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Numero do processo: 10325.000977/2009-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2801-000.162
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§ 1º e 2º, do Regimento do CARF.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º, do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Tânia Mara Paschoalin e Carlos César Quadros Pierre. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da 1a Turma de Julgamento da DRJ/Fortaleza/CE (Acórdão DRJ/FOR nº 0821.285, de 05/07/2011, às fls. 295/326, que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido nos autos. Por bem resumir os fatos, transcrevese, a seguir, parte do Relatório constante da decisão recorrida (fl. 32): “O presente processo, que ostenta como última folha a de n° 294, trata de autuação contra a contribuinte acima qualificada, conforme auto de infração de fls. 02/14, para cobrança do Imposto de Renda Pessoa RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 25 .0 00 97 7/ 20 09 -6 4 Fl. 401DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10325.000977/200964 Resolução nº 2801000.162 S2TE01 Fl. 402 2 Física, exercícios de 2005, 2006 e 2007, anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, no valor de R$ 1.221.091,53 (um milhão, duzentos e vinte e um mil, noventa e vinte e um reais e cinqüenta e três centavos), valor já acrescido dos juros de mora e multa de ofício, calculados de acordo com a legislação de regência. O lançamento de ofício decorreu de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela contribuinte, tendo sido constatado omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação anexo, parte integrante deste Auto de Infração ora guerreado. Inconformada com a exigência, a contribuinte apresentou impugnação em 23/07/2009, fls. 253/283, a seguir parcialmente transcrita: (...) No caso, restaram descumpridas as normas que norteiam o lançamento do crédito tributário, conforme restará demonstrado nos tópicos seguintes. Preliminarmente, porém, tratarseá sobre as falhas cometidas pela autoridade fiscal que apontam para a ineficácia do pretenso lançamento. II DAS PRELIMINARES II.1 NULIDADE DO LANÇAMENTO Erro na identificação do fato gerador ao final de cada anocalendário Nos termos do § 4 o do art. 42 da Lei n°. 9.430/96, na hipótese de presunção de omissão de rendimentos, caracterizada pela existência de depósitos bancários sem comprovação de origem, o imposto incide no mês pela tabela progressiva vigente a época em que tenha sido efetuado o crédito na conta bancária. (...) A despeito da literalidade do dispositivo transcrito, constatase que no lançamento, o fisco, desrespeitando o comando claro e objetivo do art. 42 em foco, lançou a tributação em 31 de dezembro (fl. 14), sob o entendimento de que, apesar da indicação dos valores mensais dos depósitos supostamente nãocomprovados, teria ocorrido um único fato gerador. Ora, o aplicador da lei deve se submeter à lei. Não lhe cabe tentar construir, como ocorre no caso presente, outra conformação legal, ainda que sob a justificativa de que a solução ideada (tributação anual) é a mais adequada tecnicamente. Do contrário, caberia indagar se haveria justificativa técnica para a decisão tomada pelo legislador, quando definiu que na omissão dos rendimentos decorrentes dos depósitos nãocomprovados o fato é mensal, no momento em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira? Fl. 402DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10325.000977/200964 Resolução nº 2801000.162 S2TE01 Fl. 403 3 Sobre o assunto, assim manifestouse a Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: "(...)" Portanto, a Sexta Câmara concluiu que "de acordo com o § 4° do art.42 da Lei n° 9.430, na hipótese de presunção de omissão de rendimentos, caracterizada pela existência de depósitos em instituições financeiras sem comprovação da origem, o imposto incide no mês e tem por base a tabela progressiva vigente a época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira". Do exposto, constatase a manifesta nulidade do presente lançamento tributário que considerou apenas um único fato gerador ao final de cada anocalendário, por equívoco na definição do momento exato da ocorrência do fato gerador. Configura, também, a decadência de parte do lançamento, como entendido no acórdão em destaque, visto que a lei manda considerar os depósitos como rendimentos auferidos no mês do crédito efetuado pela instituição financeira" e não no encerramento do anocalendário. Desse tema, porém, se cuidara em tópico adiante. II.2 — DA DECADÊNCIA DE PARTE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Conforme consta do Auto de Infração, a exigência compreende, inclusive, os fatos geradores de janeiro a maio do anocalendário de 2004. Com relação a estes períodos, todavia, o fisco não mais poderia formular exigência de suposto crédito tributário, vez que foram atingidos pela decadência, estatuída no Código Tributário Nacional. Senão, vejamos. O poderdever do Fisco de constituir o crédito tributário, em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, como é o caso do IRPF, é regulado pelo artigo 150 e § 4 o , do Código Tributário Nacional, de todos conhecido. Com advento do DL n°. 1.968/82, impõese ao contribuinte do IRPF a obrigação de efetuar o recolhimento do imposto independentemente de prévia notificação pela autoridade lançadora, sujeitandoo, inclusive, as penalidades legais caso não efetuasse o pagamento também independentemente da entrega da declaração de rendimentos. Dessa forma, o lançamento do Imposto de Renda das Pessoas Físicas mudou de natureza, passando da espécie lançamento por declaração, cujo prazo decadencial é estabelecido no artigo 173 do CTN, para a espécie lançamento por homologação, cuja decadência é regulada pelo Art. 150, parágrafo 4 o do mesmo estatuto. (...) Assim sendo, com respaldo no Código Tributário Nacional (art. 150, § 4 o ) , o prazo decadencial tem como termo inicial a ocorrência do fato gerador. E para que o lançamento fiscal seja válido, deve ser finalizado antes do decurso do prazo de cinco anos. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10325.000977/200964 Resolução nº 2801000.162 S2TE01 Fl. 404 4 Assim não procedendo, o ato do contribuinte que determinou a matéria tributável e calculou o montante do tributo devido é tacitamente homologado. E ocorrendo a homologação tácita nos termos do dispositivo supra, é defeso ao fisco exigir quaisquer diferenças. Vale dizer, portanto, que o fisco não zelou para exercitar, a tempo, a atividade não homologatória das operações praticadas pelo Impugnante com relação aos fatos geradores de janeiro a maio de 2004. Considerando que o marco temporal do fato gerador, do IRPF, se consumara, em relação ao período mais recente, em 31/05/2004, dispunha o fisco dos 05 (cinco) anos subseqüentes, ou seja, até 31/05/2009 para atestar a regularidade dos procedimentos adotados pelo fiscalizado. Entretanto, a ação fiscal foi concluída com a lavratura do auto de infração cuja ciência se deu em 26/06/2009, quando j á se esgotara o prazo hábil para investigação da regularidade dos atos praticados pelo autuado naqueles meses. Referido lançamento não é válido, porque o eventual crédito foi atingido pelo prazo de decadência. Ainda que se alegue que o imposto deve ser apurado mediante a aplicação da tabela progressiva anual, o fato é que a suposta omissão apontada para os meses de janeiro a maio de 2004, não deve compor o montante anual tributável, simplesmente porque tais períodos foram atingidos pelo prazo decadencial e a fiscalização não mais poderia exigir qualquer comprovação do contribuinte. (...) Enfim, é da essência do instituto da decadência a existência de um direito não exercitado, por inércia do titular desse direito, num período de tempo determinado, cuja conseqüência e a extinção desse direito. Assim ocorreu no presente processo em relação aos períodos de janeiro a maio do anocalendário de 2004. III DO MÉRITO Será demonstrado em tópico adiante, que a fiscalização cometeu inúmeras falhas no procedimento de constituição do suposto crédito tributário de que cuida o referido Auto de Infração, cuja conseqüência é o inevitável cancelamento do presente processo administrativo fiscal. Todavia, antes da demonstração dos graves erros cometidos pelo fisco, é importante esclarecer que a base tributável tomada para fins de lançamento, no caso a movimentação financeira da Impugnante correspondente aos depósitos/créditos lançados em suas contas bancárias, por si só não caracteriza omissão de receita para fins fiscais. Não se pode olvidar que há muito o Poder Judiciário Federal tem decidido que: O simples depósito/crédito bancário não caracteriza obtenção de rendimentos Fl. 404DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10325.000977/200964 Resolução nº 2801000.162 S2TE01 Fl. 405 5 Indubitavelmente, a movimentação financeira constante de extratos bancários nem sempre configura a infração omissão de rendimento. Tratase de elemento indiciário que necessita de outros para se promover uma ligação causal entre uma forma de evasão (omissão de vendas, subfaturamento, omissão de rendimentos, etc.) e os respectivos depósitos, objetivandose uma convicção segura acerca do contribuinte fiscalizado. Porém, assim não trabalhou a fiscalização, pois, sem um procedimento investigatório em profundidade, simplesmente lançou mão dos depósitos registrados nos extratos bancários do contribuinte, e sobre o somatório efetuou o lançamento do tributo constante do Auto de Infração. Isso é inconcebível a luz do direito. (...) Desde logo, e preciso observar que o imposto de renda não incide sobre depósitos bancários, mas sobre acréscimos patrimoniais. Depósitos bancários são precisamente indícios que permitem a Fiscalização iniciar o processo de identificação dos suportes fáticos (acréscimos patrimoniais) não oferecidos à tributação, no exercício do dever de prova que lhe é imposto pelos princípios da legalidade e da motivação e pelo art. 142 do CTN. No entanto, no quadro normativo constante da Constituição Federal e do Código Tributário Nacional, meros indícios de renda (depósitos bancários) não podem legitimamente ser transformados, nem pela lei tributaria, a fortiori pelo agente fiscal, em acréscimos patrimoniais suscetíveis de tributação, sem que previamente se exerça o dever de prova e investigação que a norma de lançamento exige (art. 142 do CTN). Os depósitos bancários constituem precisamente o ponto de partida (como afirma o Ministro Carlos Velloso, adiante citado) para o trabalho de investigação e prova da ocorrência de acréscimos patrimoniais não oferecidos a tributação. Conclui, dizendo estar assentado na jurisprudência e na doutrina que a exigência de imposto de renda com base exclusivamente em depósitos bancários, sem a demonstração objetiva da existência de renda consumida, através da comprovação fiscal de sinais exteriores de riqueza, não atende as exigências do sistema constitucional tributário e do Código Tributário Nacional, em face dos princípios da legalidade, da motivação, do dever de prova constante da atividade de lançamento e da regramatriz constitucional do imposto de renda, como acréscimo patrimonial disponível. (...) A conseqüência normativa nos dois preceitos analisados também é a mesma: exigência de imposto de renda sobre os valores cuja origem não foi comprovada, considerados como rendimentos omitidos a tributação. Assim sendo, a norma do art. 42 da Lei 9.430/96 em nada inovou em relação ao antes disposto no art. 6 o , parágrafo 5 o da Lei 8.021/90. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10325.000977/200964 Resolução nº 2801000.162 S2TE01 Fl. 406 6 Nada há no preceito do art. 42 da Lei 9.430/96 que permita considerá lo como inovador relativamente ao antes previsto no art. 6o , parágrafo 5o da Lei 8.021/90, norma que já contemplava o suporte fático ora previsto na primeira Lei. Logo, assim como ocorria ao tempo da Lei 8.021/90, tal como reconhecido pelo Tribunal Federal de Recursos TFR e pela Câmara Superior de Recursos Fiscais — CSRF impõese que lançamentos apoiados no art. 42 da Lei 9.430/96, cumprindo o que determinam os art. 43 e 142 do CTN demonstrem a efetiva existência de renda consumida, através de sinais exteriores de riqueza, pois não custa repetir simples depósitos bancários não constituem renda tributável. Nada há na Lei 9.430/96 que autorize a alteração do entendimento já consolidado na doutrina e na jurisprudência judicial e administrativa, desde os tempos do vetusto RIR/80, segundo o qual meros depósitos bancários, ainda que de origem não comprovada, não autorizam o lançamento de imposto de renda, sem a demonstração da existência de renda consumida pelo contribuinte. Segundo. É absolutamente equivocado pretender retirar do art. 42 da Lei 9.430/96 uma suposta presunção Júris tantum em favor do fisco, que o autorizasse a exigir imposto de renda sobre meros depósitos bancários, sem maiores aprofundamentos investigatórios relativamente à presença de renda consumida ou a demonstração de outros elementos fáticos vinculados à movimentação da renda. Esta exegese afigurase descabida porque, como demonstrado, a norma do art. 42 da Lei 9.430/96 tãosomente reproduz a norma do art. 6 o , parágrafo 5 o da Lei 8.021/90, no bojo da qual nunca se cogitou, sequer administrativamente, a criação de tal presunção. E mais: admitir o estabelecimento de tal presunção significaria inverterse totalmente a pirâmide normativa em que se assenta a ordem jurídica, porquanto se estaria esvaziando completamente o sentido normativo dos art. 43 e 142 do CTN que obrigam a autoridade fiscal a demonstrar motivadamente a ocorrência do fato gerador. Se o legislador pudesse legitimamente criar, por simples lei ordinária, a pretendida presunção júris tantum, poderia subverter, em nome dos interesses arrecadatórios, todo o articulado constitucional, bem como tornaria letra morta o dever de investigação e prova constante do preceito do art. 142 do CTN. A afirmação de que há no art. 42 da Lei 9.430/96 uma presunção que dispensa a autoridade fiscal do dever de prova não se sustenta primeiro porque tal norma apenas reproduziu a regra antes existente no art. 6o , parágrafo 5 o da Lei 8.021/90, onde nunca se cogitou de tal presunção, e segundo porque tal exegese conflitaria diretamente com os art. 43 e 142 do CTN. Terceiro. O art. 42 da Lei 9.430/96, assim como antes já o fazia o art. 6°, parágrafo 5° da Lei 8.021, não trouxe qualquer inversão do ônus quanto a prova da ocorrência do suporte fático tributário, porque, como já demonstrado, o dever de lançar não envolve um ônus, mas um dever, inclusive de natureza constitucional. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10325.000977/200964 Resolução nº 2801000.162 S2TE01 Fl. 407 7 Decididamente, portanto, a presunção de renda estabelecida por uma lei ordinária não pode afetar o conceito de renda delimitado por outra norma que tem força de lei complementar, no caso o Código Tributário Nacional, o que afrontaria, inclusive, a expressa determinação de seu artigo 110, que reza: (...) Por outro lado, é de se atentar para a forma pela qual o procedimento fiscal foi levado a efeito junto a Impugnante. Sua fragilidade e insuficiência como elemento condutor do lançamento do credito tributário tal qual realizado pela AuditoraFiscal da Receita Federal. Insta observar que a fiscalização cometeu inúmeras falhas na construção dos fatos e propositura do lançamento, inclusive pela não observância da legislação reguladora da matéria sob discussão. Até porque, a autoridade fiscal não tem o ônus legal de provar, mas o dever constitucional de investigar e provar o suporte fático tributário, em atendimento as exigências dos princípios da legalidade, da motivação e da própria definição legal de lançamento (art. 142 do CTN). Nesse contexto: É Incabível a Inversão do Ônus da Prova no Processo Administrativo Tributário E fato que no presente procedimento, o fisco não produziu prova alguma da existência de omissão de receita e de ocorrência do fato gerador da obrigação tributaria. Simplesmente porque se valeu, para a determinação da matéria tributável e conseqüente apuração do imposto, dos valores de depósitos/créditos constantes de extratos bancários, como se estes, por si só, significassem a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de rendimento. Evidente, no entanto, a ilegalidade no tratamento dispensado pela fiscalização, pois, além de tais recursos não encaixarem no conceito de renda (art. 43 do CTN Lei 5.172/66), a fiscalização não produziu prova alguma de que os créditos tiveram origem em rendimento tributável não declarado. Pretende, com isso, obviamente, inverter o ônus da prova, o que é de todo descabido. (...) Por óbvio, a verdade material há de ser objeto de prova realizada pela autoridade administrativa, a quem a Constituição Federal e o CTN atribuem a função de aplicar a lei tributária. Assim, o dever de prova decorre inexoravelmente da atividade administrativa de aplicação da lei tributária consubstanciada no lançamento. Toda atuação administrativa deve estar fundada na lei e na motivada demonstração da ocorrência do suporte fático previsto na lei. O lançamento nada mais é do que o procedimento administrativo através do qual a autoridade fiscal cumpre o dever de demonstrar Fl. 407DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10325.000977/200964 Resolução nº 2801000.162 S2TE01 Fl. 408 8 motivadamente a ocorrência do suporte fático tributário (fato gerador) no mundo fenomênico. A Verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, a que alude o art. 142 do CTN, há de ser motivada e fundamentada, por força do princípio geral e constitucional da legalidade da atuação administrativa (arts. 37, caput, e 150,1, da CF)." Porém, no que diz respeito especificamente aos trabalhos fiscais, isto é, de exames condizentes com a busca fiel da verdade material segundo os ditames do art. 142 supracitado, visando atingir o inescapável dever de prova a ser cumprido pela autoridade administrativa, a fiscalização realmente nada fez. A não ser, pura e simplesmente, intimar o contribuinte, uma única vez, com a seguinte exigência (fl. 241): "O contribuinte deverá esclarecer e comprovar individualmente cada um dos créditos/depósitos efetuados em suas contascorrente, que se encontram especificados nos anexos (I, II e III) a esse termo". Ora, isso é inconcebível. Até porque o fisco sequer levou em consideração o grande volume de recursos recebidos pelo contribuinte, que obviamente transitou pelos bancos, e ainda exigiu que se comprovasse individualmente cada um dos depósitos bancários. Não cumpriu seu papel de agente fiscalizador, no exercício da atividade vinculada e obrigatória prescrita no CTN. Enfim, não exerceu o dever de prova decorrente da atividade administrativa de aplicação da lei tributaria consubstanciada no lançamento. Senão, vejamos: As irregularidades na identificação da matéria tributável A ação fiscal teve seu início com a lavratura do Termo de Início do Procedimento Fiscal de fls. 29/30, e embora o contribuinte esteja domiciliado na mesma cidade da DRF fiscalizadora (Imperatriz/MA), o Termo lhe foi encaminhado pelo correio (AR), com preterição da forma regular e costumeira do comparecimento do Auditor no domicílio do contribuinte para cientificálo pessoalmente, inclusive para a necessária orientação e esclarecimento quanto ao atendimento da ação fiscal (art. 904, §1° do RIR/99 Decreto n°:3.000, de 26 de março de 1999). Não obstante, e dada a dificuldade no levantamento da documentação requerida pelo fisco, formulados os necessários pedidos de prorrogação, o contribuinte atendeu em tudo aquilo que lhe foi exigido pela fiscalização, conforme evidenciam os documentos de fls. 32 a 159. Depois disso, tirante os Termos de Ciência de Continuação de Procedimento Fiscal (fls. 232/237), o Único documento lavrado pela fiscalização, é o Termo de Constatação e de Intimação Fiscal de fls. 238 a 241, pelo qual determina que "o contribuinte deverá esclarecer e comprovar individualmente cada um dos créditos/depósitos efetuados em suas contascorrente". Fl. 408DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10325.000977/200964 Resolução nº 2801000.162 S2TE01 Fl. 409 9 Ocorre que o contribuinte, tempestivamente apresentou a resposta de fls. 248, informando que não poderia comprovar individualmente os depósitos bancários por não possuir escrituração contábil. Mesmo porque o art. 42 da Lei n°. 9.430/96 fala na comprovação simples mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, e não que deva haver coincidência de datas e valores quanto aos recursos depositados. Ademais, a própria fiscalização observou que contribuinte, só no ano de 2004, obteve recursos da ordem de R$ 3.000.000,00, com a venda de ações da empresa Frigorífico Vale do Tocantins S/A, conforme descreve em seu Termo de Constatação, as fls. 239/240. São inúmeros cheques e valores em dinheiro, que certamente foram depositados em suas contas bancárias. Considerando que de tal importância repassou R$ 828.000,00 (fls. 18) a outras pessoas (herdeiros), ainda assim o valor restante de R$ 2.172.000,00 é mais do que suficiente para a cobertura dos depósitos/créditos levados as contas bancárias, que nas contas do fisco somaram R$ 1.345.957,97 (fl. 11). Cabe anotar que a AuditoraFiscal não colocou nenhuma dúvida sobre a referida alienação, então, é inadmissível não levar em consideração os recursos recebidos pelo contribuinte. Se os valores dos cheques anotados as fls. 239/240, não coincidem com os depósitos, é porque provavelmente eram prédatados e foram trocados por outros, fracionados, pois se fossem para apresentação imediata, não haveria razão para a emissão de vários cheques. A fiscalização teve ainda a oportunidade de verificar, j á que estava de posse das declarações de rendimentos, que nos anoscalendário de 2005 e 2006, o contribuinte obteve Receitas da Atividade Rural que somaram R$ 130.057,16 (fl. 24) e R$ 348.886,88 (fl. 28), respectivamente. Ora, é recurso que não pode ser desprezado no contexto da fiscalização do Imposto de Renda Pessoa Física, até porque tais valores são preponderantes na atividade econômica do contribuinte. E se houvesse alguma dúvida sobre a origem da receita da atividade rural, o caminho seria o fisco intimar o contribuinte para apresentação da documentação correspondente. Entretanto nenhuma dúvida foi levantada pela fiscalização com relação à Receita da Atividade Rural, haja vista que em nenhum momento houve qualquer arguição ou contestação quanto aos valores declarados pelo contribuinte, isto é, foram aceitos na sua totalidade. Diante dos fatos, é despropositada a comparação feita pela fiscalização no auto de infração (fl. 04), entre o rendimento tributável declarado e o volume da movimentação financeira em cada ano calendário, haja vista que o fisco teve conhecimento de todos os recursos obtidos pelo contribuinte, como é o caso da alienação de participação societária e de receitas da atividade rural, que, como visto acima, soma enormes importâncias em cada período. O fisco a tudo conheceu, porém, por conveniência, a tudo ignorou. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10325.000977/200964 Resolução nº 2801000.162 S2TE01 Fl. 410 10 Portanto, é inquestionável que o contribuinte obteve recursos de origem comprovada por documentação hábil e idônea, em relação aos depósitos bancários apontados pela fiscalização, oriundos da alienação de ações e da receita da atividade rural. A uma, que a própria AuditoraFiscal reconheceu a origem do recurso da venda de ações, conforme relatou as fls. 239/240. A duas, porque no cálculo do imposto apurado, a Auditora efetuou o abatimento do imposto correspondente aos rendimentos declarados pelo contribuinte, inclusive do correspondente a atividade rural, conforme se demonstrara em ponto adiante. Não obstante, para que não paire qualquer dúvida, o Impugnante apresenta neste ato, anexo a esta Impugnação, a documentação correspondente à receita da atividade rural dos períodos fiscalizados (notas fiscais de entrada emitida pelo destinatário dos produtos doc. de n °1 a 10). (...) De se observar, ainda, que nos anoscalendário de 2005 e 2006 a contribuinte teve como única atividade a exploração da Atividade Rural. Isso se confirma pelas declarações de Rendimentos de fls. 21/24 e 25/28, haja vista que o rendimento obtido do INSS em 2006 é decorrente de aposentaria (fls. 25/26) e não de outra atividade. Assim, se omissão houvesse, o que se nega veementemente, a tributação deveria recair segundo as regras estabelecidas para a atividade rural, e não como se de outros rendimentos conforme tributou a Auditora Fiscal. De outro lado, não se pode olvidar que a receita da contribuinte nos anoscalendário de 2005 e 2006 é exclusivamente da atividade rural. Então, obviamente que os valores recebidos transitaram por suas contas bancárias. O inusitado seria pensar que a contribuinte não fez transitar pelos bancos tão volumosos recursos, só o fazendo com relação a recursos de origem supostamente desconhecida. O mesmo se diga com relação aos recebimentos pela venda das ações no anocalendário de 2004, confirmados pela própria fiscalização. Se os valores dos cheques anotados as fls. 239/240, não coincidem com os depósitos, é porque provavelmente eram prédatados e foram trocados por outros, fracionados, pois se fossem para apresentação imediata, não haveria razão para a emissão de vários cheques. Desta feita, as provas identificadas nos autos (recursos da venda de ações e receitas da atividade rural), cumprem rigorosamente os preceitos relatados pela ilustre AuditoraFiscal na folha de continuação do Auto de Infração (fl. 07), quando afirma que: "Quanto à primeira alegação da contribuinte de que não possui escrituração contábil, informamos que, para comprovação da origem dos recursos utilizados nas operações de Créditos/Depósitos, não se faz necessário a existência de escrituração contábil e sim, apenas, a apresentação da documentação relacionada aos Créditos/Depósitos que comprove de onde se originaram tais recursos, ou ainda, mais especificamente, a titulo de que a contribuinte obteve tais recursos creditados/depositados em suas ContasCorrentes". Fl. 410DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10325.000977/200964 Resolução nº 2801000.162 S2TE01 Fl. 411 11 Neste contexto, restou demonstrado, sem margem a qualquer dúvida, que o fisco incorreu em erros graves na identificação da matéria tributável e lavratura do auto de infração, motivo pelo qual, s.m.j., o mesmo deve ser prontamente cancelado. IV – CONCLUSÃO Em face do exposto, a autuada, ora Impugnante, requer seja julgada procedente a presente Impugnação, com o cancelamento do auto de infração em questão e extinção do crédito tributário em constituição, conforme a fundamentação supra. Nesses termos Pede deferimento. E o relatório.” Ao apreciar o feito, o órgão julgador de primeira instância decidiu, à unanimidade de votos, por rejeitar as preliminares suscitadas pela contribuinte e, no mérito, por manter a exigência tributária na sua totalidade. Devidamente intimada da referida decisão a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a argumentação apresentada quando da impugnação ao lançamento, conforme documentação anexada aos autos. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No presente caso, temse que o lançamento foi efetuado com base em informações solicitadas diretamente às intuições financeiras, por meio da emissão de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), nos termos do art. 6o da Lei Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, ou seja, sem autorização judicial. Ocorre que a questão do sigilo bancário é matéria reconhecida de repercussão geral e aguarda julgamento pelo STF (RE 601.314), devendo o julgamento do presente processo ser sobrestado, conforme imposição do Regimento Interno do CARF, instituído pela Portaria nº 256, de 22 junho de 2009, com alterações introduzidas pela Portaria nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que determina, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 10325.000977/200964 Resolução nº 2801000.162 S2TE01 Fl. 412 12 § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Esses os motivos pelos quais entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 601.314, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 412DF CARF MF Impresso em 19/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
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Numero do processo: 10860.901095/2008-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 03/12/2013
NORMAS PROCESSUAIS. DESISTÊNCIA DE RECURSO VOLUNTÁRIO. EFEITOS.
Tendo o interessado, antes do julgamento, desistido do recurso voluntário regularmente interposto, é de ser mantida, na íntegra a decisão proferida pela instância de piso, não se conhecendo das alegações originalmente apresentadas.
Numero da decisão: 3401-002.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 11/02/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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DESISTÊNCIA DE RECURSO VOLUNTÁRIO. EFEITOS. Tendo o interessado, antes do julgamento, desistido do recurso voluntário regularmente interposto, é de ser mantida, na íntegra a decisão proferida pela instância de piso, não se conhecendo das alegações originalmente apresentadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente e Relator. EDITADO EM: 11/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Bernardo Leite de Queiroz Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 10 95 /2 00 8- 70 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório Este recurso voluntário teve julgamento convertido em diligência em 08 de julho de 2011 com base em voto do então Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, que assim o relatou na ocasião: Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão da 3ª Turma da DRJ que manteve a não homologação de compensação, na origem analisada por meio de despacho eletrônico. Na manifestação de inconformidade a contribuinte alega que o indébito é oriundo de pagamento indevido do PIS Faturamento, por não serem devidas nem essa Contribuição nem a Cofins sobre as vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que tais vendas eram imunes às duas Contribuições, reportandose ao Decreto Lei nº 288/67 – que segundo a contribuinte tem envergadura de lei complementar pela recepção que lhe deu a Constituição, no art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) e à ADIn nº 2.3489 – na qual o STF suspendeu a eficácia da expressão “Zona Franca de Manaus”, contida no inc. I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 2.03724/2000, reeditada posteriormente sem menção à referida expressão. Trata também da taxa Selic empregada como juros de mora, matéria não mais repetida no recurso voluntário. A 3ª Turma da DRJ rejeitou as alegações, interpretando que a isenção alcançaria apenas as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835/20011 e considerando que não houve comprovação por documentação contábilfiscal, da inclusão das receitas decorrentes de tais vendas. No recurso voluntário, tempestivo, a contribuinte insiste na compensação, repisando a argumentação contida na manifestação de inconformidade e afirmando que o acórdão recorrido não levou em conta os valores declarados na DIPJ. Lembra que à época ainda não havia o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). Anexa à peça recursal cópias das fichas com o cálculo das Contribuições PIS e Cofins, onde constam declaradas parcelas de receita isenta ou sujeita à alíquota zero, correspondentes à Zona Franca. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10860.901095/200870 Acórdão n.º 3401002.876 S3C4T1 Fl. 5 3 A diligência, da qual dissenti por entendêla desnecessária, tinha o escopo de: Para que não mais pairem dúvidas sobre as vendas declarados nas DIPJ pela Recorrente, quanto à origem e destino (se de forma para dentro da ZFM), aos seus montantes e à inclusão ou não base de cálculo adotada nos recolhimentos efetuados, é nessária a diligência. Enquanto não dirimidas essas dúvidas, eventual julgamento por este Colegiado, na linha do entendimento adotado nos acórdãos acima mencionados, implicará numa decisão incerta, por não se saber, com exatidão, a composição da base de cálculo empregada para os recolhimentos que, segundo a Recorrente, originou o indébito. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique a composição da base de cálculo adotada pela Recorrente ao recolher a Contribuição, levando em conta as notas fiscais internadas na Zona Franca de Manaus, a escrita contábil e fiscal e as obrigações acessórias como DIPJ e DCTF. Ao final da diligência deve ser elaborado relatório discriminando os montantes tributados e as exclusões por conta de vendas à Zona Franca de Manaus, separandose nestas as vendas de fora para dentro das internas (com origem na própria ZFM), bem como o recolhimento respectivo e outras informações julgadas pertinentes pela fiscalização. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindoselhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito.. Cumprida a diligência, da qual a recorrente foi regularmente cientificada, apresentou ela em 03 de dezembro de 2013 requerimento de desistência (fls não numeradas nos autos digitalizados) em que, para aproveitar o parcelamento instituído pela Lei 11.941, desiste "expressamente e em caráter irrevogável das defesas e recursos apresentados no presente feito" e renuncia "ao direito sobre o qual se fundamentam os mesmos", na forma exigida no ato legal. É o Relatório Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos Não cabe, obviamente, conhecer do recurso inicialmente ofertado e posteriormente objeto da desistência relatada. Ainda que possível sua devolução à Secretaria por despacho para que fosse encaminhado à unidade preparadora para execução da decisão de primeiro grau, considerei Fl. 208DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 oportuna sua colocação em pauta para que o colegiado registre sua posição acerca dos efeitos da desistência realizada. Isso porque entendoos como sendo equivalentes à inexistência de recurso. Em outras palavras, e apesar da expressão constante do texto legal, a desistência apenas produz efeito em relação àquilo que o recorrente pretendia continuar discutindo, mas não afeta as matérias não incluídas em seu recurso. No presente caso, essa discussão não é relevante na medida em que a empresa perdera completamente em primeiro grau. Casos há, no entanto, em que parte do lançamento é julgada favoravelmente ao sujeito passivo em primeiro grau e, por óbvio, não integra o seu recurso. Ainda assim, há quem entenda que a obrigatoriedade de "renunciar ao direito sobre o qual se funda o recurso" como exige a Portaria conjunta PGFN/SRF que regulamenta a lei, implicaria renunciar mesmo à parcela eventualmente já julgada em seu favor em primeiro grau e não objeto de recurso de ofício pela DRJ. Não adiro a tal corrente. A meu ver, a decisão de primeiro grau já se tornou definitiva quanto a essa última parcela, produzindo o mesmo efeito que o "trânsito em julgado" das ações judiciais. Apenas quando tal não ocorra, isto é, quando ainda penda sobre ela alguma discussão que, naturalmente, há de ter sido provocada pela Fazenda Nacional na forma da Lei é que pode o sujeito passivo vir a perder e mesmo assim, apenas se vier a ser dado provimento ao recurso fazendário. É o que ocorre sempre que a desistência se produz após o julgamento de recurso voluntário e a parte favorável ao sujeito passivo seja objeto de recurso especial proposto pela Fazenda Nacional. Registrado esse posicionamento, é o voto pelo não conhecimento do recurso voluntário com mantença integral da decisão de primeiro grau administrativo. É o voto. Júlio César Alves Ramos Relator Fl. 209DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 11/02/2 015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10380.720091/2008-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
ENTIDADE FECHADA DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. REGIME ESPECIAL DE TRIBUTAÇÃO. LIMITE DE RECOLHIMENTO.
Até 31 de dezembro de 2004, o valor a ser considerado como contribuição da pessoa jurídica, para fins de determinação do limite do imposto de renda devido nos termos do Regime Especial de Tributação - RET, era o montante das contribuições, normais e extraordinárias, devidas pela pessoa jurídica patrocinadora, independentemente de sua efetiva realização.
Nos termos da IN SRF n° 126, de 2002, a possibilidade da exclusão das contribuições extraordinárias da pessoa jurídica, para fins de limite de recolhimento do imposto de renda, estava condicionada à edição de ato conjunto dos Ministros da Previdência e Assistência Social e da Fazenda.
