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Numero do processo: 13687.000634/2008-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício:2004
DIPJ. MULTA POR ATRASO.
É devida a multa por atraso na entrega da DIPJ quando vencido o prazo fixado na legislação sem que a declaração tenha sido apresentada.
Numero da decisão: 1402-000.473
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
1.0 = *:*
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MULTA POR ATRASO. É devida a multa por atraso na entrega da DIPJ quando vencido o prazo fixado na legislação sem que a declaração tenha sido apresentada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Frederico Augusto Gomes de Alencar. Fl. 52DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 28/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 13687.000634/200806 Acórdão n.º 140200.473 S1C4T2 Fl. 39 2 Relatório Casa Espírita da Paz Jerônimo Mendonça recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 2ª Turma da DRJ Juiz de Fora/MG, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Trata o presente processo de auto de infração para exigência de multa por atraso na entrega da DIPJ, anocalendário 2003, da empresa supra, no valor de R$ 500,00. Notificada do lançamento, a interessada apresentou impugnação, alegando que: 1) não tem fins lucrativos e não possui empregados; 2) não recebe subvenção em dinheiro de órgão público e outras entidades. Recebe somente doações em mantimentos, roupas usadas e produtos de higiene. O trabalho utilizado é voluntário; 3) não tem recursos para pagamento da multa; 4) invoca a súmula vinculante 08; 5) após discorrer sobre princípio da igualdade e da capacidade contributiva, não dispõe dessa última para arcar com tais valores.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 09 27.895 (fls. 2427) de 20/01/2010, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “MULTA POR ATRASO. DIPJ. É devida a multa por atraso na entrega da DIPJ quando provado que sua entrega se deu após o prazo fixado na legislação.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 04/03/2010 (A.R. de fl. 31), a interessada interpôs recurso voluntário em 09/03/2010 (fls. 3235) onde repisa os argumentos trazidos na impugnação, acrescentando ter incorrido em erro o julgador de primeira instância ao analisar o caso como atraso na entrega da DIPJ, quando, na realidade, o auto de infração trata de multa por falta da entrega declaração. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Fl. 53DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 28/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 13687.000634/200806 Acórdão n.º 140200.473 S1C4T2 Fl. 40 3 O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Ponderase, inicialmente, que o alegado temor da recorrente sobre a possibilidade de bis in idem decorrente de potencial autuação por atraso na entrega da declaração DIPJ, exercício 2004, já que o lançamento atual trata de multa por não entrega da referida DIPJ não procede. Isso porque a falta de entrega da declaração, por si, já enseja a multa pelo atraso. Tanto é que a fundamentação legal é única nesse caso, o artigo 7º da Lei nº 10.426, de 26 de abril de 2002, que prevê, em seu caput que o sujeito passivo que deixar de apresentar a DIPJ nos prazos fixados sujeitarseá às multas previstas naquele artigo. Ora, tanto quem apresentou a declaração após o prazo fixado quanto quem deixou de apresentála incorreu na situação acima descrita (deixar de apresentar a declaração nos prazos fixados) pelo que não se vislumbra qualquer inconsistência entre os argumentos da decisão de primeira instância e os fundamentos do auto de infração, tampouco a possibilidade de bis in idem. Isso posto, impõese destacar que a multa pelo inadimplemento da obrigação acessória tem por base o art. 5º, §3º, do Decretolei nº 2.124, de 13/06/1984, in verbis: “Art. 5º. O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. §3º. Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§2º, 3º e 4º do artigo 11 do Decretolei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983.” grifei. Nessa esteira, a penalidade aplicada ao caso discutido encontra consonância com o estabelecido na legislação que rege a matéria, especificamente o já mencionado artigo 7º da Lei nº 10.426, de 26 de abril de 2002, que prevê: Art. 7° O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica e Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal, e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; Fl. 54DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 28/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 13687.000634/200806 Acórdão n.º 140200.473 S1C4T2 Fl. 41 4 II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º ; III de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. § 1 º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I e II do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. § 2 º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas : I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3 º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (destaquei). Não obstante as razões de defesa, é de se concluir que a empresa estava sujeita a apresentação da DIPJ no exercício 2004. Ao deixar de cumprir tal obrigação acessória prevista na legislação tributária incorreu em infração sujeita à penalidade explicitada no auto de infração. Dessa forma, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Sala das Sessões, em 29 de março de 2011 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 55DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 28/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 13687.000634/200806 Acórdão n.º 140200.473 S1C4T2 Fl. 42 5 Fl. 56DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 28/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10820.003729/2008-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/03/2008
MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O Carf é incompetente para apreciar matéria relativa à inconstitucionalidade
de lei.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/03/2008
MULTA DE OFÍCIO. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO.
APLICABILIDADE.
A aplicação da multa de ofício em relação a pessoas jurídicas de direito
público, em face da modificação de entendimento introduzida pelo Parecer
AGU nº 16, de 2004, publicado em 15 de julho de 2004, é cabível apenas aos
fatos geradores a ele posteriores.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/03/2008
PASEP. BASE DE CÁLCULO.
A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep devida pelos Estados e
Municípios é composta pelas receitas arrecadadas e pelas transferências
correntes e de capital recebidas.
MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.212, DE 1995, E POSTERIORES.
PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE NONAGESIMAL.
Em face do princípio da anterioridade nonagesimal, os efeitos das MP nº
1.212, de 1995, e posteriores atingiram os fatos geradores ocorridos a partir
de março de 1996.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-000.925
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
1.0 = *:*
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 31/03/2008 MATÉRIA CONSTITUCIONAL. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O Carf é incompetente para apreciar matéria relativa à inconstitucionalidade de lei. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2003 a 31/03/2008 MULTA DE OFÍCIO. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. APLICABILIDADE. A aplicação da multa de ofício em relação a pessoas jurídicas de direito público, em face da modificação de entendimento introduzida pelo Parecer AGU nº 16, de 2004, publicado em 15 de julho de 2004, é cabível apenas aos fatos geradores a ele posteriores. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2003 a 31/03/2008 PASEP. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep devida pelos Estados e Municípios é composta pelas receitas arrecadadas e pelas transferências correntes e de capital recebidas. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.212, DE 1995, E POSTERIORES. PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. Em face do princípio da anterioridade nonagesimal, os efeitos das MP nº 1.212, de 1995, e posteriores atingiram os fatos geradores ocorridos a partir de março de 1996. Recurso Voluntário Negado
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APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O Carf é incompetente para apreciar matéria relativa à inconstitucionalidade de lei. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2003 a 31/03/2008 MULTA DE OFÍCIO. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. APLICABILIDADE. A aplicação da multa de ofício em relação a pessoas jurídicas de direito público, em face da modificação de entendimento introduzida pelo Parecer AGU nº 16, de 2004, publicado em 15 de julho de 2004, é cabível apenas aos fatos geradores a ele posteriores. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2003 a 31/03/2008 PASEP. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep devida pelos Estados e Municípios é composta pelas receitas arrecadadas e pelas transferências correntes e de capital recebidas. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.212, DE 1995, E POSTERIORES. PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. Em face do princípio da anterioridade nonagesimal, os efeitos das MP nº 1.212, de 1995, e posteriores atingiram os fatos geradores ocorridos a partir de março de 1996. Recurso Voluntário Negado Fl. 186DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 09/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10820.003729/200801 Acórdão n.º 330200.925 S3C3T2 Fl. 2 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausente o conselheiro Alexandre Gomes. (ASSINADO DIGITALMENTE) Walber José da Silva Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 347 a 352) apresentado em 29 de julho de 2010 contra o Acórdão no 1429.308, de 27 de maio de 2010, da 4ª Turma da DRJ/RPO (fls. 335 a 339), cientificado em 29 de junho de 2010, que, relativamente a auto de infração de Pasep dos períodos de julho de 2003 a março de 2008, considerou procedente em parte a impugnação da Interessada, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2003 a 31/03/2008 BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep devida pelos Estados e Municípios é composta pelas receitas arrecadadas e pelas transferências correntes e de capital recebidas. MULTA DE OFÍCIO. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO. APLICABILIDADE. A aplicação da multa de ofício em relação a pessoas jurídicas de direito público, em face da modificação de entendimento introduzida pelo Parecer AGU nº 16, de 2004, publicado em 15 Fl. 187DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 09/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10820.003729/200801 Acórdão n.º 330200.925 S3C3T2 Fl. 3 3 de julho de 2004, é cabível apenas aos fatos geradores a ele posteriores. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Impugnação Procedente em Parte O auto de infração foi lavrado em 22 de julho de 2008, de acordo com o termo de fls. 288 a 290. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: "Contra a contribuinte qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls. 303/322 em virtude da apuração de falta de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep do período de julho de 2003 a março de 2008, exigindoselhe o crédito tributário no valor total de R$ 3.106.096,17. O enquadramento legal encontrase às fls. 308 e 320/321. Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 325/328, na qual pediu seja reconhecida a inconstitucionalidade da base de cálculo do PASEP, para incidir sobre receitas correntes próprias e a transferência do FPM, a imunidade tributária em relação à multa de ofício ou sua redução face o caráter de confisco. Em suas razões de pedir alegou que a Lei nº 9.715/98 ao modificar a base de cálculo violou preceitos constitucionais. Discordou da exigência da multa de 75%, por violar imunidade tributária e seu caráter de confisco." No recurso, a Interessada alegou o seguinte; Como antes se afirmou, a base de cálculo do PASEP devido pelo Município consiste nas receitas próprias e nas transferências constitucionais do FPM; não se têm dúvidas quanto à NÃO inclusão de outros valores na composição do valor da base de cálculo, e que bem retratam o entendimento da Recorrente adotado na impugnação. Cumpre destacar, que os documentos contábeis encaminhados NÃO receberam a devida análise pela Auditoria, na medida em que os mesmos foram objetos de nova análise, em face dos esclarecimentos da Recorrente, que por sua vez mereceram ação retificadora, conforme documentos acostados aos autos, o que nos leva a concluir que efetivamente não se abordou plena e percucientemente os questionamentos da parte da Recorrente. Sobre a multa de oficio, e ao exame da legislação que atualmente regula a questão suscitada, data vênia, não vislumbramos razões que possam levar a outra conclusão que não a do cancelamento como fundamentado na impugnação, que Fl. 188DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 09/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10820.003729/200801 Acórdão n.º 330200.925 S3C3T2 Fl. 4 4 ora nos reportamos como razões da reforma do Acórdão guerreado. Por fim, caso seja diverso o entendimento de Vossas Senhorias, que aduz apenas por argumento, requer seja observado o PRINCIPIO DA ANTERIORIDADE NONAGESIMAL ao se respeitar os noventa dias a partir da veiculação da lei instituidora do PASEP, de que se cogita o § 6° do art. 195 da CF/88, para os lançamentos da contribuição em causa. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. No tocante à base de cálculo da contribuição, descabe razão à Interessada, pois a Lei no 9.715, de 1998, é clara em estabelecêla como a totalidade das receitas e transferências de capital recebidas, conforme acórdão de primeira instância. No tocante à aplicação da mencionada lei, convém analisar o seguinte. A ADI nº 1.471, julgada pelo Supremo Tribunal Federal, como se verá adiante, referiuse apenas à irretroatividade da MP nº 1.212, de 1995, que foi publicada em novembro de 1995 e pretendeu vigorar a partir de outubro. É necessário esclarecer o que ocorreu com a MP no 1.212, de 1995, e suas reedições e com a Lei no 9.715, de 1998. A referida Medida Provisória, de 28 de novembro de 1995, foi publicada no dia 29 de novembro no Diário Oficial da União. Apesar de publicada em novembro, trouxe, em seu art. 15, a seguinte disposição: Art. 15. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de outubro de 1995. A parte final do dispositivo feria o princípio da irretroatividade, previsto no art. 150, III, “b”, da Constituição, pois pretendia alcançar fatos ocorridos anteriormente à data de sua publicação. Essa medida provisória foi reeditada, com alterações, sob os números 1.249, 1.286, 1.325, 1.365, 1.407, 1.447, 1.495, 1.4958, 1.4959, 1.49510, 1.49511, 1.49512, 1.49513, 1.546, 1.54615, 1.54616, 1.54617, 1.54618, 1.54619, 1.54620, 1.54621, 1.546 22, 1.54623, 1.54624, 1.54625, 1.54626, 1.62327, 1.62328, 1.62329, 1.62330, 1.62331, 1.62332, 1.62333, 1.67634, 1.67635, 1.67636, 1.67637 e 1.67638, até ser convertida na Lei n. 9.715, de 25 de novembro de 1995. O dispositivo que tratou da eficácia retroativa da norma foi reproduzido no art. 18 da Lei. Fl. 189DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 09/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10820.003729/200801 Acórdão n.