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Numero do processo: 13204.000080/2004-91
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Aug 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
PIS NÃO-CUMULATIVO. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS E CUSTOS DISSOCIADOS DO CONCEITO DE INSUMO. DESCABIMENTO.
Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas corno insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não-cumulatividade do Pis/Pasep,
PIS NÃO-CUMULATIVO, DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS DE COMBUSTÍVEIS UTILIZADOS COMO INSUMO. CABIMENTO,
A despesa com combustível, desde que utilizado corno insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, poderá ser usada no cálculo do crédito a ser descontado na apuração do Pis Não-Cumulativo.
CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS,
O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-000.470
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Vencidos os Conselheiros Arno Jerke Júnior, Andréia Lacerda Moneta e Renata Auxiliadora Marcheti, pelo voto de qualidade, que reconheciam, também, em relação às despesas de lavra.
Nome do relator: Jose Luiz Bordiggnon
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DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS E CUSTOS DISSOCIADOS DO CONCEITO DE INSUMO. DESCABIMENTO. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas corno insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não-cumulatividade do Pis/Pasep, PIS NÃO-CUMULATIVO, DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS DE COMBUSTÍVEIS UTILIZADOS COMO INSUMO. CABIMENTO, A despesa com combustível, desde que utilizado corno insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, poderá ser usada no cálculo do crédito a ser descontado na apuração do Pis Não-Cumulativo. CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS, O controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Vencidos os Conselheiros Amo .lerke Júnior, Andréia Lacerda Moneta e Renata Auxiliadora Marcheti, pelo voto de qualidade, que reconheciam, também, em relação às despesas de lavra, Ma da rotta Cardozo P,r si ente Sose-Láíz--Bordi. on JRelator--/ EDITADO EM: 15/09/2010 Participaram do presente julgamento os conselheiros Magda Cotta Cardozo, Flávio de Castro Pontes, Amo Jerke Júnior, Andréia Dantas Lacerda Moneta, José Luiz Bordignon e Renata Auxiliadora Marcheti, Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: "Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito de PIS/Pasep não cumulativo no valor de R$ 195,405,08, ,feito pela empresa acima identificada 01. 01), a ser utilizado na compensação dell, 02, 2, A DRF Belém, conforme Parecer Seart n° 729, de 1610,2008, 1`1,s. 73/94 (cópia), procedeu a análise conjunta do presente pleito e de outros mais referentes ao P1S/Pasep e à Cofins não cumulativas, 3. Após diligência realizada pela Fiscalização da Unidade (cópia do Termo nas fls.. 63/72 do presente processo), foi reconhecido o direito ao crédito de P1S/Pasep no valor de R$ 118 966,85, sendo parciahnente homologada a compensação, até o limite do crédito. Cabe destacar que os Anexos (1 a IV) do referido Termo de Diligencia encontram-se no processo n° 13204,000009/2004-16, o qual deverá acompanhar todos os demais analisados conjuntamente 4. Cientificada em 17.11.2008 (AR Ii, 95-v), a interessada apresentou, tempestivamente, em 17.12.2008, manifestação de inconformidade (fl. 21/39), na qual, em síntese: a) Argumenta que as glosas efetuadas desrespeitam o princípio da não cama/atividade, uma vez que os serviços e bens desconsiderados estão intimamente ligados ao processo produtivo da empresa, sendo passíveis de creditamento,- b) Tece considerações acerca da contribuição, destacando que a legislação tratou de prever expressamente as hipóteses em que não há direito ao crédito (art. 3°, § 2', da Lei IP 10.637, de 2002), não devendo 'pairar dúvidas sobre a possibilidade de creditamento da pessoa . jurídica referente aos bens e serviços Processo ri° 13204.00008012004-9I S3-TE01 Acórdão n 3801-00470 Fl 142 utilizados como insumo na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda", c) Ressalta, ao comentar a utilização pela Fiscalização do Parecer Normativo n° 65, de 1979, e da Instrução Normativa Si?? n° 404, de 2004, que "qualquer definição de insumo trazido ao mundo jurídico, seja por veiculo de Instrução Normativa ou Parecer Normativo, contraria a competência que lhe é atribuída pelo Código Tributário Nacional, Acrescenta que tais veículos normativos citados "extrapolam seus poderes, na medida em que tentam inovar o conceito constitucional e legal de insumos"; d) Defende que "o conceito de insinuo está intimamente ligado à idéia de consumo de certo bem ou serviço, de fbrina direta ou indireta, na atividade desenvolvida pela pessoa jurídica para a .fabricação do produto", sendo "a complexidade de bens e serviços aplicados na produção ou fabricação de bens, sem os quais não seria possível a obtenção do produto final e acabado com suas características próprias"; e) Afirma estar claro que os bens e insumos glosados estão intrinsecamente afetos à fabricação do produto caulim, procurando justificar a função de cada item, conforme tabela nas .fi,s. 31/3.2; f) Procura demonstrar o caráter contraditório das conclusões da Fiscalização, na medida em que não teria lógica a adoção de bens ou serviços inúteis à sua produção, aumentando o custo de produção; g) Cita Solução de Consulta expedida no âmbito da Receita Federal do Brasil, sem especificar de qual Região Fiscal, que manifesta juízo no sentido de que "os bens e serviços utilizados como inSIIMOS na prestação de serviços, intrinsecamente relacionado com o objetivo da empresa e com o serviço prestado, podem ser considerados créditos na apuração do PISIPasep não cumulativo"; h) Reforça o entendimento de que a desconsideração dos bens e serviços fere o principio da não cumulatividade previsto na Carta Magna, alertando que o fato de haver sido atribuída ao legislador ordinário a competência de dgfinir os setores de atividade econômica sujeitos à não comutatividade da contribuição, não significa autorização para desvirtuamento do conceito "não-cumulativo"; i) Não se pode interpretar o conceito de illS111110 exclusivamente a partir das legislações de IPI ou ICMS, por .falta de previsão legal e devido a divergência da materialidade desses impostos com relação à contribuição; j) Alerta para a violação do principio constitucional do "não- confisco" sempre que o tributo absorva parcela expressiva da renda ou de propriedade do contribuinte; 10 Por fim, requer a revisão da decisão, sendo enquadrados como illSIMIOS os bens e serviços glosados. A Delegacia de Julgamento de Belém proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: "ASSUNTO CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 INSUMO. BENS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE PRODUTOS, Além das matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que componham visualmente o produto final, poderão ser descontados créditos em relação a produtos que sejam aplicados ou consumidos em ação direta sobre o produto emifabricação. INSUMO. SERVIÇOS APLICADOS NA PRODUÇÃO, Geram direito ao crédito os serviços prestados por pessoas jurídicas contribuintes do PIS/Pasep, domiciliadas no País, que sejam utilizados na linha de produção da empresa.. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício.. 2004 INCONSTITUCIONALIDADE PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade de dispositivos legais, Os atos regularmente editados segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade até decisão em contrário do Poder Solicitação Indeferida", Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme petição de 118 a 138, reproduzindo, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, acrescentando, em síntese: o Que o processo produtivo compreende não apenas e tão somente a modificação do mineral até que dele se extraia o caulim, mas sim todas as etapas necessárias à obtenção do produto final o Que, para chegar-se ao produto final comercializável forem necessárias etapas como as aqui já referidas, retirada de vegetação e de solo para alcançar-se o mineral, abertura e conservação de vias Processo n° 13204 000080/2004-91 S3-TE01 Acórdão n." 3801-00.470 FL 143 para que o mineral chegue à linha de produção e transite nesta linha, manutenção das instalações e da mão de obra voltadas à produção, estaremos diante de um processo produtivo com múltiplas etapas, mas ainda assim, um único processo. e Que as despesas decorrentes de todas as etapas representariam desembolsos com insumos para o processo produtivo, sendo, portanto, passíveis de constituição de créditos de PIS, sob a sistemática do regime de apuração não cumulativo dessa contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Trata-se, preliminarmente, das alegações de inconstitucionalidade trazidas pela interessada em sua defesa. Quanto a este aspecto, urna vez que se repetem àquelas apresentadas na peça impugnatória, considero que a matéria foi perfeitamente abordada no Acórdão 01-14.304 — 3" Turma da DRJ/BEL, fls. 97 a 100, adotando-se por este Relatar, com fulcro no art. 50 1 , § 1°, da Lei n° 9.784, de 1999, as disposições nele contidas, Como visto no relatório, a interessada requereu o ressarcimento do PIS/Pasep não cumulativo, referente a 07/2004, no valor de RS 195,405,08, sendo reconhecido o valor de R$ 118.966,85, conseqüentemente a compensação foi homologada até o limite do referido crédito. Examinando-se os autos, verifica-se que o cerne do litígio está na definição de "insumos" para fins de abatimento, como crédito, na apuração do PIS, modalidade "não cumulativa". A glosa dos créditos sobre serviços e de combustíveis (gasolina comum, óleo diesel e óleo combustível) efetuados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém (DRF/BEL), conforme o PARECER SEORT/DRF/BEL N° 0729/2008, mantidas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (DRJ/BEL), consoante Acórdão 01- 14.304 — 3" Turma, são os relacionados a seguir: (i) serviço de alteamento, (ii) serviço de limpeza e passagem, (iii) serviço de locação, (iv) fornecimento de jantar, (v) serviço de decapeamento, (vi) serviço de lavra, (vii) serviço de transporte, (viii) serviço especializado de vigilância, (ix) serviço de melhorias de estradas, (x) gasolina comum, (xi) óleo diesel e (xii) óleo combustível TP/A-BPF. Art. 50 Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: .) § 1 o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serãorparte integrante do ato. / E 5 6 Às folhas 133/137, a recorrente descreve os serviços que foram objeto de glosa pela DRIVBEL, os quais são aqui transcritos na íntegra: 1. SERVIÇO DE ALTEAMENTO: consiste no aumento da capacidade da bacia de rejeites. Por sua natureza, fica claro que o serviço de alteamento representa importante etapa do processo produtivo em sua fase posterior. correta disposição de rejeitas constitui-se em exigência primordial à atividade produtiva da recorrente, sob pena de ver suas atividades impedidas por falta de condições adequadas para executá-la. Dessa forma, as despesas com remuneração de pessoas jurídicas para a prestação desse serviço são passíveis de constituição de créditos de PIS/COFINS, 2.. SERVIÇO DE LIMPEZA E PASSAGEM: consiste na remoção de minério para permitir a passagem de veículos extratores de caulim. Neste quesito, mais uma vez resta patente que a atividade produtiva não se completa sem a desobstrução das vias que permitem o acesso do maquinário às fontes de caulim. Não há sequer que se falar em extração do mineral sem que as máquinas adequadas a isso tenham acesso . franqueado às fontes naturais. Para tanto, torna-se fundamental ao processo produtivo que sejam mantidas as vias de acesso desobstruídas. 3, SERVIÇO DE LOCAÇÃO: consiste na locação de equipamentos para extração do minério. Por sua especificidade e alta exigência técnica a extração de minério não pode ser realizada a contento sem maquinário apropriado Fica claro então, que a despesa decorrente da locação destes equipamentos representa verdadeira despesa inerente ao processo de produção do caulim, razão pela qual seria passível de constituição de créditos de COFINS 4 FORNECIMENTO DE JANTAR consiste no serviço de refeitório para os . fiincionários. Em virtude da localização geográfica das atividades extrativistas de minério desenvolvidas pela Recorrente, faz-se necessário fornecer alimentação aos responsáveis pela produção da planta industrial, uma vez não existir alternativa que não esta. O fornecimento de uma segunda refeição diária passa a integrar a atividade produtiva, pois, tratar-se de condição intrínseca a manutenção do fator mão-de- obra da atividade. 5 SERVIÇO DE DECAPEAMENTO: consiste na retirada de vegetação e solo para expor o minério Trata-se do primeiro passo necessário à atividade extrativa mineral. Sem a retirada da cobertura vegetal e de solo, não é possível alcançar-se o minério, razão pela qual este serviço constitui parte importante do processo produtivo, sem a qual a extração não se ultima. 6. SERVIÇO DE LAVRA: consiste na extração do minério da natureza. Aqui nos deparamos com mais uma etapa no processo produtivo. Se o decapeamento prepara o terreno para extração do minério, a lavra compreende a real retirada do minério de seu depósito natural para posterior beneficiamento e extração do caulim. Uma vez mais, reiteramos não há que se falar de processo produtivo do caulim que não compreenda a preparação do terreno e a extração do minério de suas .fontes naturais. 7. SERVIÇO DE TRANSPORTE • consiste no serviço de transporte de funcionários.. Uma vez mais, ,fica claro o aspecto Processo n" 13204 000080/2004-91 S3-TE01 Acórdão n 3801-00,470 Fl 144 de atividade meio do processo produtivo, sem a qual tal processo não se ultimaria, Trata-se de despesa decorrente da colocação de pessoal junto às áreas produtivas, atividade .fundamental para o próprio processo produtivo. Não há que se conceber produção sem mão de obra a ela vinculada, e para tanto, .faz-se necessário seu deslocamento, 8. SERVIÇO ESPECIALIZADO DE VIGILANCIA.- consiste no serviço de segurança patrimonial Encontramos aqui outro exemplo de atividade sem a qual não conseguiria a Recorrente completar seu processo produtivo.. Dada sua localização geográfica e as características de sua planta produtiva, toma-se necessário o serviço de segurança patrimonial, dentre outras razões por tratar-se de forma de garantir a integridade e o perfeito funcionamento da referida planta. Vem daí a integração deste serviço ao processo produtivo. 9. SERVIÇO DE MELHORIA DAS ESTRADAS: consiste na manutenção de estradas privadas que conduzem às jazidas minerais. Em consonância aos serviços de limpeza e passagem, .fornecimento de jantar, transporte de funcionários e de vigilância, a devida manutenção das vias de acesso às jazidas representa condição inerente ao processo de produção do caulim, tendo em vista que a produção estaria inviabilizada sem rotas de acesso minimamente adequadas ao acesso de homens e máquinas às . fontes de minério. GASOLINA COMUM: utilizada nos veículos da fábrica para transporte de materiais. Todo o deslocamento de material utilizado no processo produtivo, seja qual lbr sua natureza, é feito por meio de veículos movidos a gasolina. Novamente nos deparamos com nítida despesa totalmente inserida na produção do caulim, pois é da natureza deste processo a utilização de materiais das mais variadas naturezas, exigindo deslocamentos dos mesmos por toda a planta produtiva. 11. ÓLEO DIESEL: utilizado nos caminhões para transporte de caulim. Certo está que todo o processo produtivo do caulim pressupõe o transporte e deslocamento de matéria-prima, produtos intermediários, e produto final entre os diversos setores da produção, seja das áreas de extração para a produção, entre setores desta última, ou ainda da produção para a distribuição. Por sua vez, este transporte no mais das vezes é .feito com a utilização de veículos movidos a combustão de óleo diesel, restando patente sua aplicação no processo de produção da recorrente. 12. ÓLEO COMBUSTÍVEL TP A-BPF: . utilizado na fase da "evaporação" (redução do teor de água contida na polpa através de passagem por evaporadores, que são aquecidos por caldeiras alimentadas pela queima de combustível). A descrição da etapa do processo produtivo acima por si só já deixa claro que se trata de etapa do processo de obtenção do caulim a partir do mineral bruto, razão esta pela qual o óleo combustível consumido no processo constitui inSt17710 do mesmo. 