Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,808)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,881)
- Primeira Turma Ordinária (16,417)
- Primeira Turma Ordinária (16,224)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,171)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,513)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,488)
- Quarta Câmara (85,198)
- Terceira Câmara (67,866)
- Segunda Câmara (56,637)
- Primeira Câmara (20,749)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,702)
- Segunda Seção de Julgamen (115,207)
- Primeira Seção de Julgame (77,078)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,966)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,573)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,905)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,801)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,612)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,680)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10980.011393/2004-86
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – EXISTÊNCIA DE CONTRARIEDADE ACOLHIMENTO.
Verificada a decisão embargada continha contrariedade entre suas razões de decidir e as provas dos autos, é de se conhecer os embargos de declaração opostos.
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. AUTUAÇÃO BASEADA EM AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE ADA TEMPESTIVO. APLICAÇÃO DE SUMÚLA DO CARF.
Súmula CARF Nº 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.
Numero da decisão: 9202-001.240
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para retificar o Acórdão nº 920200.092, de 18/08/2009, esclarecendo a contradição apontada, para, no mérito, dar provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Caio Marcos Cândido
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201102
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – EXISTÊNCIA DE CONTRARIEDADE ACOLHIMENTO. Verificada a decisão embargada continha contrariedade entre suas razões de decidir e as provas dos autos, é de se conhecer os embargos de declaração opostos. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. AUTUAÇÃO BASEADA EM AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE ADA TEMPESTIVO. APLICAÇÃO DE SUMÚLA DO CARF. Súmula CARF Nº 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 07 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10980.011393/2004-86
anomes_publicacao_s : 201102
conteudo_id_s : 4819888
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 10 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-001.240
nome_arquivo_s : 920201240_10980011393200486_201102.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Caio Marcos Cândido
nome_arquivo_pdf_s : 10980011393200486_4819888.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para retificar o Acórdão nº 920200.092, de 18/08/2009, esclarecendo a contradição apontada, para, no mérito, dar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 07 00:00:00 UTC 2011
id : 4746105
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233099673600
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1615; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10980.011393/200486 Recurso nº 303134.842 Embargos Acórdão nº 920201.240 – 2ª Turma Sessão de 7 de fevereiro de 2011 Matéria Reserva Legal averbação Embargante AGROFLORESTAL LEÃO JUNIOR S A Interessado FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – EXISTÊNCIA DE CONTRARIEDADE – ACOLHIMENTO. Verificada a decisão embargada continha contrariedade entre suas razões de decidir e as provas dos autos, é de se conhecer os embargos de declaração opostos. ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. AUTUAÇÃO BASEADA EM AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE ADA TEMPESTIVO. APLICAÇÃO DE SUMULA DO CARF. Súmula CARF Nº 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para retificar o Acórdão nº 920200.092, de 18/08/2009, esclarecendo a contradição apontada, para, no mérito, dar provimento ao recurso Assinado digitalmente Caio Marcos Candido Relator e Presidente Substituto Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 2 Participaram do presente julgamento, Caio Marcos Candido (Presidente Substituto), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Marcelo Freitas de Souza Costa (Conselheiro convocado), Elias Sampaio Freire, Susy Gomes Hoffmann. Relatório Tratam os presentes autos de Embargos de Declaração opostos pelo Contribuinte tendo em vista apontada contrariedade entre afirmativa contida no acórdão e as provas constantes dos autos no acórdão embargado nº 920200.092, de 18/08/2009. A apontada omissão diz respeito a dois pontos: a) ao escopo da admissibilidade do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, que se limitaria à discussão acerca da área de reserva legal; e b) à existência prévia nos autos de prova de averbação da área de reserva legal anterior à data do fato gerador, contrariamente ao afirmado no acórdão vergasto. O acórdão embargado deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional por entender que a averbação da área de reserva legal à margem do registro do imóvel em data posterior à da ocorrência do fato gerador (01/01/2000). O Presidente Substituto da CSRF acolheu os referidos embargos e os autos foram incluídos nesta pauta de julgamento. Reproduzo o relatório do acórdão embargado com vista a localizar a lide originalmente contida no recurso especial interposto: Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 30334.413, exarado na sessão de julgamento de 13 de junho de 2007. A interposição do recurso de deu com fulcro no inciso II do art. 7º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) aprovado pela Portaria MF nº 147, 25 de junho de 2007, verbis: Art. 7º Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: (...) II decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Hodiernamente tal recurso tem supedâneo no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), verbis: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Processo nº 10980.011393/200486 Acórdão n.º 920201.240 CSRFT2 Fl. 2 3 Despacho em que se admite parcialmente o recurso em relação apenas à área de reserva legal, às fls. 222/224. A divergência jurisprudencial par a qual se admitiu o recurso especial e que se quer seja solucionada nos presentes autos, resumese a definir se, para fins de não incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), a averbação da área declarada como reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel no Registro de Imóveis competente, efetuada posteriormente à data de ocorrência do fato gerador, satisfaz a condição estabelecida na lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal Brasileiro), com a redação dada pelo § 2º do art. 16 da lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, como entendeu o acórdão recorrido ou, se ao contrário, constituase condição essencial para a não incidência que a citada averbação tenha se dado em momento anterior à ocorrência do fato gerador do ITR. Contrarrazões ao recurso especial às fls. 206/212. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Caio Marcos Candido, Relator Embargos de Declaração tempestivos. Em relação a sua admissibilidade reproduzo o conteúdo do despacho do Presidente Substituto da CSRF que os admitiu, por entender suficiente para a confirmação daquele acolhimento: O acórdão embargado deu provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional por entender que a averbação da área de reserva legal à margem do registro do imóvel em data posterior à da ocorrência do fato gerador (01/01/2000). Reapreciando os documentos acostados aos autos, em especial a cópia do registro de imóveis da citado imóvel (fls. 20/26) e o auto de infração às fls. 53, vêse que a embargante tem razão. O próprio fiscal autuante consignou que: O contribuinte perdeu o direito de isenção da área declarada na linha 02 – área de preservação permanente de 20,0 ha e da área declarada de 991,2 ha de Utilização Limitada (reserva legal), por não ter sido protocolado o ADA – Ato Declaratório Ambiental dentro do prazo legal (grifo do relator) Presente a contrariedade apontada, ACOLHO os Embargos de Declaração e passo à reanálise do Recurso Especial, confirmando desde já e pelas mesmas razões o juízo de admissibilidade esposado no acórdão embargado. Presentes os pressupostos, há que ser admitido o Recurso Especial, apenas no tocante à área de reserva legal. No mérito, o lançamento combatido trata do ITR realizado com fulcro na glosa da área declarada como sendo de reserva legal. A despeito da divergência apontada entre os posicionamentos adotados pelas 2ª e 3ª Câmaras do 3º Conselho de Contribuintes quanto à obrigatoriedade, para fins de não incidência do ITR, da averbação no registro de imóveis competente, de área declarada pelo Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO 4 contribuinte como sendo de reserva legal, realizada previamente à data de ocorrência do fato gerador, o lançamento efetuado pela autoridade tributária não trata deste pormenor. A motivação do lançamento foi a ausência de apresentação de Ato Declaratório ambiental – ADA – tempestivamente protocolizado junto ao IBAMA, conforme se pode verificar do trecho do auto de infração acima reproduzido. Partindose da premissa trazida no lançamento de que houve averbação da área de reserva legal, previamente ao fato gerador, cingese a discussão em saber se a ausência de ADA tempestivo é suficiente para a descaracterização da área declarada como de reserva legal. Entendo que não. O exercício em questão é o de 2000. Ocorre que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio da Súmula nº 41, estabeleceu a inexigibilidade do ADA para fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000, o que é o caso dos presentes autos. Vide enunciado da Súmula 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.Pelo exposto, não conheço do recurso especial interposto. Assim, é de se acolher os embargos de declaração para retificar o Acórdão nº 920200.092, de 18/08/2009, esclarecendo a contradição apontada, para, no mérito, dar provimento ao recurso . Caio Marcos Candido Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO Assinado digitalmente em 21/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO
score : 1.0
Numero do processo: 10665.900832/2008-23
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2004
PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. DEDUÇÃO.
A pessoa jurídica somente pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o IRPJ pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente.
Numero da decisão: 1801-000.779
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. DEDUÇÃO. A pessoa jurídica somente pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o IRPJ pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10665.900832/2008-23
anomes_publicacao_s : 201111
conteudo_id_s : 4817088
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1801-000.779
nome_arquivo_s : 180100779_10665900832200823_201111.PDF
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Carmen Ferreira Saraiva
nome_arquivo_pdf_s : 10665900832200823_4817088.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
id : 4747508
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:55 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233120645120
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1496; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 76 1 75 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10665.900832/200823 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180100.779 – 1ª Turma Especial Sessão de 22 de novembro de 2011 Matéria PER/DCOMP Recorrente ARCOS LOCAÇÃO DE MÃO DE OBRA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2004 PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. DEDUÇÃO. A pessoa jurídica somente pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o IRPJ pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 77DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10665.900832/200823 Acórdão n.º 180100.779 S1TE01 Fl. 77 2 A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) nºs 36065.19219.190908.1.7.023003 e 18990.78508.141205.1.3.027088, fls. 0109, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) do quarto trimestre do ano calendário de 2003, fls. 1213, no valor total de R$1.740,88. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 10, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido (§ 1º do art. 6º, art. 28 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Restou esclarecido que não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois não foi informado qualquer valor na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), o que não corresponde ao valor do saldo negativo informado no Per/DComp de R$1.740,88. Cientificada em 28.05.2008, fl. 12, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 25.06.2008, fls. 2223, com os argumentos abaixo sintetizados. Suscita que houve erro material no preenchimento da DIPJ entregue em 29.06.2004, já que não foram deduzidos os valores referentes ao Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) no total de R$4.663,83. Por esta razão, apresentou documento retificador em 19.09.2006 utilizando o valor de R$543,82 no primeiro trimestre e o valor de R$1.224,04 no segundo trimestre. Assim, entende remanescer o saldo de R$2.895,97 suficiente para que a compensação seja homologada. Conclui Diante do exposto, solicitamos a manutenção das compensações dos impostos realizadas pelas referidas PER/DCOMP, com o respectivo cancelamento dos débitos apurados conforme Processo de Crédito de n° 10665900.8321200823, haja visto que houve um erro de fato no preenchimento da declaração, porém, não retira do contribuinte o direito as compensações. Nestes Termos Pede Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0225.701, de 24.02.2010, fls. 5257: “Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte”, oportunidade em que foi reconhecido o valor de R$597,27 a título de saldo negativo de IRPJ do quarto trimestre de anocalendário de 2003. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Constitui crédito passível de compensação o valor efetivamente comprovado do saldo negativo de IRPJ decorrente do ajuste anual. Notificada em 15.04.2010, fls. 7374, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 29.04.2010, fls. 6174, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de Fl. 78DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10665.900832/200823 Acórdão n.º 180100.779 S1TE01 Fl. 78 3 admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação acrescentando que como comprovada a retenção tem direito de utilizar o valor integral de IRRF para efetuar compensação. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Ex positis, requer que este E. Conselho se digne dar provimento ao Recurso Voluntário ora apresentado, para reformar a r. decisão a quo, que homologou em parte, até o limite crédito reconhecido de R$5975,27 5 as compensações declaradas no PER/DCOMP n° 36065.19219.190906.1.7.023003, e não homologou as compensações declaradas no PER/DCOMP n° 18990.78508.141205.1.3.027088 e, em conseqüência, homologar as compensações declaradas nas referidas PER/DCOMP's, com o reconhecimento da extinção dos créditos tributários objeto da compensação e cobrados no processo tributário administrativo n° 10665.900832/200823, ex vi do artigo 156, II, do CTN. Nestes termos, Pede deferimento. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita que a Per/DComp deve ser deferida. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior. O regime de tributação com base no lucro real, trimestral ou anual, prevê que a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o IRPJ pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente. O pressuposto é de que a escrituração mantida com observância das disposições legais que faz Fl. 79DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10665.900832/200823 Acórdão n.º 180100.779 S1TE01 Fl. 79 4 prova em favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados se estes estiverem comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza ou assim definidos em preceitos legais. Cabe à autoridade administrativa a prova da não veracidade dos fatos ali contidos, caso estes registros estejam congruentes com os dados da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) e do Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte. A legislação prevê que o valor do IRRF é considerado como antecipação do IRPJ devido referente ao código de arrecadação nº 1708 de prestações de serviços efetuados por pessoas jurídicas e a retenção sofrida no período somente pode ser utilizada como dedução do IRPJ devido do mesmo período para fins de apuração do saldo negativo.1 Tem cabimento, portanto, o exame da situação fática. A Recorrente adotou o regime de tributação com base no lucro real trimestral e por esta razão o exame do saldo negativo de IRPJ deve se limitar ao IRRF, código de arrecadação nº 1708, incidente sobre as receitas auferidas a título de prestação de serviços que integraram a base de cálculo relativo ao 4º trimestre de 2003, que é o período atinente ao credito pleiteado nas Per/DComp, fls. 0109. Na DIRF apresentada no período pela fonte pagadora Embaré Indústrias Alimentícias S/A, CNPJ 21.992.946/000151, foram informados os valores de R$74.165,70 e de R$741,65 a título de receita bruta e de IRRF, respectivamente, fl. 46. Na DIPJ Retificadora nº 1293595 consta o valor de R$59.727,42 de receita bruta no período, fl. 31, em conformidade com a Tabela 1. Tabela 1 – Cotejo entre os valores constantes nos registros da RFB, na impugnação e no Acórdão da DRJ relativos ao 4º trimestre de 2003. Valores Documento (A) Receita de Prestação de Serviços R$ (B) IRRF Código 1708 R$ (C) IRPJ a Pagar R$ (D) Saldo Negativo de IRPJ R$ (E) DIPJ Retificadora nº 1293595, fls. 2745 59.727,42 0,00 0,00 0,00 DIRF, fls. 4648 74.165,70 741,65 Impugnação, fls. 2223 466.383,00* 2.895,97** 0,00 2.895,97 Acórdão DRJ, fls. 5257 59.727,42 597,27*** 0,00 597,27 Notas *Rendimentos brutos informados pelas fontes pagadoras no anocalendário de 2003 **IRRF informados pelas fontes pagadoras no anocalendário de 2003 subtraídos aqueles utilizados nos 1º e 2º trimestres (R$2.895,97=R$4.663,83R$543,82 R$1.224,04). ***IRRF apurado a partir da proporcionalidade entre as receitas brutas informadas na DIPJ e nas DIRF. Em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios, o IRRF somente pode ser apropriado simultaneamente às receitas que o geraram no período. Inferese que em relação à receita bruta no valor de R$59.727,42 informada na DIPJ, fl. 31, a Recorrente tem direito ao valor de R$597,27 de 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A Constituição Federal, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Fl. 80DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10665.900832/200823 Acórdão n.º 180100.779 S1TE01 Fl. 80 5 IRRF proporcional ao rendimento constante da DIRF, fl. 46, de dedução do IRPJ devido de R$0,00 e de saldo negativo no 4º trimestre de 2003 de 597,27. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0225.701, de 24.02.2010, fls. 5257, está correto. As alegações relatadas pela defendente, consequentemente, não estão justificadas. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso2. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade3. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 2 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 81DF CARF MF Emitido em 11/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/12/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10845.004818/2008-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA
Ano calendário: 2004
MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS PRECLUSÃO
Consideram-se como não contestadas as questões do lançamento não
impugnadas pelo contribuinte. Preclusão do direito de apresentar na peça recursal.
