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Numero do processo: 15215.720042/2011-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso voluntário por perda de objeto quando o crédito tributário a que se refere foi objeto de pedido de desistência formalizado pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 1402-002.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para anular o Acórdão 1801-002.145, reconhecer a tempestividade do recurso voluntário e não conhecê-lo por perda de objeto, tendo em vista pedido de desistência formalizado pelo sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso voluntário por perda de objeto quando o crédito tributário a que se refere foi objeto de pedido de desistência formalizado pelo sujeito passivo.
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ME Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso voluntário por perda de objeto quando o crédito tributário a que se refere foi objeto de pedido de desistência formalizado pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para anular o Acórdão 1801002.145, reconhecer a tempestividade do recurso voluntário e não conhecêlo por perda de objeto, tendo em vista pedido de desistência formalizado pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 21 5. 72 00 42 /2 01 1- 83 Fl. 1258DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 1a. Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora/MG que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente as exigências consubstanciadas nos autos. De acordo com o relatório produzido pela auditoria fiscal a empresa em referência adotou o Simples Nacional como forma de recolher os tributos federais, para o período de janeiro a outubro de 2008 e, na DASN, apontou receitas auferidas nos meses de janeiro a maio de 2008, nos seguintes valores: Nos demais meses, de junho, julho, agosto, setembro e outubro não declarou receitas auferidas. Para os meses de novembro e dezembro de 2008 adotou o Lucro Real. Mas a DIPJ e a correspondente DCTF do período em referência foram entregues sem qualquer valor declarado (zeradas). Atendendo intimação, apresentou sua escrituração contábil e fiscal do período de outubro/2008 a dezembro/2009, deixando de entregar a escrituração do período anterior – janeiro/2007 a setembro/2008. Na escrituração apresentada teriam sido registradas receitas de vendas em novembro/2008, no valor de R$ 139.676,21 e, em dezembro, de R$ 284.507,22. Teria informado não possuir Livro Caixa ou Diário para o período de janeiro/2007 a setembro/2008, mas que teria retificado a DACON. Declarou, ainda, possuir contascorrentes junto a instituições financeiras, fornecendo os extratos solicitados pela auditoria. De posse dos extratos a fiscalização elaborou demonstrativo contendo créditos de valor superior a R$ 1.000,00, encaminhando a relação, via intimação, para que a contribuinte comprovasse a origem dos valores. Apurouse, após denuncia recebida, que o POSTO VARGEM ALEGRE LTDA., havia sido adquirido pelos sócios da FRANCO E CAMPOS LTDA., mediante a interposição de sócios fictos – “laranjas” – EBENEZER DA SILVA MARQUES e SILAS LUCINDO GONÇALVES. O primeiro teria sido localizado trabalhando como frentista do posto e o segundo, trabalhando no escritório de FRANCO E CAMPOS. O sócio da FRANCO E CAMPOS LTDA., CRISPIM ELIAS CAMPOS NETO, que como pagamento pela compra do posto houve a entrega de cheques prédatados da FRANCO E CAMPOS, alguns resgatados em dinheiro, na data prevista para o pagamento. Também teriam sido efetuadas transferências bancárias para a conta do vendedor e que os recursos para tal compra teriam origem na FRANCO E CAMPOS. O vendedor do posto, OTAVIO RODRIGUES DA COSTA afirmou que o valor da venda foi estipulado em R$ 361.250,00, mas que também teria recebido a quantia de R$ 134.000,00 por conta do estoque de mercadorias. Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 15215.720042/201183 Acórdão n.º 1402002.608 S1C4T2 Fl. 1.259 3 Depois de analisar os extratos bancários junto ao contribuinte e junto a instituições financeiras, foi identificada parte das pessoas físicas e jurídicas que creditaram valores nas contas da FRANCO E CAMPOS. Intimadas, várias dessas pessoas físicas e jurídicas informaram não possuir mais os documentos que comprovariam as operações efetuadas com a fiscalizada. Concluiu, assim, a auditoria, que a maior parte desses recursos foi utilizada para pagamento de mercadorias não declaradas e vendidas sem emissão de nota fiscal. Tais recursos teriam sido utilizados na compra do posto de gasolina. Contudo, instada, pelos termos de intimação n ºs 3,4,5 e 6 a comprovar o restante do valor depositado de R$ 2.323.323,51, não identificado pela auditoria, quedouse inerte a empresa. Dessa forma, esse valor foi considerado como omissão de receitas presumida em créditos bancários. Com fulcro nas disposições do art. 29, incisos V, VIII, IX e § 1o. da Lei Complementar n º 123, de 2006, foi editado ato de exclusão da empresa do Simples Nacional A empresa foi, então, intimada a optar pelo lucro presumido ou real para o período em que foi excluída do Simples Nacional, desde que apresentasse escrita contábil apta a permitir a determinação do lucro real ou presumido. Como não se manifestou no prazo concedido, foi promovido o arbitramento dos lucros. Para cálculo do lucro arbitrado os depósitos bancários não comprovados foram considerados como receita conhecida A multa de ofício foi qualificada, pelo evidente intuito de fraude. Defendeuse a empresa apresentando a impugnação de efls. 1.154/1.170. As razões de defesa foram assim resumidas no relatório do acórdão proferido pela Turma Julgadora de 1a. Instância: Não houve o respeito dos efeitos dos Atos Declaratórios mencionados, pois retroagiram atingindo períodos anteriores a sua edição, tal ato fere o princípio da irretroatividade da Lei (art. 5º , XXXIV e XL, da Constituição Federal de 1988). Portanto não há dúvidas quanto à impossibilidade da lei retroagir. Ademais, não foram consideradas as despesas para a apuração do lucro. Tais vícios tornam o ato administrativo incompleto em seus requisitos, tornando nulos os referidos autos. Ainda mais. A exclusão tal como realizada, fere a legislação do SIMPLES tanto na inadequação do ato utilizado como dos efeitos retroativos da exclusão. A IN n° 104 de 24/08/1998 permitiu a adoção pelas empresas do regime de caixa no reconhecimento das vendas de bens e serviços. [...] Assim é que para se efetivar o ARBITRAMENTO PARA FINS TRIBUTÁRIOS a fiscalização deveria utilizar "as regras do SIMPLES, sendo inadmissível a utilização do arbitramento do lucro. Que se tolere a repetição, mas há necessidade da consideração de despesas para a apuração da renda tributável e que o autuante não considerou. É flagrante a ilegalidade da cobrança dos juros de mora baseados na taxa SELIC, pois sua aplicação constituise em inconstitucionalidade para fins tributários, eis que é ilegal a cobrança de taxa superior a 12% ao ano, caracterizando verdadeiro anatocismo, pois o CTN só autoriza juros no limite de 1% ao mês. Em relação à multa de ofício, vêse novamente um verdadeiro confisco, pois sua aplicação percentual de 75% é inconstitucional, caracterizando um verdadeiro confisco. Fl. 1260DF CARF MF 4 Finalmente, em relação à contribuição social sobre o lucro liquido, há que se ater que esta contribuição incide sobre o lucro e que não foram deduzidas as despesas para apuração deste lucro. A Turma Julgadora de 1ª Instância, ao apreciar o litígio, consignou que a empresa não havia apresentado manifestação de inconformidade contra o ato de exclusão do Simples, tornando, assim, definitiva a exclusão do sistema. O arbitramento dos lucros foi justificado diante da ausência de escrituração na forma da lei, assim como os acréscimos legais aos tributos exigidos. Ao final, a impugnação foi considerada improcedente. Cientificada da decisão, em 09/07/2012 (AR efl. 1.184), apresentou a interessada, em 15/08/2012, recurso voluntário, no qual reproduz as razões de defesa deduzidas na impugnação. A 1ª Turma Especial desta 1ª Seção prolatou o Acórdão 1801002.145 através do qual entendeu pelo não conhecimento do recurso por ter sido apresentado intempestivamente. Inconformado, o sujeito passivo apresento pedido de reconsideração no qual aduz que o recurso voluntário foi tempestivo. A petição foi recebida como embargos de declaração ao qual foi dado seguimento para reconhecer a tempestividade do recurso e determinar que seja apreciado, com a ressalva de que o sujeito passivo teria apresentado pedido de desistência abrangendo o crédito tributário tratado nos autos. É o relatório. Fl. 1261DF CARF MF Processo nº 15215.720042/201183 Acórdão n.º 1402002.608 S1C4T2 Fl. 1.260 5 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator A antiga 1ª Turma Especial desta 1ª Seção prolatou o Acórdão 1801002.145 através do qual entendeu pelo não conhecimento do recurso voluntário por ter sido apresentado intempestivamente. Inconformado, o sujeito passivo apresento pedido de reconsideração no qual aduz que o recurso voluntário foi tempestivo. A petição foi recebida como embargos de declaração e apreciado pela Presidência da 3ª Câmara da 1ª Seção, que deu razão ao peticionante e reconheceu a tempestividade do recurso voluntário. De imediato, cabe a anulação do Acórdão 1801002.145 que manifestouse pela intempestividade da peça recursal. Em tese, caberia também a apreciação do mérito do recurso. Entretanto, a recorrente apresentou pedido de desistência abrangendo o crédito tributário de que trata o presente processo. Sendo assim, não cabe a apreciação do mérito do recuso por perda de objeto. Do exposto, voto por acolher os embargos de declaração para anular o Acórdão 1801002.145, reconhecer a tempestividade do recurso voluntário e não conhecêlo por perda de objeto, tendo em vista pedido de desistência formalizado pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 1262DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16004.001053/2009-94
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
LANÇAMENTO DE OFÍCIO - MULTA AGRAVADA - NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS - CABIMENTO.
Cabível a aplicação da multa agravada quando o contribuinte deixar de, nos prazos estipulados, prestar esclarecimentos em resposta a intimações da autoridade fiscal realizadas consoante o permissivo legal.
Numero da decisão: 9202-005.748
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, a fim de que seja restabelecido o agravamento da multa lançada de 75% ao percentual de 112,5%, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 LANÇAMENTO DE OFÍCIO - MULTA AGRAVADA - NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS - CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa agravada quando o contribuinte deixar de, nos prazos estipulados, prestar esclarecimentos em resposta a intimações da autoridade fiscal realizadas consoante o permissivo legal.
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Cabível a aplicação da multa agravada quando o contribuinte deixar de, nos prazos estipulados, prestar esclarecimentos em resposta a intimações da autoridade fiscal realizadas consoante o permissivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, a fim de que seja restabelecido o agravamento da multa lançada de 75% ao percentual de 112,5%, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Votou pelas conclusões o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 10 53 /2 00 9- 94 Fl. 9254DF CARF MF Processo nº 16004.001053/200994 Acórdão n.º 9202005.748 CSRFT2 Fl. 9.255 2 Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (Suplente convocado). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2202002.327, prolatado pela 2a Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 19 de junho de 2013 (efls. 9.216 a 9.225). Ali, por maioria de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ILEGITIMIDADE PASSIVA A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF no.32). ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. A simples alegação em razões defensórias, por si só, é irrelevante como elemento de prova, necessitando para tanto seja acompanhada de documentação hábil e idônea para tanto. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada de 150% quando restar caracterizado o evidente intuito de fraude do contribuinte, com o fim de reduzir o montante do imposto devido. MULTA AGRAVADA O agravamento da multa de oficio em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos não se aplica nos casos em que a omissão do contribuinte já tenha conseqüências específicas previstas na legislação. Fl. 9255DF CARF MF Processo nº 16004.001053/200994 Acórdão n.º 9202005.748 CSRFT2 Fl. 9.256 3 Recurso provido em parte. Decisão: por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desagravar a multa de ofício, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Enviados os autos à Fazenda Nacional em 15/08/2013 (efl. 9.226) para fins de ciência da decisão, insurgindose contra aquela, sua Procuradoria apresenta, em 23/08/2013 (efl. 9.234), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 9.227 a 9.233). O recurso foi regularmente admitido pelos despachos de efls. 9.239 a 9.246, dizendo respeito exclusivamente à redução do agravamento da multa ao percentual de 75%. Quanto à matéria, alegase divergência em relação ao decidido, respectivamente, em 17/08/2006 e em 12/06/2007, nos Acórdãos 10421.835 e 10422.117, ambos de lavra da 4a. Câmara do então 1o. Conselho de Contribuintes, de ementas e decisões a seguir transcritas. Acórdão 10421.835 DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO MANUTENÇÃO DA GLOSA A dedução de despesas médicas está sujeita a comprovação, por parte do contribuinte, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea. DEDUÇÃO DEPENDENTES DIREITO DO DETENTOR JUDICIAL DA GUARDA MANUTENÇÃO DA GLOSA No caso de filhos de pais separados, o direito à dedução a título de “dependentes” está resguardado, tão somente, ao detentor da guarda judicial do filho ao qual está relacionado o pleito. JUROS DE MORA TAXA SELIC INCIDÊNCIA A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula nº 4, do Primeiro Conselho de Contribuintes). MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE Aplicarseá a multa de ofício, em um percentual de 75%, sempre que o lançamento for realizado de ofício, salvo as hipóteses de multa qualificada. MULTA QUALIFICADA APLICABILIDADE Aplicarseá a multa qualificada, em um percentual de 150%, sempre que ficar evidenciado o intuito de fraude, com a conseqüente redução do montante do imposto devido. MULTA AGRAVADA APLICABILIDADE Aplicarseá a multa agravada, em um percentual de 112,5% (no caso de multa de ofício) e 225% (no caso de multa qualificada), sempre que o Fl. 9256DF CARF MF Processo nº 16004.001053/200994 Acórdão n.º 9202005.748 CSRFT2 Fl. 9.257 4 contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação do Fisco para prestar esclarecimentos. Recurso negado. Decisão: por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Acórdão 10422.117 IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES EM EXTRATOS BANCÁRIOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. DEPÓSITOS BANCÁRIOS OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITO IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00 LIMITE DE R$ 80.000,00 Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, somente não será considerado o crédito de origem não comprovada de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, se o seu somatório não ultrapassar o valor de R$ 80.000,00, dentro do anocalendário. Quando se tratar de conta conjunta, o limite anual de R$ 80.000,00 é dirigido a cada um dos titulares. IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CONTA CONJUNTA Em caso de conta conjunta é obrigatória a intimação de todos os correntistas para informarem a origem e a titularidade dos depósitos bancários. Impossibilidade de atribuir, de ofício, os valores como sendo renda exclusiva de um dos correntistas. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Depósitos bancários de origem não comprovada, objeto do mesmo lançamento e nos mesmos períodos em que foi apurado acréscimo patrimonial a descoberto, são disponibilidades que devem ser considerados como origem de recursos na apuração da variação patrimonial. MULTA DE OFÍCIO AGRAVAMENTO NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO A falta de atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, à intimação formulada pela Fl. 9257DF CARF MF Processo nº 16004.001053/200994 Acórdão n.º 9202005.748 CSRFT2 Fl. 9.258 5 autoridade lançadora para prestar esclarecimentos, autoriza o agravamento da multa de lançamento de ofício, desde que a irregularidade apurada seja decorrente de matéria questionada na referida intimação, nos termos do artigo 44, parágrafo 2º, da Lei nº 9.430, de 1996. Recurso parcialmente provido. Decisão: por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo dos depósitos bancários a parte referente à conta conjunta e excluir da exigência o item relativo ao acréscimo patrimonial a descoberto, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda: a) O art. 44, § 2o., inciso I, da Lei no. 9.430, de 1996, determina, expressamente, que o atendimento às intimações enviadas pela autoridade fiscal devem ser atendidas tempestivamente. Não fixa condições outras. Apenas que o contribuinte responda às intimações, no prazo nelas fixado, sob pena de agravamento da multa de ofício a ele imputada; b) O objetivo da norma ao instituir a necessidade de cumprimento do prazo marcado, sem dúvida alguma, era não permitir que o contribuinte protelasse, por tempo indeterminado, o atendimento às intimações emitidas pelo Fisco. Caso contrário, poderia ele, simplesmente, apresentar resposta em quinze, vinte ou trinta dias após o termo final do prazo estipulado pelo Auditor Fiscal para apresentar a documentação ou prestar esclarecimentos, por exemplo, e nenhuma penalidade lhe poderia ser imputada. Isso deixaria, em verdade, a critério do próprio sujeito passivo, na ocasião em que fosse de sua conveniência, o momento oportuno de apresentar a resposta para a solicitação feita; c) Por certo, devese privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis. Em consonância com essa sistemática, observase que o dispositivo legal acima transcrito consigna, de forma categórica, como requisito a ser observado pelo sujeito passivo, a fim de não ser penalizado de maneira mais gravosa, não só a resposta a todas as intimações, mas também que essa resposta seja efetuada dentro do prazo marcado. Não se trata de interpretação extensiva ou conclusão a que se chega da análise de outras circunstâncias que não a letra fria da lei. Tratase, pois, de disposição expressa e literal que exige, como critério essencial ao não agravamento da multa de ofício, a tempestividade da manifestação do contribuinte; d) Neste diapasão, diferentemente da conclusão a que chegou a Câmara a quo, no sentido de que não cabe o agravamento da multa em decorrência da inobservância do prazo, constatase que a lei exige o cumprimento do prazo. Entender o dispositivo legal de forma contrária, certamente equivaleria a lhe negar vigência. Assim, merece reforma o Acórdão recorrido, neste ponto, pois caso o legislador pretendesse agravar a penalidade aplicada somente nas hipóteses de não atendimento à intimação, não teria elegido também como requisito que o cumprimento do referido ato se desse de forma tempestiva. Fl. 9258DF CARF MF Processo nº 16004.001053/200994 Acórdão n.º 9202005.748 CSRFT2 Fl. 9.259 6 Assim, requer a União (Fazenda Nacional) seja conhecido o presente recurso e, no mérito, sejalhe dado provimento para que, reformando a decisão recorrida, seja restabelecido o agravamento da multa. Encaminhados os autos ao autuado para fins de ciência, ocorrida em 28/03/2016 (efl. 9.248), este quedou inerte quanto à apresentação de contrarrazões e/ou Recurso Especial de sua iniciativa. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma consistente e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Passo, assim, à análise de mérito. Em análise, o art. 44, § 2o., inciso I, da Lei no. 9.430, de 1996, em sua redação vigente à época do lançamento, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o. O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 9259DF CARF MF Processo nº 16004.001053/200994 Acórdão n.º 9202005.748 CSRFT2 Fl. 9.260 7 I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o. Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Como já tive oportunidade de me manifestar em outros feitos no âmbito deste CARF, entendo, com a devida vênia a posicionamentos diversos (que vinculam a caracterização do agravamento à existência ou não de possibilidade de obtenção pela Fiscalização dos elementos de interesse objeto de intimação e/ou à existência de prejuízo à referida Fiscalização), que a correta aplicação do dispositivo acima é no sentido de que sempre que restar comprovado o nãoatendimento de intimações por parte do contribuinte, uma vez realizadas as citadas intimações consoante o permissivo legal para tal, de se aplicar a multa agravada de 112,5%. Entendo que a intenção do legislador, ao editar o referido dispositivo, foi o de reforçar o poder da autoridade fiscalizadora, no sentido de evitar que intimações sejam simplesmente "ignoradas", violandose, assim, o dever de colaboração do contribuinte para com o Fisco, sem que tal fato conduzisse a sanção. Em meu entendimento, independe a referida sanção do fato da Fiscalização, anteriormente ou posteriormente à prática da conduta expressamente descrita no dispositivo acima (no caso, em seu §2o., I , não prestar esclarecimentos no prazo marcado pela intimação), ter acesso aos elementos de interesse, seja por meios próprios, através de instrumentos alternativos instituídos pelo legislador tributário (tais como o RMF), seja por posterior entrega voluntária do contribuinte. Ou seja, entendo que uma vez caracterizada, no curso da ação fiscal, a conduta prevista pelo dispositivo, de não prestação de esclarecimentos no prazo hábil, de se aplicar a penalidade. Assim, portanto, alinhome à interpretação propugnada pela recorrente e pelos paradigmas colacionados aos autos. Fl. 9260DF CARF MF Processo nº 16004.001053/200994 Acórdão n.º 9202005.748 CSRFT2 Fl. 9.261 8 Enxergo mesmo, no dispositivo tributário em comento, semelhanças com a formulação comumente empregada pelo legislador penal para a definição de tipos omissivos próprios, onde a prática da conduta (por definição, necessariamente volitiva) leva imediatamente à cominação de sanção, de forma que também é de se admitir, in casu, o afastamento da aplicação da referida penalidade tributária, caso se vislumbre ocorrência de motivo de força maior (com o consequente afastamento da conduta), afastandose, nesta hipótese, a caracterização de omissão na prestação de esclarecimentos dentro do prazo. Feita tal digressão, verifico, ao compulsar os autos, que, no caso em questão, o conjunto de intimações e respostas da contribuinte pode ser assim resumida: Termo Teor do Termo Ciência do Contribuinte Resposta 1. Termo de Início de Procedimento Fiscal (efls. 1.472/1.474) Solicitação de documentação referente à atividade rural, rendimentos tributáveis e outros elementos relacionados à Declaração do Sujeito Passivo. 31/01/2008 (efl. 1.474) efls. 1.475/1.476 e seus anexos, de 20/02/2008 e efls. 1.498/1.499 e anexos, em 11/03/2008, efl. 3.180 e anexos, de 10/04/2008 2. Termo de Intimação 010 (efls. 8.219 a 8.230) Comprovação, mediante documentação hábil e idônea, de valores creditados em contas corrente do contribuinte. 04/07/2008 (efl. 8.231) efls. 8.232 (solicita prorrogação de 30 dias, em 23/07/2008); Resposta de efls. 8.234 a 8.248. 3. Termo de Intimação 011 (efls. 8.249 a 8.256) Comprovação, mediante hábil e idônea, de valores creditados em contas corrente do contribuinte. 23/07/2008 (efl. 8.257) efls. 8.258 a 8.272. 4. Termo de Intimação e Constatação Fiscal 047 (efls. 8.279 a 8.409) Comprovação, mediante hábil e idônea de valores creditados em contas corrente do contribuinte e de outros recebimentos. 02/07/2009 (efl. 8.410) efls. 8.411 (solicita prorrogação de 60 dias, em 23/07/2009) 5. Termo de Intimação e Constatação Fiscal 048 (efls. 8.412 a 8.414) Solicita documentação adicional referente aos LivrosCaixa da Atividade Rural anteriormente entregues. 29/07/2009 (efl. 8.415) efl. 8.416 (solicita prorrogação de 30 dias, em 01/09/2009) Termo Teor do Termo Ciência do Contribuinte Resposta 6. Termo de Intimação e Constatação Fiscal Reintimação dos Termos de nos, 047 e 048. 01/09/2009 (efl. 8.419) efl. 8.420 (solicita prorrogação de 60 Fl. 9261DF CARF MF Processo nº 16004.001053/200994 Acórdão n.º 9202005.748 CSRFT2 Fl. 9.262 9 049 (efls. 8.417 a 8.418) dias, em 14/09/2009); 7. Termo de Constatação e Devolução de Documentos 050 (e fls. 8.431/ 8.432 e anexos) Devolução de documentos alegadamente necessários ao cumprimento de intimação anterior, sendo que a maior parte destes já havia sido devolvida em 11/2008. 09/09/2009 (efl. 8.437) N/A 8. Termo de Devolução de Documentos 051 (efl. 8.438) Devolução de documentos alegadamente necessários ao cumprimento de intimação. 24/09/2009 (efl. 8.438) Contribuinte solicita nova liberação de documentos para cumprimento de intimação (efls. 8.496 e 8.497) 9. Termo de Constatação, Intimação e Reintimação Fiscal 052 (efls. 8.439 a 8.494) Reintimação dos Termos de nos. 047, 048 e 049, além de outras pendências. 16/11/2009 (efl. 8.495) N/A 10. Termo de Constatação e Devolução de Documentos 053 (efl. 8.499 a 8.819) Devolução de documentos alegadamente necessários ao cumprimento da intimação e constatação de que alguns elementos se encontravam junto à Polícia Federal 13/11/2009 (efl. 8.506) N/A 11. Termo de Constatação e Reintimação Fiscal 054 (efls. 8.820/8.821) Reintimação dos Termos de nos. 047, 048, 049 e 052. 07/12/2009 (efl. 8.822) Sem resposta O iter de intimações e respostas acima pode ser encontrado, de forma muito bem resumida no Relatório de Ação Fiscal, às efls. 9081 a 9084, verbis: "(...) 11.2 DAS INTIMAÇÕES E DILIGÊNCIAS REALIZADAS E OUTROS PROCEDIMENTOS Fl. 9262DF CARF MF Processo nº 16004.001053/200994 Acórdão n.º 9202005.748 CSRFT2 Fl. 9.263 10 Neste tópico vamos mencionar apenas os procedimentos realizados por esta fiscalização que se referem As verificações pertinentes aos anoscalendário de 2004 a 2006. Em 31/01/2008, por meio do TERMO DE INÍCIO DA AÇÃO FISCAL foi solicitado ao fiscalizado que apresentasse, entre outros, o Livro Caixa da Atividade Rural relativo aos anos calendário 2004 a 2006. Em 20/02/2008, o mesmo apresentou documentos, alegou que houve extravio dos Livros Caixa e solicitou prorrogação de prazo por mais 20 (vinte) dias para apresentálos, os quais foram concedidos por esta fiscalização, fls. 1239 a 1261. Em 11/03/2008, o fiscalizado apresentou outros documentos, fls. 1262 a 2936, solicitou prorrogação de prazo e respondeu o item mencionado acima, conforme abaixo: "2.5 — Os livros caixa da atividade rural não foram encontrados. Foi necessária a confecção de relatórios que possibilitem a identificação dos valores de saídas e entradas. Com relação a 2003, foram relacionadas todas as vendas e todas as compras realizadas no ano, porém parte da documentação comprobatória encontrase extraviada, não podendo ser apresentada neste ato, podendo inclusive estar de posse da própria fiscalização federal, por conta da apreensão realizada no dia 05 de outubro de 2007. As vendas poderão ser comprovadas através dos talões de notas fiscais apreendidos pela Policia Federal em operação realizada no dia 05 de outubro de 2006. Com relação a 2004, foram relacionadas as saídas e as entradas, sendo que os créditos em sua grande maioria eram feitos em conta corrente e podem ser comprovados pelos extratos bancários apreendidos pela receita federal em operação realizada no dia 05 de outubro de 2007 nas dependências da empresa Indústrias Reunidas CMA Ltda., onde se encontrava a documentação. Quanto a documentação relativa as despesas, estou anexando neste ato. Quanto aos anos de 2005 e 2006, estão sendo providenciados, porem solicito mais 30 dias para atendimento." A prorrogação de 30 (trinta) dias solicitada pelo fiscalizado foi concedida na mesma data. Em 10/04/2008, o fiscalizado apresentou os relatórios de receitas e despesas da atividade rural relativos aos anoscalendário 2005 e 2006, nos mesmos moldes dos apresentados para o anocalendário 2004, anexando documentos relativos às despesas rurais do período, fls. 2937 a 7950. Por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 10 de 02/07/2008, com ciência em 04/07/2008, fls. 7951 a 7963, doravante TERMO N° 10, e do Termo de Intimação Fiscal n° 11 de 16/07/2008, com ciência em 23/07/2008, 7981 a 7989, doravante TERMO N° 11, intimamos o fiscalizado a comprovar a origem dos créditos em suas contas bancárias nos anoscalendário 2004 e 2005. Fl. 9263DF CARF MF Processo nº 16004.001053/200994 Acórdão n.º 9202005.748 CSRFT2 Fl. 9.264 11 Em 23/07/2008, o fiscalizado solicitou prorrogação de prazo de 60 (sessenta) dias para atendimento do TERMO N° 10, fls. 7964 e 7965. Na mesma data, foram concedidos 20 (vinte) dias. Em 12/08/2008, o fiscalizado apresentou resposta para os TERMOS N° 10 e 11, fls. 7966 a 7980 e 7990 a 8003, comprovando a origem de apenas parte dos depósitos em suas contas correntes, alegando não poder identificar os demais em virtude das apreensões de documentos efetuadas pela Policia Federal e pela Receita Federal em 05/10/2006 e 05/10/2007 em virtude da Operação Grandes Lagos. (grifei) Em virtude das alegações do fiscalizado de apreensão de documentos, por meio do Termo de Devolução de Documentos de 07/11/2008, com ciência em 08/11/2008, fls. 8004 a 8007, efetuamos a DEVOLUÇÃO ao mesmo de diversos documentos a ele relacionados que pudessem ser úteis para o atendimento às intimações, os quais foram retidos pela Receita Federal por meio do Termo de Deslacração e Retenção de Livros e Documentos lavrado em 23/10/2007 junto à empresa ORGANIZAÇÃO CONTABIL UNIÃO LTDA, fls. 1092 a 1095, e do Termo de Retenção de Documentos lavrado em 25/10/2007 junto à empresa CM4 PARTICIPAÇÕES LTDA, 1109 e 1110, os quais foram decorrentes da apreensão de documentos efetuada em 05/10/2007 pela Receita Federal juntamente com a Policia Federal em cumprimento ao Mandado de Busca e Apreensão juntado As folhas 1081 a 1088 e 1101 a 1106. Constatamos também que não existem documentos relativos à pessoa do fiscalizado na Fazenda Estadual. Após efetuada esta devolução de documentos, o fiscalizado passou a não mais se manifestar sobre quaisquer dos elementos solicitados por esta fiscalização, limitandose apenas a solicitar prorrogações de prazo e não responder a nenhum dos quesitos formulados.(grifei) Por meio do Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 47 de 30/06/2009, com ciência em 02/07/2009, fls. 8010 a 8141, doravante TERMO N°47, intimamos o fiscalizado a comprovar a origem e/ou as operações que resultaram em diversos valores depositados em suas contas bancárias e de seus dependentes SONIA (esta consta como dependente do fiscalizado somente nos anoscalendário 2005 e 2006) e RAFAEL. Em 23/07/2009, o fiscalizado solicitou prorrogação de prazo de 60 (sessenta) dias para atendimento do TERMO N° 47, fl. 8142. Na mesma data, concedemos prorrogação de prazo até o dia 12/08/2009, porém o fiscalizado não se manifestou. Por meio do Termo de Constatação e Intimação Fiscal n° 48 de 28/07/2009, com ciência em 29/07/2009, fls. 8143 a 8146, doravante TERMO N° 48, constatamos diversas deficiências nos relatórios de receitas e despesas da atividade rural do fiscalizado e nos documentos relativos a essas despesas rurais dos anoscalendário 2004 a 2006, os quais foram apresentados pelo mesmo em substituição aos Livros Caixa da Atividade Fl. 9264DF CARF MF Processo nº 16004.001053/200994 Acórdão n.º 9202005.748 CSRFT2 Fl. 9.265 12 Rural solicitados no item 2.5 do TERMO DE INÍCIO DA AÇÃO FISCAL de 31/01/2008. Por meio do mesmo TERMO N° 48, efetuamos a devolução ao fiscalizado dos relatórios e documentos apresentados pelo mesmo relativos a sua atividade rural dos anoscalendário 2004 a 2006, e o intimamos a refazer e/ou apresentar os respectivos Livros Caixa e apresentar toda a documentação hábil e idônea que comprovasse a veracidade e a natureza das despesas escrituradas nos mesmos Livros Caixa, em virtude das deficiências constatadas. Também alertamos o fiscalizado que a escrituração dos Livros Caixa da Atividade Rural devem obedecer ao disposto na Instrução Normativa SRF n° 83, de 11 de outubro de 2001, e que esta fiscalização manteve cópia de todos os documentos que foram devolvidos. Por meio do Termo de Constatação e Reintimagão Fiscal n° 49 de 27/08/2009, com ciência em 01/09/2009, fls. 8148 a 8150, doravante TERMO N°49, reintimamos o fiscalizado a cumprir o solicitado nos TERMOS N° 47 e 48. Por meio do mesmo TERMO N° 49, alertamos o fiscalizado de que a não comprovação da origem e/ou operações que deram causa ao recebimento dos valores constantes do TERMO N° 47 resultaria na consideração por esta fiscalização de que tais valores são rendimentos tributáveis omitidos pelo fiscalizado. Alertamos também que se o fiscalizado não cumprir o solicitado no TERMO N° 48, relativo à sua atividade rural, resultaria na glosa de todas as despesas dessa atividade que não tivessem a respectiva identificação do fornecedor e/ou não tivessem sua natureza comprovada, conforme constatado no próprio TERMO N° 48. Em 02/09/2009, o fiscalizado apresentou requerimento, fls. 8152 a 8161, por meio do qual o mesmo solicitou a disponibilização de diversos documentos nele mencionados que foram retidos pela Receita Federal por meio do Termo de Deslacração e Retenção de Livros e Documentos lavrado em 23/10/2007 acima citado, com vista a cumprir o solicitado no TERMO N° 48, o qual já estava com o prazo esgotado, sendo que os elementos por meio dele solicitados já haviam sido reintimados por meio do TERMO N° 49. Por meio do Termo de Constatação e Disponibilização de Documentos n° 50 de 03/09/2009, com ciência em 09/09/2009, fls. 8162 a 8168, doravante TERMO N° 50, informamos o fiscalizado de que parte dos documentos solicitados no requerimento mencionado no parágrafo anterior encontravase disponível para retirada, e que os demais documentos solicitados já haviam sido devolvidos ao mesmo por meio do Termo de Devolução de Documentos de 07/11/2008, acima mencionado. Em 03/09/2009, o fiscalizado solicitou prorrogação de prazo de 30 (trinta) dias para atendimento do TERMO N° 48, fl. 8147. Fl. 9265DF CARF MF Processo nº 16004.001053/200994 Acórdão n.º 9202005.748 CSRFT2 Fl. 9.266 13 Na mesma data, indeferimos a solicitação pelo fato de o mesmo já ter sido reintimado por meio do TERMO N° 49. Em 14/09/2009, o fiscalizado, por meio de procurador, solicitou prorrogação de prazo de 60 (sessenta) dias para atendimento do TERMO N° 49, fl. 8151. Na mesma data, por meio do Termo de Devolução de Documentos n° 51, fl. 8169, efetuamos a devolução ao mesmo procurador dos documentos solicitados pelo fiscalizado no requerimento apresentado em 02/09/2009, os quais se encontravam disponíveis para retirada, e concedemos prorrogação de prazo para atendimento do TERMO N° 49 até o dia 30/09/2009, porém o fiscalizado não se manifestou. Em 04/11/2009, o fiscalizado apresentou outro requerimento, fl. 8226 a 8228, por meio do qual o mesmo solicitou a disponibilização de talonários de notas fiscais de produtor relativos a diversas propriedades do mesmo, os quais foram apreendidos por meio de Auto Circunstanciado de Busca e Apreensão lavrado pela Policia Federal em 05/10/2006. Verificamos que tais documentos solicitados não se encontram nesta Delegacia da Receita Federal do Brasil e informamos tal fato ao fiscalizado por meio do Termo de Constatação e Devolução de Documentos n° 53 de 11/11/2009, com ciência em 13/11/2009, fls. 8229 a 8546, doravante TERMO N° 53. Por meio do mesmo TERMO N° 53, efetuamos a devolução ao fiscalizado de outros documentos pertinentes a sua atividade rural que poderiam ser úteis ao mesmo para cumprir o solicitado nas intimações desta fiscalização, e o alertamos de que esta fiscalização manteve cópia de tais documentos. Por meio do Termo de Constatação, Intimação e Reintimação Fiscal n° 52 de 09/11/2009, com ciência em 16/11/2009, fls. 8170 a 8225, doravante TERMO N° 52, intimamos o fiscalizado a se manifestar sobre outros fatos constatados por esta fiscalização e o reintimamos a cumprir o solicitado nos TERMOS N° 47, 48 e 49. Também alertamos o fiscalizado que o não atendimento do solicitado neste TERMO N° 52 o sujeitaria a lançamento de oficio. Por meio do Termo de Constatação e Reintimação Fiscal n° 54 de 02/12/2009, com ciência em 07/12/2009, fls. 8547 a 8549, doravante TERMO N° 54, reintimamos o fiscalizado a cumprir o solicitado no TERMO N° 52. Por meio do mesmo Termo, alertamos novamente o fiscalizado que o não atendimento do solicitado o sujeitaria a lançamento de oficio. Porém o fiscalizado não se manifestou até a presente data. (grifei) (...)" Feita tal digressão, verifico, através da detalhada descrição constante do Relatório Fiscal supra e, ainda, ao compulsar os autos, que, no caso em questão, ficou devidamente caracterizada a não prestação de esclarecimentos por parte do autuado, sem que se possa cogitar de força maior. O autuado notadamente quedou inerte quanto ao fornecimento de Fl. 9266DF CARF MF Processo nº 16004.001053/200994 Acórdão n.º 9202005.748 CSRFT2 Fl. 9.267 14 quaisquer esclarecimentos ou justificativas plausíveis para o não atendimento de diversos itens dos termos de nos. 047 (efls. 8.279 a 8.409), 048 (efls. 8.412 a 8.414), 049 (efls. 8.417/8.418), 052 (efls. 8.439 a 8.494) e 054 (efls. 8.820/8.821), caracterizada, destarte, a prática da conduta determinada pelo art. 44, §2o., I da Lei no. 9.430, de 1996. Incabível ainda, em meu entendimento, que se tente cogitar da ocorrência de força maior, uma vez que, mesmo quando da pronta devolução de documentos solicitados pela autoridade lançadora, o autuado continuou a não prestar qualquer esclarecimento adicional quanto aos termos supra, tendo, assim, em meu entendimento violado de forma cabal o dever de colaboração para com o Fisco, protegido pelo referido art. 44, §2o., I, da Lei no. 9.430, de 1996. Assim, de se manter o agravamento da multa no patamar de 112,5%. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a fim de que seja restabelecido o agravamento da multa lançada de 75% ao percentual de 112,5%. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 9267DF CARF MF
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Numero do processo: 15578.000763/2009-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
No Processo Administrativo Fiscal (PAF), aprecia-se a legalidade ou não do despacho decisório, sendo vedado ao órgão julgador trazer nova fundamentação legal que não constava do despacho original. Deve-se anular a decisão da primeira instância para a realização de novo julgamento adstrita aos fundamentos trazidos no despacho decisório que decidiu pela homologação parcial do pedido de compensação.