7 Defende a recorrente, que todos os serviços e bens acima descritos estão intrinsecamente afetos à fabricação do produto caulim, sendo que a supressão de qualquer serviço ou bem utilizado comprometeria sobremaneira ou mesmo inviabilizaria a qualidade final do produto. Por seu turno, a autoridade julgadora de primeira instância justifica a glosa dos créditos utilizados pela recorrente com os fundamentos abaixo transcritos: "INSUMO BENS UTILIZADOS NA FABRICA çÃo DE PRODUTOS Além das matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem que componham visualmente o produto final, poderão ser descontados créditos em relação a produtos que sejam aplicados ou consumidos em ação direta sobre o produto em fabricação. INSUMO SERVIÇOS APLICADOS NA PRODUÇÃO Geram direito ao crédito os serviços prestados por pessoas jurídicas contribuintes do PIS/Pasep, domiciliadas no País, que sejam utilizadas na linha de produção da empresa". Para auxiliar na solução da lide, transcrevo, a seguir, excertos da legislação de regência: Lei n" 10.637, de 31 de dezembro de 2002: Art 32 Do valor apurado na . forma do art. 2 2 a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II - bens e serviços, utilizados como instinto na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e hárificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2 2 da Lei n2 10 485, de 3 de julho de 2002, devido pelo . fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI Instrução Normativa SRF n" 247, de 21 de novembro de 2002: Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não- cumulativo com a aliquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma &iguala, sobre os valores,' I — das aquisições efetuadas no mês: ) b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como instamos: b, na fabricação de produtos destinados à venda; ou b,2) na prestação de serviços. Processo n° 13204 000080/2004-91 Acórdão n ° 3801-00.470 S3-TE01 H 145 § 5" Para os efeitos da alínea "b" do inciso 1 do caput, entende- se como instintos: I - utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; Diante de tudo até aqui exposto, faz-se necessário responder a seguinte questão: Qual é o conceito de insumo aplicável à contribuição para o PIS/Pasep não cumulativo (art. 3', II, da Lei n° 10.637, de 2002)? Antes de responder a pergunta acima formulada, faz-se necessário tecer algumas considerações sobre a sistemática da não-cumulatividade adotada pela Lei n° 10,637, de 2002. É forçoso reconhecer que a lei instituidora da contribuição em comento não trouxe o conceito de "insumos" e, tampouco, remeteu à utilização subsidiária da legislação de outro tributo para a busca do seu significado. Desse modo, resta-nos a opção de buscar no ordenamento jurídico, em especial na esfera tributária, o referido conceito, É sabido que o IPI e o ICMS usam a sistemática da não-cumulatividade para apurar o valor a ser recolhido a titulo dos referidos tributos. No entanto, a sistemática eleita pelo legislador para a manutenção da "neutralidade tributária" para o Pis/Pasep não-cumulativo difere daquela adotada no caso do IPI e do ICMS. Ou seja, os métodos de apuração são distintos. Para o IPI e o ICMS o método de apuração adotado pelo legislador foi o "Método do Crédito de Imposto" ou "Método de Imposto contra Imposto", traduzindo-se na possibilidade de compensar o montante devido na saída (vendas) com o valor efetivamente recolhido por ocasião da entrada (compras). Já no caso do Pis/Pasep não-cumulativo, a forma de apuração do valor devido é obtido pela utilização do "Método Subtrativo Indireto", que consiste em atribuir crédito fiscal sobre custos/despesas definidas em lei, na mesma proporção da alíquota aplicada sobre as receitas. Partindo-se da explanação apresentada, poder-se-ia chegar a seguinte conclusão: uma vez que existem diferenças metodológicas entre a não-cumulatividade aplicada ao IPI (Método Crédito de Imposto) e ao Pis/Pasep (Método Subtrativo Indireto), o conceito de insumos, para fins da legislação do Pis/Pasep não-cumulativo, não tem a mesma dimensão dada pela legislação do IPI. Desse modo, uma vez que a legislação que trata das Contribuições para o Pis/Pasep e Cofins tem relação direta com o faturamento, o conceito de "insumos" deveria guardar estreita referência com àqueles encontrados nos artigos 290 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda, RIR/99, que assim dispõem: Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (Decreto-Lei n 2 1.598, de 1977, art. 13, § 12» 1- o custo de aquisição de matérias-primas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior,' - o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; III - os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; IV- os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção, Parágrafo único. A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda a cinco por cento do custo total dos produtos vendidos 110 pe r o do de apuração anterior, poderá ser registrada diretamente como custo (Decreto-Lei n2 1,598, de 1977, art, 13, 22).. Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n 2 4..506, de 1964, art. 47). § 1 2 São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n2 4 506, de 1964, art 47, § 12). § 22 As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n!'4,506, de 1964, art. 47, § 22). Mantendo-se essa linha de raciocínio, a conclusão a que se poderia chegar é a de que todos os custos de produção e despesas operacionais incorridos pelo contribuinte com a fabricação de produtos destinados à venda e na prestação de serviços poderiam ser qualificados como "insumos" na acepção do art 3", II, da Lei IV 10,637, de 2002. Nada mais falso, senão vejamos. Para desconstruir esse raciocínio, inicio reproduzindo parte do texto do referido artigo, que assim dispõe: "bens e serviços, utilizados como instinto na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda".. A partir da redação dada pelo legislador no artigo acima referido, é imperioso consignar que o mesmo não trata de qualquer "insumo" genericamente utilizado na cadeia produtiva da empresa, mas especificamente à matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem Ou seja, para que determinado "insumo" possa ser descontado como crédito no 1 O Processo n° 13204.000080/2004-91 S3-TE01 Acórdão o" 3801-00470 F I 146 cálculo do Pis/Pasep não-cumulativo, deve, necessariamente, estar enquadrado no conceito ou de matéria-prima, ou de produto intermediário ou como material de embalagem. Assim, considerando todo o exposto até o momento, é meu pensar que o termo "insumos", no contexto do art. 3°, II, da Lei n° 10.637, de 2002, se refere àqueles bens e serviços que estão relacionados diretamente com a produção ou fabricação de outros bens ou produtos destinados à venda ou da prestação de serviços. Significa dizer que deve existir um vínculo entre os insumos e seu emprego na produção de um bem ou na prestação de um serviço. Somente dessa forma é que o valor dispendido pode ser usado como crédito na sistemática de apuração do Pis/Pasep não- cumulativo. Portanto, para que o insumo utilizado possa ser aproveitado como crédito na apuração do Pis/Pasep não-cumulativo, deve o mesmo fazer parte do processo produtivo, integrando o produto final ou usado durante o processo de fabricação, ficando demonstrado o desgaste fisico e/ou químico. A conclusão é a mesma quando se trata de prestação de serviço.. No caso presente, a partir da descrição, pela recorrente, da atuação dos insumos não considerados pelo fisco na composição do valor do Pis/Pasep não-cumulativo relativo a julho/2004, acima referidos, no processo produtivo da empresa, fica evidente, segundo a legislação acima colacionada, que o serviço de alteamento, serviço de limpeza e passagem, serviço de locação, fornecimento de jantar, serviço de decapeamento, serviço de lavra, serviço de transporte, serviço especializado de vigilância, serviço de melhorias de estradas, gasolina comum e óleo diesel não se tratam de matéria-prima ou material de embalagem e nem preenchem os requisitos para serem considerados como produtos intermediários. Quanto ao alargamento do sentido do termo "insumos" que a recorrente quer imprimir, é meu pensar que o mesmo não pode prosperar. O acolhimento pela legislação pátria do princípio da não-cumulatividade para o Pis/Pasep, não significa que todos os custos e as despesas da empresa, pertencendo ou não ao processo produtivo ou a prestação de serviço, podem gerar créditos, sem nenhuma limitação, É de se registrar que a Lei instituidora do Pis/Pasep não-cumulativo estabeleceu que, além dos insumos utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, poderão ser descontados créditos calculados em relação a "energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica", "aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa" e "edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa". Portanto, se o conceito de "insumos" de que trata o art. 3', II, da Lei n° 10.637, de 2002, abarcasse todos os custos de produção e despesas operacionais incorridos pelo contribuinte com a fabricação de produtos destinados à venda e na prestação de serviços, não faria sentido o legislador listar um conjunto detalhado de despesas e/ou custos passíveis de gerar créditos. Entretanto, no que se refere ao óleo combustível TP/A-BPF, utilizado na fase da "evaporação" (redução do teor de água contida na polpa através de passagen por 11 evaporadores, que são aquecidos por caldeiras alimentadas pela queima de combustível), o mesmo deve fazer parte no cálculo do Pis/Pasep não-cumulativo, devendo a glosa desse item ser revista. Diante do acima exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para considerar no cálculo do Pis/Pasep não-cumulativo o valor dispendido a título de óleo combustível TP/A-Bn. É assim que yotó'. / / I To:Sé -Luiz Boreigr 12
score : 1.0
Numero do processo: 11080.726393/2012-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/01/2008, 15/02/2008, 18/02/2008, 25/02/2008, 10/03/2008, 21/08/2008, 31/08/2008, 30/09/2008, 20/10/2008, 19/12/2008
VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103
O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103).
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.235
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 63 93 /2 01 2- 09 Fl. 529DF CARF MF Processo nº 11080.726393/201209 Acórdão n.º 3402004.235 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto pela autoridade julgadora de primeira instância, nos termos do Acórdão 10043.031, que ao julgar a impugnação cancelou a exação objeto dos autos em montante que, à época da decisão, ultrapassou o limite de alçada. O valor exonerado (principal + multa de ofício), contudo, é inferior ao limite atualmente vigente, estabelecido pela Portaria MF nº 63, de 09/02/2017. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.199, de 26 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10410.720607/201445, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.199): "Como relatado, o valor exonerado objeto do recurso de ofício foi inferior à R$ 2.500.000,00. A Portaria MF nº 63, de 09/02/2017 (DOU 10/02/2017), estabeleceu que: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Por seu turno, a Súmula CARF, abaixo transcrita, explicita o direito intertemporal para aplicação do teor da transcrita Portaria Ministerial, consoante o brocardo que é princípio do direito adjetivo, qual seja, tempus regit actum. Fl. 530DF CARF MF Processo nº 11080.726393/201209 Acórdão n.º 3402004.235 S3C4T2 Fl. 4 3 Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Com efeito, sendo o valor de alçada nesta data inferior à R$ 2.500.000,00, o presente recurso não pode ser conhecido. Diante do exposto, não conheço do recurso de ofício". Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 531DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10726.000129/2006-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 10/07/2003 a 08/11/2004
MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA, NA IMPORTAÇÃO.OCULTAÇÃO DOS REAIS INTERVENIENTES NA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. ART.23, PARÁGRAFOS 2O E 3o DO DECRETO-LEI 1455/77
Presume-se interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não-comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados
Numero da decisão: 3201-002.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por unanimidade de votos negou-se provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Redator Ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 10/07/2003 a 08/11/2004 MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA, NA IMPORTAÇÃO.OCULTAÇÃO DOS REAIS INTERVENIENTES NA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. ART.23, PARÁGRAFOS 2O E 3o DO DECRETO-LEI 1455/77 Presume-se interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não-comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos negou-se provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Redator Ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1344; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10726.000129/200690 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.830 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2017 Matéria MULTAS Recorrente SERTRADING Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 10/07/2003 a 08/11/2004 MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA, NA IMPORTAÇÃO.OCULTAÇÃO DOS REAIS INTERVENIENTES NA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. ART.23, PARÁGRAFOS 2O E 3o DO DECRETOLEI 1455/77 Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por unanimidade de votos negouse provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Redator Ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano Damorim, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Tatiana Josefovicz Belisario e Winderley Morais Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 6. 00 01 29 /2 00 6- 90 Fl. 2682DF CARF MF Processo nº 10726.000129/200690 Acórdão n.º 3201002.830 S3C2T1 Fl. 3 2 Referese o presente processo administrativo a auto de infração para a cobrança de tributos incidentes sobre a importação, com multa qualificada, e multa prevista no artigo 23, § 3º, do Decretolei nº 1.455/1976. Para bem relatar os fatos, transcrevese o relatório da decisão proferida pela autoridade a quo: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 1.235.103,37, referente a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, prevista no parágrafo V do artigo 23 do Decretolei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002. Depreendese do "Relatório de Fiscalização" que a interessada foi submetida ao procedimento especial de fiscalização previsto na Instrução Normativa SRF n° 228/2002 com o objetivo de se verificar o real adquirente das mercadorias por ela importadas e para se verificar a origem dos recursos utilizados na integralização de seu capital social. Foram analisadas as operações de importação cujas mercadorias tiveram como adquirentes as empresas identificadas entre parêntesis, realizadas ao amparo das Declarações de Importação n° 04/01687559 ( MS Comex Imp. E Exp. Ltda), 03/05819830, 03/06908861, 03/10675078, 04/02151539, 04/03997199, 04/11289220 (Kara Brasile Ltda), 04/01292139, 04/02669821, 04/02274231, 04/03026274, 04/04359803, 04/06159291, 04/08322521 e 04/10142691 (Fashion Box Brasil Moda Ltda). Com relação à integralização do capital social da interessada, especificamente do sócio majoritário, Alfredo de Goye Junior, concluiuse que sua alegação de que os recursos utilizados originaramse de rendimentos de prólabore e alienação de bens não encontra respaldo em sua declaração de rendimentos relativa ao ano calendário de 2002 apresentada à Receita Federal. A interessada não possui local destinado à armazenagem de mercadorias importadas, para posterior revenda. Informações coletadas na sua página da internet demonstra que seu foco de atuação é na área de serviços, não tendo sido encontrada qualquer referência à revenda de mercadorias. A análise das operações de importação identificou, entre outras situações, que: Todas as Declarações de Importação foram registradas como importações por conta própria da Sertrading S.A.; A interessada não mantinha contato com o exportador estrangeiro; Fl. 2683DF CARF MF Processo nº 10726.000129/200690 Acórdão n.º 3201002.830 S3C2T1 Fl. 4 3 A totalidade dos recursos financeiros utilizados nas operações de importação foi recebida antecipadamente, de terceiros, ao fechamento dos contratos de câmbio respectivos; A Planilha de "fechamento de custos" das importações detalha o valor referente à prestação de serviços realizados pela interessada, sob a rubrica de "comissão'; Entrega imediata das mercadorias importadas às adquirentes, quando do desembaraço aduaneiro, sem passagem por depósito da interessada; Numeração seqüencial das notas fiscais de entrada e saída, demonstrando que havia "comprador certo e determinado' para as mercadorias importadas; Existência de contrato com as adquirentes das mercadorias importadas, no qual se comprometiam a adquirir todas as mercadorias de cada operação. Concluiu a fiscalização que houve: I ocultação dos verdadeiros responsáveis pelas operações, provedores dos recursos utilizados e reais adquirentes das mercadorias importadas; e II interposição fraudulenta, nos termos do § 2° do art. 23 do Decretolei n° 1.455/1976, pela não comprovação da origem, por parte do sócio pessoa fÍsica, dos recursos utilizados, em 2002, na integralização do capital social da interessada.] Em razão de as mercadorias haverem sido entregues a consumo, com impossibilidade de sua apreensão, foi lavrado o auto de infração do presente processo lançando multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas, nos termos do § Y do artigo 23 do Decretolei n° 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002. O relatório fiscal informa que será instaurado procedimento para a declaração de inaptidão do contribuinte no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica nos termos do artigo 81, § 1% da Lei 9.430/1996 e art. 34, inciso IV, da IN 568/2005. Regularmente cientificada pela via pessoal (ciência fis. 05), a interessada apresentou a impugnação tempestiva de folhas 1812 a 1859, com os documentos de folhas 1860 a 2000, 2003 a 2226, 2229 a 2479 e 2482 a 2508, anexados. A impugnante faz considerações sobre importações por conta e ordem de terceiros, lembrando que essa modalidade de importação é normatizada pelas Instruções Normativas SRF n° 247/02 e 225/02, bem como pelo ADI SRF n° 07/02. Defende que a presunção constante no artigo 27 da Lei n°10.637/02, no sentido de que a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, é relativa ou condicional, e que o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 07/2002 esclarece como Fl. 2684DF CARF MF Processo nº 10726.000129/200690 Acórdão n.