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Numero do processo: 10980.000294/2006-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2003
SIMPLES. PARTICIPAÇÃO DO SÓCIO OU TITULAR EM OUTRA PESSOA JURÍDICA.
Constatado que o sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% do capital social e a receita bruta global no ano-calendário ultrapassou o limite legal, correta a exclusão de tal regime simplificado a partir de 1º/01/2002, vez que se encontra expressamente consignado na legislação como sendo impeditiva à opção.
Numero da decisão: 1202-000.727
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2003 SIMPLES. PARTICIPAÇÃO DO SÓCIO OU TITULAR EM OUTRA PESSOA JURÍDICA. Constatado que o sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% do capital social e a receita bruta global no ano-calendário ultrapassou o limite legal, correta a exclusão de tal regime simplificado a partir de 1º/01/2002, vez que se encontra expressamente consignado na legislação como sendo impeditiva à opção.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1849; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 41 1 40 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.000294/200631 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 120200.727 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de março de 2012 Matéria SIMPLES Recorrente PORTELA & ANSOLIN LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 SIMPLES. PARTICIPAÇÃO DO SÓCIO OU TITULAR EM OUTRA PESSOA JURÍDICA. Constatado que o sócio ou titular participa de outra empresa com mais de 10% do capital social e a receita bruta global no anocalendário ultrapassou o limite legal, correta a exclusão de tal regime simplificado a partir de 1º/01/2002, vez que se encontra expressamente consignado na legislação como sendo impeditiva à opção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Losso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 19/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 10/06/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINA MORE HORT 2 Relatório Tratase presente processo de litígio em relação ao Ato Declaratório Executivo DRF/CTA nº 523.132 que excluiu do Simples a contribuinte acima identificado. Em 2 de agosto de 2004, através do referido Ato Declaratório Executivo DRF/CTA n. 523.132 (fl. 5), o Delegado da Receita Federal competente, declarou excluída do Simples a contribuinte Portela & Ansolin Ltda. (CNPJ 79.607.578/000160) devido à participação de sócio em outra pessoa jurídica em patamar acima do permitido, bem como pelo fato da receita bruta geral, referente ao anocalendário de 2002, ultrapassar o limite para manutenção na sistemática. A contribuinte, opondose ao ato, apresentou Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples, visando a manutenção no sistema (fl. 04) A exclusão foi mantida por decisão datada de 15 de junho de 2006 (fl.04v), que esclareceu que a empresa em que o sócio possuía participação acima do limite legal não era a contribuinte impugnante, mas sim a empresa Deda Decorações Ltda. – EPP (CNPJ 01 .689.209/000177). Intimada da decisão, a contribuinte apresentou impugnação à decisão administrativa, aduzindo em síntese, que o sócio, cuja participação seria motivo para a exclusão, possuía apenas 2% (dois por cento) do capital social, incluindose, portanto, nos requisitos legais para inclusão e manutenção no Simples, requerendo a revisão da decisão. A decisão da DRJ/CTA (fl. 28/30) houve por bem confirmar a exclusão, já que a contribuinte não se enquadrava nas hipóteses permissivas de participação no Simples. Para maior clareza, cabe transcrever a razão de decidir do voto da DRJ, cujos argumentos são amparados pela Lei nº. 9.317/96, artigos 9º, 12,14 e 15: “Portanto, para efeito de enquadramento no Simples, quando o titular ou sócio da Empresa possui participação superior a 10% no capital social da outra empresa, deve ser considerada a soma das receitas brutas de ambas as empresas até o limite legal estabelecido na norma. No caso em análise, restou comprovado que o sócio Carlos Alberto Ansolin, no anocalendário de 2002, participava da ora reclamante, bem como com 25% do capital social da empresa Deda Decorações Ltda EPP, CNPJ 01.689.209/000177 (fl.15). No caso em apreço é irrelevante o fato de o referido sócio ter participação de apenas 2% no capital da requerente. Importa sim que este sócio da interessada tem participação superior a 10% no capital de outra empresa e que a soma da receita bruta de ambas (da interessada e da outra PJ) excede o limite legal estabelecido na legislação do Simples” (fl. 30). Assim, devido à participação de um dos sócios em outra empresa com mais de 10% do capital social, bem como à receita global das empresas envolvidas ultrapassarem o permitido para opção no sistema, manteve a exclusão. A contribuinte foi intimada da decisão em 26 de agosto de 2008. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 19/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 10/06/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINA MORE HORT Processo nº 10980.000294/200631 Acórdão n.º 120200.727 S1C2T2 Fl. 42 3 Inconformada, apresentou Recurso Voluntário (fls. 34/35) em 16 de setembro do mesmo ano, onde, inicialmente, informa que a participação do sócio Carlos Alberto Ansiolin (cuja participação em outra empresa motivou a exclusão) não ultrapassava 2% (dois por cento) à época da inclusão. No mais, contesta a decisão que a excluiu à data de 1º de janeiro de 2003, já que foi intimada da decisão somente em agosto de 2004, quando procedeu às adequações necessárias efetuando novo pedido de inclusão no Simples. Como a exclusão do sistema gera inúmeros transtornos, requer a revisão da decisão para que seja mantida no sistema até a data da notificação da decisão de exclusão. Com o Recurso, vieram os autos a este Conselho para Julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme relatado, o presente processo trata de litígio em relação ao Ato Declaratório Executivo DRF/CTA nº 523.132 que excluiu a contribuinte do Simples Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), a partir de 1º de janeiro de 2003, por ficar constatado que há participação de sócio em outra pessoa jurídica em patamar acima do permitido, bem como pelo fato da receita bruta geral, referente ao anocalendário de 2002, ultrapassar o limite para manutenção na sistemática. Consoante o artigo 9º da Lei nº 9317/1996 com alterações posteriores advindas da Lei nº 11.307/2006: “Art. 9º Não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica: .................................. IX cujo titular ou sócio participe com mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II do art. 2º.” Nos termos do artigo anterior, não poderá optar pelo SIMPLES a pessoa jurídica que : 1º) tiver sócio ou titular que participe com mais de 10% no capital de outra pessoa jurídica; e, 2º) a receita bruta global ultrapassar o limite de R$2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais) de que trata o inciso II do artigo 2 º da referida Lei. Importante esclarecer que essa vedação consta do artigo 3º, parágrafo 4 º, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006 e alterações introduzidas pela Lei Complementar nº 139/2011. Em seu Recurso Voluntário, a recorrente simplesmente alega que o sócio participava com 2% no capital dessa sociedade, não havendo manifestação em relação aos valores de receita global acima dos limites previstos em lei. Portanto, em relação a essa condição, entendo ser matéria não contestada. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 19/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 10/06/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINA MORE HORT 4 Quanto à participação em outra sociedade, está evidenciado nos autos que um dos sócios, no anocalendário de 2002, participava em 25% no capital de outra sociedade a empresa Deda Decorações Ltda EPP, CNPJ 01.689.209/000177 (fl.15) uma das condições para que a pessoa jurídica não possa optar pelo SIMPLES. Quanto ao início da exclusão, nos termos do artigo 15, inciso IV, da Lei nº 9317/1996, darseá no início do anocalendário subseqüente àquele em que ultrapassar o limite da receita bruta global. Novamente, confirmo que também na Lei Complementar nº 123/2006 e alterações pela Lei Complementar nº 139/2011, o termo de início da exclusão quando ultrapassar o limite de receita bruta global é 1º de janeiro do anocalendário subseqüente na hipótese de ultrapassar o limite em mais de 20% (vinte por cento) da previsão. Diante do exposto, meu voto é no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário mantendo a exclusão disposta no Ato Declaratório Executivo DRF/CTA nº 523.132, de 2004. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora Fl. 4DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORT, Assinado digitalmente e m 19/06/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 10/06/2012 por NEREIDA DE MIRANDA FINA MORE HORT
score : 1.0
Numero do processo: 10711.001893/85-00
Data da sessão: Sat Aug 27 00:00:00 UTC 1983
Data da publicação: Tue Dec 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto de Importação. Cancelamento do crédito tributário em face do Decreto--lei nº 2.227/85 em se tratando de crédito tributário relativo a imposto incidente à data da publicação do decreto-lei
resultante de errônea classificação de produto na TAB.
O Decreto-lei não distingue entre simples errônea classificação de produto e errônea classificação decorrente de inexata
descrição do produto.
Recurso Especial, do Procurador da Fazenda Nacional, Desprovido.
Numero da decisão: CSRF/03-02.165
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOÃO HOLANDA COSTA
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ementa_s : Imposto de Importação. Cancelamento do crédito tributário em face do Decreto--lei nº 2.227/85 em se tratando de crédito tributário relativo a imposto incidente à data da publicação do decreto-lei resultante de errônea classificação de produto na TAB. O Decreto-lei não distingue entre simples errônea classificação de produto e errônea classificação decorrente de inexata descrição do produto. Recurso Especial, do Procurador da Fazenda Nacional, Desprovido.
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Cancelamento do crãdito tributário em face do Decreto- -lei n9 2-.227/85 em se tratando de cré- dito tributário relativo a imposto inci- dente ã data da publicação do decreto-lei resultante de errônea classificação de produto na TAB. O Decreto-lei não distingue entre sim- ples errônea classificaçáo de produto e errônea classificação decorrente de ine- xata deacrição do produto. . Recurso Especial, do Procurador da Fazen_._ da Nacional, Desprovido. Vistos relatados e discutidos os presentes autos de . recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM oa Membros daCâmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao , recurso, nos termos o relatario e voto que passam a integrar o , presente julgado. a,la d À s Sesa&es cpr), em 27 de agosto de 19_93 ' -- , , e 7/ NA ° • , E.: - - PRESIDENTE ‘‘,. 440e, .4kb HOLANDA COSTA , - RELATOR LUIZ FERNANDO OL/I'VE .RA DE MORAES - PROCURADOR DA - FAZENDA NACIONAL v.v Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei- ros: SEBASTIÃO .RODRIGUES CABRAL, ITAMAR VIEIRA DA COSTA, FAUSTO IDE FREITAS E CASTRO NETO e UBALDO CAMPELO NETO. Ausentes justificada- mente os Cons. Sérgio Castro Neves e Humberto Esmeraldo Barreto Fi- lho. (j--çz PROCESSO N.: 10711-001893/85-00 2, RECURSO N.: RP/301-0.127 RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL RECORRIDA : la. CAVARA DO 3 CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO:PRODUTOS ROCHE-QUIMICOS E FARMACEUTICOS S/A Ac6rdão n9-CSRF/03-02.165 RELATORIO Recorre a Fazenda Nacional da decisão profe- rida nos termos do acórdão n. 301-26.129, cuja ementa segue transcrita: "Cancela-se o crédito tributário decorrente de errônea classificação de mercadoria, de . , acordo com o art. 4 D.L. n. 2227/85." Preliminarmente, argúi a recorrente que, se estivesse certa a conclusão de que a matéria cinge-se a mero erro de classificação, a câmara prolatora da decisão não era competente para o julgamento, pois que este deveria ser rea- lizado por outra Câmara. . Ainda, em preliminar, sustenta que a matéria decidida no acórdão não poderia ter sido apreciada pelo Con- selho, uma vez que não se incluia nas razões recursais apre- sentadas pelo sujeito passivo. Tendo sido apreciada, o foi de ofício e ultra Detita, o que não cabe ao Conselho que, por ser órgão a que cabe examinar recursos voluntários, não tem a função de re- visar lançamentos. Quanto ao mérito, garante a recorrente que o disposto no artigo 4 do D.L. n. 2227/85 não se aplica à si- tuação em exame pois que, para fazer jus ao cancelamento, o crédito tributário teria que ter sido lançado antes de 16/01/85 e que decorrer de simples classificação errônea do produto. Não é este o caso. O auto de infração foi la- vrado em 25/03/85 e a classificação errônea deveu-se a de- claração inexata do produto, de modo que este não correspon- dia à Declaração de Importação que o amparava. Assim, requer a Fazenda Nacional o restabele- cimento da decisão monocrática. Em suas contra-alegações, ocupa-se inicial- mente o sujeito passivo em demonstrar que à la. Câmara do 3 Conselho compete, justamente, apreciar matérias relacionadas à classificação de mercadorias. Quanto ao argumento de mérito apresentado pe- la recorrente, relacionado com a declaração, nos documentos de importação, de produto distinto do importado, a contra- alegante reporta-se à própria decisão singular que, por en- tender que o produto descrito na G.1. era o mesmo enviado para exame pericial, excluiu a aplicação da multa descrita o no artigo 526 do Regulamento Aduaneiro_ Prosseguindo, lembra que o voto condutor do .' i- acórdão recorrido está amparado na própria informação de j1 -, Processo n9 10711/001.893/85-00 3. Ad..4'dÃo n.9-CW/0,3-02,165 _ fls. 52, referente à inexistência de processo de consulta ou Parecer Normativo, anterior, definindo a classificação do produto. Para encerrar, defende a pertinência do arti- go 4 do D.L. n. 2227/85, em razão do fato gerador do lití- gio ter ocorrido anteriormente à vigência desse diploma le- gal, posto ter sido a D.I. registrada em 21/11/84. Áh- Assim, defende a confirmação do acórdão re- corrido. E o relatório. Oi sE~PuBucoFEDERAL Processo n9 10711/0_01,893/85-00 AcOrdão n9-CSRF/03-02.165 'VO'T--0- - - - Conselheiro JOÃO HOLANDA COSTA, Relator: Rejeito os fundamentos do Recurso Especial interpCs to pelo ilustre Procurador da Fazenda Nacional e para tal fim ali nho as seguintes raz8es: 1, o Decretolei 2.227, de 22,07,85, no seu art, 49 determinou o cancelamento dos daitos tributarios re lativos A impostos incidentes a, data da publicação do citado de- creto-lei (16.01,85) resultantes- de errônea classificação de mer- . cadoria na NBM, A ressalva diz respeito unicamente aos débitos de , correntes de impostos que tenham incidido posteriormente ã deol.- . são de processo de consulta que alterou classificação dada Pela interessada, No caso, não hã que falar em processo de consulta Se gundo informação constante dos autos, a pãg. 52 e ademais o crédi to tributaria refere-se a imposto incidente anteriormente a data da publicação do decreto-lei pois a Dr foi registrada em 21.11,84 (f 1, 031; 2, O decreto-lei não distingue entre processo decorren- te de simples classificação errônea de produto na TAB e aquela de -._ corrente de declaração inexata de que haja resultado em errônea classificação. O dispositivo de lei refere-se tão s6 a . débitos tributários decorrentes de errônea classificação de produtos na TAB. É o que basta. Ademais, deve-se notar que a autoriadade sin- gular decidiu pela exclusão da multa administrativa Cinciso II do art. 526 do RA) precisamente porque o exame da amostra feito pelo LABANA (PA 165/84) foi positivo para vitamina D 2, mercadoria co- berta pela GI n9 1-84/23471-4 Cf1.81. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Brasnia CDF) , em 27 de agosto de 19_93 / .-. w -gi - n J : -1 ,4 HOLANDA COSTA - RELATOR '34.,7,..,,/ Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 10830.001662/2008-43
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples
Ano-calendário: 2002
Ementa: INGRESSO NO SIMPLES NACIONAL O ingresso no Simples
Nacional está condicionado ao enquadramento na definição de Microempresa ou Empresa de Pequeno Porte, expressa pela LC 123/2006, ao cumprimento dos requisitos previstos na legislação relativa ao Simples Nacional e na formalização da opção por tal regime. O Simples Nacional começou a vigorar em 01 de julho de 2007, e, quanto ao ingresso, neste novo regime de tributação, mesmo com a uniformização de tratamento das ME e EPP, nos
três entes da Federação, assim como existia no sistema anterior, algumas ME e EPP, dependendo da atividade, estão impedidas de optar pelo Simples Nacional.
