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Numero do processo: 10111.000254/2005-47
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Exercício: 2005
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DO OBJETO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3801-004.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso em razão da concomitância. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr.Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Exercício: 2005 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DO OBJETO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso em razão da concomitância. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr.Rafael de Paula Gomes, OAB/DF nº 26.345. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 00 02 54 /2 00 5- 47 Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10111.000254/200547 Acórdão n.º 3801004.292 S3TE01 Fl. 651 2 Relatório Tratamse de autos de infração referentes à multa específica pelo erro na classificação fiscal do equipamento descrito a seguir e às diferenças de tributos incidentes na importação (IPI, COFINS e PIS) decorrentes desse erro. Conforme consta no campo descrição dos fatos e enquadramento legal dos autos de infração o motivo do lançamento é o seguinte: O contribuinte, quando do registro da Declaração de Importação, classificou a mercadoria em tela na NCM 8525.20.13. Entretanto, considerando o Ato Declaratório Interpretativo n.º 22, de 20/08/2004, e levandose em conta também o Acórdão da 1ª Turma da DRJ n.º 6607, de 23/04/2004, a correta classificação na NCM para a mercadoria em tela é 8526.91.00. Portanto, considerando o erro na classificação fiscal, cobrase multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria, de acordo com o artigo 84 da MP 245835/2001. A essa multa não se aplica a redução prevista no artigo 6° da Lei 8.218, de 29 de agosto de 1991, conforme previsto no artigo 81, inciso IV, da Lei n° 10.833/2003. Em sua impugnação a Recorrente aponta que o auto é nulo porque não contém a devida descrição dos fatos e a fundamentação legal da exigência, contrariando assim o disposto nos incisos III e IV, respectivamente, do art. 10 do Decreto n.º 70.235/1972. No tocante ao mérito, a impugnante aduz que o equipamento importado é utilizado exclusivamente integrado a um sistema denominado OmniSAT, tendo como função propiciar o envio e recebimento de mensagens de texto entre a administração de uma empresa ou entidade e seus veículos e considerando as regras do sistema harmonizado a classificação adotada está correta, ou seja, a impugnante informa que seguiu as orientações constantes na Seção XVI da NCM, em especial as Notas 3, 4 e 5, que dispõem sobre a classificação fiscal de combinação de máquinas e define o que deve ser considerado como tal. Conclui que, diante dessas regras e tendo em vista as características técnicas e a destinação funcional da máquina importada, está correta a classificação fiscal utilizada: 8525.20.13. Para reforçar seu entendimento, a impugnante apresenta a definição dada pela Agência Nacional de Telecomunicações – ANATEL aos serviços vinculados ao MCT, bem como as exigências feitas por esse órgão no tocante à homologação e ao funcionamento desse equipamento, inclusive o recolhimento da Taxa de Fiscalização de Instalação – TFI e da Taxa de Fiscalização de Funcionamento – TFF. Sustenta que essas circunstâncias são suficientes para afastar qualquer dúvida acerca da inaplicabilidade de norma legal direcionada à atividade de radionavegação, que não é mencionada em seu Estatuto Social, nem nos atos que autorizaram a prestação dos referidos serviços. Para comprovar suas afirmações a impugnante juntou laudo técnico emitido pela Universidade de Brasília (UnB), que traz informações que confirmam o enquadramento tarifário adotado pelo importador. Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10111.000254/200547 Acórdão n.º 3801004.292 S3TE01 Fl. 652 3 Apresentada a impugnação a DRJ converteu o julgamento em diligência para os fins de ser averiguada uma possível concomitância e para complementar as informações existentes, com base nas seguintes determinações: a) providenciar cópia da petição inicial e das decisões já proferidas, relativas aos processos judiciais supra indicados – MS nº 2004.34.00.0066088 e AO nº 005392661.2010.4.01.3400 (caso a Unidade não disponha desses documentos, verificar a possibilidade de obtêlos junto à PFN); b) trazer ao processo outros documentos ou esclarecimentos que a autoridade preparadora entenda necessários ou relevantes à instrução destes autos e ao consequente julgamento da presente lide; e c) cientificar o sujeito passivo da presente Resolução e de seu resultado, bem como do prazo de 30 (trinta) dias para se manifestar. A autoridade preparadora adotou as providências solicitadas e elaborou Informação Fiscal com cerca de 70 páginas na qual reitera os argumentos já apresentados pela fiscalização e traz ainda alguns esclarecimentos adicionais, especialmente sobre a definição da função principal desempenhada pelo MCT e sobre as regras de classificação fiscal aplicáveis ao caso. A impugnante tomou ciência da diligência e de seu resultado e apresentou sua manifestação sobre esses procedimentos apontando que as ações relacionadas não se referem à classificação, mas apenas o direito ao desembaraço do equipamento importado sem óbices das autoridades aduaneira; que os novos elementos trazidos pela fiscalização não devem ser levados em consideração, por sua juntada tardia, contrariando assim ao disposto no art. 16, § 4o, do Decreto no 70.235/1972 e art. 57, § 4o, do Decreto no 7.574/2011. Embora tais dispositivos sejam dirigidos à impugnação, seu conteúdo se aplica com maior razão à fiscalização, tendo em vista o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN); que a matéria ora discutida foi objeto de análise por parte do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), antigo Conselho de Contribuintes, e pela Câmera Superior de Recursos Fiscais (CSRF). Ambos decidiram em favor da impugnante. Posteriormente, em face de quatro novas autuações, o CARF deu provimento, novamente à unanimidade e no mérito, aos recursos voluntários no 143.883;; 143.902;; 143.903 e 143.905 (processos no 10111.000538/200452;; 10111.000427/200446;; 10111.000462/200465 e 10111.000547/ 200447, respectivamente). Portanto, uma vez que o tema já foi apreciado pela instância máxima do contencioso administrativo, esperase a aplicação de referidos precedentes à hipótese dos presentes autos, de forma a respeitar a segurança jurídica; e, que a Solução de Consulta SRRF/9ª RF nº 361, de 2006, trata de equipamento distinto do MCT, motivo pelo qual não se presta para justificar a manutenção da autuação. A DRJ manteve o auto com base na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 16/09/2005 INÉPCIA DO LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. É válido o lançamento cuja descrição das ocorrências e enquadramento legal permitam a perfeita compreensão dos fatos Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10111.000254/200547 Acórdão n.º 3801004.292 S3TE01 Fl. 653 4 pelo autuado, mormente quando a realização de diligência oportuniza dirimir eventuais dúvidas. DILIGÊNCIA. JUNTADA DE DOCUMENTOS ANTERIORES AO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Quando da realização de diligência, é admissível que a fiscalização junte novos documentos para esclarecer os fatos em causa, ainda que tenham sido produzidos antes do lançamento. DOCUMENTO GRAFADO EM IDIOMA ESTRANGEIRO. AUSÊNCIA DE TRADUÇÃO JURAMENTADA. ADMISSIBILIDADE. A ausência de tradução juramentada de documento grafado em idioma estrangeiro não impede sua utilização nos autos, desde que fique demonstrada a ausência de prejuízo para as partes envolvidas. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 16/09/2005 TERMINAL MÓVEL DE COMUNICAÇÃO DO SISTEMA OMNISAT. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. O Terminal Móvel de Comunicação do Sistema OmniSAT se enquadra no código 8526.91.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul, pois se trata de uma combinação de máquinas cuja função principal é desempenhada pelo receptor GPS nele inserido, que fornece as informações necessárias para a supervisão do deslocamento do veículo em que ele é instalado. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE PRODUTO IMPORTADO. MULTA ESPECÍFICA. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. O erro na classificação fiscal de mercadoria importada configura infração punível com multa específica, sem prejuízo da cobrança de ofício das MP nº 2.2002 de 24/08/2001 diferenças de tributos eventualmente apuradas, com os acréscimos legais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Apresentou a Recorrente a presente manifestação de inconformidade com base nos mesmos argumentos anteriormente apontados. Após a indicação do presente processo para a pauta a recorrente informou a existência de concomitância com a Ação Ordinária n.º 004787847.2014.4.01.3400 em curso perante a Justiça Federal de Brasília para discutir o mérito dessa e das demais autuações, havendo inclusive obtido liminar favorável determinando a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários. É o que importa relatar. Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10111.000254/200547 Acórdão n.º 3801004.292 S3TE01 Fl. 654 5 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Conforme informação trazida pela própria Recorrente em sede de Recurso Voluntário, há a existência de concomitância no presente caso, diante do ajuizamento da Ação Judicial n.º 004787847.2014.4.01.3400 em curso perante a Justiça Federal de Brasília. Naquele processo foi deferida tutela antecipada que tem o seguinte teor, conforme consta do site1 do tribunal: Tratase de pedido de antecipação de tutela em ação sob o rito ordinário, ajuizada por AUTOTRAC COMÉRCIO E TELECOMUNICAÇÕES S.A., em face da UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), objetivando que a ré se abstenha de qualquer prática tendente a interromper ou suspender o despacho, o desembaraço aduaneiros ou a liberação do equipamento denominado Terminal Móvel de Comunicação MCT, importado pela Autora, ao fundamento de que a classificação fiscal correta seria a de aparelho de radionavegação, objeto da posição 8526.91.00, da Nomenclatura Comum do Mercosul – MCT, bem como seja determinado que a Ré se abstenha de adotar quaisquer atos de cobrança. Como pedido sucessivo, requer seja obstado a prática de quaisquer atos de cobrança, ao menos relativamente às penalidades, notadamente a multa do IPI supostamente recolhidos a menor. Relata que o NCT é um equipamento que permite a comunicação entre os ocupantes do veículo e a central de gestão da frota, normalmente a sede da empresa proprietária dos veículos. Narra que sempre classificou, em suas importações, o equipamento na posição relativa à comunicação, mas vem sendo autuada pela exigência da adoção da classificação fiscal do equipamento na posição de radionavegação, com a respectiva cobrança da diferença dos produtos devidos daí decorrentes, bem como das penalidades aplicadas. Juntamente com a inicial vieram os documentos de fls. 57/2.090. É o relatório. Decido. 1 file:///C:/Documents%20and%20Settings/hp/Meus%20documentos/Downloads/55896167f38310b927333f5c2a6e 6b52.pdf Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10111.000254/200547 Acórdão n.º 3801004.292 S3TE01 Fl. 655 6 O deferimento da tutela antecipada requer prova inequívoca, a ponto de convencer o juiz da verossimilhança das alegações, risco de dano irreparável, ou de difícil reparação, caso não concedida no início do processo, nos termos do art. 273 do CPC. De início, constato que o pedido relativo à abstenção de qualquer prática tendente a interromper ou suspender o despacho, o desembaraço aduaneiros ou a liberação do equipamento denominado Terminal Móvel de Comunicação – MCT, já foi apreciado no Processo nº 5392661.2010.4.01.3400, que tramitou perante a 17ª Vara Federal desta Seção Judiciária (fls.701/762), conforme reconhecido pela própria Autora, à fl. 51. Assim, houve confirmação em sentença da tutela antecipada deferida em sede de agravo de instrumento, sendo que os autos foram remetidos ao TRF 1ª Região, para análise do recurso da União (Fazenda Nacional), conforme movimentação processual. Em relação ao pedido de abstenção relativa aos atos de cobrança, tais como negativa de expedição de regularidade fiscal, inclusão da empresa no CADIN e ajuizamento de Execuções Fiscais dos débitos passados e futuros, verifico ser imprescindível a análise do acervo probatório colacionado pela Autora acerca da classificação fiscal do MCT, se trata de equipamento de comunicação ou de radionavegação. Nesse aspecto, a Autora demonstra que o referido equipamento já foi classificado como de comunicação pelo Conselho de Contribuintes, em acórdãos confirmados pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, reconhecendo que a classificação adotada pelo Fisco é incorreta (fls. 93/254). No mesmo sentido vão os Laudos Periciais da Universidade de Brasília e do Instituto Nacional de Tecnologia – INT (fls. 256/284 e 286/313), bem como as Soluções de Consulta da Receita Federal juntadas às fls. 315 e 317 e mesmo o Manual do Usuário juntado à fl.87. Vislumbro, portanto, a verossimilhança das alegações da parte Autora. Comprovado também o presente o perigo da demora, tendo em vista os prejuízos e constrangimentos decorrentes dos débitos decorrentes da classificação fiscal. Ante o exposto, DEFIRO EM PARTE O PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA para suspender a exigibilidade do crédito tributário decorrentes da não adoção pela Autora da classificação fiscal do MCT na posição de aparelho de radionavegação, objeto da posição 8526.91.00 da NCM e determinar à Ré que se abstenha de adotar quaisquer atos de cobrança, tais como negativa de expedição de regularidade fiscal, inclusão da empresa no CADIN e ajuizamento de Execuções Fiscais dos respectivos débitos. Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10111.000254/200547 Acórdão n.º 3801004.292 S3TE01 Fl. 656 7 Para tanto, deverá haver substituição da referida posição pela 8525.20.13, referente à Resolução Camex nº 42/01; e 8517.62.71, referente às Resoluções Camex nº 43/06 e 94/11. Prejudicada análise, nesse momento processual, do pedido de abster a suspensão do despacho, do desembaraço aduaneiro ou a liberação do equipamento, pois já foram concedidas no Processo nº 5392661.2010.4.01.3400, que tramitou perante a 17ª Vara Federal desta Seção Judiciária. Intimese, nos termos do requerido no item a.4, à fl. 53 Após, citese. Brasília (DF), 31 de julho de 2014. CRISTIANE PEDERZOLLI RENTZSCH Juíza Federal em auxílio à 16ª Vara da SJDF Evidente que tal demanda tem o mesmo objeto do presente processo. Nos termos do art. 5°, XXXV, da Constituição Federal, é assegurado a todos o acesso ao Poder Judiciário para defesa de seus direitos, sendo que as decisões judiciais transitadas em julgado se revestem do caráter de definitividade e de imutabilidade, sendo, portanto, a ultima ratio na solução de conflitos. Submetida determinada matéria à apreciação do Poder Judiciário, cuja decisão se reveste do caráter definitivo e imutável prevalecendo na ordem jurídica, qualquer outra discussão paralela mostrase inoportuna e ineficiente, diante do fato de que prevalecerá a decisão judicial. O tema não merece maiores digressões e já se encontra sumulado (Súmula CARF n° 1), que tem o seguinte teor: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário, uma vez que a matéria já foi submetida ao crivo do Poder Judiciário, não cabendo a este órgão administrativo colegiado a sua apreciação, pois configurada a renúncia à via administrativa. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10111.000254/200547 Acórdão n.º 3801004.292 S3TE01 Fl. 657 8 Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11080.001818/2009-60
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005
Faturamento. Receitas Financeiras Inconstitucionalidade
Diante da decisão definitiva do STF, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e a determinação contida no inciso I do art. 62 do Regimento Interno do CARF - RICARF, deve ser exonerada a exigência de contribuição à COFINS que tem, por base de cálculo, receitas auferidas em aplicações financeiras de renda fixa.
Arbitramento dos Lucros.
O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa contendo toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do RIR/99 (RIR/99, arts. 527, 529 e 530, III).
