Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
4728664 #
Numero do processo: 15375.000798/99-12
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2003
Ementa: IPI. NÃO-INCIDÊNCIA NOS PRODUTOS ADQUIRIDOS CRÉDITOS POR AQUISIÇÕES. Inadmissível o creditamento do IPI incidente sobre matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem aplicados em produtos cuja saída esteja contemplada com alíquota zero do imposto (art. 100, I, "a" do RIPI/82), anteriormente à vigência da Lei nº 9.779/99. Recurso negado.
Numero da decisão: 201-77263
Decisão: Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Serafim Fernandes Corrêa.
Nome do relator: Rogério Gustavo Dreyer

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200310

ementa_s : IPI. NÃO-INCIDÊNCIA NOS PRODUTOS ADQUIRIDOS CRÉDITOS POR AQUISIÇÕES. Inadmissível o creditamento do IPI incidente sobre matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem aplicados em produtos cuja saída esteja contemplada com alíquota zero do imposto (art. 100, I, "a" do RIPI/82), anteriormente à vigência da Lei nº 9.779/99. Recurso negado.

turma_s : Primeira Câmara

dt_publicacao_tdt : Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2003

numero_processo_s : 15375.000798/99-12

anomes_publicacao_s : 200310

conteudo_id_s : 4449625

dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 201-77263

nome_arquivo_s : 20177263_116629_153750007989912_003.PDF

ano_publicacao_s : 2003

nome_relator_s : Rogério Gustavo Dreyer

nome_arquivo_pdf_s : 153750007989912_4449625.pdf

secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Serafim Fernandes Corrêa.

dt_sessao_tdt : Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2003

id : 4728664

ano_sessao_s : 2003

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:35:41 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713043760082845696

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-10-22T16:48:06Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-10-22T16:48:06Z; Last-Modified: 2009-10-22T16:48:06Z; dcterms:modified: 2009-10-22T16:48:06Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-10-22T16:48:06Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-10-22T16:48:06Z; meta:save-date: 2009-10-22T16:48:06Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-10-22T16:48:06Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-10-22T16:48:06Z; created: 2009-10-22T16:48:06Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2009-10-22T16:48:06Z; pdf:charsPerPage: 1359; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-10-22T16:48:06Z | Conteúdo => _ .. - Segundo Conselho de Contribuintes' Publicado no Diário Oficial da União Ministério da Fazenda De 13 / •C / tocef- i 22 CC-MF-•:-47,:, • INFl.-:(1/77:0" Segundo Conselho de Contribuintes l'-:-..r,"k; rn O Processo n2 : 15375.000798/99-12 Recurso 132 : 116.629 Acórdão n2 : 201-77.263 Recorrente : LABORATÓRIO MUSA RODOLPHO JORDANO LTDA. Recorrida : DRJ no Rio de Janeiro - RJ IPI. NÃO-INCIDÊNCIA NOS PRODUTOS ADQUIRIDOS. CRÉDITOS POR AQUISIÇÕES. Inadmissível o creditamento do IPI incidente sobre matérias- primas, produtos intermediários e material de embalagem aplicados em produtos cuja saída esteja contemplada com aliquota zero do imposto (art. 100, I, "a" do RIPI/82), anteriormente à vigência da Lei n2 9.779/99. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por LABORATÓRIO MUSA RODOLPHO JORDANO LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 14 de outubro de 2003. .1 „.: k, Actiti-Ct- ¡abar -. ose •. Maria Coelho Marques L\ Presidente Rogério GustavoADr yer ' Relator ç...»-/ Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Antonio Mario de Abreu Pinto, Sérgio Gomes Velloso, Adriana Gomes Régo Gaivão e Hélio José Benz. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Serafim Fernandes Corrêa. 1 r CC-MF -teit : Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintes Processo n2 : 15375.000798/99-12 Recurso n2 : 116.629 Acórdão n2 : 201-77.263 Recorrente : LABORATÓRIO MUSA RODOLPHO JORDANO LTDA. RELATÓRIO Contra a contribuinte foi lavrado auto de infração exigindo o IPI relativo a fatos geradores ocorridos entre janeiro de 1995 e dezembro de 1997, acrescido dos consectários legais. Segundo o termo de verificação, a contribuinte não estornou os créditos relativos a aquisição de insumos aplicados em produtos com isenção e não tributados, resultando o recolhimento do tributo a menor. Em sua impugnação, a contribuinte alega a aplicação do principio constitucional da não-cumulatividade para amparar o seu procedimento. A decisão ora recorrida pode ser resumida na ementa, de fl. 73, que leio em sessão. A contribuinte, em seu recurso, reitera os termos de sua impugnação, tendo os autos subido sem o depósito recursal por força de medida liminar. É o relatório. 45U- 2 2° CC-MF -v a--isti Ministério da Fazenda A. " p < Segundo Conselho de Contribuintes •;11:9;t1"` Processo n2 : 15375.000798/99-12 Recurso n2 : 116.629 Acórdão n2 : 201-77.263 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR ROGÉRIO GUSTAVO DREYER Plenamente de acordo com a decisão recorrida. A matéria é remansosa no Colegiado. O art. 100, I, "a" do RIPI/82 estabelece expressamente a anulação, mediante estorno, dos créditos de aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem empregados na industrialização de produtos isentos ou contemplados com aliquota zero. A questão do creditamento das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, sob tal condição, inclusive quanto ao seu ressarcimento, somente foram admitidos a contar da Lei 2 n 9.779/99, a qual, em seu art. 11 expressamente institui o direito. Adira-se a tais considerações que descabe ao Colegiado declarar a inconstitucionalidade de norma legal ou determinar a sua inaplicação com base em tal fundamento. Frente ao exposto, nego provimento ao recurso interposto. É como voto. Sala das Sessões, e 14 de outubro de 2003. ROGÉRIO GUSTAVYER 4,p, o x 3

score : 1.0
4730032 #
Numero do processo: 16707.001660/2001-80
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Nov 12 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Fri Nov 12 00:00:00 UTC 2004
Ementa: IRPF - RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA - OMISSÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL - Falha no preenchimento via Internet. Irrelevante a culpabilidade de terceiro autorizado pelo contribuinte. Retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, após a lavratura do Auto de Infração, não elide a exigência do tributo, multa e demais acréscimos legais. Recurso negado.
Numero da decisão: 102-46.565
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Ezio Giobatta Bernardinis

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200411

ementa_s : IRPF - RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA - OMISSÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL - Falha no preenchimento via Internet. Irrelevante a culpabilidade de terceiro autorizado pelo contribuinte. Retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, após a lavratura do Auto de Infração, não elide a exigência do tributo, multa e demais acréscimos legais. Recurso negado.

turma_s : Segunda Câmara

dt_publicacao_tdt : Fri Nov 12 00:00:00 UTC 2004

numero_processo_s : 16707.001660/2001-80

anomes_publicacao_s : 200411

conteudo_id_s : 4212804

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2017

numero_decisao_s : 102-46.565

nome_arquivo_s : 10246565_136414_16707001660200180_007.PDF

ano_publicacao_s : 2004

nome_relator_s : Ezio Giobatta Bernardinis

nome_arquivo_pdf_s : 16707001660200180_4212804.pdf

secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.

dt_sessao_tdt : Fri Nov 12 00:00:00 UTC 2004

id : 4730032

ano_sessao_s : 2004

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:36:10 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713043760084942848

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-07T18:35:50Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-07T18:35:50Z; Last-Modified: 2009-07-07T18:35:50Z; dcterms:modified: 2009-07-07T18:35:50Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-07T18:35:50Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-07T18:35:50Z; meta:save-date: 2009-07-07T18:35:50Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-07T18:35:50Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-07T18:35:50Z; created: 2009-07-07T18:35:50Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2009-07-07T18:35:50Z; pdf:charsPerPage: 1371; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-07T18:35:50Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA .j PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n.°. 16707.001660/2001-80 Recurso n°. 136.414 Matéria: : IRPF. EX.: 2000 Recorrente : HíGIA ROSANA BRANDÃO DA CRUZ Recorrida : i a TURMA/DRJ-RECIFE/PE Sessão de : 12 DE NOVEMBRO DE 2004 Acórdão n°. : 102-46.565 1 IRPF - RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA - OMISSÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL - Falha no 1preenchimento via Internet. Irrelevante a culpabilidade de terceiro autorizado pelo contribuinte. Retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, após a lavratura do Auto de Infração, não elide a 1 exigência do tributo, multa e demais acréscimos legais. Recurso negado. ' Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por HíGIA ROSANA BRANDÃO DA CRUZ. ,, ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de 1 Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. D ANTONIO D( FREITAS DUTRAA 1i PRESID NTE A 01Áf IOBATTA BERNARDINISCO' 1 LINV OR FORMALIZADO EM: 03 DEZ 2004 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros NAURY FRAGOSO TANAKA, LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, JOSÉ OLESKOVICZ, JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS e GERALDO MASCARENHAS LOPES CANÇADO DINIZ. Ausente, justificadamente, a Conselheira MARIA GORETTI DE BULHÕES CARVALHO. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 16707.001660/2001-80 Acórdão n°. : 102-46.565 Recurso n°. : 136.414 Recorrente :1-1íGIA ROSANA BRANDÃO DA CRUZ RELATÓRIO AUTO DE INFRAÇÃO Apela a este Colendo Colegiado a Recorrente em epígrafe, já devidamente qualificada nos autos do presente processo, da decisão da DRJ em Recife - PE que julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento. Contra a ora Recorrente foi lavrado o Auto de infração, alterando o valor apurado de imposto a restituir, para imposto suplementar de R$ 815, 85, acrescido de multa de ofício e juros de mora, no total de R$ 1.554,56, face alteração dos rendimentos tributáveis para R$ 28.905,94, em decorrência da constatação da omissão de rendimentos decorrentes de trabalho com vínculo empregatício, apurado consoante declaração de imposto de renda retido na fonte DIRF, apresentada pela fonte pagadora, conforme consta dos demonstrativos das infrações de fls. 14/15. DA IMPUGNAÇÃO Insurgindo-se contra o lançamento a ora Recorrente apresentou sua Manifestação de Inconformidade, alegando que a omissão de rendimentos auferidos junto à Fundação José Augusto foi decorrente de falha do preenchimento da declaração via Internet, tendo informado apenas os rendimentos decorrentes da pensão de alimentos recebida para os seus os seus filhos. Acrescenta que, quando do recebimento do auto de infração refez toda declaração, procedendo, assim, a uma retificadora, na qual ficou evidenciado que deixara de pagar imposto no valor de R$ 22,17. E mais: concluiu pelo cancelamento do /- - auto de infração. 2 fl MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 16707.001660/2001-80 Acórdão n°. :102-46.565 DA DECISÃO COLEGIADA Em decisão de fls. 29-32 autoridade de primeiro grau julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento nos termos a seguir declinados. Primeiramente, a autoridade julgadora a quo arrazoou que a ora Recorrente deixou de informar o valor dos seus rendimentos tributáveis recebido de pessoa jurídica, no valor de R$ 22.994,21, tendo informado os valores referentes da dedução com Contribuição à Previdência Oficial e o Imposto de Renda retido na Fonte, daquela fonte pagadora, conforme consta da cópia da DIRPF, às fls. 19/20, devidamente processada. Aduziu, ademais, que os documentos de fls. 04/08, a ora Recorrente apresentou em 21/05/2001, declaração retificadora, após receber o auto de infração na qual apurou imposto a pagar de apenas R$ 22, 17. Acrescentou, em seguida, que, de acordo com o art. 147, § 1. 0 do Código Tributário Nacional A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, soe admissivel mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifo do original). Acresceu que, quando a retificação implicar redução ou exclusão de tributo, ou seja, se dela resultar uma situação de fato sobre a qual o tributo seja menor, ou sobre a qual não seja devido o tributo, ela só é cabível se acompanhada de demonstração de erro em que se fundamente e apresentada antes da notificação do lançamento. Aduziu mais adiante que a administração tributária poderá efetuar retificação de ofício quando restar evidenciado que foi cometido erro na declaração de ajuste anual, de conformidade com o art. 147, § 2.° : "Os erros contidos na declaração 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. :16707.001660/2001-80 Acórdão n°. :102-46.565 e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela" (sic). Explicitou, ainda, que as declarações de rendimentos estarão sujeitas à revisão pela autoridade tributária consoante está previsto no art. 835 do RIR/1999, cuja base legal é o art. 74 do Decreto-Lei n.° 5.844/1943. No tocante à multa de ofício trouxe à baila o disposto no art. 841 do R1R/1999, que disciplina a matéria, reproduzindo-o às fls. 31. Por derradeiro, concluiu que a contribuinte, ora Recorrente, efetuou alteração com relação aos números de dependentes e valor com as despesas com instrução, não tendo anexado aos autos documentos que comprovassem a efetividade das deduções. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Em sede de recurso voluntário, exposto às fls. 40-42, a Recorrente circunstanciou, sinteticamente, os fatos nos termos adiante declinados: Primeiramente, a Recorrente argüiu em sua defesa que não possui computador em casa e, desejando agilizar o processo, solicitou à pessoa leiga, que por meio da Internet, fizesse sua Declaração de Imposto de Renda referente ao ano- calendário de 1999. Prosseguindo, acresceu que fora fornecido ao leigo todas as informações de que iria necessitar para proceder à declaração, inclusive a única fonte de rendimentos da contribuinte, ou seja, a proveniente da Fundação José Augusto. Em suma: o laico que ocasionou toda a celeuma ora engendrada nos presentes autos. Arrazoou que, enquanto contribuinte sempre fez sua declaração de Imposto de Renda à Receita Federal - e isso há mais de 10 (dez) anos - como iria, proposidatamente, omitir sua única fonte de renda? - 4 s4-t ..:`•'¡-,, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ''':içi.,,#• SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 16707.00166012001-80 Acórdão n°. :102-46.565 No mérito da questão, a Recorrente enfatiza ser claro que a retificação, neste caso específico, só poderia ser efetuada após a notificação, até porque antes de tal medida, a contribuinte não tinha ciência do erro e, assim sendo, até então não havia nada a corrigir. Assevera, ainda que não se furtou à sua obrigação fiscal, tanto que assim que soube do erro, tratou de corrigi-lo prontamente, demonstrando assim a máxima boa fé. Por derradeiro, a Recorrente arrematou que não se pode dar o mesmo julgamento, utilizando-se do mesmo dispositivo legal, a um erro de declaração tradicional feita através de formulário, e urna declaração via eletrônica, até porque nem se pensava em Internet quando foi promulgado o Código Tributário Nacional. '' •Iti É o Relatório./ ri 1 5 -P-- • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 16707.001660/2001-80 Acórdão n°. : 102-46.565 VOTO O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais de admissibilidade. Dele tomo conhecimento. A matéria posta em julgamento diz respeito à omissão de rendimentos decorrentes de trabalho com vínculo empregatício, apurado conforme declaração de imposto de renda retido na fonte DIRF, apresentada pela fonte pagadora. Em sua defesa, a Recorrente alega ter havido um equívoco quando do preenchimento da sua declaração do imposto de renda, em que uma terceira pessoa teria preenchido a declaração, olvidando, desta forma, de fornecer os rendimentos auferidos pela Fundação José Augusto, informando, tão-somente, a pensão alimentícia para os seus filhos, o que configurou omissão de despesas. Analisando, com acuidade a questão, estou convicto de que a decisão da DRJ em Recife — PE está correta, senão vejamos. Realmente, a Recorrente ao elaborar a declaração de ajuste anual, deixou de informar o valor dos seus rendimentos tributáveis recebido de pessoa jurídica, cujo valor é de R$ 22.994,21, tendo informado os valores referentes da dedução com Contribuição à Previdência Oficial e o Imposto de Renda retido na Fonte, daquela fonte pagadora, consoante consta da cópia da DIRPF, às fls. 19-20. Desse modo, compulsando os autos às fls. 04-08, vê-se que a contribuinte, ora Recorrente, apresentou, em 21/05/2001, declaração retificadora, na qual apurou imposto a pagar de apenas R$ 22,17, após receber o auto de infração. Dessarte, não subsiste o argumento da Recorrente quando pleiteia o cancelamento do auto de infração, pois à luz do art. 147, § 1. 0 do CTN, o qual reproduzo infra, não lhe assiste razão, posto que, após a notificação, a declaração do _ 4(- 6 . MINISTÉRIO DA FAZENDA ' 1/,4 PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4-4M,0%, SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 16707.001660/2001-80 Acórdão n°. : 102-46.565 sujeito passivo não poderá ser retirada. Tal ilação é o que se tira do § 1. 0 , ou seja, isto significa que, uma vez notificado do lançamento, não poderá pretender o contribuinte a sua modificação por parte da Administração Fazendária. Qualquer requerimento nesse sentido será denegado. Desse modo, conclui-se que o procedimento administrativo está encerrado e, portanto, a Fazenda não poderá modificá-lo em homenagem ao princípio geral da imutabilidade do lançamento./ "§ 1° A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissivel mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento." Na mesma trilha caminha a jurisprudência do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, cujo entendimento está resumido no aresto que trago à colação abaixo, verbis: "Ementa: DIPF — RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS - ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO: Não logrando o Contribuinte demonstrar nos autos equivoco de fato no preenchimento da declaração quanto a valores de rendimentos tributáveis, de se presumir a existência dos rendimentos declarados." (CC, 6. a Câmara, Acórdão 106-14145, ReL Cons. José Carlos da Metia Rivitti). Diante de todo o exposto, e pelas razões fáticas supra-expendidas, voto no sentido de NEGAR provimento ao presente recurso. É como voto. Sala das Sessões - DF, em 12 de novembro de 2004 EZI • $5 40ATTA BERNARDINIS LACOMBE, Américo Masset in Comentários ao Código Tributário Nacional, -Ives Gandra da Silva Martins (organizador), 3.a Ed., Vol. II, Saraiva, São Paulo: 2002,p. 304-305. 7 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1

score : 1.0
4729438 #
Numero do processo: 16327.001959/00-01
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2005
Ementa: PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. PEREMPÇÃO. Não pode ser acolhido em uma Unidade da SRF pedido de restituição/compensação que já tenha sido formulado em outra Unidade e de cujo indeferimento não se manifestou a requerente com apresentação de impugnação, nos termos dos artigos 14 e 15 do Decreto nº 70.235/72. Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 203-09948
Decisão: Por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso por perempto.
Matéria: Finsocial- ação fiscal (todas)
Nome do relator: Maria Cristina Roza da Costa

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : Finsocial- ação fiscal (todas)

dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200501

ementa_s : PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. PEREMPÇÃO. Não pode ser acolhido em uma Unidade da SRF pedido de restituição/compensação que já tenha sido formulado em outra Unidade e de cujo indeferimento não se manifestou a requerente com apresentação de impugnação, nos termos dos artigos 14 e 15 do Decreto nº 70.235/72. Recurso não conhecido.

turma_s : Terceira Câmara

dt_publicacao_tdt : Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2005

numero_processo_s : 16327.001959/00-01

anomes_publicacao_s : 200501

conteudo_id_s : 4127713

dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 203-09948

nome_arquivo_s : 20309948_124477_163270019590001_008.PDF

ano_publicacao_s : 2005

nome_relator_s : Maria Cristina Roza da Costa

nome_arquivo_pdf_s : 163270019590001_4127713.pdf

secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso por perempto.

dt_sessao_tdt : Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2005

id : 4729438

ano_sessao_s : 2005

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:35:57 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713043760089137152

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-10-24T10:49:45Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-10-24T10:49:45Z; Last-Modified: 2009-10-24T10:49:45Z; dcterms:modified: 2009-10-24T10:49:45Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-10-24T10:49:45Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-10-24T10:49:45Z; meta:save-date: 2009-10-24T10:49:45Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-10-24T10:49:45Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-10-24T10:49:45Z; created: 2009-10-24T10:49:45Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2009-10-24T10:49:45Z; pdf:charsPerPage: 1511; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-10-24T10:49:45Z | Conteúdo => / . i • téo da Fazenda MINISTÉRIO DA FAZENDA 20 CC-MF :St' . Muusn• ..,,..J.04: t. Segundo Conselho Os Contribuintes P Fl. '.'irli.ltr Segundo Conselho de Contribuintes Publicado na Diário Oficial da União De b t l Ll- I o .5 Processo n' : 16327.001959/00-01 i Recurso n° : 124.477 VISTO CP--- Acórdão n2 : 203-09.948 Recorrente : MINAS DIESEL S.A. (Sucessora de Minas Diesel Factoring S. A.) Recorrida : DRJ em São Paulo - SP PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. PEREMPÇÃO. Não pode ser acolhido em uma Unidade da SRF pedido de restituição/compensação que já tenha sido formulado em outra Unidade e de cujo . indeferimento não se manifestou a requerente com apresentação de impugnação, nos termos dos artigos 14 e 15 do Decreto n° 70.235/72. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: MINAS DIESEL S.A. (Sucessora de Minas Diesel Factoring S.A.). ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por perempto. Sala das Sessões, em 27 de janeiro de 2005 L...1 J kft C.4.4 eonardo de Andrade Couto Presidente 4 ., • tCris ina Roza ea Costa Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Maria Teresa Martinez Lépez, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Cesar Piantavigna, Ana Maria Barbosa Ribeiro (Suplente), Valdemar Ludvig e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. itnp MF • 29 re . 2.1 riunfipA CONFErté cr t,4 o oRIGI,9.4. BRASIt It. 29.,..,02... ins . Vo TO 1 I j 941F • . • !' r ; r, 2° CC-MF • .•1M rn, 7.;.; 1ra Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes ?•?;4rA !I :23! 0 3 ,C1/45. EL Ir 1 Processo n2 : 16327.001959/00-01 Recurso e : 124.477 Acórdão n 203-09.948 Recorrente : MINAS DIESEL S.A. (Sucessora de Minas Diesel Factoring S.A.) RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 2' Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo - SP, referente ao pedido de restituição, seguido do pedido de compensação, relativos à Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - FINSOCIAL, relativo aos períodos de outubro de 1989 a março de 1995 e outubro de 1989 a março de 1992, respectivamente, com outros débitos tributários de sua responsabilidade. Por bem descrever os fatos reproduzo abaixo parte do relatório da decisão recorrida: Por meio dos requerimentos protocolados em 09/10/2000 (fls. 01 e 32), o contribuinte acima identificado solicitou, perante a Divisão de Tributação da Delegacia Especial das Instituições Financeiras em São Paulo, a restituição de valores que teriam sido pagos indevidamente a título de Contribuição ao Programa de Integração Social (PIS), referente ao período de apuração de outubro de 1989 a março de 1995, e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (FINSOCIAL), relativo ao período de outubro de 1989 a março de 1992. Anexos (fls. 09 a 31 e 38 a 49), estão os comprovantes de pagamento das contribuições (DARF). Simultaneamente, solicitou a compensação desses créditos com outros débitos tributários de sua responsabilidade (fl. 141). 2 O solicitante alegou que o pedido de restituição do PIS deveu-se à inconstitucionalidade das alterações promovidas pelos Decretos-Lei ir: g 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Quanto ao pedido relativo ao F1NSOCIAL, o solicitante alegou estar fundamentado na inconstitucionalidade da majoração da alíquota determinada pelo art. 18, IH, da Medida Provisória n° 1.973/93. Nos dois casos já existem decisões do Supremo Tribunal Federal julgando inconstitucionais os dispositivos legais . com base nos quais incidiram as contribuições, sendo que, no caso do PIS, já houve também a suspensão da execução dos decretos-leis nos quais se fundamenta, pelo Senado Federal (art. 52, X, da Constituição Federal). 3 Os pedidos de restituição e, em conseqüência, o de compensação foram indeferidos pela DE1NF/SP em decisão de 17/08/2001 (fls. 182 a 185), por intempestividade, pois o prazo para pleitear a restituição, determinado com base na forma definida no Ato Declaratório SRF n° 96, de 26/11/1999, extinguiu-se antes da data de protocolo do pedido, ou seja, antes de 09/10/2000. 4 Cientificado da decisão em 25/10/2001 (fi. 187), o contribuinte, inconformado, interpôs tempestivamente a impugnação em 26/11/2001 (fls. 188 e 189), na qual requer o deferimento da restituição e o retorno do processo à delegacia de origem para efetivação do pagamento, alegando, em síntese, que: 4.1 o indeferimento admitiu o cabimento e a procedência do mérito do pedido, já que não apresentou qualquer discordância quanto a essa matéria; 4.2 a interpretação dada pelo Ato Declarató rio SRF n°96/99 não pode ser aplicada a situações criadas pela declaração de inconstitucionalidade dos tributos envolvidos, 2 I. r CC-MF / r Ministério da Fazenda -42 Fl. Segundo Conselho de Contribuintes 8 1itie> 1USIUÀ .29.. I aa. .. Processo n' : 16327.001959/00-01 Recurso : 124.477 " Lfris visto Acórdão n2 : 203-09.948 formulada pelo Senado Federal (sic), porque o termo inicial da contagem da prescrição do direito de pedir a restituição, nessa hipótese, não coincide com os pagamentos realizados, conforme sustentam os autores estudiosos na matéria, entendimento já adotado pelo Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, mas tem início a contar do momento em que a autoridade administrativa passa a admitir formalmente a restituição. Apreciando as razões postas na impugnação, o Colegiado de primeira instância proferiu decisão assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1989 a 31/03/1995 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO CONFORME LEI JULGADA INCONSTITUCIONAL INICIO DO PRAZO. A contagem do prazo máximo para o pedido de restituição inicia-se na data da extinção do crédito tributário, mesmo na hipótese de tributos e contribuições pagos com base em lei posteriormente julgada inconstitucional. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/10/1989 a 31/03/1992 Ementa: FINSOCIAL. PEDIDO DA MESMA NATUREZA. O decidido quanto ao PIS aplica-se também às demais contribuições submetidas ao mesmo tratamento legal, reiterando-se as mesmas razões de decidir. Solicitação Indeferida. Intimada a conhecer da decisão em 09/10/2002, a empresa, consoante despacho de fl. 201 não se manifestou no prazo de 30 dias, ensejando o arquivamento do referido processo. Em 06/05/2003 (data da assinatura do requerimento, não constando data aposta pela Repartição, fls. 205 a 206) a empresa apresentou requerimento junto à Delegacia Especial das Instituições Financeiras de São Paulo - DEINF, no qual alegou mudança de endereço da jurisdição dela para a jurisdição de Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte - MG em 01/08/2002 (fl. 208-verso) , conforme registro na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais da alteração contratual datada de 04/01/2002, bem como a mudança da razão social para MINAS DIESEL S.A., mantendo o mesmo CNPJ de n° 17.155.540/0001-47 (fl. 207) O Aviso de Recebimento — AR, de fl. 200, foi firmado por pessoa desconhecida da empresa, pedindo fosse o processo encaminhado à DRF em Belo Horizonte - MG, para fins de notificação à requerente, abrindo-se novo prazo de 30 dias para fins de formulação do recurso à segunda instância. Em 06/06/2003 a DEINF/SP encaminhou o processo à DRF em Belo Horizonte - MG (fl. 210), a qual postou em 24/06/2003, conforme envelope de fl. 217, o Acórdão DRJ/SPI n° 1.210, de 23/07/2002, de fls. 217 a 222. Não consta do processo o Aviso de Recebimento — A.R. Entretanto, a empresa postou em 01/08/2003recurso voluntário (fls. 212 a 215) a este Eg. Conselho de Contribuintes, com as seguintes razões de dissentir: a) assevera a tempestividade do recurso, alegando haver sido notificada do Acórdão da DRJ/SPI em 18/07/2003. Desse modo, o prazo recursal teve seu termo em 19/08/2003; 3 0) 1 2' CC-MF tnr ;--fr e . Ministério da Fazenda Mf" •• f'f. :• 111 n ARA Fl. Segundo Conselho de Contribuintes r.•.:,, BRA2Al.-.23. 03 ; Processo n' 16327.001959/00-01 Recurso n 124.477 Acórdão ii : 203-09.948 b) no mérito, esclarece tratar o processo de pedido de restituição relativo ao PIS formulado perante a DRF em São Paulo com base na declaração de inconstitucionalidade dos Decretos-lei n° 2.445 e n° 2.449, ambos de 1988; c) aduz que o indeferimento do DRJ em São Paulo animou-se nos fundamentos do disposto no Ato Declaratório do Secretário da Receita Federal n° 96, de 26/11/99, o qual limita o prazo para apresentação do pleito de repetição de indébito em cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário; d) alega que a autoridade julgadora reconheceu, no mérito o direito à restituição caso o pedido sido formulado tempestivamente;• e) informa que efetuou os cálculos com rigorosa observância dos valores pagos conforme DARFs que anexa, bem como atendeu ao disposto na Norma de execução SRF/COSIT/COSAR n° 8, de 27/06/1997; f) cita jurisprudência deste Conselho com vistas a comprovar o diverso entendimento já assente de que o prazo prescricional iniciou-se com a Resolução n° 49 do Senado Federal, em 09/10/1995, encerrando-se em 09/10/2000; e g) agrega, ainda, às suas alegações a semestralidade da base de cálculo, sem correção monetária, por não ser este o entendimento das DRF. Ao fim, requer seja dado provimento ao recurso, reconhecendo o seu direito de ter seu pedido de restituição do PIS, pago a maior, apreciado pela DRF em Belo Horizonte - MG, como deflui da jurisprudência do Conselho. Em que pese refira-se na inicial à compensação do PIS e do FINSOCIAL com outros tributos, a recorrente arremata o recurso requerendo o provimento somente em relação ao PIS. Às fls. 235 a 238, a autoridade preparadora da DRF em Belo Horizonte anexou cópia da Decisão SESIT/EQIR n° 2.569, de 08/09/2000 na qual foi apreciado o pedido de restituição do PIS - Receita Operacional efetuado por Minas Diesel S/A, CNPJ n° 17.155.540/00001-47, através do processo n° 10680.005709/00-07. Ou seja, com mesmo nome, CNPJ e endereço que passou a ter a recorrente quando de sua mudança de razão social e endereço. Às fls. 239 e 240 consta o encaminhamento da referida decisão para a recorrente, conforme Aviso de Recebimento datado de 19/09/2000, apresentado no endereço por ela informado, na cidade de Belo Horizonte. Já à fl. 241, consta o Termo de Arquivamento de Processo, datado de 26/10/2000, no qual informa que "tendo sido o contribuinte cientificado da decisão que indeferiu o seu pedido, e não tendo o mesmo manifestado até a presente data, proponho o encaminhamento deste processo ao ARQUIVO GERAL DA DAMF/MG para que o mesmo seja arquivado pelo prazo de cinco anos." Mesmo não mais se referindo ao F1NSOCIAL, consta do processo, às fls. 242 a 261, cópia do processo n° 10680.005716/00-64, datado também de 23/05/2000, no qual consta pedido de restituição do FINSOCIAL, bem como a desistência da recorrente à fl. 244, datada de 30/10/2000. Consta, ainda, do processo supra referido, relativo ao FINSOCIAL, que a recorrente impetrou a ação ordinária n° 96.0020747-4, declaratória da inexistência de relação 4 MF - re e — ( IN Mn RA 22CC-MF• Vd;Té-,-3-9, Ministério da Fazenda 1CONFERE cr, '-'- OR, Segundo Conselho de COntribuintes BR4SIL:4 ‘,2_9./ .... GiNL 9. ... kos .... I/1 ç TOProcesso n'a : 16327.001959/00-01 Recurso n0 : 124.477 1 Acórdão 111i : 203-09.948 jurídica que obrigasse a autora ao recolhimento do FINSOCIAL com as majorações consideradas inconstitucionais (fls. 241 a 257). Informa o site da Seção Judiciária de Minas Gerais que na data de 08/11/2001 foi o processo remetido para execução de sentença (fl. 241). A autoridade administrativa que denegou o pleito na DRF em Belo Horizonte - MG encaminhou o presente processo a este Conselho para que primeiro se dirimisse a ocorrência de eventual perempção. Consta arrolamento de bens para fins de garantir a instância recursal, conforme fls. 223 a 232. É o relatório. 5 ••‘,7b...1 CC-MF Ministério da Fazenda ME - 22 rei st. I AmtpA Fl.Ir Segundo Conselho de Contribuintes e°1"" CCSA-0-Ris—ifiGrf BRASILIA_Raf 0,3 / OS Processo n' : 16327.001959/00-01 Recurso n9 : 124.477 Acórdão n0 : 203-09.948 VOTO DA CONSELHEIRA RELATORA MARIA CRISTINA ROZA DA COSTA Conforme bem identificou a autoridade administrativa da DRF em Belo Horizonte - MG, primeiramente deve-se verificar a efetiva tempestividade do recurso voluntário apresentado nos autos. Existe uma profusão de datas, locais, processos e tributos os quais precisam ser cronologicamente assentados para fins de identificação do cumprimento ou não dos prazos processuais definidos no Decreto n°70.235, de 06/03/1972, que são peremptórios. No presente voto será efetuada somente a apreciação da perempção ou não do pedido de restituição relativo ao PIS, uma vez que a recorrente não se manifestou acerca deste tributo no recurso voluntário. Os atos e fatos jurídicos relativos ao pedido de restituição estão assim executados no tempo: 1. em 23/05/2000 - processo n° 10680.005709/00-07 - Minas Diesel S/A, CNPJ n° 17.155.540/0001-47, apresentou pedido de restituição do PIS junto à DRF em Belo Horizonte, com fundamento na inconstitucionalidade dos referenciados Decretos-lei de 1988 (fls. 235 a 238); 2. em 19/09/2000 - A. R. contendo correspondência e ciência da recorrente da decisão que indeferiu o pedido (fls. 239 e 240); 3. em 09/10/2000 - processo n° 16327.001959/00-01 - Minas Diesel Factoring S/A, CNPJ n° 17.155.540/0001-47, apresentou junto à DEINF/SP, pedido de restituição do PIS, com fundamento na inconstitucionalidade dos famigerados Decretos-lei de 1988 (fl. 01); 4. em 26/10/2000 a DRF em Belo Horizonte - MG determinou o arquivamento do processo em razão da ausência de manifestação da recorrente (fl. 241); 5. em 23/07/2002 a DEINF/SP expediu o Acórdão n° 1.210 indeferindo a solicitação de fl. 01, por intempestividade do pedido (fls. 192 a 197); 6. em 09/10/2002 - A.R. encaminhado ao endereço da recorrente contendo ciência de pessoa que a recorrente alega desconhecer (fl. 200); 7. em 06/05/2003 - data do requerimento da recorrente, sem data da Repartição destinatária, alegou que: a. em 01/08/2002 - registrou alteração contratual na JUCEMG, ocorrendo os seguintes fatos: i. alteração contratual apresentada na JUCESP em 04/01/2000; ii. mudança da razão social para Minas Diesel S/A iii. mudança do endereço para Av. Antonio Carlos, 890, Bairro São Cristóvão, em Belo Horizonte - MG; iv. que nessa data não mais ocupava o imóvel para onde foi encaminhado o A.R., não havendo tomado ciência do Acórdão da DEINF/SP; 6 MF • 29 r c: - 3 2- ri\ r`PIPA zg CC-MF!c:79C Ministério da Fazenda ----__... Fl. 71/ 7,:; 2". Segundo Conselho de COntribuintes nciNFErh- C. r 1:,;*•11. P•a9.,4 eRÃS n 1 I 22.9 (1.3 n Processo n : 16327.001959/00-01 Recurso n2 : 124.477 vi-,Io Acórdão n2 : 203-09.948 b. nessa mesma data, foi efetuada a alteração do endereço da empresa no cadastro da Receita Federal (fls. 208 e 209); 8. em 06/06/2003 — a DE1NF/SP encaminhou o processo para a DRF em Belo Horizonte - MG; 9. em 24/06/2003 — A DRF em Belo Horizonte — MG postou o Acórdão da DEINF/SP para a recorrente. Não consta Aviso de Recebimento nos autos; e 10. em 01/08/2003 - a recorrente postou recurso voluntário para este Conselho de Contribuintes (fls. 212 a 215 e 223). De todos os fatos narrados constata-se os seguintes fatos: a. a recorrente — Minas Diesel Factoring, sediada em São Paulo, detinha, concomitantemente, com a Minas Diesel S/A, sediada em Belo Horizonte - MG, o mesmo CNPJ, como se constata pelo processo apresentado na DRF em Belo Horizonte - MGpela Minas Diesel S/A em 23/05/2000 e o processo apresentado na DE1NF/SP em 09/10/2000 pela Minas Diesel Factoring, uma vez que a mudança de razão social e endereço dessa empresa se deu somente a partir de 01/08/2002. Dada a impossibilidade de duas empresas utilizarem concomitantemente o mesmo CNPJ, deve-se inferir que uma das duas apresentou-se com razão social indevida à Receita Federal. Como a Minas Diesel Factoring mudou sua razão social e seu endereço em 01/08/2002, como alega, então o processo apresentado na DRF em Belo Horizonte em 23/05/2000 contém erro na identificação do sujeito passivo ou erro no número do CNPJ. b. verifica-se à fl. 211 que o cadastro da Receita Federal identifica como data de abertura da razão social Minas Diesel S/A em 03/01/1966; c. todos os DARFs de fls.165 a 169 foram pagos pela Minas Diesel S/A, CNPJ matriz, com endereço em Belo Horizonte - MG, relativos ao período compreendido entre janeiro de 1990 a março de 1991. Os mesmo se repetem no pedido de restituição apresentado à DE1NF/SP às fls. 27 a 31; d. inexiste no processo comprovação de qualquer pagamento efetuado em nome de Minas Diesel Factoring; e e. a Ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 04/07/2000 aponta a sede da empresa Minas Diesel S/A em São Paulo - SP e de uma filial em Belo Horizonte — MG (fl. 181), registrada na JUCESP em 28/07/2000. Outra constatação é a de que a postagem do A.R. pela DRF em Belo Horizonte - MG, relativamente aos autos sob análise — Minas Diesel Factoring se deu em 24/06/2003. A recorrente alega, sem provar, que teve ciência da mesma em 18/07/2003. Em razão da inexistência do A.R. comprovando o recebimento, deve ser seguida a regra do artigo 23, inciso II, § 2° do Decreto n° 70.235/72, o qual estabelece: Art. 23. Far-se-á a intimação: 1. omissis II. por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo. Omissis 7 CC-MF :t2Gri.41%; Ministério da Fazenda MF • 22 Ce ('AM A RA Fl. 11)fr,:;".;Lg" Segundo Conselho de Contribuintes cONFERIt com o tí,.G•,!? B R AS n LIA 2.3 03 OS Processo : 16327.001959/00-01 n o Recurso n : 124.477 VISTO_ Acórdão n : 203-09.948 § 1° omissis § 2°. Considera-se feita a intimação: 1 — na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II — no caso do inciso lido caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, 15 (quinze) dias após a data da expedição da intimação. Mesmo que se considerasse como inválida a comprovação da intimação feita através do A.R. em 09/10/2002, e se admitisse que a ciência se efetivou somente após o encaminhamento do Acórdão da DEINF pela DRF em Belo Horizonte - MG, a contagem do prazo, nos termos do inciso II do § 2° do art. 23 do Decreto regulador do Processo Administrativo Fiscal — PAF, não é como efetuada pela recorrente, uma vez que não logrou comprovar o alegado. Expedido o A.R. em 24/06/2003, pela regra acima, dá-se como intimada a recorrente em 09/07/2003, podendo o recurso voluntário ser apresentado até 08/08/2003, possibilitando concluir, de forma açodada, pela tempestividade do recurso. Por outro lado, não se pode olvidar que a recorrente apresentou o mesmo pleito relativamente ao mesmo período e mesmo tributo junto à DRF em Belo Horizonte — MG (fls. 27 a 31 e 165 a 169) em 23/05/2000 ao qual não impugnou, tomando definitiva, na esfera administrativa, o indeferimento, precluindo do direito de recorrer tanto à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte - MG quanto a este Conselho de Contribuintes. Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso por perempto. Sala das Sessões, em 27 de janeiro de 2005. - CeitA--CRISTINA RO )ZÇDF) COSTA 8

score : 1.0
4729363 #
Numero do processo: 16327.001720/2003-09
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2005
Ementa: ESCOLHA DA ESFERA JUDICIAL – IMPOSSIBILIDADE DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO - Uma vez escolhida a esfera judicial para o exame da matéria tratada no Auto de infração, o julgamento na esfera administrativa se torna prejudicado em razão de que vige no sistema tributário brasileiro a prevalência das decisões judiciais em detrimento das decisões administrativas. DECADÊNCIA CSLL - LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO – Sendo a CSLL um tributo do tipo por homologação, o lançamento efetuado para prevenir a decadência, dentro do prazo legal instituído pelo artigo 150 parágrafo 4º. do CTN alcança seu objetivo, devendo ser mantido. É aplicável apenas para aquele no prazo de 05 (cinco) anos do fato gerador. JUROS MORATÓRIOS - De acordo com o artigo 161 do CTN incide juros moratórios sobre o crédito não integralmente pago no vencimento, apenas quando não haja depósito integral por ordem judicial. NULIDADES. INOCORRÊNCIA - Não se traduzem em nulidade aspectos formais da decisão que não influíram no resultado do julgamento Recurso parcialmente conhecido. Preliminar de decadência acolhida. Recurso provido.
Numero da decisão: 108-08.615
Decisão: ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONHECER em PARTE do recurso; e, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência do ano de 1997, suscitada pelo recorrente, vencidos os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e José Carlos Teixeira da Fonseca e, no mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para excluir os juros de mora, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Margil Mourão Gil Nunes