VEDAÇÃO. ENSINO MÉDIO. SIMPLES Somente a Lei Complementar nº
128/2008 excetuou a atividade econômica — ensino médio — da vedação imposta tanto pela Lei nº 9.317/96, pela Lei n° 10.034/2000 quanto pela Lei Complementar nº 123/2006.
IMPOSSIBILIDADE DE RETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 128/2008 X SIMPLES FEDERAL Tudo o que for relevante em matéria tributária deve ser previsto em lei. O Estado não pode exigir sem previsão legal para tanto. Também não pode conceder benefício sem anterior determinação legal. Nesse passo, somente a partir da vigência da
Lei Complementar nº 128/2008 é que as pessoas jurídicas com atividade de ensino médio podem exercer opção pelo Simples Nacional, ou seja, a partir de 12/01/2009. Impossível, pois, sua aplicação aos fatos geradores ocorridos na sistemática do Simples Federal sob o argumento de retroatividade da lei benéfica.
Numero da decisão: 1802-001.212
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Ano-calendário: 2002 Ementa: INGRESSO NO SIMPLES NACIONAL O ingresso no Simples Nacional está condicionado ao enquadramento na definição de Microempresa ou Empresa de Pequeno Porte, expressa pela LC 123/2006, ao cumprimento dos requisitos previstos na legislação relativa ao Simples Nacional e na formalização da opção por tal regime. O Simples Nacional começou a vigorar em 01 de julho de 2007, e, quanto ao ingresso, neste novo regime de tributação, mesmo com a uniformização de tratamento das ME e EPP, nos três entes da Federação, assim como existia no sistema anterior, algumas ME e EPP, dependendo da atividade, estão impedidas de optar pelo Simples Nacional. VEDAÇÃO. ENSINO MÉDIO. SIMPLES Somente a Lei Complementar nº 128/2008 excetuou a atividade econômica — ensino médio — da vedação imposta tanto pela Lei nº 9.317/96, pela Lei n° 10.034/2000 quanto pela Lei Complementar nº 123/2006. IMPOSSIBILIDADE DE RETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 128/2008 X SIMPLES FEDERAL Tudo o que for relevante em matéria tributária deve ser previsto em lei. O Estado não pode exigir sem previsão legal para tanto. Também não pode conceder benefício sem anterior determinação legal. Nesse passo, somente a partir da vigência da Lei Complementar nº 128/2008 é que as pessoas jurídicas com atividade de ensino médio podem exercer opção pelo Simples Nacional, ou seja, a partir de 12/01/2009. Impossível, pois, sua aplicação aos fatos geradores ocorridos na sistemática do Simples Federal sob o argumento de retroatividade da lei benéfica.
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Recorrente SOCIEDADE EDUCACIONAL CAMPINEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2002 Ementa: INGRESSO NO SIMPLES NACIONAL O ingresso no Simples Nacional está condicionado ao enquadramento na definição de Microempresa ou Empresa de Pequeno Porte, expressa pela LC 123/2006, ao cumprimento dos requisitos previstos na legislação relativa ao Simples Nacional e na formalização da opção por tal regime. O Simples Nacional começou a vigorar em 01 de julho de 2007, e, quanto ao ingresso, neste novo regime de tributação, mesmo com a uniformização de tratamento das ME e EPP, nos três entes da Federação, assim como existia no sistema anterior, algumas ME e EPP, dependendo da atividade, estão impedidas de optar pelo Simples Nacional. VEDAÇÃO. ENSINO MÉDIO. SIMPLES Somente a Lei Complementar nº 128/2008 excetuou a atividade econômica — ensino médio — da vedação imposta tanto pela Lei nº 9.317/96, pela Lei n° 10.034/2000 quanto pela Lei Complementar nº 123/2006. IMPOSSIBILIDADE DE RETROATIVIDADE DA LEI COMPLEMENTAR Nº 128/2008 X SIMPLES FEDERAL Tudo o que for relevante em matéria tributária deve ser previsto em lei. O Estado não pode exigir sem previsão legal para tanto. Também não pode conceder benefício sem anterior determinação legal. Nesse passo, somente a partir da vigência da Lei Complementar nº 128/2008 é que as pessoas jurídicas com atividade de ensino médio podem exercer opção pelo Simples Nacional, ou seja, a partir de 12/01/2009. Impossível, pois, sua aplicação aos fatos geradores ocorridos na sistemática do Simples Federal sob o argumento de retroatividade da lei benéfica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de voto, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.001662/200843 Acórdão n.º 1802001.212 S1TE02 Fl. 108 3 Relatório Por bem sintetizar os fatos, adoto o Relatório (fl.59) da decisão recorrida que a seguir transcrevo: 0 Contribuinte foi excluído do Simples Federal (Lei no 9.317, de 05 de dezembro de 1996) por meio do Ato Declaratório Executivo n° 01, de 27 de março de 2008, com efeitos a partir de 01/01/2002, à conta de prestar serviço de "ensino médio", circunstância que o colocaria sob raio de alcance da vedação posta no art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317, de 1996 (fl. 32). Cientificado do excogitado Ato Declaratório em 08/04/2008 (fl. 33), o Contribuinte apresentou a respectiva manifestação de inconformidade em 30/04/2008 (fls.34/45), na qual pondera: 1) A circunstância de a Lei n° 10.034, de 24 de outubro de 2000, excluir as atividades de "creches, préescolas e estabelecimentos de ensino fundamental" do raio de alcance da vedação levantada no art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317, de 1996, não conduziria conclusão de que a atividade de "ensino médio" restaria impedida no Simples Federal, mesmo porque tal atividade não se incluiria, desde sempre, na dita vedação. 2) 0 debate próprio, aqui, seria de ordem constitucional/legal. É dizer, que a Lei n°9.317, de 1996, e alterações posteriores, no passo em que levantam impedientes de qualidade — e não só quantitativos (faturamento) — para o ingresso no Simples Federal, seriam inconstitucionais, mormente pela falta de resguardo do principio da isonomia. 3) Não se traria, nestes autos, prova alguma do exercício de qualquer atividade vedada no Simples Federal. 0 Contribuinte foi excluído do Simples Federal (Lei no 9.317, de 05 de dezembro de 1996) por meio do Ato Declaratório Executivo n° 01, de 27 de março de 2008, com efeitos a partir de 01/01/2002, à conta de prestar serviço de "ensino médio", circunstância que o colocaria sob raio de alcance da vedação posta no art. 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317, de 1996 (fl. 32). A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Campinas/SP) indeferiu a solicitação, conforme decisão proferida mediante o venerando Acórdão nº 05 24.606, de 16 de janeiro de 2009 (fls.59/60), cientificado ao interessado em 17/02/2009. A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.59): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Fl. 109DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Anocalendário: 2002 SIMPLES FEDERAL. SIMPLES NACIONAL. ESCOLAS. A prestação de serviço de escola, em principio, é vedada no Simples Federal, pelo menos até a edição da Lei n° 10.034, de 24 de outubro de 2000, quando referido impedimento é afastado, mas somente em relação às atividades de creches, préescolas e estabelecimentos de ensino fundamental Irresignada com a decisão acima, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 17/03/2010, fls.73/83, no qual requer seja anulado o acórdão oriundo da Delegacia de Julgamento da Receita Federal em Campinas e, consequentemente, o Ato Declaratório Executivo n° 01 de 27 de março de 2008, em razão da retroatividade benigna da Lei Complementar n° 128/2008, nos ditames do artigo 106, inciso II, alínea "a", do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que foi beneficiada pelo instituto da retroatividade benigna. Isso porque, em 19 de dezembro de 2008, foi editada a Lei Complementar n° 128/2008 que alterou a Lei complementar n° 123/2006 instituidora do SIMPLES NACIONAL — que trouxe em seu bojo inovação quanto à inclusão de novos setores no Simples Nacional e, dentre eles, as instituições que exercem atividade de ensino médio. Para melhor explicar transcreve os seguintes dispositivos legais: "Art. 3º A partir de 12 de janeiro de 2009, a Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, passa a vigorar com as seguintes modificações: § 5 °B. Sem prejuízo do disposto no § 1º do art. 17 desta Lei Complementar, serão tributadas na forma do Anexo III desta Lei Complementar as seguintes atividades de prestação de serviços: I creche, préescola e estabelecimento de ensino fundamental, escolas técnicas, profissionais e de ensino médio, de línguas estrangeiras, de artes, cursos técnicos de pilotagem, preparatórios para concursos, gerenciais e escolas livres, exceto as previstas nos incisos II e III do § 5ºD deste artigo; (...)." (grifos nossos) E assim, entende que havida a inovação, no caso sub examine, se faz imperiosa a aplicação do disposto no artigo 106, inciso II, alínea "a" do Código Tributário Nacional. Argúi que a Lei Complementar 128/2008 é norma superveniente que excetuou a atividade econômica — ensino médio — da restrição imposta tanto pela Lei no 9.317/96, quanto pela Lei n° 10.034/2000. Com isso, ocorreu o efeito retrooperante da lei sob a égide da retroatividade benigna a que aludiu o Código Tributário Nacional, ou seja, retroatividade da Lei Complementar n° 128/2008 que permite que tal ramo de atividade esteja enquadrado no Simples desde a criação (Lei n° 9.317/96). É o relatório. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.001662/200843 Acórdão n.º 1802001.212 S1TE02 Fl. 109 5 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, dele conheço. Tratase do Ato Declaratório Executivo n° 01, de 27 de março de 2.008, expedido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Campinas — SP, com o seguinte teor: "Art 1° Excluída da sistemática de pagamentos de tributos e contribuições denominada SIMPLES a pessoa jurídica SOCIEDADE EDUCACIONAL CAMPINEIRA, CNPJ sob o n° 02.291.371/000103, por tratarse de estabelecimento de ensino com dedicação á atividade de "Ensino Médio", além do ensino fundamental, cuja adesão ao sistema é vedada pelo disposto no inciso XIII, do artigo 9°, da Lei 9.317 de 05 de dezembro de 1996 e Lei 10.034, de 24 de outubro de 2000, legislação vigente à época dos fatos. Artigo 2° A exclusão do SIMPLES surtirá efeitos a partir de 06 de outubro de 2003, nos termos do inciso IX, do artigo 24, da IN n° 608, de 09 de janeiro de 2006. (...) Na manifestação de inconformidade a interessada alega ser inconstitucional a Lei n° 9.317, de 1996 e suas posteriores alterações, que ao regular o tratamento diferenciado garantido às microempresas e às empresas de pequeno porte, estabelece condições qualificativas e não apenas quantificativas para opção ao regime, quebrando o tratamento isonômico da igualdade tributária, dado que seu art. 9° estaria violando o disposto nos artigos 150 "II" e 179 da C. F. de 1988, por inserir as restrições contidas nos incisos III a IX, e XI a XVIII, impedindo a opção de muitas pessoas jurídicas ao Simples. Também argüiu que, o Ato Declaratório de Exclusão não logrou COMPROVAR, COM FATOS NEM DOCUMENTOS, que a recorrente realmente exercia as atividades vedadas pela sistemática do Simples. Da decisão de primeira instância (fl.60) consta que, sobre a atividade econômica explorada por este Contribuinte, tal vem demonstrado no trabalho da fiscalização (fls. 01/04). No recurso voluntário a Recorrente nada mais se pronunciou, conformandose pois, que exerceu a atividade escolar de “ensino médio”. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Em síntese, o indeferimento do pleito pela Delegacia de Julgamento de Campinas/SP, consubstanciase no sentido de que, “ Na Lei n° 10.034, de 2000, elegeramse os discrimens "creches, préescolas e ensino fundamental"; nada sobre "ensino médio". É certo que, com a edição da Lei n° 10.034, de 14/10/2000 foi alterado o disposto no artigo 9°, da Lei n° 9.317/96, no sentido de excetuar, da restrição de que trata o inciso XIII do referido diploma legal, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: creches, préescola e estabelecimentos de ensino fundamental, porém, a atividade de “ensino médio” permaneceu vedada ao Simples, pois, as escolas de ensino médio não estão na exceção dada pela Lei n° 10.034/2000 , vejamos: Art. 1o Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às seguintes atividades: (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) I – creches e préescolas; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II – estabelecimentos de ensino fundamental; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) III – centros de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) IV – agências lotéricas; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) V – agências terceirizadas de correios; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) VI – (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003 e vetado) VII – (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003 e vetado) No recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, o apelo da Recorrente é que seja anulado o acórdão oriundo da Delegacia de Julgamento da Receita Federal em Campinas e, consequentemente, o Ato Declaratório Executivo n° 01 de 27 de março de 2008, em razão da retroatividade benigna da Lei Complementar n° 128/2008, nos ditames do artigo 106, inciso II, alínea "a", do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que foi beneficiada pelo instituto da retroatividade benigna. Isso porque, em 19 de dezembro de 2008, foi editada a Lei Complementar n° 128/2008 que alterou a Lei complementar n° 123/2006 instituidora do SIMPLES NACIONAL — que trouxe em seu bojo inovação quanto à inclusão de novos setores no Simples Nacional e, dentre eles, as instituições que exercem atividade de ensino médio. Como se vê, a questão dos autos diz respeito à exclusão da sistemática de pagamentos de tributos e contribuições denominada SIMPLES, definida pela Lei, como um regime de tributação que entrou em vigor a partir do dia 01 de janeiro de 1997, através da Lei nº 9.317 de 05 de dezembro de 1996, com alterações posteriores, e finalmente revogada pela Lei Complementar nº 123 de 14 de dezembro de 2006. A mencionada LC nº 123/06 institui, um novo regime especial unificado de arrecadação de tributos e contribuições devidos pelas microempresas e empresas de pequeno porte, o SIMPLES NACIONAL, que além dos tributos que já tinham pagamentos unificados na Lei Fl. 112DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.001662/200843 Acórdão n.º 1802001.212 S1TE02 Fl. 110 7 anterior, IRPJ, IPI, CSLL, Cofins, PIS/Pasep, Contribuição Previdenciária Patronal, exceto no caso das pessoas jurídicas que se dediquem às atividades de prestação de serviços previstas nos incisos XIII e XV a XXVIII do § 1º do artigo 17 e no inciso VI do § 5º do artigo 18, passou a abranger o ICMS e ISS. A aplicação do Simples Nacional nas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte é diferenciada conforme o segmento de atuação da empresa. O novo sistema estabelece as normas gerais relativas ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, especialmente no que se refere à apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação, inclusive obrigações acessórias. A Constituição Federal de 1988, em redação original, já previa no art. 179 que “a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios dispensarão às microempresas e às empresas de pequeno porte, assim definidas em lei, tratamento jurídico diferenciado, visando a incentiválas pela simplificação de suas obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e creditícias, ou pela eliminação ou redução destas por meio de lei”. Tal previsão, apesar de não está no capitulo tributário, serviu de base para a edição da Lei n° 9.317, de 1996, que instituiu o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples. Contudo, a edição deste dispositivo legal não favoreceu a uniformização de tratamento das ME e EPP, nas três esferas de governo, pois simplificou os procedimentos, apenas, quanto aos tributos federais, visto que a abrangência dos tributos devidos aos Estados e Municípios deveria ser feita mediante convênio, destes com a União, e que os Estados preferiram não aderir a tal sistema, instituindo regimes próprios de tributação, o que resultou em tratamento tributário diferenciado em todo o País, sendo adotado, apenas por alguns municípios, que em sua maioria não instituíram benefícios para as ME e EPP estabelecidas em seu territórios. Foi com o advento da Emenda Constitucional n° 42, de 19 de dezembro de 2003, que incorporou ao artigo 146 da CF a alínea “d” e seu parágrafo único que facultou à lei complementar instituir um regime único de arrecadação para os tributos devidos pelas ME e EPP à União, aos Estados e aos Municípios, e assim, foi instituído pela Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro de 2006, o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP), comumente denominado de Simples Nacional, como parte integrante do novo Estatuto da Microempresa e Empresa de Pequeno Porte. Assim dispõem o artigo 94 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e o mencionado artigo 146 da CF/88: (...) Art. 94. Os regimes especiais de tributação para microempresas e empresas de pequeno porte próprios da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios cessarão a partir da entrada em vigor do regime previsto no art. 146, III, d, da Constituição. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) Fl. 113DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 ................................................................................................. Art. 146 A Lei complementar poderá estabelecer critérios especiais de tributação, com o objetivo de prevenir desequilíbrios da concorrência, sem prejuízo da competência de a União, por lei, estabelecer normas de igual objetivo. * Acrescentado pelo art. 1º da Emenda Constitucional nº 42, de 19 de dezembro de 2003. O Simples Nacional começou a vigorar em 01 de julho de 2007, e, quanto ao ingresso, neste novo regime de tributação, mesmo com a uniformização de tratamento das ME e EPP, nos três entes da Federação, assim como existia no sistema anterior, algumas ME e EPP, dependendo da atividade, estão impedidas de optar pelo Simples Nacional. Com a entrada em vigor do Simples Nacional cessou o regime especial de tributação para microempresas e empresas de pequeno porte, tratado na Lei nº 9.317/96. O ingresso no Simples Nacional está condicionado ao enquadramento na definição de Microempresa ou Empresa de Pequeno Porte, expressa pela LC 123/2006, ao cumprimento dos requisitos previstos na legislação relativa ao Simples Nacional e na formalização da opção por tal regime. Para tanto, as empresas não poderão ter pendências cadastrais nem débitos com os entes da federação e suas atividades ou características não poderão ter sido objeto de vedação expressa pela LC 123/2006 para optar pelo Simples Nacional. Além da proibição em função da receita bruta, existem outros impedimentos, expressos na Lei Geral, para que as empresas sejam tributadas pelo Simples Nacional, conforme dispõe o artigo 17: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) § 1º As vedações relativas a exercício de atividades previstas no caput deste artigo não se aplicam às pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às atividades seguintes ou as exerçam em conjunto com outras atividades que não tenham sido objeto de vedação no caput deste artigo: I – creche, préescola e estabelecimento de ensino fundamental; (...) A Lei Complementar nº 128/2008 excetuou a atividade econômica — ensino médio — da vedação imposta pela Lei Complementar nº 123/2006. Art. 18. O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte comercial, optante pelo Simples Nacional, será determinado mediante aplicação da tabela do Anexo I desta Lei Complementar. (Redação dada pela Lei Complementar nº 128, de 2008) (...) Fl. 114DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10830.001662/200843 Acórdão n.º 1802001.212 S1TE02 Fl. 111 9 § 5ºB. Sem prejuízo do disposto no § 1º do art. 17 desta Lei Complementar, serão tributadas na forma do Anexo III desta Lei Complementar as seguintes atividades de prestação de serviços: (Redação dada pela Lei Complementar nº 128, de 2008) I – creche, préescola e estabelecimento de ensino fundamental, escolas técnicas, profissionais e de ensino médio, de línguas estrangeiras, de artes, cursos técnicos de pilotagem, preparatórios para concursos, gerenciais e escolas livres, exceto as previstas nos incisos II e III do § 5oD deste artigo; (Redação dada pela Lei Complementar nº 128, de 2008) (...) GRIFEI Com a edição da LC nº 123/2006, as pessoas jurídicas enquadradas no regime especial de tributação simplificada prevista na Lei nº 9.317/96, migraram automaticamente para o Simples Nacional, desde que cumpridas as condições legais. Não é o caso da Recorrente, pois, sequer teve condições legais de ingressar no Simples Nacional, tendo em vista que somente a Lei Complementar nº 128/2008 excetuou a atividade econômica — ensino médio para o ano de 2009— da vedação imposta pela Lei Complementar nº 123/2006. Registrese que, o óbice legal já era determinado tanto pela Lei nº 9.317/96, pela Lei n° 10.034/2000 quanto pela Lei Complementar nº 123/2006. Repisase que, a Lei Complementar nº 123/2006 revogou expressamente a Lei nº 9.317/96 e, pelo que se depreende do artigo 94 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, o regime especial de tributação para microempresas e empresas de pequeno porte próprio da União, tratado na mencionada Lei nº 9.317/96, cessou a partir da entrada em vigor do regime previsto a Lei Complementar nº 123/2006. No tocante à tese da Recorrente, conforme explicitado acima, tudo o que for relevante em matéria tributária deve ser previsto em lei. O Estado não pode exigir sem previsão legal para tanto. Também não pode conceder benefício sem anterior determinação legal. Nesse passo, somente a partir da vigência da Lei Complementar nº 128/2008 é que as pessoas jurídicas com atividade de ensino médio podem exercer opção pelo Simples Nacional, ou seja, a partir de 12/01/2009, excetuou a atividade econômica — ensino médio para o ano de 2009— da vedação imposta pela Lei Complementar nº 123/2006. Impossível, pois, sua aplicação aos fatos geradores ocorridos na sistemática do Simples Federal sob o argumento de retroatividade da lei benéfica. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 12466.000360/94-11
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 1997
Ementa: EMENTA: DESCLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA - Impocede quanto ao veiculo " MITSUBISHI PAJERO "que, segundo relatório técnico n° 103.181 do INT está em conformidade com os quesitos estabelecidos no Ato Declaratório n° 32/93, para defini-los como "JEEP".
Recuso de oficio negado.