Numero da decisão: 2102-001.574
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO
CONHECER do recurso, porque as matérias recorridas não foram objeto de impugnação, tendo a instância a quo as considerado definitivas na via administrativa.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201109
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Ano calendário: 2004 MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS PRECLUSÃO Consideram-se como não contestadas as questões do lançamento não impugnadas pelo contribuinte. Preclusão do direito de apresentar na peça recursal.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10845.004818/2008-89
anomes_publicacao_s : 201109
conteudo_id_s : 5019080
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 16 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2102-001.574
nome_arquivo_s : 210201574_10845004818200889_201109.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : ATILIO PITARELLI
nome_arquivo_pdf_s : 10845004818200889_5019080.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, porque as matérias recorridas não foram objeto de impugnação, tendo a instância a quo as considerado definitivas na via administrativa.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2011
id : 4744757
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:42:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233122742272
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1589; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 65 1 64 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10845.004818/200889 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102001.574 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28/09/2011 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física IRPF Recorrente EDNA MARTA VIEIRA DA GUARDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA Ano calendário: 2004 MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS PRECLUSÃO Consideramse como não contestadas as questões do lançamento não impugnadas pelo contribuinte. Preclusão do direito de apresentar na peça recursal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, porque as matérias recorridas não foram objeto de impugnação, tendo a instância a quo as considerado definitivas na via administrativa. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Mauricio Carvalho. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10845.004818/200889 Acórdão n.º 2102001.574 S2C1T2 Fl. 66 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 9a. Turma da DRJ/SP2, de 6 de abril de 2.010 (fls. 27/32), que por unanimidade de votos negou procedência à impugnação, uma vez que tratou de matéria estranha ao lançamento, mantendo a exigência fiscal no valor total de R$ 8.447,95 sendo R$ 3.786,96 a título de imposto, R$ 2.840,22 de multa e R$ 1.820,77 de juros de mora, calculados até 28/11/2008. De acordo com o Auto de Infração (fls. 15/20), a exigência fiscal decorre do seguinte fato: DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL Dedução Indevida de Despesas Médicas Conforme disposto no art. 73 do Decreto n.° 3.000/99 — RIR/99, todas as deduções pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas à comprovação ou justificação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu a Intimação até a presente data. Em decorrência do não atendimento da referida Intimação, foi glosado o valor de R$ 12.997,05 deduzido indevidamente a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação. Enquadramento Legal: Art. 8.°, inciso II, alínea "a", e §§ 2° e 3°, da Lei n° 9.250/95; arts. 73, 80 e 841, inciso II do Decreto n.° 3.000/99 RIR/99 e arts. 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n° 15/2001. Dedução Indevida de Previdência Privada e Fapi Conforme disposto no art. 73 do Decreto n.° 3.000/99 — RIR/99, todas as deduções Anual estão sujeitas A comprovação ou justificação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu a Intimação até a presente data. Em decorrência do não atendimento da referida Intimação, foi glosado o valor de R titulo de Contribuição à Previdência Privada e Fapi, por falta de comprovação. pleiteadas na Declaração de Ajuste eduzido indevidamente a Enquadramento Legal: Fl. 67DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10845.004818/200889 Acórdão n.º 2102001.574 S2C1T2 Fl. 67 3 Art. 8.°, inciso II, alínea "e", da Lei n° 9.250/95; art. 11 da Lei n° 9.532/97; arts. 73, 82 e § 1. 0, 83 do Decreto n.° 3.000/99 RIR/99, art. 61 da Medida Provisória n°2.158 35/2001. Com efeito, consta do lançamento fiscal, que foram consideradas indevidas as deduções da base de cálculo dos valores de R$ 12.997,05 a título de despesas médicas e R$ 1.113,13 de previdência privada, o que tornou inexplicáveis os termos da impugnação, que abordou diferenças entre o valor das receitas constantes na DIRPF e DIRF, substituição tributária, segurança jurídica, irredutibilidade de salários, dentre outros, totalmente desvinculados aos itens do lançamento, clara e objetivamente colocados. Destarte, como constou na ementa da decisão recorrida, a matéria do auto de infração não foi impugnada, portanto, sendo mantida a exigência fiscal, uma vez que não houve expressa manifestação em contrário. Não obstante, em grau de Recurso Voluntário, a este colegiado aduz a Recorrente: a) que os serviços médicos foram prestados e os recibos emitidos e que a inidoneidade do profissional considerada pela receita não impede o exercício das atividades médicas, cabendo ao CRM a fiscalização. A declaração de inidoneidade fiscal do profissional pela receita ocorreu após a prestação dos serviços ao recorrente, cabendo, se for o caso, diligencia para apuração de quem efetivamente sonegou imposto; b) não há lei que exija seqüência numérica dos recibos e tão pouco tabelamento dos preços cobrados pelas consultas; c) houve decadência com relação aos valores que compõe o fato gerador do mês de dezembro/2004, conforme estabelece o par. 4o do art. 150 do CTN; d) No que denomina O Direito, destaca que a receita utilizou como argumento de ineficácia dos recibos Ato Declaratório Executivo DRT/ATA 27, de 18/10/2007 sem observar a aplicação retroativa de nova interpretação, o que contraria o princípio da moralidade administrativa; o auto de infração foi feitio com sofismas e não baseado em provas reais, referindo o princípio da boa fé dos negócios jurídicos; e) A impugnação não constitui inversão do ônus da prova, cabendo ao fisco provar o alegado. . É o Relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10845.004818/200889 Acórdão n.º 2102001.574 S2C1T2 Fl. 68 4 Voto Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por representante legal devidamente constituído e está fundamentado. Sendo assim, conheçoo e passo à apreciação. Como destacado na decisão recorrida, ao final da fl. 29, a dedução da base de calculo do imposto das despesas médicas e de previdência privada, objeto do auto de infração, não foram impugnadas, não apresentando a Recorrente, naquela oportunidade, qualquer documento ou justificativa. Por essas razões, NÃO CONHEÇO do recurso, por preclusão. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Fl. 69DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 05/12/2011 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 16004.000630/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2004 a 28/02/2005, 01/03/2006 a 30/04/2006
Ementa:
SIMPLES
O ato de exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento de
Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, que já transitou em julgado não permite reabrir a discussão, quando do lançamento dos créditos em virtude do mesmo.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC,
nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
MULTA
Para fatos geradores anteriores à edição da MP 449/2008, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, e aplicação da multa nos moldes da citada medida provisória, desde que seja mais benéfica para o contribuinte, em comparação com a multa de mora vigente à época do fato gerador.
As multas por descumprimento de obrigação acessória e principal devem ser aplicadas de forma isolada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-001.256
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder
provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n 8.212 para todo o período.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201108
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 28/02/2005, 01/03/2006 a 30/04/2006 Ementa: SIMPLES O ato de exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, que já transitou em julgado não permite reabrir a discussão, quando do lançamento dos créditos em virtude do mesmo. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA Para fatos geradores anteriores à edição da MP 449/2008, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, e aplicação da multa nos moldes da citada medida provisória, desde que seja mais benéfica para o contribuinte, em comparação com a multa de mora vigente à época do fato gerador. As multas por descumprimento de obrigação acessória e principal devem ser aplicadas de forma isolada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 16004.000630/2009-21
anomes_publicacao_s : 201108
conteudo_id_s : 4986264
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 29 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2302-001.256
nome_arquivo_s : 230201256_16004000630200921_201108.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Liege Lacroix Thomasi
nome_arquivo_pdf_s : 16004000630200921_4986264.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n 8.212 para todo o período.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
id : 4743945
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:41:54 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233126936576
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2134; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 1 1 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16004.000630/200921 Recurso nº 889.846 Voluntário Acórdão nº 230201.256 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de agosto de 2011 Matéria Remuneração de Segurados: Parcelas em Folha de Pagamento Recorrente ATIVA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS AGRÍCOLAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 28/02/2005, 01/03/2006 a 30/04/2006 Ementa: SIMPLES O ato de exclusão da empresa do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, que já transitou em julgado não permite reabrir a discussão, quando do lançamento dos créditos em virtude do mesmo. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA Para fatos geradores anteriores à edição da MP 449/2008, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, e aplicação da multa nos moldes da citada medida provisória, desde que seja mais benéfica para o contribuinte, em comparação com a multa de mora vigente à época do fato gerador. As multas por descumprimento de obrigação acessória e principal devem ser aplicadas de forma isolada. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 373DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei n 8.212 para todo o período. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Júnior, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu, Wilson Antonio de Souza Correa. Ausência Momentânea: Vera Kempers de Moraes Abreu Fl. 374DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16004.000630/200921 Acórdão n.º 230201.256 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório O presente auto de infração de obrigação principal foi lavrado em 25/09/2009, com ciência pelo sujeito passivo em 29/09/2009 e referese às contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 01/2004 a 12/2006, em virtude da exclusão da autuada do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições da Microempresa e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, desde 09/04/2002. O relatório fiscal de fls. 48/67, aduz que em virtude da MP 449, convertida na Lei n.º 11.941, de 27/05/2009, foi aplicada a multa de ofício para algumas competências e a multa de mora para outras, conforme se mostraram mais benéficas para o contribuinte, conforme demonstrado nas planilhas de fls.894/895. Após a impugnação, Acórdão de fls. 1066/1074, julgou procedente o lançamento. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega em síntese: a) que a exclusão do SIMPLES não pode ser retroativa; b) a necessidade de lei complementar para a criação de novas contribuições; c) que ao excluir a empresa do SIMPLES a fazenda está cobrando novas contribuições sem respaldo legal; d) a invalidade do MPF pelo transcurso do prazo; e) a necessidade de demonstração do vínculo empregatício, f) a inconstitucionalidade da SELIC como juros moratórios. Requer a reforma da decisão recorrida porque o auto de infração não possui respaldo legal e deve ser julgado insubsistente, sendo que, subsidiariamente requer o afastamento da SELIC por ilegal e inconstitucional, da multa por ser confiscatória e o reconhecimento da base de cálculo das contribuições para o SEST/SENAT, como sendo o salário de contribuição para os transportadores autônomos. É o relatório. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Cumprido o requisito de admissibilidade frente à tempestividade, conforme protocolo de fls. 326, conheço do recurso e passo ao seu exame. O levantamento referese às contribuições patronais devidas sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, que prestaram serviço à autuada e que não foram recolhidas porque a empresa se entendia optante do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. Todavia, de acordo com a documentação acostada às fls. 150 e 154, temse que a recorrente foi excluída do Sistema através do Ato Declaratório Executivo n.º66, de 08/11/2007, com efeitos retroativos à 09/04/2002, conforme dispõe o inciso III do artigo 15, da Lei n.º 9.3717/96: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: (…) III a partir do início de atividade da pessoa jurídica, sujeitandoa ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência, acrescidos, apenas, de juros de mora quando efetuado antes do início de procedimento de ofício, na hipótese do inciso II, "b", do art. 13; Do ato de exclusão foi dada ciência à empresa, assegurado o contraditório e concedido prazo para que manifestasse sua inconformidade, mas não houve qualquer pronunciamento por parte da ora recorrente, tornadose, assim, definitiva, administrativamente, a decisão. Portanto, são inócuas as alegações da recorrente, neste processo de auto de infração por falta de recolhimento de contribuições previdenciárias, acerca da impossibilidade dos efeitos retroativos da exclusão, eis que a decisão já transitou em julgado, sem que fosse contraditada à época própria. São também improcedentes as assertivas acerca da inexistência de lei complementar para a cobrança de novas contribuições advindas com a exclusão do SIMPLES, eis que não estão sendo cobrados novos tributos ou contribuições, apenas aquelas devidas pela empresa, constantes da Lei n.º 8.212/91 e que foram substituídas quando o contribuinte optou pelo recolhimento mensal unificado, SIMPLES. Ocorre que a recorrente foi excluída do Sistema, por exercer atividade incompatível com a opção e conforme o artigo legal acima transcrito, sujeitandose ao pagamento dos das contribuições devidas na forma exposta pelas normas gerais de incidência. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16004.000630/200921 Acórdão n.º 230201.256 S2C3T2 Fl. 3 5 No que se refere às argumentações da recorrente de que o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF é inválido por estar expirada sua validade e não ter sido prorrogado, é de se notar que às fls. 31/32, consta o TIAF – Termo de Inicio da Ação Fiscal, datado de 25/07/2008, compreendendo o período a ser fiscalizado de 01/2004 a 12/2006 e trazendo expressamente o número do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF 0810700200802400, e seu código de acesso 77304118, para ser conferido na página da Receita Federal do Brasil, na internet, no link Consulta Mandado de Procedimento Fiscal. Com efeito, após consulta no referido endereço, se pode observar que o MPF foi regularmente emitido em 24/07/2008, para o período que consta na presente autuação, 12/2004 a 04/2006, tendo sido prorrogado na forma disposta pela legislação vigente, com validade até 16/11/2009, respaldando o lançamento que foi efetuado em 25/09/2009, com ciência pelo sujeito passivo em 29/09/2009. Desta forma, é indiferente a situação do MPF n.º 09392399F00, de 2007, pois o procedimento fiscal que resultou na autuação em tela está respaldado no já citado MPF 0810700200802400, vigente do inicio ao encerramento da ação fiscal. Também não merece guarida a alegação da recorrente quanto à necessidade da demonstração de vínculo empregatício, eis que o levantamento se refere às contribuições devidas e incidentes sobre a remuneração dos seus segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviço, não havendo qualquer discussão acerca de caracterização de empregados. Os valores que serviram de base para o levantamento constam das folhas de pagamento da autuada e de documentos por ela elaborados, não restando dúvidas de que os segurados ali arrolados são seus empregados, fato que inclusive não foi contraposto em nenhum momento pela recorrente. Melhor dizendo, não há qualquer apontamento, por parte do contribuinte, de que algum segurado constante das folhas de pagamento não seja empregado. Quanto aos contribuintes individuais também não restam dúvidas de que prestaram serviços à recorrente, posto que as contribuições foram apuradas com base nos recibos e folhas de pagamento, documentos estes de posse e guarda da recorrente, de seu pleno conhecimento não cabendo alegar falta de caracterização, até porque o contribuinte individual resta caracterizado justamente pela prestação de serviço sem vínculo empregatício. No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por derradeiro, não possui natureza de confisco a exigência da multa, pois não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. No caso em tela, o fisco informou que foi aplicada a multa de ofício no percentual de 75% ou a multa de mora de 24%, conforme se mostraram mais benéficas para o contribuinte em cada competência. Ocorre que do exame da planilha de fls.179/180, se pode observar que a comparação das multas foi efetuada levando em consideração aquela aplicada, também, pelo auto de infração de não declarar em GFIP todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. Entretanto, do exame da legislação vigente, entendo que as multas devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, para cada caso, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada, não cabendo o somatório efetuado na autuação para a configuração de multa mais vantajosa para o contribuinte. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento , de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Fl. 378DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 16004.000630/200921 Acórdão n.º 230201.256 S2C3T2 Fl. 4 7 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte recolhe os valores devidos antes da ação fiscal, não se aplica a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430. Se pagou, mas não declarou em GFIP, por exemplo, deve ser aplicada a multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por serem condutas distintas. E, ainda, caso contribuinte tenha declarado em GFIP não deve ser aplicada a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, mas a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430/96, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. A multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Pela leitura do dispositivo legal, concluiuse que não é uma faculdade do fisco escolher a multa mais benéfica para o contribuinte somando penalidades impostas por mora e descumprimento de obrigação acessória, mas tão somente aplicar a penalidade atual se for menos gravosa para o contribuinte, em comparação com aquela vigente à época do fato gerador. Assim, no caso presente, como os fatos geradores são anteriores à edição da MP 449/2008, haveria cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional, se a aplicação da multa, nos moldes da citada medida provisória, fosse mais benéfica para o contribuinte, em comparação com a multa de mora, ambas aplicadas de forma isolada. Todavia, do exame dos autos tal fato não se configurou, porque foi levado em consideração o somatório das multas por descumprimento de obrigação acessória e principal. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, para que a multa moratória seja aplicada nos moldes do artigo 35, da Lei n.º8.212/91, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 379DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Fl. 380DF CARF MF Impresso em 26/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 15/09/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 21/09/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13707.000247/2004-52
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE-SIMPLES
Anocalendário: 2004
MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. DETERMINAÇÃO DE INCLUSÃO NO SIMPLES DOS FILIADOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CONCOMITÂNCIA. CUMPRIMENTO DA DECISÃO JUDICIAL.