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200512

ementa_s : ESCOLHA DA ESFERA JUDICIAL – IMPOSSIBILIDADE DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO - Uma vez escolhida a esfera judicial para o exame da matéria tratada no Auto de infração, o julgamento na esfera administrativa se torna prejudicado em razão de que vige no sistema tributário brasileiro a prevalência das decisões judiciais em detrimento das decisões administrativas. DECADÊNCIA CSLL - LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO – Sendo a CSLL um tributo do tipo por homologação, o lançamento efetuado para prevenir a decadência, dentro do prazo legal instituído pelo artigo 150 parágrafo 4º. do CTN alcança seu objetivo, devendo ser mantido. É aplicável apenas para aquele no prazo de 05 (cinco) anos do fato gerador. JUROS MORATÓRIOS - De acordo com o artigo 161 do CTN incide juros moratórios sobre o crédito não integralmente pago no vencimento, apenas quando não haja depósito integral por ordem judicial. NULIDADES. INOCORRÊNCIA - Não se traduzem em nulidade aspectos formais da decisão que não influíram no resultado do julgamento Recurso parcialmente conhecido. Preliminar de decadência acolhida. Recurso provido.

turma_s : Oitava Câmara

dt_publicacao_tdt : Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2005

numero_processo_s : 16327.001720/2003-09

anomes_publicacao_s : 200512

conteudo_id_s : 4224488

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 108-08.615

nome_arquivo_s : 10808615_143326_16327001720200309_009.PDF

ano_publicacao_s : 2005

nome_relator_s : Margil Mourão Gil Nunes

nome_arquivo_pdf_s : 16327001720200309_4224488.pdf

secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONHECER em PARTE do recurso; e, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência do ano de 1997, suscitada pelo recorrente, vencidos os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e José Carlos Teixeira da Fonseca e, no mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para excluir os juros de mora, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.

dt_sessao_tdt : Wed Dec 07 00:00:00 UTC 2005

id : 4729363

ano_sessao_s : 2005

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:35:55 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713043760093331456

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-13T18:32:52Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-13T18:32:52Z; Last-Modified: 2009-07-13T18:32:52Z; dcterms:modified: 2009-07-13T18:32:52Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-13T18:32:52Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-13T18:32:52Z; meta:save-date: 2009-07-13T18:32:52Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-13T18:32:52Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-13T18:32:52Z; created: 2009-07-13T18:32:52Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2009-07-13T18:32:52Z; pdf:charsPerPage: 1987; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-13T18:32:52Z | Conteúdo => • • ..4, MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES > OITAVA CÂMARA Processo n2. :16327.001720/2003-09 Recurso n2. :143.326 Matéria : CSL — EXS.: 1998 e 1999 Recorrente : SUL AMÉRICA SEGURO SAÚDE S.A. Recorrida : TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP I Sessão de : 07 DE DEZEMBRO DE 2005 Acórdão n2. :108-08.615 ESCOLHA DA ESFERA JUDICIAL — IMPOSSIBILIDADE DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO - Uma vez escolhida a esfera judicial para o exame da matéria tratada no Auto de infração, o julgamento na esfera administrativa se torna prejudicado . em razão de que vige no sistema • tributário brasileiro a prevalência das decisões judiciais em detrimento das decisões administrativas. DECADÊNCIA CSLL - LANÇAMENTO PARA PREVENÇÃO — Sendo a CSLL um tributo do tipo por homologação, o lançamento efetuado para prevenir a decadência, dentro do prazo legal instituído pelo artigo 150 parágrafo 4 2. do CTN alcança seu objetivo, devendo ser mantido. É aplicável apenas para aquele no prazo de 05 (cinco) anos do fato gerador. JUROS MORATÓRIOS - De acordo com o artigo 161 do CTN incide juros moratórios sobre o crédito não integralmente pago no vencimento, apenas quando não haja depósito integral por ordem judicial. NULIDADES. INOCORRÊNCIA - Não se traduzem em nulidade aspectos formais da decisão que não influíram no resultado do julgamento Recurso parcialmente conhecido. Preliminar de decadência acolhida. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por SUL AMÉRICA SEGURO SAÚDE SÃ. ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONHECER em PARTE do recurso; e, por maioria de votos, ACOLHER a preliminar de decadência do ano de 1997, suscitada pelo recorrente, vencidos os Conselheiros Nelson Lósso Filho, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e José Carlos Teixeira da Fonseca e, no mérito, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso para excluir os juros de mora, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. I ek'41 MINISTÉRIO DA FAZENDA ‘Z:p.'..:;:tr PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES •:;‘'..Crk,f::r OITAVA CÂMARA Processo nQ. : 16327.001720/2003-09 - Acórdão :108-08.615 DORI AL PAD AN PRE DENT MARGIL MØURÕ GIL NUNES RELATOR FORMALIZADO EM: 30 JAN 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: LUIZ ALBERTO CAVA MACEIFIA, KAREM JUREIDINI DIAS DE MELLO PEIXOTO e JOSÉ HENRIQUE LONGO. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA s- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n2. :16327.001720/2003-09 Acórdão n2. :108-08.615 Recurso n2. :143.326 Recorrente : SUL AMÉRICA SEGURO SAÚDE S.A. RELATÓRIO Contra a empresa SUL AMÉRICA SEGURO SAÚDE S/A foi lavrado em 12/05/2003 o auto de infração do CSLL, doc.f Is. 05/12, por ter a fiscalização constatado nos anos calendários 1997 e 1998 a seguinte irregularidade descritas na folha de continuação do auto de infração como falta de recolhimento da contribuição social sobre o lucro de financeiras. Consta no corpo do Auto de Infração que o crédito tributário está com exigibilidade suspensa por força de Medida Liminar concedida nos autos do processo número 97.0012129-1 e com depósito judicial. No Termo de Verificação Fiscal, doc.de fls. 13/14, o fisco relata o seguinte: "...efetuamos a revisão da DIPJ/1999, ano-calendário 1998, do contribuinte, no que tange à apuração da CSLL, e verificamos que o contribuinte apresentou valores de CSLL com exigibilidade suspensa, conforme descrito abaixo: FICHA 30. CÁLCULO DA CSLL MENSAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - SEGURADORA 22. BASE DE CÁLCULO DA CSLL 15.387.609,40 23. CSLL APURADA 2.769.769,69 25. (-)CSLL MENSAL PAGA POR ESTIMATIVA 2.039.764,54 26. CSLL A PAGAR 730.005,15 34. (-)EXIGIBILIDADE SUSPENSA 2.532.812,79 35. SALDO DE CSLL A PAGAR-1.802.807,64 ...OMISSIS... Da análise da demonstração apresentada pelo contribuinte, o mesmo recolheu R$1.9$4.700,58, da CSLL devida, restando constituir o total de R$785.069,11, ainda com exigibilidade suspensa. ...omissis... 3 6G9 • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 'Lfte,s{› OITAVA CÂMARA Processo n2. :16327.001720/2003-09 Acórdão n2• :108-08.615 Caso o contribuinte seja vitorioso na lide, o mesmo deveria ter recolhido R$1.231.024,75, restando um crédito a compensar de R$753.691,28. Caso o contribuinte perca a lide, este deveria ter recolhido R$2.769.769,69, uma insuficiência de R$785.069,11, que será coberta pelos depósitos judiciais. ...omissis... Observamos, ainda que no ano-base de 1997, o contribuinte apresentou a seguinte demonstração de CSLL: 20. BASE CALC.DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO 61.924.278,03 21. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCO LÍQUIDO 11.146.370,05 22. (-)CONTR. SOCIAL S/ LUCRO MENSAL POR ESTIMATIVA 11.146.370,04 Do valor acima, R$6.192.427,81 foi declarado com exigibilidade suspensa na ficha 09, de estimativa/balanço de redução da CSLL. Diante do exposto, constituímos sem exigibilidade e sem multa de ofício, através de auto de infração, a CSLL devida de 1997 e 1998, que deixou de ser recolhida em face de ação judicial, com depósito e o valor compensado em 2000, com multa e exigibilidade." Inconformada com a exigência a autuada apresentou impugnação protocolizada em 24/06/2003, em cujo areazoado de fls.81/116, alega em apertada síntese o seguinte: Em preliminar, com base no artigo 150 § 4 2 do Código Tributário Nacional, no tocante aos fatos ocorridos no ano-calendário de 1997, a efetivação ou revisão do lançamento somente poderia ter sido efetuada durante o qüinqüênio subseqüente, razão pela qual, em 26.05.2003, data da lavratura do auto de infração ora impugnado, já havia se extinguido definitivamente o direito da Fazenda Pública, pelos efeitos próprios da inexorável homologação tácita; É impertinente o acréscimo de juros de mora ao crédito tributário exigido, porque depositado judicialmente no montante integral do tributo. 4 41A•4,4 tri . ra MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n2. :16327.001720/2003-09 Acórdão n2. :108-08.615 No mérito, questiona a constante elevação e disparidade de alíquotas entre os setores da tributação da CSLL; A permanência do que era provisório com a possibilidade de alteração de alíquota por lei ordinária, com base na Emenda Constitucional 10/96, sem qualquer vinculação ou participação constitucional ou legal; Que o tributo não guarda qualquer relação com a Contribuição Social sobre o Lucro, nem é contribuição social, sendo imposto, possuindo natureza jurídica de adicional do Imposto sobre a Renda; E, que houve ofensa aos Princípios da Isonomia, da Capacidade Contributiva e da Progressividade e a diferenciação de alíquotas configura confisco. Em 15/01/2004, foi prolatado o Acórdão DRJ/SPOI n 2 04.682, doc.fls. 140/148, onde a Autoridade Julgadora "a quo" considerou procedente a exigência, expressando seu entendimento por meio da seguinte ementa: PROCESSO JUDICIAL E IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. OBJETOS. A propositura de ações judiciais resulta em renúncia à discussão na via administrativa das matérias levadas à apreciação do Poder Judiciário. Deve ser conhecida a impugnação, na parte em que são distintos os objetos do processo judicial e do processo administrativo. CSLL. DECADÊNCIA. O direito da Administração de constituir o crédito tributário relativamente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido-CSLL decai em dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, conforme determina a legislação de regência. JUROS DE MORA. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Os juros de mora devem ser lançados mesmo na hipótese do montante integral, pois somente na data da conversão em renda para a União verificar-se-á a abrangência do depósito.' l‘ • rft"; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES •;;":1;131-> OITAVA CÂMARA Processo n2. :16327.001720/2003-09 Acórdão n2. :108-08.615 Cientificada da decisão de primeira instância em 02103/2004, doc.fls.153, novamente irresignada, apresentou seu recurso voluntário, protocolizado em 01/04/2004, em cujo arrazoado de fls.154/193 repisa os mesmos argumentos expendidos na peça impugnatória, acrescentando o seguinte: Em preliminar, que a contribuição Social sobre o Lucro Líquido é tributo sujeito a lançamento por homologação, logo, decorridos cinco anos do fato gerador, extingue-se o direito da Fazenda Pública efetuar o lançamento; A impertinência de acrescer juros de mora ao crédito tributário cuja exigibilidade encontra-se suspensa por depósito judicial de seu montante integral; Argüi nulidades da decisão de primeira instância: quanto à impossibilidade de defesa administrativa, se baseou no § 2 Q do artigo 1 2 do Decreto- lei 1.737/79, revogado há mais de 16 anos; quanto a que, a propositura de Ação Judicial antes da lavratura do Auto de Infração não caracteriza renúncia ao direito de defesa na esfera administrativa, eis que, no caso, o Mandado de Segurança preventivo foi excluído das hipóteses descritas no artigo 1 2, §22 do Decreto-lei n2. 1.737/79, no artigo 38, parágrafo único, da Lei n 2 6.830/80 e no ADN COSIT n2 3/96; e que a renúncia só se opera quando houver manifestação escrita do administrado neste sentido. No mérito adere às mesmas razões expendidas na impugnação. É o Relatório. 6 • • • MINISTÉRIO DA FAZENDA ", t", - I PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES• ';,1/44 .:ff;fr OITAVA CÂMARA Processo n2. :16327.001720/2003-09 Acórdão n2. :108-08.615 VOTO Conselheiro MARGIL MOURÁO GIL NUNES, Relator O recurso preenche os requisitos de sua admissibilidade, e dele tomo conhecimento, não havendo o arrolamento de bens por tratar-se de lançamento com exigibilidade suspensa. Pela análise dos autos, verifico que a autoridade fiscal efetuou o lançamento tributário para prevenir a decadência de tributo não declarado em razão de existir Ação Judicial, que suspende a exigibilidade do tributo. De antemão, julgando a preliminar de decadência, entendo que autoridade fiscal não conseguiu o seu objetivo com relação ao fato gerador de 31/12/1997, eis que o Auto de Infração foi emitido em 12/05/2003, portanto, já havia decaído em 31/12/2002 o direito do fisco em lançar o tributo. Ao contrário do que entendeu a autoridade julgadora de primeira instância, conforme manifestou em sua ementa - "O direito da Administração de constituir o crédito tributário relativamente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido- CSLL decai em dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ", nosso entendimento é que a regra esculpida no artigo 150 §42 do Código Tributário Nacional, a qual prevê que os tributos sujeitos à homologação, no caso a CSLL, o prazo para a homologação é de 05 (cinco) anos à contar do fato gerador, quando expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. • 7 e. 11.' MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n2. :16327.001720/2003-09 Acórdão n2. :108-08.615 É certo que o Código Tributário Nacional é Lei Complementar, recepcionada pela Constituição Federal, sendo que, a Lei instituidora da CSLL, na qual está a regra adotada pelo julgamento "a quo", é Lei Ordinária, sendo-lhe pois submissa, não poderia ultrapassar o prazo de 05 anos previstos naquela, para a decadência. Assim, afasto desde já a tributação da CSLL em relação a período do fato gerador de 31/12/1997 em face da decadência argüida no Recurso Voluntário. Quanto à possibilidade do lançamento de juros, no caso de lançamento efetuado para prevenir a decadência, entendo não ser possível, visto que houve regular depósito integral do tributo, estando suspensa a sua cobrança. No caso dos autos a autoridade fiscal do lançamento assim se manifestou em seu Termo de Verificação ás f Is 13, quanto aos valores recolhidos e aos valores depositados pela contribuinte: "Caso o contribuinte seja vitorioso na lide, o mesmo deveria ter recolhido R$1.231.024,75, restando um crédito a compensar de R$753.691,28. Caso o contribuinte perca a lide, este deveria ter recolhido R$2.769.769,69, uma insuficiência de R$785.069,11, que será coberta pelos depósitos judiciais." É de se notar que, caso a contribuinte seja vitoriosa na lide, a Fazenda Pública sofrerá o efeito moratório mesmo havendo garantia dada pelos valores depositados. De se lembrar que os depósitos serão convertidos em renda, no caso de ganho na Ação pela Fazenda Pública, só sendo, portanto, disponíveis neste momento, juntamente com os juros pelo período dos depósitos. Logo, os juros moratórios estão acobertados pelos depósitos, razão pela qual excluo a incidência no presente caso, com relação ao período não decaído, relativo ao fato gerador 12/1998. 8 , MINISTÉRIO DA FAZENDA !Sp '-:.or PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OITAVA CÂMARA Processo n2. :16327.001720/2003-09 Acórdão n2. :108-08.615 Com relação às nulidades argüidas no Recurso Voluntário: quanto à Impossibilidade de defesa administrativa, a decisão se baseou no § 2 2 do artigo 12 do Decreto-lei 1.737/79, revogado há mais de 16 anos; que a propositura de Ação Judicial antes da lavratura do Auto de Infração não caracteriza renúncia ao direito de defesa na esfera administrativa, pois no caso, o Mandado de Segurança preventivo foi excluído das hipóteses descritas no artigo 1, §2 2 do Decreto-lei n2 1.737/79, no artigo 38, parágrafo único, da Lel n2 6.830/80 e no ADN COSIT n2 3/96; e que a renúncia só se opera quando houver manifestação escrita do administrado neste sentido; entendo, apesar das razões expendidas pela contribuinte no seu recurso, estes fatos não trouxeram prejuízo ao julgamento, capaz de torná-lo nulo. Existe o entendimento sedimentado neste Egrégio Conselho de que uma vez que o objeto da Ação Judicial, qualquer que seja a Ação ou o Mérito, se confundir com as razões de mérito a serem apreciadas, estas não devem ser apreciadas na instância administrativa, em face de que, vige no Ordenamento Jurídico Nacional a subjunção da Esfera Administrativa à Judicial, independente de renúncia quer seja tácita ou expressa. Por tudo exposto, acolho a preliminar de decadência para o fato gerador de 31/12/1997, nego as demais preliminares, julgo parcialmente procedente o recurso para excluir o valor dos juros de mora, e não conheço do recurso na parte objeto da ação judicial. Sala das Sessões - DF, em 09 de dezembro de 2005. 1 for MARGIL OUR • • GIL NUNES 9 Page 1 _0014800.PDF Page 1 _0014900.PDF Page 1 _0015000.PDF Page 1 _0015100.PDF Page 1 _0015200.PDF Page 1 _0015300.PDF Page 1 _0015400.PDF Page 1 _0015500.PDF Page 1

score : 1.0
4728970 #
Numero do processo: 16327.000585/99-83
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2006
Ementa: FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. SIMULTANEIDADE COM PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. A sentença prolatada sujeita-se ao duplo grau de jurisdição. A opção pelo Poder Judiciário implica a desistência da via administrativa. RECURSO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 302-37573
Decisão: Por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso, nos termos do voto da Conselheira relatora.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario

dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200605

ementa_s : FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. SIMULTANEIDADE COM PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. A sentença prolatada sujeita-se ao duplo grau de jurisdição. A opção pelo Poder Judiciário implica a desistência da via administrativa. RECURSO NÃO CONHECIDO.

turma_s : Segunda Câmara

dt_publicacao_tdt : Thu May 25 00:00:00 UTC 2006

numero_processo_s : 16327.000585/99-83

anomes_publicacao_s : 200605

conteudo_id_s : 4267809

dt_registro_atualizacao_tdt : Sun May 05 00:00:00 UTC 2013

numero_decisao_s : 302-37573

nome_arquivo_s : 30237573_132366_163270005859983_005.PDF

ano_publicacao_s : 2006

nome_relator_s : Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro

nome_arquivo_pdf_s : 163270005859983_4267809.pdf

secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Por unanimidade de votos, não se conheceu do recurso, nos termos do voto da Conselheira relatora.

dt_sessao_tdt : Thu May 25 00:00:00 UTC 2006

id : 4728970

ano_sessao_s : 2006

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:35:46 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713043760096477184

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-10T11:37:38Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-10T11:37:37Z; Last-Modified: 2009-08-10T11:37:38Z; dcterms:modified: 2009-08-10T11:37:38Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-10T11:37:38Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-10T11:37:38Z; meta:save-date: 2009-08-10T11:37:38Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-10T11:37:38Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-10T11:37:37Z; created: 2009-08-10T11:37:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-08-10T11:37:37Z; pdf:charsPerPage: 1356; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-10T11:37:37Z | Conteúdo => ? ... . ... - .?nW.J.'7, MINISTÉRIO DA FAZENDA :', n;..,m,', :., 4;p4;;; 111., ,› TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° : 16327.000585/99-83 Recurso n° : 132.366 Acórdão n° : 302-37.573 Sessão de : 25 de maio de 2006 Recorrente : UNIBANCO ASSET MANAGEMENT BANCO DE INVESTIMENTOS S.A. Recorrida : DRJ/SÃO PAULO/SP FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. SIMULTANEIDADE COM PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. A sentença prolatada sujeita-se ao duplo grau de jurisdição. A opção pelo Poder Judiciário implica a desistência da via administrativa. • RECURSO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. , JUDITH D 9 • O • 'L MARCONDES ARMANDO Presidente lk Aia '4J /r° ROSA MARIA DE JESUS DA SILVA COSTA DE CASTROf R atora Formalizado em: 23 JUN ans Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto, Corintho Oliveira Machado, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Luis Antonio Flora e Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado (Suplente). Ausentes o Conselheiro Paulo Affonseca de Barros Faria Júnior e a Procuradora da Fazenda Nacional Maria Cecilia Barbosa. tmc Processo n° : 16327.000585/99-83 Acórdão n° : 302-37.573 RELATÓRIO Trata-se de pedido protocolizado em 07 de abril de 2000, pelo qual a Interessada requer a restituição e compensação de valores supostamente recolhidos a maior a título de Finsocial, no período compreendido entre outubro de 1989 e junho de 1991. Mediante Despacho Decisório de fls. 37 a 39, a Divisão de Tributação da Delegacia Especial das Instituições Financeiras (DISIT/DEINF) indeferiu a restituição pleiteada fundamentadamente no Ato Declaratório SRF n° 96, de 26.11.1999. 111 Cientificada do Despacho Decisório, a Interessada apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 51 a 57, alegando em síntese o que segue: 1. A Interessada propôs Ação Ordinária n° 96.0025496-6, que tramitou na 17a Vara Cível Federal da Seção Judiciária de São Paulo, no intuito de ver declarada incidenter tantum a inconstitucionalidade da cobrança do Finsocial com alíquotas superiores a 0,5%, bem como lhe fosse garantido o direito de compensar/restituir os valores recolhidos a maior. 2. A ação foi julgada procedente, com a declaração da inexigibilidade do Finsocial à alíquota superior a 0,5%, e o reconhecimento do direito da contribuinte a proceder à compensação entre tributos da mesma espécie, sendo que a publicação da decisão ocorreu em 15 de maio de 1998. Somente a 411 partir desse momento seria possível pleitear a restituição/compensação dos valores pagos a maior a título de Finsocial. 3. Tendo a publicação da decisão judicial ocorrido em 15 de maio de 1998, e o pedido de restituição/compensação em 26 de março de 1999, não há que se falar em decadência do direito. 4. A Coordenação do Sistema de Tributação já se manifestou sobre o assunto no Parecer COSIT n° 58/98, no qual estabelece que: "25: Para que se possa cogitar de decadência, é mister que o direito seja exercitável: que no caso o crédito (restituição) seja exigível. Assim, antes de a lei ser declarada inconstitucional não há que se falar em pagamento indevido, pois, até então, por presunção, eram a lei constitucional e os pagamentos efetuados efetivamente devidos". 2 . Processo n° : 16327.000585/99-83 Acórdão n° : 302-37.573 Por outro lado, consta dos autos o documento de fl. 110, com a seguinte informação da DEINF: "O presente processo origina-se na Decisão constante no processo n° 16327.000585/99-83, fls. 37/79, que indeferiu o Pedido de Restituição/Compensação formulado pelo contribuinte. . De acordo com o Art. 90 da MP 1 858-3 5 de 24/08/2001 e Nota DIVAT SRRFO8 n° 01 de 08/02/2002, incluímos neste processo o • débito em aberto oriundo do pedido de compensação de fl. 02, para que seja excluído do sistema PROFISC, com a finalidade de lançamento de oficio". Apesar dos argumentos aduzidos, a i. 9' Turma da Delegacia de Julgamento em São Paulo/SP, indeferiu a solicitação efetuada pela Interessada, conforme se verifica pela simples leitura da ementa abaixo transcrita: IIII "NORMAS ADMINISTRATIVAS. VINCULA ÇÃO. A autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitar-se a aplicá-la, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua legalidade, constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear restituição de tributo ou contribuição pago a maior ou indevidamente, extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário." Cientificada do teor da decisão acima em 07 de maio de 2004, a Interessada apresentou Recurso Voluntário, endereçado a este Colegiado, no dia 17 do mesmo mês e ano. é Nesta peça processual, a Interessada aduz, em síntese, os mesmos argumentos trazidos na peça exordial. Por oportuno, cabe salientar o que segue: 1) apesar de a matéria em tela tratar de direito creditório a favor da Interessada, esta, provavelmente por desconhecimento/descuido, efetuou depósito recursal, no montante equivalente a R$ 11.929,18, conforme se evidencia às fls. 156/157; e 2) em 1° de junho de 2005, a Interessada tomou conhecimento do Comunicado Deinf/SPO/Diort/Eqcop n° 127/2004, pelo qual é canceada a cobrança de R$ 18.745,10, objeto do lançamento efetuado por meio do processo n° , 16327.000.585/99-83. É o relatório. 3 _ Processo if : 16327.000585/99-83 • Acórdão n° : 302-37.573 VOTO •Conselheira Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Relatora O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme relatado, a Interessada protocolizou pedido de restituição/compensação após decisão proferida nos autos de ação judicial (Ação Ordinária n° 96.0025496-6/SP) a qual, declarando inexigível o pagamento da contribuição ao Finsocial em aliquota superior a 0,5%, autorizou a compensação com 1111 tributos da mesma natureza, nos termos do § 1°, do art. 66, da Lei n° 8.383/91. Ocorre que, conforme se evidencia pela simples leitura da Certidão de Objeto e Pé, emitida pelo Tribunal Federal da 3' Região, o pende de decisão definitiva por parte do Poder Judiciário (fls. 183/184). Inclusive, analisando os últimos andamentos do processo através do sitio "www.trf3.gov.br", pude constatar que houve a interposição de Recursos Especial e Extraordinário pela Interessada, em 19 de setembro de 2005, e Recurso Especial por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional, em 19 de outubro do mesmo ano. Nesse esteio, cabe-me esclarecer que, encontrando-se a matéria pendente de decisão na esfera judicial, não há que se manifestar a instância administrativa, posto que a decisão emanada do Poder Judiciário é soberana e prevalece sobre qualquer outra. Nesse sentido, inclusive, a alteração promovida no • CTN, relativamente a compensação, a seguir transcrita: "Art. 170-A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial." (artigo acrescentado pela Lei Complementar n° 104/2001) Ademais, ê época do pedido formulado o assunto já se encontrava disciplinado pelo art. 17 da IN SRF n° 21/97, com a redação dada pela IN SRF 73/97: "Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação." (grifamos 4 • •• be • • Processo n° : 16327.000585/99-83 Acórdão n° : 302-37.573 Diante do exposto, VOTO PELO NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Sala das Sessões, em 25 de maio de 2006 • ROSA MÀRIA DE JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO Relatora • 1 Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1

score : 1.0
4729108 #
Numero do processo: 16327.000924/2003-14
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Apr 17 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Thu Apr 17 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 Ementa: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. BENS IMPORTADOS APLICADOS NA PRODUÇÃO DE OUTROS BENS. A Lei 9.430/96 facultou à pessoa jurídica a utilização de qualquer um dos três métodos legalmente previstos – PIC, PRL e CPL – para determinação dos preços-parâmetro nas operações de importação de bens, serviços e direitos de pessoa vinculada. O art. 4º, § 1º, da IN SRF nº 38/97, ao vedar a utilização do método PRL nos casos de bens importados aplicados na produção de outos bens, ultrapassou o seu limite de regulação, impondo restrição não prevista na lei. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 Ementa: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. APURAÇÃO DE MARGEM DE LUCRO POR PACOTE, KIT OU CESTA DE BENS (BASKET APPROACH). A comercialização de bens por pacotes ou kits, adotada tão-somente como estratégia de mercado, sem qualquer necessidade técnica imprescindível de uso dos bens conjuntamente, não autoriza a utilização da margem de lucro do pacote de bens (basket approach) para fins de apuração do valor tributável na sistemática de preços de transferência pelo método PRL. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 Ementa: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. FORNECIMENTO DE BENS A ÓRGÃOS PÚBLICOS POR PREÇO FIXO. DIMINUIÇÃO DE MARGEM DE LUCRO EM FACE DE DESVALORIZAÇÃO DA MOEDA NACIONAL. A desvalorização da moeda nacional ocorrida no início de 1999 é fato notório e imprevisto que interferiu diretamente na lucratividade dos fornecimentos a preço fixo para órgãos públicos, originalmente contratados com lucratividade de acordo com o padrão exigido pela legislação pertinente, antes da sua ocorrência. Nesse contexto, não é cabível exigir-se do contribuinte ajuste fiscal (adição ao lucro líquido), decorrente da sistemática de preços de transferência (método PRL), em face de diminuição de margem de lucro provocada por fato superveniente, fora do seu âmbito de decisão empresarial.
Numero da decisão: 101-96.678
Decisão: ACORDAM os membros da primeira câmara do primeiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio; 2) rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para reduzir a base de cálculo do ajuste fiscal relativo à droga betaferon, conforme demonstrado no relatório de diligência às fls. 12.347, e excluir da tributação o valor dos ajustes apurados pelo método dos preços independentes comparados — PIC, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Aloysio José Percínio da Silva

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)

dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200804

ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 Ementa: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. BENS IMPORTADOS APLICADOS NA PRODUÇÃO DE OUTROS BENS. A Lei 9.430/96 facultou à pessoa jurídica a utilização de qualquer um dos três métodos legalmente previstos – PIC, PRL e CPL – para determinação dos preços-parâmetro nas operações de importação de bens, serviços e direitos de pessoa vinculada. O art. 4º, § 1º, da IN SRF nº 38/97, ao vedar a utilização do método PRL nos casos de bens importados aplicados na produção de outos bens, ultrapassou o seu limite de regulação, impondo restrição não prevista na lei. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 Ementa: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. APURAÇÃO DE MARGEM DE LUCRO POR PACOTE, KIT OU CESTA DE BENS (BASKET APPROACH). A comercialização de bens por pacotes ou kits, adotada tão-somente como estratégia de mercado, sem qualquer necessidade técnica imprescindível de uso dos bens conjuntamente, não autoriza a utilização da margem de lucro do pacote de bens (basket approach) para fins de apuração do valor tributável na sistemática de preços de transferência pelo método PRL. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 Ementa: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. FORNECIMENTO DE BENS A ÓRGÃOS PÚBLICOS POR PREÇO FIXO. DIMINUIÇÃO DE MARGEM DE LUCRO EM FACE DE DESVALORIZAÇÃO DA MOEDA NACIONAL. A desvalorização da moeda nacional ocorrida no início de 1999 é fato notório e imprevisto que interferiu diretamente na lucratividade dos fornecimentos a preço fixo para órgãos públicos, originalmente contratados com lucratividade de acordo com o padrão exigido pela legislação pertinente, antes da sua ocorrência. Nesse contexto, não é cabível exigir-se do contribuinte ajuste fiscal (adição ao lucro líquido), decorrente da sistemática de preços de transferência (método PRL), em face de diminuição de margem de lucro provocada por fato superveniente, fora do seu âmbito de decisão empresarial.

turma_s : Primeira Câmara

dt_publicacao_tdt : Thu Apr 17 00:00:00 UTC 2008

numero_processo_s : 16327.000924/2003-14

anomes_publicacao_s : 200804

conteudo_id_s : 4153980

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 26 00:00:00 UTC 2021

numero_decisao_s : 101-96.678

nome_arquivo_s : 10196678_139160_16327000924200314_018.PDF

ano_publicacao_s : 2008

nome_relator_s : Aloysio José Percínio da Silva

nome_arquivo_pdf_s : 16327000924200314_4153980.pdf

secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os membros da primeira câmara do primeiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio; 2) rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para reduzir a base de cálculo do ajuste fiscal relativo à droga betaferon, conforme demonstrado no relatório de diligência às fls. 12.347, e excluir da tributação o valor dos ajustes apurados pelo método dos preços independentes comparados — PIC, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.

dt_sessao_tdt : Thu Apr 17 00:00:00 UTC 2008

id : 4729108

ano_sessao_s : 2008

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:35:49 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713043760102768640

