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Numero do processo: 10880.019498/99-38
Data da sessão: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2003
Ementa: DECADÊNCIA – PEDIDO DE RESTITUIÇÃO – TERMO INICIAL – Em caso de conflito quanto à legalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se:
a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN;
b) da Resolução do Senado em que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inscontitucionalidade de tributo;
c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária.
Recurso conhecido e improvido.
Numero da decisão: CSRF/01-04.439
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por MAIORIA de votos, NEGAR provimento ao recurso,
nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber e Verinaldo Henrique da Silva.
Nome do relator: Wilfrido Augusto Marques
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Processo n° : 10830.019498/99-38 Recurso n° : 102-127.208 (RP/102-0.543) Matéria : IRPF - PDV - RESTITUIÇÃO Recorrente : FAZENDA NACIONAL Recorrida : SEGUNDA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo: JOSÉ RIBEIRO DOMINGUES Sessão de :24 DE FEVEREIRO DE 2003 Acórdão n° : CSRF/01-04.439 i DECADÊNCIA — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — TERMO INICIAL — Em caso de conflito quanto à legalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece inscontitucionalidade de tributo; c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributária. Recurso conhecido e improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por MAIORIA de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber e Verinaldo Henrique da Silva. .-- 1)~.-1--- ' ON PEREIRA ROD. ? - ES PRESIDENTE fer, A"( WIL = DO À GUSTe MA QUES RELATOR FORMALIZADO EM: 2 8 ARR 3(12-k, Processo n° : 10880.019498/99-38 Acórdão n° : CSRF/01- 04.439 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CELSO ALVES FEITOSA; ANTONIO DE FREITAS DUTRA; MARIA GORETTI DE BULHÕES CARVALHO; VICTOR LUÍS DE SALLES FREIRE; NELSON MALLMANN (Suplente Convocado); REMIS ALMEIDA ESTOL; JOSÉ CARLOS PASSUELLO; ZUELTON FURTADO; JOSÉ CLÓVIS ALVES; CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES; MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR. Ausente justificadamente a Conselheira LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO. 2 Processo n° : 10880.019498/99-38 Acórdão n° : CSRF/01- 04.439 Recurso n° : 102-127.208 (RP/102-0.543) Recorrente : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Em 1° de julho de 1999 formulou o contribuinte pedido de restituição relativamente ao imposto retido na fonte sobre verba auferida em decorrência de adesão a Programa de Desligamento Voluntário instituído pela Caixa Econômica Federal - CEF. O pleito foi indeferido pela DRF em São Paulo/SP (fls. 11), ao que o Requerente interpôs a Impugnação de fls. 13, que não logrou provimento pela DRJ em São Paulo/SP (fls. 20/22), mantida a decisão recorrida integralmente. insurgiu-se o sujeito passivo mediante o Recurso Voluntário de fls. 26/27, ao qual a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por maioria, deu provimento (fls. 30/36), estando a ementa do acórdão assim gizada: "DECADÊNCIA — O prazo qüinqüenal para a restituição do tributo pago indevidamente, somente começa a fluir após a extinção do crédito tributário ou, a partir do ato que concede ao contribuinte o efetivo direito de pleitear a restituição. IRRP — PROGRAMA DE DESLIGAMENTO INCENTIVADO - Os valores pagos por pessoa jurídica a seus empregados a título de incentivo à adesão a Programas de Desligamento Voluntário, não se sujeitam à tributação do imposto de renda, por constituírem-se rendimentos de natureza indenizatória. Recurso provido." Inconformada, aviou a Fazenda Nacional Recurso Especial (fls. 37/46) com fundamento em violação ao artigo 168, inciso I, do CTN, tendo alegado que: - os prazos prescricionais e decadenciais são de exclusiva alçada da lei, não se admitindo interpretação não literal; - o artigo 168, inciso I, do CTN, não faz menção à futura ciência do indébito tributário, eis que se reporta apenas à extinção do crédito tributário, sendo este considerado extinto a partir do pagamento; - a decisão que reconhece a inconstitucionalidade do tributo tem efeito repristinatório, ou seja, restabelece o status quo ante, sem poder, contudo, atingir o ato jurídico perfeito, a coisa julgada e o direito adquirido, ou seja, as situações 3 Processo n° : 10880.019498/99-38 Acórdão n° : CSRF/01- 04.439 definitivamente constituídas pela decadência tributária, posto que o direito não socorre aos que dormem; - "Significa isto que qualquer que seja a decisão de inconstitucionalidade (...), situações definitivamente constituídas não podem ser afastadas pela decisão. (...) Em outras palavras: a decisão produz efeitos repristinatórios, no que diz respeito à repetição de tributos, apenas nos cinco anos imediatamente anteriores ao seu proferimento, não atingindo as situações definitivamente constituídas pela decadência tributária. (...)" (grifos do autor) - "Portanto, pode até ser que, sob o ponto de vista Moral, não seja correto revoltar o contribuinte por algo que não possa mais obter por conta da decadência, sobretudo, naqueles casos nos quais não sabia que pagou indevidamente. Mas estamos na seara tributária e, como sobejamente sabido de Vós, não há espaços para aquilatar o que é moralmente correto, senão o que é legalmente determinado ". (grifos do autor). O recurso foi admitido (fls. 47), tendo a interessada apresentado contra-razões de fls. 50/52. É o Relatório. 4 Processo n° : 10880.019498/99-38 Acórdão n° : CSRF/01- 04.439 VOTO Conselheiro WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, Relator: O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 32 do Regimento Interno dessa Câmara, tendo sido interposto por parte legítima e preenchidos os requisitos de admissibilidade, razão porque dele tomo conhecimento. O litígio versa sobre o início do prazo decadencial para a formalização de pedido de restituição. Recentemente esta Egrégia Câmara, no acórdão n° CSRF/01-03.329, pacificou as divergências existentes acerca da matéria, sufragando o entendimento de que no caso de existência de controvérsia sobre a legalidade do tributo o prazo tem início a partir da publicação do ato administrativo que reconheceu o caráter indevido do tributo, não merecendo reforma, portanto, o acórdão vergastado. Com efeito, a despeito do brilhante Recurso interposto pelo Procurador, cabe enfatizar que a morosidade, especialmente nos casos de ADIn, não deriva de culpa do contribuinte, mas sim do Judiciário que repleto de milhares de processos para julgar -, neste passo evidenciando-se a culpa do próprio Poder Público e mais significativamente do Executivo, - nem sempre consegue oferecer a prestação jurisdicional da forma ideal, ou seja, com agilidade e segurança jurídica a um só tempo. É justamente em razão da delonga e da impossibilidade de locupletamento pelo Estado - diante da figura do Estado Democrático de Direito e do Princípio da Moralidade, - que se apresenta a única solução passível de gerar segurança jurídica para os Administrados, como brilhantemente já decidiu esta Turma. O tema é bastante polêmico, oferecendo inúmeras discussões doutrinárias e jurisprudenciais, tudo em razão do fato de que o Código Tributário 5 Processo n° : 10880.019498/99-38 Acórdão n° : CSRF/01- 04.439 Nacional, por ser muito antigo, não previu todas as possibilidades de restituição do crédito tributário, dentre estas a atinente à restituição em caso de ser o tributo posteriormente reconhecido como indevido. O artigo 168 do CTN dispõe que o prazo para pleitear a restituição é sempre de 05 anos, diferenciando-se o termo inicial de contagem de acordo com as regras dispostas no artigo 165 do mesmo codex, o qual prevê, in verbis, as seguintes hipóteses: "Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade de seu pagamento, ressalvado o disposto no §4° do art. 162, nos seguintes casos: I — cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou de natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II — erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III — reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória" Como se vê, tal dispositivo contém lacunas quanto às hipóteses em que pode haver restituição. O legislador não cuidou da tipificação de todas as situações passíveis de ensejar o direito à restituição de indébito, pelo que cabe à doutrina e jurisprudência realizar interpretação analógica. Isto porque, apesar de estarem listadas no CTN apenas três hipóteses de restituição, certo é que tendo o pagamento do tributo ocorrido a maior, este valor será sempre devido, nos termos do artigo 964 do Código Civil. O referido dispositivo prevê que: "Art. 964. Todo aquele que recebeu o que lhe não era devido fica obrigado a restituir". Consoante lição de Maria Helena Diniz aposta em sua obra Código Civil Anotado: "O pagamento indevido é uma das formas de enriquecimento ilícito, por decorrer de prestação feita, espontaneamente, por algúem com o intuito de extinguir uma obrigação erroneamente pressuposta, gerando ao accipiens, por imposição legal, o dever de restituir, uma vez estabelecido 6 , Processo n° : 10880.019498/99-38 Acórdão n° : CSRF/01- 04.439 que a relação obrigacional não existia, tinha cessado de existir ou que o devedor não era o solvens ou que o accipiens não era o credor". Apesar de não haver disposição legal quanto ao prazo decadencial quando o caráter indevido do tributo é reconhecido pela Administração, certo é que cabe ao intérprete sanar tal lacuna legal, ante à proibição em nosso ordenamento jurídico do enriquecimento sem causa. Se a Lei Civil, que se aplica às relações particulares, prevê que o direito de restituir persiste sempre que houver sido paga obrigação não devida, mais razão há para que à Administração Pública, que rege-se pelo princípio da supremacia do interesse público sobre o privado, seja aplicado tal dispositivo. No dizer de Celso Antônio Bandeira de Mello, in Curso de Direito Administrativo, págs. 54/55: "'Convém finalmente reiterar, e agora com maior detença, considerações dantes feitas, para prevenir intelecção equivocada ou desabrida sobre o interesse privado na esfera administrativa. A saber: as prerrogativas que nesta via exprimem tal supremacia que não são manejáveis ao sabor da Administração, porque esta jamais dispõe de "poderes", sic et simpliciter. Na verdade o que nela se encontram são "deveres-poderes", como a seguir se aclara. Isto porque a atividade administrativa é desempenho de "função". Tem-se função apenas quando alguém está assuieitado ao dever de buscar, no interesse de outrem, o atendimento de certa finalidade. Para desincumbir-se de tal dever, o sujeito de função necessita manejar poderes, sem os quais não teria como atender à finalidade que deve perseguir para a satisfação do interesse alheio. (...) Seque-se que tais poderes são instrumentais: semientes do dever de bem cumprir a finalidade a que estão indissoluvelmente atrelados. Ora, a Administração Pública está, por lei, adstrita ao cumprimento de certas finalidades, sendo-lhe obrigatório objetivá-las para colimar interesse de outrem: o da coletividade. É em nome do interesse público —o do corpo social — que tem de agir, fazendo-o na conformidade do intentio leqis. " A Administração Pública tem o dever de arrecadar o tributo instituído por Lei e o poder para fazê-lo. Contudo, em sendo reconhecida que a exação não 7 Processo n° : 10880.019498/99-38 Acórdão n° : CSRF/01- 04.439 era devida, impende, por outro lado, seja o valor recolhido restituído, sob pena de violação ao direito do cidadão que confia no Estado. Se não há causa para o pagamento, se o contribuinte recolheu aos cofres públicos tributo indevido, tem o Fisco o dever de devolver o valor àquele, sob pena de enriquecimento indevido, repugnado em nosso ordenamento jurídico, conforme lição extraída da obra Direito Civil, Vol. II, de Sílvio Rodrigues: "O pagamento indevido constitui no plano teórico, apenas, um capítulo de assunto mais amplo, que é o enriquecimento sem causa. Este representa um gênero, do qual aquele não passe de espécie.(...) De fato, além de coibir o enriquecimento injusto quando manifestado através de pagamento indevido (CC, arts. 964 e s.), o Código, em numerosas instâncias, o proíbe, em casos específicos.(...) O repúdio ao enriquecimento indevido estriba-se no princípio maior da eqüidade, que não permite o ganho de um, em detrimento do outro, sem uma causa que o justifique." A ânsia de sanar a lacuna legal, como já dito, decorre do disposto no parágrafo único, do artigo 1°, da Constituição Federal que estabelece o dever precípuo da Administração de atingir ao bem estar público, estando este interesse acima de qualquer interesse privado. Premiar o entendimento de que o prazo decadencial de cinco anos deve ter sua contagem iniciada a partir da data de extinção do crédito tributário é pretender que o contribuinte sempre desconfie da regularidade das leis instituidoras de tributo, realizando, desde logo, pedido de restituição. Foi por esta razão que a doutrina e a jurisprudência se ocuparam da tarefa de suprir a lacuna legal do CTN, conforme lição de lves Gandra da Silva Martins: "2.4. Acredito que, quando o contribuinte é levado, por uma lei inconstitucional, a recolher aos cofres públicos determinados valores a titulo de tributo, a questão refoge ao âmbito da mera repetição de indébito, prevista no CTN, para assumir os contornos de direito à plena recomposição dos danos que lhe foram causados pelo ato legislativo inválido, nos moldes do que estabelece o art. 37, §6° da CF. Em tais casos, a actio nata ocorre com o reconhecimento do vício por decisão judicial transitada em julgado, pois até então vale a presunção de legitimidade do ato legislativo" (Repetição do Indébito e Compensação no Direito Tributário, ob. cit., pág. 178) 8 Processo n° : 10880.019498/99-38 Acórdão n° : CSRF/01- 04.439 Este também é o entendimento do Sistema de Tributação, que, por meio do Parecer COSIT n° 58/98, realizou a seguinte abordagem quanto ao tema: "25. Para que se possa cogitar de decadência, é mister que o direito seja exercitável: que, no caso, o crédito (restituição) seja exigível. Assim, antes da lei ser declarada inconstitucional não há que se falar em pagamento indevido, pois, até então, por presunção, eram a lei constitucional e os pagamentos efetuados efetivamente devidos. 26.Logo, para o contribuinte que foi parte na relação processual que resultou na declaração incidental de inconstitucionalidade, o início da decadência é contado a partir do trânsito em julgado da decisão judicial. Quanto aos demais, só se pode falar em prazo decadencial quando os efeitos da decisão forem válidos "erga omnes", que, conforme já dito no item 12, ocorre apenas após a publicação da Resolução do Senado ou após a edição do ato específico do Secretário da Receita Federal (hipótese do Decreto n° 2.346/1997, art. 4°). 26.1 Quanto à declaração de inconstitucionalidade de lei por meio de ADIN, o termo inicial para a contagem do prazo de decadência é a data do trânsito em julgado da decisão do STF". Não se legitima a ausência de prazo para a realização do pedido de restituição, posto que até mesmo para a prositura da ação de in rem verso, cabível nos casos de pagamento indevido, estabelece o Código Civil prazo prescricional. Trata-se, porém, de reconhecer que o direito somente é exercitável a partir do momento em que a exação é reconhecida como indevida. Diante da lacuna legal, há que se interpretar a situação fática de acordo com a intenção do legislador. O CTN, embora estabelecendo que o prazo seria sempre de cinco anos, diferencia o início de sua contagem conforme a situação que rege, em clara mensagem de que a circunstância material aplicável a cada situação jurídica de que se tratar é que determina o prazo de restituição, que é sempre de cinco anos. Ora, para situações conflituosas, verifica-se que o legislador, no inciso III, do artigo 165 do CTN, dispôs que o prazo decadencial somente se inicia a partir da decisão condenatória. Em inexistindo ação condenatória, mas havendo, discussão quanto a legalidade/constitucionalidade da Lei que instituiu o tributo, ou seja, situação conflituosa quanto ao imposto recolhido, certamente somente a partir do 9 Processo n° : 10880.019498/99-38 Acórdão n° : CSRF/01- 04.439 momento em que tal questão é solucionada com efeito erga omnes nascerá o direito do contribuinte de receber o que foi pago a maior. A hipótese, portanto, embora não prevista legalmente, guarda grande similitude com o disposto no artigo 165, inciso III, do CTN, pelo que, para as situações conflituosas, o prazo do artigo 168 deve ser contado a partir do momento em que o conflito é sanado, seja por meio da edição de Resolução pelo Senado Federal reconhecendo a inconstitucionalidade da Lei, em conformidade com entendimento do STF exarado em controle difuso; seja por meio de edição de ato administrativo reconhecendo o caráter indevido da cobrança e dispensando-a; seja através de acórdão do STF declarando a inconstitucionalidade em controle concentrado. Este, inclusive, é o entendimento já pacificado no âmbito do Primeiro Conselho de Contribuintes. Com efeito, por ocasião do julgamento do Recurso Voluntário n° 118.858, o Ilustre Conselheiro José Antônio Minatel, da 8' Câmara, asseverou em seu voto que para o início da contagem do prazo decadencial há que se distinguir a forma como se exterioriza o indébito. Se o indébito exsurge da iniciativa unilateral do sujeito passivo, calcado em situação fática não litigiosa, o prazo para pleitear restituição tem início a partir da data do pagamento que se considera indevido. Todavia, se o indébito se exterioriza no contexto de solução administrativa conflituosa, o prazo deve iniciar a partir da decisão definitiva da controvérsia. Admitir entendimento contrário ao acima reproduzido é certamente vedar a devolução do valor pretendido e, consequentemente, enriquecer ilicitamente o Estado, uma vez que à Administração não é dado manifestar-se quanto à legalidade e constitucionalidade de lei, razão porque os pedidos seriam sempre indeferidos, facultando ao contribuinte apenas o socorro perante ao Poder Judiciário. ANTE O EXPOSTO, conheço do recurso e nego-lhe provimento. ,Ap 10 Processo n° : 10880.019498/99-38 Acórdão n° : CSRF/01- 04.439 É o voto. Sala das Sessões — DF, em 24 de fevereiro de 2003. WI '" DO à dGUST• AR, ES 11 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1
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Numero do processo: 10882.001977/2005-32
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEIS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA.