Tendo em vista a decisão proferida pelo TRF da 2° Região, no sentido de incluir os filiados posteriormente ao ajuizamento da ação, não cabe a este tribunal administrativo se furtar ao cumprimento de tal decisão. Ausência de concomitância, em razão da ausência de identidade dos processos administrativo e judicial.
Numero da decisão: 9101-001.107
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201106
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE-SIMPLES Anocalendário: 2004 MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. DETERMINAÇÃO DE INCLUSÃO NO SIMPLES DOS FILIADOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CONCOMITÂNCIA. CUMPRIMENTO DA DECISÃO JUDICIAL. Tendo em vista a decisão proferida pelo TRF da 2° Região, no sentido de incluir os filiados posteriormente ao ajuizamento da ação, não cabe a este tribunal administrativo se furtar ao cumprimento de tal decisão. Ausência de concomitância, em razão da ausência de identidade dos processos administrativo e judicial.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 13707.000247/2004-52
anomes_publicacao_s : 201106
conteudo_id_s : 4883001
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Feb 09 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 9101-001.107
nome_arquivo_s : 910101107_13707000247200452_201106.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : SUSY GOMES HOFFMANN
nome_arquivo_pdf_s : 13707000247200452_4883001.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
dt_sessao_tdt : Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
id : 4746771
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:29 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233145810944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1476; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13707.000247/200452 Recurso nº 135.649 Especial do Procurador Acórdão nº 9101001.107 – 1ª Turma Sessão de 29 de junho de 2011 Matéria SIMPLES Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado WI MENDES ENSINO DE IDIOMAS LTDA. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. DETERMINAÇÃO DE INCLUSÃO NO SIMPLES DOS FILIADOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CONCOMITÂNCIA. CUMPRIMENTO DA DECISÃO JUDICIAL. Tendo em vista a decisão proferida pelo TRF da 2° Região, no sentido de incluir os filiados posteriormente ao ajuizamento da ação, não cabe a este tribunal administrativo se furtar ao cumprimento de tal decisão. Ausência de concomitância, em razão da ausência de identidade dos processos administrativo e judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Fl. 188DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13707.000247/200452 Acórdão n.º 9101001.107 CSRFT1 Fl. 2 2 (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Orlando José Gonçalves Bueno, Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Alberto Pinto Souza Junior, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, Antonio Carlos Guidoni Filho e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. O processo referese a pedido de solicitação, do contribuinte, para sua inclusão no Simples, o qual restou indeferido. Apresentada manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, manteve o indeferimento, nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 Ementa: MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. EXTENSÃO DOS EFEITOS DA DECISÃO CONCESSIVA DE SEGURANÇA. A sentença proferida em mandado de segurança coletivo proposto por entidade sindical só produz efeitos em relação aos membros da entidade que estavam filiados à época do ajuizamento da ação. Solicitação indeferida.” Temse que, no caso, a contribuinte, sociedade empresária que tem por objeto ensino de idiomas, na condição de filiada Sindelivre, pretendeu verse incluída no Simples, tendo em vista sentença proferida em mandado de segurança coletivo impetrado pelo sindicato, em 12/04/1999. Nos autos do mandado de segurança coletiva, ante a procedência do pedido, foram opostos embargos de declaração pelo Sindicato, a fim de se aclarar a eficácia subjetiva Fl. 189DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13707.000247/200452 Acórdão n.º 9101001.107 CSRFT1 Fl. 3 3 da decisão. Esclareceuse, desta forma, que “a segurança concedida beneficia os filiados ao Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro”. Tal decisão restou mantida, mesmo em face de apelação interposta pela União Federal. Em 201/10/2005, o juízo da 18° Vara Federal do Rio de Janeiro, proferiu decisão em que especificou o seguinte: “O que foi decidido nos Embargos de Declaração é que a segurança concedida beneficia os filiados ao Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro, conforme dispositivo de fl. 114. Porém, isto não significa dizer que todos os associados do SINDELIVRE são beneficiários da segurança concedida como quer fazer crer o sindicato, mas apenas aqueles associados substituídos no momento do ajuizamento”. Diante disso, a DRJ decidiu por indeferir o pleito do contribuinte, sob o fundamento de que o contribuinte somente se constitui (28/10/2003) após a data do ajuizamento da ação mandamental em questão. Contudo, no âmbito do Poder Judiciário, a questão ainda se encontra em discussão, uma vez que o TRF da 2° Região, em julgamento de Agravo de Instrumento, decidiu por estender os efeitos da decisão no mandado de segurança coletivo a todos os inscritos na entidade sindical, ainda que posteriormente ao ajuizamento da ação. Contra essa decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial ao STJ. Nos presente autos, o contribuinte, então, recorreu, requerendo a revisão da sua opção pelo Simples (fls. 86/91). A antiga Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso do contribuinte (fls. 128/135), nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 SIMPLES INCLUSÃO. Ação coletiva intentada por Sindicato de categoria perante o Poder Judiciário beneficia todos os associados, independente da data da associação. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial. Suscitou divergência jurisprudencial em relação a dois pontos: a) “efeito da ação em relação aos não filiados, à época do ajuizamento do feito coletivo”; b) “existência de concomitância caso se entenda pela maior abrangência da ação” Desta forma, preliminarmente, argumentou no sentido da ocorrência de concomitância entre os processos administrativo e judicial. Segundo a recorrente: Fl. 190DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13707.000247/200452 Acórdão n.º 9101001.107 CSRFT1 Fl. 4 4 “Ora, se a intenção da empresa é dizer que tem decisão judicial a seu favor e que à Administração cabe cumprila, então que atrevesse petição no processo judicial alegando descumprimento de ordem judicial. Na via administrativa, não há o que ser debatido ou decidido. Este Conselho não pode ‘ordenar’ os órgãos de execução a cumprirem uma decisão judicial. Esta competência é do próprio Poder Judiciário. Veja que a Câmara a quo não se pronunciou sobre eventual querela surgida na interpretação ou no cumprimento da decisão judicial. Mui de revés, decidiu pela existência ou não de ordem judicial para a empresa. Mas, paradoxalmente, quando entendeu que empresa estava sim contida na decisão, ‘deu provimento ao recurso’, ao invés de reconhecer simplesmente a concomitância.” No mérito, alegou que: “Portanto, a pessoa jurídica que preste serviços de professor, fisicultor, ou assemelhado, não pode optar pela sistemática do Simples. Outrossim, o contrato social da pessoa jurídica, comprova tratarse de uma academia de ginástica (fls. 35), atividade esta impeditiva por se enquadrar entre aquelas prestadas por professor, fisicultor ou assemelhados”. O contribuinte apresentou suas contrarazões (fls. 164/168). Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. Devese traçar, em primeiro lugar, um breve panorama dos fatos versados nos autos, a fim de se chegar ao deslinde do mérito recursal. A empresa contribuinte tem como objeto social o “ensino de idiomas”, conforme cláusula segunda do seu contrato social. Fl. 191DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13707.000247/200452 Acórdão n.º 9101001.107 CSRFT1 Fl. 5 5 Nos termos do documento de fls. 04, o contribuinte é filiado ao Sindelivre (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre) no Rio de Janeiro. O contribuinte ingressou com pedido de inclusão no Simples “embora subsista vedação da atividade da empresa, atendendo Sentença de Mérito obtida pelo SINDELIVRE/ RIO na 18° Vara Federal em Mandado de Segurança n°99.00094069, confirmada pela Terceira Turma do Tribunal Regional Federal do Rio de Janeiro, através de Acórdão, evidenciada através de Certidão da Decisão de Embargos favorável aos filiados do SINDELIVRE/RIO no Estado do Rio de Janeiro, conforme cópias que segue em anexo, inclusive declaração de filiação do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro SINDELIVRE/RIO”. Diante disso, a discussão, nos autos, chegando até a presente instância, referiuse à possibilidade de eficácia subjetiva da decisão em relação ao contribuinte, tendo em vista que a sua filiação posteriormente ao ajuizamento da ação. Temse, conforme consta do relatório, que o TRF da 2° Região, em julgamento de Agravo de Instrumento, entendeu por estender a todos os filiados ao Sindicato a eficácia subjetiva da decisão proferida no âmbito do Mandado de Segurança Coletiva, ainda que tal filiação tenha ocorrido posteriormente ao ajuizamento da ação. A recorrente, no presente recurso especial, narrou que houve interposição de recurso especial contra tal decisão. Diante destes fatos, é que se deve analisar o recurso especial da Fazenda Nacional. Preliminarmente, não procede a alegação de concomitância entre os processos administrativos e judiciais em questão. Em primeiro lugar, a concomitância se verifica quando há identidade de ações, nas searas judicial e administrativa. Tal fato não se verifica no presente caso. Com efeito, o processo judicial em questão, tratado nos autos, constituise em mandado de segurança coletivo interposto pelo Sindelivre/Rio. Só por isso já se tem afastada a concomitância. Veja que, em tese de legitimidade para as ações coletivas, seja pela tese de que os legitimados assim o são extraordinariamente (agindo em nome próprio, porém defendendo interesse alheio), seja sob o entendimento de que se trata de legitimidade autônoma, os processos em questão, administrativo e judicial, não são idênticos e, pois, concomitantes. Por outro lado, temse, também, que o mandado de segurança coletivo é anterior mesmo ao processo administrativo. E foi justamente com base naquele que o contribuinte solicitou a sua inclusão no Simples, a fim de lhe dar cumprimento. Revelouse, portanto, legítimo o intento do contribuinte. Finalmente, trago à baila citação de artigo da Procuradora da Fazenda Nacional Vládia Pompeu Silva, para quem: Fl. 192DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13707.000247/200452 Acórdão n.º 9101001.107 CSRFT1 Fl. 6 6 “Assim, uma vez que a impetração do mandado de segurança coletivo por sindicato, entidade de classe ou associação legalmente constituída independe da autorização de seus membros ou associados não podemos admitir que tal atitude induza à concomitância entre a ação coletiva e processo administrativo fiscal. Ora, a renúncia é ato de vontade, pressupõese que aquele ajuíza ação judicial cujo objeto se encontra em discussão em processo administrativo fiscal pendente, o faz de forma consciente dos efeitos que daí irá advir. Por outro lado, na maioria das vezes os titulares dos direitos discutidos em ações coletivas sequer sabem da existência de tal demanda, não podendo ser penalizados com o reconhecimento ex officio de renúncia de seu processo administrativo fiscal”. 1 Passo, destarte, à análise do mérito recursal. E aqui entendo que a decisão judicial deve ser cumprida perante este tribunal administrativo. E, neste passo, é de se ter que a decisão do TRF da 2° Região foi justamente no sentido de estender os efeitos do decidido no Mandado de Segurança Coletivo mesmo àqueles que se filiaram ao Sindicato posteriormente ao ajuizamento do remédio constitucional. Notese que, em pesquisa no sítio do Superior Tribunal de Justiça, em face da alegação da Fazenda de que havia interposto recurso especial contra a decisão proferida pelo TRF 2°, temse que referido recurso não foi conhecido por aquela corte, conforme a seguinte ementa: AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 1.187.321 ES (2009/00833760) RELATOR : MINISTRO HUMBERTO MARTINS AGRAVANTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL AGRAVADO : SINDICATO DOS ESTABELECIMENTOS DE ENSINO LIVRE DO RIO DE JANEIRO SINDELIVRE ADVOGADO : CARLOS SCHUBERT DE OLIVEIRA E OUTRO(S) TRIBUTÁRIO – AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO DENEGATÓRIA DE PROCESSAMENTO DO RECURSO ESPECIAL – INCIDÊNCIA DO RACIOCÍNIO SEDIMENTADO POR MEIO DO ENUNCIADO 182 DA SÚMULA DO STJ – AGRAVO IMPROVIDO. 1 SILVA, Vládia Pompeu. A Concomitância entre o Processo Administratvo e Judicial e a Configuração da Renúncia à Via Administrativa: uma análise dos Efeitos Oriundos de Ações Coletivas. Revista Dialética de Direito Tributário. n° 186. Fl. 193DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13707.000247/200452 Acórdão n.º 9101001.107 CSRFT1 Fl. 7 7 DECISÃO Vistos. Cuidase de agravo de instrumento tirado pela FAZENDA NACIONAL dedecisão que obstou a subida de recurso especial interposto comfundamento no artigo 105, inciso III, alínea "a", da ConstituiçãoFederal contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da2ª Região assim ementado (fl. 604e): "PROCESSO CIVIL AGRAVO DE INSTRUMENTO MANDADO DE SEGURANÇACOLETIVO LIMITES SUBJETIVOS DA COISA JULGADA EXTENSÃO ASSOCIAÇÕES FILIADAS AO SINDICATO. O entendimento do julgado é de que o Sindicato impetrante, ora agravante, tem direito líquido e certo ao postulado, uma vez que a natureza da ação no mandado de segurança coletivo aplicase a todos os associados da entidade, mesmo os inscritos posteriormente ao ajuizamento da ação." Os embargos de declaração opostos foram rejeitados (fl. 628): "PROCESSO CIVIL – EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS – PREQUESTIONAMENTO. I – Da leitura do acórdão e do contexto do voto condutor se depreende a falta de justificativa dos fatos e do direito que se pretende seja aclarado no acórdão recorrido. II – Ainda que para efeito de prequestionamento, os embargos de declaração devem demonstrar de forma inequívoca a existência dos vícios enumerados no art. 535 do CPC." Em seu recurso especial, alega a agravante violação dos artigos 535, inciso II, do Código de Processo Civil e 2ºA, parágrafo único, da Lei n. 9.494/97. Apresentadas as contrarrazões às fls. 647/654e, sobreveio juízo de admissibilidade negativo da instância de origem (fls. 557/559e), o que deu ensejo à interposição do presente agravo. É, no essencial, o relatório. Não prospera o inconformismo. É de se observar, da detida análise dos autos, que a decisão agravada negou a subida do recurso especial sob a alegação de que o acórdão recorrido não infringiu o artigo 535 do Código de Processo Civil uma vez que os embargos de declaração foram opostos com a finalidade de prequestionamento e que o entendimento aplicado ao caso está em conformidade com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Nas razões do presente agravo, a recorrente limitase a sustentar a violação dos artigos indicados no recurso especial sem, contudo, refutar a incidência do óbice de admissibilidade Fl. 194DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13707.000247/200452 Acórdão n.