º 330200.925 S3C3T2 Fl. 5 5 Contra a reedição de número 1.325, de 09 de fevereiro de 1996, foi apresentada a ADI n. 1.417, distribuída em 5 de março de 1996. Nessa reedição, o artigo que imprimia o efeito retroativo era o 17. Na apreciação da medida cautelar, o STF decidiu suspender, até o exame do mérito da ação, o dispositivo do art. 17, unicamente por ferir o princípio da irretroatividade, conforme trecho do voto do MinistroRelator, Octávio Gallotti abaixo reproduzido: É, contudo, inegável o relevo da argüição de retroatividade da cobrança, expressamente estipulada na cláusula final do art. 17 do ato impugnado, em confronto com o princípio consagrado no art. 150, III, “a”, da Constituição. Satisfeitos os pressupostos legais à sua concessão, defiro, em parte, o pedido de medida cautelar, para suspender os efeitos da expressão "aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de outubro de 1995", contida no art. 17 da Medida Provisória n° 1.325, de 9 de fevereiro de 1996 A decisão foi publicada no DOU no dia 24 de maio de 1996. Na apreciação do mérito, o STF manteve a decisão da cautelar, em acórdão publicado em 23 de março de 2001. Recordo que data de 29 de novembro de 1995 a publicação da Medida Provisória n° 1.212, ponto de partida da estirpe legiferante ininterrupta de que ora nos ocupamos, e onde já se fazia presente (art. 15) a cláusula de vigência a partir de 1° de outubro de 1995. No intuito de justificar esse efeito retroativo, aduz, às f Is. 4819, o parecer da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, anexado às informações: “No caso ‘sub examine’, como demonstrado, a Medida Provisória n° 1.325/96 não instituiu e nem modificou a base de calculo das contribuições para o PIS/PASEP. Apenas dispôs acerca de aspectos pertinentes à incidência das referidas exações, tendo em vista a suspensão da eficácia dos Decretos leis n°s 2.445 e 2.449/88, pelo Senado Federal. Manteve as mesmas alíquotas e as mesmas bases de cálculo previstas pelas Leis Complementares 7 e 8/70. “22. A edição da MP teve por finalidade evitar que houvesse uma eventual ‘vacatio’ decorrente de uma equivocada interpretação da suspensão efetivada pelo Senado, a qual poderia ensejar a paralisação do recolhimento das contribuições, em virtude de dúvidas dos contribuintes e administradores a respeito de como recolher e calcular as multicitadas contribuições. Em não havendo instituição e nem modificação das contribuições, pela criticada Medida Provisória, não há que se cogitar em observância do prazo de 90 dias para a referida norma poder ser aplicada. Fl. 190DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 09/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10820.003729/200801 Acórdão n.º 330200.925 S3C3T2 Fl. 6 6 “23. Por esse mesmo motivo, também carece de razão o argumento da Requerente de que haveria retroatividade da Medida impugnada e das suas antecessoras. Ora, a norma em tela imbuiuse de natureza explicativa e regulamentadora de Lei Complementar e exações já existentes, sem em nada alterálas. Assim, qual a ofensa ao Texto Constitucional praticada? Qual o prejuízo financeiro ou moral causado? ‘Permissa venia’, as alegações da Requerente são completamente vazias e despidas de fundamentação." (fls. 4819) Notese, contudo, que, em face da suspensão determinada pelo Senado Federal (Res. 4995) e decorrente da declaração de inconstitucionalidade formal pelo Supremo Tribunal dos decretosleis citados (RE 148.754), prevalece, obviamente, “ex tunc”, a invalidade da obrigação tributária questionada. Não pode, pois, a ulterior criação da contribuição, já agora pelo emprego do processo legislativo idôneo, pretender tirar partido do passado inconstitucional, de modo a dele extrair a validade do pretendido efeito retrooperante. Acolhendo o parecer e confirmando o decidido quando da apreciação da medida cautelar, julgo, em parte, procedente a ação, para declarar a inconstitucionalidade, no art. 18 da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, da expressão "aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de outubro de 1995". A aludida alegação da Procuradoria da Fazenda Nacional baseouse no fato de a Resolução do Senado Federal n. 49, de 1995, ter sido publicada em 10 de outubro de 1995. Além dessa ADI, a matéria foi ainda apreciada pelo plenário do STF no julgamento do RE n. 232.896, distribuído em 4 de agosto de 1998. Em decisão publicada em 1º de outubro de 1999, que resultou na edição, pelo Secretário da Receita Federal, da Instrução Normativa SRF n. 6, de 2000, o STF decidiu o seguinte: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. PISPASEP. PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE NONAGESIMAL: MEDIDA PROVISÓRIA: REEDIÇÃO. I. Princípio da anterioridade nonagesimal: C.F., art. 195, § 6º: contagem do prazo de noventa dias, medida provisória convertida em lei: contase o prazo de noventa dias a partir da veiculação da primeira medida provisória. II. Inconstitucionalidade da disposição inscrita no art. 15 da Med. Prov. 1.212, de 28.11.95 “aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de lº de outubro de l995" e de igual disposição inscrita nas medidas provisórias reeditadas e na Lei 9.715, de 25.11.98, artigo 18. Fl. 191DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 09/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10820.003729/200801 Acórdão n.º 330200.925 S3C3T2 Fl. 7 7 III. Não perde eficácia a medida provisória, com força de lei, não apreciada pelo Congresso Nacional, mas reeditada, por meio de nova medida provisória, dentro de seu prazo de validade de trinta dias. IV. Precedentes do STF: ADIn 1.617MS, Ministro Octavio Gallotti, "DJ" de 15.8.97; ADIn 1.610DF, Ministro Sydney Sanches; RE nº 221.856PE, Ministro Carlos Velloso, 2ª T., 25.5.98. V. R.E. conhecido e provido, em parte. Conforme trecho do MinistroRelator, Carlos Velloso, abaixo reproduzido, podese verificar que a questão da anterioridade foi apreciada no RE: O RE é de ser conhecido e provido, no ponto, em parte, simplesmente para que seja observado o princípio da anterioridade nonagesimal, contados os noventa dias a partir da veiculação da Med. Prov. n° 1.212, de 28.11.95, pelo que declaro a inconstitucionalidade da disposição inscrita no seu artigo 15 “aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de outubro de 1995.” Portanto, o RE apreciou apenas a aplicação do princípio da anterioridade nonagesimal, matéria que não foi objeto de pronunciamento do Supremo Tribunal Federal na ADI n. 1.417, conforme já esclarecido. Como se vê, nas próprias decisões mencionadas, o STF reconheceu claramente a aplicação da MP nº 1.212, de 1995, a partir de março de 1996. Vejase que em vários outros acórdãos o STF confirmou esse posicionamento. O que deve ser entendido é que a MP reeditada não apenas entra em vigor na data de sua publicação como revalida os efeitos da MP anterior. No Agravo Regimental no RE nº 332.640/RS, o STF decidiu, por unanimidade de votos, o seguinte: “EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL. ADMINISTRATIVO. SERVIDORES PÚBLICOS. VENCIMENTOS. REAJUSTE DE 47,94% PREVISTO NA LEI Nº 8.676/93. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 434/94. ALEGADA OFENSA AOS ARTS. 5º, XXXVI; E 62 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Questão já apreciada pelo STF (ADIMC 1.602, Rel. Min. Carlos Velloso), quando se reconheceu a constitucionalidade da reedição de medidas provisórias e, conseqüentemente, a eficácia da medida reeditada dentro do prazo de trinta dias. Reeditada a MP 434/94, conquanto por mais de uma vez, mas sempre dentro do trintídio, e, afinal, convertida em lei (Lei nº 8.880/94), não sobrou espaço para falarse em repristinação da Lei nº 8.676/93 por ela revogada e nem, obviamente, em aquisição, após a revogação, de direito nela fundado. Agravo regimental desprovido”. (DJ de 07 março de 2003, p. 40, Vol. 210103, p. 609) Tal entendimento foi confirmado pelo Superior Tribunal de Justiça, que afastou a procedência de argumentação semelhante à trazida pela Interessada no recurso: RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. PIS. REPRISTINAÇÃO. NÃOOCORRÊNCIA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DOS DECRETOSLEIS NS. 2.445/88 E 2.449/88. DISTINÇÃO DE REVOGAÇÃO. LEI N. Fl. 192DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 09/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10820.003729/200801 Acórdão n.º 330200.925 S3C3T2 Fl. 8 8 7/70. EXIGIBILIDADE ATÉ A MP N. 1.212/95 E SUAS REEDIÇÕES. Os Decretosleis ns. 2.445/88 e 2.449/88 foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal e tiveram sua eficácia suspensa pela Resolução n. 49/95 do Senado Federal. Tal entendimento somente poderá ser aplicado até o início da vigência da Medida Provisória n. 1.212, de 28 de novembro de 1995, e suas reedições. Impõese considerar que, nãoobstante as resoluções impugnadas não sejam válidas em face da Lei Complementar n. 7/70, esta, por outro lado, tem plena aplicação. Os Decretosleis ns. 2.445 e 2.449/88 não revogaram a Lei Complementar n. 7/70, portanto não ocorre repristinação. Houve declaração de inconstitucionalidade, o que acarreta a nulidade da norma e gera efeitos ex tunc. Precedentes. Recurso especial improvido. (REsp 512271 / PR, Relator: Ministro FRANCIULLI NETTO, 2ª Turma, Data do Julgamento: 15 fev 2005, DJ 02 mai 2005, p. 276.) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI, EM CONTROLE CONCENTRADO. SUSPENSÃO DOS DISPOSITIVOS PELO SENADO. EFICÁCIA EX TUNC. INAPTIDÃO DA LEI INCONSTITUCIONAL PARA PRODUZIR QUAISQUER EFEITOS. INOCORRÊNCIA DE REVOGAÇÃO. DISTINÇÃO ENTRE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E REVOGAÇÃO DE LEI. PIS. EXIGIBILIDADE NOS MOLDES DA LC 7/70 ATÉ MARÇO/1996, A PARTIR DE QUANDO COMEÇA A VIGORAR A SISTEMÁTICA PREVISTA NA MP 1.212/95. 1. O vício da inconstitucionalidade acarreta a nulidade da norma, conforme orientação assentada há muito tempo no STF e abonada pela doutrina dominante. Assim, a afirmação da constitucionalidade ou da inconstitucionalidade da norma, tem efeitos puramente declaratórios. Nada constitui nem desconstitui. Sendo declaratória a sentença, a sua eficácia temporal, no que se refere à validade ou à nulidade do preceito normativo, é ex tunc. 2. A revogação, contrariamente, tendo por objeto norma válida, produz seus efeitos para o futuro (ex nunc), evitando, a partir de sua ocorrência, que a norma continue incidindo, mas não afetando de forma alguma as situações decorrentes de sua (regular) incidência, no intervalo situado entre o momento da edição e o da revogação. 3. A nãorepristinação é regra aplicável aos casos de revogação de lei, e não aos casos de inconstitucionalidade. É que a norma inconstitucional, porque nula ex tunc, não teve aptidão para revogar a legislação anterior, que, por isso, permaneceu vigente. 4. No caso dos autos, a suspensão da execução dos Decretosleis 2.445/88 e 2.449/88, em razão do reconhecimento de sua Fl. 193DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 09/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10820.003729/200801 Acórdão n.º 330200.925 S3C3T2 Fl. 9 9 inconstitucionalidade pelo STF, faz com que não tenham essas leis jamais sido aptas a realizar o comando que continham, permanecendo a sistemática de recolhimento do PIS, estabelecida na Lei Complementar 7/70, inalterada até março de 1996, quando passou a produzir efeito a MP 1.212/95 (ADIn 1.4170/DF, Pleno, Min. Octávio Gallotti, DJ de 23.03.2001). 5. Recurso especial a que se nega provimento. (REsp 587518 / PR, Relator: Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, 1ª Turma, Data do Julgamento: 04 mar 2004, DJ 22 mar 2004, p. 254, RSTJ vol. 183, p. 141.) Portanto, descabe razão à Interessada. Em relação à matéria constitucional, aplicase a Súmula Carf no 2, conforme a Portaria Carf no 106, de 21 de dezembro de 2009: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em relação à multa de ofício, com razão também a primeira instância, nos termos do parecer citado. Esclareçase que, de acordo com os arts. 18, XXII, e 62, I, “c”, do Regimento Interno do Carf, a aplicação de “Parecer da Advocacia Geral da União, na forma do § 1° do art. 40 combinado com o art. 41, da Lei Complementar n° 73, de 10 de fevereiro de 1993”, é obrigatória. No caso dos autos, aplicase o Parecer AGU nº 16, de 2004, publicado em 15 de julho de 2004, que foi aprovado nos termos acima citado e dispôs que “as multas previstas em lei são aplicáveis às pessoas jurídicas de direito público”. Para que não haja dúvidas sobre tais afirmações, esclareçase que o parecer citado foi publicado juntamente com o despacho presidencial de 12 de julho de 2004, na forma prevista na LC no 73, de 1993. Ademais, reproduzse, abaixo, a conclusão do parecer: XXVI. Isto posto e considerando a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal; o disposto no art. 4º, inciso XII, da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; a evolução de posicionamento ocorrida desde o Parecer H313 até o Parecer GQ170, passando pelo de nº L038; a tendência revelada pelo Tribunal de Contas da União nas decisões citadas, a par das demais razões até aqui expostas, concluo que já está presente na consciência jurídica nacional a convicção que cabe aqui declarar de que nada há na Constituição da República que impeça a Lei de estabelecer multas aplicáveis a pessoas jurídicas de direito público, que não podem ser excepcionadas através de Decreto. A própria Lei dificilmente poderá estabelecer exceção, sem quebrar os princípios constitucionais da isonomia e da moralidade administrativa. O favorecimento caracteriza desvio de poder, vedado pela Carta e declarado ilícito pela Lei de Ação Popular. Fl. 194DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 09/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10820.003729/200801 Acórdão n.º 330200.925 S3C3T2 Fl. 10 10 À vista do exposto e adotando os demais fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei no 9.784, de 1999, voto por negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Fl. 195DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 09/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 14474.000102/2007-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2005
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
COMPETÊNCIA DO AUDITOR-FISCAL. DESNECESSIDADE DE HABILITAÇÃO PROFISSIONAL COMO CONTADOR.
É competente para verificação da escrituração contábil o Auditor-Fiscal regulamente inscrito no cargo, independente de habilitação profissional como contador.
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO. APROPRIAÇAO INDÉBITA.
As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC,
nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
PEDIDO DE EVENTUAL JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL.
A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual.
PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO.