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-09T16:18:07Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-09T16:18:06Z; Last-Modified: 2009-09-09T16:18:07Z; dcterms:modified: 2009-09-09T16:18:07Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-09T16:18:07Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-09T16:18:07Z; meta:save-date: 2009-09-09T16:18:07Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-09T16:18:07Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-09T16:18:06Z; created: 2009-09-09T16:18:06Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; Creation-Date: 2009-09-09T16:18:06Z; pdf:charsPerPage: 1847; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-09T16:18:06Z | Conteúdo => )• ' CCOI/C01 . Fls. I 2n• MINISTÉRIO DA FAZENDA ,•tri.. : ir PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES •J;574,X-r,5 - PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 16327.000924/2003-14 • Recurso e 139.160 De Oficio e Voluntário Matéria IRPJ e CSLL Acórdão n° 101-96.678' Sessão de 17 de abril de 2008- Recorrentes 5a TURMA DA DRJ/SÃO PAULO/I-SP SCHERING DO BRASIL QUÍMICA E FARMACÊUTICA LTDA - Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 Ementa: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. BENS IMPORTADOS APLICADOS NA PRODUÇÃO DE OUTROS BENS. A Lei 9.430/96 facultou à pessoa jurídica a utilização de qualquer um dos três métodos legalmente previstos — PIC, PRL e CPL — para determinação dos preços-parâmetro nas operações de importação de bens, serviços e direitos de pessoa vinculada. O art. 40, § 1 0, da IN SRF n° 38/97, ao vedar a utilização do método PRL nos casos de bens importados aplicados na produção de outos bens, ultrapassou o seu limite de regulação, impondo restrição não prevista na lei. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 Ementa: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. APURAÇÃO DE MARGEM DE LUCRO POR PACOTE, KIT OU CESTA DE BENS (BASKET A PPROACH). A comercialização de bens por pacotes ou kits, adotada tão-somente como estratégia de mercado, sem qualquer necessidade técnica imprescindível de uso dos bens conjuntamente, não autoriza a *- utilização da margem de lucro do pacote de bens (basket approach) para fins de apuração do valor tributável na sistemática de preços de transferência pelo método PRL. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 Ementa: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL. FORNECIMENTO DE BENS A ÓRGÃOS PÚBLICOS/POR PREÇO FIXO. DIMINUIÇÃO DE MARGEM DE LUCRO EM FACE DE DESVALORIZAÇÃO DA MOEDA NACIONAL. A desvalorização da moeda nacional ocorrida no início de 1999 é _97) -: i • . , .• Processo n°16327.000924/2003-14 CCOI/C01 • ' Acórdão n.° 101-96.678 Fls. 2 fato notório e imprevisto que interferiu diretamente na lucratividade dos fornecimentos a preço fixo para órgãos públicos, originalmente contratados com lucratividade de acordo com o padrão exigido pela legislação pertinente, antes da sua ocorrência. Nesse contexto, não é cabível exigir-se do contribuinte ajuste fiscal (adição ao lucro liquido), decorrente da sistemática de preços de transferência (método PRL), em face de diminuição de margem de lucro provocada por fato superveniente, fora do seu âmbito de decisão empresarial Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da primeira câmara do primeiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio; 2) rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para reduzir a base de cálculo do ajuste fiscal relativo à droga betaferon, conforme demonstrado no relatório de diligência às fls. 12.347, e excluir da tributação o valor dos ajustes apurados pelo método dos preços independentes comparados — PIC, nos termos do relatório e voto que passam a inte ar o presente julgado. NTON P 1 , id 1 PRESIDENT ri .1 ALOYSIO f é . : ' :1" t1111/2{515A SILVA RELATOR FORMALIZADO EM: 0,4 a 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSÉ RICARDO DA SILVA, SANDRA MARIA FARONI, VALMIR SANDRI, CAIO MARCOS CÂNDIDO, JOÃO CARLOS DE LIMA JÚNIOR e ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONSECA FILHO. 2 - — , • r Processo n° 16327.000924/2003-14 CCOI/C01 Acórdão n.° 101-96.678 Fls. 3 Relatório O processo contém recursos ex officio e voluntário relativos ao Acórdão DRJ/SPO1 n° 4.377/2003 (fls. 1.687), da 5 8 Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo/1-SP, que considerou procedentes em parte os autos de infração de IRPJ (fls. 1300) e CSLL (fls. 1.306), lavrados contra Schering do Brasil Química e Farmacêutica Ltda. Segundo o relato da autoridade fiscal às fls. 1.201, a autuada "não cumpriu qualquer norma determinada pela legislação vigente para a apuração dos preços de transferência nas operações de importação de pessoas vinculadas, para o ano-calendário de 1999". Aplicada multa de lançamento ex officio de 75% prevista no art. 44, I, da Lei 9.430/96. O termo de verificação contém descrição detalhada dos fatos (fls. 1.195) e da base de cálculo, cuja consolidação se encontra às fls. 1.295. A declaração de rendimentos do exercício correspondente, com opção pela apuração anual do lucro real, encontra-se às fls. 6. Para apresentação das irregularidades indicadas pela fiscalização, adoto o relatório que integra o acórdão combatido. Passo a transcrevê-lo: "MEDICAMENTOS IMPORTADOS PRONTOS PARA REVENDA 4. Segundo as planilhas de memória de cálculo apresentadas pela empresa em 27/08/2001 (fls. 61/70), verificou-se que os cálculos para apuração dos preços de transferência com a adoção do Método do Preço de Revenda menos Lucro — PRL, não seguiram a metodologia determinada pelo artigo 12, da 1N SRF n° 38/1997. Tais cálculos não foram efetuados com base nos preços praticados e preços parâmetros dos / produtos finais, mas sim por principio ativo, conforme sua composição no custo do respectivo produto final. 5. Deste modo, ficou caracterizado o não cumprimento, pela empresa, das normas vigentes de apuração do preço de transferência nas operações de importação de medicamentos prontos para a revenda, efetuadas com pessoas vinculadas, no ano calendário de 1999. Com fulcro no parágrafo único do art. 39 da IN SRF n°. 38/1997, decidiu-se aplicar para os medicamentos importados prontos para revenda o Método do Preço de Revenda menos Lucro — PRL, determinado pelo artigo 12, da 1N SRF 38/1997, conforme será relatado adiante. 6. Com o fim de se calcular o preço parâmetro, conforme determinado pela IN SRF 38/1997, a contribuinte foi intimada a apresentar, em 06/12/2002 (fls. 186/190), para cada um dos medicamentos importados e relacionados, planilhas que contivessem todos os dados relativos às revendas dos produtos, apenas para pessoas físicas ou - jurídicas não vinculadas, bem como foi intimada a apresentar planilhas das devoluções referentes a essas revendas e/ou vendas canceladas. 7. Com base na Tabela IMPORTAÇÕES DE VINCULADAS - ANO CALENDÁRIO DE 1999 - MEDICAMENTOS PRONTOS (fls. 80/150), foram separadas por produto as importações efetuadas pela empresa. A partir dai, foram elaboradas planilhas para cada produto contendo o número da declaração de importação, a data de seu registro, a quantidade importada, o valor total em Reais (R$)- e em Dólares americanos (US$). Ao final, foi apurado o preço médio praticado, por produto, computando os valores e as quantidades relativos ao estoque inicial em 01/01/99 (§ 3., do art. 12, da IN SRF n°38/1997). Afr. ; Processo n° 16327.000924/2003-14 CC01/C01 Acórdão n.• 101-96.678 Fls. 4• 8. Com base nos arquivos de revenda de cada produto, foram excluídas as devoluções &ou vendas canceladas. Para cada produto, foram elaboradas planilhas nas quais foram extraídos os totais das quantidades das mercadorias revendidas, dos valores dessas mercadorias constantes das Notas Fiscais, dos descontos incondicionais concedidos, do ICMS, PIS e COFINS. 9. Seguindo a metodologia determinada no art. 12 da IN SRF n° 38/1997, o preço parâmetro de cada produto foi obtido: 9.1. Do valor total das mercadorias revendidas foi diminuído o valor total dos descontos incondicionais concedidos. Sobre o resultado dessa operação foi diminuído o valor da margem de lucro de 20% e os valores totais dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas (ICMS, PIS e COF1NS), obtendo o custo total dos produtos, conforme o PRL (inc. II, do § 7°, do art. 12, combinado com incisos II e IV do caput, da IN SRF n° 38/1997) - Valor Total para fins de Preço de Transferência; 9.2. Valor Total para fins de Preço de Transferência foi dividido pela quantidade - total das mercadorias revendidas, obtendo-se o preço médio ponderado parâmetro (§ do art. 12, da IN SRF n°38/1997); 9.3. Da quantidade total de mercadorias revendidas em 1999 foi diminuído o saldo inicial em 01/01/1999, composto de mercadorias importadas no ano-calendário de 1998, pois tais mercadorias não estavam sujeitas ao ajuste do ano-calendário de 1999. Para esse fim foi utilizado o método PEPS. 10. Após efetuar-se a comparação entre os preços parâmetros, verificou-se que os medicamentos Betaferon - Interferon Beta 18, Bi-Nerisona Creme 15g, Gyno Icaden - Creme 40g, Icaden Spray 60m1, Magnevistan 15 ml, Nerisona Creme 15g e Nerisona Pomada 15g apresentaram preços praticados superiores aos preços parâmetros. 11. Às fls. 1.206 a 1.220 foram inseridas as planilhas dos medicamentos retro mencionados. Tais planilhas demonstram a apuração dos preços parâmetros, dos preços praticados e dos ajustes que serão necessários ao lucro real e à base de cálculo da CSLL 12. Os ajustes ao Lucro Real e à base de cálculo da CSLL, a serem efetuados conforme comando do inciso I do art. 5 . da IN SRF n° 38/1997, resultantes dos excessos de custos apurados pela diferença entre os preços praticados e os preços parâmetro, totalizaram R$ 1.797.697,69 (fls. 1.221). 13. Também foram apurados os ajustes ao Lucro Real e à Base de Cálculo da CSLL que deverão ser efetuados em decorrência do saldo dos medicamentos importados prontos no ano calendário de 1998 e revendidos no ano calendário de 1999, decorrentes dos fatos apurados no processo administrativo n° 16327.002334/2001-64. Os ajustes em tela totalizam a importância de R$ 219.112,83 conforme detalhado às fls. 1222 a 1232. PRINCÍPIOS ATIVOS E EXCIPIENTES IMPORTADOS r 14. A empresa utilizou para determinação do preço de transferência dos princípios ativos e excipientes importados de pessoas vinculadas, o Método do Preço de Revenda menos Lucro - PRL para, o qual tem sua adoção vedada para o caso em tela (onde ocorre produção de outro bem) pelo §1 ., do art. 4. da IN SRF n°38/1997. 15. Ante a impossibilidade de utilização do método PRL e diante da negat'va da empresa em adotar outro método de apuração, fica demonstrado, para o ano calendário 4( 1. . • ' Processo n° 16327.000924/2003-14 CCOIC01• • Acórdão n.° 101 -98.678 Fls. 5 de 1999, o não cumprimento pela Schering do Brasil das normas vigentes de apuração do preço de transferência dos princípios ativos e excipientes, nas operações de importação efetuadas com pessoas vinculadas. 16. Ante o exposto e com fulcro no parágrafo único do art. 39 da IN SRF n° 38/1997, aplicou-se para os princípios ativos e excipientes o Método dos Preços, Independentes Comparados - PIC, determinado pelos artigos fi ao 11, da IN SRF n° 38/1997. METODOLOGIA PARA APURAÇÃO DOS PREÇOS PARÂMETROS 17. Os métodos estabelecidos na legislação brasileira de preços de transferência buscam apurar um preço parâmetro que será comparado com os constantes dos documentos de importação, de tal modo que possibilitem seja verificado se a vinculação entre as partes interferiu, ou não, no preço praticado. 18. O preço "parâmetro" deverá estar o mais próximo possível do preço de livre concorrência. O informe da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico —OCDE, 1979, § 2°, o conceitua como o preço que seria pactuado entre partes não conexas envolvidas em transações iguais ou análogas, no mercado aberto. 19. O método dos preços independentes comparados — PIC foi definido pelo inc. I, do art. 18 da Lei 9.430/1996. Tal definição também está contida no inc. I do art. 241 do RIR/99. Por sua vez a IN SRF no. 38/1997 comandou, em seu art. 6°, que a determinação do custo de bens, serviços e direitos, adquiridos no exterior, dedutível na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá ser efetuada pelo método dos Preços Independentes Comparados - PIC, definido como, a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes. 20. Pelo método retro mencionado, os preços dos bens, serviços ou direitos, _ adquiridos no exterior, de uma empresa vinculada, serão comparados com os preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares: I - vendidos pela mesma empresa exportadora, a pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou não residentes; II - adquiridos pela mesma importadora, de pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou não residentes; III - em operações de compra e venda praticadas entre outras pessoas jurídicas não vinculadas, residentes ou não residentes. 21. Assim, com base na citada legislação, buscou-se para cada bem importado , pela Schering do Brasil de pessoa vinculada, UM bem similar, objetivando a apuração do preço parâmetro para a comparação com o preço praticado pela empresa. METODOLOGIA PARA APURAÇÃO DOS PREÇOS PRATICADOS 22. Os preços dos princípios ativos e excipientes adquiridos pela Schering do Brasil de empresa vinculada foram apurados considerando-se as quantidades e valores correspondentes a todas as operações de compra praticadas durante o ano calendário de 1999— preço médio ponderado praticado — conforme o determinado pelo art. 11 da IN SRF n°. 38/1997. (kçk t • • Processo n° 16327.000924/2003-14 CCOI/C01 Acórdão n.° 101 -96.678 Fls. 6 23. Como o preço médio ponderado parâmetro seria comparado com aquele registrado em custos, computado pela empresa em conta de resultado (preço médio ponderado praticado), fez-se necessário um levantamento das quantidades importadas de pessoa jurídica vinculada, que seriam passíveis de ajuste. 24. O saldo inicial composto de mercadorias importadas no ano calendário de 1998 foi segregado das quantidades utilizadas na produção. Também foram segregadas , as quantidades dos saldos finais (em 31/12/1998) de produtos em elaboração e de produtos finais em estoque. APURAÇÃO DOS PREÇOS PARÂMETROS 25. Os preços parâmetros, para comparação com os praticados, foram apurados, para cada empresa independente, pela média ponderada - preço médio ponderado por empresa. O preço médio parâmetro foi obtido pela média aritmética dos preços médios „. ponderados de cada empresa independente, seguindo o determinado pelo art. 10, da IN SRF n°38/1997. 26. São considerados similares dois ou mais bens, em condições de uso na finalidade a que se destinam, quando, simultaneamente, tiverem a mesma natureza e a mesma função; puderem substituir-se mutuamente, na função a que se destinem; e,- tiverem especificações equivalentes, conforme a definição constante do art. 26, da IN SRF 38/1997. 27. Uma das preocupações da fiscalização foi sempre encontrar princípios ativos que pudessem ser comparados aos importados pela Schering do Brasil, principalmente quanto às características técnicas e qualidade, ou ainda, encontrar os mesmos princípios ativos para, então, proceder à comparação entre os preços parâmetros e os preços praticados pela empresa. 28. Através de informações disponibilizadas na internet pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária — ANVISA, foi possível, a partir de um determinado princípio ativo ou excipiente, identificar todos os medicamentos equivalentes, ou similares, registrados na ANVISA, que têm em sua composição aquela substância. 29. Para cada medicamento relacionado na resposta à consulta, foram obtidos, entre outros, os dados sobre: nome do fabricante; se é, ou não, comercializado; n°. de - registro; nome comercial; nome genérico; n°. do processo no Ministério da Saúde; país de desenvolvimento; categoria farmacêutica; composição; bula, etc. 30. As empresas assim identificadas foram então intimadas a apresentar informações sobre suas aquisições, as quais serviram de base para a apuração do preço parâmetro de cada princípio ativo ou excipiente. 31. Foi analisado cada princípio ativo ou excipiente sob fiscalização, sendo que todos os documentos técnicos apresentados pela Schering do Brasil e todos os documentos obtidos na pesquisa efetuada no site do Centro de Vigilância Sanitária da ..- Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo estão agrupados no Anexo I. A documentação entregue pelas empresas intimadas pela fiscalização está agrupada nos Anexos II a IV. SELEÇÃO DOS PRINCÍPIOS ATIVOS E EXCIPIENTES 6 Processo n°16327.000924/2003-14 CC01/C01 Acórdão n.° 101-96.678 Fls. 7 32. Analisando as aquisições da Schering do Brasil, verificou-se que as mercadorias cujos valores totais eram maiores que R$ 100.000,00 (cem mil reais) representavam 99,75% do valor total das importações efetuadas com pessoas vinculadas no ano calendário de 1999. Desse modo, usando como critério o valor total da importação em reais de cada produto, selecionou-se para a pesquisa aqueles princípios ativos e/ou excipientes cujos valores totais de importação eram iguais ou maiores que R$ 100.000,00 de bens idênticos ou similares, adquiridos por empresas independentes, aqueles com valores totais de importação acima de R$100.000,00. 33. Foram efetuados os relatos da coleta dos documentos técnicos e fiscais de - cada princípio ativo e/ou excipiente, com a indicação dos respectivos valores do ajustes necessários (fls. 1.248 a 1.276). 34. Com base nos valores dos ajustes de cada produto apurados nas planilhas de apuração dos preços parâmetros e dos ajustes a serem efetuados ao Lucro Real e à Base de Cálculo da CSLL, foi elaborada a consolidação de fl. 1.277, que resultou no valor de , ajuste a ser efetuado referente ao ano-calendário de 1999, conforme inciso I do art. 5 0 da IN SRF 38/1997, no montante de R$ 39.411.944,89. 35. Também foram apurados os ajustes ao Lucro Real e à Base de Cálculo da CSLL que deverão ser efetuados em decorrência do saldo dos princípios ativos e excipientes importados pela Schering do Brasil, de pessoas vinculadas no ano- calendário de 1998. O referido saldo é decorrente da segregação das quantidades de matérias-primas que ficaram em estoque em 31/12/1998, bem como das que ficaram na composição dos produtos semi-elaborados e na composição dos produtos finais em estoque, também em 31/12/1998. Os ajustes em tela decorrem dos fatos apurados no processo administrativo n° 16327.002334/2001-64 e totalizam a importância de R$ 5.053.129,53 conforme detalhamento de fls. 1280 a 1294. 36. O documentário correspondente ao Termo de Verificação em tela, vem r composto dos seguintes volumes e anexos: 36.1. volumes I (fls. 001 a 250), II (fls. 251 a 500), III (fls. 501 a 750), IV (fls. 751 a 1.000), V (fls. 1.001 a 1.193) - compostos de Termos lavrados, respostas da empresa e demais documentos que dão sustentação ao lançamento; 36.2. Volume VI — iniciando na fls. 1.194— composto do Termo de Verificação e suas Tabelas; Autos de infração do RH e CSLL e Termo de Encerramento da Ação Fiscal; 36.3. anexo I (fls. 01 a 198) - composto dos documentos técnicos dos respectivos princípios ativos e excipientes; 36.4. anexos II (fls. 01 a 243), III (fls. 01 a 270) e IV (fls. 01 a 280) - compostos - dos documentos fiscais coletados para os anos-calendário de 1998 e 1999;" A exigência, cientificada à autuada em 29/04/2003, foi impugnada em 28/05/2003 (fls. 1.315). Em decisão unânime, a 5' Turma da DRJ/SPOI considerou a ação fiscal - procedente em parte, conforme relatado. A parcela de crédito tributário exonerada decorreu da exclusão dos ajustes _ relativos aos princípios ativos acetato de noretisterona e DL-norgestrel, de falhas ocorridas na 7 . • •• ' Processo n° 16327.000924/2003-14 CCOI/C01 Acórdão n.° 101-96.878 F1s. 8 determinação do preço médio ponderado e do valor da operação considerado para a DI 99/0692368-7. Os motivos para as exclusões se encontram expostos nos §§ 173 e 189/195 do acórdão, que restou assim ementado: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 Ementa: NORMAS JURÍDICAS. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. À esfera administrativa não compete a análise da constitucionalidade de - normas jurídicas. NORMAS ADMINISTRATIVAS. VALIDADE. A autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitar-se a aplicá-la, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua - legalidade, constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. MEDICAMENTOS IMPORTADOS PRONTOS PARA REVENDA. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. DETERMINAÇÃO. Na determinação do preço de transferência de medicamentos importados prontos para revenda é possível a utilização do método PRL (Preço de Revenda menos Lucro), sendo necessária, no entanto, a- utilização dos procedimentos previstos na legislação pertinente ao tema. PRINCÍPIOS ATIVOS IMPORTADOS. PREÇO DE '• TRANSFERÊNCIA. DETERMINAÇÃO. Não se aplica, no período autuado, o método PRL (Preço de Revenda menos Lucro) para efeito de determinação do preço de transferência de princípios ativos importados utilizados na produção de medicamentos para consumo final, por configurar produção de um outro bem. Correta a aplicação, pela fiscalização, do método PIC (Preços Independentes Comparados), em estrito cumprimento à legislação vigente. MÉTODO PIC. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. DETERMINAÇÃO. A determinação do custo de bens, serviços e direitos, adquiridos no exterior, dedutível na determinação do lucro real, poderá ser efetuada pelo método dos Preços Independentes Comparados - PIC, definido _ como a média aritmética dos preços de bens, serviços ou direitos, idênticos ou similares, apurados no mercado brasileiro ou de outros países, em operações de compra e venda, em condições de pagamento semelhantes. MÉTODO PIC. SIMILARIDADE. Os fatores a serem considerados, para fins de similaridade aplicada à ,- preços de transferência, são: natureza, função, substituição mútua e equivalência de especificações. JUROS DE MORA. SELIC. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórias, calculados até a data do efetivo Nbt , • • Processo n° 16327.000924/2003-14 CC01/C01 •• Acórdão n.° 101-96.678 Fls. 9 pagamento, tendo previsão legal sua cobrança com base na taxa SELIC, sendo que à esfera administrativa não compete a análise da constitucionalidade de normas jurídicas. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL - Ano-calendário: 1999 Ementa: DECORRÊNCIA. - O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação dele decorrente." Cientificada da decisão em 19/12/2003, conforme aviso de recebimento às fls. 1.735-verso, a autuada interpôs recurso voluntário em 20/01/2004 (fls. 1.742). Em breve síntese, alega, preliminarmente, que a decisão de primeira instância é nula, por cerceamento do direito de defesa, uma vez que a turma julgadora deixou de analisar as suas razões de impugnação a respeito de: a) Impossibilidade dos contribuintes utilizarem dados do Siscomex, relativos às importações de terceiros; b) Improcedência da mera comparação de certificados de análise e necessidade de conhecimento, compreensão e comparação das rotas de síntese utilizadas para a produção. dosprincípios ativos comparados (informa que juntou parecer da Anvisa como documento de n°20 da impugnação, fls. 1.531). No mérito, quanto à aplicação do método PRL aos medicamentos importados prontos para revenda, afirma que os comercializa na forma de "pacotes" e que dessa forma deveriam ser considerados para fins da apuração da margem de lucros, em respeito ao Acordo Brasil-Alemanha, por meio do basket approach, como forma de identificação do preço conforme o princípio arm's length, incorporado ao ordenamento interno brasileiro com o advento da Lei 9.430/96. No auto de infração foram relacionados produtos que teriam sido comercializados com margem de lucro inferior aos 20% determinados por lei. No entanto, esses produtos, bem como aqueles de alta lucratividade, possuem mesmas natureza e destinação, de tal forma que sua comercialização se dá em conjunto. E conjuntamente — analisados, atingem lucratividade superior a 20%. Informa que obteve margem de lucro ,de 44,77% em 1999, conforme indicado no quadro às fls. 1.527. Em relação à droga betaferon, a margem de lucro reduzida decorreu de compromissos éticos e mercadológicos da empresa e de contratos firmados antes da desvalorização do Real em 1999, com entidades públicas, a quem é destinada a grande maioria das vendas dessa droga, com fornecimentos a preços fixos. Assegura que as margens de lucro praticadas antes da desvalorização da moeda nacional atendiam àquela mínima exigida pela legislação. Reclama por não dispor de meios para comprovar margem de lucro diversa dos 20% fixados pela Lei 9.430/96, segundo previsto no seu art. 21, § 2°, já que considera -- impossível a coleta da documentação exigida pelo art. 32 da N SRF 38/97, a exemplo de cópias de documentos fiscais de vendas de varejistas. 9 • • ' • • Processo n° 16327.000924/2003-14 CCOI/C01 • Acórdão n.° 101 -96.678 Fls. O Quanto à aplicação do método PIC aos princípios ativos e excipientes importados, argumenta; a) O art. 18 da Lei 9.430/96 permite a utilização dos três métodos (PIC, PRL e CPL) desenvolvidos pela prática internacional para a determinação dos preços de transferência nos casos de importações de produtos prontos e de matérias-primas. De acordo com o §4° do mesmo artigo, o contribuinte não somente tem a opção de escolher qual método aplicará, mas também o beneficio de, no caso de eventual erro que o leve a indicar um método menos favorável, que este seja substituído, de oficio, pelo outro método menos gravoso. A Lei 9.959/2000, originária da MP 2.005-3, de 14/12/99, não introduziu a possibilidade de aplicação do PRL à revenda de bens, pois tal previsão já existia. A finalidade da edição desta lei foi de - alteração da margem de lucro de 20 para 60%. A OCDE considera aplicável o PRL mesmo quando há transformação completa do produto importado. Quando há produção local, deve-se excluir o valor ali agregado. b) Muito embora a IN SRF 38/97, no seu art. 4 0, §1°, tenha extrapolado os limites da Lei 9.430/96, ao vedar a utilização do método PRL quando o bem houver sido adquirido para emprego, utilização ou aplicação na produção de outro bem, tal restrição não lhe atinge, uma vez que não produz outros bens com os princípios ativos que importa, apenas adiciona excipientes que possibilitam a utilização dos seus medicamentos em dosagens adequadas. c) Os preços-parâmetro identificados pela fiscalização não podem ser utilizados para comparação em virtude de incorreções na sua apuração, a exemplo da falta de representatividade das amostras das transações coletadas, dos medicamentos genéricos, de importações de países com tributação favorecida, da ausência da rota de síntese e tecnologia de - fabricação, etc. Além disso, a ausência de amostras dos produtos e dos contratos relativos às transações tomadas como parâmetro de comparação na aplicação do método PIC impedem o exercício do seu direito de defesa. d) A autoridade fiscal se equivocou ao apresentar o etinilestradiol e o - etinilestradiol micronizado como substâncias similares. Ainda acerca da aplicação do método PIC aos princípios ativos e excipientes importados, reitera o pedido de perícia, formulado quando da impugnação, como meio para comprovar inúmeras diferenças (propriedades químicas, físicas e farmacológicas) entre os princípios ativos por ela importados e aqueles utilizados na formação do preço-parâmetro, capazes de revelar a impossibilidade de serem tomados como similares para fins de controle de preços de transferência. Por fim, na hipótese de subsistência da exigência tributária, requer o afastamento da incidência dos juros de mora com base na taxa Selic, haja vista a sua " ilegalidade em matéria tributária, e a dispensa da multa ex officio, com base na equidade, em função da sua marcante boa-fé. A egrégia Terceira Câmara deste Conselho, acolhendo voto meu, então integrante daquele colegiado, decidiu converter o julgamento em diligência, devolvendo os - autos à unidade de origem por intermédio da Resolução 103-01.812/2005 (fls. 2.155), nos seguintes termos: lk I 10 10 . . . Processo n° 16327.000924/2003-14 CCOICOI Acórdão n.° 101-98.878 Fls. 11 "Após análise dos autos, tendo em vista a novidade do tema "preços de transferência" nesta Câmara, aliada à necessidade de maior conhecimento das especificidades do mercado no qual a recorrente desenvolve as suas atividades empresariais, considero necessária a realização de diligência para perfeito conhecimento dos fatos, em respeito ao princípio da verdade material, orientador do processo administrativo tributário, de tal forma a instruir adequadamente o processo. Nesses termos, o processo deve ser devolvido à unidade de origem para as - seguintes verificações: a) Quanto à comercialização dos produtos em pacotes Ao analisar as notas fiscais referentes ao "pacote diagnóstico", documentos 1 a 12 às fls. 1428/1453, constatei inexistir proporção fixa entre os produtos que o compõem, a exemplo do lopamiron nos formatos 300x50, 300x100, 200x100 e 370x50, e magnevistan 10m1 nas notas fiscais correspondentes aos documentos de n° 1 a 11 e - 15m1 no documento de n° 12, o que pode significar que os produtos não são necessariamente interdependentes. Entretanto, para certeza da decisão, devem ser adotadas as providências adiante - relacionadas: a.1) Intimar a recorrente para especificar os produtos importados prontos para revenda comercializados na forma de pacotes, entre aqueles que deram origem ao ajuste - fiscal procedido pela fiscalização, relacionar e fornecer as respectivas notas fiscais de vendas; a.2) Verificar se a utilização conjunta dos produtos que integram os pacotes é de fato imprescindível ou se um produto de determinado pacote poderia ser utilizado em conjunto com outro fabricado por terceiro. A pesquisa deverá ser baseada em informações obtidas junto a três clientes da recorrente, no mínimo, e a órgão especializado no assunto, a exemplo de faculdades de Medicina e Conselho Regional de Medicina; a.3) Na hipótese de conclusão favorável à imprescindibil idade da comercialização conjunta, em pacotes, elaborar novo quadro demonstrativo do ajuste fiscal excluindo os produtos vendidos dessa forma. b) Quanto à droga betaferon b.1) Intimar a recorrente para apresentar os contratos de fornecimentos a preço fixo para órgãos públicos, firmados antes da desvalorização da moeda nacional, em - fevereiro de 1999, mediante licitação pública, e as notas fiscais a eles vinculadas. b.2) Verificar a existência de contratos, entre aqueles que atendam às condições do item "b.1", cujos preços praticados se encontravam dentro dos limites de - dedutibilidade previstos pelo art. 18, II, da Lei 9.430/96, antes da desvalorização da moeda nacional, e ultrapassaram tal limite posteriormente; b.3) Constatando-se a existência de contratos nos termos definidos no item "b.2", refazer o cálculo do ajuste fiscal relativo ao produto, excluindo-se esses contratos da apuração. A autoridade fiscal encarregada da diligência deverá providenciar cópias dos documentos apresentados pela recorrente em atendimento às intimações e juntá-las aos autos, elaborar relatório conclusivo da diligência, ressalvado o fornecimento de I I • n i " • : • ' , Processo n° 16327.000924/2003-14 CCOI/C01 Acórdão n.° 101-96.878 Fls. 12 informações adicionais e a juntada de outros documentos que entenda necessários, entregar cópia à recorrente e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este Conselho." O relatório das verificações se encontra às fls. 12.303 e a manifestação da - recorrente às fls. 12.357. É o relatório. Voto Conselheiro ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade. A preliminar de nulidade dos autos de infração, relativa à inexistência de amostras e contratos na apuração dos preços-parâmetro pelo método PIC, diz respeito diretamente ao mérito das infrações indicadas pela fiscalização, mais especificamente à suficiência do conjunto probatório para a sua caracterização, não se tratando de vícios -_ relacionados aos aspectos formais de constituição do ato de lançamento. Coseqüentemente, devem ser examinadas como questões de mérito e não como preliminares de nulidade do lançamento. Os questionamentos relativos a supostas omissões do julgamento combatido foram conjuntamente enfrentadas nos parágrafos n° 161/188 do acórdão de primeiro grau, fls. - 1.722 a 1.727. Sobre o tema, o STJ firmou entendimento quanto à desnecessidade de a decisão , conter referência expressa a cada um dos argumentos relacionados pela interessada, desde que adotada fundamentação suficiente para decidir plenamente a controvérsia: "Não viola os artigos 165, 458, II, e 535, II, do CPC, nem importa negativa de prestação jurisdicional, o acórdão que, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos argumentos trazidos pelo vencido, adotou, entretanto, fundamentação suficiente para decidir de - modo integral a controvérsia posta." (Recurso Especial n° 687.417- RS Recurso Especial 2005/0011982-9, Relator: Ministro Teori Albino Zavascki) Na mesma linha, destaco voto da Exma. Ministra Lhana Calmon: "O Tribunal não está obrigado a responder questionários formulados pelas partes, tendo por finalidade os declaratórios dirimir dúvidas, obscuridades, contradições ou omissões realmente existentes, pois existindo fundamentação suficiente para a composição do litígio, dispensa-se a análise de todas as razões adstritas ao mesmo fim, : uma vez que o objetivo da jurisdição é compor a lide e não discutir as teses jurídicas nos moldes expostos pelas partes." (EDcl na Ação Rescisória n° 770 - DF \ • (1998/0035423-9)) X it II - 12 " • ... • •• • • , Processo n°16327.000924/2003-14 CCO I/C01 Acórdão n.° 101-96.678 ns. 13 Assim, é descabida a alegação de omissão no acórdão. Bens importados aplicados na produção — método PRL No julgamento do Recurso n° 130729, da mesma pessoa jurídica ora recorrente, tive a oportunidade, na condição de relator, quando ainda atuava na egrégia Terceira Câmara deste Conselho, de examinar a limitação imposta pela IN SRF 38/97 à utilização do método PRL nos casos de bens adquiridos para emprego, utilização ou aplicação na produção de outros bens. Na ocasião, expus a minha interpretação, no voto condutor do Acórdão n° 103- 21.859/2005, de que a referida vedação administrativa ultrapassava os limites das prescrições da Lei 9.430/96, ato legal que visava a normatizar. Tal entendimento foi acolhido por aquele colegiado, restando assim ementado: "PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA NAS IMPORTAÇÕES. ANO- CALENDÁRIO 1997. A Lei 9.430/96 facultou à pessoa jurídica a utilização de qualquer um dos três métodos legalmente previstos — PIC, PRL e CPL — para determinação dos preços-parâmetro nas operações de importação de bens, serviços e direitos de pessoa vinculada. O art., 4°, § 1°, da IN SRF n° 38/97, ao vedar a aplicação do método PRL nos casos de produção de bens, serviços ou direitos, extrapolou os limites do ato legal que visou a interpretar, no caso, a Lei 9.430/96." Consultando a jurisprudência, constatei que esta Câmara adota igual, interpretação, conforme revelado nos Acórdãos n° 101-94.859/2005 e 101-94.859/2005, entre outros. O tema foi recentemente apreciado pela 1' Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Recurso n° 101-137537, resultando no Acórdão - CSRF/01-05.782, de dezembro de 2007, com o mesmo entendimento, assim ementado: "PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA — Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutiveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos métodos descritos no artigo 18 da Lei n° 9.430/96. Não pode haver restrição a --- utilização de qualquer um dos métodos, pois tal imposição vai de encontro à previsão contida no caput do artigo 18 "POR UM DOS SEGUINTES MÉTODOS" e à alternativa dada no § 4°, do mesmo artigo." Assim, mantenho o meu pensamento acerca da possibilidade de utilização do método PRL desde a redação original do art. 18 da Lei 9.430/96, devendo esse item de autuação ser excluído da exigência. Bens importados para revenda — método PRL A recorrente afirma que comercializa seus produtos em pacotes, ou kits, integrados por produtos de diferentes margens de lucro e sustenta que a lucratividade do pacote _ excede o percentual mínimo legal de 20%. Defende o exame da lucratividade do pacote na tI3 . , .• . Processo n°16327.000924/2003-14 CO31/C01• Acórdão n.° 101-96.878 Fls. 14 sistemática de apuração de preços de transferência, segundo critério denominado intemacionalmente de basket approach, e não a análise "produto-a-produto". No relatório das verificações realizadas (fls. 12.303), a autoridade fiscal conclui que inexiste interdependência técnica de utilização entre os produtos componentes dos pacotes e assegura que a comercializa* nessa modalidade decorre unicamente de estratégia comercial da empresa. A recorrente, ao se manifestar sobre o relatório fiscal (fls. 12.357), ratificou a --' conclusão da autoridade fiscal: "A ora Requerente ressalta uma vez mais que, consoante já extensamente exposto em sua impugnação e recurso voluntário, o basket de produtos é uma estratégia comercial ou negociai e não uma venda conjunta decorrente de uma necessidade técnica de utilização simultânea dos produtos por parte dos clientes da Requerente." (destaques do original) A DRJ, por sua vez, já rejeitara a apuração com base no pacote de produtos: - "120. A aplicação da legislação interna sobre preços de transferência — método PRL aí incluído — faz-se com base em análises de transações individualizadas. Não se admite a utilização de cestos de produtos por falta de previsão legal. Corrobora tal assertiva o fato de que, na determinação de custo de bens, comandada pelo inciso II do artigo 18 da Lei n°9.430/1996, define-se o método PRL como sendo a média aritmética do preço de revenda dos bens, e não do cesto ou conjunto de bens. Verbis: "Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas • com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: II - Método do Preço de Revenda menos Lucro - PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; (-.)" 121. Assim não se vislumbra no presente caso qualquer ilegalidade na redação da - IN SRF n°38/1997." A meu ver, houve-se bem o colegiado de primeira instância. Tratando-se de mera estratégia comercial, não vejo como considerar a margem de lucro do pacote. •• • • • , . . Processo n°16327000924/2003-14 CCOI/C01 Acórdão n.• 101-96.678 Fls. 15 Neste aspecto, ao contrário do meu entendimento quanto à vedação ao uso do método PRL aos insumos aplicados na produção, revelado no voto condutor do Acórdão n° 103-21.859/2005, não vislumbro qualquer ilegalidade no referido ato normativo. No tocante à alegação de margem de lucro reduzida da droga Betaferon, em razão de contratos de fornecimento firmados com órgão públicos antes da desvalorização da moeda nacional, ocorrida em fevereiro de 1999, a autoridade fiscal analisou os contratos' apresentados pela recorrente e excluiu os fornecimentos sem interferência da desvalorização do Real, assim concluindo: "No nosso exemplo, verificamos que antes da desvalorização da moeda nacional o preço parâmetro era superior ao praticado. Nessa situação podemos concluir que a margem de lucro estava dentro do limite de 20% (vinte por cento), estipulado por lei., Como não poderia deixar de ser, após a desvalorização da moeda, considerando o aumento dos custos de importação e considerando o preço de revenda fixo, a margem de lucro dessas operações caiu abaixo do limite de 20% (vinte por cento)" Muito embora tenha admitido como verdadeira a alegação da recorrente, a autoridade fiscal ressalvou que a redução da margem de lucro do betaferon não ocorreu apenas nas vendas decorrentes de contratos de fornecimento para órgãos públicos, "mas com todas as operações de revenda". Afirmou que as operações de revenda ora analizadas não estão conceituadas na IN SRF 38/97 como operações atípicas, portanto não admitidas como parâmetro. Após a extensa e detalhada análise empreendida, destacou a "estreita legalidade" da apuração original constante do auto de infração, opinando pelo rejeição do pleito da requerente. Não obstante, em atendimento à determinação da Resolução n° 103- 01.812/2005, refez os cálculos considerando os fornecimentos afetados pela desvalorização do Real, apurando o valor de R$ 960.128,36 como ajuste do lucro real (fls. 12.347). A base de cálculo utilizada no auto de infração foi de R$ 1.122.308,83 (fls. 1.221). Na manifestação sobre as conclusões da diligência, a recorrente contesta o aproveitamento apenas dos contratos por ela juntados. Alega dificuldades para obtenção de todos os contratos, haja vista a intimação para sua apresentação em 11/11/2005, sete anos após sua conclusão. Assegura estar envidando esforços para obter declarações dos órgãos públicos vinculando as notas fiscais aos instrumentos contratuais firmados. Lembra que, "não obstante as óbvias dificuldades burocráticas envolvidas no levantamento de documentos e informações relativas a fatos ocorridos há sete anos, ainda mais em se tratando de órgãos públicos", apresentou atestado relativo aos fornecimentos à Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro, aceito pela autoridade fiscal, no qual o referido órgão declara que as notas fiscais 106691, 108217, 108696, 109356, 109715, 110186, 110471 e 000121 se referem efetivamente ao processo de licitação E-08/629/1998. Requer a ulterior juntada da "tal documentação". v. A desvalorização da moeda nacional é fato notório e imprevisto que interferiu diretamente na lucratividade dos fornecimentos contratados a preço fixo, antes da sua ocorrência. 15 • t Processo n° 16327.00092412003-14 CCOI/C01 Acórdão n." 101-98.678 Fls. 16 Na diligência realizada, constatou-se que a margem de lucro referente ao preço - contratado originalmente estava de acordo com as normas legais. Sendo assim, não se pode exigir da recorrente tributação em conseqüência de acontecimento completamente fora do seu âmbito de decisão empresarial. A verificação das condições de preço contratadas, nas quais se baseavam os fornecimentos de bens, não constava das notas fiscais. Os contratos é que contêm as especificações de tais condições, restando impossível considerar os contratos não apresentados pela recorrente. Ademais, a guarda da documentação que dá respaldo à sua apuração contábil e fiscal é dever do contribuinte. Assim, devem ser excluídos os contratos apresentados, conforme demonstrado pela autoridade fiscal às fls. 12.347. A respeito da alegada impossibilidade de prova de margem de lucro diferente, - adoto as considerações da turma a quo: "118. Outrossim, cumpre observar que a legislação brasileira sobre preços de transferência não é rígida quanto à determinação do preço parâmetro através do método PRL, eis que, o artigo 20 da Lei n°9.430/1996 admite a possibilidade de que a margem de lucro prevista no artigo 18 da referida norma seja revista em função da situação especifica de uma determinada empresa, dito de outra maneira, a própria legislação tributária dá oportunidade ao contribuinte de comprovar o preço "arm's lenght" adequado a sua realidade. Se o contribuinte não utilizou tal prerrogativa, não pode agora pleitear um tratamento específico que não esteja previsto na legislação de regência. (--.) 123. A Impugnante alega, ainda, que o percentual de 20% de margem de lucro, utilizado para os efeitos determinados no inciso IV do art. 12 da IN SRF 38/1997 não seria adequada para a situação especifica, argumentando, ainda, não ser possível — demonstrar-se uma margem de lucro diversa nos termos do artigo 30 da IN SRF n° 38/1997. 124. A argumentação da Impugnante é irrelevante para o caso em tela, eis que, a eventual modificação do percentual de margem de lucro, deveria ser solicitada antes do início do procedimento do lançamento de oficio. Outrossim, a eventual impossibilidade de comprovar a incompatibilidade da margem de lucro presumida no artigo 18, inciso II, da Lei n° 9.430/1996, não impede a contribuinte de optar pelos métodos de apuração do preço de transferência previstos nos incisos I e III (PIC e CPL), caso entenda que o PRL não é adequado para sua atividade. 125. Assim sendo, o procedimento da fiscalização no presente tópico não merece - reparos." Dispensa de multa ex officio — eqüidade O anterior Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC) previa, no seu artigo 11, VIII: "Art. 11. A cada uma das Câmaras compete: 16 ". a . .... . • • . Processo n°16327.00092412003-14 CCOI/C01 Acórdão n.° 101-96.678 Fls. 17 VIII — propor ao Ministro de Estado a aplicação de eqüidade, na forma da legislação vigente, quando não houver reincidência, sonegação, fraude, simulação ou conluio." Contudo, o vigente regimento não incorporou tal previsão. De qualquer forma, a relevação da penalidade só pode ocorrer nos casos em que a infração não tenha provocado falta ou insuficiência no recolhimento de tributos, conforme determina o Decreto-Lei 1.042/69, que,' no seu art. 4°, caput, assim dispõe: "Art 4° O Ministro da Fazenda, em despacho ftmdamentado, poderá relevar penalidades relativas a infrações de que não tenha resultado falta ou insuficiência no recolhimento de tributos federais atendendo: I - A erro ou ignorância escusável do infrator, quanto a matéria de fato; II - A eqüidade, em relação às características pessoais ou materiais do caso, inclusive ausência de intuito doloso. § 1° A relevação da penalidade pode ser condicionada à correção prévia das irregularidades que tenham dado origem ao processo fiscal. § 2° O Ministro da Fazenda poderá delegar a competência que este artigo lhe atribui." No presente caso, não é cabível a proposta de aplicação de eqüidade, haja vista a falta de recolhimento de tributo, não ocorrendo a hipótese prevista no dispositivo legal acima citado. Juros de mora — taxa Selic Os juros de mora sobre o valor do tributo não pago no vencimento são exigidos com fundamento no art. 161 do CTN, "seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária". O seu cálculo com base na taxa Selic é - matéria que não mais suscita dissídio jurisprudencial, tratada em súmula deste Conselho: "Súmula 1° CC n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." As Súmulas de n° 1 a 15, do Primeiro Conselho de Contribuintes/MF, foram _ publicadas no Diário Oficial da União, Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006. Tributação reflexa — CSLL Relativamente à tributação reflexa (CSLL), de acordo com a consolidada , jurisprudência deste colegiado, o decidido quanto ao auto de infração principal deve ser a ela 111 7 - •• • • Processo n° 16327.000924/2003-14 CC01/C01 Acórdão ri.• 101-98.878 Fls. 18 estendida, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos fatos e elementos de convicção. Quanto ao recurso ex officio, deve-se negar provimento, uma vez que diz respeito a erros na apuração pelo método PIC do ajuste fiscal decorrente de princípios ativos_v importados aplicados à produção, integralmente afastado da exigência neste voto, em face da reconhecida validade de utilização do método PRL. Conclusão Pelo exposto, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a base de cálculo do ajuste fiscal relativo à droga betaferon, conforme demonstrado no relatório de diligência às fls. 12.347, e excluir da tributação o valor dos ajustes apurados pelo método dos preços independentes comparados — PIC. Quanto ao recurso ex officio, nego-lhe provimento. Sala das Sess e;-s 7 de abril de 2008 Pi 1 ALOYSIO • i • ti"..10 en A SILVA 18 Page 1 _0033700.PDF Page 1 _0033800.PDF Page 1 _0033900.PDF Page 1 _0034000.PDF Page 1 _0034100.PDF Page 1 _0034200.PDF Page 1 _0034300.PDF Page 1 _0034400.PDF Page 1 _0034500.PDF Page 1 _0034600.PDF Page 1 _0034700.PDF Page 1 _0034800.PDF Page 1 _0034900.PDF Page 1 _0035000.PDF Page 1 _0035100.PDF Page 1 _0035200.PDF Page 1 _0035300.PDF Page 1

score : 1.0
4732102 #
Numero do processo: 37311.011315/2005-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 08 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri May 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2005 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - GFIP - TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA - SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS GFIP - CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - COOPERATIVA DE TRABALHO - NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA - INCONSTITUCIONALIDADE - SELIC - COMPENSAÇÃO. A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei nº 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringe-se aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. Não ocorreu recolhimento ou pagamento indevidos de contribuições previdenciárias, no presente caso. NO termos do art. 170-A do CTN, corroborando o entendimento do STJ (Súmula 212), é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2401-000.261
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos: I) em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200905

