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Numero do processo: 10830.009344/2003-16
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 1992
PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA, PDV. REQUISITOS ESSENCIAIS,
O Programa de Demissão Voluntária caracteriza-se pela iniciativa da empresa em instituir o programa extensivo a todos os funcionários, com previsão de prazo inicial e final para que a adesão seja feita pelos interessados e a existência da concessão de beneficio pecuniário ou de outra natureza ao empregado desligado dentro do prazo de vigência do programa,
INDENIZAÇÕES RECEBIDAS NA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO.
Acordo firmado entre empregadora e empregados para balizamento das relações trabalhistas durante período de extinção de unidade fabril, estabelecendo política demissional, salarial e de benefícios durante tal período não possui perfil de PDV.
A indenização no âmbito trabalhista tem a finalidade de ressarcir o empregado por um dano para cuja ocorrência ele não concorreu, sendo devida apenas quando o rompimento do vínculo contratual decorrer de ato unilateral e injustificado do empregador. Não caracterizada perda sofrida que mereça reparação pecuniária, tanto mais em face do reaproveitamento imediato do contribuinte em outra unidade da mesma empresa, hão que ser tomados valores recebidos, não obstante rotulados indenizações, como mera
liberalidade da empresa, sujeitando-se, pois, a incidência do imposto de renda.
Recurso voluntário negado.
Direito creditório não reconhecido.
Numero da decisão: 2802-000.390
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: VALÉRIA PESTANA MARQUES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1992 PROGRAMA DE DEMISSÃO VOLUNTÁRIA, PDV. REQUISITOS ESSENCIAIS, O Programa de Demissão Voluntária caracteriza-se pela iniciativa da empresa em instituir o programa extensivo a todos os funcionários, com previsão de prazo inicial e final para que a adesão seja feita pelos interessados e a existência da concessão de beneficio pecuniário ou de outra natureza ao empregado desligado dentro do prazo de vigência do programa, INDENIZAÇÕES RECEBIDAS NA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. Acordo firmado entre empregadora e empregados para balizamento das relações trabalhistas durante período de extinção de unidade fabril, estabelecendo política demissional, salarial e de benefícios durante tal período não possui perfil de PDV. A indenização no âmbito trabalhista tem a finalidade de ressarcir o empregado por um dano para cuja ocorrência ele não concorreu, sendo devida apenas quando o rompimento do vínculo contratual decorrer de ato unilateral e injustificado do empregador. Não caracterizada perda sofrida que mereça reparação pecuniária, tanto mais em face do reaproveitamento imediato do contribuinte em outra unidade da mesma empresa, hão que ser tomados valores recebidos, não obstante rotulados indenizações, como mera liberalidade da empresa, sujeitando-se, pois, a incidência do imposto de renda. Recurso voluntário negado. Direito creditório não reconhecido.
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REQUISITOS ESSENCIAIS, O Programa de Demissão Voluntária caracteriza-se pela iniciativa da empresa em instituir o programa extensivo a todos os funcionários, com previsão de prazo inicial e final para que a adesão seja feita pelos interessados e a existência da concessão de beneficio pecuniário ou de outra natureza ao empregado desligado dentro do prazo de vigência do programa, INDENIZAÇÕES RECEBIDAS NA RESCISÃO DO CONTRATO DE TRABALHO. Acordo firmado entre empregadora e empregados para balizamento das relações trabalhistas durante período de extinção de unidade fabril, estabelecendo política demissional, salarial e de benefícios durante tal período não possui perfil de PDV. A indenização no âmbito trabalhista tem a finalidade de ressarcir o empregado por um dano para cuja ocorrência ele não concorreu, sendo devida apenas quando o rompimento do vínculo contratual decorrer de ato unilateral e injustificado do empregador. Não caracterizada perda sofrida que mereça reparação pecuniária, tanto mais em face do reaproveitamento imediato do contribuinte em outra unidade da mesma empresa, hão que ser tomados valores recebidos, não obstante rotulados indenizações, como mera liberalidade da empresa, sujeitando-se, pois, a incidência do imposto de renda. Recurso voluntário negado, Direito creditório não reconheci,/ Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Valéria Pestana Marques - Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Nogueira Nicácio, Dayse Fernandes Leite (suplente convocada), Guilherme Barranco de Souza (suplente convocado), José Evande Carvalho Araújo (suplente convocado), Sidney Ferro Barros e Valéria Pestana Marques (Presidente). Ausentes justificadamente os Conselheiros Ana Paula Locoselli Erichsen, Jorge Cláudio Duarte Cardoso e Lúcia Reiko Sakae. FORMALIZADO EM: 2 2 our 2010 Relatório Cuidam os autos de pedido de restituição do imposto de renda retido na fonte incidente sobre rendimentos auferidos pelo interessado durante o ano-calendário de 1992 sob a alegação de adesão a Programa de Demissão Voluntária — PDV - promovido pela empresa Rockwell Braseixos S/A.. Tal pleito foi inicialmente apreciado pela então Delegacia da Receita Federal em Campinas, fls. 17/18, tendo sido denegado por considerado decaído o direito do contribuinte de pedir.. Apresentada manifestação de inconformidade, fl. 20, foi o processo encaminhado a então Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, que por meio do acórdão de fls.. 24/27, manteve o entendimento da autoridade administrativa anterior.. Em face de recurso voluntário dirigido ao então Primeiro Conselho de Contribuintes, fl. 29, foi proferido o acórdão de lis. 33/37, o qual afastou a preliminar de decadência sob o entendimento que de no caso concreto o termo a gír.° para a contagem do interstício decadencial seria a data de publicação da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal n." 165 em 06/01/1999. Por via de conseqüência, foi determinado o retorno dos autos à origem para apreciação das razões de mérito. Retornados os autos, foi a empresa ArvinMeritor do Brasil Automotivos Ltda., na qualidade de sucessora da Rockwell Braseixos S/A. intimada a apresentar documentos diversos referentes à rescisão do contrato de trabalho do interessado, tendo sido coligidos, em atendimento, os documentos de fls. 45/90. Isto posto, manifestou-se a autoridade a (pio pelo indeferimento do petitório sob o argumento de que a rescisão do contrato de trabalho celebrada entre o ora recorrente a empresa Rockwell .Braseixos S/A. não possuía o perfil daquelas consideradas como PDV. 2 Nocesso o' 10830 00934472003-16 S2-TE02 Acái chio n " 2802-00,390 Fl. I / 7 Não resignada, a parte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 97/102, encaminhada a já Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo — SPO/II, a qual, mediante o acórdão de fls. 103/107, manteve o entendimento da instância anterior. O peticionário em 19/10/2009 foi cientificado por via postal do resultado do julgamento do mérito em 1" instância, consoante o AR Aviso de Recebimento de E. 109. Apresentou, então, em 17/11/2009 por meio de seu bastante procurador, consoante o instrumento de mandato de E. 15, recurso voluntário dirigido já a este colegiada. Em sede recursal, fls, 110/114, o requerente, em apertadíssima síntese, tenta caracterizar o caráter simplesmente indenizatório da verba em questão, ou seja, fora do campo de incidência do imposto de renda, independente de ter sido nominada, ou não, como PDV,. É o relatório. Voto Conselheira Valéria Pestana Marques, Relatora O recurso de fls.. 110/114 é tempestivo, mediante o cotejo do AR de fl, 109 e o carimbo de recepção aposto à fl. 11 0. Estando dotado, ainda, dos demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. Definitivamente superada na esfera administrativa a preliminar de decadência do direito de pedir do contribuinte, passo à análise, em 2" instância, das razões de mérito e ao exame dos documentos trazidos à colação O dissídio posto nos autos cinge-se ao pleito inicial de que seja acolhida a tese de adesão pelo ora litigante a Programa de Demissão Voluntária (PDV) instituído por sua ex-empregadora, com a conseqüente percepção de rendimentos não tributáveis, isto para que lhe seja concedida a restituição dos valores que teriam sido recolhidos a título de imposto sobre a renda retido na fonte quando do recebimento de tais verbas. Em sede recursal, o litigante desloca o foco da linha de raciocínio adotada até então em sua defesa, deixando de falar em PDV e passando a defender o caráter' eminentemente indenizatório, à luz da CLT, das verbas por ele recebidas, independente da denominação que lhes tenha sido dada. Cumpre ainda registrar que conforme a petição de fls. 05/06, o montante que o contribuinte requer seja excluído dentre os rendimentos tributáveis consignados em sua declaração de rendas relativa ao exercício financeiro de 1992 corresponde à soma dos valores relacionados nos "Termos de Rescisão de Contrato de Trabalho" de fls, 2 e 3 sob as rubricas de "Indenização por Estabilidade Provisória" (código 170) e "Gratificação Especial" (código 175) nos montantes, respectivamente, de Cr$ 16.203.244,00 e Cr$ 140.482.125,48, ou seja, 40,516,91 IJFIR. Isto posto, mister se fazer de plano à análise dos requisitos essenciais à caracterização de um PDV, quais sejam: a) extensão do Programa a todos os quadros da 3 empresa; b) decisão pessoal do empregado em aderir ou não ao Programa; c) existência da concessão de um beneficio em face da adesão feita pelo empregado e d) prazo inicial e final para a adesão a ser feita pelos trabalhadores interessados. De outra banda, compulsando-se os autos tem-se às fls. 45/46 informação prestada pela sucessora da Rockwell Braseixos S/A, — a empresa ArvinMeritor do Brasil Automotivos Ltda, — de que fera firmado acordo, levado inclusive ao conhecimento do INSS e do sindicato da classe, entre a primeira e seus empregados, quando do encerramento de suas atividades fabris.. Por outro lado, tem-se ainda que tal acordo, consolidado mediante a celebração do instrumento colacionado por cópia às fls.. 62/70, previa a transferência da unidade de Hortolândia/Sumaré/SP para Osasco, no mesmo Estado, conforme cronograma a iniciar-se em 01/0611992 e término previsto para 31/12/1992. Os diversos itens do denominado "Acordo de Consolidação da Fábrica de Sumaré", assinado em 10/06/1992, disciplinou as relações entre a empresa em tela e seus empregados, estabelecendo balizadores que norteariam as rescisões contratuais, a política salarial e de beneficies a viger no período de transferência das atividades da fábrica de Hortolândia/Sumaré para Osasco. Ou seja, não se está diante de um PDV. Não obstante a mudança promovida na linha de argumentação adotada pelo requerente até o julgamento de 1" instância de que faria jus ao indébito tão-somente por ter auferido verbas decorrentes de adesão a programa demissional voluntário, reconhecidamente fora do campo de incidência do imposto de renda, considero pertinente analisar a questão genérica que, a meu ver ., suplanta a particular . : os valores em tela possuem natureza indenizatória, sejam quais forem os nomes os títulos lhes atribuídos? Portanto, de uma forma ou de outra, caberia mesmo sobre eles incidir o tributo em comento? É o que passo a examinar.. Com efeito, indenização é sinônimo de ressarcimento, compensação por alguma perda sofrida pelo indenizado. Iii casu, tem-se que a cláusula primeira do "Acordo de Consolidação da Fábrica de Sumaré" garantia o pagamento de uma Gratificação Especial adicional, além das verbas rescisórias normais, a todos os funcionários com contrato de trabalho vigente em 04/05/1992. Por outro lado, a cláusula 24 do aludido acordo previa um tratamento especial para aqueles empregados que possuíssem alguma forma de estabilidade legal e convencional. Entretanto, a cláusula 25 e 27 garantiam, respectivamente, novo posto de trabalho na unidade de Osasco ou Fumagalli a todos os funcionários que tivessem seu contrato de trabalho então encerrado. E confbrme as cópias das fichas de Registro de Empregado relativas ao requerente, fls.. 48/49, fornecidas à Receita Federal pela sucessora da BRASEIXOS S.A., o contribuinte foi desligado da unidade da empresa localizada no distrito de Hortolândia em Sumaré em 05/10/1992 e foi imediatamente admitido na unidade de Osasco, de onde só foi demitido em fevereiro de 1993, conforme documentos de fis 51/52. 4 Processo n" 10830.009344/2003-16 S2-TE02 Acórdão n." 2802-00,390 FI 1 I 8 Não vislumbro, pois, no caso concreto, qualquer perda sofrida pelo litigante que merecesse reparação pecuniária de natureza indenizatória. Ou seja, recebeu ele uma gratificação tributável, não justificando o imposto por ele perseguido a repetição como indébito. Destarte, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso interposto. Valéria Pestana Marques 5
score : 1.0
Numero do processo: 11065.909789/2009-74
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO.
Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL
SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITOS. DÉBITOS
CONFESSADOS. ERRO. COMPROVAÇÃO.