Recurso voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3201-003.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão da primeira instância e a realização de novo julgamento adstrito aos fundamentos constantes no despacho decisório.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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FUNDAMENTAÇÃO. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. No Processo Administrativo Fiscal (PAF), apreciase a legalidade ou não do despacho decisório, sendo vedado ao órgão julgador trazer nova fundamentação legal que não constava do despacho original. Devese anular a decisão da primeira instância para a realização de novo julgamento adstrita aos fundamentos trazidos no despacho decisório que decidiu pela homologação parcial do pedido de compensação. Recurso voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão da primeira instância e a realização de novo julgamento adstrito aos fundamentos constantes no despacho decisório. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 07 63 /2 00 9- 30 Fl. 2607DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. "Tratase de reconhecimento de direito creditório de COFINS decorrente do regime de nãocumulatividade, no período de 01/10/04 a 31/12/04, no valor de R$8.756.079,06 (fl. 03), para fins de compensação. A autoridade fiscal decidiu (fl. 231) homologar parcialmente as compensações efetuadas, porque entendeu que a contribuinte não possuía o direito creditório no montante declarado. Reconheceu, no entanto, o valor de R$3.539.965,47, argumentando por meio do Parecer SEORT/DRF/VIT/ES nº 2.971/09 (fls. 211 e ss), em resumo, que: 1. a requerente tem por objeto social o comércio atacadista de café, comércio atacadista de algodão em pluma, fabricação de óleos vegetais e fiação de fibras de algodão, todas atividades com vendas no mercado interno e no mercado externo; 2. em razão da atividade desenvolvida e tendo em vista a apuração do IRPJ com base no lucro real no ano calendário 2004, neste ano ficou sujeita ao regime de incidência nãocumulativa da contribuição em questão; 3. a contribuinte informou despesas (manutenção e reparos) não passíveis de aproveitamento de crédito, visto que não se enquadraram na definição de insumos esboçada pela legislação tributária, e em outras situações, não discriminou os serviços 4. as vendas de mercadorias realizadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento não são tributadas, portanto, não fazem jus ao crédito; 5. há compras de mais de 200 diferentes fornecedores, porém uma amostragem de mais de 80% das compras de café acabou por definir análise da situação dos 45 maiores fornecedores, 13 são cooperativas, 1 é empresa do poder público, restando 31 fornecedores; 6. aproximadamente 84% destes fornecedores analisados, enquadramse como pessoas jurídicas que se declararam à Receita Federal do Brasil em situação de inatividade, ou simplesmente estão omissas perante o órgão, outras ainda, quando prestaram tais informações, o fizeram de maneira irregular, eis que a receita declarada é totalmente incompatível com o valor das vendas realizadas, isto considerando apenas as operações mercantis com a requerente; 7. registrase que as compras de café de cooperativas foram desconsideradas do cálculo por possuírem tratamento diferenciado no que tange a apuração das contribuições nãocumulativas; 8. se tomados os valores de aquisição que foram declarados, das empresas analisadas, o percentual de aquisições que, em tese, sofreu a incidência da contribuição na etapa anterior é de impressionantes 13,73%, sublinhando que o levantamento se contentou em esquadrinhar apenas os valores declarados, independentemente do efetivo recolhimento de tais exações; 9. no caso examinado, há presunção de que a abertura destas "pessoas jurídicas" era Fl. 2608DF CARF MF Processo nº 15578.000763/200930 Acórdão n.º 3201003.034 S3C2T1 Fl. 3 3 meramente casuística, indicando objetivos escusos, bastando verificar que aproximadamente 33% (trinta e três inteiros percentuais) destas "sociedades" analisadas iniciaram suas "operações" após 09/2002, quando foi publicada a Medida Provisória n° 66/2002, que instituiu a nãocumulatividade para a contribuição para o PIS/Pasep, o que reforça ainda mais as suspeitas; 10. assim, o que se verifica deste quadro é que, a bem da verdade, estas "pseudopessoas jurídicas" são apenas figuras formais, longa manus de pessoas inescrupulosas, que as utilizam em suas práticas ilegais, onde funcionam como intermediárias, com o único propósito de "fabricar" créditos da nãocumulatividade para as contribuições em comento; 11. não se está afirmando que a requerente agiu em conluio ou mesmo que tivesse conhecimento de tal situação, ao passo que não houve investigação neste sentido e não há prova que aponte tal realidade, pois não é este o escopo deste trabalho; 12. nesse contexto, a ausência de provas que unam a requerente aos seus fornecedores gera uma presunção de boafé em seu favor, todavia, em que pese tal circunstância, pressuposta inocência não pode lhe garantir o cômputo normal de tais créditos, justamente porque também foi vítima do procedimento ilegal; 13. não se concebe que a adquirente, neste ato requerente do crédito, possa transferir o seu pretenso prejuízo ao Estado, sob pena de se admitir a distribuição por toda a sociedade de um ônus individual; 14. nesta peça opinativa não se questiona a existência das operações de venda, mas sim, a inclusão das compras em debate no cálculo dos créditos a descontar dos valores devidos a título de PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, haja vista que sendo Fisco e contribuinte vítimas de um mesmo golpe, não é possível a socialização do prejuízo sofrido pelo adquirente, exigindose que o Estado arque com um prejuízo dobrado, qual seja, além de nada receber ainda ter de ressarcir aquilo que deveria ter sido recolhido e não foi, ainda que o adquirente tenha agido de boafé; 15. com estes fundamentos foi providenciado o reenquadramento dessas compras, consideradas irregulares pela presente fiscalização, para aquisições de pessoas físicas garantindose o direito ao crédito presumido, de acordo com a planilha de apuração das contribuições nãocumulativas; 16. o sujeito passivo apurou créditos referentes a embalagens adquiridas, de acordo com o DACON/Demonstrativo Analítico de apuração da contribuição, referidas aquisições estão enquadradas nos CFOP de n°s 1920 e 2920, os quais se referem à entrada de sacaria e vasilhame; 17. foram desconsideradas as entradas de mercadorias sob os CFOP de n°s 1122, 2122, 1125 e 2125, visto que referidas aquisições foram contempladas no item Compras Terceiros PJ, conforme declaração do próprio contribuinte às fls. 71/72; 18. verificase, pelo somatório da documentação apresentada, que o contribuinte não logrou êxito em confirmar as despesas de aluguel informadas, razão pela qual essa diferença foi desconsiderada para fins de apuração dos créditos a descontar; 19. o contribuinte ofereceu à base de cálculo dos créditos despesas de condomínio, mas não há previsão no texto legal para a inclusão desta despesa no âmbito da despesa de Fl. 2609DF CARF MF 4 aluguel, visto que possuem naturezas jurídicas distintas, desta forma, despesas de condomínio não foram consideradas como créditos passíveis de aproveitamento, tendo sido glosadas pela fiscalização; 20. foi excluído do computo da base de cálculo do estoque de abertura o item estoque de almoxarifado, porque não pode ser enquadrado na definição de insumo; 21. procedeu se, então, à utilização dos créditos na dedução do débito da contribuição apurado no mês, além dos créditos vinculados ao mercado interno, consumiramse, também, créditos atrelados ao mercado externo, de sorte que restou saldo credor, a ser utilizado nas compensações de outros tributos ao final do 4º Trimestre de 2004 no montante de R$3.539.965,47. Cientificada da Decisão (fl. 249), em 09/03/10, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 270 e seguintes), em 07/04/10, onde alegou, em resumo, que: 1. o Parecer DRF/VIT/SEORT n° 2.971/2009, ora guerreado, tem razões conexas aos Pareceres DRF/VIT/SEORT n.° 2.981/2009, mister se faz o apensamento dos autos correspondentes, com vistas a que sejam julgados simultaneamente, evitandose, destarte, decisões conflitantes acerca da mesma matéria; 2. os demonstrativos não foram encaminhados junto com o Parecer e, além disso, teve limitado seu direito a uma parcela do crédito pleiteado sem que tenham sido dados os fundamentos para a glosa, portanto, pleiteia a nulidade do processo; 3. o crédito tributário constituído, mediante a glosa parcial dos créditos da contribuição, não é exigível em sua totalidade, vez que alcançado pelo instituto da decadência; 4. as despesas pagas às pessoas jurídicas responsáveis pela manutenção e reparos de seus ativos se enquadram verdadeiramente no conceito de insumos albergado pela legislação fiscal de regência; 5. o direito ao crédito da contribuição nascerá em relação a toda e qualquer aquisição de bens e serviços, desde que: (i) tratemse de elementos sem os quais a receita de vendas não se realizaria; e, (ii) não haja vedação legal à apropriação de créditos calculados sobre tais dispêndios; 6. a Requerente esclarece que as tais despesas são registradas na conta 752.600 e referemse à utilização de serviços no beneficiamento do algodão, e que anexará notas fiscais posteriormente; 7. se o art. 3º, II da Lei n.° 10.833/03 não restringiu o direito ao crédito apenas para as hipóteses em que os serviços são aplicados ou consumidos na produção, o ato administrativo ora mencionado (IN nº 247/02 com redação dada pela IN º 358/03) não poderia criar este limite, sob pena de ofensa ao Princípio da legalidade, alçado a patamares constitucionais por força do art. 150, I da Constituição Federal; 8. nos tributos em que o ônus financeiro é transferido ao adquirente (tributos indiretos) há a obediência ao chamado Princípio Constitucional da NãoCumulatividade, pelo qual o contribuinte possui o direito de abater o tributo cobrado em etapas anteriores do que for devido em decorrência de suas próprias operações; 9. a ideia materializada nesse princípio é a de evitar o chamado efeito cascata, isto é, a incidência de tributo sobre tributo; 10. em relação aos fornecedores inidôneos, a Requerente acosta notas fiscais, comprovantes de pagamentos e de entrada de mercadorias, que comprovam as transações elencadas pelo Sr. AFRF; 11. cumpre destacar que a Lei nº 10.833/2003 não condicionou a apropriação de créditos ao Fl. 2610DF CARF MF Processo nº 15578.000763/200930 Acórdão n.º 3201003.034 S3C2T1 Fl. 4 5 pagamento do produto adquirido, mas sim a sua aquisição; 12. exigir que a Requerente tome os créditos apenas de pessoas jurídicas que estejam em dia com suas obrigações tributárias (principais e acessórias) é no mínimo paradoxal, na medida em que a Requerente não dispõe do mesmo aparato que o Fisco detém para constatar irregularidades tributárias; 13. ainda que existisse regra condicionando o crédito ao pagamento na etapa anterior, tratarseia de dispositivo absolutamente inócuo, na medida em que em virtude do sigilo fiscal (arts. 198 e 199 do CTN) não há como a Requerente constatar se seus fornecedores estão em dia com o Fisco; 14. assim, solicita o cancelamento da glosa referente às aquisições de pessoas jurídicas inidôneas; 15. o Parecer equivocouse ao glosar o crédito pleiteado pela Requerente (registrado na linha 02 da ficha 04 do DACON), na medida em que as embalagens registradas nessa linha do DACON (contabilizadas na conta 755.000) referemse àquelas consumidas na industrialização do óleo de algodão, não guardando qualquer/relação com aquelas adquiridas, sob o CFOP n°s 1.122, 2122, 1125 e 2125; 16. as demais despesas com embalagens citadas referem se às aquisições de sacaria utilizada na exportação, de café (linha 01 do DACON); 17. não há registro em duplicidade e, consequentemente, não há valores à serem glosados; 18. não há como prosperar a glosa efetuada em relação à aluguel, pois todos os dispêndios encontramse devidamente suportados por recibos e comprovantes de pagamento que à Requerente anexará posteriormente; 19. os dispêndios de condomínio compõem o valor da própria despesa de aluguel e, dessa forma, também geram direito ao crédito; 20. o item do estoque de abertura relativo ao estoque de almoxarifado possui sim vinculação ao seu processo produtivo, portanto, classificável como insumo. A Inconformada cita legislação e jurisprudência, requerendo, ao final, reconhecimento do direito de crédito e homologação das compensações efetuadas. O processo fora baixado em diligência (fl. 323) para a Unidade a quo examinar, em resumo, se há alguma repercussão, na controvérsia aqui instaurada e no crédito pleiteado, dos mesmos fatos apurados nas operações “Tempo de Colheita” e “Broca”, pedindo ainda esclarecimentos acerca de outros itens glosados. A Delegacia de origem no “Relatório Fiscal”, à fl. 331 e seguintes, responde positivamente a tal indagação, junta variados documentos, e, em síntese, justifica que: 1. a operação fiscal “TEMPO DE COLHEITA” foi deflagrada pela DRF/Vitória, em outubro de 2007, que resultou na operação BROCA parceria do Ministério Público, Polícia Federal, e Receita Federal, onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisão; 2. no rol de supostos fornecedores da contibuinte, é importante mencionar a ACÁDIA, COLÚMBIA, DO GRÃO, L&L, J.C. BINS e V. MUNALDI, hipotéticas atacadistas de café localizadas na cidade de COLATINA, norte do ES, uns dos principais alvos na “Operação Tempo de Colheita”, deflagrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória – ES; 3. a motivação da operação Tempo de Colheita foi a flagrante divergência entre as movimentações financeiras de pessoas jurídicas atacadistas – na Fl. 2611DF CARF MF 6 ordem de 3 bilhões de Reais nos anos de 2003 a 2006 – e os valores insignificantes das receitas declaradas; 4. dezenove (53%) das empresas atacadistas fiscalizadas foram criadas a partir de 2002, e passaram a ter movimentação financeira crescente e vultosa a partir do ano de 2003; 5. ao contrário dos tradicionais atacadistas, tais empresas ocupam salas pequenas e acanhadas, sem qualquer estrutura física ou logística, nem dispõem de funcionários para operar como atacadistas; 6. entre os documentos obtidos ao longo da operação “TEMPO DE COLHEITA” estão declarações de produtores rurais, maquinistas, corretores, sócios e pessoas ligadas às empresas de fachada, e, ainda, documentos relacionados a tais empresas; 7. do Ministério Público e da Polícia Federal a Fiscalização recebeu documentos fiscais e contábeis em papel e meio magnético, relativos às empresas de fachada; 8. com o objetivo de colher provas sobre o modus operandi do esquema, coletouse, durante as mencionadas operações, documentos, além de realizar diligências nas atacadistas e principais empresas exportadoras de café; 9. junto aos produtores rurais foi apurado que havia uma negociação direta, ou por meio de corretores, entre os produtores rurais e tradicionais maquinistas e empresas do ramo atacadistas, exportadoras ou indústrias, porém, nas notas fiscais apareciam como compradores pseudoatacadistas, tais como, Colúmbia, Do Grão, V. Munaldi, JC Bins, e outras; 10. os produtores rurais, via de regra, não preenchiam as notas fiscais, sendo que as mesmas eram preenchidas nos escritórios dos corretores e/ou compradores; 11. os corretores de café convergiram para firmar os pontos levantados pelos produtores rurais, especialmente, no que tange à utilização das pseudoempresas jurídicas para intermediar a venda do café do produtor para a comercial atacadista, inclusive, do pleno conhecimento da empresa, ora autuada, de tais operações; 12. os corretores afirmaram que as próprias empresas tradicionais de exportação e industrialização do café passaram a dificultar a compra com nota fiscal do produtor rural, exigindo notas em nome de pessoas jurídicas; 13. os corretores afirmaram que algumas empresas foram constituídas com a única e exclusiva finalidade de vender notas fiscais, e, ainda, que as Exportadoras/Indústrias tinham pleno conhecimento do esquema fraudulento; 14. a migração para empresas laranjas foi um movimento orquestrado, onde exportadoras e indústrias caminharam no mesmo sentido, com exigência inclusive de que as notas fiscais anotassem ficticiamente a incidência do PIS/COFINS, bem como as mesmas cautelas adotadas de consultar os cadastros fiscais no momento do recebimento do café por meio de empresas laranjas na tentativa de evitar problemas futuros; 15. restou demonstrado que a EISA não só tinha pleno conhecimento do esquema fraudulento como dele se beneficiava, apropriandose de créditos fictícios sobre notas fiscais ideologicamente falsas gerados por empresas atacadistas de fachada. Intimada do resultado da diligência (fl. 1820), em 07/06/13, a contribuinte ratificou os termos de sua Manifestação de Inconformidade, adicionando (fls. 2153 e ss), em resumo, que: 1. nenhum dos sócios, administradores ou empregados da Requerente foi investigado no âmbito do Inquérito Policial nº Fl. 2612DF CARF MF Processo nº 15578.000763/200930 Acórdão n.º 3201003.034 S3C2T1 Fl. 5 7 541/2008 DPF/ SR/ES ou denunciado nos autos do Processo Criminal n° 2008.50.05.0005383, ou em qualquer outro processo criminal oriundo das operações "Tempo de Colheita" e "Broca"; 2. ao revés, em momento algum das investigações ocorridas houve a vinculação da Requerente ao suposto sistema fraudulento; 3. assim, resta evidente a precariedade da acusação da d. autoridade fiscal de que a Requerente teria se utilizado de empresas laranjas como intermediárias fictícias na compra de café de produtores, com o intuito exclusivo de apropriação de créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS; 4. o volume de operações mantido com pessoas físicas pouco sofreu alterações com a instituição da nãocumulatividade das contribuições e previsão de direito ao crédito (anoscalendários 2002 e 2003), e com a mudança da legislação aplicável ao setor em 2012 (Lei n° 12.599/2012); 5. ainda que o nome do produtor rural, da fazenda de café e/ou da região fosse informado ao adquirente em referidas situações, como até hoje o é, este adquire o produto da empresa atacadista, que ao final é responsável pela entrega do produto em determinada quantidade, em boa qualidade e em determinado prazo e local; 6. as empresas atacadistas, comerciantes e exportadoras de café cru em grão não necessitam de estrutura física própria para operarem a não ser uma sala, onde localizado o estabelecimento comercial utilizado para a formalização da compra e venda do café, na medida em que referido produto, após adquirido, pode perfeitamente permanecer depositado em armazém geral até a ocasião da revenda; 7. em nenhum dos depoimentos constantes dos autos é feita menção à pessoa da Requerente ou de algum administrador/funcionário seu como participante do alegado esquema fraudulento; 8. em sendo inegável a boafé da Requerente, verificase a completa improcedência da glosa dos créditos apurados sobre aquisições de café cru em grão de pessoas jurídicas no 4º trimestre de 2004; 9. demonstrou a completa improcedência da glosa dos créditos originais das contribuições apurados pela Requerente sobre aquisições de café de pessoas jurídicas; 10. considerando a indiscutível boafé da empresa e nos termos do artigo 82, parágrafo único, da Lei n° 9.430/96, deve ser cancelada a glosa dos créditos levada a efeito em razão da suposta inidoneidade dos fornecedores da Requerente; 11. na remota hipótese da glosa em questão ser mantida, o que se admite apenas para fins de argumentação, há que ao mínimo se reconhecer o direito à apuração do crédito presumido de que trata a Lei n° 10.925/04, como fora inicialmente realizado pela d. autoridade fiscal; 12. ainda que não tivesse ocorrido a decadência para inovação dos fundamentos da glosa, apenas a título de argumentação, restará comprovado que a posição da 16ª Turma da DRJ/RJ1 quanto à apuração de crédito presumido de aquisições de café de produtores rurais não deve prosperar; 13. um dos requisitos para a apropriação do crédito presumido na aquisição de produto in natura consiste no fato de que o adquirente exerça a atividade agroindustrial, e a Requerente, na condição de encomendante, é considerada, para todos os fins fiscais, produtora de café e, por conseguinte, beneficiária do crédito Fl. 2613DF CARF MF 8 presumido. Reitera, “com base nos argumentos constantes da Manifestação de Inconformidade apresentada, somados aos argumentos que aqui são apresentados”, pela reforma da decisão que não homologou os pedidos de compensação, a fim de que seja reconhecido o crédito pleiteado em sua integralidade." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório. A decisão foi assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Créditos a Descontar. Incidência nãoCumulativa. Não dá direito a crédito gastos ou despesas com bens ou serviços utilizados nas atividades da Empresa, quando não corresponderem ao conceito de insumo ou a outra expressa hipótese legal. Aquisições. Nãosujeitas ao PIS. Crédito Vedado. A Partir de 01/05/04. A alteração promovida pela Lei nº 10.865, de 30 de abril 2004, na Lei nº 10.833, no sentido de vedar o direito ao crédito da não cumulatividade da Cofins, nos casos de aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, passou a produzir efeitos a partir de 01/05/04. Fraude. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderandose os negócios fraudulentos. Uso de Interposta Pessoa. Inexistência de Finalidade Comercial. Dano ao Erário. Caracterizado. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cientificada da decisão, a autuada interpôs recurso voluntário, alegando em sede preliminar que a decisão da primeira instância inovou a matéria discutida nos presentes autos, ao trazer argumentos para manutenção do lançamento resultante de diligência realizada, que trariam afirmações que a Recorrente teria participado de suposto esquema visando gerar, Fl. 2614DF CARF MF Processo nº 15578.000763/200930 Acórdão n.º 3201003.034 S3C2T1 Fl. 6 9 fraudulentamente, créditos da Contribuição ao PIS e da Cofins. No restante do recurso são repisadas as alegações já apresentadas na impugnação. Ao apreciar o recurso voluntário, a turma resolveu converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Nos termos aqui expostos, entendo que os documentos e informações constantes dos autos não são suficientes para definir com exatidão quais são os insumos glosados pela Fiscalização e quais deles o contribuinte tenta pleitear seus créditos. Assim, fazse necessário a baixa dos autos em diligência para que seja determinada com acuracidade, quais são as aquisições de bens e as despesas de serviços que foram utilizadas a título de crédito pela Recorrente, quais foram glosadas pela Fiscalização e qual a implicação destes bens e serviços no processo produtivo. Diante do exposto, buscando os esclarecimentos necessários ao prosseguimento do julgamento, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora: a) Intime a Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência de cada um dos bens e serviços que pretende aferir créditos para apuração do PIS e a COFINS não cumulativos; b) A Receita Federal, deverá elaborar relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa, indicando os motivos para tal indeferimento. Com a possibilidade, se julgar necessário, de manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. A Unidade de Origem procedeu a diligência determinada pelo CARF, elaborando relatório fiscal. Informando que a Recorrente apresentou documentos referentes à glosa de despesas de manutenção e reparos e de aquisição de embalagens. A auditoria fiscal concluiu por manter a glosa referente a despesas com manutenção e reparo, por entender, que não estariam ligados a atividade de produção da Recorrente. Quanto as aquisições de embalagem, entendeu por acatar as alegações da Recorrente e afastar a glosa referente a este item. Cientificada da diligência, a Recorrente apresentou manifestação ,concordando com o afastamento da glosa sobre as aquisições de embalagem e afirmando que as despesas de manutenção e reparo estariam vinculados a atividade da empresa e portanto, também estariam aptas a serem utilizadas como créditos na apuração das contribuições. Com estas considerações, o processo retornou ao CARF para o prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Fl. 2615DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Os recursos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Nos termos detalhados no relatório, em sede de recurso voluntário, a Recorrente alega a nulidade da decisão da primeira instância, sob o arrimo que o acórdão teria inovado nos fundamentos inicialmente citados no despacho negatório do pedido de compensação. Consultando a decisão da primeira instância é possível identificar o enfrentamento de matérias referentes a glosa de créditos, por entender que tais operação não estariam incluídas no conceito de insumo e outra discussão quanto a possibilidade de creditamento sobre operações realizadas com empresas que foram identificadas como inaptas ou inexistentes de fato. Para a segundo grupo de créditos glosados, a decisão recorrida trata de dois fundamentos para negar os créditos. O primeiro seria a inexistência de recolhimento das contribuições na etapa anterior e o segundo a existência de fraude na criação e operação de empresas declaradas inexistentes de fato ou declaradas inaptas pela receita federal. O acórdão da primeira instância adotou como fundamento da decisão, a fraude nas operações realizadas com empresas, conforme pode ser verificado no trecho abaixo, extraído no voto condutor do Acórdão da DRJ. Assim, considerando os fatos descritos, e sustentados por conjunto probatório robusto constante dos autos, é imperativo concluir que as ‘compras’ efetuadas pelo contribuinte, ora recorrente, de pessoas jurídicas artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária no contexto da nãocumulatividade do PIS/Cofins, além de simular negócios de fato inexistentes para dissimular o negócio real entre o produtor rural/pessoa física e o contribuinte, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública. A análise exposta acima leva à rejeição peremptória de eventual alegação de planejamento tributário, pois demonstra que o autuado participou da criação ou utilizou de pessoas jurídicas de existência fantasmagórica, a fim de interpor elo fictício na cadeia produtiva e, assim, escapar do pagamento de tributo de sua responsabilidade, por meio de compensação de créditos inexistentes de fato, e ainda com vultosos valores de ressarcimento em dinheiro. O trabalho fiscal, por ocasião da diligência realizada, fundouse em amplo material probatório, permitindo o exercício do direito de defesa e ao contraditório. No Relatório é comprovado detalhadamente o acerto das glosas efetuadas. Neste contexto, perderam relevância as notas fiscais e comprovantes de pagamento. Fl. 2616DF CARF MF Processo nº 15578.000763/200930 Acórdão n.º 3201003.034 S3C2T1 Fl. 7 11 Na decisão recorrida é possível identificar claramente que o enfrentamento da matéria, que nega o direito creditório da recorrente, possui como fundamento a aquisição de produtos de pessoas jurídicas, quando na verdade tratariamse de pessoas físicas. A decisão da primeira instância considerou que os dois fundamentos teriam sido enfrentados no despacho decisório, tanto a questão da ausência de recolhimento das contribuições nas etapas anteriores, bem como, a existência de aquisições de "pseudoatacadistas". Quanto ao primeiro fundamento discutido na decisão da DRJ é inequívoco a sua utilização pelo despacho decisório, que consta de forma explicita na sua conclusão, conforme se depreende do trecho abaixo do despacho decisório, exarado pela Unidade de Origem. Em resumo: . Restou demonstrado que não houve incidência econômica dos tributos na maior parte das aquisições realizadas; . A ocorrência da incidência jurídica é duvidosa, uma vez que as pessoas jurídicas que poderiam realizar o aspecto material da hipótese de incidência (faturamento), aparentam ser meros instrumentos para realização de práticas ilegais; . Sob o ponto de vista econômica, não houve qualquer oneração da cadeia produtiva em relação a tais operações; . Em não havendo tal oneração perde o sentido o dualismo cumulatividade x nãocumulatividade que justificou o escopo da alteração da legislação; . Em conclusão, não ocorrendo a indesejada cumulutividade que ensejou a mudança da sistemática da apuração das contribuições em apreço não há que se falar em saldo credor possível de ressarcimento. Quanto ao segundo fundamento, a decisão da Delegacia de Julgamento da RFB afirma existir no despacho decisório menção ao fato de existir fraude na criação e operação dos atacadistas revendedores de café, cito trecho abaixo constante da decisão da DRJ, que detalha estes argumentos. 2º argumento: Compras de “pseudoatacadistas” Se a instrução processual se encerrasse neste ponto, dificilmente poderia prosperar a glosa procedida sub examen. Porém, com a diligência veio o relatório, onde se concluiu que parte dos créditos de PIS/Cofins reivindicados nos pedidos de ressarcimento e utilizados nas declarações de compensação foi gerada através de simulação de aquisições de pessoas jurídicas, quando realmente o foi de aquisições de produtores rurais pessoas físicas. Tratase agora da hipótese já contida Parecer DRF/VIT/SEORT (fls. 247 e ss) de considerar as compras, Fl. 2617DF CARF MF 12 correspondentes aos fornecedores irregulares, transações fictícias: No caso em questão, aparentemente existiria a intermediação comercial por pessoa jurídica. Entretanto, se ditas "pessoas jurídicas" forem apenas instrumentos para práticas fraudulentas, acobertando vendas realizadas por outros sujeitos, muito provavelmente pessoas físicas, não haveria que se falar em hipótese de incidência de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos e, muito menos, em créditos da não cumulatividade como ora pretendido. Entendese que a prova colacionada aos autos no âmbito da diligência lançou nova luz sobre os créditos relativos às compras de café pela contribuinte, que foram glosados pela Autoridade Fiscal. O quadro amplo traçado a partir das Operações Broca e Tempo de Colheita milita desfavoravelmente à contribuinte no que concerne a seu alegado direito de crédito. Além disso, há elementos nos autos que não permitem simplesmente entender pela completa “isenção” do contribuinte na frustração da Receita Federal em sua legítima pretensão de caráter constitucional de amealhar recursos ao Erário. Quanto a este segundo fundamento para afastar os créditos referentes a aquisição das empresas atacadistas consideradas inidôneas, divirjo do entendimento da decisão da primeira instância. Apesar de existir a citação da existência de operações realizadas com empresas inidôneas, o despacho decisório é claro ao afirmar que matéria não esta sendo objeto de enfrentamento e discussão, conforme consta do trecho abaixo extraído do despacho decisório. 52. No caso examinado há uma presunção que a abertura destas "pessoas jurídicas" era meramente casuística, indicando objetivos escusos, bastando verificar que aproximadamente 33% (trinta e três inteiros percentuais) destas "sociedades" analisadas iniciaram suas "operações" após 09/2002 (fls. 210;219), quando foi publicada a Medida Provisória nº 66/2002 que instituiu a nãocumulatividade para a contribuição para o PIS/Pasep, o que reforça ainda mais as suspeitas. 53. Assim, o que se verifica deste quadro é que, a bem da verdade, estas "pseudopessoas jurídicas" são apenas figuras formais, longa manus de pessoas inescrupulosas que as utilizam em suas práticas ilegais, onde funcionam como intermediárias, com o único propósito de "fabricar" créditos da não cumulatividade para as contribuições em comento. 54. Deixese claro, neste interim, que não se está com isto afirmando que a requerente agiu em conluio ou mesmo que tivesse conhecimento de tal situação, ao passo que não houve nenhuma investigação neste sentido e não há prova que aponte tal realidade, pois não é este o escopo deste trabalho. De forma alguma. Até porque, se isto ocorreu ou vem ocorrendo, estar seia diante de um crime contra a ordem tributária. 55. Nesse contexto, a ausência de provas que una a requerente aos seus fornecedores gera uma presunção de boafé em seu favor. Todavia, em que pese tal circunstância, pressuposta Fl. 2618DF CARF MF Processo nº 15578.000763/200930 Acórdão n.º 3201003.034 S3C2T1 Fl. 8 13 inocência não pode lhe garantir o cômputo normal de tais créditos, justamente porque também foi vítima do procedimento ilegal. Demais disso, não se concebe que a adquirente, neste ato requerente do crédito, possa transferir o seu pretenso prejuízo ao Estado, sob pena de se admitir a distribuição por toda a sociedade de um ônus individual. 56. Frisese: nesta peça opinativa não se questiona a existência das operações de venda, mas sim, a inclusão das compras em um debate no cálculo dos créditos a descontar dos valores devidos a título de PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, haja vista que sendo Fisco e contribuinte vítimas de um mesmo golpe, não é possível a socialização do prejuízo sofrido pelo adquirente, exigindose que o Estado arque com um prejuízo dobrado, qual seja, além de nada receber ainda ter de ressarcir aquilo que deveria ter sido recolhido e não foi, ainda que o adquirente tenha agido de boafé. Neste pormenor aplicase o princípio da prevalência dos interesses públicos sobre os particulares. 57. Como se pode extrair, a situação é paradoxal porquanto a Fazenda Nacional é instada a ressarcir um direito creditório que, como contrapartida, não possui o competente recolhimento dos tributos devidos na etapa imediatamente anterior. 58. Diante do que descortinado, a plausível conclusão conduz à inadmissibilidade do pleito formulado integralmente, no que toca às ditas compras de PJ, sob pena de gerar um claro enriquecimento sem causa em detrimento dos cofres públicos, o que representaria uma cessão de interesses públicos.(grifo nosso) A leitura do despacho decisório deixa evidente que não existiu o aprofundamento da matéria referente a aquisição de empresas inidôneas, tampouco tal fato foi utilizado como fundamento para negar o creditamento das operações da Recorrente. O Processo Administrativo Fiscal tem seu desenvolvimento a partir da existência de um lançamento ou decisão fiscal, que é objeto de questionamento por parte do contribuinte, que utilizando dos instrumentos da impugnação ou da manifestação de inconformidade, define as matérias sobre a qual discorda da decisão da autoridade fiscal. A delimitação da lide, submetida a apreciação dos julgamentos administrativos, está restrita aos fundamentos e fatos arrolados no despacho decisório, delimitado pelos argumentos trazidos pelo contribuinte nos seus recursos. No caso em tela, ao meu sentir, restou claramente identificado como fundamento utilizado no despacho decisório para negar os créditos referentes a aquisição de empresas atacadistas consideradas inidôneas, o fato de não existir o recolhimento das contribuições nas etapas anteriores. Assim, entendo que existiu na decisão da primeira instância, a utilização de fundamentos que não constariam do despacho decisório, determinando que tal decisão seja cancelada para realização de um novo julgamento adstrito aos fundamentos constantes do despacho decisório. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular a decisão da primeira instância e a realização de um novo julgamento considerando unicamente os fundamentos constantes do despacho decisório. Fl. 2619DF CARF MF 14 Winderley Morais Pereira Fl. 2620DF CARF MF