Tributação Reflexa. CSLL,
O entendimento adotado no lançamento reflexo da CSLL, acompanha o decidido acerca da exigência matriz, do IRPJ, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1801-002.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento, em parte, ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2005 Faturamento. Receitas Financeiras Inconstitucionalidade Diante da decisão definitiva do STF, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e a determinação contida no inciso I do art. 62 do Regimento Interno do CARF - RICARF, deve ser exonerada a exigência de contribuição à COFINS que tem, por base de cálculo, receitas auferidas em aplicações financeiras de renda fixa. Arbitramento dos Lucros. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa contendo toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do RIR/99 (RIR/99, arts. 527, 529 e 530, III). Tributação Reflexa. CSLL, O entendimento adotado no lançamento reflexo da CSLL, acompanha o decidido acerca da exigência matriz, do IRPJ, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. Na base de cálculo para determinação do lucro presumido devem ser incluídos os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas e demais valores determinados pela Lei n º 9.430, de 1996, auferidos no mesmo período (Lei n º 9.430, de 1996, art. 25, II) ARBITRAMENTO DOS LUCROS. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa contendo toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, na hipótese do parágrafo único do art. 527 do RIR/99 (RIR/99, arts. 527, 529 e 530, III). TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, O entendimento adotado no lançamento reflexo da CSLL, acompanha o decidido acerca da exigência matriz, do IRPJ, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 FATURAMENTO. RECEITAS FINANCEIRAS INCONSTITUCIONALIDADE Diante da decisão definitiva do STF, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e a determinação contida no inciso I do art. 62 do Regimento Interno do CARF RICARF, deve ser exonerada a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 18 18 /2 00 9- 60 Fl. 305DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 exigência de contribuição à COFINS que tem, por base de cálculo, receitas auferidas em aplicações financeiras de renda fixa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 FATURAMENTO. RECEITAS FINANCEIRAS INCONSTITUCIONALIDADE Diante da decisão definitiva do STF, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e a determinação contida no inciso I do art. 62 do Regimento Interno do CARF RICARF, deve ser exonerada a exigência de contribuição à COFINS que tem, por base de cálculo, receitas auferidas em aplicações financeiras de renda fixa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento, em parte, ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 5a. Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre/RS que, por unanimidade de votos, manteve integralmente as exigências consubstanciadas nos autos. Por bem resumir os fatos, adoto o relatório da DRJ em Porto Alegre/RS: Registrese, inicialmente, que as citações de números de folhas referemse ao processo digitalizado. Trata o presente processo de exigências de imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ), contribuição para o PIS/Pasep, contribuição para financiamento da seguridade social (COFINS) e de contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), referentes a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2005, conforme Autos de Infração e Anexos de fls. 157187 e Relatório da Ação Fiscal de fls. 153156. A irregularidade fiscal, que está detalhada no relatório fiscal, referese a não inclusão na base de cálculo dos tributos dos rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa efetuadas nos Bancos Bradesco e Santander. Os valores foram obtidos nos extratos bancários e estão consolidados no demonstrativo de fl. 153. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.001818/200960 Acórdão n.º 1801002.175 S1TE01 Fl. 3 3 O autuante descreve que essas receitas não foram informadas na DIPJ e os tributos decorrentes também não foram informados em DCTF, exceto o IRF. De acordo com o demonstrativo de apuração do IRPJ (fl. 161), os valores tributáveis foram apurados com base no lucro presumido. Valores lançados e enquadramento legal: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (auto de infração fl. 157 – total crédito tributário – R$ 58.247,22) • Rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa. Art. 521 do Decreto nº 3.000/1999 (RIR/99). Contribuição para o PIS/Pasep (auto de infração de fl. 165 – total do crédito tributário – R$ 7.817,97) • Falta/Insuficiência de recolhimento do PIS – arts. 1º e 3º da Lei Complementar nº 7/70; arts. 2º, I, alínea “a” e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524/2002 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (auto infração de fl. 173 – total do crédito tributário – R$ 108.145,16) • Contribuição sobre receita não operacional – art. 2º e §§, da Lei nº 7.689/1988; art. 29, II, da Lei nº 9.430/1996; art. 37 da Lei nº 10.637/2002. Cofins (auto de infração de fl. 180 – total do crédito tributário – R$ 36.083,69) • Falta/Insuficiência de recolhimento da Cofins – arts. 2º, II e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524/2002. Os valores das multas de ofício estão lançados com o percentual de 75%, conforme consta nos “Demonstrativos de Multa e Juros de Mora”. Os juros de mora estão sendo exigidos com fundamento no art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996. O total do crédito tributário lançado é de R$ 210.294,54 (fl. 2). A autuada, tempestivamente (despacho de fl. 204), por meio de seu representante legal, impugnou os lançamentos (fls. 194197). As alegações, em síntese, são as seguintes: Rendimentos de aplicação financeira Não procedem os autos de infração, porque a autoridade fiscal não entregou à autuada os comprovantes de aplicação de renda fixa. De acordo com o art. 142 do CTN, a autoridade administrativa deve provar a ocorrência do fato gerador e demonstrar a matéria tributária. Segundo o art. 10, II, da Lei 10.833/2003, “às pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado” aplicase a Lei 9.718/98. Assim, a base de cálculo majorada pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, não deve ser aplicada às pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido. Diz a defesa: Fl. 307DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 [...] a inclusão na base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS e da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, de valores estranhos ao conceito de "faturamento" foi objeto de declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário n° 346.084/PR e no Recurso Extraordinário 357.950/RS, exemplificativamente, assim como em inúmeras decisões do Tribunal Regional Federal da 4a Região. [...] Em síntese, pois, os autos de infração devem ser julgados improcedentes neste aspecto: a base de cálculo das contribuições impugnadas deve excluir receitas estranhas ao conceito de "faturamento", em vista da regra clara e especifica do artigo 10, inciso II, da Lei n° 10.833/2003. Ao finalizar este tópico, alega que não foram comprovadas a ocorrência dos fatos geradores nem a base de cálculo. Além disso, as receitas financeiras foram indevidamente incluídas nas bases de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. Conclusão Requer a improcedência dos autos de infração, em decorrência do descumprimento do art. 142 do CTN e por inclusão indevida de receitas financeiras para cálculo das referidas contribuições. A Turma Julgadora de 1a. Instancia afastou as preliminares de nulidade da autuação e de cerceamento do direito de defesa. A decisão foi unânime em manter as exigências de IRPJ e CSLL. Mas no tocante às exigências de PIS e COFINS, o relator, que votou pela exoneração das contribuições fundamentandose na decisão do STF, mas foi vencido pela maioria da turma, que entendeu devidas as exigências. Cientificada da decisão, em 22/02/2013 (AR efl. 224), apresentou a interessada, em 18/03/2013, recurso voluntário. Em preliminares, invoca a nulidade do auto de infração por considerar que a infração não foi claramente descrita, ensejando cerceamento do direito de defesa. Explica que a autuada é uma das empresas sócias da RS FUTEBOL CLUBE, juntamente com a Pedra Branca Participações e Representações Ltda. e Paulo Cezar Carpegiani faz parte do quadro social da recorrente. A RS FUTEBOL CLUBE teria auferido receitas e distribuído lucro para suas sócias, a CARPEGIANI e a PEDRA BRANCA, que, por sua vez, distribuíram lucros aos sócios pessoas físicas. Assim, a tributação dos valores teria se dado na RS FUTEBOL CLUBE, no momento da apuração dos lucros pelas regras do presumido. Assim, a operação entre a RS FUTEBOL CLUBE e a recorrente, e, entre a recorrente e o sócio Paulo Cezar Carpegiani, seria de distribuição de lucro, isenta de imposto. Por tal razão conclui que não teria ocorrido qualquer omissão de receitas por parte da recorrente. O sujeito passivo, no caso, seria a RS FUTEBOL CLUBE. Se refere ao PAF n º 11080.001820/200939 que trataria de cobrança de multa e juros isolados por ausência de retenção de imposto na fonte e, pelos mesmos motivos, referido processo não poderia prosperar. Ao final requer o provimento do recurso. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.001818/200960 Acórdão n.º 1801002.175 S1TE01 Fl. 4 5 É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Inicialmente cumpre reconhecer que não há qualquer nulidade ou cerceamento do direito de defesa caracterizado no presente processo. As infrações estão claramente descritas nos autos de infração. A recorrente participou do procedimento fiscal em todas as etapas, recebendo intimações e oferecendo suas explicações. Os autos de infração contêm a descrição detalhada dos fatos que levaram a auditoria fiscal a concluir pela pratica de infrações a legislação tributária. A oportunidade de defesa foi regularmente oferecida e exercida pela recorrente, como se comprova pela apresentação tempestiva das peças de defesa. Afastase, assim, a nulidade suscitada. No mérito, verificase que a autoridade apurou que a recorrente auferiu receitas de aplicações financeiras de renda fixa e não ofereceu essas receitas à tributação, como determina a legislação tributária. Não se trata, como quer fazer crer a defesa, de exigência de tributos sobre distribuição de lucros. Tratase de exigir tributos sobre rendimentos de aplicações financeiras e, nesse aspecto, a origem dos valores aplicados em fundos de investimento financeiros não tem qualquer relevância na determinação do fato gerador da obrigação tributária em questão. A recorrente, tendo optado pela apuração de seus resultados com base nas regras do lucro presumido, deveria ter oferecido à tributação, na apuração do IRPJ e da CSLL, os ganhos auferidos em aplicações financeiras, como determina a Lei. Eis o texto legal: Lei n º 9.430, de 1996: Art. 25.O lucro presumido será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: ... II os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período." Fl. 309DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 (*) destaques acrescidos. No entanto, a recorrente não ofereceu tais rendimentos à tributação. E, também, sequer apresentou sua escrituração contábil e fiscal, tampouco o Livro Caixa contendo a escrituração de sua movimentação financeira, o que determinou o arbitramento dos lucros. Assim, para cálculo do IRPJ e da CSLL com base no lucro arbitrado, foi considerada como receita bruta conhecida os rendimentos obtidos com as aplicações financeiras de renda fixa. Corretas, assim, as exigências de IRPJ e CSLL. No entanto, as exigências de PIS e COFINS sobre as receitas obtidas com rendimentos de aplicações financeiras não devem prosperar. Como se verifica dos autos de infração que exigem contribuições ao PIS e à COFINS, a autoridade fiscal fundamentou a exigência nos seguintes dispositivos: Arts. 2°, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n°4.524/02. Impostos e contribuições não são instituídos por Decreto. De acordo com a Constituição Federal e o Código Tributário Nacional somente podem ser instituídos por Lei Complementar ou Ordinária. Os decretos apenas regulamentam o que dispõe a lei instituidora da contribuição. No presente caso, o próprio texto do decreto mencionado nos autos de infração se reporta às leis que está a regulamentar. Vejamos: Decreto n º 4.524/2002 Art. 2º As contribuições de que trata este Decreto têm como fatos geradores (Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 2º, e Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, art. 13): I na hipótese do PIS/Pasep: a) o auferimento de receita pela pessoa jurídica de direito privado; e ... Parágrafo único. Para efeito do disposto na alínea "a" do inciso I e no inciso II, compreendese como receita a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade exercida pela pessoa jurídica e da classificação contábil adotada para sua escrituração. ... Art. 3 ºSão contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre o faturamento as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela Fl. 310DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.001818/200960 Acórdão n.º 1801002.175 S1TE01 Fl. 5 7 legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9º (Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 1º, Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 60, Lei nº 9.701, de 17 de novembro de 1998, art. 1º, Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, art. 2º, Lei nº 9.718, de 1998, art. 2º, e Lei nº 10.431, de 24 de abril de 2002, art. 6º, inciso II). § 1º As entidades fechadas e abertas de previdência complementar são contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins na modalidade de incidência prevista neste artigo, sendo irrelevante a forma de sua constituição. § 2º As entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial e de falência, em relação às operações praticadas durante o período em que perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo, sujeitamse às disposições deste Decreto. ... Art. 10. As pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, observado o disposto no art. 9º, têm como base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins o valor do faturamento, que corresponde à receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas auferidas, independentemente da atividade por elas exercidas e da classificação contábil adotada para a escrituração das receitas (Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 1º, Lei nº 9.701, de 1998, art. 1º, Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º, Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998, art. 5º, e Lei nº 9.718, de 1998, arts. 2ºe 3º). ... Art. 22.Para efeito de apuração da base de cálculo de que trata este capítulo, observado o disposto no art. 23, podem ser excluídos ou deduzidos da receita bruta, quando a tenham integrado, os valores (Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º): I das vendas canceladas; II dos descontos incondicionais concedidos; III do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); IV do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS), quando destacado em nota fiscal e cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; Fl. 311DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 V das reversões de provisões; VI das recuperações de créditos baixados como perdas, limitados aos valores efetivamente baixados, que não representem ingresso de novas receitas; VII dos resultados positivos da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita, inclusive os derivados de empreendimento objeto de Sociedade em Conta de Participação (SCP); e VIII das receitas decorrentes das vendas de bens do ativo permanente. § 1º Não se aplica a exclusão prevista no inciso V na hipótese de provisão que tenha sido deduzida da base de cálculo quando de sua constituição. § 2º Na hipótese de o valor das vendas canceladas superar o valor da receita bruta do mês, o saldo poderá ser compensado nos meses subseqüentes. Ao seu turno, a Lei n º 9.718, de 1998, assim dispunha: Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica." § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Ocorre que o art. 3o. da Lei n º 9.718, de 1998, que, volto a repetir, o decreto n º 4.524/2002 somente regulamenta, foi revogado pelo art. 79 da Lei n º 11.941, de 2009, depois de ter sido declarado inconstitucional pelo STF. A inconstitucionalidade foi declarada justamente porque a Lei n º 9.718, de 1998, no art 3o., promovia um indevido “alargamento” da base de cálculo, justamente para alcançar, dentre outras, as receitas financeiras. E foi justamente esse indevido “alargamento” é que foi considerado inconstitucional pelo STF. Para o STF, receitas financeiras não se enquadram no conceito de faturamento, como se verifica da ementa do RE n º 390.840: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.001818/200960 Acórdão n.º 1801002.175 S1TE01 Fl. 6 9 Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, aprovado pela Portaria MF n º 256, de 2009, com as alterações promovidas pela Portaria MF n º 586, de 2010, assim dispõe no art. 62 do Anexo II: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou ... Atualmente, o art. 52 da Lei n º 12.973, de 13/05/2014, deu nova redação ao Art. 3 º da Lei n º 9.718/98. Mas esse fato é irrelevante para o presente caso, porque a autuação, à época dos fatos, tomou por base a redação original do dispositivo, declarada inconstitucional. Diante da decisão definitiva do STF, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e a determinação contida no inciso I do art. 62 do Regimento Interno do CARF – RICARF, devem ser exoneradas as exigências dessas contribuições. Em face do exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 313DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 Fl. 314DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10935.902442/2012-47
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/01/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/01/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/01/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 24 42 /2 01 2- 47 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.747, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 01/08/2012, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 36362.89058.161107.1.2.040603, rastreamento nº 029224764, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 4.905,18, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), do período de 31/12/2003, efetuado em 15/01/2004, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 13/08/2012, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902442/201247 Acórdão n.º 3802002.597 S3TE02 Fl. 122 3 Data do fato gerador: 15/01/2004 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902442/201247 Acórdão n.º 3802002.597 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902442/201247 Acórdão n.º 3802002.597 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.902442/201247 Acórdão n.º 3802002.597 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 18159.000473/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2004
FALTA DE CIÊNCIA AO SUJEITO PASSIVO DE PRONUNCIAMENTO FISCAL EMITIDO APÓS A IMPUGNAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. NULIDADE.
A omissão em dar ciência ao contribuinte de manifestações proferidas pelo agente notificante após a impugnação fere os princípios constitucionais do Contraditório e da Ampla Defesa.
A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da decisão a quo para o correto transcurso do processo administrativo fiscal.
Decisão Recorrida Nula.