O deferimento de pedido de restituição de pagamento indevido de débito declarado em DCTF depende da prova do erro na confissão, passível de ser produzida, mesmo no curso do contencioso administrativo fiscal, até o momento processual da reclamação.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 3803-001.107
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indefere-se o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITOS. DÉBITOS CONFESSADOS. ERRO. COMPROVAÇÃO. O deferimento de pedido de restituição de pagamento indevido de débito declarado em DCTF depende da prova do erro na confissão, passível de ser produzida, mesmo no curso do contencioso administrativo fiscal, até o momento processual da reclamação. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITOS. DÉBITOS CONFESSADOS. ERRO. COMPROVAÇÃO. O deferimento de pedido de restituição de pagamento indevido de débito declarado em DCTF depende da prova do erro na confissão, passível de ser produzida, mesmo no curso do contencioso administrativo fiscal, até o momento processual da reclamação. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado Fl. 68DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN 2 Alexandre Kern – Presidente e relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Rangel Perrucci Fiorin, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Daniel Maurício Fedato. O Dr. Camilo de Oliveira Leipnitz – OAB/RS no 58.392 – fez sustentação oral. Relatório Centro Clínico Canoas Ltda. transmitiu, em 16/06/2005, o Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação PER/DCOMP no 40158.88922.160605.1.3.041408, visando a restituirse de indébito ocasionado pelo pagamento de no 444691281 e a declarar a compensação do direito creditório daí emergente com débitos de Cofinsdo período de apuração de dez/2002. O Despacho Decisório no 842547844, fl. 1, não homologou a compensação porque o referido pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não resultando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/Dcomp para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Sobreveio Manifestação de Inconformidade, fls. 2 a 6, por meio da qual o requerente alega que: a) o direito creditório está relacionado com o efetivo pagamento do tributo. Pagamento este comprovado a partir da guia DARF devidamente autenticada pela instituição que recebeu o pagamento; b) o documento legitimador do crédito é a respectiva DARF e não a DCTF e/ou DIPJ; c) o pagamento indevido decorreu de equívoco constatado na apuração do valor devido a título de Cofins, período de apuração: dez/2002, que não corresponde ao valor constante da DARF de pagamento. Logo, apenas a instituição fazendária é capaz de autorizar o contribuinte a retificar a DCTF, com isso, restará explícito o direito creditório que a empresa possui. A DRJ/POA2ª Turma julgou a reclamação improcedente e não reconheceu o direito creditório pleiteado. O Acórdão no 1023.435, de 16 de dezembro de 2009, fls. 29 e 30, teve emente vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA INDEFERIMENTO. Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial à comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas, sendo obrigação do contribuinte comprovar suas alegações, nos termos do art.333, inciso II do Código de Processo Civil. Fl. 69DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.909789/200974 Acórdão n.º 380301.107 S3TE03 Fl. 63 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da DRJ/POA2a Turma. O arrazoado de fls. 34 a 51, em sede de preliminar, argui a nulidade da decisão recorrida, que teria alterado a fundamentação do indeferimento de seu pleito, em violação aos arts. 2° e 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999. No mérito, sinteticamente, pede reforma, alegando que: a) a instituição fazendária tem o dever de intimar a recorrente para apresentar os documentos contábeis e fiscais para comprovar o erro ocasionado no preenchimento da DCTF, sob pena de incorrer em manifesta ilegalidade; b) conforme entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, a cópia autenticada do DARF é suficiente para comprovação do recolhimento indevido de tributo; c) o pagamento indevido decorreu do equívoco decorrente da apuração do valor devido a título de Cofins, na competência de dez/2002; d) apenas a fiscalização tem o poder de autorizar que a empresa retifique a DCTF, motivo pelo qual a recorrente reitera seus argumentos para que seja possível sanar o erro cometido. Conclui, pedindo anulação do acórdão ora recorrido e, alternativa e sucessivamente, sua reforma para homologar o pedido de compensação formulado, haja vista a existência do DARF legitimador do direito creditório. Requer, por derradeiro, sejam, todas as intimações e comunicações do presente procedimento administrativo, inclusive para fins de sustentação oral, realizadas sempre em nome dos procuradores signatários. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 29 e 30 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJPOA2ª Turma nº 1023.435, de 16 de dezembro de 2009. Pedido de direcionamento das intimações para o endereço dos procuradores Com relação ao requerimento para que as notificações e intimações relativas ao presente processo sejam enviadas ao endereço do patrono da causa, indefirase. Na atual fase do procedimento, todos os atos administrativos são, via de regra, feitos por meio postal e o Fl. 70DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN 4 Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 PAF, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que, nesta modalidade, sejam endereçados ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Não há portanto como deferir a solicitação para que as intimações sejam encaminhadas ao domicílio dos procuradores da sociedade. Preliminar de nulidade da decisão recorrida O recorrente infirma a decisão de piso sob o argumento de que apresentou novo fundamento para o indeferimento do pleito, em infração ao art. 50 da Lei nº 9.784, de 1999. O argumento recursal é o de que, enquanto o Despacho Decisório no 842547844 considerou que não haveria direito creditório para realizar a compensação, porque o valor do DARF teria sido utilizado para quitar débito do contribuinte, a decisão recorrida julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o fundamento de que a ora recorrente deveria comprovar, por meio de documentos contábeis e fiscais que houve erro no preenchimento da DCTF. A argüição de nulidade não prosperará simplesmente porque inexistiu a alegada inovação. Com efeito, o fundamento fático para o indeferimento do pleito de restituição e para a nãohomologação da compensação declarada foi a integral utilização do pagamento no 444691281 na extinção de débitos do próprio contribuinte. Tratandose de julgamento de reclamação formulada pelo requerente, fundada na alegação de erro no preenchimento da Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF, instituída pela Instrução Normativa SRF nº 129, de 19 de novembro de 1986, a decisão recorrida julgoua improcedente porquanto inexistia, nos autos, qualquer prova do erro alegado. Não se trata pois de novo fundamento para o indeferimento do pleito, visàvis o motivo original, mas, tãosomente, de refutação expressa de argumento brandido na reclamação. Rejeito a preliminar. Mérito – A comprovação do indébito O recorrente está prenhe de razão: constatando que houve equívoco na apuração da base de cálculo de um tributo ou contribuição, o sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo no caso de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido. É o que assegura o inc. I do art. 165 do CTN, transcrito em rodapé pelo recorrente, mas merecedor de maior destaque por caudalosa jurisprudência judicial, e.g.: “Ementa: .... I. Demonstrado o pagamento indevido de tributo, em razão de erro– depósito judicial feito por equívoco, mas convertido em renda da União – impõese a restituição (art. 165, II, do CTN). ....” (TRF1ª Região. AC 2000.01.00.0958800/MA. Rel.: Des. Federal Olindo Menezes. 3ª Turma. Decisão: 29/10/02. DJ de 13/12/02, p. 47.) “Ementa: .... É clara a autorização normativa à restituição de tributo recolhido indevidamente (art. 165, I, CTN). ....” (TRF2ª Região. AC 1999.02.01.0351647/RJ. Rel.: Des. Federal Ricardo Regueira. 1ª Turma. Decisão: 06/11/00. DJ de 07/12/00.) Fl. 71DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.909789/200974 Acórdão n.º 380301.107 S3TE03 Fl. 64 5 “Ementa: .... III. A restituição do tributo recolhido indevidamente encontra arrimo no art. 165, I, do CTN. ....” (TRF5ª Região. AC 2002.05.00.0177105/PE. Rel.: Des. Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria. Decisão: 17/12/02. DJ de 16/04/03, p. 407.) Tenho certeza, o relator da decisão recorrida jamais pretendeu oporse a esse direito. O recorrente, no entanto, articula argumento falacioso, ao pugnar por seu direito à restituição, bradando que o mesmo “.., consoante dispõe o art. 165, inc. I do CTN decorre da ‘cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ...", e não dos valores declarados pelo contribuinte em DIPJ, DCTF...”. Se, de um lado é certo que o DARF informado no PER/Dcomp nº 40158.88922.160605.1.3.041408 comprova um recolhimento, de outro, como bem destacou a decisão recorrida, inexiste nos autos qualquer prova de que o pagamento nº 444691281 seja indevido. Há tãosomente a alegação do requerente, ora recorrente. Nada mais. E, em sede de prova, nada alegar e alegar, mas não provar o alegado se equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). A esse propósito, reportome à Lei nº 9.784, de 1999, que o recorrente demonstrou bem conhecer. De acordo com o seu art. 36, que regulamenta o sistema de distribuição da carga probatória no Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do requerente: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC), já referido pela decisão recorrida. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça também corrobora esse entendimento: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais.(HABEAS CORPUS Nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. 2. Não cabe em mandado de segurança para cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e Fl. 72DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN 6 271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538)JCPC.333 JCPC.333.II TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) Ao contrário, em face da legislação tributária aplicável, milita contra a alegação do requerente a presunção de que o pagamento nº 444691281 não lhe confere qualquer direito creditório porque foi alocado a débito espontaneamente confessado em DCTF. O recorrente poderia objetar que, dada sistemática declaratória atual do procedimento de compensação, não lhe foi oportunizada a comprovação do crédito, originado do pagamento indevido. Objeção improcedente. Bastaria que o contribuinte, espontaneamente, retificasse a DCTF respectiva, conforme lhe autorizava o art. 10 da Instrução Normativa SRF no 482, de 21 de dezembro de 2004, então vigente, e o próprio processamento eletrônico do PER/Dcomp nº 40158.88922.160605.1.3.041408 lhe deferiria o crédito pleiteado, transferindo para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, quando já não mais teria Fl. 73DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11065.909789/200974 Acórdão n.º 380301.107 S3TE03 Fl. 65 7 espontaneidade para retificar a DCTF1,o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do PAF, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008. O recorrente, contudo, não se dignou a fazêlo, talvez esperando que a autoridade fiscal suplementasse a sua vontade e o intimasse a tanto. Ou, quem sabe, contasse o requerente justamente com a usual dilação temporal do processo administrativo com o propósito de fazer adiar ao máximo o cumprimento da obrigação tributária confessada, como permite supor a sua insistência nos requerimentos de suspensão da exigibilidade do débito oposto na compensação do hipotético direito creditório, aventura jurídica corriqueira depois da edição da Medida Provisória no 66, de 2002. Seja como for, tranqüilizese o contribuinte. Caso realmente disponha do direito creditório alegado, nos termos do art. 1º do Decreto nº 20.910, de 6 de janeiro de 1932, tem cinco anos, contados da data do pagamento indevido – desde que devidamente comprovada essa circunstância – para buscar seu direito. Nada a reparar na decisão recorrida, cujos fundamentos, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passam a fazer parte integrante desse voto. Conclusão Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 2 de fevereiro de 2011 Alexandre Kern 1 Súmula CARF No. 33 A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Fl. 74DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN 8 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 11065909789200974 Interessada: CENTRO CLÍNICO CANOAS LTDA. Encaminhemse, de ordem, os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380301.107, de 2 de fevereiro de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 2 de fevereiro de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 75DF CARF MF Emitido em 23/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 08/02/2011 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10730.721221/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2005
ÁREAS ISENTAS. TRIBUTAÇÃO.
Para a exclusão da tributação do ITR sobre a área de preservação permanente e de utilização limitada, é necessária a comprovação efetiva da existência dessas áreas, através de Laudo Técnico que comprove a existência das referidas áreas.
DO VALOR DA TERRA NUA - SUBAVALIAÇÃO. PROVA INEFICAZ
Para fins de revisão do VTN/ha arbitrado pela fiscalização, exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT (NBR 14.653-3), principalmente no que tange aos dados de mercado coletados, de modo a atingir fundamentação e Grau de precisão II, demonstrando, de forma convincente, o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto (1º/01/2005), bem como, a existência de características particulares desfavoráveis que pudessem justificar a revisão pretendida.
O valor da terra nua apurado pela fiscalização em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração quando o contribuinte não apresenta elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor.
DITR. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO.
Incabível a retificação de declaração no curso do contencioso fiscal quando a alteração pretendida não decorre de mero erro de preenchimento, mas aponta para uma retificação de ofício do lançamento.
Numero da decisão: 2201-009.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Francisco Nogueira Guarita - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: Francisco Nogueira Guarita
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2005 ÁREAS ISENTAS. TRIBUTAÇÃO. Para a exclusão da tributação do ITR sobre a área de preservação permanente e de utilização limitada, é necessária a comprovação efetiva da existência dessas áreas, através de Laudo Técnico que comprove a existência das referidas áreas. DO VALOR DA TERRA NUA - SUBAVALIAÇÃO. PROVA INEFICAZ Para fins de revisão do VTN/ha arbitrado pela fiscalização, exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT (NBR 14.653-3), principalmente no que tange aos dados de mercado coletados, de modo a atingir fundamentação e Grau de precisão II, demonstrando, de forma convincente, o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto (1º/01/2005), bem como, a existência de características particulares desfavoráveis que pudessem justificar a revisão pretendida. O valor da terra nua apurado pela fiscalização em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração quando o contribuinte não apresenta elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. DITR. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. Incabível a retificação de declaração no curso do contencioso fiscal quando a alteração pretendida não decorre de mero erro de preenchimento, mas aponta para uma retificação de ofício do lançamento.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2022-10-19T18:13:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2022-10-19T18:13:30Z; Last-Modified: 2022-10-19T18:13:30Z; dcterms:modified: 2022-10-19T18:13:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2022-10-19T18:13:30Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-10-19T18:13:30Z; meta:save-date: 2022-10-19T18:13:30Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-10-19T18:13:30Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2022-10-19T18:13:30Z; created: 2022-10-19T18:13:30Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2022-10-19T18:13:30Z; pdf:charsPerPage: 2088; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-10-19T18:13:30Z | Conteúdo => S2-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10730.721221/2009-71 Recurso Voluntário Acórdão nº 2201-009.632 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de setembro de 2022 Recorrente FAUSTO CUROPOS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2005 ÁREAS ISENTAS. TRIBUTAÇÃO. Para a exclusão da tributação do ITR sobre a área de preservação permanente e de utilização limitada, é necessária a comprovação efetiva da existência dessas áreas, através de Laudo Técnico que comprove a existência das referidas áreas. DO VALOR DA TERRA NUA - SUBAVALIAÇÃO. PROVA INEFICAZ Para fins de revisão do VTN/ha arbitrado pela fiscalização, exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT (NBR 14.653-3), principalmente no que tange aos dados de mercado coletados, de modo a atingir fundamentação e Grau de precisão II, demonstrando, de forma convincente, o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto (1º/01/2005), bem como, a existência de características particulares desfavoráveis que pudessem justificar a revisão pretendida. O valor da terra nua apurado pela fiscalização em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração quando o contribuinte não apresenta elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. DITR. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. Incabível a retificação de declaração no curso do contencioso fiscal quando a alteração pretendida não decorre de mero erro de preenchimento, mas aponta para uma retificação de ofício do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 12 21 /2 00 9- 71 Fl. 187DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-009.632 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10730.721221/2009-71 Francisco Nogueira Guarita - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Debora Fofano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório O presente processo trata de recurso voluntário em face do Acórdão nº 0347.942 1ª Turma da DRJ/BSB, fls. 147 a 162. Trata de autuação referente a Imposto Territorial Rural e, por sua precisão e clareza, utilizarei o relatório elaborado no curso do voto condutor relativo ao julgamento de 1ª Instância. Da Autuação Contra o Contribuinte interessado foi lavrada, em 07/12/2009, a Notificação de Lançamento n° 07102/00056/2009 (às fls. 01/05), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de RS 30.801,64, a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, do exercício de 2005, acrescido de multa de ofício (75,0%) e juros legais, tendo como objeto o imóvel rural denominado "Fazenda Ponderosa'", cadastrado na RFB. sob o n° 1.543.397-8, com área declarada de 764,7 há, localizado no Município de Cachoeiras de Macacu/RJ. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2005 incidentes em malha valor, iniciou-se com o Termo de Intimação Fiscal de fls. 16/18 exigindo-se a apresentação dos seguintes documentos de prova: 1 o - Cópia do ADA - Ato Declaratório Ambiental: 2 o - Laudo Técnico emitido por profissional engenheiro agrônomo/florestal, com ART devidamente anotada no CREA, para comprovar a área de preservação permanente existente no imóvel, de que trata o art. 2 o da Lei 4.771/65 (Código Florestal), identificando o imóvel rural e detalhando a localização e dimensão das áreas declaradas a esse título, previstas nos termos da alínea a até h do art. 2 o da Lei n° 4.771 de 15 de setembro de 1965. que identifique a localização do imóvel rural através de um conjunto de coordenadas geográficas definidores dos vértices de seu perímetro, preferivelmente geo-referenciadas ao sistema geodésimo brasileiro; 3 o - Certidão do órgão público competente, caso o imóvel ou parte dele esteja inserido em área declarada como de preservação permanente, nos termos do art. 3 o da Lei 4.771/65 (Código Florestal), acompanhado de ato do poder público que assim a declarou; e, 4 o - Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecida na NBR 14.653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, com ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) registrado no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo, preferivelmente pelo método comparativo direto de dados de mercado. Alternativamente o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Tais documentos devem comprovar o VTN na data de 1 o de janeiro de 2005. a preço de mercado. A falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do valor da terra nua. com base nas informações do SIPT da RFB. nos termos do ait. 14 da Lei 9.393/96,no valor de R$: -Campos 2.000.00/ha Fl. 188DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-009.632 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10730.721221/2009-71 -Florestas 1.200,00/ha - Pastagem/pecuária 2.500,00/ha - Cultura/lavoura 4.000.00/ha Em resposta, foram apresentados os documentos/extratos de fls. 22/77. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada pela Contribuinte, e das informações constantes das DITR/2005, a autoridade fiscal decidiu glosar parcialmente as áreas declaradas como sendo de preservação permanente, reduzindo-as de 387,0 ha para 151,9 ha, além de alterar o VTN declarado de RS 480.000,00 para o arbitrado de RS 917.640,00 (RS 1.200,00/ha), correspondente ao VTN/ha apontado no SIPT, exercício de 2005, para o citado município, com consequentes aumentos da área tributável/aproveitável, VTN tributável e alíquota de cálculo, disto resultando imposto suplementar de RS 13.615,19. conforme demonstrado ás fls. 04. A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora, encontram-se descritos às folhas 02/03 e 05. Da Impugnação Cientificado do lançamento em 18/12/2009 (fls. 141), o interessado protocolou em 13/01/2010, fls. 81, a impugnação de fls. 81/89, lida nesta Sessão e instruída com os documentos de fls. 90/140. Em síntese, alegou e requereu o seguinte: • mostra a tempestividade da presente impugnação e apresenta um histórico dos fatos que culminou com a Notificação de Lançamento: • ressalta que a propriedade, objeto tem cerca de 50% de sua área composta por florestas nativas, remanescentes do que ainda resta de Mata Atlântica no Estado do Rio de Janeiro, fato este claramente demonstrado por meio dos laudos apresentados: • descreve o que consta às fls. 06 do laudo e conclui que a desconsideração de tais áreas, para efeito de apuração do imposto, desatende a diversos dispositivos legais e transcreve o § 1 o do art. 10 de Lei 9.393/96, o inciso I do art. 18 e o inciso II do art. 23 do Decreto n° 4.382/2002 e o ait 14-A da IN n° 256/2002 para embasar a sua tese: • diz que se a fiscalização desconsiderou as informações do Laudo Técnico de Avaliação da Terra Nua por não serem espontâneas, teria que desconsiderar, também, as informações constantes no Laudo Técnico de Comprovação da APP, já que também não foram espontâneas. Porém, considerou as informações de um dos laudos e não considerou as do outro? Dois pesos e duas medidas? Ou se considera todas as informações dos laudos, ou não se considera nenhuma delas, já que todas não foram espontâneas. Considerou, apenas, aquelas informações de interesse para a arrecadação, desconsiderando as demais? A fiscalização tem competência técnica, ou autorização legal, para glosar informações contidas em laudos técnicos elaborados por engenheiros agrônomos/florestais? Este procedimento parece, s.m.j., ser totalmente ilegal: • como consequência do procedimento adotado pela fiscalização, em desacordo com as normas legais e tributárias, ficaram distorcidos todos os elementos que servem de base para o cálculo do ITR. Assim, ao desconsiderar as áreas de florestas nativas e de reflorestamento, bem como o VTN, a valor de mercado, apurados nos laudos técnicos, alterou-se. sobremaneira, os valores de VTN e VTNt (valor da terra nua tributável), e o percentual do grau de utilização do imóvel (GU), descumprindo-se, mais uma vez, outros dispositivos legais pertinentes á apuração da base de calculo do ITR e transcreve os arts. 8 o , § 2 o e 10, § 1 o , incisos in e VI da Lei n° 9.393/96, bem como os arts. 31 e 32 do Decreto n° 4.382/2002 para embasar a sua tese; • em relação à exigência da entrega do Ato Declaratório Ambiental — ADA — junto ao IBAMA. a mesma é contraditória à Lei 9.393/96, e destituída de qualquer embasamento legal. A entrega do ADA. exigência imposta por ato administrativo da RPB. para fins de isenção do ITR. fere direito liquido e certo dos proprietários rurais, constituindo patente ilegalidade por parte da fiscalização. E ainda que. por hipótese, seja considerada legal, a Fl. 189DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-009.632 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10730.721221/2009-71 falta de entrega do ADA não é fato gerador do ITR sobre as áreas de preservação permanente ou cobertas por florestas nativas. O ADA é um simples formulário burocrático, no qual o próprio produtor rural, sem a participação do órgão competente, realiza o seu preenchimento, ficando sob sua responsabilidade o conteúdo das declarações prestadas. A Lei n° 4.771, de 15/09/1965 (citada na Lei 9.393/96) foi exaustiva na definição das áreas de preservação permanente e de florestas nativas, o que inviabiliza exigir por meio de ato administrativo, qualquer tipo de documento para definir o que a Lei já dispôs, muito menos, se a própria Lei inadmitiu expressamente tal exigência. Está clara a dispensabilidade do ADA, tanto é que a questão restou definitivamente superada, e mostra o que dispõe o art.lO da Lei n°9.393/96; • não há qualquer ato oficial do poder público que declare a área da propriedade como de preservação permanente, nos moldes no art. 3 o da Lei n° 4.771/65 (Código Florestal). Portanto, não teríamos como apresentar tais documentos, já que eles são inexistentes. As áreas de APP do imóvel são somente aquelas consideradas por força do previsto no art. 2 o do Código Florestal, sendo elas em uma extensão de 151.9 ha. e estando descritas nos Laudos Técnicos de Comprovação de APP: • na execução das atividades de lançamento do ITR. a RFB deve contemplar as reais condições de exploração do imóvel rural, verificando aquilo que efetivamente existe na propriedade. Não foi desta forma que atuou a fiscalização. Ela simplesmente desconsiderou todas as informações apresentadas no Laudo Técnico de Avaliação da Terra Nua. Assim, novamente, descumpriu norma legal. art. 1 o , § 3 o da Lei n° 8.022/1990; • destaca, quanto aos procedimentos de revisão e lançamento do ITR, que ela deve ser efetuada com base em todos os elementos disponíveis, através de informações prestadas pelo contribuinte ou quaisquer outras obtidas por meios previstos na legislação. Já o lançamento do ITR. é procedimento que se desenvolve de oficio ou por homologação, sendo atividade vinculada, ou seja. adstrita ao pleno cumprimento do que consta na lei. Sendo assim, conforme vimos demonstrando no decorrer de nossa defesa, nenhum dos dois procedimentos (revisão e lançamento) foram executados dentro das normas aplicáveis, já que a fiscalização desconsiderou, sem qualquer base legal, informações contidas em laudo técnico elaborado por engenheiro florestal, descumprindo. por via de consequência, outra série de dispositivos legais pertinentes ao ITR. Transcreve as normas referentes a revisão e lançamento do imposto (arts. 47, § 1 o e art. 48 do Decreto n° 4.382/2002); • levando em consideração todos os argumentos expostos, bem como as informações constantes dos laudos técnicos apresentados à fiscalização, apresenta um quadro a fim de demonstrar a forma que entende correta, dentro da legalidade, para apuração do ITR referente ao exercício de 2005; • mesmo que os argumentos jurídico-tributários apresentados nos itens anteriores não sejam suficientes para o cancelamento da notificação de lançamento, se analisarmos a questão sob o ponto de vista econômico, uma tributação anual no montante de RS 30.801.64, conforme pleiteia a fiscalização, ou cerca de R$ 3.000.00 por mês, inviabiliza totalmente a atividade produtiva na propriedade, posto que a receita auferida na produção durante o ano nem sequer cobriria o valor do imposto cobrado. Tal tributação seria um desestimulo a produção agro-pecuária, bem como. fatalmente, levaria à dispensa de diversas pessoas que trabalham no imóvel, e suas respectivas famílias, acarretando, por conseguinte, um problema social para esses trabalhadores. Por outro lado, uma tributação anual no valor de R$ 30.801,64. ao final de 10 anos. por exemplo, atingiria o montante astronômico de RS 308.016.40, ou seja. superior ao VTN de R$ 287.978,57. apurado pelos engenheiros nos laudos técnicos apresentados. Dessa forma, tal situação consubstanciaria um verdadeiro confisco de terras, indo de encontro ao principio tributário do "Não Confisco", garantia constitucional e transcreve o art. 150 da CF; • lembra que a tributação de ITR da forma como pretende a fiscalização, nos termos propostos na Notificação de Lançamento ora impugnada, incidindo sobre florestas Fl. 190DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-009.632 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10730.721221/2009-71 nativas remanescentes da Mata Atlântica, representa, também, transgressão a princípios e normas previstos na legislação ambiental e na própria Constituição Federal. Tais normas e princípios procuram proteger outros valores maiores da sociedade e do Pais. como por exemplo, o meio ambiente, o interesse social, a função social da propriedade, o patrimônio nacional, dentre outros. Assim, cita alguns dos dispositivos legais e constitucionais que estariam sendo transgredidos, caso se persista na atual cobrança (Art 1 o e § 2 o V "a" da Lei n° 4.771, de 15/09/1965 e arts. 170 Hl e VI. 1861 e II, e 225 § 4 o da Constituição Federal); • finalmente, requer seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelando-se o débito fiscal reclamado. Ressalva-se que as referências à numeração das folhas das peças processuais, feitas no relatório e no voto, referem-se aos autos primitivamente formalizados em papel, antes de sua conversão em meio digital, no qual as referidas peças estão reproduzidas sob a forma de imagem. É o relatório. Ao analisar a impugnação, o órgão julgador de 1ª instância, decidiu que não assiste razão ao contribuinte, de acordo com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobrz a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Exige-se que as áreas de preservação permanente, incluindo as áreas de florestas nativas localizadas no Bioma Mata Atlántica, para fins de exclusão do ITR, tenham sido objeto de Ato Declaratorio Ambiental - ADA. protocolado tempestivamente no IBAMA. RETIFICAÇÃO DOS DADOS CADASTRAIS - DA ÁREA COM REFLORESTAMENTO (ESSÊNCIAS EXÓTICAS OU NATIVAS) Não comprovada, por meio de documentação hábil, a existencia, no imóvel, durante o ano-base de 2004. de área com reflorestamento (essências exóticas ou nativas), resta incabível a alteração pretendida. DO VALOR DA TERRA NUA - SUBAVALIAÇÃO Para fins de revisão do VTN/ha arbitrado pela fiscalização, exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT (NBR 14.653-3), principalmente no que tange aos dados de mercado coletados, de modo a atingir fundamentação e Grau de precisão II, demonstrando, de forma convincente, o valor fundiário do imóvel, a preços da época do fato gerador do imposto (1º/01/2005), bem como, a existência de características particulares desfavoráveis que pudessem justificar a revisão pretendida. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O interessado interpôs recurso voluntário às fls. 172 a 184, refutando os termos do lançamento e da decisão de piso. Voto Conselheiro Francisco Nogueira Guarita, Relator. Fl. 191DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-009.632 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10730.721221/2009-71 O presente Recurso Voluntário foi formalizado dentro do prazo a que alude o artigo 33 do Decreto n. 70.235/72 e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, daí por que devo conhecê-lo e, por isso mesmo, passo a apreciá-lo em suas alegações. Observo, de logo que, o motivo basilar da autuação, foi o fato de que o contribuinte, após revisão interna da declaração do ITR apresentada, uma vez intimado, não comprovou a área total de preservação permanente e nem o valor da terra nua declarados. No caso, observa-se que a fiscalização, de posse do laudo de avaliação apresentado pelo contribuinte, onde constava além de outras áreas de exclusão tributária, uma redução do valor declarado da área de preservação permanente para 151,9 hectares e também do valor de terra nua, considerou a área de preservação permanente reduzida constante do laudo, porém não acatou o VTN, pelo não atendimento aos requisitos legais, como também não aceitou a inclusão das novas áreas de exclusão tributária. Na impugnação e neste recurso voluntário, o contribuinte, além de questionar e solicitar a inclusão das áreas de florestas nativas e de reflorestamento para fins de exclusão da tributação, questionou também a autuação e a decisão decorrida pelo fato de terem utilizados dois pesos e duas medidas, pois a partir do momento em que foi considerada a área de preservação permanente constante do laudo de avaliação, obrigatoriamente, deveria ter considerado também o valor da terra nua constante do laudo. No tocante às áreas de exclusão suscitadas, no caso, a adição das áreas de florestas nativas e das áreas de reflorestamento, a decisão recorrida, negou provimento à impugnação pela falta de apresentação do ADA, também por entender pela falta de espontaneidade na correção das áreas declaradas e também pela falta de outros elementos probatórios. Já no que se refere ao VTN, igualmente à fiscalização, a decisão recorrida entendeu que o laudo de avaliação não atendeu aos pré-requisitos legais necessários, entre eles o grau de precisão II e também a falta de menção específica da valoração em relação ao ano calendário objeto da autuação. Para melhor entendimento dos questionamentos do contribuinte, será feita a análise em tópicos separados: 1 – DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, DE FLORESTA NATIVA E DE REFLORESTAMENTO. No que diz respeito às áreas de preservação permanentes mantidas, o contribuinte se insurgiu apenas em relação ao fato de que o seu acatamento através do laudo de avaliação apresentado, deveria, como consequência, também ser acatado em relação aos demais itens de seu recurso, não demonstrando especificamente insatisfação em relação à área considerada. Ao se observar o laudo apresentado, tem-se que inicialmente consta o laudo técnico referente às áreas de exclusão tributária. Nas páginas seguintes, é apresentado o laudo referente ao valor da terra nua. No tocante ao primeiro laudo, atribuído às áreas de exclusão tributária, percebe-se, além da apresentação de outros requisitos, que houve a menção específica ao ano sob fiscalização de 2005, portanto, de acordo com as exigências legais no sentido de que seja mencionado o ano em análise. Na parte relacionada ao valor da terra nua, o laudo apresentado, refere-se aos anos de 2004, 2005 e 2006, não apresentando uma avaliação específica para os anos sob fiscalização. No caso, tem-se que o laudo referente à área de preservação permanente atingiu os pré-requisitos legais, em especial, mencionando o ano específico do qual o mesmo se refere. Quanto à exigência do ADA, para a comprovação das áreas de exclusão declaradas, discordo da decisão recorrida, pois, de acordo com a sumula 122 deste Conselho e Fl. 192DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-009.632 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10730.721221/2009-71 com a Portaria PGFN nº 502/2016, entendo que seja dispensada a exigência do ADA para a referida área, pois, apesar das decisões deste Conselho não serem vinculadas ao entendimento da PGFN, neste caso, não tem sentido em se posicionar de forma contrária, haja vista a manifestação da Procuradoria da Fazenda Nacional, em que restou dispensada a apresentação de contestação, oferecimento de contrarrazões, interposição de recursos, bem como recomendando a desistência dos já interpostos. Sobre a exigência do ADA, para as área de Reserva Legal e de preservação permanente, tem-se a seguir transcrita, a súmula CARF 122: A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). Quanto à solicitação de correção dos dados declarados, relacionados às áreas de floresta nativa e de reflorestamento, com a respectiva alteração e inclusão dos valores constante do laudo de avaliação, entendo que não seja plausível, pois esta alteração somente poderá ser efetuada nos casos estritamente previstos na legislação, sendo que a retificação de declaração no curso do contencioso fiscal somente é possível quando a alteração pretendida decorre de mero erro de preenchimento, situação esta que não foi comprovada nos autos. Portanto, no que diz respeito à exclusão de tributação destas áreas, entendo que não deve ser considerada, pois, as mesmas não foram declaradas pelo contribuinte por ocasião da apresentação de sua declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. No caso, é como se o recorrente pleiteasse a revisão do lançamento a fim de que fossem levadas em consideração as arguidas áreas de exclusão da tributação. Em síntese, o que o contribuinte pretende é que sejam reconhecidas como às áreas de floresta nativa e de reflorestamento, valores diferentes do originalmente declarados. Contudo, tal solicitação não merece prosperar. Isto porque, os valores imputados às mencionadas áreas não foram declarados pelo recorrente, não cabendo a alteração de sua própria declaração após o lançamento, pois as alterações pretendidas não decorrem de mero erro de preenchimento pelo contribuinte, mas sim de verdadeira retificação de sua declaração. Transcrevo recente precedente desta Turma sobre o tema: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2008 (...) DITR. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. . Incabível a retificação de declaração no curso do contencioso fiscal quando a alteração pretendida não decorre de mero erro de preenchimento, mas aponta para uma retificação de ofício do lançamento. (...) (acórdão nº 2201-005.517; data do julgamento: 12/09/2019). No voto do acórdão acima mencionado, o Ilustre Relator, Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, expôs os seguintes fundamentos sobre a matéria, os quais utilizo como razões de decidir: Fl. 193DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-009.632 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10730.721221/2009-71 No que tange ao pleito de retificação de declaração para considerar APP apurada em laudo apresentado, a leitura integrada dos art. 14 e 25 do Decreto 70.235/72 permite concluir que a fase litigiosa do procedimento fiscal se instaura com a impugnação, cuja competência para julgamento cabe, em 1ª Instância, às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento e, em 2ª Instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Tal conclusão é corroborada pelo art. 1º do Anexo I do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, que dispõe expressamente que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Assim, a competência legal desta Corte para se manifestar em processo de exigência fiscal está restrita à fase litigiosa, que não se confunde com revisão de lançamento. O Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66) dispõe, em seu art. 149 que o lançamento e efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa. Já o inciso III do art. 272 do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 430/2017, preceitua que compete às Delegacias da Receita Federal do Brasil a revisão de ofício de lançamentos. Neste sentido, analisar, em sede de recurso voluntário, a pertinência de retificação de declaração regularmente apresentada pelo contribuinte, a menos que fosse o caso de mero erro de preenchimento, seria fundir dois institutos diversos, o do contencioso administrativo, este contido na competência de atuação deste Conselho, e o da revisão de ofício, este contido na competência da autoridade administrativa, o que poderia macular de nulidade o aqui decidido por vício de competência. Ou seja, um pedido de revisão de lançamento jamais poderia ter sido apresentado dentro de uma impugnação/recurso, na medida em que não poderia ser apreciada pela delegacia de julgamento ou pelo CARF, sob pena de violação de competência. Na verdade, caso pretenda a revisão do lançamento já efetuado, o contribuinte deve seguir o procedimento próprio, e não incluir este pedido em sua impugnação/recurso. Deste modo, não pode neste momento a recorrente pretender alterar a composição declarada do imóvel, posto que seria revisão de lançamento, matéria cuja competência não é atribuída ao CARF, mas sim às autoridades administrativas. 2 – Do Valor da Terra Nua – VTN No que diz respeito às críticas do recorrente em relação à autuação e à decisão recorrida ao afirmar que foram utilizados dois pesos e duas medidas ao acatarem a área de preservação permanente constante no laudo técnico de avaliação e não acatarem o valor da terra nua constante do referido laudo, pelos motivos já apresentados e dos a seguir explicitados, entendo não serem cabíveis estas argumentações. Primeiro porque a fiscalização entendeu coerentes as informações constantes no referido laudo de avaliação, como suficientes para a comprovação da existência das áreas de preservação permanente, mesmo sem a apresentação do registo do ADA junto ao Ibama, pois as intimações foram específicas no sentido de que fossem apresentados elementos para a comprovação da existência de 387 hectares de áreas declaradas como de preservação permanente. Segundo porque a decisão recorrida foi muito precisa ao confirmar e mencionar os argumentos utilizados pela fiscalização, que desmerecem os valores apresentados pelas deficientes fontes de comparação entre os valores das propriedades, além do fato de que o laudo Fl. 194DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-009.632 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10730.721221/2009-71 de avaliação não foi específico ao mencionar o valor da terra nua referente ao ano calendário sob fiscalização e, também, ao considerar que o valor apurado no laudo de avaliação apresentado estaria abaixo, não só dos VTN/ha apontados no SIPT, mas, inclusive, do próprio VTN/ha declarado, não sendo possível se convencer de que o mesmo representa, efetivamente, o valor da terra nua da "Fazenda Ponderosa", a preços de primeiro de janeiro do ano do fato gerador, principalmente quando se observa que o imóvel avaliado não possui qualquer característica desfavorável que pudesse justificar o valor do laudo. No caso em concreto, tem-se um laudo de avaliação em que é mencionado que o valor encontrado diz respeito aos anos de 2004, 2005 e 2006, onde deveria ser específico para um determinado ano, no caso, ao exercício sob fiscalização. Em outras palavras, o laudo técnico apresentado em alguns aspectos estaria correto, porém, no que diz respeito à avaliação do imóvel, o mesmo foi deficiente ao não enumerar dados comparativos plausíveis, além de não mencionar especificamente os valores atribuídos especificamente à data do fato gerador. Em suma, o laudo de avaliação mesmo tendo atendido em parte a alguns requisitos constantes na ABNT NBR 14653-3, no que diz respeito ao valor da terra nua comparado com o valor de mercado, tendo em vista que não foram apresentados imóveis com características e períodos semelhantes ao do fato gerador da respectiva propriedade, entendo que faltou outros elementos de convencimento capazes de justificar o valor da terra nua da propriedade atribuído pelo referido laudo, demonstrando inclusive uma falta de coerência no sentido de considerar como único o valor da terra nua para os 3 anos mencionados. Senão, veja-se a seguir, a transcrição de trechos da norma ABNT referente ao método de avaliação da terra nua: 7.4.3 Levantamento de dados 7.4.3.1 Tem como objetivo a obtenção de uma amostra representativa para explicar o comportamento do mercado, no qual o imóvel avaliando está inserido. 7.4.3.2 Observar o disposto em 7.4.2 da ABNT NBR 14653-1:2001. 7.4.3.3 O levantamento de dados constitui a base do processo avaliatório. Nesta etapa, o engenheiro de avaliações investiga o mercado, coleta dados e informações confiáveis preferencialmente a respeito de negociações realizadas e ofertas, contemporâneas à data de referência da avaliação, com suas principais características econômicas, físicas e de localização. As fontes devem ser diversificadas tanto quanto possível. A necessidade de identificação das fontes deve ser objeto de acordo entre os interessados. No caso de avaliações judiciais, é obrigatória a identificação das fontes. 7.4.3.4 Os dados de oferta são indicações importantes do valor de mercado. Entretanto, deve-se considerar superestimativas que em geral acompanham esses preços e, sempre que possível, quantificá-las pelo confronto com dados de transações. 7.4.3.5 No uso de dados que contenham opiniões subjetivas do informante, recomenda- se; a) visitar cada imóvel tomado como referência, com o intuito de verificar todas as informações de interesse; b) atentar para os aspectos qualitativos e quantitativos; c) confrontar as informações das partes envolvidas, de forma a conferir maior confiabilidade aos dados coletados. 7.4.3.6 Os dados de mercado devem ter suas características descritas pelo engenheiro de avaliações até o grau de detalhamento que permita compará-los com o bem avaliando, de acordo com as exigências dos graus de precisão e de fundamentação. 7.4.3.7 Especial atenção deve ser dada à classificação de terras dos dados de mercado. Fl. 195DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-009.632 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10730.721221/2009-71 ( ... ) B.1 Generalidades B.1.1 Neste tratamento de dados, aplicável ao método comparativo direto de dados de mercado, é admitida a priori a validade da existência de relações fixas entre os atributos específicos e os respectivos preços. Para isso, são utilizados fatores de homogeneização calculados conforme 7.7.2.1, que reflitam, em termos relativos, o comportamento do mercado com determinada abrangência espacial e temporal. B.1.2 É recomendável que sejam utilizados dados de mercado: a) com atributos mais semelhantes possíveis aos do imóvel avaliando; b) que sejam contemporâneos. Nos casos de exame de dados não contemporâneos, é desaconselhável a atualização do mercado imobiliário através de índices econômicos, quando não houver paridade entre eles, devendo, neste caso, o preço ser atualizado mediante consulta direta à fonte. Quando a atualização na forma mencionada for impraticável, só será admitida a correção dos dados por índices resultantes de pesquisa no mercado. Conclusão Por todo o exposto e por tudo o que consta nos autos, conheço do presente recurso, para NEGAR-LHE provimento. (documento assinado digitalmente) Francisco Nogueira Guarita Fl. 196DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 15940.000115/2006-55
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DIVERGÊNCIA DE DADOS DECLARADOS EM DIPJ E DCTF. ESCRITURAÇÃO.