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Numero do processo: 10530.904856/2011-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.971
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí o indeferimento do pedido de restituição. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 04 85 6/ 20 11 -8 2 Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 10530.904856/201182 Resolução nº 3201000.971 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Belo Horizonte/MG, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de apresentação da prova do indébito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo seu integral deferimento, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 1146DF CARF MF Processo nº 10530.904856/201182 Resolução nº 3201000.971 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 10530.904856/201182 Resolução nº 3201000.971 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 1148DF CARF MF Processo nº 10530.904856/201182 Resolução nº 3201000.971 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1149DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000333/2010-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO FISCAL. ADESÃO A PARCELAMENTO.
A inclusão de débitos fiscais em programa especial de parcelamento não impede o lançamento de oficio, quando o respectivo procedimento fiscal teve o seu início antes da iniciativa do contribuinte.
Numero da decisão: 3201-001.063
Decisão: ACORDAM os membros da 2ªCâmara/1ªTurma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, para negar ao provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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LANÇAMENTO FISCAL. ADESÃO A PARCELAMENTO. A inclusão de débitos fiscais em programa especial de parcelamento não impede o lançamento de oficio, quando o respectivo procedimento fiscal teve o seu início antes da iniciativa do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 28 Câmara / J8 Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, para negar ao provimento ao recurso voluntário. MARCOSAU ~~L:dente 1\1{b~~q~:. MARCELO; IBEIRO NOGUEIRA - Rel~ Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani (Suplente), Daniel Mariz Gudino e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Trata-se de exigência relativa à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, formalizada no auto de infração de fls. 273/280. O feito refere-se a fatos geradores ocorridos ao longo do ano-calendário de 2007 e constituiu crédito tributário no montante de R$ 622.785,55, incluídos principal, juros de mora e muIta de ofício qualificada no percentual de 150%. Conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL de fls. 264 a 272, o procedimento foi instaurado após cruzamento entre informações de receita bruta constantes da DIPJ apresentada pelo contribuinte e os valores informados à Fazenda Estadual do Estado de São Paulo por meio de GIA. Verificou-se que o ano-calendário de 2007 a fiscalizada fez constar da GIA receita bruta total de R$ 7.885.127,86, ao passo em que consignou saldo zero em todos os campos da DIPJ correspondente ao mesmo período. Em 03/02/20 10, a contribuinte foi cientificada do Termo de Início de Fiscalização (fls. 02/04) mediante o qual era intimada a apresentar documentação fiscal e contábil relativa aos anos de 2006 a 2007. Após análise dos livros contábeis e fiscais, a autoridade fiscal intimou a empresa a esclarecer o motivo pelo qual teria apresentado a DIP J do ano de 2007 com todas as fichas e quadros com saldo zerados, embora o Livro Razão estivesse escriturado e as contas de resultado do exercício apresentassem saldo diferente de zero. Relata a auditoria que a fiscalizada não lhe respondeu a citada intimação. Verificou ainda a auditoria que as DCTFs transmitidas pela pessoa jurídica em relação ao nano de 2007 foram entregues com saldos a pagar zerados. Nesse contexto, iriforma o agente do Fisco haver constituído o crédito tributário emfavor da Fazenda Nacional com os elementos de que dispunha, formalizando a exigência sobre os valores a recolher da contribuição constantes da tabela de fl. 27. Anotou ainda que a apresentação de DCTFs do ano de 2007 com saldo zero embora o Livro Razão apontasse a existência de valores de contribuição a recolher, configura conduta do contribuinte com o objetivo de omitir iriformações às autoridades fazendárias, motivando a aplicação de penalidade agravada no percentual de /""I / J50~ ~ 2 Processo n° 10932.000333/2010-51 Acórdão n.o 3201-001.064 Notificada da eXlgencia contribuinte apresentou argumentando em síntese: em 28/09/2010, em 28/10/2010 a a impugnação de fls. 286/295, S3-C2T1 FI. 987 a) a Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, resultado da conversão da Medida Provisória n° 449, de 2008, instituiu programa de Recuperação Fiscal, comumente conhecido como Refis da Crise; b) referida lei atribuiu ao contribuinte o direito de declarar, incluir e parcelar todos os débitos de tributos e contribuições federais elencados no seu artigo 1~desde que vencidos até 30 de novembro de 2008. c) o período fiscalizado, ano-calendário de 2007, está incluído na Lei n° 11.941, de 2009 e, portanto, os tributos objeto do auto de infração por ser objeto de parcelamento no âmbito do mencionado programa de recuperação fiscal; d) não cabe o argumento de que a inclusão dos débitos objeto do auto de infração foram incluídos no parcelamento quando já não havia espontaneidade por parte do contribuinte porque realizada após o início da ação fiscal; tal raciocínio afronta não só o disposto na Lei n° 11.941, de 2009, como também ofende o princípio constitucional do respeito ao direito adquirido; e) os débitos apontados pelo Fisco foram tempestivamente retificados incluídos no Programa de Parcelamento da Lei n° 11.941, de 2009, conforme comprovariam os documento que acompanham a impugnação, essa comprovação, por si só, já retira do auto de infração o lançamento atinente ao principal tido como devido, sob pena de caracterização do bis in idem. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ESPONTANEIDADE. ADESÃO A PARCELAMENTO. A confissão de créditos tributários em programa de parcelamento não tem o condão de obstaculizar o lançamento de oficio com os acréscimos legais que lhe são próprios, mormente se o procedimento fiscal levado a efeito teve o seu início antes de qualquer iniciativa por parte do contribuinte e ser o ato de lançamento obrigatório sob pena de responsabilidade funci~ 3 Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. o contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este Conselho e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira Entendo que o recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos legais, portanto, dele tomo conhecimento. A questão de mérito do presente recurso voluntário cuida da possibilidade de inclusão de débito ainda não constituído ser incluído no parcelamento previsto na Lei n0 11.941/09, quando contribuinte, à época, ainda estava sob procedimento de fiscalização. Entendo que seria possível tal inclusão, bastando para isto que o contribuinte preenche-se o Darf com o código de lançamento de oficio correspondente e no caso de parcelamento, o contribuinte escolher a modalidade de parcelamento, efetuando o pagamento das prestações até 30/11/2009 e na etapa de consolidação, desde que requerido até 30/11/2009, proceder da seguinte forma: a) se ocorrer o lançamento até o momento da consolidação, o respectivo débito deverá ser indicado, pelo sujeito passivo para inclusão na consolidação dos débitos a serem parcelados; ou b) tratando-se de ação fiscal iniciada até 30 de novembro de 2009 e não concluída até o momento da consolidação, o sujeito passivo deverá prestar, neste momento, informações relativas aos respectivos débitos, independentemente de estar ou não obrigado à entrega de declaração específica, conforme o disposto no art. 4° da Instrução Normativa n0 968/2009. Quanto à necessidade de lavratura de auto de infração, após a opção do contribuinte, me parece correto o entendimento da decisão recorrida, qual seja, de que a inclusão dos débitos no parcelamento especial não dispensa a autoridade fiscal de proceder o lançamento fiscal. Neste sentido, como bem apontou a decisão recorrida, é a jurisprudência administrativ~ e-- 4 '. Processo n° 10932.000333/2010-51 Acórdão n.o 3201-001.064 S3-C2T1 FI. 988 o antigo Conselho de Contribuinte já se manifestara sobre a legitimidade do lançamento fiscal nos casos em que, no curso da ação fiscal, o contribuinte inclui os créditos tributários em programa de parcelamento. Confira-se a ementa do Ac. nO 105-14057, de 18/03/2003, que tem o seguinte teor: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A confissão de créditos tributários em programa de parcelamento 11(70 tem o condão de obstaculizar o lançamel1/Ode ojlcio com os acréscimos legais que lhe são próprios, mormente se oprocedimento fiscal levado a efeito teve o seu início ames de qualquer iniciativa por parte do contribuinte e ser o ato de /allçameJlro obrigatório sob pena de responsabilidade funcional. No mesmo sentido é a orientação do Acórdão 108-08190, de 23/02/2005: ADESÃO AO PAES - MULTA DE OFicIO - ESPONTANEIDADE - A adesão ((O PAES jeita posteriormente ao início do procedimento fiscal, Hão impede a aplicação da multa de ojlcio em razão da perda da espontaneidade Outros acórdãos proferidos pelo Primeiro Conselho de Contribuintes confirmam o entendimento adotado: ESPONTANEiDADE - OpçÃO PELO REFlS - A confissão espontânea de débitos fiscais somente ocorre caso eles tenham sido efetivamente submetidos ~ 06. Nfl 5 •• autoridade fiscal anteriormente ao início de procedimento oficioso vi.wndo sua exigência. A simples opção pelo ingresso no Refis - Programa de Recuperação Fiscal - não caracteriza confissão espontânea" (Acórdão 108-07568, de 16//0/2003, ReI. Comi. Karem Jllreidini Dias de Mello Peixoto) ~"NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTARIO - DENÚNCIA ESPONTÂNEA, PROGRAMA REFIS • MULTA DE OFÍCIO E JUROS MORATÓRIOS ' EXIGIBILIDADE - O início de procedimento fiscal afasta a espontaneidade do contribuinte quando a medida relacionar-se às mesmas matérias, períodos e tributos só posteriormente confessados pejo sujeito passivo, aplicando-se aos créditos conslituidos a multa penal e os juros moratórios, tornando-se imediatamenteexigivel a parcela não contemplada em programa de parcelamento. Exegese dos arügos 138 e parágrafo lÍnico, do CTN; art. 7°, f r, do Decreto nO 70.235/72 e art. 6° da Resolução 11° 5 - REFIS"(Acórdão 105- 14057, de 18/03/2003, Rei. COflS. Alvaro Ban'os Barbosa Lima) ''ADESÃO AO PROGRAMA REFIS - LANÇAMENTO DE OFÍCIO - MULTA _ PARCELAS INCLUÍDAS DURANTE A Açl0 FISCAL - Tendo a contribuinte deixado de declarar o tributo devido antes do inicio do procedimel1lO de fzscalização, é correto o lançamento de oficio com a aplicação da //lulta regulamentar de 75%, sendo irrelevante o fato de a empresa ter apresentado pedido de adesão ao Programa Refis antes do início da ação fiscal, se a confissão dos débitos do programa ocorreu durante a execução dos procedimentos jiscaisl/(Acórdão 101-94402, de 16//0/2003, Rei. Cons. Paulo Roberto Cortez) I'REFIS. ESPONTANEIDADE - MULTA DE OFÍCIO - Não há o que se falar em espontaneidade, se por ocasião em que o contrihuinte declarou e/Oli confessolll1O REFIS créditos tributários, em atraso, encontrava-se sob açãofiscal" (Acórdão 101-94154, de 20103/2003, ReL Cons. Valmir Sandri) Pelo exposto, VOTO, por conhecer do recurso para negar-lhe provimento. f\ ,'\ CWCL~~~~~M»~; . MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA - r~or 6 I 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006
score : 1.0
Numero do processo: 10183.720092/2006-02
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL
A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão o ADA válido contemplando a área em litígio foi apresentado em 20/03/2001, assim, muito antes do início da ação fiscal. Destarte, é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR .
Numero da decisão: 9202-005.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, momentaneamente, a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, substituída pelo conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado em substituição à conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira), Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ME ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão o ADA válido contemplando a área em litígio foi apresentado em 20/03/2001, assim, muito antes do início da ação fiscal. Destarte, é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR . Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, momentaneamente, a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, substituída pelo conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 00 92 /2 00 6- 02 Fl. 643DF CARF MF Processo nº 10183.720092/200602 Acórdão n.º 9202005.676 CSRFT2 Fl. 644 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado em substituição à conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira), Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2102001.575, prolatado pela 2a Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 28 de setembro de 2011 (efls. 476 a 485). Ali, por unanimidade de votos, deuse parcial provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e decisão a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. GLOSA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL AO IBAMA. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 2001, a apresentação do ADA ao Ibama é obrigatória para fins de redução do valor devido a título de ITR, ou seja, para exclusão das áreas de preservação permanente. Aplicação do art. 17O da Lei nº 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/2000. ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. Cabe ao contribuinte interessado apresentar a documentação comprobatória da existência das áreas que pretende excluir da tributação pelo ITR (como é o caso da área de preservação permanente). Sem provas que atestem de forma irrefutável a existência e o alcance das referidas áreas, não há como aceitar as informações prestadas em DITR. ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. POSSIBILIDADE. O arbitramento do VTN é procedimento devidamente previsto em lei (art. 14 da Lei nº 9.393/96), e por isso devem ser utilizados os parâmetros legais lá mencionados, pelas autoridades fiscais, toda vez que o VTN declarado pelo contribuinte não for merecedor de fé. Cabe ao contribuinte a apresentação de laudo que refute os valores apurados por meio do SIPT, laudo este que deve preencher os requisitos legais mínimos para que possa ser acolhido. ITR PLANO DE MANEJO FLORESTAL COMPROVAÇÃO DE SUA EXISTÊNCIA E CUMPRIMENTO. Fl. 644DF CARF MF Processo nº 10183.720092/200602 Acórdão n.º 9202005.676 CSRFT2 Fl. 645 3 Para fins de apuração do ITR, considerase como área de exploração extrativa aquela que comprovadamente tenha um plano de manejo sustentado, e cujo cronograma esteja comprovadamente sendo cumprido ao longo do exercício a que se refere a DITR. Sem tal comprovação, não há como acolher a área de exploração extrativa declarada. Decisão: por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para restabelecer a área de 249,9 hectares como de preservação permanente. Enviados os autos à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de ciência em 13/03/2012 (efl. 487), esta apresentou, em 30/03/2012 (efl. 517), Recurso Especial (efls. 488 a 504 e anexos), com fulcro no art. 67 do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22.06.2009. O recurso contém alegações de existência de divergência interpretativa quanto à apresentação tempestiva do Ato Declaratório Ambiental (ADA), tendo sido admitido consoante exame de admissibilidade de efls. 519 a 521. Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido pela 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do Acórdão 210100.442, prolatado em 11 de março de 2007, e, ainda, em relação ao decidido pela 1a. Turma Especial do então 3o. Conselho de Contribuintes, através do Acórdão 39100.037, prolatado em 21 de outubro de 2008, de ementas e decisões a seguir transcritas: Acórdão 210100.442 IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá excluíla da base de cálculo para apuração do ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, após a vigência da Lei n° 10.165, de 27/12/2000, é imprescindível a informação em ato declaratório ambiental protocolizado no prazo legal. Recurso negado. Decisão: por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka que dava provimento parcial em relação à área de preservação permanente. Acórdão 39100.037 Fl. 645DF CARF MF Processo nº 10183.720092/200602 Acórdão n.º 9202005.676 CSRFT2 Fl. 646 4 Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. ADA INTEMPESTIVO. O contribuinte não logrou comprovar a protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA junto ao Ibama ou órgão conveniado, em razão do que restam não comprovadas as áreas declaradas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada para fins de exclusão da área tributável, nos termos da legislação aplicável. A averbação à margem da matrícula do imóvel não supre a exigência legal de apresentação tempestiva do ADA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). PRECLUSÃO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. Não caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (PAF). RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Decisão: Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso Quanto à matéria em litígio, apresentação tempestiva do ADA para fins de exclusão de área de preservação permanente da base de cálculo do ITR, se alega: a) Cita a recorrente o estabelecido no art. 10, inciso II da Lei no. 9.393, de 19 de dezembro de 1996, defendendo que o mesmo estabelece concessão de benefício fiscal e, assim, deve ser interpretado literalmente, de acordo com o art. 111 do CTN; b) Defende que, para efeito da exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da incidência do ITR, é necessário que o contribuinte comprove o reconhecimento formal específica e individualmente da área como tal, protocolizando o ADA no IBAMA ou em órgãos ambientais delegados por meio de convênio, no prazo de seis meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da declaração. Cita que tal obrigatoriedade foi respaldada pelas Instruções Normativas SRF nos. 43/97, com redação dada pela IN SRF no. 67/97, 73/2000, 60/2001 e 256/2002, Manual de Perguntas do ITR/2002 e art. 10 do Decreto no. 4.382, de 19 de setembro de 2002, bem como Solução de Consulta COSIT no. 12, de 21 de maio de 2003; c) A exigência do ADA encontrase consagrada na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 1º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000. De fato, esse diploma reitera os termos da Instrução Normativa SRF nº 43/97, no que concerne ao meio de prova disponibilizado aos contribuintes para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada, com vista à redução da incidência do ITR; d) Entende como inteiramente equivocado o entendimento, no sentido de que não existe mais a exigência de prazo para apresentação do requerimento para emissão do ADA, Fl. 646DF CARF MF Processo nº 10183.720092/200602 Acórdão n.º 9202005.676 CSRFT2 Fl. 647 5 em virtude do disposto no § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, incluído pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, uma vez que: "(...). O que não é exigido do declarante é a prévia comprovação das informações prestadas. Assim, o contribuinte preenche os dados relativos às áreas de preservação permanente e de utilização limitada, apura e recolhe o imposto devido, e apresenta a sua DITR, sem que lhe seja exigida qualquer comprovação naquele momento. No entanto, caso solicitado pela Secretaria da Receita Federal, o contribuinte deverá apresentar as provas das situações utilizadas para dispensar o pagamento do tributo." e) No caso concreto, embora regularmente intimado para tanto, o contribuinte não apresentou ADA ou o seu requerimento, protocolados tempestivamente, junto ao IBAMA, não atendendo, portanto, as exigências da legislação do ITR, razão pela qual deve ser mantida a glosa efetivada pela fiscalização das áreas de preservação permanente e reserva legal. Com efeito, conforme pontuado pelo voto condutor da decisão atacada, o ADA somente foi apresentado com data de protocolo extemporânea (20/03/2001). Relativo a exercício diverso, portanto. Atentese que o contribuinte já havia apresentado ADA relativo ao exercício de 2000 no qual, conforme reconhece a própria decisão hostilizada, não constava referida área. Cabe notar ainda que a área declarada no exercício de 2001 (3.002,8155 hectares) destoa veementemente do que foi declarado pelo autuado como sendo área preservada (249,9 hectares). Logo, evidente que o ADA de um exercício não pode ser aproveitado em relação a outros. Isto porque, como deixa evidente a situação retratada nos autos, nada obsta que o contribuinte diminua a área mantida a titulo de preservação permanente. E não se pode olvidar que foi justamente esse o intuito do legislador. Bastasse a apresentação de um ADA para que se comprovasse a existência das áreas preservadas não seria necessária a obrigatoriedade de sua renovação anual; f) Ora, sendo assim, havendo lei, estabelecendo de forma expressa, a obrigatoriedade da apresentação do ADA para fins de reconhecimento do direito à isenção em relação às áreas de utilização limitada/reserva legal não pode o julgador administrativo, apenas com base na verdade material e sem qualquer outro fundamento, desconsiderar dispositivo expresso de lei (em especial, o art. 17O, da Lei n 6.938/81) e normas regulamentares expedidas em conformidade com seu substrato de validade pela autoridade competente (Instruções Normativas da SRF). Entenderse o processo administrativo fiscal dessa forma significaria subverter o principio da legalidade em favor das disposições e caprichos dos contribuintes. Ainda mais, constituiria precedente para, também, em nome da verdade material, admitirse outras permissividades, tais como a utilização de provas ilícitas no âmbito processual tributário, ao arrepio da lei; g) Ainda que a aplicação do principio da verdade material tivesse lugar no presente feito, o que se considera apenas para fins de debate, devese assentar que sua aplicação não e absoluta, de modo que não se presta a afastar a aplicação de dispositivo legal, válido e vigente. Alem do mais, o principio da verdade material estribase no principio da legalidade, e por ele, portanto, deve ser limitado. Logo, eventual aplicação do principio da verdade material não pode ocorrer ao alvedrio da legislação, em seu detrimento, derrogando Fl. 647DF CARF MF Processo nº 10183.720092/200602 Acórdão n.º 9202005.676 CSRFT2 Fl. 648 6 suas disposições, tampouco se afastar de sua teleologia. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, da Constituição de 1988, submete a Administração ao principio da legalidade. Requer, assim, que seja conhecido o recurso, para reformar o acórdão recorrido, restabelecendose o lançamento em sua integralidade. Encaminhados os autos à autuada para fins de ciência, ocorrida em 16/04/13 (efl. 528), o contribuinte apresentou Recurso Especial de sua iniciativa de efls. 530 a 552 e anexos, o qual assim restou não admitido, consoante exame de admissibilidade de efls. 627 a 633. Não houve oferecimento de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo quanto a sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigmas e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Assim, conheço do recurso e passo à análise de mérito. Para que todos possam firmar suas convicção quanto ao mérito recursal, destaco os seguintes elementos de interesse acostados aos autos: a) Início da ação fiscal: mesmo não havendo nos autos o AR referente ao Termo de Intimação Fiscal de efls. 17/18, podese garantir, porém, que o início da ação fiscal deuse entre a lavratura do referido termo, datado de 17/04/2006, e a data de resposta a tal intimação, 04/05/2006, consoante efl. 09 do Processo 10183.720093/200649, o que é suficiente para fins do deslinde do presente processo; b) Atos Declaratórios Ambientais: b.1) ADA/2000, protocolizado em 07/11/2000, contendo 0,0 ha. a título de APP efl. 47; b.2) ADA/2000 (retificação) protocolizado em 20/03/2001, contendo 3.002,8 ha. a título de APP efl. 178; b.3) ADA/2006, protocolizado em 13/11/2006, contendo 2.541,4 ha. a título de APP efl. 49; c) Laudo anexado pela autuada efls. 141 a 150, mencionando que 8,9% da área total da propriedade seria de preservação permanente, correspondendo a 3.002,81 ha. d) Licenciamento Ambiental Estadual e Plano de Recuperação de APP degradada, datado de 2008 efls. 183 a 199. Fl. 648DF CARF MF Processo nº 10183.720092/200602 Acórdão n.º 9202005.676 CSRFT2 Fl. 649 7 Limitado o litígio assim, à possibilidade de exclusão dos 249,9 ha. a título de área de preservação permanente (consoante demonstrativo de efl. 15), acerca do tema entendo que a fruição da redução da base de cálculo do ITR (possuidora, a meu ver de natureza isentiva), seja por áreas de preservação permanente ou de interesse ecológico, encontra um de seus requisitos legais claramente estabelecido, desde 2000, a partir do disposto no art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, em especial em seu caput e parágrafo 1º, com atual redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, verbis: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)(...)o. § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (g.n.) Ou seja, mandatório para que se admita a redução da base tributável de áreas a título de Preservação Permanente ou de Interesse Ecológico que constem as mesmas de ADA entregue ao IBAMA. Tratase aqui, notese, de dispositivo legal específico, posterior à Lei no. 9.393, de 1996, restando, assim, quando da instituição de tal requisito, plenamente respeitado o princípio da Reserva Legal. Notese ser plenamente consistente a coexistência de tal obrigação com a vigência e aplicação da Lei no. 9.393, de 1996, sem qualquer tipo de antinomia. Ainda, de se rejeitar qualquer argumentação de revogação do dispositivo pelo §7° do art. 10 da Lei n.° 9.393, de 1996, instituído pela Medida Provisória n.° 2.166 67/01. O que se estabelece ali é uma desnecessidade de comprovação prévia tão somente no momento da declaração (DITR), sendo perfeitamente factível, porém, que, posteriormente, em sede de ação fiscal, sejam demandados elementos necessários à comprovação do constante na DITR do declarante e realizado o lançamento no caso de insuficientes elementos comprobatórios, a partir do expressamente disposto nos arts. 14 e 15 daquela mesma Lei no. 9.393, de 1996. Tal posicionamento encontrase muito bem detalhado no âmbito do Acórdão CSRF 9202003.620, de 04 de março de 2015, no qual funcionei como Redator ad hoc do voto vencedor em substituição ao redator do voto designado, Dr. Alexandre Naoki Nishioka, adotando assim aqui seus fundamentos a seguir como razões de decidir, verbis: "(...) Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/2000 alterouse a redação do §1° do art. 17 O da Lei n.° 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: "Art. 17O. Fl. 649DF CARF MF Processo nº 10183.720092/200602 Acórdão n.º 9202005.676 CSRFT2 Fl. 650 8 (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." Ora, de acordo com uma interpretação evolutiva do referido dispositivo legal, isto é, cotejandose o texto aprovado quando da edição da Lei n.° 9.960/00, em contraposição à modificação introduzida pela Lei n.° 10.165/00, verificase que, para o fim específico da legislação tributária, passouse a exigir a apresentação do ADA, como requisito inafastável para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela Lei n.° 9.393/96, mais especificamente por seu art. 10, §1°, II. Assim, sendo certo que as normas que instituem isenções devem ser interpretadas de forma estrita, ainda que não se recorra somente ao seu aspecto literal, como se poderia entender de urna análise superficial do art. 111, do Código Tributário Nacional, fato é que, no que atine às regras tratadas como exclusão do crédito tributário pelo referido codex, a legislação não pode ser interpretada de maneira extensiva, de maneira que não há como afastar a exigência do ADA para o fim específico de possibilitar a redução da base de cálculo do ITR. (...)" Atendose mais especificamente ao caso em questão, notase, ao compulsar os autos, que o referido requisito foi efetivamente cumprido pelo contribuinte, ao entregar o ADA/2000 em 20/03/01 (efl. 178), assim muito anteriormente ao prazo estabelecido pela regulamentação infralegal da RFB (prazo limite: 31/03/05, consoante Instrução Normativa SRF no. 435, de 2004) e, também, anteriormente ao início da ação fiscal, ainda que tivesse sido iniciada em 17/04/06. Faço notar que, ainda que não se trate de ADA referente ao exercício em litígio (2004), mas de exercício anterior, a possibilidade de aproveitamento do ADA/2000 deflui, em meu entendimento, da desnecessidade de sua apresentação anual, sistemática que durou até o ano de 2006, da seguinte forma, claramente expressa pelo art. 10, caput e parágrafo único da Instrução Normativa Ibama no. 76, de 31 de outubro de 2005, in verbis: Art 10. A apresentação do ADA se fará uma única vez, devendo ser apresentada uma declaração retificado ra apenas quando houver alguma alteração dos dados informados na DITR. Parágrafo único. A Declaração Retificadora deverá ser feita em casos de alteração da dimensão de quaisquer das áreas, alteração de endereço ou alienação de parte ou toda a propriedade rural, dentre outras Quanto ao momento de entrega do ADA, com a devida vênia aos Conselheiros que adotam posicionamento diverso, entendo que o melhor posicionamento é, novamente em linha com o adotado no âmbito do mesmo Acórdão CSRF 9202003.620, admitir a protocolização do Ato Declaratório Ambiental até o início da ação fiscal, com fulcro nos seguintes fundamentos: "(...) Fl. 650DF CARF MF Processo nº 10183.720092/200602 Acórdão n.º 9202005.676 CSRFT2 Fl. 651 9 Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17O da Lei n.° 6.938/81. Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveuse a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi permitir uma efetiva fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma "razoável efetividade da norma tributária'" (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.° 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57) , no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato senso, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia, não fosse a necessidade da obrigatória protocolização do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/00 a exigir, de forma obrigatória, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Fl. 651DF CARF MF Processo nº 10183.720092/200602 Acórdão n.º 9202005.676 CSRFT2 Fl. 652 10 Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 17O da Lei n.° 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3°, I, do Decreto n.° 4.382/2002, que, inclusive, data de setembro de 2002, (...). (...) Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Repisese, nesse sentido, que não se discute que a lei tenha instituído a obrigatoriedade da apresentação do ADA, mas, sim, que o prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por Instrução Normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.° 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17O da Lei n.° 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Nesse esteio, recorrendose à analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.° 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17O da Lei n.° 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo norma a sua entrega até o início Fl. 652DF CARF MF Processo nº 10183.720092/200602 Acórdão n.º 9202005.676 CSRFT2 Fl. 653 11 da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico "ubi eadem ratio, ibi eaedem legis dispositio", isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.° 2.18949/01, que assim dispõe, verbis: "Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa." De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. (grifei) (...)" Repetindose uma vez mais que, no caso em questão, o ADA, contemplando a área de preservação permanente glosada de 249,9 ha. em litígio, foi entregue em 20/03/01 (e fl. 178) e admitindose aqui o aproveitamento do ADA/2000 para exercícios até 2006 (inclusive), o requisito restou cumprido, assim, anteriormente ao início da ação fiscal, sendo de se rechaçar a glosa da área de preservação permanente perpretada pela autoridade fiscal. De se manter, destarte, o provimento parcial, na forma decidida pelo Colegiado a quo. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. Fl. 653DF CARF MF Processo nº 10183.720092/200602 Acórdão n.º 9202005.676 CSRFT2 Fl. 654 12 (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 654DF CARF MF
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Numero do processo: 14751.001970/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
PRELIMINAR. DECADÊNCIA.