Quando devidamente comprovadas, as despesas descritas nos incisos do artigo 14 da Lei 7.739/1989 devem ser excluídas dos rendimentos auferidos com alugueis de imóveis, desde que tenham sido arcadas diretamente pelo locador.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-001.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir da base de cálculo do imposto o valor de R$ 8.328,00.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS DE ALUGUEIS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Quando devidamente comprovadas, as despesas descritas nos incisos do artigo 14 da Lei 7.739/1989 devem ser excluídas dos rendimentos auferidos com alugueis de imóveis, desde que tenham sido arcadas diretamente pelo locador. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir da base de cálculo do imposto o valor de R$ 8.328,00. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 19 77 /2 00 5- 32 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10882.001977/200532 Acórdão n.º 2101001.920 S2C1T1 Fl. 84 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 59/63) interposto em 04 de julho de 2008 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) (fls. 47/52), do qual o Recorrente teve ciência em 16 de junho de 2008 (fl. 58), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o auto de infração de fls. 07, lavrado em 04 de outubro de 2005, em decorrência de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, verificada no anocalendário de 2002. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTO DE ALUGUÉIS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Excluemse do rendimento bruto, para efeitos tributários, as despesas relacionadas no art. 14 da Lei nº 7.739, de 16 de março de 1989, cujo ônus tenha sido exclusivamente do locador, nos valores efetivamente desembolsados, desde que comprovados por documentação idônea. Lançamento procedente em parte” (fls. 47/52). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 59/63, requerendo a reforma do acórdão recorrido para cancelar integralmente o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator. O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Inicialmente, cumpre esclarecer que o acórdão recorrido julgou procedente em parte o lançamento, excluindo dos rendimentos de aluguel auferidos pelo contribuinte o valor de R$ 4.248,75 (quatro mil, duzentos e quarenta e oito reais e setenta e cinco centavos), Fl. 92DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10882.001977/200532 Acórdão n.º 2101001.920 S2C1T1 Fl. 85 3 referente ao Imposto Predial Territorial Urbano – IPTU incidente sobre a propriedade do imóvel locado, pelo contribuinte, à Procuradoria Geral do Estado (fl. 52). Em sede recursal, reitera o Recorrente o pedido de que também seja excluído dos rendimentos de aluguel auferidos do mesmo imóvel locado à Procuradoria Geral do Estado o valor correspondente aos custos de recebimento do aluguel de tal imóvel, no total de R$ 8.328,00 (oito mil, trezentos e vinte e oito reais). Para comprovar tais despesas, traz aos autos recibos que comprovam o pagamento desses valores para o administrador do imóvel à época dos fatos, Felipe Araripe Gonçalves Torres (fls. 64/75). Nesse sentido, constituindo esses documentos prova idônea das despesas com o recebimento do aluguel, esse pedido específico do Recorrente é procedente, conforme determina o artigo 14, inciso III, da Lei 7.739/1989: “Art. 14. Não integrarão a base de cálculo para incidência do Imposto de Renda de que trata a Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, no caso de aluguéis de imóveis: (...) III as despesas pagas para cobrança ou recebimento do rendimento”. Devida, portanto, a subtração dos rendimentos auferidos pelo Recorrente do valor correspondente às despesas, comprovadas nos autos, com o recebimento dos alugueis (no total de R$ 8.328,00 – oito mil, trezentos e vinte e oito reais). Requer o Recorrente, ainda, a exclusão de 15% (quinze por cento), correspondente a R$ 5.112,50 (cinco mil, cento e doze reais e cinquenta centavos), do total dos rendimentos de aluguel auferidos da empresa ATP Tecnologia e Produtos S.A., sob a alegação de que esse percentual do aluguel foi pago pela locatária diretamente ao Sr. Maurício Gonsalves Torres, conforme o instrumento público juntando aos autos, por ocasião da apresentação da impugnação (fls. 27/29), e a DIRPF do Sr. Maurício Gonsalves Torres trazida aos autos neste momento recursal (fls. 76/80). Ocorre que o fato de o valor de R$ 5.112,50 (cinco mil, cento e doze reais e cinquenta centavos), declarado como recebido pelo Sr. Maurício Gonsalves Torres em sua DIRPF, ser coincidente com o montante que, segundo o Recorrente, referese à parcela do aluguel que é paga diretamente ao Sr. Maurício Gonsalves Torres, não é suficiente para comprovar tal alegação. Isto porque, em primeiro lugar, não há qualquer vinculação entre o documento de fls. 27/29 e eventual contrato de locação que obrigue o locatário (ATP) a fazer o pagamento diretamente ao Sr. Maurício Gonsalves Torres. Em segundo lugar, o Recorrente precisaria ter comprovado o recebimento do valor correspondente a apenas 85% (oitenta e cinco por cento) do total do aluguel acordado entre as partes. Essa prova poderia ser feita, por exemplo, por meio de extratos bancários que comprovassem o depósito desse valor reduzido em favor do Recorrente. Assim, considerando que o Recorrente comprovou as despesas tidas com a administração do imóvel locado à Procuradoria Geral do Estado e não comprovou de forma suficiente o recebimento de apenas parcela do valor do aluguel referente ao imóvel locado à empresa ATP Tecnologia e Produtos S.A., deve ser reformado o acórdão recorrido para excluir dos rendimentos tributáveis do Recorrente apenas o valor de R$ 8.328,00 (oito mil, trezentos e Fl. 93DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10882.001977/200532 Acórdão n.º 2101001.920 S2C1T1 Fl. 86 4 vinte e oito reais), correspondente às despesas com o recebimento de aluguel devidamente comprovadas. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento EM PARTE ao recurso, para excluir da base de cálculo do imposto o valor de R$ 8.328,00. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 94DF CARF MF Impresso em 14/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10950.002975/2002-67
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue May 27 00:00:00 UTC 2008
Ementa: RECOLHIMENTO EXTEMPORÂNEO DE TRIBUTO DESACOMPANHADO DE MULTA DE MORA – MULTA DE OFÍCIO ISOLADA – INAPLICABILIDADE – RETROATIVIDADE BENIGNA – Tratando-se de penalidade cuja exigência se encontra pendente de julgamento, aplica-se a legislação superveniente que venha a beneficiar o contribuinte, em respeito ao princípio da retroatividade benigna (Lei nº 11.488, de 2007, e art. 106 do CTN).
Recurso Especial do Contribuinte Provido
Numero da decisão: CSRF/04-00.903
Decisão: ACORDAM os membros da quarta turma da câmara superior de recursos fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRF- ação fiscal- ñ retenção/recolhim. (rend.trib.exclusiva)
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : RECOLHIMENTO EXTEMPORÂNEO DE TRIBUTO DESACOMPANHADO DE MULTA DE MORA – MULTA DE OFÍCIO ISOLADA – INAPLICABILIDADE – RETROATIVIDADE BENIGNA – Tratando-se de penalidade cuja exigência se encontra pendente de julgamento, aplica-se a legislação superveniente que venha a beneficiar o contribuinte, em respeito ao princípio da retroatividade benigna (Lei nº 11.488, de 2007, e art. 106 do CTN). Recurso Especial do Contribuinte Provido
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Numero do processo: 13004.000093/96-91
Data da sessão: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/1995
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS DE PRODUTORES. AQUISIÇÕES DE NÃO
CONTRIBUINTES DAS CONTRIBUIÇÕES PARA 0 PIS E A COFINS.
0 incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo
valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas
contribuições, masque, por se tratar de presunção "juris et de
jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências
ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. Os
valores correspondentes as aquisições de matérias-primas,
produtos intermediários e material de embalagem de não
contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas)
podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que
trata a Lei n.° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez.
ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC:
Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se
tratar de hipótese distinta da repetição de indébito.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: CSRF/02-03.466
Decisão: Acordam os membros do Colegiado: 1) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial quanto a matéria "aquisição de pessoas físicas". Vencidos os conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, Henrique Pinheiro Torres, Antonio Carlos Atulim,
Elias Sampaio Freire e Gilson Macedo Rosenburg Filho que davam provimento ao recurso; 2) pelo voto de qualidade em dar provimento ao recurso quanto a matéria "incidência de juros
taxa Selic sobre o ressarcimento". Vencidos os conselheiros Gileno Gurjdo Barreto (Relator), Dalton César Cordeiro de Miranda, Maria Teresa Martinez López, Leonardo Siade Manzan,
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior e Antonio Carlos Guidoni Filho que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o
Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: Gileno Gurjão Barreto
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/1995 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS DE PRODUTORES. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES DAS CONTRIBUIÇÕES PARA 0 PIS E A COFINS. 0 incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, masque, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n.° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC: Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado: 1) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial quanto a matéria "aquisição de pessoas físicas". Vencidos os conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, Henrique Pinheiro Torres, Antonio Carlos Atulim, Elias Sampaio Freire e Gilson Macedo Rosenburg Filho que davam provimento ao recurso; 2) pelo voto de qualidade em dar provimento ao recurso quanto a matéria "incidência de juros taxa Selic sobre o ressarcimento". Vencidos os conselheiros Gileno Gurjdo Barreto (Relator), Dalton César Cordeiro de Miranda, Maria Teresa Martinez López, Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior e Antonio Carlos Guidoni Filho que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2012-03-22T10:30:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2012-03-22T10:30:24Z; Last-Modified: 2012-03-22T10:30:24Z; dcterms:modified: 2012-03-22T10:30:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:77818569-a7e4-488f-b895-884f4eb1cd5f; Last-Save-Date: 2012-03-22T10:30:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2012-03-22T10:30:24Z; meta:save-date: 2012-03-22T10:30:24Z; pdf:encrypted: false; modified: 2012-03-22T10:30:24Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2012-03-22T10:30:24Z; created: 2012-03-22T10:30:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2012-03-22T10:30:24Z; pdf:charsPerPage: 1896; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2012-03-22T10:30:24Z | Conteúdo => CSRF/T02 Fls. 476 MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA TURMA Processo n° Recurso n° Matéria Acórdão n° Sessão de Recorrente Interessado 13004.000093/96-91 201-118.765 Especial do Procurador IP I - Ressarcimento 02-03.466 01 de setembro de 2008 FAZENDA NACIONAL CARGIL AGRÍCOLA S.A. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/1995 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS DE PRODUTORES. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES DAS CONTRIBUIÇÕES PARA 0 PIS E A COFINS. 0 incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, masque, por se tratar de presunção "flirts et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas fisicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n.° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC: Incabível a atualização do ressarcimento pela taxa Selic, por se tratar de hipótese distinta da repetição de indébito. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: 1) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial quanto a matéria "aquisição de pessoas fisicas". Vencidos os conselheiros Josefa Maria Coelho Marques, Henrique Pinheiro Torres, Antonio Carlos Atulim, Elias Sampaio Freire e Gilson Macedo Rosenburg Filho que davam provimento ao recurso; 2) 1 pelo voto de qualidade em dar provimento ao recurso quanto a matéria "incidência de juros taxa Selic sobre o ressarcimento". Vencidos os conselheiros Gileno Gurjdo Barreto (Relator), Dalton César Cordeiro de Miranda, Maria Teresa Martinez López, Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior e Antonio Carlos Guidoni Filho que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. Anto d raga - Pre, ide te ,dior G 1 e>, eto - Relator 400.sparsf// ilson Ma -do • osenbuOr ilho - Redator Designado , Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Praga, Antonio Carlos Gui'doni Filho, Josefa Maria Coelho Marques, Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martinez Lopez, Antonio Carlos Atulim, Gileno Gurjdo Barreto, Júlio César Vieira Gomes, Leonardo Siade Manzan, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório Por bem descrever os atos praticados no presente feito, adoto como parte do relatório aquele constante da r. decisão recorrida, a seguir transcrito em sua inteireza: "0 interessado solicitou ressarcimento de crédito presumido de IPI, instituído pela Medida Provisória n." 948, de 23/03/1995, posteriormente convertida na Lei n.° 9.363, de 13/12/1996, referente ao ano- calendário de 1995, conforme pedido de fls. 1, no valor de R$ 758.120,58, retificado para R$ 823.961,77, mediante inclusão das operações efetuadas em dezembro de 1995 (fls. 37 e 38), que não constavam no pedido inicial. 2. A DRF em Porto Alegre efetuou verificacdo fiscal prévia para comprovar a legitimidade do crédito pretendido. Para tanto, foram solicitados esclarecimentos e documentos da escrita fiscal do interessado, sendo também intimadas as cooperativas com as quais realizou transações no período, para que estas relacionassem dados relativos as operações efetivadas, informando se houve incidência de PIS e Cofins e indicando os percentuais mensais de operações atípicas, conforme documentos de fls. 123 a 299. 3. A fiscalização concluiu que o estabelecimento requerente não se enquadra na condição de produtor exportador, nos termos do art. I" da MP n." 948/1995 (art. 1 °da Lei n.° 9.363/1996), sendo um escritório dentro da empresa Olvebra Industrial S.A., em Eldorado do Sul/RS, não possuindo parque industrial. 0 requerente adquire soja em grãos de produtores rurais, cooperativas e empresas comerciais, e remete para a empresa Bianchini S.A. Indústria Comércio e Agricultura, em 2 Processo n° 13004.000093/96-91 Acórdão n.° 02-03.466 Rio Grande/RS, que produz o óleo de soja bruto degomado e o farelo de soja exportados diretamente do estabelecimento executor da encomenda (fls. 324, item 11). 4. Não obstante, pedido foi analisado, tendo a fiscalização constatado que, caso o contribuinte fizesse jus ao beneficio, o crédito pretendido totalizaria apenas R$ 225.672,36 (fls. 324), tendo em vista a inclusão indevida dos seguintes valores na base de cálculo do beneficio: a) aquisições de insumos (soja) efetuadas de produtores — pessoas fisicas — portanto, não contribuintes de PIS e Cofins, e de cooperativas, nas hipóteses de "operações tipicas", ou seja, aquelas operações em que o produto comercializado foi fornecido por associados, não sofrendo, por isso, a incidência de PIS e Cofins, conforme disposto nas Leis Complementares n.' 007/1970 e 70/1 991, que tratam das aludidas contribuições; b) insumos recebidos da filial de Porto Alegre, mediante transferência, e que também foram adquiridos de cooperativas, nas condições descritas no item acima. 5. Ern decorrência, o Delegado da Receita Federal em Porto Alegre indeferiu o pedido, conforme despacho de fls. 331. IMPUGNAÇÃO 6. Foi apresentada impugnação tempestiva (fls. 335 a 341), onde o contribuinte alega, em síntese: a) preliminarmente, que adquire a matéria-prima no mercado interno, manda industrializar por terceiro e posteriormente exporta o produto acabado, sendo empresa comercial equiparada a industrial, por força do disposto no art. 9°, inc. IV, do Decreto n.° 87.981, de 23/12/1982 (RIPI/1982), legislação que deverá ser utilizada subsidiariamente para determinar o conceito de produção, à vista do art. 3°, parágrafo único da Lei no 9.363/1993; b) não teria amparo o entendimento da fiscalização quanto a exclusão das aquisições de produtores rurais pessoas fisicas e cooperativas, uma vez que o legislador fixou que sobre a. base de cálculo do crédito presumido (valor das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem aplicado em produtos exportado deve ser aplicada a aliquota de 5,37%, que corresponde a duas incidências de PIS e Cofins (2,65% x 2,65%), independente de quantas tenham sido as efetivas incidências dessas contribuições sobre referidos insumos e o valor correspondente, sendo como o nome já diz, um crédito presumido, além do que todos os insumos utilizados pelo produtor rural na atividade agrícola teriam sofrido a incidência dessas contribuições; c) pelos mesmos motivos, não haveria base legal para a exclusão das transferências de matérias-primas adquiridas de cooperativas; d) finalizando, requer que seja reconhecido o direito ao ressarcimento, no valor pleiteado, acrescido de juros calculados pela variação da taxa SELIC, nos termos do art. 66 da Lei no 8.383/1991 c/c art. 39, ,sç 4°, da CSRF/T02 Fls. 477 Lei n."9.250/1995, bem como a produção de todos os meios de prova admitidos, especialmente perícia e juntada de documentos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre — RS, em preliminar, albergou as considerações acerca da equiparação da requerente a empresa industrial, ex vi do artigo 90, IV, do Decreto 87.981, de 23/12/1982, reconhecendo-lhe o direito de pleitear o ressarcimento ora em questão, sem prejuízo dos requisitos que deve obedecer para tanto. No tocante as aquisições de matérias-primas de pessoas fisicas e cooperativas, afirmou não ser possível a sua inclusão na base de cálculo do ressarcimento, como também os valores referentes as transferencias de outros estabelecimentos da empresa, que também tenham sido adquiridos de pessoas fisicas e cooperativas. Quanto ao pedido da incidência de juros com base na Taxa SELIC, assinalou não existir previsão legal que ampare o pleito, não se aplicando aos ressarcimentos a norma do artigo 66, § 30, da Lei n.° 8.383/91. Ao final, concluiu pelo deferimento em parte da solicitação apresentada. Irresignada com a manifestação do julgador de primeira instância, a interessada, tempestivamente, interpôs recurso voluntário, onde repisa as considerações de defesa expendidas na impugnação, no sentido de ser pertinente a inclusão dos valores referentes ás aquisições de matérias-primas de pessoas físicas e cooperativas, tanto para os insumos adquiridos diretamente ou por meio de transferência de outros estabelecimentos da empresa, e quanto à pertinência da aplicação da Taxa SELIC a espécie. Ao final, requer a reforma da decisão a quo, incluindo-se no cálculo do incentivo os valores relativos as matérias-primas adquiridas de produtores rurais, pessoas físicas e cooperativas, computando-se ainda as transferências de outro estabelecimento da empresa, acrescido da Taxa SELIC, desde a data da protocoliza0o do pedido até o seu efetivo pagamento. " (original sem destaque) A decisão recorrida deu provimento integral ao recurso voluntário. Em 27 de março 2006, tempestivamente, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial dirigido a Camara Superior de Recursos Fiscais, alegando contrariedade a lei quanto ao entendimento firmado no r. acórdão atacado, no tocante à inclusão na base de calculo do crédito presumido de IPI, dos valores das aquisições efetuadas de não contribuintes (pessoas fisicas e cooperativas) do PIS e da COFINS; bem como no que se refere à aplicação da Taxa SELIC sobre os indébitos tributários. Intimada em 11 de maio de 2006, a contribuinte apresentou suas contra-razões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, tempestivamente, em 16 de maio de 2006. o relatório. 4 Processo n° 13004.000093/96-91 Acórdão n.° 02-03.466 CSRF/T02 Fls. 478 Voto Vencido Conselheiro Gileno Gurjdo Barreto, Relator 0 Recurso Especial foi recebido em parte pelo Presidente da 2' Camara do 2° Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, através do Despacho n.° 202-00.111, de 29 de junho de 2004 (fls. 447/449), que, em decisão fundamentada, julgou a admissibilidade do recurso. Devidamente intimada do Despacho n.° 202-00.111, de 29 de junho de 2004 (fls. 447/449), por meio de carta com aviso de recebimento — A.R., em 11 de maio de 2006 (fls. 457.v.), a contribuinte apresentou suas contra-razões ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, tempestivamente, em 16 de maio de 2006. Presentes estão os pressupostos de admissibilidade do art. 32, I, e 33, capuz' e § 1°, ambos do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, pelo que passo a analisar o recurso interposto. I — CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI: Dentre as matérias controversas trazidas à baila, a presente diz respeito a aquisições feitas pela empresa, ora recorrente, frente a pessoas fisicas e cooperativas de produtores, cujo objetivo é o levantamento do crédito presumido de IPI e a apuração saldo suficiente de crédito presumido do referido imposto, visando ao ressarcimento. Tal matéria encontra-se disciplinada nos arts. 1 2 e 22 da Lei n.° 9.363, de 13/12/96, transcritos a seguir: "Artigo 1". A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares n.s. 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação para o exterior. Artigo 2". A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias- primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente a relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador." (grifos nossos) Cabe ter presente que a apuração do crédito presumido de IPI está associada quantificação dos créditos gerados pelas aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem. 5 \ Nesse exame é possível asseverar que boa parte da aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem deve integrar a apuração do crédito presumido de IPI. Dessa forma, não é possível limitar ou selecionar as aquisições (valores) das demais matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagens que seriam passíveis de integrar o levantamento do crédito presumido de IPI, porquanto tal posicionamento configuraria postura contrária A. lei. Além disso, a questão sob exame conta com posicionamento sedimentado da Câmara Superior de Recursos Fiscais, segundo observa-se dos seguintes julgados: "IPI - CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO - I) AQUISIÇÕES DE PESSOAS FiSICAS - A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 1' da Lei n.° 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente a relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador (art. 2" da Lei n." 9.363/96). A lei citada refere-se a 'valor total' e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas SRF n. °s 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei n." 9.363, de 13.12.96, ao estabelecerem que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação ás aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas its Contribuições ao PIS/PASEP e a COFINS (IN SRF n.