Constatada a existência de pagamento a menor da contribuição, apurado a partir do cruzamento dos valores declarados em DIPJ e em DCTF, posteriormente confirmado em auditoria na escrituração do contribuinte, a autoridade administrativa fiscal tem o dever de proceder ao lançamento de oficio do tributo acompanhado dos devidos acréscimos legais.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO.
Ao valor do principal de tributo exigido por meio de auto de infração, no âmbito do procedimento vinculado e obrigatório do lançamento de oficio, se acrescem juros de mora e multa de oficio, nos termos da legislação de regência.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
COMPENSAÇÃO. PEDIDO. FORMALIZAÇÃO.
O pedido de compensação deve ser formalizado pelo contribuinte da forma exigida pela legislação tributária, restando não formulado nos casos de inobservância dos procedimentos necessários à apreciação do pleito. Incabível a discussão da matéria no âmbito deste processo, cujo objeto se originou de procedimento de fiscalização amparado em declarações e na escrituração do próprio contribuinte.
Numero da decisão: 3803-000.990
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: HÉLCIO LAFETÁ REIS
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DIVERGÊNCIA DE DADOS DECLARADOS EM DIPJ E DCTF. ESCRITURAÇÃO. Constatada a existência de pagamento a menor da contribuição, apurado a partir do cruzamento dos valores declarados em DIPJ e em DCTF, posteriormente confirmado em auditoria na escrituração do contribuinte, a autoridade administrativa fiscal tem o dever de proceder ao lançamento de oficio do tributo acompanhado dos devidos acréscimos legais. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO. Ao valor do principal de tributo exigido por meio de auto de infração, no âmbito do procedimento vinculado e obrigatório do lançamento de oficio, se acrescem juros de mora e multa de oficio, nos termos da legislação de regência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. PEDIDO. FORMALIZAÇÃO. O pedido de compensação deve ser formalizado pelo contribuinte da forma exigida pela legislação tributária, restando não formulado nos casos de inobservância dos procedimentos necessários à apreciação do pleito. Incabível a discussão da matéria no âmbito deste processo, cujo objeto se originou de procedimento de fiscalização amparado em declarações e na escrituração do próprio contribuinte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL I ASSUN I 0: CON 1111BUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO IM SEGURi BADE , SOCIAL.- CORNS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DIVERGÊNCIA DE DADOS DECLARADOS EM DIP.I E DCTF. ESCRITURAÇÃO. Constatada a existEncia de pagamento a menor da contribuição, apurado a partir do cruzamento dos valores declarados em DIPJ e em DUI:, posteriormente confirmado em auditoria na escrituração do contribuinte, a autoridade administrativa fiscal tern o dever de proceder ao lançamento de oficio do tributo acompanhado dos devidos acréscimos legais.. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO, Ao valor cio principal de tributo exigido por meio de auto de infração, no iimbito do procedimento vinculado e obrigatório do lançamento de oficio, se acrescem juros de mora e multa de oficio, nos termos da legislação de regência.. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREI 10 TRIBUTÁRIO Per iodo de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. PEDIDO. FORMALIZAÇÃO. 0 pedido de compensação deve ser formalizado pelo contribuinte da forma exigida pela legislação tributária, restando não formulado nos casos de inobserváncia dos procedimentos necessários à apreciação do pleito. Incabível a discussão da matéria no Ambit() deste processo, cujo objeto se originou de procedimento de fiscalização amparado em declarações e na escritur ação do próprio contribuinte.. Vistas, relatados e discutidos os presentes autos, 1 DI C. ARV 1.1 :.' Pr- r Acordam Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos. em negar vimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente ALEXANDRE KERN - Presidente, Assinado digitalmente 1-1t:LCIO LAFETA REIS - Relator. EDITADO EM: 16/12/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), lidlcio Lafetd Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Elias Fernandes Eufiásio (Suplente), Antônio Mário de Abreu Pinto (Suplente) e Daniel Mauricio Fedato, Relatório Trata-se de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou procedente o lançamento de oficio relativo Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Co fins), referente a fatos geradores oCorridos no ano de 2002 (fls. 142 a 147). 0 auto de infração fora lavrado em decorrência da apuração de divergência entre os valores da contribuição declarados em DIPT confrontados com aqueles constantes da DTP, divergência essa confirmada em auditoria na escrituração do contribuinte (fls. 97 a Em sua impugnação, o contribuinte aiegara: a) falta de competência da Lei n°9.718/1998 para elevar de dois para três all uota da Corms, tendo em vista que se trata de lei ordinária alterando lei complementa r . anterior, em afronta ao sistema de hierarquia de leis; anteriOrmente ir sua edição, fato esse que comprometeria a legalidade do auto de inflação; b) impossibilidade de a Emenda Constitucional n°20 amparar lei promulgada c) mereceria ser examinada a "inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins, condição essa que o STF já esta revendo e, ao que tudo indica determinara a exclusão cio ICMS da base de cálculo da refer ida contribuição" (11.115); d) "a autuada já havia realizado a compensação do credito tributário ora eX'giclo, e informou esse fato a Autoridade Lançadora, apresentado-lhe a conta gráfica. E para maior I surpresa desta, vê na peça acusatória que não houve nenhum pedido para a realização dessa compensação, o que a autuada entende não ser necessário, em razão de normas existentes nesse sentido"; I i... . I .* : I 2 ;.; Processo n" 15940 000115/2006-55 S3-1 V03 AeLirdau a "3803-00 990 1:1 I SO e) "a Compensação realizada pela autuada deve ser aceita, pois, o Instituto da Compensação é internacionalmente aceito, e as normas estabelecidas pelo Ministério da Fazenda se distanciam dessa regra, impondo normas reguladoras contrárias ao próprio CTN" (11. 117); f) a multa e os juros exigidos no auto de infração seriam indevidos por ser a Impugnante credora da Fazenda Nacional, além do fato de que os juros seriam limitados constitucionalmente a 12% ao ano. A DR.] Ribeirão Preto/SP decidiu pela procedência do auto de infração, dada a constatação de insuficiência do recolhimento da contribuição; destacou que o instituto da compensação se rege por normas próprias, não sendo o processo em que se discute lançamento de oficio o instrumento adequado a fazê-lo; considerou que o valor do 1CMS comp -6e a base de cálculo da Cofins; e, por fim, afastou as alegações do Impugnante de ilegalidade dos juros exigidos com base na taxa Selic e de inconstitucionalidade de leis tributárias ((ls. 142 a 147). Em seu Recurso Voluntário (fls. 159 a 167), o contribuinte requer a realização de diligência para fins de redução do valor apurado em face da existência de indébito tributário devidamente comprovado, repisa os argumentos apresentados na fase impugnatória e ressalta que não pretendeu a exclusão do ICMS da base de calculo da contribuição, tendo apenas emitido um comentário sobre a questão, bem como que não alegou inconstitucionalidade da Lei n°9 718/1998, mas tão-somente a incompetência desse diploma legai para alter ar a aliquota da Cofins. E o relatório. Voto Conselheiro 1-161cio Lafetá Reis 0 recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissbiliclade e dele tomo conhecimento. Trata-se de controvérsia em relação a auto de infração ern que se exige parcela da Co fins apurada a partir do cruzamento de informações declaradas e escrituradas pelo contribunte, em relação A qual o Recorrente alega direito A compensação. I. Lei n" 9.718/1998. Majoração de aliquota. 0 Recorrente alega incompetência — e não inconstitucionalidade, como ele ressalta — da Lei n°9.718/1998 para alter ar a aliquota da Cofins de 2% pia 3%, amparando-se no entendimento de que a aliquota original havia sido fixada em lei complementar, não sendo, portanto, em face do sistema de hierarquia de leis, passive) de alter ação por lei ordinária. Contudo tal assertiva não guarda correspondência com o entendimento já consolidade e reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal (ADC-1/DF, j. I°/12/1993, Di 16/06/1995) de que a Lei Complementar n° 70/1991 é apenas formalmente complementar, pois a matéria por ela veiculada — instituição da constribuição social sobre o faturamento — é de cunho ordinário, tendo em vista que a Constituição Federal, em seu art. 195, I, "b", já prevê o 3 ' •;;* 1-1) A R suporte da incidência da Cofins, não se tratando, portanto, de nova fonte de custeio da seguridade social, caso em que a lei complementar seria requerida. I • Portanto, não se sustenta a alegação de que a Lei n° 9.718/1998 seria hyompetente para alterar a alíquota da Corms. 0 que o Supremo 'Tribunal Federal (STF) co siderou inconstitucional foi o alargamento da base de calculo da contribuição, tendo em vita que o suporte constitucional previa, anteriormente A edição da Emenda Constitucional n° 20 apenas o faturamento como fonte de incidência do tributo e não a totalidade das receitas auferidas, Diante do exposto, afasta-se a alegação do Recorrente de que a Lei no 18/1998 seria incompetente para aumentar a alíquota da contribuição. 9, IL Compensação. Formalização. Insurge-se o Recorrente quanto ao não acatamento de seu pedido de co upensaeão de eventual indébito tributário que deveria ter sido computado no momento da au uação_ Contudo, conforme já havia assinalado a Fiscalização, não houve co -nprovação da formalização do pedido de compensação que instruísse tal pretensão, além do fato de que tal matéria compensação de tributos — não é passivel de discussão no âmbito do processo administrativo fiscal em que se discute lançamento de oficio. tr* O instituto da compensação, enquanto modalidade de extinção do crédito utdrio, encontra-se previsto no C T'N nos seguintes termos: Art 170 A lei pode. nas condições e sob as garenuias que estipiden , ou cuja estipulação em cada caso atribui, auto! idade adminisn ativa, auto, a compensação de créditos 1, thuláz ios cow créditos liquidas e certos, vencidos ou do sujeito passim contra a Fazenda pública Conforme se depreende do excerto supra, o Código Tributário Nacional (01N) remete à lei a tarefa de autorizar a compensação de créditos tributários com créditos licuidos acertos, vindo a Lei n°9.430/1996 a dispor sobre a matéria nos seguintes termos: Art 74, 0 srileito passivo que opium crédito, inclusive os judiciais con, trcinsito em julgado, relativo a ti ibuto ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passive" c/c restituição ou de ressarcimento, poderd Milizei-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer ii ibutos e count ibuiçães administrados pot aquele Órgão (Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002) (Vide Decreto no 7.212, de 2010) § 12 A conwensaçao de que (rota o capu( setd efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, tie declaraçõo na pal coutarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivas daitos compel:sodas (Incluldo vela Lei n° 10.637, de 2002)- Grifei § 2 A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributcb ia, sob condição resolutória de sua u/tel to, homologação flncluldo pela Lei n° 10.637, de 2002) • ' f , • 4 Process() n” 15940 000115/2006-55 S3-1 E03 Acindfin n 3803-00 990 Fl 181 § 6' A declatação de compensação Con 51111(1 confissão de divida e insunmento hábil e suficiente para a exigência dos MMus indevidameme compensados Pncluido pela Lei n° 10.833 de 2003) (. •1 ,§ 14 A Secretaria da Receita Federal - SRF disciplinará o disposto neste artigo. inclusive quanto à lixação de ct iultios de ioadade paw apteciação de processos de restituição, de ressauchnetilo e de compensação fincluldo pela Lei n° 11.051, de 2004)- Grifei Dos dispositivos acima, extraem-se as seguintes considerações: a) o pedido de compensação deverá ser precedido da entrega da declaração de compensação; b) cabe it Receita Federal o disciplinamento do instituto, inclusive no que se refere aos procedimentos relativos ao trâmite do processo de restituição, ressarcimento e compensação. A Receita Federal, por seu turno, por meio de instruções normativas — sendo a inaugural a IN SRF n° 21/1997 —, vem disciplinando o instituto da compensação a pai ti!' da estipulação fixada pela Lei no 9,430/1996, pautando-se pela exigência de formalização de pedido do interessado nesse sentido, sendo definidos procedimentos próprios à apreciação dos pleitos de compensação e/ouressarcimento. Dessa forma, como resta inconteste nos autos que tal pedido não veio a ser formalizado pelo contribuinte da forma exigida pela legislação nibutdria, pedido esse necessário à apreciação do pleito por parte da autoridade administrativa competente, tem-se por incabível a discussão da matéria no âmbito deste processo, cujo objeto se originou de procedimento de fiscalização amparado em declarações e na escrituração do ora Recorrente. Nada impede, contudo, que, no momento de eventual cobrança do credito tributário out ern discussão, se possa extingui-lo por quaisquer das formas previstas no alt. 156 do CTN, dentre as quais se inclui o instituto da compensação. Ill. Acréscimos moratórios. Fundamentação legal. Em razão do lançamento de oficio de valor da contribuição devido mas não quitado pelo contribuinte. conforme constatado pela Fiscalização, ao principal se somam os acréscimos legais previstos na legislação tributária. 0 Código Tributário Nacional (CTN) assim dispõe sobre a matéria: Art 161 0 &lc:Wit° não integralmente pogo no vencimento act mid° de pa os de mot a, seja qual foi 0 motivo dine, nfinante da fttlta. sent pi ejuizo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicaçao de quaisqum medidas de gm ali/ia previstas nesta Lei ou ern lei tub o/á; ia :.: '.!...:- !: '. • •: Ir:F: :. -,• 1 1 f.•-•.1 r:I I:IV-Er» ;-.1:-1::. •• :4, • :• ..'•::: 1 ....' 5 : ,. , I A partir da previsão insita na lei complementar, a Lei n° 9.430/1996 a disciplina nos seguintes termos: Art 44 Nos casos de lançamento de olicio . serão aplic-adas as seguintes multas (Redação dada nela Lei n° 11.488, de 2007) - de 75% (selenta e cinco pot canto) sabre a totalidade on difirença c/c imposto ou conn ibuição nos casos de fidta de pagamento ou recolhintento, de folio de decicuagão e llt).1 de decicuação inexata; (Redação dada nela Lei n° 11.488. de 2007) (. ) At ! 61 Os claitos part, corn a União, decor: elites de tributos e corm ibukties adminisu ados pela Sect etar ia da Receita redo al, cujos fatos geradores °colt -vim a pat th de de flinch?) de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica. set ão acrescidos de studio de mora, ccdculada à taw de It into e trees centdsimos pot cento, por dia c/c aso ) 3° Sobre os daitos a que se refere este ar ligo inciditlio jut os de mora calculados à lava a que se refine o c 3" do art. 5", a partil do primeir o dia do nuls subseqüente ao vencimento cio prazo curl o nrés anterior ao do pagamento e de um pot cento no mês de pagamento (Vide Lei n° 9.716, de 1998) A exigência dos juros já se encontra sumulada neste Conselho Administrativo Recursos Fiscais, in verbis: Stimula CA/IF n°4 A pai tit c/c 1" de aln ii de 1995, os jut os mot atóiios incidentes sobre (Minim tributários adminivrados pela Secretatia da Receita Federal do Brasil são devidos, no period° de inadimphincia, à taxa referenda! do Sistema Especial de Liquidação e Cuslcidia - SELIC par a Midas Adel ais Portanto, constata-se que o lançamento de oficio se operou nos estritos termos da legislação de regência, no merecendo reparo por parte deste Colegiado. IV. Concluslio Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, en face da correta exigência da Cofins por meio de lançamento de oficio, instruido com dados declarados e escriturados pelo próprio contribuinte, conforme acima exposto, É como voto . Assinado digitalmente 1-161cio Lafetti Reis - Relator E) I . .; 6
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Numero do processo: 10280.000468/2003-18
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2003
RESSARCIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Indeferimento do pedido de ressarcimento do saldo credor do PIS/PASEP após o não reconhecendo o crédito pleiteado.