º 9101001.107 CSRFT1 Fl. 8 8 previsto no enunciado 83 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça, Dessarte, o agravo de instrumento interposto contra decisão denegatória de processamento de recurso especial que não impugna,m especificamente, seus fundamentos não merece conhecimento ante o óbice imposto pelo enunciado 182 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça, aplicada, mutatis mutandis, ao caso sob exame, conforme pacífico entendimento desta Corte ("É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada"). A propósito, os seguintes precedentes: "RECURSO DA EMPRESA PROCESSUAL CIVIL FALTA DE IMPUGNAÇÃO DO TODOS OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. 1. A decisão agravada negou seguimento ao recurso especial sob os seguintes fundamentos: 1) não há violação do artigo 535 do Código de Processo Civil; 2) quanto à violação do artigo 20, §§ 3° e 4° do Código de Processo Civil, incide o enunciado 7 da Súmula desta Corte. 2. Nas razões do agravo de instrumento, a recorrente não fez qualquer referência à nãoocorrência de violação do artigo 535 do CPC, furtandose a rebater especificamente todos os fundamentos da decisão agravada. (...) Agravos regimentais improvidos." (AgRg nos EDcl no Ag 588.129/SP, deste relator, Segunda Turma, julgado em 11.11.2008, DJe 1º.12.2008.) "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ART. 544 DO CPC. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. VALOR DE ALÇADA. ART. 34 DA LEF. EMBARGOS INFRINGENTES. RECURSO ESPECIAL. FALTA DE IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA AOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA 182/STJ. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS 282 E 356 DO STF. 1. O agravo de instrumento se torna inviável quando a sua fundamentação não impugna especificamente a decisão agravada. Inteligência da Súmula 182 do STJ, que dispõe: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". (...) 6. Agravo regimental desprovido." (AgRg no Ag 927.877/PR, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 14.10.2008, DJe 3.11.2008.) Fl. 195DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13707.000247/200452 Acórdão n.º 9101001.107 CSRFT1 Fl. 9 9 “PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO ESPECÍFICA CONTRA A INADMISSIBILIDADE DO RECURSO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA Nº 182 DO STJ. PENHORA. ORDEM DE BENS. INVERSÃO. ANÁLISE. NECESSIDADE DO REEXAME DO ACERVO FÁTICO PROBATÓRIO. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS Nº 07 E Nº 83 DO STJ. 1. A falta de irresignação específica contra os fundamentos da decisão agravada faz incidir à hipótese o teor da Súmula 182 do STJ. (...) 4. Agravo regimental de que não se conhece.” (AgRg no Ag 788.737/RS, Rel. Juiz Federal convocado Carlos Fernando Mathias, Quarta Turma, julgado em 12.8.2008, DJe 15.9.2008.) “DIREITO ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. MILITAR. REFORMA. RECURSO QUE NÃO INFIRMA OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. SÚMULA 182/STJ. DISPOSITIVO DE LEI FEDERAL VIOLADO. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Não se conhece do agravo de instrumento que não infirma os fundamentos da decisão que inadmitiu na origem o recurso especial. Incidência, por analogia, da Súmula 182/STJ. (...) 4. Agravo regimental improvido." (AgRg no Ag 974.674/RN, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Quinta Turma, julgado em 8.5.2008, DJe 23.6.2008.) Ante o exposto, com fundamento no artigo 557, caput, do Código de Processo Civil, nego provimento ao agravo de instrumento. Publiquese. Intimemse. Brasília (DF), 02 de outubro de 2009. MINISTRO HUMBERTO MARTINS Relator (Ministro HUMBERTO MARTINS, 06/10/2009) Desta forma, não pode este tribunal furtarse ao cumprimento da decisão judicial em questão. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, em 29 de junho de 2011. 29 de junho de 2011 (assinado digitalmente) Fl. 196DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13707.000247/200452 Acórdão n.º 9101001.107 CSRFT1 Fl. 10 10 Susy Gomes Hoffmann Fl. 197DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 13052.000159/2005-83
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PIS. BASE DE CÁLCULO NA VIGÊNCIA DA LEI 9.718. CRÉDITO
PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCLUSÃO.
Consoante decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, o conceito de faturamento válido para a definição da base de cálculo do PIS anteriormente à aprovação da Emenda Constitucional nº 20 não inclui receitas não decorrentes da atividade empresarial. Como tal se enquadra o acréscimo patrimonial decorrente do incentivo fiscal deferido pela Lei 9.363, o qual,
receita embora, não resulta diretamente da atividade exercida pela sociedade empresária.
PIS. BASE DE CÁLCULO NA VIGÊNCIA DA LEI 10.637. CRÉDITO
PRESUMIDO DE IPI. INCLUSÃO.
A partir do período de apuração correspondente ao mês de dezembro de 2002, quando entram em vigor as disposições da Lei 10.637, que restabelece como base de cálculo da contribuição PIS a totalidade das receitas auferidas, o valor correspondente ao benefício fiscal instituído pela Lei 9.363, receita que é, inclui-se
naquela base.
Numero da decisão: 9303-001.712
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso especial, nos termos do Relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nanci Gama.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Julio Cesar Alves Ramos
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : PIS - ação fiscal (todas)
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : PIS. BASE DE CÁLCULO NA VIGÊNCIA DA LEI 9.718. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCLUSÃO. Consoante decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, o conceito de faturamento válido para a definição da base de cálculo do PIS anteriormente à aprovação da Emenda Constitucional nº 20 não inclui receitas não decorrentes da atividade empresarial. Como tal se enquadra o acréscimo patrimonial decorrente do incentivo fiscal deferido pela Lei 9.363, o qual, receita embora, não resulta diretamente da atividade exercida pela sociedade empresária. PIS. BASE DE CÁLCULO NA VIGÊNCIA DA LEI 10.637. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCLUSÃO. A partir do período de apuração correspondente ao mês de dezembro de 2002, quando entram em vigor as disposições da Lei 10.637, que restabelece como base de cálculo da contribuição PIS a totalidade das receitas auferidas, o valor correspondente ao benefício fiscal instituído pela Lei 9.363, receita que é, inclui-se naquela base.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 13052.000159/2005-83
anomes_publicacao_s : 201111
conteudo_id_s : 4879112
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 13 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9303-001.712
nome_arquivo_s : 930301712_13052000159200583_201111.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Julio Cesar Alves Ramos
nome_arquivo_pdf_s : 13052000159200583_4879112.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, nos termos do Relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nanci Gama.
dt_sessao_tdt : Mon Nov 07 00:00:00 UTC 2011
id : 4748547
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:33 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233150005248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2010; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13052.000159/200583 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303001.712 – 3ª Turma Sessão de 07 de novembro de 2011 Matéria PIS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INDÚSTRIA DE CALÇADOS BLIP LTDA PIS. BASE DE CÁLCULO NA VIGÊNCIA DA LEI 9.718. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. NÃO INCLUSÃO. Consoante decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, o conceito de faturamento válido para a definição da base de cálculo do PIS anteriormente à aprovação da Emenda Constitucional nº 20 não inclui receitas não decorrentes da atividade empresarial. Como tal se enquadra o acréscimo patrimonial decorrente do incentivo fiscal deferido pela Lei 9.363, o qual, receita embora, não resulta diretamente da atividade exercida pela sociedade empresária. PIS. BASE DE CÁLCULO NA VIGÊNCIA DA LEI 10.637. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INCLUSÃO. A partir do período de apuração correspondente ao mês de dezembro de 2002, quando entram em vigor as disposições da Lei 10.637, que restabelece como base de cálculo da contribuição PIS a totalidade das receitas auferidas, o valor correspondente ao benefício fiscal instituído pela Lei 9.363, receita que é, incluise naquela base. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial, nos termos do Relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nanci Gama. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 EDITADO EM: 16/01/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio PereiraValadão, Maria Teresa Martínez López e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Insurgese a Fazenda Nacional contra acórdão que entendeu indevida a tributação pela contribuição PIS da receita decorrente do aproveitamento do crédito presumido de IPI instituído pela Lei 9.363. Segundo os demonstrativos dos valores exigidos (fl. 20), o contribuinte deixou de incluir tal parcela na base de cálculo da contribuição entre os meses de janeiro de 2001 e janeiro de 2004. Ou seja, tanto em períodos em que a base legal para fixação do valor tributável era a Lei 9.718 (até novembro de 2002) quanto em períodos em que já vigia a Lei 10.637, que instituiu a sistemática de apuração nãocumulativa. Como paradigma de divergência, apresentou a ementa do acórdão n° 201 79.962, à fl. 419, impressa diretamente da página na internet dos antigos Conselhos de Contribuintes. O acórdão guerreado, prolatado pela Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, restou assim ementado: "CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS E IPI. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1° DO ART. 3 0 DA LEI N°9.718/98. DECLARADA PELO STF. IMPOSSIBILIDADE DE INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. O crédito presumido do ICMS e do IPI são parcelas relacionadas a redução de custos e não a obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial. Por decisão definitiva proferida pelo STF, deve ser afastada a inclusão na base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins das parcelas relativas ao crédito presumido do ICMS e do IPI, por não se constituírem em receitas decorrentes da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços O recurso (fls. 411/419) combatia também o afastamento do “crédito presumido de ICMS”, mas quanto a ele não foi admitido, consoante despacho às fls. 423/424, ratificado pelo Presidente do CARF (fl. 425). Nele, aduz a PFN que “o conceito de receita vem sendo reformulado a cada dia, e não se pode negar que há forte tendência de adequálo à dinâmica que impera nas atividades empresariais”. E, citando o professor Ricardo Mariz,: Fl. 483DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13052.000159/200583 Acórdão n.º 9303001.712 CSRFT3 Fl. 2 3 "...por conseguinte, receita é um plus jurídico que se agrega ao patrimônio, ainda que o ato do qual ela seja parte não acarrete aumento patrimonial, ou mesmo que acarrete redução patrimonial; por isso, é mais apropriado dizer que receita agrega um elemento positivo ao patrimônio" complementa: Ora, parece que a intenção da doutrina moderna vem sendo a de entender a palavra receita como aquele ingresso que represente um plus jurídico em favor do contribuinte, esteja ou não sua origem relacionada à atividade fim da empresa, ou ainda, seja ou não decorrente de esforço do contribuinte e voltado estritamente ao cumprimento de seu objeto social. Em contrarazões (fls. 429/454) a recorrida cita decisão desta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, relatora a Conselheira Maria Teresa, em que, por maioria, afastouse a tributação. Vale o registro de que, como fundamento de seu voto, a Conselheira relatora utilizou, à larga, obra do mesmo professor Ricardo Mariz. A conclusão da CSRF, então, foi a de que tal parcela se caracteriza como subvenção e não poderia ser tributada pela contribuição na vigência da restrição imposta pela decisão do STF. Igualmente importante ressaltar que o acórdão da CSRF citado foi prolatado depois (fevereiro de 2009) da data de ingresso do recurso da PFN. Não tem, por isso, aplicação o parágrafo 10 do art. 67 do Regimento. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS A divergência jurisprudencial foi adequadamente demonstrada e o recurso deve, por isso, ser admitido. A complexidade da definição da natureza jurídica da parcela objeto da autuação ressalta do fato que procurei demonstrar no relatório: tanto a PFN, recorrente, quando a recorrida valemse dos ensinamentos do mesmo consagrado doutrinador para chegar a conclusões diametralmente opostas quanto à tributação da parcela. A que veio a prevalecer nesta instância especial afirmaa subvenção e conclui que “como tal” receita não é. Ouso, no entanto, divergir dessa conclusão, valendome de considerações expendidas quando do julgamento de caso específico de subvenção. Ainda que ali se tratasse da COFINS, são elas inteiramente aplicáveis ao PIS na regência da Lei 9.718, pelo que peço licença para transcrevêlas: Quanto à segunda matéria, se refere ao correto enquadramento contábil das subvenções e, por decorrência, à incidência da Cofins. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 O primeiro registro do tema pode ser encontrado na norma legal que tratava dos lançamentos contábeis para efeito de exigência do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, antes da edição da Lei nº 6.404/76 (Lei das SA), ou seja, a Lei nº 4.506/64. Assim dispunha ela: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Mesmo tendo sido adaptada, pelo Decretolei nº 1.598/77, às disposições da lei das S.A., neste particular não sofreu alteração. Vale dizer que o segundo não revogou a norma anterior. Ele dispôs: Art. 38 Não serão computadas na determinação do lucro real as importâncias, creditadas a reservas de capital, que o contribuinte com a forma de companhia receber dos subscritores de valores mobiliários de sua emissão a título de: I ágio na emissão de ações por preço superior ao valor nominal, ou a parte do preço de emissão de ações sem valor nominal destinadas à formação de reservas de capital; II valor da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; III prêmio na emissão de debêntures; IV lucro na venda de ações em tesouraria. § 1º O prejuízo na venda de ações em tesouraria não será dedutível na determinação do lucro real. § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no artigo 36 e seus parágrafos; ou b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. Examinando o assunto, a Coordenação do Sistema de Tributação da SRF expediu o Parecer Normativo (PN CST) nº 112/78, que esclareceu os requisitos para que as subvenções recebidas possam ser tratadas como para investimento, permitindose o seu lançamento direto em conta de reserva de capital sem transitar pelo resultado do período. Assim, tomando como referência o PN CST nº 02/78, adotou o seguinte entendimento: 2.12 – Observase que a subvenção para investimento apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o” animus” de subvencionar para investimento. Impõe se, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. Mais adiante em seu item 2.14: Fl. 485DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13052.000159/200583 Acórdão n.