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Numero do processo: 10943.000028/2005-73
Data da sessão: Fri Apr 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2002
EXCLUSÃO DO SIMPLES, ANALISTA DE SISTEMAS. Não podem optar
pelo SIMPLES as pessoas jurídicas que prestem serviços profissionais de analista de sistemas.
Numero da decisão: 1101-000.280
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso para manter a exclusão do contribuinte do SIMPLES, nos termos de relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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II MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10943 000028/2005-73 Recurso n° 140.721 Voluntário Acórdão n° 1101-00.280 — 1" Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 09 de abril de 2010 Matéria Exclusão do SIMPLES FEDERAL Recorrente RIvINA Assistência Técnica Comercial Recorrida la Turma da DRJ/Campinas ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES, ANALISTA DE SISTEMAS.. Não podem optar pelo SIMPLES as pessoas jurídicas que prestem serviços profissionais de analista de sistemas, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso para manter a exclusão do contribuinte do SIMPLES, nos termos de relatório e votos que integram o p esente julgado.É EDITADO EM: 19/05/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente substituta da turma), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Vice-presidente), Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz e Shelley Henrique Dalcamim. 140.VAI(ÉtlIÁ.02 ED r ',I PEREIRA BESSA — Presidente Substituta e Relatara Relatório RIvINA ASSITÊNCIA TÉCNICA COMERCIAL LIDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela ia Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP, que por unanimidade de votos, INDEFERIU a manifestação de inconformidade interposta contra o Ato Declaratório Executivo - ADE ri° 039, de 06/10/2005 (fl. 71), o qual a excluiu do SIMPLES a partir de 01/01/2002: Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata o processo de exclusão da sistemática do Simples, por meio do Ato Declarató rio Executivo n2 039 (11 71), de 6 de outubro de 2005, fundamentado no fato de que a contribuinte exerceria a atividade económica não permitida de analista de sistemas ou assemelhados.. Cientificada de sua exclusão do Simples em 18/10/2005 (fl 76), a interessada, em 01/11/2005 (fl. 160) apresentou manifestação de inconformidade (fls. 80/90», na qual alega e teve ciência em 18/10/2005 do Acórdão DRJ/CPS n a 8 372, de 09/02/2005, onde foi deferida a solicitação de permanência no Simples, cuja exclusão fora motivada exclusivamente pelo exercicio de atividade relacionada em um dos incisos do art 4' da Lei n° 10 964, de 28 de outubro de 2004, e considerada improcedente em conformidade com os §§. 1 0 e 2" desse mesmo artigo, na redação dada pelo art 15 da Lei n" 11.051, de 29 de dezembro de 2004, o foi excluída novamente do Simples com base em informação prestada ao auditor fiscal de que prestaria, entre outras, a atividade de suporte para instalação de redes de comunicação Entretanto, não executa e nem nunca executou atividades de instalação de redes de comunicação, sendo que a atividade descrita como suporte para instalação de redes de comunicação se refere somente à parte de orientação para instalação de infra-estrutura fisica quanto à localização dos equipamentos, para atender instalações de rede de comunicações executadas por outras empresas especializadas, contratadas pela contratante da RA/1NA, ..junto aos equipamentos já instalados na empresa contratante, equipamentos estes cuja instalação e manutenção estão a cargo da interessada. Para comprovar sua alegação, anexam-se cópias de proposta) de fornecimento e notas fiscais de serviços prestados pela outra empresa especializada na implantação de rede de computadores, indicada pela RIVINA para a prestação desses serviços para a empresa contratante Anexam-se ainda para efeito de comprovação de mesmo local da prestação dos serviços as Notas Fiscais tanto do serviço de suporte (orientação de locação por parte da RiVINA (anexos 9 a 51) como da instalação propriamente dita, por parta de 11/1GR Informática Ltda. (anexos 5 a 8), e a atividade de suporte não fazia parte de suas atividades e somente foi inchada na relação de atividades exatamente no periodo em que estava sendo instalada rede de computadores na empresa contratante da RA/1NA por outra empresa, conforme notas fiscais anexadas aos autos, dentro do mesmo penado do recebimento da intimação Secat n" COB/20/556/05/1GMC, atendida em 05/08/2005, não tendo nunca sido executada pela RrVfNA e nem precisaria necessariamente continuar fazendo parte do rol de atividades da empresa, por não ser de seu perfil, 2 Processo n 10943 000028/2005-73 Acórdão n.° 1101-00 280 o não tem o conhecimento de análise de sistemas ou de programação necessários para atender esse tipo de atividade, não os executa e nein nunca os executou. Executa somente os serviços de instalação, manutenção e recuperação de equipamentos de informática e de escritórios. A Turma Julgadora recorrida afastou tais alegações argumentando que: o O Acórdão DRI/CPS n° 8.372, de 2005, declarou a insubsistência do ADE n° 474.982, de 07/08/2003, por ter como único fundamento e fato de o CNAE da contribuinte ser 7250-8/00 (Manutenção., reparação e instalação de máquinas de escritório e informática.))„ hipótese prevista em um dos incisos do art. 4' da Lei ri° 10.964, de 2004, que excetuou algumas atividades das hipóteses de vedação deiN Simples previstas no inciso XIII do art. 90 da Lei n° 9,317, de 1996_ Ressalvou-se, porém, que nada impedia que fosse expedido outra} ADE para exclusão do Simples, se fosse contatado que, por algum outro motivo, a interessada ainda incorria em vedação à opção poli: essa sistemática, o Em novo procedimento, a contribuinte descreveu suas atividades enm atendimento a intimação fiscal, dentre as quais o exercício de atividade de suporte para instalação de redes de comunicação, o que! caracteriza a prestação de serviços profissionais de analista de sistema. Considerando, ainda, que as notas fiscais anexadas aos autos continham apenas a descrição genérica "prestação de Serviços", foii proposta e declarada a exclusão do Simples; o Nada foi trazido aos autos para corroborar a alegação da interessadat de que não executa e nem nunca executou atividades de instalação de! redes de comunicação e que a atividade de suporte seria apenas a orientação para instalação de infra-estrutura fisica quanto á. localização dos equipamentos. As propostas comerciais e notas fiscais apresentadas na impugnação não se prestaram a tanto. o O objeto descrito em seu contrato social indica a prestação de serviços profissionais de analista de sistemas quando assim expressa: a exploração do ramo de manutenção, reparação e instalação de equipamentos, sistemas de informática e assistência técnica comercial. Além disso, outras atividades declaradas pela contribuint£.-, são igualmente vedadas pelo art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9,317, de 1996: prestação de serviços profissionais de professor (treinamento de uso de equipamentos) e de consultor/assessor (prospecção de mercado, suporte técnico para seleção e aquisição de equipamentos de informática e automação de escritório, assistência na preparação dow locais para instalação dos equipamentos e, se tomada na acepção que a interessada mesmo alega, ou seja, mera orientação, a própra atividade de suporte para instalação de redes de comunicação) Fl. 2! Cientificada da decisão de primeira instância em 02/10/2007 (II. 173),, :a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 23/10/2007 (fis, 174/176)), afirmando que sua atividade econômica está enquadrada no código 62.09-1-00 Suport-r técnico, manutenção e outros serviços em tecnologia da informação, admitida no SIMPLES NACIONAL. Declara que não exerce e nem nunca exerceu atividades de analista de sistemas ou de professor ou de consultor/assessor, como entendidas pela Receita Federal na análise da relação de atividades informadas pela RMNA, mas tão somente atividades de suporte técnico, manutenção e limpeza de equipamentos de informática, atividades estas enquadradas dentro do espirito da descrição do código da atividade econômica indicada acima E acrescenta: A prospecção de mercado é obrigatória para exercer a atividade de suporte técnico; O treinamento de uso de equipamento faz parte da atividade de suporte técnico, Suporte técnico está enquadrado na descrição da atividade 62.09-1-00 sob a qual a RrVINA está inclina no SIMPLES NACIONAL Em seu contrato social, em anexo, o objeto social da sociedade indica exploração do ramo de manutenção, reparação de equipamentos, sistemas de informática e assistência técnica comercial, o que não requer nenhuma atividade de analista de sistemas, pois não faz implantação e/ou desenvolvimento de sistemas aplicativos para computadores Onde informa sistemas de informática, quer dizer conjuntos de equipamentos para informática. Pede, assim, que sejam reconsiderados os argumentos apresentados para a permanência deste contribuinte no SIMPLES NACIONAL, É o relatório 4 Processo n° 10943 000028/2005-73 Si-CITI Acórdão n ° 1101-00.280 El 3 Voto Conselheiro EDELI PEREIRA BESSA Depois de ser reconduzida à sistemática simplificada de recolhimento, em razão da insubsistência do Ato Declaratório n° 474.982/2003, que a havia excluído por seu CNAE ser 7250-8/00 (Manutenção, reparação e instalação de máquinas de escritório e informática), atividade excetuada das vedações legais pelo art. 4' da Lei ri° 10.964, de 2004, a recorrente foi novamente excluída do SIMPLES FEDERAL após procedimento fiscal assim descrito na decisão recorrida: Nesse novo procedimento a contribuinte, em resposta à intimação Secat nr0B/20/556/05/IGMC (fl 3), descreveu suas atividades como sendo as .seguintes (fl. 6), 4, Prospecção de mercado para identificação de fornecedores de equipamentos de informática e automação de escritório; o Suporte Técnico para seleção e aquisição de equipamentos de informática e automação de escritório; o Assistência na preparação dos locais para instalação dos equipamentos; o Cu,stomização e montagem de equipamentos de informática e de automação de escritório, a Instalação, testes e disponibilização para uso de equipamentos de informática e automação de escritório; • Treinamento de uso dos equipamentos, o Limpeza periódica dos equipamentos, o Atendimento de chamados para manutenção e reparo de equipamentos de informática e automação de escritório, • Identificação de defeitos; e Manutenção e reparos de equipamentos (troca de placas, monitores, teclados, ~uses, leitores, scanners, cabeçote de impressão, trator de .fornudários, papel de fax, toner, etc., adquiridos pelo cliente); o Remanejamentas de localização de equipamentos, e Suporte para instalação de redes de comunicação Considerando que a contribuinte exercia a atividade de suporte para instalação de redes de comunicação, o que caracteriza a prestação de serviços profissionais de analista de sistema, e, ainda, que as notas fiscais anexadas aos autos continham apenas a descrição genérica "prestação de Serviços", o auditor fiscal propôs nova exclusão do Simples, sendo, então editado o ADE n°06, de 2005. Por sua vez, a interessada alega que não executa e nem nunca executou atividades de instalação de redes de comunicação e que a atividade de suporte seria apenas a orientação para instalação de infra-estrutura fisica quanto à localização dos equipamentos. No entanto, ela não trouxe aos autos nenhum documento que corroborasse sua alegação. As cópias de propostas comerciais e notas fiscais anexadas aos autos (fls 106/115) referentes aos serviços prestados na implantação de redes pela empresa MGR Informática Ltda comprova tão-somente que aquela empresa também presta esses. serviços, mas não que a RMNA Assistência Técnica Comercial S C, Ltda. ME. não o faz Além disso, pelo.s documentos de fls 106/115, verifica-se que a empresa MGR cobrou da cliente da interessada o montante de R$ 5 177,04 no mês de julho/2007, enquanto a RAINA, no mesmo mês, cobrou RS 9 254,00, conforme cópia da Nota Fiscal de Serviços n°0041 do mesmo período Dessa forma, ao contrário do que pretende a contribuinte, o cotejo entre tais valores indicaria que os serviços prestados pela contribuinte não podem se traduzir em mera orientação sobre a localização dos equipamentos Por outro lado, como bem disse o despacho da DRF, a discriminação genérica dos serviços prestados nas notas fiscais impede que tais documentos sejam utilizados em contraposição à declaração das atividades prestadas. Com efeito, a nota fiscal somente pode fazer prova dos serviços prestados conforme a descrição ali feita Se a contribuinte registrou os eventos de prestação de serviços com negligência, de forma genérica, tais documentos não podem lhe socorrer Ademais, além da declaração de suas atividades encaminhada em resposta à intimação que lhe foi feita, igualmente o objeto social da contribuinte indica a prestação de serviços profissionais de analista de sistemas Esse objeto está descrito em seu contrato social (ti 103) como sendo a exploração do ramo de manutenção, reparação e instalação de equipamentos, sistemas de informática e assistência técnica comercial Ora, não há dúvidas de que a atividade de manutenção de sistemas de informática caracteriza a atividade de analista de sistemas Observe-se que somente por essa previsão em seu objeto social e dada a generalidade com que descreve os serviços prestados em sua nota fiscal, a exclusão da contribuinte já teria bastante fundamento. Por .fim, diga-se que, entre as atividades declaradas pela contribuinte como por ela desenvolvidas encontram-se ainda outras que indicam atividade igualmente vedadas pelo art. 9', inciso XIII, da Lei ri° 9 317, de 1996, isto é, a prestação de serviços profissionais de professor (treinamento de uso de equipamentos) e de consultor/assessor (prospecção de mercado, suporte técnico para seleção e aquisição de equipamentos de informática e automação de escritório, assistência na preparação dos locais para instalação dos equipamentos e, se tomada na acepção que a interessada mesmo alega, ou seja, mera orientação, a própria atividade de suporte para instalação de redes de comunicação). Em seu recurso voluntário, sem juntar qualquer prova, nega a atividade de analista de sistemas, caracterizada conforme antes descrito, No mais, direciona seus argumentos para frisar que as atividades desenvolvidas integram ou são preparatórias dos serviços de suporte técnico, atividade que passou a ser admitida no SIMPLES NACIONAL (código 6209-1/00 - Suporte técnico, manutenção e outros serviços em tecnologia da informação). Não observou, porém, que esta admissibilidade se fez dentre os códigos previstos na CNAE que abrangem, 6 Processo ri° / 0943 000028/2005-73 S1-C1T1 Acórdão ri" 1101-00.280 FL 4 concomitantemente, atividade impeditiva e permitida ao Simples Nacional, a chamada Lista Ambígua Constatado, assim, que as atividades do contribuinte não se limitavam à manutenção de equipamentos de informática, necessário seria que fossem desconstituidas as evidências de prestação de serviços em tecnologia da informação, que por constituir serviço profissional de analista de sistema, impede a opção pelo SIMPLES FEDERAL, A mera afirmação de que não realiza estas atividades, ou a pretensão de incluí-las nas de suporte técnico, não são hábeis a desconstituir os fatos provados nestes autos. Minimamente a recorrente atuou instalando redes de comunicação, o que não se restringe à mera definição fisica de localização dos equipamentos, mas sim exige a conexão entre eles por meio de sistemas de informática para funcionamento da rede, Diante deste contexto, VOTO por negar provimento ao recurso voluntário e reconheço a validade do ADE n° 039, de 06/10/2005 (fl. 71), que excluiu a contribuinte da sistemática do SIMPLES FEDERAL a partir de 01/01/2002, EDELI PEREIRA BESSA - Relatora 7
score : 1.0
Numero do processo: 10925.001557/2007-74
Data da sessão: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 30/01/2006 a 23/06/2006
NULIDADE DO LANÇAMENTO. VICIO FORMAL. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de controle da atividade de fiscalização, logo, eventual falha fonual existente na sua emissão e/ou prorrogação não implica nulidade do auto de infração, lavrado com observância aos ditames dos arts. 142 e 149 do CTN e dos arts. 9° e 10 do PAF.
AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO COMPROVADO. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de nulidade, por cerceamento de direito defesa, o Auto Infração que apresenta perfeita descrição do fato ilícito, o correto enquadramento legal e a adequada instrução probatória, exigida no art. 9° do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 30/01/2006 a 23/06/2006
OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. NÃO-COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. FATO PRESUNTIVO DA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA.
A falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência de recursos utilizados na operação de importação caracteriza, por presunção, a prática da interposição fraudulenta no comércio exterior, definida no inciso V e no § 2° do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA PERDIMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. CONVERSÃO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO.
Diante da impossibilitada de apreensão, por não ter sido localizada ou por ter sido consumida, converte-se em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria a pena de perdimento a que estaria sujeita a mercadoria importada.
OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA MEDIANTE O USO DE RECURSOS DE TERCEIROS. PREVISÃO. ART. 33 DA LEI 11.488, DE 2007. CARACTERIZAÇÃO.
A interposição ilícita na operação de importação praticada mediante o uso de recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome), introduzida no direito positivo por meio do caput do art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, caracteriza-se pela comprovação da transferência dos recursos financeiros do verdadeiro adquirente da mercadoria para a interposta pessoa (o importador ostensivo). Nesta modalidade de interposição fraudulenta, o importador apenas cede o nome, porém, os recursos empregados no pagamento da operação de importação são integral ou parcialmente fornecidos pelo real importador.
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA MEDIANTE CESSÃO DO NOME. INFRAÇÃO SANCIONADA COM MULTA. LEI NOVA MAIS BENÉFICA. ART. 106 DO CTN. RETROATIVIDADE BENIGNA. MINORAÇÃO.
A multa aplicada, equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, resultado da conversão da pena de perdimento, deve ser objeto de minoração, adaptando-se ao novel comando normativo veiculado no art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, em conformidade a norma da retroatividade benigna insculpida na alínea "c" do inciso II do art. 106 do CTN, na medida em que se impõe a quem comete a infração caracterizada por interposição fraudulenta na importação mediante cessão do nome uma penalidade pecuniária de valor menor, ou seja, de 10% (dez por cento) do valor da operação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3102-00.589
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de oficio a 10% do valor aduaneiro. Vencidos os Conselheiros Celso Lopes Pereira Neto e Luis Marcelo Guerra de Castro, que negavam provimento. As Conselheiras Nanci Gama e Beatriz Veríssimo de Sena votaram pela conclusão.
Nome do relator: José Fernandes do Nascimento
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 30/01/2006 a 23/06/2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO. VICIO FORMAL. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é mero instrumento de controle da atividade de fiscalização, logo, eventual falha fonual existente na sua emissão e/ou prorrogação não implica nulidade do auto de infração, lavrado com observância aos ditames dos arts. 142 e 149 do CTN e dos arts. 9° e 10 do PAF. AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO COMPROVADO. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade, por cerceamento de direito defesa, o Auto Infração que apresenta perfeita descrição do fato ilícito, o correto enquadramento legal e a adequada instrução probatória, exigida no art. 9° do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 30/01/2006 a 23/06/2006 OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. NÃO-COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. FATO PRESUNTIVO DA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. A falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência de recursos utilizados na operação de importação caracteriza, por presunção, a prática da interposição fraudulenta no comércio exterior, definida no inciso V e no § 2° do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976, INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA PERDIMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. CONVERSÃO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. /7KI\ /.// Diante da impossibilitada de apreensão, por não ter sido localizada ou por ter sido consumida, converte-se em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria a pena de perdimento a que estaria sujeita a mercadoria importada. OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA MEDIANTE O USO DE RECURSOS DE TERCEIROS. PREVISÃO. ART. 33 DA LEI 11.488, DE 2007. CARACTERIZAÇÃO. A irüerposição ilícita na operação de importação praticada mediante o uso de recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome), introduzida no direito positivo por meio do caput do art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, caracteriza- se pela comprovação da transferência dos recursos financeiros do verdadeiro adquirente da mercadoria para a interposta pessoa (o importador ostensivo). Nesta modalidade de interposição fraudulenta, o importador apenas cede o nome, porém, os recursos empregados no pagamento da operação de importação são integral ou parcialmente fornecidos pelo real importador. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA MEDIANTE CESSÃO DO NOME. INFRAÇÃO SANCIONADA COM MULTA. LEI NOVA MAIS BENÉFICA. ART. 106 DO CTN. RETROATIVIDADE BENIGNA. MINORAÇÃO. A multa aplicada, equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, resultado da conversão da pena de perdimento, deve ser objeto de minoração, adaptando- se ao novel comando noilliatiVo veiculado no art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, em conformidade a norma da retroatividade benigna insculpida na alínea "c" do inciso II do art. 106 do CTN, na medida em que se impõe a quem comete a infração caracterizada por interposição fraudulenta na importação mediante cessão do nome uma penalidade pecuniária de valor menor, ou seja, de 10% (dez por cento) do valor da operação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de oficio a 10% do valor aduaneiro. Vencidos os Conselheiros Celso Lopes Pereira Neto e Luis Marcelo Guerra de Castro, que negavam provimento. As Conselheiras Nanci Gama e Beatriz Veríssimo de Sena votaram pela conclusão. 411,191,111-111 Luis I' arc-o Guerra de Castro - Presidente , (-- Jes-é--Feniandè' s-do Nascimento - Relator 1 k EDITADO EM: 01/03/2010 \ Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, José Fernandes do Nascimento, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Beatriz Veríssimo de Sena e Nilton Luiz Bartoli. 2 Processo n° 10925.001557/2007-74 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.589 Fl. 521 Relatório - Trata o presente processo de aplicação de penalidade pecuniária, formalizada por Meio do Auto de Infração de fls. 04/07, no qual é exigido multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias estrangeiras discriminadas nas Declarações de Importação (DI) e Notas Fiscais de Entrada constantes da Tabela de fl. 15. A presente multa representa a conversão da pena perdimento que seria imputada as referidas mercadorias, em decorrência da impossibilidade de sua localização e apreensão, uma vez que, por serem perecíveis, já tinham sido dadas a consumo, com respaldo no § 3° do art. 23 do Decreto-Lei n° 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637, de 2002. Os motivos da presente autuação e as alegações de defesa apresentadas na peça impugnatória foram assim resumidos no relatório que integra do Acórdão recorrido, nos seguintes termos, in verbis: MIM e Cia Lida, empresa autuada, possuía habilitação para operar no sistema Siscomex, ainda na forma da IN SRF n° 455/2004, com estimativas para operação no montante de US 90,857.15. Com o advento da IN SRF n° 650/2006, a empresa foi enquadrada na modalidade simplificada para importações de pequena monta (US 150.000,00 no período de seis meses). Mesmo ciente de sua habilitação na modalidade simplificada, efetuou a empresa operações em montante superior ao autorizado, o que deu azo à suspensão de suas operações de comércio exterior e a abertura do procedimento especial da IN SRF n° 228/2002. Apresenta a empresa passivo a descoberto (fis. 27-29) e movimentação financeira incompatível com a receita declarada (fi. 119), sendo que no ano 2004 a empresa declarou ao Fisco RS 0,00 de receita mas apresentou movimentação financeira no valor de RS 9.453.533,12. Além disso, apresenta a empresa recolhimento inexpressivo de tributos. Foram realizadas várias intimações por parte da fiscalização aduaneira à empresa fiscalizada. Em Termo de Solicitação de Esclarecimentos (fls. 93-94), informa a empresa que os depósitos eram feitos na conta corrente. A sua margem de lucro de venda das mercadorias era em média de 3 a 5% e que os depósitos em conta corrente foram efetuados por terceiros a mando de seus clientes, mas que não sabe identificar a mando de quais clientes os mesmos foram feitos. Apresenta a fiscalização o modo de operação da empresa autuada. 1) No mesmo dia do fechamento do câmbio, o real importador das mercadorias efetua depósito na conta da empresa MJM e Cia Ltda, sendo que o valor desse depósito é muito próximo daquele informado no documento de fechamento de câmbio. 2) após fechar o câmbio e declarar a importação (D1) na Inspetora da Receita Federal do Brasil em Dionísio Cerqueira/SC, as mercadorias são vendidas aos seus destinatários finais com uma margem de lucro bem pequena (de 3 a 5%). 3) Esses destinatários finais das mercadorias não têm relação nenhuma com os depósitos realizados para financiar a referida --- — importação. O real importador não aparece em nenhum momento nessas operações, fato que caracteriza esquema fraudulento. A vincula ção entre os depósitos feitos nas contas correntes da empresa autuada por pessoas físicas e jurídicas ocultas (reais importadores), as respectivas notas fiscais de entrada e saída e o respectivo documento de fechamento de câmbio, encontra-se disposta em planilha de folhas 17-20, sendo que as cópias das notas fiscais, dos documentos de câmbio e das DIs (documentos base da planilha) se encontram às folhas 150-394. Os reais importadores foram identificados por meio das cópias de TED e de DOC realizados na conta corrente da empresa (fls. 140-149). Identificam-se os supostos reais importadores em tabela de folha 12. Não possui a empresa autorização para importar por conta e ordem das pessoas indicadas na tabela de folha 12, bem como da empresa Pingo Verde, empresa esta última que a fiscalização faz referência no Relatório Fiscal. Nenhuma dessas outras empresas possui habilitação para operar no comércio exterior. Incorreu a empresa na infração prevista no artigo 618, inciso XXII do Regulamento Aduaneiro, sendo que as mercadorias já foram todas consumidas tendo em vista de as mesmas serem perecíveis e a período de tempo já transcorrido desde a data da importação. Intimada a empresa autuada (fl. 01), ingressou a mesma com a impugnação de fls. 32-63. Seguem as alegações da empresa. Conforme pode ser observado à folha 01, o MPF somente previa a fiscalização das operações da empresa no período entre janeiro e fevereiro de 2007. Notória a nulidade do procedimento fiscal que constatou supostas infrações ocorridas em períodos anteriores. A ação fiscal durou 190 dias, contra os 90 dias previstos na IN n° 228/2002. O MPF é genérico, o que constitui infração às Portarias SRF n° 6.087 e RFB n° 4.066. ( • 4 Processo n° 10925.001557/2007-74 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.589 Fl. 522 A conversão do perdimento em multa é nula pois o procedimento fiscal poderia, no máximo, concluir pelo perdimento de mercadoria, sendo que a conversão em multa haveria de ser efetuada em procedimento próprio e autônomo, orientado pelo Decreto n° 70.23 5/1972. A capacidade financeira da empresa pode ser verificada mediante financiamentos de terceiros e volume de operações. O limite fixado no sistema é mera formalidade. A empresa possuía limite semestral de US 150.000.00: todavia, a demanda aumentou e. diante da tradição da empresa, seus _ fornecedores lhe concederam crédito, o que permitiria a expansão das atividades. Logo, em grande parte das atividades da empresa eram financiadas pelos próprios fornecedores. Em junho de 2006, a empresa deu início a procedimento administrativo para aumento de seu limite e estimou operações no valor de R$ 1.000.000,00 semestral (doc. C). Por equívoco do funcionário responsável, o procedimento foi arquivado sem o aumento do limite pleiteado, sendo que o funcionário da empresa informou à direção que o limite havia sido ampliado. Em fevereiro de 2007, poucos dias antes do início da fiscalização, apresentou novo requerimento no procedimento ordinário, com estimativa semestral para RS 1.540.000,00 (doc. D). Acreditando que o limite estava adequado à realidade da capacidade de importação da empresa, a direção da empresa, induzida a erro pelo funcionário, deu prosseguimento às atividades de comércio exterior. A fiscalização não comprovou a falta de capacidade financeira da empresa. Enumera às folhas 410-411 seis inconsistências nas autuações, sendo que tais conjecturas seriam insuficientes para se concluir• pela ocorrência de infração. Alega os princípios da presunção de inocência e do devido processo legal. Alega que as provas devem ser irrefutáveis. Sobre o passivo a descoberto argumenta que: o mesmo é de 31/12/2005 e não serviria de amparo às verificações da fiscalização relativas aos anos 2006 e 2007: revelaria, no máximo, um excesso de dívidas, sendo que dívidas comprovariam financiamento de operações por terceiros. A ausência de faturamento em 2004 decorre de erro de contador. Junta em anexo documentos que comprovam a capacidade financeira da empresa, caracterizada especialmente pelo financiamento das operações, por terceiros, quais sejam os próprios fornecedores (docs. F). Outras provas do financiamento por terceiros estão no processo, às fls. 35-52 e 99-117. f 5 • Diante da peculiaridade do mercado, muitas empresas não possuem controle dos reais depositantes das mercadorias. Cargas retidas pela fiscalização, na forma da IN n° 228/2002, foram liberadas mediante caução judicial e não foram citadas pela fiscalização na autuação, o que demonstra reconhecimento implícito da legalidade das operações. Há insuficiência de provas quanto à prolatada operação por conta de terceiros, o que faz incidir o artigo 112 do Código Tributário Nacional. A IN 228 não prevê a pena de perdimento para os fatos relacionados na autuação. É inaplicável o artigo 618, inciso XXII, do Decreto n°4.543/2002, uma vez que a documentação juntada aos autos demonstra a origem dos recursos, mediante depósitos em conta corrente (fls. 17-20). Alega aplicação retroativa do artigo 33 da Lei n° 11.488/2007. Alega o caráter confiscató rio da exigência fiscal. Alega os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade por inocorrência de prejuízo ao Fisco e pelo valor desproporcional da multa. Solicita a nulidade do auto de infração. Subsidiariamente, pede a improcedência da autuação ou a sua adequação nos termos da Lei n° 11.488/2007. À folha 449, encaminhou-se o processo para julgamento e informou-se a tempestividade da impugnação. Diligência de folha 464-465 questiona acerca da hipotética lançamento contra responsáveis solidários. Informações prestadas à folha 467. À folha 468, devolveu-se o processo a esta Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento para prosseguimento. O processo administrativo fiscal n° 10925.001632/2007-05, que se encontra apensado junto ao presente processo, se refere à REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS que foi formalizada contra a empresa acima identificada e a seus responsáveis que, segundo a fiscalização, restou caracterizada a ocorrência de fato que, em tese, configura crime contra a ordem tributária. Na sessão de 05/09/2008, a 2 Turma da DRJ Florianópolis/SC julgou, por maioria de votos, procedente o lançamento, conforme consignado no Acórdão n° 07-13.887 (fls. 469/478v), cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Período de apuração: 30/01/2006 a 23/06/2006 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL TI App-1 44Ir Processo n° 10925.001557/2007-74 53-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.589 Fl. 523 As normas que regulamentam o MPF dizem respeito ao controle interno das atividades do órgão arrecadador, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade dos lançamentos. AUTO DE INFRAÇÃO E PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por _ autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. COMPETÊNCIA DO AFRF PARA APLICAÇÃO DA MULTA SUBSTITUTIVA DO PERDIMENTO. Verificada a impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua não-localização ou consumo, é o AFRF competente para exigir, mediante lançamento de oficio, a multa prevista no 5S 3° do art. 23 do Decreto-Lei n° 1.455/1976. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO Converte-se em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias que foram importadas com recursos de origem, disponibilidade e transferência não comprovados e que não sejam localizadas ou que tenham sido consumidas. Lançamento Procedente A autuada foi intimada do referido Acórdão em 25/09/2008 (fl. 483). Inconformada, em 22/10/2008, protocolou na Unidade preparadora o Recurso Voluntário de fls. 485/509, em que reapresenta os argumentos aduzidos na peça impugnatória e, em aditamento, alega que, no presente caso, incidiria no máximo a multa correspondente a 10% (dez por cento) do valor das mercadorias, nos teimos do art. 33 da Lei ° 11.488, de 15 de junho de 2007, neste sentido transcreve o trecho do voto vencido do Relator originário do acórdão recorrido. No final requereu o seguinte: a) a nulidade do Auto de Infração; b) no mérito, a insubsistência e improcedência da autuação e respectiva multa aplicada; c) caso seja mantido o auto de infração, de forma eventual e sucessiva, (i) adequar o valor da multa aos termos do art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, ou (ii) reduzi-la para valores condizentes com a realidade do caso e com os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e de vedação ao confisco. Para comprovar o que alegara, trouxe aos autos cópias das peças do processo n° 2007.72.10.000596-3, que tramita na Vara Federal de São Miguel do Oeste/SC, em que o Delegado da Receita Federal de Joaçaba/SC comunica ao Juízo da causa o reconhecimento da inexistência de interposição fraudulenta ou ocultação de sujeito passivo, em relação às mercadorias objeto dos processos administrativos n's 10926.000224/2007-18 e 10926.000159/2007-21 (fls. 510/513). Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de. admissibilidade e trata de matéria da competência julgadora deste Colegiado, portanto, dele tomo conhecimento. I- DAS PRELIMINARES Em sede preliminar, pleiteia a autuada a nulidade do Auto de Infração, alegando, em apertada síntese, que (i) houve erro formal na prorrogação e emissão do MPF e (ii) o Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) não tinha competência para aplicação da penalidade de conversão da pena de perdimento em multa. Da nulidade do Auto de Infração por descumprimento de formalidades atinentes ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Na peça recursal, insiste a recorrente em afirmar que o Auto de Infração é nulo, com a alegação de que o presente procedimento fiscal não obedeceu aos requisitos formais atinentes à prorrogação e emissão do MPF, a saber: a) o não fornecimento pelos fiscais autuantes, por ocasião do primeiro ato de oficio praticado após cada prorrogação do MPF, do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do referido documento, conforme determina o § 2° do art. 13 da Portaria SRF n° 6.087, de 2005; e b) as autoridades fiscais não detinham competência instrumental para o procedimento de fiscalização especial que foi desenvolvido, pois não existe nos autos nenhum MPF — Especial emitido e cientificado a autuada. Preambularrnente, cabe esclarecer que no âmbito do processo administrativo fiscal de determinação e exigência dos créditos tributários da União, o art. 10 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, com as alterações posteriores, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal (PAF), estabelece que o auto de infração será lavrado por servidor competente. No âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), a competência para a constituição do crédito tributário e proposição de aplicação penalidade, pecuniária ou de perdimento de mercadoria, mediante a lavratura de auto de infração, que se encontra prevista genericamente no art. 142 do CTN, é atribuída, em caráter privativo, ao AFRFB, nos termos do art. 60 da Lei n° 10.593, de 06 de dezembro de 2002, com a redação dada pelo art. 9° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007. Trata-se de competência expressamente estabelecida em lei, portanto, em consonância com o princípio da legalidade que rege a atuação dos agentes da Administração Pública, no sentido de que estes só podem fazer o que a lei determine ou autorize. Por N\ 8 11 Processo n° 10925.001557/2007-74 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.589 Fl. 524 conseguinte, não havendo previsão legal, não há possibilidade de atuação administrava. Em suma, é cediço que o agente público nem pode atuar contra a lei nem além da lei, mas somente segundo a lei. A constituição do crédito tributário mediante lançamento (ou aplicação de penalidade), nos termos do parágrafo único do art. 142 do CTN, é atividade vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional do agente público. Originariamente, o MPF foi introduzido no mundo jurídico por intermédio da Portaria SRF n° 1.265, de 22 de novembro de 1999. O assunto só veio a ser disciplinado em ato do Presidente da República, a partir da vigência do art. 2° do Decreto n° 3.724, de 10 de janeiro de 2001, atualmente, com a nova redação dada pelo art. 1° do Decreto n° 6.104, de 30 de abril de 2007. Dispõe o capuz' do referido comando legal, já com a nova redação, que: Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem especifica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Em cumprimento ao referido comando normativo e nos temos do § 4° do citado art. 2°, ao Secretário da Receita Federal do Brasil foi atribuída a competência para estabelecer os modelos e as infoimações constantes do MPF, os prazos para sua execução, as autoridades fiscais competentes para sua expedição, bem como demais hipóteses de dispensa ou situações em que seja necessário o início do procedimento antes da expedição do MPF, nos casos em que haja risco aos interesses da Fazenda Nacional. Com supedâneo no referido preceito legal, no período em que autuada foi fiscalizada, a matéria se encontrava disciplinada, inicialmente, na Portaria SRF n° 6.087, de 21 de novembro de 2005 e, posterioimente, na Portaria RFB no 4.066, de 2 de maio de 2007. Disciplinando a matéria, atualmente, está em vigor a Portaria RFB n° 11.371, de 12 de dezembro de 2007. Com base nesse breve relato, infere-se que o objetivo do MPF foi estabelecer, no âmbito da RFB, um instrumento de controle administrativo das atividades de fiscalização, informando ao contribuinte a natureza, a abrangência, o prazo máximo e as pessoas designadas para a execução do respectivo procedimento fiscal. Em outros termos, o MPF veio conferir transparência ao relacionamento Fisco-contribuinte, protegendo tanto a Administração Tributária federal quanto o cidadão-contribuinte contra eventuais atos arbitrários emanados da autoridade fiscal e de ações ilícitas perpetradas por pessoas desprovidas de competência legal para o exercício da atividade de fiscalização. Assim, como a competência conferida ao AFRFB, para fiscalização e consequente constituição do crédito tributário e proposição de aplicação de penalidade, provém diretamente da lei (em sentido formal), ao meu sentir, não pode ato normativo infralegal, inclusive quando emanado do Chefe do Poder Executivo, alterar a referida competência, sob pena de malferimento ao primado da legalidade, inclusive, do disposto no inciso IV do art. 84 da CF/88. / ,dr, Sendo assim, a eventual inobservância de regas atinentes ao MPF não contamina o auto de infração com os vícios insanáveis que possam conduzir a sua nulidade, principalmente, quando o procedimento fiscal foi realizado com observância aos ditames dos • arts. 142 e 149 do Código Tributário Nacional e dos arts. 9° e 10 do PAF. Na verdade, por ser norma que se destina a regulamentar a atuação dos AFRFB, estabelecendo as diretrizes para da atuação no âmbito do procedimento de fiscalização, a sua eventual inobservância poderá resultar em ato de insubordinação hierárquica, sujeito à responsabilidade apenas de caráter administrativo. Com base no que foi exposto, entendo não ser passível nulidade do auto de infração originário de um procedimento fiscal que tenha apresentado algum vício concernente à emissão ou prorrogação do MPF, se os demais requisitos legais atinentes o devido processo legal foram obedecidos, em especial, o contraditório e ampla defesa. Portanto, rejeito a presente preliminar. Da falta de competência do AFRFB para aplicação da penalidade de conversão da pena de perdimento em multa. Aponta ainda a recorrente a nulidade do presente procedimento fiscal pelo fato do AFRFB não ter competência para aplicar a pena de perdimento e não ter sido observado o disposto no Decreto n° 70.235, de 1972. Não vejo razão nessa alegação da recorrente. O ponto fulcral da presente questão diz respeito à competência da autoridade fiscal para lavratura do auto de infração de aplicação de penalidade pecuniária e ao rito procedimental que deve ser seguido. É indubitável que a competência originária para a aplicação da pena de perdimento é do Ministro da Fazenda, o qual, por delegação de competência, foi transferida para os Delegados e Inspetores da Receita Federal do Brasil. Ademais, o procedimento fiscal de perdimento tem rito próprio, conforme estabelecido no art. 27 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976. Entretanto, de perdimento não se trata a presente ação fiscal. De fato, o objeto da presente autuação é a aplicação da penalidade pecuniária prevista no parágrafo 3° do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976, com a redação da Lei n° 10.637, 2002, que determina a conversão da pena de perdimento "em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido transferida a terceiro ou consumida", em consequência de as mercadorias que seriam sancionadas com perdimento não serem mais passíveis de apreensão, pois, já haviam sido comercializadas ou consumidas. Portanto, não sendo mais possível a aplicação da pena de perdimento a que estariam sujeitas as mercadorias, torna-se cabível a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, procedimento da competência do Auditor-Fiscal, na forma estabelecida nos arts. 9° e 10 do PAF, combinado com o disposto no art. 9° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007. Convém salientar que a dicção do dispositivo legal acima referenciado é no sentido de converter a pena prevista (de perdimento) em multa pecuniária, dispensando a prévia a aplicação da pena de perdimento (de competência dos Delegados e Inspetores), o que se revelaria, no caso em tela, totalmente despicienda ante a impossibilidade de apreensão. 40f' 401" Processo n° 10925.001557/2007-74 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.589 Fl. 525 Neste sentido, não merece reparo o entendimento da autoridade julgadora a quo, exposto com objetividade no excerto a seguir transcrito: O presente processo é o procedimento próprio e autônomo para apuração da conversão do perdimento em multa pecuniária, conforme o Decreto n° 70.235/1972. Não é exigível a instauração do procedimento de aplicação da penalidade de perdimento propriamente dita pois tal procedimento, para ser instaurado, necessitaria que a mercadoria fosse fisicamente localizada. A mercadoria não pode ser mais fisicamente localizada haja vista que a mesma já se encontra revendida ou no mínimo estragada, haja vista a mesma ser perecível (cebolas) e o lapso e tempo de mais de ano entre a importação Ganeiro a junho de 2006) e a autuação (agosto de 2007). Logo, a conversão da penalidade é correta; a dúvida é tão-somente se há algo a se converter, ou seja, se há penalidade punível com a pena de perdimento das mercadorias importadas. Dessa forma, também rejeito a presente preliminar. II- DO MÉRITO No mérito, o cerne da presente controvérsia consiste na legalidade da aplicação da penalidade pecuniária de conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, motivada pela ocultação dos reais adquirentes (compradores) das mercadorias estrangeiras formalmente importadas pela recorrente, mediante o artificio doloso da interposição fraudulenta. Segundo o relatório da autoridade fiscal, a infração cometida pela recorrente foi tipificada no artigo 23, inciso V, c/c os §§ 1°, 2° e 3°, do Decreto-lei n° 1.455, de 07 de abril de 1976, com a redação dada pela Lei n° 10,637, de 30 de dezembro de 2002. Por outro lado, alega a recorrente que os documentos por ela carreados aos autos comprovariam que a sua capacidade financeira estava baseada em financiamentos de terceiros, quais sejam, os próprios fornecedores. Ademais, seria inaplicável a penalidade por prática de interposição fraudulenta, prevista no inciso V do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976, uma vez que a documentação juntada aos autos (fls. 17/20) demonstrava a origem dos recursos, mediante depósitos de terceiros em sua conta-corrente bancária. Da utilização dos recursos dos importadores ocultos. Na Tabela de fl. 12, estão discriminados os reais importadores, os quais foram identificados a partir das cópias dos extratos das Transferências Eletrônicas Disponíveis (TED) e de Documentos de Ordem de Crédito (DOC), que comprovam os depósitos realizados na conta corrente da autuada (fls. 140/149). Na Planilha de fls. 17/20 encontra-se demonstrada a vinculação entre (i) os depósitos nas contas correntes da autuada, efetuados pelos verdadeiros adquirentes das mercadorias (os reais importadores), (ii) as notas fiscais de entrada e saída e (iii) os respectivos -documentos de fechamento e liquidação do câmbio (fls. 150/394). Com base nas referidas informações, corroboradas por documentos colacionados aos autos, convenço-me de que está devidamente comprovado nos autos que, em relação às operações de importação objeto da penalidade em questão, a recorrente se utilizou de recursos fornecidos pelos verdadeiros adquirentes (os reais importadores) das ditas mercadorias, cedendo o seu nome para figurar nos documentos que acobertam as respectivas operações de importação e, por conseguinte, ocultando os reais importadores do conhecimento das autoridades tributárias, aduaneiras, cambiais e anuentes. As cópias das peças extraídas do processo judicial n° 2007.72.10.000596-3, em trâmite na Vara Federal de São Miguel do Oeste/SC, por meio das quais o Delegado da Receita Federal de Joaçaba/SC comunica ao citado Juízo que não houve interposição fraudulenta ou ocultação do sujeito passivo, em relação às mercadorias objeto dos processos administrativos n's 10926.000224/2007-18 e 10926.000159/2007-21 (fls. 510/513), em nada afeta a minha convicção acerca da prática da conduta de interposição fraudulenta apurados neste processo, por uma razão óbvia, a saber: as informações prestadas pela dita autoridade administrativa se refere a distintas operações de importação, logo, tais conclusões não se aplicam ao procedimento fiscal em apreço. Em relação a este ponto, a alegação da recorrente de que os recursos eram provenientes de terceiros, apenas corrobora a tese de que houve a interposição fraudulenta apontada no procedimento fiscal. Neste sentido, são categóricos os argumentos expedidos pelo Relator originário do Acórdão recorrido, apresentados nos trechos do seu voto a seguir transcritos, in verbis: A alegação de que os recursos são oriundos de terceiros constitui na verdade a confissão da infração apontada pela fiscalização aduaneira. Se os recursos são oriundos de terceiros, estes são os verdadeiros adquirentes das mercadorias. Ao se declarar, em sua peça de defesa, como a adquirente das mercadorias, sendo os recursos de terceiros, confessa a empresa importadora que a mesma ocultou os reais adquirentes. Exemplo de confissão é a alegação da empresa autuada na peça de defesa de que a descoberta da fiscalização (fis.17-20) de •depósitos de terceiros em conta corrente representa a origem dos recursos. Na verdade, tal alegação da empresa autuada representa a confissão da infração pois, se os recursos são de terceiros, não poderia a empresa alegar ser a adquirente das mercadorias, sendo portanto falsa a informação nas DIs de que a empresa autuada era a adquirente dos bens. Tais asserções, ao meu sentir, espelham a realidade dos autos, por isso, com elas estou de acordo. Assim, comprovado que as referidas operações de importação foram realizadas com recursos de terceiros, por presunção legal, nos teillios do art. 27 1 da Lei n° 10.637, de 2002, elas são consideradas por conta e ordem de terceiros, de forma ilícita, posto que omitida do conhecimento das autoridades tributárias e aduaneiras os reais adquirentes das 1 Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presume-se por\ conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2 14 \ , de agosto de 2001. \ 1 12 Processo n° 10925.001557/2007-74 S3-C 1T2 Acórdão n.° 3102-00389 Fl. 526 mercadorias, com descumprimento dos requisitos e condições estabelecidos para a referida modalidade de importação. Da presunção da interposição fraudulenta na operação de importação. A presunção, assim como o indicio, é modalidade de prova indireta, obtida mediante um processo lógico, consistente na associação entre determinado fato provado (fato indiciário ou presuntivo), cuja existência é certa, e um fato desconhecido (fato indiciado, probando ou presumido), cuja existência é provável. A maioria da doutrina divide as presunções em dois grandes grupos: a) as presunções comuns, humanas ou hominis; e b) as presunções legais ou de direito, que por sua vez se subdividem em relativas (ou juris tantum), absolutas (ou jure et de jure ), e mistas (ou qualificadas). Em decorrência das peculiaridades do caso em apreço, a modalidade que aqui interessa abordar são as presunções relativas ou juris tantum, que se caracterizam por admitirem a produção de prova em contrário, haja vista que a presunção de interposição fraudulenta se inclui nesta modalidade. Trata-se, portanto, de presunção relativa em que há inversão do ônus da prova em favor da fiscalização aduaneira. Logo, provando a fiscalização a incompatibilidade entre o volume de recursos financeiros transacionados nas mencionadas operações e a sua incompatibilidade com a capacidade econômico-financeira do importador, fica este obrigado a provar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas referidas operações. Por conseguinte, somente quando não houver a dita comprovação pelo importador é que estará configurada, por presunção, a interposição fraudulenta na operação de importação. No caso em tela, foi o que ocorreu, a autuada não logrou comprovar a origem e disponibilidade de recursos próprios para fazer face aos dispêndios financeiros com as ditas operações. Ao contrário, consta dos autos provas robustas de que ela usou recursos de terceiros, no caso, os reais importadores, caracterizando a modalidade de importação por conta e ordem de terceiro sem o preenchimento dos requisitos e condições estabelecidos a seguir mencionados. Da caracterização da interposição fraudulenta na operação de importação por conta e ordem de terceiros. Dessa forma, mesmo sendo por presunção -configurada a importação por conta e ordem de terceiros, por força do disposto no inciso I do art. 80 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001, autuada e as adquirentes das mercadorias (importadoras ocultas) estavam sujeitas ao cumprimento dos requisitos e condições estabelecidos nos arts. 2° e 3° da Instrução Noiniativa SRF n° 225, de 2002, a seguir transcritos: Art. 2° A pessoa jurídica que contratar empresa para operar por sua conta e ordem deverá apresentar cópia do contrato firmado entre as partes para a prestação dos serviços, caracterizando a natureza de sua vincula ção, à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF), de fiscalização aduaneira, com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz. ( Parágrafo único. O registro da Declaração de Importação (DI) pelo contratado ficará condicionado à sua prévia habilitação no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), para atuar como importador por conta e ordem do adquirente, pelo prazo previsto no contrato. Art. 3 0 O importador, pessoa jurídica contratada, devidamente identificado na DI, deverá indicar, em campo próprio desse documento, o número de inscrição do adquirente no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). § 1 0 O conhecimento de carga correspondente deverá estar consignado ou endossado ao importador, configurando o direito à realização do despacho aduaneiro e à retirada das mercadorias do recinto alfandegado. § 2° A fatura comercial deverá identificar o adquirente da mercadoria, refletindo a transação efetivamente realizada com o vendedor ou transmitente das mercadorias. O descumprimento de tais requisitos caracteriza a interposição fraudulenta da recorrente, haja vista que ela ocultou os reais adquirentes das mercadorias nos documentos utilizados no processamento do despacho aduaneiro, assim como nos documentos atinentes às operações comercial, cambial, de transporte e de controle administrativo. De fato, analisando os extratos das DI anexados aos autos (ver folhas 184, 191, 274 e 281), verifica-se que a autuada declarou que era ela mesma quem adquirira as mercadorias, o que não corresponde a verdade, conforme anteriormente demonstrado. Em outras palavras, ela declarou uma operação de importação por conta própria, quando na realidade, tratava-se de operação de importação por conta e ordem de terceiro. Ademais, com tal procedimento, os reais compradores das referidas mercadorias foram eximidos da condição de sujeito passivo das obrigações tributárias decorrentes da operação de importação por conta e ordem de terceiro, especialmente, do IPI devido na operação interna, por equiparação a estabelecimento industrial, nos termos do art. 79 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001. Assim, fica comprovada a interposição ilícita da autuada nas operações de importação por ela formalmente realizadas, concretizada pela prática da conduta da interposição fraudulenta nas operações de importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome), pois ela de fato atuava, de founa ilegal, por conta e ordem dos responsáveis pelas ditas operações, omitido-os do conhecimento das autoridades tributárias e aduaneiras. Da aplicação retroativa da multa prevista no caput do art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007. Alega a recorrente que, por força da retroatividade benigna, no presente caso, incidiria, no máximo, a multa de 10% (dez por cento) do valor das mercadorias, fixada no caput do art. 33 da Lei ° 11.488, de 2007. Inicialmente, cabe destacar que, a partir da vigência do referido art. 33, assunto em apreço (interposição fraudulenta em operação de comércio exterior) tem suscitado amplas controvérsias no âmbito da doutrina e da jurisprudência, tanto a administrativa com a judiciária. Assim, antes de analisar o cerne da presente controvérsia, apresentarei uma breve f 14 \, Processo n° 10925.001557/2007-74 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.589 Fl. 527 exposição acerca do tema, na tentativa de apresentar um entendimento que confira o real significado e alcance jurídicos aos preceitos legais que, atualmente, dispõem sobre a matéria e que seja, simultaneamente, compatível com ordenamento jurídico do País. Da interposição fraudulenta na operação de comércio exterior: infração e penalidade aplicável. Até 15 de junho de 2007, a única infração por interposição fraudulenta no comércio exterior, existente no direito positivo aduaneiro do País, era a descrita no inciso V, combinado com o disposto no § 2°, do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976. A partir da referida data, com entrada em vigor do capttt do art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, ao lado da referida norma geral de interposição fraudulenta, passou a existir, concomitantemente, no ordenamento jurídico nacional uma norma especial de interposição fraudulenta, refimo-me à novel infração descrita no citado preceito normativo. Dessa forma, para facilitar análise sistemática das hipóteses fáticas descritas nos mencionados comandos legais, transcrevo a seguir, lado a lado, os dispositivos legais do Decreto-lei n° 1.455, de 1976, e da Lei n° 11.488, de 2007, que dispõem sobre a matéria em apreço: Art. 23, V, c/c §§ 1°a 3 0, do DL n° 1.455/76, com Art. 33 da Lei n° 11.488/2007, c/c art. 81 da Lei redação dada pela Lei n° 10.637/2002. n° 9.430/1996. Art 23. Consideram-se dano ao Erário as Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, infrações relativas às mercadorias: inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de (...) operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais V - estrangeiras ou nacionais, na importação ou intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito de 10% (dez por cento) do valor da operação passivo, do real vendedor, comprador ou de acobertada, não podendo ser inferior a RS responsável pela operação, mediante fraude ou 5.000,00 (cinco mil reais). simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da § 1" O dano ao erário decorrente das infrações Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. - Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1966, com redação dada pela Lei n° 10.637/2002. § 2'. Presume-se interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não- Art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos comprovação da origem, disponibilidade e termos e condições definidos em ato do Ministro transferência dos recursos empregados. da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de § 3' A pena prevista no § 1" converte-se em imposto de renda em um ou mais exercícios e não multa equivalente ao valor aduaneiro da for localizada no endereço informado à Secretaria mercadoria que não seja localizada ou que tenha da Receita Federal, bem como daquela que não sido consumida. exista de fato. (...). (grifos não originais). § 1" Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações 15 ,/ de comércio exterior. (...). (grifos não originais) Com base nos citados preceitos legais, verifica-se que ambos os tipos descritos têm no núcleo da conduta vedada a ocultação ou acobertamento, expressões que têm o mesmo significado. As pessoa ocultas ou acobertadas também seriam as mesmas, a saber, o sujeito passivo, o real vendedor, comprador ou responsável pela operação de comércio exterior, que correspondem aos reais intervenientes ou beneficiários da referida operação. A diferença entre as hipóteses das infrações descritas está (i) na forma de ocultação ou acobertamento, (ii) na penalidade aplicável e (iii) nos possíveis destinatários da sanção (os sancionados), o que se demonstrará a seguir. Com o propósito de facilitar a conclusão ao fmal apresentada, no quadro comparativo a seguir reescrevo o texto dos referidos dispositivos legais, procurando evidenciar, isoladamente, o significado dos vários elementos que compõem a hipótese fática das infrações em destaque. Art. 23, V, c/c §§ 1° a 3°, do DL n° 1.455/76, com Art. 33 da Lei n° 11.488/2007, c/c art. 81 da Lei redação dada pela Lei n° 10.637/2002. n°9.430/1996. Núcleo da conduta: ocultar o sujeito passivo, o Núcleo da conduta: acobertar os reais real vendedor, comprador ou responsável pela intervenientes ou beneficiários da operação de operação de comércio exterior comércio exterior. Quem será ocultado: o sujeito passivo, o real Quem será acobertado: os reais intervenientes vendedor, comprador ou responsável pela ou beneficiários da operação de comércio operação de comércio exterior. exterior. Forma de ocultação: mediante fraude ou Forma de acobertamento: mediante cessão do simulação, inclusive a interposição fraudulenta de nome, inclusive mediante a disponibilização de terceiros. documentos próprios. Quem é o responsável pela fraude, simulação Quem é o responsável pela cessão do nome e/ou ou interposição fraudulenta (destinatário da documentos (destinatário da sanção): a sanção): a pessoa interposta (importador interposta pessoa (importador ostensivo ou de ostensivo ou de direito) e a pessoa interponente direito), isoladamente. (importador oculto ou de fato), conjuntamente. Por serem estranhas a presente lide e apresentarem peculiaridades próprias, não será aqui analisado a conduta do acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários das operações de comércio exterior, mediante fraude ou simulação. Da mesma forma, por se tratar de operação de importação, não será apreciado os elementos do tipo atinentes à operação de exportação. Assim, a presente abordagem terá como foco apenas a figura da ocultação mediante interposição fraudulenta de terceiros na operação de importação. Do significado para o direito aduaneiro da expressão interposição fraudulenta de terceiros. O significado jurídico do teimo interposição é definido por De Plácido e Silva2 , com a seguinte dicção, in verbis: .,„ 2 DE PLÁCIDO E SILVA. Vocabulário Jurídico. 20. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 2002. l‘F\ Processo n° 10925.001557/2007-74 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.589 Fl. 528 Do latim "iterpositio", do verbo "intetponere" (pôr entre, meter de permeio, interpor), sem que se afaste do seu literal sentido de ação de pôr de permeio ou entre duas coisas ou pessoas, possui o vocábulo na técnica jurídica duas especiais aplicações: a)- Quer significar a intervenção de uma pessoa em negócio alheio por ordem de seu dono ou a mandato dele. A pessoa interveniente diz-se interposta, isto é, posta ou colocada entre uma e outra, para cumprir ou realizar aquilo que o ordenante ou mandante não pôde fazer. É, assim, a interposta pessoa representada por uma terceira pessoa que vai executar o ato, a mando ou ordem de alguém porque esteja este impossibilitado de o fazer, ou porque assim o tenha determinado. Por sua vez, Maria Helena Diniz 3 , atribui a expressão interposta pessoa, o seguinte significado, ipsis litteris: Interposta pessoa seria aquele que comparece num dado negócio jurídico em nome próprio, mas no interesse de outrem, substituindo-o e encobrindo-o. Tratar-se-ia do presta-nome ou testa-de-ferro. Age em lugar do verdadeiro interessado que, por motivos não de todo lícitos, deseja ocultar sua participação num ato negociai. Com base nas referidas definições, infere-se que, no âmbito jurídico, a figura da interposição de terceiro pode se dar de forma licita ou ilícita. Será licita quando a intervenção do terceiro em negócio jurídico alheio realiza-se em cumprimento de ordem ou mandato do terceiro. Neste caso, a pessoa posta ou colocada entre uma e outra, tem a função de cumprir ou realizar aquilo que o ordenante ou mandante não pôde fazer por impossibilidade física ou jurídica ou por conveniência. Por outro lado, a interposição ilícita ou fraudulenta é aquela em que a pessoa interposta realiza o negócio jurídico em nome próprio, mas no interesse de terceiro, substituindo-o e ocultando-o do conhecimento de terceiros. No âmbito direito positivo aduaneiro, a interposta pessoa é aquela que se interpõe entre os órgãos de controle e fiscalização aduaneiros e o verdadeiro comprador/vendedor ou responsável pela operação de comércio exterior. De acordo com a legislação aduaneira atualmente em vigor, a interposição de terceiros nas operações de importação, foco da presente análise, pode se realizar de forma licita ou ilícita, conforme se verá a seguir. Das modalidades de importação atualmente previstas no direito positivo aduaneiro. A legislação aduaneira atualmente em vigor prevê três modalidades de importação de mercadorias estrangeiras, a saber: a) a importação por conta própria; b) a importação por conta e ordem de terceiros; e c) a importação por encomenda. A operação de importação por conta própria é aquela em que importador adquire a mercadoria no mercado externo, em seu nome e com recursos próprios, para posterior uso ou revenda a um comprador incerto no mercado interno. Neste tipo de operação é o próprio importador quem é o responsável pela transação comercial, a logística de transporte„ o 3 DINIZ, Maria Helena. Dicionário jurídico. São Paulo: Saraiva. vol. II, p. 885. / • processamento do despacho aduaneiro, o pagamentos dos tributos e demais despesas aduaneiras, revenda das mercadorias no mercado interno e emissão de documentos fiscais, registro e contabilização da operação. Esta operação caracteriza-se por ser uma relação jurídica simples ou bilateral entre as partes (exportador estrangeiro e importador nacional), sem qualquer inteiniediação de terceiros. Em outros termos, caracteriza-se como uma compra e venda direta no mercado externo, pura e simples, sem intermediário, com vista a incorporação da mercadoria no ativo permanente do importador ou posterior comercialização no mercado interno, varejista ou atacadista. Esta modalidade de importação, normalmente, é realizada por empresa industrial ou por empresa comercial detentora ou distribuidora, com exclusividade, de marca no mercado nacional. A operação de importação por conta e ordem de terceiros 4 é aquela em que uma pessoa jurídica adquire (a adquirente) as mercadoria no mercado exterior, com recursos próprios, e contrata uma outra pessoa jurídica (a importadora) para realizar a operação de importação, incluindo o despacho aduaneiro de importação e outros serviços relacionados com a transação comercial, com realização de cotação de preços e a intermediação comercial. Nesta modalidade de importação, as atividades de nacionalização da mercadoria são divididas entre duas pessoas jurídicas, a adquirente e a importadora. A adquirente realiza a compra direta da mercadoria no exterior, figurando o seu nome na fatura comercial (comercial invoice); fecha (contrata) e liquida (paga) o câmbio da operação (o fechamento e a liquidação do câmbio poderá ser feita pela importadora, porém, os recursos utilizados deverão ser fornecidos pela adquirente), enquanto que a importador realiza, em seu próprio nome, todos os atos necessários ao processamento do despacho aduaneiro de importação: obtém o licenciamento para a importação da mercadoria (se exigida), elabora e registra a Declaração de Importação (DI) no Siscomex, efetua o pagamento dos tributos devidos na operação de importação e demais despesas aduaneiras (com recursos fornecidos pelo adquirente) etc. Esta modalidade de importação, normalmente, é realizada por empresa comercial importadora, inclusive trading company, que age como agente do adquirente. A operação de importação por encomenda s (ou importação para revenda a encomendante predeterminado) é aquela em que a pessoa jurídica importadora (i) adquire a mercadoria diretamente do exportador estrangeiro, em seu nome e com recursos próprios, seguindo as ordens e as especificações do encomendante predeterminado, e (ii) realiza o despacho aduaneiro de importação, introduzindo a mercadoria no País (operação nacionalização). Em seguida, nos termos do contrato de exclusividade, revende as mercadorias no mercado interno ao comprador predeterminado (o encomendante). Neste tipo de operação, há dupla relação jurídica comercial, a saber: (i) a primeira relação dá-se entre o exportador estrangeiro e o importador (relação jurídica de compra e venda no mercado externo); e (ii) a segunda entre o importador e o encomendante predeterminado, o destinatário da mercadoria (relação jurídica de compra e venda no mercado interno). Nesta última modalidade de importação, o relacionamento jurídico entre importador (comissário) e encomendante predeterminado (comitente) é regido por contrato de comissão, em que o encomendante ordena a compra da mercadoria ao importador, que em seu próprio nome e com recursos próprios, realiza a compra direta no exterior, assumindo os riscos inerentes à operação, bem como realiza os atos necessários ao processamento do despacho aduaneiro de importação, à contratação e liquidação da operação cambial, figurando o seu nome na fatura comercial (comercial invoice), emite nota fiscal de entrada e registra a operação 4 Introduzida no direito positivo aduaneiro por intermédio do art. 79 e seguintes da Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, com vigência a partir de 27 de agosto de 2001, data da publicação da referida MI). 5 Introduzida no direito positivo aduaneiro por intermédio do art. 11 da Lei n° 11.281, de 20 fevereiro de 20(}6/-\ com vigência a partir de 21 de fevereiro de 2.006, data da publicação da referida Lei. Processo n° 10925.001557/2007-74 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.589 Fl. 529 nos livros fiscais próprios, revende a mercadoria ao encomendante, emite a nota fiscal de saída e registra a operação nos livros fiscais próprios etc. Da interposição licita de terceiros na operação de importação. A interposição lícita na operação de importação se caracteriza pela intermediação de uma terceira pessoa, além do exportador estrangeiro e o real responsável pela importação da mercadoria, realizada de acordo como as exigências legais. Esta terceira pessoa atuará como (i) um mero prestador de serviços de despachos aduaneiro e intermediação comercial, como ocorre na importação por conta e ordem, ou como (ii) um comissário do comprador predeterminado da mercadoria (encomendante), na importação por encomenda. No âmbito do direito aduaneiro, para que a importação por conta e ordem de terceiros seja reputada lícita, ela deverá atender as seguintes exigências legais6: a) a pessoa jurídica contratante (o adquirente da mercadoria) deverá apresentar à Unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de sua jurisdição cópia do contrato firmado com a pessoa jurídica importadora e estar identificada na fatura comercial (comercial invoice) na qualidade de adquirente da mercadoria; b) a pessoa jurídica importadora deverá: 1) estar habilitada no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), como importadora por conta e ordem do adquirente, pelo prazo previsto no contrato; 2) informar no despacho aduaneiro de importação, em campo próprio da Declaração de Importação (DI), o número de inscrição do adquirente da mercadoria no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e 3) estar identificada no conhecimento de carga como consignatária ou endossatária. Neste tipo de importação, como os recursos utilizados não são do importador, caso não sejam cumpridas as referida exigências, por força da presunção legal expressa no artigo 27 da Lei 10.637, de 2002, a operação será considerada irregular ou ilícita, confotille a seguir exposto, e o real adquirente da mercadoria será ainda considerado responsável solidário, juntamente com o importadora, por todas as obrigações tributárias e aduaneiras decorrentes da dita operação. Para fins aduaneiros, para que a importação por encomenda seja reputada lícita, ela deverá atender as seguintes exigências legais7: 6 Com base no inciso I do art. 80 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001, os requisitos e condições para realização da modalidade de importação por conta e ordem de terceiro foram fixados nos arts. 2° e 3° da Instrução Normativa SRF n° 225, de 2002, a seguir transcritos: "Art. 2° A pessoa jurídica que contratar empresa para operar por sua conta e ordem deverá apresentar cópia do contrato firmado entre as partes para a prestação dos serviços, caracterizando a natureza de sua vinculação, à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF), de fiscalização aduaneira, com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz. Parágrafo único. O registro da Declaração de Importação (DI) pelo contratado ficará condicionado à sua prévia habilitação no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), para atuar como importador por conta e ordem do adquirente, pelo prazo previsto no contrato. Art. 3° O importador, pessoa jurídica contratada, devidamente identificado na DI, deverá indicar, em campo próprio desse documento, o número de inscrição do adquirente no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). § 1 0 O conhecimento de carga correspondente deverá estar consignado ou endossado ao importador, configurando o direito à realização do despacho aduaneiro e à retirada das mercadorias do recinto alfandegado. § 2° A fatura comercial deverá identificar o adquirente da mercadoria, refletindo a transação —efetivamente realizada com o vendedor ou transmitente das mercadorias". a) a pessoa jurídica encomendante (o real adquirente - encomendante) deverá: 1) apresentar à Unidade da RFB de sua jurisdição requerimento indicando (i) o nome empresarial e número de inscrição do importador no CNPJ e (ii) o prazo ou operações para os quais o importador foi contratado; e 2) estar habilitada no Siscomex, como importador exclusivamente por encomenda; . b) a pessoa jurídica importadora por encomenda deverá: 1) estar habilitada no Siscomex, como importadora normal (importação por conta própria); e 2) informar no despacho aduaneiro de importação, em campo próprio da Declaração de Importação (DI), o número de inscrição no CNPJ do encomendante da mercadoria (o adquirente exclusivo no . mercado nacional). Também nesta modalidade de importação, caso o importador por encomenda e o encomendante (adquirente exclusivo da mercadoria no mercado interno) não cumpram com os referidos os requisitos e condições legais, por força da presunção legal expressa no § 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006, a operação será considerada por conta e ordem de terceiros (irregular ou ilícita), conforme a seguir exposto, e o encomendante da mercadoria será considerado responsável solidário, juntamente com o importador, por todas as obrigações tributárias e aduaneiras decorrentes da operação. Da interposição ilícita de terceiros na operação de importação. Na esfera do direito positivo aduaneiro, a interposição ilícita ou fraudulenta de terceiros na operação de importação, de que trata o inciso V do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976, significa que o importador (ostensivo) atua no despacho aduaneiro de importação, parecendo ser o real adquirente ou responsável pela transação comercial, mas na verdade ele age no interesse deste último (o importador oculto), substituindo-o nos documentos que acobertam a referida operação, ocultando-o do conhecimento dos órgãos de controle e fiscalização aduaneiros e, por conseguinte, eximindo-o das exigências de natureza cambial, aduaneira, tributária e administrava atinentes à dita operação. Em suma, a interposição fraudulenta na importação caracteriza-se pelo acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários da referida operação (o sujeito passivo, o real adquirente ou o real importador). 7 Com suporte no inciso I do § 1 0 do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006, os requisitos e condições para realização da modalidade de importação por encomenda foram estabelecidos nos arts. 2° e 3° da Instrução Normativa SRF n° 634, de 2006, a seguir transcritos: "Art. 2° O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). § 1° Para fins da vinculação a que se refere o caput, o encomendante deverá apresentar à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF) de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, requerimento indicando: I - nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e II - prazo ou operações para os quais o importador foi contratado. § 2° As modificações das informações referidas no § 1° deverão ser comunicadas pela mesma forma nele prevista. § 3° Para fins do disposto no caput, o encomendante deverá estar habilitado nos termos da IN SRF n° 455, de 5 de outubro de 2004. Art. 3° O importador por encomenda, ao registrar DI, deverá informar, em campo próprio, o número de inscrição do encomendante no CNPJ. Parágrafo único. Enquanto não estiver disponível o campo próprio da DI a que se refere o caput, o importador por encomenda deverá utilizar o campo destinado à identificação do adquirente por conta e ordem da ficha 'Importador' e indicar no campo 'Informações Complementares' que se trata de importação por encomenda". Processo n° 10925.001557/2007-74 S3-C 1T2 Acórdão n.° 3102-00.589 Fl. 530 No âmbito da legislação aduaneira, a interposição ilícita ou fraudulenta de terceiros divide-se em: a) importação sem comprovação da origem dos recursos próprios; e b) importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome). Da interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios. A não-comprovação da origem, disponibilidade ou transferência lícita dos recursos próprios empregados na operação de importação, bem assim a condição de real adquirente da mercadoria, é causa, simultânea, da presunção da conduta ilícita da interposição fraudulenta e da inidoneidade da pessoa jurídica na operação de importação. No primeiro caso, a não-comprovação dos recursos próprios é fato presuntivo causador do fato presumido da interposição fraudulenta nas operações de comércio, que se caracteriza pela ocultação do "sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação", nos termos do § 2° do artigo 23 8 do Decreto-lei n2 1.455, de 1976. No segundo caso, o fato presuntivo da não-comprovação dos recursos próprios é causador da conduta iniclôneo da pessoa jurídica, caracterizada pela sua inexistência de fato como importadora, pois quem, verdadeiramente, está importando é a pessoa jurídica omitida nos documentos que acobertam a operação, conforme estabelecido no § 1° do art. 819 da Lei n°9.430, de 1.996. Dessa forma, infere-se que, embora o fato-base seja o mesmo (a não- comprovação dos recursos próprios), as condutas descritas como infração são distintas. Num caso, o referido fato se constitui em prova indireta da conduta tipificada como interposição fraudulenta, consistente na ocultação do sujeito passivo, real comprador ou responsável pela importação. No outro, ele é prova indireta da inidoneidade da pessoa jurídica importadora (ela inexiste de fato como importadora). No caso, como as referidas infrações não são idênticas, não há que se falar em hipótese de bis in idem, que consiste na incidência de dupla penalização sobre idêntica conduta ilícita ou de dupla valoração de circunstância gravosa na determinação da sanção. Logo, é juridicamente plausível a cominação a cada uma delas (infrações) de penalidades diferentes, a saber: (i) a pena de perdimento da mercadoria e (ii) a sanção de inaptidão de inscrição no CNPJ. Neste sentido, dispõe os arts. 99 (caput) e 100 do Decreto-lei n° 37, de 1966, a seguir transcritos: 8 Art. 23. Consideram-se dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) § 2° Presume-se interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não-comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (..-). 9 Art. 81. Poderá ser declarada inapta, nos tennos e condições definidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a inscrição no CNPJ da pessoa jurídica que, estando obrigada, deixar de apresentar declarações e demonstrativos em 2 (dois) exercícios consecutivos. (Redação dada pela Lei n° 11.941, de 2009) § lo Será também declarada inapta a inscrição da pessoa jurídica que não comprove a origem, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior. (...)- ti 21 Art.99 - Apurando-se, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicam- se cumulativamente, no grau correspondente, quando for o caso, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas. (.) Art.100 - Se do processo se apurar responsabilidade de duas ou mais pessoas, será imposta a cada uma delas a pena relativa à infração que houver cometido. (grifos não originais) Com efeito, em consonância com O estabelecido nos transcritos preceitos legais, a conduta da interposição fraudulenta nas operações de comércio exterior é sancionada com a pena de perdimento da mercadoria, por dano ao erário (art. 23, § 1 0, do Decreto-lei n° 1.455, de 1976), ao passo que a conduta da inidoneidade da importadora (ou por inexistência de fato como importadora) é sancionada com a inaptidão da inscrição no CNPJ (art. 81, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996), sanção administrativa de natureza não-patrimonial de caráter interventivo, segundo alguns doutrinadores, ou suspensiva ou privativa de atividade, segundo outros. Na primeira hipótese, a pena imposta visa ressarcir o erário e castigar o infrator pela conduta ilícita caracterizada por dano ao erário. Já a segunda sanção visa punir a fraude na operação de importação, mediante o uso abusivo da personalidade jurídica, pois quem, verdadeiramente, está importando é a pessoa jurídica omitida nos documentos que acobertam a operação. Ressalto ainda que, para fins da legislação aduaneira, é irrelevante se a empresa existe de fato ou não nos termos da legislação societária. Em outros termos, se é empresa é de "fachada" ou não. Para o direito aduaneiro, é possível a empresa existir de fato, ter pessoal, instalações, atividade operacional etc., e ser considerada inexistente de fato para fins aduaneiros, desde que ela atue na área de comércio exterior ilicitamente, como interposta pessoa, e cometa a infração descrita no comando legal suprareferenciado. Da interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros. A interposição ilícita na operação de importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome) caracteriza-se pela comprovação da transferência dos recursos financeiros do caixa ou conta bancária do verdadeiro adquirente da mercadoria, para o caixa ou conta bancária da interposta pessoa (o importador ostensivo). Nesta modalidade de interposição fraudulenta, o importador apenas cede o nome, porém, os recursos empregados no pagamento da operação de importação são integral ou parcialmente fornecidos pelo adquirente ou real importador. No que tange a esta modalidade de interposição ilícita, a legislação aduaneira estabelece duas hipóteses de presunção para a operação de importação por conta e ordem de terceiro. Uma, prevista no art. 27 da Lei n° 10.637, de 2002 (i), e a outra, no § 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006 (ii), conforme se infere a partir do teor dos referidos dispositivos, a seguir transcritos: Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presume-se por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da • Medida Provisória n°2.158-35, de 24 de agosto de 2001. \.., Processo n° 10925.001557/2007-74 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.589 Fl. 531 Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. (.) § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 10 deste artigo presume-se por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória n°2.158-35, de 24 de agosto de 2001. (...). (destaques não-originais) Examinado o teor dos transcritos comandos legais, concluo que, por presunção, duas são as hipóteses de interposição ilícita, caracterizada como sendo importação por conta e ordem de terceiro (ilícita), a saber: a) a realizada mediante utilização de recursos de terceiro, sem o cumprimento das exigências legais estabelecidas para o tipo de importação por conta e ordem de terceiro (artigo 27 da Lei n2 10.637, de 2002); e b) a realizada mediante utilização de recursos próprios, sem o cumprimento dos requisitos e condições estabelecidos para a importação por encomenda (§ 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006). Por força desta presunção, embora os recursos utilizados na importação sejam do próprio importador, como a mercadoria importada será destinada a um comprador predeterminado (o encomendante), a operação será equiparada a importação por conta e ordem de terceiro (ilícita). Neste sentido, dispõe o parágrafo único do art. 674 1 ° do vigente Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 6.759, de 5 de fevereiro de 2009). Logo, por força das referidas presunções legais, tem-se que a importação por conta e ordem de terceiro (ilícita) divide-se em: a) importação por conta e ordem de fato (com utilização de recursos de terceiros, sem atendimento das exigências legais); e (ii) importação por conta e ordem equiparada ou importação por encomenda de fato (com recursos próprios, sem atendimento das exigências legais da importação por encomenda). Com a ressalva de que esta última passou a existir a partir de 21 de fevereiro de 2006, data que entrou em vigor o art. 11 da Lei n° 11.281, de 2006. Veja o teor do referido preceito legal, a seguir transcrito: "Art. 674. Respondem pela infração (Decreto-Lei no 37, de 1966, art. 95): (...) V- conjunta ou isoladamente, o importador e o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por conta e ordem deste, por intermédio de pessoa jurídica importadora (Decreto-Lei if 37, de 1966, art. 95, inciso V, com a redação dada pela Medida Provisória n' 2.158-35, de 2001, art. 78); e (...) Parágrafo único. Para fins de aplicação do disposto no inciso V, presume-se por conta e ordem de terceiro a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos deste, ou em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma da alínea "b" do inciso I do § lo do art. 106 (Lei no 10.637, de 2002, art. 27; e Lei no 11.281, de 2006, art. 11, § 2o)". 23 Neste ponto, cabe ressaltar que, por força do disposto na parte final dos comandos legais em comento, tais presunções são "para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81" da Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001", que estabelecem, em suma, o seguinte: a) a responsabilidade solidária do real adquirente (adquirente de fato) e do adquirente predeterminado (o encomendante de fato) pelo imposto sobre a importação (art. 77) e pelas infrações à legislação tributária e aduaneira (art. 78); b) a equiparação a estabelecimento industrial do adquirente e encomendante de fato (art. 79); c) a delegação a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para fixar os requisitos e condições para atuação dos interessados nas ditas modalidades de importação e a exigência de prestação de garantias para entrega antecipada da mercadoria (80); e d) a equiparação do adquirente e encomendante de fato a contribuinte normal das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins (art. 81). Da interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome): penalidades aplicáveis. Até 15 de junho de 2007, data em que entrou em vigor o art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, da mesma forma que ocorria com a denominada interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios, a conduta ilícita consistente na ocultação dos reais intervenientes ou beneficiários das operações de comércio exterior, mediante mera cessão do nome, aqui denominada (no caso da operação de importação) de interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros, o importador (ostensivo) era sancionado com as seguintes penalidades: a) a pena de perdimento por dano ao erário, prevista no § 1°, combinado com o disposto no inciso V, do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976, ou sua sucedânea, se configurada a hipótese de conversão em penalidade pecuniária de que trata o § 3° do citado art. 23; e b) a sanção administrativa de inaptidão da inscrição no CNPJ, nos termos do § 1° do art. 81 da Lei n° 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei n° Segure a transcrição dos referidos comandos legais: "Art. 77. O parágrafo único do art. 32 do Decreto-Lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, passa a vigorar com a seguinte redação: 'Art. 32. Parágrafo único. É responsável solidário: I - o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; II - o representante, no País, do transportador estrangeiro; III - o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.' (NR) Art. 78. O art. 95 do Decreto-Lei n° 37, de 1966, passa a vigorar acrescido do inciso V, com a seguinte redação: 'V - conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.' (NR) Art. 79. Equiparam-se a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I - estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e II - exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. Art. 81. Aplicam-se à pessoa jurídica adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da imp&tação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, as normas de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre a receita bruta do importador". „- 4P- \ Processo n° 10925.001557/2007-74 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.589 Fl. 532 10.637, de 2002 (norma especial da inaptidão da inscrição da pessoa jurídica no CNPJ). Por sua vez, o real beneficiário da operação (o importador oculto), continua sendo sancionado apenas com a pena de perdimento por dano ao erário, prevista no § 1°, combinado com o disposto no inciso V, do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976, ou .sua sucedânea, se configurada a hipótese de conversão em penalidade pecuniária de que trata o § 30 do citado art. 23. Em relação ao importador (ostensivo), a partir da vigência do referido preceito legal (norma especial de interposição fraudulenta), a prática da conduta da interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome) passou a ser sancionada, exclusivamente, pela multa de 10% (dez por cento) do valor da operação de importação, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). No que tange ao real beneficiário da operação (o importador oculto), alteração alguma houve, seja na definição da infração ou da fixação da penalidade. Trata-se, no caso da infração e penalidade definidas no capta do art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, de penalidade pecuniária especificamente estabelecida para o importador que descumpriu as exigências legais determinadas para a importação por conta e ordem de terceiro ou a importação por encomenda, conforme acima explanado. No meu entendimento, duas circunstâncias corroboram para a conclusão aqui apresentada: a) a primeira: a menção expressa no parágrafo único do art. 33 de que a "hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996". Em outros temos, por expressa determinação legal, a conduta do importador de apenas ceder o nome, com o objetivo de ocultar do conhecimento das autoridades aduaneiras os reais intervenientes ou beneficiários da operação de importação (que corresponde ao sujeito passivo, real comprador ou responsável pela operação de importação), foi excepcionada da hipótese da infração e respectiva penalidade por inidoneidade na condição de importador, motivadora da sanção de inabilitação de sua inscrição no CPNJ; e b) a segunda: a vedação expressa, contida nos arts. 99 e 100 do Decreto-lei n° 37, de 1966, de cominação de mais uma penalidade para infração idêntica cometida pela mesma pessoa, ou seja, a vedação da incidência de bis in idem na fixação da sanção por infração à legislação aduaneira. Cabe esclarecer que o art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, sancionou com a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação de importação, apenas a conduta do importador (ostensivo), na hipótese de interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros. A contrario sensu, continua sendo sancionada com a pena de perdimento por dano ao erário, prevista no § 1° do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976, ou, confoinie o caso, com a penalidade pecuniária sucedânea, equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, fixada no § 30 do citado artigo, as seguintes condutas: a) do importador (ostensivo), na hipótese de interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios (inciso V, c/c § 2°, do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976); e b) do real importado, na hipótese de interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome), consubstanciada nas operações de importação por conta e ordem de terceiro ou a importação por encomenda, realizadas sem o cumprimento das exigências legais (inciso V e § 2°, do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976, combinado com disposto no art. 27 da Lei n° 10.637, de 2002 e no § 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006). Em outros termos, a pena de perdimento será sempre aplicada, ou ao importador ou aos reais intervenientes ou beneficiários da operação de importação, confoluie o caso. Neste sentido, dispõe o § 3° do art. 727 12 do Regulamento Aduaneiro de 2009 (RA/2009). Em suma, com base no que foi exposto, fica demonstrado que: a) a multa de que trata o art. 33 da Lei n° 11.488, de 2007, aplica-se apenas ao importador (ostensivo) e somente na hipótese de interposição fraudulenta mediante cessão do nome. Trata-se, portanto, de forma especial de interposição fraudulenta; b) a pena de perdimento ou, se for o caso, a multa sucedânea, prescrita para a interposição fraudulenta especial ou mediante cessão do nome, aplica-se apenas ao real importador (o importador oculto), por força da vedação da cominação de mais uma penalidade para idêntica infração (princípio do non bis in idem em matéria de infração à legislação aduaneira); e c) a pena de perdimento prescrita para a interposição fraudulenta sem comprovação da origem dos recursos próprios, por impossibilidade lógica, será aplicada somente ao importador (ostensivo). Cabe enfatizar que o entendimento aqui esposado confere sentido e alcance normativo ao disposto no art. 33 em comento, compatível com as normas gerais do direito aduaneiro que disciplina a matéria (arts. 99 e 100 do Decreto-lei n° 37, de 1966) e em consonância com o disposto no inciso V do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976, combinado com o § 3° do art. 727 do RAl2009. Da infração cometida e penalidade aplicável na presente autuação: principio da retroatividade benigna. 12 O citado preceito legal tem a seguinte redação: "Art. 727. Aplica-se a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 1° A multa de que trata o caput não poderá ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais) (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 2° Entende-se por valor da operação aquele utilizado como base de cálculo do imposto de importação ou do imposto de exportação, de acordo com a legislação específica, para a operação em que tenha ocorrido o acobertamento. § 3° A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias ' importadas ou exportadas". (grifos não originais) - " 2,f3T Processo n° 10925.001557/2007-74 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.589 Fl. 533 No presente caso, como as infrações foram praticadas no período de janeiro a junho de 2006, portanto, anteriormente à vigência da norma enunciada no capuz` do artigo 33 da Lei n° 11.488, de 2007, em princípio, a autuada seria punida na forma estabelecida nos §§ 1° e 3° do art. 23 do Decreto-lei n° 1.455, de 1976. Entretanto, como a infração cometida pela autuada se subsume à hipótese legal da infração denominada de interposição fraudulenta nas operações de comércio exterior com recursos de terceiros, conforme demonstrado precedentemente, no presente caso, entendo que deve ser aplicado o comando normativo da retroatividade benigna das normas que cominem penalidade menos severa para idêntica conduta e infrator, inserta na alínea "c" do inciso II do artigo 106 do CTN, que dispõe o seguinte: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (.) II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: (.) a) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessa forma, o valor da penalidade pecuniária aplicada por meio do referido Auto de Infração, deve ser reduzida para 10% (dez por cento) do valor da operação, conforme estabelecido no caput do artigo 33 da Lei n° 11.488, de 2007. III- DA CONCLUSÃO Por todo o exposto, conheço do presente recurso e voto no sentido de: • a) REJEITAR as preliminares de nulidade suscitadas; e b) DAR PROVIMENTO PARCIAL ao presente recurso, reduzindo o valor da penalidade aplicada para 10% (dez por cento), nos termos do caput do artigo 33 da Lei n° 11.488, de 2007. José Fernandes do Nascimento 27
score : 1.0
Numero do processo: 13839.001583/2004-17
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2009
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Ano-calendário: 2002
SIMPLES, EXCLUSÃO, SÓCIO COM PARTICIPAÇÃO SOCIAL SUPERIOR A 10% EM OUTRA EMPRESA. PREVISÃO LEGAL.