A revisão de ofício do crédito tributário poderá ser efetuada enquanto não for extinto o prazo para a fazenda pública efetuar o lançamento, ou seja, deverá ser efetuada no prazo de 5 anos.
LANÇAMENTO. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO.
De acordo com o artigo 146 do Código Tributário Nacional, "a modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução".
ISENÇÃO. PROVENTOS E PENSÕES. EX-COMBATENTE DA FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA. CONDIÇÕES.
Somente são isentos do Imposto de Renda Pessoa Física, os proventos e as pensões concedidos em decorrência de reforma ou falecimento de ex combatente da Força Expedicionária Brasileira, mediante cumprimento das condições exigidas pela legislação específica.
Numero da decisão: 2202-004.105
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para cancelar o lançamento dos exercícios 2005 e 2007, vencidos os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que negaram provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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DECADÊNCIA. A revisão de ofício do crédito tributário poderá ser efetuada enquanto não for extinto o prazo para a fazenda pública efetuar o lançamento, ou seja, deverá ser efetuada no prazo de 5 anos. LANÇAMENTO. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO. De acordo com o artigo 146 do Código Tributário Nacional, "a modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução". ISENÇÃO. PROVENTOS E PENSÕES. EXCOMBATENTE DA FORÇA EXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA. CONDIÇÕES. Somente são isentos do Imposto de Renda Pessoa Física, os proventos e as pensões concedidos em decorrência de reforma ou falecimento de ex combatente da Força Expedicionária Brasileira, mediante cumprimento das condições exigidas pela legislação específica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de decadência. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para cancelar o lançamento dos exercícios 2005 e 2007, vencidos os Conselheiros Rosy AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 00 19 70 /2 00 9- 91 Fl. 183DF CARF MF 2 Adriane da Silva Dias e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que negaram provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pelo então Relator Rafael Pandolfo na Resolução 220200.161 desta turma que, em 08 de fevereiro de 2012, concluiu pela conversão do julgamento em Diligência (fls. 167/170): 1 Auto de Infração Foi lavrado contra a recorrente auto de infração no montante de R$ 40.508,46 por omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes do pagamento de pensão de ex combatente pelo Comando do Exército, tendo este tomado conhecimento da autuação em 08/09/2009. 2 Impugnação Indignada com o lançamento de ofício, a contribuinte apresentou impugnação esgrimindo os seguintes argumentos: a) é viúva do ex combatente Walter Vieira Arcoverde, que recebia pensão por ter participado das operações bélicas da Segunda Guerra Mundial, conforme se depreende da certidão emitida pelo Ministério do Exército à fl. 49. b) a pensão teria sido concedida de acordo com o artigo 30, da Lei nº 4242/63, e que, portanto, os valores recebidos estariam isentos do Imposto de Renda, nos termos do artigo 6º, inciso XII, da Lei nº 7.713/88. c) no ano de 2006, a contribuinte foi notificada pela Receita Federal do Brasil— Notificação n° 2005/604405022572028 — para pagamento do imposto de renda referente aos valores recebidos do Ministério do Exército a título de pensão de ex combatente. Na ocasião, fez uma Solicitação de Retificação de Lançamento, tendo o seu pedido deferido conforme indicam os documento de fls. 27 e 28. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 14751.001970/200991 Acórdão n.º 2202004.105 S2C2T2 Fl. 184 3 d) a controvérsia já está sedimentada no Superior Tribunal de Justiça. 3 Acórdão de Impugnação Recebida e conhecida a impugnação, por atender a todos os requisitos de admissibilidade, foi esta julgada improcedente, sendo mantida a autuação, tendo a decisão os seguintes fundamentos: a) não seriam todos os proventos e pensões decorrentes de reforma ou falecimento de ex combatente da FEB que se enquadram na isenção prevista no art. 39, inciso XXXV, do Decreto nº 3.000/99, cuja base legal é o art. 62, inciso XII, da Lei nº 7.713/88, mas, tão somente, aqueles que tenham sido concedidos de acordo com os Decretolei n º 8.794, de 23 de janeiro de 1946, Decreto lei nº 8.795, de 23 de janeiro de 1946, Lei n 02.579, de 23 de agosto de 1955, e Lei nº 4.242, de 1963, art. 30; b) a contribuinte não fez prova de que a pensão recebida enquadrase em uma das hipótese de isenção prevista pela legislação; c) a contribuinte não é parte nas decisões judiciais juntadas, motivo pelo qual, não lhe seriam aplicáveis. 4 Recurso Voluntário Não satisfeito com a decisão da DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário com base nos seguintes argumentos: a) A Receita Federal do Brasil estaria desrespeitando a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, segundo a qual seria isenta do imposto de renda a pensão paga pelo Comando do Exército à recorrente, em decorrência do falecimento de seu marido, ex combatente da FEB; b) o crédito tributário estaria prescrito, pois decorridos mais de 10 anos entre a data do fato gerador e a citação judicial; Em 08 de fevereiro de 2012 esta turma, por unanimidade de votos, decidiu converter o julgamento em diligência para que a autoridade lançadora: 1 pronunciese acerca da natureza, do objeto e os fundamentos de cada Procedimento Administrativo Fiscal (Notificação de Lançamento de nº 2005/604405022572028, Notificação de Lançamento de nº 2007/604430066132033 e Auto de Infração e neste Processo de nª 14751.001970/200991); 2 esclareça sobre a existência de sobreposição de lançamentos sobre os mesmos rendimentos, nos exercícios aqui apontados (2004 e 2006); 3 junte, aos autos, cópias dos documentos vinculados às Notificações de Lançamento nº 2005/604405022572028 e 2007/604430066132033) Fl. 185DF CARF MF 4 Em resposta à diligência solicitada (fls. 180) a Seção de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em João Pessoa se manifestou nos seguintes termos: Sobre o assunto e atendendo ao solicitado às fls. 170 informamos o que segue: 1 As notificações de Lançamento referentes aos anos 2004 e 2006, exercícios 2005 e 2007 foram decorrentes de incidência em malha e canceladas indevidamente, através do aceite da SRL apresentada pela interessada, conforme extratos às fls. 175 e 176. O lançamento de que trata o presente processo foi efetuado para sanar o cancelamento indevido dessas notificações emitidas pelo sistema de Malha, além de incluir o ano 2005, exercício 2006; 2 Não existe sobreposição de lançamentos. O presente processo trata de procedimento fiscal sobre os anos de 2004, 2005 e 2006, exercícios 2005,2006 e 2007. Conforme já explicado no item acima os lançamentos no ano de 2004 e 2006, exercícios 2005 e 2007 foram efetuados para sanar cancelamento indevido de notificação emitida pela malha, logo não existe sobreposição porque o lançamento anteriormente efetuado foi cancelado, extrato de fls. 175 e 176. Quanto ao ano de 2005, exercício 2006 não existiu sequer notificação de malha e o lançamento aqui tratado foi efetuado para sanar uma liberação indevida da declaração incidente em malha, extrato de fls. 177. 3 Os documentos vinculados às Notificações de Lançamento dos exercícios 2005 e 2007 são os constantes às fls. 51 e 82 É o relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço 1) PRELIMINAR DECADÊNCIA Preliminarmente, alega a Recorrente que o crédito tributário, na hipótese dos autos, estaria prescrito, "porque entre a data da ocorrência do fato gerador e a citação judicial, demandou mais de cinco anos". Tratase o presente processo de revisão de ofício de lançamento anteriormente efetuado e cancelado pela autoridade administrativa. Nos termos no parágrafo único do artigo 149 do CTN, a revisão de ofício do crédito tributário poderá ser efetuada enquanto não for extinto o prazo para a fazenda pública efetuar o lançamento, ou seja, deverá ser efetuada no prazo de 5 anos. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 14751.001970/200991 Acórdão n.º 2202004.105 S2C2T2 Fl. 185 5 De acordo com o Auto de Infração (fls.2) a revisão de ofício foi realizada em 14 de agosto de 2009. Tendo em vista que o fato gerador do imposto de renda ocorrerá em 31 de dezembro, não há que se falar em decadência dos valores relativos aos anos de 2004, 2005 e 2006. Em face do exposto, rejeito a preliminar de decadência. 2) MERITO 2.1) IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DE LANÇAMENTO POR MODIFICAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO ART. 146 DO CTN. Conforme se verifica pelo relatório tratam os presente autos de lançamento de ofício realizado em razão de lançamentos indevidamente cancelados pela autoridade administrativa competente. Tal fato fica explicitado na resposta à diligência quando esclarece que: 1 As notificações de Lançamento referentes aos anos 2004 e 2006, exercícios 2005 e 2007 foram decorrentes de incidência em malha e canceladas indevidamente, através do aceite da SRL apresentada pela interessada, conforme extratos às fls. 175 e 176. O lançamento de que trata o presente processo foi efetuado para sanar o cancelamento indevido dessas notificações emitidas pelo sistema de Malha, além de incluir o ano 2005, exercício 2006; 2 Não existe sobreposição de lançamentos. O presente processo trata de procedimento fiscal sobre os anos de 2004, 2005 e 2006, exercícios 2005,2006 e 2007. Conforme já explicado no item acima os lançamentos no ano de 2004 e 2006, exercícios 2005 e 2007 foram efetuados para sanar cancelamento indevido de notificação emitida pela malha, logo não existe sobreposição porque o lançamento anteriormente efetuado foi cancelado, extrato de fls. 175 e 176. Quanto ao ano de 2005, exercício 2006 não existiu sequer notificação de malha e o lançamento aqui tratado foi efetuado para sanar uma liberação indevida da declaração incidente em malha, extrato de fls. 177. O Código Tributário Nacional admite a revisão de lançamento nas hipóteses previstas no artigo 145 abaixo transcrito: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. (grifamos) Verificase, assim, que a revisão de ofício do lançamento por parte da autoridade administrativa está limitada às hipóteses previstas no artigo 149, quais sejam: Fl. 187DF CARF MF 6 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Analisando as hipóteses acima transcritas, verificase que a situação dos autos não se conforma a qualquer das hipóteses ali previstas. Além disso, é importante registrar que o Código Tributário Nacional veda a revisão de lançamento com base em alteração de critério jurídico. É o que dispõe o artigo 146 abaixo transcrito: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. (grifamos) Conforme se verifica às fls. 51 a Recorrente requereu Solicitação de Retificação de Lançamento relativa à notificação de lançamento nº 2007/604430066132033, na Fl. 188DF CARF MF Processo nº 14751.001970/200991 Acórdão n.º 2202004.105 S2C2T2 Fl. 186 7 qual expõe as razões jurídicas que justificam a isenção dos rendimentos recebidos. Dentre as alegações suscitadas a Recorrente alegou que "No ano de 2006, a contribuinte foi notificada pela Receita Federal Notificação nº 2005/604405022572028 por entender que essa instituição que a mesma havia deixado de declarar os rendimento percebidos pelo Ministério do Exército, na condição de Pensão da FEB de Ex combatente. Na ocasião, a contribuinte fez uma Solicitação de Retificação de Lançamento, tendo o seu pedido deferido. O Resultado da Solicitação de Retificação de Lançamento mencionada pela contribuinte encontrase juntada às fls. 57 onde se pode ler: A Solicitação de Retificação de Lançamento, referente à notificação de lançamento acima identificada foi: DEFERIDA Nos trabalhos de revisão de ofício do lançamento objeto da notificação de lançamento acima identificada, foram analisados os documentos e esclarecimentos apresentados pelo contribuinte, restando comprovados os valores que deram origem à autuação. Desta forma, fica cancelada, para todos os efeitos legais, a notificação de lançamento, objeto da presente solicitação de retificação de lançamento. Conforme mencionado na resposta à diligência, os lançamentos relativos aos exercícios de 2005 e 2007 foram cancelados. Quanto ao lançamento relativo ao ano de 2005, exercício 2006, não existiu sequer notificação. Sendo assim, a revisão dos lançamentos anteriormente cancelados, só seria possível se a autoridade lançadora demonstrasse a ocorrência de alguma das hipóteses previstas no artigo 149 do CTN. Isso porque, conforme esclarece SOUTO MAIOR BORGES: ...se o Fisco, mesmo sem erro, tiver adotado uma conceituação jurídica e depois pretender substituíla por outra, não mais poderá fazêlo. E não poderá porque, se fosse admissível que o fisco pudesse variar de critério em seu favor, para cobrar diferença de tributo, ou seja, se à Fazenda Pública fosse lícito variar de critério jurídico na valoração do 'fato gerador', por simples oportunidade, estarseia convertendo a atividade de lançamento em discricionária, e não vinculada Dessa forma, eventual modificação dos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa dos lançamentos relativos aos exercício de 2005 e 2007 só poderá nas hipóteses previstas no artigo 149 do CTN o que não ocorreu. Em relação ao exercício de 2006, como não houve lançamento a autuação é admissivel, desde que realizada no prazo decadencial. Fl. 189DF CARF MF 8 2.2) DA ISENÇÃO PARA EX COMBATENTES Tendo em vista a manutenção do lançamento relativo ao exercício de 2006 deve ser analisado a aplicabilidade, ao caso dos autos, da isenção prevista no artigo 30 da Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963. Conforme reconhece a própria Impugnante, ora Recorrente, a pensão é percebida em razão do disposto no artigo 30 da Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963, que assim dispunha: Art. 30. É concedida aos excombatentes da Segunda Guerra Mundial da FEB, da FAB e da Marinha, que participam ativamente das operações de guerra e se encontram incapacitados, sem poder prover os próprios meios de subsistência e não percebem qualquer importância dos cofres públicos, bem como a seus herdeiros, pensão igual à estipulada no art. 26 da Lei nº 3.765, de 04 de maio de 1960. O referido artigo, apesar de revogado, continua produzindo efeitos em razão do artigo 17 da Lei nº 8.059, de 4 de julho de 1990, abaixo transcrito: "Art. 17 os pensionistas beneficiados pelo art. 30 da Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963, que não se enquadrem entre os beneficiários da pensão especial de que trata esta lei, continuarão a receber os benefícios assegurados pelo citado artigo, até que se extingam pela perda do direito, sendo vedada sua transmissão, assim por reversão como por transferência." De acordo com o artigo 30 acima transcrito verificase que a pensão nele prevista depende do cumprimento de dois requisitos cumulativos, quais sejam; a) ter atuado efetivamente na Segunda Guerra Mundial; b) ser incapacitado, sem condições de prover os próprios meios de subsistência. A Recorrente anexou aos autos os seguintes documentos; a) Certidão de casamento (fls. 47); b) Certidão de óbito (fls. 48); c) Certidão do Ministério de Exército (fls. 49); d) Declaração do Ministério da Guerra; A referida documentação comprova que a Recorrente é viúva de ex combatente da 2ª guerra mundial e que este participou efetivamente das operações bélicas, no cumprimento de missões de vigilância e segurança do litoral. Todavia, a referida documentação não explicita o fundamento legal para concessão da pensão e tampouco demonstra que a aposentadoria por ele recebida se deu em razão de sua incapacidade. Dessa forma, apenas um dos requisitos exigidos pelo artigo 30 da Lei nº 4.242/63 restou comprovado. A referida ausência de comprovação foi reconhecida pela decisão recorrida e a Recorrente não fez a juntada do documento apontado em fase recursal. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 14751.001970/200991 Acórdão n.º 2202004.105 S2C2T2 Fl. 187 9 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, rejeito a preliminar de decadência e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para excluir os lançamentos relativos aos exercícios 2005 e 2007. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio. . Fl. 191DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11070.002359/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/09/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO CARACTERIZADA.
Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão ou contradição porventura existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria já julgada no acórdão embargado.
