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Numero do processo: 10880.930070/2006-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Oct 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Ano Calendário: 1999
Ementa: APRESENTAÇÃO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRAZOS CONTÍNUOS. INEXISTÊNCIA DE SUSPENSÃO.
A contagem dos prazos fixados na legislação tributária, uma vez iniciada, deve ser contínua, sem a exclusão de qualquer dia.
PRAZOS. VENCIMENTO. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.
ANÁLISE DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. Na decisão que for julgada questão preliminar, será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis.
Numero da decisão: 1301-000.745
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Jaci de Assis Junior
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PRAZOS CONTÍNUOS. INEXISTÊNCIA DE SUSPENSÃO. A contagem dos prazos fixados na legislação tributária, uma vez iniciada, deve ser contínua, sem a exclusão de qualquer dia. PRAZOS. VENCIMENTO. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. ANÁLISE DO MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. Na decisão que for julgada questão preliminar, será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Fl. 172DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 EDITADO EM: 28/10/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Jaci de Assis Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Declarouse impedido o conselheiro Valmir Sandri. Relatório Tratase de recurso voluntário, fls. 122 a 159, interposto contra acórdão proferido pela Turma de Julgamento da DRJ de São Paulo I (SP), fls. 113 a 117, que, julgando a manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, fls. 47 a 93, complementada pela petição e documentos de fls. 96 a 109, por unanimidade de votos, consideroua intempestiva. Por bem resumir os fatos tratados pelo presente processo, abaixo se reproduz o relatório que integra o acórdão recorrido: “Tratase da manifestação de inconformidade interposta em face da não homologação das compensações declaradas nas PER/DCOMPs 38105.52137.150503.1.3.02 0906 (fls. 12 a 15) e 36727.20329.150503.1.3.024417 (fls. 07 a 11). O Despacho Decisório DERAT/SP/DIORT/EQPIR, de fls. 18 a 22 informa que em pesquisa ao sistema SIEF/PERDCOMP verificouse que as declarações de compensação constantes das PER/DCOMP 38105.52137.150503.1.3.020906 estão vinculadas ao processo administrativo n° 11610.002636/0006, cujo crédito é o mesmo deste processo, o saldo credor de IRPJ anocalendário 1999. Segundo o despacho decisório do processo n° 11610.002636/0006 (fls. 02 a 06) o direito creditório foi reconhecido parcialmente no valor de R$ 3.475.724,41. Em pesquisa no sistema SIEF/PROCESSO (fls. 16 e 17) constatouse que o crédito do presente processo foi integralmente utilizado nas compensações do processo n° 11610.002636/0006. A PER/DCOMP 36727.20329.150503.1.3.024417 (fls. 07 a 11), apesar de não estar vinculada ao processo administrativo, utilizouse do mesmo crédito deste. Conseqüentemente, as compensações declaradas nas duas PER/DCOMPs não devem ser homologadas tendo em vista o exaurimento do crédito no processo n° 11610.002636/0006. O interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 47 a 49, em 05/06/2008, na qual afirma em síntese que: Não poderia estar mais equivocada o fundamento do despacho decisório; Ao mencionar que os créditos aproveitados nas PER/DCOMPs são os mesmos do processo n° 11610.002636/0006, deixou o julgador de observar que os períodos diferem; O crédito do processo n° 11610.002636/0006, como a própria autoridade afirma tem origem no saldo credor do ano calendário 1999, exercício 2000; Fl. 173DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.930070/200683 Acórdão n.º 130100.745 S1C3T1 Fl. 163 3 Os créditos declarados nas PER/DCOMPs 38105.52137.150503.1.3.020906 e 36727.20329.150503.1.3.02 4417, porém, são do anocalendário 1998, exercício 1999; Diferindo o período, não há que se falar em crédito exaurido e o despacho denegatório deve ser reformado. Posteriormente, em 30/06/2008, o interessado protocolou a petição de fls. 96 a 98, acompanhada dos documentos de fls. 99 a 106. Nesta petição aduz em resumo o que se segue: Inconformado com a decisão que não homologou as compensações, no dia 04/06/2008, o requerente dirigiuse ao posto de atendimento ao contribuinte deste órgão, localizado na Av. Prestes Maia, 733, por volta das 18:45 (faltando 15 minutos para o encerramento do expediente) para efetuar o protocolo da Manifestação de Inconformidade; Ocorre que, nos dias 03/06/2008 e 04/06/2008, deflagrouse pela cidade a greve dos vigilantes, amplamente noticiada pela imprensa, conforme reportagens anexas; Esse infortúnio paralisou diversas atividades, especialmente os serviços da Receita Federal e dos bancos e ocasionou o encerramento prematuro do expediente fazendário do dia; O motivo do fechamento no dia 04/06/2008 antes das 19:00, de acordo com informação verbal obtida por uma pessoa que saía da repartição fechada, seria a “falta de funcionários” na repartição; Para provar o alegado protesta pela juntada das anexas provas, consubstanciadas em fotografias da entrada da repartição, tiradas pelo preposto do requerente às 18:45 do dia 04/06/2008; O protocolo da Manifestação de Inconformidade se deu em 05/06/2008, dia seguinte ao prazo fatal, única e exclusivamente por fator alheio aos controles e vontades do requerente, caracterizandose o que juridicamente denominamos caso fortuito, figura que exime o agente de responsabilidade; Requer seja declarada a tempestividade da Manifestação de Inconformidade. Em 25/08/2008, o SECOJ desta DRJ/SPO1 encaminhou os autos à DERAT/SPO/DIVAC solicitando informar se, de fato, houve anormalidade no expediente que impedisse o recebimento da manifestação. Em resposta, consta o despacho de fl. 112, do chefe substituto do Centro de Atendimento ao Contribuinte — CAC — Luz, informando que o atendimento ocorreu normalmente no dia 04/06/2008.” Apreciando os argumentos apresentados, a Relatora do acórdão de primeira instância firmou entendimento expresso em sua ementa, nos seguintes termos: Fl. 174DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1999 INTEMPESTIVIDADE DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. DIA DO VENCIMENTO. EXPEDIENTE NORMAL. Considerase intempestiva a Manifestação de Inconformidade apresentada após o prazo de trinta dias, contados da data da ciência da decisão. Constando dos autos informação do setor de atendimento ao contribuinte de que o expediente foi normal no dia do vencimento do prazo, não cabe acatar as alegações apresentadas pelo contribuinte. Intimada em 10/06/2009, fl. 121, verso, a ora Recorrente interpôs, em 13/07/2009, o recurso voluntário de fls. 122 a 132, acompanhado dos documentos de fls. 133 a 159 (dentre outros, instrumento de procuração e atas de reuniões e assembléias, informes de rendimentos financeiros), mediante o qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade e, transcrevendo excertos da doutrina, ementa do acórdão n° 10804.662, ementa e voto do acórdão nº 30134.599, proferidos pelo antigo Conselho de Contribuintes, aduz, em síntese, que: foi intimada da decisão proferida pela DRJ em 10/06/2009 (quartafeira), de forma que o prazo de 30 dias para a interposição do recurso voluntário se encerra no dia 13/07/2009 (segundafeira); conforme se verifica dos autos, o próprio Chefe Substituto do CAC/Luz reconheceu que o funcionamento do CAC/Luz foi afetado, ao afirmar que o "movimento paredista patrocinado pelo sindicato dos vigilantes de São Paulo (...) trouxe real prejuízo para o atendimento no dia 03 de junho de 2008", ou seja, o atendimento ficou seriamente prejudicado por um dia, impossibilitando o acesso de contribuintes àquela repartição fiscal; o prazo para o contribuinte apresentar manifestação de inconformidade, nos termos do art. 15 do Decreto 70.235/72, é de trinta dias ininterruptos; caso contrário, o prazo deve ser suspenso para que não seja causado prejuízo ao contribuinte; Diante do entendimento doutrinário e jurisprudencial, resta claro que, em razão da paralisação do CAC/Luz no dia 03 de junho de 2008, o prazo para a apresentação pela RECORRENTE da manifestação de inconformidade teria que ser suspenso no dia 02 de junho de 2008, sendo retomado no dia 04 de junho de 2008, com a normalização das atividades do CAC/Luz. Com isso, o prazo para apresentação da manifestação de inconformidade somente se encerra no dia 05 de junho de 2008, quando foi realizado o protocolo pela ora RECORRENTE; Muito embora a PER/DCOMP n° 38105.52137.150503.1.3.020906 e a manifestação de inconformidade apresentadas informem que os créditos utilizados se referem ao anocalendário 1998, a informação está equivocada — os créditos se referem ao anocalendário 1999. Não obstante, os créditos objeto da referida PER/DCOMP se encontravam exauridos e a compensação não poderia ter sido realizada; No que respeita à PER/DCOMP n° 36727.20329.150503.1.3.024417, não se pode dizer o mesmo, pois os créditos compensados têm origem distinta e Fl. 175DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.930070/200683 Acórdão n.º 130100.745 S1C3T1 Fl. 164 5 não se confundem com aqueles utilizados na PER/DCOMP acima analisada; nesse caso, se a autoridade fiscal procedesse a uma simples verificação em suas bases de dados, tomando por base o CNPJ das fontes pagadoras mencionadas na PER/DCOMP e os valores retidos a título de IRRF (cfr. Página 3), as autoridades fiscais verificariam se tratar de imposto relativo ao anocalendário de 1998, e não 1999 como informado na PER/COMP; se está, pois, diante de um erro de preenchimento, que não justifica, de forma alguma, a cobrança dos débitos objeto da compensação. O erro grosseiro se verifica na medida em que a PER/DCOMP identificou com clareza os créditos, no valor de R$ 431.062,51, e as fontes pagadoras, que dizem respeito a operações ocorridas no anocalendário de 1998; a retificação quanto à origem dos créditos informados na PER/DCOMP n° 36727.20329.150503.1.3.024417, inclusive, já havia sido feita na manifestação de inconformidade, primeira oportunidade que teve a RECORRENTE de se manifestar quanto ao erro material ocorrido. Desse modo, as autoridades fiscais, de ofício, já deveriam têlo sanado e reconhecido os créditos informados, da mesma forma como procederam quanto aos demais créditos utilizados que já se encontravam exauridos; a revisão de oficio do ato de lançamento é obrigatória para a autoridade administrativa, não se tratando de simples permissão ou faculdade. Assim, ainda que este E. Conselho mantenha a decisão recorrida, que não conheceu da manifestação de inconformidade por intempestiva, o que apenas se admite ad argumentandum, deve determinar que se proceda à revisão de oficio do despacho decisório que não homologou as compensações efetuadas; os princípios da verdade material e da oficialidade, as disposições do CTN, em especial os arts. 145, inciso III, 147, § 2° e 149, e da Lei n° 9.784/99, arts. 27, 29, 36, 37 e 65, orientam a autoridade administrativa a colher o máximo de provas que puder, inclusive aquelas que já são se seu conhecimento (como é o caso da DIPJ 1999 e da própria PER/DCOMP), bem como rever de oficio seus atos e as provas apresentadas pelo contribuinte; a par dos excertos doutrinários transcritos em sua peça recursal, alega que é correta a conclusão no sentido de que a apresentação intempestiva da manifestação de inconformidade não tem o condão de impedir a revisão do ato de lançamento. Este sempre deverá ser revisto, quando estiver presente uma das situações previstas em lei; à luz do CTN e da própria Lei n° 9.784/99, tem destaque o disposto no seu art. 27, que categoricamente afirma que mesmo a ausência de resposta do administrado à intimação da administração pública não implica no reconhecimento da verdade dos fatos alegados, tampouco na renúncia a um direito; havendo fatos alegados, que não correspondem à verdade, não pode prosperar o ato administrativo objeto de intimação não respondida (ou respondida a destempo), se contra eles forem levantados, de oficio ou Fl. 176DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 mesmo a destempo, fatos contrários, que retiram o suporte necessário à validade do ato administrativo; em inúmeras oportunidades, o Conselho de Contribuintes procedeu à revisão de oficio do lançamento, ora reconhecendo a importância de documentos que afastavam a incidência tributária (acórdão n° 30130777), ora reconhecendo a ocorrência da decadência, ainda que não alegada pelo contribuinte (acórdão nº 1061483), ora reconhecendo que se tratava da aplicação do art. 147 do CTN, que disciplina, juntamente com os arts. 145 e 149, as hipóteses de revisão de oficio do lançamento (acórdão n° 201 71002); No presente caso, como os fatos que suportaram a não homologação das compensações foram informados pelo próprio contribuinte em PER/DCOMP e foram reiterados em sua manifestação de inconformidade, o mínimo que se espera da administração pública é que sejam examinados os créditos informados na PER/DCOMP n° 36727.20329.150503.1.3.02 4417, na DIPJ 1999 e nos seus informes de rendimento, do anocalendário 1998 e, confirmada a sua correição, sejam homologadas as compensações efetuadas; é mister que se reconheçam os créditos de IRPJ e que seja homologada a compensação dos débitos de PIS e da COFINS que foram objeto da PER/DCOMP n° 36727.20329.150503.1.3.024417; Requer, ao final, que sejam homologadas as compensações efetuadas através da PER/DCOMP n° 36727.20329.150503.1.3.024417, uma vez entender que, os créditos utilizados para compensação têm origem no anocalendário 1998 e não no anocalendário 1999. Alternativamente, caso seja reconhecida a intempestividade da manifestação de inconformidade apresentada, requer seja feita novamente a remessa dos autos para a Delegacia de origem, para revisão de oficio das compensações realizadas. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior O recurso é tempestivo, eis que se iniciado a contagem do prazo dia 12/06/2001, em face do feriado de Corpus Christi, dia 11/06/2009, e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade. Dele, pois, conheço. Do exame dos autos verificase que existe questão prejudicial à análise do mérito, diante do questionamento da Recorrente acerca do órgão julgador de primeira instância haver decidido por não conhecer da manifestação de inconformidade apresentada, em razão de sua intempestividade. Considerando inteiramente pertinente à situação ora discutida, adotase neste voto, o entendimento registrado pela relatora do voto condutor da decisão recorrida, cujo excerto, na parte que interessa ao presente voto, abaixo se reproduz, textualmente: “(...) Fl. 177DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.930070/200683 Acórdão n.º 130100.745 S1C3T1 Fl. 165 7 Afirma o contribuinte que no dia 04/06/2008 houve o encerramento prematuro do expediente fazendário em razão de greve dos vigilantes, amplamente noticiada pela imprensa e que teria paralisado os serviços da Receita Federal. Neste ponto, o Chefe Substituto do CAC/Luz, setor responsável pelo atendimento ao contribuinte no endereço mencionado pelo contribuinte, Av. Prestes Maia, 733, esclareceu o ocorrido nos seguintes termos: Solicita a DRJ SPI manifestação deste CAC /Luz quanto à alegação do contribuinte de suposta anormalidade no expediente desta repartição por conta de movimento paredista patrocinado pelo sindicato dos vigilantes em São Paulo no dia 04/06/2008. Temos a informar que o movimento acima mencionado trouxe real prejuízo para o atendimento no dia 03/06/2008, sendo que no dia 04/06, dia em que menciona o contribuinte ter comparecido, o atendimento ocorreu normalmente vez que a Administração do prédio procedeu à regularização do efetivo de vigilantes à disposição deste CAC. (grifei) Ressaltamos que as fotos anexadas pelo contribuinte (fls. 104/105/106) tão somente demonstram a situação externa ao prédio e nesse aspecto desconhecemos ter ocorrido deliberação da Administração do Ministério da Fazenda naquele dia, quanto ao cerramento das portas em horário anterior ao previsto (19 horas). Portanto, conforme esclarecido pelo CAC/Luz o atendimento no dia 04/06/2008 encontravase normalizado. Em relação as provas que estariam consubstanciadas em fotografias da entrada da repartição (fls. 104, 105 e 106), tiradas pelo preposto do requerente às 18:45 do dia 04/06/2008, verificase que são apenas cópias de fotografias do lado externo do prédio do Ministério da Fazenda com portas cerradas, mas que não comprovam, absolutamente, que estas foram registradas no horário e dia alegados. Quanto à contagem dos prazos no processo administrativo fiscal dispõem os artigos 5° e 15 do Decreto n° 70.235/72: Art. 5° Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 15 A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 178DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 O prazo para apresentação da Manifestação de Inconformidade contase da data de recebimento constante do Aviso de Recebimento — AR, dos Correios (fl. 23). Assim, devese considerar a data de 05/05/2008 como o termo inicial para a contagem do prazo. Considerando o disposto nos artigos 5º e 15 do Decreto n° 70.235/72, e o dies a quo como sendo 05/05/2008 (segunda feira), temos que o termo final para apresentação da Manifestação de Inconformidade ocorreu no dia 04/06/2008 (quintafeira). Como a Manifestação de Inconformidade foi protocolizada em 05/06/2008 (fl. 47), deve ser esta declarada intempestiva, não se conhecendo das razões de mérito apresentadas nessa peça de defesa.” (grifo consta do original). Fundamentandose no próprio art. 5º do Decreto nº 70.235, de 1972, citado pela decisão recorrida, a Recorrente reconhece que a apresentação de sua manifestação de inconformidade ocorrera após o decurso do prazo de 30 (trinta) dias estabelecido pela legislação. Contudo, entende que para se interpretar a expressão “os prazos serão contínuos”, contida no texto legal, devese levar em consideração o seguinte ensinamento doutrinário extraído da obra de autoria de Antonio da Silva Cabral1: “h) prazos contínuos, conforme o nome indica, são os que ocorrem sem parar, computandose neles não só os dias úteis como também os domingos e feriados. Se o prazo é continuo, fica proibida a sua interrupção, e sua contagem se dá a partir do dia assinalado como início até o seu final, que pode cair no domingo ou feriado;” Deste trecho (que foi reproduzido na peça recursal com as expressões “ocorrem sem parar” e “se o prazo é continuo, fica proibida a sua interrupção” grafadas em negrito) a Recorrente conclui que “o prazo para o contribuinte apresentar manifestação de inconformidade, nos termos do art. 15 do Decreto 70.235/72, é de trinta dias ininterruptos; caso contrário, o prazo deve ser suspenso para que não seja causado prejuízo ao contribuinte.” Ora, percebese que a Recorrente se confunde, ou tenta fazer confusão, ao inferir do conceito que a doutrina forneceu a essa espécie de prazo adotada pela legislação que rege o processo administrativo fiscal, uma causa (caso contrário) e uma consequência (o prazo deve ser suspenso) que o próprio autor citado em sua peça recursal afasta logo na sequência de seus ensinamentos. Com efeito, na referida obra, no segundo parágrafo seguinte àquele a que se reportou a Recorrente, há advertência no sentido de que “a continuidade dos prazos significa que eles não se encurtam nem se alargam. Em outros termos, não se podem partir. Não existe interrupção nem suspensão de prazos, a não ser nos caso em que a lei assim o determinar.” (grifei). Salienta o mesmo doutrinador que “quando se fala em continuidade de prazos temse em mira os chamados prazos peremptórios, ou seja, os que exigem a prática de um ato necessariamente dentro de determinado período (...), sob pena de, passado esse tempo, não mais poder ser praticado o ato”. Daí a importância como o autor considera a matéria, pois 1 CABRAL, Antônio da Silva. Processo Administrativo Fiscal, São Paulo: Editora Saraiva, 1993, p.161 Fl. 179DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.930070/200683 Acórdão n.