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2005 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - GFIP - TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA - SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS GFIP - CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - COOPERATIVA DE TRABALHO - NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA - INCONSTITUCIONALIDADE - SELIC - COMPENSAÇÃO. A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei nº 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringe-se aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. Não ocorreu recolhimento ou pagamento indevidos de contribuições previdenciárias, no presente caso. NO termos do art. 170-A do CTN, corroborando o entendimento do STJ (Súmula 212), é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Fri May 08 00:00:00 UTC 2009

numero_processo_s : 37311.011315/2005-00

anomes_publicacao_s : 200905

conteudo_id_s : 4438839

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 24 00:00:00 UTC 2021

numero_decisao_s : 2401-000.261

nome_arquivo_s : 240100261_150872_37311011315200500_008.PDF

ano_publicacao_s : 2009

nome_relator_s : Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira

nome_arquivo_pdf_s : 37311011315200500_4438839.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos: I) em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada; e II) no mérito, em negar provimento ao recurso.

dt_sessao_tdt : Fri May 08 00:00:00 UTC 2009

id : 4732102

ano_sessao_s : 2009

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:36:56 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713043760109060096

conteudo_txt : Metadados => date: 2010-02-05T17:24:37Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-02-05T17:24:36Z; Last-Modified: 2010-02-05T17:24:37Z; dcterms:modified: 2010-02-05T17:24:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2010-02-05T17:24:37Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-02-05T17:24:37Z; meta:save-date: 2010-02-05T17:24:37Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-02-05T17:24:37Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-02-05T17:24:36Z; created: 2010-02-05T17:24:36Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2010-02-05T17:24:36Z; pdf:charsPerPage: 1748; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-02-05T17:24:36Z | Conteúdo => S2—C4T1 F1.215 • s' • M1N1STERIO DA FAZENDA - CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 37311.011315/2005-00 Recurso n° 150.872 Voluntário Acórdão n" 2401-00.261 — 4a Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 8 de maio de 2009 Matéria DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO Recorrente HOSPITAL SANTA ELISA LTDA Recorrida SRP-SECRETARIA DA RECEITA PREV1DENCIÁRIA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2005 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - GFIP - TERMO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA - SEGURADOS EMPREGADOS INCLUÍDOS GFIP - CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS - CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS - COOPERATIVA DE TRABALHO - NÃO IMPUGNAÇÃO EXPRESSA - INCONSTITUCIONALIDADE - SELIC - COMPENSAÇÃO. A GFIP é termo de confissão de dívida em relação aos valores declarados e não recolhidos. A não impugnação expressa dos fatos geradores objeto do lançamento importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos da NFLD. A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n." 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringe-se aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. Não ocorreu recolhimento ou pagamento indevidos de contribuições previdenciárias, no presente caso. NO termos do art. 170-A do CTN, corroborando o entendimento do STJ (Súmula 212), é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 10 Processo n" 37311.011315/2005-00 S2-C4T1 Acórdão n." 2401-00.261 Fl. 216 ACORDAM os membros da Lla Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos: I) em rejeitar a preliminar de nulidade ii suscitada; e II) no meras4: : n negar provimento ao recurso. ELIAS S n PAIO FREIRE - Presidente 1, i. ELA NE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA - Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Bernadete de Oliveira Barros, ,Cleusa Vieira de Souza, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Cristiane Leme Feneira (Suplente). Ausente o Conselheiro Rogério de Lellis Pinto. , • 2 Processo n° 37311.011315/2005-00 S2-C4T1 Acórdão o.' 2401-00.261 Fl. 217 Relatório A presente NFLD tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e a destinada aos Terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de segurados empregados e contribuintes individuais. O lançamento compreende competências entre o período de 01/2002 a 06/2005, sendo que os fatos geradores incluídos nesta NFLD foram apurados por meio do documento GFIP e Folhas de Pagamentos da empresa. Importante, destacar que a lavratura da NFLD deu-se em 14/10/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 15/10/2005. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, -fls. 66 a 88. A Decisão-Notificação confirmou a procedência, total do lançamento, fls. 147 a 156. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fisl 63 a 186.. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: Preliminarmente, o lançamento em questão é nulo face a inexistência de motivação, inerente a todos os atos administrativos praticados pela Administração Pública, o que impede a recorrente de exercer o seu direito a ampla defesa. Deveria a autoridade fiscal, no mínimo relacionar pormenorizadamente os fatos verificados e a fundamentação legal na qual se baseou para produzir o ato do lançamento. O recorrente nos termos do art. 66 da Lei 8383/91 procedeu a compensação tributária entre o montante pago a maior no passado com valores vincendos das contribuições previdenciárias devidas ao INSS exigidas na presente NFLD. Inconstitucional a aplicação da taxa SELIC. Face o exposto, requer seja julgada inteiramente procedente o presente recurso, para reformar a decisão recorrida cancelando-se a exigência fiscal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este 2" CC sem o oferecimento de contra-razões. É o relatório. 40 3 Processo n° 37311A)11315/2005-00 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-00.261 Fl. 218 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fi. 187. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Em primeiro lugar cumpre-nos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa. Destaca-se como passos necessários a realização do procedimento: • autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal — MPF- F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • intimação para a apresentação dos documentos confirme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos — ?MD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e ,fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Neste sentido, as alegações de que o procedimento não poderia prosperar por não ter a autoridade realizado a devida fundamentação das contribuições não lhe confiro razão. Não só o relatório fiscal se presta a esclarecer as contribuições objeto de lançamento, como também o DAD — Discriminativo analítico de débito, que descreve de forma pormenorizada, mensalmente, a base de cálculo, as contribuições e respectivas aliquotas. Sem contar, ainda, o relatório FLD — Fundamentos Legais do Débito que traz toda a fundamentação legal que embasou o lançamento. Superados os pressupostos, passo a análise do mérito. DO MÉRITO No recurso em questão, o contribuinte resumiu-se a atacar a validade do procedimento fiscal, sem refutar, qualquer dos fatos geradores apurados, quais sejam: folhas de pagamento declaradas em GFIP, pagamentos a pessoas fisicas enquanto contribuintes individuais e contratação de cooperativas de trabalho . Dessa forma, em relação aos fatos (47' Processo n" 37311.011315/2005-00 S2-C4T1 Acórdão n." 2401-00.261 Fl. 219 geradores objeto da presente notificação, como não houve recurso expresso aos pontos da Decisão-Notificação (DN) presume-se a concordância da recorrente com a DN. Uma vez que houve concordância, lide não se instaurou e, portanto, deve ser mantida a Decisão-Notificação. • Com relação à cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito, desse modo foi correta a aplicação do índice pela autarquia •previdenciária: • Art.34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação .fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, .ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia-SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n" 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei n" 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único, O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICÁ. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SEL1C • estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161„ 1", do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1"/01/1996. (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poder-se-ia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em excesso de cobrança de juros, estando os valores descritos na 'NFLD, em consonância com o prescrito na legislação previdenciária. Processo n°37311.011315/2005-00 S2-C4T1 Acórdão ri.' 2401-00.261 Fl. 220 Com relação ao argumento de realização de compensação nos termos da lei 8383/91, entendo que acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A Previdência Social provou a existência do fato gerador, com base nos termos de confissão, GEIP, elaborados pela própria recorrente. Como é cediço, a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário, desse modo, caberia à recorrente demonstrar as bases em que teriam sido realizadas tais compensações, juntando a prova contábil da origem dos valores, bem como da sua realização durante o período objeto do presente lançamento. As hipóteses de compensação estão elencadas na Lei n." 8.212/91, em seu artigo 89, dispondo que a possibilidade restringe-se aos casos de pagamento ou recolhimento indevidos. Não ocorreu recolhimento ou pagamento indevidos de contribuições previdenciárias, no presente caso. Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação alterada pela Lei n° 9.032, de 28/04/95, mantida pela Lei n° 9.129, de 20/11/95 que colocou virgula após a expressão INSS Parágrafb único. _Na hipótese de recolhimento indevido as contribuições serão restituídas, atualizadas monetariamente. § 1" Admitir-se-á apenas a restituição ou compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao IN,S'S, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. (Acrescentado pela Lei n" 9.032, de 28/04/95, e mantido pela Lei n" 9.129, de 20/11/95, que passou a identificar o INSS somente pela sigla) § 2' Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "h" e "c", do parágrafo único do art. 11 desta lei. (Acrescentado pela Lei n" 9.032, de 28/04/95 e mantido pela Lei n" 9.129, de 20/11/95 com as seguintes alterações: 1) identifica o INSS somente pela sigla, 2) acrescenta o artigo "o" antes da expressão "valor"; 3) coloca virgula antes da expressão "do parágrafo') § 3 0 Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (Redação alterada pela Lei n°9.129, de 20/11/95) § 4" Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas, atualizadas monetariamente. (Acrescentado pela Lei n" 9.032, de 28/04/95 e mantido pela Lei n°9.129, de 20/11/95, que inseriu uma vírgula entre as palavras "compensadas" e "atualizadas') § 5" Observado o disposto no § 3°, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. (Acrescentado pela Lei n" • Processo n° 37311.011315/2005-00 S2-C4T1 Acórdão 6.° 2401-00.261 Fl. 221 9.032, de 28/04/95 e mantido, com a mesma redação, pela Lei n" 9.129, de 20/11/95) § 6°A atualização monetária de que tratam os §§ 4" e 5' deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. (Acrescentado pela Lei n° 9.032, de 28/04/95 e mantido, com a mesma redação, pela Lei n" 9.129, de 20/11/95) • A Lei n ° 8.212/1991 está em perfeita consonância com o ordenamento jurídico, haja vista o próprio CTN dispor em seu artigo 97, VI, que as hipóteses de extinção do crédito tributário, entre essas a compensação e a dação em pagamento, são de estrita reserva legal. Assim, para verificar a possibilidade de compensação há que ser remetido para os permissivos legais. Art.97 - somente a lei pode estabelecer: VI - as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Havendo disposição específica na legislação previdenciária, não há que ser aplicado o procedimento das Leis n Os 8.383/1991, 9.430/1996 e o Decreto n ° 2.138/1997, portanto, não prospera o argumento de que tais Leis permitem a compensação a critério do contribuinte. Conforme prevê o art. 89, § 2° da Lei n. ° 8.212/1991, somente pode ser compensado nas contribuições arrecadadas pelo INSS os valores recolhidos de forma indevida. Dessa forma, só após a conclusão de serem indevidos tais valores poderia o recorrente valer-se do instituto da compensação. Mesmo que se tratasse de compensação pleiteada em juízo (o que não restou esclarecido), conforme previsto no art. 170-A do CTN, corroborando o entendimento do STJ (Súmula 212), é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Assim sendo, ações judiciais pendentes, sem concessão de liminar ou de antecipação de tutela, não são meios hábeis para autorizarem o procedimento de compensação pelo contribuinte. Art. 170/-A - É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. *(Acrescido pela Lei Complementar 104/01). Podemos ainda destacar que a compensação não é regulada pelo artigo 368 do Código Civil; pois há dispositivo legal específico, quando a origem do crédito do contribuinte é tributário. Nesse caso, há que se observar os artigos 170 e seguintes do CTN, bem corno o art. 89 da Lei n ° 8.212/1991. Ademais a notificação fiscal tomou por base documentos do próprio recorrente, sendo que os fatos geradores estão discriminados mensalmente de modo claro e preciso no Discriminativo Analítico de Débito — DAD, o que, sem dúvida, possibilitou o pleno conhecimento do recorrente acerca do levantamento efetuado. dio Processo n0 37311.011315/2005-00 S2-C4T1 Acórdão n." 2401-00.261 Fl. 222 Os valores objeto da presente notificação foram lançados com base na GFIP, declaração realizada pela própria empresa. Conforme dispõe o art. 225, § 1' do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, abaixo transcrito, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de divida quando não recolhidos os valores nela declarados. Art.225. A empresa é também obrigada a: IV - infirmar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecido, dados cadastrais, lodos os Jatos geradores de contribuição previdenciária e outras infirmações de interesse cloquele Instituto; § 1 0 As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir- se-ão em termo de confissão de divida, na hipótese do não- recolhimento. Uma vez que a notificada remunerou segurados empregados e contribuintes individuais, bem como contratou por intermédio de cooperativas de trabalho, sejam declarados em GFIP, ou descritos em FOPAG, conforme informação nos registros documentais da empresa, deveria ter efetuado o recolhimento das contribuições devidas à Previdência Social. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da Decisão-Notificação, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO, mantendo o lançamento efetuado. É como voto. Sala das Sessões, em 8 de maio de 2009 LAINE, CRISTINA MON 1E1RO-E SILVA VIEIRA - Relatora

score : 1.0
4730389 #
Numero do processo: 18336.000092/2001-91
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2003
Ementa: REDUÇÃO TARIFÁRIA. Incabível a fruição do benefício previsto no ACE-39 (Decreto nº 3.138/99), quando o país exportador não é membro da ALADI. INTERVENIÊNCIA DE TERCEIRO PAÍS. Ainda que se tratasse de interveniência de terceiro país não signatário do Acordo, o aproveitamento do benefício estaria condicionado ao cumprimento de formalidades que vinculassem o certificado de origem à fatura comercial que amparou a operação de importação. NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA.
Numero da decisão: 301-30.516
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique Klaser Filho e Márcia Regina Machado Melaré, que apresentará declaração de voto.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento
Nome do relator: ROBERTA MARIA RIBEIRO ARAGÃO

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : II/IE/IPIV - ação fiscal - insufiência apuração/recolhimento

dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200302

ementa_s : REDUÇÃO TARIFÁRIA. Incabível a fruição do benefício previsto no ACE-39 (Decreto nº 3.138/99), quando o país exportador não é membro da ALADI. INTERVENIÊNCIA DE TERCEIRO PAÍS. Ainda que se tratasse de interveniência de terceiro país não signatário do Acordo, o aproveitamento do benefício estaria condicionado ao cumprimento de formalidades que vinculassem o certificado de origem à fatura comercial que amparou a operação de importação. NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA.

turma_s : Primeira Câmara

dt_publicacao_tdt : Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2003

numero_processo_s : 18336.000092/2001-91

anomes_publicacao_s : 200302

conteudo_id_s : 4264180

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 14 00:00:00 UTC 2017

numero_decisao_s : 301-30.516

nome_arquivo_s : 30130516_124382_18336000092200191_019.PDF

ano_publicacao_s : 2003

nome_relator_s : ROBERTA MARIA RIBEIRO ARAGÃO

nome_arquivo_pdf_s : 18336000092200191_4264180.pdf

secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique Klaser Filho e Márcia Regina Machado Melaré, que apresentará declaração de voto.

dt_sessao_tdt : Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2003

id : 4730389

ano_sessao_s : 2003

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:36:17 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713043760184557568

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-06T22:26:34Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-06T22:26:34Z; Last-Modified: 2009-08-06T22:26:34Z; dcterms:modified: 2009-08-06T22:26:34Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-06T22:26:34Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-06T22:26:34Z; meta:save-date: 2009-08-06T22:26:34Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-06T22:26:34Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-06T22:26:34Z; created: 2009-08-06T22:26:34Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; Creation-Date: 2009-08-06T22:26:34Z; pdf:charsPerPage: 1558; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-06T22:26:34Z | Conteúdo => • <I+ " A „ • „ MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA PROCESSO N° : 18336.000092/2001-91 SESSÃO DE : 24 de fevereiro de 2003 ACÓRDÃO N° : 301-30.516 RECURSO N° : 124.382 RECORRENTE : PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. - PETROBRÁS RECORRIDA : DRJ/FORTALEZA/CE REDUÇÃO TARIFÁRIA. Incabível a fruição do beneficio previsto no ACE-39 (Decreto n° 3.138/99), quando o país exportador não é membro da ALADI. INTERVENIÊNCIA DE TERCEIRO PAÍS. Ainda que se tratasse de interveniência de terceiro país não signatário do • Acordo, o aproveitamento do beneficio estaria condicionado ao cumprimento de formalidades que vinculassem o certificado de origem à fatura comercial que amparou a operação de importação. NEGADO PROVIMENTO POR MAIORIA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique Klaser Filho e Márcia Regina Machado Melaré, que apresentará declaração de voto. Brasília-DF, em 24 de fevereiro de 2003 110 n"""-- MOACYR ELOY DE MEDEIROS Presidente •••=52. Le--) r2:— 4- c- 9 MA 1 7003 ROBERTA MARIA RIBEIRO ARAGÃO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: LUIZ SÉRGIO FONSECA SOARES, JOSE LENCE CARLUCI, JOSÉ LUIZ NOVO ROSSARI e ROOSEVELT BALDOMIR SOSA. Esteve Presente o Procurador LEANDRO FELIPE BUENO. Fez sustentação oral o representante da empresa Dr. RUY JORGE PEREIRA FILHO, OAB/DF 1226. tmc . • TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.382 ACÓRDÃO N° : 301-30.516 RECORRENTE : PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. - PETROBRÁS RECORRIDA : DRJ/FORTALEZAJCE RELATOR(A) : ROBERTA MARIA RIBEIRO ARAGÃO RELATÓRIO Contra a empresa acima qualificada foi lavrado Auto de Infração para exigência do imposto de importação, multa de mora juros de mora e multa regulamentar no valor total de R$ 655,696,96, por ter sido utilizada indevida a redução tarifária prevista no ACE-27, celebrado entre Brasil e Venezuela, relativamente à alíquota do imposto de importação fixada em 12%. • Inconformada, a empresa apresentou impugnação (fls. 32/45) para alegar, em síntese, que: - é improcedente a nulidade do certificado de origem fundamentada em erros formais de preenchimento, sem que tenha havido consulta prévia ao órgão emitente do país exportador, como determina a legislação pertinente, e transcreve acórdãos do Terceiro Conselho de Contribuintes; - não há divergência entre o número da fatura comercial constante do certificado de origem (45204-0), emitida pela empresa PDVSA PETRÓLEO Y GAS S/A, situada na Venezuela, co número de fatura (PIFSB-647/98), emitida pela empresa PETROBRÁS INTERNATIONAL FINANCE COMPANY (PIFC0), situada nas ilhas Cayman, que instrui a Declaração de Importação, uma vez que a fatura comercial emitida pela PIFCO • menciona o n° da fatura mencionado no certificado de origem, como se pode observar pelo exame da própria fatura comercial; - a impugnante compra da PDVSA — PETRÓLEO Y GAS S/A, situada na Venezuela, país abrangido pelo acordo tarifário no âmbito da ALADI, produtos derivados de Petróleo, com transporte feito diretamente para o Brasil, como atesta o conhecimento de embarque; - por interesses vitais da economia do Brasil e por falta dos recursos necessários para o pagamento do preço da importação por parte do impugnante, o produto é revendido e recomprado concomitantemente da empresa subsidiária PETROBRÁS INTERNATIONAL FINANCE COMPANY — PFICO, situada nas ilhas Cayman, apenas para alongar o prazo de pagamento e 2 • . TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES• . PRIMEIRA CÂMARA , . . RECURSO N° : 124.382 ACÓRDÃO N° : 301-30.516 contar com fontes alternativas de capitação de recursos financeiros, como atestam as faturas comerciais emitidas pela impugnante e pela empresa beneficiária; - por razão da crise mundial, restrições administrativas têm sido impostas na área cambial. Exemplo delas, é a coincidência dos prazos para o impugnante fechar o contrato de câmbio e entregar os recursos para sua liquidação; - buscando equacionar esse significativo rol de contingenciamento e como uma das alternativas comerciais, o impugnante compra do produtor, com aquele prazo; entretanto, a subsidiária PIFCO paga diretamente ao produtor exportador o • preço dessa compra por ordem do impugnante. Concomitantemente, o impugnante revende o produto à subsidiária, com tal prazo e o recompra para pagamento em até 180 dias; - a fatura final, após a recompra, compreende o preço puro e idêntico, constante das faturas anteriores, acrescido apenas do repasse dos encargos financeiros das linhas de crédito tomadas; - a intermediação em importações, inclusive quando sob preferência tarifária (como efetiva atuação no respectivo mercado ou meramente como "engenharia" financeira, inclusive para obtenção de vantagens adicionais em outro pais), já fora apreciada pela NOTA COANA/COLAD/DITEG N° 60/97, de 19/08/97, que concluiu pela sua regularidade e que ela não prejudica a redução tarifária; • - essas operações intermediárias, como negócio indireto e posterior, adjeto de uma operação principal, visam tão somente forma alternativa de alavancagem financeira da compra, viabilizando-a, e evitando-se liquidá-la à vista, o que teria impactos, também sobre o saldo de divisas do Pais; - essas operações de intermediação de um terceiro país não colidem com a intenção que presidiu a celebração dos acordos de redução tarifária, tampouco prejudicam seu enquadramento no regime de origem. Assim relativamente à Venezuela, a resolução de 78/87 e o Acordo n° 91/89 não vedaram a compra direta com interveniência posterior de terceiros com finalidade de mera alavancagem financeira, e sem trânsito por outro país; .4r1 3 • . TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA • , RECURSO N° : 124.382 ACÓRDÃO N° : 301-30.516 - relativamente ao art. 4° da Resolução 78/87, esclareceu que mesmo que a situação fosse enquadrada na alínea "b", essas operações estariam acobertadas, pois o requisito de não serem destinadas ao comércio no país de trânsito refere-se a efetiva operação de compra e venda mercantil como "player" desse mercado de "comodities", e não a pessoa que dele participa, vinculada à importadora, e que realiza meras operações de alavancagem financeira para o impugnante, mero suporte acessório para viabilizar a compra original dos produtos. Não se trata de intermediação "ex-ante" e sim após a compra e expedição direta dos produtos para o Brasil. O que se veda é o atravessador ou especulador e não o importador de uma das altas partes que subsequentemente negocie os produtos, quando já satisfeitas a finalidade e formalidades do acordo; 4111 - é incontroverso que os produtos foram adquiridos na Venezuela. O certificado de origem é claro em mencionar a Venezuela como país de origem e o Brasil como país de destino. Da mesma forma, a fatura comercial da operação de recompra emitida pela empresa subsidiária PIFCO, menciona o Certificado de origem e a fatura comercial emitida pela empresa PDVSA, fabricante dos produtos na Venezuela, não havendo divergência quanto ao número, carga e o navio transportador; - relativamente ao certificado de origem e a correspondente declaração de importação, que a divergência nesses documentos quanto à empresa exportadora não prejudica o direito à redução tarifária, conforme NOTA COANA/COAD/DITEG N° 60/97; - Segundo o certificado de origem, a empresa exportadora é • PDVAS, situada na Venezuela, fato constatado pela fatura emitida pela PDVAS. Segundo a declaração de importação, a empresa exportadora é a PIF'CO, situada nas ilhas Cayman, fato constatado pela fatura emitida pela PIFCO; - de acordo com o art. 10 da Resolução 78/87 poderá ser feita consulta sobre os certificados de origem, para efeito de adoção •de medidas que impliquem rejeição do certificado de origem, observando-se ainda o devido processo legal; - a fiscalização não atentou na operação de importação de fato ocorrida, restringindo-se aos aspectos formais de apresentação do certificado de origem. E solicita perícia, nos termos do art. 18 do Decreto n° 70.235/72, referindo-se a alegada divergência 4 • . TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA • RECURSO N° : 124.382 ACÓRDÃO N° : 301-30.516 entre o número da fatura mencionada no certificado e o número da fatura que instrui a declaração de importação; - o auto de infração deve ser nulo, porque a fiscalização não atentou na operação de importação de fato ocorrida, eximindo-se do dever de buscar a verdade material. Apreciando o feito, a Autoridade de Primeira Instância conhece da impugnação apresentada para julgar procedente o lançamento, com base nos seguintes fundamentos: - o Auto de Infração está revestido de todas as garantias processuais para a constituição do crédito tributário, não se tratando de qualquer das hipóteses de nulidade elencadas no art. • 59 do Decreto n° 70.235/72; - o ilícito está bem caracterizado pelos fatos e documentos instruídos pelo autuante, não suscitando diligência ou perícia para formação da convicção nos termos dos artigos 18 e 29 do decreto n° 70.235/72, com as alterações do artigo 1° da Lei n° 8743/93; - de acordo com o art. 67 da Lei n° 9532/97 considera-se matéria não impugnada o fato do impugnante silenciar com relação à exigência da multa regulamentar; - o art. 1° do Acordo 91 do Comitê de Representantes da ALADI, que trata da regulamentação das disposições referentes à certificação da origem, promulgado pelo Decreto n° 98.836/90, ao estabelecer que a descrição de produto incluído na declaração • que acredita o cumprimento dos requisitos de origem, deve coincidir com o correspondente produto negociado, constante na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para seu despacho aduaneiro, vincula expressamente a mercadoria ao emissor da fatura, e no caso em comento, conforme se constata dos autos, o emissor da fatura comercial que instruiu o despacho de exportação não é país signatário do ACE-27; - tratando-se de uma operação comercial entre uma empresa brasileira e uma sediada nas ilhas Cayman, não há, portanto como invocar a redução tarifária prevista em acordos firmados no âmbito da ALADI. Assim tanto a fatura como o certificado de origem, constantes do presente processo não atendem às normas de origem estatuídas na legislação pertinente, não se & . . TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ' • PRIMEIRA CÂMARA -. . . RECURSO N° : 124.382 ACÓRDÃO N° : 301-30.516 constituindo em documentos hábeis para assegurar a pretensa redução, quanto às mercadorias importadas pela autuada; - é inequívoca a impropriedade da operação, não repercutindo na solução do litígio a argumentação de que tal operação teve o cunho eminentemente financeiro, e que sendo essa argumentação de cunho extra legal não tem condão de convalidar o descumprimento das normas que tratam do regime de origem, envolvendo mercadoria de acordo de redução tarifária; - tratando-se de uma operação comercial entre uma empresa brasileira e outra das Ilhas Cyman, sem respaldo em Certificado de Origem, não há, como invocar a redução tarifária prevista no • Acordo de Alcance Parcial n° 27 (ACE-27), celebrado entre Brasil e Venezuela, instituído pelo Decreto n° 1.381, de 30 de janeiro de 1995, revalidado pelos decretos n° 3.068/99 e 3.143/99, referente ao 11° e 120 Protocolo Adicional, se faz mister para o implemento das preferências tarifárias, a vedação da citada operação, por meio do certificado de Origem, o produto emissor da Fatura Comercial do País signatário do acordo; - o importador informou no Siscomex que o exportador é Petrobrás International Finance Company, empresa localizada na Ilhas Cayman, conforme indica a fatura que é informada no certificado de origem e que deve necessariamente instruir o despacho de importação; - a Resolução n° 232, incorporada em nossa legislação pelo • Decreto n° 2.865, de 07/12/98, que alterou o Acordo 91, dispondo sobre a participação de um operador de um terceiro um país, membro ou não da ALADI, não se aplica à importação em tela. Em primeiro lugar, tal norma não abrange o tipo de operação praticada, em segundo, a importação é anterior a 08/12/98, data em que iniciou a vigência da Resolução; - o Decreto n° 2.865, de 1998, como norma exeqüente do acordo pactuado entre países, somente entrou em vigor em 08/12/98, após a data da certificação de origem, 29/10/98,(fls. 23); - ainda que a empresa situada na Ilhas Cayman, se enquadrasse de fato como operadora, seria necessário, nos temos da Resolução n° 232, que o produtor ou exportador do país de origem indicasse no certificado de origem, na área relativa a 6 4'.' • . TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA • • RECURSO N° : 124.382 ACÓRDÃO N° : 301-30.516 "observações", que mercadoria objeto de sua declaração seria faturada por um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador ou, se no momento de expedir o certificado de origem, não se conhecesse o número da fatura comercial emitida pelo exportador de um terceiro país, o importador deveria apresentar à administração aduaneira uma declaração juramentada que justificasse o fato; entretanto no caso em tela, o certificado de origem apresentado às fls. 23, não atende às exigências da Resolução 232, e também não consta nos autos que o importador tenha apresentado a declaração juramentada referida na legislação; - não há contrariedade entre essa conclusão e a Nota COANA/COLAD/DITEG n°60/97, ao contrário do que interpreta a impugnante, a nota diz expressamente que a ALADI não havia regulamentado tal situação até então, porém, sustenta exatamente a necessidade de correlação entre a fatura e o certificado de origem; - as normas específicas de desoneração tarifária só prevalecem sobre a legislação geral, quando observadas em seus devidos termos; do contrário, diante do descumprimento de qualquer dos requisitos do acordo, aplica-se a legislação tributária vigente à época do fato gerador, para um regime comum de importação; - quanto à nulidade do certificado de origem, não se trata de declará-la, prerrogativa, aliás, atribuída ao judiciário ou à própria entidade emitente, fora dos poderes da fiscalização aduaneira, mas sim de reconhecer ou não uma redução tarifária, isto é, aceitar ou não um documento como hábil, na forma da lei, 110 para produzir determinado efeito fiscal específico, tarifa, esta sim, inerente aos poderes do fisco. Inconformada, recorre a interessada a este Colegiado pleiteando a reforma da R. Decisão singular, repetindo os argumentos da impugnação, e acrescentando que: Preliminarmente. - a decisão está eivada de nulidades, comprometidas suas premissas e conclusões, por falta de fundamentação válida e eficaz, em face de seus próprios termos — a par do exame do mérito da questão — pois que, exempli gratia: acolhe ato que claramente contraria orientação sistemática do órgão central da S.R.F e contraia normas expressas 1 7 . TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • PRIMEIRA CÂMARA • RECURSO N° : 124.382 ACÓRDÃO N° : 301-30.516 do Ato Internacional que claramente impõe um procedimento prévio à rejeição dos certificados de origem; - a improcedência da autuação sob este aspecto, de se imporá a perda da redução tarifária, é medida que deve ser observada, sobretudo a teor de entendimento antigo da DRF/CE (Decisão n° 060/98 — SRF/CE) reiterado por este Terceiro Conselho no Acórdão n° 303.28771; - quanto à impossibilidade da perda da redução tarifária por motivos erros formais de preenchimento do certificado de origem e outros está reiterado nos Acórdão n° 30.28.771,303.28696; - a nota Coana consigna que já era admitida no âmbito da própria ALADI, como prática de uso freqüente, e que tal interveniência não prejudica a real origem da mercadoria nem o direito a isenção ou redução prevista no acordo; - de acordo com a Nota Coana, "... o n° da fatura comercial aposto na declaração de origem é condição coadjuvante com essa finalidade". E que em ambos os casos (ALADI E MERCOSUL) não há exigência expressa de apresentação de duas faturas comerciais; - a pretexto da parte final do 2° parágrafo do art. 10 da Resolução n° 78, ao invés de se providenciar para que fosse comunicado o fato e adotadas medidas para solucionar o problema, o AFTN rejeitou, simplesmente os certificados. Note-se que não precisava lançar para garantir o interesse fiscal, bastando exigir as garantias de praxe; • - a fatura compreende o preço puro, e idêntico, constante em ambas as faturas anteriores, acrescido apenas do repasse dos encargos financeiros das linhas de créditos tomadas. E a mercadoria, em face da aquisição original, é enviada diretamente do país produtor para o Brasil; só muito raramente haverá trânsito por outro país; - a regra acolhida no contrato internacional é a de que o importador de mercadoria originária de uma das partes que, incluída na lista anexa do acordo, que seja transportada diretamente de uma parte para a outra; ou que apesar de ter passado por país não signatário,preencha os requisitos da alínea "b"; entretanto, em momento algum tem-se na legislação que a inobservância destes aspectos formais traga a perda do direito à redução; 8 • . TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • • PRIMEIRA CÂMARA ' . RECURSO N° : 124.382 ACÓRDÃO N° : 301-30.516 - não cabe declarar que haveria também a perda da redução tarifária em face de não informação da quantidade de mercadoria no certificado de origem, bem como em face de emissão da fatura depois do certificado de origem; - o fato da não realização de perícia fere no mínimo um consagrado instituto jurídico a nível constitucional, o do devido processo legal; - é por demais frágil a disposição da decisão de 2° turma da DRF/CE sobre a não impugnação de matéria suscitado no auto de infração, é tão inconsistente, que a decisão sequer especifica qual é o tem não impugnado, limitando-se a declarar tratar-se das infrações; - a aplicação dos juros de mora na forma perseguida pela Autoridade autuante, também fere de morte por analogia, o disposto no art. 162, § 3° da Constituição Federal que limita a cobrança de juros de 12% ao ano. Foi anexado às fls. 113 o comprovante do depósito recursal, em conformidade com o § 2° do art. 33 do Decreto n° 70.235/72, com redação dada pelo art. 32 da Medida Provisória 1.863-52, de 27/08/99 e suas reedições posteriores. É o relatório. 9 . . TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.382' . AC ÓRDÃO N° : 301-30.516 VOTO O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. O ponto central da questão é determinar se é cabível o beneficio de redução do imposto de importação em função do Acordo de Complementação Econômica n° 27 (ACE-27), no âmbito da ALADI, para produtos importados que tenham sido exportados por terceiro país não signatário, no caso de importação de "Gasóleo" (óleo diesel) realizada pela PETRÓLEO BRASILEIRO S/A — PETROBRÁS e exportado pela PETROBRÁS INTERNATIONAL COMPANY — PFICO, situada nas Ilhas Cayman. Inicialmente, é válido ressaltar que concordo com a Decisão de Primeira Instância no sentido de que a Resolução n° 232, incorporada em nossa legislação pelo Decreto n° 2.865, de 07 de dezembro de 1998, que alterou o Acordo 91, dispondo sobre a participação de um operador de um terceiro país, membro ou não da ALADI, não se aplica ao caso em tela por dois motivos. Mesmo analisando a questão à luz da legislação em vigor e ainda que a empresa situada nas Ilhas Cayman se enquadrasse de fato como operadora não caberia a redução pleiteada, uma vez que, esta operação não atendeu aos requisitos exigidos na Resolução 232, conforme demonstraremos a seguir. De pronto, cumpre observar a norma legal transcrita pela recorrente no recurso, constante da alínea, "h" do art. 40 da Resolução de Comitê de Representantes n° 78/87: - "As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob vigilância da autoridade competente nesses países desde que: 1. trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte; não estejam destinados ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e III. não sofram, durante seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantê-las em boas condições ou assegurar sua conservação." (grifei) io . TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • PRIMEIRA CÂMARA • • RECURS O N° : 124.382 AC ORDÃO N° : 301-30.516 Conforme se observa nos autos, nenhuma das condições previstas na norma legal acima citada, pela própria recorrente, foram satisfeitas, ou seja, não foi apresentada nenhuma justificativa para que fosse considerada a possibilidade das mercadorias transportadas transitarem por um terceiro pais. Por sua vez, cumpre observar, conforme transcrição da decisão da autoridade de primeiro grau, a Resolução n° 232, de 08/10/97, do Comitê de Representantes da ALADI, de que trata o Decreto n° 2.865/98, que modificou o Acordo 91, com a incorporação do artigo segundo que assim dispõe: "Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro pais, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do pais de origem deverá indicar no formulário respectivo, na área relativa a • "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, a denominação ou razão social e domicílio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino."(grifei). Conforme se verifica, não foi cumprida a exigência formal, acima citada, na elaboração do certificado de origem apresentado às fls. 15, e o trânsito das mercadorias importadas pelas ilhas Cayman não foi sequer justificado, alegando apenas no recurso que: "é incontroverso que a mercadoria foi adquirida pela Petrobrás diretamente, e o certificado de origem é claro em mencionar que a carga vem direto para o pais, assim como a respectiva fatura da recompra menciona a mesma carga, do mesmo navio, na mesma viagem. Só não foi registrada a primeira compra, e a revenda subseqüente, porque o Siscomex impede tais registros.." • Assim é que, ainda que a mercadoria não tenha transitado de fato pela Ilhas Cayman, conforme defendido pela recorrente o que dispensaria a referida justificativa do trânsito por pais não participante, mais uma vez não foi cumprida as exigências determinadas na Resolução n° 232. Ora, este é mais um dos inúmeros dos casos em que a Petrobrás procede sempre da mesma forma, ou seja, apesar de ser freqüente este tipo de operação como forma de alavancagem financeira, como sustenta a Petrobrás, em nenhum dos casos foi cumprida as determinações da Resolução n° 232. Assim, é que nos causa estranheza, já que se existe sempre esta necessidade de compra e recompra, por que nunca se obedece aos referidos requisitos formais? 11 • . TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • PRIMEIRA CÂMARA • - RECURSO N° : 124.382 ACÓRDÃO N° : 301-30.516 Portanto, entendo que o descumprimento sistemático dos requisitos exigidos na resolução n° 232 impede que seja concedido o beneficio de redução do imposto de importação, com base no disposto na alínea b e seus itens da Resolução n° 78/87 da ALADI. Para reforçar este entendimento sobre a mesma questão, transcrevo voto na Ilustre Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo que brilhantemente assim decidiu: "No caso em questão, na operação de importação figurou como exportador um terceiro pais (Ilhas Cayman - fls. 19), não participante do Acordo Internacional cujo agasalho foi pleiteado na Declaração de Importação objeto do Auto de Infração. Tal fato já descartaria, em principio, a aplicação da redução tarifária pretendida. Entretanto, há outro fator impeditivo, que será analisado na seqüência. Tratando-se de acordo centrado na origem da mercadoria, claro está que a vinculação desta com a operação acobertada pela avença é fundamental. A importância do tema transparece no rigor com que as normas relativas à certificação de origem são elaboradas. Dai a necessidade da estreita correspondência entre fatura comercial e certificado de origem, ambos relativos à operação objeto do despacho aduaneiro. Na situação dos autos, existe correlação entre os dados do certificado de origem (fls. 24) e da fatura comercial de fls. 27, porém o certificado não acoberta a operação de importação objeto do desembaraço aduaneiro, realizada entre a PETROBRÁS e a PIFCO3 situada nas Ilhas Cayman. Com efeito, existe no processo • outra fatura, que acoberta tal operação, porém sem o respectivo registro no certificado de origem. A recorrente justifica o fato, alegando que se trata de operação triangular, na qual figura um terceiro pais interveniente, situação esta prevista e aceita pela própria Secretaria da Receita Federal, por meio da Nota COANA/COLAD/DITEG n° 60/97. Tal argumentação é trazida inclusive em sede de preliminar, no sentido da nulidade do Acórdão de primeira instância, por ter este acolhido o Auto de Infração que, na visão da recorrente, contraria orientação sistêmica da Secretaria da Receita Federal. 12 - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES. .. PRIMEIRA CÂMARA ^. . • , _ RECURSO N° : 124.382 AC 45RD -Á° N° : 301-30.516 Nesse sentido, a interessada informa, em seu recurso, que "compra diretamente de fornecedores abrangidos por acordo tarifário, com transporte também direto para o Brasil, e prazo de pagamento de até trinta dias. Todavia, por interesses vitais da economia do Pais e falta de recursos necessários para o pagamento do preço, a importadora revende a mercadoria e a recompra concomitantemente ..." (fls. 70). Não obstante, a documentação constante dos autos dá conta de que o fornecedor contemplado pelo acordo tarifário (PDVSA Petróleo y Gas S.A), da Venezuela, vende a mercadoria em tela não para o Brasil, também signatário da avença, mas diretamente para a Petrobrás International Finance Company - PIFCO 3 nas Ilhas Cayman (fatura comercial de fls. 27), que não é membro da ALADI. Esta, posteriormente, vende o produto para a Petrobrás brasileira 00 (fatura comercial de fls. 25), pretendendo beneficiar-se de acordo válido para operações entre países integrantes da ALADI. Vê-se, portanto, que na operação objeto dos autos, figura um terceiro país - Ilhas Cayman - não na condição de mero interveniente, mas na qualidade de exportador. O entendimento da administração tributária, acerca das operações em que figura um terceiro país interveniente, já foi estabelecido por meio do Decreto n° 2.865/98, que trata da execução da Resolução 232/97. Assim, tal ato resolve: Artigo 2° Incorporar o Acordo 91 do Comitê de Representantes, como Artigo Segundo, o seguinte: , 'Segundo. Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada • por um operador de um terceiro pais, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do pais de origem deverá indicar no formulário respectivo, na área relativa a 'observações', que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicilio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino.' , 1'Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhece o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro pais, a área correspondente do certificado não deverá ser preenchida. Nesse caso, o importador apresentará à ...4r.administração aduaneira correspondente uma declaração 13 I • . TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA • RECURSO N° : 124.382 ACÓRDÃO N° : 301-30.516 juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação. O exame dos autos demonstra que não foi aposta no certificado de origem a observação no sentido de que a mercadoria seria faturada por um terceiro pais, com os respectivos dados de identificação do operador (fls. 24). Tampouco foi apresentada a declaração juramentada acima prevista, indicando o número e a data da fatura comercial e do certificado de origem que ampararam a operação. Como se vê, tal procedimento, por parte da interessada, contraria a Resolução 232, do Comitê de Representantes da ALADI (Decreto n° 2.865/98), mesmo que se tratasse de mera interveniência. 010 Destarte, os autos indicam claramente que se trata de uma operação de importação entre o Brasil e as Ilhas Cayman, portanto sem direito ao beneficio tarifário previsto para as operações no âmbito da ALADI. Ainda que se pudesse vislumbrar na operação em questão a interveniência prevista na legislação de regência, a sua aceitação está condicionada ao cumprimento de formalidades, o que, como já foi dito, não foi feito pela interessada. Além disso, a lavratura de Auto de Infração ou emissão de Acórdão em suposto descumprimento de orientação sistêmica não acarretaria a nulidade do ato, e sim, no máximo, a sua improcedência ou reforma, respectivamente. Assim, REJEITO ESTA PRELIMINAR DE NULIDADE. Sobre o descumprimento do artigo dez da Resolução n° 78/87, 110 alegado também pela recorrente como preliminar de nulidade, observe-se que tal dispositivo legal trata da comunicação de irregularidades às autoridades governamentais do país exportador - no caso, Ilhas Cayman, que sequer são signatárias do Acordo aqui tratado. Além disso, o certificado de origem constante do processo, a rigor, não contém vicio, apenas não ampara a operação objeto da Declaração de Importação, posto que estampa outro número de fatura. DESTARTE, ESTA É PRELIMINAR QUE TAMBÉM SE REJEITA. Quanto ao argumento sustentado pela recorrente, de que as mercadorias em questão gozariam do beneficio por terem sido 14 • . TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA • , RECURSO N° : 124.382 ACÓRDÃO N° : 301-30.516 transportadas diretamente da origem para o Brasil, lembre-se que o artigo quarto da Resolução n° 78/87, invocado na defesa (fls. 85), não menciona a palavra "origem", e sim "país exportador" que, no caso, como exaustivamente comprovado, não é parte nos acordos de que se trata. Relativamente às argumentações constantes das fls. 76 (último parágrafo) às fls. 77 (primeiro parágrafo), o Acórdão recorrido não faz qualquer alusão à necessidade de apresentação de duas faturas, ou à impossibilidade do registro da operação em questão no Siscomex, ou a qualquer reclamação da interessada nesse sentido. No que tange aos recursos em que o Terceiro Conselho de Contribuintes teria recepcionado a tese da recorrente, não foram trazidos à colação os números dos respectivos Acórdãos. Além disso, ainda que assim tenha ocorrido, o conteúdo das decisões emanadas pelos Conselhos de Contribuintes não é vinculante, podendo cada Colegiado formar livremente a sua convicção, desde que fundamentada no ordenamento jurídico vigente. Conclui-se, portanto, que o Acórdão recorrido tratou corretamente a matéria, não merecendo qualquer reparo." Por todo o exposto, nego provimento total ao recurso. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2003 ROBERTA MARIA RIBEIRO ARAGÃO — Relatora • 15 • , " MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES• • - PRIMEIRA CÂMARA • • RECURSO N° : 124.382 ACÓRDÃO N° : 301-30.516 DECLARAÇÃO DE VOTO Lavrou-se contra o contribuinte o Auto de Infração, sob o fundamento de utilização indevida de redução tarifária, em razão de ter o importador realizado uma operação comercial triangular, aproveitando-se da redução tarifária. Encontra-se descrito nos autos que a Petrobrás adquiriu o produto de empresa venezuelana, revendendo-o, em seguida, para uma subsidiária situada nas ilhas Cayman e recomprando-os posteriormente. Esta triangulação comercial não é permitida pela Resolução Aladi 232. A interessada apresentou tempestiva defesa confirmando que adquiriu os produtos venezuelanos, os quais foram faturados contra a empresa subsidiária, porém enviados diretamente do pais produtor para o Brasil. A decisão recorrida ao justificar a procedência da ação fiscal entendeu não estar demonstrado que o produto constante do certificado de origem seria o efetivamente negociado com o emissor da fatura comercial do pais produtor. Entretanto, os documentos de fls. demonstram o contrário. O certificado de origem faz referência à fatura comercial expressamente e a invoice emitida pela subsidiária da recorrente informa que o pagamento está sendo realizado para os produtos daquele certificado de origem. Contudo, verifica-se que o certificado de origem de fls. 12, não • atendeu ao que dispõe o artigo Segundo incorporado ao ACORDO 91 pela Resolução 232, de 08/20/97, do Comitê de Representantes da ALADI, de que trata do Decreto n° 2.865/98, deixando de inserir, no campo "observações" a referência ao faturamento do negócio por terceiros: "Segundo: Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro pais, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do pais de origem deverá indicar no formulário respectivo, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro pais, identificando o nome, denominação ou razão social e domicilio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino". Contudo, esse fato não tem, a meu ver, o condão de prejudicar a fruição do beneficio pela recorrente, uma vez que restou comprovada cabalmente que a mercadoria que desembarcou no Brasil é, realmente, da Venezuela. 16 . . " MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA RECURSO N° : 124.382 ACÓRDÃO N° : 301-30.516 Em momento algum se impugnou ou se pôs em dúvida a respeito da origem das mercadorias e a sua importação pela recorrente, a determinar a manutenção dos beneficios fiscais, já que o produto importado é de origem de pais membro da ALADI. A Divisão de Tributação da SRRF/8 a.RF, na Decisão n° 203, de 01/07/99, em caso análogo, ressaltou: "Com efeito, o país de origem das mercadorias a serem importadas constitui-se em uma realidade fática passível de ser determinada de maneira concreta e objetiva, mediante aplicação dos critérios previstos na Resolução 78 da ALADL Assim, uma vez caracterizada a mercadoria como sendo de origem mexicana, seria necessário, para refutar-lhe tal caracterização, que a legislação determinasse, através de uma ficção jurídica, que uma mercadoria fabricada no México não seria considerada um produto originário daquela país, se ela tiver sido vendida e exportada através de empresa sediada em outro país. Verifica-se que restrições dessa natureza não foram incorporadas em qualquer dos dispositivos do Acordo Regional de que trata o Decreto n. 90.782/1984 ou do próprio Tratado de Montevidéu (promulgado pelo Decreto Legislativo n° 66/1981) que criou a ALADL No caso, deve ser observado que a Resolução n° 232, de 08/10/1997, do Comitê de Representantes da ALADI, de que trata do Decreto n° 2.865/98, que modificou o Acordo 91, incorporando- lhe o artigo Segundo, que dispõe: • 'Segundo: Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será fatura de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que em definitivo será o que fature a operaç'âo a destino.' Desta forma, constata-se que o texto supracitado admite claramente possibilidade de intervenção, em operações realizadas no âmbito da ALADI, de empresas de países não pertencentes à referida Associação. Por outro lado, verifica-se que a ALADI, a través da citada Resolução n° 232, alterou apenas o Acordo 91, que cuida da certificação de origem das mercadorias negociadas, não introduzindo qualquer modificação no Acordo 78, na parte relativa à qualificação de origem desses bens. 17 . • • MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA. , RECURSO N° : 124.382 ACÓRDÃO N° : 301-30.516 Assim, infere-se que foi acrescida, pela Resolução n° 232, uma exigência formal na elaboração do Certificado de Origem, na hipótese de as mercadorias serem negociadas através de operador de um terceiro pais, porém tal fato não desqualifica a origem dessas mercadorias, ainda que esse país não fosse membro da ALADL" Meu voto é, assim, pelo PROVIMENTO AO RECURSO. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2003 • MÁRCIA REGINA MACHADO MELARE - Conselheira 110 18 , . '• .• MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Processo n°: 18336.000092/2001-91 Recurso n°: 124.382 TERMO DE INTIMAÇÃO• Em cumprimento ao disposto no parágrafo 2° do artigo 44 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, fica o Sr. Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à Primeira Câmara, intimado a tomar ciência do Acórdão n° 301-30.516. Brasília-DF, 12 de maio de 2003. 110 Atenciosamente, ___-- /--- Moacyr Eloy de Medeiros Presidente da Primeira Câmara i Ciente em: )9 -3/ 2-w5 , -eandro . . ipeno1 POCURADORt D ÁLNA n 'MiOPP : Page 1 _0014200.PDF Page 1 _0014300.PDF Page 1 _0014400.PDF Page 1 _0014500.PDF Page 1 _0014600.PDF Page 1 _0014700.PDF Page 1 _0014800.PDF Page 1 _0014900.PDF Page 1 _0015000.PDF Page 1 _0015100.PDF Page 1 _0015200.PDF Page 1 _0015300.PDF Page 1 _0015400.PDF Page 1 _0015500.PDF Page 1 _0015600.PDF Page 1 _0015700.PDF Page 1 _0015800.PDF Page 1 _0015900.PDF Page 1