º 3201002.830 S3C2T1 Fl. 5 4 afastar tal presunção. Alega que preencheu todos os requisitos previstos no ADI o que comprova que "é a legítima proprietária dos bens importados, restando refutada a alegação de ocultação do real adquirente ou dano ao erário e, conseqüentemente, a de ocorrência defraude!!!" (sic) Alega que os contratos de câmbio e os conhecimentos de transporte em seu nome comprovam que os recursos utilizados foram próprios e que as mercadorias eram de sua propriedade. Registra o recebimento de notificações extrajudiciais das empresas compradoras das mercadorias, que se negam a pagar o valor das mercadorias adquiridas, fato que comprova a propriedade das mercadorias, o risco comercial e a não exclusividade das vendas a essas empresas. Defende que possui capacidade financeira para realizar as importações. Traça considerações sobre importações por encomenda, defendendo que essa á modalidade de importação que pratica, e que foi posteriormente explicitada legalmente por meio da Medida Provisória n° 267, convertida na Lei n° 11.281/06, art. 11, e regulamentada pela Instrução Normativa SRF n° 634/2006. Cita a previsão contida no artigo 106 do Código Tributário Nacional que determina as hipóteses de aplicação retroativa da lei. Alega que a autuação se deu com base em meras presunções e indícios, sem prova dos ilícitos. • Refuta todas as alegações da fiscalização, lembrando que manteve contato com o exportador no estrangeiro em conjunto com seus clientes, bem como por meio de mensagens eletrônicas; que realmente registrou as Declarações de Importação em seu nome, porque era a real importadora e adquirente das mercadorias, e que não pode se responsabilizar por ações ou omissões de outras empresas; que a margem de lucro de 3,5 % é razoável para o mercado no qual atua; nega que não tenha como seu objeto social a comercialização de mercadorias e sim apenas a prestação de serviços como alega a fiscalização; admite que falta tecnicidade e conhecimento jurídicos de operações de compra e venda, podendo retificar o termo "comissão", na planilha de custos, que deve ser entendido como "margem de lucr"'; lembra que realiza tanto operações por conta e ordem de terceiros como próprias, fato que pode ter levado à confusão; que usa depósitos de terceiros, como o próprio estatuto social prevê, e que não há impedimentos legais para o feito; a numeração seqüencial das notas fiscais, com as datas coincidentes com o desembaraço das mercadorias não e prova e simples presunção da fiscalização; os conhecimentos de transporte e faturas comerciais são prova de que as mercadorias eram de sua propriedade; os contratos firmados foram na condição de importação própria para compra e venda a encomendante predeterminado; não houve fraude ou simulação • visando o recolhimento de valor menor do IPI ou qualquer modalidade de importação por conta e ordem de terceiros; a Fl. 2685DF CARF MF Processo nº 10726.000129/200690 Acórdão n.º 3201002.830 S3C2T1 Fl. 6 5 presunção utilizada é relativa, e a cobrança de adiantamentos é prática norma do mercado; não houve interposição fraudulenta e as discrepâncias de origem de recursos do sócio foram sanadas com retificações das Declarações de Impostos de Renda da Pessoa Física. Contesta a acusação de interposição fraudulenta de terceiros, em razão da não comprovação da origem de recursos dos sócio utilizados na integralização do capital social, alegando que a capacidade financeira a ser comprovada é da pessoa jurídica, que não podem ser confundidas como pessoas físicas, tampouco na figura de seus sócios. Observa o princípio fundamente de contabilidade, o princípio da entidade. Registra que foram sanadas os problemas contábeis do sócio, referentes à origem de seus recursos. Defende que não pode ser autuada pois procedeu de acordo com o entendimento externado pelas autoridades administrativas superiores competentes, disposto no ADI SRF n° 07/02, IN SRF n° 225/02 e IN SRF n° 247/02, por força do artigo 101, 1I1, do Decretolei n° 37/66 e do artigo 610, I1, do Decreto n° 4.543/02. Alega que não houve dano ao Erário, pois pagou todos os tributos devidos, inclusive em valores superiores àqueles que incidiriam caso as importações fossem realizadas por conta e ordem de terceiros. Nesse aspecto, informa que muitos dos produtos importados possuem alíquota zero de IPI e que a alíquota média desse tributos é inferior a um por cento. Também não se comprovou dolo, fraude ou simulação. Requer seja julgado improcedente o auto de infração, revogada a aplicação da pena de perdimento e reconsiderado o pedido de inaptidão de seu CNPJ. Protesta pela sustentação oral em todas as fases do processo administrativo A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a impugnação, em decisão assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 10/07/2003 a 08/11/2004 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, inclusive mediante interposição fraudulenta de terceiros, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa igual ao valor da mercadoria caso tenha sido entregue a consumo ou não seja localizada. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. RECURSOS FINANCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL. Fl. 2686DF CARF MF Processo nº 10726.000129/200690 Acórdão n.º 3201002.830 S3C2T1 Fl. 7 6 Presumese por conta e ordem de terceiro, a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos financeiros daquele. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Redator ad hoc. Na condição de Presidente Substituto da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção, no uso das atribuições conferidas pelo art. 17, inciso III1[1], do RICARF, designo me Redator ad hoc para formalizar o relatório e o voto do presente acórdão, tendo em vista que a Relatora originária, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, não mais integra o Colegiado. Os presentes recursos preenchem as condições de admissibilidade, pelo que deles tomo conhecimento. Como se depreende, o presente processo tem como escopo as declarações de importação n°04/01687559 (MS COMEX IMP. E EXP. LTDA; n° 03/05819830, 03/06908861 03/10675078, 04/02151539, 04/03997199 e 04/11289220 (KARA BRASILE LTDA) ; e n° 04101292139, 04102669821 , 04/02274231 , 04103026274, 04/04359803, 04106159291,04108322521 e 04110142691 (FASHION BOX BRASIL MODA LTDA), nas quais, embora tenham sido declaradas à fiscalização como "por conta própria" , foram requalificadas como "importações por conta e ordem de terceiros", tipificandose a hipótese de interposição fraudulenta, com fundamento no art.23, V, §§§1o, 2o e 3o, do Decretolei n. 1455/76, como se verifica do auto de infração. A legislação aduaneira brasileira conta, atualmente, com três modalidades de importação: a direta, por "conta e ordem" e "por encomenda". Na importação direta, também conhecida como por "conta própria" as mercadorias são adquiridas pelo importador, com recursos próprios, que pode revendêlas ou não no mercado interno. A "importação por conta e ordem" é modalidade de importação que existe ao lado da "importação por encomenda", que implica a terceirização das operações de importação. Com efeito, conforme esclarecimento veiculado na página da Receita Federal na internet, muitas empresas necessitam realizar operações de importação as quais, como é Fl. 2687DF CARF MF Processo nº 10726.000129/200690 Acórdão n.º 3201002.830 S3C2T1 Fl. 8 7 notório, pressupõem conhecimentos profundos atinentes à legislação tributária e aos controles administrativos. Por essa razão, é vantajosa, estrategicamente, a terceirização dessa atividade a empresas especializadas em comércio exterior, como as tradings companies ou comercial exportadoras, para que as empresas possam envidar esforços no desenvolvimento do foco de seu objeto social. Contudo, para a preservação da segurança pública e garantia do crédito tributário, evitandose situações de interposição fraudulenta ou utilização de "laranjas" na importação, a legislação detalha, minuciosamente, a forma como devem se configurar essas operações, de maneira que a empresa que efetiva a operação de importação, ou seja, que realiza o negócio jurídico de fundo, de compra e venda internacional, seja perfeitamente identificada, além de estabelecer obrigação solidária pelo crédito tributário originado da operação. Assim, na importação por conta e ordem, uma empresa a adquirente interessada em uma determinada mercadoria, contrata uma prestadora de serviços a importadora por conta e ordem para que esta, utilizando os recursos originários da contratante, providencie, dentre outros, o despacho de importação da mercadoria em nome da empresa adquirente. A INSRF 225/2002, assim estabelece que: Art. 5° A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001' Por outro lado, a INSRF 247/2002, no capítulo "Importação por Conta e Ordem de Terceiros", nos arts. 86 a 88, discorrem sobre a estruturação jurídica e sobre obrigações acessórias. Diz o art. 86: Art. 86. O disposto no art. 12 aplicase, exclusivamente, às operações de importação que atendam, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I contrato prévio entre a pessoa jurídica importadora e o adquirente por encomenda, caracterizando a operação por conta e ordem de terceiros; II os registros fiscais e contábeis da pessoa jurídica importadora deverão evidenciar que se trata de mercadoria de propriedade de terceiros; e III a nota fiscal de saída da mercadoria do estabelecimento importador deverá ser emitida pelo mesmo valor constante da nota fiscal de entrada, acrescido dos tributos incidentes na importação. § 1 ° Para efeito do disposto neste artigo, o documento referido no inciso III do caput não caracteriza operação de compra e venda. Fl. 2688DF CARF MF Processo nº 10726.000129/200690 Acórdão n.º 3201002.830 S3C2T1 Fl. 9 8 § 2 ° A importação e a saída, do estabelecimento importador, de mercadorias em desacordo com o disposto neste artigo caracteriza compra e venda, sujeita à incidência das contribuições com base no valor da operação. II registrar na sua escrituração contábil, em conta específica, Depreendese dos dispositivos que disciplinam a operação, que na importação por conta e ordem, o importador vende ao adquirente das mercadoria apenas a prestação de serviços, sendo a transmissão da propriedade das mercadorias feita diretamente do exportador ao adquirente. Vislumbramse, portanto, duas relações jurídicas: uma de prestação de serviços e outra, de compra e venda internacional. Por outro lado, a importação por encomenda configurase quando uma empresa (encomendante predeterminada) contrata uma empresa importadora, para que esta, com seus próprios recursos, providencie a importação dessa mercadoria e a revenda posteriormente para a empresa encomendante, no mercado interno. Nessa categoria, ocorrerá, da mesma forma, duas relações jurídicas distintas, porém, ambas de compra e venda: uma internacional (importação) e, outra, no mercado interno, após a nacionalização das mercadorias. Determina a Lei n° 11.281, de 20 de fevereiro de 2006: Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1 o A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1o deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória n°2.15835, de 24 de agosto de 2001. § 3° Considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior. (Incluído pela Lei n° 11.452, de 27 de fevereiro de 2007) Fl. 2689DF CARF MF Processo nº 10726.000129/200690 Acórdão n.º 3201002.830 S3C2T1 Fl. 10 9 A interposição nas operações de importação, por si só, não é evento vedado pela legislação; ao contrário, a legislação, especialmente por questões de logística, erigiuse no sentido de disciplinar as formas legítimas de interposição no comércio exterior. A interposição associada ao predicado de "fraudulenta", coibida pelo ordenamento jurídico, é aquela prescrita no Decretolei n. 1455/76: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei n° 10.637, de 30.12.2002) [...] § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 30.12.2002) §2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluídopela Lei n° 10.637, de 30.12.2002) § 3 As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei n° 12.350, de 2010) A Lei n. 10.637/2002, por sua vez, estabelece que: art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. De acordo com o tipo legal da "interposição fraudulenta", ocultase o sujeito que adquiriu a mercadoria, figurando em seu lugar, outro sujeito, que se utiliza de recursos financeiros do primeiro, simulandose ser este parte contratante na compra e venda. Com esse artifício, é possível tornarem opacas ao Fisco e das autoridades públicas em geral, situações em que os recursos financeiros tenham origem em ilícitos e que Fl. 2690DF CARF MF Processo nº 10726.000129/200690 Acórdão n.º 3201002.830 S3C2T1 Fl. 11 10 não tenham sido oferecidos à tributação, operações com empresas vinculadas, a quebra da cadeia do IPI, dentre outras situações. O ordenamento jurídico brasileiro erigiu o tipo legal da interposição fraudulenta de forma que pode se configurar nos casos concretos a partir: i. da presunção do §2° do art.23 do Decretolei n. 1455/76; ii. ou pela comprovação da existência de fraude ou simulação, em conformidade com o disposto no inciso V, do mesmo dispositivo. A interposição fraudulenta fundada na presunção é relativa, isto é, é ônus do contribuinte fazer prova em contrário, demonstrando a capacidade econômica para fazer frente às operações de importação. Por outro lado, nas hipóteses de interposição fraudulenta que não se assentam em tal presunção, deve a fiscalização comprovar a existência de fraude ou simulação, conforme determina o tipo legal e nos limites traçados pela legislação, para "fraude" e "simulação". Portanto, traçadas as linhas gerais das normas jurídicas que gravitam em torno do caso concreto, como última observação, deve se ter em conta que o tipo legal da "interposição fraudulenta" pressupõe a análise profunda do acervo probatório de cada situação descortinada. No caso em apreço, verificase que a fiscalização assentou o auto de infração na presunção pela nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações analisadas, isto é, como pontuou a decisão recorrida, à capacidade econômica do importador relacionada às operações de importação consideradas fraudulentas. Por conseguinte, o relatório da autuação demonstra como se procedeu em cada uma das declarações de importação fiscalizadas, divididas pelos respectivos adquirentes. As empresas MS COMEX, KARA BRASIL LTDA, Fashion Box Modas a fiscalização arrolou diversos indícios de que as operações de importação não teriam sido feitas diretamente pela Recorrente. Em todas as hipóteses, a fiscalização arrolou uma série de indícios de que as operações de importação teriam sido realizadas na modalidade "por conta e ordem de terceiros", que aparentemente, seguem um padrão procedimental da Recorrente. Todavia, não se deve olvidar que a autuação deuse com base na presunção do §2o, do art.23, Decretolei n. 1455/76. Nesse sentido, em todas as operações, que foram individualmente analisadas, de maneira acurada pela fiscalização, houve adiantamento de valores para que a Recorrente procedesse às importações pactuadas. E em sua defesa, a Recorrente afirma que no mercado nacional é usual a cobrança antecipada, mesmo que de um "sinal', um "adiantamento da futura da venda a ser realizada, especialmente quando não se conhece o comprador ou há dúvidas sobre a concessão ou não de "crédito" ao mesmo, seja por meio de parcelamento de valores, prazo de pagamento ou financiamento do Fl. 2691DF CARF MF Processo nº 10726.000129/200690 Acórdão n.º 3201002.830 S3C2T1 Fl. 12 11 valor a ser pago ao vendedor. Tal operação é conhecida como faturamento antecipado ou venda para entrega futura, mesmo que o valor não sega integral mas apenas parcial, como ocorreu em algumas das operações mencionadas neste auto de infração. Todavia, fez a afirmação de forma genérica, sem apontar quais seriam os contratos que assim se procedeu ou trazer maior detalhamento de operações. O fato é que era seu o ônus da prova da capacidade financeira para a operação, que não restou exercido. Ao contrário, especialmente as cláusulas contratuais com as empresas referidas, aliadas à planilha de repasse de custos, na qual a própria Recorrente denomina o que deveria ser sua margem de lucro, de "comissão", demonstram que agiu como prestadora de serviços. O argumento da recorrente é no sentido de que seria suficiente para afastar a acusação de interposição fraudulenta, o preenchimento de todos os requisitos constantes do ADI SRF 07102, ou seja, o fato de a Recorrente contratar o câmbio recebeu a fatura comercial e o conhecimento de transporte em seu nome, emitiu notas fiscais a título de compra e venda além de contabilizar tal operação como compra e venda de mercadorias de seu estoque. É certo que esses aspectos formais são relevantes, porém, desde que reflitam a forma como se deu o negócio jurídico entre as partes, de maneira que se a compra e venda relacionamse esses documentos, deverá a operação de fundo ser compra e venda. Contudo, na hipótese, erigiuse a partir da presunção e nesse sentido, não logrou fazer prova em contrário a Recorrente, limitandose a trazer argumentos genéricos, sem as respectivas provas, como quando afirma em seu recurso voluntário que Para finalizar, frisamos que nem todas as operações da Recorrente são realizadas sob a condição de adiantamento, até porque a mesma goza de capacidade econômica e financeira para operar no comércio exterior, mas somente por uma questão de minimizar o índice de inadimplemento de clientes (risco comercial). Portanto tratase de compra e venda de mercadorias importadas, e não mera prestação de serviço de importação por conta e ordem de terceiros. Em face do exposto, voto pela improcedência do recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Redator Ad hoc Fl. 2692DF CARF MF Processo nº 10726.000129/200690 Acórdão n.º 3201002.830 S3C2T1 Fl. 13 12 Fl. 2693DF CARF MF
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Numero do processo: 13811.000445/00-89
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
INTIMAÇÃO POR EDITAL.