O pedido de perícia não se constitui em direito subjetivo do contribuinte e pode ser indeferido pela autoridade julgadora quando demonstrada sua prescindibilidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-001.060
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria, conceder provimento
parcial quanto à preliminar de extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art. 150, parágrafo 4 do CTN, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu pois entendeu que deveria ser aplicado no art. 173, inciso I do CTN. Quanto à parcela não extinta não houve divergência.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/08/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. COMPETÊNCIA DO AUDITORFISCAL. DESNECESSIDADE DE HABILITAÇÃO PROFISSIONAL COMO CONTADOR. É competente para verificação da escrituração contábil o AuditorFiscal regulamente inscrito no cargo, independente de habilitação profissional como contador. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO.. APROPRIAÇAO INDÉBITA. As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração. JUROS/SELIC Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 2 As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PEDIDO DE EVENTUAL JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. O pedido de perícia não se constitui em direito subjetivo do contribuinte e pode ser indeferido pela autoridade julgadora quando demonstrada sua prescindibilidade. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, conceder provimento parcial quanto à preliminar de extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art. 150, parágrafo 4 do CTN, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu pois entendeu que deveria ser aplicado no art. 173, inciso I do CTN. Quanto à parcela não extinta não houve divergência. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Wilson Antonio de Souza Correa, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 14474.000102/200748 Acórdão n.º 230201.060 S2C3T2 Fl. 1.126 3 Relatório Trata a presente notificação lavrada em 06/10/2005, com ciência pelo sujeito passivo através de registro postal em 10/10/2005, de contribuições previdenciárias arrecadadas dos segurados empregados e contribuintes individuais (estes a partir de 04/2003), incidentes sobre as suas remunerações, no período de 01/1999 a 08/2005. O relatório fiscal diz que as bases de cálculo foram apuradas através dos valores informados pela recorrente nas GFIP’s – Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, sendo que a NFLD trata da diferença existente do confronto dos valores informados e os efetivamente recolhidos através das Guias de Recolhimento – GPS. Após impugnação, decisão de primeira instância às fls. 757/787, volume IV, julgou o lançamento procedente em parte, considerando que algumas GFIP’s foram retificadas e apresentadas quando da defesa. Inconformada, a empresa interpôs o presente recurso, alegando em síntese: a) a decadência qüinqüenal; b) a nulidade da NFLD porque não foram observados os requisitos formais para sua lavratura; c) a incapacidade dos agentes fiscais para examinar livros contábeis, pois não possuem habilitação para tanto; d) a falta de identificação do tributo cobrado, das competências e quais verbas são exigidas; e) a ausência de lançamento pela autoridade administrativa; f) que efetuou compensações advindas de recolhimentos indevidos; g) a ilegalidade da Lei Complementar 84/1996; h) incidências indevidas como auxíliodoença, auxílioacidente, licença gestante, licença paternidade, aviso prévio indenizado, terço de férias, férias indenizadas, abono, gratificações, 13º salário, saláriofamília, ajuda de custo; i) ilegalidade da cobrança do SAT por Decreto, do salário educação; j) ilegitimidade para a cobrança de contribuições para terceiros; k) inexigibilidade do SEBRAE porque não é microempresa; l) impossibilidade da cobrança de juros com base na SELIC; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 4 m) que o crédito a compensar deve ser atualizado monetariamente com a aplicação de juros. Requer a realização de prova pericial e posterior juntada de documentos, nomeia perito e elabora quesitos. Requer, por fim, o provimento do recurso, a reforma da decisão para acatar a decadência e as razões expostas, determinandose o arquivamento da NFLD. Não foram oferecidas as contrarazões. É o relatório. Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Das Preliminares A notificação referese ao período de 01/1999 a 08/2005 e foi lavrada em 06/10/2005, com ciência pelo sujeito passivo em 10/10/2005. A recorrente alega a decadência quinquenal e com efeito, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 14474.000102/200748 Acórdão n.º 230201.060 S2C3T2 Fl. 1.127 5 É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 6 crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, se pode observar pelos Relatório de Documentos Apresentados, fls. 151/167 e Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados, fls. 168/237, que a recorrente procedeu a recolhimentos parciais que foram abatidos do débito apurado, devendo ser observado o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 150, § 4º, e excluídas as competências até 09/2000, inclusive: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Quanto à alegada incapacidade do Auditor Fiscal, tenho que é inócuo o argumento de que o mesmo não tem competência para efetuar o lançamento em virtude de não estar credenciado junto ao CRC – Conselho Regional de Contabilidade, porque tal competência é decorrente de lei, não se sujeitando a qualquer habilitação em curso superior específico ou ao requisito de registro junto ao CRC. Nesse sentido já se posicionou o STJ por meio do Agravo Regimental no Recurso Especial n ° 291937, cujo Relator foi o Ministro Francisco Falcão, publicado no DJ em 27 de agosto de 2001, com a seguinte ementa: ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. FISCAL DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS – INSCRIÇÃO EM CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DESNECESSIDADE. "O fiscal de contribuições previdenciárias prescinde de inscrição em Conselho Regional de Contabilidade para desempenhar suas funções, dentre as quais a de fiscalização contábil das empresas. Recurso improvido."(REsp 218.406/RS, Relator Ministro Garcia Vieira, D.J.U 25.10.1999, Pág. 63.) Agravo regimental improvido. E, no mesmo sentido firmou entendimento o 2º Conselho de Contribuintes por meio da Súmula de n ° 5, nestas palavras: SÚMULA NO 5 O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 14474.000102/200748 Acórdão n.º 230201.060 S2C3T2 Fl. 1.128 7 Atualmente, o assunto está sumulado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através da Súmula n.º 8: Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador Não vislumbro a tese de nulidade da notificação, como arguido pela recorrente, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 7DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 8 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 14474.000102/200748 Acórdão n.º 230201.060 S2C3T2 Fl. 1.129 9 Do Mérito O lançamento foi realizado com base em documentação da própria recorrente, suas folhas de pagamento e informações prestadas pela mesma em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Conforme dispõe o art. 225, § 1º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, abaixo transcrito, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados. Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Assim sendo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento como da GFIP, caberlheia demonstrálo e providenciar sua retificação; o que, inclusive, foi feito e o crédito retificado pela decisão de primeira instância. De acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A fiscalização previdenciária provou a existência do fato gerador, com base nos termos de confissão, GFIP, elaborados pela própria recorrente. O relatório fiscal traz explicitamente que a notificação se refere às contribuições previdenciárias que foram descontadas dos segurados empregados cujos recolhimentos totais não foram comprovados, referente às folhas de pagamento elaboradas pela recorrente e o resumo das informações constantes do arquivo SEFIP, sendo assim, tais valores incontroversos e, conseqüentemente, inafastável é sua cobrança, repisando que as informações foram repassadas ao Fisco pelo próprio contribuinte através de GFIP. Por todo o exposto não merece reparo o lançamento do débito, já que por expressa determinação legal, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração e recolher o produto Fl. 9DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 10 arrecadado no dia 2 do mês seguinte ao da competência (art. 30, inciso I, letras “a” e “b” da Lei n.º 8.212/91), sendo que o crédito ainda tem suporte no artigo 20 da Lei n.º 8.212/91, que trata da contribuição dos segurados empregados. Também, se refere o crédito à alíquota de 11%, relativa a parte do segurado contribuinte individual que, a partir de 04/2003, deve ser arrecadada e recolhida pela empresa, nos termos da Lei n.º 10.666, de 08/05/2003: Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 10 (dez) do mês seguinte ao da competência. O presente lançamento não trata de seguro acidente do trabalho, salário educação, SEBRAE, contribuições para terceiros e remuneração de autônomos na vigência da Lei Complementar n.º 84/1996, motivo pelo qual os demais argumentos expendidos pela recorrente não serão analisados por não guardarem qualquer relação com o assunto específico desta notificação que se refere apenas a contribuições descontadas dos segurados empregados e contribuintes individuais pela própria recorrente e declaradas por ela em GFIP’s. Frente ao exposto, são totalmente inócuas as alegações de que o relatório fiscal não trouxe a discriminação das bases de cálculo e não explicitou a que se refere o crédito lançado, eis que tudo está dito no citado relatório de fls. 251/254, e não cabe argüição de cerceamento de defesa pela apuração de crédito com base em documentos elaborados pela própria recorrente, que forçosamente deve reconhecêlos. Todos os recolhimentos e créditos do recorrente foram devidamente considerados para o cálculo das contribuições e todas as rubricas levantadas decorrem de regrasmatrizes legalmente criadas e que, portanto, não podem ser afastadas do lançamento sob pena de se negar aplicação aos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA Processo nº 14474.000102/200748 Acórdão n.º 230201.060 S2C3T2 Fl. 1.130 11 Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. A alegação da recorrente de que procedeu a compensação de contribuições recolhidas indevidamente é inócua, pois não houve qualquer referência ou demonstração de compensações havidas, por parte da mesma. No que tange a compensação, no caso de valores recolhidos indevidamente, existe previsão legal consubstanciada no art. 247, §1º, do Decreto n.º 3.048/99: “Art. 247. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a seguridade social, arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social, na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. No processo em questão, não restou comprovado que a recorrente tivesse recolhido valores indevidamente que suscitassem compensação. Em razão da natureza do lançamento , dos elementos que foram examinados, lhe deram suporte e do reconhecimento das bases de cálculo pela própria recorrente, é prescindível qualquer diligência ou perícia para a necessária convicção no julgamento do presente recurso, devendose aplicar o disposto nas normas que disciplinam o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Fl. 11DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA 12 PORTARIA Nº 520, DE 19 DE MAIO DE 2004 Art. 11. A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. Portanto, indefiro o pedido de perícia, com base no artigo 11 da Portaria MPS n.º 520 de 19/05/2004, já que não se constitui em direito subjetivo do notificado e a prova do fato de eventual erro nos valores lançados, independe de conhecimento técnico e poderia ter sido trazida, aos autos pela recorrente, posto que sequer houve qualquer apontamento onde os cálculos poderiam estar incorretos. Quanto à solicitação de juntada de documentos a posterior, informo ao contribuinte que no processo administrativo, a Portaria MPS/GM nº 520/2004, no art. 9º, § 1º, acompanhando os preceitos do art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, limitou o momento para a apresentação de provas, dispondo que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. No caso em tela, o contribuinte teve oportunidade durante toda a ação fiscal e o desenrolar do processo administrativo de trazer aos autos elementos que viessem a comprovar suas alegações ou demonstrar a iliquidez do crédito, o que não se confirmou. Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso para excluir do levantamento as competências até 09/2000, inclusive, devido à extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art. 150, parágrafo 4 do CTN. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 12DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI Assinado digitalmente em 17/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEI RA
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Numero do processo: 10980.014583/2008-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007
DECADÊNCIA FATOS
SUBMETIDOS À TRIBUTAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL HOMOLOGAÇÃO
Para rendimentos tributáveis sujeitos à apuração do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual, o prazo decadencial conta-se a partir do fato gerador ocorrido em 31 de dezembro do respectivo ano-calendário.