º 9303001.712 CSRFT3 Fl. 3 5 ... As SUBVENÇÕES, em princípio, serão todas elas, computadas na determinação do lucro líquido: as subvenções para custeio ou operação, na qualidade de integrantes do resultado operacional; as subvenções para investimento, como parcelas do resultado não operacional. Resta ainda definir se essa inclusão das subvenções no resultado operacional, se de custeio, e nãooperacional, se para investimento, implica sua tributação pela COFINS, após a edição da Lei nº 9.718/98. É que entendem alguns que, mesmo integrando o resultado operacional, não se conformariam a um conceito de receitas, mais restritivo, que exigiria uma efetiva contraprestação em bens ou serviços por parte da recebedora dos recursos. Essa linha de raciocínio pretende estabelecer uma distinção entre acréscimo patrimonial, o gênero, e receitas, definindoas como espécie daquele, que incluiria ainda as recuperações de despesas, as subvenções e as doações. Podese encontrar na literatura contábil exemplo (embora aparentemente isolado) de tal definição, na seguinte conceituação 3 Receita é a expressão monetária, validada pelo mercado, do agregado de bens e serviços da entidade, em sentido amplo, em determinado período de tempo e que provoca um acréscimo concomitante no ativo e no patrimônio líquido, considerado separadamente da diminuição do ativo (ou do acréscimo do passivo) e do patrimônio líquido provocados pelo esforço em produzir tal receita. Entretanto, tal definição (ou, melhor dizendo, a interpretação que nela pretenda ver a possibilidade de excluir alguns tipos de acréscimo patrimonial) não encontra guarida nas normas técnicas de contabilidade emitidas pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), órgão legalmente habilitado a disciplinar o exercício da profissão. Com efeito, a Norma Técnica NBT 10, subitem 10.16, aprovada pela Resolução CFC nº 922, de 13 de dezembro de 2001 estabelece: 10.16.2 REGISTRO CONTÁBIL 10.16.2.1 As transferências a título de subvenção que correspondam ou não a uma contraprestação direta de bens ou serviços para a entidade transferidora, devem ser contabilizadas como receita na entidade recebedora dos recursos financeiros. 10.16.2.2 As transferências a título de contribuição, mesmo que não correspondam a uma contraprestação direta de bens ou serviços para a entidade transferidora, devem ser contabilizadas como receita na entidade recebedora dos recursos financeiros. 10.16.2.3 Os auxílios ou contribuições para despesas de capital devem ser contabilizados diretamente em conta específica de Reserva de Capital, no Patrimônio Líquido. De igual modo, os auxílios ou contribuições devem ser contabilizados em conta específica, _________________ 3 IUDÍCIBUS, Sérgio de. Teoria da Contabilidade. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 1986. p.127 designativa da operação, no Patrimônio Social das entidades que se sujeitam às normas contábeis mencionadas no item 10.16.1.4. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 10.16.2.4 As doações financeiras para custeio devem ser contabilizadas em contas específicas de receita. As doações para investimentos e imobilizações, que são consideradas patrimoniais, inclusive as arrecadadas na constituição da entidade, devem ser contabilizadas no Patrimônio Líquido ou Social, conforme seja o caso específico da pessoa jurídica beneficiária da transferência. Essa determinação do órgão responsável pelo disciplinamento do exercício da contabilidade no nosso País, ratifica, como não poderia deixar de ser, o que já vem expresso na norma legal específica do assunto, qual seja a Lei nº 6.404/76: Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. § 1º Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem: a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias; b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; c) o prêmio recebido na emissão de debêntures; d) as doações e as subvenções para investimento. § 2° Será ainda registrado como reserva de capital o resultado da correção monetária do capital realizado, enquanto nãocapitalizado. § 3° Serão classificadas como reservas de reavaliação as contrapartidas de aumentos de valor atribuídos a elementos do ativo em virtude de novas avaliações com base em laudo nos termos do artigo 8º, aprovado pela assembléiageral. § 4º Serão classificados como reservas de lucros as contas constituídas pela apropriação de lucros da companhia. § 5º As ações em tesouraria deverão ser destacadas no balanço como dedução da conta do patrimônio líquido que registrar a origem dos recursos aplicados na sua aquisição. Guarda, além disso, e igualmente como não poderia deixar de ser, inteira coerência com as resoluções do mesmo Conselho que definem e explicam os princípios de contabilidade geralmente aceitos. São elas a Resolução CFC nº 750, de 29 de dezembro de 1993, que diz SEÇÃO VI O PRINCÍPIO DA COMPETÊNCIA Art. 9º As receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independentemente de recebimento ou pagamento. § 1º O Princípio da COMPETÊNCIA determina quando as alterações no ativo ou no passivo resultam em aumento ou diminuição no patrimônio líquido, estabelecendo diretrizes para classificação das mutações patrimoniais, resultantes da observância do Princípio da OPORTUNIDADE. § 2º O reconhecimento simultâneo das receitas e despesas, quando correlatas, é conseqüência natural do respeito ao período em que ocorrer sua geração. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13052.000159/200583 Acórdão n.º 9303001.712 CSRFT3 Fl. 4 7 § 3º As receitas consideramse realizadas: I – nas transações com terceiros, quando estes efetuarem o pagamento ou assumirem compromisso firme de efetiválo, quer pela investidura na propriedade de bens anteriormente pertencentes à ENTIDADE, quer pela fruição de serviços por esta prestados; II – quando da extinção, parcial ou total, de um passivo, qualquer que seja o motivo, sem o desaparecimento concomitante de um ativo de valor igual ou maior; III – pela geração natural de novos ativos independentemente da intervenção de terceiros; IV – no recebimento efetivo de doações e subvenções. e a de nº 774, de 16 de dezembro de 1994 (DOU de 18.01.1995) que, aprofundando a anterior, menciona: 1.4 Dos objetivos da Contabilidade O objetivo científico da Contabilidade manifestase na correta apresentação do Patrimônio e na apreensão e análise das causas das suas mutações. Já sob ótica pragmática, a aplicação da Contabilidade a uma Entidade particularizada, busca prover os usuários com informações sobre aspectos de natureza econômica, financeira e física do Patrimônio da Entidade e suas mutações, o que compreende registros, demonstrações, análises, diagnósticos e prognósticos, expressos sob a forma de relatos, pareceres, tabelas, planilhas e outros meios. O tema, tão claro no quadrante científico, comporta comentários mais minuciosos quando direcionado aos objetivos concretos perseguidos na aplicação da Contabilidade a uma Entidade em particular. Adentramos, no caso, o terreno operacional, regulado pelas normas. Assim, ouvese com freqüência dizer que um dos objetivos da Contabilidade é o acompanhamento da evolução econômica e financeira de uma Entidade. No caso, o adjetivo “econômico” é empregado para designar o processo de formação de resultado, isto é, as mutações quantitativoqualitativas do patrimônio, as que alteram o valor do Patrimônio Líquido, para mais ou para menos, correntemente conhecidas como “receitas” e “despesas”. Já os aspectos qualificados como “financeiros” concernem, em última instância, aos fluxos de caixa. E mais adiante: 2.6.1 As variações patrimoniais e o Princípio da Competência A compreensão do cerne do Princípio da COMPETÊNCIA está diretamente ligada ao entendimento das variações patrimoniais e sua natureza. Nestas encontramos duas grandes classes: a daquelas que somente modificam a qualidade ou a natureza dos componentes patrimoniais, sem repercutirem no montante do Patrimônio Líquido, e a das que o modificam. As primeiras são denominadas de “qualitativas”, ou “permutativas”, enquanto as segundas são chamadas de “quantitativas”, ou “modificativas”. Cumpre salientar que estas últimas sempre implicam a existência de alterações qualitativas no patrimônio, a fim de que permaneça inalterado o equilíbrio patrimonial. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 A COMPETÊNCIA é o Princípio que estabelece quando um determinado componente deixa de integrar o patrimônio, para transformarse em elemento modificador do Patrimônio Líquido. Da confrontação entre o valor final dos aumentos do Patrimônio Líquido – usualmente denominados “receitas” – e das suas diminuições – normalmente chamadas de “despesas” –, emerge o conceito de “resultado do período”: positivo, se as receitas forem maiores do que as despesas; ou negativo, quando ocorrer o contrário. Observase que o Princípio da Competência não está relacionado com recebimentos ou pagamentos, mas com o reconhecimento das receitas geradas e das despesas incorridas no período. Mesmo com desvinculação temporal das receitas e despesas, respectivamente do recebimento e do desembolso, a longo prazo ocorre a equalização entre os valores do resultado contábil e o fluxo de caixa derivado das receitas e despesas, em razão dos princípios referentes à avaliação dos componentes patrimoniais. Quando existem receitas e despesas pertencentes a um exercício anterior, que nele deixarem de ser consideradas por qualquer razão, os competentes ajustes devem ser realizados no exercício em que se evidenciou a omissão. Por tudo quanto exposto, não parece haver dúvida de que, sendo as subvenções para custeio, RECEITAS integrantes do subgrupo dos Resultados Operacionais, estão englobadas no conjunto de elementos contábeis sujeitos à tributação pela COFINS após o advento da Lei nº 9.718/98. Diante do que está dito, é de se concluir que mesmo que se entenda que o crédito presumido deva ser visto como uma subvenção estatal aos exportadores, não deixa, só por isso, de ser contabilmente enquadrado como receita. Seria necessário que tal subvenção pudesse se enquadrar como “subvenção para investimento”, nos termos acima expostos, o que só muita imaginação pode conceber... Por outro lado, as transcrições da Lei 6.404 e 4.506 deixam claro, ainda, que o mesmo se dá caso seja ele considerado “recuperação de custos ou de despesas”, dado que ambas integram a receita bruta operacional. Inescapável, por isso, a conclusão: o crédito presumido do IPI instituído pela Lei 9.363 é receita e teria de ser incluído na base de cálculo do PIS se mantida a vigência plena da Lei 9.718, isto é, se a sua base de cálculo fosse mesmo a “totalidade das receitas auferidas”. Ocorre que, como é sabido por todos, aquela vigência plena foi obstada pelo e. STF. Com efeito, no julgamento dos recursos extraordinários nº 346.084 e nº 357.950, a Corte Maior, em sua composição plena, deu o entendimento de que o faturamento a que se refere aquela lei não pode ser confundido com a totalidade das receitas auferidas, como pretendia o inconstitucional parágrafo. Para as empresas comerciais e de prestação de serviços, as decisões não deixam dúvida de que o primeiro restringese ao somatório das receitas provenientes da venda de bens ou da prestação de serviços, que corresponde ao resultado das atividades empresariais típicas de tais entidades. Não remanescem dúvidas, por conseguinte, de que até o período de apuração novembro de 2002 não se incluem no faturamento, base de cálculo do PIS segundo o caput do art. 3º da Lei nº 9.718/98, receitas que extrapolem o restritivo conceito de faturamento acima destacado. Esse é, sem sombra de dúvidas, o caso do reconhecimento contábil do direito ao Fl. 489DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13052.000159/200583 Acórdão n.º 9303001.712 CSRFT3 Fl. 5 9 benefício fiscal instituído pela Lei nº 9.363/96, o qual, ainda que deva ser registrado como receita, não integra o faturamento da empresa. Ao lado disso, a Portaria MF 256/2008, que criou o CARF, trouxe autorização aos seus conselheiros para afastar a aplicação de lei já declarada inconstitucional pelo Plenário do STF. Refirome, como é bem sabido, ao seu art. 62, § 2º, inciso I. Após a sua edição, essa norma ganhou status regulamentar, ao ser inserida no Decreto 70.235/72 (art. 26 A, introduzido pelo art. 25 da Lei 11.941/2009). Destarte, é o meu voto no sentido de que o crédito presumido de IPI instituído pela Lei 9.363 somente pode ser tributado pela contribuição em tela se e quando sua base de cálculo for a “totalidade das receitas auferidas”. Tendo a autuação englobado períodos de apuração em que vigia a Lei 9.718, para eles, e apenas para eles, a exigência não pode prosperar, resultando acertada a decisão que a douta PFN procura combater. Já no que concerne aos períodos de apuração iniciados em dezembro de 2002, entendo merecer acolhida a contestação fazendária dado que a Lei 10.637/2002 voltou a considerar tributável a totalidade das receitas auferidas e não há decisão judicial aplicável ao contribuinte que considere isso igualmente inconstitucional. Com essas considerações, voto por dar parcial provimento ao recurso da Fazenda Nacional para restabelecer a tributação relativamente aos períodos de apuração compreendidos entre dezembro de 2002 (inclusive) e janeiro de 2004. É como voto. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 490DF CARF MF Impresso em 18/04/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/03/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10380.005040/2007-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
PAGAMENTO DE VERBA A TÍTULO DE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DISTRIBUIÇÃO DESPROPORCIONAL À PARTICIPAÇÃO DO SÓCIO NO CAPITAL SOCIAL. NATUREZA JURÍDICA DIVERSA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Malgrado terem sido denominadas Juros Sobre Capital Próprio, as verbas, que foram pagas em desproporção a participação de cada sócio no capital social da empresa, possuem natureza jurídica diversa, sendo suscetíveis de incidência de contribuições previdenciárias, quando o beneficiário seja pessoa física com atuação na administração da empresa.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
CONVENÇÕES PARTICULARES. OPOSIÇÃO À FAZENDA PÚBLICA.