score : 1.0
4729555 #
Numero do processo: 16327.002295/2001-03
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2006
Ementa: NULIDADE- Erros na apuração do crédito, se restarem provados, poderão acarretar o provimento total ou parcial do recurso, não implicando nulidade do lançamento. PROCESSO DE CONSULTA. Descabe a alegação de nulidade da autuação em face de resposta a consulta anteriormente formulada, quando se verifica, através da análise do teor da resposta e da infração apontada pela autoridade fiscal, que o procedimento do fiscalizado objeto de autuação estava em desacordo com a situação abordada e referendada, na resposta proferida pelo órgão consultado. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. DESPESAS OPERACIONAIS – ABATIMENTOS CONCEDIDOS NA LIQUIDAÇÃO DE CRÉDITOS – DEDUTIBILIDADE – Não se tratando a situação fática de perdas com créditos de liquidação duvidosa, prevista no artigo 43 da Lei nº 8.981/95, não há que se falar em esgotamento das possibilidades e meios de cobrança. Os abatimentos concedidos ao devedor na liquidação de operações de crédito classificam-se como despesas operacionais e são dedutíveis do lucro operacional. INEXATIDÃO QUANTO AO PERÍODO DE APROPRIAÇÃO DE DESPESAS. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DE IMPOSTO OU CONTRIBUIÇÕES. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA. – Não incide a multa de lançamento de ofício quando da postergação do pagamento não resultar diferença de tributo ou contribuições, a recolher. DEDUÇÃO DA CSLL NA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ – Para o ano-calendário de 1996, a legislação prevê a dedutibilidade da CSLL na apuração da base de cálculo do IRPJ devendo, o lançamento de ofício, respeitar o comando legal. Por não existir diferença entre lucro declarado e o lançado de ofício, a contribuição lançada de ofício deve ser deduzida da base de cálculo do IRPJ, pois o lucro real obtém-se do lucro líquido após a dedução da CSLL. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. AMORTIZAÇÃO - Não é dedutível a amortização do custo de aquisição do fundo de comércio quando inexistir limite de prazo legal ou contratual para a sua exploração. O ágio na aquisição de participações societárias deve ser escriturado no Ativo Permanente, na conta de Investimentos, sendo descabido o registro no Ativo Diferido. As contrapartidas das amortizações do ágio não são computadas na determinação do Lucro Real, nos termos da legislação de vigência. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Ao se decidir de forma exaustiva a matéria referente ao lançamento principal de IRPJ, a solução adotada espraia seus efeitos aos lançamentos reflexos, próprios da sistemática de tributação das pessoas jurídicas, quando não tiverem sido oferecidos argumentos específicos para se contraporem a eles. CSLL. ALÍQUOTA APLICÁVEL. MATÉRIA SUBMETIDA AO PODER JUDICIÁRIO- Não se conhece de matéria que esteja sendo discutida na esfera judicial. MULTA DE OFÍCIO. CRÉDITOS COM SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. Comprovado que ao tempo da autuação, o contribuinte estava amparado em medida judicial que suspendia a exigibilidade do crédito, não cabe a imposição da multa de ofício. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Acréscimos moratórios são devidos mesmo quando suspensa a exigibilidade do crédito tributário correspondente, por expressa disposição legal, independentemente de lançamento. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sua aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo discutir. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO- Em se tratando de fatos geradores ocorridos em 1995 e 1996, só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre a multa por lançamento de ofício no caso de lançamento de multa isolada, não porém quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional.
Numero da decisão: 101-95.469
Decisão: ACORDAM, os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para: 1) quanto às infrações apuradas nos termos de fls. 43/52 e 61/67, reduzir da matéria tributável nos anos de 1996 e 1997 os valores comprovados pelos documentos de fls. 742 a 1345; 2) cancelar a multa de 75% aplicada sobre os tributos postergados; 3) excluir da matéria tributável as parcelas exigidas a título de ágio indedutível relativo às aquisições das empresas Cartão Nacional e Nacional Companhia de Seguros; 4) cancelar a redução da parcela de R$ 121.411.885,70 de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa, na constituição do crédito relativo ao ano de 1997; 5) deduzir da base de cálculo do IRPJ do ano de 1996 o valor da CSLL do mesmo período objeto deste processo; 6) reduzir a base de cálculo da multa de ofício sobre o I RPJ dos anos de 1997 e seguintes, em valor correspondente à CSLL para o mesmo período, lançada de ofício; 7) cancelar a multa de ofício incidente sobre a parcela da CSLL lançada, no que exceder à apçlicação da alíquota de 8%; 8) declarar que sobre a multa lançada de ofício só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez e Caio Marcos Cândido que mantinham a exigência referida no item 3 acima, o Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior que mantinha a exigência referida no item 3 acima, cancelava a exigência relativa à aquisição de carteira de clientes do Banco Nacional e afastava a incidência de juros de mora sobre a muita de ofício e o Conselheiro Manoel Antonio Gadelha Dias que determinava a incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: Sandra Maria Faroni

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)

dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200604

ementa_s : NULIDADE- Erros na apuração do crédito, se restarem provados, poderão acarretar o provimento total ou parcial do recurso, não implicando nulidade do lançamento. PROCESSO DE CONSULTA. Descabe a alegação de nulidade da autuação em face de resposta a consulta anteriormente formulada, quando se verifica, através da análise do teor da resposta e da infração apontada pela autoridade fiscal, que o procedimento do fiscalizado objeto de autuação estava em desacordo com a situação abordada e referendada, na resposta proferida pelo órgão consultado. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. DESPESAS OPERACIONAIS – ABATIMENTOS CONCEDIDOS NA LIQUIDAÇÃO DE CRÉDITOS – DEDUTIBILIDADE – Não se tratando a situação fática de perdas com créditos de liquidação duvidosa, prevista no artigo 43 da Lei nº 8.981/95, não há que se falar em esgotamento das possibilidades e meios de cobrança. Os abatimentos concedidos ao devedor na liquidação de operações de crédito classificam-se como despesas operacionais e são dedutíveis do lucro operacional. INEXATIDÃO QUANTO AO PERÍODO DE APROPRIAÇÃO DE DESPESAS. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DE IMPOSTO OU CONTRIBUIÇÕES. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA. – Não incide a multa de lançamento de ofício quando da postergação do pagamento não resultar diferença de tributo ou contribuições, a recolher. DEDUÇÃO DA CSLL NA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ – Para o ano-calendário de 1996, a legislação prevê a dedutibilidade da CSLL na apuração da base de cálculo do IRPJ devendo, o lançamento de ofício, respeitar o comando legal. Por não existir diferença entre lucro declarado e o lançado de ofício, a contribuição lançada de ofício deve ser deduzida da base de cálculo do IRPJ, pois o lucro real obtém-se do lucro líquido após a dedução da CSLL. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. AMORTIZAÇÃO - Não é dedutível a amortização do custo de aquisição do fundo de comércio quando inexistir limite de prazo legal ou contratual para a sua exploração. O ágio na aquisição de participações societárias deve ser escriturado no Ativo Permanente, na conta de Investimentos, sendo descabido o registro no Ativo Diferido. As contrapartidas das amortizações do ágio não são computadas na determinação do Lucro Real, nos termos da legislação de vigência. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Ao se decidir de forma exaustiva a matéria referente ao lançamento principal de IRPJ, a solução adotada espraia seus efeitos aos lançamentos reflexos, próprios da sistemática de tributação das pessoas jurídicas, quando não tiverem sido oferecidos argumentos específicos para se contraporem a eles. CSLL. ALÍQUOTA APLICÁVEL. MATÉRIA SUBMETIDA AO PODER JUDICIÁRIO- Não se conhece de matéria que esteja sendo discutida na esfera judicial. MULTA DE OFÍCIO. CRÉDITOS COM SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. Comprovado que ao tempo da autuação, o contribuinte estava amparado em medida judicial que suspendia a exigibilidade do crédito, não cabe a imposição da multa de ofício. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Acréscimos moratórios são devidos mesmo quando suspensa a exigibilidade do crédito tributário correspondente, por expressa disposição legal, independentemente de lançamento. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sua aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo discutir. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO- Em se tratando de fatos geradores ocorridos em 1995 e 1996, só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre a multa por lançamento de ofício no caso de lançamento de multa isolada, não porém quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional.

turma_s : Primeira Câmara

dt_publicacao_tdt : Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2006

numero_processo_s : 16327.002295/2001-03

anomes_publicacao_s : 200604

conteudo_id_s : 4150421

dt_registro_atualizacao_tdt : Sun Feb 28 00:00:00 UTC 2021

numero_decisao_s : 101-95.469

nome_arquivo_s : 10195469_146511_16327002295200103_048.PDF

ano_publicacao_s : 2006

nome_relator_s : Sandra Maria Faroni

nome_arquivo_pdf_s : 16327002295200103_4150421.pdf

secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM, os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para: 1) quanto às infrações apuradas nos termos de fls. 43/52 e 61/67, reduzir da matéria tributável nos anos de 1996 e 1997 os valores comprovados pelos documentos de fls. 742 a 1345; 2) cancelar a multa de 75% aplicada sobre os tributos postergados; 3) excluir da matéria tributável as parcelas exigidas a título de ágio indedutível relativo às aquisições das empresas Cartão Nacional e Nacional Companhia de Seguros; 4) cancelar a redução da parcela de R$ 121.411.885,70 de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa, na constituição do crédito relativo ao ano de 1997; 5) deduzir da base de cálculo do IRPJ do ano de 1996 o valor da CSLL do mesmo período objeto deste processo; 6) reduzir a base de cálculo da multa de ofício sobre o I RPJ dos anos de 1997 e seguintes, em valor correspondente à CSLL para o mesmo período, lançada de ofício; 7) cancelar a multa de ofício incidente sobre a parcela da CSLL lançada, no que exceder à apçlicação da alíquota de 8%; 8) declarar que sobre a multa lançada de ofício só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez e Caio Marcos Cândido que mantinham a exigência referida no item 3 acima, o Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior que mantinha a exigência referida no item 3 acima, cancelava a exigência relativa à aquisição de carteira de clientes do Banco Nacional e afastava a incidência de juros de mora sobre a muita de ofício e o Conselheiro Manoel Antonio Gadelha Dias que determinava a incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício.

dt_sessao_tdt : Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2006

id : 4729555

ano_sessao_s : 2006

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:36:00 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713043760189800448