Numero da decisão: 2401-003.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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INOBSERVÂNCIA DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. NULIDADE. A omissão em dar ciência ao contribuinte de manifestações proferidas pelo agente notificante após a impugnação fere os princípios constitucionais do Contraditório e da Ampla Defesa. A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação da decisão a quo para o correto transcurso do processo administrativo fiscal. Decisão Recorrida Nula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 15 9. 00 04 73 /2 00 9- 15 Fl. 1951DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 1952DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18159.000473/200915 Acórdão n.º 2401003.609 S2C4T1 Fl. 3.902 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra a Decisão Notificação n. 11.424.4/0076/2005, fls. 1.160 e segs.(processo tipo papel), da então Delegacia da Receita Federal do Brasil – Previdenciária em Governador Valadares (MG), que julgou procedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n.º 35.786.3895. O crédito tributário diz respeito à exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social e para outras entidades ou fundos (SEST/SENAT), além da contribuição dos segurados, incidentes sobre as remunerações pagas a contribuintes individuais, conforme os itens de apuração (levantamentos) abaixo enumerados: a) Levantamentos referentes a período anterior a GFIP até 12/ 1998: FRT PAGTO TRANSPORTADOR AUTÔNOMO CI CONTRIB INDIVID ANTES GFIP b) Levantamentos referentes a período de vigência da GFIP – a partir de 01/1999: FRG PAGTO TRANSP AUTONOMO GFIP FR1 PAGTO TRANSP AUT X GFIP CIl CONTRIB INDIVID POS GFIP PF2 DIFERENÇA RETENÇÃO. 11% Após a apresentação da defesa, o processo foi baixado em diligência para que a fiscalização se pronunciasse sobre as alegações defensórias do desrespeito ao teto do salário decontribuição e sobre a inclusão no levantamento de pagamentos efetuados a pessoas jurídicas. O fisco se pronunciou às fls. 1.077/1.079 (do processo tipo papel). Com esteio nessas informações prestadas em sede de diligência fiscal, o órgão de julgamento de primeira instância, decidiu considerar procedente em parte o lançamento. Inconformada com a decisão do órgão de julgamento de primeira instância da Previdência Social, a empresa recorreu ao Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, todavia, o recurso não teve seguimento, por ser considerado deserto. A empresa recorreu ao Judiciário e teve a sua pretensão acolhida, para que o recurso fosse processado independentemente do depósito de 30% do valor da exigência. Fl. 1953DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento. Passamos agora, em síntese, a descrever as questões suscitadas no recurso voluntário (fls. 1.255 e segs. do processo tipo papel). Alega ser inconstitucional o art. 45 da Lei n. 8.212/1991, o que leva a decadência de parte do crédito lançado. Sustenta que a apreciação das questões constitucionais é obrigatória, mesmo em julgamentos na seara administrativa. Para a recorrente, o lançamento ofendeu aos princípios da isonomia processual, da proporcionalidade, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, posto que a empresa não teria como apresentar em 15 dias defesa contra o trabalho do fisco que foi desenvolvido durante mais de um ano. Afirma que há nulidade por vício material existente no objeto da NFLD, eis que foram incluídos no lançamento valores indevidos a título de contribuições previdenciárias, juros de mora, bem como de multa. Outra causa de nulidade suscitada pelo sujeito passivo seria a indicação dos seus sócios cotistas como corresponsáveis pelo crédito. Deve ser desconsiderado, afirma, o Termo de Arrolamento de Bens em razão da sua patente nulidade. Como matéria de mérito arguiu que foram incluídos na base de cálculo valores acima do limite máximo do saláriodecontribuição, posto que o fisco não levou em conta os trabalhadores que prestaram serviço a mais de uma empresa. Apresenta casos em que houve a incorreta apuração. Assevera que foram incluídas na base de cálculo valores pagos a pessoas jurídicas que lhe prestaram serviços e, embora a autoridade julgadora tenha excluído da apuração os pagamentos em que a empresa apresentou as notas fiscais de prestação de serviço, devese determinar a realização de perícia, posto que a empresa não teve o tempo suficiente para demonstrar todas as incorreções. Garante que a contribuição sobre o prólabore instituída pela LC n. 84/1996 é inconstitucional, posto que representou alargamento da competência residual da União, acarretando em bitributação sobre a base de cálculo do IRRF e do ISS. Afirma ser inconstitucional e ilegal a contribuição previdenciária exigida com base na Lei n° 9.876/1999, por afronta cabal ao Princípio da Hierarquia das Leis. A exigência das contribuições ao SEST/SENAT, no entender da recorrente, representa afronta ao princípio da legalidade, posto que as alíquotas, bases de cálculo e sujeitos passivos foram instituídos pelo Decreto n. 1.007/1993. Questiona também o caráter confiscatório da multa e a impossibilidade de utilização da taxa SELIC para fins tributários. Fl. 1954DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18159.000473/200915 Acórdão n.º 2401003.609 S2C4T1 Fl. 3.903 5 A empresa contesta a data de vencimento do tributo no dia 02 do mês subsequente a ocorrência dos fatos geradores, por entender que a lei não autoriza a antecipação da cobrança do tributo antes da ocorrência do fato gerador. Por fim, postula a realização de prova pericial. É o relatório. Fl. 1955DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Do cerceamento ao direito de defesa No curso da instrução do processo, após o oferecimento da impugnação, o feito foi baixado em diligência para que para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse acerca das alegações e documentos apresentados pelo impugnante em sede de defesa. Fruto de tal incidente processual, foi emitida Informação Fiscal (fls. 1077/1079 do processo papel), na qual a autoridade lançadora se manifesta sobre os argumentos da defesa, tendo concluído que haveria necessidade de retificação do crédito, conforme planilhas juntadas na ocasião. Com efeito, prestouse tal parecer de alicerce para o livre convencimento da autoridade judicante administrativa a quo e como fundamento da decisão de 1ª Instância lavrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil – Previdenciária em Governador Valadares (MG), que culminou na declaração de procedência em parte da lavratura. Compulsando os autos, todavia, não logrei me deparar com qualquer indício de prova material que demonstrasse ter sido o sujeito passivo em tela devidamente cientificado da juntada da Informação Fiscal referida nos parágrafos precedentes. Nesse panorama, verifica se ter sido lavrada a Decisão Administrativa ora guerreada sem que tenha sido oportunizado ao sujeito passivo a faculdade de se manifestar a respeito do resultado da diligência fiscal em questão. A privação do conhecimento das razões aduzidas pela Fiscalização, as quais se prestaram na fundamentação da Decisão discutida, configurou, ao meu sentir, hipótese de cerceamento de defesa, pela efetiva exclusão do contraditório além de supressão de instância eis que a contradita do sujeito passivo ficou reservada, tão somente, à instância recursal. A situação fática retratada no presente caso, consistente na usurpação do direito ao contraditório, atrai ao feito a incidência do preceito inscrito no inciso II, in fine, do art. 31 da Portaria MPS n° 520/2004, sob cuja égide se desenvolveram os fatos processuais aqui narrados e houve por lavrada a decisão vergastada. Art. 31. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; III – o lançamento não precedido do Mandado de Procedimento Fiscal. Fl. 1956DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 18159.000473/200915 Acórdão n.º 2401003.609 S2C4T1 Fl. 3.904 7 §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo, a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 32. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo quando o sujeito passivo houver dado causa ou quando não influírem na solução do litígio. Parágrafo único. A nulidade somente deve ser decretada quando o saneamento do vício for inviável. Salientese que as diretivas ora anunciadas não se atritam com as disposições encartadas no Decreto nº 70.235/72, que regem os Processos Administrativos Fiscais nas ordens do Ministério da Fazenda, ao qual, hodiernamente, também se submetem os procedimentos fiscais e os processos administrativos fiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições previdenciárias, sendo aquelas, destas, espelho. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. §2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. §3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Nesse contexto, pautamos pela declaração de nulidade do Acórdão combatido, com fulcro no art. 31, II da Portaria MPS nº 520/2004 c.c. art. 59, II do Decreto nº Fl. 1957DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 70.235/72, para ciência da recorrente do teor da Informação Fiscal a fl. 1.077/1.079, devendo ser reaberto o prazo normativo para se manifestar nos autos. Conclusão Voto por anular a decisão de primeira instância, devendo ser conferido à recorrente o direito de se manifestar acerca do resultado da diligência em realce. Kleber Ferreira de Araujo. Fl. 1958DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/08/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 19515.000901/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2010
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS REFLETIDOS NAS HOLDINGS. MAJORAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO.
Na incorporação societária é indevida a majoração do custo de aquisição na capitalização de lucros ou reservas de lucros apurados pela empresa investidora (operacional) refletidos nas investidas (holdings), apurados pelo Método de Equivalência Patrimonial, por se tratar dos mesmos lucros.
MULTA QUALIFICADA. REQUISITOS. ASPECTO SUBJETIVO DO INFRATOR. INTENSIDADE DOLOSA DO INFRATOR. NECESSÁRIA COMPROVAÇÃO.
Diferente da multa de oficio de 75%, que é objetiva e decorre do tipo (lei), imposta com culpa ou dolo, na imposição da multa qualificada de 150% é necessário aferir o aspecto subjetivo do infrator, consistente na vontade livre e consciente, deliberada e premeditada de assumir o risco da sonegação. A imposição da multa qualificada exige, assim, a comprovação da intensidade dolosa do infrator. Mero erro na interpretação da lei não implica dolo.
LANÇAMENTO DE OFICIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora.
Numero da decisão: 2201-002.530
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Nathália Mesquita Ceia, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado), que deram provimento integral ao recurso. Fizeram sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Luís Cláudio Gomes Pinto, OAB/RJ 88.704 e pela Fazenda Nacional o Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Vercoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao Julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva.
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Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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ALIENAÇÃO DE AÇÕES. CAPITALIZAÇÃO DE LUCROS E RESERVAS REFLETIDOS NAS HOLDINGS. MAJORAÇÃO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO. Na incorporação societária é indevida a majoração do custo de aquisição na capitalização de lucros ou reservas de lucros apurados pela empresa investidora (operacional) refletidos nas investidas (holdings), apurados pelo Método de Equivalência Patrimonial, por se tratar dos mesmos lucros. MULTA QUALIFICADA. REQUISITOS. ASPECTO SUBJETIVO DO INFRATOR. INTENSIDADE DOLOSA DO INFRATOR. NECESSÁRIA COMPROVAÇÃO. Diferente da multa de oficio de 75%, que é objetiva e decorre do tipo (lei), imposta com culpa ou dolo, na imposição da multa qualificada de 150% é necessário aferir o aspecto subjetivo do infrator, consistente na vontade livre e consciente, deliberada e premeditada de assumir o risco da sonegação. A imposição da multa qualificada exige, assim, a comprovação da intensidade dolosa do infrator. Mero erro na interpretação da lei não implica dolo. LANÇAMENTO DE OFICIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Nathália Mesquita Ceia, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Vinícius Magni Verçoza (Suplente convocado), que deram provimento integral ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 01 /2 01 1- 91 Fl. 907DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 Fizeram sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Luís Cláudio Gomes Pinto, OAB/RJ 88.704 e pela Fazenda Nacional o Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Vercoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente Convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah, Nathalia Mesquita Ceia. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Presente ao Julgamento o Procurador da Fazenda Nacional, Dr. Jules Michelet Pereira Queiroz e Silva. . Fl. 908DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 19515.000901/201191 Acórdão n.º 2201002.530 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Neste processo foi lavrado o auto de infração para exigir o IRPF (fls. 421 a 426), exercícios 2007 e 2010, sobre omissão de ganhos na alienação de participação societária – ações/quotas não negociadas em bolsa, no valor de R$ 23.981.525,00 acrescida de multa de ofício de 150% e dos juros de mora. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 347 a 415), a auditoria relata: Em dezembro de 2006, após um complexo processo de reorganização societária, o contribuinte aliena a participação que possuía no BANCO PACTUAL, CNPJ n°. 30.306.294/000145, representada por 261.404.905 (duzentos e sessenta e um milhões, quatrocentas e quatro mil e novecentas e cinco) ações ordinárias, à empresa UBS BRASIL PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ n°. 08.245.975/000191. A referida alienação implicaria na apuração, por parte do contribuinte, de um ganho de capital no valor aproximado de R$ 800 milhões, sujeitandoo, dessa forma, a uma tributação pelo imposto de renda pessoa física da ordem R$ 120 milhões, sendo R$ 47,6 milhões no próprio ano de 2006 e R$ 72,4 milhões em 2009 (uma vez que parte do valor da venda foi recebida apenas nessa data, diferindose, assim, sua tributação). Ocorre que, utilizandose de sofisticados artifícios contábeis, engendrados através de diversos negócios societários, que serão abaixo analisados, o Contribuinte inflou artificialmente o custo das ações que pretendia vender com o propósito de reduzir o montante de seu ganho de capital e conseqüentemente o valor do IR incidente sobre essa alienação. (grifos do original) A auditoria afirma que o valor do ganho de capital, e consequentemente o valor do Imposto de Renda correspondente, foi indevidamente reduzido através da prévia manipulação do custo de aquisição das ações, na qual o contribuinte teria inflado indevidamente o custo de participação no Banco Pontual S/A por meio da elevação do capital em empresas investidoras, via equivalência patrimonial com as empresas investidas e a quase simultânea incorporação reversa daquelas por estas últimas. Os fatos ocorridos na reorganização societária foram assim descritos pela fiscalização: [...] adotaremos as seguintes abreviações: • André Santos Esteves, cpf n°. 857.454.48768 ....................... ANDRÉ; • Pactual Holdings S.A., cnpj n°. 02.220.757/000116 .............. HOLDINGS; • Nova Pactual Participações Ltda. (antiga Pactual Participações S.A.), cnpj n°. 02.220.756/000171 ................. PARTICIPAÇÕES; • Pactual S.A. cnpj n°. 02.220.758/000160 .............................. PACTUAL. • Banco Pactual S.A., cnpj n°. 30.306.294/000145 BANCO; • Ubs Brasil Participações Ltda., cnpj n°. 08.245.975/000191.. UBS BRASIL; • As diversas empresas do Grupo e, ainda, as diversas pessoas físicas dos seus sócios ............................................... GRUPO PACTUAL. [...] II.i – Aumento de Capital na "PARTICIPAÇÕES" Em 13.10.2006 os sócios da "PARTICIPAÇÕES", através da 4ª. Alteração de seu contrato social, aprovam o aumento de seu capital social em R$ 686 milhões, que passa de R$ 70.118.786,40 para R$ 756.118.786,40 e, cuja integralização, foi Fl. 909DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 efetuada mediante a capitalização de créditos que os referidos sócios possuíam frente à empresa (conforme balanço relativo a 31.08.2006), provenientes de distribuição de dividendos. II.ii – Aumento do Custo de Aquisição. Em razão do que determina o art. 135 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3000/99, o Contribuinte promove o aumento no valor do custo de aquisição de sua participação nessa empresa no montante de R$ 70.451.635,00. Art. 135. [...] II.iii Incorporação da "PARTICIPAÇÕES". Nesse mesmo dia (13.10.2006), seus sócios aprovam, mediante Assembleia Geral a incorporação da "PARTICIPAÇÕES" pela "PACTUAL" como, também, o Protocolo de Justificação dessa incorporação e o respectivo Laudo de Avaliação. Com isto os sócios da "PARTICIPAÇÕES" entregam as quotas que possuíam nessa empresa e recebem em contrapartida ações da "PACTUAL". Aqui tornase importante frisar que praticamente a totalidade do acervo da Incorporada "PARTICIPAÇÕES" referese a sua participação na Incorporadora "PACTUAL", conforme se observa no Anexo I do citado Laudo de Avaliação. • Ativo circulante e realizável a longo prazo: R$ 2.785.671,56 • Investimentos "PACTÜAL": R$ 862.960.667,27 • Total do Ativo: R$ 865.746.338,83 II.iv – Aumento de Capital na "HOLDINGS". Da mesma forma e no mesmo dia (13.10.2006), os sócios da "HOLDINGS" aprovam, através de Assembleia Geral Extraordinária, o aumento de seu capital social em R$ 202,5 milhões, que passa de R$ 31.299.033,50 para R$ 233.799.033,50, cuja integralização, também se deu através da capitalização de créditos de seus sócios junto à empresa, no valor de R$ 200,5 milhões, provenientes de distribuição de dividendos e R$ 2 milhões de sua Reserva Legal (balanço de 31.08.2006). II.v – Aumento do Custo de Aquisição. Em decorrência desse aumento de capital o Contribuinte, ao amparo do art. 135 do RIR/99, promove o aumento no valor do custo de aquisição de sua participação nessa empresa em R$ 101.250.000,00. II.vi – Incorporação da "HOLDINGS". Aqui também após a capitalização a empresa foi incorporada pela "PACTUAL" conforme aprovado em nova Assembleia Geral Extraordinária, de 13.10.2006, a qual aprovou, ainda, o respectivo Protocolo de Justificação e o Laudo de Avaliação. Os sócios da "HOLDINGS" recebem ações da "PACTUAL" em troca das ações que possuíam naquela empresa. Como no caso anterior a atividade da "HOLDINGS" restringiase à exploração de sua participação na "PACTUAL". • Ativo circulante e realizável a longo prazo: R$ 34.745.414,39 • Investimentos "PACTUAL": R$ 213.736.237,66 • Outros investimentos: R$ 11.468,35 • Total do Ativo: R$ 248.481.652,05 Vejamos. II.vii – Aumento de Capital na "PACTUAL". Em 01.11.2006 os sócios da "PACTUAL" aprovam, mediante Assembleia Geral Extraordinária, o aumento de seu capital social no valor de R$ 996.087.876,00, elevandoo de R$ 101.698.838,85 para R$ 1.097.786.714,85, integralizado através da capitalização de créditos de seus sócios (balanço de 31/10/2006), provenientes de distribuição de dividendos. II.viii – Aumento do Custo de Aquisição Novamente, ao amparo do art. 135 do RIR/99 o Contribuinte eleva o custo de aquisição de sua participação nessa empresa no valor de R$ 229.598.265,00 Fl. 910DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 19515.000901/201191 Acórdão n.