Não homologação das compensações vinculadas ao crédito.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO
Aplicam-se os ordenamentos contidos nos artigos 165 e 168 do Código Tributário Nacional, condicionados apresentação de toda documentação comprobatória, que possa servir de base à constituição do crédito tributário em discussão.
Numero da decisão: 3803-001.182
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: RANGEL PERRUCCI FIORIN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 RESSARCIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Indeferimento do pedido de ressarcimento do saldo credor do PIS/PASEP após o não reconhecendo o crédito pleiteado. Não homologação das compensações vinculadas ao crédito. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Aplicamse os ordenamentos contidos nos artigos 165 e 168 do Código Tributário Nacional, condicionados apresentação de toda documentação comprobatória, que possa servir de base à constituição do crédito tributário em discussão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Rangel Perrucci Fiorin Relator. EDITADO EM: 27/03/2011 Fl. 525DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN Assinado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN, 29/03/2011 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (presidente); Belchior Melo de Souza; Carlos Henrique; Hélcio Lafetá Reis; Daniel Mauricio Fedato. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado por Amazônia Celular S/A contra o Acórdão que, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação a acerca do pedido de restituição de crédito tributário, oriundo de pagamento indevido ou a maior de PIS/PASEP. Os membros da 3ª Turma da DRJ/BEL, por unanimidade de votos, acordam que: a) O crédito tributário não constituído somente pelo lançamento, mas também por hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como a entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). b) Somente há que se falar em lançamento por homologação se o contribuinte tiver efetuado pagamento do tributo antes de qualquer atuação das autoridades fiscais. c) O artigo 3° da Lei Complementar n° 118/2005 determinou que "para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966— Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art. 150 da referida Lei". d) O artigo 4° (da mesma Lei Complementar) preconiza que seja observada a retroatividade do artigo 3°, já que se trata de dispositivo legal expressamente interpretativo. e) no caso de pedido de restituição o contribuinte é o autor da ação, e, como tal, possui o ônus de prova. f) o §4° do art. 150 é uma limitação para que o Fisco promova ao lançamento de oficio, ou seja, é uma limitação para a nãohomologação expressa. g) deferir o pedido de restituição é o mesmo que desconstituir o lançamento que ocorreu com o pagamento, podendo Fisco somente promover a restituição caso o contribuinte demonstre, por meio de documentos hábeis e idôneos, a ocorrência do indébito. h) uma declaração de compensação, apenas se submete ao prazo previsto pelo art. 74, §5°, da Lei n° 9.430/96 (cinco anos contados da data da entrega da declaração), e não ao prazo do art. 150, §4°, do CTN. i) DCTF é uma confissão do contribuinte, e não uma homologação pelo Fisco, do valor declarado. Este ponto é essencial para que se possa perceber a influência do valor declarado em DCTF na análise do pedido de restituição e da declaração de compensação. A Recorrente, em contraposição, alega que: a) no presente caso, a origem do crédito tem como base as apurações contábeis, devidamente refletidas em demonstrativos fiscais entregues ao Fisco. Fl. 526DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN Assinado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN, 29/03/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.000468/200318 Acórdão n.º 380301.182 S3TE03 Fl. 495 3 b) toda a documentação suporte foi disponibilizada, comprovando a utilização de créditos nos exatos termos apurados e informados. c) cabe ao Fisco o ônus de impugnar os lançamentos ou revisar seus critérios. Se assim não procedendo, a prova de existência do crédito deverá ser feita apenas com a disponibilização fiscal em DCTF. d) O lançamento, bem assim as manifestações fiscais, tais como as decisões em processos de restituição e compensação, são atos administrativos plenamente vinculados devendo estar revestidos dos cinco requisitos que informam o ato administrativo: competência, finalidade, forma, motivo e objeto. e) de acordo com a "teoria dos motivos determinantes", os motivos que determinam a vontade do agente, isto é, os fatos que serviram de suporte à sua decisão, integram a validade do ato. f) a invocação de "motivos de fato" falsos, inexistentes ou incorretamente qualificados vicia o ato. Uma vez enunciados pelo agente os motivos em que se calcou, o ato só será válido se estes realmente ocorreram e o justificavam. g) em caso de dúvidas ou divergências quanto à documentação do particular, cabe ao Auditor Fiscal comprovar e indicar individualmente as supostas irregularidades, demonstrando o seu efeito sobre o crédito tributário. h) as declarações fiscais exigidas em lei, e não só o PER/DCOMP, trazem elementos que devem ser apreciados pelo Fisco, pois, do contrário, não teriam nenhuma valia. Em caso de divergências, cabe ao Fisco buscar a verdade material, como pressuposto à aplicação da lei fiscal. i) o Fisco desconsiderou o crédito ao seu alvedrio sem justificar tal conduta. j) A prova de eventuais inconsistências e irregularidades compete ao Fisco, como conseqüência de seu dever de homologar. Da mesma forma que não se exige do contribuinte a transcrição de seus lançamentos contábeis no momento da entrega das atuais declarações (DIPJ, DCTF, Dacon, etc.), não pode o Fisco ignorálas e nem tampouco desprezar os registros contábeis que lhes servem de fundamento ou rejeitálos, sem fundamentação precisa e válida. k) o tributo que se sujeita ao lançamento por homologação, operase o regime previsto no art. 150, § 4º do CTN, em que a decadência do direito de lançar eventuais diferenças operase em cinco anos contados do fato gerador. l) transcorridos mais de cinco anos do fato gerador, sem que a autoridade fiscal tenha contestado a regularidade dos recolhimentos efetuados pelo contribuinte, considerase homologado o lançamento e operase a extinção do crédito tributário. Ao final a Recorrente pede a procedência do recurso voluntário, para que seja a solicitação deferida e reconhecido o direito creditório devidamente atualizado. Fl. 527DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN Assinado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN, 29/03/2011 por ALEXANDRE KERN 4 Voto Conselheiro Rangel Perrucci Fiorin O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço e passo a votar. Litigase a da possibilidade da autoridade fazendária analisar pedidos de restituição e declarações de compensação referentes a períodos superiores ao lapso temporal de cinco anos, previsto no artigo 150,§ 4º do CTN, pelo fato de se depreender que o crédito tributário é constituído não somente pelo lançamento, mas também por hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação, como a entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Assim, o cerne central do questionamento levado ao julgamento de Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é se os documentos apresentados e o lapso temporal para análise do pedido de restituição se enquadram nos termos da legislação tributário e do direito aplicado. No caso em tela, a recorrente foi intimada a apresentar documentos que pudessem comprovar o direito creditório alegado. Entretanto, não o fez, prestando apenas esclarecimentos. Neste diapasão, revelase importante analisar a Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, que disciplina sobre a restituição e a compensação de créditos originados de cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou em valor maior que o devido, bem como prescreve a necessidade da apresentação de documentos comprobatórios: "Art. 411 A autoridade da SRF competente para decidir sobre a restituição poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas". No caso sob julgamento foi oferecida a oportunidade de apresentar toda documentação exigida, sendo certo que poderia ter sido ofertada até a data da apresentação da impugnação §4º do Art. 16, do Decreto nº 70.235/1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF), sob pena de preclusão. Os elementos de prova servem de convicção, cabendo as partes promover suas alegações e a juntada de documentos que possam servir de alicerces ao convencimento do julgador. No direito tributário prevalece o preceito da verdade material e formal dos fatos. Poderia neste contexto, até a data da impugnação, o recorrente se utilizar de todos os meios de prova admitidos em lei. A entrega da documentação fiscal é dever do contribuinte, quando requerida pela autoridade fiscal, a fim que possa comprovar o quanto deve ser restituído. Nesse sentido, elucida Fabiana Del Padre Tomé in (A Prova no Direito Tributário. São Paulo: Noeses, 2005. p. 296297): Fl. 528DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN Assinado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN, 29/03/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.000468/200318 Acórdão n.º 380301.182 S3TE03 Fl. 496 5 “Diante do grande número de contribuintes e da variada gama de atividades por eles praticadas, são lhes impostos o cumprimento de certos deveres, objetivando facilitar o conhecimento e quantificação dos fatos jurídicos tributários pela autoridade administrativa. São os chamados deveres instrumentais, decorrentes dos deveres de colaborar com a Administração (...) Para relativizar a dificuldade de identificar os fatos jurídicos tributários realizados pelo vasto universo de contribuintes, tem lugar a imposição dessa espécie de deveres, ficando o sujeito passivo e, até mesmo, terceiros de alguma formar relacionados com referido fato, compelidos a praticar atos que auxiliem a Administração em sua atividade fiscalizatória. (...) Aos contribuintes cabe proceder os devidos registros, os livros contábeis, dos fatos relativos à sua movimentação empresarial, sempre alicerçados em documentos idôneos e hábeis, que deverão, quando requisitados, ser entregues à fiscalização, servindo à administração fazendária como elemento de prova.” Assim, neste quesito, entendese que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém, acertadamente não homologou a compensação diante a ausência de liquidez e certeza. Arrimandose sobre o conflito de interesses entre a arrecadação e restituicao do tributo, Celso Antônio Bandeira Mello in (Curso de Direito Administrativo – 27 ed. Revisada e atualizada até a Emenda Constitucional de 4.2.2010. Ed. Malheiros . 2010. p. 115) ensina: (...) “Consistem, de uma lado, como estabelece o artigo 5°, LIV, da Constituição Federal, em que “ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal” e, de outro, na conformidade do mesmo artigo, inciso LV, em que: “ aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. Estão aí consagrados, pois, a exigência de um processo formal regular para que sejam atingidas a liberdade e propriedade de quem quer que seja e a necessidade de que a Administração Pública, antes de tomar decisões gravosas a um dado sujeito, ofereçalhe oportunidade de contraditório e de defesa ampla, no que se inclui o direito a recorrer das decisões tomadas.”) Quanto a alegação de que a decadência, nos tributos submetidos ao lançamento por homologação se opera nos moldes do artigo 150, § 4º do CTN, prefacialmente assinalase que o lançamento é um ato ou conjunto de atos vinculados da administração pública, que tem por escopo verificar a ocorrência do fato gerador, quem deve e o quanto é devido. Fl. 529DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN Assinado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN, 29/03/2011 por ALEXANDRE KERN 6 Assim, mesmo entendendo, em outros processos já julgados por este conselheiro, que o prazo para a autoridade administrativa homologar a constituição do crédito não pode perdurar por tempo superior ao previsto na legislação tributária, qual seja cinco anos, sob pena de quebrar os preceitos consagrados no sistema tributário. No caso em tela, não se aplica o entendimento supra, pelo fato da não homologação expressa ou homologação tácita, por não se aplicar a regra do artigo 150, §4º, nem a do artigo 173, I, ambos do CTN, diante o pedido de restituição e compensação. Neste diapasão, de acordo com os princípios fundamentais que orientam a Administração Pública, dentre os quais o principio da legalidade, a teor do art. 37, caput, da Constituição Federal, a lei tributária deve rege as condições que autorizam a compensação e restituição tributária. A legislação infraconstitucional, na mesma batida, determina que Estado, por seus agentes, quando praticarem suas atividade não pode ultrapassar os limites traçados pelo art. 2ª da Lei 9784/99, que regula o processo administrativo federal: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. No caso em questão, entendese que tais princípios foram respeitados, uma vez que as declarações fiscais trazem elementos que devem ser apreciados para conceder a restituição do crédito tributário, quando avaliadas as provas com valores suficientes a concessão da restituição, que são estatuído pelos artigos 165 e 168, ambos do Código Tributário Nacional: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4 do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (…) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; Com este entendimento o legislador avençou que o direito do sujeito passivo pleitear a restituição total ou parcial de tributo ou contribuição a maior que o devido, extingue se com o decurso do prazo de 5 anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Os artigo 150 de 156 do Código Tributário, respectivamente rezam: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, Fl. 530DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN Assinado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN, 29/03/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.000468/200318 Acórdão n.º 380301.182 S3TE03 Fl. 497 7 tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1 O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (…) Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (…) VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus parágrafos 1 e 4; Portanto, concluise que no caso de pedido de restituição devese aplicar as prescrições contidas nos artigos 165 e 168 do Código Tributário Nacional e não as hipóteses de decadência do direito de efetivar o lançamento tributário do fisco, mencionados nos artigos 150,§4º e 173,I do Código Tributário Nacional. Ademais, façase constar, que a restituição é condicionado apresentação de toda documentação comprobatória, que possa servir de base à constituição do crédito tributário em discussão. Diante de tudo o que foi exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rangel Perrucci Fiorin Relator Fl. 531DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN Assinado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN, 29/03/2011 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 10280.001467/2005-44
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1999
RESSARCIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Indeferimento do pedido de ressarcimento do saldo credor do PIS/PASEP após o não reconhecendo o crédito pleiteado.
Não homologação das compensações vinculadas ao crédito.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO
Aplicam-se os ordenamentos contidos nos artigos 165 e 168 do Código Tributário Nacional, condicionados apresentação de toda documentação comprobatória, que possa servir de base à constituição do crédito tributário em discussão.
Numero da decisão: 3803-001.300
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: RANGEL PERRUCCI FIORIN
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1999 RESSARCIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Indeferimento do pedido de ressarcimento do saldo credor do PIS/PASEP após o não reconhecendo o crédito pleiteado. Não homologação das compensações vinculadas ao crédito. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Aplicam-se os ordenamentos contidos nos artigos 165 e 168 do Código Tributário Nacional, condicionados apresentação de toda documentação comprobatória, que possa servir de base à constituição do crédito tributário em discussão.