Não é nula a intimação por edital, quando frustrada a tentativa de intimação por via postal, no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, conforme previsto na lei.
Numero da decisão: 9101-003.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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Não é nula a intimação por edital, quando frustrada a tentativa de intimação por via postal, no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, conforme previsto na lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 04 45 /0 0- 89 Fl. 731DF CARF MF Processo nº 13811.000445/0089 Acórdão n.º 9101003.048 CSRFT1 Fl. 732 2 Relatório Tratase de Recurso Especial (efls. 16/34) interposto pela MHT SERVIÇO E ADMINISTRAÇÃO LTDA ("Contribuinte") em face da decisão proferida no Acórdão nº 110100.048 (efls. 1/4), pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, na sessão de 13/05/2009, no qual foi negado provimento ao recurso voluntário. Adoto o relatório da decisão recorrida, claro e objetivo. MHT Serviços e Administração Ltda. requereu a restituição do valor de R$2.548.280,00, relativo a IRPJ do anocalendário de 1999, tendo cedido o direito creditório pleiteado a Chase Manhattan Leasing S.A.. Arrendamento Mercantil, apresentando pleito de compensação do credito com débitos de terceiros. A autoridade competente para decidir os pleitos apurou inconsistência no valor do crédito pleiteado, uma vez que o saldo negativo de IRPJ apurado na declaração é de R$1.223.688,92. Entretanto, na apuração desse saldo, o contribuinte computou estimativas não pagas, mas quitadas por compensação de saldos negativos de anos anteriores. Não comprovados os créditos utilizados nas compensações, foram elas desconsideradas na apuração do saldo negativo. Em decorrência, o saldo negativo passível de ser restituído foi reduzido para R$ 836.178,18 Foi deferida a restituição e homologada a compensação até o limite reconhecido. Frustrada a tentativa de ciência por via postal, a requerente foi cientificada por edital afixado em 27/10/2006 e desafixado em 08/11/2006 (fl. 133). Em 26 de março de 2007 a MHT, incorporada pela Chase Manhattan Holding, foi intimada para regularizar débitos. Em 9 de abril a sucessora requereu adiamento do prazo para manifestação sobre o despacho decisório, alegando que solicitou cópia integral dos autos, mas que ate 05 de abril a repartição encarregada informou que tais copias não estavam prontas. Em 10 de maio de 2007 a sucessora ingressou com manifestação de inconformidade. A 4ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo não conheceu a manifestação de inconformidade, por intempestiva. Esclareceu que a intimação que deu origem manifestação de inconformidade não diz respeito ao despacho decisório relativo ao pedido de restituição e compensação, mas comunicava a existência de débitos em aberto, e dava prazo de 15 dias para que a interessada se pronunciasse sobre questões relativas à cobrança. Aduziu que a DRJ não tem competência para se pronunciar sobre cobrança e seus procedimentos. Fl. 732DF CARF MF Processo nº 13811.000445/0089 Acórdão n.º 9101003.048 CSRFT1 Fl. 733 3 Ciente em 25 de outubro de 2007, a interessada apresentou recurso a este Conselho alegando não ter sido intimada do despacho decisório, que foi enviado para o antigo endereço, uma vez que a MHT fora incorporada pela Chase Manhattan Holding, mudando seu estabelecimento para a Avenida Brigadeiro Faria Lima n° 3.729, 14° andar. Diz que não foram esgotadas as tentativas de intimação, porque poderia ter sido usado o meio eletrônico. Alega nulidade insanável da intimação por edital, invoca o art. 245 do CPC, a Sumula 473 do STF e o art. 53 da Lei n° 9.784, de 1999. Qualifica de absurda a afirmativa de que a DRJ não tem competência para pronunciarse sobre cobrança e seus procedimentos, visto que não tomou ciência do despacho decisório. Aduz que caracteriza cerceamento do direito de defesa o não recebimento da manifestação por estar assinada apenas por procurador, e que deveria ter sido intimada para emendála. Ao apreciar o recurso voluntário interposto pela Contribuinte, a Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, na sessão de 13/05/2009, no Acórdão nº 1101 00.048 (efls. 1/4), negou provimento ao recurso, nos termos da ementa: MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA NÃO CONHECIMENTO. Não é nula a decisão que não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada quando transcorridos mais de 30 dias da ciência regular da intimação do Despacho Decisório contestado. INTIMAÇÃO POR EDITAL Não é nula a intimação por edital, quando frustrada a tentativa de intimação por via postal, no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, conforme previsto na lei. A Contribuinte interpôs recurso especial (efls. 16/34). Aduz que em 29/02/2000, a sociedade incorporada, MHT Serviços e Administração Ltda, solicitou restituição de créditos de saldo negativo do IRPJ, e na mesma data procedeu ao Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros, no qual o direito creditório pleiteado foi cedido em favor de Chase Manhattan Leasing S.A. Arrendamento Mercantil. Na sequência, a Chase Manhattan Leasing S.A. Arrendamento Mercantil incorporou a MHT Serviços e Administração Ltda, em setembro de 2000. Foi proferido despacho decisório pela Receita Federal em 18/07/2006, deferindo parcialmente o pedido de restituição. Contudo, a intimação da decisão foi encaminhada para o antigo endereço da MHT Serviços e Administração Ltda. E a unidade preparadora, sem esgotar as tentativas de intimação, realizou intimação por meio de edital. Posteriormente, em 26/03/2007, é que a Chase Manhattan Leasing S.A. Arrendamento Mercantil tomou conhecimento do despacho decisório, por meio de outra intimação que determinação a manifestação sobre os débitos em aberto. Então, foi devidamente encaminhada a manifestação de inconformidade, que não foi conhecida pela DRJ, por ter sido considerada intempestiva. Registra que o mérito da discussão é a nulidade de intimação realizada por edital, quando ainda não esgotadas todas as tentativas de intimação do contribuinte por outros meios, seja pessoal, postal ou eletrônico. E, no caso concreto, não demonstrou o Fisco que efetuou a tentativa de intimação por todos os meios, antes de recorrer à intimação via edital. Entende que a intimação por edital, da maneira que foi realizada, constituiu flagrante Fl. 733DF CARF MF Processo nº 13811.000445/0089 Acórdão n.º 9101003.048 CSRFT1 Fl. 734 4 violação aos princípios do devido processo legal, do contraditório, da ampla defesa e da publicidade, razão pela qual padece de vício insanável de nulidade. Requer a anulação da intimação por edital, que seja reconhecida a manifestação de inconformidade e os autos retornem para julgamento na DRJ. O despacho de exame de admissibilidade de efls. 707/710 deu seguimento ao recurso, reconhecendo a existência de divergência em relação ao acórdão paradigma nº 303 35.435. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN apresentou contrarrazões (efls. 714/718), discorrendo que a apreciação do litígio deve levar em consideração que a intimação deuse já com a redação do art. 23 do PAF alterada pela Lei nº 11.196, de 2005, no qual predica que a intimação via edital pode ser realizada caso apenas um dos meios ordinários tenha sido improfícuo. Aduz que se o contribuinte descumpre com sua obrigação legal de manter endereço atualizado perante a Administração Tributária, deve arcar com as consequência do descumprimento da obrigação acessória. Requer pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Adoto as razões do Despacho de Admissibilidade de efls. 707/710, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999 1, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, para conhecer do Recurso Especial da Contribuinte. Passo ao exame do mérito. A matéria devolvida ao Colegiado consiste em dizer em que condições pode ser realizada a intimação por meio de edital: (1) se restar improfícuo um dos meios ordinários de intimação ou (2) apenas se restarem improfícuos todos os meios ordinários de intimação. Para iniciar a apreciação, devese registrar que a intimação via edital em debate deuse na vigência da redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005, ao art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Transcrevo o dispositivo vigente à época dos fatos: Art. 23. Farseá a intimação: 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 734DF CARF MF Processo nº 13811.000445/0089 Acórdão n.º 9101003.048 CSRFT1 Fl. 735 5 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) É de clareza singular a redação: quando resultar improfícuo um dos meios previstos nos incisos I, II e III do caput do art. 23 do PAF. No caso concreto, é incontroverso que ocorreu intimação por meio postal, que restou improfícua. Assim sendo, não há reparos ao procedimento da unidade preparadora. E mesmo analisandose argumento da Contribuinte, de que a intimação deu se no endereço de empresa que já havia sido incorporada, e por isso não teria tomado ciência do despacho decisório, os fatos não lhe socorrem. Ocorre que a empresa incorporada, que foi a titular do pedido de restituição objeto da decisão proferida no despacho decisório, não atualizou seus registros cadastrais. Vale transcrever excerto do voto da DRJ (efls. 431/432): No presente caso, há uma intimação, para que o sujeito passivo tomasse ciência do Despacho Decisório, feita por meio de edital (fl. 133) e, anteriormente a ela, buscouse, sem sucesso, intimar a Interessada por meio postal em seu domicilio tributário, constante de seu cadastro nos bancos de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil — RFB, dos quais consta que, ainda hoje, o seu endereço é na Rua Verbo Divino, 1400 — Parte. Observese que não consta do seu cadastro nem ao menos o fato da empresa ter sido incorporada; ao contrário, consta a informação que a empresa estaria ativa (fls. 298/299).(Grifei) E, conforme bem esclarecido pela decisão da DRJ, a atualização dos dados cadastrais são de obrigação da Contribuinte. Fl. 735DF CARF MF Processo nº 13811.000445/0089 Acórdão n.º 9101003.048 CSRFT1 Fl. 736 6 Ora, a unidade da Receita Federal, valendose de cadastro da Contribuinte, no qual consta que a empresa que teria sido incorporada (MHT SERVIÇO E ADMINISTRAÇÃO LTDA) estaria ativa, e não teria sido objeto de incorporação, enviou a intimação da decisão para o endereço que constava no cadastro. Não há que se falar, portanto, em nenhuma irregularidade. Assim, restando improfícua a ciência por meio de um dos meios ordinários (no caso, via postal), aplicou o disposto no art. 23, § 1º do PAF, e realizou a intimação por meio de edital. Não tendo havido manifestação da Contribuinte no prazo legal, a decisão do despacho decisório transitou em julgado no contencioso administrativo tributário. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 736DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.724154/2011-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/07/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO.
De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO. CONDIÇÕES. AUSÊNCIA.
Se o Fisco constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições do segurado empregado deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado.
As condições do segurado empregado, que devem ser demonstradas pelo Fisco para a desconsideração do vínculo pactuado são a pessoalidade, a subordinação, a onerosidade, a não eventualidade.
No presente caso, não foram demonstradas as condições da relação de emprego, motivo do provimento do recurso.
Numero da decisão: 2301-005.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração apresentados, para sanar a contradição apontada, rerratificando a ementa e parte dispositiva do acórdão embargado, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Andréa Brose Adolfo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (suplente), Fábio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício).
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 31/07/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO. CONDIÇÕES. AUSÊNCIA. Se o Fisco constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições do segurado empregado deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. As condições do segurado empregado, que devem ser demonstradas pelo Fisco para a desconsideração do vínculo pactuado são a pessoalidade, a subordinação, a onerosidade, a não eventualidade. No presente caso, não foram demonstradas as condições da relação de emprego, motivo do provimento do recurso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração apresentados, para sanar a contradição apontada, rerratificando a ementa e parte dispositiva do acórdão embargado, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Andréa Brose Adolfo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (suplente), Fábio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício).
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CABIMENTO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO. CONDIÇÕES. AUSÊNCIA. Se o Fisco constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições do segurado empregado deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. As condições do segurado empregado, que devem ser demonstradas pelo Fisco para a desconsideração do vínculo pactuado são a pessoalidade, a subordinação, a onerosidade, a não eventualidade. No presente caso, não foram demonstradas as condições da relação de emprego, motivo do provimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração apresentados, para sanar a contradição apontada, rerratificando a ementa e parte dispositiva do acórdão embargado, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 41 54 /2 01 1- 13 Fl. 605DF CARF MF 2 Andréa Brose Adolfo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (suplente), Fábio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício). Relatório Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza Tratase de embargos de declaração apresentados tempestivamente em 13/05/2014 pela contribuinte contra o acórdão nº 2301004.023, cuja ementa é a seguinte (grifos nossos): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO. CONDIÇÕES. AUSÊNCIA. Se o Fisco constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições do segurado empregado deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. As condições do segurado empregado, que devem ser demonstradas pelo Fisco para a desconsideração do vínculo pactuado são a pessoalidade, a subordinação, a onerosidade, a não eventualidade. No presente caso, não foram demonstradas as condições da relação de emprego, motivo do provimento do recurso. NORMAS GERAIS. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. DEMONSTRAÇÃO. AUSÊNCIA. Nos casos de lançamento de ofício deves ser aplicada a multa de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte. O percentual de multa será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, Fl. 606DF CARF MF Processo nº 11065.724154/201113 Acórdão n.º 2301005.074 S2C3T1 Fl. 606 3 independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A fim de qualificar a multa nos lançamentos de ofício, duplicandoa, cabe ao Fisco, subsumir o fato verificado nos sujeitos passivos ao disposto nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, em obediência ao devido processo legal. No presente caso, a subsunção não foi feita, motivo da retirada da qualificação da multa, com seu percentual sendo mantido em setenta e cinco por cento. A parte dispositiva do julgado encontrase assim redigida (grifos nossos): Acordam os membros do colegiado, I) Por voto de qualidade: a) em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Adriano Gonzáles Silvério e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso; II) Por maioria de votos: a) em desqualificar a multa de ofício, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em manter a qualificação da multa. A Embargante alega existir contradição no acórdão embargado, consistente em ter sido dado provimento ao recurso voluntário – o que implica a inexistência de crédito a ser exigido – ao mesmo tempo em que a multa de ofício restou desqualificada, sendo exigida no percentual de 75% – o que implica a existência de tributo a ser exigido, sobre o qual incide a multa. Ao final, requereu o acolhimento dos embargos, para aclarar que o provimento do recurso voluntário significa o cancelamento integral do crédito tributário, não havendo valor remanescente sobre o qual incida qualquer penalidade. Por meio do despacho exarado em 05/03/2015, o presidente da turma admitiu os presentes embargos para julgamento. É o relatório Voto Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza Com razão a Embargante. O provimento do recurso voluntário pelo acórdão embargado englobou toda a exigência de principal. Consequentemente, também deve ser cancelada a cobrança de qualquer multa a ele vinculada. Conclusão Fl. 607DF CARF MF 4 Em face do exposto, voto por conhecer e dar provimento aos embargos de declaração, com o objetivo de sanar a contradição apontada, mediante a exclusão da exigência de multas proporcionais vinculadas à exigência principal. A ementa e a parte dispositiva do julgado passam a ser a seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO. CONDIÇÕES. AUSÊNCIA. Se o Fisco constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições do segurado empregado deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. As condições do segurado empregado, que devem ser demonstradas pelo Fisco para a desconsideração do vínculo pactuado são a pessoalidade, a subordinação, a onerosidade, a não eventualidade. No presente caso, não foram demonstradas as condições da relação de emprego, motivo do provimento do recurso. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros, Adriano Gonzáles Silvério e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso. É como voto. Fábio Piovesan Bozza – Relator Fl. 608DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.906826/2011-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.909
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Florianópolis/SC que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí a não homologação da compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .9 06 82 6/ 20 11 -0 6 Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10183.906826/201106 Resolução nº 3201000.909 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Florianópolis/SC, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de retificação tempestiva da DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo a integral homologação da compensação declarada, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10183.906826/201106 Resolução nº 3201000.909 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10183.906826/201106 Resolução nº 3201000.909 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10183.906826/201106 Resolução nº 3201000.909 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 96DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.724346/2014-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. COOPERATIVAS DE TRABALHO. EQUIPARAÇÃO À EMPRESA.