Face à não edição do citado ato, revela-se incabível a exclusão das contribuições extraordinárias da pessoa jurídica para o cálculo do limite de recolhimento do imposto de renda.
Numero da decisão: 1401-001.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta e Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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REGIME ESPECIAL DE TRIBUTAÇÃO. LIMITE DE RECOLHIMENTO. Até 31 de dezembro de 2004, o valor a ser considerado como contribuição da pessoa jurídica, para fins de determinação do limite do imposto de renda devido nos termos do Regime Especial de Tributação RET, era o montante das contribuições, normais e extraordinárias, devidas pela pessoa jurídica patrocinadora, independentemente de sua efetiva realização. Nos termos da IN SRF n° 126, de 2002, a possibilidade da exclusão das contribuições extraordinárias da pessoa jurídica, para fins de limite de recolhimento do imposto de renda, estava condicionada à edição de ato conjunto dos Ministros da Previdência e Assistência Social e da Fazenda. Face à não edição do citado ato, revelase incabível a exclusão das contribuições extraordinárias da pessoa jurídica para o cálculo do limite de recolhimento do imposto de renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 00 91 /2 00 8- 95 Fl. 894DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 2 (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Sergio Luiz Bezerra Presta e Karem Jureidini Dias. Fl. 895DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 10380.720091/200895 Acórdão n.º 1401001.197 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório que consta da decisão de piso, fls. 733739: Trata o presente processo dos Pedidos de Restituição/Declarações de Compensação PER/DCOMP apresentados pelo contribuinte (fis. 02 a 213verso). Nesses PER/DCOMP o interessado pretende compensar débitos no montante total de R$ 9.747.999,07 (nove milhões, setecentos e quarenta e sete mil, novecentos e noventa e nove reais e sete centavos), com suposto crédito de R$ 10.058.126,78 (dez milhões, cinqüenta e oito mil. cento e vinte e seis reais e setenta e oito centavos). Em todos os PER/DCOMP o contribuinte indica como origem do crédito um pagamento feito a título de IRPJ Previdência Complementar código 8972, efetuado através de DARF em 30/01/2004, referente ao período de apuração 31/12/2003 (4o trimestre de 2003); pagamento este que afirma ter sido feito a maior que o devido porquanto teria pago o valor de R$ 10.904.301.09 (dez milhões, novecentos e quatro mil, trezentos e um reais e nove centavos) (fls. 03), quando o devido seria de R$ 846.174,30 (oitocentos e quarenta e seis mil, cento e setenta e quatro reais e trinta centavos) (fls. 214). Em consulta ao sistema de pagamentos da Receita Federal do Brasil SINAL03, verificase, através do extrato de fls. 216, a autenticidade do pagamento em comento. O espelho da ficha 19 da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ apresentada pelo interessado em 24/09/2007 (declaração retifícadora) referente ao anocalendário de 2003, fls. 217. mostra que o contribuinte apurou o imposto de renda relativo ao quarto trimestre, mediante opção pelo Regime Especial de Tributação – RET instituído pelo Art. 2o da Medida Provisória n° 2.222 de 04/09/2001, indicando um montante a pagar de R$ 846.174,30. Com base nos fundamentos consubstanciados na Informação Fiscal de fls. 276 a 279 o Delegado da Receita Federal do Brasil em Fortaleza/CE decidiu por não homologar, nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430/96, as compensações vinculadas a este processo (fls. 280). A Informação Fiscal de fls. 276/279 (anverso e verso) explicita de forma detalhada os procedimentos fiscais adotados na análise das compensações pleiteadas pelo contribuinte e as causas de decidir pela nãohomologação destas, nos termos abaixo transcritos: Fl. 896DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 4 "Observando os pagamentos feitos pelo contribuinte relativos ao código 8972 verificamos uma discrepância significativa no valor do período de apuração correspondente ao quarto trimestre de 2003 em comparação com os outros trimestres (fls. 218), solicitamos então explicações ao contribuinte sobre o motivo que teria levado ao suposto pagamento a maior. Para esclarecer a questão, um representante da CAPEF informou que o fato se deveu ao expurgo feito no cálculo do limite do imposto de renda na forma do RET, de uma contribuição extraordinária feita pelo Banco do Nordeste do Brasil BNB, um de seus patrocinadores; contribuição esta que seria resultante de um acordo firmado entre CAPEF e BNB em dezembro de 2003. A contribuição importou na quantia de R$ 238.669,676,13 (duzentos e trinta e oito milhões, seiscentos e sessenta e nove mil, seiscentos e setenta e seis reais e treze centavos). Assim a CAPEF inicialmente, incluindo a contribuição extraordinária no cálculo do limite do Imposto de Renda, pagou R$ 10.904.301,09, e ao retirar tal contribuição do cálculo do limite daquele trimestre encontrou o novo valor de RS 846.174,30 para o imposto a pagar, então considerou a diferença como pagamento indevido. O Art. 2o da MP n° 2.222, abaixo transcrito, impõe a alíquota de 20% para o imposto de renda pago pelas entidades de previdência complementar optantes pelo RET e adota como limite do imposto a pagar, o produto do valor da contribuição das pessoas jurídicas patrocinadoras pelo percentual resultante da diferença entre a soma das alíquotas do imposto de renda das pessoas jurídicas (15%) e da contribuição social sobre o lucro líquido (9%) e adicionais (10%), e oitenta por cento da alíquota máxima da tabela progressiva do imposto de renda da pessoa física (27,5%). Efetuando o cálculo encontramos: (15+9+10) (0,80X27,5) = 12%, ou seja, o valor a pagar fica limitado a 12% do valor da contribuição efetuada pelas pessoas jurídicas patrocinadoras. [...] Art. 2° A entidade aberta ou fechada de previdência complementar, a sociedade seguradora e o administrador do Fundo de Aposentadoria Programada Individual FAP1 poderão optar por regime especial de tributação, no qual o resultado positivo, auferido em cada trimestrecalendario, dos rendimentos e ganhos das provisões, reservas técnicas e fundos será tributado pelo imposto de renda à alíquota de vinte por cento. § 1º O imposto de que trata este artigo: I será limitado ao produto do valor da contribuição da pessoa jurídica pelo percentual resultante da diferença entre: Fl. 897DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 10380.720091/200895 Acórdão n.º 1401001.197 S1C4T1 Fl. 4 5 a) a soma das alíquotas do imposto de renda das pessoas jurídicas e da contribuição social sobre o lucro líquido, inclusive adicionais; e b) oitenta por cento da alíquota máxima da tabela progressiva do imposto de renda da pessoa física; II será apurado trimestralmente e pago até o último dia útil do mês subseqüente ao da apuração; III não poderá ser compensado com qualquer imposto ou contribuição devido pelas pessoas jurídicas referidas neste artigo ou pela pessoa física participante ou assistida. [...] Intimouse, então, o contribuinte para que fosse feito o demonstrativo dos lançamentos contábeis referentes ã contribuição extraordinária recebida do BNB, como também a cópia do acordo firmado entre as partes (fls. 219). Atendendo à intimação acima, o interessado apresentou documentação que foi acostada às fls. 221 a 242. No oficio de resposta alega que a contribuição extraordinária teria sido realizada para a cobertura de déficit ocasionado por serviços passados não custeados (fls. 221). Baseia o seu argumento na Solução de Consulta n° 17 de 19/09/2006 produzida pela SRRF/3ª RF (fls. 222 a 225) onde resta confirmado que o limite do imposto de renda devido nos termos do RET é o montante das contribuições normais e extraordinárias, devidas pela pessoa jurídica patrocinadora, independente de sua efetiva realização, reafirmando a utilização do regime de competência para a situação consultada. Portanto a CAPEF não reconhece a contribuição recebida no valor de R$ 238.669.676,13 como referente ao 4º trimestre de 2003. Expediuse nova intimação para que a CAPEF pudesse fornecer planilha com o demonstrativo dos valores previstos estatutariamente que deixaram de ser pagos pelo BNB, individualizando o montante devido, como também apresentar justificativa fundamentada nas regras estatutárias da entidade, bem como na legislação de regência da matéria que demonstre o motivo causador do repasse extraordinário, além de providenciar o demonstrativo da apuração do imposto de renda com base no RET para o período de apuração ora analisado (fls. 243). A entidade apresentou a documentação que foi apensada às fls. 245 a 275 onde informa que "a realização de contribuições extraordinárias pela patrocinadora teve como motivação o déficit no plano decorrente de custos de serviços passados, reconhecimento de direitos de participantes e assistidos que não vinham sendo pagos e/ou Fl. 898DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 6 provisionados e que foram consolidados no Instrumento Particular de Compromisso para Integralização de Reservas que foi celebrado entre a CAPEF e sua patrocinadora em 30 de dezembro de 2003, contrato que obrigou a segunda a realizar o aporte destas referidas contribuições extraordinárias" (fls. 246). Na documentação apresentada o contribuinte exibiu um demonstrativo da composição do "déficit" da entidade ao longo dos anos e providenciou também um resumo da apuração do imposto de renda referente ano de 2003 considerando ambas as situações, ou seja, incluindo ou não a dita contribuição extraordinária. O Contribuinte fundamentou o seu pedido na Solução de Consulta n" 17 da SRRF/3ªRF, entretanto cabe ressaltar que no item 8 (oito) daquele documento é dito que o valor definido como parâmetro para cálculo do limite do imposto de renda no regime especial de tributação é o valor da contribuição da pessoa jurídica patrocinadora do plano de benefícios escriturada na contabilidade de acordo com o princípio da competência. O contribuinte não conseguiu apresentar provas de que efetivamente contabilizou os valores correspondentes à contribuição recebida nos períodos de competência que entende devidos, anteriormente a dezembro de 2003; ou seja, para que pudesse ser enquadrado na situação específica tratada na Solução de Consulta, o contribuinte deveria ter escriturado anteriormente em seus respectivos períodos de competência, os valores que, segundo ele, deixaram de ser repassados pelo BNB e que alega terem motivado a tal contribuição extraordinária feita em dezembro de 2003. Cabe aqui frisar que se o aporte extraordinário feito pelo BNB tivesse sido reconhecido no pretérito, não haveria a necessidade da celebração do contrato firmado em 30/12/2003; bastaria que o patrocinador quitasse a dívida. Outra questão que se deve considerar é que não se pode confundir data de geração do déficit com período de competência de receita auferida. Um déficit em certo período não arrasta para si o período de competência da contribuição que venha a suprilo. Mesmo que tivesse havido por parte da CAPEF a contabilização dos valores conforme o item 12 desta informação fiscal, existe ainda a questão da não consideração da contribuição extraordinária no cálculo do limite do imposto de renda. Essa matéria é tratada no artigo 4" da Medida Provisória n° 16, de 27 de dezembro de 2001, a seguir transcrito: "Art. 4º Relativamente eis entidades fechadas de previdência complementar optantes por regime especial de tributação, não serão consideradas, para fins de determinação do limite do valor do imposto de renda a ser pago, as contribuições extraordinárias da pessoa jurídica, relativas ao custeio de déficit de serviços passados, conforme dispuser o regulamento. " Fl. 899DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 10380.720091/200895 Acórdão n.º 1401001.197 S1C4T1 Fl. 5 7 [...] A referida Medida Provisória foi convertida na Lei n" 10.426/2002, que manteve em seu artigo 4º, a mesma redação do artigo 4o daquele diploma legal. A Instrução Normativa n° 126, de 25/01/2002, a qual veio regulamentar a Medida Provisória nº 2.222/2001, dispondo sobre a tributação dos planos de beneficio de caráter previdenciária, assim esclareceu, em seu artigo 3º, sobre a exclusão das contribuições extraordinárias da pessoa jurídica para fins de limite do valor do imposto de renda a ser pago: [...] § 5° No caso de entidade fechada de previdência complementar não serão consideradas para fins de determinação do limite do valor do imposto de renda a ser pago, as contribuições extraordinárias da pessoa jurídica, relativas ao custeio de déficit de serviços passados, conforme dispuser ato conjunto editado pelos Ministros da Previdência e Assistência Social e da Fazenda. (grifo nosso) [...] Portanto, a Instrução Normativa condiciona a possibilidade da exclusão das contribuições extraordinárias da pessoa jurídica para fins de limite do valor do imposto de renda a ser pago à edição de alo conjunto dos Ministros da Previdência e Assistência Social e da Fazenda. Dessa maneira, devido à inexistência do citado ato, condição estabelecida na legislação tributária para que a exclusão possa ser efetuada, não há suporte legal para que a CAPEF promova o expurgo da contribuição extraordinária auferida em dezembro 2003, do cálculo do limite do imposto de renda. A Lei n° 5172, Código Tributário Nacional, em seu art. 170 estabelece: Art. 170. A Lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública (grifo nosso). Assim, a compensação somente pode ser autorizada pela autoridade administrativa quando da existência de créditos tributários líquidos e certos, e na situação ora analisada, não se configuram estas premissas de certeza e liquidez. Como se vê o contribuinte não sustenta a condição prevista no caput do Art. 74 da Lei n° 9.430, abaixo transcrito, com Fl. 900DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 8 relação à existência de crédito apurado passível de restituição ou ressarcimento. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei n" 10.637, de 2002). Em função de tudo o que foi exposto, proponho a não homologação das compensações pleiteadas pelo contribuinte que tenham como base o crédito apontado no item 3 (três) desta Informação Fiscal. Cientificado do indeferimento das compensações vinculadas a este processo, fls. 02/213v, apresentou o contribuinte a manifestação de inconformidade de fls. 300/327 enfatizando que: "A divergência de entendimento entre a RFB e a Manifestante está toda lastreada no momento do reconhecimento das contribuições extraordinárias para fins do cálculo do limite de 12% do IRRET para quitação da dívida da patrocinadora, Banco do Nordeste do Brasil S.A. BNB, pois alega o respeitável fiscal que mesmo aplicandose o regime de competência, o reconhecimento é contábil quando da contratação da dívida (30 de dezembro de 2003) no montante de R$ 238.669.'676,13. (duzentos e trinta e oito milhões, seiscentos e sessenta e nove mil e seiscentos e setenta e seis reais e treze centavos), enquanto para esta Manifestante, o seu direito (disponibilidade jurídica) ao recebimento das contribuições é anterior a data de assinatura do instrumento de reconhecimento da dívida pela patrocinadora, e por este motivo, as competências de nascimento das contribuições para fins de imposto de renda são aquelas referente ao momento em que a EFPC passou a deter o direito de exigir estes valores". Às fls. 305/316 discorre sobre a natureza do aporte recebido como "Contribuição para Custeio de Serviço Passado" e da impossibilidade de contabilização das contribuições extraordinárias nas competências anteriores a dezembro de 2003. Afirma que o cálculo do limite para determinação do valor de IRRET a ser recolhido darseá pelo regime de competência, no que se refere às contribuições normais e extraordinárias, inclusive naquelas destinadas ao custeio de serviços passados, conforme se infere da Solução de Consulta SRRF/3ª RF n° 17, de 19/09/2006, anexa às fls. 338/341, e acrescenta que:^ "Aqui está o nó górdio que precisa ser desatado, pois inconteste que a Manifestante já possuía a disponibilidade jurídica sobre os valores que sua patrocinadora contribuiu a menor, no período de Julho/1993 a Fevereiro/1994, e o fato de que os valores aportados como contribuições, desde a criação do plano de beneficio, demonstraramse insuficientes para honrar os benefícios Fl. 901DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 10380.720091/200895 Acórdão n.º 1401001.197 S1C4T1 Fl. 6 9 futuros contratados no regulamento. Tais acontecimentos não só contribuíram para o nascimento do déficit, mas também na criação de um grande contencioso. Assim, fez nascer em cada ano anterior a 2003 um direito que a Manifestante /administradora do plano de benefícios) deveria usufruir no futuro, transformando a sua disponibilidade jurídica em disponibilidade econômica e jurídica". "É exatamente este o caso da Manifestante, pois pela natureza de uma entidade fechada de previdência complementar que está vedada de apurar lucro e que tem que visar apresentar a seus participantes, assistidos e patrocinadores os cálculos atuariais o mais próximo possível da realidade, sem sofrer os efeitos de fatos pendentes de maior densidade e certeza, as contribuições extraordinárias são levadas a contabilização com regras muito próprias, mas repitase sem gerar efeitos de postergação de tributação. Reforçando a última afirmação, muito embora as contribuições possam ser amortizadas em várias parcelas, nos termos do item 10 e 11 da Resolução CGPC n" 11, de 21 de agosto de 2002, estas devem ser debitadas nas suas respectivas contas pelo regime de competência, evitando se assim o desequilíbrio dos cálculos atuariais do plano gerido pela entidade. Ou seja, registrase contabilmente todo o valor de contribuições de uma só vez, gerando naquele momento /contratação) todos os efeitos atuariais, mas ainda assim este direito 'nascei^ em exercícios passados e poderá ser exercido em competências futuras. Portanto, para determinação do limite de que trata o inciso I, do § 1º, do art. 2° da Medida Provisória nº 2.222/2001 (ou o art. 3° da IN n° 26/2002), as contribuições (inclusive para fins de cobertura de déficit de serviços passados) recebidas das pessoas jurídicas, ou seja. Das patrocinadoras, também deverão ser consideradas para o cálculo segundo o regime de competência, independentemente de sua realização ou não. " "Ora, o reconhecimento do aporte da contribuição extraordinária destinada à amortização de déficit atuarial de serviço passado somente na ocasião da consolidação do instrumento particular de compromisso firmado entre o BNB e a Manifestante, ou seja, na data de sua efetiva realização e não quando do seu real nascimento, acaba por substituir o regime de competência pelo regime de caixa, o que. como visto, viola princípio contábil. Conforme exposto anteriormente, o instrumento formalizado entre o BNB e a Manifestante objetivou meramente a assunção de uma dívida originada em competências anteriores por uma patrocinadora ligada a Fl. 902DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 10 administração pública federal que por determinação de Lei Complementar somente em casos extraordinários poderia realizar contribuições para a EFPC. Consistiu, na realidade, em uma garantia ao recebimento do valor devido e não aportado pelo patrocinador, que tem sua origem em competências anteriores e que até o momento da assinatura do contrato não poderia ser reconhecido devido aos efeitos atuariais, porém de fato, estas contribuições deveriam ter sido entregues a Manifestante em exercícios anteriores. " Reconhece que a Instrução Normativa SRF n° 126, de 29/01/2002, vinculou a exclusão das contribuições destinadas ao custeio de serviço passado a ato conjunto expedido pelos Ministros da Previdência e Assistência Social e da Fazenda, que teria por finalidade a conceituação da expressão "custeio de déficit de serviços passados". Todavia, é certo que há um conceito mínimo de serviço passado, que. de fato, admite algumas variações, mas cujo conteúdo se mantém integralmente. Assim, certamente que caso este ato conjunto venha a ser um dia expedido pelos Ministros da Previdência e Assistência Social e da Fazenda poderia vir a acrescer à conceituação mínima outras características, que, por seu turno, não poderiam alargar ilimitadamente o conceito de serviço passado e muito menos restringilo, sob pena de extrapolar sua competência, acabando por legislar, o que evidentemente não lhe cabia. Vejase que o aludido "conceito mínimo" de serviço passado deve ser obrigatoriamente mantido, de modo que o direito da Manifestante à exclusão da contribuição extraordinária do cálculo do imposto de renda por ela devido não restaria abalado. Restando demonstrado, mediante parecer de empresa de atuaria independente, que o aporte destinavase ao custeio de serviços passados, seria absolutamente prescindível a edição de ato conjunto para ratificar direito já materialmente configurado na realidade. Isto evidentemente, se respeitado o real sentido da expressão "serviço passado", utilizado atualmente no contexto das entidades fechadas de previdência complementar, conforme tecnicamente comprovado no caso em voga. Deste modo, os indigitados órgãos não poderiam inovar o conceito de "custeio de déficit de serviços passados", cujo sentido decerto seria mantido, sob pena de incorrer em manifesta invasão de competência", em afronta ao princípio da legalidade e à hierarquia das normas. A discricionariedade dos atos da administração pública não pode se opor ao ordenamento jurídico. Dessa forma, uma vez comprovado que a contribuição aportada destinavase ao custeio de serviços passados, no caso, à cobertura de obrigações resultantes da amortização de déficits previdenciários relativos a competências anteriores, a EFPC já faria jus à exclusão constante da Lei n° 10.426, de 2002. Alfim, a Manifestante requer seja reconhecido o seu direito creditório contra a Fazenda Nacional no valor de R$ 10.058.126,78, sendo, pois, integralmente homologadas as Fl. 903DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 10380.720091/200895 Acórdão n.º 1401001.197 S1C4T1 Fl. 7 11 compensações informadas na Declaração de Compensação e afastada a cobrança administrativa. Por último, requer que se determine a suspensão da exigibilidade do crédito tributário relativamente aos débitos objeto da presente compensação, na forma do inciso I, do § 3º , da IN SRF n° 600/2005. A 4ª Turma da DRJ/FOR, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação do sujeito passivo, por meio de Acórdão que recebeu a seguinte ementa, fls. 731: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 ENTIDADE FECHADA DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. REGIME ESPECIAL DE TRIBUTAÇÃO. LIMITE DE RECOLHIMENTO. Até 31 de dezembro de 2004, o valor a ser considerado como contribuição da pessoa jurídica, para fins de determinação do limite do imposto de renda devido nos termos do Regime Especial de Tributação RET. é o montante das contribuições, normais e extraordinárias, devidas pela pessoa jurídica patrocinadora, independentemente de sua efetiva realização. A IN SRF n° 126, de 2002, condicionou a possibilidade da exclusão das contribuições extraordinárias da pessoa jurídica, para fins de limite de recolhimento do imposto de renda, à edição de ato conjunto dos Ministros da Previdência e Assistência Social e da Fazenda. Devido à inexistência do citado ato, condição estabelecida na legislação tributária para que a exclusão possa ser efetuada, não é cabível a exclusão das contribuições extraordinárias da pessoa jurídica para o cálculo do limite de recolhimento do imposto de renda. Solicitação Indeferida O contribuinte foi devidamente cientificado do aludido Acórdão em 10/03/2009, conforme AR de fls. 475 e apresentou recurso voluntário em 09/04/2009 (v. fls. 476503), reiterando os argumentos de defesa apresentados na manifestação de inconformidade. Sua peça recursal foi acompanhada dos documentos de fls. 507524. A Procuradoria da Fazenda Nacional, por sua vez, apresentou as contrarrazões de fls. 527556. É o relatório. Fl. 904DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 12 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso apresentado atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Conforme relatado, o julgamento do presente litígio resumese em identificar se o valor de R$ 238.669.676,13, proveniente de Acordo firmado entre o BNB e a CAPEF em 30/12/2003, deve ou não compor a base para o cálculo do imposto de renda relativo ao 4º trimestre do aludido anocalendário. Na época dos fatos, a contribuinte, ora recorrente, era optante pelo Regime Especial de Tributação, instituído pela Medida Provisória nº 2.222/01, o qual somente foi revogado a partir de 1º de janeiro de 2005, por meio da Lei nº 11.053, de 29/12/04. Segundo as regras vigentes à época dos fatos, o contribuinte, na condição de optante pelo RET, deveria observar, em cada trimestrecalendário, a regra inserta no art. 2.° da Medida Provisória n° 2.222. de 2001, para fins de tributação do resultado positivo auferido, verbis: Art 2º A entidade aberta ou fechada de previdência complementar, a sociedade seguradora e o administrador do Fapi poderão optar por regime especial de tributação, no qual o resultado positivo, auferido em cada trimestrecalendario, dos rendimentos e ganhos das provisões, reservas técnicas e fundos, será tributado pelo imposto de renda à alíquota de vinte por cento. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, considerase resultado positivo a soma algébrica de todos os rendimentos e ganhos auferidos, inclusive os decorrentes de aluguéis, de juros remuneratórios sobre o capital próprio e da alienação de qualquer ativo, com as perdas incorridas em operações e as despesas necessárias à percepção dos rendimentos e ganhos, vedada a dedução de qualquer outra despesa, inclusive as de caráter administrativo. § 2º Na base de cálculo de incidência do imposto, incluemse todos os rendimentos e ganhos produzidos pelos recursos garantidores de provisões, reservas técnicas e fundos, independentemente da data de constituição do plano ou do ingresso do beneficiário, inclusive no caso de entidade aberta de previdência complementar e de sociedade seguradora. [...] Art 3º O imposto de que trata o artigo anterior será limitado ao produto do valor da contribuição da pessoa jurídica pelo percentual resultante da diferença entre: Fl. 905DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 10380.720091/200895 Acórdão n.º 1401001.197 S1C4T1 Fl. 8 13 I a soma das alíquotas do imposto de renda das pessoas jurídicas e da contribuição social sobre o lucro líquido, inclusive adicionais; e II oitenta por cento da alíquota máxima da tabela progressiva do imposto de renda da pessoa física, § 1º No caso de entidade aberta de previdência complementar e de sociedade seguradora, o limite de que traía o caput será calculado tomandose por base, exclusivamente, as contribuições recebidas de pessoa jurídica referentes a: I planos de benefícios constituídos a partir de 1º de janeiro de 2002; II novos participantes incluídos, a partir de 1º de janeiro de 2002, em planos preexistentes; III parcela destinada à acumulação de provisões para benefícios de natureza previdenciária. [...] § 5º No caso de entidade fechada de previdência complementar não serão consideradas, para fins de determinação do limite do valor do imposto de renda a ser pago, as contribuições extraordinárias da pessoa jurídica, relativas ao custeio de déficit de serviços passados, conforme dispuser ato conjunto editada pelos Ministros da Previdência e Assistência Social e da Fazenda. (grifos acrescidos) Como se observa, a legislação estabeleceu como parâmetro para cálculo do limite do imposto de renda devido no Regime Especial de Tributação o valor da contribuição da pessoa jurídica patrocinadora do plano de benefícios, escriturada na contabilidade de acordo com o princípio da competência (regra geral a ser observada por todas as pessoas jurídicas, consoante legislação comercial). Além disso, devese ter em conta que o art. 4º da Lei n° 10.426/2002 estabelecia que as "contribuições extraordinárias relativas ao custeio de déficit de serviços passados poderiam ser excluídas do cálculo, conforme dispusesse o regulamento”. Por sua vez, a IN SRF n° 126/02, estabeleceu que tal exclusão somente poderia ser feita "conforme dispusesse ato conjunto editado pelos Ministros da Previdência e Assistência Social e da Fazenda". O conceito de contribuições extraordinárias encontravase claramente estabelecido no art. 19 da Lei Complementar nº 109/2001, verbis: Art. 19. As contribuições destinadas à constituição de reservas terão como finalidade prover o pagamento de benefícios de caráter previdenciário, observadas as especificidades previstas nesta Lei Complementar. Parágrafo único. As contribuições referidas no caput classificamse em: Fl. 906DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 14 1 normais, aquelas destinadas ao custeio dos benefícios previstos no respectivo plano; e II extraordinárias, aquelas destinadas ao custeio de déficits, serviço passado e outras finalidades não incluídas na contribuição normal. Como facilmente se observa, nem todas as contribuições extraordinárias poderiam ser excluídas do cálculo do imposto, mas apenas aquelas que fossem destinadas ao custeio de déficits de serviços passados. Além disso, para que tal exclusão fosse possível, seria necessário a expedição de ato conjunto pelos Ministros da Previdência e Assistência Social e da Fazenda. Tal ato, contudo, nunca chegou a ser publicado, razão pela qual nunca se materializou, no mundo jurídico, a possibilidade de exclusão de algumas parcelas da base de cálculo do imposto. Sobre o tema, foi bastante esclarecedor o acórdão de piso, razão pela qual adoto e transcrevo suas razões de decidir, fls. 745746: [...] conforme acima mencionado, até 31 de dezembro de 2004, para as entidades que fizeram opção pelo RET, a Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002. dispôs que "não serão consideradas, para fins de determinação do limite do valor do imposto de renda a ser pago, as contribuições extraordinárias da pessoa jurídica, relativas ao custeio de déficit de serviços passados, conforme dispuser o regulamento" [...] A Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal (IN SRF) n° 126, de 25 de janeiro de 2002, que dispôs sobre o RET. em seu art. 3o , § 5o , esclareceu que: "não serão consideradas, para fins de determinação do limite do valor do imposto de renda a ser pago, as contribuições extraordinárias da pessoa jurídica, relativas ao custeio de déficit de serviços passados, conforme dispuser ato conjunto editado pelos Ministros da Previdência e Assistência Social e da Fazenda ". Portanto, a IN condiciona a possibilidade da exclusão das contribuições extraordinárias da pessoa jurídica, para fins de limite de recolhimento do imposto de renda, à edição de ato conjunto dos Ministros da Previdência e Assistência Social e da Fazenda. Devido à inexistência do citado ato, condição estabelecida na legislação tributária para que a exclusão possa ser efetuada, não é cabível a exclusão das contribuições extraordinárias da pessoa jurídica para o cálculo do limite de recolhimento do imposto de renda. Resta claro que, para fins de determinação do limite do imposto de renda devido pela requerente nos moldes do Regime Especial de Tributação RET, deve ser considerado o valor das contribuições extraordinárias pagas pela pessoa jurídica patrocinadora; porquanto não existe fundamento legal para excluílas da base de cálculo do IRPJ. Concluise, portanto, que a Instrução Normativa SRF n° 126, de 25 de janeiro de 2002, restringese a instrumentalizar a Lei n° 10.426/2002 (conversão da MP n° 16/2001), não tendo criado ou alterado qualquer aspecto do fato gerador do Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Em resumo, tal ato normativo respeita o princípio da legalidade tributária. Fl. 907DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 10380.720091/200895 Acórdão n.º 1401001.197 S1C4T1 Fl. 9 15 [...] Portanto, a conclusão que deflui da análise dos presentes autos é que a contribuição extraordinária no valor de R$ 238.669.676,13. decorrente do Instrumento Particular firmado aos 31/12/2003 entre o BNB e a CAPEF, compete ao fato gerador ocorrido no 4º trimestre de 2003, o que implica na inexistência de pagamento a maior do que o devido a ser restituído ao sujeito passivo. Conseqüência natural é que inexistindo valor de imposto a repetir não há que se falar em compensações a serem homologadas. A contribuinte, em sede recursal, voltou a alegar de que o "conceito mínimo relativo a déficit de serviços passados" não poderia ser alterado pelo ato conjunto dos ministérios a que se reporta a IN SRF n° 126, de 2002, não podendo restar abalado o seu direito, posto este já estava materialmente configurado na realidade. Não merece prosperar a tese da recorrente, haja visto que esta Turma de Julgamento, como qualquer outra autoridade administrativa, encontrase estritamente vinculada aos atos administrativos editados pelas autoridades competentes. Na ausência da norma regulamentar, que deveria ter sido editada em conjunto pelos Ministros da Previdência e Assistência Social e da Fazenda não se consumou o direito à suposta exclusão de algumas parcelas da base de cálculo do imposto, conforme indevidamente alegado pela recorrente. No que tange à observância do regime de competência, cumpre destacar que tal princípio encontrase claramente estabelecido pela legislação comercial, sendo reafirmado pela legislação específica do setor de previdência complementar, conforme expressamente prescrito pela Resolução do Conselho de Gestão da Previdência Complementar CGPC n° 05. de 30 de janeiro de 2002, em seu Anexo E, verbis: 5 . Todos os lançamentos contábeis registrarseão com base no Princípio da Competência, significando que na determinação do resultado serão computados os recursos coletados, as receitas e as rendas/variações positivas auferidas no mês, independentemente de sua efetiva realização, os recursos utilizados, as despesas e as deduções/variações negativas, pagas ou incorridas no mês correspondente. Os registros relativos a contribuições de autofinanciados. vinculados a planos de benefícios do tipo Contribuição Definida, poderão ser escriturados com base no regime de caixa, devendo ser mencionados em Notas Explicativas às Demonstrações Contábeis. Analisando este tema, posicionou com muita clareza e objetividade o acórdão recorrido, fls. 744745: [...] correta encontrase a conclusão disposta na Solução de Consulta SRRF/3aRF n° 17, de 19/09/2006, ao esclarecer que: "[...] para fim de determinação do limite do imposto de renda devido pela consulente nos moldes do regime especial de tributação, deve ser considerado o valor das contribuições, normais e extraordinárias, devidas pela pessoa jurídica Fl. 908DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 16 patrocinadora, independentemente de sua efetiva realização"'. E, pois, com base na utilização do regime de competência que a entidade deveria calcular o limite do imposto de renda devido para o 4º trimestre de 2003. Com relação ao Acordo firmado entre a Caixa e seu patrocinador, preliminarmente, cumpre esclarecer que o Instrumento Particular de Compromisso para Integralização de Reservas que foi celebrado aos 30 de dezembro de 2003 entre o BNB e a CAPEF teve como escopo a "CONSOLIDAÇÃO E PARCELAMENTO DE VALORES DESTINADOS A SOLUCIONAR O PASSIVO CONTINGÊNCIAL DA CAIXA". Inferese do referido Instrumento Particular que a CAPEF vinha apresentando constantes déficits atuariais. A fim de solucionar esses déficits foi implantado, com vigência a partir de janeiro de 1997, Plano de Equilíbrio Atuarial que previa a contribuição extraordinária de 15%, incidente sobre os benefícios de aposentadoria. Essa contribuição foi rejeitada por inúmeros participantes que ingressaram em juízo obtendo a tutela jurisdicional. Em seu item 11 está disposto que: "Chegouse a bom termo nas negociações entre BNB, CAPEF e participantes e assistidos, sendo aceitas as seguintes condições:" A Cláusula Primeira esclarece que: "Constitui objeto do presente instrumento o estabelecimento de compromisso, pelo BNB; de integralização de reserva junto a CAPEF, decorrente da implantação das obrigações assumidas em acordos firmados com os participantes e assistidos, para consolidação e parcelamento de valores destinados a solucionar o passivo contingência da CAPEF”. Ora, pelo que se denota do Instrumento Particular celebrado entre o BNB e a CAPEF observase que a contribuição extraordinária dele decorrente surgiu como obrigação para o patrocinador a partir do fechamento do negócio. O que se evidencia é que a CAPEF apresentava um expressivo déficit o que a impossibilitou de honrar os seus compromissos. Assim, a fim de minimizar a problemática entre a CAPEF e seus participantes e assistidos o patrocinador (BNB) se viu compelido a arcar com a contribuição extraordinária disposta na Cláusula Segunda do citado Acordo. Destarte, o negócio nasceu e se firmou somente em 30 de dezembro de 2003. Ora, o fato de se calcular o déficit apresentado pela CAPEF a partir de anoscalendário anteriores ao da assinatura do Acordo não tem o condão de alterar o período base a que compete o evento, ou seja, a data de realização deste. Como bem esclarece a Informação Fiscal às fls. 278v: "[...] não se pode confundir data de geração do déficit com período de competência de receita auferida. Um déficit em certo período não arrasta para si o período de competência da contribuição que venha a suprilo ". Também, o fato de o BNB reconhecer que efetuou contribuições a menor do que o devido no período compreendido entre Fl. 909DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA Processo nº 10380.720091/200895 Acórdão n.º 1401001.197 S1C4T1 Fl. 10 17 Julho/1993 e Fevereiro/1994, por si só, não se presta a concluir que os recursos pactuados aos 30/12/2003, a serem repassados à CAPEF, referidos no item 5 do Instrumento Particular devam ser considerados como realizações ocorridas no citado período. Tanto que no item 5 citado consta que: "Esse valor foi reconhecido, registrado no passivo do BNB, e será pago em 30.01.2004". Pelos termos do Instrumento Particular resta bastante claro que a CAPEF não tinha qualquer certeza de recebimento dos valores pactuados; nascendo essa expectativa somente quando da assinatura do Acordo, o qual fixa recebimentos para 30/01/2004 (item 5 e Cláusula Segunda 2.a) e 24 parcelas mensais, vencendo a primeira em 31/01/2005 e as demais no último dia útil dos meses subseqüentes (Cláusula Segunda 2.b). O parágrafo segundo da Cláusula Segunda do Instrumento Particular reza que: "O saldo remanescente, referido no item 2.b, desta Cláusula poderá ser reduzido pela contribuição extraordinária do BNB, calculada sobre as diferenças a que teriam direito os assistidos que não firmarem acordo até 31.12.2004". O próprio contribuinte em sua peça de defesa reforça essa conclusão ao esclarecer que não poderia ter contabilizado esses recursos em períodos passados dado que não tinha certeza da efetiva realização destes; reforçando, assim, que a expectativa pelo recebimento dos recursos nasceu efetivamente aos 30/12/2003, data de assinatura do Instrumento Particular, conforme se infere do trecho abaixo transcrito: "Destaquese que somente a partir, daí da formalização (ou do reconhecimento) de dívida pelo Patrocinador, BNB em Acordo – que passou a conter tal previsão no Estatuto e Regulamento da Manifestante, ambos devidamente aprovados pela Secretaria de Previdência Complementar (SPC), em 30 de dezembro de 2003. Portanto, resta inequívoco que as aludidas contribuições foram aportadas pelo Patrocinador (in casu, o BNB) em caráter excepcional ou extraordinário, sabidamente como forma de solução do passivo contingente apurado no plano administrado pela Manifestante, destinandose ao custeamento ou cobertura de serviços passados. Ora, como se exigir da manifestante, que é uma entidade fechada de previdência complementar a contabilização do que é, ainda num dado momento (competências anteriores a dezembro de 2003), duvidoso, já que esta atividade possui regras contábeis próprias, visando evitar atuariais indevidos? Decerto que não poderia, ou melhor, não deveria a Manifestante realizar a pretensa escrituração anterior em seus respectivos períodos de competência daquilo que Fl. 910DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA 18 não havia sido, até então, admitido por seu Patrocinador..." Em resumo, no meu entender a contribuição extraordinária, cuja expectativa de recebimento nasceu para a CAPEF com o Acordo firmado aos 30 de dezembro de 2003, compete ao período de apuração relativo ao 4º trimestre de 2003. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 911DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 0 4/03/2015 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 04/03/2015 por JORGE CELSO FRE IRE DA SILVA
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Numero do processo: 19647.002302/2003-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1999
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
A partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, e somente então é possível falar em ampla defesa ou cerceamento dela.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ÔNUS DA PROVA
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira.