A omissão que justifica a oposição de embargos de declaração diz respeito apenas à matéria que necessita de decisão por parte do órgão jurisdicional. Tendo o Colegiado examinado de forma motivada as questões que lhe foram submetidas no recurso voluntário, não há que se falar em omissão no julgado.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3402-004.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2004 a 30/09/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. NÃO CARACTERIZADA. Os embargos de declaração só se prestam a sanar obscuridade, omissão ou contradição porventura existentes no acórdão, não servindo à rediscussão da matéria já julgada no acórdão embargado. A omissão que justifica a oposição de embargos de declaração diz respeito apenas à matéria que necessita de decisão por parte do órgão jurisdicional. Tendo o Colegiado examinado de forma motivada as questões que lhe foram submetidas no recurso voluntário, não há que se falar em omissão no julgado. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 23 59 /2 00 9- 51 Fl. 576DF CARF MF 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) em 10/05/2017, em face do Acórdão nº 3402003.983, de 29/03/2017, cuja ementa segue abaixo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário (...) RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITO VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. INCLUSÃO NO CÁLCULO. Todos os créditos normais do contribuinte devem integrar a base de cálculo do rateio proporcional para fins de ressarcimento das exportações, independente de ser ou não o mesmo vinculado ao mercado externo. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. CEREALISTA. PREVISÃO LEGAL. PERÍODO DETERMINADO. CONDIÇÕES. INOBSERVÂNCIA. A legislação que regulamentou o sistema não cumulativo das contribuições sociais previu o direito de apropriação de crédito presumido da atividade agroindustrial para o cerealista, que exerce a atividade de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal especificados, apenas para o período entre fevereiro e julho do ano de 2004. A concessão do crédito presumido à cerealista estava condicionada à venda dos produtos às empresas identificadas no § 5º do artigo 3º da Lei 10.833/03, então vigente. A partir de agosto de 2004, o crédito presumido ficou restrito às pessoas jurídicas que desenvolvam atividade agroindustrial nas condições especificadas no art. 8º da Lei n 10.925/2004. COOPERATIVA AGROPECUÁRIA. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO NAS VENDAS COM TRIBUTAÇÃO SUSPENSA, ISENTAS OU NÃO TRIBUTADAS. IMPOSSIBILIDADE. Não é permitido o aproveitamento de crédito pelas cooperativas agropecuárias em relação a vendas não tributadas, isentas ou com a tributação suspensa. A norma contida no § 4º do art. 8º da Lei n 10.925/04 dispõe especificamente acerca das pessoas enumeradas nos incisos de I a III do §1 do art. 8º da Lei n 10.925/2004, enquanto o art. 17 da Lei nº 11.033/2004 traz uma regra geral. Como uma norma geral não revoga uma norma específica, a vedação do §4º do artigo 8º permanece em vigor. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. O crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei n 10.925/2004 não se submete à tríplice forma de aproveitamento, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno. Recurso Voluntário parcialmente provido Fl. 577DF CARF MF Processo nº 11070.002359/200951 Acórdão n.º 3402004.332 S3C4T2 Fl. 577 3 Nos termos do art. 7º, §5º da Portaria MF nº 527/2010 e do art. 79 do Anexo II do Regimento Interno do CARF1, na redação dada pela Portaria MF nº 39, de 12/02/2016, o Procurador da Fazenda Nacional é considerado cientificado pessoalmente 30 dias após a remessa dos autos à Procuradoria da Fazenda, que se deu no caso em 06/04/2017. A embargante sustenta ter havido omissão no acórdão recorrido, nos termos seguintes: (...) Assim, a glosa dos créditos do PIS nãocumulativo do processo sob exame se deu, basicamente por três motivos: 1 A utilização indevida das alíquotas da nãocumulatividade, quando a legislação determina a utilização das alíquotas de 0,65% e 3% para o PIS e a COFINS, respectivamente; 2 Os créditos foram calculados sobre bens adquiridos para revenda, bens e serviços utilizados como insumo, crédito presumido e estoque de abertura, e não sobre os custos, despesas e encargos vinculados às receitas de vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência;e 3 A inclusão da receita de atos cooperados no cálculo dos créditos. Contudo, ao compulsar o teor do voto condutor do aresto ora embargado, foi possível constatar que a ilustre relatora não tratou de nenhuma dessas questões em seu voto. Vejamos: (...) Ao que se observa, a ilustre relatora tratou basicamente da possibilidade de utilização do método de rateio proporcional para uso dos créditos e da impossibilidade de se utilizar os dois métodos previstos na legislação (apropriação direta e rateio proporcional) ao mesmo tempo. Ao final, concluiu pela aplicação do método do rateio proporcional para apuração dos créditos vinculados aos três tipos de receita (exportação, mercado interno e mercado interno nãotributado) sem, contudo, manifestarse sobre os reais motivos utilizados pela fiscalização para glosar os créditos, acima enumerados. O colegiado não se utilizou de qualquer argumento para refutar as irregularidades apontadas pela fiscalização. É dizer, concluiuse que o contribuinte calculou corretamente os créditos, que as glosas da fiscalização eram indevidas, mas não se explicou o porquê. Revelase, portanto, evidente a omissão do acórdão embargado, na medida em que não se manifestou sobre as irregularidades apontadas pela fiscalização na apuração do crédito de COFINS nãocumulativo pleiteado em ressarcimento pelo contribuinte. (...) Os embargos foram admitidos pelo Presidente deste Colegiado, na seguinte forma: (...) 1 Art. 79. O Procurador da Fazenda Nacional será considerado intimado pessoalmente das decisões do CARF, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à PGFN, salvo se antes dessa data o Procurador se der por intimado mediante ciência nos autos. (NR) Fl. 578DF CARF MF 4 Compulsando a decisão embargada, constatase que o Colegiado, apoiandose nos acórdãos nº 3202001.618 e nº 330201.339, bem como na orientação constante no Dacon, decidiu reformar parcialmente a decisão de julgamento de 1ª instância, para que fosse “...recalculado o direito creditório da recorrente com base no método do rateio proporcional adotado pelo contribuinte para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação; à receita não tributada e à receita tributada no mercado interno.” (sublinhei). Contudo, a decisão deixou de esclarecer em que medida os critérios adotados pela Fiscalização e pelo recorrente, respectivamente, dissentiam e concordavam com os fundamentos dos acórdãos adotados como fundamentação e com a orientação do Ajuda do DACON. Ao omitir esses fundamentos, a decisão cerceia o direito de defesa da Fazenda Nacional e obstaculiza eventual recurso contra ela. O vício reclama saneamento. Conclusão Com essas considerações, forte no § 3° do art. 65 do RICARF, acolho os embargos interpostos, para que o Colegiado 3402 colmate a lacuna de fundamentação, esclarecendo em que medida os cálculos do contribuinte estão corretos. (...) É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Tomase conhecimento dos embargos admitidos pelo Presidente do Colegiado. No presente caso, no que concerne ao método de rateio proporcional dos créditos, o Colegiado assim se pronunciou no acórdão embargado: 1) Do critério de rateio para apropriação dos créditos apurados proporcionais às receitas de exportações, receitas no mercado interno tributadas e não tributadas No que diz respeito ao critério de apropriação dos créditos do mercado interno e das importações vinculados à receita de exportação, entendeu a fiscalização que: (...) Para a fiscalização os créditos apurados em relação à aquisição de bens para revenda ou utilizados como insumos, serviços utilizados como insumos, bem como em relação à importação de trigo utilizado como matériaprima na produção de farinha, não têm nenhuma vinculação com a receita de exportação, portanto, não cabe a mesma pleitear a restituição/ressarcimento de tais créditos, tendo em vista que a legislação prescreve que podem ser objeto de restituição ressarcimento os créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, conforme §3º do art. 6º do diploma legal em questão, o qual transcrevemos a seguir: (...) Fl. 579DF CARF MF Processo nº 11070.002359/200951 Acórdão n.º 3402004.332 S3C4T2 Fl. 578 5 Para a fiscalização a alocação dos créditos do PIS e da COFINS pelo método da proporcionalidade, conforme inciso II do § 8º do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, tem aplicação somente para as pessoas jurídicas que possuam receita sujeita a cumulatividade e a não cumulatividade, o que não é o caso da COTRISA, que tem a integralidade da receita sujeita a não cumulatividade do PIS e da COFINS. Ademais, verificamos ainda que o rateio proporcional dos créditos aplicase aos custos, despesas e encargos comuns, ou seja, somente podem ser rateados os créditos comuns. No caso de custos, despesas e encargos específicos o entendimento da fiscalização é que eles devem ser alocados diretamente aos setores a que pertencem. (...) De outra parte entende a recorrente que seria vedado pela legislação a utilização de dois métodos para segregar os custos, despesas e encargos que dão direito ao crédito, como efetuado pela fiscalização, utilizando o critério do rateio proporcional para os créditos comuns e o da apropriação direta para os demais créditos, ferindo o art. 15 da Lei nº 9.779/99 que determina a apuração das contribuições de forma centralizada no estabelecimento matriz. Essa questão já foi abordada no Acórdão nº 3202001.618 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 19 de março de 2015, de forma favorável ao entendimento da recorrente, conforme voto da Relatora Tatiana Midori Migiyama, abaixo transcrito: (...) Data venia, em relação ao método de cálculo, considerando que a base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins, é a receita bruta total, e que todos os custos despesas e encargos são comuns e necessários para o desempenho da atividade da contribuinte, estes custos despesas e encargos devem ser apropriados pelo método de rateio proporcional da receita bruta de exportação em relação da receita bruta total. O critério de rateio deve servir para a mesma proporcionalidade para todos os custos, despesas e encargos passíveis de realização de crédito e, que são necessários para o desempenho das atividades da contribuinte. Ora, o art. 6º, § 3º da Lei 10.833/2003, vigente à época dos fatos em dissídio, diz que a compensação dos créditos com débitos administrados pela RFB, pela exportadora de mercadorias, só se aplica aos créditos apurados em relação aos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. O art. 3º, § 8º, da Lei 10.833/2003 dispõe: sobre critério do rateio: relação percentual entre receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total auferidas em cada mês. O art. 3º, § 9º, da mesma lei dispõe: critério escolhido tem de ser consistente em todo o anocalendário. É de hialina clareza o sentido da lei, qual seja, só se podem compensar créditos de custos, despesas e encargos vinculados a receita de exportação. E, para se saber quais são esses créditos vinculados a receita de exportação, a lei previu dois métodos. A única interpretação possível, lógica e condizente com o sentido da norma legal é a de que o critério de rateio é somente o método: a relação deve ser entre receita de exportação e receita bruta total, para aplicála sobre os custos e despesas, na definição dos créditos vinculados à exportação, i.e., para quantificar os créditos que podem ser usados para compensação. (...) Daí, a remissão aos §§ 8º e 9º do art. 3º feita pelo art. 6º, § 3º, todos da Lei 10.833/2003, diz respeito ao método de cálculo para definição de Fl. 580DF CARF MF 6 créditos vinculados a receitas de exportação. No caso do método de rateio, a apuração do crédito devese dar pela relação entre receita de exportação e receita bruta total, e aplicar essa relação sobre os custos e despesas, chegandose à determinação do crédito vinculado à exportação, que é compensável com débitos administrados pela RFB. O art. 20, § 2º, da IN SRF 404/2004 (não revogado) confirma essa inteligência, ao dizer que os créditos compensáveis são somente os apurados sobre custos e despesas vinculados à receita de exportação, observados "os métodos" de apropriação previstos no art. 21 (o art. 21, § 2º, II, da IN 404/04 repete a dicção do art. 3º, § 8º, II, da Lei 10.833/2003). O método é que é aplicável. A relação percentual deve ser entre receita de exportação e receita bruta total, e aplicála sobre os custos e despesas, para definição do valor do crédito compensável. (...) No mesmo sentido foi o entendimento constante no Acórdão nº 330201.339– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, 10 de novembro de 2011, citado pela recorrente, conforme voto do Relator Walber José da Silva que segue abaixo: (...) Assim, a apuração do crédito vinculado à receita de exportação seria feita por um sistema híbrido: parte por apropriação direta e parte por rateio proporcional. Tal modo de apuração não encontra respaldo legal. São claras as disposições do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833/03 de que o crédito será determinado por apropriação direta ou por rateio proporcional. Não há opção de combinar os dois métodos para determinar o crédito vinculado à receita de exportação. O entendimento da recorrente, que concordo, é que todas os custos, despesas e encargos, com direito a crédito normal, que concorreram para a formação da Receita Bruta Total, devem ser incluídos no rateio proporcional e, neste caso, o valor do crédito apurado é exatamente o crédito vinculado à receita de exportação, a que se refere o § 3º, do art. 6º, da Lei nº 10.833/03, porque esta é a forma de se apurar o dito crédito vinculado à receita de exportação. Pelo método de rateio proporcional, uma vez determinado a participação relativa da receita de exportação na receita bruta total, não vejo como deixar de aplicar o percentual encontrado nos custos, despesas ou encargos tidos como exclusivamente vinculado às operações no mercado interno e no mercado externo, fazendo incidir somente sobre os custos, despesas e encargos que tenham alguma vinculação tanto com as operações no mercado interno como as operações no mercado externo. (...) Conforme esclarecido na própria decisão recorrida, a RFB, por meio do Ajuda do programa Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon MensalSemestral 2.6), definiu que o método de rateio para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, de mercado interno não tributada e tributada seria idêntico ao estabelecido para as pessoas jurídicas que auferem receitas sujeitas às incidências não cumulativa e cumulativa das contribuições, nesses termos: Ficha 01 Dados Iniciais (...) Método de Determinação dos Créditos O programa possibilita o preenchimento do campo "Método de Determinação dos Créditos", conforme o regime de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins adotado. I) no caso do Regime NãoCumulativo: Fl. 581DF CARF MF Processo nº 11070.002359/200951 Acórdão n.º 3402004.332 S3C4T2 Fl. 579 7 a) Vinculados à Receita Auferida Exclusivamente no Mercado Interno Deve selecionar este campo a pessoa jurídica que, no período abrangido pelo Demonstrativo, auferir apenas receitas sujeitas à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes exclusivamente de atividades no mercado interno. b) Vinculados à Receita Auferida no Mercado Interno e de Exportação Deve selecionar este campo a pessoa jurídica que, no período abrangido pelo Demonstrativo, auferir receitas sujeitas à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins e efetuar concomitantemente: I operações de vendas de produtos ou prestação de serviços no mercado interno; e II exportação de produtos para o exterior ou prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, ou vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Neste caso, a pessoa jurídica deve indicar o método por ela escolhido, dentre os seguintes: b.1) Com Base na Proporção dos Custos Diretamente Apropriados – que consiste na determinação dos créditos através do método de apropriação direta previsto no inciso I do § 8º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou b.2) Com Base na Proporção da Receita Bruta Auferida – que consiste na determinação dos créditos através do método de rateio proporcional previsto no inciso II do § 8º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Atenção: 1) O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito deve ser: a) aplicado consistentemente por todo o anocalendário; b) adotado para todos os custos, despesas e encargos comuns; e c) adotado igualmente na apuração dos créditos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins nãocumulativa. 2) Deve também selecionar este campo a pessoa jurídica que auferir receitas nãotributadas no mercado interno que geram direito a crédito, concomitantemente, com receitas tributadas e/ou com exportação. (não grifado no original) (...) Assim, adotando os mesmos fundamentos dos Acórdãos acima referidos, bem como da orientação constante no Dacon acima transcrita, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, a decisão recorrida deve ser reformada nesta parte para que seja recalculado o direito creditório da recorrente com base unicamente no método do rateio proporcional adotado pela contribuinte para a apropriação dos custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação; à receita não tributada e à receita tributada no mercado interno. (...) Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja recalculado o direito creditório da recorrente com base no método do rateio proporcional adotado pela contribuinte para a apropriação dos Fl. 582DF CARF MF 8 custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, à receita tributada e à receita não tributada no mercado interno. (...) Na leitura dos trechos acima do acórdão embargado, restou evidenciada a delimitação da lide no seguinte sentido: A fiscalização rejeitou o método de rateio utilizado pela contribuinte, pois entendia que: i) não caberia a alocação dos créditos pelo método da proporcionalidade no caso de contribuinte com a integralidade da receita sujeita a não cumulatividade do PIS e da Cofins como a contribuinte; e ii) o rateio proporcional dos créditos só se aplicaria aos custos, despesas e encargos comuns, mas não aos custos, despesas e encargos específicos, para os quais seria cabível a apropriação direta De outra parte, entendia a recorrente que a legislação vedaria a utilização de dois métodos para segregar os custos, despesas e encargos que dão direito ao crédito, como efetuado pela fiscalização, utilizando o critério do rateio proporcional para os créditos comuns e o da apropriação direta para os demais créditos. Também se depreende dos trechos transcritos acima que, entre os dois posicionamentos, o Colegiado optou pelo da contribuinte, adotando, nos termos do art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, os mesmos fundamentos dos Acórdãos nºs 3202001.618 e 330201.339 e da orientação constante no Dacon, todos devidamente transcritos no acórdão embargado, os quais traziam, em síntese, os seguintes ensinamentos: A interpretação do art. 6º, § 3º da Lei 10.833/2003 em conjunto com o art. 3º , §§ 8º e 9º dessa Lei é a de que o critério de rateio é somente o método: a relação deve ser entre receita de exportação e receita bruta total, para aplicála sobre os custos e despesas, na definição dos créditos vinculados à exportação. A apuração do crédito vinculado à receita de exportação por um sistema híbrido parte por apropriação direta e parte por rateio proporcional não encontra respaldo legal, pois são claras as disposições do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833/03 de que o crédito será determinado por apropriação direta ou por rateio proporcional. Método de Determinação dos Créditos2 I) no caso do Regime NãoCumulativo > b) Vinculados à Receita Auferida no Mercado Interno e de Exportação: Neste caso, a pessoa jurídica deve indicar o método por ela escolhido, dentre os seguintes: b.1) Com Base na Proporção dos Custos Diretamente Apropriados ou b.2) Com Base na Proporção da Receita Bruta Auferida. Conforme também consta ao final da orientação do Dacon, deve selecionar também a opção b.2) "a pessoa jurídica que auferir receitas nãotributadas no mercado interno que geram direito a crédito, concomitantemente, com receitas tributadas e/ou com exportação". Dessa forma, o Colegiado refutou motivadamente a decisão da fiscalização que rejeitou o método de rateio da contribuinte, não assistindo razão à embargante na alegação de que o Colegiado não teria utilizado de qualquer argumento para refutar as irregularidades apontadas pela fiscalização. Muito menos ainda poderia prosperar a assertiva da embargante de que o Colegiado teria concluído que a contribuinte calculou corretamente os créditos, que as glosas da fiscalização eram indevidas, mas não se explicou o porquê. Nesse ponto, há que se esclarecer à embargante que o provimento do recurso foi parcial, apenas no que concerne na aceitação do método do rateio proporcional para a apropriação dos créditos, tendo sido as glosas expressamente contestadas objeto de análise na parte restante do acórdão embargado. Também não se observa nesta parte do Acórdão recorrido cerceamento no direito de defesa da Fazenda Nacional, vez que o posicionamento do Colegiado restou 2 Ajuda do programa Dacon MensalSemestral 2.6 Fl. 583DF CARF MF Processo nº 11070.002359/200951 Acórdão n.º 3402004.332 S3C4T2 Fl. 580 9 devidamente fundamentado dentro da delimitação da lide posta no recurso voluntário, mormente quando a fiscalização pouco havia discorrido sobre a razão de seu entendimento para não aceitar o rateio proposto pela contribuinte. Conforme assentado na jurisprudência, a omissão que justifica a oposição de embargos de declaração diz respeito à matéria que necessita de decisão por parte do órgão jurisdicional. Tendo o Colegiado examinado de forma motivada as questões que lhe foram submetidas no recurso voluntário, não há que se falar em omissão no julgado. Assim, entendo que não restou caracterizada a omissão apontada pela embargante e voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 584DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000416/2009-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 12 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-001.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Tratase de manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que indeferiu Pedidos de Ressarcimentos apresentados pela contribuinte e não homologou as compensações vinculadas ao crédito pleiteado. No detalhe, cuidase de dois Pedidos de Ressarcimento de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social sobre importação ("Cofins Importação"), apurados no 1º trimestre de 2008, registrados por meio das PER/DCOMP's 28432.64041.050908.1.1.110023 e 27628.92728.201008.1.1.115261, nos valores de R$ 15.452.274,06 e R$ 13.396.481,11, respectivamente. Em Declarações de Compensação, os valores foram utilizados para compensar outros débitos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 49 .0 00 41 6/ 20 09 -7 3 Fl. 2756DF CARF MF Processo nº 16349.000416/200973 Resolução nº 3201001.040 S3C2T1 Fl. 3 2 Pedidos de ressarcimento de créditos de mesma natureza também foram apresentados em relação a outros trimestres e vinculados a outras declarações de compensação. Os procedimentos deram origem a processos administrativos específicos. O crédito objeto dos pedidos de ressarcimento tem origem no regime não cumulativo da contribuição e referese à contribuição incidente na importação de bens. Posteriormente, os bens importados foram revendidos no mercado interno em operações consideradas pela contribuinte como não sujeitas à incidência das contribuições. Isso porque a empresa adquirente seria beneficiária do RECAP (Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras). Assim, os créditos apurados na importação foram mantidos nos termos do art. 17 da Lei n° 11.033, de 2004, e não tendo sido aproveitados como desconto da contribuição devida, foram demandados em Pedido de Ressarcimento e aproveitados em declarações de compensação. O quadro abaixo resume os documentos PER/DCOMP apresentados pela contribuinte relacionados ao crédito da não cumulatividade: Tabela à fl. 3 do Acórdão da DRJ A fim de aferir o direito de crédito, abriuse procedimento de auditoria, que abrangeu todo o ano de 2008, período de formação do direito creditório pleiteado nos processos administrativos. As conclusões da investigação foram descritas no despacho decisório de fls. 1.285/1.318 (a numeração referese à da versão digital dos autos). No documento, a Equipe Especial de Auditoria da DeratSP relata que, de acordo com as informações presentes na Ata da Assembléia Geral Extraordinária de 22/12/2006, a empresa interessada, Póyry Empreendimentos Industriais AS (antiga denominação de Projetos Especiais e Investimentos SA), estava sediada à Rua Alexandre Dumas, 2100, 6° e 7° andares, no município de São Paulo SP e funcionava com prazo determinado de duração com dissolução prevista até quando fosse atingido seu objeto social que, à época, constituía na construção em regime de empreitada global (turn key) de uma fábrica de celulose no município de Três LagoasMS, com início de construção no ano de 2007 e término previsto em 2009, podendo a empresa promover a importação e a venda de equipamentos, materiais e sistemas mas não executando serviços técnicos de engenharia e obras e similares. No documentos, são apresentados o histórico do quadro societário da fiscalizada, a composição da diretoria e a eventual vinculação dos diretores a outras pessoas jurídicas. Dados extraídos dos Dacon transmitidos pela empresa são postos em destaque no relato como segue: Os valores informados como créditos das contribuições ao Pis e Cofins nos Pedidos de ressarcimento/compensação (R$ 12.440.112,93 e R$57.339.472,86, respectivamente) se referem a importações de máquinas e equipamentos[...] e correspondem a uma base de cálculo de aproximadamente 754 milhões de reais. Embora o contribuinte tenha apurado e esteja pleiteando, no anocalendário de 2008, créditos de Pis e Cofins no montante de 69,78 milhões de reais referentes às Importações de máquinas e equipamentos, os Dacon apresentados nesse período, informam R$ 0,00 de Créditos Apurados no Mês (Fichas 06B e 16B na versão PGD 1.3 e linha 06 das Fichas 14 e 24 Créditos de Importação Vinculados a Receitas Não Tributadas no Mercado Interno nas versões PGD 1.3 e 2.1). Nas Fichas 07B e 17B Cálculo da Fl. 2757DF CARF MF Processo nº 16349.000416/200973 Resolução nº 3201001.040 S3C2T1 Fl. 4 3 Contribuição para o Pis/Pasep e Cálculo da Cofins nos Regimes Cumulativo e Não Cumulativo o contribuinte informou à linha 8 ter obtido Receitas Tributadas à Alíquota Zero no montante de R$ 59.651.102,62, embora isto não tenha se confirmado nas demonstrações contábeis e notas Fiscais apresentadas em meio magnético pela empresa [...]. Já a receita da venda de bens e serviços feitas no regime cumulativo foi de R$ 2.229.799.410,00 valor bem próximo ao da receita de prestação de serviços declarada na DIPJ/2009, de R$ 2.225.774.533,62. Não há valores de receitas apuradas no regime não cumulativo. Dacon/2008 Tabela à fl. 5 do Acórdão da DRJ Verificase, portanto, nos Dacons do anocalendário 2008 que 97,39% das Receitas foram apuradas no regime cumulativo do Pis/Pasep e da Cofins, com alíquotas de 0,65% e 3%, respectivamente. O relatório do despacho decisório destaca, na sequência, informações extraídas das DIPJ examinadas, relativas aos anos de 2007 a 2010. Também organiza em ordem cronológica dados históricos da pessoa jurídica apresentando as alterações cadastrais, a evolução do quadro societário, a composição do capital e o escopo do objeto social ao longo do tempo. Depois, a equipe de auditoria comenta os esclarecimentos prestados pela contribuinte com relação à origem dos créditos de PIS e Cofins. Intimada, sobre tais créditos, teria informado a contribuinte que: "os créditos tiveram sua origem nas Declarações de Importações, quando da importação dos bens, os quais tiveram embarques fracionados suportados por uma única DI (Declaração de Importação), com a realização dos respectivos pagamentos dos impostos. Desse modo, os créditos foram aproveitados com base no efetivo pagamento das contribuições em questão, tendo sido objeto de emissão de PER/DCOMP (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), ocasionando assim as divergências entre as compensações realizadas e os valores apurados através do Dacon. " Por sua vez, as autoridades fiscais ponderam que: No entanto, o que se verifica é que nos Dacons não são informados créditos; as saídas (receitas) informadas no Dacon são quase que em sua totalidade feitas no regime cumulativo de apuração onde não se apura crédito; ademais, o desembaraço aduaneiro nem sempre se dá na data em que é informado na solicitação do Crédito (PER/DCOMPS), conforme se verifica no relatório DW [...] Breve apresentação do regime de empreitada global, conhecido também pelo nome de contrato de turnkey, dá continuidade ao relato fiscal. Essa modalidade de contratação responde por mais de 90% das receitas auferidas pela interessada, tendo a fiscalizada figurado como responsável por construir uma fábrica de celulose no município de Três Lagoas, no estado do Mato Grosso do Sul. Em resumo, pontua a auditoria que o regime de empreitada global (turnkey) é um tipo de operação no qual a empresa contratada fica obrigada a entregar uma obra em pleno funcionamento. Tanto o preço do serviço quanto o prazo para entrega da obra são definidos no contrato. Fl. 2758DF CARF MF Processo nº 16349.000416/200973 Resolução nº 3201001.040 S3C2T1 Fl. 5 4 Normalmente, a modalidade de contratação aplicase a obras de grande porte na esfera pública ou privada. Na forma tradicional de empreendimento, o interessado no empreendimento teria o ônus de manter um quadro próprio de profissionais responsáveis pelas contratações, pela seleção dos fornecedores de bens e serviços, a administração dos contratos, fiscalização da execução dos projetos e obras, etc., tornando necessária a contratação de técnicos especializados em atividades sem vínculo com o objeto social da empresa. No regime de contratação por empreitada global, uma empresa de consultoria de engenharia assume o gerenciamento integral da implantação do empreendimento. Atualmente, tornase mais comum o tipo de solução que tem como objeto o empreendimento por pacotes. O interessado contrata uma única organização capaz de desenvolver os projetos executivos, fornecer os materiais e equipamentos, executar as obras e montagens, por em marcha o empreendimento executado, preparar pessoal para a operação e outras possíveis tarefas que podem incluir a própria operação e manutenção da obra. Normalmente, destaca o relato, as organizações capazes de atender a esse tipo de demanda de empreitada por pacotes (EPC) são consórcios de grande porte, ou seja, um pool de empresas com patrimônio compatível com a envergadura do empreendimento. O contrato de empreitada global para a construção de uma fábrica de celulose celebrado entre a interessada Põyry Empreendimentos Industriais S/A (CNPJ n° 08.318.365/000170) e a pessoa jurídica Chamflora Três Lagoas Agroflorestal Ltda (CNPJ n° 36.785.418/000107), empresa com sede no município de Três Lagoas, estado do Mato Grosso do Sul passa a receber a atenção do documento. Informa o relatório que o acordo foi assinado em 20 de dezembro de 2006. Pelo contrato, a Chamflora Três Lagoas se compromete a pagar (e efetivamente paga) adiantadamente até 29/12/2006 à Põyry Empreendimentos Industriais o valor de R$ 2.489.700.714,28 (posteriormente houve uma majoração no preço original) pelo fornecimento de uma Fábrica de Celulose completa. O preço de fornecimento é baseado nas especificações das denominadas Process Islands, unidades fabris que correspondem, de acordo com o contrato, a cada um dos fornecimentos separados individualmente. Ao fim, a implantação e interligação de todas as Process Islands vão compor, juntas, o objeto do empreendimento, isto é, no caso, a Fábrica de Celulose. Destaca a auditoria que o fornecedor eleito pela Chamflora para o contrato de empreitada global é uma empresa, a interessada, com capital de apenas R$ 100,00. Esse o porte da pessoa jurídica que ficou responsável pela implantação da fábrica, desde as instalações civis, os pacotes de tecnologia até o comissionamento. Como condição essencial para o cumprimento das obrigações da Fornecedora, o contrato determina a contratação da pessoa jurídica Põyry Tecnologia Ltda, CNPJ n° 50.648.468/0001 65, empresa pertencente ao Grupo Põyry multinacional de origem finlandesa. Anota o relatório que a empresa em foco tem presença em mais de cinquenta países, atuante em diversas áreas, dentre as quais a prestação de serviços de consultoria e engenharia em obras de grande porte. Mencionada empresa é contratada como prestadora de serviços EPC (os serviços de engenharia, compra e gerenciamento de construção) durante o prazo de execução do contrato. Fl. 2759DF CARF MF Processo nº 16349.000416/200973 Resolução nº 3201001.040 S3C2T1 Fl. 6 5 Com base nas Demonstrações do Resultado do Exercício extraídas do Livro Diário de 2008, verificou a auditoria que 99,93% das receitas da empresa referemse a receitas de prestação de serviços, e apenas 0,07% referemse a receitas de revenda de mercadorias. Do montante do Custo dos Produtos e Serviços vendidos (Custo de Empreitada Global) de R$ 2.145.656.846,49, R$ 974 milhões (aproximadamente 45,4% do total) referemse a Serviços Prestados por Pessoas Jurídicas, e R$ 971 milhões (aproximadamente 45,2%), à Aquisição de Equipamentos e Peças. Mais à frente no relato, a auditoria colhe alguns dados informativos sobre a pessoa jurídica Chamflora Três Lagoas Agroflorestal Ltda/VCPMS Celulose Sul Matogrossense Ltda (atual FibriaMS Celulose Sul Matogrossense Ltda) e depois assinala o que segue: Os dirigentes da Chamflora Três Lagoas (atual Fibria MS Celulose Sul Matogrossense Ltda), são todos ligados à Aracruz Celulose, que por sua vez fundiuse com a VCP Votorantin Celulose e Papel para formação da Fibria, conforme é visto em pesquisa da internet [...] A Chamflora Três Lagoas, que posteriormente alterou a denominação para VCPMS Celulose Sul Mato Grossense Ltda (e atualmente denominase FibriaMS Celulose Sul Matogrossense Ltda) era habilitada no Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras (RECAP), previsto nos artigos 12 a 16 da Lei n° 11.196 de 21/11/2005 e na Instrução Normativa n° 605, de 4 de janeiro de 2006. A