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-08T13:09:17Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-08T13:09:13Z; Last-Modified: 2009-07-08T13:09:17Z; dcterms:modified: 2009-07-08T13:09:17Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-08T13:09:17Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-08T13:09:17Z; meta:save-date: 2009-07-08T13:09:17Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-08T13:09:17Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-08T13:09:13Z; created: 2009-07-08T13:09:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 48; Creation-Date: 2009-07-08T13:09:13Z; pdf:charsPerPage: 2013; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-08T13:09:13Z | Conteúdo => T MINISTÉRIO DA FAZENDA -:,- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ,.-.1;_uy .. '',,,,+s',,,,- PRIMEIRA CÂMARA Processo n 2. : 16327.002295/2001-03 Recurso n2 . : 146.511 Matéria: : IRPJ e CSLL— anos-calendário: 1996 a 2000 Recorrente : Unibanco- União de Bancos Brasileiros S/A Recorrida : 82 Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo- SP. I Sessão de : 26 de abril de 2006 Acórdão n2 . : 101-95.469 NULIDADE- Erros na apuração do crédito, se restarem provados, poderão acarretar o provimento total ou parcial do recurso, não implicando nulidade do lançamento. PROCESSO DE CONSULTA. Descabe a alegação de nulidade da autuação em face de resposta a consulta anteriormente formulada, quando se verifica, através da análise do teor da resposta e da infração apontada pela autoridade fiscal, que o procedimento do fiscalizado objeto de autuação estava em desacordo com a situação abordada e referendada, na resposta proferida pelo órgão consultado. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. DESPESAS OPERACIONAIS — ABATIMENTOS CONCEDIDOS NA LIQUIDAÇÃO DE CRÉDITOS — DEDUTIBILIDADE — Não se tratando a situação fática de perdas com créditos de liquidação duvidosa, prevista no artigo 43 da Lei n9 8.981/95, não há que se falar em esgotamento das possibilidades e meios de cobrança. Os abatimentos concedidos ao devedor na liquidação de operações de crédito classificam-se como despesas operacionais e são dedutiveis do lucro operacional. INEXATIDÃO QUANTO AO PERÍODO DE APROPRIAÇÃO DE DESPESAS. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DE IMPOSTO OU CONTRIBUIÇÕES. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA. — Não incide a multa de lançamento de ofício quando da postergação do pagamento não resultar diferença de tributo ou contribuições, a recolher. DEDUÇÃO DA CSLL NA BASE DE CÁLCULO DO IRRi - Para o ano-calendário de 1996, a legislação prevê a dedutibilidade da CSLL na apuração da base de cálculo do IRPJ devendo, o lançamento de ofício, respeitar o comando legal. Por não existir diferença entre lucro declarado e o lançado de ofício, a contribuição lançada de ofício)(tid ve ser r-, P recesso, n. 2 16327.002295/2001-03 Acórdão n 101-95.469 deduzida da base de cálculo do IRPJ, pois o lucro real obtém- se do lucro líquido após a dedução da CSLL. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. AMORTIZAÇÃO-Não é dedutível a amortização do custo de aquisição do fundo de comércio quando inexistir limite de prazo legal ou contratual para a sua exploração. O ágio na aquisição de participações societárias deve ser escriturado no Ativo Permanente, na conta de Investimentos, sendo descabido o registro no Ativo Diferido. As contrapartidas das amortizações do ágio não são computadas na determinação do Lucro Real, nos termos da legislação de vigência. TRIBUTAÇÃO REFLEXA Ao se decidir de forma exaustiva a matéria referente ao lançamento principal de IRPJ, a solução adotada espraia seus efeitos aos lançamentos reflexos, próprios da sistemática de tributação das pessoas jurídicas, quando não tiverem sido oferecidos argumentos específicos para se contraporem a eles. CSLL. ALíQUOTA APLICÁVEL. MATÉRIA SUBMETIDA AO PODER JUDICIÁRIO- Não se conhece de matéria que esteja sendo discutida na esfera judicial. MULTA DE OFÍCIO. CRÉDITOS COM SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. Comprovado que ao tempo da autuação, o contribuinte estava amparado em medida judicial que suspendia a exigibilidade do crédito, não cabe a imposição da multa de ofício. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Acréscimos moratórios são devidos mesmo quando suspensa a exigibilidade do crédito tributário correspondente, por expressa disposição legal, independentemente de lançamento. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sua aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo discutir. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO- Em se tratando de fatos geradores ocorridos em 1995 e 1996, só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre a multa por lançamento de ofício no caso de lançamento de multa isolada, não porém quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Unibanco- União de Bancos Brasileiros S/A. 095 2 Processo, n. 2 16327.002295/2001-03 Acórdão n.Q 101-95.469 ACORDAM, os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para: 1) quanto às infrações apuradas nos termos de fls. 43/52 e 61/67, reduzir da matéria tributável nos anos de 1996 e 1997 os valores comprovados pelos documentos de fls. 742 a 1345; 2) cancelar a multa de 75% aplicada sobre os tributos postergados; 3) excluir da matéria tributável as parcelas exigidas a título de ágio indedutível relativo às aquisições das empresas Cartão Nacional e Nacional Companhia de Seguros; 4) cancelar a redução da parcela de R$ 121.411.885,70 de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa, na constituição do crédito relativo ao ano de 1997; 5) deduzir da base de cálculo do IRPJ do ano de 1996 o valor da CSLL do mesmo período objeto deste processo; 6) reduzir a base de cálculo da multa de ofício sobre o I RPJ dos anos de 1997 e seguintes, em valor correspondente à CSLL para o mesmo período, lançada de ofício; 7) cancelar a multa de ofício incidente sobre a parcela da CSLL lançada, no que exceder à apçlicação da alíquota de 8%; 8) declarar que sobre a multa lançada de ofício só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Roberto Cortez e Caio Marcos Cândido que mantinham a exigência referida no item 3 acima, o Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior que mantinha a exigência referida no item 3 acima, cancelava a exigência relativa à aquisição de carteira de clientes do Banco Nacional e afastava a incidência de juros de mora sobre a muita de ofício e o Conselheiro Manoel Antonio Gadelha Dias que determinava a incidência de juros SELIC sobre a multa de ofício. / ..„,4(- MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS PRESIDENTE SANDRA MARIA FARON1 RELATORA FORMALIZADO EM: k ( 3 Processor n.9- 16327.002295/2001-03 Acórdão n.9 101-95.469 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL e VALMIR SANDRI. Ausente o Conselheiro HÉLCIO HONDA. 72( 4 Processo n. 2 16327.002295/2001-03 Acórdão n. e 101-95.469 Recurso n2. : 146.511 Recorrente : Unibanco- União de Bancos Brasileiros S/A RELATÓRIO Cuida-se de recurso voluntário interposto pela empresa Unibanco- União de Bancos Brasileiros S/A contra decisão da 8 2 Turma de Julgamento da DRJ São Paulo- SP1, que julgou inteiramente procedentes os lançamentos consubstanciados em auto de infração lavrados para formalizar exigências de IRPJ e CSLL relativas aos anos-calendário de 1996, 1997, 1998, 1999 e 2000, cientificados ao contribuinte em 30/10/2001. As irregularidades de que é acusada a empresa, e que resultaram na imputação de 7 infrações para o IRPJ, estão descritas em seis termos lavrados, que se encontram às fls. 43/49, 61/67, 77/81, 124/138, 227/266 e 276/278. • Termos de fls. 43/49 e 61/67 Consoante os Termos de Constatação de fls. 43/49 e 61/67, o autuante entendeu que o contribuinte teria registrado a débito da conta n 2 8.1.9.99.00-6 (Outras Despesas Operacionais — Perdas em Renegociação de Dívidas) os montantes de R$ 25.421.561,00 e R$ 58.461.777,00, nos anos-calendário de 1996 e 1997, respectivamente, com base em supostas perdas ocorridas na renegociação de operações de crédito entre a instituição financeira e seus clientes/devedores. Esses valores foram considerados não dedutiveis para efeito da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Segundo a fiscalização, o contribuinte não teria apresentado a documentação hábil referente às renegociações de dívidas, e mesmo que o tivesse feito, a dedutibilidade estaria condicionada à comprovação do preenchimento dos requisitos previstos pelo art. 43 da Lei n 2 8.981/1995, para as perdas registradas em 1996, e dos requisitos previstos pelo art. 9 2, da Lei n2 9.430/1996, para as perdas registradas em 1997. Aduziu que as perdas nas renegociações dessas dívidas não poderiam caracterizar qualquer aspecto de liberalidade da instituição financeira no curso da operação. • Termo de fls. 77/81 fe,2 5 P rocesso n. 2 16327.002295/2001-03 Acórdão n..Q 101-95.469 De acordo com o Termo Fiscal de fls 77/81, a fiscalização constatou que em dezembro de 1997 o contribuinte teria deduzido indevidamente do lucro real e da base de cálculo da CSLL, sob a rubrica "perdas em operações de crédito", valores relativos a perdas no recebimento de créditos que possuíam as garantias de que trata o §32 do art. 92, da Lei n2 9.430/1996, nos montantes de R$ 56.722.983,76 e de R$ 5.749.433,88, vencidos, respectivamente, nos anos-calendário de 1996 e 1997, e que somente poderiam ter sido deduzidos nos anos-calendário de 1998 e 1999. Nas declarações de rendimentos dos anos-calendário de 1997, 1998 e 1999, foram apresentadas as seguintes bases de cálculo: Ano-calendário IRPJ CSLL 1997 (147.315.542,73) (208.833.899,31L 1998 82.352.762,10 (157.865.212,28) 1999 (23.872.900,16) 559.550.827,40 Em conseqüência da apuração das bases de cálculo negativas, não houve pagamento de IRPJ, no ano-calendário de 1999, e de CSLL, no ano-calendário de 1998. O autuante informou ainda que o contribuinte deduziu das bases de cálculo acima apresentadas, para o ano-calendário de 1997, o valor de R$ 647.262.718,58 sob a rubrica "perdas em operações de crédito". Ao ser intimado a apresentar os documentos para os contratos que tinham as garantias de que trata o §3 2, do art. 92, da Lei n2 9.430/1996, mostrou uma relação de contratos no montante de R$ 62.472.417,64 do total deduzido com perdas no recebimento. Desses, o autuante verificou que R$ 56.722.983.76 se referiam a créditos vencidos no ano-calendário de 1996 e R$ 5.749.433,38 a créditos vencidos no ano-calendário de 1997. Como as perdas de créditos com garantia só poderiam ser deduzidas se os créditos se encontrassem vencidos há mais de dois anos, consoante o disposto no §32, do art. 92, da Lei n2 9.430/1996, entendeu o autuante que os valores R$ 56.722.983.76 e R$ 5.749.433,38, também só poderiam ter sido deduzidos em 1998 e 1999, respectivamente. Afirmou o autuante que a falta de adição da quantia de R$ 56.722.983,76 ao lucro real e à base de cálculo da CSLL, em 31/1211997, referente a perdas no recebimento de créditos com garantia vencidos no an 6 Processo, n. 9 16327.002295/2001-03 Acórdão n. 2 101-95.469 calendário de 1996, e que deveriam ser deduzidos somente no ano-calendário de 1998, resultou em pagamento a menor no ano-calendário de 1997 e em pagamento a maior no ano-calendário de 1998. Ao constatar que no ano-calendário de 1998 o contribuinte pagou o IRPJ devido sobre o mencionado valor, constituiu de oficio o crédito tributário no ano-calendário de 1997, a título de "postergação no pagamento de imposto". Quanto ao valor de R$ 5.749.433,38, referente a perdas no recebimento de créditos com garantia vencidos no próprio ano-calendário de 1997 e que, portanto, poderiam ter sido deduzidos somente no ano-calendário de 1999, adicionou-o ao lucro real do próprio ano-calendário de 1997. Isto porque no ano- calendário de 1999 o contribuinte apurou prejuízo fiscal e não efetuou qualquer pagamento a título de IRPJ, não havendo que se falar em postergação no pagamento de imposto. Quanto à CSLL, adicionou o valor de R$ 56.722.983,76 à base de cálculo do ano-calendário de 1997, pois a contribuição apresentou base de cálculo negativa para o ano-calendário de 1998, não se caracterizando a postergação do tributo. Já para a quantia de R$ 5.749.433,88, levou em consideração que no ano- calendário de 1999 o contribuinte teria pago a contribuição sobre o referido valor, tendo sido exigidos somente juros e multa isolados, no ano-calendário de 1997, em razão da postergação da contribuição. • Termo de fls.124/138 No Termo de Constatação de fls 124/138, a fiscalização relata ter verificado, na declaração de rendimentos do ano-calendário de 1997, que o contribuinte adicionou, na apuração do lucro real, o montante de R$ 1.443.600.454,00 e excluiu R$ 1.666.568.957,00, tudo a título de "provisão para devedores duvidosos" - PDD, resultando uma exclusão líquida de R$ 222.968.503,00. Em cumprimento ao determinado no Termo de Início de Fiscalização, o contribuinte apresentou a relação dos contratos (em papel e meio magnético) cujos valores foram adicionados e excluídos da PDD de 1997, e o doc. de fls. 93, com a "Movimentação da Provisão Para Devedores Duvidosos Período — 1997", apresentando o valor líquido a excluir de R$ 244.464.265,57, portanto, diferente dos R$ 222.968.503,22, conforme demonstrado no Lalur. 7 Processo n. 2 16327.002295/2001-03 Acórdão n.Q 101-95.469 Com base nos dados apresentados pelo contribuinte, e para melhor análise dos valores adicionados/excluídos, na movimentação da PDD/1997, o fiscal elaborou quadro demonstrativo chegando a um valor líquido a excluir de R$ 244.469.190,31 (diferente e maior que os anteriormente mencionados) Informou o autuante que o contribuinte, em 31/12/1997, teria excluído toda a PDD tributada no ano anterior (12/1996), no valor de R$ 1.222.547.000,00. Mas como parte daquele valor, adicionado em 1996, não era dedutível, adicionou-o novamente e excluiu as parcelas que considerou dedutíveis (R$ 647.262.718,58 + R$ 58.642.562,39), ou não tributáveis (R$ 251.876.154,00). Ponderou que, de acordo com o art. 14, da Lei ng- 9.430/1996, a constituição de provisão para devedores duvidosos foi revogada, e por conseguinte, o contribuinte somente poderia excluir, a título de perdas efetivas no recebimento de créditos, valores adicionados no próprio ano-calendário de 1997. A partir dessas constatações, relacionou contrato por contrato, apresentados pelo contribuinte em meio magnético, que compunham o montante excluído em 31/12/1997 (R$ 957.783.434,97), com os valores adicionados na movimentação da PDD, tendo apurado a ocorrência de diversas irregularidades descritas às fls. 129/135. Em vista do apurado, procedeu à retificação dos saldos das contas que compõem a PDD/1997 e recompôs o valor a excluir na apuração do lucro real daquele ano, conforme tabela apresentada às fls. 136, que resultou em R$ 135.889.427,25. A diferença de R$ 87.079.075,75 entre a exclusão feita pelo contribuinte e a exclusão ajustada pela fiscalização, foi adicionada às bases de cálculo do I RPJ e da CSLL. • Termo de fls. 2271266 Segundo o Termo Fiscal de fls. 227/266, em 18/11/1995 o contribuinte, Unibanco — União de Bancos Brasileiros S/A, firmou com o Banco Nacional S/A e com a Unibanco Holdings S/A o "Contrato de Compra e Venda, de Assunção de Direitos e Obrigações e de Prestação de Serviços e Outras Avenças" ( cópia às fls. 139/149), re-ratificado em 08/12/1995. Após analisar o documento re-ratificado, a fiscalização concluiu que, do preço contratado, o valor de R$ 300.000.000,00, avençado a título de ágio na aquisição da carteira de clientes do Banco Nacional S/A, da carteira de clientes da Nacional Cia. de Seguros e da carteira de clientes da empresa Cartão Nacional Ltda, refere-se, de fato, a custo de aquisição de fundo de comércio do Banco Nacional S/A 8 Processo n. 2 16327.002295/2001-03 Acórdão n. 4-22 101-95.469 e a ágio na aquisição de investimentos nas outras duas aquisições, e o contribuinte teria indevidamente considerado esse valor como Ativo Diferido. Como conseqüência, o autuante adicionou, para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, os valores que haviam sido contabilizados em despesas operacionais a título de amortização desses ágios, nos anos-calendário de 1996 a 2000, na forma do quadro apresentado às fls. 266. • Termo de fls.276/278 Registra o Termo de Verificação de fls 276/278 que em 31/12/98 o contribuinte complementou a PDD do ano-calendário de 1997, debitando o respectivo montante (R$ 121.411.885,70) em contrapartida da conta Prejuízos Fiscais de Exercícios Anteriores a Compensar- Ano-calendário de 1997. Da mesma forma, debitou à conta Base Negativa da CSL- Ano-calendário de 1997 o valor de R$ 121.411.885,70 sob o histórico "estorno referente a Perdas com Créditos Duvidosos em Dezembro de 1998". Do saldo total (R$ 918.148.748,20) da conta Provisão para Devedores Duvidosos em 31/12/1998, o contribuinte deixou de adicionar à base de cálculo do lucro real e da contribuição social sobre o lucro líquido a quantia de R$ 121.411.885,70, tendo em vista que mesma já estaria tributada, face ao estorno realizado, retroativamente, nas contas Prejuízos Fiscais de Exercícios Anteriores a Compensar e Base Negativa da Contribuição Social — Ano Calendário de 1997. Por outro lado, de acordo com o artigo 8-g da Medida Provisória ng 1.807/99, o contribuinte, optando por escriturar, em seu ativo, como crédito compensável com débitos da CSLL, contabilizou, a débito da conta Crédito Tributário Impostos/Contribuições, o total de R$ 310.217.193,16, cuja base de cálculo (R$ 1.723.428.850,91), conforme demonstrativo de fls. 273, abrange o valor de R$ 918.148.748,20 (R$ 839.913.458,34 + R$ 78.235.289,86). Registra o autuante que, ao contabilizar como crédito compensável o valor equivalente a 18% da quantia de R$ 121.411.885,70, o contribuinte apresenta evidências de que este valor foi, anteriormente (31/12/97) tributado, face ao estorno realizado retroativamente a 31/12/97 na conta Prejuízos Fiscais de Exercícios Anteriores a Compensar — Ano- Calendário de 1997. k, \ V ht) 9 Processo n. 2 16327.002295/2001-03 Acórdão n.2 101-95.469 Argumenta ainda o autor do procedimento que não procede a pretensão do contribuinte de que a parcela de R$ 121.411.885,70 não deve ser considerada, tendo em vista que tais lançamentos foram efetuados erroneamente, prevalecendo os valores que constam nas Declarações de Rendimentos, tanto no ano base de 1997, como do ano base de 1998, bem como, que não houve lançamento contábil relativamente aos valores e contas acima referidos, de vez que o procedimento errôneo concentrou-se exclusivamente nos lançamentos extra-contábeis pois: (i) o referido valor foi considerado como definitivamente tributado em 1997 para efeitos de compor a base de cálculo do crédito compensável com débitos da CSLL, e (ii) o procedimento errôneo não se centralizou somente em lançamentos extra-contábeis; mas, sim, em lançamentos contábeis ao optar pela constituição de crédito tributário, nos termos do artigo 82 da Medida Provisória 1807/99. São as seguintes as infrações imputadas à empresa: • IRPJ: o Infração 001 - Ano-Calendário 1996: Custos ou Despesas não Comprovadas - Falta de Comprovação de Perdas em Renegociação de Créditos — Termo de fls. 43149 o Infração 002 - Anos-Calendário 1996/2000: Amortização - Valores não Amortizáveis — Termo de fls 227/266; o _Infração 003 - Ano-Calendário 1997: Provisões para Créditos de Liquidação Duvidosa — valor apurado conforme Termo de Constatação lavrado na mesma data e acostado às fls. 124/138; o Infração 004 - Ano-Calendário 1997: Despesas Indedutíveis — Indedutibilidade das Perdas no Recebimento de Créditos com Garantia — Termo de fls. 77/81; o Infração 005 - Ano-Calendário 1997: Perdas no Recebimento de Créditos — Inobservância dos Requisitos Legais — Falta de Comprovação de Perdas em Renegociação de Créditos — Termo de fls. 61/67; o Infração 006 - Ano-Calendário 1998: Glosa de Prejuízos Compensados Indevidamente — Saldos de Prejuízos Insuficientes (Infração Sujeita À Redução Por Prejuízo) - Compensação indevida de prejuízo(s) fiscal(is) 641)1 10 Processo n. P- 16327.002295/2001-03 Acórdão n.P- 101-95.469 apurado(s), tendo em vista a(s) reversão(ões) do prejuízo(s) após o lançamento da(s) infração(ões) constatada(s) no(s) período(s)-base de 1997, através deste Auto de Infração. o Infração 007 - Ano-Calendário 1997: Inobservância do Regime de Escrituração a partir do Ac 97 — Antecipação de Custos ou Despesas - valor apurado conforme Termo Fiscal lavrado na mesma data e acostado às fls. 77/81; • CSLL o Auto de Infração de fls. 299/301: • Tributação Reflexa - Ano-calendário 1996 a 2000- Termos de fls. 43149, 61/67, 124/138 e 227/266. o Auto de Infração de fls. 306/308: • Infração 001 - Ano-Calendário 1997: Inobservância do Regime de Escrituração — A partir do Ac 97 (Financeiras) — Postergação de Receitas — Termo de Constatação de fls. 77/81; • Infração 002 - Ano-Calendário 1997: Redução Indevida do Lucro Líquido — Termo de fls. 77/81; A empresa impugnou tempestivamente os autos de infração, dando origem ao litígio. Na peça impugnativa desenvolve extenso arrazoado ao longo de 150 folhas, ao final assim resumido: "X — RESUMO GERAL X.1 — DAS NULIDADES DO AUTO DE INFRAÇÃO I — Item 1 — 1997 — considerando que o valor de R$ 121.411.885,70 compõe a PDD de 1997, o Fisco está tributando este valor pelo IRPJ e CSL duas vezes, uma quando recompôs o valor da PDD e outra isoladamente quando glosou no mesmo ano-calendário, os prejuízos fiscais neste montante; impondo-se o restabelecimento dos prejuízos fiscais e base negativa da CSL de 1997 neste valor, com o que ficariam absorvidas as exigências feitas nos Itens II— perdas com garantia e III — PDD; II — Item II — 1997 — a) recomposto o valor dos prejuízos conforme acima, o valor exigido neste item a título de perdas com garantia fica por eles absorvido, nada podendo cobrar o Fisco, quer a titulo de IRPJ e CSL, quer a título de multa e juros; b) de qualquer modo é indevida a exigência de multa em havendo 6apenas postergação no pagamento do IRPJ e da CSL, quer porque o art. 6 2,j 72 do r 11 Processo, n. 2 16327.002295/2001-03 Acórdão n. 2 101-95.469 DL 1.598/77 só fala em correção monetária e juros, quer porque tal equivale a denúncia espontânea; III — Item III —PDD — 1997 a) há equívocos da fiscalização quanto aos valores da PDD glosados que por si só são suficientes para determinar a nulidade deste item; b) ainda que assim não fosse, o valor eventualmente devido também ficaria absorvido pelos prejuízos do ano-calendário de 1997 recompostos nos termos do Item 1 acima; IV — Item IV — Perdas no recebimento de créditos — 1996 e 1997 — ao recusar prazo ao lmpugnante para apresentar a documentação relativa a este Item e em seguida efetuar o lançamento de IRPJ e CSL como se os contratos inexistissem, o Fisco: a) afrontou o direito de ampla defesa do Impugnante, b) efetuou o lançamento com base em presunção não comprovada e c) sem motivação fática ou legal adequada; V — Item V — 1996, 1997, 1998, 1999 e 2000 — Ágio — a exigência fiscal feita neste Item é nula porque feita com absoluta desconsideração de resposta a consulta específica e que referendou o procedimento adotado pelo Impugnante. Ademais implica violação aos princípios que informam os artigos 100, parágrafo único, 146 e 161, parágrafo 22 do CTN porque o Impugnante agiu em conformidade com a orientação fiscal e o procedimento fiscal implica mudança de critério jurídico; VI/Vil! — IRPJ — a) 1996 o Fisco não considerou que no ano-calendário de 1996 os valores apurados em relação à CSL eram dedutíveis da base de cálculo do IRPJ pelo regime de competência, de modo que na constituição do crédito tributário objeto da presente autuação deveriam ter sido compensados os valores do Imposto de Renda recolhidos a maior pelo Impugnante, nos termos do que estabelecem o art. 73 da Lei n 2 9.430/96 e o Decreto n22.318/97; b) IRPJ — 1997, 1998 1999 e 2000 — o Fisco não considerou que nos anos-calendário de 1997, 1998, 1999 e 2000 o lmpugnante estava amparado por decisões judiciais proferidas em mandados de segurança que lhe permitiam excluir da base de cálculo do IRPJ a CSL, em razão do que o lançamento poderia contemplar apenas o principal com exigibilidade suspensa, sendo incabível a aplicação de multa punitiva e juros de mora, porque o Impugnante não praticou qualquer infração nem jamais esteve em mora; VII/VIII — CSL — 1996, 1997, 1998 — o Fisco não considerou que o lmpugnante nos anos de 1996, 1997 e 1998 estava amparado por decisões judiciais proferidas em mandados de segurança que lhe permitiam recolher a CSL à alíquota de 8%, em razão do que a diferença para 30% ou 18% somente poderia ser lançada com exigibilidade suspensa, sendo incabíveis multas punitivas e juros mora tórios sobre essas diferenças porque o lmpugnante não praticou qualquer infração nem jamais esteve em mora. MÉRITO IV — Item IV — Perdas no recebimento de créditos — 1996 e 1997 - os valores glosados pelo Fisco são perdas efetivas e definitivas no recebimento dos créditos, cuja tributação pelo IRPJ e CSL afronta não só a legislação de regência desses tributos mas também o art. 43 do CTN, 153, III e 195, I da CF/88; ),() 12 Processo, n. 2 16327.002295/2001-03 Acórdão n. 2 101-95.469 V — Item V — 1996, 1997, 1998, 1999 e 2000 — Ágio — o Impugnante não adquiriu o fundo de comércio do Banco Nacional nem pagou ágio na aquisição das participações societárias do Cartão Nacional e Nacional Seguros; mas, sim, aplicou recursos, ou seja, teve dispêndios na aquisição de carteira de clientes dessas empresas com o objetivo de ampliar sua base de clientes, o que caracteriza despesa necessária e usual amortizável porque irá produzir receitas em exercícios futuros; VI— IRPJ — 1997, 1998 e 2000 — a não exclusão da CSL da base de cálculo do IRPJ é ilegal e inconstitucional violando o CTN e a CF/88; VII — CSL — 1996, 1997, 1998 a exigência de CSL do Impugnante por alíquotas superiores à aplicável às demais pessoas jurídicas é procedimento que viola a anterioridade, irretroatividade e a isonomia; IX — SELIC — na imposição dos juros de mora, o que se admite apenas para argumentar, estes não poderiam ser cobrados na dimensão consignada pelo auto de infração, por terem sido calculados com base na taxa SELIC, índice inadequado para tanto." Foi determinada diligência fiscal, de cujo resultado a fiscalização elaborou o relatório de fls. 2587/2594, dando ciência ao contribuinte de seu teor, em 5 de março de 2004. A manifestação do contribuinte sobre o resultado da diligência se encontra às fls. 2595/2600. A £P Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo — SPO I julgou procedentes os lançamentos, conforme Acórdão 5.989 , de 22 de outubro de 2004, cuja ementa tem a seguinte dicção: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1997 Ementa: REDUÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS FISCAIS. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. Tendo sido o interessado cientificado das infrações que lhe foram imputadas e sendo-lhe concedido prazo regulamentar para apresentação do contraditório, o que ensejou a oportunidade de defesa, restou configurado o atendimento ao princípio do contraditório e da ampla defesa, ainda que não tenha sido indicado o enquadramento legal. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 Ementa: POSTERGAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO E JUROS MORATÓRIOS EXIGIDOS ISOLADAMENTE. Constatada a postergação, em razão da inexatidão quanto ao período- base de escrituração de perdas com créditos com garantia, é cabível o lançamento da multa de ofício e dos juros de mora, exigidos isoladamente, nos termos da legislação aplicável. 13 , Processo, n. 2 16327.002295/2001-03 Acórdão n. P- 101-95.469 POSTERGAÇÃO DO IMPOSTO, DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É incompatível a associação do instituto da denúncia espontânea com o pagamento a posteriori do imposto devido desacompanhado do recolhimento da multa e dos juros de mora. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. As perdas na realização de créditos podem ser consideradas corno despesas dedutíveis para efeito de apuração do Lucro Real, desde que devidamente comprovadas, observadas as condições previstas na legislação de regência. À autoridade administrativa cabe cumprir a determinação legal, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas. ALTERAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO. MATÉRIA DE PROVA. Não há que se falar em alteração de atos ou negócios jurídicos, quando a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária restar fundada em prova inequívoca. DEDUTIBILIDADE DE DESPESAS. Não é dedutível a amortização do custo de aquisição do fundo de comércio quando inexistir limite de prazo legal ou contratual para a sua exploração. O ágio na aquisição de participações societárias deve ser escriturado no Ativo Permanente, na conta de Investimentos, sendo descabido o registro no Ativo Diferido. As contrapartidas das amortizações do ágio não são computadas na determinação do Lucro Real, nos termos da legislação de vigência. PROCESSO DE CONSULTA. Descabe a alegação de nulidade da autuação em face de resposta a consulta anteriormente formulada, quando se verifica, através da análise do teor da resposta e da infração apontada pela autoridade fiscal, que o procedimento do fiscalizado objeto de autuação estava em desacordo com a situação abordada e referendada, na resposta proferida pelo órgão consultado. DEDUÇÃO DE OFÍCIO DA CSLL NA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. IMPOSSIBILIDADE. O direito à dedução da CSLL da base de cálculo do IRPJ, segundo o regime de competência, quando permitido pela legislação tributária, não pode ser exercido na hipótese de lançamento de ofício. Não sendo escriturada no exercício fiscal competente, essa despesa só poderá ser deduzida após o efetivo pagamento da contribuição, ou se, depois de contabilizada, não estiver mais com a exigibilidade suspensa. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 Ementa: TRIBUTAÇÃO REFLEXA Ao se decidir de forma exaustiva a matéria referente ao lançamento principal de IRPJ, a solução adotada espraia seus efeitos aos lançamentos reflexos, próprios da sistemática de tri Lrlação 14 ' Processo n.2 16327.002295/2001-03 Acórdão n. 2 101-95.469 das pessoas jurídicas quando não tiverem sido oferecidos argumentos específicos para se contraporem a eles. CSLL.. ALíQUOTA APLICÁVEL. Aplica-se à CSLL a alíquota prevista na legislação em vigor na data da ocorrência do fato gerador. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. O crédito tributário, cuja exigência está sendo apreciada pelo judiciário, deve incluir a multa de ofício, se o contribuinte não comprovar que estava, ao tempo da autuação,amparado em medida judicial que suspendia a sua exigibilidade. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Acréscimos moratórios são devidos mesmo quando suspensa a exigibilidade do crédito tributário correspondente, por expressa disposição legal, independentemente de lançamento. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sua aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo discutir. Lançamento Procedente. Ciente da decisão, a empresa ingressou com o recurso tempestivo, oferecendo arrolamento de bens. No recurso, desenvolvido em aproximadamente 150 folhas, estão reeditadas as argumentações da impugnação e aduzidas razões específicas para contrapor os motivos declinados pela decisão recorrida para manter a exigência. Em síntese, a interessada pugna pela nulidade do lançamento por falta de liquidez, certeza e exigibilidade dos créditos, alegando: 1- Quanto ao Termo de Verificação Fiscal de fls. 276/278-Glosa de prejuízos fiscais no valor de R$ 121.414,885,70 (1997): a) As considerações do autuante, quanto ao crédito de 18%, feitas no Termo de Constatação, são absolutamente irrelevantes , em nada interferindo no direito de desconsiderar o lançamento feito na parte B do LALUR; b) O fiscal autuante, na diligência, traz um novo fundamento para a recusa em aceitar a desconsideração do lançamento feito no LALUR, dizendo que o procedimento teve a finalidade de compensar parte do valor da PDD passível de tributação do I RPJ e CSLL no ano-calendário de 1998; c) A decisão recorrida aceita o argumento e vai além, inovando também quanto ao fundamento fático da exigência, concluindo que se trata de tentativa de utilização da totalidade do estoque de prejuízo fiscal e da base neg iva da 15 Processa n. 2 16327.002295/2001-03 Acórdão n. 2 101-95.469 CSLL apurados em 1997 acima do limite legal, por uma via transversa, pela constituição de estoque de PDD em dezembro de 1998. d) A argumentação, além de nula, é improcedente, porque em 1998 a Recorrente não se aproveitou deste valor como "parte da PDD passível de tributação", pois o valor excluído a este título de R$ 457.361.491,90 não contempla nenhum dos contratos que deram origem ao valor de R$121.411.885,70, fato que se não fosse verdadeiro deveria ter sido apurado durante a diligência, o que não ocorreu (Parte A do LLUR 1998, linha 3.04) (fls. 2.584 dos autos). 2 — Quanto ao Termo Fiscal de fls. 77/81— 1997 - I.R.P.J. — lndedutibilidade das Perdas no Recebimento de Créditos com Garantia — Postergação no Pagamento do Imposto — Antecipação de Despesas: a) recomposto o valor dos prejuízos conforme acima, o valor exigido neste item a título de perdas com garantia fica por eles absorvido, nada podendo cobrar o Fisco, quer a título de IRPJ e CSL, quer a título de multa e juros; b) de qualquer modo é indevida a exigência de multa em havendo apenas postergação no pagamento do IRPJ e da CSL, quer porque o art. 6 2 , § 72 do DL 1.598/77 só fala em correção monetária e juros, quer porque tal equivale a denúncia espontânea; 3 — Quanto ao_Termo Fiscal de fls. 124/13: 1997/I.R.P.J. e C.S.L.LJ1997 — PDD — Tributação das exclusões de valores não tributados, bem como de valores deduzidos em duplicidade a) há equívocos da fiscalização quanto aos valores da PDD glosados que são suficientes para determinar a nulidade deste item; b) ainda que assim não fosse, o valor eventualmente devido também ficaria absorvido pelos prejuízos do ano-calendário de 1997 recompostos nos termos do Item 1 acima; 4 — Quanto aos Termos de fls. 43/49 e 61167: Perdas no recebimento de créditos — 1996 e 1997 - Despesas Indedutiveis — Falta de Comprovação de Perdas em Renegociação de Créditos" Ao recusar prazo ao Impugnante para apresentar a documentação relativa a este Item e em seguida efetuar o lançamento de IRPJ e CSL como se os contratos inexistissem, o Fisco: a) afrontou o direito de ampla defesa do Impugnante, 16 Processo n. 2 16327.002295/2001-03 Acórdão n. 2 101-95.469 b) efetuou o lançamento com base em presunção não comprovada e c) sem motivação fática ou legal adequada; 5 — Quanto ao Termo de fls. 227/266 :1996, 1997, 1998, 1999 e 2000 — Ágio na aquisição de investimento e Fundo de Comércio a) A exigência fiscal feita neste Item é nula porque feita com absoluta desconsideração de resposta a consulta específica e que referendou o procedimento adotado pelo Impugnante. Ademais implica violação aos princípios que informam os artigos 100, parágrafo único, 146 e 161, parágrafo 22 do CTN porque o Impugnante agiu em conformidade com a orientação fiscal e o procedimento fiscal implica mudança de critério jurídico; b) IRPJ — 1996- O Fisco não considerou que no ano-calendário de 1996 os valores apurados em relação à CSL eram dedutíveis da base de cálculo do IRPJ pelo regime de competência, de modo que na constituição do crédito tributário objeto da presente autuação deveriam ter sido compensados os valores do Imposto de Renda recolhidos a maior pelo Impugnante, nos termos do que estabelecem o art. 73 da Lei n2 9.430/96 e o Decreto n2 2.318/97; c) IRPJ — 1997, 1998 1999 e 2000 — O Fisco não considerou que nos anos- calendário de 1997, 1998, 1999 e 2000 o Impugnante estava amparado por decisões judiciais proferidas em mandados de segurança que lhe permitiam excluir da base de cálculo do IRPJ a CSL, em razão do que o lançamento poderia contemplar apenas o principal com exigibilidade suspensa, sendo incabível a aplicação de multa punitiva e juros de mora, porque o Impugnante não praticou qualquer infração nem jamais esteve em mora; 6- CSL —1996, 1997, 1998 — O Fisco não considerou que o Impugnante, nos anos de 1996, 1997 e 1998, estava amparado por decisões judiciais proferidas em mandados de segurança que lhe permitiam recolher a CSL à alíquota de 8%, em razão do que a diferença para 30% ou 18% somente poderia ser lançada com exigibilidade suspensa, sendo incabíveis multas punitivas e juros moratórios sobre essas diferenças porque o Impugnante não praticou qualquer infração nem jamais esteve em mora. Em seguida aborda os itens abaixo como questões de mérito, com as alegações a seguir resumidas: GeV 17 Processo n. 2 16327.002295/2001-03 Acórdão n. 2 101-95.469 1 - Perdas no recebimento de créditos — 1996 e 1997 - Os valores glosados pelo Fisco são perdas efetivas e definitivas no recebimento dos créditos, cuja tributação pelo IRPJ e CSL afronta não só a legislação de regência desses tributos mas também o art. 43 do CTN, 153, III e 195, I da CF/88; 2- Ágio — 1996, 1997, 1998, 1999 e 2000 — o lmpugnante não adquiriu o fundo de comércio do Banco Nacional nem pagou ágio na aquisição das participações societárias do Cartão Nacional e Nacional Seguros; mas, sim, aplicou recursos, ou seja, teve dispêndios na aquisição de carteira de clientes dessas empresas com o objetivo de ampliar sua base de clientes, o que caracteriza despesa necessária e usual amortizável porque irá produzir receitas em exercícios futuros; 3- IRPJ — 1997, 1998 e 2000 — a não exclusão da CSL da base de cálculo do IRPJ é ilegal e inconstitucional violando o CTN e a CF/88; 4— CSL — 1996, 1997, 1998 a exigência de CSL do Impugnante por alíquotas superiores à aplicável às demais pessoas jurídicas é procedimento que viola a anterioridade, irretroatividade e a isonomia; 5 — Juros de mora sobre a multa de ofício- A Recorrente se insurge contra os juros de mora incidentes sobre a multa de ofício e esclarece que essa matéria não foi objeto da impugnação porque tais juros não foram lançados no Auto de Infração, tendo a Recorrente tomado conhecimento da exigência somente quando da intimação da decisão de 1 2 instância, ao conferir os cálculos para efeito de arrolamento de bens, como afirmado acima 6- SELIC — na imposição dos juros de mora, o que se admite apenas para argumentar, estes não poderiam ser cobrados na dimensão consignada pelo auto de infração, por terem sido calculados com base na taxa SELIC, índice inadequado para tanto. É o relatório. \Í 18 Processo n. 2 16327.002295/2001-03 Acórdão n. 2 101-95.469 VOTO Conselheira SANDRA MARIA FARONI, Relatora O recurso é tempestivo e atende os pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. Preambularmente, registro que em razão da jurisdição limitada deste Conselho, não apreciarei as questões concernentes à constitucionalidade de lei. Isso inclui a exigência de CSLL por alíquotas superiores à aplicável às demais pessoas jurídicas e a utilização da taxa Selic para quantificação dos juros de mora, que estão previstas em leis regularmente inseridas no ordenamento jurídico pátrio, não podendo ter sua aplicação negada por órgão integrante do Poder Executivo. Não merece acolhida a preliminar de nulidade do auto de infração por erros na apuração dos valores exigidos em diversos itens, implicando falta de liquidez, certeza e exigibilidade. Essas alegações devem ser apreciadas como mérito. Eventuais erros na apuração do crédito, se restarem provados, poderão acarretar o provimento total ou parcial do recurso, não implicando nulidade do lançamento. Outras argüições de nulidade especificamente levantadas quanto a cada Termo de Verificação serão apreciadas com a análise do respectivo Termo. As irregularidades de que é acusada a empresa se referem a: (a) despesas relacionadas com a Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa (PDD) e com perdas na renegociação ou recebimento de créditos e (b) amortização de valor contabilizado como ativo diferido. Essas irregularidades foram apuradas em 6 Termos de Verificação que motivaram a lavratura de um auto de infração para o IRPJ e dois para a CSLL identificando as infrações a ele relacionas: Infração ng TERMO Fls. IRPJ CSLL Al fl. 299 Al fl. 306 43/49 1 1 61/67 5 1 77/81 4 e 7 1e2 124/138 3 1 227/266 2 1 276/278* 6** o r_ 19 Processo n. 2 16327.002295/2001-03 Acórdão n. 2 101-95.469 * Redução do prejuízo a compensar e da base negativa da CSLL a compensar de 1997 **Compensação indevida de prejuízos em 1998 tendo em vista a reversão dos prejuízos após o lançamento das infrações de 1997 Passo a apreciar as razões de recurso. I- Falta de comprovação de perdas na renegociação de créditos A primeira das irregularidades apontadas consistiu na falta de comprovação de perdas na renegociação de créditos. Essa irregularidade está descrita nos Termos de Constatação de fls. 43/49 e 61/67, e dela resultou a glosa de despesas nos montantes de R$ 25.421.561,00 e R$ 58.461.777,00, nos anos- calendário de 1996 e 1997, respectivamente, infrações 001 e 005 do auto de infração do IRPJ, com decorrência na CSLL. A Recorrente alega que a fiscalização não demonstrou a ocorrência do fato gerador. Diz que não houve um exame efetivo acerca da indedutibilidade das perdas, porque o auditor não concedeu a prorrogação do prazo para apresentação da documentação pedida. Pondera sobre a impossibilidade de apresentação da documentação pedida no curto prazo assinalado, e que, por ser dever do Fisco provar a indedutibilidade para poder glosar as perdas, o lançamento deve ser anulado. Argumenta com o conceito de lucro, que não estaria sendo observado no caso, asseverando que o lançamento está baseado em presunção. A argumentação em torno do conceito de lucro tem aplicação relativa. É que há distinção entre o lucro societário e o tributável, e nem toda a despesa efetuada pela empresa é admitida pela legislação tributária como dedutível. Bem por isso o Decreto-lei n2 1.598/77 tratou de fazer as adaptações do resultado apurado segundo a lei societária às determinações da legislação fiscal, criando, inclusive, o Livro de Apuração do Lucro Real. Sendo o processo administrativo um procedimento de controle da legalidade do lançamento, mesmo que as perdas na renegociação reduzam efetivamente o lucro societário, não poderão reduzir o lucro tributável se houver lei nesse sentido. 20 Processo n.2 16327.002295/2001-03 Acórdão n.2 101-95.469 Tem procedência a afirmativa de que cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato gerador. Todavia, cabe ao contribuinte comprovar que tem direito à dedutibilidade prevista na lei fiscal, por atender aos seus pressupostos. É bem verdade que, tendo em vista as características dos documentos pedidos na intimação que antecedeu o lançamento, não é razoável a concessão de prazo tão exíguo (20 dias). Não obstante, esses documentos poderiam ter sido trazidos com a impugnação, dando oportunidade ao julgador de considerá-los. Note- se que a primeira intimação para apresentação dos documentos foi em abril de 2000, e a impugnação foi apresentada novembro de 2001, portanto quando já decorrido prazo superior aos 180 dias pleiteados. O contribuinte limitou-se a apresentar uma amostragem da documentação com a impugnação (meses de dezembro de 1996 e abril de 1997), que foi considerada pelo julgador. Essa circunstância permite concluir que o curto prazo concedido para apresentação da documentação não acarretou cerceamento de defesa. Rejeito a preliminar Com a impugnação foram juntados documentos relativos a dezembro de 1996 e abril de 1997 assim agrupados: 1996 Tipo de desconto Fls. Desconto concedido sob acordo nos autos 75911767 Desconto concedido em encerramento em C/C 771/792 Desconto concedido em liquidação de contrato 793/827 Descontos concedidos em liquidação de parcelas 828/835 de contrato Estorno de juros, comissões e tarifas 743/758 1997 Tipo de desconto Fls. Desconto concedido sob acordo nos autos 1135/1351 c4) 21 Processo n. 2 16327.002295/2001-03 Acórdão n. 2 101-95.469 Desconto concedido em encerramento em C/C 837/921 Desconto concedido em liquidação de contrato 1050/1134 Encerramento de C/C, estorno de juros s/coms. e tarif 922/967 Estorno de juros cobrados indevidamente 968/1046 O julgador de primeira instância analisou-os e considerou que alguns deles representam descontos que, pela sua magnitude, caracterizam-se como liberalidade, e os demais não apresentam elementos necessários para se verificar o atendimento aos requisitos previstos na legislação de regência. Assim, manteve a glosa ao fundamento de que, para serem dedutíveis, as perdas não poderiam caracterizar liberalidade, e deveriam atender as condições previstas na Lei 8.981/95 e na Lei 9.430/96. Quanto à questão da liberalidade, peço vênia para discordar do ilustre Relator. É notório que, para as instituições financeiras, em negociações com os clientes para possibilitar o recebimento dos créditos, a concessão de descontos, mesmo expressivos, não representa liberalidade, caracterizando-se como despesa necessária, usual e normal. O segundo fundamento da decisão para manter a glosa também não prospera. Antes da vigência da Lei 9.430/96 a sistemática consistia em constituir uma provisão baseada em estimativas levando em consideração o estoque de créditos, e deduzir o respectivo valor. Ou seja, a dedução era feita antes que ocorresse qualquer perda. Sobrevindo a perda, o lançamento não era em conta de resultado, uma vez que para tanto fora constituída provisão, e apenas quando esgotada a provisão a diferença era levada a resultado. Essa sistemática mudou com a Lei 9.430/96, que vedou a constituição da provisão, e as perdas (definitivas ou provisórias) passaram a ser contabilizadas diretamente como conta de resultado. As disposições dos §§ 8 Q e 9Q do artigo 43 da Lei 8.981/95 e do art. 92 da Lei 9.430/96 dizem respeito a perdas provisórias, isto é, a créditos para os quais não foi dada quitação ao devedor, mas que já estejam vencidos há um ou dois anos, 22 6‘) /(3, Processo n. 2 16327.002295/2001-03 Acórdão h. 2 1 01 -95.469 ou para os quais tenham sido esgotados os meios legais de cobrança. Não se compreendem, aí, os créditos já liquidados (perdas definitivas). De fato, o § 72 do artigo 43 da Lei 8.981/95 determina que os prejuízos realizados no recebimento de créditos serão obrigatoriamente debitados à provisão e o eventual excesso verificado será debitado a despesas operacionais. Portanto, não há qualquer condição para a dedução das perdas definitivas. Apenas, eram elas debitadas à provisão antecipadamente constituída para suportá-las, sendo debitadas a despesas em caso de a provisão ser insuficiente para suportá-las. O parágrafo 8 2 do art. 43 permitia o débito de perdas provisórias, isto é, de créditos vencidos há um ou dois anos (conforme o valor), mas para os quais o credor não deu quitação ao devedor. Da mesma forma, o § l g do art. 92 da Lei 9.430/96 trata das condições para dedução de perdas não definitivas, mas que em certas circunstâncias relacionadas com a existência de garantia e o tempo decorrido desde o vencimento, já podem ser consideradas perdas. A Sétima Câmara deste Conselho, analisando a mesma questão (sob a égide da Lei 8.981/95), entendeu, por unanimidade, que os abatimentos concedidos ao devedor na liquidação de operações de crédito classificam-se como despesas operacionais e são dedutíveis do lucro operacional. Oportuno transcrever parte do voto do ilustre Relator, Dr. Paulo Roberto Cortez, condutor do Acórdão 107- 6.506, de 17 de dezembro de 2001: "A autoridade fiscal procedeu a glosa parcial das despesas registradas sob o título de perdas com operações de crédito, por considerar que as deduções não dizem respeito com o disposto na legislação pertinente (art. 43 da Lei n 2 8.981/95), tendo consignado que os valores registrados tratam-se de atos de mera liberalidade da Recorrente em decorrência de não se valer de todos os meios legais para o recebimento integral junto aos respectivos devedores. V- 23 Processe n. 2 16327.002295/2001-03 Acórdão n. 2 101-95.469 Por seu turno, o julgador de primeira instância decidiu pela manutenção do presente item sob os seguintes fundamentos: "Provisão não se confunde com despesa. A primeira, que se registra em uma conta redutora de ativo, visa a fazer frente a futuros contratempos, resguardando a empresa, enquanto que a despesa é o lançamento, em conta de resultado, da contrapartida necessária à formação da provisão. ) Ressalte-se novamente que a despesa é a contrapartida da formação da provisão, porém, somente será dedutível a parcela que se utilizou para levar o saldo da provisão existente no início do período ao limite máximo determinado pela lei fiscal. Além desse montante, toda a despesa lançada em contrapartida à constituição da provisão será indedutível. (----) Nos termos do § 79 do art 43 da Lei ng 8„981/95, os prejuízos realizados no recebimento de créditos serão obrigatoriamente debitados à provisão para créditos de liquidação duvidosa e o eventual excesso verificado será debitado a despesas operacionais. Por outro lado, o débito dos prejuízos a que se refere esse parágrafo somente poderá ser efetuado quando atendidas as condições estabelecidas nos §§ 9 2 e 102 Note-se que a condição para a dedutibilidade dos prejuízos debitados em prazos inferiores, conforme o caso, aos estabelecidos no parágrafo 8, é o esgotamento dos recursos de cobrança.," Tenho, entretanto, que não se configura, no caso, a hipótese de incidência da norma, ou seja, não se trata de aplicação da provisão para créditos de liquidação duvidosa, pois, nesse caso, existe uma dúvida quanto ao posterior recebimento dos créditos, sendo que a lei civil possibilita ao credor a cobrança total dos seus haveres e, a lei fiscal exige que se esgote todos os meios de cobrança para possibilitar a dedutibilidade das perdas.. VQ 24 Processo, n. 2 16327.002295/2001-03 Acórdão n. 101-95.469 Porém, temos na presente situação fática, um acerto efetuado entre a Recorrente (credor) e clientes (devedores), no qual o primeiro, com o intuito de liquidação definitiva de contratos de empréstimos, reduziu uma parcela do montante dos seus créditos junto a determinados clientes, tornando definitiva a perda ocorrida, impossibilitando, assim, a cobrança futura da parcela perdoada. Deve-se ressaltar ainda que, no valor total dos créditos registrados pela Recorrente, além da importância originária do empréstimo, encontrava-se incluída a parcela de atualização monetária e de juros, a qual, depreende-se que foi reconhecida como receita pela Recorrente. Dessa forma, o desconto concedido pela pessoa jurídica transforma-se em um ajuste entre as contas de receitas reconhecidas pelo regime de competência, decorrente dos empréstimos concedidos aos clientes, e a parcela reduzida do crédito recebido, a qual foi registrada como despesa. Ou seja, para a liquidação dos contratos, foi concedido uma redução no saldo devedor, extinguindo definitivamente a dívida, evitando assim, a demora no recebimento e o litígio para a execução. Não consta dos autos que o contribuinte tenha procedido de forma diversa, ou seja, que não tenha reconhecido suas receitas pelo regime de competência, aí sim, haveria uma irregularidade fiscal passível de lançamento de ofício. Pode-se concluir, sem sombra de dúvidas, que as provisões autorizadas pela legislação, referem-se a possíveis perdas estimadas, futuras, ou seja, ainda não incorridas, mas que poderão ocorrer, conforme estabelecido no artigo 43 da Lei ng 8..981/95, com as restrições ali previstas. No caso em tela, constatamos a ocorrência de perdas efetivas, concretas e definitivamente incorridas, podendo comparar, a grosso modo, com a perda ocorrida no setor produtivo de uma indústria ou a quebra verificada com mercadorias perecíveis em uma empresa comercial. Entendo que a perda glosada não se trata de mera liberalidade pois, como se depreende dos autos, houve a prática negociai lícita no sentido de evitar maiores prejuízos, tendo as perdas ocorridas em razão do acerto final para o recebimento dos haveres. É claro que o lançamento de ofício seria cabível caso se apurasse alguma irregularidade nos atos negociais, como, por exemplo, a falta de registro dos recebimentos ou dos juros incorridos, mas este não é o caso em questão. O que foi questionado pelo Fisco situa-se na dedutibilidade ou não dos descontos concedidos aos clientes para o acerto final dos empréstimos concedidos o que, como visto acima, deve ser considerado como despesa operacional dedutível da base tributável." Tendo em conta as razões declinadas, entendo que deva ser provido em parte esse item, para reduzir da matéria tributável os valores comprovados pelos documentos de fls. 742 a 1345. II- lndedutibilidade das perdas no recebimento de créditos com garantia A segunda das irregularidades apontadas se relaciona com a indedutibilidade das perdas no recebimento de créditos com garantia. Essa irregularidade está descrita no Termo de Constatação de fls. 77/81, e dela resultaram a glosa de despesas indedutiveis, no montante de R$ 5.749.433,38 e acusação de postergação no pagamento de tributos incidentes sobre o montante de R$ 56.722.983,76, no ano-calendário de 1997, respectivamente, infrações 004 e 007 do auto de infração do I RPJ, e 001 e 002 do AI de fls.306 e seguintes, da CSLL. cvt 25 Processo n. 2 16327.002295/2001-03 Acórdão n. 2 101-95A69 Intimado pela fiscalização a identificar créditos que não tinham garantia computados como perdas no ano-calendário de 1997 (fl. 68) e apresentar os respectivos documentos, o contribuinte apresentou relação dos contratos nos quais foi identificada cláusula de garantia, conforme disposto no § 3 2 do art. 92 da Lei n2 9.430/96, totalizando R$ 62.472.417,64. Analisando-os, constatou a fiscalização que desse total, os montantes de R$ 56.722.983,76 e de R$ 5.749.433,88, venceram, respectivamente, nos anos-calendário de 1996 e 1997, e somente poderiam ter sido deduzidos nos anos-calendário de 1998 e 1999. Essa constatação deu lugar a lançamento em parte como diferença de tributos e em parte como postergação. A Recorrente alega que as garantias mostravam-se imprestáveis, e por isso os créditos foram reclassificados como "sem garantia". No mais, argumentou apenas, quanto ao valor adicionado às bases de cálculo do IRPJ, que, ainda que fosse devido o tributo, seria ele absorvido pelo restabelecimento dos prejuízos fiscais. Quanto ao lançamento por postergação, argumentou sobre o descabimento da multa e sobre a irregularidade do lançamento (inobservância do PN 02/96). A alegação de imprestabilidade das garantias sequer merece ser examinada, uma vez desacompanhada de provas (alegar sem provar é não alegar). É preciso ter em mente que provar significa contextualizar elementos relevantes, articulá-los no sentido da comprovação dos fatos alegados, e não meramente coletar e disponibilizar uma massa de documentos não hierarquizados. O sujeito passivo deve, utilizando-se de todos meios ao seu alcance dentro de um critério de razoabilidade, demonstrar e identificar com precisão todos os equívocos que alega terem sido cometidos pela fiscalização. Apenas se demonstrados e identificados os equívocos com referência expressa aos documentos/lançamentos que os provam, tem o julgador como apreciar as razões de bloqueio levantadas pelo contribuinte. A questão de absorção pelo restabelecimento de prejuízos será examinada quando da apreciação do Termo de Verificação correspondente aos prejuízos glosados.. Afirma, ainda, a Recorrente que a autuação decorreu exclusivamente da dedução em prazo inferior a dois anos, e não da indedutibilidade das perdas prováveis de créditos com garantia. Acrescenta que, por se tratar efetivamente de créditos cujo recebimento não ocorreu ou ocorreu apenas em parte em função da 6?) 26 Processo ,n. 2 16327.002295/2001-03 Acórdão n. 2 101-95.469 inexistência das garantias, não pode prevalecer a exigência, porque estar-se-ia tratando como exigência definitiva o que seria apenas provisória. Esse argumento da Recorrente cai por terra diante do fato de que a fiscalização não se limitou a glosar as perdas deduzidas, mas considerou os efeitos nos exercícios em que elas seriam dedutíveis. Passa-se a examinar o aspecto da postergação. Sobre o imposto postergado a fiscalização aplicou a multa de 75%, e a decisão de primeira instância confirmou-a ao fundamento de que à postergação não mais se aplica a regra do Decreto-lei 1.598/77, que estaria derrogada por lei posterior, especificamente o art. 44, inciso I e § 1 2 , II, da Lei n 2 9.430/1996. Nesse particular, entendo equivocada a decisão recorrida. Em não havendo revogação expressa, a norma posterior revoga a anterior quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria, o que, no caso, não ocorreu. A Lei n2 9.430/96 não tratou especificamente de postergação de tributos em razão de inexatidão de período de competência. O inciso I do artigo 44 trata genericamente de qualquer recolhimento de tributo após o vencimento e sem a multa de mora, e o inciso II determina que, nesse caso, a multa será exigida isoladamente. O § 72 do art. 62 do Decreto-lei n 2 1.598/77 trata especificamente de postergação de imposto de renda de pessoa jurídica em razão de inexatidão de período de competência, prevendo a cobrança, apenas, dos juros de mora e da correção monetária. Como é cediço, a norma especial prevalece sobre a norma geral. E a norma do Decreto-lei n 2 1.598/77 é específica para o caso, enquanto a norma do art. 44 da Lei n2 9.430/96 é geral. Inaplicável, pois, a multa de ofício imposta. III- PDD - Exclusão indevida de valores não tributados e dedução em duplicidade A terceira das irregularidades de que é acusada a empresa consistiu em ter afetado a PDD com exclusão indevida de valores não tributados, bem como de dedução de valores em duplicidade. Essa irregularidade está descrita no Termo de Constatação de fls. 124/138, e dela resultou a adição para tributação no montante de R$ 87.079.075,75 no ano-calendário de 1997, infração 003 do auto de infração do IRPJ, com decorrência na CSLL. (') 27 Processo n. 2 16327.002295/2001-03 Acórdão n. 2 101-95.469 Conforme descrito no Relatório, a Fiscalização analisou a movimentação da PDD, e na relação fornecida pelo contribuinte em meio magnético, procurou identificar, contrato por contrato, o montante excluído em 31/12/97 em relação com os valores adicionados, tendo apurado a ocorrência de diversas irregularidades. Procedeu então à retificação dos saldos das contas que compõem a PDD/1997 e recompôs o valor a excluir na apuração do lucro real daquele ano, chegando a uma diferença de R$ 87.079.075,75 entre a exclusão feita pelo contribuinte e a exclusão ajustada pela fiscalização. Essa diferença foi adicionada às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. A interessada alegou que a análise do fiscal foi parcial, e para demonstrar equívocos da fiscalização trouxe, exemplificativamente, casos relacionados a contratos com Mesbla Lojas de Departamentos, outros contratos com empresas concordatárias e contratos transferidos do ativo normal diretamente para prejuízos, sem passar por créditos em liquidação. Apontou e demonstrou, assim, o que considerou equívocos que reduziriam esse item em R$24.385.133,41. Na primeira instancia o julgamento foi convertido em diligência a fim de elucidar os pontos trazidos pela então impugnante. No relatório de diligência a autoridade diligenciante esclareceu inicialmente que, de acordo com a legislação aplicável, as instituições financeiras cujos assentamentos contábeis são realizados, resumidamente, em Balancetes Diários, devem escriturar as denominadas 'fichas de lançamento' (livro auxiliar), nas quais serão especificadas, analiticamente, com clareza e sem rasuras, o histórico da operação, os débitos e créditos, além dos demais elementos necessários à sua individualização. Em seguida, relatou que o contribuinte não apresentou à fiscalização as 'fichas de lançamentos', ou qualquer outro 'livro auxiliar', regularmente autenticado, para que ficassem comprovadas suas alegações. A decisão de primeira instancia considerou que os documentos trazidos pelo impugnante por ocasião da diligência e analisados pelo autuante são listagens com valores consolidados, agregados, de sorte a não ser possível cotejá-los com os valores contestados pelo impugnante em sua peça inicial de defesa, não constituindo prova suficiente do alegado. Acrescentou que ainda que sejam as referidas "fichas de lançamento" correspondentes ao movimento diário do contribuinte, a contestação (.)-) 28 Processo n. 2 16327.002295/2001-03 Acórdão n. 2 101-95.469 resultou improfícua, visto não terem sido decompostos os referidos saldos contábeis, acompanhados da documentação individual que os sustentam. Sobre esse item, as principais alegações recursais são as seguintes: a) O contribuinte demonstrou a adição dos valores, que era a causa para a não aceitação da exclusão, e o fiscal autuante alterou essa fundamentação, no que foi seguido pela r. decisão recorrida, passando a alegar agora que a documentação trazida pela Recorrente aos autos por ocasião da diligência seria imprestável para comprovar os fatos. b) A documentação juntada (demonstrativos, Razão Analítico/Balancete Diário, cópias de contratos, extrato de conta corrente 398/101988-2 comprovando depósitos efetuados, e outros) é exatamente a mesma apresentada ao ilustre Fiscal autuante por ocasião da fiscalização e foi considerada idônea para a análise completa da PDD de 1997, que acabou por referendar a maior parte dos lançamentos feitos pela Recorrente, dando origem ainda à exigência fiscal feita neste Item. c) Tratando-se de diligência solicitada pela 8 2 Turma de Julgamento, que equivale a verdadeira perícia, e não de prova documental, deveria o ilustre Fiscal autuante fazer as verificações "in loco" nos livros e registros contábeis da Recorrente. Entretanto, limitou-se ele a solicitar aa Recorrente a apresentação de documentos que embasassem as suas alegações, os quais evidentemente foram apresentados por cópias (as mesmas apresentadas por ocasião da fiscalização), as quais o Fiscal e a r. decisão recorrida dizem não ter qualquer valor probante, alegando que a prova deveria ser feita apenas por "fichas de lançamento" ou qualquer outro "livro auxiliar" regularmente autenticado. d) Quanto às "fichas de lançamento", reafirma que seria inviável efetuar uma para cada operação bancária, porque são milhões delas todos os dias (atualmente são cerca de quarenta e oito milhões de transações diárias em cerca de 1.400 pontos de atendimentos, que geram diariamente cerca de 600.000 fichas de lançamentos já sumarizados). A decisão recorrida invoca o item 6.11 das Normas Contábeis do Bacen para concluir pela necessidade de uma ficha contábil para cada transação, esquecendo-se de que este item não pode ser analisado isoladamente dos demais, em especial dos itens 6.1, 6.2, 6.12 e 6.15 especificamente aplicáveis aa Recorrente. Isso porque o item 6.1 p ssibilita a 29 Processo n.-Q 16327.002295/2001-03 Acórdão n. Q 101-95.469 opção entre manter o Livro Diário ou o livro Balancetes Diários e Balanços. Tendo a Recorrente optado, nos termos previstos no subitem 6.2, pela adoção do livro Balancetes Diários e Balanços, ficou sujeito ao disposto nos itens 6.12 e 6.15, expressos em permitir fichas de lançamento para o movimento diário, acompanhadas de controles analíticos, exatamente como faz a Recorrente. e) Mesmo que tivesse razão o fisco quanto a este item do auto de infração, a base de cálculo tributável considerada no ano-calendário de 1997, de R$87.079.075,75, ainda que reduzida apenas pelos ajustes acima, ficará totalmente absorvida pelos prejuízos fiscais e pela base de cálculo negativa da CSL do período restabelecidos pela inclusão dos R$121.411.855,70, nada sendo devido a título de IRPJ e CSL no ano-calendário de 1997 em decorrência de eventuais equívocos no registro de valores anteriormente contabilizados como perdas e que a final foram recuperados. Para decidir sobre esse item é preciso ter em mente que no termo de início do procedimento fiscal o auditor intimou o contribuinte a apresentar a movimentação contábil da conta PDD. Com base na documentação apresentada, o fiscal identificou irregularidades e recompôs a movimentação, tributando a diferença que entendeu excluída a maior. Como o contribuinte contestou a recomposição feita pelo fiscal, alegando, em última análise, que a diferença reclamada pela fiscalização estaria compreendida em outros itens da PDD por ele não analisados, o julgamento foi convertido em diligência para que fosse averiguada a procedência das razões de defesa. Neste ponto, cumpre observar que o ônus da prova é da pessoa a quem ela aproveita. Por isso, descabe falar que o fiscal deveria ter desclassificado a escrita do contribuinte. No caso, os elementos integrantes da escrita do contribuinte apresentados no curso da fiscalização foram considerados idôneos e suficientes para a apuração do lucro real, e com base neles o fiscal se desincumbiu do seu ônus de demonstrar (provar) a ocorrência do fato gerador (diferença não oferecida à tributação). Se tais elementos levaram o fiscal a uma percepção errônea, como assevera o contribuinte, cabe a ele o ônus de provar o equívoco cometido. Para ver 30 Processo n. 2 16327.002295/2001-03 Acórdão n. 2 101-95.469 acolhido seu pleito, cumpre ao sujeito passivo trazer aos autos tudo que possa para convencer o julgador da correção do seu procedimento. O auditor diligenciante não se limitou, como afirma a Recorrente, a solicitar ao contribuinte, genericamente, a apresentação de documentos que embasassem suas alegações. Entre outras exigências, no curso da diligência intimou- o expressamente a: (a) comprovar, documentalmente, o efetivo recebimento, no ano de 1997, dos valores que compõem a recuperação de saldos com concordatárias bem como apresentar razão analítico e Livro Diário no qual as mencionadas recuperações foram, devedor por devedor, contabilizadas em conta de receita; (b) apresentar as fichas de lançamento a que se refere a Lei 4.843/65, especificando, com clareza e sem rasuras, o histórico da operação, os débitos e os créditos e os demais elementos necessários à sua individuação, comprovando que os valores dos contratos, no montante de R$17.007.986,47 foram efetivamente transferidos de conta de ativo normal diretamente para Prejuízos/Perdas, sem passar por Créditos em Liquidação e (c) a apropriação, no ano-calendário de 1997, do valor de R$6.004.679,19, relativo ao crédito junto à Mesbla, em conta de prejuízo e em conta de PDD. Sobre a inexigibilidade de uma ficha de lançamento para cada operação, a própria Recorrente faz referência às Normas COSIF, transcrevendo o item 6.15 que estabelece que "a adoção do livro Balancetes Diários e Balanços obriga a manutenção de controles analíticos que permitam identificar, a qualquer tempo, a composição dos saldos das contas (Circ 1273)." A vasta documentação apresentada pelo contribuinte no curso da diligência, e que inclui "Razão Analítico/Balancete Diário", não permite identificar na contabilidade a composição dos valores nela inseridos. Assim, tendo o auditor intimado a empresa a apresentar as "fichas de lançamento" para comprovar os fatos contábeis que teriam causado os equívocos, uma vez que o contribuinte optou pelos Balancetes Diários, deveria apresentar os controles analíticos que permitissem localizar a composição dos saldos das contas, inclusive fazendo referência, nos documentos, aos valores cuja comprovação se busca. Porque, como já referido na apreciação do item precedente, provar significa contextualizar elementos relevantes, não bastando coletar informações e documentos 31 Processo n..9- 16327.002295/2001-03 Acórdão n. 9-. 101-95.469 sem estabelecer correlações e hierarquizá-los no sentido da comprovação dos fatos alegados. A interessada deixou de passar a oportunidade dada com a diligência, para fornecer os elementos de convicção sobre o acerto de seu procedimento. Não aproveitou, também, a nova oportunidade tida com o recurso. Assim, não logrou, o contribuinte, demonstrar a legitimidade das exclusões glosadas pela fiscalização. A alegação de que a base tributável apurada neste item ficará totalmente absorvida pelos prejuízos fiscais e pela base de cálculo negativa da CSLL do período restabelecidos pela inclusão dos R$121.411.855,70 será apreciada quando da análise do Termo de fls. 276/278 IV — Amortização indevida de ágio na aquisição de investimento e fundo de comércio A quarta irregularidade apontada, descrita no Termo de fls. 227/266, se relaciona com o "Contrato de Compra e Venda, de Assunção de Direitos e Obrigações e de Prestação de Serviços e Outras Avenças" firmado pelo contribuinte com o Banco Nacional S/A e com a Unibanco Holdings S/A. O Unibanco assumiu a atividade operacional bancária do Banco Nacional S/A., mediante aquisição de bens do seu ativo permanente e transferência de ativos e passivos operacionais do Nacional para o Unibanco (cláusula 39. A título de compensação pelas carteiras de clientes do Banco Nacional S/A, da Cartão de Crédito Nacional Ltda. e da Nacional Cia. de Seguros, o Unibanco comprometeu-se a pagar ao Banco Nacional S/A., a título de ágio, a quantia de R$ 300.000.000,00, sendo R$ 130.000.000,00 pela carteira de clientes do Banco, R$ 70.000.000,00 pela carteira de clientes da Cartão de Crédito e R$100.000.000,00 pea carteira de clientes da Cia de Seguros (cláusula 9). O Unibanco considerou esse ágio despesa dedutiva!, contabilizando-o no ativo diferido, para ser amortizado Concluiu a fiscalização que, do preço contratado, o valor de R$ 300.000.000,00, avençado a título de ágio na aquisição da carteira de clientes do Banco Nacional S/A, da carteira de clientes da Nacional Cia. de Seguros e da carteira de clientes da empresa Cartão Nacional Ltda, refere-se, de fato, a custo de aquisição de fundo de comércio do Banco Nacional S/A e a ágio na aquisição de investimentos nas outras duas aquisições, e o contribuinte teria indevidamente 32 Processo n. 2 16327.002295/2001-03 Acórdão n. 2 101-95.469 considerado esse valor como Ativo Diferido. . Entendeu o autuante que o ágio contratado para a aquisição do fundo de comércio do Banco Nacional S/A, não se enquadraria no inciso II, do art. 266, do RIR11994, pelo fato de que o Unibanco não teria efetuado qualquer despesa ou custo, passíveis de serem classificados no Ativo Diferido. Na impugnação foi alegado que o procedimento adotado foi integralmente referendado pela resposta à Consulta formulada constante do Parecer MF/SRF/COSIT n 2 727, de 23.12.1996 e que o Fisco, para chegar às conclusões a que chegou, altera o negócio firmado entre as partes. No recurso a Recorrente suscita nulidade da decisão, a pretexto de ter inovado na fundamentação, insinuando que os nomes e forma adotados tiveram por finalidade mascarar o conteúdo do contrato. Tal inovação, todavia, não ocorreu. Apenas o Relator enfrentou a alegação de proteção da consulta identificando elementos que, a seu juízo, tornam a matéria consultada distinta da constatada na ação fiscal. Em momento algum afirma que a omissão teria sido intencional ou dolosa, o quê, de resto, seria irrelevante para afastar a proteção do instituto da consulta, uma vez que para tanto basta que a hipótese consultada não se identifique com a concreta. Superada a preliminar, de nulidade da decisão, relacionada com esse item, passa-se ao mérito. O primeiro aspecto a ser analisado refere-se à alegação da Recorrente, de que assim procedeu baseada em orientação dada em processo de consulta. A decisão de primeira instância afastou a argüição de proteção da consulta, ao fundamento de que a consulta foi respondida em tese, pois não foram esclarecidos todos os pontos relevantes do contrato. O Termo Fiscal registrou que não foram juntadas ao processo de consulta cópias dos contratos firmados em 18/11/1995 e 08/12/1995, ressaltando que tendo o contribuinte descrito, à sua maneira, a operação envolvendo ativos e passivos do Banco Nacional S/A, teria induzido a erro o autor do parecer de resposta no Processo de Consulta. De acordo com a Fiscalização, o UNIBANCO não relatou os seguintes fatos que complementariam toda a operação até a data da formulação da consulta: a) Relativamente ao Banco Nacional S/A, o Unibanco — União de Bancos Brasileiros S/A. adquiriu, de fato e de direito, o fundo de 33 r Processo n. 2 16327.002295/2001-03 Acórdão n. 2 101-95.469 comércio, assim entendido como sendo o "complexo de bens, materiais ou não, dos quais o comerciante se serve na exploração de seu negócio". b) A operação não envolveu a aquisição de participação no capital social do Banco Nacional; todavia, ENVOLVEU A PARTICIPAÇÃO NO CAPITAL SOCIAL DA NACIONAL COMPANHIA DE SEGUROS E DA CARTÃO NACIONAL LTDA. c) Os devedores de prêmios de seguros e os devedores pelo sistema de cartão de crédito eram clientes/devedores das empresas Nacional Companhia de Seguros e da Cartão Nacional Ltda., e não clientes do Banco Nacional S/A. Da carteira de clientes cedida ao Unibanco constam operações que prevêem a ocorrência de receitas na NACIONAL COMPANHIA DE SEGUROS em virtude de diferença dos prêmios de seguros a receber e a previsão de sinistros a indenizar. e) Inicialmente, a Unibanco Holdings S/A foi quem adquiriu as participações societárias no capital social da Nacional Companhia de Seguros e na Cartão Nacional S/A. que, posteriormente, foram transferidas para o Unibanco; f) Que, em 13 de junho de 1996, o Unibanco União de Bancos Brasileiros S/A alienou à sua controlada, União Representação e Participações Ltda. 35,28% da participação societária que detinha junto à Cartão Unibanco Ltda., anteriormente denominada Cartão Nacional Ltda., e que o saldo 64,72% também poderia ser alienado, como de fato ocorreu, à mesma empresa controlada." Para referendar as alegações do autuante de serem incompatíveis as premissas ou insuficientes as informações utilizadas pelo órgão consultado, considerou a decisão de primeira instância que: a) Com relação à aquisição da carteira de clientes do Banco Nacional, foi apurado em ação fiscal que, diferentemente do informado na consulta, a transação envolveu não só a clientela do banco, mas também todos os ativos — exceto os considerados "podres" - e passivos, ou seja, todos os bens materiais ou não, dos quais o Banco Nacional S/A servia-se na exploração de seu negócio. Sendo assim, entendo correto o entendimento da fiscalização de que foi adquirido, de fato, o Fundo de Comércio do Banco Nacional S/A, bem assim o da impossibilidade de amortização do ágio dessa aquisição em face de não haver a limitação legal ou contratual para a sua exploração, consoante estabelecido no art. 266, inciso I, alínea "c" do RIR/1994. b) Com relação ao ágio pago pelas clientelas da seguradora e da empresa de cartão de crédito, teria afirmado o relator do parecer, "que o referido valor nada tem a ver com o ágio de que trata o art. 329 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n2 1.041, de 11 de janeiro de 1994 — RIR/94, pois a operação a que se refere não envolveu a aquisição de participação societária o capital do Banco Nacional pelo UNIBANCO." Da cláusula 22 do 34 Processo 1-1. 2 16327.002295/2001-03 Acórdão n.-9- 101-95.469 contrato se depreende que entre os ativos adquiridos do Banco Nacional S/A incluía-se a totalidade do capital social da Nacional Cia. de Seguros e da empresa Cartão Nacional Ltda, que passaram a ser controladas no mesmo ato pelo Unibanco — União de Bancos Brasileiros S/A. Ou seja, o ágio contratado pelo UNIBANCO pela aquisição em questão não corresponde àquele de que trata o parecer. O ágio, que de fato assumiu o UNIBANCO, nessas duas aquisições corresponde, conforme apontou o autuante, àquele a que se refere o art. 329, do RIR/1994. Conforme dispõe o inciso VIII do artigo 60 do Decreto 70.235/72, a consulta formulada que não descreva, completa ou exatamente, a hipótese a que se referir, ou não contenha os elementos necessários à sua solução, não produz efeitos. No presente caso, a consulta omitiu dados relevantes. De fato, embora conste da descrição da hipótese a que se refere a consulta, que a operação envolveu a aquisição, pelo UNIBANCO, de parte do ativo permanente, representado por participações societárias, deixou de esclarecer que entre essas participações estava a integralidade do capital social da Nacional Companhia de Seguros e da Cartão Nacional Ltda. Ora, esse fato é de vital importância, por representarem, as referidas participações societárias, investimentos a serem avaliados pelo valor do patrimônio líquido. Por oportuno, registro não assistir razão à Recorrente quando argumenta que se a autoridade que respondeu a consulta tinha dúvidas, deveria ter solicitado esclarecimentos ou feito ressalvas na resposta à Consulta. O instituto da consulta se destina a orientar o contribuinte sobre a aplicação da legislação tributária aplicáveis a fato determinado (Dec. 70.2235/782, art. 46). Ao conferir direitos ao consulente e vincular a administração, a lei impôs-lhe, também, o ônus de descrever completa e exatamente ou hipótese a que se refere a consulta. Não se desincumbindo do ônus, o sujeito passivo não se alberga na orientação recebida (Dec. 70.2235/782, art. 52, VIII). Também no que se refere à aquisição da carteira de clientes do Banco Nacional, a singeleza da descrição não deu oportunidade ao parecerista de ter perfeito conhecimento da hipótese. Ao mencionar apenas que o Unibanco assumiu as atividades operacionais bancárias do Nacional e adquiriu parte do seu ativo permanente, não possibilitou a aferição da operação em sua completude. Não se pode assegurar que o parecerista, se estivesse de posse do contrato, afirmaria, como fez no item 10.1, que o ágio pago não corresponde a custo de aquisição de direito de exploração de fundo de comércio, 35 Processo n. 2 16327.002295/2001-03 Acórdão n. g- 101-95.469 Rejeito, assim, a prejudicial de vinculação da administração à resposta da consulta. Passo ao mérito. Em 18.11.95 o Banco Nacional S/A, foi submetido pelo BACEN a regime de administração temporária (RAET), no chamado PROER, "no interesse da estabilidade e segurança do Sistema Financeiro Nacional e ainda visando a preservação dos direitos dos poupadores, depositantes e demais credores, no âmbito das operações financeiras". Nesse regime, diversos negócios jurídicos foram implementados entre as empresas envolvidas, com a interveniência do Bacen. Assim, por esse instrumento, a Unibanco Holdings adquiriu do Banco Nacional, pelos respectivos valores contábeis, bens do ativo permanente do Banco Nacional constituído por diversas empresas, entre elas a Nacional Companhia de Seguros e a Cartão Nacional Ltda. Simultaneamente, a Unibanco Holdings alienou ao Unibanco, pelo mesmo preço, a totalidade desses bens adquiridos. Portanto, na mesma data o Unibanco passou a ser controlador da Nacional Companhia de Seguros e a Cartão Nacional Ltda. A decisão de primeira instância confirmou o entendimento do autuante, de que o ágio pago a título de compensação pelas carteiras de clientes do Banco Nacional corresponde a fundo de comércio e que o ágio pago pela compensação das carteiras de clientes das duas controladas, na verdade, compõe o preço de aquisição das participações societárias. Em relação à carteira de clientes do Banco Nacional, alega a Recorrente que o entendimento do Fisco advém de uma interpretação muito particular do contrato e de uma redução do conceito e conteúdo do Fundo de Comércio a praticamente a clientela. Assevera que não adquiriu Fundo de Comércio do Banco Nacional, nem de fato nem de direito, o qual desapareceu, e que o fundo de comércio que explora é o seu próprio, que já existia antes da operação e permaneceu existindo depois. Conceituando estabelecimento empresarial como um conjunto de bens reunidos pelo empresário para a exploração da atividade econômica, Fábio de Ulhoa Canto' registra que ao organizar o estabelecimento o empresário agrega aos bens reunidos um sobrevalor, explicando que enquanto esses bens permanecerem ' Curso de Direito Comercial, Volume I, 62 Edição, São Paulo: Saraiva, 2002 36 Processo, n. 2 16327.002295/2001-03 Acórdão n. 2 101-95.469 articulados em função da empresa, o conjunto alcança, no mercado, um valor superior à simples soma de cada um deles em separado. Acrescenta que para designar esse sobrevalor nascido da atividade organizacional do empresário, no meio jurídico adota- se ora a expressão "fundo de comércio", ora "aviamento", embora o autor prefira a expressão "fundo de empresa". Ensina o autor ser equivocado considerar a clientela como elemento do estabelecimento empresarial, por se tratar de conjunto de pessoas insuscetíveis de apropriação. Leciona, ainda, que a desarticulação de um ou mais bens, por vezes, não compromete o valor do estabelecimento como um todo, sendo evidente que a desarticulação de bens essenciais faz desaparecer o estabelecimento e o sobrevalor que gerava. Dessa forma, o fato de a marca "Banco Nacional" ter perdido totalmente seu valor não significa que o sobrevalor agregado ao estabelecimento empresarial do Banco tenha desaparecido. Os bens materiais e imateriais (articulados pelo empresário em torno da atividade operacional bancária) conservaram um sobrevalor, , que é o potencial de lucratividade da empresa, o "aviamento " ou "fundo de comércio". O "aviamento" não é um elemento do estabelecimento empresarial, mas um atributo, uma qualidade, e a clientela é um dos fatores que permitem quantificá-lo. Dessa forma, ao assumir a atividade operacional bancária do Banco Nacional, mediante aquisição de todos os bens do ativo permanente e ativos operacionais, assim compreendidos os móveis, equipamentos eletrônicos e telefônicos, central de processamento de dados, locando ou sublocando os imóveis nos quais as agências do Banco Nacional S/A operavam, assumindo a administração dos fundos de investimentos, das carteiras administrativas e clubes de investimentos, assumindo, na qualidade de empregador, todos os funcionários e respectivos encargos trabalhistas, que estavam diretamente vinculados à atividade operacional bancária, o Unibanco adquiriu, de direito e de fato, o "aviamento" ou "fundo de comércio" do Banco Nacional, cujo valor é o estabelecido no contrato a título do compensação pelas carteiras de clientes do Banco Nacional S/A. Quanto a esse valor, tenho como correto o entendimento da fiscalização e da decisão recorrida. _v 37 Processo 0.2 16327.002295/2001-03 Acórdão n. 2 101-95.469 Quanto à compensação pela carteira de clientes da Seguradora e da Cartão de Crédito, entendeu a fiscalização que o ágio incorpora-se ao preço de aquisição das empresas Nacional Cia. de Seguros e da Cartão Nacional Ltda. Assim, nos termos do artigo 329 do RIR/94, a Recorrente deveria ter contabilizado os referidos investimentos desdobrando o custo de aquisição em valor do patrimônio líquido e ágio. E nos termos do art. 334 do mesmo regulamento, as amortizações do ágio não poderiam ser computadas na determinação do lucro real, razão pela qual foram glosadas. Ocorre que se o contribuinte tivesse contabilizado o valor como ágio, quando da alienação do investimento à Unibanco Representação e Participação pelo valor patrimonial, o valor correspondente ao ágio representaria perda de capital, nos termos do art. 33 do Decreto-lei 1.598/77. Dessa forma, a conseqüência tributária da contabilização como ativo diferido adotada pela Recorrente restringe-se à inexatidão quanto ao período de competência na dedução das despesas. Nesse caso, o lançamento deveria ter observado as disposições dos §§ 4 2 a 72 do art. 62 do DL 1.598/77. O tratamento de postergação seria afastável se a perda de capital na alienação da participação fosse indedutível. A fiscalização, não obstante não se referir expressamente à indedutibilidade pela caracterização de distribuição disfarçada de lucros, tangencia essa acusação ao fazer" parêntesis", no item 3.23 do Termo para examinar se o valor pelo qual as participações societárias foram transferidas para a Unibanco Representação e Participações, seria o valor de mercado de que trata o item 1 do art. 432 do RIR/94. Para examinar a valorização ou desvalorização, nos itens 3.26 e seguintes analisou os relatórios anuais da administração publicados pela imprensa, e após afirmar que houve um crescimento real tanto patrimonial como das respectivas clientelas, concluiu que, de maneira conservadora, pode-se afirmar que o valor, se não evoluiu, pelo mesmo ficou congelado nos valores contratados em 18/11/95 pelo Unibanco. Essa análise da fiscalização, porém, não permite afirmar que a alienação foi por valor notoriamente inferior ao de mercado. Para que seja tipificada a distribuição disfarçada é preciso demonstrar o valor de mercado e a notoriedade daçfp. diferença. 38 PrOcesso n. 2 16327.002295/2001-03 Acórdão n. 2 101-95.469 De acordo com o § 6 2 do art. 60 do DL 1.598/77, o valor dos bens para os quais não haja mercado ativo poderá ser determinado com base em negociações anteriores e recentes do mesmo bem, ou em negociações contemporâneas de bens semelhantes, entre pessoas não compelidas a comprar ou vender e que tenham conhecimento das circunstâncias que influam de modo relevante na determinação do preço. Mas nada disso foi cogitado no auto de infração. Assim, no que se refere ao Termo Fiscal de fls. 227/266, Entendo não ser possível manter a exigência no que se refere aos valores considerados indedutíveis a título de ágio relacionados com as empresas Cartão Nacional e Nacional Cia de Seguros. V- Glosa de prejuízos fiscais do ano de 1997 No curso da fiscalização o auditor, tendo em vista os lançamentos efetuados em 31/12/98 na Parte B do LALUR de n 2 29 (transferência de parte do prejuízo fiscal de 1997 para Provisão para Devedores Duvidosos), intimou o contribuinte a apresentar cópia do lançamento contábil relativamente ao valor de R$ 121.411.885,70 realizado a crédito de conta "Provisão p/ Devedores Duvidosos", bem como comprovar que o mencionado valor transitou pela Conta de Resultados. (fl. 271). Em atendimento, o contribuinte informou que os lançamentos efetuados no LALUR em 31/12/98 não devem ser considerados, tendo em vista que foram efetuados erroneamente, prevalecendo assim os valores que constam nas Declarações de Rendimentos, tanto do ano de 1997, como do ano base de 1998. E que não houve lançamento contábil relativamente aos valores e contas referidos, de vez que o procedimento errôneo concentrou-se exclusivamente nos lançamentos extra-contábeis. No Termo de Verificação o auditor registrou que do saldo total em 31/12/98 da conta de PDD o contribuinte deixou de adicionar ao lucro líquido a quantia de R$ 121.411.885,70, tendo em vista que já estaria tributada em face do estorno realizado retroativamente nas contas Prejuízos a Compensar e Base Negativa da CSLL de 1997. Refutou os esclarecimentos prestados, afirmando que :(i) o referido valor foi considerado como definitivamente tributado em 1997 para efeitos de compor a base de cálculo do crédito compensável com débitos da C.S.L.L.; e (h) o procedimento errôneo não se centralizou somente em lançamentos extra-contábeis; 39 ‘.6)() , ,,, Prbcesso n.'2 16327.002295/2001-03 Abórdãó n•''-' 101-95.469 mas, sim, em lançamentos contábeis ao optar pela constituição de crédito tributário, nos termos do artigo 8 2 da Medida Provisória 1807/99." Em razão disso, reduziu do saldo de prejuízos a compensar e da base negativa da CSLL em 31/12/970 referido valor de R$ 121.411.885,70. A empresa refuta a glosa da parcela dos prejuízos a compensar e da base negativa da CSLL, a pretexto de estar havendo tributação em duplicidade. Para esclarecimento desse item, na diligência pedida pela órgão julgador foi formulado o seguinte quesito: "O valor R$ 121.411.885,70, em questão, foi considerado na recomposição da PDD do ano-calendário de 1997 e foi também reduzido do valor do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL?" Em resposta, no relatório de diligência o autuante informou: "Confrontando a documentação de fls. 125 e 276/278, confirma-se que, de fato, a parcela de R$ 121.411.885,70 foi considerada na recomposição da PDD do ano-calendário de 1997 (planilha de fls„ 125), bem como, foi também reduzido do valor do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL.. Todavia observa-se que o contribuinte, no ano-calendário de 1998, debitou, efetivamente, a quantia em questão, da conta de prejuízos fiscais a compensar', em contra partida a conta de Provisão para Devedores Duvidosos', com a finalidade de compensar parte do valor da PDD passível de tributação do fRPJ e CSLL no ano-calendário de 1998. Senão vejamos: Excesso da PDD em 31/12/1998 (doc fls., 273) R$ 839.913„458,34 Juros Créd. Liquidação Duvidosa (doc fls. 273) R$ 78„235.289,86 Perdas com Garantia (doc. fls. 273) R$ 137.281.264,00 Total PDD a tributar no ano-calendário de 1998: R$ 1.055„297496,40 (-) Valores adicionados no Lalur (doc. fls., 2583): 2.18 - Perdas com Créd. Liq. Duvidosa (R$ 56.316.776,65) 2„19 - Juros com Créd. Liq. Duvidosa: (R$ 57.586.864,67) 224 - Provisão p/ Devedores Duvidosos (R$ 615.723„195,05) 2.34 - Perdas com Garantia: (R$ 137281.264,00) (-) Compensação parte prej. Fiscal 1997 (R$ 121.411.885,70) Diferença apurada: R$ 66.977.510,33 (-.) Assim sendo, na constituição do crédito tributário relativamente ao ano-calendário de 1997, deverá ser levado em consideração que, do saldo do prejuízo fiscal (R$ 147.315.542,73) e da base de cálculo da CSLL (R$ 208.833.899,31) o contribuinte estornou, retroativamente a 31/12/1997, o valor de R$ 121.411855,70" (grifo na transcrição) Após cuidadosa análise dos elementos dos autos, o julgador de primeira instância considerou demonstrado nos autos que parte do prejuízo fiscal e da base negativa da CSLL apurados em 1997, no montante de R$ 121.411.885,70, foi utilizada em 1998, por iniciativa do próprio contribuinte. Considerou que ocorreu uma tentativa de utilização da totalidade do estoque de prejuízo fiscal e de base negativ) da CSLL C P.- 40 Processo n. 2 16327.002295/2001-03 Acórdão n. 2 101-95.469 apurados em 1997, acima do limite estabelecido pelo art. 15, da Lei n 2 9.065/1995, por uma via transversa, pela constituição de "estoque" de PDD em dezembro de 1998, com a parcela de R$ 121.411.885.70 proveniente de prejuízo fiscal, apurado em ano anterior, que conforme afirmou o autuante, teve por finalidade, compensar parte do valor da PDD passível de tributação do IRPJ e CSLL no ano-calendário de 1998. O que transparece nos autos é que, após auditar com profundidade a escrituração contábil e fiscal do contribuinte, a autoridade fiscal apurou, para o ano calendário de 1997, infrações que importaram em R$ 247.476.465,69, e que absorveriam todo o prejuízo apurado na DIPJ, de R$ 147.315.542,73, restando matéria tributável a ser exigida de ofício no montante de R$ 100.160.922,96. Examinando a parte B do LALUR, onde o contribuinte controlava o prejuízo a compensar apurado em 1997 (R$ 147.315.542,73), constatou o fiscal que parte desse prejuízo (R$ 121.411.885.70) foi transferida, em 31/12/98, para PDD, não tendo sido adicionada para apuração do lucro real. Nesse caso, duas são as hipóteses possíveis. Ou a transferência foi retroativa a 31/12/97 e, portanto, o montante transferido afetou a PDD de 1997, ou o montante transferido não afetou a PDD de 1997, mas apenas a de 1998, representando utilização de prejuízos acumulados para compensar parte do valor da PDD passível de tributação do 1RPJ e CSLL no ano-calendário de 1998, como mencionado na decisão de primeira instância. Na primeira hipótese, é improcedente a glosa do montante de prejuízos (e da base negativa da CSLL), uma vez que, conforme esclarecido no relatório de diligência, o respectivo valor já foi considerado na recomposição da PDD e já compôs o lançamento da matéria tributável de 1997, sendo parte do valor de R$247.476.465,69. A segunda hipótese aventada, de que em 31 de dezembro de 1998 o contribuinte teria transferido parte do estoque de prejuízo apurado em 1997 para a PDD, a irregularidade (utilização indevida do prejuízo, ou compensação irregular de prejuízos por via transversa) não teria relação com o ano-calendário de 1997, mas sim com o de 1998, não procedendo a glosa efetuada em 1997. VI- Dedução da CSLL da base de cálculo do IRPJ. Tem razão a Recorrente quando requer seja deduzido, na apuração da base de cálculo do IRPJ do ano-calendário de 1996, o valor da CSLL apurada neste -&452 41 Processo n. 2 16327.002295/2001-03 A'córdão n. 2 101-95.469 procedimento. Não existe diferença entre lucro declarado e lançado de ofício, e o lucro real obtém-se do lucro líquido após a dedução da CSLL . Por conseguinte, a contribuição lançada de ofício deve ser deduzida da base de cálculo do IRPJ, obedecendo assim à regra matriz de definição da base de cálculo do próprio IRPJ. A impugnação ao lançamento da CSLL não constitui impedimento à dedução, nos termos do art. 41 da Lei 8.981/95, uma vez que quando da formalização da exigência do IRPJ não havia impugnação ao lançamento da CSLL. Para os demais períodos, o art. 1 2 da Lei 9.316/96, vedou a dedução da CSLL para efeito de determinação do lucro real e da sua própria base de cálculo. Assim, além de não poder este Conselho negar aplicação ao dispositivo legal em vigor, não pode, também, conhecer da matéria por estar o contribuinte discutindo em juízo a constitucionalidade da restrição. Não obstante, ao tempo da formalização da exigência o contribuinte se encontrava abrigado por liminar em mandado de segurança para afastar a incidência do artigo 1 2 da Lei 9.316/96 na apuração do IRPJ nos anos de 1997, 1998, 1999 e 2000. Por isso, nos termos do artigo 63 da Lei 9.430/96, deve ser afastada a multa de ofício sobre a correspondente parcela da exigência. VII- CSLL- Multa de ofício sobre as diferenças de aliquota. A Recorrente discute na justiça a exigência da CSLL a aliquotas superiores a 8%, em mandados de segurança nos quais foram concedidas liminares. No momento da lavratura do auto de infração, a situação era a seguinte: • Ano-calendário 1996: Mandado de Segurança 96.0008250 onde pleiteou recolher a CSL à aliquota de 8% em vez de 30%, tendo sido deferida a medida liminar mais tarde confirmada por sentença (doc. VII.1 da defesa). • Ano-calendário 1997: Mandado de Segurança 97.0003807 pleiteando recolher a CSL à aliquota de 8% e não 18%, com liminar concedida por força de Agravo de Instrumento 97.03.009399-0 (48919) mantida expressamente por força de despacho que recebeu a apelação com efeito suspensivo (doc. VII.2 da defesa). • Ano-calendário 1998: Mandado de Segurança 98.0008210-7 para recolher a CSL à aliquota de 8% e não de 18%, tendo sido concedida a liminar por força do Agravo de Instrumento 98.03.018274-9. Em seguida foi proferida sentença concessiva da segurança. No Tribunal Regional Federal da 3 2 Região a Quarta 42 Processo n. 2 16327.002295/2001-03 Acórdão n. 2 101-95.469 Turma por maioria de votos propôs a argüição de inconstitucionalidade da Lei n 2 9.249/95 e art. 2 2 da Lei n 2 9.316/96, a qual deverá ser remetida ao Órgão Especial daquela corte (doc. VII.3 da defesa). De acordo com o art. 63 da Lei 9.430/96, o lançamento sobre a parcela correspondente a essas diferenças de aliquota destina-se a prevenir a decadência, ficando os créditos respectivos com a exigibilidade suspensa, e não se sujeitando à multa de ofício. VIII- Juros de mora sobre a multa de ofício. O tema de incidência dos juros sobre a multa por lançamento de ofício tem aparecido com muita freqüência no Conselho de Contribuintes. A matéria foi apreciada por esta Câmara em recurso de embargos de declaração (recurso 128.490) por mim relatado, constando do voto as seguintes considerações: • A obrigação tributária pode ser principal, consistindo em obrigação de dar (pagar tributo ou multa) e acessória , obrigação de fazer (deveres instrumentais). • De acordo com o art. 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Portanto, compreendem-se no crédito tributário o valor do tributo e o valor da multa. • O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. O § 1° do mesmo artigo determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. • No caso de multa por lançamento de ofício, seu vencimento é no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeita-se aos juros de mora. • As disposições legais que tratam dos juros de mora são o art. 59 da Lei 8.383/91, o art. 84 da Lei 8.981/95, o art. 13 da Lei 9.065/95 e os § 3 2 do art. 52 e art. 43 e parágrafo único da Lei n 2 9.430/96 • Só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre a multa no caso de lançamento de multa isolada, não porém quando 1 43 Processo n.2 16327.002295/2001-03 Acórdãõ n. 2 101-95.469 ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional. Nesse caso, só podem incidir juros de mora à taxa de 1%, a partir do trigésimo dia da ciência do auto de infração, conforme previsto no § 10 do art. 161 do CTN. A incidência de juros sobre a multa por lançamento de ofício encontra fundamento, também, no Decreto-lei n 2 1.736/79, que determinou sua incidência sobre o "valor originárid' , definindo como "valor originário" o débito, excluídas as parcelas relativas a correção monetária, juros de mora, multa de mora e encargo do DL 1.025/69. Ou seja, o valor originário, sobre o qual incidem os juros de mora, inclui a multa por lançamento de ofício, por não haver previsão para sua exclusão do débito. Confira-se: Art 22 - Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 12. Art 32 - Entende-se por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1 2 do Decreto-lei n2 1„025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretos-leis n2 1.569, de 8 de agosto de 1977, e n 2 1.645, de 11 de dezembro de 1978. Numa outra oportunidade a Câmara deliberou sobre o tema, em voto do ilustre Conselheiro Valmir Sandri (Acórdão 94.931, de 04/04/2005). A matéria não era exatamente a mesma, porque envolvia anistia, mas o Colegiado (cuja composição restou profundamente alterada) novamente teve dúvidas sobre o assunto. O Relator trouxe à liça a Lei n2 10.522/2002, cujos artigos 29 e 30, combinados, determinam a incidência de juros de mora segundo a Selic sobre os "débitos de qualquer natureza" e os "decorrentes de contribuição". A 2 Câmara do 22 Conselho de Contribuintes, pelo Acórdão 202- 16.397, deliberou que os juros de mora não incidem sobre a multa de ofício lançada juntamente com o tributo ou contribuição, decorrente de fatos geradores ocorridos a partir de 1 2/01/1997, por absoluta falta de previsão legal. Em dezembro último mais uma vez esta Câmara se debruçou sobre a matéria. Pelo Acórdão 101- 95.308, da relatoria do Conselheiro Valmir Sandri, restou c,c 44 Processo n. 2 16327.002295/2001-03 Acói dão' n. 2 1 01-95.469 confirmado o entendimento do Acórdão 191-94.931, sendo mantidos os juros de mora incidentes sobre a multa. Mais uma vez cuidava-se de créditos tributários relativos a fatos geradores ocorridos até 31/12/1994. O presente litígio envolve créditos tributários ocorridos após essa data. O patrono da Recorrente traz à discussão argumentos já levados ao Segundo Conselho e já analisados pelo Conselheiro Antônio Zomer no Acórdão 202- 16.397. Pondera o patrono não haver, para o presente caso, fundamento legal para a incidência de juros sobre a multa de ofício, argumentando que o art. 61 da Lei 9.430/96 a isso não se presta. Diz o artigo 61 da Lei 9.430/96: "Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. De fato, o que é normatizado no artigo 61 da Lei 9.430/96 é a incidência de acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 01 de janeiro de 1997 . Assim, no caput está prevista a incidência da multa de mora, e no § 3 2 está prevista a incidência dos juros de mora. Os pressupostos para a incidência dos acréscimos do artigo 61 são: (1) que se trate de débito de tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, (2) cujos fatos geradores tenham ocorrido a partir de 01/01/1997, (3) que não tenha havido pagamento na data prevista na legislação específica. Não se pode atribuir ao vocábulo "decorrente" a qualidade de ampliar o alcance do vocábulo "débito" , para abarcar não só o débito do tributo, mas também ge72 45 Prevesso n.2 16327.002295/2001-03 Acórdão n. 2 101-95.469 qualquer débito que com ele se relacione. Até porque, a multa por lançamento de ofício não decorre do tributo, mas do descumprimento do dever legal de pagá-lo. Além disso, como bem ressaltou o ilustre Conselheiro Antônio Zomer no Acórdão 202-16.397, se assim for, chegar-se-á ao absurdo de fazer incidir sobre a multa de ofício também a multa de mora (como previsto no caput). Portanto,quanto a tributos cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 01/01/1997, o 3 2 do art. 61 da Lei 9.430/96 não fornece embasamento legal para a incidência de juros de mora à taxa Selic sobre a multa de ofício não lançada isoladamente. A Lei n2 10.522/2002, cuja origem foi a MP 1.621-31/98, dispõe: Lei n2 10.522/2002 (MP n2 1621-31/98): "Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal — UFIR, instituída pelo art. 1° da Lei n°8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento." Como se vê, o art. 29 trata de débitos relativos a fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 1994, que não tenham sido objeto de parcelamento. 46 Processo n. 2 16327.002295/2001-03 Aucirdão n. 2 101-95.469 Quanto a eles: (a) o caput do artigo determina sua reconversão de UFIR para real com base no valor da Ufir em 1 2 de janeiro de 1997; (b) o artigo 30 determina sua submissão, a partir de 1 2 de janeiro de 1997, a juros de mora calculados segundo a Selic. O art. 30 determina, ainda, a submissão, dos créditos inscritos na Dívida Ativa da União, a juros de mora calculados segundo a Selic, a partir de 1 2 de janeiro de 1997. Uma vez que os débitos de que se trata não se incluem entre aqueles referidos nos artigos 29 e 39 da Lei 10.522/2002, não há respaldo legal para fazer sujeitar a multa de lançamento de oficio a juros de mora à taxa Selic. Assim, nesse aspecto, deve ser dado provimento parcial ao recurso para declarar que sobre a multa lançada não incidem juros à taxa SELIC, por falta de previsão legal, podendo incidir juros de 1% ao mês, com base no § 1° do art. 161 do CTN. IX- Parcelas com exigibilidade suspensa Para execução deste julgado, as parcelas sobre as quais não cabe a aplicação da multa de ofício e que estão com a exigibilidade suspensa, referidas nos itens VI e VII deste voto, deverão ser transferidas para outro processo, para aguardar a decisão do Poder Judiciário. Pelas razões expostas, rejeito as preliminares e dou provimento parcial ao recurso para: a) Quanto às infrações apuradas nos Termos de fls. 43/52 e 61/67, reduzir da matéria tributável nos anos calendário de 1996 e 1997 os valores comprovados pelos documentos de fls. 742 a 1345. b) Cancelar a multa de 75% aplicada sobre os tributos postergados. c) Excluir da matéria tributável as parcelas exigidas a título de ágio indedutível relativo às aquisições das empresas Cartão Nacional e Nacional Companhia de Seguros. d) Cancelar a redução da parcela de R$ R$ 121.411.885.70 de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa, na constituição do crédito relativo ao ano- calendário de 1997. e) Deduzir da base de cálculo do IRPJ do ano-calendário de 1996 o valor da , CSLL do mesmo período objeto deste processo. , 47 Processo n. 2 16327.002295/2001-03 A:J.3ão. n. 2 101-95.469 f) Reduzir a base de cálculo da multa de ofício sobre o IRPJ dos anos-calendário de 1997 e seguintes, em valor correspondente à Contribuição Social para o mesmo período, lançada neste procedimento. g) Cancelar a multa de ofício incidente sobre a parcela da CSLL lançada, no que exceder à aplicação da alíquota de 8%. h) Declarar que sobre a multa lançada de ofício só podem incidir juros de mora à taxa de 1%. Sala das Sessões, DF, em 26 de abril de 2006 -"CJ SANDRA MARIA FARONI 48 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1 _0002100.PDF Page 1 _0002200.PDF Page 1 _0002300.PDF Page 1 _0002400.PDF Page 1 _0002500.PDF Page 1 _0002600.PDF Page 1 _0002700.PDF Page 1 _0002800.PDF Page 1 _0002900.PDF Page 1 _0003000.PDF Page 1 _0003100.PDF Page 1 _0003200.PDF Page 1 _0003300.PDF Page 1 _0003400.PDF Page 1 _0003500.PDF Page 1 _0003600.PDF Page 1 _0003700.PDF Page 1 _0003800.PDF Page 1 _0003900.PDF Page 1 _0004000.PDF Page 1 _0004100.PDF Page 1 _0004200.PDF Page 1 _0004300.PDF Page 1 _0004400.PDF Page 1 _0004500.PDF Page 1 _0004600.PDF Page 1 _0004700.PDF Page 1 _0004800.PDF Page 1