º 130100.745 S1C3T1 Fl. 166 9 ao relacionar a expressão “continuidade”, trazida do texto legal, ao conceito de prazo peremptório, emprestalhe também a característica subentendida de prazo inalterável. Portanto, “no caso de prazos peremptórios nem a autoridade administrativa poderá interrompêlos, dilatálos ou encurtálos.” Ainda a respeito da conclusão da Recorrente atribuindo uma causa em sentido contrário àquele previsto pelo texto legal, convém reproduzir o art. 210 do Código Tributário Nacional – CTN: “Art. 210 – Os prazos fixados nesta lei ou na legislação tributária serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” De sua leitura, percebese que o CTN disciplina o assunto de modo a não admitir disposição de lei em contrário, haja vista a ausência de expressão equivalente a “salvo disposição de lei em contrário”. Nesse sentido, podese dizer que as linhas gerais estabelecidas neste artigo não autoriza a sua aplicação subsidiária, em face da legislação tributária concorrente. Ou seja, tratase de um comando obriga a todos os entes federativos, de modo a não lhes permitir edição de dispositivo legal que verse sobre o assunto em sentido contrário. Diante disto, não há como acatar o entendimento firmado pela Recorrente no sentido de se suspender a contagem do prazo estabelecido para a apresentação da manifestação de inconformidade, levandose em consideração, inclusive, a natureza da atividade administrativa vincularse estritamente ao texto legal. Ainda em relação ao art. 210 do CTN, vale reproduzir textualmente a nota que o jurista Leandro Paulsen2, realizou em relação a este comando legal: “⇒ Serão contínuos. Não se interrompem nos finaisdesemana e nos feriados. A referência a prazos contínuos diz com a ausência de causas de suspensão e de interrupção e não com os termos de início e de término dos prazos, regulados estes pelo parágrafo único deste artigo.”(grifo é do original) Por sua vez, mencionado parágrafo único foi comentado por Marcus Vinícius Neder de Lima e Maria Teresa Martinez3 em sua obra doutrinária nos seguintes termos: “O critério de contagem de prazos previsto exclui a possibilidade de o início (dies a quo) e o fim (dies ad quem) recaírem em data em que o expediente na repartição fiscal não seja normal. Assim entendido os sábados, domingos, feriados e pontos facultativos, bem como as datas em que, por qualquer circunstância, a repartição não tenha funcionado em seu horário 2 PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 11. ed. Porto Alegre: LIvraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009, p. 1309 3 Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, São Paulo, Dialética, 2002, p. 89 Fl. 180DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 pleno, a exemplo dos casos de greve, paralisação ou decretação de meioexpediente.” Portanto, os prazos fixados na legislação tributária, por serem contínuos, devem ser contados de forma corrida sem a exclusão de qualquer dia. Já o vencimento do prazo para apresentação da manifestação de inconformidade deverá recair em dia em que há expediente normal na repartição fiscal. No caso, evidenciado que o movimento grevista dos vigilantes aconteceu no penúltimo dia do prazo previsto para se efetivar a apresentação da manifestação de inconformidade, bem como se encontrar nos autos devidamente atestado que o último dia estabelecido em lei para a prática deste ato recaiu em data de expediente normal na repartição fiscal, não se pode invocar a circunstância alegada pela Recorrente como causa que justifique a manifestação de inconformidade apresentada fora do tempo devido. No que diz respeito aos acórdãos firmados pelo antigo Conselho de Contribuintes, citados pela Recorrente, cumprese observar que as decisões de órgãos singulares e coletivos da jurisdição administrativa somente devem ser observados se tiverem eficácia normativa devidamente publicadas (art. 100, II, do CTN). Vale dizer, que haja lei que lhes atribuindo eficácia normativa, o que não é o caso dos acórdãos citados. Correta, portanto, a decisão firmada pelo colegiado de primeiro grau em não conhecer a manifestação de inconformidade apresentada, em face de sua intempestividade. Examinada a questão preliminar, não há como dar prosseguimento ao julgamento do mérito apresentado pela defesa, por incompatíveis, consoante previsto no art. 28 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação alterada pela Lei nº 8.748, de 1993, de acordo com o qual “na decisão que for julgada questão preliminar, será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis.” Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões, 21 de outubro de 2011 Jaci de Assis Junior Relator Fl. 181DF CARF MF Emitido em 10/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/10/2011 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/11/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13736.000201/2001-43
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1999
RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DA MATÉRIA. NÃO ENFRENTAMENTO NA DECISÃO PROFERIDA NO ÓRGÃO A QUO. INVIABILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL.
Não se pode conhecer de recurso especial, no qual se inaugura discussão não travada perante o órgão a quo, por ausência de prequestionamento e, pois, de impossibilidade de configuração da divergência jurisprudencial.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.612
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso por ausência de pressuposto de admissibilidade.
Nome do relator: Susy Gomes Hoffmann
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AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DA MATÉRIA. NÃO ENFRENTAMENTO NA DECISÃO PROFERIDA NO ÓRGÃO A QUO. INVIABILIDADE DE CARACTERIZAÇÃO DA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. Não se pode conhecer de recurso especial, no qual se inaugura discussão não travada perante o órgão a quo, por ausência de prequestionamento e, pois, de impossibilidade de configuração da divergência jurisprudencial. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por ausência de pressuposto de admissibilidade. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann – Relatora Fl. 10DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 06/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13736.000201/200143 Acórdão n.º 920201.612 CSRFT2 Fl. 2 2 EDITADO EM: 31/05/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (PresidenteSubstituto), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Oliveira. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com base em divergência jurisprudencial. Lavrouse auto de infração contra o contribuinte, em decorrência de procedimento de revisão interna da declaração de ajuste anual, em que se constatou a omissão de rendimentos de trabalho com vínculo empregatício recebidos no Banco Real S/A. Diante disso, alterouse o resultado da Declaração de Ajuste Anual, relativa ao exercício de 1999, ano calendário 1998, de saldo inexistente de imposto a pagar ou restituir para imposto a pagar no valor de R$ 42.057,04. Acresceuse multa de ofício e juros de mora calculados até janeiro de 2001, constituindose crédito tributário total de R$ 86.204,31. O contribuinte apresentou impugnação. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento deu parcial procedência ao lançamento, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1999 Ementa: RENDIMENTOS OBTIDOS ACUMULADAMENTE. DECISÃO JUDICIAL. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Os rendimentos tributáveis, recebidos acumuladamente, estão sujeitos à incidência do imposto de renda, juntamente com os juros e atualização monetária, devendo ser informados na declaração de ajuste anual, independentemente da fonte pagadora ter efetuado a devida retenção ou não do imposto de renda na fonte sobre os mesmos. Lançamento Procedente em Parte. O contribuinte interpôs recurso voluntário. A antiga Sexta Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes deu parcial provimento ao recurso do contribuinte. Eis a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF. Exercício: 1999 Fl. 11DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 06/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13736.000201/200143 Acórdão n.º 920201.612 CSRFT2 Fl. 3 3 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. INDENIZAÇÃO TRABALHISTA. O montante recebido decorrente de ação trabalhista que determine o pagamento de diferença de salário e seus reflexos, tais como juros, correção monetária, gratificações e adicionais, sujeitase à tributação, estando afastada a possibilidade de classificar ditos rendimentos como isentos ou não tributáveis na declaração de ajuste anual. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Inocorrendo hipótese de responsabilidade tributária exclusiva da fonte pagadora, cabe ao contribuinte oferecer os rendimentos à tributação em sua declaração de ajuste anual. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA DE OFÍCIO. O Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de ofício no percentual de 75% sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. JUROS MORATÓRIOS À TAXA SELIC. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso voluntário provido parcialmente. A Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial, com base em divergência jurisprudencial (fls. 199/206). Trouxe à tona a seguinte ementa, de julgado proferido pela antiga 7° Câmara do 1° Conselho de Contribuintes: “MATÉRIA NÃO IMPUGNADA PRECLUSÃO. O não questionamento de matéria na impugnação implica em preclusão, nos termos do art. 17 do PAF aprovado pelo Decreto n° 70.235/72” Segundo a recorrente: “A divergência se evidencia na medida em que não houve impugnação por parte do contribuinte, que não alegou existência de nota fiscal comprovando existência de pagamento de honorários advocatícios. E no acórdão da 7° Câmara entendeu se que a matéria não poderia ser observada pela autoridade julgadora, tendo em vista a preclusão operada pela inércia do contribuinte”. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 06/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13736.000201/200143 Acórdão n.º 920201.612 CSRFT2 Fl. 4 4 Alegouse que o acórdão recorrido baseouse, para o provimento do recurso voluntário, tãosomente, na documentação apresentada pelo contribuinte recurso voluntário, indo de encontro ao disposto no artigo 16, §4°, c.c. o artigo 17, ambos do Decreto n° 70.235/72. A recorrente argumentou que o fato de o contribuinte somente ter trazido a discussão específica relativa aos honorários advocatícios, com a respectiva prova, quando da interposição do recurso voluntário, enseja “pedido inteiramente novo e totalmente independente nos autos do processo”, de modo que a DRJ não teve oportunidade de manifestarse sobre a matéria, o que configura, a análise da matéria pelo Conselho de Contribuintes, supressão de instância. Enfatizou que a jurisprudência administrativa é unânime em inadmitir a apreciação de matéria não suscitada em impugnação. Argumentou que houve julgamento extra petita “na manifestação do acórdão recorrido, na parte em que acolheu pedido formulado aleatoriamente pelo contribuinte, sem que constasse em sua impugnação ou recurso voluntário”. O contribuinte apresentou suas contrarazões às fls. 219/221. Voto Conselheiro Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Não preenche, contudo, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista a ausência de prequestionamento da matéria objeto do presente recurso especial, e, pois, da divergência jurisprudencial alegada. Com efeito, temse que o acórdão recorrido, no ponto ora atacado pela recorrente, foi expresso nos seguintes termos: “No tocante à pleiteada dedução de despesas advocatícias no valor de R$ 34.996,81, a nota fiscal acostada aos autos e emitida pelo escritório que o representou na ação trabalhista justifica a pretendida dedutibilidade” Não se enfrentou, pois, qualquer discussão concernente à preclusão, o que somente veio a ser alegado no presente recurso especial. Notese que o recorrente sequer opôs embargos de declaração contra o acórdão combatido, o que deveria ter sido feito a fim de provocar o pronunciamento do órgão julgador a quo. Desta forma, se a matéria não fora antes debatida nos autos, isto não pode ocorrer, originariamente, em sede de recurso especial, perante esta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Neste sentido os seguintes julgados: Fl. 13DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 06/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13736.000201/200143 Acórdão n.º 920201.612 CSRFT2 Fl. 5 5 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado NELSON ALBINO PIMENTEL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1990, 1991 RECURSO ESPECIAL DECADÊNCIA SUPOSTO VÍCIO FORMAL NECESSIDADE DE PREQUESTIONAMENTO DA MATÉRIA SITUAÇÃO NÃO VERIFICADA NO CASO EM TELA IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DO RECURSO. Nos termos do artigo 32, § 4°, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 55/1998, 'vigente ao tempo da interposição do recurso especial em apreço, somente matérias prequestionadas podem ser objeto de apreciação e de seguimento no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o que não acontece no caso, onde a Fazenda Nacional se insurgiu contra a decadência acolhida pela decisão recorrida, suscitando violação ao artigo 173, inciso II, do CTN, o qual não foi invocado em nenhum momento pelo acórdão recorrido e sequer foram opostos embargos de declaração para tentar sanar eventual omissão. Recurso especial não conhecido. Processo n°. : 13921.000268/200271 Recurso n°. : 106134.652 Matéria : IRPF Recorrente : NELI MARIA BONETTI Recorrida : SEXTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessada : FAZENDA NACIONAL Sessão de : 19 de junho de 2007 Acórdão n°. : CSRF/0400.591 REGIMENTO INTERNO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA PREQUESTIONAMENTO A falta de prequestionamento da única matéria alçada à Instância Especial impede o conhecimento do respectivo Recurso Especial de Divergência (art. 32, § 4 0, do RICC, aprovado pela Portaria MF n° 55, de 1998).Recurso especial não conhecido. Não há, de fato, como se tomar conhecimento do mérito recursal quando a respectiva matéria não fora objeto de discussão perante o órgão a quo. Até porque não há como se caracterizar a divergência jurisprudencial entre a decisão recorrida e o julgado apresentado como paradigma. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 06/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13736.000201/200143 Acórdão n.º 920201.612 CSRFT2 Fl. 6 6 Com efeito, a divergência jurisprudencial, como se sabe, configurase quando se tem, entre os julgados cotejados, uma diferença de entendimento sobre a mesma matéria enfrentada no bojo das duas decisões. Se não há identidade fática e jurídica das matérias apreciadas nos dois julgados, não há, conseqüentemente, divergência de entendimento. No presente caso concreto, a divergência alegada diz respeito à caracterização da preclusão de matéria resolvida no acórdão recorrido, que não teria sido trazida à tona na impugnação, mas apenas no recurso voluntário. A preclusão, no entanto, não foi objeto de análise no acórdão combatido. A recorrente, a seu turno, sequer suscitou sua ocorrência por meio de embargos de declaração, o que deveria ter sido feito se pretendesse ver efetivamente caracterizado o dissídio jurisprudencial, conforme já exposto. Diante disso, não há como se tomar do conhecimento do presente recurso especial. Ressaltese, ademais, que a Câmara Superior de Recursos Fiscais constituise em órgão cuja natureza voltase, essencialmente, à uniformização da jurisprudência administrativa fiscal. Não se presta, destarte, a servir como mero órgão recursal, de terceira instância, sob pena de se desvirtuar da sua razão de ser. Perante este órgão, a inauguração de discussões, de celeumas, que não tenham sido analisadas no órgão a quo importa tal desvirtuamento, o que não se pode admitir. Diante do exposto, não conheço do recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 15DF CARF MF Emitido em 07/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN Assinado digitalmente em 03/06/2011 por SUSY GOMES HOFFMANN, 06/06/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10708.000433/2007-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2005
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO.