Numero da decisão: 301-28.615
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO
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Recuso de oficio negado. lew "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de oficio, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 09 de dezembro de 1997 .n1•11"."— MOACYR ELOY DE MEDEIROS PRESIDENTE AL a a* • F USTO DE FREITAS E ASTRO NETO RELATOR O - o 1-1 . -9 g Adatto Corta Work contes Proctsadora da Fazenda Nate.' Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: MÁRCIA REGINA MACHADO MELARE, IS ALBERTO ZAVÃO LIMA, LEDA RUIZ DAMASCENO, MARIA HELENA DE ANDRADE (suplente) e MÁRIO RODRIGUES MORENO. Re MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CAMARA RECURSO Isr : 118.022 ACÓRDÃO N' : 301-28.615 RECORRENTE : DRJ- RIO DE JANEIRO/RJ INTERESSADA : CIA IMPORTADORA E EXPORTADORA COIMEX RELATOR(A) : FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO RELATÓRIO E VOTO Retorna de diligência ao INT, ordenada pela Resolução 301-1091 ( fls. 546) cujo laudo conclusivo n° 103.181 se encontra às fls. 564/576. Para relembrar a Câmara sobre a matéria em julgamento, adoto o relatório da decisão recorrida, nos seguintes termos: " I . A CIA. IMPORTADORA E EXPORTADORA - COIMEX, mediante as 16 (dezesseis) Declarações de Importação citadas às fl. 02, registradas no período de 12/11/93 a 19/11/93, e ao amparo das Guias de Importação de n° 018-93/058649-5, 1900-93/007753-1, 1900-93/007353-6, 1900-93/007346-3, 1900-93/007356-0, 1900- 93/007354-4 e 0018-93/058230-9 e respectivos Aditivos, submeteu a despacho 16 (dezesseis) veículos novos, de uso misto, marca MITSUBISHI, modelo PAJERO, tipo JEEP, ano de fabricação 1993, com motor a diesel, de 2477 cm° e 85 e 99 H P, classificando- os no código TAB 8703.32.0400, com alíquotas de 35% para o Imposto de Importação (I.I.) e 8% para o Imposto sobre Produtos Industrializados (I.P.I.), código este exclusivo para JIPES. Em ato de revisão aduaneira, entendendo que a mercadoria deveria ser classificada no código 8703.32.9900, relativo a "outros veículos a diesel, com cilindrada superior a 1.500 cm° ", mas não superior a 2.500 cm° com aliquotas de 35% para o Imposto de Importação e de 32% para o IPI, a fiscalinção, em 13/06/94, lavrou o Auto de Infração de fls. 01/15, que recebeu o n° 064/94 (fls.473), formalizando a exigência de uma diferença de I.P.I. no valor equivalente a 149.390.77 Ufir, bem como de multa de 100%, prevista no art. 364, inciso H, do R.I.P.I./82 e demais encargos legais. Segundo os termos em que foi lavrado o Auto de Infração, a desclassificação tarifaria se apoiou na Regra Geral de Interpretação ( ROI) 38 do Sistema Harmonizado pois, segundo as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NBM/SH), os veículos PAJERO, não necessitando de mudança estrutural para modificar seu r2c-4-4 2 . - MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N' : 118.022 ACÓRDÃO N' : 301-28.615 uso de transportar pessoas ou cargas leves, deveriam ser classificados na categoria de veículos de uso misto e não na posição específica e própria para os jipes, como figurou nas declarações de importação em tela. 2. As infrações imputadas à contribuinte e a respectiva multa tiveram o seguinte enquadramento legal: art. 55, inc. I, alínea "a "; art. 63, inc. I, alínea "a"; art. 112, inc. I e art. 364, inc. II, todos do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados - RIPI, aprovado pelo Decreto n° 87.981, de dezembro de 1982 (fls. 02 e 12). O fundamento legal dos encargos adicionados ao crédito tributário constituído através do Auto de Infração é aquele citado às fls. 07 e 10." A decisão recorrida assim conclui: " ISTO POSTO, tendo em vista os dispositivos legais que embasaram o Auto de Infração de fls. 01/15, e CONSIDERANDO que o Despacho Homologatório COSIT (DINOM) N° 245/94 ( fls. 529 ) estabelece que os veículos Jipe Ivfltsubishi Pajero não possuem as características que permitam a sua classificação como "veículos de uso misto", e, portanto, diversamente do entendimento que originou o Auto de Infração em exame; CONSIDERANDO, também, que o Despacho Homologatório COSIT (DINOM) N° 28/95 ( fls. 530/533) confirmou, entre outros modelos, a classificação do veiculo em causa em código relativo a JIPE; CONSIDERANDO que, nos termos do item IV da Portaria SRF n ° 3.608, de 06/07/94, os Delegados da Receita Federal de Julgamento observarão preferencialmente em seus julgados, o entendimento da Administração da Secretaria da Receita Federal, expresso em Instruções Normativas, Portarias e Despachos do Secretário da Receita Federal e em Pareceres Normativos, Atos Declaratórios Normativos e Pareceres da Coordenação-Geral do Sistema de Tributação; CONSIDERANDO, ainda, tudo o mais que dos autos consta, FLA- 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 118.022 ACÓRDÃO N° : 301-28.615 JULGO IMPROCEDENTE o lançamento efetuado e, em decorrência, indevido o crédito tributário exigido. Em cumprimento ao que determina o art. 34 do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pela Lei n° 8.748/93, RECORRO DE OFÍCIO deste ato, desde já, ao Egrégio Terceiro Conselho de Contribuintes." Como se verifica, a matéria se resume, portanto, em decidir se os veículos importados se classificam como " JEEP " ou de "USO MISTO ". Para espancar qualquer dúvida, como se disse acima, a Câmara baixou o processo em diligência ao INT, após detalhada perícia, concluiu que: "Após a perícia realizada, este INSTITUTO é de opinião que o veículo avaliado está em conformidade com os quesitos estabelecidos no Ato Declaratório n° 32/93, de 28 de setembro de 1993, exarado pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação, não se enquadrando no Parecer Normativo n° 02/94 do mesmo órgão." Ou seja, classificou os veículos como "JEEP" por obedecerem todos os requisitos exigidos pelo Ato Declaratório 32/93 para esse tipo de automóvel. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso de oficio. Sala das Sessões, em 09 de dezembro de 1997 FA ST rsc-4.2 (ftklf6-24 (O DE I AS E CASTRO NETO - RELATOR 4
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Numero do processo: 16641.000146/2009-96
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DESCONSTITUÍDA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ACOMPANHA A PRINCIPAL.
Sendo desconstituída a obrigação principal, não há descumprimento de obrigação acessória, vez que esta acompanha a principal.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-000.815
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
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OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DESCONSTITUÍDA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ACOMPANHA A PRINCIPAL. Sendo desconstituída a obrigação principal, não há descumprimento de obrigação acessória, vez que esta acompanha a principal. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 105DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Relatório Tratase de Auto de Infração sob o n. 37.225.0939, consolidado em 06/08/2009, cuja notificação ocorreu em 14/08/2009, referente ao descumprimento de obrigação acessória que ensejou na aplicação da multa no montante de R$ 13.291,66 (treze mil, duzentos e noventa e um reais e sessenta e seis centavos). De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 06/08, através da análise da documentação apresentada, a fiscalização entendeu que a recorrente efetuou os lançamentos contábeis da aquisição de produtor rural pessoa jurídica nas mesmas contas contábeis utilizadas para o lançamento da aquisição de produtor rural pessoa física, no período fiscalizado. Pelo descumprimento da obrigação acessória, a recorrente infringiu a seguinte legislação: art. 32, II da Lei n. 8.212/91, cumulado com o art. 225, II e parágrafos 13 a 17 do Decreto n. 3.048/99 (RPS). Diante disso, foi aplicada a multa com base na seguinte legislação: art. 92 e 102 da Lei n. 8.212/91, cumulado com o art. 283, II, “a” e art. 373 do Decreto n. 3.048/99 (RPS). DA IMPUGNAÇÃO Devidamente citada, a recorrente apresentou impugnação tempestiva nas fls. 53/67, alegando, em síntese: Desproporcionalidade da multa, haja vista a existência de apenas 1 fornecedor pessoa jurídica, qual seja “Cia. Agrícola Extremo Sul”, razão pela qual a multa é desproporcional. Violação à amplda defesa a ausência de descrição das competências por parte da fiscalização. Deve ser considerada a boafé, haja vista o fato de o recorrente ser primário e não haver agravantes. Alega ainda que: “(...) a comercialização rural de pessoa jurídica não acarreta nenhuma das hipóteses descritas, ou seja, em relação à comercialização de fornecedor pessoa jurídica, eventuais contribuições sociais NÃO possuem como sujeito passivo o comprador e tampouco geram obrigações acessórias inerentes à retenção. (...) as vendas efetuadas por pessoas jurídicas são informadas em GFIP e nos documentos fiscais DA PESSOA JURÍDICA VENDEDORA, e dessa forma, não existe qualquer obrigação tributária decorrente da aquisição de produtos rurais desse tipo societário, ou seja, a autuada não possui obrigação em informar Fl. 106DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16641.000146/200996 Acórdão n.º 2403000.815 S2C4T3 Fl. 2 3 em GFIP e tampouco repassar tributo para a Previdência Social.” Ao final requer a relevação da multa aplicada. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar aos argumentos da impugnante, a 5ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Juiz de Fora – MG DRJ/JFA, emitiu o Acórdão n° 0933.118, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Inconformada, a recorrente apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 86/91, com os mesmos argumentos da defesa. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 94, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO Tratase de Auto de Infração sob o n. 37.225.0939. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 06/08, através da análise da documentação apresentada, a fiscalização entendeu que a recorrente efetuou os lançamentos contábeis da aquisição de produtor rural pessoa jurídica nas mesmas contas contábeis utilizadas para o lançamento da aquisição de produtor rural pessoa física, no período fiscalizado. Pelo descumprimento da obrigação acessória, a recorrente infringiu a seguinte legislação: art. 32, II da Lei n. 8.212/91, cumulado com o art. 225, II e parágrafos 13 a 17 do Decreto n. 3.048/99 (RPS). Dessa fiscalização foram instauradas duas NFLDs, quais sejam: DEBCAD n. 37.225.0882 (Processo n. 16641.000144/200905) e DEBCAD n. 37.225.0874 (Processo n. 16641.000143/200952). Ocorre que este relator entendeu por bem julgar improcedente as duas supracitadas NFLDs, com base no RE n. 363.852/MG, que transitou em julgado no dia 1o/06/2011, verbis: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. Fl. 108DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16641.000146/200996 Acórdão n.º 2403000.815 S2C4T3 Fl. 3 5 (RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169) (grifo nosso) Logo, tendo sido anulados os Autos de Infração que originaram os processos principais, não há que se falar em descumprimento de obrigação acessória, haja vista que o acessório segue o principal. Em outras palavras, tendo sido consideradas como indevidas as contribuições previdenciárias referente às DEBCAD n. 37.225.0882 e 37.225.0874, não há que se falar em contabilização indevida. Razão pela qual, o Recurso Voluntário deve ser julgado procedente. CONCLUSÃO Do exposto, dou provimento ao Recurso. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 109DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 35366.001661/2005-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/1999 a 28/02/2005
Ementa:
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES EXIGIDAS SOBRE SALÁRIOS DOS EMPREGADOS, INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO E PARCIALMENTE EM GFIP. RETROATIVIDADE BENIGNA
Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar. Na forma da Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal STF, são inconstitucionais o parágrafo único do
artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário É devida a contribuição sobre remunerações, pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, aos empregados.
O artigo 106, “c” do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.818
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência do crédito lançado para as competências até 04/2000, inclusive, com base nos critérios estabelecidos no Art.150, § 4º, CTN. Votaram pelas
conclusões os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, promovendo o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, com prevalência da multa mais benéfica para o contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora
Nome do relator: IVACIR JÚLIO DE SOUZA
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/1999 a 28/02/2005 Ementa: PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES EXIGIDAS SOBRE SALÁRIOS DOS EMPREGADOS, INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO E PARCIALMENTE EM GFIP. RETROATIVIDADE BENIGNA Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar. Na forma da Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal STF, são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário É devida a contribuição sobre remunerações, pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, aos empregados. O artigo 106, “c” do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES EXIGIDAS SOBRE SALÁRIOS DOS EMPREGADOS, INCLUÍDOS EM FOLHA DE PAGAMENTO E PARCIALMENTE EM GFIP. RETROATIVIDADE BENIGNA Ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar. Na forma da Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal STF, são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário É devida a contribuição sobre remunerações, pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, aos empregados. O artigo 106, “c” do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 644DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.11304.517H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência do crédito lançado para as competências até 04/2000, inclusive, com base nos critérios estabelecidos no Art.150, § 4º, CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, promovendo o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, com prevalência da multa mais benéfica para o contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 645DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.11304.517H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35366.001661/200519 Acórdão n.º 2403000.818 S2C4T3 Fl. 638 3 Relatório Conforme Relatório Fiscal de fls. 53, tratase de contribuições apuradas sobre remunerações dos empregados, verificadas nas folhas de pagamento e nas GFIP, incluindose contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes a parte da empresa, aos Riscos Ambientais do Trabalho RAT, e as destinadas a Terceiros. Da impugnação A notificada apresentou econômica e genérica impugnação de fls.58/59, alegando que é improcedente o lançamento uma vez que fez regularmente as contribuições devidas, juntando cópias das Guias da Previdência Social e GFIP, pedindo a anulação e arquivamento da NFLD. A Delegacia de Julgamento diante da argumentação da defesa requereu que os autos fossem baixados em diligência para verificação. As copias das GPS, de fls. 75 a 140, são recolhimentos da parte da contribuição devidas pelos segurados empregados e já foram deduzidos na NFLD n° 35.798.7748 . Por entender incorretos, às fls. 602, retificaramse, em 23/08/2007, mediante exclusão, os créditos lançados no período de 07/2004 a 02/2005 ao tempo que foi lavrada nova Notificação desse período segundo relato da instância a quo. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após a diligência, às fls. 599, a 9ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de São Paulo ( SP) DRJ/SP0 II, em 27/08/2007, emitiu o Acórdão n ° 1719.853 mantendo procedente em parte o lançamento concluindo que é devida a contribuição sobre remunerações, pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, aos empregados. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls.620/633 inovando com alegações que não fizera em sede de impugnação. É o relatório. Fl. 646DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.11304.517H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Na forma do despacho às fls. 636, o Recurso é tempestivo. Portanto, dele tomo conhecimento. DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA De plano, em atenção ao artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscal – RICARF, é relevante observar que às fls. 600 Às lfs. 600, o I. Julgador afirma que : “ Os documentos comprobatórios do recolhimento, juntados pela impugnante, referemse a recolhimentos das contribuições devidas pelos segurados”, logo se registram que houve recolhimentos anteriores à ação fiscal, recolhimentos estes que, portanto, se subsumem à tese “pagamentos antecipados” reiteradamente esposada por parte do STJ. O período de apuração do crédito tributário compreendeu as competências 01/99 a 02/2005 e a notificação ocorreu em 12/05/2005 conforme registro de fls. 01. Tomandose como certo o entendimento de que ocorre a decadência com a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício tivesse se verificado, em preliminar, quedome a observar hipótese decadencial face a edição da Súmula Vinculante n° 8 exarada pelo Supremo Tribunal Federal – STF e da Lei Complementar n° 128 de dezembro de 2008, artigo 13, I , “a ”: SÚMULA VINCULANTE DO STF N° 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. A súmula n° 8 passou a produzir efeitos a partir de 20 de junho de 2008, conforme ata da vigésima segunda sessão plenária do STF, do dia 12.06.2008, cuja íntegra do debate foi publicado no Diário de Justiça do dia 11.09.2008. O material está no site do tribunal. Consolidando o sumulado, se observa a Lei complementar n° 128, de 19 de dezembro de 2008, artigo 13, I, “a ” : “ Lei Complementar n°128, de 19 de dezembro de 2008 (...) Art. 13. Ficam revogados: I – a partir da data de publicação desta Lei Complementar: a) os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991” Fl. 647DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.11304.517H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35366.001661/200519 Acórdão n.º 2403000.818 S2C4T3 Fl. 639 5 A Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007 através do artigo 2°, § 4°, extinguiu a então Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social promovendo a unificação das receitas dando origem a atual Receita Federal do Brasil. Assume grande importância saber que a partir da Lei nº 9.528/97 é que se introduziu a obrigatoriedade de os sujeitos passivos das contribuições previdenciárias apresentarem a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Então, somente da competência janeiro de 1999 em diante, todas as pessoas físicas ou jurídicas sujeitas ao recolhimento do FGTS, conforme estabelece a lei nº 8.036/90 e legislação posterior, bem como às contribuições e/ou informações à Previdência Social, na forma do disposto nas leis nº 8.212/91 e 8.213/91 e legislação posterior, estão obrigadas ao cumprimento desta obrigação. Na referida GFIP, deverão ser informados os dados da empresa e dos trabalhadores, os fatos geradores de contribuições previdenciárias e valores devidos ao INSS, bem como as remunerações dos trabalhadores e valor a ser recolhido ao FGTS. As empresas estão obrigadas à entrega da GFIP ainda que não haja recolhimento para o FGTS, caso em que esta GFIP será declaratória, contendo todas as informações cadastrais e financeiras de interesse da Previdência Social. Desse modo, com a introdução da GFIP na legislação previdenciária, se institui para os contribuintes o dever que não existia antes de janeiro de 1999 de declarar, e , espontaneamente, antes de eventual ação fiscal que lhe exija, antecipar os pagamentos, os valores que entendam devidos à Previdência Social e proceder a demais obrigações acessórias. Obrigado a isso, a legislação das contribuições previdenciárias submeteu o sujeito passivo o dever de efetuar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, pagamento este, por analogia, também sujeito a ulterior homologação. Logo, inserido na dicção do artigo 150. Segundo leciona Hugo Brito Machado, em Curso de Direito Tributário e Finanças Públicas, Editora Saraiva, Edição exclusiva ANFIP, pg. 847: “ Por homologação é o lançamento feito quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa no que concerne à sua determinação. Operase pelo ato em que a autoridade, tomando conhecimento da determinação feita pelo sujeito passivo, expressamente a homologa( CTN, art. 150), ou então, mediante homologação tácita, que se opera pelo decurso de prazo de decadência do direito de constituir o crédito tributário, pelo lançamento.(CTN, art. 150, § 4°) ”. Nestas condições as contribuições para a Previdência Social e suas obrigações principais e acessórias se subsumem à lançamentos por homologação expressa ou tácita. Também é relevante saber que os recolhimentos das contribuições previdenciárias, antes da atual Guia da previdência Social – GPS, eram efetuados mediante as Fl. 648DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.11304.517H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 denominadas Guias de Recolhimento da Previdência Social GRPS, vigentes até a edição da Resolução Nº 657, de 17 de dezembro de 1998, que institui a atual GPS. Naquelas guias denominadas GRPS, segregados em campos próprios, se informavam os pagamentos que estavam sendo recolhidos bem como a que título, se vinculados aos segurados, às empresas ou para terceiros. Muito embora segregados, tais recolhimentos não representavam “dinheiro carimbado”, permitindose assim eventuais remanejamentos/retificações daquelas destinações, até porque os ingressos daqueles valores afluíam de um mesmo contribuinte para o mesmo cofre público. Atualmente, na forma do leiaute das Guias da Previdência Social – GPS, a exceção da rubrica outras entidades, não se vislumbra, de imediato, tampouco de forma mais detida, de modo claro e efetivo, quais os fatos geradores ou quais rubricas estão sendo contemplados com tal pagamento. Eis porque a necessidade de ações e procedimentos fiscais, considerados os prazos decadenciais, para corroborar ou não, de forma expressa os auto lançamentos e eventuais recolhimentos produzidos pelos contribuintes. Por tudo isso, entendo que qualquer eventual recolhimento na forma difusa como é procedido atualmente, bem como no modo como o fora no passado, tem o condão de alcançar qualquer rubrica de modo integral ou parcial. Apresentado tal contexto, inserido nele é que estarei conduzindo minha análise. É muito relevante notar que, isto posto, de forma alguma o legislador condicionou a homologação, nos termos do artigo 150, à antecipações de pagamento até porque na dicção do artigo 160, parágrafo único, em ocorrendo antecipação de pagamento, o sujeito passivo pode ser contemplado com desconto: “ Art. 160. Quando a legislação tributária não fixar o tempo do pagamento, o vencimento do crédito ocorre trinta dias depois da data em que se considera o sujeito passivo notificado do lançamento. Parágrafo único. A legislação tributária pode conceder desconto pela antecipação do pagamento, nas condições que estabeleça. ” Relevante notar que: “o objeto da homologação é a atividade de apuração, e não o pagamento do tributo. (Cf. Zuudi Sakakihara, em Código Tributário Nacional Comentado, coord. de Vladimir Passos de Freitas, Editora Revista dos Tribunais, São Paulo, 1999, p.584)”.(grifei) Destarte, não sendo o objeto da homologação o pagamento, mas a atividade que em face de determinada situação de fato afirma existir um tributo e lhe apura o montante, ou nega a existência desse tributo a ser apurado, não é razoável concluir que a ausência do pagamento influencie a homologação. Fl. 649DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.11304.517H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35366.001661/200519 Acórdão n.º 2403000.818 S2C4T3 Fl. 640 7 Entendo, ainda, que a ausência de pagamento aliada ao fato de a autoridade administrativa não ter cumprido seu mister, não desnatura a condição de lançamento do por homologação, neste caso tácita. À exceção do prazo qüinqüenal legal, o legislador não condicionou , e nem poderia, nenhuma outra hipótese para reconhecer a decadência tanto no que se refere às obrigações principais quanto às acessórias. Entretanto saber se houve ou não o lançamento, é dado importante para definir se foi expressa ou tácita a homologação. Neste sentido, é fundamental o entendimento sobre o que venha a ser o denominado lançamento posto que sendo este um ato vinculado e obrigatório da autoridade administrativa, é a existência dele que vai determinar se foi expressa a homologação das obrigações principais e acessórias ou tácita. Tendo a Autoridade Administrativa procedido ao lançamento expressamente, vencido o prazo qüinqüenal este restará homologado incluindo aí eventuais pagamentos e como conseqüência a decadência sobre hipotéticas diferenças não apontadas tempestivamente. Em não existindo lançamentos e nem autolançamentos mediante GFIPs, bem como pagamentos e demais obrigações adimplidas, vencido prazo qüinqüenal, tal circunstância restará tacitamente homologada e como conseqüência o instituto da decadência fulmina o direito do fisco de proceder ao lançamento para garantir a cobrança do crédito tributário e quaisquer outras exigências vinculadas. Assim, resumidamente, no que concerne às obrigações principais e acessórias, convém lembrar que tratandose de lançamento por homologação, o que restará homologado tacitamente é a circunstância existente à época cumpridas ou não, adimplidas parcial ou integralmente e até mesmo inadimplidas as obrigações. O contribuinte é sabedor de que deve efetuar o recolhimento em época própria , de modo espontâneo, isto é antes da presença do fisco, e eis aí a antecipação de que nos fala a dicção do artigo 150, caput, do CTN. Partindo do entendimento que decadência não se concede mas sim se reconhece em razão de ter ocorrido a homologação tácita das circunstâncias decaídas, o legislador, em tempo algum, pretendeu reconhecer a decadência de forma menos ou mais gravosa. Se assim o fosse, o legislador estaria estimulando a que o contribuinte efetuasse um planejamento fiscal que contemplasse “antecipações” ainda que irrisórias somente com o fito de se prevalecer do beneficio de uma tipificação menos severa quando do reconhecimento de eventual decadência sobre suas obrigações tributárias. Portanto, aplicando se forma menos severa, tal tratamento se constituiria em prêmio ao contribuinte inadimplente que porventura à época do termo do prazo qüinqüenal tivesse efetuado algum “pagamento antecipado” assegurando tal hipotético “direito” para ser compulsado em hipótese decadencial. À decadência, se constatada, não cabe condicionamento nem mesmo renúncia. É compulsório seu reconhecimento. Fl. 650DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.11304.517H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 Então qual a razão do legislador mencionar pagamentos antecipados no § 1º do artigo 150 do CTN ? Para definir e caracterizar o que seria lançamento por homologação e informar que mesmo tendo sido efetuado o pagamento, espontaneamente, antes da ação do fisco, a extinção do crédito referente àquele pagamento só se daria com a condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. Pagamento antecipado não se trata pois de condição para reconhecimento de decadência. Cabe lembrar, por relevante, que no artigo 150 do CTN, legislador se refere genericamente à ulterior homologação sem taxar se expressa ou tácita. Art. 150 CTN : (...) “ § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento.” Ainda sobre o referido artigo 150 do CTN, a leitura atenta logo nas primeiras palavras do caput, se evidencia que o que o legislador pretendeu foi conceituar a modalidade de lançamento a que se refere o artigo, neste caso lançamento por homologação, e não condicionar direitos: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Releva observar que para análise em comento, as expressões nucleares do artigo acima são: lançamento por homologação; Fl. 651DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.11304.517H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35366.001661/200519 Acórdão n.º 2403000.818 S2C4T3 Fl. 641 9 dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa ; atividade; expressamente a homologa; ( referindose à atividade define que o que se homologa é atividade); condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento; será ele de cinco anos; e considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. Entendo que tais expressões constituem a espinha dorsal que estrutura o texto na sua totalidade. A leitura feita assim, de forma indutiva, do particular para o geral e depois integrando as partes e relendo de forma dedutiva, do geral para o particular, permite , sem dúvida, compreender que o que a autoridade administrativa homologa é a ATIVIDADE conforme se extraí do caput, parte final : “ ...sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. Manifestandose sobre a decadência o legislador foi econômico e objetivo definindo na forma do artigo 150 § 4º que : “ Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação”. Outro ponto de relevo que entendo deva ser destacado da leitura do § 4º do artigo 150 é que na hipótese de comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação, fica explícito que não se aplicará o referido artigo para o reconhecimento da decadência. Entretanto, nem de forma explícita, tampouco implícita, ficou determinado a capitulação do artigo 173 para a determinação da decadência dos valores fraudados. A meu juízo, a comprovada ocorrência de dolo, fraude ou simulação importa conduta criminosa e a decadência ou a prescrição devem ser analisadas e em foro próprio não comportando benefício tributário. Por outro aspecto, na forma do artigo 173, sem mencionar homologação mas sim o direito de a fazenda constituir o crédito tributário: “ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 652DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.11304.517H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. É de se reparar que para os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, isto é para aqueles sob lançamento por homologação, o legislador foi explícito preceituando que a decadência se observa na forma do artigo 150 § 4º : “ Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação” Ao passo que sob a ótica do artigo 173, a decadência se observa conforme o § único : “ Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Resumidamente, artigo 150 invoca o lançamento e sua homologação ao passo que o artigo 173 não exorta a homologação, sendo lícito, portanto, inferir que para o reconhecimento da decadência a aplicação do artigo 173 é regra geral e no que se refere aos tributos submetidos aos lançamentos por homologação é especifica a aplicação do artigo 150 § 4º salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Corroborando tal entendimento, consta decisão do STJ nos embargos de Divergência n° 413.265SC( 2004/01609837), onde a Primeira Seção firmou entendimento preciso e atual sobre a interpretação das normas jurídicas que regem a decadência do direito do fisco no Código Tributário Nacional – CTN. Ficou assente no julgado, por unanimidade, à luz da relatoria da Min. Denise Arruda, que a decadência do direito do fisco no CTN é tratada mediante uma REGRA GERAL e uma REGRA ESPECÍFICA. A regra geral está prevista no artigo 173, I do CTN, aplicase a todos os tributos; já a específica consta do 150, § 4° do CTN, e aplicase aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Sobre a decadência, registrase ainda o contido no artigo 156, V, da Lei 5.172/66, que a decadência extingue o crédito tributário. O artigo 107 do CTN determina que : Fl. 653DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.11304.517H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35366.001661/200519 Acórdão n.