º 2201002.530 S2C2T1 Fl. 4 5 II.ix – Incorporação da "PACTUAL". Finalmente, em 01.12.2006, os sócios do "BANCO" aprovam em Assembleia Geral Extraordinária a incorporação da "PACTUAL". Com isto os sócios da "PACTUAL" entregam as ações que possuíam nessa empresa e recebem em contrapartida ações do "BANCO". O Laudo de Avaliação que ampara essa incorporação demonstra que o valor total dos ativos da "PACTUAL" se resumia a sua participação no "BANCO". • Investimentos "BANCO" R$ 1.149.597.659.18 • Outros investimentos: R$ 1,00 • Total do Ativo: R$ 1.149.597.660,18 II.x – Venda da participação no "BANCO". No mesmo dia 01.12.2006 o Contribuinte aliena a sua participação no "BANCO" à "UBS BRASIL" (sociedade controlada por UBS AG, empresa com sede na Suíça), conforme já exposto no preâmbulo deste termo. Ao observarmos os negócios perpetrados pelo "GRUPO PACTUAL", entre os dias 13.10.06 e 01.12.06, verificamos de pronto o seguinte padrão: o aumento de capital em uma determinada empresa, através de créditos detidos por seus sócios pessoas físicas, e sua subseqüente incorporação em outra empresa que, por sua vez, sofrerá novo aumento de capital e nova incorporação. E, ainda, que os ativos das empresas incorporadas se constituíam quase que integralmente, ou integralmente no último caso, do investimento na incorporadora. Através dessa manobra o Contribuinte promoveu, em 2006, um aumento do Custo de Aquisição de sua participação no "BANCO" de incríveis 273,07%, (que passou de R$ 148.727.997,75 para R$ 554.864.626,35), enquanto que no mesmo período o patrimônio líquido do "BANCO" experimentou um aumento de 84,45% (de R$ 625.223.115,04, conforme informado em sua DIPJ, para R$ 1.153.225.211,81 na data da alienação, conforme fl. 82 de seu balancete analítico, anexa). Essas incorporações não seguiram o padrão normal que é aquele onde a investidora incorpora a investida, mas o inverso, onde as investidas incorporam suas investidoras em operações conhecidas como incorporações reversas. Não há obste legal que impeça os contribuintes de optar por qualquer uma das formas de incorporação, sendo que é comum a utilização da forma reversa em alguns planejamentos tributários com objetivo de se aproveitar o prejuízo fiscal da incorporadora, o que não seria possível através da forma tradicional devido à expressa vedação imposta pelo art. 514 do RIR/99. A par da licitude da vontade e realidade dos atos societários examinados que permearam a reorganização societária quanto a sua adequada cronologia, execução e tempestividade de arquivamento no registro de comércio, no presente caso, essas capitalizações seguidas das incorporações reversas serviram, como se demonstrará a seguir, para a elevação indevida do custo da participação que o Contribuinte possuía no "BANCO", reduzindo assim o valor do Ganho de Capital na posterior alienação dessa participação e conseqüentemente o valor do imposto devido. O contribuinte apresentou tempestivamente a impugnação assim relatada no acórdão recorrido: 1. antes da reestruturação, o impugnante era titular de investimentos representativos de 22,21% da Nova Pactual Participações Ltda., sociedade holding titular de investimentos representativos de 78,18% do capital de Pactual S.A., holding titular de investimentos representativos de 100% do capital do Banco Pactual; 2. além disso, o impugnante era titular de investimentos representativos de 50% do capital de Pactual Holdings S.A., holding titular de investimentos representativos dos 21,82% restantes do capital de Pactual S.A.; Fl. 911DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 3. os principais atos da reestruturação questionados pelo Auto de Infração foram: i) aumento de capital de Nova Pactual, realizado em 13/10/2006, mediante a capitalização de lucros gerados pelo Banco Pactual e por ela reconhecidos em razão da aplicação do Método de Equivalência Patrimonial (MEP), resultando em acréscimo do custo dos investimentos do impugnante de R$ 70.451.635,00; ii) aumento de capital de Pactual Holdings, na mesma data, mediante a capitalização de lucros gerados pelo Banco Pactual e por ela reconhecidos em razão da aplicação do MEP, resultando em aumento do custo dos investimentos do impugnante de R$101.250.000,00; iii) incorporação da Nova Pactual e Pactual Holdings por Pactual, sua controlada (incorporação reversa), e transferência ao impugnante, em substituição às suas participações no capital das incorporadas, de investimentos diretos na incorporadora, ou seja, em Pactual; iv) aumento de capital de Pactual, em 03/11/2006, mediante a capitalização de lucros gerados pelo Banco Pactual e por ela reconhecidos em razão da aplicação do MEP, resultando em aumento do custo dos investimentos do impugnante de R$ 229.598.265,00, correspondente à soma do custo dos investimentos em Nova Pactual e Pactual Holdings; v) incorporação de Pactual pelo Banco Pactual (incorporação reversa), tendo o impugnante recebido, em substituição à sua participação no capital da incorporada, extinta com a incorporação, investimentos diretos na incorporadora, ou seja, no Banco Pactual; 4. depois da incorporação da Pactual pelo Banco Pactual, as ações deste último das quais o impugnante se tornou proprietário foram alienadas à UBS Brasil Participações Ltda., pelo preço total de R$ 1.182.821.283,82, do qual uma parcela foi paga a vista, em 2006 (R$ 469.745.189,71), e outra parcela, em 2009 (R$ 713.076.094,11); 5. dos R$ 713.076.094,11 pagos em 2009, parte ocorreu em dinheiro (R$ 541.937.831,52) e o restante (R$ 171.138.262,59), em ações representativas de aumento de capital de BTG Pactual Participações II S.A.; 6. após a implementação da reestruturação, o custo dos investimentos do impugnante no Banco Pactual passou a ser de R$ 554.858.051,35, e, assim, a venda de suas ações gerou um ganho de capital no valor de R$ 639.788.032,41 e a incidência de IRPF, que foi devidamente recolhido aos cofres públicos; 7. no Termo de Verificação Fiscal anexo ao Auto de Infração, a fiscalização afirma que a reestruturação: i) implicou na majoração indevida do custo de aquisição dos investimentos do impugnante no Banco Pactual, a qual decorreria de uma interpretação equivocada do art. 135 do RIR com relação aos efeitos das incorporações inversas; ii) consubstanciou ato simulado cujos efeitos, nos termos do art. 116, § único, do CTN, poderiam ser desconsiderados para fins fiscais; iii) implicou na caracterização cumulativa de todas as hipóteses previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, quais sejam, sonegação, fraude e conluio, motivando a aplicação da multa de 150%; 8. em razão do exposto, a fiscalização desconsiderou parte do acréscimo do custo de aquisição dos investimentos do impugnante no Banco Pactual, qual seja, aquele decorrente da capitalização de lucros pelas holdings do Banco Pactual (Nova Pactual, Pactual Holdings e Pactual S.A), no que excederam os lucros existentes no próprio Banco Pactual; 9. o auto indica, como enquadramento legal, uma série de dispositivos que apenas contém regras gerais relativas à apuração e à tributação dos ganhos de capital auferidos por pessoas físicas, e nenhum deles foi infringido pelo impugnante; 10. o Grupo Pactual era composto por diversas holdings existentes há mais de dez anos e constituídas em uma época em que as pessoas físicas integrantes do grupo sequer cogitavam alienar seus investimentos no Banco Pactual; 11. os objetivos das holdings eram exclusivamente os de organizar o exercício do controle do Banco Pactual e a distribuição de seus resultados e, dessa forma, a alienação do Banco Pactual a terceiros faria com que as mesmas se tornassem totalmente desnecessárias; 12. em tese, as holdings poderiam ser extintas antes ou depois da concretização da venda do Banco Pactual, sendo que, na primeira hipótese, os controladores figurariam no pólo vendedor da operação, ao passo que, na segunda, as holdings ocupariam essa posição; Fl. 912DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 19515.000901/201191 Acórdão n.º 2201002.530 S2C2T1 Fl. 5 7 13. pela natureza do negócio celebrado com o UBS Brasil, optouse pela extinção das holdings antes da realização do negócio; 14. como é comum nas vendas de instituições financeiras com as características do Banco Pactual, seus principais acionistas assumem obrigações de caráter personalíssimo, como a de não competirem com a sociedade vendida e mesmo de nela continuarem atuando até que seu fundo de comércio tenha se consolidado após a transferência de seu controle acionário; 15. assim, nada mais lógico que eles fossem parte no negócio, e não meros intervenientes. 16. o caminho trilhado pelos controladores para se tornarem vendedores do Banco Pactual foi o mais lógico, rápido e econômico possível e o acréscimo de custo de seus investimentos é mera consequência da aplicação das normas em vigor; 17. entre as diversas variantes que poderiam ser adotadas para fazer com que os controladores figurassem como vendedores, tais como: i) a liquidação das holdings com a entrega dos ativos (no que se incluiriam as ações do Banco Pactual) aos controladores em devolução do capital; ii) a redução do capital das holdings, mediante entrega dos investimentos no Banco Pactual aos controladores; iii) incorporações diretas; ou tradicionais, cujos inconvenientes são enormes, ressaltando que a incorporação de um banco como o Pactual por outra empresa, sobretudo uma que não seja instituição financeira, seria extremamente complexa e onerosa; iv) a venda, pelos controladores, de investimentos diretos nas holdings, hipótese em que seria desnecessária qualquer reestruturação societária prévia; a última variante disponível, a incorporação reversa das holdings pelo Banco Pactual, sem dúvida, era a mais conveniente do ponto de vista prático, operacional, negocial e fiscal; 18. desde que o art. 8° da Lei n° 9.532, de 10/12/1997, definiu os efeitos fiscais das incorporações inversas, as incorporações de holdings têm sido a primeira opção para a eliminação de empresas cuja existência se torna desnecessária; 19. não procede, assim, a alegação de que a opção pelas incorporações inversas consistiu em um artifício motivado exclusivamente pela economia fiscal; 20. nas incorporações, a incorporadora recebe um conjunto patrimonial (bens, direitos e obrigações) e “paga” aos acionistas da incorporada pelo mesmo, em ações representativas de aumento de seu capital; 21. não se apuram resultados na substituição de ações da incorporada por ações da incorporadora e, por essa razão, as ações da incorporadora recebidas pelos acionistas da incorporada tem o mesmo custo de seus investimentos na incorporada, declarados extintos na incorporação; 22. a incorporação das holdings pelo Banco Pactual é um exemplo de incorporação “inversa” ou “reversa”, na qual a investida (Banco Pactual) sucede as investidoras (as holdings) em todos os seus bens, direitos e obrigações, dentre os quais figuram os investimentos da investidora/incorporadora na investida/incorporada, cabendo à investida aumentar seu capital social e entregar as ações representativas desse aumento aos acionistas da investidora/incorporadora; 23. contudo, a investida/incorporadora passa a ter ações representativas de seu próprio capital social, que são canceladas no próprio ato ou, opcionalmente, mantidas em tesouraria, na hipótese de a investida dispor de lucros ou reservas suficientes à subsistência das ações; 24. ocorre, assim, um aumento de capital (para a emissão de ações destinadas aos acionistas da investidora/incorporada) e uma subsequente redução do capital para cancelamento das ações representativas do próprio capital da investida, caso a mesma não possa ou não queira mantêlas em tesouraria; 25. o conjunto patrimonial destinado à realização do aumento de capital corresponde à diferença entre o valor dos ativos e das obrigações da incorporada, isto é, ao seu patrimônio líquido; Fl. 913DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 8 26. a parcela do patrimônio líquido da incorporada, representada por lucros ou reservas de lucro, por exemplo, transformase em capital da incorporadora no processo de incorporação e, por essa razão, é indiferente que, antes da incorporação, os lucros da incorporada sejam ou não capitalizados; 27. a automática conversão de todas as contas do patrimônio líquido da incorporada em capital da incorporadora é reconhecida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e até mesmo pelo fisco; 28. não fosse a distribuição e capitalização prévia de lucros assim, a incorporação faria com que as quotas da incorporadora (Pactual S.A.), destinadas aos quotistas da Nova Pactual Participações Ltda. em substituição de suas participações na mesma, fossemlhes atribuídas na proporção do capital social, fazendo com que os lucros acumulados até então fossem distribuídos também nesta proporção; 29. em vista disto, os lucros de Nova Pactual foram distribuídos em bases desproporcionais e reaplicados na empresa, acertando as participações dos acionistas no patrimônio líquido antes da incorporação; 30. tal assertiva é comprovada pela simples análise da capitalização de lucros de Nova Pactual, realizada nos termos de sua 4a Alteração Contratual, datada de 13/10/2006 oportunidade em que o capital de Nova Pactual foi aumentado em R$ 686.000.000,00, mediante a conversão de créditos detidos por seus quotistas, créditos estes decorrentes do direito ao recebimento de lucros; 31. antes da capitalização desproporcional, o impugnante era titular de investimentos representativos de 22,21% do capital de Nova Pactual; 32. assim, partindose de sua posição anterior no capital de Nova Pactual, caberlhe iam lucros no valor de R$152.369.633,02, os quais, tão logo fossem capitalizados, aumentariam o custo de seus investimentos no mesmo valor; 33. todavia, em função da dita distribuição desproporcional de lucros, só lhe couberam lucros no valor de R$70.451.635,00, os quais, quando capitalizados, aumentaram o custo de seus investimentos no mesmo valor; 34. verificase, portanto, que, em função da capitalização desproporcional de lucros de Nova Pactual, o custo dos investimentos do impugnante na mesma foi menor em R$81.917.998,02; 35. se os efeitos da capitalização de lucros da Nova Pactual fossem ignorados, o custo dos investimentos do impugnante no Banco Pactual, na época da vendas de suas ações, seria maior, na medida em que: i) a redução de sua participação no capital de Nova Pactual de 22,21%% para 15,53% seria desconsiderada; e ii) tocaria ao impugnante uma parcela maior dos lucros capitalizados pela Pactual S.A, aumentando, por conseguinte, o custo das ações desta, subsequentemente substituídas por ações do Banco Pactual; 36. em vista disto, se, por absurdo, fosse mantido o auto de infração, o ganho de capital do recorrente deveria ser recalculado e quantificado com base na participação que o mesmo teria no Banco Pactual se a capitalização de lucros de Nova Pactual, e consequente redução de sua participação, não tivesse ocorrido; 37. a legislação do Imposto de Renda determina, no art. 130, §1º e art. 135 do RIR, que o custo de aquisição de ações ou quotas de titularidade de uma pessoa física corresponde ao custo original do investimento acrescido do montante dos lucros ou reservas de lucros capitalizados; 38. nas incorporações inversas, se, por um lado, os acionistas da incorporadora recebem ações da incorporada por custo idêntico ao das ações da incorporadora, por outro lado, ocorre a capitalização de lucros ou reservas eventualmente existentes na incorporada e o novo custo de aquisição das ações dos acionistas da incorporada passa a corresponder ao valor original de seu investimento acrescido do montante dos lucros e reservas de lucros da incorporada; 39. no caso concreto, a capitalização de lucros e reservas de lucros das holdings foi deliberada antes da incorporação, mas a capitalização existiria independentemente desta deliberação; Fl. 914DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 19515.000901/201191 Acórdão n.