Não se conhece de recurso voluntário apresentado após o prazo de 30 dias, previsto no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2101-001.261
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer
do recurso.
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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Não se conhece de recurso voluntário apresentado após o prazo de 30 dias, previsto no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, José Raimundo Tosta Santos, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Fl. 53DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10708.000433/200736 Acórdão n.º 2101001.261 S2C1T1 Fl. 44 2 Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 4 a 6, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, para lançar infração de omissão de rendimentos, formalizando a alteração de imposto a restituir declarado de R$37,50 para a exigência de imposto suplementar no valor de R$2.449,33, acrescido de multa de ofício e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 3), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 30v a 31), que informara, conforme SRL apresentada a este órgão, quanto aos rendimentos recebidos da PETROBRÁS, que os mesmos foram digitados em sua DIRPF com uma casa decimal a menos, ou seja, foi digitado R$5.677,8 e o programa leu R$567,78, e quanto aos rendimentos recebidos da EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS, que declarara o valor registrado no informativo da empresa. Acrescentou que, analisando a DIRPF após o recebimento da notificação contestada, detectou outro erro nessa declaração, pois quando informou os valores recebidos de pessoas físicas, não restaram gravados os valores lançados a título de despesas no Livro Caixa, num total de R$9.113,21, conforme demonstrado nos autos da SRL requerida para a Notificação de Lançamento anterior, motivo pelo qual solicitou nova retificação de lançamento, conforme declaração retificadora, em que verificase seu direito a um imposto a restituir de R$155,27. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 30 a 32): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 REVISÃO DE DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Sendo a DIRF documento declaratório de rendimentos e de retenção de imposto de renda na fonte, serve como prova relativa aos correspondentes valores. Se não há nos autos quaisquer elementos que comprovadamente contrariem as informações nela contidas, estas prevalecem. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. É vedada pela legislação a retificação da Declaração de Ajuste Anual após a notificação do lançamento. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. FALTA DE COMPETÊNCIA. Não se conhece do pedido do contribuinte quando a autoridade julgadora não detém a competência para apreciar a matéria. APRESENTAÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. Fl. 54DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10708.000433/200736 Acórdão n.º 2101001.261 S2C1T1 Fl. 45 3 A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. PEDIDO DE PARCELAMENTO. Não compete a esta instância de julgamento se pronunciar acerca de pedido de parcelamento, sendo tal prerrogativa da Unidade da Receita Federal de jurisdição do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 6/10/2010 (fl. 36), o contribuinte apresentou, em 29/11/2010, o recurso de fls. 37 a 39, onde solicita a não incidência de juros e multa sobre o débito cobrado, por não possuir condições financeiras de arcar com a dívida de uma única vez, ou o parcelamento em 24 meses. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 41, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, contendo ainda a fl. 42, sem numeração, referente ao Despacho de Encaminhamento dos autos do SECOJ/SECEX/CARF para a 1a Câmara da 2a Seção. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O contribuinte foi cientificado do julgamento de 1a instância em 6/10/2010 (fl. 36), uma quartafeira, e só apresentou o recurso voluntário em 29/11/2010 (fl. 37), uma segundafeira, ou seja, 54 (cinquenta e quatro) dias após a ciência. Entretanto, o prazo legal previsto para a interposição desse tipo de recurso é de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações, sendo, portanto, o recurso intempestivo. Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso, por sua intempestividade. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 55DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO Processo nº 10708.000433/200736 Acórdão n.º 2101001.261 S2C1T1 Fl. 46 4 Fl. 56DF CARF MF Emitido em 11/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 06/ 09/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTO
score : 1.0
Numero do processo: 10840.000342/2005-12
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2005
Ementa: RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA SUMULADA.
Nos termos do art. 67, parágrafo 2 ° do RI/CARF, não se conhece de recurso especial que pleiteia revisão de julgado que esteja em consonância com a jurisprudência sumulada pela Corte Administrativa.
Recurso Especial do Procurador não conhecido.
Numero da decisão: 9101-000.977
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Antonio Carlos Guidoni Filho
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2005 Ementa: RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA SUMULADA. Nos termos do art. 67, parágrafo 2 ° do RI/CARF, não se conhece de recurso especial que pleiteia revisão de julgado que esteja em consonância com a jurisprudência sumulada pela Corte Administrativa. Recurso Especial do Procurador não conhecido.
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Otacilio Antonio Car o Presidente. e , idoni Filho - Relator. CSRF-Tl Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 10840.000342/2005-12 Recurso n° 336.621 Especial do Procurador Acórdão n° 9101-000.977 — la Turma Sessão de 23 de maio de 2011 Matéria SIMPLES - EXCLUSÃO - ATIVIDADE VEDADA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado USIFRESA SERRANA COMÉRCIO DE PEÇAS LTDA. - ME Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Exercício: 2005 Ementa: RECURSO ESPECIAL. MATÉRIA SUMULADA. Nos termos do art. 67, parágrafo 2 ° do RI/CARF, não se conhece de recurso especial que pleiteia revisão de julgado que esteja em consonância com a jurisprudência sumulada pela Corte Administrativa. Recurso Especial do Procurador não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer Editado em: I' LO2 I-33 2 1 2 SET 2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacilio Dantas Cartaxo (Presidente), Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner, Karem Jureidini Dias, Alberto Pinto Souza Junior, João Carlos de Lima Junior, Antonio Carlos Guidoni Filho, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Susy Gomes Hoffmann. Relatório Com base no permissivo do Regimento Interno desta Corte Administrativa, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial em face de acórdão proferido pela extinta Terceira Camara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, conforme ementa abaixo transcrita: "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples Ano-calendário: 2004 Ementa: Ementa: SIMPLES. NÃO EXCLUSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE USINA GEM A vedação imposta pelo inciso XIII do artigo 9° da Lei 9.317, de 1996, não alcança as microempresas nem as empresas de pequeno porte constituídas por empreendedores que agregam meios de produção para explorar atividades econômicas de forma organizada com o desiderato de gerar ou circular bens ou de prestar quaisquer serviços Ela é restrita aos casos de inexistência da figura do empreendedor cumulada com a prestação de serviços como atividade exclusiva e levada a deito diretamente pelos sócios da pessoa jurídica qualificados profissionalmente dentre as atividades indicadas no dispositivo legal citado. A atividade de usinagem e montagem de peças não se equipara a atividade de engenheiro. Recurso voluntário provido." 0 caso foi assim relatado pela Camara recorrida, verbis: "A empresa Contribuinte foi excluída da Sistemática do Simples pelo Ato Declaratório Executivo DRF/RPO n° 580.377, de 02.08.2004 (tl .03), tendo em vista que pratica atividade vedada pelo art.9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96. Apresentada impugnação «is. 01) a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirao Preto/SP, esta decidiu pelo indeferimento da solicitação (fis.11-12), mantendo a exclusão com a justificativa de que é vedada a opção para quem exerce atividade de engenheiro ou assemelhado. Cientificada em 17.07.2006 da referida decisão, a empresa Recorrente apresentou Recurso Voluntário e documentos (fis.15- 105) em 15,08.2006, alegando, em síntese, que não exerce nenhuma atividade de engenheiro ou assemelhado; que apesar de constar no contrato social a 'atividade de comércio, varejista de peps e acessórios para máquinas e implementos agrícolas e industriais, usina gem, reforma e montagem de máquinas e equipamentos agrícolas e 2 Processo n° 10840.000342/2005-12 CSRF-T1 Acórdão n.° 9101-000.977 Fl. 2 industriais em geral', na verdade, está exercendo 'a fabricação e comércio de equipamentos para utilização na fabricação de papel toalha e usinagem de peças para máquinas e equipamentos agrícolas e industriais em geral', objeto este que está sendo alterado perante a Junta Comercial, juntando notas fiscais para provar as atividades desenvolvidas. Em razão do Ato Declaratório Interpretativo da Receita Federal do Brasil n° 9, de 05 de junho de 2007 (DOU de 06/06/2007), afasta-se a exigência da garantia recursal, que nesse caso até já era dispensada face a ausência de valoração para o crédito tributário em discussão. É o Relatório." 0 acórdão acima ementado deu provimento ao recurso voluntário do Contribuinte para cancelar o Ato Declaratório de exclusão do Simples. Segundo o acórdão, a vedação imposta pelo inciso XIII do artigo 9° da Lei 9.317, de 1996, não alcançaria as microempresas nem as empresas de pequeno porte constituídas por empreendedores que agregam meios de produção: para explorar atividades econômicas de forma organizada com o desiderato de gerar ou circular bens ou prestar quaisquer serviços, tal como ocorre no caso dos autos. Entendeu o acórdão, ainda, que "com relação ao atual objeto social também não há razão para a exclusão, já que os serviços de usinagem e montagem de máquinas não vedam a opção pelo SIMPLES, eis que tais atividades envolvem a realização de pegas, não havendo necessidade de que estes serviços sejam executados por engenheiro. Como exemplo de decisões deste Conselho de Contribuintes amparando o ora afirmado podemos destacar os acórdãos 303-33.564, 302-35.616 e 301-32.116". Em sede de recurso especial, argüi a Fazenda Nacional contrariedade do acórdão recorrido a aresto proferido pela extinta 2' Camara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes (Ac. 302-37.259), o qual assenta o entendimento de que: "não pode optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que presta serviços de montagem ou manutenção de equipamentos, por serem equiparados a serviços profissionais de engenharia (art. 9°, inciso XIII, da Lei n. 9.317/96)". 0 recurso especial foi admitido pelo Sr. Presidente do Colegiado a quo (Despacho n. 138/2008 (fls.144/146)), ante a configuração do alegado dissenso jurisprudencial. A Contribuinte apresentou contra-razões. É o relatório. 3 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho, Relator Peço vênia para não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Cinge-se a controvérsia em saber se é legitima a manutenção de pessoa jurídica no SIMPLES cujo objeto social seja a manutenção e instalação de máquinas e equipamentos e serviços de usinagem (fls. 3, 17-24 e 111) em vista do disposto no art. 9 ° , XIII da Lei n. 9.317/1996 que impediria a opção pelo SIMPLES de empresas que desenvolvessem atividades equiparadas A. de engenharia. Citada controvérsia encontra-se superada nesta Corte Administrativa por força da edição da Súmula CARF n. 57, verbis: "Súmula CARF no 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal." A superação da controvérsia pela reiterada (e sumulada) jurisprudência deste Colegiado, por si só, é suficiente para afastar o conhecimento de recurso especial fundamentado exclusivamente em alegado (e já a priori solucionado) dissenso jurisprudencial. De fato, a edição de súmula (ainda que superveniente) esvazia por completo o objeto da insurgência da Fazenda Nacional, em vista da absoluta impossibilidade de este Colegiado examinar novamente o dissenso ou a alegada violação do acórdão recorrido A lei federal suscitada no recurso. Reforça este fundamento o atual RI/CARF, o qual impõe atualmente o não conhecimento de recursos que se insurjam contra julgados que estejam em perfeita consonância com a jurisprudência sumulada pela Corte. Veja-se, neste sentido, o disposto no art. 67, parágrafo 2 °, do RI/CARF aprovado pela Portaria MF n. 256/2009, verbis: "Art. 67. Compete a CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der a lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. ,¢ 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Camara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância." 4 Processo n° 10840.000342/2005-12 CSRF-Tl Acórdão n.° 9101-000.977 Fl. 3 Por tais fundamentos, oriento meu voto no sentido de não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. Antonio Carl 1 I 1 ( - 'lid ni Fil o - Relator 5
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Numero do processo: 10680.017927/2002-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Sun Oct 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Sun Oct 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1998
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO
Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras para sua utilização, previstas pela legislação vigente.
COMPENSAÇÃO CRÉDITO CONTESTADO JUDICIALMENTE.