º 2403000.818 S2C4T3 Fl. 642 11 “ A legislação tributária será interpretada conforme o disposto neste Capítulo”. Logo em seguida o artigo 108 preceitua que : “ Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada : I a analogia;” Assim, na forma do artigo 107 e 108 do CTN , por analogia, resta tomar emprestado o conceito de decadência conforme a definição noutros ramos do direito. Em obediência à máxima “Dormientibus non sucurrit jus” que admite ser traduzida como o direito não socorre aos que dormem, decadência pode ser definida como a perda do direito ou da faculdade pela inércia de seu titular em exercêlo. Em direito civil, decadência é a perda de um direito potestativo pelo seu não exercício, durante o prazo fixado em lei ou eleito e fixado pelas partes. Nesse instituto extinguese o direito potestativo de poder, condição que torna a execução contratual dependente duma convenção que se acha subordinada à vontade ou ao arbítrio de uma ou outra das partes. Não procedem eventuais contestações. O direito é outorgado para ser exercido dentro de determinado prazo, se não exercido, extinguese. Na decadência o prazo não se interrompe, nem se suspende, corre indefectivelmente contra todos e é fatal, peremptório, termina sempre no dia préestabelecido. Destarte, a decadência : Extingue direito potestativo; O prazo pode ser legal ou convencional; Supõe uma ação cuja origem seria idêntica da do direito; Corre contra todos; Decorrente de prazo legal pode ser julgado de ofício pelo juiz independentemente de argüição do interessado; Resultante de prazo legal não pode ser renunciado; e A ação tem natureza constitutiva. No Código Penal Brasileiro – CPB, a decadência é prevista na art. 107, IV causa de extinção da punibilidade. Nestes termos o cerne da questão é a decadência da exigência de tributo cujo lançamento é por homologação observando que esta não se resume à mera questão pecuniária, sobre se houve ou não recolhimento antecipado. Fl. 654DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.11304.517H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 Homologase a, na hipótese de ocorrência tácita, modalidade do caso em comento, a perda do direito potestativo, ainda que inadimplidas as obrigações. Claro que as condutas ilícitas, por constituírem crimes, estão excepcionadas desta análise. Entretanto, mesmo essas, em fórum próprio, têm regramento legal e são, também alcançadas pelos institutos da decadência/prescrição. Assim, considerando o período da ocorrência da infração definido pelas competências 01/99 a 02/2005, e ainda que a empresa fora notificada em 12/05/2005 ( fls. 01), na forma do artigo 150, §4° do CTN, bem como em obediência ao previsto no artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, todo o crédito lançado para a competência 04/2000 e anteriores, encontrase fulminado pelo instituto da decadência. DO MÉRITO Das matérias não impugnadas No Relatório Fiscal de fls. 53, a Autoridade Fiscal revela que: “ 1. Este Relatório é integrante da Notificação Fiscal de lançamento de Débito NFLD relativa a contribuições devidas à seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho ( antigo Seguro Acidente de Trabalho SAT )e as destinadas a terceiros.” Em razão da relevância cumpre destacar, que em sede de impugnação, a Recorrente não questionou pontual e expressamente o motivo principal da presente Notificação de Lançamento de Débitos – NFLD. Contrapondose à lavratura da notificação em apreço alegou de forma genérica que nada devia e produziu econômica defesa aqui reproduzida na íntegra: “ NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO DEBCAD 35.793.7756 A "ASSOCIAÇÃO O RAIAR DO SOL", é pessoa jurídica de direito privado regularmente inscrito no CNPJ/MF 64.034.9111000112, com sede na Rua Luiz Gama, 500, Cambuci, Capital, tel. 32070216132039340, sem fins lucrativos por sega representante legal, trem, respeitosamente à presença de Vossa Senhoria, apresentar DEFESA ADMINISTRATIVA, a NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO, expedida contra essa empresa através de fiscalização realizada pelo Agente Fiscal MARCOS AUGUSTO FRANCO, em 10 de maio de 2.005 e recebida pela empresa em 12 de maio de 2.005, com base no artigo 5° inciso XXIV, alínea "a", da Constituição Fl. 655DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.11304.517H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35366.001661/200519 Acórdão n.º 2403000.818 S2C4T3 Fl. 643 13 Federal, que estabelece "o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos e contra ilegalidade e abuso de poder", e inciso LV do mesmo artigo, que estabelece "aos litigantes, em processo judicial e administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa com os meios de recursos a ele inerentes. Conforme relatório anexado a NFLD, o mesmo esta embasada em levantamento de débito proveniente de não recolhimento de contribuições previdenciárias de abril de 1.999 a fevereiro de 2.005. Ocorre que tal NFLD, conforme documentação anexa aos autos é improcedente em seu todo uma vez que a notificada com relação ao período citado, fez regularmente as, contribuições devidas, de maneira que nada é devido com relação ao período apurado, sendo a presente para contestar integralmente o lançamento do débito apurado, razão pela qual deve essa NFLD ser ANULADA e ARQUIVADA, tudo isso por ser medida da mais inteira JUSTIÇA. São Paulo, 24 de maio de 2.005 ” Atitudes do gênero, é pacífico, têm recebido tratamento tanto em sede de impugnação quanto de recurso na forma do artigo 17 do Decreto 70.235/72: “Art.17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. ( Redação dada pela Lei n 9.532, de 1997).” Beneficiada em primeira instância, a Recorrente entendeu de inovar em segunda instância interpondo alegações que não fizera em sede a quo. O § 4º do artigo 16 também do Decreto 70.235/72, contém previsão de que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual : “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997). a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;( Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997). b) refirase a fato ou a direito superveniente;( Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997). c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.( Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997). § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das Fl. 656DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.11304.517H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 14 condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997). ( grifei) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância.( Incluído pela Lei n° 9.532, de 1997).” Assim, ausente na petição as condições preceituadas no §5° acima, onde se requer que se demonstre , com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo § 4º, é compulsório que seja observado o citado artigo 17 do Decreto 70.235/72 razão pela qual não tomo conhecimento das novas alegações até porque em o fazendo estaria suprimindo jurisdição na medida em que tais afirmativas não passaram pelo crivo de primeira instância. Da multa Conforme Relatório FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO – FLD, às fls. 41, o cálculo do valor da multa moratória, teve por base os parâmetros estabelecidos pelo art. 35,I, II, III da Lei 8.212/91. Entretanto o artigo retro foi alterado pela Lei 11.941/2009, estabelecendo que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (Redação dada pela Lei 11.491, 2009)”(grifos do relator) Lei 9.430/96: “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art.5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do Fl. 657DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.11304.517H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 35366.001661/200519 Acórdão n.º 2403000.818 S2C4T3 Fl. 644 15 prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.( Vide Lei n° 9.716, de 1998)” Da penalidade menos severa O artigo 106, “c” do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Assim, Impõese, portanto, o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 para determinação e prevalência da multa mais benéfica. CONCLUSÃO Desse modo, por tudo que foi exposto, em PRELIMINAR, determino que se reconheça a DECADÊNCIA do crédito lançado para as competências anteriores a 04/2000, inclusive, com base nos critérios estabelecidos no Art.150, § 4º, CTN e, no MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL promovendo o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a multa mais benéfica para o contribuinte. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 658DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.11304.517H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 16 Fl. 659DF CARF MF Documento de 16 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.11304.517H. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por IVACIR JULIO DE SOUZA em 04/11/2011 18:09:33. Documento autenticado digitalmente por IVACIR JULIO DE SOUZA em 04/11/2011. Documento assinado digitalmente por: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI em 29/11/2011 e IVACIR JULIO DE SOUZA em 04/11/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 05/09/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP05.0919.11304.517H Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 2E67FDF6EFACA92ECCE172AFDB85558719D68F36 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 35366.001661/2005-19. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 14485.000038/2007-76
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 15/12/2000 a 26/02/2003
PREVIDENCIÁRIO. VÍCIO FORMAL. NÃO RETENÇÃO DOS 11% NA CONTRATAÇÃO DE CESSÃO DE MÃO DE OBRA, CONFORME PREVISÃO DO ART. 31 DA LEI N. 8.212/91. MULTA COM BASE NO ART. 92 DA LEI N. 8.212/91. RELEVAÇÃO DA MULTA. NÃO CABIMENTO.
Código CNAE vigente há época da fiscalização não enseja nulidade formal. Ademais, não é qualquer equívoco que anula um Auto de Infração, se ele não tornou incompreensível o auto de infração não há vício formal.
A empresa contratante deve reter 11% do valor da nota fiscal ou fatura, se realizou algum serviço previsto nas listas constantes no art. 31, § 4o da Lei n. 8.212/91 e art. 219 § 2º do Decreto n. 3.048/99.
Só há atenuação da multa quando o contribuinte estiver inserido nas exigências do art. 291, § 1º do Decreto n. 3.048/99, bem como o fato tiver ocorrido antes da sua revogação.
Recurso Voluntário Provido em parte
Numero da decisão: 2403-000.833
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
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VÍCIO FORMAL. NÃO RETENÇÃO DOS 11% NA CONTRATAÇÃO DE CESSÃO DE MÃODEOBRA, CONFORME PREVISÃO DO ART. 31 DA LEI N. 8.212/91. MULTA COM BASE NO ART. 92 DA LEI N. 8.212/91. RELEVAÇÃO DA MULTA. NÃO CABIMENTO. Código CNAE vigente há época da fiscalização não enseja nulidade formal. Ademais, não é qualquer equívoco que anula um Auto de Infração, se ele não tornou incompreensível o auto de infração não há vício formal. A empresa contratante deve reter 11% do valor da nota fiscal ou fatura, se realizou algum serviço previsto nas listas constantes no art. 31, § 4o da Lei n. 8.212/91 e art. 219 § 2o do Decreto n. 3.048/99. Só há atenuação da multa quando o contribuinte estiver inserido nas exigências do art. 291, § 1o do Decreto n. 3.048/99, bem como o fato tiver ocorrido antes da sua revogação. Recurso Voluntário Provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 28/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 28/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14485.000038/200776 Acórdão n.º 2403000.833 S2C4T3 Fl. 78 3 Relatório 1. Tratase de Auto de Infração lavrado por infringência ao artigo 31, caput da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 9.711/98, combinado com o art. 219 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, uma vez que, de acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 04), a empresa, na qualidade de tomadora de serviços mediante cessão de mãodeobra, deixou de efetuar a retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto das notas fiscais emitidas por diversos prestadores de serviços, no período de 15/12/2000 a 26/02/2003, conforme relacionadas no Relatório Fiscal de fls. 04. 1.1. A multa aplicada está prevista no art. 283, caput do Decreto 3.048/99, com valor atualizado pela Portaria MPS n° 142 de 11/04/2007, em função do disposto nos artigos 92 e 102, ambos da Lei n° 8.212/91 e art. 373 do Decreto 3.048/99. O montante da multa corresponde a R$ 1.195,13 (um mil, cento e noventa e cinco reais e treze centavos), pertinente à infração, sem ocorrência de agravantes ou atenuantes (fls. 04 e 08). DA IMPUGNAÇÃO 2. A autuada apresentou defesa tempestiva, fls. 22/30, acompanhada de procuração, contrato social e documentos (fls. 32/42), na qual narra a ação fiscal e alega, em síntese: 2.1. preliminarmente, a ocorrência da decadência do direito do Fisco cobrar a multa aplicada no período de 15/12/2000 a 27/04/2001, vez que já decorreu mais de cinco anos entre o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 2.2. alega que deve ser considerado o prazo decadencial de cinco anos previsto no CTN, pois as contribuições sociais possuem caráter tributário. Colaciona jurisprudência do STJ; 2.3. requer a nulidade do auto de infração por erro formal quanto à identificação do código CNAE (n° 4521.7), desativado pela Resolução n° 1/2006, sendo correto o código n° 41.20400, sob o argumento que tal equívoco afronta o art. 10, incisos III e IV do Decreto 70.235/72 e ocasiona o cerceamento do direito de defesa da impugnante; 2.4. no mérito, insurgese contra a lavratura do presente Auto em nome da autuada sob o fundamento de que deve ser aplicado o beneficio de ordem, exigindose o cumprimento da obrigação acessória das empresas prestadoras dos serviços; 2.5. entende que o art. 31 da Lei 8.212/91 não transformou o contratante dos serviços em sujeito passivo da contribuição social, de forma que não tendo sido efetuada a retenção, o lançamento tributário não pode ser formalizado em nome do responsável; 2.6. afirma que o art. 31 da Lei 8.212/91 (e o inciso VI do art. 30) estabeleceu responsabilidade de terceiros da mesma natureza daquela prevista no inciso VI do art. 134 do CTN, ou seja, os terceiros só respondem solidariamente com o sujeito passivo Fl. 3DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 28/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 direto nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte; 2.7. continua argumentando que a responsabilização de terceiros pressupõe a impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação acessória pelo contribuinte. Invoca a Súmula 126 do extinto TFR e cita jurisprudência; 2.8. conclui que a fiscalização deveria ter sido realizada junto à prestadora, como determina a Ordem de Serviço MPS/INSS/DAF n° 83/93, razão pela qual entende que deve ser declarada a nulidade do Auto; 2.9. entende presentes todos os requisitos do §1° do art. 291 do Decreto 3.048/99, razão pela qual requer a relevação da penalidade aplicada; 3. Pelas razões expostas, requer, a impugnante, o acolhimento da preliminar suscitada para que seja declarada a nulidade do lançamento por erro formal e, no mérito, para que seja dado integral provimento à impugnação, determinandose a relevação da multa aplicada. 3.1. Por fim, protesta provar o alegado por todos os meios de prova em especial por prova documental complementar. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da impugnante, a 14a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo I – SP DRJ/SPOI, emitiu o Acórdão n° 1615.335, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs Recurso Voluntário (fls. 57/68), com os mesmos argumentos de sua defesa. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 28/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14485.000038/200776 Acórdão n.º 2403000.833 S2C4T3 Fl. 79 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls. 54 e 57, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO A recorrente pleiteia que seja considerado nulo o Auto de Infração objeto da lide, por vício formal, sob o argumento de que ele está instruído com o código da Classificação Nacional de atividades Econômicas – CNAE, desativado desde 01/01/2007 Ocorre que, como bem frisou a DRJ no seu acórdão, consta o número vigente há época da fiscalização (01/01/1997 a 30/12/2006). Ademais, mesmo que assim não fosse, não é qualquer falha que torna um Auto de Infração nulo, nesse sentido é pacífica a Doutrina e Jurisprudência. Assim lecionam Marcos Vinícios Neder e Maria Teresa Martínez López (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3a edição, Dialética, 2010, pág. 65), verbis: “Não resta dúvida, portanto, que o ato administrativo necessita de motivação. Entretanto, o cerne da discussão está em verificar os limites da fundamentação usada pela autoridade administrativa, isto é, se o fornecimento é suficiente ou não para a análise do caso, o que apenas pode ser verificado com o exame criterioso do ato em comento. Ada Pellegrini Grinover sustenta ‘o princípio do prejuízo constitui seguramente a viga mestra do sistema das nulidades e decorre da idéia geral de que as formas processuais representam tãosomente um instrumento para a correta aplicação do direito; sendo assim, a desobediência a formalidades estabelecidas pelo legislador só deve conduzir ao reconhecimento da invalidade do ato quando a própria finalidade pela qual a forma foi instituída estiver comprometida’. Nessa linha de raciocínio, são admitidas pequenas falhas formais no ato administrativo se não ficar caracterizado o prejuízo por elas causado. É o que se pode verificar na decisão da Primeira Seção do Tribunal Regional Federal da 4a Região, a saber: ‘Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – Artigo 11 do Decreto 70.235/72 – Falta do Nome, Cargo e Matrícula do Expedidor – Ausência e Nulidade. 1. A falta de indicação, no Fl. 5DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 28/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 auto de notificação de lançamento fiscal expedido por meio eletrônico, do nome, cargo e matrícula do servidor público que o emitiu, somente acarreta nulidades no processo administrativo quando evidente o prejuízo causado ao contribuinte. 