Deve ser mantida a exclusão do SIMPLES quando comprovada a situação prevista no inciso IX do art. 9º da Lei n.° 9,317/96, qual seja, sócio com participação social superior a 10% em outra empresa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-000.028
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira (Relator), Judith do Amaral Marcondes Armando e Beatriz Veríssimo de Sena. Designado o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes para redigir o voto vencedor.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
1.0 = *:*
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Recorrida DRJ-CAMPINAS/SP ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Ano-calendário: 2002 SIMPLES, EXCLUSÃO, SÓCIO COM PARTICIPAÇÃO SOCIAL SUPERIOR A 10% EM OUTRA EMPRESA. PREVISÃO LEGAL. Deve ser mantida a exclusão do SIMPLES quando comprovada a situação prevista no inciso IX do art. 9' da Lei n.° 9,317/96, qual seja, sócio com participação social superior a 10% em outra empresa, Recurso Voluntário Negado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Ribeiro Nogueira (Relator), Judith do Amaral Marcondes Armando e Beatriz Veríssimo de Sena. Designado o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes para redigir o voto vencedor. VCICtCe_ D1Q-41-tiofkirn, Mé era Helena Trajan Dt morim - Presidente eRL,,_, Marcelo Ribeiro Nogu ira - Relatar' \In; da Mor es - Redator DesignadoLuciano Lopes de EDITADO EM: 06/08/2010 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim, Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o processo Solicitação de Revisão de exclusão da Opção pelo Simples (SRS — fls. 01/02 e 32). O contribuinte foi exchtido por meio do Ato Declaratório de Exclusão (ADE) n°448439, de 07 de agosto de 2003 (fl. 04), pelo motivo "sócio ou titular participar de outra empresa de outra empresa com mais de 10% do capital social e a receita bruta global no ano-calendário de 2001 ultrapassou o limite legal. CPF 848..896.598-20; CNPJ 48.623.75.5/0001-79. A Delegacia da Receita Federal em Jundiai indeferiu a SRS do contribuinte (fl. 32), fundamentando; não ter havido qualquer irregularidade/ilegalidade na exclusão em comento; incabível alegação de que a Medida Provisória 2..1.58-35/2001 não pode ser aplicada por ainda não ter sido convertida em lei, pois a Constituição Federal lhe atribui força de lei Cientificado dessa decisão em 05/07/2004 (fl 36), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade en2 02/08/2004 «is 37/48), alegando, em síntese e fundamentalmente, que: Desconhecia o . faturamento do CNPJ 48.623.755/0001-79, que tem como sócio um dos sócios da reclamante; O artigo 15 da Lei 9.317/96 . foi alterado pela Lei n°9 732/98, segundo a qual os efeitos da exclusão do Simples devem ocorrer a pai/ir' do mês subseqüente ao que se proceder a exclusão; A Medida Provisória 2.158-35/2001, em sua 34" reedição, que pretende alteia; o artigo 15 da Lei n" 9.317/96, ainda não se tornou lei, portanto não pode ser aplicada. Conforme disposições constitucionais (artigo 62) "a medida provisória equipam-se à lei ordinária, desde que encamparia pelo Congresso", Também não pode ser aplicada a Instrução Normativa SRF" n°250/2002, pois ela não tem condão de alterar. a lei. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto... Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples 2 Processo n 1.3839 001583/2004-17 S3-C1T2 Acórdão n " 3102-00,028 Fl 77 Ano-calendário.' 200.2 OPÇÃO. REVISÃO. EXCLUSÃO RETROATIVA. POSSIBILIDADE. A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições, e passível de fiscalização, A exclusão com efeitos retroativos, quando verificado que o contribuinte incluiu-se indevidamente no sistema, é admitida pela legislação. Solicitação Indeferida. O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes e fui designado corno relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. Tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência deste Conselheiro para atuar como relator no julgamento deste processo, na forma da Portaria n° 41, de 15 de fevereiro de 2009, requisitei a inclusão em pauta para julgamento deste recurso. É o Relatório, Voto Vencido Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, assim deste torno conhecimento. Observo que o Ato Declaratório de Exclusão do contribuinte, ora recorrente, é baseado na alegada participação de um de seus sócios em outra empresa e a receita bruta global no ano-calendário de 2001 ultrapassou o limite legal a permitir a opção pela sistemática do Simples. Observo, ainda, que após esta informação consta do documento que retrata tal ADE, no mesmo item denominado "Descrição", um número de CPF e outro de CNN, que se presume pertencer, respectivamente, ao sócio e à outra sociedade deste. Apesar de pobre e pouco clara, esta menção parece ser suficiente para a defesa do contribuinte, dentro de um mínimo significante das informações constantes do referido documento, já que outra razão não haveria para que tais informações constem do mesmo e que o contribuinte já conhece o número do CPF de seu sócio, que consta do contrato social, ou seja, da página dos autos imediatamente seguinte à da cópia do referido ADE. Portanto, não me parece ser possível acolher a preliminar de nulidade argüida pelo contribuinte, pois o ADE, neste ponto, atende aos requisitos legais que possibilitariam a defesa do contribuinte. 3 O que me chama a atenção é que não consta dos autos qualquer documento que comprove a alegação da autoridade fiscal de que a soma das receitas das duas sociedades ultrapasse o limite legal, nem que a participação do referido sócio ultrapassa os alegados 10% do capital social da outra empresa e, por fim, nem se prova que a segunda sociedade é uma empresa (pois pode-se tratar de sociedade civil ou mesmo sem registro empresarial). A ausência destes elementos de prova, quando o ônus da prova, tratando-se de processo de exclusão, recai sobre a autoridade fiscal, é que justifica acolher a preliminar argüida de nulidade do ato administrativo de exclusão. Note-se que estas provas não podem ser exigidas do contribuinte, pois temos aqui caso envolvendo pessoas (jurídicas e naturais) distintas e informação protegida por sigilo (receita bruta de terceiro), que somente deveria ter sido alcançada pela própria autoridade administrativa e fornecida ao contribuinte para que este pudesse ter se defendido de forma ampla e irrestrita, Noto ainda, quanto às informações não sigilosas, quais sejam: a natureza empresária da sociedade na qual o sócio teria participação e o percentual desta participação; entendo que mesmo estas informações deveriam obrigatoriamente constar do processo de exclusão de forma que o contribuinte pudesse se defender de forma ampla. Também esta omissão causa a nulidade do administrativo de exclusão, Assim, VOTO por conhecer do recurso e dar-lhe provimento para declarar a nulidade do Ato Declaratório Executivo ri° 488,439, de 7 de agosto de 2003. 9 M rcelo Ribeiro Nogueira Voto Vencedor Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Redator Designado A lei assegurou expressamente às pequenas empresas o acesso a um regime tributário mais benéfico, denominado SIMPLES, instituído pela Lei n,' 9,317/96, Entretanto, também foram previstas possibilidades de exclusão/impedimento de ingresso naquele sistema, quando não obedecidos determinadas condições, como vemos: Art. 9" Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica IX - cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso lido art. 2"; (..) Portanto, para efeito de enquadramento no Simples, quando o titular ou sócio da empresa possuir participação superior a 10% no capital social da outra empresa, deve ser considerada a soma das receitas brutas de ambas as empresas até o limite legal estabelecido na noi 4 Processo n° 13839 0015 83/2004-1 7 S3-CI12 Acórdão n "3102-00,028 Fl 78 No presente caso, restou comprovada a existência da situação impeditiva supra, motivo pelo qual não há como ser atendido o pleito da recorrente. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argumentos ,,,, 7-\-; Luciano Lopes A d lmeida1 oraes 5
score : 1.0
Numero do processo: 10950.002635/2004-06
Data da sessão: Thu Mar 26 00:00:00 UTC 2009
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO. PROCESSO ANULADO A PARTIR DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA INCLUSIVE.
Deve ser anulado o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive, quando esta deixou de apreciar matéria trazida aos autos pelo contribuinte em sua impugnação.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 3102-000.081
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO. PROCESSO ANULADO A PARTIR DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA INCLUSIVE. Deve ser anulado o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive, quando esta deixou de apreciar matéria trazida aos autos pelo contribuinte em sua impugnação. Processo Anulado.
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Recorrida DRJ/Campo Grande/MS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO. PROCESSO ANULADO A PARTIR DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA INCLUSIVE. Deve ser anulado o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive, quando esta deixou de apreciar matéria trazida aos autos pelo contribuinte em sua impugnação. Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo a partir da decisão de primeira instância, inclusive, nos termos do voto do relator. 'RIA HELENA TWANO DAMORIM - Presidente f\ axu- IQ 411r n °I1 ) MARCELO RIBEI ' O NOGUEIRA — Relatb EDITADO EM: Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira (Relator), Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Processo n° 10950.002635/2004-06 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.081 Fl. 220 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata o presente processo de Auto de Infração (f: 24/35), mediante o qual se exige a diferença de Imposto Territorial Rural — ITR, Exercício 2002, no valor total de R$ 131.253,37, do imóvel rural inscrito na Receita Federal sob o n° 0.881.553-4, localizado no município de Moreira Sales - PR. Na descrição dos fatos f 28/33), o fiscal autuante relata que foi apurada a falta de recolhimento do ITR, decorrente da glosa total das áreas originalmente informadas como de preservação permanente e de utilização limitada, haja vista não terem sido providenciado ADA tempestivo. Em conseqüência, houve aumento da área tributável, da base de cálculo, da alíquota e do valor devido do tributo. O interessado apresentou a impugnação de f 38/58. Alega, em síntese, que a isenção relativa às áreas de preservação permanente e de utilização limitada dá-se pelo simples efeito da Lei (Código Florestal), não estando sujeita a nenhuma formalidade adicional. Sustenta, ainda, que a legislação que rege a matéria determina que estas áreas não estão sujeitas à prévia comprovação por parte do contribuinte. Insurge-se contra a aplicação da multa, que entende ser confiscatória, e da taxa SELIC, que afirma ser superior ao percentual estipulado em Lei. Solicita a realização de perícia no imóvel, com o fim de comprovar o que foi declarado na DITR. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. - RESERVA LEGAL. Para serem consideradas isentas, as áreas de preservação permanente e de reserva legal devem ser reconhecidas mediante Ato Declaratório Ambiental - ADA, cujo requerimento deve ser protocolado dentro do prazo estipulado. Lançamento procedente. O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este Conselho de Contribuintes e fiui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. 2 Processo n° 10950.002635/2004-06 S3 -C1T2 Acórdão n.° 3102-00.081 Fl. 221 Em julgamento datado de 29 de janeiro de 2008, este processo entrou em pauta para julgamento do respectivo recurso voluntário, cujo resultado ensejou o Acórdão 302- 39.252. Na oportunidade, após fazer um breve relato dos fatos e das razões recursais, o Colegiado negou provimento ao recurso, na forma do voto da ilustre relatora designada Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. Ocorre que por equívoco deste relator deixou de ser apreciada preliminar de nulidade argüida pelo contribuinte, por existência de fato dúbio no auto de infração, matéria igualmente não mencionada na decisão de primeira instância, apesar de incluída a mesma preliminar na peça de impugnação. Tendo sido interpostos Embargos de Declaração pelo contribuinte, ora recorrente, foi anulada a decisão original desta Colenda Câmara para que nova decisão fosse proferida, tendo sido resumida da seguinte forma a decisão proferida naquela oportunidade: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Havendo omissão de matéria sobre a qual deveria se pronunciar o Colegiado, devem ser conhecidos e acolhidos os Embargos de Declaração para integrar a decisão embargada. Embargos conhecidos e acolhidos. Retomaram os autos a este Relator que pediu sua inclusão na pauta para novo julgamento. É o Relatório. 3 Processo n° 10950.00263512004-06 S3 -C1T2 Acórdão n.° 3102-00.081 Fl. 222 Voto Conselheiro MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Relator Entendo que o recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais. Há preliminar a ser examinada, que refere-se à existência de fato dúbio no auto de infração, o que não foi apreciado pela decisão de primeira instância, apesar de constar da peça de bloqueio apresentada à primeira instância administrativa. O mencionado fato dúbio diz respeito à contradição existente entre o fato gerador apontado no auto de infração, ou seja, 1° de janeiro de 2002 e no Termo de Verificação Fiscal, há diversas referências ao ano de 2000. Na forma do disposto parágrafo 3° do no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72, verbis: Art. 59. São nulos: II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 3" Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Incluído pela Lei n°8.748, de 1993) De fato, observo que o contribuinte tem razão, pois a decisão de primeira instância não se manifestou sobre a preliminar de nulidade do auto de infração, que foi formulada inicialmente na impugnação às fls. 40/41, o que a torna nula, por força do inciso II do artigo 59 acima transcrito. Assim, VOTO por conhecer do recurso e dar-lhe provimento para anular o processo desde a decisão de primeira instância inclusive e para determinar que seja proferida nova decisão pela Delegacia Regional de Julgamento competente, apreciando todas as matérias e argumentos trazidos na impugnação apresentada. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA 4
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Numero do processo: 13894.000677/2003-23
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2006
Ementa: SIMPLES. INCLUSÃO RETROATIVA. AFASTADAS AS
PRELIMINARES SUSCITADAS. NO MÉRITO É DE SE
DECIDIR QUE NÃO PODERÁ SER CONFUNDIDO COM
ATIVIDADE DE INFORMÁTICA PRIVATIVA DE
ENGENHEIROS, PROFESSORES, CONSULTORES,
ANALISTAS OU ASSEMELHADOS, RAMO DE COMÉRCIO
• VAREJISTA DE SUPRIMENTOS PARA INFORMÁTICA,
SERVIÇOS DE DIGITAÇÃO E BUREAU DE SERVIÇOS.
ATIVIDADE EXERCIDA NÃO SE ENCONTRA
ENQUADRADA NAS ATIVIDADES INCLUÍDAS NOS
DISPOSITIVOS DE VEDAÇÃO À OPÇÃO PELO REGIME
ESPECIAL DO SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE
IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E
DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE.
Comprovado que a recorrente se dedica ao ramo de comércio
varejista de suprimentos para informática, serviços de digitação e
bureau de serviços, prestados por digitadores, técnicos de nível
médio, e que este ramo não se confunde com a prestação de serviços
privativos de engenheiros, professores, consultores, analistas,
assemelhados e profissões legalmente regulamentadas, sendo essa
atividade exercida pela recorrente perfeitamente permitida pela
legislação vigente aplicável, é de se reconsiderar o DESPACHO
110
DECISÓRIO que negou a sua inclusão retroativa do Sistema
Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES.