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXAME DA LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE
Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APROVEITAMENTO DE “SOBRAS” DE UM DETERMINADO MÊS PARA O MÊS SEGUINTE. IMPOSSIBILIDADE.
O entendimento deste Conselho já se consolidou no sentido de que na tributação da omissão de rendimentos por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subseqüentes. Aplicação da Súmula CARF nº 30.
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CO-TITULARES. INTIMAÇÃO.
Nos termos do caput art. 42 da Lei nº 9.430/96, devem todos os titulares das contas-correntes ser intimados para comprovar a origem dos depósitos lá efetuados, sob pena de nulidade do lançamento fundado na presunção de omissão de rendimentos decorrente da existência de depósitos bancários de origem não comprovada.
IRPF. DECADÊNCIA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA.
O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário.
Aplicação da Súmula CARF nº 38.
Numero da decisão: 2102-003.261
Decisão: Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos em dar parcial provimento ao recurso para excluir da base de cálculo da infração de omissão de depósito bancário com origem não comprovada o valor de R$ 390.167,28.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, e somente então é possível falar em ampla defesa ou cerceamento dela. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXAME DA LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. APROVEITAMENTO DE “SOBRAS” DE UM DETERMINADO MÊS PARA O MÊS SEGUINTE. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 2360DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA 2 O entendimento deste Conselho já se consolidou no sentido de que na tributação da omissão de rendimentos por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subseqüentes. Aplicação da Súmula CARF nº 30. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CO-TITULARES. INTIMAÇÃO. Nos termos do caput art. 42 da Lei nº 9.430/96, devem todos os titulares das contas-correntes ser intimados para comprovar a origem dos depósitos lá efetuados, sob pena de nulidade do lançamento fundado na presunção de omissão de rendimentos decorrente da existência de depósitos bancários de origem não comprovada. IRPF. DECADÊNCIA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Aplicação da Súmula CARF nº 38. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos em dar parcial provimento ao recurso para excluir da base de cálculo da infração de omissão de depósito bancário com origem não comprovada o valor de R$ 390.167,28. Assinado Digitalmente Nubia Matos Moura – Presidente Substituta Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora EDITADO EM: 02/03/2015 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NUBIA MATOS MOURA (Presidente Substituta), JOAO BELLINI JUNIOR, DAYSE FERNANDES LEITE, ALICE GRECCHI, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, LIVIA VILAS BOAS E SILVA. Relatório Em face do Contribuinte acima identificado foi lavrado Auto de Infração de fls. 07/22, para exigência do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, relativamente ao ano- calendário de 1998, em razão da: a) omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo Fl. 2361DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA Processo nº 19647.002302/2003-04 Acórdão n.º 2102-003.261 S2-C1T2 Fl. 2.361 3 empregatício recebidos de pessoas jurídicas; e b) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada. Cientificado do lançamento fiscal, o contribuinte apresentou a Impugnação de fls. 456/484, na qual alegou, em síntese, que: - seria nulo o procedimento fiscal por vício formal, justificando que o lançamento foi baseado unicamente em prova ilícita (em razão da impossibilidade de a Lei n. 10.174/01 ter efeitos retroativos) e por ter sido cerceado o direito de defesa; - o cerceamento ao direito de defesa decorre do fato de que o Termo de Intimação de fl. 766 só foi entregue ao contribuinte em 22/09/2003, conforme fl. 767, e como o contribuinte tinha 20 dias para seu atendimento, tal prazo somente se encerraria em 12/10/2003, que, por ser um domingo, ficou prorrogado para o dia 13/10/2003, entretanto, dentro do prazo originalmente concedido pela auditora foi surpreendido pelo Auto de Infração datado de 02/10/2003, com ciência em 09/10/2003; - que não dispunha dos extratos do Banco Real que estavam sendo encaminhados pela Secretaria da Receita Federal, razão pela qual ficou materialmente impossibilitado de fazer as análises determinadas, enquanto a fiscalização considerando que não houve resposta à intimação, tomou como receita omitida a totalidade dos valores depositados naquele estabelecimento bancário; - com relação à origem dos depósitos, diz que no curso da ação fiscal, por diversas vezes, informou haver movimentação financeira, em suas contas correntes pessoais, da Pessoa Jurídica João Barbosa Assessoria Jurídica S/C Ltda., da qual é sócio majoritário, possuindo 99% das cotas; - no segundo documento mencionado foram listadas transferências de valores de contas bancárias da pessoa jurídica para a pessoa física e que tais operações foram comprovadas pela juntada de cópia dos extratos bancários da pessoa jurídica; - foi informado o ingresso em 08/07/1998 de R$201.370,78, na conta mantida no Unibanco/Bandeirantes, correspondente ao valor líquido da Nota Fiscal n° 005767, de mesma data, emitida pela pessoa jurídica, contra o HSBC — Bamerindus Companhia de Seguros, tendo sido apresentada cópia do referido documento fiscal; - por ser sócio majoritário da empresa, não havia preocupação em segregar os recursos financeiros movimentados pela pessoa física, ou pela pessoa jurídica, independentemente de sua origem, considerando que é através da Sociedade Civil da qual faz parte que o defendente exerce sua atividade profissional de advogado; - pelo porte de seus clientes e pelo tipo de serviço prestado, especificamente na área de cobrança, evidencia-se o recebimento, pelo contratado, de valores significativos, em nome de seus contratantes; - o escritório de advocacia repassa a seus clientes os valores recebidos, descontados das comissões que lhe caibam (no percentual máximo de 10%), conforme cláusula contratual; Fl. 2362DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA 4 - a remuneração pela cobrança de valores muitas vezes se resume aos honorários de sucumbência ou a percentuais cobrados dos devedores juntamente com o principal; - a sistemática de recebimentos em nome dos clientes faz com que transite, nas contas bancárias da prestadora de serviços, volume de recursos desproporcional a sua própria receita auferida; - a atividade exercida exige a manutenção de inúmeras contas correntes para controle em separado quando possível dos recebimentos efetuados em nome de cada cliente; porem os sócios da pessoa jurídica se dedicam precipuamente à prestação de serviços advocatícios, absorvendo seus tempos e não lhes permitindo controle rigoroso da movimentação financeira, não havendo uma rígida separação entre os recursos dos sócios e da sociedade pessoa jurídica, que se socorrem uns aos outros em casos de necessidade financeira, como costumar acontecer nas pequenas empresas; - os aportes de recursos são registrados em livro Caixa da empresa e os reembolsos se dão ou via depósito bancário ou em espécie; - que durante o procedimento fiscal foi possível informar à fiscalização a ocorrência de transferências e comprovar inúmeros depósitos efetuados nas contas correntes da pessoa física provenientes de cheques emitidos pela pessoa jurídica, mas que a fiscalização se limitou a receber as informações sem exigir do contribuinte quaisquer comprovantes de que tais recursos houvessem sido devolvidos ou contabilmente registrados; - a fiscalização teria cometido alguns enganos na apuração do crédito tributário (elenca um a um os enganos supostamente cometidos); - anexava à sua impugnação uma cópia do livro Caixa da empresa, através do qual seriam comprovados empréstimos e devoluções que relaciona na sua impugnação; assim como planilha identificando cheques e/ou ordens de pagamentos e cópias dos extratos da pessoa jurídica; - todos os recursos que transitam pela conta de pessoa física provêm da pessoa jurídica, inclusive a título de lucros e pro labore; - cita art. 1°, §1° da IN SRF 246/02 que dispõe que quando comprovado que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos é efetuada em relação ao terceiro. Transcreve jurisprudência; - depósitos bancários, por si só, não constituem renda tributável, sendo imperioso que se configure acréscimo patrimonial ou renda consumida; - quanto à quantificação da receita, a fiscalização não aceitou as transferências de valores ocorridas da conta no BBV em que não houve incidência de CPMF com a justificativa, da fiscalização, segundo o impugnante, de que só ocorre isenção de CPMF quando há transferência de valores entre contas de mesma titularidade; - a fiscalização não atentou para o fato de que o fiscalizado mantinha contas- correntes individuais e também em conjunto com sua companheira, Sra. Marta Suely Velozo Muniz, CPF 321.318.104-82; Fl. 2363DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA Processo nº 19647.002302/2003-04 Acórdão n.º 2102-003.261 S2-C1T2 Fl. 2.362 5 - a cobrança da CPMF por si só não pode ser tomada como prova de que a transferência se deu entre contas de diferentes titularidades, pois os bancos não são infalíveis e podem cometer erros; - exigir imposto de renda sobre transferências só porque houve cobrança de CPMF é presunção de omissão de receitas não prevista pela legislação tributária e que como presunção simples caberia ao fisco a prova cabal da omissão de rendimentos. - que embora a fiscalização tenha verificado que recursos da empresa transitaram nas contas-correntes da pessoa física, deixou de perquerir o emprego desses recursos e que o impugnante constatou que muitos dos cheques emitidos em 1998 configuram transferências de recursos para a pessoa jurídica; e - teria ocorrido a decadência, pois, de acordo com o art. 38 do Decreto 3.000/99 e art. 42, §4° da Lei 9.430/96, o fato gerador do IR é mensal, de modo que, tendo ocorrido a autuação e ciência do auto de infração em outubro/2003, restariam decaídos os períodos de janeiro a setembro de 1998. Na análise de suas alegações, os integrantes da 1 Turma/DRJ-Recife/PE decidiram pela parcial manutenção do lançamento, em julgado do qual é possível extrair a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1998 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não restando comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não há que se falar em nulidade do lançamento. MATÉRIA NÃ0 CONTESTADA. Consolida-se, na esfera administrativa, o crédito tributário correspondenteà matéria que não houver sido expressamente contestada pelo impugnante. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1" de janeiro de 1997, o artigo 42 da Lei n°9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários cuja origem dos recursos lido for comprovada pelo titular, mormente se a movimentação financeira for incompatível com os rendimentos declarados. ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários, quando devidamente intimado. Fl. 2364DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA 6 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA PELO FISCO. É licito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n" 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de Fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. LEGISLAÇÃO QUE AMPLIA OS MEIOS DE FISCALIZAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO PRINCIPIO DA ANTERIORIDADE DA LEI. 0 art. 6 da Lei Complementar n. 105/2001 e o art. 1 da Lei le 10.174/2001, que deu nova redação ao parágrafo 3 do art. 11 da Lei le 9.311/1996, disciplinam o procedimento de fiscalização em si, e não os fatos econômicos investigados, de forma que os procedimentos iniciados ou em curso a partir de janeiro 2001 poderão valer-se dessas informações, inclusive para alcançar fatos geradores pretéritos. NÃO VIOLAÇÃO DAS GARANTIAS INDIVIDUAIS INSERIDAS�NA CF/88. SIGILO FISCAL. 0 sigilo bancário só tem sentido enquanto protege o contribuinte contra o perigo da divulgação ao público, nunca quando a divulgação é para o fisco que, sob pena de responsabilidade, jamais poderá transmitir o que lhe foi dado a conhecer. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. As autoridades administrativas não podem negar aplicação às leis regularmente emanadas do Poder Legislativo. 0 exame da constitucionalidade ou legalidade das leis é tarefa estritamente reservada aos órgãos do Poder Judiciário. DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. No caso do Imposto de Renda, quando houver a antecipação do pagamento do imposto pelo contribuinte, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos contados do fato gerador. IRPF. DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, devendo oprazo decadencial, na hipótese de entrega tempestiva da declaração e pagamento do imposto, ser contado a partir da ocorrência do fato gerador, que é complexivo e ocorre em 31 de dezembro. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que Fl. 2365DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA Processo nº 19647.002302/2003-04 Acórdão n.º 2102-003.261 S2-C1T2 Fl. 2.363 7 lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Desta forma, consideraram não impugnada a parcela do lançamento relativa à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, e quanto à parcela exonerada, esta se deveu à exclusão da base de cálculo de valores relativos à mera transferência entre contas de sua titularidade. Assim, o Contribuinte teve ciência de tal decisão em 15.12.2006, e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 1963/2007, em 10.01.2007, por meio do qual faz um resumo dos fatos e, sem síntese, reitera integralmente as alegações contidas em sua Impugnação. Na análise do Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte, os integrantes da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, decidiram, pelo voto de qualidade, em acolher a preliminar de irretroatividade da Lei nº 10.174/2001 e dar provimento ao recurso, às fls. 2077/2087, sendo extraída a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 1999 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. IRRETROATIVIDADE. A alteração promovida na Lei 9.311/96 através da Lei 10.174/01 - no que diz respeito à utilização das informações obtidas via CPMF para a constituição de outros tributos que não a própria contribuição, somente deve ser levada em consideração após o início de sua vigência, não sendo possível sua aplicação a fatos pretéritos, anteriores à sua edição. Acolhida preliminar. Recurso provido. Cientificada dessa decisão em 13/07/2010 (fl. 2088), a Fazenda Nacional manejou, no mesmo dia, Recurso Especial por contrariedade à lei ou à evidência da prova (fls. 2091 a 2109), onde se insurgiu contra o acolhimento da preliminar de irretroatividade da Lei n° 10.174/2001, acrescentando que esse entendimento vai de encontro ao conteúdo da Súmula CARF n° 35. O recurso foi admitido pelo despacho de fls. 2110/2111. Cientificado do acórdão e do Recurso Especial da Fazenda Nacional em 03/12/2010 (fl. 2114), o Contribuinte apresentou, em 16/12/2010, contrarrazões ao Recurso Especial, onde pugna pelo não conhecimento do recurso, pela manutenção da decisão recorrida e, caso o apelo seja provido, para o retorno dos autos para a apreciação das demais questões do recurso pela turma baixa (fls. 2115/2129). Fl. 2366DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA 8 Ao analisarem o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, os integrantes da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, decidiram, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, com retorno dos autos à Câmara de origem para análise das demais questões, às fls. 2352/2354, sendo extraída aementa descrita abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999 APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI N.10.174, 2001. POSSIBILIDADE. O art. 11, § 3, da Lei n. 9.311/96, com a redação dada pela Lei n. 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se retroativamente - Súmula CARF n. 35. Recurso especial provido. Diante de tal decisão, os autos foram remetidos a esta turma julgadora para apreciação do mérito do Recurso Voluntário interposto. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora Conforme relatado, trata-se de retorno de Recurso Voluntário já apreciado pela extinta Sexta Camara do Primeiro Conselho de Contribuintes em 2009, ocasião em que fora acolhida preliminar de irretroatividade da Lei nº 10.174/01. Contra tal decisão, porém, foi interposto Recurso Especial pela Fazenda Nacional, o qual foi provido, de forma que os autos agora retornam para apreciação de mérito do recurso apresentado pelo contribuinte. Preliminar O Recorrente suscita duas preliminares: uma de que a Lei nº 10.174 não poderia produzir efeitos retroativos, e outra, no sentido de que teria havido cerceamento do seu direito de defesa. A questão relativa à irretroatividade da Lei nº 10.174 já foi apreciada anteriormente por esta turma, razão pela qual agora somente está em julgamento a preliminar atinente ao cerceamento do direito de defesa do Recorrente. Neste caso, alega ele que o cerceamento decorreria do fato de que o Termo de Intimação de fl. 766 lhe fora entregue em 22/09/2003 (fls. 767), estipulando um prazo de 20 dias para seu atendimento; porém tal prazo não teria sido cumprido pela própria autoridade fiscal, que lavrou o Auto de Infração antes do seu término - em 02/10/2003. Fl. 2367DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA Processo nº 19647.002302/2003-04 Acórdão n.º 2102-003.261 S2-C1T2 Fl. 2.364 9 Tal pedido não merece acolhida. Isto porque, apesar de ser plenamente possível que o contribuinte inicie sua defesa já em sede de fiscalização, não se pode falar em violação ao seu direito de defesa antes de iniciado o processo administrativo-fiscal - sendo certo que tal cerceamento não ocorreu na hipótese em exame. Vale ressaltar que mesmo que o Recorrente não tenha tido tempo hábil de apresentar justificativas para seus depósitos bancários ainda durante o procedimento fiscal, poderia ele tê-lo feito a partir do momento de sua impugnação – ocasião em que, se fosse o caso, deveria apresentar todos os documentos e razões que implicassem no cancelamento do lançamento em questão. Neste sentido, a jurisprudência deste Conselho é unânime, como se pode verificar através do seguinte julgado: (...) CERCEAMENTO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL - Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo- se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentação de documentos e esclarecimentos. (Ac. nº 104-20731, Rel. Cons. Nelson Mallmann, julgado em 15.06.2005) Diante do exposto, não merece acolhida esta preliminar. Depósitos Bancários Quanto ao mérito do lançamento, o Recorrente a todo momento insiste que os valores movimentados em sua conta bancária pertencem à pessoa jurídica da qual é sócio “com 99% das cotas” (escritório de advocacia). Defende que, por movimentar valores de uma pessoa jurídica em suas contas bancárias, o lançamento não poderia prosperar, pois eventuais receitas depositadas nestas contas pertenceriam à empresa e não a ele. Para comprovar suas alegações, trouxe aos autos algumas tabelas demonstrativas das transferências entre as duas contas (da pessoa física para a jurídica e vice-versa), assim como cópia do Livro Razão da empresa e uma nota fiscal por ela emitida. Seus argumentos não foram aceitos pela decisão de primeira instância, em razão da falta de prova da origem de cada um dos depósitos efetuados em suas contas. Com efeito, é razoável e crível a alegação do Recorrente de que os valores movimentados por suas contas bancárias pertenciam à pessoa jurídica da qual é sócio. Ainda que esta não seja a melhor técnica contábil ou administrativa, é muito comum que pessoas físicas acabem utilizando suas contas pessoais para movimentar valores pertencentes às pessoas jurídicas das quais são sócias – mormente quando são sócias majoritárias. Porém, para Fl. 2368DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA 10 que possam fazê-lo é essencial que mantenham de forma organizada e detalhada os registros desta movimentação, sob pena de se sujeitarem a penalidades como a que aqui se discute. Vale lembrar que a exigência fiscal em exame decorre de expressa disposição legal, segundo a qual presume-se como omissão de rendimento o valor depositado em conta bancária cuja origem não for comprovada pelo titular da referida conta. O art. 42 da Lei nº 9.430/96 estabeleceu esta presunção que, apesar de ser relativa, só pode ser derrubada contra a apresentação, pelo contribuinte, de documentação hábil e idônea que comprove a origem daqueles depósitos. Por isso que para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997, cabe sempre ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos valores transitados por sua conta bancária. Este ônus é do Recorrente, e, na medida em que ele mesmo sempre afirmou que os valores depositados em suas contas pertenciam à pessoa jurídica da qual era sócio, caberia a ele demonstrar documentalmente, de forma satisfatória, as operações que ensejaram tais depósitos. Somente com esta demonstração seria possível elidir a presunção legal contida no art. 42 já referido. Acresça-se a isto que, tratando-se de determinação contida em lei, não cabe ao julgador administrativo avaliar o seu acerto ou sua tecnicidade, mas somente aplicá-la. Neste sentido, este Conselho editou a Súmula nº 1, segundo a qual: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”. Mais especificamente no que diz respeito aos lançamentos fundados na presunção que aqui se examina, merece destaque o enunciado nº 26 da Súmula deste CARF, segundo o qual: “A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.”. Sendo assim, resta analisar se a prova foi feita pelo Recorrente. Consta dos autos, às fls. 407 a NF nº 5767 emitida pela pessoa jurídica João Barbosa Assessoria Jurídica, no valor líquido de R$ 201.370,77, de julho de 1998 (a data exata não está legível nos autos). Por outro lado, consta no Banco Bandeirantes Unibanco – conta do Recorrente pessoa física - em 08.07.1998 um depósito de R$ 201.370,78. Este depósito não foi excluído do lançamento pela autoridade fiscal e nem tampouco pela decisão recorrida em razão da falta de comprovação de que o mesmo tenha sido oferecido à tributação pela pessoa jurídica, e que posteriormente tenha sido transferido ao Recorrente a titulo de lucros distribuídos. Eis os esclarecimentos prestados pela autoridade fiscal neste sentido: 2) Nota Fiscal de Serviços n° 005767, de julho de 1998, no valor de R! 201.370,77 (fl. 407) Pelas mesmas razões acima - falta de comprovação de que o valor depositado , ou retornou para a empresa, ou foi utilizado para pagamento de despesas da atividade da pessoa jurídica - não pudemos excluir o valor de R$ 201.370,77 da apuração da base de cálculo do imposto de renda pessoa física do autuado. Esclarecemos que, no mês de julho de 1998, o contribuinte auferiu , da Joao Barbosa Assessoria Ltda os seguintes valores: Lucros (R$ 9.005,91) + Aluguéis (R$ 1.187,50) + Pro-labore (R$ 950,00), totalizando R$ 11.143,41. Tal valor já foi devidamente computado como justificativa di origem dos Fl. 2369DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA Processo nº 19647.002302/2003-04 Acórdão n.º 2102-003.261 S2-C1T2 Fl. 2.365 11 depósitos efetuados em julho/98,pois corresponde a parcelas recebidas da empresa que, ou já foram oferecidas A tributação, ou são isentas. Com efeito, tal entendimento merece reforma. É que a origem do depósito foi, de fato, comprovada: é a receita obtida pelo escritório de advocacia do qual o Recorrente é sócio. Se o valor constante da Nota Fiscal foi ou não oferecido à tributação pela pessoa jurídica é um outro problema, mas fato é que a origem do depósito está justificada (para os fins do art. 42 da Lei nº 9.430/96), devendo sim este valor ser excluído da base de cálculo do lançamento ora em discussão. Vale salientar que a referida nota fiscal foi trazida pelo Recorrente ainda em sede de fiscalização, de forma que caberia à autoridade fiscal – se entendesse cabível – ter intimado a pessoa jurídica em questão para que demonstrasse se o referido valor fora ou não oferecido à tributação. Acresça-se a isto que o valor da receita bruta informada à fiscalização pela referida pessoa jurídica para o mês de julho de 1998 (fls. 341) está perfeitamente condizente com a alegação de que a referida nota fiscal se referia sim a um valor tributado pela pessoa jurídica. Por isso, no caso deste específico depósito, deve ser reputada comprovada a sua origem. Isto não significa, porém, que todos os valores depositados na conta do Recorrente se refiram a valores pertencentes à tal pessoa jurídica. A prova da coincidência entre os valores depositados em suas contas e os valores movimentados pela pessoa jurídica há que ser feita depósito por depósito. Esta é uma exigência do art. 42 já citado. O Livro Razão trazido pelo Recorrente – ainda que pudesse ser considerado um documento válido, a despeito de não preencher as formalidades legais para tanto – não se presta a este fim, pois o que está em discussão aqui não é a movimentação financeira/contábil da pessoa jurídica, e sim a comprovação da origem de cada um dos depósitos efetuados nas contas bancárias do Recorrente. Os quadros demonstrativos das transferências entre contas (de pessoa jurídica para pessoa física e vice-versa) também não socorrem o Recorrente, na medida em que não se prestam a demonstrar – depósito por depósito – qual a sua origem, e por isso não se prestam a desconstituir a presunção contida no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Seguindo esta mesma linha de defesa, o Recorrente pugna que seja aplicado aqui o disposto no § 5º do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Na análise deste aspecto da defesa, a decisão recorrida deixou de acolher as razões do Recorrente, pelos seguintes motivos, verbis: 95. Quanto à alegação de que os demais depósitos seriam de titularidade da pessoa jurídica, cabe esclarecer que para que os depósitos pudessem ser excluídos da base de cálculo do imposto em questão deveria restar caracterizado que não eram recursos de titularidade da pessoa física, e sim da pessoa jurídica, de acordo com as disposições contidas no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 e no § 2º do art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 246, de 20/11/2002. Fl. 2370DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA 12 (...) 97. É importante destacar que a pessoa física precisa comprovar que os valores depositados em suas contas-correntes pertenciam à pessoa jurídica da qual ele sócio, juntando ao processo não somente notas fiscais (só foi juntada cópia de uma nota fiscal), mas comprovando que os valores de tais notas fiscais integraram a escrituração contábil da empresa, com coincidência de datas e valores entre os depósitos e tal escrituração, e foram submetidos à tributação por esta. (...) 99. Não há, portanto, aqui, que se falar na aplicabilidade do disposto no § 5º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, pois ele estabelece que o lançamento somente ocorrerá em nome do terceiro “quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa”. No caso presente, o contribuinte não consegue comprovar que os depósitos que deram origem à base de cálculo do lançamento pertencem à pessoa jurídica “João Barbosa Assessoria Jurídica”, conforme as razões seguintes. (...) Neste ponto, a decisão merece ser mantida, pois o Recorrente, como já salientado, deixou de comprovar que os depósitos efetuados em suas contas pertenciam na realidade à pessoa jurídica. Aproveitamento de sobras O Recorrente pugna ainda que sejam utilizadas eventuais “sobras” mensais de recursos para justificar depósitos em meses posteriores. Quanto a este aspecto de seu inconformismo, impende salientar que o lançamento ora em exame não tem origem na apuração de variação patrimonial a descoberto, mas sim – como exaustivamente demonstrado – na existência de depósitos bancários de origem não comprovada. Por isso, não há que se falar no aproveitamento de “sobras” de um mês para o mês seguinte, devendo ser mantida a decisão recorrida que assim se manifestou quanto a este particular: 130. Esclareça-se, ainda, diante das alegações do contribuinte com relação a acréscimo patrimonial, que esta infração não ocorreu por variação patrimonial a descoberto, mas por omissão de receitas oriundas de depósitos bancários com origem não comprovada. Aliás, existe a Súmula nº 30 deste CARF neste sentido, que assim estabelece: “Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes.”. Co-titularidade Alega o Recorrente ainda que não foi considerado pela fiscalização o fato de que sua companheira Marta Suely Velozo Muniz (CPF 321.318.104-82) mantinha com ele contas em conjunto. Fl. 2371DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA Processo nº 19647.002302/2003-04 Acórdão n.º 2102-003.261 S2-C1T2 Fl. 2.366 13 Com efeito, os extratos do Banco Real (acostados às fls. 89 dos autos) demonstram que a conta poupança 11106780-5 tinha como titulares João Alves Barbosa Filho e/ou João Alves Barbosa Neto. Já os extratos acostados às fls. 113 e seguintes (ainda do Banco Real) demonstram que a conta poupança 002701876 tinha como titulares João Alves Barbosa Filho e/ou Martha S V Muniz. Idêntica é a situação dos extratos de fls. 159 e seguintes, que também demonstram que a Sra. Martha era co-titular da conta corrente (de numeração idêntica à da conta poupança já referida). Por outro lado, não consta dos autos qualquer informação acerca da intimação da Sra. Marta ou do Sr. João Alves Barbosa Neto para que comprovassem a origem dos depósitos efetuados nas contas das quais eram co-titulares, sendo certo que o Recorrente foi o único intimado a fazê-lo. Tendo adotado tal postura, fica claro que a autoridade fiscal deixou de respeitar o que determina o art. 42 da Lei nº 9.430, verbis: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) Isto porque, sendo conjuntas as referidas contas-correntes, deveriam todos os co-titulares das contas ter a oportunidade de apresentar documentos que comprovassem a origem dos valores lá depositados, previamente à efetivação do lançamento - o que não ocorreu na hipótese em exame. Não existe a figura do “titular principal” da conta, todos os titulares são aptos a movimentar as contas bancárias conjuntas na forma que desejarem, razão pela qual se enquadram no conceito de “titular” constante do art. 42 acima transcrito e devem ser também intimados para fins de comprovação da origem dos depósitos efetuados, sob pena de não se configurar a presunção legal contida na mencionada norma. Neste sentido é o entendimento deste Conselho de Contribuintes a respeito da matéria, como se vê dos seguintes julgados: DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO CONHECIDA. CONTA CONJUNTA. ARTIGO 42, § 6º DA LEI 9.430, DE 1.996. Ausência de intimação do co-titular da mesma conta corrente bancária. Lançamento realizado sem a devida intimação do(s) co(s)-titular(es) da conta corrente bancária contém erro material. A construção do lançamento é incorreta porque não identifica a quem pertenciam efetivamente os valores creditados. Ausência de segurança quanto à base de cálculo e o valor do tributo cobrado. Hipótese de nulidade do lançamento. Embargos de Declaração acolhidos. (Ac. nº 102-48.844, Rel. Cons. Silvana Mancini Karam) Fl. 2372DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA 14 Este entendimento acabou por se consolidar na Súmula CARF Nº 29, que assim dispõe: Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Por isso, em obediência ao art. 72 do Regimento Interno deste Conselho, deve ser reconhecida a nulidade do lançamento em relação às contas mantidas no Banco Real, devendo ser excluídas de sua base de cálculo o montante total de R$ 188.796,50 (correspondente à soma de R$ 23.450,00 da conta poupança + R$ 165.346,50 da conta corrente). Vale mencionar que tal situação também ocorre em relação ao Banco Bradesco, conta 376876-7 (fls. 301 e seguintes) de cuja ficha cadastral consta “e/ou”, sem porém que seja detalhado o nome do co-titular da conta por não haver processo instaurado contra o mesmo. Entretanto, vale destacar que não houve qualquer crédito na referida conta, sendo certo que os depósitos no banco Bradesco considerados pela fiscalização eram aqueles relacionados à conta 340984 (fls. 316), na qual não há co-titularidade. Assim, não há que se falar na exclusão das contas do Bradesco do lançamento. Decadência O último argumento de defesa utilizado pelo Recorrente diz respeito à decadência do direito do Fisco de efetuar o lançamento aqui em debate. De acordo com o Recorrente, o fato gerador do IRPF no caso em tela seria mensal, e o prazo decadencial deveria ser computado com base no art. 150, § 4º do CTN, considerando o fato gerador do IR como mensal. Por isso, segundo ele, não poderiam mais ser exigidos os valores cujos fatos geradores tenham ocorrido antes de outubro de 1998, já que a ciência do lançamento se deu em outubro de 2003. No entanto, a jurisprudência hoje pacificada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) é no sentido de que o fato gerador do IRPF é complexivo e ocorre em 31 de dezembro de cada ano. Este entendimento pode ser bem demonstrado através da leitura da seguinte ementa: IRPF – DECADÊNCIA – DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, segundo o entendimento majoritário da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 4° e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN. Recurso especial negado. Fl. 2373DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA Processo nº 19647.002302/2003-04 Acórdão n.º 2102-003.261 S2-C1T2 Fl. 2.367 15 (Ac. nº CSRF/04-00.553, julgado em 21.03.2007, Rel. Cons. Gonçalo Bonet Allage) Por isso, aliás, foi editada a Súmula CARF nº 38, segundo a qual: “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.”. Sendo assim, o pleito do Recorrente não merece acolhida, já que o Fisco teria até 31.12.2003 para efetuar o lançamento relativo ao fato gerador do IRPF ocorrido em 31.12.1998. No caso, como a ciência do lançamento se deu em 09.10.2003 – não há que se falar em decadência. Sendo assim, o pleito do Recorrente não merece acolhida, pois de acordo com o entendimento acima esposado, o Fisco teria até 31.12.2003 para efetuar o lançamento relativo a fatos geradores ocorridos em 31.12.1998. No caso, como a ciência do lançamento se deu em 09.10.2003 - conforme AR de fls. 455 – não há que se falar em decadência Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso para que seja excluído da base de cálculo do lançamento o total de R$ 390.167,28. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 2374DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/03/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 27/03/2015 por NUB IA MATOS MOURA
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Numero do processo: 16327.720576/2011-13
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
Ementa:
NATUREZA JURÍDICA DO USUFRUTO SOBRE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS.