score : 1.0
4731010 #
Numero do processo: 19515.000076/2004-03
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 23 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Thu Feb 23 00:00:00 UTC 2006
Ementa: NULIDADE- ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO- Em caso de presunção de omissão de receitas na partir da existência de recursos cuja origem não esteja comprovada, a legitimidade para configurar no pólo passivo pertence ao titular dos depósitos. O fato de o acusado poder elidir a presunção pela apresentação de provas em contrário não tira a legitimidade passiva do titular dos depósitos. DECADÊNCIA. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, e não havendo acusação de dolo, fraude ou simulação, o direito da Fazenda Pública de constituir crédito tributário extingue-se em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. IRPJ- OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Caracterizam-se omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, quando o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutar a presunção mediante oferta de provas hábeis e idôneas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA – COFINS, PIS e CSLL- DECORRÊNCIA -Sempre que o fato se enquadrar ao mesmo tempo na hipótese de incidência de mais de um tributo ou contribuição, as conclusões quanto a ele aplicar-se-ão igualmente no julgamento de todas as exações. JUROS DE MORA – EXIGÊNCIA- O crédito tributário não integralmente pago no seu vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante de sua falta. JUROS DE MORA- LIMITAÇÃO CONSTITUCIONAL- A limitação constitucional dos juros reais em 12% ao ano, quando em vigor, dirigia-se ao Sistema Financeiro, não se aplicando aos juros pela mora no pagamento de tributos. JUROS DE MORA- SELIC- A Lei 9.065/95, que estabelece a aplicação de juros moratórios com base na variação da taxa Selic para os débitos não pagos até o vencimento, está legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional, não cabendo a órgão integrante do Poder Executivo negar-lhe aplicação. MULTA POR LANÇAMENTO DE OFÍCIO- Materializando-se a hipótese prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, incide a multa de ofício no percentual de 75% ..
Numero da decisão: 101-95.397
Decisão: ACORDAM, os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de decadência e de erro na identificação do sujeito passivo e, no mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Mário Junqueira Franco Júnior e Valmir Sandri que deram provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Sandra Maria Faroni