Recurso voluntário em que é dado provimento
Numero da decisão: 303-33.677
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Silvio Marcos Barcelos Fiuza
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ME. Recorrida : DRJ/CAMPINAS/SP SIMPLES. INCLUSÃO RETROATIVA. AFASTADAS AS PRELIMINARES SUSCITADAS. NO MÉRITO É DE SE DECIDIR QUE NÃO PODERÁ SER CONFUNDIDO COM ATIVIDADE DE INFORMÁTICA PRIVATIVA DE ENGENHEIROS, PROFESSORES, CONSULTORES, ANALISTAS OU ASSEMELHADOS, RAMO DE COMÉRCIO • VAREJISTA DE SUPRIMENTOS PARA INFORMÁTICA, SERVIÇOS DE DIGITAÇÃO E BUREAU DE SERVIÇOS. ATIVIDADE EXERCIDA NÃO SE ENCONTRA ENQUADRADA NAS ATIVIDADES INCLUÍDAS NOS DISPOSITIVOS DE VEDAÇÃO À OPÇÃO PELO REGIME ESPECIAL DO SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE. Comprovado que a recorrente se dedica ao ramo de comércio varejista de suprimentos para informática, serviços de digitação e bureau de serviços, prestados por digitadores, técnicos de nível médio, e que este ramo não se confunde com a prestação de serviços privativos de engenheiros, professores, consultores, analistas, assemelhados e profissões legalmente regulamentadas, sendo essa atividade exercida pela recorrente perfeitamente permitida pela legislação vigente aplicável, é de se reconsiderar o DESPACHO 110 DECISÓRIO que negou a sua inclusão retroativa do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES. Recurso voluntário em que é dado provimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento ao re urso voluntário na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgad (Y-dP DM , Processo n° : 13894.000677/2003-23 Acórdão n° : 303-33.677 4 IP ANELISE P AUDT PRIETO Presidente IP' / SILVIÔ MARCO,IARCELOS FIÚZA Relator Formalizado em: 24 NOV 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Nanci Gama, Zenaldo • Loibman, Marciel Eder Costa, Nilton Luiz Bartoli, Tarásio Campelo Borges e Sérgio de Castro Neves. , , • , I 2 1 , , Processo n° : 13894.000677/2003-23 Acórdão n° : 303-33.677 RELATÓRIO Trata o processo de pedido de reinclusão da ora recorrente no Simples, em virtude da mesma ter sempre recolhido seus tributos e entregue as declarações pelo Simples. A Delegacia da Receita Federal em Guarulhos indeferiu a solicitação da contribuinte fundamentando-se no fato de que a contribuinte explora o ramo de comércio varejista de suprimentos de informática e serviços de digitação e bureau de serviços. Segundo a DRF, como há houve especificação de quais serviços 1 são prestados pela requerente, deve-se concluir que inclui-se na expressão bureau de serviços atividades diversas relacionadas à informática, tais como editoração eletrônica, desenvolvimento de home pages, consultoria técnica, manutenção de 1110 sistemas e criação de folhetos, as quais vedaria a opção pelo Simples, conforme previsto no art. 9° inciso XIII, da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, por caracterizarem serviços de programador, consultor, engenheiro ou, ainda, de publicitário, no caso de criação de folhetos. Cientificada da decisão que indeferiu sua solicitação em 19/05/2004 (fl. 28), a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 31/43, em 16/06/2004, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: - por ter impedido o ingresso no Simples a um número infindável de pequenas empresas, o art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, não cumpriu a diretriz constitucional de dispensar à microempresa e à empresa de pequeno porte tratamento favorecido e simplificado das obrigações tributárias. Houve uma inconstitucionalidade parcial, pois nesse aspecto a Lei n° 9.317, de 1996, foi além do permitido constitucionalmente. Da mesma forma, é inconstitucional a recente Lei n° 10.034, de 24 de outubro de 2000, que excluiu algumas pessoas jurídicas das • restrições do inciso XIII do art. 9° da Lei n° 9.317, de 1996, sem observar os princípios da igualdade e da razoabilidade; - a decisão guerreada, baseando-se em meras suposições ou conclusões sem que tenha dado à recorrente o direito de se defender ou esclarecer suas atividades, não cumpriu os preceitos constitucionais que norteiam o processo administrativo fiscal; - a atividade da empresa não se enquadra naquelas previstas no art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317, de 1996. A empresa possui como atividade o comércio varejista de suprimentos para informática e serviços de assessoria, consultoria, planejamento, projetos, análise de sistemas, treinamento, desenvolvimento e demais serviços na área de informática, ou seja, prescinde de qualquer profissional com conhecimento té nico específico. Ademais, não existe 3 , Processo n° : 13894.000677/2003-23 Acórdão n° : 303-33.677 norma jurídica que exija a habilitação profissional para o desenvolvimento da atividade comercial exercida pela recorrente; - não se pode conforme com o modo como se deu sua exclusão. O § 3° do art. 15 da Lei n° 9.317, de 1996, prescreve que a exclusão dar-se-á mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. Isso significa que, em não sendo atendida a norma jurídica acima citada, o princípio constitucional previsto no art. 5°, inciso LV, da Carta Magna inegavelmente foi violado, e o reflexo dessa conduta não será outro senão a declaração de nulidade do ato de exclusão do regime do Simples; - o ato declaratório de exclusão não pode produzir efeitos retroativos, por violar o princípio da irretroatividade das normas tributárias, previsto na Carta Magna. Por isso, somente após o trânsito em julgado administrativo ou judicial da decisão definitiva de exclusão do Simples é que a recorrente deverá sofrer • os efeitos da exclusão, isso caso não seja reintegrada ao sistema. A DRF de Julgamento em Campinas — SP, através do Acórdão n° 9.042 de 28 de março de 2005, indeferiu a solicitação da ora recorrente, nos termos que a seguir se transcreve: 1 "A manifestação de inconformidade é tempestiva, pelo que dela se conhece. De plano, cabe ressaltar que o presente processo trata-se de pedido de reinclusão no Simples. Dessa forma, é incabível a alegação de que teria havido descumprimento do § 3 0 do art. 15 da Lei n° 9.317, de 1996, e conseqüentemente do inciso LV do art. 5° da Constituição Federal, já que não se trata aqui, ao contrário do que parece supor a contribuinte, de ato de exclusão do Simples. OPor outro lado, a decisão da DRF não se baseou em meras suposições. Pelo contrário, a decisão está devidamente fundamentada no fato de que a atividade da contribuinte não está especificada em seu contrato social. Com efeito, na expressão bureau de serviços, como observou a decisão guerreada, comporta todo tipo de serviços na área da informática, o que pode, pois, incluir aqueles que vedam a opção pelo Simples. Observe-se que, tratando-se de um pedido da contribuinte para reinclusão no Simples, cabe a ela demonstrar que não incorre em nenhum tipo de vedação à opção por esse sistema, o que ela não fez. Por outro lado, na manifestação de inconformidade, a contribuinte afirma que possui comoatividade o comércio varejista de 4 Processo n° : 13894.000677/2003-23 Acórdão n° : 303-33.677 suprimentos para informática e serviços de assessoria, consultoria, planejamento, projetos, análise de sistemas, treinamento, desenvolvimento e demais serviços na área de informática, ou seja, prescinde de qualquer profissional com conhecimento técnico especifico. Logo, a contribuinte exerce atividades que impedem a opção pelo Simples, ou seja, as atividades de consultor, analista de sistemas e professor, todas elas expressamente discriminadas pelo inciso XIII do art. 9° da Lei n° 9.317, de 1996, in verbis: "Art. 90 Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XIII — que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de • espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro , arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida;" No tocante à alegação da contribuinte de que sua exclusão não poderia ser retroativa, novamente é de se registrar que o presente processo trata-se de inclusão no Simples e não de exclusão desse sistema. Por conseguinte, também aqui a alegação da contribuinte não tem pertinência com o caso em tela. Por fim, é preciso dizer que não cabe a esta Turma de Julgamento analisar alegações de constitucionalidade. Com efeito, no âmbito do procedimento administrativo tributário, cabe exclusivamente verificar se o ato praticado pelo agente do Fisco está, ou não, conforme a lei, sem emitir juízo da legalidade ou • constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Nesse aspecto, a jurisprudência administrativa tem o entendimento de que o controle da constitucionalidade das leis é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instância revisional no Supremo Tribunal Federal — art. 102, inciso I, alínea "a", e inciso III, da Constituição Federal. Portanto, é defeso aos órgãos administrativos, de forma original, reconhecer alegada inconstitucionalidade da lei que fundamenta o procedimento fiscal, ainda que sob o pretexto de deixar de aplicá-la ao caso concreto. Isso porque, a decisão de não aplicá- la ao caso concreto, até por razão lógica, é precedida de um juízo e conseqüente declaração: o reconheci ento administrativo da inconstitucionalidade da lei ou ato normativo aplicado. 1 , Processo n° : 13894.000677/2003-23 Acórdão n° : 303-33.677 Em face do exposto, voto no sentido de se conhecer da manifestação de inconformidade, por tempestiva, para, no mérito, indeferir a solicitação da contribuinte." O recorrente tomou ciência dessa decisão através da Comunicação recebida via AR e apresentou, tempestivamente, as razões de sua insatisfação recursal à este Terceiro Conselho de Contribuintes. Em seu arrazoado, além de manter os argumentos explanados em preliminares na exordial, referentes a garantias constitucionais e inconstitucionalidades de leis, a recorrente rebateu os argumentos utilizados pela DRF de Julgamento, reafirmando que por meramente ser empresa empresarial prestando serviços no ramo de informática, não exigindo profissionais técnicos especializados e iser microempresa ou empresa de pequeno porte, já lhe garante o direito de opção pelo SIMPLES. 110 Outrossim, afirma que a sua exclusão se deu exclusivamente por mera suposição, uma vez que a sua atividade empresarial não se enquadra na previsão do artigo 9 0, inciso XIII da Lei 9.317/96. , Por fim, requereu a sua reintegração e continuidade dentro do regime simplificado do SIMPLES, dando provimento ao seu recurso. É o Relatório." 1 6 Processo n° : 13894.000677/2003-23 Acórdão n° : 303-33.677 VOTO Conselheiro Silvio Marcos Barcelos Fiúza, Relator Tomo conhecimento do recurso, que é tempestivo, tendo em vista que a recorrente tomou ciência da decisão da DRF de Julgamento em Campinas — SP, através da Comunicação 418/2005 (fls. 63) via AR em data de 19 de abril de 2005 (fls. 64), tendo apresentado suas razões recursais com anexos, devidamente protocolados na repartição competente da SRF em 10 de maio de 2005 (fls. 78 a 100) estando revestido das formalidades legais, bem como, trata-se de matéria da competência deste Colegiado. Em sede de preliminar, não assiste razão a recorrente quanto às alegações de garantia institucional para continuar enquadrada na sistemática do 111 SIMPLES em função da simplificação das obrigações tributárias das pequenas empresas, e quanto a argüição de inconstitucionalidade das Leis Ws 9.317/96 e 10.034/2000. Primeiramente por que, se a legislação vigente permite que o contribuinte faça a opção sem a prévia manifestação do Fisco, não impede a sua apreciação posterior, quanto a legalidade daquele ato, por parte da Receita Federal, com vistas a verificação da regularidade da opção. Portanto, quando o Fisco apura que a empresa optou indevidamente pelo regime do SIMPLES, não somente pode, como é dever excluí-la de tal sistemática, isto no momento de sua apreciação, a partir da data do ato ilegal, quando comunicará o fato ao contribuinte da irregularidade cometida, que é exatamente o ato de exclusão. A legislação competente em vigor, concede autorização legislativa para que a exclusão se possa dar com efeitos retroativos à data da situação excludente. Ainda em preliminar, meras alegações por pretenso descumprimento de diretrizes constitucionais, não deverão ser apreciadas, já que não estão compreendidas no juízo dos tribunais administrativos, pois o controle da constitucionalidade das leis é de competência exclusiva do poder judiciário, e no sistema difuso, centrado em última instância revisional no STF. No mérito, de plano, é dever se concluir que as atividades presentes no objeto social da empresa ora recorrente, e que vem sendo por exercidas, quais sejam, "o comércio varejista de suprimentos para informática e serviços de digitação e bureau de serviços", não estão presentes no rol de atividades impeditivas disposto no inciso XIII, art. 9°, da Lei 9.317, in verbis: "Art. 9° Não poderá optar pelo SI/vIPLES, a pessoa jurídica: (..) 7 , . Processo n° : 13894.000677/2003-23 Acórdão n° : 303-33.677 XIII — que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro , arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida;" No mesmo sentido, não há impedimento quanto à atividade I constante no Cadastro Nacional da Pessoa Física - CNPJ do contribuinte, qual seja, "comércio varejista de equipamentos e materiais de escritórios de informática e comunicação" (código: 52.45-0) • Observa-se, ainda, que não há exigência ou pré-requisito legal algum para que sejam executados os serviços propostos e que vêm sendo exercidos I pela recorrente, como sejam, "comércio varejista de suprimentos para informática, serviços de digitação e bureau de serviços", prestados por digitadores, técnicos de nível médio, não havendo necessidade de profissão legalmente regulamentada para exercer tal atividade. Destarte, entendemos que este tipo de prestação de serviços da i recorrente (comércio varejista de suprimentos para informática, serviços de digitação e bureau de serviços), prestados por técnicos de nível médio, não representa serviço profissional de engenharia (eletrônica), professor, consultor, analista ou assemelhado, nem há necessidade de exercício de qualquer profissão legalmente regulamentada, como vem afirmando os órgãos competentes da SRF de São Paulo. Como também, não existe nenhuma prova nos autos, indicando que a recorrente exerça atividade impeditiva da opção pelo SIMPLES. Observe-se ainda, que a recorrente se encontra devidamente • amparada nos termos do art. 8°, inciso II, § 6° da Lei 9.317/1996 (parágrafo acrescido pela Lei 10.833/2003), combinado com o Art. 106 , inciso II, alínea "b" do Código Tributário Nacional, não estando suas atividades abrangidas pelas vedações contidas nos dispositivos legais que regem a sistemática do SIMPLES, fazendo jus, portanto, aos beneficios desse regime especial de pagamento. Em vista disso, concluímos que as atividades exercidas pela recorrente, estão entre aquelas permitidas pela legislação para inclusão no SIMPLES. Por essas razões, é de se reconsiderar o DESPACHO DECISÓRIO que negou a inclusão retroativa da recorrente do S' tema Integrado de Pagamento de 8 g .. . . . . Processo n° : 13894.000677/2003-23 Acórdão n° : 303-33.677 Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. Então, VOTO para que seja dado provimento ao Recurso. Sala das Sessões, em 19 de outubro de 2006. 1SILVIO MARCOS B • ! 4' LOS FIUZA - Relator 1 1 , II 9
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Numero do processo: 15889.000614/2007-03
Data da sessão: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
PerÍodo de apuração: 01/01/2002 a 31/05/2007
PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA PARCIAL. PERDA DE OBJETO. NÃO CONHECIMENTO.
A opção do contribuinte a parcelamento após a lavratura do lançamento importa em desistência da discussão administrativa e renúncia ao direito sobre o qual se funda a defesa, impondo-se o não conhecimento do recurso nesta parte.
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 DO CARF.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa.
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR QUANDO HÁ ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO E A PARTIR DO 1º DIA DO ANO SEGUINTE AO FATO GERADOR QUANDO NÃO SE ANTECIPOU PAGAMENTO. PRECEDENTES DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO DO ART. 62-A, DO RI-CARF.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o Poder Público dispõe do prazo de 05 (cinco) anos para constituir o crédito tributário pelo lançamento, contados do fato gerador, quando há antecipação de pagamento ou do 1º dia do ano seguinte ao fator gerador, quando não se antecipou pagamento, nos termos do art. 150, §4º, e do art. 173, I, do CTN. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ, no Recurso Especial Representativo de Controvérsia nº 566.621, nos termos do art. 62-A, do RI-CARF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONFISSÃO DE DÍVIDA E CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO VIA PARCELAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO POSTERIOR. DESCABIMENTO. CANCELAMENTO.
Sendo o parcelamento uma forma de constituição válida do crédito tributário em favor da Administração, em que a Lei atribui o efeito de confissão de dívida, a lavratura de Auto de Infração posterior traduz-se em descabida duplicidade de lançamento, devendo ser afastados os lançamentos quanto aos valores comprovadamente inseridos no parcelamento.
RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROCEDIMENTO FISCAL EM CURSO. ESPONTANEIDADE. INEXISTÊNCIA. CANCELAMENTO DO LANÇAMENTO SUBSEQUENTE. EXCLUSÃO DE MULTA. DESCABIMENTO.
Nos termos do art. 138, do CTN, estando o contribuinte sob procedimento fiscal, a posterior retificação de DCTF não caracteriza espontaneidade para fins de inviabilizar o subsequente lançamento tributário, bem como para que haja o afastamento da incidência da multa de ofício quanto aos valores contidos na retificadora.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO POSTERIOR A DECISÃO JUDICIAL QUE CONSIDEROU DEVIDO O TRIBUTO. MULTA. ART. 63 E §2º, DA LEI Nº 9.430/96. INAPLICABILIDADE
Tratando-se de auto de infração lavrado após o transcurso dos 30 dias da publicação da decisão judicial que considerou devido o tributo, sem que o contribuinte efetuasse o recolhimento do tributo, torna-se inaplicável o disposto no § 2º do art. 63, da Lei n.º 9.430/96, sendo devida a multa de ofício em razão da infração de falta de recolhimento e seu retardamento culposo.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI COMO RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS. TRANSFERÊNCIA DE UM ESTABELECIMENTO PARA OUTRO SEM EMISSÃO DE DOCUMENTO FISCAL. ESCRITURAÇÃO. GLOSA. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. FLEXIBILIZAÇÃO. PROVAS. AUSÊNCIA. DESCABIMENTO.
À míngua de provas robustas de que os créditos presumidos de IPI, escriturados pelo estabelecimento para o qual tenham sido transferidos de outro estabelecimento do contribuinte, não é possível cogitar em flexibilizar requisito legal para afastar exigência tributária fundada na respectiva glosa, devendo ser mantido o lançamento.
Recurso Parcialmente Conhecido.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-002.209
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do recurso referente aos períodos inseridos no parcelamento e quanto à matéria objeto de concomitância e, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para cancelar o lançamento tributário relativo aos períodos de apuração de outubro de 2002 e pretéritos, pela decadência; para determinar a exclusão dos valores que comprovadamente tiverem sido inseridos no PAEX e ao mesmo tempo tenham sido objeto de constituição através do lançamento sob análise, mantidos os valores (principal, multa e juros) que não tenham sido inseridos no referido Parcelamento. E, pela maioria de votos, determinar que a multa moratória incida a partir do trigésimo dia após a decisão em sede de apelação, que cancelou a liminar. Vencidos João Carlos Cassuli Junior (relator) e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Designado conselheiro para redigir o voto vencedor Fernando Luiz da Gama D Eça. Fez sustentação oral dr Eduardo Diamantino Bonfim e Silva OAB/SP 119083-ª
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior Relator
Fernando Luiz da Gama Lobo d´Eça
Redator designado
Participaram do julgamento os Conselheiros ... GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: Relatora Sílvia de Brito Oliveira
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI PerÍodo de apuração: 01/01/2002 a 31/05/2007 PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA PARCIAL. PERDA DE OBJETO. NÃO CONHECIMENTO. A opção do contribuinte a parcelamento após a lavratura do lançamento importa em desistência da discussão administrativa e renúncia ao direito sobre o qual se funda a defesa, impondo-se o não conhecimento do recurso nesta parte. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 DO CARF. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR QUANDO HÁ ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO E A PARTIR DO 1º DIA DO ANO SEGUINTE AO FATO GERADOR QUANDO NÃO SE ANTECIPOU PAGAMENTO. PRECEDENTES DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO DO ART. 62-A, DO RI-CARF. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o Poder Público dispõe do prazo de 05 (cinco) anos para constituir o crédito tributário pelo lançamento, contados do fato gerador, quando há antecipação de pagamento ou do 1º dia do ano seguinte ao fator gerador, quando não se antecipou pagamento, nos termos do art. 150, §4º, e do art. 173, I, do CTN. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ, no Recurso Especial Representativo de Controvérsia nº 566.621, nos termos do art. 62-A, do RI-CARF. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONFISSÃO DE DÍVIDA E CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO VIA PARCELAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO POSTERIOR. DESCABIMENTO. CANCELAMENTO. Sendo o parcelamento uma forma de constituição válida do crédito tributário em favor da Administração, em que a Lei atribui o efeito de confissão de dívida, a lavratura de Auto de Infração posterior traduz-se em descabida duplicidade de lançamento, devendo ser afastados os lançamentos quanto aos valores comprovadamente inseridos no parcelamento. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROCEDIMENTO FISCAL EM CURSO. ESPONTANEIDADE. INEXISTÊNCIA. CANCELAMENTO DO LANÇAMENTO SUBSEQUENTE. EXCLUSÃO DE MULTA. DESCABIMENTO. Nos termos do art. 138, do CTN, estando o contribuinte sob procedimento fiscal, a posterior retificação de DCTF não caracteriza espontaneidade para fins de inviabilizar o subsequente lançamento tributário, bem como para que haja o afastamento da incidência da multa de ofício quanto aos valores contidos na retificadora. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO POSTERIOR A DECISÃO JUDICIAL QUE CONSIDEROU DEVIDO O TRIBUTO. MULTA. ART. 63 E §2º, DA LEI Nº 9.430/96. INAPLICABILIDADE Tratando-se de auto de infração lavrado após o transcurso dos 30 dias da publicação da decisão judicial que considerou devido o tributo, sem que o contribuinte efetuasse o recolhimento do tributo, torna-se inaplicável o disposto no § 2º do art. 63, da Lei n.º 9.430/96, sendo devida a multa de ofício em razão da infração de falta de recolhimento e seu retardamento culposo. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI COMO RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS. TRANSFERÊNCIA DE UM ESTABELECIMENTO PARA OUTRO SEM EMISSÃO DE DOCUMENTO FISCAL. ESCRITURAÇÃO. GLOSA. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. FLEXIBILIZAÇÃO. PROVAS. AUSÊNCIA. DESCABIMENTO. À míngua de provas robustas de que os créditos presumidos de IPI, escriturados pelo estabelecimento para o qual tenham sido transferidos de outro estabelecimento do contribuinte, não é possível cogitar em flexibilizar requisito legal para afastar exigência tributária fundada na respectiva glosa, devendo ser mantido o lançamento. Recurso Parcialmente Conhecido. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DESISTÊNCIA PARCIAL. PERDA DE OBJETO. NÃO CONHECIMENTO. A opção do contribuinte a parcelamento após a lavratura do lançamento importa em desistência da discussão administrativa e renúncia ao direito sobre o qual se funda a defesa, impondose o não conhecimento do recurso nesta parte. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 DO CARF. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR QUANDO HÁ ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO E A PARTIR DO 1º DIA DO ANO SEGUINTE AO FATO GERADOR QUANDO NÃO SE ANTECIPOU PAGAMENTO. PRECEDENTES DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO DO ART. 62A, DO RICARF. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o Poder Público dispõe do prazo de 05 (cinco) anos para constituir o crédito tributário pelo lançamento, contados do fato gerador, quando há antecipação de pagamento ou do 1º dia do ano seguinte ao fator gerador, quando não se antecipou pagamento, nos termos do art. 150, §4º, e do art. 173, I, do CTN. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ, no Recurso Especial Representativo de Controvérsia nº 566.621, nos termos do art. 62A, do RI CARF. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 06 14 /2 00 7- 03 Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOAO CARL OS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONFISSÃO DE DÍVIDA E CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO VIA PARCELAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO POSTERIOR. DESCABIMENTO. CANCELAMENTO. Sendo o parcelamento uma forma de constituição válida do crédito tributário em favor da Administração, em que a Lei atribui o efeito de confissão de dívida, a lavratura de Auto de Infração posterior traduzse em descabida duplicidade de lançamento, devendo ser afastados os lançamentos quanto aos valores comprovadamente inseridos no parcelamento. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROCEDIMENTO FISCAL EM CURSO. ESPONTANEIDADE. INEXISTÊNCIA. CANCELAMENTO DO LANÇAMENTO SUBSEQUENTE. EXCLUSÃO DE MULTA. DESCABIMENTO. Nos termos do art. 138, do CTN, estando o contribuinte sob procedimento fiscal, a posterior retificação de DCTF não caracteriza espontaneidade para fins de inviabilizar o subsequente lançamento tributário, bem como para que haja o afastamento da incidência da multa de ofício quanto aos valores contidos na retificadora. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO POSTERIOR A DECISÃO JUDICIAL QUE CONSIDEROU DEVIDO O TRIBUTO. MULTA. ART. 63 E §2º, DA LEI Nº 9.430/96. INAPLICABILIDADE Tratandose de auto de infração lavrado após o transcurso dos 30 dias da publicação da decisão judicial que considerou devido o tributo, sem que o contribuinte efetuasse o recolhimento do tributo, tornase inaplicável o disposto no § 2º do art. 63, da Lei n.º 9.430/96, sendo devida a multa de ofício em razão da infração de falta de recolhimento e seu retardamento culposo. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI COMO RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS. TRANSFERÊNCIA DE UM ESTABELECIMENTO PARA OUTRO SEM EMISSÃO DE DOCUMENTO FISCAL. ESCRITURAÇÃO. GLOSA. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. FLEXIBILIZAÇÃO. PROVAS. AUSÊNCIA. DESCABIMENTO. À míngua de provas robustas de que os créditos presumidos de IPI, escriturados pelo estabelecimento para o qual tenham sido transferidos de outro estabelecimento do contribuinte, não é possível cogitar em flexibilizar requisito legal para afastar exigência tributária fundada na respectiva glosa, devendo ser mantido o lançamento. Recurso Parcialmente Conhecido. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do recurso referente aos períodos inseridos no parcelamento e quanto à matéria objeto de concomitância e, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para cancelar o lançamento tributário relativo aos períodos de apuração de outubro de 2002 e pretéritos, pela decadência; para determinar a exclusão dos valores que comprovadamente Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOAO CARL OS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 15889.000614/200703 Acórdão n.º 3402002.209 S3C4T2 Fl. 1.386 3 tiverem sido inseridos no PAEX e ao mesmo tempo tenham sido objeto de constituição através do lançamento sob análise, mantidos os valores (principal, multa e juros) que não tenham sido inseridos no referido Parcelamento. E, pela maioria de votos, determinar que a multa moratória incida a partir do trigésimo dia após a decisão em sede de apelação, que cancelou a liminar. Vencidos João Carlos Cassuli Junior (relator) e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Designado conselheiro para redigir o voto vencedor Fernando Luiz da Gama D Eça. Fez sustentação oral dr Eduardo Diamantino Bonfim e Silva OAB/SP 119083ª (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator Fernando Luiz da Gama Lobo d´Eça Redator designado Participaram do julgamento os Conselheiros ... GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOAO CARL OS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 Relatório Versam os autos de lançamento tributário relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, no valor total de R$80.779.674,25 (oitenta milhões, setecentos e setenta e nove mil, seiscentos e setenta e quatro reais e vinte e cinco centavos), lavrado através de Auto de Infração que fundamentase em diferenças apuradas entre os valores devidos e aqueles declarados em suas DCTF e pagos, relativas aos períodos de apuração compreendidos entre 01 de janeiro de 2002 e 31 de maio de 2007. Segundo Termo de Constatação Fiscal, o lançamento deveuse ao fato de ter sido constatado que o sujeito passivo informou em DCTF e recolheu a menor o imposto, em virtude de ter escriturado indevidamente no Livro RAIPI créditos de terceiros, ou ainda, créditos calculados sobre a aquisição de insumos isentos, não tributados e alíquota zero, bem como crédito presumido para compensar PIS/COFINS de exportações, ora inserindo crédito no Livro RAIPI em desacordo com o escriturado no Livro Registro de Entradas, ora simplesmente informando na DCTF valor menor que o apurado no RAIPI. Constou ainda do Auto de Infração que o sujeito passivo, após início da fiscalização, procedeu à retificações de diversas DCTF´s, ajustandoas em parte às constatações procedidas pela autoridade lançadora, porém, sem terem sido acatadas em face da perda da espontaneidade por parte do contribuinte. DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do Auto de Infração em 28/11/2007, conforme assinatura lançada no próprio documento, às fls. 05 – numeração em papel (fl. 06, ne.), o contribuinte apresentou Impugnação em 28/12/2007, opondose à autuação, através dos argumentos que por muito bem sintetizados pela DRJ/RPO, permitome transcrever: “1) os créditos lançados referemse a pedidos de compensação de crédito com débito de terceiros, na qual o parágrafo 5º do artigo 74 da Lei n° 9.430/96 determina que ´o prazo de homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação´. Sendo assim, os pedidos relativos aos tributos vencidos até 28/11/2002 foram atingidos pela prescrição, não podendo ser exigidos; 2) alega que quase um quarto dos valores lançados já estão em fase final de cobrança, na qual os débitos referentes ao ano calendário 2003 estão inscritos em dívida ativa, através do processo administrativo n° 13873.000104/200771 instaurado para acompanhamento das citadas compensações informadas em DCTF, ocorrendo assim a dupla exigência. Também ocorre duplicidade de exação nos seguintes períodos: 2.1) 3º decêndio de janeiro de 2002, 1º decêndio de março de 2002, 2º decêndio de março de 2002, 3º decêndio de março de 2002, 3º decêndio de abril de 2002 e 1º decêndio de maio de 2002: através do processo administrativo n ° 13401.000383/200487 os débitos encontramse em fase final de cobrança, já que a empresa foi intimada a pagar os referidos débitos sob pena de inscrição em dívida ativa; Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOAO CARL OS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 15889.000614/200703 Acórdão n.