NULIDADE. EXAME DE LIVROS E LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO. CONTADOR. Consoante dispõe a Súmula CARF nº 8, o Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da
escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEDUÇÃO DE DESPESA INEXISTENTE. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. As infrações cometidas com evidente intuito de fraude, consistentes na omissão proposital de parte dos rendimentos e na dedução de despesas médicas inexistentes, estão sujeitas à multa qualificada.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF nº 4:
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
PERÍCIA. REQUISITOS LEGAIS. Indefere-se a realização de perícia por desnecessária e quando o pedido formulado não atender aos requisitos legais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-001.104
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido para realização de perícia e as preliminares suscitadas e, no mérito, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros José Evande Carvalho Araújo, Maria Paula Farina Weidlich e Gonçalo Bonet Allage, que desqualificavam a multa de ofício.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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NULIDADE. EXAME DE LIVROS E LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO. CONTADOR. Consoante dispõe a Súmula CARF nº 8, o Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEDUÇÃO DE DESPESA INEXISTENTE. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. As infrações cometidas com evidente intuito de fraude, consistentes na omissão proposital de parte dos rendimentos e na dedução de despesas médicas inexistentes, estão sujeitas à multa qualificada. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. PERÍCIA. REQUISITOS LEGAIS. Indeferese a realização de perícia por desnecessária e quando o pedido formulado não atender aos requisitos legais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 124DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido para realização de perícia e as preliminares suscitadas e, no mérito, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros José Evande Carvalho Araújo, Maria Paula Farina Weidlich e Gonçalo Bonet Allage, que desqualificavam a multa de ofício. (assinado digitalmente) __________________________________________________ José Raimundo Tosta Santos – Presidente substituto e relator. EDITADO EM: 20/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Goncalo Bonet Allage, José Evande Carvalho Araujo, Maria Paula Farina Weidlich, Celia Maria De Souza Murphy, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0620.162, proferido pela 4ª Turma da DRJ Curitiba (fl. 79), que, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares argüidas e, no mérito, julgou procedente o Auto de Infração. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Por meio do Auto de Infração de fls. 25/32, exigese do contribuinte R$ 11.450,27 de imposto sobre a renda de pessoa física e R$ 15.525,40 de multa de oficio de 75% e de 150%, além dos acréscimos legais. O lançamento, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 31/32, referese à constatação de: (a) omissão parcial de rendimentos recebidos do Funbep Fundo Multipatrocinado, CNPJ n° 76.629.252/000146, no montante de R$ 8.000,00, conforme Dirf apresentada pela empresa; o contribuinte recebeu R$ 38.708,67 e declarou R$ 30.708,67, ao passo que o imposto retido foi declarado com exatidão de centavos; (b) omissão parcial de rendimentos recebidos do Funbep Fundo Multipatrocinado, CNPJ n° 76.629.252/000146, no montante de R$ 10.000,00, conforme Dirf e comprovante de rendimentos pagos, apresentado pelo contribuinte, sendo que o imposto retido na fonte foi declarado corretamente; em relação a essa infração foi aplicada a multa qualificada, por se tratar do segundo ano em que houve a redução indevida dos rendimentos; (c) dedução indevida a titulo de despesas médicas, nos anoscalendário 2003 e 2004, nos quais o contribuinte declarou despesas com TEREZA CRISTINA REGO CAMARGO, ESTELY CANDIDA LARA, FERNANDA MARTINS e CARLOS K. SATO; em face da repetição de despesas não comprovadas em valores altos, houve a glosa total (R$ 13.000,00 e R$ 11.450,00, respectivamente) e o lançamento com multa qualificada. Relata a autoridade que foi elaborada Representação Fiscal para Fins Penais. Cientificado do lançamento, por via postal, em 16/10/2008 (fl. 35), o interessado, por intermédio de procurador (fls. 61/62), apresentou, tempestivamente, em 13/11/2008, a impugnação de fls. 37/60, acompanhada, ainda, dos documentos de fls. 63/77, a seguir sintetizada. Fl. 125DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.014583/200889 Acórdão n.º 210101.104 S2C1T1 Fl. 123 3 Preliminarmente, alega a decadência, com base no § 4° do art. 150 do CTN, do direito de lançamento de fatos geradores anteriores a outubro de 2003. Ilustra sua tese com jurisprudência acerca de lançamento de Cofins. Argúi nulidade do auto de infração, sustentando que o exame de documentos fiscais é atividade privativa de contadores legalmente habilitados no Conselho Regional de Contabilidade, suscitando violação ao princípio da reserva legal e à legislação federal que regula a profissão, tendo por conseqüência a incapacidade jurídica do agente. Cita doutrina, alega abuso de poder e exercício ilegal de profissão, pondera que a fundamentação está disposta nos arts. 59 a 61 do Decreto n° 70.235, de 1972, requerendo a anulação do procedimento. No mérito, questiona a aplicação da taxa Selic, aduzindo se tratar de índice de caráter remuneratório, incompatível com juros moratórios, implicando ofensa ao disposto no art. 161, § 1°, do CTN. Discorre sobre o cálculo da taxa Selic, pelo Banco Central, alegando se tratar de índice restrito à obrigações privadas. Transcreve jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, pugnando pela sua substituição pelo índice de 1% ao mês, com fundamento no art. 161, § 1°, do CTN, e do art. 192, § 3°, da Constituição Federal. Quanto à multa de oficio, alega ter caráter confiscatório (inciso IV do art. 150 da Constituição Federal), ainda que de forma indireta. Em relação à "duplicação da multa", suscita necessidade de prova robusta, cabal e incontroversa da ocorrência de crime de sonegação, ao passo que, no caso, teria ocorrido somente presunção, decorrente de atribuir à Dirf força probatória de efetiva percepção de valores. Questiona a certeza da percepção de renda pelo sujeito passivo, exemplificando com a hipótese de pagamento mediante cheque sem provisão de fundo. Argúi o princípio da inocência, a teor do art. 5°, LVII, da Constituição Federal, aduzindo que não houve o indiciamento por autoridade policial acerca de crime de sonegação, que também dependeria de sentença penal definitiva. Defende que a aplicação de multa está sujeita aos limites do poder de tributar, dos quais destaca a observância do nãoconfisco e da capacidade contributiva, citando, a título de princípios dispersos, a legalidade, a razoabilidade, a proporcionalidade, a motivação, a finalidade, o interesse público, a gradação, a subjetividade, a nãopropagação, a pessoalidade, a tipicidade, a ampla defesa e o contraditório. Questiona a delegação ao agente fiscal da gradação das multas, por ato discricionário, porquanto viole os princípios da indelegabilidade e vinculabilidade, expressamente previstos nos arts. 7° e 142 do CTN, implicando nulidade. Acrescenta que a gradação da multa é matéria reservada à lei, conforme art. 97, V, do CTN, destacando, ainda, a previsão do art. 112 do CTN, que assegura a interpretação favorável ao acusado de infração tributária. Alega que, a teor do art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964, deve a autoridade fiscal provar o dolo e que, por parte do contribuinte, não houve obstáculo ou subterfúgio para omitir ou manipular suas informações financeiras, mas colaboração com a ação fiscal. Diz que, caso reste, por perícia contábil que postula, comprovado que houve omissão, entende que inexiste tipificação dolosa, mas declaração inexata, devendose "requalificar" a multa para 75%. Cita jurisprudência administrativa acerca da qualificação da multa, requerendo que seja afastada. Pelo exposto, requer o cancelamento do débito reclamado. Fl. 126DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manteve integralmente a exigência tributária, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 RENDIMENTOS SUJEITOS À DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR EM 31 DE DEZEMBRO. DECADÊNCIA. NÃOOCORRÊNCIA. Em relação aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual, o fato gerador do imposto sobre a renda da pessoa fisica ocorre em 31 de dezembro, não havendo que se falar em decadência no lançamento efetuado dentro do prazo de cinco anos dessa data. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. AUTORIDADE FISCAL. COMPETÊNCIA. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil detém competência outorgada por lei para realizar a fiscalização e efetuar o lançamento de crédito tributário relativo a imposto administrado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Aplicamse juros de mora por percentuais equivalentes à taxa Selic por expressa previsão legal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEDUÇÃO DE DESPESA INEXISTENTE. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA.CABIMENTO. As infrações cometidas com evidente intuito de fraude, consistentes na omissão proposital de parte dos rendimentos e na dedução de despesas médicas inexistentes, com o fim de reduzirem os montantes devidos do imposto sobre a renda da pessoa física, estão sujeitas à multa qualificada. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de oficio no percentual legalmente determinado. PERÍCIA. REQUISITOS LEGAIS. Considerase não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos legais. Lançamento Procedente Em sua peça recursal (fls. 94/119), o contribuinte reitera as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador a quo. É o Relatório. Voto Fl. 127DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.014583/200889 Acórdão n.º 210101.104 S2C1T1 Fl. 124 5 Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, relator. Do exame das peças processuais, firmo convencimento de que o lançamento e a decisão de primeiro grau não merecem qualquer reparo. A decadência suscitada deve ser rejeitada. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem reiteradamente decidido que as alterações legislativas do imposto de renda ao atribuir à pessoa física a incumbência de apurar e pagar o imposto, sem prévio exame da autoridade administrativa, classificase na modalidade de lançamento por homologação, na forma do artigo 150 do CTN, salvo a inexistência de dolo, fraude simulação ou conluio, pois a entrega da declaração de rendimentos converteuse em mero cumprimento de obrigação acessória (repasse ao órgão administrativo de informações para fins de controle do adequado cumprimento da legislação tributária, com ou sem obrigação principal a ser adimplida – Acórdão CSRF/0104.493 de 14/04/2003 – DOU de 12/08/2003). Ocorre que, no decorrer do anocalendário o contribuinte antecipa, mediante a retenção na fonte, carnêleão ou por meio do pagamento espontâneo, o imposto que será apurado em definitivo após o encerramento do anocalendário. É nessa oportunidade que o fato gerador do imposto de renda resta concluído. Por ser do tipo complexo (complexivo, complessivo), segundo a classificação doutrinária, o fato gerador do imposto de renda surge completo no último dia do ano. Os fatos levados à apuração do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual (deduções), bem assim as omissões ocorridas durante os meses do ano comportamse, no presente caso, no fato gerador concluído no final do anocalendário. É que as antecipações mensais, previstas na Lei nº 7.713, de 1988, não suprimiram o fato gerador anual do tributo (artigos 2º e 9º da Lei nº 8.134, de 1990), que abarca todos os rendimentos auferidos no ano, as deduções, sendo esta base de cálculo que irá prevalecer para a apuração do quantum debeatur, com a conseqüente restituição do imposto retido durante o ano base ou o pagamento suplementar do tributo. As exceções à regra são os casos de tributação definitiva (renda variável e ganho de capital) e os rendimentos tributados exclusivamente na fonte (prêmios, 13ª salário etc), que não se submetem ao ajuste anual. Leandro Paulsen, ministra que “o imposto de renda da pessoa física tem periodicidade anual, com antecipações de pagamento mensais. O imposto de renda da pessoa jurídica pode ser anual ou trimestral, dependendo de opção da empresa, nos termos do que dispõe o art. 1º da Lei nº 9.430/1996”, in Direito tributário. Constituição e Código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre, 2001. Livraria do Advogado, p. 522. O Ministro Franciulli Netto, do Superior Tribunal de Justiça, no RESP 584.195 / PE, julgado em 19.02.2204, deixa assente que “o conceito de renda envolve necessariamente um período, que, conforme determinado na Constituição Federal, é anual. Mais a mais, é complexa a hipótese de incidência do aludido imposto, cuja ocorrência dáse apenas ao final do anobase, quando poderá se verificar os últimos dos fatos requeridos pela hipótese de incidência do tributo”. O Auto de Infração foi cientificado ao sujeito passivo em 16/10/2008 (AR à fl. 35) e, mesmo desconsiderando a hipótese de dolo, fraude, simulação ou conluio, para as omissões de rendimentos apuradas durante o anocalendário de 2003 (com fato gerador em 31/12/2003), a contagem do prazo decadencial tem início em 01/01/2004, com termo final em 31/12/2008. A exigência fiscal referente ao anocalendário de 2003, DIPF do exercício de 2004, encontrase, portanto, plenamente válida. Fl. 128DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 Ainda em preliminar, o contribuinte questiona incompetência do auditor fiscal para examinar documentos fiscais, pois tal atividade é privativa de contador, devidamente inscrito no Conselho Regional de Contabilidade. Esta alegação é desprovida de qualquer sentido quando se trata de fiscalização do imposto de renda pessoa física, como no caso em exame, que prescinde de escrituração contábil. Contudo, em fiscalização do imposto de renda pessoa jurídica, onde há exame profundo da escrituração contábil da empresa, a jurisprudência mansa e pacífica deste Conselho deu suporte à edição da Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Quanto à cobrança dos juros de mora com base na taxa SELIC, após inúmeros debates a respeito de sua legalidade e constitucionalidade, e consoante pacífica jurisprudência que se firmou a respeito, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou as seguintes Súmulas: Súmula CARF nº 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conforme Súmula CARF n 2, acima transcrita, questionamentos acerca da inconstitucionalidade da multa de ofício qualificada não serão apreciadas pelo CARF, pois o legislador ao elaborar as leis tributárias deve fazer com que estas dêem vigor aos princípios constitucionais. As multas aplicadas no lançamento em exame tiveram como amparo no artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme enquadramento legal no Demonstrativo de Multa e Juros de Mora à fl. 28. No que tange às infrações qualificadas, entendo que a descrição dos fatos no Auto de Infração (fls. 31/32) indica precisamente porque a multa de ofício foi qualificada. Os elementos de prova e os motivos que deram suporte ao entendimento esposado pela fiscalização, para a qualificação da multa de ofício, evidenciam a intenção do contribuinte em reduzir a matéria tributável, e afasta a hipótese de declaração inexata. Os fundamentos declinados na decisão recorrida, a seguir transcrito, estão em consonância com reiterados pronunciamentos deste Colegiado sobre a matéria. Confirase: Verificase, assim, que a fraude se caracteriza em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública, num propósito deliberado de se subtrair no todo ou em parte a uma obrigação tributária. Nesses casos, deve sempre estar caracterizada a presença do dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública, onde se utilizando subterfúgios escamoteiam a ocorrência do fato gerador ou retardam o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária. Ou seja, o dolo é elemento especifico da sonegação, da fraude e do conluio, que os diferenciam da mera falta de pagamento do Fl. 129DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.014583/200889 Acórdão n.º 210101.104 S2C1T1 Fl. 125 7 tributo ou da simples omissão de rendimentos na declaração de ajuste, seja ela pelos mais variados motivos que se aleguem. Não há dúvida de que a falsidade material deixa exposto o evidente intuito de fraude, porém, o dolo elemento subjetivo do tipo qualificado tributário ou do tipo penal também está presente quando a consciência e a vontade do agente para prática da conduta (comissiva ou omissiva) exsurge dos atos que tenham por escopo impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, bem como a impedir ou retardar, total ou parcialmente a própria ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou deferir o seu pagamento. No caso dos autos, em que pese a contestação apresentada, está devidamente caracterizado o intuito doloso tanto na omissão parcial de rendimentos no anocalendário 2006, como na dedução de despesas médicas inexistentes nos anoscalendário 2003 e 2004. Quanto à omissão parcial de rendimentos do anocalendário 2006, em relação à qual foi aplicada a multa qualificada, verificase que o impugnante põe em dúvida a percepção de rendimentos, sob o argumento de que estaria embasada apenas na Dirf, o que não corresponde à realidade, uma vez que, segundo a descrição fiscal, à fl. 31, os valores estão corroborados pelo comprovante de rendimentos fornecido pelo próprio autuado, que se encontra à fl. 06. Em relação ao exemplo suscitado, da possibilidade de haver rendimento pago em "cheque sem fundos", cabe esclarecer que o juízo meramente especulativo acerca de hipótese não concreta não é apto a modificar o lançamento, que, como exposto, encontrase embasado em elemento de prova cuja origem é atribuída ao próprio contribuinte. Notese que a questão relativa à Dirf foi alegada exclusivamente como oposição à multa qualificada de 150%, o que, portanto, não diria respeito ao lançamento referente ao anocalendário 2005, para o qual a exigência foi formulada com a multa de oficio de 75%. No entanto, cabe salientar que, mesmo em relação à omissão de rendimentos do anocalendário 2005 a informação da Dirf, à fl. 05, evidenciase correta, porquanto os valores da coluna "imposto retido" sejam coincidentes com a aplicação da tabela progressiva sobre os valores da coluna "REND. BRUTO", considerados os valores da coluna "DEDUÇÕES", sendo que o contribuinte informou na sua declaração, à fl. 13, o valor da retenção corretamente, omitindo exatos R$ 8.000,00 (R$ 38.708,67 — R$ 30.708,67). A autoridade fiscal entendeu, ao aplicar a multa de 75% sobre essa infração (anocalendário 2005), que a omissão poderia não decorrer da vontade evidente de praticar o ato, mas de mera "declaração inexata". Todavia, para o anocalendário 2006, como houve a repetição da mesma infração, com a omissão de exatos R$ 10.000,00 (R$ 39.624,60 — R$ 29.624,60), com a utilização concomitante do valor correto do imposto retido, identificouse, nesse procedimento, a intenção deliberada do contribuinte de omitir parte de seus rendimentos. Pelos fatos, nesse contexto, correta a aplicação da multa qualificada, porquanto presente a hipótese do art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964, que define como sonegação "toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou Fl. 130DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária ... da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais". Quanto à aplicação da multa qualificada em relação aos anoscalendário 2003 e 2004, também se verificam presentes os seus pressupostos. Isso porque, em tais anos, o contribuinte pretendeu deduzir, a título de despesas médicas, valores de gastos inexistentes, baseados, salvo comprovação em contrário, em informações fictícias inseridas nas declarações correspondentes, às fls. 09 e 12, nos montantes respectivos de R$ 13.000,00 e R$ 11.450,00. Ora, sem que sejam apresentados documentos comprobatórios, não se podendo considerar em hipótese alguma que se trata de mero erro de preenchimento, fica evidenciado que o contribuinte inseriu em suas declarações informação irreal (relacionou nomes com números de CPF e atribuilhes supostos valores de pagamentos), pretendendo deduzir despesa falsa, de profissionais que não contratou, com o fim exclusivo de reduzir o montante a pagar de imposto de renda. É indiscutível que tal procedimento configura a sonegação prevista no art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964, assim como a fraude, nos termos do art. 72 da mesma lei, porquanto, assim agindo, o contribuinte pretendeu modificar características essenciais do fato gerador —sua base de cálculo — objetivando reduzir o montante devido de imposto. Pelo exposto, constatase que o lançamento das multas discutidas encontrase em consonância com as normas legais aplicáveis, razão pela qual, na presente instância administrativa ficam prejudicadas as contestações contrárias, sobretudo aquelas concernentes à tese graduação discricionária da multa, que não ocorreu. No que concerne à discussão suscitada pelo contribuinte, acerca de "crime de sonegação", em que pretende vinculála a prévio indiciamento policial ou a uma sentença penal definitiva, cabe esclarecer que o lançamento fiscal, conforme legislação analisada, notadamente naquilo que diz respeito à qualificação da multa, não se encontra condicionado à persecução na esfera penal. Na realidade, ao contrário do que é sugerido pelo impugnante, em face dos fatos discutidos no presente processo administrativo é que poderá advir efeitos no âmbito criminal, a partir da tramitação da Representação Fiscal para Fins Penais, descrita pela autoridade autuante, que consta haver sido elaborada para eventual informação concernente a "crime contra a ordem tributária", de que trata a Lei n° 8.137, de 1990, cuja avaliação, por sua vez, não se encontra sob a jurisdição da presente instância administrativa, que se limita ao litígio na esfera tributária. Por fim, resta consignar que a matéria em exame prescinde de qualquer análise pericial para a sua compreensão. Ademais, o pedido para realização da perícia não contém os requisitos indicados no inciso IV, do art. 16, do Decreto n° 70.235, de 1972 (com a redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748, de 9 de dezembro de 1993). Em face ao exposto, rejeito o pedido para realização de perícia e as preliminares suscitadas e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 131DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10980.014583/200889 Acórdão n.º 210101.104 S2C1T1 Fl. 126 9 Fl. 132DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 27/0 7/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 11060.002953/2008-80
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 21 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002
COMPROVAÇÃO.
As alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento.
PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ.
Não tem cabimento a incidência de Selic nos valores recolhidos a título de IRRF no decorrer do anocalendário.
Na verificação do saldo negativo de IRPJ deve haver o exame da sua liquidez e certeza para fins de reconhecimento do direito creditório e conseqüente homologação da compensação dos débitos.
Numero da decisão: 1801-000.479
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Rogério Garcia Peres.
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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As alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento. PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Não tem cabimento a incidência de Selic nos valores recolhidos a título de IRRF no decorrer do anocalendário. Na verificação do saldo negativo de IRPJ deve haver o exame da sua liquidez e certeza para fins de reconhecimento do direito creditório e conseqüente homologação da compensação dos débitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Rogério Garcia Peres. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Diniz Raposo e Silva, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Fl. 615DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11060.002953/200880 Acórdão n.º 180100.479 S1TE01 Fl. 569 2 Relatório A Recorrente formalizou as Declarações de Compensação (DComp) em 17/12/2003, fls. 02/13, utilizandose dos créditos relativos ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ): AnosCalendário Valores Pleiteados R$ Fls. 1998 6.610,21 02/04 1999 8.310,40 05/07 2000 10.485,28 08/10 2001 6.755,71 11/13 O processo foi instruído com as Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 32/52 e com as Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), fls.26/30 e os pagamentos efetuados, fls. 289/290 e 501/515. Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 291/293, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte ao argumento de que ficou comprovada a existência de direito creditório líquido e certo passível de restituição nos seguintes valores: AnosCalendário Valores Reconhecidos – R$ 1998 0,00 1999 3.007,32 2000 5.820,46 2001 6.755,71 Cientificada em 14/11/2008, fl. 338, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 15/12/2008, fls. 334/340, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Indica os valores que entende corretos recolhidos a título fonte pelo código 8045. Conclui Diante do exposto, tendose comprovado item por item as retenções sofridas cujo valor se quer compensar impõemse o reconhecimento da improcedência do débito apontado [ e ] requerse seja o valor lançado tido como indevido e se reconheça o direito à compensação pleiteada. Fl. 616DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11060.002953/200880 Acórdão n.º 180100.479 S1TE01 Fl. 570 3 Está registrado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA/DRJ/STM/RS nº 1811.811, de 21/01/2010, fls. 516/520:“ Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte” e que foi reconhecido o direito creditório no valor de R$1.586,67 referente ao anocalendário de 1998. Consta que ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998, 1999, 2000 IRRF. NÃO INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC SOBRE O VALOR RECOLHIDO OU RETIDO Por falta de amparo legal, não se aplica a taxa SELIC sobre o Imposto de Renda Retido na Fonte, considerado antecipação do devido pela pessoa jurídica no encerramento do período de apuração, a partir do dia da sua retenção ou pagamento. É sobre o saldo negativo do IRPJ é que se aplica a taxa SELIC, a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000 COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. SALDO NEGATIVO A compensação é modalidade de extinção de crédito tributário que só pode ser homologada pela autoridade administrativa competente se o contribuinte comprovar a existência do direito creditório pretendido. Se o saldo negativo de IRPJ pleiteado pela pessoa jurídica foi reduzido em razão da falta de comprovação do Imposto de Renda Retido na Fonte, o crédito tributário a ser reconhecido também deve ser reduzido do crédito pleiteado na mesma proporção e as compensações homologadas até o limite desse crédito. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. RESTITUIÇÃO / COMPENSAÇÃO Somente os valores comprovados de saldos negativos de IRPJ e de CSLL são passíveis de restituição/compensação. Notificada em 18/02/2010, fl. 533, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 10/03/2010, fls. 534/543, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Reitera os argumentos apresentados junto à primeira instância de julgamento. Conclui Diante do exposto requerse seja conhecido e provido o presente recurso voluntário, determinandose seja integralmente reconhecido o crédito pleiteado pela contribuinte, bem como seja homologada a respectiva compensação, nos moldes das PER/DCOMP apresentadas, afastandose o débito apurado, por absolutamente indevido. Nestes termos. Pede deferimento. Fl. 617DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11060.002953/200880 Acórdão n.º 180100.479 S1TE01 Fl. 571 4 É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. O litígio se restringe aos valores não reconhecidos de saldos negativos de IRPJ: AnosCalendário Valores Litigiosos – R$ 1998 5.023,54 1999 5.303,08 2000 4.664,82 2001 0,00 A Recorrente se insurge contra a não homologação da compensação. A Lei nº 9.430, de 1996, prevê: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. [...] Art.6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. §1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no §2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. Fl. 618DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11060.002953/200880 Acórdão n.º 180100.479 S1TE01 Fl. 572 5 §2º O saldo do imposto a pagar de que trata o inciso I do parágrafo anterior será acrescido de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir de 1º de fevereiro até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. §3º O prazo a que se refere o inciso I do §1º não se aplica ao imposto relativo ao mês de dezembro, que deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente. A Lei nº 9.430, de 1996, prescreve que a pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real pode optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, devendo apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano. O saldo do imposto apurado pode ser compensado com o imposto a ser pago, se negativo, assegurada a alternativa de requerer a restituição ou a compensação do montante pago a maior. O tributo mensal apurado pela base de cálculo estimada deve ser efetivamente extinto pelo pagamento (art. 156 do CTN) para que possa ser compensado com o saldo apurado em 31 de dezembro de cada ano. O Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, (RIR, de 1999), determina: Art.229. Para efeito de pagamento, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto apurado no mês, o imposto pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo, bem como os incentivos de dedução do imposto relativos ao Programa de Alimentação do Trabalhador, doações aos Fundos da Criança e do Adolescente, Atividades Culturais ou Artísticas, Atividade Audiovisual, e ValeTransporte, este último até 31 de dezembro de 1997, observados os limites e prazos previstos para estes incentivos (Lei nº 8.981, de 1995, art. 34, Lei nº 9.065, de 1995, art. 1º, Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º, e Lei nº 9.532, de 1997, art. 82, inciso II, alínea "f"). Parágrafo único.No caso em que o imposto retido na fonte seja superior ao devido, a diferença poderá ser compensada com o imposto mensal a pagar relativo aos meses subseqüentes. [...] Art.923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). O IRPJ deve ser apurado conforme os critérios previstos na legislação tributária (Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, na Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1996 e na Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real pode deduzir do IRPJ devido no encerramento do período o Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF incidente sobre as receitas computadas na sua determinação (art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 1º da Lei nº 9.065, de 20 Fl. 619DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11060.002953/200880 Acórdão n.º 180100.479 S1TE01 Fl. 573 6 de junho de 1995, art. 2º e art. 51 da Lei 9.430, de 1996 e art. 10 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997). Especificamente sobre as comissões e corretagens pagas à pessoa jurídica, código de arrecadação nº 8045, a Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, determina: Art 53 Sujeitamse ao desconto do imposto de renda, à alíquota de 5% (cinco por cento), como antecipação do devido na declaração de rendimentos, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas: I a título de comissões, corretagens ou qualquer outra remuneração pela representação comercial ou pela mediação na realização de negócios civis e comerciais; A Lei nº 9.064, de 20 de junho de 1995, prevê: Art. 6º É reduzida para 1,5% a alíquota do imposto de renda na fonte, de que tratam os arts. 52 e 53 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985. A Instrução Normativa SRF nº 153, de 5 de novembro de 1987, alterada pela Instrução Normativa SRF nº 177, de 30 de dezembro de 1987 e pela Instrução Normativa DPRF nº 107, de 26 de novembro de 1991, determinou que o IRRF seja recolhido pela pessoa jurídica que receber os rendimentos, ficando a fonte pagadora desobrigada de efetuar a retenção, nos casos de comissões e corretagens. Na verificação do saldo negativo de IRPJ deve haver o exame da sua liquidez e certeza para fins de reconhecimento do direito creditório e conseqüente homologação da compensação dos débitos. Partindo do pressuposto legal de que a defesa deve comprovar todas as suas alegações na oportunidade própria (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1996), a Recorrente não juntou aos autos provas mediante documentos hábeis e idôneos que demonstrem sua afirmativa de que incorreu em erro. Restou esclarecido que os valores comprovadamente recolhidos a título de antecipação no código de arrecadação nº 8045 constantes nos registros internos da RFB já foram considerados, fls. 289/290. Sobre a valoração do direito creditório, a Lei n° 9.250, de 26 de dezembro de 1995, fixa: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. [...] § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês Fl. 620DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11060.002953/200880 Acórdão n.º 180100.479 S1TE01 Fl. 574 7 anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Posteriormente, a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, assim regulamenta a matéria: Art.1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. [...] Art.6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. §1º O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no §2º; II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. A Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, prescreve: Art. 73. O termo inicial para cálculo dos juros de que trata o § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995, é o mês subseqüente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido. O Ato Declaratório SRF n° 3 de 07 de janeiro de 2000, interpreta: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Fl. 621DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11060.002953/200880 Acórdão n.º 180100.479 S1TE01 Fl. 575 8 Nesse sentido, notese que o inciso II do art. 40 da Lei n° 8.981, de 1995 com a redação da Lei n° 9.065, de 1995, está em harmonia com o § 1º do inciso II do art. 6º da Lei n° 9.430, de1996. Tanto uma norma como outra prevêem, em sua literalidade, que o saldo negativo de IRPJ pode ser compensado a partir de abril do ano calendário subseqüente. Não obstante, o Ato Declaratório SRF n° 3, de 2000, prevê que o saldo negativo de IRPJ é compensável a partir de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período, e que a partir do mês seguinte ao da apuração do saldo negativo o crédito é atualizado pela Selic. O entendimento ali é no sentido de reconhecer a possibilidade de compensação do saldo negativo de IRPJ a partir de janeiro do anocalendário subseqüente ao da apuração; inclusive com a incidência da Selic a partir desse mesmo mês, o que guarda consonância com o art. 73 da Lei n° 9.532, de 1997. Essa interpretação, portanto, é aplicável com igualdade de razões para o saldo negativo de IRPJ apurado sob a vigência da Lei n° 8.981, de 1995, pois este comando legal, no que toca à compensação do saldo negativo, é o mesmo ao da Lei n° 9.430, de 1996, no qual se fundou o referido ato declaratório. Por esta razão, não tem cabimento a incidência de Selic nos valores recolhidos a título de IRRF no decorrer do anocalendário, cabendo a sua aplicação somente se apurado o saldo negativo de IRPJ no encerramento do período. Por conseguinte, as quantias apuradas pela Recorrente expostas na planilhas de fls. 355/359 não podem ser consideradas corretas em sua integralidade, uma vez que houve incidência da Selic nos valores de IRRF sem amparo legal. As suas meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade mediante a análise de todos os documentos que embasaram a escrituração não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do procedimento, tendo em vista que as provas já constantes nos autos constituem um conjunto probatório robusto de que o pedido de reconhecimento do direito creditório deve ser indeferido. Logo, não lhe cabe razão. Em face do exposto voto por negar provimento ao recurso voluntário para não reconhecer o direito creditório e não homologar a compensação. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 622DF CARF MF Emitido em 03/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 01/03/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 03/03/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
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Numero do processo: 16327.001744/2007-83
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2004
IRPJ. PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS (PERC). INCENTIVOS FISCAIS COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL
A comprovação da regularidade fiscal deve se reportar ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo.