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Não homologação das compensações vinculadas ao crédito. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Aplicamse os ordenamentos contidos nos artigos 165 e 168 do Código Tributário Nacional, condicionados apresentação de toda documentação comprobatória, que possa servir de base à constituição do crédito tributário em discussão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN Presidente. (assinado digitalmente) Rangel Perrucci Fiorin Relator. EDITADO EM: 27/03/2011 Fl. 174DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN Assinado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN, 30/03/2011 por ALEXANDRE KERN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (presidente); Belchior Melo de Souza; Carlos Henrique Martins de Lima; Hélcio Lafetá Reis; Daniel Mauricio Fedato. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado por Amazônia Celular S/A contra o Acórdão que, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação a acerca do pedido de restituição de crédito tributário, oriundo de pagamento indevido ou a maior de COFINS. Os membros da 3ª Turma da DRJ/BEL, por unanimidade de votos, acordam que: a) O crédito tributário não constituído somente pelo lançamento, mas também por hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como a entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). b) Somente há que se falar em lançamento por homologação se o contribuinte tiver efetuado pagamento do tributo antes de qualquer atuação das autoridades fiscais. c) O artigo 3° da Lei Complementar n° 118/2005 determinou que "para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966— Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art. 150 da referida Lei". d) O artigo 4° (da mesma Lei Complementar) preconiza que seja observada a retroatividade do artigo 3°, já que se trata de dispositivo legal expressamente interpretativo. e) no caso de pedido de restituição o contribuinte é o autor da ação, e, como tal, possui o ônus de prova. f) o §4° do art. 150 é uma limitação para que o Fisco promova ao lançamento de oficio, ou seja, é uma limitação para a nãohomologação expressa. g) deferir o pedido de restituição é o mesmo que desconstituir o lançamento que ocorreu com o pagamento, podendo Fisco somente promover a restituição caso o contribuinte demonstre, por meio de documentos hábeis e idôneos, a ocorrência do indébito. h) uma declaração de compensação, apenas se submete ao prazo previsto pelo art. 74, §5°, da Lei n° 9.430/96 (cinco anos contados da data da entrega da declaração), e não ao prazo do art. 150, §4°, do CTN. i) DCTF é uma confissão do contribuinte, e não uma homologação pelo Fisco, do valor declarado. Este ponto é essencial para que se possa perceber a influência do valor declarado em DCTF na análise do pedido de restituição e da declaração de compensação. A Recorrente, em contraposição, alega que: a) no presente caso, a origem do crédito tem como base as apurações contábeis, devidamente refletidas em demonstrativos fiscais entregues ao Fisco. Fl. 175DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN Assinado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN, 30/03/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.001467/200544 Acórdão n.º 380301.300 S3TE03 Fl. 134 3 b) toda a documentação suporte foi disponibilizada, comprovando a utilização de créditos nos exatos termos apurados e informados. c) cabe ao Fisco o ônus de impugnar os lançamentos ou revisar seus critérios. Se assim não procedendo, a prova de existência do crédito deverá ser feita apenas com a disponibilização fiscal em DCTF. d) O lançamento, bem assim as manifestações fiscais, tais como as decisões em processos de restituição e compensação, são atos administrativos plenamente vinculados devendo estar revestidos dos cinco requisitos que informam o ato administrativo: competência, finalidade, forma, motivo e objeto. e) de acordo com a "teoria dos motivos determinantes", os motivos que determinam a vontade do agente, isto é, os fatos que serviram de suporte à sua decisão, integram a validade do ato. f) a invocação de "motivos de fato" falsos, inexistentes ou incorretamente qualificados vicia o ato. Uma vez enunciados pelo agente os motivos em que se calcou, o ato só será válido se estes realmente ocorreram e o justificavam. g) em caso de dúvidas ou divergências quanto à documentação do particular, cabe ao Auditor Fiscal comprovar e indicar individualmente as supostas irregularidades, demonstrando o seu efeito sobre o crédito tributário. h) as declarações fiscais exigidas em lei, e não só o PER/DCOMP, trazem elementos que devem ser apreciados pelo Fisco, pois, do contrário, não teriam nenhuma valia. Em caso de divergências, cabe ao Fisco buscar a verdade material, como pressuposto à aplicação da lei fiscal. i) o Fisco desconsiderou o crédito ao seu alvedrio sem justificar tal conduta. j) A prova de eventuais inconsistências e irregularidades compete ao Fisco, como conseqüência de seu dever de homologar. Da mesma forma que não se exige do contribuinte a transcrição de seus lançamentos contábeis no momento da entrega das atuais declarações (DIPJ, DCTF, Dacon, etc.), não pode o Fisco ignorálas e nem tampouco desprezar os registros contábeis que lhes servem de fundamento ou rejeitálos, sem fundamentação precisa e válida. k) o tributo que se sujeita ao lançamento por homologação, operase o regime previsto no art. 150, § 4º do CTN, em que a decadência do direito de lançar eventuais diferenças operase em cinco anos contados do fato gerador. l) transcorridos mais de cinco anos do fato gerador, sem que a autoridade fiscal tenha contestado a regularidade dos recolhimentos efetuados pelo contribuinte, considerase homologado o lançamento e operase a extinção do crédito tributário. Ao final a Recorrente pede a procedência do recurso voluntário, para que seja a solicitação deferida e reconhecido o direito creditório devidamente atualizado. Fl. 176DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN Assinado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN, 30/03/2011 por ALEXANDRE KERN 4 Voto Conselheiro Rangel Perrucci Fiorin O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço e passo a votar. Litigase a da possibilidade da autoridade fazendária analisar pedidos de restituição e declarações de compensação referentes a períodos superiores ao lapso temporal de cinco anos, previsto no artigo 150,§ 4º do CTN, pelo fato de se depreender que o crédito tributário é constituído não somente pelo lançamento, mas também por hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação, como a entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Assim, o cerne central do questionamento levado ao julgamento de Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é se os documentos apresentados e o lapso temporal para análise do pedido de restituição se enquadram nos termos da legislação tributário e do direito aplicado. No caso em tela, a recorrente foi intimada a apresentar documentos que pudessem comprovar o direito creditório alegado. Entretanto, não o fez, prestando apenas esclarecimentos. Neste diapasão, revelase importante analisar a Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, que disciplina sobre a restituição e a compensação de créditos originados de cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou em valor maior que o devido, bem como prescreve a necessidade da apresentação de documentos comprobatórios: "Art. 411 A autoridade da SRF competente para decidir sobre a restituição poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas". No caso sob julgamento foi oferecida a oportunidade de apresentar toda documentação exigida, sendo certo que poderia ter sido ofertada até a data da apresentação da impugnação §4º do Art. 16, do Decreto nº 70.235/1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF), sob pena de preclusão. Os elementos de prova servem de convicção, cabendo as partes promover suas alegações e a juntada de documentos que possam servir de alicerces ao convencimento do julgador. No direito tributário prevalece o preceito da verdade material e formal dos fatos. Poderia neste contexto, até a data da impugnação, o recorrente se utilizar de todos os meios de prova admitidos em lei. A entrega da documentação fiscal é dever do contribuinte, quando requerida pela autoridade fiscal, a fim que possa comprovar o quanto deve ser restituído. Nesse sentido, elucida Fabiana Del Padre Tomé in (A Prova no Direito Tributário. São Paulo: Noeses, 2005. p. 296297): Fl. 177DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN Assinado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN, 30/03/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.001467/200544 Acórdão n.º 380301.300 S3TE03 Fl. 135 5 “Diante do grande número de contribuintes e da variada gama de atividades por eles praticadas, são lhes impostos o cumprimento de certos deveres, objetivando facilitar o conhecimento e quantificação dos fatos jurídicos tributários pela autoridade administrativa. São os chamados deveres instrumentais, decorrentes dos deveres de colaborar com a Administração (...) Para relativizar a dificuldade de identificar os fatos jurídicos tributários realizados pelo vasto universo de contribuintes, tem lugar a imposição dessa espécie de deveres, ficando o sujeito passivo e, até mesmo, terceiros de alguma formar relacionados com referido fato, compelidos a praticar atos que auxiliem a Administração em sua atividade fiscalizatória. (...) Aos contribuintes cabe proceder os devidos registros, os livros contábeis, dos fatos relativos à sua movimentação empresarial, sempre alicerçados em documentos idôneos e hábeis, que deverão, quando requisitados, ser entregues à fiscalização, servindo à administração fazendária como elemento de prova.” Assim, neste quesito, entendese que a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belém, acertadamente não homologou a compensação diante a ausência de liquidez e certeza. Arrimandose sobre o conflito de interesses entre a arrecadação e restituicao do tributo, Celso Antônio Bandeira Mello in (Curso de Direito Administrativo – 27 ed. Revisada e atualizada até a Emenda Constitucional de 4.2.2010. Ed. Malheiros . 2010. p. 115) ensina: (...) “Consistem, de uma lado, como estabelece o artigo 5°, LIV, da Constituição Federal, em que “ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal” e, de outro, na conformidade do mesmo artigo, inciso LV, em que: “ aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”. Estão aí consagrados, pois, a exigência de um processo formal regular para que sejam atingidas a liberdade e propriedade de quem quer que seja e a necessidade de que a Administração Pública, antes de tomar decisões gravosas a um dado sujeito, ofereçalhe oportunidade de contraditório e de defesa ampla, no que se inclui o direito a recorrer das decisões tomadas.”) Quanto a alegação de que a decadência, nos tributos submetidos ao lançamento por homologação se opera nos moldes do artigo 150, § 4º do CTN, prefacialmente assinalase que o lançamento é um ato ou conjunto de atos vinculados da administração pública, que tem por escopo verificar a ocorrência do fato gerador, quem deve e o quanto é devido. Fl. 178DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN Assinado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN, 30/03/2011 por ALEXANDRE KERN 6 Assim, mesmo entendendo, em outros processos já julgados por este conselheiro, que o prazo para a autoridade administrativa homologar a constituição do crédito não pode perdurar por tempo superior ao previsto na legislação tributária, qual seja cinco anos, sob pena de quebrar os preceitos consagrados no sistema tributário. No caso em tela, não se aplica o entendimento supra, pelo fato da não homologação expressa ou homologação tácita, por não se aplicar a regra do artigo 150, §4º, nem a do artigo 173, I, ambos do CTN, diante o pedido de restituição e compensação. Neste diapasão, de acordo com os princípios fundamentais que orientam a Administração Pública, dentre os quais o principio da legalidade, a teor do art. 37, caput, da Constituição Federal, a lei tributária deve rege as condições que autorizam a compensação e restituição tributária. A legislação infraconstitucional, na mesma batida, determina que Estado, por seus agentes, quando praticarem suas atividade não pode ultrapassar os limites traçados pelo art. 2ª da Lei 9784/99, que regula o processo administrativo federal: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. No caso em questão, entendese que tais princípios foram respeitados, uma vez que as declarações fiscais trazem elementos que devem ser apreciados para conceder a restituição do crédito tributário, quando avaliadas as provas com valores suficientes a concessão da restituição, que são estatuído pelos artigos 165 e 168, ambos do Código Tributário Nacional: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4 do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (…) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; Com este entendimento o legislador avençou que o direito do sujeito passivo pleitear a restituição total ou parcial de tributo ou contribuição a maior que o devido, extingue se com o decurso do prazo de 5 anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Os artigo 150 de 156 do Código Tributário, respectivamente rezam: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, Fl. 179DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN Assinado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN, 30/03/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10280.001467/200544 Acórdão n.º 380301.300 S3TE03 Fl. 136 7 tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1 O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (…) Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (…) VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus parágrafos 1 e 4; Portanto, concluise que no caso de pedido de restituição devese aplicar as prescrições contidas nos artigos 165 e 168 do Código Tributário Nacional e não as hipóteses de decadência do direito de efetivar o lançamento tributário do fisco, mencionados nos artigos 150,§4º e 173,I do Código Tributário Nacional. Ademais, façase constar, que a restituição é condicionado apresentação de toda documentação comprobatória, que possa servir de base à constituição do crédito tributário em discussão. Diante de tudo o que foi exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rangel Perrucci Fiorin Relator Fl. 180DF CARF MF Emitido em 05/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN Assinado digitalmente em 27/03/2011 por RANGEL PERRUCCI FIORIN, 30/03/2011 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10935.002604/2006-05
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF.
Exercício: 2003
DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA.
Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física são dedutíveis as despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, quando comprovadas com documentação hábil e idônea.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-000.478
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos do Relator. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Lúcia Reiko Sakae que dava provimento em menor extensão.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: JORGE CLÁUDIO DUARTE CARDOSO
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DESPESA MÉDICA Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física são dedutíveis as despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, quando comprovadas com documentação hábil e idônea. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos do relatar. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Lúcia Reiko Sakae que dava provimento em menor extensão (Assinado digitalmente) Valéria Pestana Marques - Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Relatar. EDITADO EM: 21/10/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valéria Pestana Marques (Presidente), Carlos Nogueira Nicácio, Jorge Claudio Duarte Cardoso, Ana Paula Locoselli Erichsen e Lúcia Retko Sakae. Ausente justificadamente o Conselheiro Sidney Ferro Barros PESTANA MARCILiES po-,- JORGE CLAUDIO DUARTE i JORGL:'. CLAUDIO DUARTE CARDOSO riT."%f!ild."1 DF CA RE ME Ft. 2 Relatório Trata-se de auto de infração de imposto de renda pessoa física, exercício 2003, ano-calendário 2002, decorrente de glosa de despesas médicas na importância de R$13 110,00 No curso do processo, o autuado reconheceu a dedução indevida no valor de R$160,00 relativa a despesa com nutricionista, recolhendo em DARF a importância de R$43,99 cumulado com os acréscimos legais O crédito tributário perfaz o montante de R$7.971,51, assim considerado, o valor do imposto de renda pessoa fisica suplementar acrescido de multa de oficio e juros de mora, menos a parcela não contestada de R$43,99 O lançamento foi declarado procedente na primeira instância sob o fundamento de que o dispêndio exagerado associado a indícios de inidoneidade dos recibos autoriza que, a juizo da autoridade lançadora, seja exigida prova do efetivo pagamento e dos serviços prestados pelo profissional de saúde, por meio de documentação complementar (cheques, extrato bancário com demonstração de saque no valor correspondente, acompanhamento psicológico indicado por médico, etc), conforme solicitado pela autoridade fiscal, conforme a inteligência dada pelo art 73 do Decreto n° 3 000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), sendo que intimado o contribuinte não comprovou o efetivo desembolso e/ou a prestação realizada, e, durante o contencioso administrativo, a defesa não se dignou a reunir outros elementos que pudessem desconstituir as provas dos autos Ciente da decisão de primeira instância em 06/03/2009 (fis 63), o requerente apresentou recurso voluntário em 03104/2009 (fls 65), no qual apresenta os seguintes argumentos: 1) todas as exigências decorrentes da lei para o abatimento das despesas sobre a base de cálculo do IRPF foram observadas pelo ora Recorrente, fato reconhecido pela autoridade julgadora; 2) a simples apresentação dos recibos firmados por quem prestou os serviços já seria suficiente para atestar a efetiva realização dos serviços ao recorrente e seus dependentes, bem como, os respectivos pagamentos, tanto que esse Conselho tem reconhecido que o recibo é prova hábil para comprovar o efetivo dispêndio dos valores nele representados, sendo que eventual duvida sobre a idoneidade de tal documento deve ser dirimida pela autoridade fiscal; 3) o inciso /II do § 2 0 do art. 8° da Lei 9.250/95 estabelece que poderá, apenas "na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento", logo, é descabida a pretensão da autoridade fiscal de desconsiderar os recibos apresentados e exigir do ora Recorrente que •faça prova acerca da ocorrência dos pagamentos utilizando-se de outros meios 4) transcreve ementas de acórdãos desse Conselho em seu favor (tis 29); Assinada digitalmente em 04111 12010 per VALERIA PESTANA MARQUES 212!0/2010 por _1()KJE CLAUDIO DUARTE RDO 50 Aotenticade digitalmeiMe em 2 -Ii10i201O peu JORGE CLAUDIO DUARTE r,:.ÁRUM,<",") Erniiide em 16/11i2010 pein Ministérie da FiUlerld:21 2 1)1• N.11- 11. 3 Processo n" 10935 002604/2006.05 S2-TE02 Acórdão n " 2802-N478 El 80 5) no que tange à alegada ausência de informação sobre os destinatários dos serviços de saúde, em que pese constar de quase todos os recibos, junta-se ao presente declaração dos beneficiários dos recebimentos, confirmado a quem foram prestados os serviços bem como a efetividade dos pagamentos (fis 74/76); 6) o fato de ser o esposo da Dra. Cristina, sócio do ora recorrente, não implica que ela esteja impedida de lhe prestar serviço e/ou obrigada a prestá-lo de forma graciosa; 7) a decisão recorrida também merece ser reformada por que se fundamenta em informações da autoridade fiscal que estão desprovidas de embasamento legal que lhes dê suporte; 8) por ser o recorrente médico, os profissionais (médicos, dentistas, fonoaudiólogos, etc), que prestam serviços a si e seus dependentes, são pessoas de seu convívio e confiança, o que justifica a realização de pagamentos em dias não úteis (feriados e domingos), restando afastada a alegada inidoneidade não comprovada; 9) todas as questões mencionadas pelo fisco e às quais a decisão recorrida faz alusão, podem ser classificadas apenas como meros indícios ou presunções, e por isso são incapazes de afastar a prova trazida aos autos pelo Recorrente, a própria decisão recorrida menciona que a autoridade fiscal se deparou com meros indícios; 10) não há razão para se atribuir ao contribuinte o ônus da prova, quando este apresenta os recibos de pagamento utilizados para as deduções, transcreve ementas de acórdãos desse Conselho (lis 70) É o relatório, + j qila:rnenti.:. em 0 ,1 .11 , 20 .10 por NrALERIA PE;..,,TANA MAROLIES. 2 Ir L 0 n 201 O por JORGE CLAUDIO DUARTE i'unKiticacin 21!1:-.2010 por JORGE CLAUnio DUARTE CARDOS() Dl CARI' Mf 1 1 Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele deve-se tomar conhecimento. O litígio cinge-se à comprovação de despesas médicas Considero que, a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, mas, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direito-dever de o fisco intimá-lo a comprovar o efetivo desembolso c prestação do serviço, na esteira do comando legal do §3° do art 11 do Decreto-Lei n° 5 844, de 1943 Assim, a decisão sobre a dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte, os quais serão decisivos para a formação da livre convicção do julgador. Neste caso concreto, cotejando a imputação constante do auto de infração, a impugnação, a peça recursal e os documentos com trazidos aos autos, considero que não há nos autos elementos que permitam afastar a idoneidade dos documentos apresentados pelo requerente para fazer jus às deduções pleiteadas 'Tomo como ponto de partida a imputação feita no auto de infração: Dedução indevida a titulo de despesas médicas Médico, intimado em 25/01/06 a apresentar comprovação das despesas médicas e, excetuando planos médicos, do efetivo pagamento (cópia de cheque ou saques nos extratos coincidentes em data e valor podendo ocultar com, por exemplo, um pincel atômico, os movimentos alheios aos alegados Pagamentos em dinheiro), apresentou recibos Alegou que pagou em dinheiro, sua forma habitual de saldar seus compromissos e que costuma sacar valores para cobrir vários compromissos Foram glosados a nutricionista Maria Bety Fabri Berbel CRN 1178 R$ 160,00 devido a não previsão legal de deduzir despesas com nutricionistas; Lia Nara Trento dentista com recibo de R$ 800,00 em 05/12/02 devido ao valor incomum de ser pago em dinheiro (oito notas de cem ou 16 de cincoenta); Elistingela Grande Clotti, dentista com despesa declarada total de RS 4 150, recibos variando de R$ 450,00 R$600,00, inclusive com atendimento 04/08/02, domingo, e Tereza Cristina Mona Budant, fonoaudióloga, cônjuge do sócio do contribuinte CPF 318 642 959-53 na empresa CNPJ 75 905.281/0001-20 e despesa declarada total de R$ 8 000,04, incluída na retificadora entregue após dois anos, inclusive com recibo de 20/01/021, domingo, e recibo de RS 1 800,00, de 25/02/02 Numa eventual impugnação, é de interesse do contribuinte obter junto aos profissionais da área Médica uma comprovação de depósitos próximos em data c coincidentes em valor com os recibos por eles emitidos podendo ocultar demais Assinado digitalmente em 04f11/2010 por VALER iA PESTANA MARCLIES 21/10/2010 PTE cARooso Autenticado digitalmente oiti 21/1012010 pot JORGE CLAUDIO DUARTE. CARDOSO Emitido em 16/11/2010 peio Ministério da Fazenda Processo n" 10935 002604/2006-05 Acórdão o" 28(12-00478 S2-TEU2 Fl 81 1)1 Kl 5 lançamentos Simples declarações redundantes ao que já haviam declarado receber nos recibos não acrescentarão elemento novo, Enquadramento Legal: art. 8°, inciso II, alinea 'a', e §§ 2 0 e 3 0, da Lei n° 9 250/95; arts 4,3 a 48 da Instrução Normativa SRF n° 15/2001 Considero as imputações feitas no auto de infração e de tudo que consta nos autos não constitui conjunto probatório hábil a afastar a idoneidade dos recibos e das declarações dos profissionais e, enquanto não houver disciplina legal mais adequada, atende ao verdadeiro interesse público privilegiar o devido processo legal e as demais garantias insitas ao Estado Democrático de Direito, cujo valor supera eventual perda arrecadatória. As declarações da dentista Lia Nara Trent° às fls. 74 no sentido de que prestou atendimento odontológico ao declarante no ano de 2002, conforme recibos; da fonoaudióloga Teresa Cristina Pires da Mota de que prestou atendimento fonoaudioIógico à Sr' Maria Cristina, esposa do declarante, e a seu filho Leonardo, no ano de 2002, conforme recibos; e da dentista Elisângela Grande Guiotti de que no ano de 2002 prestou atendimento odontológico à à Sr" Maria Cristina, esposa do deelarante(fls. 76) suprem a falta apontada na decisão recorrida sobre a não indicação do paciente Concluo que devem ser acatadas as despesas declaradas referentes as dentistas Lia Nara Trento no valor de R$ 800,00 (fls. 33 e 74) e Elisângela Grande Clotti, no valor de R$ 4 150,00 (fls 35/37 e 76) e com a fonoaudióloga Tereza Cristina Motta Budant, no montante de R$8.000,00 (fls. 38/47). Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso 1 1 /l1.) FTSTANA MAROUES 21;111/:910 por JORGE CLAUDJO DUARTE C-;,1,.2e-.}SC) 21; W[2:)10 rrn- JORGE ClAUD4() DUARTE CARDOSO 1 É.;11 , 2010 FO r...linistrin 0. Ajrffld, Data da ciência: MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n°: 10935,002604/200G-05 Recurso n" : 177.449 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 30 do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão ri° 2802-00.478 Brasília/DF, 17/11/2010. EVELINE COÊLHO DE MÈ1,0 HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (..„ ..) Apenas com ciência ..) Com Recurso Especial (.. .) Com Embargos de Declaração Procurador(a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 11065.900460/2008-67
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/09/1996 a 30/09/1996
RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO
Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação - Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas.