º 3402002.209 S3C4T2 Fl. 1.387 5 2.2) 1º decêndio de outubro de 2002 ao 3º decêndio de dezembro de 2002: uma parte referente ao lançamento encontrase com a exigibilidade suspensa em razão de medida liminar concedida no processo judicial n° 98.00007687, outra parte foi incluída no pedido de adesão ao Parcelamento Excepcional PAEX (pedido de adesão fl. 854). Além disso, parcela do débito lançado referente ao 3º decêndio de novembro encontrase em fase final de cobrança por decisão proferida em outro processo administrativo; 3) A maioria dos créditos exigidos foram constituídos com base na glosa de créditos que tiveram por fundamento o processo judicial n° 98.00007687, onde foi deferida medida liminar autorizando o crédito sobre aquisição de insumos isentos, não tributados e alíquota zero, portanto com exigibilidade suspensa. Assim, a multa de ofício não poderia ter sido lançada, conforme art. 63 da Lei 9.430/96, e a multa moratória somente poderá incidir a partir de 12 de janeiro de 2008, pois o acórdão que rejeitou os embargos declaratórios foi publicado 12 de dezembro de 2007; 4) Os créditos relativos ao 1º e 2º decêndios de janeiro de 2002 são originários de pedidos de compensação, e o processo administrativo n° 13873.000225/200217 foi instaurado com o fim específico de acompanhar tais pedidos; 5) Os créditos relativos aos decêndios de setembro de 2002 encontramse com a exigibilidade suspensa em razão de concessão de medida liminar no processo n° 98.00007687. Além disso, os débitos do 2° e 3º decêndios encontramse em processo de cobrança (fls.898/899); 6) Os créditos relativos a 1ª quinzena de janeiro de 2004 ate ́a 2ª quinzena de março de 2004 são originados de glosas na escrita fiscal de créditos do IPI relativos ao PIS/COFINS incidentes sobre exportações gerados pelo estabelecimento matriz e transferidos para a filial. O fato da ausência de emissão da nota fiscal de transferência dos créditos, da matriz para a filial, não deve infirmar o direito ao crédito presumido, conforme posição já firmada pelo Conselho de Contribuintes no sentido que o descumprimento de uma obrigação formal não pode acarretar a perda do direito do contribuinte; 7) Da 2ª quinzena de maio de 2004 ate ́ dezembro de 2004, os créditos encontramse com a exigibilidade suspensa em razão de concessão de medida liminar no processo n° 98.00007687; 8) De janeiro de 2005 a maio de 2007, uma vez concedida a medida liminar já mencionada, todo e qualquer produto adquirido pela impugnante, ainda que não tributado ou tributado à alíquota zero, gera direito ao crédito. Desta forma, é legítimo o crédito em sua escrita fiscal decorrente de aquisição de madeira bruta; 9) Requer ao final que seja acolhida a presente impugnação, cancelandose o débito fiscal reclamado.” Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOAO CARL OS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) (DRJ/CPS), houve por bem em considerar procedente o lançamento, proferindo o Acórdão nº. 1418.398, ementado nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/05/2007 TRIBUTO NÃO PAGO E NÃO DECLARADO. LANÇAMENTO. Constatada a existência de tributo não pago e não espontaneamente declarado, correto o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. ATOS PRATICADOS APÓS O INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE ( A R T . 138 DO CTN). Para fins de lançamento e aplicação de penalidade somente podem ser considerados pela fiscalização os atos praticados antes do início do procedimento fiscal, pois a partir daí que o contribuinte tem sua espontaneidade excluída (art. 7o do Decreto n. 70.235/72 e art. 138 do CTN). A retificação de DCTF e a solicitação de inclusão no PAEX, uma vez efetuadas no curso de procedimento fiscal, não são hábeis para infirmar o Auto de Infração. IPI. CRÉDITOS FICTOS. AQUISIÇÕES DESONERADAS DE INSUMOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O aproveitamento de valores a título de créditos fictos do imposto rende ensejo à glosa dos valores e à exigência do imposto não recolhido por meio de lançamento de ofício com os consectários a ele inerentes e sem a suspensão da exigibilidade, após a perda da concessão de liminar em ação autorizando seu aproveitamento. GLOSA DE CRÉDITO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITO. AUTONOMIA DOS ESTABELECIMENTOS. O IP1 é regido pelo princípio da autonomia dos estabelecimentos, e por conseqüência, é obrigação de cada estabelecimento comprovar a legitimidade dos créditos recebidos em transferência, subordinado ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência. IMPUGNAÇÃO DESTITUÍDA DE PROVAS. A impugnação deverá ser instruída com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. Lançamento Procedente Resumidamente, a DRJ/RPO afastou a preliminar de prescrição do direito de lançar relativamente aos períodos em que o contribuinte efetuou pedidos de compensação com créditos de terceiros, ao entendimento de que não se aplica referido preceito ao caso em análise. No mérito, afastou o argumento de impossibilidade de lançar valores constantes de Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOAO CARL OS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 15889.000614/200703 Acórdão n.º 3402002.209 S3C4T2 Fl. 1.388 7 DCTF´s retificadoras, assim como de exclusão dos valores constantes da adesão ao PAEX, ambos ao fundamento de que tais procedimentos foram adotados após o início do procedimento fiscal. No tocante à alegação de duplicidade de exação com valor supostamente inscrito em dívida ativa, do mesmo modo, por decorrer de débito constante de DCTF retificadora, não ensejaria o direito de não efetivar o lançamento; e, ainda, quanto a valores objeto de procedimentos de cobrança, manteve a exigência por constatar que tratarseiam de débitos objeto das DCTF´s retificadoras, não coincidindo com os débitos lançados. Quanto a ser, a empresa, detentora de liminar que suspenderia o crédito tributário, lhe autorizando a utilização dos créditos advindos de aquisições desonaradas do IPI, a DRJ entendeu que já havia sido cassada a ordem judicial que suspendia a exigibilidade do crédito tributário quando da lavratura do lançamento, de modo a entender hígido tanto o lançamento quanto a multa de ofício aplicada. No tocante aos créditos presumidos de IPI como ressarcimento de PIS e COFINS transferidos da matriz para a filial, entendeu que a ausência de documento obrigatório registrando referido trânsito de créditos, impede seu uso pelo estabelecimento destinatário, pelo que manteve a exigência. Finalmente, com relação a créditos de terceiros, utilizados para compensação de valores constantes do lançamento, e que estariam sendo objeto de cobrança em duplicidade (porque objeto de controle e cobrança nos processos próprios), a decisão entendeu referidos argumentos carentes de comprovação, mantendo, consequentemente, o crédito tributário. COMPLEMENTO DE IMPUGNAÇÃO Antes de tomar ciência do Acórdão prolatado pela DRJ/RPO, o sujeito passivo apresentou petição pela qual pretendeu complementar seu arrazoado, trazendo nova “Certidão de Objeto e Pé” relativa a processos judiciais, suscitando erro de fato no lançamento e reiterando os pontos já contidos na peça inicialmente apresentada. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado do Acórdão da DRJ/RPO em 27/03/2008, conforme AR de fls. 1012 – numeração eletrônica, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 1022 e seguintes) em 25/04/2008, no qual: a) solicita a apreciação dos elementos e argumentos contidos no seu “complemento de impugnação”, já que teria sido apresentado antes da ciência da decisão recorrida; b) reitera a prescrição quanto a lançamentos de fatos ocorridos até outubro de 2002; c) pretende o cancelamento da exigência de valores inseridos no PAEX; d) reafirma que parte dos créditos utilizados, oriundos de terceiros, ou estão sendo objeto de cobrança em processos próprios, ou já foram pagos, conforme demonstrariam DARF´s acostados; e) sustenta possuir direito de não sofrer autuação com exigibilidade, em face da vigência da liminar obtida judicialmente, e, consequentemente, não estando em mora, não lhe seria aplicável a multa de ofício ou os juros moratórios; e) afirma que tem direito aos créditos de IPI como ressarcimento de PIS e COFINS oriundos da matriz, já que a mera falta de emissão de Nota Fiscal não poderia lhe tolher seu direito, citando jurisprudência do Conselho de Contribuintes; f) discorre, ao final, sobre a composição dos créditos de IPI de cada período lançado, relacionando as supostas inconsistências que amparam seu pleito de cancelamento da exigência. PRIMEIRA DILIGÊNCIA Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOAO CARL OS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 8 Através da Resolução nº 20400.682, em sessão de 03 de fevereiro de 2009, sob relatoria do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, a 4ª Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuinte houve por bem converter o julgamento do recurso em diligência, solicitando esclarecimentos sobre a natureza, o objeto e o estágio atual dos Processos nºs. 13873.000225/200217, 13873.000145/200253, 13873.000368/200211, 13873.000366/2002 21 e 13873.000298/200209, que versariam sobre os créditos de terceiros pretensamente utilizados nas compensações levadas a cabo pelo contribuinte, focalizando se se tratariam de pedidos de compensação de débitos do sujeito passivo com créditos de terceiros, solicitando a juntada das decisões neles proferidas bem como que se aguardasse o deslinde final dos mesmos, ou se, tratandose de autos de infração, que se esclarecesse se tratarseiam de IPI e quais os períodos lançados para que se possa aquilatar eventual duplicidade de exigência. Através do Despacho de fl. 1.226 (ou fl. 1268 – ne.), a autoridade preparadora cumpriu parcialmente a diligência (exceto com relação do processo n° 13873.000.225/200217, cujos autos não teriam sido enviados pela Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Bauru), para informar trataremse os processos de pedidos de compensações de crédito com débitos de terceiros; porém todos já com decisão contrária da DRJ/RPO, concluindo serem em duplicidade com os lançados nestes autos, informando, inclusive, a confecção de representação para o cancelamento das inscrições em Dívida Ativa. Às folhas 1.227 a 1.229 (ou fl. 1.269 a 1.271 – ne.), a Recorrente apresentou petição de “desistência parcial da impugnação ou do recurso interposto”, para fins de adesão ao parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/2009, arrolando os períodos e valores “originais” objeto do pleito de desistência (períodos de apuração compreendidos entre 02/07/2002 e 03/05/2007). A autoridade preparadora, então, após acostar documentos que esclareceriam que os débitos oriundos do processo n° 13873.000.225/200217 encontrarseiam inscritos em dívida ativa e que teriam sido objeto de adesão ao parcelamento da Lei nº 11.941/2009, concluiu (Despacho de fls. 1.275 – ne.) estarem atendidas as solicitações contidas na Resolução nº 20400.682, devolvendo o PAF ao Conselho. SEGUNDA DILIGÊNCIA Em sessão de 09 de dezembro de 2010 houve novamente a conversão do julgamento em diligência, sendo que através da Resolução nº 340200.122 foi solicitado que a autoridade preparadora esclarecesse se as decisões acostadas aos autos, relativas aos Processos administrativos versando sobre os pedidos de compensação de créditos com débitos de terceiros, seriam mesmo definitivas. Através da promoção de folhas 1.272 e 1.273 (ou fl. 1.316 e 1.317 – ne.) foi esclarecido que as decisões prolatadas nos citados processos eram definitivas, assim como esclarecidas e reiteradas informações já defluentes da diligência anterior, retornando os autos ao Conselho para prosseguimento. O sujeito passivo, através de petição juntada às folhas nº 1.285/88 (ou fl. 1.330/33 – ne), vem “esclarecer” que com relação aos períodos de apuração de 01.02.2003 (vencimento em 20.02.2003 e saldo originário de R $ 51.000,00) e de 01.06.2003 à 01.12.2003, estes já são objeto da CDA n° 80.3.07.000.72123, e que tais débitos já estariam incluídos no programa da Lei 11.941/09 por meio da PGFN, de modo que não seriam “parceláveis” no âmbito da RFB; bem como, em virtude de supostos problemas decorrentes do programa da RFB, seria necessário “alterar” os dados relativos aos valores inseridos do parcelamento da Lei nº 11.941/09. Em seguida, em nova petição (fl. 1.335 – ne.) o contribuinte informa que os valores relativos aos PA´s. 01.01.2002 a 01.05.2002 não teriam sido inseridos no Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOAO CARL OS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 15889.000614/200703 Acórdão n.º 3402002.209 S3C4T2 Fl. 1.389 9 Parcelamento, em virtude de entender estarem decaídos; reiterando, ainda, os termos da petição anterior. Através do Despacho de Encaminhamento de fls. 1.363 (ne.), após esclarecimentos sobre solicitação interna de verificação de duplicidade de cobrança, o processo foi reencaminhado ao CARF, para prosseguimento. DA DISTRIBUIÇÃO Vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 08 (oito) Volumes, acrescentados ainda de folhas eletronicamente geradas, numerados em conjunto até a folha 1.364 (mil, trezentos e sessenta e quatro – ne.), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOAO CARL OS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 10 Voto Vencido Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e tempestividade, no entanto, em razão de esclarecimentos que adiante serão alinhados, dele tomo apenas conhecimento parcial. Inicialmente ressalto que é importante delimitar a controvérsia contida nos autos, a fim de simplificar a análise a ser efetuada e o julgamento a ser adotado. 1. Pedido de desistência: não conhecimento de parte do recurso voluntário. A superveniência de pedido de desistência a fim de aderir a programa de parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009, importa em desistência do recurso, de modo que diante deste cenário, imperioso se faz observar ao que determina o artigo 78 do Regimento Interno desta Casa, in verbis: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Logo, o fato do contribuinte ter pedido o parcelamento quanto aos períodos de apuração contidos no lançamento, e que portanto reconhece serem devidos em sua essência, implica, nos termos da regulamentação acima, em desistência de qualquer discussão que possa ter o sujeito passivo trazido aos autos quanto a tais períodos de apuração. Constatase, através das 02 petições acostadas aos autos, às folhas 1.330 a 1.338, que a Recorrente informa: Que o período de apuração de 01.01.2002 à 01.05.2002, não foi indicado no parcelamento, em razão da decadência; Que os períodos de apuração de 01.02.2003 (vencimento em 20.02.2003 e saldo originário de R$ 51.000,00) e de 01.06.2003 à 01.12.2003, não serão incluídos no parcelamento, tendo em vista a inclusão na CDA n°. 80.3.07.000.72123, e Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOAO CARL OS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 15889.000614/200703 Acórdão n.º 3402002.209 S3C4T2 Fl. 1.390 11 Que em razão da divergência de valores, fazse necessária a alteração de indicação destes valores, previamente alocados na tabela pela SRFB, nos termos acima explicados. Conforme bem esclarecido no “Despacho de Encaminhamento” de folhas 1.363, os pedidos declinados nas alíneas “b” e “c” acima, deverão ser objeto de procedimento de verificação interna da Administração, não interferindo no julgamento deste Recurso, para o que importa, apenas, que houvera desistência como consequência do pedido de parcelamento declinado pelo contribuinte. Inclusive quanto aos débitos supostamente exigidos em duplicidade com aqueles alegadamente constantes da CDA n°. 80.3.07.000.72123, na essência, o contribuinte concorda serem os mesmos devidos, sendo que compete à autoridade preparadora cotejar os débitos e valores lá exigidos com aqueles aqui lançados, levando a cabo a cobrança dos primeiros se coincidentes com estes. Porém, em termos de Direito que estaria contido no bojo do Recurso Voluntário, operouse a desistência recursal, pelo parcelamento e pelo reconhecimento tácito de serem devidos tais valores. Consequentemente, não conheço do Recurso Voluntário no que diz respeito aos valores lançados com relação aos períodos de apuração de 01.02.2003, e de 01.06.2003 a 01.12.2003, assim como daqueles relativos aos períodos de apuração dos 1º e 2º Dec.02/2003; 1º, 2º e 3º Dec.03/2003; 1º, 2º e 3º Dec.04/2003; e 1º e 2º Dec.05/2003. 2. Lançamento de créditos relativos a aquisições de insumos isentos, alíquota zero ou não tributados: Concomitância Com relação ao suposto direito que afirma a Recorrente, em sua Impugnação de modo expresso, e de modo indireto, em seu Recurso Voluntário, ao proceder ao relacionamento entre os períodos lançados e as “justificativas” para que houvesse a Administração constatado as diferenças objeto do lançamento, redundando no pedido de que não se poderia efetiva o lançamento, pois que o contribuinte estaria protegido por liminar que lhe concedia o direito a escriturar créditos oriundos da aquisição de insumos isentos, com alíquota zero ou não tributados, tenho que o recurso igualmente não pode ser conhecido. Nestes casos, quando o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária, assume o efeito legal de renúncia a deflagrar o litígio nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, publicada no DOU de 22/12/2009, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Temse que igualmente referidos créditos tributários lançados como consequência do uso de tais créditos, foram inseridos no Parcelamento de que trata a Lei nº Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOAO CARL OS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 12 11.941, de modo que importa renúncia ao recurso, redundando em impossibilidade de se conhecer de seus fundamentos, nos termos do art. 78, do RICARF, já citado. Consequentemente, não conheço do recurso quanto a matéria de defesa que diga respeito ao suposto direito aos créditos oriundos das aquisições de insumos isentos, sujeitos a alíquota zero ou não tributados, que ampararia a escrituração levada a efeito pela Recorrente e, que, portanto, serviria para o cancelamento do lançamento tributário. 3. Delimitação da controvérsia: Superados os aspectos que levam ao conhecimento parcial do Recurso Voluntário, mister focalizar as matérias que continuam em litígio nestes autos, sendo que do cotejo do processado administrativo constatase pender de decisão os argumentos suscitados pela Recorrente quanto a decadência relativa aos períodos de apuração anteriores a 05 anos da ciência do lançamento; a impossibilidade de se proceder ao lançamento de valores que vieram a ser objeto de DCTF´s retificadoras e de adesão ao PAEX (este último com relação aos PA´s compreendidos entre o 2º Dec.10/2002 e o 2º Dec.02/2003); a pretensa impossibilidade de lançamento de valores cuja exigibilidade estaria suspensa por força de decisão judicial, e consequente exclusão de multa de ofício e juros de mora, para que incida multa de mora, quanto muito, a partir de 30 dias após a decisão que publicara a decisão dos embargos de declaração manejados pelo contribuinte contra a decisão que cassou a liminar de que era titular; e, por fim, o alegado direito do contribuinte aos créditos presumidos de IPI como ressarcimento de PIS/COFINS (4º Tri/2002 e 1º Tri/2003), transferidos da matriz à filial sem cumprimento de obrigações acessórias. De pronto cumpre frisar que aqui se está conhecendo do conteúdo da petição e documentos que o contribuinte acostou após a prolação da decisão recorrida, naquilo que não inovar à impugnação apresentada, também para que seja realizado o primado da busca da verdade material, até porque, na essência, o referido documento, denominado pela Recorrente de “Complemento à Impugnação”, não inovou (e nem poderia, a teor do art. 16, do Decreto nº 70.235/72), o litígio, que já estava instaurado nos autos. Assim, em termos gerais, na análise que aqui se procede, será contemplada a argumentação constante da referida petição, embora não de modo separado e direto a ela, já que não é uma obrigatoriedade do julgador que assim proceda, revisandose “a lide” como um todo. Focalizados, assim, as matérias conhecidas e os pontos em litígio, passo a abordagem de cada qual, de per si, nos seguintes termos. 4. Decadência do Direito de Constituir o Crédito Tributário pelo Lançamento: Inicialmente, cumpre a este Colegiado analisar a questão da decadência do lançamento efetuado, uma vez que a leitura dos autos demonstra que a autuação é referente a diferenças de recolhimento relativas aos períodos de apuração compreendidos entre 01 de janeiro de 2002 e 31 de maio de 2007, cientificado ao sujeito passivo em 28/11/2007. Considerando que está expresso no Termo de Constatação Fiscal que para todos os períodos de apuração, o contribuinte efetivava o registro de créditos que ocasionava um valor a pagar menor que o devido, e, que portanto, o lançamento é de diferenças entre os valores escriturados, declarados e os efetivamente devidos e pagos; temse que há nos autos prova de ter havido antecipação parcial do pagamento do tributo nos meses anteriores a novembro de 2002. Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOAO CARL OS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 15889.000614/200703 Acórdão n.º 3402002.209 S3C4T2 Fl. 1.391 13 Nestes casos, o prazo de 05 anos para a Fazenda Pública efetuar o lançamento terá início, de acordo com o art. 150, §4º, do CTN, na data da ocorrência do fato gerador, de modo que para o 3º Decêndio do mês de outubro de 2002, a contagem iniciouse em 01 de novembro do mesmo ano, extinguindose em 31/10/2007, e, consigo, extinguindose todos os períodos pretéritos. Cabe ressaltar que esse entendimento é decorrência da aplicação da jurisprudência em vigor emanada do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento pelo rito dos Recursos Repetitivos (art. 543C, do CPC), a qual é expressa em frisar o prazo de 05 (cinco) anos começa a fluir do fato gerador, desde que tenha havido antecipação de pagamento, ainda que parcial, de tributo sujeito a lançamento por homologação, ou do primeiro dia do exercício seguinte ao fato gerador, para os casos em que não haja comprovação de antecipação de pagamento, de dolo, fraude ou simulação. A teor do art. 62A, do Regimento interno do CARF, cumpre transcrever a Ementa da decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, §4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo incorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra de decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito tributário” 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no art. 173, I, do CTN, sendo certo que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOAO CARL OS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 14 poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º e 173, do Codex tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, “Do lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, “Direito Tributário Brasileiro” 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne os fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733 SC 2007/01769940. Rel. Min. Luiz Fux. Dt. Jul. 12/08/2009) Por estarmos diante de exigência de IPI, cuja ocorrência do fato gerador se dá mensalmente (apurados e recolhidos por decêndios), tenho que os lançamentos relativos aos meses anteriores a outubro de 2002 (inclusive), poderiam ter sido lançados a partir de 01 de novembro de 2002, iniciando neste momento a contagem do prazo decadencial, de modo que o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento decaiu em 31.10.2007, estando, portanto, atingidos pela decadência. Registrese que no caso, de fato, não se aplica o §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, como por algumas vezes sugeriu a Recorrente, no sentido de entender que os valores constantes de pedidos de compensação de créditos de terceiros com débitos da contribuinte em questão, estariam tacitamente homologados, e, com isso, tais valores estariam extintos. Trata se, pura e simplesmente, de aplicar o instituto da decadência do direito de constituir o crédito tributário pelo lançamento, segundo dicção do art. 150, §4º, do CTN, sem adentrar no mérito daqueles pedidos de compensação, pois que aqueles não estão sob julgamento neste processo, devendo ser julgados, cada qual, em seu respectivo processo administrativo. Feitos os esclarecimentos necessários, ante o exposto, voto por prover o recurso na parte relativa a decadência, para determinar a exclusão deste lançamento tributário, dos valores relativos aos períodos de apuração pretéritos a outubro de 2002. 5. Lançamento de valores constantes de DCTF Retificadora e objeto de PAEX: Desde a impugnação apresentada neste PAF, o sujeito passivo insiste que efetivou ajustes de valores constantes de suas DCTF´s, através de retificações, e por conta Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOAO CARL OS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 15889.000614/200703 Acórdão n.º 3402002.209 S3C4T2 Fl. 1.392 15 desta providência, não seria cabível proceder ao lançamento. Afirma ainda, que procedeu à adesão ao Parcelamento denominado PAEX, na qual informa ter parcelado débitos relativos a períodos de apuração compreendidos entre o 2º Dec.10/2002 e o 2º Dec.02/2003 (fls. 151 – numeração em papel), razão pela qual igualmente não poderia ser objeto de posterior lançamento tributário. Tanto a autoridade autuante quanto, posteriormente a DRJ, positivaram o lançamento ao entendimento de que o contribuinte, quanto levou a cabo as retificações em sua DCTF ou aderiu ao PAEX, não estava mais sob o manto da espontaneidade (art. 138, do CTN), vez que já submisso ao processo de fiscalização que culminara na lavratura do presente Auto de Infração, de modo que seria plenamente cabível o lançamento. Tenho, no entanto, que aqui assiste razão, em parte, à Recorrente. Efetivamente, quanto aos valores constantes de DCTF retificadoras, no caso em concreto, por estar efetivamente sob procedimento fiscal especificamente direcionado e apontado ao IPI, verificase que a espontaneidade está excluída, de modo que o lançamento era cabível de se operar, já que, efetivamente, era exigível por não aplicarse o art. 138, do CTN, em guarida ao contribuinte. Isto porque, há vedação expressa à retificação da DCTF no curso de fiscalização. No entanto, no que diz respeito aos valores que teriam sido inseridos pela Recorrente no PAEX, detalhados no mencionado documento de folhas 151 (np.), tenho que a mesma solução não seja aplicável, pois que no caso, efetivamente, houve lançamento tributário válido e eficaz, anterior ao lançamento que é objeto deste Auto de Infração. Observese que o fato de estar em curso ação fiscal, que legalmente retira a espontaneidade do sujeito passivo (art. 138, do CTN), não impediu que o mesmo realizasse a confissão de dívida veiculando o parcelamento (PAEX), declarandose devedor relativamente a valores relativos aos períodos de apuração compreendidos entre o 2º Dec.10/2002 e o 2º Dec. 02/2003 (fls. 151 – numeração em papel). Não se sabe, porém, se a penalidade pecuniária que o sujeito passivo inseriu no parcelamento (antes dos descontos concedidos pelo programa), era da ordem de 75%, ou de 20%, assim como não se sabe se os valores efetivamente confessados, coincidem exatamente com os valores lançados. Todavia, o fato de ter efetivado o parcelamento importa em lançamento tributário anterior, quanto aos valores confessados, bem como, importa em confissão de dívida, o que, tecnicamente, já permite à Administração exigir o crédito tributário em questão e, por consequência lógica, impede um segundo lançamento tendo por base os mesmos períodos e valores. Nesta senda, é de se ressaltar que o pedido de parcelamento importa em confissão de dívida e enseja a constituição do crédito tributário para todos os efeitos, nos termos do art. 33, § 7º da Lei 8.212/91 e alterações, que se encontra assim redigido: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). [...] Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOAO CARL OS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 16 § 7o O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de lançamento, de auto de infração e de confissão de valores devidos e não recolhidos pelo contribuinte. Grifei. Nesse sentido, colhese da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça o seguinte julgado: TRIBUTÁRIO EXECUÇÃO FISCAL DECADÊNCIA TERMO INICIAL E FINAL PARCELAMENTO COM CONFISSÃO DE DÍVIDA FORMA DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO ART. 33, § 7º DA LEI 8.212/91. 1. A concessão de parcelamento com confissão de dívida constitui para todos os efeitos o crédito tributário, equivalendo às declarações tributárias contidas em GFIP, GIA, DCTF e instrumentos congêneres. 2. Crédito, cujo fato gerador ocorreu em 1995 e foi objeto de parcelamento em 2000, não se encontra decaído. 3. Recurso especial parcialmente provido (1187995 DF 2010/00548681, Relator: Ministra ELIANA CALMON, Data de Julgamento: 08/06/2010, T2 SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 18/06/2010) Logo, o que se verifica no caso em tela é que o próprio contribuinte por meio do autolançamento constituiu o crédito tributário no momento em que reconheceu como devido o débito de IPI, compreendidos nos períodos descritos no documento de folhas 151 (np.) e se comprometeu a pagálo mediante o parcelamento legalmente instituído. Assumiu, igualmente, o efeito de que, se eventualmente não viesse a honrar com o parcelamento, já submeterseia diretamente à inscrição em dívida ativa para execução forçada de bens, sem precisar passar pela análise do “mérito” do débito, que se procederia no âmbito do processo administrativo tributário que aqui cuidamos. Importante observar que o próprio Código Tributário Nacional em seu art. 156 estabelece como forma de extinção do crédito tributário o pagamento, ainda que este pagamento seja efetuado por meio de parcelamento até a extinção total do crédito, já constituído pelo próprio sujeito passivo. Desta feita, operase a suspensão do débito tributário até a quitação integral do valor parcelado pelo contribuinte, ou seja, a exigibilidade do crédito tributário fica obstada por um certo período de tempo em que o Poder Público não poderá exigir o crédito tributário (art. 151, II, do CTN), embora este já esteja definitivamente constituído. Nesse sentido, destacase entendimento do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. DCTF. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONFISSÃO DO DÉBITO E PEDIDO DE PARCELAMENTO. INTERRUPÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL. INADIMPLEMENTO. REINÍCIO DA CONTAGEM. AGRAVO NÃO PROVIDO.CONSTITUIÇÃO 1. A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF tem por efeito constituir o crédito tributário, dando início à contagem do prazo prescricional para sua cobrança, se ainda não vencido. Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOAO CARL OS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 15889.000614/200703 Acórdão n.º 3402002.209 S3C4T2 Fl. 1.393 17 2. É pacífico o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que, "uma vez interrompido o prazo prescricional em razão da confissão do débito e pedido de seu parcelamento por força da suspensão da exigibilidade do crédito tributário, o prazo volta a fluir a partir da data do inadimplemento do parcelamento" (AgRg no Ag 1.222.267/SC, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, Primeira Turma, DJe 7/10/10). 