INADMISSIBILIDADE.
Salvo disposição em contrário, não tem validade as convenções particulares firmadas para afastar o pagamento de tributos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.151
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201112
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PAGAMENTO DE VERBA A TÍTULO DE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DISTRIBUIÇÃO DESPROPORCIONAL À PARTICIPAÇÃO DO SÓCIO NO CAPITAL SOCIAL. NATUREZA JURÍDICA DIVERSA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Malgrado terem sido denominadas Juros Sobre Capital Próprio, as verbas, que foram pagas em desproporção a participação de cada sócio no capital social da empresa, possuem natureza jurídica diversa, sendo suscetíveis de incidência de contribuições previdenciárias, quando o beneficiário seja pessoa física com atuação na administração da empresa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 CONVENÇÕES PARTICULARES. OPOSIÇÃO À FAZENDA PÚBLICA. INADMISSIBILIDADE. Salvo disposição em contrário, não tem validade as convenções particulares firmadas para afastar o pagamento de tributos. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10380.005040/2007-59
anomes_publicacao_s : 201112
conteudo_id_s : 4800373
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 28 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 2401-002.151
nome_arquivo_s : 2401002151_10380005040200759_201112.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 10380005040200759_4800373.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
id : 4748377
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233155248128
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1789; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 286 1 285 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.005040/200759 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 240102.151 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 1 de dezembro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente SANTA CLARA INDUSTRIA E COMERCIO DE ALIMENTOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PAGAMENTO DE VERBA A TÍTULO DE JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. DISTRIBUIÇÃO DESPROPORCIONAL À PARTICIPAÇÃO DO SÓCIO NO CAPITAL SOCIAL. NATUREZA JURÍDICA DIVERSA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Malgrado terem sido denominadas Juros Sobre Capital Próprio, as verbas, que foram pagas em desproporção a participação de cada sócio no capital social da empresa, possuem natureza jurídica diversa, sendo suscetíveis de incidência de contribuições previdenciárias, quando o beneficiário seja pessoa física com atuação na administração da empresa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 CONVENÇÕES PARTICULARES. OPOSIÇÃO À FAZENDA PÚBLICA. INADMISSIBILIDADE. Salvo disposição em contrário, não tem validade as convenções particulares firmadas para afastar o pagamento de tributos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 291DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 292DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10380.005040/200759 Acórdão n.º 240102.151 S2C4T1 Fl. 287 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa acima identificada contra decisão da Delegacia de Julgamento em Fortaleza (CE), fls. 218/223, a qual declarou procedente o crédito consignado na NFLD n.º 35.785.5043. O crédito em questão engloba a contribuição da empresa incidente sobre a remuneração paga a contribuintes individuais. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 153/157, os fatos geradores presentes no lançamento foram os pagamentos, na competência 12/2002, de Juros Sobre Capital Próprio JSCP em atropelo à legislação aplicável. Afirma a Auditoria que o pagamento dos “juros” se deu sem respeitar a proporcionalidade da participação de cada sócio no capital social. Afirmase que a composição societária da empresa notificada tinha, na época da distribuição dos JSCP, a seguinte configuração: PRL Participações e Empreendimentos S/A 99,97%; Vicente de Paula Rego de Lima 0,01%; Paulo de Tarso Régo de Lima 0,01%; Pedro Alcântara Rego de Lima 0,01%. A despeito disso, afirma o Fisco, a empresa efetuou o creditamento dos JSCP na seguinte proporção: PRL Participações e Empreendimentos S/A R$ 1.000.00: Vicente de Paula Rêgo de Lima R$ 443.000,00;Paulo de Tarso Rêgo de Lima RS 443.000,00; Pedro Alcântara Rêgo de Lima R$ 443.000,00; No recurso apresentado, fls. 233/240, a empresa alega, em síntese, que: a) a contribuição patronal prevista na alínea "a" do inciso I do art. 195 da Constituição Federal e no inciso III do art 22 da Lei n.° 8.212/1991 somente pode incidir sobre pagamento que configure contraprestação por um trabalho executado; b) prólabore e dividendos são conceitos distintos, não cabendo ao legislador ou aplicador da lei confundilos para efeito de exigência fiscal; c) apresenta texto doutrinário que traz a conclusão de que os juros sobre o capital próprio não visam à remuneração do investimento no capital social da empresa, mas à distribuição do resultado da atividade econômica, ou seja, o lucro, não podendo integrar a base de cálculo, nem das contribuições que incidem sobre a receita bruta, tampouco daquelas incidentes sobre folha de salário ou remuneração; d) o caput do art. 9.° da Lei n.° 9.249/1995, ao dispor que a empresa poderá deduzir na apuração do lucro real os valores repassados aos sócios a titulo JSCP, não deixa dúvidas que essa rubrica não tem relação com rendimento do trabalho, mas consiste em remuneração vinculada ao capital investido; e) quando o § 10 do mesmo dispositivo prevê que o valor da referida parcela deve ser adicionada ao lucro liquido para determinação da base de cálculo da Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido CSLL, afasta a incidência da contribuição prevista no art. 22, Fl. 293DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 III, da Lei n.° 8.212/1991, haja vista que o lucro liquido já é base para financiamento da Seguridade Social, por meio da CSSL; f) ao contrário do que afirma a DRJ, o Código Civil, seja o revogado ou o atual, permite a distribuição de lucros de forma desproporcional A. participação de cada sócio no capital social; g) houve deliberação societária, conforme ata de reunião de sócios cotistas realizada em 31/12/2002, de que não haveria obediência proporcionalidade do capital social para atribuição de parcela relativa A. distribuição de JSCP, deliberação que foi referendada a posteriori; h) colaciona decisão proferida pelo Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda que corrobora a sua tese de que não há legislação que vede a distribuição da parcela em questão de forma desproporcional a participação de cada sócio no capital social. Ao final, pede a reforma da decisão da DRJ de maneira que seja reconhecida a insubsistência do lançamento. A 1.ª Turma Ordinária da 4.ª Câmara da 2.ª Seção do CARF resolveu converter o julgamento em diligência para que a Autoridade Notificante se pronunciasse sobre suposta duplicidade de cobrança do presente crédito com a NFLD de n.º 35.785.4047, a qual foi lançada contra a mesma empresa, para a mesma competência e tratando dos mesmos fatos geradores. Em resposta à diligência requerida, a Delegacia da RFB em Fortaleza, assim se pronunciou: 2. Informamos que não há bis in idem. 0 processo relativo ao DEBCAD 35.785.5043 tem por fato gerador o pagamento de juros sobre o capital próprio em desacordo com a legislação aplicável realizado pela empresa Santa Clara Indústria e Comercio de Alimentos Ltda, CNPJ 63.310.411/000101, consoante destacaram os Auditores no Relatório Fiscal, fls. 153 a 157; enquanto que o fato gerador do processo relativo ao DEBCAD 35.969.4047 é o pagamento de juros sobre o capital próprio em desacordo com a legislação aplicável realizado pela empresa SC Indústria e Comercio Ltda, CNPJ 02.643.206/0001 65, consoante Relatório Fiscal fls. 151 a 156, cuja responsabilidade foi imputada Santa Clara Indústria e Comercio de Alimentos Ltda, em razão de incorporação havida em 31/08/2003. Dessa informação prestada pelo Fisco foi dada ciência a empresa notificada, contra a qual foram apresentados os mesmos argumentos presentes no recurso, ver fls. 258/265. É o relatório. Fl. 294DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10380.005040/200759 Acórdão n.º 240102.151 S2C4T1 Fl. 288 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Da natureza jurídica dos juros sobre capital próprio O Fisco descaracterizou os pagamentos efetuados a título JSCP em razão da verba haver sido distribuída aos sócios sem respeitar a proporcionalidade da participação dos mesmos no capital social. Portanto, para a solução da presente lide, esse órgão de julgamento terá que dizer se tal procedimento efetivamente transmuda a natureza jurídica da verba paga a título JSCP em remuneração pelo trabalho. Considerandose que o motivo tomado pela auditoria para considerar os JSCP como remuneração decorreu de seu pagamento sem respeitar a participação de cada sócio no capital da empresa, a pesquisa sobre a natureza jurídica da verba ganha relevo, uma vez que caso se conclua que a verba corresponde a dividendo não haveria tributação, haja vista que o Código Civil1 permite a distribuição de resultados das empresas em proporção diferente daquela verificada na composição do capital social. Todavia, caso se considere que os JSCP como despesa financeira da entidade empresarial e receita para o beneficiário, o seu pagamento obrigatoriamente teria que se dar na proporção direta da participação de cada sócio. Os JSCP foram introduzidos na Legislação Brasileira pela Lei n. 9.249/1996, como forma alternativa de remuneração pelo capital investido, os quais poderiam ser deduzidos como custo ou despesa operacional para fins de apuração do lucro real. Eis os termos do normativo citado: Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo TJLP. §1º O efetivo pagamento ou crédito dos juros fica condicionado à existência de lucros, computados antes da dedução dos juros, ou de lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual 1 Art. 1007. Salvo estipulação em contrário, o sócio participa dos lucros e das perdas, na proporção das respectivas quotas, mas aquele, cuja contribuição consiste em serviços, somente participa dos lucros na proporção da média do valor das quotas. Fl. 295DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados.(Redação dada pela Lei nº 9.430, de 1996) § 2º Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário. (...) Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. À empresa, então, caberia verificar qual a forma de pagamento seria mais vantajosa do ponto de vista de economia tributária, pagar dividendos aos sócios sem incidência de imposto de renda, ou remunerálos mediante os JSCP, dedutíveis como despesas operacionais para fins de apuração do lucro real. Vejo que os JSCP, ao contrário do que afirma a recorrente, diferenciamse dos dividendos, posto que, embora ambos sejam rendimentos do capital, o tratamento fiscal é diversos em relação aos dois tipos de distribuição dos resultados. Os JSCP são considerados despesas financeiras para a empresa e receitas para o beneficiário, que tem como teto para fins de cálculo a variação da TJLP. O seu pagamento decorre da compensação aos sócios/acionistas pela decisão de optar por aplicar os seus recursos na empresa. Como bem se afirmou na decisão recorrida, esse entendimento é corroborado pela Administração Tributária, que, ao tratar do tema na Instrução Normativa n.º 11/1996, dá aos JSCP o tratamento contábil de despesa financeira, nos seguintes termos: Art.. 30. O valor dos juros pago, ou creditados pela pessoa jurídica, a título de remuneração do capital próprio, poderá ser imputado ao valor dos dividendos de que trata o art. 202 da Lei n" 6.404. de 15 de dezembro de 1976, sem prejuízo da incidência do imposto de renda na fonte. Parágrafo único. Para efeito de dedutibilidade na determinação do lucro real, os juros pagos ou creditados, ainda que imputados aos dividendos ou quando exercida a opção de que traía o § 1 do artigo anterior, deverão ser registrados em contrapartida de despesas financeiras. De fato, não há como se acolher a tese de que alguém aplique na empresa um determinado capital e receba juros em valor superior a outro que investiu um montante maior. Da possibilidade de distribuição dos juros sobre capital próprio em desproporção ao capital social Partindose, assim, da premissa de que os JSCP são despesas financeiras para entidade, decorrentes de retribuição pelos aportes realizados pelos sócios/acionistas, não se justifica que a sua distribuição não obedeça a proporção existente no seu capital social. Fl. 296DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10380.005040/200759 Acórdão n.º 240102.151 S2C4T1 Fl. 289 7 Não há de se considerar o argumento de que haveria deliberação da sociedade prevendo a distribuição dos JSCP em percentual diverso da participação dos sócios no capital social, haja vista que, embora seja prevista pelo Código Civil a possibilidade de participação dos sócios nos lucros sem respeitar a proporcionalidade presente na composição das quotas, no caso em tela cuidase de pagamento de parcela de natureza jurídica diversa. Nesse sentido, a deliberação adotada não tem poder de contrariar a legislação tributária, nos termos do art. 123 do CTN2. Assim, há de se concluir que, embora o sujeito passivo tenha adotado a denominação de Juros Sobre Capital Próprio – JSCP para a verba em destaque, a mesma possui outra natureza jurídica de remuneração uma vez que paga a administradores da empresa sem que se considerasse a participação de cada um no capital social. Da incidência de contribuição sobre a parcela Não há dúvida que nos termos do inciso III do art. 22 da Lei n. 8.212/19913 a contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos aos segurados contribuintes individuais, categoria da qual faz parte os sócios, como veremos, somente pode alcançar os valores decorrentes do trabalho prestado ao sujeito passivo, não sendo legítima a exação sobre valores decorrentes do retorno do capital investido. Portanto, tendo a empresa efetuado pagamento dos JSCP aos sócios Vicente de Paula Rêgo de Lima, Paulo de Tarso Rêgo de Lima e Pedro Alcântara Rêgo de Lima em percentual que extrapola a sua participação societária, o excesso deve ser considerado remuneração para fins de incidência de contribuição social, haja vista que os mesmos participavam da gestão da empresa e a distribuição da verba se deu de forma contrária ao que prescreve a legislação. Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (...) f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem 2 Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes 3 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (...) Fl. 297DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (...) Nesse sentido, considerando a existência de trabalho prestados por essas pessoas físicas na gestão da empresa, o que se verifica ainda hoje da cláusula 7.ª do Contrato Social acostado, fl. 206, há de se concluir que os valores pagos de JSCP que excederam o que lhes seria devido pela participação de cada um no capital social, deve ser considerado salário decontribuição. Conclusão De todo o exposto, voto por conhecer do recurso, para lhe negar provimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 298DF CARF MF Emitido em 29/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/12 /2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/12/2011 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10909.002501/2009-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2008
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA.
A multa por atraso na entrega de DCTF é devida quando a data da entrega ultrapassa o prazo definido na legislação e o contribuinte não comprova estar desobrigado da entrega.