Numero da decisão: 1103-000.492
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: JOSE SERGIO GOMES
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PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS (PERC). INCENTIVOS FISCAIS COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL A comprovação da regularidade fiscal deve se reportar ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. documento assinado digitalmente ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. documento assinado digitalmente JOSÉ SÉRGIO GOMES Relator. Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva (Presidente), Hugo Correia Sotero (VicePresidente), José Sérgio Gomes (Relator), Cristiane Silva Costa, Mário Sérgio Fernandes Barroso e Marcos Shigueo Takata. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 11/07/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA S ILVA Processo nº 16327.001744/200783 Acórdão n.º 110300.492 S1C1T3 Fl. 183 2 Relatório Em foco recurso voluntário visando a reforma da decisão da 10ª Turma de Julgamento da DRJI em São Paulo/SP que indeferiu a manifestação de inconformidade aviada contra o despacho decisório do Chefe da Divisão de Orientação e Análise Tributária da Delegacia Especial das Instituições Financeiras em São Paulo/SP que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais – PERC com vistas à reforma do Extrato das Aplicações em Incentivos Fiscais emitido em 02/03/2007 (fl. 03), o qual exteriorizou a impossibilidade da liberação do valor de R$ 63.817,37 inserto na Ficha 36 da Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ) do anocalendário de 2004 ao Fundo de Ivestimentos do Nordeste – FINOR, ante a seguinte ocorrência: • 11 — CONTRIBUINTE COM DÉBITOS DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS (ART. 60 DA LEI 9069/95) O despacho decisório consignou que a interessada, apesar de encontrarse regular no cadastro do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (CEF/FGTS) apresentava, na data de protocolização do PERC, conforme demonstrativos de fls. 30 a 37, débitos inscritos em dívida ativa da União pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacinal (PGFN) e débito já em cobrança final tratado no processo administrativo nº 16327.000176/9823 na Secretaria da Receita Federal (SRF), não tendo solucionado ditas pendências até a data do despacho, como também, não apresentou certidão negativa dos registros no Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS), atraindo o óbice a que alude o artigo 60 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. Discordando deste entendimento a interessada aviou a resistência de fls. 56/64 na qual discorreu que na data do despacho decisório detinha regularidade fiscal, comprovada com as certidões negativas juntadas e que o nascimento de supostos débitos decorrentes de fatos geradores posteriores ao protocolo do PERC não deveria impedir a concessão do pleito, consoante linha de entendimento do Conselho de Contribuintes. Ainda, que até mesmo seu incorporador, inscrito no CNPJ/MF sob nº 60.942.638/000173, também possuiu Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa, juntando cópia. Aquela 10ª Turma de Julgamento admitiu o inconformismo e concluiu que a verificação da regularidade fiscal deve ser feita no instante em que se está proferindo a decisão que confere ou reconhece o benefício, no caso em 17/10/2008, data da expedição do despacho decisório da autoridade administrativa, não na data da protocolização do PERC. Assim, levou em conta as 9 (nove) pendências existentes na data daquele, reconhecendo, contudo, que duas delas, especificamente aos processos administrativos nºs. 13805.004079/9721 e 16327.000176/9823, não poderiam impedir a concessão do benefício fiscal porque comprovadas a suspensão da exigibilidade dos débitos neles tratados, enquanto as outras 7 (sete) já se encontravam sob administração da PGFN em face da inscrição dos débitos em dívida ativa da União, sendo a Receita Federal incompetente para analisar as alegações relativas a causas extintivas ou suspensivas ocorridas após a inscrição. Também consignou que a certidão conjunta positiva com efeitos de negativa apresentada pela contribuinte, expedida pela Receita Federal e PGFN, a par de ter sido emitida Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 11/07/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA S ILVA Processo nº 16327.001744/200783 Acórdão n.º 110300.492 S1C1T3 Fl. 184 3 em momento posterior à data de expedição do despacho decisório, foi lançada em nome de Banco Sudameris Brasil Sociedade Anônima, inscrito no Cadastro Nacional da Pessoal Jurídica sob o nº 60.942.638/000173, e não em nome da interessada, que ainda se encontrava ativa nos sistemas cadastrais, de sorte que somente quando a alegada incorporação constasse nos sistemas informatizados é que se poderia entender que dita certidão abrangeria a regularidade fiscal da incorporada. Cientificada em data de 17 de novembro de 2009, fl. 144, a contribuinte apresentou em 15 do mês seguinte o recurso de fls. 145/154, acompanhado dos documentos de fls. 155/180, aduzindo que estava em situação regular perante a Receita Federal e a PGFN quando do aviamento do PERC, consoante comprovado pela Certidão Positiva com Efeitos de Negativa apresentada. Realça a existência de precedentes deste Conselho no sentido de que o contribuinte tem direito à fruição do incentivo se comprovar a sua regularidade fiscal no momento do protocolo do respectivo pedido, sendo esse exatamente o caso dos autos. Disserta sobre cada um dos débitos enviados para inscrição em dívida ativa da União argumentando que os executivos fiscais que os abrigam ou já foram extintos ou neles constam despachos judiciais dando pela suspensão da exigibilidade em face de oferecimento de garantias. Por fim, registra que a sua incorporação pelo Banco Sudameris Brasil S/A foi totalmente regular e implica transferência de patrimônio, direitos e obrigações da incorporada, não lhe cabendo qualquer culpa pela demora da Administração Pública em efetuar a atualização de seus sistemas informatizados. Requereu, por derradeiro, o reconhecimento do direito de usufruir do benefício fiscal. É o relatório, em apertada síntese. Voto Conselheiro JOSÉ SÉRGIO GOMES, Relator Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintídio legal. Assim sendo, dele tomo conhecimento. Muito se discutiu neste Conselho acerca da identificação do momento em que o sujeito passivo tem o dever de apresentar sua regularidade fiscal para fins de atendimento ao requisitado no artigo 60 da Lei, vingando a tese enunciada na Súmula nº 37, no seguinte teor: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 11/07/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA S ILVA Processo nº 16327.001744/200783 Acórdão n.º 110300.492 S1C1T3 Fl. 185 4 qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. No caso dos autos a opção se deu em 15/12/2005, data da entrega da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), sendo o período a que se refere dita declaração o anocalendário de 2004. Por força do entendimento sumular as pendências fiscais exteriorizadas a partir desse marco temporal, solucionadas ou não, devem ser desprezadas. Noutras palavras: débitos surgidos posteriormente à data da entrega da declaração não influenciarão o pleito do anocalendário em questão, muito embora possam impactar a concessão de benefício fiscal eventualmente pretendido em anos calendários subseqüentes. Como visto, das 9 (nove) pendências originariamente levadas em conta pela autoridade fiscal para o indeferimento do PERC remanesceram, após apreciação da autoridade julgadora de primeira instância, 7 (sete) por já inscritos os débitos em dívida ativa da União, as quais se encontram listadas à fl. 139. Analisandoas, constato que se tratam de débitos inscritos no ano de 2000 (uma), 2003 (duas) e 2004 (quatro), portanto, anteriores ou no mínimo contemporâneas à data da opção pelo incentivo fiscal. Faço aqui o esclarecimento que os quarto e quinto dígitos do número da inscrição identificam o ano da inscrição. Portanto, hão de ser levadas em conta no presente exame. Tenho que deva imperar, a favor da contribuinte, a força da Certidão Conjunta Positiva com Efeitos de Negativa de Débitos Relativos aos Tributos Federais e à Dívida Ativa da União trazida no PERC e encartada à fl. 04, cuja data de emissão é de 25 de julho de 2007, e na qual se observou que os débitos inscritos em dívida ativa da União se encontravam com exigibilidade suspensa. Por sua vez, resta prejudicada a apreciação da certidão emitida em nome de terceiro, alegadamente sociedade incorporadora e trazida aos autos por ocasião da manifestação de inconformidade, em razão de não existir nos autos qualquer prova do evento empresarial sucessório. Com tais razões, VOTO pelo provimento ao recurso. documento assinado digitalmente José Sérgio Gomes Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 11/07/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA S ILVA Processo nº 16327.001744/200783 Acórdão n.º 110300.492 S1C1T3 Fl. 186 5 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/07/2011 por JOSE SERGIO GOMES Assinado digitalmente em 11/07/2011 por JOSE SERGIO GOMES, 01/08/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA S ILVA
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Numero do processo: 35564.002237/2006-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Feb 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/2006 a 28/02/2006
COMPENSAÇÃO FALTA DE PREVISÃO LEGAL
Não há previsão legal para que se aceite a compensação ou restituição, sobre os valores devidos à Previdência Social, de créditos oriundos de títulos da Dívida Externa Brasileira.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-001.859
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Edgar Silva Vidal, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 198DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 21/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A 2 Relatório Tratase de pedido de compensação ou de pagamento de débitos junto ao INSS, utilizandose de créditos que a empresa acima identificada afirma possuir com a União, representados por cártulas. A Secretaria da Receita Previdenciária indeferiu o pleito (fls. 187), salientando que não há previsão legal que ampare a pretensão da requerente. Inconformada com o indeferimento, a interessada apresentou recurso alegando, em síntese, o que se segue. Esclarece que, tendo débito referente ao período de apuração de fevereiro de 2006 (contribuições referentes a folha de pagamento de empregados, prestação de serviços de autônomos, retirada de prólabore, prestação de serviços de cooperado por intermédio de cooperativa de trabalho, trabalhador autônomo carreteiro), tudo referente a cota do empregador, efetuou a compensação descriminada no requerimento administrativo de número 36624.002237/200628. Informa que é possuidora de títulos da Dívida Pública, que foram atualizados com base nos laudos paridade ouro, o que confere liquidez ao referido título e representa um crédito da autora contra a União de valor superior ao débito ora apontado. Entende que a decisão do Serviço de Orientação da Arrecadação Previdenciária deve ser reformada, pois não analisou a permissão contida na Lei 9.430/96 e Decreto 2.138/97 e não se atentou para o fato de que, ao pagar juros no título antigo em 1965, a União abriu mão da prescrição e reconheceu a validade do título. Ressalta que os títulos da recorrente são da Dívida Externa Brasileira e não são reguladas pelas leis citadas no despacho de indeferimento e argumenta que a interpretação das leis leva ao entendimento de que é permitida a utilização dos Títulos da Dívida Pública para compensação de tributos. Discorre sobre a legislação e os conceitos de restituição e compensação, acrescentando que a impossibilidade de compensar apenas para o contribuinte fere o princípio da moralidade administrativa, posto que o portador de um título da vida pública deve pagar os tributos que incidam sobre suas atividades, enquanto o poder público lhe nega o direito de receber o que lhe é devido. Requer que seja suspensa a exigibilidade do crédito enquanto não for homologada a compensação referida. Em contrarazões, a Secretaria da Receita Federal do Brasil manteve o indeferimento do pleito. É o relatório. Fl. 199DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 21/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 35564.002237/200628 Acórdão n.º 230101.859 S2C3T1 Fl. 3.89 3 Voto Conselheiro Bernadete De Oliveira Barros, Relator A requerente solicita que sejam compensados créditos oriundos da Dívida Pública Federal com os valores devidos à Previdência Social. Contudo, vale esclarecer que a compensação requerida não encontra amparo legal. O Código Tributário Nacional – CTN, em seu art. 170, remeteu à lei a função de estipular as condições para que seja autorizada a compensação de créditos líquidos e certos, o que, entendo, foi feito com muita propriedade pelo legislador ordinário. De fato, a Lei 8.212/91, em seu art. 89, estipulou as condições em que poderá haver a compensação, ou seja: Art.89.Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro SocialINSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido § 1ºAdmitirseá apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. §2ºSomente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 desta Lei. § 3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência.na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido Assim, a compensação e restituição dos créditos atinentes aos Títulos da Dívida Pública que a recorrente afirma possuir não se encontram nas hipóteses previstas no art. 89 da Lei n.º 8.212/91. Ademais, o § 1º do art. 66 da Lei 8.383/91 assim determina: Art. 66. Os casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes. Fl. 200DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 21/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A 4 § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie.(grifei). E, como no presente caso não houve recolhimento ou pagamento indevido de contribuições previdenciárias, não há que se falar em compensação ou restituição. Portanto, a Fazenda Pública, conforme dizeres do CTN, apenas pode compensar suas dívidas e créditos quando a lei autorizar. E a lei 8.212/91 não autoriza a compensação requerida. E como o ato praticado pela administração pública é vinculado, o seu agente só pode agir em conformidade com o que a lei determina. E considerando que não é facultado ao administrador público eximirse de aplicar a lei, a autoridade administrativa, ao indeferir o pedido formulado pela recorrente, agiu em conformidade com os ditames legais, em obediência ao princípio da legalidade, e em observância ao contido no art. 2º da Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. É oportuno trazer a lume o ensinamento do ilustre Wladimir Novaes Martinez que, ao comentar o art. 89 supra, assim se manifestou: “A compensação farseá por espécie de contribuição. Quem recolhe seguro acidentes do trabalho com taxa errada, a maior, deverá deduzir o excesso na própria contribuição destinada às prestações infortunística, e não na parte patronal da empresa. “ (MARTINEZ, Wladimir Novaes. Comentários à lei básica da previdência social – Tomo I: Plano de custeio. 4. ed. São Paulo: LTr, 2003, páginas 758/759) Assim, reiterase, a compensação requerida pela empresa não possue amparo legal, como também não há nenhuma decisão definitiva a amparála. A recorrente solicita que seja suspensa a exigibilidade do crédito enquanto não for homologada a compensação referida. Contudo, o processo administrativo fiscal ora sob análise se originou de um pedido de compensação e restituição, e não pela lavratura de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito. A recorrente deve requerer a suspensão da exigibilidade do crédito nos autos que discute o lançamento, e não no processo administrativo que discute o direito à compensação. Portanto, a pretensão da recorrente restou prejudicada. Nesse sentido, CONSIDERANDO que não existe previsão legal que ampare a pretensão da recorrente. CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta Voto no sentido de CONHECER do recurso, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Fl. 201DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 21/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 35564.002237/200628 Acórdão n.º 230101.859 S2C3T1 Fl. 4.89 5 Bernadete De Oliveira Barros – Relatora Fl. 202DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Assinado digitalmente em 10/06/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, 21/06/2011 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 14120.000081/2010-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO.
GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.211
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 08/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (presidente), Manoel Coelho Arruda Júnior, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Vera Kempers de Moraes Abreu. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Relatório Trata o presente de autodeinfração, lavrado em 05/04/2010, em desfavor do sujeito passivo acima identificado, com ciência em 13/04/2010, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, e artigos 35A e 32A, da MP 449, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s do período de 01/2007 a 12/2008, todos os valores relativos a remuneração dos segurados, constantes das folhas de pagamento, e os valores referentes às aquisições de produtos rurais de pessoas físicas, conforme demonstrativos de fls. 20/22 e 73/156. Às fls. 24/71 e 15/282, constam as cópias dos resumos das folhas de pagamento e dos Livros de Registro de Entrada de Mercadorias, respectivamente, que comprovam a ocorrência dos fatos geradores não informados em GFIP. Após a impugnação, Acórdão de fls. 316/320, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega em síntese: a) que não há razão para a cobrança do tributo, pois está em dia com suas obrigações fiscais; b) que a multa é insubsistente por se tratar de mera presunção de fraude, que a acusação é infundada, pois não há provas; c) que o acórdão foi omisso por não apreciar as impugnações dos autos de infração, onde se insurgira contra as contribuições lançadas e as bases de cálculo não declaradas que o fisco configurou como crime de sonegação; d) que os juros e multa são confiscatórios e a multa abusiva e inconstitucional. Requer a nulidade do acórdão por omissão, a nulidade do auto de infração, a extinção do crédito tributário e a reforma da decisão para declarar abusiva a multa e os juros para reduzilos ao mínimo legal. É o relatório. Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Fl. 345DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000081/201076 Acórdão n.º 230201.211 S2C3T2 Fl. 2 3 Cumprido o requisito de admissibilidade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Preliminarmente, é de se salientar que não houve qualquer omissão no acórdão recorrido, posto que a peça de defesa argúi apenas o caráter abusivo e confiscatório da multa aplicada, ao que bem rebateu a decisão de primeira instância, informando ao contribuinte que o relatório fiscal nada traz sobre fraude e no lançamento não há multa de ofício agravada em decorrência da prática de fraude. São inócuas as alegações da recorrente quanto à inexistência de fraude, uma vez que o auto de infração não se refere à fraude, mas ao descumprimento de obrigação acessória que vem definida em lei. Mais precisamente, a empresa foi autuada por falta de informação em GFIP de todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. A recorrente não discute o mérito da autuação, limitandose a arguir a natureza confiscatória da multa aplicada. Ocorre que tais alegações se mostram inócuas no caso presente eis que a multa foi aplicada em conformidade com a determinação legal para a conduta praticada pela autuada. Quanto às argüições acerca do percentual abusivo e desproporcional da multa, temos a considerar que o mesmo vem definido em legislação e ao julgador administrativo é defeso argüir sobre a constitucionalidade das leis. Ademais, deve agir com imparcialidade, voltado para sua função precípua de controle da legalidade do ato administrativo. Portanto, na esfera administrativa o princípio da proporcionalidade ou da vedação ao excesso deve ser analisado sob o prisma de ser necessária ou não a sanção imposta. Não cabe à esfera administrativa analisar se o quantum da pena descrita na legislação é correta, mas sim se cabe sua aplicação para o fato concreto existente. No caso presente restou demonstrado o descumprimento da obrigação acessória, sendo acertada a autuação. Quanto à alegação de inconstitucionalidade, ressaltase que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei Fl. 346DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF se autoimpôs com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (que aprovou o Regimento Interno do CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. SÚMULAS CONSOLIDADAS CARF PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Deixo de me manifestar sobre os juros moratórios, eis que não fazem parte da autuação. Quanto ao mérito da autuação, referese o auto de infração ao descumprimento de obrigação acessória, qual seja a falta de informação em GFIP de toda a remuneração paga aos segurados constantes das folhas de pagamento e dos valores relativos as aquisições de produto rural de pessoas físicas, comprovadas através dos Livros Registro de Entrada de Mercadorias, nas competências de 01/2007 a 12/2008. Ao não informar tais valores, a recorrente infringiu o artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações do interesse do Instituto, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, está contida no artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: Fl. 347DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000081/201076 Acórdão n.º 230201.211 S2C3T2 Fl. 3 5 I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados ½ valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) III cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Deverá ser considerado, por competência, o número total de segurados da empresa, para fins do limite máximo da multa, que será apurada por competência, somandose os valores da contribuição não declarada, e seu valor total será o somatório dos valores apurados em cada uma das competências. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 A aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória constante da Lei n.º 8.212/91, não foi enquinada de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, estando totalmente válida e devendo ser obedecida pela via administrativa, vez que está dentro dos pressupostos legais e constitucionais. Por derradeiro, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. Embora já conste do relatório fiscal que a MP 449 foi observada para algumas competências, o cálculo da multa deve obedecer ao disposto no artigo 32 A, I da Lei n.º 11.941/2009. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, já na redação da Lei n.º 11.941/2009, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 349DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14120.000081/201076 Acórdão n.º 230201.211 S2C3T2 Fl. 4 7 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 350DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 08/08/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 08/08/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 09/08/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10183.004766/2005-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2000
IRPF. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO.
MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações.
No presente caso, houve pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do o art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador.
Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, ele só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do ano-calendário, o que fez com que o prazo decadencial tenha se iniciado em 31/12/1999 e terminado em 31/12/2004.
Como o lançamento se deu apenas em 05/09/2005, o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2101-001.083
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a decadência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, houve pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do o art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, ele só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do anocalendário, o que fez com que o prazo decadencial tenha se iniciado em 31/12/1999 e terminado em 31/12/2004. Como o lançamento se deu apenas em 05/09/2005, o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a decadência, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. EDITADO EM: 16/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage, José Evande Carvalho Araujo (convocado), José Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes (convocado) e Walter Reinaldo Falcão Lima (convocado). Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 5 a 8, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2000, motivado pela glosa de parte do imposto de renda retido na fonte informado em sua declaração de ajuste, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$28.733,70, acrescido de multa de ofício e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 4), acatada como tempestiva, alegando impossibilidade de defesa por falta de motivação da penalidade imposta e por inexistência de defesa prévia à autuação, e decadência do crédito tributário lançado. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 14 a 21): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2000 INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS Não se configura hipótese de nulidade do lançamento o fato de a fiscalização não intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos antes da lavratura do auto de infração, pois a fase do contraditório, instaurada com a impugnação, abre oportunidade para o oferecimento de todos os esclarecimentos por parte do autuado, não se configurando, tampouco, a hipótese de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.004766/200539 Acórdão n.º 210101.083 S2C1T1 Fl. 53 3 Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS À DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. O fato gerador do imposto de renda em relação aos rendimentos sujeitos à declaração de ajuste anual ocorre em 31 de dezembro; quando não declarados, para efeito de lançamento de ofício, o termo inicial do prazo decadencial é contado do primeiro dia do exercício seguinte ao que poderia o fisco ter feito o lançamento (CTN, art. 173, I). IMPOSTO RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Mantémse a glosa do imposto retido na fonte declarado quando não há comprovação da retenção e nem apresentação de DIRF pela fonte pagadora. Lançamento Procedente O julgador de 1a instância fundamentou sua decisão com relação à decadência ao aplicar, ao caso, a regra do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional – CTN da seguinte maneira (fl. 20): No que concerne à infração decorrente da não comprovação de imposto retido na fonte, o valor resultará em alteração do imposto a pagar na Declaração de Ajuste Anual. No período indicado pelo impugnante, o fato gerador ocorreu em 31/12/1999. Logo, a Fazenda Pública só poderia constituir eventual crédito tributário, decorrente de infrações apuradas na declaração de ajuste anual do ano calendário de 1999, durante o ano de 2000, e, ainda assim, após a entrega da respectiva declaração, que se dá até o dia 30 de abril de cada ano. Dessa forma, pela regra do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial somente começou a fluir a partir de 01/01/2001. Tendo o lançamento sido cientificado ao impugnante em 05/09/2005, não há que se falar em decadência, que se daria somente em 01/01/2006, no que toca ao anocalendário de 1999. RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 12/11/2008 (fl. 26), o contribuinte apresentou, em 11/12/2008, o recurso de fls. 29 a 37, onde: a) defende a decadência do direito do Fisco constituir o crédito tributário, nos termos do art. 173 do CTN, tendo o prazo decadencial se iniciado em maio de 2000 e terminado em maio de 2005, sendo que o lançamento se deu em agosto de 2005; b) afirma que ocorreu a prescrição do direito do Fisco cobrar aquilo foi declarado em maio de 2000 na declaração de ajuste. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 51, que também trata do envio dos autos então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o Relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O recorrente não traz argumentos com relação ao mérito da autuação, e concentra a discussão na impossibilidade de cobrança do crédito tributário por decadência ou prescrição. No caso em tela, o auto de infração glosou parte do imposto de renda retido na fonte declarado na Declaração de Imposto de Renda do exercício de 2000, por falta de comprovação, tendo sido mantido apenas o imposto retido pela Assembléia Legislativa do Estado de MT, por constar nas informações prestadas à Receita Federal pela fonte pagadora (fl. 7). O contribuinte tomou ciência do lançamento em 05/09/2005 (fl. 10). Sabese que a discussão da decadência dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa, que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. No momento da publicação do CTN, a questão não tinha tanta importância, uma vez que eram poucos os tributos para os quais a legislação atribuía ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. Entretanto, atualmente, em nossa sociedade de consumo, onde milhares de operações sujeitas à tributação ocorrem simultaneamente, tornouse impossível para o Fisco efetuar o lançamento direto, e praticamente todas as exações adotaram o modelo de transferir para o contribuinte o dever de apurar e recolher, fazendo a Administração apenas o controle posterior. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.004766/200539 Acórdão n.º 210101.083 S2C1T1 Fl. 54 5 As diversas correntes doutrinárias agora se digladiam sobre qual das regras de decadência deve se utilizar para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, sendo que, no âmbito da 2a Seção de Julgamento do CARF, prevalecia a idéia de que seria sempre a do art. 150, §4o, do CTN, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Contudo, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. Recentemente, a Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, introduziu o art. 62A no Regimento Interno do CARF RICARF, com a seguinte redação: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Desta forma, este CARF forçosamente terá que mudar seu posicionamento, e adotar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Neste processo, a questão é de fácil deslinde, pois o lançamento reconheceu a existência de parte do imposto de renda retido na fonte, o que, sem dúvida, constituise em prova da existência de pagamento antecipado, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Como o fato gerador do imposto de renda é complexivo anual, ele só se aperfeiçoa em 31 de dezembro do anocalendário, o que faz com que, no presente caso, ele tenha se iniciado em 31/12/1999 e terminado em 31/12/2004. Como o lançamento se deu apenas em 05/09/2005, o crédito tributário já havia sido fulminado pela decadência. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.004766/200539 Acórdão n.º 210101.083 S2C1T1 Fl. 55 7 Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência do crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 05/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10855.000990/2005-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
IRPF. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. FATO GERADOR EM 31 DE DEZEMBRO DO ANO CALENDÁRIO.
A regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações.
No presente caso, houve pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte e de saldo de imposto a pagar, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário Súmula CARF nº 38.
Assim para o ano-calendário de 2000, a contagem do prazo decadencial se inicia em 31/12/2000 e termina em 31/12/2005. Como a ciência da autuação se deu em 26/04/2005, não se verifica a decadência de nenhuma parcela do crédito tributário lançado.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS COTITULARES ANTES DO LANÇAMENTO.
Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento Súmula CARF nº 29.
No caso, não existe nos autos comprovação de intimação prévia do cotitular, nem existe notícia de auto de infração lavrado contra essa pessoa no sistema Comprot do Ministério da Fazenda, o que exige que se afaste a tributação da omissão de rendimentos lançada com base nos valores depositados nas contas correntes
de titularidade conjunta.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. EXCLUSÃO DE DEPÓSITOS INFERIORES A R$12.000,00 QUE TOTALIZAM MENOS DE R$80.0000,00.
Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física Súmula CARF nº 61.