O usufruto representa uma restrição à posse direta da propriedade, uma vez que o direito real sobre o objeto do usufruto é conferido a outrem, que passa a retirar os frutos e utilidades que a coisa alheia produz, sem alterar sua substância. O usufruto sobre ações é especificamente regulado pelos artigos 40, 100, I, f, 114, 169, §2º, 171, §5º e 205 da Lei nº 6.404/76 (Lei das SA).
ABRANGÊNCIA DO USUFRUTO SOBRE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS.
Sob a ótica do artigo 205 da Lei nº 6.404/76, os resultados provenientes das participações societárias incluem dividendos e juros sobre capital próprio (JCP), de modo que, sendo instituído usufruto, os valores correspondentes ao JCP se destinarão ao usufrutuário, também titular da ação.
NECESSIDADE DE O OPERADOR DO DIREITO TRIBUTÁRIO UTILIZAR-SE DOS PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO PRIVADO.
Na ausência de legislação que atribua ao usufruto efeitos tributários específicos, prevalecem os efeitos típicos do instituto do direito civil. Dessa forma, ao aplicador da administração tributária é vedada a deturpação do conceito ou mesmo dos efeitos do instituto contido no direito privado para que, empregando-lhe diferentes alcances e limites, redundem na intenção de tributar determinado sujeito.
IMPOSSIBILIDADE DE DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS PRATICADOS SOBRE O FUNDAMENTO DE INEXISTÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL OU ABUSO DE FORMAS.
Está presente o propósito negocial quando a contribuinte demonstra que o usufruto foi constituído em momento preparatório da abertura do capital da empresa para, sob o ponto de vista político, concentrar os votos em uma única pessoa jurídica para evitar votos dissidentes nas Assembleias e, sob o ponto de vista econômico, desconcentrar os benefícios financeiros visando a manter a liberdade que as pessoas físicas possuíam de receber e administrar os recursos financeiros oriundos das ações. No presente caso, há um encadeamento lógico que demonstra a correlação entre todos os atos praticados pela contribuinte com as respectivas finalidades pretendidas, sejam eles considerados de forma isolada ou em conjunto. A aplicação da teoria do abuso de formas ao direito tributário, em razão da ausência de positivação, viola a segurança jurídica e a estrita legalidade.
USUFRUTUÁRIOS SÃO EFETIVOS TITULARES DOS JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITAS PELA AUTUADA, NUA-PROPRIETÁRIA DAS AÇÕES.
Em virtude da reserva de usufruto dos direitos econômicos, a titularidade dos rendimentos provenientes dos JCP foi corretamente interpretada pela autuada como sendo dos seus sócios, usufrutuários das ações do Banco Daycoval, razão pela qual não há que se falar no reconhecimento de receitas dos JCP pela autuada e, por óbvio, na sua omissão.
CSLL, PIS e COFINS. LANÇAMENTOS COM BASE NO MESMO FATO E MATÉRIA TRIBUTÁVEL.
O decidido em relação ao IRPJ estende-se aos lançamentos de CSLL, PIS e COFINS, pois foram formalizados com base nos mesmos elementos de prova e se referem à mesma matéria tributável.
Numero da decisão: 1103-001.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado negar provimento ao recurso de ofício, por unanimidade, e dar provimento ao recurso voluntário, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 Ementa: NATUREZA JURÍDICA DO USUFRUTO SOBRE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. O usufruto representa uma restrição à posse direta da propriedade, uma vez que o direito real sobre o objeto do usufruto é conferido a outrem, que passa a retirar os frutos e utilidades que a coisa alheia produz, sem alterar sua substância. O usufruto sobre ações é especificamente regulado pelos artigos 40, 100, I, ‘f’, 114, 169, §2º, 171, §5º e 205 da Lei nº 6.404/76 (Lei das SA). ABRANGÊNCIA DO USUFRUTO SOBRE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. Sob a ótica do artigo 205 da Lei nº 6.404/76, os resultados provenientes das participações societárias incluem dividendos e juros sobre capital próprio (“JCP”), de modo que, sendo instituído usufruto, os valores correspondentes ao JCP se destinarão ao usufrutuário, também titular da ação. NECESSIDADE DE O OPERADOR DO DIREITO TRIBUTÁRIO UTILIZARSE DOS PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO PRIVADO. Na ausência de legislação que atribua ao usufruto efeitos tributários específicos, prevalecem os efeitos típicos do instituto do direito civil. Dessa forma, ao aplicador da administração tributária é vedada a deturpação do conceito ou mesmo dos efeitos do instituto contido no direito privado para que, empregandolhe diferentes alcances e limites, redundem na intenção de tributar determinado sujeito. IMPOSSIBILIDADE DE DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS PRATICADOS SOBRE O FUNDAMENTO DE INEXISTÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL OU ABUSO DE FORMAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 05 76 /2 01 1- 13 Fl. 635DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.720576/201113 Acórdão n.º 1103001.123 S1C1T3 Fl. 671 2 Está presente o propósito negocial quando a contribuinte demonstra que o usufruto foi constituído em momento preparatório da abertura do capital da empresa para, sob o ponto de vista político, concentrar os votos em uma única pessoa jurídica para evitar votos dissidentes nas Assembleias e, sob o ponto de vista econômico, desconcentrar os benefícios financeiros visando a manter a liberdade que as pessoas físicas possuíam de receber e administrar os recursos financeiros oriundos das ações. No presente caso, há um encadeamento lógico que demonstra a correlação entre todos os atos praticados pela contribuinte com as respectivas finalidades pretendidas, sejam eles considerados de forma isolada ou em conjunto. A aplicação da teoria do abuso de formas ao direito tributário, em razão da ausência de positivação, viola a segurança jurídica e a estrita legalidade. USUFRUTUÁRIOS SÃO EFETIVOS TITULARES DOS JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE RECEITAS PELA AUTUADA, NUAPROPRIETÁRIA DAS AÇÕES. Em virtude da reserva de usufruto dos direitos econômicos, a titularidade dos rendimentos provenientes dos JCP foi corretamente interpretada pela autuada como sendo dos seus sócios, usufrutuários das ações do Banco Daycoval, razão pela qual não há que se falar no reconhecimento de receitas dos JCP pela autuada e, por óbvio, na sua omissão. CSLL, PIS e COFINS. LANÇAMENTOS COM BASE NO MESMO FATO E MATÉRIA TRIBUTÁVEL. 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Fl. 636DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.720576/201113 Acórdão n.º 1103001.123 S1C1T3 Fl. 672 3 Relatório LANÇAMENTO O processo decorre de autos de infração lavrados em 24/05/2011 para a exigência de débitos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS decorrentes da omissão de receitas financeiras correspondentes a juros sobre o capital próprio (“JCP”) pagos pelo Banco Daycoval S.A, sociedade controlada pela Daycoval Holding Financeira S.A, ora autuada. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (“TVF”), de fls. 135144, a fiscalização apurou as situações abaixo descritas. A autuada foi constituída em 01/03/2007, com capital social de R$10.000,00, tendo como objeto social a participação direta no capital de instituições financeiras e demais sociedades autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil. Em 19/03/2007 foi realizada Assembleia Geral Extraordinária (“AGE”), conforme ata de fls. 1619, em que se decidiu pelo aumento de capital da autuada para R$254.998.794,74, mediante a emissão de 105.194.700 novas ações, a preço unitário de R$2,4242. As ações foram subscritas e integralizadas pelos acionistas Ibrahim Dayan, Sasson Dayan e Rony Dayan, mediante conferência à sociedade da nuapropriedade das ações do Banco Daycoval. A fiscalização apurou que o aumento de capital foi integralizado com ações do Banco Daycoval, com reserva de usufruto real, gratuito, exclusivamente sobre os direitos econômicos das ações, nos termos dos artigos 1390 e ss., do Código Civil e artigos 40, 100, I, ‘f’’, 114, 169, §2º e 171, §5º da Lei nº 6.404/76. Dessa forma, foi firmado, na mesma data, “Instrumento Particular de Reserva de Usufruto e Outras Avenças” em favor dos citados acionistas. Verificouse que, em 20/03/2007, houve nova AGE (fls. 3439) na qual se aprovou novo aumento do capital da autuada, agora para o valor de R$354.631.818,87, mediante a emissão de 37.233.480 novas ações, a preço unitário de R$2,6759. As ações foram subscritas e integralizadas pelos acionistas Morris Dayan, Carlos Moche Dayan e Salim Dayan, novamente mediante conferência à sociedade da nuapropriedade das ações do Banco Daycoval. O referido aumento de capital, por meio da integralização de ações do Banco Daycoval, garantiu aos novos sócios, nos moldes do primeiro aumento de capital, a reserva do usufruto real e gratuito, exclusivamente sobre os direitos econômicos das ações, à luz da legislação citada acima. Assim, foi firmado também com cada um destes acionistas, “Instrumento Particular de Reserva de Usufruto e Outras Avenças”. Intimada a se manifestar nos presentes autos sobre os motivos da criação da holding, a autuada informou às fls. 752, 5476 e 7896 que a constituição da sociedade se deu no âmbito do processo de abertura de capital do Banco Daycoval, realizado por meio de Anúncio de Oferta Pública de Distribuição Primária e Secundária de Ações Preferenciais (“IPO”), cuja publicação se deu em 28/06/2007, com o objetivo de centralizar na autuada a governança Fl. 637DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.720576/201113 Acórdão n.º 1103001.123 S1C1T3 Fl. 673 4 corporativa da investida e, assim, centralizar o bloco de controladores em uma única pessoa jurídica, com o objetivo de uniformizar as decisões acordadas em Assembleias. Quanto à motivação para a manutenção, por meio do usufruto real, dos direitos econômicos aos acionistas pessoas físicas (o que autorizou a preservação do direito dos acionistas de receberem os JCP diretamente do Banco Daycoval), esclareceu a autuada que caso houvesse sido estabelecida a “transferência da propriedade plena sobre as ações para a Holding, a pessoa física perderia a liberdade de receber e administrar livremente os recursos financeiros oriundos das ações do Banco Daycoval, porquanto ficaria dependendo da deliberação dos demais acionistas da Holding pela distribuição dos valores”. Diante da motivação apresentada pela autuada, bem como da análise da documentação apresentada pelo contribuinte em resposta à intimação fiscal, a autoridade fiscal apurou que, em virtude do usufruto regulado pelos Instrumentos Particulares de Reserva de Usufruto, a autuada deixou de reconhecer como receita financeira própria R$39.065.392,18 referente aos JCP pagos pelo Banco Daycoval diretamente aos sócios da autuada, ensejando a lavratura dos autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Segundo o TVF, as holdings puras, como a autuada, têm como fonte de receitas o resultado de equivalência patrimonial e recebimento de lucros, dividendos e JCP de empresas nas quais detêm participação societária, que serão oferecidas à tributação de acordo com a legislação aplicável à sua natureza. Os JCP, considerados como receita financeira pela IN nº 11/96 e objeto desta controvérsia, deveriam ter sofrido a incidência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Assim, uma vez assegurado aos acionistas a reserva de usufruto sobre os direitos econômicos das ações do Banco Daycoval (inclusive dividendos, JCP, bonificações e rendimentos), restou à autuada apenas o direito de exercer a totalidade dos direitos de voto a elas inerentes, sem que auferisse receitas e, consequentemente, as oferecesse à tributação. Alega a autoridade fiscal que a autuada “abriu mão de benefícios econômicos das ações do Banco sem nenhuma contrapartida”, e que, não fossem os Instrumentos Particulares de Reserva de Usufruto, os valores pagos pelo Banco Daycoval a título de JCP integrariam sua receita operacional e estariam sujeitos à tributação de IRPJ (15%), CSLL (9%), PIS (1,65%) e COFINS (7,6%). Ainda sobre os Instrumentos Particulares de Reserva de Usufruto, afirma que, em sua decorrência, o Banco Daycoval continuou se beneficiando da dedutibilidade para fins fiscais dos valores pagos a título de remuneração do capital próprio, mas ao abrir mão exclusivamente dos direitos econômicos das ações gravadas com usufruto, a autuada deixa de reconhecer receitas sujeitas à tributação, o que é reiterado pelo fato de o usufruto ser gratuito. Entende, assim, que os Instrumentos Particulares de Reserva de Usufruto não possuem finalidade extrafiscal, meramente de redução tributária, e que “não tem a finalidade a que normalmente se destina” (fls. 141). O fisco rechaça a alegação da autuada de que a transferência integral das ações causaria a perda da liberdade das pessoas físicas de receberem e administrarem livremente os recursos financeiros oriundos das ações da investida, pois: a) o controle do Banco pertence à autuada, que detém 100% do capital votante; b) o controle da autuada pertence às pessoas físicas que integralizaram seu capital social com ações do Banco Daycoval; e c) todas as deliberações da Fl. 638DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.720576/201113 Acórdão n.º 1103001.123 S1C1T3 Fl. 674 5 autuada com relação à sua controlada (Banco) são decididas pelos seus próprios controladores, que são as pessoas físicas que alegam que perderiam sua liberdade de administrar os recursos oriundos do Banco na hipótese de não ter havido usufruto financeiro das ações. Ao lavrar os autos de infração baseados na omissão de receitas, concluiu o TVF: “Podemos inferir que há abuso de formas jurídicas, pois ficam evidenciados os seus efeitos no planejamento tributário. O Banco Daycoval paga juros sobre capital próprio, reduzindo seu lucro real e sua base de cálculo da CSLL. A Daycoval Holding não recebe esses juros, pois abriu mão deles através do ato “Instrumento Particular de Reserva de Usufruto e Outras Avenças”, que tem evidente efeito tributário, pois deixa de ficar sujeita aos tributos e alíquotas elencadas acima. Os Usufrutários, acionistas da Daycoval Holding, ao receber os juros diretamente do Banco Daycoval estão sujeitos a tributação exclusiva de 15% sobre os valores recebidos. Conclusão. A Daycoval Holding Financeira S/A através do “Instrumento Particular de Reserva de Usufruto e Outras Avenças” deixou de reconhecer como Receita Financeira R$ 39.065.392,18 referentes a juros sobre o capital próprio pagos pelo Banco Daycoval S/A.” IMPUGNAÇÃO Em 22/06/2011 a recorrida apresentou tempestiva impugnação (fls. 196234) alegando, em síntese, que: (i) Cancelamento dos autos de infração por erro de fato. A autoridade fiscal incorreu em erro de interpretação dos fatos, que a levou equivocadamente a desconsiderar os Instrumentos Particulares de Reserva de Usufruto por suposto abuso de formas. Assim, esclarece a autuada: - Foram formalizados 6 (seis) Instrumentos Particulares de Reserva de Usufruto – um com cada acionista – e não 2 (dois), como indicado no TVF; - São as AGE que cedem a nuapropriedade à autuada, resguardando o usufruto dos direitos econômicos aos sócios, e não os Instrumentos Particulares de Reserva de Usufruto: a estes cabe apenas fixar regras sobre os direitos das partes decorrentes do referido ato de cessão; e - O usufruto real das ações do Banco Daycoval nunca pertenceu à autuada, mas tão somente sua nuapropriedade, razão pela qual não poderia “abrir mão” do seu direito econômico das referidas ações se ele nunca lhe pertenceu. Conclui que houve erro de fato no lançamento, uma vez que as AGE (verdadeiras instituidoras da reserva de usufruto) remanescem intactas no contexto fático e foram tidas como válidas pela autoridade fiscal no TVF, que desqualificou tão somente os Instrumentos Particulares de Reserva de Usufruto. Fl. 639DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.720576/201113 Acórdão n.º 1103001.123 S1C1T3 Fl. 675 6 (ii) Violação ao princípio da legalidade: abuso de formas. Não existe em nosso ordenamento jurídico dispositivo legal que caracterize o abuso de formas ou as consequências de sua ocorrência, e, portanto, o autuante agiu à margem da legalidade ao desconsiderar os Instrumentos Particulares de Reserva de Usufruto fundado nessa figura jurídica. (iii) Licitude e substância dos atos praticados. Fundado no princípio da legalidade e do livre exercício da atividade econômica, todos os atos praticados pela autuada são lícitos, reais e públicos, como atestado pelo próprio autuante em seu TVF, bem como dotados de finalidade e motivação para a reorganização empresarial. (iv) Violação ao princípio da legalidade: omissão de receitas. Ao basear a omissão de receitas unicamente no abuso de forma, o autuante novamente incorreu em violação ao primado da legalidade, pois inexiste no ordenamento jurídico normativo que preveja a ocorrência de omissão de receitas por desqualificação de ato jurídico lícito. Os dispositivos trazidos pelos autos de infração que sustentam a suposta omissão de receitas não se coadunam com os fatos apurados pelo AFRF no lançamento fiscal. (v) Interesse do contribuinte em economia tributária. Nenhum contribuinte está obrigado a se esforçar para uma maior arrecadação, mas sim a respeitar a legislação vigente e adimplir aquilo que a Lei impuser como recolhimento tributário. A despeito disso, afirma que não há que se falar em redução da carga tributária pois, tendo em vista que a autuada nunca deteve o direito econômico das ações do Banco, o erário nunca recebeu da sociedade valores de IRPJ, CSLL, PIS ou COFINS relativamente aos JCP pagos pelo Banco Daycoval. Assim, inexiste economia tributária, uma vez que carga nunca foi maior do que aquela praticada em 2007. (vi) Erro no lançamento de IRPJ e CSLL. Subsidiariamente, a autuada afirma que, caso se entenda correta a imposição tributária, deve ser reconhecido o erro na apuração da base de cálculo de tais tributos, pois o autuante deixou de recompor o lucro real da contribuinte de forma correta. Isso porque, sendo desconsiderado o usufruto, é forçoso concluir que os JCP foram pagos pelo Banco Daycoval à recorrente, a qual pagou JCP às pessoas físicas. Dessa forma, além de reconhecer a receita de JCP recebida do Banco Daycoval, o auditor fiscal deveria também ter reconhecido a despesa relativa ao JCP pago aos acionistas pessoas físicas e compensado o IRRF retido pelo Banco. (vii) Não incidência do PIS e da COFINS. Os JCP possuem a natureza jurídica de dividendos por trataremse de remuneração do capital, razão pela qual estão fora do campo material de incidência de PIS e COFINS, nos termos das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03; e (viii) Não aplicação da Selic sobre a multa. Ao final, arguiu a impossibilidade de aplicação da taxa Selic sobre a multa de ofício exigida nos autos de infração, por ausência de previsão legal para tal. ACÓRDÃO DA DRJ Em 15 de março de 2012 foi proferido o acórdão de fls. 375402, por meio do qual os membros da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – São Paulo (“DRJ”) decidiram, por unanimidade de votos, julgar procedente em parte a impugnação da autuada, apenas para exonerar parcela do valor lançado a título de IRPJ. Deste ato foi interposto recurso de ofício nos termos art. 34, I do Decreto nº 70.235/72 (fls. 377). Fl. 640DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.720576/201113 Acórdão n.º 1103001.123 S1C1T3 Fl. 676 7 De acordo com o referido acórdão, a “questão principal que se coloca no presente processo está na desconsideração, para fins fiscais, dos efeitos advindos dos instrumentos particulares de reserva de usufruto e outras avenças firmados entre o impugnante e os seus acionistas. O autuante, em suma, afirma que o impugnante abusou das formas jurídicas e com isto escapou da incidência dos tributos que decorreriam do recebimento dos juros sobre o capital próprio pagos pelo Banco Daycoval”. Antes ainda de analisar a argumentação trazida na impugnação, a DRJ/SP fixou a premissa de que os Instrumentos Particulares de Reserva de Usufruto têm efeitos restritos às partes contratantes (por não terem sido registrados em cartório) e, portanto, não são capazes de gerar efeitos tributários ou ainda de serem opostos à Fazenda Pública, nos termos do artigo 123 do Código Tributário Nacional. Assim, se a legislação estabelece que o contribuinte de fato dos rendimentos advindos dos JCP pagos são os titulares, sócios ou acionistas (artigo 9º da Lei nº 9.249/95), não cabe aos Instrumentos Particulares de Reserva de Usufruto alterar a sujeição passiva dos tributos incidentes sobre os JCP, como pretenderam os Instrumentos Particulares de Reserva de Usufruto. Feita essa consideração – que no entendimento da DRJ basta para a desconsideração dos efeitos tributários advindos dos Instrumentos Particulares de Reserva de Usufruto –, passa a analisar as alegações da autuada: - Quanto aos erros de fato: o acórdão afasta as alegações da autuada e consigna que tratamse de meros erros de análise gramatical. Especificamente no que tange à alegação de que são as AGE que cedem a nuapropriedade à autuada, e não os Instrumentos Particulares de Reserva de Usufruto, entende que “independentemente dos usufrutos terem sido criados pelas AGEs, ou pelos instrumentos particulares firmados, está nítido no Termo de Verificação Fiscal, que o que se pretendeu foi afastar os efeitos, para fins fiscais, do próprio usufruto” e que “ao se desconsiderar os instrumentos particulares de usufruto e outras avenças firmados entre o impugnante e os seus acionistas, está a se anular os efeitos do próprio usufruto, uma vez que não há como subsistir tal instituto sem a definição de quais frutos teriam sido cedidos a cada usufrutuário”. - Quanto à violação ao princípio da legalidade no que trata da figura do abuso de formas: afasta a alegação da autuada sob o fundamento de que o abuso de formas fere o princípio da capacidade contributiva, não havendo que se admitir que uma violação ao princípio da legalidade possa anular uma diretriz maior consubstanciada no princípio da capacidade contributiva. - Quanto à licitude e substância dos atos praticados: entendeu a DRJ que, por não ser possível identificar propósito negocial na constituição do usufruto, o ato foi praticado com abuso de formas jurídicas e com o objetivo preponderante de se pagar menos tributos, o que, por si só, derruba a legalidade formal dos atos praticados. - Quanto à suposta violação ao princípio da legalidade no que trata da omissão de receitas: o acórdão afasta a alegação da autuada por entender que “quando não contabilizada a receita que assim deveria ter sido feita, por conta das disposições legais, cabe ao fisco, atendendo ao disposto no artigo 288 do RIR/99, efetuar de ofício esta adição, como de fato foi feito”. Fl. 641DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.720576/201113 Acórdão n.º 1103001.123 S1C1T3 Fl. 677 8 - Quanto ao interesse do contribuinte em economia tributária: seria descabida a argumentação da autuada de que não há que se falar em redução da carga tributária no presente caso. É inoponível ao Fisco a conduta fiscalmente favorável praticada com afronta ao princípio da capacidade contributiva - Quanto ao erro na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL: - No que tange à alegação de que o lucro real da autuada foi recomposto de forma equivocada (pois, segundo a contribuinte, ainda que se entenda pela desconsideração do usufruto, devem ser consideradas não apenas as receitas financeiras recebidas do Banco Daycoval, mas também as despesas correspondentes ao pagamento de JCP pela contribuinte às pessoas físicas), a DRJ entendeu que tal argumento gira em torno de situações hipotéticas, uma vez que o único fato concreto e passível de autuação consiste no pagamento realizado pelo Banco Daycoval a título de JCP, não cabendo à autoridade fiscal presumir, de ofício, que a contribuinte efetuaria o pagamento de JCP às pessoas físicas. - No que trata do não abatimento do IRRF retido pelo Banco Daycoval em decorrência do pagamento de JCP, a impugnação foi julgada procedente, recalculandose o montante para que seja deduzido do IRPJ apurado pela autuada no período, o valor de IRRF retido. - Quanto à não incidência do PIS e da COFINS: determina o acórdão que os JCP possuem a natureza de receita financeira, conforme atribuído pela legislação, e - Quanto à não aplicação da Selic sobre a multa: entende que não há litigio quanto à essa questão, pois não houve lançamento de juros de mora sobre multa de ofício. Consigna que, ainda que houvesse a incidência de juros, tal exigência é amparada pela legislação de vigência. RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com parte da decisão de primeiro grau, a autuada interpôs, em 10/08/2012, o recurso voluntário de fls. 417502, no qual reiterou todos os termos alegados em impugnação e rechaçados pelo acórdão, e acrescentou, ainda, que: - Não pode o julgador de primeira instância simplesmente corrigir erro que abala todo o lançamento, nos termos do artigo 142 do CTN, reiterando seu pedido de cancelamento integral do auto de infração; - Houve inovação no fundamento do lançamento de ofício, passível de decretação de nulidade por invasão de competência e cerceamento de defesa. Alega que, não obstante a autuação basearse na desconsideração dos Instrumentos Particulares de Reserva de Usufruto por suposto abuso de forma, a DRJ fundamentou o lançamento sob a ótica de que os “Instrumentos” não são registrados e não podem ser opostos ao fisco para alterar a sujeição passiva da obrigação tributária. Ressalta que as AGE são documentos públicos e que não buscam alterar a responsabilidade pelo pagamento de tributo; - O princípio da capacidade contributiva não é capaz, por si só, de autorizar o abuso de forma como maneira de exigir tributos. Para tanto, é necessário que se edite lei ordinária capaz de regulálo. Na mesma oportunidade, rechaça a hierarquização dos princípios e alega que, Fl. 642DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.720576/201113 Acórdão n.º 1103001.123 S1C1T3 Fl. 678 9 ainda que isso fosse possível, o princípio da legalidade seria a “viga mestra de todo o ordenamento jurídico”; - A fiscalização e a DRJ não podem desconsiderar as razões não fiscais da criação da autuada e recusar os efeitos fiscais do usufruto: este ato jurídico é único e não pode ser decomposto meramente para tentar caracterizar o abuso de formas. Os atos devem ser vistos como uma unidade, não havendo que se falar em sua segregação. - O auditor fiscal apurou incorretamente a base de cálculo, pois considerou que o valor total pago a título de JCP pelo Banco Daycoval (R$39.065.392,23) no período colhido pelos autos de infração seria devido à autuada, quando, na verdade, parte desse valor (R$4.356.810,13) corresponde a JCP devidos diretamente às pessoas físicas Salim Dayan, Carlos Moche Dayan e Morris Dayan, que eram acionistas tanto da autuada como do próprio Banco Daycoval. Isso porque, quando da constituição da autuada, as pessoas físicas cederam a nuapropriedade de 142.418.180 ações do Banco Daycoval e mantiveram 8.377.540 ações cada. - O artigo 41 da Lei nº 8.981/95 admite a dedutibilidade do PIS e da COFINS pelo regime de competência, sendo mister sua dedução da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Em Contrarrazões (fls. 605628), a Fazenda Nacional reafirma os fundamentos do acórdão recorrido e requer seja negado provimento ao recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Breno Ferreira Martins Vasconcelos O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Também conheço do recurso de ofício, pois está presente a hipótese descrita pelo art. 34, I do Decreto nº 70.235/72 e pela Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, uma vez que a decisão da DRJ exonerou a recorrida do pagamento de crédito tributário em valor total superior a R$1.000.000,00. A numeração de fls. indicada neste voto é a do eprocesso. A controvérsia diz respeito à desconsideração, intentada pelo fisco, do usufruto reservado aos acionistas da autuada sobre os direitos econômicos das ações do Banco Daycoval, sociedade controlada pela ora autuada. Em suma, o autuante afirma que, como consequência da celebração dos Instrumentos Particulares de Reserva de Usufruto, os acionistas/usufrutuários, por deterem os direitos econômicos das ações do Banco Daycoval, receberam diretamente dele os valores pagos a título de JCP. A autuada, por sua vez, teria renunciado a esses direitos e conservado tão somente a nuapropriedade das ações em relação aos seus direitos políticos, de modo que Fl. 643DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.720576/201113 Acórdão n.º 1103001.123 S1C1T3 Fl. 679 10 deixou de auferir receitas e oferecêlas à tributação, o que caracterizaria a omissão de receitas ensejadora do lançamento de ofício. Por esse motivo, a autoridade fiscal concluiu ter ocorrido abuso de formas em relação aos Instrumentos Particulares de Reserva de Usufruto, pois teria identificado a redução da carga tributária como único propósito da operação. A autuada, por sua vez, justifica o propósito negocial de sua constituição e da concepção da reserva de usufruto, bem como alega a violação ao princípio da estrita legalidade no que tange ao abuso de formas e à omissão de receitas, e necessidade de cancelamento integral do auto por nulidades. A argumentação foi desconsiderada pela DRJ, que entendeu pelo provimento parcial da impugnação apenas quanto à exoneração de parcela do valor lançado a título de IRPJ. Antes de prosseguir neste julgamento, reputo essencial tecer algumas considerações sobre o instituto do usufruto. O Código Civil vigente, à diferença do anterior, não contém um artigo específico para conceituar o usufruto. Regula, porém, em riqueza de detalhes, todas as suas características e efeitos entre os artigos 1.390 e 1.411. A natureza jurídica essencial desse instituto, entretanto, é a mesma entre os marcos legais e, por isso, podemos tomar como ponto de partida a conceituação clássica do instrumento trazida pelo artigo 713 do revogado Código Civil de 1916, qual seja, o “direito real de fruir as utilidades e frutos de uma coisa, enquanto temporariamente destacado da propriedade”. Vale dizer: o instituto do usufruto representa uma restrição à posse direta da propriedade, uma vez que o direito real sobre o objeto do usufruto é conferido a outrem, que passa a retirar os frutos e utilidades que a coisa alheia produz, sem alterar sua substância. Assim, o usufrutuário, como detentor da posse direta e justa do bem, tem o direito de usar e gozar da coisa como melhor lhe convier, explorandoa economicamente na retirada de seus frutos e produtos. O nuproprietário, por sua vez, conserva sua substância e seu conteúdo de domínio, que lhe confere a disponibilidade do bem nas formas permitidas por lei1. Ao delimitar a extensão desse instituto, o Código Civil vigente dispõe que “o usufruto pode recair em um ou mais bens, móveis ou imóveis, em um patrimônio inteiro, ou parte deste, abrangendolhe, no todo ou em parte, os frutos e utilidades” (artigo 1.390, do Código Civil). À luz da parte final desse dispositivo, temse claro que o legislador permite a restrição do usufruto do bem ao gozo de apenas algumas de suas utilidades. Importante destacar ainda que os direitos e deveres, tanto do usufrutuário como do nu proprietário, estão expressamente previstos nos artigos 1.394 e 1.409 do Código Civil. Nessa toada, destaquese como direito do usufrutuário a posse, uso, administração e percepção dos frutos da coisa alheia (artigo 1.394), bem como seu dever de arcar com as prestações e os tributos devidos pela posse ou rendimento da coisa usufruída (artigo 1.403). Especificamente quanto à possibilidade de constituição de usufruto sobre as participações no capital social de sociedades por ações, a Lei nº 6.404/76 (“LSA”) traz regras pontuais 1 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro, volume 4: direito das coisas. 