º 2201002.530 S2C2T1 Fl. 6 9 40. o ajuste de custo do valor dos investimentos se verificaria, quer houvesse deliberação expressa específica no sentido da capitalização dos lucros das holdings, como houve, quer não; 41. a legislação em vigor prevê que a capitalização dos lucros gera acréscimo de custo para os acionistas pessoas físicas, sem cogitar da natureza do lucro; 42. quer a capitalização dos lucros das holdings tivesse resultado de deliberação específica, quer houvesse ocorrido no processo de incorporação, seus sócios ou acionistas eram os vendedores e, dentre eles, estava o impugnante e, assim, o ajuste do custo dos seus investimentos decorre da aplicação da lei, não havendo como rejeitálo; 43. a opção de eliminaremse as holdings mediante incorporações reversas era o caminho lógico, natural e admitido por lei para viabilizar a venda das ações do Banco Pactual pelos controladores e o aumento de custo das ações do impugnante foi mera consequência da adoção dessa opção legítima e essencial aos negócios; 44. ainda que a majoração dos investimentos do impugnante no Banco Pactual seja em montante superior aos lucros auferidos pelo próprio Banco e que esta seja encarada como uma distorção, ela resulta da aplicação das normas societárias em vigor; 45. não se pode esperar que o contribuinte deixe de aplicar a lei em razão de a mesma lhe favorecer, pela peculiaridade de determinada situação; por outro lado, o fisco também não pode deixar de aplicála por considerar que ela beneficia indevidamente o contribuinte; 46. as distorções decorrentes da aplicação do método de equivalência patrimonial ocorrem não só nas hipóteses de incorporações reversas, mas também em outras situações; 47. o 1º Conselho de Contribuintes já decidiu que “a existência de falhas na legislação” não pode ser suprimida pelo julgador, ou, ainda, que “não cabe à autoridade fiscal ignorar o preceito representativo da vontade do legislador”; 48. as distorções que ocorrem devem ser corrigidas por quem tem competência para isso, o legislador, estando o intérprete e o aplicador da lei adstritos aos seus termos, não lhes cabendo deixar de aplicála por considerar que deveria ter tratado de forma diversa uma situação específica; 49. ao afirmar que o impugnante deveria ter baixado uma parcela do custo de aquisição de seus investimentos quando ocorreu a incorporação reversa das holdings do Grupo Pactual, a fiscalização quer impor a adoção de procedimento sem base legal e sequer previsto em norma editada pela Receita Federal do Brasil; 50. além disso, faltaria até lógica a esse procedimento, pois, ao fazêlo, a venda do investimento após a incorporação reversa (e redução de custo) importaria no reconhecimento de injustificável ganho de capital; 51. o art. 167, §1º, inciso I, do Código Civil contempla situação em que pessoas sem qualquer interesse real (as chamadas interpostas pessoas) participam de negócios jurídicos com o único objetivo de ocultar um de seus verdadeiros participantes; 52. no caso concreto, não houve simulação por interposição de pessoa, pois em nenhum momento aparentouse conferir direitos a pessoa distinta com o objetivo de ocultar a que efetivamente os recebeu, não tendo havido em qualquer etapa da reestruturação a interposição de parte oculta; 53. a alienação do Banco Pactual foi celebrada entre seus proprietários e o UBS Brasil, tendo a reestruturação sido feita às claras para viabilizar a negociação das ações do Banco Pactual diretamente pelos controladores e, nesse particular, ela não foi contestada; 54. os bens transferidos aos controladores foram ações do Banco Pactual e não direitos caracterizados pela majoração artificial do custo de aquisição das ações alienadas do Banco Pactual S/A; Fl. 915DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 10 55. ainda que a legislação vedasse a elevação dos custos do investimento do impugnante, a reestruturação teria ocorrido exatamente da mesma forma que ocorreu, pois ela representava a maneira mais rápida e econômica de viabilizar o negócio; 56. de acordo com a maior parte dos precedentes do 1º CC, a caracterização de simulação por interposta pessoa, prevista no art. 167, §1º, do CC/02, verificase quando direitos são entregues a pessoas que não são seus verdadeiros proprietários e sequer têm ingerência sobre eles; 57. o art. 116, § único, do CTN é inaplicável, seja porque ele não se destina ao combate de atos simulados, seja porque ele é ainda ineficaz, por não ter sido regulamentado; 58. o referido dispositivo não é autoaplicável e o próprio texto faz referência aos “procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária”, sem os quais o referido dispositivo não produz efeitos; 59. a fiscalização não lançou a multa agravada com base na ocorrência de simulação, a qual foi suscitada no TVF unicamente para justificar a aplicação do art. 116, § único do CTN; 60. todavia, se este tivesse sido o caso, a inaplicabilidade da multa já teria restado plenamente comprovada, pois, conforme visto, não houve qualquer ato simulado na reestruturação; 61. o fato de o TVF indicar a existência cumulativa de simulação, sonegação, fraude e conluio é um fortíssimo indício de que a fiscalização não se preocupou em comprovar suas alegações, optando por mencionar todas as patologias que lhe ocorreram; 62. tal procedimento contraria a jurisprudência pacífica do CARF e da CSRF, que em numerosos julgados têm decidido que a aplicação da multa agravada está condicionada à comprovação, por parte do fisco, da existência de “evidente intuito de fraude do sujeito passivo”; 63. diante do exposto, fica evidente que não se verificaram, no caso concreto, os pressupostos da aplicação da multa de 150%, razão pela qual a cobrança da mesma é improcedente; 64. é descabida a incidência de juros sobre a multa porque isso implicaria numa indireta majoração da própria penalidade e não se pode falar em mora na exigência de multa; 65. à vista do exposto, requer que seja julgado improcedente o auto de infração, com a consequente extinção do crédito tributário dele decorrente. Para fins de instrução processual, o contribuinte juntou aos autos os documentos de fls. 635/736. Os membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo II (SP), por meio do Acórdão nº 1754.742 (fls. 739 a 770), de 19 de outubro de 2011, julgaram improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido Cientificado em 1º de novembro de 2011 (fl. 775), o contribuinte, por meio de procurador legalmente habilitado, interpôs o recurso voluntário no dia 30 seguinte (fls. 782 a 827), no qual repete as alegações da impugnação e contesta a decisão de primeira instância, por não conter argumentos jurídicos que sustente o lançamento. A Procuradoria da Fazenda Nacional, por meio de sua procuradora, apresentou contrarrazões ao recurso voluntário. Inicialmente, repete a demonstração da estrutura do grupo Pactual e a sequência dos fatos apresentada pela auditoria no Termo de Verificação Fiscal. Em seguida, resume os argumentos do recorrente. Por fim, defende a manutenção da decisão recorrida, da multa qualificada e da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. É o relatório. Fl. 916DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 19515.000901/201191 Acórdão n.º 2201002.530 S2C2T1 Fl. 7 11 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento Nessa fase recursal o contribuinte apenas reiterou as explicações apresentadas na impugnação e contestou a decisão a cerca dos fundamentos utilizados para a manutenção do lançamento. As questões debatidas nos autos, que constituiu crédito tributário de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), relativo ao ganho de capital proveniente de alienação de bens e direitos do contribuinte, podem ser resumidas como: a definição do custo de aquisição das ações do recorrente no Banco Pactual S. A. para fins de apuração do ganho de capital; a qualificação da multa de ofício por simulação dos atos realizados na incorporação inversa para apurar o custo de aquisição das ações do Banco Pactual S. A.; e a aplicação dos juros sobre a multa de ofício. Apuração do ganho de capital A principal controvérsia no lançamento reside em saber se o custo de aquisição das ações do Banco Pontual S.A. foi ou não indevidamente majorado. A auditoria, após exaustivas explicações contábeis e societárias relacionadas à motivação do negócio realizado, argumenta que, por meio de um complexo processo de reorganização societária, o recorrente teria inflado artificialmente o custo das ações que pretendia vender com o propósito de reduzir o montante de seu ganho de capital e, consequentemente, o imposto incidente sobre essa alienação. Isso teria sido possível em decorrência da indevida capitalização de lucros e reservas de lucros na apuração do custo de aquisição das ações alienadas pela apropriação, mais de uma vez, dos mesmos lucros e reservas refletidos da sociedade da investida (geradora dos lucros) nas sociedades investidoras – holdings na apuração dos resultados pelo método da equivalência patrimonial. O contribuinte, nesse ponto, se defende alegando que: (i) o Grupo Pactual era composto por diversas holdings constituídas há mais de dez anos, com o objetivo de organizar o controle do Banco, quando sequer cogitavam alienar seus investimentos; que o caminho trilhado pelos controladores para se tornarem vendedores do Banco Pactual foi o mais lógico, rápido e econômico possível e o acréscimo de custo de seus investimentos é mera consequência da aplicação das normas em vigor; (ii) desde que o artigo 8º da Lei 9.532/1997 definiu os efeitos fiscais das incorporações inversas, as incorporações de holdings tem sido a opção para a eliminação de empresas cuja existência se torna desnecessária e, portanto não procederia o argumento de que seria um artifício motivado exclusivamente pela economia fiscal; (iii) a legislação do Imposto de Renda determina, no art. 130, §1º e art. 135 do RIR, que o custo de aquisição de ações ou quotas de titularidade de uma pessoa física corresponde ao custo original do investimento acrescido do montante dos lucros ou reservas de lucros capitalizados e, se há distorção, ela é resultante da aplicação das normas societárias em vigor. Portanto, não infringiu nenhum dispositivo legal. Nesse sentido, a fiscalização estaria impondo a adoção de procedimentos sem base legal; e (iv) é equivocado o entendimento de considerar simulação o Fl. 917DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 12 conjunto de atos da reestruturação, pois foi absolutamente transparente e as partes perfeitamente identificadas. Portanto, inaplicável o art. 116, parágrafo único, do CTN. Essa matéria já foi apreciada várias vezes nesta Turma de Julgamento. Entre as decisões, destaco a proferida pelo Ilustre Conselheiro Odmir Fernandes em 13 de agosto de 2013, no Acórdão nº 2201002.196, do qual, em função da similaridade dos fatos, tomo a liberdade de transcrever: A conduta do Recorrente estaria perfeita se não houvesse a extinção e incorporação inversa nas sociedades holdings, ou se os lucros ou reservas de lucros – gerados pela sociedade operacional – pudesse existir de forma isolada nas sociedades investidoras, sem mero reflexo da sociedade operacional investidora. O efeito contábil de os mesmos resultados da investida, geradora dos lucros, refletir nas sociedades investidoras existe para efeito da demonstração dos resultados apurados pelo Método da Equivalência Patrimonial, exigência contábil da legislação societária, e existe enquanto sociedades autônomas, sem a incorporação e a extinção delas. Mas sociedades que não geram resultados próprios para compor o custo de aquisição da participação societária, como entendeu o Recorrente ao aplicar o art. 135, do RIR/99. Não houvesse a incorporação e a extinção das sociedades holdings não teríamos a discussão porque não se somam ao custo de aquisição – na apuração do ganho de capital – os resultados refletidos entre as sociedades investidas e investidoras. Não se somam pela simples razão de as sociedades, não sendo extintas, elas conservarem entre si a independência e autonomia patrimonial, e o investidor, cotista ou acionista, não detém a participação direta entre as sociedades investida e investidora. O duplo ou triplo efeito é mera ficção, necessária na apuração de resultados da participação societária em cada sociedade e somente se tornou possível no imaginário do autuado em face da incorporação e a extinção das holdings. No Balanço Patrimonial Consolidado, se houvesse nos autos, seria espelhada a total impropriedade da tese do Recorrente, que não se sustenta, com o conhecimento dos fatos, ao menor argumento. A independência e a autonomia patrimonial entre as sociedades investida, investidoras, entre os sócios, acionistas e controladores, não socorre o Recorrente para permitir a dupla ou tripla utilização dos mesmos lucros e reservas na composição do custo de aquisição, se eles apenas refletem na demonstração dos resultados das sociedades investidoras, extintas pela incorporação. Diferente do que sustenta o Recorrente, não há equivoco na lei e na sua interpretação. O detalhe é qualificação do fato – que é único – os lucros ou reservas de lucros – da sociedade operacional – investidora refletir nas sociedades holdings – investida, mas isto, repetimos, não permite – artificialmente – computar o mesmo resultado no custo de aquisição. [...] Também não se cuida ainda de tributar o efeito econômico do fato gerador, mas de qualificar o fato, representado pelos lucros ou reservas de lucros refletidos nos resultadas das sociedades holdings – investida. A situação em análise envolve o mesmo fato e as mesmas empresas tratadas na decisão acima, com o lucro ou a reserva de lucro sendo utilizado nas operações de capitalização, proveniente dos resultados operacionais do Banco Pactual S.A. – que era o responsável pela produção efetiva das riquezas do grupo empresarial. O lucro operacional obtido pelo Banco Pactual S.A. estava refletido na contabilidade de todas as empresas controladoras, pelo método da equivalência patrimonial. O lucro da Pactual S/A e do Banco Pactual estavam contabilizados na Pactual Holding e na Nova Pactual Participações. E a Pactual S.A, por sua vez, tinha contabilizado lucro do Banco Pactual. Fl. 918DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 19515.000901/201191 Acórdão n.º 2201002.530 S2C2T1 Fl. 8 13 Em 13 de outubro de 2006 ocorreu na Nova Pactual Participações Ltda. uma capitalização, na qual os sócios aprovaram o aumento do seu capital social em R$ 686 milhões, passando de R$ 70.118.786,40 para R$ 756.118.786,40, integralizado mediante a capitalização de créditos que os referidos sócios possuíam frente à empresa, provenientes de distribuição de dividendos. No mesmo dia a Pactual Holding realizou uma operação semelhante, com o aumento de seu capital social em R$ 202,5 milhões, passando de R$ 31.299.033,50 para R$ 233.799.033,50, cuja integralização se deu, também, por meio da capitalização de créditos de seus sócios, provenientes de distribuição de dividendos e R$ 2 milhões de sua Reserva Legal (balanço de 31.08.2006). Em seguida, as duas holdings (Pactual Holding e Nova Pactual Participações Ltda.) foram incorporadas pela Pactual S.A. e depois pelo Banco Pactual S.A., utilizandose o mesmo lucro gerado pelo Banco nas capitalizações sucessivas. Com esse artifício, o recorrente conseguiu aumentar o custo de aquisição das ações do Banco Pactual em 273,07%, quando o patrimônio líquido do Banco aumentou em 84,45%, distorcendo a realidade. Porém, a valorização do custo de aquisição não pode ser artificial, como pretende o recorrente, mas proporcional à grandeza econômica efetivamente reinvestida na empresa. Assim, pelas razões expostas, deve ser mantido o lançamento. Multa qualificada A multa foi qualificada com base na ocorrência de prática simulada na forma utilizada pelo contribuinte para a implementação da alienação de sua participação societária, cuja razão seria “impedir (...) o conhecimento por parte da autoridade fazendária das circunstâncias materiais do fato gerador”, configurandose a sonegação definida no art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964, e "modificar as suas características essenciais (do fato gerador) de modo a reduzir o montante do imposto devido", caracterizandose a fraude definida no art. 72 da mesma lei, bem como por, nos termos do art. 73 da Lei nº 4.502/1964, terem participado do ato simulado não somente o contribuinte, mas todas as pessoas jurídicas envolvidas. Nesse ponto, entendo simulação como o comportamento do contribuinte no qual se detecta uma inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta e a substancia ou natureza do fato gerador efetivamente realizado, havendo uma discrepância entre a vontade do agente e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade. Situação que não considero que seja o que tenha ocorrido neste caso, no qual se encontra, inclusive, um possível propósito negocial para a sua realização, tendo o contribuinte informado as operações com absoluta transparência, de forma que foi possível ao fisco a identificação do fato. Também não percebo a existência de conluio para a realização dos atos praticados. Por esse motivo, novamente, filiandome à jurisprudência dominante nesta Turma em relação aos casos similares ao debatido, afasto a qualificação para reduzir a multa de ofício para 75% (setenta e cinco por cento). Fl. 919DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 14 Juros sobre a multa de ofício. O contribuinte alega que inexiste previsão legal para a cobrança dos juros de mora sobre a multa de ofício. Entretanto, pelo que dispõe o art. 161 do CTN, chegase à conclusão de que os juros moratórios não apenas incidem sobre o principal (tributo), mas também sobre a multa de ofício proporcional, já que ambos compõem o crédito tributário constituído: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1 Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2 O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. A Lei nº 9.430, de 1996, ao tratar da formalização da exigência de crédito tributário composto exclusivamente por multa ou a juros de mora, diz expressamente no parágrafo único do art. 43 que incidirão juros de mora à taxa Selic, conforme se observa a seguir: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifos nossos) O entendimento encontra sustentação na jurisprudência da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/12), que reiterou o entendimento no sentido de ser “legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário”, seguindo a linha já adotada pela Segunda Turma do STJ (REsp nº 1.129.990/PR, em 1/9/2009). Também, no âmbito do CARF, a Câmara Superior de Recursos Fiscais tem seguido o mesmo raciocínio, como se observa nos Acórdão nº 920201.806 e nº 910100.539. Portanto, é legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício. Isto posto, voto em dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator Fl. 920DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 19515.000901/201191 Acórdão n.º 2201002.530 S2C2T1 Fl. 9 15 Fl. 921DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 0 3/11/2014 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/11/2014 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
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Numero do processo: 11128.003746/2005-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CLASSIFICACÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 03/08/2004, 18/10/2004
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS MISTURADAS.
REGRAS DE CLASSIFICAÇÃO. posIçÃo MAIS ESPECÍFICA.