É vedada a compensação mediante o aproveitamento de crédito, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
Numero da decisão: 1401-000.686
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos, parcialmente, os conselheiros Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: Fernando Luis Gomes de Matos
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras para sua utilização, previstas pela legislação vigente. COMPENSAÇÃO CRÉDITO CONTESTADO JUDICIALMENTE. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de crédito, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos, parcialmente, os conselheiros Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmin Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 599DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 457463): O contribuinte acima identificado apresentou diversas Declarações de Compensação (DCOMP's), utilizandose de "pagamentos indevidos ou a maior", mediante a indicação de diversos DARF's destinados ao pagamento de IRPJ e CSLL apurados no ano calendário de 1998. A somatória dos créditos utilizados e dos débitos compensados importa em R$ 445.736,85. [...] APRECIACÃO DA DRF/BELO HORIZONTEMG 3. Em análise aos documentos protocolizados pelo contribuinte, a DRF/Belo HorizonteMG emitiu aos 18/12/2007 o Despacho Decisório anexado às fls. 203 a 210, de onde se transcreve: "Após análise mais apurada do processo e dos documentos que dele constam, constatamos que na realidade o contribuinte fez num só pedido/processo a compensação de vários débitos com créditos oriundos de SALDO NEGATIVO DE IRPJ AC 1998 E SALDO NEGATIVO DE CSLL AC 1998. Assim, apresentaremos nosso trabalho discriminando os saldos negativos apurados de IRPJ e CSLL — ano calendário de 1998". 3.1 A DRF considerou os créditos utilizados nas DCOMP's como decorrentes do "Saldo Negativo de IRPJ" e "Saldo Negativo de CSLL" apurado em 1998, uma vez que os DARF's discriminados elo contribuinte são destinados ao pagamento das estimativas mensais apuradas naquele período. Neste contexto, diante dos diversos documentos protocolizados pelo contribuinte, operacionalmente, a DRF considerou: Neste processo — 10680.017927/200209: análise das DCOMP's mediante a utilização de "saldo negativo de IRPJ" apurado no ano calendário de 1998. Processo 10680.001293/200345: análise das DCOMP's mediante a utilização de "saldo negativo de CSLL" apurada no ano calendário de 1998. 3.2 Quanto à análise do crédito referente ao "Saldo Negativo de IRPJ" AC 1998, assim se pronunciou: "Na composição deste saldo negativo, o contribuinte utilizou nas estimativas e no ajuste: pagamentos via DARF's; imposto de renda retido na fonte; saldo negativo de períodos anteriores e exigibilidade suspensa (.)" Verificando os componentes deste saldo negativo, apurou: Fl. 600DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 10680.017927/200209 Acórdão n.º 140100.686 S1C4T1 Fl. 583 3 3.2.1 As estimativas referentes aos meses de junho, julho, setembro, outubro e novembro foram quitadas mediante DARF. Os pagamentos foram confirmados e a importância correspondente foi validada como dedutível da apuração do IR ao final do período. 3.2.2 O contribuinte utilizouse do IRF no valor de R$ 257.447,83. As informações prestadas pelas fontes pagadoras em DIRF confirmaram esta retenção. A importância correspondente foi validada como dedutível da apuração do IR ao final do período. 3.2.3 Compensação com saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 1997, na extinção de parte das estimativas mensais apuradas nos meses de março, abril, maio e junho de 1998. Confirmouse o saldo negativo de IRPJ AC 1997 no valor de R$ 69.780,57. O direito de crédito reconhecido foi insuficiente para validar a compensação indicada em sua totalidade. Assim sendo, procedeuse à glosa da importância de R$ 96.321,46. 3.2.4 Parte das estimativas mensais apuradas nos meses de setembro, novembro e dezembro/98 foi compensada com pretensos créditos com "exigibilidade suspensa". Esta compensação não foi validada pela DRF mediante a seguinte alegação: "O não reconhecimento destes valores na composição do saldo negativo se dá por não se tratar de crédito líquido e certo, passível de compensação, como exigido em legislação". Nestes termos, procedeuse à glosa da importância de R$ 192.343,50, correspondente à compensação mencionada neste tópico. 3.2.5 A DRF constatou a ocorrência de alguns pagamentos indevidos/a maior efetuados durante o ano calendário, a título de "estimativa mensal". O valor pago a maior, conforme planilha à fl. 206 importou em R$ 264.167,26. Parte deste valor — R$ 23.728,32 — foi utilizada na compensação indicada pelo contribuinte na planilha à fl. 04. Nestes termos, a DRF validou a importância d$ 240.438,94 como componente do saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 1998. 3.3 Verificadas as antecipações mensais ocorridas durante o ano calendário, a DRF então passou a verificar a apuração do Saldo Negativo de IRPJ/AC 1998. Mencionou que "o contribuinte apresentou Ficha 13 da DIPJ — Ajuste — com preenchimento incorreto". Com esta informação, reproduziu a apuração do IRPJ AC 1998 da forma como achou correta, conforme planilhas às fls. 207/208. Deste recálculo, apurou o crédito referente ao "saldo negativo de IRPJ" AC 1998 no valor de R$ 12.225.15. 3.4 Apurado o saldo negativo de IRPJAC 1998 no valor de R$ 12.225,15, a DRF constatou ainda a utilização deste crédito em compensações espontâneas, informadas em DCTF, na extinção Fl. 601DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 4 do IRPJ apurado no mês de junho/1999. Apurou ainda que o crédito apurado sequer foi suficiente para a validação desta compensação. Por fim: "Assim, não há Saldo Negativo de IRPJ disponível para efetuar as demais compensaçães pleiteadas". 4. Na seqüência, a DRF tece diversas considerações acerca do "Saldo Negativo de CSLL" AC 1998, reconhecendo como válida a importância de R$ 94.045,81. 4.1 Constatou ainda a utilização do crédito validado em compensações espontâneas informadas em DCTF. Deduzidas as compensações efetuadas, reconhece: "Ante ao exposto, reconhecemos o Saldo Negativo de CSLL – ano calendário 1998 disponível para efetuar as demais compensações pleiteadas, no valor de R$ 73.520,59". 4.2 Concluindo, a DRF reconhece ao contribuinte o direito à utilização do crédito no valor de R$ 73.520,59, a título de "Saldo Negativo de CSLL" AC 1998 e a inexistência do "Saldo Negativo de IRPJ" para o mesmo período, homologando parcialmente as compensações declaradas pelo contribuinte. 5. Considerando que este processo trata somente das DCOMP's mediante a utilização de Saldo Negativo de IRPJ — AC 1998, todas as compensações cadastradas neste processo foram "NÃO HOMOLOGADAS", conforme documento à fl. 224. 6. O contribuinte foi cientificado da Decisão prolatada pela DRF em 22/12/2007, conforme AR Aviso de Recebimento à fl. 227. Em resposta, o contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade aos 22/01/2008, anexada às fls. 228 a 253 [...] [...] DOS PEDIDOS 6.9 Tendo em vista os argumentos acima, enfim pleiteia: a) O recebimento da manifestação de inconformidade com efeito suspensivo. b) A Nulidade do Despacho Decisório e das Cartas de Cobrança, as quais atribui o título de "Notificações de Lançamento". c) Quanto ao "saldo negativo de períodos anteriores", propugna pela validação da importância de R$ 86.690,15 e pela suspensão da glosa no valor de R$ 96.321,46. d) Quanto aos tributos com exigibilidade suspensa, propugna pela validação da importância de R$ 192.343,50, a homologação das compensações decorrentes deste crédito e a emissão de DARF para recolhimento de multa e juros de mora. e) O reconhecimento do pagamento indevido no valor de R$ 81.823,14 e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário no valor de R$ 23.728,32. f) A validação do saldo negativo de CSLL pelo valor de R$ 94.803,45. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 10680.017927/200209 Acórdão n.º 140100.686 S1C4T1 Fl. 584 5 g) O cancelamento das cartas de cobrança no valor total de R$ 870.336,39. 7. Para dar suporte às suas alegações, anexa os documentos constantes às fls. 252 a 363. A 3ª Turma da DRJ Belo Horizonte, por unanimidade, deferiu parcialmente a solicitação da contribuinte, considerando homologada tacitamente a compensação de débito declarada na DCOMP apresentada em 18/12/2002 (fl. 01, período de apuração 14/12/2002, vencimento 18/12/2002, valor declarado R$ 6.727,20). Foi mantida a não homoogação de todas as demais compensações pleiteadas, pela inexistência do crédito utilizado. OAcórdão 0218.053, foi assim ementado (fls. 455): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. COMPENSAÇÃO CRÉDITO CONTESTADO JUDICIALMENTE. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de crédito, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA Será considerada tacitamente homologada, a compensação dos débitos constantes de DCOMP não apreciada pela RFB no prazo de cinco anos, contados da data da protocolização do documento, independentemente da procedência e do montante do crédito utilizado. Solicitação Deferida em Parte Cientificada do Acórdão em 20/06/2008 (fls. 488), a contribuinte, em 21/07/2008, interpôs o recurso voluntário de fls. 506519, com base nos seguintes argumentos: a) Decadência do direito da Fazenda a refazer a apuração do IRPJ dos anos calendários 1996, 1997 e 1998 (v. fls. 508511); b) Comprovação dos créditos apurados: saldo negativo de IRPJ dos anos calendários de 1996, 1997 e 1998 (v. fls. 512516, com análises individualizadas por ano calendário); c) Ocorrência de efetivo recolhimento do valor glosado, no valor de R$ 23.728,32, referente a pagamentos indevidos ou a maior, informados pela Recorrente na linha Fl. 603DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 6 21/Ficha 13 da DIPJ/99 (fls. 317/318) retificadora do anocalendário 1998, recepcionada em 28.11.2002. Tais valores foram utilizados para compensar parte das estimativas de setembro/98 e dezembro/98, no valor de R$ 15.803,81 e R$ 7.924,51, respectivamente (v. fls. 516517).; d) Impossibilidade da exigência do imposto de renda na fonte incidente sobre trabalho assalariado da fonte pagadora, após o encerramento do ano calendário. Nos autos, por se tratar de imposto de renda retido na fonte referente aos anoscalendários de 2002 (dez/2002) e 2003 (01/2003), é ilegítima a Constituição do presente crédito tributário contra a fonte pagadora. (v. fls. 517518). Nestes termos, a Recorrente requereu a procedência do presente recurso a fim de que sejam homologadas as compensações efetuadas, reconhecendose o direito creditório ora demonstrado, devidamente atualizado, bem como a insubsistênciada carta de cobrança profligada e a extinção do crédito tributário consubstanciado na carta cobrança de fls. 218 a 223. Requereu ainda, relativamente ao pagamento indevido no valor de R$ 192.343,50, que sejam acatados os procedimentos adotados pela Recorrente tendo em vista a desistência formulada em 22.11.02. Se assim não, entender este Colegiado, requer seja acatada a compensação a partir da conversão em renda dos valores depositados. É o relatório. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 10680.017927/200209 Acórdão n.º 140100.686 S1C4T1 Fl. 585 7 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Decadência do direito da Fazenda de refazer a apuração do IRPJ dos anoscalendários 1996, 1997 e 1998 Em relação a este tema, assim se pronunciou a Recorrente, fls. 509511: Vêse no caso em apreço que o Fisco pretende alterar o saldo negativo de períodos anteriores, especificamente dos anos calendários 1996, 1997 e 1998, o que lhe é defeso por se tratar de períodos alcançados pela decadência. [...] Ora, mantevese silente o Fisco durante o interregno no qual poderia refazer a apuração dos saldos negativos de 1996, 1997 e 1998, levando, por conseguinte, à preclusâo do ato administrativo que consubstancia a nãohomologação dos recolhimentos integrantes dos saldos negativos referidos. [...] Assim é que, impossibilitado de autuar a Recorrente relativamente àqueles anos, igualmente tornase impossível a contestação dos pagamentos de IRPJ relativos ao mesmo período. [...] Assim é que, pelos motivos aduzidos, não deve prosperar a rejeição do saldo negativo de IRPJ a que faz jus a Recorrente em relação aos anoscalendários de 1996, 1997 e 1998. Conseqüentemente, carece de amparo legal a exigência dos débitos regularmente compensados com os citados créditos. Não assiste razão à Recorrente. Ab initio, esclareçase que o Fisco validou integralmente o saldo negativo de IRPJ apurado pelo contribuinte na DIPJ/1998 (AC 1997). Não obstante este fato, procedeuse à glosa da importância de R$ 96.321,45, pela simples razão de que a importância utilizada na compensação informada na DIPJ/1999 (AC 1998) não foi suficiente para a totalidade das homologações pleiteadas. Sobre o tema, manifestouse com bastante clareza o Acórdão recorrido, fls. 474475: Fl. 605DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 8 49. A DRF assim se manifestou acerca das compensações efetuadas mediante a utilização do "saldo negativo de períodos anteriores": Saldo Negativo de ano calendário de 1997 O Saldo Negativo em DIPJ é de R$ 69.780,57 (...) confirmamos o valor do Saldo Negativo de IRPJ — ano calendário de 1997, apurado em DIPJ, no valor de R$ 69.780,57. Às fls. 159/161 anexamos planilhas no nosso sistema operacional, com os valores das compensações das estimativas de IRPJ — ano calendário 1998, quitadas com o saldo negativo de IRPJ — ano calendário de 1997. Tendo em vista o valor do crédito reconhecido ser insuficiente para quitar os débitos compensados, procedemos à glosa de R$ 96.321,46 (...) Ou seja, a DRF considerou como válido o saldo negativo de IRPJ apurado pelo contribuinte na DIPJ, contudo, apurou que tal crédito é insuficiente para a homologação de todas as compensações informadas pelo contribuinte na DIPJ. [...] 51. [...] Tal como já mencionado anteriormente, a DRF considerou como válido todo o saldo negativo de IRPJ apurado pelo contribuinte em sua DIPJ/1998AC 1997. Apesar desta validação, informou claramente no Despacho Decisório que a importância encontrada pelo próprio contribuinte e utilizada na compensação informada na DIPJ/1999AC 1998 é insuficiente para homologação da totalidade destas compensações, remetendo a cálculos anexados ao processo. [...] Notese que, diferente do alegado pelo impugnante, o fisco demonstrou com clareza a origem da glosa efetuada, ou seja, tão somente foram considerados válidos os valores correspondentes às estimativas mensais efetivamente compensadas, considerando o crédito identificado pelo próprio contribuinte. Revelase, portanto, sem sentido a alegação da Recorrente acerca da suposta impossibilidade do Fisco de verificar a efetiva existência do saldo negativo de IRPJ referente a anos calendários anteriores. Afinal, não foi este o motivo da glosa efetuada pelo Fisco. Além disso, cumpre registrar que, não obstante a vasta jurisprudência mencionada pelo Recorrente, vem se firmando no âmbito deste colegiado o entendimento de que para fins de averiguação da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, é permitido à Fazenda Pública questionar ou retificar de ofício dados informados em declarações entregues a mais de cinco anos, face às considerações que seguem. Fl. 606DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 10680.017927/200209 Acórdão n.