25ª Edição. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 431. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.720576/201113 Acórdão n.º 1103001.123 S1C1T3 Fl. 680 11 quanto à sua disciplina. Os artigos 40, 100, I, ‘f’, 114, 169, §2º, 171, §5º e 205, preveem e regulam o instituto do usufruto de participações societárias em ações. Vêse, portanto, que é justamente no aproveitamento dos rendimentos pelo usufrutuário, ou seja, nos direitos econômicos sobre a coisa, que se encontra a essência do usufruto. Como dito, este instituto consiste justamente no direito de aproveitar temporariamente os frutos e utilidades que a coisa alheia produz, de modo que não poderia ser diferente quando for instituído sobre ações. Nesse sentido está o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, ao decidir que “os direitos do usufrutuário, consistentes no “usar” e fruir” das ações, relacionamse principalmente à possibilidade de receber os dividendos/participar dos lucros sociais” (STJ – 4ª Turma – REsp n.º 1.169.202/SP, Min. Nancy Andrighi, j. 20.09.2011). No que trata da delimitação do objeto dos direitos econômicos das ações, é importante destacar o teor do artigo 205 da LSA, segundo o qual o dividendo das ações nominativas – que nada mais é do que parte do extrato econômico de uma ação – será pago àquele que, na data do ato de declaração, estiver inscrito como seu proprietário ou usufrutuário. Em análise do dispositivo citado, o Acórdão nº 1201000.386, proferido pela 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, desta 1ª Seção de Julgamento do CARF e relatado pelo Conselheiro Regis Magalhães Soares de Queiroz, entendeu que os frutos gerados pelas ações consistem em dividendos e JCP. Vejamos: USUFRUTO DE AÇÕES. PREÇO FIXO. CUSTO DE AQUISIÇÃO É FORMADO PELOS FRUTOS GERADOS PELAS AÇÕES. DIVIDENDOS E JURO SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. O ganho do nu proprietário com a constituição de usufruto sobre ações de sua propriedade é igual à diferença entre o preço recebido do usufrutuário e o valor dos frutos que tais ações gerarem, consubstanciados nos dividendos e no juro sobre capital próprio que a companhia investida vier a pagar ao usufrutuário. (grifo não original). Assim, ao tratar do custo da constituição do usufruto, o referido acórdão consignou que, “no usufruto de ações, os frutos que o usufrutuário gozará são exatamente os dividendos e o juro(s) sob(re) capital próprio (JCP) que a empresa investida pagará aos sócios ou, no caso, ao usufrutuário. Nesse sentido, vejase o art. 205 da Lei 6.404/76 (...)”. Apesar de os dividendos e os JCP possuírem natureza jurídica e tratamentos tributários distintos, ambos dizem respeito a formas de a sociedade remunerar o acionista pelo capital por ele investido, razão pela qual suas respectivas finalidades econômicas (e societárias) são coincidentes. Esse é o entendimento da Comissão de Valores Mobiliários (“CVM”), conforme declaração de voto vencedor da Presidente Maria Helena Santana, no Processo Administrativo CVM RJ 2008/6446: “(...) Uma última palavra, contudo, deve ser dedicada à aplicação desta minha conclusão à hipótese dos Juros sobre o Capital Próprio (JCP) e outras assemelhadas. Entendo que os JCP devem ser equiparados, para fins da vedação legal, a dividendos. Isto porque, o JCP, embora possua natureza diversa, é utilizado com a mesma finalidade do dividendo, tanto que o montante pago a título Fl. 645DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.720576/201113 Acórdão n.º 1103001.123 S1C1T3 Fl. 681 12 de JCP pode ser deduzido do cômputo do dividendo mínimo obrigatório. Nada mais natural, portanto, que também visto sob esse mesmo prisma, seja o JCP incluído na restrição legal de que ações em tesouraria recebam dividendos. Isso se justifica até mesmo por uma questão temporal, pois obviamente os autores da Lei das S.A. não poderiam antever que seria criada essa figura híbrida que é o JCP, que por um lado não é dividendo, mas, por outro, pode integrar o montante pago a título de dividendo mínimo obrigatório. Assim como os JCP, o que se denomina bonificações em dinheiro também são inegavelmente dividendo. Em verdade, noto que o mercado utiliza essa expressão "bonificação em dinheiro", mas que, do ponto de vista jurídico, ela nada mais é do que um dividendo e não propriamente uma bonificação. Explico: embora a lei não utilize a palavra "bonificação", ela regularmente exprime a hipótese de a companhia capitalizar reservas e emitir ações correspondentes. E não é possível que, numa mesma operação, a companhia capitalize reservas e pague dinheiro a seus acionistas ou bem os recursos são capitalizados, ou bem são distribuídos.” Concluo, ainda sob a ótica do artigo 205 da LSA, que não apenas os resultados provenientes das participações societárias incluem dividendos e JCP, mas também que, indubitavelmente, tais valores se destinarão ao usufrutuário. É que o usufrutuário passa a figurar, ao lado do nuproprietário, como acionista da sociedade: ambos são titulares da ação. Em outras palavras, conforme a doutrina de Modesto Carvalhosa2, o nuproprietário terá a titularidade primária da ação e o usufrutuário deterá a sua titularidade secundária, isto é, ambos terão direitos de acionista. Especificamente no que trata dos JCP, descabe afirmar – como feito pela DRJ – que o artigo 9º da Lei nº 9.249/95, ao dispor sobre o pagamento “a titular, sócios ou acionistas” estaria restringindo tal remuneração de capital próprio ao proprietário da ação. Essa interpretação violaria os artigos 114 e 205 da LSA, que, ao disporem sobre exercício do direito de voto e pagamento de dividendos, atribuem tais prerrogativas ao proprietário e ao usufrutuário. Combinando essa conclusão com o teor do também já mencionado artigo 1.403 do Código Civil, que estabelece ao usufrutuário o dever de arcar com as prestações e os tributos devidos pela posse ou rendimento da coisa usufruída, é certo que será ele o sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes aos tributos federais. Esse é o entendimento manifestado por órgão da própria Receita Federal do Brasil, em outra oportunidade, como se vê a seguir: MINISTÉRIO DA FAZENDA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL 3º TURMA ACÓRDÃO Nº 1329263 de 14 de Maio de 2010 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF 2 Comentários à Lei das Sociedades Anônimas – 1º volume, artigos 1º a 74. 7ª ed. revista e atualizada, São Paulo: Saraiva, 2013, p. 421. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.720576/201113 Acórdão n.º 1103001.123 S1C1T3 Fl. 682 13 EMENTA: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. USUFRUTO. Uma vez constatado que o(a) contribuinte é proprietário(a) de imóvel com reserva de usufruto para terceira pessoa, os rendimentos produzidos pelo referido bem pertencem ao usufrutuário, sujeito passivo da obrigação tributária, que é quem detém a capacidade de usar as utilidades e os frutos do imóvel, ainda que não seja o proprietário. Exercício: 01/01/2004 a 31/12/2004 (grifo não original) Delimitados os conceitos, passo à análise do caso concreto. Primeiramente, ressalto a importância de se analisar integradamente os conceitos de direito privado e seus reflexos no universo tributário, como bem determina o artigo 109 do Código Tributário Nacional3. Tal dispositivo impõe a necessidade de o operador do direito tributário utilizarse dos princípios gerais de direito privado na pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, para então atribuir a eles seus efeitos tributários. Concluise, portanto, que, na ausência de legislação que atribua ao usufruto efeitos tributários específicos, prevalecem os efeitos típicos do instituto do direito civil. Dessa forma, ao aplicador da administração tributária é vedada a deturpação do conceito ou mesmo dos efeitos do instituto do usufruto contido no direito privado para que, empregandolhe diferentes alcances e limites, redundem na intenção de tributar determinado sujeito. Ora, não é negado ao direito tributário a prerrogativa de atribuir diferentes efeitos para institutos diversos do direito privado, mas ressaltese que tal prerrogativa pertence exclusivamente ao legislador, e não ao seu intérprete4. Pois bem. Como relatado, o presente caso trata de lançamento de ofício de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS consubstanciado na desconsideração, para fins fiscais, dos efeitos emanados pelos Instrumentos Particulares de Reserva de Usufruto firmados entre a autuada e os seus acionistas, pois teria incorrido em abuso de formas jurídicas. Assim, escapou da incidência dos tributos que decorreriam do recebimento dos JCP pago pelo Banco Daycoval, configurando omissão de receitas. De plano, cumpre ressaltar que o autuante consignou em seu TVF que todos os atos societários praticados são perfeitamente lícitos do ponto de vista formal, sendo que apenas os Instrumentos Particulares de Reserva de Usufruto possuem finalidade diversa daquela a que normalmente se destinam, servindo ao único propósito de redução da carga tributária. Em momento algum o autuante questionou no lançamento a possibilidade e validade de os acionistas serem titulares das receitas provenientes dos JCP em razão da constituição de usufruto dos direitos econômicos das ações do Banco. A autoridade autuante consignou apenas a existência de motivação exclusivamente tributária na atribuição do usufruto dos direitos econômicos aos acionistas, o que teria caracterizado o abuso das formas jurídicas capaz de 3 Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. 4 Amaro, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 15ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 220. Fl. 647DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.720576/201113 Acórdão n.º 1103001.123 S1C1T3 Fl. 683 14 desconsiderar os Instrumentos Particulares de Reserva de Usufruto e acarretar o reconhecimento da omissão de receitas oriundas de JCP. Da mesma forma, a fiscalização foi silente quanto ao cumprimento, pela autuada, do artigo 40 da LSA, que dispõe sobre a obrigatoriedade de averbar o usufruto de ação no livro correspondente. A relevância do cumprimento dessa norma não se encontra apenas na eficácia do usufruto perante a companhia e terceiros (parágrafo único)5, mas também na publicidade que dá ao ato. Isso porque, nos termos do artigo 100, §1º da LSA: “Art. 100. A companhia deve ter, além dos livros obrigatórios para qualquer comerciante, os seguintes, revestidos das mesmas formalidades legais: (...) § 1º A qualquer pessoa, desde que se destinem a defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal ou dos acionistas ou do mercado de valores mobiliários, serão dadas certidões dos assentamentos constantes dos livros mencionados nos incisos I a III, e por elas a companhia poderá cobrar o custo do serviço, cabendo, do indeferimento do pedido por parte da companhia, recurso à Comissão de Valores Mobiliários. Da combinação dos dispositivos acima, concluo que a formalização da averbação do usufruto ativa o efeito erga omnes sobre os direitos reais, dando publicidade ao usufruto firmado entre as partes, uma vez que a sociedade custodiante está obrigada a fornecer a qualquer pessoa (desde que destinado à defesa de direitos e esclarecimentos de situações de interesse pessoal) os livros de registro de ações e respectivas averbações. Diante da ausência de imputação do autuante, presumo tal procedimento como premissa provada. É que não cabe ao órgão julgador, seja de primeira ou segunda instância, modificar a motivação do lançamento de ofício. Se foi atribuído como motivação, ao longo da fiscalização, que a autuada deixou à margem da tributação receitas oriundas de JCP devido aos Instrumentos Particulares de Reserva de Usufruto, não cabe a este Conselho (ou à DRJ) expandir os critérios que suportaram o lançamento. A atividade administrativa de apurar e constituir o crédito tributário é de competência exclusiva da autoridade administrativa, por exigência do artigo 142 do CTN, e vincula a administração tributária em todas as instâncias. Nesse sentido é o entendimento reiterado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE DE INOVAÇÃO EM SEUS FUNDAMENTOS PELA DRJ POR FALTA DE COMPETÊNCIA. Não é dado inovar nos fundamentos do lançamento, para pretender acrescer outras razões que possam darlhe fundamento, que não constem originariamente de forma explícita do mesmo, em razão da falta de competência das instâncias judicantes para tanto. MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE PROVA DO DESEMBOLSO OU DO EFETIVO PAGAMENTO SEM APONTAMENTO DE VÍCIOS NOS COMPROVANTES APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. 5 Nas palavras de Modesto Carvalhosa, “se não for efetuada a competente averbação, consideramse as ações livres e desembaraçadas”. (Comentários à Lei das Sociedades Anônimas – 1º volume, artigos 1º a 74. 7ª ed. revista e atualizada, São Paulo: Saraiva, 2013, p. 473). Fl. 648DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.720576/201113 Acórdão n.º 1103001.123 S1C1T3 Fl. 684 15 INOVAÇÃO IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO IDÔNEA QUANTO A PARTE DAS DESPESAS DEDUZIDAS. Não tendo a autoridade fiscal apontado quaisquer vícios nos comprovantes apresentados pelo Contribuinte, limitandose a exigir, concomitantemente à exigência de apresentação dos recibos, prova do pagamento das despesas, deve se manter o valor deduzido, pois deve a autoridade lançadora justificar a exigência do efetivo desembolso. Incabível a inovação nos autos quando da decisão da DRJ para agregar fundamentos faltantes no auto de infração de forma a justificar a inidoneidade dos comprovantes de pagamento. Vinculação do ato de lançamento. Mantida a glosa, porém, quanto a dedução que não foi comprovada por qualquer documento idôneo. (Acórdão nº 2802002.505, Processo nº 10680.009568/200801, 2ª Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, Rel. Conselheira Luisa Hortência Viana Mendonça, Sessão de 18/09/2013 – grifos não originais). Não obstante o TVF desconsiderar somente os Instrumentos Particulares de Reserva de Usufruto que regulam o usufruto entre a autuada e seus acionistas, e não as AGE que o constituíram, analisei a validade desse direito real com base em todas as provas realizadas, mantendo a unidade dos atos societários que o formaram. Ao examinar a adequação do usufruto tratado nestes autos às determinações e autorizações legais expostas nas linhas acima, levando em consideração a suposta existência de abuso de formas, verifiquei que: (i) em seu conceito, atendeu às premissas fixadas pela legislação cível, pois os acionistas mantiveram para si o direito real de fruir, temporariamente, das utilidades e frutos – ou seja, dos direitos econômicos – que a coisa alheia produz, sem alterar sua substância, salvaguardando ao nuproprietário o direito de propriedade; (ii) tem por objeto o usufruto de ações do Banco Daycoval, o que é perfeitamente válido à luz da LSA; (iii) restringiu o objeto do usufruto ao gozo apenas dos direitos econômicos das ações, o que é expressamente permitido pelo artigo 1.390 do Código Civil; (iv) o usufruto constituído tem caráter vitalício, o que atende à condição de temporariedade exigida pelo artigo 1.410, inciso I, do Código Civil. Segundo esse dispositivo, o objeto do usufruto (no caso, os direitos econômicos das ações do Banco Daycoval) deve se destinar à posse direta do nuproprietário quando do falecimento do usufrutuário; (v) ao usufrutuário coube a sujeição passiva tributária decorrente dos rendimentos da coisa usufruída, atendendo às diretrizes fixadas pelo artigo 1.403 do Código Civil, pela LSA, pela Lei nº 9.249/96, pela jurisprudência administrativa e pelo entendimento da própria RFB; Fl. 649DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.720576/201113 Acórdão n.º 1103001.123 S1C1T3 Fl. 685 16 (vi) o usufruto recaiu sobre toda a extensão dos direitos econômicos das ações do Banco Daycoval, incluindo os valores pagos a título de JCP, o que é permitido por este Conselho e pela CVM; e (vii) todos os atos societários foram praticados de maneira lícita. Diante da patente licitude da operação realizada e da validade formal do usufruto constituído, cumpre analisar o argumento utilizado pela fiscalização para desconsiderálo por abuso de formas: a inexistência de propósito negocial em sua formação. A autoridade fiscal entendeu que os Instrumentos Particulares de Reserva de Usufruto deveriam ser desconsiderados por terem como único propósito a redução da carga tributária, resultando em abuso das formas jurídicas. Afirma que, por meio deles, os acionistas receberam valores oriundos de JCP diretamente do Banco Daycoval, sujeitos à tributação exclusiva na fonte à alíquota de 15% sobre os valores recebidos, enquanto sem eles os valores recebidos a título de JCP integrariam a receita operacional da autuada, o que resultaria, grosso modo, na necessidade de recolhimento de IRPJ (15%), CSLL (9%), PIS (1,65%) e COFINS (7,6%). Instada a explicitar os motivos para a constituição da holding e do usufruto dos direitos econômicos das ações, a autuada contextualizouos no processo de abertura do capital social do Banco Daycoval. Assim, antes que fosse realizada a IPO, cuja publicação se deu em 28/06/2007, a autuada foi constituída pelos acionistas do Banco Daycoval em decorrência da “decisão estratégica com relação à governança corporativa” (fls. 54). Tratouse da transferência do direito de voto de suas ações, por meio da integralização de sua nuapropriedade, para que o bloco de controladores do Banco (e consequentemente o poder decisório) fosse centralizado em uma única pessoa jurídica, para facilitar os procedimentos da IPO e manter o domínio político do Banco Daycoval, independentemente do ingresso de novos acionistas com a abertura de seu capital. Quanto à constituição do usufruto, afirma que a transferência, para a holding, exclusivamente da nuapropriedade das ações do Banco Daycoval, com o direito político de voto, foi motivada pela necessidade de manutenção da liberdade que as pessoas físicas possuíam de receber e administrar livremente os recursos financeiros oriundos das referidas ações. Justifica que, do contrário, dependeria da deliberação dos demais acionistas da holding para a distribuição dos valores. Não obstante a autuação tenha reputado válida a motivação para a constituição da autuada (fls. 141), a justificativa para a instituição do usufruto foi rechaçada sob o entendimento de que o controle do Banco pertence à autuada e o controle da autuada pertence aos acionistas que integralizaram seu capital social com ações do Banco Daycoval. Assim, as deliberações com relação à sua controlada (Banco), são decididas pelos mesmos acionistas que alegam a possível perda de sua liberdade de administrar os recursos provenientes do Banco Daycoval. Dessa forma, a autuante entendeu que a constituição do usufruto se deu com meros fins de redução da carga tributária, o que caracterizaria o abuso de forma dos Instrumentos que o instituíram, desconsiderandoos. Não subsiste tal raciocínio. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.720576/201113 Acórdão n.º 1103001.123 S1C1T3 Fl. 686 17 Como demonstrado pela autuada nos presentes autos, sua constituição se deu no âmbito da realização de oferta pública das ações do Banco Daycoval na Bolsa de Valores de São Paulo. Sua criação não apenas centralizou o bloco de controle dos acionistas em uma única pessoa jurídica, resultando na uniformização das decisões tomadas em Assembleias, como também facilitou o processo de obtenção da documentação inerente à realização da abertura de capital e aprovação de todo o trâmite burocrático na CVM e Bovespa. Ou seja, do ponto de vista político, a concentração dos votos em uma única pessoa jurídica, na prática, impossibilita que haja, em assembleias do Banco Daycoval, votos dissidentes dentro do próprio bloco de controle e, consequentemente, que quaisquer terceiros, que venham a receber ações dos antigos controladores diretos (e.g. credores ou herdeiros), possam exercer seus direitos de voto em sentido contrário dos demais acionistas da holding (autuada) nas deliberações societárias do Banco Daycoval. Por outro lado, do ponto de vista econômico, a concentração dos benefícios financeiros em uma única pessoa jurídica (a holding) poderia ter efeito totalmente contrário e danoso, já que, em razão da necessidade de uma nova aprovação na holding para pagamento desses frutos, colocaria a administração das finanças de cada um dos controladores indiretos na mão daqueles mesmos terceiros ou dos próprios demais controladores indiretos, quando dissidentes. Além da motivação extratributária evidente, portanto, houve a intenção, pelas pessoas físicas, de manutenção do recebimento dos direitos econômicos, incluindo os JCP, pagos pelo Banco Daycoval. Segundo as lições de Marco Aurélio Greco, para a verificação da intenção pretendida pelo contribuinte ao efetuar um planejamento tributário, não se pode considerar apenas uma foto (ato isolado) dentro de toda a operação: é preciso considerar todo o filme da operação (conjunto de atos). Assim, não se pode admitir a segregação dos motivos da autuada, ainda mais por se tratarem de atos societários praticados com finalidades convergentes. Verifico que em todos os atos praticados pela autuada e por seus acionistas, sejam eles considerados de forma isolada ou em conjunto, há um encadeamento lógico que demonstra sua correlação com a finalidade pretendida. Ademais, apesar de suficientemente demonstrado o propósito negocial do usufruto sob análise, entendo que o contribuinte possui o direito de organizarse como melhor lhe convier, observados os princípios constitucionais da livre iniciativa e da concorrência, bem como devidamente protegida a ordem econômica. Sua liberdade encontra limites tão somente nos imperativos legais (tal qual o caso do artigo 149, VII, do Código Tributário Nacional). Nesse sentido, não há nenhuma norma em nosso ordenamento jurídico que obrigue o contribuinte a valerse do método mais oneroso tributariamente, quando pode, dentro do contexto de seu propósito negocial e das margens da licitude, manter a tributação auferida no mesmo montante que consistia em situação anterior. É justamente esse o caso dos autos. Antes da constituição da autuada e da reserva de usufruto dos direitos econômicos aos acionistas, o JCP pago pelo Banco aos seus acionistas sujeitavase apenas à incidência de IRRF à alíquota de 15%, sendo idêntica à situação que se verificou no momento da autuação. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.720576/201113 Acórdão n.º 1103001.123 S1C1T3 Fl. 687 18 A autuada jamais foi detentora dos direitos econômicos das ações do Banco Daycoval, de modo que nunca ofereceu à tributação de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS os valores relativos ao JCP pago pelo Banco. Por fim, apesar de entender suficientes os fundamentos desta decisão conduzindo ao cancelamento da autuação fiscal, reputo importante registrar que a aplicação da figura do abuso de formas jurídicas não merece subsistir também em razão da ausência de previsão legal em nosso ordenamento jurídico que a autorize. O abuso de formas é comumente identificado pela administração tributária quando o contribuinte utilizase de uma forma jurídica típica para darlhe efeitos atípicos, evitando, dessa forma, a incidência de uma carga tributária maior. Esse instituto é definido por Marco Aurélio Greco6 como “a utilização abusiva pelo contribuinte das formas jurídicas lícitas para obter a redução do imposto”, sendo, no entendimento desse renomado autor, passível de questionamento pelo Fisco e de neutralização dos seus efeitos. De forma contraposta à figura de fraude à lei, que à luz do artigo 149, VII do CTN enseja a revisão do lançamento, no abuso de formas jurídicas todos os atos praticados, quando separadamente analisados, são formalmente válidos, sendo ilícitos apenas em seus resultados, por ferir interesses de terceiros. Essa figura foi extraída do direito positivo alemão, segundo o qual não pode a lei tributária ser evitada por meio de abuso de possibilidades de formas do direito. Importante ressaltar, contudo, não haver previsão normativa em nosso ordenamento jurídico que tenha incorporado tal preceito, o que o torna um instituto construído exclusivamente pela doutrina e a jurisprudência. Destaco que em diversas oportunidades o Congresso Nacional vetou a inserção, em nosso ordenamento jurídico, de dispositivo legal antielisivo que autorize a desconsideração, pela autoridade tributária, dos atos ou negócios jurídicos praticados licitamente, porém dotados de abuso de formas ou de direito. Nessa esteira, parte da doutrina defende que a aplicação da teoria do abuso de formas na seara tributária, por ser excessivamente subjetiva, encontra óbice na segurança jurídica7 pois impede o contribuinte de agir preventivamente, deixandoo à mercê da atuação discricionária da autoridade fiscal – e no princípio da estrita legalidade, pois, como dizia Geraldo Ataliba8, “toda ação pública tem por base e limite a lei.” São nesse sentido os ensinamentos de Alberto Xavier9 e Alfredo Augusto Becker10 sobre a teoria do abuso, respectivamente: 6 Planejamento tributário. 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2008, p. 273. 7 “A segurança jurídica, ao lado da justiça, é um dos pilares do sistema jurídico. A previsibilidade da tributação é um dos seus aspectos fundamentais.” (Acórdão nº 1101000.835, Processo nº 16682.720233/201011, 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, Rel. Conselheira Edeli Pereira Bessa, Sessão de 04/12/2012) 8 República e Constituição, 2ª edição. São Paulo: Malheiros, 1998, p. 180. 9 Tipicidade da Tributação, Simulação e Norma Antielisiva. São Paulo: Dialética, São Paulo, 2002, p. 107. 10 BECKER, Alfredo Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário. 3ª ed. São Paulo: Lejus, 1998, p. 143. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.720576/201113 Acórdão n.º 1103001.123 S1C1T3 Fl. 688 19 (...) ela conduz a um grau de subjetivismo na aplicação da lei tributária incompatível com a segurança jurídica, nas suas vertentes de proteção da confiança na lei fiscal e de previsibilidade da ação estatal, pois comete a órgãos do Poder Executivo, que têm a primeira palavra na aplicação das normas tributárias aos casos concretos, a perquirição dos motivos da conduta negocial dos particulares, bem como a definição autoritária dos parâmetros da “adequação”, da “normalidade” e da “razoabilidade” dos modelos negociais por ele adotados. (...); e Como a seguir se demonstrará, a teoria do abuso do direito é concebível, apenas no plano moral; a tentativa de sua implantação no plano jurídico é que constitui o verdadeiro abuso do direito. Sem dúvida, a “moralização do direito” pela criação de novas regras jurídicas justas em substituição das injustas, é obra meritória e indispensável para o aperfeiçoamento do homem e da sociedade. Entretanto, esta ação moralizadora cabe exclusivamente ao Poder Legislativo (criador das regras jurídicas) e não ao Poder Executivo e nem ao Poder Judiciário (...) Ressalto que este Conselho se pronunciou neste sentido em outras oportunidades: DIREITO TRIBUTÁRIO. ABUSO DE DIREITO. AFASTAMENTO DA NÃO INCIDÊNCIA PELA AUTORIDADE FISCAL. LANÇAMENTO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há base no sistema jurídico brasileiro para a autoridade fiscal afastar a não incidência legal, sob a alegação de entender estar havendo abuso de direito. O conceito de abuso de direito é louvável e aplicado pela Justiça para solução de alguns litígios. Não existe previsão legal para autoridade fiscal utilizar tal conceito para efetuar lançamentos de oficio. O lançamento é vinculado a lei, que não pode ser afastada sob alegações subjetivas de abuso de direito. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. SIMULAÇÃO DE NEGÓCIOS. SUBSTANCIA DOS ATOS. O planejamento tributário que é feito segundo as normas legais e que não configura as chamadas operações sem propósito negocial, não pode ser considerado simulação se há não elementos suficientes para caracterizála. Não se verifica a simulação quando os atos praticados são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados, assumindo o contribuinte as conseqüências e ônus das formas jurídicas por ele escolhidas, ainda que motivado pelo objetivo de economia de imposto. (Acórdão nº 2202002.187, Processo nº 10680.726772/201188, 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, Rel. Conselheiro Newton Cardoso, Sessão de 20/02/2013). Concluo, portanto, não haver em nosso ordenamento jurídico previsão legal que autorize a aplicação da figura do abuso das formas jurídicas. Assim sendo, em decorrência lógica da licitude do usufruto e do afastamento da figura do abuso de formas, por exigência do primado da legalidade, improcede a autuação fiscal. Fl. 653DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 16327.720576/201113 Acórdão n.º 1103001.123 S1C1T3 Fl. 689 20 Como demonstrado, em virtude da reserva de usufruto dos direitos econômicos, a titularidade dos rendimentos provenientes dos JCP foi corretamente interpretada pela autuada como sendo dos seus sócios, usufrutuários das ações do Banco Daycoval, razão pela qual não há que se falar no reconhecimento de receitas dos JCP pela autuada e, por óbvio, na sua omissão. Registro, por fim, que, tendo sido considerada neste voto integralmente improcedente a autuação fiscal, restou prejudicada a análise do recurso de ofício. Conclusão Pelo exposto, dou integral provimento ao recurso voluntário e nego provimento ao recurso de ofício. Sala das Sessões, em 21 de outubro de 2014 (assinado digitalmente) Breno Ferreira Martins Vasconcelos Relator Fl. 654DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 22/12/2014 por BRENO FERREIRA MARTINS VASCONCELOS, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYS IO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 19515.720950/2013-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
DECADÊNCIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE OCORRÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAEMENTO. NORMA APLICÁVEL.
Quando a decisão recorrida cita a ocorrência de fraude, dolo ou simulação para fundamentar a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN na contagem do prazo decadencial, é necessário que o relatório fiscal apresente cabalmente que na sua conduta o contribuinte incorreu em intuito doloso. Não havendo essa demonstração e se verificando antecipação de pagamento, a aferição da decadência deve ser efetuada pela norma do § 4.º do art. 150 do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Nos casos em que tenha havido falta de recolhimento das contribuições e declaração incorreta dos fatos geradores em GFIP, para a aferição da multa mais benéfica, deve-se cotejar a soma da multa por inadimplemento da obrigação principal (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991) com a multa por descumprimento da obrigação acessória (§ 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991) frente à atual multa de ofício (art. 35-A da Lei n.º 8.212/1991), prevalecendo a que seja mais favorável ao contribuinte.
No caso sob apreciação, o fisco demonstrou que a sistemática anterior mostrou-se mais favorável ao sujeito passivo para as competências de 01 a 11/2008, sendo que para competência 12/2008 foi aplicada a nova regra, posto que já vigia naquele momento.
Numero da decisão: 2401-003.892
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade: a) excluir do lançamento as contribuições até a competência 03/2008 b) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que a base de cálculo para a competência 11/2008 seja reduzida ao valor de R$ 1.237.631,84, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que votaram por converter em diligência para que fosse feita a avaliação dos documentos fl. 274 e seguintes apreciando as alegações do recorrente.