3. Agravo regimental não provido.” (1037426 RS 2008/00499435, Relator: Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, Data de Julgamento: 22/02/2011, T1 PRIMEIRA TURMA, Data de Publicação: DJe 03/03/2011) No entanto, observo que referido entendimento não o foi aplicado ao processo em análise, na medida em que embora o Recorrente tenha aderido ao programa PAEX e estivesse devidamente constituído o crédito tributário pelo “autolançamento”, ainda assim houvera a lavratura de Auto de Infração em data posterior à adesão ao parcelamento, colhendo valores em duplicidade. Ou seja, houvera um segundo lançamento tributário sobre o mesmo período e/ou valores, em nítido “bis in idem”. Nesse caso, entendo estar vedado o lançamento do débito em duplicidade, ou seja, através do Parcelamento PAEX (confissão de dívida – autolançamento) e através do valor lançado de ofício no Auto de Infração de idêntico objeto àquele, como pretende à Recorrente com a apresentação de sua defesa. É certo, porém, que se a multa não foi inserida no valor lançado (se devida em função da espontaneidade, como se tratará no item adiante), ou se os valores parcelados não forem idênticos aos lançados, deverá subsistir a exigência aqui contida, no tocante aos valores excedentes ao que estiverem contidos no parcelamento. Na esteira das considerações acima, entendo que neste quesito merece parcial provimento o recurso do contribuinte, apenas para excluir do lançamento os valores que comprovadamente tiverem sido inseridos no PAEX (documento de folhas 151 – np.), e ao mesmo tempo foram objeto de constituição através do lançamento sob análise, mantidos os valores (principal, multa – conforme o desfecho do julgamento do tópico próprio a ela atinente , e juros) que não tenham sido inseridos no Parcelamento. 6. Lançamento na pendência de medida liminar: exclusão de multa de ofício: Sustenta a Recorrente que quando foi lavrado o lançamento tributário era detentora de liminar que suspendia o crédito tributário relativo aos créditos por ela escriturados, o que impedia que fosse contra ela lavrado lançamento tributário, a menos que o fosse para prevenir a decadência, hipótese em que não seria aplicável a multa de ofício, nos termos do art. 63, da Lei 9.430/96. Afirma que, quando muito, apenas teria cabimento a aplicação da multa de mora após 30 (trinta) dias da publicação do acórdão dos embargos de declaração opostos contra o v. Acórdão que cassou a liminar anteriormente concedida, o que apenas veio a ocorrer após a ciência e lavratura do lançamento fiscal. Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOAO CARL OS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 18 No caso em concreto, tenho que assiste razão à Recorrente, eis que por ocasião da lavratura do lançamento tributário, a liminar da qual o contribuinte era titular, demora já houvesse sido prolatado o v. Acórdão na Apelação Cível relativa a Ação nº 98.00007687, e, sabidamente os Embargos de Declaração possuem efeito suspensivo da decisão embargada E ainda, embora não seja a regra, em algumas hipóteses excepcionais é verdade, possuam ainda o condão de reformar a decisão prolatada na apelação, segundo pacificado pela processualística. Com efeito, enquanto em vigor a limiar, ainda que por força do efeito suspensivo dos Embargos de Declaração, não era cabível a imposição da multa de ofício, nos termos do art. 63, da Lei nº 9.430/96, “in verbis”: “Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição.” Neste sentido, cabe destacar o seguinte precedente do Egrégio Tribunal Regional Federal da 1ª Região: PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANC A. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE POR DECISÃO. MULTA DE MORA. RECOLHIMENTO. TEMPESTIVO, NOS TERMOS DO ART. 63, § 2o, DA LEI 9.430/1996. 1. O art.63, § 2º, da Lei 9.430/1996 dispõe que a interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. 2. A rejeição dos embargos de declaração não influi no termo inicial da contagem do prazo previsto na Lei 9.430/1996, pois a simples interposição dos embargos tem por consequência a interrupção do prazo para interposição de outros recursos e, por conseguinte, impede os efeitos da decisão recorrida. 3. Apelação e a remessa oficial a que se nega provimento.” (TRF1ª – 8ª Turma. AMS nª 003961857.2005.4.01.3800/MG, Rel. Maria do Carmo Cardoso, publ. eDJF1 em 18.03.2011) Inclusive e finalmente, pela dicção do §2º, do art. 63, acima transcrito, inclusive permitiria à Recorrente efetivar o pagamento do tributo em até 30 dias da data da publicação dos embargos de declaração, de modo que quanto a incidência da multa de mora, Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOAO CARL OS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 15889.000614/200703 Acórdão n.º 3402002.209 S3C4T2 Fl. 1.394 19 deve ela incidir a partir deste marco temporal, pois que somente aí se materializou efetivamente a “mora” do devedor. Neste aspecto, voto por prover o recurso nesta parte, para excluir a multa de ofício aplicada com relação aos fatos geradores compreendidos na ação judicial nº 98.0000768 7, de modo que incida a multa moratória a partir de decorridos 30 dias após a publicação da decisão dos embargos de declaração. 7. Direito aos créditos presumidos de IPI como ressarcimento de PIS e COFINS transferidos da matriz à filial, sem emissão de documento fiscal: Sustenta a Recorrente que tem direito aos créditos presumidos de IPI como ressarcimento de PIS/COFINS (4º Tri/2002 e 1º Tri/2003), transferidos da matriz à filial sem cumprimento de obrigações acessórias, citando precedentes do Conselho que amparariam seu pleito, ao relativizar o rigor destas obrigações, privilegiando a substância sobre a forma. Neste sentido, cumpre, de início, ponderar que particularmente sou adepto a relativização do rigor do formalismo em prol do direito, em sua essência, desde que, evidentemente, não restem prejudicados outros direitos e mesmo o controle que vinculadamente a Administração precisa realizar. Necessário, assim, que restasse demonstrado que haveria o crédito; que ele não teria sido utilizado pelo contribuinte em outras apurações; a natureza do crédito; e assim por diante. Ou seja, a prova passa a ser o “elemento diferenciador” para que seja ou não aplicável eventual e excepcionalíssima “relativização”. Assim sendo, cotejando os autos, constatase que como supedâneo ao direito de crédito alegamente possuído pela Recorrente, relativo ao 4º trimestre de 2002 e ao 1º trimestre de 2003, o sujeito passivo trouxe aos autos cópia da decisão proferida pela DRJ Ribeirão Preto no processo administrativo 13876.000626/200310, a qual, por seu turno, demonstra tratarse de pedido de restituição que veio a ser indeferido. Ou seja, naõ se trataria de crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS e COFINS que tenha sido objeto de regular pedido e apreciação de ser efetivamente devido seu ressarcimento pela Administração. A Recorrente juntou ainda cópia dos Demonstrativos de Crédito Presumido DCP , relativos a outros períodos, entregues pelo estabelecimento matriz (fls. 212 a 226). No entanto, nos referidos DCP´s não constam os registros de nenhuma transferência (fls. 218 e 226). Essa análise das provas carreadas aos autos pela Recorrente, para suportar o pretenso direito aos créditos que foram por ela escriturados, supostamente transferidos de sua matriz para a filial, não permitem concluir que efetivamente existem os referidos créditos e que os mesmos tenham sido deferidos pela Administração, ou mesmo que não tenham sido utilizados em outras apurações, circunstâncias essas que, no caso em concreto, impedem maiores aprofundamentos ante a falta de maiores indícios que pudessem sugerir a aptidão de tais créditos virem a ser validamente transferidos, ainda que informalmente, entre os estabelecimentos da Recorrente. À míngua de prova de tais créditos e mesmo de sua existência, montante, suficiência e legitimidade, assim como do registro do estorno, na matriz, ou ainda, relativos à sua transferência ou deferimento, não é possível cogitar em flexibilizar um requisito que está contido nas normas gerais de direito tributário. Neste sentido, no caso em concreto, encaminho meu voto no sentido de negar provimento ao recurso, neste particular. Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOAO CARL OS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 20 8. Quanto aos períodos supostamente em concomitância: No que diz respeito aos argumentos relativos à concomitância, que inclusive foram os motivadores das duas diligências determinadas nestes autos por este Colegiado, compulsando os autos entendo que as mesmas acabaram sendo solucionadas, seja pelo não conhecimento, por se tratar de período em que a Recorrente efetivou adesão ao programa de parcelamentos (tanto PAEX quanto aquele instituído pela Lei nº 11.941/09), seja pelo reconhecimento da decadência dos períodos anteriores a novembro de 2002, com o que acabou abarcando aqueles relativos aos pedidos de compensação de créditos com débitos de terceiros (Processos nºs. 13873.000225/200217, 13873.000145/200253, 13873.000368/200211, 13873.000366/200221 e 13873.000298/200209). Neste sentido, tenho por prejudicada esta análise, em face da decadência e da desistência recursal. 9. Dispositivo: Ante todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso na parte relativa aos períodos inseridos no parcelamento e quanto à matéria objeto de concomitância, e na parte conhecida, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para o fim de : a. determinar o cancelamento do lançamento tributário relativo aos períodos de apuração de outubro de 2002 e pretéritos, pela decadência; b. determinar a exclusão dos valores que comprovadamente tiverem sido inseridos no PAEX (documento de folhas 151 – np.) e ao mesmo tempo tenham sido objeto de constituição através do lançamento sob análise, mantidos os valores (principal, multa e juros) que não tenham sido inseridos no referido Parcelamento; e finalmente, c. determinar a exclusão da multa de ofício referente aos créditos que estavam sendo demandados na Ação Ordinária nº 98.00007687, de modo que incida a multa moratória a partir de decorridos 30 dias após a publicação da decisão dos embargos de declaração opostos contra a decisão que cassou a liminar respectiva. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator. Voto Vencedor Impetro vênia ao ínclito relator para divergir parcialmente de seu brilhante voto e manter a multa aplicada pelas razões que passo a expor. Inicialmente anoto que nem mesmo a hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, poderia obstar o lançamento tributário, pois como já assentou a jurisprudência uniforme do E. STJ “a suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOAO CARL OS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 15889.000614/200703 Acórdão n.º 3402002.209 S3C4T2 Fl. 1.395 21 do direito de lançar” (cf. Ac. da 1ª Seção do STJ nos Emb. de Divergência no R. Esp. nº 572.603PR, Reg. nº 2004/01217933, em sessão de 08/06/05, Rel. Min. CASTRO MEIRA, publ. in DJU de 05/09/05 p. 199 e in RDDT vol. 123 p. 239), eis que “o prazo para lançar não se sujeita a suspensão ou interrupção, sequer por ordem judicial” (cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no R. Esp. nº 119986SP, Reg. nº 1997/00110168, em sessão de 15/02/01, Rel. Min. ELIANA CALMON, publ. In DJU de 09/04/01 p. 337 e in RSTJ vol. 147 p. 154), sendo certo que a procedência, ou improcedência do débito principal objeto do lançamento, já se encontra adredemente vinculada à sorte da decisão final do processo judicial. Embora não se ignore que o § 2º do art. 63, da Lei n.º 9.430/96, expressamente estabelece que “a interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição", no caso concreto, verificase que o auto de infração excogitado foi lavrado após o transcurso dos 30 dias da publicação do v. Acórdão na Apelação Cível relativa a Ação nº 98.00007687 que considerou devido o tributo, sem que o contribuinte efetuasse o recolhimento do tributo no prazo previsto no referido dispositivo, o que torna inaplicável o referido dispositivo à espécie, e sujeita a Recorrente à multa de ofício em razão da infração de falta de recolhimento e do seu retardamento culposo. Isto posto, impetro vênia ao ínclito relator para divergir parcialmente de seu brilhante voto, negando provimento ao recurso nesse particular e mantendo a multa aplicada sobre o débito remanescente. É como voto. FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 23/05/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por JOAO CARL OS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10840.002651/2006-08
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
Ementa:
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS E DECLARAÇÕES. EXIGÊNCIAS DO INCISO III, § 2° DO ART. 8° DA LEI N. 9.250/95.
É de se reconhecer a força probante de recibos, para fins de dedutibilidade de despesas médicas, se cumpridas às exigências do inciso III, § 2° do art. 8° da lei n. 9.250/95 (inciso III do art. 80 do RIR/99).
In casu, parte dos recibos apresentados não constam o endereço do emitente.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado: por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$10.000,00 (dez mil reais), nos termos do voto da relatora. Vencido o(s) Conselheiro(s) Carlos André Ribas de Mello e Jorge Claudio Duarte Cardoso que davam provimento integral.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite Relatora
EDITADO EM: 12/7/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 Ementa: DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS E DECLARAÇÕES. EXIGÊNCIAS DO INCISO III, § 2° DO ART. 8° DA LEI N. 9.250/95. É de se reconhecer a força probante de recibos, para fins de dedutibilidade de despesas médicas, se cumpridas às exigências do inciso III, § 2° do art. 8° da lei n. 9.250/95 (inciso III do art. 80 do RIR/99). In casu, parte dos recibos apresentados não constam o endereço do emitente. Recurso provido em parte.
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RECIBOS E DECLARAÇÕES. EXIGÊNCIAS DO INCISO III, § 2° DO ART. 8° DA LEI N. 9.250/95. É de se reconhecer a força probante de recibos, para fins de dedutibilidade de despesas médicas, se cumpridas às exigências do inciso III, § 2° do art. 8° da lei n. 9.250/95 (inciso III do art. 80 do RIR/99). In casu, parte dos recibos apresentados não constam o endereço do emitente. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado: por maioria de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$10.000,00 (dez mil reais), nos termos do voto da relatora. Vencido o(s) Conselheiro(s) Carlos André Ribas de Mello e Jorge Claudio Duarte Cardoso que davam provimento integral. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso –Presidente (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: 12/7/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martin Fernandez, Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas de Mello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 26 51 /2 00 6- 08 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Versam os autos sobre Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, fls. 04/07, no qual o contribuinte teve o seu Saldo de Imposto de Renda a Restituir, apurado em sua Declaração de Ajuste, no valor R$6.045,48, reduzido para R$545,48, em face de glosa de: despesas médicas, no montante de R$ 20.000,00, por falta de comprovação do efetivo pagamento e não justificação dos tratamentos supostamente prestados pelos profissionais. LIEGE MARIA RIBAS PASSOS (fisioterapeuta R$ 10.000,00) e MÁRCIA HELENA FERREIRA DOS SANTOS (psicóloga R$10.000,00). Apresentada Impugnação de fls. 1/3, na qual o contribuinte afirma estar reapresentando pela terceira vez a documentação comprobatória das despesas médicas glosadas, a ação fiscal foi julgada procedente, sob o fundamento de que se deve manter a glosa do valor de R$ 20.000,00, vez que a documentação ofertada pelo contribuinte para a comprovação das despesas médicas, não estavam acompanhadas da comprovação da assunção do efetivo encargo financeiro, pela confirmação do respectivo trânsito financeiro por meio de saques bancários coincidentes com as quantias glosadas. Nas razões de Voluntário (fls. 40), o recorrente contesta os fundamentos contidos no acórdão vergastado, com os seguintes argumentos: Assevera que dos tratamentos a que se submeteu e os seus dependentes, existe robusta prova documental representada por detalhados documentos , lavrados do punho dos próprios profissionais que executaram os atendimentos psicológicos e fisioterápicos, além dos recibos de pagamento das importâncias derivadas pelos mencionados atendimentos, em cujos documentos é perfeitamente possível comprovar a efetividade dos tratamentos/pagamentos. Ressalta que os referidos documentos que já foram apresentados anteriormente, preenchem todos os requisitos legais e necessários para que possam ser caracterizados como hábeis e idôneos, já que não possuem nenhum vício capaz de desnaturá los.Portanto, conforme restou consignado no tópico relativo à complementação da descrição dos fatos, não há falarse que "para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do efetivo pagamento" Salienta que, é incabível a afirmação feita no acórdão n° 0921818 6a turma da DRJ/JFA de 04/12/2008 no sentido de que "a prova irrefutável da efetividade dos pagamentos seria possível mediante a apresentação de cópias de cheques e extratos bancários, nos quais constatasse os saques efetuados, coincidentes em datas e valores com os recibos apresentados", dando a entender que, se não for essas condições, os documentos apresentados não servem para provar a realidade dos fatos. Afirma que os comprovantes já apresentados, atendem ao disposto no artigo 80, parágrafo 1°., inciso III, do RIR aprovado pelo Decreto 3.000/1999 e encerram a efetividade dos pagamentos que eles ostentam, sendo que, que apesar do pagamento em cheques ser usual, isto não significa, contudo, que deva ser, unanimemente, adotado.. Ressalta, que em momento algum houve qualquer violação aos artigos 73,80 e 83, II, do RIR aprovado pelo Decreto n° 3.000/99, sendo certo que no tocante ao artigo 73, as deduções estão devidamente comprovadas e justificadas, não sendo crível, data máxima venha, que a autoridade lançadora possa, em sede de juízo de julgamento, vir a ter entendimento diverso da realidade dos fatos e sobrese aos documentos que inclusive estão corroborados e declarados pelos profissionais que os emitiu. Era o essencial a ser relatado Fl. 61DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10840.002651/200608 Acórdão n.º 2802002.371 S2TE02 Fl. 597 3 Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso é tempestivo. Estando dotado, ainda, dos demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. O litígio trata de comprovação de despesas médicas em que a autoridade fiscal fundamenta a autuação na falta de comprovação do efetivo dispêndio. Na fundamentação do lançamento, não se aponta qualquer vício nos comprovantes de pagamento trazidos aos autos, limitando se a autoridade a afirmar que o contribuinte não logrou apresentar os comprovantes dos efetivos pagamentos. Em primeira instância o lançamento foi mantido sob o fundamento de que: “A inversão legal do ônus da prova, do Fisco para o contribuinte, transfere para este a obrigação de comprovar e justificar as deduções e, não o fazendo, sofre as conseqüências legais, ou seja, o não cabimento dessas deduções, por falta de comprovação e justificação. Também importa dizer que o ônus de provar significa trazer elementos que não deixem qualquer dúvida quanto ao fato questionado. Na espécie, as deduções são expressivas e cabe ao Fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, que se infere da interpretação do art. 73, § 1°, do RIR/99, cuja base legal é o art. 11, § 40, do Decretolei n2 5.844, de 1943. A dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, assim, condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. Não basta a disponibilidade de um simples recibo, sem vinculação do pagamento ou da efetiva prestação do serviço, especialmente quando se tratam, repisese, de recibos de valores expressivos (R$ 20.000,00). Nesse sentido, o art. 80, III, do RIR199, também prevê que a dedutibilidade das despesas médicas está condicionada à especificação e comprovação dos pagamentos efetuados. Portanto, revelase equivocado o entendimento de que os recibos são suficientes e hábeis para comprovação dos pagamentos e lisura das deduções pleiteadas. Esta não é a correta interpretação do dispositivo legal acerca do tema. A indicação de que o recibo deve conter o nome, endereço e número do CPF ou CNPJ de quem prestou o serviço referese apenas aos dados que devem constar na declaração de ajuste. Dados esses baseados na documentação. Entretanto, a tônica do dispositivo é a especificação e a comprovação dos pagamentos. –Tanto que se admite o cheque nominativo compensado como documento comprobatório, por ser prova cabal de transferência de numerários entre pessoas. Entretanto, mesmo o cheque pode estar sujeito à justificação da efetiva prestação do serviço, quando dúvidas razoáveis acudirem ao Fisco, pois essa prestação é o substrato material a dar guarida à dedução, consoante o art. 80 do RIR194. Documentos de natureza particular, por si sós, podem não ser suficientes para a comprovação do efetivo pagamento, mormente quando não constitui prova de transferência de Fl. 62DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 numerário relativo à efetiva prestação de serviço que permita a dedução a título de despesa médica. Dessa forma, cabe ao beneficiário das deduções provar que realmente efetuou o pagamento no valor constante do comprovante e/ou no valor pleiteado como despesa, bem assim a época em que o gasto ocorreu, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Em princípio, portanto, admitemse como provas de pagamentos os recibos fornecidos, desde que, obviamente, atendam em todos os seus aspectos aos requisitos de formalidade exigidos na legislação que trata da matéria. Todavia, repisese, pode a autoridade fiscal, visando formar sua convicção, exigir outros meios complementares de provas, em relação a todas ou a algumas despesas declaradas, o que foi feito no decorrer da Fiscalização, quando se intimou o contribuinte a apresentar além dos comprovantes de despesas médicas, a comprovar a efetividade do pagamento efetuado (cópias de cheques compensados, por exemplo), de acordo o Termo de Intimação Fiscal de fls. 08. ... Ainda que se admita, na presente situação que ficou comprovada a realização dos serviços, uma vez que no Termo de Intimação Fiscal não foi solicitado ao contribuinte a "justificação dos tratamentos supostamente realizados", restaria ao impugnante a prova de que os pagamentos foram realizados efetivamente nos valores declarados, ou seja, a prova da transferência dos recursos financeiros aos beneficiários, repisese, nos exatos valores lançados, o que, na espécie não ocorreu, apesar de intimado a fazêlo. Dadas as expressivas quantias mensais envolvidas (conforme constam dos indigitados recibos), é pouco provável que tais pagamentos, acaso ocorridos, tenham sido realizados em moeda corrente, como quer fazer crer o(a) contribuinte. E se o foram, em remota possibilidade, poderia o(a) autuado(a) ter apresentado os extratos bancários nos quais ficassem demonstrados os saques coincidentes em datas e valores, ou pelo menos próximos, com os dados constantes dos recibos. Em face dos valores questionados, estes só poderiam sair de alguma instituição financeira na qual a contribuinte movimentou, por exemplo, os rendimentos que percebeu, no anocalendário fiscalizado, da empresa Ceras Johnson Ltda. Poderia, ainda, o interessado ter apresentado outros elementos que julgasse convenientes, desde que surtissem os efeitos legais desejados. Vale observar, por oportuno, que o uso de dinheiro em espécie em qualquer tipo de operação não se sujeita a nenhum impeditivo legal; entretanto, como as transações efetuadas dessa forma são de difícil comprovação, principalmente perante o Fisco quando este a exige, não pode tal fato ser considerado provado sem um aprofundamento maior na análise do poder probante de simples recibos firmados nesse sentido; logo, a vinculação de saques bancários aos pagamentos ditos como realizados em moeda corrente, reiterese, com coincidência, ou pelo menos com significativa proximidade entre datas e valores, deve ser incontestável para que tenham validade perante a autoridade tributária. Na hipótese de tais pagamentos, acaso ocorridos, tenham sido realizados em cheques, os extratos bancários comprovariam os desembolsos, via compensação desses cheques. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10840.002651/200608 Acórdão n.º 2802002.371 S2TE02 Fl. 598 5 Na hipótese de tais pagamentos, acaso ocorridos, tenham sido realizados em cheques, os extratos bancários comprovariam os desembolsos, via compensação desses cheques. No caso vertente, o(a) impugnante não se preocupou em apresentar quaisquer documentos/provas subsidiários que comprovassem o efetivo desembolso dos valores que, alega, serviram para pagamentos das despesas médicas questionadas, quais sejam, os relativos às profissionais Liege Maria Ribas Passos e Márcia Helena Ferreira dos Santos. Para comprovar os gastos relativos aos pagamentos a essas profissionais o contribuinte apresentou tãosomente a cópia dos recibos, não tendo comprovado o efetivo pagamento, conforme lhe foi solicitado durante a fase de fiscalização. Se as necessárias e indispensáveis provas tivessem sido apresentadas pelo(a) requerente juntamente com sua defesa, seriam naturalmente conhecidas e avaliadas nesta primeira instância de julgamento. Nesse contexto, temse que nos termos dos arts. 15 e 16, inc. III, e §§ 40 e 5°, do Decreto n° 70.235/72, com a redação conferida pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93 e pelo art. 67 da Lei n° 9.532/97, compete ao(à) interessado(a) instruir a impugnação com os documentos em que se apoiar, bem assim mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas documentais que possuir. Portanto, o(a) autuado(a), na fase impugnatória, perdeu a oportunidade de comprovar o efetivo pagamento das despesas questionadas pela Fiscalização, não acostando aos autos quaisquer documentos ou provas adicionais, nesse sentido, que robustecessem os dados contidos nas Relações de Pagamentos e Doações Efetuados de suas Declarações de Ajuste Anual e nos recibos apresentados. Concluise, dessa forma, que a utilização, para caracterizar despesas, de recibos médicos sem a prova dos desembolsos representativos dos pagamentos supostamente realizados, autoriza a glosa da dedução pleiteada e a tributação dos valores correspondentes, como efetivado pela Fiscalização Passo ao cerne do litígio: a comprovação da efetividade do pagamento e da prestação dos serviços. Em casos desta natureza, importante ressaltar que extensa discussão se trava no âmbito deste CARF, com relação aos documentos necessários para se comprovar as despesas médicas. Enquanto alguns defendem que o simples recibo faz prova em favor do contribuinte, outros entendem que, havendo dúvidas na efetividade da prestação do serviço, ou em seu pagamento, pode o Fisco exigir provas complementares. Entretanto, tenho me manifestado reiteradamente que a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, mas, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direitodever de o fisco intimálo a comprovar o efetivo desembolso e prestação do serviço. Assim, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. No presente caso tomo como ponto de partida a imputação feita no lançamento, e nela não vejo apontamento algum de indícios em desfavor dos documentos Fl. 64DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 apresentados pelo recorrente, logo não há nos autos elementos que permitam afastar a idoneidade dos documentos apresentados pelo requerente para fazer jus às deduções pleiteadas. É certo que o artigo 73 do RIR/99 estabelece em seu caput que “todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora”. Todavia, segundo entendo, não contém o RIR/99 ou outro diploma legal qualquer permissivo genérico para a exigência dos comprovantes de efetivo desembolso, independentemente de fundamentação. Não havendo prova em desfavor dos recibos, ainda que por meio de um conjunto forte de indícios e enquanto não houver disciplina legal mais adequada, atende ao verdadeiro interesse público privilegiar o devido processo legal e as demais garantias ínsitas ao Estado Democrático de Direito, cujos valores superam eventual perda arrecadatória. Entretanto, para fazer jus a deduções na Declaração de Ajuste Anual, tornase indispensável que o contribuinte observe todos os requisitos legais, sob pena de ter os valores pleiteados glosados. Afinal, todas as deduções, inclusive as despesas médicas, por dizerem respeito à base de cálculo do imposto, estão sob reserva de lei em sentido formal, por força do disposto na Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional (CTN), art. 97, inciso IV. Por oportuno, confirase o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, a propósito de dedução de despesas médicas: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano calendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) As despesas em litígio somam R$10.000,00, e são assim discriminadas: 1. LIEGE MARIA RIBAS PASSOS (fisioterapeuta R$ 10.000,00) e; 2. MÁRCIA HELENA FERREIRA DOS SANTOS (psicóloga R$10.000,00). Fl. 65DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10840.002651/200608 Acórdão n.º 2802002.371 S2TE02 Fl. 599 7 Assim, cotejando a imputação constante da Notificação de Lançamento, a impugnação, a peça recursal e os documentos trazidos aos autos, especificamente o recibo de fls. 15, referentes aos serviços prestados por LIEGE MARIA RIBAS – CPF 182.562.44615 no valor de R$10.000, considerase que não há nos autos elementos que permitam afastar a idoneidade dos documentos apresentados pelo requerente para fazer jus às deduções pleiteadas, tendo em vista que esses preenchem os requisitos do Art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995. Quanto aos recibos emitidos por MÁRCIA HELENA FERREIRA DOS SANTOS, no valor total R$10.000,00, apesar de a fundamentação do lançamento não mencionar vícios no recibo, deixo de acatar tendo em vista que foi emitido em desacordo com o Art. 8º, III da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, ou seja, falta o endereço do emitente. Registro que a legislação é bem clara no que se refere aos requisitos legais, essenciais que devem constar no recibo. Ademais o recorrente afirma que os recibos apresentados preenchem os requisitos legais e não é o que se observa nos recibos emitidos pela profissional MÁRCIA HELENA FERREIRA DOS SANTO. Cabe aqui uma observação de que uma simples declaração fornecida pela emitente do recibo sanaria esse vício. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO EM PARTE, ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$10.000,00 (dez mil reais) (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora Fl. 66DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 12/07/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.003134/2007-54
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 10/04/2006
AUSÊNCIA DE REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL. PRAZO LEGAL EXTRAPOLADO. RECURSO INTEMPESTIVO. VEDADO O SEU CONHECIMENTO.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2803-002.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade.