2. No caso dos autos, a notificação deve ser tida como válida, uma vez que cumpriu suas finalidades, cientificando o recorrente da existência do lançamento e oportunizandolhe prazo para defesa. Embargos Infringentes improvidos.’” (grifo nosso) Portanto, levandose em consideração que o objeto do Auto de Infração é o descumprimento de uma obrigação acessória, eventual equívoco num número que serve para a verificação do grau de risco das contribuições relativas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa, prevista no art. 22, II da Lei n. 8.212/91 que, em nada se relaciona com o objeto da lide, não deve ser motivo ensejador para a anulação do Auto de Infração. Em outras palavras, não obstante o AI em tela não conter vício formal, pois o número do código CNAE utilizado foi o vigente no período da fiscalização, o Auto de Infração está fundamentado e cristalino, tanto que impugnado em todos os seus termos pela recorrente. DA CESSÃO DE MÃODEOBRA Ao contrário do que tenta fazer crer a recorrente, a obrigação instituída pelo art. 31 da Lei n. 8.212/91 não é principal e sim acessória, passível, portanto, de autuação por parte da Receita Federal. Assim como a empresa que forneceu o serviço de mãodeobra e não destacou na nota fiscal o valor de 11% a ser retido. Nesse sentido, o Auto de Infração objeto da lide está fundamentado de forma correta, pois há obrigatoriedade na retenção de 11% no valor da nota fiscal ou fatura, quando houver cessão de mãodeobra, por parte da contratante, para fins de contribuição previdenciária. Assim disciplinam o art. 31 da Lei n. 8.212/91, vigente há época e o art. 219 do Decreto n. 3.048/99, verbis: Lei n. 8.212/91: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5o do art. 33: Decreto n. 3.048/99: Art. 219. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 28/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14485.000038/200776 Acórdão n.º 2403000.833 S2C4T3 Fl. 80 7 Pelo descumprimento da supracitada obrigação acessória, com base nos arts. 92 e 102 da Lei n. 8.212/91, foi instaurada a multa prevista nos artigos 283 e 373 do RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/99 e atualizado pela Portaria MPS n. 142 de 11/04/2007, no valor R$ 1.195,13, verbis: Lei n. 8.212/91: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Decreto n. 3.048/99: Art.283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (...) § 3º As demais infrações a dispositivos da legislação, para as quais não haja penalidade expressamente cominada, sujeitam o infrator à multa de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos). Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Portaria Interministerial n. 142: Art. 9º A partir de 1º de abril de 2007: (...) V o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do Regulamento da Previdência Social RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada (art. 283), varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.195,13 (um mil cento e noventa e cinco reais e treze centavos) a R$ 119.512,33 (cento e dezenove mil quinhentos e doze reais e trinta e três centavos); Fl. 7DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 28/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Fica evidenciado que a empresa cometeu uma falha ao contratar o serviço de cessão de mãodeobra e não reter os 11% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço, conforme previsão do art. 31 da Lei n. 8.212/91. DO PEDIDO DE RELEVAÇÃO DA MULTA A recorrente pleiteia atenuação da pena, com base no art. 291, § 1o do Decreto n. 3.048/99, então vigente há época, verbis: Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. (grifo nosso) A recorrente, contudo, não demonstrou ter corrigido a falha no prazo da impugnação, exigência essencial para a atenuação da multa. Por esse motivo, não deve ser aplicada a atenuação da multa. CONCLUSÃO Diante do exposto, nego provimento ao recurso. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 8DF CARF MF Emitido em 30/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 28/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 12466.000700/94-60
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Nov 11 00:00:00 UTC 1996
Numero da decisão: 301-01.092
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em acolher a preliminar de diligência ao INT, através da Repartição de Origem, vencido o conselheiro Sérgio de Castro Neves, relator. Designada Ad Hoc, para redigir a resolução a Conselheira Leda Ruiz Damasceno, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: SERGIO DE CASTRO NEVES
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RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em acolher a preliminar de diligência ao INT, através da Repartição de Origem, vencido o conselheiro Sérgio de Castro Neves, relator. Designada Ad Hoc, para redigir a resolução a Conselheira Leda Ruiz Damasceno, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 11 de novembro de 1996 MOACYR ELOY DE MEDEIROS Presidente PROCUI:ADOt:IA.G:Il:Al t'",. ~A2~tJ~A t,'~r'r-'. COOl'd.naç4Q.Gerol , > r ..• ," .-- ., .' ••.. AL . epr "~t'n,cç(.o hl.ojudJCltil Em~'oo:o"o~n',D;;;'o-_o 00 O 8 O~o"""'._ .....oo.:1.volLo.- - Co LI ;:JWCIANA COR -tO, cc._ 0•.. 00.0 ..•.•.•... 0.000. , l.. r.vnlZ I C~ re; 'rMvr"ora C:gfweodo ~O<:fOnQJ Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ, ISALBERTO ZAVÃO LIMA, FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO e JOÃO BAPTISTA MOREIRA. Ausente o Conselheiro LUIZ FELIPE GALVÃO CALHEIROS. Fez sustentação ora o Advogado Dr. ROBERTO SILVESTRE MARASTON. OAB/SP N° 22-170. Ime .' MIN!STÉRJO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRiMEIRA CAMARA RECURSO N° RESOLUÇÃO N° RECORRENTE INTERESSADA RELATOR(A) RELATOR Ad-Hoc. 118.063 301-1.092 DRJ DO RIO DE JANEIRO/RJ CIA IMPORTADORA E EXPORTADORA COIMEX. SÉRGIO DE CASTRO NEVES LEDA RUIZ DAMASCENO RELATÓRIO ••I Ir, O presente processo versa sobre recurso de oficio impetrado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro de sua decisão que considerou improcedente o Auto de Infração lavrado contra a Interessada em epigrafe . Dito Auto de Infração reclassificava os veículos marca Mitsubishi, modelo Pajero, importados pela interessada sob classificações fiscais correspondentes a jipes, pretendendo que os códigos que realmente lhes corresponderiam na nomenclatura seriam os referentes a veículos de uso misto. Em conseqüência dessa reclassificação, formularam-se as exigências,anuladas pela decisão recorrida. É o relatório. ~~ 2 MINISTÉRIODAFAZENDA TERCEIROCONSELHODECONTRIBUINTES PRIMEIRACAMARA li RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 118.063 301-1.092 VOTO VENCEDOR I • • 1 I Verifica-se da análise dos autos, que as características do veículo foi efetuada, tão somente, com base em documentos, e que existe contradição nas conclusões dos órgãos competentes para proferir a classificação fiscal da mercadoria. Essas contradições impedem de saber se o tipo de veículo importado, em questão, prejudicando o julgamento. Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem, no sentido de ser ouvido o INT, para esclarecer se os veículos, em questão, se enquadram nas especificações previstas no Ato Declaratório COSIT nO 32/93 ou no Parecer Normativo COSIT nO 02/94, intimando-se a recorrente para apresentar quesitos, se julgar conveniente. Sala das Sessões, em 11 de novembro de 1996 -~$rfj- LEDA RUIZ DAMASfENO - RELATORAAD-HOC 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CAMARA,. RECURSO N° RESOLUÇÃO N° 118.063 301-1.092 VOTO VENCIDO • • eSl Entendo estar-se aqui tratando de mais urna dessas inapeláveis confusões geradas pela imprecisão no desdobramento do Sistema Harmonizado nas nomenclaturas locais. Considero algo infeliz a decisão de abrir-se localmente urna categoria na Nomenclatura denominada "Jipes", eis que essa denominação é apenas urna marca de fantasia da Willys Overland, imprópria e imprecisamente perfilhada naquele documento. A sua introdução na Nomenclatura não poderia dar-se sem a concomitante inclusão de Nota Legal Complementar que definisse a bastarda expressão . Seja corno seja, a disputa colocada é se o veículo denominado Mitsubishi Pajero deve ser considerado enquadrável na categoria dos "Jipes" ou na categoria dos "Veículos de uso misto". Ora, na Nomenclatura, os veículos de uso misto são aqueles que se prestam indiferentemente ao transporte de passageiros ou de cargas, sem necessidade de maiores adaptações estruturais. É o caso, por exemplo, de certos furgões. Ora, quem quer que tenha visto alguma vez o tal Mitsubishi Pajero, veículo cada dia mais comum nas ruas brasileiras, poderá ter alguma dúvida a respeito de chamá-lo jipe - seja isso lá o que for - mas dificilmente concordará em que um seja veículo projetado para o transporte de cargas. Trata-se de veículo robusto e apto a trafegar em terrenos dificeis - o chamado off-road - mas inquestionavelmente desenhado para conduzir passageiros. Na verdade, seu compartimento de bagagem é desvantajoso em relação a vários automóveis de passeio . Dessa forma, ainda que permeado pela atroz dúvida sobre o que seja um jipe, tenho convicção de que o automóvel em causa não é, corno advertiu a decisão "a quo", um veículo de uso misto, e nego provimento ao recurso de oficio. Sala das Sessões, e 11 de novembro de 1996 VES - Conselheiro 4 00000001 00000002 00000003 00000004
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Numero do processo: 16327.911252/2009-60
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3801-000.324
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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(assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel EDITADO EM: 11/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Fl. 295DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 11/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.911252/200960 Resolução n.º 3801000.324 S3TE01 Fl. 2 2 RELATÓRIO Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJSão Paulo I (SP) (fl. 70), abaixo transcrito: 1. O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação de fls. 57 a 62 (PER/DCOMP nº 34804.64012.161006.1.3.043973,), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de PIS (cód. receita 4574) relativo ao período de apuração outubro de 2004. 2. Pelo Despacho Decisório de fls. 16 o contribuinte foi cientificado, em 31/08/2009 (fls. 68), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. 3. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$ 4.549,07). 4. Irresignado, o contribuinte apresentou em 30/09/2009 a Manifestação de Inconformidade de fls. 01 a 09, informando e argumentando, em apertada síntese, sobre o seguinte: 4.1 Que incorreu em erro na ocasião do preenchimento da DCTF, sendo que havia apurado, em outubro de 2004, PIS a pagar no montante de R$ 241.361,12, entretanto acabou recolhendo e declarando em DCTF um valor superior (R$ 300.282,78). 4.2 Uma vez identificado o equívoco, o recorrente teria constituído crédito tributário, que se pretendeu utilizar na PER/DCOMP acima referida para se compensar os débitos constante na mesma. 4.3 No entanto o recorrente deixou de corrigir a DCTF do período do crédito, o que acabou gerando a inconsistência entre os valores declarados em DCTF e na PER/DCOMP, e estando o pagamento integralmente alocado à quitação de outros débitos não restou crédito disponível para a compensação pleiteada. 4.4 Para sanar tal pendência o contribuinte retificou a referida DCTF, em 11/09/2009 alterando os valores de PIS apurado em outubro de 2004, o que, segundo o mesmo, estaria condizente com o apurado na época. 4.5 Em sede do direito, alega preliminarmente que é cabível a manifestação de inconformidade, com base no regimento interno da RFB e na Lei nº 9.430/96. 4.6 Afirma possuir o crédito alegado, pois o que houve foi apenas erro no preenchimento da DCTF, encontrandose portanto o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 170 do CTN. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 11/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.911252/200960 Resolução n.º 3801000.324 S3TE01 Fl. 3 3 4.7 Argumenta ser dever da administração pública a busca pela verdade material e neste sentido a Autoridade fiscal deveria ter intimado o contribuinte antes de não homologar a compensação. 4.6 Que a adoção da conduta acima estaria em consonância com os princípios da moralidade, eficiência e celeridade previstos na Constituição Federal e na Lei 9.784/99. 4.8 Que houve vício de forma e este não poderia macular a existência do seu direito creditório. 4.9 Que pelo princípio da verdade material as meras questões formais não poderiam se sobrepor à efetiva existência do crédito, face ao princípio da verdade material, para tanto colaciona decisões administrativas no sentido de se cancelar o lançamento quando comprovado o erro no preenchimento da declaração. 4.10 Que houve erro puramente material no preenchimento do PER/DCOMP e que tal erro não poderia ter sido utilizado para o não reconhecimento do direito creditório pleiteado. 5. Por fim requer que seja provida a manifestação de inconformidade, desconstituindose a exigência fiscal formulada, seja reconhecida a DCTF retificadora e conseqüentemente o crédito tributário e homologado o pedido de compensação em sua totalidade. Analisando o litígio, a DRJSão Paulo I/SP entendeu por bem não homologar a compensação declarada (fls. 70 e seguintes), conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 12/11/2004 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Às fls. consta recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a Recorrente, após discorrer sobre os fatos e em especial sobre a origem dos créditos indicados no pedido de compensação, traz as seguintes alegações, em resumo: • Que houve a comprovação dos créditos indicados no pedido de compensação, com a retificação da DCTF e com os demais documentos acostados aos autos; • Que há direito de compensação quando se comprova a existência dos créditos através da apresentação das declarações devidamente retificadas e documentos apresentados nos autos. É o relatório. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 11/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.911252/200960 Resolução n.º 3801000.324 S3TE01 Fl. 4 4 VOTO O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme mencionado alhures, a manifestação de inconformidade do Recorrente não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de São Paulo, sob o argumento de que o “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 56.590,91. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado; foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas Integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando créditos disponíveis para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP.” Ocorre, contudo, que o Recorrente, além de ter indicado corretamente em sua DIPJ os valores dos créditos, retificou a sua DCTF, fazendo jus, a princípio, aos créditos utilizados na compensação não homologada pela Douta Delegacia da Receita Federal de São Paulo. No julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de São Paulo I (SP) poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades Fl. 298DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 11/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.911252/200960 Resolução n.º 3801000.324 S3TE01 Fl. 5 5 procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ................................................................................................................... ....... É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) Fl. 299DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 11/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.911252/200960 Resolução n.º 3801000.324 S3TE01 Fl. 6 6 No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/00 99, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 302 39947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo Fl. 300DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 11/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.911252/200960 Resolução n.º 3801000.324 S3TE01 Fl. 7 7 negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, os DCTF’s que foram retificadas pelo Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstram créditos passíveis de compensação. Contudo, só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF de São Paulo, é que se poderá ter certeza de que os créditos utilizados são mesmo passíveis de compensação, como pretendeu a Recorrente. Não se pode olvidar que consta anexada aos Autos, além das DCTF’s retificadas, a DIPJ, planilhas e livros contábeis do Recorrente. Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF/São PauloSP para: 1. Com base nas retificações realizadas pela Recorrente e nos documentos anexados ao presente Recurso Voluntário apurar se os valores dos créditos indicados nas compensações são suficientes para liquidar os débitos compensados; 2. Intimar a Recorrente a se manifestar acerca da diligência realizada, se assim desejar, no prazo de trinta dias de sua ciência; 3. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 301DF CARF MF Impresso em 31/10/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 11/10/2012 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30 /10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10580.001647/2003-80
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3801-000.214
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência à DRF de origem para apurar a base de cálculo das contribuições, considerando apenas as receitas de vendas de mercadorias e de prestação de serviços, além de verificar a inclusão indevida de IPI. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Isalberto Zavão Lima (OAB 25056).