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 DECADÊNCIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE OCORRÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAEMENTO. NORMA APLICÁVEL. Quando a decisão recorrida cita a ocorrência de fraude, dolo ou simulação para fundamentar a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN na contagem do prazo decadencial, é necessário que o relatório fiscal apresente cabalmente que na sua conduta o contribuinte incorreu em intuito doloso. Não havendo essa demonstração e se verificando antecipação de pagamento, a aferição da decadência deve ser efetuada pela norma do § 4.º do art. 150 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Nos casos em que tenha havido falta de recolhimento das contribuições e declaração incorreta dos fatos geradores em GFIP, para a aferição da multa mais benéfica, deve-se cotejar a soma da multa por inadimplemento da obrigação principal (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991) com a multa por descumprimento da obrigação acessória (§ 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991) frente à atual multa de ofício (art. 35-A da Lei n.º 8.212/1991), prevalecendo a que seja mais favorável ao contribuinte. No caso sob apreciação, o fisco demonstrou que a sistemática anterior mostrou-se mais favorável ao sujeito passivo para as competências de 01 a 11/2008, sendo que para competência 12/2008 foi aplicada a nova regra, posto que já vigia naquele momento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade: a) excluir do lançamento as contribuições até a competência 03/2008 b) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que a base de cálculo para a competência 11/2008 seja reduzida ao valor de R$ 1.237.631,84, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que votaram por converter em diligência para que fosse feita a avaliação dos documentos fl. 274 e seguintes apreciando as alegações do recorrente. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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APROPRIAÇÃO CONTÁBIL DA DESPESA DIFERIDA. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O pagamento a segurados empregados de comissões pela venda de produtos e serviços caracteriza o fato gerador de contribuições previdenciárias, mesmo que contabilmente a despesa seja apropriada em períodos posteriores. Assim, as contribuições são devidas na competência do pagamento da verba. FALTA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO E DECLARAÇÃO INCORRETA EM GFIP. MULTA MAIS BENÉFICA. AFERIÇÃO CONSIDERANDO TODOS AS LAVRATURAS EFETUADAS NA AÇÃO FISCAL. Nos casos em que tenha havido falta de recolhimento das contribuições e declaração incorreta dos fatos geradores em GFIP, para a aferição da multa mais benéfica, devese cotejar a soma da multa por inadimplemento da obrigação principal (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991) com a multa por descumprimento da obrigação acessória (§ 5.º do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991) frente à atual multa de ofício (art. 35A da Lei n.º 8.212/1991), prevalecendo a que seja mais favorável ao contribuinte. No caso sob apreciação, o fisco demonstrou que a sistemática anterior mostrouse mais favorável ao sujeito passivo para as competências de 01 a 11/2008, sendo que para competência 12/2008 foi aplicada a nova regra, posto que já vigia naquele momento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 09 50 /2 01 3- 13 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 2 DECADÊNCIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE OCORRÊNCIA DE FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAEMENTO. NORMA APLICÁVEL. Quando a decisão recorrida cita a ocorrência de fraude, dolo ou simulação para fundamentar a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN na contagem do prazo decadencial, é necessário que o relatório fiscal apresente cabalmente que na sua conduta o contribuinte incorreu em intuito doloso. Não havendo essa demonstração e se verificando antecipação de pagamento, a aferição da decadência deve ser efetuada pela norma do § 4.º do art. 150 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade: a) excluir do lançamento as contribuições até a competência 03/2008 b) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que a base de cálculo para a competência 11/2008 seja reduzida ao valor de R$ 1.237.631,84, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que votaram por converter em diligência para que fosse feita a avaliação dos documentos fl. 274 e seguintes apreciando as alegações do recorrente. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Presidente em Exercício Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim, Carlos Henrique de Oliveira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.720950/201313 Acórdão n.º 2401003.892 S2C4T1 Fl. 291 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 02 49.441 de lavra da 8.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Belo Horizonte (MG), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir os seguintes Auto de Infração – AI: a) AI n.º 37.362.0608: contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT); b) AI n.º 37.362.0616: contribuições destinadas a outras entidades ou fundos; e c) AI n.º 37.362.0594: aplicação de multa por descumprimento da obrigação acessória de declarar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social GFIP todas as contribuições previdenciárias devidas. De acordo com o relatório fiscal, os fatos geradores tratados nos lançamentos acima dizem respeito às remunerações de segurados empregados, pagas a título de comissão, as quais foram obtidas mediante batimento entre os valores declarados na GFIP e aqueles informados na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica DIPJ. As bases de cálculo foram apuradas com esteio na escrituração contábil, conforme demonstrativo anexado ao relatório do fisco. A autoridade lançadora informou ainda que, em função das alterações efetuadas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, foi efetuado o comparativo das penalidades aplicadas de forma a atender o previsto no inciso II do artigo 106 do CTN. Verificouse que a multa calculada pelas regras anteriores é mais benéfica que a multa de ofício calculada pelas regras atuais para as competências compreendidas no período de 01/2008 a 11/2008, conforme Anexo 4 (fls 179/180). A empresa ofertou defesa, cujas razões não foram acatadas pelo órgão de primeira instância, que manteve integralmente as lavraturas. Irresignada, a empresa interpôs recurso voluntário, no qual, em apertada síntese, alegou que: a) não tendo sido demonstrada pelo fisco a ocorrência de fraude, dolo ou simulação, a contagem do prazo decadencial deve se dar pela norma do § 4.º do art. 150 do CTN, o que levaria ao reconhecimento da caducidade para as competências de 01 a 03/2008; b) recolheu a totalidade das contribuições incidentes sobre as remunerações pagas a segurados a seu serviço no ano calendário de 2008, as quais foram declaradas integralmente na GFIP; Fl. 293DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 4 c) a suposta diferença entre os valores declarados em GFIP e aqueles constantes na DIPJ decorre da distinção entre os critérios utilizados no preenchimentos das duas declarações. Na DIPJ, a apropriação dos dispêndios com ordenados e salários na formação do resultado tributável utiliza o regime de competência, ao passo que a apuração das contribuições previdenciárias na GFIP é feita pelo regime de caixa; d) há valores contabilizados na ficha 64 da DIPJ/2008, cujas contribuições previdenciárias correlatas foram recolhidas no anocalendário de 2007, posto que neste exercício houve o pagamento da remuneração ao empregado, que é o fato gerador das contribuições; todavia, em virtude da despesa em questão referirse a mais de um exercício, houve a contabilização de parte dos valores em 2007 e parte em 2008; e) não discute a natureza jurídica dos pagamentos, mas apenas que os valores declarados na DIPJ/2008 não correspondem às remunerações declaradas na GFIP do mesmo exercício, em razão da diferença nos critérios de apropriação existente na confecção das duas declarações; f) o fisco desconsiderou o valor de R$ 13.228.241,11, escriturado na Ficha 5, linha 32 da DIPJ/2008, o qual espelha o ajuste contábil destinado a reduzir os efeitos de apropriação de exercícios anteriores (em especial 2007) e que deveria ter sido excluído da suposta diferença encontrada; g) comparandose o montante dos ajustes que totaliza R$ 13.228.241,11 com a diferença de R$ 13.468.747,84, tida pela fiscalização como indício de falta de recolhimento do tributo, verificase que a suposta divergência é substancialmente inferior à base de cálculo lançada; h) o próprio CARF tem cancelado lavraturas em situações análogas, conforme se verifica nos julgados que menciona; i) a prova de que a recorrente recolheu as contribuições na integralidade para o período lançado está no cotejo entre os valores declarados em folha de pagamento, GFIP e RAIS, os quais foram devidamente atestados e homologados durante o procedimento fiscal; j) ao contrário do que afirmou a DRJ, a empresa justificou a origem da divergência apontada pelo fisco, a qual diz respeito a diferentes critérios na confecção da GFIP e da DIPJ; k) a multa por descumprimento de obrigação acessória deveria ser calculada, posto que mais benéfica, pela regra do art. 32A da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, cita precedentes; l) a multa sobre as contribuições lançadas para a competência 12/2008 deve ser imposta no percentual de 24%, conforme a legislação vigente quando da ocorrência dos fatos geradores; Ao final, requereu o cancelamento das lavraturas ou, pelo menos, que o julgamento seja convertido em diligência, a fim de que sejam esclarecidas eventuais dúvidas que possam influir no destino da lide. É o relatório. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.720950/201313 Acórdão n.º 2401003.892 S2C4T1 Fl. 292 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 6 O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. A justificativa da DRJ para contagem da decadência pelo art. 173, I, do CTN foi a ocorrência de fraude, dolo ou simulação, pelo fato da empresa haver deixado de declarar parte significativa da remuneração paga aos seus empregados. Não devo concordar com essa tese. De fato, a aplicação do § 4.º do art. 150 do CTN, para a contagem do lapso decadencial, é afastada quando se comprova ter ocorrido dolo, fraude ou simulação. Eis o novamente dispositivo: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Está sedimentado na jurisprudência tributária, administrativa e judicial, que havendo dolo, fraude ou simulação a regra aplicável é o art. 173, I, do CTN, segundo o qual a contagem do prazo de decadência iniciase no primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o tributo poderia ter sido lançado. Nas lides envolvendo falta de declaração de fatos geradores na GFIP, a Auditoria tem corriqueiramente lavrado Representações Fiscais para Fins Penais – RFFP com esteio no art. 337A do Código Penal, o qual trata do crime de sonegação de contribuições previdenciárias, nos seguintes termos: Art. 337A. Suprimir ou reduzir contribuição social previdenciária e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) I omitir de folha de pagamento da empresa ou de documento de informações previsto pela legislação previdenciária segurados empregado, empresário, trabalhador avulso ou trabalhador autônomo ou a este equiparado que lhe prestem serviços; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) II deixar de lançar mensalmente nos títulos próprios da contabilidade da empresa as quantias descontadas dos Fl. 296DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.720950/201313 Acórdão n.º 2401003.892 S2C4T1 Fl. 293 7 segurados ou as devidas pelo empregador ou pelo tomador de serviços; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) III omitir, total ou parcialmente, receitas ou lucros auferidos, remunerações pagas ou creditadas e demais fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias: (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) Pena reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000) A despeito da falta de declaração dos fatos geradores autorizar a lavratura de RFFP, com esteio no dispositivo acima, atrevome a dizer que essa conduta omissiva não autoriza, por si só, a conclusão de que houve fraude por parte do sujeito passivo que deixou de informar na GFIP a totalidade das contribuições devidas. É que a omissão na GFIP pode se dar em decorrência de divergência de interpretação entre a Fazenda e o contribuinte. A ação fiscal que deu ensejo ao lançamento em tela colocanos diante de situação que demonstra que a suposta omissão pode ter ocorrido em razão de divergência de interpretação entre o fisco e o contribuinte acerca dos critérios de preenchimento da GFIP e da DIPJ. Assim, tenho entendido que, quando se pesquisa sobre a ocorrência de conduta dolosa ou fraudulenta, há de se buscar mais elementos de que a mera falta reiterada da declaração dos fatos geradores em GFIP. O conceito de fraude consta do art. 72 da Lei n.º 4.502/1964, que dispõe: Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Da leitura do dispositivo há de se inferir que a falta de declaração de fatos geradores, cuja existência possa ser comprovada pela documentação da empresa e por sua escrituração contábil, como é o caso dos autos, não autoriza a automática conclusão pela existência de fraude. No caso sob enfoque, verificase que o fisco em nenhum momento cuidou de caracterizar a existência de conduta dolosa tendente a desconfigurar o fato gerador Esse omissão, de per si, não pode ser tomada como único fundamento para caracterizar a fraude, diferentemente ocorreria se viesse à tona a comprovação de que a empresa houvera pago pela prestação de serviços e registrado as notas fiscais como compra de materiais, posto que nesse caso restaria evidente a intenção de suprimir fato gerador de contribuição. Embora não se referindo diretamente à questão da contagem do prazo decadencial, mas à aplicação de multa qualificada em razão da ocorrência de dolo, é possível que se ter um indicativo sobre o pensa do tema o CARF, quando se analisa a Súmula n.º 14: Fl. 297DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 8 “ Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a QUALIFICAÇÃO da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo” Percebese que o Colegiado tende somente a acatar a imposição de efeitos legais decorrentes da ocorrência de fraude, quando o fisco cabalmente comprova a existência do intuito doloso do sujeito passivo. No caso sob apreciação, sequer o fisco mencionou em seu relatório a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, tendo essas circunstâncias aparecido no PAF somente na motivação da decisão recorrida. Portanto, verificase que a DRJ motivou sua decisão com fatos sequer apresentados na peça acusatória, em verdadeira afronta aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Feitas essas considerações, posicionome pela aplicação, para a contagem do prazo decadencial, do § 4.º do art. 150 do CTN, posto que se observa que sobre os valores declarados em GFIP houve a antecipação de pagamento. Esse posicionamento levame à conclusão de que devem ser excluídas pela caducidade as competências até 03/2008, haja vista que a cientificação do lançamento ocorreu em 25/04/2013. Divergência DIPJ GFIP O mérito da contenda reside na divergência entre o fisco e o contribuinte acerca da base de cálculo das contribuições. Para o fisco, a comparação entre a GFIP e a DIPJ revela que a base de cálculo das contribuições para o período lançado é inferior às remunerações efetivamente pagas pela empresa. A empresa, por seu turno, advoga que a divergência é apenas aparente, tendo decorrido do critério de apropriação das remunerações nas declarações, uma vez que na GFIP é utilizado o regime de caixa, enquanto que na DIPJ observase o regime de competência. Iniciemos a análise meritória reconstituindo os passos seguidos pelo fisco para delimitação da base de cálculo do lançamento. No relatório fiscal consta que as folhas de pagamento apresentadas demonstraram o pagamento de remunerações no anocalendário de 2008 no montante de R$ 16.831.956,90, aí incluído do 13.º salário. Esse valor praticamente coincide com aquele declarado na GFIP. Afirmase que na Relação Anual de Informações Sociais RAIS o montante das remunerações declaradas atingiu o valor de R$ 16.883.673,00. Portanto, cerca de R$ 52.000,00 a mais que o valor constante nas GFIP do período correspondente. Todavia, a DIPJ2009 revelou uma remuneração total de R$ 30.300.709,29, conforme dados lançados na "FICHA 64 Informações Previdenciárias", que envolve os pagamentos de "ordenados, salários, comissões, gratificações e outras remunerações a empregados”. O fisco, diante da gritante divergência dos valores de remunerações, intimou a empresa a detalhar o valor declarado na DIPJ e para que justificasse a discrepância entre este e as quantias informadas nos outros documentos. Tendo a empresa assim se pronunciado: Fl. 298DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.720950/201313 Acórdão n.º 2401003.892 S2C4T1 Fl. 294 9 "A diferença apontada decorre da distinção entre o critério utilizado para a apropriação dos dispêndios com ordenados e salários na formação do resultado tributável (constante na DIPJ) e o adotado para recolhimento das contribuições previdenciárias (constante das GFIPs) sobre os valores pagos a título de remuneração. As importâncias registradas na formação do resultado tributável (ficha 64 da DIPJ) são apropriadas de acordo com o regime de competência... A GFIP, diferentemente, contempla os valores pagos, quer dizer, desembolsados a título de remuneração, por meio do denominado "regime de caixa", a partir do momento em que são devidas as contribuições previdenciárias... Portanto, a diferença entre os valores descritos na DIPJ e nas GFIPs a título de ordenados e salários do ano de 2008 decorre da distinção de critérios fixados pelas normas que disciplinam o modo de apuração dos tributos descritos em cada uma das declarações." A autoridade lançadora informa que foi acostado ao relatório fiscal demonstrativo fornecido pela empresa (Documento J, fl. 176), o qual serviria para comprovar as suas afirmações. Ao apreciar o referido documento o fisco concluiu que não foram objeto de declaração na GFIP os valores lançados nas seguintes contas contábeis: a) Conta 342003 Comissões sobre Vendas de Anúncio Produtos Editados R$ 12.896.399,90; b) Conta 421122 13.º Salário sobre Comissões e Prêmios R$ 782.666,49; c) Conta 421114 Retiradas Perdidas Indedutível R$ 570.751,65. O fisco mencionou também que a apropriação dos valores conforme a vigência do produto era feito mediante a Conta 421113 Transferência Encargos e Comissões, a qual consta da Ficha 64 da DIPJ como dedução do valor total da remuneração (sinal negativo). Por esse motivo, não procede o argumento de que a divergência verificada teria origem em diferentes critérios de apropriação usados na GFIP e na DIPJ. Na impugnação a empresa sustentou que, a despeito da comissão ser desembolsada tão logo concretizada a venda, a sua apropriação contábil ocorre de forma proporcional ao prazo de execução do contrato de venda firmado, o qual pode se estender por mais de um exercício social. De forma similar, os pagamentos realizados para funcionários que não conseguiram realizar vendas suficientes (valores constantes da Conta "Retiradas Perdidas Indedutíveis") são também apropriados conforme o fornecimento do produto/auferimento da receita. Continuando, afirmou que a GFIP contempla os valores efetivamente pagos a título de remuneração, a partir do momento em que são devidas as contribuições sociais correspondentes. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 10 Seguiu defendendo que há valores contabilizados na Ficha 64 da DIPJ/2008, cujas contribuições correlatas foram recolhidas, por exemplo, no anocalendário de 2007, para as comissões recebidas pelo segurado neste ano, nos casos em que essa despesa se refira a contrato como duração superior a um exercício. Assim parte das remunerações foi apropriada contabilmente como despesa de 2007 e parte como despesa de 2008. Asseverou que a análise da DIPJ, no caso concreto, não é um parâmetro adequado para verificação de recolhimento de contribuições previdenciárias em um determinado anocalendário, isso porque a declaração de rendimentos da autuada deve observar uma série de prescrições oriundas das legislações do IRPJ e da CSLL, bem como preceitos contábeis, a exemplo do regime de competência, o que ocasiona distorções como aquela apontada pela auditoria fiscal. Concluiu que a diferença de R$ 13.468.747,84, correspondente a base de cálculo encontrada pela fiscalização, é irreal, posto que foi desconsiderado outro valor escriturado na DIPJ/2008, na Ficha 5, linha 32, no montante de R$ 13.228.241,11, o qual espelha exatamente o ajuste contábil destinado a reduzir os efeitos de apropriação de exercícios anteriores (em especial de 2007) e que deveria ter sido excluído da suposta diferença encontrada. Quando muito a divergência do período se resume a R$ 240.560,73. A DRJ entendeu que a empresa não conseguiu justificar a divergência e lançou as seguintes considerações: "Verificase que o alegado ajuste contábil adotado pela empresa em 2008, referente a fatos geradores ocorridos em anos anteriores, materializase através da conta “transferência encargos e comissões”, que contém sinal negativo. Observase que, mesmo considerando o valor registrado a título de ajuste, de R$ 13.224.077,69, o total da remuneração informada na “ficha 64, linha 4, ordenados e salários” da DIPJ continua sendo de R$ 30.360.954,77, bem superior ao valor declarado em GFIP para o mesmo período, de R$ 16.831.961,45. Ou seja, mesmo considerando os ajustes contábeis a que se refere a defesa, verificase que, ainda assim, permanece a significativa diferença inicialmente apurada pela fiscalização entre valores declarados pela empresa em GFIP e DIPJ para as competências de 2008. Ademais, registrese não ser verossímil que todos os valores referentes às “comissões sobre vendas de anúncio de produtos editados”, que não foram informados em GFIP, em 2008, se referiam, na sua totalidade, a fatos geradores ocorridos em períodos anteriores. Não é crível que não houvesse uma única venda de anúncio de produtos editados que constituísse remuneração paga a empregados em 2008, e que, como tal, tivesse que ter sido declarada em GFIP do período. O fato de a fiscalização não ter detectado divergência significativa entre as informações prestadas pela empresa em GFIP e em folha de pagamento e RAIS não indica que tenha o agente fiscal se equivocado ao efetuar o presente lançamento, como faz crer a defesa. Isso porque a empresa não logrou êxito em justificar a significativa divergência detectada entre os valores informados em GFIP e DIPJ. A alegação da empresa de que os valores registrados na ficha 64, linha 4, ordenados e salário, de R$ 30.360.954,77, também constam na ficha 05A– Despesas Operacionais – PJ em Geral também não tem o condão de alterar o resultado da análise efetuada, por também não esclarecer a diferença detectada entre valores informados em GFIP e DIPJ. Citese que a fiscalização já tinha ciência desse fato, Fl. 300DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.720950/201313 Acórdão n.º 2401003.892 S2C4T1 Fl. 295 11 tanto que consta nos autos, à fl. 11, planilha com o detalhamento da ficha 5 linha 02, o que não foi suficiente para evitar o lançamento. Assim, não se vislumbra erro no raciocínio adotado pelo agente fiscal ao lavrar a presente autuação, como alega a defesa. O lançamento foi efetuado com base nos documentos elaborados/apresentados pela própria empresa que, de fato, apontam para a omissão de remuneração de segurados nas GFIP de 2008, de modo que a autuação deve ser mantida na sua integralidade." No recurso, a empresa repete os argumentos defensórios, não tendo apresentado novos documentos, todavia, em petição posterior pede a juntada de trabalho elaborado por empresa de auditoria externa, denominado Reconciliação dos Demonstrativos DIPJ e GFIP, fls. 274 e segs. Feitas essas considerações, passo a minha análise que não prescinde da exibição de imagem do documento juntado pela empresa, no qual foram apresentados os dados das contas contábeis relativas ao pagamento de remuneração, conforme DIPJ: Vale reprisar que, das contas acima apresentadas, apenas os valores das de n.º 342003; 421122 e 421114 foram utilizados na formação da base de cálculo do lançamento. Não vejo plausibilidade na tese de empresa, segundo a qual na totalização acima estariam incluídos valores relativos a pagamentos efetuados principalmente no ano de 2007, cuja declaração em GFIP já teria sido efetivada. Quando a empresa fala em apropriação de remunerações pagas anteriormente imagino que esteja se referindo à conta 421113 Transferência de Encargos e Comissões. É que, ao responder à intimação do fisco para indicar a natureza desta rubrica, a empresa esclareceu que "... é utilizada para apropriação contábil de acordo com a vigência dos produtos". Considerando que o valor da Conta 421113 tem seu saldo com valor negativo, é possível concluir que o valor da remuneração total adotado pelo fisco (R$ 30.300.709,29) já sofreu a dedução dos ajustes de apropriação contábil. Portanto, o valor da Conta Contábil em destaque já foi levado em conta na formação da base de cálculo lançada. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 12 Por outro lado, como bem se afirmou na decisão recorrida, não parece razoável a afirmação de que todos os pagamentos contabilizados como comissões dizem respeito a valores que foram repassados aos segurados em exercícios anteriores. Será que no anocalendário de 2008 a empresa não teve qualquer receita decorrente de contratos firmados no próprio exercício? Apreciando o demonstrativo juntado à impugnação, fl. 213, não consigo visualizar a demonstração de que os valores contábeis ali lançados se referem a pagamentos efetuados em exercícios anteriores. Para que ficasse clara a existência de apropriação de exercícios anteriores a empresa teria que apresentar demonstrativo em que constasse a competência em que foram pagas as comissões e a comprovação da declaração em GFIP dos valores correspondentes. Assim, uma vez somandose os valores declarados em exercícios anteriores com aqueles correspondentes ao período do débito, chegarseia ao valor total da remuneração declarada, o qual seria confrontado com o valor contabilizado. Essa demonstração o sujeito passivo não conseguiu efetuar, tanto que, no afã de justificar as divergências apontadas pelo fisco, contratou o trabalho de empresa de auditoria independente, juntado às fls. 274 e segs. Vejamos o que de novo foi trazido aos autos. A empresa de auditoria credita as divergências à mesma causa apontada pela empresa, qual seja a diferença nos critérios de apropriação das despesas existente entre a DIPJ e a GFIP. São acostados três demonstrativos anexos, tratando de: a) Anexo I Comissões Sobre Vendas Apropriação: inclui o suporte para apropriação, no exercício de 2008, dos gastos de folha de pagamento incorridos em exercícios anteriores; b) Anexo II Comissões Sobre Vendas Diferimento: inclui o suporte para o diferimento, em exercícios futuros, dos gastos com folha de pagamento incorridos no exercício de 2008; e c) Anexo III Reconciliação Saldos Contábeis com Autuação Fiscal: detalha mês a mês os valores das contas contábeis utilizadas no lançamento, com as bases de cálculo do lançamento. Ao me deparar com as conclusões do relatório da empresa de auditoria, vislumbrei uma grande contradição com o que tinha sido sustentado pela empresa na defesa e no recurso. Vale a pena transcrever excerto desse documento: "A partir da realização da reconciliação e do confronto entre os valores incluídos na DIPJ e na GFIP, apurouse que o valor da autuação corresponde à soma de parcelas de salários e ordenados pagos em 2008, mas que foram reconhecidas contabilmente em período posterior, em atenção ao regime de competência já mencionado (conta 510.143)" (grifei) Ora, até então, o principal argumento da empresa é que o fisco teria tributado remunerações pagas em exercícios anteriores, mas que foram apropriadas na contabilidade de 2008, em razão da utilização do regime de competência. Assim, por essa ótica, os valores em questão já teriam sido declaradas nas GFIP, principalmente do anocalendário de 2007. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.720950/201313 Acórdão n.º 2401003.892 S2C4T1 Fl. 296 13 Observando com atenção as conclusões da empresa de auditoria, percebese que estas confirmam o acerto da autoridade lançadora, pois se as comissões foram efetivamente pagas no ano de 2008, o fato gerador das contribuições previdenciárias ocorreu neste momento e, desta forma, a declaração em GFIP e o correspondente recolhimento dos tributos deveriam ter sido efetuados neste exercício, independentemente da apropriação contábil ser feita em período posterior. Todavia, ao apreciar o Anexo III do relatório da auditoria independente, pude constatar, na competência 11/2008, uma discrepância entre o valor da base de cálculo adotada no lançamento e o somatório dos valores das contas contábeis que sofreram tributação. Visualizemos na tabela abaixo: CONTA CONTÁBIL VALOR (R$) BC LANÇADA DIFERENÇA 342003 R$ 1.129.382,74 421114 R$ 37.808,28 421122 R$ 70.440,82 R$ 1.237.631,84 R$ 1.871.631,84 R$ 634.000,00 De se concluir que a base de cálculo na competência 11/2008 deve corresponder ao montante de R$ 1.237.631,84. Multa O sujeito passivo requer a aplicação da multa por descumprimento da obrigação acessória com base no art. 32A da Lei n.º 8.212/1991, bem como a limitação da multa pela falta de pagamento das contribuições ao patamar de 24%. Farei apreciação conjunta dessas duas questões, haja vista que guardam estreita relação. De fato, com o advento da Medida Provisória MP n. 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das penalidades decorrentes de descumprimento das obrigações acessórias relacionadas à GFIP, bem como da multa decorrente do lançamento das contribuições. Na sistemática anterior, a infração de omitir fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Quanto havia lançamento da obrigação principal relativo aos fatos geradores não declarados, o sujeito passivo ficava também sujeito à aplicação da multa de mora nos créditos lançados, num percentual do valor principal que variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA 14 Com a nova legislação, há duas sistemáticas de aplicação da multa. Inexistindo o lançamento das contribuições, aplicase apenas a multa de ofício prevista no art. 32A da Lei n. 8.212/1991, que é calculada a partir de um valor fixo para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, nos seguintes termos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...) Todavia pelo art. 35A da mesma Lei, também introduzido pela Lei n. 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de mora constante no crédito constituído. Deixa, assim, de haver cumulação de multa punitiva e multa moratória, condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/19961 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. Diante das considerações acima expostas, não há como se aplicar na situação em tela o art. 32A da Lei n. 8.212/1991, como requer o sujeito passivo, posto que houve na espécie lançamento das contribuições correlatas. A situação sob enfoque pede a aplicação do art. 35A da mesma Lei, o qual, conforme demonstrado pelo fisco, não se mostrou mais benéfico ao contribuinte. A autoridade lançadora em tópico específico do seu relatório de trabalho efetuou o comparativo entre a multa aplicada com base na legislação pretérita e pela regra atual tendo concluído que seria menos gravoso ao contribuinte aplicar a multa de 24% sobre as contribuições não adimplidas e, para a falta de declaração dos fatos geradores na GFIP, a penalidade foi fixada em 100% das contribuições não informadas. Para a competência 12/2008 não houve imposição da multa isolada por descumprimento de obrigação acessória, tendo sido imposta apenas a multa de 75% sobre as contribuição não recolhidas, conforme dispõe o art. 35A da Lei n.º 8.212/1991, vigente a partir desta competência. Descabe, portanto, o inconformismo do sujeito passivo quanto à aplicação da multa. 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Fl. 304DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA Processo nº 19515.720950/201313 Acórdão n.º 2401003.892 S2C4T1 Fl. 297 15 Conclusão Voto por reconhecer a decadência até a competência 03/2008 e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para que a base de cálculo para a competência 11/2008 seja reduzida ao valor de R$ 1.237.631,84. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 27/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/02 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/02/2015 por ELAINE CRISTINA MONTEIR O E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 10680.907558/2008-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Data do fato gerador: 03/11/0200
CREDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. PROVA DO CRÉDITO. SUJEITO PASSIVO. ARTIGO 333 DO CPC.
Cabe ao Contribuinte fazer prova de seu alegado direito, mediante documentação hábil e idônea ou da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda Nacional.