ASSUNTO: PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL-PIS/CONTRIBUIÇÃO PARA O
FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL-COFINS
Período de apuração: 01/09/1996 a 30/09/1996
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A
TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE.
O art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98, ao prever a exclusão da base de cálculo da COFINS e do PIS de valores que, computados como receita, houvessem sido transferidos a outras pessoas jurídicas, constituiu norma de eficácia condicionada à regulamentação pelo Poder Executivo, que não produziu efeitos porque revogada antes de regulamentada.
Numero da decisão: 3803-000.926
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Rangel Perrucci Fiorin.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1996 a 30/09/1996 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. ASSUNTO: PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIALPIS/CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração: 01/09/1996 a 30/09/1996 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. O art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.718/98, ao prever a exclusão da base de cálculo da COFINS e do PIS de valores que, computados como receita, houvessem sido transferidos a outras pessoas jurídicas, constituiu norma de eficácia condicionada à regulamentação pelo Poder Executivo, que não produziu efeitos porque revogada antes de regulamentada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Rangel Perrucci Fiorin. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator. Fl. 89DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/04/20 11 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/02/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 1017.634, de 25 de setembro de 2008, da DRJPorto Alegre/RS, fls. 41/42, que não reconheceu o direito creditório deduzido em declaração de compensação e não homologou as compensações declaradas e determinou a cobrança dos débitos indevidamente compensados. O Despacho Decisório foi emitido eletronicamente pelo Sistema de Controle de Compensação com chancela eletrônica do DRF Porto Alegre, em cuja Dcomp analisada, número 39397.61587.220104.1.3.048490, transmitida em 22/01/2004, foi utilizado crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. Ao apresentar manifestação de inconformidade, a interessada alegou que ao fazer levantamento de importâncias pagas a título de Pis e Cofins, conforme disposição da Lei 9.718/98, constatou valores pagos a maior. Contestando o conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, instituído pela lei acima referida, afirmou que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável com base no disposto no art. 3o, § 2 o, inciso III, da Lei 9.718/1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Aduziu, ainda, que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração indevida do tributo. Cientificada da decisão em 16 de dezembro de 2008, irresignada, apresentou o recurso voluntário de fls.45 a 64, em 07 de janeiro de 2009, em que evoca o mesmo fundamento jurídico com que respaldou sua manifestação de inconformidade, em nada reforçando seus argumentos quanto à eficácia do dispositivo legal da Lei n o 9.718/98, acima referido. Pede, ao final, que seja recebido e conhecido o presente recurso voluntário, para o fim de darlhe provimento e, reconhecido o seu direito creditório declarar homologadas as suas compensações. É o relatório Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade. Portanto dele conheço. Toda a controvérsia centrase na consideração da (in)eficácia do disposto no art. 3o, § 2 o, inciso III, da Lei 9.718/1998, decorrendo todo o crédito utilizado pela contribuinte na compensação, da exclusão dos valores transferidos a terceiros da base de cálculo da contribuição para a Cofins. Fl. 90DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/04/20 11 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/02/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 11065.900460/200867 Acórdão n.º 3803000.926 S3TE03 Fl. 73 3 Não assiste razão à Recorrente. Embora inquestionável a validade da norma, porquanto adequado o processo de inserção de sua proposição jurídica no ordenamento pátrio, a questão presente encontra barreira no plano de eficácia do Direito posto. Na linha do positivismo analítico, bem delineado por BOBBIO, é entendimento consabido que a validade de uma norma prescinde do fato da mesma ser ou não efetivamente aplicada na sociedade, vez que na concessão de um Direito pelo Estado, embora tido como legítimo, não se induz o elemento eficácia. O inciso III, do § 2º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, não é norma autoaplicável, portanto ela, por si, não socorre as pretensões da recorrente, tal como já decidido pela instância de piso, pois o legislador conferiu ao Poder Executivo o desenho dos contornos de como se deveria dar a exclusão de receitas. Ambas as Turmas de Direito Público do STJ (1ª e 2ª) convergem no sentido de que o art. 3º, § 2º, III, da Lei 9.718/98, nunca ostentou eficácia plena, porque dependente desde sua origem de norma regulamentadora ulterior do Poder Executivo, jamais editada: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE RECEITAS TRANSFERIDAS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. LEI 9.718/91, ART. 3º, § 2º, III. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. 1. É de sabença que na dicotomia das normas jurídico tributárias, há as cognominadas leis de eficácia limitada ou condicionada. Consoante a doutrina do tema, ‘as normas de eficácia limitada são de aplicabilidade indireta, mediata e reduzida, porque somente incidem totalmente sobre esses interesses após uma normatividade ulterior que lhes desenvolva a eficácia.’. Isto porque, ‘não revestem dos meios de ação essenciais ao seu exercício os direitos, que outorgam, ou os encargos, que impõem: estabelecem competências, atribuições, poderes, cujo uso tem de aguardar que a Legislatura, segundo o seu critério, os habilite a se exercerem’. 2. A lei 9.718/91, art. 3º, § 2º, III, optou por delegar ao Poder Executivo a missão de regulamentar a aplicabilidade desta norma. Destarte, o Poder Executivo, competente para a expedição do respectivo decreto, quedouse inerte, sendo certo que, exercendo sua atividade legislativa constitucional, houve por bem retirar a referida disposição do universo jurídico, através da Medida Provisória 199118/2000, numa manifestação inequívoca de aferição de sua inconveniência tributária. 3. Conquanto o art. 3º, § 2º, III, da Lei supracitada tenha ostentado vigência, careceu de eficácia, ante a ausência de sua imprescindível regulamentação. Assim, é cediço na Turma que ‘se o comando legal inserto no artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 previa que a exclusão de crédito tributário ali prevista dependia de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, é certo que, embora vigente, não teve eficácia no mundo jurídico, já que não editado o decreto regulamentador, a citada norma foi expressamente revogada com a edição de MP 199118/200’. Fl. 91DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/04/20 11 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/02/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 4 4. Deveras, é lícito ao legislador, ao outorgar qualquer benefício tributário, condicionar o seu gozo. Tendo o legislador optado por delegar ao Poder Executivo a tarefa de estabelecer os contornos da isenção concedida, também essa decisão encontra amparo na sua autonomia legislativa. 5. Conseqüentemente, "não comete violação ao artigo 97, IV, do Código Tributário Nacional o decisório que em decorrência deste fato, não reconhece o direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de contribuição para o PIS e a COFINS. "In casu", o legislador não pretendeu a aplicação imediata e genérica da lei, sem que lhe fossem dados outros contornos como pretende a recorrente, caso contrário, não teria limitado seu poder de abrangência." 6. Precedentes das Primeira e Segunda Turmas:RESP 644969 / SC ; Rel. Min. JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, DJ de 27.09.2004; RESP 507876 / RS; deste relator, DJ de 15.03.2004; REsp 445.452, Rel. Min. José Delgado, DJ de 10/03/2003. 7. Recurso Especial provido A decisão acima produz a melhor interpretação, ao determinar que o citado dispositivo, não produziu eficácia no período em que vigente – até ter sido revogado pelo art. 47, IV, "b", da MP nº 1.99118, de 09 de junho de 2000, atual MP 2.15835, de 24 de agosto de 2001 em virtude da ausência de regulamentação. Demais, ao contrário do alegado pelo representante legal da interessada, não há nos autos qualquer documentação comprobatória da liquidez e certeza dos direitos creditórios alegados, o que, de plano, já bastaria para frustrar o encontro de contas pretendido por violação do artigo 170 do Código Tributário Pátrio. Pelo exposto, nego provimento ao Recurso. Sala das sessões, 27 de outubro de 2010 Belchior Melo de Sousa Fl. 92DF CARF MF Emitido em 21/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/02/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/04/20 11 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/02/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10940.900503/2006-14
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 20/03/2000
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 3803-001.270
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/03/2000 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Daniel Maurício Fedato, Carlos Henrique Martins de Lima e Rangel Perrucci Fiorin. Relatório Staroi Distribuidora de Alimentos Ltda. transmitiu, em 10/16/2003, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento/Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 29366.15168.161003.1.3.040313, visando à compensação do débito próprio com direito creditório oriundo do pagamento a maior efetuado em 20/03/2000. A DRF/Ponta Grossa, por meio do Despacho Decisório 770248720, de 16/06/2008 (fl. 21), indeferiu o pleito de restituição porque o DARF aventado não foi localizado nos sistemas da Administração Tributária. Via de consequência, não homologou a compensação declarada. Sobreveio Manifestação de Inconformidade , fls. 1 a 11, por meio da qual alega: Fl. 57DF CARF MF Excluído - Documento nato-digital Documento de 2 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0420.22060.N51L. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 a) que os débitos opostos na compensação declarada já estão sendo analisados na representação nº 74/2003, consubstanciada no procedimento administrativo fiscal nº 16408.000831/200632, e que a lavratura deste novo procedimento implicará um segundo lançamento dos mesmos valores, razão pela qual caberá tãosomente a esta autoridade declarar a sua nulidade; b) a inconstitucionalidade, ilegalidade e invalidade da legislação vigente, ao instituir a incidência das contribuições PIS e Cofins sobre os valores recebidos e repassados ao Governo Estadual a título de ICMS, extrapolando a competência constitucional outorgada, tanto nos limites do conceito de aquisição de receita, como no de faturamento, e; c) seu direito à restituição dos valores de PIS e Cofins que recolheu, mensalmente, desde o início de suas operações mercantis; relativamente à incidência dessas contribuições sobre o ICMS devido, e ao seu aproveitamento em compensação de débitos próprios; A DRJ/CTA1ª Turma julgou a reclamação improcedente. O Acórdão nº 06 26.310, de 22 de abril de 2010, fls. 32 a 35, teve ementa vazada nos seguintes termos: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2000 NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2000 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO SOB CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA DE SUA ULTERIOR HOMOLOGAÇÃO. A compensação declarada pelo sujeito passivo, na qual constam informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos a serem compensados, extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. PIS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICM. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para excluir da base de cálculo do PIS o valor do ICMS, o qual está incluso no preço da mercadoria, que, por sua vez, compõe a receita bruta de vendas. INCONSTITUCIONALIDADE. Falece competência legal à autoridade julgadora de instância administrativa para se manifestar acerca da constitucionalidade ou legalidade de normas legais regularmente editadas segundo o Fl. 58DF CARF MF Excluído - Documento nato-digital Documento de 2 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0420.22060.N51L. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10940.900503/200614 Acórdão n.º 380301.270 S3TE03 Fl. 54 3 processo legislativo estabelecido, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se considerar nãohomologada a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 1ª Turma da DRJ/CTA. O arrazoado de fls. 39 a 45, depois de dispensarse do depósito prévio ou do arrolamento de bens e de protestar pela sua tempestividade, argui, em sede de preliminar, a nulidade formal do procedimento, porque os valores discutidos no presente processo já são objeto de cobrança em outro, o que redundará em cobrança dúplice. Esclarece, na continuação a gênese do indébito que busca repetir e aproveitar: o pagamento a maior a título de contribuição, na parcela da base de cálculo relativa aos valores recebidos e repassados ao erário estadual a título de ICMS. Discorre sobre a inconstitucionalidade da incidência do PIS e da Cofins sobre essa parcela. Cita e transcreve doutrina e jurisprudência. Conclui, requerendo o provimento de seu recurso, reformando a decisão recorrida, para o efeito de se acolher a compensação declarada com os créditos decorrentes da exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais. É o relatório. Voto Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 39 a 45 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJCTA1ª Turma nº 0626.310, de 22 de abril de 2010. Preliminar de nulidade Rejeito a preliminar. Não há o menor risco de que se efetue cobrança em dobro do(s) débito(s) confessado(s) na DCOMP ora sub judice, visto que de cobrança não se trata no presente procedimento. Ademais, como exaustivamente demonstrado na decisão recorrida, não houve qualquer infração ao art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 – PAF: o Despacho Decisório nº 770248720 foi lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil em pleno exercício de suas atribuições, razão pela qual não há se falar em incompetência da autoridade fiscal. Tampouco ocorreu cerceamento do direito de defesa: o requerente (fl. 19) foi intimado a retificar os dados informados na Ficha DARF do PER/DCOMP e lhe facultada a apresentação de reclamação e de recurso voluntário, respectivamente, contra a nãohomologação da Fl. 59DF CARF MF Excluído - Documento nato-digital Documento de 2 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0420.22060.N51L. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 compensação declarada e contra a decisão que julgou improcedente a sua Manifestação de Inconformidade . Mérito – reconhecimento de indébito decorrente da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais O recorrente pede que sejam considerados os créditos apurados com base no recolhimento indevido, efetuado seja com base no regime da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, seja no regime da nãocumulatividade. Pergunto: que créditos? Que apuração? Penso ser até intuitivo, não basta a existência "em tese" de uma declaração de inconstitucionalidade de lei instituidora de um tributo para que surja um direito de crédito. Há de se verificar, primeiramente, se o pagamento reputado posteriormente como indevido em razão da declaração de inconstitucionalidade da lei realmente existiu. O Despacho Decisório nº 770248720 dá conta de que o pagamento referido no PERDcomp não foi localizado. Contra essa constatação, o recorrente nada – absolutamente nada – opõe. Silencia solenemente. Ainda que existisse o referido DARF, haveria de comprovar o pagamento a maior, demonstrando cabalmente a base de cálculo correta, em síntese, quanto foi pago a maior. Ora, se o próprio fisco precisa instaurar um procedimento administrativo para que se reconheça a existência do fato gerador, por que poderia o particular ter um "crédito" em face do fisco apenas em razão de hipotéticos pagamentos? Essa é a pretensão do recorrente: restituirse de um indébito apenas em face de uma tese, sem ao menos comprovar que recolheu algo ao fisco. Nada a reparar na decisão recorrida, cujos fundamentos, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passam a fazer parte integrante desse voto. Conclusão Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 28 de fevereiro de 2011 Alexandre Kern Fl. 60DF CARF MF Excluído - Documento nato-digital Documento de 2 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0420.22060.N51L. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10940.900503/200614 Acórdão n.º 380301.270 S3TE03 Fl. 55 5 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10940900503200614 Interessada: STAROI DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380301.270, de 28 de fevereiro de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 28 de fevereiro de 2011. [assinado digitalmente] _____________________________ Alexandre Kern Presidente da 3a Turma Especial da 3a Seção Fl. 61DF CARF MF Excluído - Documento nato-digital Documento de 2 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0420.22060.N51L. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ALEXANDRE KERN em 05/03/2011 13:06:41. Documento autenticado digitalmente por ALEXANDRE KERN em 06/03/2011. Documento assinado digitalmente por: ALEXANDRE KERN em 06/03/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 05/04/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP05.0420.22060.N51L Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: D2BE775D35C1793E62D5D5CF4C88F0C07EFB4E4B Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10940.900503/2006-14. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10283.005476/96-69
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2003
Ementa: FATURA COMERCIAL. Na falta de elementos para comprovar a entrega tempestiva das faturas comerciais, cabe a aplicação da multa
prevista no artigo 521, inciso III, alínea a, do RA estabelecido pelo Decreto 91.030/85 (matriz legal: Decreto-lei 37/66, artigo 106).