Numero da decisão: 1202-000.635
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2008 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A multa por atraso na entrega de DCTF é devida quando a data da entrega ultrapassa o prazo definido na legislação e o contribuinte não comprova estar desobrigado da entrega.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10909.002501/2009-05
anomes_publicacao_s : 201111
conteudo_id_s : 4847413
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 28 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1202-000.635
nome_arquivo_s : 120200635_10909002501200905_201111.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : VIVIANE VIDAL WAGNER
nome_arquivo_pdf_s : 10909002501200905_4847413.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
dt_sessao_tdt : Mon Nov 21 00:00:00 UTC 2011
id : 4748241
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:44:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233161539584
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1424; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 91 1 90 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.002501/200905 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1202000.635 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de novembro de 2011 Matéria MULTA ATRASO DCTF. Recorrente BONET MADEIRAS E PAPEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2008 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A multa por atraso na entrega de DCTF é devida quando a data da entrega ultrapassa o prazo definido na legislação e o contribuinte não comprova estar desobrigado da entrega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno e Viviane Vidal Wagner. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 05/01/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10909.002501/200905 Acórdão n.º 1202000.635 S1C2T2 Fl. 92 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face de decisão de primeira instância que manteve o lançamento de multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, no valor de R$ 9.112,24, referente ao mês de fevereiro de 2007, cujo prazo fatal para a entrega ocorreu em 09/04/2007, tendo se dado a entrega efetiva apenas em 11/04/2007. O auto de infração (fl. 37) apontou como enquadramento legal: arts. 155 e 160 da Lei nº 5172/66; art. 1º da Lei nº 9249/95; art 7º, inciso II e §3º, inciso II da Lei nº 10.426/02 e alterações posteriores. Em sua impugnação, o contribuinte apresentou as seguintes razões para desconstituir o auto de infração: (i) cerceamento do direito de defesa por falta de acesso aos documentos de cobrança; (ii) vício de intimação, por falta de ciência pessoal de seu representante legal; (iii) excesso ilegal e inconstitucional do valor da multa imposta, a qual deve ser reduzida diante da previsão do art. 7º, §§2º e 3º, da Lei nº 10.426/2002, em interpretação mais favorável ao contribuinte; (iv) utilização da taxa de juros Selic na cobrança do débito. A DRJ/Curitiba julgou procedente o lançamento pelos fundamentos a seguir resumidos: afastou as preliminares de nulidade por cerceamento do direito de defesa e de invalidade da intimação via postal não pessoal, citando, inclusive, a Súmula CARF nº 9; no mérito, considerou que a penalidade corresponde exatamente àquela determinada pela legislação aplicável; não se manifestou sobre os juros Selic, uma vez que o auto de infração não se refere ao tema; não apreciou a alegação de inconstitucionalidade da multa em face da limitação da competência do julgador administrativo, citando o Parecer Normativo CST n° 329 de 1970 e art. 4º do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997. Cientificado da decisão de primeira instância em 03/05/2011 (AR de fl. 51), o contribuinte apresentou, em 02/06/2011, recurso voluntário em que reforça as mesmas razões da impugnação, em especial quanto ao cerceamento do direito de defesa. Alega, ainda, ter havido denúncia espontânea, na forma do art. 138 do CTN, e que a exigência da entrega de DCTF pelo contribuinte, por parte do Fisco, viola o princípio da legalidade. Sobre os juros Selic aduz que (i) não teve acesso ao auto de infração, (ii) no demonstrativo de débito, anexado Fl. 92DF CARF MF Impresso em 05/01/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10909.002501/200905 Acórdão n.º 1202000.635 S1C2T2 Fl. 93 3 à intimaçao do Acórdão ora recorrido, consta expressamente: "o pagamento deverá ser efetuado com os acréscimos legais cabíveis" e (iii) a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) decidiu que é ilegal a incidência de juros sobre as multas de ofício aplicadas em autuações lavradas pela Receita Federal. Sustenta que não pode prevalecer o entendimento da legalidade da exigência da taxa SELIC como juros moratórios sobre os valores exigidos, devendo ser excluído do cálculo o excedente a 1% (um por cento) ao mês. Tratandose de autos de infração de multa por atraso na entrega de DCTF do mesmo ano calendário de 2004 e tendo sido utilizados os mesmos argumentos de defesa e as mesmas razões de decidir pelo colegiado a quo, serão apreciados conjuntamente os processos nºs 10909.002498/200911 (janeiro/2004), 10909.002501/200905 (fevereiro/2004) e 10909.002502/200941 (abril/2004), nos termos do art. 58, §8º, do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 05/01/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10909.002501/200905 Acórdão n.º 1202000.635 S1C2T2 Fl. 94 4 Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora Presentes os pressupostos recursais, inclusive o temporal, o recurso deve ser conhecido. Preliminarmente, a alegação de nulidade do lançamento por cerceamento de direito de defesa em razão da falta de acesso aos autos deve ser afastada pelo simples motivo de que a autuação decorre do cumprimento extemporâneo de obrigação acessória prevista na legislação. Não houve procedimento prévio de fiscalização nem foram carreados aos autos quaisquer elementos de prova de conduta irregular. A infração objeto de autuação é objetiva e de apuração sistemática, a partir da constatação, pelos sistemas eletrônicos da RFB, da entrega de declaração de forma extemporânea. Em outras palavras, a multa lançada foi calculada automaticamente sobre valores declarados pelo próprio contribuinte, na forma da legislação. Assim, a falta de acesso aos autos, se houve, não causou qualquer prejuízo à defesa. Outra nulidade apontada decorre da falta de ciência pessoal do responsável legal, o que teria viciado a intimação. Nesse passo, o processo administrativo tributário é regido pelo Decreto nº 70.235/72, que dispõe expressamente sobre as formas de intimação, in verbis: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997) ......................................................................................................... [destaquei] Como inexiste ordem de preferência entre as formas previstas na legislação, tendo sido o contribuinte intimado por via postal, conforme atesta o Aviso de Recebimento – AR juntado à fl. 38 dos autos, que contém o número de rastreamento indicado no cabeçalho do auto de infração (fl.37), não há qualquer irregularidade a ser reconhecida. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 05/01/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10909.002501/200905 Acórdão n.º 1202000.635 S1C2T2 Fl. 95 5 O tema é pacífico no âmbito do CARF, eis que editada a Súmula CARF nº 9, com o seguinte teor: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Em suas razões meritórias, o contribuinte traz argumentos de cunho finalístico e não questiona a entrega extemporânea da DCTF. A legislação é absolutamente clara quanto à penalidade em razão do descumprimento de obrigação acessória. Com lastro no art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, as multas pelo atraso na entrega da DCTF são calculadas proporcionalmente à quantidade de meses ou fração de mês de atraso, contados entre o dia seguinte ao término do prazo para entrega da declaração e o dia da efetiva entrega. O prazo fatal para a apresentação da DCTF referente a cada período encontrase previsto na legislação infralegal editada pela Secretaria da Receita Federal, sob delegação de competência do legislador ordinário. Após o prazo definido na legislação, para cada mês ou fração de atraso, deverá incidir a multa no percentual de 2% (dois por cento) calculado sobre o montante dos tributos e contribuições informados em DCTF, limitada a 20% (vinte por cento) desse montante. A multa é reduzida em 50% (cinquenta por cento) quando a DCTF é apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, como se deu no presente caso. O cálculo da multa objeto do recurso sob análise está expresso no auto de infração (fl.37), de maneira cristalina: 2% x 1 x 491.821,55 = R$ 9.836,43 x 50% = 4.918,21, onde o montante de R$ 491.821,55 corresponde ao total de tributos e contribuições informados pelo contribuinte em DCTF. Nesse sentido, não resta dúvida de que a autuação ora contestada apresentase formalmente exata, consoante os ditames legais, inclusive com a redução de 50% do seu montante. Por se tratar de obrigação acessória, a entrega da DCTF, ainda que anterior a qualquer procedimento fiscalizatório, não atrai a incidência do art. 138 do CTN, como vem reiteradamente decidindo as turmas do CARF. A pacificação da jurisprudência nesse sentido deu ensejo, em dezembro de 2010, à edição da Súmula CARF nº 49, que reza que “a denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração”. Cabe referir, ainda, que a discussão sobre a inconstitucionalidade ou ilegalidade da multa aplicada foge à alçada deste tribunal administrativo, especialmente a partir da publicação da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 05/01/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10909.002501/200905 Acórdão n.º 1202000.635 S1C2T2 Fl. 96 6 Por fim, no âmbito do CARF, temse admitido a discussão sobre a taxa de juros incidente sobre o crédito tributário quando o contribuinte traz o questionamento expresso no recurso voluntário, como é o caso. Ocorre que a cobrança de juros de mora à taxa Selic decorre de expressa previsão legal, incidindo sobre créditos tributários da União decorrentes de fatos geradores posteriores a 1º de abril de 1995, acumulados mensalmente a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento, e um por cento no mês do pagamento (art. 953 do RIR/99). A discussão encontrase esvaziada desde que o entendimento de que a taxa de juros Selic deve incidir sobre os débitos tributários administrados pela RFB foi pacificado com a edição da Súmula CARF n° 4, in verbis: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Isso posto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 96DF CARF MF Impresso em 05/01/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/12/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 04/01/2012 por NELSON LOSSO FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 36266.011903/2006-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000
RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE POSICIONAMENTO FAVORÁVEL À RECORRENTE NA POSIÇÃO DA MINORIA.
Não deve ser conhecido recurso por maioria quando a posição veiculada pela minoria vencida do acórdão recorrido não é favorável à recorrente ou esta nela não se apoia na formulação da pretensão recursal.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.652
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso.
Nome do relator: Gustavo Lian Hadad
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201107
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE POSICIONAMENTO FAVORÁVEL À RECORRENTE NA POSIÇÃO DA MINORIA. Não deve ser conhecido recurso por maioria quando a posição veiculada pela minoria vencida do acórdão recorrido não é favorável à recorrente ou esta nela não se apoia na formulação da pretensão recursal. Recurso especial não conhecido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 36266.011903/2006-46
anomes_publicacao_s : 201107
conteudo_id_s : 4862364
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 28 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 9202-001.652
nome_arquivo_s : 920201652_36266011903200646_201107.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : Gustavo Lian Hadad
nome_arquivo_pdf_s : 36266011903200646_4862364.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
dt_sessao_tdt : Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2011
id : 4746842
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233192996864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1313; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 36266.011903/200646 Recurso nº 242.932 Especial do Procurador Acórdão nº 920201.652 – 2ª Turma Sessão de 25 de julho de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CREAÇOES DANELLO LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 RECURSO ESPECIAL. AUSENCIA DE POSICIONAMENTO FAVORÁVEL À RECORRENTE NA POSIÇÃO DA MINORIA. Não deve ser conhecido recurso por maioria quando a posição veiculada pela minoria vencida do acórdão recorrido não é favorável à recorrente ou esta nela não se apóia na formulação da pretensão recursal. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Otacilio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 EDITADO EM: 04/08/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório Em face de Creações Danello Ltda foi lavrado o auto de infração de fls. 01/06, objetivando a constituição de crédito decorrente da aplicação de multa por haver a contribuinte, estando em débito com a Seguridade Social, atribuído participação nos lucros a sócios, em alegada infração ao disposto no art. 52, Inciso II da Lei 8212/91. A Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 20500.204, que se encontra às fls. 70/81 e cuja ementa é a seguinte: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração 01/07/1996 a 31/12/2005 Ementa: MPF. AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO E DAS AUTUAÇÕES. O Mandado de Procedimento Fiscal — MPF confere aos lançamentos e autuações legitimidade de que decorreram dos motivos e informações nele declarados. É também instrumento de controle da atividade de fiscalização. A ausência de MPF torna nulo todo o procedimento. Processo anulado.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por maioria de votos, anulou o Auto de Infração, vencidos o Relator e Conselheiro Manoel Coelho Arruda, que votaram pelo provimento do recurso no mérito, e o Conselheiro Marco André Ramos Vieira, que proferiu voto pela conversão do julgamento em diligência. Intimada pessoalmente do acórdão em 23/07/2008 (fls. 82) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 85/89, em que sustenta contrariedade à legislação em vigor na medida em que não haveria razão para ser declarada a nulidade do lançamento. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 203 79/2009 (fls. 92/95). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte apresentou as contrarazões de fls. 99/103. É o Relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 36266.011903/200646 Acórdão n.º 920201.652 CSRFT2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O caso comporta peculiar análise quanto à admissibilidade do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. O inciso I do art. 7° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, previa expressamente a interposição de recurso especial na hipótese de decisão não unanime que contrariasse a lei ou a evidência da prova. No entendimento deste relator, a necessidade de que a decisão contrária a Fazenda Nacional não seja unânime pressuõe, necessariamente, a existência nos autos de uma tese favorável à Recorrente que restou vencida no julgamento efetuado pela Câmara a quo. Fazse necessária, assim, a existência de posição divergente consagrada em voto vencido cuja aplicação ao caso fundamentasse o interesse de agir da Fazenda Nacional enquanto recorrente. Ocorre que esta não é a situação dos autos. De fato, nenhum dos votos vencidos ventilou entendimento que, caso prevalecesse sobre os demais, levaria a uma reversão do resultado do julgamento em favor da Fazenda Nacional. Vejamos. Os votos vencidos do Relator e do Conselheiro Manoel Coelho de Arruda reconheceram o pleito do contribuinte quiça em maior extensão que a maioria vencedora, dando provimento ao recurso no mérito e não apenas quanto à nulidade do auto de infração. Claramente nele não pode se amparar a Fazenda Nacional para demonstrar o interesse de agir relacionado ao recurso. Por outro lado, em relação ao voto divergente do Conselheiro Marco André Ramos Vieira, que propugnava pela conversão do julgamento em diligência, a Fazenda não fez qualquer consideração no recurso especial, pelo que nele também não pode se apoiar por não ter demonstrado linha de raciocínio e razão de insurgência neste sentido. Logo não foram comprovados os pressupostos para o conhecimento do recurso, notadamente a existência de minoria vencida favorável à Fazenda Nacional. Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 3DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Fl. 4DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/08/2011 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/08/2 011 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assinado digitalmente em 09/09/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10620.001093/2006-40
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano calendário:2002, 2003
EXIGÊNCIAS NÃO CONTESTADAS.
Considera-se não impugnada a matéria não expressamente contestada (art. 17 do Decreto n º 70.235, de 1972 PAF).