Numero da decisão: 3301-002.544
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: MONICA ELISA DE LIMA
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COMPENSAÇÃO. PROVA DO CRÉDITO. SUJEITO PASSIVO. ARTIGO 333 DO CPC. Cabe ao Contribuinte fazer prova de seu alegado direito, mediante documentação hábil e idônea ou da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Presidente. MÔNICA ELISA DE LIMA - Relatora. EDITADO EM: 23/02/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (presidente da turma), Maria Tereza Martínez López (vice-presidente), Andrada Marcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas e Fabia Regina Freitas. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.907558/2008-25 Acórdão n.º 3301-002.544 S3-C3T1 Fl. 37 2 Relatório Trata-se Recurso Voluntário movido em face do acórdão nº 02-27.921, de fls. 22 a 24, proferido pela e. 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, negando provimento à Manifestação de Inconformidade da Contribuinte, conforme Ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Data do fato gerador: 31/10/2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Acórdão Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Por bem descrever os fatos, transcreve-se o Relatório elaborado por aquela DRJ: O interessado transmitiu PER/DCOMP de fls.14/18. visando a compensar o(s) débito(s) nela declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de Cofins, relativo ao período de 31/10/2000. A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte emitiu Despacho Decisório eletrônico (fl. 13) não homologando a compensação pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débitos do contribuinte - no presente caso, a própria contribuição devida no período - não restando, portanto, saldo creditório disponível. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade de fls. 01/06, acompanhada dos documentos de fls. 07/12, com os argumentos a seguir sintetizados. Narrando os fatos considerados pelo fisco na formalização do presente processo e com base no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, que transcreve, aduz ser o procedimento de compensação um ato que tem presunção de validade, porquanto a lei autoriza o contribuinte a fazer um juízo de valor, por sua conta e risco, acerca de um pagamento eventualmente feito de maneira indevida ou a maior, cabendo ao fisco motivar adequadamente o indeferimento do pleito, que no presente caso entende vazio, desprovido de fundamento, pelo que argúi a nulidade do Fl. 37DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.907558/2008-25 Acórdão n.º 3301-002.544 S3-C3T1 Fl. 38 3 despacho decisório, uma vez que tal fato viola também os princípios do contraditório e da ampla defesa assegurados aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, pela Constituição Federal. Em suas razões de decidir a Autoridade de 1ª Instância consigna que: Não se vislumbra nulidade, eis que o despacho decisório, além de se revestir dos requisitos e formalidades necessários à sua constituição, nos termos da legislação de regência da matéria, está adequadamente caracterizado e motivado, de modo a justificar a não aceitação do crédito alegado, como prontamente se pode constatar. Como se constata da leitura de sua manifestação, o Contribuinte estava absolutamente ciente do fato que motivou a negativa do fisco à sua pretensão. Em função do que dispõe a própria legislação invocada pelo Contribuinte, o § 2o do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996 somente assegura a extinção do crédito tributário, mediante condição resolutória de ulterior homologação pela Secretaria da Receita Federal. Para que o despacho decisório fosse revisto, bastaria ao contribuinte contrapor-se à constatação objetiva de que o crédito alegado não fora utilizado para quitar débito anterior informado por ele próprio. Após cientificada do julgamento, em 11 de fevereiro de 2011 (fl.28), a Contribuinte interpõe, em 01 de março de 2011, Recurso Voluntário mediante o qual pugna pela reforma da Decisão a quo, argumentando, em síntese que: Evidentemente que não há ampla defesa e contraditório se não houver exposição das razões específicas de fato e de direito que justificam a tomada de determinada decisão, pois se a parte contra a qual a referida decisão recair não tiver conhecimento de tais razões, sequer saberá quais os fatos e fundamentos especificamente terá que impugnar, ficando totalmente prejudicada a sua defesa. Ainda, no presente caso, a necessidade de suficiente fundamentação do despacho é mais flagrante devido ao art. 74 e seus parágrafos da Lei n° 9.430/96. Segundo tais dispositivos, a autocompensação realizada pelo sujeito passivo tem presunção de validade. Portanto, se o Fisco quiser desconstituí-la, tem que expedir outro ato fundamentado para este fim, pois, se assim não fosse, nenhuma eficácia teria tal presunção. Se ao Fisco fosse permitido indeferir as compensações apenas com a alegação de que não existem créditos, por terem sido eles utilizados para compensar os débitos do mês correspondente, Fl. 38DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.907558/2008-25 Acórdão n.º 3301-002.544 S3-C3T1 Fl. 39 4 ele, Fisco, poderia indeferir, nos casos de restituição, como é o presente, todas as compensações com esta alegação, por mais que elas estivessem corretas, pois, em tais casos, a cada crédito pleiteado pelo sujeito passivo há um correspondente pagamento de tributo considerado indevido por este. O contribuinte, no caso de compensação com pagamento indevido ou a maior de Cofins, como o presente, sequer tem a obrigação de retificar as DCTFs para excluir destas um valor informado como débito. Sendo assim, para o Fisco glosar as compensações realizadas no presente caso, ele teria necessariamente que entrar no mérito do crédito, na materialidade deste, sendo inservível, vazia e desprovida de fundamentação que a ampare a argumentação do despacho de que o crédito de Cofins foi utilizado para a compensação dessa contribuição relativa ao mesmo período. Do mesmo modo que a DCTF constitui confissão de dívida, o PER/Dcomp constitui declaração de compensação, ou seja, o valor neste utilizado constitui crédito, tendo presunção legal de validade. No presente caso, o que deveria fazer o Fisco é levar em consideração a declaração posterior, no caso, o PER/Dcomp, e não a anterior (DCTF), pois se o contribuinte utiliza um pagamento indevido em um PER/Dcomp, é óbvio que, com esta declaração, ele está automaticamente anulando o lançamento de tal pagamento como débito na DCTF. A lógica e a regra geral é prevalecer a declaração posterior, e não a anterior, como quer o Fisco. É o Relatório. Voto Conselheira Mônica Elisa de Lima O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade; sendo, pois, conhecido. Inicialmente, não se vislumbra qualquer prejuízo à defesa da Recorrente, visto que as decisões proferidas foram perfeitamente motivadas, deixando claros os fundamentos legais que levaram ao convencimento da Autoridade Julgadora. O inconformismo com os argumentos do julgador demanda recurso quanto ao mérito e, não, a anulação do decisum. Afasto, portanto, a preliminar de nulidade. Em nosso sistema probatório, o ônus da prova de seu direito cabe a quem alega. Em conformidade com o preceituado no artigo 333, do Código de Processo Civil: Fl. 39DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.907558/2008-25 Acórdão n.º 3301-002.544 S3-C3T1 Fl. 40 5 Art. 333. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. No presente caso, a Fazenda Nacional demanda um crédito, que foi objeto de confissão pelo Contribuinte. Cabe a este fazer prova da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo a que tal pretensão do Fisco se concretize. É uníssono o entendimento deste Colegiado quanto à questão, conforme abaixo compilado, apresentando-se, a título de exemplo, precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais, bem como desta Terceira Seção de Julgamento: Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF MATÉRIA: COMPENSAÇÃO PIS/COFINS ÔNUS DA PROVA ACÓRDÃO: 9303-002.549 Data de publicação: 03/12/2013 Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/09/2004 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. A síntese da distribuição do ônus da prova é muito fácil de compreender. Todo aquele que demandar alguém tem o dever de provar o direito objeto de sua demanda. No caso de auto de infração, cabe ao Fisco demonstrar as razões de fato e de direito que embasam a acusação fiscal. De outro lado, nos pedidos de repetição de indébito, incumbe ao sujeito passivo a prova do pagamento indevido ou a maior que o devido. À míngua de prova do direito alegado, deve-se de indeferir o direito pleiteado. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Henrique Pinheiro Torres - Relator Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF MATÉRIA: COMPENSAÇÃO PIS/COFINS ÔNUS DA PROVA ACÓRDÃO: 9303-002.482 Data de publicação: 14/02/2014 Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 28/02/2002 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Henrique Pinheiro Torres – Relator CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Fl. 40DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.907558/2008-25 Acórdão n.º 3301-002.544 S3-C3T1 Fl. 41 6 CARF - Terceira Seção ACÓRDÃO: 3803-003.547 Data de Publicação: 07.11.2012 Financiamento para a Seguridade Social - COFINS Ano Calendário 2001 PRELIMINAR. NULIDADE. INOVAÇÃO DOS MOTIVOS DA DECISÃO PROFERIDA EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Incumbe à autoridade administrativa verificar a liquidez e a certeza do direito creditório, além da existência de outros débitos, quando o sujeito passivo declara a extinção de débito tributário próprio, com crédito de valor certo, por meio de Per/DComp, com vistas a ulterior homologação. A confirmação da insuficiência de crédito para a realização da compensação, ou mesmo das assertivas formuladas pela contribuinte em sua defesa, somente poderiam ser aferidas pelo juízo de primeira instância mediante o exame de documentos hábeis e idôneos o suficiente a atestar quaisquer dessas situações mencionadas. A impossibilidade desse cotejo motivou a decisão pela improcedência da manifestação de conformidade em razão de ausência de elementos probantes que atestassem o direito alegado pelo contribuinte, ou infirmasse o decidido no despacho decisório, o que não significa inovação de motivos. PRELIMINAR. NULIDADE. INTIMAÇÃO. OBRIGAÇÃO FUNCIONAL. IMPROCEDÊNCIA. A prova visa demonstrar a existência do ato/fato à autoridade julgadora que, após a sua apreciação, formará livremente a sua convicção, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos. Na decisão adotada o julgador deverá indicar os motivos que lhe formaram o convencimento, podendo determinar as diligências ou intimação, quando entendê-las necessárias. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. A insuficiência de provas enseja a não homologação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe a autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Jorge Victor Rodrigues - Relator CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CARF - Terceira Seção MATÉRIA: COMPENSAÇÃO COFINS ACÓRDÃO: 3803-003.969 Data de Publicação: 16.09.2013 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 14/02/2003 Fl. 41DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.907558/2008-25 Acórdão n.º 3301-002.544 S3-C3T1 Fl. 42 7 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. PROVA A prova visa demonstrar a existência do ato/fato à autoridade julgadora que, após a sua apreciação, formará livremente a sua convicção, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos. Na decisão adotada o julgador deverá indicar os motivos que lhe formaram o convencimento, podendo determinar as diligências ou intimação, quando entendê-las necessárias. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. A insuficiência de provas enseja a não homologação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe a autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos à comprovação desses atributos impossibilita à homologação. Jorge Victor Rodrigues - Relator Desta forma, não há reparos há fazer na decisão que consigna ser ônus do Sujeito Passivo demonstrar a existência de seu crédito perante a Fazenda Nacional; crédito este que deve ser líquido e certo. Por outro lado, não subsiste a alegação da Recorrente para quem a DCOMP, sendo posterior à DCTF, torna sem efeito a confissão de dívida feita através desta. Tampouco, por si só, a entrega da Declaração de Compensação anula a constatação de que o pagamento esteja vinculado a um débito de DCTF. Primeiro, porque tais instrumentos têm naturezas distintas. Mediante a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), cuja apresentação é, em regra, obrigatória, o Contribuinte informa ao Fisco os tributos e contribuições que são apurados pela Empresa, bem como os pagamentos a estes imputados, possibilitando, assim, verificar a quitação dos débitos, ou o seu recolhimento a menor ou a maior. Já por meio da DCOMP — cuja apresentação é uma faculdade do Sujeito Passivo que apurar crédito — é requerida a compensação do montante ou parte deste com o mesmo ou outro tributo administrado pela RFB. Segundo, porque a mera apresentação de DCOMP sem que o Fisco seja informado da disponibilidade do crédito não tem o condão de, efetivamente, informar-lhe de que existira um erro na informação anterior. Terceiro, porque se equivoca a Recorrente em concluir que a Decisão da DRJ/BHE condicionaria o reconhecimento de eventual crédito à entrega de DCTF retificadora. As expressas palavras da Autoridade Julgadora foram: "Para que o despacho decisório fosse revisto, bastaria ao contribuinte contrapor-se à constatação objetiva de que o Fl. 42DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.907558/2008-25 Acórdão n.º 3301-002.544 S3-C3T1 Fl. 43 8 crédito alegado não fora utilizado para quitar débito anterior informado por ele próprio". Faltou à Recorrente, não uma nova DCTF, mas a apresentação de elementos, provas, registros contábeis, enfim, documentação hábil e idônea que, materialmente e, não apenas em tese, demonstrasse ter ocorrido um pagamento indevido ou a maior. Não se admite, por outro lado, que uma das partes da relação jurídica, no caso o Fisco, tenha tolhido o seu direito de cobrar o crédito tributário declarado pelo Contribuinte, se não existe qualquer comprovação objetiva de que a obrigação inexista. A ulterior homologação do crédito é prerrogativa do Fisco e condicionante legal à extinção do crédito tributário. Nesse sentido, dispõe a Lei nº 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Portanto, não é sustentável o argumento da Recorrente segundo o qual “a autocompensação realizada pelo sujeito passivo tem presunção de validade”. Não se contesta a validade da compensação, contudo o procedimento adotado passa pelo crivo do Sujeito Ativo, constituindo não só um direito como, também, um dever de ofício. Assim, conclui-se que a simples apresentação de Declaração de Compensação não tem o condão de alterar as informações constantes em DCTF, sendo certo que a Recorrente não fez qualquer prova da existência de crédito a seu favor. Em vista do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso. Mônica Elisa de Lima - Relatora Fl. 43DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10680.907558/2008-25 Acórdão n.º 3301-002.544 S3-C3T1 Fl. 44 9 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 10/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/02/2015 por MONICA ELISA DE LIMA, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Relatório Voto
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Numero do processo: 10830.906118/2012-76
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/02/2006
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/02/2006 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 61 18 /2 01 2- 76 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906118/201276 Acórdão n.º 3801004.772 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF trinta e três processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de cofins ou contribuição para o PIS/Pasep, e o ônus da prova deste direito. Em alguns processos, foi indeferida totalmente a declaração de compensação de débitos da contribuinte com o crédito pleiteado, por falta de comprovação da liquidez e certeza de todo o crédito, em outros, foi homologada parcialmente a declaração de compensação, porque foi comprovada a certeza e liquidez de parte do crédito pleiteado. Esta diferença não exige mudanças nos acórdãos dos julgamentos, pois o que está sob julgamento é justamente o crédito não reconhecido e a parte não homologada das declarações de compensação. O crédito reconhecido e a parte homologada não estão em discussão. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de contribuição social e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906118/201276 Acórdão n.º 3801004.772 S3TE01 Fl. 4 3 Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório, em expediente que foi recebido como manifestação de inconformidade: “Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 10/08/2012, alegando que a Receita Federal mantém os controles de apropriação e pagamento dos impostos federais, assim como uma conta corrente de cada contribuinte, na qual podem ser visualizados os pagamentos efetuados de forma correta, os pagamentos a maior e os pagamentos a menor. Assevera que o despacho decisório não pode progredir, porque a RFB cobra o mesmo valor pago pelo contribuinte, quando, na verdade, foi preenchido um PER/DCOMP que demonstra de forma clara que aquele pagamento foi efetuado a maior e dele se extraí os valores devidos a título de impostos. Apresenta um demonstrativo da composição do PER/DCOMP nº 27613.24430.280909.1.3.047698, identificando o valor devido de COFINS, o valor da guia de recolhimento, o saldo do pagamento a maior e as compensações efetuadas. Alega ainda que houve a retificação da DIPJ do anobase de 2005, na qual a receita foi apropriada de forma errada e, por isto, originou também a retificação de todos os cálculos dos impostos federais. Ressalta que havendo necessidade de retificação do PER/DCOMP, solicita autorização para o ajuste, porém, o valor original disponível desde a data especificada, corrigido monetariamente, possibilitou a compensação declarada. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “Assunto: ... Data do fato gerador: ... DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado.” No recurso voluntário a recorrente alega o seguinte: Fl. 72DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906118/201276 Acórdão n.º 3801004.772 S3TE01 Fl. 5 4 i) O ICMS que faz parte do valor total de conhecimentos de transporte não compõe o valor tributado pela cofins e pela contribuição para o PIS/Pasep. ii) Juntou cópia da DIPJ 2006/2005, retificada, que demonstra que estas contribuições foram reduzidas em seus valores anteriormente apresentados. iii) No próprio PER/DCOMP apresentado, verificase que houve pagamento a maior. iv) Não apresentou retificação da DCTF e do DACON, primeiro, por problemas com o contador; depois, porque teria ocorrido prescrição para a retificação. v) Calculou a cofins e a contribuição para o PIS/Pasep sobre um valor que incluía o ICMS e, após, corrigiu o faturamento, excluindo este imposto da base de cálculo, logo, tem direito ao crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906118/201276 Acórdão n.º 3801004.772 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Certeza e liquidez do crédito pleiteado. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de contribuição social. Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório. Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/BHE, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906118/201276 Acórdão n.º 3801004.772 S3TE01 Fl. 7 6 A recorrente afirma que juntou cópia da DIPJ 2006/2005 retificada, a qual demonstraria redução dos valores das contribuições anteriormente apresentados, e apresenta justificativas para não ter retificado a DCTF e o DACON. Não encontrei nos autos nenhuma DIPJ, original ou retificada. Logo, inócua a alegação. Quanto à falta de retificação da DCTF e do DACON, esta não é determinante para o julgamento, uma vez que o CARF tem reconhecido o direito ao crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, independentemente de retificação da DCTF e do DACON, desde que o direito seja comprovado por documentos e livros fiscais e contábeis hábeis. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. De qualquer modo, o importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito pleiteado. Há menção de que seria decorrente da inclusão do ICMS integrante de conhecimento de transporte na base de cálculo da cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, porém, não é tecido nenhum argumento sobre esta matéria. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Declaração de compensação errada e competência do CARF No recurso, ao contrário da manifestação de inconformidade, nada foi dito sobre erro na Declaração de Compensação ou sobre a necessidade de sua retificação. Apenas se afirmou que, no PER/DCOMP apresentado, verificase que houve pagamento a maior. Porém, tendo em vista que possível erro na DCOMP é questão que permeia os autos e que a decisão da DRJ tratou desta matéria; que a Administração deve atender aos princípios da legalidade, da moralidade, do interesse público e da eficiência; e que o princípio da verdade material é especialmente levado em consideração nos julgamentos neste Conselho; teço algumas considerações que me levam a concluir pela manutenção da decisão recorrida na íntegra. O processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal é regido pelo Decreto nº 70.235, de 6/3/1972. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906118/201276 Acórdão n.º 3801004.772 S3TE01 Fl. 8 7 O rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 1972, não se aplica, em princípio, aos processos administrativos de pedidos de compensação, pois não são processos de determinação e exigência de créditos tributários, tampouco de consulta sobre aplicação da legislação tributária federal.. Porém, por força do art. 74, §§ 9º e 10, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, não homologada a compensação, o sujeito passivo poderá apresentar manifestação de inconformidade contra a decisão administrativa de não homologação e recurso contra decisão que julgue improcedente a manifestação de inconformidade. Ambos, manifestação de inconformidade e recurso, seguirão o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 1972, conforme parágrafo 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais_CARF, que, conforme art. 37 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009, é competente para julgar, em segunda instância, processos que seguem o rito deste decreto, possui competência para julgar recursos contra decisões da DRJ que julgaram improcedentes manifestações de inconformidade contra não homologação de declarações de compensação. Quanto à retificação de declarações de compensação, a situação é diferente. Cito o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 76DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906118/201276 Acórdão n.º 3801004.772 S3TE01 Fl. 9 8 § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União A exigência do pagamento destes débitos não deve ser submetida a julgamento administrativo; e, ainda que a declaração de compensação contenha erro, não cabe nesta instância sua correção, o que deve realizarse pela entrega de declaração retificadora, tal como estabelecido nos arts. 6º a 8º das Instruções Normativas SRF nº 360. de 24/02/2003, e nº 376, de 23/12/2003; nos arts. 55 a 58 da IN SRF nº 460, de 18/10/2004, e IN SRF nº 600, de 28/12/2005; nos arts. 76 a 79 da IN SRF nº 900, de 30/12/2008; e nos arts. 88 a 90 da IN RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Conforme assentado no acórdão recorrido, a retificação de declaração de compensação deveria ser requerida por meio de documento retificador gerado a partir do programa PER/DCOMP. Não há nos autos nenhum documento retificador gerado nesta condição. Assim, não pode o CARF determinar a homologação da DCOMP tal como formalizada, ainda que errada, pois esta extingue o crédito tributário, sob condição resolutória, e constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906118/201276 Acórdão n.º 3801004.772 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 19647.008332/2005-88
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO REITERADA E SIGNIFICATIVA DE RECEITAS. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. SONEGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO.
A omissão reiterada de receitas ao Fisco federal em valores significativos declarados ao Fisco estadual demonstra a intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal por parte da autoridade fazendária.
Omissão de receitas que permite o indevido enquadramento no regime tributário do SIMPLES e aproveitamento de seus benefícios caracteriza conduta dolosa.
Tais condutas se amoldam à figura delituosa da sonegação prevista no art. 71, inciso I, da Lei nº4.502/64, e enseja a aplicação da sanção fixada no seu patamar majorado, conforme o disposto no art. 44, inciso II, da Lei nº9.430/1996.
Numero da decisão: 9101-002.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
RAFAEL VIDAL DE ARAUJO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, MARCOS VINÍCIUS BARROS OTTONI (Suplente Convocado), PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado) e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO REITERADA E SIGNIFICATIVA DE RECEITAS. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. SONEGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. A omissão reiterada de receitas ao Fisco federal em valores significativos declarados ao Fisco estadual demonstra a intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal por parte da autoridade fazendária. Omissão de receitas que permite o indevido enquadramento no regime tributário do SIMPLES e aproveitamento de seus benefícios caracteriza conduta dolosa. Tais condutas se amoldam à figura delituosa da sonegação prevista no art. 71, inciso I, da Lei nº4.502/64, e enseja a aplicação da sanção fixada no seu patamar majorado, conforme o disposto no art. 44, inciso II, da Lei nº9.430/1996.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, MARCOS VINÍCIUS BARROS OTTONI (Suplente Convocado), PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado) e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
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Conduta reiterada. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DISTRIBUIDORA NOVA DESCOBERTA LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO REITERADA E SIGNIFICATIVA DE RECEITAS. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. SONEGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. A omissão reiterada de receitas ao Fisco federal em valores significativos declarados ao Fisco estadual demonstra a intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal por parte da autoridade fazendária. Omissão de receitas que permite o indevido enquadramento no regime tributário do SIMPLES e aproveitamento de seus benefícios caracteriza conduta dolosa. Tais condutas se amoldam à figura delituosa da sonegação prevista no art. 71, inciso I, da Lei nº4.502/64, e enseja a aplicação da sanção fixada no seu patamar majorado, conforme o disposto no art. 44, inciso II, da Lei nº9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 83 32 /2 00 5- 88 Fl. 782DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, MARCOS VINÍCIUS BARROS OTTONI (Suplente Convocado), PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado) e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial (fls.646/657) contra decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova, interposto pela Fazenda Nacional, em 21/11/2007, com fundamento no art. 7º, inciso I, c/c §1º, e art. 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007. 2. A Recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 10809.191, de 24/01/2007, por meio do qual a Oitava Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes (1ºCC), por maioria de votos, DEU provimento PARCIAL ao Recurso Voluntário, para excluir a qualificação da multa de ofício, reduzindo seu percentual para 75% (setenta e cinco por cento). 3. Por bem descrever os fatos, adoto, com algumas supressões para maior clareza e para ressaltar apenas o que interessa, o Relatório do Acórdão Recorrido: "DISTRIBUIDORA NOVA DESCOBERTA LTDA., já qualificada, nos anos calendários de 2000 a 2003, auferiu receitas de vendas comparativamente superiores aos valores declarados, (período de outubro de 2000 a dezembro de 2003). Representação Fiscal à autoridade jurisdicionante, às fls.01/04, solicitou a exclusão da empresa do SIMPLES, nos termos do inciso IV do art. 14, c/c inciso V do art. 15 da Lei n.º 9.317/96. Em decorrência houve a expedição do Ato Declaratório Executivo n.º 112, de 12/08/2005, publicado no Diário Oficial em 22/08/2005, às fl. 104, com efeitos a partir de 01/10/2000. O Termo de Ciência de Exclusão do SIMPLES n° 002, à fl. 106, se deu no dia 25/08/2005. Intimada a apresentar a documentação fiscal e contábil que propiciasse o cálculo do imposto devido, não respondeu à intimação. O IRPJ (fls. 112) e a CSLL (fls. 125), foram apurados segundo as regras do lucro arbitrado. As bases de cálculo partiram das receitas conhecidas, escrituradas no Livro de Apuração do ICMS, conforme demonstrativos às fls. 169 e 170. Decorrente da exclusão, a partir de 01/10/2000, ficou sujeita aos recolhimentos da COFINS e da Contribuição para o PIS como as demais pessoas jurídicas. Por isto a constituição dos autos de infração de fls. 153, COFINS e fls. 139, do PIS. As exigências de fls. 111 a 167 constituíram o crédito tributário no valor total de R$ 1.282.469,53, com qualificação da multa de ofício. No ano calendário de 2000 entregou sua DIPJ com os valores zerados; em 2003 apresentouse como empresa inativa. E quando ofereceu receitas à tributação, o fez em valores insignificantes, conforme RAF de fls. 171/176. Representação Fiscal para Fins Penais no processo n° 19647.013002/200512. Às fls. 377 a 421, impugnação onde questionou os autos de infração. O Ato Declaratório Executivo de Exclusão do SIMPLES não atendera a determinação do parágrafo único do art 23 da Instrução Normativa SRF n° 255/2002, o que implicaria na sua nulidade. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 19647.008332/200588 Acórdão n.º 9101002.106 CSRFT1 Fl. 783 3 O arbitramento não prosperaria. Os documentos apresentados possibilitavam a apuração através do lucro real ou presumido. A utilização das GIAM'S e supostos depósitos bancários não contabilizados se fizera com desprezo dos lançamentos existentes, relativos ao lucro real ou presumido. Transcreveu, às fls. 386, parte de acórdão do Conselho de Contribuintes que tratou de redução da multa de ofício aplicada de 150% para 75%. Às fls. 388 a 390, reproduziu doutrina de Ricardo Mariz de Oliveira acerca da apuração do verdadeiro lucro real. Reclamou da multa aplicada. ... Decisão de fls. 544/557 relatou a existência nos autos do procedimento fiscal que resultou na exclusão da empresa do SIMPLES e a autuação referente aos anos calendários de 2000 a 2003. Comentou que a exclusão da empresa do sistema simplificado ocorreu no dia 25/08/2005, através do Termo de Ciência de Exclusão do Simples, à fl. 106. Caberia a manifestação de inconformidade no prazo de 30 (trinta) dias contados a partir da data da ciência daquele ato. Como não houve resposta, nos termos do art. 4º do Ato Declaratório Executivo nº 112/2005, a exclusão tornouse DEFINITIVA. Por isto não analisou os efeitos desse ato de exclusão efetuada pela contribuinte em sua impugnação apresentada apenas no dia 12/01/2006. Quanto ao arbitramento informou que as receitas apuradas pela fiscalização foram obtidas junto à escrituração fiscal apresentada. As bases de cálculo foram retiradas do Livro de Apuração do ICMS, às fls. 12 a 77. A exclusão retroativa sujeitavaa à tributação cabível às demais pessoas jurídicas. Realizada de ofício não comportava mais a opção para tributação com base no lucro presumido ou lucro real anual, pois nessas modalidades a opção se dava no momento do 1º pagamento. Ademais os recolhimentos desses anos se fez através do código 6106. Cabia apurar os resultados através do lucro real trimestral, se as intimações e reintimações, para apresentar a escrita contábil e fiscal, tivessem logrado êxito. Por isto restou sem propósito o pedido de perícia de fls. 391 e 392, e prejudicados os demais argumentos. Justificou a aplicação da multa qualificada ante os fatos narrados na autuação. ... Quanto aos valores pagos sob código 6106, admitiu a compensação dos valores daqueles demonstrados através das tabelas de fls. 553,557. Recurso interposto às fls. 564/590, onde, em síntese, repetiu os argumentos expendidos na inicial, tentando reabrir a discussão sobre a exclusão do simples, dizendo que a intimação não seguiu os trâmites do artigo 23 do Decreto 70235/72, pois na ciência pessoal não restara demonstrada a exclusão numérica das diferenças que redundaram em sua exclusão, em flagrante cerceamento do seu direito de defesa. Discorreu sobre o vício no procedimento transcrevendo doutrina e jurisprudência que secundaria sua conclusão. Sofrera prejuízos ao não saber as diferenças que poderiam ter sido objeto de parcelamento, se não merecessem explicações. Quanto ao arbitramento, só caberia se não estivesse abrigado no SIMPLES, porque neste sistema estava desobrigado de escrituração contábil o que implicaria em ilegalidade no procedimento. Assim concluiu que poderia o autuante se utilizar do lucro presumido ou real, o que não fez. Citou acórdão Fl. 784DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 4 10707.686, processo 10925.002421/200277; ac. 10320280 de 13.04.2000; 10512967, de 20.10.1999, como reforço a sua tese de possibilidade da apuração do lucro na forma presumida. E ainda os pretensos depósitos não comprovados deveriam fazer parte na apuração do lucro presumido. Também a tributação poderia se dar através do lucro real com desprezo do arbitramento ilegal. Discorreu sobre a matéria "lucro real" citando Ricardo Mariz de Oliveira, para pedir nova apuração da base de cálculo imponível, (real ou presumido) através da realização de perícia, para a qual designou assistente técnico e quesitos. Reclamou da multa qualificada, linha na qual expendeu vasto arrazoado. A exclusão do SIMPLES teria efeito ex nunc e não ex tunc. Assim, como a exclusão se dera em 2005, somente a partir daí geraria eficácia, nos termos da decisão do Tribunal Regional Federal da 3a Região, no processo 2004.03.00.0031760, julgado em 01/09/2004, conforme cópias de fls. 590/3. Como o auto não obedecera tais efeitos violara o artigo 142 do CTN, porque faltaria certeza à matéria tributável, descabendo os lançamentos para o IRPJ e CSLL Quanto às bases de cálculo para o PIS e COFINS reiterou os argumentos expendidos na inicial ... ... É o Relatório." 4. O Acórdão Recorrido foi assim ementado, na parte pertinente: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DESCABIMENTO Sobre os créditos apurados em procedimento de ofício só cabe a exasperação da multa quando restar tipificada a hipótese de incidência do artigo 1º inciso I da Lei 8137/1990. No caso dos autos se aplica a multa de ofício do inciso primeiro do artigo 44 da Lei 9430/1996. 5. Como a relatora ficou vencida exatamente em relação à qualificação, a fundamentação vencedora constou do voto vencedor nos seguintes termos: "... Peço vênia para dele discordar somente quanto ao cabimento da qualificação da multa no caso ora analisado. Porque entendo que, para aplicar a multa qualificada prevista no inciso II do artigo 44 da Lei 9.430/96 sobre as omissões de receitas verificadas, não (sic) caberia. A irregularidade constatada foi a falta de escrituração ou registro a menor de receitas operacionais. Vejamos agora o teor da Lei 4.502/64, nos citados artigos, que definiram os crimes de sonegação, fraude e conluio, em comparação aos fatos trazidos pelo Auditor Fiscal: [e reproduziu os arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64] Realmente, não se conclui pela acusação e pelos documentos trazidos ao processo, nem tampouco pela descrição minuciosa contida no Relatório Fiscal, que tenha havido qualquer uma destas figuras tributárias. Estes citados fatos acarretaram corretamente o arbitramento do lucro tributável da pessoa jurídica, mas não podem, por si só, caracterizar o evidente intuito de fraude. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 19647.008332/200588 Acórdão n.º 9101002.106 CSRFT1 Fl. 784 5 Não vejo carreado nos autos provas de dolo, fraude ou simulação, elementos necessários para manutenção da exação, aliás, a matéria do lançamento é por presunção legal previsto no artigo 42 da Lei 9.430/96. Por isto encaminho meu voto dando parcial provimento ao recurso para desqualificar a multa de ofício aplicada." 6. A Recorrente defendeu o cabimento (fls.647/648) do Recurso Especial por contrariedade ao art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996 e por contrariedade a prova constante dos autos, e apresentou razões (fls.648/656) para a reforma do acórdão recorrido, assim concluindo: "i) praticou atividade ilícita comprovada, consistente na prática sistemática de, durante 4 (quatro) anoscalendário consecutivos, omitir informações ao Fisco Federal, mediante a inserção de elementos inexatos nas declarações anuais, em atividade reiterada de manutenção à margem dos registros fiscais de montantes significativos da receita auferida, o que reforça o intuito de fraude, motivo pelo qual foi devidamente aplicada pela fiscalização a multa de 150%; ii) como resultado de sua conduta dolosa de apresentação reiterada de declarações inverídicas ao fisco, objetivando impedir o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, houve evidente prejuízo ao erário; iii) a conduta foi sempre resultado de sua vontade, livre e consciente, já que realizada de forma sistemática; iv) a conduta realizada repetidamente demonstrou desprezo ao cumprimento da obrigação fiscal, ao princípio da solidariedade de matriz constitucional e ao dever legal de participação, indicando a intensidade do dolo. Por todos os motivos expostos, deve ser mantida a qualificação da multa, posto que amparada nos comandos legais aplicáveis e justificada pelo contexto probante que instrui os presentes autos." (Grifos no original) 7. Por meio do Despacho nº 108228/2007 (fls.659), de 20/12/2007, o Presidente da 8a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes reconheceu a tempestividade e deu seguimento ao Recurso interposto pela Fazenda Nacional. 8. O contribuinte apresentou Contrarrazões (fls.677/680) ao Recurso Especial da Fazenda Nacional onde apenas reproduziu ementas de acórdãos do 1ºCC tratando de agravamento da multa, de omissão de rendimentos e de presunção legal. 9. É o relatório. Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. 2. Conheço do recurso, pois presentes todos os requisitos de admissibilidade. 3. A questão trazida à apreciação deste colegiado referese à qualificação da multa de ofício em razão da suposta conduta dolosa do contribuinte, verificada com evidente intuito Fl. 786DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 6 de fraude. A Fazenda Nacional pugna pela manutenção da multa no percentual de 150%, afastado por maioria de votos pela decisão recorrida. 4. Relativamente à contrariedade à evidência de prova, entendo estar configurada. Explico. 4.1. A decisão recorrida afirmou (pg. 16 da peça), no voto vencedor, que: "não vejo carreado nos autos provas de dolo, fraude ou simulação, elementos necessários para a manutenção da exação, aliás, a matéria do lançamento é por presunção legal previsto no artigo 42 da Lei nº 9.430/96". 4.2. Entretanto, é fato incontroverso que a matéria do lançamento não foi presunção legal previsto no art. 42 da Lei nº 9.430/06, mas sim arbitramento com base no Livro de Apuração do ICMS; pois, conforme de depreende das fls. 169/170 do Termo de Verificação Fiscal, as bases de cálculo partiram de receitas conhecidas, escrituradas no Livro de Apuração do ICMS, constante às fls.12/77. 4.3. Ademais, a parte da ementa do Acórdão recorrido que tratou da multa de ofício qualificada faz referência ao art. 1º, inciso I, da Lei nº 8.137/1990, o que não concorda com a fundamentação, que discorreu sobre o art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96 e os arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. 5. À vista dessas consideração inicias, afasto de plano, por tratar de situação totalmente distinta dos autos, as Súmulas CARF nº 14 e nº 25. 6. Passo a discorrer sobre a contrariedade a lei, qual seja, o art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, e os arts. 71,72 e 73 da Lei nº 4.502/64 dele remetidos. 7. Trago à baila o Acórdão nº 910101.029, de 25/05/2011, da lavra do ilustríssimo Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias, que teve provimento unânime na presença de alguns dos distintos conselheiros aqui presentes, por estar bem fundamentado e apropriado à situação (Simples Federal, arbitramento a partir do Livro de Apuração do ICMS, prática reiterada em vários anoscalendário). Segue a ementa do referido acórdão: "MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO REITERADA E SIGNIFICATIVA DE RECEITAS. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. SONEGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. A omissão reiterada de receitas ao Fisco federal em valores significativos declarados ao Fisco estadual demonstra a intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal por parte da autoridade fazendária. Tal conduta se amolda à figura delituosa da sonegação prevista no art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502/64, e enseja a aplicação da sanção fixada no seu patamar majorado, conforme o disposto no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/1996." 8. A conduta da contribuinte foi cabalmente demonstrada nos autos. A autoridade fiscal reuniu elementos suficientes para caracterizar que houve a conduta volitiva, com a finalidade de ocultar receitas que deveriam ser oferecidas à tributação. Conforme o Relatório de Auditoria Fiscal (fls.168/176) a fiscalização demonstrou a conduta fraudulenta da contribuinte, tendo constatado que: "... Fl. 787DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 19647.008332/200588 Acórdão n.º 9101002.106 CSRFT1 Fl. 785 7 Foi constatado, com base nos Livros Registro de Apuração do ICMS apresentados pela Fiscalizada, comparado com as Guias de Informação e Apuração Mensal GIAM, apresentadas à Secretaria da Fazenda do Estado de Pernambuco, que a receita bruta apurada, decorrente da venda de mercadorias, nos anoscalendário 2000 a 2003, era expressivamente superior à receita declarada. O contribuinte, inscrito no Sistema Integrado de Pagamento Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, auferiu receita bruta anual, nos anoscalendário 2001 a 2003, superior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais), excedendo, assim, ao limite permitido para sua permanência no SIMPLES. No ano calendário de 2000, conforme art.185, parágrafo único RIR/99 no caso de início de atividade no próprio ano calendário (outubro/2000), os limites de que trata os incisos I e II serão proporcionais aos números de meses em que a Pessoa Jurídica houver exercido sua atividade. Registrese ainda que a Declaração Anual Simplificada referente ao anocalendário 2000, foi entregue à Receita Federal sem registro de valor ("zeradas") e o anocalendário de 2003, foi entregue (inatividade). Pelo exposto acima, constatase, que o contribuinte omitiu de maneira contumaz as receitas que deveriam constar em suas declarações, conduta que revela a intenção de suprimir os tributos federais devidos. ... O contribuinte omitiu informações para o fisco Federal, nos (04), quatro anos consecutivos fiscalizados (outubro/2000 a dezembro/2003), inserindo elementos inexatos nas Declarações Anuais Simplificadas, de forma a impedir o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, do fato gerador da obrigação tributária. Está, assim, configurado o evidente intuito de suprimir os tributos federais, pela prática reiterada de declaração da receita a menor e recolhimento tributário inferior ao valor devido, conforme exposto no item 3. Conseqüentemente, os lançamentos tributários do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS contemplam a aplicação da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/96, c/c arts. 71 e 72 da Lei n° 4.502/64, reproduzidos a seguir: [e transcreveu os arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964] ..." 8.1. Com efeito, analisandose os elementos trazidos aos autos restou demonstrado o evidente intuito de fraudar o Fisco. A contribuinte, mediante a supressão de valores significativos da base de cálculo dos impostos recolhidos pela sistemática do SIMPLES, deixou de oferecer à tributação federal a maior parcela de suas receitas. 9. Abaixo, segue resumo anual dos valores não oferecidos à tributação federal, elaborado a partir dos quadros às fls.169/170: Ano Calendário Vendas Livro de Apuração do ICMS Receitas DIPJ Simples Diferença Omitida % Declarado DARF Diferença não paga % Pago 2000 85.113,89 0,00 85.113,89 0,00% 143,65 84.970,24 0,17% Fl. 788DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O 8 2001 756.914,67 79.924,07 676.990,60 10,56% 2.397,71 754.516,96 0,32% 2002 2.043.229,36 169.242,16 1.873.987,20 8,28% 6.347,28 2.036.882,08 0,31% 2003 3.791.867,66 Inativa 3.791.867,66 0,00% 6.851,40 3.785.016,26 0,18% 9.1. A partir da tabela acima, constatase que no anocalendário de 2000, o contribuinte declarou valores zerado (ou seja, declarou não auferir nenhuma receita) e no ano caléndário de 2003, o contribuinte declarouse como inativo. No anocalendário de 2001 e 2002, na média, houve declaração apenas de cerca de 9,5%. 9.2. Verificase a considerável discrepância entre os valores escriturados no Livro de Apuração do ICMS e os valores informados na DIPJ Simplificada ao longo dos anos de 2000 a 2003. As receitas oferecidas à tributação pelo SIMPLES por terem sido relevantemente menores ou inexistes neste período, ensejou a exclusão de ofício da sistemática. 10. É cediço no âmbito deste Conselho que a interpretação deve sempre ser favorável ao contribuinte, não se lhe aplicando a multa de ofício no percentual majorado sempre que a instrução processual não evidenciar de forma clara a sua conduta delitiva. Nestes casos, tornase imperioso o afastamento da qualificadora, pela ausência de elementos fáticos suficientes para caracterizar a conduta dolosa em desfavor do Fisco. Porém, não é o que ocorreu na hipótese dos autos. 11. A conduta omissiva verificouse ao longo de quatro anoscalendários consecutivos, todos alcançados por esta autuação. Observase, também, que são relevantes os valores que deixaram de ser reiteradamente declarados, o que leva a descartar eventuais erros de preenchimento na declaração entregue ao Fisco federal. 12. Muito apropriadas as ponderações do voto condutor do Acórdão nº 910101.029, de 25/05/2011: "... o que sacramenta a certeza de que a omissão não decorreu por mera culpa, mas sim por dolo, é o fato de o contribuinte, no mesmo período, ter declarado corretamente os valores das suas vendas ao Fisco Estadual. É do conhecimento dos que atuam na área fiscal, inclusive aqueles que gerenciam as empresas, que a fiscalização estadual é dotada de um contingente consideravelmente maior de agentes fiscais do que o Fisco federal. O aparato estadual possui condições de alcançar uma gama maior de contribuintes, inclusive os de menor porte. O risco de sofrer uma fiscalização federal, em especial para as pequenas e médias empresas, é consideravelmente menor que o de a ser fiscalizada pelo Estado. Em razão disso, algumas empresas, como restou demonstrado ser o caso da autuada, adotam a prática deliberada de informar os valores corretos de suas vendas à Fazenda Estadual, mas os omitir total ou parcialmente da Fazenda Federal." 13. Ademais, ocorre que a conduta de deixar de declarar falsamente significativa parte da receita no anocalendário de 2002 e toda a receita no anocalendário de 2003, gerou para a recorrida um benefício maior do que o escape à tributação. A conduta da recorrida, em verdade, lhe permitiu permanecer indevidamente1 na sistemática do Simples e aproveitar os benefícios desse regime de tributação simplificada. Esses fatos já têm sido considerados pelo CARF como caracterização da conduta dolosa, conforme se extrai dos Acórdãos nº 1202 00.833, de 05/07/2012, e nº 120200.808, de 13/06/2012, onde podese ler o seguinte: 1 O limite para permanência no Simples à época era de um milhão e duzentos mil reais. Fl. 789DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O Processo nº 19647.008332/200588 Acórdão n.º 9101002.106 CSRFT1 Fl. 786 9 MULTA QUALIFICADA. Omissão de receitas que permite o indevido enquadramento no regime tributário do SIMPLES e aproveitamento de seus benefícios caracteriza conduta dolosa equivalente, em tese, ao crime de sonegação fiscal, ensejando a qualificação da multa de ofício. 14. Por estas circunstâncias fáticas, entendo que a omissão, perpetrada ao longo de quatro anos consecutivos (prática reiterada), em valores correspondentes a, no mínimo, mais de 89% das receitas auferidas, não configura provável erro na prestação das informações ao Fisco federal. Ao contrário, porém, revela conduta dolosa por parte da contribuinte com intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal por parte da autoridade fazendária. 15. Tal conduta se amolda à figura delituosa da sonegação, prevista no art. 71, inciso I, da Lei n° 4.502/64 e enseja a aplicação da sanção fixada no seu patamar majorado, conforme o disposto no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/1996. 16. Por tais fundamentos, voto no sentido da DAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional para restabelecer o percentual de 150% da multa de ofício. 17. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Fl. 790DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/03/20 15 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/03/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRET O
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Numero do processo: 19647.009193/2009-33
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 26/06/2009 a 01/06/2010
IPI. REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. BENEFÍCIO FISCAL. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS.