° 23/97), bem como que as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN SRF n." 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. 2) EXPORTAÇÕES ATRAVÉS DE EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS - Estando em pleno vigor, no ano de 1996, os artigos 1' e 3" do Decreto-Lei n." 1.248, de 29.11.72, são assegurados ao produtor-vendedor os beneficios fiscais concedidos por lei para incentivo a exportação nas vendas a empresas comerciais exportadoras destinadas a exportação. 3) TAXA SELIC - NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁ RIO - Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, § 40, da Lei n." 9.250/95, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Camara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão CSRF/02-0.708, de 04.06.98, além do que, tendo o Decreto n.°2.138/97 tratado de restituição e ressarcimento da mesma maneira, a referida taxa incidirá, também, sobre o ressarcimento. Recurso provido." (12 Câmara, Recurso n." 110.657, Processo n." 10675.000979/97-61; julgado em 17/04/2001; rel. Conselheiro Serafim Fernandes Correa, Acórdão n." 201-74.438) "IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI). RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO PIS/COFINS. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RECONHECIMENTO. A receita, inclusive de exportação, deve ser reconhecida quando da tradição do bem exportado, que se dá apenas quando da entrega do bem pelo vendedor exportador ao comprador estrangeiro, conforme a modalidade de exportação contratada, e não quando da celebração de dito contrato e da emissão da correspondente nota fiscal. 6 Processo n° 13004.000093/96-91 Acórdão n.° 02-03.466 CSRF/T02 Fls. 479 AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. Incluem-se na base de cálculo do crédito presumido as aquisições feitas de não contribuintes das contribuições para o PIS e da COFINS. Recurso a que se nega provimento." (Acórdão CSRF/02-01.250, 2 2 Turma, relator Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Recurso n." 110.146, Processo n." 10945.008246/97-56, sessão: 27/01/2003) Adoto a orientação como parâmetro decisório, salientando que também o STJ enfrentou a matéria, tendo sedimentado entendimento em sentido idêntico: "TRIBUTÁRIO - CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI - AQUISIÇÃO DE MATÉRIAS-PRIMAS E INS UMOS DE PESSOA FÍSICA - LEI 9.363/96 E IN/SRF 23/97 - LEGALIDADE. 1. A IN/SRF 23/97 extrapolou a regra prevista no art. 1 0, da Lei 9.363/96 ao excluir da base de cálculo do beneficio do crédito presumido do IPI as aquisições, relativamente aos produtos da atividade rural, de matéria-prima e de insumos de pessoas físicas, que, naturalmente, não são contribuintes diretos do PIS/PASEP e da COFINS. 2. Entendimento que se baseia nas seguintes premissas: a) a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtor-exportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição; b) o Decreto 2.367/98 - Regulamento do IPI -, posterior a Lei 9.363/96, não fez restrição as aquisições de produtos rurais; c) a base cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2°), sem condicionantes. 3. Regra que tentou resgatar exigência prevista na MP 674/94 quanto a apresentação das guias de recolhimentos das contribuições do PIS e da COFINS, mas que, diante de sua caducidade, não foi renovada pela MP 948/95 e nem na Lei 9.363/96. 4. Recurso especial improvido." (REsp n." 586.392/RN, rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19/10/2004, DJ de 06/12/2004, p. 259) Assim, o direito credit6rio de que a contribuinte se diz detentora e sobre o qual argumenta, decorre do pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, do qual, pelos fundamentos aqui expostos, encontram pleno respaldo na legislação. H — SELIC: Com relação a aplicação da taxa SELIC, adoto o entendimento de que deve ser a mesma deferida a partir do protocolo do pedido de ressarcimento. A Lei n.° 9.250/95, estabeleceu a possibilidade de atualização monetária das compensações e/ou restituições pela taxa SELIC, conforme disposto em seu art.39, verbum ad verbum: "Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei n." 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei n." 7 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. § 4". A partir de 1" de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIG' para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada." (original sem destaque) Adicionalmente, a Portaria n.° 38, de 27/02/97, que "dispõe sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei n.° 9.363, de 13 de dezembro de 1996", estabeleceu em seus arts. 5° e 8°, que: "Art. 5" - A empresa comercial exportadora que, no prazo de 180 ( cento e oitenta) dias, contado da data da emissão da nota fiscal de venda pela empresa produtora, não houver efetuado a exportação dos produtos para o exterior, fica obrigado ao pagamento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS relativamente aos produtos adquiridos e não exportados, bem assim de valor equivalente ao do crédito presumido atribuído à empresa produtora vendedora. Art. 8" - Os valores a que se referem o caput e o parágrafo 1" do art. 5", quando não forem pagos no prazo previsto no parágrafo 2° do mesmo artigo, serão acrescidos, com base no art. 61 da Lei n." 9.430, de 27 de dezembro de 1996, de multa de mora e de juros equivalentes a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao da emissão da nota fiscal de venda dos produtos, pela empresa produtora vendedora, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (original sem destaque) Uma vez que a legislação trata da possibilidade de atualização em casos de compensação ou restituição e o contribuinte deu entrada em pedido de ressarcimento, o meu entendimento, também adotado pela Camara Superior de Recursos Fiscais através do acórdão n.° CSRF/02-0.708, é o de que o ressarcimento é uma espécie do gênero restituição. Desta forma, não restam dúvidas quanto a possibilidade de utilização da taxa SELIC a partir da data em que é feito o pedido de ressarcimento. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. 8 Processo n° 13004.000093/96-91 Acórdão n.° 02-03.466 CSRF/T02 Fls. 480 Voto Vencedor Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Redator Designado A discordância em relação ao voto do ilustre relator restringe-se na possibilidade da incidência da taxa SELIC no ressarcimento de IPI. Preliminarmente, calha de pronto observar, neste voto, que diferentes são as figuras do ressarcimento e da restituição. A restituição é a repetição de um indébito. Decorre de pagamento indevido ou a maior que o devido. Já o ressarcimento não está vinculado a qualquer pagamento indevido, mas decorre de concessão legal. Sobretudo, não se pode olvidar que o direito subjetivo ao ressarcimento somente é constituído com o advento do despacho da autoridade competente, em oposição ao que ocorre com a repetição do indébito, em que o direito de repetir já nasce imediatamente com o pagamento indevido ou a maior, independentemente de qualquer ato da autoridade administrativa. Nesta linha, fica evidente existir duas figuras que não se confundem: restituição por pagamento indevido ou a maior do que o devido (repetição de indébito); e ressarcimento, previsto em lei concessiva. É certo que restituição e ressarcimento compartilham alguns aspectos, como o de ser ambos passíveis de satisfação em dinheiro ou mediante compensação, mas de nenhum modo ressarcimento é espécie do gênero restituição, sendo vejamos: 0 art. 66 da Lei no 8.383/91, assim dispõe: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes. § 1° A compensa cão só poderá ser efetuada entre tributos e contribuições da mesma espécie. § 2° É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3° A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do imposto ou contribuição corrigido monetariamente com base na variação da Ufir. sç 4 0 0 Departamento da Receita Federal e o Instituto Seguro Social (INSS) expedirão as instruções n cumprimento do disposto neste artigo. Nacional do sárias ao Tratando-se de ressarcimento de créditos de IPI, cons ,tancia-se em mera liberalidade do sujeito ativo do tributo que, ao concedê-lo, decidiu o sem a aplicação de Este dispositivo teve sua redação alterada pelo art. 58 da Lei no 9.069, de 29/06/95, verbis: Art. 58. 0 inciso III do art. 10 e o art. 66 da Lei le 8.383, de 30 de dezembro de 1991, passam a vigorar com a seguinte redação: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1" A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. § 2" E. facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3" A compensa cão ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. § 4" As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da Unido e o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo." Já o art. 39 da Lei no 9.250/95, estabelece que: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei n°8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei n°9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. § 1" (VETADO) § 2° (VETADO) § 3 0 (VETADO) § 4" A partir de I" de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Conforme se pode verificar, todos os dispositivos legais acima se referem compensação ou restituição, que são espécies do gênero repetição de indébito. Portanto, é lógico inferir que a restituição e a compensação pressupõem a existência de um pagamento anterior efetuado pelo sujeito passivo, pagamento este indevido ou efetuado em montante maior do que o que seria devido. Ora, no caso dos autos o crédito não se originou de nenhum indébito tributário. 10 Processo n° 13004.000093/96-91 Acórdão n.° 02-03.466 CS RF/T02 Fls. 481 correção monetária ou de juros, dado o silêncio das normas especificas que regem a espécie e da referência efetuada tão-somente em relação 6. repetição de indébito, nas normas acima transcritas. Inaplicável, portanto, o Parecer AGU no 01/96, visto que só se referiu A repetição de indébito. Na verdade, o argumento em sentido contrário invoca a aplicação analógica da lei, o que significa admitir a existência de uma lacuna que deveria ser resolvida por aquela técnica de integração. 0 art. 108 do CTN estabelece que as formas de integração das lacunas na legislação tributária são a analogia, os princípios gerais de direito tributário, os princípios gerais de direito público e a eqüidade, os quais devem ser aplicados sucessivamente e na ordem indicada na lex legum. Leciona Maria Helena Diniz que: A analogia é, portanto, um método quase-lógico que descobre a norma implícita existente na ordem jurídica. É tão-somente um processo revelador de normas implícitas. Requer a aplicação analógica que: 1) o caso sub judice não esteja previsto em norma jurídica; 2) o caso não contemplado tenha com o previsto, pelo menos, uma relação de semelhança; 3) o elemento de identidade entre eles não seja qualquer um, mas sim essencial, ou seja, deve haver verdadeira semelhança e a mesma razão entre ambos. (in: Curso de Direito Civil Brasileiro. Vol. 1. São Paulo: Saraiva, 10" ed., 1994, pp.54/55) Ora, no caso dos autos o terceiro requisito para aplicação analógica da lei não restou caracterizado porque os fundamentos, os motivos, ou seja, as razões que fundamentam os institutos do ressarcimento e da repetição do indébito são totalmente distintas. No caso da repetição de indébito, a devolução das importâncias se assenta na preexistência de um pagamento indevido, cuja devolução é reclamada com base no principio geral de direito que veda o locupletamento sem causa. Já no caso de ressarcimento de créditos incentivados, o pagamento efetuado pelo sujeito passivo era devido, mas a devolução das quantias se assenta única e exclusivamente na renúncia unilateral de valores que foram licitamente recebidos pelo sujeito ativo do tributo. Como se vê, nos dois casos ocorrem devoluções de quantias ao contribuinte, mas estas devoluções ocorrem por razões distintas. A finalidade do ressarcimento é produzir uma situação de vantagem para determinados contribuintes que atendam a certos requisitos fixados em lei, para incrementar as respectivas atividades; enquanto que a finalidade da repetição do indébito é prestigiar o principio que veda o enriquecimento sem causa. Nesse passo, não há como conceder o ressarcimento de créditos originados de incentivo fiscal com fundamento nos princípios da isonomia, da finali ade e da repulsa ao enriquecimento sem causa, porque os dois institutos não apresentam a m ma ratio. A' Acrescente-se a tudo isso que o art. 3o, II, da Lei no 8.748/93, estabeleceu expressamente distinção entre repetição de indébito e ressarcimento de créditos de IPI, o que torna ilegal a aplicação de qualquer acréscimo ao ressarcimento. Do mesmo modo, não há como fundamentar tal concessão com base na demora da apreciação dos processos pela Receita Federal. Não há que se falar em desvalorização do valor a ser ressarcido, mesmo porque o ambiente de ampla correção monetária que vigia no passado foi abolido pelo Legislador. Com efeito, o mundo jurídico aboliu e repudiou o sistema geral de indexação da economia, através da aprovação das normas legais que consolidaram o Plano Real, inexistindo atualmente previsão de atualização monetária tanto para caso de ressarcimento como para caso de restituição. A Taxa Selic 6, isto sim, a expressão numérica dos juros. Não se trata de atualização monetária. Juros, por sua vez, é um acréscimo ao principal, é um plus que inclusive se caracteriza como renda para aquele que o aufere. Ora, o Estado não pode pagar rendimentos — na forma de Taxa Selic, vale dizer, de juros — sem previsão legal, mormente quando o que seria o valor principal (ressarcimento) 6, ele próprio, dependente de lei concessiva. cediço que a regra plasmada no art. 49 da Lei no 9.784, de 29/01/1999, sugere que a Administração tem até 60 dias para decidir o processo, a partir do encerramento da instrução (e não da data de seu protocolo). Entretanto, se a Administração não se desincumbir de seu dever legal, o remédio adequado para sanar a omissão não é a aplicação de correção monetária ou de juros de mora, mas sim a ação judicial que o contribuinte entender cabível para constranger a Administração a se manifestar. Nesse contexto, inadmissível pensar na aplicação da Taxa Selic como um meio de reposição do valor real da moeda. Em / fac xpost , dou pro ao recurso da Fazenda Nacional. 11017, 4/4 on Maced e • e eneurg Filho 12
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Numero do processo: 16327.001471/2004-24
Data da sessão: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jul 28 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
JUROS DE MORA - TAXA SELIC
O acolhimento das alegações sobre a taxa SELIC implicaria no afastamento de norma legal vigente (art. 61 da Lei 9.430/96), e falece a esse órgão de julgamento administrativo competência para provimento dessa natureza, que está a cargo do Poder Judiciário, exclusivamente.
Numero da decisão: 1802-000.089
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Jose de Oliveira Ferraz Correa
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Processo n° 16327.001471/2004-24 Recurso n° 162.295 Voluntário Acórdão n° 1802-00.089 — 2' Turma Especial Sessão de 28 de julho de 2009 Matéria IRPJ Recorrente LEASING BMC S.A. ARRENDAMENTO MERCANTIL Recorrida 8a TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP I Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 JUROS DE MORA - TAXA SELIC O acolhimento das alegações sobre a taxa SELIC implicaria no afastamento de norma legal vigente (art. 61 da Lei 9.430/96), e falece a esse órgão de julgamento administrativo competência para provimento dessa natureza, que está a cargo do Poder Judiciário, exclusivamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. E - • ., ' oj --0C- lo r " • el • 'residente-.o— /2— JF DE OLIVE4 ERF1AZ CO r a ^ A — Relator EDITADO EM f 27 AGO 2009 Participaram da sessão e julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), Leonardo Lobo de Almeida, Décio Lima Jardim (Suplente Convocado), Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e João Francisco Bianco. i Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP I, que considerou parcialmente procedente o auto de infração relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, fls. 85 a 89, no valor total de R$ 241.948,82, nele incluídos os juros moratórios calculados até 30/09/2004. De acordo com a autoridade fiscal, a pessoa jurídica autuada impetrou o Mandado de Segurança n° 1999.61.00.005608-12 para deduzir a despesa relativa à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido - CSLL na apuração do lucro real do ano-calendário de 1999, tendo recebido liminar favorável, e, posteriormente, sentença denegatória, cuja apelação foi recebida apenas no efeito devolutivo. Em seguida, no dia 20/04/2004, a contribuinte efetuou depósito judicial no montante de R$ 233.292,02, composto pela rubrica principal no valor de R$ 133.799,05 e pelos juros SELIC no valor de R$ 99.492,96. Deste modo, visando evitar a decadência, foi realizado o lançamento do crédito tributário em questão, com a exigibilidade suspensa. E por força do art. 63 da Lei 9.430/1996, não houve o lançamento da multa de oficio. Instaurado o contencioso, a contribuinte alegou em sua impugnação de fls. 92 a 98 que não seria cabível a exigência de acréscimo moratório após a realização do depósito judicial, consoante estabelece o Parecer COSIT n° 03/2001 e as decisões do Primeiro e Segundo Conselho de Contribuintes, cujas ementas transcreveu. Além disso, argumentou que a taxa SELIC não poderia ser utilizada para o cálculo dos juros moratórios, porque além de ser uma figura híbrida, composta de correção monetária, juros e valores correspondentes à remuneração de serviços das instituições financeiras, é fixada unilateralmente por órgão do Poder Executivo e, ainda, extrapola em muito o percentual de 1% previsto no artigo 161 do CTN, como vem reconhecendo o Superior Tribunal de Justiça. Conforme mencionado, a DRJ São Paulo/SP I, em 28/06/2007, ao proferir o Acórdão n° 16-13.921 (fls. 140 a 145), considerou parcialmente procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 AUTO DE INFRAÇÃO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO INTEGRAL. JUROS MORATORIOS. INEIGGIBILIDADE No lançamento para prevenir a decadência efetuado no curso de processo judicial, é incabível a exigência de juros moratórios a partir da data da efetivação do depósito do crédito em seu montante integral. TAXA SELIC. INVALIDADE. FALTA DE COMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. f"-'2 Processo n°16327.001471/2004-24 81-TE02 Acórdão n.° 1802-00.089 E. 2 Foge à competência da instância julgadora administrativa apreciar a validade de norma de lei que determina a aplicação da Taxa Selic no cômputo de juros moratórias, vez que na ordem jurídica vigente tal exame é de atribuição exclusiva do Poder Judiciário. À autoridade julgadora administrativa compete apenas aplicar as normas legais aos casos concretos, falecendo- lhe poderes para afastá-la. Lançamento Procedente em Pane" Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 23/07/2007, a contribuinte apresentou em 09/08/20070 recurso voluntário de fls. 151 a 155, com os seguintes argumentos: - a taxa SELIC, na forma como calculada, jamais poderia ser utilizada como "juros moratórios", uma vez que possui natureza juridicamente diversa, qual seja, a de juros remuneratórios; - a taxa SELIC não foi criada por lei, o que ofende o princípio constitucional da legalidade, bem como o disposto no art. 161, parágrafo primeiro, do Código Tributário Nacional; - a Lei 9.430/1996 não traz nenhuma definição do que venha a ser a taxa SELIC, mas apenas disciplina como deve ser o seu uso, o que, certamente, é fato bem diferente; - como não existe lei ordinária que tenha criado a taxa SELIC, deveria ser aplicada, a título de juros de mora, a taxa prevista no CTN, de 1% ao mês; - a inconstitucionalidade da taxa SELIC foi reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça. Quanto ao mérito da autuação, ou seja, o direito de deduzir na apuração do IRPJ a despesa relativa à CSLL, a recorrente deixou de apresentar quaisquer alegações, uma vez que essa matéria já está sob o crivo do Poder Judiciário, a quem caberá a apreciação definitiva da questão. Este é o Relatório. (3 Voto Conselheiro JOSÉ DE OLIVEIRA FERRAZ CORRÊA, Relator O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme o relatório, trata-se de lançamento para evitar a decadência de crédito tributário que está sendo discutido judicialmente, por meio do Mandado de Segurança n° 1999.61.00.005608-12. A questão principal acerca desse crédito tributário diz respeito à possibilidade ou não de deduzir a despesa a título de CSLL na apuração do lucro real, para fins do cálculo do IRPJ, e sua solução se dará no âmbito do referido processo judicial. Neste processo administrativo, a controvérsia envolve apenas os juros moratórios, que serão exigidos caso a rubrica principal (IRPJ) seja reconhecida como devida pelo Poder Judiciário. Deste modo, no que toca às alegações da Recorrente acerca da taxa SELIC, cujo acolhimento implicaria no afastamento de norma legal vigente (art. 61 da Lei 9.430/1996), cabe ressaltar que falece a esse órgão de julgamento administrativo competência para provimento dessa natureza. Oportuno lembrar que apenas de modo excepcional, havendo prévia decisão por parte do Supremo Tribunal Federal, e cumpridos os requisitos do Decreto n° 2.346/97 ou do art. 103-A da Constituição, o que não ocorre no presente caso, é que a Administração Pública deixaria de aplicar a referida norma legal. O art. 161, "caput", da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, estabelece que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora... ", e no seu parágrafo primeiro determina que se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. Portanto, a taxa de juros de mora a ser exigida sobre os débitos fiscais de qualquer natureza para com a Fazenda Pública pode ser definida em percentual diferente de 1%, bastando que uma lei ordinária assim determine. Neste contexto, o artigo 61 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, introduziu a seguinte prescrição: "Artigo 61 — Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria de Receita Federal cujos fatos geradores ocorrerem a partir de I° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento." 4 Processo r • 16327.001471/2004-24 SI -TE02 Acórdão n.• 1802-00.089 Fl. 3 E o § 3° do art. 5° da Lei n°9.430/1996, por sua vez, asseverou que: ",sç 3° As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento." Assim, incumbe a esse Órgão julgador cumprir a norma legal que se encontra em pleno vigor, aplicando-a às situações concretamente verificadas, não lhe cabendo a apreciação de inconstitucionalidade ou ilegalidade da taxa SELIC. Apenas vale frisar que essa mesma taxa de juros é garantida aos contribuintes nos casos de restituição de indébitos. O tratamento, portanto, é isonômico, ou seja, tanto vale para a cobrança, quanto para a devolução de valores, o que reforça a justeza de sua aplicação. Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. DE OLIVEIRA FERRAZ CORRÊA
score : 1.0
Numero do processo: 13631.000170/2001-07
Data da sessão: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2008
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/10/2000 a 31/12/2000
IPI. RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. CONCESSÃO DE OFICIO.
IMPOSSIBILIDADE.
Não se tratando de correção monetária, mas de juros compensatórios, não é possível a concessão de oficio, por extrapolar os limites da lide, da incidência dos juros Selic sobre o ressarcimento de IPI.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/10/2000 a 31/12/2000
IPI. RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. NÃO INCIDÊNCIA.
Inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto de ressarcimento.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: CSRF/02-03.494
Decisão: Acordam os membros da Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez Lopez, Gileno Gurjão Barreto e Antonio Carlos Guidoni Filho que negaram provimento ao recurso. Os Conselheiros Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e
Manoel Coelho Arruda Junior (Substituto convocado) acompanharam o Conselheiro Relator pelas suas conclusões.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: VAGO
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/10/2000 a 31/12/2000 IPI. RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. CONCESSÃO DE OFICIO. IMPOSSIBILIDADE. Não se tratando de correção monetária, mas de juros compensatórios, não é possível a concessão de oficio, por extrapolar os limites da lide, da incidência dos juros Selic sobre o ressarcimento de IPI. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/10/2000 a 31/12/2000 IPI. RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. NÃO INCIDÊNCIA. Inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto de ressarcimento. Recurso Especial do Procurador Provido
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CSRF-T2 Fl. 192 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 'k:',--,', .,,; -----:;!,6' CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 13631.000170/2001-07 Recurso n° 203-130279 Especial do Procurador Acórdão n° 02-03.494 — 2 Turma Sessão de 2 de setembro de 2008 Matéria RESSARCIMENTO DE IPI Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SABOR COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/10/2000 a 31/12/2000 IPI. RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. CONCESSÃO DE OFICIO. IMPOSSIBILIDADE. Não se tratando de correção monetária, mas de juros compensatórios, não é possível a concessão de oficio, por extrapolar os limites da lide, da incidência dos juros Selic sobre o ressarcimento de IPI. - ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/10/2000 a 31/12/2000 IPI. RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. NÃO INCIDÊNCIA. Inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto de ressarcimento. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez Lopez, Gileno Gurjão Barreto e Antonio Carlos Guidoni Filho que negaram provimento ao recurso. Os Conselheiros Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Manoel Coelho Arruda Junior (Substituto convocado) acompanharam o Conselheiro Relator pelas suas conclus-es. Antonio P ga - Presídente 4,---,)-eik, aitoix-i,(\_c-L jiLjzcRY•tm .. _ losefa Maria Coelho Marques - Relatora i _ Editado em: 17/06/2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Antonio Praga (Presidente da CSRF), Antonio Carlos Guidoni Filho (substituto do vice-presidente da CSRF), Josefa Maria Coelho Marques, Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martinez Lopez, Antonio Carlos Atulim, Gileno Gurjão Barreto, Júlio César Vieira Gomes, Leonardo Siade Manzan, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado). Relatório Trata-se de recurso do Procurador (fls. 175 a 181) apresentado em 7 de fevereiro de 2007 contra o Acórdão n°203-11.389 (fls. 170 a 173), de 18 de outubro de 2006, da 3 Câmara do 2° Conselho de Contribuintes, que, relativamente a pedido de ressarcimento de créditos do IPI, deu provimento ao recurso voluntário da Interessada, nos seguintes termos: "IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO ORIUNDOS DE MATÉRIA PRIMA, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS E MATERIAL DE EMBALAGEM NECESSIDADE DO INSUMO SER APLICADO NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTO. Para o ressarcimento de créditos oriundos da aquisição de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem, é necessário que tais insumos tenham sido aplicados na industrialização de produto e não simplesmente revendido. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. A restituição é espécie do gênero ressarcimento. Havendo previsão legal para correção monetária, pela Taxa Selic no gênero (Ressarcimento), não há que se negar a mesma regra para a espécie (restituição) CORREÇÃO MONETA' RIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. DEFERIMENTO EX OFFICIO. Sendo a correção monetária questão de ordem pública, pode a Câmara a deferir ex officio, sem a provocação da parte no Recurso Voluntário. Recurso provido em parte." No recurso, admitido pelo despacho de fls. 182 e 183, alegou que não haveria previsão legal para os juros, no caso de ressarcimento de IPI. Ademais, o acórdão teria desrespeitado a legislação tributária, em razão de haver equiparado ressarcimento de créditos de IPI a restituição de indébitos, figuras que não se confundiriam. Ao final, pediu para que fosse reconhecida a não incidência dos juros Selic no caso de ressarcimento de créditos de IPI; para se determinar a incidência dos juros em 2 Processo n° 13631.000170/2001-07 CSRF-T2 Acórdão n.° 02-03.494 Fl. 193 momento posterior à protocolização do pedido; e para se reconhecer a impossibilidade de deferimento de matéria não objeto de pedido expresso do contribuinte. Regulamente intimada, a Interessada não apresentou contra-razões. É o relatório. Voto Conselheira Josefa Maria Coelho Marques, Relatora O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendo-se tomar conhecimento. Inicialmente cabe esclarecer que a incidência dos juros não foi objeto do pedido, tendo a Câmara a concedido de oficio sob o fundamento de que se trataria de matéria de ordem pública. Entretanto, como se verá mais adiante, a natureza legal dos juros Selic é de juros compensatórios e não de correção monetária, não se podendo invocar sequer a desnecessidade de lei para prever a "simples" atualização dos valores devidos. Não bastasse isso, tratando-se da incidência de juros Selic sobre o valor do ressarcimento, deve-se notar que tanto o art. 66 da Lei n2 8.383, de 1991, quanto o art. 74 da Lei ri2 9.430, de 1996, referem-se à possibilidade de compensação, relativamente a tributos e contribuições pagos indevidamente ou a maior. A possibilidade de compensação relativa aos valores objeto de ressarcimento de IPI não foi inicialmente aventada pela Portaria MF n 2 38, de 1997, conforme demonstra a reprodução do seu art. 42: "Art. 4° O crédito presumido será utilizado pelo estabelecimento produtor exportador para compensação com o IPI devido nas vendas para o mercado interno, relativo a períodos de apuração subseqüentes ao mês a que se referir o crédito. § 1° Na hipótese da apuração centralizada, o crédito presumido, apurado pelo estabelecimento matriz, que não for por ele utilizado, poderá ser transferido para qualquer outro estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o IPI devido nas operações de mercado interno. § 2° A transferência de crédito presumido de que trata o parágrafo anterior será efetuada através de nota fiscal, emitida pelo estabelecimento matriz, exclusivamente para essa finalidade. 3° No caso de impossibilidade de utilização do crédito presumido na forma do caput ou do § 1°, o contribuinte poderá solicitar, à Secretaria da Receita Federal, o seu ressarcimento em moeda corrente. 3 § 4' O pedido de ressarcimento será apresentado por trimestre- calendário, em formulário próprio, estabelecido pela Secretaria da Receita Federal. § 5° O ressarcimento em moeda corrente, na hipótese de apuração centralizada, será efetuado ao estabelecimento matriz. § 6° Constitui requisito para a fruição do crédito presumido a inexistência de débito relacionado com tributos ou contribuições federais de responsabilidade da empresa." Da mesma forma como ocorria com os demais créditos de IPI, o crédito presumido deveria ser objeto de pedido de ressarcimento em espécie, conforme já previsto no art. 42 da Lei n' 9.363, de 1996: "Art. 4° Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, far-se-á o ressarcimento em moeda corrente. Parágrafo único. Na hipótese de crédito presumido apurado na forma do § 2' do art. 2°, o ressarcimento em moeda corrente será efetuado ao estabelecimento matriz da pessoa jurídica." O termo "ressarcimento" sempre foi utilizado pela legislação com o complemento "em espécie", não havendo que se falar, em princípio, em outra modalidade de ressarcimento. "Ressarcimento em espécie", portanto, é uma solução específica, adotada no âmbito da legislação do IPI, como solução para o acúmulo de créditos escriturais. A não ser pelo fato de o devedor ser o Fisco, não há outras semelhanças com a restituição, que cabe quando há pagamento indevido ou a maior do que o devido. Menos semelhanças ainda há em relação aos ressarcimentos decorrentes de incentivos fiscais, em que há uma renúncia fiscal, sendo incorreta a afirmação de que ressarcimento seria espécie em relação à qual a restituição seria gênero. Voltando à questão da compensação, a IN SRF n' 21, de 1997, em seu art. 32, III, previu a possibilidade de compensação dos créditos objetos de pedidos de ressarcimento em espécie do IPI. Foi o primeiro ato da Secretaria da Receita Federal a prever a modalidade de "ressarcimento, sob a forma de compensação". A previsão legal para a incidência de juros Selic, por sua vez, somente se refere aos casos de restituição. Ao mencionar a compensação (art. 39, § 42), é claro que o dispositivo refere-se aos valores que poderiam ser restituídos, não permitindo interpretação extensiva. O texto da Lei d- 9.250, de 1995, é claro, não havendo como aplicar por analogia aquele dispositivo ao caso do ressarcimento. A data prevista para o início da incidência dos juros é a do pagamento indevido ou a maior do que o devido, data essa que somente pode ser identificada se se tratar de pedido de restituição. A incidência dos juros Selic a partir da data de protocolo do processo de pedido de ressarcimento é critério que não consta da legislação, o que reforça a tese de que os juros não podem incidir, nesse caso. 4 Processo n° 13631.000170/2001-07 CSRF-T2 Acórdão n.° 02-03.494 Fl. 194 Portanto, não existe previsão legal para a incidência dos juros ao caso de ressarcimento de créditos de IPI. Quanto ao princípio da vedação ao enriquecimento ilícito, não se aplica ao caso dos autos, uma vez que o ressarcimento de crédito presumido de IPI não corresponde à devolução de numerário do contribuinte, mas de pagamento em espécie relativo a incentivo fiscal. Dessa forma, a União não enriquece ilicitamente ao deixar de pagar ao contribuinte atualização monetária para qual não existe previsão legal. Tampouco há que se falar em ofensa aos demais princípios constitucionais citados, uma vez que se trata, precipuamente, de aplicar o princípio da legalidade, o que não poderia ofender à moralidade, à isonomia ou à eqüidade. Com essas considerações, voto por dar provimento ao recurso. o jk) AUiLs ou Jakle) ju2/0 osefatria Coelho Marques 5
score : 1.0
Numero do processo: 10314.008573/2004-33
Data da sessão: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 16/04/2002 a 28/04/2004
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao fisco apresentar elementos probantes para classificar o produto descrito na DI em código fiscal diverso daquele em que se deu o desembaraço da mercadoria.
DIVERGÊNCIA DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL NÃO COMPROVADA.
Havendo litígio no que se refere à identificação da mercadoria importada, a ausência, nos autos, de elementos capazes de demonstrar, com segurança, a sua adequada classificação, implica na manutenção do código tarifário em que foi enquadrada pelo importador.
FALTA DE LICENCIAMENTO. PENALIDADE. NÃO CABIMENTO.
Mostrando-se insustentável a desclassificação tarifária realizada através do presente lançamento, inaplicável torna-se, por conseqüência, a multa por falta de GI ou documento equivalente.
RECURSO DE OFÍCIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-000.342
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: Luciano Lopes de Almeida Moraes
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ementa_s : Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 16/04/2002 a 28/04/2004 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao fisco apresentar elementos probantes para classificar o produto descrito na DI em código fiscal diverso daquele em que se deu o desembaraço da mercadoria. DIVERGÊNCIA DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL NÃO COMPROVADA. Havendo litígio no que se refere à identificação da mercadoria importada, a ausência, nos autos, de elementos capazes de demonstrar, com segurança, a sua adequada classificação, implica na manutenção do código tarifário em que foi enquadrada pelo importador. FALTA DE LICENCIAMENTO. PENALIDADE. NÃO CABIMENTO. Mostrando-se insustentável a desclassificação tarifária realizada através do presente lançamento, inaplicável torna-se, por conseqüência, a multa por falta de GI ou documento equivalente. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO.
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Numero do processo: 10680.004962/2004-11
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
BASE DE CÁLCULO
Para a formação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL todas as receitas escrituradas devem ser incluídas.
Numero da decisão: 1103-000.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Marcos Shigueo Takata e Sérgio Luiz Bezerra Presta, que discordavam quanto a não dedutibilidade da totalidade do IRRF.
(assinado digitalmente)
Mário Sérgio Fernandes Barroso Presidente em exercício e relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, Andrada Márcio Canuto Natal, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Mário Sérgio Fernandes Barroso.
Nome do relator: MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 BASE DE CÁLCULO Para a formação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL todas as receitas escrituradas devem ser incluídas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Marcos Shigueo Takata e Sérgio Luiz Bezerra Presta, que discordavam quanto a não dedutibilidade da totalidade do IRRF. (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, Andrada Márcio Canuto Natal, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Mário Sérgio Fernandes Barroso.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1799; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 2.325 1 2.324 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.004962/200411 Recurso nº 144.849 Voluntário Acórdão nº 1103000.777 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 07 de novembro de 2012 Matéria IRPJ Recorrente FUNDAÇÃO CHRISTIANO OTTONI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 BASE DE CÁLCULO Para a formação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL todas as receitas escrituradas devem ser incluídas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria, negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Marcos Shigueo Takata e Sérgio Luiz Bezerra Presta, que discordavam quanto a não dedutibilidade da totalidade do IRRF. (assinado digitalmente) Mário Sérgio Fernandes Barroso – Presidente em exercício e relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, Andrada Márcio Canuto Natal, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Mário Sérgio Fernandes Barroso. Relatório Contra a contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos, foram lavrados os Autos de Infração de fls. 20/21 e 32/34, respectivamente, exigindo o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, no valor de R$ 1.607.017,08, e Contribuição Social sobre o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 49 62 /2 00 4- 11 Fl. 2325DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 2 Lucro Líquido – CSLL, no valor de R$ 622.928,75, cumulados com multa de ofício e juros de mora pertinentes, calculados até 31/03/2004. Ao presente processo administrativo fiscal foi apensado o de nº 10680.007360/200335 (fls. 227), o qual cuida do Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 127, de 11 de novembro de 2003, de suspensão da imunidade prevista no art. 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal de 1988. O termo inicial da suspensão da imunidade é o dia 1º de janeiro de 1997 e o termo final, 31 de dezembro de 2002. O Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 127, de 2003, e o respectivo Despacho Decisório prolatado pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRF/BHE constam das fls. 75/88. Para melhor instruir o presente processo administrativo fiscal, foram juntadas as fls. 228/277. Tais peças referemse ao Termo de Constatação e Notificação Fiscal – TCNF; à impugnação contra o referido Termo; e ao Acórdão DRJ/BHE nº 07.183, de 10 de novembro de 2004. Do Termo de Verificação Fiscal – TVF, de fls. 42/46. Eis os principais pontos que a Fiscalização aborda no TVF. A Fundação Christiano Ottoni (FCO) declarou que é uma entidade fundacional, de direito privado, de cunho educacional, sem fins lucrativos, de apoio às atividades de ensino, pesquisa e extensão da UFMG, mais especificamente da Escola de Engenharia, devidamente registrada no Ministério da Educação e Ministério da Ciência e Tecnologia. Afirma a FCO que não é detentora do Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, eis que não exerce a filantropia nos moldes definidos no Decreto nº 3.048, de 1999, de forma que recolhe todos encargos patronais e contribuições previstas em lei. Constatou a Fiscalização, após longa análise, que a FCO, apesar de se considerar uma entidade isenta, não preenchia todos os requisitos legais para se beneficiar da isenção do IRPJ, ou seja, a Lei nº 4.506, de 1964, e Lei nº 9.532, de 1997, não estavam sendo atendidas na sua totalidade. Em 28/05/2003, foi lavrado o TCNF contra a FCO, expondo as irregularidades apuradas e solicitando a suspensão da imunidade do IRPJ, a partir de 01/01/1997 até 31/12/2002, tendo sido protocolizado o processo nº 10680.007360/200335 (em apenso). Em 29/12/2003, a contribuinte foi intimada (Anexo I, fls. 239/241) a apresentar as Demonstrações Financeiras determinadas pelo art. 274 do RIR/1999, apurando o IRPJ pelo lucro real, e respectivas DIPJ retificadoras relativamente aos anoscalendário de 1999 a 2002. Em 26/01/2004, a FCO prestou as informações contidas nos documentos do Anexo I, de fls. 243/316. Fl. 2326DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10680.004962/200411 Acórdão n.º 1103000.777 S1C1T3 Fl. 2.326 3 Em 04/02/2004, a FCO novamente intimada (Anexo I, fls. 317) a apresentar as Demonstrações Financeiras com apuração do lucro real. Em 18/02/2004, a contribuinte, em resposta, disse que, na correspondência anterior, já havia prestado informações e entregues todos os documentos que possuía. Suspensa a imunidade da FCO, a Fiscalização passou a considerála como uma pessoa jurídica comercial, sujeita aos recolhimentos do IRPJ e da CSLL, na forma da lei, para os anoscalendário de 1999 a 2002. Diante dos balancetes de apuração trimestral das contas de receitas e despesas (Anexo 02, fls. 01/447) apresentados pela contribuinte, o Fisco, considerando que ela mantém em perfeita ordem os livros contábeis, Diário e Razão, elaborou os demonstrativos em anexo (fls. 47/60). Da impugnação. Tendo sido dele notificado, em 23/04/2004, o sujeito passivo contestou o lançamento, em 24/05/2004, mediante o instrumento de fls. 174/184. Adiante compendiamse suas razões. Inicialmente, destaca que, além das razões aventadas contra a expedição do Ato Declaratório nº 127, de 2003, há outras mais que obstam a pretensão do Fisco. Da legislação tributária e critérios contábeis aplicáveis às instituições de ensino sem fins lucrativos. Por se tratar de uma fundação de apoio à Escola de Engenharia da UFMG que se dedica, sem intuito lucrativo, ao ensino, pesquisa e extensão, goza a impugnante do direito subjetivo de não ser tributada em suas rendas, patrimônio e serviços, a teor da imunidade prevista no art. 150, VI, “c”, da Constituição, uma vez que atende aos requisitos contidos no art. 14 do CTN. Esses os únicos requisitos que podem ser validamente considerados, por estarem instituídos em lei complementar (CF, art. 146, II). Entretanto, nenhum dos três requisitos constantes do aludido art. 14 foi citado pela Fiscalização, para pôr em xeque a imunidade da FCO, mas, sim, dispositivos de lei ordinária (Lei nº 9.532, de 1997, arts. 12 a 14). Sustenta que a lei ordinária não poderia suspender imunidade prevista em texto constitucional, quando a própria Constituição estabelece que as limitações constitucionais ao poder de tributar devem ser reguladas por lei complementar. Não bastasse o absurdo de se suspender a imunidade da impugnante com base em requisitos dispostos em lei ordinária, a Fiscalização quer tributar os seus resultados como se lucro real fossem, em afronta aos princípios que regem o sistema tributário, que tem na legalidade e na tipicidade cerrada seu alicerce. Impossibilitada de perseguir lucros, não promove o fato gerador do imposto de renda, motivo pelo qual não há de se presumir que mero superávit configure lucro. Fl. 2327DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 4 Citando a legislação tributária pertinente (arts. do RIR/1999), alega que os critérios para tributação com base no lucro real, por constituir regime tributário mais complexo, impõem ao contribuinte uma série de exigências, dentre as quais escrituração de conformidade com as leis fiscais e comerciais. Assevera que a escrituração contábil, elaborada de acordo com as disposições da Lei nº 6.404, de 1976, e com os princípios gerais de contabilidade, é condição primeira para que as pessoas jurídicas possam tributar os resultados com base no lucro real. Ressalta, especificamente em relação às instituições de educação, os arts. 9º e 14 do CTN, na redação dada pela Lei Complementar nº 104, de 2001. Por sua vez, o art. 170 do RIR/1999, não obstante incluir nos seus parágrafos disposições da Lei nº 9.532, de 1997, de questionável validade, reproduz a obrigatoriedade da mantença da escrituração das receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem sua exatidão. Na mesma linha, as orientações da IN/SRF nº 113, de 1998, art. 6º. Diz a impugnante que não mantém escrituração com observância das disposições das leis comerciais e fiscais nem elabora Demonstração do Lucro Real a partir das Demonstrações Financeiras na forma preconizada pela Lei nº 6.404, de 1976, porque é instituição sem fins lucrativos. Embora apresente os livros revestidos das formalidades legais, mantenha escrituração contábil regular e elabore demonstrações de superávit, das mutações do patrimônio líquido e das origens e aplicações de recursos, o resultado apurado na escrituração não constitui lucro líquido e nem representa o lucro real. Portanto, resta claro que a base de cálculo escolhida pela Fiscalização não pode prevalecer. Nesse sentido, cita acórdão do Conselho de Contribuintes. Salienta, o equívoco é evidente! Fato é que, por se constituir como entidade sem fins lucrativos, ela não promove o fato gerador do IRPJ, sendo descabida a autuação lavrada. Da inocorrência do fato gerador da CSLL. Tampouco realiza a impugnante o fato gerador da CSLL, por ser instituição sem fins lucrativos. Sustenta que o fato gerador “lucro” não ocorre com a simples apuração de superávits pela instituição. Para fim de configuração de lucro, como gato gerador da CSLL, é necessário que o resultado positivo seja disponibilizado aos sócios, isto é, que haja efetiva distribuição deste. Afirma que jamais distribuiu qualquer parcela dos seus superávits. Todo o resultado positivo é reinvestido na instituição para o atendimento de suas finalidades. Em suma, por ser entidade sem fins lucrativos, não é contribuinte da CSLL. Nesse sentido, cita decisão do Conselho de Contribuintes, determinando que os fundos de pensão fechados, apesar de registrarem superávits magníficos, não são contribuintes da CSLL, por não terem finalidade de lucro. E, relativamente às instituições de educação, idêntico é o entendimento daquele Colegiado. Sucessivamente: dos equívocos da Fiscalização na apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. Fl. 2328DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10680.004962/200411 Acórdão n.