RECOLHIMENTOS PREVIAMENTE EFETUADOS PELO SUJEITO PASSIVO.
Devem ser abatidos dos valores exigidos em auto de infração, aqueles tempestiva e comprovadamente efetuados e declarados pelo sujeito passivo, antes do início da ação fiscal.
Numero da decisão: 1801-000.812
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Declarou-se impedida de votar a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva por ter participado do julgamento em primeira instância.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201111
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário:2002, 2003 EXIGÊNCIAS NÃO CONTESTADAS. Considera-se não impugnada a matéria não expressamente contestada (art. 17 do Decreto n º 70.235, de 1972 PAF). RECOLHIMENTOS PREVIAMENTE EFETUADOS PELO SUJEITO PASSIVO. Devem ser abatidos dos valores exigidos em auto de infração, aqueles tempestiva e comprovadamente efetuados e declarados pelo sujeito passivo, antes do início da ação fiscal.
turma_s : Primeira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10620.001093/2006-40
anomes_publicacao_s : 201111
conteudo_id_s : 4820224
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1801-000.812
nome_arquivo_s : 180100812_10620001093200640_201111.PDF
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : MARIA DE LOURDES RAMIREZ
nome_arquivo_pdf_s : 10620001093200640_4820224.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Declarou-se impedida de votar a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva por ter participado do julgamento em primeira instância.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2011
id : 4747526
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:43:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713044233216065536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1599; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 485 1 484 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10620.001093/200640 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180100.812 – 1ª Turma Especial Sessão de 23 de novembro de 2011 Matéria AI IRPJ Recorrente CASA COMERCIAL MARIO MARIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 EXIGÊNCIAS NÃO CONTESTADAS. Considerase não impugnada a matéria não expressamente contestada (art. 17 do Decreto n º 70.235, de 1972 PAF). RECOLHIMENTOS PREVIAMENTE EFETUADOS PELO SUJEITO PASSIVO. Devem ser abatidos dos valores exigidos em auto de infração, aqueles tempestiva e comprovadamente efetuados e declarados pelo sujeito passivo, antes do início da ação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Declarouse impedida de votar a Conselheira Carmen Ferreira Saraiva por ter participado do julgamento em primeira instância. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 490DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Edgar Silva Vidal, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente processo de autos de infração à legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, Contribuição ao Programa de Integração Social – PIS, que exigem da empresa acima qualificada o crédito tributário no montante total de R$ 469.739,32, aí incluídos o principal, a multa de ofício e os juros de mora calculados até a data da lavratura, tendo em conta a constatação de irregularidades apuradas nos anoscalendário 2002 e 2003, relativas a insuficiência de recolhimento de tributos e que ensejaram o arbitramento dos lucros (fls. 04/36). As irregularidades foram assim descritas no Termo de Constatação Fiscal de fls. 35 e demonstrativos às fls. 36/43: O contribuinte apresentou em 07/04/2006 os Livros Registro de Entradas, Saídas e de Apuração de ICMS e Livro de Registro de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrências, relativo ao período de 01/2002 a 12/2003 (doc. fls. 47 a 56). Apresentou também os balancetes mensais de apuração de PIS e COFINS em relação ao mesmo período anteriormente mencionado. Não apresentou os livros diário e razão, também solicitados. Em 23/08/06 apresentou documento no qual declara não ter os livros diário e razão, relativamente aos anos de 2002 e 2003 (doc. fl. 61). Além desses fatos, em 29/06/04 apresentou DIPJ's 03/04 zeradas (doc. fls. 62 .a 141). Após o inicio do procedimento fiscal, apresentou em 01/04/06, DIPJ retificadora (doc. fls. 142 a 188) , confirmando a tentativa de lesão aos cofres públicos. Diante dos fatos acima transcritos, procedemos ao arbitramento do lucro, considerando as planilhas apresentadas pelo contribuinte (doc. fls. 49 a 56), os valores constantes dos livros de ICMS e os valores das DIPJ's retificadoras, lançando os tributos devidos com as multas cabíveis, conforme planilhas anexas a este termo (doc. fls. 36 a 43). Cientificada das exigências por via postal, em 21/09/2006, conforme AR à fl. 190, apresentou a contribuinte impugnação em 25/09/2006 (fl. 192/) na qual solicita sejam considerados determinados pagamentos efetuados com DARF, conforme demonstrativos às fls. 193 a 196 e cópias dos DARFs às fls. 197 a 229. A 4a. Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG proferiu o Acórdão 0220.559 e julgou os lançamentos procedentes em parte (fls. 344/348). No julgamento foram exonerados os valores exigidos a título de PIS e COFINS de janeiro a novembro de 2002 pois a contribuinte os teria declarado como confissão de dívida em DCTF apresentada extemporaneamente, porém antes do início do procedimento fiscal. Fl. 491DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10620.001093/200640 Acórdão n.º 180100.812 S1TE01 Fl. 486 3 Foram mantidos integralmente os valores exigidos a título de IRPJ e de CSLL pois a contribuinte, optante pelo lucro real, não teria apresentado escrituração comercial e fiscal, nos termos da legislação em vigor, tendo sido declarado válido o arbitramento dos lucros. De acordo com aquela autoridade os valores pagos a título de IRPJ e de CSLL deveriam ser pleiteados em rito próprio de restituição/compensação. Notificada da decisão a empresa apresentou, em 19/02/2008 o recurso voluntário de fl. 351, no qual informa que “...no dia 22092006, recebeu desta Agência a CARTA COMUNICAÇÃO ARF / DTA / MG N° 009/2009, a qual encaminha cópia do Acórdão da DRJ BHE n° 0220.559...” e solicita sejam considerados os pagamentos efetuados no prazo conforme planilha e cópias de DARFs que anexa às fls. 353 a 371. Consta dos autos que os débitos teriam sido enviados para a Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União (fls. 373 a 420), assim como um esclarecimento da pessoa jurídica (421) informando a respeito da indevida inscrição em dívida da União e de sua impossibilidade de formalização de DCOMPs para os pagamentos efetuados a título de IRPJ e de CSLL não considerados pela decisão de 1a. instância em virtude da prescrição. À fl. 477 encontrase quota da Procuradoria da Fazenda Nacional de Sete Lagoas/MG solicitando da Receita Federal manifestação conclusiva sobre a ocorrência ou não dos recolhimentos estampados nas guias DARF apresentadas pela defesa e se tais valores teriam sido alocados aos débitos lançados. À fl. 478 encontrase despacho do SECAT da DRF em Sete Lagoas/MG, nos seguintes termos: Trata o presente processo de Auto de Infração de IRPJ, CSSL, PIS e COFINS, período de apuração 2002 e 2003 (fls. 04 a 32), lavrado em 18/06/2006 e com ciência do contribuinte em 21/09/2006, conforme Aviso de Recebimento de fl. 190. O contribuinte entrou com impugnação tempestiva em 25/09/2006 (fl. 192) e o processo foi encaminhado à DRJ/BHT/MG, com resultado através do Acórdão n° 0220.559, de 23/12/2008 (fls. 344 a 348). O contribuinte tomou ciência da decisão em 06/02/09 (AR de fl. 372) e em 19/02/2008, manifestouse contra a mesma, apresentando nova peça impugnatória (fl. 351) juntamente com as cópias dos comprovantes dos recolhimentos efetuados, de fls. 351 a 371. Tal fato não foi analisado; foi enviada cartacobrança ao contribuinte, com recebimento em 08/05/2009 (fl. 374), e, em 04/06/2009, o contribuinte efetuou novo pedido de revisão dos débitos (fls. 421 a 464). Em 15/06/2009, o processo foi enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional para Inscrição na Divida Ativa (DAU), efetuada na mesma data sob o número 60 2 09 00160702 (Termo e anexos de fls. 384 a 400). Em 15/07/2009, a Seção de Controle e Acompanhamento Tributário (SACAT) da DRF/STL/MG, na análise do pedido de revisão dos débitos (naquela época já inscritos na Divida Ativa da União), verificou que os pagamentos efetuados pelo contribuinte estavam alocados aos débitos declarados em DCTF, estando, assim, indisponíveis. Propôs, pois, a manutenção da inscrição e prosseguimento da cobrança (fl. 470). Em 07/10/2010, a Procuradoria da Fazenda Nacional, em despacho de fl. 477, retornou o presente processo a DRF/STL/MG para manifestação da Receita Federal Fl. 492DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 frente aos recolhimentos efetuados pelo contribuinte. Na análise dos autos, observouse que o requerimento apresentado pelo contribuinte, em 19/02/2008 (fl. 351), havia sido tempestivo, conforme o art. 33 do Decreto n º 70.235/72, abaixo transcrito: "Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão." Concluise que a inscrição em DAU foi indevida e que o processo deve seguir para julgamento em 2a. instancia. Proponho, pois, que o presente processo seja encaminhado à PFN/SETE LAGOAS/MG, para cancelamento da Inscrição em Divida Ativa da União, com posterior devolução à SACAT/DRF/STL/MG para encaminhamento ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. As inscrições em Dívida Ativa foram canceladas e o processo remetido para julgamento neste CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. Não é possível saber a data em que a empresa contribuinte foi notificada da decisão da DRJ em Belo Horizonte/MG. Não consta dos autos o AR da referida intimação. A empresa alega a tempestividade do Recurso, em que pese afirmar ter sido notificada da decisão em 22/09/2006, e ter apresentado o Recurso Voluntário em 19/02/2008, ou seja, passado mais de um ano da ciência. O despacho do SECAT da DRF em Sete Lagoas/MG, à fl. 478, também é confuso, pois afirma que a contribuinte teria tomado ciência da decisão em 06/02/09 (AR de fl. 372) e teria protocolizado o Recurso Voluntário em 19/02/2008, ou seja, um ano antes de ser cientificada. Assim, para que não haja mais prejuízos à defesa, considero tempestivo o Recurso Voluntário e dele tomo conhecimento. Mérito A recorrente não contesta o mérito da autuação e, nos termos do artigo 17 do Decreto n º 70.235, de 1972 – PAF, “Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Entretanto, como visto no relatório que precede o presente voto, a DRJ em Belo Horizonte/MG já havia exonerado a empresa recorrente dos lançamentos atinentes às Fl. 493DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10620.001093/200640 Acórdão n.º 180100.812 S1TE01 Fl. 487 5 contribuições ao PIS e a COFINS, em vista dos pagamentos comprovadamente efetuados e declarados em DCTF, antes do início do procedimento fiscal. Em que pese a exoneração taxativa, a unidade de origem enviou, indevidamente, carta de cobrança ao sujeito passivo e, posteriormente, todos os débitos lançados neste processo para inscrição em Dívida Ativa da União, inclusive os de PIS e COFINS. Os valores exigidos de PIS e COFINS são indevidos, como já havia sido decidido pela DRJ em Belo Horizonte. Portanto, diante da EXONERAÇÃO dos lançamentos de PIS e COFINS, nada mais deverá ser cobrado da contribuinte a esse título. Qualquer cobrança ou inscrição em dívida dos valores de PIS e COFINS constantes do presente processo devem sumariamente ser consideradas indevidas. No que toca ao IRPJ e a CSLL é fato inconteste que a empresa não possui escrituração nas formas das leis comerciais e fiscais. Nesse ponto não houve sequer impugnação por parte da empresa, como consignei anteriormente. Dessa forma, o arbitramento é devido, assim como os valores exigidos a título de IRPJ e de CSLL. Contudo, também é fato inconteste que a empresa declarou em DCTF valores devidos a título de IRPJ e de CSLL para todos os meses dos anoscalendário 2002 e 2003, assim como providenciou, TEMPESTIVAMENTE, os recolhimentos desses débitos, conforme comprovam os DARFs anexados às fls. 197 a 228, confirmados pelas pesquisas realizadas nos sistemas internos da Receita Federal, cujas telas foram inseridas às fls. 230 a 279 e solicitou que esses pagamentos também fossem abatidos dos montantes exigidos a título de IRPJ e de CSLL. Na decisão da DRJ em Belo Horizonte o relator do voto consignou que não poderiam ser abatidos os valores pleiteados e que a empresa deveria apresentar Declaração de Compensação/Restituição, nos termos do artigo 74 da Lei n º 9.430, de 1996, para se aproveitar desses pagamentos em compensação com outros tributos ou para solicitar a restituição desses valores. Ocorre que, como bem lembrou a defesa, há prazo fatal estabelecido na mesma legislação citada pela autoridade da DRJ, para apresentação de pedidos ou declarações de compensação/restituição e quando a empresa recebeu a notificação da decisão da DRJ, esse prazo já havia se esgotado. Observese que a ação fiscal teve início em 22/03/2006, com a lavratura do Termo de Início de Fiscalização às fls. 44/45 (ciência à fl. 46) quando a contribuinte já havia apresentado as DCTF (2004) e já havia providenciado os recolhimentos (2002). Naquele momento o agente fiscal já dispunha dessas informações. Portanto, a auditoria, sob esse aspecto, foi falha, pois o agente não tomou o cuidado de checar se a pessoa jurídica havia apresentado DCTF ou se havia recolhido algum valor a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relativamente a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2002 e 2003. A DRJ em Belo Horizonte/MG percebeu a falha e constatou a entrega pela contribuinte de DCTFs, de forma extemporânea, mas antes do início da ação fiscal. (fls. 329/342). Por essa razão os valores exigidos de PIS e de COFINS foram considerados indevidos. Todavia, as dificuldades operacionais dos sistemas internos da Receita Federal, somadas à inércia da administração não podem prejudicar o direito da contribuinte. Fl. 494DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Na época em que lavrou os autos de infração a auditoria já poderia ter orientado corretamente a empresa a apresentar pedido de restituição ou DCOMP para reaver ou utilizar em compensações os pagamentos efetuados a título de IRPJ e de CSLL, que passaram a ser indevidos em face dos valores exigidos nos moldes do arbitramento dos lucros nos anos calendário 2002 e 2003, pois ainda não haviam se passado os cinco anos a contar do primeiro recolhimento indevido. Portanto, os recolhimentos tempestiva e comprovadamente efetuados a título de IRPJ e de CSLL dos anoscalendário 2002 e 2003 e declarados em DCTF deverão ser utilizados em imputação de pagamento e alocados aos débitos de IRPJ e de CSLL exigidos nos respectivos autos de infração, sob pena de enriquecimento ilícito da União. Por todo o exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para determinar a alocação dos pagamentos de IRPJ e de CSLL ao crédito tributário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 495DF CARF MF Emitido em 01/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/11/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/11/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