A redução de alíquota de IPI em operação tributada por este imposto caracteriza benefício fiscal, cuja concessão ou reconhecimento se condiciona à comprovação pela contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais, o que se aplica a cada operação beneficiada com a redução.
BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. ATO DECLARATÓRIO.
O Ato Declaratório Executivo configura ato administrativo legítimo para a Administração Tributária Federal constituir ou terminar situações individuais de reconhecimento de redução de alíquota de imposto.
BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. VERIFICAÇÃO. ATIVIDADE VINCULADA.
É vinculada a atividade da Administração Tributária de verificação do atendimento pela contribuinte da comprovação de quitação de tributos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.412
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento parcial ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Paulo Sérgio Celani. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Daiane Ambrosino, OAB/SP 294.123.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relatora.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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REDUÇÃO DE ALÍQUOTA. BENEFÍCIO FISCAL. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. A redução de alíquota de IPI em operação tributada por este imposto caracteriza benefício fiscal, cuja concessão ou reconhecimento se condiciona à comprovação pela contribuinte da quitação de tributos e contribuições federais, o que se aplica a cada operação beneficiada com a redução. BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. ATO DECLARATÓRIO. O Ato Declaratório Executivo configura ato administrativo legítimo para a Administração Tributária Federal constituir ou terminar situações individuais de reconhecimento de redução de alíquota de imposto. BENEFÍCIO FISCAL. CONCESSÃO E RECONHECIMENTO. COMPROVAÇÃO DA QUITAÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. VERIFICAÇÃO. ATIVIDADE VINCULADA. É vinculada a atividade da Administração Tributária de verificação do atendimento pela contribuinte da comprovação de quitação de tributos federais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que davam provimento parcial ao recurso. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 91 93 /2 00 9- 33 Fl. 159DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.009193/200933 Acórdão n.º 3801004.412 S3TE01 Fl. 3 2 Paulo Sérgio Celani. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Daiane Ambrosino, OAB/SP 294.123. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJRecife, abaixo transcrito: A empresa Primo Schincariol Ind de Cerv e Refrig do Nordeste S/A solicitou que a DRF/REC encaminhasse ao Coordenador – Geral COSIT, pedido de habilitação para usufruir a redução do IPI incidente sobre refrigerante classificado no código 2202.10.00 da TIPI. A referida redução de alíquota foi instituída pelo Decreto 75.659, de 1975 (TIPI/75), e foi norma reproduzida nas TIPI’s posteriores, estando vigente ainda hoje (TIPI/2012). Na época do protocolo da solicitação, o contribuinte baseou seu pedido no inciso I do art.65 do RIPI/2006 (Decreto 4.544/06): “Art.65. Haverá redução: I das alíquotas de que tratam as Notas Complementares NC (211) e NC (221) da TIPI , que serão declaradas, em cada caso, pela SRF, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, quanto ao Fl. 160DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.009193/200933 Acórdão n.º 3801004.412 S3TE01 Fl. 4 3 cumprimento dos requisitos previstos para a concessão do benefício; Nota Complementar (NC) da TIPI (Decreto nº 6.006, de 2006) NC (221) Ficam reduzidas de cinqüenta por cento as alíquotas do IPI relativos aos refrigerantes e refrescos, contendo suco de fruta ou extrato de sementes de guaraná, classificados no código 2202.10.00, que atendam aos padrões de identidade e qualidade exigidos pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e estejam registrados no órgão competente desse Ministério. Conforme verificado pela repartição fiscal de origem, ao regular o tema, o Decreto 75.808, de 2 de junho de 1975, incluiu na tabela (TIPI) o “ex” relativo aos refrigerantes, refrescos e néctares que contiverem suco de fruta, de acordo com os padrões fixados pelo Ministério da Agricultura, e que possuíam “Certificados de Registro” expedido pelo órgão competente daquele Ministério. Reduzindo em 50% a alíquota do IPI. Além disso, o referido Decreto 75.008/75 assim determinou nos seus artigos 2º e 3º: “Art.2º. A redução de alíquota conferida pelo art.1º do Decreto número 75.659, de 25 de abril de 1975, relativas a bebidas incluídas no destaque constante no Anexo a que se refere o artigo anterior, será declarada pela Secretaria da Receita Federal, em cada caso, após audiência do órgão competente do Ministério da Agricultura quanto à conformidade do produto com as características exigidas nos padrões de identidade e qualidade estabelecidas pelo Decreto número 73.267, de 6 de dezembro de 1973, e pelos atos complementares baixados por aquele Ministério. Art.3º. Os Ministérios da Fazenda e Agricultura expedirão as normas complementares necessárias à execução do disposto neste Decreto. Veio, então, a Portaria Interministerial MF/MA nº 113, de 04 de março de 1977, determinando aos interessados na fruição do benefício fiscal requerer ao Coordenador Geral do Sistema de Tributação da SRF (atual COSIT), informando os elementos nela indicados, isto é, (i) identificação do requerente, (ii) identificação do produto para o qual se requer o reconhecimento da redução de alíquota e, (iii) o número do Certificado de Registro do Produto, expedido pelo órgão competente do Ministério da Agricultura. Conforme relatado, no Parecer SEORT/RECIFE/2011, segundo o procedimento previsto, coube à unidade local da Receita Federal após formalizar o processo, informar sobre os antecedentes fiscais da requerente e encaminhálo ao Ministério da Agricultura (MA). A DRF/REC encaminhou este processo ao Serviço de Inspeção Vegetal(SIV), da Delegacia do Ministério da Agricultura, Fl. 161DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.009193/200933 Acórdão n.º 3801004.412 S3TE01 Fl. 5 4 Pecuária e Abastecimento – MAPA em Recife/PE, para verificação do cumprimento dos requisitos previstos para o reconhecimento da redução pleiteada. Depois de realizados os procedimentos sob a alçada do MAPA, que culminaram com a concessão do Certificado de Registro dos Produtos: Preparado Líquido para Refrigerante de Guaraná (Schin Guaraná), Registro PE05896000606,Preparado Líquido para Refrigerante de Laranja (Schin Laranja), Registro PE05896000584,Preparado Líquido para Refrigerante de Cola (Schin Cola), Registro PE05896000614ePreparado Líquido para Refrigerante de Limão (Schin Limão), Registro PE05896000592,o processo retornou à unidade da Receita Federal para encaminhamento à COSIT. No entanto, pela Portaria nº 2, de 12 de setembro de 1995, o Coordenador da COSIT, delegou essa competência às Delegacias da Receita Federal para apreciarem os pleitos referentes ao reconhecimento dessa redução de alíquota, e providenciar, se for o caso, a expedição do pertinente Ato Declaratório. A repartição fiscal de origem informou no processo, no Parecer SEORT/RECIFE/2011, que em consulta aos sistemas de controle da RFB, em 22.07.2011, constatou que a requerente possui débitos em cobrança no SIEF, além de constar como inadimplente no CADIN, por débitos junto à PFN. Informou que a necessidade dessa análise de antecedentes fiscais decorre da Lei 9.069/95, a qual determina no seu art. 60, que qualquer reconhecimento de benefício fiscal relativo a tributo administrado pela Receita Federal fica condicionado à comprovação, pelo contribuinte, da quitação respectiva. Por outro lado, verificouse no sistema CNPJ, que a situação cadastral da requerente era de empresa baixada desde 01/06/2010, por incorporação à empresa PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG S/A – CNPJ 50.221.019/000136 . A repartição fiscal de origem observou que o Decreto 7.212/2010 (RIPI),no seu art. 176, caput e inciso I, prevê a transferência, por sucessão, de benefícios fiscais concedidos por prazo certo e em função de determinadas condições à pessoa jurídica que vier a ser incorporada, mediante requerimento da incorporadora, e desde que observados os limites e condições fixados na legislação que instituiu o benefício, em especial quanto aos aspectos vinculados ao tipo de atividade e de produto. (Grifos meus). Mas, o supracitado Parecer SEORT/RECIFE/2011 entendeu que a interessada perdeu a legitimidade para requerer, porque a partir de sua baixa tornouse inexistente, e a sucessora não havia se habilitado no processo;que caso a sucessora ainda desejasse a habilitação poderia requerela em nome próprio. Concluiuse,no entanto, que a procuração da empresa ao representante legal que encaminhou o pedido se encontrava vencida, e como a representada havia sido extinta não seria possível sua renovação. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.009193/200933 Acórdão n.º 3801004.412 S3TE01 Fl. 6 5 Recomendouse assim ao Sr. Delegado da DRF/REC que declarasse extinto o processo com base no art.52 da Lei 9.784/99, porque a finalidade ou o objeto da decisão terseia tornado impossível, inútil ou prejudicado pelo fato superveniente da extinção da empresa requerente. A decisão da DRF/REC, com base no Parecer SEORT/RECIFE/2011, foi por declarar EXTINTO O PROCESSO DE SOLICITAÇÃO DE HABILITAÇÃO da pessoa jurídica PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG DO NORDESTE S/A – CNPJ 01.278.018/000384. Cientificouse a empresa sucessora dessa decisão, (…), facultandolhe o direito de interpor recurso no prazo de 10 (dez) dias,contado da ciência do Despacho Decisório, a ser protocolizado na DRF/Recife/PE, nos termos do art.59 da Lei 9.784/99. A sucessora PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG S/A,protocolou seu recurso contra o despacho decisório, na DRF/REC, (…), podendo ser assim sintetizadas as razões essenciais de contestação: 1. A PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG DO NORDESTES/A solicitou habilitação para usufruir da redução da alíquota do IPI sobre os refrigerantes SCHIN GUARANÁ, SCHIN LARANJA, SCHIN COLA E SCHIN LIMÃO , nos termos do RIPI, art. 65, Ic/c a NC 221(da TIPI). 2. Importante esclarecer que a pretensão se alicerçou na NC 221(TIPI) e na declaração expedida pela Coordenação de Inspeção Vegetal do MA. Ao analisar o pedido, a Receita Federal em Recife decidiu extinguir o processo, alegando inexistência da parte solicitante, em razão de sua incorporação pela ora recorrente, sem que esta tivesse se habilitado, apresentando novo requerimento neste mesmo processo. 3. Ainda que a ora recorrente não tenha se habilitado no presente processo, é imperioso reconhecer que a até a data de incorporação (01.06.2010), a redução de alíquota de IPI era devida à empresa incorporada PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV EREFRIG DO NORDESTE. Observeseque até 01.06.2010 o CNPJ da referida incorporada estava em plena atividade, e somente foi baixado nessa data. 4. Assim, considerandoseque os requisitos estavam presentes, desde o momento da solicitação pela empresa (só posteriormente) incorporada, e que até 01/06/2010 a referida empresa estava em plena atividade, não restam dúvidas de que até tal data a redução de alíquota de IPI lhe era devida. 5. Frisase que a solicitação foi devidamente instruída com cópia do registro do produto no MA, o qual atestou que o produto em questão atende aos padrões de identidade e qualidade exigidos. Não havendo qualquer óbice para se negar o reconhecimento da redução de alíquota de IPI até 01/06/2010. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.009193/200933 Acórdão n.º 3801004.412 S3TE01 Fl. 7 6 6. Importa, ainda, consignar, que a regularidade fiscal não é condição para a concessão da redução de alíquota de IPI requerida. O art. 60 da Lei 9.069/95aplicase quando da concessão de benefício fiscal, o que não é o caso da redução de alíquota do IPI, pois é tratamento objetivamente atribuído a um determinado produto que preenche os requisitos estabelecidos na NC 221da TIPI. Os requisitos exigidos na NC 221da TIPI foram cumpridos conforme exposto mais acima. Ante o exposto pede que seja provido seu recurso, para que seja deferido o pedido de redução de alíquota do IPI incidente sobre os refrigerantes SCHIN GUARANÁ, SCHIN LARANJA, SCHIN COLA E SCHIN LIMÃO, desde a data dos respectivos registros efetuados pelo MAPA e até 01/06/2010, à empresa PRIMO SCHINCARIOL IND DE CERV E REFRIG DONORDESTE S/A. Analisando o litígio, a DRJRecife por unanimidade de votos, preliminarmente, reconheceu a sua competência para apreciar a matéria e, no mérito, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, para declarar que remanesce o processo, mas negou provimento ao direito pleiteado por persistir sem comprovação a regularidade fiscal da manifestante, conforme ementa abaixo transcrita: NORMAS PROCESSUAIS. RITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FEDERAL. COMPETÊNCIA DA DRJ. PROCESSO SANEADO. Embora a decisão recorrida haja intimado a interessada a apresentar recurso, nos termos do art.56 da Lei nº 9.784/96 (LGPAF), no prazo de dez dias, com base no rito da referida Lei Geral, a repartição de origem procedeu de modo saneador ao encaminhar o recurso à DRJ. É a DRJ que possui competência para apreciar, segundo o rito do Decreto nº 70.235/72, procedimento que busca o reconhecimento do benefício de redução da alíquota de tributos administrados pela RFB, conforme previsto no inciso IV do art.233 da Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012 (Regimento Interno da RFB). HABILITAÇÃO PARA FRUIÇÃO DE REDUÇÃO DO IPI. Houve certificação, por parte do Ministério da Agricultura e Abastecimento (MAPA), quanto aos padrões de identidade e qualidade do produto, e de seu respectivo registro, reconhecendo à interessada, incorporada no curso do processo, a satisfação desses requisitos legalmente exigidos para a fruição do benefício fiscal especificado. DIREITO À REDUÇÃO DE ALÍQUOTA DO IPI. SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO. Tratase de pedido de reconhecimento do direito à redução da alíquota de IPI, prevista na NC 221da TIPI/2006, mediante o cumprimento dos requisitos legais para a fruição do benefício fiscal. Depois de reconhecido, esse direito é passível de transferência à empresa sucessora (incorporadora) mediante habilitação no processo. Por economia processual, a repartição Fl. 164DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.009193/200933 Acórdão n.º 3801004.412 S3TE01 Fl. 8 7 fiscal de origem poderia e deveria ter solicitado a habilitação da sucessora no âmbito deste mesmo processo, iniciado pela empresa posteriormente incorporada. HABILITAÇÃO DA SUCESSORA SUPRIDA. O PROCESSO REMANESCE. A pendência do requerimento de habilitação da sucessora não é razão plausível para extinção de ofício do processo, mas sim recomendava à autoridade administrativa o devido saneamento processual. Esse saneamento tornouse suprido pelo teor da manifestação de inconformidade apresentada pela incorporadora, principal interessada, acompanhada de documentos, conjunto cujo teor apresenta mais substância do que o mero requerimento de habilitação da sucessora previsto no caput do art. 176 do RIPI/2010. A busca de reconhecimento do direito à redução de alíquota do IPI era direito da incorporada, e passou a ser direito da incorporadora, objeto processual que justifica o seguimento do processo até a solução do litígio. FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL. FALTA COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. IMPEDIMENTO LEGAL. Persiste óbice à expedição do ato declaratório. O reconhecimento da redução deve observar não apenas os requisitos legais específicos à fruição do benefício fiscal, mas também deve se enquadrar na regra geral imposta pelo art.60 da Lei 9.069/95. A fruição de qualquer benefício fiscal federal se submete a esse crivo. O benefício de redução da alíquota de IPI de que trata o presente processo está também condicionada à comprovação da quitação de tributos e contribuições federais. O contribuinte apresentou, tempestivamente, recurso voluntário no qual argüi o seguinte: · Que os requisitos para a concessão da alíquota reduzida do IPI estão previstos na NC 221 da TIPI a qual vinculase apenas aos elementos objetivos do produto, quais sejam, o atendimento aos padrões de identidade, qualidade e composição, bem como regular registro perante o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. E que tais requisitos foram prontamente atendidos pela Recorrente; · Que elementos subjetivos, relativo à pessoa jurídica solicitante, são irrelevantes para fins de enquadramento na NC 221 da TIPI. Traz, nesse sentido, decisão exarada pela DRJ em Santarém. Reforça que a regra trazida pelo art. 60 da lei 9.069/95 aplicase somente à concessão de benefícios fiscais, o que não é o caso da redução de alíquota do IPI prevista na NC 221 da TIPI, pois tratase de um tratamento atribuído objetivamente a determinado produto que preencha os requisitos estabelecidos na legislação. Nesse sentido, colaciona decisão exarada pela DRJ em Juiz de Fora; Fl. 165DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.009193/200933 Acórdão n.º 3801004.412 S3TE01 Fl. 9 8 · Que no momento em que efetuou o pedido de redução de alíquota do IPI trouxe aos autos cópia da certidão conjunta positiva com efeitos de negativa de débitos relativos aos tributos federais e à dívida ativa da União. E que se no decorrer do processo, que se prolongou por morosidade da própria autoridade fiscal em analisar o presente pedido, surgiram eventuais débitos em seu desfavor, estes não podem prejudicar seu direito ao reconhecimento da redução de alíquota do IPI. Colaciona decisão do antigo Conselho de Contribuintes nessa linha. · Salienta ainda que a empresa incorporadora da Recorrente encontrase com sua situação fiscal regular, anexando certidão que comprova tal situação. · Por fim, salienta que a redução em comento deverá ser aplicada a partir do momento em que a autoridade competente realizou o reconhecimento da adequação dos produtos aos requisitos previstos em lei. É o relatório. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.009193/200933 Acórdão n.º 3801004.412 S3TE01 Fl. 10 9 Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. De pronto, entendo que não devem prosperar as alegações do Recorrente no sentido de que a redução de alíquota concedida pela NC 221 não constitui um benefício fiscal e que, por conseguinte, não se sujeita ao requisito de regularidade fiscal exigido pelo artigo 60 da Lei 9.069/95. Tratase, sim, de desoneração fiscal objetiva, cuja concessão está vinculada à qualidade de um produto, e não ao contribuinte propriamente dito, impregnada de sentido fina1ístico, pois se vale da redução da alíquota do IPI como mecanismo de indução de um comportamento. Vêse, pois, que corresponde invariavelmente a um incentivo ou benefício fiscal Tal prática foi autorizada pelo legislador constitucional, que inseriu o § 6º no artigo 150 da Carta Magna: § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2º, XII, g. Há que se destacar ainda a Lei de Responsabilidade Fiscal, que limita a ação do legislador na concessão de incentivos de natureza tributária em seu art. 14, e que assim prescreve: Art. 14. § 1o A renúncia compreende anistia, remissão, subsídio, crédito presumido, concessão de isenção em caráter não geral, alteração de alíquota ou modificação de base de cálculo que implique redução discriminada de tributos ou contribuições, e outros benefícios que correspondam a tratamento diferenciado. Fato é que a concessão de incentivos fiscais não se insere na seara do direito tributário, mas no campo da política tributária. O fim visado não é beneficiar o seu destinatário, que apenas usufrui desse benefício por via indireta. E nada obsta que o legislador condicione subjetivamente o contribuinte, para fins de fruição de um privilégio fiscal de natureza extrafiscal, ao atendimento de certos requisitos de interesse público. Por conseguinte, entendo que a redução de alíquota prevista na NC 221 da TIPI corresponde, sim, a um benefício fiscal e que, portanto, enquanto tal, deve observância ao disposto no artigo 60 da Lei 9065/95, que reza que a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Fl. 167DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.009193/200933 Acórdão n.º 3801004.412 S3TE01 Fl. 11 10 Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. Não obstante, fato é também que,quando da apresentação do pedido de redução de alíquota, o contribuinte apresentou a documentação apta e suficiente para a comprovação de sua regularidade fiscal. Ora, caso o agente fazendário observasse o prazo estipulado pelo artigo 241da Lei no. 9.784/1999, para efetuar a apreciação do pedido envolvendo o benefício fiscal, o Recorrente não teria negado o seu pedido, porquanto se encontrava regular. A regularidade fiscal deve ser examinada no momento da opção do contribuinte. Vale lembrar que esta Turma Especial, num caso idêntico envolvendo esse mesmo contribuinte, em decisão da lavra do nobre Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, já examinou assunto semelhante decidindo da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2006 MOMENTO DA COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL Comprovada a regularidade fiscal no momento da apresentação do pedido de reconhecimento de redução de alíquota, deve ser o mesmo deferido. Recurso Voluntário Provido.(Acórdão no. 3801001.594 do Processo 10855.000847/200691) Nesta mesma linha é o teor da Súmula 37 do CARF, assim expressa: Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Vale destacar também que, mesmo que se entendesse insuficiente a prova de regularidade fiscal quando da apresentação do pedido de redução de alíquota, a empresa que incorporou a Recorrente encontrase fiscalmente regular, conforme comprova a documentação juntada ao presente Recurso. E, de acordo com o posicionamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, emitida no Processo no. 10768.014100/9908, para fins de prova da regularidade em relação aos tributos e contribuições federais a que alude o art. 60 da Lei n° 9.069/95, não se pode negar ao contribuinte o direito de mostrar sua regularidade fiscal no curso do Processo Administrativo, pois o objetivo da Lei é a regularidade fiscal do contribuinte, independentemente do momento em que a prova é feita. Porém, no que tange ao momento de aplicação do benefício fiscal, que a Recorrente entende dever ser aplicada a partir do momento em que a autoridade competente 1 Art. 24. Inexistindo disposição específica, os atos do órgão ou autoridade responsável pelo processo e dos administrados que dele participem devem ser praticados no prazo de cinco dias, salvo motivo de força maior. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.009193/200933 Acórdão n.º 3801004.412 S3TE01 Fl. 12 11 realizou o reconhecimento da adequação dos produtos aos requisitos previstos em lei, posicionome de forma diversa. Adoto como razões o voto de relatoria do já citado nobre Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, no Processo no. 13334.000275/200960, também envolvendo esse mesmo contribuinte e acatado unanimemente por esta Turma Especial: A norma não informa que a SRF pode determinar o momento em que se possa utilizar o benefício, mas é claro que o contribuinte precisa do respectivo ato declaratório emitido pela SRF porque a norma estabelece que cabe a SRF declarar que a empresa está apta a utilizálo, ouvido o Ministério competente. A declaração por parte da Receita Federal é cumprimento de obrigação acessória fundamental à fruição do benefício. O inadimplemento da obrigação acessória prejudica o sujeito ativo na medida em que deixa de cumprir a finalidade controlística para a qual foi criada e priva o contribuinte da benesse constante da prestação principal com efeitos ex tunc do seu protocolo, porque a lei a exige. Portanto, em razão da redução da alíquota do IPI nos termos do artigo 65 do Decreto nº 4.544/02 e da “NC (221)” estar condicionada à qualidade dos produtos contemplados em referidas normas atestado pelo MAPA e à declaração da Secretaria da Receita Federal até a expedição do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010. Como a opção do contribuinte ocorre somente quando do pedido realizado na SRF, o prazo para usufruir desse benefício igualmente só pode ocorrer a partir do protocolo do pleito, como corretamente decidiu a DRJ. Por tudo, voto pelo conhecimento e parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito da Recorrente à alíquota reduzida do IPI a partir do protocolo do pleito junto à Receita Federal do Brasil. Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel – Relatora Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sérgio Celani, Redator Designado. Legitimidade do Ato Declaratório e vinculação da atividade administrativa. Nos termos da Portaria SRF nº 001, de 2/1/2001 DOU de 9.1.2001, vigente à época do pedido apresentado, e da Portaria RFB nº 1.098, de 8/8/2013, em vigor, a competência para a prática do atos editados e dos despachos proferidos deve obedecer às atribuições fixadas em lei, norma infralegal ou, sendo o caso, ato de delegação de competência. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.009193/200933 Acórdão n.º 3801004.412 S3TE01 Fl. 13 12 Estes atos são agrupados em função da matéria sobre as quais versam e compreendem, entre outros, o Ato Declaratório Executivo (ADE), que serve para constituir ou por termo a situações individuais em face da legislação tributária e aduaneira, bem assim preservar direitos, reconhecer situações preexistentes ou possibilitar seu exercício. Aplicamse, especialmente, nos casos de: reconhecimento ou suspensão de isenção; suspensão de imunidade; declaração de inaptidão; exclusão de regimes tributários especiais; concessão de registro especial de fabricantes ou importadores; divulgação, quando exigida, de extratos de despachos decisórios concessivos. Logo, o ADE constitui ou põe termo a situações individuais envolvendo reconhecimento de isenção, suspensão de imunidade e exclusão de regime tributário especial. Se o ADE pode constituir ou terminar o reconhecimento de isenção, cuja modalidade condicional poderia se equiparar a redução de alíquota discutida nestes autos, bem como resultar em suspensão de imunidade, que possui status constitucional, logo, privilegiado em relação à redução de alíquota, por que não poderia constituir ou por termo a situações individuais de reconhecimento de redução de alíquota? Dizer que o Ato Declaratório declara direitos ou reconhece situações preexistentes não significa dizer que, nestes casos, está dispensada ou proibida à autoridade administrativa a verificação da existência destes direitos ou situações. Pelo contrário. A autoridade administrativa, cujas atividades são vinculadas, não pode deixar de verificar o cumprimento de lei, no caso, o art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995, que diz: “Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais. (Vide Lei nº 11.128, de 2005).” Também impõem ao agente público a exigência de comprovação de quitação de tributos as seguintes normas. Constituição Federal de 1988:: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 3º. A pessoa jurídica em débito com o sistema da seguridade social, como estabelecido em lei, não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios. (...)” Fl. 170DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.009193/200933 Acórdão n.º 3801004.412 S3TE01 Fl. 14 13 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 dispõe: “Art. 47. É exigida Certidão Negativa de DébitoCND, fornecida pelo órgão competente, nos seguintes casos: I – da empresa: a) na contratação com o Poder Público e no recebimento de benefícios ou incentivo fiscal ou creditício concedido por ele. (...) Redução de alíquota é benefício fiscal. Não cabe afirmar que a redução de alíquota não é um benefício fiscal. Vejamse os arts. 150, §6º, e 165, 6º, da Constituição Federal de 1988: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) §6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, §2º, XII, g. (...)” “Art. 165. Lei de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão: (...) §6º O projeto de lei orçamentária será acompanhado de demonstrativo regionalizado do efeito, sobre as receitas e despesas, decorrente de isenções, anistias, remissões, subsídios e benefícios de natureza financeira, tributária e creditícia. (...)” Também a Lei de Responsabilidade Fiscal, citada pela Conselheira Maria Inês Caldeira da Silva Pereira Murgel, ampara o entendimento de que a redução de alíquota é benefício fiscal, logo, aplicase ao caso o art. 60 da Lei 9.069, de 1995. Momento da comprovação da regularidade fiscal. Conforme normas citadas nas sessões anteriores, a comprovação da quitação de tributos federais deve ser feita para o recebimento de benefícios fiscais. No caso da redução da alíquota de IPI, a comprovação deve amparar todas as operações de saídas de produtos industrializados do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, porque a cada operação tributada pelo IPI, a redução significa um benefício fiscal. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.009193/200933 Acórdão n.º 3801004.412 S3TE01 Fl. 15 14 Por isso, não basta comprovar a regularidade fiscal apenas no momento do requerimento do benefício. Assim dispõe a Lei nº 4.502, de 30/11/1964, quanto ao IPI: Art. 2º Constitui fato gerador do impôsto: I quanto aos produtos de procedência estrangeira o respectivo desembaraço aduaneiro; II quanto aos de produção nacional, a saída do respectivo estabelecimento produtor. “Art . 13. O impôsto será calculado mediante aplicação das alíquotas constantes da Tabela anexa sôbre o valor tributável dos produtos na forma estabelecida neste Capítulo. Art. 14. Salvo disposição em contrário, constitui valor tributável: (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) (...) II quanto aos produtos nacionais, o valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) § 1º. O valor da operação compreende o preço do produto, acrescido do valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário. (Redação dada pela Lei nº 7.798, de 1989) (...)” O momento do fato gerador é o da saída do produto do estabelecimento contribuinte. O quantum do imposto é o resultado da aplicação da alíquota constante da Tabela do IPI sobre o valor da operação. Para cada operação em que se aplique uma alíquota reduzida, temse uma operação realizada com benefício fiscal. Cada operação realizada com o benefício está sujeita à fiscalização, logo, cada operação submetese ao reconhecimento do benefício, o que leva à conclusão de que a beneficiada deve estar amparada pela certidão de quitação de tributos federais não apenas no momento do pedido de redução de alíquota, mas, durante todo o tempo em que usufrua da concessão do benefício. Nos autos ficou claro que, no momento em que a autoridade administrativa analisou o requerimento, a contribuinte encontravase em situação impeditiva da emissão da certidão negativa de débitos, motivo suficiente para indeferir o pedido. A partir do momento em que a contribuinte passou a reunir as condições necessárias e suficientes para fruição do benefício fiscal, poderia ela pleitear novamente seu reconhecimento. Como conseqüência do que aqui foi dito e tendo em vista que não se está a analisar operações realizadas pela contribuinte entre o protocolo do requerimento e este Fl. 172DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 19647.009193/200933 Acórdão n.º 3801004.412 S3TE01 Fl. 16 15 julgamento, logo, ainda que se considere eventual atendimento, neste momento, às condições para fruição do benefício, não se pode decidir que tais operações sejam alcançadas pelo benefício. A Súmula CARF nº 37, que trata de outras situações fáticas, não se aplica ao benefício da redução de alíquota de IPI, que como visto acima ocorre em cada operação tributada por este imposto. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Fl. 173DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 20/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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