º 140100.686 S1C4T1 Fl. 586 9 A decadência de que trata o art 150 § 4° do CTN é uma dentre as modalidades de extinção do crédito tributário. Uma vez transcorrido o prazo máximo previsto em Lei, o fisco perde o direito de formalizar o lançamento relativo a eventuais diferenças. Esclareçase, porém, que se da decadência de que trata o dispositivo acima mencionado decorre a perda do direito de efetivar o lançamento tributário, dela não decorre, por falta de previsão legal, o efeito de legitimação de alegados créditos, tão somente porque informados em declarações entregues a mais de 5 anos. Rechaço este último efeito por considerar os aspectos que abaixo enumero. O primeiro aspecto é o de que créditos meramente escriturais, não representativos de pagamentos indevidos ou a maior, não atendem aos requisitos de liquidez e certeza, exigidos pelo art 170 do CTN. O segundo aspecto é o de que, cabendo o ônus da prova a quem alega, na compensação incumbe à interessada a demonstração da efetividade do crédito pleiteado. Não ha que se aplicar a esta tarefa, do sujeito passivo, o prazo de que trata o art 150 do CTN, destinado unicamente ao fisco para realizar tarefa diversa: constituir o crédito tributário. O terceiro, último e decisivo aspecto é o de que a tese de que o poder de investigação retroativa do crédito, pelo fisco, sofreria limite cronológico, resultaria, por muitas vezes, na legitimação de direitos inexistentes, hipótese esta que ofenderia ao principio da indisponibilidade dos bens públicos, ao principio da razoabilidade, ao principio que rejeita o enriquecimento ilícito e, até mesmo, ao senso comum de justiça. Diante de tal quadro, na busca de hermenêutica que melhor compatibilize as normas tributárias vigentes, a conclusão é a de que não se pode admitir como mais perfeita tese da qual resulte ofensa a princípios que, tais como os acima assinalados, verdadeiramente integram a base do ordenamento jurídico instituído. Retornando ao caso concreto, julgo inválidos os argumentos da interessada, posto que no presente caso o Fisco não promoveu qualquer mudança no valor do saldo negativo de IRPJ apurado em períodos anteriores. Além disso, devese levar em conta que da eventual decadência do direito de efetivar o lançamento tributário, não decorre, por falta de previsão legal, o efeito de legitimação de alegados créditos referentes a exercícios anteriores. Comprovação dos créditos apurados: saldo negativo de IRPJ dos anos calendários de 1996, 1997 e 1998 Em relação a este tema, a Recorrente procurou demonstrar os valores dos saldos negativos dos anoscalendários de 1996 a 1998, com o intuito de comprovar que as compensações realizadas foram regulares. Com relação ao anocalendário de 1997, o demonstrativo apresentado pela Recorrente (fls. 512) indicou o valor de R$ 73.390,90 de saldo negativo de imposto de renda. Este valor é totalmente diferente do valor consignado em sua DIPJ. Sobre o tema, pronunciouse com bastante clareza o acórdão recorrido (fls. 476): Fl. 607DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 10 A DRF convalidou o "saldo negativo de IRPJ" no valor de R$ 69.780,57, constante da última DIPJretificadora apresentada. Esta importância corresponde a um valor semelhante àquele encontrado em todas as DIPJ's destinadas ao período. Diante do exposto, não é razoável considerar o novo valor mencionado pela interessada, por ocasião da apresentação da sua peça recursal. Com relação ao anocalendário de 1996, o demonstrativo apresentado pela Recorrente (fls. 513) indicou o valor de R$ 70.755,92 de saldo negativo de imposto de renda. Com relação a este valor, assim se pronunciou a Recorrente, fls. 513: Considerando o saldo negativo de 1997 no. valor de R$ 73.390,07, certo é que, em nenhum momento, a autoridade fiscal buscou o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1996 que, somado ao de 1997 e atualizado segundo a variação da SELIC, perfaz o montante que a Recorrente pleiteou, a título de compensação, no anocalendário de 1998. [...] Assim, os créditos utilizados pela Recorrente para extinguir débitos do imposto de renda por estimativa durante o ano calendário de 1998 estão representados pelos saldos negativos de IRPJ de 1996 (R$ 70.755,92) e de 1997 (R$ 73.390,07) que, atualizados, perfaz R$ 172.234,01 (fls. 318). Ressaltese, por derradeiro, que ao crédito da Recorrente foi aplicado índice de atualização pela taxa SELIC até o mês anterior ao vencimento dos débitos, acrescida de 1% no mês do vencimento (art. 39, § 4° da Lei n°. 9.250/95)1 , direito inconteste e reconhecido em nossa jurisprudência pátria. Sobre o tema, adoto e transcrevo parcialmente as razões de decidir constantes do Acórdão recorrido, fls. 477480: 53.4 Em resumo, o contribuinte pleiteia a utilização de saldo negativo apurado em períodos anteriores a 1997, como se correspondente àquele ano calendário na validação das compensações efetuadas no decorrer do ano calendário de 1998. [...] 53.7 Diante dos esclarecimentos acima, percebese que inexiste previsão para a "transferência" de crédito decorrente de "saldo negativo de IRPJ" de um período para outro. As instruções disponibilizadas pela SRF no "Manual de Instruções da DIPJ" são expressas acerca deste impedimento. Dessa forma, não há como computar como "Saldo Negativo de IRPJ — AC 1997" a importância de R$ 70.755,92, mencionada pelo impugnante como "Saldo Negativo de IRPJ AC 1996" e conquentemente a atualização pela SELIC aplicada sobre este mesmo valor. 54. Enfim, acerca das estimativas informadas pelo contribuinte como extintas pela compensação do "saldo negativo apurado em 1997", somente podem ser validadas aquelas já computadas pelo fisco, conforme demonstrativo do item 51.1. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 10680.017927/200209 Acórdão n.º 140100.686 S1C4T1 Fl. 587 11 Por fim, em relação ao anocalendário de 1998, o demonstrativo apresentado pela Recorrente (fls. 514) indicou o valor de R$ 300.168,15 de saldo negativo de imposto de renda. O Acórdão recorrido, por sua vez, apurou neste mesmo anocalendário um saldo de imposto a pagar no valor de R$ 12.225,05, conforme demonstrativo de fls. 485. A diferença entre a apuração da Recorrente e a apuração do acórdão recorrido decorre de 2 fatores: a) não reconhecimento de todas as compensações realizadas mediante a utilização de "saldos negativos de períodos anteriores"; b) não reconhecimento como válido o somatório do valor suspenso na apuração do "saldo negativo de IRPJ". Sobre o tema, foi suficientemente clara a exposição contida no acórdão recorrido, fls. 473 (grifado): Constatase que ao analisar o procedimento executado pelo contribuinte, a DRF: Validou todo o IRF deduzido na apuração do "saldo do imposto apagar" mensal. Não reconheceu como válidas todas as compensações mediante a utilização de "saldos negativos de períodos anteriores". Validou todas as compensações efetuadas mediante a utilização de "pagamento indevido/a maior". Validou todos os pagamentos identificados pelo contribuinte no "cálculo do imposto de renda por estimativa". Não contestou a suspensão da exigibilidade informada pelo contribuinte, mas também não computou como válido o somatório do valor suspenso na apuração do "saldo negativo de IRPJ". A questão relativa à utilização de saldos negativos de períodos anteriores já foi devidamente apreciada no tópico anterior do presente voto, ocasião em que conclui pela integral correção do procedimento adotado pelo Fisco. No tocante ao cômputo do valor suspenso na apuração do saldo negativo de IRPJ, adoto e transcrevo parcialmente as razões de decidir constantes do acórdão recorrido, fls. 483484: 59. Ao apurar o "saldo negativo de IRPJ AC 1998" a DRF desconsiderou a importância de R$ 192.343,50, considerando a inexistência de "liquidez e certeza" do crédito mencionado. O contribuinte se insurge quanto à glosa efetuada, nos seguintes termos: A autoridade fiscal glosou o montante de R$ 192.343,50(..) referente a crédito fiscal constituído com depósitos judiciais de IRPJ efetuados pela recorrente(...) Fl. 609DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 12 Os depósitos judiciais de IRPJ referemse ao Processo nº 1997. 38.00. 0573836(. ..) O referido processo judicial transitou em julgado em 28 de julho de 2003(...) Em síntese, o contribuinte informa que desistiu de discutir o mérito da ação judicial e defende que o trânsito em julgado da ação ocorreu em 28/07/2003 buscando amparo em manifestações do Poder Judiciário. 60. Considerando o "transito em julgado" em 28/07/2003, argumenta: "a recorrente reconhece que as compensações realizadas (...) ocorreram antes da desistência e trânsito em julgado da ação judicial, que se deu com o protocolo da recorrente do pedido de conversão em renda da União Federal dos valores depositados judicialmente em 28 de julho de 2003". "contudo, é fato que após o trânsito em julgado e o pedido de conversão dos depósitos judiciais em renda da União, em 28 de julho de 2003, os depósitos passaram a ser considerados como pagamento efetivo e, conseqüentemente, "créditos líquido e certo, passível de compensação ". 61. As DCOMP's em análise neste processo foram protocolizadas no período de dezembro/2002 a março/2003. Considerando as informações prestadas pelo próprio contribuinte, nesta data, os depósitos judiciais correspondentes ao IRPJestimativa mensal apurada em 1998 ainda estavam em litígio[perante o] Poder Judiciário. Acerca deste assunto, o CTN (Código Tributário Nacional) não deixa dúvida. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela LCp 104, de 10/01/01) Notese então que, ainda que comprovado o trânsito em julgado da ação judicial mencionada pelo contribuinte em julho de 2003, e não foi, qualquer compensação aventada antes desta data está expressamente vedada pela legislação vigente. Assim sendo, não há como considerar como componente do saldo negativo de IRPJ apurado em 1998 a importância de R$ 192.343,50, contestada judicialmente na data da apresentação das DCOMP's. Diante do exposto, concluo que, também em relação a este tema, o acórdão recorrido não merece quaisquer reparos. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 10680.017927/200209 Acórdão n.º 140100.686 S1C4T1 Fl. 588 13 Ocorrência de efetivo recolhimento do valor glosado, no valor de R$ 23.728,32 Em relação a este tema, repetindo o que já fizera na fase impugnatória, a Recorrente alegou o seguinte, fls. 516517: 2.3. Da glosa do valor informado como pagamento indevido ou a maior de R$ 23.728,32. Recolhimento do valor glosado e o restabelecimento do montante consignado na DIPJ da Recorrente. A autoridade fiscal glosou a importância de R$ 23.728,32 referente a pagamentos indevidos ou a maior, informados pela Recorrente na linha 21/Ficha 13 da DIPJ/99 (fls. 317/318) retificadora do anocalendário 1998, recepcionada em 28.11.2002. Tais valores foram utilizados para compensar parte das estimativas de setembro/98 e dezembro/98, no valor de R$ 15.803,81 e R$ 7.924,51, respectivamente. A autoridade julgador a manteve a glosa. Contudo, não há como prevalecer a decisão recorrida. [...] A Recorrente, na realidade, interpretou incorretamente a decisão da DRF de origem, bem como o inteiro teor do Acórdão recorrido. Analisandose com a devida atenção as retrocitadas decisões, tornase bastante fácil constatar que a referida glosa não ocorreu. Com o intuito de bem esclarecer esta questão, transcrevo o seguinte trecho do acórdão recorrido, fls. 482 (grifado no original): A importância de R$ 23.728,32 corresponde à soma dos valores compensados nos meses de setembro/98 e dezembro/98, identificados no demonstrativo do item 55.4, cuja compensação foi validada pelo fisco tendo em vista a existência de pagamentos destinados ao IRPJestimativa durante o ano calendário, suficientes para amparar a compensação declarada em DIPJ. Acrescentese ainda que, os valores compensados acima mencionados integram a apuração do "Saldo Negativo de IRPJ AC 1998" no item "imposto de renda mensal pago por estimativa" (fl. 208). Confirase: DIPJ Validado DRF Imposto de Renda Retido na Fonte R$ 221.446,85 R$ 221.446,85 Saldo Negativo de Períodos Anteriores R$ 172.234,00 R$ 75.912,54 Compensação c/ pgto indevido / a maior R$ 23.728,32 R$ 23.728,32 Pagamento R$ 114.128,18 R$ 114.128,18 Exigibilidade suspensa R$ 192.343,50 R$ 114.128,18 Soma R$ 723.880,85 * R$ 435.215,89 Fl. 611DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 14 * valor constante do demonstratovo da DRF à fl. 208 Como facilmente se percebe, a diferença entre a apuração da Recorrente e a apuração do acórdão recorrido decorre de apenas 2 fatores: a) não reconhecimento de todas as compensações realizadas mediante a utilização de "saldos negativos de períodos anteriores"; b) não reconhecimento como válido o somatório do valor suspenso na apuração do "saldo negativo de IRPJ". Tal fato já foi devidamente mencionado no item anterior do presente voto. Inexistiu, portanto, a glosa alegada pela Recorrente, referente ao valor informado como pagamento indevido ou a maior, no montante de R$ 23.728,32. Assim sendo, também em relação a este tema, o acórdão recorrido não merece quaisquer reparos. Impossibilidade da exigência do imposto de renda na fonte incidente sobre trabalho assalariado da fonte pagadora, após o encerramento do ano calendário. Segundo a Recorrente, por se tratar de imposto de renda retido na fonte referente aos anoscalendários de 2002 (dez/2002) e 2003 (01/2003), é ilegítima a constituição (sic) do presente crédito tributário contra a fonte pagadora. (v. fls. 517518). Alegação desprovida de sentido. O presente processo trata exclusivamente da análise dos pedidos de compensação apresentados pela Recorrente, muitos dos quais não foram homologados pelo Fisco, em face da insuficiência dos créditos utilizados nas DCOMP's. A interessada, na fase recursal, pretende discutir a exigibilidade dos débitos que ela própria confessou, ao apresentar as aludidas DCOMP’s. Importante destacar que tal alegação sequer foi aventada nas fases anteriores do presente processo. Consequentemente, a pretensão da Recorrente merece ser negada, por duas ordens de fatores. Em primeiro lugar, porque se trata de matéria preclusa, posto que não foi aventada nas instâncias anteriores. Em segundo lugar, porque este não é o fórum adequado para questionar a exigibilidade dos débitos espontaneamente confessados pela contribuinte. No âmbito do presente processo, compete a este colegiado se pronunciar apenas sobre a legitimidade das compensações pretendidas pela contribuinte. Questionamentos acerca da eventual inexigibilidade de alguns dos débitos confessados devem ser apresentados perante a unidade de origem, desde que observados os prazos e demais requisitos establecidos pela legislação de regência dos tributos e contribuições a que correspondem os aludidos débitos. Por fim, por falta de comprovação dos fatos alegados e por ausência de amparo legal, merece ser indeferido o pleito da Recorrente relativo ao suposto pagamento indevido no valor de R$ 192.343,50. Assim sendo, também não merece prosperar este argumento de defesa apresentado pela Recorrente. Conclusão Fl. 612DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 10680.017927/200209 Acórdão n.º 140100.686 S1C4T1 Fl. 589 15 Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 613DF CARF MF Impresso em 23/05/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 7/02/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA
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Numero do processo: 10980.011390/2007-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
AUTO DE INFRAÇÃO. REVISÃO DE DECLARAÇÃO.
DESNECESSIDADE DE MPF. De acordo com o art. 11, IV, da Portaria SRF nº 6.087/2005 (Art. 11. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: IV relativo à revisão interna das declarações, inclusive para aplicação de penalidade pela falta ou atraso na sua apresentação (malhas fiscais)), vigente na época desta autuação e que estabelecia normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, o mandado de procedimento fiscal não era (e ainda não é) exigido em
procedimentos revisão interna de declaração, como no caso destes autos.
IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE
A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.
REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se
do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008;
AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se
pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao
primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de
desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência
e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos).
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APURAÇÃO DE TRIBUTO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. Sobre qualquer lançamento de ofício
decorrente de diferença de imposto apurado, incide a multa de ofício ordinária de 75% ou qualificada de 150%, nos termos do art. 44, I e § 1º, da Lei nº 9.430/96, passível ainda de agravamento, e os juros de mora à taxa Selic, nos termos do art. 61, § 3º, também da Lei nº 9.430/96.
DESPESA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. CONTRIBUIÇÃO CUJO ÔNUS TENHA SIDO DO CONTRIBUINTE. DEDUTIBILIDADE.
Somente os aportes feitos diretamente pelo empregado a título de previdência privada podem ser abatidos da base de cálculo do imposto de renda, dentro do limite legal (Art. 4º da Lei nº 9.250/95. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: V as
contribuições para as entidades de previdência privada
domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social).
Recurso negado.
Numero da decisão: 2102-001.548
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 AUTO DE INFRAÇÃO. REVISÃO DE DECLARAÇÃO. DESNECESSIDADE DE MPF. De acordo com o art. 11, IV, da Portaria SRF nº 6.087/2005 (Art. 11. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: IV relativo à revisão interna das declarações, inclusive para aplicação de penalidade pela falta ou atraso na sua apresentação (malhas fiscais)), vigente na época desta autuação e que estabelecia normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, o mandado de procedimento fiscal não era (e ainda não é) exigido em procedimentos revisão interna de declaração, como no caso destes autos. IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos). LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APURAÇÃO DE TRIBUTO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. Sobre qualquer lançamento de ofício decorrente de diferença de imposto apurado, incide a multa de ofício ordinária de 75% ou qualificada de 150%, nos termos do art. 44, I e § 1º, da Lei nº 9.430/96, passível ainda de agravamento, e os juros de mora à taxa Selic, nos termos do art. 61, § 3º, também da Lei nº 9.430/96. DESPESA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. CONTRIBUIÇÃO CUJO ÔNUS TENHA SIDO DO CONTRIBUINTE. DEDUTIBILIDADE. Somente os aportes feitos diretamente pelo empregado a título de previdência privada podem ser abatidos da base de cálculo do imposto de renda, dentro do limite legal (Art. 4º da Lei nº 9.250/95. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: V as contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social). Recurso negado.