A Lei 8.212/1991 equipara as cooperativas às empresas para fins previdenciários.
CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. RESPONSABILIDADE DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO PELA COOPERATIVA.
A cooperativa é responsável pela retenção e recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pelos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços.
SEST. SENAT. CONTRIBUIÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO PELA COOPERATIVA.
Sobre a prestação de serviços por transportador autônomo (inclusive na condição de associado de cooperativa) são devidas as contribuições sociais destinadas ao SEST e SENAT, sendo responsabilidade da cooperativa a sua retenção e recolhimento.
JUROS SELIC. INCIDÊNCIA.
As contribuições previdenciárias pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2301-005.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer e negar provimento ao Recurso de Ofício e por conhecer em parte o Recurso Voluntário, deixando de conhecer acerca das alegações de inconstitucionalidade, para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Andrea Brose Adolfo - Presidente em Exercício e Relatora
EDITADO EM: 22/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Fábio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira (suplente convocado), Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni (suplente convocado).
Nome do relator: ANDREA BROSE ADOLFO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. COOPERATIVAS DE TRABALHO. EQUIPARAÇÃO À EMPRESA. A Lei 8.212/1991 equipara as cooperativas às empresas para fins previdenciários. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. RESPONSABILIDADE DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO PELA COOPERATIVA. A cooperativa é responsável pela retenção e recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pelos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. SEST. SENAT. CONTRIBUIÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO PELA COOPERATIVA. Sobre a prestação de serviços por transportador autônomo (inclusive na condição de associado de cooperativa) são devidas as contribuições sociais destinadas ao SEST e SENAT, sendo responsabilidade da cooperativa a sua retenção e recolhimento. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. As contribuições previdenciárias pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1728; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10314.724346/201421 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2301005.088 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 9 de agosto de 2017 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrentes TRANSCOOPER COOPERATIVA DE TRANSPORTE DE PESSOAS E CARGAS DA REGIAO SUDESTE TRANSCOOPER FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. COOPERATIVAS DE TRABALHO. EQUIPARAÇÃO À EMPRESA. A Lei 8.212/1991 equipara as cooperativas às empresas para fins previdenciários. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. RESPONSABILIDADE DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO PELA COOPERATIVA. A cooperativa é responsável pela retenção e recolhimento das contribuições previdenciárias devidas pelos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços. SEST. SENAT. CONTRIBUIÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO PELA COOPERATIVA. Sobre a prestação de serviços por transportador autônomo (inclusive na condição de associado de cooperativa) são devidas as contribuições sociais destinadas ao SEST e SENAT, sendo responsabilidade da cooperativa a sua retenção e recolhimento. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. As contribuições previdenciárias pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 43 46 /2 01 4- 21 Fl. 816DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por conhecer e negar provimento ao Recurso de Ofício e por conhecer em parte o Recurso Voluntário, deixando de conhecer acerca das alegações de inconstitucionalidade, para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Presidente em Exercício e Relatora EDITADO EM: 22/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrea Brose Adolfo, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Fábio Piovesan Bozza, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Denny Medeiros Silveira (suplente convocado), Wesley Rocha e Thiago Duca Amoni (suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso de Ofício e Recurso Voluntário interpostos em face do Acórdão nº 1273.875 da 10ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro I (efls. 738 a 753). Do Relatório do acórdão recorrido extraemse as seguintes informações: Tratase de crédito lançado pela fiscalização, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 452/488), referese aos autos de infração abaixo relacionados, lavrados em 14/07/2014, a saber: a) AI DEBCAD Nº 51.000.2803, valor original de R$ 3.809.544,12, acrescidos de juros e multa de ofício: referese às contribuições devidas à Seguridade Social, referente à parte devida pelos segurados contribuintes individuais (cooperados condutores autônomos e auxiliares), não retidas e não declaradas pela empresa; b) AI DEBCAD Nº 51.000.2811, valor original de R$ 158.315,34, acrescidos de juros e multa de ofício: referese às contribuições devidas à Seguridade Social, referente à parte devida pelos segurados contribuintes individuais (prestadores de serviço pessoas físicas sem vínculo empregatício), apuradas por aferição indireta, não retidas e não declaradas pela empresa; c) AI DEBCAD Nº 51.000.2820, valor original de R$ 1.731.484,07, acrescidos de juros e multa de ofício: referese às contribuições devidas ao SEST/SENAT incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados condutores autônomos; Fl. 817DF CARF MF Processo nº 10314.724346/201421 Acórdão n.º 2301005.088 S2C3T1 Fl. 3 3 d) AI DEBCAD Nº 51.000.2838, valor original de R$ 359.228,79, acrescidos de juros e multa de ofício: referese às contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa incidentes sobre as remunerações pagas a contribuintes individuais – Diretores eleitos e serviços prestados por pessoa física. 2. Informa a Auditoria Fiscal que: 2.1. Em relação ao AI nº 51.000.2803: a) os valores das remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais foram obtidos através das folhas de pagamentos apresentadas pela empresa, a qual contempla: mês, nome e CPF do cooperado e o valor bruto pago; b) sobre o valor bruto foi aplicado o valor de 20% para a apuração da base de cálculo e verificado o limite do salário de contribuição à época, a partir do salário de contribuição apurado foi aplicada a alíquota de 11%; c) os valores encontramse em planilha anexa ao Auto de Infração denominada “CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO DOS COOPERADOS”; d) como a empresa não recolheu o tributo, nem declarou os valores devidos em GFIP, foi utilizada a multa de ofício de 150%. 2.2. Em relação ao AI nº 51.000.2811: a) diante da impossibilidade de obter os valores pagos individualizados para os prestadores de serviços pessoas físicas, apesar de formalmente solicitado, por meio de Termo de Intimação Fiscal, a base da cálculo foi arbitrada, considerando se o valor total mensal dos pagamentos efetuados, e sobre esses, aplicandose a alíquota de 11%, para a apuração da contribuição devida; b) os valores foram apurados a partir dos pagamentos escriturados em contabilidade – SPED contábil, em contas contábeis referentes a pagamentos de mão de obra pessoa física e honorários de diretores, consoante item 34 do Relatório Fiscal; c) os valores pagos também estão declarados em DIPJ, na Ficha 04A– na linha 03 – Prestação de Serviços por PF sem Vinc. Empregatício; d) como a empresa não apresentou esclarecimentos e os documentos solicitados, nem recolheu o tributo, foi utilizada a multa de ofício de 225%. 2.3. Em relação ao AI nº 51.000.2820: a) os valores das remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais foram obtidos através das folhas de Fl. 818DF CARF MF 4 pagamentos apresentadas pela empresa, a qual contempla: mês, nome e CPF do cooperado e o valor bruto pago; b) sobre o valor bruto foi aplicado o valor de 20% para a apuração da base de cálculo e verificado o limite do salário de contribuição à época, a partir do salário de contribuição apurado foram aplicadas as alíquotas de 1% e 1,5%; c) os valores encontramse em planilha anexa ao Auto de Infração denominada “CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO DOS COOPERADOS”; d) como a empresa não recolheu o tributo, nem declarou os valores devidos em GFIP, foi utilizada a multa de ofício de 150%. 2.4. Em relação ao AI nº 51.000.2838: a) os valores das remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais diretores foram obtidos através das folhas de pagamentos apresentadas pela empresa. Os honorários pagos à diretoria eleita também estão registrados em conta contábil específica e declarada em DIPJ, na ficha 04A, linha 01 – Remuneração a Dirigentes e a Conselho de Administração. b) os detalhamentos mensais individualizados contendo o nome dos diretores e os valores pagãos encontramse na planilha anexa ao Auto de Infração, denominada “Folha de pagamentos a diretores”; c) também foram apuradas neste Auto de Infração as contribuições patronais incidentes sobre os pagamentos a prestadores pessoas físicas sem vínculo empregatício; d) como a empresa não recolheu o tributo, nem declarou os valores devidos em GFIP, foi utilizada a multa de ofício de 150%. DA IMPUGNAÇÃO 3. A interessada, cientificada do lançamento em 23/07/2014 (fls. 528), apresenta impugnações em 20/08/2014, às fls. 533/563, 620/653, 656/686 e 689/728, trazendo as alegações a seguir reproduzidas em síntese: 3.1. que não existe qualquer tipo de prestação de serviços por parte dos cooperados para a cooperativa e tampouco de pessoas físicas para a mesma, ou de diretores eleitos; 3.2. que sem a prestação de serviços, não há incidência de contribuição previdenciária; 3.3. que ao equiparar a cooperativa com uma sociedade tomadora de serviços de seus cooperados, a autoridade fiscal está praticando verdadeira tributação por analogia; 3.4. que o art. 12, V, “g”, da Lei 8212/1991 não é aplicável às sociedades cooperativas, como quer fazer crer a autoridade autuante, pois o mesmo se refere a uma equiparação a empresa e Fl. 819DF CARF MF Processo nº 10314.724346/201421 Acórdão n.º 2301005.088 S2C3T1 Fl. 4 5 considera que o cooperado estaria prestando serviços à cooperativa sem relação de emprego; 3.5. que não existe remuneração paga, devida ou creditada aos cooperados ou a pessoas físicas, uma vez que a cooperativa simplesmente repassa os valores recebidos pela prestação dos serviços de transporte para os cooperados, sem que haja qualquer relação de prestação de serviços entre eles; 3.6. que os cooperados são individualmente contribuintes do INSS como autônomos, pagando sua contribuição social através de carnês; 3.7. que se os cooperados não podem ser considerados empregados em suas relações com as cooperativa, tampouco se pode pretender que a cooperativa seja equiparada a empresa, na forma do art. 15, da Lei 8.212/1991; 3.8. que a fim de se adequar aos ditames constitucionais (art. 195, §4º e art. 154, I), para que as contribuições previdenciárias possam incidir sobre o trabalho cooperado, farseá indispensável a edição de Lei Complementar. 3.9. que a ausência de norma legal específica torna a autuação improcedente; 3.10. que há que se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos a pessoas físicas e diretores, eis que tais valores não constituem contraprestação por serviços prestados; 3.11. que é a cooperativa que presta serviço aos cooperados, mediante suas normas estatutárias e sem visar qualquer obtenção de lucros, tão somente objetivando o desenvolvimento do trabalho cooperado, na forma da lei; 3.12. que o serviço que a cooperativa presta é ao seu cooperado e não ao usuário de transporte público de passageiros, sendo que esse serviço é o de ampliar o mercado de trabalho de seus associados, facilitando o desenvolvimento de suas atividades, buscando novas oportunidade de trabalho aos cooperados e distribuindoas aos seus próprios cooperados; 3.13. que a cooperativa opera e coordena a programação de linhas de transporte de passageiros, organizando assim, a prestação dos serviços pelos cooperados, através de suas atividades a cooperativa possui o objetivo de apenas organizar e viabilizar que a prestação dos serviços de transporte seja devidamente efetivada por seus cooperados; 3.14. que cabe a cooperativa receber a remuneração paga e encaminhálas aos cooperados; 3.15. que da mesma forma, os diretores da cooperativa prestam serviço para os cooperados e não para a cooperativa; Fl. 820DF CARF MF 6 3.16. a inexigibilidade das contribuições ao SEST/SENAT sobre os valores repassados aos cooperados; 3.17. que as cooperativas de transporte não podem ser equiparadas a empresas de transporte; 3.18. que a Lei 8706/93 transferiu para o decreto a conceituação do sujeito passivo e a atribuição de estabelecer a alíquota da exação, ferindo o princípio da reserva legal; 3.19. que ainda que fossem exigíveis e devidas as contribuições para o SEST/SENAT, estas não podem ser exigidas sobre os valores repassados aos cooperados, visto que a contribuição incide somente sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais, o que não existe no caso em exame; 3.20. a inaplicabilidade da taxa SELIC, por estar em descompasso com o art. 161, do CTN; 3.21. que as multas punitivas, nos percentuais de 150% ou 225%, também são inaplicáveis, eis que a autuada não deixou de recolher as contribuições sociais ora cobradas, por não ser sujeito passivo das mesmas; 3.22. que por esse motivo não restou demonstrada prova de conduta dolosa ou fraudulenta da cooperativa; 3.23. que a multa fixada tem nítido efeito confiscatório, pelo que requer sua exclusão, ou, no mínimo, sua relevação; 3.24. que requer a improcedência das autuações. As impugnações apresentadas foram julgadas parcialmente procedentes pela DRJ/Rio de Janeiro I, sendo mantido em parte o crédito tributário, com a retificação do percentual das multas de ofício de 150% para 75% e de 225% para 112,5%., nos termos do Acórdão nº 1273.875, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 COOPERATIVA. SUJEITO PASSIVO DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E PARA TERCEIROS. As cooperativas são consideradas empresa, em relação às obrigações previstas na legislação previdenciária. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. As contribuições previdenciárias pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NÃO CABIMENTO. Incabível a aplicação da multa qualificada se a autoridade lançadora não demonstra o evidente intuito de fraude definido nos artigos 71, 72 e 73, da Lei 4.502/1964. Fl. 821DF CARF MF Processo nº 10314.724346/201421 Acórdão n.º 2301005.088 S2C3T1 Fl. 5 7 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis e atos normativos é prerrogativa do Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pela Administração Pública. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Da decisão, a DRJ recorreu de ofício em virtude da exoneração do crédito em valor superior ao limite de alçada, previsto no art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008 (exoneração de R$ 4.603.297,54). Cientificado em 22/07/2015 (efl. 774), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 20/08/2015 (efls. 776 a 804) em que repisa as alegações da impugnação, exceto as relacionadas às multas qualificadas (itens 3.21 a 3.23 transcritos acima). É o relatório. Voto Conselheira Andrea Brose Adolfo Relatora Recurso de Ofício O recurso de ofício foi interposto pela DRJ/Rio de Janeiro I em decorrência do valor exonerado do crédito tributário (R$ 4.603.297,54) referente à redução da multa de ofício aplicada. Entendeu a turma da DRJ que a multa qualificada (de 75% para 150%) não procede pois não teria ficado comprovada a prática da conduta dolosa pelo sujeito passivo (sonegação, fraude ou conluio). Assim, a decisão de piso manteve apenas a agravante no AI 51.000.2811 pela falta de apresentação de documentos e esclarecimentos solicitados. Verificando os autos, constatase que a decisão a quo merece ser mantida, uma vez que, no Termo de Verificação Fiscal (efls. 482/483) consta como fato motivador da multa qualificada a falta de declaração em GFIP dos fatos geradores e falta de recolhimento das contribuições previdenciárias devidas. Entretanto, como ressaltado pela decisão de piso, tal conduta é punível com a multa de 75%, pelas seguintes razões de decidir que passo a adotar: 38. No entanto, a mera falta de declaração de fatos geradores de contribuições previdenciárias em GFIP, não é conduta tipificada nos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964, a que faz remissão o art. 44, § 1º, da Lei 9.430/1996, mormente quando os fatos geradores apurados estão devidamente escriturados contabilmente em seus títulos próprios e declarados em DIPJ, como revela o próprio Relatório Fiscal. (...) Fl. 822DF CARF MF 8 39. Com efeito, o que se verifica, a partir da leitura dos dispositivos acima transcritos, é que a multa de ofício de 75% já pune a falta de declaração dos fatos geradores em GFIP. A qualificadora da multa, por sua vez, depende de um algo a mais, qual seja, a demonstração por meio de provas robustas , não da mera intenção de não pagar/confessar o tributo devido, e sim, do dolo de ocultar, total ou parcialmente, a própria ocorrência do fato gerador, ou aspectos quantitativos, temporais da obrigação tributária. Citamse como exemplos de condutas dolosas com evidente intuito de fraude: Caixa 2, escrituração de notas frias/calçadas, realização de negócios simulados. 40. Assim, em relação aos AIs nº 51.000.2803, 51.000.2820 e 51.000.2838, há de se reduzir a multa de ofício aplicada, para seu patamar mínimo de 75%, nos termos do art. 44, I, da Lei 9.430/1996, ante a falta de caracterização das hipóteses previstas para sua qualificação. 40.1. Já com relação ao AI nº 51.000.2811, devese também excluir a qualificadora da multa, pelas mesmas razões acima. Todavia, há de se manter a agravante, por falta de apresentação de documentos e esclarecimentos solicitados (conduta que restou inconteste), retificandose, assim, o percentual da multa aplicada de 225% para 112,5%, com base no art. 44, I e § 2º, da Lei 9.430/1996 (...). Portanto, nego provimento ao Recurso de Ofício, mantendo a exclusão da multa qualificada. Recurso Voluntário Verificada a tempestividade do recurso apresentado, dele conheço. Contribuições previdenciárias a cargo das cooperativas de trabalho O contribuinte insurgese contra a cobrança de contribuições previdenciárias alegando que não houve prestação de serviços para a cooperativa, seja por parte de cooperados, de pessoas físicas, tampouco de diretores eleitos, e portanto não haveria incidência das contribuições. Invoca a Lei 5.764/71, que trata das cooperativas, para fazer crer que não estaria sujeita ao recolhimento das contribuições previdenciárias. Não é o que prevê a legislação previdenciária. A Lei 8.212/91 equipara as cooperativas às empresas para fins previdenciários (art. 15, parágrafo único): Lei 8.212/91 Art.15. Considerase: empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Fl. 823DF CARF MF Processo nº 10314.724346/201421 Acórdão n.º 2301005.088 S2C3T1 Fl. 6 9 Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei n° 9.876, de 26.11.99) (grifamos) A mesma lei estabelece que se enquadra na categoria de segurado contribuinte individual quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego (art. 5º, V, g). O Decreto 3.048/99 explicita que, nessa condição, enquadramse tanto o associado eleito para o cargo de diretor da cooperativa (art. 5º, V, i), quanto o associado à cooperativa que presta serviços a terceiros (art. 5º, V,' j', e §15, IV). Por seu turno, a Lei 10.666/2003 instituiu a obrigação da cooperativa de trabalho reter e recolher a contribuição previdenciária devida pelos contribuintes individuais a seu serviço (tanto cooperados associados, como demais pessoas físicas). Art. 4°. Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência. § 1° As cooperativas de trabalho arrecadarão a contribuição social dos seus associados como contribuinte individual e recolherão o valor arrecadado até o dia quinze do mês seguinte ao de competência a que se referir.(...) Com relação à contribuição patronal (Debcad 51.000.2838) está prevista no art. 22, III da Lei 8.212/91 em relação aos contribuintes individuais que lhe prestem serviços. Portanto, assim como decidido no acórdão recorrido, confirmase que a cooperativa é sujeito passivo na relação jurídica previdenciária, equiparada à empresa nos termos da legislação previdenciária. Conforme o conjunto probatório trazido aos autos, a prestação de serviços foi ajustada em nome da cooperativa, sendo os valores pagos pela Secretaria Municipal de Transportes à cooperativa, que remunerava os cooperados que lhe prestavam serviços. Sendo assim, são inafastáveis as seguintes conclusões da decisão a quo, que se integram ao presente voto como razões de decidir: 12. Como sujeito passivo na relação jurídica tributária previdenciária, ao contrário do que alega a impugnante, tem sim a cooperativa o dever legal de proceder ao desconto e retenção dos valores relativos à contribuição previdenciária do segurado contribuinte individual (cooperado ou não), assim como efetuar o recolhimento desses valores, juntamente com a contribuição patronal devida, bem como a de terceiros (SEST e SENAT). 13. Também não prosperam as demais alegações da impugnante de que os serviços foram prestados exclusivamente pelos cooperados, diretamente aos usuários de transporte público de Fl. 824DF CARF MF 10 passageiros, e não pela Cooperativa que não remunera seus associados, mas apenas repassa o valor recebido da Secretaria Municipal de Transporte, motivo pelo qual não haveria incidência das contribuições sociais devidas apuradas pela fiscalização. 14. Como a própria impugnante confessa, é fato que os associados da cooperativa prestam serviço público de transporte coletivo de passageiros à população, porém a permissão foi concedida à Cooperativa e não diretamente a eles. Tanto é assim que órgãos públicos, como a Prefeitura do Município de São Paulo, remuneram os cooperados através da Cooperativa e, conforme disposto no artigo 9°, inciso V, parágrafo 15 do Decreto n° 3.048/99, acima transcrito, são segurados obrigatórios da previdência social, como contribuinte individual, o trabalhador associado a cooperativa que, nessa qualidade, presta serviços a terceiros. 15. Observese que o lançamento em questão não está adstrito somente aos cooperados da impugnante que prestaram serviços de transporte público a Secretaria Municipal de Transportes, abrange também os honorários pagos aos diretores eleitos da cooperativa e os valores pagos aos prestadores de serviços à cooperativa, sem vínculo empregatício, sendo todos eles considerados "contribuintes individuais". 16. Assim, o presente crédito tributário foi constituído com base nas informações e valores contidos nos documentos examinados, corroborados pelos lançamentos constantes da escrituração contábil da cooperativa e referese a pagamentos efetuados somente a contribuintes individuais, de acordo com o relatório fiscal. 17. No presente caso, é certo que a incidência de contribuição previdenciária encontrase normatizada na Lei n° 8.212/1991 e n° 10.666/2003, acima descritas, onde se contemplam todos os aspectos da hipótese de incidência tributária, não havendo, no caso, aumento do campo de incidência do tributo, ou seja, a tributação por analogia, terminantemente vedada em nosso ordenamento jurídico, nos termos do artigo 108, § 1° do CTN, como aduz a impugnante. 18. Deste modo, o Fisco adstrito aos limites da legalidade, atuou no sentido de verificar se o contribuinte cumpriu suas obrigações tributárias, quer seja a obrigação principal (de recolher tributo), quer seja a acessória (cumprimento de deveres instrumentais) e, ao constatar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária efetuou o lançamento, pois sua atividade é vinculada e obrigatória, conforme disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional. 19. Assim, ao contrário do que alega a impugnante, ao lavrar os AI DEBCAD n° 51.000.2803, 51.000.2811, 51.000.2820 e 51.000.2838, a autoridade fiscal cumpriu fielmente os ditames legais e constitucionais que regem a atividade da cooperativa e seus cooperados e, demais pessoas envolvidas na prestação de serviços, pelo que a autuação é procedente. Fl. 825DF CARF MF Processo nº 10314.724346/201421 Acórdão n.º 2301005.088 S2C3T1 Fl. 7 11 20. O Relatório Fiscal traz, de forma clara e minuciosa, toda a fundamentação legal, o fato gerador das contribuições lançadas e as bases de cálculos utilizadas na apuração das contribuições lançadas nos referidos Autos. 21. No que tange às contribuições apuradas sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais diretores eleitos e prestadores de serviços pessoas físicas, sem vínculo empregatício, sua fundamentação legal está no inciso III, do art. 22, da Lei 8.212/1991. 21.1. A contribuição social devida pela empresa prevista no artigo 22, III da Lei 8.212/1991, vai ao encontro da determinação contida no artigo 195 da Constituição Federal, que arrolou como fonte de custeio da Previdência Social, a contribuição social paga pela empresa incidente sobre "a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício" (artigo 195, I, a, CF). 22. Desta feita, o fato gerador da contribuição previdenciária em apreço é a prestação de serviço remunerada, inexistindo no ordenamento jurídico, norma que isente a autuada das contribuições previdenciárias incidentes sobre remunerações pagas a segurados que prestem serviços para a Cooperativa. 23. Assim, os valores pagos aos diretores eleitos e prestadores de serviços pessoas físicas, sem vínculo empregatício, retribuem o trabalho prestado à Cooperativa, motivo pelo qual as referidas verbas encontramse sob o âmbito de incidência tributária, restando definitivamente demonstrado que não procedem as alegações genéricas da impugnante de que esses segurados não prestaram serviços à Cooperativa. 25. Com relação às contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais –diretores eleitos, prestadores de serviço pessoas físicas sem vínculo empregatício e cooperados, melhor sorte não assiste à interessada. Também pela própria legislação previdenciária, a obrigação e responsabilidade pelo desconto e recolhimento são da fonte pagadora, conforme o previsto no artigo quatro° da Lei n° 10.666, de 08 de Maio de 2003, acima transcrita. 26. Por outro lado, como alega a impugnante, a inexistência de vínculo empregatício entre os associados e à cooperativa encontra previsão legal, conforme determinado no artigo 90 da Lei n° 5.764/71, que define a Política Nacional de Cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas. Lei n° 5.764/71 Art. 90. Qualquer que seja o tipo de cooperativa, não existe vínculo empregatício entre ela e seus associados. Fl. 826DF CARF MF 12 27. Entretanto, não consta dos autos qualquer referência à existência de vínculo empregatício entre a autuada e seus cooperados, os quais foram corretamente considerados pelo AuditorFiscal como contribuintes individuais, nos termos do artigo 12, inciso V, da Lei n° 8.212/91 e artigo 9°, inciso V, parágrafo 15, inciso IV do Decreto n°3.048/99, acima transcrito, sendo lançadas as contribuições devidas por esses segurados contribuintes individuais à alíquota de 11%, nos termos do art. 21 da lei 8212/91, que deveriam ter sido descontadas pela cooperativa da remuneração paga, devida ou creditada aos referidos associados, e não o foram. 28. Para os demais Prestadores de Serviços Pessoa Física e Diretores eleitos, enquadrados corretamente pela fiscalização como contribuintes individuais, nos termos do artigo 12, inciso V, alíneas "f"; "g" e "h", da Lei n° 8.212/91, abaixo transcrito, em que foi possível a identificação individualizada dos valores pagos, lançouse também as referidas contribuições previdenciárias, observandose o limite máximo do salário de contribuição (teto): (...) 29. Cabe observar novamente que, em nenhum momento os cooperados foram considerados empregados da cooperativa, mas sim, contribuintes individuais, nos termos do artigo 9°, inciso V, § 15, IV, do Decreto n° 3.048/99. Observese que o fato gerador da contribuição previdenciária em apreço é a prestação de serviço remunerada, art. 195, I, da CF, inexistindo no ordenamento jurídico, norma que isente a autuada das contribuições previdenciárias incidentes sobre remunerações pagas a segurados "contribuintes individuais" que prestem serviços à Cooperativa, ou com sua intermediação, retribuindo assim o trabalho por eles prestado, motivo pelo qual as referidas verbas encontramse sob o âmbito de incidência tributária. 30. Com relação às contribuições destinadas às Outras Entidades e Fundos Terceiros (SEST/SENAT), instituída pela Lei n° 8.706, de 14 de setembro de 1993, lançadas no Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD n° 51.000.282 0, teve como base os valores brutos pagos, consoante folhas de pagamento, aos Cooperados pelos serviços de transporte, por eles prestados, que não foram retidas e recolhidas, nas épocas próprias, pela TRANSCOOPER, nos termos da legislação vigente à época dos fatos geradores. 31. Conforme disposto na Lei 8.706/1993 (art. 7º) e no Decreto 1.007/1993 (art. 2º), está definido como sujeito passivo de tais contribuições o "transportador autônomo", não tendo o Auditor Fiscal equiparado a cooperativa a empresa de transporte, para fins de determinação do sujeito passivo. 32. A cooperativa deve reter a contribuição do transportador autônomo para o SEST e SENAT e recolher o valor retido. Tal previsão sempre esteve presente nas instruções normativas do INSS/SRP/RFB, e, à época dos fatos geradores, estava descrita no art. 65, § 5º e art. 11, §§ 8º e 9º, da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, como segue: Fl. 827DF CARF MF Processo nº 10314.724346/201421 Acórdão n.º 2301005.088 S2C3T1 Fl. 8 13 (...) 33. Portanto, a fiscalização ao constatar que o serviço de transporte foi prestado por condutores autônomos ou auxiliares de condutores autônomos de veículo rodoviário (cooperados) considerou, corretamente, que a remuneração paga a esses transportadores autônomos é base de cálculo da contribuição social ora lançada. Taxa Selic Com relação à aplicação da Taxa de juros Selic, além de previsão legal expressa nesse sentido, este conselho firmou entendimento pela sua procedência, inclusive com edição da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, sem razão o recorrente. Alegações de inconstitucionalidade Como já manifestado na decisão de piso, as alegações de inconstitucionalidade de lei não podem ser apreciados pela administração pública, sendo o CARF expressamente incompetente para se pronunciar sobre o assunto (Súmula CARF nº 2). Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer e negar provimento ao Recurso de Ofício e por conhecer em parte o Recurso Voluntário, deixando de conhecer acerca das alegações de inconstitucionalidade, para, na parte conhecida, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Andrea Brose Adolfo Relatora Fl. 828DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.901419/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DIREITO CREDITÓRIO
Uma vez comprovado que o valor devido de estimativa é menor que o recolhido, deve ser reconhecida a diferença como direito creditório do contribuinte.