º 1103000.777 S1C1T3 Fl. 2.327 5 Ressalta que a Fiscalização, ao proceder à apuração do lucro real, majorou suas receitas, na medida em que considerou como próprias receitas que não eram de sua titularidade. É que ela, por força de regras contábeis, registra com receitas ingressos que não são de sua titularidade, posto que recebidos por conta de terceiros. São, na verdade, receitas alheias, que, por isso, devem ser excluídos da base de cálculo da COFINS, do IR e da CSLL. No caso em apreço, as receitas computadas pela Fiscalização constituem, apenas em parte, receitas da FCO, derivadas do seu próprio capital ou do exercício do seu objeto social, ao passo que, sobre as demais que transitam no seu patrimônio, não detém a disponibilidade, uma vez que são utilizadas em prol dos seus reais titulares, com base em regras rigidamente estabelecidas, a fim de atender aos fins sociais da educação, pesquisa e extensão universitárias. Para se delimitar com clareza as suas próprias receitas, distinguindoas das receitas da Escola de Engenharia, é imperioso um esclarecimento mais detido do que vem a ser e como atua uma fundação de apoio, nos termos da Lei nº 8.958, de 1994. Sem a exata compreensão do relacionamento existente entre as Instituições Federais de Ensino – IFES e as Fundações de Apoio, afigurase impossível alcançar o seu relevante papel educacional., As Fundações de Apoio (Lei nº 8.958, de 20 de dezembro de 1994) são entidades regidas pelo direito privado, que visam a proporcionar um mínimo de agilidade e autonomia às atividades universitárias como um todo, captando e gerindo recursos em prol do ensino, da pesquisa e da extensão universitárias. O desempenho das finalidades estatutárias da FCO fazse principalmente por meio da celebração de convênios, contratos, ajustes e acordos, através dos quais a Fundação passa a ser a interface da Escola de Engenharia da UFMG com os órgãos de fomento e a comunidade em geral. Dentro dessa filosofia, a Defendente tem firmado convênios com as mais variadas entidades governamentais, tais como FINEP, FAPEMIG, CNPQ, CAPES, entre inúmeras outras. Através desse mecanismo é que a FCO recebe recursos necessários ao desenvolvimento dos projetos da Escola de Engenharia da UFMG. Ou seja, os recursos diretamente ingressados no caixa da Fundação a ela não pertencem integralmente. São recursos da UFMG, nos moldes concebidos pela Lei nº 8.958, de 1994, competindo à Fundação promover a sua gestão, adquirindo bens e serviços, e, ao término de cada projeto, prestar contas à UFMG da gestão financeira executada. A prestação de contas enseja, ainda, a devolução de eventual saldo remanescente do Projeto ao caixa da UFMG, fato que fortalece ainda mais o entendimento de que o recurso ingressado na Fundação a ela não pertence, não podendo, por conseguinte, ser entendido como faturamento ou servir de base de cálculo para apuração de qualquer tributo. O que é efetivamente faturamento da Fundação é tãosomente a “TAXA DE ADMINISTRAÇÃO”. Salienta que vigoram no âmbito interno da UFMG, a Resolução nº 10/95, do Conselho Universitário, e a Resolução nº 03/2000, da Congregação da Escola de Engenharia, sendo certo que estes instrumentos normativos disciplinam e mostram, fundamentalmente, que a Fundação gere recursos de terceiros (no caso a UFMG), não sendo racional entender com seu todo e qualquer montante que ingressa ao seu caixa. Fl. 2329DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 6 Em verdade, o trabalho fiscal ignorou cabalmente o fato de ser a impugnante mera gestora de recursos públicos. Sustenta a impugnante que não é prestadora dos serviços que a Fiscalização reputa sujeitos ao IRPJ e à CSLL. Na pior das hipóteses, apenas os recursos próprios da entidade, captados em decorrência das atividades de extensão, calculados em um percentual de 8% dos recursos geridos pela fundação, segundo estabelecido na Resolução nº 03/2000 da Congregação da Escola de Engenharia da UFMG, seriam suscetíveis de tributação, caso confirmada a suspensão da imunidade. As referidas receitas restringemse àquelas contabilizadas nos balancetes da administração da fundação, nos centros de custo 01.001 (documentos em anexo). Entretanto, a Fiscalização computou, na apuração do suposto lucro, também os valores registrados nos balancetes, nos centros de custo 02.001 a 16.013 e 22.001 a 36.004, como se dissessem respeito a receitas e despesas próprias da entidade. Assim, é que o valor das supostas receitas de prestação de serviços, ponto de partida para apuração do resultado do exercício, restou majorado, demandando ajustes, segundo as planilhas em anexo (doc. Nº 05 a 08), que apresentam as receitas decorrentes do pagamento da “taxa de administração”. Por outro lado, mesmo que superada a tese de que as receitas da impugnante restringemse às relativas à administração dos recursos públicos, ainda assim, os valores da receita e do lucro apurados pela Fiscalização são superiores aos que se poderiam inferir dos registros contidos nos balancetes integrados da administração e dos projetos (documentos nº 09 a 12). Além disso, a Fiscalização cometeu o equívoco de não proceder às deduções do IRRF sobre as aplicações financeiras, que se configuram como antecipação do imposto devido pela pessoa jurídica tributada pelo lucro real. A Fiscalização, em momento algum das apurações das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, deduziu os valores pagos espontaneamente pela impugnante a título de COFINS, bem como os atuados, em afronta ao art. 41 da Lei nº 8.981, de 1995. Assim, restou majorada a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, nos períodos em que houve autuação, restando também subavaliados o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL, nos períodos em que não foram apuradas infrações à legislação tributária. Ao final, pede a impugnante pela procedência da presente defesa. Sucessivamente, requer sejam feitos os devidos ajustes da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Requer, ainda, com fulcro no art. 16, § 4º, “a” e § 5º do Decreto nº 70.235, de 1972, a juntada posterior de documentos comprobatórios da retenção do IRRF sobre aplicações financeiras. Da juntada posterior de documentos. Conforme se vê dos despachos de fls. 225/226, a requerida juntada de documentos foi autorizada, em 22/07/2004. Pelo que os documentos comprobatórios das retenções formam o Anexo “05”. Fl. 2330DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10680.004962/200411 Acórdão n.º 1103000.777 S1C1T3 Fl. 2.328 7 A 2.ª Turma DRJ/BHE decidiu por meio do acórdão n.º 7184, decidiu (ementa): “Ementa: IMUNIDADE TRIBUTÁRIA DO IMPOSTO DE RENDA. Somente serão imunes do IRPJ as instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, que atendam aos requisitos da lei. IMPOSTO RETIDO NA FONTE. Em relação às pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, o imposto retido sobre aplicações financeiras de renda fixa será deduzido do apurado no encerramento do período de apuração, trimestral ou anual. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PARA SEGURIDADE SOCIAL. ISENÇÃO. Somente serão isentas das contribuições para seguridade social as entidades beneficentes que forem portadoras do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos. CONTRIBUIÇÕES PARA SEGURIDADE SOCIAL. IMUNIDADE. Somente serão imunes das contribuições para a Seguridade Social as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos da lei.” Ciente 17/12/2004, irresignada, a contribuinte oferece as razões de fls.341/359, onde repisa os argumentos expendidos na inicial, discorre sobre as causas que levaram a cassação da imunidade. No que tange à sua atividade como prestadora de serviços, a fiscalização não percebeu que cada prestação de serviço contratada é realizada pela própria Escola de Engenharia da UFMG, envolve a participação de professores, alunos, instalações, laboratórios, etc, tudo isso prévia e devidamente aprovado pelas instâncias internas da própria universidade. E através dessas atividades de extensão, nas quais a Fundação atua como interface e captadora de recursos, que a UFMG obtém receitas para melhoria do ensino, para a ampliação e o incremento de instalações e laboratórios e para o envolvimento dos corpos discente e docente universitários. Comenta que uma vez suspensa, indevidamente, a imunidade há de se perquiri a ocorrência do fato gerador dos tributos exigidos, pois mesmo não se encontrando ao abrigo da imunidade, não deveria os tributos na forma proposta nos lançamentos. Fl. 2331DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 8 Também, proibida de perseguir lucros em face de sua finalidade não lucrativa, tal como determinado em seu estatuto, não pratica o fato gerador do IRPJ e da CSLL.Superavit não se confunde com lucro, pois este se distribui (6 passível de apropriação privada), ao contrário daquele. Os fatos levantados pela fiscalização, conquanto tenham ensejado a suspensão da imunidade, não se afiguram, de per se, aptos a caracterizar a ocorrência de lucros apropriáveis pelos particulares, necessários A configuração do fato gerador do IRPJ e da CSLL. Deveras, não percebe lucros, não só por razões de direito (proibição estatutária de perseguição de lucros), como também por razões de fato, haja vista que em nenhum momento foi caracterizada, pela Fiscalização, distribuição disfarçada de lucros ou apropriação privada dos resultados da entidade, mesmo porque as módicas remunerações identificadas pelo Fisco, pagas aos professores e superintendentes executivos da Recorrente, nem de longe revelam finalidade lucrativa, essencial a caracterização do fato gerador do IRPJ e da CSLL, na linha de várias decisões administrativas como é exemplo o acórdão 10193916 de 21/08/02, o qual reproduz. Dessa forma pretender tributar os resultados , como se lucro real fossem, constitui afronta aos princípios que regem o sistema tributário, que tem na legalidade e na tipicidade cerrada seu alicerce. Vale dizer, inexistindo apropriação privada dos resultados da Recorrente, não se configura o fato gerador dos tributos em apreço, pois a caracterização do lucro pressupõe a ocorrência de resultado positivo e distribuível aos sócios, o que não ocorre neste caso. Aduz que por força legal e estatutária constitui uma entidade sem fins lucrativos, portanto impossibilitada de perseguir lucros, não pode ser exigida a manter uma escrituração nos moldes preconizados nos artigos 251, § único; 274, § 5 0., 275 I.,II e III do Regulamento do Imposto de Renda. A escrituração contábil, elaborada de acordo com as disposições da Lei n° 6.404/76 e com os princípios gerais de contabilidade, é condição primeira para que as pessoas jurídicas possam tributar os resultados com base no lucro real, vez que o lucro liquido ali apurado constitui o ponto de partida para se chegar A base de cálculo do imposto o chamado lucro real assim definido na forma do art. 247 do RIR/99, do qual reproduz o caput, §1 °. e 2°. Tratandose de instituições de educação as disposições cabíveis são aquelas do CTN, na redação que lhe deu a Lei Complementar n° 104/2001, cujos artigos 9 °.,IV,14,1,11,111 § 1 °. e 2° transcreve. Ainda, o Regulamento do Imposto de Renda, por sua vez, disciplina o tratamento fiscal dispensado As instituições de educação no art. 170 que, não obstante incluir nos seus parágrafos disposições da Lei n° 9.532/97 de questionável validade, reproduz a obrigatoriedade da manutenção da escrituração das receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem sua exatidão. (Na mesma linha; as orientações da IN no 113/98, art. 6°). Embora obedeça esses dispositivos sua escrita não serve de base de apuração de lucro, posição que vê secundada por diversas decisões administrativas. Como exemplo, Ac. 10193.576, de 22.08.2001 e Ac. 10192.265, de 20.08.1998 cujas ementas transcreve. Dai, por se tratar de entidade sem fins lucrativos, não promove o fato gerador do imposto de renda, sendo descabida a autuação lavrada. Fl. 2332DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10680.004962/200411 Acórdão n.º 1103000.777 S1C1T3 Fl. 2.329 9 Alude, também A "inocorrência do fato gerador da CSLL." — por não realizar fato gerador desse tributo, devido a sua condição de instituição sem fins lucrativos. 0 fato gerador "lucro" não ocorre com a simples apuração de resultados positivos das atividades da instituição, pois tais resultados nada mais são do que superavits da instituição. Para fim de configuração de lucro, como fato gerador da CSLL, é necessário que o resultado positivo seja disponibilizado aos sócios, isto, que haja efetiva distribuição deste. Como jamais distribuiu qualquer parcela dos seus superavits. Todo o resultado positivo é reinvestido na instituição para o atendimento de suas finalidades. Em suma, por ser entidade sem fins lucrativos, não é contribuinte da CSLL. Nesse sentido, recentes decisões do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, determina que os fundos de pensão fechados, apesar de registrarem superavits magníficos, não se enquadram na condição de contribuintes da CSLL, por não terem finalidade de lucro (doc. n° 04 anexo A impugnação). No tocante As instituições de educação, idêntico é o entendimento daquele Colegiado, como proferido no Ac. 10320.584, de 20.04.2001. Referese ao Decreto n° 5.205, de 14 de setembro de 2004. o qual respalda o seu procedimento de remunerar professores pelos serviços técnicos prestados, sem configurar qualquer irregularidade e nem denotar finalidade lucrativa. O Decreto, regulamentando a Lei n° 8.958, de 20 de dezembro de 1994, que dispõe sobre as relações das Instituições Federais de Ensino Superior e de pesquisa cientifica e tecnológica com as Fundações de Apoio adota interpretação semelhante a sua, no sentido de que os profissionais que prestam serviços as Fundações de Apoio, no âmbito do objeto social que constitui sua finalidade estatutária, podem ser remunerados. Transcreve o artigo 5° . e 6° . do Decreto para dizer de sua existência antes dos fatos narrados neste processo e concluir que.sua conduta era, e continua, regular. O lançamento determinou o aspecto temporal da hipótese de incidência do IRPJ e da CSLL, de forma compulsória, ao lhe enquadrar no regime de lucro real trimestral. Sem consulta lhe impigem a tributação do superávit e lhe requisitam os balanços trimestrais. Cabe a Fiscalização o ônus de demonstrar a matéria tributável, mas respeito aos direitos subjetivos dos contribuintes, dentre eles o direito de opção pelo regime de apuração (real ou presumido) e de pagamentos (trimestral ou mensal) dos tributos em tela, e não impor a forma mais onerosa de tributação, agindo discricionariamente, como se tivesse um interesse enquanto parte na relação tributária. Se a opção não foi exercida a época dos fatos geradores, é porque estava, até então, ao abrigo da imunidade .Deste modo, o aspecto temporal do imposto não foi respeitado. Tampouco há se objetar a necessidade de ocorrência de pagamentos estimados relativos aos períodos autuados, em oposição à sua pretensão de se enquadrar no lucro real anual, caso confirmada a suspensão da imunidade, uma vez que as estimativas perdem sua razão de ser após o encerramento do anocalendário. Nesta linha, o entendimento do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como prova a decisão contida no acórdão CSRF/0104.263, de 02.12.2002. Fl. 2333DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 10 Dessa forma o auto deve ser reformado. E caso confirmada a ocorrência do fato gerador dos tributos ora exigidos seja apurada a matéria tributável em bases anuais, no regime de lucro real anual, sem a incidência de qualquer penalidade em virtude do não recolhimento das estimativas mensais. Também a base de cálculo deve ser revista porque ingressos que não são de sua titularidade devem ser excluídos da base de cálculo da COFINS e do IR e da CSLL. Permanecer o entendimento de que tais ingressos se constituem em receitas próprias seria subverter o aspecto pessoal da hipótese de incidência dos tributos, na medida em que a receita, de fato, apenas transita por seu patrimônio. Como se destinam aos reais titulares, não levam acréscimo ao seu patrimônio. Em vasto arrazoado informa que dos recursos ingressados no caixa fundacional, em prol dos projetos universitários, o que é efetivamente faturamento da Fundação é tão somente a "TAXA DE ADMINISTRAÇÃO". Este montante cobre os custos operacionais da gestão executada. Os demais valores são repassados, através de convênios e contratos para os fins propostos, ou seja, apoiar as atividades de ensino, pesquisa e extensão da Universidade Federal de Minas Gerais. Ademais, a par da Lei n° 8.958/94, vigoram no âmbito interno da UFMG, a Resolução n° 10/95, do Conselho Universitário, e a da Resolução n° 03/2000 da Congregação da Escola de Engenharia, sendo certo que estes instrumentos normativos disciplinam e mostram que a Fundação gere recursos de terceiros (no caso a UFMG), não sendo racional entender como seu todo e qualquer montante que ingressa no seu caixa. Destaca sua obrigatoriedade na gestão dos recursos captados em prol dos projetos de extensão da UFMG, devendo observar a Resolução n° 10/95 do Conselho Universitário (Anexo 4), bem como os artigos 6 ° e 8° da Resolução n° 03/2000 da Congregação da Escola de Engenharia, que prevêem a incidência de percentuais sobre os valores dos recursos captados para os projetos da Escola de Engenharia, verbas estas que são destinadas exclusivamente As finalidades institucionais de ensino, pesquisa e extensão. Todo este raciocínio leva a conclusão de que tais recursos não lhe pertencem. Cabelhe, apenas, captálos e administrálos em prol da Escola de Engenharia. Asseverese que a relação entre a Universidade Federal e a Fundação Christian° Ottoni já foi explicitada e demonstrada à fiscalização através do oficio 028/2004, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal n° 016, sem contudo suscitar o convencimento do fisco. Descabe ignorar o fato de que é mera gestora de recursos públicos, tais como aqueles provenientes da FAPEMIG, FINEP e FUNASA, entre outros, destinados ao desenvolvimento da pesquisa e da extensão promovidas pela universidade pública com o apoio da fundação. De se ressaltar que administra esses recursos para fazer face As despesas dos projetos. A prevalecer o entendimento do fisco seus recursos próprios seriam na ordem de 8% sobre o valor captados, nos termos estabelecidos na Resolução n° 03/2000 da Congregação da Escola de Engenharia da UFMG ( valores estes constantes nos balancetes da administração da fundação, nos centros de custos 01.001 doc. n° 05 a 08 anexos a impugnação). Mas a fiscalização, computou, na apuração do suposto lucro, também os valores registrados nos balancetes, nos centros de custo 02.001 a 16.013 e 22.001 a 36.004, os quais não dizem respeito a receitas e despesas próprias da entidade. Fl. 2334DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10680.004962/200411 Acórdão n.º 1103000.777 S1C1T3 Fl. 2.330 11 Ao extrapolar a tributação das supostas receitas, mesmo superada a tese de que as receitas da Recorrente restringemse as relativas a administração dos recursos públicos, ainda assim, os valores da receita e do lucro apurados pela fiscalização são superiores aos que se poderiam inferir dos registros contidos nos balancetes integrados da administração e dos projetos, que agregam os valores envolvidos na promoção de cursos, seminários e projetos, bem como as receitas e despesas de cunho administrativo (doe. n° 09 a 12 anexos a impugnação). Salienta que o mesmo MPF com base no qual foi lavrado o presente auto, também serviu para a lavratura de auto de infração relativo a COFINS, em relação ao qual foi apurada insuficiência de recolhimento no período de 01/1997 a 12/2002. Ressaltese que, no período de 01/1997 a 06/99, a Recorrente efetuou recolhimentos da COFINS, reconhecidos pela fiscalização, mas reputados insuficientes para cobrir todo o valor lançado (doe. n° 13 anexo a impugnação). Mas em nenhum momento da apuração do IRPJ e da CSLL, os valores recolhidos espontaneamente pela Recorrente a titulo de COFINS, bem como os valores autuados, foram deduzidos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, em afronta ao disposto no art. 41 da Lei n° 8.981/95, que determina a dedutibilidade, segundo o regime de competência. Além do mais a Fiscalização cometeu um equivoco patente, ao não proceder A dedução, do imposto de renda apurado, das retenções na fonte havidas sobre as aplicações financeiras, que se configuram como antecipação do imposto devido pela pessoa jurídica tributada pelo lucro real. Nesse aspecto, houve a reforma do auto de infração pela DRJ em Belo Horizonte, mas, ainda assim, foram desconsiderados alguns valores a titulo de IRRF sobre aplicações financeiras, já recolhidos, que devem ser reconhecidos, pelo principio da oficialidade. A decisão da DRJ embora tenha acatado a sua alegação quanto a dedutibilidade do IRRF recolhido sobre aplicações financeiras, do valor do imposto apurado, na tabela constante da decisão demonstra que os valores reduzidos da atuação vão até o montante do crédito tributário cobrado no trimestre, restando créditos ainda a considerar, conforme demonstra na tabela de fls.355. Requer, invocando o principio da verdade material, da legalidade objetiva e da oficialidade e como definido no art. 142 do CTN, que o Fisco compute de oficio os créditos relativos ao IRRF, verificados no período abrangido pela fiscalização. Porque os mesmos integram a apuração do imposto de renda devido, cabendo sua compensação com o restante do valor cobrado a titulo de IRPJ no período autuado, seja com base na apuração anual ou trimestral do tributo, conforme vier a ser decidido, com a atualização dos créditos pela taxa SELIC, conforme o período de apuração aos quais forem alocados. Pede aplicação do principio da proporcionalidade à graduação das sanções tributárias. A partir do conceito, decomposto em três partes ou aspectos, tais sejam: a adequação, a necessidade e a conformidade ou proporcionalidade em sentido estrito, que é o núcleo fundamental da proporcionalidade em sentido amplo. Transcreve doutrina de HELENILSON DA CUNHA PONTES (0 Principio da Proporcionalidade e o Direito Tributário, Dialética, 2000, p. 66 a 72),para continuar e dizer que a sanção aplicada pelo fisco é desproporcional, pois não houve ofensa ás disposições legais Fl. 2335DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 12 a justificála. (Repisa que os valores das remunerações pagas, que implicaram na suspensão da imunidade, foram irrisórios e inaptos a suscitar a penalização desmedida imposta pelo Fisco. Deste modo deveria ser considerada sua situação subjetiva como forma de realização dos princípios da equidade e da isonomia na aplicação da penalidade, sob pena de ser posta em pé de igualdade (como está sendo) com aquelas entidades de fachada que se aproveitam das imunidades e isenções para enriquecer ilicitamente seus diretores e associados. Definitivamente, este não é seu caso, ante os notórios serviços prestados à sociedade. Assim, destituída de razoabilidade a forma como o Fisco a sancionou, admitida, pelo principio da eventualidade, que falta houve, foi a mesma insignificante e inapta a gerar prejuízos ao interesse público, a justificar a suspensão da imunidade pelo período de quatro anos, em relação a todas as "receitas" auferidas. Tal medida afigurase verdadeiro esbulho, que leva ao aviltamento da sua esfera patrimonial. Ajunta que se houver execução judicial do crédito apurado, não haverá patrimônio para garantilo. (Muito menos, recursos para satisfazêla, pois as receitas efetivas do seu patrimônio são insuficientes para quitar a divida cobrada, sendo as demais já foram transferidas a Universidade Pública). Invoca, em seguida, ofensa aos princípios da isonomia e da eqüidade nos termos do art 108, IV do CTN.Transcreve de HUGO DE BRITO MACHADO, estudo sobre a interpretação jurídica (Interpretação e Aplicação da Norma Jurídica na Teoria Pura do Direito in Revista Forense, R.J., Ed. Forense, jan.fev.mar., 1983, vol. 282.) para concluir que é este raciocínio, expresso no art. 112 do CTN, uma hipótese de aplicação da equidade, que tem também previsão expressa no art. 108 do CTN. Cabendo sua aplicação como instrumento de integração do direito, relativizada ou suavizada a aplicação da lei, quando a mesma se apresentar em descompasso com as condições do caso concreto, lacunosa quanto a algum aspecto ocorrido no caso individual, não abordado na previsão abstrata da lei. Resume o pedido propugnando pela improcedência do lançamento, seja pela inocorrência do fato gerador da CSLL e do IRPJ, seja pela ofensa aos princípios da equidade e da proporcionalidade, decorrentes da forma como o Fisco suspendeu sua imunidade. Sucessivamente, requer : a) apuração dos valores devidos em bases anuais (lucro real anual), sem a exigência das estimativas mensais; b)realização de ajustes da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, afastandose as receitas que não são de sua titularidade, bem como deduzindo da sua base de cálculo os valores cobrados a titulo de COFINS, apurados com base no mesmo procedimento fiscal que gerou a combatida exigência ; c) dedução do IRPJ imputado a integralidade dos valores retidos sobre as aplicações financeiras, por serem antecipações do imposto supostamente devido no encerramento de cada período, aproveitandose inclusive os créditos referidos no item 2.5., de suas razões, que não foram aproveitados pela DRJ, ao reduzir parcialmente o valor devido a titulo de IRPJ, alocandoos aos períodos em que foi reconhecida a existência de saldo devedor residual de imposto de renda. Fl. 2336DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10680.004962/200411 Acórdão n.