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REVISÃO DE DECLARAÇÃO. DESNECESSIDADE DE MPF. De acordo com o art. 11, IV, da Portaria SRF nº 6.087/2005 (Art. 11. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: IV relativo à revisão interna das declarações, inclusive para aplicação de penalidade pela falta ou atraso na sua apresentação (malhas fiscais)), vigente na época desta autuação e que estabelecia normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, o mandado de procedimento fiscal não era (e ainda não é) exigido em procedimentos revisão interna de declaração, como no caso destes autos. IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICASE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o Fl. 137DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 2 lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos). LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APURAÇÃO DE TRIBUTO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. Sobre qualquer lançamento de ofício decorrente de diferença de imposto apurado, incide a multa de ofício ordinária de 75% ou qualificada de 150%, nos termos do art. 44, I e § 1º, da Lei nº 9.430/96, passível ainda de agravamento, e os juros de mora à taxa Selic, nos termos do art. 61, § 3º, também da Lei nº 9.430/96. DESPESA DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. CONTRIBUIÇÃO CUJO ÔNUS TENHA SIDO DO CONTRIBUINTE. DEDUTIBILIDADE. Somente os aportes feitos diretamente pelo empregado a título de previdência privada podem ser abatidos da base de cálculo do imposto de renda, dentro do limite legal (Art. 4º da Lei nº 9.250/95. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: V as contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social). Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 10/10/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Fl. 138DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10980.011390/200795 Acórdão n.º 210201.548 S2C1T2 Fl. 2 3 Relatório Em face do contribuinte LUIZ EDUARDO DE ARAÚJO CINTRA CARPINELLI, CPF/MF nº 301.829.56920, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 30/04/2007, auto de infração (fls. 26 e seguintes). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 5.815,60 MULTA DE OFÍCIO R$ 4.361,70 Ao contribuinte foi imputada uma glosa de contribuição à previdência privada/fapi, já que declarou um montante R$ 22.467,63 a tal título, somente comprovando R$ 1.320,00 em seu informe de rendimentos, sendo tal conduta apenada com multa de ofício de 75% sobre o imposto lançado. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento. A 4ª Turma da DRJ/CTA, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0626.487, de 04 de maio de 2010 (fls. 79 a 84). O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 10/06/2010 (fl. 87). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 09/07/2010 (fl. 90). No voluntário, o recorrente alega, em síntese, que: I. o presente procedimento fiscal não foi instrumentalizado com o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, o que é causa de nulidade de todos os atos praticados; II. para os fatos geradores vergastados ocorridos em fevereiro de 2002, quando da ciência do presente lançamento, já tinha fluído o qüinqüênio decadencial legal, contado na forma do art. 150, § 4º, do CTN, sendo de rigor decretar a decadência do crédito tributário lançado; III. aportou um montante de R$ 65.671,50 a título de PGBL da Santos Seguradora no anocalendário auditado, sendo R$ 32.000,00 transferidos para outra EAPP e o restante resgatado. Enfatizase que o Banco Santos S/A fez tais aportes para extinguir comissões e prêmios devidos ao fiscalizado, devendo assim o montante maior ser considerado como despesa dedutível de pagamento de previdência privada, e, para tanto, pugna pela intimação da massa falida do Banco Santos para confirmar o agora asseverado; Fl. 139DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 4 IV. não devem ser aplicados a multa de ofício e os juros de mora sobre o imposto lançado, pois, como se comprovou, não houve qualquer irregularidade na declaração do contribuinte. Ademais, somente no caso de dolo ou máfé se justifica a aplicação da punitiva no preenchimento irregular da declaração de ajuste, como expressamente previsto na Medida Provisória nº 472/2010, hipótese não comprovada nestes autos; V. A multa de ofício lançada no percentual de 75% é claramente confiscatória, como assentado na doutrina e jurisprudência, sendo de rigor cancelála. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declarase a tempestividade do apelo, já que o contribuinte foi intimado da decisão recorrida em 10/06/2010 (fl. 87), quintafeira, e interpôs o recurso voluntário em 09/07/2010 (fl. 90), dentro do trintídio legal, este que teve seu termo final em 12/07/2010, segundafeira. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passase a apreciar o apelo, como discriminado no relatório. Passase à defesa do item I (ausência de mandado de procedimento fiscal). De acordo com o art. 11, IV, da Portaria SRF nº 6.087/2005 (Art. 11. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: IV relativo à revisão interna das declarações, inclusive para aplicação de penalidade pela falta ou atraso na sua apresentação (malhas fiscais)), vigente na época da autuação e que estabelecia normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, o mandado de procedimento fiscal não era (e ainda não é) exigido em procedimentos de revisão interna de declaração, como no caso destes autos. Observe que o auto de infração emitido é eletrônico (fl. 26), a partir da revisão interna da declaração do contribuinte, estando a emissão do MPF excepcionado nesta situação. No ponto, sem razão o recorrente. Agora, passase à defesa do item II (decadência). No tocante ao fato gerador do imposto de renda, este é denominado complexivo ou periódico, ou seja, realizase ao longo de um espaço de tempo, resultando da valoração de um conjunto de fatos econômicos. A aquisição de disponibilidade de renda resulta da composição de fatos econômicos que se produzem ao longo de um período de tempo. Assim, o fato gerador do imposto de renda da pessoa física relacionado aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual ou a glosa de despesas considerase ocorrido em 31/12 e resulta do somatório de fatos econômicos surgidos no curso do anocalendário (1º/01 a 31/12). No caso vertente, em relação ao crédito tributário do anocalendário 2002, o fato gerador do imposto de renda da pessoa física se aperfeiçoou em 31/12/2002. Definido Fl. 140DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10980.011390/200795 Acórdão n.º 210201.548 S2C1T2 Fl. 3 5 quando ocorreu o fato gerador, devese, agora, pesquisar qual a regra para o início da contagem do prazo decadencial. A lei é que define a modalidade do lançamento ao que o tributo se amolda. Assim, entendese pacificamente que, desde o DecretoLei nº 1.968/1982, o lançamento do imposto de renda da pessoa física passou a ser por homologação porque a lei atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento do imposto, sem prévio exame da autoridade administrativa, na forma do art. 150, § 4º, do CTN. Corroborando todo o entendimento acima esposado, a Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, então competente para julgar os feitos de pessoa física, prolatou o Acórdão nº CSRF/0400.586, sessão de 19/06/2007, relatora a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, que restou assim ementado: DECADÊNCIA – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – TERMO INICIAL – PRAZO – No caso de lançamento por homologação, o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário extinguese no prazo de cinco anos, contados da data de ocorrência do fato gerador que, em se tratando de Imposto de Renda Pessoa Física apurado no ajuste anual, considerase ocorrido em 31 de dezembro do anocalendário. Com as considerações acima, para o caso destes autos, que versa sobre glosa de despesas com previdência privada, o fato gerador do imposto considerase ocorrido em 31/12/2002, com qüinqüênio decadencial daí contado (regra do art. 150, § 4º, do CTN), ou seja, o Fisco teria até 31/12/2007 para concretizar o lançamento, o que ocorreu, pois a ciência do lançamento pelo contribuinte sucedeuse em 21/08/2007 (fl. 77), dentro do qüinqüênio legal. Assim, no ponto, incabível a irresignação recursal. Agora de passase à defesa do item III, na qual o contribuinte busca comprovar que efetuou recolhimento de previdência privada no importe de R$ 65.671,50 no anocalendário auditado, o que faria soçobrar o lançamento. Primeiramente, aqui se rejeita o pedido de intimação à massa falida do Banco Santos, pois era ônus comprovar o seu direito, trazendo as provas que julgasse pertinentes, na forma do art. 333 do CPC. Não se pode atribuir o ônus da prova a esta Turma de Julgamento, quando produção probatória estava no âmbito do recorrente, que deveria ter a documentação necessária a comprovar as despesas dedutíveis, pois todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Art. 73 do Decreto nº 3.000/99. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). Superado o ponto acima, vêse que não assiste razão ao contribuinte. Explica se. Primeiramente, alegase que o montante de R$ 65.671,50 mantido na Santos Seguros, composto do valor de R$ 32.000,00, transferido para outra EAPP (BBV Seguros), e do resgate de R$ 33.671,50, teria sido aportado no curso do anocalendário 2002, como pagamento de prêmios e comissões devidos pelo Banco Santos ao recorrente. Fl. 141DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 6 Compulsando os autos, vêse que a instituidora Banco Santos fez o aporte de R$ 33.671,50 (fl. 58), não havendo qualquer comprovação de que tal aporte decorreria de prêmios ou comissões devidos pelo Banco ao recorrente, sendo certo que no informe de rendimentos da Santos Seguros é registrado que o recorrente apenas aportou R$ 1.320,00 a título de contribuição à previdência privada paga pelo participante, valor este considerado pela fiscalização (fls. 29 e 41). Já no tocante aos R$ 32.000,00, transferidos para outra EAPP, vêse que tal valor foi aportado em ano anterior a 2002 (vide o extrato de fl. 39). Claramente não se comprovou que o contribuinte tivesse aportado no ano calendário 2002 quer o montante de R$ 65.671,50, quer o montante de R$ 33.671,50. Somente há prova nos autos de uma contribuição de R$ 1.320,00, a título de previdência privada, esta que foi considerada pela fiscalização. Devese evidenciar, em acréscimo, que a contribuição feita pelo instituidor Banco Santos jamais poderia ser considerada como despesa dedutível, mesmo que fosse como pagamento de prêmios e comissões devidos ao recorrente. E assim seria porque caso se permitisse a dedução de valores pagos pelo empregador a título de previdência privada dos empregados, aquele poderia efetuar aportes a título de previdência privada com contraprestação de serviço prestados pelos empregados, sem incidência do IRRF, levando o beneficiário a resgatar dentro do anocalendário os valores (com retenção do IRRF). Aí, no ajuste anual, o beneficiário empregado informaria o rendimento decorrente do resgate, com o IRRF respectivo, abatendo a despesa dedutível decorrente do aporte feito pelo empregador (despesa de previdência privada), ou seja, terminaria recebendo de volta o imposto de renda retido na fonte, pois o rendimento tributado na fonte e colacionado no ajuste anual seria anulado pela dedução do valor aportado pelo empregador (despesa dedutível de previdência privada), implicando que um pagamento de prêmios e comissões, ordinariamente dentro da incidência do imposto de renda, ficaria, de forma transversa, isento do imposto de renda. Por tudo, vêse que somente os aportes feitos diretamente pelo empregado a título de previdência privada podem ser abatidos da base de cálculo do imposto de renda, dentro do limite de 12% previsto na legislação de regência, verbis: Art. 4º da Lei nº 9.250/95. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto de renda poderão ser deduzidas: V as contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social. (grifouse) Art. 11 da Lei nº 9.532/97. As deduções relativas às contribuições para entidades de previdência privada, a que se refere a alínea e do inciso II do art. 8o da Lei no 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e às contribuições para o Fundo de Aposentadoria Programada Individual Fapi, a que se refere a Lei no 9.477, de 24 de julho de 1997, cujo ônus seja da própria pessoa física, ficam condicionadas ao recolhimento, também, de contribuições para o regime geral de previdência social ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, observada a contribuição mínima, e limitadas a 12% (doze por cento) do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos. (Redação dada pela Lei nº 10.887, de 2004) Fl. 142DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10980.011390/200795 Acórdão n.º 210201.548 S2C1T2 Fl. 4 7 Assim, sem razão o recorrente. Agora se passa para os itens IV e V da defesa, que versam sobre os acréscimos legais incidentes sobre o imposto lançado. Inicialmente, sobre qualquer lançamento de ofício decorrente de diferença de imposto apurado, incide a multa de ofício ordinária de 75% ou 150%, nos termos do art. 44, I e § 1º, da Lei nº 9.430/96 (Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis), e os juros de mora à taxa Selic, nos termos do art. 61, § 3º, também da Lei nº 9.430/96 (Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. .§ 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento), sobre o imposto e multa lançados. Dessa forma, inviável acolher o pleito do recorrente, pois efetivamente apurouse imposto em procedimento de ofício, a partir de dedução indevida de despesa com previdência. Já em relação à aplicação da multa de ofício de 75% somente nos casos de dolo ou máfé para o caso em debate (dedução de despesas da base de cálculo do imposto de renda), com base na Medida Provisória nº 472/2010, devese anotar que o art. 23 da MP nº 472/2010 não albergava esse entendimento, pois determinava pura e simplesmente a aplicação da multa de ofício de 75% sobre o imposto apurado a partir da glosa de deduções de despesas, como se vê na transcrição abaixo: Art.23 da Medida Provisória nº 472/2010. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescido do seguinte parágrafo: §5oAplicase também a multa de que trata o inciso I do caput sobre: Ia parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte, pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituído em razão da constatação de infração à legislação tributária; e IIo valor das deduções e compensações indevidas informadas na Declaração de Ajuste Anual da pessoa física.” (NR) (grifou se) Efetivamente, quando da conversão da MP acima na Lei nº 12.249/2010, alterouse a cabeça do § 5º acima, incluindo o dolo ou máfé, porém o inciso II foi vetado pelo Presidente da República, como se vê abaixo: Fl. 143DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 8 Art. 23 da Lei nº 12.249/2010. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescido do seguinte § 5o: “Art. 44. ........................................................................ .............................................................................................. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e II – (VETADO).” (NR) Dessa forma, vêse que não se exige dolo ou máfé para apenar com a multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96 (multa no percentual de 75% sobre o imposto lançado) a conduta relativa à dedução indevida informada na declaração de ajuste anual. Concluindo, apreciase o pretenso efeito confiscatório da multa de ofício de 75% sobre o imposto lançado. O recorrente afirma que a multa de ofício tem caráter confiscatório. Aqui, um pequeno parêntese, antes da análise dogmática dessa irresignação. O princípio da proibição de efeito de confisco é de difícil constatação, e, como diz Heinrich Kruse, quando fala do “imposto sufocante”, mais se assemelha ao “monstro do Lago Ness do Direito Tributário: ninguém o viu e todos escrevem sobre ele” 1. Agora, transcrevese a norma constitucional que positivou tal princípio: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I a III omissis; IV utilizar tributo com efeito de confisco; (...) (grifouse) Vêse que o princípio do nãoconfisco se aplica a tributos. Como estampado no art. 3º do Código Tributário Nacional, tributo é toda prestação pecuniária compulsória, que não constitua sanção de ato ilícito. A sanção de ato ilícito, como já enfatizado anteriormente, tem na multa pecuniária uma de suas espécies. Assim, tratandose de multa pecuniária, não há que falar em princípio do nãoconfisco. Ainda, devese ressaltar que os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária, pois esta se submete ao princípio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando o princípio do nãoconfisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que 1 Apud Schoueri, Luis Eduardo. Normas Tributárias Indutoras e Intervenção Econômica.1ª ed., Rio de Janeiro, 2005, p. 302. Fl. 144DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO Processo nº 10980.011390/200795 Acórdão n.º 210201.548 S2C1T2 Fl. 5 9 funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Ora, como é cediço, somente os órgãos judiciais têm esse poder. No caso específico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, tem aplicação o art. 62 de seu Regimento Interno (Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2007, DOU de 23 de junho de 2009), que veda expressamente a declaração de inconstitucionalidade de leis, tratados, acordos internacionais ou decreto, verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. O entendimento acima, que já existia no antigo Regimento Interno dos Conselhos de Contribuinte, foi objeto da Súmula 1ºCC nº 2: “O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”, e, com espeque no art. 72, caput e §4º, do Regimento Interno do CARF2, devese ressaltar que o enunciado sumular é de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2º grau. Com as considerações acima, rejeitase a tese defensiva de que a multa de ofício tem caráter confiscatório. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos 2 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. § 1º a § 3º Omissis; § 4º As súmulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Terceiro Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Fl. 145DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO 10 Fl. 146DF CARF MF Emitido em 26/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO, Assinado digitalmente em 10/10/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPO
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000216/2004-35
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO ESPECIAL DIVERGÊNCIA MULTA
ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA.
Não se pode conhecer do recurso especial de divergência quando a decisão recorrida e o acórdão apontado como paradigma analisaram questões fáticas distintas (multa isolada exigida pelo não recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão e multa isolada incidente sobre a CSLL devida a título de estimativa mensal), cujas penalidades decorrentes das infrações apuradas têm
fundamentos legais diversos (artigo 44, § único, inciso III, da Lei n° 9.430/96, para o primeiro caso e artigo 44, § único, inciso IV, da Lei n° 9.430/96, para o segundo, com a redação vigente à época dos fatos em apreço).