Habilitação deuse através do Ato Declaratório Executivo n° 0038, de 04/12/2006. A empresa estava, portanto, autorizada a adquirir bens de capital novos, com suspensão da incidência do Pis/Pasep e da Cofins, desde que estes bens estivessem classificados nos códigos da Tabela TIPI constantes do anexo do Decreto n° 5.789, de 25/05/2006, com redação dada pelo Decreto n ° 6.581, de 26/09/2008. Em tópico que agrupa a análise da auditoria acerca da resposta dada pela contribuinte a intimação fiscal, assinala o relatório que: o contribuinte informou que havia subcontratado com mais de 1.200 empresas, que tinha dificuldades no atendimento integral da intimação, e que apresentava aproximadamente 10% (dez por cento) dos contratos realizados, tendo por parâmetro os de valores mais relevantes. [...] Numa análise breve [...] verificase que os contratos tratam do fornecimento de unidades fabris (Cooking/Cozimento, Caldeira de Força, Caldeira de Recuperação, Linha de Fibras, etc) que englobam inclusive os equipamentos/maquinários importados, a exemplo dos contratos feitos entre a Põyry Empreendimentos Industriais e a Andritz Brasil/Andritz Oy (empresa finlandesa, e que consta como exportadora em diversas Declarações de Importação [...], ou a Metso Power. Verificouse também que os contratos encontramse assinados não só por representantes da Põyry Empreendimentos Industriais S/A, como também pelos representantes da VCP MS Celulose Sul Matogrossense Ltda (Francisco Fernandes Campos Valério e José Guilherme F. de Oliveira Gomes). Em quadro de fl. 1.308 o relato reproduz os dados das Declarações de Importação apresentadas, referentes ao primeiro trimestre: Tabela à fl. 7 e 8 do Acórdão da DRJ Fl. 2760DF CARF MF Processo nº 16349.000416/200973 Resolução nº 3201001.040 S3C2T1 Fl. 7 6 A auditoria extrai das Declarações de Importação, a descrição detalha dos bens importados: Descrição detalhada n° 1 (DI 08/01919120) Combinações de máquinas para lavagem, deslignificação, depuração e branqueamento de polpa de celulose tipo "Kraft", com capacidade de operação máxima igual ou superior a 2.500 toneladas de celulose por dia, compostas de: lavadores de celulose tipo rambo r rotativo, bombas centrífugas, bombas de média consistência, agitadores, misturadores de produtos químicos, fluidizadores, depuradores, engrossadores, trocadores de calor, separadores de areia, raspador de descarga de fundo e de topo das torres, válvulas, instrumentos e tubulação. Descrição detalhada N° 2 (DI 08/03204560) Secador de folha de celulose modelo FCGC (Flâkt dryer TM) composto por: vigas suportes, trocadores de calor, trocadores de calor arar, plataformas de serviço, caixas sopradoras, estrutura metálica de suporte, torre de ventiladores com motores elétricos, bandejas de suporte de fitas, plataformas internas e externas, dispositivo de levantamento de caixas sopradoras, portas de inspeção, trocador de íons para condensado, pisos externos e internos (isolados e não isolados), rolos de retorno e torres metálicas para rolos de retorno, sistemas de limpeza à vácuo com dutos, equipamentos pneumáticos, painéis laterais, painéis laterais com portas, painéis de fechamento e painéis de fechamento com portas, rolos externos e torres metálicas para rolos externos, guarda copo, teto falso, sistema automático de passagem de ponta com polias, redutores e transmissão, sistema de quebras. Descrição detalhada N° 3 (D.I. 08/04472984) Caldeira de recuperação completa, denominada de água superaquecida, desmontada para transporte, composta de paredes tubulares da fornalha, fundo da fornalha, balão de vapor, paredes tubulares do segundo passe, banco gerador, teto da fornalha, economizadores I e II, superaquecedores primários 1 e 2, secundário e terciário, tubulação de circulação de água e de vapor, tubulação de coleta e interligação, sopradores de fuligem, portas e limpador das entradas de ar, tanque de mistura com agitador, queima odores, instrumentos, válvulas manuais de controle, de segurança, para operação, sistema de coleta de cinzas, conexões de interligação, acessórios de montagem, filtros de vapor e condensado. A análise das Declarações de Importação em conjunto com o exame do contrato de empreitada global levou a auditoria a assinalar o que segue: Como se vê, as empresas exportadoras das máquinas e equipamentos, que serviram como base de apuração dos créditos de Pis e Cofins (incidentes na importação), são as mesmas empresas subcontratadas (Subfornecedores) dos pacotes EPC, responsáveis pelo fornecimento das ilhas de processamento que posteriormente foram vendidas pela Pöyry/Projetos Especiais na forma de prestação de serviços à Chamflora/VCPMS Celulose Sul Matogrossense. Dos arquivos apresentados, elaboramos [...] a planilha Notas Fiscais Segregadas e Consolidadas por CFOP. Nela se verifica a emissão de grande número de notas fiscais para a VCP MS Celulose Sul Matogrossense, no código 5949 (outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado). Esse código não se refere a vendas, para efeito de incidência do Pis/Pasep e Cofins. Fl. 2761DF CARF MF Processo nº 16349.000416/200973 Resolução nº 3201001.040 S3C2T1 Fl. 8 7 Algumas dessas notas fiscais foram apresentadas em resposta ao item II4 do Termo de Constatação e Intimação Fiscal. Na análise dessas notas, verificase que se trata de saída de mercadorias e equipamentos (com incidência de ICMS). A descrição dos produtos encontrase feita de forma resumida, porém nela identificamos as etapas de fornecimento (unidades de fabricação) anteriormente discriminadas: Materiais e Equipamentos Linha Fibras, Forno de Cal, Transportadores Pátio de Madeira, Material de Secagem, Tambor Descascador, Sistema de Tratamento de Água da Caldeira, Subestações Unitárias CCM, Elevador da Cremalheira, etc. Os dados dos arquivos das notas fiscais de saídas correspondentes às vendas (prestação de serviços) feitas à VCPMS Celulose Sul Matogrossense (Empreitada Global MT e Empreitada Global SV) foram apresentados sem a informação do código do CFOP e do código NCM. Os valores estão consolidados por trimestre, e resultam no montante de R$ 2.223.338.973,21 no ano de 2008. Os relatórios de validação dos arquivos fiscais (SVA) encontramse anexados [...]. Foi também apresentada a nota fiscal n° 011362, emitida em 25/09/2008, no código 5102 (venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros), para a VCPMS Celulose Sul Matogrossense, no valor de R$ 1.520.782,03. Nela não consta qualquer informação de que a venda está sendo efetuada com a suspensão da exigência do Pis/Pasep e da Cofins, conforme previsto no parágrafo 7º do artigo 14 da Lei n° 11.196/2005. [...]No item "F", o contribuinte alegou que seu objeto social é: (i) a realização de obras em regime de empreitada global, para a construção de unidades fabris, podendo promover a importação e posterior venda de equipamentos, materiais e sistemas, não executando serviços técnicos de engenharia, supervisão de engenharia e obras similares, e (ii) a participação em outras sociedades, seja exercendo o controle ou participando em caráter permanente com investimento em seu capital." Disse ainda que a construção em regime de empreitada global se sujeita à incidência das contribuições ao Pis/Pasep e da Cofins no regime cumulativo, conforme disposto no inciso XX do artigo 10 da Lei 10.833/03, cuja vigência foi prorrogada até 31/12/2010, pela Lei 11.945/2009. O contribuinte alegou ainda que a revenda de equipamentos se sujeitava ao regime não cumulativo, pois não estava expressamente descrita nas exclusões do artigo 10 da Lei 10.833/2003, que o adquirente encontravase habilitado no RECAP, e que, desta forma, todas as saídas foram beneficiadas com a suspensão das contribuições ao Pis e à Cofins. Desse modo, ele se creditou das contribuições, porém não gerou o respectivo débito na saída (em função da habilitação do adquirente no RECAP). Documentação complementar apresentada Em 27/09/2010, após reiteradas solicitações desta Auditoria, a empresa apresentou cópia do Anexo 1 e de parte dos Anexos 2 a 18 traduzidos para o idioma nacional. Foi também apresentada cópia do Mandado de Segurança n° 2008.61.00.001735 8, Decisão, Apelação e Certidão de Objeto e Pé de 23 de setembro de 2010, referente a pedido de exclusão da base de cálculo do Pis e da Cofins dos valores repassados pela impetrante aos subempreiteiros de construção civil subcontratados para execução de parte do Contrato de Construção da Fábrica de Celulose, bem como para que lhe seja assegurado o direito à restituição ou compensação do indébito tributário decorrente do recolhimento indevido das contribuições ao Pis e à Cofins sobre os ingressos que não acarretam impacto patrimonial referentes aos aludidos valores repassados. A liminar foi indeferida e, na sentença, foi julgado improcedente o pedido e denegada a segurança requerida. A Apelação foi recebida apenas em seu efeito devolutivo. Fl. 2762DF CARF MF Processo nº 16349.000416/200973 Resolução nº 3201001.040 S3C2T1 Fl. 9 8 Em 30/09/2010, a empresa apresentou descrição dos produtos componentes da nota fiscal n° 11362, de 25/09/2008, planilhas com o cálculo do Pis não cumulativo em 2008 e 2009 e cópia da DIPJ/2010. Com base nas informações colhidas, a autoridade fiscal conclui: Põyry Empreendimentos Industriais S/A, atual Projetos Especiais e Investimentos S/A, foi constituída em setembro de 2006, com prazo indeterminado de duração, e com um capital de apenas R$ 100,00. Inicialmente seu objeto social era a participação em outras sociedades, com investimento relevante em seu capital social (o que seria impossível com um capital de apenas R$ 100,00). Posteriormente foram incluídas as atividades de compra e venda de equipamentos, materiais e sistemas, consultoria e prestação de serviços de empreendimentos industriais, projetos e gestão industrial. Em dezembro de 2006, a empresa passou a ter prazo determinado de duração (devendo ser dissolvida de pleno direito quando atingido seu objeto social), e como finalidade específica, a construção em regime de empreitada global (entregar o empreendimento totalmente acabado e em plena condição de funcionamento) de uma fábrica de celulose considerada atualmente a maior fabrica de celulose do mundo de mais de 2,5 bilhões de reais, com previsão de término em 2009. Em todo esse período não foi realizado nenhum aporte de capital na empresa, ou seja, seu capital social continuou sendo de apenas R$ 100,00 108. Para alcance de seu objeto social, a empresa realizou importações de mais de 750 milhões de reais em máquinas e equipamentos, contratou segundo suas próprias informações com mais de mil e duzentas empresas e efetuou pagamentos com retenção de imposto de renda na fonte a vinte e duas pessoas físicas e duzentos e dezenove pessoas jurídicas no montante de mais de 492 milhões de reais (só em 2008). Só à Põyry Tecnologia Ltda, foram feitos pagamentos de R$ 154.100.089,42. Os recursos foram fornecidos pela própria encomendante da obra a Chamflora Três Lagoas/VCPMS Celulose Sul Matogrossense Ltda. Os diretores da empresa à época de sua constituição eram Roberto Figueiredo Mello, e Ricardo Campos Caiuby Arani, ambos advogados, e que logo deram lugar a Maris Ansis Tamsons, Carlos Alberto Farinha e Silva, e Cláudio César Bertran, todos ligados ao grupo Póyry. Terminado o empreendimento, os diretores vinculados à Projetos Especiais e Investimentos S/A deram lugar a outros vinculados à Aracruz Celulose (atual Fibria), ou à VCP (também pertencente ao grupo Fibria), e a empresa passou a pertencer à Fibria O contrato de construção da fábrica é composto de uma parte geral e mais dezoito anexos (que não foram apresentados em sua totalidade), nos quais estão inseridos os pontos mais importantes deste. A Projetos Especiais e Investimentos S/A, realizou as importações de máquinas e equipamentos, formalizou os contratos com os subfornecedores para fornecimento dos pacotes EPC que juntos formam a fábrica de celulose e entregou a fábrica à encomendante na forma de prestação de serviço. Seu quadro de funcionários fixos é de apenas dez empregados, sendo duas assistentes de secretaria, um assistente de contratos, um analista de importação sênior, uma auxiliar de Fl. 2763DF CARF MF Processo nº 16349.000416/200973 Resolução nº 3201001.040 S3C2T1 Fl. 10 9 limpeza, um diretor financeiro (ligado ao grupo Póyry), um gerente e um consultor de projetos, um auxiliar de serviços gerais, e um consultor financeiro. Obviamente este quadro de funcionários não seria suficiente para dar suporte a um empreendimento de tamanha monta. Verificase que, embora a função da Projetos Especiais e Investimentos S/A (FORNECEDORA) tenha sido a de contratar os SUBFORNECEDORES para, de acordo com as Especificações Técnicas estabelecidas no Anexo 1 do contrato, obter e fornecer as chamadas "PROCESS ISLANDS" e os PACOTES EPC", as interconexões necessárias e os sistemas auxiliares, e outros sistemas, materiais e serviços e, desta forma, entregar a FÁBRICA DE CELULOSE à PROPRIETÁRIA (Chamflora/VCPMS Celulose), e embora tenha contratado, segundo suas próprias palavras, mais de 1.200 (um mil e duzentos) fornecedores, ela não dispunha em seu quadro de funcionários, de sequer um advogado para elaboração/análise e acompanhamento desses contratos. No contrato consta que a Fornecedora Projetos Especiais e Investimentos S/A estava condicionada a contratar a Póyry Tecnologia Ltda para prestação dos serviços de engenharia, compras e gerenciamento da construção, definição das especificações técnicas dos materiais e serviços prestados pelos subfornecedores, acompanhamento da obra no seu todo, o que na prática, significa que a responsabilidade pela entrega da obra era desta última empresa. A empresa que efetivamente gerenciou a obra, realizando os serviços EPCM, e a efetiva entrega da fábrica de celulose, foi a Póyry Tecnologia Ltda CNPJ 50.648.468/000165, empresa pertencente ao grupo Póyry com vasto histórico na realização de obras/projetos de grande envergadura. Esta empresa tinha como responsável legal o Sr. Maris Ansis Tamsons, o mesmo responsável legal pela Póyry Empreendimentos Industriais S/A. A Chamflora/VCPMS Celulose Sul Matogrossense Ltda encontravase habilitada no regime especial de aquisição de bens de capital para empresas exportadoras RECAP, obtida por meio do Ato Declaratório n° 38 de 4 de dezembro de 2006, que lhe dava o direito de adquirir máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos novos com suspensão das contribuições para o Pis/Pasep e Cofins. O preceito está contido no inciso I do artigo 14 da Lei n° 11.196/2005. A suspensão convertese em alíquota zero depois de cumprido o compromisso de exportação (parágrafo 8° do artigo 14 da Lei n° 11.196/2005, e artigo 10 do Decreto n ° 5.649/2005). máquinas/equipamentos. Ela prestou serviços que foram entregues em pacotes/unidades de processamento ou fabricação e o conjunto desses pacotes constituía a fábrica de celulose, constante do contrato feito com a Chamflora/VCP MS Celulose Sul Matogrossense Ltda. Os créditos de Pis/Pasep e Cofins que a Projetos Especiais pleiteia, se referem a recolhimentos dessas contribuições feitos por ela na importação de máquinas e equipamentos cujos principais exportadores foram a Andritz Oy Fiberline Division, e a Metso Power AB. Essas mesmas empresas são fornecedoras de pacotes (EPC) referentes a unidades de fabricação (caldeira de recuperação completa, linha de fibras, secagem, etc.) que irão compor a fábrica de celulose, conforme se depreende da leitura dos contratos dos subfornecedores e dos demais documentos apresentados. A lei que instituiu o Recap, não prevê a suspensão do Pis e da Cofins nas aquisições de serviços (pacotes), nos quais as máquinas/equipamentos relacionados no Decreto estejam incluídos, sendo condição essencial para que a venda seja feita com suspensão das contribuições, que constem nas notas fiscais de venda a expressão "Venda efetuada com suspensão da exigência da Contribuição para o Pis/Pasep e da Cofins", com Fl. 2764DF CARF MF Processo nº 16349.000416/200973 Resolução nº 3201001.040 S3C2T1 Fl. 11 10 especificação do dispositivo legal correspondente, conforme consta no parágrafo 7° do artigo 14 da Lei n° 11.196/2005. Estas disposições legais não foram atendidas. As revendas de mercadorias da Projetos Especiais (Revenda Mercadorias MI código conta 41101100) foram feitas em número de duas e ambas realizadas em 25/09/2008. O valor total dessas vendas foi de R$ 1.588.767,19. Na nota fiscal n° 011362, no valor de R$ 1.520.782,03, não consta a informação de que a venda estava sendo efetuada com suspensão da exigência do Pis/Pasep e da Cofins, ou seja, não foi obedecido o preceito legal constante do parágrafo 7° do artigo 14° da Lei n° 11.196/2005. Portanto, aqui também a disposição legal não foi atendida. Nos arquivos contábeis e de notas fiscais apresentados, as vendas de mercadorias, correspondem a menos de 1% do total de vendas, o restante (99,93%), corresponde a venda de serviços. Ou seja, a Projetos Especiais não realizou vendas de produtos (máquinas/equipamentos) com suspensão do Pis/Pasep e da Cofins ao contrário do que foi informado no Dacon , que pudessem gerar os créditos pleiteados. O contribuinte adquiriu serviços e produtos, e apurou receitas de prestação de serviço de R$ 2,22 bilhões de reais que correspondem a mais de 99% (noventa e nove por cento) do valor total das receitas auferidas. Na prestação dos serviços subcontratados, estão incluídas diversas atividades: planejamento, projetos, compras de máquinas, equipamentos e peças nos mercados interno e externo, construções civis, montagens, vistorias, acompanhamentos, treinamentos, etc. Na tributação das contribuições (Pis/Pasep e Cofins) referentes à receita de prestação de serviço, o contribuinte utilizouse de disposição contida no inciso XX do artigo n° 10 da Lei n° 10.833/2003 (redação dada pela Lei n° 10.865/2004, e alterada pela Lei n° 11.434/2006), e considerou toda essa receita sujeita ao regime cumulativo de apuração. Embora o fornecimento da fábrica englobasse uma série muito grande de atividades, conforme já visto anteriormente, o contribuinte considerou toda ela como sendo uma obra de construção civil, (inciso XX do artigo 10 da Lei 10.833/2003 c/c inciso V do artigo 15 da mesma lei, com redação dada pelas leis 10.865/2004 e 11.051/2004), e apurou as contribuições ao Pis/Pasep e à Cofins pelo regime cumulativo (alíquotas de 0,65% e 3%, respectivamente). De acordo com as disposições contidas nos parágrafos 7° e 8° do artigo 3° da Lei n° 10.637/2002, na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência não cumulativa do Pis/Pasep e da Cofins em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado exclusivamente em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas No caso em análise, 99,93% (noventa e nove inteiros e noventa e três centésimos porcento), das receitas foram apuradas no regime cumulativo. Com relação aos restantes 0,07% (sete centésimos porcento) decorrentes da saída no regime não cumulativo, as vendas não obedeceram ao disposto no parágrafo 7odo artigo 14 da Lein° 11.196/2005. No contrato da fábrica de celulose, a Projetos Especiais e Investimentos S/A se obrigou a entregar a fábrica em plenas condições de funcionamento (regime de empreitada global). O regime de empreitada global envolve a realização de uma série de atividades/processos, tais como a realização de estudos preliminares de viabilidade, projetos básicos, projetos executivos, aquisição de materiais e equipamentos, execução de obras e montagens, acompanhamento, treinamento de equipes de operação e manutenção, etc, que a Projetos Especiais não teria condições de realizar (em condições normais, o empreendimento seria realizado por um consórcio de empresas, ou uma Fl. 2765DF CARF MF Processo nº 16349.000416/200973 Resolução nº 3201001.040 S3C2T1 Fl. 12 11 sociedade de propósito específico constituída por sócios e/ou interessados no empreendimento, com capital financeiro que desse suporte ao empreendimento). No contrato de fornecimento da fábrica a Projetos Especiais foi autorizada a realizar contratos com "subfornecedores" para entrega das ilhas de processamento (Pacotes EPC), que se tratavam de verdadeiras unidades fabris, cujos (sub)fornecedores eram muitas vezes os próprios exportadores dos equipamentos. As receitas auferidas pela Projetos Especiais no fornecimento da fábrica de celulose foram praticamente em sua totalidade obtidas na forma de prestação de serviços, nos quais se encontram incluídas as máquinas e equipamentos importados pela Põyry Empreendimentos/Projetos Especiais e Investimentos S/A. Na realidade, a Projetos Especiais e Investimentos S/A é uma empresa com capital de apenas R$ 100,00, criada a partir de combinação entre a VCPMS Celulose Sul Matogrossense Ltda e dirigentes do grupo Põyry, que se apropriou irregularmente de créditos do Pis/Pasep e Cofins a que não tem direito, ao arrepio de variadas disposições legais. Em suas operações, a Projetos Especiais e Investimentos S/A realizou compras, importações, fechamentos de contratos, etc, em valores muito superiores ao que seu capital, estrutura física e de pessoal permitiriam, para entrega de uma fábrica de celulose no valor de mais de R$ 2,5 bilhões de reais, a qual é considerada a maior fábrica de celulose do mundo. Nessas operações, ainda que dispusesse de um capital muito pequeno, gerou, em 2008, débitos de Pis e Cofins de R$ 81,38 milhões. Esses débitos, assim como outras obrigações tributárias assumidas (substituição tributária) como recolhimentos de IRRF, ou de Contribuições Sociais Retidas na Fonte decorrentes de pagamentos a P. Jurídicas de Direito Privado, foram compensados com os créditos irregularmente apurados de Pis e Cofins, nas Importações de máquinas/equipamentos, bem como com créditos decorrentes de recolhimentos (a maior) de IRPJ e Saldos Negativos de IRPJ de períodos anteriores, sendo que a empresa apurou prejuízo em quase todos os períodos. Não há, portanto que se falar em ressarcimento/compensação créditos do Pis/Pasep e Cofins no quarto trimestre de 2008, visto que não se encontram presentes os requisitos previstos em lei para o seu atendimento. Em contrapartida a VCPMS Celulose Sul Matogrossense, atual Fibria MS Celulose Sul Matogrossense Ltda, CNPJ: 36.785.418/000107, adquiriu equipamentos e máquinas com benefício INDEVIDO da suspensão das contribuições ao Pis e à Cofins, conforme declaração prestada no item "F" da resposta ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal. Ao fim, o despacho decisório atribui responsabilidade solidária pelo cumprimento dos débitos indevidamente compensados: Da Imputação de responsabilidade à VCPMS Celulose Sul Matogrossense, atual Fibria MS Celulose Sul Matogrossense Ltda, CNPJ: 36.785.418/000107 e às demais empresas São solidariamente obrigadas com base no artigo n° 124 da Lei n° 5.172/66 (CTN) as empresas VCPMS Celulose Sul Matogrossense, atual Fibria MS Celulose Sul Matogrossense Ltda, CNPJ: 36.785.418/000107, e Fibria Celulose S/A, CNPJ: 60.643.228/000121, em razão de todo o exposto, dos documentos e pesquisas anexadas a este processo, que deixam à mostra a montagem de operação entre as empresas, com o objetivo de reduzir o recolhimento de tributos, e de deixar a responsabilidade pelo Fl. 2766DF CARF MF Processo nº 16349.000416/200973 Resolução nº 3201001.040 S3C2T1 Fl. 13 12 recolhimento dos débitos gerados pelas operações realizadas à empresa sem patrimônio para responder por tais débitos. E também obrigado pelo cumprimento da obrigação principal decorrente dos fatos acima relatados com base nos artigos n° 134 e 135 da Lei n° 5.172/66 (CTN) , Maris Ansis Tamsons, CPF: 348.398.52715. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE PESSOA JURÍDICA PROJETOS ESPECIAIS Cientificada do teor do despacho decisório em 05/05/2011, em 06/06/2011 a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 1.402/1.441, contestando a decisão que indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as compensações vinculadas com base no que segue. Abrem a defesa alguns esclarecimentos sobre as operações que originaram os pleiteados créditos do regime da não cumulatividade apurados sobre as importações. Diz a interessada: Em 20.12.2006, a Requerente celebrou contrato com a Chamflora Três Lagoas Agroflorestal Ltda., depois denominada VCPMS Celulose Sul MatoGrossense Ltda. ("VCPMS"), por meio do qual a Requerente se comprometeu a construir uma Fábrica de Celulose no Município de Três Lagoas (MS), mediante empreitada global. Para construção da referida Fábrica, a VCPMS se comprometeu a antecipar à Requerente o valor de R$ 2.489.700.714,28 (dois bilhões, quatrocentos e oitenta e nove, setecentos mil e setecentos e catorze reais e vinte e oito centavos), de modo que a mesma pudesse fortalecer sua posição de negociação junto aos Subfornecedores, tal como explicitado no referido contrato. Este valor foi depositado em uma conta bancária para que gerasse rendimentos financeiros, os quais, por sua vez, haveriam de ser também revertidos para a construção da fábrica. Tendo em vista que, durante a construção, se constatou que a Fábrica de Celulose deveria ter uma capacidade maior de produção do que a prevista inicialmente, a VCP MS e a Requerente optaram, em 30.11.2007, por aumentar o preço de fornecimento para R$ 2.924.752.388,94 (dois bilhões e novecentos e vinte e quatro milhões e setecentos e cinqüenta e dois mil e trezentos e oitenta e oito reais e noventa e quatro centavos), conforme o Terceiro Aditivo de Fornecimento de Fábrica de Celulose [...] Por fim, as partes acordaram em majorar novamente o preço de fornecimento para R$ 3.750.000.000,00 (três bilhões e setecentos e cinqüenta milhões de reais), segundo dispõe o Quarto Aditivo ao Contrato de Fornecimento datado de 31.10.2008 [...] cuja diferença de R$ 825.247.611,0 constituiria um "Preço Adicional" a ser fornecido na medida em que a Requerente apresentasse as faturas correspondentes aos custos incorridos. O início da construção do empreendimento em Três LagoasMS se deu em Setembro de 2006, tendo sido finalizado em Novembro de 2009. Para a construção da Fábrica de Celulose, a Requerente, no decorrer do anocalendário de 2008, realizou diversas importações de máquinas destinadas a revenda no mercado interno à VCPMS. Por sua vez, quando das referidas importações, a Requerente efetuou o recolhimento dos respectivos tributos devidos [...] Ato contínuo, como previsto em contrato, depois de realizadas as referidas importações, as mercadorias foram revendidas à VCPMS, pessoa jurídica beneficiária do Regime Especial de Aquisição de Bens de Capital para Empresas Exportadoras ("RECAP"), conforme atesta o Ato Declaratório Executivo n° 0038/2006 [...] A manifestação inclui figura que esquematiza as operações da Fl. 2767DF CARF MF Processo nº 16349.000416/200973 Resolução nº 3201001.040 S3C2T1 Fl. 14 13 contribuinte: Tendo em vista a complexidade de todo o processo de instalação da fábrica, a Requerente abrirá adiante capítulo exclusivo para detalhar o modo como ocorreram as importações e posteriores revendas das mercadorias, para, então, evidenciar a legitimidade dos créditos [... ] DAS IMPORTAÇÕES E SUBSEQÜENTES REVENDAS DAS MERCADORIAS NO MERCADO INTERNO Conforme exposto, a Requerente realizou diversas importações durante o anocalendário de 2008, para posterior revenda à VCPMS. Em razão do tamanho e da complexidade das máquinas importadas, o desembarque era feito de forma fracionada. Estes fracionamentos se mostravam necessários ante a impossibilidade de os bens importados serem transportados em um único veículo, motivo pelo qual eram desembaraçados em diversas etapas, restando terminado o processo de importação apenas quando do desembaraço do último componente do bem. Assim, as importações de diversas mercadorias foram suportadas por Declarações de Importação Únicas ("DlÚnica"), de acordo com o artigo 61, da Instrução Normativa n° 680/2006, [...] Não de outro modo, tendo em vista que o processo de importação terminava apenas quando do desembaraço do último componente do bem, somente nesse momento é que se tornava possível a emissão da nota fiscal de entrada do equipamento importado. Depois de realizadas as importações, as mercadorias eram então desembaraçadas nos portos brasileiros e seguiam mediante Regime Especial de Trânsito Aduaneiro ("DTA") até a Fábrica de Celulose em Três LagoasMS. Conforme dispõe o artigo 267 do Decreto n° 4.542/2002 (Regulamento Aduaneiro aplicável à época), as mercadorias eram transportadas com a suspensão dos tributos. Já no local da construção da Fábrica de Celulose, os equipamentos importados eram então vistoriados por um Fiscal da Receita Federal do Brasil e abertos, um a um, para descarregamento das partes dos equipamentos na fábrica. Em seqüência, era realizado o processo de montagem de todas as partes para se constituir em um equipamento final em condições de ser revendido. Fl. 2768DF CARF MF Processo nº 16349.000416/200973 Resolução nº 3201001.040 S3C2T1 Fl. 15 14 Como já se percebe, havia um lapso temporal significativo (cerca de um ano) entre o desembaraço dos bens importados de forma fracionada e a conclusão da montagem dos equipamentos. Por conta disso, todas as notas fiscais de revenda só puderam ser emitidas em 2009, quando da conclusão da montagem dos equipamentos. Feitas essas considerações, a Requerente procura demonstrar a legitimidade dos créditos. Inicialmente, identificase como contribuinte sujeita ao recolhimento das contribuições ao PIS e COFINS, parte no regime cumulativo, parte no sistema nãocumulativo: Isto porque, conforme dispõe o artigo 10, inciso XX, da Lei n° 10.833/03, todas as receitas decorrentes da execução por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, deverão permanecer sujeitas ao regime cumulativo. Nesse sentido, todas as receitas auferidas pela Requerente decorrentes de prestação de serviço de empreitada foram submetidas ao regime cumulativo de PIS e COFINS, como atestam as Declarações de Apuração das Contribuições Sociais ("DACON") [...] A própria Autoridade Fiscal, no Despacho Decisório, reconheceu esta circunstância. Entretanto, parece ter passado despercebido à Fiscalização o fato de que a Requerente não possui apenas receitas decorrentes de prestação de serviço; diversamente, aufere também receitas de revenda no mercado interno de mercadorias importadas como já exposto no tópico anterior , estas sim sujeitas ao regime da nãocumulatividade do PIS/COFINS, conforme dispõe o artigo 15, da Lei n ° 10.865/2004, in verbis: "Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para 0 PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2° e 3° das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1° desta Lei, nas seguintes hipóteses: 1 bens adquiridos para revenda; (...) § 1° O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. (...)" (grifouse) E, como se depreende da leitura do dispositivo legal acima reproduzido, as pessoas jurídicas que importam bens para posterior revenda podem se creditar do valor devidamente pago a título de COFINSImportação na importação das mercadorias a serem revendidas. E é exatamente esta a situação em análise nestes autos. Os créditos pleiteados pela Requerente são oriundos do pagamento de COFINSImportação quando das importações de máquinas realizadas durante o anocalendário de 2008, a serem posteriormente revendidas à VCPMS. Ocorre que, sendo a VCPMS pessoa jurídica beneficiária do RECAP, a exigência dos valores de PIS e de COFINS estava suspensa quando da saída das mercadorias para revenda, por força do artigo 14, I, da Lei n° 11.196/05. Dessa forma, a Requerente ficou impossibilitada de aproveitar os créditos oriundos do recolhimento de COFINS Importação gerados a partir das importações dos bens revendidos. Vejase o que dispõe o dispositivo: Fl. 2769DF CARF MF Processo nº 16349.000416/200973 Resolução nº 3201001.040 S3C2T1 Fl. 16 15 "Art. 14. No caso de venda ou de importação de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, fica suspensa a exigência: I da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita bruta da venda no mercado interno, quando os referidos bens forem adquiridos por pessoa jurídica beneficiária do Recap para incorporação ao seu ativo imobilizado; (...)" (grifouse) Assim, diante da impossibilidade de a Requerente compensar os valores efetivamente pagos a título de COFINSImportação com os tributos devidos quando da revenda das mercadorias uma vez que, por força do dispositivo legal acima reproduzido, os mesmos encontravamse suspensos , a Requerente acumulou os créditos de COFINSImportação que deram origem às PER/DCOMPs em questão. A este propósito, confiramse os dados da seguinte tabela, que demonstram os valores que foram pagos pela Requerente a título de COFINSImportação, relativos ao 1° trimestre de 2008, quando das importações das mercadorias para posterior revenda: [seguese tabela de fl. 1.359] Portanto, conforme comprovam as Declarações de Importação, a Requerente efetuou o recolhimento de COFINSImportação devido quando das importações realizadas para posterior revenda. Outrossim, conforme exposto acima, todas as mercadorias foram efetivamente revendidas à VCPMS, sendo certo, portanto, o seu direito ao crédito de COFINSImportação atinente ao 4° trimestre de 2008. Continuando, contrapõese a empresa às alegações expostas pela Administração Fiscal, primeiramente no que diz respeito à ausência de indicação dos créditos em foco no DACON: [...] tais créditos não puderam ser escriturados em DACON, pelos simples motivo de que, como visto, as importações foram suportadas por DI's Únicas, haja vista que a importação dos bens se deu por meio de desembarques fracionados. Como é de orientação da própria Receita Federal do Brasil, como se pode extrair de seu sítio na internet, a DACON deve ser preenchida mensalmente, sendo que a gravação final somente será processada caso todos os meses estejam preenchidos, in verbis: "O programa Dacon Semestral permite o preenchimento de forma mensal, porém a gravação só é feita após todos os meses necessários dentro de um semestre estarem preenchidos e sem erros. A consolidação semestral agrupa todos os demonstrativos cujas características permitam montar apenas um documento a ser transmitido à RFB. A retificação, caso seja necessária, deverá ser feita nos demonstrativos mensais, porém a transmissão englobará todos que compõem o semestre, mesmo daqueles meses em que não houve alteração, não sendo admitida a transmissão de forma isolada (mensal). Com o advento do programa Dacon Mensal Semestral, o preenchimento, a gravação e a transmissão dos Demonstrativos com periodicidade semestral ocorrem de forma isolada em relação a cada um dos meses que compõem o semestre, sendo, conseqüentemente, emitidos recibos distintos para cada mês. " (grifouse) Fl. 2770DF CARF MF Processo nº 16349.000416/200973 Resolução nº 3201001.040 S3C2T1 Fl. 17 16 Por conta disso, a Requerente, diante de um sistema da Receita Federal que se mostrava incapaz de refletir as DI únicas, se viu operacionalmente impedida de declarar os créditos de COFINSImportação, uma vez que as importações se davam por desembarque fracionado, sendo que, somente quando do desembaraço do último componente, é que se mostrava possível a emissão da respectiva nota fiscal e finalização da Declaração de Importação. Contudo, como é evidente, a impossibilidade prática de inclusão dos créditos oriundos das importações com desembarque fracionado em DACON não pode ser invocada pelo Fisco como óbice ao reconhecimento dos créditos de COFINSImportação a que faz jus a Requerente. [...] Ademais, fazse imperativo aplicar ao caso concreto o Princípio da Verdade Material, que é um dos alicerces formadores do processo administrativo fiscal e que impede os julgadores de omitiremse de investigar ou mesmo aprofundar o exame da realidade dos fatos. [...] Sob este prisma, resta claro que, sob as luzes do princípio da verdade material e tendo em vista as peculiaridades do presente caso, a ausência de escrituração dos créditos de COFINSImportação em DACON não deve e não pode ser considerado óbice ao aproveitamento do crédito a que tem direito a Requerente, por força de expressa previsão legal. [...] Diante do exposto, é de se concluir que os créditos de COFINSImportação, mesmo que não tenham sido escriturados em DACON por força de uma fragilidade dos sistemas informatizados da Receita Federal, não podem ser recusados se forem assegurados tal como são pela legislação de regência. O crédito existe de fato e não pode ser ignorado pelas Autoridades Administrativas. Em relação ao auferimento das receitas pela revenda dos equipamentos importados, esclarece a interessada que todas as receitas, tanto de prestação de serviços quanto de revenda de mercadorias internas foram recebidas antecipadamente quando do pagamento da VCPMS para a execução do Contrato de Fábrica de Celulose. E prossegue: Ou seja, sendo previamente acordado que a Requerente importaria mercadorias para posterior revenda, a VCPMS antecipou, no final do anocalendário de 2006, o pagamento no valor total de R$ 2.544.475.523,34 [...] Além disso, mesmo durante a construção da fábrica, na medida em que os recursos financeiros eram necessários, a VCPMS realizava aportes financeiros em favor da Requerente sempre limitados o Preço de Fornecimento, no valor de R$ 3.750.000.000,00 [...] Em resumo, é de se afirmar que, no ano de 2 008, a Requerente já havia recebido da VCPMS o valor de R$ 3.020.464.383,34 (incluindo os rendimentos financeiros) [...] Em contrapartida, na medida em que a Requerente incorria nos custos de importação dos bens, creditavase do passivo na conta 22901115 "Obras a Entregar" como "Aporte VCP" [...]