(Assinado Digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior. Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 10/04/2006 AUSÊNCIA DE REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL. PRAZO LEGAL EXTRAPOLADO. RECURSO INTEMPESTIVO. VEDADO O SEU CONHECIMENTO. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 10/04/2006 AUSÊNCIA DE REQUISITO DE ADMISSIBILIDADE RECURSAL. PRAZO LEGAL EXTRAPOLADO. RECURSO INTEMPESTIVO. VEDADO O SEU CONHECIMENTO. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. (Assinado Digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior. Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 31 34 /2 00 7- 54 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.003134/200754 Acórdão n.º 2803002.667 S2TE03 Fl. 141 2 Relatório O presente Auto de Infração – AI, com DEBCAD 35.924.1000, CFL.68, objetiva a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, que consistiu em apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração – AI, fls. 01. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 19/04/2006, conforme – AR, de fls. 93. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, as fls. 101 a 106 , remetida via postal, conforme envelope datado, de 04/05/2006, a qual foi acompanhada dos documentos, de fls. 107 e 108. O sujeito passivo foi intimado a complementar os documentos apresentados junto à impugnação, fls. 96 a 98 A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 99 e 109. O órgão julgador de primeiro grau emitiu a Decisão – Notificação DN 08.401.4/0114/2007, de 27/04/2007, as fls. 112 a 114 por intermédio da qual considerou a autuação procedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 27/06/2007 , AR, de fls. 116. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição com as razões recursais, as fls. 117 a 121, recebida, em 03/08/2007, acompanhado dos documentos, de fls. 122 a 127, as teses recursais não serão sumariadas, o que se explicará no voto. O Recurso Voluntário foi considerado intempestivo pelo órgão preparador, fls. 129; 130 e137. Por fim, os autos subiram ao Segundo Conselho de Contribuintes, fls. 137. É o Relatório. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10120.003134/200754 Acórdão n.º 2803002.667 S2TE03 Fl. 142 3 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator O recurso voluntário é intempestivo, e, ainda, que tenha ocorrido o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, pois superada a questão do depósito recursal, a intempestividade não permite sua apreciação. Verificase dos autos, AR, as fls. 116, que o contribuinte tomou conhecimento da decisão a quo, em 27/06/2007. Contudo, a recorrente só aviou o recurso voluntário, em 03/08/2007, conforme carimbo de recepção na peça vestibular, de fls. 117. Desta forma, o trintídio legal já havia se esgotado quando da impetração recursal. Assim sendo, não ultrapassado o requisito de admissibilidade, não há razão para apreciação do recurso. Este é o motivo pelo qual as razões recursais não foram sumariadas. Posto isto, não há razões fáticas e jurídicas para conhecer dos pedidos da recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por não conhecer do recurso em razão de sua intempestividade. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 18/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.011354/2003-06
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
Ementa:
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - AUSÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO EXPRESSA - PEDIDO EFETUADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/05 - PRAZO DE 10 ANOS - ARTIGO 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Segundo o entendimento do STF, no caso de pedido de restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, o prazo de cinco anos é contado a partir da homologação, expressa ou tácita, o que resulta que, na ausência de homologação expressa, o prazo é de 10 anos, contados do fato gerador. Aplicação do artigo 62 A do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 9101-002.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade dos votos, recurso provido com retorno ao órgão preparador.
(documento assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmar Fonseca de Menezes, Rafael Vidal de Araujo, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado).
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO - TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - AUSÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO EXPRESSA - PEDIDO EFETUADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/05 - PRAZO DE 10 ANOS - ARTIGO 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Segundo o entendimento do STF, no caso de pedido de restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, o prazo de cinco anos é contado a partir da homologação, expressa ou tácita, o que resulta que, na ausência de homologação expressa, o prazo é de 10 anos, contados do fato gerador. Aplicação do artigo 62 A do Regimento Interno do CARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, por unanimidade dos votos, recurso provido com retorno ao órgão preparador. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmar Fonseca de Menezes, Rafael Vidal de Araujo, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado).
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Interessado Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO AUSÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO EXPRESSA PEDIDO EFETUADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/05 PRAZO DE 10 ANOS ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Segundo o entendimento do STF, no caso de pedido de restituição de tributo sujeito a lançamento por homologação efetuado antes da entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05, o prazo de cinco anos é contado a partir da homologação, expressa ou tácita, o que resulta que, na ausência de homologação expressa, o prazo é de 10 anos, contados do fato gerador. Aplicação do artigo 62 A do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por unanimidade dos votos, recurso provido com retorno ao órgão preparador. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 13 54 /2 00 3- 06 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.011354/200306 Acórdão n.º 9101002.022 CSRFT1 Fl. 3 2 Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Valmar Fonseca de Menezes, Rafael Vidal de Araujo, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, João Carlos de Lima Junior, Paulo Roberto Cortez (Suplente Convocado) e Antonio Lisboa Cardoso (Suplente Convocado). Relatório Metalúrgica Gans Indústria e Comércio Ltda., inconformada com a decisão contida Acórdão n° 10516.769 (Sessão de 08/11/2007), que, por maioria de votos NEGOU provimento ao recurso voluntário, impetrou Recurso Especial de Divergência com fulcro no art. 70, II e 15 § 2°, ambos do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25/06/2007. Argumenta a recorrente, que a decisão proferida pela Câmara diverge das decisões contidas nos acórdãos nº 20309.937 e 30238.928 em relação à interpretação das normas relativas ao prazo de decadência para o contribuinte pedir a restituição ou compensação de tributos regidos pela modalidade de lançamento por homologação. Defende que o prazo para repetir o indébito é de dez anos a contar do fato gerador (tese dos cinco mais cinco), sendo cinco anos para a homologação tácita e, a partir daí, mais cinco para solicitar a restituição/compensação. A presidência da Quinta Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes admitiu o recurso por tempestivo e por configurada a divergência, eis que no acórdão recorrido a Câmara entendeu que o prazo para o contribuinte pleitear a restituição é de cinco anos, enquanto que nos paradigmas o entendimento foi de que esse prazo é de dez anos. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 119 a 123. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso atende os pressupostos que o autorizam, devendo ser conhecido. Tratase os presentes autos de pedido de restituição de multa de mora pelo atraso no recolhimento de tributos, que o contribuinte entende ter pago indevidamente, com base na denúncia espontânea. O pedido de restituição foi formalizado em 26/11/2003 e os pagamentos ocorreram entre 02/03/1994 e 30/10/1998. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.011354/200306 Acórdão n.º 9101002.022 CSRFT1 Fl. 4 3 A matéria questionada diz respeito ao prazo para pleitear a restituição de indébito tributário. A divergência situase na interpretação do art. 168 do Código Tributário Nacional, quando o alegado indébito se relacione a tributo sujeito a lançamento por homologação. O acórdão recorrido, por maioria de votos, negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte, e manteve a decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ de Curitiba, no sentido de que o prazo para pleitear a restituição decai após o transcurso de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Postula o Recorrente o reconhecimento de que o prazo para pleitear a restituição seja de 10 anos, invocando jurisprudência do STJ que considera como termo inicial para a contagem do prazo para pleitear a restituição, nos casos de lançamento por homologação, a data da homologação (tese dos “cinco mais cinco” abraçada pelo STJ). Neste sentido são os acórdãos paradigmas trazidos, Acórdão n° 20309.937, de 05/03/2007 e Acórdão n° 30238.927, de 12/09/2007. Quanto a essa matéria, a partir da alteração do Regimento Interno do CARF, para inclusão do art. 62A, que obriga os Conselheiros a reproduzirem as decisões definitivas de mérito do STF ou do STJ, não se admite mais discussão. É que Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial n°1.002.932SP, sob o procedimento dos recursos repetitivos, ao apreciar o texto trazido pela Lei Complementar n° 118/05, fixou o entendimento de que, relativamente aos pagamentos indevidos efetuados anteriormente à Lei Complementar n° 118/05, o prazo prescricional para a restituição do indébito permanece regido pela tese dos “cinco mais cinco”, isto é, pelo prazo de dez anos, limitado, porém, a cinco anos contados a partir da vigência daquela lei. O Supremo Tribunal Federal, de outro lado, enfrentando o tema, decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário 566.621RS (04/08/2011), ser válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Esse acórdão transitou em julgado em 17/11/2011, com baixa definitiva dos autos em 01/03/2012, conforme andamentos registrados no sítio do STF. O art. 62A do Regimento Interno do CARF obriga os Conselheiros a reproduzirem as decisões definitivas de mérito do STF ou do STJ, tomadas na sistemática dos artigos 543 B ou 543C, nos seguintes termos: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. Considerando a supremacia das decisões do STF, e por força do quanto disposto no artigo 62 A, do Regimento Interno do CARF, devese ter que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para o pedido de restituição efetuado antes da Fl. 292DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI Processo nº 10980.011354/200306 Acórdão n.º 9101002.022 CSRFT1 Fl. 5 4 entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/05 tem como termo inicial a homologação, expressa ou tácita, do lançamento, o que resulta que, não tendo havido homologação expressa, o prazo para repetição ou compensação de indébito é de 10 anos contados do seu fato gerador (aplicação combinada dos arts. 150, §4°, 156, VII, e 168, I, do CTN). Assim, por força do quanto disposto no artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, considerando o entendimento fixado pelos tribunais superiores na sistemática dos artigos 543B ou 543C do CPC, o direito do contribuinte foi exercido no prazo legal. Isto posto, dou provimento ao recurso, devendo os autos retornar à origem para análise do direito creditório. É como voto. Sala das Sessões, em 08 de outubro de 2014. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri, Relator. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 19/01/2015 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 19/12/2014 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 10580.002228/92-32
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 1994
Ementa: IRPF - SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA - Ocorrendo mudança no
critério jurídico ou inovação dos fundamentos que serviram de
base ao lançamento, por ocasião da decisão da autoridade
julgadora de primeira instância, é de determinar a apreciação do
recurso formulado a este Conselho como impugnação.
Numero da decisão: 102-29.246
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, determinar a remessa dos autos à repartição de origem, a fim de que a petição de fls. 87/95 seja apreciada como impugnação.
Nome do relator: Waldevan Alves de Oliveira
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ementa_s : IRPF - SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA - Ocorrendo mudança no critério jurídico ou inovação dos fundamentos que serviram de base ao lançamento, por ocasião da decisão da autoridade julgadora de primeira instância, é de determinar a apreciação do recurso formulado a este Conselho como impugnação.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-05T14:44:07Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-05T14:44:07Z; Last-Modified: 2009-07-05T14:44:07Z; dcterms:modified: 2009-07-05T14:44:07Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-05T14:44:07Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-05T14:44:07Z; meta:save-date: 2009-07-05T14:44:07Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-05T14:44:07Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-05T14:44:07Z; created: 2009-07-05T14:44:07Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-07-05T14:44:07Z; pdf:charsPerPage: 1281; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-05T14:44:07Z | Conteúdo => - ,--4 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° 10580/002.228/92-32 Sessão de 16 de agosto de 1994 ACÓRDÃO N° 102-29.246 RECURSO N° 75.649 - IRPF - EXS.: 1987 e 1989 RECORRENTE: SIDNEY CARLOS MANGABEIRA CAMPOS RECORRIDA : DRF - SALVADOR - BA IRPF - SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA - Ocorrendo mudança no critério jurídico ou inovação dos fundamentos que serviram de base ao lançamento, por ocasião da decisão da autoridade julgadora de primeira instância, é de determinar a apreciação do recurso formulado a este Conselho como impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por SIDNEY CARLOS MANGABEIRA CAMPOS. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, determinar a remessa dos autos à repartição de origem, a fim de que a petição de fls. 87/95 seja apreciada como impugnação. S das -ssões \e0!"---gosto de 1994 - I CAR - PRESIDENTE W _ À .1: - _' OLIVEIRA RELATOR --AMO VISTO EM ANCISCO TARGINO DA ROCHA NETO - PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL SESSÃO DE: 2 1 (-I II- 1 Q94 ke - Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: Francisco de Paula Correa Carneiro Giffoni, Ursula Hansen, Maria Clélia de Andrade Figueiredo, Júlio César Gomes da Silva e José Carlos Passuello. , . 2 . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N' 105801002.228/92-32 RECURSO N° : 75.649 ACÓRDÃO N° : 102-29.246 RECORRENTE : SIDNEY CARLOS MANGABEIRA CAMPOS RELATÓRIO SIDNE..- CARLOS MANGA.BEIRA CAMPOS, contribuinte domiciliado na cidade de Salvador, Estado da Bahia., na guarda do prazo legal, recorre a este Conselho do ato do titular da DRF daquela cidade, que, indeferindo sua impugnação, manteve lançamento suplementar em suas declarações de rendimentos apresentadas para Os exercícios de 1.987 e 1988, ensejando a cobrança do imposto no valor de Cr$ 10.427.920,50, acrescido da multa de 50% e d.ernais encargos legais. Iniciou-se o procedimento em decorrência de revisão interna levada a efeito nas precitadas declarações de rendimentos, concluindo a fiscalização por lavrar a Notificação de Lançamento de fls. 03/08, sob a égide dos seguintes fundamentos: "O contribuinte acima identificado foi intimado a apresentar os documentos que serviram de base as suas declarações de rendimentos dos exercícios de 1987, 1988 e 1989. Revisadas as declarações, constatamos que: EXERCÍCIO DE 1987 a) - o contribuinte utilizou indevidamente o beneeficio do Decreto Lei N° 2.303/86 (imposto de 3% para o patrimônio à descoberto), tendo em vista que o citado Decreto Lei no seu artigo 18 limita o beneficio aos bens ou valores não incluídos em declarações apresentadas pelo contribuinte, ou sejaaaaaaaa, bens adquiridos anteriormente ao ano base de 1986; h) - o contribuinte não declarou os valores pagos pela aquisição no ano base . dos apartamentos 1.208 e 1.412 do Manhattan Residence Service e do apartamento 1.801 do Edifício Mansão Bois de Boulopte; e) - o contribuinte declarou a menor os valores de aquisição dos cinco lotes do loteamento Quintas de Piquaia, Santo Amaro de ipitanga, Lauro de Freitas - BA; A) - ORIGENS/RECURSOS Cz$ 804.766,00 1. Renda Líquida Declarada Cz$ 208.950,00 2. Rendimentos não Tributáveis. Cz$ 396.000,00 3. Bens do Ano Anterior Cr$ 199.816,00 4. Rendimentos da Espo: ' (Não Comprovados) _ o _ .... ,/7, 3. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO 1\1° 105801002.228192-32 Acórdão N° 102-29.246 B) - APLICAÇÕES/DESPESAS Cz$ 21.556.737,00 1. Bens no Ano Base Cz$ 672.642,00 2. Diferença Pagamento Aluguel Cz$ 64.400,00 3. Diferença Valor de Aquisição 5 lotes Cz$ 130.078,00 4. Bens lançadossss DL 2.303/86 Cz$ 20.369.569,00 5. Pagamentos Apartamento 1.208 Cz$ 50.008,00 6. Pagamentos Apartamento 1.412 Cz$ 93.632,00 7. Pagamentos Apartamento 1.801 Cz$ 169.987,00 8. IR Fonte Cz$ 6.421,00 C) - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL NÃO JUSTIFICADO ( B - A) Cz$ 20.751.971,00 EXERCÍCIO DE 1988 Existe Acréscimo Patrimonial Não Justificado com os rendimentos apresentados na declaração de rendimentos do exercício, calculado da forma abaixo: A) - ORIGENS/RECEITAS Cz$ 22.530.757,00 1. Renda Líquida declarada Cz$ 449.550,00 2. Venda de Ouro Cz$ 1.038.996,00 3. Bens do Ano Anterior Cz$ 21.042.211,00 4. Rendimentos Não Tributáveis (Não Comprovados) Cz$ 0,00 5. Lucro Imobiliário Cz$ 0,00 B) - APLICAÇÕES/DESPESAS Cz$ 23.105.215,00 1. Bens do Ano Base Cz$ 21.803.215,00 2. Diferença Pagamento Aluguel Cz$ 166.400,00 3. Pagamento Apartamento 1.208 (01 NP 597,00 OTNs, 01/87) Cz$ 63.520,00 4. Pagamento Apartamento 1.412 (01 NP 1.117,00 OTNs, 01/87) Cz$ 118.848,00 5. Pagamento Apartamento 1.801(01 NP 1.597,00 OTNs, 01/87) Cz$ 169.987,00 6. IR Fonte Cz$ 22.227,00 7. Imposto Pago no Ano Base Cz$ 761.018,00 C) - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL NÃO JUSTIFICADO ( B - A) Cz$ 574.458,00 ENQUADRAMENTO LEGAL: Artigo 39, III combinado com os Artigos 676 e 678, todos do RIR/80, aprovado pelo Decreto N° 85.450/80 e DL N' 2.303/86, artigo 18". Notificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva às fls. 77/79, procurando desconsfituir o lançamento ressaltando que a exigência contraria a disposição expressa no artigo 21 do Decreto-Lei 2.303/86, transcrevendo o dispositivo, d.Arien" t.a a atender a sua pretensão. \\À - 4 . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE. CONTRIBUINTES PROCESSO N° 10580/002.228/92-32 Acórdão N° 102-29.246 A decisão da autoridade julgadora de primeira instância foi proferida às fls. 87/95, indeferindo a impugnação do contribuinte com base nos fundamentos consubstanciados na Notificação de Lançamento, acrescentando todavia o fato de haver o recorrente apresentado a sua declaração de rendimentos exercício de 1987, a destempo, consoante se infere da seguinte ementa: "IMPOSTO DE RENDA - PESSOA FÍSICA - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL, NÃO JUSTIFICADO - Os bens ou valores adquiridos até 31.12.86 que não tenham sido incluídos nas declaraçóes anteriores, só poderão ser beneficiados com a tributação de 3% (artigo 18 a 23 DL 2.303/86) quando comprovada a aquisição dos mesmos com recursos auferidos até 31.12.85 (ADN CST 135/86). O prazo para utilização do benefício fiscal previsto nos artigos 18 a 23 do DL 2.303/86 é o fixado para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos do exercício de 1987. O acréscimo patrimonial de origem injustificada caracteriza omissão de rendimento e está sujeito à tributação mediante inclusão na Cédula "H". AÇÃO FISCAL, PROCEDENTE". Não se conformando com a decisão retro, o contribuinte interpôs recurso a este Conselho, cujas razões são lidas na íntegra em sessão. É o relatório. frz 5 . MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO N° 10580/002.228/92-32 Acórdão N° 102-29.246 V O TO Conselheiro Waldevan Alves de Oliveira, Relator: O lançamento objeto de impugnação por parte do contribuinte, está adstrito a acréscimo patrimonial apurado nos exercícios de 1987 e 1988, sendo que no primeiro exercício o contribuinte teria se utilizado indevidamente da alíquota reduzida, 3%, tendo em vista que o contribuinte não havia comprovado que os bens relacionados tivessem sido adquiridos anteriormente ao ano-base de 1986, além de outros desencontros anotados às fis.07. Sua defesa, igualmente, pautou-se nos fundamentos do lançamento, o qual pede seja julgado insubsistente tendo em vista que o fisco teria se protegido de uma Instrução Normativa, extrapolando assim o que dispõe o Decreto-lei 2.303/86. Por outro lado, a autoridade recorrida, ao manter o lançamento, acrescentou aos fundamentos do lançamento, o fato de haver o contribuinte apresentado a sua declaração de rendimentos exercício :1987, em 30.04.87, fora do prazo determinado pela Secretaria da Receita em 31.03.87, prorrogado para 15.04.87. Ora, a entrega intempestiva da declaração de rendimentos não foi contemplada como fundamento da Notificação de Lançamento, tendo merecido destaque inclusive na ementa da decisão monocrática, que ao nosso ver alterou o critério jurídico do lançamento, cujos fundamentos somente passaram a ser do conhecimento do contribuinte através da decisão recorrida. Destarte, em homenagem ao duplo grau de jurisdição que preside o processo administrativo fiscal, voto no sentido de retornar os autos à repartição de origem, p.. que a petição de fis. 87/95, seja apreciada como impugnação. Brasília - DF, 16 de agosto de 1994.1 WALDEVAN AL •• DE OIJVFIRA Rela Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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