De acordo com a Regra Geral 3 "a" para interpretação do Sistema
Harmonizado, a posição mais especifica prevalece sobre as mais genéricas, a menos que duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma paste das matérias constitutivas.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3102-00.811
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: Ricardo Rosa
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I S3-CIT2 Fl I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO ' CA R F MF Processo 11128.003746/2005-78 Recurso n° 505.691 Voluntário Ada-a° n° 3102-00.811 — P Câmara 12° Turma Ordinária Sessão de 28 de outubro de 2010 Matéria Classificação Fiscal de Mercadorias Recorrente SYNGENTA PROTEÇÃO DE CULTIVOS LIDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICACÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 03/08/2004, 18/10/2004 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS MISTURADAS. REGRAS DE CLASSIFICAÇÃO. posIçÃo MAIS ESPECÍFICA. De acordo com a Regra Geral 3 "a" para interpretação do Sistema Harmonizado, a posição mais especifica prevalece sobre as mais genéricas, a menos que duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma paste das matérias constitutivas. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente Ricardo Rosa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luis Marcelo de Guerra e Castro, Ricardo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Leonardo Mussi e Nanci Gama, Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira Instância, que passo a transcrever, Aasinacio d gilelmente eat 0?/1212010 par LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO. 07f12 12010 per RICARDO PAULO ROSA Autenticadc digitalmente. em 07i )212010 por RICARDO PAULO ROSA Emitido em 30112i2010 pelo UnGterio ad Fazenda CARF Fl. 2 Processo n° 11128.003746/2005-78 S3-CI 82 AcOrdao n ° 3102-00.811 Fl 2 Trata o presente processo de Auto de Infração, lavrado em 23/05/2005, para a cobrança da =ha regulamentar prevista no inciso I do artigo 84 da MP 2.158101, tendo em vista desclassificação fiscal da mercadoria importada. Consta da "Descrição dos Fatos" (folha 02), que faz parte integrante do citado auto de infração, que através das Dis no 0410756290-I e 04/1049783-0 o contribuinte importou o produto THIAMEET HOXAM TÉCNICO, tratando-se de 3 (( 2-Cloro — 5 — tiazolipMetil) tetrahidro-5-Metil-N-Nitro-41-1-1,3,5- Oxadiazino-4-Imina (Thiamethoxam), outro composto cuja estrutura contem Heteroatomos de Nitrogênio, Enxofre e Oxigênio, Qualquer Outro Composto Heterociclico, conforme Laudos Funcarnp 2149/04 e 2892/04, com classificação correta no código NCM 2934_99.99, de acordo com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado 1 0 e 6'. A empresa regularmente cientificada da autuação, no dia 28/06/2005 (fl. 37 verso), apresentou tempestivamente a Impugnação em 06/07/2005 (fls. 38/ss), onde alega em síntese que: - a classi ficação fiscal adotada para o produto importado TH1AMEtHOXAM TÉCNICO NCM 2934.10.90 — encontra-se em perfeita harmonia com a descrição do produto na NCM; - solicitou um laudo técnico junto ao LAAP — Engenharia, Peritagem, Consultoria e Análise Lida, onde obteve a seguinte definição: "o produto estudado THIAMETHOXAM TÉCNICO trata-se de um composto orgânico de constituição química definida, apresentado isoladamente, caracterizando-se corno um composto heterociclico e, mais particular mente, como um composto cuja estr utura contém um ciclo tizol (n b hictrogenado) não condensado e um ciclo oxadizol (não hidrogenado) condensado, utilizado na indústria quimica como ingrediente ativo na produção de preparações inseticidas" - extrai-se dos dois laudos técnicos apresentados que o produto THIAMETHOXAM TÉCNICO é um produto químico orgânico de constituição definida, o que indica seu posicionamento no Capitulo 29, 0 referido composto se caracteriza por ser um composto heterociclico, o que justifica seu enquadramento na Posição 2934 Ate ai não ha divergência entre a impugnante e a fiscalização; - a classificação fiscal adotada pela autoridade fiscal é extremamente genérica; - o laudo técnico da FUNCAMP pouco definiu quanto à natureza fisico- qulmica do 'T'HIAMET HOXAM TÉCNICO, sendo que o laudo do LAAP cuidou de detalhar a composição de forma clara, definindo que o produto caracteriza-se como um composto heterociclico e, mais particularmente, coma um composto cuja estrutura contem um ciclo tizol (não hidrogcnado) não condensado e um ciclo oxadizol (não hidrogenado) condensado. - portanto, fica demonstrado que o produto THIAMETHOXAM TÉCNICO composto de um Ciclo I iazol e, portanto, enquadra-se perfeitamente na classificação adotada pela impugnante, que 6 uma posição especifica para o produto, ou seja, a sub-posição 2934.10 mostra-se a mais adequada; - o laudo técnico do LAAP afirma que "4 nossa opinião que o produto estudado,THIAMET HOXAM TÉCNICO, classijica-se no seguinte código tarifeirio - 2934 1090"; Assinado clqqa memo em 01/12 12010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 0 7/12/2010 por RICARDO PAULO ROSA Autenticedo digitalmente em 071 12/2010 Pot RICARDO PAULO ROSA Emitido ern 30/12/2010 pelo Ministério na Fazenda DI' CAR F MI' F i. 3 Processo n° 11128.003746/2005-78 S3-CI T2 Acen-d8o n ° 3102-00,811 11 3 - a multa regulamentar prevista no artigo 69 da Lei 10.833/03 e no artigo 84, inciso 1, da MP no 2158-35/01 carece de objeto e fundamentação, visto que a classificação fiscal adotada esta correta;. - requer a realização de prova pericial adicional. Apresenta os quesitos e indica seu perito. - requer que seja declarada a insubsistencia do auto de infração, Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 03/08/2004, 18/10/2004 Classificação fiscal do produto THIAMEETHOXAM TÉCNICO O produto denominado THIAMEETHOXAM TÉCNICO, identificado por Laudos de Análises da FUNCAMP como 3-((2-Cloro-5-, Tiazolil) Metil) Tetrahidro-5-Meti1-N-Nitro-4H-1,3,5-Oxadiazino-4-Imina (Thiamethoxam), Outro Composto cuja estrutura contém exclusivamente Heteroatomos de Nitrogênio, Enxofre e Oxigênio, Qualquer Outro Composto Heterociclico, deve ser classificado no código NCM/SH 2934.99.99, em decorrência da aplicação das RGI/SH no. 01 e 06. Insatisfeita com - a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. Entende que a presença do ciclo tiazol é um fator determinante na definição da correta classificação tarifária e que decisão recorrida considerou-o ausente da estrutura do produto importado exclusivamente com base nos laudos da Funcamp, sem observar o pedido de complementação das informações periciais feito pela empresa. Que a perícia realizada em outro processo administrativo ern que a recorrente é parte, reconheceu a existência na formula estrutural do Thiamethoxan, de um ciclo tiazol e uma dioxazina. Considers ter havido alteração de critério jurídico, já que a mercadoria foi desembaraçada e a classificação aceita pela fiscalização. Que a classificação fiscal escolhida pela fiscalização é genérica, em detrimento das determinações contidas nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. Requer realização de penda. Considera caso de nulidade a negativa realização de perícia pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento. o relatório. Voto Assinado digitalmenta em 01/12/2010 por LUICOnselheiroiRicardizERosafitelatonoio por RICARDO PAULO ROSA Atizenticado detalmente ern 07112 12010 por RICARDO PAULO ROSA 3 Ernilido em 30/12/2010 pelo fv1inisterio da Fazencla OF CARP F FL 4 Proccsso n° 11128.003746/2005-78 S3-C11-2 AntSrdno n *3102-00,811 11 4 Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Ao contrario do que normalmente se observa nos processos de classificação fiscal de mercadorias suscetíveis de enquadramento no Capitulo 29, no presente caso a lide não gira em tomo da definição do produto como sendo de constituição química definida ou não, já que tanto a fiscalização quanto o contribuinte concordam corn isso. Neste, tem-se classificação escolhida pelo contribuinte em código destinado aos compostos cuja estrutura contém um ciclo tiazol — 2934.10,90 e classificação determinada pela fiscalização no código em código próximo, reservado aos outros, ou seja, aqueles que não contém um ciclo tiazol, 2934.99.99. Como já didaticamente indicado na decisão de piso, a situação está retratada da seguinte forma. 2934 AMOS NUCLÉICOS E SEUS SAIS, DE CONSTITUIÇÃO QUiMICA DEFINIDA OU NÃO; OUTROS COMPOST OS HE TEROCÍCLICOS 2934.10 Compostos cuja estrutura contêm um ciclo tiazol (hidrogenado ou não) não condensado 2934.10.90 Outros (Código adotado pelo contribuinte) 2934.9 Outros 2934.99 Outros 2934.99.99 Outros (código adotado pela fiscalização) Há nos autos urn parecer técnico apresentado pelo contribuinte e que não foi levado em consideração pela Delegacia da Receita Federal de . Julgamento porque ter sido lastreado apenas em documentação técnica do produto, sem nenhum tipo de exame merceológico. Ainda mais, o it. relator do voto recorrido considerou imprópria a menção classificação fiscal contida no parecer, já que, como é cediço, esse apontamento não está dentre as competências do perito. A decisão de piso baseou-se em dois laudos técnicos emitidos pela Fundação de Desenvolvimento da Unicamp - F'UNCAMP (um inclusive complementado), informando que o produto não está bem identificado como um composto que contenha "somente, um Ciclo Tiazol" e que "o produto tem sua melhor caracterização quando é levado en: conta os dois Ciclos que o compõe, ou seja, trata-se de um Composto Heterociclico que contém Heteroiátomos de Nitrogênio, Enxofre e Oxigênio". Liminannente, preciso externar meu entendimento 'de que, concessa vênia, não vejo motivos para rejeitar as conclusões contidas no laudo técnico apresentado pelo contribuinte ante o fato de ter-se este baseado exclusivamente em informações técnicas extraídas de documentos, sem exame da mercadoria, tampouco penso que a indicação daNCM no corpo do laudo enseje sua rejeição. Assim entendo porque nem sempre os esclarecimentos técnicos necessários à solução da lide exigirão a análise laboratorial do produto, poderão perfeitamente os catálogos, manuais e prospectos prestarem-se à finalidade pretendida, razão porque, não vejo como, a priori, descartar conclusões por esse meio obtidas. Por outro lado, embora não deva surtir efeitos a escolha tarifária contida no laudo, a presença da informação não pode trazer como conseqüência a descaracterização do trabalho como um todo, restando as Assinacto digitalmenta rdefritg1fiforniát.MAtarrilb5sWdgarldtfeliteircid,cfiálid rparaFtifIldSlintleida)questão. ROSA Autenticado dig,italmenle : ■rtl 07/12/2010 par RICARDO PAULO ROSA 4 Ernitido en) 30/i2/2010 paid Ministdria da Fazenda DF CA RF MF 5 Processo n° 11128.003746/2005-78 Acórddo n° 3102-00.811 S3-C 1T2 F1 5 Outrossim, também não posso aquiescer, conforme sugerido pelo i, relator do voto vencido, com a aplicação da Nota 3 do Capitulo 29 como fundamento a escolha da NCM situada em último lugar na ordem numérica, haja vista disposição expressa em sentido contrário encontrada nas notas de subposição do capitulo, se não vejamos. Notas. (—) 3 - Qualquer produto suscetível de ser incluído em duas ou mais posic6es do presente Capitulo deve classificar-se na posição situada em último lugar na ordem numerica, Notas de Subposiçães. (--) 2.- A Nota 3 do Capítulo 29 não se aplica As subposicões do presente Capitulo. (grifei) A despeito disso, penso que haja ainda outras consideraçães essenciais e prioritárias no caso vertente. Tal como transcrito acima, a decisão de piso foi tomada com base em laudos técnicos emitidos pela Fundação de Desenvolvimento da Unicamp — FUNCAMP, nos quais foi rejeita a identificação merceológica da mercadoria como a de um produto composto somente de um Ciclo Tiazol. Vejamos como consta do excerto extraído do laudo e reproduzido no voto condutor da decisão recorrida, "Entendemos que o produto não se enquadra como um Composto que content, somente, um Ciclo Tiazol, que 6 um Composto Heterociclico de Heterocitomos de Enxofre e Nitrogénio, nem de um Composto que contem, somente, um Ciclo Oxadiazol, que 6 uma classe de Composto que content HeteroAtomos de Nitrogénio e Oxigênio, e nem de um Composto que content, somente, Heterocitomos de Enxofre e Nitrogênio, com foi considerado 0 produto tem sua melhor caracterização quando 6 levado em conta os dois Ciclos que o comptie, ou seja, trata-se de um Composto Heterocklico que contem HeteroAtomos de Nitrogénio, Enxofre e Oxigênio." Imperioso observar que o parecer técnico está voltado à melhor caracterização do produto, indicando tal como sendo aquela que leva em conta os dois ciclos que o compfie e não apenas um deles. De fato, não tenho dúvidas, dadas essas circunstâncias, que o produto é melhor identificado quando descritos todos os seus componentes e não apenas parte deles, contudo, mais uma vez peço vênia, não creio que isso tenha a repercussão dada na decisão recorrida. Para melhor ilustrar, pode-se pensar no caso de uma máquina multifuncional. Ainda que a sua melhor identificação merceológica seja aquela que descreve a presença de todas as funçães que está apta a desempenhar, a sua classificação vai ser feita em razão da principal função que executa, mesmo que o texto da posição correspondente não contenha a melhor descrição do produto. Mutatis mutant's, vale o mesmo para o caso presente . Assinado d giVirierite ent 0 7/12/20 10 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO. 0/l 2/2010 por RICARDO PAULO ROSA Anteaticad9 digitalmente ern 071 12720 10 por RICARDO PAULO ROSA Emitido eitY 30/12/2010 pelo Mintrio di Fiazerida OF CART' NW Fl 6 Processo 11128,003746/2005-78 S3-C1T 2 Acerchlon° 310240,811 Fl 6 A classificação escolhida pela recorrente alberga os compostos cuja estrutura contenha um ciclo tiazol e não exclusivamente um ciclo tiazol. Irrelevante, nos limites da vertente análise, que outros ciclos integrem o produto, na medida em que a condição para classificação no código 6 a presença de um ciclo tiazol. Note-se que não lid uma classificação especificamente destinada ao compostos cuja estrutura contenha mais do que um ciclo, o que levaria a outras conclusões. Também as Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado conduzem neste mesmo sentido. 3. Quando pareça que a mercadoria pode classificar -se em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuar-se da forma seguinte: a) A posição mais especifica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerar-se, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente especificas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. (grifos meus) Como se vê, a primeira regra orienta pela classificação mais especifica, somente admitindo a escolha de outro critério de classificação quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas, o que não ocorre no caso concreto, já que apenas o código escolhido pela recorrente contém parte das matérias constitutivas do produtos, sendo os demais genéricos. Nos termos do parágrafo terceiro, do artigo 59, do Decreto 70.235/72 e alterações posteriores, deixo de examinar as preliminares argUidas pela recorrente. Pelo exposto, VOTO POR DAR PROVIMENTO INTEGRAL ao recurso voluntário apresentado pela recorrente para exonerar o crédito tributário lançado no auto de infração. Sala das Sessões, em 28 de outubro de 2010. Ricardo Rosa Assinodo digit Imente ern 001212010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO. 0711212010 por RICARDO PAULO ROSA keentIcadorii9italmerlte em 12/2010 por RICARDO PAULO ROSA Err/tide em 30112/2010 polo Ministério da Fazenda e Dr; CAI F MI Fl. 7 Processo n° 11128.003746/2005-78 AeOrd0o n ° 3102-00.811 S3-CIT2 Fl? Assinado d giiatinente em 07/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE cAsTRo. 07/12/2010 por RICARDO PAULO ROSA Atitenticado digitalmente em 07712 12010 por RICARDO PAULO ROSA Emitido em 301 12/2010 pelo Ministaito da Fazencia 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção P Câmara Processo n° : 11128.003746/2005-78 Interessado(a) : SYNGENTA PROTEÇÃO DE CULTIVOS LTDA TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3 0 do art. 81 anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto ao CARF, a tomar ciência do Despacho . Brasilia, 19 de janeiro de 2011 Chefe da Primeira Câmara da Terceira Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10120.006543/2009-74
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
Simples Nacional. Exclusão Indevida
Comprovando-se que a interessada não auferiu rendimentos de atividade vedada deve ser revertida a indevida exclusão do Simples Nacional
Numero da decisão: 1801-002.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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DE MOLD. E ACESS. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2007 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO INDEVIDA Comprovandose que a interessada não auferiu rendimentos de atividade vedada deve ser revertida a indevida exclusão do Simples Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cristiane Silva Costa, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório A empresa interessada foi excluída do Simples Nacional com efeitos a partir de 01/07/2007, porque a Administração Tributária considerou que a empresa praticava a atividade vedada de representação comercial. Em manifestação de inconformidade tempestivamente apresentada afirmou a contribuinte que nunca exerceu a atividade de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 65 43 /2 00 9- 74 Fl. 820DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 representação comercial e que não consta de seu contrato social atual a atividade de representação comercial. Ao apreciar o litígio a DRJ em Brasília indeferiu o pleito. Cientificada da decisão a contribuinte apresentou recurso voluntário reafirmando que desde a constituição nunca exerceu a atividade de representação comercial e que tal atividade não é prevista em seu contrato social. Em sessão realizada em 22/11/2011, esta 1a. Turma Especial / 3a. Câmara / 1a. Seção do CARF, converteu o julgamento na realização de diligência junto à recorrente para que esta apresentasse cópias do contrato social e alterações, das notas fiscais emitidas no período, dos contratos celebrados com possíveis clientes, dos registros e anotações de empregados, dentre outros necessários a comprovar se a empresa efetivamente teria auferido, no período, rendimentos oriundos da atividade de representação comercial. Em atendimento ao quanto solicitado a DRF em Goiânia/GO elaborou a intimação n º 195, de 2012 (fl. 119), cientificada à recorrente em 20/04/2012 (cópia AR à fl. 120), pela qual foram solicitados os seguintes elementos: Cópia simples do contrato social e todas as suas alterações, acompanhadas do original para conferência, ou cópia autenticada; Cópia simples das Notas Fiscais emitidas pela empresa desde 01/07/2007, acompanhadas do original para conferência, ou cópia autenticada; Cópia simples de Contratos celebrados com possíveis clientes desde 01/07/2007, acompanhadas do original para conferência, ou cópia autenticada; e, Cópia simples de registros e anotações de empregados desde 01/07/2007, acompanhadas do original para conferência, ou cópia autenticada; De acordo com o despacho de fl. 122, o SEORT da DRF em Goiânia afirmou que, apesar de intimada, a empresa não atendeu a solicitação para apresentação dos elementos solicitados na Resolução deste CARF, retornando os autos para prosseguimento do julgamento. Assim, em sessão realizada em 06/08/2013, esta 1a. TE/3a.CAM/1a.SEÇÃO do CARF proferiu o Acórdão n º 1801001.542 e, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso da contribuinte pela falta de atendimento à intimação da DRF em Goiânia para comprovação de suas alegações de defesa. Ao ser intimada do Acórdão desta 1a TE a interessada protestou, junto ao órgão de origem, no sentido de que teria atendido às solicitações da diligência fiscal e apresentado os documentos requeridos, mas que tais elementos teriam sido extraviados na repartição. Pelo Despacho de Encaminhamento de fl. 809 a DRF em Goiânia consignou: A fim de atender à determinação de fls. 807, e uma vez que o documento apresentado pelo contribuinte às fls. 136 estava quase ilegível por causa do escaneamento, solicitei ao representante do interessado que trouxesse a sua via original do documento para vistas. Assim foi feito, e ao verificar o documento, ficou claro que consta como protocolo do mesmo é 08 de maio de 2012. Foi feito novo escaneamento do documento, numa tentativa de que ficasse mais legível, cujo resultado juntei às fls. 808. Desta forma, Fl. 821DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10120.006543/200974 Acórdão n.º 1801002.095 S1TE01 Fl. 3 3 parece de fato ser consistente a argumentação do interessado, de que teria havido extravio da documentação apresentada na data de 08 de maio de 2012. Assim sendo, restituo o presente processo para a chefia do EAC5, para as providências que entender cabíveis. E pelo Despacho de Encaminhamento de fl. 810 a DRF em Goiânia reencaminhou o presente processo a este CARF para nova análise. Nessas condições o Despacho de Encaminhamento de fl. 809 da DRF em Goiânia foi recebido como Embargos de Declaração, visto que o Acórdão n º 1801001.542 proferido por esta 1a. TE/1a. Seção foi omisso na apreciação de ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma (ART. 65 do RICARF), pois a recorrente havia atendido a intimação da DRF em Goiânia e apresentado os documentos requeridos, extraviados na repartição. Assim, em sessão realizada em 7/5/2014, esta 1a. TE/1a. Seção acolheu os embargos, anulou o Acórdão n º 1801001.542, por conter motivação equivocada e converteu o julgamento na realização de nova diligência para que a autoridade fiscal analisasse os elementos apresentados pela recorrente, a fim de esclarecer se a empresa efetivamente auferiu, no período, rendimentos oriundos da atividade de representação comercial, cumprindose a parte final da Resolução 1801000.072, com elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo das verificações efetuadas do qual deveria ser cientificada a interessada, com prova de seu recebimento nos autos para, no prazo de trinta dias, a contar da ciência, manifestarse sobre as conclusões da diligência, se assim o desejasse, retornandose, posteriormente, os presentes autos a este Colegiado para prosseguimento. À fl. 819 encontrase o “Relatório” da DRF em Goiânia, de seguinte teor: O presente processo retornou a esta DRF para cumprimento da Resolução nº 1801000.326 de fls. 811/814, no sentido de, em diligência, esclarecer se a empresa efetivamente auferiu, no período de 01/07/2007 a 06/05/2009 (data da alteração do Contrato Social), rendimentos oriundos da atividade de representação comercial. Da análise das alterações contratuais e das notas fiscais da empresa ( fls. 135/803) comprovase que a mesma não auferiu rendimentos da atividade vedada, motivo pelo qual não realizamos a parte final da referida Resolução no sentido de cientificar a contribuinte e abrir prazo para manifestação. Assim, esclarecida a questão solicitada, retorno os autos ao CARF para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. Recurso tempestivo. Conhecido. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Como consta do relato a recorrente foi excluída da sistemática do Simples Nacional, com efeitos a partir de 01/07/2007, porque havia previsão, em seu contrato social inicial, da prática da atividade de representação comercial, supondose, assim, que a empresa auferia receitas da atividade vedada. Contudo, depois de inúmeras movimentações do presente processo para a realização de diligências, a DRF em Goiânia atestou que, durante o período que vai de julho de 2007 a 05/2009 a recorrente não auferiu rendimentos da atividade vedada, o que se comprova pelos documentos acostados aos autos(fls. 135 a 803) e pelo “Relatório” de diligência fiscal da DRF em Goiânia, à fl. 819, constatandose, assim, que a recorrente foi indevidamente excluída da sistemática do Simples Nacional Em face do exposto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para manter a recorrente na sistemática do Simples Nacional. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 823DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 03/10/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13731.000444/2007-17
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
Ementa:
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. VALORES COMPROVADOS.