. Assim, o efetivo pagamento pela VCPMS, no que tange às compras dos bens importados pela Requerente, se deu ao longo dos anos de 2006, 2007 e 2008. Fl. 2771DF CARF MF Processo nº 16349.000416/200973 Resolução nº 3201001.040 S3C2T1 Fl. 18 17 Em suma, temse o seguinte cenário: no final do anocalendário de 2008, após a realização de todas as importações, a Requerente era detentora de um caixa de R$ 3.020.464.383,34, sendo que: (i) R$ 656.034.392,72 referiamse às receitas de revenda das mercadorias eequipamentos importados; e (ii) R$ 2.225.774.533,62 referiamse receitas de prestação de serviços(empreitada global). As receitas de prestação de serviço, como bem apontado no Despacho Decisório atacado, foram refletidas no Balanço Patrimonial encerrado em 31.12.2008 [...]; as receitas de revenda dos bens importados, por sua vez, foram devidamente demonstradas no Balanço Patrimonial encerrado em 31.12.2009 [...], ao passo que as revendas físicas efetivamente só se deram em 2009 [...]. Em novo item, o documento de defesa afirma que os bens importados teriam sido efetivamente revendidos à VCPMS o que lhe gerou uma receita de revenda no mercado interno no importe de R$ 656.034.392,72 combatendo a tese fiscal de que todas as receitas auferidas seriam decorrentes de prestação de serviços de empreitada global, atividade sujeita ao regime cumulativo das contribuições sociais e, dessa forma, não geradoras de créditos no regime da não cumulatividade. Diz a requerente: [...] todas as notas fiscais de revenda dos bens importados, cujas saídas estavam beneficiadas pela suspensão de PIS/COFINS por conta do RECAP, somente puderam ser emitidas pela Requerente no anocalendário de 2009, em razão do longo tempo necessário para montagem dos bens cuja importação e desembaraço se dera de forma fracionada. Por isso, a revenda "efetiva" das mercadorias somente se aperfeiçoou em 2009, quando finalizado o processo de desembaraço, remessa das partes e montagem das máquinas já na Fábrica de Celulose. Só então as notas fiscais de revenda puderam ser emitidas. Dada essa peculiaridade da operação em análise, e exclusivamente por conta disto, a Autoridade Fiscal terminou por entender, erradamente, que os bens importados não teriam sido revendidos, o que a levou a concluir que a Requerente não teria direito ao aproveitamento dos créditos de COFINSImportação. No entanto, frente às explicações e comprovações que tomam lugar nestes autos, não há como se sustentar o equivocado entendimento fiscal. Mesmo porque, conforme se pode depreender da DIPJ/2010 [...] e do Balanço Patrimonial encerrado em 31.12.2009 [...], as revendas dos equipamentos importados, diferentemente do quanto alegado no Despacho Decisório vergastado, propiciaram à Requerente uma receita de R$ 656.034.392,72. [...] Para comprovar documentalmente a efetiva revenda dos bens importados, a Requerente traz aos autos a seguinte tabela demonstrativa, contemplando as DIs, as Notas Fiscais de Entrada e de Saída e o Livro Registro de Saída, de forma a demonstrar (i) as importações dos equipamentos e o destaque do CofinsImportação (DI's e Notas Fiscais de Entrada) e (ii) a posterior revenda das mercadorias (Notas Fiscais de Saída e Livro Registro de Saída) Da análise da tabela acima reproduzida concluise com facilidade que, diversamente do quanto sustentado pela Autoridade Fiscal, a Requerente efetivamente revendeu as Fl. 2772DF CARF MF Processo nº 16349.000416/200973 Resolução nº 3201001.040 S3C2T1 Fl. 19 18 mercadorias importadas à VCPMS e, portanto, faz jus à apropriação do crédito de CofinsImportação relativo ao 4° trimestre de 2008. [seguese tabela com DI e notas de entrada e saída ] [...] E de se destacar, também, que o próprio Fiscal confirmou que as revendas dos equipamentos importados efetivamente ocorreram: "Em contrapartida a VCPMS Celulose Sul Matrogrossense, atual Fibria MS Celulose Sul Matrogrossense Ltda, CNPJ 36.785.418/00010.7, adquiriu equipamentos e máquinas com benefício INDEVIDO da suspensão das contribuições ao Pis e à Cofins, conforme declaração prestada no item "F" da resposta ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal." [...] Ou seja, ao sugerir que a VCPMS teria se beneficiado indevidamente do RECAP (o que também não procede), a Autoridade Fiscal terminou por reconhecer e confirmar a efetividade da compra dos bens que haviam sido importados pela Requerente. Tal contradição só vem enfraquecer ainda mais a falaciosa acusação fiscal e, pois, confirmar toda a tese defendida pela Requerente. Portanto, o crédito de COFINSImportação pleiteado pela Requerente deve ser integralmente reconhecido. Havendo considerado comprovados tanto o recolhimento da contribuição incidente sobre a importação dos bens, assim como a efetiva revenda dos bens, discorre a contribuinte sobre a legitimidade do crédito pleiteado em ressarcimento e aproveitado nas compensações: Como já esclarecido nos tópicos anteriores, a Requerente, de fato, se viu impossibilitada de utilizar os créditos de COFINSImportação quando da revenda das mercadorias importadas à VCPMS, uma vez que a compradora era pessoa jurídica beneficiária do RECAP e, portanto, a exigência do PIS e da COFINS incidente sobre as respectivas receitas encontravase suspensa. Diante disso, para aproveitar os créditos a que fazia jus, a Requerente utilizouos em diversos procedimentos de compensação. E assim o fez autorizada, inclusive, pela Instrução Normativa n ° 600/2005 (aplicável à época), que assim dispunha no artigo 21: "Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3° da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: (...) II custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência; ou (...) § 4° O disposto no inciso II aplicase aos créditos da Contribuição para 0 PlS/Pasep Importação e à CofinsImportação apurados na forma do art. 15 da Lei n ° 10.865, de 30 de abril de 2004. (...) § 6° A compensação dos créditos de que tratam os incisos II e III e o § 4 o somente poderá ser efetuada após o encerramento do trimestrecalendário. Fl. 2773DF CARF MF Processo nº 16349.000416/200973 Resolução nº 3201001.040 S3C2T1 Fl. 20 19 (...)" (grifouse) E a base legal da autorização regulamentar recai sobre o artigo 17, da Lei n ° 11.033/2004: "Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações." Por fim, apenas para que não restem dúvidas acerca da possibilidade de compensação dos créditos de COFINSImportação em hipóteses como a destes autos, invocase o artigo 16 da Lein° 11.116/05: "Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3° das Leis nos 10.63 7, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: 1 compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou (...)" (grifouse) [...] Desta feita, reconhecido o direito creditório da Requerente e a possibilidade de o mesmo ser utilizado para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, impõese a homologação de todas as compensações. A distância temporal entre as importações e a apropriação do crédito, por conta da forma fracionada da internação dos bens, é próximo tema da manifestação. Alega a contribuinte que o pagamento da CofinsImportação quando do desembaraço das mercadorias importadas para posterior revenda por si só, já seria fato constitutivo do direito de tomada do crédito. Reforça que das Declarações de Importação constam a informação de que os equipamentos foram importados com o propósito de revenda. Assim, pondera: [...] é necessário reconhecer a correção do procedimento adotado pela Requerente quando da apropriação dos créditos de CofinsImportação e sua utilização para compensação com débitos de outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Mesmo porque não se pode perder de vista que os valores que viriam a fazer frente à compra das mercadorias no mercado interno já haviam sido creditados pela VCPMS em favor da Requerente nos anos de 2007 e 2008, quando dos aportes dos pagamentos antecipados. Somente a revenda "efetiva" ocorreu em 2009. Afinal, também não se pode esquecer que, ao tratar de PIS e COFINS, se fica diante de contribuições que incidem sobre a "receita" do contribuinte; considerandose que as receitas de revenda estão estritamente ligadas às importações dos equipamentos, de todo desnecessário que a revenda se dê no mesmo período. [...] Fl. 2774DF CARF MF Processo nº 16349.000416/200973 Resolução nº 3201001.040 S3C2T1 Fl. 21 20 Portanto, a revenda "física" não tem, no caso em análise, a relevância que pretendeu lhe imprimir a i. Autoridade Fiscal, pois se mostra plenamente suficiente à apropriação e compensação dos créditos que concorram os requisitos legalmente exigidos: pagamento do CofinsImportação quando das importações e posterior revenda dos bens importados no mercado interno. Nada além disso. Assim, tendo em vista que, in casu, a Requerente efetivamente efetuou a revenda das mercadorias importadas no mercado nacional, não há motivo para que seja glosado o crédito decorrente do pagamento de CofinsImportação. Como dito, a finalidade da norma (revenda física das mercadorias importadas) foi cumprida. Ainda que não se considere a argumentação sobre a correção do procedimento, entendendose que à contribuinte não cabiam os créditos calculados sobre as importações antes da emissão das notas fiscais de venda, agrega que o fato apenas consistiria na antecipação da utilização dos créditos a que faria jus em 2009, efeito similar ao da postergação do pagamento de IRPJ, situação bastante conhecida pela jurisprudência administrativa. Abrindo nova frente, a defesa vê fragilidade nas acusações fiscais quanto à afirmação de que a contribuinte não teria operações próprias, havendo elaborado a montagem de operações com a contratante da empreitada com o objetivo de reduzir o recolhimento de tributos, e de deixar a responsabilidade pelo recolhimento dos débitos gerados pelas operações realizadas à empresa sem patrimônio para responder. Assinala a requerente que: A atuação da Requerente em todas as etapas do processo se deu, integralmente, com observância aos preceitos societários, civis e fiscais, não caracterizando nenhum ato ilícito. Já de início, é preciso lembrar que o regime de empreitada global é muito comum nas construções de engenharia de grande porte, sendo regido pelos artigos 610 e seguintes do Código Civil de 2002. [...] Assim, os contratos de construção por regime de empreitada global são de livre iniciativa privada, resultantes da vontade das partes. In casu, vêse que a Requerente, logo que celebrou o Contrato de Fornecimento de Fábrica de Celulose em 20.12.2006 com a VCPMS, alterou seu objeto social para "construção, em regime de empreitada global, de uma fábrica de celulose a ser instalada no município de Três Lagoas, Estado do Mato Grosso do Sul, com início de construção no ano de 2007 e término previsto em 2009, podendo promover a importação e posterior venda de equipamentos, materiais e sistemas, não executando serviços técnicos de engenharia, supervisão de engenharia de obras e similares." Isto porque, ante a magnitude do projeto encomendado pela VCPMS, a Requerente passou a dedicarse exclusivamente à Construção da Fábrica de Celulose, de modo a oferecer um tratamento diferenciado, específico e exclusivo à VCPMS. E foi exatamente por esse motivo que a VCPMS optou por contratar a Requerente. Tal conclusão é facilmente extraída do próprio Contrato de Fornecimento de Fábrica de Celulose: "CONSIDERANDO QUE a FORNECEDORA está preparada para fornecer a FÁBRICA DE CELULOSE à PROPRIETÁRIA, nos termos e condições deste CONTRATO" [...]. Fl. 2775DF CARF MF Processo nº 16349.000416/200973 Resolução nº 3201001.040 S3C2T1 Fl. 22 21 Sendo assim, verificase que a contratação da Requerente, bem como a construção da Fábrica de Celulose por regime de empreitada, não infringiu qualquer dispositivo legal. Além disso, é de se destacar que a Autoridade Fiscal, a despeito do longo Despacho Decisório que lavrou, não foi capaz de citar um único dispositivo legal que teria sido infringido pela Requerente. Ademais, as seguintes questões levaram a Autoridade Administrativa a concluir que, "na realidade, a Projetos Especiais e Investimentos S/A é uma empresa com capital de apenas R$ 100,00, criada a partir de combinação entre a VCPMS Celulose Sul Matogrossense Ltda e dirigentes do grupo Põyry, que se apropriou irregularmente de créditos de Pis/Pasep e Cofins a que não tem direito, no arrepio de variadas disposições legais" [...]. Focandose na conclusão transcrita, o texto da manifestação de inconformidade passa combatêla pontualmente, conforme segue: (i) Capital Social de R$ 100,00 [...] No que tange a essa alegação, a Autoridade Fiscal parece ter abstraído o fato de que a VCPMS, como previamente contratado, adiantou o valor de aproximadamente R$ 3.000.000.000/00 (três bilhões de reais) à Requerente para a construção da Fábrica de Celulose. Portanto, o montante do capital social é, evidentemente, absolutamente irrelevante, pois a antecipação do pagamento tornou desnecessário que os acionistas da Requerente fizessem quaisquer aportes de capital. Portanto, revelase totalmente desarrazoada a afirmação da Autoridade Fiscal, talvez decorrente de uma pouca sensibilidade em relação às atividades empresariais, em especial as mais complexas. (ii) Estrutura e de pessoal insuficiente [...] Segundo a Autoridade Fiscal, a Requerente, por possuir um quadro de funcionários fixos de apenas dez empregados, não estaria apta a construir a Fábrica de Celulose. Uma vez mais, a Autoridade Fiscal parece não ter atentado para o fato de que a contratação para a construção da Fábrica de Celulose foi feita por regime de empreitada global, isto é, a Requerente foi contratada, exatamente, para subcontratar e administrar outros fornecedores de serviço e/ou de materiais (pacotes). E foi exatamente isto o que ocorreu. A Requerente, como bem reconheceu o Fiscal, contratou mais de 1.200 subfornecedores para a efetivação da construção da Fábrica de Celulose. Portanto, o seu quadro próprio de funcionários se mostra igualmente irrelevante para o presente caso. (iii) A Põyry Tecnologia Ltda. seria quem efetivamentegerenciou a obra [...] No que tange a essa alegação, temse que a Autoridade Fiscal desconsiderou totalmente o Contrato de Fornecimento de Fábrica de Celulose que previu a contratação da Põyry Tecnologia Ltda. como prestadora de serviços de EPCM (Process Islands). Como já dito em tópico específico, a contratação por regime de empreitada global é regida pelo Direito Privado, sendo de livre iniciativa privada os termos da contratação. Este fato não pode ser levado em consideração a ponto de descaracterizar todas as operações de construção por regime de empreitada global realizadas. Em se tratando de regime de empreitada global, não há norma alguma que disponha sobre a impossibilidade de contratação de empresa para prestação de serviços de EPC. Ademais, o fato de ambas as empresas possuírem o mesmo representante legal, em nada altera esta conclusão, pois não há nada no Contrato, nem na legislação, que impeça que os representantes legais das partes sejam os mesmos. Portanto, essas alegações da Autoridade Fiscal não têm fundamento legal algum que as sustentem. Fl. 2776DF CARF MF Processo nº 16349.000416/200973 Resolução nº 3201001.040 S3C2T1 Fl. 23 22 E mais: não se nega a evidente relação existente entre a Requerente e o Grupo Finlandês Põyry (inclusive porque a Põyry Projects Ltd Oy era sua acionista minoritária), mas este fato deve ser compreendido sob a ótica de que as atividades de empreitada global (subcontratação de pacotes) e serviços técnicos de engenharia, essencialmente distintos, seriam desempenhados por diferentes empresas, inclusive para não haver confusão entre o Preço de Fornecimento da Fábrica e a contraprestação devida à Põyry Tecnologia Ltda. pela prestação de serviço técnico de engenharia (serviço este, inclusive, subcontratado pela Requerente, tal como ajustado em contrato). (iv) Todos os diretores da Requerente eram ligados ao grupo Põyry [...] A Autoridade Fiscal lança uma acusação totalmente genérica e ainda de cunho extremamente subjetivo, sem, contudo, lograr apontar qualquer irregularidade a eles atinente. Não há no mundo jurídico a proibição de troca de diretores após a contratação, por empreitada global, para a construção de empreendimentos. Portanto, não deve prosperar essa alegação da Autoridade Fiscal. Ademais, como visto, a Põyry Projects Ltd Oy era inclusive acionista minoritária da Requerente durante as obras da Fábrica de Celulose, sendo absolutamente natural que houvesse em seu grupo de direção pessoas ligadas ao Grupo Põyry. (v) Após o empreendimento, a Requerente passou a pertencer à Fibria Celulose S/A [...] De fato, quando da entrega da Fábrica de Celulose (momento a partir do qual a Requerente perderia seu objeto e, a priori, seria extinta), a Fibria Celulose S.A. interessouse por adquirir a Empresa. Isso porque, a Requerente pleiteia judicialmente a exclusão, da base de cálculo do PIS/COFINS, dos valores recebidos e repassados aos subempreiteiros de construção civil contratados para execução da construção da Fábrica de Celulose e, especialmente, a compensação dos créditos decorrentes dos pagamentos realizados de forma indevida a este título. Dessa forma, absolutamente natural o interesse então manifestado pela Fibria de ter a Empresa sob seu controle ante a expectativa real de ver esses créditos reconhecidos em favor da Requerente quando do trânsito em julgado da decisão judicial favorável, não podendo ser invocada tal operação, por obra de pura criatividade, como indício de qualquer irregularidade. Não há como se confundir, para fim nenhum, os dois momentos inteiramente distintos: o primeiro, quando a Construção da Fábrica estava ainda em curso e a Requerente estava sob o controle do Grupo Põyry (período em relação ao qual se instaura o presente litígio); o segundo, já depois de encerrada a execução da obra, quando a Requerente foi adquirida pela Fibria Celulose S.A. por conta da expectativa de direito creditório detido pela Empresa (ação judicial). Portanto, que não se confundam esses diferentes momentos, absolutamente estanques e independentes. A aquisição da Requerente pela Fibria Celulose S.A. é posterior e absolutamente estranha ao objeto deste processo, sendo verdadeiramente alheia às operações que deram origem aos créditos de CofinsImportação discutidos nestes autos, executadas ainda sob o controle do Grupo Põyry. Em verdade, da análise do Despacho Decisório o que se percebe é que, não obstante seja incapaz de apontar um único dispositivo legal violado, a Autoridade Fiscal esforçase, sem sucesso, para imprimir um contexto de ilicitude às operações perfeitamente lícitas e com efetivo substrato econômico Fl. 2777DF CARF MF Processo nº 16349.000416/200973 Resolução nº 3201001.040 S3C2T1 Fl. 24 23 Assim, conclui, não pode a autoridade fiscal desconsiderar os atos praticados pela empresa: [...] não há provas quaisquer de que a Requerente não promovia importações, revendia mercadorias e executava serviços de empreitada global (mediante subcontratação de fornecedores) , de modo que as acusações fiscais se revelam obra de mera e inaceitável arbitrariedade por parte da Autoridade Fiscal. Como último tema, a defesa contesta a imputação de responsabilidade fiscal solidárias às pessoas jurídicas VCPMS, atual Fibria MS Celulose Sul Matogrossense Ltda., Fibria Celulose S.A e à pessoa física de Maris Ansis Tamsons. Abre a discussão afirmando que não há previsão legal para atribuição de responsabilidade por solidariedade em relação à utilização indevida de créditos, que é o objeto da presente demanda: A solidariedade se aplica à constituição do crédito tributário, não à cobrança do débito decorrente da não homologação de compensação, por absoluta ausência de amparo legal. Destarte, inexistindo previsão legal para responsabilização por solidariedade decorrente da glosa de créditos utilizados em compensação, não há como se admitir a aplicação do instituto no caso destes autos, sob pena de violação frontal ao disposto no artigo 128 do Código Tributário Nacional. Adicionalmente, não haveria, na situação dos autos, o interesse comum das na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal com relação às pessoas jurídicas arroladas como responsáveis solidárias, nos termos do dispositivo invocado, o art. 124 do CTN. Pontua a interessada: [...] vêse que a Autoridade Fiscal pretendeu incluir aquelas empresas como solidariamente obrigadas por ostentarem suposto interesse comum na situação constitutiva da obrigação. Ou seja, desconsiderou toda a operação realizada pela Requerente, bem como a sua personalidade jurídica, concluindo que a VCPMS e a Fibria Celulose S/A teriam interesse comum no fato gerador. Em primeiro lugar, tenhase que, tanto a VCPMS quanto a Fibria Celulose S/A, não tinham e nem poderiam ter interesse comum na ocorrência do fato gerador, porquanto os débitos compensados pela Requerente (e, é bom lembrar, a solidariedade se dá em relação ao débito, não em relação ao crédito) com os créditos de CofinsImportação eram débitos tributários de diversas naturezas, decorrentes das operações próprias da Requerente ou seja, sem que tenham propiciado, por ausência absoluta de vinculação, qualquer redução de carga tributária para as Empresas indicadas como responsáveis solidárias. Não há quaisquer provas e sequer indícios plausíveis de que haveria confusão entre as Empresas ou prática conjunta de quaisquer operações ou atividades. Diversamente, o que se verifica nos autos e no próprio Despacho atacado é que as Empresas eram absolutamente distintas e independentes entre si, com capitais próprios e objetos sociais específicos. Em segundo lugar, como é ainda mais evidente, o interesse comum na situação de que decorre a obrigação tributária, numa operação em que as partes não têm vinculação societária como se dá in casu , não pode ser sequer cogitado no que se refere aos Fl. 2778DF CARF MF Processo nº 16349.000416/200973 Resolução nº 3201001.040 S3C2T1 Fl. 25 24 tributos diretos, como o são o PIS e a COFINS, que não têm qualquer repercussão econômica sobre o comprador. E, vindo reforçar essa constatação, tenhase ainda que a solidariedade tornase verdadeiramente inconcebível se considerada a hipótese aventada erradamente pelo Fiscal de que a Requerente não teria revendido as mercadorias importadas à VCPMS (este, que não se esqueça, foi o motivo da glosa dos créditos de CofinsImportação), pois, se assim fosse, a Requerente nem sequer poderia ter revendido as máquinas com a suspensão indevida do PIS/COFINS e, consequentemente, não teria como propiciar nenhum ganho tributário para o encomendante da Fábrica de Celulose (VCPMS). Ou seja, as alegações fiscais a este respeito se mostram uma vez mais contraditórias. [...] Ora se diz que as máquinas não foram revendidas pela Requerente à VCPMS, ora que as máquinas foram revendidas com uso indevido do benefício de suspensão do PIS e da COFINS (RECAP). Evidentemente, as alegações não podem coexistir, pois são nitidamente excludentes entre si, o que só reforça a patente fragilidade de que padece o procedimento acusatório fiscal, que pretende se valer de alegações tendenciosas e desconexas para criar uma realidade inexistente, sem se preocupar em manter uma mesma linha de raciocínio e valoração dos fatos para amparar suas ilações. Ademais, para colocar uma pá de cal sobre a questão, ressaltese que a VCPMS era pessoa jurídica beneficiária do RECAP (e este fato é absolutamente incontroverso, não tendo sido objeto de questionamento em qualquer passagem do Despacho Decisório), de forma que, em qualquer hipótese, mesmo se a VCPMS tivesse importado as mercadorias por conta própria ou mesmo comprado de outro importador, as compras estariam de todo modo beneficiadas pela suspensão do COFINSImportação e da COFINS Importação, conforme dispõe o artigo 14, II, da Lein° 11.196/05. Os autos foram encaminhados para julgamento e ato contínuo retornaram à unidade a preparadora para que as pessoas física e jurídicas arroladas como solidariamente responsáveis pela satisfação do crédito tributário tomassem ciência do despacho decisório e da responsabilidade que lhes fora atribuída e para que, se assim o quisessem, apresentassem suas razões de defesa. Notificadas em 18/04/2014 as pessoas jurídicas Fibria MS Celulose Sul Matogrossense Ltda. e Fibria Celulose SA apresentaram, em conjunto, em 20/03/2014, manifestação de inconformidade de fls. 3.219/3.256, contestando a alocação das empresas no polo passivo da obrigação tributária como responsáveis solidárias. De forma geral, a linha de argumentação desenvolvida pelas citadas pessoas jurídicas coincide com aquela apresentada pela empresa interessada, Projetos Especiais e Investimentos SA, já anteriormente exposta, tanto no que se refere à legitimidade dos créditos objeto dos pedidos de ressarcimento, como em relação à inexistência de base jurídica ou elementos de fato que levem à responsabilização de terceiros pela satisfação do débito. A manifestação reitera que não há previsão legal para atribuição de responsabilidade por solidariedade em relação à utilização indevida de créditos, objeto a que se resume a presente demanda. Também ressalta a inaplicabilidade do art. 124, por ausência da necessária condição legal do interesse comum na situação que constitua a obrigação tributária. No mais, as pessoas jurídicas implicadas procuram destacar a legalidade das operações que deram origem ao direito de crédito em tela, renovando os esclarecimentos prestados pela pessoa jurídica Projetos Especiais e Investimentos SA. Por sua vez, Maris Ansis Tamsons, presidente da então Põyry Empreendimentos Industriais SA no período de 05/12/2006 a 15/12/2009, cientificado em 18/02/2014 da responsabilidade Fl. 2779DF CARF MF Processo nº 16349.000416/200973 Resolução nº 3201001.040 S3C2T1 Fl. 26 25 que lhe foi imputada no despacho decisório, apresentou defesa em 20/03/2014 (fls. 3.027/3050), alegando o que segue. A seu ver, no despacho decisório que o responsabiliza, a autoridade tributária apresenta fatos estranhos à análise da compensação, assentados em premissas sem embasamento técnico e teórico sobre o assunto, visando não homologar as PER/DCOMPs transmitidas pela empresa Projetos Especiais. E avança: Verificase que a autoridade tributária, na análise manual das compensações, não atentou à complexa operação de importação, montagem e venda das mercadorias, efetuada pela Projetos Especiais, situação esta que a levou a adotar posição simplista e cômoda para rejeitar os legítimos créditos da Projetos Especiais. Especificamente, observase que a fiscalização somente analisou as aquisições (importações ocorridas em 2008), sem se atentar que tais importações se referiam a partes e componentes de complexas máquinas que necessitavam ter seu desembaraço completo e posterior montagem para que pudessem ser finalmente vendidas (em 2009) à VCP. As importações realizadas ao longo do ano de 2008 somente deram origem aos equipamentos, em condições de (re)venda durante o ano de 2009, quando já havia se completa o desembaraço de todos os componentes e as máquinas puderam ser finalmente montadas. Assim, as aquisições efetuadas ao longo do ano de 2008 foram revendidas no ano de 2009 à VCP, motivo pelo qual a Projetos Especiais teve no ano de 2009, receitas de revenda sujeitas à apuração do PIS e da COFINS na sistemática não cumulativa, ao contrário do que alega, de forma simplista, o despacho decisório. Mas a fiscalização e a autoridade tributária somente se limitaram a analisar as aquisições em 2008, desconsiderando as operações de revenda dos equipamentos ocorridas em 2009, as quais se submetiam ao regime não cumulativo do PIS/COFINS. A existência de receitas de revenda de bens sujeitas à apuração não cumulativa do PIS e da COFINS é evidenciada por meio da DIPJ 2010, referente ao anocalendário 2009 (Doc. 04), mas totalmente desconsiderada pela fiscalização e pelo despacho decisório ora combatido. Observese na linha 04 da Ficha 6A , a receita de R$ 655.993.690,81 relativa à revenda de mercadoria no mercado interno no ano de 2009, correspondendo exatamente ao valor auferido na venda dos equipamentos à VCP. Isso vai de encontro ao que alega a fiscalização, de que a Projetos Especiais não auferira receita sob o regime não cumulativo. De igual forma, a existência do crédito é evidenciada por meio de parecer de especialistas, elaborado pela Ernst & Young (Doc. 05). O mesmo parece atesta, baseado em análise de toda documentação da Projetos Especiais, que os adiantamentos recebidos por esta foram utilizados também para a aquisição de equipamentos para revenda. Tal parecer é embasado em documentos que já foram apresentados neste processo [...] Tais evidências tornam inconteste o direito à apropriação do crédito relativo às importações de equipamentos posteriormente revendidos pela Projetos Especiais. Por se tratar de operação complexa, com desembaraço {racionado dos componentes que fazem parte das máquinas, o mínimo que se deveria ter feito, para compreensão da operação, era a análise multi anocalendário das aquisições e revendas. A limitação da Fl. 2780DF CARF MF Processo nº 16349.000416/200973 Resolução nº 3201001.040 S3C2T1 Fl. 27 26 análise apenas ao ano de 2008 falseia a verdade dos fatos e resulta em limitação ao legítimo direito à compensação pleiteado pela Projetos Especiais. Apesar de afirmar que a Projetos Especiais não auferiu receitas de revenda de mercadoria sujeita â não cumulatividade a própria autoridade tributária se contradiz e afirma que a Chamflora adquiriu mercadorias se valendo, de forma supostamente indevida, dos benefícios do RECAP. [...] Basta breve análise global da operação para que a afirmação da autoridade tributária de que a companhia em questão somente teria receitas de prestação de serviço, sujeitas ao PIS e à COFINS cumulativas, caia por terra. Caso a autoridade tributária tivesse analisado a operação da Projetos Especiais em seu conjunto, vale dizer, anos 2008 e 2009, teria conseguido verificar a existência de receita de revenda de mercadorias no ano de 2009, o que certamente legitima a apropriação de crédito de PIS e COFINS pagos na importação de tais bens posteriormente revendidos. A análise integral da operação da Projetos Especiais invalida O ÚNICO argumento que "sustenta" a glosa de crédito: se houve importação com pagamento do PIS e da COFINS e ocorreu a respectiva revenda de tais equipamentos importados (com a correspondente entrada de receitas sujeitas ao PIS/COFINS na sistemática não cumulativa), é inconteste o direito da Projetos Especiais ao crédito utilizado nas compensações não homologadas. Concluise assim que a Projetos Especiais não possuía somente receitas de prestação de serviço, sujeitas à apuração do PIS/COFINS no regime cumulativo, como pretendeu fazer crer a fiscalização e o despacho decisório. Antes, verificase claramente que a companhia auferiu receitas de revenda de mercadorias em 2009, relativas à venda para Chamflora das máquinas importadas ao longo do ano de 2008, sujeitas ao PIS/COFINS no regime não cumulativo. Nem se alegue que o suposto descasamento entre a data das aquisições dos equipamentos e a data da formalização da venda seria óbice para a apropriação de créditos, já que a importação, com o respectivo pagamento do PIS/COFINS incidentes, seriam suficientes para a tomada de créditos. A pessoa física arrolada como responsável solidária retoma a questão da temporalidade entre as importações e as revendas dos bens já apresentada na manifestação da pessoa jurídica Projetos Especiais e Investimentos SA, e reafirma que desde o desembaraço das partes do equipamento fazia jus ao creditamento relativo à contribuição incidente na importação. O documento defende a legalidade da estrutura adotada, afirmando que a autoridade fiscal não teria apontado nenhum dispositivo legal que tivesse sido desrespeitado, tendo se valido o Fisco apenas do sentimento de estranheza para por em dúvida a licitude dos negócios praticados pela empresa. Nas palavras do implicado: A autoridade tributária questiona o capital social da Projetos Especiais argumentando que este seria consideravelmente diminuto em face do porte da obra a ser entregue para a VCP. No entanto, a autoridade tributária ignora o fato de que a Projetos Especiais recebeu adiantamento significativo do preço contratado (cerca de R$ 3 bilhões) para fortalecer Fl. 2781DF CARF MF Processo nº 16349.000416/200973 Resolução