º 1103000.777 S1C1T3 Fl. 2.331 13 Os autos vieram ao então Conselho de Contribuintes. Na sessão de 21/06/2006 a Câmara converteu o julgamento em diligência do processo que tratava da cassação da imunidade, através da Resolução n°. 10800.333. Julgado o mérito do processo 10680.007360/200335, na sessão de 18/09/2008, através do acórdão 10809723, que suspendeu a imunidade da FCO e está assim ementado: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal EXERCÍCIO: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 SUSPENSÃO DE IMUNIDADE INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO DESCARACTERIZAÇÃO As limitações ao poder de tributar estão elencadas no art. 150, VI, "c" da Constituição Federal, assim como no art. 195, ,f 70, este para as contribuições sociais. 0 CTN também trata da limitação da cobrança de tributos de instituições sem fins lucrativos (artigo 90, IV, "c" e § 1° e art. 14). A Lei n° 9.430/96, em seu artigo 32 cuida da suspensão da imunidade e da isenção. A Lei n° 9.532/97 trata, em seus artigos 12 a 16 da tipificação e do tratamento a ser dado às entidades não abrangidas pela imunidade. Uma entidade para se desobrigar de sua carga fiscal Ave agir estritamente dentro dos limites legais abordados. Ao Fisco cabe investigar se a interessada enquadrase no conceito de entidade sem fins lucrativos, de modo a merecer a desoneração fiscal. A configuração das receitas, o público alvo dos serviços prestados, a terceirizado de serviços com empresas cujo sócio também é diretor, demonstram a inexistência de "instituição de educação", no sentido em que foi colocado no texto constitucional. As atividades não são complementares às atividades do Estado e são desenvolvidas de forma concorrente com as demais empresas de prestação de serviços organizacionais, de natureza geral. Quando o Fisco fundamenta a suspensão da imunidade e a emissão do ADE. com base em fatos devidamente comprovados, devem ser seus atos considerados plenamente justificados. Recurso Voluntário Negado.” Por despacho o processo que ora se cuida ficou na Secretaria da Câmara a espera da conclusão do julgamento do processo de cassação, ante a dependência dos procedimentos. O Contribuinte apresenta memorial, fls 392/401, repetidos às fls.404/409. A 2.ª turma ordinária da 1.ª Câmara por meio de resolução decidiu: “I. Demonstrar, a partir dos balancetes constantes no Anexo 2, fls. 01 a 447, como foi elaborado o "Demonstrativo de Apuração do Lucro Liquido e Lucro Real", ou seja, quais são as contas, ou grupos de contas, e os valores que compõe os títulos das linhas utilizadas nestes demonstrativos (Receita de serviços, Fl. 2337DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 14 cancelamentos, receitas financeiras, despesas financeiras, outras receitas operacionais, despesas operacionais, resultado partic. Soc.), para cada trimestre de cada ano. 2. Demonstrar e justificar, se necessário, como conciliar a diferença, se houver, entre os seguintes montantes: a diferença entre o total das receitas e o total das despesas constantes dos balancetes do Anexo 2, fls. 01 a 447, relativos ao período anual janeiro a dezembro de cada ano); e o total da linha "Lucro Liq. Per Base antes do 1R", constante do "Demonstrativo de Apuração do Lucro Liquido e Lucro Real", correspondente a soma dos quatro trimestres de cada ano. 3. Considerando o disposto na Norma Brasileira de Contabilidade NBC T 10.19 — Entidades sem Finalidade de Lucros, que dispõe que "As receitas e despesas devem ser reconhecidas, mensalmente, respeitando os Princípios Fundamentais de Contabilidade, em especial os Princípios da Oportunidade e da Competência" e que "o lucro ou prejuízo é denominado, respectivamente, de superávit ou déficit", responder: A contabilidade da Fundação Christiano Ottoni atende a todos os Princípios Fundamentais de Contabilidade, em especial aos Princípios da Oportunidade e da Competência? 0 seu déficit ou superávit, registrado nas Demonstrações Anuais de Déficit ou Superávit elaboradas pela Fundação, e submetidas a auditoria independente, podem ser tomados como o seu lucro ou prejuízo contábil? Em caso de resposta negativa, por que não? Os balancetes constantes no Anexo 2, fls. 01 a 447, efetivamente refletem os lançamentos contábeis registrados nos livros Diário e Razão da Fundação Christiano Ottoni? Em caso de resposta afirmativa ao item b acima, demonstrar e/ou justificar, se necessário, como conciliar a diferença, se houver, entre: c. 1 . a diferença entre o total das receitas e o total das despesas constantes dos balancetes do Anexo 2, fls. 01 a 447, relativos ao período anual janeiro a dezembro de cada ano); e c.2. o déficit ou superávit constante das Demonstrações Anuais de Déficit ou Superávit elaboradas pela Fundação, relativo a cada ano, constantes das demonstrações financeiras anuais por ela submetidas a auditoria independente.” Do resultado da diligência temos: Do quesito 1: Que a apuração do Lucro Real foi refeito para discriminar a origem de cada valor, especificando a conta original o valor e o número da folha/anexo onde estão Fl. 2338DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10680.004962/200411 Acórdão n.º 1103000.777 S1C1T3 Fl. 2.332 15 reproduzidas as contas constantes dos balancetes mensais elaborados pelo contribuinte. Esta apuração se encontra anexa ao relatório. Do quesito 2 Que o lucro Real é apurado trimestralmente, na forma do art. 220 do RIR/99, assim, não há de se apurar a soma dos quatro semestres já que a fiscalização apurou o lucro real trimestralmente. A fiscalização demonstrou o total de receitas e despesas anuais afim de demonstrar que os valores apurados coincidem com os valores discriminados nos balancetes de dezembro de cada ano apresentados pela FCO. Refazendo o demonstrativo de 1999, encontra se duas diferenças: A primeira foi a não inclusão e uma receita no valor de R$ 5.960.804, 30 (valor referente o ano anterior, lançado em janeiro de 1999). A segunda foi a não inclusão da despesa de R$ 1.281.946,09 (também resultado do ano anterior, lançado em 1999). Quanto aos anos de 2000, 2001 e 2002, foi demonstrado que o valor total de todas as contas de resultado coincidem com o valor total das mesmas contas registradas nos balancetes dos meses de dezembro de 2000, 2001 e 2002 apresentados pelo contribuinte. Quesito 3 A contabilidade do contribuinte foi efetuada de acordo com os princípios da contabilidade, inclusive, oportunidade e competência, atestado pelos relatórios dos auditores independentes contratados pela contribuinte. Não há porque fazer a conciliação doa valores das demonstrações de encerramento, tendo em vista que não cabe à fiscalização apurar superávit ou déficit da contribuinte. Ao considerar que a contabilidade da FCO está de acordo com a legislação comercial, o dever da auditoria é calcular o lucro tributável com base nos balancetes mensais. Assim, esta fiscalização não questiona o superavit/déficit apurado pela contribuinte. Os balancetes mensais apurados pela FCO (anexo 2), refletem os lançamentos contábeis registrados nos seus livros diário e razão. Por fim, a autoridade diligenciante informou que ao refazer a apuração trimestral foi constatado uma diferença em relação ao apurado pela fiscalização, diferença essa devido a apropriação em duplicidade da conta resultado de participação societária de saldo devedor. Tal fato gerou um valor lançado a menor no auto de infração, e em virtude da decadência, não há como corrigir esta diferença. Cientificada da diligência a recorrente alega: Que a fiscalização incluiu na base de cálculo receita que não é da recorrente; Há receitas que não são suas, pois são decorrentes de verbas públicas destinadas ao financiamento de projetos de pesquisas, extensão e outros projetos administrados pela recorrente, que se dedica sem fins lucrativos, ao ensino, pesquisa e extensão da escola de engenharia da UFMG. São valores destinado à pagamento de bolsas a alunos e professores, à Fl. 2339DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 16 importação de equipamentos, compra de materiais e consumo e afins. Valores que transitam pelo caixa da FCO com destinação específica prevista no projeto aprovado, e que obviamente não lhe pertencem. A recorrente mantém controle por centro de custo que permite identificar com clareza os recursos de terceiros e as receitas próprias. No centro de custo FCO e administração central a recorrente contabiliza os valores que recebe em razão dos serviços prestados pela administração dos recursos geridos calculados a um percentual de 8% (em 1999 era 10 %). Esta é a receita efetiva da recorrente que deve ser tomada para efeitos de base ce cálculo de uma apuração fiscal. Assim, a fiscalização os valores totais contabilizados que incluem além dos recursos públicos destinados aos projetos da escola de engenharia, também os repasses obrigatórios de 10 a 2%, respectivamente que a recorrente deve fazer à escola e engenharia e a reitoria, a título de fomento acadêmico e formação e treinamento de recursos humanos. Na diligência repetiuse os mesmos equívocos, pois, não excluíram os valores que não são da FCO. Assim, o fisco presumiu serem receitas da fundação receitas públicas que apenas transitam pela fundação, pois, destinadas à projetos de extensão da UFMG. Voto Conselheiro Mário Sérgio Fernandes Barroso, Relator O recurso preenche o requisito de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Os lançamentos desse processo referemse ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, uma vez que o Fisco suspendeu a imunidade tributária da contribuinte, conforme anteriormente relatado. Julgado no processo 10680.007360/200335, na sessão de 18/09/2008, através do acórdão 10809723. O voto anterior que determinou a diligência assim, asseverou sobre o tema: “A decisão aqui tomada leva em consideração aquela proferida pela então 8a.Câmara do 1o. Conselho de Contribuintes, na sessão de 18/09/2008, através do acórdão 108 09723, processo 10680.007360/200335, que suspendeu a imunidade da Recorrente. A decorrência lógica é a impossibilidade de se tratar da matéria ali decidida, neste processo, motivo que prejudica sua reanálise, conforme pretende a Contribuinte em suas razões de recurso e memoriais anexados aos autos.” A recorrente alega que não lhe foi dado a oportunidade de optar por outra forma de tributação, e assim, requer apuração do Lucro Real na forma anual. A forma usual de tributação é o Lucro Real trimestral, a opção pelas antecipações mensais só se faz possível, obviamente antes do início do ano calendário. Esta Fl. 2340DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10680.004962/200411 Acórdão n.º 1103000.777 S1C1T3 Fl. 2.333 17 forma de apuração gera para o fisco uma vantagem, pois, a não ser que o contribuinte levante balancete de redução/suspensão visando pagar menos, o fisco todo o mês recebe alguma antecipação. No caso dos autos como optar a destempo por este sistema se a recorrente não pode mais fazer as antecipações?. Depois, com que sentido/vantagem faria isso, levando em conta que a recorrente já dispõe do resultado de todos os trimestres dos respectivos anos calendários. Dessa forma, tendo já seu resultado final em cada trimestre, e uma vez que tanto a fiscalização como a autoridade diligenciante atestam a qualidade da contabilidade da recorrente, o que afasta o arbitramento, não se pode afastar a forma de apuração do Lucro Real a trimestral. DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ e da CSLL A FCO, mesmo sendo, formalmente, uma instituição sem fins lucrativos, realizou uma completa apuração de resultados, escriturando livros contábeis revestidos das formalidades legais próprias. Assim, por ocasião da suspensão da imunidade, para efeito de tributação, nada impede que a partir dessa escrituração sirvam os resultados constantes dela como base para apuração do lucro real. Primeiramente, apurouse o lucro líquido de cada trimestre, em função dos balancetes (Anexo “02”, fls. 01/447), apresentados pela própria contribuinte. Como se vê nos demonstrativos elaborados (fls. 47/50, espelhados fielmente nesses balancetes), esse lucro surgiu do confronto de todas as receitas e despesas contabilizadas. Depois, a Fiscalização, partindo do lucro líquido apurado (demonstrativos de fls. 51/54), determinou o respectivo lucro real, não fazendo adições nem exclusões e realizando, dentro do limite legal de 30%, as compensações dos prejuízos fiscais encontrados ao longo dos períodos fiscalizados. Frisase, em relação às adições ou exclusões ao lucro líquido, que a Fiscalização nada encontrou. Nem, a contribuinte, durante a fiscalização ou mesmo na apresentação da defesa, tratou de indicálas. Nesse sentido, vale lembrar que a contribuinte foi intimada, por duas vezes, a demonstrar o seu efetivo lucro real. A recorrente alega, contudo, que a Fiscalização, procedendo à apuração do lucro real, majorou suas receitas, na medida em que considerou como próprias receitas que não eram de sua titularidade. Resumidamente, diz que o seu faturamento é tãosomente a taxa de administração, estipulada, segundo as normas regulamentares da UFMG, em 8 % dos recursos geridos pela FCO. Nesse sentido, foram apresentados desde a impugnação demonstrativos de ajustes (documentos 05 a 08, fls. 41/97, do Anexo 04). Neste ponto, importante ressaltar, que como resultado da diligência a única diferença da apuração realizada pela contribuinte e a realizada pela fiscalização foram as receitas que a recorrente alega que não são suas. Neste ponto, insta transcrever parte do voto proferido na DRJ/BHE: “Contudo, a pretensão da Defendente não pode prosperar. Como se já viu, a FCO é uma empresa comercial que presta serviços, ainda que relevantes do ponto de vista da extensão e Fl. 2341DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 18 pesquisa atreladas às instituições federais de ensino. Ocorre que o fato de a FCO ser legalmente uma fundação de apoio ligada a uma instituição federal de ensino não a descaracteriza como uma empresa prestadora de serviços, que, normalmente, compete com outras do mesmo ramo. Notese que, por essas prestações de serviços, ela tem o dever de emitir os respectivos documentos fiscais. E o preço cobrado representará o seu faturamento, tributado conforme determina a legislação em vigor. 59. Assim, as suas receitas são todas aquelas contabilizadas, e não apenas uma parte delas, em razão de uma taxa de administração, segundo normas regimentais da UFMG. É preciso lembrar que quem, juridicamente, presta os serviços é a FCO, e não a UFMG. Se existem repasses obrigatórios decorrentes de normas internas da universidade, esses, no máximo, há de ser considerados como custos ou despesas, os quais foram, na totalidade, considerados para apuração do lucro real. A despeito do que sustenta a impugnante, a titularidade das receitas contabilizadas é, sim, da FCO. Esta instituição é quem se compromete, por contrato, a prestar os serviços de consultoria, cobrando o preço estipulado e emitindo os respectivos documentos fiscais. Dessa forma, embora relevantes os serviços realizados pela recorrente, esta as presta não o Estado, não podendo assim obter vantagens não extensivas à outras empresas. DA DEDUTIBILIDADE DA COFINS A recorrente alega que não foram deduzidos os valores pagos a título de Cofins, e nem os valores autuado a esse título. Quanto a dedutibilidade dos valores já pagos o acórdão atacado dispõe: “63. Ocorre que a COFINS espontaneamente paga pela contribuinte faz parte das despesas contabilizadas (vide fls. 140, do Anexo “02”, onde constam discriminadas as despesas gerais do anocalendário de 1999), sendo, assim, despesas que foram decotadas das receitas que geraram os lucros tributados. Importa ressaltar que, conforme consta do sistema “SINAL”, existem recolhimentos, registrados no código de receita “2172”, relativamente aos períodos compreendidos entre 01/01/1997 a 14/07/1999, último recolhimento efetuado para COFINS.” Dessa forma, já foram descontados os valores recolhidos de Cofins. Quanto ao Cofins lançado no auto de infração, este não pode ser deduzido, a saber: ““RIR/1999. Fl. 2342DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO Processo nº 10680.004962/200411 Acórdão n.º 1103000.777 S1C1T3 Fl. 2.334 19 Art. 344. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41). § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos II a IV do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966, haja ou não depósito judicial (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41, § 1º).” (Grifou se)” Dessa forma, a COFINS lançada pela Fiscalização, pendente de recurso administrativo interposto pela contribuinte, nos termos do art. 151, III, do CTN (processo administrativo fiscal nº 10680.004963/200466), a sua dedutibilidade na apuração do lucro real não pode se dar, conforme expressamente acima transcrita (o que está consoante o § 1º, do art. 41, da Lei nº 8.981, de 1995). Quanto ao IRRF a recorrente alega que não foram aproveitados todas as retenções, e requer a compensação dos valores excedentes aos lançados nos respectivos períodos. O acórdão atacado aproveitou todo o IRRF comprovado. A tabela de fls.290 (item 74 do acórdão recorrido) não me permite concluir de modo diverso, pois, há um campo de IRRF comprovado, e todo este é aproveitado. No entanto, se assim não o foi o acórdão em questão teria apenas se limitado a legislação, pois, do valor lançado de IRPJ por trimestre pode ser abatido o IRRF retido no trimestre. Se houvesse excedente, primeiramente, caberia a recorrente fazer prova deste excedente, contudo, esse possível excedente iria compor o prejuízo da contribuinte e poderia ser compensado, ou até mesmo restituído. Ocorre, que o pedido de compensação aqui presente não é de competência originário do CARF, não podendo, assim, ser deferido. Quanto a CSLL adicionamos que, a Constituição Federal de 1988, no seu art. 195, § 7°, tornou as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei isentas das contribuições para a seguridade social, “in verbis”. “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.” Trata o comando constitucional de uma imunidade, apesar de utilizarse da expressão "são isentas", uma vez que o mesmo veda o nascimento da obrigação, já que atendidas às exigências legais não poderá o legislador infraconstitucional tributálas. Regulamentando esses requisitos, a Lei nº 8.212, de 24/07/1991, assim dispõe, no seu art. 55, “in verbis”: Fl. 2343DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO 20 “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18711, de 28/06/01); III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a criança, adolescentes, idosos e portadores de deficiência (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98, porém já estava em vigor desde a MP nº 1.729, de 02/12/98. A aplicabilidade deste inciso encontrase suspensa em face de liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal STF, na ADIN 2.0285, de 14/07/99, referendada pelo plenário em 11/11/99); IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; (...)” Verificase, também, que, para ser isenta das contribuições para seguridade social, é vedado à entidade beneficente de assistência social remunerar, a qualquer título, os seus dirigentes (Lei nº 8.212, de 1991, art. 55, IV). E, como já abordamos, a FCO desobedece a esse requisito legal. Ademais, a FCO não pode ser caracterizada como instituição beneficente de assistência social, não possuindo, por isso, o Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, a que alude o art. 55, II, da Lei nº 8.212, de 1991. De todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 07 de novembro de 2012 Mário Sérgio Fernandes Barroso Fl. 2344DF CARF MF Impresso em 05/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIO SERGIO FERNANDES BARROSO
score : 1.0
Numero do processo: 13876.000111/2005-81
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2001
Simples Federal. Limite de Receita Bruta
Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica que na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte, tenha auferido, no ano-calendário imediatamente anterior, receita bruta superior ao limite legalmente estabelecido para ingresso e permanência na sistemática simplificada.