Comprovadas as despesas médicas glosadas pela fiscalização com documentação hábil e idônea, é se de restabelecê-las, permitindo sua dedução na declaração de ajuste.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-002.837
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello, Presidente em Exercício e Relator.
EDITADO EM: 11/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:, Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Junior e Carlos Andre Ribas de Mello. O Conselheiro (Presidente) Jorge Claudio Duarte Cardoso declarou-se impedido nos termos do inciso I do art. 42 do Anexo II do RICARF (Portaria MF n° 256/2009)
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. VALORES COMPROVADOS. Comprovadas as despesas médicas glosadas pela fiscalização com documentação hábil e idônea, é se de restabelecê-las, permitindo sua dedução na declaração de ajuste. Recurso provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello, Presidente em Exercício e Relator. EDITADO EM: 11/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:, Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Junior e Carlos Andre Ribas de Mello. O Conselheiro (Presidente) Jorge Claudio Duarte Cardoso declarou-se impedido nos termos do inciso I do art. 42 do Anexo II do RICARF (Portaria MF n° 256/2009)
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DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. VALORES COMPROVADOS. Comprovadas as despesas médicas glosadas pela fiscalização com documentação hábil e idônea, é se de restabelecêlas, permitindo sua dedução na declaração de ajuste. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello, Presidente em Exercício e Relator. EDITADO EM: 11/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:, Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Cleber Ferreira Nunes Leite, Jimir Doniak Junior e Carlos Andre Ribas de Mello. O Conselheiro (Presidente) Jorge Claudio Duarte Cardoso declarouse impedido nos termos do inciso I do art. 42 do Anexo II do RICARF (Portaria MF n° 256/2009) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 1. 00 04 44 /2 00 7- 17 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 13/ 10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de fls.3 e ss., por supostas deduções indevidas, no exercício de 2005, de despesas médicas, por falta de comprovação ou previsão legal. Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresenta impugnação, de fls. 1, alegando, em síntese, que os elementos faltantes nos recibos recusados pelo Fisco constavam do verso dos mesmos, tendo sido apresentada cópia apenas do anverso de cada um deles à fiscalização. A impugnação foi julgada pela 1ª Turma da DRJ/RJOII, por unanimidade, pela procedência do lançamento, ao fundamento de não constarem dos comprovantes de despesas apresentados a identificação do beneficiários dos serviços médicos prestados. Não satisfeito com o resultado do julgamento, do qual foi intimado (fl.45), o contribuinte interpôs tempestivamente recurso voluntário (fl. 46 e ss.), limitandose a afirmar que os documentos que traz com o recurso são suficientes para elidir o lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, por tempestivo. Preliminarmente, na esteira da jurisprudência desta Turma e com base no princípio do formalismo moderado, conheço dos documentos trazidos aos autos com o recurso voluntário, a fls.4957. Este Colegiado tem privilegiado a busca pela verdade material sobre a ocorrência do fato gerador sempre que as condições processuais permitirem tal mister, sendo certo que somente com o recurso voluntário o Recorrente logrou sanar os defeitos demonstrados pelo lançamento de ofício. Neste sentido, verifico que os novos comprovantes trazidos aos autos contém todos os elementos necessários a serem admitidos como prova idônea de despesas médicas dedutíveis, nos exatos termos exigidos pelo art. 8° da Lei n 9.250/96, preenchendolhes todos os requisitos. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 13/ 10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO Processo nº 13731.000444/200717 Acórdão n.º 2802002.837 S2TE02 Fl. 125 3 Isto posto, sou pelo provimento do recurso, para desconstituir integralmente o lançamento. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Fl. 66DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 13/ 10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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Numero do processo: 10872.000131/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2005
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. CONCESSÃO DE AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO SEM PAT. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DESNECESSIDADE DE DECLARAÇÃO EM GFIP. DESPESAS DE VIAGEM. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL.
A autuação não se apresenta com vícios em sua motivação jurídica, quando a legislação que serviu de fundamento do ato administrativo foi devidamente explicitada.
A concessão de auxilio alimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT.
Não há obrigatoriedade de declarar em GFIP verbas referentes ao pagamento de auxílio alimentação, por não integrar a base de cálculo do salário-de-contribuição.
Integram o salário-de-contribuição, com fundamento na Lei nº 8.212/91, as diárias de viagem que excedam a 50% da remuneração mensal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-004.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, na questão do auxílio alimentação, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Cleberson Alex Friess, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso na questão das diárias de viagem, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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NULIDADE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. CONCESSÃO DE AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO SEM PAT. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DESNECESSIDADE DE DECLARAÇÃO EM GFIP. DESPESAS DE VIAGEM. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. A autuação não se apresenta com vícios em sua motivação jurídica, quando a legislação que serviu de fundamento do ato administrativo foi devidamente explicitada. A concessão de auxilio alimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Não há obrigatoriedade de declarar em GFIP verbas referentes ao pagamento de auxílio alimentação, por não integrar a base de cálculo do saláriode contribuição. Integram o saláriodecontribuição, com fundamento na Lei nº 8.212/91, as diárias de viagem que excedam a 50% da remuneração mensal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, na questão do auxílio alimentação, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Cleberson Alex Friess, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em negar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 2. 00 01 31 /2 01 0- 61 Fl. 591DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10872.000131/201061 Acórdão n.º 2301004.196 S2C3T1 Fl. 592 2 provimento ao recurso na questão das diárias de viagem, nos termos do voto do Relator; b) em negar provimento aos demais argumentos da recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente da Turma), Adriano Gonzales Silverio, Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos e Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10872.000131/201061 Acórdão n.º 2301004.196 S2C3T1 Fl. 593 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa DCNDB OVERSEAS S/A LOGIN LOGÍSTICA INTERMODAL S/A (SUCESSORA), na qualidade de responsável tributária, em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ), que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o lançamento em sua integralidade. 2. A fiscalização lavrou, por aferição indireta, o Auto de Infração Debcad nº 37.276.4550 para lançamento dos créditos referentes às contribuições sociais tendo como fatos geradores a diferença entre a remuneração registrada na escrituração contábil dos saldos mensais das contas de despesas 35.3012.001 (Salário), 35.3012.002 (Adicionais Legais) e 35.3012.004 (Hora Extra) e a declarada em GFIP e na folha de pagamento, bem como os valores pagos aos empregados a título de Ticket Alimentação, sem a comprovação de inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. 3. O relatório fiscal (fls. 25/34), descrevendo as razões de constituição do crédito tributário, consigna que, in verbis: 1 – Diferença entre a remuneração registrada na escrituração contábil e a declarada na GFIP. Foi verificado que os valores da remuneração de empregados lançados na escrituração contábil do contribuinte apresentavam valores superiores aos registrados na folha de pagamento e ao total declarado na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP). A apuração do salário de contribuição em cada competência foi realizada através do somatório dos saldos mensais das seguintes contas de despesas: 35.3012.001 Salário 35.3012.002 Adicionais Legais 35.3012.004Hora Extra 2 Valores pagos a título de “Ticket Alimentação” A empresa fornecia a seus empregados ticket alimentação sem a consequente inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Desta forma, esta parcela in natura deve integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias, como prevê o art. 28, § 9º, c da Lei 8.212/91. 4. A contribuinte tomou ciência da autuação em 30/06/2010, e apresentou impugnação de fls. 40/69. No entanto, a DRJ do Rio de Janeiro I (RJ) não acolheu a pretensão da contribuinte em acórdão lavrado com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Fl. 593DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10872.000131/201061 Acórdão n.º 2301004.196 S2C3T1 Fl. 594 4 Período de apuração: 01/06/2005 a 31/12/2005 LANÇAMENTO.VALIDADE. O não recolhimento, nas épocas próprias, das contribuições sociais incidentes sobre os valores das remunerações pagas aos segurados empregados enseja lançamento fiscal. Não merece acolhida a alegação de nulidade do lançamento, haja vista que todos os relatórios foram entregues ao contribuinte, onde consta a indicação de onde os valores foram extraídos e os dispositivos legais que amparam o lançamento. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. ÔNUS DA PROVA. Os livros comerciais fazem prova contra seu autor, cabendo a este o ônus de demonstrar que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM TICKET ALIMENTAÇÃO. INCIDÊNCIA. A inobservância das condições e limites na concessão de auxílio alimentação, conforme previsto na legislação específica, atribui a esta verba o caráter remuneratório, para todos os efeitos, inclusive para fins de incidência das contribuições destinadas à Seguridade Social. MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelo crédito tributário da incorporada, respondendo tanto pelos tributos e contribuições como por eventual multa de ofício e demais encargos legais decorrentes de infração cometida pela empresa sucedida, mesmo que formalizados após a alteração societária. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência quando esta se mostrar prescindível. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” 5. Cientificada da decisão proferida, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 434/466), no qual aduz, em apartado escorço, que: a) o lançamento está eivado de nulidade absoluta, uma vez que o auto de infração, vinculado ao CNPJ da empresa DCNDB OVERSEAS S/A, foi lavrado em 29/06/2010, quando a aludida empresa já não mais existia no mundo jurídico (extinção em 08/04/2008), de modo que houve erro na identificação do sujeito passivo; Fl. 594DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10872.000131/201061 Acórdão n.º 2301004.196 S2C3T1 Fl. 595 5 b) o auto de infração não promoveu a descrição circunstanciada dos fatos geradores, o que importa em nulidade do lançamento, em virtude do efetivo prejuízo causado a defesa da recorrente; c) a empresa, ao preencher as GFIP’s, considerou todas as verbas remuneratórias destinadas a retribuir o trabalho desenvolvido por seus empregados; no que se refere às verbas pagas através de “ticket alimentação”, importa revelar que esses pagamentos eram descontados dos seus empregados, a título de ressarcimento pelo fornecimento da alimentação in natura nas embarcações; e d) a fiscalização, ao efetuar o lançamento com base na escrituração contábil, deveria ter considerado o valor da rubrica “salário” na sua totalidade para a composição da base de cálculo da contribuição previdenciária. No entanto, dentre as verbas que integravam os pagamentos realizados aos funcionários da recorrente, havia ainda o pagamento de diárias de viagem em valor inferior a 50% do salário percebido pelos seus empregados, de natureza indenizatória. 6. Sem contrarrazões do fisco, os autos foram encaminhados a apreciação e julgamento deste Conselho. É o relatório. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10872.000131/201061 Acórdão n.º 2301004.196 S2C3T1 Fl. 596 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DA INEXISTÊNCIA DE NULIDADE NO LANÇAMENTO 2. Preliminarmente, a contribuinte aponta, em síntese, a existência de nulidade no lançamento, argumentando que houve erro na identificação do sujeito passivo e de que a autoridade fiscal não promoveu a descrição circunstanciada dos fatos geradores no auto de infração. 3. No entanto, em que pesem os argumentos da contribuinte, vislumbro que razão não lhe assiste. Isso porque o relatório fiscal e seus anexos atenderam aos requisitos estabelecidos pelo art. 37, da Lei nº 8.212/1991, bem como pela legislação federal atinente ao processo administrativo fiscal, descrevendo as ocorrências que deram ensejo à constituição do presente crédito tributário, caracterizandoas como fatos geradores de contribuições previdenciárias e fornecendo todo o embasamento legal e normativo para o lançamento, apto a possibilitar o exercício do direito de defesa pelo sujeito passivo, não havendo, pois qualquer nulidade a ser declarada. 4. Cabe ressaltar que foram examinados no curso da ação fiscal documentos de propriedade da própria recorrente, de maneira que eventuais dúvidas poderiam ser sanadas com a consulta de sua contabilidade. 5. De outro lado, verifico que a tese de erro na identificação do sujeito passivo não se sustenta, pois, como se sabe, uma empresa sucessora tornase não só detentora dos direitos da sucedida, mas também responsável pelas suas obrigações, à luz do que dispõe o artigo 132 do Código Tributário Nacional, in verbis:. “Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual.” Fl. 596DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10872.000131/201061 Acórdão n.º 2301004.196 S2C3T1 Fl. 597 7 6. Além do mais, como se pode verificar, a peça inicial encontrase fundamentada com a devida motivação requerida pela legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei nº. 9.784/99. Ressaltase que a inexistência de nulidade possibilitou a contribuinte a apresentação de impugnação arguindo o mérito do lançamento, bem como do recurso voluntário ora em análise. 7. Dessa forma, afasto a preliminar de nulidade, por entender que o lançamento se reveste de legitimidade ou da legalidade a ele pertinente. DO AUXÍLIOALIMENTAÇÃO 8. Aponta o relatório fiscal (fls. 28) que a contribuinte fornecia a seus empregados ticket alimentação sem a consequente inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT, caracterizandose a alimentação fornecida aos segurados empregados como salário indireto, in natura, e integrando o salário de contribuição, consoante o disposto no art. 28, parágrafo 9°, alínea c da Lei n°. 8.212/91. 9. Não obstante o bom arrazoado trazido pelo fisco, a meu ver, o auto de infração, em relação a referida rubrica, não merece prosperar. Isso porque a respeito da matéria tenho firmado entendimento no sentido de que o pagamento do auxílio alimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, haja vista à ausência de sua natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no PAT. Assim, entendo que não há que se falar em obrigatoriedade de declarar em GFIP verbas referentes ao pagamento de auxílio alimentação. 10. Corroborando o posicionamento ora exposto, temse a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificando o entendimento no sentido de que o pagamento do auxílio alimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 11. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. (Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006). 12. Segue recente julgado da Primeira Turma deste Colendo Tribunal, in verbis: “TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. VALEALIMENTAÇÃO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O valor concedido pelo empregador a título de vale alimentação não se sujeita à contribuição previdenciária, mesmo nas hipóteses em que o referido benefício é pago em dinheiro. 2. A exegese hodierna, consoante a jurisprudência desta Corte e da Excelsa Corte, assenta que o contribuinte é sujeito de direito, e não mais objeto de tributação. Fl. 597DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10872.000131/201061 Acórdão n.º 2301004.196 S2C3T1 Fl. 598 8 3. O Supremo Tribunal Federal, em situação análoga, concluiu pela inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o valor pago em espécie sobre o vale transporte do trabalhador, mercê de o benefício ostentar nítido caráter indenizatório. (STF RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau, Tribunal Pleno, julgado em 10.03.2010, DJe 14.05.2010) 4. Mutatis mutandis, a empresa oferece o ticket refeição antecipadamente para que o trabalhador se alimente antes e ir ao trabalho, e não como uma base integrativa do salário, porquanto este é decorrente do vínculo laboral do trabalhador com o seu empregador, e é pago como contraprestação pelo trabalho efetivado. 5. É que: (a) ‘o pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito, ou não, no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho’ (REsp 1.180.562/RJ (grifo nosso) (...). 