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
materia_s : IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios

dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 200602

ementa_s : NULIDADE- ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO- Em caso de presunção de omissão de receitas na partir da existência de recursos cuja origem não esteja comprovada, a legitimidade para configurar no pólo passivo pertence ao titular dos depósitos. O fato de o acusado poder elidir a presunção pela apresentação de provas em contrário não tira a legitimidade passiva do titular dos depósitos. DECADÊNCIA. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, e não havendo acusação de dolo, fraude ou simulação, o direito da Fazenda Pública de constituir crédito tributário extingue-se em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. IRPJ- OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Caracterizam-se omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, quando o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutar a presunção mediante oferta de provas hábeis e idôneas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA – COFINS, PIS e CSLL- DECORRÊNCIA -Sempre que o fato se enquadrar ao mesmo tempo na hipótese de incidência de mais de um tributo ou contribuição, as conclusões quanto a ele aplicar-se-ão igualmente no julgamento de todas as exações. JUROS DE MORA – EXIGÊNCIA- O crédito tributário não integralmente pago no seu vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante de sua falta. JUROS DE MORA- LIMITAÇÃO CONSTITUCIONAL- A limitação constitucional dos juros reais em 12% ao ano, quando em vigor, dirigia-se ao Sistema Financeiro, não se aplicando aos juros pela mora no pagamento de tributos. JUROS DE MORA- SELIC- A Lei 9.065/95, que estabelece a aplicação de juros moratórios com base na variação da taxa Selic para os débitos não pagos até o vencimento, está legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional, não cabendo a órgão integrante do Poder Executivo negar-lhe aplicação. MULTA POR LANÇAMENTO DE OFÍCIO- Materializando-se a hipótese prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, incide a multa de ofício no percentual de 75% ..

turma_s : Primeira Câmara

dt_publicacao_tdt : Thu Feb 23 00:00:00 UTC 2006

numero_processo_s : 19515.000076/2004-03

anomes_publicacao_s : 200602

conteudo_id_s : 4158492

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016

numero_decisao_s : 101-95.397

nome_arquivo_s : 10195397_144449_19515000076200403_011.PDF

ano_publicacao_s : 2006

nome_relator_s : Sandra Maria Faroni

nome_arquivo_pdf_s : 19515000076200403_4158492.pdf

secao_s : Primeiro Conselho de Contribuintes

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : ACORDAM, os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de decadência e de erro na identificação do sujeito passivo e, no mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Mário Junqueira Franco Júnior e Valmir Sandri que deram provimento ao recurso.

dt_sessao_tdt : Thu Feb 23 00:00:00 UTC 2006

id : 4731010

ano_sessao_s : 2006

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 09:36:33 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713043760202383360

conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-08T13:07:57Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-08T13:07:57Z; Last-Modified: 2009-07-08T13:07:57Z; dcterms:modified: 2009-07-08T13:07:57Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-08T13:07:57Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-08T13:07:57Z; meta:save-date: 2009-07-08T13:07:57Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-08T13:07:57Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-08T13:07:57Z; created: 2009-07-08T13:07:57Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; Creation-Date: 2009-07-08T13:07:57Z; pdf:charsPerPage: 1989; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-08T13:07:57Z | Conteúdo => MINISTÉRIO DA FAZENDA --wr -4- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Processo n°. : 19515.000076/2004-03 Recurso n°. : 144.449 Matéria: : IRPJ e OUTROS — ano-calendário: 1999 Recorrente : Onça Indústrias Metalúrgicas S/A Recorrida : 5' Turma/DRJ em São Paulo — SP. I Sessão de : 23 de fevereiro de 2006 Acórdão n°. : 101- 95.397 NULIDADE- ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO- Em caso de presunção de omissão de receitas na partir da existência de recursos cuja origem não esteja comprovada, a legitimidade para configurar no pólo passivo pertence ao titular dos depósitos. O fato de o acusado poder elidir a presunção pela apresentação de provas em contrário não tira a legitimidade passiva do titular dos depósitos. DECADÊNCIA. Em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, e não havendo acusação de dolo, fraude ou simulação, o direito da Fazenda Pública de constituir crédito tributário extingue-se em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. IRPJ- OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - Caracterizam-se omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, quando o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutar a presunção mediante oferta de provas hábeis e idôneas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA — COFINS, PIS e CSLL- DECORRÊNCIA -Sempre que o fato se enquadrar ao mesmo tempo na hipótese de incidência de mais de um tributo ou contribuição, as conclusões quanto a ele aplicar- se-ão igualmente no julgamento de todas as exações. JUROS DE MORA — EXIGÊNCIA- O crédito tributário não integralmente pago no seu vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante de sua falta. JUROS DE MORA- LIMITAÇÃO CONSTITUCIONAL- A limitação constitucional dos juros reais em 12% ao ano, 4)), Processo n.° 19515.000076/2004-03 Acórdão n.° 101-95.397 quando em vigor, dirigia-se ao Sistema Financeiro, não se aplicando aos juros pela mora no pagamento de tributos. JUROS DE MORA- SELIC- A Lei 9.065/95, que estabelece a aplicação de juros moratórias com base na variação da taxa Selic para os débitos não pagos até o vencimento, está legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional, não cabendo a órgão integrante do Poder Executivo negar- lhe aplicação. MULTA POR LANÇAMENTO DE OFÍCIO- Materializando-se a hipótese prevista no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/96, incide a multa de ofício no percentual de 75%.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Onça Indústrias Metalúrgicas S/A. ACORDAM, os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de decadência e de erro na identificação do sujeito passivo e, no mérito, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Mário Junqueira Franco Júnior e Valmir Sandri que deram provimento ao recurso. MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS PRESIDENTE SANDRA MARIA FARONI RELATORA FORMALIZADO EM: 79 mAR 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros PAULO ROBERTO CORTEZ, CAIO MARCOS CÂNDIDO e ORLANDO JOSÉ GONÇALVES BUENO. Ausente justificadamente o Conselheiro SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. 2 Processo n.° 19515.000076/2004-03 Acórdão n.° 101-95.397 Recurso n°. : 144.449 Recorrente : Onça Indústrias Metalúrgicas S/A. RELATÓRIO Contra Onça Indústrias Metalúrgicas S/A foram lavrados Autos de Infração relativos ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, à Contribuição para o Programa de Integração Social, à Contribuição para a Financiamento da Seguridade Social e à Contribuição Social sobre o Lucro cujos fatos geradores ocorreram no ano-calendário de 1999, dos quais o contribuinte tomou ciência em 13 de janeiro de 2003. A ação fiscal desenvolvida junto à empresa teve por objeto a comprovação da origem dos recursos financeiros utilizados nas transferências financeiras internacionais realizadas pela fiscalizada, no ano calendário de 1999, a saber: Data Valor (R$) 14/01/1999 19.954.579,50 15/01/1999 19.556.412,21 31/03/1999 7.817.526,50 19/04/1999 2.100.000,00 19/04/1999 10.871.715,4- 27/04/1999 10.123.200,00 04/05/1999 9.985.300,00 05/05/1999 6.685.600,00 Total 87.094.333,61 Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 59 e 60, intimado a se manifestar por escrito sobre a origem dos recursos financeiros utilizados para transferências internacionais através do Unibanco, o contribuinte apresentou a resposta de fls. 52 afirmando que: (a) A referida conta corrente jamais foi operacionalizada pela empresa e sim por terceiros, conforme está sendo apurado pelo Departamento de Polícia Federal, através do Inquérito Policial autuado sob n° 2-1247/00; (b) A empresa não dispunha dos valores mencionados e desconhece os terceiros que efetuaram depósitos em sua conta corrente; (c) A movimentação na conta corrente da empresa é alvo de Inquérito Policial e os lançamentos contábeis 3 Processo n.° 19515.000076/2004-03 Acórdão n.° 101-95.397 foram efetuados conforme os extratos bancários enviados pela instituição bancária, pois a empresa mantém um sistema de escrituração uniforme de seus atos administrativos; (c) A empresa deixou de contabilizar as operações mencionadas na intimação anexa por não ter tido acesso aos documentos pertinentes. Em face da resposta apresentada, a Autoridade Fiscal concluiu que o contribuinte não comprovou a origem dos recursos financeiros utilizados na movimentação financeira mencionada e com base no disposto no artigo 42, §§ 1° e 2° da Lei n° 9.430/1996, por presunção legal, caracterizou os valores acima relacionados como omissão de receitas, lavrando autos de infração para exigência do IRPJ, do PIS, da COFINS e da CSLL, esses últimos por decorrência. Na impugnação tempestivamente apresentada o contribuinte suscita preliminares de decadência e de erro na identificação do sujeito passivo, tendo em vista que os depósitos bancários que deram origem ao presente lançamento,[ não se constituem como receita da empresa, mas sim, de terceiros, que contrataram a impugnante, tão somente para figurar como intermediadora de compra e venda de "T Bills". No mérito, a impugnante aduz que os valores que deram ensejo à presunção de omissão de receitas não se constituem como receita da empresa e tampouco geraram qualquer acréscimo patrimonial. Discorre acerca dos fatos que culminaram na contabilização dos valores questionados pela fiscalização, e conclui ter sido vítima de uma simulação maquinada por uma quadrilha de remessa ilegal de divisas encabeçada pelo Sr. Marcio Luchesi, sócio da Votoserv, pelo advogado José Cláudio Martarelli e pelo Sr. Celso Guimarães. Alega que na operação em questão foi induzida a assinar contratos de aquisição de títulos mobiliários estrangeiros (T-Bills), simulando sua aquisição e posterior venda à empresa "Votoserv Empreendimentos e Participações Ltda", conforme se verifica nos contratos de compra e venda firmados entre a impugnante e a Votoserv. Menciona que todas as declarações acerca da operação foram prestadas no inquérito policial n° 200.61.81.004787-2, citando todos os nomes dos componentes envolvidos na referida quadrilha, de forma tão somente a demonstrar que fora vítima. Destaca que sequer foi indiciada, e nem o será, posto que o referido inquérito policial já está sendo conduzido no sentido de investigar e punir os reais infratores. Menciona que o Fiscal tinha o dever de recorrer ao inquérito policial antes de autuar o reclamante, 4 iL , Processo n.° 19515.000076/2004-03 Acórdão n.° 101-95.397 preferindo manter-se em cômoda posição, limitando suas diligências a uma só empresa que foi vítima. Pondera que tudo pode ser averiguado em diligência junto às empresas apontadas no inquérito, em cujos Balanços Patrimoniais certamente se observará o ingresso das receitas em suas respectivas contabilidades, além de se restar comprovado que tais receitas jamais compuseram seu patrimônio, e que a única receita que efetivamente ingressou (R$ 56.000,00) foi devidamente contabilizada e oferecida à tributação. Aduz, ainda, não ter tido acesso às movimentações financeiras que deram ensejo à lavratura do presente auto, posto que passou procuração com amplos poderes para o Sr. Márcio Luchesi , sócio da Votoserv, único operador da referida conta. Ressalta a impossibilidade de presumir-se base de cálculo do IPI com base em depósitos bancários. Contesta a possibilidade de presunção de receitas com base em depósitos bancários, mencionando doutrina e jurisprudência. Diz não haver nexo causal entre o fato conhecido (depósitos bancários) e a omissão de receitas, dado que foi vítima de uma quadrilha. Contesta, ainda, a multa de ofício, que entende confiscatória, e o cálculo dos juros de mora segundo a Selic, que tem natureza estritamente remuneratória. Aduz, ainda, que em face do disposto no artigo 192 da CF, os juros moratórios estão limitados a 1% ao mês. A 5a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo rejeitou as preliminares e manteve integralmente a exigência, conforme Acórdão n° 5.700, de 09 de agosto de 2004, cuja ementa tem a seguinte dicção: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - I RPJ Ano-calendário: 1999 Ementa: NULIDADE. Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. Caracterizam-se omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, quando o titular regularmente intimado, não comprove, mediante 5 ãji Processo n.° 19515.000076/2004-03 Acórdão n.° 101-95.397 documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo-o para o contribuinte, que pode refutar a presunção mediante oferta de provas hábeis e idôneas. JUROS DE MORA. SELIC. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento, tendo previsão legal sua cobrança com base na taxa SELIC, sendo que à esfera administrativa não compete a análise da constitucionalidade de normas jurídicas. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação dele decorrente. Lançamento Procedente. Ciente da decisão em 31 de agosto de 2004 (fl. 237 v), a empresa ingressou com recurso a este Conselho em 29 de setembro seguinte, .reeditando as razões declinadas na impugnação. É o relatório Nvti: 6 Processo n.° 19515.00007612004-03 Acórdão n.° 101-95.397 VOTO Conselheira SANDRA MARIA FARONI, Relatora O recurso é tempestivo e atende os pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. Preliminar de erro da identificação do sujeito passivo. A preliminar de erro na identificação do sujeito passivo não merece acolhida. Efetivamente, a irregularidade apurada pela fiscalização fundou-se em presunção legal de omissão de receita apurada mediante depósitos de recursos em instituição financeira em nome do Recorrente. Se a lei estabelece a presunção a partir da existência dos recursos cuja origem não esteja comprovada, o sujeito passivo não pode ser outro senão o titular dos depósitos. Tratando-se de presunção relativa, o autuado pode elidi-la, pela apresentação de provas em contrário. Mas isso é matéria de mérito, e não tira a legitimidade passiva do titular dos depósitos. Mérito Inicialmente, registro que, por não haver razões específicas para os lançamentos decorrentes (PIS, COFINS e CSLL), a decidido quanto ao IRPJ aplica- se às demais exações. A exigência funda-se na existência de depósitos de recursos em nome do contribuinte, sem que sua origem fosse comprovada. O recorrente contesta a possibilidade de utilização de depósitos para erigir presunção legal, e fala em ausência de correlação natural lógica entre o fato indiciário ( o depósito) e o fato desconhecido (a receita omitida). Sobre a possibilidade de utilização de depósitos para erigir presunção legal, não cabe a este órgão se manifestar. O simples fato de estar prevista em lei legitimamente inserida no ordenamento jurídico impede seu afastamento na esfera do Poder Executivo. A idoneidade de lançamentos com base em depósitos bancários foi longamente discutida, mas antes que o fato fosse erigido em presunção legal. A introdução da presunção na legislação tributária, pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96, afasta qualquer discussão, que não seja no campo das provas que possam desconstituir a presunção. \ 7 Processo n.° 19515.000076/2004-03 Acórdão n.° 101-95.397 A oposição à utilização dos depósitos para caracterizar omissão de receitas remonta a prática anterior, que deu nascimento a extensa jurisprudência, finalizando por levar o Poder Executivo a editar o art. 90 , inciso VII, do Decreto-lei 2.471/88, cancelando as exigências. Essa prática predominou em relação às fiscalizações de pessoas físicas (não havendo que se falar em escrituração), e consistia em intimar o contribuinte a comprovar a origem dos depósitos em contas correntes em razão de superarem os rendimentos brutos do exercício oferecidos à tributação. Se o contribuinte não oferecesse esclarecimentos suficientes ou não pudesse comprovar a origem dos depósitos, a autoridade fiscal fazia o lançamento suplementar, sem qualquer outra indagação. Inúmeras foram as manifestações do Poder Judiciário, culminando com Súmula do STF, no sentido da ilegitimidade da tributação respaldada exclusivamente em depósitos bancários. E o Poder Executivo, além de, por intermédio do Decreto-lei n° 2.471/88, ter cancelado os débitos do imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos e comprovantes bancários, reiteradamente, por seus órgãos julgadores colegiados, manifestou-se no sentido de que o depósito bancário em si não é fato gerador de imposto de renda, mas apenas critério de mensuração, sendo necessário que o Fisco demonstre a existência de renda auferida e omitida. Mas tanto as manifestações do Poder Judiciário como do Poder Executivo relacionavam-se a lançamentos baseados exclusivamente em depósitos bancários, não alcançando os lançamentos em que presentes outros fatos, tais como, contas não contabilizadas, pesquisa mediante circularização dos cheques, etc. A inovação trazida pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96 foi erigir uma presunção legal relativa, inclusive para os depósitos regularmente escriturados. Dispõe o artigo: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Ou seja, em se tratando de pessoa jurídica, antes desse dispositivo, no caso de depósitos regularmente contabilizados, cabia ao Fisco demonstrar que os depósitos originavam-se de receitas omitidas. A partir da presunção legal, basta — F 8 Processo n.° 19515.000076/2004-03 Acórdão n.° 101-95.397 ao fisco identificar o fato indício, e a prova para elidir a presunção fica por conta do contribuinte. No caso, intimado a comprovar a origem do depósito, o contribuinte apresentou os seguintes documentos: • extrato da conta corrente mantida pela interessada no UNIBANCO com destaque do crédito e débito efetuado no dia 11/12/1998 no valor de R$ 21.388.641,00 (fl. 202); = cópia do razão com destaque da citada movimentação financeira e da compra e venda de T-Bills efetuada no dia 31/12/1998 (fls. 204 a 207); • procuração outorgada a Marcio Luchesi atribuindo amplos e limitados poderes para movimentar a conta corrente do Unibanco S/A (fls. 208); • cópia do Termo de Declarações do Inquérito Policial n° 2000.61.81.004787-2 (fls. 209 a 211); • cópia dos contratos de Compra e Venda de Notas do Tesouro dos Estados Unidos firmados em 13/01/99, 19/04/99, 27/04/99, 04/05/99 e 05/05/99 (fls. 212 a 223 — os contratos de fls. 224 a 228 são cópias dos contratos de fls. 216 a 223); • intimação do Banco Central do Brasil, solicitando esclarecimentos quanto às transferências internacionais realizadas pela interessada no período de 31/03/99 a 05/05/99 (fl. 229). Essas provas foram adequadamente examinadas pelo julgador de primeiro grau, que sobre elas concluiu: "40. Os documentos acima relacionados em momento algum comprovam as alegações da impugnante, visto que, não demonstram que os recursos depositados em sua conta corrente estão vinculados a qualquer das pessoas citadas pela impugnante. Pode-se alegar que o montante decorre da venda simulada de T-Bills à Votosev, no entanto não foi anexado aos autos qualquer documento que confirme a origem dos recursos. 41. As alegações da impugnante deixam transparecer que a empresa tinha pleno conhecimento da operação descrita, uma vez que não se pode admitir que uma empresa que se diz idônea entenda como legal uma operação financeira na qual sua participação se limita a "emprestar seu nome" para a implementação da citada operação. E mais, a confiança em seu advogado é tamanha, que outorga amplos e ilimitados poderes para um terceiro movimentar sua conta corrente do UNIBANCO sem questionar em nenhum momento a origem e destino dos recursos movimentados. 42. O Inquérito Policial citado pela autuada também não faz prova a seu favor, eis que, as peças anexas apenas reproduzem o alegado. Conforme citado anteriormente, não cabe à autoridade administrativa diligenciar no sentido de demonstrar o fato presumido, logo, não está obrigada a verificar as conclusões e ou resultado do Inquérito Policial em questão., 9 ,(A) jt Processo n.° 19515.000076/2004-03 Acórdão n.° 101-95.397 43. Assim, o que se verifica é que a impugnação apresentada se encontra inteiramente calcada em meras alegações, visto que, não foi anexado aos autos qualquer documento idôneo que pudesse comprovar a veracidade do alegado." Está presente, pois, o requisito fundamental previsto na norma, qual seja, o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados. Conforme ensina Hugo de Brito Machado, a obrigação tributária decorre diretamente da lei, sem que a vontade interfira com seu nascimento. A lei cria o tributo, descreve a hipótese em que o mesmo é devido. Basta que essa hipótese aconteça, tornando-se concreta, para que surja a obrigação tributária, sendo absolutamente irrelevante a vontade das pessoas envolvidas.' . No presente caso, a hipótese legal (art. 42 da Lei n° 9.430/96) é a existência de depósitos bancários cuja origem o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea Tendo a hipótese legal se concretizado no mundo dos fatos, não pode a autoridade deixar de efetuar o lançamento, atividade vinculada e obrigatória. Pelos precedentes que passaram por esta Câmara, envolvendo remessas de recursos por meio de contas CC5 e simulação de compra e venda de títulos do tesouro americano (T. Bills), pode-se inferir a existência de esquema pré- concebido, com a participação de instituição financeira, para permitir a transferência para o exterior de recursos de origem não comprovada, dando-lhes uma roupagem de legalidade . No caso, tanto poderia estar sendo acobertada a transferência de recursos de terceiros, tendo o Recorrente concordado (não ingenuamente, é claro) em participar da operação, como os recursos transferidos podem ser receita omitida pela própria fiscalizada. Isso há que ser provado em outra instância. Para a Receita Federal, entretanto, não há alternativa: subsumindo-se o fato à hipótese prevista na lei como presunção legal de omissão de receita, não há como deixar de formalizar a exigência. A multa de ofício e os juros de mora aplicados estão rigorosamente de acordo com a lei. 4 r 10 Processo n.° 19515.000076/2004-03 Acórdão n.° 101-95.397 O fato ocorrido enquadra-se na hipótese prevista no art. 44, inc. da Lei n° 9.430/96, sendo aplicável o percentual de 75%. A limitação em 20% aplica-se à multa de mora, e não à multa por lançamento de ofício. Quanto aos juros de mora, sua cobrança decorre do art. 161 do Código Tributário Nacional, que prescreve que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, excepcionando apenas as situações em que haja pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. O parágrafo 10 do mesmo dispositivo estabelece que, se a lei não dispuser de modo diverso, serão os juros de 1% ao mês (destaquei). A aplicação da taxa SELIC na determinação dos juros de mora está prevista em disposição legal em vigor, não cabendo a este órgão do Poder Executivo negar-lhe aplicação. Quanto à argüição de limite constitucional para os juros, a previsão que constava do art. 192, § 3° da Constituição Federal foi revogada pela Emenda Constitucional 40/2003 e, de qualquer modo, referia-se aos juros reais a serem cobrados pelo sistema financeiro, não se aplicando aos juros pela mora no pagamento de tributos. Pelas razões acima, rejeito as preliminares e nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, DF, em 23 de fevereiro de 2006. -SANDRA MARIA FARONI 61,j? 11 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1

score : 1.0