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Isalberto Zavão Lima (OAB 25056). (assinado digitalmente) Magda Cotta Cardozo Presidente. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Relator. EDITADO EM: 16/08/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Magda Cotta Cardozo (Presidente), Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Daniela Ribeiro de Gusmão e José Luiz Bordignon. Fl. 263DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 18/08/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.001647/200380 Resolução n.º 3801000.214 S3C1T1 Fl. 549 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: “Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 05/13) lavrado contra a contribuinte acima identificada, que pretende a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins relativa aos períodos de apuração de janeiro, fevereiro, abril a dezembro de 1998; janeiro a abril, junho a dezembro de 1999; janeiro a dezembro de 2000; janeiro a junho, agosto, outubro a dezembro de 2001. A Portaria SRF n° 6.129, de 02 de dezembro de 2005, prevê que serão objeto de um único processo administrativo as exigências de crédito tributário do mesmo sujeito passivo, formalizadas com base nos mesmos elementos de prova, referentes à Cofins e à Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, razão pela qual ao presente processo foi anexado o processo n° 10580.001646/200335, conforme despacho à folha 222. Desta forma, neste processo também se pretende a cobrança da Contribuição para o PIS (Auto de Infração às folhas 229/237) pertinente aos mesmos períodos de apuração da Cofins. O autuante informa ter constatado divergências entre os valores declarados (fls. 56/61) e os escriturados pela contribuinte, conforme "Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada" às folhas 14/18 (Cofins) e 243/247 (PIS). Informa, ainda, no “Termo de Verificação Fiscal” às folhas 24/27 (Cofins) e 248/251 (PIS), que as bases de cálculo das contribuições (fls. 19/23 e 238/242) foram apuradas a partir das vendas registradas no Livro de Registro de Apuração do ICMS (fls. 71/132), sendo que os valores relativos a "outras receitas” foram obtidos com base nos balancetes mensais (fls. 133/189) e confrontados com o Razão. Ao presente processo foram também anexados os seguintes documentos: Mandado de Procedimento Fiscal — MPF (fls. 01/03); Termo de Inicio (fls. 29/30); contrato social (fls. 35/46); outros termos lavrados durante a fiscalização e esclarecimentos prestados pela contribuinte (fls. 47/55); declaração REFIS (fls. 63/70). Cientificada da exigência fiscal em 27/02/2003 (fls. 05 e 229), a autuada apresenta em 28/03/2003 as impugnações de folhas 191 (Cofins) e 415 (PIS), alegando que o auditor fiscal não deduziu o Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI da base de cálculo das contribuições, conforme demonstrativos anexos, além de não ter considerado, nos anos calendário de 1998 e 1999, a compensação dos débitos com crédito do IPI protocolizada junto à SRF. Em face das alegações da impugnante, foi determinada a realização de diligência (despachos às folhas 196 e 420) para verificar a existência Fl. 264DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 18/08/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.001647/200380 Resolução n.º 3801000.214 S3C1T1 Fl. 550 3 de valores a excluir a titulo de IPI das bases de cálculo das contribuições, e confirmar a mencionada compensação. Desta forma, foram anexados os documentos de folhas 197/213 e 421/437, retomandose o processo a esta Delegacia de Julgamento. Em 28/06/2007, a contribuinte apresenta a esta DRJ os documentos de folhas 214/219 e 438/443”. A Delegacia de Julgamento em Salvador (BA) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “IMPUGNAÇÃO. PROVAS. A impugnação apresentada deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lançamento Procedente”. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 480 a 504, argüindo, em síntese: • Que o valor substancial do débito decorre da inadmissibilidade da compensação do saldo credor do IPI, acumulado em decorrência da diferença entre a alíquota da matéria prima polipropileno — (Cod. IPI 39.02.10.20 12%), que contribui com cerca de 98% da composição física do produto final, e a alíquota incidente sobre as vendas da produção — sacos plásticos para embalagem industrial (Cod. IPI 63053310 5%) — Doc. 02. • Que o PAF, independente dos ritos processualísticos próprios, objetiva, também, uma depuração dos lançamentos tributários sabidamente ilegais ou inconstitucionais, principalmente, quanto a estes últimos, quando já estejam consagrados pelos julgados da Suprema Corte. Nesta linha, visando o saneamento das autuações inconsistentes, não se pode conceber que esteja precluída a apresentação de provas antes de findo os procedimentos da Administração, principalmente quando estas forem contundentes, verossímeis e justificadamente não disponibilizadas na inicial. Aliás, advirtase que disponibilizadas ao AFTN Autuante foram todas as provas, que preferiu o caminho simplista do lançamento ilegal do AI. • Que é indiscutível que o AFTN dispunha de todo arsenal probatório, nesta fase de investigação onde predomina amplamente o princípio inquisitório para a busca da verdade material. Demais disto, aplicou equivocadamente a Lei. Acima dos prazos preclusivos do PAF, devem estar os princípios que o norteiam, especialmente a busca da Fl. 265DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 18/08/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.001647/200380 Resolução n.º 3801000.214 S3C1T1 Fl. 551 4 verdade material e a inafastável obediência ao Princípio da Estrita Legalidade. • Que a Recorrente traz aos autos novas provas de suas alegações, todas acessadas pelo AFTN, por ocasião da auditoria que culminou com a autuação em comento, e que, portanto, não representam novidade para a Administração Fiscal. • Que a Recorrente traz aos autos as provas inequívocas, por amostragem, abarcando apenas alguns meses ou operações, mas que bem demonstram suas alegações. • Que a Recorrente apresenta o Doc. 03, correspondente à demonstração correta da Receita Bruta (ou faturamento), mês a mês, comparando cada base de cálculo com as constantes nos anexos do AI, onde fica aclarado o engano do Autuante. • Que é incontroversa a inconstitucionalidade do critério de apuração da base de cálculo adotada pela AFTN para determinar o quantum da COFINS e do PIS. Neste diapasão, enquanto não sobrevier norma infraconstitucional que altere a base de cálculo determinada pela LC 70/91, ou seja, o faturamento mensal, o conceito alargado de receita não poderá subsistir. Nesta esteira, também não deve ser alargada a base de cálculo do PIS, como determinado pelo STJ em sua remansosa jurisprudência. Em face do exposto, requer: 1. Em preliminar, a nulidade dos Autos de Infração do PIS e da COFINS, pelos vícios argüidos ut supra. 2. Rejeitada a preliminar, que seja provido o presente Recurso, extinguindo os créditos tributários, por inconstitucionalidade e ilegalidade da pretensão da Fazenda Nacional (erro de direito), devido à capitulação legal (art. 30 da Lei 9.718/98), pela inclusão de outras receitas (receitas financeiras) nas Bases de Cálculo do PIS e da COFINS, por falha na composição material das bases de cálculo (inclusão do IPI) e por desconsideração da compensação do Saldo Credor Acumulado do IPI com os débitos do PIS e da COFINS, saldo este devidamente lançado Livro de Apuração do IPI e Demais Livros Fiscais e Contábeis. 3. Caso entenda necessário, requer a produção de provas, por todos meios admitidos em lei, especialmente a baixa do processo em Diligência para apurar todas as falhas materiais e de direito existentes na autuação, bem como a constatação da exatidão e da certeza do Saldo Credor do IPI, contraposto aos débitos apurados do PIS e da COFINS. É o relatório. Fl. 266DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 18/08/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.001647/200380 Resolução n.º 3801000.214 S3C1T1 Fl. 552 5 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator Conforme relatório acima, tratase da exigência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins (auto de infração às fls. 05/13) e da Contribuição para o PIS/Pasep (auto de infração às folhas 229/237). A autoridade autuante, no Termo de Verificação Fiscal, fls. 192/193, assim se manifestou quanto a composição da base de cálculo para o Pis e a Cofins: “ [...] Com base nos Livros de Apuração de ICMS, cópias em anexo, foram levantadas as bases de cálculo correspondentes às vendas efetuadas pelo contribuinte, valores consolidados nos demonstrativos “Demonstração da Base de Cálculo”. Vale ressaltar que foram consideradas as devoluções de mercadoria registradas e que os livros de ICMS estavam rasurados com alteração da indicação dos códigos fiscais, sendo considerado nesta apuração Os códigos indicados pelo contribuinte, fato este que teve a anuência do contribuinte, conforme declaração firmada em 27/02/2003, cópia em anexo. Os valores correspondentes às outras receitas, que compõem a base de cálculo destas contribuições, foram obtidos com base nos balancetes mensais, cópias das contas de receita em anexo, os quais foram confrontados com aqueles constantes nos Livros Razão. A totalização destas receitas é apresentada na coluna “Base de cálculo” dos “Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada”, cópias em anexo, tanto para o PIS quanto para a COFINS. (grifo acrescido) [...] Por seu turno, a recorrente alega que a autuação carrega vícios de erro de direito e erro de fato pela adição de “outras receitas” abstraídas dos Balancetes Contábeis da Empresa, enquadradas no conceito de Receita Bruta, determinada pelo art. 3º da Lei 9.718/98, apesar das várias declarações de inconstitucionalidade do Supremo Tribunal Federal e decisões do STJ. Diante disso, para o apropriado encaminhamento da solução da presente contenda, devese ter em mente que a Lei nº 9.718/98 (conversão da Medida Provisória nº 1.724/98), ampliou o conceito de faturamento base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins definindoo no §1º do art. 3º como sendo “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Por sua vez, o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º.718/98, conforme ementa abaixo colacionada: Fl. 267DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 18/08/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.001647/200380 Resolução n.º 3801000.214 S3C1T1 Fl. 553 6 CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 (1Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). Fl. 268DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 18/08/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO Processo nº 10580.001647/200380 Resolução n.º 3801000.214 S3C1T1 Fl. 554 7 Desse modo, levandose em consideração que na composição da base de cálculo das referidas contribuições foram acrescidas “outras receitas” (alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, cuja inconstitucionalidade foi declarada pelo STF), encaminho meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência à DRF de origem, a fim de: 1. apurar, à luz dos documentos acostados aos autos e da escrita contábil e fiscal, o valor devido a título de contribuição para o PIS, segundo o conceito de faturamento adotado na Lei Complementar nº 7, de 1970, qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. 2. apurar, à luz dos documentos acostados aos autos e da escrita contábil e fiscal, o valor devido a título de contribuição para a COFINS, segundo o conceito de faturamento adotado na Lei Complementar nº 70, de 1991, qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. 3. verificar se foi adicionada a base de cálculo das contribuições o valor referente ao IPI. Caso positivo, o mesmo deverá ser excluído. 4. cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; 5. retornar o processo a este CARF para julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 269DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON Assinado digitalmente em 16/08/2011 por JOSE LUIZ BORDIGNON, 18/08/2011 por MAGDA COTTA CARDOZO
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