6. Recurso especial provido.” (STJ REsp 1185685/SP, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/12/2010, DJe 10/05/2011) (g.n.). 13. Nesse momento fazse mister a referência ao acórdão de relatoria do Ministro José Delgado que tratou da matéria em questão, conforme ementa abaixo transcrita: “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. REFEIÇÃO REALIZADA NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA. NÃOINCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL. PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DA CERTIDÃO DA DÍVIDA ATIVA. PRECEDENTES. 1. Recurso especial interposto pelo INSS contra acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região segundo o qual: a) o simples inadimplemento da obrigação tributária não constitui infração à lei capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios; b) o auxílioalimentação fornecido pela empresa não sofre a incidência de contribuição previdenciária, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Em seu apelo, o INSS aponta negativa de vigência dos artigos 135 e 202, do CTN, 2º, § 5º, I e IV, 3º da Lei 6.830/80, 28, § 9º, da Lei n. 8.212/91 e divergência jurisprudencial. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10872.000131/201061 Acórdão n.º 2301004.196 S2C3T1 Fl. 599 9 Sustenta, em síntese, que: a) a) o ônus da prova acerca da não ocorrência da responsabilidade tributária será do sócio executado, tendo em vista a presunção de legitimidade e certeza da certidão da dívida ativa; b) é pacífico o entendimento no STJ de que o auxílioalimentação, caso seja pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, é salário e sofre a incidência de contribuição previdenciária. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006. 3. Constando o nome do sóciogerente na certidão de dívida ativa e tendo ele tido pleno conhecimento do procedimento administrativo e da execução fiscal, responde solidariamente pelos débitos fiscais, salvo se provar a inexistência de qualquer vínculo com a obrigação. 4. Presunção de certeza e liquidez da certidão da dívida ativa. Ônus da prova da isenção de responsabilidade que cabe ao sóciogerente. Precedentes: EREsp 702.232/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 26/09/2005; EREsp 635.858/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 02/04/2007. 5. Recurso especial parcialmente provido.” (REsp 977.238/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13.11.2007, DJ 29.11.2007 p. 257) [grifo nosso] 14. Inclusive, a argumentação da Fazenda Nacional nos autos acima (REsp 977.238/RS) era de que o auxilio alimentação, pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), possuía natureza salarial sendo, portanto, passível de recolhimento de tributo. No entanto, sua sustentação não foi provida em razão da orientação jurisprudencial pacífica do STJ em sentido contrário, qual seja não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de auxilio alimentação. 15. E recentemente, reforçando o entendimento que vem se pacificando no STJ, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional publicou o Parecer PGFN/CRJ/nº. 2117/2011 sobre a não incidência de contribuição previdenciária sobre o auxílio alimentação pago in natura: Fl. 599DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10872.000131/201061 Acórdão n.º 2301004.196 S2C3T1 Fl. 600 10 “Tributário. Contribuição previdenciária. Auxílioalimentação in natura. Não incidência. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei n.º 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto n.º 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso e a desistir dos já interpostos.” 16. No mesmo sentido, cito o Ato declaratório nº. 03/2011 no qual a PGFN declarou que “fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. 17. Além disso, pelo que se indica nestes casos, a concessão da alimentação é desvinculada do salário por força da própria Lei nº. 8.212/91 que determina a não integração do salário de contribuição as importâncias recebidas a título de ganhos expressamente desvinculados do salário (art. 28, §9º, letra “e”, número 7). 18. A Lei nº. 9.528/97 introduziu a obrigatoriedade de apresentação em GFIP dos dados da empresa e dos trabalhadores, os fatos geradores de contribuições previdenciárias e valores devidos ao INSS, bem como as remunerações dos trabalhadores e valor a ser recolhido ao FGTS. 19. Sendo assim, entendo que não há que se falar em obrigatoriedade de declarar em GFIP verbas referentes ao pagamento de auxílio alimentação, por não ter natureza salarial e não fazer parte da base de cálculo das contribuições previdenciárias, o que torna improcedente, nessa parte, o auto de infração lavrado pela autoridade fiscal. DAS DIÁRIAS DE VIAGEM 20. Em seu recurso, a contribuinte alega ainda que na rubrica “Salário” a fiscalização considerou pagamentos referentes às verbas indenizatórias como diárias de viagem em valor inferior a 50% da remuneração. 21. No entanto, entendo que a autuação em relação a essa rubrica deve prosperar, pois, com base nos autos, a contribuinte não apresentou os relatórios de viagens dos segurados envolvidos, e deixou de oferecer os correspondentes comprovantes de despesas. 22. No âmbito da fiscalização, a contribuinte não se desincumbiu de demonstrar que as despesas de viagens ocorreram em valores inferiores a 50% para fazer jus à isenção prevista na alínea “h” do § 9º do artigo 28 da Lei nº. 8.212/91. Além disso, nem nesta fase recursal a contribuinte logrou comprovar a natureza dos valores supostamente pagos a título de diárias de viagem. 23. As diárias de viagens são valores pagos para a realização de serviços externos, já que visam a cobrir despesas necessárias, como transporte, alimentação e hospedagem. Nos termos do art. 457, caput e § 2º, da CLT, o valor das diárias que correspondam a até 50% do valor do salário ostentam natureza indenizatória, passando a ter natureza salarial quando concedidas acima desse limite. Fl. 600DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Processo nº 10872.000131/201061 Acórdão n.º 2301004.196 S2C3T1 Fl. 601 11 24. Em razão do exposto, mantenho o lançamento nessa parte. CONCLUSÃO 25. Pelo exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, darlhe parcial provimento, retirando da base de cálculo do lançamento as verbas pagas a título de auxílio alimentação, nos termos acima expostos. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 601DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 24/1 1/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Numero do processo: 13884.005081/2003-39
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/1999, 01/01/2001 a 30/06/2001, 01/08/2001 a 31/10/2001, 01/12/2001 a 31/12/2001
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE
Considera-se intempestivo o recurso voluntário interposto contra a decisão proferida em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento fora do prazo de 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão, conforme dispõe o artigo 33 do Decreto n.º 70.235/1972.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3801-004.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Paulo Sérgio Celani votaram pelas conclusões
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/1999, 01/01/2001 a 30/06/2001, 01/08/2001 a 31/10/2001, 01/12/2001 a 31/12/2001 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE Considerase intempestivo o recurso voluntário interposto contra a decisão proferida em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento fora do prazo de 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão, conforme dispõe o artigo 33 do Decreto n.º 70.235/1972. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Paulo Sérgio Celani votaram pelas conclusões (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 00 50 81 /2 00 3- 39 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13884.005081/200339 Acórdão n.º 3801004.371 S3TE01 Fl. 259 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Tratase de Auto de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCOFINS, fls. 100/107, que formalizou o crédito tributário total de R$ 8.561,49, somados o principal e juros de mora calculados até 29/11/2002. 02 No corpo do Auto de Infração, a autoridade fiscal contextualiza da seguinte forma o lançamento: "Tratase este de constituição do crédito tributário referente à COFINS, tendo em vista o fato da contribuinte ter impetrado Mandado de Segurança visando a suspensão da contribuição exigida por incidência da Lei 9.718/98, alegando a inconstitucionalidade dos artigos que lhe alteraram a base de cálculo e a alíquota. Em sentença de 11/10/2002 exarada no supracitado citado (sic) M. S. de n. 2000.61.03.0013502, o Exmo. Juiz da Ia Vara da Justiça Federal em São José dos Campos concedeu parcialmente a segurança desobrigando a impetrante do recolhimento da COFINS segundo o regramento traçado pela Lei 9.718/98, permanecendo devida esta exação no Termo da Lei Complementar 70/91. Tendo em vista este fator, efetuei o levantamento das diferenças devidas e não declaradas em DCTF, objetivando a constituição do .crédito tributário apenas para a prevenção da decadência, tendo em vista não haver ainda decisão final da justiça sobre o caso. As diferenças foram levantadas através de planilhas constantes às ff. 64 e 80, utilizandose os valores declarados nos livros razão da contribuinte cujas cópias encontramse às ff. 65 a 91, confrontadas com os valores declarados nas DCTF às ff. 23 a 38. A contribuinte apresentou retificação de sua DCTF do ano de 2000 (ff. 94 a 97), como também incluiu vários de seus débitos de COFINS no REFIS (ff. 94 a 97), porém em nada altera os valores lançados através deste Auto de Infração. " 03 Cientificado do lançamento por via postal em 29/12/2003, o sujeito passivo apresentou impugnação, postada em 28/01/2004, fls. 138/154, alegando, em síntese, que: a) "O Auto de Infração atacado consigna o lançamento dos valores compensados pelo Impugnante, com base na decisão proferida no Mandado de Segurança n° 2000.61.03.0013502, Fl. 259DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13884.005081/200339 Acórdão n.º 3801004.371 S3TE01 Fl. 260 3 visando a suspensão do PIS e da COFINS exigidos por incidência das Leis 9.715 e 9.718/98, respectivamente. Pleiteia ainda, a compensação dos valores referentes às exações questionadas, que considera haver recolhido indevidamente "; b) a Lei n° 9.718, de 1998, não obedeceu ao princípio da capacidade contributiva e à vedação constitucional do confisco ao ampliar a base de cálculo da Cofins. Houve violação também do princípio da isonomia na previsão da possibilidade de compensação desta contribuição com a CSLL, beneficiando as empresas lucrativas em detrimento das demais. Ainda no capítulo das inconstitucionalidades, a Lei Complementar n° 70, de 1991, não poderia ser modificada pela Lei n° 9.718, de 1998, por ser esta lei ordinária. Mesmo a Emenda Constitucional n° 20 é incapaz de emendar as inconstitucionalidades existentes na Lei n° 9.718/1998; c) o valor apurado por meio de levantamento fiscal é descabido e, por força da concessão de liminar em Mandado de Segurança, a exigência do crédito encontrase suspensa. Prossegue a defesa: "Desta maneira, conforme amplamente demonstrado e comprovado através de documentos aptos a fazer prova do alegado, a Impugnante estava compensando com o respaldo em ordem judicial, os valores pagos indevidamente com os débitos em questão, sem que com isso tenha infringido a legislação previdenciária (sic). Este fato deixa claro a total improcedência da presente Notificação Fiscal de Lançamento, justamente por se verificar que a compensação em tela não se reveste de caráter unilateral e voluntário deste contribuinte, mas sim de uma autorização judicial, com força assecuratória, prevista em lei. Assim, sendo, de acordo com os documentos e alegações apresentadas embora ocorridos os fatos ensejadores desta cobrança, não há que se falar em constituição de crédito pelo fisco, pois o mesmo encontrase suspenso por ordem judicial, o que torna ineficaz em todo o conteúdo. d) a aplicação dos juros e das multas fiscais devem respeitar os direitos e garantias do contribuinte e representam um acessório ao principal. Sendo assim, as normas que instituem obrigações acessórias devem, também, observar as limitações ao poder de tributar. Nesse sentido, os acréscimos de multa, juros e correção monetária não "podem ultrapassar o limite do que razoavelmente possa se presumir como resultado econômico obtido com as operações tributadas a que se refere a obrigação em atraso ". Assim, "o imposição de penalidades tributária pode ser declarada inconstitucional em face do princípio da razoabilidade das leis ". e) a multa e os juros de mora aplicados no lançamento têm caráter confiscatório. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13884.005081/200339 Acórdão n.º 3801004.371 S3TE01 Fl. 261 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto (SP), às fls. 122/129, proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/1999, 01/01/2001 a 30/06/2001, 01/08/2001 a 31/10/2001, 01/12/2001 a 31/12/2001 Ementa: ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. O recurso ao Poder Judiciário para discussão de matéria coincidente com aquela objeto do lançamento de ofício, antes ou após a lavratura do Auto de Infração, importa na renúncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os aspectos do lançamento não abrangidos pela ação mandamental. PROCESSO ADMINISTRATIVO. ARGUIÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A autoridade administrativa é incompetente para a apreciação da constitucionalidade da legislação tributária regularmente inserida no ordenamento jurídico. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. Ainda que suspensa a exigibilidade do crédito tributário, devem incidir os juros de mora, ex vi do disposto no artigo 161 do Código Tributário Nacional, salvo nos casos de depósito integral. Lançamento Procedente Dessa decisão o contribuinte foi cientificado em 05/04/2006 e transcorrido o prazo regulamentar e não tendo o contribuinte apresentado recurso a instância superior da decisão da autoridade de primeira instância foi lavrado o Termo de Perempção às fls. 172. Em 17/10/2008 o contribuinte protocolou Manifestação de Inconformidade, às fls. 175, contra o ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/SJC N. 387371, que havia excluído a empresa do SIMPLES NACIONAL. O Parecer SECAT/DRF/SJC nº 13884.454/2008 considerando a decisão judicial transitada em julgado, na qual foi dado parcial provimento, à guisa da decisão do Plenário do STF, no RE n° 390.840, que declarou a inconstitucionalidade do §1°, do art. 3°, da Lei n° 9.718/98, e que, portanto, manteve, para esta exação, a mesma base de cálculo prevista na Lei Complementar n° 70/91 e relativamente à alíquota, ficou esta mantida em 3% (três por cento), nos moldes em que previstos no art. 8° da Lei n° 9.718/98, revisou de oficio o presente auto de infração, mantendo parte dos débitos lançados, conforme montante apurado na tabela do citado Parecer, com os demais acréscimos legais previstos na autuação. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13884.005081/200339 Acórdão n.º 3801004.371 S3TE01 Fl. 262 5 Diz ainda a decisão judicial que a compensação pleiteada não foi admitida, em razão de a Impetrante não haver formado prova préconstituida do pagamento do PIS e da COFINS, conforme é exigido pelo rito célere do Mandado de Segurança. Contra o Despacho Decisório que aprovou o Parecer retro e revisou de oficio os débitos lançados através do presente auto de infração o contribuinte interpôs recurso no qual aduz que: · a Recorrente obteve garantia judicial no sentido do recolhimento da COFINS nos termos da Lei Complementar n° 70/91; · ainda que a decisão judicial final não tenha assegurado a compensação por parte do contribuinte, é medida legal e moral assegurar à Recorrente ao não pagamento de tributos indevidamente cobrados; · considerando que o débito ora exigido está vinculado a questionamento judicial em que a Recorrente foi parcialmente vencedora, porquanto obteve garantido o recolhimento da COFINS com base na Lei Complementar n° 70/91, não é devida a incidência de multa e juros sobre o valor principal cobrado. É o relatório. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13884.005081/200339 Acórdão n.º 3801004.371 S3TE01 Fl. 263 6 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O artigo 33 do Decreto n.º 70.235/1972 dispõe sobre o prazo para interposição de recurso voluntário contra a decisão proferida em primeira instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento:. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. No caso o contribuinte foi cientificado da decisão da autoridade de primeira instância que julgou o lançamento procedente em 05/04/2006 e transcorrido o prazo regulamentar não apresentou recurso voluntário, sendo lavrado o Termo de Perempção às fls. 172. Considero assim intempestivo o recurso voluntário apresentado, ausentes ainda os demais pressupostos recursais, visto não se tratar de decisão em litígio junto a esta instância. No entanto, em obediência aos princípios do formalismo moderado e da fungibilidade recursal e do contraditório e da ampla defesa e para que não haja supressão de instância, o recurso apresentado contra o Despacho Decisório que revisou de oficio os débitos lançados, nos termos do art. 149, inciso VIII, da Lei n° 5.712/66 (Código Tributário Nacional), que após o transito em julgado da ação judicial manteve em parte os valores lançados que se encontravam com sua exigibilidade suspensa, deve ser encaminhado pela Delegacia de origem às Delegacias de Julgamento para que se manifeste sobre a sua procedência., nos termos do artigo 15 do Decreto nº 70.235/72. Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso apresentado. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 263DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 27/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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