgamento do Processo nº 10580.727061/200934, quando se prolatou o Acórdão 2801001.828, relatora a Conselheira Amarylles Reinaldi e Henriques Resende, que pela clareza do quanto decidido peço vênia, para trancrever e adotálo como razão de decidir. “Registrese, ainda, que dispositivos acerca da distribuição da renda arrecadada pela União com outros entes da federação não têm o condão de alterar a competência tributária da União quanto ao Imposto sobre a Renda (art. 6º do CTN). A interessada argumenta, ainda, que o lançamento seria nulo em decorrência de forma inadequada de apuração da base de calculo do tributo lançado. Entretanto, examinando os autos, verifico que tal alegação não procede, eis que o lançamento se fez em conformidade com a legislação de regência e os demonstrativos de apuração do imposto devido, parte integrante do Auto de Infração, refletem a situação dos autos. Diante do exposto, rejeito as preliminares suscitadas. Quanto ao mérito, a interessada discute, essencialmente, o caráter indenizatório dos valores recebidos. Insta frisar que o imposto em questão incide sempre que houver aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos de qualquer natureza. O termo “proventos de qualquer natureza” é fórmula ampla da qual lançou mão o legislador para evitar controvérsias sobre o conceito de renda. Nele se inclui todo o acréscimo do patrimônio contábil do contribuinte, mensurável monetariamente. No presente caso, a contribuinte enquadrou no campo de rendimentos isentos e não tributáveis de suas declarações de ajuste anual, exercícios 2005 a 2007, valores recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, por entendêlas isentas de imposto de renda à luz do disposto na Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, e por analogia à Resolução nº 245, de 2002, do Supremo Tribunal Federal (STF), que teria deixado claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV possui natureza indenizatória. Ora, de acordo com a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245, de 2002, o abono, tratado no artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002 e no artigo 6º da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, foi considerado de natureza indenizatória. Entretanto, o referido ato do STF atribuiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável devido apenas aos Magistrados do Poder Fl. 258DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.725932/200985 Acórdão n.º 2802001.602 S2TE02 Fl. 83 5 Judiciário Federal, tratado pela Lei nº 9.655, de 1998 e pela Lei nº 10.474, de 2002. Registrese ainda que somente com o advento da Lei nº 10.477, de 2002, os membros do Ministério Público da União passaram a fazer jus ao abono variável criado pela Lei nº 9.655, de 1998, nos termos do art. 2º, abaixo transcrito: “Art. 2o O valor do abono variável concedido pelo art. 6º da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, é aplicável aos membros do Ministério Público da União, com efeitos financeiros a partir da data nele mencionada, passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo membro do Ministério Público da União, vigente à data daquela Lei, e a decorrente desta Lei. §1o Serão abatidos do valor da diferença referida neste artigo todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos membros do Ministério Público da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial, após a publicação da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998. §2o Os efeitos financeiros decorrentes deste artigo serão satisfeitos em 24 (vinte e quatro) parcelas mensais e sucessivas, a partir do mês de janeiro de 2003. §3o O valor do abono variável da Lei nº 9.655, de 2 de junho de 1998, é inteiramente satisfeito na forma fixada neste artigo. Destaquese que referido abono variável, nos moldes da Lei nº 10.477, de 2002, se restringia ao Ministério Público da União. Todavia, neste caso, a contribuinte não faz parte dos quadros da Magistratura Federal nem do Ministério Público da União, pertencendo ao Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, não podendo tal Resolução do STF ser estendida às verbas pagas ao recorrente, pois isto resultaria na concessão de isenção sem lei federal especifica. Salientese que, em momento algum, houve pronunciamento do STF ou do Ministro da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária dos rendimentos recebidos com base na Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003. Atribuir aos rendimentos em exame a mesma natureza do abono variável destacado nas Leis nºs 10.474 e 10.477, de 2002, seria estender os limites da não incidência tributária sem previsão de lei federal para tal. Não se pode olvidar que é defeso ao aplicador do direito valerse da analogia para excluir rendimentos do campo de incidência tributária. As exceções fiscais devem constar expressamente do texto legal, em conformidade com o disposto no art. 111, do CTN. Assim, incabível atribuir aos rendimentos recebidos pela recorrente idêntica natureza do abono variável pago aos Magistrados Federais e aos membros do Ministério Público da União, não havendo nisso nenhuma ofensa ao Princípio Constitucional da Isonomia (art. 150, II, da Constituição Fl. 259DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Federal), posto que não existe lei federal conferindo identidade de tratamento tributário entre essas verbas.” No tocante à multa de ofício, consoante vários julgados deste conselho, é incabível pelo fato de que quando a contribuinte demonstra ter sido induzida pelas informações prestadas pela fonte pagadora quanto à não tributação dos rendimentos recebidos, incorrendo, deste modo, em erro. Quanto aos Juros de Mora Em relação aos juros moratórios, é de se aplicar, com fulcro no artigo 62A do RICARF, o decidido por ocasião do julgamento do recurso representativo da controvérsia REsp. n.º 1.227.133 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel. para acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011, pela não incidência do imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. Quanto à aplicabilidade do precedente da Corte Federal, é de se ressaltar que o artigo 2º da Lei Complementar Nº.º 20 do Estado da Bahia, de 08 de setembro de 2003 é expressa quanto à origem dos rendimentos, qual seja: “(...)diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº. 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006.”. Portanto, inequívoca a submissão deste Colegiado ao decidido em repetitivo. Ante o exposto, conheço do recurso voluntário e no mérito lhe dou parcial provimento, para excluir a multa de ofício, e afastar o IR dos juros moratórios exigidos, discriminados em demonstrativo de fls. 19 a 21 (R$33.987,16 (trinta e três mil, novecentos e oitenta e sete reais e dezesseis centavos), em cada ano calendário. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora Fl. 260DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.725932/200985 Acórdão n.º 2802001.602 S2TE02 Fl. 84 7 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/05/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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