Numero da decisão: 1401-002.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório relativo à estimativa de IRPJ de janeiro de 2004 no valor original de R$ 95.105,16, determinando à Unidade de origem para que promova as compensações declaradas até o limite do valor reconhecido.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório relativo à estimativa de IRPJ de janeiro de 2004 no valor original de R$ 95.105,16, determinando à Unidade de origem para que promova as compensações declaradas até o limite do valor reconhecido. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 14 19 /2 00 9- 16 Fl. 595DF CARF MF 2 Relatório Em relação às peças iniciais do presente feito, sirvome do relatório da autoridade a quo: A empresa acima qualificada, por meio do PER/DCOMP nº 41860.72604.200705.1.3.046808, pretende compensar pretenso crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, código 2362, P.A. 31/01/2004, arrecadado em 27/02/2004, no valor original de R$ 1.275.127,35 com débito próprio de IRPJ 2362, P.A. 0106/ 2005. A DRF/Jundiaí, por meio do despacho decisório eletrônico de fl. 49 (nº 821072132) resolveu por não homologar a compensação declarada, tendo em vista a utilização total do DARF relacionado no PER/DCOMP em questão, consoante demonstrado a seguir: (...) Não se conformando, a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fl. 02), alegando, em síntese, que cometeu equivoco ao informar na DCTF os débitos de IRPJ e CSLL, referentes ao 1° trimestre de 2004, especificamente do mês de Janeiro/2004, corrigindoos conforme DCTF Retificadora entregue em 11/03/2009 (protocolo de entrega n° 24.36.07.23.6481). DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida (fls. 5659) negou provimento à impugnação nos seguintes termos do voto do relator: A declaração retificadora redutora de tributo deve ser considerada legítima se apresentada no período de espontaneidade legal. Para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que implicam a caracterização do pagamento a maior ou indevido, é necessário que a retificadora tenha sido entregue antes do decisório, pois a comprovação da disponibilidade de crédito deve ser aferida no momento da decisão exarada pela autoridade recorrida. Se entregue depois do decisório, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos que fundamentam a retificação. Para comprovar suas alegações a contribuinte trouxe aos autos apenas a cópia da DCTF retificadora. Logo, além de não retificar a DCTF, antes do Despacho Decisório, que constituía obrigação sua (obrigação mantida nas Fl. 596DF CARF MF Processo nº 13839.901419/200916 Acórdão n.º 1401002.060 S1C4T1 Fl. 596 3 Instruções Normativas seguintes) não trouxe a interessada provas do alegado, desatendendo ao disposto no art. 16, III, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. A simples retificação da DCTF, desacompanhada de documentos que demonstrem a ocorrência de erro de fato, não tem o condão de comprovar as alegações trazidas na manifestação de inconformidade. Assim, não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a interessada, dado que o valor recolhido já fora, ao tempo do decisório, integralmente alocado a débito regularmente confessado pelo sujeito passivo. E, não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua compensação para extinguir débitos do sujeito passivo (art. 170 do CTN). Portanto, não merece reparo o Despacho Decisório, por ter sido efetuado de acordo com as determinações legais sendo improcedente a manifestação de inconformidade. Ante o exposto, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, para manter o despacho (nossos destaques). DO RECURSO VOLUNTÁRIO O interessado apresentou recurso voluntário tempestivo às fls. 72 a 89 com as razões que se seguem. A decisão da DRJ seria nula em razão de ter alterado a fundamentação para negar o pedido do interessado. Nulidade do despacho decisório em razão do cerceamento do direito de defesa. Em primeiro lugar, o formulário padrão não permite que o interessado informe todos os detalhares necessários para o reconhecimento do seu direito; em segundo lugar, ao ser realizado o tratamento eletrônico do pedido, a administração deixou de examinar outros documentos, inclusive por meio da intimação prévia do interessado. O mesmo tipo de procedimento foi realizado pela DRJ, uma vez que deixou de intimar o interessado para apresentar a documentação que considerasse apta para comprovar o seu crédito. A recorrente, porém, apresentou a documentação necessária para comprovar seu crédito (no caso, a DCTF retificadora), a qual, uma vez não sendo considerada suficiente pela autoridade julgadora, deveria ter sido dado oportunidade para apresentar nova documentação. Entende que o valor está comprovado por meio da DIPJ do período e para comprovar o alegado requer perícia, em que formula questões e indica o seu perito. DA DILIGÊNCIA Fl. 597DF CARF MF 4 O feito foi baixado em diligência por meio da Resolução nº 1401000.363, de 19 de janeiro de 2016, nos termos que se seguem: O recorrente alega que cometeu erro material ao preencher a DCTF original. No entanto, na impugnação, apresentou apenas uma DCTF "retificadora", a qual não produz qualquer efeito jurídico por ser intempestiva. Aduziu ainda que o valor correto do IRPJ do período seria de R$ 1.738.669,32 e não R$ 1.833.774,48. O primeiro valor estaria consignado na sua DIPJ, enquanto o segundo (incorreto) teria constado incorretamente na DCTF original. Na fl. 46, consta cópia da DIPJ com o valor apurado de IRPJ de R$ 1.738.669,32. O deslinde da refrega depende da apuração fática. O documento carreado aos autos pela defesa precisa ser confirmado pela autoridade local. Ademais, pode não ser o único apresentado pelo interessado, além de divergir da sua contabilidade. Isso posto, proponho a conversão do processo em diligência para a autoridade local: a) trazer aos autos todas as DCTF e DIPJ (originais e retificadoras) apresentadas no período; b) identificar os valores que serviram para extinguir o débito da estimativa de IRPJ de janeiro de 2004 (pagamentos e compensações); c) dirimir, com base nas informações contábeis do interessado, a suposta divergência entre os valores consignados na DIPJ e na DCTF. Encerrada a instrução processual, deverá ser intimada a interessada para manifestarse no prazo de dez dias, de acordo com o disposto no artigo 44 da Lei nº 9.784/1999. Após realizar a diligência como solicitado, a autoridade local expediu o relatório de fls. 587588 favorável à pretensão do interessado, o qual tomou ciência e não mais se manifestou no processo. É o relatório do essencial. Fl. 598DF CARF MF Processo nº 13839.901419/200916 Acórdão n.º 1401002.060 S1C4T1 Fl. 597 5 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Conforme havíamos consignado no julgamento anterior em que propomos a realização de diligência, o deslinde da questão depende exclusivamente de análise fática. Esta foi minudentemente realizada pela autoridade local, de cujo relatório extraímos as seguintes passagens: 2 O contribuinte alega que apurou incorretamente o valor de R$ 1.833.774,48 de estimativa de IRPJ, relativa ao mês de janeiro de 2004. Ao passo que o valor correto alegado seria de R$ 1.738.669,32; (...) 6 O contribuinte foi intimado a apresentar os seguintes elementos: a) Balancete de verificação do mês de janeiro de 2004; b) Livro Razão do mês de janeiro de 2004; e c) Memória de Cálculo das estimativas de IRPJ e CSLL do mês de janeiro de 2004 em excel. 7 Os documentos foram entregues dentro do prazo estipulado e estão anexados ao presente processo; (...) 9 Em atendimento ao segundo item da diligência, apurouse que o crédito tributário foi extinto da seguinte forma: a) Pagamento de um DARF no valor de R$ 1.275.127,35; e b) Compensação no valor de R$ 558.647,13, efetuada mediante a DCOMP de nº 27064.64839.260204.1.3.012368, controlada pelo PAF de nº 13839.001.308/200746. 10Os débitos vinculados à DCOMP de nº 27064.64839.260204.1.3.012368 foram transferidos para o processo de débito 13839.720.240/200889 e estão extintos por compensação (...) 13O valor apurado de R$ 1.738.669,32 confere com os valores encontrados na DCTF atual e na Ficha 11, da DIPJ 2005; Conclusão e Encaminhamento: Fl. 599DF CARF MF 6 14De acordo com os elementos apresentados pelo contribuinte, o valor apurado a pagar de estimativa de IRPJ do mês de janeiro de 2004 seria de R$ 1.738.669,32; Desse modo, o contribuinte recolheu, a título de estimativa de IRPJ de janeiro de 2004, o total de R$ 1.833.774,48 (R$ 1.275.127,35 por pagamento mais R$ 558.647,13 por meio de compensação), ao passo que o valor devido é de R$ 1.738.669,32. Desse modo, faz jus ao indébito da diferença. Voto, pois, por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório relativo à estimativa de IRPJ de janeiro de 2004 no valor original de R$ 95.105,16 e para promover as compensações declaradas até o limite do valor reconhecido. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 600DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.004144/2010-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 21/06/2010
AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA.
A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional.
PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. VINCULAÇÃO INTEMPESTIVA DE MANIFESTO. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA E, DO DECRETO-LEI Nº 37/66.
A vinculação de manifesto após o prazo fixado para prestar informações sobre as cargas tipifica a infração prevista na alínea e do inciso IV do art.107 do Decreto-Lei nº 37/66, sujeitando-se à penalidade correspondente.
Numero da decisão: 3301-004.005
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente Substituto.
Liziane Angelotti Meira- Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros
José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques DOliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 21/06/2010 AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. VINCULAÇÃO INTEMPESTIVA DE MANIFESTO. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA E, DO DECRETO-LEI Nº 37/66. A vinculação de manifesto após o prazo fixado para prestar informações sobre as cargas tipifica a infração prevista na alínea e do inciso IV do art.107 do Decreto-Lei nº 37/66, sujeitando-se à penalidade correspondente.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri - Presidente Substituto. Liziane Angelotti Meira- Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques DOliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado).
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PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. VINCULAÇÃO INTEMPESTIVA DE MANIFESTO. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA ‘E’, DO DECRETOLEI Nº 37/66. A vinculação de manifesto após o prazo fixado para prestar informações sobre as cargas tipifica a infração prevista na alínea ‘e’ do inciso IV do art.107 do DecretoLei nº 37/66, sujeitandose à penalidade correspondente. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente Substituto. Liziane Angelotti Meira Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 41 44 /2 01 0- 03 Fl. 199DF CARF MF Processo nº 11128.004144/201003 Acórdão n.º 3301004.005 S3C3T1 Fl. 200 2 José Henrique Mauri (Presidente Substituto), Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado) e Cássio Schappo (suplente convocado). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do Acórdão da DRJ/FOR, (fls. 46/56): O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que foi contestado pela empresa autuada, totalizou R$ 5.000,00 à época de sua formalização. Da Autuação De acordo com as informações contidas no campo DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL, o Auto de Infração foi lavrado com base nos fundamentos a seguir sintetizados. 1) A empresa autuada deixou de atender ao prazo legal para prestar informações sobre carga transportada, sujeitandose assim à multa prescrita na legislação que disciplina a matéria. 2) Essas informações estão dispostas na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27/12/2007, que regulamentou o art. 37 do DecretoLei nº 37/1966, estabelecendo as regras que disciplinam o controle aduaneiro da movimentação de cargas, embarcações e unidades de carga, feito por meio do sistema Siscomex Carga, que deverá ser suprido de informações a serem prestadas pelos intervenientes no Comércio Exterior, na forma e no prazo ali definidos. 3) Os prazos para prestar informações sobre as cargas transportadas estão fixados no art. 22 da IN RFB 800/2007, o qual passou a vigorar apenas em 1/4/2009. Até essa data, tais dados deveriam ser fornecidos até a atracação do veículo transportador, consoante determina o art. 50, II, da referida IN. 4) As obrigações acessórias instituídas no âmbito do Siscomex Carga se prestam para assegurar o adequado controle sobre as operações no âmbito do comércio internacional, e são necessárias, sobretudo, para possibilitar a atuação preventiva da Aduana na coibição de ilícitos e para imprimir maior agilidade aos despachos aduaneiros de importação e de exportação. Para estimular o cumprimento dessas obrigações é que foi editada a Lei nº 10.833/2003, estabelecendo penalidades aos intervenientes que descumprem os ditames aduaneiros. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 11128.004144/201003 Acórdão n.º 3301004.005 S3C3T1 Fl. 201 3 5) A autuada protocolou pedido de desbloqueio de manifestos eletrônicos, pois houve a vinculação deles fora do prazo estabelecido, o que gerou o bloqueio automático no sistema. Consultandose o Siscomex Carga verificouse que consta como transportador responsável nesses manifestos a empresa WILSON SONS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA. 6) A obrigação da autuada de prestar as informações fornecidas a destempo está disposta nos arts. 3º a 5º da IN RFB nº 800/2007. Portanto, ela responde pelo descumprimento desse dever legal. 7) A responsabilidade por infrações à legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável, e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato infracionário, consoante dispõe o artigo 136 do Código Tributário Nacional. 8) Ao deixar de prestar a informação dentro do prazo estabelecido, o transportador omitiu informações necessárias ao controle aduaneiro, comprometendo a prévia análise de risco quanto a carga transportada, a logística, em fim, a operação como um todo. Tal conduta materializou claramente a hipótese infracional descrita no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, consoante dispõe o art. 45 da IN RFB nº 800/2007. Diante dos fatos apurados, a autoridade lançadora lavrou o Auto de Infração em debate, tendo como fundamento, além dos dispositivos legais já mencionados, os indicados no campo ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração. Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação em 20/7/2010 e apresentou impugnação (fls. 2427) em 17/08/2010, na qual aduz os argumentos a seguir sintetizados. a) A conduta da impugnante (atraso na vinculação de manifesto) não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, pois ela não deixou de prestar as informações exigidas, nem causou nenhum embaraço ou impedimento à fiscalização, e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. b) Mesmo que a conduta da impugnante pudesse ser considerada infração, ainda assim não seria cabível a multa aplicada, pois o pedido de retificação foi feito antes de qualquer ação fiscal, sendo aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea, constante no art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. c) A penalidade também não pode ser cominada à impugnante porque ela não se reveste da condição de empresa de transporte internacional, nem é prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agência de carga. É apenas uma agência de navegação, que tem por fim prover as Fl. 201DF CARF MF Processo nº 11128.004144/201003 Acórdão n.º 3301004.005 S3C3T1 Fl. 202 4 necessidades do navio no porto de destino, e não pode ser equiparada às empresas mencionadas anteriormente. Ao final a defesa requer que o lançamento seja julgado improcedente. Por meio do Acórdão no 0826.790 7ª Turma da da DRJ/FOR, julgouse improcedente a impugnação com a seguinte Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 21/06/2010 AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. A agência de navegação marítima representante no País de transportador estrangeiro responde por eventual irregularidade na prestação de informações que estava legalmente obrigada a fornecer à Aduana nacional. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 21/06/2010 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. VINCULAÇÃO INTEMPESTIVA DE MANIFESTO. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO DO AGENTE. MULTA. A vinculação de manifesto após o prazo fixado para prestar informações sobre as cargas transportadas configura atraso no cumprimento dessa obrigação, fato que é tipificado como infração autônoma, punível com multa específica, independente da intenção do agente. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA SOBRE CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A prestação tempestiva de informação sobre carga transportada é obrigação acessória autônoma, cujo descumprimento não comporta saneamento via denúncia espontânea, que é expressamente afastada pela legislação no caso de prévia atracação do veículo transportador. A Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 64/73), que teve provimento por meio do Acórdão no 3801003.278– 1ª Turma Especial (fls.104/112), com a seguinte Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 21/06/2010 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, Fl. 202DF CARF MF Processo nº 11128.004144/201003 Acórdão n.º 3301004.005 S3C3T1 Fl. 203 5 os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Cientificada do acórdão mencionado, o Representante da Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial (fls. 129/135 ), suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei no 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de Despacho 3100431– 1ª Câmara (fls 114/124), e o Recorrente apresentou contrarrazões (fls 130/138). O Recurso Especial foi provido em parte, por meio do Acórdão no 9303003.616– 3ª Turma (fls. 178/186) com a seguinte Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 21/06/2010 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Determinouse ainda na referida decisão o seguinte (fl. 186) Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Dessarte, conforme determinado pelo acórdão referido, os autos do processo em referência foram reencaminhados a esta Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e a mim distribuídos, para apreciação das questões trazidas no Recurso Voluntário do Recorrente que não foram objeto de deliberação. É o relatório. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 11128.004144/201003 Acórdão n.º 3301004.005 S3C3T1 Fl. 204 6 Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário foi tempestivo e atendeu aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. No Recurso Voluntário (fls. 64/73) o Recorrente alegou em síntese os seguintes itens: I DA TEMPESTIVIDADE II. DO LANÇAMENTO III. DA DECISÃO RECORRIDA IV. DA ANÁLISE DOS FATOS V. DA ILEGITIMIDADE PASSIVA Sobre o item I, já houve manifestação admitindo e conhecimento o Recurso. No item II, o Recorrente faz referência à infração e à respectiva penalidade constantes do Auto de Infração. No item III, há menção à decisão recorrida e é transcrita a sua ementa. O item IV, apesar de também fazer referência à responsabilidade solidária, valendose da Súmula 192 do extinto TRF, concentrase nos argumentos no sentido de teria ocorrido denúncia espontânea; a questão da denúncia espontânea já resta decidida nesta Corte, cabendo neste momento somente analisar as outras questões. Por sua vez, no item V, o Recorrente apresenta seus argumentos relativos à ilegitimidade de sua autuação como responsável, transcrevemos: 21. De início, cabe esclarecer que, o e. relator do acórdão ora recorrido pretende impor ao agente marítimo responsabilidade tributária pela retificação de ofício de informações relativas ao Conhecimento Eletrônico já referido. 22. Para uma melhor análise da matéria e para evitar dispositivos legais que possam ser utilizados para tentar transferir a responsabilidade do transportador, do agente de carga e do operador portuário para o agente marítimo, convém transcrever a seguir dispositivos legais do Decretolei no 37/66, a fim de que se afastar qualquer possibilidade de assunção de responsabildiade com base nos artigos, 32, 37, § 1o, do referido diploma legal: "Art. 32 É responsável solidário pelo imposto:" 23. Com efeito, a responsabilidade tributária solidária está prevista expressamente em lei para o imposto de importação e não para multa isolada que a fiscalização pretende impor à Recorrente. Não há como a fiscalização pretender, por analogia, exigir da Recorrente a multa isolada ora em discussão. 24. O art. 37, § 1o, do DecretoLei no 37/66, dispõe: Fl. 204DF CARF MF Processo nº 11128.004144/201003 Acórdão n.º 3301004.005 S3C3T1 Fl. 205 7 "Art. 37 O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado § 1o O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas." 25. Como se observa em nenhum momento o dispositivo legal acima transcrito menciona a responsabilidade à agência marítima,deixando claro que essa responsabilidade é do transportador (caput), do agente de carga e do operador portuário. 26. O Código Tributário Nacional determina em seu artigo 121, II, que a responsabilidade tributária deve ser expressamente prevista em lei, já que o responsável tributário não ostenta liame direto e pessoal com o fato jurídico tributário, decorrendo o dever jurídico de previsão legal. 27. Assim, sem previsão legal não pode a multa prevista na alínea "e", do Inciso IV, do art. 107 do DecretoLei no 37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/03, ser aplicada à Recorrente. 28. Com efeito, representação também não se confunde com responsabilidade solidária para fins tributários, daí porque às agências marítimas, como no caso da Recorrente, não pode ser imputada a multa prevista no art. art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei no 37/66, com redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/03. 29. E, nesse sentido, decidiu pela ilegitimidade passiva das agências marítimas, no Recurso Voluntário no 506.150, processo no 10711.003636/200644, a 2a Turma Ordinária, 1a Câmara, da 3a Seção, do Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 30. A lei e a jurisprudência não dispõem responsabilidade à agência de navegação no que tange à assunção de ônus pertinente à multa estabelecida pelo art. 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei no 37/66, com redação dada pelo Art. 77 da Lei no 10.833/03, sendo esta única e exclusivamente de responsabilidade da empresa transportadora ou do agente de carga. 31. Consequentemente, qualquer equiparação de uma agência de navegação à uma empresa de transporte internacional para efeito de cominação da penalidade pretendida pela fiscalização, caracteriza, para todos os efeitos legais, extrapolação do poder de regulamentar da autoridade administrativa. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 11128.004144/201003 Acórdão n.º 3301004.005 S3C3T1 Fl. 206 8 32. Ademais, exige a legislação de regência a identificação do sujeito passivo, art. 142 do CTN, no caso, a pessoa do transportador, o que não se acha devidamente esclarecido na peça fiscal. De se dizer que o auto de infração, por si só, não traz qualquer informação capas de ao menos, contribuir para a identificação do transportador. 33. Ainda há que se considerar, conforme se depreende da parte final do caput do art. 9o do Decreto no. 70.235/72, que os autos de infração deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à compração do ilícito. 34. Portanto, as ações da fiscalização devem estar devidamente consubstanciadas por provas que sustentem o fato acusado, o que no caso do presente auto de fato não aconteceu. 35. Dessa forma, ao se pesquisar sobre a pessoa que atuou na condição de transportador para fins de aplicação da norma disposta, respectivamente nos art. 37 e 32, ambos do DecretoLei no 37/66, ficase diante dos autos que integram o presente processo, sem a devida resposta, uma vez que dito os autos nada informaram a respeito no que tange à agência marítima. 36. Apenas para esclarecer que as pessoas citadas no parágrafo 1o, do art. 37 do DecretoLei no 37/66, agente de carga e operador portuário também devem prestar informações sobre as operações que executem e respectivas cargas, bem como o transportador mencionado no "caput" do referido comando legal. Contudo, essas pessoas mencionadas pelo texto legal não se confundem com a agência marítima que tem personalidade e atividades próprias, por isto é, de atender as necessidades do navio no porto de destino. 37. Assim, não procede o ato administrativo do lançamento que imputa sujeição passiva sem carrear aos autos prova dessa condições. Inúmeras decisões nesse sentido há estão sendo proferidas pela 1a Turma de Julgamento da DRJ/FNS. Necessário se volver à análise da lei e da legislação concernente à responsabilidade da Recorrente pela infração. O DecretoLei nº 37/66 que prevê, em seu art. 37, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, o dever de prestar informações ao Fisco, nos seguintes termos: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 11128.004144/201003 Acórdão n.º 3301004.005 S3C3T1 Fl. 207 9 (...) (grifouse) O art. 107 do DecretoLei nº 37/66, também com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, prevê a multa pelo descumprimento desse dever, nos seguintes termos: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e No exercício da competência estabelecida pelo art. 107, IV, "e", do Decreto Lei nº 37/66, foi editada a Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, que nos seus arts. 4º e 5º, equipara ao transportador a agência de navegação representante no País de empresa de navegação estrangeira: Art. 4º A empresa de navegação é representada no País por agência de navegação, também denominada agência marítima. § 1º Entendese por agência de navegação a pessoa jurídica nacional que represente a empresa de navegação em um ou mais portos no País. § 2º A representação é obrigatória para o transportador estrangeiro. § 3º Um transportador poderá ser representado por mais de uma agência de navegação, a qual poderá representar mais de um transportador. Art. 5º As referências nesta Instrução Normativa a transportador abrangem a sua representação por agência de navegação ou por agente de carga. No caso em pauta, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que o Recorrente concorreu para a prática da infração em questão, necessariamente, ele responde pela correspondente penalidade aplicada, de acordo com as disposições sobre responsabilidade por infrações constantes do inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; (...). O art. 135, II, do CTN determina que a responsabilidade é exclusiva do infrator em relação aos atos praticados pelo mandatário ou representante com infração à lei. Em consonância com esse comando legal, determina o caput do art. 94 do Decretolei n° 37/66 Fl. 207DF CARF MF Processo nº 11128.004144/201003 Acórdão n.º 3301004.005 S3C3T1 Fl. 208 10 que constitui infração aduaneira toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos”. Por sua vez, em relação à Súmula 192 do extinto TRF, trazida pela Recorrente, perfilhase a conclusão adotada no Acórdão no 0826.790 7ª Turma da DRJ/FOR (fl. 51/52), de que o entendimento constante dessa Súmula, anterior à atual Constituição Federal, "há muito se encontra superado, porquanto em flagrante desacordo com a evolução da legislação de regência. Com o advento do DecretoLei nº 2.472/1988, que deu nova redação ao art. 32 do DecretoLei nº 37/1966, o representante do transportador estrangeiro no País foi expressamente designado responsável solidário pelo pagamento do imposto de importação." Nesse mesmo sentido, a responsabilidade solidária por infrações passou a ter previsão legal expressa e específica com a Lei nº 10.833/2003, o que estendeu as penalidades administrativas a todos os intervenientes nas operações de comércio exterior. Dessa forma, na condição de representante do transportador estrangeiro, o Recorrente estava obrigado a prestar as informações no Siscomex . Ao descumprir esse dever, cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei n° 37, de 1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, e, com supedâneo também no do inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, deve responder pessoalmente pela infração em apreço. Transcrevese Ementa de decisão do CARF no mesmo sentido, Acórdão n° 3401003.884: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 04/01/2004 a 18/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO DE EMBARQUE. SISCOMEX. TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. RESPONSABILIDADE DA AGÊNCIA MARÍTIMA. REPRESENTAÇÃO. A agência marítima, por ser representante, no país, de transportador estrangeiro, é solidariamente responsável pelas respectivas infrações à legislação tributária e, em especial, a aduaneira, por ele praticadas, nos termos do art. 95 do Decretolei nº 37/66. LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. CLAREZA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Descritas com clareza as razões de fato e de direito em que se fundamenta o lançamento, atende o auto de infração o disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, permitindo ao contribuinte que exerça o seu direito de defesa em plenitude, não havendo motivo para declaração de nulidade do ato administrativo assim lavrado. INFORMAÇÃO SOBRE O EMBARQUE. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. CONDUTA DESCRITA NO ART. 107, INCISO IV, ALÍNEA ‘E’, DO DECRETOLEI Nº 37/66. O contribuinte que presta informações fora do prazo sobre o embarque de mercadorias para exportação incide na infração tipificada no art. 107, inciso IV, alínea ‘e’, do Decretolei nº 37/66, sujeitandose à penalidade correspondente. Recurso voluntário negado. (grifei) Consignase, por fim, que esse entendimento é amplamente adotado na jurisprudência recente deste Conselho, conforme se depreende das seguintes Acórdãos: no 3401003.883; no 3401003.882 ; no 3401003.881; no 3401002.443; no 3401002.442; no 3401002.441, no 3401002.440; no 3102001.988; no 3401002.357; e no 3401002.379. Fl. 208DF CARF MF Processo nº 11128.004144/201003 Acórdão n.º 3301004.005 S3C3T1 Fl. 209 11 Dessa forma, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 209DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.728181/2015-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
LAVOURA CANAVIEIRA. BENEFÍCIO FISCAL. DEPRECIAÇÃO ACELERADA.
Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à depreciação e, não, à exaustão, portanto podem integrar o benefício da depreciação acelerada incentivada.
Numero da decisão: 1401-002.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento integral ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 LAVOURA CANAVIEIRA. BENEFÍCIO FISCAL. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à depreciação e, não, à exaustão, portanto podem integrar o benefício da depreciação acelerada incentivada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento integral ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 81 81 /2 01 5- 47 Fl. 1758DF CARF MF 2 Relatório O presente feito trata do lançamento de autos de infração, fls.15371557, relativos ao IRPJ e CSLL do anocalendário de 2010, no valor total de R$ 5.191.716,20 inclusos multa de oficio de 75% e juros de mora à taxa Selic, calculados até dezembro/2015. A acusação fiscal, conforme termo de verificação de fls. 15211531, referese à exclusão indevida de valores de depreciação incentivada de lavoura de canadeaçucar. Basicamente, a autoridade fiscal entendeu que a referida cultura sujeitase à exaustão e não à depreciação. Desse modo, não faria jus ao benefício fiscal. O contribuinte impugnou a exigência às fls. 15751603 para alegar que a cultura, em razão da sua natureza fática, sujeitase à depreciação, pois a planta não se exaure com a colheita. Subsidiariamente, aduz que a fiscalização deveria ter compensado o lucro real e a base de cálculo da CSLL das atividades em geral com os prejuízos e bases de cálculo negativa da CSLL A decisão de primeiro grau (fls. 16931703) negou provimento ao recurso, conforme ementa abaixo reproduzida: IRPJ E CSLL. GLOSA DE EXCLUSÕES INDEVIDAS. IMPOSSIBILIDADE DA DEPRECIAÇÃO INCENTIVADA (INTEGRAL) DA LAVOURA DE CANA DE ACUÇAR. À luz do Parecer Normativo CST nº 18/1979, que deve ser observado no julgamento administrativo em primeira instância, as quotas de exaustão devem ser calculadas e apropriadas como custo ou encargo ao longo de todo o período da extração dos recursos de origem agrícola, em se tratando de espécies vegetais que não se extinguem com o primeiro corte, mas depois de dois ou mais cortes. O recurso voluntário foi apresentado às fls. 17141748. Nele, em longa explanação o recorrente busca demonstrar sua tese de que a cultura de canadeaçucar perde valor por meio da depreciação e não da exaustão. Ademais, reitera o pedido subsidiário atinente à compensação de valores. É o relatório do essencial. Fl. 1759DF CARF MF Processo nº 10314.728181/201547 Acórdão n.º 1401002.039 S1C4T1 Fl. 1.759 3 Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator O tema do modo de reconhecimento da perda de valor da cultura canavieira é tema ainda controvertido neste colegiado. De fato, há decisão do CARF no sentido da decisão recorrida. Cito, nesse sentido, o acórdão nº 10318.812, de 20/08/1997: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA FORMAÇÃO DE LAVOURA CANAVIEIRA A aplicação de recursos na formação de lavoura canavieira, por não se extinguir com o primeiro corte, e por voltarem a produzir, permitindo um segundo ou terceiro corte, deverá ser classificada no grupo do ativo imobilizado da pessoa jurídica, para que seus custos sejam absorvidos através de quotas de exaustão. Todavia, há também decisão favorável, como o Acórdão nº 1202000.795, de 12/06/2012: ATIVIDADE RURAL. CUSTOS DA LAVOURA CANAVIEIRA. DEPRECIAÇÃO INTEGRAL INCENTIVADA. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à depreciação e, não, à exaustão, portanto podem ser apropriados integralmente como encargos do período correspondente a sua aquisição. As razões do Acórdão podem ser identificadas no seguinte trecho do voto condutor: Em resumo, temos que a depreciação ocorre quando o bem está sujeito a desgaste ou perda pelo uso na atividade da empresa, enquanto que a exaustão se dá quando, durante o processo, o próprio bem é extinto. Repetimos, a depreciação se aplica quando há desgaste de uso, enquanto que a exaustão se dá quando os próprios bens se esgotam no tempo e, portanto, o bem desaparece. O esgotamento ou desaparecimento físico do ativo é o elemento que distingue a exaustão da depreciação. Como bem ficou demonstrado nas sustentações orais e nos memoriais, os cortes feitos na canadeaçúcar não extinguem a planta, portanto, o bem não se esgota, logo não se aplica a exaustão. Todavia, o bem é desgastado pelo uso ou emprego na atividade da fonte produtora, perdendo seu valor a cada corte, através da depreciação. Fl. 1760DF CARF MF 4 Tenho para mim que a posição adotada é a correta e já me posicionei assim no AC 1401001.523, de 01 de fevereiro de 2016, conforme ementa abaixo: LAVOURA CANAVIEIRA. BENEFÍCIO FISCAL. DEPRECIAÇÃO ACELERADA. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, estão sujeitos à depreciação e, não, à exaustão, portanto podem integrar o benefício da depreciação acelerada incentivada. Exaustão vem de exaurir, de esgotar, ou seja, o bem é extinto, eliminado, integralmente consumido. É essa a razão pela qual tanto uma floresta, como uma mina de ouro se exaurem. Tanto o ouro como as árvores se esgotam com a extração. Não é o caso da cana deaçúcar. A exploração é promovida como uma colheita não extintiva da planta. Esta volta e crescer e a proporcionar novas colheitas. Todavia, a qualidade do que é colhido a cada corte se reduz. Por isso, essa cultura perde valor por obsolescência em relação a uma nova plantação. Essa perda de valor é, pois, tipicamente reconhecida por meio da depreciação. Isso posto, voto no sentido de dar provimento integral ao recurso. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 1761DF CARF MF
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