Numero da decisão: 1801-001.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
______________________________________
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
______________________________________
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, e Ana de Barros Fernandes.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2001 SIMPLES FEDERAL. LIMITE DE RECEITA BRUTA Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica que na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte, tenha auferido, no ano calendário imediatamente anterior, receita bruta superior ao limite legalmente estabelecido para ingresso e permanência na sistemática simplificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 00 01 11 /2 00 5- 81 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13876.000111/200581 Acórdão n.º 1801001.194 S1TE01 Fl. 75 2 Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, e Ana de Barros Fernandes. Relatório Recorre a interessada a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – contra decisão da 1a. Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP que, por unanimidade, indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada contra ato declaratório que a excluiu do Simples Federal com efeitos retroativos a 01/01/2002. A empresa foi excluída do Simples Federal pelo Ato Declaratório DRF/SOR nº. 563.527, de 2004 (fl. 16), por ter extrapolado, no anocalendário 2001, ano imediatamente anterior, o limite de receita bruta imposto pela legislação para ingresso e permanência na sistemática simplificada, de R$ 1.200.000,00. A interessada apresentou SRS (fls. 13/14) indeferida pelo Comunicado SACAT/DRF/SOR n º 338/2004 (fl. 15). Na manifestação de inconformidade (fls. 01/06) alegou que a diferença, no valor de R$ 51.098,60 entre o limite permitido pela legislação e o valor da receita bruta efetivamente auferida seria ínfimo e que teria se compensado em anos posteriores quando experimentou valores de receita bruta em limites inferiores ao permitido. Aduziu que deveria ser reconhecido que o ano de 2001 teria sido um ano atípico, em que houve o conhecido “apagão” que implicou na obtenção de um faturamento, no segundo semestre, de R$ 552.545,15, enquanto que no primeiro semestre do mesmo ano faturou o valor de R$ 698.553,45. Ademais, nos anos de 2002 a 2004 seu faturamento permitiria sua permanência no Simples e que a própria legislação determinaria a sua reintegração automática. Alegou que faltaria fundamentação às razões de indeferimento da SRS, implicando na nulidade total do procedimento administrativo Na apreciação do litígio a 1a. Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP manteve a exclusão ao fundamento de que a contribuinte teria violado as disposições legais que regem o Simples Federal, o que impediria a sua permanência no sistema simplificado (fl. 42/45). Notificada da decisão, em 04/02/2009 (AR fl. 49), apresentou a interessada, em 20/02/2009, o recurso voluntário de fls. 50/61. Aduz a defesa que o julgado combatido teria se calcado estritamente nos ditames da lei, sem aplicar a hermenêutica que o caso comporta e, portanto, deixando de praticar a justiça. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13876.000111/200581 Acórdão n.º 1801001.194 S1TE01 Fl. 76 3 Afirma que a empresa não teria se “preocupado’ em “controlar” o seu faturamento do anocalendário 2001, o que provaria sua boafé no trato da coisa pública e invoca a aplicação do princípio da razoabilidade e dos enunciados n º 24 e 25. Pondera que não seria possível requerer, de imediato outro pedido de inclusão no Simples pois somente teria se inteirado da exclusão alguns exercícios após 2001 e que o artigo 112 do CNT determina que a lei interpretase de maneira mais favorável ao acusado, evidenciando a possibilidade de manterse no sistema. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. A recorrente não nega que extrapolou, no anocalendário 2001, o limite de R$ 1.200.000,00 imposto pela legislação do Simples Federal para ingresso e/ou permanência na sistemática. Ao contrário. Afirma que a receita bruta total auferida em 2001 foi de R$ 1.251.098,60, sendo que no primeiro semestre teria obtido um faturamento de R$ 698.553,45 e no segundo semestre, receita bruta de R$ 552.545,15. Não há, portanto, outra interpretação que possa ser dada aos dispositivos legais que determinam a sua exclusão do Simples Federal a partir de 01/01/2002. Nesse sentido a Lei n º 9.317, de 1996, é de clareza cristalina: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: ... II na condição de empresa de pequeno porte que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais); ... Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: I por opção. II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°, ... Fl. 169DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13876.000111/200581 Acórdão n.º 1801001.194 S1TE01 Fl. 77 4 Art. 14. A exclusão darseá de oficio quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: 1 exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: ... IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9º; Para os anoscalendário posteriores, em que afirma a recorrente que manteve a receita bruta nos limites permitidos, poderá ser formalizado novo pedido de ingresso no sistema, como bem salientou a turma julgadora de 1a. instância. Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 170DF CARF MF Impresso em 09/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 16408.000883/2006-17
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002
PRELIMINAR DE NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO.
Uma vez constatado que parte da matéria impugnada não foi apreciada pelo
colegiado de primeira instância, devem os autos retornar à DRJ para que a
mesma seja julgada.
Numero da decisão: 1102-000.848
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular as decisões de primeira instância para que outra seja proferida na boa e devida forma, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Albertina Silva Santos de Lima Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Integrantes do colegiado: João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Antonio Carlos Guidoni Filho e Albertina Silva Santos de Lima.
Nome do relator: ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002 PRELIMINAR DE NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. Uma vez constatado que parte da matéria impugnada não foi apreciada pelo colegiado de primeira instância, devem os autos retornar à DRJ para que a mesma seja julgada.
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DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. Uma vez constatado que parte da matéria impugnada não foi apreciada pelo colegiado de primeira instância, devem os autos retornar à DRJ para que a mesma seja julgada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular as decisões de primeira instância para que outra seja proferida na boa e devida forma, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Integrantes do colegiado: João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barretto, José Sérgio Gomes, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Antonio Carlos Guidoni Filho e Albertina Silva Santos de Lima. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 40 8. 00 08 83 /2 00 6- 17 Fl. 778DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16408.000883/200617 Acórdão n.º 1102000.848 S1C1T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto contra decisão de primeira instância que considerou o lançamento improcedente. A autuação diz respeito a lançamento do IRPJ (R$ 575.072,72) e CSLL (R$ 202.729,90), acrescidos de juros e multa de ofício de 75%, dos anoscalendário de 2001 e 2002, cuja ciência do lançamento ocorreu em 31.07.2006. Exigese ganho de capital, não acrescido à base de cálculo para fins de apuração do IRPJ e adicional e da CSLL, com o seguinte enquadramento legal: art. 3º, § 3º da Lei 9.249/95; arts. 8º e 19 da Lei 9.393/96; art. 25, II da Lei 9.430/96; e arts. 521 e 523 do RIR/99, art. 173, I, da Lei 5.172/66, em razão das infrações abaixo: a) O sujeito passivo é acusado de ter adicionado às receitas da atividade rural, para fins de cálculo do lucro presumido, as receitas de vendas de bens do ativo permanente, quando deveria ter apurado os respectivos ganhos de capital e só então adicionálos ao lucro presumido; b) na apuração de ganho de capital pela alienação da terra nua, a fiscalização desqualificou os ajustes contábeis dos custos de aquisição efetuados pelo sujeito passivo. Também foi acusado de não ter procedido à retenção e ao recolhimento do imposto de renda na fonte incidente sobre a parcela dos lucros distribuídos que excedeu aos lucros acumulados e às reservas de lucros existentes no anocalendário de 2001, com enquadramento legal nos arts. 722, 723, 725, 726 e 957 do RIR/99, o que implicou na imposição de multa isolada e juros de mora isolados relativos ao anocalendário de 2001. Passo a relatar as informações contidas no relatório de atividade fiscal, de fls. 537/575. A empresa foi constituída sob a forma de sociedade anônima em 12.03.2001, com capital inicial de R$ 40,00, tendo por objeto social, a atividade de agricultura, reflorestamento e extração vegetal, e ainda, comercialização de produtos obtidos no exercício dessas atividades. Em 05.04.2001 foi realizada a 2ª Assembléia Geral Extraordinária, na qual se aprovou a incorporação nessa empresa, de parcela patrimonial desmembrada da empresa Arvoredo AgroFlorestal S/A, com incorporação de parte do patrimônio líquido de igual valor, representado por R$ 540.000,00 de capital social e R$ 8.890,00 de lucros acumulados. Os imóveis rurais e reflorestamentos foram incorporados ao imobilizado, como integralização de capital. A seguir ocorreram as alienações dos imóveis, a prazo, e os pagamentos foram efetuados entre maio de 2001 e julho de 2002. Fl. 779DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16408.000883/200617 Acórdão n.º 1102000.848 S1C1T2 Fl. 4 3 Fazenda Valor de aquisição R$ Valor de alienação R$ Data da escritura Fazenda Balão 353.618,03 1.500.000,00 05/07/2001 Fazenda Barro Preto 41.123,24 1.123.000,00 19/07/2001 Fazenda Cadeado 154.143,39 498.000,00 06/2001 À medida em que a autuada recebia o valor relativo à alienação, efetuava adiantamentos de dividendos aos sócios, de forma que ao final, do total recebido de R$ 3.123.000,00, adiantou dividendos no valor de R$ 2.879.566,89. Acusa a fiscalização que a contribuinte jamais operou o objeto social constante de seus estatutos, e que a única operação de fato executada consistiu na alienação do patrimônio incorporado mediante a cisão da empresa Arvoredo AgroFlorestal S/A com a distribuição dos resultados aos sócios concretizandose de forma indireta a dissolução da própria sociedade, com a devolução do patrimônio líquido aos sócios, de forma que, uma vez diluído o patrimônio líquido entre os sócios não resta nenhuma capacidade operacional da pessoa jurídica. Acusa ainda, que a devolução do patrimônio líquido entre os sócios, foi feita com infração à legislação tributária, praticada pelos dirigentes da sociedade consistente no não oferecimento à tributação dos resultados obtidos na alienação dos bens do ativo imobilizado, inflando o resultado líquido em face do não pagamento dos tributos e distribuído indevidamente as quantias equivalentes aos tributos sonegados a título de dividendos aos sócios. A empresa optou pelo lucro presumido. Separou contabilmente os resultados obtidos com a venda da terra nua dos resultados com a venda do reflorestamento e projetos florestais existentes nos imóveis, dando tratamento tributário de ganho de capital à venda de terra nua e de receita da atividade ao valor recebido atribuído às florestas. Para efeito de apuração de ganho de capital, ao valor de aquisição, adicionou ajustes de acordo com o valor declarado a título de ITR pelo antigo proprietário, resultando na não apuração de ganho de capital. Afirma a fiscalização que não subsiste o ajuste contábil do custo de aquisição feito pela fiscalizada no valor da terra nua informado no Documento de Informação e Apuração do ITR – DIAT, pois não estariam presentes os requisitos para a adoção do critério previsto no art. 19 da Lei 9.393/96, pois os terrenos rurais foram adquiridos em abril, por força de incorporação patrimonial e alienados em junho e julho de 2001, antes portanto, da entrega do DIAT do ano de 2001 pela adquirente. Cita o art. 10 da IN SRF 84/2001. Além disso, os valores da terra nua informados no DIAT – ITR apresentadas pelos antigos proprietários não coincidem com os ajustes feitos pela fiscalizada na sua contabilidade. A fiscalizada tributou os recebimentos referentes aos contratos particulares de compra e venda de floresta em pé como se fosse receita da atividade, embora tenha contabilizado corretamente esses pagamentos como receita não operacional de vendas do ativo imobilizado. Apurou como base do IRPJ apenas 8% dos valores relativos a esses contratos, recebidos em cada trimestre, e 12% da CSLL. Além desses tributos, a fiscalizada declarou e recolheu mensalmente as contribuições para o PIS e COFINS como se devidas fossem sobre as parcelas recebidas. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16408.000883/200617 Acórdão n.º 1102000.848 S1C1T2 Fl. 5 4 A autoridade fiscal afirmou que não está certa a tributação dos resultados sobre as vendas de florestas, uma vez que não se trata de receita da atividade operacional da pessoa jurídica, mas sim de ativo imobilizado sujeita a apuração de ganho de capital, como corretamente contabilizou a empresa. Acusa a fiscalização que a autuada adotou na tributação dos resultados, procedimentos que seriam típicos da exploração da atividade rural, mas que ainda que o objeto social aponte para a exploração desse tipo de atividade, as operações praticadas não se identificam com tal conceito. Afirma a fiscalização que os bens incorporados ao ativo permanente imobilizado da fiscalizada sejam os terrenos, sejam as florestas mesmo que destinados à exploração da atividade agroflorestal, sujeitamse, uma vez alienados, às normas de apuração de ganho de capital. Em relação à terra nua, a própria fiscalizada não teve dúvidas quanto ao tratamento correto como ganho de capital embora tenha se utilizado de procedimentos incorretos na apuração dos ganhos que levaram à anulação do ganho verificado. De acordo com o § 3º do art. 4º da Lei 8.023/90, “na alienação de bens utilizados na produção, o valor da terra nua não constitui receita da atividade agrícola e será tributado de acordo com o disposto no art. 3º combinado com os arts. 18 e 22 da Lei 7713/88”. A fiscalização salienta que as florestas e direitos florestais também devem ser contabilizados como ativo permanente da empresa e estão sujeitos a quotas de exaustão pela sua exploração, que poderão ser computados como custo ou encargos, nos termos dos arts. 328 e 334 do RIR/99, e que por não estarem sujeitos a depreciação, não se enquadram na previsão legal de dedução integral no próprio ano de aquisição. (art. 6º da MP 215970, de 24.08.2001, visto que aquela só é permitida em se tratando de depreciação propriamente dita dos bens do ativo permanente imobilizado, adquiridos para uso na referida atividade. Assim, o ganho na alienação de tais ativos não compõe o resultado da atividade rural, nos termos do § 1º do art. 11 da IN SRF 257/2002, que dispõe sobre a tributação do resultado da atividade rural das pessoas jurídicas, mas deverão ser acrescidos à base de cálculo, no mês em que forem auferidos, como ganhos de capital, conforme § 2º do art. 12 e 19 da mesma IN. Acrescenta que ainda que se admitisse o mesmo tratamento às florestas e direitos florestais para os demais bens da atividade rural, exceto a terra nua, uma vez mais não estaria correto o procedimento adotado pela fiscalizada na apuração dos tributos devidos, pois o art. 11 da citada IN define como resultado da atividade rural “a diferença entre os valores das receitas auferidas e da despesas incorridas no período de apuração...”. O art. 4º do mesmo ato define a receita bruta da atividade rural “aquela decorrente da exploração das atividades relacionadas no art. 2º”, nas quais se incluem no inc. III: “ a extração e a exploração vegetal e animal”, e no inc. IV: “o cultivo de florestas que se destinem ao corte para a comercialização, consumo ou industrialização”. Por sua vez, o § 1º do art. 11 citado dispõe que “o resultado da alienação de bens utilizados exclusivamente na produção, com exceção da terra nua e observado o disposto no § 5º do art. 14 e nos arts. 20 e 22 compõem o resultado da atividade rural”. Fl. 781DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16408.000883/200617 Acórdão n.º 1102000.848 S1C1T2 Fl. 6 5 Assim, conclui que mesmo que não fosse dado tratamento de ganho de capital, o resultado da alienação das referidas florestas deveria ser acrescido ao resultado da exploração da atividade rural e não poderiam ser tratadas como receitas da exploração da atividade, como pretendido pela autuada. Observa ainda que embora a terra nua e as florestas tenham sido objeto de documentos distintos de alienação, sendo as primeiras mediante escritura pública e as segundas por meio de contrato particular de compra e venda, ambos foram firmados na mesma data. Dessa forma foi apurado o ganho de capital obtido em conjunto na alienação de cada um dos terrenos rurais. Calculado o ganho de capital, apurado o imposto de renda e o adicional, calculou o total do imposto de renda, deduziu o imposto declarado e obteve a diferença do imposto de renda devido. Efetuou o mesmo em relação à CSLL. Reconheceu que não há incidência da contribuição para o PIS e COFINS . Ao ajustar os resultados apurados na contabilidade com a adição da diferença dos tributos, a fiscalização verificou que a fiscalizada efetuou a distribuição de lucros no ano de 2002 por conta de períodobase ainda não encerrado, em valor superior aos lucros acumulados e reservas disponíveis em 31.12.2001 (uma vez que apurou prejuízo no ano de 2002),de modo que as parcelas excedentes devem ser submetidas à tributação nos termos do art. 3º, § 4º, da Lei 7.713/88, com base na tabela progressiva mensal a que se refere o art. 3º da Lei 9.250/95. A fiscalização efetuou os ajustes necessários e também ajustou os resultados, acrescendose a eles os ajustes de custos relativos ao DIAT – ITR. Conclui que após o mês de fevereiro de 2002 todos os valores adiantados aos sócios a título de antecipação de dividendos estão sujeitos à tributação e no mês de fevereiro apenas o valor de R$ 57.598,40. Tendo em vista que a fonte pagadora não efetuou a retenção e nem recolheu o IRRF que seria devido, está sujeita à multa de ofício prevista no inciso II, do art. 44 da Lei 9.430/96, com a redação dada pela MP 303/2006, nos termos do art. 9º da MP 16/2001, convertida na Lei 10.426/02. Sujeitase também aos juros de mora pelo atraso, calculados com base na taxa selic, conforme § único do art. 722 do RIR/99. A multa e os juros incidem sobre o valor que deveria ter sido retido. A fiscalização afirma que não subsiste o ajuste contábil do custo de aquisição feito pela fiscalizada no valor da terra nua, demonstrado com base no ITRDIAT, porque não se encontram presentes os requisitos para adoção do critério previsto no art. 19 da Lei 9393/96 e IN SRF 84, de 11.10.2001, § 1º, I, pois as DIAT do ano de 2001 foram apresentadas pelos novos adquirentes. Afirma ainda que os valores da terra nua informados nas DIAT – ITR apresentadas pelos antigos proprietários referidos não coincidem com os ajustes feitos pela fiscalizada na sua contabilidade. Diz que esses ajustes consistiram em verdadeira “conta de chegar” de modo a anular o ganho de capital que ocorreria sobre a venda das terras nuas e benfeitorias (mesmo consideradas isoladamente das florestas. Conclui que não procedem os ajustes feitos, devendo prevalecer os custos de aquisição, tanto da terra nua, quanto das florestas. Atribuiu a responsabilidade solidária aos sócios (art. 124, I, 135, III, do CTN) em razão de o objetivo ter sido a alienação do patrimônio incorporado mediante a cisão da empresa Arvoredo AgroFlorestal, com a distribuição do resultado aos sócios, concretizandose Fl. 782DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16408.000883/200617 Acórdão n.