nº 3201001.040 S3C2T1 Fl. 28 27 sua posição frente aos fornecedores, bem como para suportar as vultosas despesas necessárias prévias ao efetivo pagamento do preço pela contratante. Ao questionar o capital social da Projetos Especiais, a fiscalização e o despacho decisório ignoram que a estrutura de capital de uma sociedade pode ser composta por capital próprio e/ou capital de terceiros. De igual forma, parecem desconhecer que a definição a estrutura de capital de uma empresa é uma decisão operacional que leva diversos fatores em consideração, tais como custo de capital, grau de aversão ao risco, possibilidade de endividamento e o equilíbrio entre liquidez e rentabilidade. [...] Ao optar por estrutura de capital composta basicamente por capitais de terceiros, a Projetos Especiais tomou decisão baseada em fatores que somente cabem a ela ponderar, jamais ao fisco. E, ao contrário do que alega a fiscalização de que o contrato entre Projetos Especiais e Chamflora somente teria "o objetivo de reduzir o recolhimento de tributos e de deixar a responsabilidade pelo recolhimento dos débitos erados pelas operações realizadas à empresa sem patrimônio para responder", temse que a Projetos Especiais não possui qualquer débito em aberto em razão de falta de caixa ou patrimônio. A Projetos Especiais recebeu mais de R$ 3 bilhões para arcar com suas atividades operacionais. Como ela poderia não ter patrimônio para responder com dívidas ínsitas à sua atividade operacional, tais como tributos? Adicionalmente, deve ser considerado que não há qualquer débito em aberto. A compensação é forma de extinção do crédito tributário plenamente legítima prevista no art. 156, inciso II do CTN e o fato de ter contra si um despacho decisório de não homologação de compensações descabido e improcedente, vale salientar não significa que a Projetos Especiais tenha débitos em aberto em razão de falta de patrimônio. Questionase, ainda, qual teria sido a redução no recolhimento de tributos, alegada pela autoridade tributária? A apropriação de créditos de PIS/COFINS decorre de lei e é direito conferido a qualquer empresa que se subsuma à respectiva norma tributária. A tributação da empreitada é a mesma para qualquer empresa, independente da forma ou do montante de sua capital social. São muitos devaneios da fiscalização e do despacho decisório para atribuir a pecha de "ilegal" ao negócio jurídico entabulado entre a Projetos Especiais e a Chamflora. Ainda na tentativa de julgar como ilícita a operação da Projetos Especiais, a autoridade tributária questiona, também sem base legal, a razão de uma estrutura enxuta, supostamente insuficiente para uma obra de tamanho vulto. Na mesma linha, insinua que a empresa Põyry Tecnologia Ltda. teria efetivamente gerenciado as obras. As ilações da autoridade tributária demonstram falta de familiaridade com contratos de empreitada, bem como evidenciam negligência em relação a todo um conjunto de documentos, fatos e circunstâncias que demonstram inegavelmente as atividades desempenhadas pela empresa Projetos Especiais. O contrato de empreitada é uma figura jurídica complexa que enfeixa inúmeras relações jurídicas, tais como construção, fornecimento, montagem, projetos, gerenciamento, entre Fl. 2782DF CARF MF Processo nº 16349.000416/200973 Resolução nº 3201001.040 S3C2T1 Fl. 29 28 outros. Nada mais natural que seja necessário subcontratar empresas com expertise em cada atividade requerida por tal contrato. Imaginar que uma empresa que celebre contratos de empreitada seja obrigada a manter estrutura colossal para desempenhar pessoalmente toda e qualquer atividade necessária para o cumprimento do contrato é simplesmente ilógico, contraproducente e irrazoável, para não dizer simplista e até mesmo ingênuo. Adicionalmente, assumir que a empresa seja obrigada a manter dentro de sua estrutura todas as práticas e funções necessárias para cumprir com um contrato de empreitada põe em xeque questões que dizem respeito unicamente â livre iniciativa, constitucionalmente assegurada. De igual forma, tal questionamento "fiscal" representa afronta à autonomia da vontade das partes, já que a possibilidade de subcontratação foi pactuada e acordada em contrato legitimamente celebrado entre a Projetos Especiais e a Chamflora. Se a Projetos Especiais não fosse, de fato e de direito, a entidade que efetivamente prestava os serviços e efetuava os fornecimentos de equipamentos, por qual razão contrataria seguros para a obra, tais como "D&O" (directors and officers) (Doc. 06)? Se a Projetos Especiais não estivesse conduzindo o contrato ao qual se obrigou, por qual razão a autoridade fiscal teria textualmente afirmado que a sociedade em questão "efetuou importações de equipamentos" que compõem a fábrica, objeto do contrato? [...] Não está nos limites da função da autoridade tributária a possibilidade de questionar aspectos comerciais e vantagens competitivas no mercado, tais como a aquisição da Chamflora pela VCP. Vale ainda salientar que tais questionamentos, além de somente dizer respeito à conveniência das partes, de modo algum infirmam o crédito a que a Projetos Especiais. E mais, tais ilações não tem o condão de demonstrar que houve redução indevida no pagamento de tributos por parte da Projetos Especiais. Todas as supostas dúvidas lançadas pela fiscalização não levam à conclusão de que, se a estrutura da Projetos Especiais tivesse sido diferente, teria havido maior ingresso de tributos nos cofres públicos. De forma alguma as "desconfianças" da autoridade tributária podem obstar o crédito legalmente garantido, na forma do art. 15, Lei n ° 10.865/04. Ainda mais importante: as "suspeitas" da autoridade tributária, guiadas por seus valores e parâmetros, não são aptas a responsabilizar pessoalmente o Requerente. Aproximandose do fim, a pessoa física opões à sua alocação no pólo passivo da obrigação tributária como responsável solidária. São inexistentes, a seu ver, os pressupostos elencados nos art. 134 e 135 do CTN. Diz o texto: Conforme mencionado acima, a autoridade tributária imputa ao Requerente responsabilidade pessoal pelos débitos cujas compensações não foram homologadas, se limitando a um parágrafo, a seguir transcrito: Fl. 2783DF CARF MF Processo nº 16349.000416/200973 Resolução nº 3201001.040 S3C2T1 Fl. 30 29 É também obrigado pelo cumprimento da obrigação principal decorrente dos fatos acima relatados com base nos artigos 134 e 135 da Lei n° 5.172/66 (CTN) Maris Ansis Tamsons, CPF: 348.398.527 15. Sem provas, sem explicações, ao arrepio da lei, da doutrina e da jurisprudência nacional consolidada, o Requerente foi indevidamente responsabilizado pessoalmente pelos débitos da Projetos Especiais cuja compensação não foi homologada. Os fatos narrados ao longo de todo o despacho decisório se limitam a elucubrar e questionar a estrutura societária, bem como a forma pela qual os negócios da Projetos Especiais foram levados a termo, sem, em momento algum, demonstrar as circunstâncias que poderiam levar à responsabilização pessoal do Requerente. [...] A imputação de responsabilidade a terceiros, na forma do art. 135 do CTN, depende da (a) identificação dos terceiros potencialmente responsáveis, e (b) da definição de pressupostos fáticos que autorizem a aplicação do dispositivo em questão, nomeadamente "(i) o que seriam as obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos; e (ii) o que seriam os próprios atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos . Na definição das obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poder, infração à lei ou contrato social, para responsabilização pessoal dos administradores na forma do art. 135, III, do CTN, fazse mister a comprovação da existência de (i) prática de ato ilícito pelo sócio, gerente ou administrador; (ii) fato gerador de tributo; e (iii) relação de causalidade entre ambos. [..] Analisando detidamente o despacho decisório ora guerreado, verificase que em nenhum momento se demonstra a prática de ato ilícito pelo Requerente, apesar de a autoridade tributária se valer do disposto no art. 135 do CTN para tentar responsabilizálo solidariamente. Em verdade, o despacho decisório atacado se limita a demonstrar a existência de débitos em aberto em razão da não homologação das compensações transmitidas pela Projetos Especiais, sem comprovar (1) a existência de ato ilícito praticado pelo Requerente, e tampouco (2) a relação de causalidade entre suposto ilícito e o fato gerador dos tributos (cuja satisfação dos respectivos débitos é reivindicada pela autoridade fazendária em razão da não homologação das compensações). A responsabilização pessoal de diretores, gerentes e administradores, nos moldes do art. 135, III do CTN, somente pode ocorrer quando comprovada a prática de ato ilícito que tenha resultado na ocorrência de fato gerador de tributo ou na hipótese de ocorrência de ato ilícito que tenha impossibilitado a sociedade de adimplir com a obrigação tributária. [...] Repisase: no despacho decisório ora guerreado nenhuma linha sequer é escrita sobre a atuação do Requerente. Logo, não é possível admitir sua responsabilização pessoal pelos débitos não compensados se a autoridade tributária nem ao menos faz qualquer menção a ato ilícito passível de se transferir a responsabilidade tributária, na forma do art. 135, II, do CTN, ao Requerente. Fl. 2784DF CARF MF Processo nº 16349.000416/200973 Resolução nº 3201001.040 S3C2T1 Fl. 31 30 [...] Como consentir que o Requerente tenha agido com excesso de poder se a autoridade tributária sequer perquiriu quais eram os poderes e atribuições do Requerente? Conforme se verifica pela simples leitura do despacho decisório, a responsabilização pessoal do Requerente pelos supostos débitos da Projetos Especiais é uma tentativa leviana e desesperada da administração tributária de ver sua pretensão creditória satisfeita. A conclusão lógica decorrente de tudo quanto fora exposto é que não se pode imputar responsabilidade pessoal alguma ao Requerente pelos supostos débitos da Projetos Especiais, uma vez que não há comprovação de qualquer ato praticado com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Se não há comprovação da prática de ato ilícito não há por conseqüência lógica, relação de causalidade com qualquer fato gerador de tributo. O Requerente também é responsabilizado pessoalmente pelos débitos não compensados da empresa Projetos Especiais com esteio no art. 134 do CTN. No entanto, não logra melhor sorte a autoridade tributária ao tentar imputar responsabilidade pessoal ao Requerente com base no art. 134, CTN. A responsabilidade subsidiária do art. 134 do CTN somente pode ser imputada quando restar comprovado que a impossibilidade de cumprimento da obrigação tributária pelo contribuinte decorre de atos ou omissões praticados pelos administradores de bens (pais, tutores, curadores, administradores de bens de terceiros, inventariante, síndico ou comissário). [...] Pela simples análise do despacho decisório recorrido, verificase que em momento algum a autoridade tributária comprova a impossibilidade de a empresa Projetos Especiais cumprir com as supostas obrigações tributárias decorrentes das compensações não homologadas, muito menos comprova que eventual impossibilidade decorreria de ato ou omissão praticado pelo Requerente. Aliás, mesmo que a autoridade tributária se esmerasse na tentativa de demonstrar eventual impossibilidade de a Projetos Especiais cumprir com suas obrigações tributárias, não lograria êxito. Isso porque não há obrigação tributária não cumprida: a Projetos Especiais simplesmente procedeu â compensação de débitos, legítima forma de extinção do crédito tributáio, conforme art. 156 do CTN. As hipóteses de responsabilidade previstas no art. 134, do CTN diferem e daquelas elencadas pelo art. 135, do CTN, uma vez que este cuida de atos dolosos, enquanto o art. 134, CTN se refere à responsabilidade subsidiária culposa. [...] A autoridade tributária não comprovou a existência de dolo, tampouco culpa, porque sequer demonstrou a prática dos atos que poderiam ser caracterizados como dolosos ou culposos. Deve ainda ser ressaltado que não há qualquer descumprimento de obrigação tributária por parte da empresa Projetos Especiais. Esta somente se valeu de seu legitimo direito ao crédito tributário para compensar, por meio de PER/DCOMPs, com outros débitos federais administrados pela Receita Federal do Brasil. Em momento algum a Projetos Especiais descumpriu qualquer obrigação tributária, e tampouco deu sinais de impossibilidade de arcar com seu eventual passivo tributário. Fl. 2785DF CARF MF Processo nº 16349.000416/200973 Resolução nº 3201001.040 S3C2T1 Fl. 32 31 A atribuição de responsabilidade pessoal ao Requerente pelos débitos da Projetos Especiais cujas compensações não foram homologadas é descabida, sem fundamento jurídico e representa afronta à legislação em vigor, bem como à jurisprudência pacificada e à doutrina nacional, razão pela qual não pode prevalecer. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a impugnação, mantendo integralmente o lançamento. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 IMPORTAÇÃO DE BENS. RECEITAS SUBMETIDAS AO REGIME CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. DIREITO AO RESSARCIMENTO. INEXISTÊNCIA. Não geram créditos não cumulativos as importações de equipamentos que serão transferidos a outra pessoa jurídica no âmbito do cumprimento de prestação de serviços de empreitada global cujas receitas estão submetidas ao regime cumulativo. Verificada a inexistência de crédito, correto indeferimento do pedido de ressarcimento e as compensações a ele vinculadas não podem ser homologadas. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM NA SITUAÇÃO QUE CONSTITUIU O FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ADMINISTRADORES. Os administradores de bens de terceiros são responsáveis pelo cumprimento da obrigação no caso de impossibilidade de o crédito ser cobrado do contribuinte. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos os administradores. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada com a decisão, as Recorrentes interpuseram recursos voluntários, onde repisam as alegações já apresentadas nas impugnações. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Nos termos constantes do relatório, a decisão denegatória do pedido de compensação teve como sujeito passivo principal a empresa Projetos Especiais e Investimento Fl. 2786DF CARF MF Processo nº 16349.000416/200973 Resolução nº 3201001.040 S3C2T1 Fl. 33 32 S/A e como responsáveis solidários as empresas VCPMS Celulose Sul Matogrossense, atual Fibria MS Celulose Sul Matogrossense Ltda, Fibria Celulose S/A e Maris Ansis Tamsons. Consultando os autos é possível identificar a existência de comunicação realizada por um dos solidários afirmando que não tinham sido intimados da decisão da DRJ, aparentemente, pelo que é demonstrado na movimentação processual, o processo retornou a Unidade de Origem que realizou as intimações e também é possível verificar a apresentação de recursos voluntários por parte do sujeito passivo principal e dos solidários. Entretanto, nos autos consta a realização de ciência dos responsáveis solidários realizadas por meio de caixa postal eletrônica e não consta nenhuma manifestação da Unidade de Origem acerca das reintimações e da apresentação dos recursos voluntários. Considerando a necessidade de confirmar a data da ciência e a tempestividade dos recursos voluntários submetidos a julgamento, entendo que o melhor caminho seja converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem confirme a data exata da intimação dos sujeitos passivos e a data da apresentação dos seus recursos voluntários. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem informe a data em que foi realizada a ciência da decisão da DRJ e a data de apresentação dos recursos voluntários de cada um dos sujeitos passivos principal e solidários. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 2787DF CARF MF
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Numero do processo: 15586.720213/2014-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
NULIDADE DO AUTO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA
Não há que se falar em nulidade quando o lançamento encontra-se revestido das formalidades legais e quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e claramente descritos os motivos da autuação.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. TÍTULOS DO TESOURO NACIONAL
Tendo em vista a existência de valores compensados de forma indevida, correta a glosa da compensação efetuada pela fiscalização.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE. CRÉDITO SABIDAMENTE INEXISTENTE.
Cabível a imposição de multa isolada de 150% prevista no art. 89, §10, da Lei nº 8.212, de 1991 quando comprovada a falsidade da compensação efetuada pelo sujeito passivo, pelo oferecimento voluntário e consciente de crédito sabidamente inexistente para tal fim.
MULTA ISOLADA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado aos conselheiros do CARF, por força do art. 62 do RICARF e da Súmula CARF nº 02, afastar dispositivo legal com fundamento na inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2401-005.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por voto de qualidade, negar-lhe provimento. Vencidos a relatora e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento a multa isolada apurada no AI nº 51.050.197-4. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade quando o lançamento encontrase revestido das formalidades legais e quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e claramente descritos os motivos da autuação. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. TÍTULOS DO TESOURO NACIONAL Tendo em vista a existência de valores compensados de forma indevida, correta a glosa da compensação efetuada pela fiscalização. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE. CRÉDITO SABIDAMENTE INEXISTENTE. Cabível a imposição de multa isolada de 150% prevista no art. 89, §10, da Lei nº 8.212, de 1991 quando comprovada a falsidade da compensação efetuada pelo sujeito passivo, pelo oferecimento voluntário e consciente de crédito sabidamente inexistente para tal fim. MULTA ISOLADA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado aos conselheiros do CARF, por força do art. 62 do RICARF e da Súmula CARF nº 02, afastar dispositivo legal com fundamento na inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 02 13 /2 01 4- 07 Fl. 590DF CARF MF Processo nº 15586.720213/201407 Acórdão n.º 2401005.003 S2C4T1 Fl. 591 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por voto de qualidade, negarlhe provimento. Vencidos a relatora e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento a multa isolada apurada no AI nº 51.050.1974. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 591DF CARF MF Processo nº 15586.720213/201407 Acórdão n.º 2401005.003 S2C4T1 Fl. 592 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília – DF (DRJ/BSB), que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 0366.304 (fls. 514/524): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 AIOP DEBCAD nº 51.050.1966 (GLOSA) nº 51.050.1974 (MULTA QUALIFICADA) COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. TÍTULOS DA DÍVIDA PÚBLICA. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito previdenciário, a compensação é regida por legislação específica, não havendo previsão legal para que seja efetuada a compensação com Títulos da Dívida Pública, portanto é vedada a compensação de contribuições previdenciárias com parcelas de natureza diversa. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA QUALIFICADA. PERCENTUAL EM DOBRO. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação indevida baseada em crédito de natureza não tributária, fica configurada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Correta a aplicação da multa qualificada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O presente processo trata de crédito tributário constituído contra a empresa Forte Boi Indústria de Alimentos LTDA, por meio dos Autos de Infração, com o período de apuração de 01/2011 a 12/2011, consolidados em 23/05/2014, relacionados a seguir: 1. DEBCAD nº 51.050.1966 (fls. 03/08): AI de Obrigação Principal no montante de R$ 1.733.434,26 referente às contribuições sociais a cargo da empresa, compensadas irregularmente pelo contribuinte em GFIP Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social tendo sido, portanto, glosadas pela fiscalização (Levantamento CI Compensação Indevida). Fl. 592DF CARF MF Processo nº 15586.720213/201407 Acórdão n.º 2401005.003 S2C4T1 Fl. 593 4 2. DEBCAD nº 51.050.1974 (fls. 09/13): AI no montante de R$ 1.798.293,20 referente ao lançamento de Multa Qualificada aplicada no percentual de 150% sobre o valor indevidamente compensado (Levantamento MI MULTA ISOLADA). De acordo com o RELATÓRIO FISCAL (fls. 16/27) o objeto da ação fiscal foi a análise das compensações realizadas pelo contribuinte nas GFIP Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social. Foram solicitados ao Contribuinte documentos e esclarecimentos que comprovassem a origem e a natureza das compensações, bem como, memórias de cálculo sobre os valores compensados. Em resposta foram apresentados os documentos relacionados no item 7 do RF (fl.19), as escrituras relacionadas no item 8 do RF (fl. 20) e sua escrituração contábil do exercício de 2011, sem, contudo, apresentar memória de cálculo que embasasse tal compensação e contivesse as bases de cálculo, os valores deduzidos e eventuais deduções que resultaram nos valores recolhidos indevidamente. Após a análise dos documentos a Fiscalização considerou que a compensação realizada era improcedente, pois não encontrava amparo no artigo 89 da Lei n° 8.212/1991. A Fiscalização concluiu que a compensação, baseada em suposto crédito de natureza não tributária e não passível de compensação por determinação legal, reduziu o montante das contribuições previdenciárias devidas, com o objetivo de evitar ou postergar o pagamento. Assevera também que os fatos que deram causa à compensação eram inexistentes, caracterizando o intuito de fraude. Desta forma, por não haver fundamento de fato que validasse a compensação efetivada, a fiscalização entendeu que o valor compensado em GFIP foi indevido, glosandoo inteiramente. Também foi aplicada a multa prevista no inciso I, do art. 44 da Lei n° 9.430/1996 combinada com o art. 89, § 10, da Lei n° 8.212/1991, ou seja, sobre os valores glosados aplicouse a multa de 150%. O Contribuinte tomou ciência dos Autos de Infração, via postal (AR fl. 198), em 26/05/2014, tendo apresentado Impugnações distintas para os Autos de Infração DEBCAD 51.050.1966 (fls. 202/227) e DEBCAD nº 51.050.1974 (fls. 354/387), tempestivamente, em 25/06/2014. Nas suas Impugnações apresentadas, com o fito de desconstituir os Autos de Infração, o Contribuinte, em síntese, alega: 1. Nulidade do lançamento por falta de motivação. A fiscalização não descreveu os fatos geradores das contribuições previdenciárias e da multa qualificada; 2. Que a fiscalização não demonstrou a existência de ânimo para fraudar o fisco mediante a compensação indevida, não apontando os elementos de fato que dão suporte fático ao dolo de “falsidade de declaração”; Fl. 593DF CARF MF Processo nº 15586.720213/201407 Acórdão n.º 2401005.003 S2C4T1 Fl. 594 5 3. Que a empresa praticou a elisão fiscal e não a evasão fiscal ao se utilizar dos Títulos da Dívida Pública para realizar a compensação das contribuições previdenciárias; 4. Que a multa de mora foi aplicada no seu percentual máximo de 20%, enquanto deveria ter sido levado em consideração a boafé da empresa e a sua contribuição com a fiscalização tributária, aplicando o percentual mínimo, já que não ficou caracterizado o dolo e não houve a vontade de fraudar a Receita Federal; 5. Que a multa qualificada de 150% só poderia ser aplicada quando comprovado a falsidade de declaração, informação, essa, que não consta nos autos. Deste modo que a autuação é nula por violar a ampla defesa do impugnante; 6. Que se houvesse a aplicação da multa, esta não deveria ser duplicada, mas sim abrandada nos termos do artigo 112 do CTN, uma vez que a empresa agiu nos limites da legalidade, ao menos dentro de uma interpretação plausível do ordenamento jurídico. Finaliza sua impugnação pleiteando: 1. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional; 2. A Anulação do Auto de Infração DEBCAD 51.050.1966 no sentido de desconstituir o suposto crédito tributário, ante o vício formal e a correta compensação promovida; 3. Na hipótese de não ser acolhida a tese mencionada, seja a IMPUGNAÇÃO julgada PROCEDENTE para aplicar a multa de mora no mínimo legal; 4. A Anulação do Auto de Infração DEBCAD nº 51.050.1974 no sentido de desconstituir o suposto crédito tributário, ante o vício e a nulidade da "multa isolada" aplicada no patamar de 150% da obrigação principal inadimplida, ante a ausência de "comprovação da falsidade" (de dolo). Também deve ser anulado o auto de infração caso se acolha o argumento de que a compensação glosada pela Receita Federal era correta; 5. Na hipótese de não ser acolhida a tese, seja a IMPUGNAÇÃO julgada PROCEDENTE para reduzir a proporção da multa aplicada, ajustandoa aos patamares constitucionais da proporcionalidade, razoabilidade e vedação ao efeito de confisco das multas, reduzindo o percentual da multa de 150% para 20%; 6. Sejam o IMPUGNANTE e seus procuradores intimados de todos os atos deste processo, sob pena de nulidade. Fl. 594DF CARF MF Processo nº 15586.720213/201407 Acórdão n.º 2401005.003 S2C4T1 Fl. 595 6 Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/BSB para julgamento, que, através do Acórdão nº 0366.304, decidiu pela improcedência das impugnações apresentadas, mantendo os créditos tributários exigidos. O Contribuinte foi notificado do Acórdão e instado a pagar ou a recorrer através da Intimação nº 72/2015 (fl. 526), enviada via Correio (AR fl. 528), em 05/05/2015. Inconformada com a decisão prolatada, em 03/06/2015, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 532 a 559, onde, em síntese, alega: 1. Nulidade dos Autos de Infração por clara violação ao art. 10, inciso II, do Decreto nº 70.235/72 que versa sobre os requisitos formais que devem estar presentes sob pena de nulidade, no caso em tela a descrição do fato gerador; 2. A legalidade da compensação efetuada e diz que a empresa agiu de boafé praticando elisão fiscal ao compensar com Títulos da Dívida Pública, conforme permitido pelo art. 170 do CTN, e não evasão fiscal; 3. Ausência de fraude para aplicar a Multa de Mora no percentual máximo e 20%; 4. Ausência de dolo e prova da falsidade para aplicar a multa qualificada no patamar máximo de 150%; 5. Ter caráter confiscatório a aplicação da multa no patamar máximo de 150%. Finaliza seu Recurso Voluntário requerendo: 1. A Nulidade dos Autos de Infração por ausência de descrição do fato gerador; 2. Subsidiariamente a declaração dos Autos de Infração pela ausência de fraude na compensação dos créditos previdenciários, ou, em caso de improvimento, seja reconhecida a situação fática de elisão fiscal, no lugar de evasão fiscal, pela ausência de dolo e fraude; 3. Seja anulado o Auto de Infração para cancelar a Multa de Mora fixada no patamar máximo de 20%, ou, no caso de improvimento, seja reduzida ao menos em sua metade (10%); 4. Seja reconhecida a nulidade da multa isolada aplicada no patamar de 150%, nos termos da fundamentação, ou, em caso de improvimento, seja reduzida pela metade (75%). Ao final pede que sejam julgados totalmente procedentes os pedidos formulados no RV apresentado a fim de anular os Autos de Infração objeto deste processo. É o relatório. Fl. 595DF CARF MF Processo nº 15586.720213/201407 Acórdão n.º 2401005.003 S2C4T1 Fl. 596 7 Voto Vencido Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Preliminar de nulidade do lançamento Alega a pessoa jurídica Recorrente, a nulidade do lançamento em face da falta de motivação da autuação. Entendo que não assiste razão à Recorrente. A autoridade fiscal possui o dever de fiscalizar o contribuinte, analisar livros e documentos, e proceder o lançamento de ofício (art. 142 do CTN), caso verifique atraso ou falta de recolhimento das contribuições sociais, tais como as decorrentes de compensações indevidas, conforme positivado nos artigos 33 e 37 da Lei nº 8.212/91. Não há que se falar em nulidade quando o lançamento encontrase revestido das formalidades legais e quando estão explicitados todos os elementos concernentes ao lançamento e claramente descritos os motivos da autuação. No presente caso, o ato administrativo de lançamento foi motivado pelo conjunto das razões de fato e de direito que carrearam à conclusão contida na acusação fiscal à luz da legislação tributária compatível com as razões nele apresentadas. Não existe qualquer vício insanável, previsto no Processo Administrativo Fiscal, que possa acarretar nulidade do lançamento, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, a seguir transcrito: Art. 59.São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Assim, afasto a preliminar de nulidade. Fl. 596DF CARF MF Processo nº 15586.720213/201407 Acórdão n.º 2401005.003 S2C4T1 Fl. 597 8 Mérito Da compensação Alega o contribuinte a legalidade da compensação perfectibilizada, em consonância com o disposto no art. 170 do Código Tributário Nacional. Importante se faz nesse pondo destacar o que assevera o Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a compensação como forma de extinção do crédito tributário: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação; Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. De outro lado, em obediência ao disposto pelo CTN, no âmbito federal, o instituto da compensação de tributos federais foi regulamentado pela Lei n.º 8.383/91, que em seu artigo 66 traz as regras concernentes à compensação efetuadas pelo contribuinte, da seguinte forma, in verbis: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (Vide Lei nº 9.250, de 1995) § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) Fl. 597DF CARF MF Processo nº 15586.720213/201407 Acórdão n.º 2401005.003 S2C4T1 Fl. 598 9 No que tange às contribuições previdenciárias, o artigo 89 da Lei n° 8.212/1991, estabelece o comando no sentido de que somente serão compensados os valores pagos ou recolhidos indevidamente a título de contribuições para a seguridade social, senão vejamos: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Assim, o direito à compensação surgirá após o pagamento indevido de contribuição destinada à Seguridade Social, observadas as condições estabelecidas nas normas de regência da matéria. Ocorre que no caso em tela, a Recorrente efetuou a compensação de contribuições previdenciárias devidas, sem qualquer comprovação de que efetivamente ocorreram recolhimentos indevidos ou a maior de contribuição destinada à Seguridade Social. Os documentos apresentados pelo contribuinte relativos a títulos do tesouro nacional, nos item 7 e 8 do RF (fl.19/20), não encontram guarida na legislação pertinente a compensação. Portanto, tendo em vista a existência de valores compensados de forma indevida, correta a glosa da compensação efetuada pela fiscalização. Da multa aplicada Os §§ 9 e 10, do art. 89, da Lei 8.212/91, estabelecem a existência de duas sanções tributárias nas hipóteses de compensação indevida de contribuições previdenciárias: a multa de mora de 20% (multa de mora), tratandose de compensação efetuada indevidamente, e a multa isolada de 150%, nos casos de comprovada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo: Art. 89 [...] § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 598DF CARF MF Processo nº 15586.720213/201407 Acórdão n.º 2401005.003 S2C4T1 Fl. 599 10 Conforme se constata dos presentes autos, ocorreu compensação indevida, razão porque a multa de mora deve ser aplicada. No que tange à multa isolada, a sua aplicação resulta de situações em que ocorra compensação indevida, fruto de uma conduta manifestamente fraudulenta contra o fisco, consubstanciada em ato volitivo de dolo, devendo haver prova da presença do elemento subjetivo. Ou seja, somente caberia imputar a multa isolada de 150% se a fiscalização comprovasse a “falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”, o que não ocorreu no presente caso. Nesse diapasão, verificase que a simples conduta do sujeito passivo de compensar um crédito que entende ser de direito não pode ser tida, presumidamente, como de máfé, em face da necessária comprovação da sua ocorrência, nos exatos termos fixados no § 10 do art. 89 da Lei 8.212/91. Dessa forma, não está materializado, nos autos, os elementos suficientes para imputar à Recorrente a prática da conduta tipificada no art. 89, § 10, da Lei 8.212/1991, que enseja a aplicação da multa isolada de 150%. Conclusão Diante do exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO para excluir do lançamento a multa isolada de 150% (cento e cinquenta por cento) exigida no Auto de Infração nº 51.050.1974. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 599DF CARF MF Processo nº 15586.720213/201407 Acórdão n.º 2401005.003 S2C4T1 Fl. 600 11 Voto Vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Redatora Designada Com a maxima venia, divirjo da I.Relatora quanto à exclusão da multa isolada aplicada pela fiscalização. Conforme indicado pela Relatora, o recorrente não comprovou recolhimentos indevidos ou a maior de contribuição destinada à Seguridade Social, tendo apresentado para fazer a prova exigida documentos relativos a títulos da dívida pública. Ora, tratase de crédito inapropriado, para o qual inexiste previsão legal de utilização e, ainda assim, o recorrente tentou compensálo. O emprego desses títulos na compensação não se trata de questão controvertida, não sendo possível aceitar a alegação de boafé do sujeito passivo. Pelo contrário. Revela uma conduta intencional, consciente e voluntária, para não recolher o valor de contribuição previdenciária confessada em GFIP nas competências sob exame, mediante utilização de crédito sabidamente inexistente para tal fim. Assim, a multa isolada deve ser mantida, uma vez evidenciada e comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo quanto à falsidade nas compensações em GFIP, tal como exige o artigo 89, § 10, da Lei nº 8.212, de 1991. A recorrente argui ainda que a aplicação da multa de 150% tem caráter confiscatório, o que caracterizaria uma afronta a preceito constitucional. Nesse tocante, é forçoso registrar que é defeso aos conselheiros do CARF analisar as arguições de inconstitucionalidades de leis em vigor, a teor da Súmula CARF nº 2 e do artigo 62 do RICARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. RICARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 600DF CARF MF Processo nº 15586.720213/201407 Acórdão n.º 2401005.003 S2C4T1 Fl. 601 12 Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 601DF CARF MF
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