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-001.706
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: GONCALO BONET ALLAGE
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Não se pode conhecer do recurso especial de divergência quando a decisão recorrida e o acórdão apontado como paradigma analisaram questões fáticas distintas (multa isolada exigida pelo não recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão e multa isolada incidente sobre a CSLL devida a título de estimativa mensal), cujas penalidades decorrentes das infrações apuradas têm fundamentos legais diversos (artigo 44, § único, inciso III, da Lei n° 9.430/96, para o primeiro caso e artigo 44, § único, inciso IV, da Lei n° 9.430/96, para o segundo, com a redação vigente à época dos fatos em apreço). Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. Fl. 228DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14041.000216/200435 Acórdão n.º 920201.706 CSRFT2 Fl. 223 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage – Relator EDITADO EM: 14/10/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente substituto), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (Conselheiro Convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco Assis de Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Rafael Franco Dias foi lavrado o auto de infração de fls. 3442, para a exigência de imposto de renda pessoa física, exercício 2003, em razão da omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior (Organismos Internacionais). Além da multa de ofício de 75%, a autoridade fiscal também lançou a multa isolada de 75% pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento considerou o lançamento procedente (fls. 6876). Por sua vez, a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, proferiu o acórdão n° 10248.417, que se encontra às fls. 117132, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2002 IRPF PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD TRIBUTAÇÃO – São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD, quando recebidos por nacionais contratados no País, por faltarlhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária. (Acórdão CSRF 0400.024 de 21/04/2005). MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de ofício não é legítima quando incide Fl. 229DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14041.000216/200435 Acórdão n.º 920201.706 CSRFT2 Fl. 224 3 sobre uma mesma base de cálculo (Acórdão CSRF n° 0104.987 de 15/06/2004). Recurso parcialmente provido. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir da exigência a multa isolada em concomitância com a multa de ofício. Intimada do acórdão em 04/05/2007 (fls. 133), a Fazenda Nacional interpôs, com fundamento no artigo 5°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais então vigente, recurso especial às fls. 134141, acompanhado dos documentos de fls. 142160, cujas razões podem ser assim sintetizadas: a) O acórdão recorrido excluiu a multa isolada prevista no artigo 44, § 1°, inciso III, da Lei n° 9.430/96, por considerar ilegítima a aplicação concomitante da mesma com a multa de ofício prevista no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, quando ambas incidirem sobre base de cálculo idêntica; b) Diferentemente, a 1ª Câmara do 1° Conselho considerou ser legítima a aplicação cumulativa de duas multas de ofício, que, no caso em tela, eram as multas previstas no art. 44, inciso I, e no § único, inciso IV, da Lei n° 9.430/96, mesmo que incidam sobre bases de cálculo idênticas, pois decorrem de infrações diversas, razão por que não há que se falar em bis in idem; c) Tratase do acórdão n° 10194.858; d) O acórdão recorrido considera que a multa de ofício e a multa isolada decorrem de infrações idênticas, pois ambas visam penalizar o contribuinte pela omissão de rendimentos; e) Por outro lado, o acórdão paradigma considera que, enquanto a multa de ofício possui o escopo de penalizar o contribuinte que omite rendimentos, a chamada multa isolada prevista no artigo 44, § único, inciso IV, da Lei n° 9.430/96, visa penalizar o contribuinte que não cumpre a sistemática de recolhimento mensal da CSLL com base em estimativa; f) Vale destacar que a multa isolada prevista no artigo 44, § 1°, inciso III, da Lei n° 9.430/96 e aquela prevista no inciso IV do mesmo dispositivo legal possuem a mesma essência: ambas visam penalizar o contribuinte que deixa de antecipar, mês a mês, o recolhimento do tributo; g) O acórdão recorrido, ao afirmar que a multa de ofício e a multa isolada decorrem da mesma infração, diverge do acórdão paradigma, também, quando este conclui que a multa de ofício decorre da omissão de rendimentos, mas a penalidade isolada decorre do não cumprimento do regime de antecipação mensal do pagamento do imposto; h) A proibição do bis in idem pretende evitar a dupla penalização por um mesmo ilícito e não a utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes; Fl. 230DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14041.000216/200435 Acórdão n.º 920201.706 CSRFT2 Fl. 225 4 i) O não recolhimento antecipado do IRPF devido a título de carnêleão é infração bastante diversa daquela consistente na omissão de rendimentos apurada ao final do anocalendário; j) No caso, não ocorre bis in idem; k) O artigo 97, inciso VI, do Código Tributário Nacional prevê que somente a lei pode estabelecer a dispensa ou a redução de penalidades. Admitido o recurso por intermédio do Despacho n° 1020.257/2007 (fls. 161 163), o contribuinte foi intimado e interpôs recurso especial às fls. 166172, acompanhado dos documentos de fls. 173190, onde pugnou, fundamentalmente, pela reforma do acórdão recorrido, na medida em que o lançamento seria improcedente. Apresentou, também, contrarrazões às fls. 191193, para defender a manutenção da decisão de segunda instância na parte objeto de recurso especial pela Fazenda Nacional. O recurso especial do contribuinte não foi admitido (despacho n° 102 153594, fls. 210211), sendo que houve a devida ciência desta decisão (fls. 220). É o Relatório. Voto Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, Relator Na visão deste julgador, o recurso especial da Fazenda Nacional não pode ser conhecido. Reitero que o acórdão proferido pela Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir da exigência a multa isolada em concomitância com a multa de ofício. A recorrente defendeu, fundamentalmente, que não pode ser afastada a exigência da multa isolada incidente sobre a falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. Com o objetivo de comprovar a divergência que autorizaria a interposição de recurso especial com fundamento no artigo 5°, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, então vigente, a Fazenda Nacional trouxe à colação o acórdão n° 10194.858, cuja ementa é a seguinte: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – AC. 1998 ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE – Descabe em sede de instância administrativa a discussão acerca da ilegalidade de dispositivos legais, matéria sob a qual tem competência exclusiva o Poder Judiciário. Fl. 231DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14041.000216/200435 Acórdão n.º 920201.706 CSRFT2 Fl. 226 5 NORMAS PROCESSUAIS CONCOMITÂNCIA DE RECURSO ADMINISTRATIVO E AÇÃO JUDICIAL – A impetração de Ação Judicial para discussão da mesma matéria tributada no Auto de Infração, importa em renúncia ao litígio administrativo, impedindo o conhecimento do mérito do recurso, resultando em constituição definitiva do crédito tributário na esfera administrativa. LANÇAMENTO DE MULTA DE OFÍCIO – CABIMENTO SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO – EMBARGOS DE DECLARAÇÃO INFRINGENTES APÓS LANÇAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO – PROCESSO JUDICIAL EM CURSO – É cabível a manutenção de multa de ofício lançada na ausência de condição suspensiva da exigibilidade do crédito tributário. Apesar dos efeitos infringentes da decisão nos Embargos de Declaração publicados depois da ciência do lançamento, na data deste não havia suspensão da exigibilidade do crédito tributário. A pendência de decisão judicial é questão prejudicial à exclusão da multa de ofício, por isso, esta deve ser mantida até a decisão judicial do mérito, que se for favorável à tese da autuada resultará em sua extinção. LANÇAMENTO DE OFÍCIO VALOR DECLARADO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA – INEXISTÊNCIA DE CONDIÇÃO SUSPENSIVA – DECLARAÇÃO INEXATA CABIMENTO – Cabível o lançamento de ofício de parcela equivocadamente informada na DIPJ como estando com sua exigibilidade suspensa, por caracterizar a "declaração inexata" constante da parte final do inciso I do artigo 44 da lei nº 9.430/1996. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – Cabível a aplicação de multa de ofício, aplicada isoladamente, na falta de recolhimento da CSLL com base na estimativa dos valores devidos, por expressa previsão legal. MULTA DE OFÍCIO – MESMA BASE DE CÁLCULO – APLICAÇÃO EM DUPLICIDADE – O lançamento de duas multas de ofício, sobre a mesma base de cálculo, é possível, visto tratarse de duas infrações à lei tributária, tendo por conseqüência a aplicação de duas penalidades distintas. Recurso voluntário não provido. Transcreveu, ainda, às fls. 137, os seguintes excertos do voto condutor do referido acórdão: Quanto à alegada aplicação em duplicidade de multa de ofício sobre a mesma base de cálculo ser vedado pelo ordenamento jurídico, não há que ser acatado, tendo em vista que são duas penalidades por duas infrações à legislação tributária: a uma, a falta de recolhimento mensal da CSLL com base em estimativa (artigo 44, parágrafo único, inciso IV); a duas, a falta de Fl. 232DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 14041.000216/200435 Acórdão n.º 920201.706 CSRFT2 Fl. 227 6 recolhimento da CSLL apurada no ajuste do período de apuração (artigo 44, I). Podese perceber que o acórdão apontado como paradigma manteve a exigência da multa isolada prevista no artigo 44, § único, inciso IV, da Lei n° 9.430/96, para situação em que determinada empresa deixou de recolher a CSLL devida a título de estimativa mensal. No caso em apreço, a decisão recorrida cancelou a exigência da multa isolada prevista no artigo 44, § único, inciso III, da Lei n° 9.430/96, em lançamento no qual a autoridade lançadora apurou omissão de rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior, sujeitos ao recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão. As situações fáticas dos acórdãos são distintas, além do que o fundamento legal das penalidades também é diferente. Diante de tal constatação, penso que o acórdão recorrido não deu à lei tributária interpretação divergente daquela manifestada pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, no acórdão n° 10194.858, na medida em que aquele afastou a penalidade isolada estabelecida à época no artigo 44, § único, inciso III, da Lei n° 9.430/96, enquanto este manteve a multa isolada então prevista no 44, § único, inciso IV, da Lei n° 9.430/96. Voto, portanto, no sentido de não conhecer do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Gonçalo Bonet Allage Fl. 233DF CARF MF Emitido em 21/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 17/10/2011 por GONCALO BONET ALLAGE, Assinado digitalmente em 20/10/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 14333.000127/2007-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2004
DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.486
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da segunda
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria conceder provimento parcial quanto à preliminar de extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art.150, parágrafo 4 do CTN, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu pois entendeu que deveria ser aplicado no art. 173, inciso I do CTN. Quanto à parcela não extinta não houve divergência
Nome do relator: Adriana Sato
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2004 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido em Parte
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 891DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14333.000127/200756 Acórdão n.º 230201.486 S2C3T2 Fl. 856 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria conceder provimento parcial quanto à preliminar de extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art.150, parágrafo 4 do CTN, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu pois entendeu que deveria ser aplicado no art. 173, inciso I do CTN. Quanto à parcela não extinta não houve divergência. Marco André Ramos Vieira Presidente Adriana Sato Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Eduardo Augusto Marcondes De Freitas, Manoel Coelho Arruda Junior e Adriana Sato. Fl. 892DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14333.000127/200756 Acórdão n.º 230201.486 S2C3T2 Fl. 857 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito cuja ciência do Recorrente ocorreu em 25/01/2005 referente as contribuições devidas ao INSS e destinadas a Seguridade Social, correspondente as diferenças apuradas pelo sistema SAFIS entre o apurado e os créditos considerados. De acordo com o Relatório Fiscal o crédito é composto do levantamento FCG – Declarado em GFIP, que discrimina os valores que serviram de base de calculo para as contribuições apuradas da folha de pagamento da empresa. Foram examinados os seguintes documentos: contrato social da empresa, escrita contábil através dos Livros Diários e Razão (até a competência 12/2003), folha de pagamento, recibos de rescisões e férias. A Recorrente apresentou impugnação tempestiva com documentos (fls.128/246). A DecisãoNotificação julgou o lançamento parcialmente procedente, retificando o débito de R$ 302.914,03 (trezentos e dois mil, novecentos e quatorze reais, três centavos) para R$ 170.570,30 (cento e setenta mil, quinhentos e setenta reais, trinta centavos). Inconformada, a Recorrente apresentou recurso voluntário com documentos (fls.300/436) que motivou a emissão de uma nova DecisãoNotificação que julgou o lançamento procedente em parte retificando o débito de R$ 170.570,30 (cento e setenta mil, quinhentos e setenta reais, trinta centavos) para R$ 79.318,65 (setenta e nove mil, trezentos e dezoito reais, sessenta e cinco centavos), e, concedendo a Recorrente o direito a devolução da parte do depósito proporcional à redução da exigência fiscal, conforme disposto no inciso I, parágrafo 2º do art.126 da Lei 8.213/91. Ainda inconformada com a DecisãoNotificação, a Recorrente interpôs novo recurso voluntário informando a existência do depósito recursal, e, alegando: • A decisão de 1ª Instância ainda deve ser reformada porque continua não observando os documentos/provas juntados aos autos; • A Recorrida continua desconsiderando valores efetivamente recolhidos pela Recorrente, apropriandso em seu levantamento e NFLD um quantum equivocado; • As planilhas apresentadas no recurso demonstram os recolhimentos efetivados a maior pela Recorrente e a insubsistência da NFLD e do seu levantamento, conforme se comprova através dos documentos anexados no recurso. • Por fim, requereu a improcedência do lançamento. Fl. 893DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14333.000127/200756 Acórdão n.º 230201.486 S2C3T2 Fl. 858 4 Em agosto/2006 às fls.679 consta uma informação de que a Recorrente apresentou recurso sem o respectivo depósito recursal, devendo o processo aguardar a expiração do prazo para recurso. Em dezembro/2006 consta outra informação (fls.680) com uma análise do andamento do processo onde verificouse que a situação registrada nos sistemas não corresponde com a situação do crédito haja vista que o recurso é tempestivo e está munido do respectivo depósito recursal. Ás fls.682 consta outra informação nos seguintes termos: • foi feita a correção do despacho de fls.681, haja vista que o sujeito passivo efetivou o depósito recursal, conforme guia de depósito juntada às fls.309 dos autos do processo; • da análise do instrumento de recurso constatamos a existência dos elementos essências; • mantida a situação “Aguardando regularização após a expiração do prazo de recurso”. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção do CARF resolveu converter o julgamento em diligência para que a Recorrida apresentasse parecer conclusivo quanto aos documentos juntados pela Recorrente. A DRFB apresentou relatório fiscal conclusivo às fls.696/722, após a juntada de documentos pela Recorrente, sendo a mesma cientificada da Informação Fiscal conclusiva sobre os documentos juntados em 22/03/2011 Apesar de devidamente cientificada a Recorrente não apresentou manifestação. É o Relatório. Fl. 894DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14333.000127/200756 Acórdão n.º 230201.486 S2C3T2 Fl. 859 5 Voto Conselheiro Adriana Sato, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO do recurso, e, de ofício, analiso a questão da decadência. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no CTN. A decadência está arrolada como forma de extinção do crédito tributário no inciso V do art. 156 do CTN. A decadência decorre da conjugação de dois fatores essenciais: o decurso de certo lapso de tempo e a inércia do titular de um direito. Esses fatores resultarão, para o sujeito que permaneceu inerte, na extinção de seu direito material. Em Direito Tributário, a decadência está disciplinada no art. 173 e no art. 150, § 4º, do CTN (este último diz respeito ao lançamento por homologação). A decadência, no Direito Tributário, é modalidade de extinção do crédito tributário. Fl. 895DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14333.000127/200756 Acórdão n.º 230201.486 S2C3T2 Fl. 860 6 Por haver recolhimentos conforme demonstrado no DAD, a regra relativa à decadência que deve ser aplicada ao caso encontrase no art. 150, § 4º, do CTN,: estando o direito de constituir o crédito extinto e em cinco anos contados a partir do primeiro dia do mês seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento. A DRFB apresentou parecer conclusivo sobre os documentos juntados aos autos pela Recorrente, reconhecendo inclusive o período abrangido pela decadência. O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, conforme informação fiscal conclusiva de fls. 696/722, sendo que os valores foram apurados com base na GFIP, que são registros elaborados pela própria recorrente. Conforme dispõe o art. 225, § 1º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, abaixo transcrito, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados. Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Desse modo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento, como da GFIP, caberia à notificada a demonstração da fundamentação de seu erro. A Recorrente teve oportunidade de demonstrar que os valores apurados pela fiscalização e por ela própria declarados em GFIP ou registrados nas folhas de pagamento não condizem com a realidade, tanto que os valores devidamente comprovados foram abatidos da NFLD, assim como o período abrangido pela decadência. Com a publicação da Emenda Constitucional n ° 20/1998, foi alterado o artigo 195 da Constituição Federal, passando a contar com a seguinte redação: Fl. 896DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14333.000127/200756 Acórdão n.º 230201.486 S2C3T2 Fl. 861 7 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. ... Em razão do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso, nos termos da informação fiscal de fls.696/722. Adriana Sato Fl. 897DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2012 por ADRIANA SATO, Assinado digitalmente em 08/02/2012 por ADR IANA SATO, Assinado digitalmente em 13/02/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11080.007284/2007-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1998 a 28/02/2006
Ementa: : DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO – AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO.
Nas competências em que não houve recolhimento antecipado da
contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplicase
o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois tratase
de lançamento de ofício.
CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS VALORES DECLARADOS EM GFIP
A empresa está obrigada a recolher, à Previdência Social, as quantias descontadas da remuneração paga aos segurados a seu serviço, conforme estabelece o art. 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei 8.212/91 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI
Numero da decisão: 2301-002.411
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do valor do débito, por decadência, conforme as regras expressas no Art. 150 e no Art. 173 do CTN, os valores lançados nas competências
compreendidas entre 12/1998 a 12/2001, e 01/2002 a 05/2002, inclusive, mantendo, no débito, os valores lançados na competência 13/2001 e nas compreendidas entre 06/2002 a 02/2006, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao recurso, pela aplicação integral da regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1998 a 28/02/2006 Ementa: : DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplica-se o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. LANÇAMENTO DE OFÍCIO – AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Nas competências em que não houve recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois tratase de lançamento de ofício. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS VALORES DECLARADOS EM GFIP A empresa está obrigada a recolher, à Previdência Social, as quantias descontadas da remuneração paga aos segurados a seu serviço, conforme estabelece o art. 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei 8.212/91 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do valor do débito, por decadência, conforme as regras expressas no Art. 150 e no Art. 173 do CTN, os valores lançados nas competências compreendidas entre 12/1998 a 12/2001, e 01/2002 a 05/2002, inclusive, mantendo, no débito, os valores lançados na competência 13/2001 e nas compreendidas entre 06/2002 a 02/2006, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao recurso, pela aplicação integral da regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2228; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 153 1 152 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.007284/200713 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 230102.411 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de outubro de 2011 Matéria REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS: PARCELAS EM FOLHA DE PAGAMENTO Recorrente AFISCKON CONTABILIDADE E ASSESSORIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1998 a 28/02/2006 Ementa: : DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Havendo recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4o, do CTN. LANÇAMENTO DE OFÍCIO – AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DO TRIBUTO. Nas competências em que não houve recolhimento antecipado da contribuição previdenciária devida incidente sobre a remuneração paga pela empresa aos segurados a seu serviço, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, do CTN, pois tratase de lançamento de ofício. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS VALORES DECLARADOS EM GFIP A empresa está obrigada a recolher, à Previdência Social, as quantias descontadas da remuneração paga aos segurados a seu serviço, conforme estabelece o art. 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei 8.212/91 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Fl. 186DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, para excluir do valor do débito, por decadência, conforme as regras expressas no Art. 150 e no Art. 173 do CTN, os valores lançados nas competências compreendidas entre 12/1998 a 12/2001, e 01/2002 a 05/2002, inclusive, mantendo, no débito, os valores lançados na competência 13/2001 e nas compreendidas entre 06/2002 a 02/2006, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento parcial ao recurso, pela aplicação integral da regra expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 187DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11080.007284/200713 Acórdão n.º 230102.411 S2C3T1 Fl. 154 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados empregados e contribuintes individuais. Conforme Relatório Fiscal (fls. 66), o débito lançado por meio da presente notificação trata das contribuições dos segurados empregados e dos contribuintes individuais, que a empresa descontou quando do pagamento de suas remunerações e não recolheu aos cofres da Previdência Social em época própria. A autoridade lançadora informa que os documentos examinados que serviram de base para o presente lançamento foram folhas de pagamento, Livros Diário e Razão e GFIPs. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 13.649, da 7a Turma da DRJ/POA (fls. 114), julgou o lançamento procedente. A notificada, inconformada com a decisão, apresentou recurso tempestivo (fls. 125), reiterando os temos de sua impugnação. Insiste na necessidade de se reconhecer a decadência de parte do débito, e na inconsistência da aplicação da multa. Entende que a presente NFLD não cumpre com os requisitos do lançamento previstos no art. 142, do CTN, já que aponta divergência entre o montante dos valores devidos, e que é nulo o auto de lançamento, por apresentar esta nítida divergência entre a multa aplicável. Defende que devem ser reputadas totalmente inadmissíveis as multas excessivamente onerosas, insuportáveis, irrazoáveis, e que não é pelo fato de a multa estar prevista em lei que dispensa a análise da validade do dispositivo, sendo vedada a utilização do tributo com efeito confiscatório. Requer, por fim, que seja provido o presente recurso, para ser reduzida a multa ao percentual de 20%, nos termos da Lei n.° 8.383/91, a incidir sobre o valor do débito original, sem a correção. É o relatório. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Constatase que, em seu recurso, a recorrente alega apenas decadência de parte do débito. Inicialmente, a recorrente alega decadência de parte do débito. Verificase que a fiscalização lavrou a NFLD discutida com amparo na Lei 8.212/91 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91,. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais da Fazenda, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11080.007284/200713 Acórdão n.º 230102.411 S2C3T1 Fl. 155 5 É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” O STJ pacificou o entendimento de que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Verificase, dos relatórios DAD, RDA e RADA, que houve a antecipação de parte da contribuição para várias competências compreendidas no débito. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 A NFLD foi consolidada em 18/06/2007, e sua cientificação ao sujeito passivo se deu em 19/06/2007. Assim, até a competência 11/2001, inclusive, o débito estaria decadente, independente da regra do CTN a ser aplicada A partir de 12/2001, aplicase o 150, § 4o, do CTN, para as competências em que houve pagamento antecipado do tributo, que, no caso presente, são todas com exceção da competência 13/2001. Para a competência 13/2001, em que não houve adiantamento do tributo, tratase de lançamento de ofício, aplicandose, portanto, o disposto no art. 173, do CTN, transcrito a seguir: Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Dessa forma, considerando o exposto acima, constatase que se operara a decadência do direito de constituição do crédito apenas para os valores lançados entre 12/98 a 12/2001, e 01/2002 a 05/2002, inclusive. Para a competência 13/2001 e as compreendidas entre 06/2002 e 02/2006, o Fisco encontrase ainda no direito de cobrar as contribuições devidas lançadas. No mérito, a recorrente alega que a presente NFLD não cumpre com os requisitos do lançamento previstos no art. 142, do CTN, já que aponta divergência entre o montante dos valores devidos, e que é nulo o auto de lançamento, por apresentar esta nítida divergência entre a multa aplicável. Contudo, não se verifica a divergência apontada pela recorrente. O relatório IPC (fls. 02), deixa claro que a multa de 12% se aplica somente no caso do pagamento do valor lançado até 15 dias após a notificação, o que não ocorreu no presente caso. Assim, como a recorrente não pagou a contribuição lançada por meio da NFLD discutida no prazo estipulado pela legislação previdenciária, não há que se falar em divergência da multa aplicada. O agente lançador deixa bastante claro que o crédito lançado por meio da NFLD em questão fora apurado tendo em vista a diferença constatada entre os valores declarados pela própria recorrente em GFIP e aqueles efetivamente recolhidos à Previdência Social por meio de GPS. Restou cristalino, no Relatório Fiscal, que o crédito lançado por meio da NFLD em questão se refere à contribuição do segurado empregado e contribuintes individuais, descontada de sua remuneração, conforme constante das folhas de pagamento, contabilidade e GFIPs Dessa forma, não procede o argumento de que “não cumpre com os requisitos do lançamento previstos no art. 142, do CTN, já que aponta divergência entre o montante dos valores devidos”, já que os valores devidos à Previdência Social foram confessados pela própria Fl. 191DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11080.007284/200713 Acórdão n.º 230102.411 S2C3T1 Fl. 156 7 notificada por meio de instrumento próprio, ou seja, GFIP, e a diferença apurada no batimento GFIP x GPS ensejou a lavratura da NFLD em tela. De acordo com o § 1º, do art. 225, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, as informações prestadas nas GFIP’s constituirseão em termo de confissão de dívida, na hipótese de não recolhimento. Portanto, a notificada confessou que deve um certo valor à Previdência Social e não comprovou o pagamento da totalidade do valor que reconheceu como devido. Dessa forma, a Autoridade Fiscal, ao constatar o não recolhimento das contribuições que a notificada confessou que deve, já que declarou em GFIP, lavrou corretamente a presente NFLD, em observância ao disposto no art. 37 da Lei 8212/91: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. E o valor da contribuição devida foi acrescida de juros e multa tendo em vista o não recolhimento no prazo legal, em observância aos normativos legais vigentes à época do lançamento. É oportuno salientar, ainda, que a utilização da Taxa SELIC para atualizações e correções dos débitos apurados encontra respaldo no art. 34, da Lei 8.212/91 e a multa encontrase amparada no art. 35 do mesmo diploma lega, vigentes à época do lançamento. Portanto, não há que se falar em ilegalidade da referida exação. Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Portanto, ao contrário do que afirma a recorrente, verificase que a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura da NFLD e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA 8 Nesse sentido e Considerando tudo o mais que dos autos consta, Voto por CONHECER DO RECURSO e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que se exclua do valor do débito, por decadência, os valores lançados nas competências compreendidas entre 12/98 a 12/2001, e 01/2002 a 05/2002, inclusive, mantendo, no débito, os valores lançados na competência 13/2001 e nas compreendidas entre 06/2002 a 02/2006. É como voto. Bernadete De Oliveira Barros Relator Fl. 193DF CARF MF Impresso em 27/01/2012 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 16/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11020.002969/2007-88
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Anocalendário:
1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001
NULIDADES.
É hígido o despacho de não homologação de compensação que, embora deixe
de mencionar dispositivo de lei, se reporte à norma individual e concreta
emanada de decisão judicial transitada em julgado.
DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO.
Cumpre à administração tributária cumprir as decisões judiciais transitadas
em julgado. Se o próprio Poder Judiciário esclareceu o alcance da decisão
judicial a administração não pode ampliar aquilo que o Judiciário restringiu.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-001.264
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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É hígido o despacho de não homologação de compensação que, embora deixe de mencionar dispositivo de lei, se reporte à norma individual e concreta emanada de decisão judicial transitada em julgado. DECISÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. Cumpre à administração tributária cumprir as decisões judiciais transitadas em julgado. Se o próprio Poder Judiciário esclareceu o alcance da decisão judicial a administração não pode ampliar aquilo que o Judiciário restringiu. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Ivan Allegretti, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Oliveira e Ribeiro e Raquel Motta Brandão Minatel. Relatório Tratase de declaração de compensação dos créditos de PIS e Cofins relativos ao período compreendido entre 1991 e 2001, que têm origem na decisão judicial transitada em Fl. 608DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 julgado na ação ordinária nº 2001.71.070052162, na qual foi declarada a inexistência de relação jurídica tributária entre o contribuinte e a União, desobrigandoo de recolher o PIS e a Cofins sobre as vendas para a Zona Franca de Manaus, bem como reconhecido o direito de compensação do indébito relativo aos dez anos que antecederam a propositura da ação com débitos vincendos daquelas contribuições. Segundo o despacho decisório de fls. 113/115, o crédito pleiteado pelo contribuinte foi reconhecido em parte porque a decisão judicial transitada em julgado limitara o direito de crédito apenas aos comprovantes de pagamentos que instruíram o processo judicial. Por meio do Acórdão nº 33.460, de 09 de fevereiro de 2011, a 2ª Turma da DRJ em Porto Alegre, indeferiu a manifestação de inconformidade. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância, o contribuinte recorreu em tempo hábil a este Conselho, alegando em síntese: 1) nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação legal e cerceamento do direito de defesa; 2) nulidade da decisão de primeiro grau por não ter enfrentado os argumentos relativos à nulidade do despacho decisório e por estar a decisão de primeira instância eivada de erro material; 3) a ação judicial proposta pela recorrente transitou em julgado sem nenhuma limitação do direito ao indébito relativo aos documentos que integraram os autos judiciais, pois as únicas modificações introduzidas na sentença de primeiro grau pelo acórdão do TRF foram a elevação da verba honorária para 10% do valor da condenação e a determinação de que a compensação só poderia se realizar após o trânsito em julgado; 4) a menção no acórdão do TRF “de acordo com a documentação acostada aos autos”, é apenas exemplificativa ao direito alegado pela recorrente quanto ao não recolhimento do PIS e da Cofins sobre as vendas para a Zona Franca de Manaus. Não quis o acórdão limitar o direito à compensação apenas aos pagamentos que estivessem comprovados nos autos judiciais, mas sim exemplificar que o direito declarado à recorrente, conforme a documentação juntada aos autos, limitase a valores vertidos a título de PIS e Cofins que incidiu sobre as vendas para a ZFM e não sobre outras operações que não foram objeto do processo judicial. 5) a sentença não estabeleceu nenhuma limitação e a matéria não foi levada ao TRF pelos recursos da PFN; 6) a coisa julgada material se forma apenas em relação ao dispositivo do acórdão, que não contém nenhuma limitação aos documentos acostados aos autos judiciais. 7) existe contradição entre o deferimento do pedido de habilitação do crédito e a glosa da compensação. Requereu a declaração de nulidade do acórdão recorrido ou a reforma do daquela decisão reconhecendose o direito à integralidade do crédito decorrente da decisão judicial. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Segundo a recorrente o despacho decisório é nulo por ausência de motivação e cerceamento de defesa, uma vez que não foi citado o dispositivo legal que rendeu ensejo à glosa da compensação. Fl. 609DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11020.002969/200788 Acórdão n.º 340301.264 S3C4T3 Fl. 2 3 Analisando o despacho de fls. 113 a 115, verificase que, ao contrário do alegado, foi citado o dispositivo que rendeu ensejo à glosa da compensação: a decisão judicial transitada em julgado. Tendo o contribuinte buscado a tutela jurisdicional, a fim de obter o reconhecimento do direito alegado e considerando que o feito judicial teve seu desfecho com julgamento de mérito (art. 269, I do CPC), restaram afastadas as normas gerais e abstratas que regulavam a matéria, prevalecendo sobre estas a norma individual e concreta emanada da decisão judicial, a qual, no entender da autoridade administrativa, limitou o reconhecimento do indébito às operações com a Zona Franca de Manaus cujos comprovantes de pagamento integraram os autos do processo judicial. Portanto, o referido despacho não violou nenhuma garantia constitucional pertinente ao processo e nem os dispositivos legais indicados no recurso. Tanto isso é verdade, que a defesa centrou fogo na única questão de fundo debatida nos autos, qual seja: se houve ou não limitação do direito de compensação do indébito aos pagamentos comprovados no processo judicial. Da mesma forma, improcedente a alegação de nulidade da decisão de primeira instância, pois o exame de seu voto condutor (fls. 537/538), demonstra que as alegações da recorrente foram enfrentadas e expressamente rechaçadas. No mérito, tratase de saber se o juiz relator do acórdão do TRF da 4ª Região (fls. 64/69) limitou ou não o direito da recorrente ao indébito cujos comprovantes foram anexados ao processo judicial. A parte dispositiva, localizada geograficamente no final do acórdão, está assim redigida (fl. 69): “(...) Frente ao exposto, com base no art. 557, do CPC, dou parcial provimento ao apelo da autora para majorar a verba honorária em 10% sobre o valor da condenação, bem como para autorizar a compensação do indébito reconhecido nestes autos com quaisquer tributos e contribuições administrados pela Secretaria a Receita Federal, dou parcial provimento à remessa oficial para declarar que a compensação somente poderá ser implementada após o trânsito em julgado, e nego provimento ao apelo da União, nos exatos termos da fundamentação supra.” Conforme se pode constatar, a interpretação gramatical do texto acima transcrito demonstra que os termos das várias decisões enumeradas na conclusão do voto devem ser buscados na fundamentação. Buscandose na fundamentação os exatos termos do indébito reconhecido nestes autos, encontrase na fl. 63 o seguinte excerto: “(...) Os valores a serem repetidos limitamse aos vertidos a título de PIS e COFINS que incidiu sobre as vendas feitas para a ZFM, de acordo com a documentação acostada aos autos. (...)” (Grifei) Fl. 610DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 A questão a ser esclarecida é se o juiz quis limitar o indébito apenas ao pagamentos documentalmente comprovados nos autos judiciais ou se a expressão “de acordo com a documentação acostada aos autos”, significa que o direito ao indébito fora reconhecido em relação a todo e qualquer pagamento resultante de venda para a Zona Franca, conforme restara demonstrado pela documentação juntada aos autos. As duas possibilidades interpretativas são possíveis. Contudo, na execução dos honorários de advogado, após o crédito ter sido habilitado perante a Receita Federal, o mesmo juiz relator do acórdão julgou a apelação interposta nos embargos à execução e se incumbiu de esclarecer o alcance daquela expressão à fl. 105 dos autos: o TRF da 4º Região limitou o reconhecimento do indébito aos pagamentos comprovados nos autos judiciais. Pouco importa que esse esclarecimento tenha surgido nos autos de embargos à execução fiscal, o que importa é que o próprio magistrado que decidiu a execução dos honorários esclareceu que o indébito reconhecido pelo Tribunal se referia aos pagamentos comprovados no processo judicial. Não tem razão a recorrente, pois a limitação não pode valer para a fixação dos honorários e deixar de valer para a apuração do indébito. Isto porque a verba honorária foi fixada em um percentual a ser aplicado sobre o valor do indébito. Em que pese toda argumentação sobre os limites objetivos da coisa julgada e sobre o efeito devolutivo dos recursos, a matéria foi objeto de esclarecimento e de decisão por parte do TRF da 4ª Região, não comportando mais discussão na esfera administrativa. A administração tributária não pode ampliar aquilo que o próprio Judiciário restringiu. Relativamente à pseudo contradição entre a decisão no procedimento de habilitação do crédito perante a Receita Federal e a decisão de não homologação da declaração de compensação, devese debitar tal alegação ao zelo da recorrente em envidar todos os esforços na defesa de seu cliente. Tal alegação é totalmente descabida, pois no procedimento de habilitação não foi feita a quantificação do indébito, mas apenas e tãosomente foram verificados o preenchimento dos requisitos estabelecidos no art. 51, § 2º da IN nº 600/2005, quais sejam: 1) se o sujeito passivo figurava no pólo ativo da ação; 2) se a ação tinha por objeto o reconhecimento de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF; 3) se houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; 4) se foi formalizado no prazo de 5 anos da data do trânsito em julgado da decisão; e 5) na hipótese de ação de repetição de indébito, se houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas e os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. Não foi por outra razão que o art. 51, § 6º da IN nº 600/2005 estabeleceu que o deferimento do pedido de habilitação do crédito não implica homologação da compensação ou o deferimento do pedido de restituição ou de ressarcimento. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 611DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11020.002969/200788 Acórdão n.º 340301.264 S3C4T3 Fl. 3 5 Fl. 612DF CARF MF Emitido em 08/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/11/201 1 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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