º 1102000.848 S1C1T2 Fl. 7 6 de forma indireta a dissolução da própria sociedade, com a devolução do patrimônio líquido aos sócios. Acrescenta que neste caso, a devolução do PL entre os sócios, foi feita com infração à legislação tributária, praticada pelos dirigentes da sociedade, consistente no não oferecimento à tributação dos resultados obtidos na alienação dos bens do ativo imobilizado, inflando o resultado líquido em face do não pagamento dos tributos e distribuindo indevidamente as quantias equivalentes aos tributos sonegados a título de dividendos aos sócios, pois, na verdade foi distribuído aos sócios não apenas os lucros apurados, como todo o PL, inclusive o capital social investido. Concluiu que na prática houve a extinção da sociedade de forma irregular, e que não se trata de mero inadimplemento da obrigação tributária, mas sim de pagamento de tributo a menor efetuado com base em estudado planejamento não amparado pela legislação tributária, agravado pela distribuição de lucros inflados indevidamente pelo não pagamento de tributos. Afirma que o acionistadiretor Leondy Zarpellon foi beneficiado no valor de R$ 1.069.742,30 que representa 37,15% do total de dividendos distribuídos aos sócios. De outra parte, deixaram de recolher R$ 777.802,82 de IRPJ e CSLL devidos, que deveriam ser pagos antes da distribuição aos sócios. A ausência de qualquer atividade operacional da empresa nos últimos 4 anos denota que o objetivo de fato da constituição da sociedade, mediante cisão da Cia. Arvoredo AgroFlorestal, foi promover a liquidação do patrimônio e sua devolução aos sócios, mal disfarçada sobre a forma de dividendos, tendo ocorrido na prática a dissolução de fato da sociedade. Assim, nos termos do art. 135, III, do CTN, os diretores eleitos conforme a Ata da Assembléia Geral de Constituição e posteriormente ratificados na Primeira Assembléia Geral Extraordinária, conforme ata da empresa, são pessoal e solidariamente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes às obrigações tributárias resultantes dos atos praticados com infração da lei tributária. Os atos de gestão perpetrados pelos sóciosdiretores, concernentes ao não pagamento dos tributos na forma da lei e a imediata e subseqüente distribuição dos resultados obtidos com a alienação do patrimônio da companhia aos sócios, conforme amplamente demonstrado, tornaram inexeqüível a satisfação do crédito tributário pela pessoa jurídica autuada. Também restou caracterizada a responsabilidade solidária dos sócios diretores nos termos do art. 124, I, do CTN, pois tinham interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, uma vez que o não pagamento dos tributos na forma devida, propicioulhes uma distribuição mais benéfica dos resultados sob a forma de dividendos. Apresentada impugnação, transcrevo do relatório contido na decisão de primeira instância, a argumentação do sujeito passivo: 6. Cientificada dos lançamentos em 31.07.2006, a interessada os impugnou no dia vinte e três seguinte (fls. 614/630). Alegou preliminarmente que, à época da ciência do lançamento, já havia decaído o direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário sobre os fatos geradores ocorridos no segundo trimestre de 2001, uma vez que, em não havendo dolo, fraude ou Fl. 783DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16408.000883/200617 Acórdão n.º 1102000.848 S1C1T2 Fl. 8 7 simulação, é de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, o prazo decadencial para a exigência de tributos sujeitos ao regime de lançamento por homologação, como é o caso do IRPJ e da CSLL. 7. Contra o mérito, disse ela, em suma: 7.1. que não procede a apuração de ofício do ganho de capital porque o art. 523 do RIR/1999 considera como custo de aquisição e preço de venda do imóvel rural o valor da terra nua (VTN) constante do documento de informação e apuração do imposto territorial rural (DIAT) nos anos da ocorrência de sua aquisição e de sua alienação, respectivamente; 7.2. que não há, nem na Lei n° 9.393, de 1996, nem no RIR/1999, a imposição de o DIAT ser entregue em nome do próprio contribuinte; basta a sua entrega; 7.3. que, assim, foram absolutamente corretos os ajustes. efetuados com o fito de cumprir a regra do citado artigo 523; 7.4. que, no que diz respeito às vendas de florestas em pé, os recebimentos a esse título configuram, diferentemente da afirmação do autuante, atividades consideradas rurais, conforme previsto no art. 2°, IV, da IN SRF n° 257, de 2002 ("Art. 2° A exploração da atividade rural inclui as operações de giro normal da pessoa jurídica, em decorrência das seguintes atividades: IV — o cultivo de florestas que se destinem ao corte para comercialização, consumo ou industrialização"); 7.5. que esta norma regulamentar traduz fielmente a regra estampada na Lei n° 9.430, de 1996, assim redigida: "Art. 59 Considerase, também, como atividade rural o cultivo de florestas que se destinem ao corte para comercialização, consumo ou industrialização"; 7.6. que, no presente caso, efetuou vendas de florestas plantadas em propriedades rurais, as quais foram plantadas há muitos anos atrás e consistiam em determinadas espécies de árvores cujo plantio obedecia a projetos protocolados no IBAMA, com compromisso de manutenção e cultivo por prazo mínimo de vinte anos; 7.7. que as árvores cultivadas se destinavam ao corte e, com esta destinação, foram por ela comercializadas; 7.8. que elas foram vendidas como florestas em pé, cuja receita foi submetida à tributação, com base no lucro presumido, na forma determinada pelos artigos 518 e 523 do RIR/1999; e 7.9. que somente foram computadas como ganho de capital as vendas de terra nua, nos termos do art. 523 do RIR/1999. 8. Contrapôsse a interessada à exigência da multa proporcional e dos juros de mora com o argumento de que a acumulação desses dois encargos configura confisco, o que é vedado pela Constituição Federal. Fl. 784DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16408.000883/200617 Acórdão n.º 1102000.848 S1C1T2 Fl. 9 8 9. Contra a aplicação da multa isolada, ela alegou, em resumo: 9.1. que tal punição contraria a ampla jurisprudência do Conselho de Contribuintes e, além disso, foi calculada erroneamente; 9.2. que a multa isolada não pode ser aplicada em concomitância com a de oficio e nem depois do término do períodobase; 9.3. que é esse o entendimento do Conselho de Contribuintes, como denotam as ementas de acórdãos transcritas na impugnação; 9.4. que, além disso, ao estabelecer a base de cálculo da multa isolada, o autuante cometeu evidente erro, pois não poderia "deduzir do resultado do exercício "Diferença IRPJ Devido" e "Diferença CSLL Devida", quer no anocalendário de 2001, quer no anocalendário de 2002"; e 9.5. que essas deduções são absolutamente indevidas porque os seus valores correspondem às diferenças de IRPJ e CSLL aqui contestadas e porque seus resultados são tributados pelo regime de caixa, conforme autorizado pelo art. 1° da IN SRF n° 104, de 1998. 10. Por fim, a interessada reclamou da atribuição da responsabilidade tributária ao Sr. Leondy Zarpellon, seu acionista e diretor, e ao Sr. Marcelo Vosnika, seu diretor, porque o comportamento deles não se amoldou aos fatos que ensejam a responsabilização solidária prevista nos artigos 124, I, e 135, III, do Código Tributário Nacional. Por maioria de votos, a Turma Julgadora considerou o lançamento improcedente. Afastou do IRPJ e da CSLL lançados, os montantes correspondentes ao 2º trimestre de 2001 (R$ 18.812,75 e R$ 8.349,39), por ter ocorrido a decadência, já que a ciência do lançamento foi dada em 31.07.2001. Em relação à exclusão do IRPJ e da CSLL, dos demais trimestres dos anos calendário de 2001 e 2002, transcrevo do voto condutor do acórdão os respectivos fundamentos: No que tange ao mérito, o art. 523 do RIR/1999 é o principal pilar da acusação de que o ganho de capital auferido na alienação das florestas em pé não foi acrescido, como deveria, ao lucro presumido. Diz o sobredito artigo que, para fins de apuração de ganho de capital na alienação de imóvel rural, considerase custo de aquisição e preço da venda o valor da terra nua (VTN) constante do documento de informação e apuração do ITRDIAT nos anos da ocorrência dos eventos. Observo que o dispositivo legal se refere ao imóvel rural de forma abrangente; não faz referência somente à porção da terra Fl. 785DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16408.000883/200617 Acórdão n.º 1102000.848 S1C1T2 Fl. 10 9 cultivável, ou terra nua, como a denomina a lei. Assim, o intérprete da lei é levado a concluir que, ainda que existam edificações e plantações no imóvel rural, somente a alienação da terra nua implica a apuração do ganho de capital; as importâncias recebidas pela eventual venda de outros bens integram a receita da atividade. A INSRF n° 257, de 2002, por seu turno, preceitua, no seu artigo 2°, que a exploração da atividade rural inclui as operações de giro normal da pessoa jurídica em decorrência, entre outras, da venda de pinheiros e madeira de árvores plantadas na propriedade rural (inciso VIII, "d", 3). De outro lado, houve por bem a mesma norma deixar patente, no seu art. 3º , as atividades que não são consideradas rurais. E, como se pode observar, entre as atividades ali listadas não foi incluída a venda de floresta plantada. Um outro dispositivo legal que merece destaque na presente questão é o § 3° do art. 40 da Lei n° 8.023, de 1990. Diz ele que "Na alienação de bens utilizados na produção, o valor da terra nua não constitui receita da atividade agrícola e será tributado de acordo com o disposto no art. 30, combinado com os arts. 18 e 22 da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988". Os bens utilizados na produção agrícola são os tratores, as colheitadeiras, as empilhadeiras, as serras, os silos, os galpões, tudo, enfim, que é empregado no cultivo, corte e armazenamento da produção. Pelo fato de o dispositivo legal excetuar da receita da atividade agrícola tãosomente o valor da terra nua, ouso afirmar que até mesmo a sede de uma fazenda, que, além de abrigar a sua administração, pode servir de moradia para os seus donos e empregados, deve ser considerada bem ligado à produção. Com base no texto do dispositivo, podese afirmar que, se uma floresta não constitui a própria produção agrícola, constitui, por certo, bem nela utilizado. Se a floresta é cultivada para corte, é com certeza a própria produção; se os seus frutos, folhas e galhos é que se destinam à venda, então é, sem dúvida, bem ligado à produção. Não fosse assim, seguramente a lei cuidaria de excetuar o seu valor da receita da atividade agrícola, tal qual fez com o valor da terra nua. Um outro aspecto que induz o intérprete da lei a essa conclusão é o de que, se o preço recebido pela eventual venda de algum bem do ativo permanente ligado à produção constitui receita da atividade agrícola, não há como o valor recebido pela venda da floresta, cortada ou em pé, deixar de constituíla, seja a floresta considerada produção ou bem nela utilizado. Diante do exposto, reputo acertado o procedimento da interessada de computar como receita da atividade rural o montante da alienação. das florestas e, por conseguinte, rejeito o lançamento do IRPJ e também o da CSLL, uma vez que ambos, Fl. 786DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16408.000883/200617 Acórdão n.º 1102000.848 S1C1T2 Fl. 11 10 embora com fundamentos legais distintos, tiveram a mesma motivação. A multa isolada também foi excluída pelas razões seguintes, transcritas a partir do voto condutor do acórdão: O lançamento da multa isolada, efetuado com base no art. 957 do RIR/1999, não merece outra sorte. A redação do sobredito dispositivo legal à época da ciência do lançamento era a que lhe foi dada pelo art. 18 da Medida Provisória n° 303, de 30.06.2006, in verbis: (...) Observo que a expressão "exigida isoladamente" constante no inciso II acima força o intérprete da lei a concluir que somente a multa nele prevista é passível de ser exigida independentemente da exigência do tributo. Isso porque, se a multa prevista no inciso anterior fosse passível de cobrança isolada, ou nele constaria também a mesma expressão, ou ela não constaria em nenhum dos dois dispositivos. Certamente por comungar nesse entendimento, houve por bem o autuante enquadrar no inciso II o procedimento da interessada de distribuir, em 2002, lucros por conta de períodobase ainda não encerrado em valor superior à soma dos lucros acumulados com as reservas disponíveis em 31.12.2001, sem reter e recolher o imposto a que estava sujeito o valor excedente, nos termos do § 4° do art. 3° da Lei n° 7.713, de 1988. Todavia, o inciso II somente se aplica às hipóteses previstas nas suas alíneas "a" e "b", e nenhuma delas guarda estreita correlação com o procedimento da interessada. Por último, lembro que, no direito tributário, assim como no direito penal, as penalidades devem obedecer ao princípio da tipicidade cerrada, assim entendido aquele que exige que a pena aplicável esteja perfeitamente especificada na lei e, desse modo, não demande jamais esforço algum de interpretação do aplicador da lei. Diante disso, rechaço também o lançamento da multa isolada, por considerálo sem amparo legal. Um dos julgadores que acompanharam o relator proferiu declaração de voto. Seu voto diverge do relator quanto ao fundamento para exclusão da multa isolada. Entende que a multa aplicável na hipótese apresentada não era a de 50%, prevista no inciso II do art. 44 da Lei 9.430/96,com a redação dada pela MP 303/2006, mas a de 75%, prevista no inciso I daquele dispositivo legal. Interposto recurso de ofício, o processo foi encaminhado a este Conselho. Na sessão de 14.12.2010, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção determinou o retorno dos autos à DRJ para apreciação da matéria relativa aos ajustes Fl. 787DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16408.000883/200617 Acórdão n.º 1102000.848 S1C1T2 Fl. 12 11 promovidos pelo sujeito passivo, para cálculo do ganho de capital relativo à alienação da terra nua, por ter sido impugnada e não julgada. O segundo acórdão de primeira instância consignou que somente a venda de terra cultivável ou terra nua, pode obrigar o vendedor a apurar ganho de capital. Seus fundamentos são: a) conforme os autos, as receitas auferidas com as alienações das terras nuas foram separadas das auferidas com as vendas dos reflorestamentos e dos projetos florestais existentes nos imóveis: b) que não houve ganho de capital na alienação das terras nuas porque o valor que lhes foi atribuído na declaração do ITR foi ajustado em decorrência de avaliação; c) que segundo o art. 523 do RIR/99, somente a alienação da terra nua pode obrigar o vendedor a apurar ganho de capital; d) que referido artigo se refere ao imóvel rural de forma abrangente e não faz referência somente à porção da terra cultivável, à terra nua, e consequentemente, há de se concluir que ainda que haja plantações e edificações no imóvel rural, somente a alienação da terra nua pode implicar a apuração de ganho de capital, e que as importâncias recebidas pelas vendas de outros bens integram a receita da atividade; e) a IN 257/2002, em seu art. 2º, preceitua que a exploração da atividade rural inclui as operações de giro normal da pessoa jurídica, em decorrência, entre outras, da venda de pinheiros e madeira de árvores plantadas na propriedade rural (inciso VIII, d, 3); assim, a existência de pinheiros e árvores plantadas na propriedade rural descaracterizase como terra nua, e afasta a hipótese de ganho de capital em sua venda; g) que tal norma também listou, em seu art. 3º, as atividades que não são consideradas rurais, e como entre as atividades listadas não foi incluída a venda de floresta plantada, o vendedor não está sujeito à apuração de ganho de capital; h) como o autuante reconheceu que a interessada não auferiu ganho de capital nas alienações das terras nuas, as únicas que, conforme a legislação citada podem produzir ganho de capital, não se pode deixar de reputar como acertadas as razões interpostas contra o suposto ganho de capital. É o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima O recurso de ofício atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Fl. 788DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16408.000883/200617 Acórdão n.º 1102000.848 S1C1T2 Fl. 13 12 O litígio diz respeito a exigência de IRPJ e CSLL dos anoscalendário de 2001 e 2002 em razão, de ganhos de capital, não terem sido acrescidos à base de cálculo do IRPJ, CSLL e do adicional, de empresa optante do regime do lucro presumido. Também foi exigida multa isolada de 50% e juros de mora isolados, pela falta de retenção e recolhimentos de IRRF sobre lucros distribuídos em excesso, em relação aos lucros acumulados e reserva de lucros, que incidiram sobre o valor do imposto que deveria ter sido retido. A base legal da exigência da multa de ofício isolada é o inc. II, do art. 44 da Lei 9.430/96, com a redação dada MP 303/2006, nos termos do art. 9º da MP 16/2001, convertida na Lei 10.426/02. A base legal para exigência dos juros isolados é o art. 722 do RIR/99. A fiscalização atribuiu a responsabilidade solidária aos sóciosgerentes (arts. 124, I, e 135, III, todos do CTN). A fiscalização acusa a recorrente de ter adotado na tributação dos resultados, procedimentos que seriam típicos da exploração da atividade rural, cujas operações praticadas não se enquadrariam nesse conceito, e que mesmo que tivesse executado operações próprias de exploração da atividade rural, as operações relativas à alienação dos terrenos rurais e respectivos direitos florestais não teriam o tratamento dado pela empresa. Afirma que os bens incorporados ao ativo permanente imobilizado, sejam os terrenos, sejam as florestas, mesmo que destinados à exploração da atividade agroflorestal, sujeitamse, quando alienados, às normas de apuração de ganho de capital. Segundo a fiscalização, em relação à terra nua, a contribuinte deu tratamento adequado, como ganho de capital, mas se utilizou de procedimentos incorretos na apuração dos ganhos de capital que levaram à anulação do ganho verificado. No item 7.2 do Termo de verificação fiscal, a fiscalização consignou que os ajustes feitos para cálculo do ganho de capital na alienação da terra nua são indevidos, devendo prevalecer os custos de aquisição. Segundo a fiscalização, o custo de aquisição dos terrenos e florestas é aquele que foi estabelecido no laudo de avaliação e no protocolo de cisão, conforme contabilizado no ativo permanente. Desconsidera o ajuste contábil do custo de aquisição efetuado com base no Demonstrativo de Informação e Apuração do ITR – DIAT, porque não estariam presentes os requisitos para a adoção do critério previsto no art. 19 da Lei 9.393/96. A fiscalização também acusa a autuada, de que os valores da terra nua informados nas DIATITR apresentadas pelos antigos proprietários não coincidem com os ajustes feitos na escrituração contábil. Os ajustes teriam consistido em “conta de chegar” de modo a anular o ganho de capital que ocorreria sobre a venda das terras nuas e benfeitorias, mesmo consideradas isoladamente das florestas. Na sessão de 14/12/2010, pelo acórdão 140200.336, o colegiado determinou o retorno dos autos à DRJ para que fosse apreciada a matéria relativa aos ajustes efetuados na apuração do ganho de capital (alienação da terra nua), por ter sido impugnada e não julgada. Fl. 789DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16408.000883/200617 Acórdão n.º 1102000.848 S1C1T2 Fl. 14 13 Ocorre que a segunda decisão de primeira instância também não apreciou essa matéria, pois parte do seguinte pressuposto: de acordo com os autos, não houve ganho de capital na alienação das terras nuas porque o valor que lhes foi atribuído na declaração do ITR foi ajustado em decorrência de avaliação Entretanto, os mencionados ajustes também integram a acusação fiscal. Os cálculos do ganho de capital da terra nua efetuados pela autoridade fiscal foram efetuados desconsiderandose os ajustes efetuados. Logo, mesmo na hipótese de se considerar que tem razão o acórdão de primeira instância ao concluir que a alienação da floresta plantada não sujeita o vendedor à apuração de ganho de capital, resta em discussão a apuração do ganho de capital na alienação da terra nua, uma vez que os ajustes que levaram à atualização dos valores de aquisição foram contestados pela fiscalização. Observese que nos itens 7.3.1, 7.3.2 e 7.3.3 consta a forma de apuração do resultado apurado na alienação da Fazenda Cadeado, Fazenda Balão e Fazenda Barro Preto, onde a fiscalização para obter o custo de aquisição, parte do valor de aquisição da terra nua mais benfeitorias e o adiciona ao valor do reflorestamento, e compara o valor obtido, com o respectivo valor da alienação, sendo a diferença entre o valor total de aquisição e o valor total da alienação, o resultado apurado na alienação do bem. A seguir, a fiscalização apura o percentual de ganho em relação ao valor de alienação que é multiplicado pelo valor das parcelas pagas, em cada mês, e são esses os valores tributados, conforme se verifica no demonstrativo do ganho de capital tributável apurado. A seguir a autoridade fiscal calcula o tributo e adicional e deduz o tributo declarado. Consequentemente, a apreciação do recurso de ofício contra o acórdão da Turma Julgadora de primeira instância na forma em que está, implicará em julgar matéria impugnada que não foi apreciada, com supressão de instância, razão pela qual os autos devem retornar à DRJ para que seja apreciada essa matéria, e conforme o caso, as demais matérias não apreciadas. Do exposto, voto por anular as decisões de primeira instância para que outra seja proferida na boa e devida forma. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Relatora Fl. 790DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 16408.000883/200617 Acórdão n.º 1102000.848 S1C1T2 Fl. 15 14 Fl. 791DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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