No caso, a soma dos depósitos inferiores a R$12.000,00, após a exclusão dos depósitos das contas conjuntas, totalizam R$ 38.905,04, e por isso devem ser excluídos do lançamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2101-001.160
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para reduzir o valor dos rendimentos omitidos para R$ 302.656,83.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Jose Evande Carvalho Araújo
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DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. FATO GERADOR EM 31 DE DEZEMBRO DO ANO CALENDÁRIO. A regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações. No presente caso, houve pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte e de saldo de imposto a pagar, e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário Súmula CARF nº 38. Assim para o anocalendário de 2000, a contagem do prazo decadencial se inicia em 31/12/2000 e termina em 31/12/2005. Como a ciência da autuação se deu em 26/04/2005, não se verifica a decadência de nenhuma parcela do crédito tributário lançado. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS COTITULARES ANTES DO LANÇAMENTO. Fl. 397DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento Súmula CARF nº 29. No caso, não existe nos autos comprovação de intimação prévia do cotitular, nem existe notícia de auto de infração lavrado contra essa pessoa no sistema Comprot do Ministério da Fazenda, o que exige que se afaste a tributação da omissão de rendimentos lançada com base nos valores depositados nas contascorrentes de titularidade conjunta. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. EXCLUSÃO DE DEPÓSITOS INFERIORES A R$12.000,00 QUE TOTALIZAM MENOS DE R$80.0000,00. Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física Súmula CARF nº 61. No caso, a soma dos depósitos inferiores a R$12.000,00, após a exclusão dos depósitos das contasconjuntas, totalizam R$ 38.905,04, e por isso devem ser excluídos do lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir o valor dos rendimentos omitidos para R$ 302.656,83. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Gonçalo Bonet Allage, Alexandre Naoki Nishioka. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 314 a 319, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2001, para lançar infração de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, Fl. 398DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10855.000990/200500 Acórdão n.º 2101001.160 S2C1T1 Fl. 394 3 formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$142.504,98, acrescido de multa de ofício de 75% e de juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 322 a 335), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 364 a 365), os seguintes pontos de defesa: a) decadência para os créditos tributários pertinentes ao período que antecedeu 26/04/2000; b) nulidade do auto de infração por preterição do direito defesa, diante da ausência de intimação de cotitular de contas correntes, no caso o Sr. Rosaldo Malucelli; c) descumprimento da legislação aplicada, já que a falta de comprovação não pode constituir por si só, fato gerador da obrigação tributária, posto que a mesma não constitui auferimento de renda, nem o depósito constitui renda; d) A insignificância dos valores, pois o Impugnante logrou comprovar 77% de todos os depósitos elencados, sendo que dez desses depósitos cuja origem não foi levantada correspondem a valores inferiores a R$ 1.000,00 ou menos; e) Valores inferiores a doze mil reais; f) Erro no cálculo do tributo devido, onde pede a exclusão de todos os valores que meramente transitaram na conta conjunta, apresentando exemplos dessas ocorrências. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou o lançamento procedente em parte, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 362 a 377): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2000 Ementa: DECADÊNCIA. O direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física decai em 5 (cinco) anos. Com pagamento de imosto, aplicase o art. 150, § 4º, do CTN. NULIDADE. INCORRÊNCIA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Fl. 399DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 OMISSÃO DE RENDIMENTOS PROVENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base em valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, que não pode ser substituída por meras alegações. INEXATIDÃO MATERIAL DEVIDA A LAPSO MANIFESTO. CORREÇÃO E SUBSTITUIÇÃO DE ACÓRDÃO Constatada a ocorrência de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto, em acórdão proferido por Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ, é proferido novo acórdão em que se corrigem as inexatidões, e que o substitui integralmente. Lançamento Procedente em Parte RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 09/02/2009 (fl. 381v), o contribuinte apresentou, em 09/03/2009, o recurso de fls. 383 a 389, onde alega: a) que a acusação fiscal é inteiramente centrado na existência de depósitos bancários em contas correntes bancárias de titularidade do Recorrente, mas que, das quinze contas investigadas pelo Fisco, somente duas são individuais do Recorrente (Paraná Banco cc 9221101.3 e HSBC cc 0147467), enquanto as outras treze são conjuntas com Rosaldo Malucelli, CPF 027.486.498/34; b) que, ao que se tem notícia, inclusive após pesquisa no sistema de controle processos do Ministério da Fazenda, nenhuma investigação fiscal foi levada a efeito contra o titular das contas conjuntas, e se foi, os dados apurados não foram considerados nesta lide. Somente o Recorrente teve sua vida financeira submetida ao escrutínio do Fisco, e somente ele foi autuado; c) que o auto de infração exige imposto de renda sobre todos os depósitos bancários encontrados nas quinze contas em nome do Recorrente para os quais ele não foi capaz de produzir documentação comprobatória de origem, e que a fiscalização tributou 50% dos valores depositados em contas conjuntas ao argumento de que o Recorrente não logrou apresentar sua documentação de origem; d) que existe nulidade do auto de infração decorrente de cerceamento do direito de defesa por impossibilidade de acesso às informações detidas pelo Sr. Rosaldo Malucelli sobre os valores depositados nas treze contas conjuntas, não existindo nos autos Fl. 400DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10855.000990/200500 Acórdão n.º 2101001.160 S2C1T1 Fl. 395 5 comprovação da intimação dessa pessoa para prestar esclarecimentos sobre os depósitos bancários; e) que houve cerceamento do direito de defesa mesmo que tenha sido feita intimação ao Sr. Rosaldo Malucelli, pois seria necessário dar ciência dessas informações ao Recorrente antes da lavratura do auto de infração, para que pudesse se defender a contento; f) que o crédito tributário está homologado pela decadência, pois o fato gerador do imposto devido por presunção de omissão de receitas caracterizada por existência de depósitos bancários cuja origem não tenha sido elucidado pelo contribuinte é mensal; g) que extirpados do lançamento todos os valores depositados em contas conjuntas e também todos os ingressos ocorridos há mais de cinco anos contados da data da lavratura do auto de infração, devemse excluir R$31.605,09 de depósitos inferiores a R$12.000,00. Ao final, pede que o lançamento seja cancelado. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 392. É o Relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Inicio por enfrentar o argumento de decadência de parte do crédito tributário. O recorrente alega que o fato gerador do imposto devido por presunção de omissão de receitas caracterizada por existência de depósitos bancários cuja origem não tenha sido elucidado pelo contribuinte é mensal, e que, como a ciência da autuação se deu em 26/04/2005, todos os fatos geradores anteriores a 26/04/2000 estariam alcançados pela decadência. Entretanto, está pacificado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, desde a edição da Súmula CARF nº 38, que “o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário.” No presente caso, houve pagamento antecipado na forma de imposto de renda retido na fonte (fls. 343 e 344) e de saldo de imposto a pagar (fl. 314) e não houve a imputação de existência de dolo, fraude ou simulação, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Assim para o anocalendário de 2000, a contagem do prazo decadencial se inicia em 31/12/2000 e termina em 31/12/2005. Como a ciência da autuação se deu em Fl. 401DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 26/04/2005 (fl. 320), não se verifica a decadência de nenhuma parcela do crédito tributário lançado. O recorrente alega, também, que, das 15 contascorrentes consideradas no lançamento, 13 são conjuntas com o Sr. Rosaldo Malucelli, mas que não constam nos autos comprovação da intimação desse cotitular. De fato, é entendimento pacificado neste CARF, desde a edição da Súmula CARF nº 29, que “todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento.” De acordo com o Termo de Constatação de fls. 305 a 312, treze contas correntes eram de titularidade conjunta com o Sr. Rosaldo Malucelli, CPF 027.486.49834, e o lançamento considerou, como de responsabilidade do autuado, 50% dos depósitos não comprovados dessas contas. Entretanto, não existe nos autos comprovação de que o Sr. Rosaldo Malucelli foi intimado para comprovar a origem dos depósitos efetuados nas contas conjuntas. Em pesquisa realizada no sítio da Internet do sistema Comprot do Ministério da Fazenda (http://comprot.fazenda.gov.br), em 23 de maio de 2011, constatei que não existem processos relativos a autos de infração lavrados contra o Sr. Rosaldo Malucelli no período de 01/01/2000 a 23/05/2011. Desta forma, não demonstrado nos autos que o cotitular de algumas das contascorrentes foi intimado, antes da lavratura do auto de infração, a comprovar a origem dos depósitos nelas efetuados, há que se afastar a tributação da omissão de rendimentos lançada com base nos valores depositados nas contascorrentes de titularidade conjunta. Em análise do Termo de Constatação de fls. 305 a 312, da planilha de fl. 313, bem como dos documentos do processo, concluise que persistem no lançamento os seguintes depósitos das contas 9221101.3 do Paraná Banco e 0147467 do HSBC: Valor Data Descrição fl. R$ 19.000,00 20/1/2000 conta 0147467 do HSBC 47 R$ 19.000,00 20/1/2000 conta 0147467 do HSBC 47 R$ 19.000,00 21/1/2000 conta 0147467 do HSBC 47 R$ 23.000,00 24/1/2000 conta 0147467 do HSBC 47 R$ 765,00 3/2/2000 conta 92211013 do Paraná Banco 33 R$ 19 000,00 4/2/2000 conta 0147467 do HSBC 47 R$ 20.000,00 7/2/2000 conta 0147467 do HSBC 47 R$ 1.500,00 11/2/2000 conta 0147467 do HSBC 47 R$ 1.000,00 11/2/2000 conta 0147467 do HSBC 47 R$ 19.000,00 21/2/2000 conta 0147467 do HSBC 47 R$ 44.280,00 8/3/2000 conta 0147467 do HSBC 48 R$ 20.000,00 9/3/2000 conta 0147467 do HSBC 48 R$ 20.000,00 13/3/2000 conta 0147467 do HSBC 48 R$ 1.481,95 4/4/2000 conta 92211013 do Paraná Banco 35 R$ 563,00 27/4/2000 conta 92211013 do Paraná Banco 35 R$ 330,00 27/4/2000 conta 92211013 do Paraná Banco 35 Fl. 402DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10855.000990/200500 Acórdão n.º 2101001.160 S2C1T1 Fl. 396 7 R$ 650,00 27/4/2000 conta 92211013 do Paraná Banco 35 R$ 2.790,00 8/5/2000 conta 92211013 do Paraná Banco 36 R$ 2.210,00 8/5/2000 conta 92211013 do Paraná Banco 36 R$ 30.076,83 19/5/2000 conta 9221101 do Paraná Banco 36 R$ 306,00 15/6/2000 conta 92211013 do Paraná Banco 37 R$ 1.334,00 15/6/2000 conta 92211013 do Paraná Banco 37 R$ 1.000,00 21/6/2000 conta 0147467 do HSBC 51 R$ 22.000,00 18/7/2000 conta 92211013 do Paraná Banco 39 R$ 559,00 10/8/2000 conta 92211013 do Paraná Banco 41 R$ 1.073,00 10/8/2000 conta 92211013 do Paraná Banco 41 R$ 3.939,00 14/8/2000 conta 0147467 do HSBC 53 R$ 28.300,00 12/9/2000 conta 0147467do HSBC 54 R$ 360,00 25/9/2000 conta 92211013 do Paraná Banco 43 R$ 1.050,00 25/9/2000 conta 92211013 do Paraná Banco 43 R$ 1.623,50 28/9/2000 conta 92211013 do Paraná Banco 43 R$ 2.620,00 3/10/2000 conta 0147467 do HSBC 55 R$ 2.482,00 5/10/2000 conta 0147467 do HSBC 55 R$ 1.805,00 11/10/2000 conta 0147467 do HSBC 55 R$ 1.500,00 16/10/2000 conta 0147467 do HSBC 55 R$ 1.800,00 24/10/2000 conta 0147467 do HSBC 55 R$ 357,00 30/11/2000 conta 92211013 do Paraná Banco 45 R$ 2.173,00 30/11/2000 conta 92211013 do Paraná Banco 45 R$ 916,00 30/11/2000 conta 92211013 do Paraná Banco 45 R$ 1.284,00 19/12/2000 conta 92211013 do Paraná Banco 46 R$ 1.433,59 08/11/2000 conta 92211013 do Paraná Banco 45 Provido o pleito de exclusão dos depósitos bancários efetuados nas contas de titularidade conjunta, deixase de analisar a alegação de cerceamento do direito de defesa por impossibilidade de acesso às informações possivelmente prestadas pelo cotitular, pois o recorrente já teve seu objetivo atingido. O contribuinte alega também que, dos depósitos não comprovados referentes às contas de sua exclusiva titularidade, os depósitos inferiores a R$12.000,00 não totalizam R$80.000,00. De fato, a soma dos depósitos inferiores a R$12.000,00 da tabela acima totaliza R$ 38.905,04. A Súmula CARF nº 61 determina que “os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física”. Desta forma, há também que se afastar a tributação da omissão de rendimentos lançada com base nos depósitos inferiores a R$12.000,00. Fl. 403DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 Ao final, mantémse o lançamento dos seguintes depósitos: Valor Data Descrição fl. R$ 19.000,00 20/1/2000 conta 0147467 do HSBC 47 R$ 19.000,00 20/1/2000 conta 0147467 do HSBC 47 R$ 19.000,00 21/1/2000 conta 0147467 do HSBC 47 R$ 23.000,00 24/1/2000 conta 0147467 do HSBC 47 R$ 19.000,00 4/2/2000 conta 0147467 do HSBC 47 R$ 20.000,00 7/2/2000 conta 0147467 do HSBC 47 R$ 19.000,00 21/2/2000 conta 0147467 do HSBC 47 R$ 44.280,00 8/3/2000 conta 0147467 do HSBC 48 R$ 20.000,00 9/3/2000 conta 0147467 do HSBC 48 R$ 20.000,00 13/3/2000 conta 0147467 do HSBC 48 R$ 30.076,83 19/5/2000 conta 9221101 do Paraná Banco 36 R$ 22.000,00 18/7/2000 conta 92211013 do Paraná Banco 39 R$ 28.300,00 12/9/2000 conta 0147467do HSBC 54 R$ 302.656,83 Total Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para reduzir o valor dos rendimentos omitidos para R$ 302.656,83. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 404DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/ 06/2011 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/07/2011 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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