RECURSO VOLUNTÁRIO DESPROVIDO
Numero da decisão: 303-30.645
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANELISE DAUDT PRIETO
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RECORRIDA : DRJ/MANAUS/AM FATURA COMERCIAL. Na falta de elementos para comprovar a entrega tempestiva das faturas comerciais, cabe a aplicação da multa prevista no artigo 521, inciso III, alínea a, do RA estabelecido pelo Decreto 91.030/85 (matriz legal: Decreto-lei 37/66, artigo 106). • RECURSO VOLUNTÁRIO DESPROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Brasília-DF, em 14 de abril de 2003 JOÃO A I DA COSTA Presi. -nte • ANELISE DAUDT PRIETO Relatora 2 4 JUN 2003 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: ZENALDO LOIBMAN, IRINEU BIANCHI, PAULO DE ASSIS, CARLOS FERNANDO FIGUEIREDO BARROS, NILTON LUIZ BARTOLI e NANCI GAMA (Suplente). Ausente o Conselheiro HELIO GIL GRACINDO. tmc MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 119.607 ACÓRDÃO N° : 303-30.645 RECORRENTE : CINERAL ELETRÔNICA DA AMAZÔNIA LTDA RECORRIDA : DRJ/MANAUS/AM RELATOR(A) : ANELISE DAUDT PRIETO RELATÓRIO Em 20/08/2002 este Câmara, por meio da Resolução n° 303-00.831 optou por converter o julgamento em diligência, em decisão cujo relatório e voto transcrevo a seguir: "Com a Resolução n° 303-726, de 08/12/96, esta Câmara decidiu, • por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, na forma de relatório e voto do Ilustre Relator ad hoc João Holanda Costa. Transcrevo o relatório a seguir: 'A Empresa foi autuada pela Alfândega de Manaus, que exigiu o pagamento da multa prevista no art. 521, III, "a", do Regulamento Aduaneiro, no montante de R$ 17.011,96, por falta de apresentação das faturas comerciais referentes às mercadorias importadas pelas DI n° 18.723 e 18.724, registradas em 24/06/96, descumprindo termo de responsabilidade assinado no quadro 24 daqueles documentos. Intimada, a Recorrente ofertou tempestiva impugnação, argüindo em síntese, que: As faturas comerciais foram devidamente anexadas, no processo de 411 desembaraço das DI (doc n° 1), porém recusadas pela fiscalização, oportunidade em que foram assinados os termos de responsabilidade, propondo a apresentação de outras, enviadas pelo exportador, no prazo de 30 dias. No vigésimo nono (29) dia do prazo entregou as novas faturas, (doc. n° 2), em mão da auditora responsável, acompanhadas da respectiva DCI (doc. n° 3), tendo a mencionada funcionária, sob pretexto de excesso de trabalho, prometido analisá-las posteriormente. Dias após, foi ela informada de que a documentação apresentada não cumpria as exigências legais, lavrando em seguida a exigência, que por objeto de equívoco merece ser julgada improcedente. A Autoridade de Primeira Instância manteve a imputação, fundamentada em que:Afse 2 IVDNISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 119.607 ACÓRDÃO N° : 303-30.645 Embora alegue ter apresentado a documentação no 29° dia, não há no feito qualquer prova de que tal ocorrera no prazo fixado em termo de responsabilidade, omissão que legitima a apenação fiscal. Notificada, a Recorrente ofertou tempestivo apelo, reiterando a argumentação impugnatória, e indicando nominalmente a serventuária fiscal a quem entregara a documentação solicitada. Enfatiza, com apoio doutrinário, que deve prevalecer a verdade material, em detrimento da formal, o que será obtido com a audição da auditora Maria Nazareth Costa, que requer, mediante a conversão do julgamento em diligência. Adiciona que a mercadoria entrou na Zona Franca de Manaus sob regime de suspensão tributária, regime não tipificado na norma sancionatória. Há notícia de sentença em mandado de segurança determinando a subida do recurso em exame, independente de qualquer depósito. Sem regular certidão no feito, ou informe sobre a origem, estão apensados ao processo, dois (2) volumes, com capa de empresa de despachos, contendo documentos originais das importações e seu processamento, que ordinariamente são privativos da repartição de desembaraço. É o relatório.' No voto, o Relator afirmou que o objeto do litígio estaria em decidir sobre a legitimidade das faturas de fl. 21/52 para dar cobertura à importação noticiada no feito, bem como da tempestividade de sua apresentação e decidiu pela diligência para que fosse informado o seguinte: A) A auditora Maria Nazaré Costa recepcionou as faturas de fl. 21/52, dentro do prazo de 30 dias concedido à Recorrente? B) Por que foram tais documentos recusados? C) Informe à servidora, ou alternativamente à Repartição de Origem, se as faturas de fl. 21/52 têm legitimidade formal e material para dar cobertura à importação objeto do feito. Por quê? 3 ivIINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 119.607 ACÓRDÃO N° : 303-30.645 Finalmente, determinou que fosse dada ciência da diligência para a Recorrente. Consta, às fls. 114/118, cópia de decisão do Tribunal Federal Regional da ia Região em processo de interesse da Recorrente dando provimento à apelação em mandado de segurança por entender que a exigência de prévio recolhimento da multa aplicada não traduz ofensa ao princípio da ampla defesa, prolatada em 30/03/99. À fl. 121, a AFRF esclarece: "a - Quando do registro das DI 18724/96 e 18723/96, o contribuinte informa que há faturas comerciais, conforme consta no quadro 05, campo 06, assinalando os quadrículos "sim" em ambas declarações de importação; b - No ato do exame documental foi verificado que o importador não apresentou as devidas faturas comerciais, comprometendo-se a apresentá-las no prazo de 30 (trinta) dias, a contar da data do registro, conforme observações sobre o despacho (quadro 24 das DI); c - É inviável concretizar, s.m.j, exatamente, se as respectivas faturas foram apresentadas, tempestivamente, por não haver nenhuma documentação comprobatória afirmando tal fato; d - Quanto ao aspecto de legalidade das citadas faturas comerciais, • não se enquadram totalmente na totalidade dos requisitos previstos no artigo 425 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 91.030/85. Portanto, propomos que o presente processo seja enviado à SASIT/SLF/MNS para fins de emitir parecer técnico conclusivo sobre o assunto, constante no item "c", à fl. 112." Tendo ficado entendido que a competência para tanto seria do Sistema de Fiscalização, foi emitida a Informação Fiscal de fls. 122/124, em que é proposta a restituição do processo à servidora em São José dos Campos para que se manifeste sobre os itens "C" e "D", face ao entendimento de que somente ela poderia elucidar a questão da legitimidade das fatura,ame 4 • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 119.607 ACÓRDÃO N° : 303-30.645 Quanto aos processos apensados, é complementada a informação de fl. 16, onde já se lia a data e por quem teriam sido adicionadas as DIs ao processo, esclarecendo que no volume I consta a DI n° 18.724/96 com 129 folhas e no volume II a DI n° 18.723/96 com 139 folhas. À fl. 126 a AFRF Maria Nazareth Costa complementa os esclarecimentos já prestados da seguinte forma: "a) Com relação ao questionamento: "por que foram tais documentos recusados?", constante do item "B" do voto às fls. 112, temos a informar que o procedimento adotado sempre foi o de conferir e de recibar os documentos no momento apresentado. Como a DCI (fl. 54 e 55) não apresenta tal comprovação de recebimento, e devido ao tempo decorrido, só nos é possível atestar, hoje, que cumprimos os procedimentos usuais, mesmo que fosse grande a carga de trabalho, e, portanto, não concordamos com a afirmativa do interessado; b) Em prosseguimento, embora as faturas comerciais, apresentadas às fls. 21/52, não se enquadrem na totalidade dos requisitos previstos no art. 425 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85, não podemos afirmar que as mesmas não têm legitimidade formal e material para dar cobertura à importação objeto do feito. Podemos ressaltar, tão e somente, conforme observação constante do quadro 24 das Declarações de Importação — DI em questão, o não cumprimento do prazo por parte do importador, i. é, apresentação das mesmas fora do prazo de 30 dias." • É o relatório. VOTO A Contribuinte interpôs o recurso voluntário em 18/05/1998, quando já estava em vigor o § 2° do art. 33 do Decreto n° 70.235/1972, acrescido pelo art. 32 da Medida Provisória n' 1.621-30, de 12.12.97, sucessivamente reeditada, que estabelecia que o recurso voluntário somente teria seguimento se o recorrente o instruísse com prova do depósito de valor correspondente a, no mínimo, 30% da exigência fiscal definida na decisão. Depreende-se dos autos que, por ocasião da decisão desta Câmara /4\2() • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 119.607 ACÓRDÃO N° : 303-30.645 no sentido de transformar o julgamento em diligência, a Contribuinte estava amparada em decisão judicial (fls. 97/99) que concedeu liminar em mandado de segurança determinando o recebimento do recurso administrativo independentemente do depósito recursal e que posteriormente, foi concedida a segurança pleiteada (fls. 104/106). No momento em que este Colegiado tomou aquela decisão, em 08/12/98, foi realizado juízo de admissibilidade que, por ser positivo, segundo a melhor doutrina, não precisava ser explícito. Entretanto, em 30/03/99 foi proferida, pelo Tribunal Regional Federal da P Região, decisão favorável à União no sentido de que a exigência de prévio recolhimento de multa para recebimento de recurso administrativo não traduz ofensa ao princípio da ampla defesa, consagrado no art. 5 0, LV, da Constituição. Dessa forma, a Recorrente está, nesta data, a descoberto de um dos requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, o depósito recursal. Porém, entendo que deve ser considerado que, embora não tenha sido dada a decisão de mérito no julgado, ele está em fase de instrução porque, à época da Resolução, a Contribuinte estava amparada em decisão judicial. Além disso, no Parecer PGFN 1.159/99, a douta Procuradoria recomenda que a Delegacia da Receita Federal, ao ser informada de decisão denegatória ou cassatória da tutela judiciária fixe ao contribuinte prazo de 15 dias para efetivação e comprovação do depósito junto da própria Delegacia e não há notícia dessa providência nos autos. Some-se a tanto que, posteriormente, foi criada, como alternativa ao depósito judicial, a possibilidade de prestação de garantias ou arrolamento, por iniciativa do recorrente, de bens e direitos de valor igual ou superior à exigência fiscal definida na decisão, limitados ao ativo permanente se pessoa jurídica ou ao patrimônio se pessoa fisica. Finalmente, surge a Lei n° 10.522, de 19/07/02, art. 32, que deu nova redação ao 2° do artigo 33 do Decreto n° 70.235/72, in verbis: "Em qualquer caso, o recurso voluntário somente terá seguimento se o recorrente arrolar bens e direitos de valor A'reaP 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 119.607 ACÓRDÃO N° : 303-30.645 equivalente a 30% (trinta por cento) da exigência fiscal definida na decisão, limitado o arrolamento, sem prejuízo do seguimento do recurso, ao total do ativo permanente se pessoa jurídica ou ao patrimônio se pessoa fisica." Não deve, porém, ser olvidado que no sistema do isolamento dos atos processuais, conforme Moacyr Amaral Santos "a lei nova, encontrando um processo em desenvolvimento, respeita a eficácia dos atos processuais já realizados e disciplina o processo a partir da sua vigência." (In Primeiras Linhas de Direito Processual Civil, 10 vol. 20a ed. São Paulo: Saraiva, 1998. p. 32). Acrescenta o mestre: "Assim, a regra, também para as leis processuais, é que estas provém para o futuro, isto é, disciplinam os atos processuais a se realizarem. Aplicação do princípio tempus regit actum. Os atos processuais já realizados, na conformidade da lei anterior, permanecem eficazes, bem como os seus efeitos." Pelo exposto, entendo que deve ser possibilitada a promoção da garantia de instância. Assim, voto no sentido de que os presentes autos sejam encaminhados à autoridade preparadora para que dê oportunidade à Recorrente de realizá-la." Intimada, a recorrente apresentou o documento de fl. 141. Como da análise da documentação apresentada a ALF de Manaus verificou a impossibilidade de identificar a inexistência de bens imóveis solicitou, como de praxe, documentos que comprovassem a inexistência dos referidos bens, para cumprir a condição de preferência adotada pela Lei n° 10.552/2002, pelo Decreto n° 3.717/2001 e pela IN 410 SRF n° 26/2001. Embora a contribuinte não tenha atendido dentro do prazo de 20 dias concedido, a autoridade preparadora encaminhou o recurso a este Colegiado, considerando que não há nos textos legais dispositivo que autorize o não seguimento do apelo, sobretudo por ser o Conselho de Contribuintes órgão estranho à estrutura da SRF. (fl. 147). É o relatório/4d 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 119.607 ACÓRDÃO N° : 303-30.645 VOTO A Lei 10.522/2002 acrescentou ao artigo 33 do Decreto 70.235/72 o parágrafo 3°, estabelecendo que "o arrolamento de que trata o parágrafo 2° será realizado preferencialmente sobre bens imóveis." Porém, como bem colocado pela autoridade julgadora, não existe no texto a determinação de que, no caso de arrolamento de bens móveis o recurso não tenha seguimento. À vista disso, entendo que ficou restabelecido o requisito que faltava para a admissibilidade do recurso voluntário. No mérito, vale trazer o texto legal com a penalidade imputada à contribuinte, do Regulamento Aduaneiro previsto no Decreto 91.030/85, que tem por matriz legal o artigo 106, inciso IV, do Regulamento Aduaneiro: "Art. 521 - Aplicam-se as seguintes multas, proporcionais ao valor do imposto incidente sobre a importação da mercadoria ou o que incidiria se não houvesse isenção ou redução (Decreto-lei n° 37/66, art. 106, I, II, IV e V): I — (...) II — (...) III - de 10% (dez por cento): a) pela inexistência da fatura comercial ou falta de sua apresentação • no prazo fixado em termo de responsabilidade; (***),) Quanto à possível inexistência de fatura comercial, a autoridade aduaneira afirmou que "embora as faturas comerciais, apresentadas às fls. 21/52, não se enquadrem na totalidade dos requisitos previstos no art. 425 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85, não podemos afirmar que as mesmas não têm legitimidade formal e material para dar cobertura à importação objeto do feito." Resta, então, a questão da tempestividade da apresentação das faturas comerciais, que a contribuinte não conseguiu comprovar. Não trouxe qualquer elemento de prova no recurso, onde reconheceu, inclusive, que não havia solicitado o /k12P 8 • 'MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA RECURSO N° : 119.607 ACÓRDÃO N° : 303-30.645 protocolo. Apelando ao princípio da verdade material, solicitou que a auditora que teria recepcionado os documentos se pronunciasse sobre o assunto e este Colegiado diligenciou para que tal ocorresse. Porém, como já relatado, a auditora não depôs a seu favor. Não há, portanto, como substituir a decisão recorrida. Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 14 de abril de 2003 • ELISE DAUDT PRIETO - elatora • 9 n • n • . , »I. ç'•, MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n°: 10283.005476/96-69 Recurso n.°:.119.607 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à Terceira Câmara, intimado a tomar III ciência do Acórdão n° 303.30.645 Brasília- 10 de junho de 2003 João Costa ão anda Presiden da Terceira Câmara G o • Ciente em: 02 Li I . . i 03 e
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